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Numero do processo: 10976.720003/2016-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/02/2012 a 31/12/2014
IPI. DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. DIREITO AO CRÉDITO. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
Não sido apresentada qualquer documentação embasadora do crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal. Com efeito, não basta a simples alegação de que créditos legítimos deixaram de ser considerados no momento da reconstituição da escrita fiscal, a qual determinou o montante final exigido pelo auto de infração, devendo o contribuinte se desincumbir do ônus da prova de mostrar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos de seu direito, nos moldes do artigo 373, inciso II do Código de Processo Civil.
CRÉDITOS DE IPI. ENERGIA ELÉTRICA. INSUMO.Não dá direito ao crédito básico de IPI a aquisição de energia elétrica, uma vez que não é consumida em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário.
MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. CARF.
A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-004.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. DIREITO AO CRÉDITO. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Não sido apresentada qualquer documentação embasadora do crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal. Com efeito, não basta a simples alegação de que créditos legítimos deixaram de ser considerados no momento da reconstituição da escrita fiscal, a qual determinou o montante final exigido pelo auto de infração, devendo o contribuinte se desincumbir do ônus da prova de mostrar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos de seu direito, nos moldes do artigo 373, inciso II do Código de Processo Civil. CRÉDITOS DE IPI. ENERGIA ELÉTRICA. INSUMO.Não dá direito ao crédito básico de IPI a aquisição de energia elétrica, uma vez que não é consumida em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. CARF. A argumentação sobre o caráter confiscatório da multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 72 00 03 /2 01 6- 65 Fl. 347DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Auto de Infração para cobrança de valores devidos a título de Imposto sobre Produtos Industrializados (“IPI”), acrescido de multa de oficio de 75%, além de juros de mora. Por bem consolidar os fatos ocorridos neste processo até o julgamento recorrido, com riqueza de detalhes, colaciono o relatório do Acórdão n. 0960.387, exarado pela 3ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento (DRJ) em Juiz de Fora (MG), in verbis: As razões do lançamento, que alcançou a soma de R$ 525.381,24, estão pormenorizadas no Termo de Verificação Fiscal, que assim vai em apertado resumo: “constatouse que muitos dos saldos de IPI a recolher apurados nos livros Registro de Apuração do IPI não foram declarados em DCTF ... Portanto, lançamos, de ofício, os saldos de IPI a recolher acima discriminados, os quais serão cobrados em processo administrativo de Auto de Infração. Observese que, com a única exceção de agosto de 2012, os débitos acima indicados também não foram pagos. Quanto a este mês, apesar de não haver sido o respectivo débito declarado em DCTF, o contribuinte efetivamente recolheu o saldo constante de sua escrituração. Entretanto, como não houve a concretização do autolançamento, por meio da inclusão do débito na mencionada Declaração, apesar de intimado e reintimado a retificála, cabe à autoridade tributária suprir a lacuna deixada pelo sujeito passivo, promovendo o lançamento de ofício deste montante. Falta de Escrituração do IPI Intimada, no item 6 do Termo de Início de Procedimento Fiscal, a justificar a diferença entre o total destacado de IPI nas notas fiscais de saídas no mês de agosto de 2013, no valor de R$ 115.048,52, e o efetivamente escriturado no RAIPI1 do mesmo mês, no importe de R$ 95.784,19, a empresa admitiu, em sua Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10976.720003/201665 Acórdão n.º 3402004.136 S3C4T2 Fl. 334 3 resposta, ter "debitado erroneamente os valores apurados" nas notas fiscais indicadas na intimação, "devido a inconsistências de lançamentos em sistemas de informática". Desta forma, a diferença apurada, de R$ 19.264,33, será adicionada aos débitos do mês em referência na reconstituição da escrita, que será feita mais adiante, para fins de cobrança. Quanto à nota fiscal n° 005262, também houve admissão de equívoco pelo lançamento a menor, devido, desta vez, a "benefício de redução da base de cálculo do ICMS", o que teria levado o contribuinte a erro no cálculo do IPI, quando teria aplicado o mesmo raciocínio à base de cálculo do imposto federal. As diferenças apuradas, (...), deverão, por conseguinte, ser adicionadas aos débitos de IPI na reconstituição da escrita... Estorno de Créditos Básicos de IPI Material de Uso ou Consumo, Mercadoria Recebida em Demonstração e Nota Fiscal não Localizada 0 atual Regulamento do IPI, em seu artigo 226, inciso I, faculta ao contribuinte o crédito de IPI "do imposto relativo a matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente ". Claro está, portanto, que em relação aos materiais destinados ao uso ou consumo ou recebidos em demonstração, por não serem diretamente utilizados na industrialização de produtos tributados, não é permitida a escrituração do IPI destacado nas notas fiscais de sua aquisição. Evidente também que, se a empresa não logra comprovar a aquisição de seus insumos, tornase impossibilitada de se creditar do imposto pelo qual alega ter sido onerada. Nos termos do art. 251 do RIPI/2010: "Art. 251. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: 1 nos casos dos créditos básicos, incentivados ou decorrentes de devolução ou retorno de produtos, na efetiva entrada dos produtos no estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial; (...) "Em resposta ao Termo de Início de Procedimento Fiscal, o contribuinte declarou não ter localizado a nota fiscal de entrada n° 002547 de 30/12/2003, reconhecendo que o IPI creditado deveria ter sido estornado de seus livros fiscais. Fl. 349DF CARF MF 4 Também admitiu ter se creditado indevidamente do imposto indicado na nota fiscal n° 343275, de 24/03/2012, cujos produtos destinaramse a uso e consumo, o mesmo ocorrendo para a nota fiscal de n° 20661, de 15/07/2013, mas cujos materiais foram recebidas para demonstração. ... A partir da reconstituição efetuada, gerouse o "DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL DIFERENÇAS A COBRAR", constante do Auto de Infração, no qual se determinam, afinal, os valores outros a serem cobrados, diversos dos saldos devedores apurados espontaneamente nos livros fiscais. A insurgência deuse nos termos seguintes: Consoante já ressaltado alhures, o Auto de infração lavrado imputou à Impugnante o não recolhimento ou recolhimento a menor do IPI em virtude do pretenso creditamento indevido do imposto destacado nas notas fiscais de compra de matérias primas, produtos industrializados e materiais de embalagens realizadas pela empresa. Todavia, a fiscalização autuante deixou de considerar grande parte dos créditos do imposto relativo ao IPI incidente na compra de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem incidentes nas compras realizadas pela Impugnante, inclusive nas aquisições realizadas de comerciantes atacadistas, o que, de acordo com a legislação vigente, não impede o direito ao creditamento. Da mesma forma, a fiscalização autuante deixou de considerar o creditamento relativo às devoluções de mercadorias realizadas pelos adquirentes dos produtos fabricados pela Impugnante, o que, a teor do disposto no §1° do artigo 163 do RIPI/02, tem o condão de anular os débitos do imposto devido na saída dos produtos devolvidos. DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITOS DO IMPOSTO NÃO CONSIDERADOS PELA FISCALIZAÇÃO AUTUANTE PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE A fiscalização autuante, ao lavrar o mencionado auto de infração, deixou de considerar grande parte dos créditos do imposto relativo às aquisições de MP, PI e ME| amesquinhando o princípio da não cumulatividade, consoante se passa a demonstrar. DA POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO DAS AQUISIÇÕES REALIZADAS DOS COMERCIANTES ATACADISTAS NÃO CONTRIBUINTES DOS CRÉDITOS PRESUMIDOS Consoante estabelecido acima, o contribuinte faz jus ao creditamento presumido do IPI nas aquisições realizadas de comerciantes atacadistas não contribuintes do imposto, mediante a aplicação da alíquota respectiva do IPI sobre cinquenta por Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10976.720003/201665 Acórdão n.º 3402004.136 S3C4T2 Fl. 335 5 cento do valor da nota fiscal de compra, gerando, pois, ao adquirente, crédito presumido de 50% do valor do imposto. Do DIREITO AO CREDITAMENTO DOS VALORES RELATIVOS ÀS DEVOLUÇÕES DE MERCADORIAS Além disso, não foram considerados pela fiscalização os créditos do imposto relativo às devoluções dos produtos industrializados realizadas pelos adquirentes. Segundo estabelece o §1° do artigo 225 do RIPI, o contribuinte do imposto tem o direito de se creditar do IPI destacado nas notas fiscais de saídas dos produtos industrializados, quando os produtos forem devolvidos pelo adquirente, de forma a anular o débito do imposto devido quando da saída dos produtos. Do DIREITO AO CREDITAMENTO DA ENERGIA ELÉTRICA UTILIZADA NO PROCESSO PRODUTIVO Noutra senda, a fiscalização autuante deixou de considerar como créditos do imposto os valores relativos à energia elétrica, ainda que a mesma esteja classificada na Tabela do imposto como produto não tributado pelo IPI. Tal creditamento se mostra perfeitamente viável e em consonância com o princípio da não cumulatividade, eis que o direito ao abatimento é devido pelo simples fato de que o tributo possa, em tese, incidir sobre tais operações, sendo certo que o direito à compensação deve ser integral. MULTAS EXORBITÂNCIA DA COBRANÇA ...as multas aplicadas têm natureza nitidamente confijscatória, violando o Princípio do NãoConfisco, eis que gravam sobremaneira o patrimônio da Autora, devendo ser anuladas. Sobreveio então o citado Acórdão 0960.387, da 4ª Turma da DRJ/JFA, dando provimento parcial à impugnação do contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/02/2012 a 31/12/2014 IPI. CRÉDITOS ALEGADOS E NÃO COMPROVADOS. ILEGITIMIDADE ARGUMENTATIVA. Os créditos alegados na impugnação devem ser devidamente comprovados por via documental sob pena de ilegitimidade por carência de lastro. NORMAS COMPLEMENTARES. MULTA CONFISCATÓRIA. DESCABIMENTO DE FORMAÇÃO DE JUÍZO PELA AUTORIDADE JULGADORA ADMINISTRATIVA. A discussão acerca do suposto aspecto confiscatório da multa aplicada nos termos do artigo 44 da Lei nº 9.430/96 tem contornos de questionamento de validade de norma jurídica em Fl. 351DF CARF MF 6 pleno vigor, o que extrapola o perímetro de atuação do julgador administrativo. IPI. CONCEITO DE MATÉRIA PRIMA. ILEGITIMIDADE DE APROVEITAMENTO. Nos termos da Súmula CARF nº 19, a energia elétrica não se amolda no conceito de matériaprima empregada no processo produtivo. IPI. SALDO DEVEDOR RECOLHIDO. FALTA DE DECLARAÇÃO NA DCTF. LANÇAMENTO INDEVIDO. Em se tratando de saldo devedor devidamente recolhido, não há de ser legítimo o lançamento de oficio por simples falta de declaração na DCTF. Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho, por meio de peça recursal de fls. 327/343, repisando os argumentos expostos em sua impugnação ao lançamento tributário. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz A Contribuinte teve ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 06/07/2016, conforme informação AR de fls. 325 e apresentou em 03/08/2016 o recurso voluntário de fls. 327/343, conforme artigo 33 do Decreto 70.235/72. Assim, o recurso é tempestivo e os demais requisitos de admissibilidade encontramse preenchidos, então dele tomo conhecimento. Primeiramente, saliento que os valores exonerados pelo DRJ estão abaixo do limite de alçada estabelecido pela Portaria n. 63 do Ministério da Fazenda, de 09 de fevereiro de 2017, não havendo, portanto, recurso de ofício a ser julgado. Permanece, assim, incólume o Acórdão a quo sobre a eliminação do montante de R$ 38.034,01, referente ao período de apuração de agosto/2012, haja vista que o valor em questão foi devidamente recolhido pela Recorrente. Passo à análise dos argumentos apresentados no recurso voluntário. 1. Sobre a existência de crédito de IPI não considerado pela autoridade lançadora A Recorrente brada pelo reconhecimento de que créditos legítimos deixaram de ser considerados no momento da reconstituição da escrita fiscal (créditos básicos relativos à aquisição de MP, PI e ME; créditos presumidos nas aquisições de atacadistas não contribuintes e créditos decorrentes de devoluções de mercadorias), a qual determinou o montante final exigido pelo presente auto de infração. Ocorre que, como bem observou a decisão recorrida, nenhum único documento (notas fiscais, CFOPs, livros, descrição das operações etc) foram trazidos pela Recorrente aos autos para demonstrar o direito que pleiteia. Tal situação não foi alterada pela interposição do recurso voluntário, igualmente despido de qualquer tentativa probatória. A Recorrente, isto sim, apresenta apelo abstrato sobre o direito em tese, trazendo a baila os dizeres constitucionais sobre o princípio Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10976.720003/201665 Acórdão n.º 3402004.136 S3C4T2 Fl. 336 7 da não cumulatividade do IPI, bem como citações doutrinárias sobre o tema. O direito em concreto, entretanto, permaneceu desamparado. Assim, lembrando que a autuação fiscal versa sobre a saída de produto sem lançamento do IPI, por falta de declaração do saldo devedor escriturado, pela falta de escrituração de débito lançado em Nota Fiscal e por crédito básico indevido, entendo que a Recorrente não foi capaz de suprir o ônus da prova que lhe incumbia para qualquer alteração do lançamento tributário. Com efeito, a Recorrente não logrou êxito, nesse processo, em provar fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, do art. 36, da Lei nº 9.784/99 e do artigo 373 do Código de Processo Civil. Percebase que tal entendimento não implica, como alega a Recorrente, em qualquer amesquinhamento do direito ao crédito decorrente do princípio da não cumulatividade do IPI, mas sim denota a impossibilidade de transposição do problema da falta de comprovação do direito creditório. Em abstrato, não há dúvida sobre o direito ao crédito, porém este deve ser demonstrado in concreto, o que não ocorreu no presente processo. Assim, não é possível concordar com a imprecisão do trabalho fiscal aventada pela Recorrente, devendo ser mantido o lançamento tributário nesse ponto. 2. Sobre o direito ao crédito pela aquisição de energia elétrica Outrossim, a Recorrente afirma que a Autoridade Fiscal deveria ter reconhecido o crédito de IPI decorrente da contratação de energia elétrica. Porém, não é possível concordar com tal alegação. Isto porque a energia elétrica não se enquadra no conceito de insumo para fins de creditamento do IPI, uma vez que não é matéria prima ou produto intermediário, não integrando o produto novo, tampouco sendo consumida em contato direto com o produto no processo de industrialização. Lembremos de onde advêm tais conclusões. O artigo 82, inciso I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n°87.981, de 1982 (RIPI/82), determinava que: Art. 82. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei n°4,502, de 1964, art, 25); I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto os de ai/quota zero e os isentos, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente Diante de muitas dúvidas e disputas, o alcance da expressão "consumidos no processo de industrialização", ela foi fixada no Parecer Normativo CST n° 65/79, nos seguintes termos: 10. Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deva entender como produtos 'que embora não se integrando ao Fl. 353DF CARF MF 8 novo produto, forem consumidos no processo de industrialização.' (...) 10.2 A expressão 'consumidos...' há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde de que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. Também o Parecer Normativo CST nº 181, de 1974, publicado no DOU de 23.10.74, já dispunha que: “13 Por outro lado, ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Entre outros, são produtos dessa natureza: limas, rebolos, lâmina de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos, etc.”. Em outros termos “devese considerar no conceito de MP e PI, em sentido amplo, os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, guardando semelhança com as MP e os PI em sentido estrito, semelhança esta que reside no fato de exercerem, na operação de industrialização, função análoga à das MP e PI, ou seja, se consumirem, em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou desse sobre o insumo,” como bem ressaltou o Conselheiro Ivan Allegretti no Acórdão 3403003.446. Especificamente quanto à energia elétrica, a jurisprudência desse Conselho vem caminhando no sentido proposto por esse voto, conforme se depreende das ementas a seguir colacionadas: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/08/1992 a 30/09/2002 Ementa: CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. PRAZO. CINCO ANOS. Nos termos do art. 1º do Decreto nº 20.910/32, o direito de aproveitamento dos créditos do IPI fica sujeito ao prazo de cinco anos, a contar da data de aquisição do insumo. INSUMOS. ENERGIA ELÉTRICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A energia elétrica não se subsume ao conceito de insumo esculpido no Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto. (Processo n. 13898.000652/200217, Acórdão 3402002.380) Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10976.720003/201665 Acórdão n.º 3402004.136 S3C4T2 Fl. 337 9 Ementa(s) Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2002 CRÉDITOS DE IPI. INSUMOS ISENTOS. MANUTENÇÃO E APROVEITAMENTO. Somente os créditos relativos às aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem tributados pelo IPI são suscetíveis de escrituração, apuração e aproveitamento. CRÉDITOS DE IPI. ENERGIA ELÉTRICA. INSUMO. não dá direito ao crédito básico de IPI a aquisição de energia elétrica, uma vez que não é consumida em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Nos termos da Súmula nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado (Número do Processo 15956.000128/200655, Acórdão 3102002.394) Inclusive, a despeito de não tratar especificamente do crédito básico de IPI, mas do presumido, entendo que se aplica ao caso o enunciado veiculado pela Súmula CARF n. 19: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário. A aplicação do enunciado sumular decorre da própria lei, já que o parágrafo único do artigo 3º da Lei n° 9.363, de 1996,1 determina a utilização subsidiária da legislação do IPI com relação aos conceitos de produção, MP, PI e ME. 1 Art. 3º. Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Fl. 355DF CARF MF 10 Assim, tendo em vista a necessidade de que o insumo esteja atrelado ao consumo do produto em função de ação direta em sua fabricação para que seja legítimo o crédito presumido de IPI, entendo que não merece reforma o acórdão recorrido quando não aceitou os créditos decorrentes da aquisição de energia elétrica no caso concreto. 3. Multa confiscatória A Recorrente brada ainda pela decretação do caráter confiscatório da multa que lhe foi aplicada, com base no artigo 150 inciso IV, além do princípio da proporcionalidade e da razoabilidade, todos estampados na Constituição Federal. Entretanto, a argumentação da Recorrente não escapa de uma necessidade de aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, no âmbito do processo administrativo fiscal é expressamente vedado afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, por força do artigo 59 do Decreto no 7.574/2011. Portanto, não conheço da alegação de que a multa seria confiscatória e, portanto, inconstitucional. 4. Conclusão Diante do exposto, voto por não conhecer da questão da confiscatoriedade da multa e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 356DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.009833/2004-41
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
EXCESSO DE DESTINAÇÃO DO IMPOSTO AO FINAM. DEFINITIVIDADE. FALTA DE RECOLHIMENTO.
Se o contribuinte não apresenta o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC no prazo estipulado na legislação, torna-se definitiva a inadmissibilidade da destinação de parte do imposto de renda ao FINAM por ele pretendida, impondo-se o lançamento de ofício do valor do tributo recolhido a menor.
Numero da decisão: 9101-002.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro José Eduardo Dornelas Souza.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araujo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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DEFINITIVIDADE. FALTA DE RECOLHIMENTO. Se o contribuinte não apresenta o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC no prazo estipulado na legislação, tornase definitiva a inadmissibilidade da destinação de parte do imposto de renda ao FINAM por ele pretendida, impondose o lançamento de ofício do valor do tributo recolhido a menor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 98 33 /2 00 4- 41 Fl. 279DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araujo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de auto de infração para cobrança de IRPJ, diante da constatação de imposto recolhido a menor em decorrência de excesso na destinação feita ao FINOR, FINAM ou FUNRES, referente a fatos geradores ocorridos em 31/03/1999 e 30/06/1999. Conforme Relatório da Ação Fiscal (fl.7), mesmo após receber o extrato das aplicações em incentivos fiscais referente ao anocalendário 1999, em 23/09/2002, que informava ao Contribuinte da rejeição de sua opção, não houve apresentação do PERC no prazo estipulado pelo ADE 96/2002. Vale a transcrição dos seguintes trechos do referido relatório: [...] No anocalendário de 1999, a empresa aplicou recursos no FINAM mediante o recolhimento por meio Documento de Arrecadação (DARF), no código 1825 (extrato do Sistema SINAL de fl. 12). Através da entrega da DIPJ (fls. 14 a 117), relativa ao anocalendário de 1999, a contribuinte complementou sua opção no FINAM, conforme ficha 16 (fl. 46)[...]. Por meio do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais IRPJ/2000, anocalendário 1999, recebido em 23/09/2002 (fls. 119 a 121), a empresa teve sua opção rejeitada, visto que incidiu nas ocorrências 5 (Redução de valor por erro na apuração da base de cálculo) e 14 (contribuinte omisso de DIRF, DITR, e/ou DCTF' Lei 9.069/95). (Grifouse) De acordo com informação constante do processo n° 11080.009458/200430, doc. de fl. 04 (cópia anexada na fl. 122), não houve manifestação, por parte do interessado, referente ao citado Extrato no prazo legal que, no anocalendário de 1999, foi até o dia 28/02/2003, em consonância com o ADE/CORAT nº. 96, de 19/02/2002. (Grifouse) A impugnação proposta pelo Contribuinte foi julgada improcedente pela DRJ de Porto Alegre. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao CARF. No julgamento do Recurso a 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 1ª Seção de Julgamento a ele negou provimento, conforme ementa e decisão abaixo transcritas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 1999 EXCESSO DE DESTINAÇÃO DO IMPOSTO AO FINAM. DEFINITIVIDADE. FALTA DE RECOLHIMENTO. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 11080.009833/200441 Acórdão n.º 9101002.715 CSRFT1 Fl. 281 3 Se o contribuinte não apresenta o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC no prazo estipulado na legislação, tornase definitiva a inadmissibilidade da destinação de parte do imposto de renda ao FINAM por ele pretendida, impondose o lançamento de ofício do valor do tributo recolhido a menor. Recurso de Voluntário desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Cientificado da decisão o Contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência. Sobre a demonstração da divergência alega que no Acórdão 1101.00 239, a 1ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara, entendeu que o prazo para apresentação do PERC é o prazo quinquenal de decadência do direito à restituição ou compensação de indébitos, não aplicando o prazo previsto no ADE 96/2002. Em suas razões, alega o Contribuinte que o ADE 96/2002 dispõe de forma diversa do CTN sobre os prazos de decadência e prescrição (arts. 168 e 173), de modo que tornase ato ilegal, por ferir a hierarquia normativa. A Autoridade competente deu seguimento ao Recurso Especial, nos seguintes termos: “O acórdão paradigma, ao analisar a entrega do PERC que foi indeferido pela autoridade administrativa por ter sido apresentado depois de esgotado o prazo estipulado no Ato Declaratório Executivo Corat nº 96/2002, entendeu que o prazo para a apresentação do PERC é de cinco anos contados da entrega da declaração de rendimentos, aplicando por analogia o prazo previsto no art. 168 do CTN para pleitear a restituição de indébito. O acórdão recorrido, por sua vez, ao examinar a mesma situação manteve o indeferimento do PERC, por ter sido apresentado depois de esgotado o prazo estipulado no Ato Declaratório Executivo Corat nº 96/2002.” Regularmente intimada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, alegando e requerendo, em suma: ü Que o artigo 168 do CTN não incide no caso em tela pois trata de prazo para a restituição do pagamento indevido (referente ao tributo) e, na hipótese vertente, tratase de prazo para requerimentos de incentivos fiscais, mais especificamente, referentes às opções pelo FINAM, FINOR ou FUNRES; ü Que em contraposição à tese que defende a aplicação, por analogia, do prazo do art. 168 do CTN, como prazo para apresentação do Fl. 281DF CARF MF 4 PERC, o acórdão nº 180200.331 expõe as deficiências desse entendimento. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido o Recurso Especial interposto. Como visto, a questão a ser aqui debatida resumese no prazo para apresentação do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real poderá optar pela aplicação de parcelas do imposto de renda devido em incentivos fiscais destinados ao FINOR, FINAM e FUNRES, conforme dispõe os artigos 592 e 593, do RIR/99, verbis: Art. 592. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real poderá optar pela aplicação de parcelas do imposto de renda devido, nos termos do disposto neste Capítulo, em incentivos fiscais especificados nos arts. 609, 611 e 613 (DecretoLei nº 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. 1º). Art. 593. O valor do imposto recolhido na forma dos arts. 454 e 455, mantidas as demais disposições sobre a matéria, integrará o cálculo dos incentivos fiscais destinados ao FINOR, FINAM e FUNRES (Lei nº 8.541, de 1992, art. 11). Para tanto, as pessoas jurídicas poderão manifestar a opção na declaração de rendimentos ou no curso do anocalendário, nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado, apurado mensalmente, ou no lucro real, apurado trimestralmente, a teor do artigo 601, do RIR/99: Art. 601. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão manifestar a opção pela aplicação do imposto em investimentos regionais (arts. 609, 611 e 613) na declaração de rendimentos ou no curso do anocalendário, nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado (art. 222), apurado mensalmente, ou no lucro real, apurado trimestralmente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 4º). A Secretaria da Receita Federal, com base nas opções exercidas pelos contribuintes e no controle dos recolhimentos, expedirá, em cada anocalendário, à pessoa jurídica optante, extrato de conta corrente contendo os valores efetivamente considerados como imposto e como aplicação nos fundos de investimento. À época, inexistia legislação regulamentando o prazo para apresentação do PERC, tal qual ocorreu posteriormente com o Decreto nº 7.574/2011, artigo 126, §2º, que assim dispõe: Fl. 282DF CARF MF Processo nº 11080.009833/200441 Acórdão n.º 9101002.715 CSRFT1 Fl. 282 5 § 2º O pedido de revisão da ordem de emissão de incentivos fiscais deve ser apresentado, salvo prazo maior concedido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil: I no prazo de trinta dias, contados da ciência do extrato no qual as opções não aparecem formalizadas ou se apresentam com divergências (DecretoLei nº 1.752, de 1979, art. 3º; Decreto no 70.235, de 1972, art. 15); ou II até o dia 30 de setembro do segundo ano subsequente ao exercício financeiro a que corresponder a opção, no caso de não recebimento do extrato (DecretoLei no 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. 15, § 5º, com redação dada pelo Decreto Lei no 1.752, de 1979, art. 1o). Contudo, a interpretação das regras existentes à época já levava à conclusão de que o procedimento era semelhante ao regulamentado no Decreto acima descrito. O §4º, do artigo 603 do RIR/99, determinava o prazo de 30 de setembro do terceiro ano subsequente ao anocalendário a que corresponder a opção para os contribuintes reclamarem os títulos pertinentes aos valores destinados aos Fundos; e o §5º, do mesmo artigo dispunha que Receita Federal, expediria, em cada anocalendário, à pessoa jurídica optante, extrato de conta corrente contendo os valores efetivamente considerados como imposto e como aplicação nos fundos de investimento, nos seguintes termos: Art. 603. A Secretaria da Receita Federal, com base nas opções exercidas pelos contribuintes e no controle dos recolhimentos, encaminhará, para cada anocalendário, aos Fundos referidos no art. 595, registros de processamento eletrônico de dados que constituirão ordens de emissão de certificados de investimentos, em favor das pessoas jurídicas optantes (DecretoLei nº 1.376, de 1974, art. 15, e DecretoLei nº 1.752, de 31 de dezembro de 1979, art. 1º). (...) § 4º Reverterão para os fundos de investimento os valores das ordens de emissão cujos títulos pertinentes não forem procurados pelas pessoas jurídicas optantes até o dia 30 de setembro do terceiro ano subseqüente ao anocalendário a que corresponder a opção (DecretoLei nº 1.376, de 1974, art. 15, § 5º, e Decreto Lei nº 1.752, de 1979, art. 1º). (...) § 5º A Secretaria da Receita Federal, com base nas opções exercidas pelos contribuintes e no controle dos recolhimentos, expedirá, em cada anocalendário, à pessoa jurídica optante, extrato de conta corrente contendo os valores efetivamente considerados como imposto e como aplicação nos fundos de investimento (DecretoLei nº 1.752, de 1979, art. 3º). A conclusão da interpretação sistemática dessas normas é no sentido de que não recebido o extrato o contribuinte possuía até o dia 30 de setembro do terceiro ano Fl. 283DF CARF MF 6 subsequente ao anocalendário da opção para reclamar seus títulos; recebido o extrato invalidando, total ou parcialmente a opção, o prazo seguiria o padrão para defesa em processo administrativo fiscal. Tanto é assim que no corpo dos referidos extratos já constava o referido prazo, conforme se pode ver do documento de folhas 154 dos presentes autos, cuja cópia parcial se colaciona abaixo: Para o anocalendário de 1999, entretanto, em função do ADE 96/2002 esse prazo foi estendido, mas, conforme o documento acima mencionado, esse novo prazo foi observado no presente caso. Importante aqui transcrever os termos do referido ADE: O COORDENADORGERAL DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA em exercício, no uso de suas atribuições, declara: Art. 1º Os Pedidos de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC, relativos às opções pelo FINAM, FINOR ou FUNRES, manifestadas em relação ao imposto de renda devido no anocalendário de 1999, na forma do art. 1º, inciso I, da Lei nº 8.167, de 16 de janeiro de 1991, poderão ser apresentados até 28 de fevereiro de 2003 à unidade da Secretaria da Receita Federal com jurisdição sobre o domicílio fiscal da pessoa jurídica. Pois bem. Conforme as regras aqui mencionadas não se pode entender que não havia previsão normativa à época sobre o prazo de apresentação do PERC, como pretende o contribuinte. Logo, não há como se aplicar as regras que tratam do prazo para restituição/compensação de tributos, contidas no CTN para apresentação do PERC. Nesse contexto, NEGO provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 284DF CARF MF Processo nº 11080.009833/200441 Acórdão n.º 9101002.715 CSRFT1 Fl. 283 7 Fl. 285DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.006166/2007-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1999 a 30/09/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO.
Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
SÚMULA CARF nº 101.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial para (i) considerar não alcançada pela decadência a competência 12/2000 e (ii) para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, vencido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que lhe deu provimento parcial em menor extensão.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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SÚMULA CARF N° 101. 67.636.4010 CS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PENALIDADE/RETROATIVIDADE BENIGNA AIOP/AIOA: FATOS GERADORES ANTERIORES À MP Nº 449, DE 2008. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SANTA CATARINA TURISMO S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1999 a 30/09/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SÚMULA CARF nº 101. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 61 66 /2 00 7- 21 Fl. 161DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial para (i) considerar não alcançada pela decadência a competência 12/2000 e (ii) para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, vencido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que lhe deu provimento parcial em menor extensão. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo de auto de infração AI NFLD DEBCAD nº 37.002.6985, à efl. 02, cientificado à contribuinte acima qualificada, em 07/08/2006 (efl. 53), com relatório fiscal às efls. 48 a 52. O lançamento visou à constituição de créditos de contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre as remunerações de pessoas físicas, por serviços prestados à contribuinte, considerados pela fiscalização como segurados contribuintes individuais, correspondentes a parte da empresa, e as relativas a Terceiros (SEST e SENAT). O crédito lançado atingiu o montante de R$ 9.581,51, consolidado na data de 31/07/2006, para o período de apuração de 01/05/1999 a 30/09/2005. A NFLD foi impugnada, às efls. 54 a 60, em 17/08/2006. Já a Seção de Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária em Florianópolis, na DECISÃONOTIFICAÇÃO N° 20.4014/0518/2006, prolatada em 07/11/2006, às efls. 79 a 85, considerou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformada, em 16/08/2007, a contribuinte, interpôs recurso voluntário RV, às efls. 88 a 96, argumentando, em síntese que: § seria inconstitucional a exigência de depósito recursal; § haveria decadência do direito de o fisco constituir o crédito que exigiu, pois em se aplicando o critério de contagem do art. 173, inciso I, do CTN, o prazo teria sido extinto em 21/12/2005; Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11516.006166/200721 Acórdão n.º 9202005.377 CSRFT2 Fl. 162 3 § haveria nulidade da notificação de lançamento por ter sido desrespeitado o prazo de fiscalização sem prorrogação em tempo hábil para sua execução. O recurso voluntário foi apreciado pela 3ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento em 15/03/2011, resultando no acórdão 280300.535, às efls. 109 a 116, que tem a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento. EXTRAPOLAMENTO DE PRAZO DE ENCERRAMENTO DE FISCALIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Mandado de Procedimento Fiscal, instituído pelo Decreto n. 3.969/2001, é apenas um instrumento de natureza jurídica administrativogerencial, que não afeta o ato de lançamento lavrado posterior ao final do prazo de encerramento de fiscalização. Tanto que o MPF não tem o condão de interromper a decadência, como faz a ciência da NFLD que consubstancia o ato de lançamento do crédito tributário. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO EX OFÍCIO. REDUÇÃO DE MULTA MORATÓRIA.PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E MORALIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ART. 106, II, E 112, DO CTN. ALTERAÇÃO DO ART. 35, DA LEI N. 8.212/1991, PELA LEI N. 11.941/2009. Em razão dos princípios da legalidade e moralidade da Administração Pública, e do disposto nos artigos 106, II, e 112, ambos do CTN, observando que o limite máximo 20% (vinte por cento) a ser aplicado a título de multas moratórias, conforme o art. 61, §2º, da Lei n. 9.430/1996, é inferior à multa moratória aplicada aos valores do créditos tributários lançados na NFLD, com base no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Lei n. 11.941/2009, o lançamento do crédito tributário deve se adequar a multa moratória à aplicação da menor sanção, reduzindose a multa moratória, ex oficio. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO EX OFÍCIO. REDUÇÃO DE MULTA MORATÓRIA.PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E MORALIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ART. 106, II, E 112, DO CTN. ALTERAÇÃO DO ART. 35A, DA LEI N. 8.212/1991, PELA LEI N. 11.941/2009. Em razão dos princípios da legalidade e moralidade da Administração Pública, e do disposto nos artigos 106, II, e 112, ambos do CTN, na aplicação da multa de ofício a aplicada aos Fl. 163DF CARF MF 4 valores do créditos tributários lançados por oficio em NFLD de fatos geradores não declarados em GFIP, deve aplicado o art. 35A, da Lei n. 8.212/1991, incluído pela MP n. 449/2008 convertida na Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao sujeito passivo, comparandose a aplicação da multa do art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, com a multa do art. 35, da Lei n. 8.212/1992, na redação anterior à MP n. 449/2008. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), no sentido de declarar decadentes os créditos lançados com base em fatos geradores anteriores à 1º de janeiro de 2001, bem como que à multa moratória sobre os créditos constituídos e declarados em GFIP seja aplicada em conformidade com o disposto no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, combinado com o art. 61, da Lei n. 9.430/1996, desde que mais favorável ao sujeito passivo, e quanto aos créditos constituídos por ofício que deve ser aplicado o art. 35A, da Lei n. 8.212/1992, incluído pela MP n. 449/2008 convertida na Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao sujeito passivo, comparandose a aplicação da multa do art. 35A, da Lei n. 8.212/1992, combinado com o art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, com a multa escalonada do art. 35, da Lei n. 8.212/1992, na redação anterior à MP n. 449/2008. Os Conselheiros Oséas Coimbra Junior e Eduardo de Oliveira divergiram quanto a aplicação da multa. Embargos de declaração da Fazenda Nacional Cientificada do acórdão em 30/06/2011 (efl. 118), a Procuradoria da Fazenda Nacional manejou embargos de declaração a ele, em 01/07/2011, à efl. 120. A Procuradora pleiteia a retificação da contagem do prazo decadencial do acórdão, pois ao ser nele adotado como fundamento da decadência de períodos lançados, o art. 173, inciso I do CTN, a contagem a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o fisco poderia proceder ao lançamento implicaria não existir decadência relativamente à competência de 12/2000. Apreciando os embargos, o Presidente da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, no despacho nº 280313, em 24/04/2012, às efls. 122 a 124, rejeitou tais embargos, entendendo que a Procuradoria não indicou, especificamente, obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado. RE da Fazenda Nacional Intimada, em 27/09/2012 (efl. 126), a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional interpôs, às efls. 128 a 138, recurso especial de divergência RE ao citado acórdão, em 28/09/2012, entendendo que o aresto diverge de dois entendimentos firmados no CARF: a) no tocante à decadência, com efeito sobre a competência de 12/2000 e b) no tocante à aplicação da multa de forma mais benigna à contribuinte. a) Da decadência Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11516.006166/200721 Acórdão n.º 9202005.377 CSRFT2 Fl. 163 5 Diverge o recorrido em não proceder à contagem do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ser efetuado o lançamento, especificamente em relação ao mês de dezembro de 2000, indo de encontro aos acórdãos paradigmas nº 240101.759 e nº 910100.901. b) Da multa Nessa seara, o acórdão recorrido entendeu que deveria ser aplicada ao caso a retroatividade benigna, sob o fundamento de que o artigo 35, caput, da Lei n° 8.212/1991 deveria ser observado e comparado com a atual redação emprestada pela Lei n° 11.941/2009. E como na atual redação, há remissão ao art. 61 da Lei n° 9.430/96, entendeu que o patamar da multa aplicada estaria limitado a 20% (§ 2° do art. 61). Por sua vez, acórdão paradigma nº 240100.120 apresenta o entendimento de que o art. 35 da Lei n° 8.212/1991 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei n° 11.941/2009, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430/96. No julgado paradigma, a aplicação da retroatividade benigna na forma de aplicação do art. 61, § 2°, da Lei n° 9.430/1996 (norma à qual a atual redação do caput do art. 35 com a redação dada pela Lei n" 11.941/2009 faz remissão) foi rechaçada de forma expressa. Por fim, requer que o RE seja conhecido e provido para que seja reformado o acórdão seguindo os entendimentos esposados nos paradigmas. O RE da Procuradora foi apreciado pelo então Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, por meio do despacho nº 2300079/2013, datado de 07/03/201312, às efls. 139 a 144, entendendo ele por lhe dar seguimento, no tocante às duas divergências expostas, em face do cumprimento dos requisitos regimentais. Contrarrazões da contribuinte A contribuinte foi cientificada (efl. 146) do acórdão nº 280300.535, do RE interposto pela Fazenda Nacional e do despacho de admissibilidade nº 2300079/2013, em 24/04/2013. Ela apresentou contrarrazões ao RE, em 08/05/2013, às efls. 148 a 156, combatendo que deva o CARF se jungir ao decidido pelo STJ com base em determinação de Portaria do Ministério da Fazenda, que entende nula, e invocando cerceamento de defesa por alegado descumprimento do prazo previsto no § 2º do art. 7º do Decreto nº 70.235/1972. Por fim, invoca a manutenção da exegese do relator do acórdão recorrido em matéria de decadência, bem como no tocante à retroatividade benigna na aplicação da multa. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 165DF CARF MF 6 Inicialmente, cabe ressaltar que o argumento trazido pela contribuinte em contrarrazões, relativamente a suposto cerceamento de defesa por desrespeito ao prazo do § 2º do art. 7º do Decreto nº 70.235/1972 é matéria estranha ao RE aqui sob questionamento. Entendese que poderia a contribuinte ter interposto recurso Especial de Divergência a respeito dessa matéria, caso tivesse apresentado paradigmas que contrariassem o decidido com relação ao seu recurso voluntário, mas não é o que se encontra no documento de efls. 148 a 156, por isso tomado apenas como contrarrazões. Assim, serão analisadas as divergências pela ordem exposta no relatório acima. a) Da decadência A discussão sobre a decadência cingese à determinação do critério jurídico de aplicação da regra decadencial veiculada pelo art. 173, I, do CTN, se: (a) a partir do primeiro dia do exercício subsequente ao do fato gerador, conforme entendido pela decisão recorrida ou (b) a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado, conforme defendido pela recorrente. Antes de analisar a questão, porém, é importante esclarecer que não cabe mais aqui perquirir a existência ou não de pagamento antecipado, independentemente do entendimento do colegiado a quo, do que seria pagamento antecipado, porque foi peremptoriamente afirmada sua inexistência, sem qualquer oposição do sujeito passivo em sede de contrarrazões. Ora, fato afirmado por uma parte e não contradito pela outra deve ser considerado como verdadeiro pelo julgador. Feito o esclarecimento acima, volto à análise da questão, cujo deslinde é simples, por se tratar de matéria sumulada a que os conselheiros do CARF estão vinculados. Tratase da Súmula CARF n° 101, cujo enunciado é reproduzido abaixo: Súmula CARF nº 101 : Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Portanto, de fato, conforme defendido pela recorrente, na hipótese de aplicação do art. 173, I, do CTN, que é o caso em questão, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, fazendo com que não tenha havido decadência relativamente ao período de apuração de dezembro de 2000. b) Da multa Nessa matéria, a solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11516.006166/200721 Acórdão n.º 9202005.377 CSRFT2 Fl. 164 7 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 167DF CARF MF 8 Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no auto de infração de obrigação acessória AIOA somado com a multa aplicada na NFLD do auto de infração da obrigação principal AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 11516.006166/200721 Acórdão n.º 9202005.377 CSRFT2 Fl. 165 9 § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Fl. 169DF CARF MF 10 Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 11516.006166/200721 Acórdão n.º 9202005.377 CSRFT2 Fl. 166 11 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora Fl. 171DF CARF MF 12 fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, há que se aplicar o critério de retroatividade benigna em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04/12/2009. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento em parte ao Recurso Especial da Fazenda Nacional para: (a) considerar não decaído o direito de constituição do crédito tributário relativo aos fatos ocorridos em dezembro de 2000 e (b) para que haja a apuração da multa de acordo com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 11516.006166/200721 Acórdão n.º 9202005.377 CSRFT2 Fl. 167 13 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 173DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.007336/2010-96
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2004
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.INCIDÊNCIA
O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. SUBCONTRATAÇÃO DE FRETES. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DE VALORES REPASSADOS A TERCEIROS.
A base de cálculo do PIS e da Cofins é a totalidade da receita operacional auferida pela pessoa jurídica, não se permitindo a exclusão de valores repassados a terceiros, em virtude da subcontratação de serviços.
Numero da decisão: 9303-005.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial, apenas quanto aos juro de mora sobre a multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2004 JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.INCIDÊNCIA O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. SUBCONTRATAÇÃO DE FRETES. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DE VALORES REPASSADOS A TERCEIROS. A base de cálculo do PIS e da Cofins é a totalidade da receita operacional auferida pela pessoa jurídica, não se permitindo a exclusão de valores repassados a terceiros, em virtude da subcontratação de serviços. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial, apenas quanto aos juro de mora sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 73 36 /2 01 0- 96 Fl. 2960DF CARF MF Processo nº 10935.007336/201096 Acórdão n.º 9303005.276 CSRFT3 Fl. 2.961 2 (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional e Contribuinte com fundamento no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, contra ao acórdão nº 3301001.612, proferido pela 3º Câmara/1º Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que decidiu em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para que sejam excluídos das bases de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins os valores das receitas de vales pedágios e das receitas de fretes de transportes de produtos destinados à exportação, efetivamente comprovadas, nos termos do art. 40 da Lei nº 10.865, de 30/04/2004, cabendo a autoridade administrativa competente, apurar novos valores para o PIS e Cofins, em virtude daquelas exclusões, acrescendolhes as cominações legais, juros de mora e multa de ofício, no percentual de 75,0%, sendo que os juros de mora sobre a multa de ofício somente são cabíveis depois de decorridos 30 (trinta) dias da decisão administrativa definitiva desfavorável ao contribuinte. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Curitiba que julgou improcedente a impugnação interposta contra os lançamentos das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), ambas com incidência não cumulativa, referentes aos fatos geradores dos meses de competência de janeiro a novembro de 2009. Os lançamentos decorreram de diferenças entre os valores das contribuições declarados/pagos e os efetivamente devidos, apurados com base nos documentos fiscais e contábeis da recorrente, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de cada um dos Autos de Infração e termo de verificação fiscal às fls. 262/267. Analisada a impugnação, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme acórdão nº 0631.754, datado de 18/05/2011, às fls. 478/487, sob as seguintes ementas: “IMUNIDADE. INTERPRETAÇÃO. Os dispositivos constitucionais sobre imunidade devem ser compreendidos dentro dos limites de sua interpretação literal. Fl. 2961DF CARF MF Processo nº 10935.007336/201096 Acórdão n.º 9303005.276 CSRFT3 Fl. 2.962 3 RECEITA DE PEDÁGIO. BASE DE CÁLCULO. Nos termos da legislação de regência, somente os valores correspondentes aos valepedágios recebidos são excluídos da base de cálculo da Cofins. SUBCONTRATAÇÃO DE FRETES. BASE DE CÁLCULO. Os valores que, computados como receita, foram repassados para outras pessoas jurídicas em razão da subcontratação de serviços (fretes), não podem ser excluídos do faturamento, constituindo, assim, base de cálculo da Cofins. PEDÁGIO. RECEITA. BASE DE CÁLCULO. Nos termos da legislação de regência, somente os valores correspondentes aos valepedágios recebidos são excluídos da base de cálculo do PIS. SUBCONTRATAÇÃO DE FRETES. BASE DE CÁLCULO. Os valores que, computados como receita, foram repassados para outras pessoas jurídicas em razão da subcontratação de serviços (fretes), não podem ser excluídos do faturamento, constituindo, assim, base de cálculo do PIS. MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. Cobramse juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), e multa de ofício, por expressa previsão legal.” O acórdão de decisão recorrida restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2009 BASE DE CÁLCULO. RECEITAS. VALES PEDÁGIO. EXCLUSÃO. As receitas de vales pedágio não integram a base de cálculo da contribuição para o PIS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS. FRETES DE PRODUTOS DESTINADOS À EXPORTAÇÃO. EXCLUSÃO. As receitas de fretes no transporte de produtos destinados à exportação gozam da suspensão da contribuição, devendo ser excluídas da base de cálculo do PIS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2004 Fl. 2962DF CARF MF Processo nº 10935.007336/201096 Acórdão n.º 9303005.276 CSRFT3 Fl. 2.963 4 BASE DE CÁLCULO. RECEITAS. VALES PEDÁGIO. As receitas de vales pedágio não integram a base de cálculo da contribuição para a Cofins. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS. FRETES DE PRODUTOS DESTINADOS À EXPORTAÇÃO. EXCLUSÃO. As receitas de fretes no transporte de produtos destinados à exportação gozam da suspensão da contribuição, devendo ser excluídas da base de cálculo da Cofins. MULTA DE OFÍCIO Nos lançamentos de ofício, para constituição de crédito tributário, incide multa punitiva calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo ou contribuição lançados, segundo a legislação vigente. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. A exigência de juros de mora sobre a multa de ofício somente é cabível se aquela não for paga depois de decorridos 30 (trinta) dias da ciência do sujeito passivo da decisão administrativa definitiva que julgou procedente o crédito tributário. Recurso Voluntário Provido em Parte Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, sustentando a incidência de PIS e Cofins sobre receitas relativas a vale pedágio, bem como, a incidência dos juros sobre a multa de ofício a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento ao mês. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foram apontados como paradigmas, o Acórdãos nºs 2302002.054 e 910100.539. Em seguida, o recurso teve seguimento em razão de ter sido comprovada a divergência jurisprudência no sentido de que o acórdão recorrido decidiu que os juros sobre a multa de ofício incidem somente após 30 dias contados da decisão administrativa definitiva, enquanto o paradigma entende que os juros incidem sobre a multa de ofício a partir do 31º dia do lançamento, nos termos do Despacho de Admissibilidade, fls. 558/561. Nada obstante, do reexame de admissibilidade, o Presidente do Carf, decidiu por manter, na íntegra, o despacho do Presidente da Câmara, que deu seguimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, apenas quanto à matéria “2 – Termo de início da incidência de juros sobre a multa de ofício, fls. 562/563. Por outro lado, a Contribuinte também interpõe Recurso Especial, requerendo que seja recebido e processado em face das divergências jurisprudenciais demonstradas, e ao final seja provido para reformar parcialmente a decisão recorrida para excluir do lançamento da Cofins e do Pis o valor de repasse do frete a terceiro subcontratado para a prestação do serviço Fl. 2963DF CARF MF Processo nº 10935.007336/201096 Acórdão n.º 9303005.276 CSRFT3 Fl. 2.964 5 de transporte, e excluir a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento). Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foram apontados como paradigmas, os Acórdãos nºs 910100.722 ( PIS e COFINS Juros sobre a multa de ofício) e 20177.020 (Pis e Cofins – Base de Cálculo – Exclusão das receitas decorrentes de subcontratação de serviços de fretes). Em seguida, o recurso teve seguimento especialmente quanto a incidência ou não de juros sobre a multa de ofício, bem como, a inclusão ou não das receitas decorrentes de subcontratação de serviços de frete, nos termos do Despacho de Admissibilidade, fls.623/625. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, fls.627/632. É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator Os Recursos foram apresentados com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, deles tomo conhecimento e passo a decidir. O dissenso jurisprudencial submetido ao crivo deste Colegiado cingese em relação ao termo de início da incidência de juros sobre a multa de ofício, e a exclusão da base de cálculo do PIS e COFINS das receitas decorrentes de subcontratação de serviços de fretes. Com efeito, quanto ao Recurso da Fazenda Nacional, adoto como fundamento em minhas razões de decidir o voto condutor do acórdão nº 9303004.126, de 07 de junho de 2016, de relatoria do Ilustre Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, versando sobre a mesma matéria, bem como, sobre o termo de início da incidência de juros sobre a multa de ofício, que passa a fazer parte integrante deste voto. Vejamos: "Na sessão de janeiro de 2016, essa matéria foi enfrentada por esse Colegiado, dando origem ao Acórdão nº 9303.003385, da lavra do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. O conselheiro com sua habitual argúcia abordou o tema de forma profunda e didática. Como suas razões de decidir refletem minha posição sobre a matéria, peço vênia reproduzilas e utilizálas como se minhas fossem, verbis: Sobre esse tema já tive oportunidade de me manifestar algumas vezes, e sempre o fiz no sentido de não conhecer da matéria por não estar ela submetida ao rito do Decreto 70.235/1972, vez que esses acréscimos moratórios são afeitos à execução do acórdão, e, como, tal, não integraria a lide, cujo contorno fora delineado pela impugnação, e, Fl. 2964DF CARF MF Processo nº 10935.007336/201096 Acórdão n.º 9303005.276 CSRFT3 Fl. 2.965 6 por óbvio, esta não contemplaria tal matéria. Todavia, apesar de ainda continuar a pensar dessa forma, esse não é o entendimento do Colegiado, que por diversas vezes, entendeu ser competente para enfrentar a matéria. Diante disso, resguardo meu entendimento, e passo a adotar o da maioria, no sentido de admitir essa matéria como sujeita ao rito do PAF. Passemos agora, ao exame da questão. O Colegiado a quo afastou os juros sobre a multa de oficio sob o argumento de que haveria necessidade de lei específica que previsse tal hipótese. A meu sentir, esse entendimento não merece guarida, vez que a legislação tributária prevê, expressamente, a incidência de juros moratórios sobre o crédito tributário não pagos no vencimento, aí incluídos o decorrente de penalidades, conforme demonstrarseá linhas abaixo. A obrigação tributária principal, como é de conhecimento de todos, surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento do tributo ou de penalidade pecuniária, e extinguese com o crédito dela decorrente. Essa é a dicção do § 1º do 1art. 113 do CTN. A seu turno, o 2art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Do cotejo desses dispositivos legais, concluise, sem qualquer margem à dúvida, que o crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária, visto que ambos constituem a obrigação tributária, a qual tem a mesma natureza do crédito a ela correspondente. Um é a imagem, absolutamente, simétrica do outro, apenas invertida, como ocorre no reflexo do espelho. Olhandose do ponto de vista do credor (pólo ativo da relação jurídica tributária, verse á o crédito tributário; se se transmutar para o pólo oposto, que se verá, justamente, o inverso, uma obrigação. Daí o art. 139 do CTN declarar expressamente que um tem a mesma natureza do outro. Assim, como o crédito tributário correspondente à obrigação tributária e esta é constituída de tributo e de penalidade pecuniária, a conclusão lógica, e a única possível, é que a penalidade é crédito tributário. 1 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. 2 Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Fl. 2965DF CARF MF Processo nº 10935.007336/201096 Acórdão n.º 9303005.276 CSRFT3 Fl. 2.966 7 Estabelecidas essas premissas, o próximo passo é verificar o tratamento dispensado pela Legislação às hipóteses em que o crédito não é liquidado na data de vencimento. Primeiramente, temse a norma geral estabelecida no Código Tributário Nacional, mais precisamente no caput do 3art. 161, o qual dispõe que, o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Essa norma geral, por si só, já seria suficiente para assegurar a incidência de juros moratórios sobre multa não paga no prazo de vencimento, pois disciplina especificamente o tratamento a ser dado ao crédito não liquidado no tempo estabelecido pela legislação tributária, mas o legislador ordinário, para não deixar margem à interpretação que discrepasse desse entendimento, foi preciso ao estabelecer que o crédito decorrente de penalidades que não forem pagos no respectivo vencimento estarão sujeitos à incidência de juros de mora. Essa previsão consta, expressamente, do art. 43 da Lei 9.430/1996, que se transcreve linhas abaixo. "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Da leitura do dispositivo acima transcrito, concluise, facilmente, sem necessidade de se recorrer a 4Hermes ou a uma 5Pitonisa, que o crédito tributário, relativo à penalidade pecuniária, constituído de ofício, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros moratórios, calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 3 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. 4 Na Mitologia Grega, Hermes filho de Zeus e da misteriosa Ninfa Maia (também chamada de Noite) era considerado como mensageiro ou intérprete da vontade dos deuses do Olympo, deu origem ao termo hermenêutica. 5 Os gregos davam o nome de Pitonisas a todas as mulheres que tinham a profissão de adivinhas, porque o deus da adivinhação, Apolo, era cognominado de Pítio, quer por haver matado a serpentedragão Píton, quer por ter estabelecido o seu oráculo em Delfos, cidade primitivamente chamada Pito. Fl. 2966DF CARF MF Processo nº 10935.007336/201096 Acórdão n.º 9303005.276 CSRFT3 Fl. 2.967 8 Em síntese, temse que o crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento Após algumas manifestações em sentido contrário, a jurisprudência das Turmas Julgadoras do CARF e da Câmara Superior de Recursos Fiscais vem se inclinando no sentido de admitir a incidência da Taxa Selic sobre multa de ofício. A título de exemplo, citase: a) Acórdão 9101000.539: Assunto: Juros Sobre Multa de Officio Exercício: 1996 a 1998 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso da Fazenda Nacional Provido. b) Acórdão 1103001.151: MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de lançamento de ofício sofre a incidência de juros de mora com base na taxa Selic a partir do seu vencimento. Como apontado no acórdão, posição com a qual comungo, por força do comando inserido no art. 139, combinado com o §1º do art. 113 do CTN, não há como deixar de considerar que a expressão "crédito tributário" compreenda exclusivamente o tributo ou contribuição que deixou de ser recolhido. Consequentemente, nos termos do art. 161 Código Tributário Nacional, combinado com o § 3º do art. 61, caput e § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, caberá correção monetária da multa de ofício, por meio da aplicação da taxa Selic. Igualmente relevante é a manifestação da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, assentada no acórdão que Fl. 2967DF CARF MF Processo nº 10935.007336/201096 Acórdão n.º 9303005.276 CSRFT3 Fl. 2.968 9 enfrentou o AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.335.688 PR6, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva,a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990∕PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14∕9∕2009). De igual modo: REsp 834.681∕MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2∕6∕2010. Neste sentido, temse que o crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Neste ponto, dou provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. No que tange ao Recurso da Contribuinte, esta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, já se manifestou por meio do Acórdão nº 9303004.569, julgado em 8 de dezembro de 2016, de Relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo Pôssas, pela impossibilidade de exclusão do PIS/COFINS na sub contratação de Frete, por se tratar da mesma matéria, adoto o referido acórdão como fundamento em minhas razões de decidir, que passa a fazer parte integrante deste voto. Vejamos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1997 a 20/09/2002 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. SUBCONTRATAÇÃO DE FRETES. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DE VALORES REPASSADOS A TERCEIROS. A base de cálculo do PIS e da Cofins é a totalidade da receita operacional auferida pela pessoa jurídica, não se permitindo a exclusão de valores repassados a terceiros, em virtude da subcontratação de serviços. Recurso Especial do Contribuinte Negado Não cabe razão à recorrente no que se refere ao mérito do Especial no particular, porquanto a subcontratação de fretes não é hipótese de exclusão 6 MINISTRO BENEDITO GONÇALVES, julgado em 04/12/2012. Unânime. Fl. 2968DF CARF MF Processo nº 10935.007336/201096 Acórdão n.º 9303005.276 CSRFT3 Fl. 2.969 10 da base de cálculo do PIS e da Cofins incidente sobre empresas cujo objeto social contenha "serviços de transportes de carga". A decisão recorrida assim pontifica sobre o tema: (...) Inicialmente, contesta o entendimento da DRJ no sentido de que a sua condição de "intermediária" é que seria fator determinante para a negativa do pleito; não, não o é, pois o que deve prevalecer neste caso são os dispositivos legais do PIS/Pasep e da Cofins que estabelecem a forma com que se dá a incidência de tais contribuições. E sob tal enfoque, entendo que a Recorrente não tem razão, visto que, a teor da redação que prevalecia à época dos fatos, qual seja a do § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, segundo a qual, "Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas", mais o enunciado do § 2° do mesmo artigo, que tratava das exclusões da base de cálculo, dentre as quais não se vislumbra a situação ora em julgamento, não há nenhuma outra previsão para que sejam excluídos da base de cálculo os valores repassados a terceiros por conta da intermediação na prestação de serviços de fretes. A esse passo, vale referir que o Supremo Tribunal Federal, ao tempo em que declarou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins também fixou entendimento no sentido de que faturamento não é conceito que se encerra na mera venda de mercadorias e serviços, estendendose também aos valores decorrentes da soma de outras atividades empresariais: "O conceito de receita bruta sujeita a incidência da COFINS envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas também a soma das receitas oriundas do exercício de outras atividades empresariais." (RE 444.601ED, Rel. Min. Cezar Peluso, julgamento em 71106, DJ de 151206). Fechando o raciocínio, vale admoestar que o faturamento como receita bruta oriunda das atividades empresariais, à luz da interpretação conferida pela nossa Corte Suprema, é a receita operacional. E como a recorrente tem como objeto social, dentre outros, o transporte rodoviário de cargas em geral, toda a receita oriunda do transportes de cargas, dada sua natureza nitidamente operacional, deve ser entregue para a tributação da COFINS e do PIS. Também foi objeto de apreciação, por parte do acórdão guerreado, a diferença entre a tributação do faturamento e a do lucro: (...) Também não pode aqui ser invocada a regra de apuração do imposto de renda das pessoas jurídicas, visto que completamente diferente da do PIS/Pasep e da Cofins, ou seja, enquanto naquele o imposto incide sobre o lucro (receitas, diminuídas das despesas), neste, as contribuições incidem sobre a receita bruta, sem qualquer dedução, ou, pelo menos, da dedução a Fl. 2969DF CARF MF Processo nº 10935.007336/201096 Acórdão n.º 9303005.276 CSRFT3 Fl. 2.970 11 que nos referimos neste processo. Assim, a prevalecer o entendimento da Recorrente, a forma de apuração do PIS/Pasep e da Cofins restaria totalmente desfigurada, abrindo precedentes para que, por exemplo, o vendedor de mercadorias, retirasse do valor de suas vendas os valores entregues aos seus fornecedores, pelas compras; os prestadores de serviços, os valores dos custos operacionais de mão de obra etc. (...) Nesse diapasão, não há como albergar a tese trazida pela recorrente, de que os serviços de transportes pagos a ela por seus clientes, em função da prestação dos serviços por seus subcontratados, seriam comissões, e os valores recebidos não seriam faturamento dela. Na esteira disso tudo, penso que a decisão recorrida não merece qualquer reparo e NEGO PROVIMENTO ao recurso especial. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional e negar provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 2970DF CARF MF
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Numero do processo: 19991.000019/2010-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3302-000.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
RELATÓRIO
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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(SPRESS CAFÉ IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. RELATÓRIO Tratamse de pedidos de ressarcimento de créditos de PIS/Pasep não cumulativos do 1º trimestre de 2006. As glosas empreendidas pela fiscalização foram relativas a aquisições de bens para revenda de pessoas jurídicas declaradas inaptas pela RFB, de acordo RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 99 91 .0 00 01 9/ 20 10 -4 9 Fl. 569DF CARF MF Processo nº 19991.000019/201049 Resolução nº 3302000.591 S3C3T2 Fl. 569 2 com os artigos 39 e 45 da IN RFB nº 1.005/2010 e de crédito presumido de que trata o artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, em razão de não ter sido considerada produtora de café, nos termos do §6º do referido artigo. Em manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que efetuou os pagamentos aos fornecedores declarados inaptos, que as mercadorias compuseram seu estoque, mediante notas fiscais de remessa para armazém geral e nota fiscal de retorno, que as mercadorias foram exportadas conforme notas fiscais informadas. Em relação aos fornecedores EXPORT DO BRASIL LTDA e J.B. BARONI, reitera que efetuou as operações com referidos fornecedores e que eventual descumprimento de obrigações fiscais por parte dos mesmos não pode servir de fundamento à glosa das operações com a recorrente. Complementa, alegando equivocado o entendimento da fiscalização em vincular a possibilidade de crédito à existência efetiva de pagamento das contribuições pelos fornecedores. Concernente à glosa por não ter sido considerada produtora, a recorrente alegou que é produtora de acordo com o artigo 4º do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002), ainda que industrialize por encomenda de terceiros, por ser equipada a industrial pela legislação do IPI. A DRJ, por seu turno, proferiu o Acórdão nº 0937.095, considerando a manifestação procedente em parte, nos termos da seguinte ementa: PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório é ônus do qual deve se desincumbir. CRÉDITO DE BENS PARA REVENDA, ADQUIRIDOS DE INAPTAS E OMISSAS CONTUMAZES. Na qualidade de terceiro interessado, há que se reconhecer tão somente o direito credit6rio dos valores de Pis/Cofins não cumulativos relativos ante os quais a contribuinte comprovou o pagamento do prep respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias, de sorte a que se visse livre da inidoneidade das respectivas notas fiscais de aquisição. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIA Para fazer jus ao crédito presumido agroindústria, na espécie, mister que a pessoa jurídica produza o café que revende, considerandose como produção o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Em recurso voluntário, a recorrente reiterou a efetividade das operações ocorridas com os fornecedores CERRADO EXPORT DO BRASIL LTDA e J.B.BARONI, únicos Fl. 570DF CARF MF Processo nº 19991.000019/201049 Resolução nº 3302000.591 S3C3T2 Fl. 570 3 fornecedores inaptos cujas glosas de aquisições foram mantidas pela DRJ, afirmando que a declaração de inaptidão da CERRADO ocorreu apenas em 01/03/2010, mais de quatro anos após as operações e que a J.B.BARONI possui cadastro ativo e nunca foi declarada inapta, conforme tela do CNPJ juntada. Concernente ao crédito presumido de que trata o artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, reprisou as alegações realizadas na manifestação de inconformidade. Na sessão de 29/01/2014, o julgamento foi convertido em diligência mediante a Resolução nº 3302000.380, para que a recorrente pudesse comprovar seu processo produtivo, elucidando como é realizado este processo produtivo, definindo as fases (recebimento do café/moagem/torra/etc) e todo o procedimento ao qual se submete o grão de café; quem é que faz este processo produtivo, clareando a informação do que é feito em seus próprios estabelecimentos e o que é terceirizado, apresentado, se o caso, provas deste procedimento de industrialização em seus estabelecimentos; comprovar documentalmente o procedimento de envio para industrialização por encomenda, bem como que realiza a venda de produto industrializado. Em resposta, a autoridade fiscal concluiu que a o processo produtivo previsto no §6º do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004 foi cumprido, mas por outra pessoa jurídica, a saber um armazém geral local e não pela recorrente, que apenas efetuou a encomenda da industrialização. Em manifestação, a recorrente reiterou que todas as atividades previstas no §6º do artigo 8º ad Lei nº 10.925/2004 ocorreram, ainda que parte por encomenda, o que não retira a condição de produtora da recorrente, de acordo com a legislação do IPI. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Destacase, inicialmente, que, embora a fiscalização tenha abrangido os pedidos de ressarcimento de PIS/Pasep e Cofins, do 1º ao 4º trimestres de 2006, este processo trata apenas do pedido de ressarcimento de PIS/Pasep referente ao 1º trimestre de 2006. A primeira questão diz respeito às glosas sobre aquisições de café dos fornecedores CERRADO EXPORT e JB BARONI, considerados inidôneos pela fiscalização, que afirmou estar a CERRADO inapta por se tratar de empresa omissa contumaz desde 01/07/2004, enquanto a J B BARONI foi considerada omissa contumaz desde 16/12/2004, data de abertura da empresa. A declaração de inaptidão torna presumida a inidoneidade dos documentos emitidos pela empresa assim considerada e não produzirá efeitos tributários perante terceiros, os quais assumem o ônus de provar o efetivo pagamento do preço respectivo e o efetivo recebimento dos bens ou da prestação de serviços, conforme disposto no artigo 82 da Lei nº 9.430/1996, a seguir: Fl. 571DF CARF MF Processo nº 19991.000019/201049 Resolução nº 3302000.591 S3C3T2 Fl. 571 4 Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. A regulamentação coube à RFB que dispôs sobre o assunto nas instruções normativas que tratam do CNPJ, sendo que as declarações de inaptidão foram efetuadas com base na in IN RFB nº 748/2007, conforme informado no despacho decisório: IN RFB nº 748/2007: Art. 34. Será declarada inapta a inscrição no CNPJ de entidade: I omissa contumaz: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar, por cinco ou mais exercícios consecutivos, DIPJ, DSPJ Inativa ou DSPJ Simples, e, intimada, não tenha regularizado sua situação no prazo de sessenta dias, contado da data da publicação da intimação; II omissa e não localizada: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar as declarações referidas no inciso I, em um ou mais exercícios e, cumulativamente, não tenha sido localizada no endereço informado à RFB; III inexistente de fato; ou IV que não efetue a comprovação da origem, da disponibilidade e da efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior, na forma prevista em lei; Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à pessoa jurídica domiciliada no exterior. [...]Art. 48. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. § 1º Os valores constantes do documento de que trata o caput não poderão ser: [...]III utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e das Contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos; e § 2º Considerase terceiro interessado, para os fins deste artigo, a pessoa física ou entidade beneficiária do documento. § 3º O disposto neste artigo aplicarseá em relação aos documentos emitidos: I a partir da data da publicação do ADE a que se refere: Fl. 572DF CARF MF Processo nº 19991.000019/201049 Resolução nº 3302000.591 S3C3T2 Fl. 572 5 a) o art. 37, no caso de pessoa jurídica omissa contumaz; b) o art. 39, no caso de pessoa jurídica omissa e não localizada; II na hipótese do art. 41, desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde a sua constituição, se ela jamais houver exercido atividade; e III na hipótese de pessoa jurídica com irregularidade em operações de comércio exterior, desde a data de ocorrência do fato. [...]§ 5º O disposto no § 1º não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. Art. 49. A pessoa jurídica com inscrição declarada inapta que regularizar sua situação perante a RFB terá sua inscrição enquadrada na condição de ativa. Inferese que a declaração de inaptidão torna presumida a inidoneidade dos documentos emitidos após a data de publicação do ADE ou após a data de ocorrência do fato, conforme o motivo que gerou a declaração, de acordo com o artigo 48 da IN RFB nº 748/2007, mas que tal presunção é relativa e comporta prova em contrário pelo beneficiário dos documentos, mediante a demonstração do efetivo pagamento do preço e do efetivo recebimento das mercadorias. Além disso, a empresa declarada inapta poderia regularizar sua situação e voltar à condição de ativa. Salientase que há algumas inconsistências fáticas no caso em concreto. A fiscalização afirmou que a CERRADO foi declarada inapta por ser omissa contumaz, de acordo com o artigo 48 da IN RFB 748/2007, com efeito a partir de 1º/07/2004. Porém, §3º do artigo 48 da IN dispunha que a inidoneidade de aplicaria aos documentos emitidos após a data de publicação do ADE, o que ocorreu após os fatos geradores (2006), uma vez que com base na IN RFB 748/2007. Além desta inconsistência, o próprio motivo da inaptidão está em desacordo com a informação constante no recurso voluntário, o qual mostra uma tela com inaptidão por inexistência de fato, diferentemente da informação constante no despacho decisório. Em consulta ao sítio da RFB, verificase que a CERRADO está declarada inapta desde 01/03/2010, por inexistência de fato. Em relação à J B BARONI, a inconsistência é similar, pois a acusação foi de ser omissa contumaz, com efeitos a partir de 16/12/2004, o que se mostra incompatível com o §3º do artigo 48 da IN RFB 748/2007, o qual determinava que os efeitos seriam a partir da data de publicação do ADE no caso de omissa contumaz. E tal ADE foi publicado posterior a 2006, pois com base na IN RFB 748/2007, como já se viu. Ainda no recurso voluntário, a J B BARONI se encontra como ativa em 20/12/2011, o que também não comprova a afirmação da recorrente de que a empresa nunca fora declarada inapta, pois pode ocorrer a declaração e posterior reativação como explicita o artigo 49 da referida instrução. Atualmente, esta empresa encontrase baixada por omissão contumaz, conforme tela do comprovante de inscrição extraída em 09/05/2017. Porém, frisese que não foram localizados os referidos ADEs nos autos para se confirmar o motivo e a data de publicação dos referidos. Assim, entendo necessária a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de origem junte os ADEs de Fl. 573DF CARF MF Processo nº 19991.000019/201049 Resolução nº 3302000.591 S3C3T2 Fl. 573 6 declaração de inaptidão mencionados no despacho decisório, identificando o motivo da declaração e a data de produção de efeitos, nos termos da IN RFB nº 748/2007. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 574DF CARF MF
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Numero do processo: 14098.720084/2014-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
OMISSÃO DE RECEITA. SALDO CREDOR DE CAIXA.
Caracteriza-se como omissão no registro de receita a indicação na escrituração de saldo credor de caixa.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL.
A decisão prolatada no lançamento matriz estende-se aos lançamentos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
Por os juros incidentes sobre a multa de ofício não comporem a lide, dado que cabíveis apenas quando da cobrança do crédito tributário, não compete a esta instância julgadora manifestar-se sobre o assunto.
Numero da decisão: 1402-002.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em , rejeitar a arguição de impedimento dos conselheiros fazendários e, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella e Demetrius Nichele Macei que votaram por converter o julgamento do recurso em diligência. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Goncalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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Recorrida FAZENDA PÚBLICA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 OMISSÃO DE RECEITA. SALDO CREDOR DE CAIXA. Caracterizase como omissão no registro de receita a indicação na escrituração de saldo credor de caixa. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. A decisão prolatada no lançamento matriz estendese aos lançamentos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Por os juros incidentes sobre a multa de ofício não comporem a lide, dado que cabíveis apenas quando da cobrança do crédito tributário, não compete a esta instância julgadora manifestarse sobre o assunto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em , rejeitar a arguição de impedimento dos conselheiros fazendários e, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella e Demetrius Nichele Macei que votaram por converter o julgamento do recurso em diligência. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 72 00 84 /2 01 4- 88 Fl. 14665DF CARF MF Processo nº 14098.720084/201488 Acórdão n.º 1402002.410 S1C4T2 Fl. 14.663 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Goncalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 14666DF CARF MF Processo nº 14098.720084/201488 Acórdão n.º 1402002.410 S1C4T2 Fl. 14.664 3 Relatório Tratase de autos de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 02 a 16), do Programa de integração Social – PIS (fls. 33 a 38), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 28 a 32) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 17 a 27), lavrados para formalização e exigência de crédito tributário no montante de R$ 54.384.939,81. A acusação trata de omissão de receita devido a constatação de manutenção de saldo credor da conta caixa. O lançamento foi feito por meio de recomposição da conta caixa, servindo como base de cálculo para a tributação da receita omitida, o maior valor do saldo credor da conta no ano de 2011. Os registro contábeis da Recorrente, relativos ao período de 01/01/2011 até 31/12/2011 foram obtidos junto ao SPEED. Para melhor compreensão, vejamos a parte que nos interessa do Relatório Fiscal que fundamentou o lançamento. Fl. 14667DF CARF MF Processo nº 14098.720084/201488 Acórdão n.º 1402002.410 S1C4T2 Fl. 14.665 4 Fl. 14668DF CARF MF Processo nº 14098.720084/201488 Acórdão n.º 1402002.410 S1C4T2 Fl. 14.666 5 Fl. 14669DF CARF MF Processo nº 14098.720084/201488 Acórdão n.º 1402002.410 S1C4T2 Fl. 14.667 6 Fl. 14670DF CARF MF Processo nº 14098.720084/201488 Acórdão n.º 1402002.410 S1C4T2 Fl. 14.668 7 Fl. 14671DF CARF MF Processo nº 14098.720084/201488 Acórdão n.º 1402002.410 S1C4T2 Fl. 14.669 8 Fl. 14672DF CARF MF Processo nº 14098.720084/201488 Acórdão n.º 1402002.410 S1C4T2 Fl. 14.670 9 Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente oferece impugnação (fls. 5.490/5.545), alegando, resumidamente, o seguinte: (para evitar teratologia, utilizo a parte do relatório do v. acórdão recorrido). Uma vez que o lançamento teria se embasado em regra presuntiva, e por terem sido apresentados “todos os documentos que lastrearam as operações em questão”, ele não poderia prosperar. A técnica do arbitramento seria medida excepcional e deveria ser afastada “quando o contribuinte apresenta informações suficientes para identificação da realidade material”, o que teria ocorrido no caso em questão. Movimentações de saldo não poderiam ser utilizadas para “configuração da tipicidade imputada a Defendente”. O quadro das fls. 5.504 a 5534 demonstraria as “movimentações de Caixa com os registros agora contabilizados”, o que possibilitaria assim a Receita Federal “validar os movimentos ocorridos na Conta Caixa com a contabilidade nova”. O novo SPED, a ser apresentado, encontrarseia em tramitação na JUCEMAT. Fl. 14673DF CARF MF Processo nº 14098.720084/201488 Acórdão n.º 1402002.410 S1C4T2 Fl. 14.671 10 Haveria necessidade de diligências, o que se solicitou, formulandose os “quesitos” relacionados no terceiro parágrafo da fl. 5.536. A multa de 75% não poderia prevalecer, porquanto não teria havido omissão de receita e porque ela teria efeito confiscatório. A cobrança de juros sobre a multa de ofício seria indevida. Os tributos lançados teriam efeito confiscatório (fl. 5.542). “O auditor ao arbitrar um faturamento, o faz em evidente prejuízo ao contribuinte”. Ato contínuo, a DRJ proferiu o v. acórdão (fls.8558/8564) mantendo integralmente os AIs e negando provimento a impugnação da Recorrente. 4. Consoante a impugnação, o lançamento não poderia prosperar, “na medida que autuação foi embasada apenas na não escrituração contábil, de documentos existentes, logo a presunção relativa deve ser afastada quando da confrontação com a documentação das referidas operações e pela nova escrita”. 5. Não poderia o fisco se valer de “um arbitramento que ensejou lançamento de valores astronômicos, totalmente incompatíveis com a realidade deste Contribuinte, apenas com base em um erro formal, qual seja, a ausência de escrituração da empresa autuada.” 6. O fisco deveria terse pautado pela “realidade material”. Dado que houve a apresentação dos documentos relativos às saídas da conta caixa __ todos os documentos teriam sido postos à disposição da fiscalização __, não haveria por que “lançar mão de medida tão extrema que afronta diretamente os princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade”. 7. Se a origem dos recursos que ingressaram na conta caixa está devidamente comprovada pelos registros contábeis, como restou consignado pela autuação, e existem documentos que atestariam a base de cálculo por suposta presunção de ‘omissão de receitas’”. 8. Teria sido apresentada “nova peça contábil, em substituição aos registros anteriores e incompletos, onde será possível a readequação quanto a realidade fática em vista aos documentos existentes e que até então não haviam sido escriturados”, que estaria em tramitação na JUCEMAT (fl. 7.555). 9. Em momento algum teria ocorrido omissão de receitas, “pois apenas movimentação de saldo não podem ser utilizadas para configuração da tipicidade imputada a defendente.” A contabilidade analisada pela fiscalização, “mesmo com os lançamentos que foram feitos de forma a corrigir o que fora apurado, não houve modificação na receita que é a base para Receita Federal do Brasil, inexistindo qualquer omissão propriamente dita.” 10. Todos os pagamentos não contabilizados estariam demonstrados na tabela das fls. 7.525 a 7.555. 11. Não há como acordar com a defesa. O inciso I do art. 281 do RIR, de 1999, fundamento da autuação, tratase de presunção relativa. Fl. 14674DF CARF MF Processo nº 14098.720084/201488 Acórdão n.º 1402002.410 S1C4T2 Fl. 14.672 11 Nesse tipo de regra, restando caracterizado o fato indiciário, temse como certa a ocorrência do fato indiciado; facultase entretanto ao sujeito passivo o direito de apresentar provas no sentido de infirmar a presunção. 12. Foi exatamente isso que ocorreu no caso em questão: à vista da constatação de saldo credor de caixa (fato indiciário), que dimanou da recomposição da conta caixa, concluiuse pela omissão de receita (fato indiciado), e constituiuse o pertinente crédito por meio de lançamento __ atividade da qual a autoridade administrativa não se pode esquivar, dado que vinculada e obrigatória, consoante Parágrafo único do art. 142 do CTN1. 13. Nesse quadro, cai por terra de antemão a alegação de que não se poderia concluir pela omissão de receita apenas com base no saldo credor da conta caixa. 14. Pelo mesmo motivo, baldadas as alegações de que o valor do crédito seria incompatível com a realidade do contribuinte e de que se teria maculado os princípios da verdade material, da proporcionalidade e da razoabilidade __ a verberação de mácula a princípios constitucionais encerra com efeito a suscitação de inconstitucionalidade do dispositivo legal fundamento da autuação, matéria que não é da competência dessa instância julgadora. 15. Consignouse de fato no Termo de Verificação Fiscal o contribuinte apresentara documentos relativos aos pagamentos que ensejariam os lançamentos a crédito da conta caixa. Acontece, eles não foram escriturados, e, mesmo que o fossem, considerandose a manutenção dos demais lançamentos da conta caixa, persistiria o saldo credor apurado pela fiscalização. 16. Ou seja, o lançamento contábil dos pagamentos ensejaria lançamento a crédito da conta caixa e a débito de conta do passivo, resultando o mesmo efeito (no saldo) da glosa dos lançamentos a débito, efetuada pela fiscalização, na conta caixa. Insistase: mesmo que o contribuinte houvesse escriturado os pagamentos, persistiria o saldo credor. Na verdade, ao não se efetuar a escrituração dos pagamentos inflouse a conta caixa de sorte a manter o saldo da conta sempre devedor. 17. Em vão assim a copiosa argumentação acerca da “regularização da escrita contábil”. Em relação aos juros e a multa, forma mantidos nos termos dos AIs. Em seguida a Recorrente apresenta petições de fls. 8566/8615, juntando documentos e requerendo sua juntada extemporânea. Ato continuo, após ter sido devidamente intimada do v. acórdão fls. 8638, interpôs Recurso Voluntário de fls. 8652/8735 e junta novamente diversos documentos de fls. 9695/14655. No Recurso Voluntário a Recorrente repisa os mesmos argumentos da impugnação e inclui a alegação relativa a indevida inclusão do ISS na base de cálculo das contribuições PIS/COFINS. Fl. 14675DF CARF MF Processo nº 14098.720084/201488 Acórdão n.º 1402002.410 S1C4T2 Fl. 14.673 12 Os documentos são: LALUR do exercício de 2011, com apuração trimestral. Speed do período de 2011. (fls. 8748/9694) Contrato de compra e venda de recarga de telefonia do serviço móvel pessoal prépago. Contrato de prestação de serviço de distribuiçãorecarga cartões. Extratos de conta corrente do Banco do Brasil Empresarial e do Bradesco S/A do período de 2011 até 2014. Após a distribuição do Recuso Voluntário, no dia 13/02/2017, a Recorrente aprestou petição aos autos, requerendo o impedimento dos Conselheiros Fazendários, devido a regra de remuneração pelo artigo 5 da MP 765/16, o bônus de eficiência e produtividade na atividade tributária e aduaneira. É o relatório. Fl. 14676DF CARF MF Processo nº 14098.720084/201488 Acórdão n.º 1402002.410 S1C4T2 Fl. 14.674 13 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Inicialmente, antes de se produzir o juízo de admissibilidade do recursal, deve ser analisado o pedido de impedimento dos Conselheiro Fazendários requerido pela Recorrente. Preliminar de impedimento dos Conselheiros da Fazenda, devido a regra de remuneração prevista no artigo quinto, da Medida Provisória 765/16, que instituiu o bônus de eficiência e de produtividade na atividade tributária e aduaneira: Foi juntado pela Recorrente, após a interposição do Recurso Voluntário, petição alegando o impedimento dos D. Conselheiros da Fazenda que compõe este C. Colegiado, devido a instituição do Bônus de Eficiência e Produtividade na Atividade Tributária e Aduaneira, previsto no art. 42 do RICARF/MF. Contudo, prevaleceu nesta C. Turma o entendimento de que, após a edição da Portaria nº 01, de 18 de janeiro de 2017, subscrita pelo D. Presidente deste E. CARF dentro de sua competência e atribuições legais, que alterou o artigo 42 do Regimento deste E. Tribunal, a livre apreciação e julgamento pelos Il. Conselheiros desta arguição de impedimento, restou prejudicada. Tal portaria, que alterou o artigo 42 do RICARF/MF instituiu regra regimental e, por consequencia, dever de observância por este Colegiado do alcance dos impedimentos previstos no dispositivo, que determina expressamente a inocorrência de tal óbice jurisdicional dos Conselheiros representantes da Fazenda Nacional, aqui concretamente suscitado. Assim, devido a regra regimental instituída pela Portaria 01/17 do Presidente deste E. Tribunal, que alterou dispositivo do RICARF/MF, incluindo expressamente a inexistência de óbice jurisdicional dos Conselheiros representantes da Fazenda Nacional em relação ao bonus de eficiência e produtividade, resta superada tal preliminar incidental, devendo prosseguir o julgamento do presente feito, por todos os julgadores que compõe o Colegiado, que se sentirem aptos para tanto. Admissibilidade recursal. Fl. 14677DF CARF MF Processo nº 14098.720084/201488 Acórdão n.º 1402002.410 S1C4T2 Fl. 14.675 14 O Recurso Voluntário é tempestivo, não contraria nenhuma súmula ou artigo do regimento ou da legislação em vigor, devendo ser admitido. Mérito. A infração trata de omissão de receita devido a manutenção de saldo credor na conta caixa. A Recorrente, apesar de demonstrar a destinação dos recursos, não fez a respectiva contabilização da saída dos respectivos valores da conta caixa. Deixando tais montantes a margem da escrituração e da fiscalização. Ou seja, ocorreram lançamentos a débito, com origem em bancos, que ingressaram no caixa da empresa através de cheques e transferências entre contas da própria Recorrente, sem o correspondente registro a crédito na referida conta. Vejamos o argumento do Agente Fiscal em relação a este ponto, para produzir o lançamento de oficio: Sendo assim, como não foram registrados os pagamentos em questão, restou caracterizada a infração de omissão de receita. A Recorrente, por sua vez, não apresentou documentos passíveis de elidir a acusação fiscal. Os documentos acostados aos autos pela Recorrente, tanto na impugnação, como no Recurso Voluntário, não serviram para afastar o principal ponto da acusação que é a efetiva contabilização da saída dos valores debitados em sua conta caixa, que ingressaram por meio de cheques e transferência de numerários entre suas próprias contas correntes. O v. acórdão recorrido definiu muito bem a infração praticada e não comprovada pela Recorrente: 11. Não há como acordar com a defesa. O inciso I do art. 281 do RIR, de 1999, fundamento da autuação, tratase de presunção Fl. 14678DF CARF MF Processo nº 14098.720084/201488 Acórdão n.º 1402002.410 S1C4T2 Fl. 14.676 15 relativa. Nesse tipo de regra, restando caracterizado o fato indiciário, temse como certa a ocorrência do fato indiciado; facultase entretanto ao sujeito passivo o direito de apresentar provas no sentido de infirmar a presunção. 12. Foi exatamente isso que ocorreu no caso em questão: à vista da constatação de saldo credor de caixa (fato indiciário), que dimanou da recomposição da conta caixa, concluiuse pela omissão de receita (fato indiciado), e constituiuse o pertinente crédito por meio de lançamento __ atividade da qual a autoridade administrativa não se pode esquivar, dado que vinculada e obrigatória, consoante parágrafo único do art. 142 do CTN. 13. Nesse quadro, cai por terra de antemão a alegação de que não se poderia concluir pela omissão de receita apenas com base no saldo credor da conta caixa. 14. Pelo mesmo motivo, baldadas as alegações de que o valor do crédito seria incompatível com a realidade do contribuinte e de que se teria maculado os princípios da verdade material, da proporcionalidade e da razoabilidade __ a verberação de mácula a princípios constitucionais encerra com efeito a suscitação de inconstitucionalidade do dispositivo legal 15. Consignouse de fato no Termo de Verificação Fiscal o contribuinte apresentara documentos relativos aos pagamentos que ensejariam os lançamentos a crédito da conta caixa. Acontece, eles não foram escriturados, e, mesmo que o fossem, considerandose a manutenção dos demais lançamentos da conta caixa, persistiria o saldo credor apurado pela fiscalização. 16. Ou seja, o lançamento contábil dos pagamentos ensejaria lançamento a crédito da conta caixa e a débito de conta do passivo, resultando o mesmo efeito (no saldo) da glosa dos lançamentos a débito, efetuada pela fiscalização, na conta caixa. Insistase: mesmo que o contribuinte houvesse escriturado os pagamentos, persistiria o saldo credor. Na verdade, ao não se efetuar a escrituração dos pagamentos inflouse a conta caixa de sorte a manter o saldo da conta sempre devedor. 17. Em vão assim a copiosa argumentação acerca da “regularização da escrita contábil”. Sendo assim, entendo que restou caracterizado a infração de omissão de receita, permitindo a presunção da Fiscalização nos termos do inciso I do artigo 281 do RIR/99. O fato de a Recorrente ter, após a lavratura dos AIs, alterado sua contabilidade, no caso em epígrafe, entendo não ser suficiente para elidir a acusação, eis que a receita constatada como omissa, não foi tributada nos moldes da antiga escrituração contábil. Fl. 14679DF CARF MF Processo nº 14098.720084/201488 Acórdão n.º 1402002.410 S1C4T2 Fl. 14.677 16 Ademias, como a Recorrente não conseguiu apresentar provas para afastar a acusação, entendo que deve ser mantida em seus termos. Quanto a afirmação da Recorrente, de que a presunção de omissão de receita é relativa e que no presente caso foi utilizada de forma inadequada, entendo que também não merece prosperar, eis que a presunção de omissão de receita é expressamente autorizada pela legislação, no texto do art. 281 do RIR/99 e no do art. 40 da Lei 9.430/96, razão pela qual é improcedente a alegação de que a presunção neste caso é indevida. A presunção posta na lei e utilizada pela Autoridade Fiscal é juris tantum ou relativa, e pode ser elidida por prova em contrário, apresentada pela Recorrente. Quanto a alegação de que a técnica do arbitramento seria mediada excepcional e deveria ser afastada quando o contribuinte apresenta informações suficientes para a identificação da realidade material, bem como, a da afirmação de que as movimentações de saldo não poderiam ser utilizadas para configuração da tipicidade da infração da Recorrente, entendo que não merecerem prosperar, eis que a Fiscalização utilizou o método correto, previsto em lei para a recomposição da conta "caixa". O Agente Autuante, estornou os débitos e créditos referentes a pagamentos de valores que não transitaram na conta, ou que são receita de terceiros, lançando apenas os verdadeiros saldos credores de caixa. Vejamos o que foi feito no lançamento de ofício em epígrafe, conforme Fl. 14680DF CARF MF Processo nº 14098.720084/201488 Acórdão n.º 1402002.410 S1C4T2 Fl. 14.678 17 Assim, entendo que o método utilizado pela Fiscalização, para recompor a conta "caixa" com os maiores saldos credores encontrados, com o fito de determinar a receita omitida, está correta, devendo ser mantido. Em relação a multa e a cobrança de juros sobre a multa, entendo que não assiste razão a recorrente e colaciono os fundamentos do v. acórdão que passam a integra meu voto. Fl. 14681DF CARF MF Processo nº 14098.720084/201488 Acórdão n.º 1402002.410 S1C4T2 Fl. 14.679 18 Da multa, dos juros e do suposto efeito confiscatório dos tributos. 18. Consoante a impugnação, a multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicarseia apenas aos casos de “falta de declaração” e de “declaração inexata”, de modo que, concluiuse, “a multa aplicada no caso concreto, no percentual de 75%”, não poderia prevalecer, porquanto não teria havido omissão de receita e porque teria efeito confiscatório __ o que se contrapôs também quanto aos tributos. 19. A cobrança de juros sobre a multa seria indevida, pois que esta não se trataria de tributo. 20. Não há acordar com a defesa. O comando do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, alcança também os casos de falta de recolhimento ou de pagamento do imposto ou da contribuição. Como visto, pagamento de imposto, ante a constatação de saldo credor de caixa. 21. Quanto à verberação de suposto caráter confiscatório, que com efeito encerra suscitação de inconstitucionalidade dos dispositivos que fundamentam a exação, renovese esta instância não tem competência pra julgar inconstitucionalidade de lei. 22. Por fim, os juros sobre a multa só terão vez no momento da cobrança, não fazendo assim parte do litígio ora em questão. De maneira que não compete a esta instância, neste momento, apreciar o seu cabimento. 23. Por amor ao debate, registrese a exação encontra amparo no art.61 (caput), e § 3º, da Lei nº 9.430, de 19964. Em que pese a interpretação contrária da defesa, não há negar a multa de ofício é “débito para com a União decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”, configurandose regular a incidência de juros a partir de seu vencimento. Erro na base de calculo do PIS/COFINS: Em relação ao erro na base de cálculo do PIS/COFINS, também entendo que não merece prosperar, eis que não existe qualquer registro, no caso em epígrafe, de que o ISS está incluído na base de cálculo do PIS/COFINS. Em segundo lugar, conforme Relatório Fiscal, o Agente Fiscal deduziu da base de cálculo os somatórios das ocorrências anteriores já tributadas. Por fim, o v. acórdão do Recurso Extraordinário que foi indicado pela Recorrente no recurso ora em análise, determinou a exclusão da base de cálculo das Fl. 14682DF CARF MF Processo nº 14098.720084/201488 Acórdão n.º 1402002.410 S1C4T2 Fl. 14.680 19 contribuições do IPI, quando destacado em separado na nota fiscal e de descontos incondicionais ou vendas canceladas. Não trata especificamente do ISS. Diligência e Perícia. Entendo que para o presente caso, a Fiscalização demonstrou perfeitamente a infração e apurou corretamente o crédito exigido por meio deste Auto de Infração, satisfazendo qualquer dúvida que os Julgadores poderiam ter. Assim, entendo ser desnecessária a realização de diligência ou de perícia para o presente caso. Tributação reflexa: A decisão prolatada no lançamento matriz estendese aos lançamentos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Pelo exposto e por tudo que conta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e nego integral provimento. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 14683DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.721982/2011-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/01/2011
ADESÃO A PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DO RECURSO.
Para o parcelamento de débitos junto à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e à Secretaria da Receita Federal do Brasil, de que trata o art. 2º da Lei nº 12.996, de 18 de junho de 2014, o sujeito passivo deverá desistir de forma irrevogável de impugnação ou recurso administrativo e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos.
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO.
Verificada a ocorrência de infração à legislação tributária, aplicam-se as multas previstas em lei, sendo defeso ao julgador administrativo pronunciar-se sobre a constitucionalidade da lei tributária, a teor da Súmula CARF nº 02.
Numero da decisão: 2202-003.890
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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DESISTÊNCIA DO RECURSO. Para o parcelamento de débitos junto à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e à Secretaria da Receita Federal do Brasil, de que trata o art. 2º da Lei nº 12.996, de 18 de junho de 2014, o sujeito passivo deverá desistir de forma irrevogável de impugnação ou recurso administrativo e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. Verificada a ocorrência de infração à legislação tributária, aplicamse as multas previstas em lei, sendo defeso ao julgador administrativo pronunciar se sobre a constitucionalidade da lei tributária, a teor da Súmula CARF nº 02. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 19 82 /2 01 1- 18 Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10920.721982/201118 Acórdão n.º 2202003.890 S2C2T2 Fl. 222 2 Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele elaborado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ, fl. 109 e ss.), complementandoo ao final: Tratase de Auto de Infração (AI) DEBCAD nº 51.010.2522, no qual se exige da contribuinte o valor de R$ 363.025,94, acrescido de juros e multa de mora de 20%, bem como multa isolada no percentual de 150%, no valor de R$ 544.538,91, cujo débito consolidado em 20/10/2011 corresponde a R$ 1.014.306,37, por força de compensação indevida de contribuição previdenciária, nas competências 10/2010 a 01/2011, conforme AI de fl. 3, Discriminativo do Débito (DD) de fls. 4 e 5 e Relatório Fiscal de fls. 8 a 20. Consta do Relatório Fiscal que a empresa vem declarando em GFIP compensações com supostos créditos, que não restaram comprovados. Consta que a empresa, intimada a comprovar regularidade das compensações, em resposta apresentou cópias de emendas de petição inicial nas ações judiciais 556547.2009.401.3400 (2009.34.00.0056188) e 2009.34.00.0341840, em trâmite na Seção Judiciária Federal do Distrito Federal), tendo por objeto a validade de títulos da dívida pública externa brasileira. Que os representantes da empresa tinham conhecimento de que não dispunham de decisão judicial a amparar o direito à compensação; que a legislação veda a compensação tributária com títulos de tal espécie. (...) Fala restar demonstrado que a empresa inseriu compensações indevidas em GFIP, cujos fatos demonstram que não correspondem à realidade, sendo cabível a multa isolada em dobro, conforme o § 10 do art. 89 da nº 8.212/91. Que apesar da disposição legal contrária ao procedimento da empresa, esta obteve vantagem econômica ilícita, compensando se de contribuições sem autorização legal, mantendo o órgão público em erro, em tese por este meio fraudulento. (...) O sujeito passivo apresentou impugnação por meio do procurador Sr. Paulo Roberto Brunetti, às fls. 60 a 73, e documentos anexos de fls. 74 a 105, discordando da conclusão da autoridade fiscal, que diz ser equivocada. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10920.721982/201118 Acórdão n.º 2202003.890 S2C2T2 Fl. 223 3 (...) Tem que se trata de crédito líquido, certo e exigível, que consta no orçamento da União, não havendo que se falar em sentença de mérito a amparar o direito. Que portanto, é incabível a multa isolada de 150%, uma vez que são falsas as alegações da autoridade fiscal sobre a inexistência do crédito utilizado em conversão em renda, de que promoveu compensação ou de que foram prestadas declarações falsas. Por fim requereu o cancelamento do Auto de Infração. A DRJ em Florianópolis/SC, entendeu pela manutenção da exigência tributária, em resumo aduzindo que: a) não há previsão legal que ampare o procedimento adotado pela contribuinte. Os créditos passíveis de utilização para fins de extinção de crédito da Fazenda Pública, mediante compensação, são os de natureza tributária, e bem assim, administrados pela Receita Federal do Brasil. Não se trata de pagamento indevido feito pela contribuinte, mas de mecanismo de extinção de obrigação tributária, mediante uso indevido de suposto Título de Dívida Pública Externa. b) além de não estar amparado em qualquer decisão judicial determinando cumprimento por parte da Administração Tributária, o respeitável Juízo desta Circunscrição proferiu sentença de improcedência do pedido, reconhecendo a prescrição. c) a autoridade fiscal demonstrou o intuito perpetrado para a prática de evasão fiscal, forte na conduta de se aproveitar de suposto crédito judicial inexistente, consubstanciado em Título de Dívida Pública Externa, de natureza não tributária, sem permissão legal para tanto, avaliado em quantia exorbitante, tal como consta da peça judicial apresentada pela impugnante. d) pelo que narrou a autoridade lançadora em seu relatório, restou comprovada a inexistência de crédito tributário para uso em compensação, cuja informação prestada em GFIP se mostra não verdadeira. Portanto, os fatos demonstram a pertinência do lançamento da multa isolada de 150%. Cientificado dessa decisão em 12/08/2013, conforme Aviso de Recebimento na fl. 137, o contribuinte enviou pelos Correios recurso voluntário em 06/09/2013, recebido no CARF em 09/09/2013, conforme manifestação da Unidade preparadora, na folha 168. Em sede de recurso, que se encontra anexado nas folhas 148 e ss., argumenta em resumo que: 1 a apresentação do recurso suspende a exigibilidade do crédito tributário e não se pode exigir depósito prévio para seguimento do mesmo; 2 o Auto de Infração é nulo, por cerceamento de defesa, pois não lhe foram oferecidos todos os elementos necessários à ampla defesa nem oportunizado depoimento junto à Unidade da Receita Federal em Itajaí/SC. Diz ainda que o Auto de Infração não cumpre os requisitos legais de forma, não estando esclarecida a origem do débito nem a forma de apuração e cálculo. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10920.721982/201118 Acórdão n.º 2202003.890 S2C2T2 Fl. 224 4 3 Finaliza defendendo que a multa de ofício de 150% é descabida e tem efeito de confisco. Entende que deve ser aplicado o critério da razoabilidade. Na folha 178, existe um Despacho padronizado emitido pelo CARF, que determina o retorno dos autos à Unidade de origem, em face da "desistência de recurso efetuada pelo sujeito passivo em adesão ao PRORELIT, de que trata a Medida Provisória nº 685, de 2015". A Unidade da RFB não localizou adesão a tal programa e intimou o contribuinte a comprovála (fl. 183), não obtendo resposta. Retornou os autos ao CARF, com as informações da fl. 194/5. O contribuinte manifestouse na fl. 200, com protocolo em 10 de fevereiro de 2016, na Florianópolis/SC, explicando sobre a tempestividade e sobre a adesão ao REFIS, previsto na Lei nº 12.996/2014 e não ao PRORELIT. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a existente após a digitalização do processo, transformado em meio magnético (formato .pdf) O artigo 2º da Lei nº 12.996, de 2014, reabriu o prazo para parcelamento de débitos administrados pela RFB, previsto na Lei nº 11.941, de 2009. Na fl. 200, o contribuinte, mediante seus representantes legais, em missiva protocolada na DRF/Florianópolis em 10 de fevereiro de 2016, diz que aderiu ao referido parcelamento, onde foram incluídos os valores referentes a este processo. Como cita o Recorrente, a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 13, de 30 de julho de 2014, "dispõe sobre o pagamento e parcelamento de débitos junto à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e à Secretaria da Receita Federal do Brasil, de que tratam o art. 2º da Lei nº 12.996, de 18 de junho de 2014", e diz que: Art. 8º Para pagamento à vista ou inclusão no parcelamento de débitos objeto de discussão administrativa ou judicial, na forma desta Portaria Conjunta, o sujeito passivo deverá desistir de forma irrevogável de impugnação ou recurso administrativos, de ações judiciais propostas ou de qualquer defesa em sede de execução fiscal e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos e ações judiciais. (...) Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10920.721982/201118 Acórdão n.º 2202003.890 S2C2T2 Fl. 225 5 § 4º O pagamento à vista ou a inclusão nos parcelamentos de débitos que se encontram com exigibilidade suspensa em razão de impugnação ou de recurso administrativos implicará desistência tácita destes.(destaquei) Na folha 207 há um recibo de consolidação do parcelamento, via internet, em 24/09/2015, e na folha 209 há referência expressa a este processo administrativo. Assim, o contribuinte desiste de seu recurso e das razões nele expendidas, conforme relatado e compete à Unidade de origem verificar a regularidade dos débitos inscritos no parcelamento, conforme já destacado pela CSRF: Acórdão 9202004.474 – 2ª Turma, Sessão de 28 de setembro de 2016 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA. No caso de pedido de parcelamento nos moldes da Lei no. 11.941, de 2009, configurase a desistência e a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendose declarar a definitividade do crédito tributário em litígio, na forma em que lançado. Verificado que a multa isolada não fora incluída no parcelamento especial e foi objeto de questionamento no recurso, passamos a dela tratar. No que tange a alegações de confisco e inconstitucionalidade, citese a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade da lei tributária Não há que se falar em aplicação do artigo 112 do CTN, porque não se demonstrou nenhuma hipótese nele prevista. Não há dúvida quanto a aplicação da multa, que tenha sido objetivamente apontada pelo contribuinte. Quanto a aplicação da razoabilidade como baliza para orientar o percentual de multa, no caso é preceito dirigido ao legislador e não aplicador, que deve estar vinculado à lei, no lançamento tributário. Dessa feita, VOTO por não conhecer do recurso voluntário, na parte que foi incluída em parcelamento e, na parte conhecida, relativa à multa de ofício, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10920.721982/201118 Acórdão n.º 2202003.890 S2C2T2 Fl. 226 6 Fl. 226DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000027/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO CRÉDITO DE TERCEIROS. PROCEDÊNCIA.
Constatada a utilização de crédito de terceiros em compensação contra norma de vedação do art. 74, da Lei nº 9.430/96, é de se manter o lançamento de multa isolada em relação aos débitos indevidamente compensados.
Numero da decisão: 1401-001.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente
(assinado digitalmente)
ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto (Relator), José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente (assinado digitalmente) ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto (Relator), José Roberto Adelino da Silva.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO CRÉDITO DE TERCEIROS. PROCEDÊNCIA. Constatada a utilização de crédito de terceiros em compensação contra norma de vedação do art. 74, da Lei nº 9.430/96, é de se manter o lançamento de multa isolada em relação aos débitos indevidamente compensados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente (assinado digitalmente) ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 00 27 /2 01 0- 15 Fl. 217DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto (Relator), José Roberto Adelino da Silva. Relatório Iniciemos com a transcrição do relatório da decisão de Piso sobre o caso: Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10932.000027/201015 Acórdão n.º 1401001.834 S1C4T1 Fl. 218 3 Fl. 219DF CARF MF 4 Da análise pela DRJ//FOR, resultou a seguinte decisão: Cientificado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário alegando, em síntese, que: 1) Que a aplicação da multa fere o direito de petição consagrado na constituição em razão de dificultar o acesso da empresa à discussão administrativa das compensações; 2) Que a penalidade atribuída funciona, na linha de entendimento à vedação ao direito de petição, como forma de inibir o exercício deste direito por parte das empresas; 3) Que, finalmente, o percentual da multa é incompatível com a situação econômica do país e da inflação, apresentando alguns precedentes judiciais neste sentido, notadamente relativos a multas de ICMS, requerendo ao final a redução da multa aplicada, se for o caso. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10932.000027/201015 Acórdão n.º 1401001.834 S1C4T1 Fl. 219 5 É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator De início cumprese informar que o objeto da lide é a análise acerca da legalidade de imposição de multa isolada relativa aos débitos apresentados à compensação de forma tida irregular por basearse tal compensação em créditos de terceiros, no caso, relativos a ação de desapropriação de terceiros contra o INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária. A habilitação do referido crédito foi solicitada nos autos do processo nº 13819.001243/200777 e referido pedido foi indeferido por tratarse de créditos de terceiros e de tributo não administrado pela Receita Federal. Com base neste pedido de habilitação o contribuinte apresentou concomitantemente, declaração de compensação, por meio do processo nº 13819.001244/200711, no qual apresentou diversos débitos a serem compensados com os referidos créditos. Da análise da compensação resultou que foi considerada não declarada a compensação dos referidos débitos por tratarse da utilização de créditos de terceiros ou de tributos não administrados pela RFB. Em consequência da utilização de prática legalmente vedada, foi lavrado o auto de infração objeto deste processo decorrente da decisão que considerou não declarada a compensação baseada em crédito de terceiros. Do Objeto de Análise no Presente Processo e da Distinção das penalidades Fl. 221DF CARF MF 6 A análise deste processo prendese, apenas e tão somente, à verificação da regularidade do procedimento fiscal que não decorre do descumprimento da obrigação tributária principal, mas sim do uso indevido da Decl aração de Compensação DCOMP como meio extintivo do crédito tributário. Na cobrança dos débitos resultado de compensação não homologada estes se sujeitos à imposição de multa de mora, quando já confessados, ou ao lançamento de oficio do próprio crédito tributário, quando ainda não confessados. Ocorre, no entanto, que quando a compensação é considerada não declarada não estamos mais tratando do crédito tributário e sua cobrança, mas sim da infração cometida pela empresa ao violar dispositivos normativos que impediam a compensação de seus débitos com o crédito que foi manejado. Demonstrase essa diferença pela leitura das normas atinentes ao caso. Iniciamos pela MP nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, que determina duas providências em face da inadmissibilidade das compensações veiculadas em DCOMP: Art. 17. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pel o art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar co m a seguinte redação: “Art. 74. ................................................................................. [...]. § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trint a) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8º. Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazend a Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. [...] Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisó ria nº2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de mult a isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o cré dito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a práti ca das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de nov embro de 1964. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidament e compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, confor me o caso. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10932.000027/201015 Acórdão n.º 1401001.834 S1C4T1 Fl. 220 7 § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologa ção da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a q ue se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. [...] Nestes termos, a autoridade competente, quando, no presente caso, não admite um PER/DCOMP tem duas obrigações: A primeira, a de cobrar ou lançar os débitos não compensados conforme seja o caso; A segunda, determinar o lançamento de multa isolada no caso das compensações apresentadas pela empresa quando a compensação apresentada infringir qualquer das normas do art. 74, § 12º, da Lei nº 9.430/96, com alterações pela Lei nº 11.051/2004. Ao contrário do que entende o contribuinte em seu recurso, a cobrança dos débitos indevidamente compensados realizase com a simples aplicação da multa de mora, consoante o previsto no art. 61, da Lei nº 9.430/96. A imposição da multa isolada decorre do procedimento irregular de compensação e não dos débitos que foram extintos com a mesma, por isso a multa de mora aplicada ao pagamento dos débitos não pode em qualquer momento, confundirse com a multa isolada aplicada em punição ao irregular procedimento da empresa É certo na jurisprudência que não pode haver a incidência concomitante da multa de mora com a isolada sobre o tributo. Por isso é que, no presente momento, rebatendo as alegações apresentadas pela empresa quanto a este tópico, é necessário demonstrar que esta multa isolada decorrente da infringência de norma legal não guarda relação com o pagamento/lançamento dos débitos indevidamente compensados. Estes, apenas e tão somente, são utilizados como instrumento para calcular o valor da penalidade. Neste caso, a multa isolada por compensação indevida, prevista no art. 18 da Lei n º 10.833/2003, embora associada à falta de recolhimento do débito compensado, decorre do ab uso de forma na apresentação de DCOMP, em hipóteses frontalmente contrárias à lei que auto rizou sua utilização. E isto porque a DCOMP não é mera obrigação acessória, mas sim integr a a essência da compensação, que somente se efetiva por meio dela (art. 74, § 1º da Lei nº 9.43 0/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002), formalizando a extinção do crédito tribut ário, e não apenas sua constituição (art. 74, § 2º da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002). A multa isolada pune o uso indevido da DCOMP, quando presentes as circunstâncias gravosas previstas em lei, e é proporcional aos efeitos da conduta praticada, qu al seja, o valor dos débitos que o sujeito passivo pretendeu extinguir. Neste sentido, inclusive, j á se firmou o entendimento administrativo de que a multa isolada de que trata o art. 18 da Lei n º 10.833, de 2003, deve ser considerada uma nova penalidade, e pode ter como base de cálculo tributos de diferentes espécies, multas e juros, na medida em que é aplicável sobre o valor total do débito indevidamente compensado. (Excerto do Voto da Conselheira EDELI PEREIRA BESSA) Demostrase, assim, baseados nas lições acima apresentadas pela Conselheira EDELI PEREIRA BESSA , que não fugiu à aplicação do princípio da legalidade a imposição de multa isolada contra o contribuinte pelo fato de o mesmo ter utilizado em compensações, como Fl. 223DF CARF MF 8 forma de extinção dos créditos tributários, créditos de terceiros cuja utilização encontra vedação expressa na norma do art. 74, § 12, II, “a”, da Lei nº 9.430/96. Ao descumprimento a tal vedação pelos atos praticados pelo contribuinte decorreu a imposição de multa isolada em relação aos valores dos débitos indevidamente extintos por compensação vedada em Lei. Não há que se falar aqui na redução do direito de petição do contribuinte. Qualquer contribuinte que possua créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional continua com seus direitos resguardados. O que a Lei, com base nas alterações promovidas no art. 74, da Lei nº 9.430/96, foi elencar os casos em que não é possível a apresentação de declaração de compensação para excluir os casos em que, sabidamente, o crédito não é líquido ou certo ou exigível perante o fisco. Nessa seara de entendimento é que a norma que pune aos que desobedecem as vedações impostas, não é norma restritiva de direitos, mas apenas punitiva das condutas tipicamente vedadas pela legislador. Do Descabimento da Multa Pelo efeito Confiscatório e inibição do direito de petição Quanto ao questionamento do contribuinte acerca dos efeitos confiscatórios da Multa Isolada lançada, devemos considerar que a aplicação da penalidade decorre da estrita obediência da autoridade às normas impositivas da legislação tributária. A consideração acerca de analisar se o percentual de aplicação de uma multa representa ou não efeitos confiscatórios descabe na esfera de julgamento administrativo, conforme leciona a Súmula nº 02 do CARF, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, quanto à alegação de efeitos confiscatórios não estão estes caracterizados, posto que o percentual aplicado no cálculo da multa de 150% sobre o valor dos créditos tributários objeto de compensação considerada não declarada, está estabelecido pelas normas do art. 18, caput e § 2º, da Lei nº 10.833/2003, com redação dada pela Lei nº 11.488/2007, não podendo este Conselho insurgirse contra uma norma regularmente instituída pelo Devido Processo Legislativo. Quanto à inibição do direito de petição devemos destacar que aa vedação ao direito de utilizar os créditos em compensação decorre das normas da Lei número 9,430/96, onde estão listados os tipos de crédito que não podem suportar a apresentação de PER/DCOMP. Com relação a estes créditos o contribuinte sabe de antemão, que a administração tributária não os aceita e, mais ainda, tem o poder/dever de penalizar a conduta típica vedada. Por isso, não há infringência ao direito de petição, apenas há uma prévia vedação, da qual o contribuinte, devidamente ciente dos riscos, entende que deve assumilos. Isto é o que ocorreu e, por isso, ciente o contribuinte dos riscos de seus procedimento vedado, há de não se reconhecer seus argumentos quanto a este ponto. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10932.000027/201015 Acórdão n.º 1401001.834 S1C4T1 Fl. 221 9 CONCLUSÃO Assim, por todo o exposto, o VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e manter integralmente o lançamento realizado. Abel Nunes de Oliveira Neto Fl. 225DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721580/2011-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007, 2008
DIREITO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA.
Ante a regular intimação do interessado, o direito ao contraditório e à ampla defesa se perfaz com a possibilidade da apresentação de recuso voluntário, na forma estabelecida na legislação.
RECURSO. NÃO APRESENTAÇÃO.
Na ausência de recurso voluntário do sujeito passivo, deve o mesmo ser considerado revel, nos termos do art. 54, do Decreto nº 7.574, de 2011.
DILIGÊNCIA. LIVROS FISCAIS
Considera-se não formulado o pedido de diligência sem a apresentação de quesitos; e descabido pedido de diligência para exame de livros fiscais sem a documentação que lhes dê respaldo.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008
SÚMULA 435 STJ. REDIRECIONAMENTO EXECUÇÃO FISCAL.
Aplicável a Súmula nº 435 do STJ, de que a empresa foi dissolvida irregularmente, se a empresa não foi localizada no domicílio fiscal e se houve interposição fraudulenta de novos sócios, cuja inidoneidade não foi contestada com provas, pelos sócios-gerentes responsabilizados solidariamente.
TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. LAVRATURA. COMPETÊNCIA
Compete, privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, o que inclui identificar o sujeito passivo, atividade esta vinculada e obrigatória.
RESPONSABILIDADE PESSOAL DO ADMINISTRADOR. INFRAÇÃO À LEI.
A dissolução irregular da sociedade que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal sem comunicação aos órgãos competentes, e a interposição fraudulenta de pessoas com a admissão de sócios que não possuíam renda disponível para a aquisição das cotas a eles destinadas representam hipóteses de infração de lei, ensejam a responsabilização pessoal pelo crédito tributário, com base nos artigos 124 e 135, do CTN.
RESPONSABILIDADE DE SÓCIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE INFRAÇÃO À LEI NO EXERCÍCIO DA GERÊNCIA.
O sócio administrador é responsabilizado pessoalmente pelo crédito tributário apenas quando se comprova que o mesmo cometeu atos ilícitos no exercício da gerência da sociedade. Na falta de comprovação, deve ser afastada a responsabilidade pessoal solidária.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO EXIGIBILIDADE.
O prosseguimento na cobrança de créditos tributários constituídos em nome da pessoa jurídica deve prosseguir, se esta não apresentou recurso voluntário tempestivo; contudo, tendo sido posteriormente lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária em nome de sócios administrados, suspendem a exigibilidade até a decisão administrativa definitiva, contestações por estes apresentadas, referentes ao mérito do lançamento fiscal.
Numero da decisão: 1201-001.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em: a) não conhecer do recurso voluntário apresentado pela Empol Comércio de Perfis de Alumínio Ltda, CNPJ 08.176.625/0001-10; b) não acatar a preliminar de nulidade dos Termos de Sujeição Passiva Solidária; c) negar provimento ao recurso de ofício, mantendo o cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária de Abdul Latif Mourad Mourad CPF 281.02.808-1; e d) negar provimento aos recursos voluntários dos demais responsáveis, mantendo os Termos de Sujeição Passiva Solidária de Manuel Teixeira Dias, CPF 076.411.558-80, representante da Pompano Beach Investments Group LLC e de Mohamad Ali Murad CPF 216.646.538-58.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gustavo Guimarães da Fonseca; ausente Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2007, 2008 DIREITO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA. Ante a regular intimação do interessado, o direito ao contraditório e à ampla defesa se perfaz com a possibilidade da apresentação de recuso voluntário, na forma estabelecida na legislação. RECURSO. NÃO APRESENTAÇÃO. Na ausência de recurso voluntário do sujeito passivo, deve o mesmo ser considerado revel, nos termos do art. 54, do Decreto nº 7.574, de 2011. DILIGÊNCIA. LIVROS FISCAIS Considera-se não formulado o pedido de diligência sem a apresentação de quesitos; e descabido pedido de diligência para exame de livros fiscais sem a documentação que lhes dê respaldo. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007, 2008 SÚMULA 435 STJ. REDIRECIONAMENTO EXECUÇÃO FISCAL. Aplicável a Súmula nº 435 do STJ, de que a empresa foi dissolvida irregularmente, se a empresa não foi localizada no domicílio fiscal e se houve interposição fraudulenta de novos sócios, cuja inidoneidade não foi contestada com provas, pelos sócios-gerentes responsabilizados solidariamente. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. LAVRATURA. COMPETÊNCIA Compete, privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, o que inclui identificar o sujeito passivo, atividade esta vinculada e obrigatória. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO ADMINISTRADOR. INFRAÇÃO À LEI. A dissolução irregular da sociedade que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal sem comunicação aos órgãos competentes, e a interposição fraudulenta de pessoas com a admissão de sócios que não possuíam renda disponível para a aquisição das cotas a eles destinadas representam hipóteses de infração de lei, ensejam a responsabilização pessoal pelo crédito tributário, com base nos artigos 124 e 135, do CTN. RESPONSABILIDADE DE SÓCIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE INFRAÇÃO À LEI NO EXERCÍCIO DA GERÊNCIA. O sócio administrador é responsabilizado pessoalmente pelo crédito tributário apenas quando se comprova que o mesmo cometeu atos ilícitos no exercício da gerência da sociedade. Na falta de comprovação, deve ser afastada a responsabilidade pessoal solidária. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO EXIGIBILIDADE. O prosseguimento na cobrança de créditos tributários constituídos em nome da pessoa jurídica deve prosseguir, se esta não apresentou recurso voluntário tempestivo; contudo, tendo sido posteriormente lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária em nome de sócios administrados, suspendem a exigibilidade até a decisão administrativa definitiva, contestações por estes apresentadas, referentes ao mérito do lançamento fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em: a) não conhecer do recurso voluntário apresentado pela Empol Comércio de Perfis de Alumínio Ltda, CNPJ 08.176.625/0001-10; b) não acatar a preliminar de nulidade dos Termos de Sujeição Passiva Solidária; c) negar provimento ao recurso de ofício, mantendo o cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária de Abdul Latif Mourad Mourad CPF 281.02.808-1; e d) negar provimento aos recursos voluntários dos demais responsáveis, mantendo os Termos de Sujeição Passiva Solidária de Manuel Teixeira Dias, CPF 076.411.558-80, representante da Pompano Beach Investments Group LLC e de Mohamad Ali Murad CPF 216.646.538-58. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gustavo Guimarães da Fonseca; ausente Luis Fabiano Alves Penteado.
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Ante a regular intimação do interessado, o direito ao contraditório e à ampla defesa se perfaz com a possibilidade da apresentação de recuso voluntário, na forma estabelecida na legislação. RECURSO. NÃO APRESENTAÇÃO. Na ausência de recurso voluntário do sujeito passivo, deve o mesmo ser considerado revel, nos termos do art. 54, do Decreto nº 7.574, de 2011. DILIGÊNCIA. LIVROS FISCAIS Considerase não formulado o pedido de diligência sem a apresentação de quesitos; e descabido pedido de diligência para exame de livros fiscais sem a documentação que lhes dê respaldo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 SÚMULA 435 STJ. REDIRECIONAMENTO EXECUÇÃO FISCAL. Aplicável a Súmula nº 435 do STJ, de que a empresa foi dissolvida irregularmente, se a empresa não foi localizada no domicílio fiscal e se houve interposição fraudulenta de novos sócios, cuja inidoneidade não foi contestada com provas, pelos sóciosgerentes responsabilizados solidariamente. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. LAVRATURA. COMPETÊNCIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 15 80 /2 01 1- 61 Fl. 4610DF CARF MF Processo nº 19515.721580/201161 Acórdão n.º 1201001.660 S1C2T1 Fl. 3 2 Compete, privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, o que inclui identificar o sujeito passivo, atividade esta vinculada e obrigatória. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO ADMINISTRADOR. INFRAÇÃO À LEI. A dissolução irregular da sociedade que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal sem comunicação aos órgãos competentes, e a interposição fraudulenta de pessoas com a admissão de sócios que não possuíam renda disponível para a aquisição das cotas a eles destinadas representam hipóteses de infração de lei, ensejam a responsabilização pessoal pelo crédito tributário, com base nos artigos 124 e 135, do CTN. RESPONSABILIDADE DE SÓCIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE INFRAÇÃO À LEI NO EXERCÍCIO DA GERÊNCIA. O sócio administrador é responsabilizado pessoalmente pelo crédito tributário apenas quando se comprova que o mesmo cometeu atos ilícitos no exercício da gerência da sociedade. Na falta de comprovação, deve ser afastada a responsabilidade pessoal solidária. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO EXIGIBILIDADE. O prosseguimento na cobrança de créditos tributários constituídos em nome da pessoa jurídica deve prosseguir, se esta não apresentou recurso voluntário tempestivo; contudo, tendo sido posteriormente lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária em nome de sócios administrados, suspendem a exigibilidade até a decisão administrativa definitiva, contestações por estes apresentadas, referentes ao mérito do lançamento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em: a) não conhecer do recurso voluntário apresentado pela Empol Comércio de Perfis de Alumínio Ltda, CNPJ 08.176.625/000110; b) não acatar a preliminar de nulidade dos Termos de Sujeição Passiva Solidária; c) negar provimento ao recurso de ofício, mantendo o cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária de Abdul Latif Mourad Mourad CPF 281.02.8081; e d) negar provimento aos recursos voluntários dos demais responsáveis, mantendo os Termos de Sujeição Passiva Solidária de Manuel Teixeira Dias, CPF 076.411.55880, representante da Pompano Beach Investments Group LLC e de Mohamad Ali Murad CPF 216.646.53858. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gustavo Guimarães da Fonseca; ausente Luis Fabiano Alves Penteado. Fl. 4611DF CARF MF Processo nº 19515.721580/201161 Acórdão n.º 1201001.660 S1C2T1 Fl. 4 3 Relatório Trata o processo de autos de infração, págs. 193/232, que exigem Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ no montante de R$21.486.883,33 e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, R$7.725.700,97, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora; e Contribuição para o PIS/Pasep no valor de R$1.431.020,90 e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, no valor de R$6.591.369,43, com fatos geradores mensais de 31/01/2007 a 31/12/2008, relativos à mesma infração; todos apenados com multa de ofício de 75% e juros de mora; os motivos da autuação e descrição dos procedimentos de fiscalização constam do Termo de Constatação Fiscal de págs. 187/192. 2. Cientificado em 08/11/2011, o contribuinte interpôs impugnação tempestiva em 06/12/2011, págs. 236/239 e em 17/05/2012, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo DRJ/SPO, proferiu o Acórdão nº 1638.904, relativo à autuação impugnada, págs. 261/270, e considerou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário; cientificada via Edital nº 202/2014, pág. 287, porque a correspondência com Aviso de Recebimento AR, retornou com a anotação "Mudouse"; a Autuada não apresentou recurso voluntário, tendo sido os débitos encaminhados à inscrição na Dívida Ativa da União em 05/11/2012. 3. Depois deste julgamento e inscrição, foram emitidos Termos de Sujeição Passiva Solidária: a. págs. 406/409, cientificado em 21/12/2012, no nome de Manuel Teixeira Dias, CPF 076.411.55880, representante da Pompano Beach Investments Group LLC, que foi sócia da Autuada desde 27/09/2007, com 60% do capital social de R$200.000,00, até 26/04/2012; neste Termo, consta que a Autuada não foi localizada no endereço constante dos cadastros da Jucesp e CNPJ: rua Rifaina, 527, Vila Anglo Brasileira, que descreve, o que conduziu à presunção de "dissolução irregular da empresa", pois deixou de funcionar em seu domicílio fiscal e não comunicou mudança de endereço, o que, segundo súmula do Superior Tribunal de Justiça SRJ, legitima o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente; descreve também que os sócios admitidos em 26/04/2012, Adalberto Francisco da Silva, CPF 344.976.10802, domiciliado em Poços de Caldas/MG, com R$120.000,00 e Julio Cezar Lopes, CPF 074.155.89697, domiciliado em Machado/MG, com R$80.000,00, não possuíam declarações de imposto de renda pessoa física e tampouco renda disponível para aquisição das referidas cotas, identificados, portanto, como "laranjas"; outrossim, que cabe a responsabilização do sócio Abdul Latif Mourad Mourad, CPF 281.023.80810, com base nos arts. 124 e 135 do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966; Manuel Teixeira Dias, CPF 076.411.55880, apresentou seus representantes legais à pág. 378, por meio dos quais apresentou impugnação de págs. 392/397, em 21/01/2013; b. págs. 400/403, no nome de Mohamad Ali Murad CPF 216.646.53858, sócio administrador com participação de 40% do capital, de 10/08/2009 a 26/04/2012; entregue em 22/12/2012, no domícílio à rua Rosa Marchetti, 51, Limão, CEP Fl. 4612DF CARF MF Processo nº 19515.721580/201161 Acórdão n.º 1201001.660 S1C2T1 Fl. 5 4 02.550110, São Paulo/SP; o conteúdo deste Termo é o mesmo que o descrito; Mohamad Ali Murad apresentou impugnação, págs. 4.236/4.256; c. págs. 412/415, no nome de José Bertoni CPF 868.474.14804, sócio administrador com participação de 46% do capital, de 31/05/2006 a 327/09/2007; o conteúdo deste Termo é o mesmo que o descrito; d. págs. 418/421, no nome de Abdul Latif Mourad Mourad CPF 281.02.80810, sócioadministrador com participação de 40% do capital, de 31/05/2006 a 10/08/2009; entregue em 21/12/2012; o conteúdo deste Termo é o mesmo que o descrito; Abdul Latif Mourad Mourad apresentou impugnação, págs. 4.140/4.201; e. as impugnações foram consideradas tempestivas, pág. 4.282; José Bertoni não apresentou impugnação. 4. À pág. 4.291, despacho da Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, informando o ajuizamento de execução fiscal tãosomente contra a pessoa jurídica autuada, haja vista as impugnações tempestivas aos Termos de Sujeição Passiva Solidária, de Manoel Teixeira Dias, Mohamad Ali Murad e Abdul Latif Mourad Mourad. 5. Às págs. 4.300/4.324, em 28/01/2014, a Autuada informa mudança de endereço da Rua Rifaina, 527, para av. São Miguel, 5.053, Hermelino Matarazzo, CEP 03.871/100, São Paulo/SP e apresenta documentação, entre outros a alteração de contrato social com novos sócios e o novo endereço; está datada de 01/08/2013 e foi arquivada na Jucesp em 20/01/2014. 6. Em 25/09/2014, Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo DRJ/SPO, proferiu o Acórdão nº 1661.680, págs. 4.326/4.358, relativo aos Termos de Responsabilidade Solidária impugnados: (...) por unanimidade de votos, acordam em: a) Considerar revel JOSÉ BERTONI, CPF 868.474.14804; b) Considerar improcedentes as impugnações apresentadas por MANUEL TEIXEIRA DIAS, CPF 076.411.55880 e MOHAMAD ALI MURAD, CPF 217.646.53858 mantendo a imputação da responsabilidade passiva solidária; c) Considerar procedente em parte a impugnação apresentada por ABDUL LATIF MOURAD MOURAD, CPF 281.023.80810, afastando a imputação da responsabilidade solidária, e mantendo os créditos tributários lançados. À Delegacia que jurisdiciona os domicílios fiscais dos interessados para: a) prosseguir a cobrança em face do interessado JOSÉ BERTONI e da pessoa jurídica EMPOL ALUMINUM DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO(ATUALMENTE DENOMINADA EMPOL COMÉRCIO DE PERFIS DE ALUMÍNIOLTDA.), atentandose para o fato de que a discussão administrativa com relação à pessoa jurídica está encerrada, tendo em vista o acórdão de nº 1638.904 proferido em 17/05/2012, em face do qual não foi interposto recurso voluntário. b) dar ciência desta decisão aos impugnantes MANUEL TEIXEIRA DIAS, MOHAMAD ALI MURAD e ABDUL LATIF Fl. 4613DF CARF MF Processo nº 19515.721580/201161 Acórdão n.º 1201001.660 S1C2T1 Fl. 6 5 MOURAD MOURAD, e demais providências de sua alçada, intimando apenas os dois primeiros a efetuar o pagamento do crédito tributário mantido no prazo de 30 dias da ciência, facultandolhes o direito à interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no mesmo prazo, de acordo com os artigos 68 e 73 do Decreto nº 7.574 de 29/09/2011, somente com relação à sujeição passiva solidária. 7. A DRJ/SPO, apresentou Recurso de Ofício. 8. Às págs. 4.364/4.366 e 4.368/4.370 encontramse as intimações dando ciência deste último Acórdão DRJ/SPO nº 1661.680 e respectivos Avisos de Recebimento por: Abdul Latif Mourad Mourad, em 05/02/2015; Manuel Teixeira Dias, em 05/02/2015; Mohamad Ali Murad, em 18/02/2015. 9. Em 13/02/2015, a Autuada apresentou Recurso Voluntário de págs. 4.379/4.422, destacando que tomou conhecimento do Acórdão DRJ/SPO apenas em 09/02/2015, em face da cientificação do exsócio Mohamed Ali Murad; a representante legal que elaborou o recurso foi constituída por Mohamad Ali Murad, pág. 4.375. 10. Requer que o CARF aprecie a tempestividade/perempção deste recurso voluntário e requer a suspensão da exigibilidade do crédito enquanto não transitar em julgado decisão administrativa desfavorável à Recorrente; que notificações sejam enviadas aos seus representantes legais; em preliminar, que não houve notificação válida da decisão de 1ª instância, porque foi efetuada pelo correio, em 16/07/2012, no antigo endereço da recorrente, na rua Rifânia, 527, Vila Anglo Brasileira , São Paulo/SP CEP 05.029020 (docs. 01 a 03); mas que possui domicílio fiscal certo e conhecido, pois aquele endereço, págs 277/278, é diferente daquele que consta da 9ª Alteração de Contrato Social, datada de 12/07/2012, devidamente arquivada na Junta Comercial sob nº 333.822/134 (docs 05 a 09), consignando o endereço de Avenida Paula Ferreira, 603, Freguesia do Ó, CEP 02.915000, sendo que o contribuinte dispõe de 30 dias para comunicar a alteração (art. 30 do RIR de 1999); e a intimação via Edital se deu 5 (cinco) dias após a alteração do endereço, devendo ser considerada nula, retornando o processo ao status quo ante, sob pena de cerceamento de defesa, ofensa aos direitos do contraditório, ampla defesa e do duplo grau de jurisdição; no mérito afirma que os únicos documentos acostados são cópias que refletem a verdade e a realidade e registros contábeis: Balanços Patrimoniais 31/12/2007 e 31/12/2008, livros Razão que comprovam que o registro fiscal /contábil da conta Fornecedores e Empréstimos divergem dos fatos descritos pelo Fiscal autuante; que as DIPJ 2007 e 2008 não são suficientes para apuração de eventual obrigação tributária; requer, conversão em diligência, para verificação in loco dos livros contábeis (Diário e Razão), pois a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte, cabendo à autoridade fiscal provar a inveracidade dos fatos registrados; por isso, tendo em vista os documentos contábeis acostados pelo exsócio Abdul Latif Mourad Mourad, requer o cancelamento dos autos. 11. Em 20/02/2015, págs. 4.427/4.443, Abdul Latif Mourad Mourad, tempestivamente, apresenta recurso voluntário, no qual discorda da sua responsabilização solidária nos termos dos arts. 124 e 135 do CTN, por ter sido sócio da Empol, que teria transferido cotas para "laranjas"; destaca que o Acórdão nº 1661.680 corretamente o excluiu da responsabilidade, dado que as irregularidades ocorreram após sua saída da empresa, não havendo prova de que tenham ocorrido quando exerceu gerência da sociedade; que apesar de ser o administrador à época do fato gerador, retirouse antes que ocorresse a dissolução irregular e sem que tivesse Fl. 4614DF CARF MF Processo nº 19515.721580/201161 Acórdão n.º 1201001.660 S1C2T1 Fl. 7 6 sido comprovado que sua saída foi fraudulenta; que não houve comprovação que tenha cometido atos ilícitos no exercício da gerência; à vista do recurso de ofício, reitera todas alegações que havia apresentado na impugnação; reclama do Arrolamento de Bens e Direitos lavrado contra si e que o impossibilita de realizar negócios e operações imobiliárias; requer que seja afastada sua responsabilização e cancelado o arrolamento, por isso, pede brevidade no julgamento, destacando que a Lei nº 11.457, de 2007, art. 24; estabeleceu um prazo máximo de 360 dias para a decisão administrativa. 12. Em 03/03/2015, págs. 4.445/4.484, Mohamad Ali Murad, tempestivamente, apresenta recurso voluntário, em que afirma que é nulo o Termo de Sujeição Passiva mantido ao fundamento de que a Empol teria sido dissolvida irregularmente, apenas porque não foi localizada em seu endereço, dado que está ativa, conforme o cadastro e a Alteração Contratual, sendo sua sede av. São Miguel, 5.053, CEP 03.871100, Ermelino Matarazzo, São Paulo/SP; que a Empol comunicou a alteração de endereço no prazo de 30 (trinta) dias e não pode ser responsabilizada pela morosidade da burocracia interna; o Termo de Responsabilidade Solidária com base no art. 59, I do Decreto nº 70.235, de 1972, é nulo, pois compete privativamente à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, nos casos da responsabilização pelos arts. 128 a 138, do CTN; a fiscalização utilizou indevidamente a solidariedade para estabelecer alguém responsável pelo tributo devido, mesmo quem não teve relação com o fato gerador; para responsabilizar com base no art. 135, do CTN, necessário comprovar atuação dolosa ou culposa na administração dos negócios, praticando atos com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatuto social, ou dissolução irregular da sociedade; indícios não são provas; o simples inadimplemento não caracteriza infração legal; que ingressou em 24/07/2009 e se retirou em 04/04/2012, a autuada continuou suas atividades e o recorrente desconhece quaisquer operações após sua saída, bem como antes do seu ingresso, que são os fatos em 2007 e 2008 autuados; que para desconsideração da pessoa jurídica deve haver prova concreta de que a finalidade foi desviada; as pessoas jurídicas detêm personalidade própria, distinta da dos sócios e o débito constituído em face da empresa, não é de responsabilidade dos sócios; os documentos contábeis acostados pelo exsócio Abdul Latif Mourad Mourad refletem a verdade e a realidade e registros contábeis: Balanços Patrimoniais 31/12/2007 e 31/12/2008, livros Razão que comprovam que o registro fiscal/contábil das contas Fornecedores e Empréstimos divergem dos fatos descritos pelo Fiscal autuante; que não há nos autos cópias das páginas dos Diário e Razão que fazem prova a favor do contribuinte, que as DIPJ 2007 e 2008 não são suficientes para apuração de eventual obrigação tributária; No resumo mensal dos Fornecedores e Empréstimos, constante do Auto de Infração, temos que no ano de 2007, o valor da Conta de Fornecedores foi de R$ 7.852.018,80 e na Conta de Empréstimos de R$ 23.020.678,84, totalizando o valor de R$ 30.872.697,64. No ano de 2008, o valor da Conta de Fornecedores foi de R$ 25.508.463,42 e na Conta de Empréstimos de R$ 30.347.385,71, totalizando o valor de R$ 55.855.849,13. Entretanto, esses valores estão equivocados e não condizem com a realidade. Ao compulsar os Balanços de 31/12/2007 (fls. 931/934 e fls. 1663 e 1696) e 2008 (fls. 2517/2520) dos autos do processo administrativo, temos que os valores reais são da Conta de Fornecedores em 31/12/2007 R$ 8.817.239,33 não havendo Conta de Empréstimos mas sim um valor referente à AFAC Adiantamento para Futuro Aumento de Capital de R$ 23.020.678,84. Já no ano de 2008, o valor da Conta de Fl. 4615DF CARF MF Processo nº 19515.721580/201161 Acórdão n.º 1201001.660 S1C2T1 Fl. 8 7 Fornecedores é de R$ 11.134.871,27, não havendo Conta de Empréstimos, mas sim um valor de AFAC Adiantamento para Futuro Aumento de Capital de R$ 53.368.065.55. 13. Requer, conversão em diligência, para verificação in loco dos livros contábeis (Diário e Razão), pois a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte, cabendo à autoridade fiscal provar a inveracidade dos fatos registrados, requer o cancelamento dos autos e do Termo de Sujeição Passiva Solidária. 14. Em 03/03/2015, págs. 4.486/4.518, Manoel Teixeira Dias, tempestivamente, apresenta recurso voluntário em que diz que foi incluído como sujeito passivo solidário, por ser à época administrador do sócio majoritário, o que é descabido pois o processo ainda está em fase de recurso ao CARF e a cobrança do crédito com exigibilidade suspensa; tampouco procede sua inclusão com base na Súmula 435 do STJ, de que houve a dissolução irregular da empresa, porque a mesma não se encontra mais no mesmo endereço; afirma que a empresa continua ativa, conforme CNPJ em 24/02/215 e Alteração Contratual, sendo a sede à av. São Miguel, 5.053, CEP 03.871100, Ermelino Matarazzo, São Paulo/SP; que a Empol comunicou a alteração de endereço no prazo de 30 (trinta) dias; a responsabilização com base no art. 135 do CTN só poderá ocorrer após esgotadas as possibilidades de recebimento do crédito tributo do sujeito passivo direto, o que se dará na fase de cobrança judicial; para responsabilizar com base no art. 135, do CTN, necessário comprovar atuação dolosa ou culposa na administração dos negócios, praticando atos com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatuto social, ou dissolução irregular da sociedade; indícios não são provas; o simples inadimplemento não caracteriza infração legal; é nulo o Termo de Responsabilidade Solidária é nulo com base no art. 59, I do Decreto nº 70.235, de 1972, pois compete privativamente à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN; no que tange à autuação, apresenta os mesmos argumentos de Mohamad Ali Murad, já resumidos e requer diligências e cancelamento dos autos e do Termo de Sujeição Passiva Solidária. 15. Em 10/03/2016, págs. 4.522/4.536, a Autuada requereu Certidão de Andamento (Objeto e Pé), ou, caso não haja a possibilidade de expedição do referido documento ou oficio, que seja reconhecida a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, objeto do processo administrativo 19515.721580/201161 face a interposição de recursos voluntários por EMPOL, Manuel Teixeira Dias e Mohamad Ali Murad, e do recurso de ofício da DRJ/SP1. 16. Em 29/03/2016, fora do prazo de trinta dias, apresentaram razões aditivas, págs. 4.551/4.563 e 4.568/4.577: a. Abdul Latif Mourad Mourad, por ter idade superior 60 (sessenta) anos, requer prioridade de julgamento do recurso de ofício; b. Mohamad Ali Murad, reiterando o teor do recurso voluntário. c. Em 04/04/2016, págs. 4.581/4.596, a Autuada apresentou razões aditivas, reiterando os pleitos de que o recurso voluntário que apresentou seja considerado tempestivo e de suspensão da exigibilidade do crédito tributário; no mérito, reitera os argumentos e requerimento de diligência Voto Fl. 4616DF CARF MF Processo nº 19515.721580/201161 Acórdão n.º 1201001.660 S1C2T1 Fl. 9 8 Conselheiro Eva Maria Los 1 Cientificação à Autuada, do Acórdão DRJ/SPO nº 1638.904. 17. O Acórdão DRJ/SPO nº 1661.380, foi proferido em 25/09/2014 e constatou: 19. Devese esclarecer, que inicialmente apenas a contribuinte EMPOL ALUMINUM DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. (ATUALMENTE DENOMINADA EMPOL COMÉRCIO DE PERFIS DE ALUMÍNIO LTDA.) foi cientificada dos Autos de Infração, e interpôs impugnação (fls. 236/239) já analisada por esta Turma em 17/05/2012, quando proferiu o acórdão de nº 1638.904, no qual foram considerados procedentes os lançamentos e mantidos os créditos tributários (fls. 261/270). Após transcorrido o prazo para interposição de recurso ao ARF sem que houvesse manifestação da contribuinte, a PFN procedeu à inscrição de D.A.U. em 05/11/2012 (fls. 311/370). Desta forma, encontrase encerrada a discussão administrativa fiscal para este contribuinte, tendo em vista que o acórdão proferido por esta turma de julgamento, bem como os atos processuais posteriores foram pautados pela legalidade e devem ser considerados atos jurídicos perfeitos. (...) 24. Assim, a presente decisão trata apenas da análise das impugnações tempestivas apresentadas pelos interessados MANUEL TEIXEIRA DIAS, MOHAMAD ALI MURAD, e ABDUL LATIF MOURAD MOURAD, que tomo conhecimento. 18. Ao analisar o argumento de que a intimação do Acórdão DRJ/SPO nº 1638904 teria sido enviada para endereço já não atual, porque o contribuinte o havia alterado e teria informado à RFB no prazo de 30 (trinta) dias, analisa e conclui: 31. Ocorre, que ao verificar os documentos de fls. 276/287 referentes à intimação da contribuinte do resultado do julgamento proferido no acórdão de n° 1638.904, notase que seu endereço constante no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ (fl. 286) e citado pelo interessado não estava correto, pois como se lê no aviso de recebimento AR juntado à fl. 285, o documento enviado em 17/07/2012 à Rua Rifaina, n° 527, Vila Anglobrasileira, São Paulo, foi devolvido com a informação de "mudouse". A contribuinte foi então intimada por meio do Edital n° 202/2012, nos termos do art. 23 do Decreto n° 70.235/1972, "por encontrarse em lugar incerto e ignorado" (fl. 287). 32. Além disso, conforme informação da autoridade fiscal no Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 372/374), no endereço citado constatouse uma pequena porta de correr, sendo um local pouco provável para a atividade da empresa, ou seja, o comércio atacadista de materiais de construção em geral (CNAE 46.796/99). Fl. 4617DF CARF MF Processo nº 19515.721580/201161 Acórdão n.º 1201001.660 S1C2T1 Fl. 10 9 (...) Ainda, a IN RFB nº 1.183/2011 (D.O.U. 22/08/2011), vigente á época,determinava a responsabilidade da contribuinte em atualizar no CNPJ toda alteração cadastral ocorrida na empresa, até o último dia útil de mês subsequente à alteração: Art. 22. A entidade está obrigada a atualizar no CNPJ qualquer alteração referente aos seus dados cadastrais até o último dia útil do mês subsequente ao de sua ocorrência. § 1º No caso de alteração sujeita a registro, o prazo a que se refere o caput é contado a partir da data do registro da alteração no órgão competente. 35. Observase que apenas em 28/01/2014, data posterior à entrega da intimação acima citada, e também da apresentação da defesa apresentada pelo interessado, a contribuinte solicitou alteração cadastral, conforme fls. 4.300/4.323. 19. À pág. 287, Edital nº 202/2012, emitido "por encontrarse em lugar incerto e ignorado", cientificando a empresa em 08/08/2012. 20. Págs. 311/370, Termo de Inscrição de Dívida Ativa, em 05/11/2012 dos débitos em nome da Autuada, não contestados. 21. Às págs. 288/298, extrato do processo, em, 24/10/2011, constando o domicilio como Rua Rifaina, 527, Vila Anglo Brasileira, São Paulo/SP CEP 05.029020. 22. À pág. 187/232, Termo de Constatação Fiscal e os autos de infração entregues à Empol Aluminium do Brasil Ind e Com Ltda, rua Rifaina, 503, Vila Anglo Brasileira, São Paulo/SP, CEP 05.029020, 08/11/2011, mediante ciência pessoal à representante legal da empresa, Rosana Elizete da Silva Rodriguez Blanco, conforme procuração de pág. 233. 23. Às págs. 276/285, intimação, documentos de cobrança e Aviso de Recebimento AR, endereçados à rua Rifaina, 527, Vila Anglo Brasileira, São Paulo/SP, CEP 05.029020, com anotação "Mudouse", datado de 17/07/2012; às págs. 286, extrato CNPJ da empresa, em 23/07/2012, onde consta o domicílio Rua Rifaina, 527, Vila Anglo Brasileira, São Paulo/SP CEP 05.029020, mas a Ficha Cadastral Simplificada de págs. 4.424/4.425, anexada pela Autuada informa: a. 11/08/2011, endereço alterado para rua Rifaina, 503, Vila Pompéia, São Paulo/SO, CEP 05.029020; b. 12/09/2011, alterado para rua Rifaina, 527, Salão, Vila Pompéia, São Paulo/SP, CEP 05.029020; c. 20/01/2014, alterado para Av. São Miguel, 5053, Ermelino Matarazzo, São Paulo/SP, CEP 03.871100. 24. Mohamed Ali Murad anexou com seu recurso, doc 03, págs. 4.480/4.484, Alteração Contratual da Empol, já com os sócios Adalberto Francisco da Silva e Julio Cesar Lopes, alterando o endereço de rua Rifaina, 527, salão, Vila AngloBrasileira CEP 05.029020, São Fl. 4618DF CARF MF Processo nº 19515.721580/201161 Acórdão n.º 1201001.660 S1C2T1 Fl. 11 10 Paulo/SP, para Av. São Miguel, 5.053, Ermelino Matarazzo CEP 03.871100, São Paulo/SP, datada de 01/07/2013, porém registrada na Jucesp somente em 20/01/2014. 25. Às págs. 4.417/4.422, a 9ª Alteração Contratual, alterando o endereço da matriz para Av. Paula Ferreira, 603, Freguesia do Ó, CEP 02.915000, São Paulo/SP a peça está datada de 12/07/2012, que é o exato dia da tentativa de entrega da intimação pelo correio do Acórdão DRJ/SPO nº 1638.904; porém o registro foi em 28/08/2012, contudo, não consta da certidão retro citada; conforme determina a legislação, se o registro for efetivado em prazo superior ao de 30 (trinta) dias da data constante no documento, deve ser considerada como a data da alteração, a data do registro portanto, a mudança de endereço foi em 28/08/2012, estando correto o domicílio tributário constante da correspondência, Rua Rifaina, 527, etc, em 12/07/2012, portanto, haja vista a determinação legal, Lei nº 8.934, de 18 de novembro de 1994, que dispõe sobre o Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins e dá outras providências: Art. 32. O registro compreende: (...) II O arquivamento: a) dos documentos relativos à constituição, alteração, dissolução e extinção de firmas mercantis individuais, sociedades mercantis e cooperativas; b) dos atos relativos a consórcio e grupo de sociedade de que trata a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976; c) dos atos concernentes a empresas mercantis estrangeiras autorizadas a funcionar no Brasil; d) das declarações de microempresa; e) de atos ou documentos que, por determinação legal, sejam atribuídos ao Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins ou daqueles que possam interessar ao empresário e às empresas mercantis; (...) Art. 36. Os documentos referidos no inciso II do art. 32 deverão ser apresentados a arquivamento na junta, dentro de 30 (trinta) dias contados de sua assinatura, a cuja data retroagirão os efeitos do arquivamento; fora desse prazo, o arquivamento só terá eficácia a partir do despacho que o conceder. (Grifouse.) 26. E ainda o Código Civil Brasileiro, Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002: Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbandose no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. 27. Evidenciase que descabe razão à Autuada não tendo sido localizada no domicílio fiscal, cabe a ciência via Edital e, completado prazo de 30 (trinta) dias, sem que tenha apresentado recurso, precluiu o prazo, tornandose revel, passandose à cobrança do débito não contestado. Fl. 4619DF CARF MF Processo nº 19515.721580/201161 Acórdão n.º 1201001.660 S1C2T1 Fl. 12 11 2 Súmula nº 435 do STJ. 28. Como já ressaltado pela autoridade fiscal, a Súmula nº 435 do STJ pacificou o entendimento sobre a irregularidade de empresas que deixam de funcionar em seus domicílios tributários e não comunicam essa mudança aos órgãos competentes, conforme segue: Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente. 29. Tratase de presunção legal, o que inverte o ônus da prova; passa então, ser de responsabilidade do contribuinte, apresentar provas de que a empresa não foi dissolvida irregularmente. 30. Contudo, consta dos Termos de Sujeição Passiva Solidária que as pessoas que substituíram os sócios Pompano Beach Investmentes Group LLC, representada por Manuel Teixeira Dias, administrador, e Mohamad Ali Murad, sócio e administrador, em 26/04/2012, Adalberto Francisco da Silva, CPF 344.976.10802, domiciliado em Poços de Caldas/MG, com R$120.000,00 e Julio Cezar Lopes, CPF 074.155.89697, domiciliado em Machado/MG, com R$80.000,00, não possuíam declarações de imposto de renda pessoa física e tampouco renda disponível para aquisição das referidas cotas, identificados, portanto, como "laranjas". 31. Os responsáveis solidários impugnaram suas respectivas responsabilizações pelos débitos da Autuada, asseverando que a empresa continua ativa; as provas são o cadastro CNPJ em 24/02/215 e Alteração Contratual, sendo a sede à av. São Miguel, 5.053, CEP 03.871100, Ermelino Matarazzo, São Paulo/SP e que a Empol comunicou a alteração de endereço no prazo de 30 (trinta) dias: a. já se verificou a notificação do Acórdão DRJ/SPO nº 1638.904 à Empol foi enviada corretamente ao domicílio da autuada, que à data, não havia comunicado mudança de endereço e, conforme descrito, os responsáveis solidários impugnantes, apresentaram documentos diferentes: um que atesta que a mudança de endereço se deu em 28/08/2012 e não na data da tentativa de entrega constante do AR, como quer fazer crer o impugnante, e outro, de que foi em 20/01/2014! b. o cadastro CNPJ continua ativo, com o novo endereço, porém, a presunção da Súmula nº 435 do STJ, procede, dado que não foi localizada, quando da cientificação, no então domicílio fiscal, e porque os novos sócios foram qualificados como "laranjas" ao que os Responsáveis Solidários impugnantes não apresentaram qualquer prova em contrário, salvo alegações vazias. 32. Pelo exposto, cabe a responsabilização solidária dos sóciosgerentes, com base na Súmula nº 435 do STJ. Fl. 4620DF CARF MF Processo nº 19515.721580/201161 Acórdão n.º 1201001.660 S1C2T1 Fl. 13 12 3 Recursos voluntários. Recurso de ofício. 3.1 A AUTUADA. 33. Os fatos expostos confirmam que o recurso voluntário que esta apresentou é extemporâneo e dele não se toma conhecimento. 3.2 ABDUL LATIF MOURAD MOURAD CPF 281.02.80810. 34. A DRJ/SPO, cancelou a responsabilização e recorreu de ofício de sua decisão. 35. O interessado argumenta que, mesmo tendo sido sócioadministrador da autuada, de 31/05/2006 a 10/08/2009, sendo que a autuação se refere a infrações com fatos geradores em 2007 e 2008, não participou da interposição fraudulenta de pessoas, em 20/01/2014. 36. As infrações autuadas ocorreram em 2007 e 2008 e o Recorrente foi responsabilizado com base nos arts. 124 e 135 do CTN. 37. A DRJ/SPO concluiu que: No caso em tela, embora o crédito tributário se refira a período em que o interessado era administrador da sociedade, os atos ilícitos invocados pela autoridade fiscal a fim de justificar sua responsabilidade pessoal pelo crédito ocorreram após sua saída da sociedade. (...) Estas irregularidades ocorreram após a saída do interessado da sociedade, em 10/08/2009. Se houve algum ato ilícito praticado pelo impugnante durante o exercício de gerência, o mesmo não ficou demonstrado no Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado pela autoridade fiscal, tampouco nos documentos acostados aos autos. 38. Cabe concordar com a conclusão da DRJ, uma vez que, tendo se retirado da empresa em 10/08/2009, os novos sócios que ingressaram, Pompano Beach Investments Group LLC e Mohamad Ali Murad, assumiram responsabilidade pela empresa e eventuais pendências que houvesse; e a interposição de terceiros inidôneos, para que, por sua vez, assumissem a empresa e suas pendências, à essa altura evidenciadas pelos autos de infração devidamente cientificados, ocorreu depois da saída do Interessado, tendo sido autores dessa alteração societária: Manuel Teixeira Dias, CPF 076.411.55880, representante da Pompano Beach Investments Group LLC, e Mohamad Ali Murad CPF 216.646.53858. 3.2.1 Arrolamento de Bens. Abdul Latif Mourad Mourad. 39. Determina a Instrução Normativa RFB nº 1565, de 11 de maio de 2015: Art. 13. Havendo extinção de 1 (um) ou mais créditos tributários que motivaram o arrolamento antes de seu encaminhamento para inscrição em DAU, o titular da unidade da RFB do domicílio tributário do sujeito passivo, ou outra autoridade administrativa por delegação de competência, comunicará, no Fl. 4621DF CARF MF Processo nº 19515.721580/201161 Acórdão n.º 1201001.660 S1C2T1 Fl. 14 13 prazo de 30 (trinta) dias, o fato ao órgão em que o arrolamento tenha sido registrado, nos termos do art. 10, para que sejam cancelados os registros pertinentes ao arrolamento, desde que se mantenham bens e direitos arrolados em valor suficiente para a satisfação do montante remanescente dos créditos tributários. 40. Como se vê, há normativa disciplinando o cancelamento do arrolamento, se a decisão administrativa definitiva cancelar a exigência em nome do interessado. 3.3 MANUEL TEIXEIRA DIAS, CPF 076.411.55880, REPRESENTANTE DA POMPANO BEACH INVESTMENTS VGROUP LLC, E MOHAMAD ALI MURAD CPF 216.646.53858. 3.3.1 Nulidade dos Termos. 41. Tem razão a DRJ/SPO, ao rechaçar o pleito de nulidade dos Termos de Sujeição Passiva Solidária, ao argumento de que a Autoridade Fiscal seria incompetente para lavrálos, porque caberia à PFN. 42. Eis que o CTN determina especificamente no art. 142 que compete, privativamente à Autoridade Fiscal/Administrativa a constitução do crédito tributário pelo lançamento, o que inclui identificar o sujeito passivo, atividade esta vinculada e obrigatória. 43. Sendo o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, Autoridade que lavrou os Termos, competente para tal, descabe a nulidade com base no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. 3.3.2 Art. 135, III, do CTN. 44. Contestam a responsabilização pessoal pelos créditos tributário correspondentes à obrigação tributária praticada com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatuto. 45. O Autuante baseouse na Súmula 435 do STJ, para direcionar a cobrança da exigência aos sócios administradores, pois estes buscaram eximirse da responsabilidade pela autuação, ao interpor como sócios pessoas sem poder aquisitivo para tal. 46. Tal transferência da empresa caracteriza fraude; o art. 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, definiu a fraude, sob a ótica tributária, ao conceituar que "é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento". 47. Eis que, no presente caso, Manuel Teixeira Dias e Mohamad Ali Murad, formalizaram as respectivas saídas da Autuada, colocando em seus lugares, pessoas de quem a cobrança do crédito tributário relativo ao lançamento de ofício, é inviável, por se tratarem de pessoas sem capacidade econômica para assumirem a sociedade. 48. E embora este fato tenha sido descrito pelo Autuante e cientificados Manuel Teixeira Dias e Mohamad Ali Murad, nenhuma prova em concreto, contestando a acusação fiscal foi apresentada pelos interessados. Fl. 4622DF CARF MF Processo nº 19515.721580/201161 Acórdão n.º 1201001.660 S1C2T1 Fl. 15 14 49. Por isso, procede a responsabilização de Manuel Teixeira Dias e Mohamad Ali Murad. 3.3.3 Desconsideração da pessoa jurídica. 50. Não foi o caso, dado que esta foi devidamente cientificada, apresentou impugnação aos autos, que foi julgada, e o Acórdão DRJ/SPO nº 1638.904 foilhe cientificado; porém a Empol não apresentou recurso voluntário tempestivamente, tornandose revel. 4 Mérito. 51. No mérito, os Responsáveis Solidários apresentaram os seguinte argumentos: a. Abdul Latif Mourad Mourad: que reitera todas alegações que havia apresentado na impugnação, na qual afirmou: "Os únicos documentos contábeis plausíveis, aos quais o impugnante teve acesso, são cópias que refletem a verdade e a realidade dos latos e registros contábeis, consistentes nos Balanços Patrimoniais de 31/12/2007 c 31/12/2008, bem como cópias dos Livros Razão que comprovam que no final dos exercícios dc 2007 e 2008 o registro fiscal/contábil da conta Fornecedores e da conta Empréstimos que originou a citada autuação, divergem dos fatos descritos pelo AFRF (ANEXO I LIVRO DIÁRIO CONTÁBIL, N° 0002 FLS. 0001 A 0482. dc 01/01/2007 a 31/12/2007. COM TERMO DE ABERTURA E ENCERRAMENTO; ANEXO II LIVRO RAZÃO CONTÁBIL, N 0002 FLS. 0001 A 0313, De 01/01/2007 à 30/06/2007, COM TERMO DE ABERTURA E ENCERRAMENTO; ANEXO III LIVRO RAZÃO CONTÁBIL, N° 0003 FLS. 0001 A 0580, De 01/07/2007 à 31/12/2007, COM TERMO DE ABERTURA E ENCERRAMENTO; ANEXO IV LIVRO DIÁRIO CONTÁBIL, N° 0003 FLS. 0001 A 0683, De 01/01/2008 à 31/12/2008, COM TERMO DE ABERTURA E ENCERRAMENTO; ANEXO V LIVRO RAZÃO CONTÁBIL. N° 0004 FLS. 0001 A 0549, De 01/01/2008 à 30/06/2008, COM TERMO DE ABERTURA E ENCERRAMENTO; ANEXO VI LIVRO RAZÃO CONTÁBIL, N° 0005 FLS. 0001 A 0596, Dc 01/07/2008 à 31/12/2008, COM TERMO DE ABERTURA F, ENCERRAMENTO.)" b. Manuel Teixeira Dias, representante da Pompano Beach Investments Vgroup LLC, e Mohamad Ali Murad: i. os documentos contábeis acostados pelo exsócio Abdul Latif Mourad Mourad refletem a verdade e a realidade e registros contábeis; ii. No resumo mensal dos Fornecedores e Empréstimos, constante do Auto de Infração, temos que no ano de 2007, o valor da Conta de Fornecedores foi de R$ 7.852.018,80 e na Conta de Empréstimos de R$ 23.020.678,84, totalizando o valor de R$ 30.872.697,64. No ano de 2008, o valor da Conta de Fornecedores foi de R$ 25.508.463,42 e na Conta de Empréstimos de R$ 30.347.385,71, totalizando o valor de R$ 55.855.849,13. Entretanto, esses valores estão equivocados e não Fl. 4623DF CARF MF Processo nº 19515.721580/201161 Acórdão n.º 1201001.660 S1C2T1 Fl. 16 15 condizem com a realidade. Ao compulsar os Balanços de 31/12/2007 (fls. 931/934 e fls. 1663 e 1696) e 2008 (fls. 2.517/2.520) dos autos do processo administrativo, temos que os valores reais são da Conta de Fornecedores em 31/12/2007 R$ 8.817.239,33 não havendo Conta de Empréstimos mas sim um valor referente à AFAC Adiantamento para Futuro Aumento de Capital de R$ 23.020.678,84. Já no ano de 2008, o valor da Conta de Fornecedores é de R$ 11.134.871,27, não havendo Conta de Empréstimos, mas sim um valor de AFAC Adiantamento para Futuro Aumento de Capital de R$ 53.368.065.55; iii. conversão em diligência, para verificação in loco dos livros contábeis (Diário e Razão). 52. DIPJ 2008/2007: a. pág. 55, Passivo Circulante Fornecedores 31/12/2007: 16.669.258,13 ( e não os R$ 8.817.239,33, alegados na impugnação; b. pág. 55, Passivo Circulante Financiamentos 31/12/2007: 0,00 c. pág. 55, Passivo Ex LP Financiamentos 31/12/2007: 0,00 53. DIPJ 2009/2008: a. pág. 109, Passivo Circulante Fornecedores 31/12/2008: 20.414.844,31 e não os R$ 11.134.871,27, alegados na impugnação; b. pág. 109, Passivo Circulante Financiamentos 31/12/2008: 0,00 c. pág. 109, Passivo Ex LP Financiamentos 31/12/2008: 0,00 54. Balancete de contas, 31/12/2007: a. pág. 120: Passivo Circulante Fornecedores: 16.669.258,13 b. pág. 121 Ex LP Empréstimos de Terceiros: 23.020.678,84 55. Balancete de contas, 31/12/2008: a. pág. 125: Passivo Circulante Fornecedores: 18.952.273,90 b. pág. 125 Ex LP Empréstimos de Terceiros: 53.388.064,55 56. Intimada a apresentar documentação sobre as duas contas: Fornecedores e Empréstimos de Terceiros, pág. 135; reintimada, pág. 136; reintimada, pág. 138. 57. Intimada a apresentar Livros Registro de Entradas, de 2007 e 2008, pág. 147; reintimada a apresentar documentação da conta Empréstimos de Terceiros, pág. 150; às págs. 142/154, Razão conta 22010105 Empréstimos de Terceiros, de 28/02/2007 a 31/12/2008: saldo 31/12/2007: 23.020.678,84; saldo 31/12/2008: 53.368.064,55 Fl. 4624DF CARF MF Processo nº 19515.721580/201161 Acórdão n.º 1201001.660 S1C2T1 Fl. 17 16 58. Pág. 156: reintimada a apresentar documentação da conta Fornecedores; às págs. 158/183, Razão conta 21010101 FornecedoresPaís, de 17/01/2007 a 31/12/2008: 2007 (R$7.852.018,80) e 2008 (R$25.508.463,42). 59. Reintimada a apresentar documentação da conta Empréstimos de Terceiros, pág. 185. 60. Págs. 187/192, Termo de Constatação, de que a Empol não forneceu documentação suporte da movimentação das contas Fornecedores nos valores: 2007 (R$7.852.018,80) e 2008 (R$25.508.463,42) e de Empréstimos de Terceiros: 2007 (R$23.020.678,84), 2008 (R$30.347.385,71), o que a Fiscalização considera falta de comprovação, informando que a manutenção de obrigações de exigibilidade não comprovada conduz à presunção de omissão de receita; em seguida foram lavrados os autos de infração. 61. Na impugnação pela Empol de págs. 236/239, nenhum documento contábil foi anexado. 4.1 DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL ACOSTADA POR ABDUL LATIF MOURAD MOURAD. a. págs. 423/435 Diário Geral do mês Abril 2007; b. págs. 436/440 Balanço Patrimonial e Demonstração de Resultados de 01 a 04/2007; c. págs. 441/509 analogamente, Diário Geral e Balanço Patrimonial e Demonstrações de Resultados dos meses maio/2007 (também às págs. 738/750), março/2007, abril/2007 de novo; d. págs. 510/559 Anexo I livro Diário Contábil do ano 2007, contendo os termos de abertura e encerramento e plano de contas, e Diário Geral dos meses janeiro a março 2007, este mais uma vez; e. págs. 751/939, Diário Geral e Balanço Patrimonial e Demonstrações de Resultados dos meses junho, julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro/2007; f. págs. 940/1.208 Anexo II livro Razão Contábil 01/01/2007 a 30/06/2007; g. págs. 1.209/1.836 Anexo III livro Razão Contábil 01/07/2007 a 31/12/2007; h. págs. 1.837/3.673, livros e registros contábeis análogos, referentes ao ano 2008. 4.2 DILIGÊNCIA. 62. Requerem diligência para verificação in loco dos livros contábeis (Diário e Razão), a fim de constatar que os passivos têm outros valores e não há valores de obrigações de exigibilidade não comprovada, devendo os autos de infração ser cancelados. 63. O art. do RIR de 1999, determina: Fl. 4625DF CARF MF Processo nº 19515.721580/201161 Acórdão n.º 1201001.660 S1C2T1 Fl. 18 17 Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). 64. No caso, os interessados anexaram escrituração contábil e absolutamente nenhum documento, em apoio aos dados nela contidos. 65. Ora, tratamse de duas contas apenas: Fornecedores e Financiamentos, sendo fácil aos litigantes digitalizar e apresentar as notas fiscais de entrada de mercadorias e comprovantes de pagamentos posteriores e os contratos de empréstimos tomados e comprovantes de pagamentos posteriores, atestando que tais passivos encontravamse em aberto, nas datas autuadas. 66. Verificase também discrepâncias entre as informações na contabilidade, nas impugnações e nas DIPJ, que não contribuem para dar credibilidade ás alegações. 67. O Decreto nº 70.235, de 1972, definiu: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) ... Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) 68. No presente caso, além de não terem sido atendidos os requisitos do inciso IV do art. 16, não se justificam diligências, apenas para examinar livros fiscais, desprovidos do suporte da documentação correspondente, essencial para validálos; eis que não qualquer indicação da existência dessa documentação, pois nenhuma foi acostada durante o período de fiscalização, apesar das numerosas intimações e prazos concedidos; e tampouco qualquer documento foi acostado nas impugnações ou recursos. Fl. 4626DF CARF MF Processo nº 19515.721580/201161 Acórdão n.º 1201001.660 S1C2T1 Fl. 19 18 5 Suspensão da exigibilidade do crédito tributário/prosseguimento na cobrança. 69. A autuada, Empol Comércio de Perfis de Alumínio Ltda, não recorreu do Acórdão DRJ/SPO nº 1638.904, tempestivamente; por isso, caracterizouse como revel, cabendo prosseguir na exigência dos débitos. 70. Contudo, ficou caracterizado que o controle societário da Empol foi transferido para pessoas sem capacidade econômica. 71. Consequentemente, foram constituídos responsáveis solidários, que apresentaram recursos voluntários, aos quais neste voto se negou provimento, o que tem consequência o prosseguimento na cobrança dos débitos dos responsáveis assim constituídos. 6 Conclusão Voto por não conhecer do recurso voluntário apresentado pela Empol Comércio de Perfis de Alumínio Ltda, CNPJ 08.176.625/000110; não acatar preliminar de nulidade dos Termos de Sujeição Passiva Solidária; negar o recurso de ofício, mantendo o cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária de Abdul Latif Mourad Mourad CPF 281.02.8081; e negar provimento aos recursos voluntários dos demais, mantendo os Termos de Sujeição Passiva Solidária de Manuel Teixeira Dias, CPF 076.411.55880, representante da Pompano Beach Investments Group LLC e de Mohamad Ali Murad CPF 216.646.53858; determinar o prosseguimento na cobrança dos débitos. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relator Fl. 4627DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.907336/2009-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%.
APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-002.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitamse ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 73 36 /2 00 9- 56 Fl. 336DF CARF MF Processo nº 13896.907336/200956 Acórdão n.º 1402002.589 S1C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi parcialmente deferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: 1. ser pessoa jurídica com atividade de "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento consubstanciada na aplicação de produtos químicos que atribuem a elementos de fixação roscados características vedantes e travantes, os quais retornarão para serem utilizados pelos seus clientes como insumos em novos processos de industrialização ou de circulação de mercadorias"; 2. ser optante pelo regime do lucro presumido e, por essa razão, na forma do artigo 15, da Lei nº 9.249, de 1995, sujeito à apuração (base de cálculo) do IRPJ à alíquota de 8%; 3. que, entretanto, "em que pese a Recorrente induvidosamente desempenhar atividades tipicamente industriais e se sujeitar, via de consequência, à base presumida de 8% (oito por cento), durante os anos de 1999 a 2003, apurou o Imposto de Renda através da aplicação do percentual de 32%"; 4. em razão deste "equívoco", ocorrido em função da "falsa premissa de que a industrialização por encomenda desempenhada pela Recorrente pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço", teria, durantes os mencionados Fl. 337DF CARF MF Processo nº 13896.907336/200956 Acórdão n.º 1402002.589 S1C4T2 Fl. 4 3 anos, efetuado recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo": ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,2 4 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 6. que, no seu contrato social já constava a atividade de "beneficiamento de produtos metálicos, por conta própria e/ou terceiros", alterada a partir de 01.09.2006 para "industrialização de produtos metálicos, por conta própria e/ou de terceiros"; que, não obstante somente tenha realizado a alteração naquela data, ou seja, "após a ocorrência dos fatos geradores ora em comento", a verdade a sua atividade "nunca foi de prestadora de serviço, mas sim de indústria"; 7. restar evidente que suas atividades sujeitamse, "como sempre se sujeitaram, à alíquota de 8% (oito por cento) para fins de apuração do IRPJ pela sistemática do lucro presumido"; 8. por fim, "requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes [...] não há razão para que não se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada [...] estava inteiramente equivocada, de modo que a compensação declarada utiliza se de crédito advindo de pagamentos a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento". Conclui requerendo o provimento do RV. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.537, de 18.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 13896.900601/200975. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.537): O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 13896.907336/200956 Acórdão n.º 1402002.589 S1C4T2 Fl. 5 4 No mérito, alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento" e não "prestação de serviços". Argui ainda que, por equívoco, partiu da premissa de que "a industrialização por encomenda desempenhada (...) pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço" e que, em razão deste entendimento, efetuou recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo". Assenta ainda que, a fim de regularizar a situação, apresentou DIPJ retificadoras aplicando sobre a receita obtida, a alíquota de 8% que seria a utilizável no caso. Com isso, em suma, teria recolhido IRPJ a maior, implicando em surgir direito à repetição de indébito, via compensação. Os valores apurados, segundo cálculos e informação presentes nos autos, da lavra da recorrente, seriam os seguintes (cf. planilha já trazida neste voto, mas novamente reproduzida para melhor fixação): ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,24 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 Pois bem, é certo que os contribuintes que realizam atividades industriais sujeitamse à alíquota de 8% para apuração do Lucro Presumido (art. 518, do RIR/1999): Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Na mesma linha, induvidoso que o equívoco da adoção de coeficiente eventualmente assumido (32% e não 8%) pode ser corrigido mediante os procedimentos cabíveis previstos, dentre eles a retificação das DIPJ dos períodos em foco, caso dos autos. Tais declarações retificadoras estão acostadas aos autos e reproduzem os montantes inseridos na planilha acima transcrita. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 13896.907336/200956 Acórdão n.º 1402002.589 S1C4T2 Fl. 6 5 Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Como se vê nos autos, a decisão recorrida fez alusão a este requisito, ou seja, que se comprovassem os números inseridos nas DIPJ, providência que poderia ser feita pela juntada de livros ou qualquer outro meio legal, o que, no entender do Acórdão da DRJ não foi atendido. Na elaboração do recurso voluntário ora apreciado, a recorrente, embora rebata veementemente a posição firmada pela DRJ assentando que, "nem se diga que (...) deveria ter apresentado excertos da sua escrituração contábil fiscal que viessem a retratar a apuração do tributo a menor na sua DCTF retificadora", e que, "os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade", acabou por “tentar” fazer a comprovação exigida, como se vê no excerto abaixo, extraído do recurso voluntário: De todo modo, para que se ponha uma pá de cal na questão, a ora Recorrente requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes ao longo dos anos 2000 a 2003 (doc. 01), as quais evidenciam a natureza da sua atividade e, por consequência comprovam que não há razão para que se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada (isto é, 32%) estava inteiramente equivocada, de modo de que a compensação declarada utilizase de crédito advindo de pagamento a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento. Pois bem, compulsando os autos vejo que “as provas” a que alude a recorrente compõemse de cópias esparsas de notas ficais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura. Além disso, os montantes de referidas notas fiscais, mesmo com a maior boa vontade em se “descobrir” os valores corretos, representariam, quando comparados com a receita total informada em DIPJ, percentuais ínfimos!, impossibilitando chegarse à necessária certeza e liquidez exigidas. Certeza e liquidez que, como não poderia ser diferente, é ônus que caberia ao interessado comprovar, a teor do artigo 333, I, do CPC de 1973 (art. 373, I, do CPC de 2015 Lei nº 13.105/2015). Nesta linha, o crédito que se pleiteia deve ter comprovação sólida, não se podendo aceitar documentação esparsa e por amostragem. Dizendo diferentemente, se a recorrente alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referiase a “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal Fl. 340DF CARF MF Processo nº 13896.907336/200956 Acórdão n.º 1402002.589 S1C4T2 Fl. 7 6 faturamento. Ou livros contábeis ou fiscais que assim o mostrassem. Não o fez. Por este motivo, ainda que suas alegações de erro na adoção do coeficiente do lucro presumido (32% e não 8%) possam ter solidez, faltou o principal, a comprovação do quanto suscitado. Incomprovado, portanto, que todas (ou a maior parte) das receitas fossem efetivamente de “industrialização por encomenda”, impossível validar os argumentos aduzidos por falta de documentação probatória. Ademais, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323.579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 341DF CARF MF
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