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Numero do processo: 10932.000794/2007-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição Previdenciária
Período de apuração: 01/02/2003 a 31/01/2007
CONTRIBUIÇÕES DESCONTADAS DOS EMPREGADOS E NÃO
RECOLHIDAS. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. PROVAS. PERÍCIA
CONTÁBIL. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS NOS TERMOS DO
ART. 16, INC. IV DO DECRETO Nº 70.235/72. DOCUMENTOS
IMPRESCINDÍVEIS NA NFLD. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS
PENAIS. POSSIBILIDADE. LAVRATURA DE DOCUMENTO FISCAL
FORA DO ESTABELECIMENTO DO CONTRIBUINTE.
LEGITIMIDADE. ANÁLISE DA CONTABILIDADE. COMPETÊNCIA
DO AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL.
CÁLCULO EM SEPARADO SOBRE O DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO.
LEGITIMIDADE. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
MULTA DE MORA
A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias,
descontadas dos empregados segurados, em época própria. Sobre a
remuneração paga, creditada ou devida ao empregado incide contribuição
previdenciária, inclusive em relação à contribuições arrecadas dos
empregados e não recolhidas.
A apresentação de provas, no contencioso administrativo previdenciário,
deve ser feita juntamente com a impugnação ocorrendo a preclusão do direito
de fazêlo
em outro momento, salvo nas hipóteses do art. 16, inc. IV do
Decreto nº 70.235/72.
O lançamento encontrase
revestido de todas as formalidades exigidas por lei,
dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAF e TEAF, dentre
outros, havendo sido o sujeito passivo cientificado de todas as decisões de
relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o
pleno exercício do contraditório e da ampla defesa à notificada. A atividade fiscal, por ser vinculada, obriga a lavratura do Relatório de
Representação Fiscal para Fins Penais, através do qual o Ministério Público
irá instaurar o procedimento criminal.
É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a
infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.
O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao
exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação
profissional de contador.
A partir do início da vigência da Lei n. 8.620, de 05.01.1993, é válido o
cálculo em separado da contribuição previdenciária incidente sobre o décimo
terceiro salário (gratificação natalina).
O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente
pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter
irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa
referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se
refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos
termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na
hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova
redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei
nº 9.430/1996.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-002.514
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Contribuição Previdenciária Período de apuração: 01/02/2003 a 31/01/2007 CONTRIBUIÇÕES DESCONTADAS DOS EMPREGADOS E NÃO RECOLHIDAS. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. PROVAS. PERÍCIA CONTÁBIL. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS NOS TERMOS DO ART. 16, INC. IV DO DECRETO Nº 70.235/72. DOCUMENTOS IMPRESCINDÍVEIS NA NFLD. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. POSSIBILIDADE. LAVRATURA DE DOCUMENTO FISCAL FORA DO ESTABELECIMENTO DO CONTRIBUINTE. LEGITIMIDADE. ANÁLISE DA CONTABILIDADE. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. CÁLCULO EM SEPARADO SOBRE O DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. LEGITIMIDADE. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. MULTA DE MORA A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias, descontadas dos empregados segurados, em época própria. Sobre a remuneração paga, creditada ou devida ao empregado incide contribuição previdenciária, inclusive em relação à contribuições arrecadas dos empregados e não recolhidas. A apresentação de provas, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação ocorrendo a preclusão do direito de fazêlo em outro momento, salvo nas hipóteses do art. 16, inc. IV do Decreto nº 70.235/72. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAF e TEAF, dentre outros, havendo sido o sujeito passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa à notificada. A atividade fiscal, por ser vinculada, obriga a lavratura do Relatório de Representação Fiscal para Fins Penais, através do qual o Ministério Público irá instaurar o procedimento criminal. É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. A partir do início da vigência da Lei n. 8.620, de 05.01.1993, é válido o cálculo em separado da contribuição previdenciária incidente sobre o décimo terceiro salário (gratificação natalina). O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. PROVAS. PERÍCIA CONTÁBIL. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS NOS TERMOS DO ART. 16, INC. IV DO DECRETO Nº 70.235/72. DOCUMENTOS IMPRESCINDÍVEIS NA NFLD. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. POSSIBILIDADE. LAVRATURA DE DOCUMENTO FISCAL FORA DO ESTABELECIMENTO DO CONTRIBUINTE. LEGITIMIDADE. ANÁLISE DA CONTABILIDADE. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. CÁLCULO EM SEPARADO SOBRE O DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. LEGITIMIDADE. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. MULTA DE MORA A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias, descontadas dos empregados segurados, em época própria. Sobre a remuneração paga, creditada ou devida ao empregado incide contribuição previdenciária, inclusive em relação à contribuições arrecadas dos empregados e não recolhidas. A apresentação de provas, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação ocorrendo a preclusão do direito de fazêlo em outro momento, salvo nas hipóteses do art. 16, inc. IV do Decreto nº 70.235/72. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAF e TEAF, dentre outros, havendo sido o sujeito passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa à notificada. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 A atividade fiscal, por ser vinculada, obriga a lavratura do Relatório de Representação Fiscal para Fins Penais, através do qual o Ministério Público irá instaurar o procedimento criminal. É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. A partir do início da vigência da Lei n. 8.620, de 05.01.1993, é válido o cálculo em separado da contribuição previdenciária incidente sobre o décimo terceiro salário (gratificação natalina). O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Fl. 2DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10932.000794/200729 Acórdão n.º 2301002.514 S2C3T1 Fl. 2 3 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa PRODUSA INDUSTRIAL LTDA em face de decisão que julgou procedente o lançamento de débito referente ao período 01/2003 a 01/2007. 2. Narra o relatório fiscal que a recorrente teria, em tese, deixado de repassar à Previdência Social as contribuições descontadas de pagamentos efetuados a empregados segurados. “1. Este relatório é integrante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD de contribuições devidas à Seguridade Social, arrecadadas pela empresa mediante desconto na remuneração de seus empregados. 1.1 A situação acima descrita, em tese, configura o ilícito previsto no Decreto Lei n 2.848/40 Código Penal, art. 168A, parágrafo 1º, inciso I, cm redação da Lei nº 9.98/2000 (apropriação indébita previdenciária), motivo pelo qual será objeto de REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, com comunicação à autoridade competente para as providências cabíveis. (...) 3. Os fatos geradores das contribuições apuradas no lançamento de débito ocorreram com o pagamento das remunerações a segurados empregados, sendo os descontos verificados pela fiscalização através das folhas de pagamento e da Guias de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social – GFIP.” 3. Diante da autuação, a recorrente apresentou impugnação tempestiva e a ementa do julgamento de primeira instância restou posta nos termos que ora transcrevo: “SEGURADO EMPREGADO – Sobre a remuneração paga, creditada ou devida ao empregado incide contribuição previdenciária. A empresa está obrigada a arrecadar e recolher essa contribuição, descontandoa da respectiva remuneração. FORMALIDADES LEGAIS – A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) encontrase revestida das formalidades legais, tendo disso lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. REPRESENTAÇÃO FICAL PARA FINS PENAIS – É dever legal do auditorfiscal, sob pena de incorre em contravenção penal comunicar ao Ministério Público a ocorrência do ilícito que configura, em tese, crime contra a Seguridade Social, para que este promova ou não a Ação Penal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ARRECADAS DOS SEGURADOS EMPREGADOS E DECLARADAS EM GFIP – as informações constantes da GFIP – Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições previdenciárias, inclusive em relação à contribuições arrecadadas dos empregados e não recolhidas em época própria. NOTIFICAÇÃO LAVRADA FORA DO ESTABELECIMENTO DA EMPRESA – é legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte (Súmula nº 7 do Primeiro Conselho de Contribuintes). Fl. 3DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 COMPETÊNCIA DO AUDITORFISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL – Definidas em Lei, ou em ato legislativo com força de Lei, as atribuições do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil – AFRFB, e inexistindo quaisquer determinações acerca da formação específica e/ou registro em Conselho Regional para fins de regular exercício profissional, não subsiste qualquer alegação de nulidade dos lançamentos, formalizados pelos agentes fiscais, no regular exercício de sua competência funcional. PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUEMNTOS – A apresentação de provas, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação ocorrendo a preclusão do direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. PERÍCIA CONTÁBIL – Indeferese o pedido de perícia para comprovar mesma matéria que já foi objeto de auditoria pela Fiscalização da RFB. ACRÉSCIMOS LEGAIS – São devidos os juros e a multa moratória sobre as contribuições arrecadadas em atraso. TAXA SELIC – Sobre as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS que estejam em atraso incidem juros equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC de caráter irrelevável (art. 34 da Lei nº 8.212/91) DÉCIMO TERCEIRO – O décimoterceiro salário (gratificação natalina) integra o saláriodecontribuição, exceto para o cálculo de benefício, na forma estabelecida em regulamento. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCOSNTITUCIONALIDADE DE LEI NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A lei, cuja invalidade ou inconstitucionalidade não tenha sido declarada, surte os seus efeitos enquanto estiver vigente e deve obrigatoriamente ser cumprida pela autoridade administrativa por força do ato administrativo vinculado, não cabendo apreciar questões de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade de legislação em vigor. Lançamento procedente.” 4. Buscando a reforma do acórdão de primeira instância o contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo em síntese: a) que o crime de apropriação indébita previdenciária é um crime material e não meramente formal assim, é incabível e ilegal a representação fiscal para fins penais enquanto o procedimento administrativo tributário não for encerrado; b) preliminarmente, a nulidade do lançamento pois alega que não foram juntados aos autos os TIADS mencionados no relatório fiscal, documentos que entende imprescindíveis para comprovar a veracidade das alegações do fisco, sendo assim, considera que o princípio da ampla defesa foi prejudicado; c) que deve ser declarada a perda de eficácia do auto de infração, pois o auditorfiscal que o lavrou é incompetente. Tendo em vista que ele não é diplomado como bacharel em ciências contábeis tampouco está registrado como contador no Conselho Regional de Contabilidade – CRC; d) aduz que o auto de infração não tem eficácia pois foi lavrado fora do estabelecimento da autuada; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10932.000794/200729 Acórdão n.º 2301002.514 S2C3T1 Fl. 3 5 e) nulidade do lançamento, requerendo perícia contábil dos livros e documentos examinados pelo auditor fiscal por profissional devidamente habilitado com a possibilidade de indicação de assistente técnico; f) argumenta que, como a gratificação natalina integra o salário, não deveria as contribuições previdenciárias incidentes sobre tal parcela do salário serem calculadas mediante aplicação, em separado, da tabela de alíquotas previstas para os saláriosdecontribuição. g) que a multa de mora aplicada pelo fisco (24%) é exorbitante, sendo assim busca que sejam consideradas, analogicamente, regras do Código Civil e do Código de Defesa do Consumidor para diminuir o percentual da penalidade ou excluíla. h) que os juros e a multa de mora incidem apenas sobre o valor da obrigação descumprida (valor das contribuições) e a partir da inscrição da dívida, ademais o montante da penalidade deve ser limitada a 20%; i) considera inadmissível a correção monetária incidente sobre a multa e os juros, pois entende cabível somente o cálculo sobre o débito original levantado; 5. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados à apreciação deste Conselho. É o relatório. Voto DA ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DAS PRELIMINARES Do pedido de perícia 2. O requerimento de perícia nos autos deve ser feita no momento da impugnação. Para que sejam afastados indícios de função meramente protelatória do pedido é necessário que o contribuinte cumpra os requisitos que estão expressos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. “Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 5DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005). § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993).” (grifei) 3. Cumpre mencionar que um dos argumentos do contribuinte para pedir nova perícia, fundase no fato do auditor fiscal que procedeu à lavratura do auto de infração, não ter habilitação no Conselho Regional de Contabilidade. Acontece que como foi exposto em tópico específico, esse argumento não prospera, por consequência, os motivos para uma nova perícia nos documentos analisados pelo fisco não subsistem. 4. Dessa forma, entendo que razão não assiste ao contribuinte, quanto ao pedido de perícia, tendo em vista os motivos supra aduzidos e por ter constatado que não foram cumpridos os requisitos expressos no inciso IV do Decreto 7.235/72. Da improcedência da nulidade por falta de documentos 5. Preliminarmente aduz o contribuinte que não foram juntados aos autos os TIADS mencionadas no relatório fiscal, tampouco foi devidamente emitido o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. 6. Entretanto o lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAF e TEAF, dentre outros, havendo sido o sujeito passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa à notificada. 7. Compulsando os autos depreendese que existem TIADS juntados aos autos que solicitam ao contribuinte a apresentação de documentos tais como, livro diário, livro razão, plano de contas, comprovantes de recolhimento, folhas de pagamento de todos os segurados dentre outros, ff. 37 e 38. 8. No tocante ao MPF, ao contrário do que sustenta a recorrente este foi devidamente emitido pelo auditor fiscal, bem como lhe foi dado ciência ao contribuinte, conforme f. 33. 9. Dessa forma, rejeito a preliminar suscitada pelo contribuinte, pois não merece prosperar o argumento da recorrente, tendo em vista que os documentos suscitados pela recorrente como indispensáveis para o exercício do contraditório e da ampla defesa constam nos autos da NFLD. Do cabimento da representação fiscal para fins penais 10. Ainda em sede de preliminar, a recorrente pugna pela nulidade da representação fiscal nº 10932.000805/200771, pois entende que não é cabível o encaminhamento da Representação Fiscal para fins penais, tendo em vista que “o prévio esgotamento da via administrativa constitui condição de procedibilidade para a ação penal, sem Fl. 6DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10932.000794/200729 Acórdão n.º 2301002.514 S2C3T1 Fl. 4 7 o que não se vislumbra justa causa para a expedição de representação fiscal para fins penais, bem como instauração de inquérito policial e, principalmente, ação penal, já que o suposto crédito fiscal ainda pende de lançamento definitivo, impedindo a configuração do delito” f. 175. 11. Sustenta a recorrente que o crime de apropriação indébita tributária é um crime material, sendo assim exige para sua consumação a ocorrência de resultado naturalístico, consistente em dano para a Previdência que somente ficaria caracterizado, com o fim do processo administrativo. 12. No entanto não há como dar razão ao contribuinte tendo em vista que os atos administrativos são, por natureza, estritamente vinculados ao cumprimento da lei, e por essa razão não se pode ignorar o fato de que o auditorfiscal ao lavrar a notificação fiscal com fins penais estava cumprindo obrigação prevista no art. 116 da Lei nº 8.112/90, que rege a atuação do funcionário público federal. “Art. 116 – são deveres do servidor: (...) VI – levar ao conhecimento da autoridade superior as irregularidades de que tiver conhecimento em razão do cargo.” 13. Assim se o agente público não informasse à autoridade competente sobre o que teve conhecimento durante a auditoria, poderia incorrer em omissão de comunicação de crime como previsto no art. 66 do DecretoLei nº 3.688 de 01 de outubro de 1941 (Lei de Contravenções Penais) “Omissão de Comunicação de Crime Art. 66 – deixar de comunicar a autoridade competente: I – crime de ação penal pública, de que teve conhecimento no exercício da função pública, desde que a ação penal não dependa de representação.” 14. Destaquese que esse conselho já exarou entendimento compatível com a inafastabilidade da obrigação do auditorfiscal em lavrar o relatório de representação com fins penais. “APROPRIAÇAO INDÉBITA. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. ATIVIDADE VINCULADA. RECOLHIMENTO. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL. O recolhimento dos valores descontados dos segurados não implica na extinção da punibilidade do contribuinte. A atividade fiscal, por ser vinculada, obriga a lavratura do Relatório de Representação Fiscal para Fins Penais, através do qual o Ministério Público irá instaurar o procedimento criminal. Os recolhimentos existentes no curso do processo administrativo deverão ser aproveitados pela autoridade administrativa, não extinguindo a punibilidade do contribuinte, matéria afeta ao Poder Judiciário. Recurso Voluntário Provido.” (grifei) (Processo nº 35403.00534/200410, recurso nº 142.532, acórdão nº 20500.473, Data: 08 de abril de 2008, Relatora: Liege Lacroix Thomasi) Fl. 7DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 “CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL PRAZO DECADENCIAL. A teor da Súmula Vinculante n.° 08, o prazo para constituição ;de crédito relativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI , OU ATO NORMATIVO. autoridade administrativa é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. COMPETÊNCIA PARA DECISÃO SOBRE PROCEDÊNCIA. Não é competência dos órgãos de julgamento administrativo decidir sobre procedência de Representação Fiscal para Fins Penais. ARROLAMENTO DE BENS. REQUISITO PARA ADMISSÃO DE RECURSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECLARAÇÃO DE INCONST1TUCIONALIDADE. A exigência do arrolamento de bens no valor de trinta por cento da exigência fiscal como condição de admissibilidade do recurso em processo administrativo fiscal foi declarada inconstitucional pelo STF em sede de controle concentrado. Recurso Voluntário Provido em Parte. (...) malgrado o auditor fiscal tenha mencionado no relatório a suposta ocorrência de ilícito penal pela omissão de fatos geradores de contribuição social em GFIP, esta matéria é estranha ao lançamento tributário, portanto, à lide que ora se julga não cabendo a este órgão de julgamento administrativo enveredar por esta seara. Cabe ao Ministério Público, órgão que detém a titularidade privativa da ação penal publica, posicionarse sobre a procedência ou não da Representação encaminhada pelo agente tributário.”(grifei) (Processo: 17460.000859/200789, Recurso nº 159.136, Acórdão 296 00.105, Data: 10 de fevereiro de 2009, Relator: Elias Sampaio Freire) 15. Dessa forma, entendo que não prospera o argumento da recorrente, pois tratase de mero encaminhamento de documento às autoridades competentes para averiguarem os fatos trazidos pelo auditorfiscal. Da eficácia do auto de infração lavrado fora do estabelecimento do contribuinte 16. Não encontra guarida o argumento do contribuinte de que a lavratura do auto de infração deveria ter sido feito no estabelecimento da empresa, sob pena de ineficácia e invalidade da peça básica do processo administrativo fiscal (f. 176), pois entendo que tal fato não invalida o ato administrativo. 17. No que tange à alegação da empresa, insta mencionar que este Conselho, atualmente, possui entendimento pacificado no sentido de que é legítima a lavratura do auto de infração ainda que seja realizado fora do estabelecimento do contribuinte (Súmula nº 6 do CARF). 18. Assim, cumpre destacar julgado recente que evidencia como vem decidindo o Conselho ao enfrentar o tema. “AUTO DE INFRAÇÃO Constitui infração deixar de inscrever segurado empregado. COMPETÊNCIA DO AUDITORFISCAL. DESNECESSIDADE DE Fl. 8DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10932.000794/200729 Acórdão n.º 2301002.514 S2C3T1 Fl. 5 9 HABILITAÇÃO PROFISSIONAL COMO CONTADOR. É competente para verificação da escrituração contábil o AuditorFiscal regulamente inscrito no cargo, independente de habilitação profissional como contador. LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. O local da verificação da falta expresso no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 não deve ser interpretado como no estabelecimento físico do contribuinte, estando mais precisamente ligado ao conceito de domicílio tributário do contribuinte, ou seja a circunscrição da Delegacia da Receita Federal competente para fiscalizálo. É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.Súmula n.º 6 do CARF. Recurso Voluntário Negado. (Processo nº 15196.000006/200799, Recurso nº 260.205, Acórdão nº 230200.883 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, 15 de março de 2011, Relatora: Liege Lacroix Thomasi, 15 de março de 2011)” (grifei) Da validade do auto de infração lavrado por agente fiscal não habilitado como contador 19. Em sua defesa o recorrente alega que o auto de infração não tem eficácia, tendo em vista o fato dele ter sido lavrado por auditor fiscal, não habilitado no Conselho Regional de Contabilidade como contador. 20. Acrescenta que “a habilitação no CRC como contador é requisito pleno e essencial para a validade do procedimento administrativofiscal fundado em exame de escrita ou revisão contábil falada. Faltando a habilitação legal, o agente estará exercendo ilegalmente tarefa privativa de profissão regulamentada por federal”. 21. A jurisprudência atual do Carf não referenda os argumentos trazidos pelo contribuinte. O órgão tem já tem entendimento sumulado a respeito da legitimidade da conduta do auditor: “Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador.” 22. Superada essa questão, passamos a demonstrar que a Lei 10.593/2002, a qual regulamenta as atribuições do Auditor Fiscal, não prevê como requisito específico para o exercício do cargo, formação acadêmica de contador, tampouco registro em órgão da categoria (CRC). “Lei nº 10.593, de 6 de Dezembro de 2002 Art. 2º Os cargos de Auditor Fiscal da Receita Federal, de Técnico da Receita Federal, de Auditor Fiscal da Previdência Social e de Auditor Fiscal do Trabalho são agrupados em classes, A, B e Especial, compreendendo, a primeira, cinco padrões, e, as duas últimas, quatro padrões, na forma dos Anexos I e II. (grifei) Art. 3º O ingresso nos cargos das Carreiras disciplinadas nesta Lei farseá no primeiro padrão da classe inicial da respectiva tabela de vencimentos, mediante concurso público de provas ou de provas e títulos, exigindose curso superior em nível de graduação concluído Fl. 9DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 ou habilitação legal equivalente. (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) §1º O concurso referido no caput poderá ser realizado por áreas de especialização. (...) Art. 8º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Previdência Social, relativamente às contribuições administradas pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS: I em caráter privativo: a) executar auditoria e fiscalização, objetivando o cumprimento da legislação da Previdência Social relativa às contribuições administradas pelo INSS, lançar e constituir os correspondentes créditos apurados; b) efetuar a lavratura de Auto de Infração quando constatar a ocorrência do descumprimento de obrigação legal e de Auto de Apreensão e Guarda de documentos, materiais, livros e assemelhados, para verificação da existência de fraude e irregularidades; c) examinar a contabilidade das empresas e dos contribuintes em geral, não se lhes aplicando o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial; d) julgar os processos administrativos de impugnação apresentados contra a constituição de crédito previdenciário; (...).” (grifei) 23. Destaco que já houveram, nesse Conselho, vários julgamentos sobre a questão levantada pela recorrente e todos reconhecem a competência do Auditor Fiscal, para lavratura de auto de infração independentemente de título de contador. Transcrevo, a seguir, ementa e trecho de julgamento recente do CARF que corroboram tal afirmativa. “ANÁLISE DA CONTABILIDADE. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL, INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal. FATOS GERADORES APURADOS NOS DOCUMENTOS DA EMPRESA. REPRODUÇÃO INTEGRAL NO RELATÓRIO FISCAL. DESNECESSIDADE. É despicienda a integral reprodução, no Relatório Fiscal, dos fatos geradores apurados diretamente nas folhas de pagamento, GFIP e escrita fiscal da empresa, eis que a responsabilidade pela sua elaboração e conteúdo é do próprio sujeito Fl. 10DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10932.000794/200729 Acórdão n.º 2301002.514 S2C3T1 Fl. 6 11 passivo, tendo este, já, o pleno conhecimento de toda a matéria tributável ali presente. MULTA DE MORA. NFLD. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a incidência de multa moratória decorrente do recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. Da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Negado. (...) A julgar pelo entendimento do Recorrente, o Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federa do Brasil, além de ter formação acadêmica em contabilidade, teria concomitantemente que ter habilitação em Direito, pois interpreta e aplica leis, decretos, regulamentos, etc.; Formação em engenharia, pois analisa obras de construção civil, aplica o método CUB em aferição indireta, etc.; Formação em Tecnologia da Informação, pois opera com computadores, identifica, extrai e analisa dados essenciais armazenados em arquivos e mídias digitais; Formação em comércio exterior, dada às suas atribuições de controle aduaneiro e classificação de mercadorias; Formação em matemática, pois a realização de cálculos, equacionamentos e resolução de problemas aritméticos fazem para do seu cotidiano; Formação em letras, eis que a redação de relatórios, a solução de consultas e a lavra de decisões de natureza tributária constituemse prerrogativas do seu cargo; Formação em psicologia, para entender o animus de certas razões recursais, dentre outras. Por esses e tantos outros motivos, não assiste razão ao Recorrente quanto a sua alegação de ilegitimidade do Auditor Fiscal.” (grifei) (Processo nº 17546.000827/200733, Recurso nº 258.362, Acórdão nº 230201.099 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Relator: Arlindo da Costa e Silva). 24. Além disso, cumpre ressaltar que o decisum recorrido encontrase devidamente fundamentado e motivado, em consonância com o que determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99 e art. 38, do Decreto 7.574/2011. Assim, não há que se falar em anulação do acórdão vergastado. DO MÉRITO Fl. 11DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 DO CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO 25. Não há o que se discutir quanto a incidência ou não das contribuições previdenciárias sobre o décimo terceiro salário (gratificação natalina), uma vez que o Supremo Tribunal Federal já reconheceu a incidência de contribuições previdenciárias sobre a referida rubrica, ainda que recolhidas e não repassadas à Previdência. 26. O Pretório Excelso, inclusive, reconheceu o tema como Repercussão Geral no Recurso Extraordinário nº 593.068.8 – Santa Catarina. Como o entendimento foi pacificado na Corte, editouse Súmula para não dar margem a qualquer controvérsia. “Súmula 688. É legítima a incidência da contribuição previdenciária sobre o 13º salário.” 27. No que tange a forma de cálculo da contribuição previdenciária sobre o décimoterceiro a Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil, nº 971, de 13 de novembro de 2009 e o parágrafo 7º do artigo 37 do Decreto nº 612/92, assim determinam: “Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009 Art. 95. A contribuição social previdenciária dos segurados empregado, empregado doméstico e trabalhador avulso, incidente sobre o décimo terceiro salário, é calculada em separado da remuneração do mês, conforme disposto no § 2º do art. 7º da Lei nº 8.620, de 5 de janeiro de 1993, mediante a aplicação da alíquota de 8% (oito por cento), 9% (nove por cento) ou 11% (onze por cento), de acordo com a faixa salarial constante da tabela publicada periodicamente pelo MPS, observados os limites mínimo e máximo do saláriodecontribuição e o disposto no art. 63 e no inciso I do § 2º e no § 4º do art. 78. Decreto nº 612 de 1992 Art. 37. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 6º A gratificação natalina décimoterceiro salário integra o saláriodecontribuição, sendo devida a contribuição quando do pagamento ou crédito da última parcela, ou na rescisão do contrato de trabalho. § 7º A contribuição de que trata o § 6º incidirá sobre o valor bruto da gratificação, sem compensação dos adiantamentos pagos, mediante aplicação, em separado, da tabela de que trata o art. 22 e observadas as normas estabelecidas pelo INSS.” (grifei) 28. O recorrente aduz que a contribuição previdenciária incidente sobre a gratificação natalina, calculada mediante aplicação, em separado, da tabela de alíquotas para os saláriosdecontribuição é ilegal. Para corroborar sua alegação a empresa baseiase em julgados do Superior Tribunal de Justiça, nos quais o Tribunal entendia ser ilegal o referido cálculo. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10932.000794/200729 Acórdão n.º 2301002.514 S2C3T1 Fl. 7 13 “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ARTIGO 105, INCISO III, ALÍNEA “A”, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. GRATIFICAÇÃO NATALINA (13º SALÁRIO) – ARTIGO 28, § 7º DA LEI N. 8.212/91. FORMA DE CÁLCULO DETERMINADA PELO DECRETO 612/92. ILEGALIDADE. PODER REGULAMENTAR. LIMITES. REPETIÇÃO. ARTIGO 39, § 40, DA LEI 9.25095. TAXA SELIC. ILEGALIDADE. INCIDÊNCIA DE CORREÇÃO MONETÁRIA DESDE O RECOLHIMENTO DEVIDO. Se a Lei 8.212/91 contém previsão diversa para cálculo da contribuição social incidente sobre o 13º salário, não poderia o Decreto n. 612/92, sob pena de ultrapassar as divisas do poder regulamentar, determinar a incidência em separado da contribuição previdenciária sobre a gratificação natalina, mediante a aplicação das alíquotas previstas na tabela a que se refere o artigo 22 do mencionado decreto. “Como ato administrativo, o decreto está sempre em situação inferior à da lei e, por isso mesmo, não a pode contrariar. O decreto geral tem, entretanto, a mesma normatividade da lei, desde que não ultrapasse a alçada regulamentar de que dispõe o executivo” (Hely Lopes Meirelles, in “Direito Administrativo Brasileiro”. São Paulo: Malheiros Editores, 2001, 26º edição, p. 171)”. (grifei) (STJ – 2ª Turma Resp 333248, processo nº 200100880357/PR, DJ 31/03/2003, p. 194, Ministro Franciulli Neto). 29. No entanto, após pesquisa jurisprudencial no Superior Tribunal de Justiça, verificouse que houve uma mudança de entendimento do tribunal a respeito do assunto. Existem diversos julgados da Corte que já reconhecem a legitimidade do “cálculo em separado” sobre o décimo terceiro salário. “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. GRATIFICAÇÃO NATALINA. EXTENSÃO DE DECRETO REGULAMENTADOR. LEI Nº 8.212/91. DECRETO N 612/92. LEI Nº 8.620/93. 1. O regulamento não pode estender a incidência ou forma de cálculo de contribuição sobre parcela de que não cogitou a lei. Deve restringirse ao fim precípuo de facilitar a aplicação e execução da lei que regulamenta. 2. No período anterior à Lei n 8.620/93, o Decreto n 612/92 (art. 37, § 7º), ao regulamentar o art. 28, § 7º, da Lei nº 8.212/91, extrapolou sua competência ao determinar que a contribuição incidente sobre a gratificação natalina deva ser calculada mediante aplicação, em separado, da tabela de alíquotas prevista para os saláriosde contribuição. Precedentes. 3. Entretanto, com o advento da Lei nº 8.620/93, a tributação em separado da gratificação natalina galgou status legal, nos termos do art. 7º, § 2º, desse diploma normativo. 4. Recursos especiais improvidos.” (grifei) Fl. 13DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 14 (REsp 415604/PR; Relator Ministro Castro Meira, Data do Julgamento: 05/10/2004; Data da Publicação: DJ 16.11.2004, p. 227) 30. Insta mencionar ainda, julgamento do Ministro Teori Albino Zavascki em 2007, que descreve exatamente a mudança de entendimento do STJ. “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. CÁLCULO EM SEPARADO. 1. Segundo entendimento do STJ, era indevido, no período da vigência da Lei 8.212/91, o cálculo em separado da contribuição previdenciária sobre a gratificação natalina em relação ao salário do mês de dezembro. Todavia, a Lei nº 8.620/93 estabeleceu expressamente essa forma de cálculo em separado, que, portanto, passou a ser legítima a partir da sua vigência. 2. Embargos de divergência a que se nega provimento”. (grifei) (STJ – Primeira Seção, EResp 442781 PR 2006/01951203, Julgamento: 13/11/2007, DJ 10/11/2007, p. 278, Ministro Teori Albino Zavascki) 31. Nesse sentido, a Turma Recursal do Juizado Especial Federal Cível da Seção Judiciária do Estado da Bahia editou a Súmula nº 09, na qual estabelece que “a partir do início da vigência da Lei n. 8.620, de 05.01.1993, é válido o cálculo em separado da contribuição previdenciária incidente sobre o décimo terceiro salário (gratificação natalina)”. 32. Como se pode observar o entendimento de vários Tribunais é de que a aplicação do parágrafo 7º do artigo 37 do Decreto nº 612 é perfeitamente válida, até mesmo porque a sua aplicação evita a exclusão de uma das fontes de custeio para o benefício da gratificação natalina dos aposentados e pensionistas. Tendo em vista que, de fato, a Previdência, no mês de dezembro, lhes paga, o provento do mês e mais a gratificação natalina, justificando, deste modo, a incidência sobre o décimo terceiro em separado dos contribuintes. 33. Além disso, acredito ter sido esse o meio encontrado pelo legislador para preservar o equilíbrio econômico e financeiro do sistema da seguridade social, bem como manter a isonomia dos contribuintes segurados. 34. Observese que somente o cálculo em separado viabiliza que, aqueles segurados que contribuem pelo teto do saláriodecontribuição acabem contribuindo, também, com o seu 13º salário. A forma preconizada pela recorrente implica em “isenção” de incidência da contribuição para estes e acarreta violação do princípio da isonomia entre os empregados que contribuem com o mínimo e os que o fazem pelo teto. 35. Passamos a expor o que foi dito de forma matemática para que fique claro. A seguir a tabela de contribuição dos segurados empregado, empregado doméstico e trabalhador avulso, para pagamento de remuneração a partir de 1º de Janeiro de 2012, atualizada pela Portaria nº 02, de 06 de janeiro de 2012. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10932.000794/200729 Acórdão n.º 2301002.514 S2C3T1 Fl. 8 15 36. Vejamos que considerando o atual teto do saláriodecontribuição, o segurado empregado que ganha R$ 3.916,20 reais mensais contribui com uma alíquota de 11% para a Previdência Social, ou seja, R$ 430,78 (quatrocentos e trinta reais e setenta e oito centavos). No mês de dezembro o mesmo segurado, contribui com R$ 430,78 referente ao seu salário e mais a mesma quantia referente ao seu décimoterceiro salário, totalizando R$861,56 (oitocentos e sessenta e um reais e cinquenta e seis centavos), nisto se resume o cálculo em separado. 37. Considerando o argumento da recorrente, os valores do salário mensal e da gratificação natalina seriam somados e sobre o total, incidiriam a porcentagem da contribuição. No caso do segurado que contribui pelo teto, esse não recolheria à Previdência R$ 861,56 e sim, somente R$ 430,78 (invariáveis 11% do teto). 38. Já no caso de um trabalhador que contribui com o saláriode contribuição de um salário mínimo, atualmente R$ 622,00 (seiscentos e vinte e dois reais), sobre o qual incide a alíquota de 8%. No mês de dezembro ele contribui com R$49,76 (quarenta e nove reais e setenta e seis centavos) referente à remuneração mensal, mais a mesma quantia referente ao décimo terceiro, totalizando R$ 99,52 (noventa e nove reais e cinquenta e dois centavos). 39. Ocorre que no caso do trabalhador que contribui com o mínimo, adotada a tese da recorrente, este não pagará contribuição com um valor menor, como ocorre no caso do trabalhador que contribui com o teto, pelo contrário, pagará um valor maior do que se os valores (remuneração e décimoterceiro) fossem calculados separadamente. 40. Se adotados os argumentos da recorrente, o trabalhador de baixa renda, remunerado com apenas um saláriomínimo, contribuiria com R$ 111,96 (cento e onze reais e noventa e seis centavos), já que sobre a soma dos valores incide a alíquota de 9%, ou seja, R$12,44 (doze reais e quarenta centavos) a mais no mês de dezembro, ao passo que o contribuinte que ganha o teto do salário de contribuição não arcará com os valores referentes ao 13º salário. 41. Dessa forma, a tese do recorrente não prospera pois entendo que o cálculo em separado é a única forma de fazer incidir contribuição previdenciária na gratificação natalina dos segurados que recolhem pelo teto, ou seja, a forma encontrada pelo legislador para não restar violado o principio da isonomia entre os contribuintes. DA UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC 42. Por fim, entendo que a utilização da taxa SELIC não é indevida no caso em análise. À época do fato gerador, a utilização da referida taxa era expressamente autorizada pelo art. 34 da Lei 8.212/91. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 16 43. A matéria, inclusive, já foi sumulada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, verbis: “Súmula CARF Nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” 44. No mesmo sentido, devese ressaltar que a utilização da taxa SELIC no caso em análise não ocorreu por determinação do Banco Central, e sim em face do art. 34 da Lei 8.212/91, vigente à época do lançamento, que encontra respaldo na súmula nº 04 deste Conselho. 45. Além disso, em julgado recente, o STF decidiu pela incidência da taxa SELIC para a atualização de débitos tributários: “1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. 3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de cálculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de cálculo do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/1988, c/c arts. 2º, I, e 8º, I, da LC 87/1996), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação. A Emenda Constitucional nº 33, de 2001, inseriu a alínea “i” no inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal, para fazer constar que cabe à lei complementar “fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço”. Ora, se o texto dispõe que o ICMS deve ser calculado com o montante do imposto inserido em sua própria base de cálculo também na importação de bens, naturalmente a interpretação que há de ser feita é que o imposto já era calculado dessa forma em relação às operações internas. Com a alteração constitucional a Lei Complementar ficou autorizada a dar tratamento isonômico na determinação da base de cálculo entre as operações ou prestações internas com as importações do exterior, de modo que o ICMS será calculado "por dentro" em ambos os casos. 4. Multa moratória. Patamar de 20%. Razoabilidade. Inexistência de efeito confiscatório. Precedentes. A aplicação da multa moratória tem o objetivo de sancionar o contribuinte que não cumpre suas obrigações tributárias, prestigiando a conduta daqueles que pagam em dia seus tributos aos cofres públicos. Assim, para que a multa moratória cumpra sua função de desencorajar a elisão fiscal, de um lado não pode ser pífia, mas, de outro, não pode ter um importe que lhe confira característica confiscatória, inviabilizando inclusive o recolhimento de futuros tributos. O acórdão recorrido encontra amparo na jurisprudência desta Suprema Corte, segundo a qual não é confiscatória a multa moratória no importe de 20% (vinte por Fl. 16DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10932.000794/200729 Acórdão n.º 2301002.514 S2C3T1 Fl. 9 17 cento). 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento.” (g.n.) (grifei) (RE 582.461/SP. Tribunal Pleno. Relator Ministro Gilmar Mendes. DJe 18.08.2011, p. 177) 46. E quanto às alegações de multa confiscatória, devese concluir que não possuem fundamento, pois o valor da multa não corresponde ao valor da contribuição. Tal constatação pode ser alcançada pela leitura da discriminação dos valores realizadas pelo agente fiscal no auto de infração. Assim, tendo atendido à determinação legal e não sendo equivalente à totalidade do débito, não há que se falar em caráter confiscatório da multa. DA MULTA APLICADA 47. Ressaltase que, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 48. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 48. Por sua vez, o art. 61 da Lei nº 9.430/96 reza: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” (grifei) 49. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de 100%, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 50. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) vem se sedimentando no sentido de que os juros de mora constituem matéria de ordem pública, de forma que sua aplicação, alteração de cálculo, ou modificação do termo inicial – de ofício – não configuram reformatio in pejus (reforma para piorar a situação de quem recorre), nem dependem de pedido das partes. (AgRg no Ag 1.114.664RJ, DJe 15/12/2010. EDcl nos EDcl Fl. 17DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 18 no REsp 998.935DF, Rel. Min. Vasco Della Giustina, Desembargador convocado do TJRS, julgado em 22/2/2011). 51. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 52. Dado o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para aplicar a multa prevista no art. 35 da Lei n.º 8.212/91 combinado com o art. 61, §2 º da Lei nº 9.430/96, se essa for mais benéfica ao contribuinte. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 18DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10715.001487/2010-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. INSTRUÇÃO PROCESSUAL. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA. A falta de instrução do processo de auto de infração com os documentos que comprovam a efetiva ocorrência da infração identificada pela fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil importa na insubsistência da autuação.
Numero da decisão: 3102-001.357
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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INSTRUÇÃO PROCESSUAL. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA. A falta de instrução do processo de auto de infração com os documentos que comprovam a efetiva ocorrência da infração identificada pela fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil importa na insubsistência da autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 28/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Leonardo Mussi. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA 2 O presente processo trata da exigência do valor de R$ 125.000,00 consubstanciada no auto de infração de fls. 01 a 11, referente à imposição da multa pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, regulamentada nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas, em 1994 e 2005, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, as autoridades lançadoras, ao verificar o cumprimento da obrigação acessória de que trata o artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 1º da IN/SRF 510/2005, constataram que a contribuinte acima identificada deixou de registrar no prazo regulamentar os dados de embarque referentes ao transporte internacional realizados no mês de agosto de 2006, iniciado no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, concernentes às cargas amparadas nas declarações de exportação DDE’s listadas no demonstrativo “Auto de Infração nº 0717700/00111/10”, parte integrante do respectivo auto de infração, uma vez que de acordo com o inciso II do artigo 39 da mencionada IN/SRF 28/1994, considerase intempestivo o registro dos dados de embarque nos despachos de exportação efetuados pelo transportador em prazo superior a dois dias. A contribuinte apresentou, às fls. 14 a 18, impugnação administrativa, por discordar da exigência à qual foi intimada. Na referida peça de defesa, a autuada alega em preliminar que o auto de infração em apreço foi lavrado “com total carência de informações que possam relacionar as Declarações de Exportações (DEs) nele referidas, com os respectivos conhecimentos aéreos (AWBs)”, o que impõe sua nulidade, “uma vez que dificulta, ou impede completamente, a defesa da Impugnante”. No mérito, aduz que (i) autuação discrepa da norma reguladora da espécie, posto que a locução “deve prestar”, contida no artigo 37 do Decretolei 37/1966, modificado pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, constitui mera recomendação ao transportador, não subsumindo suposto desatendimento à multa aplicada; (ii) a autuação não esclarece quais são os conhecimentos aéreos a que se referem às diversas declarações de exportação objeto da apuração realizada; (iii) jamais deixou de prestar as informações pertinentes aos embarques às autoridades aduaneiras, pois de outra forma não teria ocorrido o desembaraço, muito menos o embarque das referidas mercadorias; (iv) em atendimento à recomendação legal, imediatamente disponibilizou às autoridades aduaneiras dossiê contendo os conhecimentos aéreos, manifestos do vôo e demais documentos pertinentes à carga, o que causa estranheza à firmação contida na peça acusatória; (v) a rigor não há fato gerador para as multas aplicadas no presente auto de infração, pois o fato gerador de qualquer penalidade é o descumprimento de obrigação legal, e não de mera recomendação, como é o caso dos autos; e (vi) traz à colação excerto jurisprudencial que trata da nulidade do lançamento por vício formal. Nesse sentido, requer seja declarado nulo o auto de infração, a fim de ver cancelada a multa exigida. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2006 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO DE FATO E DE DIREITO. INOCORRÊNCIA Fl. 120DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10715.001487/201025 Acórdão n.º 310201.357 S3C1T2 Fl. 2 3 É descabida a alegação de cerceamento do direito de defesa por falta de fundamentação de fato e de direito, quando se constata que todos os fatos e bases legais indispensáveis à compreensão do feito fiscal e à sua validação estão presentes no auto de infração e no demonstrativo que o acompanha. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2006 DADOS DE EMBARQUE. INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O descumprimento da obrigação de prestar à Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas é punível por embarque no veículo transportador, cuja data a ser considerada, segundo a legislação de regência, é a do vôo, no caso de transporte aéreo internacional. NÚMERO DA DECLARAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. INFORMAÇÃO OBRIGATÓRIA. CONHECIMENTO DE CARGA. TRANSPORTADOR. É defeso ao transportador aéreo alegar desconhecer o número atribuído à declaração para despacho de exportação uma vez que referida informação deve obrigatoriamente constar em todos os documentos que instruem o despacho, em especial no conhecimento e no manifesto de carga. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. NATUREZA OBJETIVA DA INFRAÇÃO. As penalidades aplicadas em razão do descumprimento de obrigações acessórias autônomas, como é o caso da informação dos dados de embarque de mercadoria destinada à exportação, prestada fora do prazo estabelecido normativamente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, possui natureza objetiva, cuja sanção objetiva disciplinar seu cumprimento tempestivo, por parte dos transportadores e seus representantes. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. A recorrente alega preterição ao direito de defesa pela ausência de informações no auto de infração com vistas à comprovação da ocorrência da infração, assim como por não ter sido indicado os números das Declarações de Exportação relacionadas com os respectivos conhecimentos aéreos – AWB. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA 4 Examinando a instrução processual até a folha 16, onde encontrase a primeira folha da impugnação ao lançamento, percebese que a autoridade fiscal deixou, de fato, de anexar ao auto de infração qualquer documento que demonstrasse a efetiva ocorrência do atraso na prestação de informações à Secretaria da Receita Federal do Brasil. É provável que a constatação de que as informações foram prestadas pela contribuinte fora do prazo determinado na legislação tenha sido respaldada em dados obtidos em sistemas informatizados acessados pela fiscalização; contudo, deixouse de incluir no processo cópia das telas correspondentes. Quanto a isso, importante destacar que as planilhas elaboradas pela Fiscalização não substituem o extrato das telas obtidas dos Sistemas, pelo menos não quando se fala em comprovação da ocorrência das irregularidades informadas no Auto de Infração. O dever de provar, em regra geral, recai sobre quem alega o fato ou o direito. A Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código do Processo Civil, fixa responsabilidades com base neste critério. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Na relação jurídica entre sujeito passivo e o Estado, contudo, o comando legal que atribui ao autor a responsabilidade por apresentar as provas do fato constitutivo do direito precisa ser aplicado levandose em conta o modelo sob o qual tais responsabilidades são exercidas. No campo do direito tributário é do próprio administrado o dever registrar e guardar consigo os documentos e demais efeitos que testemunham a ocorrência dos eventos cuja existência se pretende comprovar. Não sendo da natureza das relações fiscocontribuinte que o primeiro guarde consigo documentos ou mesmo que o fato constitutivo do direito tenha sido formalmente pactuado, a comprovação depende de que o administrado seja intimado a apresentar a documentação que a lei o obriga a produzir e manter, ou que manifeste sua vontade por meio de declaração, ou, ainda, pela obtenção de provas no local de funcionamento da empresa ou, como no caso, por meio de controle eletrônico baseado em dados fornecidos pelos sistemas informatizados disponíveis. Em todas estas situações, a obtenção das provas depende quase sempre de que o administrado exerça em sua plenitude a função de anotar e manter em boas condições os registros contábeis e fiscais e os apresente ao fisco quando exigido, providência sem a qual não haverá como comprovar a ocorrência de um fato. Admitida essa importante premissa, há de se ponderar, contudo, que nada dispensa a Administração de laborar em busca das provas de que o fato ocorreu, tampouco de instruir o processo administrativo fiscal com elas. No presente caso, como informado antes, as peças processuais identificadas entre o auto de infração e a impugnação não incluem nenhum tipo de documento capaz de fazer prova da acusação. Encontramse apenas documentos produzidos pela própria fiscalização, como é exemplo o quadro demonstrativo informando o número da declaração de despacho de exportação, dia de embarque, dia em que a informação foi prestada e número do vôo. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10715.001487/201025 Acórdão n.º 310201.357 S3C1T2 Fl. 3 5 Não me parece que tenha acontecido preterição do direito de defesa, como alegado pela recorrente. Conforme tenho reiteradamente defendido em meu votos, a preterição ao direito de defesa não ocorre em tese, é preciso que tenha acontecido de fato. No caso vertente, a recorrente não demonstrou nenhuma dificuldade em entender do que estava sendo acusada, tampouco a ausência das informações lhe subtraído as melhores condições de defesa, razão pela qual descarto a hipótese. Inobstante, a acusação contida no auto de infração não pode prosperar pelo simples fato de que não há provas de sua ocorrência, em afronta ao prescrito no artigo 9º do Decreto 70.235/72 e alterações posteriores. Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (...) Também não se cogita da proposição de diligência. Admitise tal providência somente quando a instrução processual complementar decorre de falta identificada segundo critério de avaliação pessoal do julgador, jamais se a omissão aconteceu no momento da formalização da exigência, segundo juízo objetivo dos fatos e interpretação literal das normas legais aplicáveis. Nem mesmo se trata de decretação de nulidade por vício formal. Observese o que dispõe o Ato Declaratório Normativo nº 02/99, artigo 5º, a esse respeito. Art. 5º Em conformidade com o disposto no art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) o auto de infração lavrado de acordo com o artigo anterior conterá, obrigatoriamente: I a identificação do sujeito passivo; II a matéria tributável, assim entendida a descrição dos fatos e a base de cálculo; III a norma legal infringida; IV o montante do tributo ou contribuição; V a penalidade aplicável; VI o nome, o cargo, o número de matrícula e a assinatura do AFTN autuante; VII o local, a data e a hora da lavratura; VIII a intimação para o sujeito passivo pagar ou impugnar a exigência no prazo de trinta dias contado a partir da data da ciência do lançamento. Em conseqüência, embora, do ponto de vista formal nada obstasse novo lançamento das multas, elas encontramse hoje fulminadas pela decadência. Em tais circunstâncias, deixo de examinar as demais questões suscitadas nos autos para VOTAR PELO PROVIMENTO do recurso voluntário apresentado, em vista da ausência de provas da ocorrência dos fatos informados no auto de infração sub judice. Sala de Sessões, 26 de janeiro de 2012. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA 6 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 16/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 11516.000636/2008-23
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2004
PIS. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. POSSIBILIDADE.
O sujeito passivo que deixar de apurar seus créditos decorrentes de aquisições de insumos no momento adequado pode aproveitá-los nos meses subsequentes ao de sua apuração.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-001.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2004 PIS. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. POSSIBILIDADE. O sujeito passivo que deixar de apurar seus créditos decorrentes de aquisições de insumos no momento adequado pode aproveitálos nos meses subsequentes ao de sua apuração. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 06 36 /2 00 8- 23 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/04/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000636/200823 Acórdão n.º 3801001.787 S3TE01 Fl. 11 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Declarações de Compensação de créditos de Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS), no valor de R$ 116.763,12, referente aos 2º. 3º e 4º trimestres do anocalendário 2004. A Delegacia da Receita Federal em Florianópolis/SC manifestouse pelo reconhecimento parcial do direito creditório postulado pela requerente, confirmando créditos passíveis de utilização para compensação nos valores de R$ 18.690,44 (2o trimestre), R$ 401,92 (3o trimestre) e R$ 72.584,32 (4o trimestre). A interessada apresenta manifestação de inconformidade frente a esta decisão, com os argumentos abaixo expostos. Argumenta que efetuou corretamente a inclusão de créditos extemporâneos em seu Dacon do 4º trimestre de 2004. Sustenta que, em dezembro de 2004, por meio de uma auditoria contábil, quando da averiguação da existência de créditos que não foram compensados nos seus respectivos meses, foi feito um ajuste no Dacon do 4º trimestre, no campo ajuste positivo de crédito, no montante de R$ 26.644,36 (vinte e seis mil, seiscentos e quarenta e quatro reais e trinta e seis centavos). Referido valor teve como base de cálculo despesas não incluídas anteriormente no cálculo dos créditos, conforme se observa na planilha de despesas não consideradas na apuração do crédito de PIS e Cofins. Esclarece que possui todos os documentos hábeis para a comprovação do referido crédito, disponíveis para análise a qualquer momento pela Secretaria da Receita Federal. Defende que, se o saldo dos créditos remanescentes pode ir se acumulando mês a mês ante a sua não utilização, conforme dispõe o §4° do artigo 3º da Lei 10.833/2003, e a própria legislação autoriza a compensação extemporânea dos créditos, não existiria vedação legal para o ajuste positivo no Dacon referente aos créditos de períodos anteriores não compensados. Requer, por fim, a homologação da compensação de saldo credor de PIS. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: Fl. 223DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/04/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000636/200823 Acórdão n.º 3801001.787 S3TE01 Fl. 12 3 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. TRATAMENTO DOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. No regime da nãocumulatividade, o ressarcimento/compensação de créditos não aproveitados à época própria (créditos extemporâneos) deve ser precedida da revisão da apuração confronto entre créditos e débitos do período a que pertencem tais créditos. Assim, os créditos extemporâneos devem ser pleiteados em procedimentos repetitórios referentes aos períodos específicos a que pertencem. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado, inicialmente, apresenta uma resenha fática argumentando que é ilegítimo o indeferimento dos créditos extemporâneos. Com relação ao seu direito descreve o regime da não cumulatividade da contribuição PIS com base na Constituição Federal e na Lei 10.637/02 com ênfase no direito de descontar créditos e respectivas vedações. Sustenta que com base no § 4º do art. 3º da Lei 10.637/02 uma vez apropriados os créditos de PIS, não sendo eles utilizados integralmente dentro do mês para fins de dedução de débitos da mesma contribuição, poderá ocorrer o seu aproveitamento nos meses seguintes. Defende que os créditos remanescentes do encontro entre créditos e débitos de PIS dentro do mês podem ser utilizados nos meses seguintes e, tratandose de empresa que realiza operações de exportação, a utilização poderá ser inclusive para fins de compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal. Colaciona doutrina e jurisprudência administrativa. Defende a tese de que o que resta confinado ao mês é apenas o cálculo dos créditos, e não o aproveitamento via restituição ou compensação. Discorda da justificativa de que é vedada administrativamente a inclusão em um só Pedido de Ressarcimento de créditos referentes a períodos, isto é, trimestres distintos nos termos do art. 22, § 3º, inc. I da IN SRF 600/05, a qual revogou a IN SRF nº 460/04. Argumenta que a legislação que rege a compensação é a vigente à época da realização do encontro de contas, ou seja, do protocolo da Per/Dcomp, in casu, a IN SRF nº 460/2004, a qual não limitava o Pedido de Ressarcimento a apenas um trimestre calendário. Neste sentido apresenta jurisprudências administrativa e judicial. Destaca que é evidente a ilegitimidade do indeferimento dos créditos solicitados nas Per/Dcomp’s, posto que fundado no descumprimento de exigência formal que sequer existia no momento do protocolo das declarações. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/04/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000636/200823 Acórdão n.º 3801001.787 S3TE01 Fl. 13 4 Cita o princípio de que a norma que rege o ato é a vigente ao tempo da sua prática – “tempus regit atum”. Além do mais, atribuir eficácia retroativa às exigências formais e burocráticas da IN SRF 600/05 significa destruir o princípio constitucional da irretroatividade. De outra banda, sustenta que ainda que aplicável a IN SRF 600/05, a limitação do Pedido de Ressarcimento a um único trimestre é inválida, pois os atos normativos do Poder Público não podem restringir os direitos legalmente garantidos, excedendo o conteúdo legal, ainda mais quando não haja um motivo razoável para tanto. No sentido da ilegalidade do art. 22, §3º, inc. I da IN SRF nº 600/05 menciona jurisprudências administrativa e judicial. Ressalta que basta apurar os créditos de distintos trimestres dentro dos correspondentes períodos e conforme os respectivos requisitos e colacionar todas as informações em um único pedido. Assim, é possível segregar por período de apuração dentro de um mesmo Pedido de Ressarcimento com o que são observadas as peculiaridades da apuração das contribuições sociais no regime não cumulativo. No que se refere a tese da decisão a quo de que o DACON precisa ser apresentado antes da análise do Pedido de Ressarcimento, argumenta, os Dacon’s referentes ao período dos créditos solicitados nas Per/Dcomp’s foram devidamente apresentados pela recorrente tendo havido erro por parte da Receita Federal no que concerne à análise das informações deles constantes. Afirma que em dezembro de 2004, por meio de auditoria contábil, quando da averiguação da existência de créditos que não foram compensados nos seus respectivos meses, foi feito um ajuste no DACON do 4º Trimestre do ano de 2004, no campo ajuste positivo de crédito no valor de R$ 26.644,36 e que este valor teve como base de cálculo despesas não incluídas anteriormente no cálculo dos créditos, segundo planilha apresentada. Discorda da assertiva da autoridade fiscal de que “não é correto incluir créditos relativos a outros períodos como ajustes positivos de créditos, fora do período em que os créditos foram apurados”, isto porque efetuou, em 2002 e 2003 e em alguns meses de 2004, o pagamento de tributos. Logo a retificação do DACON dos respectivos trimestres implicaria em alteração nos valores das guias já quitadas. Destarte, da mesma forma que a recorrente teria que formular Per/Dcomp’s para compensar as guias pagas a maior, foram feitas Per/Dcomp’s para os créditos não lançados à época, ajustandose o referido montante somente no mês de dezembro de 2004. Alega que o fato de o Pedido de Ressarcimento ser referente a mais de um trimestre calendário não traz qualquer prejuízo financeiro ao Fisco em atenção aos princípios da verdade real e razoabilidade. Recorre ao disposto no art. 55 da Lei nº 9.784/99. Por fim, requer a reforma da decisão recorrida no sentido de homologar a compensação pleiteada do saldo credor de PIS dos 2º, 3º e 4º trimestres com os débitos de IRPJ, CSLL e IPI de 2004. É o relatório. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/04/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000636/200823 Acórdão n.º 3801001.787 S3TE01 Fl. 14 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente insurgiuse contra a glosa dos créditos extemporâneos ocorridos no mês de dezembro de 2004 no valor de R$ 26.644,36, linha 26 da ficha 04 do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon retificador), fl 101. Sobre essa matéria, a autoridade fiscal após exame da documentação fiscal e contábil e do processo produtivo relatou: No 4° trimestre, o contribuinte escriturou na linha 26 da Ficha 04, o valor de R$ 26.644,36, como ajuste positivo de crédito (fl. 101). Questionado a respeito da natureza desse crédito, o contribuinte apresentou o documento de fl. 131, e informou tratarse de créditos referentes a períodos anteriores, anos calendário 2002 e 2003 e ainda outros trimestres do ano calendário 2004. Quando se apura que houve erro no cálculo do crédito de um trimestre anterior, devese retificar o Dacon do trimestre em que foi apurado o crédito, além dos Dacon dos períodos posteriores, se assim for necessário. Não é correto incluir créditos relativos a outros períodos como ajustes positivos de créditos, fora do período em que os créditos foram apurados. O campo "Ajustes Positivos de Créditos" é destinado ao registro de créditos não contemplados nas outras linhas do Dacon, referentes ao mesmo período de apuração, e não para que seja informado crédito de outros períodos. Registrese, por oportuno, que a decisão de primeira instância manteve a glosa dos referidos créditos extemporâneos com o argumento principal de que créditos extemporâneos devam compor pedidos de ressarcimento/compensação específicos. Com referência ao aproveitamento de créditos extemporâneos, a legislação de regência, Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e alterações posteriores, disciplinava: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (...) § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê lo nos meses subsequentes. (grifouse) Como se nota, é bom o direito da recorrente. Além do mais, a recorrente inclusive apresentou uma Dacon retificadora entregue em 10/10/2006 e o aproveitamento dos Fl. 226DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/04/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000636/200823 Acórdão n.º 3801001.787 S3TE01 Fl. 15 6 créditos extemporâneos foi dentro do prazo legal, que é de cinco anos da aquisição dos insumos. Cumpre observar que a autoridade fiscal limitouse a impugnar o momento da apropriação dos créditos. A contrario sensu, implicitamente concordou que as referidas despesas poderiam gerar o direito de descontar créditos da contribuição, o que torna esse fato incontroverso. Se os créditos eram inadmissíveis por força de algum dispositivo legal, a fiscalização deveria explicitar essa condição por ocasião da verificação fiscal da legitimidade dos créditos. Por outro lado e do exame dos elementos comprobatórios, verificase que a recorrente deixou de apurar seus créditos decorrentes de diversas despesas no momento adequado, fato que por si só não inviabiliza uma apuração extemporânea, como realizada pela recorrente nos termos da legislação vigente. Como visto, os créditos pleiteados jamais haviam sido apropriados pela recorrente. Com efeito, não existe norma legal que veda a utilização de créditos extemporâneos de forma acumulada. Pelo contrário, o aproveitamento de créditos extemporâneos é admitido em diversas Soluções de Consulta da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), a exemplo da Solução de Consulta nº 73 de 20 de abril de 2012 – SRRF10/Disit: INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. É exigida a entrega de Dacon e DCTF retificadoras quando houver aproveitamento extemporâneo de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep. Além disso, a administração fazendária reconhece em outros atos legais, o direto de aproveitar créditos extemporâneos, conforme o previsto no Ato Declaratório Executivo nº 34, de 28 de Outubro de 2010, DOU de 01/11/2010, que aprovou o Manual de Orientação do Leiaute da Escrituração Fiscal Digital da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (EFDPIS/Cofins), segundo tabela abaixo: 4.3.7 Tabela Código de Base de Cálculo do Crédito: A ser utilizada na codificação da base de cálculo dos créditos apurado no período, no caso de ser preenchido registro de documentos e operações geradoras de crédito, nos Blocos A, C, D, F e 1 (Créditos extemporâneos). (grifouse) Outrossim, a Receita Federal do Brasil reafirma o direito em discussão, segundo respostas abaixo transcritas no sítio do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED): 78. O que é uma operação extemporânea? Operação extemporânea corresponde a um fato gerador de crédito que esta sendo escriturado em período posterior ao de referência do credito. A definição ou classificação quanto à extemporaneidade tem correlação com a data de competência do Fl. 227DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/04/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000636/200823 Acórdão n.º 3801001.787 S3TE01 Fl. 16 7 crédito e não com a data da aquisição ou da emissão de nota fiscal. Por exemplo: Caso uma empresa que adote o método da apropriação direta adquira um insumo em janeiro e o produto adquirido só venha configurar o direito a crédito, pelo método da apropriação direta, em abril, deve ser regularmente informada a aquisição na escrituração de abril, no Bloco C, com o CST representativo de crédito do período (50 a 56). Agora, se o crédito da aquisição de janeiro é de competência abril, mas a empresa não escriturou em abril e sim em maio, estaria então configurada a situação de extemporaneidade. 79. Como informar um crédito extemporâneo na EFD Contribuições? O crédito extemporâneo deverá ser informado, preferencialmente, mediante a retificação da escrituração cujo período se refere o crédito. No entanto, se a retificação não for possível, devido às condições previstas na Instrução Normativa RFB nº 1.252, de 2012, a PJ deverá detalhar suas operações através dos registros 1100/1101 (PIS) e 1500/1501 (Cofins). (...)(grifouse) (disponível em http://www1.receita.fazenda.gov.br/faq/efd contribuicoes.htm) Ademais, outras exigências, como DCTF’s retificadoras, não afastam o direito legítimo da recorrente de apropriar créditos extemporâneos. O mero erro formal de utilizar um campo indevido no Dacon, ajustes positivos de créditos, não inviabiliza o direito do contribuinte de ter os seus créditos extemporâneos reconhecidos pela administração fazendária. A Fazenda Nacional não pode enriquecer ilicitamente. Em remate, restabelecese no mês de dezembro de 2004 o direito de descontar créditos da contribuição PIS no valor total de R$ 26.644,36. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 228DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/04/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11516.000636/200823 Acórdão n.º 3801001.787 S3TE01 Fl. 17 8 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/04/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10120.006112/2002-31
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1997
IRPJ E CSLL. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
Recurso Extraordinário Negado.
Numero da decisão: 9900-000.228
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso extraordinário.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Manoel Coelho Arruda Junior, Maria Teresa Martínez López, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, Marcelo Oliveira, Karem Jureidini Dias, Júlio César Alves Ramos, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire,Valmir Sandri, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Francisco Assis de Oliveira Junior, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Valdete Aparecida Marinheiro.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso extraordinário. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Rodrigo Cardozo Miranda - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Manoel Coelho Arruda Junior, Maria Teresa Martínez López, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, Marcelo Oliveira, Karem Jureidini Dias, Júlio César Alves Ramos, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire,Valmir Sandri, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Francisco Assis de Oliveira Junior, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Valdete Aparecida Marinheiro.
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TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Recurso Extraordinário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 61 12 /2 00 2- 31 Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 30/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso extraordinário. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Manoel Coelho Arruda Junior, Maria Teresa Martínez López, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, Marcelo Oliveira, Karem Jureidini Dias, Júlio César Alves Ramos, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire,Valmir Sandri, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Francisco Assis de Oliveira Junior, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Valdete Aparecida Marinheiro. Relatório Cuidase de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional (fls. 1453 a 1460) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 1426 a 1449) que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. A ementa do v. acórdão recorrido é a seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO DE DIVERGÊNCIA CONTEÚDO DA EMENTA E DO VOTO PARADIGMA CASO CONCRETO: A simples semelhança estampada na ementa do acórdão paradigma, quando trata de decisão apoiada em critérios técnicos que analisam a questão sob aspectos não tratados no processo, e sem que a recorrente exponha objetivamente os pontos de divergência, não serve para apoiar o seguimento de recurso especial de divergência. Recurso especial não conhecido parcialmente, NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA IRPJ: Tratandose de lançamento por homologação (art.150 do CTN), o prazo para Fazenda Pública constituir o crédito tributário decai em 5 (cinco) anos contados da data do fato gerador. A ausência de recolhimento da prestação devida não altera a natureza do lançamento, já que o que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo. Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 30/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.006112/200231 Acórdão n.º 9900000.228 CSRFPL Fl. 1.491 3 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA CSLL SUA NATUREZA TRIBUTÁRIA APLICAÇÃO DO ARTIGO 150 DO CTN: A Contribuição social sobre o lucro líquido, instituída pela Lei n° 7.689/88, em conformidade com os arts. 149 e 195, § 4°, da Constituição Federal, tem a natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE N° 146.7339SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, III, da ConstituiçãoFederal de 1988. Desta forma, a contagiem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com o Código Tributário Nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no art. 150, § 4º. Recurso especial parcialmente conhecido e negado. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso extraordinário, apontando, em síntese, divergência jurisprudencial quanto à aplicação dos dispositivos constantes do § 4º do artigo 150 e do inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional, apresentando como paradigma acórdão proferido pela Colenda Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 1.488 e 1.489. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Com relação ao mérito, especificamente quanto ao prazo decadencial para lançamento dos créditos tributários nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação, é de se destacar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 30/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 30/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.006112/200231 Acórdão n.º 9900000.228 CSRFPL Fl. 1.492 5 (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifos e destaques nossos) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal o entendimento de que, nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não há pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN, e não no § 4º do artigo 150 do mesmo Código. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 30/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 No presente caso, o auto de infração, cuja ciência se deu em 21/08/2002, diz respeito a crédito tributário referente ao IRPJ e CSLL relativo ao anocalendário de 1997, com fato gerador em 31/12/1997. Em primeira instância decidiuse pela manutenção do lançamento e, em segunda instância, acolheuse a preliminar de decadência com arrimo no artigo 150, § 4º do CTN. Pelo que consta dos autos, notadamente do contido na r. decisão proferida em segunda instância (fls. 1.346 e 1.347), verificase que houve pagamento antecipado quanto ao IRPJ e CSLL referentes ao 1º e 2º trimestres de 1997 – fatos geradores ocorridos em 31/03/1997 e 30/06/1997. Assim, havendo pagamento, nos termos da jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, aplicase à espécie o disposto no inciso § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Nesse sentido, para os fatos geradores de 31/03/1997 e 31/06/1997, considerando o disposto no § 4º do artigo 150 do CTN, o prazo decadencial se exauriu, respectivamente, em 31/03/2002 e 31/06/2002. Como a ciência se deu em 21/08/2002, ocorreu a decadência quanto a esses fatos geradores. Por conseguinte, em face de todo o exposto, com arrimo no artigo 62A do RICARF, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 30/03/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 16682.721161/2011-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1402-000.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado..
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
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TURMA DA DRJ RIO DE JANEIRO I RJ Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 16 1/ 20 11 -1 8 Fl. 5366DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16682.721161/201118 Resolução nº 1402000.183 S1C4T2 Fl. 5.366 2 RELATÓRIO PETROLEO BRASILEIRO S A PETROBRAS recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente em parte a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF). Por sua vez, a 1a. TURMA DA DRJ RIO DE JANEIRO I – RJ recorre de ofício em face da exoneração superior a sua alçada. Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Tem origem o presente processo nos autos de infração de fls. 3.966 a 3.982, lavrados pela Demac Rio de Janeiro RJ, contra Petróleo Brasileiro S.A. Petrobras, relativos ao ano calendário 2007, para exigir IRPJ, no valor de R$ 395.237.290,42 e a CSLL, no valor de R$ 142.285.424,55, acrescidos de multa de 75% e de juros de mora. De acordo com os autos de infração e o Termo de Verificação Fiscal de fls. 3.889/3.965, os lançamentos foram motivados pela constatação das seguintes infrações, em síntese: DESPESA INDEDUTÍVEL – APORTE FINANCEIRO DA PETROBRAS EM CONTRAPARTIDA À ACEITAÇÃO DA REPACTUAÇÃO DO PLANO PETROS – R$ 499.407.041,99: O autuado transferiu a quantia aos participantes ativos do plano, que assegura a todos os participantes uma complementação do benefício concedido pela Previdência Social. O repasse decorreu do “Acordo de Obrigações Recíprocas” (entre a Petrobrás, a Petros e demais patrocinadoras do plano), que teve finalidade de: apaziguar as relações entre as partes, dar fim a ações judiciais com diversos pleitos dos empregados e assistidos, relacionados ao plano Petros, solucionar o equilíbrio do Plano Petros e ajustar o regulamento do plano Petros e o cálculo dos benefícios de aposentadoria e pensões. Ela não se enquadra no conceito de contribuição para plano de previdência complementar, por não atender ao rateio paritário entre patrocinador e participante, conforme art. 202 da Constituição Federal, EC 20/98 e Lei Complementar 109/2001. A quantia não é dedutível, porque foi repassada por mera liberalidade, tem caráter de espontaneidade e de gratuidade, não era compulsória nem imposta por lei e não era relacionada às atividades normais da empresa, com base nos artigos 299 e 365 do RIR/99 (Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99). DESPESA INDEDUTÍVEL – CUSTO DOS SERVIÇOS PASSADOS DAS CONTRIBUIÇÕES CORRESPONDENTES AO PERÍODO EM QUE OS PARTICIPANTES ESTIVERAM SEM PLANO DE PREVIDÊNCIA: R$ 108.787.000,00: O autuado apropriou, como despesa operacional, os valores das contribuições pagas, relativas ao plano Petros de previdência complementar, que caberiam aos funcionários e foram assumidas por ele. Os valores não se enquadram no conceito de contribuição para plano de previdência complementar, por não atenderem a regras do art. 202 da Constituição, EC 20/98 e Lei Complementar 109/2001. Os valores não são dedutíveis, uma vez que foram pagos por mera liberalidade, têm caráter de espontaneidade e de gratuidade, não eram compulsórios nem determinados Fl. 5367DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16682.721161/201118 Resolução nº 1402000.183 S1C4T2 Fl. 5.367 3 por lei e não concorreram para o exercício da atividade da empresa, com base nos artigos 299 e 365 do RIR/99. DESPESA INDEDUTÍVEL PGTOS A PLANO PREVIDÊNCIA PRIVADA – R$ 569.085.318,87: As contribuições feitas pelas empresas privadas para os planos de previdência complementar de seus empregados são facultativas, já que não há, na legislação vigente, norma que as obrigue a fazêlas. Por isso, a dedutibilidade das contribuições para entidades de previdência privada fica condicionada, nos termos do inc.V do art.13 da Lei 9.249/95, a que os beneficiários sejam apenas os ativos, ou seja, os empregados e dirigentes da pessoa jurídica. O autuado apropriou, como despesa, todo o valor pago de previdência privada, inclusive aqueles cujos beneficiários eram aposentados e pensionistas. Como ele não discriminou nem comprovou a parcela relativa a beneficiários ativos, não a segregando daquela relativa aos aposentados e pensionistas, a fiscalização considerou toda a despesa incorrida com previdência privada como indedutível, por se tratar de mera liberalidade e não relacionada às atividades normais da empresa. Destarte, com fundamento nos art. 361 e 249, I do RIR/99 e art. 13, V da Lei 9.249/95, o montante foi glosado. DESPESA INDEDUTÍVEL PAGAMENTOS DE PLANO DE ASSISTÊNCIA MÉDICA (AMS) E DE PLANO DE BENEFÍCIO FARMÁCIA – R$ 396.776.298,30 E R$ 1.990.502,57: O autuado contribui para plano de assistência médica, que alcança todos os empregados da empresa (ativos e inativos) e seus dependentes. O plano é administrado pela própria Cia e os empregados contribuem com uma parcela. Também contribui para o plano de benefício farmácia, que prevê condições especiais na aquisição de medicamentos pelos mesmos beneficiários. Ele apropriou, como despesa, todo o valor pago com os dois planos, inclusive aqueles cujos beneficiários eram aposentados e pensionistas. Não há autorização legal para a dedução de despesas médicas efetuadas em favor dos dependentes dos empregados da pessoa jurídica, tampouco dos inativos (aposentados e pensionistas) e seus dependentes, já que o art. 13V da Lei 9.249/95 restringe a dedutibilidade tributária às parcelas pagas aos participantes (ativos). Destarte, foram glosados os montantes referentes aos aposentados e pensionistas, com base nos art. 360 e 249, I, do RIR/99. REALIZAÇÃO DE RESERVA DE REAVALIAÇÃO EM CONTROLADAS – R$ 4.903.000,00: O autuado transferiu para lucros acumulados a reserva de reavaliação contabilizada por controladas e coligadas de sua subsidiária integral (Petroquisa), que foi constituída em decorrência das reavaliações de bens do ativo imobilizado daquelas empresas. O valor foi contabilizado em contas patrimoniais do autuado, à débito do patrimônio líquido (reserva de reavaliação Petroquisa) e à crédito de ativoinvestimentos (reavaliação empresa do sistema), portanto, sem nenhum efeito fiscal. De acordo com a legislação (indicada), a controladora (Petrobras) deveria adicionar ao lucro real e à base de cálculo da CSLL os valores referentes à realização da reserva, a menos que a coligada ou controlada computasse sua reserva de reavaliação na determinação do seu respectivo lucro ou, sendo o caso, para absorver seus prejuízos. Fl. 5368DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16682.721161/201118 Resolução nº 1402000.183 S1C4T2 Fl. 5.368 4 Como o autuado, quando intimado, não comprovou a realização de tais procedimentos nas controladas e coligadas nem apresentou os correspondentes Lalur, a fiscalização adicionou o valor ao lucro real e à base de cálculo da CSLL. Cientificado das autuações em 21.12.2011 (fls. 3.970 e 3.977), o autuado apresentou a impugnação de fls. 3.985/4.012, com as seguintes alegações, em síntese: Quanto ao alcance de despesas operacionais: Todas as despesas glosadas pela fiscalização relacionamse intrinsicamente com a atividade do autuado e direcionamse a valorizar seus empregados, na medida em que a empresa é a soma dos fatores econômicos, jurídicos, sociais e humanos, que, agregados, contribuem para que sua atividade seja exercida; É a força humana que impulsiona toda a cadeia de produção e circulação de bens e serviços em toda empresa; As despesas com políticas corporativas direcionadas à boa qualidade de vida dos empregados no emprego e pósemprego, à preservação e enaltecimento da força de trabalho, a um saudável ambiente de trabalho e à dignidade da pessoa humana devem ser irremediavelmente consideradas operacionais, constituindo, outrossim, elemento da própria atividade empresarial; A necessidade de reter pessoal qualificado em seus quadros e angariar novos talentos forçou o autuado a oferecer um plano de previdência privada complementar saneado; Quanto ao aporte em contrapartida à repactuação: A "repactuação" do plano Petros é, na verdade, parte indissociável de um amplo processo negocial travado entre as patrocinadoras do Plano Petros (dentre as quais a Petrobras), a Fundação Petrobras de Seguridade Social (Petros), e todos os sindicatos representativos das diversas bases da categoria petroleiros; A repactuação do regulamento do Plano Petros teve como objetivo principal a manutenção de um equilíbrio atuarial sustentável do plano de previdência, no intuito de evitar quaisquer impactos na saúde econômica e financeira do autuado e o colapso do seu sistema corporativo, visto que seus empregados, diante da ameaça de comprometimento de seus benefícios, para os quais contribuíram ao longo de anos, poderiam fazer eclodir uma série de pleitos reivindicatórios, inclusive com movimentos grevistas; O aporte decorreu do AOR (Acordo de Obrigações Recíprocas), no qual foram assumidos os seguintes compromissos: repactuação das regras do regulamento do plano de benefícios com alteração do índice de correção dos benefícios; revisão do custeio e da gestão participativa do plano; revisão do limite etário de determinados participantes; pagamento de "valor monetário" aos participantes e assistidos que decidiram repactuar; homologação de acordo em sede judicial; participação dos sindicatos na campanha de divulgação; e apaziguamento das relações; O aporte não foi "ato a título gratuito", mas sim de um pacto bilateral, já que, se de um lado a Petrobras, desembolsou a contrapartida à repactuação, de outro, os participantes optaram e se sujeitaram às mudanças nas regras do regulamento que regem seu contrato de previdência complementar; Se o valor desembolsado pela Petrobras é uma "contrapartida", a "partida" é justamente a alteração do regulamento do Plano Petros; Caso mantidas as regras existentes antes da repactuação, haveria o risco futuro de déficit atuarial e, em razão de suas obrigações como mantenedora da Petros, o autuado certamente seria instado a arcar com valores consideráveis para assegurar os benefícios; Fl. 5369DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16682.721161/201118 Resolução nº 1402000.183 S1C4T2 Fl. 5.369 5 A repactuação e o aporte foram, portanto, a única medida cabível (portanto, necessária); Quanto ao custo das contribuições do período em que os participantes estiveram sem plano de previdência: O custo dos serviços passados corresponde à despesa incorrida pelo autuado relativamente ao custeio para o fundo de previdência, no período compreendido entre agosto de 2002 e o início de vigência do plano PetrosII, para os participantes admitidos dentro desse interregno, que não possuíam plano de previdência complementar; A falta de uniformidade de tratamento entre os empregados, já que, à época, nem todo o quadro possuía um plano de previdência complementar, gerava sérias perplexidades dentro do ambiente de trabalho, comprometendo a estrutura corporativa da empresa; As contribuições pagas permitiram abrigar todos os seus empregados dentro de um único plano de previdência; A decisão foi objeto de discussão entre os sindicatos e a empresa e foi incluída, expressamente, no acordo coletivo de trabalho de 2005, na cláusula 128 (anexa); Os pagamentos enquadramse, sim, no conceito de contribuição para previdência complementar, de acordo com a Lei Complementar nº 109/2001 e o art. 202 da Constituição Federal; A fiscalização errou na apuração do montante glosado, porque o efeito fiscal da rubrica custo do serviço passado foi de R$ 73.044.606,02 e não de R$ 108.787.000,00 e porque tal valor faz parte do total de contribuição do ano, também glosado na infração nº 3; Quanto ao pagamento a plano de previdência privada: De acordo com o inciso V do art. 13 da Lei 9.249/95, será admitida a dedução das contribuições destinadas a custear planos de previdência complementar, caso os mesmos sejam instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica. Ou seja, se o plano de previdência complementar foi criado em prol dos empregados (como o Plano PETROS), as contribuições revertidas para o fundo de previdência poderão ser deduzidas. Nada foi dito se as contribuições eram para o custeio dos benefícios dos empregados ou dos aposentados. O que importa é se o plano foi, ou não, criado em benefício da força de trabalho da empresa; A autoridade fiscal, equivocadamente, fez uma interpretação restritiva e contra legem do dispositivo, para admitir que somente seriam dedutíveis as contribuições para o custeio dos participantes ativos, fazendo parecer que o auditor esqueceuse do vocábulo "instituídos" constante no texto; O plano de previdência é instituído justamente para que o atual empregado seja beneficiado no futuro com a complementação dos proventos de aposentadoria. Por óbvio, a criação do plano em favor do empregado pressupõe sua aposentadoria futura, por isso, não faria qualquer sentido só admitir a dedução das contribuições durante o período da relação de emprego e inadmitir a dedutibilidade após a inatividade; Ademais, o fundo para o qual o autuado contribui constitui uma reserva única para empregados e aposentados, pautada em métodos atuariais, de modo a equacionar as contribuições e benefícios desde a adesão do empregado na ativa até o término do gozo do seu benefício na inatividade; Por este motivo, não há qualquer elemento que permita associar as contribuições aos ativos ou aos inativos, como equivocadamente presumiu o fiscal; Fl. 5370DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16682.721161/201118 Resolução nº 1402000.183 S1C4T2 Fl. 5.370 6 Quanto ao pagamento dos planos de assistência médica e de benefício farmácia: O valor da despesa, na verdade, foi contabilizado a débito, como provisão, e foi adicionado ao lucro real e à base de cálculo da CSLL, conforme livro razão e Lalur anexos; Não houve qualquer lançamento do valor de R$ 396.776.298,30, no resultado do autuado; Assim, o montante de R$ 396.776.298,30 não transitou pelo resultado e a efetiva despesa com a provisão foi de R$ 1.111.069.872,00, valor que impactou o resultado mas foi adicionado à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quanto à realização de reserva de reavaliação em controladas e coligadas: O auditor repassou todo o ônus da prova da tributação de um fato econômico ocorrido nas coligadas e controladas da Petroquisa, subsidiária integral da Petrobras, assumindo o risco de dupla tributação e deixando que a Petrobras buscasse a documentação para comprovar que o lucro fora tributado; Por isso, o lançamento deve ser anulado; Finalmente: Não há dispositivo legal que autorize afastar da base de cálculo da CSLL as despesas glosadas na apuração do IRPJ, por serem distintas as norma legais que regem o dois tributos e, ainda, pelo disposto no art. 57 da Lei nº 8.981/95; e Não há respaldo legal para a cobrança de juros de mora sobre a multa de 75%, aplicada. A decisão recorrida está assim ementada: DESPESA. DEDUTIBILIDADE. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. São necessários, portanto, dedutíveis, os gastos com aporte financeiro feito em contrapartida à aceitação da repactuação de plano de previdência complementar para empregados. DESPESA. DEDUTIBILIDADE. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. São necessários, portanto, dedutíveis, os gastos com contribuições para plano de previdência, correspondentes ao período em que os empregados estiveram sem plano. DESPESA. DEDUTIBILIDADE. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. São necessários, portanto, dedutíveis, os gastos com contribuições para plano de previdência complementar de empregados, independentemente de eles estarem ou não aposentados. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não for contestada na defesa. PROVA. Incumbe ao contribuinte juntar à defesa documentos suficientes para comprovar suas alegações. PROVA. Se o lançamento baseouse na falta de comprovação de um fato e, na defesa, ele também não foi comprovado, mantémse a imputação. CSLL. DECORRÊNCIA. Estendemse aos lançamentos decorrentes as conclusões da decisão prolatada no lançamento principal. JUROS SOBRE MULTA. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício de 75% está prevista em lei. Impugnação Procedente em Parte. Credito Tributário Mantido em Parte. Fl. 5371DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16682.721161/201118 Resolução nº 1402000.183 S1C4T2 Fl. 5.371 7 Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento, nos seguintes termos: Instada a manifestarse a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrrazões, que constituem as 1a.s imagens do processo digitalizados (1 a 57). É o relatório. Fl. 5372DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16682.721161/201118 Resolução nº 1402000.183 S1C4T2 Fl. 5.372 8 VOTO Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. Os recursos, voluntário e de oficio, preenchem os requisitos legais e regimentais de admissibilidade. Em litígio, os lançamentos de ofício do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), e seus consectários legais (juros de mora e multa), do anocalendário 2007, em face de redução da suas respectivas bases de cálculo, mediante glosa de despesas consideradas indedutivis pela autoridade fiscal, bem como por não ter adicionado ao lucro real o valor decorrente da realização da reserva de reavaliação de bens de controladas e coligadas de uma subsidiária da PETROBRAS. A glosa de dedução das despesas referemse a quatro rubricas: (i) Contrapartida da PETROBRAS à aceitação da repactuação do Plano PETROS; (ii) Contribuição extraordinária referente ao custo dos serviços passados das contribuições correspondentes ao período em que os participantes estiveram sem plano de previdência, (iii) Contribuição da patrocinadora PETROBRAS relativa ao custeio para o fundo dos aposentados, e (iv) Despesas com o plano de Assistência Médica Multidisciplinar (AMS) e com o plano de benefício farmácia. Em síntese, a autoridade fiscal considerou que os pagamentos ocorreram por liberalidade da contribuinte e que não tem amparo legal à dedutibilidade para o IRPJ e CSLL. No tocante às consequências tributárias decorrentes da realização da reserva de reavaliação de bens de controladas e coligadas de sua subsidiária, contabilizadas na PETROBRAS, a autoridade fiscal lavrou a presente autuação pela inexistência de prova que comprovasse a incidência da exação fiscal na origem. A decisão da 1a Turma da DRJ Rio de Janeiro I – RJ, por maioria de votos, julgou parcialmente procedente a defesa administrativa, considerando dedutíveis as despesas (i), (ii) e (iii), indicadas no ponto anterior. Na análise das despesas com o plano de Assistência Médica Multidisciplinar (AMS) e com o plano de benefício farmácia, bem como da adição às bases de cálculo do IRPJ e CSLL do lucro decorrente da realização da reserva de reavaliação de coligadas e controladas, a DRJ julgou improcedente a impugnação apresentada, sob os seguintes fundamentos: “(...) Da 4ª infração. O autuado não contestou a proibição da dedução dos valores pagos para plano de assistência médica e para benefício farmácia. Ao contrário, admitiua, na medida em que afirmou têlos adicionado às base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Considerando o disposto no artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, a questão da dedutibilidade não faz parte da lide. Fl. 5373DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16682.721161/201118 Resolução nº 1402000.183 S1C4T2 Fl. 5.373 9 Para mostrar que o valor foi adicionado ao lucro real, o autuado explicou a contabilização: os valores de assistência médica e benefício farmácia dos aposentados são debitados, como despesa de provisão, no resultado, na conta 3409700103, e creditados numa conta de passivo iniciada por 2203, que é debitada quando acontecer o pagamento ao fornecedor do serviço (hospitais, por exemplo); assim, os lançamentos referentes à utilização dos serviços, contidos no montante de R$ 396.776.298,30, não transitam pelo resultado e não são adicionados à base de cálculo do IRPJ e CSLL, já que a despesa da provisão, que impactou o resultado, foi de R$ 1.111.069.872,00 e foi adicionada à base de cálculo do IRPJ e CSLL. Para comprovar, juntou, além do plano de contas, os documentos de fls. 4.929/4.942, que incluem: explicação da escrituração, resumo do razão da conta 3409700103, Lalur e exemplos de lançamentos contábeis. Contudo, tais documentos não são suficientes para provar o alegado, uma vez que não foi juntado o livro Razão da conta 3409700103 (apenas um demonstrativo resumido) e não foram mostrados os lançamentos a débito da conta 3409700103 e a crédito das contas iniciadas por 2203 (os cinco exemplos trazidos referemse ao lançamento a débito das contas iniciadas por 2203 e a crédito das iniciadas por 2101 (e não 2110), feitos no momento da utilização dos serviços). A listagem oriunda das contas 2203000001 e 2203000004 (fls. 2.121/2.192), confirmam o montante de R$ 396.776.298,30 naquelas contas. Diante disso e sem a correspondência entre a conta 3409700103 e as iniciadas por 2203, não se pode atestar que os R$ 396.776.298,30 estavam embutidos nos R$ 1.111.069.872,00, que foram adicionados ao lucro real, conforme Lalur, muito menos com relação à CSLL, para a qual não foi comprovada tal adição à base de cálculo. Portanto, deve ser mantida a imputação. Da 5ª infração. Contra a adição do valor da reserva de reavaliação em controladas e coligadas, o autuado limitouse a argumentar que a comprovação do tratamento fiscal dado à reserva pelas controladas e coligadas deveria ser buscada naquelas empresas e não na controladora (autuada). Por entender que a prova devia ter sido feita pelo autuado, para elidir o lançamento, por se tratar de empresas controladas e coligadas, mesmo se tratando de pessoas jurídicas distintas, e não foi feita, considero devida a adição. (...)” Passo a apreciar as alegações da recorrente quanto a essas matérias. Das despesas com o plano de Assistência Médica Multidisciplinar (AMS) e com o plano de benefício farmácia Tanto a Fiscalização quanto a DRJ firmou convencimento de que as despesas nos valores de R$ 396.776.298,30 e de R$ 1.990.502,57 (planos AMS e benefício farmácia, respectivamente), escrituradas em contas do passivo, estão contidas dentro da provisão de R$ 1.111.069.872,00, lançada na conta 3409700103 (conta do resultado). Ocorre que, segundo a recorrente, não há correspondência direta entre a conta 3409700103 (conta do resultado,) e as iniciadas com 2203 ou 2101 (contas do passivo que Fl. 5374DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16682.721161/201118 Resolução nº 1402000.183 S1C4T2 Fl. 5.374 10 denotam a utilização da provisão e que recebem os lançamentos referentes à utilização dos serviços pelos beneficiários dos planos AMS e benefício farmácia), justamente porque os registros contábeis lançados nestas contas não transitam pelo resultado. Assevera que a controvérsia é fruto de uma má compreensão dos fatos contábeis relacionados a essas rubricas. Vejamos as alegações: “(...) demonstrando melhor o que aqui de defende, dividimos a contabilização dessas despesas em três momentos. No primeiro momento há a contabilização da obrigação atuária (provisão) no passivo, contra uma despesa (débito) no resultado. Portanto, a contrapartida da provisão (passivo) encontrase no resultado (conta 3409700103). O segundo momento trata do contínuo fornecimento de produtos e serviços pelos prestadores da rede AMS para os beneficiários dos planos AMS e benefício farmácia. Os gastos são escriturados a crédito nas contas de fornecedores no passivo (contas iniciadas por 2101) em contrapartida dos débitos escriturados em contas de utilização da provisão, também do passivo (contas 2203000001 e 2203000004 para o plano AMS e contas 2203000007 e 2203000008 para o plano benefício farmácia). Ou seja, os gastos anuais com o fornecimento de produtos e serviços com os planos AMS e benefício farmácia dos aposentados (que soma R$ 398.766.800,87) são escriturados (partida e contrapartida) em contas contidas dentro do passivo, logo não afeta o resultado e o lucro real. Já no terceiro momento, há o encerramento das contas de utilização da provisão, lançandose um crédito para fechar tais contas e valendose do lançamento a débito da contrapartida na conta de provisão do passivo. Para explicar os três momentos de forma mais clara, espancando de vez qualquer dúvida, apresentamos o seguinte esquema: Fl. 5375DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16682.721161/201118 Resolução nº 1402000.183 S1C4T2 Fl. 5.375 11 Os gastos com o fornecimento de produtos e serviços pelos prestadores da rede AMS para os beneficiários dos planos AMS e benefício farmácia (R$ 398.766.800,87), bem como sua contrapartida na utilização da provisão estão contidos unicamente no passivo. A movimentação contábil desses valores, portanto, não afeta o resultado, porquanto a efetiva despesa com tais valores, de cunho atuarial, já havia sido escriturada enquanto contrapartida de provisão (R$ 1.111.069.872,00). Por todo o exposto, devese reconhecer que a despesa com o fornecimento de produtos e serviços com os planos AMS e benefício farmácia dos aposentados (R$ 398.766.800,87) já está contida no lucro real pela escrituração de provisão (R$ 1.111.069.872,00), enquanto obrigação atuária dos referidos planos. A despesa com provisão de AMS aposentados, que incluem a parcela do benefício farmácia, no montante de R$ 1.111.069.872,00 impactou sobre o resultado de 2007 e foi adicionada à base de cálculo dos tributos. A partir da melhor compreensão dos fatos, conforme acima exposto e da analise dos autos, formei convencimento de que cumpre converter o julgamento em diligência para verificar as alegações da contribuinte, haja vista que o valor total da provisão R$ 1.111.069.872,00 (contabilizada em despesa, portanto deduzida na apuração do lucro líquido), foi adicionada para apuração do lucro real, conforme cópia do Lalur abaixo reproduzida. Frise que foi alegada essa mesma adição para a CSLL, pelo que devem ser verificadas ambas as tributações, juntandose a DIPJ da empresa. Fl. 5376DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 16682.721161/201118 Resolução nº 1402000.183 S1C4T2 Fl. 5.376 12 Adição da realização da reserva de reavaliação de coligadas e controladas Quanto a este último item, cuja tributação se deu pela insuficiência de provas de que os valores foram tributados nas empresas de origem, a recorrente trouxe os seguintes documentos junto ao recurso voluntário: 1. Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) da CIA. PETROQUÍMICA DO SUL (COPESUL), anocalendário 2007, comprovando duas adições ao lucro real nos valores de R$ 26.561.619,22 e 2.309.815,78, totalizando R$ 28.871.435,00 (doc. 04 do recurso voluntário). 2. Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) da QUATTOR QUÍMICOS BÁSICOS S.A.,18 comprovando a adição de R$ 16.062.092,25 ao lucro real (doc. 05 do recurso voluntário). 3. Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) da PETROCOQUE S.A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO, onde às páginas 24 e 27 é possível constatar a adição de R$ 3.550.694,71 ao lucro real (doc. 06 do recurso voluntário). Cumpre também a Fiscalização verificar na diligência ora solicitada se cabe razão à recorrente ao afirmar que tais documentos fazem prova de que as controladas/subsidiárias já tributaram a reserva de reavaliação, pelo que o lançamento de oficio também seria indevido nessa parte. Em síntese: uma vez que as alegações revelamse pertinentes, cumpre a este colegiado converter o julgamento em diligência para que a fiscalização da DRF de origem efetue as verificações necessárias e, ao final, lavre termo consubstanciado manifestandose sobre as alegações e documentação apresentada pela recorrente. Após, cientificar a contribuinte para, caso deseje, manifestarse no prazo de 30 dias. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 5377DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 13971.002725/2007-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2301-000.217
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em analisar e decidir o recurso
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em analisar e decidir o recurso Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes Fl. 357DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13971002725200781 Resolução n.º 2301000.217 S2C3T1 Fl. 316 2 RELATÓRIO Tratase de Auto de Infração, lavrado em 03/10/2007, por ter a empresa acima identificada apresentado GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo, dessa forma, o inciso IV, § 5º, do art. 32, da Lei 8.212/91, c/c o art. 225, IV e § 4o, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls. 18), a empresa deixou declarar, nas GFIPs, o seguinte: a)os valores pagos mensalmente a titulo de prólabore aos conselheiros integrantes do Conselho de Administração e Conselho Fiscal da Cooperativa; b) as remunerações pagas aos seus empregados, a título de alimentação in natura sem inscrição no PAT e previdência complementar, consideradas como parcelas integrantes do salário de contribuição pela fiscalização; c) os valores pagos mensalmente a titulo de remuneração aos segurados "Contribuintes Individuais"; d) os valores pagos à Cooperativa de Trabalho Médico UNIMED BLUMENAU e e) os valores da aquisição da produção rural de pessoa física, extraído do livro de Registro de Entradas. A autoridade autuante informa que a notificada confessou, em LDC, as contribuições descritas nas alíneas “a” e “c”, e recolheu, antes do início da ação fiscal, as contribuições relativas à aquisição da produção rural e parcialmente as referentes à Cooperativa de Trabalho Médico, sendo que as demais contribuições e as competências 03/2000, 06/2000 a 08/2001 relativo à alínea “d” foram lançadas por meio da NFLD Debcad N° 37.060.2439. A recorrente apresentou defesa e, de sua análise, o processo foi convertido em diligência, nos termos do Despacho de fls. 236, resultando na Informação Fiscal de Fls 257, por meio da qual a autoridade autuante reconheceu que houve equívoco no cálculo da multa e elaborou nova planilha, retificando a penalidade aplicada. Cientificada do resultado da diligência, a recorrente se manifestou às fls. 261 e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0712.895, da 7a Turma da DRJ/FNS (fls. 266), julgou o lançamento procedente em parte, acatando o parecer retificador da fiscalização e indeferindo o pedido de relevação parcial da multa, ao argumento de que as GFIP entregues pelo sujeito passivo contemplam apenas parcialmente os fatos geradores das contribuições previdenciárias e que, a partir da IN n° 23, a relevação ou a atenuação deve ser aplicada sobre o valor da multa correspondente a cada ocorrência para a qual houve correção da falta, e, tratandose de GFIP, cada competência em que seja constatado o descumprimento da obrigação é considerada como uma ocorrência. Inconformada com a decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 123), alegando, em apertada síntese, o que se segue. Preliminarmente, alega nulidade do Acórdão recorrido, porque indeferiu o requerimento formulado pela empresa de que fosse determinada a reunião deste processo àquele relativo à NFLD n° 37.060.2439 para julgamento conjunto. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13971002725200781 Resolução n.º 2301000.217 S2C3T1 Fl. 317 3 Argumenta que diversas alegações da Recorrente, como é possível verificar pela simples leitura da sua Defesa, foram comprovados nos documentos anexados à Defesa apresentada contra a NFL 37.060.2439, e entende que a reunião dos processos também teria a virtude de evitar que decisões contraditórias fossem proferidas. Registra que, caso os processos não estejam apensados, não há como garantir que eles serão julgados pelos mesmos Órgãos no Conselho de Contribuintes, e tenham decisões uniformes sobre os assuntos. Ainda em preliminar, alega cerceamento do seu direito de defesa pelo fato de o acórdão recorrido ter deixado de analisar os argumentos de ilegalidade e inconstitucionalidade de diversas questões envolvidas no Auto de Infração, tais como decadência, multa, bem como de outras questões envolvidas na NFLD n° 37.060.2439, diretamente relacionada ao presente Al, tais como a impossibilidade de exigência de contribuições previdenciárias sobre serviços prestados por cooperados por intermédio de Cooperativas de Trabalho (UNIMED) e sobre verbas não remuneratórias. Defende que o Fisco tem a obrigação de analisar a constitucionalidade dos dispositivos legais que aplica, pois só assim terá a certeza de não estar julgando contra a Constituição Federal, e estará respeitando os princípios do contraditório e da ampla defesa. Quanto à negativa de relevação da multa, entende que a decisão de primeira instância contraria o art. 291, §1o, do Decreto n° 3.048/99, que não prevê a necessidade de correção de todas as faltas apontadas pela fiscalização para a sua relevação, não podendo, dessa forma, a Receita Federal, ou o v. Acórdão, impor restrições a esse direito da contribuinte. Traz a Súmula vinculante nº 08, do STF, para requerer a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN e tenta demonstrar a insubsistência da NFLD N° 37.060.2439 e, por conseqüência, a desnecessidade de informar as contribuições nela lançadas em GFIP's. Insurge contra o cálculo da multa, entendendo que fora aplicada, na sua apuração, a legislação de forma retroativa, e assevera que seu valor é abusivo e seguramente confiscatório. Em manifestação posterior, a autuada vem aos autos requerendo que seja observado o disposto o art. 106, inciso II, "c", do CTN, e aplicada a Medida Provisória n° 449/2008, que revogou o art. 32, IV, § 5o, da Lei n°8.212/91. É o relatório. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13971002725200781 Resolução n.º 2301000.217 S2C3T1 Fl. 318 4 VOTO Bernadete de Oliveira Barros, Relatora O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado que a autuada requer, entre outras coisas, que o presente recurso seja apreciado em conjunto com o recurso apresentado em face do acórdão que considerou procedente a NFLD n° 37.060.2439, por tratarem da mesma matéria. De fato, verificase que o Auto em tela foi lavrado pelo fato de a recorrente não ter declarado, em GFIP, fatos geradores que foram objeto do lançamento acima citado. Ou seja, a natureza das verbas e contribuições que não foram informadas em GFIP estão sendo discutidas nos autos da NFLD acima apontada. Entendo que assiste razão à recorrente quando alega que a presente autuação está totalmente relacionada com a notificação de débito, pois existe uma nítida conexão entre a NFLD e o Auto de Infração, uma vez que, estabelecida a obrigação tributária principal, por força do levantamento dos fatos geradores e lançamento das respectivas contribuições previdenciárias, deparouse a fiscalização com a obrigação descumprida, caracterizada por deixar de informar, em GFIP, o total das remunerações pagas ou creditadas aos empregados da recorrente. O próprio julgador de primeira instância reconhece essa conexão, ao fazer constar, no voto que culminou no Acórdão recorrido, que “Cabe informar que referidos feitos fiscais foram distribuído para esta Turma de Julgamento, a fim de se evitar julgamentos contraditórios..”. Contudo, também afirma a desnecessidade de apensamento dos autos. No entanto, diferentemente do que ocorre na DRJ, aqui no CARF os processos com matéria correlatas não são distribuídos para o mesmo Relator e nem mesmo para a mesma Câmara de Julgamento. Assim, como apenas o AI 68 foi distribuído a esta Relatora, não é possível saber, pelo que consta dos autos, se já houve o julgamento definitivo da NFLD que lançou as contribuições previdenciárias cuja omissão em GFIP ensejou a lavratura do presente AI. Referida omissão impossibilita que esta autoridade julgadora tenha conhecimento pleno de todos os fatos, dificultando a formação de convicção quanto à regularidade do feito. Dessa forma, em razão da conexão existente entre os dois documentos de constituição do crédito tributário (AI e NFLD), e considerando que o julgamento do auto em questão depende da procedência da Notificação que lançou as contribuições omissas em GFIP, Fl. 360DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13971002725200781 Resolução n.º 2301000.217 S2C3T1 Fl. 319 5 entendo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência para que o órgão de origem informe, caso a NFLD já tenha sido julgada, o resultado do julgamento, esclarecendo se foram mantidas as contribuições lançadas e, no caso de provimento parcial, quais os levantamentos foram excluídos. Tais esclarecimentos são necessários para revestir a decisão de plena convicção e imprescindíveis para o julgamento do recurso, pois permite ao julgador aferir efetivamente se existe obrigação inadimplida . Porém, no caso de não ter sido julgado definitivamente o lançamento correlato, entendo que o presente processo deva ficar sobrestado até o trânsito em julgado administrativo da NFLD que lançou as contribuições relativas aos fatos geradores omitidos em GFIP. E, para que não fique configurado o cerceamento do direito de defesa, que seja dada ciência ao sujeito passivo do teor dos esclarecimentos a serem apresentados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e aberto novo prazo para sua manifestação. Nesse sentido, CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta; Voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA É como voto. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /05/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10935.720338/2011-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e
termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões
proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
RECEITA BRUTA. LIVRO REGISTRO APURAÇÃO ICMS. Os dados
registrado pelo contribuinte para apuração do ICMS são válidos para identificação da receita bruta.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE. A penalidade instituída pelo
art. 44, I, da Lei nº 9.430, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, configurado na falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, o seu pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, ou ainda a falta de declaração ou a apresentação de declaração inexata. In casu, dado que não houve pagamento ou recolhimento de tributo devido, por parte da contribuinte, a exigência da
multa de ofício encontra-se em perfeita consonância com a legislação em vigor.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC — A partir de 1°de abril de 1995, os
juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para títulos federais.
Preliminares Rejeitas. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.953
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. RECEITA BRUTA. LIVRO REGISTRO APURAÇÃO ICMS. Os dados registrado pelo contribuinte para apuração do ICMS são válidos para identificação da receita bruta. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE. A penalidade instituída pelo art. 44, I, da Lei nº 9.430, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, configurado na falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, o seu pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, ou ainda a falta de declaração ou a apresentação de declaração inexata. In casu, dado que não houve pagamento ou recolhimento de tributo devido, por parte da contribuinte, a exigência da multa de ofício encontra-se em perfeita consonância com a legislação em vigor. JUROS DE MORA. TAXA SELIC — A partir de 1°de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para títulos federais. Preliminares Rejeitas. Recurso Voluntário Negado.
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NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. RECEITA BRUTA. LIVRO REGISTRO APURAÇÃO ICMS. Os dados registrado pelo contribuinte para apuração do ICMS são válidos para identificação da receita bruta. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE. A penalidade instituída pelo art. 44, I, da Lei nº 9.430, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, configurado na falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, o seu pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, ou ainda a falta de declaração ou a apresentação de declaração inexata. In casu, dado que não houve pagamento ou recolhimento de tributo devido, por parte da contribuinte, a exigência da multa de ofício encontrase em perfeita consonância com a legislação em vigor. JUROS DE MORA. TAXA SELIC — A partir de 1°de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para títulos federais. Preliminares Rejeitas. Recurso Voluntário Negado. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10935.720338/201155 Acórdão n.º 140200.953 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório GAZZIERO TRANSPORTES LTDA recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o processo de autos de infração exigindo impostos e contribuições, devido a fiscalização motivada por diferenças identificadas entre as receitas declaradas à Fazenda Estadual e as da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e do Dacon Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais; o período total analisado foi 2007 a 2009, sendo que o contribuinte apurou os tributos no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples, no período de janeiro a junho de 2007 (embora não tenha apresentado a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – PJSI), objeto do presente processo, e pelo lucro presumido nos demais períodos analisados, objetos do processo nº 10935.720337/201119: a) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ –Simples, fls. 109/113, no valor de R$ 1.505,01, devido a: a. a omissão de receitas da atividade, devidas às diferenças na base de cálculo entre os valores recolhidos e os valores escriturados no livro Registro de Apuração do ICMS nos períodos de 03 a 06/2007; a autuação tem por base legal: arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, a, 5º, 7º, § 1º da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996; art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998; arts. 186 e 188 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999); b. insuficiência de recolhimento nos períodos de nos períodos de 03 a 06/2007, resultante da alteração nas alíquotas de recolhimento do Simples, em razão das Fl. 190DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10935.720338/201155 Acórdão n.º 140200.953 S1C4T2 Fl. 0 3 omissões que aumentaram o valor das receitas; base legal nos arts. 5º, da Lei nº 9.317, de 1996; art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998; e arts. 186 e 188 do RIR de 1999; b) contribuição ao Programa de Integração Social – PIS – Simples, fls. 114/118, no valor de R$ 1.084,15: a. relativa à mesma infração, nos períodos de 03 a 06/2007, com base no art. 3º, b da Lei Complementar nº 7, de 07 de setembro de 1970, c/c o art. 1º, parágrafo único, da Lei Complementar nº 17, de 12 de dezembro de 1973; arts. 2º, I, 3º, 9º da Medida Provisória nº 1.249, de 14 de dezembro de 1995, e suas reedições; arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, “b”, 5º, 7º, § 1º da Lei nº 9.317, de 1996; art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998; b. insuficiência de recolhimento nos períodos de nos períodos de 09 a 11/2003 e 07 e 08/20, com base legal no art. 3º, “b” da LC nº 7, de 1970 c/c art. 1º, parágrafo único, da LC nº 17, de 1973, arts. 2º, I, 3º e 9º da MP nº 1.249, de 1995, e suas reedições, art. 5º da Lei nº 9.317, de 1996; art; 3º da Lei nº 9.732, de 1998; c) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Simples, fls. 119/123, no valor de R$ 2.285,49: a. relativa à mesma infração, nos períodos de 01 a 06/2007, com base no art. 1º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988; arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, “c”, 5º, 7º, § 1º da Lei nº 9.317, de 1996; art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998; b. insuficiência de recolhimento nos períodos de 01 a 06/2007, com base legal no art. 1º da Lei nº 7.689, de 1988; art. 5º da Lei nº 9.317, de 1996; art. 3º da Lei nº 9.732 , de 1998; d) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – CofinsSimples, fls. 124/128, no valor de R$ 6.807,07: a. relativa à mesma infração, nos períodos de 01 a 06/2007, com base nos arts. 1º e 2º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, arts. 2º, § 2º, 3º, 1º, “d”, 5º, 7º, § 1º da Lei nº 9.317, de 1996; art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998; b. insuficiência de recolhimento, fatos geradores de 01 a 06/2007, com base legal no art. 1º da LC nº 70, de 1991, art. 5º da Lei nº 9.317, de 1996; art. 3º da Lei nº 9.732 , de 1998; e) Contribuição para a Seguridade Social – INSSSimples, fls. 129/133, no valor de R$ 28.222,24: a. relativa à mesma infração, nos períodos de 01 a 06/2007, com base nos arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, “f”, 5º, 7º, § 1º da Lei nº 9.317, de 1996; art. 3º da Lei nº 9.732 , de 1998; b. insuficiência de recolhimento, nos períodos de 01 a 06/2007, com base legal no art. 5º da Lei nº 9.317, de 1996; art. 3º da Lei nº 9.732 , de 1998. 2. Exigese multa de ofício de 75% sobre os impostos e contribuições devidos, do art. 44, I da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Medida Provisória nº 351, de 2007, e pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, c/c o art. 19 da Lei nº 9.317, de 1996, e juros de mora segundo o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996. 3. Às fls. 102/203, encontramse demonstrados pela fiscalização os percentuais aplicáveis sobre a receita bruta apurada do art. 23, II, da Lei nº 9.317, de 1996, com Fl. 191DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10935.720338/201155 Acórdão n.º 140200.953 S1C4T2 Fl. 0 4 a redação do art. 1° da Medida Provisória n° 275, de 2005, convertida na Lei 11.307 de 19 de maio de 2006, c/c o art. 2º da Lei nº 10.034, de 24 de outubro de 2000; às fls. 104/106, o demonstrativo de apuração dos valores não recolhidos e às fls. 107/108, apuração do imposto/contribuição sobre diferenças apuradas. 4. Às fls. 99/101, no Termo de Verificação Fiscal TVF, estão descritos os procedimentos de fiscalização e a autuação. 5. Cientificada dos autos e do TVF, em 16/05/2011, fl. 137, a interessada apresentou a impugnação tempestiva em 13/06/2011, fls. 139/149, por meio de sua representante legal, fls. 150/151. 6. Em preliminar, pleiteia a nulidade dos autos, devido à ausência de elementos informadores no auto de infração, porque os autos embora lançados com base no MPF 0910300.2011.000331, não receberam numeração própria e portanto não foram individualizados e fazem parte do mesmo corpo; não atendem ao disposto nos arts. 2º, 10 e 11 do Decreto 70.235, de 1972, dificultam a apresentação da defesa, pois foi necessário conjugar três teses em uma apenas para combater as autuações, sendo que os autos dizem respeito ao IR, PIS/Pasep e Contribuições, figuras distintas, que deveriam ser tratadas autonomamente. 7. Assim, se impõe a extinção dos presentes pelo vicio de forma e não atendimento ao que determina a legislação e, em decorrência, violação do princípio da estrita legalidade. 8. No mérito, afirma que a base de cálculo obtida mediante o arbitramento dos valores com base nos que foram declarados em RAICMS, não pode ser considerada válida para a apuração dos valores devidos; que a utilização do valor do faturamento informado nas RAICMS é também indevida para a obtenção dos supostos débitos; que a fundamentação utilizada para justificar a utilização do ICMS como base para a apuração do valor devido nos impostos é indevida, pois o artigo 530, do RIR, não diz que poderão ser utilizados quaisquer critérios para o arbitramento dos valores devidos, não se prestando o ICMS para tanto; que, se não se pode demonstrar que houve algum faturamento, não há que se falar em incidência de imposto, bem como as contribuições que se exigem, sobre o que não existe; aduz que o fiscal tem elementos para apurar o real valor devido, levandose em conta a remuneração dos empregados da recorrente, em detrimento do valor da nota. 9. Também reclama de excesso de apenamento devido à aplicação de multa de ofício de 75% sobre as exigências; afirma que tal multa é excessiva, abusiva e que configura em verdadeiro confisco, transferência de patrimônio, vedado pela Constituição Federal e pela própria sistemática do direito tributário, na medida que se vale dos princípios para equiparar a saciedade do Fisco aos direitos dos contribuintes; pleiteia que o percentual da multa seja reduzido a 20% e transcreve jurisprudência nesse sentido. 10. Reclama de cumulação da multa com juros de mora, o que é inadmissível, na medida em que pune duplamente o mesmo fato, ocasionando, um tipo de “bis in idem”, porque a razão é uma só, o não pagamento do tributo. 11. Pugna pela da inaplicabilidade da taxa Selic, como juros de mora, afirmando que está em total descompasso com a legislação nacional e com o próprio Código Tributário Nacional CTN que prevê que a taxa de juros moratórios deve ser de, no máximo, doze por cento (12%) ao ano; sendo que o entendimento da doutrina e da jurisprudência a esse respeito é pacífico. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10935.720338/201155 Acórdão n.º 140200.953 S1C4T2 Fl. 0 5 12. Descreve que Sistema Especial de Liquidação e Custódia é um sistema eletrônico de teleprocessamento, cujo objetivo é o registro das operações com títulos emitidos pelo Tesouro Nacional, pelo Banco Central do Brasil, Estados e Municípios; que o Governo Federal, por meio dos seus órgão, utiliza esta taxa como instrumento de política monetária e a taxa inclui sempre custos que não a mera remuneração de capital, como, por exemplo, riscos, corretagem e outros serviços, sem falar a própria correção monetária e ainda contempla execrável anatocismo, na medida em que referida taxa acumula os índices mensalmente apurados, incidindo em usura; afirma que a fixação da taxa de juros, deverá ser a do art. 161,§ 1º, do CTN, que tem caráter de lei complementar, de modo que qualquer lei ordinária (incluindo a Lei n° 9.430, de 1996, que fundamentou a incidência no presente litígio) somente poderia fixar juros iguais ou inferiores a 1% (um por cento) e jamais acima deste percentual; que, nessa medida, a taxa Selic, para fins tributários, somente poderia exceder este limite desde que também prevista em lei complementar, visto que não há como conceder que uma lei complementar venha estabelecer a taxa de juros máxima e mera lei ordinária apresentar um percentual maior; afirma que Superior Tribunal de Justiça STJ já julgou ilegal e inconstitucional a utilização da Selic para fins tributários. Conclui que a utilização da Selic com índice de apuração dos juros legais não é juridicamente segura, porque impede o prévio conhecimento dos juros; não é operacional, porque seu uso será inviável sempre que se calcularem somente juros ou somente correção monetária; assim como é incompatível com a regra do art. 591 do novo Código Civil, que permite apenas a capitalização anual dos juros, razão pela qual deve ser afastada na presente autuação; e pleiteia a substituição da correção pela Selic, por outro índice que represente melhor a desvalorização da moeda, e ainda, descapitalizado nos termos da fundamentação. A decisão recorrida está assim ementada: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. RECEITA BRUTA. LIVRO REGISTRO APURAÇÃO ICMS. Os dados registrado pelo contribuinte para apuração do ICMS são válidos para identificação da receita bruta. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE. Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. JUROS DE MORA. SELIC. PREVISÃO LEGAL. Exigemse juros de mora sobre os impostos e contribuições exigidos de ofício, apurados segundo a variação da taxa referencial do Sistema de Liquidação e Custódia para títulos federais Selic, por expressa previsão legal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ANATOCISMO. NÃO OCORRÊNCIA. Os juros de mora Selic, exigidos sobre o imposto e contribuições lançados de ofício, não são capitalizados mensalmente, mas resultado da simples soma das taxas mensais, não configurando o anatocismo. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. BIS IN IDEM. NÃO OCORRÊNCIA. Descabe a acusação de bis in idem na incidência de juros de mora e multa de ofício, eis que possuem natureza jurídica diversa, tendo esta natureza punitiva, e aquele, natureza indenizatória. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10935.720338/201155 Acórdão n.º 140200.953 S1C4T2 Fl. 0 6 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PISSimples, CSLLSimples, CofinsSimples e INSS Simples. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Impugnação Improcedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento, nos seguintes termos (verbis): É o relatório. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10935.720338/201155 Acórdão n.º 140200.953 S1C4T2 Fl. 0 7 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado a contribuinte apresentou recurso voluntário repisando, ipisis literis, as alegações da peça impugntória sem fazer qualquer referência ou contraponto à decisão recorrida. Vejamos os fundamentos da decisão de 1a. instância: 1 Preliminar de nulidade. 13. Pleiteia nulidade porque os autos relativos a cada imposto e contribuição não receberam numeração própria e afirma que não atendem aos arts. 2º, 10 e 11 do Decreto 70.235, de 1972, dificultam a apresentação da defesa e violam o princípio da legalidade. 14. No tocante à argüição da contribuinte de ser nulo o auto de infração, sob os argumentos supra, cabe ressaltar que tais fatos não se inserem nas previsões da legislação de se considerar nulo tal ato. 15. Estatuem os arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (Grifouse) 16. Como se vê, de acordo com o art. 59, I, supra, só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração que se insere na categoria de ato ou termo , quando esse auto for lavrado por pessoa incompetente (art. 59, I). A nulidade por preterição do direito de defesa, como se infere do art. 59, II, transcrito, somente pode ser declarada quando o cerceamento está relacionado aos despachos e às decisões, ou seja, somente pode ocorrer em uma fase posterior à lavratura do auto de infração. 17. Quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito Fl. 195DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10935.720338/201155 Acórdão n.º 140200.953 S1C4T2 Fl. 0 8 passivo, salvo se este lhes houver dado causa, a teor do art. 60 do Decreto nº 70.235, de 1972; e caso não influam na solução do litígio, também prescindirão de saneamento. 18. Dessa feita, não deve ser acolhida a preliminar de nulidade, em razão de não haver ofensa aos dispositivos legais mencionados. 1.1 NÃO NUMERAÇÃO INDIVIDUAL DOS AUTOS DE INFRAÇÃO.CERCEAMENTO DE DEFESA. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 19. Os invocados artigos do Decreto nº 70.235, de 1972, a seguir transcritos, não foram violados por ocasião da lavratura e ciência dos autos de infração em discussão, sendo que o art. 11 referente a notificação de lançamento, não é pertinente ao presente caso, em que foram lavrados autos de infração. Art. 2º Os atos e termos processuais, quando a lei não prescrever forma determinada, conterão somente o indispensável à sua finalidade, sem espaço em branco, e sem entrelinhas, rasuras ou emendas não ressalvadas. Parágrafo único. Os atos e termos processuais a que se refere o caput deste artigo poderão ser encaminhados de forma eletrônica ou apresentados em meio magnético ou equivalente, conforme disciplinado em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. 20. Basta a leitura dos dispositivos supra e a verificação dos autos, para concluir que a reclamação de falta de numeração individualizada é improcedente, não havendo qualquer previsão legal a respeito; de mais a mais, todos derivam da mesma infração, que foi a omissão de receitas e conseqüente falta de recolhimento do Simples devido sobre as omissões e daquele devido pelo fato de terem sido usados pelo contribuinte, percentuais inferiores aos que realmente eram pertinentes, em função da receita acumulada até cada mês, omitida. 21. Ou seja, mesmo em se tratando de créditos tributários relativos ao Simples, que se pauta pelo recolhimento do IRPJ, PIS, CSLL, Cofins e INSS, consolidados num único valor apurado mediante a simples aplicação de um Fl. 196DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10935.720338/201155 Acórdão n.º 140200.953 S1C4T2 Fl. 0 9 percentual sobre a receita bruta, mediante um único Darf – Simples, foram lavrados autos de infração separados para cada imposto e contribuição, identificando a respectiva base legal e os períodos e valores autuados. 22. Não houve qualquer cerceamento de defesa, a infração está claramente consignada e descrita tanto nos autos como no TVF. 23. Quanto ao princípio da legalidade, art. 5º, II da Constituição Federal, de 05 de outubro de 1988 CF de 1988, determina que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei, temse que, verificada a omissão de receitas pelo contribuinte, compete privativamente à autoridade administrativa, conforme determinação específica do art. 142 e seu parágrafo único do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, constituir o crédito tributário pelo lançamento, que consiste em verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e propor a penalidade cabível, tratandose essa de atividade vinculada (à lei) e obrigatória. 24. Dado que o procedimento administrativo está determinado em lei, assim como a legislação que embasou as exigências, não há o que se falar em ofensa ao princípio da legalidade. 2 Mérito. 2.1 OMISSÃO DE RECEITA APURADA A PARTIR DOS VALORES RAICMS. ARBITRAMENTO. 25. Reclama que os valores das bases de cálculo do imposto e contribuições teriam sido arbitrados e cita que o art. 530 do RIR de 1999, constaria dos autos como base legal. 26. Enganase, porém; não houve arbitramento, apenas identificação da Receita Bruta omitida, o que permitiu aplicar os percentuais corretos do Simples e a apuração dos valores efetivamente devidos pelo litigante; tampouco consta o citado art. 530 da qualquer parte dos autos ou do TVF. 27. A Receita Bruta da empresa foi apurada a partir do livro Registro de Apuração do ICMS, fls. 19/53, onde constam os mesmos valores registrados no livro Registro de Saídas, fls. 54/89 e sintetizados à fl. 100, no TVF; como o contribuinte não havia apresentado a PJSI do 1º semestre de 2007, mas havia efetuado recolhimentos na sistemática do Simples, foram apuradas as bases de cálculo (Receita Bruta), a partir desses valores recolhidos e dos Darf, constatandose as diferenças demonstradas e que foram objeto da autuação. 28. O reclamante afirma que não pode ser considerada válida para a apuração dos valores devidos a utilização do valor do faturamento informado nas RAICMS, mas não acrescenta qualquer argumento que apoie sua tese. 29. Afirma não haver prova da receita autuada. Mas os livros fiscais são a prova! Fl. 197DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10935.720338/201155 Acórdão n.º 140200.953 S1C4T2 Fl. 0 10 30. Ora a Receita Bruta da empresa serve para a apuração também dos tributos estaduais e é pacífica a colaboração dos entes tributantes, entre si, trocando informações, sendo que no caso, sequer essa providência foi necessária, dado que os livros foram apresentados pelo contribuinte. 31. Citese porque é pertinente, do então Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda – CCMF, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF Data da Sessão 04/02/2009 Nº Acórdão 10517402 Tributo / Matéria IRPJ AF lucro arbitrado Decisão : Por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a multa de 112,5% para 75%. Ementa: ARBITRAMENTO AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO FISCAL AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DA ESCRITA FISCAL ARBITRAMENTO Quando a empresa deixa de registrar sua contabilidade ou faz sem qualquer respaldo fático, sujeitase ao regime do lançamento por arbitramento. ARBITRAMENTO CRITÉRIO DADOS DECORRENTES DA ESCRITURAÇÃO PERANTE A RECEITA ESTADUAL VALIDADE Os dados registrado pelo Contribuinte para apuração do ICMS são válidos para identificação da receita bruta a ser tomada como base para o arbitramento, mormente quando, por estar em procedimento préfalimentar, a empresa deixa de se utilizar e transações financeiras regulares como forma de fugir de seus credores. ISENÇÃO DO LUCRO DECORRENTE DA PRODUÇÃO DE MALHA AUSÊNCIA DE ESCRITA CONTÁBIL REGULAR IMPOSSIBILIDADE DE SEGREGAÇÃO Ainda que existente isenção regional específica sobre o resultado da produção de determinado produto, a ausência de escrita contábil impede a identificação de qual receita seria alcançada pelo benefício, daquele que sofre tributação regular. Daí a exigência da regular escrita fiscal para a fruição do benefício. MULTA AGRAVADA PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO A multa agravada tem lugar quando o contribuinte se porta de maneira a turbar o procedimento de fiscalização. O simples fato de o Contribuinte não apresentar seus livros fiscais por não possuílos não é suficiente para a aplicação da penalidade, sendo necessária a identificação do dolo específico de turbar o procedimento fiscal. Recurso Voluntário provido em parte. (Grifouse.) Data da Sessão 29/01/2009 Nº Acórdão 19800098 Decisão: Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1999 IRPJ VALORES DECLARADOS VALORES APURADOS REGISTRO ICMS Mantémse a exigência decorrente da diferença verificada entre os valores do IRPJ declarados ao Fisco Federal e os escriturados no Livro Fl. 198DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10935.720338/201155 Acórdão n.º 140200.953 S1C4T2 Fl. 0 11 Registro de Apuração do ICMS, quando os elementos de fato ou de direito apresentados pelo contribuinte não forem suficientes para infirmar os valores lançados pela Fiscalização. MULTA DE OFÍCIO LEGALIDADE Presentes os pressupostos de exigência, cobramse juros de mora e multa de ofício pelos percentuais legalmente determinados. TAXA SELIC Conforme prevê a legislação, é cabível a utilização da taxa SELIC para a apuração dos juros de mora devidos. Recurso Voluntário Negado. (Grifouse.) 2.2 MULTA DE OFÍCIO. 75%. CONFISCO. 32. Afirma que a multa de ofício de 75% aplicada configura confisco e requer a redução ao percentual de 20%. 33. Contudo, a base legal foi o art. 44, I da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Medida Provisória nº 351, de 2007, e pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, c/c o art. 19 da Lei nº 9.317, de 1996, que, expressa e objetivamente, prevê: Multas de Lançamento de Ofício Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) 34. A multa de ofício calculada sobre o valor do imposto cuja falta de recolhimento se apurou, está em consonância com a legislação de regência, sendo o percentual de 75% o legalmente previsto para o lançamento de ofício, não se podendo, em âmbito administrativo, reduzilo ou alterálo por critérios meramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade. 35. Considerações sobre a graduação da penalidade, no caso um pedido de redução a 20%, não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei, não dando margem a conjecturas atinentes à ocorrência de efeito confiscatório ou de ofensa ao princípio da proporcionalidade. Nesse sentido, qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, em franca ofensa à vinculação a que se encontra submetida a instância administrativa (art. 142, parágrafo único, do CTN), como a contraposição a princípios constitucionais, somente podem ser reconhecidos pela via competente, o Poder Judiciário. 36. Desse modo, devese considerar correta a aplicação da multa de lançamento de ofício ao percentual de 75%, definido em lei, sobre o valor de impostos não recolhidos. 2.3 JUROS DE MORA SELIC. 37. Pugna pela inconstitucionalidade da taxa Selic como juros de mora; transcreve julgado do Superior Tribunal de Justiça – STJ. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10935.720338/201155 Acórdão n.º 140200.953 S1C4T2 Fl. 0 12 38. O contribuinte protesta contra os juros de mora, no entanto, a exigência destes está determinada pelo Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. 39. Conforme indicado no auto de infração, a exigência de juros de mora, que foram apurados pela Selic, encontra respaldo no art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996, que dispõe: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (…) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” (Grifouse) 40. Destaquese que a validade da aplicação da taxa Selic é entendimento pacífico na jurisprudência do Conselho de Contribuintes, que, recentemente, proferiu o Enunciado n° 4, autorizado pela Portaria n° 4, de 19 de maio de 2006, que estabelece procedimentos para a votação e a aprovação de enunciados de súmulas pelo Conselho Pleno do Primeiro Conselho de Contribuintes e dá outras providências, com o seguinte teor: IV Enunciado nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais; RESULTADO: APROVADO POR UNANIMIDADE 57 A 2 2.4 JUROS, MULTA CUMULAÇÃO. BIS IN IDEM. 41. Reclama de cumulação da multa com juros de mora, pois configura “bis in idem”. 42. Mais uma vez, reclama o litigante de aplicação de penalidade que o foi aplicada em consonância com legislação regularmente editada e à qual a Administração Tributária deve obedecer, por dever funcional. 43. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, já foi reproduzido neste voto, bem como art. 61 da mesma lei, que determina a aplicação dos juros, sem falar que estes têm sua previsão no art. 161, do CTN. 44. Destaquese que os juros como a multa, que têm como base de cálculo o imposto/contribuição exigidos se tratam de institutos diversos. A multa de Fl. 200DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10935.720338/201155 Acórdão n.º 140200.953 S1C4T2 Fl. 0 13 ofício tem natureza punitiva, visando punir administrativamente o contribuinte pela infração cometida; os juros moratórios possuem natureza indenizatória, isto é, visam a indenizar o credor pelo retardamento da obrigação pelo devedor, ou seja, eles têm por finalidade remunerar o credor pelo período que em que não pôde dispor do pagamento que deixou de ser feito pelo inadimplente; e ambos estão previstos na legislação constante da autuação e comentada neste voto. 45. Para a aplicação dos juros de mora, sem prejuízo das penalidade cabíveis, devese observar que há obediência ao Princípio da Estrita Legalidade disposto no art. 150, inciso I da Constituição Federal de 1988, tendo suporte no art. 161, § 1º do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. 46. Portanto, correto o auto de infração quanto aos enquadramentos devidamente motivados, os quais estabelecem os acréscimos moratórios, bem como a multa aplicada. 2.5 TAXA SELIC. ANATOCISMO. 47. Com respeito ao anatocismo, ao contrário do que pensa a requerente, a taxa Selic não foi aplicada de forma capitalizada, isto é, incidindo juros sobre juros. 48. Para deixar claro, transcrevemse os dados da Selic mensais do período de 06/2007 a 06/2011, e se demonstra os valores dos juros Selic, obtidos pela simples soma das taxas mensais, correspondentes aos juros de mora calculados para os débitos de IRPJ – Simples da pág. 109, dos fatos geradores 30/04/20047, vencimento em 11/05/2007; 31/05/2007, vencimento em 11/06/2007 e 30/06/2007, vencimento em 11/07/2007, tendo sido o auto de infração emitido em 05/05/2011: 49. (...) 50. Como se evidencia, os juros Selic aplicados no auto de infração obedecem ao disposto no art. 13 da Lei nº 9.065, de 1995, isto é, são acumulados (somados mensalmente), circunstância diversa do anatocismo, a cobrança de juros sobre juros, que não se verifica nos autos. 51. Inconstitucionalidade e ilegalidade. 52. Quanto às acusações de inconstitucionalidade e ilegalidade da legislação que embasou tanto a exclusão da empresa do Simples quanto a autuação, devese esclarecer que, sendo as Delegacias da Receita Federal de Julgamento do Brasil DRJ órgãos do Poder Executivo, não lhes compete Fl. 201DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10935.720338/201155 Acórdão n.º 140200.953 S1C4T2 Fl. 0 14 apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratar se de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. 53. No que se refere às citações de acórdãos administrativos, cumpre destacar que não se aplicam ao presente processo, a teor do art. 100, II, do CTN, por inexistir lei que lhes atribua eficácia normativa; cabe ressaltar, ainda, que no tocante a decisões judiciais, em que o interessado não figura em qualquer dos pólos da relação jurídica, as mesmas somente têm efeito entre as partes componentes dos respectivos processos judiciais. Conclusão Evidenciase nos autos que a contribuinte, reiteradamente, efetuou o recolhimento dos tributos devidos sobre valores abaixo do que realmente auferiu e registrou em seus assentamentos contábeis e, ainda, apresentou declaração do Simples corroborando sua premeditada intenção de sonegar. Nada foi apresentado durante a auditoria fiscal ou na fase litigiosa para corroborar as alegações de que haveria falha no procedimento fiscal. A omissão de receitas é patente, tendo sido verificada mediante prova direta. O Arbitramento dos lucros é a forma correta de apuração do IRPJ e CSLL devidos, diante da impossibilidade de tributação pelo Lucro Real, à luz do art. 539 do Regulamento do Imposto de Renda, haja vista que o contribuinte ultrapassou o limite para permanecer no Simples. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 202DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 11516.008131/2008-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2402-000.220
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.008131/200815 Resolução n.º 2402000.220 S2C4T2 Fl. 245 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal lavrada em 12/12/2008 em razão do descumprimento da obrigação acessória de lançar em títulos próprios da escrituração contábil os fatos geradores de contribuições previdenciárias: 5 — Verificando a contabilidade da empresa, constatamos que a mesma deixou de lançar no custo da Obra do Edifício Comercial Daros.Com as notas fiscais abaixo discriminadas, emitidas pela DL Empreiteira de Mão de Obra Ltda. As notas fiscais deveriam ter sido lançadas na conta 1.1.04.09.001 — Obras em Andamento, ferindo assim a empresa o Princípio de Competência e por conseqüência os Princípios da Continuidade, pois ambos estão atrelados entre si. ... 6 — Analisando a conta 3.1.01.01.007 Receita de Imóveis próprios constatamos que a empresa Daros Edificações e Obras Ltda possui imóvel na Alameda Adolfo Konder, centro, com Area de 1.590m2, alugado para a Secretaria Municipal de Saúde/Fundo Municipal de Saúde. Conforme contrato de locação de imóvel n° 2004/12500 imóvel foi alugado a partir de 1° de abril de 2004 e término em 30 de janeiro de 2005, podendo ser prorrogado ou alterado por Termo Aditivo de comum acordo entre as partes. 0 valor inicial do aluguel ficou acordado em R$ 27.500,00 ( vinte e sete mil e quinhentos reais), que deverá ser pago até dia 15 do mês subseqüente a emissão da Nota Fiscal/Recibo. ... 7 — Conforme termos contratuais o valor mensal do aluguel sad creditado para a empresa Daros Edificações Ltda através de depósito bancário, portanto na contabilidade da empresa, especificamente na conta Banco, os valores devem estar registrados, bem como deve estar registrada a Receita mensal correspondente. Analisando a conta Bancos verificamos que não houve o registro dos valores correspondentes em vários meses, e em muitos outros houve o registro em valores inferiores ao valor do aluguel mensal. Após impugnação, a decisão de primeira instância foi no sentido de julgar a autuação procedente. Segue transcrição da ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 23/12/2008 AIOA DEBCAD n.° 37.172.8371 (CFL 34) Deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, constitui infração a legislação previdenciária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 245DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.008131/200815 Resolução n.º 2402000.220 S2C4T2 Fl. 246 3 ... Contra a decisão, o recorrente reiterou suas alegações na impugnação; assim sintetizadas pela decisão recorrida: I — Da ilegalidade do arbitramento Alega a Impugnante que o arbitramento das contribuições para a seguridade social pressupõe a ausência de registro ou a existência de vícios substanciais na contabilidade, que inviabilizem a identificação do movimento real de remuneração dos segurados a serviço do contribuinte. Assim, tratase de medida excepcional, que só deve ser utilizada em hipótese de erro substancial na contabilidade. Que no presente caso, os supostos vícios contábeis apontados, além de não afetarem ou prejudicarem a aferição do movimento real de remuneração dos segurados a serviço da Impugnante, estão longe de serem considerados substanciais. São irregularidades sanáveis e sem nenhuma relação com o fato gerador ou com a base de cálculo das contribuições sociais incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, trabalhadores autônomos ou trabalhadores avulsos; Que no que tange ao item 5 do relatório, no qual a Autoridade Fiscal questiona as notas fiscais emitidas pela IDL, na construção do Edifício Daros cujos pagamentos não se encontram registrados na conta "1.1.04.09.001 Obras em andamento"; apesar de a empresa ter efetuado a retenção dos 11% para a Seguridade Social sobre a mão de obra tal recolhimento não foi lançado na conta "2.1.03.01.001 — INSS s/ serviços de terceiros", não pode ser considerada como erro substancial. porque pode ser corrigido através de lançamento de Ajuste de Exercícios Anteriores. No item 6, a fiscalização aponta a contabilização em duplicidade das notas fiscais n. 1047 e 1268, no valor de R$ 18.015,68 e R$ 20.916,99, respectivamente utilizadas no pagamento da empreiteira de mão de obra do Edifício Comercial Daros.Com. Tal fato resulta de erro operacional, que também pode ser corrigido através de Retificação de Lançamentos Contábeis. com adoção do procedimento de estorno: Frisa que. conforme entendimento jurisprudencial, se os vícios são passíveis de correção, não há que se falar em documentação imprestável ou arbitramento: Ainda no item 6, a Autoridade Fiscal faz referência a lançamentos indevidos na conta "1.1.04.09.001 — Obras em andamento", por se tratarem de despesas com obras que já se encontravam finalizadas desde 2006, relacionadas aos Edifícios Residenciais Mirante do Cais e Fiori de Graziela. Estes valores referemse ao pagamento da taxa de condomínio de algumas unidades que a Impugnante tem em estoque nesses edifícios. O erro quanto à troca de contas pode ser facilmente corrigido; Ressalta que tais alterações não acarretariam em qualquer prejuízo ao fisco, na medida em que a Impugnante é tributada com base no lucro presumido. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.008131/200815 Resolução n.º 2402000.220 S2C4T2 Fl. 247 4 Que a fiscalização, na tentativa de depreciar a escrita contábil da Impugnante menciona que os lançamentos das despesas relacionadas aos Edifícios Residenciais Mirante do Cais e Fiori de Graziela alteraram significativamente o custo da obra Comercial Daros. Tal alegação, entretanto é totalmente improcedente, uma vez que os lançamentos incorretos totalizam R$ 11.155.68, o que representa menos de 0,70% do custo da obra. No item 7 menciona a contabilização na conta 4.3.01.07.002 — Honorários, despesas efetuadas com a Procecon Assessoria Empresarial Ltda.. referente à Declaração Anual de Imposto de Renda dos sócios. O pagamento em comento totaliza RS 420,00, valor este que não pode ser considerado suficientemente relevante para tornar imprestável a escrita contábil da empresa, que efetuou entre os anos de 2003 e 2007, mais de vinte mil lançamentos contábeis e cujo faturamento ultrapassou RS 1.200.000.00; Quanto ao contido no item 9 a ausência de registros dos valores do aluguel em alguns meses, bem como os registros de valores inferiores ao devido mensalmente a Impugnante explica que o Edificio Alameda Center não é de propriedade exclusiva da Daros Edificações e Obras; dessa forma, os valores provenientes da locação são divididos entre os proprietários (quadro, item 26), motivo pelo qual o registro na contabilidade é de valor inferior ao aluguel previsto no contrato; Quanto à ausência de lançamento, dispõe que como é tributada com base no lucro presumido e segue o regime de caixa, a receita proveniente d vendas de bens/direitos ou de prestação de serviços, cujo preço é recebido a prazo ou em parcelas, somente é lançado no mês do efetivo recebimento, não existindo qualquer irregularidade quanto à escrituração dos valores decorrentes do contrato de aluguel firmado com a Secretaria Municipal de Saúde. Que a fiscalização presumiu a ocorrência de irregularidades em sua contabilidade, em relação à folha de paramento ou à utilização de mão de obra própria na construção do Comercial Kosmos: entretanto não logrou demonstrálas. II — Da Obrigatoriedade de adotar o CUB vigente ao tempo do Fato Gerador Dispõe que, embora a obra tenha sido executada quase que integralmente nos anos de 2006 e 2007, quando o CUB variou de R$ 627,08 a RS 980,00, o arbitramento foi realizado com base no CUB vigente em outubro de 2008, no valor de RS1.156,36, implicando no aumento indevido do montante do crédito tributário; Que o cálculo do tributo deve refletir essa variação, devendo ser revisto, porque o fato gerador da contribuição, como se sabe, é o pagamento ou creditamento do salário ou da remuneração, que ocorreu quando da prestação dos serviços e não no momento do lançamento do tributo. III — Da base de Cálculo Efetiva do Tributo Ressalta que possui apenas dois sócios, remunerados por meio de prólabore, e duas empregadas, que exercem funções administrativas dentro da empresa, ou seja, nenhuma delas teve mão de obra utilizada na construção da obra fiscalizada; Fl. 247DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.008131/200815 Resolução n.º 2402000.220 S2C4T2 Fl. 248 5 Que as obras de construção civil foram executadas por meio de terceirização de mão de obra, mediante assinatura de contratos de empreitadas, com a utilização de material próprio; Em tais casos, a empresa. como contratante, tem apenas a obrigação de promover a retenção de 11% do valor bruto da nota fiscal ou da fatura da prestação de serviços, recolhendo a importância retida, em nome da empresa cedente da mão de obra, o que vem sendo rigorosamente cumprido, nos moldes do art. 31. da Lei Federal n. 8.212/91. Informa que todos estes fatos foram esclarecidos e comprovados durante a fiscalização, mediante apresentação dos documentos solicitados, impondose, assim, o cancelamento do presente auto de infração. IV Do não cabimento da Multa Isolada Alega não ser cabível, no presente caso, a cominação da multa prevista no art. 92 da Lei n." 8.212/91, uma vez que tal multa pressupõe a inexistência de outra penalidade expressamente cominada ao contribuinte, E, no caso, o contribuinte já foi submetido à cominação da multa de oficio prevista no art. 35 da referida Lei. É o Relatório. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.008131/200815 Resolução n.º 2402000.220 S2C4T2 Fl. 249 6 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Tratase de autuação fiscal pelo descumprimento da obrigação acessória de lançar em títulos próprios da escrituração contábil os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Os mesmos fatos motivaram autuações fiscais para constituição de crédito decorrente de obrigação principal. Assim, entendo que seria prudente a juntada deste processo e os processos nºs 11516.008129/200838 e 11516.008130/200862 ao processo nº 11516.008127/200849. No mais, segue transcrição das providências solicitadas nos processos acima identificados: Há algumas dúvidas que necessitam serem sanadas antes da apreciação de mérito: Se a recorrente é tributada com base no lucro presumido, como alega? Caso a resposta seja afirmativa, se as receitas de aluguel foram escrituradas no regime de caixa, nos livros Razão e/ou Caixa? Se as incorreções na escrituração dos livros contábeis também implicaram omissões de remunerações de segurados ou teriam sido em razão de registros em contas contábeis impróprias? Caso tenham sido escrituradas, em quais contas contábeis? Com relação as notas fiscais por cessão de mão de obra/empreitada sujeitas às retenções, se os valores foram declarados em GFIP e devidamente recolhidos? Caso tenham sido escriturados, em quais contas contábeis? Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que sejam esclarecidas as dúvidas acima e, após, seja oportunizado ao recorrente o direito de manifestação no prazo de 30 dias. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 249DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004851/2009-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 11/11/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 38.
Constitui infração às disposições inscritas no § 2º do art. 33 da Lei n° 8212/91 c/c art. 232 do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL.
CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN.
Sendo o valor da penalidade único e indivisível, basta para a sua
caracterização e imputação a ocorrência de uma única infração em período não acometido pela caducidade, de modo que o reconhecimento da decadência parcial não implica o afastamento da imputação nem modificação no valor da multa aplicada.
AUTO DE INFRAÇÃO. VALOR DA MULTA. REAJUSTAMENTO.
Os valores das penalidades pecuniárias decorrentes de Auto de Infração, expressos em moeda corrente, serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social, mediante Portaria expedida pelo Sr.
Ministro de Estado, no exercício das atribuições que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal.
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA COM EFEITO DE CONFISCO.
INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a imputação de penalidade pecuniária em razão de descumprimento de obrigação acessória de natureza tributária.
Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88.
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE MORA. INOCORRÊNCIA.
Não incide multa de mora sobre a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento objetivo de obrigação tributária acessória.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.846
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,
por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que
integram o presente julgado.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 11/11/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 38. Constitui infração às disposições inscritas no § 2º do art. 33 da Lei n° 8212/91 c/c art. 232 do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Sendo o valor da penalidade único e indivisível, basta para a sua caracterização e imputação a ocorrência de uma única infração em período não acometido pela caducidade, de modo que o reconhecimento da decadência parcial não implica o afastamento da imputação nem modificação no valor da multa aplicada. AUTO DE INFRAÇÃO. VALOR DA MULTA. REAJUSTAMENTO. Os valores das penalidades pecuniárias decorrentes de Auto de Infração, expressos em moeda corrente, serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social, mediante Portaria expedida pelo Sr. Ministro de Estado, no exercício das atribuições que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA COM EFEITO DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a imputação de penalidade pecuniária em razão de descumprimento de obrigação acessória de natureza tributária. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE MORA. INOCORRÊNCIA. Não incide multa de mora sobre a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento objetivo de obrigação tributária acessória. Recurso Voluntário Negado
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CFL 38. Constitui infração às disposições inscritas no § 2º do art. 33 da Lei n° 8212/91 c/c art. 232 do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Sendo o valor da penalidade único e indivisível, basta para a sua caracterização e imputação a ocorrência de uma única infração em período não acometido pela caducidade, de modo que o reconhecimento da decadência parcial não implica o afastamento da imputação nem modificação no valor da multa aplicada. AUTO DE INFRAÇÃO. VALOR DA MULTA. REAJUSTAMENTO. Os valores das penalidades pecuniárias decorrentes de Auto de Infração, expressos em moeda corrente, serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social, mediante Portaria expedida pelo Sr. Ministro de Estado, no exercício das atribuições que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA COM EFEITO DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Não constitui confisco a imputação de penalidade pecuniária em razão de descumprimento de obrigação acessória de natureza tributária. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE MORA. INOCORRÊNCIA. Não incide multa de mora sobre a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento objetivo de obrigação tributária acessória. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: Janeiro/2004 a dezembro/2004. Data da lavratura do Auto de Infração: 11/11/2009. Data da Ciência do Auto de Infração: 23/11/2009. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no parágrafo 2º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, c.c. art. 232 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, lavrado em desfavor do Recorrente, em virtude de a empresa ter deixado de apresentar os Livros Diário e as folhas de pagamento referentes ao período de janeiro a dezembro de 2004, conforme descrito no Relatório Fiscal, a fl. 18. CFL 38 Deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou o administrador judicial ou o seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou Fl. 124DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.004851/200904 Acórdão n.º 230201.846 S2C3T2 Fl. 117 3 extrajudicial de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. A multa foi aplicada em conformidade com a cominação prevista no art. 283, II, ‘j’ do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048 de 06/05/1999, no valor básico mínimo de R$ 13.291,66 (treze mil, duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos), atualizado conforme Portaria Interministerial MPS/MF n° 48, de 12 de fevereiro de 2009, de acordo com o reportado no Relatório Fiscal de Aplicação da multa, a fl. 19. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 23/45. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I /SP lavrou Decisão Administrativa corporificada no Acórdão a fls. 63/74, julgando procedente a autuação e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 25 de novembro de 2010, conforme Aviso de Recebimento – AR, a fl. 78. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 79/98, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: • Decadência; • Que não encontra respaldo no ordenamento tributário pátrio a cominação de penalidade pecuniária para o não cumprimento de obrigações acessórias ou os chamados deveres instrumentais; • Que a incidência das multas de mora cobradas no presente auto de infração desobedece ao princípio da retroatividade da lei mais benéfica ao contribuinte, previsto no artigo 106, inciso II do CTN, em face da edição da Lei n° 9.528/97 que reduziu o percentual da multa moratória; • Que a penalidade aplicada é abusiva e tem caráter confiscatório; Ao fim requer a inexigibilidade dos valores cobrados a título de multa. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 25/11/2010. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 23 de dezembro do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES Alega o Recorrente ter se exaurido o prazo decadencial do direito da Fazenda Pública de constituir o presente crédito tributário. Razão não lhe assiste. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.004851/200904 Acórdão n.º 230201.846 S2C3T2 Fl. 118 5 Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urgem serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. O entendimento majoritário que permeia esta 2ª Turma Ordinária, em sua escalação titular, se inclina à tese de que, ao lançamento de contribuições previdenciárias cujas rubricas qualificadoras dos fatos geradores levantados somente poderiam ter sido apuradas mediante ação fiscal, aplicase o regime da decadência assentado no art. 173 do CTN. Nenhum outro. Sujeitamse também ao regime referido no parágrafo precedente os lançamentos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, eis que, em relação a tal lançamento, inexiste qualquer recolhimento prévio, circunstância que afastaria peremptoriamente, a incidência do preceito tatuado no §4º do art. 150 do CTN. De outro eito, conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 230201.387 proferido nesta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, na Sessão de 26 de outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/200865, convicto encontrase este Conselheiro de que, após a implementação do sistema GFIP/SEFIP, o lançamento das contribuições previdenciárias não mais se enquadra na sistemática de lançamento por homologação, mas, sim, na de lançamento por declaração, nos termos do art. 147 do CTN. Igualmente, pelas razões expendidas nos autos do Processo Administrativo Fiscal referido no parágrafo anterior, entende este relator que o lançamento encontrase perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como mera condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não, atributo de sua existência. Ultrapassadas estas breves considerações, deflui da análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência que, ao caso sub examine, operase a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Cumpre focalizar, neste comenos, a questão pertinente ao dies a quo do prazo decadencial relativo à competência dezembro de cada ano calendário. O art. 37 da Lei Orgânica da Seguridade Social prevê o lançamento de ofício de contribuições previdenciárias sempre que a fiscalização constatar o atraso total ou parcial no recolhimento das exações em apreço. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. De outro canto, o art. 30 do mesmo Diploma Legal, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, estabelece como obrigação da empresa de recolher as contribuições previdenciárias a seu encargo e aquelas descontadas dos segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço até o dia 02 do mês seguinte ao da competência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). No caso da competência dezembro, até que se expire o prazo para o recolhimento, digase, o dia 02 de janeiro do ano seguinte, não pode a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício, eis que o sujeito passivo ainda não se encontra em atraso com o adimplemento da obrigação principal. Tratase de concepção análoga ao o princípio da actio nata, impondose que o prazo decadencial para o exercício de um direito potestativo somente começa a fluir a contar da data em que o sujeito ativo dele detentor pode, efetivamente, exercelo. Dessarte, a deflagração do aludido lançamento, referente ao mês de dezembro, somente pode ser perpetrada a contar do dia 03 de janeiro do ano seguinte. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.004851/200904 Acórdão n.º 230201.846 S2C3T2 Fl. 119 7 Nesse contexto, a contagem do prazo decadencial assentado no inciso I do art. 173 do CTN relativo à competência dezembro do ano xx somente terá início a partir de 1º de janeiro do ano xx + 2. Pacificando o entendimento acerca do assunto em realce, o Superior Tribunal de Justiça assentou em sua jurisprudência a interpretação que deve prevalecer, espancando definitivamente qualquer controvérsia ainda renitente, conforme dessai em cores vivas do julgado dos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 674.497, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. No caso vertente, o prazo decadencial relativo à competência dezembro de 2003 tem seu dies a quo assentado no dia 1º de janeiro de 2005, o que implica dizer que a constituição do crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos nessa competência poderia ser objeto de lançamento até o dia 31 de dezembro de 2009, inclusive. Nessas circunstâncias, tendo sido o lançamento realizado no dia 11 de novembro de 2009, este alcançaria todos os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2003, inclusive, excluído os fatos geradores relativos ao 13º salário desse mesmo ano. Sendo o período de apuração compreendido de janeiro a dezembro/2004, fácil é concluir que nenhuma das obrigações tributárias objeto presente lançamento houvese por alcançada pelo decurso do prazo decadencial em foco. Por derradeiro, mas não menos importante, anotese que o valor da penalidade imposta através do presente Auto de Infração, conforme relatado no Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, é único e indivisível, isto é, independente do número de infrações cometidas, bastando, para a sua caracterização e imputação, a ocorrência de uma única infração em período não acometido pela caducidade. Nesse contexto, mesmo que fosse aplicado o critério insculpido no §4º do art. 150 do CTN, a obrigação tributária acessória persistiria para as competências a contar de Fl. 129DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 novembro/2004, inclusive, de tal modo que, ainda assim, haveria violação da obrigação em tela relativa às competências novembro e dezembro/2004. Assim, mesmo neste caso hipotético que, repisese, não se aplica ao caso in concreto, haveria que se considerar que o reconhecimento da decadência parcial acima delineada não implicaria o afastamento da imputação nem modificação no valor da multa aplicada, tampouco. Por tais razões, rejeitamos a preliminar de decadência tão veementemente defendida pelo sujeito passivo. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre, de plano, assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 3.1. DA LEGALIDADE DA AUTUAÇÃO Alega o Recorrente que não encontra respaldo no ordenamento tributário pátrio a cominação de penalidade pecuniária para o não cumprimento de obrigações acessórias ou os chamados deveres instrumentais. O Recorrente precisa ser apresentado, com urgência, aos preceitos inscritos no art. 146, III, ‘b’ da CF/88, ao §3º do art. 113 do CTN e ao art. 92 da Lei nº 8.212/91. O art. 195, I da Constituição Federal determinou que a Seguridade Social fosse custeada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos oriundos, dentre outras fontes, das contribuições sociais a cargo da empresa incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. De outro canto, no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre as obrigações tributárias, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, Fl. 130DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.004851/200904 Acórdão n.º 230201.846 S2C3T2 Fl. 120 9 mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, o CTN honrou prescrever, com propriedade, a distinção entre as duas modalidades de obrigações tributárias, ad litteris et verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos) Não carece de elevada mestria a interpretação do texto inscrito no §2º do supratranscrito dispositivo legal a qual aponta para a total independência entre as obrigações ditas principais e aquelas denominadas como acessórias. Estas, no dizer cristalino da Lei, decorrem diretamente da legislação tributária, não das obrigações principais, e tem por objeto prestações positivas ou negativas fixadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Igualmente, não é demasiado cuidado relembrar que a imposição de obrigação acessória não demanda a promulgação de lei stricto sensu, podendo elas ser introduzidas no ordenamento jurídico mediante as espécies normativas encartadas nos artigos Fl. 131DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 96 e 100 ambos do CTN, assim inseridas no conceito de “Legislação Tributária”, na denominação adotada pelo codex. Código Tributário Nacional CTN Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. As obrigações acessórias, consoante os termos do Diploma Tributário, consubstanciamse deveres de natureza instrumental, consistentes em um fazer, não fazer ou permitir, fixados na legislação tributária, na abrangência do art. 96 do CTN, em proveito do interesse da administração fiscal no que tange à arrecadação e à fiscalização de tributos. No que pertine às contribuições previdenciárias, a disciplina da matéria em relevo, no plano infraconstitucional, foi confiada à Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual fez inserir na Ordem Jurídica Nacional uma diversidade de obrigações acessórias, criadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização, sem transpor os umbrais limitativos erguidos pelo CTN. Envolto no ordenamento realçado nas linhas precedentes, os artigos 32 e 33 da citada lei de custeio da Seguridade Social estabeleceram uma série de obrigações instrumentais a serem observadas pela empresa, dentre elas, a obrigação instrumental positiva de elaborar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social e a de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, além do dever jurídico de exibir ao Fisco todos os livros e documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, bem como o de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis do seu interesse, na forma por ele estabelecida, e os esclarecimentos necessários à fiscalização. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.004851/200904 Acórdão n.º 230201.846 S2C3T2 Fl. 121 11 Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; III prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (grifos nossos) Tal obrigação acessória evidenciase como contínua, não se extinguindo com a mera apresentação de documentos. Ela pressupõe o dever de prestar esclarecimentos à Fiscalização a qualquer tempo, de molde que, mesmo após a apresentação de documentos, caso a Fiscalização solicite novos esclarecimentos, à empresa não é concedida a faculdade de se furtar a cumprir o objeto da intimação, tampouco se escudar na pueril suposição de que eventuais documentos já exibidos anteriormente seriam suficientes e bastantes, eis que a mera exibição de documentos não supre nem exclui qualquer demanda ulterior por esclarecimentos de ordem verbal ou escrita. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 No caso em apreciação, faz prova o Auto de Infração em desfavor do Recorrente que este, apesar de regularmente intimado, fracassou em apresentar, tempestivamente, as folhas de pagamento e os Livros Diário referentes às competências janeiro a dezembro/2004. A conduta omissiva assim perpetrada pelo sujeito passivo representou ofensa ao dispositivo legal encartado no parágrafo 2º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, c.c. art. 232 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Cabe ressalvar, de modo a nocautear qualquer dúvida, que a missão de estruturar e dar efetividade à obrigação acessória em relevo foi confiada à lei nº 8.212/91, cujo art. 32, §2º estatuiu de maneira isenta de rodeios que a empresa é obrigada a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previdenciárias, como é o caso dos Livros Diário e as folhas de pagamento. Almejando brindar a máxima efetividade à obrigação acessória ora ilustrada, o art. 92 do mesmo Pergaminho Legal em foco aviou norma sancionatória prevendo a punição do obrigado em caso de infração de qualquer dispositivo dessa Lei, sujeitando o responsável ao pagamento de penalidade pecuniária, de caráter variável em função da gravidade da infração, conforme disposição analítica assentada no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Ancorado no dispositivo legal acima revisitado, a alínea ‘j’ do inciso II do art. 283 do Regulamento da Previdência Social especificou a inflição de penalidade pecuniária a ser aplicada à empresa que deixar de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesse Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira, in verbis: Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos)nas seguintes infrações: (...) Fl. 134DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.004851/200904 Acórdão n.º 230201.846 S2C3T2 Fl. 122 13 j) deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira; Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. É de sabença universal que inexiste neste Globo economia forte o suficiente capaz de manter sua Moeda Corrente a salvo da corrosão imposta pela inflação. Ante a iminência de tal fenômeno econômico, pautou por bem o Legislador Ordinário prover o texto legal com um mecanismo arquitetado ad hoc, visando a minimizar os efeitos devastadores de tal ocorrência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). §1º O disposto neste artigo não se aplica às penalidades previstas no art. 32A desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Revelase auspicioso salientar que o CTN não inclui em sua reserva legal a atualização do valor monetário das bases de cálculo das contribuições previdenciárias, as quais não se qualificam, por expressa disposição legal, como majoração de tributos. Nessa perspectiva, autoriza o Codex Tributário que a atualização monetária possa ser levada a efeito por qualquer outro instrumento normativo aquilatado no conceito de legislação tributária estatuído no art. 100 do Pergaminho Tributário em realce. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; Fl. 135DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Na hipótese ora tratada, os índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social são estabelecidos, anualmente, pelo Ministério da Previdência Social, mediante Portaria expedida pelo Sr. Ministro de Estado, no exercício das atribuições que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal. Constituição Federal de 1988 Art. 87. Os Ministros de Estado serão escolhidos dentre brasileiros maiores de vinte e um anos e no exercício dos direitos políticos. Parágrafo único. Compete ao Ministro de Estado, além de outras atribuições estabelecidas nesta Constituição e na lei: (...) II expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos; Nesse contexto, em 13 de fevereiro de 2009, foi publicada no Diário Oficial da União a Portaria Interministerial MPS/MF nº 48/2009 que fixou em R$ 13.291,66 (treze mil, duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos) o valor da multa indicada no inciso II do art. 283 do Regulamento da Previdência Social. PORTARIA MPS/MF nº 48, de 12 de fevereiro de 2009 Art. 8º A partir de 1º de fevereiro de 2009: Fl. 136DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.004851/200904 Acórdão n.º 230201.846 S2C3T2 Fl. 123 15 (...) VI o valor da multa indicada no inciso II do art. 283 do Regulamento da Previdência Social é de R$ 13.291,66 (treze mil duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos); Não procede, portanto, a alegação do Recorrente de que a cominação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação acessória não encontraria respaldo no ordenamento tributário brasileiro. 3.2. DA APLICAÇÃO DE MULTA COM EFEITO DE CONFISCO Argumenta o Recorrente que a penalidade aplicada é abusiva e tem caráter confiscatório. O clamado do Recorrente não merece acolhida. Com efeito, a Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988, no Capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional assentou, em relação aos impostos, os princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva do contribuinte. Nessa mesma prumada, ao tratar das limitações do poder do Estado de tributar, o inciso IV do art. 150 da Carta obstou, igualmente, a utilização de tributos com efeito de confisco, estatuindo ipsis litteris: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) §1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. (grifos nossos) Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV utilizar tributo com efeito de confisco; Olhando com os olhos de ver, avulta que os Princípios Constitucionais suso realçados são dirigidos, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional, como vetores a serem seguidos no processo de gestação de normas matrizes de cunho tributário, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores fiscais subordinamse cegamente ao principio da atividade vinculada aos ditames da lei, dele não podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional. Imerso na Ordem Constitucional positiva e eficaz, a disciplina atinente à aplicação de penalidades pecuniárias decorrentes do descumprimento de obrigações tributárias Fl. 137DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 acessórias de cunho previdenciário ficou a cargo da Lei nº 8.212/91, cujo art. 92 estatuiu, de forma objetiva, que a infração a qualquer dispositivo encartado na citada lei de custeio implicaria a cominação de multa, nos seguintes termos: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Se nos parece de bom auspício destacar que as diretivas ora enunciadas não colidem com as normas aventadas nos artigos 113, §3º e 136, ambos do CTN, ao contrário, lhe realizam. Código Tributário Nacional Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos) Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (grifos nossos) Conforme articulado, escapa da competência deste Colegiado a análise da adequação das normas tributárias introduzidas pela Lei nº 8.212/91 ao Ordenamento Jurídico às vedações e princípios constitucionais aviados nos artigos 145 e 150 da Lei Maior. Revelase mais do que sabido que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.004851/200904 Acórdão n.º 230201.846 S2C3T2 Fl. 124 17 Ademais, perfilhando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Igualmente, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e afastar a multa aplicada nos trilhos mandamentais da lei, Fl. 139DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 sob alegação de inconstitucionalidade por violação a princípios constitucionais, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 3.3. DA INCIDÊNCIA DE MULTA DE MORA Argumenta o Recorrente que a incidência das multas de mora cobradas no presente auto de infração desobedece ao princípio da retroatividade da lei mais benéfica ao contribuinte, previsto no artigo 106, inciso II do CTN, em face da edição da Lei n° 9.528/97 que reduziu o percentual da multa moratória. Cremos que tal alegação esteja aqui postada por engano. Mostrase auspicioso esclarecer que o presente lançamento trata de penalidade pecuniária infligida ao Recorrente em razão do descumprimento objetivo de obrigação acessória. Já a multa de mora referese ao descumprimento tempestivo de obrigação principal. Ambas não se confundem. Possuem fato gerador e natureza jurídica totalmente distintos, sendo estruturadas e disciplinadas juridicamente mediante dispositivos legais diversos e autônomos, inexistindo qualquer campo de interseção entre elas. O Recorrente demonstra não ter percebido que no presente Auto de Infração inexiste cobrança de multa de mora, mas, tão somente, o valor da penalidade pecuniária decorrente da ofensa à legislação tributária. Por outro viés, multa de mora também não se confunde com juros moratórios. A saber, se por um lado os juros moratórios representam o preço do dinheiro, isto é, o valor que o detentor da moeda paga ao seu legítimo proprietário pela posse temporária do capital, a multa de mora representa uma penalidade de natureza pecuniária imposta ao devedor pelo não recolhimento tempestivo da obrigação principal. É certo que, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/SRF 10/2008 de 14.11.2008, publicada no DOU de 17.11.2008, o valor da multa decorrente do descumprimento de obrigação acessória estão sujeitos à incidência de juros de mora, calculados pela Taxa Selic, os quais, igualmente, não se confundem com multa moratória. Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 10, de 14 de novembro de 2008 Art. 1º Os créditos constituídos a partir da publicação desta Portaria em decorrência de descumprimento de obrigação acessória relativa às contribuições previdenciárias estão sujeitos aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic), a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o seu valor. Parágrafo único: O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos dos créditos referidos no caput corresponderá a 1% (um por cento). Fl. 140DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.004851/200904 Acórdão n.º 230201.846 S2C3T2 Fl. 125 19 Por tais razões, não há como apreciar o pedido formulado pelo Recorrente, eis que, conforme demonstrado, tal rogativa não se aplica, de modo algum, à demanda ora em julgamento. 4. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 141DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13851.001090/99-81
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração:01/10/1989 a 31/05/1990
RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO.
Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
Recurso Extraordinário do Procurador Negado
Numero da decisão: 9900-000.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Extraordinário
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2005; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFPL Fl. 2 1 1 CSRFPL MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13851.001090/9981 Recurso nº Extraordinário Acórdão nº 9900000.659 – Pleno Sessão de 28 de agosto de 2012 Matéria Repetição de Indébito Recorrente Procuradoria da Fazenda Nacional Recorrida Mara Lúcia de Arruda Prado ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração:01/10/1989 a 31/05/1990 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Recurso Extraordinário do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Extraordinário OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 10 90 /9 9- 81 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão proferido pelo colegiado a quo, que deu provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. A PGFN interpôs Recurso Extraordinário a este Pleno alegando, em síntese, que o direito de ação relativo ao exercício de um direito subjetivo de crédito, decorrente de pagamento indevido, é atribuído ao sujeito passivo, e o termo inicial do prazo prescricional de 05 (cinco) anos (art. 168 do CTN) para exercêlo começa da data da extinção do crédito tributário, operandose este tão logo efetue o pagamento indevido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. O pedido de restituição foi apresentado em 21/10/1999, relativo ao período de apuração de 01/10/1989 a 31/05/1990. Não assiste razão à recorrente, pois, com a edição da Lei Complementar 118/2005, o seu artigo 3º foi debatido no âmbito do STJ no Resp 327043/DF, que entendeu tratarse de usurpação de competência a edição desta norma interpretativa, cujo real objetivo era desfazer entendimento consolidado. Entendendo configurar legislação nova e não interpretativa, os Ministros do STJ decidiram que as ações propostas até a data de 09/06/2005, não se submeteriam ao consignado na nova lei. Com efeito, de acordo com a decisão prolatada pelo pleno do STF, no RE nº 566.621, em 04/08/2011, em julgamento de mérito de tema com repercussão geral, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, relativamente a pedidos de restituição efetuados anteriormente à vigência da LC nº 118/05 (09/06/2005), é de cinco anos para a homologação do pagamento antecipado, acrescido de mais cinco para pleitear o indébito, em conformidade com a cognominada tese dos cinco mais cinco, sendo, portanto, de dez anos o prazo para pleitear a restituição do pagamento indevido. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13851.001090/9981 Acórdão n.º 9900000.659 CSRFPL Fl. 3 3 Assim, somente os pleitos referentes aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 10 anos da data do protocolo estariam com o eventual direito de restituição extinto, tendo em vista terem sido alcançados pela prescrição. No presente caso, não houve a perda do direito a se pleitear a restituição em relação a todo o período objeto da solicitação. Portanto, em que pese a minha total discordância com tal entendimento, com fulcro no art. 62A do Anexo II à Portaria MF nº 256/09 (RICARF), deve ser reconhecida a aplicabilidade da tese dos cinco mais cinco. Ante o exposto, voto pelo não provimento do Recurso Extraordinário interposto pela PGFN, com a remessa dos autos à autoridade preparadora para a análise do mérito. Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 291DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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