Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10314.002503/2009-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 04/06/2008 a 31/07/2008
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PROVA PERICIAL.
A reclassificação fiscal de diversas importações de insumos que, quando reunidos formam produto incluído no sistema de medidas antidumping e compensatória, depende de prova de que o procedimento de importação de partes e peças para industrialização nacional constitui prática elisiva da medida de proteção, principalmente em períodos que antecedem a Resolução CAMEX nº 63/2010.
Não se admite a utilização de laudo pericial obtido pela análise de mercadorias objeto de Declarações de Importação que não integram à autuação e que não guardam absoluta identidade com o objeto da fiscalização.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3101-001.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Luiz Roberto Domingo - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes (Suplente), Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 04/06/2008 a 31/07/2008 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PROVA PERICIAL. A reclassificação fiscal de diversas importações de insumos que, quando reunidos formam produto incluído no sistema de medidas antidumping e compensatória, depende de prova de que o procedimento de importação de partes e peças para industrialização nacional constitui prática elisiva da medida de proteção, principalmente em períodos que antecedem a Resolução CAMEX nº 63/2010. Não se admite a utilização de laudo pericial obtido pela análise de mercadorias objeto de Declarações de Importação que não integram à autuação e que não guardam absoluta identidade com o objeto da fiscalização. Recurso de Ofício Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10314.002503/2009-86
anomes_publicacao_s : 201307
conteudo_id_s : 5264377
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3101-001.274
nome_arquivo_s : Decisao_10314002503200986.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : LUIZ ROBERTO DOMINGO
nome_arquivo_pdf_s : 10314002503200986_5264377.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício. Henrique Pinheiro Torres - Presidente Luiz Roberto Domingo - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes (Suplente), Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
id : 4941657
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045984570769408
conteudo_txt : Metadados => date: 2013-05-09T15:18:55Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2013-05-09T15:18:55Z; Last-Modified: 2013-05-09T15:18:55Z; dcterms:modified: 2013-05-09T15:18:55Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:039d6f3f-1a95-43bf-aa3c-ba38bdd31748; Last-Save-Date: 2013-05-09T15:18:55Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2013-05-09T15:18:55Z; meta:save-date: 2013-05-09T15:18:55Z; pdf:encrypted: true; modified: 2013-05-09T15:18:55Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2013-05-09T15:18:55Z; created: 2013-05-09T15:18:55Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2013-05-09T15:18:55Z; pdf:charsPerPage: 1995; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2013-05-09T15:18:55Z | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 1.239 1 1.238 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.002503/200986 Recurso nº 937.782 De Ofício Acórdão nº 3101001.274 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2012 Matéria CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado HBUSTER DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 04/06/2008 a 31/07/2008 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PROVA PERICIAL. A reclassificação fiscal de diversas importações de insumos que, quando reunidos formam produto incluído no sistema de medidas antidumping e compensatória, depende de prova de que o procedimento de importação de partes e peças para industrialização nacional constitui prática elisiva da medida de proteção, principalmente em períodos que antecedem a Resolução CAMEX nº 63/2010. Não se admite a utilização de laudo pericial obtido pela análise de mercadorias objeto de Declarações de Importação que não integram à autuação e que não guardam absoluta identidade com o objeto da fiscalização. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício. Henrique Pinheiro Torres Presidente Luiz Roberto Domingo Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes (Suplente), Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 25 03 /2 00 9- 86 Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10314.002503/200986 Acórdão n.º 3101001.274 S3C1T1 Fl. 1.240 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ: Trata o presente de Auto de Infração formalizado para exigência dos direitos antidumping calculados pela alíquota específica de US$ 2,35 por quilograma dos produtos importados por meio das Declarações de Importação (DI) relacionadas na peça impositiva, acrescidos de juros de mora, perfazendo um crédito tributário no valor de R$ 2.319.959,73. A importadora submeteu a despacho aduaneiro mercadorias classificadas no código NCM 8518.90.10 (partes de altofalantes). A Fiscalização, porém, considerou que as mercadorias em questão tratamse de produtos acabados (alto falantes) e não partes de altofalantes, devendo se classificar no código NCM 8518.22.00 (altosfalantes múltiplos montados no mesmo receptáculo). Esclarece que a classificação adotada pela empresa viola a Regra Geral de Interpretação 2ª do Sistema Harmonizado, e tem como objetivo elidir o pagamento do antidumping incidente sobre o altofalantes originários da República Popular da China, além de beneficiarse de uma alíquota menor de II. Em conseqüência da reclassificação procedida pelo Fisco, foi lavrado Auto de Infração para cobrança da diferença de tributos e multas do controle administrativo das importações (falta de licenciamento) e regulamentar (classificação incorreta), cujos valores estão sendo exigidos por meio do Processo Administrativo Fiscal nº 10314.002505/200975. Como referida reclassificação implicou a incidência de direitos antidumping sobre essas importações, conforme previsto pela Resolução Camex nº 66/2007, tais valores estão sendo exigidos por meio do Auto de Infração ora analisado, acrescidos de juros de mora. Cientificada do lançamento em 24/03/2009, a contribuinte apresentou impugnação, em 23/04/2009 (fls. 656/1.222), alegando, em síntese, que: a) em sede preliminar, o auto de infração é nulo, haja vista a imprecisão do enquadramento legal da infração, impossibilitando a impugnante de defenderse adequadamente, caracterizando cerceamento ao seu direito de defesa; b) no mérito, aduz que é improcedente a exigência de direitos antidumping, posto que a Resolução Camex 66/2007 se aplica a altofalantes importados da China e não sobre partes e peças de tais mercadorias, não sendo competência do AuditorFiscal estender tal aplicação, em obediência aos artigos 6 e 10 da Lei nº 9.019/95; c) em obediência à segurança jurídica, a aplicação da Regra Geral 2ª de interpretação do Sistema Harmonizado deve ser feita em cada desembaraço e não num conjunto deles realizado num período de tempo arbitrariamente estabelecido. Isso porque a regra 2ª usa verbos no presente (“desde que apresente, no estado em que se encontra” e “ mesmo que se apresente”), o que limita sua aplicação a cada DI isoladamente. Se nenhum período para a aplicação de tais expressões foi previsto pela norma, não pode ser adminitida a arbitrária definição do período de tempo para aplicar o conteúdo da RGI 2ª. Cita jurisprudência do CARF e observa que o acórdão faz referência a uma Consulta Interna da Coana (nº 52, de 28/06/2007), a qual não Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10314.002503/200986 Acórdão n.º 3101001.274 S3C1T1 Fl. 1.241 3 teve acesso, o que caracteriza cerceamento ao direito de defesa. Requer, assim, cópia de tal consulta e reabertura do prazo para impugnar; d) Se a interpretação extensiva acima fosse aceita, o que se admite apenas para argumentar, ainda assim o lançamento não procede, pois a autoridade fiscal deixou de observar a nota explicativa da Regra 2A, aprovada pela IN 807/2008, segundo a qual: (i) só se considera como produto incompleto ou inacabado aquele que não precise passar por qualquer processo de fabricação; (ii) a condição de item por montar ou desmontar é verificada “por necessidade ou por conveniência de embalagem, manipulação, ou de transporte”. No caso, como as partes e peças importadas não se apresentam em kits para montagem nem jamais foram montadas, e para serem reconhecidas como altofalantes, necessitam submeterse a um complexo e minucioso processo industrial que requer, inclusive, outras matérias primas e conhecimento tecnológico (knowhow), não cabe a aplicação da RGI 2A; e) Mesmo que fosse possível a aplicação da RGI 2ª, a autoridade não aplicou corretamente tal dispositivo, já que, nos termos das notas explicativas, só podem sofrer a reclassificação aquelas partes e peças suficientes para montar o artigo acabado. Os elementos por montar de um artigo, em número superior ao necessário para montagem de um artigo completo, seguem seu regime próprio. A fiscalização ignorou tal disposição, não se dignando a solicitar perícia técnica que determinasse quantos produtos acabados poderiam ser produzidos com as partes e peças incluídas nas DI’s de junho e julho de 2008. Os engenheiros da impugnante providenciaram um levantamento a respeito (docs. 6, 7 e 8), constando que apenas 25% das peças importadas permitiriam a montagem de altofalantes, ao passo que 75% estão em número superior ao necessário para produzir um artigo completo; f) Uma breve consulta ao processo produtivo dos altofalantes produzidos, corroborada pelo parecer técnico do Eng. Antonio Katsuchi Fujimoto (doc. 4), deixa evidente que os adesivos são componentes essenciais, cuja participação nos custos dos altofalantes chega, em alguns modelos, a ultrapassar os 10%, ficando numa média de 4,07%. Logo, sejam em falantes, seja pela considerável participação de tal matériaprima no custo do produto final, é forçoso reconhecer que na ausência do adesivo na lista das importações da impugnante, jamais foram importados todos os componentes essenciais para fabricação de um altofalante; g) Caso a autoridade julgadora entenda necessário agregar outras opiniões técnicas, além daquelas trazidas pela impugnante, requer a realização de perícia técnica, indicando perito e quesitos. Assim, levados os autos à julgamento, foi proferido acórdão pela DRJ que afastou a exigência cobrada, conforme ementa transcrita no seguintes termos: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 04/06/2008 a 31/07/2008 DIREITO ANTIDUMPING. REVISÃO ADUANEIRA. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. PROVA PERICIAL. AUSÊNCIA. A falta de Laudo Técnico indispensável à plena caracterização dos produtos objeto da reclassificação feita pelo Fisco, em procedimento de revisão aduaneira, implica a manutenção da classificação tarifária adotada pelo importador. Em conseqüência, não cabe a aplicação de direitos antidumping, conforme Resolução Camex nº 66, de 11 de dezembro de 2007. Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10314.002503/200986 Acórdão n.º 3101001.274 S3C1T1 Fl. 1.242 4 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 04/06/2008 a 31/07/2008 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. LIMITES OBJETIVOS. A perícia objetiva convencer o julgador, esclarecendo sobre o conteúdo das provas constantes dos autos. Não se presta como meio para suprir a ausência de suporte probatório. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Julgada procedente a impugnação e exonerado o crédito tributário em valor superior ao de alçada, foi interposto Recurso de Ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço do Recurso de Ofício por atender aos requisitos de admissibilidade. Conforme se verifica dos autos, a questão restringese a verificar se os produtos importados pela Recorrente devem ser classificados na NCM 8518.90.10 (partes de altofalantes) ou, como entende o Fisco, na classificação NCM 8518.22.00, (altofalantes). Com intuito de desclassificar a NCM adotada pela Recorrente, o Fisco lavrou Auto de Infração, cujo Relatório Fiscal que o instruiu baseouse nos seguintes argumentos: Importante ressaltar que o laudo 41/07, solicitado pela unidade de desembaraço da DI 07/15403936 de 07/11/2007 concluiu que não se encontravam nesta DI todas as partes necessárias para a montagem de um altofalante. Porém, nesta época, como já mencionado acima o contribuinte adquiria o imã no mercado nacional. Entretanto, em pesquisa ao DW Aduaneiro relativa a todas as importações entre 07/2004 a 10/2008, ao verificar a descrição detalhada das mercadorias nas adições das DI's encontramos imã ou ferrite em mais de 30 DI's dentro do período dos meses de junho e julho de 2008, sendo que nestas, ainda em outras adições, se verificam outras partes de altofalantes. Assim fica caracterizado que no período de 2008 a empresa importava todas as partes essenciais para a montagem dos alto falantes divididas em várias DI s. Em sua linha de montagem, apenas os montava, acrescentando apenas insumos não relevantes como cola, parafusos etc. Portanto a correta classificação para estas DI's deve ser a NCM 8518.22.00, (altofalantes), e não a NCM 8518.90.10 (partes de altofalantes) tendo em vista a aplicação da 2° Regra Geral de Interpretação ("Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo incompleto ou inacabado, desde que Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10314.002503/200986 Acórdão n.º 3101001.274 S3C1T1 Fl. 1.243 5 apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou tal considerando nos termos das disposições precedentes, mesmo quando se apresente desmontado ou por montar"). Veja que o fundamento utilizado pela Fiscalização é o resultado obtido de um procedimento fiscalizatório de uma importação que não é objeto do presente Auto de Infração (DI 07/15403936). O fundamento utilizado pela Fiscalização foi o resultado obtido pela prova referente à outra importação. Ocorre que, é inadmissível a utilização do laudo decorrente de outro procedimento fiscal, sem que haja uma confrontação e exata identificação entre os produtos. Pelo que se verifica dos autos, não há como atestar que a as mercadorias registradas pela DI 07/15403936 são as mesmas das DIs objeto da autuação, ou seja, o fato da Recorrente ter importado imã não significa que passou a importar todas as peças necessárias para montagem do altofalante. Ademais, percebese que a Fiscalização entendeu que a Recorrente acrescentava às mercadorias importadas apenas insumos insignificantes para montagem dos seus produtos comercializados no Brasil, sem considerar a aplicação de outros recursos e insumos, tais como mão de obra. Ora, a constatação de que um insumo é insignificante ou não para o resultado final de um produto somente pode ser verificado com prova pericial, pois a composição de um produto é dado técnico que só pode ser infirmado por perito. É evidente a necessidade de perícia no presente caso. A perícia é utilizada para esclarecer ponto controvertido ou questão técnica, “a perícia tem sido muito utilizada para esclarecer dúvidas técnicas, como, por exemplo, a composição química de determinado produto, para dirimir dúvidas quanto à melhor classificação fiscal para fins de cobrança do IPI. [...] Vale lembrar que a perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, e, apenas, ela pode avaliar sua pertinência para a solução da lide. A prova pericial mostrase útil somente quando não se puder encontrar verdade de outra forma mais simples.”1. Assim, conforme julgou a DRJ, entendo que a produção dessa prova no momento não é possível, vez que modificaria a própria fundamentação do Auto de Infração, o que, sanado pelo órgão julgador, violaria os principio do devido processo legal e ampla defesa. Ademais, a importação de partes e peças desmontadas em lotes distintos não conduz de forma automática e infalível à constatação de dumping, haja vista que o elemento intrínseco do produto acabado, a mão de obra, não está incluída no valor da importação, uma vez que se trata de valor agregado nacional. Tanto é assim que, recentemente, a CAMEX resolveu disciplinar a extensão de medidas antidumping e compensatórias de que trata o art. 10A da Lei nº 9.019, de 1995, com a publicação da Resolução CAMEX nº 63, de 17/08/2010, na qual estabelece regras e procedimentos para coibir práticas elisivas que frustrem a aplicação das medidas de defesa comercial em vigor, conforme segue: Art. 1º A extensão da aplicação de medidas antidumping e compensatória de que trata a Lei nº 9.019, de 30 de março de 1 Neder. Marcos Vinicius. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. 3ª ed., Dialética. São Paulo. 2010. p.295 Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10314.002503/200986 Acórdão n.º 3101001.274 S3C1T1 Fl. 1.244 6 1995, a importações de produtos de terceiros países, bem como a partes, peças e componentes do produto objeto de medidas vigentes, caso seja constatada a existência de práticas elisivas que frustrem a aplicação das medidas de defesa comercial em vigor, observará ao disposto nesta Resolução. Parágrafo único. A extensão de que trata o caput terá por finalidade assegurar efetividade às medidas de defesa comercial em vigor e poderá incidir sobre: I produto igual sob todos os aspectos ao produto objeto da medida de defesa comercial ou a outro produto que, embora não exatamente igual, apresente características muito próximas às do produto sujeito à aplicação da medida de defesa comercial; e II partes, peças e componentes do produto de que trata o inciso I, assim considerados as matérias primas, os produtos intermediários e quaisquer outros bens empregados na industrialização do produto. Art. 2º Constitui prática elisiva, para os efeitos desta Resolução: I a introdução no território nacional de partes, peças ou componentes cuja industrialização resulte no produto de que trata o art. 1º; II a introdução no território nacional de produto resultante de industrialização efetuada em terceiros países com partes, peças ou componentes originários ou procedentes do país sujeito à medida de defesa comercial; III a introdução do produto no território nacional com pequenas modificações que não alterem o seu uso ou destinação final; ou IV qualquer outra prática que frustre a efetividade da aplicação das medidas de defesa comercial em vigor. § 1o A existência da prática elisiva de que trata este artigo se configura quando houver: I alteração nos fluxos comerciais após o início do procedimento que resultou na aplicação de medida de defesa comercial, decorrente de um processo, uma atividade ou uma prática insuficientemente motivada ou sem justificativa econômica; II indícios que demonstrem a neutralização dos efeitos corretores da medida de defesa comercial aplicada, no que se refere aos preços e/ou às quantidades do produto; e III no caso de medidas antidumping, indícios de que o produto a que se refere o art. 1º está sendo exportado para o Brasil ou, conforme o caso, comercializado no mercado brasileiro a valores inferiores ao valor normal anteriormente apurado. Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10314.002503/200986 Acórdão n.º 3101001.274 S3C1T1 Fl. 1.245 7 § 2º Sem prejuízo do disposto no § 1º, uma operação de industrialização constituirá prática elisiva quando: I – após o início do procedimento que resultou na aplicação de medida de defesa comercial,se observe o início de industrialização ou seu aumento substancial com partes, peças ou os componentes do produto originários ou procedentes do país sujeito à medida de defesa comercial; e II – as partes, as peças ou os componentes originários ou procedentes do país sujeito à medida de defesa comercial representem 60% (sessenta por cento) ou mais do valor total de partes, peças ou componentes do produto. § 3º Não será considerada prática elisiva a operação de industrialização em que o valor agregado seja superior a 25% (vinte e cinco por cento) do custo de manufatura. Antes dessa disciplina, a importação de partes e peças, por exemplo, ainda que com a intenção de efetivar prática elisiva que frustrassem a aplicação das medidas de defesa comercial, não estava submetida a parâmetros seguros para estabelecer o que é e o que não é permitido no âmbito da importação de partes e peças de produtos submetidos a tratamento antidumping. Nestes termos, ainda que pudéssemos entender pela aplicação subsidiária da Resolução CAMEX nº 63/2010, ao caso vertente, providência que entendendo não ser cabível em face da irretroatividade da norma, é importante ressaltar que, mesmo assim, a fiscalização não aprofundou o levantamento de informações e provas necessárias e imprescindíveis à confrontação dos fatos com as normas estabelecidas pela referida Resolução o que impede qualquer acusação de prática de conduta elisiva. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício. Luiz Roberto Domingo Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 14751.000539/2010-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 24/09/2010
AUTO DE INFRAÇÃO. ELISÃO.
A demonstração, mediante documentos idôneos, da insubsistência, mesmo que superveniente, mas com efeitos retroativos, das razões que deram ensejo à lavratura do Auto de Infração configura-se motivo justo, bastante e determinante para a elisão do lançamento.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-002.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 24/09/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. ELISÃO. A demonstração, mediante documentos idôneos, da insubsistência, mesmo que superveniente, mas com efeitos retroativos, das razões que deram ensejo à lavratura do Auto de Infração configura-se motivo justo, bastante e determinante para a elisão do lançamento. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 14751.000539/2010-61
anomes_publicacao_s : 201307
conteudo_id_s : 5263245
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2302-002.554
nome_arquivo_s : Decisao_14751000539201061.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ARLINDO DA COSTA E SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 14751000539201061_5263245.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
id : 4936723
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045984596983808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1764; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 85 1 84 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14751.000539/201061 Recurso nº 002.554 Voluntário Acórdão nº 2302002.554 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2013 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS AIOA CFL 78 Recorrente HONORATO & ARAUJO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/09/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. ELISÃO. A demonstração, mediante documentos idôneos, da insubsistência, mesmo que superveniente, mas com efeitos retroativos, das razões que deram ensejo à lavratura do Auto de Infração configurase motivo justo, bastante e determinante para a elisão do lançamento. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 05 39 /2 01 0- 61 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008. Data da lavratura do AIOA: 24/09/2010. Data da Ciência do AIOA: 08/10/2010. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, lavrado em desfavor do Recorrente, em virtude da entrega de Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com informações incorretas ou omissas, conforme descrito no Relatório Fiscal, a fls. 05/07. CFL 78 Apresentar a empresa a declaração a que se refere a Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32, IV, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, com a redação da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, com incorreções ou omissões. Informa o auditor fiscal tratarse a autuada de empresa não optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, a qual se declarou como optante, mediante a inserção do código ‘2’ no campo próprio das GFIP relativas às competências janeiro a novembro de 2008. Em consequência, a empresa deixou recolher as contribuições previdenciárias a cargo da empresa, previstas nos incisos I, II, III do art. 22 da Lei nº 8.212/91, assim como as contribuições sociais destinadas a outras entidades e fundos. Na aplicação de multa, para as competências anteriores à vigência da Medida Provisória nº 449/2008, apurouse o somatório das multas aplicáveis à conduta de não recolher contribuições previdenciárias, com aquela decorrente da não declaração ou da declaração com omissões/incorreções de contribuições previdenciárias nas GFIP, todas calculadas em conformidade com a legislação anterior à vigência da MP nº 449/2008. O resultado de tal soma foi comparado com a multa que seria aplicável de acordo com a novel legislação, sendo aplicada aquela que se mostrou mais benéfica ao infrator. Para as infrações cometidas já sob a égide da MP nº 449/2008, foi aplicada a multa prevista nesse diploma normativo. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 36/37. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão a fls. 48/51 julgando procedente o Auto de Infração, e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 28/03/2011, conforme Aviso de Recebimento a fl. 53. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 54/55, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: Fl. 86DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14751.000539/201061 Acórdão n.º 2302002.554 S2C3T2 Fl. 86 3 · Que a empresa é optante pelo SIMPLES nacional; · Que a exigibilidade do presente credito tributário deverá ficar suspensa até que a manifestação de inconformidade do contribuinte em face do processo de n° 13449.000201/200855 seja julgada. Ao fim, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado, assim como a suspensão da exigibilidade do presente auto devido ao recurso. O julgamento em segunda Instância Ordinária houvese por convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 230200.149, a fls. 59/65, proferida pela 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF em 12 de março de 2012, para que a Autoridade Fiscal se pronunciasse, de maneira conclusiva, a respeito da efetiva data em que se houve por realizado o pedido de inclusão da empresa Recorrente no Simples Nacional, e a juntada da decisão definitiva relativa à Manifestação de Inconformidade interposta pelo Autuado no processo nº 13449.000201/200855. Acórdão nº 1136.744 – 5ª Turma da DRJ/REC, a fls. 69/71, proferido em 18 de abril de 2012 nos autos do processo nº 13449.000201/200855, julgou procedente a Manifestação de Inconformidade interposta e liberou a pendência identificada no Termo de Indeferimento à opção pelo Simples Nacional. A empresa em foco teve deferida sua inclusão no Simples Nacional com efeitos a contar de 01/01/2008, conforme despacho a fls. 72/74. Termo de Encerramento de Diligência Fiscal a fls. 78/80. Ao Sujeito Passivo foi conferida a ciência da diligência requerida e do teor do seu resultado em 13/11/2012, conforme Termo de Intimação a fl. 80, deixando transcorrer in albis o prazo que lhe fora assinalado para se manifestar nos autos do processo. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 28/03/2011. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 04 de abril do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO 2.1. DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL Pondera o Recorrente ser empresa optante pelo SIMPLES nacional e que a exigibilidade do presente crédito tributário deve ficar suspensa até que a manifestação de inconformidade do contribuinte em face do processo de n° 13449.000201/200855 seja julgada. O SIMPLES NACIONAL foi criado com o objetivo de unificar a arrecadação dos tributos e contribuições devidos pelas micro e pequenas empresas brasileiras, nos âmbitos dos governos federal, estaduais e municipais. O regime especial de arrecadação em tela não se configura como um tributo ou um sistema tributário, mas uma forma de arrecadação unificada de contribuições sociais e tributos das três esferas de governo. O sistema unificado em estudo houvese por arquitetado e construído sobre o alicerce constitucional assentado nos artigos 170, IX e 179 da Constituição Federal. Constituição Federal de 1988 Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: (...) IX tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 6, de 1995) Art. 179. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios dispensarão às microempresas e às empresas de pequeno porte, assim definidas em lei, tratamento jurídico diferenciado, visando a incentiválas pela simplificação de suas obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias e creditícias, ou pela eliminação ou redução destas por meio de lei. No plano infraconstitucional, a matéria ora em foco foi confiada à Lei Complementar nº 123/2006, que teve por primazia a instituição do Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, estabelecendo normas gerais relativas ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, especialmente no que se refere à apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação denominado SIMPLES NACIONAL. Ao tratar da adesão ao sistema simplificado em apreço, o §2º do art. 16 da Lei Complementar nº 123/2006 honrou estabelecer que a opção pelo Simples Nacional deve ser Fl. 88DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14751.000539/201061 Acórdão n.º 2302002.554 S2C3T2 Fl. 87 5 realizada no mês de janeiro, até o seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção. Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 Art.16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o anocalendário. §1º Para efeito de enquadramento no Simples Nacional, considerarseá microempresa ou empresa de pequeno porte aquela cuja receita bruta no anocalendário anterior ao da opção esteja compreendida dentro dos limites previstos no art. 3º desta Lei Complementar. §2º A opção de que trata o caput deste artigo deverá ser realizada no mês de janeiro, até o seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no §3º deste artigo. (grifos nossos) §3º A opção produzirá efeitos a partir da data do início de atividade, desde que exercida nos termos, prazo e condições a serem estabelecidos no ato do Comitê Gestor a que se refere o caput deste artigo. §4º Serão consideradas inscritas no Simples Nacional, em 1º de julho de 2007, as microempresas e empresas de pequeno porte regularmente optantes pelo regime tributário de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, salvo as que estiverem impedidas de optar por alguma vedação imposta por esta Lei Complementar. §5º O Comitê Gestor regulamentará a opção automática prevista no §4º deste artigo. §6º O indeferimento da opção pelo Simples Nacional será formalizado mediante ato da Administração Tributária segundo regulamentação do Comitê Gestor. Atendendo ao comando encapsulado no art. 77 da Lei Complementar nº 123/2006, o Comitê Gestor do Simples Nacional fez expedir a Resolução CGSN nº 4/2007, cujo art. 7º, §1º estabeleceu que a opção pelo Simples Nacional deve ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção. Estatuiu ainda o §1ºA do aludido art. 7º que enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderia regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo. Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007 Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. §1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do Fl. 89DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no §3º deste artigo e observado o disposto no §3º do art. 21. §1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; II efetuar o cancelamento da solicitação de opção, salvo se o pedido já houver sido deferido. §1ºB O disposto no §1ºA não se aplica às empresas em início de atividade. §1ºC Para os fins do disposto no inciso I do §1ºA deste artigo, a ausência ou irregularidade na inscrição municipal ou estadual, quando exigível, também é considerada como pendência impeditiva à opção pelo Simples Nacional. §2º No momento da opção, o contribuinte deverá prestar declaração quanto ao não enquadramento nas vedações previstas no art. 12, independentemente da verificação efetuada conforme disposto no art. 9º. (...) No caso sub oculi, alega o Recorrente ter feito solicitação ao Simples Nacional em 22/01/2008, às 17h19min, mediante o Processo nº 13449.000201/200855, data essa ratificada no Termo de Encerramento de Diligência Fiscal a fl. 79. Nos termos da Lei, a opção pelo Simples Nacional deve ser realizada até o último dia útil do mês de janeiro, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção. O pedido de inclusão no simples nacional foi indeferido em 22/08/2008, pela SRF/SRRF4ª RF/DRF/SACAT/JPAPB, consoante Despacho Decisório a fl. 42, sendo certo que, em face de tal decisão, o Recorrente interpôs Manifestação de Inconformidade a fl. 43. Fruto do incidente processual comandado mediante a Resolução nº 2302 00.149, a fls. 59/65, proferida pela 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF em 12 de março de 2012, a Fiscalização fez acostar aos presentes autos cópia Acórdão nº 1136.744 – 5ª Turma da DRJ/REC, a fls. 69/71, proferido em 18 de abril de 2012 nos autos do processo nº 13449.000201/200855, por intermédio do qual a Manifestação de Inconformidade acima referida houvese por julgada procedente, sendo então liberada a pendência identificada no Termo de Indeferimento à opção pelo Simples Nacional. Como resultado imediato, a empresa em foco teve deferida sua inclusão no Simples Nacional com efeitos a contar de 01/01/2008, conforme despacho a fls. 72/74. Nessa perspectiva, havendo sido o ora debatido Auto de Infração lavrado em razão de a empresa autuada ter informado, nas competências janeiro a novembro de 2008, o código ‘2’ no campo próprio das GFIP relativo à opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, quando, à data da sua lavratura, tal opção ainda não havia sido deferida, a superveniência da liberação da pendência identificada no Termo de Indeferimento à opção pelo Simples Fl. 90DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14751.000539/201061 Acórdão n.º 2302002.554 S2C3T2 Fl. 88 7 Nacional, fruto do julgamento da Manifestação de Inconformidade levado a efeito nos autos do processo nº 13449.000201/200855, e a consequente inclusão da empresa em foco no Simples Nacional com efeitos retroativos a 01/01/2008, passam a conferir os atributos de fidedignidade e correcção à informação assim declarada pelo Autuado nas GFIP em questão, paramentos bastantes e suficientes para a elisão do lançamento ora em debate. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 91DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10380.900786/2008-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002
Ementa:
É conditio sine qua non a existência de um pagamento indevido ou a maior que o devido para que o contribuinte faça jus à repetição do indébito, a qual só pode ocorrer dentro do prazo decadencial previsto na legislação. Caso contrário, estaríamos diante de um enriquecimento sem causa de uma das partes. Não ocorrendo tais condições, não há direito a crédito. Por sua vez, sem crédito, a compensação fica prejudicada, pela falta do principal pressuposto legal, qual seja: a reciprocidade de credor e devedor entre as pessoas envolvidas.
Numero da decisão: 3402-002.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para homologar a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido, nos termos do relatório de diligência
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Winderley Morais Pereira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Leonardo Mussi da Silva(Suplente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 Ementa: É conditio sine qua non a existência de um pagamento indevido ou a maior que o devido para que o contribuinte faça jus à repetição do indébito, a qual só pode ocorrer dentro do prazo decadencial previsto na legislação. Caso contrário, estaríamos diante de um enriquecimento sem causa de uma das partes. Não ocorrendo tais condições, não há direito a crédito. Por sua vez, sem crédito, a compensação fica prejudicada, pela falta do principal pressuposto legal, qual seja: a reciprocidade de credor e devedor entre as pessoas envolvidas.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10380.900786/2008-59
anomes_publicacao_s : 201308
conteudo_id_s : 5283899
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3402-002.093
nome_arquivo_s : Decisao_10380900786200859.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10380900786200859_5283899.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para homologar a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido, nos termos do relatório de diligência (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Winderley Morais Pereira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Leonardo Mussi da Silva(Suplente).
dt_sessao_tdt : Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
id : 5012493
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:12:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045984615858176
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2026; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 204 1 203 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.900786/200859 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.093 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de julho de 2013 Matéria RESTITUIÇÃO COMPENSAÇÃO Recorrente HAPVIDA ASSISTENCIA MEDICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 Ementa: É conditio sine qua non a existência de um pagamento indevido ou a maior que o devido para que o contribuinte faça jus à repetição do indébito, a qual só pode ocorrer dentro do prazo decadencial previsto na legislação. Caso contrário, estaríamos diante de um enriquecimento sem causa de uma das partes. Não ocorrendo tais condições, não há direito a crédito. Por sua vez, sem crédito, a compensação fica prejudicada, pela falta do principal pressuposto legal, qual seja: a reciprocidade de credor e devedor entre as pessoas envolvidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para homologar a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido, nos termos do relatório de diligência (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Winderley Morais Pereira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Leonardo Mussi da Silva(Suplente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 07 86 /2 00 8- 59 Fl. 511DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.900786/200859 Acórdão n.º 3402002.093 S3C4T2 Fl. 205 2 Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos, colaciono o relatório da Resolução nº 3402000297, de 01/09/2011, verbis: Tratase de pedido de ressarcimento cumulado com declaração de compensação. O credito usado na compensação é oriundo de pagamento a maior do PIS, efetuado em 13/12/2002. O Despacho decisório considerou que o recolhimento informado na DCOMP foi totalmente utilizado para quitar os débitos informados na DCTF, não havendo credito a ser usado na compensação. O pedido foi indeferido e as compensações não foram homologadas. Cientificada a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando: o crédito apurado em seu favor decorreu de correção nos cálculos de apuração do PIS, entretanto não foi efetivada a retificação através do envio de DCTF retificadora, bem como de DIPJ retificadora. detectada a falha, foi apresentada somente a retificação da DIPJ. A DCTF não foi apresentada em virtude de o contribuinte ter recebido Termo de Intimação para prestar esclarecimentos acerca de divergências apresentadas entre DIPJ e DCTF relativo à COFINS. em dezembro de 2006 apresentou as justificativas para o Termo de Intimação e solicitou orientação sobre a necessidade de retificação das DCTF já que estava sob procedimento fiscal. A orientação até hoje não foi recebida. anexa os PER/DCOMP e planilhas de atualização do alegado crédito. considera que com a retificação da DCTF, estará regularizada a pendência. Para tanto procedeu a retificação da DCTF de 2002 em 04 de junho de 2008. Requer o acatamento da retificação da DCTF, como também que os PER/DCOMP sejam acolhidos e que a cobrança dos débitos constantes das notificações sejam anuladas. A autoridade julgadora a quo indeferiu a solicitação. A contribuinte apresenta recurso voluntário alegando as mesmas razões da inicial, acrescendo: • o crédito apurado em favor da recorrente decorreu de correção nos cálculos de apuração do PIS, Fl. 512DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.900786/200859 Acórdão n.º 3402002.093 S3C4T2 Fl. 206 3 • a retificação das DCTF foi realizada em virtude da revisão de DIPJ realizada no âmbito do processo 10.380.001058/2007 81(anexo I) que culminou com a lavratura de Auto de Infração da COFINS . Neste processo o nobre auditor fiscal utilizou como base para autuação os valores constantes da DIPJ como podemos observar as folhas 08 deste processo nota de rodapé "Fonte : coluna (A e B) Linha 20 e 21 da ficha 20a — DIPJ"(anexo II). • Se o auditor utilizou a DIPJ para realizar a autuação é porque verificou junto a escrituração contábil que os valores estavam corretos e portanto válidos(vide anexo III), razão pela qual a contribuinte também poderia utilizarse destas mesmas informações para lastrear seu pedido de restituição já que a base de cálculo da COFINS é a mesma do PIS. • O que este contribuinte fez foi apenas adequar a base de cálculo utilizada pelo auditor autuante no processo 10380.001058/200781 COFINS, à base de cálculo do PIS objeto da presente defesa, razão pela qual restaram evidenciados o pagamento à maior que foi objeto do presente crédito ora utilizado. • Os r. julgadores afirmam ter verificado que a recorrente apresentou DIPJ antes de cientificado da decisão denegatória de seu pedido, no entanto, a DIPJ, tratase de mecanismo meramente informativo de informações econômico fiscais, sem portanto, ter força de confissão. A Declaração que faria provas ao direito credit6rio seria a DCTF, por força do art. 5° do Decretolei nº 2.124/84, c/c o parágrafo 1º do artigo 90 da Instrução Normativa SRF no. 482, de 21 de dezembro de 2004, que lhe atribuem a condição de instrumento de confissão de divida e constituição definitiva de credito tributário. • Discorre sobre a ilegalidade da norma que criou a DCTF e deu a esta o caráter de confissão de divida. A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF converteu o julgamento em diligência para que o órgão de origem tomasse as seguintes providências: 1) Intimar a contribuinte para que ela apresente copias de seus livros fiscais demonstrando as corretas bases de calculo do PIS devido; 2) Intimar a contribuinte para que ela efetivamente demonstre através de planilha demonstrativa pormenorizada, embasadas em documentos contábeis fiscais, a correta base de calculo da contribuição devida, os valores recolhidos por meio de DARF e os valores que entende indevidos, bem como quais os valores já utilizados em outras compensações (com a devida comprovação); e Fl. 513DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.900786/200859 Acórdão n.º 3402002.093 S3C4T2 Fl. 207 4 3) Verificar diante das informações e documentos apresentados pela contribuinte a existência do alegado direito creditório, inclusive com elaboração de demonstrativos de calculo e relatório final de diligencia, anexando os documentos que se fizerem necessários para o deslinde da questão. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza intimou o sujeito passivo para apresentar os documentos necessários para a feitura da diligência proposta. Passado o prazo de 20 dias, o contribuinte mantevese inerte. A Autoridade Preparadora fez a análise solicitada pelo Colegiado do Carf com base nos registros documentais que possuía. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Conforme relatado, a lide posta nos autos diz respeito a pedido de restituição cumulado com declarações de compensação. Este Colegiado baixou o processo em diligência para análise de questões imprescindíveis para o julgamento da controversa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza/CE realizou o trabalho de campo, ao final produziu um relatório fiscal, o qual o recorrente teve ciência para contestar e manifestou concordância com os dados apurados pelo Fisco. Com base nas apurações feitas pela Delegacia de Origem constato: a) Que o recorrente pleiteou um crédito financeiro referente ao recolhimento do PIS efetuado em 13/12/2002 no valor de R$ 37.434,56 e foi apurado um crédito a seu favor no valor de R$ 37.434,79; b) Que o recorrente utilizou o valor acima para compensar créditos tributários do IRRF referente à fevereiro de 2004 no valor de R$ 26.888,46; c) Que no processo nº 10380.901057/200810 o recorrente pleiteia a compensação deste mesmo crédito com débitos do IRRF referente à novembro de 2003, no valor de R$ 13.832,28; e d) Que a soma dos valores compensados resulta em R$ 40.720,74 e o valor apurado foi de R$ 37.434,79. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.900786/200859 Acórdão n.º 3402002.093 S3C4T2 Fl. 208 5 É de meridiana obviedade que o recorrente não tinha valores a restituir suficientes para contemplar toda a compensação pretendida. Diante desta quadro, convém tecer resumidas linhas sobre os institutos da restituição e da compensação. Nos casos de pagamento indevido ou a maior, fatos que justificam uma eventual repetição do indébito, a idéia de restituir é para que ocorra um reequilíbrio patrimonial. O direito de repetir o que foi pago emerge do fato de não existir débito correspondente ao pagamento. Portanto, a restituição é a devolução de um bem que foi transladado de um sujeito a outro equivocadamente. Deve ficar entre dois parâmetros, não podendo ultrapassar o enriquecimento efetivo recebido pelo agente em detrimento do devedor, tampouco ultrapassar o empobrecimento do outro agente, isto é, o montante em que o patrimônio sofreu diminuição. O ordenamento jurídico estabelece a obrigação de restituir a “todo aquele que recebeu o que lhe não era devido”, e essa obrigação se extingue com a restituição do indevido ou com a decadência do direito. A restituição do indevido pode ser feita por meio da compensação, que é uma forma indireta de extinção da obrigação, feita por uma via oblíqua. Doutrinariamente, a compensação é dividida em duas categorias: a legal e a convencional. A adotada pelo direito tributário é a legal, ou seja, presentes os pressupostos legais, ela se opera independentemente da vontade dos interessados. O conteúdo semântico do termo compensação, adotado pelo Código Tributário Nacional, tem os mesmos contornos do conceito consolidado no direito civil. Não se pode olvidar que os termos e conceitos jurídicos consolidados no direito privado não podem ser modificados pela lei tributária, conforme reza o art. 110 do CTN. É pressuposto da compensação que os sujeitos possuam uma condição recíproca de credor e devedor. Existe uma contraposição de direitos e obrigações que, colocados na balança e equilibrados, se extinguem. Tal extinção assemelhase ao pagamento, contudo um pagamento indireto pela exclusão de um débito em face do direito a um crédito. Nesta linha, podese inferir que compensar significa fazer um acerto no equilíbrio entre os débitos e os créditos que duas pessoas têm, ao mesmo tempo. Portanto, temos como pressupostos de admissibilidade da compensação legal a reciprocidade dos créditos (obrigações), a liquidez das dívidas, a exigibilidade atual das prestações e a homogeneidade das prestações (fungibilidade dos débitos). Após essa breve explanação, fica evidente que é conditio sine qua non a existência de um pagamento indevido ou a maior que o devido para que o contribuinte faça jus à repetição do indébito, a qual só pode ocorrer dentro do prazo decadencial previsto na legislação. Caso contrário, estaríamos diante de um enriquecimento sem causa de uma das partes. Não ocorrendo tais condições, não há direito a crédito. Por sua vez, sem crédito, a compensação fica prejudicada, pela falta do principal pressuposto legal, qual seja: a reciprocidade de credor e devedor entre as pessoas envolvidas. No direito tributário nacional, a compensação está prevista na espécie denominada de “compensação legal”, e assim sendo constitui um direito subjetivo que pode ser exercitado por quem se encontre em situação hábil a pleiteála exigindo que sua obrigação tributária seja extinta em procedimento de compensação, conquanto que sejam preenchidos os seguintes requisitos legais: Fl. 515DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.900786/200859 Acórdão n.º 3402002.093 S3C4T2 Fl. 209 6 · Especificidade, isto é, a existência de lei autorizativa específica; · A estipulação de condições e garantias na lei autorizativa específica; · Reciprocidade, ou seja, o sujeito passivo deve ser portador de créditos próprios oponíveis a outros créditos da Fazenda Pública; · Liquidez, que se caracteriza pelos créditos devidamente quantificados e expressos em unidades monetárias; · Certeza, diz respeito a sua constituição fundada na existência de uma relação jurídico tributária completamente definida; · Exigibilidade irrestrita relativamente aos créditos vencidos e também vincendos de compensação. Cumpre observar que o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no art. 170 da Lei nº 5.172, de 26 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), que diz: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.” É oportuno tecer algumas linhas acerca da história da compensação tributária. O Código Tributário Nacional arrolou a compensação como uma das modalidades de extinção do crédito tributário, cometendo à lei ordinária a tarefa de disciplinarlhe as condições e garantias (art. 170 do CTN). Essa previsão encampa uma conotação de norma delineadora de simples perspectiva de direito, notadamente por ser dirigida à autoridade administrativa. Com o escopo de fulminar qualquer conjectura voltada à atribuição de letra morta ao instituto da compensação em matéria tributária, em nível federal, houve a devida instrumentalização desse instituto jurídico, de modo que a Lei nº 8.383/91, por força do seu art. 66, passou a autorizar a autocompensação de indébitos tributários no âmbito do lançamento por homologação. Assim, para que o contribuinte pudesse se valer do direito subjetivo à autocompensação de indébito tributário, nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383/91, com alterações introduzidas pelo art. 39 da Lei nº 9.250/95, bastava, simplesmente, que o mesmo tivesse efetuado pagamento indevido ou maior de tributos e que a compensação se realizasse com débitos vincendos de tributos da mesma espécie e destinação constitucional. Todavia, essa autocompensação deveria ficar demonstrada na contabilidade do sujeito passivo, tendo em vista o poderdever do fisco de fiscalizar e verificar a regularidade Fl. 516DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.900786/200859 Acórdão n.º 3402002.093 S3C4T2 Fl. 210 7 da compensação, ou, sendo o caso, diante da apuração de eventuais irregularidades, cabendo lhe notificar as diferenças e/ou excessos praticados. Desta forma, provase que ocorreu a autocompensação com a apresentação da respectiva escrituração nos livros fiscais. Com o advento da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, artigos 73 e 74, a Administração Tributária passou a admitir a compensação de créditos do sujeito passivo, perante a SRF, decorrentes de restituição ou ressarcimento, com seus débitos tributários relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da mesma Secretaria, vencidos ou vincendos, ainda que não fossem da mesma espécie e nem tivessem a mesma destinação constitucional. “Art. 73. Para efeito do disposto no art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição. Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração.” Regulamentando os artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, foi baixado o Decreto nº 2.138, de 29/01/1997, dispondo sobre a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo, decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, a ser efetuada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil: “Art. 1°. É admitida a compensação de créditos do sujeito passivo perante a Secretaria da Receita Federal, decorrentes de restituição ou ressarcimento, com seus débitos tributários relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da mesma Secretaria, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. Parágrafo único. A compensação será efetuada pela Secretaria da Receita Federal, a requerimento do contribuinte ou de ofício, mediante procedimento interno, observado o disposto neste Decreto. (...) Art. 7º. O Secretário da Receita Federal baixará as normas necessárias à execução deste Decreto.” A Secretaria da Receita Federal do Brasil normatizou os procedimentos de compensação mediante edição da IN/SRF nº 21, de 10/03/1997, alterada pela IN/SRF nº 73, de 15/09/1997. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.900786/200859 Acórdão n.º 3402002.093 S3C4T2 Fl. 211 8 Sempre que o contribuinte fosse detentor de um crédito perante SRFB podia utilizálo na liquidação ou amortização de débito do mesmo tributo ou de outro tributo. Assim, a compensação poderia ser feita: · Independentemente de requerimento, se relativo a tributo ou contribuição da mesma espécie e se o crédito fosse anterior ao débito (IN SRF nº 21, art. 14); · Mediante requerimento do contribuinte: se relativo a tributo ou contribuição de espécie diferente (IN SRF nº 21, art 12). Neste caso, a compensação de débitos vincendos poderia ser efetuada desde que não existissem débitos vencidos, ainda que parcelados (IN SRF nº 21, art.12, § 3°); quando o débito fosse anterior ao crédito (IN SRF nº 21, art.14, §7°); quando o débito for de outro contribuinte (IN SRF nº 21, art.15); quando o débito for decorrente de lançamento de ofício (IN SRF nº 21, art. 16); · Em procedimento de ofício (IN SRF nº 21, art. 6º). A partir de 01/10/2002, com a publicação da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, implementaramse novas regras para a compensação: “Art. 49. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º. A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3º. Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.900786/200859 Acórdão n.º 3402002.093 S3C4T2 Fl. 212 9 § 4º. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5º. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo.” Com essa alteração, a compensação passa a ser declarada pelo próprio contribuinte, por meio da entrega da “Declaração de Compensação” (eletrônica, pelo PER/DCOMP, a partir de 14/05/2003), na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. A compensação realizada nesses moldes extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, em 01/10/2002, foram transformados em declaração de compensação, desde o seu protocolo, e os débitos a ela vinculados passaram para a condição de extintos sob condição resolutória. De se observar que o Parecer PGFN/CAT nº 1.499, de 28/09/2005, em análise sobre diversos aspectos inerentes ao instituto da compensação, assim se manifestou sobre essas questões: “143. Ante todo o exposto, chegase às seguintes conclusões: (....) c.1) os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, se observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata; c.2) assim, os pedidos administrativos de compensação, fundados em créditos de terceiro, pendentes de análise pela RF, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria (Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03), não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação. Ou seja, não se aplicam a conversão do “pedido de compensação” em “declaração de compensação” (com a extinção automática do crédito tributário), e nem mesmo, por conseqüência, o prazo previsto no § 5º, do art. 74, da lei nº 9.430/96 para homologação da compensação (cinco anos); c.3) aplicase o entendimento retro, também, aos pedidos de compensação, pendentes de apreciação, quando fundados em créditos que se refiram a “créditoprêmio” instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 05 de março de 1969; ou que se refiram a títulos públicos; ou sejam decorrentes de decisão judicial não transitada em julgado; ou que não se refiram a tributos ou contribuições administrados pela RF; (...) Fl. 519DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.900786/200859 Acórdão n.º 3402002.093 S3C4T2 Fl. 213 10 Retornando aos autos, diante dos fundamentos jurídicos e legais postos nos autos, dou provimento parcial ao recurso voluntário para homologar a compensação declarada até o limite do crédito financeiro reconhecido, nos termos do relatório de diligência. É como voto. Sala das Sessões, em 23/07/2013 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 520DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 11030.720660/2011-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
RECURSO DE OFÍCIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INSTAURAÇÃO. LITÍGIO ADMINISTRATIVO.
Instaurado o litígio administrativo, encerra-se o prazo para revisão de ofício do lançamento. A superveniente formalização da exigência acarreta vício que inquina de nulidade o lançamento. Precedentes da CSRF do Conselho de Contribuintes.
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRELIMINAR. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. DESCRIÇÃO DOS FATOS.
Não acarreta nulidade do lançamento a falta de descrição dos fatos no corpo do auto de infração. A confecção de termos de verificação, planilhas e outros demonstrativos acessórios ao auto de infração não invalidam o lançamento, mormente quando o contribuinte teve condições de conhecer cada infração contra ele imputada, podendo delas defender-se. Preliminar rejeitada.
RECURSO VOLUNTÁRIO. PIS E COFINS. PRODUTO ACABADO. OPERAÇÕES DE COMPRA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. QUALIFICAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. CRÉDITO PRESUMIDO. MANUTENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
As aquisições de óleo de soja degomado, onde, por ordem do adquirente, o fornecedor entregou o produto diretamente ao porto ou recinto alfandegado para subsequente exportação, qualificam-se como operações de compra com fim específico de exportação, de molde a se enquadrar o adquirente como empresa comercial exportadora na forma do §4° do artigo 6° da Lei n° 10.833/2003, desautorizando o desconto de créditos de PIS e COFINS. Ademais, o desconto de créditos presumidos dessas contribuições, na forma do artigo 8° da Lei n° 10.925/2004 só é autorizado para as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal. Desse modo, é indispensável para a fruição de tais créditos o desempenho de atividade industrial.
RECURSO VOLUNTÁRIO. SOJA IN NATURA. AQUISIÇÃO. NÃO CUMULATIVIDADE. COOPERATIVAS. CRÉDITOS INTEGRAIS. PIS E COFINS. IMPOSSIBILIDADE.
Na forma do artigo 9° da Lei n° 10.925/2004, as vendas promovidas por cooperativas devem observar o regime de suspensão do PIS e da COFINS. O descumprimento do referido dispositivo pela cooperativa, que por qualquer razão decide tributar suas vendas, não autoriza, por via reflexa, o desconto de créditos pelo adquirente das mercadorias. A não cumulatividade das referidas contribuições só autoriza o desconto de créditos nas hipóteses previstas em lei.
JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL
A obrigação tributária principal tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
Preliminar de nulidade do auto de infração rejeitada. Recursos de ofício e voluntário não providos.
Numero da decisão: 3202-000.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário: (a) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração. (b) No mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Júnior, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa, que davam provimento parcial ao recurso, para excluir a aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício. O Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves reconhecia, ainda, o crédito da contribuinte em relação às aquisições de soja, realizadas pela recorrente, das cooperativas. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o advogado Wernerson Hosang, OAB/RS nº. 056.007.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior Relator
Luís Eduardo Garrossino Barbieri - Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201303
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 RECURSO DE OFÍCIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INSTAURAÇÃO. LITÍGIO ADMINISTRATIVO. Instaurado o litígio administrativo, encerra-se o prazo para revisão de ofício do lançamento. A superveniente formalização da exigência acarreta vício que inquina de nulidade o lançamento. Precedentes da CSRF do Conselho de Contribuintes. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRELIMINAR. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. DESCRIÇÃO DOS FATOS. Não acarreta nulidade do lançamento a falta de descrição dos fatos no corpo do auto de infração. A confecção de termos de verificação, planilhas e outros demonstrativos acessórios ao auto de infração não invalidam o lançamento, mormente quando o contribuinte teve condições de conhecer cada infração contra ele imputada, podendo delas defender-se. Preliminar rejeitada. RECURSO VOLUNTÁRIO. PIS E COFINS. PRODUTO ACABADO. OPERAÇÕES DE COMPRA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. QUALIFICAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. CRÉDITO PRESUMIDO. MANUTENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. As aquisições de óleo de soja degomado, onde, por ordem do adquirente, o fornecedor entregou o produto diretamente ao porto ou recinto alfandegado para subsequente exportação, qualificam-se como operações de compra com fim específico de exportação, de molde a se enquadrar o adquirente como empresa comercial exportadora na forma do §4° do artigo 6° da Lei n° 10.833/2003, desautorizando o desconto de créditos de PIS e COFINS. Ademais, o desconto de créditos presumidos dessas contribuições, na forma do artigo 8° da Lei n° 10.925/2004 só é autorizado para as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal. Desse modo, é indispensável para a fruição de tais créditos o desempenho de atividade industrial. RECURSO VOLUNTÁRIO. SOJA IN NATURA. AQUISIÇÃO. NÃO CUMULATIVIDADE. COOPERATIVAS. CRÉDITOS INTEGRAIS. PIS E COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Na forma do artigo 9° da Lei n° 10.925/2004, as vendas promovidas por cooperativas devem observar o regime de suspensão do PIS e da COFINS. O descumprimento do referido dispositivo pela cooperativa, que por qualquer razão decide tributar suas vendas, não autoriza, por via reflexa, o desconto de créditos pelo adquirente das mercadorias. A não cumulatividade das referidas contribuições só autoriza o desconto de créditos nas hipóteses previstas em lei. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL A obrigação tributária principal tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Preliminar de nulidade do auto de infração rejeitada. Recursos de ofício e voluntário não providos.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11030.720660/2011-31
anomes_publicacao_s : 201306
conteudo_id_s : 5262767
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3202-000.683
nome_arquivo_s : Decisao_11030720660201131.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 11030720660201131_5262767.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário: (a) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração. (b) No mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Júnior, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa, que davam provimento parcial ao recurso, para excluir a aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício. O Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves reconhecia, ainda, o crédito da contribuinte em relação às aquisições de soja, realizadas pela recorrente, das cooperativas. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o advogado Wernerson Hosang, OAB/RS nº. 056.007. Irene Souza da Trindade Torres - Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Luís Eduardo Garrossino Barbieri - Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
id : 4934072
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045984632635392
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2416; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 655 1 654 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.720660/201131 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3202000.683 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2013 Matéria PIS E COFINS Recorrente OLFAR INDUSTRIA E COMÉRCIO DE ÓLEOS VEGETAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 RECURSO DE OFÍCIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INSTAURAÇÃO. LITÍGIO ADMINISTRATIVO. Instaurado o litígio administrativo, encerrase o prazo para revisão de ofício do lançamento. A superveniente formalização da exigência acarreta vício que inquina de nulidade o lançamento. Precedentes da CSRF do Conselho de Contribuintes. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRELIMINAR. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. DESCRIÇÃO DOS FATOS. Não acarreta nulidade do lançamento a falta de descrição dos fatos no corpo do auto de infração. A confecção de termos de verificação, planilhas e outros demonstrativos acessórios ao auto de infração não invalidam o lançamento, mormente quando o contribuinte teve condições de conhecer cada infração contra ele imputada, podendo delas defenderse. Preliminar rejeitada. RECURSO VOLUNTÁRIO. PIS E COFINS. PRODUTO ACABADO. OPERAÇÕES DE COMPRA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. QUALIFICAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. CRÉDITO PRESUMIDO. MANUTENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. As aquisições de óleo de soja degomado, onde, por ordem do adquirente, o fornecedor entregou o produto diretamente ao porto ou recinto alfandegado para subsequente exportação, qualificamse como operações de compra com fim específico de exportação, de molde a se enquadrar o adquirente como empresa comercial exportadora na forma do §4° do artigo 6° da Lei n° 10.833/2003, desautorizando o desconto de créditos de PIS e COFINS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 06 60 /2 01 1- 31 Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11030.720660/201131 Acórdão n.º 3202000.683 S3C2T2 Fl. 656 2 Ademais, o desconto de créditos presumidos dessas contribuições, na forma do artigo 8° da Lei n° 10.925/2004 só é autorizado para as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal. Desse modo, é indispensável para a fruição de tais créditos o desempenho de atividade industrial. RECURSO VOLUNTÁRIO. SOJA IN NATURA. AQUISIÇÃO. NÃO CUMULATIVIDADE. COOPERATIVAS. CRÉDITOS INTEGRAIS. PIS E COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Na forma do artigo 9° da Lei n° 10.925/2004, as vendas promovidas por cooperativas devem observar o regime de suspensão do PIS e da COFINS. O descumprimento do referido dispositivo pela cooperativa, que por qualquer razão decide tributar suas vendas, não autoriza, por via reflexa, o desconto de créditos pelo adquirente das mercadorias. A não cumulatividade das referidas contribuições só autoriza o desconto de créditos nas hipóteses previstas em lei. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL A obrigação tributária principal tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Preliminar de nulidade do auto de infração rejeitada. Recursos de ofício e voluntário não providos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário: (a) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração. (b) No mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Júnior, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa, que davam provimento parcial ao recurso, para excluir a aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício. O Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves reconhecia, ainda, o crédito da contribuinte em relação às aquisições de soja, realizadas pela recorrente, das cooperativas. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o advogado Wernerson Hosang, OAB/RS nº. 056.007. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11030.720660/201131 Acórdão n.º 3202000.683 S3C2T2 Fl. 657 3 Gilberto de Castro Moreira Junior – Relator Luís Eduardo Garrossino Barbieri Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Tratase de recursos voluntário e de ofício, ambos interpostos contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, RS (DRJ/POA), que deu parcial provimento à impugnação de OLFAR INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ÓLEOS VEGETAIS LTDA e cancelou parte da exigência fiscal. Em vista de o valor envolvido superar o patamar previsto no artigo 1° da Portaria MF n° 3, de 3 de janeiro de 2008, a DRJ/POA recorre de ofício. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do acórdão citado, in verbis: Contra a empresa antes qualificada foram lavrados dois Autos de Infração, a saber: a) o primeiro formalizou a exigência de COFINS nãocumulativa, com intimação para recolhimento do valor de R$ 10.218.059,74, referente a fatos geradores entre 01/02/2007 e 31/10/2009. Esse valor (principal) foi acrescido da multa de ofício de 75% e juros de mora regulamentares. Constou fundamentação legal. Houve ciência em 03/05/2011; b) o segundo formalizou a exigência de PIS nãocumulativo, com intimação para recolhimento do valor de R$ 2.241.273,61, referente a fatos geradores entre 01/02/2007 e 31/10/2009. Esse valor (principal) foi acrescido da multa de ofício de 75% e juros de mora regulamentares. Constou base legal. Houve ciência em 03/05/2011. Foi lavrado Termo de Verificação de Ação Fiscal onde, em síntese, referiu o autuante que houve Apuração incorreta dos créditos presumido do PIS e da Cofins não cumulativo decorrente de aquisições de soja “in natura” no mercado interno por empresa agroindustrial de óleo vegetal. Em relação à contribuinte registrou tratarse de empresa de extração de óleo vegetal da leguminosa soja, que também atua como cerealista quando revende parte de Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11030.720660/201131 Acórdão n.º 3202000.683 S3C2T2 Fl. 658 4 suas compras (soja, milho e trigo) a terceiros sem industrializar, ou seja, vende "in natura", para o comércio interno e externo. Disse, ainda, que referente à produção industrial de óleo de soja, este é vendido ao mercado interno e externo. No decorrer do Termo, apontou: ♦ No período analisado verificamos que a Contribuinte não discriminou ou não segregou na sua contabilidade as compras da soja "in natura" para fins de apuração dos créditos presumidos a que tem direito. Para isto, se utiliza da conta intitulada matériaprima a prazo, (...). Nestas contas também são lançadas outras matériasprimas. É necessário que a mesma efetue a separação contábil das aquisições de soja em decorrência do crédito presumido a que tem direito, a fim de cumprir o § 4o, do Art. 8o da IN SRF n° 660/2004. ♦ A Contribuinte adquire soja "in natura" de cerealista, cooperativas e de pessoas físicas para uso como matériaprima na produção de óleo de soja. Sobre estas aquisições a Contribuinte poderá calcular o crédito presumido estabelecido pela IN SRF n° 660/2006. (...). Sobre valores desta conta são calculados os créditos presumidos. ♦ A divergência encontrada decorre do percentual obtido das vendas totais e as vendas com suspensão e isenção do PIS e da Cofins no mês, aplicado, o percentual encontrado, sobre o montante do soja "in natura" adquirida. A utilização do crédito presumido pelas agroindústrias é definido pelo art. 8° da Lei n° 10.925/2004, que assim reza: "deduzir da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração". ♦ (...) Entretanto, a norma estabelece que o produto seja tributado em sua saída (...). ♦ Quando a Contribuinte exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos "in natura" de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10,18, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM, é considerada pessoa jurídica cerealista, sendolhe vedada apurar o mencionado crédito presumido, como já faz em sua vendas "in natura" de soja para o mercado interno e externo (...). Quando extrai o óleo de soja obtendo um produto pronto, a apuração do crédito presumido em questão, o requisito de destinação é à alimentação humana ou animal das mercadorias produzidas. Em relação a estas vendas podemos concluir que quando destinadas para o: mercado interno poderá se creditar do crédito presumido, quando os produtos vegetais industrializados forem tributados no mercado interno, exceto quando tributados pela alíquota zero ou suspensos. Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11030.720660/201131 Acórdão n.º 3202000.683 S3C2T2 Fl. 659 5 mercado externo as vendas para exportação não permitem configurar a destinação exigida pela IN SRF 660/2006, bem como estas vendas são realizadas com a saída dos produtos prontos do estabelecimento como: VENDAS COM SUSPENSÃO DE TRIBUTOS, para depois de exportados se transformarem em Vendas Isentas. Se verificarmos no art. 5o da IN SRF 977/2009, referente aos produtos pecuários, podemos observar que o legislador deixou claro para doze produtos derivados da posição 01.02 da NCM e destinados a exportação, que o vendedor poderá calcular o crédito presumido sobre os insumos utilizados somente àqueles produtos exportados (da pecuária) . Já para os produtos vegetais, IN SRF 660/2006, não os listou e também não configurou tal hipótese de desconto sobre os insumos aplicados sobre os produtos vegetais exportados. Desta forma, as vendas para o mercado externo de produtos prontos vegetais é uma venda com suspensão de tributos do PIS e da Cofins não cumulativa e, os créditos presumidos calculados sobre seus insumos também deverão ser excluídos quando destas vendas realizadas. Conforme art. 3o, § 3°, § 2°, da IN SRF n° 660/2006. ♦ Diante da demonstração (...) de que os valores das exportações não mantém crédito presumido calculado sobre os insumos vegetais utilizados no processo industrial, efetuamos os cálculos sobre o percentual que será excluído do crédito presumido a cada mês, obtendo o crédito para ser utilizado para abater do débito apurado mensalmente. Em 02/06/2011 a contribuinte apresentou impugnação onde inicialmente refere às peças de lançamento e às razões fazendárias contidas no Termo de Verificação de Ação Fiscal, aduzindo, a seguir, de forma sintética: • os lançamentos em tela apresentam vícios, equívocos ou impropriedades de ordem formal, legal [material] e/ou factual que determinam sua improcedência. As anomalias mencionadas redundam da inobservância e/ou inadequação aos princípios/normas basilares que regem a tributação das espécies vertidas (aspecto material), sobremais por conterem vários equívocos de ordem factual; • requer que até a decisão final lhe seja garantida a juntada de quaisquer documentos que julgue necessário à melhor resolução da presente lide, permitindose a possibilidade de exercício do direito a mais ampla defesa e contraditório; Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11030.720660/201131 Acórdão n.º 3202000.683 S3C2T2 Fl. 660 6 • requer sejam declarados nulos os autos de infração, face à ausência do requisito legal Descrição dos Fatos (violação aos arts. 10, incisos III e IV, e 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972); • o Fisco respaldou as exigências na interpretação extraída dos arts. 8º da Lei n° 10.925, de 2004 e, principalmente, no que prescrevem os arts. 3° e 8° da IN SRF n° 660, de 2004. Em suma, as autuações se fundamentam em duas premissas: 1. restringese a utilização do crédito presumido às operações de saídas (output) tributadas pelas contribuições, caso não verificado no que concerne às vendas para o mercado externo, por força de isenções fiscais; 2. não seria possível configurar o requisito destino das mercadorias em questão à alimentação humana ou animal quando destinadas à adquirentes sediados no exterior. • as glosas fiscais perpetradas são insubsistentes, eis que os créditos presumidos de PIS e de COFINS foram legalmente calculados com esteio no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, devendo, assim, serem mantidos, ainda que as saídas de produtos industrializados se destinem ao mercado externo; • a empresa é pessoa jurídica tributada pelo lucro real que adquire junto a pessoas físicas e jurídicas, submetidas ao regime de suspensão das contribuições para o PIS e COFINS (art. 9° da Lei nº 10.925, de 2004) soja em grão para o fim de produzir farelo e óleo de soja degomado, destinadas à alimentação humana ou animal, fazendo jus ao cálculo de crédito presumido dos tributos à razão de 35% (até 07/2007) e 50% (a partir de 08/2007) das alíquotas estabelecidas pelos arts. 3o das Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003; • o direito ao crédito presumido materializase no instante das aquisições de mercadorias e produtos elencados no art. 8o da Lei n° 10.925, de 2004, ou seja, em momento anterior às definições de seus destinos, e, principalmente, da ocorrência (ou não) dos fatos geradores de possíveis obrigações tributárias (PIS e COFINS). Estes só ocorrem se for o caso, no instante das saídas das mercadorias, mediante faturamento. Assim, o fato gerador de aquisição do direito creditório e o fato gerador de possível obrigação tributária são dissociados, não havendo se falar em vinculação do crédito legalmente tomado na entrada (imput) com débitos sucedidos nas saídas (output), como equivocadamente intuiu o Fisco; Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11030.720660/201131 Acórdão n.º 3202000.683 S3C2T2 Fl. 661 7 • tendo incidido a contribuição em relação às operações anteriores (ainda que presumidamente, pelo legislador ordinário), o direito ao crédito será mantido, vedandose o estorno relativamente às citadas contribuições, ainda que a operação subsequente esteia isenta, sujeita à alíquota zero, ou seja, intributável; • em relação à IN SRF nº 660, de 2006, não há absolutamente nenhuma restrição (expressa) quanto à manutenção dos créditos presumidos vinculados às receitas decorrentes de exportação para efeito de deduzir dos saldos devedores (PIS e COFINS) apurados no mercado interno, em razão da ocorrência dos respectivos fatos geradores pelo regime da não cumulatividade; • o ADI nº 15, de 2005, ao esclarecer que os créditos presumidos não podem ser objeto de pedidos de compensação ou ressarcimento (no que se alinha ao inciso II do § 2º do art. 8º da IN SRF 660, de 2006), claramente admite a manutenção e utilização, ainda que os produtos em que insumidos (grãos de soja NCM 12.01) sejam destinados ao mercado externo, podendo ser utilizados para efeito de abatimento de eventuais saldos devedores (...apuradas no regime de incidência nãocumulativa), tal como se deu nas operações firmadas; • admitida a possibilidade de a IN SRF nº 660, de 2006, externar objeções à manutenção dos créditos presumidos glosados pelo Fisco, devese ter presente que quaisquer normas hierarquicamente inferiores (CF art. 59) que afrontem o que está expressamente prescrito pela lei que rege a matéria (art. 8º da Lei n° 10.925, de 2004) revelarseiam incontestavelmente ilegais. Como a Autoridade Fazendária deve obediência ao que permite a lei, dela não podendo refurgirse, posto sua atividade ser a ela "plenamente vinculada" (inteligência dos art. 3º e 142 do CTN), forçoso concluir que os lançamentos efetuados à margem da legalidade se tornariam inválidos; • a empresa tem o direito (legal) à manutenção dos créditos presumidos vinculados a receitas obtidas com a exportação de óleo e farelo de soja, industrializados com o insumo classificado na NCAA 1201, porquanto com o advento da MP n° 106/2004, posteriormente convertida na Lei n° 11.033, de 2004, galvanizou o legislador federal ordinário, de modo categórico (art. 17), que os créditos de PIS e COFINS podem ser mantidos pela empresa na hipótese de suas saídas se darem ao abrigo de isenção, nãoincidência, alíquota zero e suspensão, como é o caso; • a IN RFB n° 977, de 2009, calcada nas disposições da Lei n° 12.058, de 2009, bem como a Lei n° 12.350, de 2010, testificam que tais créditos Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11030.720660/201131 Acórdão n.º 3202000.683 S3C2T2 Fl. 662 8 (presumidos) sempre foram passíveis de manutenção e aproveitamento, inobstante o destino dos produtos (se para o MI ou ME); • não há razão lógica alguma para que o Fisco lance dúvidas sobre o destino das mercadorias apenas e tãosomente porque comercializadas para o mercado externo. À luz da desconfiança inventada pelo Autuante, terseia que admitir que todas as operações de vendas, mesmo aquelas realizadas no mercado interno, não serviriam ao propósito de "configurar" a destinação para alimentação humana ou animal, sobretudo porque, à rigor, as operações seguem os mesmíssimos padrões formais, para ambos os casos (à exceção da necessidade de formalização de ME ou RE, para casos de venda ao exterior); • o requisito "destinação" caracterizase no instante em que a empresa produz e/ou decide vender os produtos industrializados em pauta, seja no mercado interno ou externo. Se, por ventura, este ou aquele adquirente decide, por motivos desconhecidos e alheios à vontade e controle da empresa, dar destino diverso às toneladas de óleo ou o farelo de soja, ou não as utilize para o fim exigido pela lei, a responsabilidade pelo descumprimento do requisito "destinação" não mais poderá recair sobre a alienante (OLFAR), por absoluta ausência de amparo legal; • é ilegal o método de cálculo eleito pelo Fisco para efeito de determinar os coeficientes de glosas dos créditos presumidos em contenda. Os critérios utilizados para a determinação das exigências são inconsistentes, porquanto preferiuse adotar as receitas de exportação em razão daquelas obtidas no mercado interno para o fim de encontrar o percentual de invalidação dos créditos calculados na entrada (art. 8º da Lei n° 10.925, de 2004), pouco importando se vinculados aos custos de industrialização dos produtos efetivamente exportados na etapa subseqüente; • o Autuante cometeu diversos erros factuais, dentre os quais: a) nos mesescalendário de maio, julho, agosto e setembro do anobase 2009, a empresa efetuou aquisições de óleo de soja degomado (NCM 15.07) com destinação específica ao mercado externo, figurando como interveniente no processo (comercial exportadora), no valor total de R$ 1.187.966,09. Essa receita auferida foi incorretamente considerada pelo Fisco na composição do coeficiente de glosa dos créditos presumidos em lide, em cada um dos aludidos períodos de apuração; b) nos mesescalendário de 09/2008, 01/2009, 08/2009, 10/2009, 11/2009 e 12/2009, a Impugnante efetuou diversas aquisições de soja "in natura" (NCM Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11030.720660/201131 Acórdão n.º 3202000.683 S3C2T2 Fl. 663 9 12.01), no montante total de R$ 31.801.453,80, em que o vendedor não se submeteu ao regime de suspensão da exigibilidade das contribuições para o PIS e COFINS (art. 9º da Lei n° 10.925, de 2004). Isso está demonstrado nas citações lançadas no corpo de cada Nota Fiscal pertinente, havendo, em alguns casos, a completa ausência de menção ao regime, nos termos disciplinados pelo § 2º do art. 2º da IN SRF n° 660, de 2006. Nesses casos, as vendas foram efetuadas sob o regime de tributação integral das contribuições, com incidência, sobre a receita bruta auferida pelo fornecedor, do equivalente à soma de suas alíquotas (9,25%). Sobre o custo de aquisição dessas mercadorias, a empresa calculou créditos, consoante determinam os arts. 3º das Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003 (aplicação das alíquotas modais de 1,65% e 7,60%, respectivamente); c) no mêscalendário 04/2009 o Fisco considerou como valor representativo do total de aquisições de soja "in natura" (NCM 12.01), o equivocado montante de R$ 7.638.515,54, sobre o qual calculou (erroneamente) crédito presumido no valor que, a seu juízo, deveria sofrer glosa proporcional às operações de vendas de óleo ou farelo de soja para o mercado externo (R$ 47.729,65, para o PIS, e R$ 219.845,64, para a COFINS). Entretanto, visualizase no Demonstrativo de Apuração dos créditos presumidos sobre o qual foram efetuados os lançamentos, que o valor correto do total de compras de soja in natura neste mês é de R$76.388.515,54, sobre o qual, calculados os créditos presumidos correspondentes, terseá sensível alteração do coeficiente fiscal. Na prática, os créditos que deveriam ter sido considerados no mês são de R$ 407.287,73 e R$ 1.875.991,96, respectivamente para o PIS e COFINS; d) o Fisco desconsiderou créditos extemporâneos de PIS e de COFINS não cumulativos adjudicados, conforme Demonstrativos de Apuração no mês calendário de 09/2008, nos valores globais de R$ 578.183,90 (PIS) e de R$2.663.150,10 (COFINS). Tal crédito se funda, basicamente, na diferença resultante das alíquotas determinadas pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004 (0,57750% para o PIS e 2,66%, para a COFINS), daquelas "modais" de que tratam os arts. 3º das Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003 (1,65% e 7,6%, respectivamente), no período compreendido entre 01/08/2004 a 03/04/2006, enquanto carente de regulamentação o regime de suspensão das contribuições para as aquisições de grãos de soja in natura (NCM 12.01) das pessoas jurídicas que especifica o art. 9º da mesma Lei (10.925, de 2004). Inobstante a clareza dos Demonstrativos de Apuração dos créditos manuseados pelo Fisco tenham lhe servido para elaborar as planilhas fiscais que instruem o presente feito, desconsiderouos (créditos), sem nenhuma justificativa sequer, no que concerne à adjudicação dos créditos extemporâneos de que se fala, nos valores nominais de R$ 578.183,90 para o Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11030.720660/201131 Acórdão n.º 3202000.683 S3C2T2 Fl. 664 10 PIS e R$ 2.663.150,10, para a COFINS, à partir do mêscalendário 09/2008. A desconsideração destes créditos, tempestivamente e legalmente escriturados (e aproveitados), determina a insubsistência das planilhas fiscais de reconstituição dos imputados "saldos devedores" de PIS e COFINS a pagar, sobretudo nos meses de setembro de 2008 e subseqüentes (até o esgotamento dos saldos credores) refletindo, inclusive, na inconsistência dos lançamentos guerreados, no período compreendido entre 09/2008 a 12/2009. • tendo em vista que as exigências se sustentam em mera conjectura fiscal extraída da IN RFB n° 660, de 2006, bem como todos os elementos que serviram para determinação dos supostos créditos tributários de PIS e COFINS recolhidos a menor foram devidamente declarados nas respectivas DCTFs e DACONs, é incabível exigirse seu adimplemento com a incidência de gravosa multa de ofício de 75% do montante lançado. O comportamento da empresa não invoca a incidência desta multa (inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996), tradicionalmente aplicada em casos de patente omissão de receitas e/ou de rendimentos. As obrigações principais e acessórias (estas consistentes em prestar as informações via formulários DCTFs/DACONs) foram integralmente observadas (cumpridas). Além disso, todos os documentos fiscais que alicerçaram as declarações foram verificados pelo Autuante, que contra eles não apresentou nenhuma discordância; • não há como admitirse que o cálculo fiscal se valha, a partir da data da lavratura, de uma interpretação absurdamente extensiva, ilógica e ilegal do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, para fazer incidir sobre o montante aplicado a título de multa de oficio (75%), juros moratórios, que por óbvio deveriam incidir exclusivamente sobre o valor do principal devido à Fazenda Pública, por ser esse o real montante inadimplido no prazo estipulado pela lei. A empresa pede, em caráter preventivo, seja afastada a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício lançada conjuntamente com os tributos nos autos de infração combatidos. Ao finalizar, pede seja recebida a sua impugnação, determinandose o seu regular processamento para, nos termos da fundamentação, julgar/declarar a nulidade/invalidade dos lançamentos de PIS e de COFINS, em face dos vícios denunciados, bem como, diante da existência de diversos erros formais/materiais/factuais, determinarse a sua improcedência, com o conseqüente arquivamento do processo fiscal em lide. A repartição preparadora atestou a tempestividade da peça impugnatória. Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11030.720660/201131 Acórdão n.º 3202000.683 S3C2T2 Fl. 665 11 Analisados os autos neste Órgão, foi o processo devolvido à repartição de origem para verificação de parte das alegações trazidas pela impugnante, especialmente quanto à existência de erros factuais cometidos pelo autuante. Atendendo a diligência solicitada a DRF jurisdicionante produziu Termo de Diligência Fiscal e lavrou novos autos de infração, a saber: a) o primeiro formalizou a exigência de COFINS nãocumulativa, com intimação para recolhimento do valor de R$ 1.127.283,90, referente a fatos geradores entre 31/01/2009 e 31/03/2009. Esse valor (principal) foi acrescido da multa de ofício de 75% e juros de mora regulamentares. Constou fundamentação legal. O autuante ressaltou tratarse de Valor da DIFERENÇA APURADA conforme demonstrado no Termo de Verificação de Ação Fiscal e planilhas: Demonstrativo do Crédito Presumido da Agroindústria, Apuração do PIS Não Cumulativo de 2009 e Apuração da Cofins Não Cumulativa de 2007, 2008 e 2009 que são partes integrantes deste Auto de Infração Fiscal. Houve ciência em 05/03/2012; b) o segundo formalizou a exigência de PIS nãocumulativo, com intimação para recolhimento do valor de R$ 264.603,65, referente a fatos geradores entre 31/01/2009 e 31/03/2009. Esse valor (principal) foi acrescido da multa de ofício de 75% e juros de mora regulamentares. Constou base legal. Ressaltou o autuante que tratavase de Valor da DIFERENÇA APURADA conforme demonstrado no Termo de Verificação de Ação Fiscal e planilhas: Demonstrativo do Crédito Presumido da Agroindústria, Apuração do PIS Não Cumulativo de 2007(8) e Apuração da Cofins Não Cumulativa de 2007(8) que são partes integrantes deste Auto de Infração Fiscal. Houve ciência em 05/03/2012. Do Termo de Diligência Fiscal constou (excertos): • Em 15/02/2012, após 75 (setenta e cinco) dias recebemos a documentação que ao nosso ver não esta completa, haja vista que não demonstrou exaustivamente a origem dos créditos extemporâneos solicitados na impugnação e não apresentados na época da fiscalização (foi apresentados apenas alguns que lhe foram concedidos na auditoria fiscal). Desta forma, solicitamos novamente, em 23/02/2012, por telefone a complementação de uma amostra dos alegados documentos e os levantamentos realizados na época, a fim de elucidar definitivamente tais créditos ora pleiteados. Em 27/02/2012, apresentou mais uma parte da documentação que comprova os créditos integrais do período de janeiro de 2005 a abril de 2006; Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11030.720660/201131 Acórdão n.º 3202000.683 S3C2T2 Fl. 666 12 • Em que pese o entendimento lavrado na manifestação da resposta da Contribuinte desta diligência sobre se é comercial exportadora ou empresa exportadora, podemos afirmar com certeza que os produtos que sofrem transformação industrial por esta e são vendidos para o exterior estão na condição de "empresa exportadora", mas quando adquire produtos prontos de terceiros para envio para o exterior e remetidos diretamente ao porto, aeroporto ou pontos alfandegados ela estará atuando como empresa comercial exportadora, que é o caso das NF. 002433 da Bianchini SA (Fls. 618) e NF 383138 da Camera Agroalimentos SA (Fls. 622); • (...) o crédito presumido na aquisição da leguminosa soja deve ser realizada por quem industrializou o produto e não a empresa que o adquiriu para remetêlo diretamente ao exterior. Não há se falar em crédito presumido para atos realizados como comercial exportadora; pois foi assim que a Contribuinte o fez quando adquiriu Óleo degomado para exportação de outras indústria brasileiras para revender ao exterior; • No subtítulo 5.2 da peça de defesa, a Contribuinte traz argumentação para a aceitação de aquisições de cooperativas e cerealistas (fornecedores) que realizaram as vendas à margem do regime de suspensão das contribuições do PIS e a Cofins não cumulativas. Para tanto se creditou do percentual de cem por cento das alíquotas, ou seja, 1,65% e 7,6% respectivamente para o PIS e para COFINS não cumulativa; • Sua alegação se alicerça de que os vendedores não se submeteram ao regime . da exigibilidade das contribuições para o PIS e Cofins (art. 9º, Lei n° 1 0 . 9 2 5 / 0 1 ) , inclusive demonstram citações lavradas no corpo das notas fiscais de aquisição ora pleiteadas; • Entretanto, as alíquotas integrais só poderiam ser utilizadas até o período de 0 3 / 0 4 / 2 0 0 6 , quando da publicação da IN SRF n° 6 3 6 / 2 0 0 6 , que regulamentou a forma de suspensão para esta atividade e que foi alterada/ratificada pela IN SFR n° 6 6 0 / 2 0 0 6 ; • A IN SRF n° 6 6 0 / 2 0 0 6 , impõem que é obrigatória a suspensão quando da venda de produtos in natura para agroindústria que produza produtos de origem animal e vegetal para alimentação humana; • A IN SRF n° 1.157/2011, em seu art. 4o, inciso IB, também impõe a obrigatoriedade da suspensão nas vendas para agroindústrias; • Desta forma não há de se falar em aquisições realizadas de cooperativas de produção agropecuárias com alíquotas integrais e que não se submeteram Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11030.720660/201131 Acórdão n.º 3202000.683 S3C2T2 Fl. 667 13 ao regime da suspensão, como alega à Contribuinte. Pois as cooperativas de produção nestes atos estão a representar seus cooperados e realizam apenas a atividade de "cerealista", pouco importando o que lavram em suas notas fiscais que estão submetendo a tributação integral do PIS e da COFINS não cumulativa, pois estes atos buscam a burlar o sistema da suspensão imposta para os produtos agropecuários de origem animal ou vegetal; • Diante disso, desconsideramos tais aquisições com alíquotas integrais e consideramos como compras com suspensão com direito ao crédito presumido na agroindústria produtora de óleo vegetal para consumo humano, produzido pela Contribuinte; • 8. Valores dos Débitos Apurados e Lavrados em Auto de Infração em substituição ao anteriormente lançado. Em decorrência dos créditos reclamados do período de 2005 e 2006, bem como a retificação do valor das compras em abril de 2009, restou a tributar os valores abaixo e que serão lançados no novo auto de infração fiscal em substituição ao anteriormente informados. Diferença a lançar Principal MÊS/ANO PIS COFINS JAN/09 127.600,28 496.242,59 FEV/09 75.878,89 349.498,91 MAR/09 61.124,48 281.542,40 TOTAL 264.603,65 1.127.283,90 Ciente dos atuais Autos de Infração e do referido Termo, a contribuinte apresentou, através de procurador, nova impugnação. Nela referiu, em síntese: • em reforço ao que dissertado no subtítulo 4.1 (e seguintes) da impugnação original, traz aos autos cópia de textos integrais das MPs nºs 522, de 1º de dezembro de 2011, e 556, de 23 de dezembro de 2011, que acrescentam parágrafos (8° e 9º) ao art. 8o da Lei n° 10.925, de 2004. Segue, também, as respectivas Exposições de Motivos (n°s 00190 e 00214/2011). Portanto, para além do que defendido nos subtítulos que cuidam da temática central dos lançamentos, agora corrigidos, estes textos normativos, aliados ao que estabeleceram os arts. 56A e 56B da Lei n° 12.350, de 2010, permitem inferir, de forma insofismável, que os créditos objurgados sempre puderam ser mantidos e utilizados, escrituralmente, para dedução de débitos das contribuições para o PIS e para a COFINS; Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11030.720660/201131 Acórdão n.º 3202000.683 S3C2T2 Fl. 668 14 • quanto ao tema Créditos de Aquisições de Cooperativas e Cerealistas com Alíquotas Integrais, a partir de janeiro de 2007 (Termo Fiscal), a empresa reitera tudo que dissertado no subtítulo de defesa (5.2) para efeito de infirmar as alegações lançadas pelo Fisco. À despeito da indiscutível tributação das operações, pelas fornecedoras, sob as alíquotas modais de PIS/COFINS (fato admitido pelo Autuante e documentalmente comprovado nos autos), o custo dessa oneracão foi repassado ao preço dos produtos vendidos, sendo certo que tem direito à tomar a diferença dos créditos glosados pela Fiscalização, sobre a base de R$ 31.801.453,80, em respeito à técnica de nãocumulatividade das contribuições; • requer seja recebida a presente manifestação para efeito de reiterar/aditar a impugnação protocolada na repartição de origem em 02/06/2011, especificamente quanto às matérias que não guardem incompatibilidade com o resultado da aludida Diligência e com os autos de infração substitutivos, cancelandoos, por improcedentes, quanto aos erros materiais e factuais que neles ainda persistem. Devolvido o processo a esta DRJ, foi ele colocado em pauta na sessão de 26/04/2012, sendo que a 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade, resolveu converter o julgamento em Resolução. Remetido o processo ao Órgão de origem, o autuante emitiu Termo de Informação Fiscal em 07/05/2012, donde extraise os seguintes excertos: (...) Com o perdão da falta de informação no Termo de Diligência Fiscal, Fls. 1037/1047, sobre o auto de infração fiscal lavrado na diligência fiscal de que o mesmo serviria para apenas demonstrar os valores devidos após verificação realizada junto ao Contribuinte. Em nenhum momento este singular Auditor Fiscal teve a intenção de cercear os Nobre Julgadores ou a condução do recurso de ofício ao Conselho sobre os valores lançados na época. Com minhas escusas por não ter informado que o mesmo era meramente informativo e não um auto de infração complementar (...) Retornou o processo a esta DRJ. O acórdão n° 1038.576, da 2ª Turma da DRJ/POA foi assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11030.720660/201131 Acórdão n.º 3202000.683 S3C2T2 Fl. 669 15 Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 AUTOS DE INFRAÇÃO. NULIDADE. DESCRIÇÃO DOS FATOS. Restando evidenciado que a descrição dos fatos e enquadramento legal encontramse suficientemente claros para propiciar o entendimento das infrações imputadas, descabe acolher alegação de nulidade das peças de lançamento. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. É inócuo suscitar na esfera administrativa alegação de ilegalidade de ato normativo editado pela RFB. DILIGÊNCIA. AGRAVAMENTO. INOVAÇÃO OU ALTERAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em lavratura de novosautos de infração se da diligência realizada não resultou agravamento da exigência inicial, nem em inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 MULTA DE OFICIO. EXIGIBILIDADE. Tratandose de lançamentos de ofício decorrentes deinfração a dispositivo legal detectado pela administração em exercício de regular ação fiscalizadora, é legítima a cobrança da multa punit iva correspondente. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS. INOCORRÊNCIA. Nos lançamentos fiscais há incidência de juros moratórios sobre as contribuições apuradas, sendo eles calculados a partir das datas dos respectivos vencimentos dos débitos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 COMERCIAL EXPORTADORA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. VEDAÇÃO. O direito de utilização de crédito não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim específico de exportação. Nesta hipótese, é vedada a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. HIPÓTESE LEGAL. É obrigatória a aplicação da suspensão da exigibilidade da COFINS nas hipóteses previstas no art. 9º da Lei nº 10.925, de2004. AUTO DE INFRAÇÃO. CANCELAMENTO PARCIAL. Comprovado nos autos através de diligência a existência de créditos antes glosados, deve ser cancelada a parcela da exigência indevidamente constituída. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11030.720660/201131 Acórdão n.º 3202000.683 S3C2T2 Fl. 670 16 COMERCIAL EXPORTADORA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. VEDAÇÃO. O direito de utilização de crédito não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim específico de exportação. Nesta hipótese, é vedada a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. HIPÓTESE LEGAL. É obrigatória a aplicação da suspensão da exigibilidade do PIS nas hipóteses previstas no art. 9º da Lei nº 10.925, de2004. AUTO DE INFRAÇÃO. CANCELAMENTO PARCIAL. Comprovado nos autos através de diligência a existência de créditos antes glosados, deve ser cancelada a parcela da exigência indevidamente constituída. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, objetivando sua reforma, alegando, em breve síntese, que: a) preliminarmente, alega a Recorrente nulidade do lançamento em razão de a autoridade tributária não ter descrito no corpo do auto de infração os fatos, violando, assim, o artigo 39, III do Decreto n° 7.574, de 29 de setembro de 2011 e limitando seu direito de defesa; b) no mérito, alega que o acórdão a quo encontrase eivado de contradição e obscuridade, em virtude deste ter analisado as MPs 552/11 e 556/12 sob o ponto de vista da glosa de créditos de compras de óleo de soja degomado, sob a revenda para exportação, sendo que a Recorrente as utilizou com o intuito de demonstrar que na aquisição de soja, em grão (NCM 15.02), os créditos sempre puderam ser mantidos e aproveitados na hipótese de industrialização e venda para o mercado externo; c) alega ainda que cumpriu todos os requisitos dispostos no artigo 8º da Lei n. 10.925/2004, não podendo a sua aquisição de crédito ser glosada. Igualmente, em virtude do legislador não ter vinculado o crédito do PIS e da COFINS à regramatriz de incidência do tributo, não estariam os créditos condicionados à saída tributáveis internas. d) considera que nas operações anteriores à aquisição dos grãos de soja sujeitas à suspensão do PIS e da COFINS, houve a incidência destas contribuições sobre outros produtos que fizeram parte de sua plantação, Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11030.720660/201131 Acórdão n.º 3202000.683 S3C2T2 Fl. 671 17 quais sejam: defensivos agrícolas, adubos, sementes e máquinas; razão pela qual, a glosa do crédito oneraria toda a cadeia produtiva subsequente, dessa forma, havendo a incidência de PIS e COFINS em operações anteriores, deverá o direito ao crédito ser mantido, mesmo que a operação subsequente esteja isenta ou sujeita à alíquota zero; e) alega que não há previsão expressa, na Instrução Normativa 660/06, que impossibilite a manutenção dos créditos presumidos vinculados às receitas decorrentes de exportação, com o objetivo de se deduzir dos fatos geradores ocorridos no mercado interno; f) no caso de se admitir a vedação ao crédito presumida, com fulcro na Instrução Normativa 660/06, temse que este não poderia restringir o alcance da lei, no caso concreto, o que dispõe o artigo 8º, da Lei 10.925/04; g) a Lei n° 11.033/2004 permite a manutenção do crédito de PIS e COFINS de qualquer natureza, mesmo no caso de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência; h) em virtude do disposto na Lei n° 12.350/2010, a manutenção do crédito persiste mesmo nos casos de exportação, sendo que na impossibilidade de se utilizar tais crédito, é garantido à Recorrente o direito de ressarcimento ou compensação destes créditos com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil; i) conforme documento acostado ao recurso voluntário, pretende a Recorrente demonstrar que os seus produtos remetidos ao mercado externo teriam destinação à alimentação humana ou animal, sendo que a atuante não conseguiu provar de forma contrária a destinação dos produtos exportados; j) nos mesescalendário de maio, julho, agosto e setembro do anobase 2009, a Recorrente adquiriu óleo de soja degomado (NCM 15.07), com destinação específica para o mercado externo. Contudo, neste operações a Recorrente atuou como “empresa exportadora”e não como “comercial exportadora”, não havendo nesta hipótese a vedação ao crédito tributário; k) nos mesescalendário de 09/2008, 01/2009, 08/2009, 10/2009, 11/2009 e 12/2009, a Recorrente adquiriu soja in natura (12.01), sendo que o vendedor não se submeteu ao regime de suspensão do PIS e da COFINS, havendo tributação integral sob a operação, sendo que os créditos seriam Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11030.720660/201131 Acórdão n.º 3202000.683 S3C2T2 Fl. 672 18 integrais, nos termos dos arts. 3º das Leis n° 10.833/03 e 10.637/02, não havendo que se falar em crédito presumido; l) não pode a Recorrente ser autuada para o pagamento da multa de ofício de 75%, visto que esta multa somente pode ser aplicada nos casos de patente omissão de receitas e/ou rendimentos, sendo que em virtude da boafé da Recorrente, esta não poderia ser condenada ao pagamento desta multa; m) os juros moratórios foram calculados sobre a multa de ofício de 75%, sendo que somente poderia ter incidido sobre o principal. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator Inicio a análise do recurso de ofício interposto pela DRJ/POA. Recurso de Ofício Nulidade dos novos autos de infração e cancelamento de infrações Como narra o Relatório, em 2 de maio de 2011 fora lavrado auto de infração em desfavor da ora Recorrente, instaurandose o litígio administrativo em 2 de junho de 2011, com o manejo de impugnação. Ao analisar a impugnação, a DRJ/POA determinou a devolução dos autos à repartição de origem, para que fossem depurados eventuais erros de fato suscitados pela ora Recorrente. No ânimo de atender à exigência da DRJ/POA, a DRF em Passo Fundo, RS, produziu termo de diligência fiscal e lavrou novos autos de infração com diminuição da exigência inicial. Notese que os novos autos de infração são idênticos aos anteriores quanto ao período e tributos auditados. Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11030.720660/201131 Acórdão n.º 3202000.683 S3C2T2 Fl. 673 19 Em sua decisão, a DRJ/POA, com acerto, entendeu que os novos autos de infração lavrados pela autoridade tributária em 1° de março de 2012 deveriam ser anulados, mantendo a exigência inicial, julgandose a impugnação originalmente manejada contra os autos de infração lavrados em 2 de maio de 2011. Tal decisão harmonizase com os comandos legais que regem o lançamento, pois sua revisão somente é admitida se preenchidas as hipóteses do artigo 149 do Código Tributário Nacional (CTN) e, mesmo assim, sempre antes de instaurado o litígio administrativo (artigos 14 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e 56 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011). Assim, iniciada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, encerrase o prazo para revisão de ofício do lançamento, haja vista que restou também encerrada a fase inquisitória, que a fiscalização representa. Nesse sentido, já decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) do Conselho de Contribuintes que: IRPJ PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. INAUGURAÇÃO DO LITÍGIO. IMPOSSIBILIDADE DE NOVO LANÇAMENTO SEM QUE TENHA HAVIDO DECISÃO SOBRE A MATÉRIA LITIGADA. NULIDADE. Descabe a lavratura de novo Auto de Infração tendo por base a mesma matéria tributária quando, inaugurada a fase litigiosa do procedimento, deixa a autoridade competente de proferir decisão sobre lançamento anteriormente efetuado. A superveniente formalização da exigência, por ineficaz, não produz qualquer efeito, devolvendose os autos para que sejam observadas as disposições contidas no Decreto n° 70.235, de 1972. Preliminar de nulidade acolhida.(Acórdão nº 40105.390. CSRF. Primeira Turma. Relator Conselheiro José Carlos Passuello. PAF nº 10882.001235/9411. Sessão de20 de março de 2006) (g.n.) Desse modo, acertada a anulação dos novos autos de infração lavrados em 1° de março de 2012. Ato contínuo, a par de sucessivos esclarecimentos prestados pela Recorrente e aceitos pela fiscalização durante as diligências, algumas das infrações listadas no auto de infração originário foram recalculadas durante a diligência, o que fora acolhido pela DRJ/POA, ou mesmo canceladas por aquele órgão julgador, quais sejam: (i) créditos extemporâneos de aquisições de janeiro de 2005 a abril de 2006; (ii) crédito extemporâneos de aquisições de cooperativas, cerealistas, PJ com alíquotas integras de janeiro de 2005 a abril de 2006 e (iii) erro de quantificação das compras de soja in natura; chegandose a um novo saldo de crédito presumido em 31 de dezembro de 2009 para utilização em períodos subsequentes. As infrações canceladas ou recalculadas pela instância de piso são produto de constatações do próprio agente fiscal responsável pela lavratura do lançamento, que diante de Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11030.720660/201131 Acórdão n.º 3202000.683 S3C2T2 Fl. 674 20 esclarecimentos prestados pela ora Recorrente no curso da diligência, lavrou novo lançamento mantendo apenas as infrações que evidenciavam substância (vide termo de diligência fiscal de fls. 1.037 a 1.047 e termo de informação de fiscal de fls. 1.071 a 1.074). Outrossim, notese que o auto de infração em questão fora lavrado em 2 de maio de 2011. Sujeitandose os tributos em pauta ao lançamento por homologação, ou seja, fluindo o prazo decadencial contados 5 (cinco) anos da data do fato gerador, de plano, desponta imediata a conclusão de que não poderia a autoridade fiscal auditar fatos geradores anteriores a maio de 2006. E como se pode constatar através de simples leitura das infrações canceladas, dentre elas encontramse períodos anteriores a maio de 2006. Em que pese o equívoco da autoridade fiscal ao lavrar novo auto de infração, as diligências demonstraram que algumas das infrações deveriam ser canceladas ou mitigadas, o que foi corrigido pela DRJ/POA em sua decisão. Dessa forma, a exigência restou mantida apenas quanto a: (i) crédito presumido de PIS e COFINS na aquisição de óleo de soja degomado em operações de venda com fim específico de exportação; (ii) crédito integral de PIS e COFINS nas aquisições de cooperativas e cerealistas. As infrações mantidas datam, respectivamente, dos meses de maio, julho, agosto e setembro de 2009 e de janeiro de 2007 em diante. Portanto, respeitam o prazo decadencial. Sendo essas as infrações remanescentes, são elas que deverão ser enfrentadas no exame do recurso voluntário interposto pela Recorrente. Outrossim, por acompanhar o entendimento vazado na decisão recorrida, que anulou o novo auto de infração e cancelou parte das infrações de acordo com as constatações da diligência, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Recurso Voluntário Preliminar Nulidade do Auto de Infração. Cerceamento de defesa Alega a Recorrente em preliminar que a falta de descrição dos fatos no corpo do auto de infração acarreta a nulidade do lançamento, por implicar em cerceamento de defesa. Oportuno destacar que a Recorrente entende que a descrição das infrações deve constar do corpo do auto de infração, sendo vedado à autoridade fiscal fazêlo em outro documento, como o termo de verificação fiscal. Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11030.720660/201131 Acórdão n.º 3202000.683 S3C2T2 Fl. 675 21 Ainda, tal falta acarretaria nulidade do lançamento por vulnerar os artigos 10, III, do Decreto n ° 70.235, de 6 de março de 1972 e o artigo 39, III, do Decreto n° 7.574, de 29 de setembro de 2011. A Recorrente tem razão ao dizer que a falta de descrição dos fatos no auto de infração acarreta a nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. Todavia, o capricho de ver essa descrição no corpo do auto de infração, sob pena de nulidade, não encontra respaldo legal, mormente quando a Recorrente teve condições de exercer plenamente seu direito de defesa, contrapondo razões a cada infração listada pela fiscalização. Ademais, o disposto nos artigos 10, III, do Decreto n° 70.235/72 e 39, III do Decreto n° 7.574/2011 não autoriza a conclusão de que a descrição dos fatos deve constar do formulário auto de infração, impossibilitando seja o mesmo instruído com planilhas e outros documentos acessórios. Antes, referido dispositivo é corolário da ampla defesa e contraditório. Sendo o termo de verificação e planilhas apêndices do auto de infração, nada impede sejam os mesmos utilizados pela autoridade tributária para bem qualificar a infração, desde que respeite os requisitos formais para a produção do lançamento. Assim, tendo a autoridade fiscal descrito os fatos que ensejaram a lavratura do auto de infração, ainda que em documento denominado termo de verificação fiscal, assegurando o pleno conhecimento das infrações que foram imputadas à Recorrente, temse que foram atendidos os requisitos para a formalização do lançamento, inexistindo a alegada nulidade. Por tais motivos, rejeito a preliminar. Mérito Crédito de PIS e COFINS na aquisição de óleo de soja degomado em operações de venda com fim específico de exportação Mediante o exame de notas fiscais (fls.618 e seguintes), a fiscalização constatou que a Recorrente adquiriu óleo de soja degomado de indústrias brasileiras (produto acabado), em operações de compra com o fim específico de exportação (CFOPs 5/6.501, 5/6.502), onde os fornecedores remeteram tais mercadorias diretamente ao porto, aeroporto ou recinto alfandegado, donde seguiram para o exterior. Compulsandose as notas fiscais, verificase que o campo observações indica que os produtos foram encaminhados diretamente do fornecedor ao porto, donde seriam exportados. Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11030.720660/201131 Acórdão n.º 3202000.683 S3C2T2 Fl. 676 22 A decisão recorrida manteve a autuação, pois a empresa fiscalizada atua como comercial exportadora e não é ela que industrializa a leguminosa soja. O artigo 6°, §4°, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, determina que: Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...) § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. O artigo 15, III, da mesma Lei estende a vedação ao crédito para o PIS. Por sua vez, a Recorrente alega não ter atuado como comercial exportadora, mas sim como empresa exportadora registrada no SISCOMEX, conforme disposto no inciso IX do artigo 45, do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, cujo enunciado determina que a venda de mercadoria para o mercado externo goza de isenção de PIS e COFINS. Está estampado no §1° do referido artigo 45 o seguinte: § 1º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Cotejando os enunciados em apreço, não me convenço que a Recorrente não tenha operado como comercial exportadora. Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11030.720660/201131 Acórdão n.º 3202000.683 S3C2T2 Fl. 677 23 As notas fiscais evidenciam que a Recorrente atuou como mera intermediária na venda ao exterior de óleo degomado. Os produtos foram remetidos diretamente ao porto, sem trânsito pelo estabelecimento da Recorrente. Outrossim, como determina o artigo 8° da Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004, é curial que as pessoas jurídicas produzam mercadorias de origem animal ou vegetal para que façam jus ao crédito de que trata o referido artigo. Não há prova nos autos de que a Recorrente tenha atendido a esse requisito, pelo contrário, o conjunto probatório leva a conclusão oposta. Sobre a existência de supostas obscuridades e contradições na decisão a quo, por ter deixado de se pronunciar sobre a disciplina introduzida pelas Medidas Provisórias n° 552, de 1° de dezembro de 2011 e 556, de 23 de dezembro de 2011, verifico que o tema foi suficientemente enfrentado naquela decisão, não havendo nada a aclarar ou eliminar. À vista de o recurso voluntário devolver o exame da matéria a este Colegiado, bastaria observar, como didaticamente o fez a decisão a quo, que os créditos glosados datam do ano de 2009 e MPs invocadas, que asseguram a manutenção do crédito presumido nas exportações, entraram em vigor somente em 2011. Dito isso, ressalvo que a ponderação acima não implica juízo positivo ou negativo sobre manutenção de créditos presumidos de PIS e COFINS de agroindústrias nas exportações, serve apenas para demonstrar que as MPs não atingiriam os fatos geradores objeto do lançamento, de modo a alterar as conclusões dos parágrafos precedentes, como pretende a Recorrente. Dessa forma, irreparável a decisão a quo. Crédito integral de PIS e COFINS nas aquisições de cooperativas e cerealistas a partir de janeiro de 2007 A Recorrente alega que adquiriu insumos de cooperativas e cerealistas que não submeteram suas vendas ao regime de suspensão das contribuições do PIS e COFINS (artigo 9° da Lei n° 10.925/2004), tributando, portanto, referidas saídas no regime não cumulativo, o que autorizaria o adquirente a descontar créditos dessas contribuições às alíquotas integrais. Alega a Recorrente que os referidos fornecedores não se submeteram ao regime de suspensão, indicando a renúncia ao referido regime no corpo das notas fiscais de venda e repassando o custo dos tributos ao preço dos produtos vendidos. De seu turno, a fiscalização sustenta que o artigo 4° da Instrução Normativa SRF nº 660, de 17 de julho de 2006 impôs a obrigatoriedade de suspensão da comercialização de produtos in natura para agroindústria que produza produtos de origem animal e vegetal para alimentação humana, motivo pelo qual desconsiderou as aquisições com alíquotas integrais. Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11030.720660/201131 Acórdão n.º 3202000.683 S3C2T2 Fl. 678 24 A decisão a quo manteve a glosa por entender correta a premissa seguida pela fiscalização. Compartilho o mesmo entendimento. Isto porque, ao tempo em que as cooperativas e cerealistas efetuaram suas vendas à Recorrente, vigorava o artigo 9° da Lei n° 10.925/2004, norma cogente que obriga os sujeitos por ela atingidos a efetuarem suas vendas com suspensão das referidas contribuições. A observância da referida norma não é mera faculdade do sujeito passivo, mas antes, uma obrigação. De se observar que, no período em questão (janeiro de 2007 em diante) já se encontrava selada a celeuma sobre a vigência da referida suspensão (se vigente a partir de 1° de agosto de 2004, na forma do artigo 5° da Instrução Normativa SRF n° 634, de 24 de março de 2006 ou se a partir de 4 de abril de 2006, na forma do artigo 11, I, da IN SRF n° 636/2006). Portanto, nada justifica o descumprimento do disposto no artigo 9° da Lei n° 10.925/2004 por cooperativa ou cerealista, como se isso, por via reflexa, pudesse autorizar o desconto de créditos dessas contribuições para o adquirente, no caso, a Recorrente. Como ensina a doutrina: (...) as Leis 10.637/02 e 10.833/03 instituíram uma sistema legal de abatimento de créditos, que, diferentemente de outros tributos não cumulativos no sistema tributário nacional, não trabalhava a vinculação direta dos créditos aos débitos da etapa anterior lançados nas notas fiscais. (...) (...) tratandose de tributo que não incide sobre a circulação de mercadorias, mas sobre a receita das pessoas jurídicas, o PIS/COFINS nãocumulativo adota uma variação do imposto contra imposto, também adotado pelo IPI e pelo ICMS (sistema débitos x créditos), em que o contribuinte abate do tributo a pagar o tributo já recolhido nas etapas anteriores da cadeia produtiva. O traço diferencial do PIS/COFINS é o de que, diferentemente do ICMS e do IPI, o crédito não fica atrelado ao efetivo montante recolhido na etapa, pois se trata de créditos presumidos. Prova disso é que o crédito apropriado será de 9,25%, ainda que o fornecedor esteja sujeito ao regime cumulativo, hipótese em que é tributado a 3,65%. (PIS e COFINS na teoria e na prática: uma abordagem completa dos regimes cumulativo e nãocumulativo. Coordenador Marcelo Magalhães Peixoto. 2ª edição MP Editora: São Paulo. 2010. Pág. 239). Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11030.720660/201131 Acórdão n.º 3202000.683 S3C2T2 Fl. 679 25 Em que pese os diversos matizes doutrinários sobre o sistema adotado pelo legislador para o desconto de créditos de PIS e COFINS (se valor adicionado, agregado ou algo sui generis), é certo que os créditos que podem ser descontados das referidas contribuições não guardam relação com os fatos que lhes precederam. Em síntese, o direito ao crédito dessas contribuições, seja ele ordinário (artigo 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03) ou presumido (artigo 8° da Lei ° 10.925/2004), surge à medida que a pessoa jurídica sujeita ao regime não cumulativo incorre em custos, despesas e encargos sobre os quais a lei autoriza o desconto de créditos, irrelevante se o sujeito vendedor dos bens tributou suas receitas no regime cumulativo, não cumulativo ou misto dessas contribuições, contanto que as ofereça à tributação (§2°, II, do artigo 3° das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03). Desse modo, concluise que o desconto de créditos de PIS e COFINS só é autorizado nas hipóteses que a lei prever, irrelevante o motivo que deu causa ao pagamento, como se esse fato – ao arrepio da lei, como visto –, por si, pudesse autorizar o desconto de créditos dessas contribuições, quando a cooperativa decidisse renunciar à suspensão, passando a tributar por liberalidade suas receitas. Inviável, portanto, a pretensão da Recorrente. Incidência de juros SELIC sobre multa de ofício Verificase no demonstrativo de fls 1096 que, sobre os valores vencidos, haverá a incidência dos acréscimos legais, o que enseja a incidência de juros SELIC sobre multa. Essa atualização é realizada pelas Autoridades Fiscais com amparo não na lei, mas no Parecer MF nº 28, de 2.4.1998, emitido pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação (“COSIT”). Confirase, a propósito, transcrição de parte do citado Parecer: “O referido Parecer conclui, com base no disposto nos arts. 29 e 30 da Medida Provisória n. 1.62131, de 13.1.98, no art. 84 da Lei n. 8.981/95 e no art. 13 da Lei n. 9.065/95, que as multas de ofício, associadas a fatos geradores ocorridos até 21.12.94, que não tenham sido objeto de parcelamento requerido até 31.8.95, estão sujeitas à incidência de juros de mora, se recolhidas em atraso. Conclui, igualmente, com apoio no art. 61 e seu parágrafo 3º, da Lei n. 9.430/96, que, com relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1.1.97, incidirão juros moratórios tributos e sobre os débitos para com a União, decorrentes de contribuições – inclusive, pois, relativos às multas de ofício não pagas nos respectivos vencimentos.” (não destacado no original) Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11030.720660/201131 Acórdão n.º 3202000.683 S3C2T2 Fl. 680 26 De fato, o artigo 13 da Lei nº 9.065/95, que prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa SELIC, remete ao artigo 84 da Lei nº 8.981/95, que, por sua vez, estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos e contribuições, verbis: “Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente.” (g.n.) “Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna;” O artigo 61 da Lei n.° 9.430/96, ademais, trata tão somente da incidência de juros sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, não havendo qualquer menção às multas de ofício aplicadas pela RECEITA FEDERAL DO BRASI: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” (grifos nossos) Não é possível, portanto, confundir os conceitos de tributo e de multa. Multa é penalidade pecuniária, não é tributo. Isto se verifica claramente pela simples leitura da definição de “tributo” prevista no artigo 3º do CTN transcrito a seguir: “Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.” Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11030.720660/201131 Acórdão n.º 3202000.683 S3C2T2 Fl. 681 27 Nem se alegue, ainda, que a cobrança dos juros sobre a multa estaria amparada pelo artigo 43 da Lei nº 9.430/961, já que referido dispositivo autoriza a cobrança apenas em relação à multa de mora, o que não é a hipótese dos autos. Como se vê, não há margem para interpretação sobre a possibilidade da incidência de juros sobre as multas de ofício aplicadas pelas autoridades fiscais. Foi justamente por tal motivo, isto é, ausência de base legal para atualização das multas de ofício, que este Conselho entendeu que tais multas não são atualizáveis, senão vejamos: “INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício.” (Acórdão nº 10196.607, da 1ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; Rel. Cons. João Carlos de Lima Junior; sessão de 6.3.2008) “INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício.” (Acórdão nº 10196.593, da 1ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; Rel. Cons. João Carlos de Lima Junior; sessão de 5.3.2008) “INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício.” (Acórdão nº 10196.523, da 1ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; Rel. Cons. João Carlos de Lima Junior; sessão de 23.1.2008) “JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO Por não se tratar da hipótese de penalidade aplicada na forma isolada, a multa de ofício não integra o principal e sobre ela não incidem os juros de mora.” (Acórdão nº 10323.566, da 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes) “JUROS SOBRE MULTA Em relação a fatos geradores ocorridos antes de 01.01.1997, só há dispositivo legal autorizando a cobrança de juros de mora à 1 “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11030.720660/201131 Acórdão n.º 3202000.683 S3C2T2 Fl. 682 28 taxa SELIC sobre a multa no caso de lançamento de multa isolada, porém não quando ocorrer a formalização da exigência do tributo acrescida da multa proporcional.” (Acórdão nº 10195.898, da 1ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; Rel. Cons. Sandra Maria Faroni; sessão de 6.12.2006) Não é cabível, outrossim, a manutenção da cobraça de juros sobre multa com base no artigo 161 do CTN, como muito bem explanado pelo conselheiro da 1ª. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, João Carlos de Lima Junior, no seguinte trecho do acórdão 10196.593 anteriormente mencionado: “Por fim, cabe a indagação sobre a possibilidade da incidência dos juros determinados pelo artigo 161 do CTN sobre a multa de oficio, tendo em vista que esta não foi abarcada pela legislação que determinou a incidência da taxa Selic sobre o tributo ou contribuição. Ora, o legislador complementar estipulou a taxa de 1% sobre o crédito tributário e determinou que a lei ordinária poderia dispor diversamente; ao determinar que a taxa a ser utilizada era a Selic sobre os tributos e as contribuições, o artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 não só legislou diferente em relação à taxa mas também em relação à base de cálculo (o crédito tributário foi substituído pelos tributos e contribuições); o que pretendeu o legislador ordinário foi se utilizar do direito a ele concedido pelo próprio CTN e alterar todo o regime de incidência de juros, não apenas alterando a taxa a ser aplicada como também a base sobre a qual recaem os juros. Outrossim, mesmo que se entenda ser cabível a taxa estipulada pelo CTN em seu artigo 161, esta deveria constar do lançamento; entender que não é devida a taxa Selic, imputada pelo órgão tributante, e alterála para a taxa de I% determinada pelo CTN significa inovar o lançamento, o que é vedado a este órgão administrativo de julgamento.” Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício, conforme razões aduzidas. Ainda, rejeito a preliminar de nulidade de auto de infração e, no mérito, dou PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para afastar a incidência dos juros sobre a multa de ofício. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11030.720660/201131 Acórdão n.º 3202000.683 S3C2T2 Fl. 683 29 Voto Vencedor Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Redator. A divergência em relação ao voto do i. Conselheiro Relator referese exclusivamente quanto a questão da cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. A meu ver, há previsão legal para a cobrança dos juros moratórios inclusive sobre a multa de ofício. Vejamos, inicialmente, o que dispõe o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (grifamos) Os defensores da tese da não aplicação de juros sobre a multa salientam a menção do legislador a débitos de “tributos e contribuições”, diferentemente de legislação anterior, que reportava a débitos de qualquer natureza (DecretoLei nº 2.323, de 1987, e Lei nº 8.218, de 1991). Assim, alegam que deve ser feita uma interpretação literal do texto normativo. Discordamos deste entendimento, até porque a interpretação literal, na maioria das vezes, é apenas o ponto de partida para a construção dos sentidos da norma a ser aplicada. Não devemos desprezar a expressão “decorrente de”, aposta antes dos vocábulos “tributos e contribuições”, constante do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. A melhor leitura que se deve dar à expressão “decorrentes de tributos e contribuições”, a meu sentir, referese aos débitos “cuja origem remonta de tributos e contribuições”. A multa de ofício decorre do não pagamento do tributo! Diferente seria se o citado artigo 61 prescrevesse que “apenas os débitos de tributos e contribuições submeterse iam aos juros de mora”. Não foi essa, a meu ver, a intenção do legislador. Não devemos, portanto, interpretar o dispositivo legal desprezando o sentido da expressão “decorrente de”, constante do texto em vigor. E mais, uma interpretação exclusivamente literal não é a mais adequada como leciona Paulo de Barros Carvalho (in Direito Tributário, Linguagem e Método, 1ª edição, p. 201): “O critério sistemático da interpretação envolve os três planos (sintático, semântico e pragmático) e é, por isso mesmo, exaustivo da linguagem do direito. Isoladamente, só o último (sistemático) tem condições de prevalecer, exatamente porque ante supõe os anteriores. É assim, considerado o método por excelência”. Se fizermos uma interpretação teleológica, pautada na finalidade do dispositivo legal, ressalta sobremaneira a necessidade de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. É preciso ser dito que as multas encerram em si duas finalidades precípuas: uma finalidade punitiva, em razão da prática de uma conduta reprovada pelo ordenamento jurídico e uma finalidade educativa, na medida em que o contribuinte que cometeu o ilícito tributário, bem como os demais contribuintes, será compelido a não repetir tal conduta juridicamente indesejada. Temse, assim, que afastar a incidência de juros moratórios sobre as multas de ofício seria frustrar totalmente a finalidade dos dispositivos legais que cominam a multa de ofício. Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11030.720660/201131 Acórdão n.º 3202000.683 S3C2T2 Fl. 684 30 Em outro giro, se fizermos uma interpretação sistemática dos dispositivos do CTN, também chegaremos à conclusão que os juros moratórios incidem sobre a multa de ofício. Vejamos. Não adimplida a obrigação tributária no prazo legal, nasce para o contribuinte o dever de pagar o valor do tributo e mais a multa por sua mora. Por ocasião da constituição do crédito tributário, pelo lançamento de ofício, a multa de ofício correspondente passa a integrar aquele valor, composto do tributo e devidos acréscimos legais (juros de mora + multa de ofício), nos termos do que prescreve o artigo 113/CTN. Como se observa, a partir do lançamento, o tributo e a multa de ofício passam a ser devidos pelo contribuinte, e esse valor será uniformemente corrigido de acordo com a legislação. Não há possibilidade para a segregação das formas de correção deste montante total. Em outras palavras, não é lógico que apenas o valor do tributo sofra a incidência de juros moratórios, a multa de ofício não, sendo que ambas as verbas fazem parte de um mesmo todo crédito tributário. Como dispõe o artigo 139 do CTN, o crédito tributário possui a mesma natureza da obrigação principal e esta, por sua vez, é composta tanto pelo tributo quanto pela penalidade pecuniária. Após o lançamento, tributo e multa se convolam em crédito tributário, e é sobre essa quantia que os juros deverão incidir. Neste sentido, convém transcrever julgados do Superior Tribunal de Justiça que já decidiram por manter os juros sobre a multa de ofício, verbis: TRIBUTÁRIO. PROCESSO CIVIL. MULTA PUNITIVA. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA INCIDÊNCIA. 1. Incide juros de mora e correção monetária sobre o crédito tributário consistente em multa punitiva. 2. Perfeitamente cumuláveis os juros de mora, a multa punitiva e a correção monetária. Precedentes. 3. Recurso especial não provido. (STJ, 2ª T, REsp 1146859/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, publ. 11/05/2010) TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (STJ, 2ª T, REsp 1129990/PR, Rel. Ministro Castro Meira, em 14/09/2009) No âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, há diversos julgados do CARF reconhecendo a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, dentre eles citamos os seguintes: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINICIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11030.720660/201131 Acórdão n.º 3202000.683 S3C2T2 Fl. 685 31 incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão CSRF/0400.651, de 18/09/2007; Relator: Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora em percentual equivalente ã taxa SELIC. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. (Acórdão 10322197, de 07/12/2005; Relator: Aloysio José Percínio da Silva) Entendo que o crédito tributário compreende o tributo e a penalidade pecuniária, interpretação esta que harmoniza os diversos dispositivos do CTN. Acrescentese, ainda, que a legislação ordinária (ex vi artigo 43 e 61, Lei nº 9.430/96) de há muito vem prevendo a incidência dos juros sobre a multa de oficio, sem que se tenha notícia da invalidação dessas normas pelo Poder Judiciário, por falta de fundamento de validade. Concluise, assim, que o art. 161 do CTN autoriza a cobrança de juros sobre o crédito tributário, incluindose nesta rubrica, como argumentado, a multa de oficio. O § 1º do artigo 161 prescreve que os juros de mora são calculados à taxa de 1% ao mês, salvo se lei dispuser de modo diverso. E a lei dispôs de forma diversa. O artigo 61, parágrafo 3º, da Lei nº 9.430/96, determina que sobre os débitos incida juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3º do art. 5º (juros equivalentes à Taxa Selic), a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A dicção da Súmula nº 4 do CARF corrobora nossos argumentos, na medida em que fala genericamente em débitos tributários, verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10950.904853/2009-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Sat May 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001
REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STJ, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C, DO CPC.
No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62-A do Regimento Interno.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO DECLARADO, MAS PAGO A DESTEMPO. RESP 962.379/RS
Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo.
INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.852
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
[assinado digitalmente]
Luiz Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e José Fernandes do Nascimento.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201305
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STJ, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C, DO CPC. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62-A do Regimento Interno. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO DECLARADO, MAS PAGO A DESTEMPO. RESP 962.379/RS Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10950.904853/2009-83
anomes_publicacao_s : 201308
conteudo_id_s : 5281580
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3102-001.852
nome_arquivo_s : Decisao_10950904853200983.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ANDREA MEDRADO DARZE
nome_arquivo_pdf_s : 10950904853200983_5281580.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Luiz Marcelo Guerra de Castro - Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé - Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e José Fernandes do Nascimento.
dt_sessao_tdt : Sat May 25 00:00:00 UTC 2013
id : 4991985
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:12:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045984645218304
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2032; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 10 1 9 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.904853/200983 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102001.852 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de maio de 2013 Matéria COFINS. COMPENSAÇÃO Recorrente CACAU'S DISTRIBUIDORA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STJ, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C, DO CPC. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62A do Regimento Interno. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO DECLARADO, MAS PAGO A DESTEMPO. RESP 962.379/RS Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Nos termos da Súmula CARF nº 2, “o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Luiz Marcelo Guerra de Castro Presidente. [assinado digitalmente] AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 48 53 /2 00 9- 83 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10950.904853/200983 Acórdão n.º 3102001.852 S3C1T2 Fl. 11 2 Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e José Fernandes do Nascimento. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Curitiba que julgou improcedente em parte a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte. A ora Recorrente transmitiu Per/Dcomp nº 14332.94421.230804.1.3.041458. A DRF em Maringá/PR proferiu despacho decisório não homologando a compensação declarada, por entender que o crédito indicado (parte do pagamento de R$ 7.095,54, código 2172, efetuado em 29/08/2001) já se encontrava integralmente utilizado, Regularmente notificado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em estreita síntese, a impossibilidade da exigência de multa sobre débitos tributários pagos espontaneamente (a teor do art. 138 do CTN) e aduz o caráter sancionatório da multa aplicada. Ao final, pede o acolhimento da manifestação, a suspensão da exigibilidade dos débitos compensados, a não lavratura de auto de infração para exigir a multa de mora e a não aplicação, por parte da Fazenda, de multa isolada punitiva. A DRJ em Curitiba julgou a manifestação de inconformidade procedente em parte, nos seguintes termos: MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho, restringindose a repetir as razões apresentadas na sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10950.904853/200983 Acórdão n.º 3102001.852 S3C1T2 Fl. 12 3 Conforme é possível perceber do relato acima, a ora Recorrente apresentou dois argumentos em sua defesa: (i) configuração da denúncia espontânea e, consequentemente, aplicabilidade dos benefícios dela decorrentes, mesmo nas hipóteses em que há declaração do contribuinte e, só após, em atraso, é efetuado o pagamento da dívida; e (ii) caráter sancionatório da multa aplicada. Passemos à analise de cada um deles. Denúncia espontânea A ora Recorrente preencheu a Dcomp sob análise indicando como crédito o valor correspondente (R$ 1.172,81) à multa de mora que teria sido paga em 29/08/2001 em razão de ter efetuado o parcelamento (no âmbito do processo administrativo nº 13951.000331/200131) do débito de Cofins (de R$ 35.184,38) de junho de 2001, vencido em 13/07/2001 (o primeiro pagamento do parcelamento foi efetuado em 29/08/2001; o último foi efetuado em 20/11/2001). Consultando o sistema de controle de DCTF (fls. 36/42), constatase que o referido débito de Cofins (R$ 35.184,38) de junho de 2001 foi incluído em DCTF apresentada espontaneamente em 15/08/2001. Por conta disso e tendo em vista que o pagamento do tributo se verificou antes do início de qualquer procedimento de fiscalização, entende a Recorrente que não seria devida a referida multa. Pois bem. o Superior Tribunal de Justiça, valendose da sistemática prevista no art. 543, “c”, do CPC, pacificou, no REsp 962.379, o entendimento já consolidado na Súmula STJ nº 360, no sentido de que o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 962379/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe 28/10/2008) Por conta disso, mesmo tendo entendimento pessoal em sentido diverso, devese aplicar ao presente caso o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fl. 71DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10950.904853/200983 Acórdão n.º 3102001.852 S3C1T2 Fl. 13 4 de Recursos Fiscais, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Em face do exposto, deve ser mantida a decisão recorrida neste ponto. Inconstitucionalidade Quanto a sua suposta inconstitucionalidade da multa de mora, deixo de apreciála por se tratar de matéria que escapa à competência deste tribunal administrativo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 72DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004425/2010-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1991
Multa Isolada por Compensação Não Declarada. Cabimento.
A apresentação de Declaração de Compensação baseada em créditos decorrente de crédito prêmio, instituído pelo Decreto-lei nº 491, de 1969, é passível de penalização com a multa estabelecida no art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003.
Retroatividade Benéfica. Condições e Limites
A mera alteração do texto legal não é suficiente para afastar a imposição de penalidade pela aplicação da retroatividade benéfica gizada no inciso II do art. 106 do CTN. Exige-se que a nova redação deixe de considerar a conduta uma infração ou tratá-la como contrária às normas.
Se o texto novel passar a impor penalidade menos severa do que redação original, aplicar-se-á a última redação.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator.
. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. O Conselheiro Helder Massaaki Kanamaru declarou-se impedido.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1991 Multa Isolada por Compensação Não Declarada. Cabimento. A apresentação de Declaração de Compensação baseada em créditos decorrente de crédito prêmio, instituído pelo Decreto-lei nº 491, de 1969, é passível de penalização com a multa estabelecida no art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003. Retroatividade Benéfica. Condições e Limites A mera alteração do texto legal não é suficiente para afastar a imposição de penalidade pela aplicação da retroatividade benéfica gizada no inciso II do art. 106 do CTN. Exige-se que a nova redação deixe de considerar a conduta uma infração ou tratá-la como contrária às normas. Se o texto novel passar a impor penalidade menos severa do que redação original, aplicar-se-á a última redação. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 19515.004425/2010-04
anomes_publicacao_s : 201306
conteudo_id_s : 5256676
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3102-001.707
nome_arquivo_s : Decisao_19515004425201004.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
nome_arquivo_pdf_s : 19515004425201004_5256676.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator. . Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. O Conselheiro Helder Massaaki Kanamaru declarou-se impedido.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
id : 4890796
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045984648364032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2058; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 365 1 364 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.004425/201004 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3102001.707 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2013 Matéria IPI Multa Isolada Recorrentes UNIALCO S/A ÁLCOOL E AÇÚCAR FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1991 Multa Isolada por Compensação Não Declarada. Cabimento. A apresentação de Declaração de Compensação baseada em créditos decorrente de crédito “prêmio”, instituído pelo Decretolei nº 491, de 1969, é passível de penalização com a multa estabelecida no art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003. Retroatividade Benéfica. Condições e Limites A mera alteração do texto legal não é suficiente para afastar a imposição de penalidade pela aplicação da retroatividade benéfica gizada no inciso II do art. 106 do CTN. Exigese que a nova redação deixe de considerar a conduta uma infração ou tratála como contrária às normas. Se o texto novel passar a impor penalidade menos severa do que redação original, aplicarseá a última redação. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. . Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. O Conselheiro Helder Massaaki Kanamaru declarouse impedido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 44 25 /2 01 0- 04 Fl. 365DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 19515.004425/201004 Acórdão n.º 3102001.707 S3C1T2 Fl. 366 2 Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Tratase de impugnação contra a multa isolada de R$ 20.932.873,54, por compensação indevida, fundamentada no art. 18 da Lei n° 10.833/03, com redação dada pelas Leis n°s 11.051/04 e 11.196/05 e pelo art. 18 da Lei n° 11.488, de 15 junho de 2007. Conforme relatório fiscal, a contribuinte apresentou diversas PER/DCOMP controlados pelos processos administrativos n° 19679.014324/200412, 19679.008222/200468, 19679.001770/200467 e 10880.720940/200799, nos quais procurou compensar débitos devidos à Fazenda Nacional com créditos originários do ressarcimento de créditoprêmio de IPI e de créditos fictos sobre insumos. As compensações pleiteadas foram consideradas NÃO DECLARADAS e Não homologadas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo DERAT/SPO, fato que levou à imposição da multa isolada prevista no art. 31, parágrafo 5º, da IN SRF n° 600/2005. Regularmente cientificada do lançamento, a empresa apresentou impugnação, considerada tempestiva pela autoridade administrativa, alegando a nulidade do auto de infração por estar eivado de vícios que não podem ser sanados a fim de convalidar o ato administrativo (erro no número do PER/DCOMP informada pelo Fisco, cobrança em duplicidade, cancelamento de Dcomp em 04/06/2008). No mérito, argumentou que a incidência da multa regulamentar decorreu simplesmente da desistência dos processos administrativos n° 19679.014324/200412, 19679.008222/2004 68, 19679.001770/200467 e 10880.720940/200799 e que a empresa liquidou os débitos que estavam sendo discutidos naqueles processos. Alegou, ainda, que ao aderir ao sistema de liquidação de seus passivos, de forma integral, não pode o Fisco buscar fatos geradores aleatórios, nem hipotéticos e inexistentes para emitir auto de infração visando a constituição de multa punitiva, pois no mundo jurídico, a situação de hipótese de incidência tributária entre o sujeito passivo e o Fisco estaria extinta. Extinta a obrigação principal, igualmente extinta está a obrigação acessória. Por fim, solicitou a posterior juntada de documentos. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 19515.004425/201004 Acórdão n.º 3102001.707 S3C1T2 Fl. 367 3 Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pela manutenção parcial da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2010 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação encontraram plenamente assegurados. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO. Aplicase multa isolada prevista no caput do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. Será considerada não declarada a compensação em que o crédito se refira ao "créditoprêmio", instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 5 de março de 1969. Impugnação Procedente em Parte Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa e arguir que deveria, ainda, ser excluída da exigência a multa correspondente à PER/Dcomp nº 10312.59749.300307.1.3.014900, pois já teria sido imposta multa isolada sobre os mesmos tributos, nos termos da exigência formalizada nos autos do processo nº 19515.000136/200994, nos termos da documentação que alega anexar. Dado que o montante exonerado é superior ao limite fixado na Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008, foi apresentado recurso de ofício. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Fl. 367DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 19515.004425/201004 Acórdão n.º 3102001.707 S3C1T2 Fl. 368 4 Como já destacado, cabe a este Colegiado se manifestar acerca de recurso de ofício e voluntário. Analisoos separadamente. 1 Recurso de Ofício Penso que andou bem o órgão julgador de primeira instância quando acatou parcialmente a impugnação. Como será melhor exposto a seguir, a imposição da penalidade debatida pressupõe irregularidades que não se verificam com relação às Dcomp controladas nos processos nº 19679.014324/2004121 e 19679.008222/2004682, onde se pretendeu promover a compensação a partir de supostos créditos de IPI, decorrentes de insumos isentos, não tributados ou tributados a alíquota zero.. Da mesma forma, deveriam ter sido excluídos do cálculo da multa os valores relativos ao PER/DCOMP 17120.74649.270407.1.3.0190863, que não trata de compensação, mas de pedido de ressarcimento, bem assim dos valores relativos aos PER/DCOMP 07218.12702.040608.1.3.011485 e 28742.11201.020508.1.3.014000, que foram cancelados4. 2 Recurso Voluntário 2.1 –Preliminarmente 2.1.1 Demarcação do Litígio Antes de passar à análise do recurso voluntário, julgo prudente demarcar as matérias sobre as quais se formou o litígio. Como já adiantado, em sede recursal, a recorrente traz matéria que não foi arguída quando da instauração do litígio, qual seja, a impossibilidade de imposição de diferentes multas sobre uma mesma base de cálculo. Segundo arguído, relembrese, nos autos do processo nº 19515.000136/2009 94, promoveuse o lançamendo de multa que tinha como base de cálculo os mesmos impostos compensados por meio da PER/Dcomp nº 10312.59749.300307.1.3.014900. Ocorre que, como é cediço, o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 fixa o seguinte comando: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Nessa linha, julgo que este Colegiado não deve tomar conhecimento de tais razões de impugnação. 2.1.2 – Nulidade 1 Despacho decisório às fls. 149 a 155 2 Despacho decisório às fls. 173 a 175 3 Fl. 74 4 Comprovantes de cancelamento às fls. 287 e 288 (numeração eletrônica) Fl. 368DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 19515.004425/201004 Acórdão n.º 3102001.707 S3C1T2 Fl. 369 5 Faço coro com o acórdão recorrido, pois acho que a mero erro de transcrição do nº da PER/Dcomp, identificado pelo sujeito passivo, registrese, não é suficiente para a decretação da nulidade do procedimento. Não restou configurada, a meu ver, nenhuma das hipóteses elencadas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 19725. 2.2 Mérito – Cabimento da multa por compensação indevida Penso que a conduta demonstrada, indiscutivelmente, se subsumiu à norma instituidora de penalidade. Em primeiro lugar, a compensação em discussão era realmente indevida. Para se chegar a essa conclusão basta fazer uma leitura do art. 170 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966) em conjunto com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme redação alterada pela Lei nº 10.637, de 2002, abaixo transcritos: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Com efeito, o sujeito passivo não detinha créditos líquidos e certos passíveis de aproveitamento para extinção de suas obrigações tributárias. Em segundo, para que se aplique a multa objeto do presente recurso exigese que, além de indevida, a compensação almejada se enquadre em uma das seguintes hipóteses: a) que se configure fraude, sonegação ou conluio, definidos nos art. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 19646; b) que a lei a denomine como compensação nãodeclarada; ou 5 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. 6 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 19515.004425/201004 Acórdão n.º 3102001.707 S3C1T2 Fl. 370 6 c) que o crédito que se pretendeu utilizar tenha origem estranha aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), à época Secretaria da Receita Federal (SRF). De se acrescentar, ademais, que o art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, sofreu duas alterações desde a publicação da sua versão original, mas que nenhuma dessas alterações deixou de apenar a conduta verificada. Senão vejamos: A primeira alteração da redação do dispositivo em debate foi promovida pelo art. 25 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004. "Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. ................................................................... § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2º do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. ............................................................................ § 4º A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996." (destaquei) A seu turno, o Inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme redação fornecida pela mesma Lei nº 11.051, de 2004, dispõe: § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (...) II em que o crédito: a) seja de terceiros; b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1º do Decreto Lei nº 491, de 5 de março de 1969; c) refirase a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 19515.004425/201004 Acórdão n.º 3102001.707 S3C1T2 Fl. 371 7 No caso do presente processo, relembrese, a multa em questão foi aplicada em função de que os créditos que se pretende utilizar, decorrentes de “créditoprêmio” instituído pelo DL nº 491, de 1969. Finalmente, o dispositivo em questão foi novamente alterado pelo art. 18 da Medida Provisória 351, posteriormente convertida na Lei 11.488, de 16 de junho de 2007, passando a vigorar com a seguinte redação: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. ................................................... § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. ................................................ § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (os grifos não constam do original) § 5o Aplicase o disposto no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2o e 4o deste artigo.” (NR) Vêse, portanto, que apesar da redefinição da redação do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, a conduta demonstrada, em nenhuma de suas versões, deixou de ser apenada com a correspondente multa isolada: na redação original, estava prevista no seu caput, após as alterações, passou a ser tratada no seu parágrafo 4º, em conjunto com o § 12, II do art. 74 da Lei 9.430, de 1996. Assim sendo, a meu ver, o inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional revelase inaplicável ao caso concreto, Diz o dispositivo: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 371DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 19515.004425/201004 Acórdão n.º 3102001.707 S3C1T2 Fl. 372 8 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Com efeito, nem a lei posterior deixou de considerar a conduta narrada uma infração, nem de tratála como contrária às normas que tratam do procedimento de compensação, nem, finalmente, passou a impor penalidade menos severa do que a discutida no presente processo. Demonstrase, ademais, que, diferentemente do alegado, não se identifica, ainda a retroatividade da lei em prejuízo do sujeito passivo, pois todas as Declarações de Compensação aqui discutidas foram transmitidas quando já vigia o dispositivo que instituiu a penalidade. Igualmente descabida, finalmente, é a pretensão de estender os efeitos do art. 3º, caput e § 2º da Medida Provisória nº 470, de 2009. Tal dispositivo trata da extinção das obrigações tributárias pretensamente quitadas por meio do chamado “crédito prêmio”, não possuindo, portanto, o condão de extinguir a penalidade regulamentar aqui discutida. Sala das Sessões, em 29 de janeiro de 2013 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 372DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 11070.000405/2008-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/12/2006
Ementa: AQUISIÇÃO DE PRODUTO RURAL DE PESSOA FÍSICA
É devida, pelo produtor rural pessoa física, contribuição previdenciária
incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua
produção.
RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE
A empresa adquirente da produção de produtores rurais pessoas físicas fica
subrogada nas obrigações de tais produtores e está obrigada a arrecadar,
mediante desconto, a contribuição previdenciária por ele devida.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento
da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a
multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei
11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista
com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº
9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais
benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212/1991
combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a
multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP
449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma
natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e
da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Numero da decisão: 2301-002.619
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar
provimento ao recurso, no mérito, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os
Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro
de Moraes, que votaram pelo provimento do recurso; II) Por maioria de votos: a) em manter a
aplicação da multa, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva,
que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para
que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à
Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a) Designado(a). Vencidos os Conselheiros
Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III)
Por unanimidade de votos: a) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela
Recorrente, nos termos do voto da Relatora. Redator designado: Leonardo Henrique Pires
Lopes.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 30/12/2006 Ementa: AQUISIÇÃO DE PRODUTO RURAL DE PESSOA FÍSICA É devida, pelo produtor rural pessoa física, contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE A empresa adquirente da produção de produtores rurais pessoas físicas fica subrogada nas obrigações de tais produtores e está obrigada a arrecadar, mediante desconto, a contribuição previdenciária por ele devida. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 11070.000405/2008-04
anomes_publicacao_s : 201203
conteudo_id_s : 5147544
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2301-002.619
nome_arquivo_s : 2301002619_11070000405200804_201203.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
nome_arquivo_pdf_s : 11070000405200804_5147544.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, no mérito, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram pelo provimento do recurso; II) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a) Designado(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto da Relatora. Redator designado: Leonardo Henrique Pires Lopes.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
id : 4955972
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:11:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045984651509760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2420; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11070.000405/200804 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2301002.619 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2012 Matéria AGROINDÚSTRIA OU PRODUTOR RURAL Recorrente COOPERATIVA TRITICOLA SANTA ROSA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 30/12/2006 Ementa: AQUISIÇÃO DE PRODUTO RURAL DE PESSOA FÍSICA É devida, pelo produtor rural pessoa física, contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE A empresa adquirente da produção de produtores rurais pessoas físicas fica subrogada nas obrigações de tais produtores e está obrigada a arrecadar, mediante desconto, a contribuição previdenciária por ele devida. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 2 Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, no mérito, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram pelo provimento do recurso; II) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a) Designado(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto da Relatora. Redator designado: Leonardo Henrique Pires Lopes. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relatora. Leonardo Henrique Pires Lopes Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11070.000405/200804 Acórdão n.º 2301002.619 S2C3T1 Fl. 2 3 Relatório Tratase de recurso interposto contra o Acórdão que julgou procedente o débito lançado contra a empresa acima identificada. O crédito previdenciário lançado por intermédio da NFLD se refere a contribuições devidas à Seguridade Social pelo produtor rural, pessoa física, e segurado especial, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, bem como da contribuição destinada ao SENAR e ao SAT/RAT. Segundo Relatório Fiscal (fls. 63), a notificada, pessoa jurídica, adquiriu produção rural de pessoas físicas, ficando, portanto, subrogada nas obrigações de tais produtores, mas não efetuou os descontos e os recolhimentos das contribuições por eles devidas em decorrência da comercialização de suas produções, relativos à diferença de preço. Conforme informado pela autoridade lançadora, a empresa registrou, em sua contabilidade, o pagamento de diferenças de preços nas contas contábeis 30302010101034819 Pagamento diferença soja associado, 30401020101032590— Outras despesas e 30302010101035190 Pagamento diferença Trigo. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 189.400, da 4a Turma da DRJ/STM (fls. 124), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 130), alegando, em síntese, o que se segue. Inicialmente, reafirma que a fiscalização glosou valores que entende ser diferenças de preços da venda dos produtos agrícolas, que em verdade, constituemse em "sobras" da cooperativa, e que, conforme legislação e jurisprudência dominante, não sofrem incidência de contribuição sobre comercialização rural. Traz o conceito legal de “sobras” e conclui que não há como entenderse que o montante então apurado constituase em fato imponível do Funrural contribuição sobre comercialização rural, tendo em vista não tratarse de hipótese de incidência prevista na lei que congrega a regramatriz de incidência da referida exação. Sustenta que a contribuição sobre comercialização rural —Funrural, deve ser calculada somente com base no valor creditado ou pago aos associados pelo recebimento dos seus produtos, e não sobre eventuais sobras do período, o que tornaria claramente a contribuição previdenciária rural numa forma, evidentemente ilegítima, de imposto de renda. Observa que a decisão da Delegacia amparouse em previsão de normas regulamentares, eis que a lei ordinária que define o tributo, não inclui de forma alguma as sobras em seu campo de incidência. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 4 Defende a inconstitucionalidade e ilegalidade da contribuição ao FUNRURAL, trazendo julgados de nossas Cortes de Justiça nesse sentido. Argumenta que a inconstitucionalidade do art. 25 da Lei n°8.212/91, apresentase inegável, diante da impropriedade do meio jurídico utilizado, consoante depreendese da leitura dos artigos 146 e 154 combinados com o art. 195, 5 4° da Constituição Federal de 1988. Transcreve a conclusão do voto do Min. Marco Aurélio no início do julgamento do Recurso Extraordinário n° 363.852/MG, para reforçar o entendimento de que o art 10 da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualização até a Lei n° 9.528/97, é inconstitucional. É o relatório. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11070.000405/200804 Acórdão n.º 2301002.619 S2C3T1 Fl. 3 5 Voto Vencido Conselheira Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os requisitos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. Inicialmente, a recorrente tenta demonstrar que as "sobras" da cooperativa não sofrem incidência de contribuição sobre comercialização rural, não sendo, portanto, o montante apurado na contabilidade a esse título base de cálculo da contribuição previdenciária. Todavia, a base de cálculo da contribuição devida pelo produtor rural, pessoa física, quando da comercialização de sua produção, está claramente delineada na legislação previdenciária que trata da matéria. O Decreto 3.048/99, estabelece que: Art.200. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam o inciso 1 do art. 201 e o art. 202, e a do segurado especial, incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção rural, é de: (Redação dada pelo Decreto n 4.032. de 26/11/2001) § 4o Considerase receita bruta o valor recebido ou creditado pela comercialização da produção, assim entendida a operação de venda ou consignação.(g.n.). Também a IN n° 03/2005 define o fato gerador e a base das contribuições previdenciárias como o valor bruto da comercialização da produção rural, como segue: Art. 242. Os seguintes eventos são também considerados fatos geradores de contribuições sociais: (.) IV qualquer crédito ou pagamento efetuado pela cooperativa aos cooperados, representando complementação de preço do produto rural, incluindose, dentre outros, as sobras, os retornos, as bonificações e os incentivos próprios ou governamentais;(grifei) Nesse sentido, o trabalho fiscal não merece reparos, pois, da análise dos registros contábeis da empresa notificada, constatou o pagamento de valores a título de diferenças de preços de soja e trigo. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 6 E sendo a receita bruta todo o valor recebido pelo produtor rural, pessoa física, em decorrência da comercialização de seu produto, não há como os valores a eles pagos a título de “diferenças” ou “sobras”, não integrarem a base de cálculo da contribuição devida. Da mesma forma, não procedem as alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade da contribuição incidente sobre a comercialização de produtos rurais. No recurso especial 363856, trazido pela recorrente para reforçar seu entendimento, o Relator Ministro Marco Aurélio deixa claro que é inconstitucional o art. 1o, da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição. Ocorre que, conforme verificase do relatório FLD, o presente débito foi fundamentado na Lei nº 10.256/2001, que deu nova redação ao art. 25 da Lei 8.212/91, e não nos dispositivos declarados inconstitucionais no referido Recurso Extraordinário. Observase que o Ministro Marco Aurélio deixa claro, em seu voto, que a desobrigação da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da produção rural" de empregadores, pessoas naturais, é somente até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição. Assim, a Lei 10.256/2001, que fundamenta o débito lançado por meio da NFLD ora discutida, encontra amparo na EC 20/98, e está em pleno vigor no ordenamento jurídico, não havendo que se falar em ilegalidade da exação em tela. É oportuno informar que tal matéria já foi objeto de apreciação pela 3a Turma, da 4a Câmara, da 2a Seção, deste CARF, que decidiu, por unanimidade, que as aquisições de produtos rurais de produtores pessoas físicas após o advento da Lei 10.256/2001 são fatos geradores de contribuições previdenciárias. Segue parte do voto da Conselheira Ana Maria Bandeira, relatora do Acórdão .... “É sabido que está em julgamento pelo STF o Recurso Extraordinário nº 363.852, cujo Plenário deu provimento ao recurso em acórdão com a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO – PRESSUPOSTO ESPECÍFICO – VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO – ANÁLISE – CONCLUSÃO – Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adora entendimento quanto à matéria de fundo extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina – José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS – PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS – SUBROGAÇÃO – LEI Nº 8.212/91 – ART. 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL – PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 – UNICIDADE DE INCIDÊNCIA – EXCEÇÕES – COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE – INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR – Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária Fl. 157DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11070.000405/200804 Acórdão n.º 2301002.619 S2C3T1 Fl. 4 7 subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos, por produtores rurais, pessoas naturais, prevista os artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e 9.528/97. Aplicação de leis no tempo – considerações (g.n.) “Notase que o objeto do RE 363.852 referese à discussão da constitucionalidade dos dispositivos da Lei nº 8.212/1991 nas redações dadas pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/1997, ambas anteriores à Emenda Constitucional nº 20/1998. “Ou seja, decidiu o STF que a inovação da contribuição sobre comercialização de produção rural da pessoa física não estava albergada na Carta Magna até a Emenda Constitucional 20/98, decidindo expressamente acerca das Leis 8.540/92 e 9.528/97. “Tal inconstitucionalidade residiria no fato de que seria necessária lei complementar para a instituição da contribuição incidente sobre a comercialização da produção do empregador rural pessoa física. Esta exigência decorreria do art. 195, §4º, da Carta Magna “Até a edição da Emenda Constitucional nº 20/98 o art. 195, inciso I, da CF previa como bases tributáveis de contribuições previdenciárias a folha de salários, o faturamento e o lucro, não havendo qualquer menção à receita como base tributável. “Assim, a Lei nº 8.540/1992 ao instituir contribuições sobre receita bruta sobre a comercialização da produção dos produtores rurais pessoas físicas levou ao questionamento sobre sua constitucionalidade, culminando com a decisão plenária do STF no julgamento do RE 363.852. “No entanto, a Emenda Constitucional nº 20/98 deu nova redação ao art. 195, inciso I da CF/88, a qual passou a dispor que: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998 “Como se vê, a partir da EC nº 20/1998, a própria Constituição Federal passa a admitir a receita como base tributável para as contribuições previdenciárias. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 8 “Assim, há que se destacar que a Lei nº 10.256/2001, deu nova redação ao art. 25 da Lei nº 8.212/1991 que passou a assim vigorar: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. “Cumpre enfatizar que o fundamento jurídico adotado pelo Relator no julgamento do RE 363.852 demonstra que apenas foi abordada a constitucionalidade da redação do art. 25 da Lei 8.212/91 conferida pela Lei 8.540/92, não havendo apreciação da constitucionalidade da redação atual do art. 25 da Lei de Custeio, conferida pela Lei 10.256/01 e, segundo o Ministro Marco Aurélio, a superveniência de lei ordinária, posterior à EC 20/98 1998, seria suficiente para afastar a pecha de inconstitucionalidade da contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física, ao menos no que tange à necessidade de Lei Complementar para sua instituição, conforme se depreende do trecho abaixo transcrito: ...conheço e dou provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. (g.n.) “Asseverese que a contribuição lançada com fulcro no dispositivo com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001 já teve a constitucionalidade confirmada pelo Judiciário conforme se depreende da decisão abaixo colacionada: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR. PRESCRIÇÃO. LC 118/05. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. 1 O STF, ao julgar o RE nº 363.852, declarou inconstitucional as alterações trazidas pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92, eis que instituíram nova fonte de custeio por meio de lei ordinária, sem observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto. 2 Com o advento da EC nº 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita". 3 Em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente Fl. 159DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11070.000405/200804 Acórdão n.º 2301002.619 S2C3T1 Fl. 5 9 sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade.” (Apelação nº 000242212.2009.404.7104, Rel. Des. Fed. Mª de Fátima Labarrère, 01ª Turma do TRF4, julgada em 11/05/10)” Assim, sendo o lançamento um ato vinculado, ao verificar a ocorrência do fato gerador, a autoridade fiscal, a quem compete o lançamento, lavrou a NFLD em estrita observância aos dispositivos legais vigentes à época da ocorrência do fato gerador. Portanto, verificase que a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Nesse sentido e Considerando tudo mais que dos autos consta Voto no sentido de CONHECER do recurso, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros – Relatora Voto Vencedor Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser Fl. 160DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 10 relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11070.000405/200804 Acórdão n.º 2301002.619 S2C3T1 Fl. 6 11 À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação Fl. 162DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 12 da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, Fl. 163DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11070.000405/200804 Acórdão n.º 2301002.619 S2C3T1 Fl. 7 13 agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), aplicandolhe a que for mais benéfica. Declaração de Voto Conselheiro Leonardo Lopes Peço vênia à ilustre Relatora para divergir, também, quanto à manutenção do lançamento no tocante às contribuições do produtor rural pessoa física, a que o ora autuado estaria obrigado a reter e recolher. Isto porque, no caso dos autos, o débito lançado decorre da subrogação nas contribuições previdenciárias devidas pelo produto rural de pessoa física em face da comercialização da produção rural. Tratarseia, portanto, de uma nova fonte de custeio da Seguridade Social não prevista no art. 195 da Carta Magna na redação vigente à época em que a lei foi promulgada, qual seja, a contribuição previdenciária do produtor rural pessoa física incidente sobre a receita bruta da comercialização da sua produção, o que feriria, portanto, a forma exigida pelo art. 154, I da CF/88, que é a de lei complementar. De início, apenas a título de esclarecimento da matéria, cabe mencionar que, apesar de a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerbar sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como de invadir competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal, o Regimento Interno do CARF prevê, em seu artigo 62, que é permitido aos membros das turmas de julgamento afastar a aplicação de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do STF, como se observa, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 14 Neste caso, a análise da constitucionalidade, por estar nos mesmos termos da decisão proferida pelo STF, não terá causado decisões conflitantes ou possivelmente adentrado em competência privativa do Poder Judiciário. Pois bem. No caso dos autos, o STF declarou inconstitucionais os arts. 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97, em sede de apreciação do Recurso Extraordinário de nº 363852, transitado em julgado e abaixo transcrito: RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. (RE 363852, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010, DJe071 DIVULG 22042010 PUBLIC 23042010 EMENT VOL0239804 PP00701 RET v. 13, n. 74, 2010, p. 4169) De fato, a redação do art. 195 da Constituição Federal de 1988, anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, era: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidentes sobre: a folha de salários, o faturamento e o lucro; Percebese, da transcrição acima, que a receita bruta não era prevista como base de cálculo da contribuição para a seguridade social e só poderia ser instituída como nova fonte de custeio através de Lei Complementar (arts. 154, I e 195, §4º da CF/88). Ora, o art. 25 da Lei 8.212/91, ao instituir através de lei ordinária, que a contribuição da pessoa física e do segurado especial destinada à Seguridade Social é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, inclusive para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho, fere a regra formal exigida pelo já citado artigo 154, I da Carta Magna. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11070.000405/200804 Acórdão n.º 2301002.619 S2C3T1 Fl. 8 15 Somente a partir da Emenda Constitucional nº 20/98 passou a ser admitida a instituição por lei ordinária da contribuição previdenciária sobre a receita bruta proveniente da comercialização. Destaquese, contudo, que as normas editadas anteriormente, sem a observância das exigências constitucionais quanto à forma especial de lei complementar, não se convalidam com a alteração na Constituição Federal que passa a admitir a disciplina da matéria por lei ordinária. Isto porque os requisitos de validade e de existência, bem como a compatibilidade de uma norma com o texto constitucional, devem ser analisados de acordo os dispositivos vigentes no momento da sua edição. Se a norma nasce viciada, sempre será inválida, ainda que posteriormente venha a ser introduzido na Constituição dispositivo que dê suporte de validade para a referida norma. Em outras palavras, o vício que fulminava o art. 25 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.528/1997, não foi afastado com a edição da Emenda Constitucional nº 20/1998, o que manteve sua condição de inconstitucionalidade. Assim, sendo inválida a previsão que determinava que a contribuição previdenciária do produtor rural pessoa física e do segurado especial seria a receita bruta da comercialização da sua produção, também foi reconhecida a inconstitucionalidade da norma que determinava, por conseqüência, as obrigações dela decorrentes, como é o caso da obrigação do adquirente de tais produtos de fazer a retenção da contribuição prevista no art. 30, IV da Lei nº 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; Diante da declaração de inconstitucionalidade, deve ser afastado do presente auto de infração as verbas referentes às contribuições devidas pela aquisição de produção rural de terceiros e, mantida, contudo, no tocante a omissões de contribuições previdenciárias devidas sobre as remunerações pagas aos seus empregados. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
score : 1.0
Numero do processo: 11128.006721/2007-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 04/09/2007
ESTABELECIMENTOS MATRIZ E FILIAL. CNPJ DISTINTOS. CONCOMITÂNCIA. MEDIDA JUDICIAL.
Por expressa decisão judicial, foi vedado o ingresso da filial na lide onde o estabelecimento matriz é parte.
Por conseguinte, no caso concreto, as partes (matriz e Fazenda) que compõem a relação jurídica na esfera judicial não são as mesmas que compõem a relação jurídica neste processo administrativo (filial e Fazenda).
Afastada a possibilidade de a Recorrente participar do processo judicial, resta plenamente cabível que a discussão seja feita no âmbito administrativo, em atendimento aos princípios da ampla defesa e do contraditório.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3202-000.502
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para declarar a inexistência de concomitância e determinar o retorno dos autos à DRJ, a fim de que sejam apreciados os argumentos de defesa trazidos pela contribuinte na impugnação.
Vencida a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, que dava provimento parcial ao recurso.
Redator designado: Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri.
O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarou-se impedido
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 04/09/2007 ESTABELECIMENTOS MATRIZ E FILIAL. CNPJ DISTINTOS. CONCOMITÂNCIA. MEDIDA JUDICIAL. Por expressa decisão judicial, foi vedado o ingresso da filial na lide onde o estabelecimento matriz é parte. Por conseguinte, no caso concreto, as partes (matriz e Fazenda) que compõem a relação jurídica na esfera judicial não são as mesmas que compõem a relação jurídica neste processo administrativo (filial e Fazenda). Afastada a possibilidade de a Recorrente participar do processo judicial, resta plenamente cabível que a discussão seja feita no âmbito administrativo, em atendimento aos princípios da ampla defesa e do contraditório. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 11128.006721/2007-98
conteudo_id_s : 5252964
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3202-000.502
nome_arquivo_s : Decisao_11128006721200798.pdf
nome_relator_s : IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
nome_arquivo_pdf_s : 11128006721200798_5252964.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para declarar a inexistência de concomitância e determinar o retorno dos autos à DRJ, a fim de que sejam apreciados os argumentos de defesa trazidos pela contribuinte na impugnação. Vencida a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, que dava provimento parcial ao recurso. Redator designado: Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarou-se impedido
dt_sessao_tdt : Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
id : 4876972
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:09:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045984671432704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2107; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 356 1 355 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.006721/200798 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202000.502 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de maio de 2012 Matéria II CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente MABE BRASIL ELETRODOMÉSTICOS LTDA Recorrida FAZNEDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 04/09/2007 ESTABELECIMENTOS MATRIZ E FILIAL. CNPJ DISTINTOS. CONCOMITÂNCIA. MEDIDA JUDICIAL. Por expressa decisão judicial, foi vedado o ingresso da filial na lide onde o estabelecimento matriz é parte. Por conseguinte, no caso concreto, as partes (matriz e Fazenda) que compõem a relação jurídica na esfera judicial não são as mesmas que compõem a relação jurídica neste processo administrativo (filial e Fazenda). Afastada a possibilidade de a Recorrente participar do processo judicial, resta plenamente cabível que a discussão seja feita no âmbito administrativo, em atendimento aos princípios da ampla defesa e do contraditório. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para declarar a inexistência de concomitância e determinar o retorno dos autos à DRJ, a fim de que sejam apreciados os argumentos de defesa trazidos pela contribuinte na impugnação. Vencida a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, que dava provimento parcial ao recurso. Redator designado: Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarouse impedido Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora Fl. 370DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 2 Luís Eduardo Garrossino Barbieri Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Fábia Regina Freitas. Relatório Cuida a lide de Autos de Infração, lavrados em 12/09/2007, contra a contribuinte BSH CONTINENTAL ELETRODOMÉSTICOS LTDA, atual MABE BRASIL ELETRODOMÉSTICOS LTDA, para exigência de créditos tributários referentes às diferenças que deixaram de ser recolhidas relativas ao Imposto sobre a Importação, IPIvinculado , COFINSImportação e PIS/PASEPImportação, no valor total de R$ 65.092,67. Foi lançada exigência somente quanto ao principal, não se aplicando multas ou juros de mora (fls. 01/37). As diferenças encontradas decorreram da reclassificação fiscal das mercadorias importadas constantes das DI nº. 07/11916335 e nº 07/11916670, ambas registradas em 04/09/2007. A contribuinte classificou as mercadorias descritas como “aparelhos depuradores de ar de uso doméstico” no código NCM 8421.39.90 – Outros aparelhos para filtrar ou depurar gases, tendo a autoridade fiscal reclassificandoas para o código NCM 8414.60.00 – Coifas (exaustores) para extração ou reciclagem, com ventilador incorporado, mesmo filtrantes, com dimensão horizontal máxima não superior a 120cm. O lançamento foi efetuado para prevenir a decadência, encontrandose o crédito tributário com sua exigibilidade suspensa, por força de depósito judicial procedido nos autos da ação sob o rito ordinário, com pedido de antecipação parcial de tutela, processo nº 97.00600564, em trâmite perante a 2ª Vara Cível da Justiça Federal do Estado de São Paulo. O objeto da referida ação diz respeito à classificação fiscal do produto denominado “depurador de ar”. Intimado da autuação, a contribuinte apresentou impugnação (fls.159/167), cujas alegações de defesa foram assim sintetizadas pela autoridade julgadora de primeira instância: Intimado em 5/10/2007, o interessado apresentou impugnação em 6/11/2007 (fls. 152167). Alega: 1. O crédito se encontra com exigibilidade suspensa porque houve depósito do montante integral. 2. O impugnante ajuizou ação ordinária com objetivo de ter reconhecido seu direito de classificar "depuradores" como "aparelhos para depurar gases (código 8421.39.90 da TIPI atual e da TEC, e 8421.39.9900, das antigas TIPI e TAB)". 3. Apresenta argumentos de mérito na defesa do enquadramento na NCM 8421.39.90 (fls. 155162). 4. Questiona a multa por classificação incorreta (MP 2.15835/2001, artigo 84,1). A discussão sobre o enquadramento tarifário é objeto da ação ordinária em curso. 5. Requer seja julgado improcedente o auto de infração. Alternativamente, seja determinada sua suspensão, até o julgamento definitivo da ação ordinária 97.00.600564.” Fl. 371DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.006721/200798 Acórdão n.º 3202000.502 S3C2T2 Fl. 357 3 A DRJSão Paulo II/SP não conheceu da impugnação, em razão de concomitância entre as esferas administrativa e judicial (fls.273/276), nos termos da ementa adiante transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 04/09/2007 A propositura de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento configura renúncia ao contencioso administrativo. Correto o lançamento de ofício para prevenir a decadência. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido” Irresignada, a querelante apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (fls. 282/297), alegando a inexistência de concomitância e repisando os mesmos argumentos expendidos na impugnação relativos à classificação fiscal das mercadorias importadas. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora Tratase de recurso voluntário tempestivo apresentado em face de decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação, em razão de concomitância entre as esferas judicial e administrativa. Alega a interessada que não haveria a concomitância, em razão de decisão interlocutória proferida nos autos do processo judicial, em sede de recurso de apelação interposto pela ora contribuinte. A decisão judicial suscitada pela interessada teria o seguinte teor: Fls. 1168/1170: MABE BRASIL ELETRODOMÉSTICOS LTDA. atravessa petição nos autos requerendo a inclusão no pólo passivo dessa ação do CNPJ da Filial n° 60.736.279/001250, para prosseguir ao despacho aduaneiro dos produtos objeto da presente demanda. Tenho que o pedido não pode ser acolhido. Isto porque a filial da autora tem personalidade jurídica própria, sendo certo que, para fins tributários, cada filial é considerada ente jurídico autônomo, razão pela qual tanto a matriz quanto a filial possuem legitimidade para demandar isoladamente em juízo, sobretudo quanto ao IPI, que não admite recolhimento de forma centralizada. Por outro lado, incumbe a demandante formular adequadamente seu pedido, para fins de delimitação da pretensão deduzida em Fl. 372DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 4 juízo. Esse dever envolve tanto os aspectos objetivos, como também subjetivos. Assim, inviável estender os efeitos dos depósitos judiciais a fim de abranger a filial da autora no caso concreto, que não compôs, juntamente com a matriz, o pólo ativo desta ação. (...) A dúvida que resta, após a manifestação judicial acima transcrita, é saber se a discussão judicial que é travada pelo estabelecimento matriz, CNPJ 60.736.279/000106, referente à classificação fiscal de produtos identificados como “depuradores de ar”, implicaria em concomitância entre as esferas judicial e administrativa, sendo que a autuação objeto da querela administrativa diz respeito à classificação fiscal de produtos idênticos, mas importados pelo estabelecimento filial, de CNPJ 60.736.279/000521. Havendo a concomitância, esta importaria em renúncia à via administrativa, ao teor da Súmula nº. 1 do CARF, que assim estabelece: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo da ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. A identidade entre as matérias é indiscutível, conforme se vê do pedido formulado pela interessada em sua petição inicial (fls. 81/95): “V – DO PEDIDO Diante do exposto, e restando comprovada a plausibilidade do direito da AUTORA, é a presente para, respeitosamente, pleitear: a) a ANTECIPAÇÃO PARCIAL DA TUTELA PRETENDIDA, nos termos do artigo 273, do CPC, para que a RÉ se abstenha da prática de qualquer ato tendente à cobrança do II e IPI, em face da classificação fiscal dos DEPURADORES como aparelhos para depurar gases (código8421.39.90, da TIPI atual e da TEC, e 8421.39.99.00, das antigas TIPI e TAB); b) seja determinada a citação da RÉ, na pessoa de seu representante legal, para, querendo, contestar a presente, aduzindo as razões de fato e de direito que reputar cabíveis; c) seja, ao final, julgado PROCEDENTE o pedido da ação, para reconhecer por sentença o direito à classificação dos DEPURADORES como “aparelhos para depurar gases “(código 8421.39.90, da TIPI atual e da TEC, e 8421.39.99.00, das antigas TIPI e TAB), bem como o direito de se creditar, mediante compensação, do que foi pago indevidamente a título de II e IPI, sobre a importação e venda dos aparelhos DEPURADORES, no período prescricional, com os débitos vencidos e vincendos de tributos arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, atualizados monetariamente pelos índices que mediram a inflação real do período; d) seja, ainda, condenada a RE a responder pelo importe das custas, honorários e demais cominações inerentes à sucumbência.” Fl. 373DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.006721/200798 Acórdão n.º 3202000.502 S3C2T2 Fl. 358 5 (grifos não constantes do original) Resta, portanto, verificar se, em relação à classificação fiscal do produto, o provimento jurisdicional diria respeito somente ao estabelecimento matriz, que ingressou com a ação judicial (CNPJ 60.736.279/000106) ou se se aplicaria à empresa como um todo, aí abrangendo os estabelecimentos matriz e filial (CNPJ 60.736.279/000521, sujeito da autuação). Com intuito de elucidar a questão, reproduzo a seguir algumas definições sobre estabelecimento. De acordo com o Novo Código Civil (Lei nº 10.406, de 10.01.2002), temse: Art. 1.142. Considerase estabelecimento todo complexo de bens organizado, para exercício da empresa, por empresário, ou por sociedade empresária. Maria Helena Diniz, em seu livro CÓDIGO CIVIL ANOTADO, 9a. edição, 2003, Ed. Saraiva, São Paulo, assim define: "Estabelecimento é o complexo de bens de natureza variada, materiais (mercadorias, máquinas, imóveis, veículos, equipamentos etc.) ou imateriais (marcas, patentes, tecnologia, ponto etc.) reunidos e organizados pelo empresário ou pela sociedade empresária, por serem necessários ou úteis ao desenvolvimento e exploração de sua atividade econômica, ou melhor, ao exercício da empresa. Como se pode inferir do enunciado no artigo sub examine, tratase de elemento essencial à empresa, pois impossível é qualquer atividade empresarial sem que antes se organize um estabelecimento." (sublinhados não constantes do original) Conforme ensinamento dos mestres Silvério das Neves e Paulo Eduardo V. Viceconti, no livro CONTABILIDADE AVANÇADA E ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS, ed. Frase, 10ª edição, 2001, São Paulo: Matriz representa o estabelecimento sede ou principal, ou seja, aquele que tem primazia na direção e a que estão subordinados todos os demais, chamados de filiais, sucursais ou agências. Filial, qualquer estabelecimento mercantil, industrial ou civil, dependente ou ligado a outro que tem ou detém o poder de comando sobre ele. As filiais representam, portanto, os estabelecimentos filhos. Portanto, com base nas definições transcritas, concluise que os vários estabelecimentos nada mais são do que a descentralização das atividades de uma empresa, de sorte que o patrimônio continua sendo único. Corroborando esse entendimento, vêse que o Novo Código Civil, ao tratar das demonstrações financeiras e do balanço patrimonial, referese sempre à empresa ou sociedade como uma única unidade, e não ao estabelecimento. Vejase: Fl. 374DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 6 Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. Art. 1.184. No Diário serão lançadas, com individuação, clareza e caracterização do documento respectivo, dia a dia, por escrita direta ou reprodução, todas as operações relativas ao exercício da empresa. Art. 1.188. O balanço patrimonial deverá exprimir, com fidelidade e clareza, a situação real da empresa e, atendidas as peculiaridades desta, bem como as disposições das leis especiais, indicará, distintamente, o ativo e o passivo. (sublinhados não constantes do original) Ainda sobre o patrimônio, a professora Maria Helena Diniz, em seu livro CÓDIGO CIVIL ANOTADO, 9a edição, 2003, Ed. Saraiva, São Paulo, afirma: Balanço Patrimonial. É aquele que exprime, no exercício anual, com fidelidade e clareza, a situação real do patrimônio da empresa, indicando, distintamente, o ativo e o passivo, abrangendo todos os bens (móveis, imóveis ou semoventes), créditos e débitos, atendendo sempre às peculiaridades do tipo da empresa, inclusive se coligada, e às disposições contidas em leis especiais. Assim sendo, considerandose que o patrimônio da empresa é um só, vez que abrange todos os estabelecimentos, matriz e filiais, temse que a matriz é o estabelecimento principal, a sede, aquela que dirige as demais empresas que são as filiais, cabendo à matriz determinar as diretrizes que devem obedecer as filiais em relação ao seu patrimônio. Desta forma, entendo que, in casu, em relação à classificação fiscal, havendo identidade de objeto, o provimento jurisdicional em relação à matriz dirime também o litígio em relação às filiais. Isso porque a matriz representa a sociedade empresarial, o todo, constituindose as filiais em mera descentralização das atividades da empresa. Muito embora possuam CNPJ próprios e sejam juridicamente válidos os atos por ela praticados, as filiais de uma empresa não são pessoas distintas da matriz, mesmo porque partilham dos mesmos sócios e estatuto social, responsáveis, portanto, solidariamente pelos débitos da sociedade empresarial, na forma do art. 124, I do CTN: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...)”. Nesse sentido a decisão proferida pela Sétima Turma do TRF da 1ª Região, : Processo: AG 34803 MG 003480358.2011.4.01.0000 Relator(a):DESEMBARGADOR FEDERAL LUCIANO TOLENTINO AMARAL Fl. 375DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.006721/200798 Acórdão n.º 3202000.502 S3C2T2 Fl. 359 7 Julgamento:09/08/2011 Órgão Julgador:SÉTIMA TURMA Publicação:eDJF1 p.240 de 19/08/2011 Ementa: PROCESSUAL CIVIL EXECUÇÃO FISCAL BLOQUEIO (BACENJUD) DE ATIVOS FINANCEIROS EM NOME DAS FILIAIS DA EXECUTADA CONFUSÃO PATRIMONIAL: UNICIDADE DO PATRIMÔNIO DA PESSOA JURÍDICA (MATRIZ E FILIAL) AGRAVO PROVIDO. 1.A filial de uma empresa não importa em nova pessoa jurídica, partilhando os mesmos sócios e estatuto social da matriz. A inscrição da filial no CNPJ decorre de exigência do mercado sem o condão de cindir a empresa ou seus bens, até porque a inscrição da filial no CNPJ é derivada do CNPJ da matriz. 2.Possibilidade de bloqueio (BACENJUD) de ativos financeiros em nome das filiais em execução fiscal contra a matriz: responsabilidade solidária (art. 124, I, CTN). 3.Agravo de instrumento provido. (grifo não constante do original) Por último, notese que a decisão trazida pela recorrente, na qual estaria o fundamento da inexistência de concomitância, é específica ao tratar do não aproveitamento do depósito judicial efetuado pela matriz em relação à filial, não se confundindo a questão com a matéria referente à classificação fiscal da mercadoria. Dessa forma, entendo pertinente a concomitância alegada pela autoridade julgadora de primeira, razão pela qual NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Voto Vencedor Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Redator. A divergência em relação ao voto da Conselheira Relatora referese à questão da concomitância entre as esferas judicial e administrativa. A ilustre Relatora entendeu que haveria a concomitância entre as duas esferas de julgamento, uma vez que o estabelecimento matriz ingressou com ação judicial para discussão de mesma matéria referente à classificação fiscal de mercadorias, de modo que o estabelecimento filial também estaria vinculado a esta relação processual. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 8 Via de regra, este também seria meu entendimento, entretanto, há um fato que precisa ser considerado e que leva à alteração deste posicionamento, especificamente, para este caso concreto. Conforme informado pela Recorrente (fls. 272 – volume II), em 13.6.2011, foi proferida decisão interlocutória nos autos do Recurso de Apelação (Ação Ordinária n° 97.00600564) interposto pela Recorrente, nos seguintes termos: Fls. 1168/1170: MABE BRASIL ELETRODOMÉSTICOS LTDA. atravessa petição nos autos requerendo a inclusão no pólo passivo dessa ação do CNPJ da Filial n° 60.736.279/001250, para prosseguir ao despacho aduaneiro dos produtos objeto da presente demanda. Tenho que o pedido não pode ser acolhido. Isto porque a filial da autora tem personalidade jurídica própria, sendo certo que, para fins tributários, cada filial é considerada ente jurídico autônomo, razão pela qual tanto a matriz quanto a filial possuem legitimidade para demandar isoladamente em juízo, sobretudo quanto ao IPI, que não admite recolhimento de forma centralizada. Por outro lado, incumbe a demandante formular adequadamente seu pedido, para fins de delimitação da pretensão deduzida em juízo. Esse dever envolve tanto os aspectos objetivos, como também subjetivos. Assim, inviável estender os efeitos dos depósitos judiciais a fim de abranger a filial da autora no caso concreto, que não compôs, juntamente com a matriz, o pólo ativo desta ação. (...) (negritamos) Assim, com base na decisão interlocutória acima transcrita, temse que o estabelecimento filial da Recorrente não foi admitido para compor o pólo ativo da Ação Ordinária n° 97.00600564, de sorte que os efeitos da decisão judicial impetrada pela matriz não poderão ser estendidos às suas filiais (seja a do CNPJ n° 60.736.279/001250, que consta nominalmente da decisão interlocutória, seja do CNPJ n° 60.736.279/000521, que é parte no presente litígio). Destarte, entendo que assiste razão à Recorrente quando afirma que “de acordo com a referida decisão somente podem gozar do provimento jurisdicional a matriz e filiais que tenham ingressado no pólo ativo da demanda, antes da citação da Fazenda Nacional, não sendo esse o caso da ora Recorrente, temse que não há que se falar em concomitância das discussões nas esferas administrativa e judicial, devendo ser apreciados seus argumentos de defesa”. A Recorrente (filial CNPJ n° 60.736.279/000521) não pode compor o pólo ativo da demanda, em decorrência de decisão judicial, por conseguinte, não há como acatar a tese de que há concomitância entre as esferas administrativa e judicial. A Recorrente não pode ser considerada parte na Ação Ordinária n° 97.00600564, repitase, em função da restrição imposta pela decisão interlocutória acima transcrita. De outro lado, pessoalmente concordo com a digna Relatora quando afirma que “o patrimônio da empresa é um só, vez que abrange todos os estabelecimentos, matriz e Fl. 377DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.006721/200798 Acórdão n.º 3202000.502 S3C2T2 Fl. 360 9 filiais, temse que a matriz é o estabelecimento principal, a sede, aquela que dirige as demais empresas que são as filiais, cabendo à matriz determinar as diretrizes que devem obedecer as filiais em relação ao seu patrimônio”, entretanto, não foi este o entendimento do juiz em sua decisão interlocutória, quando não admitiu o ingresso da filial no litígio judicial. No caso concreto, portanto, as partes (matriz e Fazenda) que compõem a relação jurídica na esfera judicial não são as mesmas que compõem a relação jurídica neste processo administrativo (filial e Fazenda). Deste modo, entendo não haver concomitância em relação às partes. Nos termos da Súmula nº 01 do CARF, a concomitância, que importa renúncia as instância administrativas, somente se dá quando há propositura de ação judicial pelo mesmo sujeito passivo e com o mesmo objeto do processo administrativo. A súmula, consequentemente, não pode ser aplicada ao caso concreto. Em conclusão, afastada a possibilidade de a Recorrente participar do processo judicial, resta plenamente cabível que a discussão seja feita no âmbito administrativo, e, por conseguinte, para que não fique cerceado o legítimo direito à ampla defesa e ao contraditório, VOTO por declarar a inexistência de concomitância e anular o processo, a partir da decisão de primeira instância, inclusive, para que sejam apreciados os argumentos de defesa trazidos na impugnação, devendo, para tanto, os autos retornarem à DRJ – São Paulo. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 378DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10865.003522/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/2002
PRAZO PARA GUARDA DE DOCUMENTOS. APLICAÇÃO DO
ART. 195 DO CTN. OBRIGAÇÃO QUE PERSISTE ATÉ O
TRANSCURSO DO PRAZO PRESCRICIONAL.
Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes
dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a
prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
GRADAÇÃO POR NORMA INFRALEGAL AUTORIZADA PELA
LEI.
O art. 92 da Lei 8.212/91 prevê a graduação da multa conforme previsão em
Decreto.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-002.511
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Impedido: Adriano Gonzáles Silvério.
Nome do relator: Mauro Jose Silva
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201201
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/2002 PRAZO PARA GUARDA DE DOCUMENTOS. APLICAÇÃO DO ART. 195 DO CTN. OBRIGAÇÃO QUE PERSISTE ATÉ O TRANSCURSO DO PRAZO PRESCRICIONAL. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GRADAÇÃO POR NORMA INFRALEGAL AUTORIZADA PELA LEI. O art. 92 da Lei 8.212/91 prevê a graduação da multa conforme previsão em Decreto. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
numero_processo_s : 10865.003522/2007-21
anomes_publicacao_s : 201201
conteudo_id_s : 5057804
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2301-002.511
nome_arquivo_s : 230102511_10865003522200721_201201.pdf
ano_publicacao_s : 2012
nome_relator_s : Mauro Jose Silva
nome_arquivo_pdf_s : 10865003522200721_5057804.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Impedido: Adriano Gonzáles Silvério.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
id : 4955677
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:11:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045984694501376
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1723; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 91 1 90 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.003522/200721 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 230102.511 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de janeiro de 2012 Matéria CONT. PREV. DEIXAR DE APRESENTAR DOCUMENTOS Recorrente TAMBA CERÂMICA VERMELHA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/2002 PRAZO PARA GUARDA DE DOCUMENTOS. APLICAÇÃO DO ART. 195 DO CTN. OBRIGAÇÃO QUE PERSISTE ATÉ O TRANSCURSO DO PRAZO PRESCRICIONAL. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GRADAÇÃO POR NORMA INFRALEGAL AUTORIZADA PELA LEI. O art. 92 da Lei 8.212/91 prevê a graduação da multa conforme previsão em Decreto. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Impedido: Adriano Gonzáles Silvério. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 Participaram, do presente julgamento os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.003522/200721 Acórdão n.º 230102.511 S2C3T1 Fl. 92 3 Relatório Tratase de Lançamento de penalidade pecuniária, lavrado em 26/11/2007, por ter o contribuinte acima identificado, segundo Relatório Fiscal, fls. 15, deixado de fornecer documentos referentes aos períodos de 01/1997 a 06/2002, tendo resultado na constituição de crédito tributário de R$ 11.951,21. Após tomar ciência pessoal da autuação em 28/11/2007, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 21/41, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 11ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, no Acórdão de fls. 58/69, julgou o lançamento procedente. A recorrente foi cientificada do decisório em 27/01/2009, fls. 72. O recurso voluntário, apresentado em 09/02/2009, fls. 75/88, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Pleiteia a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN. Sustenta que de acordo com o art. 195 do CTN não tem a obrigação de entregar os documentos. Por outro lado, ressalta que tudo estava a disposição da fiscalização. Não haveria penalidade descrita na lei. Não concorda com a atribuição para a fiscalização da avaliação subjetiva da conduta. É o relatório. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Desnecessário tratarmos de decadência, uma vez que há documentos referentes a períodos não atingidos pela decadência do art. 173, inciso I ou do art. 150, §4º que não foram fornecidos à fiscalização. A obrigação de apresentar documentos à fiscalização não se confunde com sua apreensão. Além de prevista genericamente no art. 195 do CTN, tal obrigação tem previsão específica no §2º do art. 33 da Lei 8.212/91. Descumprida a obrigação de apresentar documentos, como restou demonstrado nos autos, correta a aplicação da multa. Obrigações acessórias ou deveres instrumentais. Previsão em normas infralegais. As obrigações acessórias ou deveres instrumentais decorrem da legislação tributária tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113, §2º do CTN). Na expressão legislação tributária temos compreendido compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes (art. 96 do CTN). Entre as normas complementares, encontramos os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas (afrt. 100, inciso II do CTN), o que inclui as instruções normativas e as portarias. Assim, atende perfeitamente ao princípio da legalidade a previsão de deveres instrumentais por meio de norma infralegais. Possibilidade de definição do valor da multa por meio de normas infralegais dentro de parâmetros estabelecidos por lei. O valor a ser aplicado como sanção tributária deve estar previsto em lei, em obediência ao art. 5º, inciso II da Constituição Federal (legalidade geral) e ao art. 97, inciso V do CTN. Porém, é admitido que a lei estipule uma gradação da multa que será detalhada em norma infralegal, como no caso dos autos, pois o art. 92 da Lei 8.212/91 prevê a graduação da multa conforme previsão em Decreto. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 97DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.003522/200721 Acórdão n.º 230102.511 S2C3T1 Fl. 93 5 Mauro José Silva Fl. 98DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10855.724615/2011-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2010 a 30/11/2011
ADICIONAL DE FÉRIAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 214, §4º DO RPS.
A remuneração adicional de férias de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal integra o salário de contribuição, para fins de incidência de contribuições previdenciárias.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA.
É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário.
MULTA ISOLADA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. INSTRUÇÃO DEFICIENTE DO PROCESSO.
A falsidade da declaração, a conduta dolosa do sujeito passivo tem que estar demonstrada no auto de infração para se subsumir ao tipo infracional previsto no art. 89, §10 da Lei nº 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, devendo ser excluída do lançamento a parcela referente à multa isolada, nos termos do voto divergente, vencido o Conselheiro Relator. A Conselheira Liege Lacroix Thomasi apresentará o voto divergente vencedor.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201304
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2010 a 30/11/2011 ADICIONAL DE FÉRIAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 214, §4º DO RPS. A remuneração adicional de férias de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal integra o salário de contribuição, para fins de incidência de contribuições previdenciárias. CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. MULTA ISOLADA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. INSTRUÇÃO DEFICIENTE DO PROCESSO. A falsidade da declaração, a conduta dolosa do sujeito passivo tem que estar demonstrada no auto de infração para se subsumir ao tipo infracional previsto no art. 89, §10 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 29 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10855.724615/2011-99
anomes_publicacao_s : 201305
conteudo_id_s : 5255715
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2302-002.413
nome_arquivo_s : Decisao_10855724615201199.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ARLINDO DA COSTA E SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10855724615201199_5255715.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, devendo ser excluída do lançamento a parcela referente à multa isolada, nos termos do voto divergente, vencido o Conselheiro Relator. A Conselheira Liege Lacroix Thomasi apresentará o voto divergente vencedor. Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
id : 4879473
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:10:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045984707084288
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2237; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 429 1 428 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.724615/201199 Recurso nº 002.413 Voluntário Acórdão nº 2302002.413 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de abril de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AIOP Recorrente MUNICÍPIO DE CAMPINA DO MONTE ALEGRE PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2010 a 30/11/2011 ADICIONAL DE FÉRIAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 214, §4º DO RPS. A remuneração adicional de férias de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal integra o salário de contribuição, para fins de incidência de contribuições previdenciárias. CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. MULTA ISOLADA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. INSTRUÇÃO DEFICIENTE DO PROCESSO. A falsidade da declaração, a conduta dolosa do sujeito passivo tem que estar demonstrada no auto de infração para se subsumir ao tipo infracional previsto no art. 89, §10 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, devendo ser excluída do lançamento a parcela referente à multa isolada, nos termos do voto divergente, vencido o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 46 15 /2 01 1- 99 Fl. 429DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Conselheiro Relator. A Conselheira Liege Lacroix Thomasi apresentará o voto divergente vencedor. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/08/2010 a 30/11/2011 Data da lavratura do AIOP: 23/12/2011. Data da ciência do AIOP: 28/12/2011. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Ribeirão Preto/SP que julgou procedentes em parte as impugnações oferecidas pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio dos Autos de Infração nº 51.017.3969 e 51.017.3977, decorrentes de glosa de compensação de contribuições previdenciárias realizada indevidamente pelo Órgão Público Municipal no período de apuração acima indicado, em razão do não cumprimento das determinações contidas no art. 6º da IN nº 15, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 254/286. Considerou a fiscalização que o prazo para pleitear restituição ou efetuar a compensação das contribuições previdenciárias recolhidas sob o fundamento do art. 12, I, “h”, da Lei nº 8.212/91, declarado inconstitucional pelo STF, é de cinco anos a contar da data do pagamento. Nessa perspectiva, considerando que as compensações efetuadas em GFIP pelo Município de Campina do Monte Alegre tiveram início na competência de 11/2006, cujo vencimento da GPS se deu em 02/12/2006, entendeu a fiscalização que estariam prescritos todos os créditos decorrentes de recolhimentos indevidamente efetuados antes de 02/12/2001, estando extinto o direito de pleitear restituição ou efetuar compensação dos recolhimentos efetuados e declarados em GFIP entre as competências de 08/1997 e 10/2001. Os valores a compensar considerados como PRESCRITOS estão demonstrados na planilha “Valores Compensados Agentes Políticos – Análise da Prescrição”. Relata o Fisco que o Município não apresentou as GFIP retificadoras com a exclusão de todos os exercentes de mandato eletivo daquelas originalmente informadas. Além das compensações relativas a contribuições incidentes sobre valores pagos aos agentes políticos – competências 12/2006, 13/2006, 01/2007, 02/2007 e 13/2007, foram também glosadas as seguintes compensações realizadas pelo Município recorrente: Fl. 430DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10855.724615/201199 Acórdão n.º 2302002.413 S2C3T2 Fl. 430 3 a) Compensações relativas a pagamentos de multa em recolhimento de GPS – competência 01/2008 – glosa total do valor. b) Compensações relativa a diferenças entre os valores devidos declarados em GFIP e os valores retidos pelo FPM e/ou recolhidos – competência 08/2010 glosa parcial e competências 09/2010, 10/2010 e 11/2010 glosa total. c) Compensação relativa a fato gerador não informado e não apresentado nenhum documento – competência 03/2011 – glosa total. d) Compensação relativa a contribuições incidentes sobre valores pagos considerados unilateralmente pelo Recorrente como indenizatórios – terço constitucional de férias e horas extras competências 07/2011 e 08/2011 – glosa total. Considerando que a não observância da prescrição, a não retificação de GFIP e a majoração dos valores a compensar configuravam falsidade da declaração (GFIP), houvese por aplicada pela fiscalização, mediante o Auto de Infração nº 51.017.3977, a multa isolada de 150% sobre o total do débito indevidamente compensado, a partir da edição da MP 449/2008 em 03/12/2008, conforme planilha “Multa Isolada – Calculo do valor e definição de competência”, a qual demonstra as datas de envio das GFIP, os valores compensados a partir de 12/2008, as competências e os valores da multa isolada. A falsidade da declaração ficou configurada na data de envio da GFIP. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 330/374. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 389/408, julgando procedente em parte o lançamento, ratificando o valor da multa isolada aplicada mediante o Auto de Infração nº 51.017.3977, e mantendo o crédito tributário lançado mediante o Auto de Infração nº 51.017.3969 em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 14/08/2012, conforme Aviso de Recebimento a fl. 413. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 414/423, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Que a rubrica relativa ao terço constitucional de férias não integra o conceito de Salário de Contribuição, pois possui caráter indenizatório; · Que o contribuinte efetuou compensação conforme a legislação permite. Aduz que o fato de não possuir uma decisão favorável não pode levar à conclusão de que sua compensação é fraudulenta. Argumenta que o que houve foram formas diferentes de se interpretar a mesma norma e os mesmos fatos; Fl. 431DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Ao fim, requer a anulação do débito fiscal. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Vencido Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 14/08/2012. Havendo sido o recurso voluntário protocolizado em 12 de setembro do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que, em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. 2.3. DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE O ADICIONAL DE FÉRIAS Alega o Recorrente que a rubrica relativa ao terço constitucional de férias não integra o conceito de Salário de Contribuição, pois possui caráter indenizatório. Argumenta em defesa que efetuou compensação conforme a legislação previdenciária permite. Aduz que o fato de não possuir uma decisão favorável não pode levar à Fl. 432DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10855.724615/201199 Acórdão n.º 2302002.413 S2C3T2 Fl. 431 5 conclusão de que sua compensação é fraudulenta. Pondera que o que houve foram formas diferentes de se interpretar a mesma norma e os mesmos fatos. Razão não lhe assiste, porém. Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação biunívoca de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei nº 5.452 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. Hoje, não mais. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) Fl. 433DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) § 3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) §4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de cohabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de Cristo, Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas ajustaas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas, assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada passou a interpretar remuneração não como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, Fl. 434DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10855.724615/201199 Acórdão n.º 2302002.413 S2C3T2 Fl. 432 7 inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o obreiro estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora não representem contrapartida direta pelo trabalho realizado. Nesse sentido, o magistério de Amauri Mascaro Nascimento: “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, “folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, pelos lançamentos efetuados em favor do trabalhador e todas as parcelas a este devidas em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a Fl. 435DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS, encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Em reforço a tal abrangência, de modo a espancar qualquer dúvida ainda renitente a cerca da real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque, o legislador constituinte fez questão de consignar no texto constitucional, de forma até pleonástica, que as contribuições previdenciárias incidiriam não somente sobre a folha de salários como também sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência do conceito de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) aos ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Portanto, a contar da EC n° 20/98, todas as verbas recebidas com habitualidade pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por força de norma constitucional, o conceito jurídico de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) e, nessa condição, passam a compor obrigatoriamente o SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (Instituto de Direito Previdenciário) do segurado, se sujeitando compulsoriamente à incidência de contribuição previdenciária e repercutindo no benefício previdenciário do empregado. Nesse sentido caminha a jurisprudência trabalhista conforme de depreende do seguinte julgado: TRT7 Recurso Ordinário: Processo: RECORD 53007520095070011 CE 0005300 7520095070011 Relator(a):DULCINA DE HOLANDA PALHANO Órgão Julgador: TURMA 2 Publicação: 22/03/2010 DEJT RECURSO DA RECLAMANTE CTVA NATUREZA SALARIAL CONTRIBUIÇÃO A ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. A parcela CTVA, paga habitualmente e com destinação a servir de compromisso aos ganhos mensais do empregado, detém natureza salarial, devendo integrar a remuneração para todos os Fl. 436DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10855.724615/201199 Acórdão n.º 2302002.413 S2C3T2 Fl. 433 9 fins, inclusive para o cálculo da contribuição a entidade de previdência privada. RECURSO DO RECLAMADO CEF CTVA. Com efeito, se referidas gratificações são pagas com habitualidade se incorporam ao patrimônio jurídico do reclamante, de forma definitiva, compondo sua remuneração para todos os efeitos. Atentese que a natureza de tal verba não mais será de "gratificação" mas sim de "Adicional Compensatório de Perda de Função" A norma constitucional acima citada não exclui da tributação as rubricas recebidas em espécie de forma eventual. A todo ver, a norma constitucional em questão fez incorporar ao SALÁRIO (instituto de direito do trabalho) todos os ganhos habituais do empregado, a qualquer título. Ocorre, contudo, que o conceito de SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (instituto de direito previdenciário) é muito mais amplo que o conceito trabalhista mencionado, compreendendo não somente o SALÁRIO (instituto de direito do trabalho), mas, também, os INCENTIVOS SALARIAIS, assim como os BENEFÍCIOS. Assim, as verbas auferidas de forma eventual podem se classificar, conforme o caso, ou como incentivos salariais ou como benefícios. Em ambos os casos, porém, integram o conceito de Salário de Contribuição, nos termos e na abrangência do art. 28 da Lei nº 8.212/91, observadas as excepcionalidades contidas em seu §9º. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 437DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Nesses termos, compreendemse no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Fl. 438DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10855.724615/201199 Acórdão n.º 2302002.413 S2C3T2 Fl. 434 11 b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. Previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) O abono do Programa de Integração Social PIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 439DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) O valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 440DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10855.724615/201199 Acórdão n.º 2302002.413 S2C3T2 Fl. 435 13 Avulta, de plano, que a verba despendida pela empresa a título de ADICIONAL DE FÉRIAS, paga a seus empregados, não integra o rol numerus clausus de hipóteses legais de não incidência tributária consolidado no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, configurandose, portanto, como rubrica abraçada pelo conceito jurídico de Salário de Contribuição. Cumpre observar que, em atenção aos termos insculpidos no art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção, de sorte que, onde o legislador ordinário não dispôs de forma expressa, não pode o operador da lei estender a interpretação, sob pena de violação aos princípios da reserva legal e da isonomia. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido § 9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis, a teor do art. 214, §10 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Por outro viés, o §4º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, estatui de maneira expressa que o adicional de um terço de férias integra o saláriodecontribuição, figurando, portanto, tal rubrica no conjunto das hipóteses de incidência das contribuições previdenciárias. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 . Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §4º A remuneração adicional de férias de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal integra o saláriode contribuição. Se nos antolha auspicioso assinalar que as questões atinentes à isenção tributária constituemse matéria de interesse público, figurando a lei stricto sensu como o único instrumento normativo com aptidão para determinar as hipóteses de renúncia fiscal, não previstas constitucionalmente, não irradiando efeitos na seara pública qualquer disposição pactuada entre empregador e empregado em seus contratos de trabalho, sendo inconcebível que interesses particulares venham a se sobrepor aos públicos. O contrário, sim. Aditese que, estando incidência de contribuições previdenciárias sobre a verba ora em debate expressamente prevista no §4º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, impedido encontrase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de afastar sua aplicação, por força do preceito inscrito no art. 62 do Fl. 441DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256/2009 do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Dessarte, para os fatos geradores objeto do presente lançamento, inexiste qualquer subsunção do fato jurígeno tributário à norma de exclusão da base de cálculo, circunstância que implica sua integração na matéria tributável. Não procede a alegação recursal de que a rubrica referente ao terço constitucional de férias teria natureza indenizatória. As férias trabalhistas são conceituadas como o período do contrato de trabalho em que o empregado não presta serviços ao empregador, mas recebe remuneração, após ter adquirido o direito no decurso dos doze primeiros meses de vigência do seu contrato de trabalho. Sua natureza jurídica envolve um aspecto negativo, que é o período em que o empregado não deve trabalhar e o empregador não pode exigir serviços de obreiros. Assim, as férias trabalhistas se constituem num direito subjetivo do trabalhador e, em contrapartida, sob o prisma do empregador, numa obrigação de fazer e de dar ao mesmo tempo. Não há, portanto, qualquer indício de natureza indenizatória. Afinal, qual seria o dano sofrido pelo empregado para fazer jus à verba em questão? Ter ficado 30 dias sem trabalhar e ainda ser remunerado como salário integral? E quanto ao adicional constitucional de 1/3 das férias? Um plus remuneratório para curtir as férias? Haverá algum dano? Qual? Ao contrário do que afirma o Recorrente, o benefício auferido pelo segurado sob o rótulo de Adicional de Férias possui natureza remuneratória indireta, na forma de Benefícios Trabalhistas. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados empregados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços ao Recorrente, sendo, portanto, um benefício ganho pelo trabalho e não para o trabalho. Nesse contexto, figurando tal rubrica no campo de incidência da exação previdenciária, inexistindo dispensa legal expressa da tributação em apreço, não pode o Recorrente considerar, unilateralmente e ao seu bel alvedrio, que as contribuições Fl. 442DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10855.724615/201199 Acórdão n.º 2302002.413 S2C3T2 Fl. 436 15 previdenciárias delas decorrentes seriam indevidas, e assim, computar tais contribuições como créditos líquidos e certos aptos a ensejar compensação. Não procede, portanto, a alegação de que “Em verdade, o que houve foram formas diferentes de se interpretar a mesma norma e os mesmos fatos”. Não houve qualquer divergência de interpretação. O §4º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 é de clareza solar ao dispor que “A remuneração adicional de férias de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal integra o saláriodecontribuição”. Nessa prumada, configurada expressamente na legislação tributária a qualidade de parcela integrante da base de cálculo da contribuição previdenciária, somente com provimento judicial específico em seu favor poderia o Recorrente se imitir no direito creditório ora reclamado. Cumpre alertar, eis que parece não ter sido bem assimilado, que as decisões judiciais proferidas incidenter tantum pelos tribunais nos autos de processos em que o Recorrente não é parte não irradiam efeitos sobre suas relações jurídicas com o Fisco, mesmo que a ação seja de idêntico objeto. Aditese que, mesmo nos casos em que Recorrente for Parte ativa em demanda judicial, visando ao reconhecimento de direito creditório e/ou compensação, enquanto não ocorrer o Trânsito em Julgado da ação, vedada será a compensação pretendida, a teor do art. 170A do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela LC nº 104/2001) Improcedente, portanto, a alegação de que “O fato de não possuir uma decisão judicial favorável não pode levar à conclusão de que sua compensação seja fraudulenta”. No caso em estudo, mesmo ciente de que a rubrica atinente ao terço constitucional de férias encontravase expressamente prevista na legislação como parcela integrante do Salário de Contribuição, e mesmo sem possuir provimento judicial que lhe outorgasse o direito creditório sobre as parcelas dessa natureza anteriormente recolhidas, o Recorrente, consciente de que não era titular de tal direito creditório, mesmo assim, considerouas, ao seu inteiro arbítrio e risco, como sendo indevidas, e computou, como créditos seus, os valores das contribuições previdenciárias a elas correspondentes. Diante da conduta acima descrita, concluiu a autoridade fiscal que as ações perpetradas pelo Contribuinte se subsumiam, com perfeito ajuste, no tipo infracional descrito Fl. 443DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 no §10º do art. 89 da Lei nº 8.212/91, que pela sua relevância para o deslinde da causa o transcrevemos a seguir, procedendo então à lavratura do Auto de Infração correspondente. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) §9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Incluído pela Medida Provisória nº 449/2008) §10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Medida Provisória nº 449/2008) Da mera leitura dos dispositivos suso transcritos, percebemos a cominação de duas penalidades pecuniárias para a conduta consistente na compensação indevida de contribuições previdenciárias: I. A multa de mora, calculada segundo a memória de cálculo descrita no art. 61 da Lei nº 9.430/96. (art. 89, §9º da Lei nº 8.212/91) II. Multa isolada, no valor correspondente ao dobro do previsto no art. 44, I da Lei nº 9.430/96. (art. 89, §10 da Lei nº 8.212/91) Em razão da duplicidade de penalidades cominadas a uma mesma conduta, pipocam alguns questionamentos a exigir nossa digressão, dentre outros: a) As penalidades indicadas são aplicáveis de forma alternativa ou de maneira cumulativa? b) Em que hipóteses será aplicada a multa de mora? E a multa isolada? c) O que se entende por “falsidade da declaração” e qual a abrangência de tal termo? d) Quais seriam os elementos de convicção com aptidão para se comprovar a falsidade de declaração? Entendo que a resposta a tais indagações deve ser formulada levandose em consideração uma interpretação sistemática e teleológica das normas tributárias em realce, Fl. 444DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10855.724615/201199 Acórdão n.º 2302002.413 S2C3T2 Fl. 437 17 realizada de acordo com o balizamento encartado no Capítulo IV do Título I do CTN, observado o princípio da proporcionalidade implicitamente permeado na Escritura Constitucional. Nessa perspectiva, se nos afigura que a pedra de toque a impingir um diferencial significativo entre as penalidades previstas nos §§ 9º e 10 do aludido art. 89 encontrase assentado na comprovação da falsidade da declaração, circunstância essencial e indispensável para a inflição da penalidade mais severa. Do que se extrai da dicção do §10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91, a aplicação da multa isolada encontrase subjugada à ocorrência simultânea de duas condicionantes inafastáveis, sendo a primeira a própria compensação indevida (“na hipótese de compensação indevida”) e a segunda, a comprovada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo (“quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo”). Ambos assumem, dessa maneira, cunho de aplicação cumulativa, de modo que a ausência de uma ou de outra não se rende ensejo à aplicação da penalidade em relevo. Nessa perspectiva, a mera compensação indevida de contribuições previdenciárias configurase, tão somente, inadimplemento de tributo devido e não recolhido, em relação aos quais, na constituição de ofício do crédito tributário, além do principal, o lançamento deverá contemplar os acréscimos legais de caráter moratório, nos termos fixados no §9º do art. 89 da Lei nº 8.212/91. Fato diametralmente diverso se configura com o emprego de meio fraudulento, aqui incluída a falsidade, visando a iludir o Fisco Federal sobre a efetiva ocorrência do fato jurígeno tributário, ou a excluir ou modificar suas características essenciais e/ou efeitos, ocultandoo, assim, de forma ardilosa. Na apreciação do caso concreto, uma vez caracterizada a compensação indevida, a configuração da hipótese de incidência da multa isolada exige, para a sua consumação, a demonstração da falsidade, eis que elemento objetivo do tipo, sendo necessária e imprescindível sua comprovação, a teor do §10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91. Indispensável, pois, se perquirir onde se encontra a falsidade ou fraude na declaração das compensações indevidas efetuadas pelo sujeito passivo, e se fazer coligir aos autos os elementos de convicção da efetiva ocorrência da falsia em relevo. Ora, mas o que se entende por falsidade de declaração? Um mero erro material de digitação na GFIP, resultando num montante de compensação a maior que as forças do crédito de titularidade do sujeito passivo, já se consumaria numa falsidade de declaração? Uma declaração a maior do montante compensável, em GFIP, resultante do emprego de metodologia de atualização do crédito e de acumulação de juros moratórios diferente da adotada pela RFB, seria suficiente para enquadrala como acometida de falsidade? Ou seria necessário, para a consumação da conduta típica em tela, que o infrator, consciente de que não possui qualquer direito creditório, informe dolosamente no documento em apreço compensação de créditos previdenciários sabidamente inexistentes (ou a menor) visando à redução do montante a ser recolhido? Fl. 445DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 A Lei nº 8.212/91 não define, para fins de enquadramento na conduta tipificada no §10 do seu art. 89, o conceito do termo “falsidade de declaração”, tampouco sua abrangência e alcance. Nessas situações, ante a ausência de disposição expressa, o codex tributário impõese a integração legislativa mediante a analogia, os princípios gerais de direito tributário, os princípios gerais de direito público e a equidade. Código Tributário Nacional CTN Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a equidade. §1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. §2º O emprego da equidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. Tratandose de normas que impingem ao infrator uma penalidade decorrente da transgressão de uma norma de conduta, nada mais natural do que a integração analógica com as normas que dimanam do Direito Penal. Sob tal prisma, há que se perquirir se, para a caracterização de falsidade de declaração, seria necessária a tipificação de falsidade de documento público ou, numa gradação mais branda, suficiente seria a mera falsidade ideológica? Cumpre salientar que, para os efeitos da incidência da lei penal, a GFIP equiparase a documento público, a teor dos §§ 2º e 3º do art. 297 do Código Penal. DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Falsificação de documento público Art. 297 Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro: Pena reclusão, de dois a seis anos, e multa. §1º Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, aumentase a pena de sexta parte. §2º Para os efeitos penais, equiparamse a documento público o emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular. (grifos nossos) §3º Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir: (Incluído pela Lei nº 9.983/ 2000) I na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório; (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) (grifos nossos) II na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita; (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) Fl. 446DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10855.724615/201199 Acórdão n.º 2302002.413 S2C3T2 Fl. 438 19 III em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) (grifos nossos) §4º Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados no §3º, nome do segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) (grifos nossos) Falsidade ideológica Art. 299 Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: (grifos nossos) Pena reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, se o documento é particular. Parágrafo único Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, aumentase a pena de sexta parte. Seja num caso, seja no outro, os princípios de direito público atávicos ao Direito Penal exigem, para a subsunção à conduta típica, não somente a coincidência objetiva de condutas, mas, também, a presença do elemento subjetivo consubstanciado no dolo ou na culpa, esta, quando expressamente prevista no corpo do tipo, a teor do Parágrafo Único do art. 18 do Código Penal. DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Art. 18 Dizse o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209/84) Crime doloso(Incluído pela Lei nº 7.209/84) I doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo;(Incluído pela Lei nº 7.209/84) Crime culposo(Incluído pela Lei nº 7.209/84) II culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia. (Incluído pela Lei nº 7.209/84) Parágrafo único Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente. (Incluído pela Lei nº 7.209/84) Assim, sob o prisma da norma que pespega penalidades, indispensável para a caracterização da conduta típica de falsidade de documento público e de falsidade ideológica a comprovação da coexistência do elemento subjetivo do tipo consistente na consciência e vontade de concretizar os requisitos objetivos do tipo. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 Mostrase valioso revisitar também os conceitos jurídicos assentados na Lei nº 4.502/64, verbatim: Lei nº 4.502/64 Art. 68. A autoridade fixará a pena de multa partindo da pena básica estabelecida para a infração, como se atenuantes houvesse, só a majorando em razão das circunstâncias agravantes ou qualificativas provadas no processo. (Redação dada pelo DecretoLei nº 34/66) (...) §2º São circunstâncias qualificativas a sonegação, a fraude e o conluio. (Redação dada pelo DecretoLei nº 34/66) (...) Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Notese, ainda, que a falsidade ideológica se qualifica como um tipo penal incongruente, exigindo para a sua caracterização, além do dolo genérico, uma intenção especial do agente, um requisito subjetivo transcendental denominado dolo específico, consubstanciado num especial fim de agir, in casu, a intenção de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante. Pintado nesse matiz o quadro fáticojurídico, se nos antolha que, para que se configure a ocorrência do tipo infracional previsto no §10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91, necessária é a presença do elemento subjetivo associado à conduta típica descrita na norma, consistente na consciência do agente de que, mesmo sabedor de que não possui direito creditório à altura, mesmo assim informa na GFIP compensação de contribuições previdenciárias visando a esquivarse do recolhimento da exação devida. Por esse motivo, exige a regra tributária em realce que, para a caracterização do tipo infracional em debate, o agente fiscal tem que demonstrar a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. A tal conclusão também se converge, ao se apreciar, pelo crivo da proporcionalidade, a dualidade de imputações fixadas nos parágrafos 9º e 10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91: Tratandose de compensação indevida, nas hipóteses em que o agente não teve a Fl. 448DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10855.724615/201199 Acórdão n.º 2302002.413 S2C3T2 Fl. 439 21 intenção de fraudar a norma tributária, a penalidade pecuniária a ser aplicada será a mais branda, nos termos fixados no §9º do suso mencionado art. 89, consistente na multa de mora graduada na forma do art. 61 da Lei nº 9.430/96, além dos juros moratórios. Tratandose, por outro viés, de tentativa de fraude mediante a consciente e inescusável inserção de informações falsas na GFIP, visando dolosamente a reduzir tributo, rigorosa deverá ser a punição a ser infligida ao infrator, consistente na multa de 150% sobre o valor total do débito indevidamente compensado. Nestes casos, assentado que a penalidade estabelecida na lei é por demais severa, deve o agente fiscal se certificar de que a conduta perpetrada pelo sujeito passivo, de fato, reuniu todos elementos objetivos e subjetivos do tipo, de molde a se evitar, ao máximo, a imputação de penalidade indevida. Não por outra razão, a hipótese típica em debate exige do agente fiscal, além da descrição do fato e da disposição legal infringida (art. 10 do Decreto nº 70.235/72), a comprovação da falsidade da declaração. Não se pode perder de vista que a interpretação defendida nos parágrafos antecedentes também se coaduna à regra de hermenêutica plantada no art. 112 do CTN, do qual floresce o princípio da interpretação mais benéfica ao infrator da lei que definir infrações ou cominar penalidades em caso de dúvida quanto à capitulação legal do fato, à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos, à autoria, imputabilidade, ou punibilidade ou à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Código Tributário Nacional CTN Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Tal interpretação, indubitavelmente, se revela como a mais benéfica ao acusado, uma vez que exclui do tipo infracional mais severo as compensações indevidas nas quais o agente não teve o dolo de fraudar a Lei de Custeio da Seguridade Social, conduzindo tais casos à hipótese genérica e abstrata assentada no §9º do citado art. 89 da Lei nº 8.212/91, que prevê, tão somente, a incidência de juros e multa moratória sobre o montante indevidamente compensado. Corrobora o entendimento acima externado as disposições inscritas na Seção V DA COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS, do Capítulo V da IN RFB nº 900/2008, cujo art. 45 prevê que o sujeito passivo deve recolher o valor indevidamente compensado, acrescido de juros e multa de mora devidos, mesmo na hipótese de a compensação considerada como indevida ser decorrente de informação incorreta em GFIP. Instrução Normativa RFB nº 900/2008 SEÇÃO V DA COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Fl. 449DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 Art. 44. O sujeito passivo que apurar crédito relativo às contribuições previdenciárias previstas nas alíneas "a" a "d" do inciso I do parágrafo único do art. 1º, passível de restituição ou de reembolso, poderá utilizálo na compensação de contribuições previdenciárias correspondentes a períodos subsequentes. (...) Art. 45. No caso de compensação indevida, o sujeito passivo deverá recolher o valor indevidamente compensado, acrescido de juros e multa de mora devidos. Parágrafo único. Caso a compensação indevida decorra de informação incorreta em GFIP, deverá ser apresentada declaração retificadora. Art. 46. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Da conjugação dos termos alinhados nos artigos 45 e 46 extraise que a mera constatação de informação incorreta em GFIP da qual decorra compensação indevida de contribuições previdenciárias não implica, automaticamente, a imputação da multa isolada prevista no art. 46 da mesma Instrução Normativa em foco, eis que tal increpação depende da efetiva comprovação da falsidade da declaração. Deflui daí o reconhecimento do próprio Poder Executivo de que a simples informação incorreta na GFIP da qual decorra compensação indevida não importa de per se em falsidade da declaração, sendo necessária a comprovação do elemento subjetivo do tipo, consistente na consciência e vontade de fraudar a lei visando a reduzir o montante de tributo devido. Daí a necessidade de se instruir o processo com os elementos de convicção que conduziram o auditor fiscal a inferir o dolo da conduta infracional. Avulta, de todo o exposto, que a aplicação de penalidade mais severa, mediante a majoração da multa, só tem cabimento em situações específicas, onde fique evidenciado o comportamento ardiloso e intencional do sujeito passivo, seja no tocante à falsidade na declaração, conforme remissão expressa do §10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91, seja pela configuração de sonegação, conluio ou fraude, nos termos acima comentados , situações que, por sua gravidade, devem ensejar reprimenda punitiva de maior envergadura, com o propósito não somente de punir o infrator pela conduta perpetrada, extrapolando o evento do mero inadimplemento, como, também, de reprimir e desestimular comportamentos futuros de idêntico jaez. Olhando com os olhos de ver, o fator agravado na hipótese do §10 do dispositivo legal em realce não é a mera compensação indevida, mas, sim, a ação dolosa e consciente falsear a forma ou o conteúdo da declaração de compensação visando a iludir o Fisco Federal quanto à efetiva ocorrência dos fatos geradores. No caso em estudo, mesmo ciente de que a rubrica atinente ao terço constitucional de férias encontravase expressamente prevista na legislação como parcela integrante do Salário de Contribuição, e mesmo sem possuir provimento judicial que lhe Fl. 450DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10855.724615/201199 Acórdão n.º 2302002.413 S2C3T2 Fl. 440 23 outorgasse o direito creditório sobre as parcelas dessa natureza anteriormente recolhidas, o Recorrente, consciente de que não era titular de tal direito creditório, mesmo assim, considerouas, ao seu inteiro arbítrio e ônus, como sendo indevidas e computou, como créditos seus, os valores das contribuições previdenciárias a elas correspondentes. A mesma conduta houvese por empreendida nas compensações relativas a pagamentos de multa em recolhimento de GPS na competência 01/2008, eis que a multa era devida; nas compensações referentes a fatos geradores não informados ao Fisco e não apresentado nenhum documento comprobatório de recolhimento; nas compensações relativas a contribuições incidentes sobre valores pagos considerados unilateralmente pelo Recorrente como indenizatórios, tais como terço constitucional de férias e horas extras, sem que este estivesse amparado por qualquer decisão judicial a seu favor, e nas compensações relativas a diferenças entre os valores devidos declarados em GFIP e os valores retidos pelo FPM e/ou recolhidos, sem que houvesse comprovação da existência do crédito a seu favor. Resta assim configurada a falsidade ideológica das declarações apresentadas pelo sujeito passivo, mediante as quais, mesmo consciente de que não possuía o direito creditório necessário, informou em suas GFIP compensação de contribuições previdenciárias. A intensão de fraudar o Fisco restou evidente. Não procede, por conseguinte, a alegação de que efetuou compensação conforme a legislação permite. Os débitos relativos a contribuições previdenciárias somente poderão ser compensados com créditos líquidos e certos de titularidade do sujeito passivo decorrentes de pagamento a maior ou de recolhimento indevido das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91. LEI Nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é composto das seguintes receitas: I receitas da União; II receitas das contribuições sociais; III receitas de outras fontes. Parágrafo único. Constituem contribuições sociais: a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; b) as dos empregadores domésticos; c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriode contribuição; Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95) (grifos nossos) Fl. 451DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 §1º Admitirseá apenas a restituição ou a compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95) §2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95) (grifos nossos) (...) §9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) Assim, inexistindo a comprovação do crédito líquido e certo de titularidade do sujeito passivo, indevida será a compensação, procedente a glosa. 3. DECISÃO Pelas razões ora expendidas, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 452DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10855.724615/201199 Acórdão n.º 2302002.413 S2C3T2 Fl. 441 25 Voto Vencedor Peço vênia ao ilustre Conselheiro Relator, para discordar quanto à manutenção da multa isolada no presente Auto de Infração de Obrigação Principal. De acordo com o contido no parágrafo 10, do artigo 89, da Lei n.º 8.212/91, a aplicação da multa isolada pressupõe a existência da compensação indevida aliada à comprovada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. È de se notar que, a compensação indevida de contribuições previdenciárias é tida apenas como inadimplemento de tributo, e não quer dizer que havendo compensação indevida, necessariamente, estará configurada a falsidade para, de forma ardilosa, ludibriar o Fisco. Para que se possa aplicar a multa isolada nos casos de compensação indevida, é essencial que reste demonstrada e comprovada a falsidade ou a fraude praticada pelo sujeito passivo, não basta apenas fazer menção à existência de compensação indevida. No caso presente, o Relatório Fiscal assim se manifesta acerca da glosa das compensações indevidas e da aplicação da multa isolada: “ Conforme demonstrado acima estamos glosando e lançando as seguintes compensações: compensações relativas a contribuições incidentes sobre valores pagos aos agentes políticos – competências 12/2006, 13/2006, 01/2007, 02/2007 e 13/2007 – glosa total dos valores compensados. compensações relativas pagamentos de multa em recolhimento de GPS – competência 01/2008 – glosa total do valor. compensações relativa a diferenças entre os valores devidos declarados em GFIP e os valores retidos pelo FPM e/ou recolhidos – competência 08/2010 glosa parcial e competências 09/2010, 10/2010 e 11/2010 glosa total. compensação relativa a fato gerador não informado e não apresentada nenhum documento – competência 03/2011 – glosa total. compensação relativa a contribuições incidentes sobre valores pagos considerados como indenizatórios – competências 07/2011 e 08/2011 –glosa total. De acordo com o § 9° do art. 89 da Lei 8212/91, os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. A multa de mora exigível é de 0,33 % ao dia, limitada a 20% por competência, aplicável a partir de 02/2007. De acordo com a Lei n° 8212/91 com a nova redação dada pela Medida Provisória n° 449/2008, convertida pela Lei 11.941/2009 : Fl. 453DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiro somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) A falsidade da declaração no caso em tela ficou demonstrada nos fatos acima relatados (não observância da prescrição, não retificação de GFIP e majoração dos valores a compensar) o que impõe a aplicação da multa isolada de 150% sobre o total do débito indevidamente compensado, a partir da edição da MP 449/2008 em 03/12/2008. A falsidade da declaração fica configurada na data de envio da GFIP. A planilha “Multa Isolada – Calculo do valor e definição de competência” demonstra as datas de envio das GFIPs, os valores compensados a partir de 12/2008, as competências e os valores da multa isolada.(grifei) No meu entendimento, o fisco não demonstrou a ocorrência de falsidade na declaração apresentada pelo sujeito passivo que ensejasse a aplicação da penalidade em evidência. Não restou configurada a fraude, que se consubstanciaria na inserção dolosa de dados falsos para ocultar as verdadeiras informações a serem prestadas. Pelo relato constante dos autos houve, sim, compensação indevida de valores, mas não está demonstrado que o contribuinte dolosamente, inseriu dados falsos na GFIP, estando consciente de que não havia direito creditório. A peça fiscal carece da comprovação do dolo. Sobre o assunto, a Lei n.º 4.502/64, traz nos seus artigos 68, 71, 72 e 73: Fl. 454DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10855.724615/201199 Acórdão n.º 2302002.413 S2C3T2 Fl. 442 27 Art. 68. A autoridade fixará a pena de multa partindo da pena básica estabelecida para a infração, como se atenuantes houvesse, só a majorando em razão das circunstâncias agravantes ou qualificativas provadas no processo. (Redação dada pelo DecretoLei nº 34/66) (...)§2º São circunstâncias qualificativas a sonegação, a fraude e o conluio. (Redação dada pelo DecretoLei nº 34/66) (...)Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Pela leitura dos dispositivos legais acima, temse que para configurar a ocorrência do tipo infracional previsto no §10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91, é necessário o elemento subjetivo associado à conduta típica descrita na norma, ou seja, o contribuinte consciente de que não possui qualquer direito creditório, informa na GFIP compensação de contribuições previdenciárias a fim de evitar o recolhimento da exação devida. Entretanto, no caso em tela, o relato desta situação não se encontra na peça fiscal que apenas menciona as glosas efetuadas, dizendo que a conduta do sujeito passivo o sujeitou à majoração da multa por compensar valores sem respeitar a prescrição, sem a retificação de GFIP’s e por compensar valores a maior. Portanto, é de se ver que não restou comprovado nos autos que o recorrente tenha agido de forma dolosa ao informar em GFIP valores que entendia compensáveis. Ainda que a compensação tenha sido considerada indevida pelo fisco não há que se aplicar a multa isolada sem a cabal demonstração do dolo, da fraude cometida, para se subsumir ao disposto pelo artigo 89, §10º da Lei n.º 8.212/91: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Fl. 455DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 28 Federal do Brasil. Alterado pela MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449, DE 3 DE DEZEMBRO DE 2008 – DOU DE 4/12/2008 (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Incluído pela MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449, DE 3 DE DEZEMBRO DE 2008 – DOU DE 4/12/2008 Por todo o exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso, para excluir do lançamento, a parcela referente à multa isolada. Liege Lacroix Thomasi, Relatora Designada Fl. 456DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
