Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10980.010382/2006-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
PARCELAMENTO DE DÉBITOS - PAEX. UTILIZAÇÃO DE DEPÓSITO JUDICIAL
Os débitos pagos sob a vigência da Medida Provisória 303/2006 podiam ser quitados mediante conversão de depósito judicial em renda e o valor remanescente podia ser parcelado pelo contribuinte. A conversão do depósito judicial em renda confere quitação ao valor correspondente (no caso, IRPJ), sendo certo que os benefícios da redução devem incidir sobre os valores a título de multa e juros, sob pena de admitir dupla incidência de penalidade.
Numero da decisão: 1202-001.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado, para reformar o acórdão recorrido e autorizar que sejam aplicados os descontos previstos no programa de parcelamento PAEX de forma exclusiva sobre os valores dos juros de mora e da multa de ofício acompanhados no processo 10980.002897/00-74, ressalvado o direito do órgão fiscal de origem em apurar o montante do respectivo direito creditório.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Marcos Antonio Pires (suplente), Manoel Mota Fonseca (suplente), Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201406
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 PARCELAMENTO DE DÉBITOS - PAEX. UTILIZAÇÃO DE DEPÓSITO JUDICIAL Os débitos pagos sob a vigência da Medida Provisória 303/2006 podiam ser quitados mediante conversão de depósito judicial em renda e o valor remanescente podia ser parcelado pelo contribuinte. A conversão do depósito judicial em renda confere quitação ao valor correspondente (no caso, IRPJ), sendo certo que os benefícios da redução devem incidir sobre os valores a título de multa e juros, sob pena de admitir dupla incidência de penalidade.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10980.010382/2006-41
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5357998
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1202-001.164
nome_arquivo_s : Decisao_10980010382200641.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : GERALDO VALENTIM NETO
nome_arquivo_pdf_s : 10980010382200641_5357998.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado, para reformar o acórdão recorrido e autorizar que sejam aplicados os descontos previstos no programa de parcelamento PAEX de forma exclusiva sobre os valores dos juros de mora e da multa de ofício acompanhados no processo 10980.002897/00-74, ressalvado o direito do órgão fiscal de origem em apurar o montante do respectivo direito creditório. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo - Presidente (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Marcos Antonio Pires (suplente), Manoel Mota Fonseca (suplente), Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
id : 5513660
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046812586147840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2088; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 247 1 246 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.010382/200641 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1202001.164 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de junho de 2014 Matéria IRPJ/Parcelamento de débitos Recorrente ELECTROLUX DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 PARCELAMENTO DE DÉBITOS PAEX. UTILIZAÇÃO DE DEPÓSITO JUDICIAL Os débitos pagos sob a vigência da Medida Provisória 303/2006 podiam ser quitados mediante conversão de depósito judicial em renda e o valor remanescente podia ser parcelado pelo contribuinte. A conversão do depósito judicial em renda confere quitação ao valor correspondente (no caso, IRPJ), sendo certo que os benefícios da redução devem incidir sobre os valores a título de multa e juros, sob pena de admitir dupla incidência de penalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado, para reformar o acórdão recorrido e autorizar que sejam aplicados os descontos previstos no programa de parcelamento PAEX de forma exclusiva sobre os valores dos juros de mora e da multa de ofício acompanhados no processo 10980.002897/0074, ressalvado o direito do órgão fiscal de origem em apurar o montante do respectivo direito creditório. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 03 82 /2 00 6- 41 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10980.010382/200641 Acórdão n.º 1202001.164 S1C2T2 Fl. 248 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Marcos Antonio Pires (suplente), Manoel Mota Fonseca (suplente), Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório O presente processo administrativo originouse de Pedidos Eletrônicos de Compensação – PER/DCOMP nºs 13433.71930.1110071.2.049662, 38395.46467111007.1.2.047110, 08257.08961.111007.1.2.045412, 199558.83301.111007.1.2.044542, 17865.21417.191007.1.2.042439 apresentados pelo Recorrente para a compensação de suposto crédito decorrente do recolhimento a maior de valores incluídos no Parcelamento Excepcional – PAEX, instituído pela Medida Provisória nº 303/2006. Os pedidos de compensação foram indeferidos pela DRFCuritiba/PR (fls. 148/149) com base nas informações apresentadas pelo CAC/Parcelamento da DRFCuritiba/PR (fls. 140/141). Em face do indeferimento dos pedidos de restituição/compensação, o Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade. Submetida à apreciação pela DRJ Curitiba/PR, foi proferido Acórdão nº 0633.149 (fls. 216/222), nos seguintes termos: “ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2006, 2007. PARCELAMENTO EXCEPCIONAL – PAEX. CONFISSÃO IRREVOGÁVEL E IRRETRATÁVEL DOS DÉBITOS NELE INDICADOS. Considerando que a opção pelo Parcelamento Excepcional – PAEX importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos nele indicados e configura confissão extrajudicial nos termos dos artigos 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil, não há como se deferir o pedido de restituição de parcelas pagas sobre débito consolidado regularmente indicado na Discriminação de Débito a Parcelar – DIPAR. PARCELAMENTO EXCEPCIONAL – PAEX. CONSOLIDAÇÃO DO DÉBITO OJETO DE PEDIDO DE PARCELAMENTO. A consolidação do débito incluído no Parcelamento Excepcional PAEX terá por base o mês em que for formalizado o pedido de parcelamento e resultará na soma do principal, da multa de mora ou de ofício, dos juros de mora e dos encargos previstos pelos DecretosLei nº 1.025, de 1969, com as alterações introduzidas pelos DecretosLeis nºs 1.569, de 1977, e nº 1.645, de 1978, quando se tratar de débito inscrito em Dívida Ativa da União. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido”. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10980.010382/200641 Acórdão n.º 1202001.164 S1C2T2 Fl. 249 3 Regularmente intimado, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 225/222) sob os seguintes fundamentos, em síntese: (i) A diferença pretendida pelo Recorrente através dos pedidos eletrônicos de compensação decorre de equívoco realizado pela DRFCuritiba quanto ao critério adotado no cálculo da dívida remanescente do Recorrente após a aplicação dos descontos autorizados pela MP nº 303/06; (ii) Em decorrência dos equívocos dos cálculos da DRFCuritiba, o Recorrente optou por realizar o pagamento das parcelas no valor correspondente ao apurado pela DRF, com o intuito de evitar sua exclusão indevida (pagamento a menor); (iii) O valor devido originalmente pelo Recorrente decorreu de lançamento objeto do Processo Administrativo nº 10980.002897/0074 que pretendeu a cobrança de IRPJ, com acréscimo de multa e juros, sob dois fundamentos: (a) redução indevida do lucro real, por conta da apropriação integral do diferencial de correção monetária das demonstrações financeiras originário do “Plano Verão”; e (b) compensação indevida de prejuízos, acima do limite de 30% do lucro líquido do período; (iv) A matéria relacionada à exigência do crédito em razão de compensação de prejuízos fiscais não foi conhecida, razão do ajuizamento de Mandados de Segurança nºs 95.00015650 e 96.00077843, com o objetivo de depositar judicialmente o valor do tributo principal, sem a inclusão dos acréscimos (multa e juros); (v) De acordo com o Termo de Representação expedido pela DRFCuritiba, o Processo Administrativo nº 10980.002897/0074 foi desmembrado, originandose o Processo Administrativo nº 10980.009603/200157. O valor correspondente ao tributo (IRPJ) passou a ser objeto do Processo Administrativo nº 10980.009603/200157, no valor de R$ 12.344.854,59, enquanto o valor referente à multa e aos juros foi alocado no Processo Administrativo nº 10980.002897/0074. (vi) O desmembramento realizado pela DRFCuritiba decorreu de decisão judicial proferida nos mencionados Mandados de Segurança com o objetivo de possibilitar a interposição de recurso voluntário pelo Recorrente somente com relação às matérias que não eram objeto de discussão judicial; (vii) Com o desmembramento os Processos Administrativos nºs 10980.009603/200157 e 10980.002897/0074 passaram a ter andamentos diversos, desvinculados, cobrados e contestados de forma autônoma; (viii) A autonomia dos processos se comprova pelos andamentos: o Processo Administrativo nº 10980.002897/0074 (multa e juros) foi parcialmente provido pelo antigo Conselho de Contribuintes, sendo que, na época da adesão ao PAEX, o processo administrativo aguardava a intimação da PFN sobre o acórdão dos Embargos de Declaração. O Processo Administrativo nº 10980.009603/200157 não foi conhecido sob o fundamento de que a matéria já se encontrava sub judice; (ix) Na ocasião o Recorrente ajuizou o Mandado de Segurança nº 2001.70.00.0236798 que foi julgado desfavoravelmente, ao final, sendo que, após a Fl. 249DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10980.010382/200641 Acórdão n.º 1202001.164 S1C2T2 Fl. 250 4 certificação do trânsito em julgado, a DRFCuritiba encaminhou Carta Cobrança nº 133/04 para que o Recorrente realizasse o pagamento do crédito tributário objeto do Processo Administrativo nº 10980.009603/200157 (tributo), no valor de R$ 12.344.854,59, sem incidência de juros e multa, já objeto do 10980.002897/0074; (x) Ao invés de realizar o pagamento do crédito tributário, o Recorrente procedeu à realização dos mencionados depósitos judiciais (R$ 12.344.854,59); (xi) Após a edição da MP nº 303/2006 o Recorrente pleiteou o parcelamento dos créditos tributários da seguinte forma: (a) pagamento em parcela dos valores objeto do Processo Administrativo nº 10980.002897/0074 (multa e juros), com a incidência dos benefícios e reduções da MP nº 303/2006, e (b) a conversão dos depósitos judiciais em renda da União, objeto do Processo Administrativo nº 10980.009603/200157; (xii) Portanto, só houve pedido de parcelamento com relação aos valores objeto do Processo Administrativo nº 10980.002897/0074 (multa e juros), uma vez que os valores a título de IRPJ se encontravam com a exigibilidade suspensa decorrente dos depósitos judiciais realizados e deveriam ser convertidos em renda; (xiii) Na consolidação do PAEX, a DRFCuritiba efetuou os cálculos de modo incorreto: somou o valor do IRPJ, multa e juros para, em seguida, descontar o valor depositado judicialmente (R$ 12.344.854,59). Sobre a parcela remanescente a DRFCuritiba aplicou os descontos de 80% da multa e 30% dos juros; (xiv) O parcelamento propriamente dito só ocorreu com relação aos valores objeto do Processo Administrativo nº 10980.002897/0074 (multa e juros); (xv) Se houve desmembramento dos processos administrativos por ato da DRFCuritiba, tendo sido mantidos dois processos, um com o tributo e outro com os juros e multa, os benefícios previstos na MP nº 303/2006 de redução de 80% da multa e 30% dos juros deveriam ter sido aplicados diretamente sobre o processo administrativo de juros e multa, qual seja, o Processo Administrativo nº 10980.002897/0074; (xvi) Os fundamentos constantes do Acórdão proferido pela DRJCuritiba são equivocados, uma vez que a confissão e o reconhecimento do débito nas hipóteses de parcelamento restringemse aos termos da legislação que o instituiu, no caso, a MP nº 303/2006, não podendo ser considerada a hipótese de reconhecimento de dívida de forma ilimitada e que autorize a Administração Pública a quantificar a obrigação tributária; (xvii) O objeto – tributo, exclusivamente, do Processo Administrativo nº 10980.009603/200157 não foi objeto de parcelamento, não tendo sofrido nenhuma redução. O crédito tributário anteriormente discutido no Processo Administrativo nº 10980.009603/2001 57 foi objeto de pedido de conversão em renda; (xviii) O argumento da DRJCuritiba está equivocado quando entende que a conversão do depósito judicial em renda não seria causa de extinção do crédito tributário, pois na data do lançamento o crédito tributário era exigido com multa e juros; (xix) A conversão do depósito em renda acarretou a extinção do crédito tributário com relação ao montante principal uma vez que suspensa a exigibilidade do sem incidência de juros e multa sobre o valor já depositado. Neste sentido, os juros e a multa seriam Fl. 250DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10980.010382/200641 Acórdão n.º 1202001.164 S1C2T2 Fl. 251 5 objeto do outro Processo Administrativo nº 10980.002897/0074 que sofre as reduções decorrentes da adesão ao PAEX; (xx) A DRJCuritiba pretende a alteração da natureza do depósito judicial e o alcance de sua realização; (xxi) Postulou a reforma da decisão recorrida e a restituição dos valores constantes dos pedidos relacionados ao Processo Administrativo nº 10980.009603/200157. É o Relatório. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo (AR – fls. 224) e preenche os pressupostos de admissibilidade. Dessa forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões suscitadas. Primeiramente, conforme despacho de fls. 118, restou confirmada que, após a solicitação do Recorrente de adesão ao Parcelamento Excepcional – PAEX (fls. 28/29) foi realizada a consolidação da dívida com a aplicação dos benefícios (reduções) previstos na Medida Provisória nº 303/2006. Como consta do r.despacho, apesar de discordar do valor das parcelas (fls. 71/78), o Recorrente efetuou o pagamento integral do montante necessário à quitação do parcelamento na forma calculada pela DRFCuritiba. Como constou às fls. 118, no caso de discordância do Recorrente acerca do valor consolidado, este deveria utilizarse de pedido de restituição, nos termos da IN RFB nº 900/2008, então vigente, tal como ocorreu no presente caso. Portanto, podese concluir que não há débitos não quitados no PAEX, tendo sido integralmente pagas as parcelas correspondentes ao valor consolidado pela Receita Federal do Brasil. A r. decisão recorrida também determinou que os pedidos de restituição foram indeferidos, uma vez que a confissão de débitos apresentada para a inclusão em programa de parcelamento é irretratável e irrevogável, nos termos dos artigos348, 353 e 354 do Código de Processo Civil (confissão extrajudicial), não podendo agora o Recorrente pleitear a restituição desses pagamentos. A questão tratada nos autos não se refere à confissão irretratável e irrevogável dos débitos parcelados, não tendo sido este o objetivo do Recorrente quando apresentados os pedidos de compensação/restituição. A discussão central referese ao pagamento de parcelamento de débitos a maior diante de cálculo supostamente incorreto realizado pela Receita Federal do Brasil, quando da consolidação. Como se verifica às fls. 2, quando postulado o parcelamento dos créditos tributários, o Recorrente apresentou formulário de Pedido de Parcelamento de Débitos que Fl. 251DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10980.010382/200641 Acórdão n.º 1202001.164 S1C2T2 Fl. 252 6 originou este Processo Administrativo nº 10980.010382/200641. No referido formulário constou a indicação de que o pedido se referia ao Processo Administrativo nº 10980.002897/0074. Informação diversa constou da Discriminação do Débito a Parcelar – DIPAR de fls. 3, já que consignava observação de que o pedido se referia aos Processos Administrativos nºs 10980.002897/0074 e 10980.006903/200151. Como também comprova a Carta Cobrança de fls. 5/6 juntada pelo Recorrente, a cobrança referente ao Processo Administrativo nº 10980.006903/200151 tratava somente do valor principal do tributo, no montante de R$ 12.344.854,69. Contrariamente ao que consta da r. decisão recorrida, às fls. 221, os depósitos foram realizados em processos judiciais (guias e tabelas – fls. 7/11), e não no Processo Administrativo nº 10980.006903/200151. Este processo administrativo apenas monitorava os depósitos judiciais. Também incorretamente constou da r. decisão recorrida, às fls. 221, que o Recorrente teria declarado a “inexistência de ações judiciais”, quando, na verdade declarou a “desistência de ações judiciais”, como consta do documento de fls. 12. Por sua vez, com relação ao Processo Administrativo nº 10980.002897/0074, o documento de fls. 13 comprova que o Recorrente apresentou pedido de desistência de impugnação ou recurso administrativo, tendo especificado o mencionado processo, no valor de R$ 20.693.679,93, constando expressamente a informação de que o objeto do referido Processo Administrativo restringiase à multa e juros. Esses esclarecimentos são necessários para que sejam verificadas e confirmadas se corretas asinformações apresentadas pelo contribuinte no pedido de parcelamento dos créditos tributários. Verificase, com relação às informações apresentadas no pedido de parcelamento e no cumprimento dos requisitos para o seu deferimento, que o Recorrente discriminou corretamente quais valores referiamse ao tributo principal, depositado judicialmente, e quais valores correspondiam à multa e juros, objeto do Processo Administrativo nº 10980.002897/0074. Os depósitos judiciais correspondiamao valor do imposto, obrigação principal, sendo que a discussão administrativa prosseguiu somente com relação aos juros e multa (Processo Administrativo nº 10980.002897/0074). Todos os valores estavamcom a exigibilidade suspensa, mesmo que por razões distintas, nos termos do artigo 151 do Código Tributário Nacional – o depósito judicial, com fundamento no inciso II, e a pendência de discussão administrativa, de acordo com o inciso III. De acordo com os documentos apresentados pelo Recorrente e que acompanharam o pedido de adesão ao PAEX, bem como pelos seus argumentos, é possível verificar que se tratava de créditos tributários distintos, controlados por dois Processos Administrativos distintos e que foram pagos no parcelamento de duas formas: (i) o crédito principal foi quitado mediante conversão em renda (IRPJ); (ii) o crédito acessório – juros e multa , foi quitado por meio de parcelamento com benefícios de redução de multa e juros. Ao contrário do que constou na r. decisão recorrida, no caso dos depósitos judiciais da obrigação principal (tributo) a conversão em renda configurou causa de extinção do crédito tributário principal (tributo). Efetivamente, tal como constou da r. decisão recorrida, Fl. 252DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10980.010382/200641 Acórdão n.º 1202001.164 S1C2T2 Fl. 253 7 na data da realização dos depósitos judiciais (29/07/2004) o crédito tributário já estava vencido e sujeito ao acréscimo de multa de ofício e juros de mora. Entretanto, a própria DRFCuritiba desmembrou o lançamento em dois processos separados: um do crédito principal e um dos acréscimos de multa e juros. Sendo assim, se o contribuinte indicou que o depósito judicial referiase apenas a um dos processos (Processo Administrativo nº 10980.006903/200151), a sua utilização mediante conversão em renda não poderia ser acrescido novamente de multa e juros, sob pena de dupla penalidade, porque os acréscimos eram controlados em outro Processo (Processo Administrativo nº 10980.002897/0074). Na r. decisão recorrida também consta às fls. 221 que inexiste base legal para dissociar o valor do principal do débito do IRPJ, apartado no Processo Administrativo nº 10980.006903/200151, da multa de ofício e juros de mora mantidos no Processo Administrativo nº 10980.002897/0074. Realmente, tratase de valores oriundos do mesmo lançamento, mas que foram desmembrados em processos apartados por Decisão da DRF Curitiba, não tendo o Recorrente participado ou dado causa a este desmembramento. Portanto, se inexistente base legal para dissociar o valor do tributo do valor dos acréscimos, o desmembramento não poderia ter sido realizado. Nos termos do artigo 13 da MP nº 303/2006, “os depósitos existentes, vinculados aos débitos a serem parcelados nos termos desta Medida Provisória, serão automaticamente convertidos em renda da União ou da Seguridade Social ou do INSS, conforme o caso, concedendose o parcelamento sobre o saldo remanescente”. Pelo que se verifica dos documentos juntados aos autos, referentes ao pedido de adesão ao PAEX, dessa forma procedeu o Recorrente: postulou a conversão em renda do valor integral da obrigação principal (tributo) e efetuou o pagamento em 6 (parcelas) do saldo remanescente, no caso, juros e multa objeto do outro Processo Administrativo nº 10980.002897/0074, sendo que somente sobre o saldo remanescente deveriam ser aplicados os benefícios da redução da multa e juros. Dessa forma já entendeu este E. Conselho, consoante ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – CONFINS Período de apuração: 04/1992, 05/1992. EMENTA PRESCRIÇÃO PARA PEDIR RESTITUIÇÃO, DEPÓSITO JUDICIAL. CONVERSÃO EM RENDA. ART. 168 C/C 156, VI, DO CTN. O prazo prescricional para o contribuinte pleitear restituição apenas começa com a extinção do crédito tributário. No caso de valores depositados em juízo tendo em vista que a existência de depósito não extingue, mas apenas suspende a exigibilidade do crédito tributário a extinção apenas ocorre no momento da conversão em renda, conforme previsto no art. 156, VI do CTN. No caso de depósito judicial, o prazo para pleitear a restituição pelo pagamento em duplicidade começa a contar da conversão em renda. PAGAMENTO EM DUPLICIDADE, PARCELAMENTO E CONVERSÃO DE DEPÓSITO JUDICIAL. Tendo sido extinto o crédito tributário correspondente a um determinado fato gerador por meio de parcelamento, a posterior conversão em renda de depósitos judiciais relativos ao mesmo fato gerador configura pagamento em Fl. 253DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10980.010382/200641 Acórdão n.º 1202001.164 S1C2T2 Fl. 254 8 duplicidade, implicando no direito à restituição do segundo pagamento. Recurso provido”. (Acórdão nº 340300.511, 3ª Seção – 3ª Turma da 4ª Câmara, publicado no DOU de 16.02.2011) Verificase, portanto, que a conversão em renda dos depósitos judiciais foi suficiente para quitação do crédito tributário objeto do Processo Administrativo nº 10980.006903/200151 correspondente à obrigação principal. Da mesma forma, os valores correspondentes à multa e juros foram devidamente quitados, sendo que o cálculo correto é a aplicação dos benefícios da redução sobre os créditos objeto do Processo Administrativo nº 10980.002897/0074, sob pena de se admitir dupla cobrança da mesma penalidade. Tendo em vista todo o acima exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para reformar a r. decisão recorrida e determinar que sejam aplicados os descontos do PAEX de forma exclusiva sobre os valores em discussão no Processo Administrativo nº 10980.002897/0074, ressalvado o direito da autoridade de origem em efetuar o cálculo do respectivo direito creditório. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 254DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
score : 1.0
Numero do processo: 13888.916063/2011-54
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 31/12/2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO.
Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-002.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: Francisco José Barroso Rios
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato Gerador: 31/12/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO. Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso a que se nega provimento.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13888.916063/2011-54
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352977
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3802-002.833
nome_arquivo_s : Decisao_13888916063201154.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : Francisco José Barroso Rios
nome_arquivo_pdf_s : 13888916063201154_5352977.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
id : 5490188
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046812590342144
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2326; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 81 1 80 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.916063/201154 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802002.833 – 2ª Turma Especial Sessão de 26 de março de 2014 Matéria DCOMP Eletrônico Pagamento a maior ou indevido Recorrente Fênix Empreendimentos S.A. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 31/12/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O DO ARTIGO 3O DA LEI NO 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC NO 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 31/12/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO. Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 60 63 /2 01 1- 54 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4a Turma da DRJ Ribeirão Preto (fls. 26/48 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada em face do indeferimento de restituição no valor de R$ 357,38, referente a suposto recolhimento a maior que o devido de PIS de competência do mês de dezembro de 2001. A DRF Piracicaba/SP indeferiu o pedido de restituição porque o pagamento supostamente recolhido a maior havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte, não restando, portanto, nenhum saldo disponível para restituição. Inconformada, a interessada aduziu que o crédito decorre do indevido cômputo das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição, isso diante da declarada inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que previa a incidência da contribuição para o PIS e para a COFINS sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Ressalta ainda que referido dispositivo fora revogado pelo artigo 79, inciso XII, da Lei nº 11.941/2009. A título comprobatório do direito creditório o sujeito passivo juntou uma planilha discriminando os valores recolhidos a maior em cada período de apuração. A primeira instância não reconheceu o direito creditório com base nos seguintes fundamentos: a) que, diante da não retificação da DCTF, o pagamento estava integralmente vinculado ao débito declarado, de sorte que não havia crédito a ser ressarcido; Fl. 94DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13888.916063/201154 Acórdão n.º 3802002.833 S3TE02 Fl. 82 3 b) que a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo artigo 79, inciso XII, da Lei nº 11.941/09 não tem efeitos retroativos e, portanto, não atinge o período a que se refere o PER/DCOMP em análise; c) que a autoridade administrativa não poderia afastar a norma declarada inconstitucional uma vez que a contribuinte não figurara como postulante nas ações julgadas pelo STF, e que ao referido julgado não fora dado efeito erga omnes; e, d) que o contribuinte não apresentou provas documentais discriminando as receitas financeiras que alegou compor a base de cálculo do tributo no período em questão, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 16/07/2013 (fls. 79 Termo de Ciência por Decurso de Prazo). Inconformado, o sujeito passivo apresentou, em 11/07/2013 (fls. 78), o recurso voluntário de fls. 53/70, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito sob o argumento de que o STF efetivamente declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e que isso deveria ser reconhecido pela Administração ainda que tal decisão houvesse sido prolatada no controle difuso. Ressalta que, por força do disposto no artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, tal entendimento deveria ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, uma vez reconhecida a repercussão geral do tema pelo STF. Concernente à produção de provas, ressalta que, juntamente com a manifestação de inconformidade, apresentou a cópia do DARF, a cópia do PER/DCOMP e o demonstrativo do crédito, não havendo que se falar em preclusão do direito de apresentação de prova documental em vista dos princípios da instrumentalidade e da verdade material. Requer, ao final, seja deferida a restituição pleiteada. Além dos documentos acima citados, a suplicante acosta aos autos, às fls. 76/77, cópias das folhas do Livro Razão inerentes à contabilização das receitas financeiras do período. É o relatório. Voto O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Do direito subjetivo arguido A discussão envolve crédito decorrente da declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98. Como se sabe, o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98 ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS. O aumento da carga tributária daí decorrente foi contestado na justiça, tendo o Poder Judiciário, por diversas vezes, entendido que a amplitude de faturamento referida no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, na redação anterior à Emenda Fl. 95DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 Constitucional – EC nº 20, de 1998, não legitimava a incidência de tais contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas contribuintes, advertindo, ainda, que a superveniente promulgação da EC no 20, de 1998, publicada no dia 16 de dezembro de 1998, “não teve o condão de validar a legislação ordinária anterior, que se mostrava originariamente inconstitucional” (Ag.Reg. RE 546.3273/SP, Rel. Min. Celso Mello). Assim, entendeu o Poder Judiciário que o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718, de 1998, ao alargar o conceito de faturamento, criara exação nova, assunto o qual deveria ter sido objeto de lei complementar, por força do disposto no artigo 195, § 4o, c/c artigo 154, inciso I, da Constituição Federal. Portanto, o alargamento da base de cálculo objeto da Lei no 9.718, de 27/11/1998 (decorrente da conversão da MP no 1.724, de 29/10/1998 – antes, ressaltese, da EC no 20, de 15/12/1998), estava maculado por vício formal de constitucionalidade. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário no 390.840/MG, apreciado pelo pleno em 09/11/2005, decidiu no seguinte sentido (relator Ministro Marco Aurélio): CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. A decisão teve a seguinte votação: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie Plenário, 09.11.2005. Posteriormente, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 585.235 1/MG, proferido em 10/09/2008 e publicado em 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral do tema, conforme ementa do acórdão em tela, que teve a relatoria do Ministro Cezar Peluso: Fl. 96DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13888.916063/201154 Acórdão n.º 3802002.833 S3TE02 Fl. 83 5 EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Especificamente sobre exame de constitucionalidade de norma, o caput do artigo 62 do Anexo II do mesmo Regimento veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, admitidas, contudo, as exceções elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais a de que trata a hipótese objeto de seu inciso I, qual seja, afastar preceito “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”, como na hipótese presente. Aliás, segundo o artigo 62A do RICARF (inserido pela Portaria MF no 586/2010), As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Além disso, o parágrafo único do artigo 4o do Decreto no 2.346, de 10/10/1997, dispõe que, Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Com a declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, o STF entendeu que o PIS e a COFINS somente poderiam incidir sobre as receitas operacionais das empresas, ou seja, aquelas ligadas às suas atividades principais. Sobre tal dispositivo, vale ressaltar, a título de informação, que o mesmo foi posteriormente revogado pela Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009. Consequentemente, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 19981. 1 Com efeito, referida Emenda Constitucional, como já citado, unificou os conceitos de receita bruta e de faturamento, o que se deu somente após a edição da Lei nº 9.718/98, cujo § 1º do artigo 3º, ampliador do conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, ainda não estava respaldado pelo alicerce constitucional decorrente da reportada EC no 20/98. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 Logo, de fato, é indevida, em tese, a exigência do PIS e da COFINS sobre receitas financeiras auferidas pelo sujeito passivo, que tem como atividade principal o “aluguel de imóveis próprios”, código 68.10202, conforme consta na sua ficha cadastral junto ao CNPJ, que está em sintonia com o artigo 3º de seu Estatuto Social, publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo em 12/04/1995 (cópia acostada aos autos). Do direito material É verdade que o sujeito passivo não retificou a DCTF do período nem apresentou, na primeira instância, documentação suficiente para a comprovação do direito creditório reclamado. Com efeito, naquela ocasião trouxe apenas demonstrativo de cálculo do aduzido crédito, além da cópia do DARF com o pagamento do tributo. Agora, além dos documentos acima citados, a suplicante acosta aos autos cópias das folhas do Livro Razão inerentes à contabilização das receitas financeiras do período (ver fls. 76/77). Todavia, permanece sem apresentar a DCTF retificadora, o mesmo podendo ser dito em relação à DIPJ retificadora e ao DACON retificador. Ou seja, mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados –, entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados, não se pode olvidar da necessidade de apresentação dos documentos comprobatórios do reclamado indébito, dentre os quais o DACON retificador, imprescindível para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras do sujeito passivo, fonte do direito creditório reclamado. Sem a devida comprovação não há como afirmar que o crédito reclamado é indevido, ainda que admitidas as novas provas acostadas aos autos (Livro Razão) em homenagem ao princípio da efetividade do processo, que tem como norte um processo menos formalista, que deságua na busca pela verdade material. Mas esta há que ser harmonizada com a segurança e a celeridade exigidas nas lides administrativas, não se podendo transferir para o Fisco o ônus de comprovar o direito creditório alegado, que é do sujeito passivo, a teor do disposto no artigo 333, inciso I, do CPC. Portanto, penso que a realidade em exame não se subsume ao direito de que trata o inciso I do artigo 165 do CTN, que possibilita a restituição de tributo recolhido indevidamente, uma vez não demonstrado nos autos o alegado recolhimento indevido, não obstante a legitimidade da tese relacionada à inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 26 de março de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 98DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13888.916063/201154 Acórdão n.º 3802002.833 S3TE02 Fl. 84 7 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 11522.001798/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
DECADÊNCIA
Na ocorrência de simulação, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN.
DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO-
É atribuída à fiscalização da RFB a prerrogativa de, seja qual for a forma de contratação, desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurados empregados da empresa para a qual os serviços foram prestados.
AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO
Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de a contabilidade da empresa não registrar o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço. Nesse caso, a fiscalização lançará o débito que imputar devido, invertendo-se o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, § 6º, da Lei 8.212/91, c/c artigo 233, do Regulamento da Previdência Social.
COOPERATIVAS
A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida relativa a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativa.
ALIMENTAÇÃO IN NATURA - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN
Numero da decisão: 2301-003.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em não retificar a multa, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Mauro José Silva, que votaram em conhecer de ofício e retificar a multa; b) em negar provimento ao recurso, nas preliminares, devido à aplicação da regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa, que votou em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, devido à ausência de comprovação de dolo; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, excluir do lançamento os valores relativos ao auxílio alimentação, nos termos do voto da Relatora; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.
NOME DO REDATOR - Redator designado.
EDITADO EM: 05/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201303
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 DECADÊNCIA Na ocorrência de simulação, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN. DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO- É atribuída à fiscalização da RFB a prerrogativa de, seja qual for a forma de contratação, desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurados empregados da empresa para a qual os serviços foram prestados. AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de a contabilidade da empresa não registrar o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço. Nesse caso, a fiscalização lançará o débito que imputar devido, invertendo-se o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, § 6º, da Lei 8.212/91, c/c artigo 233, do Regulamento da Previdência Social. COOPERATIVAS A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida relativa a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativa. ALIMENTAÇÃO IN NATURA - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11522.001798/2010-14
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5363128
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2301-003.348
nome_arquivo_s : Decisao_11522001798201014.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
nome_arquivo_pdf_s : 11522001798201014_5363128.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em não retificar a multa, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Mauro José Silva, que votaram em conhecer de ofício e retificar a multa; b) em negar provimento ao recurso, nas preliminares, devido à aplicação da regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa, que votou em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, devido à ausência de comprovação de dolo; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, excluir do lançamento os valores relativos ao auxílio alimentação, nos termos do voto da Relatora; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA - Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator. NOME DO REDATOR - Redator designado. EDITADO EM: 05/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes
dt_sessao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
id : 5540603
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046812601876480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2172; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 8.386 1 8.385 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11522.001798/201014 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2301003.348 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2013 Matéria CARACTERIZAÇÃO SEGURADO EMPREGADO: PESSOA JURÍDICA Recorrente SANTISTA DISTRIBUIÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 DECADÊNCIA Na ocorrência de simulação, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN. DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO É atribuída à fiscalização da RFB a prerrogativa de, seja qual for a forma de contratação, desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurados empregados da empresa para a qual os serviços foram prestados. AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de a contabilidade da empresa não registrar o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço. Nesse caso, a fiscalização lançará o débito que imputar devido, invertendose o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, § 6º, da Lei 8.212/91, c/c artigo 233, do Regulamento da Previdência Social. COOPERATIVAS A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida relativa a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativa. ALIMENTAÇÃO IN NATURA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 52 2. 00 17 98 /2 01 0- 14 Fl. 9645DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em não retificar a multa, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Mauro José Silva, que votaram em conhecer de ofício e retificar a multa; b) em negar provimento ao recurso, nas preliminares, devido à aplicação da regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa, que votou em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, devido à ausência de comprovação de dolo; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, excluir do lançamento os valores relativos ao auxílio alimentação, nos termos do voto da Relatora; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. NOME DO REDATOR Redator designado. EDITADO EM: 05/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes Fl. 9646DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11522.001798/201014 Acórdão n.º 2301003.348 S2C3T1 Fl. 8.387 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as referentes à 15% sobre o valor dos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativa médica. Conforme o Relatório Fiscal (fls. 189), o débito lançado se refere a: a) pagamentos realizados a contribuintes individuais, não declarados em GFIP (LEV CI); b) valores constantes das notas fiscais de prestação de serviços de cooperativa de trabalho, emitidas pela UNIMED (LEV CT); c) valores aferidos pela diferença entre as remunerações obtidas através de entrevistas e as remunerações informadas na GFIP (LEV ET); d) valores das remunerações dos segurados empregados que constavam nas folhas de pagamento da empresa CDL, não declarados em GFIP (LEV FD); e) valores das remunerações dos segurados empregados que constavam nas folhas de pagamento, mas não foram declarados em GFIP (LEV FP); f) valores glosados do saláriofamília dos segurados empregados registrados na empresa CDL Transportes Rodoviário Ltda (LEV GC); g) valores glosados do saláriofamília dos segurados empregados da Santista (LEV GC); h) valores glosados do saláriomaternidade dos segurados empregados (LEV GM); i) valores aferidos da diferença entre as remunerações obtidas através da média geral e as remunerações informadas na GFIP, dos segurados empregados que foram registrados na empresa CDL Transportes Rodoviário Ltda (LEV MC); j) valores aferidos da diferença entre as remunerações obtidas através da média geral e as remunerações informadas na GFIP, dos segurados empregados que prestaram serviços à empresa (LEV MD); k) valores pagos, a título de salário e comissões, para pessoas físicas não registradas pela empresa (LEV NR); l) valores contabilizados a título de prólabore a sócios (LEV PL); m) valores apurados nos processos trabalhistas e que não foram objeto de execução pela Justiça do Trabalho, não declarados na GFIP (LEV PT); n) valores da diferença de SAT (LEV RA); o) valores da diferença de SAT da empresa CDL Transportes Rodoviário Ltda (LEV RC); p) valores obtidos nas notas fiscais referente as despesas de alimentação, sem inscrição no PAT (LEV RF), e q) valores relativos aos pagamentos realizados aos contribuintes individuais na condição de transportador rodoviário autônomo, não declarados na GFIP (LEV TA). A autoridade lançadora esclarece que, com o objetivo de obter informações acerca dos segurados empregados, foram obtidas informações em algumas varas da Justiça do Trabalho, tendo sido constatado um grande número de processos, sendo que as informações obtidas serviram de base para lançamento de fatos geradores, ressaltando que os cálculos e a execução dos débitos trabalhistas apurados no processo trabalhista oriundos de conciliação ou sentença são de competência da Justiça do Trabalho, e os valores das contribuições devidas à Previdência Social apurados foram considerados no cálculo da apuração da multa da GFIP em função de não terem sido declarados os segurados no referido documento em código próprio (650). Segundo ainda relato fiscal, em entrevista realizada com os empregados da empresa, constatouse que praticamente todos os entrevistados recebiam comissão sobre as vendas realizadas, e que, em relação a remuneração média recebida informada pelo Fl. 9647DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 entrevistado, verificouse que a mesma é bem superior à remuneração informada pela empresa, sendo que a íntegra das entrevistas consta do Anexo XXVII. A auditoria concluiu, da análise da documentação apresentada pela autuada, das informações obtidas junto à Justiça do Trabalho, e das diligências realizadas em algumas empresas, a ocorrência de diversas irregularidades relativas ao cumprimento das obrigações previdenciárias, sendo uma delas o pagamento de comissões para empregados vendedores ou promotores de vendas em valores superiores ao valor informado na folha de pagamento e na GFIP. Informa que, diante de informações coletadas nos processos trabalhistas, foi realizada diligencia na empresa Consórcio Distribuidor Imp e Exp Ltda – CDL e feitas entrevistas com empregados da mesma, tendose verificado, através de fatos e documentos, que a CDL era uma empresa de fachada, cuja administração era realizada pela Santista Distribuições Ltda. Expõe, a seguir, as razões pelas quais entendeu que os empregados da CDL eram, na verdade, empregados da recorrente, e informa que foi desconsiderada, para fins de fiscalização, a pessoa jurídica da empresa CDL, sendo que os empregados da mesma, bem como os fatos geradores ocorridos em seu CNPJ, foram considerados como da empresa Santista Distribuições. Esclarece que foram efetuadas glosas de salário família e salário maternidade relativos aos empregados para os quais não foi apresentada, nem pela recorrente e nem pela CDL, toda a documentação comprobatória para a concessão dos referidos benefícios. Elabora quadro discriminativo com as pessoas físicas que receberam pagamentos, extraídos dos lançamentos contábeis e dos comprovantes e recibos de pagamento apresentados, contendo tipo e número do documento, data da emissão, nome do favorecido, valor e descrição do serviço, e que foram enquadrados como contribuintes individuais pela fiscalização, bem como quadro listando os pagamentos realizados a transportadores autônomos, tendo sido utilizada a base de cálculo de 20% sobre o valor pago a título de frete ou carreto. A fiscalização verificou, ainda, que a autuada foi contratante dos serviços médicos da UNIMED e deixou de recolher a contribuição patronal a seu cargo, corresponde a 15% ( quinze por cento) incidente sobre 30% do valor bruto da Nota Fiscal, Afirma que realizou aferição indireta para apurar o real salário de contribuição daqueles empregados que não ingressaram com ação trabalhista contra a empresa, e nem compareceram à entrevista, e fundamentou seu procedimento no § 6o, do art. 33, da Lei 8.212/91, expondo o cálculo realizado, utilizado tanto para a empresa recorrente como para a CDL,.cuja personalidade jurídica foi descaracterizada pela fiscalização, para fins tributários. Constatouse, ainda, que alguns empregados que constam das folhas de pagamento não constam das GFIPs, e outros tiveram sua remuneração declarada em GFIP em um valor menor do que o que consta das folhas. O agente autuante verificou, também, que a empresa, no período de 01/2005 a 05/2007, declarou no campo RAT da GFIP o valor de 2%, quando o correto seria de 3%, gerando uma diferença de contribuição devida para essa rubrica, o que também ocorreu para a empresa CDL no período de 01/2005 a 12/2007. Fl. 9648DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11522.001798/201014 Acórdão n.º 2301003.348 S2C3T1 Fl. 8.388 5 Consta, ainda, o fornecimento de refeição para os empregados sem inscrição das empresas no PAT e pagamentos de valores relativos a dias trabalhados, salário, vale transporte e horasextras para pessoas físicas que, pela natureza dos pagamentos e pela análise dos demais documentos, a fiscalização entendeu que se tratavam de empregados não registrados. Verificouse também, nos registros contábeis, pagamento de prólabore a sócio. O fiscal autuante esclarece que, devido à aplicação do princípio da retroatividade benigna (art. 106, inc. II, c, CTN), foi realizada a comparação entre as multas aplicadas de acordo com a legislação anterior a MP n° 449/2008, com as de acordo com a legislação atual, tendo sido elaborado o quadro de fls. 344, que demonstra que, para as competências a 11/2005, 12/2005, 03/2006, 04/2006, 06/2006, 07/2006 e 08/2006, a multa anterior é mais benéfica para o contribuinte, tendo sido lavrado AI CFL 68. A seguir, a autoridade lançadora expõe os motivos pelos quais entende que ocorreu dolo, o que configura circunstancia agravante da penalidade nas multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, e que enseja a aplicada da regra decadencial regida pelo art. 173, do CTN. Informa que, tendo em vista a omissão de contribuições previdenciárias, situação que, em tese, configura a prática de crime previsto no artigo 337A do DecretoLei n° 2.848/40 Código Penal, incluído pela Lei n° 9.983/2000, será emitido a REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, com informação à autoridade competente para as providências cabíveis. A recorrente apresentou defesa e, posteriormente, às fls. 373, veio aos autos informar que parcelou parte do débito, qual seja, os valores lançados por meio dos levantamentos CI, FP, GF, GM, NR, PL, PT, RA e TA, conforme Requerimento de fls. 389, por meio do qual confessa essa parte da dívida, ressaltando que não desistiu com relação à preliminar de mérito que trata da decadência relativamente ao anobase de 2005. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0122.315, da 5a Turma da DRJ/BEL (fls. 389), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário, e a recorrente, inconformada com a decisão, apresentou recurso tempestivo (fls. 99), alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, insiste na decadência dos valores lançados entre 01/2005 a 12/2005, com a aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4o, do CTN. Insurgese contra a desconsideração da personalidade jurídica da empresa CDL, entendendo que esta somente poderia ser decretada judicialmente, a teor do art. 50, do Código Civil, sendo que a autuação se deu com base em presunções, uma vez que a mesma não esclareceu suficientemente o conteúdo e o alcance da imputação. Defende que o art. 116, do CTN, não é autoaplicável, pois requer a sua previsão por lei em sentido estrito, acrescentando que o referido dispositivo legal, carente de regulamentação, é inaplicável à elisão, mas tão somente à evasão. Fl. 9649DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 Assevera que, no presente caso, não há que se falar em evasão, pois não houve o critério jurídico de abuso de direito ou de formas, uma vez que não houve a intenção da impugnante no resultado econômico, em afastar, reduzir ou retardar a incidência da tributação com o suposto ato simulado, pois a constituição da empresa CDL Transportes Rodoviários Ltda está vinculada ao objetivo empresarial e contratual. Reafirma que a empresa CDL foi regularmente constituída, tendo como atividade econômica a prestação de serviços de transporte rodoviário de carga, possuindo personalidade jurídica e atividade totalmente distintas das da recorrente, possuído registros contábeis próprios, movimentação financeira e sede próprias, entre outros. Conclui que a desconsideração da personalidade de pessoa jurídica da CDL é incabível e enseja a nulidade do lançamento em relação às rubricas FD, GC, MC e RC. Sustenta que, para a aplicação das penalidades gravosas, há que se provar a ocorrência de dolo, ou que efetivamente não foi feito, já que dolo não se presume, devendo ser demonstrada a materialidade dessa conduta, evidenciando não somente a intenção, mas também o seu objetivo. Discorre sobre as diferenças entre sonegação e inadimplência, para concluir que a recorrente, se cometeu algum ilícito, não teve a intenção de praticála, não havendo qualquer prova de que a recorrente tenha agido com dolo, tornandose atípica a conduta a ela imputada. Quanto à aferição indireta, entende que, para utilizála, é necessário que tenha ocorrido a descaracterização da contabilidade do contribuinte, o que não foi feito, e transcreve o art. 33, § 6o, da Lei 8.212/91, reiterando que, em se tratando de processos administrativos ou judiciais, não se pode admitir as suposições. Frisa que apenas a existência de presunção não pode caracterizar o crédito tributário, podendo ser utilizada para provar o fato, mas nunca para constituir o fato, pois, baseada em juízo de probabilidade, a presunção não constitui prova segura e, como tal, não fornece ao julgador a certeza necessária para alicerçar o crédito pretendido pelo Fisco. Infere que, ausente a fundamentação para a utilização da aferição indireta, prejudicada está a motivação do ato administrativo de lançamento, sendo incabível a cobrança das rubricas MD, MC e ET. Relativamente à UNIMED, destaca que as contribuições previdenciárias jamais podem incidir sobre quantias repassadas a pessoas jurídicas ou atinentes a fatos que não se enquadrem como trabalho propriamente dito, como, por exemplo, a mera prestação de serviços, e cita a jurisprudência para reforçar suas alegações. Com relação à glosa de salário família e de salário maternidade, reafirma que entregou prontamente toda a documentação pertinente, e que, conforme consta do Relatório Fiscal, eles foram declarados integralmente em GFIP. Ressalta que, ante a ausência de alguns documentos, a fiscalização demasiadamente desconsiderou todos os benefícios concedidos aos funcionários, com exceção do empregado Erlânio, observando que, se houvesse alguma irregularidade na sua concessão, tais parcelas teriam sido objeto de questionamento em reclamação trabalhista Requer a exoneração dos lançamentos realizados pelo Fisco nas rubricas GF, GC e GM. Fl. 9650DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11522.001798/201014 Acórdão n.º 2301003.348 S2C3T1 Fl. 8.389 7 Quanto ao fornecimento de refeições, repete que as despesas registradas nas contas contábeis apontadas não representam fornecimento de refeições de que trata o PAT, sendo apenas despesas com lanches e refeições, não havendo que se falar em obrigatoriedade de cadastro no referido programa, devendo ser excluído o levantamento RF. Assegura, ainda, que é incabível a afirmação de que houve valores pagos a título de comissão sem a devida contabilização e que é inadequada a aplicação da divisão do saldo da conta contábil de Comissões e Vendas pelo saldo da conta Venda de Mercadorias para apurar as comissões dos representantes comerciais, motivo pelo qual requer a exclusão dos valores devidos a título de CI e NR. Impugna, os levantamentos FP, PL, PT, RA e TA, argumentando que os critérios utilizados pela fiscalização não trazem segurança jurídica para o contribuinte, em face do critério de aferição utilizado. Finaliza requerendo o conhecimento do Recurso Voluntário para que sejalhe dado provimento, com a reforma integral do Acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 9651DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 8 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, insiste na decadência dos valores lançados entre 01/2005 a 12/2005, com a aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4o, do CTN. Contudo, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150 do CTN, apenas quando não for comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o que não é o caso presente, já que a fiscalização constatou e comprovou a ocorrência dessa primeira situação, caso em que se aplica o prazo previsto no art. 173, do CTN, transcrito a seguir: Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Julgados do Conselho de Contribuintes também se apresentam no mesmo sentido, ou seja, restando caracterizada nos autos a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I ambos do CTN. Abaixo transcrevo, a título de exemplificação, as ementas de alguns acórdãos: “1º Conselho – 8ª Câmara Recurso 146870 – Acórdão 10809631 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJAnocalendário: 1998 DECADÊNCIA. Para os tributos lançados por homologação, o início da contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do § 4º do artigo 150 do CTN. Configurados o dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial é realizada nos termos do art. 173, inciso I, do CTN” “1º Conselho – 7ª Câmara Recurso 152994 – Acórdão 10709311 Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Fl. 9652DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11522.001798/201014 Acórdão n.º 2301003.348 S2C3T1 Fl. 8.390 9 Anocalendário: 1999, 2000 IRPJ. DECADÊNCIA.. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Nos lançamentos por homologação, a contagem do prazo decadencial, de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, não se aplica aos casos de dolo, fraude ou simulação; nesses casos, a contagem do prazo decadencial segue a regra geral prevista no art. 173, I, do CTN. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DECADÊNCIA. FRAUDE. ART. 173, I, DO CTN. INAPLICABILIDADE DA LEI Nº 8212/91. Em matéria de decadência, inclusive nos casos das contribuições sociais, a norma aplicável é o Código Tributário Nacional. Não pode a lei 8212/91, lei ordinária, veicular norma de decadência, afastando a regra expressa do CTN, formalmente lei complementar. MULTA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA. A falta de escrituração de parte expressiva das receitas, reiteradamente, em todos os meses de dois anoscalendário consecutivos, demonstra ter a autuada agido com dolo, caracterizando o evidente intuito de fraude, que dá ensejo à aplicação da multa por infração qualificada, no percentual de 150%.” Portanto, resta afastada a aplicação do § 4º do art. 150 para a aplicação do art. 173 inciso I, ambos do CTN. Dessa forma, considerando o exposto acima, constatase que não se operara a decadência do direito de constituição do crédito, uma vez que, para a primeira competência lançada, 01/2005, a contribuição é devida somente a partir de 02/2005, iniciandose a contagem do prazo em 01/01/2006, que é o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos temos do dispositivo legal transcrito acima. Portanto, o Fisco se encontra ainda no direito de cobrar as contribuições devidas lançadas por meio do AI em tela. No mérito, a recorrente insurgese contra a desconsideração da personalidade jurídica da empresa CDL, entendendo que esta somente poderia ser decretada judicialmente, a teor do art. 50, do Código Civil, sendo que a autuação se deu com base em presunções, uma vez que a mesma não esclareceu suficientemente o conteúdo e o alcance da imputação. Entretanto, ao contrário do que afirma a recorrente, a desconsideração da personalidade jurídica não é ato privativo do Poder Judiciário. Esse é o entendimento fixado na jurisprudência deste Conselho de Contribuintes e de nossos tribunais, conforme julgados cujos trechos transcrevo abaixo: TRF 1ª Região Apelação Cível 94.01.136211/MG DJ 12/04/2002 “Salientase ainda que é desnecessária qualquer declaração judicial prévia para anular os atos jurídicos entre as partes, já que seus reflexos tributários existem independentemente da Fl. 9653DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 10 validade jurídica dos atos praticados pelos contribuintes, nos termos do artigo 118, I, do Código Tributário Nacional. Ademais, a questão central dos autos cingese à repercussão para os efeitos tributários do ato simulado, ou seja, de sua ineficácia para fins de dedução de tais prejuízos. Uma vez comprovada que o sujeito passivo agiu com dolo, fraude ou simulação, como de fato o foi no caso em tela, a autoridade administrativa tem plenos poderes para efetuar a glosa da dedução de imposto ilegitimamente realizada pela Autora, nos termos do art. 149, inciso VII, do CTN...” TRF 4ª Região Apelação Em Mandado De Segurança nº 2003.04.01.0581274 – Data da Decisão: 31/08/2005 PROCESSUAL CIVIL. JULGAMENTO ULTRA PETITA. TRIBUTÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. IMPOSTO DE RENDA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. (...) 3. A proposição de invalidade do procedimento fiscal não merece guarida, pois os elementos coligidos aos autos dão conta de que o Fisco procedeu à investigação e à fiscalização dentro dos limites da lei, não ocorrendo qualquer excesso violador de direito individual, garantindose à impetrante a ampla defesa e o contraditório, tanto na via administrativa, quanto na judicial. 4. Restando provados, à saciedade, os fatos que embasaram o lançamento tributário, bem como o dolo, a fraude e a simulação, é desnecessária a utilização da teoria da desconsideração da personalidade jurídica da empresa, aplicandose o art. 149, VII, do CTN. Acórdão 10708247– Sétima Câmara – 12/09/2005 IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA – OMISSÃO DE RECEITA – INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS – SIMULAÇÃO. Comprovado pela Fiscalização que a Recorrente utilizouse de terceiro para omitir receita, fato este que não foi descaracterizado em qualquer momento por aquela, é de ser mantido o Lançamento de Ofício. IRPJ – SIMULAÇÃO – MULTA AGRAVADA. Mantémse a multa agravada se caracterizada a omissão de receita através de simulação. Nesse sentido, citase o entendimento de Heleno Tôrres em sua obra Direito Tributário e Direito Privado – Autonomia Privada, Simulação, Elusão Tributária – Ed. Revista dos Tribunais – 2003 – pág. 371: “Como é sabido, a Administração Tributária não tem nenhum interesse direto na desconstituição dos atos simulados, salvo para superarlhes a forma, visando a alcançar a substância negocial, nas hipóteses de simulação absoluta. Para a Administração Tributária, como bem recorda Alberto Xavier, é despiciendo que tais atos sejam considerados válidos ou nulos, eficazes ou ineficazes nas relações privadas entre os simuladores, nas relações entre terceiros ou nas relações entre terceiros com interesses conflitantes. Eles são simplesmente inoponíveis à Administração, cabendo a esta o Fl. 9654DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11522.001798/201014 Acórdão n.º 2301003.348 S2C3T1 Fl. 8.391 11 direito de superação, pelo regime de desconsideração do ato negocial, da personalidade jurídica ou da forma apresentada, quando em presença do respectivo “motivo” para o ato administrativo: o ato simulado” A fiscalização observou, na ação trabalhista movida por Antonio Carlos Nonato de França contra a recorrente, que o reclamante havia sido contratado pela empresa Consórcio Distribuidor Imp e Exp Ltda, CNPJ 07.117.825/000130, sendo alegado pela reclamada a ilegitimidade passiva, o que foi afastado pelo Juiz do Trabalho, tendo em vista as provas acostadas aos autos daquela ação, que comprovaram que quem assinava os documentos pertinentes ao setor de pessoal era o gerente da reclamada. Da análise das entrevista com os empregados da CDL, bem como dos documentos apresentados pelos entrevistados, a fiscalização verificou que essa empresa era de fachada, sendo a administração de suas atividades realizadas pela Santista Distribuições Ltda. Quem fazia anotações nas carteiras de trabalho e assinava alguns termos de rescisão do contrato de trabalho dos empregados da DCL era o supervisor administrativo, empregado da recorrente desde 01/06/2005. Alguns dos entrevistados, quando questionados sobre o seu chefe imediato, apontavam empregados da Santista, e muitos deles nem sabiam que eram contratados da CDL, pois acreditavam que possuíam vínculos com a recorrente. A empresa Consórcio Distribuidor Imp e Exp Ltda (CDL), que funcionava no mesmo endereço da recorrente, foi constituída em 26/11/2004, tendo como um dos sócios o Sr. Roy Robert Escurra Guillen, a quem cabia a administração da sociedade, assim permanecendo até 18/01/2008, quando deixou a sociedade e houve a alteração da razão social da empresa para Transportes Rodoviário Ltda. Verificase, da análise dos documentos juntados aos autos pela fiscalização, uma clara simulação na contratação dos empregados pela empresa CDL, que, na realidade, eram empregados da recorrente. Portanto, ao contrário do que entende a autuada, na presença de dolo e simulação, a auditoria fiscal tem o deverpoder de não permanecer inerte, pois tais negócios são inoponíveis ao fisco no exercício da atividade plenamente vinculada do lançamento, que no caso em tela encontra respaldo ainda no artigo 149, inciso VII do CTN que dispõe o seguinte: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: ......................................... VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; A recorrente alega que o art. 116, do CTN, não é autoaplicável, pois requer a sua previsão por lei em sentido estrito, acrescentando que o referido dispositivo legal, carente de regulamentação, é inaplicável à elisão, mas tão somente à evasão. Fl. 9655DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 12 Ocorre que a fiscalização não fundamentou a descaracterização da personalidade jurídica da empresa CDL no citado art. 116, como entendeu de forma equivocada a recorrente. Em nenhum momento do Relatório Fiscal há a referência ao mencionado dispositivo legal. A fiscalização apenas afirmou, e comprovou suas afirmações com farta documentação, que os empregados da CDL eram, na verdade, empregados da recorrente e, dessa forma, considerou os fatos geradores da contribuição previdenciária ocorridos no CNPJ da CDL como sendo da empresa recorrente. A documentação juntada aos autos, como resultado das entrevistas, decisões judiciais nas ações trabalhistas, entre outros, demonstram que os trabalhadores formalmente registrados na CDL, eram, na realidade, subordinados à recorrente, possuindo como chefes imediatos empregados registrados da recorrente. Outro elemento que reforça a convicção de que se trata de uma única empresa (matriz e filial), é o fato de a empresa CDL ter sido constituída pelo sócio da recorrente, e ter funcionado no mesmo endereço da Santista. Na definição de Clóvis Beviláqua, a simulação é uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado (Código Civil dos Estados Unidos do Brasil Comentado – 15ª Edição). O Código Civil Brasileiro de 2002 traz, no § 1o, do art. 167, as hipóteses em que fica configurada a ocorrência de simulação: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados E, conforme demonstrado nos autos, a situação verificada pela auditoria fiscal se enquadra perfeitamente no dispositivo legal transcrito acima. Segundo Orlando Gomes, ocorre simulação quando em um negócio jurídico se verifica intencional divergência entre a vontade real e a vontade declarada, com o fim de enganar terceiro (Introdução ao Estudo do Direito – 7ª Edição). E, de acordo com o art. 118, inciso I do CTN, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Fl. 9656DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11522.001798/201014 Acórdão n.º 2301003.348 S2C3T1 Fl. 8.392 13 Assim, em respeito ao Princípio da Verdade Material e pelo poderdever de buscar o ato efetivamente praticado pelas partes, a Administração, ao verificar a ocorrência de simulação, pode superar o negócio jurídico simulado para aplicar a lei tributária aos verdadeiros participantes do negócio. Assim, concluo que o entendimento da fiscalização, corroborado pela autoridade julgadora de primeira instância, não merece reparos. A autuada insurgese contra a aplicação das penalidades gravosas, entendendo que há que se provar a ocorrência de dolo, já que dolo não se presume, devendo ser demonstrada a materialidade dessa conduta, evidenciando não somente a intenção, mas também o seu objetivo. Discorre sobre as diferenças entre sonegação e inadimplência, para concluir que a recorrente, se cometeu algum ilícito, não teve a intenção de praticála, não havendo qualquer prova de que a recorrente tenha agido com dolo, tornandose atípica a conduta a ela imputada. Ora, mas tudo o que a fiscalização relatou demonstra o dolo, a intenção de sonegar tributo, por parte da recorrente. O fato de informar, em folha de pagamento e em GFIP, remuneração de seus empregados em valor menor ao que foi efetivamente por ela pago, bem como a simulação de contratação de empregados por meio de empresa interposta, ou mesmo o não registro de alguns segurados empregados que lhe prestaram serviços deixam clara a intenção da recorrente em omitir fato gerador da contribuição previdenciária, para pagar menos tributo. A fiscalização verificou que a recorrente remunerava pessoas físicas, pagando dias trabalhados, salário, valetransporte e horas extras e constatou que tais trabalhadores não constavam dos livros de registros de empregados da empresa. Vale observar que a recorrente não afastou, de forma específica, nenhuma das acusações feitas pela fiscalização, ou trouxe qualquer documento para provar suas alegações, se limitando a fazer afirmações genéricas, discorrendo sobre conceitos jurídicos, sem, contudo, juntar qualquer elemento que pudesse afastar, ou ao menos por em dúvidas as acusações da auditoria da RFB. Já a autoridade lançadora juntou farta documentação, comprovando a existência de dolo. Há mandamento expresso na Lei 9.784/99 quanto ao ônus probatório, conforme segue: ART 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. A recorrente apenas alega, mas não prova, que não houve dolo. Porém, não basta alegar. A parte que não produz prova, convincentemente, dos fatos alegados, sujeitase às conseqüências do sucumbimento, porque não basta alegar. E a convicção da autoridade julgadora advém, no processo administrativo fiscal, dos elementos probatórios carreados pela fiscalização e pela recorrente. Daí a necessidade de se juntar aos autos elementos comprobatórios dos fatos alegados. Fl. 9657DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 14 Ademais, cumpre ressaltar que a recorrente parcelou o débito lançado por meio do levantamento NR relativo aos empregado não registrados, apresentando requerimento por meio do qual declarou estar ciente de que o pedido importa em confissão irretratável da dívida (fls. 389). A conduta da recorrente de não registrar segurado empregado, confessado por ela própria, corrobora o entendimento de existência de dolo. Assim, está correta a caracterização de dolo, realizada pela fiscalização. Quanto à aferição indireta, a autuada infere que, para utilizála, é necessário que tenha ocorrido a descaracterização da contabilidade do contribuinte, o que não foi feito, e transcreve o art. 33, § 6o, da Lei 8.212/91, reiterando que, em se tratando de processos administrativos ou judiciais, não se pode admitir as suposições. Ocorre que não houve suposições, e sim constatações dos fatos relatados, e comprovados por meio de documentos. E o § 3o, do art. 33 citado acima, deixa claro que o método de arbitramento não poderá ser utilizado somente nos casos em que a contabilidade seja totalmente desconsiderada ou declarada imprestável para todos os fins, mas também nos casos de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente. No caso, houve apresentação deficiente de informações e documentos, razão pela qual a fiscalização teve que realizar diligências e colher informações em entrevistas e nos processos trabalhistas movidos por empregados da recorrente. A fiscalização constatou, e comprovou, que a recorrente omitiu, nas folhas de pagamento, GFIP e contabilidade, fato gerador da contribuição previdenciária. Para exemplificar, cito a ação trabalhista movida contra a autuada pelo trabalhador Antônio Shirley de Souza Nóbrega, em cujo processo o Sr Roy, sócio da recorrente, dando depoimento pessoal, afirmou que a remuneração dos vendedores era composta por salário mais comissão sobre vendas, e que a remuneração do reclamante era em torno de R$1.300,00, ou seja, bem superior à remuneração constante nas folhas de pagamento e do Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho para o referido trabalhador. Assim, analisando os processos trabalhistas e as respostas das entrevistas realizadas com os empregados da empresa, tudo documentado nos autos, a autoridade lançadora constatou que era uma prática comum na empresa o pagamento de comissões para os empregados que ocupavam o cargo de vendedor ou promotor de vendas, em valores superiores ao valor informado na folha de pagamento e na GFIP. Portanto, a recorrente não deu alternativas à auditoria, que foi obrigada, pela lei, a aferir as bases de cálculo, uma vez que a autoridade lançadora não pode absterse de constituir o crédito tributário, tendo que, obrigatoriamente, na falta de elementos indispensáveis nos documentos da empresa, apurar a totalidade das contribuições devidas. E o AFPS, ao constatar que a contabilidade da recorrente não espelha a realidade econômicofinanceira da empresa, por omissão de qualquer lançamento contábil ou por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, agiu em conformidade com os ditames legais e apurou corretamente o débito por aferição indireta. Fl. 9658DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11522.001798/201014 Acórdão n.º 2301003.348 S2C3T1 Fl. 8.393 15 À recorrente caberia provar que as irregularidades verificadas durante a ação fiscal não procedem e apresentar elementos que comprovem a regularidade dos registros contábeis. Da mesma forma, cumpre esclarecer que o crédito não foi caracterizado por presunção, conforme alegado pela recorrente, tanto que ela própria confessou parte dele e, ao contrário do que afirma, o procedimento fiscal de aferição indireta está corretamente fundamentado no art. 33, § 6o, da Lei 8.212/91, citado acima. A recorrente alega ainda que, quando a fiscalização constata que os documentos contábeis não refletem a realidade, pode exigir outros documentos para verificar a ocorrência dos fatos geradores, e que a esse procedimento dáse o nome de aferição indireta. Ora, mas foi exatamente esse o procedimento adotado pela fiscalização que, ao verificar que a contabilidade da empresa não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, solicitou documentos, diligenciou empresas, pesquisou reclamatórias trabalhistas junto à justiça do trabalho, e constatou, da análise de todos os elementos, a existência de pagamentos realizados a pessoas físicas que não foram registrados nos Livros contábeis, juntando, aos autos, uma farta documentação comprobatória de suas afirmações. Já a recorrente, mais uma vez, apenas faz afirmações genéricas, sem afastar especificamente as afirmações da fiscalização, quando ela cita nomes e dá exemplos. Portanto, diante da realidade fática encontrada na ação fiscal, a autoridade lançadora não teve alternativa a não ser aferir indiretamente a base de cálculo da contribuição previdenciária, considerando que sua atividade é vinculada às disposições legais. Relativamente à UNIMED, a recorrente tenta demonstrar a ilegalidade da cobrança da contribuição, alegando as contribuições previdenciárias jamais podem incidir sobre quantias repassadas a pessoas jurídicas ou atinentes a fatos que não se enquadrem como trabalho propriamente dito, como, por exemplo, a mera prestação de serviços, e cita a jurisprudência para reforçar suas alegações. Entretanto, cumpre observar que as contribuições lançadas por meio do levantamento CT encontram amparo na no inciso IV, do artigo 22, da Lei 8.212/91, introduzido pela Lei 9.876/99. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de tais exações, vez que a sua cobrança possui amparo legal. Conforme nos ensina Hans Kelsen: “ partindo da premissa unidade lógica da ordem jurídica, tenta impôr concordância apriorística entre a lei e a Constituição, que acabe por negar não apenas a possibilidade jurídica da sanção da nulidade, mas da própria noção de inconstitucionalidade "lato sensur": "A afirmação de que uma lei válida é "contrária à constituição" (anticonstitucional) é uma "contradictio in adejecto", pois uma lei somente pode ser válida com fundamento na Constituição. Quando se tem fundamento para aceitar a validade de uma lei, o fundamento da sua validade tem de residir na Constituição. De uma lei invalida não se pode, porem, afirmar que ela é contraria Fl. 9659DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 16 à Constituição, pois uma lei invalida não é sequer uma lei, porque não é juridicamente existente e, portanto, não é possível qualquer afirmação jurídica sobre ela. Se a afirmação, corrente na jurisprudência tradicional, de que uma lei é inconstitucional há de ter um sentido jurídico possível, não pode ser tomada ao pé da letra. O seu significado apenas pode ser o de que a lei em questão, de acordo com a Constituição, pode ser revogada não só pelo processo usual, quer dizer, por uma outra lei, segundo o principio lex posterior "derogat priori", mas também através de um processo especial, previsto pela Constituição. Enquanto, porém, não for revogada, tem de ser considerada válida; e, enquanto for válida, não pode ser inconstitucional" (KELSEN, Hans. Teoria pura do direito, 2. ed., trad. João Baptista Machado, São Paulo, Martins Fontes, 1987, p287). Portanto, como tomadora dos serviços de cooperados, por intermédio de cooperativa médica, a recorrente está obrigada a recolher a contribuição devida incidente sobre a nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. Nesse sentido, houve o fato gerador da contribuição previdenciária, conforme comprovam os documentos juntados aos autos pela fiscalização. E sendo o lançamento um ato vinculado, o agente fiscal, ao constatar que a empresa tomou serviços de cooperados por intermédio de cooperativa médica e deixou de recolher a contribuição a seu cargo, qual seja, 15% sobre 30% do valor bruto da nota fiscal, lançou a contribuição devida, em observância aos normativos legais que regem a matéria. Com relação à glosa de salário família e de salário maternidade, a autuada afirma que entregou prontamente toda a documentação pertinente, e que, conforme consta do Relatório Fiscal, eles foram declarados integralmente em GFIP. Todavia, em que pese essa afirmação, verificase, dos autos, que a recorrente não juntou nenhum documento para fazer prova de suas alegações. E, ao contrário da recorrente, a fiscalização listou, no quadro de fls. 256, os documentos que deixaram de ser apresentados para cada empregado da recorrente. Portanto, a fiscalização agiu em observância aos ditames legais ao proceder à glosa total da dedução efetuada pela recorrente a título de salário família e salário maternidade, constante das folhas de pagamento e GFIP, pois a recorrente não apresentou toda a documentação pertinente, solicitada por meio de TIF. O fato de os valores pagos a título de salário família e salário maternidade estarem declarados em GFIP e não terem sido objeto de reclamatória trabalhista não exime a empresa da obrigação a todos imposta de apresentar a documentação pertinente, prevista na legislação que trata da matéria como necessária para comprovar a legalidade do pagamento feitos aos empregados e a compensação realizada pela empresa. Ademais, empregado nenhum vai à Justiça reclamar por ter recebido um benefício previdenciário. E a empresa não vai deixar de declarar em GFIP um valor que permite a ela compensar da contribuição a ser recolhida. Fl. 9660DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11522.001798/201014 Acórdão n.º 2301003.348 S2C3T1 Fl. 8.394 17 Assim, não procedem os argumentos da recorrente. É também objeto do AI em tela as contribuições incidentes sobre a alimentação in natura fornecida pela empresa. Em relação a essa matéria, é oportuno observar que a ProcuradoriaGeral da Fazenda NacionalPGFN emitiu o Ato Declaratório nº 03/2011, publicado no D.O.U em 22/12/2011, autorizando a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”, Diante do citado Ato, e considerando que o Decreto 70.235/72 estabelece que o disposto no caput do art. 26A não se aplica aos casos de lei ou ato normativo que fundamente crédito tributário objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, e que a Lei 10.522/2002, citada no art. 26A, determina que os créditos tributários já constituídos relativos à matéria de que trata o seu artigo 19 devem ser revistos de ofício pela autoridade lançadora, entendo que devam ser excluídos do débito, por provimento, a contribuição lançada incidente sobre o fornecimento de alimentação in natura, por não integrar o salário de contribuição, independente de a empresa ter ou não efetuado adesão ao PAT. A recorrente insurgese contra os lançamentos efetuados por meio dos levantamentos CI, NR, FP, PL, PT, RA e TA, argumentando que os critérios utilizados pela fiscalização não trazem segurança jurídica para o contribuinte, em face do critério de aferição utilizado. Todavia, os levantamentos citados acima foram objeto de parcelamento. A recorrente confessou a dívida, desistindo de discutir tais débitos administrativamente antes mesmo de ser prolatado o Acórdão recorrido. Ou seja, a autuada apresentou pedido de desistência parcial da impugnação, a fim de viabilizar o parcelamento do valor devido, renunciando a quaisquer alegações de fato ou de direito sobre as quais se fundamenta a parte do recurso relativa a verbas anuais. Conforme disposto no § 2º do art.78 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, o pedido de parcelamento e a confissão irretratável de dívida,, em qualquer fase processual, importa a desistência do recurso. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; VOTO por CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do débito, por improcedência, os valores relativos à alimentação. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relator Fl. 9661DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 18 Fl. 9662DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13896.001165/00-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005
Ementa:
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. AFERIÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO.
Trazidos aos autos elementos capazes de possibilitar a aferição, ainda que em parte, da liquidez e certeza do direito creditório indicado para fins de compensação tributária, há de se reconhecer o referido crédito, determinando-se a homologação das compensações pleiteadas até o limite do direito reconhecido.
Numero da decisão: 1301-001.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária da primeira seção de julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente Dra. Haisla Rosa da Cunha Araujo, OAB/SP nº 267452.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2005 Ementa: COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. AFERIÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Trazidos aos autos elementos capazes de possibilitar a aferição, ainda que em parte, da liquidez e certeza do direito creditório indicado para fins de compensação tributária, há de se reconhecer o referido crédito, determinando-se a homologação das compensações pleiteadas até o limite do direito reconhecido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13896.001165/00-31
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5358617
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1301-001.509
nome_arquivo_s : Decisao_138960011650031.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : WILSON FERNANDES GUIMARAES
nome_arquivo_pdf_s : 138960011650031_5358617.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária da primeira seção de julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente Dra. Haisla Rosa da Cunha Araujo, OAB/SP nº 267452. documento assinado digitalmente Valmar Fonseca de Menezes Presidente documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
dt_sessao_tdt : Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
id : 5516214
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046812623896576
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1717; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2.518 1 2.517 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.001165/0031 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.509 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de maio de 2014 Matéria IRPJ COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Recorrente BFB RENT ADMINISTRAÇÃO E LOCAÇÃO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005 Ementa: COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. AFERIÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Trazidos aos autos elementos capazes de possibilitar a aferição, ainda que em parte, da liquidez e certeza do direito creditório indicado para fins de compensação tributária, há de se reconhecer o referido crédito, determinando se a homologação das compensações pleiteadas até o limite do direito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente Dra. Haisla Rosa da Cunha Araujo, OAB/SP nº 267452. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 11 65 /0 0- 31 Fl. 2518DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13896.001165/0031 Acórdão n.º 1301001.509 S1C3T1 Fl. 2.519 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 2519DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13896.001165/0031 Acórdão n.º 1301001.509 S1C3T1 Fl. 2.520 3 Relatório BFB RENT ADMINISTRAÇÃO E LOCAÇÃO S/A, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas, São Paulo, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Guarulhos, também em São Paulo. Trata o processo de pedido de restituição de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, relativo a saldo negativo do anocalendário de 1999, cumulado com pedidos de compensação. Por meio do Despacho Decisório nº 302, de 2005, a Delegacia da Receita Federal em Guarulhos não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações, em razão de a contribuinte não atender as intimações para prestar esclarecimentos acerca do saldo negativo apurado. Transcrevo, a seguir, relato feito na decisão exarada em primeira instância acerca da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e demais incidentes. ... Insurgindose contra a decisão da DRF, a contribuinte, por intermédio de sua advogada (Instrumento de Mandato de fls. 1143), protocolizou manifestação de inconformidade (fls. 1135/1140), em 27/10/2005, alegando em sua defesa que teria tentado apresentar parte da documentação e pedir prorrogação de prazo para complementar a necessária instrução. Todavia, o órgão responsável pela apreciação dos pedidos teria se recusado a receber qualquer documento destinado ao atendimento parcial da Intimação, tendo expedido nova Intimação, com prazo de 5 (cinco) dias para atendimento. Novo pedido de prorrogação de prazo teria sido recusado, assim como a recepção de documentação para cumprimento parcial da intimação. Conforme envelope de fls. 907, em 27/09/2005, a peticionante teria encaminhado, por via postal, a resposta parcial à intimação de fls. 908/909, recebida na DRF Guarulhos em 28/09/2005, acompanhada da documentação de fls. 910/1132. Em 07/02/2006, esta Turma de Julgamento, mediante a Resolução DRJ Campinas nº 902 (fls. 1187/1190), procedeu à conversão do julgamento em diligência, tendo em conta os fundamentos fáticos e jurídicos ora reproduzidos: “Apesar de o pedido de reconhecimento do indébito e do direito à restituição ter sido protocolizado em 28/12/2000, a contribuinte somente foi especificamente intimada e reintimada, respectivamente, em 01/09/2005 e 21/09/2005, (fls. 888) a apresentar, relativamente ao anocalendário de 1999: Cópias autenticadas do informes de rendimentos e retenções de IRRF; Cópias autenticadas do Lalur; Fl. 2520DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13896.001165/0031 Acórdão n.º 1301001.509 S1C3T1 Fl. 2.521 4 Cópias autenticadas dos comprovantes de recolhimentos do IR mensal pago por estimativa; Cópias autenticadas das contas rendimentos/receitas financeiras e imposto de renda retido na fonte/imposto a recuperar do livro Razão, destacando as receitas oferecidas à tributação e as respectivas retenções; Planilha demonstrativa de receitas financeiras (e suas respectivas retenções) oferecidas à tributação, por instituição financeira, conforme modelo em anexo; Declaração de ausência de litígio e de pedido de restituição/compensação, conforme modelo em anexo. Observese que o prazo total concedido à Requerente, nas duas intimações, é de 25 (vinte e cinco) dias. Em 27/09/2005, antes de ser cientificada da decisão da DRF Guarulhos, em 28/09/2005, a contribuinte teria tomado o cuidado de postar (conforme carimbo dos Correios no envelope de fls. 907) a documentação de fls. 908/1132, que, de fato, atendia a todos os itens das intimações, exceto ao i tem “e”, constando, todavia, pedido de dilação de prazo por mais 15 (quinze) dias a contar de 26/09/2005 para a apresentação da planilha demonstrativa de receitas financeiras (e suas respectivas retenções) oferecidas à tributação, por instituição financeira. Acrescentese que tal planilha (fls. 1174) foi apresentada juntamente com a manifestação de inconformidade, em 27/10/2005. Verificase dos fatos acima que, por todo o tempo em que submetida a procedimento de verificação da existência e determinação do indébito invocado, a contribuinte comprovou colaborar, e que o pedido de prorrogação de prazo apresentado não se revelou protelatório, dada à complexidade dos procedimentos necessários à organização das informações requeridas, e na medida em que a planilha foi de fato apresentada junto com a manifestação de inconformidade. Por todo o exposto, VOTO no sentido de CONVERTER o presente julgamento em DILIGÊNCIA para: I. a determinação do saldo negativo do IRPJ apurado na DIPJ – Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica 2000, anocalendário de 1999 (Ficha 13A fls. 20), mediante: a confirmação do valor do IRRF de R$ 448.508,00, e da contabilização das receitas correspondentes (Linha 13); a confirmação do valor do IR mensal pago por estimativa no valor de R$ 4.969.544,92 (Linha 16), inclusive por meio de IRRF (Ficha 12), cuja comprovação deverá ser feita nos mesmos moldes do item 1; a verificação de compensações, efetuadas sem processo (tributos de mesma espécie) com o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999, para fins de determinação do saldo passível de ser utilizado nas compensações requeridas no presente processo; II. intimar a Requerente a esclarecer quais dos pedidos de compensação juntados às fls. 112, 120, 123, 126, 129, 132, 136, 155, 158, 177, 196, 215, 234, 253, 274, 306, 341, 370 e 371 permanecem vigentes após as retificações de fls. 403/437, tendo em conta que os pedidos apresentados até 30/10/2001, somam 14 e não 16 pedidos; Fl. 2521DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13896.001165/0031 Acórdão n.º 1301001.509 S1C3T1 Fl. 2.522 5 III. a elaboração de planilha de cálculos demonstrativa da compensação do saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 1999 apurado (mediante a adoção dos procedimentos previstos nos itens I e II acima) com os débitos constantes dos pedidos de compensação em vigor para fins de aplicação do art. 48, §3º, II, da IN SRF nº 460, de 2004”. Em 18/04/2006 (cf Aviso de Recebimento AR de fls. 1199), a contribuinte foi cientificada da conversão do julgamento em diligência e intimada a atender às resoluções determinadas por esta Turma de Julgamento (doc. de fls. 1198). Em petição protocolizada em 18/05/2006 (fls. 1201/1202), a contribuinte apresentou as informações solicitadas e carreou para os autos a documentação de fls. 1203/1282. Em 07/06/2006, por meio da Resolução DRJ Campinas nº 1.001 (fls. 1407), esta Turma de Julgamento restituiu os autos ao órgão preparador, para que fosse elaborado relatório conclusivo de diligência fiscal, tendo em conta que, superadas as razões do indeferimento dos pedidos de restituição/compensação, imporseia o pronunciamento conclusivo do órgão local acerca das alegações (fls. 1201/1202) e das provas (fls. 908 e seguintes e fls. 1217 e seguintes) não anteriormente apreciadas. Em decorrência, foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF Diligência nº 08.1.11.002006004216 (fls. 140/1411), em 01/09/2006, procedimento que levou à lavratura da informação fiscal de fls. 1775/1779, da qual se destacam os seguintes excertos: “DA DILIGÊNCIA Em atendimento aos itens I a IV solicitados pela DRJ Campinas para que o presente processo fosse submetido à diligência, fls. 1189 e 1190, adotouse o seguinte procedimento: I a determinação do saldo negativo do IRPJ apurado na DIPJ – Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica 2000, anocalendário de 1999 (Ficha 13A fls. 20), mediante: a confirmação do valor do IRRF de R$ 448.508,00, e da contabilização das receitas correspondentes (Linha 13); a confirmação do valor da IR mensal pago por estimativa no valor de R$ 4.969.544,92 (Linha 16), inclusive por meio de IRRF (Ficha 12), cuja comprovação deverá ser feita nos mesmos moldes do item 1; De acordo com as Fichas 12 e 13A, fls. 14 a 20, o valor utilizado pelo contribuinte a título de IRRF totaliza R$ 2.223.020,66, conforme o Demonstrativo de IRRF utilizado na DIPJ: Mês IRRF jan/1999 409.236,58 fev/1999 61.970,52 mar/1999 47.137,81 abr/1999 230.898,26 mai/1999 391.451,87 jun/1999 308.175,72 Linha 07/Ficha 12 jul/1999 Fl. 2522DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13896.001165/0031 Acórdão n.º 1301001.509 S1C3T1 Fl. 2.523 6 Mês IRRF ago/1999 139.236,97 set/1999 153.217,86 out/1999 22.281,35 nov/1999 10.905,72 dez/1999 Linha 13/Ficha 13A Apuração Anual 448.508,00 Total IRRF 2.223.020,66 A partir dos Comprovantes de Rendimentos apresentados, conforme fls. 924 a 943 e 1232 a 1234, foi elaborado o Demonstrativo de IRRF, fls. 1771 a 1774 (constantes nos comprovantes de rendimentos/Darf – AC 1999) – Consolidação por Código de Arrecadação, cujas informações encontramse sintetizadas no quadro Resumo de Comprovantes de Rendimentos apresentados: IRRFFonte Pagadora Código CNPJ IRRF Pleiteado Comprovantes Apresentados 1999 Comprovantes Apresentados 1998 Banco Itaú S.A. 6800 60.701.190/000104 458.256,03 431.888,24 26.367,79 Banco Itaú S.A. 3426 60.701.190/000104 1.426.247,94 1.426.247,94 Banco Itaú S.A. 5273 60.701.190/000104 130.564,41 130.564,41 BFB Rent 3426 31.923.626/000131 179.831,48 179.831,48 Total Aplicações Financeiras 2.194.899,86 2.168.532,07 26.367,79 Diversos 2.201,40 Total Prestação de Serviços 2.201,40 CBLC 5706 60.777.661/000150 25.875,00 25.875,00 Parks S.A. Com. Digitais 5706 92679331/000118 27,31 27,31 BFB Leasing 5706 17,08 Total Juros s/ Cap. Próprio 25.919,39 25.875,00 27,31 Total Retido no Ano 2.223.020,65 2.194.407,07 26.395,10 a. Dos informes de rendimentos relativos aos anoscalendário diferentes de 1999 Depreendese do pedido de restituição às fl. 01 que o crédito pleiteado é relativo ao saldo credor de IR, decorrente de valores relativos ao IRRF no ano calendário de 1999. Diante disso, os valores constantes nos comprovantes de rendimentos/pagamentos apresentados que não sejam relativos ao anocalendário de 1999 não serão acatados, conforme os seguintes esclarecimentos: Preliminarmente deve ser esclarecido que o imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, por ser considerado antecipação do tributo devido no encerramento do período de apuração não pode ser compensado diretamente com outros tributos e contribuições, devendo ser deduzido do imposto apurado no encerramento do período de apuração, conforme as seguintes considerações: Pelo disposto no art. 770 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99) sujeitamse à incidência do imposto na fonte os rendimentos auferidos em qualquer aplicação ou operação financeira de renda fixa ou de renda variável, lembrando que tais rendimentos integrarão o lucro real, presumido ou arbitrado (§2º). Quanto ao tratamento do imposto, assim dispõe o art. 773 do referido Decreto: Fl. 2523DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13896.001165/0031 Acórdão n.º 1301001.509 S1C3T1 Fl. 2.524 7 “O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável ou pago sobre os ganhos líquidos mensais será (Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, incisos I e II; Lei nº 9.317, de 1996, art. 3º, §3º e Lei nº 9.430, de 1996, art. 51): I – deduzido do devido no encerramento de cada período de apuração ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, presumido ou arbitrado; ...................................................................................” É preciso acentuar que a incidência do imposto de renda na fonte, mesmo aquela devida como antecipação do imposto apurado no final do períodobase, na medida em que é regida por normas jurídicas próprias, é autônoma em relação à legislação do imposto de renda da pessoa jurídica IRPJ. Assim, no momento em que ocorre a exação na fonte, não cabe cogitar de imposto pago a maior ou indevidamente. Ao contrário, à luz das prescrições deste imposto (IRFonte), o tributo é regularmente devido; portanto, neste instante, insuscetível de compensação ou restituição. O que a legislação permite atualmente é a utilização, para compensação ou restituição, do valor do saldo negativo obtido quando do encerramento do período de apuração, o qual pode ser influenciado pela incidência na fonte, mas, substancialmente, é saldo credor ou negativo de IRPJ. Tratase na realidade de antecipação do imposto devido no encerramento do respectivo período de apuração, uma vez que pelo disposto no § 2° do art. 770, os rendimentos que deram origem ao imposto devem integrar o lucro real, não pode ser compensado diretamente com outros tributos e contribuições. Como o Contribuinte deve recolher mensalmente o imposto de renda por estimativa por estar submetido ao regime de tributação com base no lucro real anual, o imposto de renda retido sobre os rendimentos e ganhos obtidos, em aplicações financeiras de renda fixa e renda variável devem ser deduzidos do devido no encerramento do respectivo período de apuração, ou seja, 31 de dezembro de cada anocalendário, sendo, então, passível de restituição, ou utilização em compensação, o saldo credor de imposto de renda a pagar apurado na declaração de rendimentos, que ocorre nos casos em que o IRRF nela compensado ser superior ao imposto de renda devido no período. Em esclarecimento prestado à Fiscalização, referência CRTSCCHGCFOA 586/2006, recebido em 17/10/2006, fls. 1418, o Contribuinte esclarece: "Verificar a diferença de 26 mil (código 6800), entre o quadro elaborado pelo fiscal, do valor total dos informes, com o quadro fornecido por nós (Doc. 03). Seguem demonstrativo, razão e informe de rendimentos anocalendário de 1998 e 1999 (Anexo 0306 páginas) A diferença está contemplada no montante de R$ 99.888,52, contabilizada em 30/06/1999 conforme podese notar no demonstrativo anexo". Conforme se depreende do anexo 3 apresentado pelo Contribuinte (fls.1438 a 1443) há valores relativos a IRRF que totalizam R$ 43.847,47, porém são referentes ao período de ago/98 a dez/98. Da mesma forma, relativamente ao montante de R$ 27,31 (vinte e sete reais e trinta e um centavos), referente à empresa Parks S/A Fl. 2524DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13896.001165/0031 Acórdão n.º 1301001.509 S1C3T1 Fl. 2.525 8 Com. Digitais, CNPJ nº 92.679.331/000118 (conf. fls. 1232 a 1234 e fls. 1436 a 1437), os mesmos também se referem ao anocalendário de 1998. Conforme já exposto, o imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, por ser considerado antecipação do devido no encerramento do período de apuração não pode ser compensado diretamente com outros tributos e contribuições, devendo ser deduzido do imposto apurado no encerramento do período de apuração, e, portanto, o Contribuinte deveria ter pleiteado esses valores na DIPJ exercício 1999, ano calendário 1998, tendo, inclusive, a alternativa de ter incluído tais valores por meio de uma declaração retificadora. Assim, pelas considerações expostas, não poderão ser acatados os valores utilizados a título de IRRF, relativo aos comprovantes de rendimentos/pagamentos do anocalendário de 1998, diretamente na DIPJ do anocalendário de 1999, pois os mesmos deveriam ser objeto da declaração do ano calendário de 1998. Tais valores montam R$ 26.395,10 (vinte e seis mil, trezentos e noventa e cinco reais e dez centavos), conforme constante no quadro Resumo de Comprovantes de Rendimentos Apresentados. b. Da não apresentação de informes de rendimentos Conforme disposição do art. 862 do RIR/1994 (art. 815 do RIR/1999 fundamentado no art. 13, § 3°, da Lei n° 4.154, de 1962, e art. 64 da Lei n° 9.430, de 1996), as pessoas jurídicas que, em suas declarações de rendimentos, efetuarem compensação de imposto de renda retido na fonte, deverão comprovar a retenção correspondente com uma das vias do documento fornecido pela fonte pagadora. Igualmente, verificase que o parágrafo 2° do art. 979 do mesmo RIR/1994 (art. 943, § 2°, do RIR/1999) determina que o imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de rendimentos, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. No mesmo sentido, nas instruções para elaboração da declaração de rendimentos inseridas no item AJUDA do programa DIPJ, exercício 2000, ano calendário 1999, nas Instruções de Preenchimento pasta IRPJ consta expressamente ser necessário que a pessoa jurídica que tenha sofrido retenção de IRRF possua o comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora para que possa efetuar a compensação do referido imposto, como se vê nos seguintes termos: “Imposto Compensável Atenção 2) O imposto retido na fonte somente poderá ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora”. (Grifei). Como se verifica, por expressa determinação da Lei, o IRRF apenas poderá ser compensado na declaração de rendimentos (e assim gerar o direito à restituição, quando exceder o imposto devido no período), se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. E tal comprovante, tratandose de IRRF decorrente de aplicações financeiras, é o Fl. 2525DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13896.001165/0031 Acórdão n.º 1301001.509 S1C3T1 Fl. 2.526 9 Informe de Rendimentos Financeiros, cujas normas para emissão encontravamse, então, estabelecidas na Instrução Normativa SRF n° 61, de 1996. Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal, de 23/05/2007, o contribuinte esclarece, em 31/05/2007, que: “Estes ‘demais comprovantes’ montam a importância de R$ 17,08 (BFB Leasing) e de R$ 2.201,40 (Prestação de Serviços), os quais não foram localizados e, portanto não há como ser apresentados”. Diante do exposto, não serão acatados os valores pleiteados sem a apresentação dos comprovantes de retenção, cujo montante é de R$ 2.218,48 (dois mil, duzentos e dezoito reais e quarenta e oito centavos), conforme o quadro Resumo de Comprovantes de Rendimentos Apresentados. c. Da contabilização das receitas correspondentes ao IRRF Foi efetuado por amostragem: Contabilização das receitas: Critério utilizado: os três maiores valores de IRRF constante nos comprovantes de rendimentos que juntos totalizam R$ 1.004.655,66, ou sejam 45,19% do valor de IRRF pleiteado (R$ 2.223.020,65); Confirmação dos valores constantes nos informes de rendimentos (fls. 1712 a 1751) por meio de consulta na base de dados no sistema DIRF da SRF e esclarecimentos do Banco Itaú (fls. 1662 a 1695): Critério utilizado: Comprovantes de Rendimentos do Banco ITAÚ S/A, cujo IRRF totaliza R$ 1.988.700,59, ou seja 89,46 % do valor de IRRF pleiteado, conforme Demonstrativo de Comprovantes de Retenção (fls. 1768 a 1770) e esclarecimentos do Banco Itaú, fls. 1662 a 1699. Foram apresentados pelo Contribuinte Planilhas de Aplicação e Resgate (fls. 1524 a 1540), a qual contém o histórico da valorização da aplicação, e contas do razão relativos o IRRF, bancos e custos dos investimentos (fls. 1541 a 1632). Face à diferença existente entre a sistemática de reconhecimento de receitas e a sistemática de incidência do IRRF, já que a primeira observa o regime de competência e a outra, o regime de caixa, foi verificado que, para a amostragem adotada: i. O contribuinte vem contabilizando os valores relativos ao IRRF (fls. 1541 a 1555); ii. A conta banco vem sendo regularmente debitada dos valores líquidos dos resgates (fls. 1556 a 1599 e 1602 a 1604); iii.A conta relativa aos investimentos vem tendo seus valores creditados regularmente (fls. 1605 a 1633); iv. A sistemática adotada pelo contribuinte, que contabiliza os rendimentos de forma sintetizada, não possibilita discriminar o rendimento para a respectiva aplicação financeira. Porém, observase a existência da contabilização de rendimentos na conta de investimentos e se por ventura, caso esta contabilização, não estivesse correta, a conta poderia estar com saldo credor. Fl. 2526DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13896.001165/0031 Acórdão n.º 1301001.509 S1C3T1 Fl. 2.527 10 Conforme a Solicitação de Esclarecimentos, lavrada em 23/01/2007, constatouse divergência entre os valores constantes em DIRF e os valores constantes nos Comprovantes de Rendimentos. Em esclarecimento a esta Fiscalização, o Banco Itaú S/A, CNPJ nº 60.701.190/000104, apresenta a esta Fiscalização o seguinte esclarecimento, em 23/03/2007 (CRT SCCH GCFOA1662007): “Em relação à divergência entre o valor total constante em DIRF no ano calendário de 1999 e na relação constante nos DARF's relacionados nos demonstrativos acima, esclarecemos que, em virtude da data atual, não é possível enviar DIRF retificadora, porém os valores foram corretamente recolhidos, conforme os demonstrativos acima (...)” Conforme o Demonstrativo de Valores Recolhidos em 1999, fls. 1671 a 1678, apresentado pelo Banco Itaú S/A, CNPJ nº 60.701.190/000104, há saldo de recolhimento de IRRF. Os pagamentos em DARF, que totalizam R$ 508.286.496,84, foram confirmados, por amostragem, em consulta ao sistema Sinal08, da SRF, conforme fls. 1755 a 1762. Também os pagamentos relativos ao Banco Itaú Holding Financeira, fls. 1693, que totalizam R$ 38.164.359,64, foram confirmados, por amostragem, em consulta ao sistema Sinal 08, da SRF, conforme fls. 1763 a 1767. Esclarece também que a partir de 30/04/1999, as obrigações operacionais do Banco Francês Brasileiro, passaram a ser de responsabilidade do Itaú S/A. Por fim, o Contribuinte apresentou o Demonstrativo da Compensação das Estimativas do A/C 1999, em 31/05/2007, fls. 1707, onde se observa que é utilizado o saldo negativo de IR relativo ao anocalendário de 1998 na compensação de suas estimativas. Verificase que o saldo credor em 31/12/1998 consta da DIRPJ do contribuinte (fls. 1752 e 1753). II A verificação de compensações, efetuadas sem processo (tributos de mesma espécie) com o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999, para fins de determinação do saldo passível de ser utilizado nas compensações requeridas no presente processo; Conforme declaração do Contribuinte, fls. 1202(CRTSCCHGCFOA 215/2006), e o Demonstrativo de Saldo Negativo de IRPJ, fls. 1697 a 1699, foram utilizados para compensação, sem a formalização de processo de compensação, os valores de R$ 26.178,58 e de R$ 1.959.845,74, respectivamente em janeiro/00 e agosto/00, o que equivale a R$ 1.793.935,39, em valores na data de 31/12/1999, conforme o Demonstrativo de Valores Compensados. Mês SELIC SELIC Acumulada Valor Compensado na data da comp. Valor Compensado em 31/12/1999 jan/00 1,46% 1,00% 26.178,58 25.919,39 fev/00 1,45% 2,46% mar/00 1,45% 3,91% abr/00 1,30% 5,36% mai/00 1,49% 6,66% jun/00 1,39% 8,15% jul/00 1,31% 9,54% ago/00 1,41% 10,85% 1.959.845,74 1.768.016,00 set/00 1,22% 12,26% out/00 1,29% 13,48% Fl. 2527DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13896.001165/0031 Acórdão n.º 1301001.509 S1C3T1 Fl. 2.528 11 nov/00 1,22% 14,77% dez/00 1,20% 15,99% TOTAL UTILIZADO 1.793.935,39 Diante disso, o saldo credor para o anocalendário de 1999, passa a ser de: Fonte de Informação IR alíquota de 15% 1.747.528,28 DIPJ (+) Adicional IR 1.141.018,85 DIPJ () Operações de Caráter Cultural e Artístico 69.901,13 DIPJ () IRRF 448.508,00 DIPJ () IR mensal pago por estimativa 4.969.544,92 DIPJ (=) saldo credor IR 2.599.406,92 () Valores glosados pela Fiscalização 26.395,10 Comprovantes de Retenção relativos ao AC 1998 2.218,48 Pela não apresentação de comprovantes (=) Saldo a restituir / compensar 2.570.793,34 () Valores compensados sem processo 1.793.935,39 Demonstrativo de Valores Compensados (=) Saldo a Restituir/Compensar 776.857,95 III Intimar a Requerente a esclarecer quais dos pedidos de compensação, juntados às fls. 112, 120, 123, 126, 129, 132, 136, 155, 158, 177,196, 215, 234, 253, 274, 306, 341, 370 e 371 permanecem vigentes após as retificações de fls. 403/437, tendo em conta que os pedidos apresentados até 30/10/2001, somam 14 e não 16 pedidos; Cientificado da Resolução da DRJ/Campinas, por meio da NOT. 217/2006 (fls. 1199), o Contribuinte esclarece que (fls. 1202): “A requerente esclarece que comparando a relação de valores, que corresponde a cada compensação, observou que não estão inclusos dois pedidos de compensação protocolados em 28/12/2000 e 27/04/2001 nos valores de R$ 49.986,62 e R$ 189.364,46, respectivamente. (Doc. 13 04 páginas)”. CONCLUSÃO De todo o exposto, em síntese, s.m.j., o direito creditório do Contribuinte que deve ser reconhecido é de R$ 776.857,94 (setecentos e setenta e seis mil, oitocentos e cinqüenta e sete reais e noventa e quatro centavos), relativo ao saldo credor do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), referente ao anocalendário 1999, exercício 2000, na data de 31/12/1999, conforme o quadro a seguir: Crédito Pleiteado Valor Glosado Valor Compensável Em 31/12/2000 (Selic 15,99%) Em 31/12/1999 Em 31/12/1999 Em 31/12/1999 934.266,42 805.471,52 28.613,58 776.857,94 Isto posto e demonstrado, opino pelo encaminhamento do presente ao SEORT desta DRF para dar prosseguimento e, em específico, para que sejam adotadas as medidas e procedimentos necessários para que seja reconhecido o direito creditório do contribuinte e para a execução dos itens: 1. Item IV da Resolução DRJ/CPS n° 902, de 07.02.2006 (fls. 1187a 1190) Fl. 2528DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13896.001165/0031 Acórdão n.º 1301001.509 S1C3T1 Fl. 2.529 12 “a elaboração de planilha de cálculos demonstrativa da compensação do saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 1999 apurado (mediante a adoção dos procedimentos previstos nos itens acima) com os débitos constantes dos pedidos de compensação em vigor para fins de aplicação do art. 48, § 301 II, da IN SRF n0 460, de 2004”. A autoridade preparadora providenciou a elaboração de demonstrativo das compensações formalizadas nos presentes autos às fls. 1824/1836, com base no crédito de R$ 711.719,39 e nos débitos informados nos pedidos e nas declarações de compensação, tendo apurado compensações para as quais não haveria crédito suficiente vinculado – débitos incluídos nas declarações de compensação apresentadas a partir de 14/10/2002 (fls. 1825). Regularmente cientificada da informação fiscal e da reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação de aditivo à manifestação de inconformidade, por intermédio de seu procurador, conforme nota de fls. 1779verso, a contribuinte deixou de oferecer defesa contra o resultado do procedimento de diligência fiscal. A já citada 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas, apreciando os argumentos expendidos pela contribuinte, decidiu, por meio do acórdão nº 0520.810, de 14 de janeiro de 2008, pela improcedência dos pedidos. O referido julgado restou assim ementado: Indébito Tributário. Ônus da Prova. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido Prova do Indébito. Saldo Negativo de IRPJ. IRRF. Estimativas. Para efeito de determinação do saldo de IRPJ a ser restituído ou compensado, a pessoa jurídica pode deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real. A prova hábil da retenção do IRRF é o informe de rendimentos emitido pelas fontes pagadoras. Para a comprovação da regular compensação dos valores devidos de estimativas mensais do IRPJ, com o saldo negativo de anos anteriores, impõese a apresentação da escrituração que lhe confere suporte, principalmente quando a contribuinte deixa de proceder à declaração dos débitos e das compensações supostamente efetuadas nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. Inconformada, a contribuinte impetrou o recurso voluntário de fls. 1.914/1.919, por meio do qual afirma que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento com Campinas, refazendo o trabalho feito pela Delegacia da Receita Federal em Guarulhos, concluiu pelo indeferimento total do crédito pleiteado com base nos seguintes argumentos: a) para o IRRF utilizado como dedução do imposto de renda a pagar na apuração anual, por não aceitar a documentação apresentada, vez que não a considerou hábil para a comprovação das retenções; e Fl. 2529DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13896.001165/0031 Acórdão n.º 1301001.509 S1C3T1 Fl. 2.530 13 b) para as antecipações, por entender que a diligência fiscal deveria impor a apresentação da escrituração. Diante desse quadro, sustentou a Recorrente: que, no que tange à alegação contida na letra “a” acima, cabe ressaltar que no relatório de diligência consta a informação de que, por amostragem, foram verificadas as receitas contabilizadas, utilizando os maiores valores de IRRF, confirmando pelos informes de rendimentos disponibilizados na base de dados do sistema DIRF da Receita Federal, bem como pelos comprovantes de pagamentos (DARF), disponibilizados no sistema SINAL; que, no que diz respeito às antecipações, o artigo 4º da IN SRF nº 600/05 dispõe que a autoridade competente para decidir sobre a restituição poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios, bem como determinar a realização de diligência mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal (adita que a leitura feita pela autoridade julgadora de primeira instância de tal dispositivo parece distorcida, vez que considerou que tais documentos necessariamente condicionam o reconhecimento do crédito, quando, para ela, “poderiam” condicionar). (GRIFO DO ORIGINAL) Apreciando a peça recursal, a Segunda Turma Ordinária desta Terceira Câmara, por meio da Resolução nº 130200.029, de 08 de dezembro de 2009, resolveu converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem adotasse as seguintes providências: 1. verificasse se as compensações dos valores devidos de estimativas mensais do IRPJ no anocalendário de 1999, com o saldo negativo do anocalendário de 1998, foram devidamente refletidas na escrituração contábil da contribuinte (em caso negativo, informasse se a contribuinte detinha algum tipo de controle capaz de permitir a identificação das compensações em questão); 2. analisasse a origem dos valores que integraram o saldo negativo apurado no anocalendário de 1998 no que diz respeito aos seguintes aspectos: regularidade das retenções de imposto na fonte; inclusão das receitas correspondentes na base tributável; regularidade dos pagamentos por estimativa; e utilização do referido saldo negativo em compensações diversas da relativa à estimativa do anocalendário de 1999; 3. informasse a natureza da retenção no montante de R$ 1.537.402,07, que compõe o total de R$ 3.565.440,01 (fls. 1885) relativo às DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras para o anocalendário de 1998; 4. relativamente ao item anterior, identificasse os créditos que foram utilizados para promover a compensação do valor devido de R$ 1.537.402,07 (DCTF relativa ao terceiro trimestre de 1998, apresentada em 05 de novembro de 1998 – fls. 1888/1889). Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal em Guarulhos produziu a INFORMAÇÃO FISCAL de fls. 2.274/2.278, prestando os esclarecimentos solicitados. É o Relatório. Fl. 2530DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13896.001165/0031 Acórdão n.º 1301001.509 S1C3T1 Fl. 2.531 14 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de pedido de restituição de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, relativo a saldo negativo do anocalendário de 1999, cumulado com pedidos de compensação. Cumpre destacar que embora o saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica do anocalendário de 1999 apurado pela contribuinte tenha sido de R$ 2.599.406,92 (fls. 20), nos termos do registro feito na decisão recorrida, a controvérsia a ser enfrentada no presente processo limitase ao valor de R$ 934.266,42, que representa o montante de crédito apontado para compensação tributária. A Delegacia da Receita Federal em Guarulhos, unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos da Recorrente, não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações, em razão de a contribuinte não atender as intimações para prestar esclarecimentos acerca do saldo negativo apurado; A autoridade julgadora de primeiro grau, amparada, essencialmente, no argumento de que, além de a Recorrente ter demonstrado interesse em colaborar no fornecimento de informações, foi dado um prazo exíguo para atendimento das intimações, decidiu, em um primeiro momento, pela conversão do julgamento em diligência; Na ocasião, a referida autoridade julgadora requereu que fosse verificada a determinação do saldo negativo do IRPJ apurado na DIPJ – Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica 2000, anocalendário de 1999 (Ficha 13A fls. 20), mediante: 1. a confirmação do valor do IRRF de R$ 448.508,00, e da contabilização das receitas correspondentes (Linha 13); 2. a confirmação do valor do IR mensal pago por estimativa no valor de R$ 4.969.544,92 (Linha 16), inclusive por meio de IRRF (Ficha 12), cuja comprovação deveria ser feita nos mesmos moldes do item 1; 3. a verificação de compensações, efetuadas sem processo (tributos de mesma espécie) com o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999, para fins de determinação do saldo passível de ser utilizado nas compensações requeridas no presente processo; 4. intimação a Requerente para esclarecer quais dos pedidos de compensação juntados às fls. 112, 120, 123, 126, 129, 132, 136, 155, 158, 177, 196, 215, 234, 253, 274, 306, 341, 370 e 371 permaneciam vigentes após as retificações de fls. 403/437, tendo em conta que os pedidos apresentados até 30/10/2001, somavam quatorze e não dezesseis pedidos; 5. a elaboração de planilha de cálculos demonstrativa da compensação do saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 1999 apurado (mediante a adoção dos Fl. 2531DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13896.001165/0031 Acórdão n.º 1301001.509 S1C3T1 Fl. 2.532 15 procedimentos previstos nos itens 1 e 2 acima) com os débitos constantes dos pedidos de compensação em vigor para fins de aplicação do art. 48, §3º, II, da IN SRF nº 460, de 2004. Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal em Guarulhos produziu a INFORMAÇÃO FISCAL de fls. 1.775/1.779, da qual releva destacar os seguintes elementos: i) que a contribuinte utilizou a título de IRRF no anocalendário de 1999 o montante de R$ 2.223.020,66, seja no curso do próprio ano, seja no ajuste anual; ii) não foram acatados os comprovantes de rendimentos/pagamentos relativos a anos diferentes de 1999 (R$ 26.395,10); iii) não foram acatados valores de IRRF para os quais a contribuinte não apresentou os comprovantes de retenção (R$ 2.218,48); iv) para fins de verificação da contabilização das receitas correspondentes, foi utilizada amostra representativa de 45,19% do IRRF pleiteado; v) para fins de verificação dos valores consignados nos informes de rendimentos, foi utilizada amostra representativa de 89,46% do IRRF pleiteado; vi) foi observado que a contribuinte utilizou saldo negativo de IR relativo ao anocalendário de 1998 na compensação de suas estimativas; vii) foram utilizados para compensação, sem a formalização de processo, os valores de R$ 26.178,58 e de R$ 1.959.845,74, correspondentes a R$ 1.793.935,30 em 31 de dezembro de 1999; viii) diante das constatações, o saldo credor para o anocalendário de 1999 passou a ser de R$ 776.857,95, conforme demonstrativo abaixo. Imposto Devido R$ 2.888.547,13 Operações de Caráter Cultural (R$ 69.901,13) IRRF (R$ 448.508,00) Estimativa (R$ 4.969.544,92) SALDO NEGATIVO R$ 2.599.406,92 Glosa IRRF (R$ 28.613,58) Compensação sem Processo (R$ 1.793.935,39) SALDO NEGATIVO DISPONÍVEL R$ 776.857,95 O processo foi, então, encaminhado ao Serviço de Orientação e Análise Tributária SEORT da Delegacia da Receita Federal em Guarulhos para que fosse elaborada planilha demonstrativa da compensação. Fl. 2532DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13896.001165/0031 Acórdão n.º 1301001.509 S1C3T1 Fl. 2.533 16 Em atendimento, a referida unidade (SEORT) exarou o despacho de fls. 1.837, por meio do qual informou ter elaborado as planilhas em referência (anexas aos autos às fls. 1.824/1.836). A autoridade julgadora de primeira instância, apreciando as informações trazidas ao processo por meio da diligência fiscal, assim se manifestou: … Todavia, esta Relatora diverge, em parte, da análise efetuada pela fiscalização acerca da determinação dos valores das antecipações (IRRF e estimativas) recolhidas/compensadas pela contribuinte, no curso do anocalendário de 1999. Em primeiro lugar, cumpre determinar o valor do IRRF dedutível do IRPJ apurado ao final do período. Segundo o procedimento de diligência fiscal, a contribuinte teria comprovado, com base em informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, a retenção de imposto, no anocalendário de 1999, no valor de R$ 2.194.407,07 (R$ 1.988.700,59 + R$ 12.375,00 + R$ 13.500,00 + R$ 179.831,48 – cf. planilha de fls. 1708/1711). Nas Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte – Dirf apresentadas pelas fontes pagadoras o imposto retido no anocalendário de 1999 totalizaria apenas R$ 1.440.339,93, conforme extrato de fls. 1838/1846. Para elucidar o valor dedutível fezse necessário confrontar as informações constantes dos comprovantes de rendimentos e nas DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras. Antes de tudo convém esclarecer que os comprovantes ou informes de rendimentos e das retenções, emitidos pelas fontes pagadoras em favor da Requerente, a serem considerados na determinação dos valores das retenções dedutíveis, são os seguintes: TTaabbeellaa IIIIII –– IInnffoorrmmeess ddee RReennddiimmeennttooss –– BBeenneeffiicciiáárriiaa:: BBFFBB RReenntt AAddmmiinniissttrraaççããoo LLooccaaççããoo SS..AA.. Fls. Fonte Pagadora Período da retenção Cód. de Retenção Valor DIRF 66/442/925 60.701.190/000104 Anocalendário 1999 3426 183.175,38 DIRF 66/442/925 60.701.190/000104 Anocalendário 1999 3426 634.839,48 DIRF 66/442/925 60.701.190/000104 Anocalendário 1999 6800 11.410,86 N/C 66/442/925 60.701.190/000104 Anocalendário 1999 6800 3.796,44 N/C 67/443/928 60.701.190/000104 Anocalendário 1999 6800 1.942,36 N/C 67/443/928 60.701.190/000104 Anocalendário 1999 6800 9.537,78 N/C 67/443/928 60.701.190/000104 Anocalendário 1999 6800 9.289,20 N/C 67/443/928 60.701.190/000104 Anocalendário 1999 6800 202,78 N/C 68/444/927 60.701.190/000104 Anocalendário 1999 6800 19.073,49 N/C 68/444/927 60.701.190/000104 Anocalendário 1999 6800 2.025,02 N/C 68/444/927 60.701.190/000104 Anocalendário 1999 6800 15.426,23 N/C 68/444/927 60.701.190/000104 Anocalendário 1999 6800 2.647,05 N/C 69/445/926 60.701.190/000104 Anocalendário 1999 6800 0,23 DIRF 69/445/926 60.701.190/000104 Anocalendário 1999 6800 79,73 DIRF 69/445/926 60.701.190/000104 Anocalendário 1999 6800 28.642,52 N/C 69/445/926 60.701.190/000104 Anocalendário 1999 6800 18.439,31 N/C 70/446/924 60.701.190/000104 Anocalendário 1999 5273 92.377,63 DIRF 70/446/924 60.701.190/000104 Anocalendário 1999 3426 17.314,32 DIRF 70/446/924 60.701.190/000104 Anocalendário 1999 3426 194.593,14 DIRF 71/447/929 60.701.190/000104 Anocalendário 1999 6800 230,97 N/C Fl. 2533DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13896.001165/0031 Acórdão n.º 1301001.509 S1C3T1 Fl. 2.534 17 Fls. Fonte Pagadora Período da retenção Cód. de Retenção Valor DIRF 71/447/929 60.701.190/000104 Anocalendário 1999 6800 117,38 N/C 71/447/929 60.701.190/000104 Anocalendário 1999 6800 59.277,48 N/C 72/448/934 60.701.190/000104 Anocalendário 1999 6800 55.928,92 DIRF 72/448/934 60.701.190/000104 Anocalendário 1999 3426 285,65 DIRF 72/448/934 60.701.190/000104 Anocalendário 1999 3426 3.906,29 DIRF 935 60.701.190/000104 Anocalendário 1999 6800 1.810,23 N/C 936 60.701.190/000104 Anocalendário 1999 6800 13.374,97 N/C 936 60.701.190/000104 Anocalendário 1999 6800 6.134,74 N/C 936 60.701.190/000104 Anocalendário 1999 6800 10.066,16 N/C 937 60.701.190/000104 Anocalendário 1999 6800 26.066,97 DIRF 937 60.701.190/000104 Anocalendário 1999 6800 69.881,80 DIRF 942 60.777.661/000150 Anocalendário 1999 5706 25.875,00 N/C Total das Retenções 1.517.769,51 Devem também ser considerados os comprovantes ou informes de rendimentos, abaixo relacionados, emitidos em favor de: (i) BFB Consultoria Empresarial Ltda. (CNPJ nº 050.023.0001/000120), empresa incorporada pela Requerente em 31/12/1998, conforme extrato de fls. 1863/1871; e (ii) BFB Comércio e Empreendimentos Ltda. (CNPJ nº 50.566.421/000152), empresa incorporada por BFB Negócios Imobiliários S/C Ltda. (CNPJ nº 52.191.772/0001 51) em 06/05/1997; que por sua vez, foi incorporada pela BFB Comércio e Empreendimentos Ltda. (CNPJ nº 50.566.421/000152), em 06/05/1997; que por sua vez, foi incorporada pela Requerente em 31/12/1998 – extratos de fls. 1872/1878: TTaabbeellaa IIVV –– IInnffoorrmmeess ddee RReennddiimmeennttooss –– BBeenneeffiicciiáárriiaass:: IInnccoorrppoorraaddaass Fls. Beneficiário Fonte Pagadora Período da retenção Cód. de Retenção Valor DIRF 438/930 50.023.001/000120 60.701.190/000104 Anocalend 1999 5273 21.037,65 DIRF 438/930 50.023.001/000120 60.701.190/000105 Anocalend 1999 3426 3.132,61 DIRF 438/930 50.023.001/000120 60.701.190/000106 Anocalend 1999 3426 386.638,68 DIRF 439/931 50.023.001/000120 60.701.190/000107 Anocalend 1999 6800 30.377,72 DIRF 439/931 50.023.001/000120 60.701.190/000108 Anocalend 1999 6800 10.028,38 DIRF 439/931 50.023.001/000120 60.701.190/000109 Anocalend 1999 6800 14,33 DIRF 439/931 50.023.001/000120 60.701.190/000110 Anocalend 1999 6800 19.204,59 DIRF 440/932 50.566.421/000152 60.701.190/000111 Anocalend 1999 6800 6.796,22 DIRF 441/933 50.566.421/000152 60.701.190/000112 Anocalend 1999 5273 17.149,13 DIRF 441/933 50.566.421/000152 60.701.190/000113 Anocalend 1999 3426 2.362,39 DIRF 441/933 50.566.421/000152 60.701.190/000114 Anocalend 1999 6800 204,89 DIRF Valor Total da Retenção 496.946,59 Relevante assinalar que as fontes pagadoras Banco Itaú S.A. (CNPJ nº 60.701.190/000104) e Banco Itaú Holding Financeira S.A. (CNPJ nº 60.872.504/000123) declararam, indistintamente, nas DIRF, os rendimentos pagos por uma e por outra, de forma que alguns rendimentos e retenções constantes dos informes emitidos pela primeira constam, nas DIRF, como pagos e retidos pela segunda, devendo ser evitada a duplicidade das retenções a serem consideradas. Convém ainda esclarecer que o Informe de Rendimentos, de fls. 73 e 449, emitido pelo Banco Francês e Brasileiro (CNPJ nº 60.872.504/000123), em favor de BFB Empresarial Ltda. (CNPJ nº 050.023.001/000120), no qual consta uma retenção de imposto da ordem de R$ 386.638,68, consta regularmente da DIRF apresentada pelo Banco Itaú Holding Financeira S.A. – fls. 1870, atual denominação Fl. 2534DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13896.001165/0031 Acórdão n.º 1301001.509 S1C3T1 Fl. 2.535 18 social da pessoa jurídica, conforme extrato de fls. 1879, e já foi considerado na Tabela IV acima. Em conseqüência da análise da documentação acima exposta, deve ser confirmada a retenção dos valores constantes dos informes de rendimentos, que tem como beneficiárias a Requerente ou às empresas por ela incorporadas, no valor, respectivamente, de R$ 1.517.769,51 (cf. Tabela III) e R$ 496.946,59 (cf. Tabela IV), totalizando uma retenção de R$ 2.014.716,10. Deve também ser admitida a dedutibilidade das retenções informadas nas DIRF, ainda não consideradas, relativas a outras fontes pagadoras e códigos de retenção, e abaixo relacionadas: Retenções Beneficiário Fonte pagadora Código Valor 31.923.626/000101 10.866.788/000177 1708 15,89 33.697.723/000140 1708 1.650,00 60.730.348/000166 1708 3,75 67.765.735/000187 8045 9,40 89.724.447/000117 1708 31,44 89.738.173/000115 1708 174,65 Total das retenções 1.885,13 Decorre daí que os valores das retenções a serem consideradas para efeitos de dedução do imposto apurado ao final do período totalizam R$ 2.016.601,23 (R$ 2.014.716,10 + R$ 1.885,13). No procedimento de diligência fiscal teria sido apurada uma retenção no valor total de R$ 2.194.407,07. A divergência se refere basicamente à retenção no valor de R$ 179.831,48, comprovada por meio dos documentos de fls. 5, 475 e 943 aceita pelo órgão local e não acatada por esta Relatora. Na verdade, os Darf de fls. 005/475/943 e 006/476, sob código de receita nº 3426 (IRRF Aplicações Financeiras de Renda Fixa Pessoa Jurídica) não foram aceitos como provas hábeis e suficientes do IRRF, porque não comprovadas as operações que teriam dado causa aos pagamentos de IRRF efetuados pela própria interessada (CNPJ nº 31.923.626/000101). Em regra, como o pagamento das retenções incidentes sobre as aplicações financeiras é efetuado pelas fontes pagadoras, e não pelas beneficiárias dos rendimentos, até prova em contrário, presumese que tais pagamentos se referem a retenções efetuadas pela BFB Rent Administração e Locação S.A. incidentes sobre pagamentos efetuados a outras pessoas jurídicas. Em assim sendo, tais retenções não aproveitariam a própria BFB Rent Administração e Locação S.A., mas as beneficiárias dos rendimentos. Acrescentese ainda que: (i) o pagamento de fls. 6 teria sido efetuado em 05/01/2000, devendo ser provada a data da operação que lhe teria dado causa, e (ii) nenhum dos dois valores objeto das supostas retenções consta das DIRF de fls. 1838/1878. Além dos Darf, os documentos apresentados e abaixo relacionados não foram aceitos como provas hábeis e suficientes das retenções neles consignadas: Fls. Documento Fonte Pagadora Data Valor 5/475 Darf NI 01/09/1999 179.831,48 6/476 Darf NI 05/01/2000 188.028,70 49/479 Comprovante de Rendimentos Parks S.A. Anocalend 1998 7,55 50/480 Comprovante de Rendimentos Parks S.A. Anocalend 1998 4,88 Fl. 2535DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13896.001165/0031 Acórdão n.º 1301001.509 S1C3T1 Fl. 2.536 19 Fls. Documento Fonte Pagadora Data Valor 51/481 Comprovante de Rendimentos Parks S.A. Anocalend 1998 13,91 52/482 Demonstrativo de Liq de Op Swap BFB 07/05/1999 9.603,66 53/483 Demonstrativo de Liq de Op Swap BFB 07/05/1999 938,51 54/484 Demonstrativo de Liq de Op Swap BFB 07/05/1999 1.418,57 55/485 Demonstrativo de Liq de Op Swap BFB 07/05/1999 8.229,62 56/486 Demonstrativo de Liq de Op Swap BFB 07/05/1999 837,60 57/487 Demonstrativo de Liq de Op Swap BFB 07/05/1999 326,86 58/488 Demonstrativo de Liq de Op Swap BFB 07/05/1999 151,35 59/489 Demonstrativo de Liq de Op Swap BFB 07/05/1999 71,18 60/490 Demonstrativo de Liq de Op Swap BFB 07/05/1999 264,38 61/491 Demonstrativo de Liq de Op Swap BFB 07/05/1999 7,38 62/492 Comprovante de Rendimentos BFB Anocalend 1998 127.504,65 63/493 Nota Descritiva de Neg de Títulos BFB 15/09/1997 179.662,96 64/494 Nota Descritiva de Neg de Títulos BFB 29/07/1997 52.854,75 65/495 Nota Descritiva de Neg de Títulos BFB 17/07/1997 30.297,64 74/450 Extrato de Aplicação BFB jan99 2.590,06 75/451 Extrato de Aplicação BFB jan99 496,55 76/77452/453 Extrato de Aplicação BFB fev99 7.639,24 78/454 Extrato de Aplicação BFB fev/99 3.239,27 79/455 Extrato de Aplicação BFB mar/99 1.345,61 455 Extrato de Aplicação BFB mar/99 103,27 80/81456/457 Extrato de Aplicação BFB mar/99 6.754,66 82/458 Extrato de Aplicação BFB mar/99 12.638,18 83/459 Extrato de Aplicação BFB mar/99 4.718,58 84/460 Extrato de Aplicação BFB mar/99 8.745,25 85/461 Extrato de Aplicação BFB mar/99 1.810,23 86/87462/463 Extrato de Aplicação BFB abr/99 24.282,32 88/464 Extrato de Aplicação BFB mai/99 1.782,88 88/464 Extrato de Aplicação BFB ago/99 14,58 89/465 Extrato de Aplicação BFB mai/99 6.554,79 90/95466/471 Extrato de Aplicação Itaú 96/98472/474 Nota de Neg de Títulos BFB No que tange aos comprovantes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, mas relativos a retenções efetuadas em outros de períodos de apuração (fls. 49/51, 479/481, 62 e 492) prestigiamse as razões adotadas pela autoridade responsável pelo procedimento de diligência fiscal, no sentido de que não servem para corroborar o saldo negativo do anocalendário de 1999. Os demonstrativos de liquidação de operações de swap de fls. 52/61 e 482/491 também não são instrumentos hábeis e suficientes para corroborar as retenções ali consignadas porque não são informes de rendimentos e as fontes pagadoras sequer se encontram identificadas. Importante destacar que foram devidamente consideradas as retenções efetuadas sob o código de receita 5273 (IRRF Operações de Swap) pelas fontes pagadoras, constantes dos informes de rendimentos e informadas nas DIRF. Não se aceitam também como provas hábeis e suficientes das retenções as denominadas “Notas Descritivas de Negociação de Títulos” de fls. 63/65 e 493/495, porque se referem a anocalendário anterior. Já as retenções informadas nas “Notas de Negociação de Títulos” de fls. 96/97 e 472/473 constam regularmente da DIRF, e Fl. 2536DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13896.001165/0031 Acórdão n.º 1301001.509 S1C3T1 Fl. 2.537 20 já foram consideradas. A de fls. 98 não foi aceita porque não configura informe de rendimentos. Os extratos de aplicações financeiras também não são instrumentos hábeis para comprovação das retenções ali informadas. Concluise daí que, as retenções de imposto na fonte passíveis de utilização na determinação do saldo a pagar de IRPJ na apuração anual totalizam R$ 2.016.601,23, e não R$ 2.194.407,07, conforme conclusão do órgão encarregado pela diligência fiscal. A outra e principal divergência em relação às conclusões do procedimento de diligência fiscal diz respeito aos valores a serem considerados como antecipações pagas ou compensadas a título de estimativas mensais de IRPJ no anocalendário de 1999. Segundo a DIPJ 2000, assim teriam sido extintas as estimativas devidas: Mês IRRF Saldo Negativo 31/12/1998 jan/99 409.236,58 1.045.998,39 fev/99 61.970,52 339.492,13 mar/99 47.137,81 abr/99 230.898,26 mai/99 391.451,87 jun/99 308.175,72 1.225.579,71 jul/99 ago/99 139.236,97 set/99 153.217,86 138.631,26 out/99 22.281,35 353.899,26 nov/99 10.905,72 91.431,52 dez/99 Subtotal 1.774.512,66 3.195.032,27 Total 4.969.544,93 Para que fosse comprovada a regular compensação dos valores devidos de estimativas mensais do IRPJ no anocalendário de 1999, com o saldo negativo do anocalendário de 1998, imporseia a apresentação da escrituração que lhe conferisse suporte, principalmente porque a contribuinte interessada deixou de proceder à declaração dos débitos de estimativas e das compensações supostamente efetuadas nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF relativas aos quatro trimestres do anocalendário de 1999 – fls. 1880. Como à época, a compensação entre tributos de mesma espécie e destinação constitucional era efetuada na própria escrituração comercial da empresa, independentemente de prévia autorização pela autoridade fiscal competente, nos termos dos arts. 14 e seguintes da Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997, somente a partir de uma análise de tais registros seria possível a validação da suposta compensação efetuada. Decorre daí, que não tendo se verificado a prova hábil das compensações efetivadas, tais estimativas não integram o saldo negativo de 1999. Ademais, poderseia objetar que, diante do “Demonstrativo da Compensação das Estimativas do Anocalendário de 1999”, de fls. 1707, no qual invoca a contribuinte a utilização do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1998 de R$ 3.607.737,32 na compensação das estimativas devidas nos meses de janeiro, fevereiro, junho, setembro, outubro e novembro de 1999, no valor total de R$ 3.195.032,27, teria se l imitado a autoridade f iscal a confirmar a Fl. 2537DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13896.001165/0031 Acórdão n.º 1301001.509 S1C3T1 Fl. 2.538 21 informação do respectivo saldo negativo na DIPJ 1999 (fls. 1752 e 1753), quando, para validar o procedimento, deveria ter verif icado a efet ividade de sua existência, suficiência e disponibil idade , no mínimo, mediante a verificação dos valores das retenções informadas, do IR mensal pago por estimativa, e das utilizações porventura efetuadas em outras compensações. Nos bancos de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, as DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras indicam retenções efetuadas em 1998, no valor de R$ 3.565.440,01 (fls. 1885). Todavia, uma das retenções efetuadas, no valor de R$ 1.537.402,07, teria sido informada pela própria beneficiária dos rendimentos. Na DCTF relativa ao 3º trimestre de 1998, apresentada em 05/11/1998 (fls. 1888/1889), a contribuinte teria declarado a compensação de tal valor a pagar com créditos não devidamente identificados. Assim, por não haver sido devidamente esclarecida a natureza da operação que teria dado ensejo à retenção pela própria beneficiária do rendimento, e por falta de comprovação do crédito utilizado na compensação, não seria possível validar a totalidade das retenções, mas apenas R$ 2.028.037,94 (R$ 3.565.440,01 – R$ 1.537.402,07). Na DIPJ 1999 (anocalendário de 1998), consta que o IRRF teria sido parcialmente utilizado na dedução das estimativas devidas no curso do ano calendário, conforme demonstrativo abaixo: Estimativas IRRF jan/98 247.837,65 fev/98 310.524,53 mar/98 259.894,69 abr/98 158.725,75 mai/98 417.625,16 jun/98 266.599,40 jul/98 ago/98 set/98 out/98 nov/98 dez/98 Subtotal 1.661.207,18 Desta forma, seria possível a validação do saldo negativo do IRPJ do ano calendário de 1998, apenas segundo abaixo demonstrado: DIPJ 1999 (anocalendário 1998) DIPJ Julgamento Ficha 13 Cálculo do IRPJ Valor Valor Imposto sobre o Lucro Real 01. Alíquota de 15% 674.005,07 674.005,07 03. Adicional 425.336,71 425.336,71 Total do Imposto Apurado 1.099.341,78 1.099.341,78 Deduções 13. () IRRF 3.045.871,92 366.830,76 16. () IR Mensal Pago por Estimativa 1.661.207,18 1.661.207,18 19. IR a pagar (3.607.737,32) (928.696,16) Todavia, em face da ausência de comprovação da efetiva compensação, na escrituração comercial e fiscal da contribuinte, do IR mensal devido por estimativa, Fl. 2538DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13896.001165/0031 Acórdão n.º 1301001.509 S1C3T1 Fl. 2.539 22 no anocalendário de 1999, com o saldo negativo do anocalendário de 1998, irrelevante a determinação de tal saldo, na medida em que o ato de compensação exige o cumprimento das formalidades de Lei, sem as quais não é possível ser reconhecido. Diante do exposto, não comprovadas as compensações das estimativas devidas no anocalendário de 1999 com o saldo negativo do anocalendário de 1998, e reconhecidas as retenções de IRRF, no valor de R$ 2.016.601,23, o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999 (Exercício 2000) deveria ser assim demonstrado: Ficha 13A Cálculo do IRPJ DIPJ Julgamento Imposto sobre o Lucro Real Valor Valor 01. Alíquota de 15% 1.747.528,28 1.747.528,28 03. Adicional 1.141.018,85 1.141.018,85 Total do Imposto Apurado 2.888.547,13 2.888.547,13 Deduções 04. () Operações de Car. Cult. E Artístico 69.901,13 69.901,13 13. () IRRF 448.508,00 242.088,57 16. () IR Mensal Pago por Estimativa 4.969.544,92 1.774.512,66 18. IR a pagar (2.599.406,92) 802.044,77 Na ausência de comprovação da existência, suficiência e da efetiva da utilização do saldo negativo de 1998 na compensação das estimativas devidas no anocalendário de 1999, não se confirma o saldo negativo apurado pela contribuinte na DIPJ 2000, pelo que devem ser não homologadas as compensações formalizadas nos presentes autos. Por oportuno, relevante consignar que conforme declaração da contribuinte, fls. 1202, e o Demonstrativo de Saldo Negativo de IRPJ, fls. 1697 a 1699, do saldo negativo de IRPJ de 1999 já teriam sido utilizados em compensações, sem a formalização de processo, os valores de R$ 26.178,58 e de R$ 1.959.845,74, respectivamente em janeiro/00 e agosto/00, o que equivale a R$ 1.793.935,39, em valores na data de 31/12/1999, conforme o Demonstrativo de Valores Compensados. Por todo o exposto, VOTO no sentido de NÃO RECONHECER o indébito tributário em litígio, INDEFERIR o pedido de restituição e NÃO HOMOLOGAR as compensações formalizadas nos presentes autos. Em que pese o extenso relato, os pontos de controvérsia a serem enfrentados dizem respeito às seguintes glosas: SALDO NEGATIVO APURADO PELA CONTRIBUINTE: R$ 2.599.406,92 INFORMES DE RENDIMENTOS DE 1998: R$ 26.395,10 AUSÊNCIA DE INFORMES DE RENDIMENTOS: R$ 2.218,48 COMPROVANTES DE RENDIMENTOS NÃO ACEITOS (DRJ): R$ 177.805,85 FALTA DE COMPROVAÇÃO DA COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVAS (DRJ): R$ 3.195.032,27 RESULTADO FINAL: IMPOSTO DE RENDA A PAGAR DE R$ 802.044,78 Em sede de recurso voluntário, a contribuinte afirmou que, intimada para tomar ciência do resultado da diligência requisitada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, não aditou razões “já que concordava com o resultado da diligência realizada Fl. 2539DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13896.001165/0031 Acórdão n.º 1301001.509 S1C3T1 Fl. 2.540 23 pelo auditor fiscal, inclusive, com a glosa de parte do valor objeto do pedido de restituição (R$ 28.613,58)”. Assim, relativamente aos montantes de R$ 26.395,10 e R$ 2.218,48, que somados perfazem o total de R$ 28.613,58, já não cabe qualquer discussão. Adiante, a Recorrente, sintetizando os fundamentos da decisão exarada em primeira instância, argumenta que, relativamente às glosas de imposto de renda retido na fonte empreendidas pela Turma Julgadora a quo, “no relatório da diligência fiscal consta a informação de que, por amostragem, foram verificadas as receitas contabilizadas, utilizando os maiores valores de IRRF, confirmando pelos informes de rendimentos disponibilizados na base de dados do sistema DIRF da Receita Federal, bem como pelos comprovantes de pagamentos (DARF), disponibilizados no sistema SINAL. Nessa linha, conclui que “a partir do momento em que a conclusão da Diligência foi compatível com o pleito do Recorrente (que não se opôs à glosa determinada na Diligência), toda a questão discutida no presente processo restou prejudicada, já que não haveria mais controvérsia a ser julgada pela DRJ”. Equivocase a Recorrente. O pedido de diligência formalizado pela autoridade administrativa julgadora visa, em regra, colher subsídios, seja por meio de anexação de documentos, seja pela apresentação de esclarecimentos, que lhe possibilite criar convicção acerca de determinada matéria. No caso vertente, a conversão do julgamento em diligência foi promovida, inclusive, em benefício da própria contribuinte, eis que a autoridade administrativa que primeiro analisou o pedido formulado, na avaliação da autoridade julgadora, não concedeu prazo suficiente para apresentação de documentos e esclarecimentos, embora a requerente tenha demonstrado interesse em atender as intimações que lhe foram dirigidas. Resta fora de dúvida que, na circunstância retratada nos autos, a Turma Julgadora é que detém competência para, com base nos elementos fornecidos pela unidade responsável pelo procedimento de diligência, proferir decisão acerca da procedência ou não do pedido objeto do processo. Quanto ao mérito em si, embora não tenha identificado razões nem documentos na peça recursal capazes de contraditar os fundamentos esposados no voto condutor para não acolher as retenções no montante de R$ 177.805,85, observo que a diligência realizada em virtude da Resolução nº 1302000.029 da 2ª Turma Ordinária desta 3ª Câmara concluiu, com base em esclarecimentos e documentos apresentados pela Recorrente no curso do procedimento, pela procedência do seu aproveitamento. No que diz respeito às antecipações obrigatórias (estimativas) que foram objeto de compensação, alega a Recorrente que o artigo 4º da IN SRF nº 600/05 dispõe que a autoridade competente para decidir sobre a restituição poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios, bem como determinar a realização de diligência mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal. Adita que a leitura feita pela autoridade julgadora de primeira instância de tal dispositivo parece distorcida, vez que considerou que tais documentos necessariamente condicionam o reconhecimento do crédito, quando, para ela, “poderiam” condicionar. Aqui, as considerações da Recorrente, da mesma forma, não merecem acolhimento, sendo certo que a autoridade administrativa julgadora, na ausência de elementos Fl. 2540DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13896.001165/0031 Acórdão n.º 1301001.509 S1C3T1 Fl. 2.541 24 capazes de lhe proporcionar certeza acerca do pedido formulado, pode (e deve) socorrerse de complementação de informações (diligência), gozando de competência para, a partir dos dados que lhe foram disponibilizados, proferir decisão acerca da procedência ou não do pedido de reconhecimento do direito creditório. Como visto, diferentemente do assinalado na primeira diligência realizada, a Turma Julgadora de primeiro grau concluiu pela improcedência do aproveitamento, na apuração anual, das antecipações obrigatórias que foram compensadas com o saldo negativo de 1998, razão pela qual glosou o montante de R$ 3.195.032,27 na determinação do saldo do imposto relativo ao ano de 1999. Não obstante, relativamente a essa matéria, a já citada diligência requisitada pela 2ª Turma Ordinária desta Câmara concluiu, também, que a documentação apresentada pela Recorrente em atendimento à intimação que lhe fora dirigida comprova a compensação das estimativas do anocalendário de 1999. Adita a autoridade responsável pelo procedimento que citada documentação comprova, ainda, a contabilização dos valores correspondentes, bem como do seu saldo, o que autoriza concluir que os créditos não foram utilizados em outros exercícios. Afirma a autoridade responsável pela diligência que, esclarecida a natureza da retenção de R$ 179.831,48 (e não R$ 177.805,84), deve ser reconhecida uma retenção de imposto de renda no total de R$ 2.196.432,71, e não R$ 2.194.407,07, como assinalado anteriormente. Amparado, pois, na Informação Fiscal de fls. 2.274/2.279, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para reconhecer o direito creditório no montante de R$ 778.883,59, conforme demonstrativo abaixo. Imposto Devido R$ 2.888.547,13 Operações de Caráter Cultural (R$ 69.901,13) IRRF (R$ 448.508,00) Estimativa (R$ 4.969.544,92) SALDO NEGATIVO R$ 2.599.406,92 Glosa IRRF (R$ 28.613,58) Compensação sem Processo (R$ 1.793.935,39) SALDO NEGATIVO R$ 776.857,95 IRRF apurado a menor R$ 2.025,64 SALDO NEGATIVO DISPONÍVEL R$ 778.883,59 Sala das Sessões, em 07 de maio de 2014 “documento assinado digitalmente” Fl. 2541DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 13896.001165/0031 Acórdão n.º 1301001.509 S1C3T1 Fl. 2.542 25 Wilson Fernandes Guimarães Fl. 2542DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 6/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003485/2010-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/10/2010
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria. O fato de ter entrevisto ex-empregados
Recurso Voluntário Negado.
CONTRIBUIÇÕES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA AOS SEGURADOS EMPREGADOS - PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR - NATUREZA SALARIAL - NÃO EXTENSÃO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES
No caso dos benefícios de previdência complementar, descumpriu o recorrente o preceito legal básico descrito na lei para excluir os valores da base de cálculo, qual seja, a extensão do benefício a todos os empregados, assim, correto o lançamento em relação a essas verbas.
A empresa é obrigada ao lançamento em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, de todos os fatos geradores de contribuições, do montante das quantias descontadas, das contribuições da empresa e dos totais recolhidos, conforme previsão no art. 32, inciso II da Lei n ° 8.212/1991, o que não restou demonstrado pelo recorrente, quando não discriminou os valores no tocante aos pagamentos efetuados aos empregados a título de PLR, bônus, gratificações, por meio de contas de previdência privada.
Numero da decisão: 2401-003.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201305
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 28/10/2010 LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria. O fato de ter entrevisto ex-empregados Recurso Voluntário Negado. CONTRIBUIÇÕES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA AOS SEGURADOS EMPREGADOS - PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR - NATUREZA SALARIAL - NÃO EXTENSÃO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES No caso dos benefícios de previdência complementar, descumpriu o recorrente o preceito legal básico descrito na lei para excluir os valores da base de cálculo, qual seja, a extensão do benefício a todos os empregados, assim, correto o lançamento em relação a essas verbas. A empresa é obrigada ao lançamento em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, de todos os fatos geradores de contribuições, do montante das quantias descontadas, das contribuições da empresa e dos totais recolhidos, conforme previsão no art. 32, inciso II da Lei n ° 8.212/1991, o que não restou demonstrado pelo recorrente, quando não discriminou os valores no tocante aos pagamentos efetuados aos empregados a título de PLR, bônus, gratificações, por meio de contas de previdência privada.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19515.003485/2010-00
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5366387
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2401-003.023
nome_arquivo_s : Decisao_19515003485201000.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 19515003485201000_5366387.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
id : 5558666
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046812633333760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2430; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.003485/201000 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.023 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2013 Matéria OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 28/10/2010 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, II DA LEI N.º 8.212/1991 C/C ARTIGO 283 II, “a” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99. CONTABILIZAÇÃO EM TÍTULOS PRÓPRIOS. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do artigo 32, II da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “a” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. CONTRIBUIÇÕES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA AOS SEGURADOS EMPREGADOS PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR NATUREZA SALARIAL NÃO EXTENSÃO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES No caso dos benefícios de “previdência complementar, descumpriu o recorrente o preceito legal básico descrito na lei para excluir os valores da base de cálculo, qual seja, a extensão do benefício a todos os empregados, assim, correto o lançamento em relação a essas verbas. A empresa é obrigada ao lançamento em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, de todos os fatos geradores de contribuições, do montante das quantias descontadas, das contribuições da empresa e dos totais recolhidos, conforme previsão no art. 32, inciso II da Lei n ° 8.212/1991, o que não restou demonstrado pelo recorrente, quando não discriminou os valores no tocante aos pagamentos efetuados aos empregados a título de PLR, bônus, gratificações, por meio de contas de previdência privada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 34 85 /2 01 0- 00 Fl. 323DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 Data do fato gerador: 28/10/2010 LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria. O fato de ter entrevisto exempregados Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.003485/201000 Acórdão n.º 2401003.023 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente auto de infração de obrigação acessória, lavrado sob o n. 37.308.8531, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, II da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 283, II, “a” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização do INSS, a recorrente deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. No caso em questão a recorrente não contabilizou nas contas apropriadas, valores relacionados a pagamentos de PLR, bônus, gratificações em contas de previdência privada. Conforme descrito no Relatório Fiscal do AIOP (fls. 08 a 10 a Companhia têm como atividade preponderante a comercialização varejista e atacadista de produtos alimentícios, artigos de bazar, vestuário, eletroeletrônicos e outros produtos, atuando através de diversos formatos a saber: hipermercados, supermercados, lojas especializadas, lojas de departamentos, lojas de conveniência e por meio da Internet. O contribuinte foi cientificado em 26/05/2009, através de Termo de Início da Ação Fiscal, expedido nos termos do parágrafo único do artigo 49 , da Portaria RFB n.e 11.371, de 12/12/2007 (DOU de 20/12/2007), de encontrarse sob ação fiscal e, intimado, nos termos do disposto nos artigos 910 a 922, 927 e 928 e seus parágrafos do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo decreto 3.000 de 26/03/99, a apresentar os documentos e a prestar os esclarecimentos e as informações solicitadas referentes ao período de 01/2006 a 12/2009, sob pena de autuação. Foi constatado que o contribuinte efetuou diversos pagamentos de verbas salariais (participações nos resultados) sem os devidos registros nas folhas de pagamentos do período de 01/2006 a 12/2009, e, portanto, em desacordo com o inciso I, do artigo 32, da Lei 8.212/91. Esses pagamentos, referentes a parcelas não inclusas entre as nãointegrantes do saláriodecontribuição, conforme o § 9 do art. 28 da Lei n.B 8.212/91, foram efetuados por meio de créditos nas contas de um seleto grupo de funcionários participantes de um plano corporativo de previdência complementar contratado com a seguradora ITAÚ UNIBANCO VIDA E PREVIDÊNCIA S/A, CNPJ 92.661.388/000190, no período de 01/2006 a 12/2009. Restou comprovado após análise da documentação apresentada —dados fornecidos pela seguradora Itaú Unibanco, Folhas de Pagamento, Regulamento do Programa de Participação nos Resultados, Livros Diário e Razão e Declarações do Imposto de renda na Fonte (DIRF) — que os valores referentes às participações nos resultados pagas a 863 funcionários foram efetuados por meio de contribuições ao referido plano de previdência e não transitaram pelas folhas de pagamento (vide tabela abaixo). Portanto, a documentação analisada e os esclarecimentos prestados demonstram que o contribuinte, para acobertar a ocorrência de pagamentos de verbas salariais sem trânsito pela folha de pagamentos, aglutinou em uma mesma conta contábil (407.150) lançamentos (aportes em planos da previdência, pagamentos de participações nos resultados e fornecedores) que são e que não são fatos geradores de contribuição previdenciária. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 28/10/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 02/10/2010. Inconformado com a NFLD, a notificada apresentou defesa, conforme fls. 16 a 40. Foi exarada a Decisão de Primeira instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 210 a 229. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO Constitui infração a empresa deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme descrito no artigo 32, inciso II, da Lei 8.212/91. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Considerase saláriode contribuição do empregado a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas e os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Art. 28, I, da Lei 8.212/91 e art. 214, I, do Decreto PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Integram o saláriodecontribuição as verbas a título de participação nos lucros ou resultados, quando pagas em desacordo com a legislação correlata, recebendo a incidência das contribuições sociais previdenciárias e das destinadas a outras entidades (terceiros). Art. 28, § 9o , " j " , da Lei 8.212/91 e Art. 214, § 9o , X, e § 10, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.040/99. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. Integram o saláriode contribuição os aportes efetuados pela empresa por conta de plano de previdência privada complementar, quando tal benefício não for acessível a todos os empregados e dirigentes da empresa. Art. 28, § 9o , "p", da Lei 8.212/91 e art. 214, § 9o , XV, e § 10, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. Os créditos constituídos em decorrência de descumprimento de obrigação acessória relativa às contribuições previdenciárias, sujeitamse aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) incidentes sobre o valor da multa aplicada r PvELATORIO DE VÍNCULOS O Relatório de Vínculos não ter escopo incluir os sócios da empresa no pólo passivo da yóongaç tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, possam ser responsabilizadas na esfera judicial, nos termos do § 3 2 do art. 4° da Lei n 2 6.830/80. Impugnação Improcedente Fl. 326DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.003485/201000 Acórdão n.º 2401003.023 S2C4T1 Fl. 4 5 Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 270 a 290, onde, em síntese a recorrente alegou o seguinte: 1. Preliminarmente, nulidade da autuação considerando que Pelo simples exame do Termo de Verificação Fiscalentre outras citações constantes do Termo os AFRFB afirmam categoricamente que, selecionaram e entrevistaram 5 (cinco) EXEMPREGADOS da empresa, com o objetivo de "obter informações" a respeito do plano de previdência da Seguradora Itaú Unibanco Vida e Previdência. Com base nessa entrevista unilateral e preparada, os agentes do fisco entenderam que estava comprovada toda a "engenharia" que montaram para impor à Recorrente as contribuições previdenciárias lançadas na "fiscalização previdenciária" anterior, bem como a penalidade aplicada por meio do presente Al, conexa e relacionada com a anterior, que diz respeito à suposta infração cometida pela empresa. 2. Acrescentese, por oportuno, que os depoimentos dos exempregados "escolhidos" pela fiscalização como essenciais para a fundamentação do Al, se apresentam, no mínimo, frágeis e tendenciosos, até mesmo pela própria situação de exfuncionários da empresa, além do inconstitucional procedimento adotado pelo fisco, de não intimar a Recorrente para exercer o legítimo princípio do contraditório no curso da inquirição e nem mesmo permitindo aos depoentes que se fizessem acompanhar de advogados. 3. Conforme já exposto nos itens acima, os AFRFB utilizaramse de argumentos frágeis e provas testemunhais unilaterais e preparadas, sem assegurar a ampla defesa e o contraditório à empresa, para chegar à falsa conclusão de que os pagamentos feitos aos seus empregados a título de participação nos lucros e resultados por meio de contribuições extraordinárias para participação destes no plano de benefícios de previdência da "Seguradora Itaú Vida e Previdência", caracterizamse como parcelas de natureza salarial. 4. Observese que esse plano está em conformidade com a Lei Complementar n° 109, de 29 de maio de 2001 e funcionando de acordo com todas as normas regulamentares legalmente previstas pelo Conselho de Gestão da Previdência Complementar (CGPC), Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) e Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), por delegação de competência oriunda da Lei Complementar n° 109, de 2001, conforme citações constantes do Anexo 37 deste auto de infração. 5. Da análise do texto constitucional se conclui que a PLR é um direito do trabalhador, que não depende, somente, da existência de lucro, mas, também, da obtenção de um resultado; a PLR não se constitui em remuneração, desde que paga ou creditada conforme definido em lei. 6. Portanto, as finalidades da lei são integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade. Deve haver uma negociação entre empresa e empregados, por meio de acordo coletivo ou comissão de trabalhadores: clareza e objetividade das condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direito substantivo). Entre outros, podem ser considerados como critérios ou condições: produtividade, qualidade, lucratividade, programas de metas e resultados mantidos pela empresa. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 7. Com efeito, ao contrário do que afirma a fiscalização, todos os requisitos previstos na legislação acima apontada foram cumpridos. De início, cumpre esclarecer que a Recorrente e os empregados optaram por fazer negociação coletiva por meio de "Acordo Nacional de Participação nos Resultados", celebrado com o Sindicato dos Empregados do Comércio de São Paulo, exatamente nos termos do artigo 2o , inciso II, da Lei n° 10.101, de 2000. 8. Ora, conforme já sobejamente demonstrado na impugnação relativa ao processo n° 19515.003483/201011, pelas mesmas razões (exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos a título de PLR, tidos como verbas de natureza salarial pela fiscalização), observase que os agentes fiscais extrapolaram as suas atribuições e efetuaram lançamento com suporte em "requisitos" que eles mesmos criaram, fazendo exigências além daquelas previstas na Lei n° 10.101, de 2000, que a própria lei que lhes dá amparo para a tipificação da natureza jurídica dos pagamentos do PLR (Lei n° 8.212. de 1991, art. 28, § 9°, alínea "i"), remete a definição dos requisitos para a lei específica. 9. Todas as informações, detalhes e especificações (não exigidas pela Lei n° 10.101, de 2000), denominadas "Programas de PLR", foram amplamente divulgadas aos empregados, assim como as metas a serem alcançadas e a quem eram aplicáveis, tudo de acordo com as diretrizes estabelecidas nos Acordos de PLR, de forma transparente, que os AFRFB tiveram acesso e, inclusive, se referiram a eles (Programas de PLR) no Termo de Verificação Fiscal. 10. Não se pode, contudo, admitir a interferência da fiscalização no conteúdo dos Acordos, que as partes (empresa e sindicato de empregados) livremente pactuaram em conformidade com a lei específica que disciplina a matéria, pois tornaria as disposições legais criadas por determinação da Constituição Federal, art. 7o , inciso XI, letra morta. 11. A participação nos resultados também consta do acordo, consistindo em um pagamento anual e será feito conforme o grau alcançado na análise de desempenho individual ou por equipes, de acordo com procedimentos e critérios da empresa. 12. Acrescentese que, as metas e os objetivos mais específicos não constaram por escrito dos acordos porque são dados sigilosos que não podiam ser expostos para o público externo, mas que seus empregados foram cientificados das metas e objetivos a serem alcançados, fato notório e divulgado internamente pela empresa. 13. Por outro lado, em todos os Acordos Coletivos constou previsão expressa para pagamentos superiores ao teto estabelecido, estando assim redigidos os dispositivos pactuados. 14. Destaquese, ainda, que a Lei n° 10.101 de 2000 não proíbe o pagamento da PLR com assentimento dos empregados, por meio de depósitos em plano de previdência. 15. Quanto à afirmação de que os pagamentos efetuados à Seguradora Itaú Vida e Previdência não transitaram pelas folhas de pagamento, é óbvio que, por se tratarem de aportes que poderiam ou não se converter em planos de benefícios de previdência, dependendo da opção que cada beneficiário desse ao seu quinhão, não poderiam integrar a folha de pagamento, dada a sua natureza. Ademais, o fato da PLR ter sido paga por meio de conta de previdência privada, não tem o condão de alterar a natureza jurídica de verba nãosalarial. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.003485/201000 Acórdão n.º 2401003.023 S2C4T1 Fl. 5 7 16. Por outro lado, quando os agentes fiscais afirmam que para alguns empregados que receberam o PLR por meio de depósitos na Seguradora, não foi respeitado o § 2o do art. 3o da Lei n° 10.101, de 2000, nenhuma razão lhes assiste visto que, conforme mencionado na defesa do Al relativo ao processo n° 19515.003483/201011, parte dos depósitos não se tratam de PLR e sim de esporádicas gratificações liberais ou bônus de contratação, que não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, razão pela qual não podem ser consideradas no cômputo da semestralidade previsto no dispositivo citado. Acrescentese, ainda, que os Auditores não apontaram especificamente estes casos, o que torna imponderável a contestação. 17. Assim, a Recorrente, visando assegurar a sua função social, realizou, com a concordância de seus empregados, os pagamentos por meio de depósitos junto ao Plano de Previdência Privada. Não obstante os argumentos expendidos, ainda que não se entendesse que os pagamentos fossem relativos ao PLR, que a Lei n° 8.212, de 1991, artigo 28, § 9o , alínea "j", exclui da base de cálculo das contribuições previdenciárias, as verbas, forçosamente, deveriam ser enquadradas na hipótese de exclusão prevista na alínea "p" do mesmo parágrafo 9o , que dispõe que não integra o saláriodecontribuição "o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9o e 468 da CLT." 18. Em todos os pagamentos efetuados a título de PLR, observouse, rigorosamente, a semestralidade exigida pela Lei n° 10.101, de 2000. Observese que, parte dos pagamentos efetuados nas contas de previdência privada não se referem a PLR e sim à gratificações liberais e bônus de contratação relativos a profissionais extremamente qualificados circunstância comum no mercado de trabalho de Executivos. Esses pagamentos não têm natureza salarial e, portanto, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. 19. Não obstante, e tendo em vista o princípio da eventualidade, a Recorrente requer desde já que, na remota hipótese de Vossas Senhorias entenderem que esses pagamentos foram feitos a título de PLR, que sejam apenas eles mantidos no presente Al, excluindo todos os outros. 20. Quanto à suposta natureza remuneratória dos pagamentos efetuados a título de gratificações e bônus de contratação que, a juízo da Turma Julgadora (item 4.48 do acórdão proferido no processo n° 19515.003483/201011), não merecem qualquer reparo, nenhuma razão lhes assiste visto que, além de não compor a base de cálculo das contribuições, no Anexo de Fundamentos Legais não consta especificamente, a legislação infringida nesse particular. 21. A fiscalização alegou em suas razões, que a Recorrente revelou a evidente intenção de sonegar contribuições previdenciárias e IRRF ao não incluir nas declarações tributárias (DIRF e GFIP), nas folhas de pagamentos e acordos os valores pagos; ao deixar de efetuar lançamentos contábeis em títulos não próprios e, principalmente, os depoimentos dos exempregados. 22. Ora, a fraude, o dolo e a simulação não podem ser definidos por mera presunção. Para a sua caracterização, a autoridade deve apresentar provas concretas e obtidas de forma legal e com respeito à ampla defesa e o pleno exercício do contraditório. Na vertente hipótese, como já mencionado anteriormente na preliminar de cerceamento de defesa, os Fl. 329DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 AFRFB se basearam, principalmente (vide Termo de Verificação Fiscal), nos ilegais depoimentos dos exempregados, colhidos de forma ilegal e sem assegurar o contraditório à empresa. 23. Como então caracterizar o evidente intuito de fraude, se a própria fiscalização alega que a empresa também forneceu os documentos e as informações que serviram de base para o lançamento? 24. A jurisprudência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento e do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) entende, de forma reiterada, que não basta a existência de indícios da ocorrência de dolo, devendo ser comprovada de forma inequívoca a conduta atípica do sujeito passivo. 25. Por essas razões, a Recorrente requer o acolhimento das preliminares suscitadas e, na inconcebível hipótese de não ser acatada, que essa d. Turma Julgadora, pelos fundamentos de mérito, decida pela total improcedência do presente auto de infração, pelos fundamentos arrolados nos itens 2.1 a 2.2 visto que, sendo Indevida a obrigação principal, a acessória também é. 26. 3.2. Caso V. Senhorias, em. julgadores, não decidam pelo acolhimento total do mérito, nos termos dos itens 2.1 e 2.2, que o acolham em parte, conforme fundamentos de fato e de direito expostos no item 2.3. 27. Portanto, requer desde já, O CANCELAMENTO DO PRESENTE AUTO DE INFRAÇÃO, visto que toda a remuneração dos segurados foi incluída nas folhas de pagamento apresentadas à fiscalização. 28. Os valores pagos a título de PLR, de acordo com a Lei n° 10.101, de 2000, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias e, por consequência, a suposta obrigação acessória pelo fato da não inclusão dessa verba nas folhas de pagamento não deve prevalecer. A DRFB encaminhou o recurso a este Conselho para Julgamento. É o relatório. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.003485/201000 Acórdão n.º 2401003.023 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 298. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO DA NULIDADE DA AUTUAÇÃO Destacase, ainda em sede de preliminar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, ou ofensa ao princípio do contraditório e da ampla defesa, tampouco pela falta de fundamentação legal. Destacase como passos necessários a realização do procedimento: autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal – MPF F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento. Intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária. Autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura da NFLD ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. O fato de a autoridade fiscal, ter entrevistado exempregados da autuada, de modo a identificar pagamentos, ou mesmo identificar salários indiretos não nulidifica o lançamento. Pelo contrário a autoridade fiscal tem a prerrogativa de diligênciar, sempre que entender necessário na busca de fatos que possam melhor esclarecer como se dava a prestação de serviços. No caso, a entrevista não consubstanciou o lançamento, muito menos houve arbitramento de base de cálculo, como base nas entrevista. O que se identificou, foi o aporte de recursos a entidades de previdência privada complementar, tendo por meio de auditoria nas contas da autuada e de processo de diligência junto ao Banco Itau, identificado a autoridade fiscal, diversos desembolsos por parte da autuada em benefício de determinados empregados de nível gerencial. Assim, as entrevistas serviram tão somente para identificar a existência dos pagamentos, mas, a apuração dos mesmos deuse na forma devida, qual seja, auditoria nas contas contábeis da autuada e apuração junto a instituição financeira Itaú, que recebia e repassava os aportes de recursos aos empregados nos cargos de direção. Ademais,, a própria empresa em sua impugnação argumenta que os valores descritos nas contas contábeis consistem em pagamentos de PLR. As informações fornecidas nas entrevistas foram descritas pelo autoridade lançadora, que indicou todas as contas onde encontrou os valores ora lançados. Assim, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, nem tampouco nulidade da autuação. Da mesma forma, entendo desnecessário Fl. 331DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 DO MÉRITO Em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, ou vício no procedimento, conforme alegado pela recorrente. Foram apresentados ao contribuinte, por meio do relatório fiscal da infração e da multa aplicada dos fatos geradores por meio de relatórios e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. O procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autode infração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. Notese, que a base para a autuação, é o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048, em seu art. 225, II, § 13, , nestas palavras: Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (grifo nosso) (...) § 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: I atender ao princípio contábil do regime de competência; e II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. A empresa é obrigada ao lançamento em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, de todos os fatos geradores de contribuições, do montante das quantias descontadas, das contribuições da empresa e dos totais recolhidos, conforme previsão no art. 32, inciso II da Lei n ° 8.212/1991, o que não restou demonstrado pelo recorrente, quando não discriminou os valores no tocante aos pagamentos efetuados aos empregados a título de PLR, bônus, gratificações, por meio de contas de previdência privada. Justificável apenas a necessária apreciação do desfecho do julgamento da AIOP que indicou os fatos geradores, Processo n. 19515003483201011 (patronal) em julgamento nessa mesma sessão. Vejamos ementa do acordão proferido referente a parcela patronal, devendo ambos serem observados para recalculo da multa, considerando a procedência parcial dos mesmos. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Fl. 332DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.003485/201000 Acórdão n.º 2401003.023 S2C4T1 Fl. 7 11 Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SEGURADOS EMPREGADOS PAGAMENTOS INDIRETOS DESCUMPRIMENTO DA LEI INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO CONTRIBUIÇÕES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA AOS SEGURADOS EMPREGADOS PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR NATUREZA SALARIAL NÃO EXTENSÃO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES No caso dos benefícios de “previdência complementar, descumpriu o recorrente o preceito legal básico descrito na lei para excluir os valores da base de cálculo, qual seja, a extensão do benefício a todos os empregados, assim, correto o lançamento em relação a essas verbas. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS ESTIPULAÇÃO AUSÊNCIA DE ASSINATURA DO SINDICATO. Não demonstrou o recorrente que as metas foram acordadas pela comissão de empregados, o que fere o disposto na lei 10.101. Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, em periodicidade superior ao permitido em lei, e em valores superiores ao acordado, o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário. BÔNUS DE PERMANÊNCIA GRATIFICAÇÕES E PRÊMIOS PAGAMENTO POR LIBERALIDADE NATUREZA SALARIAL O pagamento de bônus ou gratificações possuem nítida natureza salarial, uma vez que pagos em decorrência do atingimento de metas, ou mesmos de pactos realizados em decorrência de contratos de trabalho. MULTA QUALIFICADA COMPROVAÇÃO DA INTENÇÃO DE OMITIR BASE DE CÁLCULO DE CONTRIBUIÇÕES O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nosarts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Demonstrou a autoridade fiscal os elementos fáticos que demonstraram a intenção de omitir base de cálculo de Fl. 333DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 contribuições previdenciárias em relação ao valores pagos por meio de aportes em previdência privada. Para os valores de PLR pagos por meio de Folha de Pagamento, embora correto o lançamento realizado, posto a feição salarial do benefício, deve ser afastada a qualificação da multa, posto não ter logrado êxito o auditor em enquadrar o pagamento, como verdadeira omissão, ou desvirtuamento do pagamento. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2009 LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria. O fato de ter entrevisto exempregados Recurso Voluntário Negado Assim, a exigência da fiscalização não foi desmedida, pois a solicitação foi realizada no prazo estabelecido na legislação. A AuditoraFiscal agiu de acordo com a norma aplicável, e não poderia deixar de fazêlo, uma vez que sua atividade é vinculada. Desse modo, a recorrente praticou a infração, pois deixou de arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.003485/201000 Acórdão n.º 2401003.023 S2C4T1 Fl. 8 13 A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da Decisão, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente, são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso, para rejeitar a preliminar de nulidade, e para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 335DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11522.001953/2010-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
DECADÊNCIA - INOCORRÊNCIA
Para os lançamentos de ofício, como é o caso do Auto de Infração, aplica-se, a regra contida no art. 173 do Código Tributário Nacional.
AUTO DE INFRAÇÃO - NÃO INSCRIÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO
A empresa é obrigada a inscrever, no Regime Geral de Previdência Social - RGPS, todos os segurados empregados a seu serviço.
Numero da decisão: 2301-003.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, : I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa, que votou em dar provimento parcial ao recurso, para excluir o agravamento da multa
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201303
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 DECADÊNCIA - INOCORRÊNCIA Para os lançamentos de ofício, como é o caso do Auto de Infração, aplica-se, a regra contida no art. 173 do Código Tributário Nacional. AUTO DE INFRAÇÃO - NÃO INSCRIÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO A empresa é obrigada a inscrever, no Regime Geral de Previdência Social - RGPS, todos os segurados empregados a seu serviço.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11522.001953/2010-01
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5363135
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2301-003.353
nome_arquivo_s : Decisao_11522001953201001.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
nome_arquivo_pdf_s : 11522001953201001_5363135.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa, que votou em dar provimento parcial ao recurso, para excluir o agravamento da multa MARCELO OLIVEIRA - Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes
dt_sessao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
id : 5540610
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046812638576640
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1860; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 82 1 81 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11522.001953/201001 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2301003.353 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL Recorrente SANTISTA DISTRIBUIÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 DECADÊNCIA INOCORRÊNCIA Para os lançamentos de ofício, como é o caso do Auto de Infração, aplicase, a regra contida no art. 173 do Código Tributário Nacional. AUTO DE INFRAÇÃO NÃO INSCRIÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO A empresa é obrigada a inscrever, no Regime Geral de Previdência Social RGPS, todos os segurados empregados a seu serviço. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa, que votou em dar provimento parcial ao recurso, para excluir o agravamento da multa MARCELO OLIVEIRA Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 52 2. 00 19 53 /2 01 0- 01 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 21/12/2010, por ter a empresa acima identificada deixado de inscrever segurado empregado, infringindo, dessa forma, o art. 17, da Lei 8.213/91, c/c art. 18, inciso I e § 1 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99.. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls.34), da análise da documentação apresentada, verificouse a existência pagamentos de dias trabalhados, salário, valetransporte e horas extras a pessoas físicas que não constam do Livro de Registro de Empregados, das folhas de pagamento ou das GFIPs, levando a fiscalização à conclusão de que a empresa remunerava segurados empregados sem a devida inscrição no RGPS. A autoridade autuante esclarece que as informações detalhadas, bem como a documentação comprobatória da prática dolosa do contribuinte, encontramse no processo 11522.001798/201014, que discute o Auto de Infração principal. Segundo Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, a penalidade foi agravada tendo em vista a ocorrência da hipótese prevista nos incisos I e II do art. 290, do RPS. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0122.322, da 5a Turma da DRJ/BEL (fls. 57), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 77), alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, insiste na decadência dos valores lançados entre 01/2005 a 12/2005, com a aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4o, do CTN. Sustenta que, para a aplicação das penalidades gravosas, há que se provar a ocorrência de dolo, ou que efetivamente não foi feito, já que dolo não se presume, devendo ser demonstrada a materialidade dessa conduta, evidenciando não somente a intenção, mas também o seu objetivo. Discorre sobre as diferenças entre sonegação e inadimplência, para concluir que a recorrente, se cometeu algum ilícito, não teve a intenção de praticála, não havendo qualquer prova de que a recorrente tenha agido com dolo, tornandose atípica a conduta a ela imputada. Alega descabimento da multa regulamentar, argumentando que, não bastasse os valores lançados a título de multa de mora e de ofício, a autoridade fiscal lavrou, adicionalmente, outros 09 autos de infração, com a cobrança de multas isoladas, o que, segundo entende, possui efeito de confisco. Ressalta a peculiaridade da multa prevista na Lei 8.218/91, que não é calculada sequer sobre o valor do tributo que teria deixado de ser recolhido pelo contribuinte, mas sobre o faturamento, o que demonstra absoluta ausência de razoabilidade da penalidade aplicada. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11522.001953/201001 Acórdão n.º 2301003.353 S2C3T1 Fl. 83 3 Observa que as diversas multas previstas nos arts 11 e 12, da Lei 8.218/91 não guardam qualquer parâmetro com as condutas que se pretende evitar, violando assim os princípios da vedação ao confisco, proporcionalidade e razoabilidade. Finaliza requerendo o conhecimento do Recurso Voluntário para que sejalhe dado provimento, com a reforma integral do Acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a autuada alega decadência do direito de a autoridade cobrar créditos tributários relativos às competências anteriores a dezembro de 2005, a teor do disposto nos artigos 150, § 4o. Contudo, é objeto do presente processo administrativo o Auto de Infração aplicado por ter a Santista Distribuições Ltda descumprido a obrigação acessória de inscrever segurado empregado a seu serviço, conforme determina o art. 17, da Lei 8.213/91. Tratase de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, ou seja, lançamento de ofício, aplicandose, portanto, o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional, transcrito a seguir: Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Tendo sido o contribuinte cientificado do Auto de Infração em 23/12/2010, e se referindo a infrações ocorridas entre 01/2005 a 12/207, constatase que não se operara a decadência . Assim, não há que se falar em decadência. No mérito, a recorrente insurgese contra a aplicação das penalidades gravosas, entendendo que há que se provar a ocorrência de dolo, já que dolo não se presume, devendo ser demonstrada a materialidade dessa conduta, evidenciando não somente a intenção, mas também o seu objetivo. Discorre sobre as diferenças entre sonegação e inadimplência, para concluir que a recorrente, se cometeu algum ilícito, não teve a intenção de praticála, não havendo qualquer prova de que a recorrente tenha agido com dolo, tornandose atípica a conduta a ela imputada. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11522.001953/201001 Acórdão n.º 2301003.353 S2C3T1 Fl. 84 5 Ora, mas tudo o que a fiscalização relatou no processo principal, de nº 11522001798/201014,demonstra o dolo, a intenção de sonegar tributo, por parte da recorrente. O fato de informar, em folha de pagamento e em GFIP, remuneração de seus empregados em valor menor ao que foi efetivamente por ela pago, bem como a simulação de contratação de empregados por meio de empresa interposta, ou mesmo o não registro de alguns segurados empregados que lhe prestaram serviços deixam clara a intenção da recorrente em omitir fato gerador da contribuição previdenciária, para pagar menos tributo. A fiscalização verificou que a recorrente remunerava pessoas físicas, pagando dias trabalhados, salário, valetransporte e horas extras e constatou que tais trabalhadores não constavam dos livros de registros de empregados da empresa. Contatase, ainda, que as irregularidades apontadas pela fiscalização foram cometidas de forma sistemática, em várias competências, caracterizando, assim, uma prática reiterada de omissão dos referidos fatos geradores, numa clara tentativa de elidir o tributo devido. Vale observar que a recorrente não afastou, de forma específica, nenhuma das acusações feitas pela fiscalização, ou trouxe qualquer documento para provar suas alegações, se limitando a fazer afirmações genéricas, discorrendo sobre conceitos jurídicos, sem, contudo, juntar qualquer elemento que pudesse afastar, ou ao menos por em dúvidas as acusações da auditoria da RFB. Já a autoridade lançadora juntou farta documentação, comprovando a existência de dolo. Há mandamento expresso na Lei 9.784/99 quanto ao ônus probatório, conforme segue: ART 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. A recorrente apenas alega, mas não prova, que não houve dolo. Porém, não basta alegar. A parte que não produz prova, convincentemente, dos fatos alegados, sujeitase às conseqüências do sucumbimento, porque não basta alegar. E a convicção da autoridade julgadora advém, no processo administrativo fiscal, dos elementos probatórios carreados pela fiscalização e pela recorrente. Daí a necessidade de se juntar aos autos elementos comprobatórios dos fatos alegados. Assim, está correta a caracterização de dolo, realizada pela fiscalização. A recorrente tenta demonstrar, ainda, que a cobrança de multa isolada com a lavratura de 09 autos de infração caracteriza confisco. Entretanto, a vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Cumpre esclarecer que a vedação de que cuida o art. 150, IV, da Constituição Federal, dirigese ao legislador com o intuito de impedir a instituição de tributo que tenha em Fl. 86DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 seu conteúdo aspectos ameaçadores à propriedade ou à renda tributada, mediante, por exemplo, a aplicação de alíquotas muito elevadas. Portanto, a observância desse princípio relacionase com o momento de instituição do tributo ou de determinação da multa a ser aplicada no caso de falta de recolhimento, mas, uma vez vencida a etapa da sua criação, não configura confisco a aplicação da lei tributária. A penalidade aplicada por meio do AI em tela, bem como sua gradação, encontra fundamento nos dispositivos legais discriminados nos relatórios que compõem o Auto de Infração. Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Todos os autos citados pela recorrente em seu recurso, foram lavrados ou por falta do cumprimento de obrigação principal, como também por descumprimento de obrigações acessórias. E se foram lavrados 09 com a cobrança de multa isolada, é porque a recorrente descumpriu várias obrigações acessórias e, para cada uma delas, a Lei estabelece uma penalidade. Observase que em nenhum momento de seu recurso a recorrente negou que tenha deixado de registrar, no RGPS, os empregados apontados no relatório fiscal. E sendo o lançamento um ato vinculado, a fiscalização a quem compete o lançamento, ao verificar a ocorrência de infração à legislação previdenciária, agiu corretamente lavrando o presente AI, em estrita observância aos ditames legais. O auto em tela foi lavrado por descumprimento da obrigação de inscrever de segurado empregado, conforme o art. 17, da Lei 8.213/91 c/c art. 18, inciso I e § 1 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99 Assim, conforme exposto acima, houve a infração à legislação previdenciária. E, reiterase, como não é facultado ao servidor público deixar de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, impondo a penalidade prevista nos normativos legais para esse tipo de infração, em observância à legislação que trata da matéria. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; Fl. 87DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11522.001953/201001 Acórdão n.º 2301003.353 S2C3T1 Fl. 85 7 VOTO por CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros – Relator Fl. 88DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 25 /07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000367/2007-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2101-000.159
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Primeira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 18471.000367/2007-27
conteudo_id_s : 5354996
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 24 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2101-000.159
nome_arquivo_s : Decisao_18471000367200727.pdf
nome_relator_s : Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa
nome_arquivo_pdf_s : 18471000367200727_5354996.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
dt_sessao_tdt : Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
id : 5500063
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046812640673792
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1595; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 377 1 376 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.000367/200727 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2101000.159 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 13 de maio de 2014 Assunto IRPF Recorrente DANIELLE STIPP Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) ______________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) _______________________________________________ GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Heitor de Souza Lima Júnior, Maria Cleci Coti Martins, e Eduardo de Souza Leão. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 356/367) interposto em 14 de abril de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 00 36 7/ 20 07 -2 7 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18471.000367/200727 Resolução nº 2101000.159 S2C1T1 Fl. 378 2 Janeiro II (RJ), (fls. 298/304), do qual o Recorrente teve ciência em 17 de março de 2011 (fls.310), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 81/86, lavrado em 18 de abril de 2007, em decorrência de Omissão de Rendimentos Recebidos do Exterior por Pessoa Física, AnoCalendário 2002 e 2003, formalizandose a exigência e cobrança de crédito tributário no valor total de R$ 169.635,03 mais cominações legais. O Termo de Verificação Fiscal encontrase às fls. 76/80 e resume o procedimento de fiscalização que foi desencadeado inicialmente na operação conjunta denominada de Operação Farol da Colina (Beacon Hill) de combate a crimes financeiros, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, realizada simultaneamente em 8 Estados, com a participação da Polícia Federal, da Receita Federal, do Banco Central e do Ministério Público Federal. No decorrer da investigação foi verificado que valores transitaram da extinta agência do Banestado em Nova Iorque para diversas outras instituições financeiras nos EUA, entre as quais o Delta Bank. A Justiça Federal autorizou o acesso aos dados bancários das contas movimentadas no Delta Bank e com base na respectiva documentação a Equipe de Fiscalização identificou a conta Tanagran, nº 602537 mantida no Delta National Bank and Trust Company, nos EUA, em nome do recorrente, seus pais (Otávio Franzim Stipp e Lydia Capuano Stipp) e irmão (Henry Stipp). Os depósitos bancários que deram azo ao lançamento ocorreram na supramencionada conta. Foram 3 depósitos em 2002 (02/07 – U$297.978,85; 22/10 – US$97.691,29 e 23/10 – US$96.000,00) e 1 em 2003 (01/04 – US$296.607,81). Todos cotitulares foram intimados para justificar a origem dos recursos. A intimação em nome do recorrente foi respondida por seu pai, Sr. Otávio Franzim Stipp que afirmou que todos os cotitulares desconheciam as respectivas operações bancárias, que seu filho Henry e sua filha Danielle não residiam no Brasil, desde 1993 e 1997, respectivamente. Os documentos comprobatórios da titularidade (fls. 112/220) e da movimentação bancária (fls. 19/68) foram obtidos com autorização da Justiça Federal (fls. 71/73), em investigação relativa à denominada Força Tarefa CC5. O crédito tributário apurado foi rateado na proporção de 25% para cada um dos 4 cotitulares, dando origem a este e outros três de nº 18471.000366/200782, 18471000365/200738 e 18471000364/200793. Na impugnação, a contribuinte alegou que não era residente no Brasil, que as DIRPF dos anocalendário 2002 e 2003 foram enviadas por engano, que não efetuou depósitos na conta apontada no lançamento, que não há prova de que é titular dessa conta; o lançamento não observou o princípio da legalidade por não se basear em absoluta certeza; na dúvida deve se beneficiar o contribuinte (art. 112 do CTN); mesmo quando a lei autoriza a presunção, é ônus da fiscalização provar a titularidade e os depósitos, mas isto não ocorreu; ilegalidade da utilização da Selic. A impugnação foi indeferida com fundamento na presunção legal do art. 42 da Lei 9.430/1996, na prova da titularidade por meio dos documentos de fls. 112/220, entre os quais se destaca o de fls. 85 referente ao cadastro da conta nº 602537 que indica os cotitulares e o endereço no Brasil (na Rua Luiz Camarra, nº 141, Rio de Janeiro) que está diretamente vinculado ao recorrente, posto que nele esteve estabelecida a pessoa jurídica Lydantar Transportes Ltda, na qual seus pais participam com 100% das cotas do capital social; quanto à Fl. 378DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18471.000367/200727 Resolução nº 2101000.159 S2C1T1 Fl. 379 3 Selic, apontouse a previsão legal e jurisprudência deste Conselho que reconhecem sua legalidade. Na petição recursal o sujeito passivo repisa os mesmos argumentos de defesa apresentados na impugnação, especialmente: a) desde a fase de fiscalização, vem afirmando que desconhece as operações que deram causa ao lançamento; que não há nos autos qualquer documento original que comprove a titularidade da conta bancária e da transferência do numerário, situação que não autoriza a feitura do lançamento; e que não era residente no Brasil nos anos de 2002 e 2003; b) desde 1993 encontrase na condição de não residente no Brasil, como prescreve o inciso V do art. 3º da Instrução Normativa SRF, para comprovar juntou à impugnação determinados documentos. Como a fiscalização não solicitou qualquer documento para comprovar essa condição, protesta pela eventual juntada de outros documentos, se necessário; por meio da análise dos documentos é evidente que a recorrente se mudou para o exterior com animo definitivo, aonde, em Portugal, veio a constituir família. Eventuais retornos ao Brasil nesse período não descaracterizariam a condição de nãoresidente da Recorrente, como reconhecido em precedentes deste Conselho; c) a condição de não residente prescinde da entrega da Declaração de Saída Definitiva do País, conforme Solução de Consulta nº 124/2002 da 10ª RF e não é descaracterizada pela equivocada entrega das DIRPF dos anos 2002 e 2003; d) os rendimentos auferidos pelos não residentes no Brasil não são tributado pelo IR no Brasil; e) reitera a falta de prova de titularidade ou de depósitos o que desautoriza o lançamento por falta de certeza, e a dúvida opera em favor do contribuinte; não há, contra a recorrente, qualquer ação judicial em curso no Brasil ou no exterior referente ao suposto depósito no Delta Bank, de forma que a utilização dos documentos pela Receita Federal fere os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. f) somente teve acesso a cópia de alguns documentos redigidos em língua estrangeira, referentes ao suposto depósito bancário no Delta Bank, os quais sem a tradução por tradutor juramentado não têm efeito legal (art. 224 do Código Civil e 157 do Código de Processo Civil), portanto estes documentos devem ser desentranhados do processo em respeito ao princípio da estrita legalidade (art. 37 da Constituição), entendimento este adotado em precedentes de DRJ e do CARF. g) Por fim, requer seja acolhida a nulidade do lançamento ou, ainda, seja o auto de infração julgado improcedente, com o consequente cancelamento do crédito tributário dele decorrente. É o relatório. Voto O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele Devese tomar conhecimento. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18471.000367/200727 Resolução nº 2101000.159 S2C1T1 Fl. 380 4 Devese primeiramente analisar a questão da residência fiscal do recorrente. O conceito de residente ou não residente no Brasil é dado pelos art. 2º e 3º da Instrução Normativa SRF nº 208/202. A redação dessa Instrução Normativa no período objeto do lançamento conceitua como residente no Brasil o brasileiro que se ausenta temporariamente do Brasil ou que se retira em caráter permanente sem entregar a Declaração de Saída Definitiva, durante os primeiros doze meses consecutivos de ausência. Ainda que a condição de não residente no Brasil, prescinda da apresentação da Declaração de Saída Definitiva do País, a entrega dessa declaração é relevante, pois significa que a saída foi permanente e, contrariamente, a não entrega implica reconhecer que a saída foi temporária. Assim, a data de entrega da Declaração de Saída Definitiva do País define a data de início da condição de não residente, ao passo que na falta de apresentação dessa declaração somente no dia seguinte após completar 12 meses consecutivos de ausência do país é que se consuma a condição de não residente (art. 3º, inciso V da Instrução Normativa SRF 208/2002). Se antes de completar 12 meses o contribuinte retorna ao Brasil a contagem do prazo é interrompida e recomeça a contar quando houver nova saída temporária (assim entendida a saída de quem não apresenta a Declaração de Saída Definitiva do País). Compulsandose os autos verificase que a recorrente não apresentou a Declaração citada. No acórdão recorrido fora consignado que “os documentos acostados aos autos provam apenas que o impugnante esteve no exterior, deixando de comprovar o requerido lapso temporal, sem que tenha retornado ao Brasil”. Contudo, não me parece razoável ignorar a realidade dos documentos carreados aos autos, sob pena de igualmente, ignorar o princípio da verdade material. Vejamse o teor dos seguintes documentos: Descrição Data Documento fls Observação Declaração Funcional 03/07/1997 280 Lisboa Inscrição na Segurança Social Portugal 26/01/1998 294 Lisboa Declaração de Rendimentos Portugal 16/03/1998 281 Lisboa Passaporte 32233 Emitido em Portugal 16/06/1999 257 Residência: Lisboa Consulta Médica Ginecologia 11/04/2001 278 Lisboa Assento de Nascimento do Filho David 20/02/2002 222 Residência: Lisboa Aviso / Recibo de Seguro de Veículo 21/12/2002 287 Lisboa Exame Médico Radiografia 29/01/2003 276 Lisboa Tenho que a comprovação material é passível de ser produzida não apenas a partir de uma prova única, concludente por si só, mas também como resultado de um conjunto de indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados pressupõem a certeza manifesta de uma dada situação de fato. Assim, para que essa ainda presunção venha a se configurar em certeza irrefutável, tenho que as datas de saída/entrada no país mereçam ser confirmadas. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 18471.000367/200727 Resolução nº 2101000.159 S2C1T1 Fl. 381 5 Destarte, diante do conteúdo dos autos, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, a ser realizada pela repartição de origem, para, via ofício ao Departamento de Polícia Federal/Superintendência Regional no Rio de Janeiro/Delegacia de Política Marítima, Aeroportuária e de Fronteiras, obter informações quanto à movimentação da Recorrente, de sua entrada e de sua saída no país, no período de janeiro de 1997 a dezembro de 2003. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 381DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10768.032507/97-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO/CONTRADIÇÃO NÃO VERIFICADOS.
Nega-se provimento aos embargos de declaração opostos, quando não constatada omissão/contradição no acórdão embargado.
Numero da decisão: 1202-001.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para negar-lhes provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO/CONTRADIÇÃO NÃO VERIFICADOS. Nega-se provimento aos embargos de declaração opostos, quando não constatada omissão/contradição no acórdão embargado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10768.032507/97-47
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5366054
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1202-001.184
nome_arquivo_s : Decisao_107680325079747.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO DONASSOLO
nome_arquivo_pdf_s : 107680325079747_5366054.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para negar-lhes provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando José Gonçalves Bueno.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
id : 5556870
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046812686811136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1807; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 771 1 770 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.032507/9747 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1202001.184 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 31 de julho de 2014 Matéria EMBARGOS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado REFINARIA PIEDADE SA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO/CONTRADIÇÃO NÃO VERIFICADOS. Negase provimento aos embargos de declaração opostos, quando não constatada omissão/contradição no acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para negarlhes provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório A Conselheira Relatora do acórdão embargado, Viviane Vidal Wagner, não mais pertence a este CARF, de modo que os EMBARGOS são recebidos pelo Presidente da Turma, nos termos do art. 49, § 7º, do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 e alterações, que aprovou o Regimento Interno do CARF (RICARF). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 03 25 07 /9 7- 47 Fl. 771DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10768.032507/9747 Acórdão n.º 1202001.184 S1C2T2 Fl. 772 2 Tratamse de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO em que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional alega contradição e omissão no Acórdão nº 1202001.070 proferido por esta 2ªTO/2ªCam/1ªSeção, sessão de 03 de dezembro de 2013, relativamente às seguintes matérias: CONTRADIÇÃO, porque “... no caso em comento se adotou o Acórdão 1202 001.007 de 10/07/2013 como fundamento; que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de ofício que havia cancelado autuação semelhante. Entretanto, o Acórdão 1202 001.007 (13840.000897/200897) versou situação distinta da tratada nestes autos.” Em suma, “... no processo 13840.000897/200897 (...), a situação foi diversa, visto que não foi proferida decisão judicial de antecipação da tutela favorável ao contribuinte pela não incidência de IPI, razão pela qual o contribuinte destacou o IPI, bem como não deixou de ser IPI para se “transmudar” em receita, o que aconteceu somente com o trânsito em julgado de sentença favorável ao contribuinte.” OMISSÃO “... no julgamento, tendo em vista que a Turma se omitiu em apontar os efeitos da decisão liminar pela não incidência de IPI, tendo em vista que são os mesmos da sentença transitada em julgado pela não incidência de IPI.” Conclui a embargante: “Portanto, sem decisão liminar que antecipe os efeitos da tutela que adviria da sentença, somente decisão transitada em julgado pela não incidência do IPI tem o condão de transmudar o imposto e caracterizálo definitivamente como receita. Contudo, com decisão liminar pela não incidência de IPI, notadamente quando o contribuinte agregou ao preço da mercadoria, caracterizada está a natureza de receita. Em suma, configurouse no acórdão embargado contradição em relação ao precedente citado (Acórdão 1202001.007), por ter tratado de situação diversa (sem decisão liminar pela não incidência de IPI), bem como omissão pela não declaração dos efeitos da decisão antecipada proferida nestes autos e a sua repercussão no IRPJ.” Já o acórdão embargado contém os seguintes ementário e decisão: IPI DISCUTIDO JUDICIALMENTE. ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO. CARACTERIZAÇÃO DE RECEITA. IMPOSSIBILIDADE. O IPI cobrado ou destacado na nota fiscal, cuja incidência encontrase em discussão judicial, somente deixará de ter a natureza de imposto, e se tornará definitivamente receita, quando houver sentença judicial com trânsito em julgado que decida pela sua não incidência. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase aos procedimentos reflexos o quanto decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, por terem suporte fático comum. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 772DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10768.032507/9747 Acórdão n.º 1202001.184 S1C2T2 Fl. 773 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Da análise dos autos, entendo estarem presentes os requisitos de admissibilidade para apreciação pela Turma. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. Os embargos são tempestivos e nos termos da lei, portanto dele se toma conhecimento. De acordo com o relatado, quer a embargante que se aprecie contradição e omissão no acórdão porque os fundamentos lá utilizados, trazidos de situação análoga abordado em outro acórdão, de nº 1202001.007, versaria sobre situação fática distinta dos presentes autos. Em suma, naquele acórdão o contribuinte teria destacado o IPI nas notas fiscais e deduzido do faturamento bruto da empresa. Uma vez que o IPI foi cobrado dos adquirentes (mesmo o contribuinte entendendo como não devido) então ele deveria ser considerado como “receita” (a autuação naquela hipótese foi por “omissão de receitas”). Houve também o depósito judicial do montante do IPI discutido. Já no presente caso, nos termos da “descrição do fatos” efetuados pela fiscalização, fls. 191 a 196, o contribuinte estava amparado por liminar em mandado de segurança que o desobrigava de efetuar o destaque de IPI nas notas fiscais. Apesar da decisão liminar em seu favor para não pagar/destacar o IPI, a autuada teria “embutido/cobrado” o valor do IPI discutido no preço da mercadoria vendida, informando o correspondente valor desse imposto no campo “observações”, tanto nas notas fiscais como no livro Registro do IPI, fato incontroverso nos autos. Assim, ao final, o contribuinte excluiu os valores do IPI embutido no preço do montante da Receita Bruta com vendas, mediante a utilização de uma conta redutora de vendas, “provisão de IPI sub judice”(conta de despesa), cuja contrapartida foi registrada a crédito de uma conta patrimonial do passivo, “IPI sub judice”. Como essa provisão foi considerada indedutível pela fiscalização, a autuação foi por “adição não computada no lucro real”. Não há informações a respeito da existência de depósito judicial do montante de IPI discutido. Como se vê, os dois casos mencionados acima parecem estar tratando de situações distintas e, portanto, o acórdão ora embargado não poderia utilizar os mesmos fundamentos do Acórdão nº 1202001.007, daí a contradição apontada pela embargante. Em que pese reconhecer a existência de situações fáticas distintas nos dois processos (acórdão), o fato concreto é que a solução a ser dada para os dois casos é a mesma. Fl. 773DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10768.032507/9747 Acórdão n.º 1202001.184 S1C2T2 Fl. 774 4 Vale dizer, continua válido, em ambos os casos, o quanto mencionado no voto condutor do acórdão nº 1202001.007 e que serviu de fundamento para a decisão prolatada no acórdão ora embargado, cujo trecho transcrevo a seguir: “A norma legal abstrata que trata da incidência do IPI continua existindo para os fatos que a ela se subsumem. Entretanto, no momento em que há uma decisão judicial transitada em julgado decidindo pela não exigência desse imposto, essa decisão definitiva faz lei entre as partes e a norma abstrata deixa de ser aplicada para o caso em análise, passando a valer a decisão judicial. Assim, uma vez decidido de forma definitiva pelo Poder Judiciário que o IPI não deve ser cobrado do adquirente das mercadorias, o valor cobrado na nota fiscal a esse título transmudase em receita, desde o momento estabelecido na decisão judicial, devendo esse valor ser computado na apuração do lucro, deixando de ter a natureza do IPI.” Como se percebe, o valor do IPI cobrado do adquirente somente se transmuda em receita quando do trânsito em julgado da ação judicial que decidiu pela nãoincidência do IPI. Portanto, em ambos os casos, a solução ao litígio será a mesma: após o trânsito em julgado pela nãoincidência do IPI deverá ser “reconhecida a receita” para fins de tributação pelo IRPJ e pelas contribuições devidas. Além de restar claro que os casos mencionados se reportam à situações distintas, verificase que a “descrição dos fatos” do presente processo, relatados pela fiscalização, há a expressa menção de que os valores de “IPI sub judice”, do ano de 1996, foram objeto de lançamento fiscal, fls. 192: “As anotações dos valores sub judice relativas à venda de açúcar refinado foram feitas no campo "Observações" das notas fiscais de saída, e no campo próprio para destaque do IPI nenhum valor foi lançado. Tais valores foram totalizadas no Livro Registro de Apuração de IPI Mod.8, A parte da escrita fiscal dos créditos e débitos regularmente lançados referentes a produtos que não o açúcar refinado. A autuada utilizouse do campo "Observações" do RAIPIMod. 8 para simples anotação dos débitos de IPI sub judice, sem efetuar os lançamentos, conforme docs. fls. 16 a 51. 1.3 Estes valores sub judice serviram de base a lançamento de ofício de IPI, visando salvaguardar o interesse do Tesouro Nacional, e cuja exigibilidade encontra se suspensa, pendente a decisão judicial, na forma do Art. 151, Inc. IV e § único da Lei 5.172/66 CTN.” Inicialmente, pode parecer estranho a existência de dois lançamentos fiscais: i) relativo ao IPI discutido judicialmente; e ii) relativo ao IRPJ (e reflexos), pela indedutibilidade dos valores provisionados correspondentes ao IPI embutido no preço de venda. No entanto, quis o Fisco se resguardar dos efeitos da decadência no transcurso do processo judicial, entendendose que somente um dos dois lançamentos poderá subsistir. Em outras palavras: caso a decisão transitada em julgado da ação judicial impetrada pelo contribuinte lhe for favorável (nãoincidência do IPI) a exigência do IPI lançado pela fiscalização não subsistirá, devendo prevalecer a exigência do IRPJ (e reflexos), ora lançado, pois o valor do IPI embutido no valor de venda na nota fiscal não terá a natureza desse Fl. 774DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10768.032507/9747 Acórdão n.º 1202001.184 S1C2T2 Fl. 775 5 imposto, transmudandose definitivamente em receita (na autuação subsiste a “adição” ao lucro real da “provisão constituída”); no caso contrário, se a decisão transitada em julgado da ação judicial impetrada pelo recorrente lhe for desfavorável (incidência do IPI) a exigência do IPI lançado pela fiscalização subsistirá, devendo ser canceladas as exigências do IRPJ e reflexos, ora lançados, pois o valor embutido no valor da venda na nota fiscal transmudase definitivamente em IPI (subsiste a “provisão constituída”). Dessa forma, concluise que inexiste a pretensa omissão/contradição no voto condutor do acórdão embargado e o voto contêm clara e completa fundamentação que levou à solução do litígio, de modo que descabe reapreciar novamente a matéria, como pretende a embargante, não sendo o caso de se proceder na revisão da decisão. Em face do exposto, voto no sentido de que sejam acolhidos os embargos opostos, para negarlhes provimento. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 775DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
score : 1.0
Numero do processo: 10803.720043/2011-84
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Prevalece o lançamento fiscal por omissão de rendimentos quando os valores lançados na declaração de ajuste anual, como rendimentos não tributáveis, revestem a natureza jurídica de rendimentos tributáveis.
MULTA QUALIFICADA.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, quando o contribuinte age com evidente intuito de fraude. A realização de operações envolvendo pessoas físicas e jurídicas com o propósito deliberado de dissimular o recebimento de recursos financeiros caracteriza o evidente intuito de fraude, ensejando a exasperação da penalidade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre que dava provimento ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Prevalece o lançamento fiscal por omissão de rendimentos quando os valores lançados na declaração de ajuste anual, como rendimentos não tributáveis, revestem a natureza jurídica de rendimentos tributáveis. MULTA QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, quando o contribuinte age com evidente intuito de fraude. A realização de operações envolvendo pessoas físicas e jurídicas com o propósito deliberado de dissimular o recebimento de recursos financeiros caracteriza o evidente intuito de fraude, ensejando a exasperação da penalidade. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10803.720043/2011-84
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5351036
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2801-003.487
nome_arquivo_s : Decisao_10803720043201184.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
nome_arquivo_pdf_s : 10803720043201184_5351036.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre que dava provimento ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
dt_sessao_tdt : Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
id : 5471183
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046812689956864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1945; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 2.413 1 2.412 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10803.720043/201184 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.487 – 1ª Turma Especial Sessão de 14 de abril de 2014 Matéria IRPF Recorrente ÁLVARO KEYITI NAKASHIMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Prevalece o lançamento fiscal por omissão de rendimentos quando os valores lançados na declaração de ajuste anual, como rendimentos não tributáveis, revestem a natureza jurídica de rendimentos tributáveis. MULTA QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, quando o contribuinte age com evidente intuito de fraude. A realização de operações envolvendo pessoas físicas e jurídicas com o propósito deliberado de dissimular o recebimento de recursos financeiros caracteriza o evidente intuito de fraude, ensejando a exasperação da penalidade. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre que dava provimento ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 72 00 43 /2 01 1- 84 Fl. 2413DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10803.720043/201184 Acórdão n.º 2801003.487 S2TE01 Fl. 2.414 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 15.648,21, incluídos multa de ofício no percentual de 150% e juros de mora. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, às fls. 11 e 12 deste processo digital, que o procedimento teve origem em face da constatação da seguinte infração: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Omissão de receita apurada em decorrência de SIMULAÇÃO, em face de recebimento de rendimentos percebidos com infração à lei, os quais foram informados na declaração de imposto de renda, por ÁLVARO KEYITI NAKASHIMA, interposta pessoa, como suposta Distribuição de Lucros e Empréstimos fictícios decorrentes de Operações de Mútuos, recebidos da PRIME TECNOLOGIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., interposta empresa, integrante do GRUPO K/E, controlado por CID GUARDIA FILHO e ERNANI BERTINO MACIEL, participantes do esquema fraudulento denominado Operação Persona, que possibilitou a ÁLVARO KEYITI NAKASHIMA, a aquisição jurídica e econômica de bens, em proveito próprio, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO DE INFRAÇÃO, anexo ao presente Auto de Infração. Conforme Termo de Verificação de Infração (fls. 13 a 15) a omissão foi apurada no mês de setembro de 2007, no valor de 34.000,00, ocasionado a aquisição jurídica e econômica de bens em proveito do contribuinte, conforme demonstrado no Processo nº 10803.000075/201089. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2.382/2.388, que foi julgada improcedente por intermédio de acórdão de fls. 2.392/2.397, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Face aos elementos constantes nos autos, mantémse a majoração de rendimentos efetuada no lançamento. MULTA AGRAVADA. APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. A aplicação da multa de ofício decorre de expressa previsão legal, tendo natureza de penalidade por descumprimento da Fl. 2414DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10803.720043/201184 Acórdão n.º 2801003.487 S2TE01 Fl. 2.415 3 obrigação tributária e, presentes na conduta do contribuinte as condições que propiciaram a majoração da multa de ofício, pela caracterização do dolo, mantémse a multa qualificada no percentual de 150%. Cientificado da decisão de primeira instância em 05/12/2011 (fl. 2.401), o Interessado interpôs, em 13/12/2011, o recurso de fl. 2.403/2.409. Na peça recursal alega, em síntese, que: OMISSÃO DE RECEITAS E ORIGEM DOS RECURSOS Não há provas da omissão de receitas, menos ainda de simulação. A tributação está quantificada com base nos depósitos e créditos bancários. O crédito objeto da presente autuação está comprovado na Declaração de Ajuste Anual do Recorrente e nas Demonstrações Contábeis e Declarações de Rendimentos das Fontes Pagadoras. Análise individual dos créditos realizados nas contas bancárias do Interessado, conforme determina o § 3º do art. 42 a Lei 9.430/1996, revela a origem dos recursos detalhada por remetente, data e valor, o que elide a presunção de omissão de receitas (Planilhas anexas ao Termo de Verificação de Infração do Processo 10803.000075/201089, às fls. 2.315/2.331 deste processo digital). Além de aceitar a desconsideração dos fatos comprovados através da efetiva transferência de recursos e dos registros contábeis, o julgador de primeira instância reclassificou os empréstimos e os rendimentos não tributáveis para rendimentos tributáveis, e ainda acolheu como sendo do contribuinte os recursos que, segundo seu próprio entendimento, seriam de terceiros, visto que houve suposta interposição de pessoas. MULTA QUALIFICADA A base para levantamento do valor tributável é o art. 42 da Lei nº 9.430/1996. A tributação decorre de presunção e não de prova direta, o que exclui liminarmente a qualificação da multa de ofício prevista para os casos de evidente intuito de fraude. A banalização na aplicação da multa qualificada, notadamente nos lançamentos por presunção, demonstra má fé e/ou excesso praticado pelo Auditor Fiscal. O Conselho de Contribuintes vem reiteradamente expurgando a aplicação indevida da multa qualificada, conforme ementas de acórdãos que descreve na peça recursal. PEDIDO Ao final, requer o cancelamento do Auto de Infração e o arquivamento definitivo do processo administrativo fiscal. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Fl. 2415DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10803.720043/201184 Acórdão n.º 2801003.487 S2TE01 Fl. 2.416 4 Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Observo, por primeiro, que o Recorrente já havia sido autuado por omissão de rendimentos em 08/12/2010 (fls. 166/169 deste processo digital). Todavia, a omissão de R$ 34.000,00, referente ao anocalendário de 2007, fora apropriada, no Processo 10803.000075/201089, por equívoco (erro de digitação), ao anocalendário de 2005, com o que a decisão de piso, no referido processo, excluiu o valor de R$ 34.000,00 da base de cálculo apurada naquele lançamento. Pois bem. O contribuinte alega que os recursos que foram objeto de tributação teriam sido integralmente informados nas declarações de rendimentos, inexistindo, assim, omissão de rendimentos. Ocorre que os rendimentos foram declarados como distribuição de lucros/empréstimos, ou seja, como rendimentos não tributáveis, o que determinou a reclassificação, pela Autoridade lançadora, para rendimentos tributáveis, porquanto não se comprovou, nos balancetes da empresa Prime (empresa interposta integrante do Grupo K/E), a existência da distribuição de lucros/empréstimos. Ao contrário: restou evidenciado, pela Fiscalização, que os supostos lucros distribuídos/empréstimos eram fictícios. Registro, por oportuno, que a infração de omissão de rendimentos objeto do presente lançamento não se confunde com a presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Significa dizer que não foi aplicado, ao caso concreto, o art. 42 da Lei nº 9.430/1996, conforme alegado pelo Recorrente, haja vista que a Autoridade lançadora comprovou a origem dos rendimentos declarados como isentos e os reclassificou para rendimentos tributáveis. Anoto, para concluir este tópico, que os valores das planilhas constantes do Processo 10803.000075/201089 se referem a valores repassados a terceiros, figurando o Recorrente como interposta pessoa nestas operações, bem como a valores por ele apropriados. O valor de R$ 34.000,00, objeto deste Auto de Infração, não foi repassado a terceiro, mas sim incorporado ao patrimônio do Interessado, caracterizando, assim, a infração de omissão de rendimentos apontada pela Fiscalização. MULTA QUALIFICADA No que se refere à qualificação da multa, utilizo como razões de decidir o seguinte excerto extraído da decisão recorrida: No caso em análise, entendo que a conduta do sujeito passivo, que agiu como interposta pessoa e fez uso de informações falsas, de distribuições e mútuos que se provaram inexistentes para justificar rendimentos declarados como não tributáveis, mas que deveriam ter sido declarados como tributáveis (de acordo com sua verdadeira natureza), fazendo assim a inserção de informações inexatas nas declarações de rendimentos para tentar justificar a origem dos recursos advindos de uma distribuição de lucros com todos os sinais de uma fraude, Fl. 2416DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10803.720043/201184 Acórdão n.º 2801003.487 S2TE01 Fl. 2.417 5 caracterizaram ação e omissão para impedir ou retardar o conhecimento pelo fisco do fato gerador do imposto de renda. Caracterizada que ficou, no presente caso, a ação dolosa por parte do interessado, correta está a aplicação da multa majorada estabelecida no dispositivo legal supratranscrito. Ressalto, por fim, que o próprio Recorrente, em seu depoimento à Polícia Federal, confessou que é sócio da PRIME apenas no papel, mas que de fato é funcionário. E que a PRIME é administrada por Cid Guardia Filho, seu verdadeiro dono. E que sabia que estava se prestando a ser "laranja". Nesse contexto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 2417DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10803.000082/2010-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. REGRA DE CONTAGEM. TERMO INICIAL.
O prazo de decadência dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando declarados com dolo, fraude ou simulação, em virtude do que dispõe a parte final do § 4º do art. 150 do Código Tributário Naciona (CTN), rege-se pelas regras do art. 173, I, do CTN, com o termo inicial coincidindo com o primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência dos fatos geradores.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOS-ADMINISTRADORES E ADMINISTRADORES. DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA EMPRESA. INFRAÇÃO DE LEI. LEGITIMIDADE PASSIVA. POSSIBILIDADE.
Se sociedade empresária paralisa a sua atividade econômica e não adota os procedimentos legais de dissolução, liquidação e partilha do acervo patriminial, fica configurada a sua extinção irregular e a infração de lei por parte dos seus sócios-administradores ou gerente, ensejando a responsabilidade tributária nos termos do art. 135, III, do CTN.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECLARADO A MENOR NA DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DAS CONDUTAS DE SONEGAÇÃO E FRAUDE FISCAIS. IMPOSSBILIDADE.
1. É incabível a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, se não provadas nos autos as condutas de sonegação e fraude tributárias.
2. Se a receita utilizada como base de cálcuo no lançamento dos tributos foi extraída de livro contábil da contribuinte, a conduta do sujeito passivo configura-se hipótese de declaração inexata, prevista no art. 44, inciso do I, da Lei nº 9.430, de 1996, sancionada com a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-002.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, afastar a prejudicial de decadência e, no mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reduzir a multa ao percentual de 75% (setenta e cinco por cento), vencidos os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa e José Luiz Feistauer de Oliveira, que negavam provimento. Votou a Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro, que havia pedido vista do processo, no lugar da Conselheira Andréa Medrado Darzé.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Adriana Oliveira e Ribeiro, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. REGRA DE CONTAGEM. TERMO INICIAL. O prazo de decadência dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando declarados com dolo, fraude ou simulação, em virtude do que dispõe a parte final do § 4º do art. 150 do Código Tributário Naciona (CTN), rege-se pelas regras do art. 173, I, do CTN, com o termo inicial coincidindo com o primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência dos fatos geradores. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOS-ADMINISTRADORES E ADMINISTRADORES. DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA EMPRESA. INFRAÇÃO DE LEI. LEGITIMIDADE PASSIVA. POSSIBILIDADE. Se sociedade empresária paralisa a sua atividade econômica e não adota os procedimentos legais de dissolução, liquidação e partilha do acervo patriminial, fica configurada a sua extinção irregular e a infração de lei por parte dos seus sócios-administradores ou gerente, ensejando a responsabilidade tributária nos termos do art. 135, III, do CTN. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECLARADO A MENOR NA DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DAS CONDUTAS DE SONEGAÇÃO E FRAUDE FISCAIS. IMPOSSBILIDADE. 1. É incabível a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, se não provadas nos autos as condutas de sonegação e fraude tributárias. 2. Se a receita utilizada como base de cálcuo no lançamento dos tributos foi extraída de livro contábil da contribuinte, a conduta do sujeito passivo configura-se hipótese de declaração inexata, prevista no art. 44, inciso do I, da Lei nº 9.430, de 1996, sancionada com a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento). Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10803.000082/2010-81
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352415
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3102-002.208
nome_arquivo_s : Decisao_10803000082201081.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
nome_arquivo_pdf_s : 10803000082201081_5352415.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, afastar a prejudicial de decadência e, no mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reduzir a multa ao percentual de 75% (setenta e cinco por cento), vencidos os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa e José Luiz Feistauer de Oliveira, que negavam provimento. Votou a Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro, que havia pedido vista do processo, no lugar da Conselheira Andréa Medrado Darzé. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Adriana Oliveira e Ribeiro, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
id : 5483807
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046812693102592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2423; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 100 1 99 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10803.000082/201081 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102002.208 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de abril de 2014 Matéria COFINS/PIS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente RADIAL FOMENTO MERCANTIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. REGRA DE CONTAGEM. TERMO INICIAL. O prazo de decadência dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando declarados com dolo, fraude ou simulação, em virtude do que dispõe a parte final do § 4º do art. 150 do Código Tributário Naciona (CTN), regese pelas regras do art. 173, I, do CTN, com o termo inicial coincidindo com o primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência dos fatos geradores. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOSADMINISTRADORES E ADMINISTRADORES. DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA EMPRESA. INFRAÇÃO DE LEI. LEGITIMIDADE PASSIVA. POSSIBILIDADE. Se sociedade empresária paralisa a sua atividade econômica e não adota os procedimentos legais de dissolução, liquidação e partilha do acervo patriminial, fica configurada a sua extinção irregular e a infração de lei por parte dos seus sóciosadministradores ou gerente, ensejando a responsabilidade tributária nos termos do art. 135, III, do CTN. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECLARADO A MENOR NA DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DAS CONDUTAS DE SONEGAÇÃO E FRAUDE FISCAIS. IMPOSSBILIDADE. 1. É incabível a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, se não provadas nos autos as condutas de sonegação e fraude tributárias. 2. Se a receita utilizada como base de cálcuo no lançamento dos tributos foi extraída de livro contábil da contribuinte, a conduta do sujeito passivo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 00 00 82 /2 01 0- 81 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A 2 configurase hipótese de declaração inexata, prevista no art. 44, inciso do I, da Lei nº 9.430, de 1996, sancionada com a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, afastar a prejudicial de decadência e, no mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reduzir a multa ao percentual de 75% (setenta e cinco por cento), vencidos os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa e José Luiz Feistauer de Oliveira, que negavam provimento. Votou a Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro, que havia pedido vista do processo, no lugar da Conselheira Andréa Medrado Darzé. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Adriana Oliveira e Ribeiro, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama. Relatório Tratase de Autos de Infração (fls. 11/26), em que formalizada a cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins dos meses de janeiro a dezembro de 2005, acrescidos de multa agravada de 150% (centro e cinquenta por cento) e juros moratórios. No Termo de Descrição dos Fatos de fls. 2/10, relatou as autoridades fiscais que o motivo das autuações foi a constatação de que a autuada declara nas DCTF do ano de 2005 apenas parte dos valores dos débitos apurados sobre as receitas registradas na sua escrituração contábil, omitindo parte dos valores das referidas Contribuições devidos no referido ano, que se encontram discriminados nos Demonstrativos de fls. 3/4, de forma intencional e deliberada, o que configurava os crimes de sonegação e fraude fiscal capitulados nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 1964. Em 17/1/2011, a autuada e os responsáveis tributários apresentaram a impugnação de fls. 142/195, alegando, em apertada síntese, (i) a ilegitimidade dos sócios, uma vez que a fiscalização não lograra comprovar que teriam praticado atos ilícitos tendentes ao descumprimento de obrigações tributárias ou que a autuada fora dissolvida irregularmente; (ii) a inaplicabilidade da multa qualificada de 150%, visto que a fiscalização não demonstrara qualquer intuito de dolo/fraude/simulação da parte dos recorrentes e a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autorizava a qualificação da multa, nos termos da Súmula CARF n° 14; (iii) a decadência dos créditos tributários, relativos ao período Fl. 285DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000082/201081 Acórdão n.º 3102002.208 S3C1T2 Fl. 101 3 de janeiro de 2005 a novembro de 2005, pois houve pagamento antecipado, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN; e (iv) a inaplicabilidade da taxa Selic, para fins de cálculo de juros moratórios. Sobreveio a decisão primeiro grau (fls. 200/215), em que, por unanimidade de votos, foi julgada improcedente a impugnação e mantido integralmente o crédito tributário exigido, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2005 INSUFICIÊNCIA DE DECLARAÇÃO E RECOLHIMENTO A insuficiência de declaração e recolhimento torna indispensável o lançamento de ofício, a fim de constituir o crédito tributário não declarado nem pago. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Anocalendário: 2005 INSUFICIÊNCIA DE DECLARAÇÃO E RECOLHIMENTO A insuficiência de declaração e recolhimento torna indispensável o lançamento de ofício, a fim de constituir o crédito tributário não declarado nem pago. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 DISSOLUÇÃO IRREGULAR DE SOCIEDADE. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS ADMINISTRADORES Na hipótese de dissolução irregular da pessoa jurídica, seus dirigentes — sejam sócios ou não — responderão solidariamente pelos débitos tributários não adimplidos. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA No que respeita às contribuições sociais, o prazo decadencial para constituir o crédito tributário é de 5 anos, consoante a Súmula Vinculante nº 8, que declarou inconstitucional o art. 45 da lei nº 8.212/91. Segundo o Parecer PGFN/CAT Nº 1617/2008, sempre que verificada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o início do prazo decadencial se dará no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, conforme dispõe o art. 173, I, do CTN. MULTA QUALIFICADA Fl. 286DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A 4 Constitui fato apenável com multa qualificada a declaração em DCTF de valores inferiores aos apurados na escrita contábil, visto que tal procedimento evidencia o intuito de ocultar parcialmente a ocorrência do fato gerador e subtrair ao conhecimento do Fisco o montante efetivamente devido. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC Procede a cobrança de encargos de juros com base na taxa SELIC, visto estar amparada em lei (art. 61, § 3º, da lei nº 9.430/96). Em 7/1/2013, a autuada foi cientificada da referida decisão (fl. 247), enquanto que todos os responsáveis tributários foram cientificados em 10/1/2013 (fls. 252/254). Irresignados, em 6/2/2013, apresentaram, em conjunto, o recurso voluntário de fls. 257/272, em que reafirmou os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade, com exceção das alegações acerca da inaplicabilidade da taxa Selic, para fins de cálculo de juros moratórios. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. I Das Questões Preliminares Em sede de preliminar, a controvérsia cingese às questões relativas (i) à decadência dos créditos tributários dos meses de janeiro a novembro de 2005 e (ii) à legitimade passiva dos sócios administradores, incluídos no polo passivo das autuações na condição de responsáveis tributários. Da decadência dos créditos tributários. A recorrente alegou decadência dos valores cobrados das Contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins dos meses de janeiro a novembro de 2005, sob o argumento de que houve pagamento antecipado de parte dos créditos tributários apurados nos referidos meses. De fato, há provas nos autos (fls. 42/54) de que a recorrente recolheu os valores parciais dos créditos confessados nas DCTF dos 1º e 2º semestres de 2005 (fls. 41/45). Porém, este não foi o motivo apresentado no julgado recorrido, para rejeição da alegada decadência. Com efeito, compulsando o voto condutor da decisão recorrida, verificase que a razão de decidir apresentada pela Turma de Julgamento de primeira instância, para afastar a caducidade dos lançamentos em questão, foi baseada no entendimento de que, no caso em tela, ficara “sobejamento comprovada a ocorrência de sonegação e fraude”, com a consequente substituição da regra do art. 150, § 4º, do CTN, pela do art. 173, I, do CTN. Deveras, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, fica excepcionada a regra da contagem do prazo quinquenal de Fl. 287DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000082/201081 Acórdão n.º 3102002.208 S3C1T2 Fl. 102 5 caducidade, em que o termo inicial é a data da ocorrência do fato gerador ou fato jurídico tributário. Nessa hipótese, embora não haja norma legal que estabeleça, expressamente, a forma alternativa de contagem do prazo em comento, a jurisprudência deste Conselho e do Superior Tribunal de Justição (STJ) consolidou o entendimento de que, em tais casos, o termo inicial do prazo decadencial passa a ser o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que lançamento poderia ser efetuado, conforme regramento estabelecido no art. 173, I, do CTN. No mesmo sentido, tem se posicionado a Fazenda Nacional, conforme entendimeto exarado excerto do Parecer PGFNCAT nº 1650/2013, a seguir transcrito: Em conclusão, ratificamos o Parecer PRFN 3ª Região/DICAJ Nº 10, de 2013, no sentido de que os tributos declarados com dolo, fraude ou simulação, caso não constituídos, devem ser lançados de ofício pela Administração e que, nesses casos, o prazo de decadência deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN, em virtude mesmo do que dispõe a parte final do § 4º do art. 150 do CTN, com termo inicial de contagem coincidindo com o exercício seguinte ao da ocorrência dos fatos tributáveis. (grifos não oginais). Dessarte, se comprovada o ocorrência de dolo, fraude ou simulação, independentemente de haver pagamento parcial ou não do tributo devido, o lançamento de ofício da diferença de crédito tributário apurada deve ser realizado dentro prazo de 5 (cinco) anos, contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que ocorreu os fatos tributáveis, sob pena de decadência do direito de lançar. Portanto, diferentemente do que foi aludido na decisão de primeira instância, a questão relevante, para aplicação da regra de contagem excepcional do prazo decadencial, fixada no art. 150, § 4º, in fine, do CTN, é a comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação e não a existência da prática das infrações de sonegação e fraude fiscais, respectivamente, definidas nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Aliás, tais infrações são relevantes para definir o grau da penalidade pecuniária aplicável, matéria a ser analisada a seguir, mas não para definir afastamento da regra geral de contagem do prazo decadencial fixada no art. 150, § 4º, do CTN. Assim, fica definido que, em relação à forma de contagem do prazo decadencial, somente a presença do dolo, da fraude ou da simulação são suficientes para aplicação da regra excepcional de contagem prevista no art. 150, § 4º, in fine, do CTN. Porém, antes de analisar a ocorrência ou não da prática dos referidos vícios pela recorrente, é oportuno apresentar uma breve digressão acerca dos referidos institutos. No âmbito do direito civil, o dolo e a fraude são defeitos dos negócios jurídicos que, nos termos do art. 171 do Código Civil de 2002, dão ensejo a anulabilidade do ato negocial, enquanto que a simulação é um vício do negócio jurídico que conduz a invalidade ou nulidade, nos termos do art. 167 do Código Civil de 2002. Nos termos do art. 186 do Código Civil de 2002, o dolo é o ato ilícito que tem as características gerais e os efeitos jurídicos definidos nos arts. 145 a 150 do Código Civil de 2002, mas não o define. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A 6 Na ausência de definição legal, recorrese as lições da doutrina. Na esfera da doutrina civilística, Sílvio de Salvo Venosa1 ensina que “dolo é o artício, artimanha, engodo, encenação, astúcia, desejo maligno tendente a viciar a vontade do destinatário, desviála de sua correta direção. [...] O dolo induz o declaratário a erro, mas erro provocado pela conduta do declarante.” Enquanto que no âmbito da doutrina tributária, Maíra Braga Oltra2 ensina que o “dolo é a vontade consciente do agente em contrariar o ordenamento jurídico, ou seja, o sujeito intenciona produzir o resultado lesivo, praticando conduta proibida ou omitindose quando houver obrigatoriedade de cumprimento de uma ação.” Por entender que a conduta atribuída a recorrente enquadrase perfeitamente na definção de dolo, os demais vícios não serão aqui analisados. Ainda de acordo com a doutrina, o dolo pode ser positivo e negativo. O dolo positivo é aquele que se externaliza por meio de uma conduta comissiva enganatória, ao passo que o dolo negativo é aquele em que há ausência maliciosa da conduta com a finalidade de provocar uma falsa ideia ao declaratário. Para doutrina majoritária, o dolo negativo ou omissivo só existe nos casos em que o declarante tem o dever informar, por força de lei ou em decorrência da natureza do negócio. No âmbito tributário, leciona Maíra Braga Oltra3, in verbis: [...] o dolo consubstanciase em qualquer ação ou omissão do agente que objetive enganar a Fazenda Pública, podendo este comportamento implicar ou não a constituição parcial ou ausência de formalização do crédito tributário. Além disso, o dolo abarca os casos em que há diminuição ou redução total do valor da multa e dos acréscimos moratórios, os quais integram o conceito de crédito tributário, porém, como estão excluídos da definição de tributo, não dizem respeito à fraude tributária. No caso em tela, por determinação da legislação tributária, a autuada estava obrigada a informar na DCTF a totalidade dos valores dos créditos tributários apurados na sua escrituração contábil e fiscal. No entanto, descumprindo tal obrigação, a autuada declarou apenas parte dos créditos tributários por ela própria apurados, o que demonstra a natureza dolosa da sua conduta omissa, com claro propósito de omitir a confissão de parte dos tributos devidos e, de forma intencional e deliberada, evitar a cobrança dos valores omitidos. Dessa forma, uma vez demonstrada a ocorrência do dolo da autuada, deve ser afastada a regra de contagem do prazo decadencial fixada no art. 150, § 4º, do CTN, em favor da regra do art. 173, I, do CTN. No mesmo sentido, dispõe a Súmula CARF nº 72, cujo enunciado tem o seguinte teor, in verbis: “Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN.” Com base nessas considerações, chegase a conclusão que, nas autuações em apreço, não houve a alegada decadência do crédito tributário lançado, uma vez que, na data em que a autuada e os responsáveis tributários tomaram ciência das respectivas autuações não havia se consumado o prazo quinquenal de decadência contado a partir de 1º de janeiro de 2006. 1 VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito civil: parte geral. 2. ed. São Paulo, Atlas, 2002, V. 1, p. 421. 2 OLTRA, Maíra Braga. Decadência do fisco nos casos de dolo, fraude e simulação. CARVALHO, Aurora Tomazini de (Org.). Decadência e prescrição no direito tributário. São Paulo: MP, 2007, p. 102. 3 Ibid, p. 104. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000082/201081 Acórdão n.º 3102002.208 S3C1T2 Fl. 103 7 Da ilegitimidade passiva dos responsáveis tributários. O motivo da inclusão dos sóciosadministradores e do administrador da autuada no polo passivo das autuações em questão, na condição de responsáveis tributários, foi extinção ou dissolução irregular (de fato) da pessoa jurídica autuada, conforme explicitado nos itens 21 e 22 do Termo de Descrição dos Fatos de fls. 3/11, a seguir transcritos: 21. É dever da pessoa jurídica, em hipótese de extinção, promover sua regular liquidação de acordo com os parâmetros legais, que protegem os interesses dos sócios e dos credores. 22. Diante desse cenário, é lícito deduzir que a Radial Fomento Mercantil Ltda foi dissolvida irregularmente e os atos praticados com infração à lei, requisito da imputação da responsabilidade pessoal dos sócios, manifestamse de forma evidente. O procedimento regular de dissolução da sociedade empresária, que põe termo a sua personalidade jurídica, segundo Fábio Olhoa Coelho4 “abrange três fases: a dissolução em sentido estrito (ato ou fato desencadeante), a liquidação (solução das pendências obrigacionais da sociedade) e partilha (repartição do acervo entre os sócios)”. Os atos de dissolução encontramse disciplinados nos arts. 1.033 a 1.038 do Código Civil de 2002, e podem ser extrajudicial, quando instrumentalizados por decisão dos sócios expresa em ata assemblear e distrato ou judicial, instrumentalizados por decisão do Poder Judiciário. Enquanto que os atos de liquidação e de partilha estão previstos nos arts. 1.102 a 1.109 do Código Civil de 2002. O cumprimento do procedimento de dissolução regular visa assegurar (i) a proteção dos credores da sociedade empresária, o que inclui, preferencialmente, a Fazenda Pública, e (ii) a justa repartição, entre os sócios, dos bens e direitos remanescentes após o pagamentos dos credores. Por outro lado, ocorrendo descumprimento dos referidos procedimentos, os sóciosadministradores e os administradores incorrem no ilícito de dissolução irregulara da sociedade, passando responder de forma pessoal e ilimitada pelas correspondentes obrigações sociais. No mesmo sentido, a lição de Fábio Olhoa Coelho5, conforme explicitado no excerto a seguir transcrito: Os preceitos legais sobre a dissoluçãoprocedimento visam, de um lado, assegurar a justa repartição, entre os sócios, dos sucessos do empreendimento comum, no encerramento deste; e, de outro, a proteção dos credores da sociedade empresária. Em razão desse segundo objetivo, se os sócios não observaram as regras estabelecidas para a regular terminação do sujeito artificial, respondem pessoal e ilimitadamente pelas obrigações sociais. Em outros termos, se eles simplesmente paralisam a atividade econômica, repartem os ativos e se dispersam (dissolução de fato), deixam de cumprir a lei societária, e incorrem em ilícito. Respondem, por isso, por todas as obrigações da sociedade irregularmente dissolvida. O acionista ou sócio minoritário que não participou do golpe deve, para não ser também responsabilizado, requerer a dissolução judicial da sociedade. 4 COELHO, Fábio Olhoa. Curso de direito comercial. 9 ed. São Paulo, Saraiva, 2006, V. 2, p. 451. 5 Ibid, p. 451. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A 8 No caso específico das obrigações tributárias, determina o art. 135, III, do CTN, que os diretores e administradores respondem pessoalmente pelas obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, situação em que se enquadra a dissolução irregular da sociedade empresária, conforme entendimento consolidado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do Agravo Regimental no Agravo em Recurso Especial nº 312.200/SC, cuja enunciado da ementa segue transcrito: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. REDIRECIONAMENTO DA EXECUÇÃO FISCAL. DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA EMPRESA. POSSIBILIDADE. 1. O julgado hostilizado está de acordo com a jurisprudência da Primeira Seção que, ao julgar os EREsp 716.412/PR (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 22.9.2008), assentou o entendimento de que a dissolução irregular da empresa ocorre exatamente nas hipóteses em que o gerente deixa de cumprir as formalidades legais exigidas para o caso de extinção do empreendimento, em especial aquelas atinentes ao registro empresarial. Decidiuse que, nos termos da lei, os gestores das empresas devem manter atualizados os cadastros empresariais, incluindo os atos relativos à mudança de endereço dos estabelecimentos e, especialmente, os referentes à dissolução da sociedade. O descumprimento desses encargos por parte dos sócios gerentes corresponde, irremediavelmente, a infração de lei e enseja, portanto, a responsabilidade tributária nos termos do art. 135, III, do Código Tributário Nacional. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 312.200/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/08/2013, DJe 20/08/2013) Dessa forma, dissolvida irregularmente a sociedade sem remanescerem bens para garantia dos seus credores, passa a ser ônus de seus sóciosadministradores provarem que esses bens não foram desviados, dilapidados ou aplicados no pagamento de credores sem observância das preferências legais, especialmente, a preferência dos créditos tributários determinada no art. 186 do CTN. No recurso em apreço, alegou a recorrente era titular de direitos e créditos, objeto de ações judiciais em curso, envolvendo valores significativos, porém não apresentou qualquer prova que corroborasse o alegado, o que deveria ser feito mediante a exibição de escrituração contábil regular, realizada em consonância com disposto nos arts. 1.179 a 1.195 do Código Civil de 2002. Também não procede alegação da recorrente de que o sócio dirigente somente pode ser responsabilizado por débitos fiscais durante o período em que exerceu a administração da sociedade se comprovado que agiu com dolo ou fraude e que, em razão desse ato, a sociedade não pôde cumprir a obrigação tributária, pois, conforme já demonstrado, no caso em tela, os recorrentes agiram com dolo e há provas nos autos que, durante o período em que ocorreram os fatos geradores objeto das autuações, os responsáveis tributários exerciam os cargos de sóciosadministradores e administradores. Entretanto, ainda que assim não fosse, melhor sorte não assistiria aos recorrentes, pois, para que haja a responsabilização do sócio pela dissolução irregular da sociedade, a condição necessária é que este tenha exercido poderes de gerência/administração Fl. 291DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000082/201081 Acórdão n.º 3102002.208 S3C1T2 Fl. 104 9 na sociedade e detenha tais poderes quando da ocorrência dos fatos que evidenciam a dissolução irregular, ou seja, a inclusão dos sóciosadministradores e gerenntes no polo passsivo das autuações como responsáveis tributários devese dar com relação aos atos contemporâneos à época em que se verificaram os indícios da extinção irregular da sociedade, situação em se enquadram todos os responsáveis tributários. Por todas essas razões, os recorrentes devem mantidos no polo passivo das autuações, nos termos do art. 135, III, do CTN. II Da Questão de Mérito No mérito, a controvérsia limitase à aplicação da multa de ofício agravada de 150% (cento e cinquenta por cento). Segundo a fiscalização, a autuada recolheu a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins não cumulativas, de todos os meses do anocalendário de 2005, em montante menor do que o devido, e o fez de forma premeditada, posto que as receitas sobre as quais tais contribuições foram calculadas estavam corretamente registradas nos livros contábeis, demonstrando a sua intenção de suprimir/reduzir tributos, condutas perfeitamente capituladas nos artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502, de 1964, que também caracteriza prestação de declaração falsa às autoridades fazendárias ao inserir elementos inexatos na DCTF. Por tais condutas, a autuada foi sancionada com a multa qualificada de ofício de 150% (cento e cinquenta por cento), capitulada no inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, a seguir transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. [...] (grifos não originais) Por sua vez, os arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 1964, que tratam, respectivamente, dos ilícitos de sonegação e fraude tributárias, têm o seguinte teor, in verbis: Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetiveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A 10 Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. A conduta da recorrente, não se enquadra no conceito de sonegação nem no de fraude. A sonegação se materializa quando o contribuinte, de forma dolosa, omite da fiscalização o conhecimento da ocorrência do fato gerador, sua natureza ou circunstâncias materiais, bem como as condições pessoais de contribuinte, suscetiveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. No caso em tela, a própria fiscalização informou que a receita auferida pela recorrente estava corretamente registrada na contabilidade, o que evidencia que não houve qualquer atitude deliberada ou intencional de omitir da autoridade fiscal o conhecimento de qualquer informação suscetivel de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Da mesma forma, não houve fraude tributária, uma vez que a receita registrada na contabilidade estava amparada por documentação fiscal idônea, o que afasta a existência de qualquer conduta da recorrente tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais. O fato de a recorrente não ter confessado corretamente os valores dos débitos na DCTF, a meu ver, a situação configurase declaração inexata, conduta sancionada com a multa de 75% (setenta e cinco por cento), definida no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1966, na redação vigente na época da ocorrência dos fatos tributários objeto das autuações em apreço. No mesmo sentido, os seguintes julgados deste Conselho: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. RECEITA ESCRITURADA E NÃO DECLARADA. Incabível a exigência da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, afeta às condutas de sonegação, fraude e conluio, quando a receita tomada em conta pelo procedimento fiscal para o lançamento dos tributos foi colhida em livro contábil ou fiscal da própria contribuinte, aflorando a hipótese de declaração inexata, igualmente prevista no mesmo comando legal e cuja penalidade pecuniária é aquela prevista em seu inciso I, qual seja, multa de 75%. (CARF. 1ª Seção. 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara. Ac. 140201.271, de 4/12/2012, rel. Carlos Pelá, processo nº 13971.001150/200607) MULTA QUALIFICADA. ART. 44, § 1º, DA LEI 9.430/96. CARACTERIZAÇÃO DAS CONDUTAS PREVISTAS NOS ARTS. 71, 72 E 73 DA LEI 4502/64. NÃO CONFIGURAÇÃO. A aplicação da multa qualificada depende da demonstração de que o contribuinte tenha praticado conduta tipificada nos arts. 71, 72 ou 63 da Lei nº 4.502/64. Não caracteriza fraude o fato, em si mesmo, de o contribuinte informar em declaração um valor de tributo inferior ao valor que foi posteriormente apurado pela Fiscalização, se declarou o valor corresponde ao que efetivamente apurou, com base na interpretação que entendia aplicável à legislação. A reiteração do mesmo método de apuração ao longo do tempo apenas demonstra que era tal, e a mesma, a interpretação que o contribuinte entendia aplicável. Conduta que não evidencia a intenção de impedir o Fl. 293DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10803.000082/201081 Acórdão n.º 3102002.208 S3C1T2 Fl. 105 11 conhecimento da Fiscalização quanto à ocorrência do fato gerador, nem de modificar as características do fato gerador para reduzir imposto, nem configura fraude ou sonegação. (CARF. 3ª Seção. 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara. Ac. 3403 001.989, de 20/3/2013, rel. Ivan Allegretti, processo nº 13982.001408/200981) Além disso, nos termos da Súmula CARF nº 14, a “simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.”, circunstâncias que não foram provadas nos autos. Por essas razões, a multa de ofício aplicada deve ser reduzida para o percentual de 75% (setenta e cinco por cento). III Da Conclusão Por todo o exposto, votase por conhecer do recurso, para, em sede de preliminar, rejeitar alegação de decadência do crédito tributário lançado e de ilegitimidade passiva dos responsáveis solidários; no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, para, reduzir a multa de ofício para o percentual de 75% (setenta e cinco por cento). (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 294DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /06/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por RICARDO PAULO ROS A
score : 1.0
