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Numero do processo: 36624.000804/2007-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. ANÁLISE POR COMPETÊNCIA.
Acolhem-se os embargos declaratórios, sem atribuir-lhes efeitos modificativos, para o fim de sanar a omissão no julgado. Agrega-se ao ato decisório que a análise dos recolhimentos parciais de contribuições previdenciárias, considerados como antecipação de pagamento para fins da extinção do crédito tributário em razão da decadência, foi realizada por competência.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIOS. INEXISTÊNCIA.
Não se acolhem os embargos declaratórios quando inexistentes os demais vícios formais de julgamento apontados pela embargante.
Embargos Acolhidos em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos declaratórios, para, no mérito, dar-lhes provimento parcial, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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IMUNIDADE/ISENÇÃO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado ISCP SOCIEDADE EDUCACIONAL S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. ANÁLISE POR COMPETÊNCIA. Acolhemse os embargos declaratórios, sem atribuirlhes efeitos modificativos, para o fim de sanar a omissão no julgado. Agregase ao ato decisório que a análise dos recolhimentos parciais de contribuições previdenciárias, considerados como antecipação de pagamento para fins da extinção do crédito tributário em razão da decadência, foi realizada por competência. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIOS. INEXISTÊNCIA. Não se acolhem os embargos declaratórios quando inexistentes os demais vícios formais de julgamento apontados pela embargante. Embargos Acolhidos em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 00 08 04 /2 00 7- 01 Fl. 633DF CARF MF Processo nº 36624.000804/200701 Acórdão n.º 2401004.597 S2C4T1 Fl. 634 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos declaratórios, para, no mérito, darlhes provimento parcial, sem efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 634DF CARF MF Processo nº 36624.000804/200701 Acórdão n.º 2401004.597 S2C4T1 Fl. 635 3 Relatório Cuidamse de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, às fls. 547/557, contra o Acórdão nº 2401003.866, da relatoria do Conselheiro Igor Araújo Soares, o qual está juntado às fls. 532/544. 2. O crédito tributário diz respeito à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 37.014.2373, concernente ao período de 09/2000 a 09/2003, lavrada para a exigência de contribuições previdenciárias relativas à parte da empresa e às destinadas ao financiamento do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos do Ambiente de Trabalho (GILRAT), além das contribuições devidas a terceiros. A ciência da NFLD ocorreu em 28/12/2006 (fls. 3/26). 3. Alega a embargante a existência de omissão e/ou contradição no v. acórdão, sob os seguintes fundamentos: (i) em relação às competências lançadas até 11/2001, consideradas extintas devido ao reconhecimento da decadência, o acordão recorrido deixou de pronunciarse sobre a existência de pagamento parcial para cada competência excluída do lançamento; (ii) houve falta de exame e pronunciamento do julgado acerca dos efeitos do Ato Cancelatório de Isenção nº 02/2007, emitido em virtude do não cumprimento dos requisitos previstos nos incisos III e V do art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; (iii) ausência de exame do disposto no § 3º do art. 11 da Lei nº 11.096, de 13 de janeiro de 2005, o qual, segundo a recorrente, prevê que o Certificado de Entidade de Assistência Social (Ceas) concedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), com base na legislação do Programa Universidade para Todos (Prouni), apenas possibilita a requisição pela pessoa jurídica de um novo pedido de isenção/imunidade junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e, caso deferido o pleito, o benefício fiscal passaria a produzir efeitos a contar da data da entrada em vigor da novel legislação, isto é, 10/9/2004; e (iv) falta de pronunciamento a respeito da adesão do contribuinte antes do julgamento do recurso voluntário ao parcelamento previsto na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que tal ato equivale à concordância com a exigência fiscal (fls. 151). Fl. 635DF CARF MF Processo nº 36624.000804/200701 Acórdão n.º 2401004.597 S2C4T1 Fl. 636 4 4. Os autos digitais foram enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional em 21/5/2015, que interpôs os embargos de declaração em 10/6/2015 (fls. 546 e 558). 5. Tendo em vista que o conselheiro relator originário não mais integra a Turma, o processo foi sorteado no âmbito da 1ª Turma da 4ª Câmara, na sessão de 13/4/2016, para análise da admissibilidade dos embargos. 6. Os aclaratórios foram admitidos por meio de despacho do presidente da Turma, Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, cujo processo foi devolvido para relatoria e inclusão em pauta de julgamento (fls. 619/620). 7. Ressalto que consta manifestação do contribuinte a respeito dos embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional. Em síntese, o interessado defende a correção do julgado proferido no âmbito do colegiado e requer a negativa de provimento ao recurso (fls. 560/565 e 585/617). É o relatório. Fl. 636DF CARF MF Processo nº 36624.000804/200701 Acórdão n.º 2401004.597 S2C4T1 Fl. 637 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator 8. Preenchidos os requisitos de admissibilidade dos embargos de declaração, passo ao exame de mérito (art. 65, § 1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). 1 9. Antes, porém, novamente saliento que a minha designação como relator, por intermédio de sorteio, foi devida à circunstância de o relator originário não mais compor o colegiado. 9.1 À vista disso, incumbeme a emissão de opinião sobre a necessidade de saneamento do Acórdão nº 240103.866, submetendo as questões à apreciação da Turma. Tal juízo não implica, contudo, anuência ou discordância com os fundamentos e as conclusões da decisão embargada. 10. Pois bem. Para melhor explanação das razões de decidir, analisemos em separado os vícios apontados pela Fazenda Nacional: a) falta de análise por competência com relação aos pagamentos antecipados do período decadente; b) ausência de pronunciamento sobre o Ato Cancelatório de Isenção nº 02/2007; c) omissão do colegiado no exame do conteúdo do art. 11, § 3º, da Lei nº 11.096, de 2005; e d) previamente ao julgamento do recurso voluntário, havia pedido de parcelamento do crédito tributário. a) Decadência 11. No que tange ao reconhecimento da decadência, até a competência 11/2001, a Fazenda Nacional alega omissão no acórdão recorrido, dada a inexistência nos autos de qualquer comprovação acerca das competências em que os recolhimentos antecipados ocorreram. 11.1 Em outras palavras, tornase insuficiente apenas a indicação de forma genérica pelo acórdão embargado que a fiscalização, conforme o Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal (TEAF), examinou os comprovantes de recolhimentos, na medida em que o documento 1 Tempestividade, conforme §§ 3º, 5º e 6º do art. 7º da Portaria MF nº 527, de 9 de novembro de 2010. Fl. 637DF CARF MF Processo nº 36624.000804/200701 Acórdão n.º 2401004.597 S2C4T1 Fl. 638 6 de encerramento não lista as competências em que teria havido a antecipação parcial do pagamento. 12. Passo a análise do vício. Por ocasião da decisão de primeira instância, consubstanciada no Acórdão nº 1624.514, proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I, conforme fls. 346/365, foi reconhecida a decadência parcial do lançamento fiscal, excluindose definitivamente os valores referentes às competências 09 a 11/2000, com base no inciso I do art. 173 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN). 13. Por sua vez, em face do pedido no recurso voluntário, o acórdão recorrido ampliou o período do lançamento alcançado pela decadência, considerando extintas as competências lançadas até 11/2001, agora com aplicação da regra do § 4º do art. 150 do CTN, tendo em conta a ciência do lançamento em 28/12/2006 (fls. 538/540). 14. Tanto o Relatório Fiscal da NFLD nº 37.014.2373, às fls. 55/58, quanto o TEAF, acostado às fls. 53/54, revelam que a autoridade lançadora, no curso da mesma ação fiscal, identificou a ocorrência de diversos fatos geradores, cujas contribuições não foram recolhidas à época própria, o que resultou na lavratura de autos de infração e formalização de processos administrativos em separado. 15. Os processos administrativos relacionados aos créditos tributários foram distribuídos em conjunto, por sorteio, ao Conselheiro Igor Araújo Soares, de maneira que as autuações fiscais foram apreciadas simultaneamente pelo colegiado, em grau recursal ordinário, quando das sessões de janeiro e fevereiro de 2015. 16. Quer dizer que o relator originário do processo, Conselheiro Igor Araújo Soares, na época do julgamento possuía uma visão integral da ação fiscal efetuada no contribuinte, inclusive quanto aos documentos instrutórios que acompanhavam os demais processos administrativos. 17. A título exemplificativo, faço alusão ao Processo nº 36624.000802/200712, relativo à NFLD nº 37.065.6270, cujo acórdão proferido em segunda instância, por sinal, é também alvo de embargos declaratórios pela Fazenda Nacional. 17.1 É possível identificar, naquele processo, a anexação por parte da fiscalização do Relatório de Documentos Apresentados na Ação Fiscal, denominado de RDA, em que aparece a relação individual de Guias da Previdência Social (GPS) pagas pelo contribuinte antes do início do procedimento de auditoria fiscal, inclusive os pagamentos vinculados ao período considerado decadente, no julgamento do recurso voluntário, de 12/2000 a 11/2001. 17.2 Nesse sentido, copio abaixo uma parte do RDA, especificamente os dados disponíveis às fls. 83 do supracitado Processo nº 36624.000802/200712: Fl. 638DF CARF MF Processo nº 36624.000804/200701 Acórdão n.º 2401004.597 S2C4T1 Fl. 639 7 18. Como se observa, é patente a existência de recolhimentos de contribuições em GPS, sob o código 2100, utilizado para o pagamento de valores relacionados a folha de pagamento de salários, vinculados às competências consideradas decadentes no acórdão recorrido. 19. A despeito do relator originário fundamentar, inicialmente, suas conclusões a partir do que foi assinalado no Termo de Encerramento da Ação Fiscal, não significa que deixou de avaliar a existência dos recolhimentos antecipados por competência, dado o conjunto probatório carreado pela fiscalização aos vários processos originados da mesma ação fiscal levado a cabo no contribuinte. 20. Nesse passo, é de se reconhecer a existência de omissão do ato decisório, devido à sua incompletude no tocante à explicitação da análise por competência do período considerado decadente, caracterizando vício de forma, de maneira que se agrega novos fundamentos à decisão embargada consoante razões acima expostas, mantidas, todavia, as conclusões do julgado na parte dispositiva. Fl. 639DF CARF MF Processo nº 36624.000804/200701 Acórdão n.º 2401004.597 S2C4T1 Fl. 640 8 21. Ressalto, por sua vez, que o votocondutor destacou que, para fins de aplicação da regra do § 4º do art. 150 do CTN, o exame do pagamento parcial antecipado das contribuições previdenciárias deve ser considerado com um todo, em que o pagamento da parcela dos segurados implica aceitar a existência de recolhimento antecipado parcial também relativamente à parte da empresa. 21.1 Para melhor compreensão do decidido pelo Acórdão nº 240103.866, reproduzo excerto do voto do conselheiro Igor Araújo Soares (fls. 540): (...) Não obstante, já tenho trazido a esta Turma o meu entendimento no sentido de que o recolhimento das contribuições previdenciárias devem ser considerados como um todo, pois entendo que em havendo o recolhimento das contribuições da parte dos segurados, como é também o caso dos autos, tal fato deve ser considerado também como parte do pagamento das contribuições parte da empresa, motivo pelo qual, entendo pela aplicação do art. 150, 4º do CTN ao presente caso, diferentemente daquilo o que apontado pelo v. acórdão de primeira instância. Logo, por tais motivos, verifico a presença de pagamentos parciais no presente caso, aptos a serem considerados como antecipação de pagamento, na forma da fundamentação supra, de sorte que devem ser consideradas extintas do presente lançamento em razão da decadência, pela regra do artigo 150 §4o do CTN, as competências lançadas até 11/2001. (destaques do original) 22. Dessa feita, uma vez constatada omissão no acórdão recorrido, cumpre o acolhimento dos declaratórios para correção do vício apontado pela Fazenda Nacional, na forma alhures explicitada, porém sem atribuirlhes efeito modificativo, mantendose, por conseguinte, a extinção do crédito tributário até a competência 11/2001, em virtude da decadência. b) Ausência de pronunciamento sobre o Ato Cancelatório de Isenção nº 02/2007 23. Prossegue a Fazenda Nacional alegando que o acórdão embargado foi omisso acerca dos efeitos do Ato Cancelatório de Isenção nº 02/2007, retroativos a 1º de janeiro de 1998. 23.1 Para o órgão da União, o supracitado Ato Cancelatório havia deixado bastante claro que a entidade não cumprira todos os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, independentemente da discussão se a entidade era possuidora ou não do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. 23.2 Segundo ainda a embargante, a motivação do lançamento, conforme bem registrou a decisão de primeira instância, não se encontrava atrelada a determinado e específico Ato Cancelatório. Vale dizer, há necessidade de análise da isenção não só sob o prisma do requisito do inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991 (Ato Cancelatório nº 01/2005), mas Fl. 640DF CARF MF Processo nº 36624.000804/200701 Acórdão n.º 2401004.597 S2C4T1 Fl. 641 9 também quanto ao atendimento das exigências enumeradas nos incisos III e V do citado artigo (Ato Cancelatório nº 02/2007). 24. Pois bem. Como se sabe, a oposição dos declaratórios tem cabimento limitado, somente para atacar vícios formais previamente tipificados na legislação. 25. A petição de embargos tem como pretensão um novo pronunciamento sobre matéria já analisada, com nítido propósito de rediscutir a questão de fundo decidida, por unanimidade, pelo colegiado. A toda a evidência, o inconformismo com os fundamentos adotados no julgamento no concernente à delimitação da acusação fiscal não significa a existência de omissão no acórdão. 26. O acórdão embargado é incisivo e unívoco no que se refere à matéria suscitada pela Fazenda Nacional, não havendo que se falar em omissão de pronúncia sobre questões que deveriam ser apreciadas pelo julgado. 26.1 Com efeito, o votocondutor do julgado manifestase de forma ostensiva que o lançamento fiscal decorreu tão somente da emissão do Ato Cancelatório nº 01/2005, tendo descumprido o contribuinte exclusivamente o disposto no inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. 26.2 Nesse sentido, reproduzo o correspondente trecho do Acórdão nº 240103.866, ora combatido (fls. 540/541): MÉRITO Logo, da análise detida dos autos do presente processo, a meu ver, fazse necessário esclarecer que o motivo único ensejador o presente lançamento foi o fato da recorrente não ser portadora do CEBAS. E faço tal afirmação em razão das alegações de recurso, bem como das informações constantes no relatório fiscal complementar no sentido de que durante a presente fiscalização, fora emitida nova informação fiscal, através da qual verificouse o descumprimento de outros dois incisos do art. 55 da Lei 8.212/91, agora, o III e IV. Referida informação (descumprimento dos incisos III e IV) sequer constou no relatório fiscal original, de sorte que somente veio aos autos, quando da elaboração do novo relatório. E no relatório fiscal complementar, assim se manifestou a fiscalização ao apontar a motivação que justificou o lançamento: 2. O levantamento foi realizado em virtude do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais no. 01/2005, emitido em 23/03/2005, nos autos do Processo n°. 35462.02444/200469, em virtude do não cumprimento do requisito previsto no inciso II, do art. 55, da Lei n°. 8.212/91 (ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social). Fl. 641DF CARF MF Processo nº 36624.000804/200701 Acórdão n.º 2401004.597 S2C4T1 Fl. 642 10 3. Para esclarecer a razão da constituição do crédito e do Ato Cancelatório, um breve histórico da instituição. Somente quando do breve histórico é que houve o apontamento da lavratura da nova informação fiscal para cassação da isenção da recorrente. Contudo, mesmo que no relatório conste referida informação, resta claro que os apontados descumprimentos dos incisos III e IV do art. 55 da Lei 8.212/91 não foram adotados, em nenhum momento, como a razão da constituição do crédito tributário objeto do presente processo. Dessa forma, passo a analisar os demais fundamentos de recurso. Da renovação do certificado no período de 09/2000 a 09/2003 Conforme já relatado, o presente lançamento decorreu tão somente da emissão do Ato Cancelatório n. 01/2005, através do qual se apurou que a ora recorrente não era possuidora do CEAS a partir do ano de 1998, tendo descumprido, portanto, aquilo o que disposto no art. 55, II, da Lei 8.212/91, não lhe sendo reconhecido, portanto, o direito de usufruir da isenção das contribuições patronais a cargo das entidades beneficentes de assistência social. (...) 27. Como consequência, descabe acolher o vício de omissão apontado pela Fazenda Nacional. c) Falta de exame da norma jurídica contida no art. 11, § 3º, da Lei nº 11.096, de 2005 28. Nesse ponto, a Fazenda Nacional sustenta que o acórdão embargado centralizou a sua atenção no § 2º do art. 11 da Lei nº 11.096, de 2005, deixando de apreciar, por outro lado, o disposto no § 3º do mesmo artigo, preceptivo essencial ao deslinde da controvérsia trazida a debate nos autos. 28.1 Para compreensão da legislação questionada, transcrevo abaixo o inteiro teor do art. 11 da Lei nº 11.096, de 2005: Art. 11. As entidades beneficentes de assistência social que atuem no ensino superior poderão, mediante assinatura de termo de adesão no Ministério da Educação, adotar as regras do Prouni, contidas nesta Lei, para seleção dos estudantes beneficiados com bolsas integrais e bolsas parciais de 50% (cinqüenta por cento) ou de 25% (vinte e cinco por cento), em especial as regras previstas no art. 3º e no inciso II do caput e §§ 1º e 2º do art. 7º desta Lei, comprometendose, pelo prazo de vigência do termo de adesão, limitado a 10 (dez) anos, renovável por iguais períodos, e respeitado o disposto no art. 10 desta Lei, ao atendimento das seguintes condições: I oferecer 20% (vinte por cento), em gratuidade, de sua receita anual efetivamente recebida nos termos da Lei nº 9.870, de 23 de Fl. 642DF CARF MF Processo nº 36624.000804/200701 Acórdão n.º 2401004.597 S2C4T1 Fl. 643 11 novembro de 1999, ficando dispensadas do cumprimento da exigência do § 1º do art. 10 desta Lei, desde que sejam respeitadas, quando couber, as normas que disciplinam a atuação das entidades beneficentes de assistência social na área da saúde; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) II para cumprimento do disposto no inciso I do caput deste artigo, a instituição: (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) a) deverá oferecer, no mínimo, 1 (uma) bolsa de estudo integral a estudante de curso de graduação ou seqüencial de formação específica, sem diploma de curso superior, enquadrado no § 1º do art. 1º desta Lei, para cada 9 (nove) estudantes pagantes de curso de graduação ou seqüencial de formação específica regulares da instituição, matriculados em cursos efetivamente instalados, observado o disposto nos §§ 3º, 4º e 5º do art. 10 desta Lei; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) b) poderá contabilizar os valores gastos em bolsas integrais e parciais de 50% (cinqüenta por cento) ou de 25% (vinte e cinco por cento), destinadas a estudantes enquadrados no § 2º do art. 1º desta Lei, e o montante direcionado para a assistência social em programas não decorrentes de obrigações curriculares de ensino e pesquisa; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) III gozar do benefício previsto no § 3o do art. 7o desta Lei. § 1º Compete ao Ministério da Educação verificar e informar aos demais órgãos interessados a situação da entidade em relação ao cumprimento das exigências do Prouni, sem prejuízo das competências da Secretaria da Receita Federal e do Ministério da Previdência Social. § 2º As entidades beneficentes de assistência social que tiveram seus pedidos de renovação de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social indeferidos, nos 2 (dois) últimos triênios, unicamente por não atenderem ao percentual mínimo de gratuidade exigido, que adotarem as regras do Prouni, nos termos desta Lei, poderão, até 60 (sessenta) dias após a data de publicação desta Lei, requerer ao Conselho Nacional de Assistência Social CNAS a concessão de novo Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social e, posteriormente, requerer ao Ministério da Previdência Social a isenção das contribuições de que trata o art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. § 3º O Ministério da Previdência Social decidirá sobre o pedido de isenção da entidade que obtiver o Certificado na forma do caput deste artigo com efeitos a partir da edição da Medida Provisória nº 213, de 10 de setembro de 2004, cabendo à entidade comprovar ao Ministério da Previdência Social o efetivo cumprimento das obrigações assumidas, até o último dia do mês de abril subseqüente a cada um dos 3 (três) próximos exercícios fiscais. Fl. 643DF CARF MF Processo nº 36624.000804/200701 Acórdão n.º 2401004.597 S2C4T1 Fl. 644 12 § 4º Na hipótese de o CNAS não decidir sobre o pedido até o dia 31 de março de 2005, a entidade poderá formular ao Ministério da Previdência Social o pedido de isenção, independentemente do pronunciamento do CNAS, mediante apresentação de cópia do requerimento encaminhando a este e do respectivo protocolo de recebimento. § 5º Aplicase, no que couber, ao pedido de isenção de que trata este artigo o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. (GRIFEI) 29. Prossegue a embargante que a falta de pronunciamento sobre o § 3º acarretou omissão no julgado, na medida em que, conquanto tenha havido o deferimento do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, referente ao período de 09/2000 a 09/2003, pela Resolução nº 49/2005 do CNAS, a concessão do documento com base no art. 11 da Lei nº 11.096, de 2005, apenas tinha o condão de viabilizar um novo pedido de isenção junto ao INSS, a qual, se deferida, produziria efeitos a partir de 10/9/2004. 30. Outra vez pretende a Fazenda Nacional a rediscussão de questão devidamente examinada e decidida no acórdão embargado. O eventual equívoco na interpretação da legislação pelo julgador que pode levar ao erro de julgamento, ao qual faço alusão tão somente para possibilitar o desenvolvimento do meu ponto de vista, não configura hipótese capaz de ser corrigida por meio dos embargos de declaração. 31. Como já afirmado alhures, na visão do relator originário a motivação adotada para o lançamento fora exclusivamente a falta do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. 31.1 Logo, tendo sido deferida a concessão do certificado para o período de 09/2000 a 09/2003, em face da Resolução CNAS nº 49/2005, não haveria, consoante entendimento acatado pela unanimidade dos conselheiros, como manter o lançamento relativamente a tal período. 32. Trago excertos do Acórdão nº 240103.866 sobre o ponto questionado pela embargante (fls. 541/542): (...) Defende [a recorrente], sobre este aspecto, ter o fiscal autuante incorrido em erro, na medida em que, inobstante as conclusões do Ato Cancelatório n. 01/2005, teve o restabelecimento do seu CEAS pela adesão ao PROUNI, nos termos do artigo 11, parágrafo 2º, da Lei n. 11.096, de 13 de janeiro de 2005 para o período de 18/09/2000 a 17/09/2003 (processo 71010.000437/2005095). (...) Percebese, pois, que a legislação supra permitiu ao contribuinte que teve o seu pedido de renovação do CEAS indeferido pelo não atendimento do percentual mínimo de gratuidade exigido pela legislação, que requeresse a concessão de novo certificado, a Fl. 644DF CARF MF Processo nº 36624.000804/200701 Acórdão n.º 2401004.597 S2C4T1 Fl. 645 13 partir do momento de sua adesão as regras do PROUNI (Lei 11.096/05), para, então, posteriormente viesse a requerer a isenção das contribuições ao Ministério da Previdência. E em razão da promulgação de referida legislação, assim o fez a recorrente, lhe tendo sido deferida a expedição do CEAS para o período de 09/2000 a 09/2003 pela Resolução n. 49/2005 do CNAS, conforme se percebe da informação do fiscal autuante constante no relatório fiscal complementar, verbis: (...) Ou seja, diante de tais informações, vislumbro que antes mesmo da formalização do presente Auto de Infração (algo em torno de um ano e meio antes de tal evento) a recorrente já possuía em seu favor o Certificado de Entidade de Assistência Social – CEAS, devidamente válido para o período em questão. E a concessão do CEAS resta comprovada, também, pela certidão concedida à parte pelo CNAS, cujo teor transcrevo a seguir: (...) Ou seja, tendo em vista que a motivação adotada para o lançamento fora exclusivamente a de que a recorrente não era portadora do CEAS, sem que qualquer outra tenha sido considerada pelo fiscal autuante, não vejo como considerar que tenha a mesma descumprido o disposto no art. 55, II, da Lei 8.212/91. Se a questão central do presente processo é saber se a recorrente possuía ou não o CEAS, de modo a que possa ou não usufruir da isenção da cota patronal, esta fica esclarecida, a meu ver, em face da Resolução CNAS n. 49/2005, que deferiu de forma expressa a concessão do certificado para o período de 09/2000 a 09/2003. Logo, não vejo como manter o lançamento relativamente a tal período. (...) 33. Tendo em conta o raciocínio esquadrinhado pelo relator originário, entendo não haver vazio na fundamentação utilizada no acórdão recorrido, dispensandose, à vista disso, a necessidade de complementação da decisão pelo exame da aplicação ao caso concreto da norma jurídica contida no § 3º do art. 11 da Lei nº 11.096, de 2005, conforme defende a Fazenda Nacional. 34. Sublinho que o julgador "ad quem" não está obrigado a enfrentar e/ou refutar todos os fundamentos do acórdão de primeira instância que deram esteio à manutenção da autuação fiscal. O decisório recorrido apreciou, de modo fundamentado, as questões relevantes trazidas ao debate pelas partes, com base nos fatos e no direito que entendeu aplicável à questão controvertida. 35. Mais uma vez, portanto, cabe rejeitar a alegação de omissão no acórdão suscitada pela embargante. Fl. 645DF CARF MF Processo nº 36624.000804/200701 Acórdão n.º 2401004.597 S2C4T1 Fl. 646 14 d) Parcelamento 36. Assinala a Fazenda Nacional uma outra omissão identificada no Acórdão nº 240103.866, relacionada à falta de pronunciamento sobre a adesão do contribuinte ao parcelamento especial da Lei nº 11.941, de 2009. A inclusão do débito em parcelamento, conforme noticiada às fls. 151, caracteriza a desistência do recurso voluntário, em razão da perda de interesse no julgamento do apelo recursal. 37. Verifico que às fls. 151 não há qualquer informação sobre parcelamento. Todavia, na Intimação nº 614/2010, datada de 2/8/2010, referente ao encaminhamento da decisão de piso para ciência do fiscalizado, a unidade preparadora da RFB manifestase nos termos a seguir copiados (fls. 367): 1. Pela presente dáse ciência do Acórdão ri° 1624.514 e do relatório DADR da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) , cujas cópias seguem anexas. 2. Como o contribuinte aderiu ao Parcelamento previsto na Lei 11.941/09, informamos que o processo aguarda a consolidação do parcelamento para que sejam adotadas as providências cabíveis. 38. Ocorre que no âmbito do parcelamento de que tratam os arts. 1º a 13 da Lei nº 11.941, de 2009, o requerimento de adesão não implicava a inclusão automática de débitos, visto que os créditos tributários a serem parcelados deveriam ser indicados pelo sujeito passivo no momento da consolidação do parcelamento (Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 22 de julho de 2009). 39. Daí porque, logo em seguida, na Intimação nº 714/2010, de 30/8/2010, a unidade da RFB retifica a intimação anterior e declara expressamente que ainda não havia constatado a desistência do contencioso administrativo para o crédito tributário do processo administrativo (fls. 370). 39.1 Consta também do teor da Intimação nº 714/2010 que: (...) 7. Caso o contribuinte tenha optado pela inclusão deste débito no Parcelamento previsto na Lei 11.941/09, informamos que o processo ficará sobrestado aguardando a consolidação do referido parcelamento, desconsiderando, assim, a cobrança acima. (...) 40. Nada obstante, o recurso voluntário foi protocolado em 13/9/2010, juntado às fls. 378/435, e encaminhado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em 21/9/2010, sem qualquer alusão, por parte do Fisco, à inclusão do débito tributário discutido em acordo de parcelamento (fls. 437). 40.1 Na sequência de fls. dos autos igualmente não localizei comprovação de parcelamento da NFLD nº 37.014.2373. Fl. 646DF CARF MF Processo nº 36624.000804/200701 Acórdão n.º 2401004.597 S2C4T1 Fl. 647 15 41. Destarte, pelos elementos que instruem os autos a omissão apontada pela Fazenda Nacional é manifestamente improcedente, inexistindo comprovação de desistência do contribuinte quanto à discussão administrativa do crédito tributário, devido à inclusão do débito no parcelamento especial da Lei nº 11.941, de 2009, antes do julgamento do recurso voluntário. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER dos embargos declaratórios e, no mérito, DARLHES PARCIAL PROVIMENTO para sanar a omissão existente no Acórdão nº 240103.866. Acolhemse os aclaratórios, sem efeitos modificativos, tão somente para explicitar que a análise dos recolhimentos parciais de contribuições previdenciárias foi realizada por competência, para fins da extinção do lançamento devido à decadência até 11/2001. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess. Fl. 647DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.721445/2012-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2010 a 31/12/2012
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A PRODUÇÃO RURAL DE PRODUTOR PESSOA JURÍDICA
A declaração de inconstitucionalidade pronunciada pelo Supremo Tribunal Federal nos Recursos Extraordinários nº 363.852 (sem repercussão geral) e 596.177 (com repercussão geral) não alcança o art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001, sendo válido o lançamento tributário efetuado com base neste dispositivo legal.
Numero da decisão: 2301-004.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário em virtude da concomitância com ação judicial e, na parte conhecida, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a exigência da multa de ofício de 75% nos lançamentos identificados pelos DEBCAD nº 51.009.012-5, 51.009.013-3, 51.009.016-8 e 51.009.017-6, em virtude do depósito judicial integral da obrigação tributária, vencido o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou por mantê-la por falta de previsão do depósito judicial no art. 63, § 1º da Lei 9.430/96 como hipótese para exclusão da multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Andréa Brose Adolfo Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício), Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Alexandre Evaristo Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: Relator
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2010 a 31/12/2012 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A PRODUÇÃO RURAL DE PRODUTOR PESSOA JURÍDICA A declaração de inconstitucionalidade pronunciada pelo Supremo Tribunal Federal nos Recursos Extraordinários nº 363.852 (sem repercussão geral) e 596.177 (com repercussão geral) não alcança o art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001, sendo válido o lançamento tributário efetuado com base neste dispositivo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário em virtude da concomitância com ação judicial e, na parte conhecida, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a exigência da multa de ofício de 75% nos lançamentos identificados pelos DEBCAD nº 51.009.0125, 51.009.0133, 51.009.0168 e 51.009.0176, em virtude do depósito judicial integral da obrigação tributária, vencido o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou por mantêla por falta de previsão do depósito judicial no art. 63, § 1º da Lei 9.430/96 como hipótese para exclusão da multa de ofício. (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo – Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 14 45 /2 01 2- 28 Fl. 401DF CARF MF 2 Fábio Piovesan Bozza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício), Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Alexandre Evaristo Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos. Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra a ora Recorrente, relativo às contribuições previdenciárias incidentes sobre o valor da receita bruta de comercialização da produção rural auferidas por pessoa jurídica, previstas no art. 25 da Lei nº 8.870/94, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001, decorrente de operações realizadas nos anos de 2009 e 2010. O relatório fiscal que acompanha o auto de infração informa que a Recorrente ajuizou Ação Declaratória Negativa de Relação Jurídica em face da União Federal (processo nº 2008.60.00.0087152 ou também 000871573.2008.4.03.6000), em trâmite perante a 4ª Vara Federal em Campo Grande/MS, por meio da qual se discutiria a constitucionalidade da incidência das contribuições sobre a receita de comercialização de produção rural. Todavia, a fiscalização entendeu por bem lançar os tributos juntamente com a multa de ofício de 75%, além dos juros de mora, uma vez que, “até a finalização desse relatório, nenhuma medida judicial determinando a suspensão da cobrança do tributo foi localizada” (fls. 6). De qualquer forma, reconhecendo a potencial litigiosidade da matéria, a fiscalização tomou a precaução de organizar o lançamento de ofício, separando os créditos tributários de acordo com a natureza do tributo envolvido, o destino da produção rural (se mercado interno ou se para exportação) e a existência ou não de depósito judicial: DEBCAD Tributo Operação Depósito Judicial 51.009.0109 contribuição previdenciária sobre comercialização de produção rural por PJ saídas internas não 51.009.0117 contribuição previdenciária sobre comercialização de produção rural por PJ exportação indireta não 51.009.0125 contribuição previdenciária sobre comercialização de produção rural por PJ saídas internas sim 51.009.0133 contribuição previdenciária sobre comercialização de produção rural por PJ exportação indireta sim 51.009.0141 SENAR saídas internas não 51.009.0150 SENAR exportação indireta não 51.009.0168 SENAR saídas internas sim 51.009.0176 SENAR exportação indireta sim Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10140.721445/201228 Acórdão n.º 2301004.876 S2C3T1 Fl. 362 3 A Recorrente apresentou impugnação defendendo o seguinte: (a) a discussão da matéria ventilada na ação judicial seria distinta da debatida nos presentes autos; (b) haveria decisão do Supremo Tribunal Federal, com repercussão geral, afastando a incidência das contribuições ora exigidas (RE 596.177); (c) a redação da Lei 10.256/2001 não define a contento a hipótese de incidência da contribuição em questão, caracterizandose também sob esse prisma, sua inconstitucionalidade; (d) acompanhando o desfecho a ser conferido à contribuição patronal, deve ser afastada a contribuição destinada ao SAT; e (e) por não ser agroindústria, a Recorrente não é sujeito passivo da contribuição destinada ao SENAR. O acórdão de primeira instância, proferido pela DRJ/Ribeirão Preto, não reconheceu a concomitância entre as discussões judicial e administrativa e rejeitou as demais alegações feitas pela Recorrente. O recurso voluntário não contesta a declaração de inexistência de concomitância e reapresenta as mesmas alegações contidas na impugnação. É o relatório Voto Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza A intimação do acórdão de primeira instância ocorreu em 07/07/2014 e o recurso voluntário foi interposto em 06/08/2014. Por ser tempestivo e por cumprir com as formalidades legais, dele tomo conhecimento. Concomitância entre as Discussões Judicial e Administrativa Estatui o art. 5º, inc. XXXV da Constituição Federal de 1988 que “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça de direito”. Com isso, consagrase o princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional e a garantia de acesso pleno e irrestrito de todos ao Poder Judiciário, de modo que nenhuma lesão ou ameaça a direito seja subtraída da sua apreciação e solução. O Brasil adota, desse modo, o chamado sistema inglês (de jurisdição única ou de controle judicial), em que todos os litígios são resolvidos definitivamente pelo Poder Judiciário. Isto não significa retirar da Administração Pública o poder de controlar os seus próprios atos. A diferença é que as decisões dos órgãos administrativos não são dotadas da força e da definitividade próprias das decisões do Judiciário (não fazem coisa julgada em sentido próprio, ficando sujeitas à revisão do Poder Judiciário, sempre mediante provocação). Assim, se o conflito suscitado pela Recorrente já foi submetido ao crivo do Poder Judiciário, antes ou depois do lançamento de ofício, tornase despiciendo o pronunciamento da Administração Pública, uma vez que a decisão final e definitiva sobre a contenda caberá ao órgão jurisdicional, tal como reconhece a Súmula CARF nº 1 e também o art. 78 do seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do Fl. 403DF CARF MF 4 lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Pois bem. O acórdão de primeira instância, proferido pela DRJ/Ribeirão Preto, não reconheceu a concomitância entre as discussões judicial e administrativa, sob a alegação de que o lançamento de ofício referese à incidência de contribuições devidas pela empresa sobra a receita bruta da comercialização de sua própria produção rural, prevista no art. 25, I e II da Lei 8.870/94, ao passo que a discussão judicial referese à contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural do produtor pessoa física, fundamentada no art. 25, I da Lei 8.212/91, e que poderia ser devida pela autuada, por subrogação, caso esta se enquadrasse na condição de adquirente da produção dos produtores pessoas físicas, conforme artigo 30, inc. IV, também da Lei 8.212/91. Todavia, ao analisar a petição inicial que inaugura a ação ordinária declaratória cumulada com pedido de repetição de indébito, ajuizada pela Recorrente em face da União Federal (processo nº 2008.60.00.0087152 ou também 000871573.2008.4.03.6000), constato que a indignação não se volta contra as contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção rural do produtor pessoa física (cuja responsabilidade tributária poderia recair sobre a empresa adquirente, nos termos do art. 30, inc. IV da Lei nº 8.212/91), mas verdadeiramente sobre as contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção rural da própria Recorrente, uma produtora pessoa jurídica, nos termos da Cláusula Terceira do seu contrato social: Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10140.721445/201228 Acórdão n.º 2301004.876 S2C3T1 Fl. 363 5 CLÁUSULA TERCEIRA: O objeto social desta sociedade é a exploração de atividades agrícolas, pastoris de apicultura, avicultura, suinocultura, bovinocultura, piscicultura e de outros pequenos animais. Podendo ainda, para tanto, importar ou exportar tecnologias, serviços e produtos destas mesmas naturezas e atividades. A intenção de discutir a exigibilidade da contribuição previdenciária sobre a produção rural própria transparece tanto na descrição dos fatos quanto no pedido da petição inicial. Na descrição dos fatos, às fls. 214, a Requerente assevera o seguinte (os grifos são nossos): Na condição de produtora rural, tem a requerente como objetivo social a exploração de atividades agrícolas, pastoris, de apicultura, avicultura, suinocultura, piscicultura e de outros pequenos animais, conforme faz certo o anexo Contrato Social e última alteração. Para cumprir suas finalidades, comercializa a sua produção de grãos, bem como de gado bovino para abate, conforme comprovam exemplificativamente as anexas cópias de Notas Fiscais de Saída desses produtos. (...) No entanto, embora já efetuando esses recolhimentos, sobre a “receita bruta” ou o “faturamento” e sobre a folha de salários, vem sendo compelida pela requerida ao recolhimento de outra contribuição previdenciária que diz incidir novamente sobre a “receita bruta” ou o “faturamento” e que afirma corresponder ao valor comercial de sua produção (soja e gado), cuja saída promove tanto para o mercado interno quanto para o mercado exterior. E no pedido, a Recorrente requer (os grifos são nossos): Que a final, seja a tutela antecipatória confirmada integralmente, em razão do que adiante requer: 1. A citação da requerida, na pessoa da sua ilustrada representação judicial, para responder aos termos da presente Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica, que espera, seja a final julgada inteiramente procedente, para o efeito de que seja reconhecida a inexistência de relação jurídica e a impossibilidade da realização do fato gerador da contribuição sobre o valor da produção rural da requerente, em razão dos seguintes fundamentos: a) Que, incidentalmente seja declarada a inconstitucionalidade, em sede de controle difuso, das disposições do art. 12 inciso V, alínea “a”; do art. 25, inciso I; ambos da Lei nº 8.212/91, que prescrevem, sem base constitucional, a incidência de contribuição previdenciária sobre o valor comercial de produtos Fl. 405DF CARF MF 6 rurais a cargo dos empregadores rurais, inovando na ordem jurídica e sem berço constitucional, além de não ter sido instituída no exercício da competência residual, e por isso, incompatível com as disposições do art. 195, inciso I, “b” e §§ 4º e 8º e art. 154, inciso I, ambos da Constituição Federal, como bem demonstrado no item 01 da presente exordial b) Não bastasse o pedido anterior, como demonstrado no item 02 da presente exordial, ao exigir contribuição sobre a saída com fim específico de exportação, representativa da exportação indireta, no caso inteiramente comprovada, nega vigência ao inciso I, do §2º, do art. 149, da CF/88; c) Ainda, ao cumular a pretensão, como demonstrado no item 03 da presente exordial, com a contribuição incidente sobre a folha de salários de seus empregados (art. 22, I e II, da Lei nº 8.212/91), sobre a qual já efetua os recolhimentos, viola a pretensão fiscal as disposições do caput, do art. 25, da Lei nº 8.212/91, que estabelece a natureza meramente substitutiva da contribuição pretendida É verdade que muitos dos precedentes judiciais citados na petição inicial (Recurso Extraordinário nº 363.852 e 596.177), e mesmo o pedido de declaração incidental de inconstitucionalidade feito, fazem menção ao art. 25 da Lei nº 8.212/91 (produtor rural pessoa física), e não ao art. 25 da Lei nº 8.870/94 (produtor rural pessoa jurídica): Lei nº 8.212/91 Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001) I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. Lei nº 8.870/94 Art. 25. A contribuição devida à seguridade social pelo empregador, pessoa jurídica, que se dedique à produção rural, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passa a ser a seguinte: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) I dois e meio por cento da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção; II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho. Entretanto, o art. 282, III do CPC/1973 e o art. 319, III do CPC/2015 exigem que a petição inicial indique “o fato e os fundamentos jurídicos do pedido”. Tratase da Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10140.721445/201228 Acórdão n.º 2301004.876 S2C3T1 Fl. 364 7 apresentação fática (causa de pedir próxima) e das consequências jurídicas que o autor pretende que tais fatos tenham no caso concreto (causa de pedir remota). Tais conceitos não se confundem com a fundamentação legal, que é totalmente despicienda e não compõe a causa de pedir. Afinal de contas, o juiz sabe o direito (“iura novit curia” e “da mihi factum dabo tibi ius”). Além disso, a menção ao art. 25 da Lei nº 8.212/91 – ao invés do art. 25 da Lei nº 8.870/94 – pode servir como argumento persuasivo ao convencimento do juiz, dada à proximidade das matérias tratadas e do fato daquele dispositivo ter sido o único ato no momento a ser apreciado pelo Supremo Tribunal Federal de modo favorável aos contribuintes (Recurso Extraordinário nº 363.852 e 596.177). A própria fiscalização também reconhece correlação entre a ação judicial e o auto de infração ao separar os lançamentos tributários sem e com depósitos judiciais. O Anexo 1 elenca os depósitos judiciais realizados (fls. 14) e o Relatório Fiscal de Diligência reconhece a suspensão da exigibilidade do crédito tributário (fls. 212), reproduzido a seguir: A fiscalização apenas fez constar a multa de ofício de 75% em todos os lançamentos porque, a seu ver, “até a finalização desse relatório, nenhuma medida judicial Fl. 407DF CARF MF 8 determinando a suspensão da cobrança do tributo foi localizada”, esquecendose que o próprio depósito judicial é medida autônoma e eficaz para a suspensão da exigibilidade (art. 151, inc. II, CTN). As demais questões suscitadas pela Recorrente dizem respeito à constitucionalidade das exações, matéria não passível de conhecimento no contencioso administrativo (Súmula CARF nº 1). Em virtude desses fatos, reconheço a concomitância entre as discussões judicial e administrativa em todos os DEBCAD constantes do presente processo administrativo, nos termos da Súmula CARF nº 1, e considero as contribuições definitivamente lançadas. Todavia, a multa de ofício de 75% exigida nos DEBCAD nº 51.009.0125, 51.009.0133, 51.009.0168 e 51.009.0176 deve ser cancelada, em virtude da existência de depósitos judiciais prévios ao lançamento de ofício. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer o recurso voluntário quando contesta a exigibilidade das contribuições previdenciárias, em virtude da concomitância entre as discussões judicial e administrativa; e por conhecer e dar provimento ao recurso voluntário somente para afastar a exigência de multa de ofício de 75% contida nos DEBCAD nº 51.009.0125, 51.009.0133, 51.009.0168 e 51.009.0176 (com depósitos judiciais). É como voto. Fábio Piovesan Bozza Relator Fl. 408DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11831.003470/2003-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1999
DECISÃO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE EM 1°INSTÂNCIA. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. RECURSO VOLUNTÁRIO AUSÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO.
Na hipótese em que o objeto do processo administrativo se restringe a um pedido de compensação e tal compensação é integralmente homologada em 1°instância administrativa, falta interesse de agir do contribuinte face à ausência de litígio, não merecendo ser conhecido o Recurso Voluntário apresentado.
Numero da decisão: 1201-001.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
EDITADO EM: 04/02/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli e Luiz Paulo Jorge Gomes.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator. EDITADO EM: 04/02/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli e Luiz Paulo Jorge Gomes.
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COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. RECURSO VOLUNTÁRIO AUSÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO. Na hipótese em que o objeto do processo administrativo se restringe a um pedido de compensação e tal compensação é integralmente homologada em 1°instância administrativa, falta interesse de agir do contribuinte face à ausência de litígio, não merecendo ser conhecido o Recurso Voluntário apresentado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. EDITADO EM: 04/02/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 34 70 /2 00 3- 10 Fl. 1778DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli e Luiz Paulo Jorge Gomes. Relatório O processo trata da nãohomologação das compensações solicitadas no presente processo e na DCOMP de n° 21895.16698.200906.1.7.035905, que retificou a DCOMP n°40845.56482.181103.1.37501, todas baseadas em saldo negativo de CSLL do ano calendário de 1999. As seguintes constatações serviram de fundamento para a negativa de homologação referente ao Despacho Decisório exarado pela DIORT: A DCOMP n°40845.56482.181103.1.37501 mencionava crédito relativo a saldo negativo de CSLL do exercício de 2000. Posteriormente, o contribuinte apresentou DCOMP n° 21895.16698.200906.1.7.035905, retificando o direito creditório para o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1999. Entretanto, na data de protocolização desta npvel Declaração de Compensação (20/09/2006), já havia transcorrido o lapso temporal estatuido no art. 168, inciso I do CTN para a compensação do aventado saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1999; No tocante ao anocalendário de 1997, apurouse que: i) as estimativas de CSLL de janeiro a abril de 1997 não foram informadas em DCTFe sequer recolhidas mediante DARF, o que impede o reconhecimento das mesmas. Ademais, as estimativas de CSLL dos meses de julho e gosto de 1997 foram informadas em DCTF como compensadas com saldo negativo de CSLL no anocalendário de 1996, tal compensação não pode ser acolhida; ii) a estimativa da CSLL do mês de setembro de 1997 foi declarada em DCTF como extinta por pagamento. Entretanto, este DARF não foi localizado sos sistemas da Receita Federal, o que impediu o reconhecimento da extinção desta exação; iii) o contribuinte compensou base de cálculo negativa de CSLL relativa a períodos anteriores em patamar superior ao legalmente estatuído (30% da base de cálculo da CSLL antes das compensações). Deste modo, apurouse o montante que poderia ser deduzido a tal título com base no SAPLI (fls. 151), elaborandose o quadro exposto no item 41 do Despacho Decisório, não sendo apurado saldo negativo de CSLL no anocalendário de 1997. Em relação ao anocalendário de 1998, verificouse que: i) a estimativa de CSLL de março de 1998 foi informada em DCTF como parcialmente compensada (R$ 236.563,65) com saldo negativo de CSLL de período anterior, ou seja, do anocalendário de 1997. Contudo, como inexistia tal direito creditório, esta compensação não pode ser reconhecida; ii) parte da estimativa de CSLL de março de 1998, as estimativas de abril a novembro de 1998 foram compensadas com base em liminar concedida no Mandado de Segurança n. 98.00140964. Nesta ação judicial, o Impetrante pretende compensar as quantias Fl. 1779DF CARF MF Processo nº 11831.003470/200310 Acórdão n.º 1201001.539 S1C2T1 Fl. 3 3 recolhidas a título de ILL com débitos vincendos de IRPJ e CSLL. Contudo, a sentença prolatada em primeira instância e o acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3° Região reconheceram a possibilidade de compensação apenas em relação ao IRPJ. Logo, tais compensações não possuíam amparo judicial, sendo imperiosa a desconsideração das mesmas; iii) deste modo, não havia saldo negativo de CSLL no anocalendário de 1998;. No concernente ao anocalendário de 1999, apurouse que: i) a estimativa de CSLL de março de 1999 teria sido compensada com o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1998. Entretanto, como tal direito creditório inexistia, esta compensação não pode ser convalidada; ii) a dedução de um terço da COFINS informada na DIPJ 2000 (R$ 54.420.082,08) não pode ser integralmente reconhecida, em face das seguintes impropriedades: a) apenas a COFINS efetivamente paga e alocada (R$ 46.689.434,63) seria possível de servir de base para a dedução em comento, pois as quantias informadas em DCTF como suspensas por liminar concedida no Mandado de Segurança n°1999.61.00.0103132 (R$ 7.730.411,01) não são suficientes para tanto; b) além disso, verificouse que o sujeito passivo pleiteou a restituição de importâncias recolhidas a título de COFINS no anocalendário de 1999 por intermédio do processo administrativo n°11831.007102/200260 (R$ 40.540.405,46). Deste modo, a COFINS efetivamente recolhida em 1999 e não objeto do pedido de restituição remontaria a apenas R$ 6.149.029,17; c) ademais, como apenas a COFINS devida em face do anocalendário de 1999, e recolhida no curso do mesmo, permitiria a dedução de um terço do seu valor do seu valor na DIPJ 2000, é imperiosa a exclusão do DARF de COFINS quitado em janeiro de 1999, vez que se referia ao anocalendário de 1998 (R$ 2.594.121,61). Assim, a COFINS recolhida em 1999, não objeto de restituição e referente a este anocalendário, totalizou R$ 3.551.907,52, remontando o um terço dedutível da CSLL a R$ 1.183.969,17; d) verificouse que o contribuinte não informou na DIPJ 2000 os rendimento informados em DIRF como percebidos em operações de swap (R$ 39.046.300,54) e decorrentes de juros sobre o capital próprio (R$ 843,06). Tais rendas deveriam ser informadas nas linhas 21 e 23 da DIPJ 2000, respectivamente. A fim de verificar o possível descompasso entre a adoção do regime de competência para reconhecimento das receitas com operações de swap, que poderia ter sido utilizado pelo sujeito passivo, e o regime de caixa de retenção do IR na fonte, foram analisadas as DIPJ dos anoscalendário de 1997 a 2001. Contudo em nenhuma destas declarações foram encontrados quaisquer rendimentos a este título. Logo, necessária a inclusão de tais receitas na apuração do resultado do anocalendário de 1999; iii) com base em todas as impropriedades acima descritas no anocalendário de 1999, não se verificou saldo negativo de CSLL para este período de apuração, obtendose a quantia de R$ 1.967.106,35 como saldo a pagar de CSLL. Destarte, não haveria direito creditório a ser reconhecido, não sendo cabível, em decorrência, a homologação das compensações deduzidas no presente processo. Fl. 1780DF CARF MF 4 Da Manifestação de Inconformidade A Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual traz as seguintes alegações: i) o Despacho Decisório extrapolou os limites da Declaração de Compensação n°11831.003470/200310, pois, analisou todas as compensações que já foram feitas pela Contribuinte no passado. Não bastasse isso, tal decisão também analisou a Declaração de Compensação n° 21895.16698.200906.1.7.035905, que foi objeto de outro processo administrativo. Deste modo, resta evidente que a Autoridade Administrativa desbordou de sua competência, que estaria restrita à Declaração de Compensação que lhe foi submetida, objeto do processo administrativo n°11831.003470/200310; ii) a própria decisão reconhece que tais outras compensações não são objeto do presente processo administrativo, pois, se tratam de compensações "sem processo" ou, no caso de Declaração de Compensação Eletrônica indicada no item acima, cuidada em outro processo administrativo; iii) as compensações "sem processo" fundaramse na Lei n. 8.383/91, que conferia ao contribuinte a prerrogativa de efetuar a compensação entre tributos de mesma destinação constitucional, mediante mera declaração em DCTF, que seria analisada dentro do prazo de 05 anos. Logo, esses encontros de contas são procedimento distintos da Declaração de Compensação objeto do processo em comento; iv) é certo que, como ocorre com o processo civil, o processo administrativo também tem seus limites indicados em sua peça inaugural. Desta feita, em se tratando de Declaração de Compensação, os limites serão aqueles impostos pelo contribuinte, não podendo a autoridade administrativa suplantar os mesmos no mesmo processo. Assim, se verificada determinada irregularidade na análise da Declaração de Compensação além dos limites da mesma, é imperiosa a instauração de outro processo administrativo para a cobrança do imposto supostamente devido; v) verificase que todas as compensações "sem processo" em comento foram devidamente declaradas em DCTF quando do vencimento dos tributos. Assim, teria ocorrido a homologação tácita das mesmas nos moldes do art. 150, § 4°do CTN; vi) houve desistência da compensação referente à DCOMP 21895.16698.200906.1.7.035905, que retificou a DCOMP n°40845.56482.181103.1.37501, tendo sido efetuado o pagamento do respectivo débito; vii) as estimativas de CSLL de janeiro a abril, julho e agosto de 1997 foram compensadas com saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1995, cuja comprovação consta na DIPJ/96 e de planilha acostada à manifestação. Ademais, ao contrário do constante no despacho decisório, foi recolhido DARF de parte da estimativa de CSLL do mês de agosto de 1997 (R$ 69.883,01 fls. 530) e da integralidade da estimativa de CSLL de setembro de 1997 (R$ 23.127,33 fls. 531); viii) a dedução de base de cálculo negativa de CSLL de períodos anteriores na apuração da CSLL a pagar no anocalendário de 1997 foi empreendida em montante superior ao limite de 30%, vez que a Contribuinte possuía decisão judicial que lhe amparava. Posteriormente, a Contribuinte incluiu tais débitos no REFIS, sendo que, no momento da adesão a este programa, foi recolhido o valor de R$ 142.254,67 a título de CSLL. Fl. 1781DF CARF MF Processo nº 11831.003470/200310 Acórdão n.º 1201001.539 S1C2T1 Fl. 4 5 ix) parte da estimativa de CSLL do mês de março de 1998 encontrase extinta por compensação com o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1997, nos termos do art. 156 do CTN, protestandose pela posterior juntada dos documentos comprobatórios; x) parte da estimativa da CSLL de março/98 e a integralidade das estimativas de CSLL dos meses de abril a junho de 1998 foram extintas mediante compensação com créditos titulados pela Contribuinte em decorrência do recolhimento de ILL, sendo que tal encontro de contas encontravase amparado por decisão judicial (MS n°98.00140964). Em decorrência desta tutela antecipada não ter sido integralmente confirmada em sentença, vez que reconhecida a possibilidade de compensação apenas em relação ao IRPJ, a Contribuinte resolveu acatar tal provimento, recolhendo as estimativas de CSLL que haviam sido compensadas, conforme comprovam os DARF acostados aos autos (fls. 666/674). Assim, é descabida a desconsideração destes recolhimentos empreendida no Despacho Decisório; xi) a estimativa de CSLL do mês de março de 1999 foi efetivamente compensada com o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1998; xii) os valores pleiteados em restituição a título de COFINS do ano calendário de 1999, originados de incorreção na apuração da base de cálculo desta exação, ainda não foram deferidos. Deste modo, não é possível a desconsideração da dedução de um terço destes valores da CSLL devida do mesmo período de apuração. De fato, apenas o deferimento deste pedido de restituição é que poderia acarretar tal consequência; xiii) os valores da COFINS informados em DCTF com exigibilidade suspensa por liminar concedida em Mandado de Segurança, relativos aos meses de fevereiro a junho de 1999, foram, no curso do anocalendário de 1999, efetivamente recolhidos, conforme coprivam os DARF acostados aos autos (fls 704/709). Logo, plenamente possível a dedução de um terço destes recolhimentos da CSLL devida no anocalendário de 1999; xiv) os ganhos auferidos nas operações de swap no curso do anocalendário de 1999 foram efetivamente tributados na DIPJ 2000. De fato, a própria Receita Federal já fiscalizou as receitas financeiras do anocalendário de 1999, devidamente cotejadas com os valores pagos a título de IRRF, tendo sido apurada omissão de receita financeira de apenas R$ 10.881,49. Diante desta conclusão, a Contribuinte providenciou o pagamento dos valores de PIS, COFINS, CSLL e IRPJ, com os acréscimos de juros de mora e multa, devidos sobre tal importe. Assim, é descabida a conclusão inserta em Despacho Decisório de que teria havido omissão de ganhos em operações de swap na DIPJ 2000 de R$ 39.047.143,60. xv) A fim de evidenciar a efetiva tributação dos ganhos em operações de swap na DIPJ 2000, a Contribuinte indica que os informes de rendimentos das fontes pagadoras remontaram R$ 87.534.516,94, decorrente do seguinte cálculo: Código 5426: R$ 40.845.232,12 Código 5273: R$ 39.045.800,54 Demais receitas financeiras: R$ 7.643.481,28 Total das Receitas Financeiras: R$ 57.534.516,94 Fl. 1782DF CARF MF 6 xvi) sobre o cálculo acima, o valor de R$ 39.045.800,54 se refere justamente a receitas decorrente de operações de swap. Esse valor é muito aproximado ao indicado no Despacho Decisório (R$ 39.046.300,54), demonstrando um possível equívoco da Autoridade Administrativa na análise dos cálculos da Contribuinte. Ademais, abrindo o cálculo acima, é possível especificar a origem de cada um dos comprovantes de rendimentos Esse cálculo consta da planilha anexa, sob o título "composição do total"; xvii) um dos itens deste cálculo corresponde ao valor de R$ 28.981.821,92, informado na linha 20 da Ficha 07A da DIPJ 2000, que é o ganho com operações de swap (R$ 39.046.300,54) deduzido de perdas apuradas pela Requerente, tais como as perdas com SWAP (R$ 1.724.900,25) e CDB (R$ 7.525.413,12), que não são utilizadas para cálculo do IRPJ e CSLL. Por fim, a Contribuinte indicou na Linha 24 da DIPJ 2000, receitas financeiras de R$ 50.474.176,49; xviii) é evidente que todos os ganhos percebidos em operações de swap foram regularmente oferecidos à tributação na DIPJ 2000; xix) em caráter preliminar a Contribuinte pleiteia o reconhecimento de que o s Despacho Decisório foi além do Requerido na Declaração de Compensação inserta nos autos e que já foram homologadas tacitamente todas as compensações "sem processo". Quanto ao mérito, requer o reconhecimento do direito creditório de R$ 10.030.226,56 e a homologação das compensações deduzidas por intermédio da Declaração de Compensação n°11831.003470/200310. Da Primeira Diligência Foi determinado o encaminhamento do processo à DEFIS/DIPAC/SAPAF, para informar se os ganhos auferidos pela Contribuinte no anocalendário de 1999 em decorrência de operações de swap foram oferecidos à tributação na DIPJ 2000, bem como, em caso de omissão parcial destas receitas, fora solicitada a indicação dos ganhos não oferecidos à tributação. Em resposta ao Pedido de Diligência Fiscal, a Fiscalização elaborou relatório de fls. 1513/1.515, o qual concluiu pela declaração parcial dos ganhos com operações de swap com diferença a menor de R$ 507,00. Da Segunda Diligência Em 11/11/09, fora determinada outra diligência fiscal, desta vez com o objetivo de se verificar o cabimento da alocação dos DARF de fls. 666/674 às estimativas de CSLL devidas no anocalendário de 1998. A DERAT/SPO, em Despacho de 08/07/11, concluiu que os DARF de fls 666/674 foram alocados aos créditos de CSLL (PA de 03 a 11/98), controlados no PAF 12157.000095/201047. Da decisão da DRJ Em decisão de 18/08/11, a 2°Turma da DRJ/SP1 julgou, por unanimidade, procedente em parte a Manifestação de Inconformidade da Contribuinte, para reconhecer o direito creditório de R$ 3.061.802,98 de CSLL do anocalendário de 1999 e para homologar as compensações informadas em PER/DCOMP até o limite do crédito reconhecido. Do Recurso Voluntário Fl. 1783DF CARF MF Processo nº 11831.003470/200310 Acórdão n.º 1201001.539 S1C2T1 Fl. 5 7 Inconformada, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário através da qual ratifica seus argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. Não há Recurso de Ofício. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado. Preliminar Da extrapolação da decisão administrativa Traz a Recorrente alegação no sentido de que não obstante tenha apresentado a Declaração de Compensação n° n°11831.003470/200310 cujo objeto é a compensação de débitos no valor de R$ 665 mil, a decisão administrativa (Despacho Decisório) extrapolou o objeto do processo administrativo vez que também analisou diversas outras compensações tributárias que não foram objeto da Declaração de Compensação acima mencionada. De fato, a leitura integral dos autos deste processo permite identificar que o litígio tem origem em Declaração de Compensação apresentada pela Recorrente para liquidação de débito no valor de R$665.403,96. Neste sentido, uma primeira análise já permite a conclusão de que, uma vez que o objeto do presente processo é a liquidação, por meio de compensação, de débito de R$ 665.403,96 e o crédito reconhecido pela decisão da DRJ é de R$ 3.061.802,98 referente à CSLL do anocalendário de 1999, não há mais litígio no presente processo. Veja, o próprio Contribuinte, ora Recorrente, defende que o presente processo deve restar limitado à compensação de uma débito de R$ 665.403,96, ponto este que encontra concordância do presente julgador. Neste sentido, uma vez que fora reconhecido em 1° instância um crédito de mais de R$ 3 milhões e tendo sido homologadas as compensações efetuadas até o limite deste crédito, o ora Recorrente não possui interesse de prosseguir no processo, pois, o direito que procurou ver reconhecido, qual seja, a compensação de R$ 665.403,96 de débito com um crédito tributário de período anterior, fora integralmente reconhecido, não havendo que se falar mais na continuidade do interesse de agir do Recorrente. Desta forma, não vejo aqui a ocorrência de uma nulidade como trazido pelo Recorrente, mas sim o desfecho favorável a ele no presente processo. Assim, a preliminar de nulidade deve ser afastada e o Recurso Voluntário não deve ser conhecido face à ausência de objeto ainda em litígio, vez que o direito do Contribuinte foi reconhecido e a compensação apresentada fora homologada. Fl. 1784DF CARF MF 8 Conclusão Diante do exposto, NÃO CONHEÇO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 1785DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17460.000998/2007-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2003
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 46 0. 00 09 98 /2 00 7- 11 Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 17460.000998/200711 Acórdão n.º 9202004.999 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 17460.000998/200711 Acórdão n.º 9202004.999 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 17460.000998/200711 Acórdão n.º 9202004.999 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 17460.000998/200711 Acórdão n.º 9202004.999 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 17460.000998/200711 Acórdão n.º 9202004.999 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 17460.000998/200711 Acórdão n.º 9202004.999 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 17460.000998/200711 Acórdão n.º 9202004.999 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 17460.000998/200711 Acórdão n.º 9202004.999 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 17460.000998/200711 Acórdão n.º 9202004.999 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1051DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000915/2004-85
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2003
PRECLUSÃO. JULGAMENTO PELO COLEGIADO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE.
O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastar-se do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por conseqüência, redunda na preclusão do direito de fazê-lo em outra oportunidade.
FATURAMENTO. RECEITA. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. CONCEITO.
O Supremo Tribunal Federal STF, firmou posicionamento definitivo sobre a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, o referido Tribunal não definiu em sua decisão sobre a delimitação do que seriam receitas sobre negociação de atletas". Ademais, é de se notar, contudo, o teor da Súmula 2 deste CARF (que comunga com o teor do art. 26-A do Decreto nº 70.235/1972): Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
Numero da decisão: 9303-004.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento na parte conhecida, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2003 PRECLUSÃO. JULGAMENTO PELO COLEGIADO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastar-se do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por conseqüência, redunda na preclusão do direito de fazê-lo em outra oportunidade. FATURAMENTO. RECEITA. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. CONCEITO. O Supremo Tribunal Federal STF, firmou posicionamento definitivo sobre a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, o referido Tribunal não definiu em sua decisão sobre a delimitação do que seriam receitas sobre negociação de atletas". Ademais, é de se notar, contudo, o teor da Súmula 2 deste CARF (que comunga com o teor do art. 26-A do Decreto nº 70.235/1972): Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento na parte conhecida, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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JULGAMENTO PELO COLEGIADO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por conseqüência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. FATURAMENTO. RECEITA. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. CONCEITO. O Supremo Tribunal Federal STF, firmou posicionamento definitivo sobre a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, o referido Tribunal não definiu em sua decisão sobre a delimitação do que seriam “receitas sobre negociação de atletas". Ademais, é de se notar, contudo, o teor da Súmula 2 deste CARF (que comunga com o teor do art. 26A do Decreto nº 70.235/1972): “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento na parte conhecida, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 09 15 /2 00 4- 85 Fl. 799DF CARF MF Processo nº 19515.000915/200485 Acórdão n.º 9303004.566 CSRFT3 Fl. 800 2 Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência tempestivo, interposto pela Contribuinte ao amparo do art. 64, II, e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 3401002.691, proferido pela 4º Câmara da 1º Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, julgado na sessão de 19 de agosto de 2014, o qual negouse provimento ao Recurso da Contribuinte, mantendose a exigência fiscal da COFINS sobre receitas decorrentes da negociação de atletas. Transcrevo, inicialmente, a ementa da decisão recorrida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2003 DECADÊNCIA. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal. No presente caso não houve antecipação do pagamento devendo ser aplicado o artigo 173, inciso I do CTN. IMUNIDADE. ISENÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE A Recorrente não pode ser caracterizada como entidade beneficente de assistência social, de maneira que não lhe é aplicável a imunidade prevista no art. 150, § 7º, da Constituição Federal. A isenção da Cofins prevista nos arts. 13 e 14 da Medida Provisória 2.15835 alcança apenas as receitas derivadas das atividades próprias das instituições de caráter Fl. 800DF CARF MF Processo nº 19515.000915/200485 Acórdão n.º 9303004.566 CSRFT3 Fl. 801 3 recreativo e cultural, de maneira que as receitas consideradas na autuação sujeitam se à contribuição. NEGOCIAÇÃO DE ATLETAS. RECEITAS DECORRENTES. VENDA DE BENS DE ATIVO PERMANENTE. EQUIPARAÇÃO. PRECLUSÃO. A teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por conseqüência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade, especialmente quando sua apresentação para debate se dá através da apresentação memoriais, que, por seu turno, não são sucedâneos dos recursos previstos na lei de regência do processo contencioso fiscal. FATURAMENTO. RECEITA. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. CONCEITO. As decisões plenárias definitivas do STF acerca da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de faturamento, fixaram sua abrangência ao somatório das receitas oriundas das atividades operacionais típicas da entidade, de maneira que, para os clubes de futebol, as verbas originárias da negociação de direitos sobre atletas compõe o seu faturamento, sujeitando se à incidência da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. (grifouse) O texto da decisão foi nos seguintes termos: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário quanto à preliminar de decadência de parcela do lançamento, nos termos do voto da relatora. No mérito, por maioria de votos negouse provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Ângela Sartori. A Conselheira Raquel Brandão Minatel acompanhou a divergência pelas conclusões. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl para redigir o voto vencedor. Investindo contra a decisão da 1ª Turma Ordinária da 4º Câmara, a Contribuinte arguiu dissídio jurisprudencial quanto à preclusão de matéria jurídica, incidência da Cofins sobre venda de ativo permanente como faturamento (verbas originárias da negociação de direitos sobre atletas) e a isenção prevista nos artigos 13 e 14 da MP nº 2.158 35, de 2001. O recurso teve parcial seguimento nos termos do Despacho de Admissibilidade, fls. 747/754, especialmente quanto à preclusão do direito de aduzir matéria de direito após o momento previsto no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 , à caracterização da venda de atletas, ou direitos sobre eles, como venda de ativo permanente, para fins de incidência da Cofins, e à configuração de receitas decorrentes de vendas de atletas como faturamento. Apesar de a matéria referente à caracterização da venda de atletas do ativo permanente (faturamento) para fins da incidência da COFINS estar relacionada diretamente com a preclusão, consta no voto vendedor do acórdão recorrido que não é toda receita de venda de ativo imobilizado que está excluída da incidência da Cofins. Fl. 801DF CARF MF Processo nº 19515.000915/200485 Acórdão n.º 9303004.566 CSRFT3 Fl. 802 4 Em sede de reexame de admissibilidade, o Presidente do CARF manteve na íntegra o despacho de admissibilidade do Presidente da 4ª Câmara da 3ªSeção de Julgamento. A Fazenda Nacional articulou suas contrarrazões às fls. 758 a 774 É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito, Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, porém de forma parcial em relação aos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento em parte e passo a decidir. Conforme relatado, controvertemse três temas: a preclusão do direito de aduzir matéria de direito após o momento previsto no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972; a caracterização da venda de atletas, ou direitos sobre eles, como venda de ativo permanente, para fins de incidência da Cofins; e a configuração de receitas decorrentes de vendas de atletas como faturamento. Passo ao julgamento. Preclusão do direito de aduzir matéria de direito após o momento previsto no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 Compulsando os autos, verifico que a Relatora do voto vencido a Ex. Conselheira Ângela Sartori, decidiu além dos limites da lide, especialmente quanto ao direito atinente à equiparação de verbas referentes a vendas de bens do ativo permanente, matéria aduzida pela Contribuinte exclusivamente por meio de memoriais entregues por ocasião do julgamento do processo, quando de sua primeira inclusão em pauta do colegiado a quo. Contudo, ao contrário do que vislumbrou a Relatora do voto vencido, o Conselheiro Robson José Bayerl, redator designado, de modo acertado assim decidiu: "Incide, então, no caso vertente, as disposições do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, consoante o qual “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Outrossim, não cabe alegação que este ponto controvertido estivesse implicitamente posto em discussão através do questionamento relativo à (in)constitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins promovida pela Lei nº 9.718/98, haja vista que, independente do vício de aludido diploma, as receitas de bens integrantes do ativo permanente nunca compuseram a apuração das contribuições referidas". Fl. 802DF CARF MF Processo nº 19515.000915/200485 Acórdão n.º 9303004.566 CSRFT3 Fl. 803 5 Portanto, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72, a matéria não impugnada está fora do litígio e o crédito tributário a ela relativo se torna consolidado; na ausência do litígio, a matéria não pode ser analisada em sede de recurso voluntário. Ou seja, tendo a Contribuinte impugnado apenas determinado item do lançamento, o julgador não está autorizado a dar provimento ao recurso voluntário por fundamento jurídico diverso. O contencioso administrativo, regido pelo Decreto Lei nº 70.235/72, assim como o novo codex de processo civil, impõe limites as fases processuais que devem ser observadas para o perfeito andamento do processo e adequado deslinde do litígio. A lide cravada esta delimitada precisamente pelos contornos jurídicos que foi dado pela Contribuinte, definido pelo pedido e pelos fatos e fundamentos jurídicos que o fundamentam, lançados em sua impugnação e posteriormente em seu recurso voluntário. Nesta linha, recorro aos princípios existentes no âmbito do processo civil, em vista dos permissivos expressos nos artigos 108 do Código Tributário Nacional CTN e artigo 4º da LICC, o qual podese citar o art. 141, do Novo Código de Processo Civil: “Art. 141. O juiz decidirá o mérito nos limites propostos pelas partes, sendolhe vedado conhecer de questões não suscitadas a cujo respeito a lei exige iniciativa da parte." Deste modo, o citado dispositivo revela que o Código de Processo Civil consagrou o princípio de adstrição do juiz ao pedido e da parte, como decorrente do princípio desse dispositivo. Portanto, o órgão julgador, ao apreciar a legalidade do ato administrativo, deve decidir também de acordo com a matéria inserta na impugnação do autor e/ou recurso voluntário, conforme o caso. Nessa linha, imperioso destacar a inteligência do artigo 17, do Decreto nº 70.235/72, o qual dispõe que: "considera não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Finalmente, corroborando este entendimento, trago como precedente o Acórdão nº 930301.705, julgado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, voto da lavra do Ilustre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, o qual merece destaque: "Aqueles que navegam no direito subjetivo sabem ou deveriam saber que o mar processual é bravio e desafiador, quase sempre revolto e cheio de ondas e marolas que fazem, muitas vezes o barco perder o rumo. Isso faz com que muitos se percam e não consigam completar a travessia. Mas nem tudo está perdido, os instrumentos de navegação vêm, a cada dia, se aperfeiçoando, de tal sorte, que o barqueiro que os utilizar corretamente, nunca perderá o norte e, facilmente, chegará a um porto seguro. Saindo da linguagem figurada para a real, os instrumentos são os princípios gerais e específicos que norteiam a atividade jurisdicional e, por empréstimo, a 'judicante' administrativa. Muitos desses princípios são universais, isso quer dizer que estão presente em todos, ou em quase todos, sistemas jurídicos mundiais. Na maioria das vezes, são eles incorporados à legislação processual e até mesmo à constitucional, tornandose, Fl. 803DF CARF MF Processo nº 19515.000915/200485 Acórdão n.º 9303004.566 CSRFT3 Fl. 804 6 portanto, obrigatória sua observância. Nos países, como o Brasil, em que a atividade judicante é dissociada da inquisitória, um dos pilares da jurisdição é justamente o princípio da iniciativa da parte, cuja origem remonta ao direito romano onde ao juiz era vedado proceder sem a devida provocação das partes. Predito princípio, versão moderna do ne procedat iudex ex officio; nemo iudex sine actore, foi consagrado no artigo 2º e, também, no 262, ambos do Código de Processo Civil Brasileiro." Nesse quadro, considero a matéria posta a esta Egrégia Câmara Superior preclusa, conforme art. 17 do Decreto nº 70.235/72, quanto às matérias referentes à caracterização da venda de atletas, ou direitos sobre eles, como venda de ativo permanente, para fins de incidência da Cofins, e à configuração de receitas decorrentes de vendas de atletas como faturamento, entendo estar relacionada com o mérito da preclusão, portanto, identidades idênticas, deste modo, não conheceria da matéria em sua totalidade. Contudo, para que não reste qualquer dúvida, quanto a discussão da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições do PIS/Pasep e Cofins, promovida pela Lei nº 9.718/98, para fins de caracterização ou não de verbas originárias da negociação de direitos sobre atletas como faturamento, entendo que qualquer argumento não prospera, tendo em vista que os jogadores do clube não são "bens do Ativo permanente", e nunca compuseram a apuração das referidas contribuições. Com efeito, nem todos os bens e direitos do ativo imobilizado são excluídos do campo da incidência tributária, somente os bens do ativo permanente, o qual, representa um dos elementos do ativo imobilizado, conforme dispõe o artigo 179 da Lei nº 6.404/76. Portanto, a exclusão do campo de incidência tributária alcança apenas os bens do ativo permanente, não atinge os direitos sobre negociação de atletas, considerando que as receitas oriundas de negociação de jogadores de futebol, não se tratam de receitas operacionais, ou seja, estranhas ao conceito definido pelo Supremo Tribunal Federal STF, em sede de repercussão geral. Dos votos e debates retirados dos julgamentos dos RE nºs. 357.9509/RS, 390.8405/MG, 358.2739/RS e 346.0846/PR (leading cases), depreendese que o STF fixou o entendimento de que o conceito de receita bruta envolve, não só aquelas receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Nesse sentido, invocase dois precedentes novamente da lavra do eminente Ministro Cezar Peluso: “O conceito de receita bruta sujeita à incidência da COFINS envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas também a soma das receitas oriundas do exercício de outras atividades empresariais." (RE 444.601ED, Rel. Min. Cezar Peluso, julgamento em 71106, DJ de 151206). “o certo é que não implica na sua exclusão da base de incidência das contribuições para o PIS e Cofins, mormente após a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98 dada pelo Plenário do STF. É que, conforme expressamente fundamentado na decisão agravada, o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária em comento Fl. 804DF CARF MF Processo nº 19515.000915/200485 Acórdão n.º 9303004.566 CSRFT3 Fl. 805 7 envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. (AG. REG. no RE 400.4798/RJ, Rel. Min. Cezar Peluso, julgamento em 10.10.2006). Destaco o contido no Informativo STF nº 556 que abordou, de forma mais pormenorizada, o voto proferido pelo Min. Cezar Peluso, no RE 400479 EDAgR/RJ: “O Min. Cezar Peluso afirmou que o Tribunal estaria sendo instado a definir, de uma vez por todas, o que seria a noção de faturamento constante do art. 195, I, da CF, na redação que precedeu a EC 20/98. Asseverou que a palavra faturamento teria um conceito histórico, e, demonstrando o confronto entre a teoria que entende faturamento como sinônimo de receita de venda de bens e serviços daquela que o considera resultado das atividades empresariais, reputou a segunda mais conforme ao sentido jurídicoconstitucional e à realidade da moderna vida empresarial. Explicou que a expressão teria se originado da prática comercial, correspondendo à receita decorrente da emissão de faturas nos termos da legislação comercial, mas que, ao longo do tempo, com o desenvolvimento das atividades comerciais e sua correlata expansão semiológica, terseia reconhecido a inaplicabilidade desse conceito primitivo, historicamente situado e extremamente restrito. Salientou que a palavra faturamento nunca teve no contexto da Constituição Federal o significado de vendas correspondentes à emissão de faturas, e que a adoção de faturamento do corpo constitucional não se reduziria a essa definição antiquada e em franco desuso de vendas acompanhadas de faturas. Para o relator, traçando um panorama diacrônico da conotação do termo faturamento, terseia que, assim como houvera superação do seu conceito como receita decorrente de vendas mercantis formalizadas mediante fatura em favor daquele outro que o toma no sentido de receita advinda de operações de vendas de mercadorias e serviços, seria necessário atualizar essa definição à luz das práticas atuais e empresariais, considerada a multiplicidade das atividades que ora compreenderia. RE 400479 EDAgR/RJ, rel. Min. Cezar Peluso, 19.8.2009. (RE400479) Evidenciase, desse modo, que o conceito constitucional de faturamento equivale ao de receita bruta operacional, obtida por meio de recursos decorrentes do desenvolvimento da atividadefim da empresa. A decisão do STF não determinou a exclusão destas receitas de forma indiscriminada, mas entendeu que se deve proceder a uma análise apurada dos itens tributados pela fiscalização para efetivamente verificar se estas podem ou não ser enquadradas como decorrentes da atividade empresarial da empresa (receita operacional). Sem embargo, é inquestionável que as verbas recebidas pela negociação de direitos sobre jogadores de futebol caracterizam se como receitas do exercício da atividade principal do clube, conjuntamente, com a renda sobre o direito de imagem, patrocínios, venda de títulos familiares, etc., portanto, as receitas sobre o direito dos atletas configuram faturamento, assim como, o somatório das receitas oriundas das atividades típicas do Clube. Fl. 805DF CARF MF Processo nº 19515.000915/200485 Acórdão n.º 9303004.566 CSRFT3 Fl. 806 8 Apesar do STF ter posicionamento definitivo sobre a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, o referido Tribunal não definiu em sua decisão sobre a delimitação do que seriam “ receitas sobre negociação de atletas". Ademais, é de se notar, contudo, o teor da Súmula 2 deste CARF (que comunga com o teor do art. 26A do Decreto nº 70.235/1972): “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” De tudo que foi exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso da Contribuinte em relação à preclusão de matéria jurídica e à incidência da Cofins sobre a venda de ativo permanente e, na parte conhecida, negar provimento. É como voto é como penso. (assinado digitalmente) Demes Brito Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Em atenção às matérias trazidas em Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, peço vênia ao Conselheiro Demes Brito para manifestar os fundamentos de meu entendimento. Para tanto, proveitoso trazer primeiramente que o sujeito passivo interpôs Recurso Especial, apresentando a pretensão de expor ao Colegiado da Câmara Superior de Recursos Fiscais discussões acerca das seguintes matérias: · Preclusão de matéria jurídica; · Cofins incidente sobre a venda de ativo permanente; · Caracterização das verbas originárias da negociação de direitos sobre atletas como faturamento; · Isenção prevista nos arts. 13 e 14 da MP 2.15835/01 – enquadramento de clubes de futebol como entidades isentas em relação à Cofins e alcance da expressão “receitas derivadas de atividades próprias” das instituições de caráter recreativo e cultural. Fl. 806DF CARF MF Processo nº 19515.000915/200485 Acórdão n.º 9303004.566 CSRFT3 Fl. 807 9 Vêse que, nos termos do Despacho de Admissibilidade às fls. 747 a 754, o Recurso Especial foi parcialmente admitido, sendo negado seguimento em relação à discussão acerca da isenção de que trata a MP 2.15835/01. Em relação às outras matérias admitidas em Despacho de Admissibilidade, compulsando os autos do processo, é de se verificar que apenas a discussão acerca da caracterização das verbas originárias da negociação de direito sobre atleta como faturamento deverseia ser apreciado por este Colegiado, eis que, conforme trouxe o relator na sessão, a discussão acerca da preclusão da matéria jurídica não poderia ser conhecida, vez que a “Relatora do voto vencido Ex. Conselheira Ângela Sartori, decidiu além dos limites da lide, especialmente quanto ao direito atinente à equiparação de verbas referentes a vendas de bens do ativo permanente, matéria aduzida pela Contribuinte exclusivamente por meio de memoriais entregues por ocasião do julgamento do processo, quando de sua primeira inclusão em pauta do colegiado a quo.” E, quanto à discussão acerca da Cofins incidente sobre a venda do ativo permanente, houve manifestação de que restaria prejudicada tal discussão, pois estaria vinculada ao debate da preclusão de matéria jurídica, considerando que tais matérias apenas foram trazidas em memoriais entregues pelo sujeito passivo, tendo sido afastada quando da apreciação do Colegiado do acórdão recorrido quando da apreciação dos autos do processo. O que, a rigor, não se impondo como discussão dos autos do processo, não poderia o sujeito passivo ressurgir com essas matérias em sede de recurso especial, eis que nem poderiam ser apreciadas pelo Colegiado do acórdão recorrido. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer sobre a matéria conhecida pelo Colegiado – qual seja, se há a caracterização ou não das verbas originárias da negociação de direitos sobre atletas como faturamento para fins de tributação pela Cofins. Para tanto, trago que o período ora discutido referese ao período de apuração de 1.9.1998 a 31.12.2003, ou seja, antes da vigência da Lei 10.833/03. À época, estava vigente a Lei 9.718/98 – bem como a redação do art. 3º, § 1º, dessa Lei, que trazia a base “alargada” de receita bruta para fins de tributação pelo PIS e Cofins. Não obstante o alargamento da base de cálculo das contribuições, é de se recordar que tal discussão já fora resolvida pelo STF, eis que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins com a inclusão de receitas não operacionais foi afastada pelo plenário do STF por manifesta inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, no julgamento do RE 346.0846, com a seguinte ementa: “CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. Fl. 807DF CARF MF Processo nº 19515.000915/200485 Acórdão n.º 9303004.566 CSRFT3 Fl. 808 10 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” (Recurso extraordinário nº 346.0846/PR, Relator Min. Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 9 de novembro de 2005, publicado em 11 de setembro de 2006).” Sendo assim, em respeito ao art. 62, Anexo II, do Ricarf/2015, deve esta conselheira respeitar no âmbito do CARF as decisões definitivas do STF que tenha declarado inconstitucional dispositivo, entre outros, de lei. Dessa forma, cabe trazer que o STF concluiu que somente poderia ser tributado pelo PIS e pela Cofins o faturamento – receita da venda de mercadorias e prestação de serviços. Ou seja, com a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, o PIS e a Cofins passaram a incidir somente sobre o faturamento – entendido como aquela receita decorrente das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. O que, para melhor desenvolver o meu entendimento, é de se trazer que, segundo o Estatuto Social do São Paulo Futebol Clube, vêse que o sujeito passivo tem por objetivo, entre outros, promover, desenvolver, difundir e aprimorar o desporto em todas as suas modalidades, especialmente o futebol, formando atletas e paratletas em todas as suas categorias, visando a “participação” em competições profissionais ou não profissionais, nos níveis municipal, estadual, nacional e internacional. Nos termos do Estatuto, resta claro que o direito de passe dos jogadores que o sujeito passivo adquire não poderia ser considerado como “mercadoria”, pois o sujeito passivo tem o objetivo de utilizar os jogadores para as competições profissionais. Portanto, não poderia ser entendido como “mercadoria” que, por sua vez, possui dinâmica diferente e, a rigor, deve ser produzida pelo próprio sujeito passivo para ser objeto de venda ou deve comprar para revendêla. O termo “mercadorias” advém de bens produzidos com a finalidade de venda e bens comprados para revenda, tais como mercadorias compradas para venda no atacado e no varejo. O que seria incongruente tratar a venda de direito de passes de jogadores como venda de mercadorias para fins de se considerar a receita de venda como parte do faturamento da empresa. Os jogadores são utilizados em competições futebolísticas, demandando investimentos (treinamentos, assistência à saúde, acompanhamento físico, etc.) – o que clarifica que os Clubes de Futebol não adquirem o direito de passe desses jogadores para especular esse mercado de venda de passes de jogadores, obtendo ganhos com compra e venda desses direitos a curto prazo, mas sim para investir no “time” de seu clube. Fl. 808DF CARF MF Processo nº 19515.000915/200485 Acórdão n.º 9303004.566 CSRFT3 Fl. 809 11 Dessa forma, não poderia tal venda de direitos de passe de jogadores ser considerada venda de mercadorias passível de tributação pelas contribuições. Ou seja, não há como se considerar que o produto dessa venda integraria o faturamento do sujeito passivo, pois não se trata de per si os jogadores como mercadorias, tampouco de ser essa venda parte do objeto social do São Paulo Futebol Clube. O objeto social do sujeito passivo não é fazer “trading” com direito de passes de jogadores, mas sim investir nos jogadores com a pretensão de eles participarem de competições nacionais/internacionais. Tanto é assim que, geralmente, no contrato de trabalho entre o time e o jogador – quando o sujeito passivo adquire efetivamente o direito de registrar o vínculo desportivo na sua federação, há cláusulas restritivas e penalidades, no caso de rescisão contratual. O que já expõe a pretensão de o Clube de Futebol de tratar os jogadores como “investimento”, e não como “disponíveis” para a venda – requisito essencial das mercadorias. A dinâmica e fluidez nos estoques de empresas que produzem mercadorias para a venda é muito rápida, eis que tais atos fazem parte do objeto social da empresa – que, por sua vez, seria vender as mercadorias produzidas. Diferentemente do Clube de Futebol, que adquire o direito de passes dos jogadores, firmando contrato de trabalho para que possa o jogador representar a federação e o time de futebol, e não para especular o mercado de futebol objetivando ganho fazendo “trading” de jogadores. Ademais, o termo faturamento está intimamente vinculado à exploração do objeto social, sendo decorrentes da atividade típica de cada empresa, correspondente ao seu objeto social, ou efetivamente verificada no seu cotidiano, quando esta se afaste dos objetivos expressos em seu ato constitutivo. O que, no caso vertente, resta afastar a receita de venda desses direitos da base de cálculo da Cofins, eis que o Clube de Futebol não tem como objetivo obter ganhos realizando “trading” de direitos de passe de jogadores. Em vista de todo o exposto, na parte conhecida, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 809DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.903059/2008-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DO IRPJ. ESTIMATIVAS.
Os valores do tributo apurados a título de estimativa podem ser utilizados na composição do saldo negativo apurado no encerramento do período desde que extintos mediante pagamento ou compensação.
Numero da decisão: 1402-002.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito no valor de R$ 539.246,17; homologando-se a compensação pleiteada até esse limite, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
ASSINADO DIGITALMENTE
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
1.0 = *:*
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SALDO NEGATIVO DO IRPJ. ESTIMATIVAS. Os valores do tributo apurados a título de estimativa podem ser utilizados na composição do saldo negativo apurado no encerramento do período desde que extintos mediante pagamento ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito no valor de R$ 539.246,17; homologandose a compensação pleiteada até esse limite, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ASSINADO DIGITALMENTE Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 30 59 /2 00 8- 10 Fl. 246DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente de pedido de compensação do saldo negativo do IRPJ apurado no anocalendário de 2003, no valor originário de R$ 931.418,46; com diversos débitos vencidos posteriormente. Considerando que não houve imposto devido no ajuste anual. o saldo negativo foi composto pelo somatório do valor das estimativas apuradas em alguns meses do anocalendário de 2003, mais especificamente nos meses de março, abril e maio. Tendo em vista que essas estimativas foram quitadas através de diversos pedidos de compensação, em primeira apreciação o julgamento do processo foi convertido em diligência para que fosse informada a situação dessas compensações. Em atendimento, foi apresentada Informação Fiscal pela qual constatouse que o valor correspondente às estimativas foi quitado parcialmente através da compensação pleiteada ou mediante parcelamento requerido. Remanesceu uma parcela da estimativa do mês de abril no montante de R$ 392.172,.29; decorrente de compensação não homologada., que foi objeto de manifestação de inconformidade formalizada nos autos do processo 10855.905646/200843 e estaria sob análise da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP. O colegiado prolatou a Resolução 1402000.137 determinando que aquele processo fosse apensado a este e, após decisão definitiva lá proferida, retornassem ambos para julgamento. Foi o que ocorreu. É o relatório. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10855.903059/200810 Acórdão n.º 1402002.371 S1C4T2 Fl. 247 3 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto O recurso foi tempestivo e interposto por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual dele conheço. Conforme explicitado no relatório, tratase de pedido de compensação do saldo negativo apurado no anocalendário de 2003 no montante de R$ 931.418,46; em valores originais. Tendo em vista que não houve imposto devido no ajuste anual o saldo negativo foi composto pelo somatório do valor das estimativas apuradas em alguns meses do anocalendário de 2003, especificamente nos meses de março (R$ 154.397,48), abril (R$ 433.179,67) e maio (R$ 343.841,31) Ainda de acordo com o relatório, em procedimento de diligência foi atestada a quitação, via pagamento ou parcelamento, das estimativas em questão com exceção de uma parcela referente ao mês de abril no valor de R$ 392.172,29, objeto de pedido de compensação nos autos do processo 10855.905646/200843 e, naquela ocasião, objeto de Resolução com pedido de diligência para que fosse aguardado o resultado daquele julgamento. Retornaram os autos juntamente com o processo 10855.905646/200843 e a informação de que, em decisão definitiva, a parcela do crédito em discussão naqueles autos não foi homologada. Do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o saldo negativo no anocalendário de 2003 no montante de R$ 539.246,17 (R$ 931.418,46 R$ 392.172,29) em valores originais, homologandose as compensações pleiteadas até esse limite. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 248DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.014640/2008-69
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2003
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.963
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2003 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 46 40 /2 00 8- 69 Fl. 294DF CARF MF Processo nº 15504.014640/200869 Acórdão n.º 9202004.963 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 15504.014640/200869 Acórdão n.º 9202004.963 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 296DF CARF MF Processo nº 15504.014640/200869 Acórdão n.º 9202004.963 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 297DF CARF MF Processo nº 15504.014640/200869 Acórdão n.º 9202004.963 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 15504.014640/200869 Acórdão n.º 9202004.963 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 299DF CARF MF Processo nº 15504.014640/200869 Acórdão n.º 9202004.963 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 15504.014640/200869 Acórdão n.º 9202004.963 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 301DF CARF MF Processo nº 15504.014640/200869 Acórdão n.º 9202004.963 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 15504.014640/200869 Acórdão n.º 9202004.963 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 303DF CARF MF
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Numero do processo: 19740.720183/2009-94
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE E MÉRITO. ETAPAS DISTINTAS. MOMENTO DE RECONHECIMENTO DE NULIDADE.
O mérito do recurso especial, e eventual nulidade, só podem ser apreciados caso seja superado o exame de admissibilidade, primeira etapa e estreito filtro processual. Caso não seja demonstrada divergência na interpretação da legislação tributária nos termos do regimento interno, consolida-se coisa julgada administrativa, fazendo com que não seja possível reconhecer a nulidade de ofício durante a etapa do exame de admissibilidade. Apenas na etapa seguinte, no exame do mérito, quando se aplica o direito, em que o julgador tem plena liberdade de firmar sua convicção e não fica restrito aos fundamentos das partes, que se pode, ao identificar a situação de vício insanável, reconhecer eventual nulidade ou aplicar entendimento sumular.
APLICABILIDADE DE SÚMULAS. IDENTIDADE ENTRE FATOS.
A aplicação de entendimento sumular só pode se consumar caso os fatos da autuação fiscal guardem similitude com os fatos dos acórdãos paradigmas. Diante de suportes fáticos diferentes, não há que se falar em aplicação de súmula.
FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. MULTA ISOLADA. BASE DE CÁLCULO. PRAZO.
A sanção imposta pelo descumprimento da apuração e pagamento da estimativa mensal do lucro real anual é a aplicação de multa isolada incidente sobre percentual do imposto que deveria ter sido antecipado. O lançamento, sendo de ofício, submete-se a limitador temporal estabelecido por regra decadencial do art. 173, inciso I do CTN, não havendo óbice que se seja efetuado após encerramento do ano-calendário.
Numero da decisão: 9101-002.730
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, em rejeitar as preliminares suscitadas pelo contribuinte em sede de contrarrazões e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE E MÉRITO. ETAPAS DISTINTAS. MOMENTO DE RECONHECIMENTO DE NULIDADE. O mérito do recurso especial, e eventual nulidade, só podem ser apreciados caso seja superado o exame de admissibilidade, primeira etapa e estreito filtro processual. Caso não seja demonstrada divergência na interpretação da legislação tributária nos termos do regimento interno, consolida-se coisa julgada administrativa, fazendo com que não seja possível reconhecer a nulidade de ofício durante a etapa do exame de admissibilidade. Apenas na etapa seguinte, no exame do mérito, quando se aplica o direito, em que o julgador tem plena liberdade de firmar sua convicção e não fica restrito aos fundamentos das partes, que se pode, ao identificar a situação de vício insanável, reconhecer eventual nulidade ou aplicar entendimento sumular. APLICABILIDADE DE SÚMULAS. IDENTIDADE ENTRE FATOS. A aplicação de entendimento sumular só pode se consumar caso os fatos da autuação fiscal guardem similitude com os fatos dos acórdãos paradigmas. Diante de suportes fáticos diferentes, não há que se falar em aplicação de súmula. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. MULTA ISOLADA. BASE DE CÁLCULO. PRAZO. A sanção imposta pelo descumprimento da apuração e pagamento da estimativa mensal do lucro real anual é a aplicação de multa isolada incidente sobre percentual do imposto que deveria ter sido antecipado. O lançamento, sendo de ofício, submete-se a limitador temporal estabelecido por regra decadencial do art. 173, inciso I do CTN, não havendo óbice que se seja efetuado após encerramento do ano-calendário.
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RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE E MÉRITO. ETAPAS DISTINTAS. MOMENTO DE RECONHECIMENTO DE NULIDADE. O mérito do recurso especial, e eventual nulidade, só podem ser apreciados caso seja superado o exame de admissibilidade, primeira etapa e estreito filtro processual. Caso não seja demonstrada divergência na interpretação da legislação tributária nos termos do regimento interno, consolidase coisa julgada administrativa, fazendo com que não seja possível reconhecer a nulidade de ofício durante a etapa do exame de admissibilidade. Apenas na etapa seguinte, no exame do mérito, quando se aplica o direito, em que o julgador tem plena liberdade de firmar sua convicção e não fica restrito aos fundamentos das partes, que se pode, ao identificar a situação de vício insanável, reconhecer eventual nulidade ou aplicar entendimento sumular. APLICABILIDADE DE SÚMULAS. IDENTIDADE ENTRE FATOS. A aplicação de entendimento sumular só pode se consumar caso os fatos da autuação fiscal guardem similitude com os fatos dos acórdãos paradigmas. Diante de suportes fáticos diferentes, não há que se falar em aplicação de súmula. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. MULTA ISOLADA. BASE DE CÁLCULO. PRAZO. A sanção imposta pelo descumprimento da apuração e pagamento da estimativa mensal do lucro real anual é a aplicação de multa isolada incidente sobre percentual do imposto que deveria ter sido antecipado. O lançamento, sendo de ofício, submetese a limitador temporal estabelecido por regra decadencial do art. 173, inciso I do CTN, não havendo óbice que se seja efetuado após encerramento do anocalendário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 72 01 83 /2 00 9- 94 Fl. 878DF CARF MF Processo nº 19740.720183/200994 Acórdão n.º 9101002.730 CSRFT1 Fl. 879 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, em rejeitar as preliminares suscitadas pelo contribuinte em sede de contrarrazões e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela FAZENDA NACIONAL (efls. 748/755) em face da decisão proferida no Acórdão nº 1301001.271 (efls. 748/755), pela 1ª Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção, na sessão de 08/08/2013, no qual foi negado provimento ao recurso de ofício e dado provimento parcial ao recurso voluntário. Resumo Processual Foram lançados os autos de infração de IRPJ e CSLL (efls. 395/413) conforme Termo de Verificação Fiscal de efls. 371/394. Após apreciar a impugnação (efls. 417/436) apresentada pela Contribuinte, a primeira instância (DRJ) julgou a impugnação procedente em parte. Em razão do crédito tributário exonerado foi efetuada remessa necessária. Foi interposto recurso voluntário pela Contribuinte. A turma ordinária do CARF negou provimento ao recurso de ofício e deu provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a imputação da multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativas mensais, relativas aos anoscalendário de 2005 e 2006. Ambas as partes foram cientificadas da decisão. Foi interposto pela PGFN recurso especial (efls. 748/755), tratando da matéria de multa isolada, admitido por despacho Fl. 879DF CARF MF Processo nº 19740.720183/200994 Acórdão n.º 9101002.730 CSRFT1 Fl. 880 3 de exame de admissibilidade (efls. 757/760). A Contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 825/829). Foi interposto pela Contribuinte recurso especial (efls. 768/783), cujo seguimento foi negado pelo despacho de exame de admissibilidade (efls. 856/857). A seguir, maiores detalhes da fase contenciosa. Da Fase Contenciosa. A contribuinte apresentou impugnação (efls. 417 e segs.). A impugnação foi julgada procedente em parte pela 9ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, nos termos do Acórdão nº 12.408, de 31/01/2011, (efls. 617 e segs.), conforme ementa a seguir: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceituam os artigos 142, do CTN, e 10 e 59, do PAF. É absolutamente regular que mais do que um auto de infração sejam originados de um mesmo Mandado de Procedimento Fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LANÇAMENTO DE VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA AO FINAL DO ANOCALENDÁRIO EM DECORRÊNCIA DE MUDANÇA DE REGIME DE TRIBUTAÇÃO DAS VARIAÇÕES CAMBIAIS DE CAIXA PARA COMPETÊNCIA NO ANOCALENDÁRIO SEGUINTE. AUSÊNCIA DE PROVA DA MUDANÇA. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Relativamente a títulos cujos rendimentos estão vinculados à variação cambial, é improcedente o lançamento de variação cambial ativa ao final do anocalendário em que as variações cambiais vinham sendo oferecidas à tributação pelo regime de caixa e em que não houve resgate dos títulos, se não ficar provado que no anocalendário seguinte passaram a sêlo pelo regime de competência, ainda mais quando os elementos constantes dos autos apontam no sentido de que o contribuinte continuou no regime de caixa. REVERSÃO DE PROVISÕES DE DESPESAS DEDUTÍVEIS E INDEDUTÍVEIS DE PIS E COFINS. Se num determinado anocalendário são feitas reversões das provisões efetuadas em anos anteriores de despesas de PIS e Cofins dedutíveis, em decorrência de decisão judicial que considerou não mais exigíveis as obrigações correspondentes a essas despesas, os valores dessas reversões são tributáveis, exceto a parte dessas despesas que foi considerada indedutível por força de glosa efetuada pelo Fisco. Fl. 880DF CARF MF Processo nº 19740.720183/200994 Acórdão n.º 9101002.730 CSRFT1 Fl. 881 4 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DA RECEITA CORRESPONDENTE AO IMPOSTO RETIDO NA FONTE. LANÇAMENTO DA RECEITA OMITIDA. APURAÇÃO DO IMPOSTO LEVANDO EM DEVIDA CONSIDERAÇÃO O IMPOSTO RETIDO NA FONTE. Verificado que na contabilização dos juros sobre o capital próprio o contribuinte investidor deixou de registrar a receita correspondente ao imposto de renda retido na fonte pela empresa investida, lançase a receita omitida, sendo que na apuração do imposto a pagar levase na devida consideração o imposto retido. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO DO CONTRIBUINTE PAGO A TERCEIROS. Os juros sobre o capital próprio que, de direito, são do contribuinte investidor, devido a sua posição acionária na empresa investida, devem ser contabilizados como receita do contribuinte, independentemente de terem sido pagos a terceiros. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. RECONHECIMENTO DA RECEITA PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. Os juros sobre o capital próprio devem ser reconhecidos pelo contribuinte investidor como receita em contrapartida de direitos a receber, observado o regime de competência, isto é, quando os juros forem creditados (disponibilidade jurídica), o qual é o mesmo momento em que a empresa investida os registra como despesa em contrapartida de obrigações a pagar. POSTERGAÇÃO DO OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DE RECEITAS DE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. Primeiramente verificase se a postergação do oferecimento à tributação de receitas de juros sobre o capital próprio causou ou não indevida redução do lucro real, e, em conseqüência, apura se ou não o imposto que deixou de ser cobrado. Após, apurase o efeito da postergação do imposto que foi pago, cobrandose o imposto calculado em decorrência da aplicação do método da imputação proporcional. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. Na falta de recolhimento de estimativas, deve ser aplicada a multa isolada de 50% sobre os valores de estimativas não recolhidas, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal no ano calendário correspondente. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% NÃO SE CONFIGURA COMO CONFISCO. A aplicação da multa de 75% não se configura como confisco, eis que prevista em artigo de Lei regularmente inserido no ordenamento jurídico e dele não afastada, o artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. Fl. 881DF CARF MF Processo nº 19740.720183/200994 Acórdão n.º 9101002.730 CSRFT1 Fl. 882 5 JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC. Os juros de mora com base na taxa SELIC encontram previsão legal em normas regularmente editadas, não tendo o julgador administrativo competência para apreciar argüições de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade das mesmas, pelo seu dever de agir vinculadamente a elas. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004, 2005, 2006 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Em regra, aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito, tomandose o cuidado de verificar as exceções à regra geral. Em razão do crédito tributário exonerado ter ultrapassado o limite de alçada, foi efetuada remessa necessária. Foi interposto recurso voluntário pela Contribuinte (efls. 677/688), apreciado pela 1ª Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção, na sessão de 08/08/2013, que, no Acórdão nº 1301001.271 (efls. 748/755), decidiu negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a imputação de multa isolada de IRPJ e CSLL por insuficiência de recolhimento de estimativa mensal, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 RECURSO DE OFÍCIO. VARIAÇÃO CAMBIAL. RESULTADO NEGATIVO. Restando verificado nos autos que entre a data da aquisição dos títulos analisados e a sua respectiva liquidação, a variação cambal correspondente indicaria resultado negativo, não se há falar em eventual descumprimento de obrigação tributária pela contribuinte. Mantendose o regime de tributação da contribuinte pelo regime de competência, indevida se apresenta a glosa efetivada. RECURSO VOLUNTÁRIO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE. O período de competência, para efeito de dedutibilidade dos juros sobre capital próprio, é aquele em que há deliberação para pagamento ou crédito dos mesmos, podendo, inclusive, remunerar o capital tomando por base o valor existente em períodos pretéritos, desde que respeitado os critérios e limites previsto em lei na data da deliberação do pagamento ou crédito. MULTA ISOLADA. NÃO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. Fl. 882DF CARF MF Processo nº 19740.720183/200994 Acórdão n.º 9101002.730 CSRFT1 Fl. 883 6 A multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ/CSLL sobre base de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de oficio prevista no art. 44, inciso I, da Lei no 9.430/1996. No curso do período de apuração, descumprido o dever de antecipar, incide a penalidade sobre as estimativas não recolhidas. Porém, após o encerramento do período, quando já não existe mais o dever de antecipar, mas sim e unicamente o de promover o ajuste pelo confronto entre o valor devido. MULTA DE OFÍCIO. ABUSIVIDADE DO PERCENTUAL DE 75%. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Foi interposto pela PGFN recurso especial (efls. 748/755), no qual aponta a divergência entre a decisão recorrida, que afastou a imputação da multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativa mensal por ter sido lançada após o encerramento do anocalendário, e decisão paradigma que entendeu não haver óbice para que o lançamento fiscal em questão pudesse ser realizado em momento posterior a 31 de dezembro do ano calendário objeto de apuração. O Despacho de Exame de Admissibilidade de efls. 757/760 deu seguimento ao recurso. Em contrarrazões (efls. 825/829), a Contribuinte faz arguição de nulidade, de cerceamento do direito de defesa, discorrendo que, apesar de ter sido intimada, e a intimação ter feito referência de que estariam sido enviadas cópias das razões do recurso especial da PGFN, tal fato não teria ocorrido, o que prejudicou a análise das razões do recurso, razão pela qual requer diligência para determinar a inclusão, nos atos da intimação, da cópia integral do recurso especial. Aduz ainda que no caso se aplicaria o disposto da Súmula nº 283 do STF, porque a Fazenda Nacional recorreu apenas em uma das matérias em que foi sucumbente, quando deveria ter recorrido de todas as outras matérias no qual obteve resultado desfavorável (variação cambial e reversão das provisões de despesas dedutíveis e indedutíveis de PIS e Cofins). Enfim, protesta pela aplicação da Súmula CARF nº 105, vez que o acórdão paradigma foi proferido em momento anterior à edição do entendimento sumular, e aduz que a nulidade da intimação não necessitaria ser declarada caso o mérito seja decidido a favor da parte, conforme art. 249, § 2º do CPC/73. Também foi interposto pela Contribuinte recurso especial (efls. 768/783), cujo seguimento foi negado, em caráter definitivo, por despacho de exame de admissibilidade (efls. 856/857), por falta de apresentação de paradigma. É o relatório. Fl. 883DF CARF MF Processo nº 19740.720183/200994 Acórdão n.º 9101002.730 CSRFT1 Fl. 884 7 Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Preliminarmente, suscita a Contribuinte pela apreciação de duas preliminares. Primeiro, pela ocorrência de cerceamento de defesa e segundo aduzindo pretensa omissão da PGFN na interposição do recurso especial, e também pela aplicação de entendimento sumular. Ocorre que a apreciação de preliminares, de ofício, antes de efetuado o exame de admissibilidade do recurso especial não é possível. Nos termos do Regimento Interno do CARF (RICARF), o recurso especial deve, inicialmente, demonstrar divergência jurisprudencial na interpretação da legislação tributária, mediante apresentação de acórdão(s) paradigma(s). Em cotejo com a decisão recorrida, realizase o exame de admissibilidade. Apenas se superado o exame de admissibilidade, passase à apreciação do mérito e eventual apreciação de nulidade ou entendimento sumular. O art. 1034 do Código de Processo Civil dispõe com clareza: Art. 1.034. Admitido o recurso extraordinário ou o recurso especial, o Supremo Tribunal Federal ou o Superior Tribunal de Justiça julgará o processo, aplicando o direito. Parágrafo único. Admitido o recurso extraordinário ou o recurso especial por um fundamento, devolvese ao tribunal superior o conhecimento dos demais fundamentos para a solução do capítulo impugnado. (grifei) Na realidade, conforme a abalizada doutrina de NELSON NERY JÚNIOR e ROSA MARIA DE ANDRADE NERY 1, o dispositivo vem consagrar a súmula do STF nº 456 (O Supremo Tribunal Federal, conhecendo do recurso extraordinário, julgará a causa, aplicando o direito à espécie) e o Regimento Interno do STJ, art. 257 (No julgamento do recurso especial, verificarseá, preliminarmente, se o recurso é cabível. Decidida a preliminar pela negativa, a Turma não conhecerá do recurso; se pela afirmativa, julgará a causa, aplicando o direito à espécie). Passandose pela primeira etapa, o exame de admissibilidade, a etapa seguinte, apreciação do mérito, demanda a aplicação do direito. Ou seja, não fica o julgador limitado estritamente aos fundamentos aduzidos pelas partes. Pelo contrário, tem liberdade para aplicar o direito ao caso concreto, o que lhe permite, inclusive, decidir pela nulidade caso identifique situação prevista pela legislação. Ou seja, eventual apreciação de nulidade ou apreciação de aplicação de entendimento sumular só poderá ser realizada caso exame de admissibilidade seja superado nos termos previstos no art. 67 do Anexo II do RICARF. 1 JÚNIOR, Nelson Nery. Comentários ao Código de Processo Civil. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2015, p. 2173. Fl. 884DF CARF MF Processo nº 19740.720183/200994 Acórdão n.º 9101002.730 CSRFT1 Fl. 885 8 Nesse sentido, passo ao exame de admissibilidade. Entendo que os acórdãos paradigma apresentam com clareza divergência em relação à decisão recorrida. Transcrevo excerto do voto recorrido: Após o encerramento do respectivo período de apuração, não mais se há falar em obrigação tributária de antecipações, mas sim de apuração do respectivo montante efetivamente devido, sendo, portanto, indevida a exigência do seu pagamento e, também, das respectivas penalidades daí decorrentes, verificandose, a esse respeito, inclusive, os seguintes arestos colhidos da jurisprudência deste Conselho: (...) Nesses termos, entendo indevida a aplicação da multa isolada sobre o nãorecolhimento das estimativas após o encerramento do anocalendário, somente sendo devida, nesses casos, a aplicação da correspondente multa de ofício, não se havendo falar, destarte, em cumulação de ambas as penalidades, devendo, em relação a esse ponto, especificamente, ser acolhido o recurso voluntário apontado. (grifei) Observase que o fundamento basilar é a impossibilidade de imputação da multa isolada sobre o não recolhimento das estimativas mensais após o encerramento do ano calendário. Por sua vez, o acórdão paradigma nº 140100.107 apresenta ementa clara dispondo sobre interpretação da legislação tributária de maneira divergente, no sentido de ser possível o lançamento em debate após o encerramento do anocalendário: IRPJ – CSLL – MULTA ISOLADA. Por se referirem a infrações distintas, a multa de oficio exigida isoladamente sobre o valor do imposto apurado por estimativa no curso do anocalendário, que deixou de ser recolhido, é aplicável concomitantemente com a multa de oficio calculada sobre o imposto devido com base no lucro real, mesmo que o lançamento ocorra após o encerramento do anocalendário. (Grifei) Atendidos, portanto, os requisitos previstos no art. 67 do Anexo II do RICARF, razão pela qual conheço o recurso especial da PGFN. Passo para a próxima etapa do exame recursal. Conforme já dito, como foi superada a admissibilidade, tornase possível apreciar as preliminares suscitadas pela Contribuinte. Primeiro, reclama pela ocorrência de cerceamento de defesa. Relata que, ao ter recebido intimação da unidade preparadora, dando ciência da decisão recorrida e do recurso interposto pela PGFN, houve menção no documento de que estariam em anexo as cópias da decisão e do recurso. Fl. 885DF CARF MF Processo nº 19740.720183/200994 Acórdão n.º 9101002.730 CSRFT1 Fl. 886 9 Contudo, ao contrário do aduzido, não constou, na intimação, a cópia do recurso, o que lhe impossibilitou de ter acesso ao conteúdo das razões apresentadas pela PGFN. Nesse sentido, sua defesa teria sido prejudicada, inclusive pelo fato de que, apesar de poder requisitar o acesso à cópia do recurso junto à Receita Federal, tratase de procedimento que demanda um tempo para ser atendido, enquanto que o prazo de quinze dias para apresentação de contrarrazões não sofre interrupção. Nesse contexto, requer pela realização de diligência, para se determinar a inclusão, nos atos da intimação, da cópia integral do recurso especial da PGFN. Não assiste razão à Contribuinte. Analisando os documentos do processo, não ocorreu nenhuma desobediência ao rito previsto pelo Decreto nº 7.547, de 2011, que regulamenta o processo administrativo tributário. No caso, foi feita a intimação por via postal, e consta a prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo (efls. 764): Art. 10. As formas de intimação são as seguintes: II por via postal ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, inciso II, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997, art. 67); (...) Art.11. Considerase feita a intimação: (...) II se por via postal, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 2º, inciso II, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997, art. 67); (...) Não há reparos ao procedimento da unidade preparadora. Sobre a menção da cópia do recurso, vale transcrever excerto do termo de intimação (efls. 762): Seguem em anexo, para ciência, cópia do Acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), que deu provimento parcial ao recurso voluntário e negou provimento ao recurso de ofício, e cópia do recurso especial interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional. Ainda que se pudesse considerar que a cópia do recurso não estivesse entre os documentos entregues, poderia a Contribuinte ter apresentado contrarrazões no prazo de quinze dias e, posteriormente, após ter acesso ao inteiro teor do recurso, apresentar petição complementar, esclarecendo o motivo. O direito de peticionar tem amparo no art. 5º, inciso XXXIV, "a", da Constituição Federal 2. 2 XXXIV são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: Fl. 886DF CARF MF Processo nº 19740.720183/200994 Acórdão n.º 9101002.730 CSRFT1 Fl. 887 10 Faculdade que não foi exercida desde o dia que tomou ciência da intimação, em 22 de junho de 2015. Ora, mais de um ano e seis meses se passaram, prazo mais do que suficiente para que se pudesse obter as cópias do recurso especial da PGFN e se pudesse apresentar uma petição dispondo sobre considerações complementares, se fosse o caso. O brocardo jurídico "o direito não socorre aos que dormem" aplicase como uma luva ao presente caso. Afasto, portanto, a preliminar arguida. Segundo, manifestase a Contribuinte em contrarrazões no sentido de que a PGFN deveria ter manifestado, no seu recurso, insatisfação em relação a todas as matérias que lhe foram desfavoráveis na decisão proferida pela turma a quo. E, no caso, a PGFN interpôs recurso pedindo apenas pelo restabelecimento da multa isolada, quando deveria também ter apresentado protesto em relação a outras duas matérias variação cambial e reversão das provisões de despesas dedutíveis e indedutíveis de PIS e Cofins), razão pela qual se aplicaria o disposto na Súmula nº 283 do STF: É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles. Sobre o assunto, primeiro há que se esclarecer que entendimento sumular proferido pelo STF (desde que não vinculante) não vincula o CARF (art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF RICARF). Ademais, a súmula do STF trata da necessidade de se impugnar os fundamentos principais de uma determinada matéria. Ou seja, se o recurso, diante de uma decisão que apresenta, em relação a uma matéria, dois fundamentos principais, e discorre apenas sobre um deles, deverá ser não conhecido. Vale transcrever a jurisprudência sobre o assunto disponibilizada no sítio do STF: (...) 2. A ausência de impugnação específica de um dos fundamentos nodais do acórdão recorrido enseja o não conhecimento do recurso extraordinário, incidindo, o enunciado da Súmula n. 283 do STF, verbis: É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles. 3. É que configura princípio básico da disciplina dos recursos o dever que tem o recorrente de impugnar as razões da decisão atacada, por isso que deixando de fazêlo, resta ausente o requisito de admissibilidade consistente na regularidade formal, o que à luz da Súmula n. 283/STF, conduz ao nãoconhecimento do recurso interposto. 4. Os princípios da legalidade, do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, da motivação das decisões judiciais, bem como os limites da coisa julgada, quando a verificação de sua ofensa dependa do reexame prévio de normas infraconstitucionais, revelam ofensa indireta ou reflexa à Constituição Federal, o que, por si só, não desafia a abertura da instância extraordinária. Precedentes. 5. Agravo regimental a que se nega provimento." (AI 846446 AgR, Relator Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgamento em 13.9.2011, DJe de 27.9.2011). a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; Fl. 887DF CARF MF Processo nº 19740.720183/200994 Acórdão n.º 9101002.730 CSRFT1 Fl. 888 11 Confundese a Contribuinte, ao entender que matéria e fundamento são a mesma coisa. No presente caso, são matérias autônomas a (1) variação cambial, (2) reversão das provisões de despesas dedutíveis e indedutíveis de PIS e Cofins e (3) multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativa mensal. E tem a parte, com base nos princípios basilares do direito processual (art. 5º, inciso LV da Lei Maior), optar por apresentar recurso ou por não apresentar recurso. E, apresentando recurso, devolver a discussão de todas as matérias no qual foi sucumbente, ou devolver a discussão para o juízo ad quem de apenas uma matéria que considerou julgada insatisfatoriamente pelo juízo a quo. Afasto, portanto, a preliminar arguida pela Contribuinte. Enfim, protesta em contrarrazões pela aplicação da Súmula CARF nº 105 ao caso concreto: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. De fato, cabe apreciar a aplicação do entendimento sumular, vez que os lançamentos fiscais referemse aos anoscalendário de 2005 e 2006. Conforme sítio do CARF, os acórdãos paradigmas que fundamentam a redação sumular são os de nº 9101001.261, de 22/11/2011; 9101001.203, de 17/10/2011; 9101001.238, de 21/11/2011; 9101001.307, de 24/04/2012; 1402001.217, de 04/10/2012; 110200.748, de 09/05/2012; e 1803001.263, de 10/04/2012. Da leitura dos paradigmas, resta evidente que, além de tratarem de autuações relativas a fatos geradores anteriores ao anocalendário de 2007, quando foi alterada a redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 (pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15/06/2007), dispõem sobre situação em que se entende haver concomitância entre a multa isolada e a multa de ofício. Vale transcrever a premissa expressa por um dos paradigmas (Acórdão nº 110200.748, efls. 1253 e segs. dos autos do processo nº 13884.003309/200518): No caso destes autos, constatase que o valor da base de cálculo da multa isolada está inserido na base de cálculo da multa de ofício. Levandose em conta que é o bem público que deve ser protegido, aplicar a multa proporcional cumulativamente com a multa isolada, por falta de recolhimento da estimativa sobre os valores apurados, em procedimento fiscal, sobre base de cálculo de idêntico valor, implicaria admitir que, sobre o imposto apurado de ofício, se aplicaria duas punições, que significaria em relação à falta, a imposição de penalidade desproporcional ao proveito obtido. (grifei) Fl. 888DF CARF MF Processo nº 19740.720183/200994 Acórdão n.º 9101002.730 CSRFT1 Fl. 889 12 Isso porque se entendeu que a multa isolada e multa de ofício compartilhariam uma mesma materialidade, cognição do qual não compartilho, mas me rendo diante da interpretação vinculante da súmula em debate. A situação é aquela quando a Fiscalização identifica a infração tributária principal e faz uma nova apuração anual da base de cálculo que será objeto de lançamento de ofício do IRPJ ou da CSLL. E, ao refazer a apuração da base de cálculo, também faz ajustes na apuração mensal a título de suspensão/redução dos balancetes, e, caso se identifique tributo a pagar, apurase a base tributável de imposto por estimativa que deveria ser recolhido, a partir do qual se aplica o percentual para se calcular a multa isolada. Ocorre que a presente autuação não trata dessa situação. O lançamento fiscal resultado das infrações tributárias principais, (1) tributação da variação cambial ativa; (2) reversão de provisões para pagamentos a efetuar PIS e Cofins; (3) receita de juros sobre capital próprio recebido e não reconhecido no resultado do exercício e (4) inobservância do regime de competência no registro contábil de determinadas receitas de juros sobre capital próprio, que tomou como base valores não oferecidos à tributação pela Contribuinte, foi acompanhado apenas da multa de ofício. Por sua vez, o lançamento fiscal de multa isolada tomou como base de cálculo os valores já informados pela Contribuinte, no decorrer da ação fiscal, que não foram objeto de nova apuração da base de cálculo para determinação da autuação principal. Vale transcrever o que diz a autuação fiscal: Em atendimento ao item 2 do Termo de Intimação Fiscal nº 008, o contribuinte justificou as diferenças apontadas nas bases de cálculo dos pagamentos mensais do IRPJ e CSLL, afirmando que efetivamente utilizou o regime de estimativa para a base de cálculo do IRPJ e da CSLL do anocalendário de 2005. Afirmou também que houve um equívoco de informação no preenchimento da DIPJ 2006 (anocalendário de 2005), pois assinalou que o quadro que indica "base em balanço ou balancete de suspensão ou redução", quando deveria ter sido indicado o quadro de "estimativa com base na receita bruta e acréscimos"), (fl. 115). Enfatizamos que a resposta relato o ano de 2004, contudo o que ocorreu foi um erro de digitação, pois a Intimação e as bases de cálculo das estimativas fornecidas pelo contribuinte referemse ao anocalendário de 2005. O contribuinte forneceu as planilhas relativas às bases de cálculo usadas para recolhimento das estimativas mensais do anocalendário de 2005 e novembro e dezembro de 2006, (fls. 122/126). Comparamos as planilhas relativas às bases de cálculo fornecidas pelo contribuinte com os valores lançados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, código receita IRPJ 231901 e CSLL 246901 dos anos calendário de 2005 e 2006, (fls. 185/196) e identificamos as seguintes divergências que resultaram no lançamento da multa de ofício isolada (...). Fl. 889DF CARF MF Processo nº 19740.720183/200994 Acórdão n.º 9101002.730 CSRFT1 Fl. 890 13 Observase, com clareza, que a base de cálculo da multa isolada tomou como base resultados informados pela Contribuinte em momento anterior à nova apuração da base de cálculo efetuada pela Fiscalização ao efetuar os lançamentos de ofício. E a multa foi aplicada sobre a diferença entre o valor informado pela Contribuinte e o valor confessado em DCTF, precisamente a título de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, valores apurados antes dos ajustes efetuados pela autoridade autuante para determinar a base de cálculo dos lançamentos de ofício das infrações tributárias (1) tributação da variação cambial ativa; (2) reversão de provisões para pagamentos a efetuar PIS e Cofins; (3) receita de juros sobre capital próprio recebido e não reconhecido no resultado do exercício e (4) inobservância do regime de competência no registro contábil de determinadas receitas de juros sobre capital próprio. Evidente, portanto, que a base de cálculo da multa isolada, com base em valores informados e que não foram objeto do lançamento fiscal principal, não tem relação com a base de cálculo dos valores que não foram declarados e, por isso, foram objeto do lançamento fiscal principal. O esquema gráfico a seguir ilustra a diferença: Portanto, a autuação relativa a multa isolada tratada nos presentes autos encontrase fora do escopo tratado pela Súmula CARF nº 105: Objeto da Autuação Objeto da Autuação Valores não oferecidos à tributação e objeto do lançamento fiscal Valores Declarados e que não foram objeto de lançamento fiscal do principal Incidência da Penalidade Incidência da Penalidade Multa de Ofício Multa Isolada por Insuficiência de Estimativa Mensal Autuação Fiscal Valores não oferecidos à tributação e objeto do lançamento fiscal Multa Isolada por Insuficiência de Estimativa Mensal e Multa de Ofício Premissa dos acórdãos paradigmas da Súmula nº 105 Fl. 890DF CARF MF Processo nº 19740.720183/200994 Acórdão n.º 9101002.730 CSRFT1 Fl. 891 14 Nesse sentido, afasto a aplicação da Súmula CARF nº 105. Passo ao exame do mérito do recurso especial. Tomandose por base todo o exposto até o momento, entendo que não há reparos a fazer na autuação fiscal, sendo necessário apenas tecer considerações complementares. O lucro real é um dos regimes de tributação existentes no sistema tributário, atualmente regido pela Lei nº 9.430, de 1996, aplicado a partir do anocalendário de 1997: Capítulo I IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Seção I Apuração da Base de Cálculo Período de Apuração Trimestral Art. 1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. (grifei) No lucro real, podese optar pelo regime de apuração trimestral ou anual. Vale reforçar que é uma opção do contribuinte aderir ao regime anual ou trimestral. E, no caso do regime anual, a lei é expressa ao dispor sobre a apuração de estimativas mensais. Transcrevo redação vigente à época dos fatos geradores objeto da autuação: Lei nº 9.430, de 1996 Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a Objeto da Autuação Valores não oferecidos à tributação e objeto do lançamento fiscal Valores Declarados e que não foram objeto de lançamento fiscal do principal Incidência da Penalidade Multa de Ofício Multa Isolada por Insuficiência de Estimativa Mensal Escopo da Súmula Autuação Fiscal Fl. 891DF CARF MF Processo nº 19740.720183/200994 Acórdão n.º 9101002.730 CSRFT1 Fl. 892 15 aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. ................................................................................ Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. Observase, portanto, com base em lei, a obrigatoriedade de a contribuinte optante pelo regime de lucro real anual, apurar, mensalmente, imposto devido, a partir de base de cálculo estimada com base na receita bruta, ou por balanço ou balancete mensal, esta que, inclusive, prevê a suspensão ou redução do pagamento do imposto na hipótese em que o valor acumulado já pago excede o valor de imposto apurado ao final do mês. Tratase de obrigação imposta ao contribuinte que optar pelo regime do lucro real anual. E o legislador, com o objetivo de tutelar a conduta legal, dispôs penalidade para o seu descumprimento. No caso, a prevista no art. 44 da mesma Lei nº 9.430, de 1996 (redação à época dos fatos geradores): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 892DF CARF MF Processo nº 19740.720183/200994 Acórdão n.º 9101002.730 CSRFT1 Fl. 893 16 § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Registrese que o percentual da multa isolada sobre estimativa mensal não recolhida, foi alterado de 75% para 50%, com base na Lei nº 11.488, de 2007. A sanção imposta pelo sistema é claríssima: caso descumprido o pagamento da estimativa mensal, cabe imputação de multa isolada, sobre a totalidade (caso em que não se pagou nada a título de estimativa mensal) ou diferença entre o valor que deveria ter sido pago e o efetivamente pago, apurado a cada mês do anocalendário. Penalizase a conduta de descumprimento de obrigação tributária, de pagamento de tributo de maneira antecipada conforme determinação expressa da legislação. A sanção tem base legal. E mais: expressamente dispõe que é cabível ainda que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL. E se trata de multa, gênero, isolada, espécie, a ser lançada de ofício e cujo prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I do CTN. Pode sim ser efetuado lançamento após o anocalendário, naturalmente dentro do período não atingido pela decadência. Nesse contexto, entendo que, no caso concreto, não há base legal para se afastar a multa isolada. No caso concreto, diante do cotejo efetuado pela autoridade fiscal, no qual restou comprovado que foram confessados em DCTF apenas parte do valor informado a título de estimativa mensal, a diferença foi objeto do lançamento fiscal. Consumarseia situação de exceção, e um prêmio para as pessoas jurídicas que descumprissem deliberadamente a lei tributária. Por qual razão a pessoa jurídica que descumpre conduta prevista em lei deve receber tratamento diferente (e vantajoso) daquela que cumpriu com suas obrigações, apurou mensalmente a estimativa mensal a pagar e efetuou os recolhimentos? Como acolher conduta de contribuinte que ignorou a legislação tributária vigente, e se considerou apto a receber um tratamento especial, diferente das demais pessoas jurídicas que cumpriram com suas obrigações? Não se trata de legalidade por legalidade. O sistema jurídicotributário deve ser respeitado, assim como os contribuintes que seguem suas determinações. Fl. 893DF CARF MF Processo nº 19740.720183/200994 Acórdão n.º 9101002.730 CSRFT1 Fl. 894 17 Não se deve fomentar lacunas para se ignorar a lógica do sistema, para conceder tratamentos vantajosos para condutas lesivas, em afronta à proporcionalidade e razoabilidade. Correto, portanto, o procedimento adotado pela autoridade fiscal. Diante do exposto, voto no sentido conhecer e dar provimento ao recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 894DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.913660/2009-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. ERRO FORMAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
Em busca da verdade material, em detrimento de eventuais erros formais, é possível considerar documentos que comprovem o crédito do contribuinte.
Recurso Voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3301-003.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ERRO FORMAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Em busca da verdade material, em detrimento de eventuais erros formais, é possível considerar documentos que comprovem o crédito do contribuinte. Recurso Voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 91 36 60 /2 00 9- 96 Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10120.913660/200996 Acórdão n.º 3301003.267 S3C3T1 Fl. 406 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 03046.120 (fls. 161 a 164), de 24 de novembro de 2011, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) – DRJ/BSB – que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, mantendo a negativa em homologar a compensação requerida por entender que não há crédito a ser pleiteado. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Cuidam os autos de Dcomp, débito próprio de Cofins, março/2007, com crédito de pagamento a maior também da Cofins, referente a janeiro/2007. Irresignada com a não homologação da compensação pela instância "a quo", a interessada oferece manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: Informou o valor da Cofins referente a janeiro/2007, quando preencheu a DCTF original, em valor superior ao devido, R$ 143.153,96, quando o correto é R$ 113.116,29; Retificou a DCTF, embora após o recebimento do Despacho Decisório; O parágrafo 2º do art. 147 do CTN autoriza a retificação de ofício, caso a autoridade administrativa não reconheça a retificadora apresentada. Assim, em homenagem aos princípios da legalidade e da verdade material, vez que demonstrado a existência de pagamento a maior, requer a homologação integral da compensação. Tendo em vista a negativa do referido Acórdão o Contribuinte apresentou, em 10 de maio de 2012, Recurso Voluntário (fls. 170176) visando o reconhecimento do crédito alegado e a homologação integral da compensação realizada. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em 28 de maio de 2014, converteu o julgamento em diligência por meio da Resolução nº 3102000.314 (fls. 187 a 189). O Contribuinte, por sua vez, apresentou Manifestação ao Termo de Diligência (fls. 316 a 319), em 21 de março de 2016, argumentando que foram anexados documentos que confirmarão o solicitado em seu Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário (fls. 170 a 176), de 10 de maio de 2012, interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 03046.120, de 24 de novembro de 2011, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10120.913660/200996 Acórdão n.º 3301003.267 S3C3T1 Fl. 407 3 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 Compensação – Necessidade da Liquidez e Certeza do Crédito do Sujeito Passivo. A lei somente autoriza a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. No caso, o crédito do contribuinte resultaria de suposto pagamento a maior, o qual foi totalmente utilizado para quitar contribuição devida e declarada, portanto, inexistente. Retificação de Declaração – Admissibilidade e Competência para Apreciar. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. A competência para apreciar declarações retificadoras é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Observase nos autos do processo que o Contribuinte pleiteou compensação de crédito por pagamento a maior relativamente a COFINS, por ter havido, segundo ele, erro de preenchimento da DCTF. O Contribuinte alega que houve a retificação da DCTF, em 11 de novembro de 2009, para que fosse corrigido o suposto erro. Porém o Acórdão ora recorrido trouxe entendimento diverso àquele que manifestara o Contribuinte. Nos seguintes termos (fls. 162 a 164): A manifestação de inconformidade apresentada é tempestiva e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Assim sendo, dela conheço. Como se vê na síntese do relatório, a contribuinte argumenta que tem crédito de pagamento a maior de Cofins, porque o valor devido daquela contribuição é menor do que recolheu e que informou isso em DCTF retificadora. Compensação Necessidade da Liquidez e Certeza do Crédito do Sujeito Passivo Examinandose os autos, verificase que a Decomp não foi homologada porque o pagamento relacionado foi integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na Dcomp. Na manifestação de inconformidade a contribuinte se restringe a afirmar que retificou a DCTF, sem nada juntar aos autos que comprove aquele valor apurado em DCTF retificadora. Assim, como a compensação pressupõe a existência de créditos para o encontro de contas débitos “versus” créditos, a compensação declarada pelo sujeito passivo não pode ser homologada, porque o crédito referente a pagamento a maior não está comprovado e, portanto, não existe. Nesse sentido, o artigo 170 do CTN assevera que a lei pode autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo, “in verbis”: A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10120.913660/200996 Acórdão n.º 3301003.267 S3C3T1 Fl. 408 4 compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Negritei). Retificação de Declaração – Admissibilidade e Competência para Apreciar No tocante à retificação de declarações de imposto e contribuições, alguns pontos merecem ser destacados: “Ad argumentandum”, sendo a Declaração de Imposto de Renda instrumento de apuração e afirmação do valor devido do crédito tributário, a retificação por parte do declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante a comprovação do erro em que se funde, e antes de notificação do ato fiscal ou qualquer procedimento administrativo (CTN, Arts. 147, § 1º, e 139, § único). Neste momento processual, para comprovar a liquidez e certeza do crédito compensado na Dcomp, a manifestante deveria ter trazido aos autos a sua escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais, acompanhada por documentos hábeis, conforme previsto no art. 923 do RIR/99, verbis: Art. 923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). Como a manifestante não apresentou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, a comprovar o crédito liquido e certo contra a Fazenda Pública, não há como reconhecer o crédito reclamado e, em consequência, homologar a declaração de compensação. Ademais, a competência para apreciar declarações retificadoras (DCTF, DIPJ, Dcomp, etc) é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo, não cabendo a esta Turma de Julgamento se manifestar a respeito, por falta de previsão legal. Vejase, “in verbis”, a legislação que trata da retificação de declaração, CTN147: O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Finalmente, cabe registrar que o julgador deve observar o entendimento da RFB expresso em atos normativos, de acordo com o disposto no artigo 7º, inciso V, da Portaria MF nº 341 /2011, “verbis”: São deveres do julgador: I ao IV omissis; e V – observar o disposto no inciso III do art. 116 da Lei nº 8.112, de 1990, bem como o entendimento da RFB expresso em atos normativos. Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10120.913660/200996 Acórdão n.º 3301003.267 S3C3T1 Fl. 409 5 Diante do exposto, voto no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade formulada, para manter a decisão de não homologação da compensação declarada. Inconformado o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário (fls. 170 a 176) para que seja reformada a referida Decisão da 4º Turma da DRJ/BSB, argumentando que de fato existe crédito a ser compensado, conforme trecho do referido recurso (fl. 172): 2.2. Todavia, cabe destacar, o crédito de fato existe conforme documentos colacionados aos autos, nos quais identifica pagamento de DARF no valor original total de R$ 143.153,96, juntamente com a DCTF Retificadora que apurou COFINS no valor de R$ 113.116,29, apurandose o saldo utilizado na compensação no valor de R$ 30.037,67 para quitação do débito da Contribuinte. Houve ainda, no citado recurso, a juntada de DACON que, segundo o Contribuinte, “reforça a comprovação do valor da COFINS apurada (R$ 113.116,29)” (fl. 174). Por sua vez a 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária do CARF, ao analisar o Recurso Voluntário interposto, converteu o julgamento do processo em diligência, por meio da Resolução nº 3102000.314 (fls. 187 a 189), de 28 de maio de 2014, contendo o voto o seguinte teor: Conforme é possível perceber do relato acima, a Recorrente alega que teria um crédito de COFINS em virtude de ter declarado, equivocadamente, valor a maior do que o devido em DCTF. Para demonstrar o seu direito, instrui sua Manifestação de Inconformidade com o DARF indevidamente recolhido, planilha de “demonstrativa” do crédito COFINS que aponta o valor do crédito e a sua utilização para compensação da COFINS do mês seguinte, bem como DCTF’s originais e retificadoras. A autoridade recorrida entendeu que, independentemente retificação das DCTF’s após o despacho decisório, o direito creditório não pode ser chancelado pela ausência de provas efetivas do indébito Neste ponto, entendo que não assiste razão a autoridade recorrida. Em primeiro lugar, resta evidente que a alegação de erro na DCTF, quando acompanhada de retificadora, deve ser apreciada, nos termos do art. 16, III, do PAF, não podendo ser considerada como sem efeito jurídico a transmissão de DCTF retificadora após o despacho decisório. Ademais, a lide estava centrada na vinculação do crédito a débitos confessados em DCTF. Dentro desse limite, a impugnação preencheu todos os requisitos legais e enfrentou todos os argumentos utilizados para negativa do direito de crédito. Assim, a exigência de demonstração efetiva do erro que levou ao surgimento do indébito é matéria superveniente, enfrentada pela recorrente no recurso voluntário com a apresentação de documentos para justificar o indébito que podem e devem ser analisadas por este colegiado nos termos do art. 16, § 4º do Decreto 70.235/72. Superada essa questão, analisando os documentos trazidos na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário verifico que no mês de janeiro de 2007, a recorrente declarou COFINS superior a apurada, como demonstra a DACON juntada aos autos. Tecidos estes comentários, resta evidente que a documentação trazida pela Recorrente deveria ter sido analisada. Neste contexto, verificando a existência nos autos de indícios de que efetivamente ocorreu um erro na apuração do tributo, o que possivelmente motivou a apresentação de DCTF retificadora, e considerando o que dispõe o art. 18, I, Anexo II, da Portaria Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10120.913660/200996 Acórdão n.º 3301003.267 S3C3T1 Fl. 410 6 MF n° 256/08, o qual prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, proponho que se converta o julgamento deste Recurso Voluntário em diligência à repartição de origem, para que verifique se a Recorrente efetivamente procedeu ao recolhimentos da COFINS a maior no mês de janeiro de 2007, bem como se o referido valor é suficiente para homologar a compensação declarada. Nesse sentido foi apresentado Relatório de Diligência (fls. 297 a 308), em 15 de fevereiro de 2016, contendo o seguinte teor no resumo da análise documental: 42. O exame dos documentos relacionados nos parágrafos anteriores (itens 1 a 6) encontrase sintetizado no seguinte quadro: 43. Assim, tendo em vista a confirmação do montante de R$ 19.166,67, demonstrado no parágrafo anterior, aceito como sendo o total da despesa de aluguel comprovada, referente a janeiro de 2007, temse a seguinte recomposição do cálculo do crédito da Cofins: Ficha Linha Rubrica R$ Origem do valor 16A 2 Bens Utilizados como Insumos 76.924,83 DACON 16A 3 Serviços Utilizados como Insumos 40.260,70 DACON 16A 4 Despesas de Energia Elétrica 145.944,75 DACON 16A 5 Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica 19.166,67 DILIGÊNCIA Item Documentos Avaliação Despesa de aluguel admitida (Jan/2007) 1 CONTRATO DE LOCAÇÃO DE ARMAZÉM GRANELEIRO E EQUIPAMENTOS DE ENTREPOSTO DE RECEPÇÃO DE GRAOS E ADITIVOS Endereço do imóvel não especificado 0,00 2 CONTRATO DE SUBLOCAÇÃO DE ARMAZÉM GERAL Comprovado e contabilizado 19.166,67 3 DISTRATO DE CONTRATO DE LOCAÇÃO DE ARMAZÉM GRANELEIRO Ausência do contrato 0,00 4 CONTRATO DE LOCAÇÃO DE IMÓVEL COM ADITAMENTO Endereço e município do imóvel não especificados 0,00 5 CONTRATO DE LOCAÇÃO DE IMÓVEL Endereço e município do imóvel não especificados 0,00 6 CONTRATO DE LOCAÇÃO DE IMÓVEL Não vigente em janeiro/2007 0,00 TOTAL 19.166,67 Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10120.913660/200996 Acórdão n.º 3301003.267 S3C3T1 Fl. 411 7 16A 8 Despesas de Contraprestações de Arrendamento Mercantil 4.117,45 DACON 16A 9 Sobre Bens do Ativo Imobilizado (Encargos de Depreciação) 5.566,84 DACON 16A 10 Sobre Bens do Ativo Imobilizado (Valor de Aquisição) 4.401,56 DACON 16A 12 Devoluções de Vendas Sujeitas à Alíq. de 7,6% 3.552,16 DACON BASE DE CÁLCULO DO CRÉDITO 299.934,96 DILIGÊNCIA CRÉDITO 7,60% 22.795,06 DILIGÊNCIA 44. A seguir a demonstração da apuração da Cofins devida (após o desconto do crédito calculado no parágrafo anterior) e o confronto com o respectivo pagamento: Id. Rubrica R$ A TOTAL DA COFINS APURADA NO DACON (Ficha 17A, Linha 03, Coluna Contribuição – fl. 134 175.184,14 B CRÉDITO CALCULADO NA DILIGÊNCIA (Quadro: Recomposição do Crédito da Cofins – Diligência) 22.795,06 C COFINS DEVIDA [(A) (B)] 152.389,08 D PAGAMENTO EM 16/02/2007 (Cópia autenticada do DARF – fl. 40) 143.153,96 45. Por fim, como se pode ver não há crédito de pagamento indevido ou a maior. Ao contrário, na verdade, o pagamento em tela (R$ 143.153,96) foi insuficiente para quitar o débito da Cofins devida, apurada em diligência (R$ 152.389,08). Portanto, o Relatório de Diligência trazido aos autos entende que não houve pagamento a maior de COFINS por parte do Contribuinte referente a janeiro de 2007 e conclui (fls. 308): Diante do exposto, em atenção aos questionamentos constantes na Resolução nº 3102000.314 (fls. 187/189), informo que não houve recolhimento a maior da COFINS no mês de janeiro de 2007 e, consequentemente, não existe crédito para homologar a compensação declarada na DCOMP nº 30626.66755.190407.1.3.04 0836. O Contribuinte, por sua vez, apresentou tempestivamente, em 21 de março de 2016, Manifestação ao Termo de Diligência (fls. 316 a 319), visando comprovar a existência do alegado crédito a ser compensado. Nesse manifesto cabe citar alguns trechos para melhor ilustrar o objeto da controvérsia: 1.Conforme exarado no item 1 do r. Relatório, o AFRFB constatou em diligência que “De acordo com o contrato fornecido (...) é impossível identificar o imóvel (...). Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10120.913660/200996 Acórdão n.º 3301003.267 S3C3T1 Fl. 412 8 2. Todavia, tal afirmação se trata de um descuido da contribuinte ao redigir o contrato de locação (doc 01), pois o endereço do imóvel objeto da locação e o legítimo proprietário se encontram na qualificação da locadora, ou seja, na primeira página do contrato, motivo pelo qual não acharam necessário repetir tal informação na “Cláusula Primeira: Objeto” (...). 4. Com relação ao ítem 3 do r. Relatório, o AFRB constatou em diligência que “Embora o contribuinte tenha apresentado o RELATÓRIO DE APROPRIAÇÕES – Aluguel (fl. 240), não forneceu o objeto do distrato (...). Todavia, a contribuinte não conseguiu localizar o contrato de locação do imóvel, por se trata de documento muito antigo. 5. Conforme exarados nos itens 4 e 5 do Relatório em tela, o AFRFB afirma ser impossível identificar os imóveis apesar do detalhamento e das características, pois não constam os endereços e os proprietários dos mesmos. No entanto, tal afirmação se trata de um descuido da contribuinte ao redigir os contratos de locação (doc. 02), pois o endereço dos imóveis objeto da locação e os legítimos proprietários se encontram na qualificação da locadora, ou seja, na primeira página do contrato (...). 6. Com relação ao item 6. Do r. Relatório, o AFRB constatou em diligência que “Tendo em vista que não consta documento algum que expressamente manifeste a intenção de continuidade do contrato, não há evidência de que o contrato tenha sido prorrogado para data posterior a 31/12/2006”. 7. Dessa forma, seguem em anexo (doc. 03) “ADITIVO CONTRATUAL” que consta no item 2.1. que a “locação celebrada tem vigência prorrogada até o dia 31 de dezembro de 2007” (...). (grifouse). Assim, considerando o Relatório de Diligência e a Manifestação do Contribuinte ao referido relatório com a juntada dos documentos passo a decidir. Quanto aos itens 1, 4 e 5 do Relatório de Diligência, por entender que se tratam de erros formais o não preenchimento adequado dos contratos, e por ser possível a identificação dos imóveis e das partes envolvidas na primeira página dos contratos, voto, em nome da verdade material pelo provimento ao recurso no que tange a estes itens. Na mesma direção dáse provimento ao recurso quanto ao item 6 do Relatório de Diligência pela comprovação do alegado pelo Contribuinte quando da juntada do aditivo contratual (doc. 03). No que se refere ao item 3, a simples alegação por parte do contribuinte de que "não conseguiu localizar o contrato de locação do imóvel, por se tratar de documento muito antigo ", não é satisfatória e não faz prova do direito alegado. Neste item voto por manter a decisão ora recorrida. Em conclusão: De acordo com a legislação vigente e os autos do processo, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, negando provimento quanto ao item 3 do Relatório de Diligência e dando provimento aos itens 1, 2 (comprovado pela diligência), 4, 5 e 6 do Relatório, necessitando, com essa decisão, que sejam recalculados os valores para apurar se há pagamento devido ou a maior. Valcir Gassen Relator Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10120.913660/200996 Acórdão n.º 3301003.267 S3C3T1 Fl. 413 9 Fl. 413DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.934539/2009-84
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004
REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REQUISITOS.
O reajuste pelo IGP-M não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-004.546
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO PELO IGPM. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA DE GERACAO TERMICA DE ENERGIA ELETRICA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REQUISITOS. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 45 39 /2 00 9- 84 Fl. 683DF CARF MF Processo nº 11080.934539/200984 Acórdão n.º 9303004.546 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, de acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF n.º 527, de 2010, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 09 de junho de 2015, em face do Acórdão n.º 3302002.914, que possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: CONTRATO A PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE APURAÇÃO. CUMULATIVIDADE. MANUTENÇÃO. IGPM. POSSIBILIDADE. As receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços, permanecem sujeitas às normas da legislação da Contribuição para o PIS/Pasep vigentes anteriormente à Lei 10.637/02, mesmo quando o valor do contrato sofre reajustado baseado em índice de correção nele previsto, reconhecido no mercado como sendo de adoção consagrada no segmento correspondente e destinado à manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do mesmo. Recurso Voluntário Provido. A divergência foi suscitada pela Fazenda Nacional em razão do entendimento de que a previsão de cláusula de reajuste com base no IGPM não desnaturaria o requisito de “preço predeterminado” estatuído no art. 10, XI, “b” da Lei n.º 10.833/2003, condição necessária para manutenção da contribuinte no regime cumulativo do PIS/COFINS. Para comprovar o dissenso foram colacionados, como paradigmas, os Acórdãos de números 202 19.497 e 3301002.196. Por intermédio do Despacho de Exame de Admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, foi dado seguimento ao Recurso da Fazenda. A Fazenda Nacional alega que o reajuste de preços pelo IGPM descaracteriza o caráter de "preço predeterminado" previsto no art. 10, XI, "b", da Lei nº 10.833, de 2003, mesmo entendimento assentado nos acórdãos paradigmas. Já a contribuinte, em contrarrazões, defende a decisão atacada com base em seus próprios fundamentos e nos argumentos lançados na manifestação de inconformidade e no Recurso Voluntário, acrescentando que cabia ao Fisco comprovar que as variações decorrentes da aplicação do IGP M seriam superiores às variações previstas no art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, para não aceitar o regime de cumulatividade no presente caso, o que não ocorreu. É o relatório. Fl. 684DF CARF MF Processo nº 11080.934539/200984 Acórdão n.º 9303004.546 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.538, de 07/12/2016, proferido no julgamento do processo 11080.928334/200960, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.538): "Não há preliminares a respeito da admissibilidade do recurso especial a serem apreciadas. A divergência está bem demonstrada e o recurso especial da Fazenda nacional deve ser conhecido. Passo à discussão da matéria, em relação a qual foi comprovada e demonstrada a divergência de interpretação da norma tributária, que se resume à questão sobre a descaracterização de preço predeterminado pela utilização do IGPM em contrato de energia elétrica, para fins de aplicação do regime cumulativo ou nãocumulativo na incidência da Contribuição para o PIS/Pasep. Precedentes recentes da CSRF Observo que fui o redator do voto vencedor de um dos acórdãos paradigmas da divergência, o de número 3301002.196 (PAF 16349.720019/201136). Este acórdão foi objeto de recurso especial da contribuinte, que foi provido em julgamento realizado em 24/2/2016, logo, após a data de interposição do recurso especial da Fazenda Nacional, ora em julgamento. Eis a ementa do Acórdão 9303003.470 (PAF 16349.720019/201136), por meio do qual se reformou a decisão paradigma: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CLÁUSULA DE REAJUSTE. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As receitas originárias de contratos de fornecimento de serviços firmados até 31/10/2003 submetemse à incidência cumulativa, desde que observados os termos e condições consolidados pela IN SRF 658/06. A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS." Apesar de a decisão paradigma ter sido reformada, a razão que levou esta 3ª Turma da CSRF a proceder à reforma não se encontra presente nos autos de que ora se cuida. Fl. 685DF CARF MF Processo nº 11080.934539/200984 Acórdão n.º 9303004.546 CSRFT3 Fl. 5 4 Naquele processo, relatado pelo então Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, encontravase Laudo Técnico que comprovava que o índice de atualização monetária, naquele caso, fora inferior ao aumento de custos. Na ocasião, foram utilizadas como razões de decidir as que constaram do voto de outro Acórdão desta Turma, o de número 9303 003.373 (PAF 19515.722154/201145), de 11/12/2015, relatado pelo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, cuja ementa ficou assim redigida: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONHECIMENTO. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Para comprovação da divergência jurisprudencial, o recorrente deve demonstrar que outro colegiado do CARF tenha julgado situação análoga à versada no acórdão vergastado e tenha decidido a questão de forma distinta da que decidiu o colegiado recorrido, o que é o caso sob exame. "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 REGIME DE INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. REQUISITOS. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como sendo de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins.(grifei) (...) No Acórdão nº 9303003.373 ficou claro que o IGPM não poderia ser aceito como índice da variação do custo da produção da energia elétrica ou do custo dos insumos empregados nessa produção. Para assim concluir, o Colegiado tratou do conceito de "preço predeterminado", reconhecendo especial importância às instruções normativas, notas técnicas e pareceres da Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB e da Procuradoria Geral da Fazenda NacionalPGFN1, em detrimento de notas técnicas e resoluções da Agência Nacional de Energia ElétricaANEEL, pois, a esta compete a regulação de questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas, enquanto que à RFB e à PGFN compete o pronunciamento sobre questões tributárias. Naquele Acórdão, reconheceuse que a interpretação dada pela Administração Tributária, em especial por meio da Instrução Normativa SRF nº 658, de 2006, estava de acordo com as leis: art. 27, §1º, II, da Lei nº 9.069, de 1995; art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005. 1 IN SRF nº 658, de 4/7/2006; Nota Técnica Cosit nº 1, de 16/2/2007; Parecer PGNF/CAT nº 1.610, de 2007. Fl. 686DF CARF MF Processo nº 11080.934539/200984 Acórdão n.º 9303004.546 CSRFT3 Fl. 6 5 Rendome às conclusões do Ilustre Conselheiro Gílson, no voto proferido no Acórdão nº 9303003470, quando o colegiado decidiu por acatar o recurso especial do contribuinte, no sentido de que apesar de o IGPM não representar a variação das custos de produção da energia elétrica, estando comprovado nos autos que sua utilização resultou em reajuste inferior à variação desses custos, penso que não há razão para retirar do contrato a característica de "predeterminado" que exige a Lei para permanência do contribuinte no regime cumulativo. Nesse sentido transcrevo o seguinte trecho do citado acórdão: (...) Por derradeiro, gostaria de pontuar que não vejo problemas na utilização de índices propostos em contrato, como por exemplo o IGPM, para correção do preço. Contudo, se o contribuinte optasse por se manter no regime cumulativo, caberia a demonstração de que a correção pelo índice eleito levaria a um resultado igual ou menor do que o resultado do reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. (...) No presente caso, a contribuinte não provou que o resultado da correção pelo IGPM seria igual ou menor do que obtido pelo reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos do insumos utilizados. À luz do que determina o art. 333 do Código de Processo Civil, caberia à contribuinte, e não ao Fisco, esta prova, pois é ela que está a alegar um direito, ainda mais quanto se está diante de pedido de restituição e compensação, para o quê se exige a certeza e liquidez do crédito pleiteado, conforme arts. 165 e 170 do CTN Observese que no voto condutor da decisão de primeira instância administrativa, o Acórdão nº 1039.971, da DRJ/POA, constou que a contribuinte não apresentou qualquer comparação entre o percentual de reajuste autorizado pelo art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005 (repetido na IN SRF nº 658/2006), e a variação do IGPM. Vejase com grifos meus, fls. 430/431: "A interessada entende que a utilização do IGPM se refere tão somente à correção monetária dos preços do produto fornecido (energia contratada), preservando seu valor originalmente acordado. Tal fato não está em discussão, não havendo qualquer vedação a cláusula de reajuste dos valores fixados em contrato para fins de atualização monetária. No entanto, a IN/SRF nº 658/06 ressalva da descaracterização do preço predeterminado, em caso de qualquer alteração de preços, apenas a utilização de índice de reajuste que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, ou, ainda, da própria variação dos custos de produção. Tal condição não se comprova no presente caso, visto tratarse o IGPM, como já dito, de índice geral, e não específico para os insumos utilizados no fornecimento prestado pela empresa. Além disso, ressaltese que a exceção contida no § 3º diz respeito apenas ao reajuste de preços efetuado em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação do índice. Desta forma, ainda que considerássemos Fl. 687DF CARF MF Processo nº 11080.934539/200984 Acórdão n.º 9303004.546 CSRFT3 Fl. 7 6 admissível a utilização do IGPM para fins do disposto naquele dispositivo, caberia à impugnante demonstrar que o reajuste efetuado não ultrapassa o limite nele fixado, o que também não foi feito, não tendo sido trazida aos autos qualquer comparação entre o percentual de reajuste e a variação do IGPM no período." Na linha dos precedentes mais recentes desta Câmara Superior, não vejo razões para mudar meu entendimento, expresso no voto vencedor do Acórdão nº 3301002.196, que repito a seguir: 'O voto de nosso eminente Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, na análise de mérito, foi direto ao único assunto controverso que é se a utilização do IGPM, como índice de correção dos contratos firmados pela recorrente, descaracteriza ou não estes contratos como de preços predeterminados. A sua conclusão é que a “utilização do IGPM ou de qualquer índice, como IGPDI, INPC, INCC, não retira do contrato a natureza de “preço predeterminado”, vez que esses índices expressam tão somente a variação do padrão monetário nacional, medida essa indispensável para a garantia do equilíbrio contratual”. Com todo respeito ao ilustre relator, ouso discordar de sua conclusão. Inicialmente vejamos o que dispõe o inc. XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (Produção de efeito) (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...); b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Ou seja, da letra clara da lei, somente poderia continuar no regime de apuração cumulativa os contratos que fossem firmados em data anterior a 31/10/2003 e que respeitasse as condições cumulativas constantes da alínea “b”, acima transcrita. No caso dos presentes autos a única controvérsia é se a aplicação do IGPM descaracterizaria a condição de terem sido firmados a preço predeterminado. Oportuno ressaltar que todas as conclusões a serem aqui estabelecidas abrangem também o PIS por força do disposto no art. 15 deste mesmo diploma legal. Posteriormente, como bem alinhavado pelo relator e pela recorrente, foi editado o art. 109 da Lei nº 11.196/2005, que assim dispôs: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o Fl. 688DF CARF MF Processo nº 11080.934539/200984 Acórdão n.º 9303004.546 CSRFT3 Fl. 8 7 reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. (grifei) Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. O dispositivo legal deixou claro que a utilização de reajuste de preços em função do custo de produção, ou de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, não descaracteriza o preço predeterminado de que trata a alínea “b” do inc. XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Observese aqui que o dispositivo legal não fez referência a qualquer índice que reflita a variação do padrão monetário nacional como concluiu o relator e como pretende a recorrente. Poderia têlo feito mas não o fez. Deixou expressamente detalhado que o índice utilizado, para não descaracterizar o preço predeterminado, teria que ser em função do custo de produção ou que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. O IGPM, como informado pela própria recorrente em sua manifestação de inconformidade e no seu recurso voluntário, não tem esta característica. Transcrevo abaixo o item 53 da Manifestação de Inconformidade e 59 do Recurso Voluntário: “Nesse sentido, vale destacar que o IGPM é meramente um índice de correção monetária. Tratase de uma das versões do Índice Geral de Preços (IGP). É medido pela FGV e registra a inflação de preços desde matériasprimas agrícolas e industriais até bens e serviços finais.” (grifei) Por oportuno transcrevo abaixo trecho da Nota Técnica Cosit nº 01/2007, a qual utilizo como razão de decidir, pois concordo com as suas conclusões: 27. A fim de esclarecer qualquer dúvida, fazse necessário distinguir “índices de preços setoriais” de “índices de custos setoriais”. Índice de preços setoriais reflete a inflação a que foi submetido um determinado setor. Já índice de custos setoriais, como o próprio nome indica, reflete os custos envolvidos na atividade de um dado setor. 29. Segundo informações constantes do sítio da FGV na internet (www.fgv.br), o IGPM, principiou a ser calculado a partir de junho de 1989, por solicitação de um grupo de entidades de classe do setor financeiro, liderado pela Confederação Nacional das Instituições Financeiras, em decorrência das constantes mudanças ocorridas nos indicadores da correção monetária e da inflação oficial. Esse índice originase da média ponderada do Índice de Preços por Atacado (IPAM; 60%), do Índice de Preços ao Consumidor (IPCM; 30%) e do Índice Nacional de Custos da Construção (INCCM; 10%). Fl. 689DF CARF MF Processo nº 11080.934539/200984 Acórdão n.º 9303004.546 CSRFT3 Fl. 9 8 30. É desnecessário apresentar maiores detalhes acerca das características do IGPM para verificar que este não se trata de “índice que reflita a variação dos custos de produção” e nem de “índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados” – a sua própria denominação e a dos índices que o compõem é suficientemente elucidativa.' Sobre os fundamentos do acórdão recorrido. No excelente voto condutor do acórdão recorrido, o Ilustre Conselheiro Ricardo Paulo Rosa abordou o art. 27 da Lei nº 9.069, de 1995, o art. 2º da lei nº 10.192, de 2001, parecer da Câmara Permanente de Licitações e Contratos da Procuradoria Geral Federal/AGU, o Parecer nº 04/2013/CLPC/DEPCONSU/PGF/AGU, e manifestação da Agência Nacional de Energia ElétricaANEEL, para concluir que nos contratos que "já estavam indexados pelo IGPm antes da entrada em vigor da Lei nº 11.196, de 2005, deveria ser reconhecida a manutenção da condição de preço predeterminado do valor contratado, mesmo depois de implementado o reajuste/correção com base no IGPm", fl. 567. Diz também o voto vencedor, com base na IN SRF nº 658, de 2006, que esta, em nenhum momento, "vinculou a condição de preço determinado à revisão dos valores feita com base na elevação da carga tributária, apenas à alteração de preço decorrente da aplicação de regra de reajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro", fl. 568. Com isto, pretendeuse afastar um segundo fundamento da Nota Técnica Cosit nº 1/2007 e do Parecer PGFN/CAT nº 1.610/2007, o de que o critério prefixado de reajuste do valor de contrato levava em consideração também eventual alteração da carga tributária incidente na operação específica, fl. 567. Em resumo, o Acórdão recorrido fundamentase no entendimento de que o conceito de "preço determinado" não exclui a possibilidade de o preço ser reajustado com base em outros índices que não os admitidos pelo art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, em especial pelo IGPM, e que isto está de acordo com as disposições constitucionais que preservam o ato jurídico perfeito, pois, como dito naquele voto condutor, fl. 562: "Se as partes haviam pactuado um negócio em determinadas bases, como obrigálas a revêlo, modificando encargos tributários e, corolário, o preço pactuado?" Entendo que nenhum dos fundamentos lançados no voto condutor do acórdão recorrido ou nas peças apresentadas pela contribuinte afastam o entendimento exposto na seção precedente. Nestes autos e em outros que cuidam do mesmo assunto, temse reconhecido que não há um conceito técnico e determinado do que seja "preço predeterminado". Por causa disto, procurase elucidar este conceito, às vezes recorrendo a atos, normativos ou não, expedidos por agências reguladoras das atividades desempenhadas pelas contribuintes, às vezes a pareceres expedidos por órgãos incumbidos de tratar de processos de licitação e de contratos celebrados com a Administração Pública, às vezes, recorrendo aos atos expedidos pela RFB e pela PGFN. Fl. 690DF CARF MF Processo nº 11080.934539/200984 Acórdão n.º 9303004.546 CSRFT3 Fl. 10 9 Por estarmos diante de questão tributária, os atos emanados dos órgãos competentes para tratar desta matéria devem ser os guias para a elucidação que se pretende. Resoluções ou notas técnicas da ANEEL ou mesmo pareceres e orientações normativas da AGU que tratem de preços contratados e das variações de preços admitidas na formalização dos contratos com a Administração Pública não têm primazia sobre as normas tributárias emanadas da RFB e da PGFN, órgãos competentes para tratar de matérias tributárias. Não obstante isto, para a solução da divergência jurisprudencial que se apresenta, não é necessário grande esforço hermenêutico. Não é necessário encontrar ou construir uma definição para a expressão "preço prederminado", pois para se decidir se o reajuste com base no IGPM descaracteriza a condição do preço predeterminado, basta que se analise com cuidado os dispositivos legais em discussão. A interpretação da norma legal, disposta no art. 10, inc. XI, "b", da Lei nº 10.833, de 2003, e no art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, combinada com o art. 27, §1º, II, da Lei nº 9.069, de 1995, tal como exposta na seção precedente, é suficiente para assentar que se enquadram no conceito de "preço predeterminado", para os fins de incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, nos casos de contratos pelos quais a empresa se obriga a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, as situações em que o reajuste de preço seja em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos insumos utilizados. Admitindose que a lei não contém palavras inúteis, a existência do art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, só se justifica se, sem ele, o conceito de "preço predeterrminado" ficasse descaracterizado pelo reajuste de preços baseado no custo de produção ou na variação que refletisse a variação ponderada dos insumos utilizados. Esta variação é a mais razoável a se considerar como capaz de retratar a variação efetiva do custo do objeto contratual: é a que mais se aproxima de um índice setorial ou específico. Apesar disto, destaquese, apesar de ser a variação mais próxima de um índice setorial ou específico para os casos de contratos pelos quais a empresa se obriga a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, foi necessária uma disposição legal específica para que este caso não descaracterizasse o "preço predeterminado". Diante disto, não se pode admitir que outro índice de reajuste de preços qualquer, que não guarde esta proximidade com o índice setorial ou específico, não descaracterize o "preço predeterminado", sem que haja disposição legal específica neste sentido. Assim, a Instrução Normativa SRF nº 650, de 2006, a Nota Técnica Cosit nº 1, de 2007, e o Parecer PGFN/CAT nº 1.610, de 2007, limitaramse a regular o que já estava previsto em lei. Não houve modificação do conceito de "preço predeterminado" por estes atos infralegais. Fl. 691DF CARF MF Processo nº 11080.934539/200984 Acórdão n.º 9303004.546 CSRFT3 Fl. 11 10 Conforme afirmamos acima o IGPM não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pela contribuinte, nem expressa a variação específica dos custos de sua produção. A este respeito, vejamse os seguintes excertos do voto vencedor do Acórdão nº 9303 003.373, já citado acima, que aprovo e adoto neste voto: 'Para que não paire qualquer dúvida de que o IGPM não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pelas distribuidoras de energia, basta analisar o grupo de produtos que compõem cada um dos índices integrantes do IGPM. Nesse índice, entram, além de outros componentes, os preços de legumes e frutas, bebidas e fumo, remédios, embalagens, aluguel, condomínio, empregada doméstica, transportes, educação, leitura e recreação, vestuário e despesas diversas (cartório, loteria, correio, mensalidade de Internet e cigarro, entre outros). Como dito anteriormente, o IGPM é composto de 3 índices, o IPAM, O IPCM e o INCCM. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPAM),que responde por 60% do IGPM, é sistematizado segundo a origem dos produtos agropecuários e industriais e segundo o estágio de processamento bens finais, bens intermediários e matériasprimas brutas. No total, são pesquisados 340 produtos, distribuídos em grupos. Veja, a seguir, a estrutura desse índice. (...) De acordo com a metodologia de cálculo da FGV para esse índice, os produtos de origem agropecuários representam 28,9738% do IPAM e o de origem industrial os outros 71,0262%, sendo que os subitens relativos às máquinas, aparelhos e materiais elétricos correspondem a minguados 1,7674% do IPAM. Partindose da premissa que outros subitens da indústria possam ser utilizados como insumos do setor elétrico eliminando os do setor alimentício, fumo, bebidas, agropecuário, eletrodoméstico, celulose, etc., que não são aplicáveis ao setor de distribuição de energia elétrica vêse que a participação dos insumos do setor elétrico no IPAM é insignificante, muito insignificante. Já em relação ao IPCM, nenhum item está diretamente relacionado a insumos utilizados pelo setor de distribuição de energia elétrica, haja vista que os produtos que compões esse índice, é específico para o consumo das famílias. A seu turno, o INCC, por óbvio, não reflete os custos do insumo do setor elétrico, haja vista que é especifico para medir a variação do setor da construção civil. Ora, mergulhandose na metodologia de cálculo do IGPM e analisando os produtos que o integra, concluise, sem a menor dúvida, que esse índice nem de longe reflete de forma específica a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pela contribuinte, tampouco expressa a variação específica dos custos de sua produção.' Fl. 692DF CARF MF Processo nº 11080.934539/200984 Acórdão n.º 9303004.546 CSRFT3 Fl. 12 11 Quanto ao ato jurídico perfeito, protegido pela Constituição Federal de 1988, este não foi violado, uma vez que o art. 109 da Lei nº 11.196 de 2005, resguarda a possibilidade de reajuste do preço contratado, sem que isto descaracterize o preço predeterminado. E o faz, definindo o limite da variação de preço aceitável, que deve guardar correspondência com os custos dos insumos e da produção. Por outro lado, a proteção ao ato jurídico perfeito não assegura à contribuinte um direito a não ser tributada, de modo a permitirlhe que não sofra incidência tributária regularmente instituída por lei, em obediência às regras de competência e de vigência e às limitações para imposição tributária, previstas constitucionalmente. Conclusão. Por todo exposto, em especial, por entender que o reajuste pelo IGP M não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como de preço predeterminado; que a contribuinte não comprovou que o resultado da variação pelo IGPM foi igual ou inferior ao resultado da variação em função do custo de produção ou da variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; que o ônus da prova recai sobre quem alega um direito, por aplicação do art. 333 do CPC; concluo que no presente caso a Contribuição para o PIS/Pasep deve incidir no regime nãocumulativo, motivo pelo qual voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. O que foi decidido aqui tem validade também para os processos da Cofins, com os mesmos fundamentos." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 693DF CARF MF
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