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Numero do processo: 10821.000634/2006-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Consideram-se rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os depósitos junto a instituições financeiras, quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados.
Numero da decisão: 2402-006.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Consideram-se rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os depósitos junto a instituições financeiras, quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS Recorrente EDWARD CHARLES KARPINSKI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Consideramse rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os depósitos junto a instituições financeiras, quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 1. 00 06 34 /2 00 6- 56 Fl. 153DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 10ª Tuma da DRJ/SP1, consubstanciada no Acórdão nº 1729.409 (fls. 121/126) de 07 de janeiro de 2009, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nos termos do relatório da decisão recorrida, temse que: Contra o contribuinte foi lavrado, em 14/12/2006, o Auto de Infração de fls. 81 e seguintes, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física devido por: 001 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditado em conta de depósito ou investimento, mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme relatado no Termo de Verificação de fls. 76 e seguintes. Os valores lançados correspondem ao exercício de 2002, anocalendário 2001, constituindose em crédito tributário no montante de R$ 82.744,32, dos quais R$ 35.572,66 corresponderam a imposto, R$ 24.429,49 a multa proporcional e R$ 25.742,17 a juros de mora calculados até 30/11/2006. A ação fiscal originouse do Mandado de Procedimento Fiscal — Fiscalização nº 08.1.27.00006000881, para verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte no período de 01/2001 a 12/2001. Os valores lançados, constantes do Auto de Infração, Termo de Verificação Fiscal e Demonstrativo, são relativos a 17/09/2001. O presente lançamento de oficio decorreu da apuração, em procedimento fiscal, de infrações à legislação tributária, conforme discriminado pela autoridade lançadora às fl.76 e seguintes. Sem prejuízo da leitura integral, destacase: (fl. 76) "0 procedimento instaurado teve origem no Memorando Circular Cofis/Gab n°2005/00726, de 14/06/2005 que encaminhou às Regiões Fiscais relação dos contribuintes identificados como ordenantes, remetentes e/ou beneficiários das operações financeiras realizadas nas Instituições Financeiras Merchants Bank, MTB Hudson bank, dentre outros. Foi recebida pela Delegacia da Receita Federal em São Sebastião, através da SRRF/8ªRF/Difis, representações fiscais em meio eletrônico, encaminhada pela Equipe Especial de Fiscalização constituída pela Portaria SRF n° 463/2004 onde foi identificada operação financeira no exterior no anocalendário de 2001, na qual o contribuinte aparece como beneficiário de divisas, originadas no Brasil, através das contas/subcontas mantidas/administradas em instituições financeiras dos Estados Unidos, no caso MTB Hudson Bank. (..) Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10821.000634/200656 Acórdão n.º 2402006.545 S2C4T2 Fl. 3 3 3. Procedimentos Fiscais. Preliminarmente salientamos que o contribuinte encontrase omisso de entrega de declarações no período em referência, tendo apresentado declaração de isento nos exercícios de 1998 e 2005, somente. (...) Ressaltamos contudo que recebemos documento assinado por Jonas Erich Möller, que declara não ter poderes para atendimento, (..). Anexa, ainda, várias cópias, naõ autenticadas, de documentos que não fazem relação ou comprovam a remessa de dinheiro efetuada à revelia do Sistema Financeiro Brasileiro. (...) 4. Análise dos Fatos. (..) Entretanto levanos a conclusão de que tais operações forma de fato praticas pelo fiscalizado, ou seja, o fiscalizado obteve crédito em conta depósito, no exterior, de valores remetidos do Brasil, à revelia do Sistema Financeiro Nacional." O contribuinte apresentou impugnação as fls.85 e seguintes. Alega, sem prejuízo da leitura integral da impugnação, em síntese, que: 1 a origem do numerário é a venda de apartamento localizado no Rio de Janeiro/RJ, pertencente ao seu cônjuge Ely Soares C. Ribeiro, que fez remessa em seu favor. 2 faria prova da venda do apartamento com a documentação juntada. Observa que o valor de venda em 13/08/2001 (R$100.000,00) foi recebido em espécie por exigência da vendedora do imóvel, Sra. Ely. 3 não caberia a tributação, em razão do fato de que a remessa é fruto do numerário obtido com a venda do apartamento e destinada ao cônjuge do contribuinte. A DRJ julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo sob fundamento, em síntese, de que, no presente caso, por se tratar de valor vultoso, a comprovação de sua origem deveria ser plena e satisfatória, o que não foi alcançado pelo sujeito passivo no caso vertente. Cientificado da decisão de primeira instância em 09/02/2009, o recorrente apresentou recurso voluntário (fls. 134 / 141) em 26/02/2009, por meio do qual reitera os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator Fl. 155DF CARF MF 4 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Conforme consta no relatório supra, contra o contribuinte foi apurada omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito ou investimento, mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Registrese, pela sua importância que, o lançamento que deu origem ao presente PAF teve origem no Memorando Circular Cofis/Gab nº 2005/00726, de 4/06/2005 que encaminhou para as Regiões Fiscais relação dos contribuintes identificados como ordenantes, remetentes e/ou beneficiários das operações financeiras realizadas nas Instituições Financeiras Merchants Bank, MTB Hudson Bank, dentre outros, conforme descrição dos fatos constante no Termo de Verificação de Infração (fls. 83 e seguintes). Assim foi que o contribuinte, por meio do Termo de Início de Fiscalização, lavrado em 20/11/2006, foi intimado para comprovar, com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em data e valor, a origem dos recursos remetidos para o exterior em 17/09/2001, no valor de US$ 50.300,00. Em reposta à intimação da autoridade administrativa fiscal, o Sr. Jonas Erich Möller, por meio do expediente de fls. 68, informou que: Conforme cópia do espelho bancário do MTB Hudson Bank, quem enviou o numerário foi a Sra. Ely Soares Ribeiro (CPF n°038.918.28772), esposa do Sr. Edward Charles Karpinski, (CPF nº 454.708.55953), americano; Conforme cópia do IRPF 2002/2001 da Sra. Ely, constante na base de dados da Secretaria da Receita Federal, que a mesma possuía um apartamento no Rio de Janeiro/RJ e que na época vendeu o mesmo por cerca de R$ 160 mil, como a Sra. Ely e o Sr. Edward não residem no Brasil, enviaram este numerário para o exterior, afim de suprir gastos com saúde e manutenção; Tais informações são prestadas com base no fato de que Jonas Erich Möller (CPF 557.698.29915), mesmo não tendo poderes para responder à intimação do Fisco, foi contador da Sr. Ely e tinha conhecimento sobre a origem dos recursos objeto da remessa. Neste contexto, a Fiscalização concluiu que os fatos relatados consolidam a presunção legal de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários cuja origem o contribuinte, regularmente intimado, não logrou comprovar, conforme preconiza o art. 42, da Lei n° 9.430/96, in verbis: "Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, cujo titular, devidamente intimado, não comprove com documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nestas operações”. Na impugnação apresentada e também no recurso voluntário, o sujeito passivo se limitou a reiterar a afirmação de que os recursos identificados pela fiscalização tiveram origem na venda de um imóvel de sua cônjuge localizado no Rio de Janeiro/RJ. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10821.000634/200656 Acórdão n.º 2402006.545 S2C4T2 Fl. 4 5 Com vistas a comprovar suas alegações, traz aos autos os mesmos documentos outrora apresentados para a fiscalização pelo Sr. Jonas Erich Möller, a saber: (i) cópia parcial da DIRPF/2001, AnoCalendário 2000 da Sra. Ely Soares (cônjuge do Recorrente) (fls. 102 e 103); e (ii) cópia de Certidão do 5º Ofício do Registro de Imóveis, referente ao imóvel ali descrito, na qual se verifica que a Sra. Ely Soares vendeu o referido imóvel em 13/08/2001, pelo valor de R$ 100.000,00. Da análise dos fatos e documentos apresentados, verificase que razão não assiste ao Recorrente. Isto porque, apesar de terem certa coerência fática e cronológica, os argumentos e documentos apresentados pelo Recorrente possuem fragilidades que conduz à conclusão pela procedência do lançamento fiscal. Vejamos: * Na cópia parcial da DIRPF/2001, AnoCalendário 2000 da Sra. Ely Soares, não há uma perfeita identificação do imóvel, constando, apenas, há seguinte descrição: “apartamento no Rio de Janeiro”, pelo que não é possível vinculálo ao imóvel objeto da Certidão do 5º Ofício do Registro de Imóveis. * Na cópia parcial da DIRPF/2001, AnoCalendário 2000 da Sra. Ely Soares, o imóvel de sua propriedade no Rio de Janeiro foi declarado no valor de R$ 200.000,00, sendo que: o Sr. Jonas Erich Möller, contador da Sra. Ely Soares, informou que a venda do imóvel foi realizada por cerca de R$ 160.000,00; na Certidão do 5º Ofício do Registro de Imóveis, referente ao imóvel ali descrito, verificase que a Sra. Ely Soares vendeu o referido imóvel em 13/08/2001, pelo valor de R$ 100.000,00; como se vê, não há uma coincidência de valores entre as informações e documentos apresentados; * Não foram trazidos aos autos outros documentos, tais como: (i) a DIRPF/2002, AnoCalendário 2001 da Sra Ely Soares, na qual, em tese, deveria estar declarada a venda do imóvel em questão, (ii) o Contrato de Compra e Venda referente à venda do referido imóvel, contendo: preço, forma de pagamento, dentre outras informações. Fl. 157DF CARF MF 6 * Não foram trazidos aos autos extratos bancários da remessa dos recursos para o exterior, para a conta da qual se originou a transferência em favor do contribuinte (NAKIA HOLDINGS, INC;3RD FL., EURO C ANAD1AN CENTRE,;NASSAU, BAHAMAS, conforme extrato de fls. 07). * O valor de R$ 100.000,00 (venda do imóvel), convertidos em dólares em 17/09/2001 (data da operação de transferência) equivale à quantia de US$ 37.482,66, conforme Resultado da Conversão de fls. 119. Não se trata, como alega o Recorrente, de perfeita correlação. Tratase, em verdade, de um diferença de mais de US$ 12.500,00, entre o crédito identificado em favor do sujeito passivo (US$ 50.000,00) e o valor correspondente à venda do imóvel na data da operação (US$ 37.482,66). * Informa o Recorrente que o pagamento pela venda do imóvel de deu em espécie, o que não se afigura razoável, considerando o valor da operação de R$ 100.000,00. Como se vê, os esclarecimentos e documentos apresentados pelo contribuinte com vistas a comprovar a origem dos recursos creditados em sua conta no exterior padecem de fragilidades, não servindo, pois, como meios de prova. No presente caso, em verdade, exceto pela certidão do 5° Ofício do Registro de Imóveis, que registra a alienação de apartamento na cidade do Rio de Janeiro cm 13/08/2001, inexiste qualquer outro elemento que demonstre a origem dos US$ 50.300,00. Dessa forma, não tendo o Recorrente comprovado a origem do depósito bancário efetuado de forma satisfatória por meio de documentação hábil e idônea, concluise pela manutenção da decisão recorrida em todos os seus termos. Conclusão Ante o exposto, concluo o voto no sentido NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10508.000600/2010-09
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 1526.233, da 4ª Turma da DRJ/SDR, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra o Ato AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 00 06 00 /2 01 0- 09 Fl. 34DF CARF MF 2 Declaratório Executivo (ADE) DRF/ITA n° 417422, de 01/09/2010 (fl. 09), que impôs a exclusão do Simples Nacional, a partir de 01/01/2011, posto que a ora recorrente possui débitos, com exigibilidade não suspensa, conforme listados no próprio ADE. A interessada tomou ciência do feito em 22/09/2010, de acordo com cópia do AR à fl. 15. Em 22/10/2010 apresentou a contestação de folhas iniciais, alegando, em suma, que os débitos constantes no ADE foram regularizados por meio de parcelamento previsto na Lei 11.241, de 2009, segundo cópia do recibo de transmissão do pedido em 23/06/2010 (fl.08), razão pela qual solicita a revisão da exclusão de oficio. A recorrente tomou ciência da decisão em 04/04/2011 e apresentou o seu recurso voluntário em 04/05/2011. É o breve relatório. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário tempestivo. e que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. A recorrente alegou que: · a decisão da DRJ teve por base a Portaria PGFN/RFB 6/2009, art. 1°, § 3°; · defende que a Lei 11.941/09 não alija os débitos do Simples Nacionaldo parcelamento; · que a referida portaria cria regra não prevista em lei e, portanto, é inconstitucional (art. 5°, inciso II, da Constituição Federal CF); · baseia o seu entendimento, também, no art. 97, do Código Tributário Nacional; · menciona que: Assim, Portaria não pode modificar disposição de Lei (REsp n° 60644/PR, 2a Turma, Rei. Min. ANTÓNIO DE PADUA RIBEIRO, DJ de1310511996; REsp n°78785/PR, 1 11 Turma, Rei. Min. H UMBERTO GOMES DE BARROS, DJ de 0410311996, REsp n° 52900/RS, 2a Turma, Rei. Min. JOSÉ DE JESUS FILHO, DJ de 21/11/1994); · conclui, requerendo: A vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência Ato Declaratório Executivo DRF/ITA n°. 417422, espera e requer a recorrente seja acolhido a presente recurso para o fim de assim ser decidido, MANTÊLA ENQUADRADA NO SIMPLES NACIONAL, acolhendo, para tanto o parcelamento aderido regularmente, da Lei n°. 11.941 /2009. Fl. 35DF CARF MF Processo nº 10508.000600/201009 Acórdão n.º 1001000.781 S1C0T1 Fl. 3 3 Requerendo, outrossim, o EFEITO SUSPENSIVO (art. 33 do Decreto. 70.23511972), para que mantenha Recorrente no Simples Nacional até julgamento final deste recurso. De fato, como menciona a recorrente, em seu recurso, a decisão da DRJ foi baseada no art.1°, § 3°; da Portaria conjunta PGFN/RFB 6/2009, a qual peço a devida vênia para reproduzir: A manifestante transmitiu pedido de parcelamento na forma da Lei n 11.241, de 2009, conforme cópia do recibo à fl. 10. Ocorre, porém, que os débitos do Simples Nacional não são alcançados pela referida forma de parcelamento, conforme dispõe o § 3 da Portaria Conjunta PGFN/RFB 6, de 22 de julho de 2009, in verbis: ... Registrese que os débitos do Simples Federal, de que trata a Lei ri 9.317, de 1996, esses sim, podem ser incluídos no parcelamento da Lei ri 11.941, de 2009, haja vista que são originários de tributos de competência da União e administrados pela Secretaria da Receita Federal. No caso do Simples Nacional a situação é diferente, pois o referido sistema envolve tributos de competência da União, Distrito Federal, estados e municípios. Sendo assim, os benefícios da Lei n2 11.941, de 2009, não se aplicam ao Simples Nacional, eis que é vedado à União promover redução de crédito tributário cuja competência para instituição pertença aos estados, municípios e Distrito Federal, conforme dispõe o art. 151, inciso III, do CTN. Desse modo, não há previsão legal para concessão de parcelamento de débitos relativos ao Simples Nacional. Restando comprovado no sistema SIVEX que os débitos motivadores do ADE ainda não foram regularizados, conforme tela "Consulta débitos após prazo para regularização", à fl. 20, mantémse a exclusão de oficio do Simples Nacional. A recorrente alega a inconstitucionalidade da norma. Entretanto, entendo irrelevante o argumento, aliás, a própria DRJ detalhou as razões da impossibilidade de inclusão dos débitos, em epígrafe, no parcelamento instituído pela Lei 11.941/2009. Vêse, com base na tela (fl 20) que os débitos continuavam pendentes de regularização, portanto, fica evidente que não foram incluídos no parcelamento, como alega a recorrente. A Lei Complementar 123/2006, no artigo 17, inciso V, dispõe que: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Fl. 36DF CARF MF 4 Como restou configurada a situação acima, é de manterse a exclusão imposta o Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/ITA n° 417422, de 01/09/2010. Assim, nego provimento ao Recurso Voluntário, sem crédito em litígio. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 37DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12571.000014/2010-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000201/2010-00, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000201/201000, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP de créditos de COFINS mercado interno e exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa, com base no art. 3º, §1º da Lei nº 10.833/2003. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 71 .0 00 01 4/ 20 10 -1 8 Fl. 165DF CARF MF Processo nº 12571.000014/201018 Resolução nº 3301000.710 S3C3T1 Fl. 166 2 Cabe ressaltar a existência dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, que tratam dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, respectivamente, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das referidas contribuições dos anos de 2003 a 2007. Além da glosa dos créditos, foi verificado que, em diversos períodos de apuração, ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo Contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição a pagar, sendo, então, lavrados os dois Autos de Infração citados. No âmbito dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, proferiuse as Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, respectivamente. Nestas resoluções decidiuse por converter os julgamentos em diligências para fins de juntada de processos vinculados, processos esses, inclusive o presente, em que se estão sendo analisados os créditos de PIS/Pasep e Cofins (PER/DCOMPs) e que deram ensejo aos autos de infração constantes dos processos referidos. No cumprimento da Resolução nº 3301000.521 assim constou do Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Devolvamse os presentes autos ao Conselheiro Valcir Gassen, para prosseguimento, informando que os processos 12571.000006/2010 71, 12571.000007/201016, 12571.000008/201061, 12571.000009/201013, 12571.000010/201030, 12571.000011/201084, 12571.000012/201029, 12571.000013/201073, 12571.000014/201018, 12571.000015/201062, 12571.000016/201015, 12571.000017/201051, 12571.000018/201004, 12571.000019/201041, 12571.000020/201075, 12571.000021/201010, 12571.000022/201064, 12571.000023/201017, 13931.000367/200820, 13931.000936/200837, 13931.000938/200826, 13931.000941/200840, 13931.000943/200839, 13931.000944/200883, 13931.000945/200828, e 13931.000947/200817, que tratam da análise de créditos de Cofins (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao auto de que trata este processo foram distribuídos ao referido Conselheiro, em cumprimento à determinação constante da Resolução 3301000.521, de 28/9/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Quando da análise dos autos para julgamento dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, distribuídos a este relator, constatouse que os dois processos referemse a autos de infração, o primeiro no que tange a contribuição ao PIS e o segundo diz respeito a Cofins, e que existiam outros processos vinculados a estes e que tratam de pedidos de restituição e de compensação (PER/DCOMP) de PIS e Cofins Exportação apurados no regime de incidência nãocumulativa. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 12571.000014/201018 Resolução nº 3301000.710 S3C3T1 Fl. 167 3 Em pesquisa realizada no eprocesso verificouse que esses processos vinculados aos autos de infração encontravamse distribuídos em fases distintas. Por intermédio das Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, proferidas nos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, os processos vinculados foram reunidos e distribuídos a este Conselheiro prevento. Assim entendo que foram atendidas as Resoluções nº 3301000.520 e 3301 000.521. Verificando os processos de PER/Dcomps, constatase que o Auto de Infração alcança todos os períodos de apuração dos PER/Dcomps vinculados, sendo que a solução do litígio no processo do lançamento alcança os processos de ressarcimento/compensação vinculados. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que o presente processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão definitiva no processo nº 12571.000201/201000, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, neste processo. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721181/2011-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2007
RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS. ATENDIMENTO.
Atendidos os pressupostos regimentais, o Recurso Especial deve ser conhecido. Somente se caracteriza como anacrônico o paradigma proferido antes da edição da norma legal utilizada como fundamento principal no acórdão recorrido, sendo irrelevante a eventual menção a atos legais apenas como reforço à tese defendida.
EMBARCAÇÃO. DEFINIÇÃO.
Embarcação é qualquer construção sujeita a inscrição na autoridade marítima e suscetível de se locomover na água, por meios próprios ou não, cuja utilização precípua seja no transporte de pessoas ou cargas.
BENEFÍCIO FISCAL. EMBARCAÇÃO. PLATAFORMA.
Ao tempo da ocorrência dos fatos geradores, a alíquota do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, no caso de receita de afretamento de plataforma utilizada na perfuração de poços de petróleo, não era reduzida a zero.
Numero da decisão: 9202-007.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. Entretanto, findo o prazo regimental, a Conselheira não apresentou a Declaração de Voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343, de 2015 (RICARF).
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2007 RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS. ATENDIMENTO. Atendidos os pressupostos regimentais, o Recurso Especial deve ser conhecido. Somente se caracteriza como anacrônico o paradigma proferido antes da edição da norma legal utilizada como fundamento principal no acórdão recorrido, sendo irrelevante a eventual menção a atos legais apenas como reforço à tese defendida. EMBARCAÇÃO. DEFINIÇÃO. Embarcação é qualquer construção sujeita a inscrição na autoridade marítima e suscetível de se locomover na água, por meios próprios ou não, cuja utilização precípua seja no transporte de pessoas ou cargas. BENEFÍCIO FISCAL. EMBARCAÇÃO. PLATAFORMA. Ao tempo da ocorrência dos fatos geradores, a alíquota do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, no caso de receita de afretamento de plataforma utilizada na perfuração de poços de petróleo, não era reduzida a zero.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. Entretanto, findo o prazo regimental, a Conselheira não apresentou a Declaração de Voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343, de 2015 (RICARF). (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2145; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1.570 1 1.569 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16682.721181/201181 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.209 – 2ª Turma Sessão de 26 de setembro de 2018 Matéria IRF REMESSA AO EXTERIOR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BP ENERGY DO BRASIL LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2007 RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS. ATENDIMENTO. Atendidos os pressupostos regimentais, o Recurso Especial deve ser conhecido. Somente se caracteriza como anacrônico o paradigma proferido antes da edição da norma legal utilizada como fundamento principal no acórdão recorrido, sendo irrelevante a eventual menção a atos legais apenas como reforço à tese defendida. EMBARCAÇÃO. DEFINIÇÃO. Embarcação é qualquer construção sujeita a inscrição na autoridade marítima e suscetível de se locomover na água, por meios próprios ou não, cuja utilização precípua seja no transporte de pessoas ou cargas. BENEFÍCIO FISCAL. EMBARCAÇÃO. PLATAFORMA. Ao tempo da ocorrência dos fatos geradores, a alíquota do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, no caso de receita de afretamento de plataforma utilizada na perfuração de poços de petróleo, não era reduzida a zero. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. Entretanto, findo o prazo regimental, a Conselheira não apresentou a Declaração de Voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343, de 2015 (RICARF). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 11 81 /2 01 1- 81 Fl. 1570DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda na Fonte incidente sobre remessas ao exterior, a título de pagamento de afretamento de plataformas marítimas utilizadas na perfuração de poços de petróleo. Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 664 a 688, a autuada firmou, em 28/10/2005, contrato com a empresa Pride Foramer SAS, domiciliada na França, para afretamento de uma sonda de perfuração semisubmersível, Pride South Atlantic. Em sessão plenária de 09/02/2017, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2402005.676 (fls. 1.440 a 1.458), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 BENEFÍCIO FISCAL. EMBARCAÇÃO. A alíquota do imposto na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, no caso de receitas de afretamentos de, dentre outros, embarcações marítimas, aprovados pelas autoridades competentes. EMBARCAÇÃO. DEFINIÇÃO. Embarcação é qualquer construção sujeita a inscrição na autoridade marítima e suscetível de se locomover na água, por meios próprios ou não, que transporte pessoas ou cargas. Artigo 2º, da Lei 9.537/97 EMBARCAÇÃO. BENEFÍCIO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. Compete ao beneficiado comprovar que o contrato de afretamento incidiu sobre embarcação para fazer jus ao correlato benefício fiscal.” A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em conhecer do recurso e por maioria darlhe provimento, Fl. 1571DF CARF MF Processo nº 16682.721181/201181 Acórdão n.º 9202007.209 CSRFT2 Fl. 1.571 3 vencido o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Theodoro Vicente Agostinho." O processo foi encaminhado à PGFN em 19/06/2017 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.459) e, em 14/07/2017, foi interposto o Recurso Especial de fls. 1.460 a 1.473 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.474), com fundamento no artigo 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, visando rediscutir a incidência de IRRF sobre pagamento por afretamento de plataforma. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 28/07/2017 (fls. 1.477 a 1.483). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: o artigo 1º da Lei 9.481, de 1997, que reduziu a zero a alíquota do IRRF incidente sobre determinadas operações, dispõe o seguinte: Art. 1º A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.97) I receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes, bem assim os pagamentos de aluguel de containers, sobrestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias; (Destaque da Recorrente) a referida lei não cuidou de delimitar o conceito de embarcação, para fins do benefício tributário concedido, e diante de tal lacuna o intérprete deve buscar o conceito em outras fontes, como dicionários, glossários, normas técnicas ou mesmo em outros diplomas legais; a autoridade fiscal elegeu a definição contida na Lei 9.537, de 1997, que regulamenta a segurança do tráfego aquaviário, e assim dispõe: Art. 2° Para os efeitos desta Lei, ficam estabelecidos os seguintes conceitos e definições: V Embarcação qualquer construção, inclusive as plataformas flutuantes e, quando rebocadas, as fixas, sujeita a inscrição na autoridade marítima e suscetível de se locomover na água, por meios próprios ou não, transportando pessoas ou cargas; XIV Plataforma instalação ou estrutura, fixa ou flutuante, destinada às atividades direta ou indiretamente relacionadas com a pesquisa, exploração e explotação dos recursos oriundos do leito das águas interiores e seu subsolo ou do mar, inclusive da plataforma continental e seu subsolo; Fl. 1572DF CARF MF 4 consultandose o dicionário eletrônico Houaiss, é possível extrair conceito semelhante, embora menos rígido e detalhado: Embarcação: (...) 2 Rubrica: termo de marinha. qualquer estrutura flutuante destinada ao transporte de pessoal e/ou carga. 2.1 Rubrica: termo de marinha. qualquer meio flutuante de pequeno porte. segundo tais conceitos, os bens objeto de afretamento se caracterizariam como plataformas, e não embarcações, e sob esta ótica não fariam jus à alíquota zero acima referida; com efeito, para se caracterizar uma embarcação, nos termos da Lei nº 9.537, de 1997, é imprescindível que seja destinada ao transporte de cargas ou pessoas, mesmo quando se trate de plataforma flutuante; quando se destina, precipuamente, às atividades relacionadas com a pesquisa, exploração ou explotação, o bem se caracteriza como plataforma stricto sensu; a Contribuinte, por sua vez, entende que “se a lei tributária não se referiu a uma definição contida em lei especifica e identificada, outros elementos devem ser utilizados para a correta identificação do conceito jurídico, de modo a justificar o enquadramento das plataformas em seu contexto”; neste sentido, defende que devem ser consideradas outras normas, que permitiriam equiparar plataformas a embarcações: NORMAM 01 Item 0117 2) Plataforma em movimentação entre locações da mesma área situação em que a embarcação se desloca geralmente em viagem de curta duração, numa área entre regiões da mesma estrutura geológica; e 3) Plataforma em estacionamento, posicionada sob ferros ou em posicionamento dinâmico, em operação de pesquisa ou exploração situação em que a embarcação permanece, normalmente, por longos períodos em operação de pesquisa ou exploração de petróleo. Item 0201 As plataformas móveis são consideradas embarcações, estando sujeitas à inscrição e/ou registro. As plataformas fixas, quando rebocadas, são consideradas embarcações, estando, também, sujeitas a inscrição e/ou registro. Lei 2.180/54 Art . 10. O Tribunal Marítimo exercerá jurisdição sobre: (...) m) ilhas artificiais, instalações estruturas, bem como embarcações de qualquer nacionalidade empregadas em operações relacionadas com pesquisa científica marinha, Fl. 1573DF CARF MF Processo nº 16682.721181/201181 Acórdão n.º 9202007.209 CSRFT2 Fl. 1.572 5 prospecção, exploração, produção, armazenamento e beneficiamento dos recursos naturais, nas águas interiores, no mar territorial, na zona econômica exclusiva e na plataforma continental brasileiros, respeitados os acordos bilaterais ou multilaterais firmados pelo País e as normas do Direito Internacional. (Incluído pela Lei nº 9.578, de 1997) Lei 9.966/00 Art. 2º Para os efeitos desta Lei são estabelecidas as seguintes definições: (...) V – navio: embarcação de qualquer tipo que opere no ambiente aquático, inclusive hidrofólios, veículos a colchão de ar, submersíveis e outros engenhos flutuantes; (Destaques da Fazenda Nacional) na busca pelo propósito da redução a zero da alíquota do IRRF pelo art. 1º da Lei 9.481, de 1997, cumpre, inicialmente, analisar o inciso I, em cotejo com os demais incisos do mesmo artigo, na esperança de que este cotejo lance alguma luz sobre, por exemplo, o setor ou o tipo de atividade econômica que se pretendeu beneficiar com a medida; entretanto, o que se vê é que os incisos I a XII abrangem atividades bastante díspares e pontuais, cuja única característica comum é que implicam em remessa de rendimentos ao exterior; mais profícua, porém, é a análise meticulosa do texto do próprio inciso I, em si considerado, e o referido dispositivo abrange “receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes, bem assim os pagamentos de aluguel de containers, sobrestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias”; ao agrupar as receitas de fretes, afretamentos, aluguéis e arrendamentos de embarcações, com pagamentos referentes a containers, sobrestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias, o dispositivo legal transmite claros sinais de que seu escopo se relaciona efetivamente com a atividade de transporte, seja de cargas, seja de pessoas; apesar de não ser determinante, a impressão de que o legislador tinha em mente o conceito da Lei 9.537, de 1997, é fortalecida pelo fato de que esse diploma (que legiferou sobre o conceito de embarcação) foi sancionado em 11/12/1997, apenas um dia depois da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, que transformou o benefício da alíquota zero para o afretamento de embarcações de temporário (válido apenas para o anocalendário de 1997) para definitivo (vide artigo 1º, da Lei 9.481, de 1997, que teve a redação alterada pelo art. 20, da Lei 9.532, de 1997); não socorre a autuada o fato de o bem por ela alugado ter a função subsidiária de transportar a sua tripulação e os materiais usados nas pesquisas sísmicas; quando as definições de embarcação acima expostas enumeram como característica básica a propriedade de flutuar transportando pessoas ou cargas, estão obviamente se referindo às funções precípuas dessas estruturas flutuantes, sendo uma referência justamente àquilo que as diferencia das demais estruturas; Fl. 1574DF CARF MF 6 entretanto, para que um objeto flutuante possa ser definido como embarcação, ele deve ter o transporte de pessoas e/ou coisas como função preponderante, e isso definitivamente não ocorre em relação aos bens em apreço, cuja função é a realização de perfurações para a pesquisa e a lavra de petróleo; portanto, considerando que o conceito de embarcação como sendo uma estrutura flutuante destinada ao transporte de pessoas e/ou carga é mais adequado à finalidade que se depreende do art. 1º, inciso I, da Lei 9.481, de 1997, concluise que os rendimentos dos bens afretados/alugados pela autuada não estão submetidos à alíquota zero, por não corresponderem a embarcação. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, reformandose o acórdão recorrido. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 08/08/2017 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 1.488), a Contribuinte ofereceu, em 23/08/2017 (Termo de Solicitação de Juntada de fls. 1.489), as Contrarrazões de fls. 1.491 a 1.530, contendo os seguintes argumentos: Da impropriedade do Acórdão nº 10614.432 como paradigma conforme se verifica da ementa do referido acórdão, este é inadequado para fins de demonstração de divergência jurisprudencial, na medida em que (i) não trata da mesma situação específica daquela abordada no acórdão recorrido e (ii) referese a arcabouço normativo diverso daquele do presente caso (paradigma anacrônico); ‐ de fato, há divergência fundamental entre os dois casos que justificou inclusive a adoção, no suposto acórdão paradigma, de tese que não possui qualquer relação com a presente discussão, já que o argumento determinante para manutenção da autuação, no caso do paradigma nº 10614.432, diz respeito ao fato de as remessas para remuneração do afretamento das embarcações terem sido destinadas a beneficiário residente em país com regime de tributação favorecida; assim, o próprio voto vencedor afirma, em relação à possibilidade de plataformas serem ou não tidas como embarcações, que a referida discussão seria dispensável à solução da lide (fls. 37 do acórdão nº 10614.432), já que, com base no artigo 8º, da Lei nº 9.779, de 1999, a alíquota zero do IRF não se aplicaria à remessas para o exterior referentes a afretamento de embarcação, quando o beneficiário está localizado em país de tributação favorecida, portanto, irrelevante no paradigma a caracterização ou não das plataformas como embarcação, mas tal não é o caso do acórdão recorrido; nesse passo, devese observar que somente se configura a divergência necessária para admissão de Recurso Especial quando o acórdão recorrido e o acórdão paradigma adotam soluções diversas em face de situações idênticas, e nitidamente não é esse o caso em tela, vez que o paradigma utilizado pela Recorrente apoiouse em fundamento diverso da matéria ora sob discussão (conceituação de plataforma como embarcação), considerandoa, ainda, irrelevante, vez que não influenciaria no resultado daquele julgamento; no acórdão apontado como paradigma, o dispositivo determinante para resolução da controvérsia foi o art. 8º, da Lei nº 9.779, de 1999; mais do que isso, naquele caso é expressamente afirmada a irrelevância do artigo 1º, da Lei nº 9.481, de 1997; Fl. 1575DF CARF MF Processo nº 16682.721181/201181 Acórdão n.º 9202007.209 CSRFT2 Fl. 1.573 7 embora a recorrente tenha afirmado ter havido interpretação divergente apenas em relação ao art. 1º, da Lei nº 9.481, de 1997, art. 2º, V e XIV, da Lei nº 9.537, de 1997, art. 10, “m”, da Lei nº 2.180, de 1954, e art. 2º da Lei nº 9.966, de 2000, a verdade é que o acórdão recorrido trouxe farta fundamentação legal que vai muito além dos aludidos dispositivos; dentre as normas não mencionadas no Recurso Especial, mas utilizadas pelo acórdão recorrido para corroborar seu posicionamento, encontrase o Parecer n° 023/06, anexo ao Ofício n° 573/2006DPC, de 10/04/2006, da Diretoria de Portos e Costas da Marinha do Brasil, que não estava em vigor à época em que prolatado o acórdão utilizado pela Recorrente como paradigma; também não estava em vigor, àquela época, a Lei nº 13.043, de 2014, que alterou o supratranscrito artigo 1º, § 2º, inciso II, da Lei 9.481, de 1997, para reconhecer de forma literal a aplicação da alíquota zero do IRF ao afretamento de unidades “com sistema do tipo sonda para perfuração, completação, manutenção de poços (naviossonda)”, ainda que não sejam exclusiva nem primordialmente destinadas ao transporte de pessoas e coisas, são consideradas embarcações; da mesma forma, ainda não havia sido editada a Solução de Consulta COSIT nº 12/2015, também já transcrita anteriormente, na qual a própria Receita Federal do Brasil afirmou, de forma expressa, que unidades semissubmersíveis – como é o caso da embarcação “Pride South Atlantic”, objeto do presente processo – são espécie do gênero embarcação; a edição de Solução de Consulta na qual a própria Receita Federal do Brasil reconhece que as unidades semissubmersíveis – como a “Pride South Atlantic” – são consideradas embarcações, a vigência da Lei nº 13.043, de 2014, que também deixou tal fato expresso, e a emissão de parecer da parte da Diretoria de Portos e Costas da Marinha do Brasil no mesmo sentido tornam o contexto atual completamente diferente daquele que existia à época da prolação do acórdão paradigma; Da impropriedade do Acórdão nº 3403002.702 como paradigma ocorre que, novamente, a simples análise da ementa do referido acórdão demonstra que ele é inadequado para fins de demonstração de divergência jurisprudencial, na medida em que trata de matéria completamente diversa daquela discutida neste autos e que, apesar de ser menos remoto que o outro acórdão utilizado como paradigma, também se mostra anacrônico; com efeito, o aludido paradigma tem como controvérsia a “bipartição dos serviços de produção e prospecção marítima de petróleo em contratos de aluguel de unidades de operação (navios sonda, plataformas semissubmersíveis, navios de apoio à estimulação de poços e unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência) e de prestação de serviços propriamente dita”; em outras palavras, o acórdão paradigma trata da desconsideração do contrato de afretamento para tratálo como prestação de serviços, enquanto, no caso em análise, já houve expressa manifestação de ambas instâncias administrativas quanto a existência de contrato de afretamento, sendo que a controvérsia está limitada ao conceito de embarcação; Fl. 1576DF CARF MF 8 até mesmo o tributo em discussão nos dois casos é diverso, pois como se sabe, discutese no presente caso a incidência de IRRF sobre as remessas de valores relativos a contrato de afretamento celebrado entre a Contribuinte e a empresa estrangeira Pride Foramer SAS; já no paradigma o tributo controvertido é a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) sobre remessas financeiras ao exterior; de fato, esse paradigma reflete o posicionamento adotado em sessão de julgamento datada de 29/01/2014, sendo que, após tal data entrou em vigor a Lei nº 13.043, de 13/11/2014, que, como visto, reconheceu de forma literal a sujeição à alíquota zero do IRRF de afretamento internacional de unidades “com sistema do tipo sonda para perfuração, completação, manutenção de poços (naviossonda)”, ainda que não sejam exclusiva nem primordialmente destinadas ao transporte de pessoas e coisas, são consideradas embarcações; também a Solução de Consulta COSIT 12/2015, na qual a própria RFB afirma que unidades semissubmersíveis são consideradas espécie do gênero embarcação, foi editada posteriormente à prolação do aludido acórdão paradigma; como bem esclarecido pelo Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, na realidade não há dissídio jurisprudencial, mas apenas decisões inseridas em contextos normativos distintos. Do mérito a embarcação “Pride South Atlantic” também se destina ao transporte de pessoal e/ou carga, apenas não tem essa funcionalidade como fim precípuo; a definição trazida pelo dicionário eletrônico Houaiss não é, de forma alguma, compatível com a conclusão da Recorrente, visto que em nenhum momento a aludida definição se refere ao “transporte de pessoal e/ou carga” como fim precípuo, como pretende fazer crer a Recorrente que, na realidade, parece querer “interpretar a interpretação” do dicionário acerca do sentido do termo embarcação; basta fazer referência ao esclarecimento explícito do artigo 106 da Lei nº 13.043, de 2014, no sentido de que é possível que uma embarcação não tenha finalidade precípua de transporte de pessoas ou coisas, mas sim uso nas atividades de exploração, desenvolvimento ou produção de petróleo e gás; tratase de Contrato de Afretamento ajustado na modalidade por tempo (time charter), já que o pagamento foi ajustado com base em valores diários, tendo sido a embarcação disponibilizada armada e tripulada; tendo sido pacificado tal fato, tornase incontroverso que a embarcação em tela é capaz de transportar pessoas e coisas, ainda que o transporte não seja a sua finalidade precípua ou exclusiva; nesse passo, a discussão passa a ser unicamente sobre a necessidade de que a Unidade Pride South Atlantic seja destinada exclusiva ou precipuamente para o transporte de pessoas ou coisas para que possa ser considerada uma embarcação; ocorre que essa interpretação não apenas se mostra incompatível com a definição trazida pela Lei nº 9.537, de 1997, como levaria a uma interpretação contraditória e absurda de seu artigo 2º, no qual são fornecidos os conceitos de embarcação (inciso V) e plataforma (inciso XIV); Fl. 1577DF CARF MF Processo nº 16682.721181/201181 Acórdão n.º 9202007.209 CSRFT2 Fl. 1.574 9 ‐ em síntese, alegou a Recorrente que uma plataforma pode ser uma embarcação, desde que usada exclusivamente ou primordialmente para transporte de pessoas ou cargas, no entanto, tal interpretação é de rigor impossível, já que pela definição da própria Lei nº 9.537, de 1997, a plataforma deve ser destinada primordialmente não para transporte de pessoas ou cargas, mas para as “atividades direta ou indiretamente relacionadas com a pesquisa, exploração e explotação dos recursos oriundos do leito das águas interiores e seu subsolo ou do mar, inclusive da plataforma continental e seu subsolo”; assim, a única interpretação possível da referida lei é de que uma plataforma será qualificada também como uma embarcação se, além de sua destinação para as atividades de exploração de recursos do mar, da plataforma continental e seu subsolo, for “suscetível de se locomover na água, por meios próprios ou não, transportando pessoas ou cargas”; nesse passo, conforme já mencionado nestes autos, o TRF2, por unanimidade de votos, entendeu que plataformas móveis, tal como a plataforma semi submersível Pride South Atlantic, estão enquadradas no conceito de embarcação, e sustentou, inclusive, que “a destinação para o transporte de pessoas ou cargas não constitui elemento essencial para o enquadramento das plataformas móveis no conceito de embarcação, impondose, deste modo, o reconhecimento da subsunção destas na alíquota zero do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte”; no mesmo sentido, ao julgar o Recurso Extraordinário 76.133RJ, em que se discutia a aplicação de isenção do IPI às plataformas autoelevatórias para perfuração submarina, o STF conceituouas como espécie do gênero embarcação para fins tributários; no voto vencedor, o Ministro Antonio Neder afirma que, se as autoridades competentes – no caso o antigo Ministério da Marinha, atual Marinha do Brasil – definiram e classificaram plataforma como embarcação, não poderia o Fisco, assim, desclassificála; como se sabe, é exatamente o que ocorreu no caso em tela, uma vez que o RIR/99, em seu art. 691, I, determina expressamente a necessidade de liberação por autoridades competentes para o afretamento de embarcações, sendo certo que a Contribuinte está respaldada pela Diretoria de Portos e Costas da Marinha do Brasil, que exerce poder de polícia sobre as plataformas e editou a NORMAM 01, na qual são adotados como sinônimos os termos plataforma e embarcação inúmeras vezes; a Lei nº 2.180, de 1954, que dispõe sobre o Tribunal Marítimo, estabelece em seu art. 10, "m", que na esfera de atuação do tribunal, embarcação também é conceito compreensivo das plataformas marítimas; de forma semelhante dispõe a Lei nº 9.966, de 2000, que, em seu art. 2º, inciso V, desvincula o conceito de embarcação do qualificativo "transporte de pessoas ou coisas"; conforme exaustivamente demonstrado, embarcação e plataforma devem ser tidas como gênero e espécie, respectivamente, e por este motivo, estão inseridas no âmbito de aplicação da alíquota zero do IRRF prevista no artigo 691, I, do RIR/99; a força dos fundamentos aqui expostos é tamanha que, como já visto, a própria RFB, ao interpretar o aludido dispositivo quando da edição da Solução de Consulta COSIT 12/2015, afirmou que unidades semissubmersíveis são espécie do gênero embarcação. Fl. 1578DF CARF MF 10 não subsiste, assim, qualquer espaço para controvérsia no caso em tela, sob pena inclusive de comportamento contraditório (venire contra factum proprium) da parte da Recorrente. Ao final, a Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional ou, caso assim não se entenda, o acolhimento de suas razões, para que seja mantido o acórdão recorrido. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda na Fonte incidente sobre remessas ao exterior, a título de pagamento de afretamento de plataformas marítimas utilizadas na perfuração de poços de petróleo. Conforme Termo de Verificação Fiscal, a autuada firmou contrato com a empresa Pride Foramer SAS, domiciliada na França, para afretamento de uma sonda de perfuração semisubmersível, Pride South Atlantic. O Colegiado recorrido deu provimento ao Recurso Voluntário, enquadrando no conceito de embarcação as plataformas marítimas em tela, o que resultou na aplicação da alíquota zero quando da remessa dos pagamentos ao exterior. No Recurso Especial, a Fazenda Nacional visa discutir a incidência de IRRF sobre pagamento por afretamento de plataforma, sob o pressuposto de que, para que possa ser considerada uma embarcação, a plataforma deve ser destinada exclusiva ou precipuamente ao transporte de pessoas ou coisas. Em sede de Contrarrazões, oferecidas tempestivamente, a Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial, alegando que os paradigmas indicados pela Fazenda Nacional Acórdãos nºs 10614.432 e 3403002.702 não se prestariam à demonstração da divergência jurisprudencial. Quanto ao paradigma representado pelo Acórdão nº 10614.432, a Contribuinte alega que, embora esse julgado tenha "ventilado alguns comentários" acerca do conceito de plataforma e embarcação, o seu fundamento teria sido o fato de as remessas para remuneração do afretamento das embarcações serem destinadas a beneficiário residente em país com regime de tributação favorecida (art. 8º da Lei nº 9.779, de 1999). Ademais, alega tratarse de paradigma anacrônico, por ser anterior ao Parecer n° 023/06, anexo ao Ofício n° 573/2006DPC, de 10/04/2006, da Diretoria de Portos e Costas da Marinha do Brasil, citado no acórdão recorrido, à Lei nº 13.043, de 2014 e à Solução de Consulta COSIT nº 12/2015. Quanto ao primeiro argumento, apesar de a ementa do paradigma induzir à conclusão de que a questão da conceituação de plataforma como embarcação não teria sido relevante, este foi um dos dois fundamentos considerados igualmente aptos a decidir o litígio. Ressaltese que, embora a Contribuinte assevere que o paradigma dedicou apenas "alguns comentários" a este fundamento, compulsandose esse julgado constatase que o tema foi tratado da pág. 35 a 53, ou seja, quase vinte folhas, abordando a interpretação das Lei nºs 9.481, de 1997, 9.537, de 1997, NORMAM 01/2000, Parecer CST n° 145/71, RE 76.133, de 1974, do STF, Parecer SLTN n° 68/70 e Sistema Harmonizado de Classificação de Mercadorias, todos tratados no acórdão recorrido. Fl. 1579DF CARF MF Processo nº 16682.721181/201181 Acórdão n.º 9202007.209 CSRFT2 Fl. 1.575 11 Confirmando que a questão da conceituação da plataforma como embarcação constituiu fundamento apto a resolver o litígio no paradigma representado pelo Acórdão nº 10614.432, trazse à colação o Acórdão nº 920201.545, de 10/05/2011, por meio do qual não se conheceu do Recurso Especial daquela Contribuinte exatamente porque não foi apresentado paradigma acerca dessa matéria, considerada como autônoma e apta a decidir a lide. Confirase a ementa do Acórdão nº 920201.545: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002 Ementa: FUNDAMENTO RELEVANTE DO ACÓRDÃO RECORRIDO NÃO ATACADO. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. A decisão recorrida manteve o auto de infração com base em dois fundamentos jurídicos: i) de que as plataformas petrolíferas não seriam espécies de embarcação, portanto, não faria jus a alíquota de 0%; e ii) acrescentando a essa fundamentação, o voto trouxe o entendimento que a partir da vigência da Lei n. 9.779/99 a operação passou a ser tributada independentemente de ter sido a remessa proveniente de aluguéis de embarcações. A peça do recurso especial nada se referiu ao primeiro fundamento jurídico, qual seja, o de que plataformas petrolíferas não são embarcações, limitouse, ao revés, a impugnar a matéria relativa ocorrência da tributação independentemente de ter sido a remessa proveniente de aluguéis de embarcações, por entender ter havido alteração da fundamentação da exigência. É inadmissível o recurso especial que não impugna fundamento do acórdão recorrido apto, por si só, a manter a conclusão a que chegou o colegiado de origem, o que ocorreu no presente caso. Súmula n. º 283 do Supremo Tribunal Federal. Precedentes do STJ e da CSRF. Recurso especial não conhecido" (grifei) Assim, não há dúvida de que a questão da conceituação das plataformas como embarcações constituiu fundamento apto, por si só, a manter a decisão do acórdão paradigma, de sorte que o fato de tratar de outra matéria não o torna inservível a demonstrar a divergência. Quanto à alegação de anacronismo do paradigma representado pelo Acórdão nº 10614.432, esclareçase que paradigma anacrônico é aquele proferido em contexto normativo substancialmente diverso daquele que orientou o recorrido, ou seja, ao paradigma seria impossível interpretar de forma diversa a norma que fundamentou o recorrido, simplesmente porque tal norma ainda não existia à época da prolação do paradigma. Nesse passo, obviamente que a norma em questão é aquela que exerceu papel preponderante na tomada de decisão no acórdão recorrido, sem a qual a lide não teria aquele desfecho. Fl. 1580DF CARF MF 12 No presente caso, repitase que as normas básicas que fundamentaram o acórdão recorrido Lei nºs 9.481 e 9.537, ambas de 1997, e NORMAM 01/2000 e outras também abordadas como reforço no julgado guerreado Parecer CST n° 145/71, RE 76.133, de 1974, do STF, Parecer SLTN n° 68/70 e Sistema Harmonizado de Classificação de Mercadorias também foram tratadas no paradigma. Quanto ao fato de o paradigma ser anterior ao Parecer n° 023/06, anexo ao Ofício n° 573/2006DPC, de 10/04/2006, da Diretoria de Portos e Costas da Marinha do Brasil, citado no acórdão recorrido, tal fato somente tornaria o paradigma anacrônico se dito parecer tivesse exercido papel preponderante na tomada de decisão no acórdão recorrido. Entretanto, esse, como tantos outros pareceres, foram citados no acórdão recorrido apenas como reforço à interpretação conferida às Leis nºs 9.481 e 9.537, ambas de 1997. No que tange à Lei nº 13.043, de 2014 e à Solução de Consulta COSIT nº 12/2015, estas sequer foram citadas no acórdão recorrido, portanto não lhe serviram de fundamento, daí a irrelevância quanto ao fato de o paradigma ser anterior a elas. Destarte, o paradigma representado pelo Acórdão nº 10614.432 é plenamente apto a demonstrar a alegada divergência jurisprudencial. Quanto ao segundo paradigma indicado pela Fazenda Nacional Acórdão nº 3403002.702, de 29/01/2014 a Contribuinte alega, em sede de Contrarrazões, que referido julgado trata de matéria diversa da discutida no recorrido, além de ser anacrônico, por ser anterior à edição da Lei nº 13.043, de 13/11/2014, e à Solução de Consulta COSIT 12/2015 . No que tange à diversidade de matérias, com efeito, o paradigma trata de exigência da CIDE, enquanto que o acórdão recorrido aborda o IRRF. Entretanto, a divergência está sendo demonstrada em relação à conceituação de plataformas utilizadas em exploração de petróleo, se poderiam ou não ser classificadas como embarcações. Nesse particular, a legislação cuja interpretação diversa está sendo demonstrada nada tem a ver com esse ou aquele tributo, funcionando, no presente caso, como normas genéricas. Confirase o ponto de divergência apontado pela Fazenda Nacional, bem como os respectivos trechos dos julgados cotejados: Acórdão recorrido "Na hipótese dos autos, o acórdão recorrido firmou entendimento no sentido de que as plataformas utilizadas pela contribuinte se inserem no conceito de embarcação. Para tanto, o colegiado considerou desnecessário para o enquadramento no conceito, a exigência quanto ao transporte de cargas ou pessoas. Eis trecho do julgado: No artigo 11, o mesmo Decreto n° 87.648/82 trazia a definição de "embarcação mercante", estas sim e apenas estas caracterizadas pela destinação ao comércio marítimo, a evidenciar de forma cabal que no conceito de "embarcação" a finalidade é irrelevante. Mais tarde, o artigo 10 do Decreto n° 87.648/82 assim passou definir embarcação: "O termo ´embarcação´, para efeito deste Regulamento, significa qualquer construção, capaz de transportar pessoas ou coisas, suscetível de se locomover na água por meios próprios ou não". De acordo com esse novo conceito, além de ser suscetível de se locomover na água por meios próprios ou não, a embarcação deverá ser "capaz de transportar coisas ou pessoas", não significando isso que necessariamente deva ser utilizada nessa finalidade, bastando que tenha capacidade para tal. Fl. 1581DF CARF MF Processo nº 16682.721181/201181 Acórdão n.º 9202007.209 CSRFT2 Fl. 1.576 13 (...) À luz da legislação citada, a destinação final para o transporte de pessoas ou cargas não é elemento essencial do conceito legal de embarcação, bastando para tanto a capacidade de transportálas. (...) É falha a conclusão de que somente as embarcações destinadas ao transporte de coisas e pessoas fariam jus ao benefício ao argumento de que o legislador teve por objetivo incentivar o comércio exterior, porque se assim fosse não teria sentido que os navios de transporte de pessoas, em especial os de turismo e recreio, fizessem jus ao benefício porque não se pode afirmar que estão operando no comércio exterior. Não menos falha é a conclusão no sentido de que a Lei 9.539/97 no art. 2º, V ao definir embarcação, estaria restringindo o conceito no sentido de que qualquer construção, inclusive as plataformas, deve ter por finalidade o transporte de pessoas/cargas para que sejam consideradas embarcação, porque não existe plataforma que tenha por finalidade o transporte de pessoas/cargas, embora elas tenham essa capacidade e efetivamente transportem equipamentos de toda a espécie e pessoas quando estão navegando. (destaques da Recorrente) Paradigma Acórdão 3403002.702 "De tudo que até aqui se registrou – conceitos técnicos, definições legais, interpretação jurisprudencial, penso ter ficado evidente que as unidades petrolíferas de que se trata não se confundem com embarcações. Embarcações são destinadas ao transporte de pessoas e/ou carga sobre ou sob a água. As plataformas são instalações ou estruturas marítimas para as atividades relacionadas com a pesquisa, exploração e explotação de recursos petrolíferos. Eventualmente, até se locomovem na água, mas jamais se destinarão ao transporte de pessoas ou coisas. A recorrente louvouse no Parecer nº 023/06, anexo ao Ofício nº 573/2006DPC, de 10/04/2006, da Diretoria de Portos e Costas da Marinha do Brasil, item 31, para asseverar que “...a natureza jurídica da plataforma móvel é de uma embarcação especial...”. Há de se convir que essa interpretação sucumbe diante da própria definição legal. Ademais, a NORMAN 01DPC14, aprovada pela Portaria nº 9, de 11 de fevereiro de 2000, estabelece no item 3, letra "b", que se aplicam as definições constantes do art. 2° da Lei nº 9.537, de 1997. Ou seja, não há contradição entre o entendimento da Autoridade Marítima e a referida lei. A obrigatoriedade de registro no órgão marítimo competente tampouco tem o condão de transformar em embarcações as plataformas móveis, os barcosfaróis, bóias de amarração, as bóias de sinalização ou quaisquer outras estruturas flutuantes. (destaques da Recorrente) Fl. 1582DF CARF MF 14 Ao final do cotejo, a Fazenda Nacional assim conclui: “Há identidade fática entre o acórdão proferido pela e. Câmara a quo e os acórdãos paradigmas, eis que conferiram interpretação diversa ao conceito de embarcação. O acórdão recorrido considerou prescindível o transporte de pessoas ou cargas para enquadramento do objeto na definição de embarcação, o que ensejou a possibilidade de usufruir de benefício fiscal relativo ao IRRF. Por outro lado, os acórdãos paradigmas entenderam necessário o preenchimento da finalidade relativa ao transporte de pessoas ou cargas expressamente disposta no inciso V, do art. 2º, da Lei 9.537/97, de modo que não poderia o navio de pesquisa ser considerado embarcação e, portanto, mostrase devido o recolhimento do referido imposto.” Com efeito, a alegada divergência jurisprudencial restou demonstrada, relativamente à caracterização da estrutura em análise como embarcação. No caso do acórdão recorrido, o transporte de pessoas ou cargas não foi considerado relevante para tal caracterização. Já nos acórdãos paradigmas, ao contrário, considerouse o transporte de pessoas ou cargas como requisito essencial para a conceituação de embarcação. Quanto ao segundo argumento, no sentido de que o paradigma seria anacrônico por ser anterior à Lei nº 13.043, de 2014 e à Solução de Consulta Cosit nº 12, de 2015, repitase que o acórdão recorrido em momento algum utilizou tais atos em sua fundamentação. Ademais, ainda que o paradigma fosse posterior a esses atos, ele não os utilizaria, por tratarem, esses sim, de IRRF, tributo que não está sendo exigido no paradigma. Repitase que a divergência jurisprudencial diz respeito à conceituação de plataforma/embarcação, que não está atrelada a nenhum tributo em particular. Em tempo, registrese que o relator desse segundo paradigma traz à colação, para corroborar o seu entendimento acerca da impossibilidade de conceituação de plataforma como embarcação, trechos de decisão judicial proferida no processo que tratou de IRRF, que coincidentemente é o primeiro paradigma, Acórdão nº 10614.432, o que demonstra a total irrelevância do tributo, em face da discussão sobre a conceituação do equipamento. Assim, não há qualquer óbice ao aproveitamento desse segundo julgado como paradigma. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e passo a examinarlhe o mérito. A autuação, abarcando fatos geradores de 2007 e 2008, foi levada a cabo com base nos artigos 682, 717, 691, inciso I, todos do RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999; e na Lei nº 9.537, de 1997. Quanto aos artigos do RIR/1999, estes assim dispõem: "Art. 682. Estão sujeitos ao imposto na fonte, de acordo com o disposto neste Capítulo, a renda e os proventos de qualquer natureza provenientes de fontes situadas no País, quando percebidos: I pelas pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 97, alínea "a"); (...) Fl. 1583DF CARF MF Processo nº 16682.721181/201181 Acórdão n.º 9202007.209 CSRFT2 Fl. 1.577 15 Art. 691. A alíquota do imposto na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses (Lei nº 9.481, de 1997, art. 1º, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 20): I receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes, bem assim os pagamentos de aluguel de containers, sobrestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias; (...) Art. 717. Compete à fonte reter o imposto de que trata este Título, salvo disposição em contrário (DecretoLei nº 5.844, de 1943, arts. 99 e 100 e Lei nº 7.713, de 1988, art. 7º, § 1º)." Assim, para o que interessa no presente processo, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores 2007 e 2008 previa alíquota zero apenas para os contratos de aluguel ou arrendamento de embarcações marítimas ou fluviais. Destarte, o cerne da controvérsia é a caracterização da estrutura objeto do contrato de arrendamento ora analisado se embarcação ou não. Nesse passo, a Lei nº 9.537, de 1997, que dispõe sobre segurança do tráfego aquaviário, assim dispõe: "Art. 2° Para os efeitos desta Lei, ficam estabelecidos os seguintes conceitos e definições: (...) V Embarcação qualquer construção, inclusive as plataformas flutuantes e, quando rebocadas, as fixas, sujeita a inscrição na autoridade marítima e suscetível de se locomover na água, por meios próprios ou não, transportando pessoas ou cargas; (...) XIV Plataforma instalação ou estrutura, fixa ou flutuante, destinada às atividades direta ou indiretamente relacionadas com a pesquisa, exploração e explotação dos recursos oriundos do leito das águas interiores e seu subsolo ou do mar, inclusive da plataforma continental e seu subsolo;" No presente caso, é incontroverso que a estrutura objeto dos contratos é uma plataforma caracterizada como sonda semisubmersível para perfuração de poços de petróleo e, conforme as definições acima, as plataformas somente se caracterizam como embarcações quando utilizadas no transporte de pessoas ou cargas. Claro está que essa atividade de transporte não se afigura como apenas uma probabilidade mas sim se exige que a atividade precípua da estrutura seja o transporte, o que não é o caso da estrutura ora analisada, utilizada na perfuração de poços de petróleo. Aliás, consta do Termo de Verificação Fiscal que, em 06/07/2011, a própria Contribuinte declarou, em resposta a intimação, que algumas das remessas haviam sido feitas com retenção de IRRF, porém sem a incidência da CIDE, assim justificando: Fl. 1584DF CARF MF 16 "A Entidade entende que há incidência do imposto de renda na fonte nas remessas a título de aluguel de equipamento e plataforma, por não estarem isentas, ou reduzidas à alíquota zero, conforme os artigos 690 e 691 do DecretoLei (sic) nº 3.000/00, respectivamente." (grifei) Nesse contexto fáticonormativo, não há como considerar a aplicação de alíquota zero, uma vez que a plataforma sonda semisubmersível em questão não pode ser classificada como embarcação, por não ter como utilização precípua o transporte de pessoas ou cargas, mas sim a perfuração de poços de petróleo. Assim, a despeito dos argumentos constantes do voto vencedor do acórdão recorrido, bem como das alegações trazidas em sede de Contrarrazões, não é necessário sequer recorrer a definições fora da legislação citada no Auto de Infração. Com efeito, o art. 2º, da Lei nº 9.537, de 1997, ao inserir as plataformas em dois incisos em separado, especificando em cada um deles a atividade que deveria ser considerada para efeito de classificação como embarcação ou plataforma, obviamente pretendeu que a classificação levasse em conta essa atividade, do contrário os dois incisos teriam sido unificados, com todos os tipos de plataformas considerados como embarcação, independentemente de sua utilização. Nesse passo, somente pode ser considerada como embarcação a plataforma cuja atividade precípua seja o transporte de pessoas ou cargas. Aliás, a exigência no sentido de que a plataforma se locomova, bem como a ressalva de que a plataforma fixa somente pode ser considerada embarcação quando rebocada, não deixa dúvidas acerca da atividade de transporte. Seguindo essa lógica, foi alocada em outro inciso e classificada apenas como plataforma (e não como embarcação) a estrutura cuja atividade precípua não é o transporte/locomoção e sim a "pesquisa, exploração e explotação dos recursos oriundos do leito das águas interiores e seu subsolo ou do mar", como é o caso do equipamento ora analisado. Ainda em sede de Contrarrazões, a Contribuinte reitera que haveria outros diplomas legais a serem analisados, que confirmariam a tese no sentido de que a plataforma em questão seria classificável como embarcação. Tais argumentos já foram brilhantemente espancados no voto vencido do Ilustre Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, que ora reitero como minhas razões: "NORMAN 01/2000 Para fundamentar o recurso, o sujeito passivo lançou mão dos seguintes dispositivos desta norma editada pelas autoridade marítimas: Item 0117 2) Plataforma em movimentação entre locações da mesma área situação em que a embarcação se desloca geralmente em viagem de curta duração, numa área entre regiões da mesma estrutura geológica; e 3) Plataforma em estacionamento, posicionada sob ferros ou em posicionamento dinâmico, em operação de pesquisa ou exploração situação em que a embarcação permanece, normalmente, por longos períodos em operação de pesquisa ou exploração de petróleo. Item 0201 Fl. 1585DF CARF MF Processo nº 16682.721181/201181 Acórdão n.º 9202007.209 CSRFT2 Fl. 1.578 17 As plataformas móveis são consideradas embarcações, estando sujeitas à inscrição e/ou registro. As plataformas fixas, quando rebocadas, são consideradas embarcações, estando, também, sujeitas a inscrição e/ou registro. É importante observar que as normas devem ser interpretadas no contexto em que se aplicam. Nesse sentido, observase que no "Item 117" o termo "embarcação" é utilizado numa acepção que apenas reforça a idéia expressa acima, ou seja, a plataforma pode ser considerada embarcação apenas no sentido estrito de indicar sua locomoção como forma de viabilizar a sua operação em outro ponto do mar, jamais no sentido de indicar a sua utilização como transportadora de pessoas ou coisas. Por outro lado, a equiparação de plataforma a embarcação no sentido de determinar a sua sujeição ao registro no órgão competente também não tem o condão de dar a plataforma uma conceituação distinta daquela presente na Lei n.º 9.537/1997, que dispõe sobre a segurança do tráfico aquaviário em águas sob a jurisdição nacional. Até porque esta regra em razão do princípio da hierarquia normativa não poderia se sobrepor à Lei. Nesse sentido vejase que a própria NORMAN 01/2000 prevê sua submissão aos conceitos do art. 2.º da Lei n.º 9.537/1997: " 3 DEFINIÇÕES a) Embarcação qualquer construção, inclusive as plataformas flutuantes e, quando rebocadas, as fixas, sujeita à inscrição na Autoridade Marítima e suscetível de se locomover na água, por meios próprios ou não, transportando pessoas ou cargas; b) Navegação em mar aberto a realizada em águas marítimas consideradas desabrigadas; e c) Aplicamse as definições constantes do Artigo 2º da Lei nº 9.537 de 11/12/1997 que dispõe sobre a segurança do tráfego aquaviário (LESTA) e sua regulamentação (Decreto nº 2.596 de 18/05/1998 RLESTA)." Lei n.º 2.180/1954 Desta norma que dispõe sobre Tribunal Marítimo, órgão, autônomo, auxiliar do Poder Judiciário, vinculado ao Ministério da Marinha e com jurisdição em todo o território nacional, a recorrente extrai o seguinte dispositivo: Art . 10. O Tribunal Marítimo exercerá jurisdição sôbre: (...) m) ilhas artificiais, instalações estruturas, bem como embarcações de qualquer nacionalidade empregadas em operações relacionadas com pesquisa científica marinha, prospecção, exploração, produção, armazenamento e beneficiamento dos recursos naturais, nas águas interiores, no Fl. 1586DF CARF MF 18 mar territorial, na zona econômica exclusiva e na plataforma continental brasileiros, respeitados os acordos bilaterais ou multilaterais firmados pelo País e as normas do Direito Internacional. (Incluído pela Lei nº 9.578, de 1997) Também não vejo como esse dispositivo possa inserir as plataformas na conceito de 'embarcação' acima fixado. O texto legal apenas menciona que as embarcações que se relacionem à pesquisa, exploração ou produção dos recursos naturais do mar estão sujeiras à jurisdição do Tribunal Marítimo. Não está aí taxativamente alguma disposição no sentido de que as plataformas encontramse inseridas no conceito de 'embarcação', mas mesmo que assim se entenda, o contexto da Lei é apenas no sentido de indicar que as estruturas flutuantes utilizadas na pesquisa e exploração marítimas encontramse no escopo específico desta lei, nada mais. Observese que não é salutar para interpretação que queremos chegar, a utilização de trechos normativos isolados, longe do contexto de conceituar 'embarcação' para fins tributários. Lei 9.966/2000 Desta Lei que, dispõe sobre a prevenção, o controle e a fiscalização da poluição causada por lançamento de óleo e outras substâncias nocivas ou perigosas em águas sob jurisdição nacional, a recorrente foi buscar o art. 2.º para dar força a sua tese. Art. 2º Para os efeitos desta Lei são estabelecidas as seguintes definições: (...) V – navio: embarcação de qualquer tipo que opere no ambiente aquático, inclusive hidrofólios, veículos a colchão de ar, submersíveis e outros engenhos flutuantes; Menciona que tal dispositivo, ao criar definições para o conceito de 'embarcação' e 'navio', tal como fez a Lei n.º 9.537/1997, por se tratar de lei posterior teria disposto sobre o mesmo tema e, desta forma, revogado a norma anterior, desvinculando absolutamente do conceito de "embarcação" o qualificativo 'transporte de pessoas ou coisas', bastando para tanto que possua o atributo de flutuar. Acerca desse argumento, concordo plenamente com o que ficou assentado no voto condutor do acórdão recorrido. Primeiramente há se ter em conta que o contexto normativo da Lei de 2000 é tratar de prevenção de acidentes que posam lançar produtos poluentes no meio aquático, ou seja, sua finalidade é bem mais restrita de que a Lei n.º 9.537/1997, que dispõe sobre a segurança do tráfico aquaviário em águas sob a jurisdição nacional. Ademais, o seu artigo 2º., não definiu 'embarcação', mas sim, 'navio', como sendo embarcação de qualquer tipo que opere no ambiente aquático, inclusive hidrofólios, veículos a colchão de ar, submersíveis e outros engenhos flutuantes. Fl. 1587DF CARF MF Processo nº 16682.721181/201181 Acórdão n.º 9202007.209 CSRFT2 Fl. 1.579 19 Verificase, por outro lado, que a Lei nº.9966, de 2000, no seu artigo 2º. não inovou quanto ao conceito de 'embarcação', cuidando tão somente da definição de 'navio' e nos que diz respeito à conceituação de plataforma reproduziu o texto da Lei n.º 9.537/1997, como se pode ver: “VI – plataformas: instalação ou estrutura, fixa ou móvel, localizada em águas sob jurisdição nacional, destinada a atividade direta ou indiretamente relacionada com a pesquisa e a lavra de recursos minerais oriundos do leito das águas interiores ou de seu subsolo, ou do mar, da plataforma continental ou de seu subsolo; (...)” De se concluir que a Lei 9.966/2000 não revogou as definições que se encontram na Lei nº. 9.537/97." Com efeito, a Lei nº 9.966, de 2000, em seu art. 2º, fornece a definição de plataforma, diferenciandoa inclusive da definição de navio, exatamente como o faz a Lei nº Lei nº 9.537, de 1997, relativamente a embarcação: "Art. 2o Para os efeitos desta Lei são estabelecidas as seguintes definições: (...) V – navio: embarcação de qualquer tipo que opere no ambiente aquático, inclusive hidrofólios, veículos a colchão de ar, submersíveis e outros engenhos flutuantes; VI – plataformas: instalação ou estrutura, fixa ou móvel, localizada em águas sob jurisdição nacional, destinada a atividade direta ou indiretamente relacionada com a pesquisa e a lavra de recursos minerais oriundos do leito das águas interiores ou de seu subsolo, ou do mar, da plataforma continental ou de seu subsolo;" Quanto ao restante dos atos legais citados pela Contribuinte em sede de Contrarrazões, e no voto vencedor, tratase de manifestações anteriores à vigência da Lei nº 9.537, de 1997, ou atos infralegais, que não podem ser soprepostos à própria lei. Ademais, as decisões judiciais citadas, ainda que se referissem à legislação ora aplicada, não possuem força vinculante para o CARF. Relativamete à Lei nº 13.043, de 2014, citada pela Contribuinte em sede de Contrarrazões, esta é posterior à ocorrência dos fatos geradores, o que inviabiliza a sua eventual aplicação, a teor do art. 144 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN): Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. E lembrese que, a teor do art. 111 do CTN, esse tipo de dispositivo tem de ser interpretado literalmente. Da mesma forma, a Solução de Consulta Cosit nº 12, de 09/02/2015, é inaplicável ao presente caso, já que interpreta a Lei nº 13.043, de 2014, e não a legislação que Fl. 1588DF CARF MF 20 fundamenta o presente voto. Aliás, dita Solução de Consulta deixa patente que a possibilidade de aplicarse alíquota zero nos contratos de afretamento da plataforma em tela, utilizada na exploração de petróleo, somente passou a ser possível com a edição da Lei nº 13.043, de 2014. Nesse passo, esse ato interpretativo descarta expressamente essa interpretação quanto à legislação vigente ao tempo da ocorrência dos fatos geradores ora tratados (2007 e 2008). Confirase trechos da Solução de Consulta Cosit nº 12, de 2015: "12. Sobre a matéria consultada é importante destacar que a legislação, objeto da consulta, foi modificada pela Lei nº 13.043, de 13 de novembro de 2014, que alterou o art. 1º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, inserindo o §2º, que passou a admitir expressamente a alíquota zero de IRRF para remessas para o exterior em contraprestação ao afretamento de embarcações utilizadas na exploração de petróleo: (...) 13. Desse modo, a consulta deverá ser solucionada de acordo com legislação vigente e deverá restringirse a analisar o enquadramento das plataformas semissubmersíveis como embarcações e a utilização ou não de sistemas flutuantes ou tipo sonda para fins de limite da parcela relativa ao contrato de afretamento das plataformas em relação ao do valor global do contrato, que envolver simultaneamente a de prestação de serviço de operação dessas plataformas. (grifei) Finalmente, registrese que, quando do início do presente julgamento, na reunião de agosto de 2018, em sede de memorial, a Contribuinte mencionou o art. 3º da Lei nº 13.586, de 28/12/2017, que teria estabelecido a alíquota zero para o equipamento em tela com efeitos retroativos, transcrevendo em nota de rodapé apenas o caput do dispositivo. Entretanto, longe de demonstrar o direito ao benefício, a leitura completa do citado artigo, mormente do seu § 1º, não deixa dúvidas acerca da inexistência de direito à alíquota zero, por ocasião do momento de ocorrência dos fatos geradores ora tratados (2007 e 2008). Confirase a redação do at. 3º da Lei nº 13.586, de 2017, na sua integralidade: "Art. 3o Aos fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2014, aplicase o disposto nos §§ 2º e 12 do art. 1º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, e a pessoa jurídica poderá recolher a diferença devida de imposto sobre a renda na fonte, acrescida de juros de mora, no mês de janeiro de 2018, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício. § 1o Para fazer jus ao tratamento previsto no caput deste artigo, a pessoa jurídica deverá comprovar a desistência expressa e irrevogável das ações administrativas e judiciais que tenham por objeto os débitos de que trata este artigo e renunciar a qualquer alegação de direito sobre a qual se fundem as referidas ações. § 2o A desistência de que trata o § 1o deste artigo poderá ser parcial, desde que o débito objeto da desistência seja passível de distinção dos demais débitos discutidos no processo administrativo ou judicial. § 3o É facultado o pagamento do débito consolidado de que trata o caput deste artigo em até doze parcelas mensais, iguais e Fl. 1589DF CARF MF Processo nº 16682.721181/201181 Acórdão n.º 9202007.209 CSRFT2 Fl. 1.580 21 sucessivas, e a primeira parcela será vencível em 31 de janeiro de 2018 e as demais, no último dia útil dos meses subsequentes. § 4o As parcelas a que se refere o § 3o deste artigo serão acrescidas de juros equivalentes: I à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir de 1o de fevereiro de 2018 até o último dia do mês anterior ao do pagamento; e II de 1% (um por cento), no mês do pagamento. § 5o Na hipótese de incorporação, de fusão ou de cisão ou de extinção da pessoa jurídica pelo encerramento da liquidação, as parcelas vincendas devem ser pagas até o último dia útil do mês subsequente ao do evento. § 6o A extinção da ação nos termos do disposto no § 1o deste artigo dispensa o pagamento de honorários advocatícios sucumbenciais. § 7o O disposto no caput deste artigo não se aplica às embarcações utilizadas na navegação de apoio marítimo, definida na Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997, as quais se encontram expressamente excepcionadas do disposto nos §§ 2º E 9º do art. 1º da Lei nº 9.481, de 13 de agostode 1997, conforme o disposto no § 10 do art. 1º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997." Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 1590DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13027.000431/2004-51
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO - CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA - INTELIGÊNCIA DO ART. 168 DO CTN
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Aplicação da Súmula CARF 91 ao caso.
Numero da decisão: 9101-003.696
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à DRF de origem.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Nelso Kichel (suplente convocado em substituição ao conselheiro Flávio Franco Corrêa), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo(Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Flávio Franco Corrêa.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO - CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA - INTELIGÊNCIA DO ART. 168 DO CTN Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF 91 ao caso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à DRF de origem. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Nelso Kichel (suplente convocado em substituição ao conselheiro Flávio Franco Corrêa), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo(Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Flávio Franco Corrêa.
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Aplicação da Súmula CARF 91 ao caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento com retorno dos autos à DRF de origem. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 02 7. 00 04 31 /2 00 4- 51 Fl. 614DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luís Flávio Neto, Nelso Kichel (suplente convocado em substituição ao conselheiro Flávio Franco Corrêa), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo(Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Flávio Franco Corrêa. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pelo Contribuinte Nacional diante do acórdão nº 180200.667, onde se entendeu que no caso de tributos lançados por homologação, a extinção do crédito tributário dáse na data do pagamento antecipado. Portanto, o termo inicial para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Na origem tratase o presente processo de Declaração de Compensação de fls. 0102, protocolada em 20/10/2004, onde o Contribuinte pretende compensar débitos de CSLL lançados de oficio (processo n° 11030.001840/200491), períodos de apuração 09/1999 e 12/1999, nos valores de R$2.998,17 e R$23.821,33, respectivamente, informando um crédito de R$30.977,45, referente a pagamento a maior ou indevido de IRPJ, efetuado em 30/07/1999 . Ao analisar a compensação a DRF, concluiu que ocorreu a decadência do direito de pedir restituição, já que o pedido foi posterior a 05 anos do pagamento. Apresentada Manifestação de Inconformidade a DRJ manteve a decisão da DRF. Desse modo foi apresentado o competente Recurso Voluntário, que culminou na decisão antes mencionada, que possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fato gerador: 30/06/1999 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. O prazo para pleitear a restituição/compensação de valor dito pago indevidamente ou em valor maior que o devido, relativo a tributo ou contribuição, extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos contado da data da extinção do crédito tributário, nos termos dos artigos 165 e 168, do Código Tributário Nacional. No caso de tributos lançados por homologação, a extinção do crédito tributário dáse na data do pagamento antecipado. Portanto, o termo inicial para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Cientificado da decisão o Contribuinte embargos de declaração que foram improvidos. Tempestivamente, posteriormente apresenta Recurso Especial de divergência, assentado o entendimento de que, nos pedidos formulados até a edição da Lei Complementar n° 118/05, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador. Fl. 615DF CARF MF Processo nº 13027.000431/200451 Acórdão n.º 9101003.696 CSRFT1 Fl. 729 3 O Recurso do Contribuinte foi admitido pelo despacho do então presidente da Câmara. A Fazenda, devidamente cientificada informa que não apresentaria contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Sobre o conhecimento do Recurso, não há reparos a serem feitos no despacho de admissibilidade. O Contribuinte traz dois paradigmas claros no sentido da tese que apresenta, no sentido de que o prazo é de 10 anos, contados do fato gerador, para pedidos anteriores a Lei Complemtentar 118. No mérito, importante destacar que tal matéria já foi sumulada pelo CARF. Clara, portanto, a aplicação ao caso da Súmula CARF 91, que assim dispõe: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Nesse contexto, por configurar clara situação de aplicação da súmula, entendo que deve ser acolhido o pedido do Contribuinte. Destaquese, entretanto, que os demais elementos constantes do processo não foram analisados, de modo que o processo deve retornar à DRF para novo julgamento, considerando não haver a decadência no presente caso. É como voto. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 616DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.902875/2010-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem aguarde a conclusão da diligência determinada em relação ao processo administrativo nº 10865.000243/2011-92, reenviando os autos ao CARF em conjunto com o referido processo.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares e Tiago Guerra Machado.
Relatório
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem aguarde a conclusão da diligência determinada em relação ao processo administrativo nº 10865.000243/2011-92, reenviando os autos ao CARF em conjunto com o referido processo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Cássio Schappo, Lázaro Antonio Souza Soares e Tiago Guerra Machado. Relatório
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score : 1.0
Numero do processo: 13804.001085/2003-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2002
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. CRÉDITO EM SUFICIÊNCIA.
Comprovada, por meio de diligência determinada especificamente para esta finalidade, a existência de créditos presumidos de IPI nos termos da Lei n° 9.363/1996 em suficiência, merece reconhecimento o encontro de contas pleiteado.
Numero da decisão: 3401-005.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, acolhendo resultado de diligência efetuada pela fiscalização.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2002 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. CRÉDITO EM SUFICIÊNCIA. Comprovada, por meio de diligência determinada especificamente para esta finalidade, a existência de créditos presumidos de IPI nos termos da Lei n° 9.363/1996 em suficiência, merece reconhecimento o encontro de contas pleiteado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, acolhendo resultado de diligência efetuada pela fiscalização. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2002 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. CRÉDITO EM SUFICIÊNCIA. Comprovada, por meio de diligência determinada especificamente para esta finalidade, a existência de créditos presumidos de IPI nos termos da Lei n° 9.363/1996 em suficiência, merece reconhecimento o encontro de contas pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, acolhendo resultado de diligência efetuada pela fiscalização. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 10 85 /2 00 3- 91 Fl. 1678DF CARF MF Processo nº 13804.001085/200391 Acórdão n.º 3401005.338 S3C4T1 Fl. 1.679 2 1. Tratase do despacho decisório nº 140/2008, situado às fls. 1.604 a 1.606, que deferiu parcialmente a declaração de compensação protocolada em 27/02/2003, situada à fl. 3, que visava ressarcir crédito presumido de IPI, no montante de R$ 2.981.353,71, e compensálo com débitos de IRPJ e de CSL no valor de R$ 424.927,33. O valor do crédito pleiteado, segundo informado pela contribuinte, era oriundo de: (i) o ressarcimento de crédito presumido do IPI, nos termos da Lei n° 9.363/1996, no valor de R$ 2.972.545,92, e (ii) o saldo credor do IPI de que trata a Lei n° 9.779/99, no valor de R$ 8.807,79, ambos referentes ao 4º trimestre de 2002 (período de apuração). A autoridade fiscal reconheceu apenas o valor de valor de R$ 239.262,84, não reconhecendo crédito presumido que se refira a período de apuração diverso do 4° trimestre de 2002 com base no § 4° do Art. 4° da Portaria MF n° 38/1997 e também com base no art. 1° do Decreto n° 20.910/1932, constatando que o pedido foi realizado a destempo, vez que os períodos de 01/1998 até o 3° trimestre de 2000 já se encontravam prescritos. 2. Em 17/07/2008, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, situada às fls. 1.557 a 1.569, na qual argumentou, em síntese, que: (i) ao preencher a declaração, por escusável equívoco de digitação, foi, na primeira folha do conjunto declaratório, registrado que o direito creditório da empresa correspondia a valor apurado, tão somente, no 4° trimestre de 2002, quando, na verdade, era referente aos anos 1998, 1999, 2000, 2001 e 2002, conforme se depreende do agrupamento declaratório/reivindicatório da homologação dos créditos e as provas documentais, préconstituídas, abarcando os períodos de 1998 a 2002; (ii) o erro formal e escusável é irrelevante para apreciação de materialidade envolvida, tendo restado superado, tanto que não foi sequer considerada pela autoridade fiscal por ocasião da apuração do crédito presumido de IPI, como comprova a relação de documentos entregues em 25/04/2006, havendo, ainda, no mesmo sentido, o Termo de Intimação Fiscal o Termo de Encerramento de Diligência, sendo que o primeiro, datado de 25/01/2008, requereu rol documental abrangendo o período de 1998 a 2002, e o segundo, datado de 10/04/2008, reconheceu, em favor da signatária, o crédito de R$ 2.972.545,95, acumulado desde janeiro de 1998; (iii) o despacho decisório ignorou robusta realidade factual e documental, tendo incorrido em contradição ao afirmar ser impossível saber que o valor informado abrangia direitos creditórios anteriores a 2002; (iv) o documento firmado pela ora recorrente não podia ser entendido como “Declaração Retificadora” substitutiva daquela protocolizada em 2003, uma vez que se tratou de documento com caráter meramente esclarecedor, sem sequer alterar o quantum vindicado, quer incluindo ou debitando valores, restringindose a explicar o que já restava materialmente evidenciado, requerendo, ao final, que a totalidade dos créditos presumidos do IPI seja homologada e, logo, sejam deferidas as compensações em apreço. 3. Em 23/09/2008, foi proferido o Despacho nº 140/2008, situado às fls. 1.604 a 1.606, por parte da Auditora Fiscal Lourdes Maria Carvalho Tavares, que, por verificar a existência de omissão do despacho decisório, em virtude de não ter havido apreciação do pedido referente ao saldo credor do IPI, determinouse a diligência para que a unidade: (i) analisasse o ressarcimento do saldo credor do IPI (art. 11 da Lei n° 9. 779/99) pleiteado no valor de R$ 8.807,79, identificando o período de apuração a que se referia, uma vez que houvera, até aquele momento, apreciação apenas do crédito presumido do IPI; (ii) consolidasse, em relatório circunstanciado, as informações prestadas e apresentasse quaisquer outras informações e documentos que considerasse úteis ou necessários ao prosseguimento do julgamento do feito. 4. Em resposta, a unidade de origem emitiu a Informação SEORT/DRF/BEL n° 0608, de 12/11/2009, situada às fls. 1.611 a 1.612, na qual concluiu que Fl. 1679DF CARF MF Processo nº 13804.001085/200391 Acórdão n.º 3401005.338 S3C4T1 Fl. 1.680 3 “não cabe nos autos a análise do ressarcimento do saldo credor do IPI (art. 11 da Lei n” 9.779/99) inicialmente pleiteado, no valor de R$ 8.807,79, nem a identificação do período a que se refere”. Tal conclusão se deve ao fato de que, inicialmente, a contribuinte apresentou o Pedido de Ressarcimento situado à fl. 03, pleiteando (i) o ressarcimento de crédito presumido do IPI, nos termos da Lei n. ° 9.363/1996, no valor de R$ 2.972.545,92, e (ii) o saldo credor do IPI de que trata a Lei n° 9.779/99, no valor de R$ 8.807,79, ambos referentes ao 4° trimestre de 2002. Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal (fls. 32 e 33), a contribuinte apresentou petição recepcionada pela autoridade fiscal a destempo como um novo pedido, que, nas palavras da informação prestada pela Unidade, "complementa o inicial, amplia o objeto de análise deste processo no que diz respeito ao período de apuração, mas, por outro lado, toma claro o crédito realmente pleiteado, uma vez que o próprio interessado assevera" que o ressarcimento em apreço se refere a Crédito Presumido de IPI calculado com base na Lei n° 9.363/1996 no valor de R$ 2.972.545,92 (item i), nada tendo a reivindicar a respeito do saldo credor de IPI no valor de R$ 8.807,79 (item ii). 5. Em 17/12/2009, a contribuinte protocolou petição situada às fls. 1.615 a 1.617, esclarecendo que, em prol da celeridade, nada tem a reivindicar a respeito do saldo credor de IPI no valor de R$ 8.807,79, "(...) o que faz para evitar novas diligências e análises (...) que fatalmente obstaculizariam a solução final da causa, e não porque anui com as razões expendidas pelo auditor fiscal (...), passando a ter como objetivo único o crédito presumido de IPI (...) no montante de R$ 2.972.545,95 (...) para, assim, proceder às suas compensações e/ou ressarcimentos". 6. Em 18/02/2010, a 03ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Belém (PA) proferiu o Acórdão DRJ nº 0116.337, situado às fls. 1.644 a 1.651, de relatoria da AuditoraFiscal Lourdes Maria Carvalho Tavares, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, indeferindo o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/ 12/2002 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria não expressamente contestada, conforme art. 17 do Decreto n. 70.235/72. IPI. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. LIQUIDEZ E CERTEZA. TRIMESTRECALENDÁRIO. O ressarcimento autorizado pelo artigo 1 1 da Lei n° 9.779/1999 vinculase ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária que rege a matéria. Remanescendo, ao final de cada trimestrecalendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento após efetuadas as deduções autorizadas na legislação, o contribuinte poderá requerer ao Fisco, de forma definitiva, o ressarcimento dos referidos créditos ou compensálos. Na ausência de provas nos autos que indiquem a certeza e a liquidez do crédito pleiteado, impõese o indeferimento do pleito. Fl. 1680DF CARF MF Processo nº 13804.001085/200391 Acórdão n.º 3401005.338 S3C4T1 Fl. 1.681 4 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional (CTN). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 7. A contribuinte foi pessoalmente intimada em 10/03/2010, em conformidade com a aposição de ciência firmada sobre a Comunicação nº 0311/2010, situada à fl. 1.652 e, em 07/04/2010, interpôs recurso voluntário, situado às fls. 1.655 a 1.664, no qual reiterou as razões de sua manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 8. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 9. Verificase, a partir da leitura da brevíssima decisão recorrida, que o julgador a quo entendeu que o ressarcimento em apreço se vincula à condição de o titular da pretensão apresentar escrituração e controles efetivados por trimestrecalendário que lhe permitam comprovar sua condição de detentor dos créditos pleiteados, bem como que apresente documentação hábil a conferir suporte a sua escrita, enquadrandose a recorrente na hipótese do § 2º do art. 14 da Instrução Normativa SRF nº 210/2002. 10. Assim, remanescendo, ao final de cada trimestrecalendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento após efetuadas as deduções de que tratam o caput do dispositivo em referência, poderá a contribuinte requerer, de forma definitiva (ou seja, de uma única vez), o ressarcimento dos referidos créditos, bem como compensálos na forma prevista no artigo 21 da prefalada norma. Com esse intuito é o formulário “Ressarcimento de IPI” (anexo da IN SRF n° 210/2002) apresenta o campo “trimestre de apuração”, e não “trimestre de utilização”. Fl. 1681DF CARF MF Processo nº 13804.001085/200391 Acórdão n.º 3401005.338 S3C4T1 Fl. 1.682 5 11. Com base em tais premissas, passa à apreciação do caso concreto e, na espécie, a contribuinte teria indicado como período do crédito o 4° trimestre de 2002, conforme declaração de compensação situada à fl. 3, protocolado em 27/02/2003 12. Contudo, a empresa, desde a primeira manifestação nos autos, decorrente de resposta a intimação a ela dirigida em 25/01/2008, informa que o valor do crédito pleiteado se refere ao montante acumulado no período de janeiro/1998 a dezembro/2002. em conformidade com petição situada à fl. 34: Fl. 1682DF CARF MF Processo nº 13804.001085/200391 Acórdão n.º 3401005.338 S3C4T1 Fl. 1.683 6 13. No entendimento da decisão recorrida, tal hipótese não se encontraria abrangida pela legislação de regência, que dispõe que o pedido de ressarcimento será apresentado por trimestrecalendário, vedação que se justificaria pela necessidade de efetivo controle da Administração. 14. Em nenhum momento a decisão se volta a avaliar o direito substantivo da recorrente, bastandolhe afirmar que o pedido realizado em desconformidade com o desígnio da instrução normativa seria bastante para se proceder à negativa do crédito vindicado. 15. O pedido merece análise menos superficial, sendo possível a superação do rigor formal zelosamente defendido pelo julgador de primeiro piso caso efetivamente comprovado o direito pleiteado pela contribuinte, detentora do ônus probatório, como aliás pacificamente tem se posicionado este colegiado, o que obriga um retorno à vexata quæstio de acordo com as especificidades do caso concreto. 16. Em primeiro lugar, coube, segundo a decisão situada à fl. 23, a decisão à unidade de Belém, onde se localizava o estabelecimento produtor do crédito pleiteado. Por este motivo, o Seort/Belém proferiu o Despacho nº 310/2004, situado à fl. 23, que, do reconhecimento de sua competência, determinou o encaminhamento do caso ao SEFIS para as diligências que se fizessem necessárias. 17. Naquilo que efetivamente interessa ao deslinde do presente feito, o procedimento fiscal concluiu expressamente pela apuração de crédito presumido de IPI no valor acumulado total de R$ 2.972.545,95, referente ao período de janeiro/1998 a dezembro/2002, conforme se depreende da leitura do termo de encerramento de diligência situado às fls. 216 a 218. 18. Há de se observar, ademais, que o período de apuração indicado pela contribuinte (Janeiro de 1998 a Dezembro de 2002), é justamente aquele discriminado pela própria unidade em diligência realizada justamente para a apuração do crédito requerido, conforme abaixo se recorta do próprio termo de encerramento de diligência: Fl. 1683DF CARF MF Processo nº 13804.001085/200391 Acórdão n.º 3401005.338 S3C4T1 Fl. 1.684 7 19. Conforme asseverou a unidade, à fl. 1.542, "(...) quando o contribuinte apresentou o requerimento inaugural (fl. 03), indicando o período de apuração '4 trimestre de 2002', não se poderia jamais inferir que se tratasse de valor acumulado, em que estariam incluídos créditos de IPI apurados desde 1998" e, logo, o requerimento contemplava única e exclusivamente o período referente ao 4º trimestre/2002: "Nessa linha de raciocínio, sustentando que no pedido inaugural da empresa constava, na capa do processo, apenas o “4º trimestre de 2002” – e, conseqüentemente, que o pleito inicial não contemplava créditos diversos do crédito referente ao 4º trimestre de 2002; bem como que a RFB jamais poderia inferir que se tratasse de valor acumulado, em que estariam incluídos créditos de IPI apurados desde 1998 – o Auditor Fiscal invocou um esclarecimento feito pela ELDORADO EXPORTAÇÃO E SERVIÇOS quanto ao período de apuração do crédito e o classificou como um novo pedido, que teria o caráter de complementar o inicial" (seleção e grifos nossos). 20. Assim, sem considerar os créditos acumulados desde 1998, considerando apenas o crédito referente ao último trimestre de 2002, a autoridade fiscal concluiu pelo valor de apenas R$ 239.262,84: Fl. 1684DF CARF MF Processo nº 13804.001085/200391 Acórdão n.º 3401005.338 S3C4T1 Fl. 1.685 8 21. Considerou, ainda, a decisão em referência, que o pedido havia sido formulado em 30/01/2008, quando do protocolo, por parte da contribuinte, da petição situada à fl. 34, que informou sobre a entrega de arquivos em meio magnético de posição fiscal referentes aos anoscalendário de 1998 a 2002, motivo pelo qual, aplicandose a disposição do Decreto nº 20.910/1932, considerandose o prazo de 5 anos para se pleitear o ressarcimento do IPI, o pedido da contribuinte, formulado em 2008, teria superado o lustro prescricional, o que margeia a contrariedade, pois ou se reconhece que o pedido se restringiu ao 4º trimestre de 2002, ou se analisa, de maneira prioritária, pois prejudicial, a validade do instrumento retificador. 22. Observese, ademais, que a contribuinte apenas traz a lume a documentação referente a 1998 no ano de 2008 porque a intimação ocorreu neste ano; não houvesse um trâmite de meia década na Receita Federal para a análise da declaração de compensação de 2003, a petição da contribuinte teria sido entregue em momento anterior e, logo, não haveria que se falar em prescrição. 23. O que deve ser respondido é: qual é o momento do encontro de contas? E a resposta se encontra na redução a termo materializada pelo documento de compensação situado à fl. 2, i.e., em 27/02/2008: Fl. 1685DF CARF MF Processo nº 13804.001085/200391 Acórdão n.º 3401005.338 S3C4T1 Fl. 1.686 9 24. Em outras palavras, em que pese atualmente muito se falar a respeito do dever de colaboração por parte dos particulares, com o qual concordamos, há de reconhecer também a necessidade da abertura de diálogo como forma de aproximar e amadurecer institucionalmente a relação entre o Fisco e os Contribuintes. Observese que uma simples intimação para prestação de esclarecimentos em data posterior a 27/02/2003 seria bastante para evitarem 15 anos de contencioso, que é o tempo de duração do presente processo. Não se desloca com esta afirmação o ônus probatório: superase, a bem da verdade, o formalismo excessivo para se solicitar um esclarecimento. 25. Observese, neste sentido, que sentido nenhum haveria em a contribuinte protocolar a sua Declaração de Compensação com cópia dos Termos de Abertura e de Encerramento dos Livros de Registro de IPI, do período de 1998 a 2002, de modo a justificar o total do crédito apresentado e vinculandoo a sua origem, caso sua pretensão se limitasse à última tríade do ano de 2002. 26. Por outro lado, o que se observa é que a própria unidade, mostrando se plenamente ciente da intenção da ora recorrente, em 25/01/2008 (data anterior, portanto, à suposta "retificação" da contribuinte), determinou à contribuinte a documentação fiscal referente ao período de janeiro/1998 a dezembro/2002, conforme termo de intimação situado à fl. 32: 27. Assim, absolutamente equivocado é o entendimento da decisão recorrida de considerar a petição situada à fl. 34, protocolada pela contribuinte em resposta à intimação acima recortada, como instrumento retificador. A petição, a bem da verdade, em nada inova ou adiciona, mas apenas esclarece e reforça que a declaração situada às fls. 02 e 03, Fl. 1686DF CARF MF Processo nº 13804.001085/200391 Acórdão n.º 3401005.338 S3C4T1 Fl. 1.687 10 referese ao crédito de IPI acumulado de 1998 ao último trimestre de 2002, e não apenas ao crédito do último trimestre de 2002, o que é repetido pela contribuinte, consistentemente, em todas as oportunidades em que falou no processo até o presente momento. 28. Desnecessário se faz, ainda, convertese o presente feito em diligência, uma vez que a apuração do crédito presumido de IPI referente ao período de janeiro/1998 a dezembro/2002, já foi realizada, conforme termo de encerramento de diligência firmado em 10/04/2008, lavrado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil ANTONIO MARCELINO P. NETO, situado às fls. 216 a 219, que apurou crédito presumido de IPI no valor acumulado de R$ 2.972.545,95, ligeiramente abaixo, portanto, dos R$ 2.981.353,71 pleiteados, diferença que motiva o provimento parcial, e não integral do recurso: 29. Assim, não havendo notícia de fatos supervenientes aptos a alterar o quadro fáticonormativo em apreço, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto para acolher o resultado do termo de encerramento de diligência situado às fls. 216 a 219, nos seu iguais e precisos termos. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 1687DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.914141/2012-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
RESSARCIMENTO DE IPI. SOBRESTAMENTO ATÉ JULGAMENTO DE AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Desnecessário o sobrestamento do julgamento de processo de ressarcimento, mesmo na hipótese de o crédito vinculado estar sendo discutido em outro processo sem decisão definitiva na esfera administrativa, por inexistência de relação de prejudicialidade.
Numero da decisão: 3401-005.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 RESSARCIMENTO DE IPI. SOBRESTAMENTO ATÉ JULGAMENTO DE AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Desnecessário o sobrestamento do julgamento de processo de ressarcimento, mesmo na hipótese de o crédito vinculado estar sendo discutido em outro processo sem decisão definitiva na esfera administrativa, por inexistência de relação de prejudicialidade.
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SOBRESTAMENTO ATÉ JULGAMENTO DE AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Desnecessário o sobrestamento do julgamento de processo de ressarcimento, mesmo na hipótese de o crédito vinculado estar sendo discutido em outro processo sem decisão definitiva na esfera administrativa, por inexistência de relação de prejudicialidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 41 41 /2 01 2- 34 Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10830.914141/201234 Acórdão n.º 3401005.348 S3C4T1 Fl. 291 2 Relatório 1. Transcrevo, abaixo, por fidedigno, o relatório elaborado pela decisão recorrida: Tratase de processo de controles de pedido de ressarcimento do IPI do 3º trimestre de 2008, PER/DCOMP 06742.94119.280410.1.5.016904, no valor de R$ 286.755,75. Conforme informação fiscal de fls. 160 a 161, que embasou o despacho decisório de fls. 164, não foi reconhecido nenhum crédito, tendo em vista que em procedimento de fiscalização, fls. 140 a 159, foram lançados débitos superiores ao créditos então escriturado pela interessada. CIentificada em 02/04/2013 (fl. 167), a interessada apresentou, em 11/04/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 169 a 175, na qual, em síntese, requer o apensamento do presente processo ao processo 10830.720724/201387, que controla o auto de infração relativo ao mesmo período de apuração do ressarcimento aqui em discussão, ou, alternativamente, o sobrestamento do presente processo até o desfecho do processo citado 2. Em 12/07/2016, a 08ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 1461.860, situado às fls. 263 a 266, de relatoria do AuditorFiscal Luiz Fernando de Gobbi Porto, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 RESSARCIMENTO DE IPI. SOBRESTAMENTO ATÉ JULGAMENTO DE AUTO DE INFRAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo de ressarcimento, mesmo na hipótese de o crédito vinculado estar sendo discutido em outro processo sem decisão definitiva na esfera administrativa. A administração pública tem o dever de impulsionar o processo, em respeito ao Princípio da Oficialidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 3. A contribuinte, intimada da decisão em 05/10/2016, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10830.914141/201234 Acórdão n.º 3401005.348 S3C4T1 Fl. 292 3 Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção "Consulta Comunicados/Intimações", em conformidade com o termo de ciência situado à fl. 270, interpôs, em 28/10/2016, em conformidade com o termo de solicitação de juntada situado à fl. 271, recurso voluntário, situado às fls. 272 a 280, no qual reiterou as razões de sua manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 4. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 5. Transcrevese, abaixo, trecho da decisão a quo que se refere ao único argumento objetado pela contribuinte recorrente em suas razões recursais dirigidas tanto à primeira como a esta segunda instância administrativa: Inicialmente, necessário apontar que a interessada não ataca o mérito do indeferimento do ressarcimento pleiteado, limitando se a pleitear a juntada por apensação deste processo ao processo 10830.720724/201387 ou, alternativamente o sobrestamento deste processo até o desfecho final daquele processo. Assim, são aplicáveis ao caso concreto as disposições do art.17 do Decreto Lei n° 70.235/1972 c/c art. 74, §11 da Lei 9.430/1996, não sendo instaurado o litígio administrativo quanto a tais pontos. Quanto ao requerimento de juntada por apensação deste processo ao processo 10830.720724/201387, que controla lançamento de ofício relativo ao mesmo período de apuração, cumpre apontar que a situação concreta não se enquadra nas hipóteses da Portaria RFB n° 666/2008, que, embora revogada, rege os casos de apensação de processo protocolados em sua vigência, e assim estipula em seu art. 2º: (...) No que se refere ao pedido de sobrestamento do julgamento do presente processo tal pleito também e ser atendido nesta instância administrativa de julgamento, por falta de previsão legal para tal procedimento, uma vez que o Decreto nº Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10830.914141/201234 Acórdão n.º 3401005.348 S3C4T1 Fl. 293 4 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não autoriza a pretendida suspensão do trâmite processual. Frisese, por oportuno, que o processo administrativo é regido por princípios, dentre os quais, o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final (art. 2º, inciso XII, da Lei nº 9.784/99). Assim, não pode a autoridade administrativa proceder ao sobrestamento de processo com litígio regularmente instaurado pela apresentação de impugnação. A função precípua da Administração é o controle da legalidade do ato administrativo, controle esse que somente se consuma quando o processo houver logrado transpor todos os escalões da esfera administrativa. Assim, também sob esse enfoque, é desejável que o processo tenha o seu curso normal até a decisão final. (...) Ante o exposto, deve ser indeferido o pedido de sobrestamento do presente processo, prosseguindose no julgamento da impugnação apresentada pela interessada. Importa dizer que, embora indeferidos os pleitos da interessada, nesta mesma sessão de julgamento o processo administrativo 10830.720724/201387 será julgado, com voto deste relator pela total improcedência da impugnação, o que implica na correção do indeferimento do ressarcimento pleiteado nestes autos. 6. Observese que o reconhecimento da vinculação por conexão dos processos é uma faculdade, nos termos da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), e não um mandamento imperativo. 7. Não se vislumbra, ademais, relação de prejudicialidade externa do presente feito com relação ao julgamento que se desbordará do Processo 10830.720724/2013 87, que controla lançamento de ofício, que justifique o sobrestamento, o que, digase, redundaria em verdadeiro non liquet caso assim resolvesse este colegiado. 8. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10830.914141/201234 Acórdão n.º 3401005.348 S3C4T1 Fl. 294 5 Fl. 294DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.720573/2014-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
DESCONTO PADRÃO DE AGÊNCIA. VALORES QUE ADENTRAM A CONTABILIDADE MAS QUE NÃO CONFIGURAM RECEITA PRÓPRIA. NÃO COMPÕE A BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS.
Os valores que transitam nas contas dos veículos de divulgação a título de desconto padrão de agência não compõem o faturamento da contribuinte e, por esse motivo, não compõem a base de cálculo do PIS/PASEP.
Contribuição para o PIS/PASEP
Aplica-se ao PIS a ementa da COFINS.
Numero da decisão: 3302-005.810
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães (suplente convocado) e Paulo Guilherme Déroulède, que convertiam o julgamento em diligência. O Conselheiro Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) não participou do julgamento em razão do voto proferido definitivamente pelo Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida na sessão de agosto de 2018
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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VALORES QUE ADENTRAM A CONTABILIDADE MAS QUE NÃO CONFIGURAM RECEITA PRÓPRIA. NÃO COMPÕE A BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. Os valores que transitam nas contas dos veículos de divulgação a título de desconto padrão de agência não compõem o faturamento da contribuinte e, por esse motivo, não compõem a base de cálculo do PIS/PASEP. Contribuição para o PIS/PASEP Aplicase ao PIS a ementa da COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães (suplente convocado) e Paulo Guilherme Déroulède, que convertiam o julgamento em diligência. O Conselheiro Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) não participou do julgamento em razão do voto proferido definitivamente pelo Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida na sessão de agosto de 2018 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 05 73 /2 01 4- 75 Fl. 2570DF CARF MF Processo nº 16682.720573/201475 Acórdão n.º 3302005.810 S3C3T2 Fl. 2.571 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls. 1.4751.498: Contra a contribuinte supra identificada foram lavrados Autos de Infração às fls. 567/586, formalizando lançamentos de ofício dos créditos tributários abaixo discriminados, relativos aos períodos de apuração de 01/09/2009 a 31/12/2011, com acréscimo de juros de mora e da multa proporcional de 75%, a seguir detalhados: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins 15.211.088,20 Contribuição para o PIS/Pasep 3.295.735,86 Crédito tributário do processo 18.506.824,06 I. DO PROCEDIMENTO FISCAL A descrição dos fatos remete ao Termo de Verificação Fiscal de fls. 554/565 onde verificase que a autoridade fiscal, após transcorrer os procedimentos adotados na auditoria implementada, apresenta a conclusão que os lançamentos efetuados nas contas 41130105 e 41130113, e classificados como descontos incondicionais, são na verdade a remuneração paga pela empresa às agências de publicidade, agentes autônomos e jornaleiros pela venda de seus produtos e serviços, a qual não pode ser deduzida das bases de cálculo das contribuições para a Cofins e para o PIS/Pasep, configurando, assim nas seguintes infrações: Da exclusão indevida do desconto padrão de agência de propaganda Da análise de vários contratos denominados “Contratos de Intermediação de Veiculação de Mensagens Publicitárias” firmados entre a contribuinte e agência de publicidade, foram identificadas cláusulas, destacadas pela autoridade fiscal às fls. 556/557 do Termo de Verificação Fiscal, que levaram ao seguinte entendimento: Essas duas cláusulas transcritas acima, tratam do mesmo assunto, apenas com redações diferentes, e são concernentes ao desconto padrão de agência, que, nada mais é do que a remuneração da agência de publicidade, prevista na regulamentação das atividades publicitárias, em especial no art. 11, da Lei nº 4.680, de 1965, no art. 11, do Dec. nº 57.690, de 1966, e nos item 2.5 das NormasPadrão da Atividade Publicitária, expedidas em 16 de dezembro de 1998, pelo Conselho Executivo das NormasPadrão (CENP). No citado Termo de Verificação Fiscal o auditor fiscal transcreve a legislação pertinente à matéria (art. 11 da Lei nº 4.680, de 18 de junho de 1965; art. 11 do Decreto nº 57.690, de 1º de fevereiro de 1966), bem como apresenta trechos das NormasPadrão da Atividade Publicitária referente ao conceito básico sobre o “DescontoPadrão de Agência”, que é a remuneração destinada à agência de publicidade pela concepção, execução, e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes. Fl. 2571DF CARF MF Processo nº 16682.720573/201475 Acórdão n.º 3302005.810 S3C3T2 Fl. 2.572 3 Assim, após apresentar as exclusões do faturamento, permitidas pela legislação de regência, para fins de apurações das bases de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep (Lei nº 10.637, de 2002, art 1º, §3º e Lei nº 10.833, de 2003, art. 1º, § 3º; IN SRF nº 247, de 2002, art. 24), a autoridade fiscal apresenta as seguintes conclusões sobre a matéria: Assim, com relação aos valores dos descontos lançados na conta “41130105 Desconto Concedido Agência”, não resta dúvida de que se trata de comissão paga pela INFOGLOBO às agências de publicidade e agenciadores autônomos pela prestação de serviços, e, portanto, não pode ser excluída da base de cálculo do PIS e da COFINS, visto que a sua verdadeira natureza jurídica é de despesa com comissões de vendas, que, por sua vez representam despesas operacionais, as quais não se encontram no rol de exclusões admitidas nas leis 10.637/02 e 10.833/03. Da exclusão indevida dos descontos aos agentes/capatazia (jornaleiros) Com relação ao ponto em questão, a autoridade fiscal retrata o resultado obtido em diligência fiscal realizada na contribuinte, com ênfase em resposta apresentada em 19/04/2011, quando a diligenciada apresentou esclarecimentos sobre a natureza dos valores lançados sob a rubrica “desconto/agentes de capatazia”, cujo trecho mais relevante para a presente lide extraise, a seguir, do TVF (fl. 561): A título exemplificativo, a Intimada anexa os contratos firmados (documento nº 1) com os jornaleiros, documentando assim, todas as obrigações assumidas pelas partes, na dita operação. Da leitura dos instrumentos contratuais, verificase basicamente o seguinte: a) o jornaleiro retira material diariamente, b) o encalhe é devolvido à Intimada, sem qualquer ônus para o jornaleiro, c) a Intimada aufere por essa operação o valor correspondente a 70% (setenta por cento) do valor de capa dos jornais vendidos. Os Livros Contábeis da Intimada refletem esta operação e os valores delas decorrentes, pois tão logo feita a prestação de contas é emitido boleto para que o jornaleiro efetue o pagamento à Intimada da sua efetiva receita. Em suma, o valor do boleto corresponde aos 70% (setenta por cento) do valor de capa do material vendido efetivamente. Assim é que a escrituração é feita a partir do débito na conta de "contas a receber", o montante da receita real da Intimada (70% do valor de capa), crédito na conta "receita bruta de vendas" do valor de 100% (cem por cento) do preço de capa do total das vendas realizadas e, por fim, com débito do valor de 30% (trinta por cento) do valor de capa. Exemplificando: D Contas a Receber 70% C Receita Bruta de Vendas de Jornais e produtos promocionais (31110101/31110401) 100% D Desconto de Capatazia (41130105) 30% Em seguida a autoridade fiscal apresenta a transcrição de ementa de decisão proferida em processo, que trata sobre o mesmo tema, julgado na DRJ/SP1, para concluir na seguinte linha de entendimento: Assim, diante da explicação oferecida pelo próprio contribuinte, reforçada pela transcrição do acórdão, é indiscutível que a rubrica “Desconto Agentes/Capatazia” não possui natureza de desconto incondicional, mas sim de Fl. 2572DF CARF MF Processo nº 16682.720573/201475 Acórdão n.º 3302005.810 S3C3T2 Fl. 2.573 4 despesa com comissão de jornaleiros, que não pode ser excluída da base de cálculo do PIS e da COFINS, visto não existir amparo legal para tal exclusão. Destarte, foram realizadas pela autoridade fiscal as glosas dos valores relativos aos “Desconto Concedido Agência” e “Descontos Agentes /Capatazia” excluídos das bases de cálculo do PIS e da COFINS, registrados nas contas contábeis de nºs 41130105 e 41130113, conforme detalhamento efetuado na planilha de fl. 564 do TVF. II. DA IMPUGNAÇÃO A ciência dos autos de infração foi formalizada pessoalmente em 06/08/2014, conforme Termo de fls. 1055/1056, e, em 05/09/2014, a autuada apresentou a petição impugnativa acostada às fls. 1068/1098, com a apresentação das alegações a seguir sumariadas: Da exclusão indevida do desconto padrão de agência de propaganda Inicialmente, concorda com a autoridade fiscal que o artigo 11 da Lei nº 4.680/1965 instituiu o desconto padrão como forma de remuneração básica da agência de publicidade pelos serviços prestados, mas que, de forma diversa das conclusões da fiscalização, os serviços oferecidos pela agência têm como contratante e beneficiário o anunciante e não o veículo de comunicação. Sendo esses serviços referente a criação da arte, e execução da propaganda e a sua distribuição aos veículos de divulgação, que não é o beneficiário da propaganda criada, nos termos do art. 3º da Lei nº 4.680/1965. Dessa forma, identifica a contribuinte duas relações jurídicas distintas, firmadas, quais sejam: (i) entre o anunciante e a agência de publicidade por este contratada para a prestação de serviços de publicidade; e (ii) entre o anunciante e o veículo de comunicação que efetuará a veiculação da propaganda. Com base nessas relações jurídicas, definidas pelo já citado art. 3º da Lei nº 4.680/1965, assevera a contribuinte que a fatura da veiculação da publicidade é emitida pelo veículo de comunicação contra o anunciante, com o qual mantém a relação jurídica correspondente, nos termos do artigo 15 do Decreto nº 57.960/1966. Desse modo, entende a contribuinte que, diversamente do concluído pela fiscalização, resta claro que o serviço prestado pela agência de publicidade tem como beneficiário e contratante o anunciante, e não o veículo de comunicação, o qual não contrata a agência de publicidade para a promoção da venda de seus espaços. Nesse sentido, afirma a impugnante que o desconto padrão é devido pelos próprios anunciantes às agências contratadas como forma de remuneração pelos serviços prestados, tendo a legislação estabelecido um percentual do valor do anúncio contratado como valor a ser destinado às agências, conforme disposto no item 2.5 das NormasPadrão da Atividade Publicitária fixadas pelos Conselho Executivo de NormasPadrão (CENP), sendo permitido por essas normas, ainda, a possibilidade de contratação de remuneração alternativa ao desconto padrão a serem ajustada por escrito, nos termos do art. 7º do Decreto nº 57.690/1966. Assim, prossegue a contribuinte afirmando que, adotando as regras estabelecidas pelo Decreto nº 57.690/1966 e firmadas pelo CENP, é responsável pela emissão das faturas contra os anunciantes e as passa às agências de publicidade, com o destaque do valor do desconto padrão de agência, identificando o montante Fl. 2573DF CARF MF Processo nº 16682.720573/201475 Acórdão n.º 3302005.810 S3C3T2 Fl. 2.574 5 líquido que lhe é devido, ficando a agência incumbida de emitir, também, fatura ao anunciante, cobrando o valor do desconto padrão, salvo se contratado por escrito entre as partes valor diverso. Em seguida a impugnante apresenta a dinâmica de faturamento e cobrança com base nas NormasPadrão da Atividade Publicitária, para concluir que a legislação relativa à matéria é clara no sentido de que o desconto padrão constitui verba de titularidade exclusiva da agência, devida pelo anunciante, que pode negociar outra forma de pagamento pelos serviços prestados. Menciona que o entendimento do fisco foi modificado a partir da edição da Solução de Consulta nº 21, de 15.05.2008, quando passou a ser decidido sobre a impossibilidade de exclusão do desconto padrão de agência da receita tributável dos veículos de comunicação. Pugna que este entendimento fundamentase nas equivocadas premissas de que a receita auferida pelo veículo de comunicação corresponde à integralidade do montante despendido pelo anunciante na distribuição da publicidade contratada, e de que o veículo seria o responsável pelo pagamento à agência de publicidade de comissão pela intermediação da venda do espaço publicitário, quando na verdade o veículo não faz jus à integralidade dos valores pagos pelo anunciante para a distribuição de publicidade, tendo em vista que parte é paga ao veículo em contraprestação à efetiva veiculação, e parte é paga à agência de publicidade pelo desenvolvimento da peça publicitária e de sua respectiva distribuição. Argumenta a impugnante, ainda, que a agência publicitária não é contratada pelo veículo de comunicação nem, tampouco, presta serviços a este, pois todos os serviços prestados direcionamse aos anunciantes, que a remunera pelo desconto padrão (em regra) ou por formas alternativas (que devem ser firmadas por escrito). Destaca a disposição contida no art. 19 da Lei nº 12.232, de 29 de abril de 2010, que dispõe sobre as normas gerais para licitação e contratação pela administração pública de serviços de publicidade prestados por intermédio de agências de propaganda, que no seu entendimento foi inserido no projeto de lei originário com o objetivo de esclarecer a forma de tributação do desconto padrão de agência, que segundo referido ato legal deve constituir receita da agência de publicidade. Esclarece que o veto presidencial ao parágrafo único de citado dispositivo – o qual esclarecia expressamente que a interpretação em questão deveria se aplicar tanto às contratações firmadas pelos setor público quanto àquelas firmadas pelo setor privado – não tem o condão de instituir legalmente interpretação em sentido diverso em qualquer hipótese, tendo em vista que a interpretação da natureza do desconto padrão de agência instituído pelo artigo 11 da Lei nº 4.860/1965 deve ser única, não sendo possível admitir interpretações diversas ao mesmo dispositivo, dependendo do contratante do serviço de publicidade ser ou não integrante da administração pública. Requer a contribuinte a juntada aos autos de parecer emitido pelo I. jurista Gustavo Binenbojm sobre a aplicabilidade do art. 19 da Lei nº 12.232/2010. Aponta, ainda, que a fiscalização não considerou na autuação que parte dos valores referese exatamente ao desconto padrão relativo à veiculação de publicidade contratada entre a impugnante e a administração pública (como anunciante), hipótese em que o referido artigo 19 é indiscutivelmente aplicável, existindo, em relação a esse ponto, grave violação ao artigo 142 do Código Fl. 2574DF CARF MF Processo nº 16682.720573/201475 Acórdão n.º 3302005.810 S3C3T2 Fl. 2.575 6 Tributário Nacional (CTN), tendo em vista que foram apresentadas em resposta a intimação faturas emitidas para órgãos da administração pública, sendo apresentado, a título exemplificativo, algumas dessas faturas. Reclama a contribuinte que a despeito desse fato a fiscalização exigiu o PIS e a Cofins sobre a totalidade dos valores lançados na conta contábil 4113015, em afronta ao artigo 142 do CTN e ao art. 19 da Lei nº 12.232/2010. Frisa que o conceito de receita bruta adotado pelas legislação do PIS e da Cofins, bem como da Constituição Federal, não admite a inclusão de receitas de terceiros, ainda que eventualmente arrecadados pelo contribuinte, devendo esse conceito apenas compreender os valores que ingressem e portanto gerem acréscimo ao patrimônio do contribuinte, o que não se verifica no tocante ao desconto padrão de agência. Cita o conceito de receita pública apresentado por Aliomar Baleeiro, e o de receita privada de autoria de Limongi França, e apresenta o entendimento de Bernardo Ribeiro de Moraes sobre as principais características da receita. Com base nesses entendimentos, sustenta a contribuinte que o conceito de receita somente abrange os valores que se incorporam definitivamente ao patrimônio de quem a recebe, sem gerar, com contrapartida, obrigação de restituir ou repassar a terceiros a quantia recebida. Para reforçar seu entendimento apresenta jurisprudência do STJ (RE nº 399.596/DF) que decidiu ter a gorjeta natureza salarial, devendo incidir sobre ela apenas tributos e contribuições que incidam sobre o salário. Menciona, ainda, jurisprudência do antigo Conselho de Contribuinte do Ministério da Fazenda (Acórdão CSRF nº 0202.223) que tratou das receitas de “roaming” auferidas pelas operadoras de serviços móvel pessoal ou celular, decidindo pela não inclusão dessas receitas na base de cálculo da operadora com quem o usuário tem serviço, tendo em vista que o serviço foi prestado por terceiros. Entende que os precedentes citados aplicamse ao caso em discussão, em que o valor do desconto padrão de agência é de titularidade exclusiva das agências de publicidade, razão pela qual entende seja improcedente a exigência de PIS e de Cofins sobre os montantes lançados na conta contábil 41130105. Da exclusão indevida dos descontos aos agentes/capatazia (jornaleiros) Com relação aos valores contabilizados na conta contábil 41130113 a título de desconto de agentes/capatazia, esclarece a contribuinte que tais montantes referem se à diferença entre o preço de capa dos produtos comercializados e o valor do preço pelo qual estes são vendidos a agentes consignatórios (jornaleiros). Assevera que vende seus produtos em operações firmadas com duas espécies de adquirentes: (i) consumidores finais mediante a formalização de venda por assinaturas mensais; (ii) jornaleiros, os quais atuam como revendedores autônomos aos quais a contribuinte efetua venda em consignação de seus produtos. Esclarece que nos contratos para entrega dos produtos fica estabelecido que o impugnante promoverá as suas respectivas entregas, ficando os jornaleiros autorizados a vendêlos a terceiros, assumindo as seguintes obrigações: (i) pagar à contribuinte um preço préajustado em percentual do “preço de capa”, o qual corresponde ao preço pela qual os produtos são revendidos; ou (ii) devolver os produtos à contribuinte em prazo estabelecido. Fl. 2575DF CARF MF Processo nº 16682.720573/201475 Acórdão n.º 3302005.810 S3C3T2 Fl. 2.576 7 Afirma a contribuinte que os contratos em tela são previstos e regulados pelos artigos 534 a 537 do Código Civil Brasileiro, configurandose como vendas em consignação, vendas essas realizadas pelos jornaleiros a terceiros pelo preço de capa (preço de revenda), auferindo lucro na operação. Frisa que, por razões de controle e melhor informação contábil, trata a diferença entre o preço de capa dos produtos e o preço de venda praticado com os jornaleiros como um desconto incondicional, esclarecendo a forma de contabilização a partir dos informações apresentadas em resposta a intimação fiscal, cujo teor encontrase reproduzido no relato do Procedimento Fiscal (Item I). Enfatiza que, na essência, o que importa é que a receita auferida com as vendas efetuadas a jornaleiros corresponde sempre a um montante inferior ao preço de capa dos produtos vendidos, conforme previsto contratualmente. Dessa forma, como o PIS e a Cofins incidem sobre a receita bruta efetivamente auferida pela contribuinte, no caso de venda aos jornaleiros o montante tributável deve corresponder ao valor recebido na operação, ou seja, o preço pago pelos jornaleiros para a aquisição dos produtos. Entende que a conclusão da fiscalização de que essa diferença (30%) do preço de capa e o preço pago pelos jornaleiros, corresponde à comissão devida pela contribuinte por serviços prestados, fere por completo a natureza da operação de venda em consignação. Assevera que a doutrina especializada diferencia o contrato de venda em consignação das operações de corretagem e comissão, nas quais o corretor e o comissionário figuram como meros intermediários da operação de venda firmada entre duas outras partes, sendo que, no caso de venda em consignação, a operação de venda ocorre entre o consignante e o consignatário que, por sua vez, firma outra operação de venda com terceiros. Prossegue apresentando as lições de Caio Mario da Silva Pereira, e indicando jurisprudência do TJPR. Reforça alegando que o entendimento adotado pela fiscalização de que o fato dos jornais serem entregues em consignação aos jornaleiros determinaria que a relação de venda ocorreria entre a impugnante e os adquirentes não se sustenta, pois no seu entendimento, na venda em consignação, as relações jurídicas ocorrem (i) entre o consignante e o consignatário – no caso, veículo e os jornaleiros – e, num segundo momento, (ii) entre o consignatário e seus clientes, em operações autônomas. Assim, defende que a receita auferida na operação, que deve ser computada na base de cálculo do PIS e da Cofins, corresponde ao montante acordado e recebido dos jornaleiros pela venda efetuada a estes. Aponta a contribuinte Solução de Consulta elaborada pela Superintendência regional da Receita federal – SRRF da 5ª RF, no processo de consulta nº 38, que no seu entendimento apresenta manifestação no sentido de que nas operações de distribuição de jornais e revistas em consignação, a receita bruta do distribuidor abrange a totalidade do valor recebido, incluindose o custo de aquisição. Por fim, em relação ao tema, resume a contribuinte que, em face dos elementos apresentados, chegase às seguintes conclusões: Fl. 2576DF CARF MF Processo nº 16682.720573/201475 Acórdão n.º 3302005.810 S3C3T2 Fl. 2.577 8 1. Os jornaleiros que recebem produtos em operação de venda em consignação atuam como comerciantes, e não prestam serviço algum à impugnante; 2. A receita auferida com a venda de produtos aos jornaleiros corresponde ao preço pago por estes pela aquisição dos produtos, computandose o valor do desconto estabelecido no contrato sobre o preço de capa; 3. A diferença entre o preço de capa e o valor pelo qual os produtos são vendidos aos jornaleiros não integra a receita auferida pela contribuinte; 4. A revenda dos produtos pelos jornaleiros ocorre em relação jurídica subsequente e autônoma, da qual a contribuinte não é parte. Desse modo, pugna a contribuinte que a sua receita nestes tipos de operações sejam os valores acordados e recebidos dos jornaleiros, devendo ser considerada improcedente a exigência das contribuições sobre os valores lançados na conta contábil 41130113. Dos juros sobre a multa de ofício Ao final, a impugnante requer sejam afastados os juros sobre a multa de ofício por ser essa exigência ilegal e inconstitucional, tendo em vista que o artigo 161 do CTN apenas prevê a exigência de juros sobre o crédito não pago no respectivo vencimento, estabelecendo que sobre este crédito deve incidir também penalidades cabíveis, estabelecendo, assim, a incidência de duas exações sobres os créditos não pagos no vencimento: (i) juros e (ii) penalidades. Entende que tal dispositivo não permite a cobrança de juros sobre as penalidade impostas Afirma que a Taxa SELIC somente pode ser aplicada sobre os tributos não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, e que o conceito de tributo não abrange a multa imposta pelo não recolhimento daquele, tendo em vista as disposições do art. 3º do CTN, que dispõe que o tributo corresponde à prestação pecuniária que não constitua sanção de ato ilícito, enquanto a multa tem por objetivo exatamente sancionar os atos de descumprimento da legislação tributária, possuindo natureza sancionatória. Indica jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF que reitera o afastamento da exigência dos juros sobre multa de ofício. Em 20 de fevereiro de 2015, a DRJ/BSB julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação apresentada pela Recorrente, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 VEÍCULO DE DIVULGAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO PADRÃO DE AGÊNCIA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo da Cofins o valor concedido às agências de publicidade a título de desconto padrão de Fl. 2577DF CARF MF Processo nº 16682.720573/201475 Acórdão n.º 3302005.810 S3C3T2 Fl. 2.578 9 agência, quando contabilizado como receita, por ausência de previsão legal específica. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. EXCLUSÃO DA COMISSÃO DO JORNALEIRO. IMPOSSIBILIDADE A comissão recebida pelo jornaleiro, na venda avulsa de jornais e revistas ao público, não é parcela excludente da receita bruta para fins de determinação da base de cálculo da Cofins, nos estritos termos da Lei Complementar nº 70/1991 e Lei nº 9.718/1998. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2011 VEÍCULO DE DIVULGAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO PADRÃO DE AGÊNCIA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo do PIS/Pasep o valor concedido às agências de publicidade a título de desconto padrão de agência, quando contabilizado como receita, por ausência de previsão legal específica. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. EXCLUSÃO DA COMISSÃO DO JORNALEIRO. IMPOSSIBILIDADE A comissão recebida pelo jornaleiro, na venda avulsa de jornais e revistas ao público, não é parcela excludente da receita bruta para fins de determinação da base de cálculo da Cofins, nos estritos termos da Lei Complementar nº 70/1991 e Lei nº 9.718/1998. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2011 JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE PENALIDADE. A penalidade constitui débito decorrente do tributo ou contribuição, sendo alcançada pela incidência dos juros de mora. Intimada da decisão em 26.02.2015 (fls. 1.504), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 27.03.2015 (fls.15081.567), reproduzindo, em síntese, os argumentos apresentados em sede impugnatória. A Recorrida apresentou contrarrazões ao recurso voluntário (fls. 2.555 2.566), requerendo a manutenção do lançamento fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator Fl. 2578DF CARF MF Processo nº 16682.720573/201475 Acórdão n.º 3302005.810 S3C3T2 Fl. 2.579 10 I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 26.02.2015 (fls. 1.504) e protocolou Recurso Voluntário em 27.03.2015 (fls.1.5081.567) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Mérito Conforme exposto anteriormente, a fiscalização entendeu que os valores contabilizados nas contas contábeis 41130105 (“descontopadrão de agências”) e 41130113 (“desconto de agentes/capatazia”) deveriam ser incluídos na base de cálculo das contribuições, por se caracterizarem receitas próprias da Recorrente. A decisão combatida manteve o lançamento fiscal por entender que (i) os valores contabilizados na conta 41130105 (descontos padrão de agências) corresponderiam ao montante devido pela Recorrente às agências de publicidade a título de remuneração por serviços tomados (comissão pela venda de espaço publicitário da Recorrente); e (ii) os descontos de agente/capatazia contabilizados pela Recorrente na conta 41130113 corresponderiam a comissões pagas aos jornaleiros/capatazes pela venda de jornais e revistas. Segundo a decisão, o jornaleiro (vendedor) prestaria um serviço à Recorrente, remunerado por comissão. Contrário ao lançamento fiscal, a Recorrente, em resumo, sustenta que referidos valores não devem compor a base de cálculo das contribuições em apreço, por representarem receitas de terceiros que apenas transitam na contabilidade da Recorrente por conta das operações pactuadas com agências de publicidades e com jornaleiros. Feito esse breve relato passase à análise das questões sob análise. II.1 Desconto Padrão de Agências Conta Contábil 41130105 Em síntese, o cerne da questão posta nos autos é saber se as verbas recebidas pelos veículos de comunicação em sua totalidade devem ser incluídas na base de cálculo do PIS e da COFINS, inclusive as que são repassadas para as agências de publicidade. Pois bem. Inicialmente, destaco o voto proferido pela i. Conselheira Vanessa Marini Cecconelho, nos autos do PA nº 10830.005365/201091, sobre a matéria tratada neste tópico, a saber: No mérito, centra se a controvérsia em se verificar a possibilidade de inclusão, nas bases de cálculo da contribuição ao PIS e à COFINS, dos valores relativos ao "descontopadrão de agência", remuneração das agências de publicidade repassada pelos veículos de comunicação. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 2579DF CARF MF Processo nº 16682.720573/201475 Acórdão n.º 3302005.810 S3C3T2 Fl. 2.580 11 Pertinente à análise do tema, conceituamse as figuras envolvidas na relação jurídicotributária objeto da autuação: veículos de comunicação (ou de divulgação), anunciantes e agências de publicidade ou agência de propaganda. Nos termos do art. 10 do Decreto nº 57.690/66, que regulamenta a Lei nº 4.680/65, é veículo de comunicação qualquer meio de divulgação visual, auditiva ou audiovisual. A Recorrente é um veículo de comunicação (ou de divulgação) cuja atividade principal é a de televisão aberta, disponibilizando em sua grade de programação espaços para a veiculação de publicidade. O anunciante (ou cliente) é, conforme art. 8º do Decreto nº 57.690/66, empresa, entidade ou indivíduo que utiliza a propaganda. Em outras palavras, são aqueles que contratam as agências de publicidade para promoção de sua imagem e/ou produtos nos veículos de comunicação. A agência de publicidade ou agência de propaganda é, conforme art. 6º do Decreto nº 57.690/66, a empresa criadora/produtora de conteúdos impressos e audiovisuais especializada nos métodos, na arte e na técnica publicitárias, que, por meio de profissionais a seu serviço, estuda, concebe, executa e distribui propaganda aos veículos de comunicação, por conta e ordem de clientes anunciantes, com o objetivo de promover a venda de mercadorias, produtos e serviços, difundir ideias ou informar o público a respeito de organizações ou instituições a que servem. Necessário pontuar que as agências de publicidade não se confundem com a figura dos agenciadores de propaganda ou agenciadores autônomos. Os agenciadores de propaganda são pessoas físicas registradas e remuneradas diretamente pelo veículo de comunicação, sujeitas à sua disciplina e hierarquia, com a função de intermediar a venda de espaço/tempo publicitário. Os agenciadores autônomos, por sua vez, são profissionais independentes, sem vínculo empregatício com anunciante, agência ou veículo, que encaminham publicidade por ordem e conta do anunciante. Nessa senda, com fundamento no art. 11 da Lei nº 4.680/65, no art. 11 do Decreto nº 57.690/66 e no art. 19 da Lei nº 12.232/2010, o descontopadrão de agência ou desconto padrão encontrase assim definido no item 1.11 das Normas Padrão da Atividade Publicitária: "é a remuneração da Agência de Publicidade pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes, na forma de percentual estipulado pelas NormasPadrão, calculado sobre o "Valor Negociado". O valor negociado é o valor fixado na lista pública de preços dos veículos de comunicação, já deduzidos os descontos comerciais. A relação entre agências de publicidade, anunciantes e veículos de comunicação (figura na qual se enquadra a ora Recorrente), é contextualizada nos itens 2.1 e seguintes das NormasPadrão da Atividade Publicitária, in verbis: 2. DAS RELAÇÕES ENTRE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE, ANUNCIANTES E VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO 2.1 As relações entre Agências, Anunciantes e Veículos são, a um só tempo, de natureza profissional, comercial e têm como pressuposto a necessidade de alcance da excelência técnica por meio da qualificação profissional e da diminuição dos custos de transação entre si, observados os princípios deste instrumento, a ética e as boas práticas de mercado, incentivando a plena concorrência em cada um desses segmentos. Fl. 2580DF CARF MF Processo nº 16682.720573/201475 Acórdão n.º 3302005.810 S3C3T2 Fl. 2.581 12 2.2 Os Veículos comercializarão seu espaço, seu tempo e seus serviços com base em preços de conhecimento público, válidos, indistintamente, tanto para negócios que os Anunciantes lhes encaminharem diretamente, quanto para aqueles encaminhados através de Agências. É lícito que, sobre esses preços, os Veículos ofereçam condições ou vantagens de sua conveniência, observado o disposto no item 2.3. destas NormasPadrão. 2.3 A relação entre Anunciante e sua Agência tem relevância para a relação entre o Anunciante e o Veículo. Na presença dessa relação, o Veículo deve comercializar seu espaço/tempo ou serviços através da Agência, nos termos do parágrafo único do artigo 11 da Lei nº 4.680/65, de tal modo que fique vedado: (a) ao Veículo oferecer ao Anunciante, diretamente, vantagem ou preço diverso o oferecido através de Agência; (b) à Agência, omitir ou deixar de apresentar ao Cliente proposta a este dirigida pelo Veículo. 2.3.1 É livre a contratação de permuta de espaço, tempo ou serviço publicitário entre Veículos e Anunciantes, diretamente ou por intermédio da Agência de Publicidade responsável pela conta publicitária. 2.3.2 Quando a contratação de que trata o item 2.3.1 envolver serviços de Agência de Publicidade, esta fará jus à remuneração, observadas as disposições estabelecidas em contrato. 2.4 O Anunciante é titular do crédito concedido pelo Veículo com a finalidade de amparar a aquisição de espaço, tempo ou serviço, diretamente ou por intermédio de Agência e Publicidade. 2.4.1 A Agência de Publicidade que intermediar a veiculação atuará sempre por ordem e conta do Anunciante, observado o disposto nos itens 2.4.1.1 a 2.4.1.3. 2.4.1.1 É dever da Agência de Publicidade cobrar, em nome do Veículo, nos prazos estipulados, os valores devidos pelo Anunciante, respondendo perante um e outro pelo repasse do “Valor Faturado” recebido ao Veículo. 2.4.1.2. A fatura do Veículo será encaminhada ao Anunciante por meio da Agência de Publicidade. 2.4.1.3 Tendo em vista que o fator confiança é fundamental no relacionamento comercial entre Veículo, Anunciante e Agência e sendo esta última depositária dos valores que lhes são encaminhados pelos Clientes/Anunciantes para pagamento dos Veículos e Fornecedores de serviços de propaganda, fica estabelecido que, na eventualidade da Agência reter indevidamente aqueles valores sem o devido repasse aos Veículos e/ou Fornecedores, terá suspenso ou cancelado seu Certificado de Qualificação Técnica concedido pelo CENP. 2.4.2 Em virtude de prévio e expresso ajuste, o Anunciante poderá repassar por meio do Veículo a importância correspondente ao “DescontoPadrão”, observado que nesta hipótese o Veículo somente poderá faturar ou contabilizar como receita própria a parcela correspondente ao “Valor Faturado”. [com fundamento no art. 19 da Lei nº 12.232, de 2010] 2.4.3 Excepcionalmente, nos termos de prévio e expresso ajuste, o Anunciante, poderá efetivar diretamente os pagamentos correspondentes ao “Valor Fl. 2581DF CARF MF Processo nº 16682.720573/201475 Acórdão n.º 3302005.810 S3C3T2 Fl. 2.582 13 Faturado” e ao “DescontoPadrão”, respectivamente, ao Veículo e à Agência de Publicidade. 2.5 O “DescontoPadrão de Agência” de que trata o art. 11 da Lei nº 4.680/65 e art. 11 do Decreto 57.690/66, bem como o art. 19 da Lei 12.232/10, é a remuneração destinada à Agência de Publicidade pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes. 2.5.1 Toda Agência que alcançar as metas de qualidade estabelecidas pelo CENP, comprometendose com os custos e atividades a elas relacionadas, habilitar seá ao recebimento do “Certificado de Qualificação Técnica”, conforme o art. 17 inciso I alínea “f” do Decreto nº 57.690/66, e fará jus ao “desconto padrão de agência” não inferior a 20% (vinte por cento) sobre o valor dos negócios que encaminhar ao Veículo por ordem e conta de seus Clientes. 2.5.1.1 No caso de relações non compliance indicadas pelo organismo de ética da entidade, o percentual será fixado pelos veículos de acordo com o que dispõe o art. 11, da Lei nº 4.680/65, independentemente de qualquer recomendação do CENP, observado o disposto no art. 63 dos Estatutos Sociais. [...] 2.6 Dadas as peculiaridades que afetam o relacionamento com os Anunciantes do setor público, estes têm a obrigação de fornecer suporte legal e formal (empenho e demais atos administrativos decorrentes) ao contratar espaço/tempo e serviços junto a Veículos e Fornecedores, diretamente ou através de Agências, ficando estas responsáveis pela verificação da regularidade da contratação. Emitida a autorização, o Veículo ou Fornecedor presumirá que a Agência atesta que a referida documentação é suficiente para amparar o pagamento devido. 2.7 É facultado à Agência negociar parcela do “desconto padrão de agência” com o respectivo Anunciante, observados os preceitos estabelecidos nos itens 3.5 e 6.4 destas NormasPadrão. [...] Com relação ao faturamento da prestação dos serviços de publicidade e divulgação, dispõe o art. do Decreto nº 57.690/66 que será realizado em nome do anunciante, devendo o veículo de divulgação remetêlo à agência responsável pela propaganda. Portanto, por expresso comando normativo, o veículo de comunicação emitirá a respectiva fatura em nome do anunciante e enviará à agência de publicidade contratada pelo cliente. Da análise dos documentos acostados aos autos, verificase constar uma fatura (fls. 248 a 249), do período fiscalizado, emitida pelo próprio veículo de divulgação a Recorrente, constando como sacado o Anunciante Condomínio Shopping Center Iguatemi Campinas, e remetida à agência de publicidade Saviezza Propaganda, Publicidade e Eventos Ltda. Como descrição dos serviços prestados, consta "publicidade veiculada, conforme autorização e pedidos constantes nesta nota". Ainda, no detalhamento da referida fatura, estão individualizadas as quantias referentes ao "valor bruto", "descontopadrão de agência" e "valor líquido". Além disso, há também: (i) o "Pedido de Inserção" (fl. 250) enviado pela agência de publicidade ("Saviezza Propaganda") para o veículo de comunicação ("EPTV Campinas", ora Fl. 2582DF CARF MF Processo nº 16682.720573/201475 Acórdão n.º 3302005.810 S3C3T2 Fl. 2.583 14 Recorrente), por ordem e conta do cliente/anunciante ("Shopping Iguatemi Campinas"); a observação aposta no documento " faturar pelo líquido contra o cliente A/C da agência" demonstra estarse diante da relação jurídica nos moldes traçados pela legislação de regência; e (ii) documento enviado pelo cliente/anunciante (Condomínio Shopping Center Iguatemi Campinas) ao veículo de divulgação (EPTV Campinas) autorizando a agência de publicidade (Saviezza Propaganda Publicidade e Eventos Ltda.) a reservar, negociar e autorizar espaços de mídia para a empresa anunciante (fls. 251). Na descrição das práticas e procedimentos operacionais da atividade publicitária, as NormasPadrão da Atividade Publicitária prevêem o repasse do desconto padrão à agência de publicidade, adimplido pelo anunciante, por meio do veículo de comunicação. A hipótese de o cliente efetuar o pagamento diretamente à agência de publicidade é excepcional. A redação dos itens 6.1 a 6.7 das Normas Padrão da Atividade Publicitária é elucidativa, in verbis: [...] 6.1 A Agência de Publicidade que intermediar a veiculação atuará sempre por ordem e conta do Anunciante, observado o disposto nos itens 6.1.1 a 6.1.3. 6.1.1 É dever da Agência de Publicidade cobrar, em nome do Veículo, nos prazos estipulados, os valores devidos pelo Anunciante, respondendo perante um e outro pelo repasse do “Valor Faturado” recebido ao Veículo. 6.1.2. A fatura do Veículo será encaminhada ao Anunciante por meio da Agência de Publicidade. 6.1.3 Tendo em vista que o fator confiança é fundamental no relacionamento comercial entre Veículo, Anunciante e Agência e sendo esta última depositária dos valores que lhes são encaminhados pelos Clientes/Anunciantes para pagamento dos Veículos e Fornecedores de serviços de propaganda, fica estabelecido que, na eventualidade de a Agência reter indevidamente aqueles valores sem o devido repasse aos Veículos e/ou Fornecedores, terá suspenso ou cancelado seu Certificado de Qualificação Técnica concedida pelo CENP. 6.2 Em virtude de prévio e expresso ajuste, o Anunciante poderá repassar por meio do Veículo a importância correspondente ao “DescontoPadrão”, observado que nesta hipótese o Veículo somente poderá faturar ou contabilizar como receita própria a parcela correspondente ao “Valor Faturado”. 6.3 Excepcionalmente, nos termos de prévio e expresso ajuste, o Anunciante, poderá efetivar diretamente os pagamentos correspondentes ao “Valor Faturado” e ao “DescontoPadrão”, respectivamente, ao Veículo e à Agência de Publicidade. 6.4 É facultado à Agência negociar parcela do “desconto padrão de agência” a que fizer jus com o respectivo Anunciante, observados os parâmetros contidos no ANEXO “B” – SISTEMA PROGRESSIVO DE SERVIÇOS/BENEFÍCIOS, os quais poderão ser revistos pelo Conselho Executivo do CENP. 6.5 O “desconto padrão de agência” não será concedido: a) a Anunciantes diretamente ou a “Departamentos de Propaganda” de Anunciantes ou Agências Próprias (“House Agencies’’) que não se conformarem ao disposto no item 2.5 e subitens; e item 8.5 destas NormasPadrão; Fl. 2583DF CARF MF Processo nº 16682.720573/201475 Acórdão n.º 3302005.810 S3C3T2 Fl. 2.584 15 b) às empresas que se dedicam exclusiva ou principalmente à prestação de serviços de mídia, descritas nos itens 4.4 e subitens destas NormasPadrão. c) à Agência que comprar, autorizar e pagar mídia em favor de Cliente(s) e/ou marca(s) cuja conta publicitária esteja confiada a outra Agência. d) quando o Veículo não reconhecer determinada Agência como responsável pelo pleno atendimento da conta publicitária de determinado Anunciante ou quando, mesmo reconhecida, não se tenha encarregado plenamente do atendimento da conta publicitária. 6.6 Tanto nas relações com anunciantes do setor público quanto privado, o veículo de divulgação não pode, para quaisquer fins, faturar e contabilizar valores correspondentes ao “descontopadrão de agência” como receita própria, inclusive quando o repasse de tais valores à agência de publicidade for efetivado por meio de veículo de divulgação. 6.7 Para efeito dos itens 2.5, 6.6 e demais itens com estes relacionados, fazse necessário inserir, no campo de informações adicionais das Notas Fiscais e Faturas Comerciais dos Veículos, a seguinte expressão: “Valor de Referência do ‘DescontoPadrão’ (remuneração da Agência – item 1.11 das NormasPadrão da Atividade Publicitária): R$ ......” (grifouse) No litígio em exame, embora as informações apostas pela Recorrente sejam no sentido de que o valor correspondente ao descontopadrão de agência seja liquidado diretamente pelo anunciante à agência de publicidade, sem transitar pelo veículo de comunicação, os esclarecimentos, por vezes contraditórios, prestados ao longo do processo e os documentos juntados aos autos, levam a crer terem os valores relativos ao descontopadrão de agência sido pagos ao veículo de comunicação e, posteriormente, repassados à agência de publicidade. De todo modo, o importante é a verificação da relação jurídica estabelecida entre as partes. Por isso, a inclusão dos valores relativos ao descontopadrão de agência pela Recorrente como receita em suas contas contábeis, ainda que indevidamente, não desnatura a referida verba da sua condição de se constituir em remuneração das agências de publicidade, e não do veículo de comunicação, no caso, a EPTV. Passando à análise da tributação dos veículos de comunicação, como é o caso da Recorrente, pelo PIS e pela COFINS, temse que, por força do artigo 8º, inciso XI, da Lei nº 10.637/2002 e do artigo 10, inciso IX, da Lei nº 10.833/2003, as receitas dos serviços de empresas jornalísticas e de radiodifusão de sons e imagens permaneceram sujeitas às normas da Lei nº 9.718/98, vigente anteriormente. Ao unificar a disciplina das contribuições do PIS e da COFINS, a Lei nº 9.718/98, em seus artigos 2º e 3º, equiparou o faturamento à receita bruta, considerando esta como a "totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica", contrariando o art. 195, inciso I, da Constituição Federal, vigente à época de sua edição, que não permitia a incidência das contribuições sobre a totalidade das receitas das pessoas jurídicas. No julgamento do recurso extraordinário nº 390.840/MG, em 09 de novembro de 2005, de relatoria do Ministro Marco Aurélio, o Pleno do Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, à luz do art. 195, inciso I da Constituição Federal, assentando o entendimento de se constituírem em base de cálculo do PIS e da COFINS, exclusivamente, as receitas Fl. 2584DF CARF MF Processo nº 16682.720573/201475 Acórdão n.º 3302005.810 S3C3T2 Fl. 2.585 16 das pessoas jurídicas decorrentes da prestação de serviços, da venda de mercadorias, ou de ambos. A decisão foi assim ementada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 390840, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) (grifouse) Por conseguinte, sobrevindo a declaração da inconstitucionalidade do § 1° o art. 3° da Lei n° 9.718/1998, a base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS é a receita bruta e/ou faturamento decorrente única e exclusivamente da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da venda de mercadorias e serviços. De outro lado, o art. 110 do Código Tributário Nacional CTN é imperativo no sentido de que os conceitos de Direito Privado, como é o caso do faturamento, devem ser aplicados de acordo com o seu próprio significado, não podendo sofrer alterações para, por exemplo, atribuirlhe receitas estranhas à prestação de serviços ou à venda de mercadorias da pessoa jurídica Contribuinte. Nessa senda, o descontopadrão de agência, ainda que incluído na nota fiscal emitida pelo veículo de comunicação, como é o caso da Recorrente, e devido a título de remuneração à agência de publicidade, não compõe o conceito de faturamento daquela pessoa jurídica. Isso porque ele não representa receita decorrente da venda de mercadorias ou prestação de serviços do veículo de comunicação, e não é revertido em seu favor, mas sim em favor das agências de publicidade, não devendo ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS. O veículo de comunicação tem seu faturamento, nos casos de propaganda, por disponibilizar espaço na sua grade de horários para inserção do anúncio do produto. Por sua vez, a agência de publicidade é quem desenvolve o conteúdo impresso e audiovisual, executando e distribuindo a propaganda aos veículos de comunicação, sendo remunerada por meio do "descontopadrão de agência". Corrobora a argumentação expendida, o art. 19 da Lei nº 12.232/2010, segundo o qual o descontopadrão de agência constitui receita da agência de Fl. 2585DF CARF MF Processo nº 16682.720573/201475 Acórdão n.º 3302005.810 S3C3T2 Fl. 2.586 17 publicidade e, por isso, não pode ser contabilizado como receita própria do veículo de comunicação. Entendese por aplicável a disposição à contenda, uma vez (a) tratarse de lei de caráter interpretativo, podendo ser aplicada retroativamente, nos termos do art. 106, inciso I, do CTN; e (b) ser irrelevante para a apuração da natureza da verba "desconto padrão", o anunciante qualificarse como Administração Pública ou particular, raciocínio adotado inclusive nas Normas Padrão da Atividade Publicitária, conforme se denota do item 6.6. Portanto, na tributação da Recorrente veículo de comunicação pelas contribuições ao PIS e à COFINS incabível a inclusão dos valores relativos ao "descontopadrão de agência" nas respectivas bases de cálculo, devendo ser extinto o crédito tributário em exigência, com o consequente cancelamento dos autos de infração. Partindo da premissa adotada pela i. Relatora, na decisão anteriormente citada, entendo que o desconto padrão de agência é remuneração devida pelo anunciante à agência de publicidade e não se confunde, com a comissão eventualmente devida pelo veículo de comunicação aos agenciadores de propaganda ou agenciadores autônomos. Ou seja, é verba de titularidade exclusiva da agência de publicidade, correspondente à remuneração do serviço prestado por esta em favor do anunciante que a contrata. Com efeito, tanto o desconto padrão de agência como a comissão de intermediação, são verbas instituídas pela Lei n° 4.680/65 (artigo 11), e regulamentadas pelo Decreto n° 57.690/66, que se remete às NormasPadrão da Atividade Publicitária, editadas pelo CENP — Conselho Executivo das NormasPadrão. Citado preceitos normativos definem as partes integrantes da relação sob análise como sendo: anunciante, agência de publicidade, veículo de comunicação e agenciador de propaganda, a saber: "Art 1° São Publicitários aqueles que, em caráter regular e permanente, exerçam funções de natureza técnica da especialidade, nas Agências de Propaganda, nos veículos de divulgação, ou em quaisquer empresas nas quais se produza propaganda. Art 2° Consideramse Agenciadores de Propaganda os profissionais que, vinculados aos veículos da divulgação, a, eles encaminhem propaganda por conta de terceiros. Art 3° A Agência de Propaganda é pessoa jurídica, ... VETADO ..., e especializada na arte e técnica publicitária, que, através de especialistas, estuda, concebe, executa e distribui propaganda aos veículos de divulgação, por ordem e conta de clientes anunciantes, com o objetivo de promover a venda de produtos e serviços, difundir idéias ou informar o público a respeito de organizações ou instituições colocadas a serviço desse mesmo público. Art 4° São veículos de divulgação, para os efeitos desta Lei, quaisquer meios de comunicação visual ou auditiva capazes de transmitir mensagens de propaganda ao público, desde que reconhecidos pelas entidades e órgãos de classe, assim considerados as associações civis locais e regionais de propaganda bem como os sindicatos de publicitários." Por sua vez, o preceito normativo previsto artigo 11 da Lei n° 4.680/65 e artigo 11 do Decreto n° 57.690/66, que trata do descontopadrão, prevê o seguinte: Lei n° 4.680/65: Fl. 2586DF CARF MF Processo nº 16682.720573/201475 Acórdão n.º 3302005.810 S3C3T2 Fl. 2.587 18 Art 11. A comissão, que constitui a remuneração dos Agenciadores de Propaganda, bem como o desconto devido às Agências de Propaganda serão fixados pelos veículos de divulgação sobre os preços estabelecidos em tabela. Parágrafo único. Não será concedida nenhuma comissão ou desconto sobre a propaganda encaminhada diretamente aos veículos de divulgação por qualquer pessoa física ou jurídica que não se enquadre na classificação de Agenciador de Propaganda ou Agências de Propaganda, como definidos na presente Lei. Decreto n° 57.690/66 "Art 11. O Veículo de Divulgação fixará, em Tabela, a comissão devida aos Agenciadores, bem como o desconto atribuído às Agências de Propaganda." Referidos dispositivos definem que o desconto padrão é a remuneração básica das agências de publicidade, enquanto a comissão é a remuneração dos agenciadores de propaganda. Neste eito, os artigos 11 da Lei n° 4.680/65 e 11 do Decreto n° 57.690/66, preceituam que o desconto padrão constitui receita da agência de propaganda como remuneração pelos serviços que esta presta, sendo que tais instrumentos normativos também são claros ao dispor que os serviços prestados pelas agências de propaganda são o estudo, a concepção, a execução e a distribuição da propaganda, por conta e ordem de seus clientes anunciantes. Neste cenário, temos que o serviço remunerado pelo desconto padrão de agência é exatamente aquele prestado em favor do anunciante. Com efeito, o descontopadrão nada mais é do que a forma de remuneração das agências pelos serviços prestados aos seus clientes, os anunciantes, tratando, em resumo, da forma padrão de remuneração do serviço prestado pelas agências de publicidade aos anunciantes. O artigo 7° do Decreto n° 57.690/1996 c/c os itens 3.4 a 3.6, 3.10 e 3.11 das NormasPadrão da Atividade Publicitária estabelecem a possibilidade de as agências de publicidade contratarem com os anunciantes outras formas de remuneração de seus serviços, que podem ser adicionais ou alternativas ao desconto padrão: Decreto n° 57.690/1996 "Art. 72 Os serviços de propaganda serão prestados pela Agência mediante contratação, verbal ou escrita, de honorários e reembolso das despesas previamente autorizadas, tendo como referência o que estabelecem os itens 3.4 a 3.6, 3.10 e 3.11, e respectivos subitens, das NormasPadrão da Atividade Publicitária, editadas pelo CENP Conselho Executivo das NormasPadrão, com as alterações constantes das Atas das Reuniões do Conselho Executivo datadas de 13 de fevereiro, 29 de março e 31 de julho, todas do ano de 2001, e registradas no Cartório do 12 Oficio de Registro de Títulos e Documentos e Civil de Pessoa Jurídica da cidade de São Paulo, respectivamente sob n' 263447, 263446 e 282131." "3.10. Como alternativa à remuneração através do "desconto padrão de agência", é facultada a contratação de serviços de Agência de Publicidade mediante "fees" ou "honorários de valor fixo", a serem ajustados por escrito entre Anunciante e Agência, respeitado o disposto no item 2.9 destas NormasPadrão. Fl. 2587DF CARF MF Processo nº 16682.720573/201475 Acórdão n.º 3302005.810 S3C3T2 Fl. 2.588 19 3.10.1 O "fee" poderá ser cumulativo ou alternativo à remuneração de Agência decorrentes do "desconto padrão de agência"; de produção externa, de produção interna e de outros trabalhos eventuais e excepcionais, tais como serviços de relações públicas, assessoria de imprensa, etc. 3.10.2 Em qualquer situação ou modalidade de aplicação do "fee", a Agência deverá ser remunerada em valor igual ou aproximado ao que ela receberia caso fosse remunerada na forma do item 2.5.1, sempre de comum acordo entre as partes, contanto que os serviços contratados por esse sistema sejam os abrangidos no item 3.1 e preservados os princípios definidos nos itens 2.7, 2.8, 2.9 e 3.4. O item 3.10 das NormasPadrão anteriormente citado, é claro ao dispor que a forma de remuneração deverá ser de comum acordo entre as partes (agência e anunciante). E isso ocorre exatamente porque o serviço prestado pela agencia de publicidade é contrato e realizado em prol do anunciante, que pode estabelecer com a agência contratada a melhor forma de remuneração que lhes convier — inclusive substitutiva do desconto padrão. Inclusive, a natureza do desconto padrão de agência é reconhecida pela própria Receita Federal, na Solução de Consulta COSIT nº 151/2015: “Tratase de receita da agência que é decorrente da concepção, execução e distribuição da propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes, usualmente previsto em instrumento contratual. Corresponde, pois, a uma das possíveis formas de remuneração decorrente das atividades próprias da agência, ficando ela, inclusive, como a responsável pela emissão da nota fiscal relativa ao desconto padrão”. Portanto, é inequívoca a conclusão de que o desconto padrão de agência não é devido à agência pelo veículo de comunicação, como indevidamente concluiu o acórdão recorrido. Não bastasse isso, é preciso compreender que apesar da empresa registrar na contabilidade o ingresso de numerário, estes valores apenas transitam graficamente pela contabilidade do veículo de comunicação, não integram patrimônio e, por consequência são receitas incapazes de exprimir o contorno da sua capacidade contributiva, nos moldes do art. 145 da CF. Nesse sentido: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. VALORES REPASSADOS ÀS AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE PELOS VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. PRESCRICÃO. (...) O colendo Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento em Plenário do RE 357950RS, em 09.11.2005, da Relatoria do Ministro Marco Aurélio, por maioria, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei n. 9.718/98, que entende "por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". Esta discussão hoje resta superada com a edição das Leis n. 10.637/02 e 10.833/03, após a alteração do referido dispositivo constitucional, sendo a definição de faturamento a mais ampla, a saber, a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes Fl. 2588DF CARF MF Processo nº 16682.720573/201475 Acórdão n.º 3302005.810 S3C3T2 Fl. 2.589 20 o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas In casu, todavia, não se pode concluir que as verbas que ingressam na contabilidade do veículo de comunicação para pagamento das agências de publicidade, nos termos do art. 11 da Lei n. 4.680/65, podem ser caracterizadas como receitas auferidas por aquela pessoa jurídica. Tais valores apenas transitam nas contas das empresas de comunicação com a finalidade de pagamento das agências de publicidade, não se podnedo falar em faturamento a ensejar a tributação do PIS e da COFINS. Ademais, temse que as agêncais de publicidade agem como mandatárais da empresa anunciante, perante o veículo de divulgação e, por sua vez, as quantias por ela recebidas decorrem dessa mediação (Tribunal Regional Federal da 5ª Região, Apelação/Reexame Necessário n. 00009715220114058300, Des. Fed. Francisco Barros Dias, Segunda Turma, DJe 02/12/2010 grifos nossos). Em resumo, o anunciante contrata a agência de publicidade e combina, com esta, a forma de remuneração que será praticada para o trabalho de concepção, desenvolvimento, execução de distribuição da peça publicitária. Tal remuneração poderá ser feita por meio do desconto padrão de agência e/ou honorários fixos, bem como honorários sobre a contratação de serviços suplementares. Portanto, entendo que o descontopadrão corresponde a remuneração da agência de publicidade pelos serviços prestados ao anunciante, sendo devida por este (anunciante), o qual não se confunde com comissão eventualmente devida pela Recorrente aos agenciadores de propaganda pela intermediação da venda do espaço publicitário. II.2 Desconto de agentes/capatazia Conta Contábil 41130113 Neste ponto peço vênia para transcrever parte da decisão de piso que descreve os argumentos apresentados pela Recorrente em sua defesa: Com relação aos valores contabilizados na conta contábil 41130113 a título de desconto de agentes/capatazia, esclarece a contribuinte que tais montantes referem se à diferença entre o preço de capa dos produtos comercializados e o valor do preço pelo qual estes são vendidos a agentes consignatórios (jornaleiros). Assevera que vende seus produtos em operações firmadas com duas espécies de adquirentes: (i) consumidores finais mediante a formalização de venda por assinaturas mensais; (ii) jornaleiros, os quais atuam como revendedores autônomos aos quais a contribuinte efetua venda em consignação de seus produtos. Esclarece que nos contratos para entrega dos produtos fica estabelecido que o impugnante promoverá as suas respectivas entregas, ficando os jornaleiros autorizados a vendêlos a terceiros, assumindo as seguintes obrigações: (i) pagar à contribuinte um preço préajustado em percentual do “preço de capa”, o qual corresponde ao preço pela qual os produtos são revendidos; ou (ii) devolver os produtos à contribuinte em prazo estabelecido. Afirma a contribuinte que os contratos em tela são previstos e regulados pelos artigos 534 a 537 do Código Civil Brasileiro, configurandose como vendas em consignação, vendas essas realizadas pelos jornaleiros a terceiros pelo preço de capa (preço de revenda), auferindo lucro na operação. Frisa que, por razões de controle e melhor informação contábil, trata a diferença entre o preço de capa dos produtos e o preço de venda praticado com os jornaleiros como um desconto incondicional, esclarecendo a forma de contabilização Fl. 2589DF CARF MF Processo nº 16682.720573/201475 Acórdão n.º 3302005.810 S3C3T2 Fl. 2.590 21 a partir dos informações apresentadas em resposta a intimação fiscal, cujo teor encontrase reproduzido no relato do Procedimento Fiscal (Item I). Enfatiza que, na essência, o que importa é que a receita auferida com as vendas efetuadas a jornaleiros corresponde sempre a um montante inferior ao preço de capa dos produtos vendidos, conforme previsto contratualmente. Dessa forma, como o PIS e a Cofins incidem sobre a receita bruta efetivamente auferida pela contribuinte, no caso de venda aos jornaleiros o montante tributável deve corresponder ao valor recebido na operação, ou seja, o preço pago pelos jornaleiros para a aquisição dos produtos. Entende que a conclusão da fiscalização de que essa diferença (30%) do preço de capa e o preço pago pelos jornaleiros, corresponde à comissão devida pela contribuinte por serviços prestados, fere por completo a natureza da operação de venda em consignação. Assevera que a doutrina especializada diferencia o contrato de venda em consignação das operações de corretagem e comissão, nas quais o corretor e o comissionário figuram como meros intermediários da operação de venda firmada entre duas outras partes, sendo que, no caso de venda em consignação, a operação de venda ocorre entre o consignante e o consignatário que, por sua vez, firma outra operação de venda com terceiros. Prossegue apresentando as lições de Caio Mario da Silva Pereira, e indicando jurisprudência do TJPR. Reforça alegando que o entendimento adotado pela fiscalização de que o fato dos jornais serem entregues em consignação aos jornaleiros determinaria que a relação de venda ocorreria entre a impugnante e os adquirentes não se sustenta, pois no seu entendimento, na venda em consignação, as relações jurídicas ocorrem (i) entre o consignante e o consignatário – no caso, veículo e os jornaleiros – e, num segundo momento, (ii) entre o consignatário e seus clientes, em operações autônomas. Assim, defende que a receita auferida na operação, que deve ser computada na base de cálculo do PIS e da Cofins, corresponde ao montante acordado e recebido dos jornaleiros pela venda efetuada a estes. Aponta a contribuinte Solução de Consulta elaborada pela Superintendência regional da Receita federal – SRRF da 5ª RF, no processo de consulta nº 38, que no seu entendimento apresenta manifestação no sentido de que nas operações de distribuição de jornais e revistas em consignação, a receita bruta do distribuidor abrange a totalidade do valor recebido, incluindose o custo de aquisição. Por fim, em relação ao tema, resume a contribuinte que, em face dos elementos apresentados, chegase às seguintes conclusões: 1. Os jornaleiros que recebem produtos em operação de venda em consignação atuam como comerciantes, e não prestam serviço algum à impugnante; 2. A receita auferida com a venda de produtos aos jornaleiros corresponde ao preço pago por estes pela aquisição dos produtos, computandose o valor do desconto estabelecido no contrato sobre o preço de capa; 3. A diferença entre o preço de capa e o valor pelo qual os produtos são vendidos aos jornaleiros não integra a receita auferida pela contribuinte; Fl. 2590DF CARF MF Processo nº 16682.720573/201475 Acórdão n.º 3302005.810 S3C3T2 Fl. 2.591 22 4. A revenda dos produtos pelos jornaleiros ocorre em relação jurídica subsequente e autônoma, da qual a contribuinte não é parte. Desse modo, pugna a contribuinte que a sua receita nestes tipos de operações sejam os valores acordados e recebidos dos jornaleiros, devendo ser considerada improcedente a exigência das contribuições sobre os valores lançados na conta contábil 41130113. A decisão recorrida, por sua vez, manteve a autuação quanto a este ponto, sob o argumento de que o desconto em questão seria uma remuneração paga pela Recorrente aos jornaleiros, que atuariam como preposto da Recorrente no serviço de venda ao consumidor. Razão assiste à Recorrente. Analisando os autos, constatasse que a Recorrente firmou com os jornaleiros, contratos de fornecimento de produtos em consignação, segundo os quais os produtos são entregues aos jornaleiros, que ficam autorizados a vendêlos a terceiros e devem: (i) pagar à Recorrente um preço préajustado em percentual do “preço de capa”; ou (ii) devolvêlos à Recorrente em prazo estabelecido. A Recorrente, por suas vez, contabiliza a diferença entre o preço de capa dos produtos – isto é, o preço padrão de venda ao consumidor final – e preço de venda praticado aos jornaleiros (que por razões óbvias é inferior ao preço de capa), como um desconto incondicional. Como se vê, o contrato de fornecimento de produtos estabelece que o preço da venda dos produtos pela Recorrente aos jornaleiros e capatazes corresponderá a determinado percentual do preço de capa destes (70%, para a maior parte dos casos). Tratase do efetivo valor da operação da venda praticada, sendo certo que o percentual de desconto não integra a receita auferida pela Recorrente na transação. No caso da venda em consignação, a operação de venda ocorre efetivamente entre o consignante e o consignatário que, por sua vez, firma outra operação de venda com terceiros – como reconhecido na Solução de Divergência Cosit nº 01/2013. No caso dos autos, restou claro, ao menos para este relator, que (i) a Recorrente disponibiliza seus produtos diariamente para retirada pelos jornaleiros, por consignação; ii) os jornaleiros assumem inteira responsabilidade pelos produtos retirados e estão autorizados a vendêlos a terceiros por preço determinado entre as partes (preço de capa); iii) no prazo acordado, os jornaleiros: (iii.1) restituem os produtos não vendidos à Recorrente e (iii.2) pagarlhe o preço acordado pela totalidade dos produtos não restituídos (70% do preço de capa). Além disso, verificase que os contratos não contemplam, em sua totalidade, a prestação de serviços de intermediação na venda dos produtos, mas sim a própria venda em si (fornecimento), realizada entre a Recorrente como alienante e o consignatário como o adquirente. E mais. Em solução de consulta sobre o tema exatamente em análise, a Receita Federal já afirmou que nas operações de distribuição de jornais e revistas em consignação, a receita bruta do distribuidor abrange a totalidade do valor recebido, incluindose o custo de aquisição do produto e o lucro, se houver: Fl. 2591DF CARF MF Processo nº 16682.720573/201475 Acórdão n.º 3302005.810 S3C3T2 Fl. 2.592 23 “Processo de Consulta nº 38 Órgão Superintendência Regional da Receita Federal SRRF / 5a. RF Decisão Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. (...) Ementa: COMPRA E VENDA DE JORNAIS, REVISTAS E PERIÓDICOS EM CONSIGNAÇÃO. RECEITA BRUTA. A receita bruta das vendas de mercadorias em consignação é o produto da venda dos bens, aí incluído o valor de aquisição mais o lucro, se houver, podendo ser excluídos desse cômputo somente os valores correspondentes às vendas canceladas, aos descontos incondicionais concedidos e aos impostos nãocumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ” A Solução de Consulta em questão conclui pela existência de duas operações autônomas de venda: (i) uma operação de venda da empresa de jornalismo para o revendedor; e (ii) outra operação do revendedor para o consumidor. E destaca, ainda, que o distribuidor não é prestador de serviço e sua receita não está limitada à suposta comissão recebida da empresa de jornalismo. Assim, entendo que a receita auferida pela Recorrente na operação tratada neste tópico, que deve constituir a base de cálculo do PIS e da COFINS, corresponde efetivamente ao montante acordado e recebido dos jornaleiros pela venda efetuada a estes – isto é, excluídos os valores contabilizados a título de descontos. III Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto relator. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 2592DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.900736/2006-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. PESSOAS FÍSICAS.
Por força do §2º, do art. 62, do RICARF/2015, reproduz-se o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (art. 543C do CPC), de que deve ser incluída na base de cálculo do crédito presumido o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS/Cofins (REsp 993.164/MG, DJe 17/12/2010).
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS.
Não existe previsão legal para a incidência da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da atualização monetária só é possível em face de decisões do STJ na sistemática dos Recursos Repetitivos, quando existentes atos administrativos que indeferiram parcial ou totalmente os pedidos, e o entendimento neles consubstanciados foi revertido nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao seu aproveitamento. Configurada esta situação, a Taxa SELIC incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido, pois, antes deste prazo, não existe permissivo, nem mesmo jurisprudencial, com efeito vinculante, para a sua incidência.
Numero da decisão: 3401-005.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para reconhecer o crédito relativo às aquisições de insumos de pessoas físicas; e (b) por maioria de votos, para reconhecer a incidência da Taxa SELIC, a partir de 360 dias do protocolo do pedido de ressarcimento até a data de sua efetiva utilização, se posterior, vencido o relator, Cons. André Henrique Lemos, que defendia como marco inicial da incidência da Taxa SELIC a data de protocolo do pedido. Designado para redigir o voto vencedor o Cons. Marcos Roberto da Silva.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
André Henrique Lemos - Relator
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. PESSOAS FÍSICAS. Por força do §2º, do art. 62, do RICARF/2015, reproduzse o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (art. 543C do CPC), de que deve ser incluída na base de cálculo do crédito presumido o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS/Cofins (REsp 993.164/MG, DJe 17/12/2010). CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. Não existe previsão legal para a incidência da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da atualização monetária só é possível em face de decisões do STJ na sistemática dos Recursos Repetitivos, quando existentes atos administrativos que indeferiram parcial ou totalmente os pedidos, e o entendimento neles consubstanciados foi revertido nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao seu aproveitamento. Configurada esta situação, a Taxa SELIC incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido, pois, antes deste prazo, não existe permissivo, nem mesmo jurisprudencial, com efeito vinculante, para a sua incidência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 07 36 /2 00 6- 18 Fl. 637DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, em dar parcial provimento ao recurso, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para reconhecer o crédito relativo às aquisições de insumos de pessoas físicas; e (b) por maioria de votos, para reconhecer a incidência da Taxa SELIC, a partir de 360 dias do protocolo do pedido de ressarcimento até a data de sua efetiva utilização, se posterior, vencido o relator, Cons. André Henrique Lemos, que defendia como marco inicial da incidência da Taxa SELIC a data de protocolo do pedido. Designado para redigir o voto vencedor o Cons. Marcos Roberto da Silva. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Relator (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Adoto o Relatório da DRJ/BEL, por bem retratar o que aconteceu no presente contencioso administrativo: Tratase de pedido de ressarcimento de créditos de IPI referentes ao primeiro trimestre de 2003, utilizado na compensação de débitos do contribuinte, através dos PER/DCOMPs de fls. 02/61. 2. A DRF/Fortaleza, através do Despacho Decisório de fl. 269, reconheceu parcialmente o direito, no valor de R$ 279.945,24, homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido. 3. Segundo a Informação Fiscal de fls. 245/246, que embasou a decisão, “Da análise da documentação apresentada, constatamos que a empresa industrializava por encomenda camarão para exportação. No entanto o contribuinte adquiriu insumo camarão ‘in natura’ de produtor rural pessoal física. O procedimento não tem respaldo na legislação, pois pessoa física não recolhe PIS ou COFINS, sem previsão legal para adicionar a base de calculo do crédito, dessa forma tais solicitações foram negadas”. Fl. 638DF CARF MF Processo nº 10380.900736/200618 Acórdão n.º 3401005.224 S3C4T1 Fl. 638 3 4. Cientificada em 14.06.2011 (fl. 286) a interessada apresentou, tempestivamente, em 04.07.2011, manifestação de inconformidade (fls. 290/323), na qual, em síntese: a) Reclama do prazo utilizado pela Unidade para análise do seu pleito, com aplicação de juros e multa sobre os valores glosados e sem correção do valor reconhecido; b) Com relação às glosas dos produtos adquiridos de pessoas físicas, alega que inexiste na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, restrição ao fato do insumo ser adquirido de pessoa física, argumentando ainda que a norma é clara quando afirma, no art. 2º, que a base de cálculo será determinada mediante a aplicação, “sobre o valor total das aquisições”; c) Levanta a hipótese da autoridade fiscal haver entendido que a base legal seria a Medida Provisória n° 647/1994, onde constava a obrigação da apresentação, pelos fornecedores, das guias de recolhimento do PIS/Pasep e da Cofins, reafirmando que na legislação atual tal exigência desapareceu; d) Cita decisões administrativas e judiciais nesse sentido; e) No que diz respeito à aplicação da multa de mora sobre os débitos compensados após o vencimento, aponta a necessidade de reparo nos PER/DCOMPs de finais 1465 e 7856, uma vez que a liquidação dos débitos deuse de forma espontânea, antes de qualquer ação da Receita Federal do Brasil ou ainda antes dos mesmos terem sido confessados em DCTF pela empresa; f) Requer atualização do crédito em virtude do tempo decorrido entre a apresentação do pedido e apreciação por parte da Receita, ressaltando o fato de haver sido obrigado a requerer judicialmente essa apreciação; g) Por fim, requer o reconhecimento da procedência dos seus argumentos. (Negritos do Relator). A DRJ/BEL, à unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, mantendo a decisão da DRF referente ao crédito, excluindo, porém, parte da multa de mora incidente sobre os débitos, cuja ementa transcrevese abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 INSUMOS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES NA ETAPA ANTERIOR. O crédito presumido será calculado somente em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 Fl. 639DF CARF MF 4 JUROS SELIC. Descabe a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. Com a pacificação no âmbito do STJ do entendimento de que inexiste diferença entre as multas moratória e punitiva, caberá a aplicação da denúncia espontânea para a dispensa da multa de mora nos casos em que o débito compensado em atraso não tiver sido confessado previamente em DCTF. A Contribuinte tomou ciência do v. acórdão em 06/09/2012 e interpôs recurso voluntário dia 25/09/2012, tecendo as seguintes considerações: 01. Ratificou seus argumentos sobre a legitimidade dos créditos, referente a aquisição de insumos perante pessoas físicas, entendendo que todas as aquisições de insumos no mercado interno (matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem) utilizados nas exportações dão direito ao crédito, sem restrições, colacionando jurisprudências, como por exemplo, nos autos do REsp. 993.164/MG (representativo de controvérsia). Disse ainda que nos autos do PAF 10380.908248/200811, onde figuram as mesmas partes e possui a mesma matéria, obtive provimento de seu recurso voluntário à unanimidade de votos (Ac. 3803001460). 02. Reafirmou que o crédito deve ser atualizado pela Taxa SELIC, citando uma vez mais o REsp. 993.164/MG, e ainda, acórdãos do CSRF deste CARF (0202.770 e 02.02.705). Posteriormente peticionou pedindo prioridades no julgamento do feito. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro André Henrique Lemos, Relator Como se viu acima, o recurso voluntário foi interposto dentro do trintídio normativo, portanto, dele tomo conhecimento. O presente voluntário versa sobre 2 (dois) assuntos: 1. Legitimidade dos créditos, referente a aquisição de insumos perante pessoas físicas, entendendo que todas as aquisições de insumos no mercado interno (matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem) utilizados nas exportações dão direito ao crédito, sem restrições. 2. O crédito deve ser atualizado pela Taxa SELIC. Quanto ao primeiro, como citado pelo Recorrente, há decisão proferida pelo E. STJ admitindo estes créditos, em acórdão submetido ao regime do então art 543C, do CPC/73 ("recursos Fl. 640DF CARF MF Processo nº 10380.900736/200618 Acórdão n.º 3401005.224 S3C4T1 Fl. 639 5 repetitivos"), nos autos do REsp. 993.164/MG, Min. Rel. Luiz Lux (DOU 17/12/2010), assim decidiu e por força do § 2°, do artigo 62 do RICARF/2015, reproduzse o entendimento: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados , como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares n os 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a Fl. 641DF CARF MF 6 utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10380.900736/200618 Acórdão n.º 3401005.224 S3C4T1 Fl. 640 7 Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição" ; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais" ; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). [...] 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Já em 10/08/2012 foi acrescido o item 84 à Nota PGFN/CRJ/1.114/2012, por meio da Nota PGFN/CRJ 1.155/2012, com a seguinte redação: (...) Em complementação à Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que delimitou a matéria decidida nos julgamentos submetidos à sistemática dos artigos 543B e 543C, do Código de Processo Civil, ... encaminhase a presente nota na qual se acrescenta o item 84 da lista do art. 1º, V, da Portaria PGFN nº 294/2010, correspondente ao Recurso Especial nº 993.164/MG, acrescentado a esta lista na sua última atualização realizada no dia 10 de agosto de 2012. 2. Em razão de o referido julgado ter repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, encaminhase o item relativo à delimitação do tema para fins de complementação do anexo da Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, com a seguinte redação: 84 – REsp 993.164/MG Relator: Min. Luiz Fux (...) Resumo: o tribunal julgou ilegal a IN RFB Nº 23/97, por ter ela extrapolado os limites da Lei 9.363/96, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeitos à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. Demais disso, o E. STJ consolidou a matéria por meio da Súmula 494 (DOU 13/08/2012): Fl. 643DF CARF MF 8 Súmula 494: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. Neste sentido, também tem decidido este Conselho, a exemplo dos acórdãos unânimes 3301004.655 e 9303006.776, respectivamente: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES DE PIS E COFINS. PESSOAS FÍSICAS. Por imperativo do art. 62A do RICARF, reproduzse o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede Recurso Representativo de Controvérsia, para reconhecer a possibilidade de inclusão, na base de cálculo do crédito presumido da Lei n° 9.363/96, do valor das aquisições de insumos de pessoas físicas, que não sofreram a incidência do PIS e COFINS (REsp 993.164/MG, DJ 17/12/2010, Rel. Min. Luiz Fux). ******* CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do Anexo II do RICARF). Por estas razões, voto em conhecer e dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito relativo às aquisições de insumos perante pessoas físicas. No tocante ao segundo assunto trazido no recurso voluntário também há decisão do E. STJ, na sistemática do artigo 543C, do CPC/1973, nos autos do REsp. 1.035.847/RS, DJe 03/08/2009, para o qual, por força do § 2°, do artigo 62 do RICARF/2015, reproduzse a decisão: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10380.900736/200618 Acórdão n.º 3401005.224 S3C4T1 Fl. 641 9 referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Demais disso, sobreveio a Súmula 411, do E. STJ (DJE 16/12/2009): "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco." Por seu turno, este CARF, por decisão unânime proferida no acórdão 3302 005.535, de relatoria do Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida o qual já integrou esta Turma , por meio da ementa abaixo transcrita, já decidiu: (...) IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Por força do §2º, do art. 62, do RICARF/2015, reproduzse o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (art. 543C do CPC), de que, nada obstante os créditos de IPI não estejam sujeitos à atualização por sua própria natureza, ou em si mesmo considerados, o contribuinte tem direito à atualização dos créditos pela taxa Selic, em razão da demora a que dá causa o Estado em reconhecer o direito do contribuinte. (REsp 1.035.847/RS, DJe 03/08/2009). Este também é o entendimento extraído do acórdão 3402002.252: Fl. 645DF CARF MF 10 IPI RESSARCIMENTO DE CRÉDITO INCENTIVADO CORREÇÃO MONETÁRIA TAXA SELIC. Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição a partir de 01.01.96 (art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95) e, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, a referida Taxa incide também sobre o ressarcimento de créditos de IPI. Precedentes da CSRF e do STJ. Ademais, temse ainda que tal incidência deve ser iniciada a partir da protocolização do pedido de ressarcimento, como já fora decidido no acórdão CSRF/0202.372 (no mesmo sentido Ac. CSRF/0201.780): SELIC. Devida a atualização monetária, a partir da data de protocolização do pedido de ressarcimento, com a utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao pagamento e de 1% no mês do pagamento. Impende registrar, no que toca ao termo inicial para a contagem da correção pela SELIC, o acórdão 3402004.978, de relatoria do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, no qual, por maioria de votos, acolheuse os embargos de declaração com efeitos modificativos para reconhecer a aplicação da Taxa SELIC, a partir do protocolo do pedido, cuja ementa se transcreve: RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO. VEDAÇÃO DA IN SRF N. 23/97. TERMO INICIAL PARA A CONTAGEM DA CORREÇÃO PELA SELIC. O início da correção do crédito aqui vindicado não deve aguardar o esgotamento do prazo de 360 dias para exame do pedido administrativo de ressarcimento. Tratandose de crédito para o qual já havia restrição de aproveitamento lastreada em ato normativo ilegítimo, a mora do Fisco resta configurada desde o surgimento do crédito, i.e., quando este já poderia ter sido usufruído pelo contribuinte e não foi por conta de indevido impedimento normativo (geral e abstrato). Precedentes do STJ. Destacase a parte final de seu bem construído voto, além do que, em razão de que o caso concreto também se trata da vedação do aproveitamento de crédito da IN/SRF 23/97, corroborando a necessidade da transcrição dos trechos abaixo: 24. Por fim, insta destacar que o termo inicial para a correção monetária a ser aqui aplicada ocorre com a apresentação do pedido administrativo apresentado pelo contribuinte. Afastase, portanto, o precedente vinculante do STJ (REsp n. 1.138.206/R) nos termos do art. 489, § 1o, inciso VI do CPC4, haja vista tratarse de hipótese de distinguishing, já que o caso aqui decidido apresenta diferenças fáticojurídicas relevantes em relação ao caso tido como precedente, como aliás o próprio Superior Tribunal de Justiça tem reconhecido. É o que se observa do precedente veiculado no Resp n. 1.241.856, in verbis: RECURSO ESPECIAL DE COAGEL COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL. PROCESSUAL CIVIL. ART. 535, II, DO CPC. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULA 284/STF. TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. Fl. 646DF CARF MF Processo nº 10380.900736/200618 Acórdão n.º 3401005.224 S3C4T1 Fl. 642 11 LEI 9.363/96. PRESCRIÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMOS INICIAL E FINAL. 1. A exclusão das vendas não tributadas do cálculo da receita de exportação é devida, conforme o disposto no art. 17, § 1º, da IN SRF n. 313/2003, pois "a própria lei admitiu que o conceito de receita de exportação (componente da base de cálculo do benefício fiscal) ficaria submetido a normatização inferior, podendo, inclusive, ser restringido ou ampliado, conforme a teleologia do benefício e razões de política fiscal" (REsp 982.020/PE, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 3.2.2011, DJe 14.2.2011). 2. A Primeira Seção do STJ, ao julgar o Recurso Especial n.º 993.164/MG, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 17.12.10, submetido à sistemática do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n.º 08/2008, decidiu que o crédito presumido de IPI, criado pela Lei 9.363/96, abrange as aquisições de insumos realizadas a pessoas físicas, não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS. 3. É legítima a atualização monetária de crédito escritural quando há oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, postergando o seu aproveitamento. Nesse sentido o REsp n.º 1.035.847/PR, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 3.8.09, julgado sob o regime do art. 543C do CPC. 4. Não se conhece do recurso especial por violação do art. 535, II, do CPC, quando genéricas as alegações de omissão no aresto recorrido. Incidência da Súmula 284/STF. 5. A prescrição, em ações que visam o recebimento de créditos de IPI a título de benefício fiscal a ser utilizado na escrita fiscal ou mediante ressarcimento, é quinquenal. Precedente representativo de controvérsia: REsp n.º 1.129.971/BA, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.2.10. 6. A recusa injustificada ao aproveitamento de crédito escritural, seja por ato administrativo ou normativo do Fisco, rende ensejo à sua correção monetária. Matéria já decidida na sistemática do art. 543C do CPC. 7. Há que se distinguirem, todavia, duas situações: a primeira, em que o óbice decorre da demora injustificada em apreciar o pedido de ressarcimento; e a segunda, quando há óbice normativo préexistente ao surgimento do próprio crédito: no primeiro caso, a simples demora na apreciação do pedido de ressarcimento coloca em mora a autoridade fiscal, autorizando a correção monetária do crédito tão logo superado o prazo legal para exame do processo administrativo; no segundo, há óbice normativo anterior ao surgimento do crédito, de Fl. 647DF CARF MF 12 modo que a mora do Fisco coincide com a data do surgimento do direito ao creditamento. 8. Assim, merece reparo o acórdão recorrido quando limitou a correção monetária ao esgotamento do prazo de 360 dias para exame do pedido administrativo de ressarcimento. Tratandose de crédito para o qual já havia restrição de aproveitamento, lastreada em ato normativo ilegítimo, estará em mora o Fisco desde o surgimento do crédito, quando poderia ter sido aproveitado, não fora o impedimento ilegal e abusivo. 9. Também descabe limitar a correção até a data do trânsito em julgado da decisão que reconhece o direito ao crédito. Mesmo após tornarse definitiva a decisão, o seu aproveitamento poderá não ser imediato, e a demora ao gozo do benefício não pode ser suportada por quem não deu causa ao retardamento. Assim, havendo impedimento normativo ilegítimo ao aproveitamento do crédito escritural, a correção monetária deverá incidir desde o surgimento do crédito até a data do seu efetivo aproveitamento, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. 10. Recurso especial da Fazenda Nacional provido em parte. Recurso especial de Coagel Cooperativa Agroindustrial conhecido em parte e provido também em parte. (REsp 1241856/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/04/2013, DJe 09/04/2013). Destaques do voto original. 25. É exatamente o caso dos autos, onde a impossibilidade de aproveitamento do crédito decorre de geral e abstrata vedação normativa IN/SRF n. 23/97 e não em razão de óbices impostos em concreto, em especial por conta da morosidade na apreciação de pleito administrativo formulado pelo contribuinte. Negrito deste Relator apenas neste parágrafo.. Neste sentido, o precedente específico (Ac. 3403002.768), onde figuraram as mesmas partes do presente contencioso, este E. Tribunal, à unanimidade de votos, deu provimento ao recurso do sujeito passivo, tendo na oportunidade, participado do julgamento, o conselheiro Rosaldo Trevisan, cuja partes da ementa se transcreve: (...) IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ACRÉSCIMO DE TAXA SELIC. De acordo com precedente do E. STJ submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e aplicável ao processo administrativo fiscal por força do artigo 62A, do RICARF (REsp no. 1.035.847), o ressarcimento de créditos de IPI está sujeito a acréscimo da Taxa SELIC entre as datas do protocolo do pedido e aquela em que o postulante fruir efetivamente o direito. Com o mesmo entendimento, o Ac. 340301.569, votovencedor do Conselheiro Robson José Bayerl. Fl. 648DF CARF MF Processo nº 10380.900736/200618 Acórdão n.º 3401005.224 S3C4T1 Fl. 643 13 Diante destas razões, comungase do entendimento jurisprudencial acima conhecendose decisões em outro sentido (Ac. 3302005.572 e 9303006.347), todavia, entendendose que, sobre o crédito pleiteado deve incidir a taxa SELIC, a partir da data da protocolização do pedido de ressarcimento. Assim, voto por conhecer do recurso voluntário e lhe dar provimento para reconhecer o crédito relativo às aquisições de insumos perante pessoas físicas, e sobre este, incidir a Taxa SELIC, a partir da data da protocolização do pedido de ressarcimento. (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Fl. 649DF CARF MF 14 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Roberto da Silva – Redator Designado Considerando o bem redigido voto do ilustre Conselheiro Relator André Henrique Lemos, ouso divergir do entendimento relacionado ao marco inicial da aplicação da taxa SELIC na atualização de Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI. De fato, as turmas de julgamento do CARF têm reconhecido a incidência da taxa SELIC em decorrência da aplicação do que foi decidido pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito dos REsp n° 1.035.847 e no REsp n° 993.164. É incontroverso que ambos os julgados estabeleceram que é devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da Taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco. Entretanto, esta oposição ilegítima somente ocorre quando a negativa aos pedidos de ressarcimento nos processos administrativos fiscais seja revertida pelas instâncias administrativas de julgamento. Ou seja, por força das decisões judiciais com efeito vinculante, e não por previsão legal, caberá a incidência da taxa SELIC sobre a parcela do pedido de ressarcimento incialmente indeferida e posteriormente revertida. Contudo, permanece a celeuma referente ao termo inicial de incidência da referida correção monetária. Algumas Turmas de Julgamento do CARF têm decido conforme entendimento do nobre relator, no sentido de que a aplicação da taxa SELIC ocorreria desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento. Outras decisões entenderam ser cabível a aplicação da correção monetária a partir da data do Despacho Decisório que, em tese, seria a data da oposição estatal ilegítima. Entretanto, existe ainda uma terceira linha de entendimento, abaixo explicitada, na qual me alinho e que ficou decidido pelo colegiado no presente julgado. Relevante apresentar, então, a interpretação consubstanciada no REsp no 1.138.206, também decidida em sede de recursos repetitivos prevista no art. 543C do CPC pelo STJ, na qual transcrevo a seguir: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5°, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da Fl. 650DF CARF MF Processo nº 10380.900736/200618 Acórdão n.º 3401005.224 S3C4T1 Fl. 644 15 razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, DJe 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; REsp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal, o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum, dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7°, § 2°, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7° O procedimento fiscal tem início com: o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1°, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. Fl. 651DF CARF MF 16 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Considerandose esta decisão vinculante do STJ, na qual determina que a análise dos processos administrativos fiscais deve ser realizada em um prazo máximo de 360 dias, a partir do pedido, da defesa ou do recurso administrativo, conforme previsto no art. 24 da Lei no 11.457/2007, considerandose também que inexiste previsão legal para aplicação da taxa SELIC nos processos de ressarcimento, devese efetuar uma interpretação conjunta daquela decisão com os julgados do STJ, também com efeito vinculante a este Colegiado Administrativo, quais sejam, os já citados REsp n° 1.035.847 e n° 993.164 relacionados a referida atualização monetária. Neste viés, verificase ser indispensável analisar se a decisão administrativa que reverteu o indeferimento do pedido de ressarcimento do crédito de IPI ocorreu em período superior ou inferior a 360 dias. Concluindo o procedimento em prazo inferior a 360 dias, verificase restar caracterizada a aplicação dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade tal qual disposto na decisão do REsp no 1.138.206 e, portanto, não haveria que se falar em aplicação da taxa Selic sobre o valor do pedido incialmente indeferido e posteriormente revertido. Entretanto, tendo a administração tributária concluído a análise do processo administrativo fiscal em período superior a 360, como ocorrido no presente julgado, caberá a aplicação da taxa Selic em face de oposição ilegítima do fisco conforme entendimento insculpido no REsp n° 1.035.847 e no REsp n° 993.164, combinado com a determinação jurisprudencial vinculante consubstanciada no REsp no 1.138.206, por se enquadrar no descumprimento do art. 24 da Lei no 11.457/2007. Tendo em vista que no presente processo o pedido de ressarcimento de créditos de IPI referentes ao primeiro trimestre de 2003, utilizado na compensação de débitos do contribuinte, através dos PER/DCOMPs transmitidas nos anos de 2003, 2005 e 2006, teve a negativa parcial do pedido por meio de despacho decisório no ano de 2011 e cuja reversão do indeferimento do pedido somente ocorreu no ano de 2018, restou caracterizada a oposição ilegítima, aplicandose, por conseguinte, a taxa Selic na atualização dos respectivos créditos a partir de 360 dias da data do protocolo do pedido. Corroborando o entendimento em relação a presente matéria, transcrevo a seguir a ementa do recente Acórdão no 9303004.884 da CSRF de 12/06/2018: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. Não existe previsão legal para a incidência da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da atualização monetária só é possível em face de decisões do STJ na sistemática dos Recursos Repetitivos, quando existentes atos administrativos que indeferiram parcial ou totalmente os pedidos, e o entendimento neles consubstanciados foi revertido nas instâncias administrativas de Fl. 652DF CARF MF Processo nº 10380.900736/200618 Acórdão n.º 3401005.224 S3C4T1 Fl. 645 17 julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao seu aproveitamento. Configurada esta situação, a Taxa SELIC incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido, pois, antes deste prazo, não existe permissivo, nem mesmo jurisprudencial, com efeito vinculante, para a sua incidência.” Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para aplicar a taxa Selic na atualização dos créditos presumidos de IPI considerando como marco inicial a data correspondente a 360 dias após o protocolo do pedido. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 653DF CARF MF
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