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Numero do processo: 13851.000550/2006-53
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
MANDANDO DE SEGURANÇA. DETERMINAÇÃO PARA QUE O REEXAME DE ADMISSIBILIDADE SEJA REALIZADO PELA CSRF.
Em cumprimento de decisão judicial e nos limites do art. 71 do RICARF, cabe à CSRF apreciar, como se agravo fosse, o pedido de reconsideração apresentado pelo Contribuinte.
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
RECURSO ESPECIAL. VALORAÇÃO DE PROVAS.VEDAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO.
O Recurso Especial de Divergência é baseado no art. 67 do RICARF. É recurso de cognição restrita, limitada à uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, não se prestando para realização do reexame de provas.
Numero da decisão: 9202-007.164
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o Agravo do Contribuinte. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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DETERMINAÇÃO PARA QUE O REEXAME DE ADMISSIBILIDADE SEJA REALIZADO PELA CSRF. Em cumprimento de decisão judicial e nos limites do art. 71 do RICARF, cabe à CSRF apreciar, como se agravo fosse, o pedido de reconsideração apresentado pelo Contribuinte. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. RECURSO ESPECIAL. VALORAÇÃO DE PROVAS.VEDAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. O Recurso Especial de Divergência é baseado no art. 67 do RICARF. É recurso de cognição restrita, limitada à uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, não se prestando para realização do reexame de provas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o Agravo do Contribuinte. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 05 50 /2 00 6- 53 Fl. 2333DF CARF MF Processo nº 13851.000550/200653 Acórdão n.º 9202007.164 CSRFT2 Fl. 2.262 2 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração por meio do qual exigese o Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física haja vista a constatação de 1) omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas, 2) omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde verificouse excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados / comprovados, e 3) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Aplicouse multa qualificada de 150% por estar caracterizado, em tese, o evidente intuito de fraude, pois o contribuinte inseriu elementos inexatos em sua declaração, reduzindo a base de cálculo de IRPF; a multa majorada em 225% pela ausência de atendimento de parte das intimações realizadas pelo Fisco. Cumprindo o trâmite processual tivemos no presente caso: 1) Impugnação (efls. 172) com alegação do principais pontos: a) não observância do direito à ampla defesa, haja vista o curto prazo concedido para o levantamento e apresentação das provas, b) decadência do crédito lançado anterior a maio de 2001, c) ilegalidade da conduta dos fiscais na operação de busca e apreensão, d) ilegalidade do lançamento pela adoção de presunção, d) equívocos na apuração dos valores. Segundo o contribuinte a movimentação financeira realizada em sua conta, assim como as operações com cartões de crédito, estavam relacionadas com as atividades da empresa Systech Equipamentos Ltda. Insurgiuse contra a multa qualificada e contra aplicação dos juros Selic. 2) decisão da DRJ (efls 530) pela procedência em parte do lançamento excluindo da base de cálculo tributável parte dos valores que entendeu terem tido a origem comprovada e afastando a multa agravada de 225%; 3) Recurso Voluntário (efls 580) por meio do qual o contribuinte reitera suas argumentações de defesa e pleiteia, subsidiariamente, sejam desconsiderados em relação aos depósito caracterizados como de origem não comprovada "os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00". Fl. 2334DF CARF MF Processo nº 13851.000550/200653 Acórdão n.º 9202007.164 CSRFT2 Fl. 2.263 3 4) Memorial (fls. 1067) juntado pela secretaria de câmara em 27.07.2009, primeiro momento onde é suscitada nulidade por erro na eleição do sujeito passivo: constatado que o valores eram provenientes de atividade comercial, o lançamento deveria ter sido formalizado em nome da pessoa jurídica e não da pessoa física. Cita precedentes deste Tribunal. 5) Acórdão nº 220200.163 (fls. 1102), sessão de 29.07.2009. A Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara, por maioria de votos, tendo em vista a desqualificação da multa de oficio, acolheu a argüição de decadência para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao anocalendário de 2000. 6) Recurso Especial da Fazenda Nacional (1112) recebido apenas quanto ao critério de aplicação da decadência. 7) Embargos de declaração do contribuinte (fls. 1192) contra o acórdão nº 220200.163, para fins de pré questionamento. Suscita omissão em relação a natureza eminentemente comercial das operações que levaria à equiparação à pessoa jurídica, omissão quanto os apontamentos feitos na peça de memorial em especial a tese de nulidade por erro do sujeito passivo, omissão quanto a nulidade do procedimento fiscal ocorrência de abuso de poder, desvio de finalidade e violação de sigilo funcional. 8) Contrarrazões do contribuinte ao recurso da Fazenda Nacional (1230). 9) Acórdão de embargos nº 220200.984 (fls. 1247). Os embargos foram rejeitos pelo Colegiado. Nos termos do voto vencedor inexistia omissão do acórdão nº 2202 00.163, primeiro porque nos termos do voto do relator todos os pontos foram apreciados, e no que tange ao memorial é afirmado que referida peça, por sua própria natureza, abrange exatamente as teses de defesa da impugnação, concluiu o redator do acórdão: "Com efeito, não havendo no documento denominado memorial, argumento ou documento novo, e, por outro lado, ao ser proferido o julgamento o Colegiado apreciou todos os argumentos constantes tanto da impugnação quanto do recurso voluntário da parte e até mesmo do memorial, não há que se falar em omissão, obscuridade ou contradição, ou acima disso, da excepcional hipótese de erro material." 10) Embargos de declaração do contribuinte contra o acórdão nº 2202 00.984 (1261), "precipuamente com fins de préquestionamento". Destacando que a peça de memorial tinha como objetivo reforçar e aditar as razões de defesa no que tange questões de ordem pública. Alegou que o acórdão 220200.984 foi contraditório, sobretudo obscuro, pois não apontou onde ou de que forma os pontos destacados foram apreciados pelo Colegiado. Destacou como erro a premissa do acórdão 220200.984 que entendeu que o memorial se limitou a reproduzir os argumentos da impugnação quanto na verdade "trouxe sim um argumento jurídico novo, qual seja, a violação ao art. 83 da Lei 9.430/96, caracterizando o erro na identificação do sujeito passivo (dever de equiparação à pessoa jurídica)". 11) Recurso Especial do Contribuinte (fls. 1284). Pugna pelo seu não conhecimento na hipótese dos embargos admitidos. 12) Despacho 2202159.271 (fls. 1776) rejeitando monocraticamente os embargos (do evento 10) por ausência de omissão, obscuridade e contradição, entendimento confirmado pelo Despacho 220200.084 (fls. 1780). Fl. 2335DF CARF MF Processo nº 13851.000550/200653 Acórdão n.º 9202007.164 CSRFT2 Fl. 2.264 4 13) Recurso Especial do Contribuinte (fls. 1785), este considerado para fins e realização do exame de admissibilidade. 14) Exame de admissibilidade (1915) que não conheceu do recurso do contribuinte. Contra o não conhecimento o contribuinte: i) apresentou "Embargos Declaratórios/Embargos Inominados" (fls. 1954) os quais em "Despacho em Requerimento" (fls. 1.360) não foram conhecidos pela Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção por absoluta falta de previsão regimental, ii) foi ajuizado mandado de segurança contra a decisão que negou seguimento ao recurso, decidindo o Tribunal pela não concessão da tutela antecipada por ausência de fomus boni iuris (fls. 2025), e iii) interpôs neste processo administrativo, em março de 2016, "Reclamação Administrativa", endereçada ao Presidente do Conselho (fls. 2174). 15) Acórdão 9202003.974, (fls. 2203) desta Câmara Superior proferido na sessão de 10.05.2016 negando provimento ao recurso da Fazenda Nacional para manter a decadência com base no art. 150, §4º do CTN. Na ocasião o Colegiado, em respeito ao contribuinte, teceu considerações sobre a petição onde se suscitou "Questão de Ordem", atualmente juntada às fls. 2214, contudo entendeu que não possuía competência para refazer o respectivo exame de admissibilidade. 16) Embargos de declaração do Contribuinte (fls. 2225) contra o acórdão 9202003.974. Arguiu omissão do julgado quanto aos pedidos expressamente formulados na "questão de ordem" quais sejam: inconstitucionalidade do §3º do art. 71 do Anexo II do RICARF, que trata da competência exclusiva do Presidente do CARF para análise do Agravo, e ainda que diante da relevante omissão apontada nas decisões, e não suprida pelos Embargos, que o Colegiado, excepcionalmente, delibere sobre o conhecimento do seu recurso. 17) Embargos de declaração rejeitados por despacho da auditorafiscal responsável. (decisão sem efeitos em razão do teor da segurança concedida evento 18, abaixo). 18) Em 28.09.2017 é juntado aos autos decisão de mérito proferida nos autos do Mandado de Segurança interposto pelo contribuinte (fls. 2252). O juízo concedeu a segurança "determinando à Autoridade Impetrada que permita à Câmara Superior de Recursos Fiscais analisar a Reclamação Administrativa do Impetrante, apresentada quando de sua intimação da decisão denegatória de seguimento ao recurso especial, como se agravo fosse, podendo a Câmara admitir ou não a subida do recurso especial". É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora 1) Dos esclarecimentos: Fl. 2336DF CARF MF Processo nº 13851.000550/200653 Acórdão n.º 9202007.164 CSRFT2 Fl. 2.265 5 O Poder Judiciário atendendo ao pleito apresentado pelo Contribuinte em sede de Mandado de Segurança, assim ordenou: "A par do exposto, CONCEDO a segurança pleiteada, determinando à Autoridade Impetrada que permita à Câmara Superior de Recursos Fiscais analisar a Reclamação Administrativa do Impetrante, apresentada quando de sua intimação da decisão denegatória de seguimento ao recurso especial, como se agravo fosse, podendo ela, a Câmara, admitir ou não a subida do recurso especial. Revogada a decisão de ff. 1051/1053)". Ou seja, no presente momento, cabe a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais deliberar exclusivamente acerca do cumprimento dos requisitos formais previstos no art. 67 da Portaria MF nº 343/2015 RICARF, o qual dispõe: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. § 2º Para efeito da aplicação do caput, entendese que todas as Turmas e Câmaras dos Conselhos de Contribuintes ou do CARF são distintas das Turmas e Câmaras instituídas a partir do presente Regimento Interno. § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. § 4º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de 1ª (primeira) instância por vício na própria decisão, nos termos da Lei nº9.784 de 29 de janeiro de 1999. § 5º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 6º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria. § 7º Na hipótese de apresentação de mais de 2 (dois) paradigmas, serão considerados apenas os 2 (dois) primeiros indicados, descartandose os demais. § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Fl. 2337DF CARF MF Processo nº 13851.000550/200653 Acórdão n.º 9202007.164 CSRFT2 Fl. 2.266 6 § 9º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 10. Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União. § 11. As ementas referidas no § 9º poderão, alternativamente, ser reproduzidas, na sua integralidade, no corpo do recurso, admitindose ainda a reprodução parcial da ementa desde que o trecho omitido não altere a interpretação ou o alcance do trecho reproduzido. § 12. Não servirá como paradigma acórdão proferido pelas turmas extraordinárias de julgamento de que trata o art. 23A, ou que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: I Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; II decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil; III Súmula ou Resolução do Pleno do CARF; e IV decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal que declare inconstitucional tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo. § 13. As alegações e documentos apresentados depois do prazo fixado no caput do art. 68 com vistas a complementar o recurso especial de divergência não serão considerados para fins de verificação de sua admissibilidade. § 14. É cabível recurso especial de divergência, previsto no caput, contra decisão que der ou negar provimento a recurso de ofício. § 15. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da interposição do recurso, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente. Assim, em que pese toda a discussão de mérito, cabe a este Colegiado, em cumprimento a determinação judicial, apreciar o pedido de reconsideração apresentado pelo Contribuinte, intitulado "Reclamação Administrativa" e juntado às fls. 2.174, contra o despacho que negou seguimento ao seu recurso especial. Fl. 2338DF CARF MF Processo nº 13851.000550/200653 Acórdão n.º 9202007.164 CSRFT2 Fl. 2.267 7 2) Da questão de ordem suscitada pelo Patrono do contribuinte em sede de memorial juntado aos autos: Com base no art. 3º, III da Lei nº 9.784/99, peticiona o contribuinte arguindo questão de ordem consubstanciada na existência de vício no processo que levaria a nulidade absoluta do lançamento. Afirma que "a auditoria omitiu da instrução do processo fiscal, e também omitiu da descrição dos fatos do autos de infração, os Ofícios SIANA/AQA nº 64/2004, e nº 133/2005, por maio dos quais a própria investigação da Receita Federal já afirmava que as típicas movimentações financeiras do contribuinte indicariam notória operação comercial". Afirma que tal fato e documentos seriam relevantes na medida em que uma vez caracterizado que os valores apurados eram decorrentes de atividade comercial o lançamento deveria ter adotada por equiparação a tributação aplicável às pessoas jurídicas art. 150, §1º, II do Decreto nº 3.000/99 e não as regras de tributação de pessoa física. Em anexo a petição, o Contribuinte junta extensa peça (Cópia do “Memorial” contendo relevantes ‘Questões de Ordem) denominada de "Memorial (‘RECLAMAÇÃO ADMINISTRATIVA’ admitida por força de Mandado de Segurança)". Após tecer esclarecimentos sobre os fatos e sobre toda a instrução processual fazendo menção as suposta omissões e nulidades presentes no processo e nos acórdãos proferidos, concluiu: "Portanto, requerse que este douto colegiado, conhecendo da ‘RECLAMAÇÃO’ e da preliminar de nulidade do ‘RECURSO ESPECIAL’, reconheça a existência de omissão relevante no julgamento de 2º grau do CARF, e determine a anulação de ofício do Acórdão recorrido, por se tratar, como bem demonstrado, de matéria de ordem pública, aferível em qualquer grau de jurisdição, e ainda que não conhecido o recurso. Tudo, conforme os fartos precedentes citados, todos meticulosamente analisados". Ocorre que, com a devida vênia ao entendimento do Contribuinte, entendo que este não é o momento para apreciação dessas questões de ordem. Explico: Embora este Colegiado tenha de fato competência para suscitar de ofício ou conhecer de questões tidas como de ordem pública, no presente momento esta CSRF não está atuando na sua função típica de órgão julgador de alegações recursais apresentadas pelas partes. Nos termos da determinação judicial, nos cabe analisar a peça apresentada pelo Contribuinte contra a decisão denegatória de seguimento do Recurso Especial 'como se agravo fosse' nos limitado a admitir ou não a subida do recurso. As regras do Recurso de Agravo estão disciplinadas pelo art. 71 do RICARF, que possui a seguinte redação: Art. 71. Cabe agravo do despacho que negar seguimento, total ou parcial, ao recurso especial. § 1º O agravo será requerido em petição dirigida ao Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no prazo de cinco dias contado da ciência do despacho que lhe negou seguimento. § 2º O agravo não é cabível nos casos em que a negativa de seguimento tenha decorrido de: I inobservância de prazo para a interposição do recurso especial; Fl. 2339DF CARF MF Processo nº 13851.000550/200653 Acórdão n.º 9202007.164 CSRFT2 Fl. 2.268 8 II falta de juntada do inteiro teor do acórdão ou cópia da publicação da ementa que comprove a divergência, ou da transcrição integral da ementa no corpo do recurso, nos termos dos §§ 9º e 11 do art. 67; III utilização de acórdão da própria Câmara do Conselho de Contribuintes, de Turma de Câmaras e de Turma Especial do CARF que apreciou o recurso; IV utilização de acórdão que já tenha sido reformado; V falta de préquestionamento da matéria, no caso de recurso interposto pelo sujeito passivo; ou VI observância, pelo acórdão recorrido, de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, bem como das decisões de que tratam os incisos I a IV do § 12 do art. 67, salvo nos casos em que o recurso especial verse sobre a não aplicação, ao caso concreto, dos enunciados ou dessas decisões; VII rejeição de acórdão indicado como paradigma por enquadrarse nas hipóteses do § 12 do art. 67; ou VIII absoluta falta de indicação de acórdão paradigma. § 3º O Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais rejeitará liminarmente e de forma definitiva o agravo nas hipóteses previstas no § 2º. § 4º No agravo não será admitida a produção de novas provas da divergência. § 5º O Presidente da CSRF, em despacho fundamentado, acolherá ou rejeitará, total ou parcialmente, o agravo. § 6º Será definitivo o despacho do Presidente da CSRF que negar ou der seguimento ao recurso especial, não sendo cabível pedido de reconsideração ou qualquer outro recurso. § 7º Na hipótese de o Presidente do CSRF entender presentes os pressupostos de admissibilidade e der seguimento ao recurso especial, este terá a tramitação prevista nos arts. 69 ou 70, conforme o caso. § 8º Na hipótese do § 6º, será dada ciência às partes do despacho que negar total ou parcialmente seguimento ao recurso especial. Entendo que todas as questões de ordem suscitadas pelo Contribuinte podem ser reapresentas a este Colegiado caso seu recurso seja conhecido. Ora, admitido o processamento do recurso devese seguir o trâmite previsto no Regimento Interno, sendo necessária a intimação da Fazenda Pública para apresentação de contrarrazões e posterior inclusão do processo em pauta para o devido julgamento do mérito do referido recurso. É neste momento, na data do julgamento do mérito, que este Colegiado poderá vir a entender pela necessidade de ser apreciar tais questões de ordem. Fl. 2340DF CARF MF Processo nº 13851.000550/200653 Acórdão n.º 9202007.164 CSRFT2 Fl. 2.269 9 É importante destacar ainda que toda a discussão posta pelo Contribuinte no memorial se confunde com as argumentações suscitada em sua peça recursal, alguns argumentos são inéditos, com este cenário admitir neste momento qualquer discussão sobre tais pontos implicaria em violação ao principio da 'paridade de armas', dando tratamento processual favorecido ao contribuinte, em especial porque o Poder Judiciário apenas delegou a este Colegiado a função de deliberar nos limites estabelecidos para o Agravo (art. 71 do RICARF) acerca do conhecimento ou não do Recurso Especial. Diferente de outros mandamentos já recebidos por esta Câmara, a decisão judicial que ora se cumpre não determinou o conhecimento imperativo do recurso. Nestes termos e com base no §4º do art. 71 do RICARF, por hora, deixo de conhecer das questões de ordem suscitadas na peça de memorial apresentada pelo contribuinte, podendo essas serem apreciadas em momento oportuno (quando do julgamento de mérito na hipótese de o recurso ser conhecido) por este Colegiado. 3) Do cumprimento da ordem judicial análise da "Reclamação Administrativa" de fls. 2.174 e seguintes: Conforme exposto no relatório, em que pese toda a discussão de mérito, cabe a este Colegiado, em cumprimento a determinação judicial, apreciar o pedido de reconsideração apresentado pelo Contribuinte, intitulado "Reclamação Administrativa" e juntado às fls. 2.174, contra o despacho que negou seguimento ao seu recurso especial. Pela relevância, mais uma vez cito a ordem judicial: "A par do exposto, CONCEDO a segurança pleiteada, determinando à Autoridade Impetrada que permita à Câmara Superior de Recursos Fiscais analisar a Reclamação Administrativa do Impetrante, apresentada quando de sua intimação da decisão denegatória de seguimento ao recurso especial, como se agravo fosse, podendo ela, a Câmara, admitir ou não a subida do recurso especial. Revogada a decisão de ff. 1051/1053)". Destaco meu entendimento de que pela decisão judicial ora cumprida deve a análise desta Câmara Superior de Recursos Fiscais se limitar aos argumentos do documento de fls. 2.174/2.201, pois essa é a peça 'final' apresentada pelo contribuinte contra os despachos de fls. 1.915/1.930, 1.931/1.933 e 1.989/1.998 que negaram seguimento ao recurso. A intimação do contribuinte se deu por edital nos termos da certidão de fls. 1.948 e 2.015. Antes de analisarmos os pressupostos, fixamos algumas premissas: 1) Recurso Especial de Divergência, nos termos do art. 67 do RICARF é recurso de cognição restrita e que somente será conhecido se restar comprovada a divergência entre o acórdão recorrido e aqueles indicados pelas partes como paradigmas. É permitida a indicação de até dois paradigmas por matéria, devendo ambos terem sido proferidos por colegiados distintos, não tendo havido reforma do entendimento; 2) A Câmara Superior de Recursos Fiscais não é órgão revisor de provas, não lhe competindo efetuar juízo de revaloração de provas, razão pela qual para fins de Fl. 2341DF CARF MF Processo nº 13851.000550/200653 Acórdão n.º 9202007.164 CSRFT2 Fl. 2.270 10 admissibilidade não serão aceitos como paradigmas julgados cuja convicção do Colegiado tenha se baseado nos fatos daquela situação apreciada; 3) Nos termos do art. 65, §3º do RICARF a decisão que rejeitar os embargos por concluir que inexiste omissão, contradição ou obscuridade é definitiva; ou seja, no presente caso pela deliberação da própria Turma seria definitiva a conclusão pela inexistência de vícios no acórdão Recorrido. Passamos então a análise do cumprimento dos requisitos formais expostos no art. 67 do RICARF para cada um dos pontos constantes do recurso especial, juntado às fls.1.785/1.811, que assim foram resumidos pelo Contribuinte (fls. 1.812): A) Ref. á Preliminar de Nulidade sobre Préquestionamento (Tópico 3.1): 1. Acórdão CSRF/0201.694, 2ª Turma, j. 11.05.2004 (c/ 28 pgs.) 2. Acórdão 10806.120, 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, j. 12.05.2000 (c/ 4 pgs.) B) Ref. á Preliminar de Nulidade por violação ao duplo grau (Tópico 3.2): 1. Acórdão CSRF/0103.281, 1ª Turma, j. 20.03.2001 (c/ 8 pgs.) 2. Acórdão 20308.620, 3ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, j. 05.12.2002 (c/ 6 pgs.) C) Ref. ao Mérito – Tributação por equiparação á pessoa jurídica (Tópico 4.2): 1. Acórdão 10248.035, 2ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, j. 08.11.2006 (c/ 10 pgs.) 2. Acórdão 10247.831, 2ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, j. 16.08.2006 (c/ 24 pgs.) A) Da divergência da preliminar de nulidade dos julgados: Com relação as divergências quanto as preliminares de nulidade é descrito que: Da questão fáticojurídica preliminar – Violação ao art. 535 do CPC (nulidade dos acórdãos de embargos de declaração): preliminar de nulidade dos acórdãos por rejeição "de forma pura e simples" dos recursos de embargos apresentados, nos termos do art. 59, II do Decreto nº 70.235/72. Afirma que o não enfretamento da matéria tido como omissa no acórdão originário (nulidade por violação ao art. 150, §1º, II dp RIR/99), omissão não suprida pelos acórdãos de embargos, leva ao cerceamento do direito de defesa na medida que impossibilita a 'devolução' da matéria à Câmara Superior impede o préquestionamento. A.1) Ref. á Preliminar de Nulidade sobre Préquestionamento (Tópico 3.1) aqui temos duas matérias. A.1.1) O contribuinte citando como paradigmas os acórdãos CSRF/0201.694 e CSRF/0105.199 suscita divergência em relação ao dever do Colegiado de aclaramento dos vícios apontados pelas partes em sede de embargos de declaração. Vejamos os trechos da razão apresenta para a divergência: Demonstrado isso, é evidente que tanto o decisum (fls. 1.771) consubstanciado nas equivocadas informações de fls. 1.767/1.769, como o acórdão de nº 220200.984 (fls. 1.227/1.230), ou mesmo aquele acórdão primeiramente embargado de nº 220200.163 (fls. 1.077/1.091), violaram o disposto no art. 65 c/c o art. 67, §3º, ambos do REGIMENTO INTERNO do CARF, DIVERGINDO do que restou decidido no acórdão nº CSRF/0201.694 da 2ª Turma desta Egrégia Fl. 2342DF CARF MF Processo nº 13851.000550/200653 Acórdão n.º 9202007.164 CSRFT2 Fl. 2.271 11 CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, quanto ao dever de aclaramento conforme pleiteado pela recorrente, de acordo com o que se extrai claramente da própria ementa do aresto citado (CSRF/0201.694), in verbis: “RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA INTERPOSTO PELO SUJEITO PASSIVO NORMAS PROCESSUAIS PRÉ QUESTIONAMENTO. É condição sine qua non para interposição válida e eficaz de recurso especial, cujo objeto seja matéria omitida no acórdão recorrido, que a parte tenha embargado de declaração o decisum com vistas a suprimir a omissão e ou prequestionar a matéria.” (CSRF/0201.694, 2ª Turma, Rel. Designado: Cons. Dalton César Cordeiro de Miranda. Sessão de 11.05.04. Proc. nº 10930.000844/9926; Rec. nº 201 114.758) Pois como se vê, esta CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS (CSRF) poderia restar impedida, até mesmo por força do art. 67, §3º, de conhecer do recurso especial do contribuinte e, portanto, como bem já destacou esta própria Câmara Superior, seria “Incabível a apreciação e julgamento de matéria que não tenha sido prequestionada, assim entendido aquela em que o órgão de segunda instância tenha se pronunciado expressamente em sua decisão” (CSRF/0105.199). Todavia, é certo e incontroverso que esta Egrégia Câmara Superior jamais poderia deixar de conhecer do recurso especial do contribuinte, ao argumento de preclusão da matéria, ou POR FALTA DE PRÉQUESTIONAMENTO e/ou ausência de interposição de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO; pois que dois aclaratórios foram interpostos! ... Desta feita, quando o acórdão recorrido deixa de se pronunciar sobre a tese defensiva do contribuinte, NÃO ACLARANDO A SUA DECISÃO nem mesmo com a interposição de dois (02) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, tal decisão DIVERGE flagrantemente do que restou decidido no já citado acórdão nº CSRF/0201.694 da 2ª Turma, desta Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, em tudo similar ao caso concreto, exceto que neste acórdão, não se pôde conhecer do especial pela falta de interposição de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO por parte do contribuinte, que, portanto, não teria esgotado a instância (** diferentemente do caso em tela, em que HOUVE A INTERPOSIÇÃO dos declaratórios). Assim, vejase as similitudes, e a flagrante divergência entre o acórdão recorrido e este acórdão paradigma de nº CSRF/02 01.694, especialmente no ponto em que o acórdão ora recorrido rejeita pura e simplesmente os EMBARGOS DE DECLARAÇÃO do contribuinte, deixando de préquestionar a matéria necessária ao conhecimento do recurso especial do recorrente, ipsis litteris: Fl. 2343DF CARF MF Processo nº 13851.000550/200653 Acórdão n.º 9202007.164 CSRFT2 Fl. 2.272 12 “Essa matéria, embora suscitada no recurso voluntário apresentado na instância a quo, não foi tratada pela Câmara recorrida. Daí, não ser cabível apreciála nessa instância especial, já que o acórdão ora em revisão é omisso e não contém tal matéria. Para que essa questão pudesse ser enfrentada nesta turma, a parte deveria ter interposto embargos declaratórios para corrigir a omissão e prequestionar a matéria. Como não o fez, precluiu do direito de discutila nesta instância julgadora. Esse entendimento é pacífico no judiciário, havendo, inclusive, sido sedimentado pelo Supremo Tribunal Federal nas Súmulas 282 e 356, nos termos seguintes: ‘STF 282: É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada’. ‘STF 356: O ponto omisso da decisão, sobre o qual não foram opostos embargos declaratórios, não pode ser objeto de recurso extraordinário, por faltar o requisito do prequestionamento’. Com essas considerações, não conheço do recurso especial apresentado pelo sujeito passivo.” (cf. VOTO do Rel. Henrique Pinheiro Torres, pgs. 23/24, do Acórdão CSRF/02 01.694, 2ª Turma; j. 11.05.04) A.1.2) Afirma que a não manifestação do Colegiado a quo acerca do tema posto nos embargos de declaração traz nulidade para o julgado na medida em que obstaculizaria a própria elaboração da peça recursal, pois o contribuinte desconhece as razões pelas quais sua tese defensiva teria sido afastada. Citando como paradigma o acórdão 10806.120 suscita divergência em razão do colegiado paradigmático ter aceito embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional para não prejudicar sua pretensão recursal. Transcrevo trechos do recurso quanto a este ponto: Por todas essas razões, é que haveria nulidade absoluta do acórdão nº 220200.984 (fls. 1.227/1.230), e da decisão de fls. 1.771, pois, tal alegação de que “não haveria omissão”, ou que “não esta obrigado a rebater, um a um, os argumentos do contribuinte”, evidentemente também DIVERGE do entendimento que, no acórdão nº 10806.120, a 8ª Câmara do 1º Conselho atribuiu ao dever do órgão julgador sobre a observância do instituto do préquestionamento (RI/CARF, art. 65 c/c art. 67, §3º), já que acolheu á unanimidade EMBARGOS DE DECLARAÇÃO do recorrente, para suprir a omissão, e justamente “Para que não seja tolhida a Fazenda Nacional de suas articulações de eventual recurso perante a Câmara Superior de Recurso Fiscal” (Ac. 10806.120), em acórdão cuja ementa foi assim redigida, in verbis: “PRÉQUESTIONAMENTO PARA RECURSO ESPECIAL — EMBARGOS DE DECLARAÇÃO — Tendo sido mencionado Fl. 2344DF CARF MF Processo nº 13851.000550/200653 Acórdão n.º 9202007.164 CSRFT2 Fl. 2.273 13 determinado dispositivo legal na decisão do Delegado de Julgamento, ainda que não seja o fundamento da parte dispositiva da decisão, cabem embargos de declaração para que tal dispositivo seja ventilado no acórdão, para efeito de préquestionamento, requisito de admissibilidade do recurso especial.” (Ac. nº 10806.120 / EDcl., 8ª Câmara, 1º Conselho; Rel. José Henrique Longo. j. 12.05.00; Proc. nº 13675.000160/98 08; Rec. nº 120.025) Isso porque, nesse caso tratado no acórdão nº 10806.120, em situação bem similar a presente, verificouse a omissão, também, porque um determinado dispositivo legal “foi efetivamente citado pelo Delegado de Julgamento na sua fundamentação para afastar a preliminar de decadência [ou outra tese jurídica qualquer] suscitada pela então impugnante” (sic) (Ac. 108 06.120). Exatamente como no caso concreto do contribuinte ora recorrente, em que a decisão de 1ª instância rejeita a tese de tributação por equiparação á pessoa jurídica, citando, na decisão de 1º grau, expressamente ou efetivamnente o art. 150, §1º, inc. II, do RIR/99. Neste cenário o contribuinte concluiu pleiteando: Por tudo o que foi precisa e minuciosamente exposto, deve ser decretada a nulidade do acórdão de nº 220200.163 (fls. 1.077/1.091), e especialmente das decisões “aclaradas”, por falta de fundamentação e preterição do direito de defesa (como será demonstrado em tópico adiante), bem como a nulidade do acórdão nº 220200.984 (fls. 1.227/1.230) e da decisão de fls. 1.771, por rejeitar pura e simplesmente e sem fundamentação idônea ambos os EMBARGOS DE DECLARAÇÃO do contribuinte, deixando de aclarar a decisão embargada, e assim violando o dever do órgão julgador quanto ao respeito do instituto do préquestionamento, e, sobretudo, porque essas decisões divergiram do entendimento consubstanciado pelos acórdãos nº Ac. 10806.120, da 8ª Câmara do 1º Conselho, e acórdão nº CSRF/0201.694 da 2ª Turma, da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Alternativamente, entendendo que não seria o caso da nulidade requerida, que este Egrégia CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS conheça o mérito recursal, tendo em vista que a falha concernente á ausência de préquestionamento NÃO PODE SER ATRIBUÍDA Á RECORRENTE, que, aliás, interpôs inclusive “segundos” EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, como já explicitado no intróito preliminar. A.2) Segunda Divergência Ref. Preliminar de Nulidade por violação ao duplo grau: neste tópico o contribuinte reitera sua tese de nulidade dos acórdãos haja vista Fl. 2345DF CARF MF Processo nº 13851.000550/200653 Acórdão n.º 9202007.164 CSRFT2 Fl. 2.274 14 suposta omissão dos julgado sobre a tese exposta em sua defesa. Citando como paradigmas os acórdãos CSRF/0103.281 e 20308.620 o Contribuinte defende: Nesse acórdão da CSRF, nº 0103.281, a ínclita relatora observou que haveria supressão de instância, por haver o julgamento de 2º grau se omitido na apreciação da argüição de “equiparação de rendimentos”, in verbis: “Não vislumbro, no Acórdão recorrido qualquer referência a Programa de Incentivo a Aposentadoria ou mesmo a equiparação de rendimentos assim recebidos àqueles recorrentes de adesão a Programa de Demissão Voluntária, esse último taxativamente aceito como isento pela i. autoridade julgadora de singelo grau. Entende esta Relatora, não obstante o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional aterse ao instituto da decadência, ter a C. Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes incorrido em flagrante omissão, ou seja, deixouse de julgar a matéria objeto do pleito. Em assim sendo, em preliminar, conduzo meu voto no sentido de se ANULAR o Acórdão n° 10611.393, determinando o retorno dos autos à Colenda Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, para que profira nova decisão, apreciando devidamente a matéria, em boa e devida forma.” E aqui, no caso concreto do contribuinte ora recorrente, a decisão de segunda instância NADA SE PRONUNCIOU (!) sobre a argüição de que a omissão de rendimentos deveria ser tributada como equiparação á pessoa jurídica (exigindose IRPJ e reflexos); tese altamente relevante, que acaso analisada e acaso acolhida, implicaria na exigência de apenas 1/3 do valor que fora lançado; acaso não implicasse na nulidade absoluta do lançamento. ... Isso porque, tal argumento de que o Colegiado “não esta obrigado a responder, um a um, os questionamentos aportados pela parte” (sic) (fl. 1.229), afora o fato de incorrer em flagrante violação ao art. 31 do Decreto 70.235/72 (e demais regras legais e constitucionais já mencionadas, como ofensa ao art. 65, do RI/CARF, ao art. 535, inc. II, do CPC, art. 458 e 459 do CPC, e da Constituição Federal, art. 5º, inc. XXXV, inc. LV, inc. LIV, e art. 93, inc. IX e X), também implicou em DIVERGÊNCIA de interpretação que lhe deu a Colenda 3ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, no Acórdão de nº 20308.620, julgado em 05.12.2002. É que analisando situação similar a do contribuinte ora recorrente, a 3ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, no mencionado acórdão nº 20308.620, analisando exatamente o fato de que a decisão (de primeiro grau) NÃO TERIA ENFRENTADO ARGUMENTOS RELEVANTES do contribuinte, ipsis litteris, “deixando de ser objeto de análise pela Fl. 2346DF CARF MF Processo nº 13851.000550/200653 Acórdão n.º 9202007.164 CSRFT2 Fl. 2.275 15 autoridade julgadora de primeira instância” (sic) (Ac. nº 203 08.620), resolveu por bem, e para que não houvesse supressão de instância ou preterição do direito de defesa, decretar de ofício a NULIDADE da decisão omissa, por flagrante violação ao art. 31 do Decreto 70.235/72. A decisão acerca do conhecimento das divergências apontadas sob o título de preliminar/nulidade podem e devem ser apreciadas conjuntamente, pois no meu juízo de valor partem da premissa equivocada que a suposta omissão do acórdão recorrido traz prejuízo ao contribuinte na medida em que vedaria a interposição do recurso especial. Digo premissa equivocada porque uma vez tendo o Colegiado a quo, em resposta ao recurso de embargos de declaração entendido pela inexistência de omissão, a contrario sensu devese concluir que o tema suscitado pelo contribuinte foi enfrentado pelo Colegiado quando da análise do recurso voluntário, ainda que de forma indireta. Conforme mencionado no relatório o contribuinte interpôs Embargos de Declaração contra o acórdão recorrido sob a fundamentação de existência de omissão. A omissão seria sobre o argumento de nulidade do lançamento por ter deixado de lançar o imposto com base na equiparação das regras aplicadas à pessoa jurídica, uma vez que supostamente teria havido a comprovação de que os valores recebidos eram decorrentes de atividade comercial destacando que tal tese somente foi suscitada em sede de memorial. Entendeu a turma a quo pela inexistência de omissão, pois o memorial se limitou a reproduzir os argumentos do recurso voluntário, argumentos esses enfrentados pela Turma. E aqui está a motivação de todo esse desgaste processual: a afirmação da turma de que o memorial teria se limitado a reproduzir o recurso Voluntário. De fato isso não ocorre. Por meio do memorial o contribuinte inova em sua defesa e apresenta para aquele colegiado a tese, que se confunde com o mérito, de que existem provas suficientes nos autos para demonstrar a atividade comercial do contribuinte e como tal o lançamento deveria ter sido feito com base na equiparação das normas aplicáveis no IRPJ. Embora haja essa impropriedade de 'citação', o acórdão proferido em sede de embargos também se manifestada sobre o 'memorial' tendo a Turma (fls. 1247) entendido que se quer haveria necessidade do Colegiado apreciar matéria não constante da Impugnação e do Recurso Voluntário, mas que de toda forma haveriam elementos outros para formação da convicção dos julgadores. Vejamos a conclusão: Devese ter presente que o Colegiado não está obrigado apreciar e colocar no Relatório todos os documentos e eventos ocorridos no processo, mas sim aqueles necessários a descrição do andamento processual e que tenham relação com a formação do convencimento do julgador. E também não está obrigado a responder, uma por um, os questionamentos aportados pela parte nos autos, sendo suficiente que demonstre as razões que sustentam seu convencimento e o resultado da decisão. O mesmo não se diga quanto a preliminares e fundamentos jurídicos apresentados destacadamente, como seriam aqueles Fl. 2347DF CARF MF Processo nº 13851.000550/200653 Acórdão n.º 9202007.164 CSRFT2 Fl. 2.276 16 constantes do memorial. No entanto, na medida em que esta petição se presta a reprisar sucintamente o que consta da impugnação e do recurso, não há que se falar em omissão quanto a abordagem de preliminares ou de fundamentos do julgado. ... Assim sendo, considerando os entendimentos acima, e tendo o julgado embargado apreciado todos os fundamentos arrolados na impugnação e no recurso voluntário interposto pelo contribuinte, entendo que não há irregularidades no v. Acórdão, quando o mesmo deixa de mencionar esses mesmos argumentos contidos em memorial juntado aos autos, não havendo, por conseguinte, omissão, contradição, obscuridade ou erro material, a justificar o acolhimento dos embargos. O entendimento acima foi reiterado pelo despacho de fls. 1.780. Vale destacar que ao longo do relatório do acórdão recorrido 220200.163 foi exposta a tese do contribuinte de que os valores movimentados pertenciam à pessoa jurídica, ou seja, mesmo ciente desses fatos o Colegiado descreveu de forma suficientemente clara sobre os elementos de convicção que levaram a manutenção do lançamento: No que toca a omissão rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto o recorrente, questiona que a mesma foi baseada tão somente em presunções e conjecturas, considerando que despesas de gastos de cartão de natureza nitidamente comercial se caracterizam como rendimentos. ... Devese portanto enfatizar que o que está sendo objeto de autuação não é necessariamente o gasto, ou a natureza do gasto ou a quem este beneficiará, mas o fato de que os desembolsos revelamse incompatíveis com as fontes de rendimentos declaradas. Evidenciase assim por indução, fundamentada em previsão legal, de que o recorrente está omitindo rendimentos. Portanto, e nos termos do art. 65, §3º do RICARF já citado, temos a conclusão de inexistência de omissão no acórdão recorrido. Assim, ao analisarmos os acórdãos paradigmas apresentados pelo contribuinte para justificar a divergência percebemos uma ausência de similitude fática que impede o prosseguimento do recurso nestes pontos. Vejamos: Se observamos os acórdãos citados como paradigmas para primeira divergência ("Nulidade de préquestionamento" 0201.694, 0105.199, 10806.120), a situação enfrentada pelos Colegiados paradigmáticos eram distintas: tivemos acórdãos que de fato continham vício de omissão quanto a algum elemento apontado pela defesa ou discutido no lançamento. Neste cenário, diligentemente deveria a parte interessada ter apresentado embargos de declaração para sanar o vício. Uma vez não tendo ocorrido tal saneamento, resta (ou restaria no caso do paradigma 10806.120) caracterizada hipótese de não conhecimento do Fl. 2348DF CARF MF Processo nº 13851.000550/200653 Acórdão n.º 9202007.164 CSRFT2 Fl. 2.277 17 Recurso Especial pela impossibilidade de se estabelecer uma divergência sobre algo não discutido. Ou seja, a omissão foi convalidada pela inércia da parte. Quanto a segunda divergência ("Nulidade violação do duplo grau") no que tange ao paradigma 0103.281 (julgado pela CSRF com base no art. 5º, I da Portaria 55/1998 recurso de contrariedade) e 20308.620, a nulidade foi firmada em razão da constatação de omissões que levaram a uma decisão citra petita. Ora, mais uma vez devemos lembrar que no presente caso inexiste qualquer omissão, nos termos em que declarado pelo Colegiado recorrido. Portanto, considerando a divergência fática entre os julgados, deixo de conhecer do recurso no que tange a alegação de nulidade das decisões recorrida e de embargos de declaração. B) Da Divergência de mérito: Explica o contribuinte a "questão fáticojurídica de fundo": Considerando que seus embargos tiveram como finalidade o préquestionamento, o Contribuinte alega erro no julgado recorrido, pois o lançamento deveria ter tributado por equiparação à pessoa jurídica, com exigência de IRPJ e reflexos (cerca de 9%), por lucro arbitrado, e não com a exigência de IRPF, na incompatível e irreal alíquota de 27,5%, dada a natureza evidentemente comercial das operações financeiras do contribuinte; o que impediria a tributação de faturamento como se renda fosse. Como dito acima, no meu entender, considerando a fundamentação do entendimento do Colegiado a quo no sentido de não existir omissão no acórdão recorrido, a contrario sensu pode levar a conclusão que haveria préquestionamento do tema, razão pela qual esse não poderia ser o motivo determinante para o não conhecimento da terceira divergência: tributação por equiparação à pessoa jurídica. Feito esse esclarecimento, passo a análise do tema: B.1) Da divergência quanto á regra de incidência: Alega o contribuinte erro no julgado recorrido pois o lançamento deveria ter tributado por equiparação à pessoa jurídica, com exigência de IRPJ e reflexos (cerca de 9%), por lucro arbitrado, e não com a exigência de IRPF, na incompatível e irreal alíquota de 27,5%, dada a natureza evidentemente comercial das operações financeiras do contribuinte; o que impediria a tributação de faturamento como se renda fosse. Para tanto cita como paradigmas os acórdãos 10248.035 e 10247.831. Afirma o recurso: Assim, é que nesse acórdão paradigma, em hipótese praticamente idêntica a aqui evidenciada, analisouse que “na constituição do crédito tributário, a autoridade fiscal deixou de observar o disposto no art. 150, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3.000 de 1999” (sic) (Ac. 102 48.035). Pois que em situação idêntica a demonstrada nestes autos, tratou esse acórdão da mesma situação em que “tendo sido verificado, durante a auditoria fiscal, que o contribuinte realiza operações Fl. 2349DF CARF MF Processo nº 13851.000550/200653 Acórdão n.º 9202007.164 CSRFT2 Fl. 2.278 18 comerciais por conta própria, em caráter habitual, (...), o correto seria efetuar a equiparação á pessoa jurídica para fins de exigência dos tributos devidos (IRPJ e reflexos).” (sic) (Ac. 102 48.035). Destarte, resta plenamente demonstrada a total similitude entre o caso concreto, e esse acórdão paradigma, cuja própria ementa já evidencia, prima facie, a aplicabilidade da tese defensiva da recorrente, in verbis: “DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRIBUTAÇÃO – OPERAÇÕES COMERCIAIS EQUIPARAÇÃO A PESSOA JURÍDICA À luz do art. 150, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda RIR199, e do §2° da Lei 9.430/1996, verificandose, durante a auditoria fiscal, que o contribuinte realiza operações comerciais por conta própria, em caráter habitual, e que os depósitos bancários são relativos a essas operações, há que ser efetuada a equiparação à pessoa jurídica para fins de exigência dos tributos devidos. In casu, a lavratura de auto de infração na pessoa fisica (IRPF) constitui erro na identificação do sujeito passivo e nos tributos exigidos, haja vista que o correto seria a exigência de IRPJ e Reflexos.” (Ac. nº 10248.035, da 2ª Câmara, 1º Conselho; Rel. Antônio José Praga de Souza, Sessão de 08.11.2006; Proc. nº 10855.000647/200638; Rec. nº 154.085) Extraise do inteiro teor desse acórdão paradigma de nº 102 48.035 (anexo), que enquanto aqui, a recorrente comprava habitualmente equipamentos de informática, lá, no caso do paradigma, evidenciouse que o “se [os contribuintes] compravam produtos agrícolas é evidente que foi para comercialização, ou seja, venda. Em verdade, ao se tributar integralmente os R$ 14.887.184,82 movimentados nessa conta está se exigindo o tributo (IRPF) sobre a receita bruta da atividade do contribuinte, e não sobre o acréscimo patrimonial.” (sic) (Ac. 10248.035). ... Outro acórdão paradigma que não poderia deixar de ser mencionado, é o Ac. nº 10247.831 de 16.08.2006, da 2ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes. E especialmente pelo fato deste segundo paradigma haver tratado de hipótese bem idêntica ao caso concreto, no que se refere ao ARTIFICIAL “desmembramento” da movimentação financeira do contribuinte para a exigência de: 1 – omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício; e 2 – omissão de rendimento com base em depósito bancário da pessoa física. Pois no caso em tela, a auditoria os designou como: 1 – Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica; e 2 – Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários sem Origem Comprovada. Fl. 2350DF CARF MF Processo nº 13851.000550/200653 Acórdão n.º 9202007.164 CSRFT2 Fl. 2.279 19 Neste segundo precedente, essas exigências foram excluídas ao mesmo argumento do primeiro acórdão paradigma, tendo ficado assim ementado, in verbis: “DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRIBUTAÇÃO – OPERAÇÕES COMERCIAIS EQUIPARAÇÃO A PESSOA JURÍDICA À luz do art. 150, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, e do § 2° da Lei 9.430/1996, verificandose, durante a auditoria fiscal, que o contribuinte realiza operações comerciais por conta própria, em caráter habitual, e que os depósitos bancários são relativos a essas operações, há que ser efetuada a equiparação à pessoa jurídica para fins de exigência dos tributos devidos. In casu, a lavratura de auto de infração na pessoa física (IRPF) constitui erro na identificação do sujeito passivo e nos tributos exigidos, haja vista que o correto seria a exigência de IRPJ e Reflexos.” (Ac. nº 10247.831 da 2ª Câmara, 1º Conselho; Rel. José Raimundo Tosta Santos, Sessão de 16.08.2006; Proc. nº 10840.004455/200317; Rec. nº 144.260) Pelas citações feitas é possível perceber que a infração apurada pelos lançamento nos casos dos paradigmas foi "Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada". Para estes casos o entendimento dos colegiados foi no sentido de que os valores que transitaram pela conta corrente dos autuados eram valores decorrentes de atividades comerciais, havendo farta comprovação juntada aos autos neste sentido, razão pela qual, comprovada a origem dos valores esses deveriam ter sido tributados nas respectivas pessoas jurídicas. Ou seja, discutiuse a abrangência da aplicação do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Ocorre que, no caso dos autos o lançamento apurou três infrações: omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, acréscimo patrimonial a descoberto, e também omissão de rendimentos por deposito bancário de origem não comprovada. A divergência do contribuinte se aproveitaria as duas ultimas infrações. Entretanto, no que tange ao APD o legislação de regência da presunção legal consta da Lei nº 7.713/88, fato que por si só impede o estabelecimento da divergência na medida em que tal dispositivo não foi submetido à análise dos colegiados paradigmáticos, que como dito se limitaram a análise do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Lembramos que o recurso é baseado no art. 67, do Regimento Interno (RICARF), o qual define que caberá recurso especial de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. É recurso de cognição restrita, limitada à uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre os diversos colegiados do CARF. No que tange a origem dos depósitos, tudo que restou comprovado como decorrente da atividade comercial foi desconsiderado pela própria decisão da Delegacia de Julgamento, valendo destacar que o acórdão recorrido mesmo diante da alegação do contribuinte de que todos os valores movimentos eram da sua atividade comercial, entendeu pela ausência de elementos/provas capazes de sustentar o cancelamento do lançamento. Fl. 2351DF CARF MF Processo nº 13851.000550/200653 Acórdão n.º 9202007.164 CSRFT2 Fl. 2.280 20 Assim, no que tange a essa divergência o que temos é uma clara intenção do contribuinte de que as provas sejam novamente valoradas por essa Câmara Superior, fato que extrapola a finalidade do recurso especial. Diante disto, rejeito o agravo mantendo a decisão pelo não conhecimento do recurso especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 2352DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.903871/2009-19
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1003-000.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para comprovar a exclusão do Simples, pagamentos e débitos objeto da compensação.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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score : 1.0
Numero do processo: 10073.901239/2013-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCTF.
Constatada a existência do crédito tributário, por meio da DCTF retificadora apresentada, ela deve ser analisada pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo, seguindo-se daí o rito processual ordinário.
Numero da decisão: 1301-003.332
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do crédito pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. Constatada a existência do crédito tributário, por meio da DCTF retificadora apresentada, ela deve ser analisada pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo, seguindose daí o rito processual ordinário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 12 39 /2 01 3- 21 Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10073.901239/201321 Acórdão n.º 1301003.332 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por maioria de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas, em razão da inexistência do crédito alegado para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que o valor a maior recolhido se deu basicamente pois desconsiderou os valores pagos em meses anteriores, apresentou planilha que demonstra como os cálculos ocorreram. O Acórdão recorrido entendeu que na data da transmissão das PerdComps o crédito não era líquido e certo, uma vez que as DCTFs não estavam retificadas, e todo o DARF alocado ao débito estava consumido, sem crédito algum, bem como porque o interessado não juntou provas e documentos. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente defende que o acórdão recorrido deve ser anulado pois não se baseou na verdade material dos fatos, e simplesmente baseouse na DCTF que não foi retificada para não homologar as compensações, juntou as DCTFs retificadoras bem como os cálculos em que se basearam os pagamentos. É o relatório. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10073.901239/201321 Acórdão n.º 1301003.332 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.326, de 16/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10073.901241/2013 09, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O direito creditório analisado no processo paradigma tem como origem pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, relativo ao período de apuração de 31/08/2011. No presente processo, o crédito pleiteado tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, referente ao período de apuração de 30/09/2011. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.326): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente apresentou PerdComps, onde se utilizou de créditos decorrentes de IRPJ pago a maior, pois ao efetuar o pagamento das estimativas mensais, não levou em consideração os valores já recolhidos em meses anteriores. Segundo o Despacho Decisório, todo o DARF relacionado estava alocado para um débito, de tal forma que não restou nenhum crédito disponível a ser compensado, não homologando a compensação pleiteada. De igual forma entendeu o acórdão recorrido, que na data da transmissão da Perdcomp, o crédito não se encontrava líquido e certo, bem como faltou ao recorrente trazer a prova do indébito tributário. Passemos aos fatos. O crédito a que refere a recorrente é de IRPJ, antecipação, e segundo a recorrente quando realizou o pagamento do DARF para quitar a antecipação, não levou em consideração os valores pagos em meses anteriores, levandoo a pagar um valor maior. Apresentou planilhas em que se demonstra tal cálculo, e em sede recursal juntou a DCTF retificadora e livros de apuração. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10073.901239/201321 Acórdão n.º 1301003.332 S1C3T1 Fl. 5 4 O ponto aqui é que a DCTF foi somente retificada após o Despacho Decisório, não gerando a informação de crédito para a RFB. Porém, ainda que a DCTF tenha sido transmitida posteriormente ao Despacho decisório, é certo que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, nos termos do art. 19, da MP 199026/1999, dessa forma, prevalece a declaração retificadora. Ademais, no caso em tela, de acordo com a DIPJ, a recorrente apurou seu IRPJ em todos os meses do ano com base em balancete de suspensão ou redução, não caracterizando alteração de regime. Em situações semelhantes, temos o entendimento de que a retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impediria o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, tal como preconiza o § 1º do art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Assim, tendo em vista o princípio da busca da verdade material, já que juntou documentos, ainda que em sede recursal daquilo que faria jus ao seu direito, voto no sentido de se afastar o óbice de desconsideração da DCTF retificadora. E dessa forma, a unidade de origem poderá verificar o mérito do pedido, acerca da existência do crédito e da respectiva compensação, bem como analisar a liquidez e certeza do referido crédito, nos termos do art. 170, do CTN. Posteriormente, podese seguir o rito processual habitual. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem, refazendo sua análise diante da documentação apresentada." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do crédito Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10073.901239/201321 Acórdão n.º 1301003.332 S1C3T1 Fl. 6 5 pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 344DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.967653/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO COM EMPREGO DE MATERIAIS.
Demonstrada a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, uma vez que há nos autos elementos de prova, que permitiram verificar que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil.
Numero da decisão: 1401-002.868
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO COM EMPREGO DE MATERIAIS. Demonstrada a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, uma vez que há nos autos elementos de prova, que permitiram verificar que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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PERCENTUAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO COM EMPREGO DE MATERIAIS. Demonstrada a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, uma vez que há nos autos elementos de prova, que permitiram verificar que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 76 53 /2 00 9- 11 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.967653/200911 Acórdão n.º 1401002.868 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão da DRJ/SP1 que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por considerar não comprovado o valor confessado na DCTF não é o correto, mediante prova material da existência do direito pleiteado. Conforme despacho decisório mantido DERAT/DIORT/EQPIR/SPO não reconheceu o direito creditório pleiteado no valor de R$ 13.975,18 e, conseqüentemente, não homologou nesses autos o PER/DCOMP n° 42557.67082.120905.1.3.049324, uma vez que o pagamento discriminado como indébito, de Imposto de Renda sobre Lucro Presumido, no valor de R$ 17.500,22, código 2089, recolhido em 30/01/2003, encontravase integralmente utilizado para quitação de débito correspondente. Mesmo após a Manifestação de Inconformidade, restou mantido integralmente o Despacho Decisório. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário reiterando os argumentos da manifestação de inconformidade com o objetivo de ver convalidadas as compensações realizadas. É o relatório do essencial. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10880.967653/200911 Acórdão n.º 1401002.868 S1C4T1 Fl. 4 3 Tabela do plano Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.851, de 16/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.693171/2009 19, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.851): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. Temos que o acórdão recorrido indeferiu o pleito da recorrente considerando que ela não apresentou esclarecimento ou justificativa para a retificação da DIPJ, porém analisando as declarações entregues, constatouse a retificação da DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%. De acordo com as declarações originais, a receita bruta da contribuinte auferida no período em questão seria oriunda unicamente de prestação de serviços, sem o emprego de materiais. A retificação implementada, assim, demonstra que a contribuinte passou a entender que aquelas mesmas atividades teriam incluído o emprego de materiais, visto que o percentual de 8% que passou a utilizar é aplicável para a prestação de serviços de construção com emprego de materiais. Na decisão de piso foi considerado que tão somente a discriminação do objeto social constante do Contrato Social da empresa construtora ("ramo da construção civil, reformas, execução de projetos e atividades afins") não é suficiente para identificar a(s) atividade(s) que originara auferidas no período alcançado pelas declarações retificadoras, posto que era necessária apresentação de documentos que pudessem demonstrar a natureza das atividades a que se referiram os rendimentos declarados e que poderia esclarecer qual(is) o(s) correto(s) percentual(is) aplicável(is), se de 8%, tal como pretendido, se de 32%, ou mesmo de percentuais diversificados, conforme § 2° do artigo 15 da Lei n° 9.249/95. Em sede de Voluntário, a Recorrente aduz ser sua faculdade a compensar crédito que possuía junto ao Fisco decorrente de pagamento a maior com débitos a recolher que autorizavam nos moldes previstos no art. 170 do CTN e que a necessidade de reforma do Despacho Decisório está justamente no fato de que não homologação da compensação se deu por conta da análise pela Secretaria da Receita Federal do Brasil das informações constantes da DIPJ e DCTF ORIGINAIS e não Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.967653/200911 Acórdão n.º 1401002.868 S1C4T1 Fl. 5 4 das informações constantes nas declarações RETIFICADORAS, tendo o breve entendimento de que o sistema do referido órgão não havia processado as informações retificadas. Esclarece a Recorrente que preocupouse em relatar que as informações relativas ao cálculo do IRPJ em questão foram retificadas, sem detalhar com precisão o cálculo utilizado por entender que não era o objeto questionado no Despacho Decisório, que digase de passagem foi processado de modo eletrônico. A DRJ, reconheceu que a justificativa da alteração do cálculo foi a verificação de que foi utilizado percentual INCORRETO de presunção de lucro, visto que, como a Recorrente emprega materiais em TODAS as obras que realiza, o percentual correto de presunção de lucro é de 8% em conformidade com o Ato Declaratório Normativo Cosit n.° 6 de 13 de janeiro de 1997 e não de 32% como efetuado anteriormente por contabilista que prestava serviços Recorrente na época, contudo indeferiu o crédito pleiteado, dada a ausência de comprovação por parte da Recorrente de que fazia jus ao percentual de presunção de lucro de 8%. Notase que a Recorrente só foi possível saber o real motivo do indeferimento da compensação do crédito pleiteado, após ciência do resultado do julgamento da DRJ, tendo apresentado Recurso Voluntário precisamente para demonstrar a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, trazendo para os autos os seguintes elementos de prova, que permitiram verifica que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil. Com base na análise dos documentos juntados, resta demonstrado que a Recorrente, atendeu ao critérios para que pudesse ter sua base de cálculo para o imposto de renda determinada pela aplicação do percentual de 8% sobre sua receita bruta, especificamente em relação ao ramo da construção civil, atendeu ao Ato Declaratório Normativo Cosit n° 6, de 13 de janeiro de 1997 e seus critérios: "I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais." A retificação implementada, assim, demonstra que a contribuinte passou a entender que aquelas mesmas atividades teriam incluído o emprego de materiais, visto que o percentual de 8% que passou a utilizar é aplicável para a prestação de serviços de construção com emprego de materiais, razão pela Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.967653/200911 Acórdão n.º 1401002.868 S1C4T1 Fl. 6 5 qual lhe era possível refazer o cálculo do IRPJ levando em consideração a base de cálculo de presunção de 8%, bem como de compensar o valor do tributo recolhido a maior, adotando os procedimentos legais de retificação das obrigações acessórias e apresentação de PER/DCOMP. Por estas razões, dou provimento ao Recurso Voluntário. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.720083/2011-24
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade, quando demonstrado nos autos que o contribuinte compreendeu o motivo das glosas realizadas e exerceu de forma plena o seu direito de defesa.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
DILIGÊNCIA FISCAL. FINALIDADE.
A diligência é ferramenta posta a disposição do julgador para dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio no processo de formação de sua livre convicção motivada. Não visa, portanto, suprir a inércia probatória das partes. Descabe a conversão em diligência, quando já estão presentes nos autos os elementos suficientes para a realização do julgamento na avaliação do Colegiado.
CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. MATÉRIAS-PRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS.
Na sistemática do IPI não cumulativo, os insumos que, mesmo não integrando o produto final, estão aptos a gerar crédito são aqueles que se desgastam de forma imediata e integral durante o processo de industrialização.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade, quando demonstrado nos autos que o contribuinte compreendeu o motivo das glosas realizadas e exerceu de forma plena o seu direito de defesa. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 DILIGÊNCIA FISCAL. FINALIDADE. A diligência é ferramenta posta a disposição do julgador para dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio no processo de formação de sua livre convicção motivada. Não visa, portanto, suprir a inércia probatória das partes. Descabe a conversão em diligência, quando já estão presentes nos autos os elementos suficientes para a realização do julgamento na avaliação do Colegiado. CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. MATÉRIAS-PRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Na sistemática do IPI não cumulativo, os insumos que, mesmo não integrando o produto final, estão aptos a gerar crédito são aqueles que se desgastam de forma imediata e integral durante o processo de industrialização. Recurso Voluntário Negado.
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NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade, quando demonstrado nos autos que o contribuinte compreendeu o motivo das glosas realizadas e exerceu de forma plena o seu direito de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 DILIGÊNCIA FISCAL. FINALIDADE. A diligência é ferramenta posta a disposição do julgador para dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio no processo de formação de sua livre convicção motivada. Não visa, portanto, suprir a inércia probatória das partes. Descabe a conversão em diligência, quando já estão presentes nos autos os elementos suficientes para a realização do julgamento na avaliação do Colegiado. CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. MATÉRIASPRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Na sistemática do IPI não cumulativo, os insumos que, mesmo não integrando o produto final, estão aptos a gerar crédito são aqueles que se desgastam de forma imediata e integral durante o processo de industrialização. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 00 83 /2 01 1- 24 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 11516.720083/201124 Acórdão n.º 3002000.384 S3C0T2 Fl. 151 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Trata o presente processo do Pedido Eletrônico de Ressarcimento nº 02987.43705.100609.1.1.018963 relativo a saldo credor do IPI, apurado no 1º trimestre de 2009, decorrente de créditos de entradas de matériaprima, material intermediário e material de embalagem. A partir da verificação da legitimidade dos créditos, realizada por meio de procedimento fiscal, o qual culminou com a Informação Fiscal de fl. 98/100, foi reconhecido parcialmente o direito creditório pleiteado através do Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis (fl. 101/102). Após tomar ciência da decisão em 15/07/2011, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade em 16/08/2011 (fl. 112/119), a qual foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 CRÉDITOS DO IPI.. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS Geram direito ao crédito do IPI, além das matériasprimas e material de embalem, os produtos intermediários “strictosensu” que se integram ao produto final, ou se consumam por decorrência de contato físico com o produto industrializado, Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11516.720083/201124 Acórdão n.º 3002000.384 S3C0T2 Fl. 152 3 desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 138/147), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos já apresentados, em suma pedindo: a nulidade do Despacho Decisório por cerceamento do direito de defesa, a realização de diligência e o reconhecimento da adequação dos materiais utilizados como produtos intermediários e, portanto, aptos a gerar crédito nos termos da legislação do IPI. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão central posta em análise cingese às glosas efetuadas pela fiscalização por entender que parte dos materiais adquiridos pela recorrente não se enquadravam nas hipóteses geradoras de crédito básico de IPI, conforme o disposto no art. 164 do Decreto 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIPI/2002), vigente a época dos fatos: Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; II do imposto relativo a MP, PI e ME , quando remetidos a terceiros para industrialização sob encomenda, sem transitar pelo estabelecimento adquirente; Fl. 154DF CARF MF Processo nº 11516.720083/201124 Acórdão n.º 3002000.384 S3C0T2 Fl. 153 4 III do imposto relativo a MP, PI e ME , recebidos de terceiros para industrialização de produtos por encomenda, quando estiver destacado ou indicado na nota fiscal; IV do imposto destacado em nota fiscal relativa a produtos industrializados por encomenda, recebidos do estabelecimento que os industrializou, em operação que dê direito ao crédito; V do imposto pago no desembaraço aduaneiro; VI do imposto mencionado na nota fiscal que acompanhar produtos de procedência estrangeira, diretamente da repartição que os liberou, para estabelecimento, mesmo exclusivamente varejista, do próprio importador; VII do imposto relativo a bens de produção recebidos por comerciantes equiparados a industrial; VIII do imposto relativo aos produtos recebidos pelos estabelecimentos equiparados a industrial que, na saída destes, estejam sujeitos ao imposto, nos demais casos não compreendidos nos incisos V a VII; IX do imposto pago sobre produtos adquiridos com imunidade, isenção ou suspensão quando descumprida a condição, em operação que dê direito ao crédito; e X do imposto destacado nas notas fiscais relativas a entregas ou transferências simbólicas do produto, permitidas neste Regulamento. Parágrafo único. Nas remessas de produtos para armazém geral e depósito fechado, o direito ao crédito do imposto, quando admitido, é do estabelecimento depositante. (grifo nosso) Passo a análise dos argumentos trazidos pela recorrente em seu Voluntário: Preliminar 1) Cerceamento do Direito de Defesa O sujeito passivo alega que a autoridade fiscal não demonstrou de forma clara e objetiva a fundamentação e a motivação das glosas efetuadas no seu pedido de ressarcimento, apenas desconsiderando os créditos requeridos. Tal fato, segundo a recorrente, teria cerceado o seu direito de defesa, o que é repudiado pela Constituição pátria, dessa forma, ensejando a nulidade do Despacho Decisório. Em que pese as alegações da recorrente, compulsandose os autos, não se verifica falta de motivação ou de fundamentação legal tanto no Relatório Fiscal, como no Despacho Decisório. A meu sentir, restou claro que as glosas estavam sendo realizadas sobre créditos referentes a itens que não se enquadravam na definição de MP, PI e ME, em Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11516.720083/201124 Acórdão n.º 3002000.384 S3C0T2 Fl. 154 5 conformidade com a legislação de regência, assim como foram relacionadas as notas fiscais que estavam aptas a ensejar crédito e, por exclusão, quais não eram acatadas. Por outro lado, a partir da leitura da Manifestação de Inconformidade e do Recurso Voluntário apresentados, contatase que a ora recorrente compreendeu claramente a motivação e a fundamentação do Despacho Decisório, tendo podido, por isso, discorrer longamente sobre os pontos divergentes em relação ao posicionamento adotado pela fiscalização, desta maneira, exercendo de forma plena o seu direito de defesa. Assim, não há que se falar em nulidade, quando o ato administrativo obedeceu a todos os requisitos formais e materiais necessários para a sua validade, em especial no que tange a garantia ao contraditório e à ampla defesa. Isto posto, rejeito a preliminar argüida. Mérito Quanto à possibilidade de creditamento na sistemática de apuração não cumulativa do IPI, o inciso I do art. 164 do Decreto nº 4.544/02 determina que os estabelecimentos industriais poderão se creditar do valor do imposto das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem empregados na industrialização de produtos sujeitos à tributação. Ademais, o dispositivo retrocitado estabelece, ainda, que mesmo as matérias primas e os produtos intermediários que não integrem o produto final estão aptos a gerar crédito, desde que sejam consumidos no processo de industrialização e, simultaneamente, não sejam bens ativáveis. Justamente esta última disposição legal gerou divergentes interpretações. O que levou, ao longo do tempo, a Doutrina e a Jurisprudência a desenvolveram trabalhos exegéticos a fim de determinar quais os requisitos necessários para se caracterizar o "consumo" no processo de industrialização dessas matériasprimas e produtos intermediários. Nessa toada, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, através do Parecer Cosit nº 65/79, a seguir parcialmente reproduzido, firmou o entendimento da administração tributária sobre a matéria: "10. Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deva entender como produtos “que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização”, para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1. Como o texto fala em “incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários”, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários stricto sensu, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11516.720083/201124 Acórdão n.º 3002000.384 S3C0T2 Fl. 155 6 função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2. A expressão “consumidos”, sobretudo levandose em conta que as restrições “imediata e integralmente”, constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. ......................................................................................................... 11 Em resumo, geram o direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos DF CARF MF Fl. 577 12 intermediários, “stricto senso”, material de embalagens), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; ou viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face dos princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente.” (grifo nosso) Como era de se esperar, a despeito do entendimento firmado pelo fisco, proliferaram inúmeros embates sobre a matéria, tanto na esfera judicial como na administrativa, entre os contribuintes e a administração tributária. Contudo, a partir do julgamento do Recurso Especial nº 1.075.508/SC, julgado na sistemática de recursos repetitivos do 543C do antigo CPC (atuais arts. 1.036 a 1.041), da relatoria do Ministro Luiz Fux, o Superior Tribunal de Justiça estabeleceu os contornos a serem seguidos na determinação das matériasprimas e dos produtos intermediários que fariam jus ao crédito. Extraise do voto do Excelentíssimo MinistroRelator daquele processo: "Destarte, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente" . Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11516.720083/201124 Acórdão n.º 3002000.384 S3C0T2 Fl. 156 7 Dessumese da norma insculpida no supracitado preceito legal que o aproveitamento do crédito de IPI dos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa." (grifo nosso) Assim, pautado nessas premissas, passo à análise das glosas em espécie sob litígio no presente caso. Em seu Voluntário, a recorrente, uma indústria de alimentos, informou que os créditos glosados seriam originários de produtos, gaiolas e acessórios de reposição, que sofreriam desgaste ou perda de propriedade em função da ação direta exercida sobre o produto em fabricação ou proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização e, por isso, estariam aptos a gerar crédito. A contribuinte seguiu informando que os insumos, cujos créditos foram glosados, seriam periodicamente trocados em decorrência das exigências contidas na Instrução Normativa nº 210 do Ministério da Agricultura. Ademais, a recorrente asseverou que as gaiolas e acessórios de reposição seriam utilizados para o transporte de aves vivas do aviário até o frigorífico, que seriam utilizadas em regime constante e transportadas sobrepostas em caminhão, que sofreriam contato constante com as aves e, por isso, sujariamse com seus excrementos, que retornariam para reutilização após higienização e que deteriorariamse devido a esta sistemática. A meu sentir, quanto à IN do Ministério da Agricultura colacionada aos autos pela recorrente, verificase a efetiva necessidade do uso dos bens glosados para satisfazer os ditames do órgão regulador, entretanto, tal fato, na sistemática de creditamento do IPI não cumulativo, como assentado pelo STJ no recurso retrocitado, não é suficiente para, por si só, tornálos aptos a gerar crédito, mas indispensável o requisito do seu desgaste de forma imediata e integral durante o processo produtivo. Diante disso, não podem ser considerados como produtos intermediários os materiais glosados, uma vez que não sofrem qualquer tipo de desgaste ou fadiga pelo contato direto com os produtos em fabricação. O que se verifica da narrativa da própria recorrente sobre a sistemática de utilização desses materiais, conforme resumo acima, é um desgaste indireto, ocasionado pelo manuseio, pelo transporte e por outras atividades meramente instrumentais do processo produtivo. Dessa forma, entendo pertinentes e apropriadas as glosas dos créditos indevidos realizadas pela fiscalização. Quanto ao pedido de diligência formulado pela recorrente, cumpre esclarecer que o procedimento fiscal de diligência é ferramenta posta a disposição do julgador para dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio no processo de formação de sua livre convicção motivada. Portanto, não visa suprir a inércia probatória de qualquer uma das partes envolvidas. Assim, descabe a conversão em diligência, quando já estão presentes nos autos os Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11516.720083/201124 Acórdão n.º 3002000.384 S3C0T2 Fl. 157 8 elementos suficientes para a realização do julgamento na avaliação do Colegiado, como no presente caso, por isso, indefiro o pedido formulado. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 159DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.903877/2013-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2012
RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA.
É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
Numero da decisão: 3402-005.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decretolei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento de pedido de restituição de PIS formulado pela recorrente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 38 77 /2 01 3- 90 Fl. 153DF CARF MF 2 Aludida restituição restou indeferida pela DRF de origem, posto que: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição” Regularmente cientificada, apresentou, a interessada, manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do acórdão nº 01033.554.: Cientificado desta decisão apresentou o recurso voluntário ora em apreço. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.616, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10935.903870/201378, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.616): "I. Da intempestividade do recurso voluntário interposto 5. Como é sabido, o prazo para interposição de Recurso Voluntário no âmbito do processo administrativo federal é de 30 (trinta) dias, conforme prevê o art. 33, caput do Decretolei n. 70.235/72. 6. Não obstante, segundo o disposto no art. 5o. do sobredito Decretolei, os prazos no processo administrativo federal são contínuos e deverão ser contados excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Este também é o teor do art. 66 da lei n. 9.784/991. 7. Pois bem. No presente caso o recorrente foi cientificado via eletrônica da decisão guerreada, sendo a correspondente mensagem aberta pelo contribuinte em 06 (seis) de março de 2017 (segundafeira) (fl. 143). Logo, levando em consideração as disposições legais acima mencionadas, o termo inicial para a contagem do prazo recursal teve início em 07 (sete) de março de 2017 (terçafeira), vencendo, por sua vez, no dia 05 (cinco) de abril de 2017 (quartafeira). Acontece que o recurso em apreço só foi interposto em 12 (doze) de abril de 2017 (quartafeira) (fl. 145), ou seja, quando já transcorrido o prazo legal. A intempestividade, inclusive, é atestada pela unidade preparadora, conforme se observa da informação de fl. 150. 8. Patente está, portanto, a intempestividade do recurso voluntário interposto, motivo pelo qual não o conheço. 1 "Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento." Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10935.903877/201390 Acórdão n.º 3402005.623 S3C4T2 Fl. 3 3 Dispositivo 9. Diante do exposto, em razão da intempestividade do recurso voluntário interposto, deixo de conhecêlo." Importante frisar que, assim como no paradigma, nos autos ora em apreço o Recurso Voluntário somente foi interposto após o transcurso do prazo legal. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.018037/2008-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2006
AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO SOBRE O FATO TRIBUTÁRIO QUE GEROU O LANÇAMENTO. PRECLUSÃO. ARTIGO 17 DO DECRETO nº 70.235/1972.
Na hipótese em que não há impugnação no recurso voluntário quanto ao descumprimento da obrigação acessória que ensejou a imposição da penalidade, a matéria resta preclusa, não mais suscetível de apreciação nesta instância administrativa de julgamento.
CONTRATO DE LICENÇA DE USO DE MARCA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA.
O que enseja a responsabilidade por sucessão é a aquisição de estabelecimento para a continuação da exploração da atividade comercial, industrial ou profissional, e não apenas o arrendamento ou locação de parte dele. Inteligência do art. 133 do CTN.
AQUISIÇÃO DE ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL POR ENTIDADE IMUNE - TRESPASSE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA POR SUCESSÃO. ART. 133, II DO CTN. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS.
Eventual imunidade a que faça jus o responsável tributário não alcança as operações realizadas pelo contribuinte, a quem efetivamente se referem os fatos jurídicos tributários.
EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DA RELAÇÃO DE COOBRIGADOS.
Não há atribuição de responsabilidade às pessoas relacionadas nos relatórios Relatório de Representantes Legais - REPLEG e Vínculos - Relação de Vínculos, mas tão somente qualificação para fins cadastrais. Matéria que não comporta discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, a teor da Súmula CARF nº 88.
MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. SÚMULACARFn°02.
A análise de eventual caráter confiscatório da penalidade aplicada envolve a aferição de compatibilidade com a Constituição Federal da legislação tributária que fundamentou a autuação, o que é vedado a este tribunal, conformeSúmulaCARF nº2.
JUROS MORATÓRIOS. CORREÇÃO PELA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04.
É entendimento pacífico neste tribunal, constante da Súmula CARF nº 4, que os juros moratórios devidos sobre os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal são corrigidos pela taxa SELIC.
Numero da decisão: 2402-006.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho (presidente da turma), Denny Medeiros, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci (vice-presidente), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2006 AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO SOBRE O FATO TRIBUTÁRIO QUE GEROU O LANÇAMENTO. PRECLUSÃO. ARTIGO 17 DO DECRETO nº 70.235/1972. Na hipótese em que não há impugnação no recurso voluntário quanto ao descumprimento da obrigação acessória que ensejou a imposição da penalidade, a matéria resta preclusa, não mais suscetível de apreciação nesta instância administrativa de julgamento. CONTRATO DE LICENÇA DE USO DE MARCA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. O que enseja a responsabilidade por sucessão é a aquisição de estabelecimento para a continuação da exploração da atividade comercial, industrial ou profissional, e não apenas o arrendamento ou locação de parte dele. Inteligência do art. 133 do CTN. AQUISIÇÃO DE ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL POR ENTIDADE IMUNE - TRESPASSE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA POR SUCESSÃO. ART. 133, II DO CTN. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. Eventual imunidade a que faça jus o responsável tributário não alcança as operações realizadas pelo contribuinte, a quem efetivamente se referem os fatos jurídicos tributários. EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DA RELAÇÃO DE COOBRIGADOS. Não há atribuição de responsabilidade às pessoas relacionadas nos relatórios Relatório de Representantes Legais - REPLEG e Vínculos - Relação de Vínculos, mas tão somente qualificação para fins cadastrais. Matéria que não comporta discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, a teor da Súmula CARF nº 88. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. SÚMULACARFn°02. A análise de eventual caráter confiscatório da penalidade aplicada envolve a aferição de compatibilidade com a Constituição Federal da legislação tributária que fundamentou a autuação, o que é vedado a este tribunal, conformeSúmulaCARF nº2. JUROS MORATÓRIOS. CORREÇÃO PELA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. É entendimento pacífico neste tribunal, constante da Súmula CARF nº 4, que os juros moratórios devidos sobre os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal são corrigidos pela taxa SELIC.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho (presidente da turma), Denny Medeiros, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci (vice-presidente), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2006 AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO SOBRE O FATO TRIBUTÁRIO QUE GEROU O LANÇAMENTO. PRECLUSÃO. ARTIGO 17 DO DECRETO nº 70.235/1972. Na hipótese em que não há impugnação no recurso voluntário quanto ao descumprimento da obrigação acessória que ensejou a imposição da penalidade, a matéria resta preclusa, não mais suscetível de apreciação nesta instância administrativa de julgamento. CONTRATO DE LICENÇA DE USO DE MARCA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. O que enseja a responsabilidade por sucessão é a aquisição de estabelecimento para a continuação da exploração da atividade comercial, industrial ou profissional, e não apenas o arrendamento ou locação de parte dele. Inteligência do art. 133 do CTN. AQUISIÇÃO DE ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL POR ENTIDADE IMUNE TRESPASSE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA POR SUCESSÃO. ART. 133, II DO CTN. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. Eventual imunidade a que faça jus o responsável tributário não alcança as operações realizadas pelo contribuinte, a quem efetivamente se referem os fatos jurídicos tributários. EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DA RELAÇÃO DE COOBRIGADOS. Não há atribuição de responsabilidade às pessoas relacionadas nos relatórios “Relatório de Representantes Legais REPLEG” e “Vínculos Relação de Vínculos”, mas tão somente qualificação para fins cadastrais. Matéria que não comporta discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, a teor da Súmula CARF nº 88. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. SÚMULACARFn°02. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 80 37 /2 00 8- 56 Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 15504.018037/200856 Acórdão n.º 2402006.551 S2C4T2 Fl. 1.115 2 A análise de eventual caráter confiscatório da penalidade aplicada envolve a aferição de compatibilidade com a Constituição Federal da legislação tributária que fundamentou a autuação, o que é vedado a este tribunal, conformeSúmulaCARF nº2. JUROS MORATÓRIOS. CORREÇÃO PELA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. É entendimento pacífico neste tribunal, constante da Súmula CARF nº 4, que os juros moratórios devidos sobre os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal são corrigidos pela taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho (presidente da turma), Denny Medeiros, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci (vicepresidente), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 15504.018037/200856 Acórdão n.º 2402006.551 S2C4T2 Fl. 1.116 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0228.205, da 7ª Turma da DRJ de Belo Horizonte (fls. 900/918), que julgou improcedente as impugnações apresentadas contra o Auto de Infração DEBCAB nº 37.052.8280. De acordo com o relatório fiscal de fls. 18/32, tratase de multa aplicada por infração ao artigo 32, inciso IV e §§ 3º e 9°, da Lei 8.212/91, acrescentados pela Lei 9.528/97 c.c. o artigo 225, V e §§ 2°, 3° e 4°, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, por não ter contribuinte comprovado a entrega das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, nas competências 13/2005 e 13/2006. Foi aplicada a penalidade prevista nos artigos 92, 102 e 32, §§ 4° e 7°, da Lei 8.212/91, acrescentados pela Lei 9.528/97, c.c. os artigos 373 e 284, inciso I, e §§ 1° e 2°, do Regulamento da Previdência Social de 1999, no valor de R$ 58.979,83 (cinquenta e oito mil e novecentos e setenta e nove reais e oitenta e três centavos) (fls. 30/31). Não ficaram configuradas agravantes ou atenuantes previstas, respectivamente, nos artigos 290 e 291 do RPS. Ainda de acordo com a fiscalização, ficou constatado o interesse comum entre as empresas Educação Infantil e Ensino Fundamental Savassi Ltda., CNPJ 05.385.879/0000150; Educação Infantil e Ensino Fundamental Pampulha Ltda., CNPJ 05.401.768/000190; Pampulha Ensino Fundamental Ltda., CNPJ 06.001.557/000123; Educação Infantil e Ensino Fundamental Mangabeiras Ltda., CNPJ 05.401.766/000100; Educação Infantil e Ensino Fundamental Sete Lagoas Ltda., CNPJ 05.392.395/000139; Mangabeiras Ensino Fundamental Ltda., CNPJ 06.001.546/000143; Colégio Sete Lagoas Ensino Fundamental Ltda., CNPJ 04.901.337/000120; Centro Mineiro de Ensino Superior CEMES Ltda., CNPJ 02.636.995/000107; Promove Participações Ltda.., CNPJ 05.376.569/000170; Promove Serviços Educacionais Ltda., CNPJ 05.376.559/000134; Promove Cursos Livres e Mercantil, CNPJ 42.975.896/000174, Magle Edição Comércio e Distribuição de Livros Ltda., CNPJ 05.399.437/000163 e Sociedade Educacional Sistema Ltda., CNPJ 23.840.945/000117 e, estando configurada a sujeição passiva entre elas, foram emitidos os respectivos TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA. Informa, também, o auditor, que a SOEBRAS Associação Educativa do Brasil, CNPJ 22.669.915/000127, foi eleita responsável subsidiária, nos termos do art. 133 do CTN por ter adquirido do grupo PROMOVE o direito de uso da marca PROMOVE em 01/11/2006 por meio de contrato particular de "Licença de Uso da Marca", continuando a explorar a antiga atividade econômica da autuada. Para o exercício dessas atividades, a adquirente inscreveu novos estabelecimentos no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas e manteve o mesmo endereço e CNAE da cedente. Em segundo ato, a SOEBRAS, por meio de “Contrato Particular de Alienação de Estabelecimento Empresarial — TRESPASSE”, adquiriu das empresas do grupo PROMOVE todo o complexo de bens organizados para exercício da atividade desenvolvida, composto da titularidade do estabelecimento empresarial, “incluindo ativo e passivo, (inclusive Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 15504.018037/200856 Acórdão n.º 2402006.551 S2C4T2 Fl. 1.117 4 para os termos do art. 133 do Código Tributário Nacional e Art. 11º e 448 da Consolidação das Leis do Trabalho), bem como a propriedade de todos os seus elementos corpóreos e incorpóreos, imóveis, móveis, e semoventes e afins (...)”. Em que pese a alienação, esclarece o auditor que a autuada PROMOVE SERVIÇOS EDUCACIONAIS LTDA. não procedeu às devidas anotações nos Órgãos Oficiais de Registro, não arquivando na JUCEMG nenhuma alteração contratual de dissolução ou liquidação. Registra, também, que a autuada não cumpriu com as obrigações junto à administração tributária, permanecendo ativa no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas. Após ciência do auto de infração, aos 12/11/2008, a autuada PROMOVE SERVIÇOS EDUCACIONAIS LTDA. apresentou defesa juntamente com as empresas Promove Participações Ltda., Sociedade Educacional Sistema Ltda., Centro Mineiro de Ensino Superior CEMES Ltda., Colégio Sete Lagoas Ensino Fundamental Ltda., Educação Infantil e Ensino Fundamental Savassi S/C Ltda., Educação Infantil e Ensino Fundamental Pampulha Ltda., Pampulha Ensino Fundamental Ltda., Educação Infantil e Ensino Fundamental Sete Lagoas Ltda., Educação Infantil e Ensino Fundamental Mangabeiras Ltda., Magle Edição Comércio e Distribuição de Livros Ltda., Promove Cursos Livres e Mercantil Ltda., Mangabeiras Ensino Fundamental Ltda. e, também, com os sócios Luiz Magno da Silva Saramago, Hélio Soares Bazzoni, João Bosco Fontoura, Paulo Estevam da Silva Bastos, José Alyrio Bicalho Mourdo e o contador Carlos Alberto Moreira, alegando, em síntese: a) ILEGITIMIDADE DOS CORRESPONSÁVEIS: a inclusão dos representantes legais como corresponsáveis não merece prosperar, uma vez que não foram provados os motivos justificadores da coobrigação. Não houve, no caso, a comprovação de que os representantes legais agiram com excesso de mandato; b) NORMAS LEGAIS INFRINGIDAS. IMPOSSIBILIDADE DE IMPUGNAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA: argumentam que o Poder Judiciário já reconheceu a inconstitucionalidade da cobrança de INSS sobre pagamento de alimentação, de multas e de impostos de forma arbitrária e ilegal. c) Que a manutenção do auto de infração configura cerceamento de defesa e ofensa ao artigo 5°, LV, CF/88. A autuação não atende aos princípios básicos inerentes à Administração Pública, previstos na Lei 9.789/99, pois quando da auditoria realizada, o auditor poderia ter alertado a empresa acerca dos eventuais problemas, a exemplo da apresentação de documentos/dados faltantes, conferindolhe a oportunidade de regularizar a situação antes de proceder à atuação. d) MULTA EXCESSIVA COM EFEITO CONFISCATÓRIO. AFRONTA AO ARTIGO 150 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL: a multa aplicada é excessiva, absurda, além de confiscatória; e) ERRÔNEA IMPOSIÇÃO DE MULTA E JUROS: em face da impossibilidade de se aferirem valores, a multa aplicada tem efeito de confisco, o que é vedado pela CF/88, razão pela qual ficam, desde já, expressamente, impugnados os lançamentos de multas e juros, mesmo porque, em sua maioria, já foram objeto de outros Autos de Infração; f) INOCORRÊNCIA DE INFRAÇÃO CRIMINAL: Como já informado anteriormente, não houve, em momento algum por parte da autuada, omissão de fatos, dados e Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 15504.018037/200856 Acórdão n.º 2402006.551 S2C4T2 Fl. 1.118 5 documentos, pelo que impugna a eventual configuração de crime nos moldes do art. 337A do Código Penal Brasileiro; g) Requereram, por fim, a improcedência da autuação. A SOEBRAS Associação Educativa do Brasil, por sua vez, na condição de responsável subsidiária pelo crédito tributário, impugnou o lançamento, arguindo, em síntese (784/796)): a) Que arrendou, em 01/11/2006, a utilização da marca "Promove" em troca do pagamento de quantia em dinheiro para o Grupo "Promove". b) Que o Grupo Promove mantém suas atividades empresariais normais, tanto que possui as unidades Mangabeiras, Pampulha, Núcleo e Supletivo; c) Que a Promove e a SOEBRAS são empresas distintas, com sócios distintos, personalidades jurídicas próprias, independentes e atuam, cada qual, em seus objetivos sociais, não se podendo falar em sujeição passiva subsidiária; d) Contestou a cobrança da contribuição da empresa 1% SAT + 20% (FPN, PAT e RPA), contribuição de segurados (PAT e RPA), apropriação indébita contribuição descontada dos segurados (FPN), AI CFL 30 – deixar de incluir verbas salariais em FOPAG, AI CFL 35 deixar de apresentar dados em formato MANAD, AI CFL 38 – deixar de apresentar livro diário de 2003 a 2007, AI CFL 67 – deixar de informar fatos geradores em GFIP, AI CFL 68 – apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores, AI CFL 91 apresentar GFIP em desconformidade com o Manual; e) Que goza de isenção/imunidade tributária, por ser entidade beneficente de assistência social; f) Que pelo simples fato de ter arrendado a marca não pode ser responsabilizada pelas obrigações da empresa cedente; g) Que o arrendamento ocorreu no final de 2006 e a autuação compreendeu as competências a partir de 2003; h) Que as diversas alterações ocorridas no sistema de entrega de dados, como envio das GFIPs, causaram certa confusão e desconhecimento técnico, o que não pode ser considerado máfé. Entende que não pode ser punida sem ter concorrido para a prática de ato ilícito; i) Que apresentou pedidos de parcelamento de débitos protocolados aos 15/10/2007, pelo que requer seja transferido todo o passivo fiscal para o CNPJ 22.669.915/000127, permitindo a sua inclusão nos parcelamentos já solicitados; j) Requereu a insubsistência do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, o não reconhecimento da sujeição passiva subsidiária, a anulação do procedimento e o reconhecimento da imunidade tributária da SOEBRAS; k) Considerando a solicitação das entregas da GFIP e SEFIP, cumprida a tempo, pela unidade Pampulha Ensino Fundamental Ltda. e sendo a SOEBRAS primária, não havendo procedimento anterior, nem multa, nem procedimento concluído com apenamento para a empresa, ponto relevante por ter a fiscalização caráter educativo de orientação e não Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 15504.018037/200856 Acórdão n.º 2402006.551 S2C4T2 Fl. 1.119 6 meramente punitivo, pleiteou a improcedência do lançamento com a não imputação de multa, excluindose os valores acrescidos para manter, tão somente, o débito originalmente constatado face a inexistência de máfé na atuação da SOEBRAS; l) Mais adiante, pleiteou a transferência do débito para o CNPJ 22.669.915/000127 da SOEBRAS para que seja incluído na solicitação de parcelamento datado em 15/10/2007. Requereu, ainda, a confirmação do parcelamento com a inclusão dos valores. Na decisão proferida pela 7ª Turma da DRJ/BHE (ACORDÃO 0228.205, a fls. 910/930), a impugnação foi julgada improcedente por unanimidade. No entanto, em decorrência da correção da falta no prazo de defesa, o crédito previdenciário foi reduzido para R$ 29.489,91 (vinte e nove mil e quatrocentos e oitenta e oito reais e noventa e um centavos), conforme decisão assim ementada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2005 a 30/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. NÃO ENTREGA. Constitui infração à legislação previdencidria a não declaração em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, dos dados cadastrais, fatos geradores de Contribuições sociais e outras informações de interesse do INSS. PASSIVO. COOBRIGADOS. No polo passivo estão incluídas as pessoas jurídicas responsáveis pelo pagamento do crédito lançado, contribuinte e componentes do mesmo grupo econômico, por solidariedade. MULTA. ARGÜIÇÃO DE CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. A alegação de que a multa em face de seu elevado valor é confiscatória não pode ser discutida nesta esfera de julgamento, pois se trata de exigência fundada em legislação vigente, à qual este julgador está vinculado. REPRESENTAÇÃO FISCAL. Obrigação legal do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais sempre que, no exercício de suas funções, constatar a ocorrência, em tese, de crime contra a Seguridade Social. JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRAZOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. AQUISIÇÃO DE ESTABELECIMENTO. RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer titulo, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato. IMPUGNAÇÃO Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 15504.018037/200856 Acórdão n.º 2402006.551 S2C4T2 Fl. 1.120 7 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. Tendo a autoridade fiscal observado o cumprimento dos requisitos legais indispensáveis à validade do lançamento do crédito tributário, eventuais questionamentos acerca da emissão ou execução do MPF, por constituir essencialmente um instrumento de controle administrativo, não importam em nulidade do procedimento fiscal. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. MOMENTO DO CALCULO. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação para determinação da multa mais benéfica deverá ser feita por ocasião do pagamento ou do parcelamento do débito. Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. ATENUAÇÃO DA MULTA. CABIMENTO. A correção da falta até o termo final do prazo de impugnação enseja a atenuação da multa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte O sujeito passivo PROMOVE SERVIÇOS EDUCACIONAIS LTDA. e os responsáveis solidários do grupo Promove, bem como a empresa SOEBRAS foram notificados do acórdão e, tempestivamente, aos 23.02.2011, apresentaram Recurso Voluntário único aduzindo, em breve síntese (fls. 1034/1072): a) ilegitimidade da SOEBRAS para figurar como devedora das dívidas tributárias do grupo "Promove" pela mera utilização da marca em decorrência do contrato de licença de uso celebrado, dado que não existe previsão legal de que o uso da marca acarreta responsabilidade por débitos tributários; b) exclusão dos representantes legais das empresas do grupo Promove da relação de coobrigados; c) redução dos juros e multas aplicados, em respeito ao mandamento inserto no art. 150, IV da CF/88, c/c art. 1º da Lei 9.784/99, por terem efeito confiscatório; d) a imunidade tributária da SOEBRÁS atinge o contrato de TRESPASSE realizado entre si a o grupo Promove. Não houve contrarrazões. Encaminhados os autos a este Conselho para julgamento do recurso, constatou a então relatora que havia notícia de que a empresa teria optado por aderir ao parcelamento de todos os débitos junto à PGFN e à Receita Federal, nos termos da Lei nº 11.941/09. O julgamento foi, então, convertido em diligência para que o Fisco informasse se os débitos em discussão foram objeto de parcelamento pelo contribuinte ou pelas Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 15504.018037/200856 Acórdão n.º 2402006.551 S2C4T2 Fl. 1.121 8 demais responsáveis (solidárias ou subsidiárias) (fls. 1101), restando, por fim, esclarecido que “o débito controlado por meio do presente do processo não foi incluído em parcelamento, pois a opção do contribuinte pela modalidade da LEI 11.941RFBPREVART.1º encontrase cancelada devido à não apresentação de informações de consolidação, conforme §3º do art.15 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6/2009” (fls. 1108). É o relatório. Voto Conselheira Renata Toratti Cassini – Relatora. Na interposição do presente recurso, foram observados os pressupostos gerais de admissibilidade, pelo que dele conheço. DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA A SER JULGADA Como relatado, o lançamento tem por objeto a imposição de multa por não ter contribuinte comprovado a entrega das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, nas competências 13/2005 e 13/2006, infringindo, assim, o disposto no artigo 32, inciso IV e §§ 3º e 9°, da Lei 8.212/91, com redação da Lei 9.528/97, c.c. o artigo 225, V e §§ 2°, 3° e 4°, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, Inicialmente, convém pontuar que o fato em si, consistente no descumprimento dessa obrigação acessória não foi objeto de impugnação sob nenhum aspecto no Recurso Voluntário. Sobre o assunto, dispõe o art. 17 do Decreto 70.235/72: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” O novo Código de Processo Civil, em seu art. 1002, disciplina o tema da seguinte maneira: “Art. 1002. A decisão pode ser impugnada no todo ou em parte.” Em comentário ao aludido dispositivo legal, ensina Nelson Nery Junior: “4. Recurso parcial. O recurso de apenas parte da decisão significa aquiescência da parte não impugnada. O recorrente concordou com parte da sentença, tanto assim que recorreu apenas da parte com a qual não se conformou (...).” (NERY JUNIOR, Nelson; NERY, Rosa Maria de Andrade. Comentários ao Código de Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 15504.018037/200856 Acórdão n.º 2402006.551 S2C4T2 Fl. 1.122 9 Processo Civil. Novo CPC. Lei 13.105/2005. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2015. p. 2030, nota 4 ao artigo 1002.) Tratase, portanto, de matéria preclusa, não mais suscetível de apreciação nesta instância administrativa de julgamento. Nesse sentido, precedente da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento deste Tribunal (acórdão nº 3401004.360): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2009 a 30/04/2010 CONTRIBUIÇÃO AO PIS/COFINS. OMISSÃO DE RECEITAS. AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO SOBRE MATÉRIA. PRECLUSÃO. ARTIGO 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Na hipótese em que não há impugnação no Recurso Voluntário quanto aos valores apontados pela Fiscalização como sujeitos à tributação pelas contribuições, operase a preclusão, tornandose definitiva a matéria, por força do artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972. (...) Feita essa observação inicial, passase à analise da matéria impugnada pelos recorrentes no Recurso Voluntário. ILEGITIMIDADE DA SOEBRAS PARA FIGURAR COMO DEVEDORA DAS DÍVIDAS CONTRAÍDAS PELO GRUPO "PROMOVE" PELA MERA UTILIZAÇÃO DA MARCA EM CONTRATO DE LICENÇA DE USO DE MARCA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA DA SOEBRÁS ATINGE O CONTRATO DE TRESPASSE REALIZADO ENTRE SI A O GRUPO PROMOVE Embora os itens (i) ilegitimidade da SOEBRAS para figurar como devedora das dívidas do grupo “Promove” pela mera utilização da marca em decorrência de contrato de licença de uso e (ii) imunidade tributária da SOEBRAS sobre o contrato de TRESPASSE celebrado com o grupo “Promove” tenham sido deduzidos em tópicos distintos, procederemos à sua análise de forma conjunta por se tratar de assuntos correlacionados. Alegam os recorrentes que a SOEBRAS, como entidade sem fins lucrativos, autonomia, e personalidade jurídica própria, arrendou o uso da marca “Promove”, mediante contraprestação de determinada quantia em dinheiro. Esclarecem que mencionado negócio jurídico, que nada mais é do que a utilização por terceiros, em troca de uma contraprestação, de um sinal visual que distingue um produto ou serviço dos demais concorrentes, é admitido pela Lei de Propriedade Industrial (Lei nº 9.279/96), e se trata da licença de uso de marca, prevista nos arts. 130, II e 139 daquela mesma Lei, nos seguintes termos: Art. 130. Ao titular da marca ou ao depositante é ainda assegurado o direito de: I ceder seu registro ou pedido de registro; II licenciar seu uso; III zelar pela sua integridade material ou reputação. Fl. 1122DF CARF MF Processo nº 15504.018037/200856 Acórdão n.º 2402006.551 S2C4T2 Fl. 1.123 10 Art. 139. O titular de registro ou o depositante de pedido de registro poderá celebrar contrato de licença para uso da marca, sem prejuízo de seu direito de exercer controle efetivo sobre as especificações, natureza e qualidade dos respectivos produtos ou serviços. Parágrafo único. O licenciado poderá ser investido pelo titular de todos os poderes para agir em defesa da marca, sem prejuízo dos seus próprios direitos. Pois bem. O Código Tributário Nacional, em seu art. 133, dispõe que: Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. (...) Da leitura “a contrario sensu” do dispositivo legal em tela, extraise que o que gera a responsabilidade por sucessão é a aquisição de estabelecimento para a continuação da exploração da atividade comercial, industrial ou profissional, e não apenas o arrendamento ou locação de parte dele, como, por exemplo, o arrendamento apenas do uso da marca. A esse respeito, ensina a doutrina que: Ora, nitidamente, claramente, evidentemente, o art. 133 não disciplinou cessões temporárias de direitos. Disciplinou aquisições. Disciplinou contratos de compra e venda. Não disciplinou transferência temporária de direitos de uso, revistase da forma que se revestir (locação, arrendamento, “leasing”, usufruto temporário). É de se lembrar que, na cessão temporária de direitos de uso, a propriedade continua inteiramente do cedente; a “nua propriedade”, vale dizer, a substância do direito de propriedade, por titulação definitiva, não se transfere. O art. 133 do CTN, portanto, não se aplica à cessão temporária de direitos, por não caracterizar uma aquisição de bens e não ser possível utilizarse a integração analógica para alargar o campo de imposição tributária. (SILVA, Ives Gandra da. A SUCESSÃO TRIBUTÁRIA DO ARTIGO 133 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL NÃO ABRANGE CESSÃO TEMPORÁRIA DE DIREITO DE USO DE MARCA – INTELIGÊNCIA DO REFERIDO DISPOSITIVO – PARECER. Revista Dialética de Direito Tributário, n. 146, nov. 2007, p. 126136). Na linha do ensinamento acima e do disposto no art. 133 do CTN, entendo que têm razão os recorrentes quando argumentam que à SOEBRAS não pode ser imputada responsabilidade pelos débitos tributários do grupo “Promove” apenas em função do contrato de licença de uso de marca celebrado entre as partes para exploração pela SOEBRAS da marca “Promove”. Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 15504.018037/200856 Acórdão n.º 2402006.551 S2C4T2 Fl. 1.124 11 Ocorre que, como os próprios recorrentes noticiam em seu recurso, confirmando o que já havia sido apontado pela autoridade fiscal no auto de infração, inicialmente a SOEBRAS obteve das empresas “Promove” o direito de uso da marca, conforme contrato particular de “Licença de Uso de Marca” datado de 01/11/2006. Posteriormente, em segundo ato, a SOEBRAS, por “Contrato Particular de Alienação de Estabelecimento Empresarial – TRESPASSE” adquiriu das empresas do Grupo “Promove” todo o complexo de bens organizados para o exercício da atividade empresarial, compostos da titularidade do estabelecimento empresarial e de “todos os direitos, incluindo ativo e passivo (inclusive do art. 133 do Código Tributário Nacional e Art. 11º e 448 da Consolidação das Leis do Trabalho), bem como a propriedade de todos os seus elementos corpóreos e incorpóreos, imóveis, móveis e semoventes e afins (...)”. (fls. 24) Ora, houve, então, neste segundo momento, a “aquisição” necessária a ensejar a incidência da responsabilidade tributária por sucessão de empresas disciplinada no art. 133 do CTN. A mesma doutrina, já acima citada, esclarece que para fins de incidência do art. 133 do CTN, “O que importa considerar é o tipo de operação que gera a sucessão tributária, ou seja, a aquisição de fundo de comércio ou de estabelecimento profissional, comercial ou industrial”. (op. cit.) (grifos originais) Nessa ponto, os próprios recorrentes estão de acordo com a sua responsabilidade quanto aos débitos tributários do Grupo “Promove” decorrente do contrato de TRESPASSE uma vez que afirmam que “Certo é que as dívidas contraídas pelo grupo “`Promove” foram sucedidas à SOEBRAS por ocasião do contrato realizado, assim como por disposições legais: art. 121 e 133 do CTN e Código Civil, art. 1146 (...)” (fls. 1060). No entanto, procuram elidir essa responsabilidade argumentando que gozam de imunidade tributária, nos termos do art. 150, VI, “c” da CF/88, segundo o qual: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; (...) Sem razão os recorrentes, no entanto, no que diz respeito a essa questão. Inicialmente, a regra de imunidade contida no dispositivo constitucional supratranscrito, como deixa claro a sua redação, aplicase exclusivamente a impostos. A norma constitucional que prevê imunidade para contribuições previdenciárias é aquela prevista no art. 195, §7º da CF/88, que, embora fale em isenção, trata, em verdade, de imunidade, e dispõe que: Fl. 1124DF CARF MF Processo nº 15504.018037/200856 Acórdão n.º 2402006.551 S2C4T2 Fl. 1.125 12 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais. (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. (destacamos) (...) Seja como for, independentemente da norma constitucional de regência, ocorre que, a par, também, de discussões acerca do preenchimento dos requisitos legais pela SOEBRAS para que esteja no gozo legítimo de tal benefício constitucional, e ainda que se considere tratarse de entidade legitimamente imune à incidência de contribuições previdenciárias, temse que o sujeito passivo principal da obrigação tributária é a empresa Promove Serviços Educacionais Ltda. À SOEBRAS foi atribuída apenas responsabilidade subsidiária pelo débito tributário daquela primeira, nos termos do art. 133, II do CTN. E, com razão a decisão recorrida quando ressalta que não há previsão legal que autorize a extensão àquela dos benefícios desta, se provada, de fato, a condição de imunidade. Este, aliás, também é o entendimento do Supremo Tribunal Federal no RE 202.9874/SP (rel. Min. Joaquim Barbosa, 2ª Turma, v.u., j.30/06/09, DJe 24/09/09): CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL E EDUCAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. INAPLICABILIDADE ÀS HIPÓTESES DE RESPONSABILIDADE OU SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSTO SOBRE OPERAÇÃO DE CIRCULAÇÃO DE MERCARODIAS – ICM/ICMS. LANÇAMENTO FUNDADO NA RESPONSABILIDADE DO SERVIÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA – SESI PELO RECOLHIMENTO DE TRIBUTO INCIDENTE SOBRE A VENDA DE MERCADORIA ADQUIRIDA PELA ENTIDADE. PRODUTORVENDEDOR CONTRIBUINTE DO TRIBUTO. TRIBUTAÇÃO SUJEITA A DIFERIMENTO. Recurso extraordinário interposto de acórdão que considerou válida a responsabilidade tributária do Serviço Social da Indústria – SESI pelo recolhimento de ICMS devido em operação de circulação de mercadorias, sob o regime de diferimento. Alegada violação do art. 150, IV, c da Constituição, que dispõe sobre imunidade das entidades assistenciais sem fins lucrativos. A responsabilidade ou a substituição tributária não alteram as premissas centrais da tributação, cuja regramatriz continua a incidir sobre a operação realizada pelo contribuinte. Portanto, a imunidade tributária não afeta, tãosomente por si, a relação de responsabilidade tributária ou de substituição e não exonera o responsável tributário ou o substituto. Recurso tributário conhecido, mas ao qual se nega provimento. (destacamos) Entendemos que, realmente, eventual imunidade a que faça jus a responsável subsidiária SOEBRAS não alcança as operações realizadas pelo contribuinte, a quem efetivamente se referem os fatos jurídicos tributários. Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 15504.018037/200856 Acórdão n.º 2402006.551 S2C4T2 Fl. 1.126 13 EXCLUSÃO DOS REPRESENTANTES LEGAIS DAS EMPRESAS DO GRUPO PROMOVE DA RELAÇÃO DE COOBRIGADOS Requerem, ainda, os recorrentes, a exclusão da relação de coobrigados do auto de infração dos sócios Luiz Magno da Silva Saramago, Hélio Soares Bazzoni, João Bosco Fontoura, Paulo Estevam da Silva Bastos, José Alyrio Bicalho Mourdo, do contador Carlos Alberto Moreira e de Alexia Aparecida Andrade Freitas e de Carlos Alberto Moreira. Argumentam que conforme já decidido pelo Superior Tribunal de Justiça, “o mero inadimplemento da obrigação de pagar tributo não constitui infração legal capaz de ensejar a responsabilização dos sócios pelas dívidas tributárias da pessoa jurídica” (Resp 987.991/MG). Desse modo, o mero inadimplemento não legitima a cobrança do débito tributário das pessoas físicas dos sócios. Inicialmente, deixo de apreciar o pedido em questão em relação a Alexia Aparecia Andrade Freitas e Carlos Alberto Moreira uma vez que não integram o presente processo como parte, não sendo lícito aos recorrentes deduzirem pretensão em nome de terceiros. Com relação aos demais, entendo que a pretensão dos recorrentes não deve ser acolhida. Com efeito, o “Relatório de Representantes Legais – REPLEG”, parte integrante do auto de infração (fls. 10), contém esclarecimento expresso no sentido de que “Este relatório lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação”. O relatório “Vínculos – Relação de Vínculos”, por sua vez, também traz expressamente a finalidade à qual se destina, qual seja, listar “todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente” (fls. 12). Não há atribuição de responsabilidade às pessoas ali relacionadas, mas tão somente mera qualificação, para fins cadastrais. Essa questão, inclusive, já foi pacificada no âmbito deste tribunal, conforme Súmula CARF nº 88. Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. JUROS E MULTA APLICADOS EFEITO CONFISCATÓRIO Por fim, requerem os recorrentes a redução da multa e juros aplicados, ao argumento de que infringem o mandamento inserto no art. 150, IV da CF/88, c/c art. 1º da Lei 9.784/99, qual seja o princípio da vedação ao confisco. A análise de eventual caráter confiscatório da penalidade envolve a aferição de compatibilidade com a Constituição Federal da legislação tributária que fundamentou a autuação, o que é vedado a este tribunal, conforme Súmula CARF nº 2, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Fl. 1126DF CARF MF Processo nº 15504.018037/200856 Acórdão n.º 2402006.551 S2C4T2 Fl. 1.127 14 Sobre os juros moratórios, também é entendimento pacífico neste tribunal, constante da Súmula CARF nº 4, que os juros moratórios devidos sobre os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal são corrigidos pela taxa SELIC, tendo sido essa a taxa aplicada para a correção do débito aplicada pela autoridade fiscal. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. Renata Toratti Cassini Relatora Fl. 1127DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.003442/2007-76
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003
PRELIMINAR DE NULIDADE DO ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Tendo compreendido as matérias tributadas e o motivo da sua exclusão, a recorrente exerceu de forma plena o seu direito de defesa, motivo pelo qual não há que se falar em nulidade do Ato Declaratório de Exclusão do Simples
PRELIMINAR. EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. EFEITO DECLARATÓRIO.
Consoante o que dispõe a legislação do Simples Federal, Lei 9.317, de 1996, é cabível a exclusão da pessoa jurídica quando incorrer em qualquer das situações excludentes.
O ato de exclusão do Simples possui natureza declaratória, que atesta que o contribuinte já não preenchia os requisitos de ingresso no regime desde data pretérita.
Os efeitos do ato de exclusão do Simples Federal devem observar o disposto na legislação de regência. In casu, surtirá efeito a partir do ano-calendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido.
Numero da decisão: 1001-000.804
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do Ato Declaratório de Exclusão e de irretroatividade da exclusão do Simples suscitada no Recurso Voluntário. Não houve argüição de questões de mérito.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2003 PRELIMINAR DE NULIDADE DO ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo compreendido as matérias tributadas e o motivo da sua exclusão, a recorrente exerceu de forma plena o seu direito de defesa, motivo pelo qual não há que se falar em nulidade do Ato Declaratório de Exclusão do Simples PRELIMINAR. EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. EFEITO DECLARATÓRIO. Consoante o que dispõe a legislação do Simples Federal, Lei 9.317, de 1996, é cabível a exclusão da pessoa jurídica quando incorrer em qualquer das situações excludentes. O ato de exclusão do Simples possui natureza declaratória, que atesta que o contribuinte já não preenchia os requisitos de ingresso no regime desde data pretérita. Os efeitos do ato de exclusão do Simples Federal devem observar o disposto na legislação de regência. In casu, surtirá efeito a partir do ano-calendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo compreendido as matérias tributadas e o motivo da sua exclusão, a recorrente exerceu de forma plena o seu direito de defesa, motivo pelo qual não há que se falar em nulidade do Ato Declaratório de Exclusão do Simples PRELIMINAR. EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. EFEITO DECLARATÓRIO. Consoante o que dispõe a legislação do Simples Federal, Lei 9.317, de 1996, é cabível a exclusão da pessoa jurídica quando incorrer em qualquer das situações excludentes. O ato de exclusão do Simples possui natureza declaratória, que atesta que o contribuinte já não preenchia os requisitos de ingresso no regime desde data pretérita. Os efeitos do ato de exclusão do Simples Federal devem observar o disposto na legislação de regência. In casu, surtirá efeito a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do Ato Declaratório de Exclusão e de irretroatividade da exclusão do Simples suscitada no Recurso Voluntário. Não houve argüição de questões de mérito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 34 42 /2 00 7- 76 Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10865.003442/200776 Acórdão n.º 1001000.804 S1C0T1 Fl. 166 2 (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório A recorrente postula pela reforma da decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), mediante o Acórdão nº 1449.289, de 20/03/2014 (efls. 135/143). Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: (grifos não constam do original) Trata o presente processo de exclusão da contribuinte acima identificada do Sistema Integrado de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES (Federal), ocorrida mediante o Ato Declaratório Executivo (ADE) da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em LimeiraSP nº 026, de 27 de novembro de 2007 (fl. 05), tendo em vista que a contribuinte “ultrapassou os limites de receita bruta”, no ano calendário de 2003. Em procedimento de fiscalização foi apurado que a contribuinte acima identificada omitiu receitas nos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005, que deu origem a Representação Fiscal – Exclusão do Simples – fl. 8, a qual informa que a fiscalizada, enquadrada na condição de Empresa de Pequeno Porte, movimentou em suas contas correntes valores omitidos, cuja somatória das receitas declaradas e omitidas ultrapassou o limite de faturamento estabelecido pela Lei n° 9.317/96 no anocalendário de 2003. Acatando a Representação Fiscal foi emitido o Ato Declaratório Executivo DRF/LIM n° 026, de 27 de novembro de 2007, fundamentado na Lei n° 9.317/96, artigos 12, 13, inciso II, alínea “a”, 14, inciso I e 15, inciso IV; Instrução Normativa SRF n° 608, de 09/01/2006: art. 23, inciso I e 24, inciso VI. Ciente do ADE, a contribuinte, inicialmente ingressou com manifestação de inconformidade de fls. 16/18, na qual alegou em suma: foram lançados autos de infração e por serem impugnados suspendem a exigência do tributo, e sem decisão final e irrecorrível não se tem certeza acerca do real faturamento e como a exclusão se deu por excesso de receita o Ato Declaratório não poderá surtir efeitos antes do desfecho final do PAF. A DRF/Limeira no Despacho Decisório s/nº de 10/02/2010 (fls. 20/21) conheceu da manifestação de inconformidade, na qualidade de “Solicitação de Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10865.003442/200776 Acórdão n.º 1001000.804 S1C0T1 Fl. 167 3 Revisão da Exclusão”, determinando a manutenção integral dos efeitos do ADE questionado. Ciente disso, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 24/26, trazendo os mesmos argumentos anteriormente apresentados às fls. 16/18, ressaltando que na impugnação aos autos de infração – proc. 10.865.003442/2007 76 foram juntados documentos comprobatórios e amparos legais e jurídicos a serem discutidos, e portanto o ADE não pode produzir efeitos até trânsito em julgado na esfera administrativa. Referida manifestação de inconformidade foi encaminhada à esta Delegacia Regional de Julgamento. Através do Despacho 08/2011, de 28 de novembro de 2011, a 5ª Turma desta DRJ verificou não constar nos autos qualquer documento ou mesmo informação da receita bruta da contribuinte referente ao anocalendário de 2003, que levou à exclusão do Simples, devolvendo o processo ao órgão preparador para o devido saneamento, facultando ao contribuinte manifestação quanto aos novos documentos juntados. A DRF Limeira, através de despacho assinado digitalmente em 13/09/2013, cumpriu a diligência, mediante juntada do Auto de Infração e planilhas de cálculo extraídos do processo 10865.003737/200742 demonstrando que o valor da receita bruta total apurado para o anocalendário de 2003 foi de R$ 1.321.961,44. A contribuinte manifestouse sobre a diligência em questão, alegando que ao contrário do informado, o valor referido acima, não corresponde ao ano de 2003, mas sim anocalendário de 2004, conforme as planilhas apresentadas, sendo que o total levantado pela fiscalização para 2003, foi na ordem de R$ 1.019.304,41. Aduz, novamente que deve ser aguardado o trâmite administrativo até o final, agora perante o CARF. A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo voto condutor do acórdão recorrido transcrevo a seguir, in verbis: De princípio, importante delimitarmos o objeto de análise e julgamento do presente processo, qual seja, tratase exclusivamente de exclusão da Empresa em referência do Regime simplificado do Simples Federal. A empresa foi excluída do SIMPLES, por intermédio do Ato Declaratório Executivo (ADE) da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em LimeiraSP nº 026, de 27 de novembro de 2007 (fl. 05), em razão de ter incorrido na causa excludente prevista no art. 9º, inc. II, da Lei nº 9.317/1996 – receita bruta superior ao limite estabelecido, conforme o relato da Auditoria Fiscal contido na Representação Fiscal fl. 8. Preceitua a Lei nº 9.317/1996, que dispõe sobre o regime tributário das microempresas e das empresas de pequeno porte e institui o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte –SIMPLES, na vigência do anocalendário de 2003: “Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: ... II na condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10865.003442/200776 Acórdão n.º 1001000.804 S1C0T1 Fl. 168 4 bruta superior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais); ...”. Alega a empresa que o valor no ano de 2003 é na ordem de R$ 1.019.304,41, e que o valor referido pela autoridade autuante, no valor de R$ 1.321.961,44 compete ao anocalendário de 2004. Alega ainda, que uma vez que o valor da receita bruta apurado pela fiscalização ainda está “sob judice” administrativa, o ADE não pode gerar efeitos. Quanto ao valor em questão, os valores apresentados decorrem do lançamento no Auto de Infração acima referido, relativos ao ano de 2003, cuja cópia está presente às fls. 39, e demonstra Receita Bruta Acumulada de R$ 1.321.961,44, que compõese da Receita Declarada + as Diferenças Apuradas pela fiscalização, conforme abaixo: Mês/Ano Receita Bruta Mensal (Decl.) (R$) Difer. Apuradas (R$) Receita Bruta Acumulada (R$) 01/2003 45.810,00 57.128,26 102.938,26 02/2003 91.777,84 0,00 194,716,10 03/2003 98.684,00 0,00 293.400,10 04/2003 150.157,00 0,00 443.557,10 05/2003 134.592,00 0,00 578.149,10 06/2003 101.765,00 7.337,49 687.251,59 07/2003 136.019,40 0,00 823.270,99 08/2003 184.162,00 0,00 1.007.432,99 09/2003 90.661,00 11.532,97 1.109.626,96 10/2003 44.048,00 0,00 1.153.674,96 11/2003 46.325,04 0,00 11/2003 4.447,74 31.269,12 12/2003 67.984,00 18.260,58 1.235.716,86 1.321.961,44 Portanto não procede a alegação do contribuinte, já que devese considerar a Receita Bruta Acumulada na sua totalidade Foram juntados ainda, planilhas de cálculo que demonstram o “Levantamento de depósitos efetuados nas contas correntes da Contribuinte” – fl. 93, bem como “Receitas Declaradas x Depósitos Bancários” – fl. 100. O processo que deu origem aos autos de infração, notadamente o referente ao anocalendário de 2003, o qual deu origem a receita bruta considerada para exclusão do Simples, recebeu o número 10865.003737/200742, no qual foi proporcionado, o direito à empresa ao contraditório e ampla defesa. Naqueles autos, a Auditoria Fiscal apresentou os fatos e documentos que os levaram a apurar a receita bruta e a Autuada contra argumentou e teve a oportunidade de exibir documentos comprobatórios que derrubassem a motivação exposta pelo Fisco. Assim, os créditos tributários lançados, relativo às infrações apontadas, formalizados naquele processo, foram mantidos na primeira instância pela 5ª Turma de Julgamento desta DRJ, no Acórdão n° 1427.213 de 15/01/2010, sendo proferidos a seguinte ementa e acórdão: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2003 Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10865.003442/200776 Acórdão n.º 1001000.804 S1C0T1 Fl. 169 5 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. IMPUGNAÇÃO PROCEDENTE EM PARTE CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO EM PARTE ACÓRDÃO: Acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar parcialmente procedente a impugnação para excluir da tributação o valor de R$ 50,00 relativamente ao mês de novembro de 2003, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Sala de Sessões, em 20 de março de 2014. Assim, constatado que a contribuinte auferiu Receita Bruta no referido anos calendário, superior ao limite estipulado pela legislação tributária no art. 9º, II da Lei nº 9.317, de 1996, cabe a exclusão da contribuinte do sistema, a partir de 01/01/2004, em obediência ao disposto nos art. 12, 13, 14 da lei nº 9.317, de 1996, que dispõem: Art. 12. A exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de ofício. Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: I por opção. II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9º; Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2º do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; E quanto aos efeitos do ato, o mesmo é regido pelo art. 15 da Lei n° 9.317/96: Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10865.003442/200776 Acórdão n.º 1001000.804 S1C0T1 Fl. 170 6 Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: ..... IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9º. Superada a divergência quanto a receita considerada, passase a analisar quanto ao efeito suspensivo da manifestação de Inconformidade até o trâmite final no âmbito administrativo. Os créditos tributários que decorreram dos autos de infração lavrados, quando impugnados pelo sujeito passivo e instaurado o contencioso administrativo, caso da contribuinte, e enquanto não houver decisão definitiva neste âmbito, o próprio Código Tributário Nacional, em seu artigo 151, abaixo transcrito, reconhece tal efeito para suspender a exigibilidade do crédito tributário, in verbis: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: ................................................................................................. III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo (Grifouse); Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. No entanto, o efeito requerido não incide nas inconformidades contra o ato de exclusão do Simples, uma vez que esses procedimentos não envolvem cobrança de crédito tributário, mas sim o regime de tributação do sujeito passivo. É entendimento predominante na doutrina que os recursos administrativos, possuem em regra apenas efeito devolutivo, enquanto o efeito suspensivo é a exceção, aplicável somente quando expressamente previsto no preceito jurídico. Dada a sua pertinência, transcrevemse a seguir excertos do voto proferido pelo Relator Roberto Massao Chinen no Acórdão nº 0623.301, de 5 de agosto de 2009, da 2ª Turma da DRJ de Curitiba/PR: “Como ponto de partida, apesar da idéia intuitiva do significado do termo, convém firmar alguns pressupostos. O efeito suspensivo é um atributo do recurso e tem aplicação sobre a decisão recorrida. A decisão, objeto da contestação, no âmbito do direito tributário, manifestase, em regra, através de um ato administrativo, que pode ser de espécies variadas (auto de infração, exclusão do Simples, cassação de benefício, indeferimento de compensação etc). Qualquer que seja a natureza desse ato, ele produz uma série de efeitos, que são simples conseqüências advindas da produção daquele ato. Quando se diz que determinado recurso tem efeito suspensivo, querse dizer que a decisão que está sendo contestada tem seus efeitos suspensos, ou seja, qualquer que seja a natureza do ato administrativo em litígio, ele deixa de produzir qualquer efeito, até a superveniência da decisão final. É importante frisar esse aspecto. O efeito paralisante não atinge somente os atos executórios da decisão, até porque esta pode ser de natureza declaratória ou constitutiva; no entanto, mesmo os atos declaratórios ou constitutivos não podem Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10865.003442/200776 Acórdão n.º 1001000.804 S1C0T1 Fl. 171 7 produzir efeitos, diante do efeito suspensivo do recurso. Confiramse, nesse sentido, a lição de José Carlos BARBOSA MOREIRA, em sua obra “O Novo Processo Civil Brasileiro”, Rio de Janeiro: Forense, 23ª ed., 2005, p. 123: O impedimento atinge toda a eficácia da decisão, e não apenas o efeito executivo que ela possa ter. Impróprio, destarte, conceituar a suspensividade em termos restritos, alusivos unicamente à impossibilidade de executarse a decisão, que, aliás, por sua própria natureza, nem sempre comporta execução em sentido técnico: assim, as decisões meramente declaratórias e as constitutivas. Para efeitos práticos, portanto, é como se a decisão não tivesse sido proferida, já que nenhum efeito pode surtir. No caso específico do ato de exclusão do Simples, o eventual efeito suspensivo da respectiva manifestação de inconformidade deve provocar a suspensão de todas as conseqüências que naturalmente adviriam da exclusão, até a decisão administrativa final. Isso inclui: a apuração do lucro por outro regime (que exigiria a escrituração de livros contábeis, caso a opção fosse pelo lucro real), o envio de declaração por outro regime, o pagamento de tributos por outro regime, etc. Nada disso poderia ser exigido do contribuinte, caso estivesse ele protegido pelo efeito suspensivo. Um segundo aspecto que também merece ser destacado no instituto do efeito suspensivo é a necessidade de previsão expressa na lei que criou o recurso; em outros termos, o efeito suspensivo não se presume, ele só existe quando o legislador manifesta a intenção de conferir esse efeito. É o que leciona Maria Sylvia Zanella DI PIETRO, em seu “Direito Administrativo, São Paulo: Atlas, 19ª ed., 2006, p. 697: O efeito suspensivo, como o próprio nome diz, suspende os efeitos do ato até a decisão do recurso; ele só existe quando a lei o preveja expressamente. Por outras palavras, no silêncio da lei, o recurso tem apenas efeito devolutivo. Esse princípio foi positivado na legislação do processo administrativo federal, através da Lei n° 9.784 , de 29/01/1999, que assim dispõe em seu artigo 61: Art. 61. Salvo disposição legal em contrário, o recurso não tem efeito suspensivo. (Grifouse) Parágrafo único. Havendo justo receio de prejuízo de difícil ou incerta reparação decorrente da execução, a autoridade recorrida ou a imediatamente superior poderá, de ofício ou a pedido, dar efeito suspensivo ao recurso. Isso sugere, como próximo passo, verificar se o legislador pretendeu dar efeito suspensivo no recurso cabível contra o ato de exclusão do Simples. A pesquisa deve ser iniciada pelo CTN, que é norma de hierarquia superior às leis ordinárias. Nessa lei complementar, a única hipótese de suspensão é a prevista no artigo 151, que, no entanto, é restrita à exigibilidade do crédito tributário. Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: ....................................................................................................... Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10865.003442/200776 Acórdão n.º 1001000.804 S1C0T1 Fl. 172 8 III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo (Grifouse); Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. O dispositivo é claro, e autoriza à conclusão de que ele não incide nas impugnações contra o ato de exclusão do Simples, uma vez que esses procedimentos não envolvem cobrança de crédito tributário, mas sim o regime de tributação do contribuinte. Assim, podese afirmar que, pelo menos no CTN, o legislador não pretendeu conferir efeito suspensivo nos processos de exclusão do Simples. Continuemos a pesquisa. Em se tratando do Simples, parece evidente que, caso o legislador pretendesse beneficiar o contribuinte com o efeito suspensivo em seu recurso contra a exclusão, têloia previsto na própria Lei n° 9.317/96, que disciplina todo o referido regime. No entanto, se alguma conclusão for possível quanto à intenção do legislador quanto ao efeito suspensivo do recurso contra a exclusão, prevalece a tese negativa. Na realidade, na Lei do Simples, não se faz menção ao recurso administrativo contra o ato declaratório de exclusão. Ao tratar da matéria atinente aos efeitos da exclusão, o legislador estipulou apenas o marco temporal inicial, ou seja, o termo de início dos efeitos da exclusão, a partir do qual o contribuinte passaria a submeterse às regras dos demais regimes tributários. Segundo o artigo 16, o contribuinte passa a sujeitarse às regras do lucro real ou lucro presumido, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão: Art. 16º A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Por sua vez, o período em que se processam os efeitos da exclusão encontra se definido no artigo 15, que disciplina uma série de regras, dependendo da hipótese de exclusão. No caso de atividade vedada, por exemplo, os efeitos da exclusão processamse a partir do mês subseqüente ao da situação excludente: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: ......................................................................................................... II a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Um possível argumento favorável à tese de existência de efeito suspensivo para o recurso no Simples seria o art. 33 do Decreto n° 70.235/72, que confere o efeito suspensivo, de forma genérica, para todos os recursos voluntários interpostos pelo contribuinte, contra a decisão de primeira instância, endereçado ao Conselho de Contribuintes. SEÇÃO VI Do Julgamento em Primeira Instância ......................................................................................................... Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10865.003442/200776 Acórdão n.º 1001000.804 S1C0T1 Fl. 173 9 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. No entanto, não há como aplicar tal norma aos casos de exclusão do Simples. Primeiramente, porque a redação do citado dispositivo é a mesma desde a publicação do PAF, que ocorreu em 06/03/1972, quando sequer existia o regime simplificado, que somente viria a ser implementado em 1996. Esse dispositivo foi implementado em cumprimento ao disposto no já citado art. 151, III do CTN, que determina a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, e portanto, deve ser compreendido no âmbito dos processos de autos de infração. Além disso, é relevante observar que o art. 33 do PAF somente diz respeito ao recurso voluntário endereçado ao Conselho de Contribuintes, não havendo norma semelhante para os recursos interpostos contra atos da DRF e dirigidos à primeira instância julgadora. Isso revela que o legislador foi silente no que tange aos efeitos do recurso contra o ADE. Logo, nos termos do art. 61 da Lei n° 9.784/99, a manifestação de inconformidade contra a exclusão do Simples não tem efeito suspensivo. Poderia parar por aqui; no entanto, vou um pouco além, para elucubrar acerca dos motivos que teriam levado o legislador a pretender deixar de conferir esse efeito suspensivo. O motivo pode ter ligação com a seguinte situação, que aliás, é bastante corriqueira na fiscalização de pessoas jurídicas optantes do Simples. Imagine a hipótese de ação fiscal em empresa do Simples, que redunde na lavratura de autos de infração para vários anos calendários seguidos. Na hipótese de omissão de receitas, ocorre com freqüência que o contribuinte deva ser excluído do regime simplificado, por excesso de receitas. O que se faz, normalmente, é emitir o ADE e lavrar o auto de infração referente ao período em que houve o excesso, dando ciência de ambos no mesmo dia. Para os demais períodos, a autoridade lançadora deve intimar a empresa para que opte pelo regime de apuração de lucro, se real ou presumido. Caso opte pelo lucro real, o contribuinte deve ser intimado para apresentar sua contabilidade, a fim de que, com base nela, o autuante possa efetuar os lançamentos. Por menor que seja o prazo dado pela fiscalização, nesse ínterim, a empresa pode impetrar manifestação de inconformidade contra o ato de exclusão do Simples. Caso esse recurso tivesse efeito suspensivo, a empresa estaria desobrigada de qualquer ato produzido pelo fisco que fosse decorrência da exclusão, como por exemplo, apresentar livros contábeis, entregar declaração, ou até mesmo receber auto de infração por outro regime, seja lucro real, presumido ou arbitrado. Assim, a lavratura de auto de infração somente poderia ser autorizada se fosse pelo regime do Simples; no entanto, o auditor fiscal, obviamente, assim não procederá, pois acabou de excluir a empresa. Conclusão: o fisco estaria de mãos atadas diante dessa situação, já que não poderia constituir nenhum crédito tributário para os períodos posteriores ao da exclusão. Tomando em consideração que o trâmite processual, desde a ciência do ato até decisão final administrativa, leva, em média, mais do que cinco anos, então é óbvio que tal situação é intolerável, já que tornaria alguns contribuintes simplesmente imunes à constituição do crédito tributário para períodos imediatamente posteriores ao do termo inicial da exclusão. Em síntese, há fortes motivos para que o legislador não pretendesse facultar o efeito suspensivo para recursos contra o ato de exclusão do Simples, o que explica a ausência de expressa previsão desse efeito na legislação tributária. E não havia necessidade de o legislador manifestarse, dizendo que o recurso não tem efeito suspensivo – o que espancaria todas as eventuais dúvidas – justamente porque a Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10865.003442/200776 Acórdão n.º 1001000.804 S1C0T1 Fl. 174 10 omissão implica a nãoconcessão do efeito suspensivo ao recurso, conforme art. 61 da Lei n° 9.784/99.” Vêse, portanto, que o legislador foi silente quanto a aplicação do efeito suspensivo em recursos contra o ADE. Logo, nos termos do art. 61 da Lei n° 9.784/99, a manifestação de inconformidade contra a exclusão do Simples não tem efeito suspensivo. Diante de todo o exposto e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto pela IMPROCEDÊNCIA DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE e EXCLUSÃO da Empresa do SIMPLES FEDERAL, com efeitos a partir de 01/2004. O acórdão da DRJ teve a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 SIMPLES. RECEITA BRUTA SUPERIOR AO LIMITE. SITUAÇÃO EXCLUDENTE. Cabe a exclusão do Simples da empresa de pequeno porte que tenha auferido receita bruta superior ao valor legalmente estipulado no anocalendário imediatamente anterior. EXCLUSÃO. EFEITOS. RECEITA BRUTA. ADE. EFEITO SUSPENSIVO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INEXISTÊNCIA DE EXPRESSA PREVISÃO LEGAL. Os efeitos da exclusão do SIMPLES, de empresa que apura receita bruta superior ao limite estipulado, ocorrem a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido em lei. No âmbito do processo administrativo, o efeito suspensivo não se presume e deve estar expresso em lei, o que impede ao Órgão Julgador receber a manifestação de inconformidade contra ato de exclusão do Simples com efeito suspensivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. Ciente da decisão de primeira instância em 08/04/2014, conforme Aviso de Recebimento à efl. 145, a recorrente apresentou recurso voluntário em 06/05/2014, (efls. 147/149), conforme Termo de Solicitação de Juntada à efl. 146. É o Relatório. Voto Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10865.003442/200776 Acórdão n.º 1001000.804 S1C0T1 Fl. 175 11 Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Antes de relatar sobre o recurso voluntário apresentado, importante ressaltar que nas duas manifestações anteriores, ou seja, no pedido de revisão da exclusão perante a DRF e na manifestação de inconformidade perante a DRJ, a interessada aduz que como "o lançamento fiscal foi impugnado e, por não estar definitivamente constituído, não poderia ensejar a exclusão do SIMPLES, pelo qual o Ato Declaratório de Exclusão não pode produzir efeitos até trânsito em julgado na esfera administrativa. Ou seja, não houve arguição de questões de mérito. O mesmo se repete no presente recurso. Apesar de constarem alegações que a recorrente as chamou de mérito, como "DA SUSPENSÃO DO JULGAMENTO POR PREJUDICIALIDADE EXTERNA", entendo que se trata de questão preliminar e assim será tratado. Outrossim, nos termos dos arts. 16, III e 17, ambos do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativofiscal, todos os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa deverão ser mencionados na impugnação, considerandose não impugnadas as matérias não expressamente contestadas. Na lição de Fredie Didier Júnior (Curso de Direito Processual Civil. Vol. I. 11ª edição, revista, ampliada e atualizada. Ed. JusPodium, Salvador: 2009. Pág. 283.), a preclusão consumativa consiste na perda da faculdade processual, por já haver sido exercida, pouco importando se bem ou mal. Uma vez praticado o ato processual, não mais é possível corrigilo, melhorálo ou repetilo, eis que já consumado. No caso dos autos, a discussão administrativa foi delineada pela manifestação de inconformidade, restando rechaçadas quaisquer outras teses defensivas eventualmente não expostas, por aplicação do princípio eventualidade, ressalva feita ao direito ou fato supervenientes, o que não é a hipótese. Portanto, uma vez que a recorrente jamais suscitou qualquer questão de mérito anteriormente, temse para estes a ocorrência da preclusão. Porém, a recorrente apresenta as seguintes alegações em sede de preliminar: 1) Requer a "nulidade do Ato Declaratório Executivo (...), diante da flagrante ausência de indicação pormenorizada, das razões, origem e limites ultrapassados pela Recorrente, que impediam seu ingresso no SIMPLES FEDERAL no exercício de 2005", causando, segundo alega, o cerceamento do seu direito de defesa; 2) Requer a "irretroatividade da decisão administrativa com eficácia normativa, posto que publicada no Diário Oficial da União depois de mais de 02 (dois) anos do deferimento da adesão de ingresso no SIMPLES FEDERAL promovido pela contribuinte"; e Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10865.003442/200776 Acórdão n.º 1001000.804 S1C0T1 Fl. 176 12 3) Pugna a "suspensão do presente processo, até solução final e definitiva a ser proferida nos autos do PAF de nº 10865.003737/200742, também em análise diante deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais". Quanto a este último, em consulta ao citado processo, de nº 10865.003737/200742, constatase à efl. 684 que a recorrente postulou a desistência do recurso voluntário interposto, tendo em vista o seu pedido de parcelamento dos valores lançados mediante o auto de infração. Conforme preleciona o § 2º do art. 78 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), o pedido de parcelamento configura a confissão irretratável de dívida e importa a desistência do recurso. Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. [...]§ 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. [...] (destacouse) Tendo em vista o lançamento definitivo do crédito, importa falar apenas sobre duas questões preliminares alegadas, da ocorrência do cerceamento do direito de defesa e da irretroatividade da decisão administrativa. Quanto ao alegado cerceamento do direito de defesa, não há que se falar em falta em "ausência de indicação pormenorizada, das razões, origem e limites (de Receita bruta) ultrapassados pela Recorrente", pois a interessada teve ciência do auto de infração e do respectivo processo de autuação, com todas as informações necessárias para contrapor as sua defesa, assegurandose, assim, a ampla defesa e contraditório. Assim, tendo compreendido as matérias tributadas e o motivo da sua exclusão, a recorrente exerceu de forma plena o seu direito de defesa, motivo pelo qual não há que se falar em nulidade do Ato Declaratório de Exclusão do Simples. Sobre os efeitos da exclusão da sistemática do Simples, sobreleva lembrar que o art. 73, da Medida Provisória n° 2.15834, de 27 de julho de 2001, convalidada pela Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, ainda vigente por força da Emenda Constitucional n° 32, de 11 de setembro de 2001, alterou a redação do art. 15 da Lei n° 9.317, de 1996, passando a haver autorização legislativa para que a exclusão se dê com efeitos retroativos à data da situação excludente, conforme se constata de seus termos: Art. 73 O inciso II do art. 15 da Lei n° 9.317, de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: II a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIX do art. 9º; Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10865.003442/200776 Acórdão n.º 1001000.804 S1C0T1 Fl. 177 13 Estribado nesse dispositivo legal, o art. 24 da Instrução Normativa SRF n° 250, de 2002, repetido pelo art. 24 da Instrução Normativa n° 355, de 2003, dispôs que: A exclusão do Simples nas condições de que tratam os arts. 22 e 23 surtirá efeito: I a partir do anocalendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso I do art. 22; (destaque acrescido). II a partir do mês subseqüente àquele em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 20; III a partir do início de atividade da pessoa jurídica, na hipótese prevista no parágrafo 2 a do art. 3 °; VI(...) Parágrafo único. Para as pessoas jurídicas enquadradas nas hipóteses dos incisos III a XVII do art. 20, que tenham optado pelo Simples até 27 de julho de 2001, o efeito da exclusão dar seá a partir: I do mês seguinte àquele em que se proceder a exclusão, quando efetuada em 2001; II de 1º de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. Constatase, portanto, que as aludidas instruções normativas, ao fixarem a data de início dos efeitos da exclusão, bem conjugaram as disposições da Medida Provisória n° 2.15834, de 2001, que passou a autorizar a exclusão com efeitos retroativos, com a previsão do art. 2º da Lei n° 9.784, de 1.999, que determina à Administração a observância do princípio da segurança jurídica. Nem se diga que estaria ocorrendo aplicação retroativa de nova interpretação, o que também é vedado à Administração, pelo inciso XIII do citado art. 2º da Lei n° 9.784, de 1999, haja vista que as atividades do Contribuinte o impediam (como se verá) de ingressar/permanecer na sistemática do Simples, tendo ele, Contribuinte, efetuado a opção por sua conta e risco e, portanto, sujeito à fiscalização posterior. Particularmente com respeito à regra de descrímen anunciada no art. 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96, tal se encaixa, ao lado dos demais comandos ali contidos, como norma infraconstitucional que vem ofertar, justamente, eficácia jurídica ao que consignado no art. 179, in fine, da Constituição que é norma constitucional de eficácia limitada, isto é, sem eficácia jurídica alguma no momento de sua positivação. De fato, o texto constitucional condicionou a simplificação, redução ou eliminação de ''obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias e creditícias", para as microempresas e empresas de pequeno porte, à atuação vindoura do legislador infraconstitucional. E este, assim o fez, na porção atinente às obrigações tributárias, por meio da Lei n° 9.317/96. Em outras palavras, indigitada Lei, ao contrário da inteligência do Contribuinte (que, aí, veria um desprestígio à promoção do tratamento favorecido sob discussão), atua no espaço que a própria Constituição lhe reservou. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10865.003442/200776 Acórdão n.º 1001000.804 S1C0T1 Fl. 178 14 Adicionese a isto e de passagem, que a Lei n° 9.841/99 cuida de outros aspectos que não tributários, estes sob o pálio da Lei n° 9.317/96 a serem levados em linha de conta no trato de microempresas e empresas de pequeno porte. De mais a mais, os efeitos da exclusão são declaratórios e, por conseguinte, retroagem, que atesta que o contribuinte já não preenchia os requisitos de ingresso no regime desde data pretérita. Por todo o exposto, voto por REJEITAR as PRELIMINARES de nulidade do Ato Declaratório de Exclusão e de irretroatividade da exclusão do Simples. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 178DF CARF MF
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Numero do processo: 10950.724496/2016-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012, 2013
DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA.
Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.
A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para o contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2012, 2013
SIGILO BANCÁRIO.
A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário.
INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO.
A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei.
JUROS DE MORA. SELIC.
A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legal.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SÓCIO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM.
São solidariamente responsáveis pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, incluindo-se na hipótese os sócios de fato da pessoa jurídica. Cabível a aplicação do artigo 124, inciso I, do CTN.
RESPONSABILIDADE PESSOAL TRIBUTÁRIA. REQUISITOS.
São pessoalmente responsáveis os dirigentes que comprovadamente praticaram atos com excesso de poderes ou infração a lei na administração da sociedade, conforme dispõe o artigo 135, III, do CTN.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012, 2013
NULIDADE.
Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de perícia que deixe de atender os requisitos legais e que se refira à questão cuja elucidação dependa apenas de apresentação de documentos.
JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO.
A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS . COFINS.
Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 1201-002.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012, 2013 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para o contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2012, 2013 SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. JUROS DE MORA. SELIC. A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legal. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SÓCIO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. São solidariamente responsáveis pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, incluindo-se na hipótese os sócios de fato da pessoa jurídica. Cabível a aplicação do artigo 124, inciso I, do CTN. RESPONSABILIDADE PESSOAL TRIBUTÁRIA. REQUISITOS. São pessoalmente responsáveis os dirigentes que comprovadamente praticaram atos com excesso de poderes ou infração a lei na administração da sociedade, conforme dispõe o artigo 135, III, do CTN. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2012, 2013 NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de perícia que deixe de atender os requisitos legais e que se refira à questão cuja elucidação dependa apenas de apresentação de documentos. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS . COFINS. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012, 2013 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012, 2013 SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. JUROS DE MORA. SELIC. A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legal. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SÓCIO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 44 96 /2 01 6- 09 Fl. 1717DF CARF MF 2 São solidariamente responsáveis pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, incluindose na hipótese os sócios de fato da pessoa jurídica. Cabível a aplicação do artigo 124, inciso I, do CTN. RESPONSABILIDADE PESSOAL TRIBUTÁRIA. REQUISITOS. São pessoalmente responsáveis os dirigentes que comprovadamente praticaram atos com excesso de poderes ou infração a lei na administração da sociedade, conforme dispõe o artigo 135, III, do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012, 2013 NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia que deixe de atender os requisitos legais e que se refira à questão cuja elucidação dependa apenas de apresentação de documentos. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS . COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Fl. 1718DF CARF MF Processo nº 10950.724496/201609 Acórdão n.º 1201002.505 S1C2T1 Fl. 3 3 Relatório Adotase o relatório do Acórdão nº 1466.021 da 3ª Turma da DRJ/RPO (fls. 1.615 a 1.636), com a complementação necessária em seguida: Contra a empresa epigrafada foram lavrados os autos de infração, que se prestaram a exigir o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e respectivos consectários legais, como também a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o PIS/PASEP e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, relativos a fatos geradores ocorridos nos anos calendário 2012 e 2013, em razão da constatação de omissão de receitas apuradas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, tendo sido apurado excesso de receita superior a 20% do limite fixado na legislação do Simples Nacional, o que ensejou a exclusão dessa sistemática a partir de 01/10/2012. Foram exigidos os seguintes valores: O enquadramento legal para o lançamento dos tributos encontrase descrito nos autos de infração. Segundo informa a fiscalização, o procedimento contra a contribuinte acima identificada teve início em 02/12/2015, com a solicitação dos seguintes elementos: 1. Atos constitutivos da empresa e todas as alterações posteriores; 2. Livros Diários devidamente escriturados, registrados na Junta Comercial do Paraná e seus respectivos Livros Razão; 3. Livros Caixa, com escrituração de toda a movimentação financeira, inclusive bancária, nos termos da legislação tributária que rege o Simples Nacional; 4. Extratos Bancários legíveis de toda a movimentação bancária (contas correntes/poupança/investimento); 5. Livros Registro de Apuração do ICMS; 6. Livros Registro de Saídas e Livros Registro de Entradas; 7. Livros Registro de Prestação de Serviços; 8. GIAs ICMS; 9. Contrato Social e todas as alterações posteriores; Fl. 1719DF CARF MF 4 10. Relação individualizada de todos os bens do Ativo Permanente da empresa, incluindo Veículos, devidamente assinada pelo (a) representante legal da empresa e acompanhada de toda a documentação pertinente; 11. Cópia legível de todos os contratos de qualquer natureza celebrados com terceiros; 12. Outros elementos que se fizerem necessários poderão ser solicitados no transcorrer do procedimento fiscal. Relata o fisco que foram obtidos da Junta Comercial do Paraná os atos constitutivos da empresa e todas as alterações posteriores (até a décima quarta alteração e consolidação do contrato social). A fiscalização informa ainda o que segue: Em 17/12/2015, a contribuinte solicita dilação de prazo de 90 dias, sendolhe concedido o prazo de 30 dias. Em fevereiro de 2016, diante da inércia da contribuinte, foram expedidas RMF solicitando sua movimentação financeira nos anoscalendário de 2013 e 2014. Em 18/02/2016, foi enviado TIF à contribuinte e ao sócio administrador Miguel Frazão Silva Filho, solicitando os mesmos documentos já especificados no Termo de Início, com exceção dos extratos bancários. A contribuinte e o sócio administrador apenas solicitam prorrogação de prazo para atendimento às intimações. Foi emitido novo TIF endereçado à fiscalizada, solicitando a comprovação da efetiva integralização por parte do sócio Miguel Frazão Silva Filho do valor de R$ 100.000,00, quando da transformação, em 05/02/2016, da empresa Matrix Fitness Aparelhos para Ginástica Ltda – ME na Empresa individual de Responsabilidade Limitada – EIRELI. Em resposta, informou que por lapso e desconhecimento, na alteração contratual, constou incorretamente como integralizado o capital social de R$ 20.000,00, quando o contrato de transferência estabelece um prazo longo para pagamento, dada a situação econômica da empresa. Aclair Pupim foi intimado para comprovar e prestar informações sobre os lançamentos efetuados na conta bancária 093892, agência 6946, Banco Itaú, de titularidade de Solange Roel Pereira e movimentada por Nilton Carlos Dalálio, tendo como beneficiária Matrix Fitness Aparelhos Para Ginástica Ltda. e como autorizante Aclair Pupim. Em resposta, Aclair informou que na época, “Sr. Nilton trabalhava conosco e nos emprestou várias folhas de cheques para serem descontadas junto aos Bancos, bem como permitiu que descontássemos duplicatas em nome da esposa para resolvermos momentaneamente problemas de crédito que a empresa enfrentava. À época, precisamos mudar de endereço duas vezes e ficou sob sua responsabilidade todos os pagamentos dos serviços autônomos, como pedreiros e materiais de construção em pequenos volumes. Os valores eram acertados no caixa que, infelizmente não enviou boa parte deles para o escritório. Tentamos com o mesmo parceirizar fabricação de equipamentos, ajudandoo na compra de materiais. O negócio não prosperou e ficou devendo para a empresa o valor de R$ 136.000,00(cento e trinta e seis mil reais), num acerto de contas que procedemos. Este valor, acredito, não conseguiu liquidar. Quanto ao meu nome constar como autorizante, entendemos que o banco deixou de proceder, internamente, o registro da alteração contratual...” Fl. 1720DF CARF MF Processo nº 10950.724496/201609 Acórdão n.º 1201002.505 S1C2T1 Fl. 4 5 Em 07.03.2016 o Sr. AUGUSTO DUARTE PUPIM é intimado, como diligenciado, pelo TIF nº 01A/00020/2016 a: “1) Comprovação com documentação hábil e idônea (DOC, TED, TRANSFERÊNCIA, DEPÓSITO, DEPÓSITO IDENTIFICADO, ORDEM DE PAGAMENTO, etc.) do efetivo recebimento pela venda em 17 de junho de 2015 da empresa MATRIX FITNESS APARELHOS PARA GINÁSTICA LTDA – ME 08.678.196/000180, conforme 14ª Alteração e Consolidação de Contrato Social, registrado na JUNTA COMERCIAL DO ESTADO DO PARANÁ sob nº 20154779148 em 10 de Julho de 2015. Foi expedida intimação para a contribuinte apresentar cópia, frente e verso, de todos os cheques relacionados nas planilhas elaboradas pelo fisco, relativamente ao Banco do Brasil, Itaú e Sicoob. Reiterouse a apresentação dos livros Diário/Razão, devidamente registrados na Junta comercial do Paraná, referentes aos anoscalendário de 2012 e 2013. A contribuinte foi intimada (TIF nº 04/2016) a comprovar individualizadamente a origem dos créditos bancários questionados pelo fisco e a apresentar (TIF nº 05/2016) a classificação na TIPI e a identificação pelo nome comercial de todos os produtos fabricados por ela. Em 27/09/2016, foram apresentados os livros Diário/Razão, com a informação de que “com as várias mudanças de prédio efetuadas, boa parte dos documentos devem ter sido extraviados”. Pela análise dos elementos trazidos aos autos pelos intimados ACLAIR PUPIM, MIGUEL FRAZÃO SILVA FILHO e AUGUSTO DUARTE PUPIM, efetivamente a empresa MATRIX nunca saiu do controle da família PUPIM, pois as intimações tinham como fulcro fundamental a demonstração de maneira cristalina da ocorrência ou não da transferência das cotas para o Sr. MIGUEL FRAZÃO SILVA FILHO, que figura como adquirente da participação societária. Em nenhum momento essa transferência foi demonstrada e tudo o que se trouxe a lume foi a INOCORRÊNCIA DA OPERAÇÃO aqui tratada. O Sr. MIGUEL FRAZÃO SILVA FILHO, também intimado sobre os fatos, nada trouxe aos autos que demonstrasse que efetivamente adquiriu a MATRIX, apenas tergiversou sobre o assunto, não trazendo nenhuma prova efetiva. Mesmo procedimento foi adotado por AUGUSTO DUARTE PUPIM, que também nada demonstrou sobre a efetiva alienação da sua participação societária vinculada à fiscalizada. Os recursos carreados para a conta 093892, agencia 6946, Banco Itaú, titulada por SOLANGE ROEL PEREIRA, conforme PLANILHA MATRIX I TIF n° 02 A/00021/2016 (recebido em 02.03.2016 AR e respondido em 29.03.2016), onde os documentos (em torno de duzentos) obtidos, demonstram inequivocamente que o Sr. ACLAIR PUPIM era o autorizante pela MATRIX de todas as operações que integram a planilha supracitada, o que evidencia que era ele quem comandava e comanda a MATRIX de "fato" e de maneira destacada as finanças da fiscalizada, sendo mesmo o seu gestor financeiro, o seu cérebro, a cabeça pensante da empresa. Ao longo da fiscalização ficou demonstrado que o Sr. ACLAIR PUPIM efetivamente é o dono de fato da MATRIX e que nunca deixou essa condição, basta um exame adicional nas cópias dos mais de 100 (cem) cheques, obtidas regularmente por RMF, junto aos bancos ITAÚ, BANCO DO BRASIL e COOPER POUPANÇA CRED LIVRE ADMISSÃO REG MARINGÁ (SICOOB), onde aparecem majoritariamente as assinaturas do Sr. AUGUSTO DUARTE PUPIM e seu pai, o Sr. ACLAIR PUPIM, anos calendário de 2012 e 2013. Fl. 1721DF CARF MF 6 Também foi localizada uma procuração (fls. 1365/1366), datada de 07/07/2012 (com validade até setembro de 2013), em que a MATRIX constitui seu bastante procurador ACLAIR PUPIM CPF n° 602.046.21968, conferindo e delegando a ele " os mais amplos gerais e ilimitados poderes para gerir e administrar a empresa ora outorgante, podendo adquirir e comercializar mercadorias e prestar serviços de seu ramo de negócios, pactuar preços, prazos, juros, multas, modo, local de pagamento e demais condições, mesmo penais, receber quaisquer quantias devidas, seja por contratos ou títulos, podendo cobrar amigável ou judicialmente todos os seus devedores; representar em juízo ou fora dele, constituir advogados e seus honorários, como destituílos, com os poderes da cláusula "Ad Judicia et Extra" para o foro em geral, em qualquer Juízo ou grau de Jurisdição, propor contra quem de direito as ações competentes e defendêla nas contrárias, receber, pagar, passar recibos, dar e receber quitações, totais ou parciais; firmar contratos de abertura, elevação ou de redução de crédito, perante quais quaisquer estabelecimentos bancários......... “ Concluiu a fiscalização que, a MATRIX FITNESS, sempre pertenceu à PUPIM, nas pessoas de ACLAIR PUPIM e seu filho AUGUSTO DUARTE PUPIM e jamais ao Sr. MIGUEL FRAZÃO SILVA FILHO, que inclusive chega em momentos de sua vida laboral, segundo relatos, a prestar serviços como motorista à própria fiscalizada, como afirmam funcionários da MATRIX, que por medo de sofrerem represálias, não se identificam, mas afirmam conhecer o Sr. MIGUEL FRAZÃO, como uma pessoa que tem ou tinha a profissão de motorista, e destacamos que é uma profissão respeitável, valorosa, dignificante e altamente importante no desenvolvimento do nosso País, na circulação, principalmente, de riquezas e de bens, mas não é de empresário a identificação profissional, a ocupação laborativa do Sr. MIGUEL FRAZÃO. Não efetivação da EIRELLI: Os elementos contábeis finalmente apresentados demonstram de maneira inequívoca que o capital social da fiscalizada é de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), conforme BALANÇO PATRIMONIAL (PRIMEIRO TRIMESTRE 2016), datado de 31.03.2016, no Capital Social o Capital Subscrito importa no valor de R$ 20.000,00, consoante Livro Diário n° 0008, contrariando resposta ao TIF n° 02/2016. Portanto, está devidamente comprovado, que a fiscalizada mantém o seu capital social no montante de R$ 20.000,00, valor inferior à integralização de no mínimo, 100(cem) vezes o valor do maior saláriomínimo vigente no país (art. 980 A, do Código Civil), para que os benefícios da Lei n° 12.441/2011, supracitada, pudesse alcançar a MATRIX, ora sob procedimento fiscalizatório. Mesmo diante das intimações, em nenhum momento, os intimados demonstraram a efetiva transformação da MATRIX numa EIRELI, tudo o que se obteve foram tergiversações, falácias, que formam um todo com uma destinação cabal, inexorável: A MATRIX não é uma EIRELI. Embora o documento protocolizado em 02.02.2016 (Registrado em 05.02.2016 sob o n° 20160590116) na Junta Comercial do Paraná JCP informasse na sua cláusula segunda, que o capital da empresa que era de R$ 20.000,00 passaria a ser de R$ 100.000,00, totalmente integralizado em moeda corrente nacional, efetivamente não ocorreu, foi uma manobra adredemente preparada para dar aparência de legalidade, tentando assim se beneficiarem indevidamente (os sócios) do que consta na Lei n° 12.441, de 11 de Julho de 2011, do instituto EIRELI EMPRESA INDIVIDUAL DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. Omissão de receitas: Fl. 1722DF CARF MF Processo nº 10950.724496/201609 Acórdão n.º 1201002.505 S1C2T1 Fl. 5 7 Ao se efetuar a conciliação bancária, procedeuse ao levantamento dos registros representativos de movimentações financeiras que, em tese, não são suscetíveis de incidência tributária, tais como empréstimos bancários, resgate de aplicações financeiras, estorno e cheques devolvidos. Foram considerados como base de cálculo os depósitos de origem não comprovada, decomposta em (1) Receita Declarada Indevidamente ao Simples Nacional, a partir de outubro de 2012 e (2) omissão de receitas: Fl. 1723DF CARF MF 8 A partir de outubro de 2012, a contribuinte foi excluída do Simples Nacional, conforme Ato Declaratório Executivo nº 37, de 07/11/2016 constante à fl. 19, por infração aos arts. 28, 29, I, 30, II, IV, § 1º, inciso IV, “a”, 31, V, “a”, da Lei Complementar nº 123, de 2006, e aos arts. 73, II, “a1”, 75, I, 76, I, da Resolução CGSN nº 94, de 2011. Destaquese que a contribuinte é uma indústria que dá saída a produtos de sua própria fabricação. Assim, a omissão de receita foi tributada também pelo IPI à alíquota de 20% (NCM 9506.91.00 – artigos e equipamentos para cultura física, ginástica ou atletismo), a partir da exclusão do Simples Nacional. ressaltese que os valores mensais devidos do IPI são resultantes da aplicação da alíquota (20%) sobre as SAÍDAS (fato gerador) individuais, consolidadas mensalmente, após concessão como CRÉDITOS DO IPI da somatória dos (1) valores recolhidos a título de IPI pelo SIMPLES NACIONAL e dos (2) créditos do imposto (IPI) sobre os insumos, conforme Notas Fiscais de Entrada, apresentadas pela fiscalizada em decorrência da auditoria, conforme DEMONSTRATIVO VALORES DOS CRÉDITOS DE IPI, conf. NF ENTRADA e Fl. 1724DF CARF MF Processo nº 10950.724496/201609 Acórdão n.º 1201002.505 S1C2T1 Fl. 6 9 DEMONSTRATIVO VALORES DO CRÉDITO DO IPI – FATOS GERADORES DOS ANOS CALENDÁRIOS 2012 E 2013, anexas ao processo. Responsabilidade solidária: Ao longo da fiscalização ficou demonstrado que ACLAIR PUPIM efetivamente é o dono de fato da MATRIX e que nunca deixou essa condição, basta, a título de exemplo, um exame adicional nas cópias de cerca de 100 (cem) cheques, obtidas regularmente por RMF, junto aos bancos ITAÚ, BANCO DO BRASIL e COOPER POUPANÇA CRED LIVRE ADMISSÃO REG MARINGÁ (SICOOB), onde aparecem majoritariamente as assinaturas do Sr. AUGUSTO DUARTE PUPIM e seu pai, o Sr. ACLAIR PUPIM, anos calendário de 2012 e 2013. Também foi localizada uma procuração em que a MATRIX constitui seu bastante procurador o SR ACLAIR PUPIM CPF n° 602.046.21968, conferindo e delegando a ele " os mais amplos gerais e ilimitados poderes para gerir e administrar a empresa ora outorgante, podendo adquirir e comercializar mercadorias e prestar serviços de seu ramo de negócios, pactuar preços, prazos, juros, multas, modo, local de pagamento e demais condições, mesmo penais, receber quaisquer quantias devidas, seja por contratos ou títulos, podendo cobrar amigável ou judicialmente todos os seus devedores; representar em juízo ou fora dele, constituir advogados e seus honorários, como destituílos, com os poderes da cláusula "Ad Judicia et Extra" para o foro em geral, em qualquer Juízo ou grau de Jurisdição, propor contra quem de direito as ações competentes e defendêla nas contrárias, receber, pagar, passar recibos, dar e receber quitações, totais ou parciais; firmar contratos de abertura, elevação ou de redução de crédito, perante quais quaisquer estabelecimentos bancários......... " Os recursos carreados para a conta 093892, agência 6946, Banco Itaú, titulada por SOLANGE ROEL PEREIRA, conforme PLANILHA MATRIX I (integra o TIF n° 02 A/00021/2006, recepcionado em 07.03.2016), onde os documentos demonstram inequivocamente que o Sr. ACLAIR PUPIM era o autorizante pela MATRIX de todas as operações que integram a planilha supracitada, o que evidencia que era ele quem comandava de "fato" as finanças da fiscalizada, sendo mesmo o seu gestor financeiro, o cérebro, a cabeça pensante da empresa. Portanto, a responsabilidade solidária está inequivocamente comprovada no que foi até aqui expendido, assim como o interesse comum na situação que constitui o fato gerador, pois as evidências são robustas de que há por parte do Sr. ACLAIR PUPIM a prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, consoante disciplinamento contido nos artigos 124, I, e 135, III, do CTN Lei n° 5.172, de 25 de Outubro de 1966. Em nenhum momento os intimados demonstram a transferência das quotas, seja pelo recebimento das importâncias envolvidas, na condição de alienante (s), seja pelo adquirente, na condição de demonstrar o efetivo desembolso, de ser realmente o adquirente da empresa MATRIX FIITNESS APARELHOS PARA GINÁSTICA LTDA ME. Como consequência dos fatos relatados, foram protocolados os seguintes processos: Fl. 1725DF CARF MF 10 Sendo notificada da exclusão do Simples Nacional e da autuação, a contribuinte ingressou com a impugnação de fls.1419 a 1452, na qual alega: ● Nulidade do auto de infração. Quebra do Sigilo Bancário. Afronta ao inciso XII do art. 5º da Constituição Federal (CF). A presente autuação fiscal foi efetuada com base na quebra de sigilo bancário do contribuinte, sem que tenha havido uma determinação judicial para tanto, em evidente abuso de poder por parte da Receita Federal e violação de nossa Carta Magna. Por essa razão também o ADE nº 37, de 2016, deve ser declarado nulo. ● Nulidade decorrente da solicitação de extratos. Na data de 02/12/2015, por meio do TDPFF n. 0910500.2015.002279, o Auditor intimou a empresa a apresentar os extratos bancários legíveis de toda a movimentação bancária (contas correntes / poupança / investimentos). É entendimento padrão em todas as esferas judiciais que essa solicitação só pode ser realizada por autoridade judicial competente. O Auditor da Receita Federal do Brasil não possui competência para requerer essa diligência. Conforme jurisprudência citada no capítulo anterior, para quebrar o sigilo bancário do contribuinte é necessário uma ordem emanada do Poder Judiciário. ● Princípio da Verdade Material. O Auditor Fiscal da Receita Federal considerou que as movimentações financeiras realizadas nas contas bancárias da empresa impugnante eram indícios de faturamento. Com isso, realizou o lançamento tributário caracterizando como faturamento da empresa todas as movimentações bancárias feitas nas suas contas. Ocorre que não houve, por parte do Auditor responsável pela fiscalização, uma detalhada verificação se os créditos bancários eram faturamento ou empréstimos e transferências entre as contas bancárias de titularidade da própria empresa fiscalizada. É cediço que o processo administrativo fiscal deve sempre buscar a verdade material dos fatos. Devido ao potencial danoso que uma sanção acarreta, a Receita Federal do Brasil não deve se ater a indícios para penalizar determinado contribuinte. A Receita Federal do Brasil ao permitir que uma empresa seja autuada com base em indícios e sem a devida e rigorosa atividade fiscalizatória age em afronta aos princípios da legalidade, do contraditório, da ampla defesa e da verdade material. O art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972, afirma que serão nulos os atos praticados com preterição do direito de defesa. ● Do erro da construção do lançamento. Fl. 1726DF CARF MF Processo nº 10950.724496/201609 Acórdão n.º 1201002.505 S1C2T1 Fl. 7 11 Os valores creditados nas contas bancárias da empresa foram considerados pelo Auditor da Receita Federal do Brasil como tributável. Todavia, ao efetuar o lançamento do imposto, o mesmo não observou o disposto no art. 288 do Decreto 3.000/99, pois não foi respeitado o regime de tributação a que estava submetida a empresa no período de apuração. ● Da Exclusão do Simples Nacional. Efeitos Retroativos. Afronta aos Princípios da Irretroatividade da Lei e da Garantia do Direito Adquirido. Os efeitos da exclusão não pode ter como início a data de outubro de 2012, sob risco de configurar afronta à garantia constitucional da irretroatividade da lei, bem como ofensa a direito adquirido (CF art. 5º, XXXVI e XL). A exclusão com efeito retroativo fere o direito adquirido uma vez que a empresa operou regularmente todo o ano de 2011 sem receber qualquer notificação da Receita Federal. O presente caso não trata de nenhuma das hipóteses previstas no art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), não podendo surtir efeitos retroativos. Além disso, não há provas contundentes da omissão de receita, pois a autoridade fiscal se baseou apenas em extratos bancários, ou seja, em meros indícios, os quais não provam que a empresa extrapolou o faturamento permitido para as optantes do Simples Nacional, portanto, a empresa atuava regularmente. Dessa forma, não há que cobrar no presente qualquer valor ou diferença na sistemática do Simples Nacional, do Lucro Presumido ou contribuições sociais. Isto posto, verificase que o Ato Declaratório deve ser declarado nulo, pois os efeitos retroativos da exclusão estão em desacordo como disposto na CF e no CTN. ● Presunção de Omissão de Receita baseada em extratos bancários. Ilegitimidade – Súmula 182 do TRF. Nos termos da presente Autuação, o Agente fiscal, após a análise das movimentações das contas correntes da empresa, obtidas de forma ilegal por meio de violação do sigilo bancário, alega que nos anos calendários de 2012 e 2013, os valores declarados na DASN (Declaração Anual do Simples Nacional), eram inferiores aos valores movimentados nas instituições financeiras em que a autuada possuía contas correntes. O fiscal tomou os depósitos e transferências como receita omitida. Contudo, os depósitos não são e na verdade nunca foram indicativos suficientes para comprovar e fundamentar a omissão de receita. A simples movimentação bancária do contribuinte, a despeito de ser indicativo do aporte de valores, não reflete, necessariamente, a existência de acréscimo patrimonial ou de faturamento a justificar a tributação. Ora, no próprio Auto foi narrado que "constatouse que as movimentações financeiras eram muito superiores às receitas declaradas". Portanto, os autos foram constituídos unicamente pela análise das contas correntes da empresa, sem que haja comprovação de que estes valores representam acréscimo patrimonial ou faturamento de fato. Portanto, é imprescindível a comprovação pelo fisco da utilização desses valores depositados como renda consumida ou faturamento, que não pode ter como único fundamento a existência de depósitos bancários (extratos bancários). Dessa Fl. 1727DF CARF MF 12 forma, cabe ao fisco o ônus probatório da infração, conforme súmula 182 do Tribunal de Recursos Fiscais. Cumpre ressaltar, ainda, que, mesmo após a edição da Lei n° 9.430/96, a qual permite o arbitramento do Imposto de Renda com base em depósitos bancários, se o contribuinte não comprovar a origem dos recursos, a Súmula 182 do TRF ainda terá aplicação. O Egrégio Superior Tribunal de Justiça também já se manifestou nesse sentido, ao proferir julgamento no Resp. 238356/CE. ● Das Operações Financeiras. Muitos dos valores a que a Receita Federal atribui como receita são apenas transferências entre as contas bancárias de titularidade da própria empresa. Isso nada mais é do que um mecanismo utilizado pelas empresas para cobrir saldos negativos de determinada conta bancária, com vistas a manter o equilíbrio entre as contas da empresa e evitar o pagamento de juros no caso de saldos negativos. Durante o processo fiscalizatório, deveria ter sido realizada uma vasta e detalhada análise dos valores creditados nas contas da empresa, pois ao considerar empréstimos bancários e transferências entre contas de mesma titularidade como receita provenientes de vendas omitidas, a Receita Federal; provocou enormes danos ao contribuinte. ● Da exclusão dos valores pagos. Caso subsista a presente autuação, requerse que sejam excluídas dos valores cobrados na presente autuação as contribuições já recolhidas pela empresa referente ao ano calendário de 2012 e 2013, quando a empresa estava enquadrada no SIMPLES Nacional. Do contrário, sem a exclusão dos valores já pagos, estarseá diante de um bis idem, ou seja, haverá a tributação por mais de uma vez da empresa sobre o mesmo fato gerador, o que configura afronta a ordem pública e enriquecimento ilícito por parte do Fisco, e, portanto, não pode ser admitido. ● Da Multa Confiscatória. No presente caso, foi aplicada multa de oficio no valor de 75 % (setenta e cinco por cento) do valor do débito tributario. Inobstante a empresa ter sido autuada sem a observância do princípio da verdade material, e com base apenas em indícios, foilhe ainda aplicada uma multa totalmente confiscatória. Desse modo, requer seja a multa de ofício readequada ao patamar não superior a 10%. ● Da Prova Pericial. O Auditor Fiscal não pode considerar como receita de uma empresa qualquer movimentação que passe pelas contas bancárias da mesma, sem antes realizar uma atividade fiscalizatória extremamente rigorosa para apurar a origem de tais valores. O Decreto n° 70.235/72 em seu artigo 16, IV, dispõe que a impugnação mencionará as perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que a justifiquem. Na presente peça está evidenciado o motivo da necessidade dessa modalidade de prova: provar que a empresa foi excluída do SIMPLES NACIONAL com base em indícios que nada mais são do que movimentação financeira entre contas da mesma empresa e não são, como afirmou o Auditor Fiscal, receitas. Fl. 1728DF CARF MF Processo nº 10950.724496/201609 Acórdão n.º 1201002.505 S1C2T1 Fl. 8 13 Somente com a realização desse meio de prova será possível determinar qual a real origem dos créditos lançados nas referidas contas. Conforme dispõe o art. 16, IV do Decreto n 70.235/72, o perito indicado é: Nome: Anderson Wagner Jacomini Endereço: Rua Neo Alves Martins, n° 2.398, Zona 01, Maringá PR, 87013060. Qualificação Profissional: Contador CRC 043782/08PR ● Ilegalidade da Taxa Selic. É ilegal a utilização da taxa SELIC como taxa de juros de mora para débitos tributários, porquanto sua composição foi criada para regular situações referentes à política monetária nacional, e não servir de fator de recomposição da moeda. Ademais, não é correto o entendimento de que tal taxa foi instituída por lei e que sua utilização se dá com fulcro no artigo 161 do CTN. Ora, a lei ordinária não criou a taxa SELIC, mas tão somente estabeleceu seu uso, o que contraria o ordenamento jurídico, pois este só autorizou juros diversos se a lei estatuir em contrário. Ademais, o fato de estar prevista em lei não significa que pode a mesma ser aplicada a qualquer tempo, lugar e situação, como a do caso em tela. Isso porque é fator de correção utilizado em mercado de capitais, onde estão embutidos em seu bojo outros custos que não representam somente a remuneração do capital através da correção monetária. Na composição da SELIC, além da correção monetária, são computados fatores como risco, corretagem e custo de outros serviços referentes às operações financeiras. Ademais, importante observar que o parágrafo 1o do art. 161 do CTN preceitua que os juros serão de 1% se a lei não dispuser de modo diverso, e sendo a SELIC criada para outra finalidade que não a do caso em tela, não pode ser utilizada, devendo prevalecer o disposto no parágrafo retro mencionado. Destacando o valor cobrado a título de Taxa SELIC. Requer seja afastada a aplicação da taxa SELIC como taxa de juros no presente caso. ● Do Arrolamento de Bens e Direitos. O Termo de Arrolamento de Bens encontrase eivado de inconstitucionalidade e de ilegalidade. A partir do ano de 2007, o Supremo Tribunal Federal e, inclusive, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, passaram a entender que tal exigência é inconstitucional. No STF essa matéria encontrase pacificada e já foi motivo de Repercussão Geral, ou seja é entendimento consolidado. Essa matéria é inclusive alvo de Súmula Vinculante: STF SÚMULA VINCULANTE N° 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. No mesmo sentido a CSRF: NORMAS PROCESSUAIS ARROLAMENTO DE BENS Na ADIN n° 1976, a Suprema Corte declarou a inconstitucionalidade da exigência de arrolamento de bens para admissibilidade de recurso aos Conselhos de Fl. 1729DF CARF MF 14 Contribuintes prevista no artigo 33, §2°, do Decreto n° 70.235/72. Tal exigência de arrolamento foi posteriormente revogada pelo art. 19, inciso I, da Medida Provisória 413/08 e o Ato Declaratório Interpretativo n° 16/07 autorizou as unidades da Receita Federal a declarar nulas as decisões que inadmitiram recursos voluntários de contribuintes por i falta do arrolamento. Aplicamse essas determinações aos processos pendentes de decisão, não havendo razão para i persistir com a negativa de conhecimento do recurso. Recurso especial provido. (Acórdão n° 01.05.948. Sessão i de 11 de agosto de 2008. Câmara Superior de Recursos Fiscais. Primeira Turma.) ! ● Pedido. Preliminarmente, decretar a nulidade do presente auto de infração, com consequente arquivamento do processo, sem qualquer imposição de penalidade à fiscalizada, visto que a fiscalização que deu origem a presente autuação é nula, pois a quebra do sigilo bancário não foi determinada por ordem judicial, em afronta ao inciso XII, art. 5º da Constituição Federal, conforme item 3.1; 2) Não sendo esse o entendimento, que seja declarado nulo o auto de infração em epígrafe, bem como o ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO N° 37, em razão da ilegalidade e inconstitucionalidade derivada da solicitação de extratos bancários feita à empresa impugnante constante no TDPFF n° 0910500.2015.002279; 3) Caso não seja acolhida a primeira preliminar, requer que sejam declarados nulos o presente Auto de Infração epígrafe e o Ato Declaratório Executivo n° 37, tendo em vista a ofensa ao princípio da verdade material, nos termos do item 3.3; 4) Caso não sejam acolhidas nenhuma das duas preliminares acima, requer sejam declarados nulos o Auto de Infração em epígrafe e o Ato Declaratório Executivo n° 37, por violar o artigo 288 do Decreto 3.000/99, consoante exposto no item 3.4; 5) Caso não sejam acolhidas nenhuma das três preliminares acima, requer sejam declarados nulos o Auto de Infração em epígrafe e o Ato Declaratório Executivo de n° 37 de 07 de novembro de 2016, considerando a ilegalidade dos efeitos retroativos do referido ato, pois os mesmos configuram afronta as garantias da irretroatividade da lei e do direito adquirido dispostos nos incisos XXXVI e XL, do art. 5º da Constituição Federal e art. 106 do Código Tributário Nacional, que torna insubsistente a presente cobrança devidas pelo desenquadramento da empresa do Simples Nacional, nos termos do item 3.5; 6) No mérito, declarar insubsistente o Auto de Infração lavrado, com o consequente arquivamento do processo, sem qualquer imposição de penalidade à Impugnante, dado que a presunção de omissão de receita se deu apenas com base na análise dos extratos bancários da empresa, os quais, por si só, não comprovam a omissão de receita, conforme exposto no item 4.1; 7) Caso não seja esse o entendimento, respeitandose o princípio da eventualidade, requer seja o Auto de Infração corrigido, excluindo dele os valores referentes a empréstimos e a transferência entre as contas da empresa contribuinte, com base no exposto no item 4.2; 8) Requer sejam as multas readequadas ao patamar não superior a 10% (dez por cento), respeitando o princípio do nãoconfisco, conforme exposto no item 4.4; 9) Requer seja admitida a produção de todas as provas em direito admitidas, em especial a prova pericial, nos termos do item 4.5; 10) Caso subsista a presente autuação, o que não se espera diante de todas as ilegalidade e irregularidades já expostas, requerse, que ao menos, sejam excluídas Fl. 1730DF CARF MF Processo nº 10950.724496/201609 Acórdão n.º 1201002.505 S1C2T1 Fl. 9 15 dos valores cobrados na presente autuação os impostos já recolhidos pela empresa referente aos anos calendário de 2012 e 2013, nos termos do item 4.6; 11) Requer seja afastada a aplicação da taxa SELIC como taxa de juros no presente caso; 12) Requer seja declarado nulo o TAB Termo de Arrolamento de Bens n° 10950.724.540/201672; Aclair Pupim, ao qual foi atribuída responsabilidade solidária ingressou com impugnação, apresentando as mesmas alegações anteriormente descritas e argumentando, quanto à responsabilidade, o que segue: O fiscal afirma que Aclair Pupim seria o real sócio da empresa Matrix, tendo plenos poderes para conduzila, justificando este entendimento com base em relatos de terceiros, cópias de cheques e procurações. ! O fisco se baseou mais em conjecturas do que na situação de fato, ante a inexistência de prova documental a amparar todas as alegações. No que se refere aos cheques e ao fato de seu nome constar como autorizante da Matrix, resta comprovado que o "Banco deixou de proceder, internamente, o registro da alteração contratual", conforme já alegado pelo próprio Aclair Pupim, de forma que este não pode ser visto como sócio de uma empresa por um erro alheio. No que tange à procuração outorgada para o Sr. Aclair Pupim, não deve ser considerada como indício de prova, eis que, comumente, pessoas jurídicas concedem procurações para pessoas terceiros, autoriza outra a agir em nome da empresa, não podendo, tal fato, ser interpretado como forma de encobrir os verdadeiros empresários. Por fim, quanto às alegações de que o Autuado era conhecido por todos como dono da fiscalizada, talvez o argumento mais falho usado na presente autuação, verificamos uma vez mais afirmações generalizadas, baseadas em suposições, já que o fato de algumas pessoas imaginar que o Sr. Adair seria o proprietário da empresa Matrix, não o torna sócio de fato da mesma. O simples inadimplemento tributário não permite a responsabilização pessoal dos sócios pelos débitos contraídos pela empresa, sob pena de se desconsiderar a distinção de personalidades jurídicas entre sócio e sociedade, proposta pelo direito empresarial, frente ao direito tributário. Nesse sentido, o auto de infração, capaz de suscitar a aplicação dos artigos 124, I e 135, III, ambos do CTN, deve demonstrar que o administrador praticou atos de gestão com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatuto. Mesmo que o Autuado fosse sócio de fato da Empresa Matrix (o que admitese apenas a título de argumentação), nunca tendo deixado essa condição, não restou caracterizada a prática de Fl. 1731DF CARF MF 16 qualquer infração de sua parte, considerando que o mero inadimplemento tributário é insuficiente. Dessa forma, considerando que o Sr. Fiscal não mencionou, especificamente, quais foram os atos cometidos pelo Autuado ora considerados como excesso de poder, ônus este que lhe competia, eis que cabe ao Fisco demonstrar a presença de um dos requisitos do art. 135 do CTN, requer seja julgado nulo o presente auto de infração, principalmente no que se refere à responsabilidade solidária do Autuado Aclair Pupim. Por essa decisão, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, conforme ementa abaixo transcrita: DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. JUROS DE MORA. SELIC. A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legal. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ADMINISTRADOR. São pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, bem como as pessoas com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Fl. 1732DF CARF MF Processo nº 10950.724496/201609 Acórdão n.º 1201002.505 S1C2T1 Fl. 10 17 Indeferese o pedido de perícia que deixe de atender os requisitos legais e que se refira à questão cuja elucidação dependa apenas de apresentação de documentos. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS . COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Nos recursos voluntários são repisados os mesmos argumentos da impugnação, apenas sendo acrescentados mais dois pedidos, quais sejam: a) "em respeito ao princípio de segurança jurídica, requerse que seja o julgamento do presente processo suspenso até a decisão definitiva do auto de infração nº 10950724.496/201609"; b) "caso não seja acolhida a preliminar acima, sucessivamente, com base no art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento Interno do CARF, requer que seja sobrestado o presente recurso até a decisão definitiva do RE 601.314". A preliminar referida é a nulidade do auto de infração por quebra de sigilo bancário sem autorização judicial. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. Os recursos voluntários são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade. Portanto, devem ser conhecidos. Preâmbulo. Por primeiro, cumpre salientar que o presente processo versa sobre lançamentos de IRPJ, CSLL, contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, relativos ao período de outubro de 2012 a dezembro de 2013, após o desenquadramento da contribuinte do Simples Nacional, tendo em vista a constatação de omissão de receitas apurada com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Os fundamentos dos recursos voluntários são os mesmos trazidos na manifestação de inconformidade, com exceção dos dois pedidos adicionais conforme salientado no relatório. Fl. 1733DF CARF MF 18 Em face disso, os pedidos veiculados somente no recurso voluntário serão analisados separadamente, em primeiro lugar, adotandose os fundamentos da decisão de primeira instância como razões de decidir no presente voto, nos termos do art. 57, § 3º, do Anexo II do RICARF, quanto às demais matérias, com exceção da responsabilidade tributária. Sobrestamento deste processo até decisão definitiva quanto ao auto de infração objeto do nº 10950.724496/201609. No que tange a esse pedido, ele não encontra razão de ser. O processo indicado é este mesmo. Assim, nada há para ser examinado ou decidido quanto ao suscitado. Sobrestamento até a decisão definitiva quanto ao RE 601.314. Ocorre que a decisão definitiva quanto ao Recurso Extraordinário em questão, sob o regime de Repercussão Geral, deuse em fevereiro de 2016, entendendo o E. Supremo Tribunal Federal pela constitucionalidade da Lei Complementar nº 105/2001, conforme ementa abaixo transcrita: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o auto governo coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do auto governo coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo Fl. 1734DF CARF MF Processo nº 10950.724496/201609 Acórdão n.º 1201002.505 S1C2T1 Fl. 11 19 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento (RE 601.314/SP, Relator Min. Edson Fachin, sessão de 24/02/2016, Tribunal Pleno, publicado no DJe198, divulgado em 15/09/2016 e Publicado em 16/09/2016). Assim, não há mais o que se discutir acerca das disposições da Lei Complementar em tela neste Conselho, em face do art. 62, § 1º, II, "b", do RICARF. Demais matérias suscitadas. Sigilo Bancário. Alega a contribuinte que o lançamento é nulo, pois houve quebra do sigilo bancário sem autorização judicial. Cabe esclarecer que o acesso pelas autoridades administrativas às informações bancárias dos contribuintes tem fundamento na própria Constituição Federal (CF), em seu art. 145, §1º, no Código Tributário Nacional (CTN), art. 197, II, bem assim na Lei Complementar (LC) nº 105, de 2001, na Lei nº 10.174, de 2001, e no Decreto nº 3.724, de 2001. Ademais, o Plenário do STF concluiu na sessão de 24/02/2016 o julgamento conjunto de cinco processos que questionavam os dispositivos da Lei Complementar nº 105, de 2001, que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. Por maioria de votos (9 a 2), prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. Destacouse no julgamento que a transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. Inclusive, naquela oportunidade foi julgado o mérito do RE 601.314, considerado paradigma da repercussão geral envolvendo o tema (Tema 225 Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Dessa forma, não tendo sido declarados inconstitucionais pelo STF, sob o rito da repercussão geral, os respectivos dispositivos da Lei Complementar nº 105, de 2001, que autorizam a transferência dos dados bancários do contribuinte para o fisco, devese continuar aplicando tal lei na via administrativa, pelo princípio da presunção da legitimidade das leis. Acrescentese que, durante o procedimento fiscal, a contribuinte autorizou a Receita Federal a intimar as instituições financeiras a apresentarem cópias legíveis, Fl. 1735DF CARF MF 20 frente e verso de todos os cheques relacionados pelo autuante, não existindo qualquer quebra ilegal do sigilo bancário. Diante do exposto, deve ser rejeitada essa alegação. Com relação ao assunto, já havia sido abordado supra quando da análise relativa ao sobrestamento do processo até o julgamento do RE 601.314. Tributação com base em Depósito Bancários. Com relação à omissão de receita caracterizada pela falta de comprovação da origem dos recursos que possibilitaram a realização de depósitos bancários, dispõe a Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. O dispositivo legal acima transcrito estabeleceu uma presunção legal de que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, não comprovados com documentação hábil e idônea, constituem receita omitida. Em relação às presunções de omissão de receita, destacase que essas são classificadas pela doutrina como espécies de provas indiretas. A doutrina do Direito Tributário identifica duas espécies distintas: as legais e as simples (comuns). As presunções legais se subdividem em absolutas (jure et de jure) e relativas (jures tantum). As presunções absolutas não admitem prova em contrário ao fato presumido, já as relativas admitem prova contrária, reputandose verdadeiro o fato presumido até que a parte interessada prove o contrário. As presunções legais relativas provocam a chamada “inversão do ônus da prova”, cabendo ao contribuinte provar que o fisco está equivocado. A falta de adequada comprovação impede o acolhimento do pleito, este é o entendimento expresso pelo Código de Processo Civil, art. 373, II. A comprovação da origem dos valores depositados em contacorrente bancária deve ser detalhada, coincidente em data e valores. Deve ficar claro que o numerário teve origem em valores já tributados pela empresa ou em valores não tributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte. No caso presente, a fiscalização intimou a empresa a esclarecer e comprovar adequadamente a origem dos recursos depositados em suas contas correntes e a contribuinte não o fez. Ficou bastante claro no processo que não restou comprovada a origem dos depósitos tributados na autuação. Fl. 1736DF CARF MF Processo nº 10950.724496/201609 Acórdão n.º 1201002.505 S1C2T1 Fl. 12 21 Na impugnação, a contribuinte apenas solicita que sejam excluídos os valores referentes à empréstimos e transferência entre as suas contas. Entretanto, não anexa ao processo qualquer comprovação dos alegados empréstimos e não aponta nenhum crédito bancário tributado no auto de infração que se refira a transferências entre contas de mesma titularidade. Dessa forma, não há como alterar o lançamento tributário. Devese esclarecer que a súmula 182 do TRF (rectius TFR) é anterior à citada Lei 9.430, de 1996, a partir da qual não há mais que se comprovar evidências de sinais exteriores de riqueza, pois a própria lei determina, nesses casos, que os valores depositados constituem receita. Não estão sendo tributados os depósitos bancários, mas a receita que eles representam por expressa disposição legal. Os depósitos são o sinal de exteriorização pelo qual se manifesta a omissão de receita, quando não comprovada a origem financeira dos recursos utilizados. Relativamente ao pedido de que sejam excluídos os valores referentes à empréstimos e transferência entre as suas contas, também no Recurso Voluntário não foram apresentadas provas do alegado. Erro no lançamento. Quanto à alegação de que houve erro na construção do lançamento, uma vez que não se observou o disposto no art. 288 do Decreto 3.000, de 1999, temse que a contribuinte foi excluída da sistemática do Simples a partir de 01/10/2012 e, por essa razão, sujeitouse, a partir dessa data, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, nos termos do art. 32 da LC nº 123, de 2006. Sendo intimada para exercer a opção prevista no referido art. 32 da LC nº 123, de 2006, optou pelo recolhimento do IRPJ e CSLL na forma do lucro presumido. Com relação à tributação da omissão de receitas relativa ao período anterior à exclusão, verificase que seguiu a sistemática do Simples Nacional adotado pela contribuinte. Assim, é improcedente essa alegação. Valores Pagos. A contribuinte solicita que sejam excluídos dos valores cobrados na presente autuação os impostos já recolhidos pela empresa referente aos anos calendário de 2012 e 2013. Observase nos autos de infração que já foram deduzidos no cálculo dos tributos os valores pagos pela sistemática do Simples, conforme se vê às fls. 1440 a 1486 e 1492 a 1520. Tributação Reflexa. Com relação aos autos de infração reflexos (CSLL, PIS e Cofins), sendo decorrentes da mesma infração tributária que motivou a autuação relativa ao IRPJ (lançamento principal), deverá ser aplicada idêntica solução, em face da estreita relação de causa e efeito. Inconstitucionalidade. Quanto às alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade, os protestos da impugnante não se prestam para pautar a decisão deste colegiado, que tem sua Fl. 1737DF CARF MF 22 atividade completamente vinculada à legislação vigente que rege a matéria objeto do procedimento fiscal impugnado. Isto porque não compete à autoridade julgadora afastar o direito positivado sob pretexto de alegados vícios de ilegalidade e inconstitucionalidade na sua gênese. Toda atividade da Administração Pública se passa na esfera infralegal e as normas jurídicas, quando emanadas do órgão legiferante competente, gozam de uma presunção de constitucionalidade, bastando sua mera existência para inferir a sua validade. Inovado o sistema jurídico com uma norma emanada do órgão competente, ela passa a pertencer ao sistema, cabendo à autoridade administrativa tãosomente velar pelo seu fiel cumprimento até que seja expungida do mundo jurídico por uma outra superveniente ou por resolução do Senado da República, publicada posteriormente à declaração de sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal. Esta questão, ademais, encontrase agora expressamente disciplinada em lei ordinária, conforme prescrito no art. 25 da Lei nº 11.941, de 2009, que inseriu o art. 26A no Decreto nº 70.235, de 1972, nos seguintes termos: Art. 25. O Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, passa a vigorar com as seguintes alterações: (...) "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993.” Não se enquadrando a matéria impugnada em qualquer das exceções prescritas no § 6º, recémtranscrito, não há como afastar a exigência combatida a pretexto de alegada inconstitucionalidade da norma em que a fundamentou. Assim sendo, resta à impugnante levar suas considerações ao Poder Judiciário, que detém o “monopólio” da análise de alegadas ilegalidades e/ou inconstitucionalidades do direito positivado. Enfim, os óbices por ela apontados, neste ponto, são impertinentes à seara administrativa. Fl. 1738DF CARF MF Processo nº 10950.724496/201609 Acórdão n.º 1201002.505 S1C2T1 Fl. 13 23 Quanto à solicitação de redução da multa ao patamar de 10%, é incabível, pois não se trata de multa de mora, mas multa decorrente de lançamento de ofício, cujos percentuais não são arbitrados pela autoridade administrativa. Decorrem de expressa previsão legal, no caso, a Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, I (com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007), que é clara ao fixar o percentual da multa de ofício. Taxa Selic. A impugnante contestou a utilização da taxa Selic como juros. Como anteriormente esclarecido, não cabe à autoridade administrativa deixar de aplicar o direito positivado a pretexto de alegadas ilegalidades/inconstitucionalidades na sua gênese. Neste caso, a aplicação da taxa Selic como juros moratórios tem fulcro no art. 61, §3º, da Lei nº 9.430, de 1996. Por fim, destaquese a existência de súmulas do Carf, tanto a respeito da impossibilidade de apreciação de constitucionalidade de leis tributárias, quanto sobre a regular incidência dos juros de mora, cobrados com base na variação da Taxa Selic, conforme abaixo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Juntada Posterior de Provas. O pedido para juntada posterior de provas não pode ser deferido, porque a Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, alterou o disposto no Decreto nº 70.235, de 1972, art. 16, mediante a inclusão do § 4º, que diz: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não tendo ocorrido nenhuma das hipóteses acima transcritas, não se pode acatar a solicitação de apresentação posterior de documentação. Ademais, como já apontado acima, junto com o Recurso Voluntário não veio nenhum documento ou qualquer outro elemento de prova. Perícia. Fl. 1739DF CARF MF 24 Quanto ao pedido de perícia, o PAF, art. 16, IV e §1º, alterado pela Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, determina que todo pedido de perícia deve indicar os motivos que o justifiquem e o perito do sujeito passivo. Caso contrário, o pedido deve ser considerado não formulado. Portanto, não tem efeito o pedido de perícia da empresa, uma vez que não indicou os quesitos a serem respondidos. Ademais, a perícia é dispensável para o deslinde do presente julgamento, uma vez que se trata de matéria de prova a ser feita mediante a juntada de documentação, cuja guarda e conservação compete à própria interessada. Arrolamento de Bens. Convém registrar que o presente litígio não pode abranger o arrolamento de bens, pois, além de se tratar de matéria estranha ao presente processo, vinculase a ato da autoridade lançadora, fundamentado na Lei nº 9.532, de 1997, que não integra a competência dessa Delegacia de Julgamento em sua atribuição relativa ao contencioso administrativo. Da mesma forma, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a matéria. O entendimento está sedimentado no âmbito deste colegiado. Abaixo, ementa de julgado recente desta Turma, da relatoria do i. Cons. Rafael Gasparello Lima, nesse sentido: ARROLAMENTO DE BENS. Não se insere no âmbito de competência das Delegacias de Julgamento, nem do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a apreciação do procedimento de arrolamento de bens efetivado pela autoridade lançadora. (Acórdão nº 1201002.079 Sessão de 12 de março de 2018). Responsabilidade tributária. Conforme pode ser visto no Termo de Verificação Fiscal, em especial nas fls. 1.433 a 1.436, houve a atribuição da responsabilidade solidária nos termos dos artigos 124, I, e 135, III, ambos do CTN. Na decisão de piso ficou assim registrado: Consta no processo que a fiscalização imputou responsabilidade solidária a Aclair Pupim nos seguintes termos: ...Ao longo da fiscalização ficou demonstrado que o Sr. ACLAIR PUPIM efetivamente é o dono de fato da MATRIX e que nunca deixou essa condição, basta, a título de exemplo, um exame adicional nas cópias de cerca de 100 (cem) cheques, obtidas regularmente por RMF, junto aos bancos ITAU, BANCO DO BRASIL e COOPER POUPANÇA CRED LIVRE ADMISSÃO REG MARINGÁ (SICOOB), onde aparecem majoritariamente as assinaturas do Sr. AUGUSTO DUARTE PUPIM e seu pai, o Sr. ACLAIR PUPIM, anos calendário de 2012 e 2013. Também foi localizada uma procuração em que a MATRIX constitui seu bastante procurador o SR ACLAIR PUPIM CPF n° 602.046.21968, conferindo e delegando a ele " os mais amplos gerais e ilimitados poderes para gerir e administrar a empresa ora outorgante, podendo adquirir e comercializar mercadorias e prestar serviços de seu ramo de negócios, pactuar preços, prazos, juros, multas, modo, local de pagamento e Fl. 1740DF CARF MF Processo nº 10950.724496/201609 Acórdão n.º 1201002.505 S1C2T1 Fl. 14 25 demais condições, mesmo penais, receber quaisquer quantias devidas, seja por contratos ou títulos, podendo cobrar amigável ou judicialmente todos os seus devedores; representar em juízo ou fora dele, constituir advogados e seus honorários, como destituílos, com os poderes da cláusula "Ad Judicia et Extra" para o foro em geral, em qualquer Juízo ou grau de Jurisdição, propor contra quem de direito as ações competentes e defendêla nas contrárias, receber, pagar, passar recibos, dar e receber quitações, totais ou parciais; firmar contratos de abertura, elevação ou de redução de crédito, perante quais quaisquer estabelecimentos bancários......... Citada procuração atribuiu a Aclair Pupim poderes gerais e ilimitados para gerir e administrar a empresa, sendo acostado aos autos cópias de mais de 100 cheques obtidas regularmente por RMF, junto aos bancos ITAÚ, BANCO DO BRASIL e SICOOB, que comprovam que citada pessoa, anos calendário de 2012 e 2013, movimentava as contas bancárias da contribuinte. E mais, ficou comprovado no processo que Aclair Pupim efetivamente é o dono de fato da MATRIX e que nunca deixou essa condição. Não foram apresentadas provas da efetiva transferência das quotas da Matrix para Miguel Frazão Silva Filho que figura como adquirente da participação societária. Em nenhum momento os intimados demonstraram a transferência das quotas, seja pelo recebimento das importâncias envolvidas, na condição de alienante (s), seja pelo adquirente, na condição de demonstrar o efetivo desembolso, de ser realmente o adquirente da empresa MATRIX FITNESS APARELHOS PARA GINÁSTICA LTDA – ME. Diante dessas constatações, restou configurado o interesse direto do administrador, Aclair Pupim, na atividade da empresa pela concessão a ele de poderes para gerir por completo o sujeito passivo autuado, do qual é administrador de fato. Por esse motivo, foi o impugnante incluído no polo passivo da obrigação tributária. Nessa decisão, restou mantida a responsabilidade pelos dois enquadramentos: artigos 124, I, e 135, III, ambos do CTN. Nos presentes autos ficou demonstrado pelos elementos de prova produzidos pela fiscalização, que o Sr. Aclair Pupim teve interesse comum na omissão de receitas que constituiu o crédito tributário em questão, não possuindo apenas interesse econômico, mas em face de ser efetivamente o administrador da empresa, incidindo o artigo 124, I, do CTN. Também, sendo o administrador de fato, incide o artigo 135, inciso III, desse mesmo diploma legal. Conclusão. Por todo o exposto, conheço dos recursos voluntários para, no mérito, NEGARLHES provimento. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 1741DF CARF MF 26 Fl. 1742DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720614/2007-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - 1RPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
IRPJ. CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
DECADÊNCIA. Independentemente de haver ou não pagamento,
excetuando-se os casos de dolo, fraude ou simulação, a Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade de lançamento por homologação.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQLTISITOS ESSENCIAIS.
Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO
DE OMISSÃO DE RECEITA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei n°9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receitas com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. Cabe o arbitramento do lucro, com
fundamento no art. 47, inciso III, da Lei n° 8.981/95, na situação em que a contribuinte regularmente intimada a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, deixa de apresentá-los.
RECEITA OMITIDA. REGIME DE TRIBUTAÇÃO APLICÁVEL - A receita omitida será computada para a determinação da base de cálculo do
imposto devido e do adicional, ser for o caso, de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI-0 Primeiro Conselho de
Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a
inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula 1° CC n° 2)
TRIBUTAÇÃO REFLEXA . Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 1201-000.001
Decisão: ACORDAM os Membros da 2ª câmara / 1ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, INDEFERIR os pedidos de perícia e diligência e REJEITAR a preliminar de nulidade. Por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência, para considerar decaídos os fatos geradores ocorridos até o 3° trimestre/2002, inclusive, para o IRPJ, e até nov/2002, inclusive, para as demais contribuições, vencida a Conselheira Adriana Gomes Rêgo, que não acolheu a decadência, e por unanimidade de votos, NEGAR provimento quanto às demais matérias, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - 1RPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 IRPJ. CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Independentemente de haver ou não pagamento, excetuando-se os casos de dolo, fraude ou simulação, a Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade de lançamento por homologação. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQLTISITOS ESSENCIAIS. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei n°9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receitas com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Cabe o arbitramento do lucro, com fundamento no art. 47, inciso III, da Lei n° 8.981/95, na situação em que a contribuinte regularmente intimada a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, deixa de apresentá-los. RECEITA OMITIDA. REGIME DE TRIBUTAÇÃO APLICÁVEL - A receita omitida será computada para a determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, ser for o caso, de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI-0 Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula 1° CC n° 2) TRIBUTAÇÃO REFLEXA . Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da 2ª câmara / 1ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, INDEFERIR os pedidos de perícia e diligência e REJEITAR a preliminar de nulidade. Por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência, para considerar decaídos os fatos geradores ocorridos até o 3° trimestre/2002, inclusive, para o IRPJ, e até nov/2002, inclusive, para as demais contribuições, vencida a Conselheira Adriana Gomes Rêgo, que não acolheu a decadência, e por unanimidade de votos, NEGAR provimento quanto às demais matérias, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
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I : • MINISTÉRIO DA FAZENDA • CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo u° 10283.720614/2007-11 Recurso u° 167.996 Voluntário Acórdão n° 1201-00.001 — 2' Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 11 de março de 2009 Matéria IRPJ E OUTROS - Ex(s): 2003 a 2004 Recorrente W.P. CONSTRUÇÕES E TERRAPLANAGEM LTDA. Recorrida TURMA/DRJ-BELÉM/PA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - 1RPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 IRPJ. CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Independentemente de haver ou não pagamento, excetuando-se os casos de dolo, fraude ou simulação, a Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade de lançamento por homologação. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQLTISITOS ESSENCIAIS. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei n°9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receitas com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Cabe o arbitramento do lucro, com fundamento no art. 47, inciso III, da Lei n° 8.981/95, na situação em que a contribuinte regularmente intimada a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, deixa de apresentá-los. RECEITA OMITIDA. REGIME DE TRIBUTAÇÃO APLICÁVEL - A receita omitida será computada para a determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, ser for o caso, de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica. Processo n° 10283.720614/2007-11 SI-C2T1 Acórdão n.° 1201-00.001 Fl. 2 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI-0 Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula 1° CC n° 2) TRIBUTAÇÃO REFLEXA . Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por W.P. CONSTRUÇÕES E TERRAPLANAGEM LTDA. ACORDAM os Membros da 2' câmara / turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, INDEFERIR os pedidos de perícia e diligência e REJEITAR a preliminar de nulidade. Por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência, para considerar decaídos os fatos geradores ocorridos até o 3° trimestre/2002, inclusive, para o IRPJ, e até nov/2002, inclusive, para as demais contribuições, vencida a Conselheira Adriana Gomes Rêgo, que não acolheu a decadência, e por unanimidade de votos, NEGAR provimento quanto às demais matérias, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. CetrAY -1n1‘ir tinS"Ri 8.V Presidente jfilt NTONI EZERRA NETO Relator • 2 Processo n° 102&3.720614/2007-I1 SI-C2TI Ao5rdâo C1201-00.001 H. 3 FORMALIZADO EM: 24 AG@ 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros LEONARDO DE ANDRADE COUTO, CARLOS PELÁ, REGIS MAGALHÃES SOARES QUEIROZ, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES e ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO. Ausente justificadamente o Conselheiro ALEXANDRE BARBOSA JAGUARIBE. 3 Processo n° 10283.720614/2007-11 SI-C2T1 Acórdão a° 1201-00.001 Fl. 4 Relatório Trata-se de recurso voluntário em vista do Acórdão no 01-11.136, da 1' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém-PA. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: "Contra o contribuinte identificado no preâmbulo foram lavrados os autos de infração às fls. 305 a 357, formalizando lançamentos de oficio do crédito tributário abaixo discriminado, relativo aos anos-calendário de 2002 a 2004, incluindo juros de mora calculados até 30/11/2007 e multa agravada de 112,50%, totalizando R$ 25.484.608,65: - Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ15.367.958,17 - Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL3.500.945,49 - Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS1.178.138,66 - Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins5.437.566,33 De acordo com a descrição dos fatos, foram lançados IRPJ, CSLL, PIS e COF1NS sobre depósitos bancários de origem não comprovada pelo contribuinte. Como o contribuinte não atendeu às intimações da fiscalização, a multa foi agravada em 50%. Cientzficada das exigências em 11/12/2007 (fls. 305, 318, 331 e 344), a empresa autuada impugnou os autos de infração em 08/01/2008, conforme petição acostada às fls. 439 a 500, contestando o procedimento fiscal com as alegações a seguir sumariadas: 1) Que a impugnante se utilizou do instituto da espontaneidade, conforme dispõe o art. 138 do C7N, ao entregar a DIPJ 2003 e 2004 em 30/07/07 e a DIPJ 2005 em 26/07/07, conforme Anexo I, fls. 02 a 04, sendo que o início da ação fiscal se deu em 21/09/07 ql. 01); 2) Que o artigo 47 da Lei 9.430/96 dá direito ao contribuinte de pagar os tributos e contribuições já lançados ou declarados, com os acréscimos legais aplicáveis no caso de procedimento espontâneo, até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização; 4 uçaso II° 10283.72061412007-11 S1-C2T1 Antedato n.° 1201-00.001 E. 5 3) Que a multa moratória por possuir caráter punitivo deve ser excluída por força do art. 138 do CTN; 4) Que a denúncia espontânea está incluída nas situações em que o contribuinte oferece as informações ao fisco de que cometeu alguma infração e, ao mesmo tempo, solicita o pagamento por parcelamento, que é uma condição oferecida pelo ente tributante; 5) Que a suposta prática de omissão de receitas não está comprovada, pois falta a exigência legal de se proceder ao levantamento do fluxo financeiro; 6) Que foi aplicado erroneamente o coeficiente de 38,40% porque o correto seria 9,6% (de acordo com o Ato Declaratário Normativo COSIT n°06 de 13 de janeiro de 1997, por ter receita proveniente da atividade de construção civil por empreitada, com fornecimento de materiais), se a empresa não tivesse se utilizado do instituto da espontaneidade, via auto-arbitramento; 7) Que não se encontra amparo na legislação infraconstitucional a multa adicional de 50°4 principalmente quando se codifica a pretensão punitiva no art. 532 do R1R/99, pois não existe correlação entre os fatos geradores e a multa de 112,5%; 8) Que configura obstrução do direito de ampla defesa quando a fiscalização não entrega as planilhas ao contribuinte; 9) Que a nulidade objetiva deverá ser declarada, pois a perfeita tipificação legal é condição essencial, sem a qual o Auto de Infração deve ser anulado; 10) Que não existiu omissão de receitas (depósitos bancários não-comprovados), pois a impugnante ofereceu à tributação a totalidade dos rendimentos auferidos, antes do início do procedimento de fiscalização; 11) Que os depósitos aduzidos como omitidos foram oferecidos à tributação nas D1PJ's; 12) Que nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96 é imperiosa a comprovação da utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos; 13) Que a aplicação de multas excessivas ao contribuinte, assim como a exação como um todo, resulta claramente numa tributação com efeito de confisco, por onerar ilegalmente o patrimônio do contribuinte, caracterizando flagrante violação ao art. 150, IV da Constituição Federal, além de sua afronta aos princípios da capacidade contributiva, proporcionalidade, legalidade e razoabilidade. Fecha a impugnação requerendo que seja declarado nulo o auto de infração e todos os seus reflexos. 5 Processo te 10283.72061412007-11 SI-C2T1 AcércItio a° 1201-00.001 R. 6 É0 relatório." A DRJ, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte os lançamentos, apenas desagravando a multa em 50%, nos termos da ementa que se transcreve: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idónea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CSLL. PIS. COFLVS. A receita omitida constitui base de cálculo para incidência das contribuições sociais". Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Primeiro Conselho de Contribuinte, reafirmando os tópicos trazidos fr anteriormente na impugnação É o relatório.4r-- Processo n° 10283.720614/2007-11 81-C271 AU/raia a? 1201-00.001 fl. 7 Voto Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator. Por preencher os requisitos de tempestividade e de regularidade formal, conheço do recurso voluntário. Decadência Do IRPJ A recorrente argúi a decadência. Em relação à decadência do IRPJ, ou seja, se cabível o prazo estabelecido no art. 150, § 40, ou o art. 173, I, ambos do CTN, entendo o que o referido prazo é de cinco anos, independentemente de haver ou não pagamento, estando subordinado ao disposto no artigo 150, § 40, a não ser quando constatado dolo, fraude ou simulação, única situação em que se aplicaria o art. 173,1 do CIN. A existência ou não de pagamento é irrelevante para o meu entendimento. A hipótese típica do lançamento por homologação é a previsão legal do dever de o sujeito passivo antecipar o pagamento; o fato de haver ou não pagamento não altera a tipicidade do lançamento por homologação, que, para ocorrer, deve apenas ter previsão legal a respeito do dever de o sujeito passivo fazer a antecipação do pagamento. No caso concreto, resta parcialmente decaído o direito do fisco constituir o lançamento para os créditos constituídos pelo fisco até o 3° Trim de 2002 (apuração trimestral), inclusive, dado que a ciência do lançamento se deu em 11/12/2007 (f1.305), ultrapassando, pois, o prazo de 5(cinco) anos contados do fato gerador. Da CSLL Ressalte-se que a conclusão supra aplica-se também para a CSLL, pois nesse particular o referido lançamento, cujo disciplinamento envolvendo a decadência não mais possui regramento próprio (artigo 45, da Lei n° 8.212, de 1991), após a declaração de inconstitucionalidade dos artigos 44 e 45 do referido diploma legal. A matéria foi contemplada com a Súmula Vinculante n° 8: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Dessa forma, a regra do art. 150, § 4°, do CTN, como o mesmo raciocínio esposado para o IRPJ, também se aplica igualmente às contribuições sociais (tributos sujeitos à homologação). No caso concreto, resta parcialmente decaído o direito do fisco constituir o lançamento para os créditos constituídos até novembro de 2002 (apuração mensal), inclusive, fr 7 Processou' 10283.720614/2007-11 Sl-C2T1 Acárdiloa, 1201-00.001 F1.8 dado que a ciência do lançamento se deu em 11/12/2007 (fl.305), ultrapassando, pois, o prazo de 5(cinco) anos contados do fato gerador. Preliminar de nulidade A recorrente, em síntese, suscita preliminarmente a nulidade do feito sob o argumento de que apresentara declaração de informações econômicas fiscais em data anterior ao início do procedimento de fiscalização. Estaria, assim, amparada pelo instituto da espontaneidade, conforme dispõe o art. 138 do CTN, ao entregar a DIPJ 2003 e 2004 em 30/07/07 e a D1PJ 2005 em 26/07/07, sendo que o início da ação fiscal se deu em 21/09/07 (fl. 01). Apenas para um melhor esclarecimento sobre o assunto, transcreve-se o dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto 70235/72 com a nova redação dada pela Lei 8748/93: "Art. 59 - São nulos: 1- os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II- os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa" Por conseguinte, considera-se nulo o ato, se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das situações, pois não se põe em dúvida a competência do autor, nem há que se falar em preterição do direito de defesa, vez que os fatos apurados foram descritos com o respectivo enquadramento legal, e levados ao conhecimento, da autuada, levando a mesma a defender-se plenamente através da peça impugnatória acostada aos autos. Examinado-se o Auto de Infração, não se constata nenhum vício de forma, tendo sido observadas as prescrições contidas no Decreto n° 70.235, de 1972. Verifica-se que constam adequadamente descritos os fatos apurados pela autoridade, a fundamentação legal, a matéria tributável, os valores apurados e os fatos motivadores da autuação, permitindo ao contribuinte conhecer todos os elementos componentes da ação fiscal e, assim, propiciando-lhe todos os meios para livre e plenamente manifestar suas razões de defesa, como efetivamente o fez. Acrescente-se que, quando muito, em se admitindo o fato da autoridade lançadora ter cometido algum engano com relação à matéria de fato e a sua subsunção à norma, tratar-se-ia então de questão de mérito e não de preliminar de nulidade. Assim, rejeito a preliminar de nulidade suscitada. Mérito Depósitos Bancários Sem Comprovação da Origem dos Recursos A recorrente, em síntese, tenta demonstrar que o ônus da prova caberia à r autoridade administrativa quanto às alegadas omissões de receita, mormente no caso específico a Processo r? 10283 720614/2007-11 SI-C2T1 Acórdão n, 1201-00.001 11.9 em que foram feitas declarações retificadoras antes do início do procedimento de fiscalização em que sua base de dados estaria desatualizadas. Nessas situações, caberia a fiscalização verificar os dados em decorrência da denúncia espontânea. Não prospera as razões da recorrente. O art. 42, da Lei n° 9.430/1996 é cristalino ao determinar que a omissão de receitas pode ser caracterizada por meio de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ora, como se vê da descrição dos fatos, a empresa não apresentou documentação que comprovasse a origem dos recursos daqueles diversos depósitos. A recorrente não logrou comprovar, através de documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores a origem dos recursos recebidos em conta bancária. Na verdade, a interessada ao invés de tentar provar os fatos alegados, se limita a tecer considerações de direito, no sentido de enfraquecer o lançamento por ter sido lastreado apenas em indícios e presunções. Também tenta enfraquecer o lançamento trazendo o argumento de que as declarações foram retificadas antes do início do procedimento de oficio. Ora, em que isso muda o procedimento fiscal? O fato ensejador do lançamento foi a existência de inúmeros depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas. Ora, seria nesse momento que a recorrente deveria atuar no sentido de demonstrar que pelo menos os contabilizou ou os declarou, fazendo a prova dessa correlação. Como saber se as receitas presumidas pelos depósitos bancários estariam ou não nas informações globais de receitas constantes nas declarações originais ou mesmo que seja nas retificadas') Esse ônus é todo da recorrente, mas dele ela não se desincumbiu. A recorrente preocupou-se apenas em fazer alegações genéricas, sem prova alguma e em trazer um respaldo jurisprudencial ultrapassado. Ampara-se na Súmula n° 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos, segundo o qual seria ilegítimo o lançamento de tributos arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários. A argumentação da recorrente denota uni total desconhecimento do significado da existência do art. 42 da Lei n° 9.430-96 que representa um verdadeiro marco em termos de presunção legal de omissão de receitas, verbis: LEI n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996- DOU de 30.12.96 "Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações." A partir de ano-calendário de 1997, tratando-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, o ônus da prova fica invertido, a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova à contribuinte. O contribuinte, por sua vez, não logrando êxito nessa tarefa que se lhe impunha, como ocorre no ifrcaso presente, tem-se a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, por 9 Processo n° 10283.720614/2007-11 SI-C2TI Acórdão n.° 1201-00.001 Fl. 10 presunção legal se toma como verdadeiro que os recursos depositados representam rendimentos do contribuinte. Por se tratar de uma presunção relativa juris tantum, somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. A prova de que a recorrente despreza totalmente a existência daquele marco (art. 42 da Lei n° 9.430/96), levando à pique toda sua argumentação é a alusão feita à Súmula 182 do antigo TFR, que refere-se a um momento histórico completamente distinto, onde não era possível formular-se uma presunção legal com base em depósitos bancários. A partir da vigência da Lei n°9.430/1996, tal jurisprudência se deu por ultrapassada.. Ora, vê-se que o autuante fez de forma competente a sua parte. Fez as intimações necessárias para a comprovação da origem dos depósitos bancários e não logrando êxito em obtê-las aplicou a presunção legal de omissão de receitas. Desta forma, por óbvio, que o ônus estaria invertido. Competiria exclusivamente ao contribuinte, nesse momento, exibir as provas técnicas, contábil e jurídica de que suas operações não se realizaram ao arrepio da lei. Era obrigação da fiscalizada oferecer em resposta todos os documentos e informações inerentes à operação e fazendo a correlação necessária, o que não fez em nenhum momento, mantendo- se silente ou trazendo alegações meramente genéricas e protelatórias. De se ressaltar, por fim, que não pode ser considerado como valor tributável, como parece querer fazer crer a recorrente, apenas a diferença entre a receita declarada e o total das omissões de receitas oriundas dos depósitos bancários, pois que, como restou demonstrado nos autos, a interessada não logrou estabelecer qualquer vínculo entre essas e os valores constantes em sua escrituração contábil. Também não merece maior sorte o argumento de que o artigo 6° da Lei n° 8.021, de 1990, lhe daria guarida no sentido de que ensejaria um aprofundamento maior na fiscalização mediante utilização de sinais exteriores de riqueza. O que o preceptivo legal vem a indicar é que o sujeito passivo pode ser autuado por sinais exteriores de riqueza sem prejuízo das demais autuações previstas em lei. Só isso. Sua intenção de forma alguma foi pretender excluir os depósitos bancários cujas origens o sujeito passivo não justificou : "Art. 6° O lançamento de oficio, além dos casos Já especificados em lei, for-se-á arbitrando-se os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza "(grifei). Por fim, mas não menos importante, a DCTF - Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais constitui-se em documento de confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência do crédito tributário, a teor do art. 5 , § 1, do Decreto-lei n° 2.124, de 13 de junho de 1984, mas a DIPJ, não. Essa é apenas uma Declaração de Informações Econômico-Fiscais a Pessoa Jurídica. Arbitramento Em relação ao arbitramento do lucro, a contribuinte foi intimada a apresentar os livros e documentos de sua escrituração e deixou de apresentá-los a contento. A autoridade fiscal, então, arbitrou o lucro, com fundamento no artigo 530, inciso III do RIR11999, abaixo S transcrito: io Processo n° 10283.720614/2007-11 Sl-C2T1 Acórdão ri.° 1201-00.001 H. 11 "An. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n2 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n2 9.430, de 1996, art. 19: ..... 111-o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527;" (grifè0 Conforme consta nos autos, a recorrente não logrou êxito em apresentar livros contábeis e fiscais, após ter sido intimada e reintimada. Dessa forma, o arbitramento deve ser mantido. Contestação do percentual de arbitramento — 38,4% (32%+20%) Outrossim, a Contribuinte também contesta a utilização do percentual de 32% (38,4% quando acrescido o percentual de 20% do arbitramento) na apuração do Lucro Arbitrado, pois, por ter receita proveniente da atividade de construção civil por empreitada, com fornecimento de materiais. Com relação à omissão de receitas por conta de depósitos bancários de origem não justificada entendo correto o percentual aplicável de 32% para fins de apuração do Lucro Arbitrado. De se mostrar. Lei n° 9.249/95: "Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão. § 1° No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. § 2° O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social - COF1NS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP."(gnfei) Como se percebe o autuante agiu com acertadamente ao utilizar o percentual de 32% + 20% (mais elevado) por não ter sido possível a identificação da origem dos depósitos /gr bancários. 11 Processo n° 10283 720614/2007-11 SI-C2T1 Acérdio n.° 1201-00.001 EL 12 Outrossim, a força do argumento acima se torna ainda bem maior se for considerado o caso concreto em que a utilização ou não de materiais na empreitada for determinante para o enquadramento da alíquota correta (Ato Declaratório Normativo COSIT n° 06/97). Mantenho, portanto, o percentual na forma que foi aplicado pelo autuante. Perícia e Diligência Cumpre afastar o pedido de diligência e perícia efetuados nos seguintes termos: "v) diligências para a verificação de que as atividades da empresa são efetivamente de construção civil; (...) vi) perícia contábil para verificar as diferenças entre as DIPJ entregues pelo contribuinte e os valores arbitrados pelo fisco. Determinam os art. 16 e 28, do Decreto n° 70.235, de 06/03/1972, que a autoridade julgadora pode, fundannentadamente, indeferir as perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Já o fiz dentro do mérito demonstrando a desnecessidade de tais aprofundamentos. No caso da diligência, se torna desnecessária uma vez demonstrado que a própria lei já prevê que deva aplicar a alíquota máxima em casos tais como o que se cuida e no caso da perícia, tornou-se dispensável na medida em que se afastou todas as alegações da empresa fundadas no instituto da espontaneidade já que não foi provada no tempo oportuno a argumentação de que os valores declarados eram os mesmos decorrentes da movimentação bancária. Indefiro, portanto, os pedidos de perícia e diligência. Multa de Oficio (75%) e Juros de Mora Quanto à suposta ilegalidade ou o caráter confiscatório da multa de oficio prevista em disposição legal em vigor, não cabe a este órgão do Poder Executivo deixar de aplicá-la, encontrando óbice, inclusive na Súmula n° 2 deste E. Primeiro Conselho de Contribuintes, in verbis: "Súmula PCC n e 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". (DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006). Outrossim, descabe em falar em multa moratória, pois a multa lançada foi a de oficio (75%). Lançamentos Reflexos Afora a decadência já reconhecida para os créditos oriundos das contribuições constituídas até novembro de 2002 (inclusive \ por estarem sustentados na mesma matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear a manutenção das exigências lançadas por via reflexa. Por todo o exposto, indefiro os pedidos de perícia e diligência, rejeito a .$7 preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso para acolher a 12 Processo tf 10283.720614/2007-11 S1-C2T1 Acónito n.° 1201-00.001 Fl. 13 decadência do IRN até o 3° Trimestre de 2002 (inclusive), bem assim a decadência das demais...- contribuições até novembro de 2002 (inclusive). Sala das Sessões - DF, em 11 de março de 2009. Li *" --Ltek ÁNtONI ête ZERRA NETO 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA•_f nWiTy.ti CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 4. Processo : 10283.720614/2007-11 Recurso : 167.996 Acórdão : 1201.00.001 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do artigo 81 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF n° 259/2009), intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF, a tomar ciência do Acórdão n° 1201.00.001. Brasília - DF, em 24 de agosto de 2009 t(' José Roberto França Secret ' o da r Câmara da Primeira Seção CARF Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ 1 Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional 1
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