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Numero do processo: 15586.720653/2012-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2010 a 30/04/2012
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos.
PREVIDENCIÁRIO. AÇÃO JUDICIAL DE MESMO OBJETO. DESISTÊNCIA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO SUSPENSA.
Na forma do disposto na Súmula n 1 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Conforme o preceituado no inciso V, do art. 151, do Código Tributário Nacional CTN, a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial, suspendem a exigibilidade do crédito tributário.
OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GFIP. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. DOLO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Ainda que haja compensação indevida, é improcedente a aplicação de multa isolada, sem que a autoridade lançadora comprove, com provas robustas, a falsidade da declaração e o dolo específico.
RO Não Conhecido e RV Não Conhecido
Numero da decisão: 2301-005.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração sem efeitos infringentes para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2403-002.502, de 18/03/2014, ajustar o dispositivo para que nele conste "por maioria de votos, não conhecer do recurso de ofício".
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada) e João Bellini Júnior (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro João Maurício Vital.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2010 a 30/04/2012 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. PREVIDENCIÁRIO. AÇÃO JUDICIAL DE MESMO OBJETO. DESISTÊNCIA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO SUSPENSA. Na forma do disposto na Súmula n 1 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Conforme o preceituado no inciso V, do art. 151, do Código Tributário Nacional CTN, a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GFIP. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. DOLO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Ainda que haja compensação indevida, é improcedente a aplicação de multa isolada, sem que a autoridade lançadora comprove, com provas robustas, a falsidade da declaração e o dolo específico. RO Não Conhecido e RV Não Conhecido
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Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. PREVIDENCIÁRIO. AÇÃO JUDICIAL DE MESMO OBJETO. DESISTÊNCIA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO SUSPENSA. Na forma do disposto na Súmula n 1 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, “importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Conforme o preceituado no inciso V, do art. 151, do Código Tributário Nacional CTN, a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GFIP. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. DOLO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Ainda que haja compensação indevida, é improcedente a aplicação de multa isolada, sem que a autoridade lançadora comprove, com provas robustas, a falsidade da declaração e o dolo específico. RO Não Conhecido e RV Não Conhecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 06 53 /2 01 2- 94 Fl. 290DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração sem efeitos infringentes para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2403002.502, de 18/03/2014, ajustar o dispositivo para que nele conste "por maioria de votos, não conhecer do recurso de ofício". (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada) e João Bellini Júnior (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro João Maurício Vital. Relatório Tratamse de Embargos de Declaração (fls. 266 e ss) opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 2403002.502, proferido em 18/03/2014, pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2º Seção de Julgamento, cuja ementa recebeu a seguinte redação: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2010 a 30/04/2012 PREVIDENCIÁRIO. AÇÃO JUDICIAL DE MESMO OBJETO. DESISTÊNCIA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO SUSPENSA. Na forma do disposto na Súmula n 1 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, “importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Conforme o preceituado no inciso V, do art. 151, do Código Tributário Nacional CTN, a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. RO Não Conhecido e RV Não Conhecido”. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 15586.720653/201294 Acórdão n.º 2301005.415 S2C3T1 Fl. 3 3 Alega a Procuradora da Fazenda Nacional que consta “Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos , em NEGAR PROVIMENTO ao recurso de oficio, vencidos os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari” na conclusão da Turma Julgadora, no entanto, no voto condutor, consta que “Diante de tudo que foi exposto, também não há que não se conhecer do mérito e no caso de DAR OU NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO”, de modo que resta patente uma contradição no Acórdão embargado. Ainda se ficar evidenciado que a conclusão que prevaleceu na Turma julgadora foi aquela que consta no acórdão no sentido de negar provimento ao recurso de ofício, além de não ter ficado exposto no acórdão que o Conselheiro Relator foi vencido (já que seu posicionamento foi pelo não conhecimento do recurso de ofício), ficaria caracterizado ainda o vício da omissão, pois não estaria exposto no acórdão a fundamentação para negar provimento ao recurso de ofício. Em face do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) que (a) seja conhecido o presente recurso, face à observância aos requisitos de admissibilidade previstos art. 64, inciso I e art. 65, ambos do Anexo II, do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009; e (b) seja dado total provimento ao presente recurso, para sanar/retificar os vícios acima apontados no acórdão embargado. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Os embargos são tempestivos e, por cumprir com as demais formalidades legais, deles conheço. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, o cabimento dos embargos de declaração está disciplinado em seu art. 65, nos seguintes termos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Dessa forma, o artigo 65 do RICARF determina que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. A partir da leitura do Acórdão nº 2403002.502, notase que há contradição entre o entendimento da turma por negar provimento ao recurso de ofício e o voto condutor, que propõe o não conhecimento do recurso de ofício. Fl. 292DF CARF MF 4 Considerando que o Recurso de Ofício foi oferecido em função do artigo 1º da Portaria MF n. 3, de 03/01/2008, sem que houvesse uma nova apresentação de seus argumentos, e que o entendimento da turma foi por negar provimento ao recurso de ofício, é imperioso entender que o não provimento do Recurso de Ofício pela Turma se deu com base nas justificativas do voto do Acórdão da DRJ para que fosse cancelado o auto de infração relativo à multa isolada. Assim, cumpre salientar que no presente caso, as compensações realizadas foram indevidas, não pela inexistência de crédito em favor do Impugnante, mas pela falta de atendimento aos termos e condições para efetivação da compensação. Todavia, no que diz respeito à falsidade da declaração, esta não restou comprovada, como exige a lei, isto é, a autoridade fiscal não logrou êxito em demonstrar através dos meios disponíveis que o Impugnante inseriu nas GFIP informação diversa da realidade fática, e ainda, que o teria feito de maneira intencional, com fito de reduzir, afastar, retardar o recolhimento das contribuições previdenciárias, sendo que é ônus da autoridade fiscal provar que se configurou a hipótese de falsidade da declaração, apontando para seus elementos objetivo e subjetivo, não sendo suprido pela presunção de veracidade do ato administrativo. Em última instância, a falta de comprovação robusta, quanto à falsidade da declaração, conduzirá o julgador no sentido de aplicar a norma do artigo 112, do CTN, que impõe a interpretação mais favorável ao acusado, o que se verifica neste caso. O contribuinte afirmou em sua Impugnação ter compensado recolhimentos que efetuou sobre verba paga aos que exerciam mandato eletivo, baseandose em decisão judicial de 1ª instância, que declarou o direito de compensação, de modo que não se vislumbra aqui hipótese de falsidade, mas de discordância quanto à aplicação das regras de prescrição pelo fisco, assim como tampouco configura falsidade da declaração deixar de retificar a GFIP, para o que há previsão de penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Ao não retificar as GFIP, as informações são consideradas inexatas e passíveis de multa na forma do artigo 32A, da Lei nº 8.212/91. A própria previsão de penalidade específica pela prestação de informação inexata em GFIP conduz ao entendimento de que a inexatidão, per si, não configura falsidade da declaração. Desse modo, a fiscalização comprovou que se trata de compensação indevida, porque o Impugnante deixou de atender aos termos e condições legais para a compensação, mas não a falsidade da declaração, nem o intuito de fraudar, de modo que deve ser mantida a anulação do AI nº 51.025.1846, diante da improcedência da multa aplicada. Dessa forma, voto por acolher os embargos para, colmatando a contradição e a omissão apontadas seja retificada a parte dispositiva no seguinte sentido: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, em não conhecer do recurso de oficio, vencidos os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Strngari, II) Por unanimidade de votos ,em não conhecer do recurso voluntário de acordo com a súmula 01 do CARF É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 293DF CARF MF Processo nº 15586.720653/201294 Acórdão n.º 2301005.415 S2C3T1 Fl. 4 5 Fl. 294DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.000204/2010-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. LAPSO MANIFESTO. JULGAMENTO EM SEPARADO DE AUTOS VINCULADOS.
Verificado o equívoco no julgamento em separado de processos plenamente vinculados este deve ser sanado por meio da viabilização do julgamento em conjunto.
Na hipótese do caso concreto é necessária a anulação do acórdão que julgou a obrigação acessória e sua conseqüente redistribuição para apensação ao processo de obrigação principal a fim de possibilitar o julgamento conjunto.
Numero da decisão: 9202-007.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado, anular o Acórdão nº 9202-004.793, de 08/02/2017, e encaminhar o processo à Dipro/Cojul, para providenciar a sua apensação ao processo de n° 10120.000199/2010-43, para julgamento conjunto na Câmara Superior de Recursos Fiscais, se for o caso.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1601; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 9 1 8 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10120.000204/201018 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9202007.028 – 2ª Turma Sessão de 20 de junho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Embargante LBR LACTEOS BRASIL S/A EM RECUPERACAO JUDICIAL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. LAPSO MANIFESTO. JULGAMENTO EM SEPARADO DE AUTOS VINCULADOS. Verificado o equívoco no julgamento em separado de processos plenamente vinculados este deve ser sanado por meio da viabilização do julgamento em conjunto. Na hipótese do caso concreto é necessária a anulação do acórdão que julgou a obrigação acessória e sua conseqüente redistribuição para apensação ao processo de obrigação principal a fim de possibilitar o julgamento conjunto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado, anular o Acórdão nº 9202004.793, de 08/02/2017, e encaminhar o processo à Dipro/Cojul, para providenciar a sua apensação ao processo de n° 10120.000199/201043, para julgamento conjunto na Câmara Superior de Recursos Fiscais, se for o caso. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 02 04 /2 01 0- 18 Fl. 385DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Os presentes Embargos de Declaração visam apontar erro material, face ao acórdão 9202004.793, proferido por esta 2ª Turma / Câmara Superior de Recursos Fiscais CARF. Trata o presente processo do Auto de Infração de Obrigação Acessória AI nº. 37.246.2430 (Fundamento Legal 68), com ciência pessoal em 14/01/2010 (fls. 2), no valor de R$ 571.547,40 (quinhentos e setenta e um mil, quinhentos e quarenta e sete reais e quarenta centavos), decorrente de deixar a empresa de informar em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP todas as remunerações creditadas a segurados contribuintes individuais, além de ter declarado a menor os valores de custos com aquisição de leite in natura de pessoas físicas. Para o cálculo da multa, foi obedecido o limite previsto no inciso I do art. 284 do RPS de acordo com o número de segurados da empresa por competência. Na aplicação da multa foi efetuado o comparativo para aplicação da multa mais benéfica conforme Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 46/48). Após impugnação do auto de infração pelo Contribuinte e julgamento pela DRJ, a empresa, tempestivamente, interpôs recurso voluntário, fls. 256/264. A 3ª Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, 2ª Seção de Julgamento, proferiu o Acórdão nº 2803002.659, em 17/09/2013, para determinar aplicação da multa benéfica do art. 32A, I, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009 (fls. 271/279). A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP COM OMISSÃO DE FATOS GERADORES. INCONSTITUCIONALIDADE. INOCORRÊNCIA. MULTA FIXADA PELO LEGISLATIVO. MATÉRIA FORA DO ALCANCE DA ESFERA ADMINISTRATIVA. CERCEAMENTO DE DEFESA E VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO QUE CONGREGA TODAS AS INFORMAÇÕES NECESSÁRIAS E ÚTEIS. SUBSTITUIÇÃO DO AGENTE NO CURSO DO PROCEDIMENTO. POSSIBILIDADE. LEGALIDADE. COMPETÊNCIA FIXADA EM LEI. MULTA CONFISCATÓRIO. DESARRAZOADA E Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10120.000204/201018 Acórdão n.º 9202007.028 CSRFT2 Fl. 10 3 DESPROPORCIONAL. INOCORRÊNCIA. MULTA. ALTERAÇÃO DO VALOR. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO BENÉFICA. NECESSIDADE. Recurso Voluntário Provido em Parte. A União (Fazenda Nacional) interpôs Recurso Especial contra o Acórdão do CARF, às fls. 281/292, no sentido de que prevalecesse o entendimento de que deveria ser verificada qual a norma mais benéfica ao contribuinte: se a multa anterior (art.35, II, da norma revogada) ou o art. 35A da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei 11.941/2009. Em Despacho, a 1ª Câmara – Segunda Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial. No Acórdão nº 9202004.793, de Relatoria do Conselheiro Luiz Eduardo Oliveira Santos, esta 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, em 12/12/2016, às fls. 310/319, DEU PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para que o cálculo da penalidade fosse efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Às fls. 343/347, o Contribuinte apresentou Embargos de Declaração, sob a alegação de erro material ao dar prosseguimento ao julgamento do presente caso, em inobservância ao processo principal (PA Nº 10120.000199/201043; AI DECAD 37.246.2510). Os Embargos de Declaração restaram admitidos às fls. 379/389 e, após novo sorteio, distribuídos à Conselheira Ana Paula Fernandes, retornando os autos para novo julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora Os Embargos de Declaração interpostos pelo Contribuinte são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merecem ser conhecidos. Trata o presente processo do Auto de Infração de Obrigação Acessória AI nº. 37.246.2430 (Fundamento Legal 68), com ciência pessoal em 14/01/2010 (fls. 2), no valor de R$ 571.547,40 (quinhentos e setenta e um mil, quinhentos e quarenta e sete reais e quarenta centavos), decorrente de deixar a empresa de informar em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP todas as remunerações creditadas a segurados contribuintes individuais, além de ter declarado a menor os valores de custos com aquisição de leite in natura de pessoas físicas. Para o cálculo da multa, foi obedecido o limite previsto no inciso I do art. 284 do RPS de acordo com o número de segurados da empresa por competência. Na aplicação da multa foi efetuado o comparativo para aplicação da multa mais benéfica conforme Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 46/48). Fl. 387DF CARF MF 4 O Acórdão embargado deu provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. O Embargos de Declaração oposto pelo Contribuinte em face do acórdão proferido por este colegiado visa o reconhecimento de lapso manifesto na decisão prolatada, vez que este desconsiderou que o processo de mérito principal se encontra pendente de decisão no tribunal administrativo, e que o processo em análise por se tratar de AI68 estaria totalmente vinculado a decisão do processo principal. Neste ponto, o Contribuinte requer a suspensão do presente processo, bem como pela sua reunião àquele de nº 10120.000199/201043, para julgamento em conjunto. Assiste razão ao Contribuinte de que ambos os processos devem ser julgados em conjunto, uma vez que plenamente vinculados. Da análise dos autos é possível observar que a fiscalização procedeu a lavratura dos seguintes autos de infração: Consultando o sistema de andamento processual observo que o processo principal se encontra pendente de julgamento de recurso voluntário. O que denota que houve a inversão da ordem de julgamento conjunto de autos de obrigação principal e acessória, devendo o acórdão guerreado ser anulado. Desse modo entendo que os presentes autos devem ser redistribuídos em caráter de urgência e apensados ao principal (mesmo que este não possua recursos pendentes), para julgamento conjunto ou individual nesta instância se for o caso. Diante do exposto conheço e acolho os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado, anular o Acórdão nº 9202004.793, de 08/02/2017, e encaminhar o processo à Dipro/Cojul, para providenciar a sua apensação ao processo de n° 10120.000199/201043, para julgamento conjunto na Câmara Superior de Recursos Fiscais, se for o caso. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10120.000204/201018 Acórdão n.º 9202007.028 CSRFT2 Fl. 11 5 Fl. 389DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.003135/2001-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1996
AJUSTE ANUAL. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DESPESAS COM INSTRUÇÃO.
São dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda as importâncias pagas pelo declarante a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de acordo homologado judicialmente no curso de processo de separação consensual, comprovadas por documentação hábil e idônea. Também são dedutíveis as despesas com instrução pagas pelo alimentante, em nome do alimentado, observado o limite anual para a dedução.
Numero da decisão: 2401-005.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. São dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda as importâncias pagas pelo declarante a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de acordo homologado judicialmente no curso de processo de separação consensual, comprovadas por documentação hábil e idônea. Também são dedutíveis as despesas com instrução pagas pelo alimentante, em nome do alimentado, observado o limite anual para a dedução. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 31 35 /2 00 1- 54 Fl. 188DF CARF MF Processo nº 11610.003135/200154 Acórdão n.º 2401005.767 S2C4T1 Fl. 189 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSA), por meio do Acórdão nº 10.059, de 17/06/2004, cujo dispositivo considerou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário (fls. 49/53): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1997 Ementa: DEDUÇÕES BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO Todas as deduções permitidas para apuração do imposto de renda esta sujeitas à comprovação ou justificação. Lançamento Procedente Em face do contribuinte foi lavrado Auto de Infração, relativo ao ano calendário de 1996, exercício de 1997, decorrente de procedimento de revisão da Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que a fiscalização apurou as seguintes deduções indevidas (fls. 32/35): (i) pensão alimentícia, no valor de R$ 33.734,00; e (ii) despesas com instrução, no valor de R$ 5.100,00. O auto de infração alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exigindose o imposto suplementar, juros de mora e multa de ofício. O contribuinte foi cientificado da autuação, em 15/07/2002, e impugnou a exigência fiscal (fls. 03/07 e 42/44). Intimado por via postal em 17/09/2007 da decisão do colegiado de primeira instância, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 16/10/2007, em que repisa os argumentos de impugnação, a seguir resumidos (fls. 55/56 e 59/62): (i) os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia e despesas com instruções de seus filhos foram determinados em sentença de separação judicial, cujo feito tramitou perante a 3ª Vara de Família e Sucessões do Foro Regional de Santana, cidade de São Paulo (SP); (ii) mesmo se levar em consideração a dedução de despesas com instruções, que estão comprovadas nos autos, não há imposto de renda devido pelo contribuinte para o ano calendário; e Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11610.003135/200154 Acórdão n.º 2401005.767 S2C4T1 Fl. 190 3 (iii) tal como o imposto de renda, são indevidos os juros de mora e a multa no percentual de 75%. Por meio do Acórdão nº 210100.733, de 22/09/2010, a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, ao reconhecer de ofício a decadência do direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário (fls. 127/134). Na sequência, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) interpôs recurso especial contra o Acórdão nº 210100.733, de 22/09/2010, o qual foi devidamente admitido, tendo o sujeito passivo apresentado contrarrazões (fls. 139/146, 149/151 e 155/157). Através do Acórdão nº 9202002.496, de 30/01/2013, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, afastando a decadência e determinando o retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões trazidas no recurso voluntário (fls. 169/174). Consta que o contribuinte tomou ciência do provimento do recurso especial da Fazenda Nacional (fls. 176/177 e 180/183). Por fim, levando em consideração que Turma de origem foi extinta, assim como o relator originário não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, realizou se novo sorteio e distribuição deste processo para o julgamento do recurso voluntário no âmbito da Segunda Seção (fls. 186/187). É o relatório. Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito Como visto alhures, a Câmara Superior de Recursos Fiscais afastou a decadência do lançamento fiscal, determinando o retorno dos autos ao colegiado "a quo" para julgamento das questões de mérito. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 11610.003135/200154 Acórdão n.º 2401005.767 S2C4T1 Fl. 191 4 De acordo com a legislação tributária à época dos fatos geradores, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física as importâncias pagas a título de pensão alimentícia, em decorrência de sentença judicial ou acordo homologado judicialmente, assim como as despesas com instrução pagas pelo alimentante, observado, neste último caso, o limite anual previsto em lei (art. 8º, inciso II, alíneas "b" e "f", da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995). Quanto da apresentação da impugnação, o contribuinte anexou ao processo administrativo cópias de recibos em nome de sua exesposa, Elizabeth Romano Cançado, referentes a pagamentos de pensão alimentícia no ano de 1996 (fls. 12/17). Na mesma oportunidade, juntou uma cópia do termo de audiência em separação consensual, datado de 31/10/1991 (fls. 46). Contudo, a decisão de piso deixou de acolher a pretensão do impugnante, com a justificativa de que não foi apresentada decisão judicial ou acordo homologado pelo Poder Judiciário relativo à obrigação de pagamento de pensão alimentícia. Da mesma forma, o acordão recorrido manteve a glosa das despesas com instruções, pela falta comprovação dos gastos declarados. Por ocasião do recurso voluntário, o recorrente providenciou a juntada de documentos complementares para comprovar as suas alegações, dentre eles: termo de acordo de separação consensual, petição inicial, mandado de averbação e certidão narrativa (fls. 64/77). Com efeito, foi carreado aos autos cópia do acordo de conversão da separação judicial em separação consensual, com fixação de pensão alimentícia ao cônjuge do contribuinte e aos 3 (três) filhos, conforme Processo nº 1.564/91, em apenso ao Processo nº 828/91, que tramitou na 3ª Vara da Família e das Sucessões do Foro Regional de Santana. Através de sentença, a convenção consensual celebrada entre as partes foi homologada judicialmente. Declarouse no processo judicial que a união do casal resultou no nascimento dos três filhos, com idades de 13 (treze), 16 (dezesseis) e 19 (dezenove) anos quando da homologação da separação consensual, no mês de outubro/1991. Para melhor compreensão do acordado entre as partes, confira o que ficou decidido em relação à obrigação de prestar alimentos (fls. 73/74): (...) ficou estabelecido que os filhos ficariam sob a guarda da mãe, podendo o autor visitálos, diariamente, após às 19:00 horas e que os mesmos passariam, durante o período de férias escolares, 15 dias com cada cônjuge; a título de pensão alimentícia, o varão pagaria à virago e aos seus filhos, a importância de Cr$ 420.000,00, distribuídos em 25% para a mulher e 25%. para cada um dos filhos, reajustáveis trimestralmente, de acordo com o índice da TR, ou outro índice oficial que viesse a substituílo, além de, pagamento das mensalidades escolares (de todos os filhos), aluguel e condomínio para o filho Rogério, estudante em outra cidade, condomínio e impostos vencidos referente ao apartamento sito à Rua Pedro Doll, 472 Apto 132 Santana, bem como as parcelas Fl. 191DF CARF MF Processo nº 11610.003135/200154 Acórdão n.º 2401005.767 S2C4T1 Fl. 192 5 relativas ao carro Ford Verona, junto à CONPROF, até a sua liquidação, permanecendo o referido com a separanda. (...) Percebese do texto do acordo homologado que o contribuinte comprometeuse ao pagamento de suprimento de alimentos à excônjuge e aos três filhos, no valor original de Cr$ 420.000,00, reajustável pela taxa referencial, além do pagamento das mensalidades escolares dos filhos. Em vista disso, poderseia cogitar da necessidade de aprofundar a investigação se as importâncias pagas durante o ano de 1996 no total de R$ 33.754,00, segundo as cópias dos recibos de quitação emitidos pela excônjuge, correspondem à quantia estipulada no acordo homologado judicialmente, excluídos outros valores, tais como aluguéis, condomínios e impostos, não dedutíveis. (fls. 78/83). Utilizandose de uma estimativa ligeira, tãosomente para aferir a ordem de grandeza das importâncias pagas, verifico que o montante em moeda original de Cr$ 420.000,00, reajustado pela taxa referencial, alcançaria um valor médio em torno de R$ 1.500,00 mensais, totalizando aproximadamente R$ 18.000.00 no anocalendário de 1996. 1 Por sua vez, os valores devidos com instrução dos três filhos, destacados da pensão alimentícia, inclusive para o filho mais velho, que cursava estabelecimento de ensino superior, são dedutíveis sob a forma de despesas com instrução dos alimentandos, obedecido o limite total anual de R$ 5.100,00 (3 x R$ 1.700,00). O recurso voluntário contém listagem de pagamento de mensalidades em juízo para o filho Rogério Romano Cançado (fls. 85/86 e 91/112). Não há, todavia, comprovação do pagamento dos gastos com instrução dos demais filhos, embora seja razoável admitir, tendo em conta as condições estipuladas no acordo homologado, que os dispêndios com educação estão incluídos no montante mensal transferido à excônjuge do recorrente, conforme as cópias dos recibos acostados aos autos. Desse modo, reputo que os valores passíveis de dedução pela pessoa física não são inferiores a R$ 23.000,00 (R$ 18.000,00 + R$ 5.000,00). O contribuinte declarou na DAA/1996, exercício de 1997, a importância de R$ 33.754,00, a título de rendimentos tributáveis no ajuste anual, o que não foi contestado pela autoridade fiscal. Quanto às deduções da base de cálculo do imposto de renda, informou o valor de R$ 33.734,00, a titulo de pensão alimentícia, assim como R$ 5.100,00, com despesas de instrução. Ao final, resultou em base de cálculo negativa, não apurando imposto a restituir, nem saldo de imposto a pagar (fls. 19/21). Por tais números declarados pelo contribuinte, ainda que considerada uma dedução a título de pensão alimentícia e despesas com instrução de dependentes de R$ 23.000,00, a base de cálculo do imposto não ultrapassaria o patamar mínimo tributável igual a 1 http://drcalc.net/easycalc/correcao.asp Fl. 192DF CARF MF Processo nº 11610.003135/200154 Acórdão n.º 2401005.767 S2C4T1 Fl. 193 6 R$ 10.800,00, segundo a tabela progressiva vigente para cálculo no anocalendário de 1996 (art. 11, da Lei nº 9.250, de 1995). Logo, levando em consideração que os documentos que instruem os autos são hábeis e idôneos para comprovar o direito à dedução de pensão alimentícia e despesas com instrução de filhos, nos termos homologados pelo Poder Judiciário, não resta configurada a omissão de imposto de renda relativo à pessoa física no anocalendário de 1996, cabendo tornar improcedente o lançamento de ofício realizado. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, DOULHE PROVIMENTO para tornar insubsistente o lançamento fiscal, consubstanciado no auto de infração de fls. 32/35. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 193DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.909575/2011-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO ACUMULADO DE IPI. IMPROCEDÊNCIA.
Constatada a utilização de crédito acima do permitido, correta a não homologação da parte excedente, com repercussão na Declaração de Compensação vinculada.
EXIGÊNCIA DE MULTA DE MORA SOBRE O DÉBITO NÃO COMPENSADO.
Incide multa de mora nos casos de quitação do débito após a data de vencimento, de conformidade com o art. 61 da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 3401-005.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO ACUMULADO DE IPI. IMPROCEDÊNCIA. Constatada a utilização de crédito acima do permitido, correta a não homologação da parte excedente, com repercussão na Declaração de Compensação vinculada. EXIGÊNCIA DE MULTA DE MORA SOBRE O DÉBITO NÃO COMPENSADO. Incide multa de mora nos casos de quitação do débito após a data de vencimento, de conformidade com o art. 61 da Lei nº 9.430/96.
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IMPROCEDÊNCIA. Constatada a utilização de crédito acima do permitido, correta a não homologação da parte excedente, com repercussão na Declaração de Compensação vinculada. EXIGÊNCIA DE MULTA DE MORA SOBRE O DÉBITO NÃO COMPENSADO. Incide multa de mora nos casos de quitação do débito após a data de vencimento, de conformidade com o art. 61 da Lei nº 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 90 95 75 /2 01 1- 80 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 18470.909575/201180 Acórdão n.º 3401005.190 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/RPO, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos fatos O Contribuinte, na data de 11/09/2009, transmitiu PER/DCOMP nº 03701.63601.110909.1.1.010189 com pedido de ressarcimento de IPI referente crédito acumulado no 4º Trimestre de 2005 no valor de R$ 9.871,83 tendo por base o registro fiscal de entradas e apuração do IPI (efls.2 a 36), vinculado a Declaração de Compensação nº 24825.98136.070710.1.3.017305. Do Despacho Decisório A DRF Rio de Janeiro II, em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório na data de 09/09/2011 (eFls.37), reconhecendo parte do crédito no valor de R$ 5.864,51 em razão de ter sido utilizado parcialmente, na escrita fiscal, o saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do pedido. Por ser o crédito reconhecido, insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, foi parcialmente homologada a compensação declarada no PER/DCOMP 24825.98136.070710.1.3.017305. Foi intimada a interessada a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados, atualizados para pagamento até 30/09/2011: Principal Multa Juros 15.402,97 3.080,59 2.094,80 Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.42), fazendo os seguintes comentários: a) primeiro sobre a inovação e peculiaridades do programa eletrônico de transmissão de PER/DCOMP, que por sua evolução ultrapassou a capacidade técnica da contribuinte, necessária ao atendimento das exigências do programa; b) que não cometeu, em momento algum, irregularidades fiscais, eventuais erros podem ser atribuídos ao programa do PER/DCOMP, que acumulou os saldos credores de cada trimestre; c) que as multas de ofício não são devidas, visto que o contribuinte não provocou esta situação, sendo de total responsabilidade da própria RFB; d) cita decisão proferida em mandado de segurança da Justiça Federal do RN, que em nada lhe auxilia na presente lide; e) ao final reconhece os valores relativos à compensação indevida, com o acréscimo da Taxa SELIC, mas repugna a cobrança de Multa de Mora. Do Julgamento de Primeiro Grau Fl. 150DF CARF MF Processo nº 18470.909575/201180 Acórdão n.º 3401005.190 S3C4T1 Fl. 4 3 Encaminhado os autos à 2ª Turma da DRJ/RPO, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos: De plano constato que a manifestante não contesta a redução do direto creditório, limitandose a impugnar a multa moratória. Portanto, tal matéria reputase incontroversa, ao teor do disposto no Decreto nº 70.235 (PAF), de 1972, art. 17: Art. 17 Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Com relação à multa moratória, sua cobrança encontra amparo legal no art. 61 da Lei nº 9.430/96... Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (fls.132) contra a decisão de primeira instância administrativa, com alegações de que: a) incorreu em falha no preenchimento do formulário eletrônico do Programa PER/DCOMP, pois quando se abria um novo trimestre, às vezes o próprio sistema, por si só, trazia o saldo anterior do trimestre anterior, duplicando, por conseguinte, o valor da compensação; b) que quitou os valores referentes à esta duplicação mediante parcelamento voluntário de débitos; c) que a manifesta inconformidade foi tão somente sobre a cobrança descabida da multa exofício, no que resulta, também, o pedido recursal. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. De início declarase que não assiste razão a Recorrente. No Recurso Voluntário se repete a justificava de atribuir a responsabilidade pelos erros cometidos quando do preenchimento do PER/DCOMP, para o programa eletrônico disponibilizado pela SRF, o qual teria contribuindo para a utilização de crédito de IPI além do permitido para o trimestre em referência. Além de se restringir a mera alegação, dispensa qualquer comentário pela sua inconveniência. O segundo item do Recurso de que teria havido a quitação de parte do débito através de parcelamento voluntário, também, se restringe ao campo das alegações, pois nenhum documento juntou aos autos. Caso isso tenha ocorrido, ampara o contribuinte o art. 156 do CTN por ser o pagamento uma das modalidades de quitação do débito, que nesse caso seria parcial. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 18470.909575/201180 Acórdão n.º 3401005.190 S3C4T1 Fl. 5 4 Quanto a multa de mora incidente na cobrança do débito, nada tem a haver com a glosa do crédito indevidamente utilizado, cujo erro já foi reconhecido e não foi objeto de contestação, mas sim, com o não pagamento do débito devido no seu vencimento. A incidência da multa moratória encontra amparo no art. 61 da Lei 9.430/96, cujo texto já fez parte da decisão recorrida. Portando, é dever de ofício da autoridade administrativa exigila juntamente com o tributo devido quando quitado fora do prazo legalmente estabelecido. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13984.900024/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DECLARAÇÕES. INTIMAÇÃO. OCORRÊNCIA
O não-atendimento pelo contribuinte de intimação visando esclarecer inconsistências e concedendo oportunidade para retificar declarações, gera a não-homologação da compensação declarada.
CRÉDITO PLEITEADO. SALDO NEGATIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Não há comprovação da origem do crédito pleiteado, pois compulsando a DIPJ acostada aos autos, não há notícia de que foi apurado saldo negativo, e sim, imposto a pagar.
Numero da decisão: 1301-003.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DECLARAÇÕES. INTIMAÇÃO. OCORRÊNCIA O não-atendimento pelo contribuinte de intimação visando esclarecer inconsistências e concedendo oportunidade para retificar declarações, gera a não-homologação da compensação declarada. CRÉDITO PLEITEADO. SALDO NEGATIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não há comprovação da origem do crédito pleiteado, pois compulsando a DIPJ acostada aos autos, não há notícia de que foi apurado saldo negativo, e sim, imposto a pagar.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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INTIMAÇÃO. OCORRÊNCIA O nãoatendimento pelo contribuinte de intimação visando esclarecer inconsistências e concedendo oportunidade para retificar declarações, gera a nãohomologação da compensação declarada. CRÉDITO PLEITEADO. SALDO NEGATIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não há comprovação da origem do crédito pleiteado, pois compulsando a DIPJ acostada aos autos, não há notícia de que foi apurado saldo negativo, e sim, imposto a pagar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 90 00 24 /2 00 8- 41 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13984.900024/200841 Acórdão n.º 1301003.262 S1C3T1 Fl. 88 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte contra acórdão proferido pela DRJ, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada, por unanimidade de votos, entendeu julgála improcedente. Inferese dos autos, que o contribuinte transmitiu Declaração de Compensação (PER/DCOMP), alegando direito creditório oriundo de saldo negativo de IRPJ. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório pleiteado e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada, ao fundamento de inexistir apuração de saldo negativo, uma vez que, na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), correspondente ao período e apuração do crédito informado no PERD/DCOMP, consta imposto a pagar. Cientificado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, cujos argumentos foram apreciados pela DRJ, que decidiu julgála improcedente, ratificando as razões de decidir do despacho decisório, acrescentando que eventuais inconsistências existentes em suas declarações, deveriam ser corrigidas após sua regular intimação, que ocorreu antes do Despacho Decisório, porém, ao invés de corrigir qualquer de suas declarações, quedouse inerte. Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, através de patrono legitimamente constituído, pugnando por provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais, portanto, dele conheço. Suscita a interessada, em seu recuso, que é equivocado o entendimento do acórdão recorrido, no sentido de negar o crédito pleiteado oriundo de saldo negativo de IRPJ por irregularidade no preenchimento da DCOMP, aduzindo ainda que o valor do crédito pleiteado é menor do que valor do saldo negativo apurado na DIPJ, sendo que o fato de o referido saldo negativo se referir ao mesmo anocalendário não prejudica seu direito ao crédito, podendo eventual dúvida ter sido sanada através de diligência. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13984.900024/200841 Acórdão n.º 1301003.262 S1C3T1 Fl. 89 3 Primeiramente, vale o registro de que tenho adotado o entendimento de que no caso de divergência entre a DIPJ, DCTF e DCOMP, deve a autoridade prolatora do despacho decisório, anteriormente a esta decisão, proceder a intimação do contribuinte para que ele possa eventualmente retificar uma das declarações. Penso que a fiscalização não pode limitar sua análise apenas nas informações prestadas em Dcomp, já que existem informações em seu banco de dados provenientes de outras declarações que permitem a análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Isto é, cabe à fiscalização, ao menos, questionar a divergência existente entre as declarações transmitidas e proceder a intimação do contribuinte para retificar uma delas. Inexistindo regular intimação e verificando nos autos que as provas carreadas demonstram a existência de mero erro de preenchimento de declarações, ainda que seja na identificação do crédito pleiteado, tenho proposto a conversão do processo em diligência, a fim de oportunizar ao contribuinte esclarecimentos e eventuais retificações em suas declarações. No caso vertente, o contribuinte foi regularmente intimado, antes do Despacho Decisório, para eventualmente retificar uma de suas declarações, porém permaneceu inerte. Assim, eventual erro na identificação do crédito do contribuinte não deve ser aceito como tal, por absoluta perda de prazo e por inexistir nos autos provas de que se trata mesmo de erro de preenchimento de uma de suas declarações. Por outro lado, também não há comprovação da origem do crédito pleiteado, pois compulsando a DIPJ acostada aos autos, não há notícia de que foi apurado saldo negativo. Deste modo, não é possível reconhecer a existência de crédito passível de ser compensado. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.914398/2009-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
PER/DCOMP. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. .
A estimativa recolhida,. afastado eventual pagamento a maior ou indevido, forma o saldo negativo do contribuinte, devendo respeitar a sua metodologia própria para o pleito do direito creditório correspondente via PER/Dcomp.
Numero da decisão: 1402-003.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Participaram do julgamento os Conselheiros Edgar Bragança Bazhuni e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplentes Convocados).
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2003 PER/DCOMP. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. . A estimativa recolhida,. afastado eventual pagamento a maior ou indevido, forma o saldo negativo do contribuinte, devendo respeitar a sua metodologia própria para o pleito do direito creditório correspondente via PER/Dcomp.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1567; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.914398/200903 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1402003.462 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de setembro de 2018 Matéria PER/DCOMP COMPENSAÇÃO Recorrente BRASILWAGEN ADMINISTRADORA NACIONAL DE CONSORCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 PER/DCOMP. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. . A estimativa recolhida,. afastado eventual pagamento a maior ou indevido, forma o saldo negativo do contribuinte, devendo respeitar a sua metodologia própria para o pleito do direito creditório correspondente via PER/Dcomp. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Participaram do julgamento os Conselheiros Edgar Bragança Bazhuni e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplentes Convocados). (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado) e Paulo Mateus Ciccone. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 43 98 /2 00 9- 03 Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10880.914398/200903 Acórdão n.º 1402003.462 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I SP, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe, agora recorrente. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido de antecipações por estimativa, buscando extinguir por compensação de débito próprio, conforme detalhamento que consta no Despacho Decisório acostado aos autos. Transmitida, o PER/Dcomp recebeu da DRF de origem o Despacho Decisório de "não homologação’ da compensação", cujas razões de negação se fundam na utilização integral do pagamento discriminado para a quitação de outro débito. Portanto, não haveria crédito disponível para a compensação em análise. Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com o despacho decisório, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que por ocasião do ajuste do exercício, a recorrente apurou prejuízo, sendo que deste modo todas as antecipações efetuadas se transformaram em crédito passível de restituição, e até a vigência da Medida Provisória nº 449/2008, não haveria vedação da compensação das estimativas com quaisquer outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Da decisão da DRJ Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento: A DRJ, em seu julgamento, por unanimidade considerou improcedente a manifestação de inconformidade, e não reconheceu o direito creditório pleiteado, e consequente não homologação da compensação do PER/Dcomp objeto do presente processo. Na decisão ora recorrida, entendeuse que os valores pagos a título de estimativa de IRPJ e CSLL não poderiam ser considerados crédito em favor da recorrente, sob a qualificação de "pagamento indevido ou a maior". Tais valores deveriam compor o saldo negativo, o que demandaria uma comprovação própria. Eventual pagamento indevido ou a maior de estimativa, mesmo que comprovado, à época dos fatos, na regência da IN SRF nº 460/2004, deveria reduzir o tributo a pagar ou para compor o seu saldo negativo, não podendo ser aproveitado diretamente e por si só pelo contribuinte. Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que expõe que as estimativas poderão, em caso de saldo negativo, a partir da entrega da declaração de Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.914398/200903 Acórdão n.º 1402003.462 S1C4T2 Fl. 4 3 rendimentos, compensados com tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil SRF, nos termos do art. 6º da Lei nº 9.430/1996. No seu entender, as antecipações ocorridas ao longo do anocalendário de 2003, às quais não se confirmaram por conta do prejuízo apurado no ajuste, podem ser objeto de restituição, e compensação com qualquer tributo administrado pela SRF, ao menos até a vigência da MP 449/2008, que vedou a compensação de estimativas. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.458, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.909357/2009 97, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.458): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, podese dele conhecer. Antes de adentrar no mérito, cabe informar que o julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, sendo o paradigma. Síntese dos fatos Primeiramente, fica bem claro nos autos que o direito creditório que está sendo pleiteado pela recorrente, e com seu conhecimento, é saldo negativo de IRPJ ou base de cálculo negativa de CSLL. A recorrente ao preencher o PER/Dcomp, informou que houve um pagamento indevido ou a maior de estimativa para justificar o direito creditório pelo qual objetivava extinguir o débito, conforme consta no pedido de compensação. Contudo, foi denegado pela autoridade fiscal conforme Despacho Decisório, pois o crédito pleiteado estava alocado, quitando o débito correspondente da antecipação do IRPJ (ou da CSLL). Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.914398/200903 Acórdão n.º 1402003.462 S1C4T2 Fl. 5 4 Sua manifestação de inconformidade vai ao encontro do informado acima, entendendo, contudo, que seria cabível a compensação, independente da designação dada. A decisão a quo considerou improcedente sua manifestação de inconformidade, pois, em linhas gerais, tal forma de compensar o saldo negativo do IRPJ (ou CSLL) não seria a correta, de acordo com as normas aplicáveis. Em sede recursal, reitera, o seu entendimento que tem o direito, pois apesar de ser sido pagos como estimativas, não se confirmaram quando apurou prejuízo, o que lha dá o direito à restituição. Adiciona que tal posicionamento de não homologação seria equivocado, pois há regência legal para sua postura. Do mérito O presente caso envolve uma questão recorrente neste CARF, que seria de qual a natureza jurídica do recolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL, em que a recorrente entende que o recolhido antecipadamente a maior foi indevido, querendo que seja tratado como uma repetição de indébito, apesar de não explicitar tal situação nos autos. Conforme entendimento consolidado deste CARF e através de matéria já sumulada1, para ser caracterizada uma estimativa recolhida como indébito, é necessário que tenha ocorrido realmente um pagamento indevido ou maior, o que exigiria demonstração de erro na apuração. Ou seja, se fosse o caso, o valor pago de estimativas foi superior ao devido, com base na receita bruta, ou em balanço de suspensão/redução, e a repetição do indébito poderia ser até, inclusive, no curso do ano calendário da período que se refere o pagamento indevido. Compulsando os autos, em nenhum momento é mencionado, e muito menos demonstrado, pela recorrente que foi um pagamento indevido ou a maior de estimativa. Pelo contrário, demonstra que o caso é de pagamentos de estimativas recolhidos devidamente e, que no final do ano apurou excesso de recolhimentos, além do necessário, pois apurou prejuízos fiscais, o que se configura saldo negativo (tanto de IRPJ quanto de CSLL). Aqui, cabe destacar a importância da distinção material entre o direito creditório se basear em pagamento indevido de estimativa ou saldo negativo. Aquele, sendo um indébito, geraria o direito a atualização monetária a partir do mês seguinte da sua ocorrência. Este, só haveria sua apuração do encerramento do exercício, e sua atualização monetária no mês seguinte. No caso da recorrente, ao ser optante do lucro real anual no ano calendário de 2003, e há valores recolhidos em vários meses ao longo de ano, poderia haver alguma repercussão financeira, em 1 Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.914398/200903 Acórdão n.º 1402003.462 S1C4T2 Fl. 6 5 seu favor (e por consequência em prejuízo ao erário) se seguisse com a visão de eventuais estimativas recolhidas a maior seriam indébitos, e não saldo negativo, como tenta imputar na apresentação do seu PER/Dcomp. Não se quer aqui negar o direito da recorrente de tratar como indébito eventual estimativa recolhida a maior ou erroneamente, devidos a erro na sua apuração da base de cálculo, pois nestes casos tratável como repetição de indébito. Contudo, não resta alegado, e por consequência, nem comprovado em nenhum momento que houve um erro no pagamento da estimativa da sua parte, e como já dito anteriormente, muito pelo contrário, há sua afirmação que foram pagamentos de estimativas corretas que geraram o saldo negativo de IRPJ ou CSLL. Portanto, muito mais que um problema formal no preenchimento do PER/Dcomp, de qualificação como pagamento indevido ou saldo negativo, estáse diante de um problema atinente à própria metodologia de apuração do IRPJ/CSLL, e suas consequências advindas, de acordo com a opção eleita pela recorrente. Nestas circunstâncias, corretas as negativas, tanto no despacho decisório quanto no acórdão a quo, do pleito da recorrente, pois se valeu erradamente do seu direito, não logrando demonstrar diferente. Pelo todo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 123DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.721015/2015-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
A autoridade administrativa é incompetente para decidir sobre a constitucionalidade dos atos baixados pelo Poder Legislativo.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
A multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, será aplicada quando ficar evidenciado que o contribuinte adotou práticas que, segundo a autoridade fiscal, se enquadraram nas situações previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
A responsabilidade solidária com base no art. 135, III do CTN, é aplicável aos sócio-administradores, por exercerem a gerência e terem a obrigação de zelar pelo respeito às leis tributárias da pessoa jurídica a qual estão vinculados, se há uma imputação dolosa ensejadora da qualificação, como a sonegação, fartamente demonstrada nos autos.
DECORRÊNCIAS. CSLL - PIS - COFINS.
Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1402-003.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em i) conhecer do Recurso Voluntário da empresa autuada e, no mérito, negar provimento, mantendo a exigência do crédito tributário com a multa qualificada; ii) por unanimidade conhecer dos Recursos Voluntários dos sujeitos passivos solidários, Eduardo Asmar, Marcelo Asmar, Silvana de Araújo e Gilberto Asmar e dar provimento para afastar a imputação de responsabilização com base no artigo 124, I, do CTN; e, iii) por voto de qualidade, negar provimento aos recursos voluntários dos sujeitos passivos solidários, Eduardo Asmar, Marcelo Asmar, Silvana de Araújo e Gilberto Asmar, mantendo a responsabilização solidária com suporte no artigo 135, III, do CTN, vencidos o Conselheiro relator e os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) que davam provimento ao recurso para afastar a responsabilização. Designado para redigir o voto vencedor em relação a esta última matéria o Conselheiro Marco Rogério Borges.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. A autoridade administrativa é incompetente para decidir sobre a constitucionalidade dos atos baixados pelo Poder Legislativo. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, será aplicada quando ficar evidenciado que o contribuinte adotou práticas que, segundo a autoridade fiscal, se enquadraram nas situações previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. A responsabilidade solidária com base no art. 135, III do CTN, é aplicável aos sócioadministradores, por exercerem a gerência e terem a obrigação de zelar pelo respeito às leis tributárias da pessoa jurídica a qual estão vinculados, se há uma imputação dolosa ensejadora da qualificação, como a sonegação, fartamente demonstrada nos autos. DECORRÊNCIAS. CSLL PIS COFINS. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em i) conhecer do Recurso Voluntário da empresa autuada e, no mérito, negar provimento, mantendo a exigência do crédito tributário com a multa qualificada; ii) por unanimidade conhecer dos Recursos Voluntários dos sujeitos passivos solidários, Eduardo Asmar, Marcelo Asmar, Silvana de Araújo e Gilberto Asmar e dar provimento para afastar a imputação de responsabilização com base no artigo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 10 15 /2 01 5- 28 Fl. 3135DF CARF MF Processo nº 19515.721015/201528 Acórdão n.º 1402003.218 S1C4T2 Fl. 3.124 2 124, I, do CTN; e, iii) por voto de qualidade, negar provimento aos recursos voluntários dos sujeitos passivos solidários, Eduardo Asmar, Marcelo Asmar, Silvana de Araújo e Gilberto Asmar, mantendo a responsabilização solidária com suporte no artigo 135, III, do CTN, vencidos o Conselheiro relator e os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) que davam provimento ao recurso para afastar a responsabilização. Designado para redigir o voto vencedor em relação a esta última matéria o Conselheiro Marco Rogério Borges. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 3136DF CARF MF Processo nº 19515.721015/201528 Acórdão n.º 1402003.218 S1C4T2 Fl. 3.125 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, fls. 2567 a 2616, lavrado contra o sujeito passivo, Import Express Comercial Importadora Ltda, e o responsáveis Eduardo Asmar, Marcelo Asmar, Silvana de Araújo e Gilberto Asmar. O citado auto combinado com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 263 a 282, exigem o recolhimento do crédito tributário no montante de R$ 26.055.876,32 , assim discriminados: No Termo de Verificação Fiscal, fls. 263 a 282, a autoridade fiscal apresenta a motivação dos lançamentos. Dele extraemse as observações e argumentos resumidos adiante: Durante o procedimento fiscal, para o ano calendário de 2011, verificouse que a empresa não apresentou DIPJ, Livro Diário e Razão ou Caixa, apresentou Dacon com receita bruta zerada e DCTF não informando débitos referentes aos impostos e contribuições, IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Apesar dessas informações prestadas à Receita Federal, foram apuradas notas fiscais de venda de produtos que totalizam R$ 126.267.245,59. Em decorrência disso, o lucro da empresa foi arbitrado, com base no art. 530, inciso III, e art. 532 do Decreto nº. 3000/99 e a empresa autuada por omissão de receita conforme art. 537 do mesmo decreto. Houve representação fiscal para fins penais, nos termos do art. 1º, inciso I e II, e art. 2º, inciso I da Lei nº. 8137/90, anexada ao processo administrativo nº. 19515.721020/201531. Diante da prática reiterada de omissão de receitas, 2008, 2009, 2010 e 2011, processos administrativos nº. 19515.721620/201337, 19515.722772/201276, 19515.720985/201514 e 19515.721015/201528, respectivamente, a Autoridade Fiscal qualificou a multa nos termos do art. 44 da Lei nº. 9430/96, enquadrando a negativa da empresa como dolosa, intencional e consciente para impedir o conhecimento da ocorrência dos fatos geradores. Com o agravamento citado e as reiteradas condutas da empresa fiscalizada, justificouse a responsabilização direta e pessoal dos sóciosadministradores nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional, com arrolamento dos bens do sujeito passivo e dos responsáveis solidários, anexados aos processos administrativos nº. 19515.001519/201013, 19515.721636/201340, 19515.721638/201339, 19515.721637/201394 e 19515.721628/201301. Irresignado com o lançamento do Auto de Infração, o sujeito passivo e os responsáveis solidários, apresentaram impugnações, fl. 2673 a 2784. O sujeito passivo, Impor Fl. 3137DF CARF MF Processo nº 19515.721015/201528 Acórdão n.º 1402003.218 S1C4T2 Fl. 3.126 4 Express Com e Imp Ltda, defende sua atuação com os argumentos sucintamente resumidos a seguir. Em relação à responsabilidade solidária, o impugnante afirma que não existe um crédito tributário constituído e, em decorrência disso, não poderia haver responsabilidade solidária, embasando seu entendimento em julgados do CARF, STJ e no novo Código de Processo Civil. Já quanto ao embaraço à fiscalização, informa que não houve qualquer prejuízo ao trabalho fiscal desenvolvido, até porque o Auto de Infração foi lançado com base em documentos obtidos diretamente pelo Fiscal. Alega que o fiscal não esclareceu como foram extraídas as informações de cartão de crédito impossibilitando sua defesa quanto a esse item e que a obtenção unilateral dos extratos bancários é ilegal. No tópico seguinte, alega que a Autoridade Fiscal não levou em consideração as vendas canceladas e que cabe ao auditor provar, por meio de diligências para verificação dos livros, por exemplo, que o contribuinte de fato recebeu os aludidos créditos, conforme previsto no art. 333 do Código do Processo Civil e art. 9º do Decreto 70.235/72. Finaliza a impugnação requerendo que: (i) seja reconhecida a decadência deste Auto de Infração; (ii) seja diminuída a multa aplicada em razão da inexistência de qualquer embaraço à fiscalização; (iii) seja declarada nulidade das provas utilizadas na autuação fiscal; e (iv) no mérito, seja declarada a improcedência da ação fiscal, em razão da ausência de provas. O responsável tributário, Gilberto Asmar, se defende com os argumentos sucintamente resumidos a seguir. Em relação à responsabilidade solidária, o impugnante afirma que não existe um crédito tributário constituído, e por isso, não pode haver responsabilidade solidária, embasando seu entendimento em julgados do CARF, STJ e no novo Código de Processo Civil. Finaliza a impugnação requerendo que: (i) seja declarada a nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrada, com a conseqüente nulidade do Termo de Arrolamento de Bens. O responsável tributário, Marcelo Asmar, se defende com os argumentos sucintamente resumidos a seguir. Em relação à responsabilidade solidária, o impugnante afirma que não existe um crédito tributário constituído, e por isso, não pode haver responsabilidade solidária, embasando seu entendimento em julgados do CARF, STJ e no novo Código de Processo Civil. Finaliza a impugnação requerendo que: (i) seja declarada a nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrada, com a conseqüente nulidade do Termo de Arrolamento de Bens. O responsável tributário, Eduardo Asmar, se defende com os argumentos sucintamente resumidos a seguir. Em relação à responsabilidade solidária, o impugnante afirma que não existe um crédito tributário constituído, e por isso, não pode haver responsabilidade solidária, embasando seu entendimento em julgados do CARF, STJ e no novo Código de Processo Civil. Fl. 3138DF CARF MF Processo nº 19515.721015/201528 Acórdão n.º 1402003.218 S1C4T2 Fl. 3.127 5 Finaliza a impugnação requerendo que: (i) seja declarada a nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrada, com a conseqüente nulidade do Termo de Arrolamento de Bens. O responsável tributário, Silvana de Araújo, se defende com os argumentos sucintamente resumidos a seguir. Em relação à responsabilidade solidária, o impugnante afirma que não existe um crédito tributário constituído, e por isso, não pode haver responsabilidade solidária, embasando seu entendimento em julgados do CARF, STJ e no novo Código de Processo Civil. Finaliza a impugnação requerendo que: (i) seja declarada a nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrada, com a conseqüente nulidade do Termo de Arrolamento de Bens. Em seguida, a DRJ proferiu v. acórdão, mantendo integralmente os AIs, confirmando a responsabilidade do Srs. Eduardo Asmar, Marcelo Asmar, Silvana de Araújo e Gilberto Asmar, registrando a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. A autoridade administrativa é incompetente para decidir sobre a constitucionalidade dos atos baixados pelo Poder Legislativo. MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, será aplicada quando ficar evidenciado que o contribuinte adotou práticas que, segundo a autoridade fiscal, se enquadraram nas situações previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações resultantes de atos praticados com infração de lei, os mandatários, prepostos, empregados, bem como os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. DECORRÊNCIAS. CSLL PIS COFINS. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seguida, devidamente notificada, a empresa Recorrente interpõe Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos da impugnação e apresenta argumentos de defesa, requerendo a nulidade dos termos de sujeição passiva. Fl. 3139DF CARF MF Processo nº 19515.721015/201528 Acórdão n.º 1402003.218 S1C4T2 Fl. 3.128 6 Inconformada com o v. acórdão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repisando os mesmos argumentos da impugnação. Entretanto, os responsáveis solidários não tinham sido notificados do v. acórdão recorrido e não interpuseram recurso. Devido a tal fato, esta C. Turma Ordinária decidiu converter o julgamento em diligência para que as pessoas físicas responsáveis solidários fossem intimadas da decisão "a quo". Após os responsáveis solidários terem sido initimados, oferecerem separadamente os respectivos Recursos Voluntários. Ato contínuo, os autos retornaram para o E. CARF/MF e foram distribuídos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 3140DF CARF MF Processo nº 19515.721015/201528 Acórdão n.º 1402003.218 S1C4T2 Fl. 3.129 7 Voto Vencido Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Os Recursos Voluntário da empresa autuada e dos responsáveis solidários são tempestivo e possuem os requisitos previstos na legislação, motivo pelo qual devem ser admitidos. Decadência: A Recorrente alega que os créditos tributários foram atingidos pela decadência. Entretanto, pela simples análise entre a data do fato gerador, anocalendário 2011, exercício 2012, com a ciência do Auto de Infração em 2015, verificamos que o crédito tributário não foi alcançado por tal instituto da decadência. Da infração de omissão de receita: Argumenta a Recorrente que o fisco não explica a forma pela qual obteve as informações acerca das vendas efetuadas e pagas com o uso de cartão de crédito e afirma ser ilícita a obtenção dos dados bancários pelo fisco. Cumpre ressaltar que a autoridade administrativa não tem competência legal para decidir sobre ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis ou atos normativos, matéria reservada ao Poder Judiciário. O órgão administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza, salvo nos casos autorizados por disposições legais, regulamentares ou normativas, baixadas por autoridade superior competente, nos quais não se insere a presente matéria. Os mecanismos de controle da constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal, passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa. É inócuo, então, suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois não se pode, sob pena de responsabilidade funcional, deixar de aplicar as normas cuja validade está sendo questionada quanto aos supracitados aspectos, em observância ao art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional Lei nº 5.172/66. Salientese que, em respeito à segurança das relações Fisco x Contribuinte, é dever da administração tributária fazer cumprir as normas legais emanadas do Poder Legislativo e devidamente sancionadas e promulgadas pelo Poder Executivo. Ao contribuinte é assegurado o direito de buscar a proteção jurisdicional do Estado, quando se sentir lesado ou ameaçado em seu direito. Fl. 3141DF CARF MF Processo nº 19515.721015/201528 Acórdão n.º 1402003.218 S1C4T2 Fl. 3.130 8 Apesar dessas explicações, da leitura atenta dos Auto de Infração, verificamos que os extratos bancários ou as informações de cartão de crédito não serviram para que apresente esses dados ou autorize que os bancos o façam, a mesma não foi atendida e, ao que tudo indica, tais dados não foram nem acessados pelo Fisco. Não obstante a isso, a Autoridade Fiscal, por meio do banco de dados da Receita Federal, localizou notas fiscais de venda para todo o período em investigação, no caso 2011. A partir daí, as notas fiscais foram somadas para batimento da receita bruta obtida com a venda de mercadorias e a declarada por meio das DIPJ, DCTF e Dacon. Mas, como já informado no relatório, o Recorrente, não apresentou DIPJ, Livro Diário e Razão ou Caixa, apresentou Dacon com receita bruta zerada e DCTF não informando débitos referentes aos impostos e contribuições, IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Assim, diante de uma receita bruta apurada de R$ 126.267.245,59 já descontadas as vendas canceladas e devolvidas, é claro e de fácil compreensão que houve uma omissão de receita nos termos do art. 537 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº. 3000/99. Outro ponto importante é que no Termo de Verificação Fiscal (TVF), consta claramente a informação de que as notas fiscais de entrada emitidas tanto no ano de 2011, como no ano de 2012, 2013 e 2014 que são devolução de mercadorias vendidas no ano de 2011 (informação prestada pelo próprio contribuinte) foram integralmente subtraídas da receita bruta de vendas em 2011, conforme os trechos do TVF citado e que seguem abaixo. Fl. 3142DF CARF MF Processo nº 19515.721015/201528 Acórdão n.º 1402003.218 S1C4T2 Fl. 3.131 9 É importante frisar nesse ponto que as notas fiscais, anexadas ao processo por amostragem, são documentos hábeis e idôneos para comprovar a receita bruta uma vez que elas apresentam todos os requisitos legais previstos e que tiveram sua autenticidade confirmada, fazendo prova irrefutável, diante das declarações emitidas pelo Recorrente. Cumpre destacar que a Recorrente só apresentou seu descontentamento em relação ao Auto de Infração, não trazendo aos autos suporte probatório para comprovar que contabilizou e recolheu corretamente todas as receitas devidas ou justificativa plausível para as divergências ou, em última análise, erro da autoridade fiscal no lançamento do crédito tributário. Portanto, não merece prosperar a alegação de ilegalidade/inconstitucionalidade na obtenção dos extratos bancários, nem o cerceamento de defesa ou a alegação de que os cancelamentos de venda não foram desconsiderados pela autoridade fiscal. Sendo assim, voto por manter integralmente a exigência do crédito tributário descrito no Auto de Infração. Da multa qualificada: De acordo com o narrado no Relatório Fiscal e do que restou comprovado nos autos, entendo que a fiscalização enquadrou perfeitamente os atos praticados pela Recorrente nas hipóteses previstas na legislação para qualificar a multa no percentual de 150%. Vejamos a fundamentação da fiscalização para qualificar a multa de ofício. 7.3. Numa análise objetiva dos fatos relatados anteriormente, frente aos dispositivos legais em comento, não há como deixar de enquadrar a ação dolosa, intencional e consciente da empresa IMPORT EXPRESS de impedir o conhecimento da autoridade fiscal da ocorrência dos fatos geradores, sua natureza e circunstâncias materiais, na definição de sonegação contida no artigo 71, já transcrito. 7.4. A sonegação impede a apuração da obrigação tributária principal diante da ocultação de bens ou de fatos jurídicos à incidência fiscal (fato gerador já realizado), e pressupõe sempre a intenção de causar dano à fazenda pública. 7.5. Ora como vimos, as notas fiscais de venda de produtos válidas emitidas pela FISCALIZADA, no anocalendário 2011, constituem prova cabal de omissão de receitas a ser tributado, sendo que as mesmas não foram informados em DACON e nem os tributos devidos declarados em DCTF. 7.6. Vimos ainda que a DIPJ sequer foi entregue pela IMPORT EXPRESS. Ademais, a declaração de imposto de renda é documento exigido pela lei fiscal, como se verifica pela leitura do art. 43 da Lei 8.383 de 30/12/1991, o qual estabelece que as pessoas jurídicas deverão apresentar, em cada ano, declaração de ajuste anual consolidando os resultados mensais auferidos nos meses de janeiro a dezembro do ano anterior. 7.7. Ressaltase que a DIPJ, DACON e a DCTF são declarações de apresentação obrigatória, as quais , além de servir para o auto lançamento dos tributos pelo contribuinte, são também os Fl. 3143DF CARF MF Processo nº 19515.721015/201528 Acórdão n.º 1402003.218 S1C4T2 Fl. 3.132 10 principais instrumentos de controle da Receita Federal do Brasil que, por intermédio das informações nelas prestadas, possibilita a análise do crédito tributário e a cobrança dos valores ali declarados e não recolhidos na forma e no prazo regulamentar. 7.8. Dessa forma, a falta de recolhimento dos tributos e a omissão reiterada de informações não só na DIPJ e DACON, mas também nas DCTF, indica o intuito de ocultar da autoridade fiscal a ocorrência do fato gerador e os montantes dos tributos e contribuições federais devidos, cujos valores somente puderam ser quantificados e apurados com a intervenção desta fiscalização. 7.9. Restando configurada a sonegação definida no art. 71 da Lei nº 4.502/1964, a multa de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996 deve ser aplicada em dobro, nos termos do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/1996. 7.10. Assim sendo, as infrações apuradas ensejaram a aplicação de multa de ofício 150% (cento e cinquenta por cento) sobre os valores lançados. Dentre as constatações da fiscalização podemos citar o intuito de sonegar a ocorrência dos fatos geradores e de informação importantes que deveriam constar nos documentos fiscais (DIPJ, DACON e DCTF) entregues ao Fisco. Assim, restou comprovado nos autos, a falta de recolhimento de tributos e a omissão reiterada de informações de informações não só na DIPJ e na DACON, mas também nas DCTF, demonstrando de forma incontroversa o intuito da Recorrente de ocultar da Fiscalização o fato gerador, os tributos e as contribuições federais devidas, incidentes sobre as receitas omitidos, cujos valores somente puderam ser quantificados e apurados com a intervenção desta fiscalização. Tais atos praticados pela Recorrente e comprovados nos autos, conforme acima indicado, ensejam de acordo com a norma a qualificação da multa de ofício. Sendo assim, voto por manter integralmente o crédito tributário exigido relativo ao IRPJ, à CSLL, à Cofins, ao PIS/Pasep, bem como a multa qualificada no importe de 150%. Dos responsáveis solidários: Em relação aos responsáveis solidários, o Termo de Verificação Fiscal imputou de forma genérica e sem individualizar os atos praticados por cada pessoa física, responsabilidade nos termos do artigo 124, inciso I e art. 135 inciso III do CTN devido ao fato de ocuparem no contrato social cargo de gerência ou de diretoria. Esta C. Turma firmou entendimento de que a responsabilidade solidária só pode ser imputada de forma individual e com a constatação específica da pessoa física ou jurídica que praticou os atos com excesso de poderes e que infringiram a lei a tributária, eis que Fl. 3144DF CARF MF Processo nº 19515.721015/201528 Acórdão n.º 1402003.218 S1C4T2 Fl. 3.133 11 existem atos ou negócios alheios que são gravosos a sociedade e oneram o patrimônio social, mas não reduzem o pagamento do imposto, ou acarretam prejuízo ao Erário. Como no presente caso a fiscalização não individualizou a conduta da cada pessoa física responsabilizada, demonstrando quem praticou o ato que acarretou na irregularidade tributária, entendo que a imputação da responsabilidade solidária estabelecida no Termo de Verificação Fiscal carece de fundamento e motivação específica. Sendo assim, seguindo a jurisprudência esta C. Turma Ordinária, de que a responsabilidade tributária só pode ser aplicada em casos excepcionais e quando devidamente comprovado nos autos os atos individuais praticados pela pessoa física ou jurídica que acarretaram em algum irregularidade tributária, voto por afastar a responsabilidade solidária do Eduardo Asmar, Marcelo Asmar, Silvana de Araújo e Gilberto Asmar. Pelo exposto e por tudo que consta processo nos autos conheço do Recurso Voluntário da empresa autuada e nego provimento, mantendo a exigência do crédito tributário com a multa qualificada e em relação aos Recursos Voluntários dos Srs. Eduardo Asmar, Marcelo Asmar, Silvana de Araújo e Gilberto Asmar, os conheço e dou provimento para afastar a respectiva imputação da responsabilidade solidária. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 3145DF CARF MF Processo nº 19515.721015/201528 Acórdão n.º 1402003.218 S1C4T2 Fl. 3.134 12 Voto Vencedor Conselheiro Marco Rogério Borges Redator Designado O i. relator, no seu brilhante e detalhado voto, como é de costume nesta turma, entendeu que a imputação do art. 135, III do CTN aos sócioadministradores foi de forma genérica e sem individualizar os atos praticados por cada pessoa física, e votou por exonerar a responsabilidade solidária dos Srs. Eduardo Asmar, Marcelo Asmar, Silvana de Araújo e Gilberto Asmar. Contudo, no entender da maioria qualificada do colegiado, ousamos discordar do i. relator, entendendo que deve ser mantida a responsabilidade tributária das pessoas físicas supramencionadas, e, por equivalência, negado os respectivos recursos voluntários. Alegam os Srs. Eduardo Asmar, Marcelo Asmar, Silvana de Araújo e Gilberto Asmar, em relação à responsabilidade solidária, que não existe um crédito tributário constituído, e por isso, não pode haver responsabilidade solidária, embasando seu entendimento em julgados do CARF, STJ e no novo Código de Processo Civil. Contudo, no termo de verificação fiscal, a fundamentação para tal imputação aos Srs. supramencionados por conta eram sócioadministradores da Import Express, e realizaram atos fraudulentos a fim de encobrir a ocorrência de fato jurídico tributário, promovendo, assim, a sonegação fiscal e não recolhimento dos impostos e contribuições sociais devidas, pois além da não entrega da DIPJ para o anocalendário de 2011, utilizouse de declarações inexatas, onde informava receita bruta zerada. Ficou ali consignado que cada sócioadministrador possui a mesma quantidade de quotas, tendo todos os mesmos poderes. Os limites da aplicação do art. 135, III do CTN1 envolvem muitas discussões neste CARF, pois há uma corrente que entende que deve haver uma demonstração cabal que os administradores agiram conforme preceitua tal imputação com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Esta corrente, da qual já antecipo que não coaduno, espera encontrar aqui algo equivalente a uma prova cabal do dolo do responsável da pessoa jurídica (no caso concreto, sóciosadministradores). Seria encontrar um ordem escrita destes a quem entregou a DIPJ que a mesma estivesse tais valores, bem aquém dos reais, ou quiçá, uma confissão irretratável que agiram no intuito de pagar menos tributos. Tal corrente também entende que seria uma responsabilidade objetiva se não houvesse tal prova para imputação do art. 135, III do CTN. Contudo, a conjunção de elementos coletados pela autoridade fiscal autuante, documentada com notas fiscais e a falta de declaração destas receitas, demonstra que há uma 1 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 3146DF CARF MF Processo nº 19515.721015/201528 Acórdão n.º 1402003.218 S1C4T2 Fl. 3.135 13 clara intenção da recorrente, pessoa jurídica, em pagar muito menos tributos que o devido, tanto que há um imputação de qualificação da multa. Qual o problema do parágrafo acima? Pessoa jurídica não tem vontade! Esta vontade é exercida pelos seus responsáveis, pessoas físicas, que administram o empreendimento, no caso a pessoa jurídica da recorrente. Os sócio administradores decidem, comissiva ou omissivamente, pelos seus atos de gestão. Frisese bem que a vontade não é demonstrada apenas por um ato próativo, comissivo, como pagar um tributo menos que o devido, ou declarar uma DIPJ com receitas inferiores à realidade. Também é demonstrada pela omissiva de quem deveria zelar pelo respeito às leis e suas obrigações e não o fez. O administrador de uma pessoa jurídica (no caso concreto, mais abrangente ainda, sócioadministrador) é o responsável por desempenhar todas as funções administrativas da empresa. É ele que conduz o diaadia do negócio, respondendo legalmente por todos os atos da sociedade, e a gerenciando. Neste sentido, deve o administrador zelar por toda a empresa, e se a mesma está cumprindo todos os seus deveres, inclusive de pagar o valor correto dos seus tributos, ou seja, cumprir as leis tributárias. Zelo este que não se espera da ficção da pessoa jurídica, pois ela envolve a conjugação da conduta humana exercida na pessoa física. Nos autos fica demonstrado que tinham conhecimento da sonegação, pois emitiram notas fiscais de vendas, e não declararam estes valores, denotando haver receita omitida, conjugada a total falta de informações prestadas nas suas obrigações acessórias. Comprovado que a pessoa jurídica agiu dolosamente, o que entendo por cabível a aplicação da multa qualificada no presente caso, este dolo é decorrente da gestão dos seus administradores, tanto pela DIPJ e DCTF não entregues que ocultavam fatos geradores, por omissão da real receita da pessoa jurídica. Os Srs. Eduardo Asmar, Marcelo Asmar, Silvana de Araújo e Gilberto Asmar exerciam a administração, (gerência) da recorrente principal, fato este que conjugados com os fatos descritos que fundamentaram a autuação fiscal, houve um intuito deliberado de fazer com que pagasse menos tributos que o devido, e não por mero inadimplemento ou equívoco, como fartamente demonstrado nos autos. Os efeitos da conduta dolosa da pessoa jurídica, travestida no papel desempenhado por seu(s) administrador(es)/gerente(s) , é na responsabilidade tributária atribuída ao sócio, com fundamento no art. 135, III do CTN. Ademais, não comungo com o entendimento daqueles que limitam a aplicação do caput do art. 135 do CTN às hipóteses de cometimento de infração à lei societária, excluindo infrações às leis tributárias. Não parece ser crível que, se tratando de uma norma tributária, excluase do rol de infrações, aptas a ensejar a corresponsabilidade, justamente as próprias leis aplicáveis aos tributos. Lembro que se fala aqui de inadimplemento doloso, penalizado administrativamente com multa de 150%, que se aplica somente nos casos de sonegação, Fl. 3147DF CARF MF Processo nº 19515.721015/201528 Acórdão n.º 1402003.218 S1C4T2 Fl. 3.136 14 fraude ou conluio (art. 44, inciso I, c/c § 1º da Lei nº 9.430/1996 e arts. 71,72 e 73 da Lei nº 4.502/1964). Doutrina, ainda em que franca minoria, e farta jurisprudência, endossam tal entendimento. O Juiz Federal, Zenildo Bodnar, assim se manifestou a respeito do inadimplemento tributário: Uma vez definido com precisão o que vem a ser “atos práticos com infração à lei”, é fácil concluir que o simples inadimplemento tributário da pessoa jurídica não autoriza a responsabilização do sóciogerente ou administrador, salvo, evidentemente, quando acompanhado de condutas dolosas ou culposas, a exemplo da sonegação fiscal e outras fraudes2. No mesmo sentido, Emanuel Carlos Dantas de Assis dispôs: A diferenciação entre os arts. 134 e 135 do CTN pode ser resumida assim: Art. 134: exigência de culpa, restrição da responsabilidade à obrigação tributária principal e limitação do montante ao valor do tributo, acrescido de juros de multa de mora; Art. 135: exigência de dolo, abrangência da responsabilidade para abarcar as penalidades por descumprimento de obrigação acessória e ampliar o montante, com inclusão da multa de ofício. Como a culpa ou o dolo deve ser comprovado, carece uma interpretação casuística. A solução vai depender de cada situação em concreto. Assim, se por um lado é certo que o simples inadimplemento de tributo se constitui em infração de lei, somente a análise dos fatos e circunstâncias irá demonstrar se o sócio tinha razões ou não para deixar de efetuar o pagamento. O que não pode é a responsabilidade ser atribuída à pessoa física com supedâneo no art. 134 ou 135, sem qualquer investigação sobre a existência de culpa ou dolo. Permitir que assim aconteça é substituir a responsabilidade subjetiva por outra, objetiva, sem guarida no ordenamento jurídico. Na caracterização do dolo reside a maior dificuldade para as administrações tributárias, na tentativa de responsabilizar os administradores e sócios de sociedades empresárias, por débitos tributários destas. Como demonstrar, afinal, a intenção da pessoa física? O dolo necessário à responsabilidade estatuída no art. 135 é o presente não só nos crimes contra a ordem tributária previstos na Lei nº 8.137/1990, no contrabando e descaminho (art. 334 do Código Penal, alterado pela Lei nº 4.729/1965), ou nas infrações 2 BODNAR, Zenildo. Responsabilidade Tributária do SócioAdministrador. Curitiba: Juruá, 2010, p. 128. Fl. 3148DF CARF MF Processo nº 19515.721015/201528 Acórdão n.º 1402003.218 S1C4T2 Fl. 3.137 15 tributárias dolosas como sonegação, fraude e conluio (Lei nº 4.502/1964, arts. 71 a 73, respectivamente). 3 Também em pronunciamentos da PGFN e da Receita Federal podese extrair a mesma exegese de tal dispositivo legal: PARECER/ PGFN/CRJ/CAT/Nº 55/2009 [...] 60. Podemos enumerar aqui as conclusões gerais decorrentes da doutrina da responsabilidade subjetiva dos administradores, na forma da jurisprudência hoje pacificada do Superior Tribunal de Justiça: a) O sócio que não possui poderes de gerência não responde pelas obrigações tributárias da sociedade; b) O administrador não responde pelas obrigações tributárias surgidas em período em que não detinha os poderes de gerência; c) A mera ausência de recolhimento de tributos devidos pela pessoa jurídica não pode ser atribuída ao administrador, não respondendo este em razão desse mero inadimplemento da sociedade; d) O administrador só é responsável por atos seus que denotem infração à lei ou excesso de poderes, como, por exemplo, a sonegação fiscal (que é ilícito punível inclusive penalmente) ou a dissolução irregular da sociedade; NOTA GT RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA nº 1, de 17 de dezembro de 2010 (Ato conjunto entre ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e Secretaria da Receita Federal do Brasil. Grupo de Trabalho constituído pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 8 / 2010) 55. Em relação ao excesso de poder, infração à lei, ao contrato social ou estatuto, é oportuno destacar: a) Infração ao contrato social ou estatuto – deve ser uma infração a texto expresso do contrato ou estatuto. Ex.: Desenvolver atividade expressamente proibida nos atos constitutivos e alterações. b) Excesso de poder – não precisa haver vedação. Basta não ter previsão no contrato. Ex. Sócio age como gerente, sem ser (a hipótese do art. 135 abrange inclusive o sócio de fato). c) Infração à lei – não precisa ser uma lei tributária, porém, deve ter conseqüências tributárias. 3 DANTAS DE ASSIS, Emanuel Carlos. Arts. 134 e 135 do CTN: Responsabilidade Culposa e Dolosa dos Sócios e Administradores de Empresas por Dívidas Tributárias da pessoa Jurídica. In.: NEDER, Marcos Vinicius; FERRAGUT, Maria Rita (Coord.). Responsabilidade Tributária. São Paulo: Dialética, 2007, p. 158159. Fl. 3149DF CARF MF Processo nº 19515.721015/201528 Acórdão n.º 1402003.218 S1C4T2 Fl. 3.138 16 56. Observase que, se há multa qualificada, há responsabilidade pelo art. 135 do CTN, trazendo à responsabilidade os sócios do tempo do fato gerador. E a jurisprudência também caminho nesse mesmo sentido. Vejamos: Tribunal Regional Federal da 3ª Região: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OCORRÊNCIA DE OMISSÃO. INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 535 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. ENCERRAMENTO DA FALÊNCIA DA EMPRESA EXECUTADA. REDIRECIONAMENTO AO SÓCIOGERENTE. DECRETOLEI Nº 1.736/79. POSSIBILIDADE. RECURSO PROVIDO PARA DAR PROVIMENTO À APELAÇÃO DA UNIÃO E JULGAR PREJUDICADA A APELAÇÃO INTERPOSTA PELO EXECUTADO. (...) 3. Os débitos em execução referemse a IRPJFonte, devendo ser aplicado o Artigo 8º do Decretolei nº 1.736/79, porque está autorizado pelo artigo 124, II, do Código Tributário Nacional (são solidariamente obrigadas... as pessoas expressamente designadas por lei... A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem). 4. É correto fixar a responsabilidade dos sóciosgerentes ou administradores nos casos de IPI e imposto de renda retido na fonte, pois nesses casos o nãopagamento revela mais que inadimplemento, mas também o descumprimento do dever jurídico de repassar ao erário valores recebidos de outrem ou descontados de terceiros, tratandose de delito de sonegação fiscal previsto na Lei nº 8.137/90, o que atrai a responsabilidade prevista no artigo 135 do Código Tributário Nacional (infração a lei). 5. Recurso provido para dar provimento à apelação da União e julgar prejudicada a apelação interposta pelo executado. (Embargos de Declaração em Apelação Cível Nº 050987853.1997.4.03.6182/ SP, Relator Desembargador Federal JOHONSOM DI SALVO, Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, sessão de 24/10/2013) [grifos nossos] Tribunal Regional Federal da 4ª Região: EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. REDIRECIONAMENTO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA. 1. A jurisprudência da 1ª Seção desta Corte firmouse, em consonância com entendimento atual da 1ª e da 2ª Turmas do Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que o redirecionamento contra o sóciogerente somente tem lugar com Fl. 3150DF CARF MF Processo nº 19515.721015/201528 Acórdão n.º 1402003.218 S1C4T2 Fl. 3.139 17 início de prova de que o sócio agiu com excesso de mandato ou infringência à lei ou estatuto, não decorrendo da simples inadimplência no recolhimento de tributos. 2. Nos casos em que a empresa deixa de recolher aos cofres públicos as contribuições previdenciárias descontadas dos segurados empregados, é possível a responsabilização solidária dos sócios, pois configura infração expressa à lei, não em razão do mero inadimplemento, mas em virtude da prática, em tese, de infração penal (apropriação indébita de contribuições previdenciárias 168A do CP). (EMBARGOS INFRINGENTES Nº 2006.70.99.0020750/ PR, Relatora Juíza VÂNIA HACK DE ALMEIDA, 1ª Seção do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, decisão unânime, sessão de 04 de junho de 2009) [grifos nossos] Superior Tribunal de Justiça – STJ – Primeira Turma: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. NOVO PEDIDO DE REDIRECIONAMENTO PARA O SÓCIOGERENTE. ART. 135 DO CTN. POSSIBILIDADE. EXISTÊNCIA DE SENTENÇA CONDENATÓRIA EM CRIME DE SONEGAÇÃO FISCAL. CONFIRMADO. 1. Os efeitos da decisão, já transitada em julgado, que indeferiu anterior pedido de redirecionamento, não irradia efeitos de coisa julgada apta a impedir novo pedido de redirecionamento na mesma execução fiscal em face da existência de sentença condenatória em crime de sonegação fiscal, confirmada pelo Tribunal de 2º grau e com Habeas Corpus pendente de julgamento no STJ, porquanto aquele pleito inicial está fulcrado apenas em mero inadimplemento fiscal. 2. O redirecionamento da execução fiscal, e seus consectários legais, para o sóciogerente da empresa, somente é cabível quando reste demonstrado que este agiu com excesso de poderes, infração à lei ou contra o estatuto, ou na hipótese de dissolução irregular da empresa. A condenação em crime de sonegação fiscal é prova irrefutável de infração à lei. 3. Recurso especial parcialmente provido. (REsp 935839/RS, Relator Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, decisão unânime, sessão de 05 de março de 2009) Conforme se observa, ao se tratar não de um simples inadimplemento, mas sim de um inadimplemento qualificado, doloso, caracterizado por conduta fraudulenta e com repercussões na esfera criminal, incide o disposto no art. 135 do CTN, implicando que os administradores da pessoa jurídica (inciso III), os quais respondem, inclusive, na seara criminal, sejam também responsabilizados pela obrigação tributária. Entendo ser pouco plausível pensar que o responsável pela administração da pessoa jurídica possa vir a ser responsabilizado penalmente, inclusive com restrições ao seu direito de ir e vir, e não possa, diante dos mesmos fatos, responder também pela obrigação tributária correspondente. Fl. 3151DF CARF MF Processo nº 19515.721015/201528 Acórdão n.º 1402003.218 S1C4T2 Fl. 3.140 18 Portanto, nas hipóteses em que se mostra correta a qualificação da penalidade com esteio no art. 44, inciso I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430/96 e arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, incide, automaticamente, a responsabilidade tributária dos administradores da pessoa jurídica que, à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores, também poderão vir a ser responsabilizados pelo cometimento de crimes contra a ordem tributária. Por fim, tal implicação não possui correspondência biunívoca, ou seja, não se pode fazer o raciocínio inverso a ponto de se concluir que, na ausência de tal penalidade qualificada, não incidiria a responsabilidade tributária de que trata o art. 135, III, do CTN, pois há hipóteses em que sequer é necessário o lançamento de ofício do crédito tributário para que o responsável legal da pessoa jurídica responda pelo crédito tributário. Por conseguinte, NEGO PROVIMENTO, o qual já fui acompanhado pela maioria qualificada do colegiado, quanto à exclusão da sujeição passiva solidária atribuída aos Srs. Eduardo Asmar, Marcelo Asmar, Silvana de Araújo e Gilberto Asmar. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 3152DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.006749/2007-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002
PIS/PASEP. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. EMPRESAS OPTANTES PELO REGIME DE LUCRO REAL. APURAÇÃO E UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS ORIUNDOS DA NÃO-CUMULATIIVDADE. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Por ser a recorrente optante do Lucro Real, deveria ela ter demonstrado e documentado a apuração do valor dos créditos oriundos da não cumulatividade da Contribuição ao PIS/PASEP, utilizados ou não, efetivado a proporcionalização de tais créditos com o valor do ICMS, para chegar ao valor da restituição pleiteada que seria diferente da mera operação aritmética efetuada, de apenas excluir o valor do ICMS destacado nas Notas Fiscais do valor total pago a título de PIS/PASEP e COFINS ou da receita bruta auferida
Numero da decisão: 3301-005.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Votou pelas conclusões o Conselheiro Salvador Cândido Brandão Junior.
assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Presidente.
assinado digitalmente
Ari Vendramini - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos Costa Cavalcanti Filho, Salvador Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 PIS/PASEP. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. EMPRESAS OPTANTES PELO REGIME DE LUCRO REAL. APURAÇÃO E UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS ORIUNDOS DA NÃO CUMULATIIVDADE. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. Por ser a recorrente optante do Lucro Real, deveria ela ter demonstrado e documentado a apuração do valor dos créditos oriundos da não cumulatividade da Contribuição ao PIS/PASEP, utilizados ou não, efetivado a proporcionalização de tais créditos com o valor do ICMS, para chegar ao valor da restituição pleiteada que seria diferente da mera operação aritmética efetuada, de apenas excluir o valor do ICMS destacado nas Notas Fiscais do valor total pago a título de PIS/PASEP e COFINS ou da receita bruta auferida Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Votou pelas conclusões o Conselheiro Salvador Cândido Brandão Junior. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Presidente. assinado digitalmente Ari Vendramini Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 67 49 /2 00 7- 26 Fl. 112DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos Costa Cavalcanti Filho, Salvador Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator) Relatório 1. Tratase de pedido de restituição de PIS, alegada como paga indevidamente, em função de não ter sido excluída de sua base cálculo a parcela relativa ao ICMS. Assim a DRJ/CAMPINAS, em seu Acórdão nº 0521.105 – 1ª Turma, resumiu a contenda : Tratase de Pedido de Restituição de fl. 1, protocolado em 31/08/2007, no valor de R$ 109.279,79, correspondente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins relativa ao período de apuração de setembro/2002, conforme planilha de cálculo às fls.2. A contribuinte justificou seu pleito no fato de que teria incluído indevidamente o ICMS na apuração da base de cálculo da contribuição. A DRF em Campinas emitiu o Despacho Decisório de fls. 25/30, indeferindo o pedido de restituição e não reconhecendo o direito creditório da contribuinte, 'sob a fundamentação de que o ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da Cofins, bem como ressaltando que as informações destacadas na planilha deƒl. 2 como valores devido e recolhido e forma de pagamento, não guardam coerência com o declarado em DCTF e DIPJ, videfls. 21/24, consultas aos sistemas SiefFiscel e IRPJ. Cientificada do indeferimento de seu pleito em 25/09/2007 (fl. 32), a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 23/10/2007 (fls. 33/40), na qual alega: o argumento central do Fisco é que o ICMS integra 0 preço de venda é por dentro,na linguagem oficial. Ainda que seja assim, essa circunstância, que é uma mera técnica, não tem o condão de transformar o valor do imposto, que é da titularidade dos Estados, em receita do contribuinte. Na realidade, o valor correspondente ao imposto, ao ICMS, representa receita do Estado; o exame do art. 3° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, não evidencia que nesse dispositivo a inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins está autorizada. Isso porque o termo faturamento, como assim entendeu a Suprema Corte, representa tãosomente a receita derivada da venda de mercadorias e da prestação de serviço, no qual não se inclui o ICMS, visto que nenhum tributo pode ser considerado como receita; a interpretação oficial dada ao art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, se colocou em desconformidade com o art. 110 do CTN, o que configura vício na aplicação, e não de inconstitucionalidade, passível, pois, de controle administrativo; a questão em foco está sob exame do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário n° 240.785MG. O julgamento foi suspenso por pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes. Até o presente momento, seis ministros já votaram em favor da exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins, o que aponta para um resultado com a declaração de inconstitucionalidade na interpretação dada à norma questionada. Como tal decisão será proferida pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, sua observância tornarseá obrigatória pela Administração Tributária e deverá alcançar os casos em andamento, por efeito declaratório. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10830.006749/200726 Acórdão n.º 3301005.001 S3C3T1 Fl. 113 3 2. Assim restou ementado o Acórdão exarado pela DRJ/CPS : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. ICMS. BASE DE CÁLCULO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da Cofins. Solicitação Indeferida 3. Inconformada com a decisão, a empresa, após ter ciência do Acórdão em 04/04/2008 conforme Aviso de Recebimento, ás fls. 69 dos autos digitais, apresenta Recurso Voluntário, tempestivamente, aos 18/04/2008, conforme protocolo de recepção, ás fls. 70 dos autos digitais, alegando, assim relatada no despacho de fls. 93 : Trata o presente de recurso voluntário contra decisão que negou a restituição de valores de Cofins relativos ao período de 01/09/2002 a 30/09/2002, sob o argumento de que. o valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo do Cofins. O contribuinte afirma que o valor do ICMS pertence ao Estado, logo não integra o seu faturamento. Sustenta ainda que na Lei n.º 9.718/98 o tributo estadual não integra a base de cálculo da Cofins. Advoga que a interpretação fiscal dada ao art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, implica em desconformidade com o art. 110 do CTN, o que configura vício na aplicação e não de inconstitucionalidade, razão pela qual seria possível o controle administrativo sem ferir a competência do STF. Cita o Recurso Extraordinário n° 240.7852 em seu favor. Já a Fazenda sustenta que a Lei n° 9.718/1998, determinou que a base de cálculo dessa contribuição seria o faturamento, correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, entendida esta como a totalidade das receitas auferidas e ainda que o questionamento a respeito da inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins configura sim matéria constitucional, motivo pela qual há vedação da análise do mérito na esfera administrativa. Por fim, ressalta que o Recurso Extraordinário n° 240.7852 não teria efeito “erga onmes”. 4. A 3 ª Turma Especial desta Terceira Seção de Julgamento, apreciando as razões de recurso, emitiu o Despacho nº 3803000.149, em 14/02/2012, de seguinte teor : O recurso é tempestivo e por isso merece ser conhecido. O cerne da questão está em se apurar se o ICMS integra ou não a base de cálculo da Cofins, consoante o que estabelece a Lei n.º 9.718/98. Considerando que a matéria em questão foi objeto do RE 574.706, resta tão somente reconhecer que a controversa configura a hipótese prevista no art. 543B, caput, e § 1º , do CPC, expressandoo literalmente: Considerando que a controvérsia em foco, analisada sob o prisma constitucional, é objeto de inúmeros recursos extraordinários que têm aportado neste Tribunal Regional Federal da 4 a Região, configurandose a hipótese prevista no art. 543B, Fl. 114DF CARF MF 4 caput e § 1°, do CPC, na redação dada pela Lei n° 11418/06, determino, até que o STF aprecie a questão (Recurso Extraordinário 559607), o sobrestamento do presente recurso. Esta circunstância está conforme a previsão do art. 62A do RICARF, que determina o sobrestamento, verbis: Art. 62A . [...] § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Pelo exposto, voto por declarar o sobrestamento dos autos. 5. O colegiado, então, assim decidiu : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, em observância do disposto no art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 3 de janeiro de 2012. O Dr. Sandro Márcio de Souza Crivelaro, OAB/SP nº 239.936, acompanhou o julgamento. Alexandre Kern Presidente Juliano Lirani Relator Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira e Jorge Victor Rodrigues. 6. O processo, então, foi redistribuído, diante do seguinte fato, ás fls. 105 : Em face da extinção do mandato do Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, representante da Fazenda Nacional, por ter expirado o prazo de que trata o § 1º do art. 40 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/2015 (Portaria CARF nº 86, de 1º/12/2017), os presentes autos devem ser redistribuídos no âmbito da turma, nos termos do § 8º do art. 49 do RICARF. 7. O processo veio a mim distribuído para relatar. É o relatório Voto Conselheiro Ari Vendramini Relator 5. O Recurso Voluntário é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. 6. Passemos a analisar as razões recursais. 7. Em sede de repercussão geral, o STF assim ementou o RE Nº 574.706PR : RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULARTIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a puração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante do ICMS a Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10830.006749/200726 Acórdão n.º 3301005.001 S3C3T1 Fl. 114 5 recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições eo total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços; análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado o ICMS h´q de atentar ao disposto no art. 155, § 2º , inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conqua nto se tenha a escrituração da parcela ainda a compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, par. 2º, inc. I, in fine, da LEI Nº 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. 8. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Embargos de Declaração contra tal Acórdão. alegando, entre outras razões, a necessidade de que se defina a modulação dos efeitos da decisão, para que se estabeleça o momento em que tal decisão passou a produzir efeitos, se retroativamente o u apenas a partir de sua publicação. 9. Até o presente momento, não há julgamento desses Embargos, mas há que se destacar que tais Embargos foram recebidos no efeito devolutivo e não suspensivo, o que significa que a decisão do STF tem aplicação imediata. 10. Diante desse quadro jurídico, deve a Administração Tributária reconhecer que os pagamentos da Contribuição ao PIS e a COFINS feitos com a inclusão do ICMS em sua base de cálculo são considerados pagamentos indevidos e devem ser restituídos aos contribuintes. 11. Entretanto, para as empresas optantes pelo regime de tributação denominado Lucro Real, como integrantes compulsórias da sistemática de não cumulatividade, surge a exceção a tal regra. 12. Como tal, estas empresa estão sujeitas ao sistema de apuração de créditos, calculados sobre o valor dos insumos adquiridos necessários para a obtenção da receita da atividade exercida pela empresa. 13. Como se verifica das telas de sistemas eletrônicos da RFB, ás fls. 26/29 CONSULTA DIRPJ 2003, a recorrente é optante pelo regime de tributação do Lucro Real. 14. Tais créditos, em função da atipicidade da não cumulatividade estabelecida para as citadas contribuições , pois difere da não cumualtividade adotada para o IPI e para o ICMS, nesta se adota a sistemática de abatimento do imposto cobrado na aquisição dos insumos do valor dos impostos devidos nas saídas dos produtos/mercadorias, naquela se adota a instituição de créditos, criados por lei, calculados por alíquotas fixadas sobre o valor dos insumos e outras Fl. 116DF CARF MF 6 despesas consideradas necessárias, para serem abatidos dos valores das contribuições devidas sobre a receita total gerada por tais insumos. 15. Muitos doutrinadores têm se debruçado sobre a matéria para explicar, de forma didática tal sistema de não cumulatividade adotado para as contribuições. Por sua forma clara, citamos a definição trazida por FABIANA DEL PADRE TOMÉ 1:ddia " As Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 introduziram no ordenamento brasileiro um novo regime de apuração da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS, sendo denominado, pelo legislador ordinário como "não cumulativo". Esses veículos normativos autorizam que sejam descontados da base de cálculo, créditos calculados em relação a bens de revenda, insumos, energia elétrica, aluguéis, despesas financeiras, ativo imobilizado, edificações e devoluções de bens, especificando, no caso da COFINS, a possibilidade de creditamento realtivo a despesas com armazenagem e frete de mercadoria na operação de venda dos bens para revenda e insumos, quando o ônus for suportado pelo vendendor. Ao disciplinar a forma pela qual o crédito será calculado, estipula técnica diversa daquela aplicada ao IPI e ao ICMS. Não prescreve a compensação dos valores incidentes nas etapas anteriores com aqueles devidos nas operações subsequentes. Diferentemente, determina que o contribuinte, após apurar o valor da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS, qplicando alíquotas de 1,65% e de 7,6%, respectivamente, desconte, do montante obtido, crédito correpondente á aplicação das mesmas alíquotas sobre o valor de determinados bens, serviços e despesas adquiridos e incorridos no mês. ................................. A não cumulatividade objetiva que cada agente da cadeia de industrailização ou serviço somente recolha o tributo sobre o valor que a ela adicionou. A técnica de apuração da contribuição ao PIS/PASEP e da COFISN, imposta pelas Lei nº 10.637/02 e 10.833/03, nada tem de não cumulativa, pois em virtude das limitações ao crédito prevê, parte do tributo devido incidirá "em cascata". Temse, portanto, regra instituidora de abatimento ou regra de direito ao crédito, porém que não se identifica com a figura da não cumulatividade. A forma de cálculo dos créditos relativos á contribuição ao PIS/PASEP e COFINS também é diversa daquela prescrita constitucionalmente á apuração dos créditos de IPI e ICMS. Enquanto nesses impostos ha determinados, pelo Texto Maior, de que seja compensado com o quantum do tributo devido o montante incidente nas operações anteriores (modalidade de compensação "imposto sobre imposto"), a sistemática da creditamento das citadas contribuições não exige a identificação do tributo cobrado na etapa precedente. Determina que seja o crédito aferido mediante o emprego de uma alíquota previamente fixada, aplicada sobre o valor do bem, serviço ou despesa geradora do crédito. A sitemática de abatimento adotada e a do chamado "crédito financeiro", posto que não vincula o direito ao crédito á saída da mercadoria ou serviço no exercício da atividade do contribuinte. Ao contrário, as Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 autorizam, expressamente, a dedução de créditos relativos a despesas consideradas custos indiretos, tais como aquelas decorrentes de empréstimos, financiamentos, aluguéis, dentre outros. 16. Nesse diapasão, devese ter em conta, quando se trata de empresas optantes do Lucro Real, duas particularidades para que se possa reconhecer o direito creditório em questão : a primeira e mais importante é a questão da utilização dos créditos gerados pelos insumos adquiridos e os serviços e despesas incorridas para a geração da receita da qual vai se abater o 1 Tome´, Fabiana del Padre, Natureza Jurídica da "Não Cumulatividade" da Contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS :Consequencias e Aplicabilidade, in PISCOFINS QUESTÕES ATUAIS E POLÊMICAS, PAGS. 544/554 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10830.006749/200726 Acórdão n.º 3301005.001 S3C3T1 Fl. 115 7 valor do ICMS, ou seja, o valor do ICMS, por estar destacado nas Notas Fiscais de aquisição de tais insumos ou pagamento de serviços e despesas, é de fácil apuração e mensuração, ao contrário das contribuições ao PIS/PASEP e a COFINS que, além de não serem destacados na Notas Fsicais de aquisição , geram créditos que podem ser abatidos das contribuições devidas. portanto, ao se deduzir o ICMS somado nas Notas Fiscais de aquisição, devese efetuar uma operação de apuração dos créditos gerados e utilizados, de forma proporcional ao valor do ICMS excluído, para, ao final, poder se demonstrar que , ao excluir o ICMS também foram excluídos, na forma de estorno, de forma proporcional , os créditos gerados pelas aquisições, sob pena de se pleitear a restituição de valor pago indevidamente e a manutenção, na escrituração da empresa, os créditos gerados, que poderão ser utilizados nas foemas permitidas pela legislação. de outro lado, se os créditos foram utilizados, nas formas permitidas pela legislação (ressarcimento ou compensação com tributos devidos), deve o contribuinte comprovar o quantum utilizado, demonstrar que excluiu esses créditos do seu cálculo, para aí então estornar, de forma proporcional, os créditos porventura ainda remanesscentes em sua escrituração. a segunda particularidade é dependente da decisão do STF sobre a modulação dos efeitos do decidido em sede de repercussão geral. Se houver tal modulação, pode ocorrer a aquisição de insumos onde o ICMS não poderá ser excluído, produzindo efeitos sobre o cálculo dos créditos e do valor a ser excluído da base de cálculo do PIS/PASEP e COFINS. 17. Diante das razões expostas, por ser a recorrente optante do Lucro Real, deveria ela ter demonstrado tais cálculos , documentado a apuração do valor dos créditos utilizados ou não, efetivado a proprocionalização dos créditos com o valor da ICMS, para chegar ao valor da restituição pleiteada que seria diferente da mera operação aritmética efetuada, de apenas excluir o valor do ICMS destacado nas Notas Fiscais do valor total pago a título de PIS/PASEP e COFINS ou da receita bruta auferida. 18. Firme nessa linha de raciocínio, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO e não reconheço o direito creditório.. 19. É o meu voto. Conclusão 20. Concluise, portanto, que, por ser a recorrente optante do Lucro Real, deveria ela ter demonstrado tais cálculos , documentado a apuração do valor dos créditos utilizados ou não, efetivado a proprocionalização dos créditos com o valor da ICMS, para chegar ao valor da restituição pleiteada que seria diferente da mera operação aritmética efetuada, de apenas excluir o valor do ICMS destacado nas Notas Fiscais do valor total pago a título de PIS/PASEP e COFINS ou da receita bruta auferida. 21. NEGO PROVIMENTO AO RECURSO e não reconheço o direito creditório.. assinado digitalmente Ari Vendramini Relator Fl. 118DF CARF MF 8 Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720394/2015-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
PEDIDO DE CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO MOTIVADO. POSSIBILIDADE.
Quando acompanhado de motivação o indeferimento do pedido de conversão do julgamento em diligência, por si só, não constitui cerceamento do direito de defesa. No caso concreto, os documentos carreados aos autos pelas partes são suficientes para a formação de convicção do julgador, prescindindo da realização de diligência fiscal para o deslinde das questões controvertidas.
AÇÃO FISCAL. CARACTERIZAÇÃO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR SEGURADO OBRIGATÓRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. ATRIBUIÇÃO LEGAL.
Uma vez verificada a contratação de trabalhador, sob qualquer forma ou denominação, na qual estão presentes os pressupostos da prestação de serviço como segurado obrigatório da Previdência Social, na condição de empregado, contribuinte individual ou qualquer outro, a autoridade tributária deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento de acordo com a legislação tributária. O procedimento da autoridade fiscal, que decorre de atribuição em lei, não exige o reconhecimento da existência de relação empregatícia pela Justiça do Trabalho, tampouco implica a desconsideração da personalidade jurídica da empresa da qual o trabalhador é sócio.
PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR PESSOA FÍSICA MEDIANTE INTERPOSIÇÃO ARTIFICIAL DE PESSOA JURÍDICA. SÓCIO DA EMPRESA. PRIMAZIA DA REALIDADE SOBRE A FORMA. CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO.
Constatada a ocorrência da prestação de serviço remunerado por segurado empregado, dissimulada em contratação de pessoa jurídica da qual a pessoa física é sócia, cabe à fiscalização desconsiderar o vínculo artificial entre as pessoas jurídicas, lançando as contribuições devidas em nome da empresa contratante.
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS INTELECTUAIS. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. FATOS GERADORES POSTERIORES À LEI Nº 11.196/2005.
Mesmo após a entrada em vigor do art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, é permitido à fiscalização tributária desconsiderar a contratação de pessoa jurídica prestadora de serviços intelectuais, desde que demonstre que os serviços, no plano fático, são efetivamente prestados pelo sócio desta, na condição de segurado empregado.
MULTA DE OFÍCIO. PENALIDADE QUALIFICADA. FRAUDE.
Cabível a manutenção da penalidade qualificada, no importe de 150%, quando demonstrada a prática de conduta com o propósito de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal, deixando de recolher os respectivos tributos devidos.
PRAZO DECADENCIAL. DOLO. FRAUDE. TERMO INICIAL DA CONTAGEM. SÚMULA CARF Nº 72.
Uma vez comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de constituir o crédito tributário extingue-se após 5 anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
(Súmula CARF nº 72)
MULTA DE OFÍCIO. VEDAÇÃO AO CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que determina a aplicação de penalidade pecuniária, sob o fundamento do seu efeito confiscatório.
(Súmula CARF nº 2)
GRUPO ECONÔMICO DE FATO. INTERESSE COMUM NO FATO GERADOR. COMBINAÇÃO DE RECURSOS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 30, IX, LEI Nº 8.212, DE 1991. ART. 124, INCISO I, CTN.
Impõe-se a responsabilidade solidária pelo crédito tributário quando caracterizada a formação de grupo econômico de fato por coordenação, marcado pelo interesse comum no fato gerador que constitui o lançamento fiscal, em que há combinação de recursos e/ou esforços para a realização de objetivos comuns pelas empresas integrantes do grupo, mediante o rateio de despesas administrativas e comerciais, além do compartilhamento de trabalhadores.
SÓCIO ADMINISTRADOR. DIRETOR. INFRAÇÃO A LEI. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 135, INCISO III, CTN.
Comprovado que o diretor eleito da pessoa jurídica, no exercício da administração em nome desta, praticou dolosamente infração à lei, cujo desrespeito implica a ocorrência dos fatos jurídicos tributários, cabe a manutenção da pessoa física no polo passivo da relação tributária, respondendo solidariamente com a empresa pelo auto de infração lavrado.
Numero da decisão: 2401-005.669
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares e a decadência e, no mérito, negar provimento aos recursos voluntários. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Thiago Duca Amoni e Matheus Soares Leite, que davam provimento parcial ao recurso para excluir a qualificadora da multa, reconhecer a decadência até a competência 04/2010 e afastar a responsabilidade solidária da pessoa física.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Thiago Duca Amoni (suplente convocado). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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INDEFERIMENTO MOTIVADO. POSSIBILIDADE. Quando acompanhado de motivação o indeferimento do pedido de conversão do julgamento em diligência, por si só, não constitui cerceamento do direito de defesa. No caso concreto, os documentos carreados aos autos pelas partes são suficientes para a formação de convicção do julgador, prescindindo da realização de diligência fiscal para o deslinde das questões controvertidas. AÇÃO FISCAL. CARACTERIZAÇÃO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR SEGURADO OBRIGATÓRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. ATRIBUIÇÃO LEGAL. Uma vez verificada a contratação de trabalhador, sob qualquer forma ou denominação, na qual estão presentes os pressupostos da prestação de serviço como segurado obrigatório da Previdência Social, na condição de empregado, contribuinte individual ou qualquer outro, a autoridade tributária deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento de acordo com a legislação tributária. O procedimento da autoridade fiscal, que decorre de atribuição em lei, não exige o reconhecimento da existência de relação empregatícia pela Justiça do Trabalho, tampouco implica a desconsideração da personalidade jurídica da empresa da qual o trabalhador é sócio. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR PESSOA FÍSICA MEDIANTE INTERPOSIÇÃO ARTIFICIAL DE PESSOA JURÍDICA. SÓCIO DA EMPRESA. PRIMAZIA DA REALIDADE SOBRE A FORMA. CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO. Constatada a ocorrência da prestação de serviço remunerado por segurado empregado, dissimulada em contratação de pessoa jurídica da qual a pessoa física é sócia, cabe à fiscalização desconsiderar o vínculo artificial entre as AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 03 94 /2 01 5- 39 Fl. 15306DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.307 2 pessoas jurídicas, lançando as contribuições devidas em nome da empresa contratante. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS INTELECTUAIS. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. FATOS GERADORES POSTERIORES À LEI Nº 11.196/2005. Mesmo após a entrada em vigor do art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, é permitido à fiscalização tributária desconsiderar a contratação de pessoa jurídica prestadora de serviços intelectuais, desde que demonstre que os serviços, no plano fático, são efetivamente prestados pelo sócio desta, na condição de segurado empregado. MULTA DE OFÍCIO. PENALIDADE QUALIFICADA. FRAUDE. Cabível a manutenção da penalidade qualificada, no importe de 150%, quando demonstrada a prática de conduta com o propósito de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal, deixando de recolher os respectivos tributos devidos. PRAZO DECADENCIAL. DOLO. FRAUDE. TERMO INICIAL DA CONTAGEM. SÚMULA CARF Nº 72. Uma vez comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de constituir o crédito tributário extinguese após 5 anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (Súmula CARF nº 72) MULTA DE OFÍCIO. VEDAÇÃO AO CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que determina a aplicação de penalidade pecuniária, sob o fundamento do seu efeito confiscatório. (Súmula CARF nº 2) GRUPO ECONÔMICO DE FATO. INTERESSE COMUM NO FATO GERADOR. COMBINAÇÃO DE RECURSOS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 30, IX, LEI Nº 8.212, DE 1991. ART. 124, INCISO I, CTN. Impõese a responsabilidade solidária pelo crédito tributário quando caracterizada a formação de grupo econômico de fato por coordenação, marcado pelo interesse comum no fato gerador que constitui o lançamento fiscal, em que há combinação de recursos e/ou esforços para a realização de objetivos comuns pelas empresas integrantes do grupo, mediante o rateio de despesas administrativas e comerciais, além do compartilhamento de trabalhadores. SÓCIO ADMINISTRADOR. DIRETOR. INFRAÇÃO A LEI. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 135, INCISO III, CTN. Comprovado que o diretor eleito da pessoa jurídica, no exercício da administração em nome desta, praticou dolosamente infração à lei, cujo Fl. 15307DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.308 3 desrespeito implica a ocorrência dos fatos jurídicos tributários, cabe a manutenção da pessoa física no polo passivo da relação tributária, respondendo solidariamente com a empresa pelo auto de infração lavrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares e a decadência e, no mérito, negar provimento aos recursos voluntários. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Thiago Duca Amoni e Matheus Soares Leite, que davam provimento parcial ao recurso para excluir a qualificadora da multa, reconhecer a decadência até a competência 04/2010 e afastar a responsabilidade solidária da pessoa física. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Thiago Duca Amoni (suplente convocado). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), por meio do Acórdão nº 0370.882, de 24/05/2016, cujo dispositivo considerou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado pela fiscalização (fls. 14.941/14.969): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO DA CONTAGEM. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. As contribuições lançadas sujeitamse ao prazo decadencial de 05 (cinco) anos previsto no Código Tributário Nacional, Fl. 15308DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.309 4 contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando houver a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. PEJOTIZAÇÃO. CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES. EMPRESA INTERPOSTA. EFEITOS FISCAIS E PREVIDENCIÁRIOS. CONJUNTO PROBATÓRIO. Se o conjunto probatório existente nos autos demonstra que a empresa optou por exigir que os empregados com cargo de gerência se tornassem sócios de outra empresa para a continuidade da prestação de serviços, temse o que costumeiramente se chama de “pejotização”. Para afastar a caracterização de contratação de trabalhadores por empresa interposta e seus respectivos efeitos tributários e previdenciárias, a impugnante deve ultrapassar o campo das alegações e produzir provas que se contraponham as levantadas pelo setor fiscal, mormente aquelas relacionadas à existência dos elementos caracterizadores da relação de emprego, pessoalidade, onerosidade, não eventualidade e subordinação. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. É segurado obrigatório da Previdência Social, como empregado, a pessoa física que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, nos termos do art. 12, inciso I, alínea "a" da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 e alterações posteriores. Constatado que a contratação de pessoa jurídica deuse na atividade fim da empresa, em data concomitante (ou próxima) ao desligamento do empregado ou na manutenção deste e presentes os pressupostos laborais, impõese a configuração do fato gerador atinente à relação de emprego. O auditor poderá desconsiderar o vínculo pactuado com o trabalhador e enquadrar este como segurado empregado, desde que preenchidas os requisitos, conforme previsto no artigo 229, §2º do Decreto 3.048/99. GRUPO ECONÔMICO Ao verificar a existência de grupo econômico de fato, a auditoria fiscal deverá caracterizálo e atribuir a responsabilidade pelas contribuições não recolhidas aos participantes. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA INTERESSE COMUM. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. RESPONSABILIDADE. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou Fl. 15309DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.310 5 estatutos, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. MULTA QUALIFICADA A multa de ofício de 150% é aplicável sempre que caracterizada a prática de ato com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pela autoridade fazendária. PENALIDADE. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. Inexiste desobediência ao princípio do não confisco quando a penalidade aplicada tem respaldo em lei. REQUERIMENTO DE DILIGÊNCIA PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO. O requerimento de diligência que trata de questão totalmente inócua para fins de dirimição do litígio deve ser indeferido por força do disposto no caput do artigo 18 do Decreto nº 70.235/1972. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS CND. EXPEDIÇÃO. COMPETÊNCIA. A competência para decidir sobre a expedição de Certidões Negativas de Débitos CND e parcelamentos de débitos é das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária DERAT, no âmbito da respectiva jurisdição. Impugnação Improcedente 2. Extraise do Termo de Verificação Fiscal (TVF) que, na origem, o processo administrativo é composto de 2 (dois) autos de infração (AI), abrangendo as competências 01/2010 a 12/2010 (fls. 5.285/5.328): (i) AI nº 51.009.2853: contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre as remunerações pagas/creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais (fls. 14.551/14.567); e (ii) AI nº 51.009.2861: contribuições destinadas a outras entidades e fundos (terceiros), incidentes sobre as remunerações pagas/creditadas aos segurados empregados (fls. 14.568/14.576). 3. De acordo com o agente fazendário, o crédito tributário tem origem nos pagamentos realizados (i) por meio de notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas que prestaram serviços na área de processamento de dados; e (ii) aos sócios da empresa MP & JDP Consultoria Empresarial Ltda, os quais prestaram serviços na área de administração e recursos humanos. Fl. 15310DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.311 6 3.1 A fiscalização constatou que a empresa autuada utilizou de contratos de prestação de serviços firmados com pessoas jurídicas para a finalidade de dissimular a contratação de pessoas físicas em sua atividade empresarial, as quais, efetivamente, executavam os serviços contratados, na condição de segurados empregados ou contribuintes individuais. 3.2. Para o apuração do crédito previdenciário, o trabalho fiscal foi dividido em 6 (seis) códigos de levantamento, a seguir indicados: (i) Levantamento EP remunerações pagas a segurados empregados, através de notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas; (ii) Levantamento CP remunerações pagas a contribuintes individuais, por meio de notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas; (iii) Levantamento JE remunerações pagas ao segurado empregado Javier Hernan do Porto, através de notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas; (iv) Levantamento JI salário indireto pago ao segurado empregado Javier Hernan do Porto; (v) Levantamento MC remunerações pagas à segurada contribuinte individual Marcela Alejandra Pastirik, através de notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas; e (vi) Levantamento MI salário indireto pago à segurada contribuinte individual Marcela Alejandra Pastirik. 3.3 A relação de pessoas jurídicas prestadoras de serviços e seus sócios, às notas fiscais emitidas, as datas e competências do lançamento, os contratos de prestação de serviços, os nomes dos segurados, as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, os lançamentos contábeis e demais dados colhidos durante o curso da ação fiscal estão discriminados nos Anexos I a XIII, os quais integram o Termo de Verificação Fiscal (fls. 5.330/5.971). 4. Sobre as contribuições previdenciárias, o agente lançador fez incidir a multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, tendo em vista que o sujeito passivo agiu intencionalmente com o evidente intuito de fraude (art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). 5. A pessoa jurídica CTN Consultoria Tecnologia e Negócios Ltda e o sócio administrador da sociedade fiscalizada, designado no contrato social, Sr. Federico Alberto Tagliani, foram arrolados como responsáveis solidários pelos débitos fiscais, mediante a lavratura dos respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária (fls. 14.595/14.600 e 14.608/14.612). Fl. 15311DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.312 7 5.1 Os vínculos de sujeição passiva solidária foram atribuídos pela fiscalização com fundamento no (i) art. 121, parágrafo único, inciso II, art. 124, inciso I, e art. 135, inciso III, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN); e (ii) art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. 6. A ciência do lançamento ao devedor principal deuse em 29/05/2015, enquanto os devedores solidários receberam a intimação nos dias 29/05/2015 e 01/06/2015. As impugnações foram protocoladas na mesma data, no dia 26/06/2015 (fls. 14.551, 14.554, 14.600, 14.615, 14.619/14.641, 14.812/14.836 e 14.851/14.875). 7. O devedor principal foi intimado da decisão de primeira instância no dia 07/07/2016, data em que efetuou consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária. Já os devedores solidários receberam as intimações no dia 12/07/2016, via postal (fls. 15.048/15.052). 8. Cada devedor, em petição separada, apresentou recurso voluntário, no dia 04/08/2016 (fls. 15.053, 15.127 e 15.196). Em síntese, os recorrentes aduzem os seguintes argumentos de fato e direito contra a decisão de piso e a exigência fiscal: (i) em preliminar, a nulidade do acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa, na medida em que, sem qualquer fundamentação plausível, indeferiu o pedido de conversão do feito em diligência para a produção de prova complementar; (ii) a nulidade de todo o procedimento administrativo, ante a incompetência da autoridade fiscal para desprezar os negócios jurídicos e considerar caracterizado o vínculo empregatício, que estão afetos às atribuições da Justiça do Trabalho; (iii), é vedado à autoridade fiscal, tendo em conta o art. 129 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, considerar a legislação previdenciária para fundamentar a relação de emprego na hipótese de prestação de serviços intelectuais por pessoa jurídica e, por consequência, determinar a incidência tributária; (iv) está configurada a decadência do crédito tributário até a competência 05/2010, com fulcro na contagem do prazo decadencial nos termos do § 4º do art. 150 do CTN; (v) em decorrência das atividades realizadas pela empresa recorrente, voltadas à área de tecnologia de informação, é plenamente justificável a contratação de pessoas jurídicas para a prestação dos serviços especializados, por exigência até dos próprios prestadores, sem que isso configure vinculo de emprego com as pessoas físicas que integram o seu quadro societário; Fl. 15312DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.313 8 (vi) inexiste qualquer irregularidade na contratação de pessoa jurídica devido ao período de duração dos contratos firmados entre as partes ou ao local em que acontece a prestação dos serviços; (vii) não há pessoalidade nas relações havidas entre a empresa recorrente e seus prestadores de serviços, uma vez que a relação jurídica dáse exclusivamente entre pessoas jurídicas, sendo inviável confundir a personalidade da empresa com a do seu gestor; (viii) para que possa haver a desconsideração da personalidade jurídica dos prestadores de serviços, é imprescindível a demonstração do abuso da pessoa jurídica pelos sócios ou administradores, mediante o desvio de finalidade e confusão patrimonial, que exige, inclusive, a avaliação via judicial; (ix) não há que se falar em subordinação, com pretensão de relação empregatícia, mas apenas pura e simples contratação entre duas pessoas jurídicas; (x) o contrato de prestação de serviços não escapa ao requisito da onerosidade, de modo que tal aspecto é também uma característica da contratação de serviços de pessoas jurídicas; (xi) as pessoas jurídicas contratadas prestam serviços a outras empresas além da recorrente, não havendo cláusula de exclusividade; (xii) a multa qualificada é indevida, por não haver dolo ou evidente intuito de fraude, possuindo a aplicação da penalidade um nítido caráter confiscatório, devendo ficar limitada ao percentual de 20%; (xiii) a simples existência do "Grupo Assa" não justifica a responsabilidade solidária, dada a ausência dos requisitos para formação de um grupo econômico entre a pessoa jurídica fiscalizada e a empresa CTN Consultoria Tecnologia e Negócios Ltda, além da falta do interesse comum na situação que constitui o fato gerador; (xiv) o agente fazendário não se desincumbiu do ônus de comprovar o cumprimento dos requisitos da responsabilidade pessoal da pessoa física, Sr. Federico Alberto Tagliani, na medida em que não basta a mera qualidade de administrador, sendo necessária a demonstração que praticou atos de gestão com excesso de poder, infração à lei, contratos social ou estatuto, o que não ocorreu no presente caso; Fl. 15313DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.314 9 (xv) como sabido, o mero inadimplemento de tributos não caracteriza infração à lei para fins de aplicação do art. 135 do CTN; e (xvi) tendo em vista a existência dos mesmos elementos de prova, cabe o julgamento conjunto dos Processos Administrativos nº 19515.720394/201539 e 19515.720395/201583. 9. Em 06/12/2017, os devedores do crédito tributário juntaram petições, com conteúdo semelhante, nas quais comunicam a existência de sentença favorável, no âmbito da Justiça do Trabalho, obtida pela CTN Consultoria Tecnologia e Negócios Ltda, que afastou as multas aplicadas pelo Ministério do Trabalho. No caso, a fiscalização trabalhista havia reconhecido vínculo de emprego com 69 (sessenta e nove) prestadores de serviços, organizados na forma de pessoas jurídicas, com aplicação de multas pecuniárias. 9.1 Os peticionantes afirmam que a decisão na esfera trabalhista tem o condão de reforçar a plausibilidade do pedido de cancelamento da presente autuação fiscal (fls. 15.267/15.271, 15.284/15.288 e 15.297/15.301). É o relatório. Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Admissibilidade 10. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade dos recursos voluntários e, por conseguinte, deles tomo conhecimento. Julgamento em conjunto 11. Pugna o recurso voluntário pelo julgamento em conjunto dos Processos nº 19515.720394/201539 e 19515.720395/201583. 12. De fato, com o propósito de contribuir para a prolatação de decisões congruentes, é recomendável que os processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de provas, ainda que referentes a tributos distintos, sejam distribuídos e julgados em conjunto, respeitada a especialização por matéria dos colegiados. Fl. 15314DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.315 10 13. Contudo, embora oportuna, a distribuição conjunta não é imperativa, pois eventual decisão, entre turmas distintas, que dê interpretação divergente da legislação tributária sobre os mesmos fatos jurídicos poderá ser combatida mediante a interposição de recurso especial. 14. No caso em apreço, o sorteio eletrônico a este relator ocorreu tão somente com respeito ao presente processo. Algumas vezes, a localização e/ou a fase em que se encontra atrapalha a vinculação dos processos, o que inviabiliza a distribuição ao mesmo relator no âmbito da segunda instância. 15. Dessa feita, respeitando o prazo regimental para inclusão do processo em pauta, a partir da data do sorteio, e tendo em conta que a reunião dos processos não constitui questão prejudicial ao julgamento do recurso voluntário, haverá a apreciação, nesta data e sessão, unicamente do presente processo administrativo. Preliminares a) Nulidade do acórdão 16. Quando acompanhado de motivação o indeferimento pelo julgador administrativo do pedido de conversão do julgamento em diligência, por si só, não constitui cerceamento do direito de defesa. 17. É a hipótese da decisão de primeira instância, que expôs os motivos para a desnecessidade da realização da diligência, fundamentando seu ponto de vista. Confirase trecho do acórdão recorrido (fls. 15.045/15.046): Pedido de realização de diligência A Impugnante requer a realização de diligência para verificação da inexistência de vinculo empregatício dos prestadores de serviço. Ocorre que a realização de diligência é, antes de qualquer outra coisa, providência a ser demandada pela autoridade julgadora, devendo ser adotada nos casos em que tal se mostre necessário a dirimição do litígio. O artigo 18 do Decreto n.º 70.235/72, que prevê a possibilidade da autoridade julgadora de primeira instância determinar a realização de diligência, assim dispõe: (...) No caso vertente, verificase que a diligência solicitada não trata de questão que possa alterar o convencimento dos julgadores administrativos, já que o relatório fiscal é bastante claro e os documentos acostados nos autos são suficientes para a formação da convicção desta julgadora. Desta forma, tendo em vista que a diligência solicitada é totalmente prescindível, já que não aborda questão capaz de interferir na dirimição do presente litígio, deve ser indeferido o pedido de diligência por força do disposto no caput do artigo 18 do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 15315DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.316 11 18. Não só está motivada a decisão de piso, como também compartilho do entendimento de que a negativa da conversão do julgamento em diligência está adequada aos fatos. 19. Longe de conter afirmações de cunho genérico, o relatório fiscal é detalhado e claro, sendo que os documentos carreados aos autos pelas partes são suficientes para a formação de convicção do julgador, prescindindo da realização de diligência fiscal para o deslinde das questões controvertidas. 20. Anoto que durante o procedimento fiscal foram conduzidas diligências fiscais em alguns prestadores de serviço pessoa jurídica, selecionados por amostragem, com a finalidade da complementação da investigação sobre os fatos verificados, colhendose provas adicionais. 21. Por fim, a diligência não é via que se destine a produzir provas de responsabilidade das partes, suprindo o encargo que lhes compete. É ônus do recorrente demonstrar os fatos que pretende fazer prevalecer no âmbito do processo administrativo fiscal, com respaldo em suporte documental de prova. b) Nulidade da autuação: incompetência da autoridade fiscal 22. O procedimento fiscal não tratou de reconhecimento de vínculo empregatício, tampouco desconsiderou a personalidade jurídica dos prestadores de serviço, invadindo a competência do Poder Judiciário. Nessa linha de compreensão, reproduzo trecho do Termo de Verificação Fiscal (fls. 5.316): (...) 4.31 Não há assim que se falar, no presente relatório, em relação de emprego entre a "IBS" e as empresas, nem em desconsiderar a existência concreta das empresas, mas sim em concluir que a situação que de fato se apresenta é o pagamento às pessoas físicas (sócias das empresas) que efetivamente prestaram os serviços e receberam os pagamentos. (...) 23. Com efeito, o auditorfiscal tem a atribuição legal de aplicar a legislação tributária, competindolhe a interpretação, diante do caso concreto, se determinada relação jurídica entre particulares configura a realização de fato gerador de obrigação previdenciária principal, constituindo o respectivo crédito tributário mediante o lançamento de ofício (art. 6º, da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002). 24. Uma vez verificada a contratação de trabalhador, sob qualquer forma ou denominação, na qual estão presentes os pressupostos da prestação de serviço como segurado obrigatório da Previdência Social, na condição de empregado, contribuinte individual ou qualquer outro, a autoridade tributária deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento de acordo com a legislação tributária. 25. Tal competência prevista em lei está expressa no § 2º do art. 229 do Regulamento da Previdência Social (RPS), veiculado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de Fl. 15316DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.317 12 1999, que se aplica em todos os casos de prestação de serviço remunerado pelo segurado obrigatório, ainda que formalmente revestida de outra roupagem para camuflar a realidade dos fatos: Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (...) 26. O recurso voluntário assevera que o art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, alterou a disciplina da matéria, ao estabelecer a proibição, para fins fiscais e previdenciários, que se desconsidere a prestação de serviço por pessoa jurídica com o fim de fazer ocorrer o fato gerador da contribuição previdenciária. Eis sua redação: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Parágrafo único. (VETADO) 27. De fato, o dispositivo de lei acima transcrito estabelece que a prestação de serviços intelectuais por sociedade regular, mesmo em caráter personalíssimo e com designação de obrigações a sócios, estará submetida, para fins fiscais e previdenciários, à legislação aplicável às pessoas jurídicas. 28. Contudo, o art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, não foi criado para legalizar toda e qualquer prestação de serviço por meio de pessoa jurídica, impedindo a aplicação dos direitos sociais e individuais aos trabalhadores, mas tão somente para dar validade a figura da sociedade quando o exercício das atividades for efetivamente idealizado e assumido pela pessoa jurídica, ficando a salvo, portanto, a relação de emprego. 29. Para fins da legislação previdenciária, segurado empregado é aquela pessoa física que presta serviço à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração (art. 12, inciso I, alínea "a", da Lei nº 8.212, de 1991). 30. Quando demonstrada a prestação de serviços com as típicas características da relação como segurado empregado, em especial a não eventualidade e subordinação, em que a interposição da pessoa jurídica é meramente formalidade, a sua participação artificial continua Fl. 15317DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.318 13 não produzindo efeitos na esfera tributária, previdenciária e trabalhista, prevalecendo a relação jurídica consubstanciada no plano fático. 31. À vista de tais motivos, a incidência das legislações tributária e previdenciária sobre o fato gerador cominado em lei independe do reconhecimento da existência de relação empregatícia, como também o procedimento fiscal não significa a desconsideração da personalidade jurídica, que permanece incólume. Logo, não há que se falar em ato emitido por agente público incompetente. 32. Ressalto que a avaliação sobre a suficiência do conjunto fáticoprobatório carreado aos autos para a manutenção do lançamento fiscal, considerando os pressupostos da ocorrência de relação de prestação de serviço por segurado empregado e/ou contribuinte individual, dissimulada em contratação de pessoa jurídica, é matéria reservada ao exame de mérito da autuação fiscal, o qual será feito mais adiante neste voto. 33. Em suma, portanto, no que tange aos aspectos formais, não há vício de competência para a exigência da tributação nos moldes do lançamento fiscal. Mérito a) Desconsideração do vínculo com pessoa jurídica 34. Sob o prisma da primazia da realidade sob a forma, cabe à fiscalização lançar de ofício o crédito correspondente à relação tributária efetivamente existente, segundo sua natureza jurídica. 35. No procedimento de verificar o cumprimento das obrigações tributárias, estritamente conforme as prerrogativas e competências estabelecidas em lei, não está a fiscalização refém da forma jurídica adotada pelo particular, nem daquilo que consta em documentos, acordos e instrumentos de controle. 36. Mais que um ônus, é dever do Fisco, em face da legalidade, tipicidade e indisponibilidade do interesse público, investigar e verificar a ocorrência do fato jurídico tributário segundo se sucede no mundo fático. Prevalecerá a realidade dos fatos em detrimento da formalidade dos atos, cabendo à autoridade lançadora demonstrar em qualquer caso, apoiado na linguagem de provas, a ocorrência dos fatos jurídicos que servem de suporte à exigência fiscal. 37. O liame tributário decorre da lei. A ocorrência do fato previamente descrito na lei, no antecedente da norma de incidência, basta para o nascimento da obrigação tributária. Nem mais, nem menos. Além de o liame obrigacional prescindir da manifestação de vontade das partes, também os elementos da relação tributária, no consequente da regramatriz de incidência, não se alteram pela vontade de quem ocupa os pólos ativo e passivo do vínculo jurídico. 38. Pois bem. Advoga a petição recursal que não há incompatibilidade entre as situações identificadas pelo agente fazendário no curso do procedimento fiscal e as relações mantidas entre pessoas jurídicas em decorrência da prestação de serviços intelectuais na área de tecnologia de informação, ausentes, desse modo, os pressupostos da relação de emprego com pessoas físicas. Fl. 15318DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.319 14 39. A partir de diversas evidências, o trabalho da autoridade fiscal procurou demonstrar que havia a interposição artificial de pessoa jurídica, ao menos nas relações em que participava a empresa recorrente, tendo o sujeito passivo utilizado os contratos com prestadores de serviços, firmados entre pessoas jurídicas, com o objetivo de mascarar a contratação de pessoas físicas, as quais executavam os serviços na área de informática, atividade fim da empresa. 40. Ao longo do procedimento fiscal, o agente fazendário não realizou uma apuração superficial da matéria fática, nem utilizouse de mera presunções, porquanto foi buscar o seu convencimento em robusto conjunto probatório, dotado de seriedade e convergência no intuito de comprovar os fatos alegados pelo Fisco, ganhado, ao final, força probante. 41. Em que pese estruturado, o discurso da peça recursal é demasiadamente genérico, passando ao largo de diversas situações apontadas pela fiscalização que revelam a existência de uma relação jurídica laboral com as pessoas físicas, extrapolando, portanto, o vínculo entre pessoas jurídicas. Nesse cenário, salvo um ou outro ponto, o sujeito passivo abstevese de contestar as questões levantadas pelo agente lançador por meio de argumentos intrínsecos e congruentes com os fatos verificados na documentação da empresa e nas diligências realizadas. 42. Do ponto de vista teórico, não restam dúvidas da viabilidade de contratação de pessoas jurídicas para a prestação de serviços na área de tecnologia da informação, notadamente para a atividade de consultoria. De fato, à medida que os profissionais desse setor vão adquirindo vivência e expertise na sua área de atuação, ganha força o desejo de transmissão do conhecimento alcançado ao longo da vida profissional por intermédio de sociedades que passam a integrar. 42.1 Contudo, na hipótese de contratação de pessoa jurídica é impreterível que a prestação de serviços intelectuais realizase, efetivamente, pela sociedade prestadora de serviços, de maneira tal que não represente um subterfúgio para dissimular a relação de trabalho mantida com a pessoa física da qual é sócio. 43. No presente lançamento, o agente fiscal se valeu de dados coletados mediante exaustiva e aprofundada investigação dos fatos, efetuada nas dependências da empresa fiscalizada, em pesquisas no banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), além de diligências externas realizadas em várias das pessoas jurídicas contratadas para a prestação de serviços, nas quais foram colhidos depoimentos de pessoas que tinham vinculação com os contratos de prestação de serviço examinados. 44. A fiscalização averiguou, entre outros elementos de convicção, escrituração contábil, contratos de prestação de serviços, notas fiscais, relatório de horas trabalhadas, contratos com clientes, convênio de rateio de custos do "Grupo Assa", declarações fiscais prestadas à Administração Tributária, contratos e faturas de seguro de vida em grupo e de assistência médica e odontológica, Livro de Inspeção do Trabalho, Termo de Compromisso firmado com o Ministério Público do Trabalho e propostas de contratação divulgadas na Internet (fls. 5.285/5.328). 45. Na parte inaugural do Termo de Verificação Fiscal, a narrativa está concentrada nos prestadores de serviços da área de processamento de dados, em que foram identificadas mais de 150 pessoas jurídicas distintas, ao longo de alguns anos, cujos contratos firmados eram Fl. 15319DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.320 15 padronizados e apresentavam cláusulas com redação e/ou regras parecidas (item 4.4 do TVF, Anexo II, às fls. 5.368/5.371, e Doc. 1, às fls. 5.972/7.869). 45.1 Nada obstante o universo de pessoas jurídicas contratadas, a fiscalização não procedeu à caracterização dos segurados por amostragem, na medida em que tomou o cuidado de elaborar planilhas específicas com as remunerações dos trabalhadores, individualizando os segurados envolvidos na prestação de serviços e vinculando com as pessoas jurídicas das quais eram sócios (item 5 do TVF e Anexos X a XIII, às fls. 5.936/5.971). 45.2 De maneira tal que não só era possível como também viável o sujeito passivo contraditar de maneira individualizada os casos em que a contratação da pessoa jurídica havia se dado em condições diversas às demais, apontando, nessas hipóteses, as especificidades que não se amoldavam aos fatos trazidos pela autoridade lançadora, respaldado na linguagem de provas. Não o fez, porém. 46. Por intermédio do exame dos dados disponíveis nos sistemas da RFB, a fiscalização constatou os seguintes fatos mais relevantes, a seguir resumidos (itens 4.15 a 4.19 do TVF): (i) mais de 50 pessoas jurídicas prestavam serviços contínuos para a autuada a, pelos menos, 4 anos, algumas chegando a 8 anos; (ii) 42 pessoas físicas deixaram de executar serviços através da pessoa jurídica da qual era sócia, sendo imediatamente admitidas, a partir do ano de 2011, na condição de empregado da empresa recorrente; (iii) durante o ano de 2010, mais de 80% das pessoas jurídicas declaram o auferimento de receitas provenientes exclusivamente da empresa recorrente e/ou da empresa CTN Consultoria Tecnologia e Negócios Ltda, ambas pertencentes ao "Grupo Assa"; (iv) a quase totalidade das pessoas jurídicas não tinha empregados; (v) o endereço de 42% das pessoas jurídicas era um imóvel residencial, em que se indicava o número de apartamento; (vi) algumas pessoas jurídicas tinham endereço comum e outras possuíam o mesmo profissional responsável pela contabilidade; e (vii) a data de abertura da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) com respeito a diversos prestadores é posterior ao efetivo início da sua atividade, segundo os contratos de prestação de serviços. Fl. 15320DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.321 16 47. A análise do Livro de Inspeção do Trabalho revelou que a fiscalização do Ministério do Trabalho já havia constatado, em ações realizadas nos anos de 2010, 2011 e 2012, a contratação irregular de empregados por intermédio de pessoas jurídicas prestadoras de serviço, tendo a empresa fiscalizada se comprometido a formalizar os contratos de trabalho com as pessoas físicas que lhe prestavam serviços, sempre que presentes os elementos caracterizadores da relação de emprego (item 4.20 do TVF). 48. A fiscalizada reconheceu, perante o Ministério Público do Trabalho, a prática conhecida como "pejotização" na área de tecnologia da informação, ou seja, a contratação irregular de empregados para prestarlhe serviços especializados mediante utilização de pessoas jurídicas, demonstrando, porém, a sua intenção de regularização da situação desses trabalhadores (item 4.21 do TVF, e Doc 11, às fls. 13.596/13.615). 49. Para subsidiar o trabalho fiscal, a realização das diligências fiscais em pessoas jurídicas contratadas, por amostragem do conjunto de prestadores, resultou nas seguintes informações (item 4.22 do TVF, e Doc. 12, às fls. 13.616/14.274): (i) a quase totalidade das pessoas jurídicas prestadoras de serviços tinha como sede o endereço residencial ou de algum familiar; (ii) não possuíam empregados; (iii) no período do contrato prestavam serviços com exclusividade, apenas esporadicamente a outro contratante; (iv) a quase totalidade das pessoas jurídicas havia emitido notas fiscais sequenciais; (v) as contratações tinham variações, porém diversos pontos em comum, tais como: recebimento de valor fixo mensal; possibilidade de receber horas extras ou bônus; pagamento da remuneração integral, mesmo quando estava somente à disposição da contratante, sem alocação a um projeto específico; e participação nos planos de benefícios oferecidos pelo "Grupo Assa"; e (vi) a proposta de trabalho compreendia, de modo explícito, as características de uma relação de emprego, exigindose, por outro lado, a contratação através do regime de pessoa jurídica. 50. Após discorrer acerca do panorama geral, passase, na sequência, à avaliação dos pressupostos da caracterização como segurado empregado, verificando, num primeiro momento, a presença de trabalho por pessoa física, pessoalidade, não eventualidade e onerosidade, deixando para o fim o exame do requisito da subordinação. Fl. 15321DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.322 17 b) Trabalho por pessoa física, pessoalidade, não eventualidade e onerosidade 51. Os serviços contratados são prestados na área de tecnologia de informação, em sua maior parte em consultoria e assessoria em sistemas de processamento de dados relacionados a projetos destinados a clientes da empresa fiscalizada. 52. Apesar da possibilidade do exercício da atividade por meio de pessoa jurídica, tais serviços, pela própria natureza intelectual, demonstram a dispensabilidade da sua interposição na relação contratual, por inexistência de motivos para a contratação via pessoa jurídica. 52.1 Imprescindível, por outro lado, a existência de um profissional qualificado, experiente e tecnicamente capaz para cumprir a demanda de serviço. Tanto que, conforme identificado pela fiscalização, quase a totalidade das pessoas jurídicas contratadas não possuía empregados registrados em seus quadros, o que implica considerar que era o titular ou sócio que efetivamente laborava, salvo prova em contrário. 53. Aduz a recorrente, no entanto, que o regime de contratação através de pessoa jurídica não era uma mera opção, mas sim uma necessidade por exigência dos próprios prestadores de serviços; caso contrário, restaria inviabilizada a atividade empresarial da contratante. 53.1 Com a devida vênia, é uma afirmação despedida de congruência com a realidade, como se a contratante representasse o elo mais fraco do processo de contratação e os profissionais da área de informática fossem os responsáveis por determinar as regras de mercado. Na prática, como abaixo se mostra, a exigência de contratação na condição de pessoa jurídica nada mais era que uma imposição da empresa fiscalizada. 54. O conjunto fáticoprobatório indica a prestação do trabalho pela pessoa física em caráter de infungibilidade, o que significa a presença da pessoalidade na relação jurídica (item 4.25 do TVF). 54.1 Para a concretização dos serviços pactuados, a recorrente pretendeu o recrutamento de um específico trabalhador, no caso titular ou sócio da pessoa jurídica contratada, e não qualquer outro, sem cogitar a substituição desse profissional ao longo da prestação dos serviços. 54.2 Por tal razão, a pessoalidade resta incontroversa. Não só com base no exemplo de email com proposta de trabalho que acompanha os autos, assim como pelos anúncios na Internet com a oferta de vagas na empresa fiscalizada, em que as tratativas são invariavelmente direcionadas à pessoa física, e não a uma pessoa jurídica que se pretendia contratar para a prestação de serviço. Além disso, faziase imprescindível a prévia análise do currículo do profissional, com a exigência da sua contratação na condição de pessoa jurídica (item 4.22 do TVF, às fls. 5.311, e item 7.2 do TVF, às fls. 5.322/5.325). 55. O Termo de Verificação Fiscal menciona também que o agente fazendário analisou instrumentos contratuais firmados com os clientes, que foram solicitados por amostragem, nos quais a contratação envolve a alocação de determinados profissionais específicos, sócios das pessoas jurídicas contratadas, para participarem da fase de elaboração e execução do projeto (item 4.7.5 do TVF). Fl. 15322DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.323 18 55.1 Dada a necessidade própria de cada projeto, tais pessoas físicas passavam por aprovação prévia do cliente, não podendo se fazer substituir sem o consentimento do contratante. Tal constatação contradiz a afirmação do recurso voluntário de que pouco importava quem seria a pessoa física que realizaria a atividade. 56. Na verdade, a pessoalidade, na sua acepção ampla, é requisito indispensável para a contratação de consultorias, tal como ocorreu nas hipóteses dos autos, independentemente do regime jurídico de vinculação. 57. Todavia, como se percebe, o real propósito era o contrato com a pessoa física, na figura de sócio da pessoa jurídica, que tinha condições para o cumprimento do serviço pactuado. Em outros dizeres, a conduta do sujeito passivo visava à escolha prévia de trabalhadores para atender aos projetos de seus clientes, contratados na qualidade de profissionais integrantes daquelas pessoas jurídicas. 58. De outra banda, a atividade econômica principal do sujeito passivo está relacionada à prestação de serviços de consultoria e assessoria a cliente na área de processamento da dados, mesmo objeto dos contratos de prestação de serviços firmados com as pessoas jurídicas. 58.1 Por tais motivos, os serviços prestados pelos contratados dizem respeito a atividades que fazem parte da estrutura organizacional do sujeito passivo, sem as quais a autuada não tem condições de atender à sua clientela, inserindose certamente na dinâmica normal da empresa. 58.2 Para cumprir a contento as suas obrigações empresariais a recorrente não pode prescindir dos serviços prestados pelos sócios das pessoas jurídicas contratadas, o que configura, a toda a evidência, a não eventualidade na prestação de serviços pelos trabalhadores (item 4.26 do TVF). 59. A habitualidade também foi um fator constatado pela fiscalização na sua investigação, visto que as pessoas jurídicas emitiram notas fiscais mensais e, na maior parte das vezes, em ordem sequencial, cujos valores faturados eram praticamente inalterados ao longo dos meses, denotando a frequência dos serviços (item 4.5 do TVF e Doc. 2, às fls. 7.870/9.537). 60. No que toca à onerosidade na relação, dispensa maiores esclarecimentos, porquanto o agente lançador se pautou justamente nas notas fiscais apresentadas pela empresa recorrente, o que denuncia o caráter econômico da relação estabelecida entre as partes, com recebimento de valores mensais. 61. Por fim, cabe assinalar, porque relevante, a constatação da fiscalização que parcela significativa da quitação das notas fiscais, em percentual que supera 50%, deuse mediante depósitos e/ou transferências eletrônicas para contas bancárias em nome das pessoas físicas dos sócios, e não das pessoas jurídicas contratadas (itens 4.49 e 4.5.4 do TVF e Anexo II, às fls. 5.368/5.371). Fl. 15323DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.324 19 c) Subordinação 62. É sem dúvida a subordinação o elemento que ganha mais relevância para caracterizar a prestação de serviço por parte de um segurado empregado. 63. Quanto maior o nível de qualificação e especialização do trabalhador, menor é o seu grau de subordinação. Na hipótese dos autos, a concepção clássica de subordinação jurídica, com o recebimento de ordens diretas pelo trabalhador, no que diz respeito ao modo e tempo de realização da sua prestação laborativa, não é característica marcante do vínculo mantido entre as partes. 64. Porém, isso não faz com que fique afastada a subordinação. O conjunto probatório colhido pela fiscalização é hábil para demonstrar a integração dos sócios das pessoas jurídicas e das atividades realizadas aos objetivos da contratante, em um regime colaborativo, ajustados à organização e dinâmica operacional do tomador de serviços, absorvendo no cotidiano o seu poder direcionador e dirigente, o que permite considerar as pessoas físicas subordinadas. Senão vejamos. 65. Os contratos com as pessoas jurídicas, apesar da estipulação de um prazo de 12 meses ou menos de vigência, na prática eram automática e sucessivamente prorrogados, assemelhandose a contratos por prazo indeterminado. 65.1 De um modo geral, os pagamentos eram fixados por hora pelos serviços efetivamente prestados, sendo que a maioria dos contratos contém uma cláusula da garantia de recebimento de um número mínimo de horas por mês, igual a 168 ou 176 horas, o que equivale a uma carga horária diária de 8 horas de trabalho, durante 21 ou 22 dias úteis no mês (item 4.4 do TVF). 66. Tendo em conta a necessidade de organização e controle da execução dos serviços prestados, os trabalhadores preenchiam planilhas de horas contendo as atividades realizadas durante o mês, arquivadas por nome e código da pessoa física, e não pela identificação da pessoa jurídica da qual era titular ou sócio. Pela própria natureza do trabalho, inexistia um controle rígido quanto ao cumprimento diário de horário, mas sim havia uma espécie de banco de horas (item 4.6 do TVF). 66.1 Durante o mês, as horas eventualmente não utilizadas no desenvolvimento de atividades em projetos de clientes ou atividades do "Grupo Assa" eram registradas em diferentes tarefas, segundo formulário padronizado, tais como: (i) "não alocado/disponível", quando o trabalhador estava à disposição do contratante, aguardando a definição de nova atividade técnica, sem execução de trabalho externo; (ii) atividades internas; (iii) atividades de capacitação; e (iv) licença para enfermidade e outras licenças (Doc. 3, às fls. 9.538/9.734). 66.2 De acordo com a documentação, tendo em vista a necessidade de qualificação, bem como aderência às atividades empresariais, a empresa fiscalizada patrocinava treinamento e capacitação às pessoas físicas, inclusive de idioma da língua inglesa, por meio de escolas que ministravam os cursos ou mediante reembolso dos valores pagos pelos sócios das pessoas jurídicas contratadas (item 4.13 do TVF). Fl. 15324DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.325 20 67. Por meio da análise de notas fiscais, contratos e relatórios de atividades, o agente fiscal constatou que as horas adicionais trabalhadas pelos segurados no mês eram regularizadas mediante pagamento em dinheiro ou cômputo em um banco de horas, para compensação futura. 67.1 Da mesma maneira que oferecido aos seus empregados com vínculo formal, em alguns casos a fiscalização localizou o pagamento de bônus pelo sujeito passivo aos prestadores de serviço, como mecanismo de retribuição pelo alcance de metas de produtividade, confirmado pelas diligências fiscais (itens 4.5.1, 4.5.2 e 4.22 do TVF). 68. Os sócios das pessoas jurídicas contratadas, juntamente com os empregados da empresa recorrente, participavam dos programas de benefícios indiretos mantidos e ofertados pelo sujeito passivo, no que se refere ao seguro de vida em grupo e à assistência médica e odontológica (itens 4.9 a 4.12 do TVF). 69. Nas atividades desenvolvidas junto a clientes, os empregados e os sócios das prestadoras de serviços eram alocados na mesma estrutura organizacional, não havendo distinção ou mesmo identificação do nome da pessoa jurídica contratada para a prestação do serviço, sendo acompanhados por gerente de projetos e um "mentor" para incentivar o planejamento da carreira (item 4.8.2 do TVF). 70. O exemplo de proposta de trabalho, através de email, obtida no procedimento de diligência fiscal é ilustrativo e convincente do propósito subjacente ao regime de contratação da pessoa jurídica, bastante revelador no sentido da prestação de serviço como segurado empregado (item 4.2, "k", do TVF): Eduardo; Em função do nosso contrato anterior considerarmos seu perfil e experiência profissionais adequados e desse modo formalizamos nossa proposta de trabalho como consultor SAP FI SR para integrar a equipe de consultores do Grupo ASSA nas seguintes condições: Regime de Contrato: PJ Prazo: Indeterminado (contrato de um ano, renovável automaticamente) Base: São Paulo (envolve viagens, inclusive no exterior) Horário de trabalho: das 08h00min às 17h00min, de segunda a sextafeira, não temos horas extras e sim Banco de Horas. O Regime de pagamento de horas extras depende do Gerente do Projeto Remuneração: R$ 10.584,00 mensais fixos PJ Descontos: Assistência Médica opcional Porto Seguro (aprox. R$ 125,00 mensais); Seguro de Vida (aprox. R$ 6,00 mensais) Data de início: a definir (favor confirmar sua data de início) Fl. 15325DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.326 21 Uma das características do Grupo ASSA é o cuidado tomado com seus consultores, por isso eles são objeto de avaliações periódicas e do acompanhamento por profissionais experientes, através de um programa de mentoring. Além disso, todos os consultores são classificados segundo níveis que obedecem a critérios rigorosos de experiência e qualificação. Dessa forma, aproveitamos para ressaltar as características de desenvolvimento de carreira dessa proposta de trabalho no Grupo ASSA. 71. Quanto às decisões proferidas pela Justiça do Trabalho que rejeitam o vínculo empregatício dos sócios das pessoas jurídicas contratadas pelas empresas do "Grupo Assa", atribuído pela fiscalização do Ministério do Trabalho, cabe dizer que não irradiam efeito vinculante sobre o processo administrativo fiscal (fls. 15.267/15.271, 15.284/15.288 e 15.297/15.301). 71.1 Com efeito, ainda que possam conter matérias interrelacionadas no âmbito do direito trabalhista e previdenciário, as autuações efetivadas pelos agentes públicos são distintas e, como tais, apoiadas em arcabouço probatório e fundamentos específicos segundo o propósito. 71.2 De qualquer forma, não há impedimento, pelo contrário, é recomendável a valoração da força axiológica da decisão judicial como elemento para a convicção do julgador administrativo. 71.3 No caso concreto, porém, verifico que a falta de reconhecimento do vínculo de emprego é decorrência direta do conjunto probatório do auto de infração lavrado pela fiscalização do Ministério do Trabalho, que o magistrado avaliou como insatisfatório para o intuito de comprovar os fatos descritos para a motivação do ato administrativo (fls. 15.275/15.281). 71.4 Outra é a situação desses autos. Segundo exposto linhas acima, entendo suficiente os elementos de prova trazidos no processo administrativo fiscal para comprovar os fatos que sustentam o lançamento do crédito tributário, em especial a prestação de serviços remunerados por segurado empregado. d) Demais fatos geradores 72. A fiscalização também apurou crédito tributário em relação à prestação de serviços por segurados qualificados na categoria de contribuintes individuais, em que pese o vínculo como sócios de pessoas jurídicas. Adicionalmente, lançou de ofício crédito tributário decorrente da prestação de serviço pelo Sr. Javier Hernan do Porto, gerente de administração e finanças, e Srª Marcela Alejandra Pastirik, diretora de desenvolvimento e apreciação de talentos, ambos sócios da empresa MP & JDP Consultoria Empresarial Ltda, contratada para a prestação dos serviços (itens 4.33.1 a 4.38). 73. Em tais casos, tendo em vista a motivação do lançamento fiscal, não houve contestação específica pelos recorrentes, não havendo na petição recursal, por sua vez, algum argumento e/ou documento capaz de prevalecer em sentido contrário à procedência do crédito tributário lançado. Fl. 15326DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.327 22 e) Multa Qualificada 74. O recurso voluntário reclama da qualificação da multa de ofício, no importe de 150%, sob a alegação de que não houve dolo ou evidente intuito de fraude na conduta do sujeito passivo. Além disso, dada a infração praticada, o percentual da penalidade revela nítido caráter confiscatório e desproporcional, o que é vedado pelo inciso IV do art. 150 da Carta da República de 1988. 75. Pois bem. A decisão de piso não merece reforma. Como visto, o conjunto probatório carreado pelo agente lançador demonstra que o sujeito passivo, ao longo do tempo, beneficiouse da prestação de serviços de trabalhadores na área de tecnologia da informação, na condição de segurados empregados e/ou contribuintes individuais, mediante a dissimulação da sua contratação pela prestação de serviços por pessoas jurídicas, cujos sócios eram as pessoas físicas que exerciam as atividades. 76. O farto material obtido no decorrer do procedimento fiscal, já exaustivamente mencionado neste voto, põe em evidência, na linguagem de provas, a existência de uma política organizacional, devidamente estruturada, no sentido da contratação proposital de trabalho intelectual de pessoa física através da interposição fraudulenta de pessoa jurídica, não havendo motivos para a contratação desta que não seja a economia irregular dos tributos devidos na prestação de serviço, com lesão à Fazenda Pública. 77. A conduta configura uma ação dolosa com o propósito de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal, deixando de recolher os respectivos tributos, hipótese que autoriza a duplicação do percentual básico da penalidade (art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996). 78. Por sua vez, escapa à competência dos órgãos julgadores administrativos a análise de questões que digam respeito à ocorrência de efeito confiscatório, haja vista que a questão demanda o exame da incompatibilidade da lei aplicável com preceitos de ordem constitucional. Argumentos desse jaez são inoponíveis na esfera administrativa. 79. Nesse sentido, não só o "caput" do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, como também o enunciado da Súmula nº 2, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 80. Uma vez presente o aspecto subjetivo para a majoração da multa de ofício, o percentual definido em lei é fixo, igual a 150%, não dando margem a considerações sobre a graduação da penalidade, de maneira tal que é inviável a sua redução pelo julgador administrativo. Quanto ao pedido de aplicação do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não há amparo na legislação, por se tratar de multa de mora, a qual possui natureza diversa da multa de ofício, aqui lançada. Fl. 15327DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.328 23 f) Decadência 81. Uma vez demonstrada a conduta dolosa e fraudulenta, a contagem do prazo decadencial é regida pelo inciso I do art. 173 do CTN, isto é, o direito de constituir o crédito tributário extinguese após 5 anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 82. Esse entendimento está catalogado no verbete sumulado nº 72 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com a seguinte redação: Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. 83. Tendo o lançamento de ofício se aperfeiçoado com a ciência dos devedores em meados do ano de 2015, relativamente a fatos geradores ocorridos no ano de 2010, não há que se falar em decadência do crédito tributário. g) Vínculos de Responsabilidade CTN Consultoria Tecnologia e Negócios Ltda 84. O agente fazendário imputou o vínculo de responsabilidade solidária em nome da pessoa jurídica denominada de CTN Consultoria Tecnologia e Negócios Ltda, com fulcro no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, e no inciso I do art. 124 do CTN (itens 4.8 e 11.2 do TVF, e Doc. 5, às fls. 10.222/10.331): Lei 8.212, de 1991 Art. 30 (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (...) Código Tributário Nacional CTN Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Fl. 15328DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.329 24 85. Em contraposição, o recurso voluntário assevera que a autoridade fiscal não comprovou os requisitos indispensáveis para a formação de grupo econômico pelas empresas IBS Integrated Business Solutions Consultoria Ltda e CTN Consultoria Tecnologia e Negócios Ltda. Ademais disso, é inexistente o interesse jurídico do devedor solidário nas operações autuadas. 86. Pois bem. O processo administrativo está instruído com provas de que as pessoas jurídicas integram um grupo de fato por coordenação, marcado pelo interesse comum no fato gerador que constitui o lançamento fiscal. Há confirmação da administração unitária, cujo representante legal é o Sr. Federico Alberto Tagliani, utilizandose as empresas da explícita referência ao "Grupo Assa" quando do oferecimento de vagas de trabalho e das propostas de contratação de segurados, no regime de pessoa jurídica. 87. As atividades exercidas pelas duas empresas integrantes do grupo são assemelhadas e complementares, tendo constatado a fiscalização a combinação de recursos e/ou esforços para a realização dos objetivos comuns, mediante o rateio de despesas administrativas e comerciais, além do compartilhamento de trabalhadores, que executavam os serviços para uma e outra empresa do grupo, o que denota a participação conjunta e o interesse comum na situação que constitui o fato gerador decorrente do exercício da atividade econômica. 88. Por óbvio, a prática de rateio entre as pessoas jurídicas do grupo não afasta o vínculo de solidariedade. Mesmo que não se tenha uma confusão patrimonial, considerando o rateio de custos e despesas previamente ajustado e devidamente contabilizado, o que evidencia a autonomia das empresas e a existência de patrimônio distinto, o interesse comum no fato gerador mantémse inalterado. 89. Em apoio às palavras acima, reproduzo trechos do acórdão recorrido, que, desde já, acrescento às minhas razões de decidir (fls. 14.961/14.962): (...) A realidade fática constatada pelo fisco e demonstrado nos autos é a de que as empresas citadas no Relatório Fiscal formam um grupo econômico de fato. Senão vejamos: A IBS e a empresa CNT fazem parte do Grupo ASSA, conforme Instrumento Particular de Convênio de Rateio de Custos, de fls. 10.222/10.223 apresentado à fiscalização, em 27/11/2014, convênio este firmado em 30/12/2007, em razão da utilização conjunta da estrutura operacional técnica e administrativa comum que prevê o compartilhamento dos recursos de ambas as empresas da seguinte forma: aproveitamento compartilhado de recursos humanos (Staff Corporativo) nos projetos desenvolvidos por cada uma das empresas, aferido através do resumo de horas aplicadas em cada projeto; rateio das despesas administrativas, na proporção entre a receita bruta total de cada sociedade e a receita bruta total de ambas; Fl. 15329DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.330 25 rateio das despesas comerciais com base no esforço despendido no desenvolvimento de possíveis negócios em cada uma das empresas. Reforçando este entendimento consta inclusive nos Relatório Suporte da ND nº 25 a 36, de 2010, de fls. 10.225/10.331 em que a IBS cobra mensalmente a CNT pela transferência de custos e ou despesas de responsabilidade da última, pelo aproveitamento compartilhado de recursos humanos e pelo rateio das despesas comerciais, onde são informados o nome do colaborador (PF), o nome e o centro de custo do cliente no qual o colaborador prestava serviços, as horas trabalhadas neste cliente, o centro de custo das horas do colaborador e o rateio do custo que caberia à CNT. Há de se observar que não é o mero fato de a autuada compartilhar recursos e ratear despesas que vai indicar a existência de um grupo econômico, mas sim todos os fatos narrados pela fiscalização, e não negado pela impugnante CTN em sua peça impugnatória. Os documentos, de fls.14.420/14.549, e que são ficha cadastral completa, DIPJ das duas empresas e resultado de consulta aos sistemas informatizados da RFB comprovam a existência de grupo econômico, na medida em que demonstram que o representante legal tanto da IBS como da CTN é o Sr. Federico Alberto Tagliani. De igual modo os documentos do Grupo ASSA Word Wide S. A, empresa multinacional sediada na Espanha, dispõe como seu dirigente no Brasil o mesmo Sr. Federico Alberto Tagliani. Anexa às fls. 14.412/14.419, entrevista deste sobre a atuação do Grupo ASSA no Brasil. (...) 90. Logo, identificado e caracterizado o grupo econômico, assim como o interesse comum no fato gerador, as provas colhidas pelo agente fazendário permitem a imputação da responsabilidade solidária em nome da recorrente, CTN Consultoria Tecnologia e Negócios Ltda, com lastro no inciso I do art. 124 do CTN e no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, c/c inciso II do art. 124 do CTN. 91. De tal maneira que a solidariedade abarca não só as contribuições previdenciárias, como também as contribuições destinadas a outras entidades ou fundos (terceiros). Federico Alberto Tagliani, sócio administrador 92. A autoridade fiscal reputou ao Sr. Federico Alberto Tagliani, dada a sua condição de sócio e diretor eleito, segundo a 17ª alteração do contrato social, a responsabilidade solidária pelos débitos constituídos em face da pessoa jurídica autuada, com fundamento nas disposições do inciso III do art. 135 c/c inciso II do parágrafo único do art. 121, ambos do CTN (item 11.2 do TVF e fls. 59/68): Fl. 15330DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.331 26 Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. (...) Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado 93. Em linha de defesa, o recorrente aponta que a mera qualidade de administrador da pessoa jurídica não basta para a sua responsabilização pessoal, devendo haver prova inequívoca da participação ativa da pessoa física no nascimento da obrigação tributária, além da demonstração que o administrador agiu com excesso de poderes, infração à lei ou contrato social, sendo que, no presente caso, tal prova definitivamente deixou de ser produzida pelo agente fiscal. 94. Pois bem. Levandose em consideração os fatos narrados no Termo de Verificação Fiscal, não vejo como excluir a responsabilidade solidária do diretor da empresa autuada. Copio novamente trechos do acórdão recorrido, que ora corroboro pelo seus próprios fundamentos, os quais acabam por sintetizar adequadamente o cenário descrito pela fiscalização (fls. 14.965): (...) No presente caso ficou bastante claro que o IBS utilizou os contratos com prestadores de serviço pessoa jurídica com o objetivo de dissimular a contratação das pessoas físicas que executavam os serviços. Ou seja, o sujeito passivo agiu intencionalmente, com evidente intuito de fraude, ao utilizar procedimento não aceito pela legislação trabalhista e previdenciária, efetuando reiteradamente o pagamento de remuneração aos empregados e contribuintes individuais, por meio das prestadoras de serviço PJ. Mecanismo este usado com o objetivo de excluir esta remuneração da base de cálculo das contribuições sociais e do imposto de renda retido na fonte. Na verdade, tal comportamento demonstra não se tratar de um mero equívoco, evidenciando, sim, a existência de dolo por parte da Contribuinte, devendo seus administradores responder solidariamente pelos créditos tributários apurados, nos termos Fl. 15331DF CARF MF Processo nº 19515.720394/201539 Acórdão n.º 2401005.669 S2C4T1 Fl. 15.332 27 da legislação vigente. Tal conduta motivou, inclusive, a qualificação da multa de ofício e a emissão de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP). Desse modo, há evidências suficientes para considerar que a conduta do administrador, no caso em tela, configura infração à lei e, por conseguinte, o torna apto a figurar como responsável solidário no pólo passivo da presente autuação. (...) 95. Como antes dito, os fatos verificados são provenientes de um comportamento organizacional, intencional e continuado ao longo do tempo, em que a participação consciente e ativa do diretor da empresa constitui elemento indissociável, não sendo possível cogitar que o método de contratação de pessoas jurídicas, com o propósito de dissimular a prestação de serviços por segurados empregados e/ou contribuintes individuais, deuse alheio à prática de quaisquer atos pelo administrador da empresa, o qual detém poderes para determinar, permitir e/ou validar as condutas da sociedade, inclusive fazer cessar as ilicitudes. 96. É de verse, portanto, que durante o exercício da administração em nome da sociedade, o Sr. Federico Alberto Tagliani, na qualidade de diretor designado no contrato social, foi responsável por transgressões conscientes à lei penal, através da distorção dos elementos do fato gerador para o fim de evitar a subsunção à regra matriz de incidência da norma tributária (arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964). Tais atos praticados com infração à lei pelo administrador mantêm conexão com a ocorrência dos fatos jurídicos tributários objeto do lançamento fiscal. 97. Dessa forma, uma vez cumpridos os requisitos do art. 135 do CTN, é devida a responsabilização da pessoa física recorrente, não merecendo reforma as conclusões do acórdão contestado. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO dos recursos voluntários, REJEITO as preliminares e a decadência e, no mérito, NEGOLHES PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 15332DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.011927/2003-04
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Acolhem-se embargos de declaração apresentados quando necessário suprir omissão na fundamentação do acórdão.
Embargos de declaração conhecidos para suprir omissão na fundamentação do acórdão, sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 1201-000.454
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os
embargos para rerratificar o Acórdão no 1201-00.232, e suprir a omissão apontada, sem efeitos infringentes, nos termos de relatório e voto. Vencidos os conselheiros Regis Magalhães Soares Queiroz (Relator) e Marcelo Cuba Netto que rejeitavam os embargos. Vencido o conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes que acolhia os embargos com efeitos infringentes com o restabelecimento da multa. Designado o conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho para redação do voto vencedor.
Nome do relator: Regis Magalhães Soares de Queiroz
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I 31-1 MINISTÉRIO DA FAZENDA P(t. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10580.011927/2003-04 Recurso n° 000000 Voluntário Acórdão n° 1201-000.454 — 2 Camara / la Turma Ordinária Sessão de 31 de março de 2011 Matéria CSLL Recorrente UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) Recorrida TV ARATU S.A. Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Acolhem-se embargos de declaração apresentados quando necessário suprir omissão na fundamentação do acórdão. Embargos de declaração conhecidos para suprir omissão na fundamentação do acórdão, sem efeitos infringentes. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher os embargos para rerratificar o Acórdão no 1201-00.232, e suprir a omissão apontada, sem efeitos infringentes, nos termos de relatório e voto. Vencidos os conselheiros Regis Magalhães Soares Queiroz (Relator) e Marcelo Cuba Netto que rejeitavam os embargos. Vencido o conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes que acolhia os embargos com efeitos infringentes com o restabelecimento da multa. Designado o conselheiro Antônio Carlos Guidoni Filho para redação do voto vencedor. Cia 114+■ df /A 10434 IF Antonio Carlos G do i Filh — Redator designado t 44\01\ Z.t% Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, Antonio Carlos Guidoni Filho e Regis Magalhães Soares de Queiroz. mr M. aquias - Presidente. Regis Magalhães S - Relator. Relatório Cuida-se de embargos de declaração opostos pela União ao acórdão de fls. 353 e seguintes que foi assim ementado: FALTA DE TRANSCRIÇÃO DOS BALANÇOS E BALANCETES DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO NO LIVRO DIÁRIO. 0 art. 35, ,sS' alínea "a", da Lei no 8.981/95 não se coaduna coin o entendimento segundo o qual a transcrição dos balanços ou balancetes, no livro Diário, é requisito de validade da escrituração. A norma estabeleceu, sim, a subordinação da validade dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução transcrição no Diário, o que em nada afeta a validade e a eficácia da escrituração como prova primária. Se esta existe, o Fisco pode, e deve, a partir dela, empreender as diligências necessárias a configuração do fato tributário, exceto se contaminada com vicio que a torne imprestável. 0 embasamento para a oposição dos embargos é a suposta omissão por não ter o acórdão embargado discorrido acerca de uma frase lançada em passant na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, de fls. 5, no sentido de que o embargado não teria apresentado LALUR escriturado mensalmente, apenas anualmente. Segundo o raciocínio da embargante, a escrituração anual do LALUR estaria a dar suporte à desconsideração dos balancetes de suspensão ou redução levantados pelo contribuinte, na forma do art. 35, §1°, alínea "a" da Lei 8.981/95. Sugeriu, ainda, que o acórdão embargado teria reconhecido a aplicabilidade ao caso do art. 15, da IN SRF 93/97. o relatório. Processo n° 10580.011927/2003-04 SI-C2T1 Acórdão n,° 1201-000.454 Fl. 2 Voto Vencido Conselheiro Regis Magalhães Soares De Queiroz, relator: A embargante pretende dar a um comentário contido na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a força de "motivo" do ato administrativo de imposição de multa. Vejamos, então, o que dispôs a fiscalização sobre a escrituração do LALUR: "o contribuinte optante pela tributação anual do IRPJ, não faz jus a redução/suspensão dos pagamentos por estimativa corn base em balancetes, pois não transcreveu os balancetes no livro diário como determina a alínea 'a' do artigo 35 da lei 8.981/95. Além disto, não apresentou a esta Auditoria os LALUR escriturados mensal, apenas anual" Nota-se que a base legal invocada pela autoridade para a desconsideração dos balancetes de redução ou suspensão foi o art. 35, alínea "a" da Lei 8.981/95, que obriga a transcrição deles no Livro Diário, apesar de fazê-lo sem impor a sua desconsideração em caso de desatendimento. A regra legal invocada em sustentação ao lançamento nada diz sobre escrituração mensal do LALUR. Alias, o próprio art. 262 do RIR/1999 obriga apenas a realização dos "ajustes do lucro liquido do período de apuração" que, in casu, era anual: Art.262.No LAL UR, a pessoa jurídica deverá (Decreto-Lei n 2 1.598, de 1977, art. 82, inciso I): 1-lançar os ajustes do lucro liquido do período de apuração; Não vejo densidade jurídica no reclamo contido na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal acerca da não apresentação de LALUR escriturado mensalmente, para que seja alçado A. dignidade de fundamento do ato administrativo, posto que desacompanhado de fundamentação e de invocação de base legal suporte. Por outro lado, também é descabida a invocação do § 3°, art. 15, da IN SRF 93/97, que determina a desconsideração do balancete de redução ou suspensão na hipótese de "lido escrituração do livro Diário e do LALUR", hipóteses que não se verificaram no caso, onde ambos os livros foram escriturados. Entendo que não há reparos a fazer a conclusão a que cheguei quando do julgamento do recurso voluntário, assim fundamentado: "0 desatendimento de obrigação acessória, quando não inviabiliza a possibilidade da apuração fiscal, não pode sobrepor-se à obrigação estatal de buscar a verdade tributária material e apurar corretamente os tributos, enquanto esta estiver ao seu alcance. Neste sentido, alias, precedente da Camara Superior de Recursos Fiscais do antigo Conselho de Contribuintes citado por Hirotni Higuchi, acórdão n° 01- 04.263/02, DOU de 08.08.2003."' Por fim, apenas para esclarecer à embargante, o acórdão embargado fez referência ao art. 15, da IN SRF 93/97 apenas para ressaltar que quando há cominação de invalidade dos balancetes de suspensão e redução, ela é feita de forma explicita, como se vê nesta instrução normativa, o que não se vislumbra no art. 35, alínea "a", da Lei 8.981/95, que não comina nenhuma penalidade. Contexto completamente diferente do referido nos embargos. Isso posto, conheço mas rejeito os embargos de declaração, ante a inexistência de omissão. o voto. Regis Magalhães Soares De Q onselheiro Relator Hiromi Higuchi, Fabio Hiroshi Higuchi e Celso Hiroyuki Higuchi, Imposto de renda das empresas, interpretação e prática, 32 ed., 2007, SP, IR Publicações, p. 31. Citam, ainda neste sentido, precedente do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes acórdão n° 101-95.384/2006, DOU 18.05.2006) Processo n° 10580.011927/2003-04 SI-C2T1 Acórdão n.° 1201-000.454 Fl. 3 Voto Vencedor Conforme se constata do relatório supra, tratam-se de embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional para que fosse suprida alegada omissão do Acórdão n° 1201-00.232 relativa a ausência de exame de acusação fiscal que justificaria a manutenção da multa isolada no caso, qual seja: a ausência de escrituração de LALUR em bases mensais, mas tão somente em bases anuais. Nesse sentido, veja-se trecho dos embargos, verbis: A análise do Auto de Infração revela que a aplicação das multas isoladas teve dois motivos: a) a inexistência do direito à redução / suspensão dos pagamentos por estimativa com base em balancetes, urna vez que se descumpriu o ônus de transcrevê-los no livro Diário, como determina o art. 35, §1°, "a", da Lei n° 8.981/95; b) a pessoa jurídica nib o escriturou o LALUR mensalmente, mas apenas anualmente. Confira-se: "0 contribuinte, optante pelo (sic) tributação anual do IRPJ, não faz jus redução / suspensão dos pagamentos por estimativa corn com (sic) base em balancetes, pois não transcreveu os balancetes no livro Diário corno determina a alínea a do artigo 35 da Lei 8981/95. Além disso não apresentou a esta Auditoria os LALUR escriturados mensal, apenas anual" (IL 05). (Gr(ou-se) Em ligeira síntese, o recurso foi provido com base no entendimento de que "a falta de transcrição não invalida a contabilidade e, portanto, o Fisco tern condições e o dever de fazer a verificacdo" (fis. 355-v). Não obstante, o acórdão não apreciou o segundo fundamento para a constituição do credito (letra "h" supra), o que caracteriza a omissão." Em exame aos citados embargos, o I. Conselheiro Relator não identificou "densidade jurídica no reclamo contido na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal acerca da não apresentação de LALUR escriturado mensalmente, para que seja alçado A dignidade de fundamento do ato administrativo, posto que desacompanhado de fundamentação e de invocação de base legal suporte". Aqui a razão da divergência. Nada obstante tenha sido bastante sucinta, a acusação fiscal teve por fundamento a ausência de escrituração do LALUR em bases anuais, conforme se depreende do trecho do lançamento acima transcrito. Depreende-se dos autos que citada forma de contabilização do LALUR também constituiu causa de desconsideração dos demais elementos da escrita da Contribuinte para fins de verificação da regularidade do recolhimento de estimativas no período, conforme previsto no citado art. 15 da IN RFB n. 93/97. Embora esteja compreendida na acusação fiscal e, portanto, mereça expresso tratamento por este Colegiado, a ausência de escrituração do LALUR em bases mensais, mas Filho Antonio rerratificar o Acórdão n° 120 fundamentação, sem efeitos i fr suprir a omissão apontada na parte de sua .232, s. %two (4-k 91e apenas l em bases anuais, não pode fundamentar de per si a exigência de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, mormente quando a Fiscalização dispõe de outros elementos'‘ Da ,1 ro de escrita para verificação da ocorrência do fato tributável, tal como se verifica na hipótese. Para o caso, pois, aplica-se a conclusão do acórdão embargado no sentido de que: "o desatendimento de obrigação acessória, quando não inviabiliza a possibilidade da apuração fiscal, não pode sobrepor-se à obrigação estatal de buscar a verdade tributária material e apurar corretamente os tributos, enquanto esta estiver ao seu alcance. Neste sentido, aliás, precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais do antigo Conselho de Contribuintes citado por Hiromi Higuchi, acórdão n°01-04.263/02, DOU de 08.08.2003". Nesses termos, oriento o voto no sentido de acolher os embargos para • S
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