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Numero do processo: 10950.905412/2012-02
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2003
CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE.
Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo.
CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/11/2003 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado.
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EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 54 12 /2 01 2- 02 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.905412/201202 Acórdão n.º 3801004.530 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.905412/201202 Acórdão n.º 3801004.530 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adotase, em regra, o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase de Pedido de Restituição de pagamento que teria sido realizado a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o pleito, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Em manifestação de inconformidade a contribuinte afirma que o direito de crédito tem origem no pagamento de contribuição sobre valores de vendas não recebidas que foram incluídos como receita na base de cálculo. Em resumo, argumenta que as cifras relativas às vendas não adimplidas não constituem receitas porque não representam acréscimo patrimonial, cabendo a correspondente exclusão da base de cálculo, nos mesmos moldes do tratamento dispensado às vendas canceladas, já que o inadimplemento do comprador implicaria verdadeiro cancelamento do contrato de venda. Ademais, prossegue, insistir na tributação de valores relativos às vendas não recebidas culmina por ofender o princípio da capacidade contributiva. Dessa forma, conclui, o pagamento da contribuição calculada sobre as vendas não quitadas é indevido e o direito de crédito deve ser restituído. Requer ainda a atualização do direito de crédito de acordo com a variação da taxa Selic. Pretende ainda que sejam examinadas as provas do direito de crédito conforme indica. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: BASE DE CÁLCULO. VENDAS INADIMPLIDAS. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inadimplemento de clientes não se confunde com cancelamento de vendas, não podendo os valores correspondentes às vendas inadimplidas ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. O pagamento da contribuição calculada sobre os mencionados valores não é indevido sendo correto o indeferimento do correspondente pedido de restituição. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.905412/201202 Acórdão n.º 3801004.530 S3TE01 Fl. 5 4 Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade em relação à ilegalidade da cobrança das contribuições PIS e Cofins sem a exclusão dos valores referentes às vendas não recebidas. Por fim, requereu que fosse conhecido e provido seu recurso voluntário. Outrossim, postulou que os créditos a serem por fim restituídos fossem acrescidos de juros remuneratórios a base da taxa selic, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.905412/201202 Acórdão n.º 3801004.530 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Como relatado, o litígio tem como controvérsia a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores relativos a vendas canceladas. Para o período de apuração em discussão, segundo o código de receita do pagamento a maior, 2172, 8109, 5856 ou 6912, aplicavamse os dispositivos das Leis 9.718, de 1998, 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: Lei 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Lei 10.637/02 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (grifouse) Lei 10.7637/2002 Lei 10.833/03 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifouse) Lei 10.833/2003 (...) Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.905412/201202 Acórdão n.º 3801004.530 S3TE01 Fl. 7 6 Como visto, as Leis citadas estabelecem a natureza das receitas, em regra, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Por outro lado, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas nas respectivas leis e os valores decorrentes de vendas inadimplidas não fazem parte desse rol, logo não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Insistase que a norma estabelece a incidência da contribuição sobre a totalidade das receitas e não prevê estas exclusões. Tenhase presente que a discriminação das exclusões e deduções da base cálculo da contribuição foi uma opção do legislador no período em referência, não sendo a seara administrativa o fórum adequado para questionálo. Para por fim a discussão, como bem colocado pela decisão de primeira instância, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n.ºs 586.482/RS, publicado no DJE no dia 19/06/2012, Relator Ministro Dias Toffoli, sistemática de repercussão geral, pacificou o entendimento de que não é permitido a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições PIS e Cofins Os aludido acórdão foi assim ementado: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS. ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. REGIME DE COMPETÊNCIA. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO COM AS HIPÓTESES DE CANCELAMENTO DA VENDA. 1. O Sistema Tributário Nacional fixou o regime de competência como regra geral para a apuração dos resultados da empresa, e não o regime de caixa. (art. 177 da Lei nº 6.404/¨76). 2. Quanto ao aspecto temporal da hipótese de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS, portanto, temos que o fato gerador da obrigação ocorre com o aperfeiçoamento do contrato de compra e venda (entrega do produto), e não com o recebimento do preço acordado. O resultado da venda, na esteira da jurisprudência da Corte, apurado segundo o regime legal de competência, constitui o faturamento da pessoa jurídica, compondo o aspecto material da hipótese de incidência da contribuição ao PIS e da COFINS, consistindo situação hábil ao nascimento da obrigação tributária. O inadimplemento é evento posterior que não compõe o critério material da hipótese de incidência das referidas contribuições. 3. No âmbito legislativo, não há disposição permitindo a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições em questão. As situações posteriores ao nascimento da obrigação tributária, que se constituem como excludentes do crédito tributário, contempladas na legislação do PIS e da COFINS, ocorrem apenas quando fato superveniente venha a anular o fato gerador do tributo, nunca quando o fato gerador subsista perfeito e acabado, como ocorre com as vendas inadimplidas. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.905412/201202 Acórdão n.º 3801004.530 S3TE01 Fl. 8 7 4. Nas hipóteses de cancelamento da venda, a própria lei exclui da tributação valores que, por não constituírem efetivos ingressos de novas receitas para a pessoa jurídica, não são dotados de capacidade contributiva. 5. As vendas canceladas não podem ser equiparadas às vendas inadimplidas porque, diferentemente dos casos de cancelamento de vendas, em que o negócio jurídico é desfeito, extinguindose, assim, as obrigações do credor e do devedor, as vendas inadimplidas a despeito de poderem resultar no cancelamento das vendas e na consequente devolução da mercadoria , enquanto não sejam efetivamente canceladas, importam em crédito para o vendedor oponível ao comprador. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento (grifouse). Destarte, são inúteis e desnecessárias eventuais discussões de outras teses sobre a possibilidade de se excluir da base de cálculo da contribuição as denominadas vendas inadimplidas. As autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, atribuir eficácia em relação ao mérito. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemárica da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Em remate, não é permitido excluir da base de cálculo da contribuição as vendas inadimplidas. Por óbvio, seu pedido e argumentação de atualização dos créditos pela taxa Selic ficam prejudicados Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.905412/201202 Acórdão n.º 3801004.530 S3TE01 Fl. 9 8 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 18471.003847/2008-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - - NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA - CONCORDÂNCIA COM OS LANÇAMENTOS NÃO QUESTIONADOS -
Não havendo impugnação expressa quanto aos pontos objeto do recurso, presume-se a concordância da recorrente com a Decisão de Primeira Instância. Controvérsia não instaurada.
SEGURADOS - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - CONTRIBUIÇÃO NÃO DESCONTADA NA ÉPOCA PRÓPRIA
Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente.
A contratação de trabalhadores autônomos, contribuintes individuais, é fato gerador de contribuições previdenciárias, que atinge simultaneamente dois contribuintes: a empresa e o segurado.
Nos termos do § 5º do art. 33: O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - - NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA - CONCORDÂNCIA COM OS LANÇAMENTOS NÃO QUESTIONADOS - Não havendo impugnação expressa quanto aos pontos objeto do recurso, presume-se a concordância da recorrente com a Decisão de Primeira Instância. Controvérsia não instaurada. SEGURADOS - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - CONTRIBUIÇÃO NÃO DESCONTADA NA ÉPOCA PRÓPRIA Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente. A contratação de trabalhadores autônomos, contribuintes individuais, é fato gerador de contribuições previdenciárias, que atinge simultaneamente dois contribuintes: a empresa e o segurado. Nos termos do § 5º do art. 33: O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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Controvérsia não instaurada. SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS CONTRIBUIÇÃO NÃO DESCONTADA NA ÉPOCA PRÓPRIA Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente. A contratação de trabalhadores autônomos, contribuintes individuais, é fato gerador de contribuições previdenciárias, que atinge simultaneamente dois contribuintes: a empresa e o segurado. Nos termos do § 5º do art. 33: “O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.” Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 38 47 /2 00 8- 21 Fl. 265DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Ricardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18471.003847/200821 Acórdão n.º 2401003.624 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal,, lavrado sob o n. 37.189.2457, em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados não descontada na época própria, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de contribuintes individuais na competência 11/2003, para os levantamentos: I. Código de Levantamento "NUS" Utilizado quando dos pagamentos aos segurados contribuintes individuais autônomos que prestaram serviço para o NUSEG e que não foram declarados na GFIP; II. Código de Levantamento "NUX" Utilizado quando dos pagamentos aos segurados contribuintes individuais autônomos (que são estatutários Servidores) da UERJ que prestaram serviço para o NUSEG e que não foram declarados na GFIP; Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 28/11/2008, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 151 a 159. Foi anexado sentença em Mandado de Segurança Coletivo, proposto pelo Sindicato dos Médicos, fl. 160 a 166, determinando o não desconto da remunueração concedida aos médicos residentes na forma definida na lei 10.666/2003, por entender tratarse de pósgraduação. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 230 e seguintes. Assunto : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11 ENTE ESTADUAL. EMPRESA. Considerase empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. A pessoa física que presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego, é segurado obrigatório na qualidade de contribuinte individual. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 RECOLHIMENTO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. O órgão público é obrigado a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 242, reiterando os mesmos argumentos da impugnação, quais sejam, acrescentando, neste momento, o entendimento do Tribunal Regional Federal da Segunda Região que, em caso idêntico ao presente apenas se referindo a outra autuação do INSS à UERJ entendeu não serem devidas as referidas contribuições (Apelação 1997.51.01.1013469, Rei. Juiz Convocado José Antônio Lisboa Neiva). 1. O auditor fiscal, classificando os prestadores de serviços contratados temporariamente pela Universidade, como empregados, desconsiderou a Lei Estadual n° 1698/90, a qual instituiu o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) no âmbito da administração direta no Estado do Rio de Janeiro, transformando os empregos em cargos públicos, não interpretou corretamente a natureza da prestação de serviços do pessoal sendo constatado que todos os funcionários empregados eram de cargos comissionados, de livre nomeação e exoneração. 2. Em casos análogos o Conselho de Recursos da Previdência Social decidiu no sentido de que tendo por base o fato de as contribuições constantes nas autuações se referirem à contribuições devidas pela empresa sobre remunerações pagas a segurados empregados, em virtude da impossibilidade de se reconhecer vínculo empregatício em ente da Administração Pública sem prévia aprovação em concurso público, deveria o lançamento ser julgado improcedente. 3. A UERJ não tem empregados por força da Lei Estadual n° 1698/90. Não se vislumbram os requisitos que qualificam a figura do empregado se a UERJ os pudesse ter. 4. As contratações são efetivadas mediante contrato administrativo, conforme o disposto no art. 6o da lei 2.399/95. Os contratados prestam serviços na qualidade de autônomos, cuja contratação é regida pela Lei n° 8.666/93, Lei estadual n° 2399/95 e Código Civil, na qualidade de autônomos sem que façam jus a qualquer sistema de previdência social e estadual. 5. A contribuição incidente sobre a remuneração de prestadores de serviço (autônomos) foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade ADIN n° 1.1022. 6. Com relação aos residentes médicos, o caso em tela é objeto do Mandado de Segurança n° 2003.51010262361 para o qual foi concedida a liminar determinando o afastamento da aplicação da retenção da contribuição previdenciária incidente sobre as bolsas pagas aos médicos residentes. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18471.003847/200821 Acórdão n.º 2401003.624 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos.. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Primeiramente, convém ressaltar, assim, como bem trazido pelo julgador de primeira instância, que para efeitos da legislação previdenciária, os órgãos e entidades públicas são considerados empresa, conforme prevê o art. 15 da Lei n ° 8.212/1991,equiparandose, em relação aos segurados contribuintes individuais que contrata, às empresas privadas, nestas palavras: Art.15.Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Assim, a UERJ é considerado empresa perante a previdência social, devendo, portanto, contribuir para o RGPS, sempre que presentes fatos geradores de contribuições previdenciárias, independente de ter instituído em relação aos servidores efetivos RPPS (Regime Próprio de Previdência). Outro ponto, que deve de pronto ser afastado é o argumento de que o próprio TRF, em decisão em outro lançamento da mesma empresa, determinou a improcedência do lançamento, razão pela qual, mesmo destino deva ser dado ao presente AI. A ementa do acórdão citado no recurso não se coaduna com os fatos geradores lançados no presente AI. Alías, boa parte dos argumentos do recorrente não se referem aos fatos geradores ora lançados., fato já devidamente descrito na decisão de primeira instância, senão vejamos: 8.6. Por outro lado, restou também demonstrado o equívoco da defendente ao afirmar que o auditor tentava atribuir aos prestadores de serviços a classificação de empregados da UERJ. A autoridade fiscal não considerou os prestadores de serviço como empregados da Universidade, mas sim como contribuintes individuais, conforme bem demonstra a descrição dos levantamentos e todos os relatórios constantes do autode infração. 10. Também não há amparo neste lançamento para as alegações a respeito da condição jurídica dos residentes médicos. Os levantamentos constantes do presente auto (NUS e NUX, relatório DAD fls. 4) não contemplam a categoria citada, conforme demonstra claramente a descrição dos códigos constantes do relatório fiscal (item 9.2, fls. 140). Portanto, os mesmos não integram o objeto do lançamento. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Da análise do relatório fiscal e do relatório discriminativo analítico de débito DAD, é possível identificar que só há lançamento de contribuições sobre os valores pagos a contribuintes individuais, que prestaram serviços a NESEG, enquanto autônomos, os quais perante a previdência, vinculamse na qualidade de segurados obrigatórios – contribuintes individuais. Nos autos identificase a existência de Parecer indicando qual seria o vínculo dos servidores, quando prestaram serviços extras, inclusive recolhendo indevidamente para o Regime de Previdência do Estado. Esses fatos foram suficientemente esclarecidos pelo julgador de primeira instância, contudo, em seu recurso apenas mencionou o recorrente a intenção de reiterar os argumentos já apresentados anteriormente. Contudo, entendo que a decisão proferida esclareceu de forma devida a procedência do lançamento. Observamos das diversas cópias constantes dos autos, que o auditor trouxe planilha com a relação de todos os segurados que prestaram serviços, sendo que não houve por parte do recorrente qualquer impugnação expressa sobre as bases de cálculo apuradas, ou mesmo segurados ali constantes; mas, insurgindose apenas alegando a impossibilidade de manter segurados empregados, a liminar acerca da impossibilidade de retenção dos residentes e a inconstitucionalidade das contribuições sobre os contribuintes individuais. DA FUNDAMENTAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE OS SERVIÇOS PRESTADOS POR CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Quanto a contribuição em si descrita no presente AIOP, entendo, assim como mencionado anteriormente que o recorrente não compreendeu o alcance dos fatos geradores aqui descritos, bem como os argumentos rebatidos na decisão de 1 instância. As contribuições da empresa sobre os serviços prestados por contribuintes individuais, para o período posterior à competência março de 2000 (objeto deste AI), inclusive, às contribuições da empresa sobre a remuneração dos contribuintes individuais é regulada pelo art. 22, III da Lei n ° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.876/1999, nestas palavras: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Inciso acrescentado pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99 vigência a partir de 02/03/2000 conforme art. 8º da Lei nº 9.876/99). De acordo com o previsto no § 4º do art. 201 do Regulamento da Previdência Social na redação conferida pelo Decreto n ° 4.032/2001: Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: II vinte por cento sobre o total das remunerações ou retribuições pagas ou creditadas no decorrer do mês ao segurado contribuinte individual; (Redação alterada pelo Decreto nº 3.265/99) A base de cálculo das contribuições previdenciárias é a remuneração auferida pelo segurado, conforme previsto no art. 22 da Lei n° 8.212/1991. Assim, ao remunerar seus Fl. 270DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18471.003847/200821 Acórdão n.º 2401003.624 S2C4T1 Fl. 5 7 servidores por serviços diversos de suas funções, na qualidade de contribuintes individuais, são devidos recolhimentos para previdência social. Destacase, ainda, as alterações trazidas pela Lei nº 10.666/2003, na qual a partir da competência 04/2003, o valor da contribuição a cargo dos segurados contribuintes individuais, passa a ser arrecadada pelo própria empresa contratante, correspondendo ao desconto de 11% sobre a base de cálculo acima identificada. Neste sentido, dispõe a lei: “Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês seguinte ao da competência.” Uma vez que a recorrente remunerou segurados, deveria a notificada efetuar o desconto e recolhimento à Previdência Social. Não efetuando o recolhimento, a notificada passa a ter a responsabilidade sobre o mesmo. “Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", ‘b" e "c" do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.” Assim, ao efetivar a contratação de pessoas físicas, deveria o ente público, equiparado a empresa, efetivar o recolhimento da contribuição previdenciária correspondente. INCONSTITUCIONALIDADES APONTADAS Ademais, no tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991. Dessa forma, quanto à ilegalidade/inconstitucionalidade da contribuição sobre a remuneração de contribuintes individuais, não há razão ao recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, ou que esteja sendo questionado judicialmente pelo recorrente. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo Fl. 271DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da decisão proferida, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente, no que concerne a parte remanescente são incapazes de refutar a presente autuação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 10/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10925.902320/2009-74
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE.
Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano-calendário correspondente àquelas estimativas.
Numero da decisão: 1803-002.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE. Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano-calendário correspondente àquelas estimativas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1189; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 76 1 75 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.902320/200974 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.404 – 3ª Turma Especial Sessão de 21 de outubro de 2014 Matéria IRPJ COMPENSAÇÃO Recorrente DICAPEL PAPÉIS E EMBALAGENS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE. Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no anocalendário correspondente àquelas estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 23 20 /2 00 9- 74 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.902320/200974 Acórdão n.º 1803002.404 S1TE03 Fl. 77 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.902320/200974 Acórdão n.º 1803002.404 S1TE03 Fl. 78 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido: Por meio do Despacho Decisório eletrônico que consta do presente processo, a autoridade competente não homologou a compensação pretendida pela Contribuinte acima identificada, formalizada por meio de Declaração de Compensação (DComp), na qual foi indicado, como crédito do tipo “Pagamento Indevido ou a Maior”, um documento de arrecadação (DARF) com código de receita referente a estimativa mensal. De acordo com o referido Despacho, inexiste direito creditório em razão de o pagamento indicado na DComp encontrarse integralmente utilizado na quitação de débito declarado pela Contribuinte, com idênticas características. Irresignada, a Contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade, na qual informa que apresentou a respectiva DComp indicando, como crédito, o tipo “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, quando o correto seria informar o tipo de compensação de SALDO NEGATIVO”. Por outro lado, no restante de sua petição, a Contribuinte dá a entender que detém o direito creditório, em razão de não existir o débito ao qual se vincula o Darf indicado na DComp. Inclusive, em demonstrativo elaborado para fundamentar a existência de seu direito, referindose ao débito de estimativa vinculado ao Darf, a Contribuinte indica o seguinte: “Valor DEVIDO a ser Retificado na DCTF: R$ 0,00”. 2. A decisão da instância a quo foi assim fundamentada: A manifestação de inconformidade é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual podese dela conhecer. Conforme relatado, a declaração de compensação sob exame não foi homologada, em razão da inexistência do direito creditório pleiteado pela Contribuinte. De acordo com o que restou esclarecido, o pagamento indicado como crédito referese a estimativa mensal, e encontrase integralmente utilizado na extinção de débito com idênticas características. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Contribuinte primeiro informa que apresentou a respectiva DComp, indicando, como crédito, o tipo “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, quando o correto seria informar o tipo de compensação de SALDO NEGATIVO”. Depois, defende que possui o direito creditório, em razão de não existir o débito de estimativa ao qual se vincula o Darf indicado na DComp. Inclusive, em demonstrativo elaborado para fundamentar a existência de seu direito, referindose ao débito de estimativa vinculado ao Darf, a Contribuinte indica o seguinte: “Valor DEVIDO a ser Retificado na DCTF: R$ 0,00”. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.902320/200974 Acórdão n.º 1803002.404 S1TE03 Fl. 79 4 Neste momento, há que se registrar que a autoridade competente da DRF de jurisdição sobre o domicílio fiscal da Contribuinte não se manifestou em relação ao saldo negativo que teria sido apurado no respectivo anocalendário. Em outras palavras, o saldo negativo apurado pela Contribuinte não constitui o objeto do presente litígio. Na verdade, o cerne do litígio é outro. Ao que tudo indica, a Contribuinte apurou saldo negativo no anocalendário em referência e, ao invés de utilizálo como crédito em compensação, conforme lhe é facultado, levou à DComp sob análise um pagamento a título de estimativa, devidamente declarada em DCTF, que teria contribuído para formar o referido saldo negativo. Muito embora possa ter contribuído com a formação do saldo negativo, a estimativa mensal apurada, conforme disposição legal, não constitui pagamento indevido ou maior que o devido, de modo que não pode ser utilizada como crédito em compensação pleiteada em face da Fazenda Nacional. Sabese que a obrigação de recolher estimativas mensais integra a sistemática legalmente prevista para a apuração do IRPJ e da CSLL, segundo as regras de Lucro Real na periodicidade anual. Segundo essa sistemática, ao longo do anocalendário, a pessoa jurídica se obriga a mensalmente antecipar o valor do tributo que somente será conhecido em definitivo no final do período, em 31 de dezembro, quando então se considera ocorrido o fato gerador. Encerrado o anocalendário, a pessoa jurídica deve apurar o tributo devido e, para encontrar o valor do saldo a pagar, ou do saldo negativo a restituir, do valor do tributo devido pode deduzir os valores recolhidos antecipadamente, a título de estimativa. Portanto, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, é este valor que pode ser utilizado como crédito em compensação, e não as antecipações regularmente apuradas que o compuseram, efetuadas ao longo do ano. Ademais, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, não há que se providenciar uma retificação da DCTF para zerar o débito a título de estimativa e, consequentemente, “liberar” o Darf ao qual estiver vinculado, como parece ser o entendimento da Contribuinte. Em verdade, tendo sido regularmente apuradas, as estimativas mensais são devidas, ainda que ao final do ano se descubra a formação de um saldo negativo. Nesse caso, a retificação da DCTF pretendida pela Contribuinte, se efetuada, não encontraria respaldo legal. De se reiterar que, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, este, sim, pode ser objeto de compensação, conforme estabelece a vigente Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 20121: Art. 4º Os saldos negativos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição, nas seguintes hipóteses: I – de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração; [...] 1 Disposições semelhantes já eram encontradas na Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, na Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, na Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, e na Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.902320/200974 Acórdão n.º 1803002.404 S1TE03 Fl. 80 5 Art. 41. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 56 a 60, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VII, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 2º A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. [...] Portanto, como na DComp sob exame a Contribuinte não utilizou direito creditório passível de compensação, mostrase correta a conclusão do Despacho Decisório atacado, razão pela qual não há como reformálo. Ante o exposto, é de se considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Interessada. 3. Devidamente cientificada da referida decisão, a tempo, apresenta a interessada Recurso Voluntário, nele argumentando, em síntese: a) que o débito de estimativa, objeto de compensação não homologada, deverá ser considerado na formação do saldo negativo; b) que o entendimento da Receita Federal – de glosar o saldo negativo quando este for composto por estimativas quitadas por compensação não homologada – implica dupla cobrança do mesmo crédito tributário; c) que o contribuinte terminaria pagando duas vezes o mesmo débito; mediante a redução do saldo negativo e pela via da execução fiscal (cobrança do débito de estimativa objeto da compensação não homologada); d) que, no mérito, existindo, sim, saldo negativo a ser compensado, o contribuinte não pode ser penalizado com a dupla cobrança, pelo fiscal, de um tributo já declarado e compensado por erro de fato do mesmo, declarado em PER/DComp incorreta, sem a possibilidade de retificar a mesma e demonstrar os créditos oriundos formados para a efetivação da compensação do débito compensado; e e) que a dupla cobrança ocorrerá, se o contribuinte tiver de pagar novamente o débito compensado não homologado na PER/DComp, aplicandose a decadência do crédito de saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL. Em mesa para julgamento. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.902320/200974 Acórdão n.º 1803002.404 S1TE03 Fl. 81 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Concordase inteiramente com a decisão recorrida, quando esta afirma que (destaque do original): Muito embora possa ter contribuído com a formação do saldo negativo, a estimativa mensal apurada, conforme disposição legal, não constitui pagamento indevido ou maior que o devido, de modo que não pode ser utilizada como crédito em compensação pleiteada em face da Fazenda Nacional. [...]. Portanto, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, é este valor que pode ser utilizado como crédito em compensação, e não as antecipações regularmente apuradas que o compuseram, efetuadas ao longo do ano. [...]. De se reiterar que, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, este, sim, pode ser objeto de compensação, conforme estabelece a vigente Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012: [...]. 5. É que não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano calendário correspondente àquelas estimativas. 6. Como decorrência, cabe à repartição de origem reexaminar a compensação requerida, devendo, para tanto, considerar, como direito creditório pleiteado, o saldo negativo apurado no respectivo anocalendário. 7. Já com relação à preocupação externada pela Recorrente, em seu Recurso Voluntário, as estimativas não pagas, mas compensadas, se não homologada a respectiva compensação, serão objeto de cobrança na correspondente DComp, não cabendo a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ, conforme entendimento já externado, tanto pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), quanto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN): Solução de Consulta Interna Cosit nº 18, de 2006: Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a Fl. 81DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.902320/200974 Acórdão n.º 1803002.404 S1TE03 Fl. 82 7 glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Parecer PGFN/CAT/nº 88, de 2014: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei no 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que a repartição de origem reexamine a compensação requerida, devendo, para tanto, considerar, como direito creditório pleiteado, o saldo negativo apurado no respectivo anocalendário. Deve ser observada a eventual existência de outros processos nos quais o direito creditório a ser considerado como pleiteado corresponda ao mesmo saldo negativo. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 82DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 16643.000217/2010-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
Ementa:
DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Não se conhece de recurso interposto no prazo legal, quando, posteriormente, o contribuinte vem aos autos desistir de questionar administrativamente a matéria litigada no recurso voluntário apresentado.
Numero da decisão: 1301-001.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, recurso não conhecido em razão de desistência.
(documento assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada) e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Usiminas Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 Ementa: DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Não se conhece de recurso interposto no prazo legal, quando, posteriormente, o contribuinte vem aos autos desistir de questionar administrativamente a matéria litigada no recurso voluntário apresentado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, recurso não conhecido em razão de desistência. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Cristiane Silva Costa (Suplente Convocada) e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 02 17 /2 01 0- 74 Fl. 610DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16643.000217/201074 Acórdão n.º 1301001.594 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório O litígio posto a julgamento instaurouse pela impugnação a autos de infração lavrados em 30/08/2010, para exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), incidentes sobre lucros auferidos no exterior por controlada, que a fiscalização entendeu que deveriam ter sido adicionados ao lucro líquido, para fins de tributação, em 31/12/2005. Conforme consta dos Autos de Infração e do Termo de Verificação Fiscal, os lucros que deixaram de ser adicionados são os apurados por sua controlada (100% do capital) Usiminas International LTD., correspondentes ao período em que esta empresa esteve sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, país com o qual o Brasil não mantém acordo para evitar a dupla tributação. Esses lucros, no montante de R$ 239.582.495,40, foram apurados no Balanço Patrimonial da controlada levantado em 31 de outubro de 2005 e que serviu de base para avaliação da empresa utilizada em Assembleia Geral Extraordinária de 12 de dezembro de 2005, que decidiu pela transferência da sede da sociedade controlada para Luxemburgo, país este com o qual o Brasil mantém acordo para evitar a dupla tributação. Em impugnação tempestiva a interessada postulou a sustação do processo administrativo para aguardar o julgamento final pelo STF da Ação Declaratória de Inconstitucionalidade (ADI) nº 2.5881, na qual foi pedida a declaração de inconstitucionalidade do artigo 74 da MP nº 2.15835/ 2001, único fundamento legal da autuação, argumentando que a espera não causará qualquer perda ao Erário, pois não haverá decadência, visto que o lançamento já foi formalizado e o prazo prescricional está suspenso até o fim do processo administrativo. Argumentou que ainda que o artigo 74 da MP nº 2.15835/ 2001 seja considerado válido pelo STF, o dispositivo não se aplica ao caso dos autos, visto que o balanço patrimonial levantado em 31/10/2005 visou apenas à avaliação dos bens e direitos objeto da transferência de domicílio, que se fez sem a extinção da pessoa jurídica, não tendo a natureza de balanço fiscal, mas de balanço contábil gerencial. Disse que o balanço de 31/10/2005 não apurou em definitivo os lucros auferidos em 2005 pela controlada estrangeira, por se tratar de exercício ainda em curso e de transferência sem extinção de pessoa jurídica, e que a apuração do lucro em definitivo só se deu mais tarde, na forma da lei luxemburguesa. Assim, referido balanço não seria apto a disponibilizar os lucros à controladora brasileira na estrita conformidade do citado artigo 74. Alegou não fazer sentido que cada balanço levantado durante o exercício (e podem ser vários), acarrete a disponibilização dos lucros da sociedade estrangeira para a controlada ou coligada no Brasil. Enumerou quatro razões que entendem justificar a nãotributação dos lucros apurados em balanços intermediários levantados por controlada ou coligada no exterior, quais sejam: 1. o lucro de origem estrangeira deve ser adicionado ao lucro líquido da sociedade brasileira uma só vez ao ano e não tantas vezes quantos forem os balanços levantados para fins gerenciais; Fl. 611DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16643.000217/201074 Acórdão n.º 1301001.594 S1C3T1 Fl. 4 3 2. as demonstrações financeiras das controladas no exterior devem ser convertidas em reais, conforme artigo 6º, §3º, da IN/SRF nº 213/2002, na data de encerramento do período de apuração relativo às demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros, vale dizer, na data do balanço fiscal; 3. a menção do art. 25, §2º, I, da Lei nº 9.249/95 a “exercícios fiscais”, indica que o balanço de apuração dos lucros é o balanço fiscal, levantado ao final do exercício e não qualquer balanço intermediário; 4. a demonstração dos lucros apurados por controladas no exterior deverá ser efetuada segundo as normas da legislação brasileira, que fazem coincidir o período de incidência do imposto com o período de apuração do lucro, isto é, o balanço fiscal com o exercício fiscal. Disse não ter restado caracterizada nenhuma das hipóteses de disponibilização enumeradas nos parágrafos do art. 2º da IN/SRF nº 213/2002, já que não houve liquidação da impugnante (§ 1º), nem encerramento das atividades da Usiminas International Ltd. (§ 2º), nem absorção do patrimônio desta última por empresa sediada no Brasil (§ 3º) ou no exterior (§ 5º), cisão de qualquer das empresas (§ 4º) ou alienação do patrimônio da controlada estrangeira ou da participação societária que a impugnante detém nela. Afirmou ter ocorrido apenas a mudança de domicílio da controlada, sem extinção de sua personalidade jurídica e sem qualquer interrupção de sua existência, pois tanto a lei das Ilhas Virgens Britânicas quanto a lei de Luxemburgo permite a redomiciliação de sociedades sem a necessidade de sua extinção no Estado de origem e a constituição de nova pessoa jurídica no Estado de destino, e sem a antecipação do encerramento do exercício social; Argumentou que ainda que, forçadamente, se equipare a mera adequação dos estatutos às exigências locais a transformação societária (o que de fato não ocorreu, pois não houve mudança do tipo societário), isto não representa encerramento do exercício e consequente recolhimento de imposto, já que a legislação não pode conferir tratamento mais severo às empresas no exterior se no Brasil isto não ocorre no caso de transformação de sociedade. Alegou que os lucros auferidos no exterior por meio da Usiminas International (primeiro domiciliada nas Ilhas Virgens Britânicas e depois em Luxemburgo) consideramse disponibilizados à controladora no Brasil somente em 31/12/2005, quando do encerramento do exercício e levantamento do balanço fiscal da controlada no exterior, momento em que o domicílio da controlada era Luxemburgo, país com o qual o Brasil mantém acordo para evitar a dupla tributação (Decreto Legislativo nº 78/79 e Decreto nº 85.851/80), cuja supremacia sobre o artigo 74 da MP nº 2.15835/2001 foi reconhecido pela própria Receita. A 1ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo julgou improcedente a impugnação, conforme Acórdão 1630.541, de 29 de março de 2011, assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 Ementa: Fl. 612DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16643.000217/201074 Acórdão n.º 1301001.594 S1C3T1 Fl. 5 4 AÇÃO DECLARATÓRIA DE INCONSTITUCIONALIDADE. SUSPENSÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. O processo administrativo fiscal deve prosseguir ainda que pendente decisão do Supremo Tribunal Federal em ação na qual foi pedida a declaração de inconstitucionalidade de norma que é fundamento legal do lançamento tributário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2005 TRIBUTAÇÃO EM BASES UNIVERSAIS. EMPRESA CONTROLADA. TRANSFERÊNCIA INTERNACIONAL DE DOMICÍLIO. BALANÇO INTERMEDIÁRIO. TRATADO PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. São tributáveis os lucros apurados por empresa domiciliada no exterior controlada por empresa domiciliada no Brasil apurados em balanço levantado para operacionalizar a transferência internacional de domicílio da empresa controlada, quando constatado que não estão abarcados por Tratado para Evitar a Dupla Tributação celebrado entre o Brasil e o país de novo domicílio da empresa controlada. Ciente da decisão em 17 de outubro de 2011, a interessada ingressou com recurso em 16 de novembro seguinte, não renovando a preliminar e reeditando as razões de mérito declinadas frente à primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator. O recurso é tempestivo e em conformidade com as disposições legais e regimentais pertinentes. Dele conheço. Conforme se depreende do relatório, o litígio posto a julgamento gira em torno da tributação de lucros auferidos no exterior por intermédio de controlada. Os lucros que são objeto de tributação são os auferidos no anocalendário de 2005 por intermédio da controlada Usiminas International Ltd. (100% do capital), sociedade constituída em 07 de abril de 2000 nas Ilhas Virgens Britânicas. Ocorre que, após o processo ser pautado para julgamento, veio a mim petição protocolada perante o CARF, na qual o contribuinte, em face da competência estabelecida na Portaria Derat n. 311/2011, vem desistir integralmente do recurso apresentado, para inclusão do referido processo no Parcelamento instituído pelo art. 40 da Lei n. 12.865/2013. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 16643.000217/201074 Acórdão n.º 1301001.594 S1C3T1 Fl. 6 5 Em vista da desistência total do recurso apresentado, o mesmo perde seu objeto, razão porque, não conheço do recurso. É como voto. Sala das Sessões, em 31 de julho de 2014 (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 614DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 10880.909835/2006-16
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/1998 a 31/07/2003
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE GENÉRICA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação quando o contribuinte não se desincumbe a contento de sua tarefa. Soma-se à fragilidade do conjunto probatório a desorganização da defesa que juntou todos os documentos em um processo, patrocinando uma espécie de manifestação de inconformidade genérica, onde o julgador é quem deve procurar a prova para cada um dos créditos postulados.
Numero da decisão: 3803-006.414
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Jorge Victor Rodrigues que convertia o julgamento em diligência.
Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 27/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Samuel Luiz Manzotti Riemma, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE GENÉRICA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação quando o contribuinte não se desincumbe a contento de sua tarefa. Somase à fragilidade do conjunto probatório a desorganização da defesa que juntou todos os documentos em um processo, patrocinando uma espécie de manifestação de inconformidade genérica, onde o julgador é quem deve procurar a prova para cada um dos créditos postulados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Jorge Victor Rodrigues que convertia o julgamento em diligência. Corintho Oliveira Machado Presidente e Relator. EDITADO EM: 27/10/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 98 35 /2 00 6- 16 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/10 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Samuel Luiz Manzotti Riemma, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Tratase de Despacho Decisório que não homologa Declaração de Compensação (fl 1). A razão foi a falta de crédito pois o pagamento no Darf indicado (data: 31/08/00 ; receita: 8109 – Pis) foi todo usado para quitar débitos e não restou saldo passível para a compensação declarada (Pis agosto de 2003; valor: 1.152,08;fl 9 ). A base legal foram os artigos 165 e 170, do CTN, e o artigo 74, da Lei 9.430/96. Em 31/7/2008 ocorreu a ciência da decisão (fl 4). Há várias declarações de compensação do Pis de agosto de 2003 (processadas separadamente). Por isso, em 27/8/2008, houve manifestação de inconformidade (processo 10.880.909811/200667) reproduzida nos demais (fl 12 e ss), na qual a defesa pede a apensação de processos afins, para análise conjunta da defesa e das provas e argui: a) nulidade, pela falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos; b) devem ser apreciados os documentos ora juntados, sob pena de cerceamento; c) no mérito, ter recolhido indevidamente Pis e Cofins de setembro de 1998 a julho de 2003 sobre produtos em bonificação (sem auferir receita), que não geravam obrigação fiscal, pois não eram vendas. Ao final, requer emissão de novo Despacho e/ou homologação das compensações deste e dos procedimentos que pleiteia anexar. Apensa documentos da representação processual e societários. No processo 10880.909811/200667 foram juntadas cópias de notas fiscais de bonificações, apurações mensais, planilhas dos alegados indébitos e demonstrativos contábeis. A DRJ em São Paulo I/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade ficando a decisão assim ementada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Fl. 185DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/10 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.909835/200616 Acórdão n.º 3803006.414 S3TE03 Fl. 3 3 Período de apuração: 01/10/1998 a 31/07/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Quando o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não cabe falar em nulidade. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento de defesa quando o contribuinte é regularmente cientificado do despacho decisório, sendolhe possibilitada a apresentação de manifestação de inconformidade no prazo legal. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total do pagamento indicado a um débito do próprio interessado expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação e é circunstância apta a embasar a nãohomologação de compensação. A alegação da existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar decisão não homologatória de declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde abandona os argumentos da manifestação de inconformidade e diz que a premissa utilizada pelo julgador a quo, de que as bonificações concedidas em mercadorias somente serão excluídas da receita bruta, para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando se caracterizarem como descontos incondicionais concedidos, está equivocada, e sustenta a tese de que a bonificação em mercadoria concedida pela empresa vendedora, sem vinculação a operação de venda e tampouco vinculada a operação futura, sem caracterização de desconto incondicional também deve ser excluída da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins; ao final, requer a homologação da compensação sub analisis. Junta trechos de contratos comerciais entre a recorrente e compradores e notas fiscais de bonificação de produtos. A Repartição de origem encaminhou os presentes autos para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para fins de julgamento. Relatado, passase ao voto. Voto Fl. 186DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/10 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. À míngua de preliminares, passase desde logo ao mérito. Ao contrário do sustentado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, penso que assiste razão à recorrente quando afirma que a bonificação de mercadorias, mesmo quando desvinculada das operações de venda, deve ser excluída da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Inclusive esse é o entendimento da Administração Tributária na 8ª RF, vide Solução de Consulta abaixo: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 130, DE 3 DE MAIO DE 2012 (8ª Região Fiscal) D.O.U.: 26.06.2012 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS VINCULADAS A OPERAÇÃO DE VENDA. As bonificações em mercadorias, quando vinculadas á operação de venda, concedidas na própria Nota Fiscal que ampara a venda, e não estiverem vinculadas á operação futura, por se caracterizarem como redutoras do valor da operação, constituemse em descontos incondicionais, previstos na legislação de regência do tributo como valores que não integram a sua base de cálculo e, portanto, para sua apuração, podem ser excluídos da base cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A TÍTULO GRATUITO, DESVINCULADAS DE OPERAÇÃO DE VENDA. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e definida legalmente como o valor do faturamento, entendido este como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Nos casos em que a bonificação em mercadoria é concedida por liberalidade da empresa vendedora, sem vinculação a operação de venda e tampouco vinculada a operação futura, não há como caracterizála como desconto incondicional, pois não existe valor de operação de venda a ser reduzido. Por não haver atribuição de valor, pois que a Nota Fiscal que acompanha a operação tem natureza de gratuidade, natureza jurídica de doação, não há receita e, portanto, não há que se falar em fato gerador do tributo, pois a receita bruta não será auferida. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/10 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.909835/200616 Acórdão n.º 3803006.414 S3TE03 Fl. 4 5 Dessa forma, a bonificação em mercadorias, de forma gratuita, não integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. Dispositivos Legais: Artigo 195 da CF/88; Artigo 1º Lei nº 10.637, de 2002 e Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS VINCULADAS A OPERAÇÃO DE VENDA. As bonificações em mercadorias, quando vinculadas á operação de venda, concedidas na própria Nota Fiscal que ampara a venda, e não estiverem vinculadas á operação futura, por se caracterizarem como redutoras do valor da operação, constituemse em descontos incondicionais, previstos na legislação de regência do tributo como valores que não integram a sua base de cálculo e, portanto, para sua apuração, podem ser excluídos da base cálculo da Cofins. BASE DE CÁLCULO . BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A TÍTULO GRATUITO, DESVINCULADAS DE OPERAÇÃO DE VENDA. A base de cálculo da Cofins é definida legalmente como o valor do faturamento, entendido este como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Nos casos em que a bonificação em mercadoria é concedida por liberalidade da empresa vendedora, sem vinculação a operação de venda e tampouco vinculada a operação futura, não há como caracterizála como desconto incondicional, pois não existe valor de operação de venda a ser reduzido. Por não haver atribuição de valor, pois que a Nota Fiscal que acompanha a operação tem natureza de gratuitade, natureza jurídica de doação, não há receita e, portanto, não há que se falar em fato gerador do tributo, pois a receita bruta não será auferida. Dessa forma, a bonificação em mercadorias, de forma gratuita, não integra a base de cálculo da Cofins. Dispositivos Legais: Artigo 195 da CF/88; Artigo 1º Lei nº 10.833, de 2003 e Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982. EDUARDO NEWMAN DE MATTERA GOMES Chefe Todavia, posto que concordando com a tese da recorrente, não vislumbro como reconhecer o seu pleito no caso vertente, porquanto as provas carreadas aos autos, mesmo que aceitas as trazidas agora em sede de recurso voluntário (excertos de contratos comerciais entre a recorrente e compradores e notas fiscais de bonificação de mercadorias), não Fl. 188DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/10 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 são hábeis para comprovar o alegado direito creditório na forma requerida pela legislação. Notese que a decisão guerreada já mencionava: Com relação aos demais documentos que consubstanciariam o recolhimento indevido, no processo 10880.909811/200667 a defesa junta cópias de: apurações mensais (e.g. fl 39); demonstrativos contábeis (e.g. fl 40) e planilhas de tributos apurados (e.g. fl 80, Cofins). As apurações mensais de créditos e débitos Pis e Cofins (e.g. fl 39) parecem agrupar distintos estabelecimentos (001, 067, 106 107) e as parcelas devidas por tipos de operação: “Mercado Interno”; “Diversos”; “Freegoods” bem como mostrar que houve um recolhimento de Pis e um de Cofins (não trouxe cópias dos Darf’s). Há demonstrativos contábeis praticamente ilegíveis (e.g. fls 40 e 355) ou que não indicam quaisquer datas ou períodos de referência dos dados apresentados (e.g. fl 174). Os dados contábeis também não permitem concluir pela verossimilhança das alegações, pois não são trazidos registros específicos das operações. A planilha de tributos apurados por nota fiscal é mensal e cita Cofins nas duas colunas, mas uma delas deve ser de Pis (fl 80). As demais planilhas não têm os títulos nas colunas, mas com base na primeira, podese inferir o que os dados representam (e.g. fl 156). Não foram trazidos elementos comprobatórios oriundos de outros livros (Diário ou Razão, regularmente formalizados). Portanto, os demais documentos apensados não possuem o teor comprobatório suficiente. Somase à fragilidade do conjunto probatório a desorganização da defesa que juntou todos os documentos em um processo, patrocinando uma espécie de manifestação de inconformidade genérica, onde o julgador é quem deve procurar a prova para cada um dos créditos postulados. Tal desorganização continuou em nível de recurso à segunda instância. Ora, o ônus de provar in casu é do contribuinte que alega o crédito. Vale rememorar que a prova aqui seria de que a bonificação em mercadorias integrou a base de cálculo da contribuição paga a maior ou indevidamente. Os documentos deviam estar separados por processo, individualizados, e didaticamente explicitados nas respectivas manifestação de inconformidade e recurso voluntário, sob pena de não serem inteligíveis ao órgão judicante administrativo. Certamente que não é tarefa do julgador debruçarse sobre todos os documentos juntados e pinçar quais pertencem a cada um dos processos compensatórios da recorrente, e mais, quais seriam atinentes a cada operação supostamente geradora de crédito. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/10 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.909835/200616 Acórdão n.º 3803006.414 S3TE03 Fl. 5 7 Ante o exposto, voto pelo DESPROVIMENTO do recurso voluntário. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 190DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 29/10 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 13981.000053/2005-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/01/2005, 31/03/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO PARCIAL.
O reconhecimento da certeza e liquidez de parte do crédito financeiro informado na Dcomp implica homologação das compensações dos débitos tributários declarados até o limite do valor suplementar reconhecido na fase recursal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Mantém-se a glosa dos créditos apurados sobre os custos/despesas com demais insumos por falta de identificação de suas naturezas e da demonstração de seus empregos no processo produtivo.
CRÉDITO. JUROS/MULTAS. PAGAMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA.
As despesas com juros moratórios e multa de mora incidentes no pagamento, a destempo, da conta de energia elétrica, consumida no processo produtivo, não geram créditos passíveis de desconto da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral.
CRÉDITO. DESPESA. ARRENDAMENTO MERCANTIL. APROVEITAMENTO. PROVA. INEXISTÊNCIA. VEDAÇÃO.
É vedado o aproveitamento de créditos sobre despesa de arrendamento mercantil, para as qual não foi comprovada sua vinculação com o bem arrendado e a respectiva despesa incorrida, no período mensal e, ainda, sua correlação com o valor informado no Dacon.
CRÉDITO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÕES. APROVEITAMENTO.
Os encargos de depreciação de bens utilizados no processo produtivo (exaustores, ventiladores de transporte, filtros de manga; e ciclones) geram créditos da contribuição.
CRÉDITO. INSUMO. IMPORTAÇÃO. REQUISITO. APROVEITAMENTO. CONDIÇÃO.
O aproveitamento de crédito sobre importação de bens está condicionado ao atendimento dos requisitos fixados na legislação, sendo que, em relação à importação de máquinas e equipamentos, o crédito deve ser apurado sobre os encargos de depreciação e não sobre o custo de aquisição do bem.
Numero da decisão: 3301-002.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. A conselheira Fábia Regina Freitas se declarou impedida.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Márcio Canuto Natal e Antônio Mário de Abreu Pinto.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/01/2005, 31/03/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. O reconhecimento da certeza e liquidez de parte do crédito financeiro informado na Dcomp implica homologação das compensações dos débitos tributários declarados até o limite do valor suplementar reconhecido na fase recursal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Mantém-se a glosa dos créditos apurados sobre os custos/despesas com demais insumos por falta de identificação de suas naturezas e da demonstração de seus empregos no processo produtivo. CRÉDITO. JUROS/MULTAS. PAGAMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA. As despesas com juros moratórios e multa de mora incidentes no pagamento, a destempo, da conta de energia elétrica, consumida no processo produtivo, não geram créditos passíveis de desconto da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. CRÉDITO. DESPESA. ARRENDAMENTO MERCANTIL. APROVEITAMENTO. PROVA. INEXISTÊNCIA. VEDAÇÃO. É vedado o aproveitamento de créditos sobre despesa de arrendamento mercantil, para as qual não foi comprovada sua vinculação com o bem arrendado e a respectiva despesa incorrida, no período mensal e, ainda, sua correlação com o valor informado no Dacon. CRÉDITO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÕES. APROVEITAMENTO. Os encargos de depreciação de bens utilizados no processo produtivo (exaustores, ventiladores de transporte, filtros de manga; e ciclones) geram créditos da contribuição. CRÉDITO. INSUMO. IMPORTAÇÃO. REQUISITO. APROVEITAMENTO. CONDIÇÃO. O aproveitamento de crédito sobre importação de bens está condicionado ao atendimento dos requisitos fixados na legislação, sendo que, em relação à importação de máquinas e equipamentos, o crédito deve ser apurado sobre os encargos de depreciação e não sobre o custo de aquisição do bem.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. REJEIÇÃO. Rejeitase o pedido de diligência prescindível ao julgamento das questões de mérito. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO. EMBALAGEM. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos com aquisições de etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço integram o custo dos produtos fabricados e exportados pela recorrente, gerando créditos passíveis de desconto da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. CRÉDITO. DEMAIS INSUMOS. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO. GLOSA. Mantémse a glosa dos créditos apurados sobre os custos/despesas com demais insumos por falta de identificação de suas naturezas e da demonstração de seus empregos no processo produtivo. CRÉDITO. JUROS/MULTAS. PAGAMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA. As despesas com juros moratórios e multa de mora incidentes no pagamento, a destempo, da conta de energia elétrica, consumida no processo produtivo, não geram créditos passíveis de desconto da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. CRÉDITO. DESPESA. ARRENDAMENTO MERCANTIL. APROVEITAMENTO. PROVA. INEXISTÊNCIA. VEDAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 1. 00 00 53 /2 00 5- 99 Fl. 551DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 24 /06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 É vedado o aproveitamento de créditos sobre despesa de arrendamento mercantil, para as qual não foi comprovada sua vinculação com o bem arrendado e a respectiva despesa incorrida, no período mensal e, ainda, sua correlação com o valor informado no Dacon. CRÉDITO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÕES. APROVEITAMENTO. Os encargos de depreciação de bens utilizados no processo produtivo (exaustores, ventiladores de transporte, filtros de manga; e ciclones) geram créditos da contribuição. CRÉDITO. INSUMO. IMPORTAÇÃO. REQUISITO. APROVEITAMENTO. CONDIÇÃO. O aproveitamento de crédito sobre importação de bens está condicionado ao atendimento dos requisitos fixados na legislação, sendo que, em relação à importação de máquinas e equipamentos, o crédito deve ser apurado sobre os encargos de depreciação e não sobre o custo de aquisição do bem. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/01/2005, 31/03/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. O reconhecimento da certeza e liquidez de parte do crédito financeiro informado na Dcomp implica homologação das compensações dos débitos tributários declarados até o limite do valor suplementar reconhecido na fase recursal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. A conselheira Fábia Regina Freitas se declarou impedida. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Márcio Canuto Natal e Antônio Mário de Abreu Pinto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ em Florianópolis (SC) que julgou parcialmente procedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que homologou, em parte, as compensações dos débitos Fl. 552DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 24 /06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13981.000053/200599 Acórdão n.º 3301002.329 S3C3T1 Fl. 552 3 fiscais declarados nas Declarações de Compensação (Dcomp) às fls. 132 e às fls. 134, ambas apresentadas em 16/06/2005, com saldo credor de créditos básicos da Cofins não cumulativa, apurado para o 4º trimestre de 2004, decorrentes de exportações. A Delegacia da Receita Federal em Joaçaba (SC) homologou, em parte, as compensações declaradas sob o fundamento de insuficiência do crédito financeiro reconhecido à recorrente, por força das glosas efetuadas, conforme Parecer Fiscal às fls. 355/380 e Despacho Decisório às fls. 381/382. Inconformada com a aquele despacho decisório, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 429/444), insistindo na homologação integral, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: (a) Da glosa referente a insumos embalagens: A contribuinte alega que para efetuar a comercialização de seus produtos – madeiras e seus artefatos, entre outros – é necessária a embalagem, realizada por meio de insumos adquiridos para esta finalidade, tais como chapas de papelão ondulado, etiqueta adesiva, cantoneiras, caixas plásticas etc. Explica que os insumos glosados são etiquetas adesivas (legalmente exigidas para produtos destinados ao exterior e coladas na madeira), chapa de papelão ondulado (utilizado como proteção do produto embalado), as cantoneiras (utilizadas para proteção), filme stretch (utilizado para amarrar o pacote) e fita de aço (utilizada na embalagem com a finalidade de amarrar/prender o pacote). Conclui a contribuinte que, como tais produtos compõem o produto final, devem ser passíveis de creditamento. (b) Da glosa referente a despesas com energia elétrica – créditos extemporâneos: A contribuinte alega que a legislação não estabelece quaisquer vedações ao direito de crédito das despesas com energia elétrica em sua totalidade. E, em relação aos créditos extemporâneos atinentes à energia elétrica, glosados pela autoridade fiscal por se referirem a meses anteriores, não pode prosperar, uma vez que não há qualquer restrição temporal no texto legal, exceto os já conhecidos como o da decadência. (c) da glosa dos encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado: A contribuinte alega que os documentos acostados aos autos, durante o procedimento fiscal, se mostram suficientemente válidos para os fins probatórios a que se destinam – contratos de arrendamento mercantil e notas fiscais, haja vista ser possível estabelecer relação de pertinência com os valores demonstrados no Dacon correspondente. Defende que a exigência da memória e cálculo e esclarecimentos complementares não possuem suporte legal. Quanto à extemporaneidade dos créditos, argumenta que o §4° do artigo 3° da Lei n°10.833/2003 permite o creditamento da Cofins, não fazendo qualquer restrição temporal ao direito de crédito. (d) da glosa dos encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado: A contribuinte argumenta que: [...] tendo em vista que foi permitido o aproveitamento de crédito das contribuições sobre máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda (ativo imobilizado), bem como pela lisura dos procedimentos adotados Fl. 553DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 24 /06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 pela Manifestante em relação a tomada destes créditos, deve ser revista a decisão final para fins de alteração, reconhecendo o direito creditório da Manifestante em relação a estes bens que participam diretamente do processo produtivo. (e) da glosa dos créditos a descontar na importação: A contribuinte alega que a glosa é indevida, tendo em vista a existência do direito de crédito oriundo do artigo 15 da Lei n°10.865/2004, conforme documentos que juntará aos autos. Em aditamento à manifestação de conformidade, às folhas 425 a 434, a contribuinte traz aos autos cópia de Notas Fiscais (por amostragem) e o Livro de Registro de Entradas; no qual os materiais de embalagem foram lançados sob o código de "compra para industrialização ou produção rural" ou "compra para industrialização ou produção rural – mercadorias provenientes de outros Estados", a fim de caracterizar os materiais de embalagem como insumos, nos termos do artigo 3° da Lei n° 10.637/02. Junta, ainda, as Fichas Técnicas dos produtos comercializados, os quais compreendem todas as mercadorias acobertadas pelas notas fiscais glosadas pela autoridade fiscal. No tópico denominado Dos demais bens utilizados como insumos, a contribuinte argumenta que o fundamento da glosa efetuada pela autoridade fiscal – que a aquisição de bens foi genericamente descrita – carece de suporte fático e jurídico. Explica que o fundamento é impreciso, sendo defeso à autoridade fiscal utilizar argumentos evasivos, em vista do princípio da verdade material; que a autoridade fiscal deve exaurir todos os meios de prova. Conclui a contribuinte: Contudo, a fim de liquidar por vezes a presente discussão, acentua a Manifestante que os documentos referidos no tópico antecedente, de igual forma corroboram a insubsistência da glosa alicerçada no citado fundamento, na medida em que as Notas Fiscais e Fichas Técnicas dos produtos (anexas) constituem elementos mais que suficientes para descrevêlos e caracterizálos como insumos, porquanto, passíveis do desconto de créditos tal como procedido pela Manifestante. Sob o título – Das despesas com arrendamento mercantil, a contribuinte alega que com a juntada dos comprovantes de pagamentos relativos à contraprestação de arrendamento mercantil, em anexos, o fundamento da glosa não mais existe. Repete que a legislação não determina a apresentação de memórias de cálculo, para fazer jus ao respectivo direito creditório. Em Do crédito a descontar referente ao ativo imobilizado, a contribuinte alega que os bens – sistema elevadores de carga de madeira e sistema de aspiração e transporte de partículas – caracterizamse pela essencialidade no processo de produção. A contribuinte detalha a função de cada equipamento dos citados sistemas no processo produtivo da empresa. Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua procedente, em parte, conforme Acórdão nº 0720.014, datado de 21/05/2010, às fls. 500/534, sob as seguintes ementas: “PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 24 /06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13981.000053/200599 Acórdão n.º 3301002.329 S3C3T1 Fl. 553 5 No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade os valores gastos com o consumo de eletricidade, não sendo considerados créditos os valores pagos a outro título as empresas concessionárias de energia elétrica. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime da nãocumulatividade, a pessoa jurídica poderá descontar créditos, a título de depreciação, calculados em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado que estejam diretamente associados ao processo produtivo de bens destinados à venda. REGIME NÃOCUMULATIVO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. TRATAMENTO DOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. No regime da nãocumulatividade, a repetição/compensação de créditos não aproveitados à época própria (créditos extemporâneos) deve ser precedida da revisão da apuração confronto entre créditos e débitos do período a que pertencem tais créditos. Assim, os créditos extemporâneos devem ser pleiteados em procedimentos repetitórios referentes aos períodos específicos a que pertencem.” Intimada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (536/549) requerendo a sua reforma, a fim que se homologue, na íntegra, as compensações declaradas, alegando, em síntese, que, nos termos da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, art. 3º, faz jus aos créditos apurados sobre os custos/despesas com aquisições de (i) embalagem (etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço; (ii) demais insumos, sob o argumento de que os vários documentos juntados aos autos são suficientes para caracterizálos como insumos e que as notas fiscais emitidas pelas empresas Dratec Ind. e Fl. 555DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 24 /06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Com. e Tintas Ltda. e pela Ferramentas Gerais Com. e Imp. S/A, erroneamente consideradas como sendo de dezembro, na verdade, eram de novembro de 2004, assim, seus créditos não podem ser desconsiderados; (iii) energia elétrica, porque a glosa sobre as despesas com multa e juros moratórios sobre seu pagamento, a destempo, não procede, pois não devem ser considerados isoladamente e sim pelo total pago; (iv) arrendamento mercantil, os documentos apresentados são suficientes e válidos para comprovar o montante do crédito requerido, assim a ausência de memórias de cálculo não inviabiliza seu aproveitamento, bastando a apresentação dos contratos, notas fiscais e/ ou comprovantes de pagamentos. (v) encargos de depreciações, tendo em vista que os bens (26 exaustores, 4 ventiladores de transporte, 4 filtros de manga e 4 ciclones instalados sobre silos para armazenagem de partículas de madeiras) são utilizados no seu processo produtivo; e, (vi) importações de insumos cujos valores foram glosados sob o fundamento de que não foram apresentados documentos comprovando a origem, contudo tal glosa é indevida, uma vez que no despacho decisório foi confirmado o pagamento do valor. E caso, não seja esse o entendimento desta Turma, requereu a baixa dos autos em diligência, para que seja verificada a real situação dos créditos envolvidos. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. A recorrente solicitou a baixa dos autos, em diligência, para que a autoridade preparadora verifique a real situação dos créditos reclamados. No presente caso, conforme se verifica do Parecer às fls. 355/380 e da decisão recorrida, tanto a autoridade administrativa como a julgadora de primeira instância examinaram a documentação apresentada. Caberia à recorrente ter identificado a natureza de cada insumo cujo crédito foi glosado e, ainda, demonstrado sua utilização no seu processo produtivo. Além disto, o deferimento de pedido de diligência está condicionado ao atendimento do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, que assim dispõe: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...]; IV as diligências, ou perícias que o impugnaste pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 24 /06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13981.000053/200599 Acórdão n.º 3301002.329 S3C3T1 Fl. 554 7 [...]. Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso.” A recorrente atendeu, em parte, os requisitos elencados no inciso IV, citado e transcrito acima, informando, de forma genérica o objetivo da diligência, ou seja, “com intuito de que seja verificada a real situação dos créditos envolvidos”. Assim rejeitase diligência requerida. No mérito, as questões opostas nesta fase recursal se restringem às glosas dos créditos sobre os custos/despesas com (i) etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço; (ii) demais insumos; (iii) juros moratórios e multa de mora; e (iv) arrendamento mercantil; (v) encargos de depreciações; e (vi) importações. A Lei nº 10.833. de 29/12/2003, que instituiu o regime não cumulativo para a Cofins, assim dispõe quanto aos créditos e ressarcimento: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: [...]; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; [...]. V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]. § 2o Não dará direito a crédito o valor: Fl. 557DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 24 /06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 [...]; II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. [...]. Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (Produção de efeito) I exportação de mercadorias para o exterior; [...]. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. [...].” Posteriormente, a Lei nº 10.865, de 30/04/2004, instituiu a exigência de PIS e Cofins sobre importações, assim dispondo: “Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: [...]; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; [...]; Fl. 558DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 24 /06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13981.000053/200599 Acórdão n.º 3301002.329 S3C3T1 Fl. 555 9 § 5o Para os efeitos deste artigo, aplicamse, no que couber, as disposições dos §§ 7o e 9o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Assim, passemos a análise de cada uma das rubricas cujos valores foram glosados: (i) etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço. Tratase de bens que integram o custo final do produto fabricado e exportado pela recorrente. Assim, nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, citados e transcritos anteriormente, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. Portanto, os valores apurados pela recorrente sobre tais custos e glosados pela Fiscalização deverão restabelecidos e utilizados na Dcomp em discussão. (ii) demais insumos. Em seu recurso voluntário, a recorrente não identificou tais insumos nem demonstrou seus empregos no seu processo produtivo; se limitando à alegação de que juntou vários documentos que, segundo seu entendimento, constituem elementos suficientes para caracterizar tais bens como insumos, nos termos do dispositivo legal citado no item (i) acima. Contudo, tais documentos não permitem identificar suas natureza nem suas utilizações no seu processo produtivo, Caberia a ela ter elaborado uma planilha identificando cada um deles, informando: valor de aquisição; nota fiscal; vida útil; e, seus empregos no processo produtivo, ou seja, em que fase do processo são empregados e qual a finalidade especifica de cada um. Como não o fez, as glosas devem ser mantidas. Ainda, neste tópico, ao contrario do alegado pela recorrente, a Fiscalização não glosou créditos de notas fiscais de dezembro de 2004, emitidas pela Dratec Ind. e Com. e Tintas Ltda. e pela Ferramentas Gerais Com. e Imp. S/A, pelo fato de serem de novembro de 2004. Contudo, conforme consta da decisão recorrida (fls. 372), os valores demonstrados no mês de dezembro foram realocados para os meses de outubro e novembro, em face do princípio da competência. (iii) juros moratórios e multa de mora. A recorrente defende o aproveitamento de crédito apurado sobre despesas incorridas com juros de mora e multa mora, incidentes sobre pagamentos, a destempo, de energia elétrica sob o argumento de que integram o custo total desse insumo. Ao contrário do seu entendimento, tais despesas não integram o custo da energia elétrica utilizado no processo produtivo nem geram créditos da contribuição, nos termos do inciso II do § 2º do art. 3º, da Lei nº 10.833. de 2003, citados anteriormente. Somente geram créditos os custos e despesas de bens/serviços sujeitos ao pagamento da contribuição. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 24 /06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 (iv) arrendamento mercantil. A glosa sobre o valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica teve como fundamento a insuficiência de provas. Intimada, a recorrente apresentou notas fiscais e contratos, sem contudo, apresentar memória de cálculo que permitisse comprovar a vinculação dos valores constantes dos documentos apresentados com os valores informados no Dacon, ou seja, com as despesas sobre as quais foram apurados os créditos. Na manifestação de inconformidade, a recorrente apresentou apenas e tão somente boletos bancários que, no entanto, não permitem fazer vinculação com os contratos de arrendamento mercantil ou com as notas fiscais das despesas e respectivos bens cujos créditos foram glosados. Nesta fase recursal, a recorrente não apresentou nenhum outro documento. Caberia a ela, no mínimo, ter apresentado planilha, contendo: descrição do bem arrendado, contrato, nota fiscal, custo, amortizações mensais, ficha do livro Razão com as respectivas escriturações, o que permitiria comprovar as despesas incorridas em cada mês e com cada bem arrendado. Assim, a glosa sobre tais despesas deve ser mantida. (v) encargos de depreciações. Nos termos do inciso III do § 1º, c/c o inciso VI, todos do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, citados e transcritos anteriormente, os encargos de depreciação das máquinas, equipamentos, utilizados na produção dos bens destinados a venda, incorridos no mês, geram créditos da contribuição. No presente caso, os encargos de depreciação cujos créditos foram glosados, se referem a equipamentos utilizados no processo produtivo da recorrente, conforme se conclui de suas identificações e finalidades descritas nos autos. A recorrente tem como atividade econômica a industrialização de madeira, produzindo diversos produtos, dentre eles, aglomerados, compensados, placas de MDF, móveis, etc. Assim, os valores das glosas sobre os encargos e depreciação referentes a: exaustores (26); ventiladores de transporte (4); filtros de manga (4); e ciclones (4) instalados sobre silos para armazenagem de partículas de madeiras, devem restabelecidos. (vi) importações. De acordo com o inciso II do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30/04/2002, citados e transcritos anteriormente, a pessoa jurídica pode descontar crédito da contribuição, em relação às importações sujeitas ao seu pagamento, desde que seja insumo utilizado no seu processo produtivo. No presente caso, a Fiscalização glosou o crédito apurado sobre essa rubrica sob o fundamento de que a recorrente não comprovou que a importação realizada se enquadra naquele dispositivo legal. Ainda, segundo a decisão recorrida, o crédito glosado se refere à importação de máquina e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, cujo direito ao crédito deve ser apurado sobre os respectivos encargos de depreciação e não sobre o custo de aquisição. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 24 /06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13981.000053/200599 Acórdão n.º 3301002.329 S3C3T1 Fl. 556 11 Assim, a glosa deve ser mantida. Quanto à homologação da compensação dos débitos fiscais declarados nas Dcomp em discussão, segundo a Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, aquela está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. No presente caso, conforme demonstrado anteriormente, a recorrente faz jus a crédito financeiro suplementar, reconhecido nesta fase recursal. Assim, compete a autoridade administrativa apurar os créditos da contribuição, nos termos desta decisão, e homologar as compensações declaradas até o limite apurado. Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito de a recorrente apurar créditos da contribuição sobre: a) os custos incorridos com aquisições de etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço; e, b) sobre os encargos de depreciação de exaustores (26); ventiladores de transporte (4); filtros de manga (4); e ciclones (4) instalados sobre silos para armazenagem de partículas de madeiras, cabendo à autoridade administrativa recalcular os créditos, apurar o saldo credor trimestral passível de ressarcimento/compensação e homologar as compensações declaradas nas Dcomp, em discussão, até o limite apurado, exigindo possível saldo remanescente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 561DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 24 /06/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10880.676034/2009-10
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO.
Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, e, não havendo análise, pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantitativo do direito creditório alegado e compensação objeto do PERDCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório
Numero da decisão: 1803-002.395
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso
(assinado digitalmente)
CARMEN FERREIRA SARAIVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, ANTÔNIO MARCOS SERRAVALLE SANTOS, MEIGAN SACK RODRIGUES e FERNANDO FERREIRA CASTELLANI.
Nome do relator: ARTHUR JOSE ANDRE NETO
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PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, e, não havendo análise, pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantitativo do direito creditório alegado e compensação objeto do PERDCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso (assinado digitalmente) CARMEN FERREIRA SARAIVA Presidente. (assinado digitalmente) ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 60 34 /2 00 9- 10 Fl. 483DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, ANTÔNIO MARCOS SERRAVALLE SANTOS, MEIGAN SACK RODRIGUES e FERNANDO FERREIRA CASTELLANI. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto em face de Acórdão prolatado pela Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade em razão de ter efetuado pagamentos a maior das estimativas mensais que foram recolhidas no decorrer do ano fiscal. 2. Contra a contribuinte acima identificada ressaltese, de inicio, que o crédito aqui posto não decorre de um mero recolhimento corriqueiro de Estimativa que se mostrou a maior no fim do anocalendário, mas sim de recolhimento feito em montante superior à Estimativa efetivamente devida. 3. Conforme Relatório Fiscal , a IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2005, acabou com a vedação de utilização de antecipação a título de estimativa de IRPJ ou CSLL, antes de findo o período de apuração a que se refere , mantendoa apenas para a pessoa jurídica que sofre retenção, diferente do comando contido nas IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, e nº 600, de 28 de Dezembro de 2005, Cuja vedação alcançava também a pessoa jurídica “ que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou CSLL a titulo de estimativa mensal.” 4. Tempestivamente, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, em 7/09/2009, com a impugnação de fls.12/27. 5. A DRJ de São Paulo prolatou acórdão que entendeu pela improcedência das compensações em questão, com fundamento na vedação prevista no artigo 10 da IN SRF n° 450/2004 e reproduzida na IN 600/2005, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA Jurídica— IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2005 Ementa: PAGAMENTOS INDEVIDOS OU A MAIOR DE ESTIMATIVAS A edição da IN SRF n° 460/2004, publicada em 29/10/2004, determinou em seu art. 10 que os recolhimentos a maior ou indevidos de estimativas de IRPJ e CSLL, deveriam ser utilizados na apuração anual dos tributos e apuração do saldo negativo correspondente, sendo vedada sua utilização em compensações como pagamentos a maior ou indevidos. A IN SRF n° 600/2005, publicada em 30/12/2005, reproduziu essa proibição no seu exato teor e no mesmo artigo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. 6. O recorrente foi intimado em e, tempestivamente, protocolizou recurso dia 24/06/2011, no qual foi requerida a reforma integral do acórdão recorrido, sob os seguintes argumentos: a) Alega que o crédito discutido teria natureza diversa do recolhimento mensal por estimativa, discorrendo sobre o que chama de 'natureza do pagamento indevido do Fl. 484DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10880.676034/200910 Acórdão n.º 1803002.395 S1TE03 Fl. 3 3 credito para argumentar o recolhimento em excesso decorrente de erro na elaboração de DARF, seria um crédito de pagamento indevido embasado pelo art. 165 II do Código Tributário Nacional que não poderia ser limitado pela discriminação da modalidade de seu pagamento. b) Relata como foi feita a apuração do valor do débito da estimativa e dos resultados obtidos na DIPJ e na DCTF , elaborando quadros demonstrativos do que entende ser seu crédito, já devidamente atualizado pela reclamante. 7. Sem contrarrazões do fisco, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento do Conselho. É o relatório Voto Conselheiro Relator DOS REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo, bem como preenche os demais requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade. Dessa forma, conheço do recurso e passo à análise do mérito. DO MÉRITO O recorrente alega que ao preencher as guias de pagamento, bem como ao proceder o recolhimento, teria incorrido em erro, o que o levou a realizar um pagamento muito acima do devido. Diante da situação, tentou compensar os valores pagos a maior, contudo não logrou bom êxito, uma vez que sua declaração não foi homologada, sob o argumento que a IN SRF nº 460/2004, publicada em 29/10/2004, determinou em seu art. 10, que os recolhimentos a maior ou indevidos de estimativas de IRPJ e CSLL, deveriam ser utilizados na apuração anual dos tributos e apuração do saldo negativo correspondente, sendo vedada sua utilização em compensação como pagamentos a maior ou indevidos. Ao compulsar os autos, entendo que a pretensão contida no pleito recursal deve prosperar. Observo que a compensação não foi homologada, pois encontrou obstáculo em restrição contida no art. 10 da IN SRF nº 600, que reproduziu o art. 10 da IN SRF nº 460/2004, contudo, em 30 de dezembro de 2008, foi publicada a IN SRF nº 900, que revogou a IN SRF 600/2005, que por sua vez já tinha revogado a IN SRF 460/2004. Na IN SRF 900/2008 não houve reprodução da restrição posta no art. 10, da IN SRF 600/2005, o que me leva a inferir que ela desapareceu do mundo jurídico, não cabendo mais a sua aplicação. Esse é o entendimento do CARF, conforme restou cristalizado na Súmula n 84, que assim dispõe: Fl. 485DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 4 “Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.” Como foi identificado o obstáculo acima descrito, não foi analisado pela instância inferior se existia indébito do pagamento da estimativa relativa ao período requerido. Assim sendo, o aspecto quantitativo do direito creditório objeto do PERDECOMP deve ser analisado à luz dos elementos que possam comprovar a sua existência ou não de valores pagos a maior, uma vez que afasto a incidência da IN SRF 600/2005. Dessa forma, para que não haja supressão de instância, é imperioso que a instância inferior analise o pedido de compensação, uma vez que, o reexame em tempo hábil não implica na homologação tácita. Esse foi o entendimento desta Corte Administrativa, no processo 10983.904640/200974, prolatado pela 2º Turma Especial, cujo trecho do voto transcrevo abaixo: “O reexame em tempo hábil não implica na homologação tácita do PER/DCOMP em comento e tem como fundamento dar maior eficácia ao ordenamento jurídico (art. 165 e 170 do CTN), na medida em que o novo Despacho Decisório coloca para o contribuinte a possiblidade de comprovar o crédito tributário, se existente, de modo a garantir a eficácia das decisões proferidas pela Fazenda Pública. Entendese que essa posição cautelosa evita riscos à preservação do interesse público e não apenas o interesse da administração tributária.” Diante do exposto, deixo, momentaneamente, de reconhecer o direito creditório da recorrente, como foi requerido. Contudo entendo que a melhor solução amparada pelo direito é anular o acórdão recorrido e, consequentemente, o despacho decisório, para que a autoridade competente analise a existência ou não de pagamento indébito, oportunizando ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para que a Delegacia da Receita Federal de São Paulo aprecie a PERDCOMP apresentada pela recorrente, nos termos do presente voto, evitando assim a supressão de instância, oportunizando o exercício do contraditório e da ampla defesa. ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO Relator Fl. 486DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 11330.001137/2007-41
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1996 a 31/12/1996
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA
São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decreto-lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário, devendo ser aplicado o art. 150, parágrafo 4º ou Art. 173, I do CTN nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso em face do reconhecimento da decadência total por quaisquer dos critérios do Código Tributário Nacional.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1996 a 31/12/1996 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decreto-lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário, devendo ser aplicado o art. 150, parágrafo 4º ou Art. 173, I do CTN nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso em face do reconhecimento da decadência total por quaisquer dos critérios do Código Tributário Nacional. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
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DECADÊNCIA São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decretolei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário, devendo ser aplicado o art. 150, parágrafo 4º ou Art. 173, I do CTN nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso em face do reconhecimento da decadência total por quaisquer dos critérios do Código Tributário Nacional. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 11 37 /2 00 7- 41 Fl. 488DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/09 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Daniele Souto Rodrigues, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/09 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11330.001137/200741 Acórdão n.º 2403002.659 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que julgou procedente o lançamento consubstanciado no DEBCAD 37.050.4771, referente ao período de 05/1996 a 12/1996, na qual pretende o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondente à cota patronal, à parte dos segurados e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. O Relatório Fiscal, fls. 81/86, consigna que a autuação em epígrafe decorre da Responsabilidade Solidária pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, na contratação de construção, reforma ou acréscimo, conforme determina o art. 30, VI, da Lei nº 8.212/91. Através do exame da contabilidade da empresa PROFARMA, foi possível verificar os valores brutos das notas fiscais apurados na conta “Benfeitorias Imóveis de Terceiros LIX Refeitório – 16105005”, o estabelecimento de prestação de serviços relativos à construção, na qualidade de empresa tomadora em razão dos serviços executados pela empresa MULTI BASE ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA. Apesar de intimado a apresentar os documentos aptos a eximilo da responsabilidade solidária, constantes no art. 30, §§ 3º e 4º, da Lei nº 8.212/91, a empresa quedouse inerte, assim como deixou de exibir o contrato de prestação de serviços e como notas fiscais relativas, autorizando, pois, a aferição indireta da base de cálculo, por parte da autoridade fiscalizatória. A autuação foi lavrada no importe de R$ 57.297,84 (cinquenta e sete mil duzentos e noventa e sete reais e oitenta e quatro centavos), tendo a sua notificação ocorrido em 21/11/2006. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a Profarma Distribuidora de Produtos Farmacêuticos S/A apresentou impugnação nas fls. 184/200. DO ACÓRDÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, DRJ/RJOI, prolatou o Acórdão nº 1216.820, fls. 313/333, para reconhecer a procedência do lançamento, mantendo incólume o crédito previdenciário ali consubstanciado, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1996 a 31/12/1996 Fl. 490DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/09 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 TRIBUTÁRIO – PREVIDENCIÁRIO – CUSTEIO – RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA – CONSTRUÇÃO CIVIL O Art. 30, VI da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.528/97, bem como o Art. 42, §§ 1º e 2º do Regulamento de Organização e Custeio da Seguridade Social, aprovado pelo Dec. 356/91 e alterações introduzidas pelo Decreto 612/92, definem a forma de elisão da responsabilidade solidária. Não cumpridos estes requisitos, a tomadora é responsável pelas contribuições previdenciárias oriundas do fato gerador comum. A solidariedade passiva, legalmente imposta, pode unir diversos devedores que responderão, cada qual, pela dívida toda. A Secretaria da Receita Federal do Brasil tem o direito de escolher e de exigir, de acordo com seu interesse e conveniência, o valor total do crédito constituído, sem que o devedor tenha qualquer benefício de ordem. Lançamento Procedente DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a Recorrente, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 345/369, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1. Inaplicabilidade da decadência decenal prevista nos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91; 2. Impossibilidade de se lavrar auto de infração em face da tomadora antes de se proceder à fiscalização da empresa prestadora dos serviços. É o relatório. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/09 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11330.001137/200741 Acórdão n.º 2403002.659 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA ADMISSIBILIDADE Conforme documentos de fl. 485, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do Fl. 492DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/09 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Ocorre que o período de apuração compreendeu as competências 05/1996 a 12/1996 e a notificação ocorreu apenas em 2006, por essa razão, fora ultrapassado quase dez (dez) anos da data do fato gerador mais recente lançado. Logo, o prazo decadencial ocorreu em relação a todo o período, por quaisquer dos critérios do Código Tributário Nacional, razão pela qual não há mais que se falar em crédito tributário. CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo provimento do Recurso Voluntário, em face do reconhecimento da decadência total por quaisquer dos critérios do Código Tributário Nacional. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/09 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10840.002424/2007-55
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2006
NULIDADE.
Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF).
O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-001.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Redatora Ad Hoc Designada.
(assinado digitalmente)
Selene Ferreira de Moraes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Redatora Ad Hoc Designada
Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Viviani Aparecida Bacchmi, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues e Selene Ferreira de Moraes.
Nome do relator: VIVIANI APARECIDA BACCHMI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2006 NULIDADE. Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF). O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Redatora Ad Hoc Designada. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes - Presidente. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Redatora Ad Hoc Designada Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Viviani Aparecida Bacchmi, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues e Selene Ferreira de Moraes.
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Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF). O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 24 24 /2 00 7- 55 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10840.002424/200755 Acórdão n.º 1803001.471 S1TE03 Fl. 196 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Redatora Ad Hoc Designada. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Redatora Ad Hoc Designada Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Viviani Aparecida Bacchmi, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues e Selene Ferreira de Moraes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração, fl. 21, com a exigência do crédito tributário no valor de R$115.156,16 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 30.05.2007 das Declarações de Débitos e Créditos Tributário Federais (DCTF) dos segundo, terceiro e quarto trimestres do anocalendário de 2005, cujos prazos finais eram 18.08.2004, 12.11.2004 e 18.02.2005, respectivamente. Consta Descrição dos Fatos e Fundamentação Legal: Descrição dos Fatos : A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa de 2% (dois por cento) sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago,por mêscalendário ou fração, respeitado o percentual máximo de 20 % e o valor mínimo de R$500,00. Em caso de inatividade no trimestre a multa mínima é de R$200,00. A multa cabível foi reduzida em cinquenta por cento em virtude da entrega espontânea declaração, exceto no caso da multa aplicada ter sido a multa mínima, Enquadramento Legal Art. 113, § 3º e 150 [do Código Tributário Nacional], , art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 126, de 30.10.1998, Portaria MF nº 118/84, e art. 5º do DL nº 2.214/84 e Art. 7º da Lei nº 10.426, de 24/04/2002. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0210, com as alegações a seguir transcritas: 2. NULIDADE FORMAL DO AUTO DE INFRAÇÃO De inicio, antes de qualquer discussão sobre o mérito, cumpre a argüição de nulidade forma do Auto de Infração, por errônea capitulação. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10840.002424/200755 Acórdão n.º 1803001.471 S1TE03 Fl. 197 3 Lançou o agente fiscal no campo 5, item fundamentação, as seguintes normas: [...] Todavia, a IN SRF n. 126/1998 mencionada já não mais estava em vigor na época dos fatos (2004), eis que expressamente revogada pelo art. 11 da IN SRF n. 255, de 11/12/2002: Art. 11. Ficam formalmente revogadas, sem interrupção de sua força normativa, as Instruções Normativas editadas pela Secretaria da Receita Federal n° 073/96, de 19 de dezembro de 1996, n° 45/98, de 05 de maio de 1998, n° 126/98, de 30 de outubro de 1998; n° 15/99, de 12 de fevereiro de 1999; no 083/99, de 12 de julho de 1999; n° 018/00, de 23 de fevereiro de 2000. Uma norma revogada não pode surtir efeitos a eventos posteriores à sua vigência, especialmente se nenhuma relação tiverem com fatos pretéritos. A indicação de capitulação errônea é motivo suficiente para desconstituição do ato administrativo punitivo, por ferir diretamente o principio da legalidade que rege as relações jurídicas tributárias. Especialmente no caso em tela, onde foi esta a única regulamentação Fazendária do disposto na Lei n. 10.426/2002. Notese que as demais normas mencionadas dizem respeito única e exclusivamente aos procedimentos administrativos, ou referemse de forma geral à toda e qualquer penalidade por descumprimento de obrigação acessória, insuficientes, desta feita, à adequada tipificação da conduta. Sob estes fundamentos, e considerando o disposto no art. 61 do Decreto 70.235/1972, requer a declaração por esta Unidade de Julgamento da nulidade do Auto de Infração, com o conseqüente afastamento de todos os seus efeitos. 3. DO MÉRITO A defesa de mérito, caso superada a preliminar arguida, tomará em conta o excesso cometido pelo agente fiscal na aplicação da multa, sob dois aspectos relevantes: a) 0 efeito de confisco advindo do exagerado valor imputado (20% sobre os tributos informados na DCTF); b) A errônea formação na base de cálculo, em verdadeiro bis in idem, ao considerar também os valores informados nas DCTF’s dos trimestres anteriores. 3.1. DA PROIBIÇÃO DE MULTA COM EFEITO DE CONFISCO Não se pode olvidar ser a entrega de DCTF obrigação acessória, portanto sujeita a regramento diferenciado, até mesmo em razão de seus próprios objetivos. A penalidade imposta, da maneira como se encontra, mostrase incompatível com a estrutura de nosso ordenamento e finalidades essenciais da norma tributária. Mantida na forma original, permitirse6 que mera irregularidade formal retire expressiva parcela patrimonial do contribuinte, sob a rubrica de multa administrativa por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10840.002424/200755 Acórdão n.º 1803001.471 S1TE03 Fl. 198 4 Não se pretende aqui estimular que as empresas pura e simplesmente deixem de observar os procedimentos advindos da lei e regulamentos. Porém não se pode perder de vista que as obrigações acessórias não têm um fim em si mesma. Servem única e exclusivamente para garantir a fiscalização e adequado cumprimento da obrigação principal tributária, e nada mais. É o que se vê nitidamente no art. 113, §2°, do CTN: [...] Não se pode fazer destas obrigações fonte de arrecadação estatal, sob pena de desviarmos sua finalidade e instituirmos tributação sem embasamento constitucional. As penalidades devem ser coerentes com o fim a que se destinam, não extrapolando os limites do razoável. UMA PENALIDADE DEMASIADAMENTE SEVERA É TÃO INJUSTA E ILÍCITA QUANTO A CONDUTA QUE PRETENDE PUNIR! No caso dos autos, a imposição de multa no valor de R$ 115.156,16 (cento e quinze mil cento e cinqüenta e seis reais e dezesseis centavos) se mostra como verdadeiro exagero. Sua manutenção contraria princípios básicos de Justiça Tributária, vindo a ferir até mesmo o direito de propriedade do contribuinte. È verdadeiro confisco fiscal. Para corrigir tais distorções é que o ordenamento jurídico permite, de forma expressa e inequívoca, a aplicação da eqüidade em Direito Tributário. Em várias oportunidades o regramento especial traz previsão do uso desta técnica de aplicação das normas. A começar pelo Código Tributário Nacional, no art. 172, inciso IV: [...] Este artigo vem em consonância com as regras gerais de interpretação da lei tributária (art. 108), onde são privilegiados princípios soberanos de nosso ordenamento e outras garantias de aplicação equilibrada da lei, como a Justiça e a equidade. [...] Uma vez detectado o abuso na aplicação da penalidade, cumpre ao contribuinte indicar aquela que se mostra adequada â realidade fática. Este parâmetro deverá ser buscado na própria Lei n.10.426/2002, art. 7°, §3º, inciso II: § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei n° 9.317, de 1996; II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Justificase a redução postulada por fatores relevantes, além dos já mencionados: a) não houve falta ou atraso no pagamento dos tributos, conforme DARF’s em anexo, fato confirmado pela total ausência de autuação neste sentido; b) não houve dolo ou máfé do contribuinte, eis que nada lhe aproveitaria a falta de entrega da Declaração; Fl. 198DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10840.002424/200755 Acórdão n.º 1803001.471 S1TE03 Fl. 199 5 c) houve a espontânea entrega das Declarações pela contribuinte, independentemente de qualquer manifestação fiscal, de maneira espontânea. Por estes fundamentos, espera ver a multa reduzida para o 3.2. DO ERRO NA FORMAÇÃO DA BASE DE CALCULO Pelo principio da eventualidade, acaso não acatados os argumentos anteriores de nulidade do Auto de Infração ou redução da penalidade administrativa para o patamar mínimo, mesmo assim haverá revisão necessária da multa aplicada. Conforme se verifica no Auto de Infração, o agente fiscal, ao realizar os cálculos das multas em cada uma das DCTF’s, considerou na formação da base os montantes informados sob a rubrica “totalização por tributos e contribuições no trimestre anterior”. Uma vez que não foram entregues as Declarações do 2°, 3° e 4° trimestres, houve uma cobrança em duplicidade da multa sobre mesmos valores. [...] Como se vê, o Auto de Infração levou em conta o valor indicado como TOTAL GERAL, de R$334.707,35, sobre ele aplicando multa de 20%, totalizando para esta Declaração penalidade de R$66.941,47, reduzida pela metade por disposição expressa do art. 7°, § 2°, inciso I, da Lei nº 10.426/2002, com valor final de R$33.470,73. Este é o conteúdo do Campo 4 —Demonstrativo Do Crédito Tributário. Acontece que os valores indicados para na DCTF do 4° trimestre sob a rubrica "Totalização por tributo e contribuição no trimestre anterior" são exatamente aqueles informados na DCTF apresentada com relação ao 3° Trimestre, para IRPJ e CSLL no campo "Totalização por Tributo e Contribuição no Trimestre". Significa dizer que as informações repetidas na DCTF seguinte não podem integrar a base de cálculo da multa, por não constituírem informação nova, mas mera repetição — para conferência , daquilo que já foi informado. A permanecer desta forma o cálculo da penalidade (com inclusão dos valores do trimestre anterior), teremos como resultado final uma multa pelo dobro do previsto na legislação, eis que aplicada duas vezes sobre o mesmo montante: no trimestre de informação inicial e no seguinte, para pagamento. O artigo 7°, onde prevista a penalidade, é claro ao dizer: II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º, (grifamos) A expressão legal "incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados 'na DCTF" deve ser lida em consonância com os demais dispositivos reguladores da própria DCTF, além daqueles gerais de interpretação da norma tributária. Ao dizer "informados na DCTF" o legislador certamente se referiu aos fatos geradores novos, objeto de apuração naquele período, e nada mais. Interpretação extensiva, além de injusta, é ilícita, por força do CTN, art. 112: Fl. 199DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10840.002424/200755 Acórdão n.º 1803001.471 S1TE03 Fl. 200 6 Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: [...] IV — a natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Sendo assim, caso mantida a autuação e não acatada a redução anteriormente solicitada, deverá ser revista para que haja exclusão de sua base de cálculo dos valores constantes do campo "Totalização por tributo e contribuição no trimestre anterior", notadamente de IRPJ e CSLL, com a conseqüente redução do montante fixado em cada uma das DCTFs apresentadas. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: 4. REQUERIMENTOS FINAIS Por todo o lançado, requer seja este recurso conhecido e provido, com o reconhecimento da nulidade do Auto de Infração em referência ou, subsidiariamente, a redução das penalidades aplicadas, na/ forma da fundamentação. As futuras intimações deverão ser dirigidas aos procuradores abaixo subscritos, em seu escritório profissional, à Rua Expedicionário Lellis, n.1597, Centro, Sertãozinho/SP, CEP 14160750, fone/fax (16) 39452900. 5. PROVAS Para provar o quanto alegado, junta as DCTF’s entregues, acompanhadas dos recolhimentos realizados (DARF’s), estes no prazo legal e a cada fato gerador. Resguarda ainda seu direito à juntada de novos documentos, realização de perícias técnicas e de todos os 'altos meios probatórios em direito admitidos. Declara, por fim, que os documentos apresentados por cópia conferem com os originais. Como são todos de conhecimento da RFB e o auto de infração não se refere à validade dos mesmos, desnecessária a juntada de cópias autenticadas. Está registrado como ementa do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 14 25.721, de 13.08.2009, fls. 164169: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 DCTF. MULTA POR ATRASO. A multa por atraso na entrega da DCTF deve ser apurada com base nos montantes dos tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorreram no trimestre correspondente à declaração. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10840.002424/200755 Acórdão n.º 1803001.471 S1TE03 Fl. 201 7 NULIDADE. CAPITULAÇÃO LEGAL IMPERFEITA. O erro na capitulação legal ou mesmo a sua ausência não acarreta a nulidade do auto de infração quando não há prejuízo à ampla defesa. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Notificada em 18.09.2009, fl. 172, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 15.10.2009, fls. 177185, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Suscita que: A recorrente foi autuada por deixar de apresentar no prazo e forma legais as DCTF’s referentes aos 2°, 3° e 4° trimestres de 2004, respectivamente nos dia 13/08/2004, 12/11/2004 e 18/02/2005. As declarações foram reapresentadas aos 30/05/2007 antes de qualquer procedimento ou notificação fiscal, o que levou à lavratura posterior deste Auto de Infração. Com base nesta situação, o agente fiscal lavrou o auto em referência, aplicando multa equivalente a 20% sobre o total de tributos informado em cada uma das DCTF’s, em montante equivalente a R$115.156,16 [...] Após recurso interposto a base de cálculo da penalidade foi reduzida, mas ainda se manteve em patamar elevado. Este o resumo necessário. 3. NULIDADE FORMAL DO AUTO DE INFRAÇÃO Ao contrário do fundamentado pela turma julgadora a nulidade apresentada no Auto de Infração é insanável, uma vez que faz menção a normas revogadas, sem efeitos no ordenamento jurídico. Lançou o agente fiscal no campo 5, item fundamentação, as seguintes normas: Art. 113, §3° e 160 da Lei n. 5.172, de 26/10/68 (CTN); art. 2°c/c 6° da Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998 combinado com Item I da Portaria MF nº 118/84; art. 5° do DL nº 2124/84 e art. 7° da Lei nº 10.426, de 24/04/2002. Todavia, a IN SRF n. 126/1998 mencionada já não mais estava em vigor na época dos fatos (2004), eis que expressamente revogada pelo art. 11 da IN SRF nº 255, de 11/12/2002: Art. 11. Ficam formalmente revogadas, sem interrupção de sua força normativa, as Instruções Normativas editadas pela Secretaria da Receita Federal n° 073/96, de 19 de dezembro de 1996, n° 45/98, de 05 de maio de 1998, no 126/98, de 30 de outubro de 1998; n° 15/99, de 12 de fevereiro de 1999; no 083/99, de 12 de julho de 1999; no 018/00, de 23 de fevereiro de 2000. Uma norma revogada não pode surtir efeitos a eventos posteriores à sua vigência, especialmente se nenhuma relação tiverem com fatos pretéritos. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10840.002424/200755 Acórdão n.º 1803001.471 S1TE03 Fl. 202 8 A indicação de capitulação errônea é motivo suficiente para desconstituição do ato administrativo punitivo, por ferir diretamente o principio da legalidade que rege as relações jurídicas tributárias. Especialmente no caso em tela, onde foi esta a única regulamentação Fazendária do disposto na Lei n. 10.426/2002. Notese que as demais normas mencionadas dizem respeito única e exclusivamente aos procedimentos administrativos, ou referemse de forma geral a toda e qualquer penalidade por descumprimento de obrigação acessória, insuficientes, desta feita, à adequada tipificação da conduta. Sob estes fundamentos requer a declaração por este órgão colegiado da nulidade do Auto de Infração, com o conseqüente afastamento de todos os seus efeitos. 4. DO MÉRITO A redução operada pelo órgão julgador não é suficiente para garantir justiça e licitude à ação fiscal. Ao contrário do propalado é dever da Administração Pública como um todo, e não apenas do Poder Judiciário, a observância dos ditames legais. Neste sentido reconhecer os excessos praticados no Auto de Infração é medida licita e necessária, sendo de relevo os argumentos de confisco e de aplicação da equidade ao caso concreto. Não se pode olvidar ser a entrega de DCTF obrigação acessória, portanto sujeita a regramento diferenciado, até mesmo em razão de seus próprios objetivos. A penalidade imposta, da maneira como se encontra, mostrase incompatível com a estrutura de nosso ordenamento e finalidades essenciais da norma tributária. Mantida na forma original, permitirseá que mera irregularidade formal retire expressiva parcela patrimonial do contribuinte, sob a rubrica de multa administrativa por descumprimento de obrigação acessória. Não se pretende aqui estimular que as empresas pura e simplesmente deixem de observar os procedimentos advindos da lei e regulamentos. Porém não se pode perder de vista que as obrigações acessórias não têm um fim em si mesma. Servem (mica e exclusivamente para garantir a fiscalização e adequado cumprimento da obrigação principal tributária, e nada mais. È o que se vê nitidamente no art. 113, § 2°, do CTN: [...]. Não se pode fazer destas obrigações fonte de arrecadação estatal, sob pena de desviarmos sua finalidade e instituirmos tributação sem embasamento constitucional. As penalidades devem ser coerentes com o fim a que se destinam, não extrapolando os limites do razoável. UMA PENALIDADE DEMASIADAMENTE SEVERA TÃO INJUSTA E ILÍCITA QUANTO A CONDUTA QUE PRETENDE PUNIR! No caso dos autos, a imposição de multa no valor de R$115.156,16 [...]mesmo após reduzida parcialmente para R$ 72.755,13 [...] se mostra como verdadeiro exagero. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10840.002424/200755 Acórdão n.º 1803001.471 S1TE03 Fl. 203 9 115.156,16 [...] se mostra como verdadeiro exagero. Sua manutenção contraria princípios básicos de Justiça Tributária, vindo a ferir até mesmo o direito de propriedade do contribuinte. É verdadeiro confisco fiscal. Para corrigir tais distorções é que o ordenamento jurídico permite, de forma expressa e inequívoca, a aplicação da eqüidade em Direito Tributário. Em várias oportunidades/o regramento especial traz previsão do uso desta técnica de aplicação das normas. A começar pelo Código Tributário Nacional, no art. 172, inciso IV: [...] Este artigo vem, em consonância com as .regras gerais de interpretação da lei tributária (art. 108), onde são privilegiados princípios soberanos de nosso ordenamento e outras garantias de aplicação equilibrada da lei, como a Justiça e a equidade. [...] Uma vez detectado o abuso na aplicação da penalidade, cumpre ao contribuinte indicar aquela que se mostra adequada à realidade fática. Este parâmetro deverá ser buscado na própria Lei nº 10.426/2002, art. 7º, § 3º, inciso II: § 3° A multa mínima a ser aplicada será de: I R$200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei n' 9.317, de 1996 II R$500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Justificase a redução postulada por fatores relevantes, além dos já mencionados: a) não houve falta ou atraso no pagamento dos tributos, conforme DARF’s em anexo, fato confirmado pela total ausência de autuação neste sentido; b) não houve dolo ou máfé do contribuinte, eis que nada lhe aproveitaria a falta de entrega da Declaração; c) houve a espontânea entrega das Declarações pela contribuinte, independentemente de qualquer manifestação fiscal, de maneira espontânea. Por estes fundamentos, espera ver a multa reduzida para o mínimo previsto na legislação fiscal aplicável à espécie, notadamente R$ 500,00 (quinhentos reais) para cada DCTF não entregue no prazo correto, totalizando nos três trimestres da autuação R$1.500,00 (mil e quinhentos reais). Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Fl. 203DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10840.002424/200755 Acórdão n.º 1803001.471 S1TE03 Fl. 204 10 Por todo o lançado, requer seja este recurso conhecido e provido, com o reconhecimento da nulidade do Auto de Infração em referência ou, subsidiariamente, a redução das penalidades aplicadas, na forma da fundamentação. As futuras intimações deverão ser dirigidas aos procuradores abaixo subscritos, em seu escritório profissional, à Rua Expedicionário Lellis, n. 1597, Centro, Sertãozinho/SP, CEP 141607. fone/fax (16) 39452900. Determina a Portaria de fl. 194: O PRESIDENTE DA QUARTA CÂMARA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, no uso da atribuição que lhe confere o § 3º. do Artigo 63 do Regimento Interno do CARF, baixado com a Portaria MF nº. 256, de 22 de junho de 2009, publicada no Diário Oficial do dia seguinte, RESOLVE: DESIGNAR relatora “ad hoc” a Conselheira CARMEN FERREIRA SARAIVA para o fim de formalizar o Acórdão nº 1803001.471, prolatado pela Terceira Turma Especial da Quarta Câmara da Primeira Seção, na sessão realizada no dia 11 de setembro de 2012, no julgamento do Processo nº 10840.002424/2007 55, de interesse do contribuinte ALPHAGEN REPRODUÇÕES ANIMAL S/S, em face de a relatora original não mais ocupar o cargo de Conselheira. Está registrada na Ata da Reunião de Julgamento formalizada no processo nº 15169.000109/201162, fl. 228: Aos onze dias do mês de setembro do ano de dois mil e doze, às nove horas, reuniramse os membros da 3ªTE/4ªCÂMARA/1ªSEJUL/CARF/MF/DF, estando presentes SELENE FERREIRA DE MORAES (Presidente), MEIGAN SACK RODRIGUES, VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, SERGIO RODRIGUES MENDES, VIVIANI APARECIDA BACCHMI, SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA e eu, MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente justificadamente o Conselheiro Walter Adolfo Maresch. O Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta foi convocado para o julgamento de três processos. [...] Relator(a): VIVIANI APARECIDA BACCHMI Processo: 10840.002424/200755 Nome do Contribuinte: ALPHAGEN REPRODUÇÕES ANIMAL S/S Acórdão 1803001.471 Decisão: Por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Questionamento: RECURSO VOLUNTÁRIO Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10840.002424/200755 Acórdão n.º 1803001.471 S1TE03 Fl. 205 11 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Redatora Ad Hoc Designada O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Requerente solicita que seja intimada por meio do seu representante legal. Tendo como fundamento os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes há previsão de julgamento em segunda instância no CARF dos recursos que versem sobre aplicação da legislação referentes a tributos administrados pela RFB1. O pressuposto é de que a intimação por via postal válida é feita, com prova de recebimento, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Por esta razão é que a Recorrente deve ser notificada dos atos no seu domicílio fiscal. A pretensão aduzida pela defendente não tem possibilidade jurídica por não estar contemplada nas formalidades legais. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes2. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente 1 Fundamento legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de maço de 1972 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. 2 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10840.002424/200755 Acórdão n.º 1803001.471 S1TE03 Fl. 206 12 que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais3. O Auto de Infração foi lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos4. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 5 Desse modo, não tem validade jurídica a alegação da Recorrente. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional6. Assim, o Auto de Infração, fl. 21 e o Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 1425.721, de 13.08.2009, fls. 164169, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. 3 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 4 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. 5 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 6 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10840.002424/200755 Acórdão n.º 1803001.471 S1TE03 Fl. 207 13 Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos7. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência, tampouco procurou de alguma forma evidenciar inequivocamente a liquidez e a certeza do valor de direito creditório pleiteado. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento, o respectivo responsável, bem como a penalidade aplicável no caso de descumprimento. A dosimetria da pena pecuniária prevista na legislação tributária deve ser observada pela autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional (parágrafo primeiro do art. 142 do Código Tributário Nacional). Além disso, os atos do processo administrativo dependem de forma determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de 1999). 7 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10840.002424/200755 Acórdão n.º 1803001.471 S1TE03 Fl. 208 14 O documento que formalizála, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. O adimplemento das obrigações tributárias principais confessadas em DCTF não tem força normativa para afastar a penalidade pecuniária decorrente da entrega em atraso ou a falta de apresentação da mesma DCTF. Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). Regulando a matéria, a Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, ordena: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 208DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10840.002424/200755 Acórdão n.º 1803001.471 S1TE03 Fl. 209 15 § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) I R$200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. §4º Considerarseá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria Receita Federal. §5º Na hipótese do § 4º, o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de dez dias, contados da ciência à intimação, e sujeitarseá à multa prevista no inciso I do caput, observado o disposto nos §§ 1º a 3º. Embora a da Instrução Normativa SRF nº 126, de 30.10.1998, tenha sido mencionada no enquadramento legal, esse fato, por si só, não tem força jurídica de contaminar de nulidade o Auto de Infração, já que a para a Recorrente não gerou qualquer prejuízo em sua defesa. A tipicidade se encontra expressa na legislação de regência da matéria e por essa razão a autoridade fiscal não pode deixar de cumprir as estritas determinações legais literalmente, não podendo alterar a penalidade pecuniária. Desse modo, o sujeito passivo que deixar de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), nos prazos fixados pelas normas sujeitase às seguintes multas: (a) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (b) de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Para efeito de aplicação dessas multas, reputase como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. As multas serão reduzidas: (a) em 50% (cinqüenta por cento), quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; (b) em 25% (vinte e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10840.002424/200755 Acórdão n.º 1803001.471 S1TE03 Fl. 210 16 A multa mínima a ser aplicada deve ser: (a) R$200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa; (b) R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos8. Em relação à DCTF, cabe esclarecer que todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentála centralizada pela matriz, via internet: (a) para os anoscalendário de 1999 e 2004, trimestralmente, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. (b) para os anoscalendário de 2005 a 2009: (b.1) semestralmente, sendo apresentada até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso daquela relativa ao primeiro semestre e até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso daquela atinente ao segundo semestre do anocalendário anterior; (b.2) mensalmente, de acordo com o valor da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, sendo apresentada até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; (c) a partir do anocalendário de 2010, mensalmente, com apresentação até o décimo quinto dia útil do segundo mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores9. Cabe esclarecer que o obrigação acessória é desvinculada da obrigação principal no sentido de que a obrigação tributária pode ser principal ou acessória. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária10. Sobre os pagamentos que a Recorrente diz que extingue os tributos então confessados, temse que as obrigações acessórias decorrem diretamente da lei no interesse da administração tributária. É autônoma e sua observância independe da existência de obrigação principal correlata. Os deveres instrumentais previstos na legislação tributária ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo, uma vez que vinculam inclusive 8 Fundamentação legal: art. 113 e 138 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999,e art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, alterada pela Lei nº 11.051, 29 de dezembro de 2004 e Súmulas CARF nºs 33 e 49. 9 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 10 Fundamentação legal: art. 113 do Código Tributário Nacional. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10840.002424/200755 Acórdão n.º 1803001.471 S1TE03 Fl. 211 17 as pessoas jurídicas que gozem de imunidade ou outro benefício fiscal. 11 Por essa razão o pagamento dos tributos devidos não têm força normativa de afastar a multa de ofício isolada aplicada em função da falta ou atraso na entrega da DCTF. Consta na Descrição dos Fatos, fl. 21, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Descrição dos Fatos : A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa de 2% (dois por cento) sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago,por mêscalendário ou fração, respeitado o percentual máximo de 20 % e o valor mínimo de R$500,00. Em caso de inatividade no trimestre a multa mínima é de R$200,00. A multa cabível foi reduzida em cinquenta por cento em virtude da entrega espontânea declaração, exceto no caso da multa aplicada ter sido a multa mínima, No presente caso, restou comprovado que o lançamento fundamentase na aplicação da multa de ofício isolada por atraso na entrega em 30.05.2007 das Declarações de Débitos e Créditos Tributário Federais (DCTF) dos segundo, terceiro e quarto trimestres do anocalendário de 2005, cujos prazos finais eram 18.08.2004, 12.11.2004 e 18.02.2005, respectivamente. Não há previsão legal para redução das penalidades pecuniárias aplicadas. A aplicação da multa de ofício isolada foi de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante de tributo a pagar, como se verifica no caso concreto. Além disso, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato e por essa razão a alegação de boafé não pode ser oposta à Fazenda Nacional, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso12. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade13. 11 Fundamentação legal: art. 175 e art. 194 do Código Tributário Nacional. 12 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 13 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10840.002424/200755 Acórdão n.º 1803001.471 S1TE03 Fl. 212 18 Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 212DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10650.902305/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2004
Ementa:
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. PARCELA INTEGRANTE DO CRÉDITO. ORIGEM. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Inexiste na legislação de regência comando no sentido de impedir que estimativas mensais integrantes do crédito indicado para compensação, que tenham origem em homologação tácita de compensação promovida em momento anterior, sejam consideradas como tais, isto é, como elemento integrante do crédito apontado para encontro de contas posterior.
Numero da decisão: 1301-001.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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PARCELA INTEGRANTE DO CRÉDITO. ORIGEM. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Inexiste na legislação de regência comando no sentido de impedir que estimativas mensais integrantes do crédito indicado para compensação, que tenham origem em homologação tácita de compensação promovida em momento anterior, sejam consideradas como tais, isto é, como elemento integrante do crédito apontado para encontro de contas posterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 23 05 /2 00 9- 01 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10650.902305/200901 Acórdão n.º 1301001.575 S1C3T1 Fl. 306 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10650.902305/200901 Acórdão n.º 1301001.575 S1C3T1 Fl. 307 3 Relatório SANCO SOTENGE S/A, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, Minas Gerais, que indeferiu pedido veiculado por meio de manifestação de inconformidade, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de pedidos de compensação, em que a contribuinte busca extinguir débitos de sua titularidade com crédito decorrente de saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica relativo ao anocalendário de 2003. Despacho Decisório (eletrônico) emitido pela Delegacia da Receita Federal em Uberaba, também em Minas Gerais, deferiu parcialmente a compensação pleiteada, visto que do total das parcelas que compunham o crédito (R$ 432.078,69), apenas parte foi confirmada (R$ 366.138,73). Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou que a parcela de crédito não reconhecida (R$ 65.939,96) decorria de valores pagos por estimativa em 1999, conforme demonstrativo que disse anexar. Esclareceu, ainda, que carreou aos autos relatório em que demonstra a apuração dos impostos no período de 1999 a 2003, com as suas respectivas compensações. A já citada 1a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, analisando a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 0935.889, de 07 de julho de 2011, pela sua improcedência. O referido julgado restou assim ementado: COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Constitui crédito passível de compensação o valor do saldo negativo de IRPJ decorrente do ajuste efetuado no final do período de apuração, somente quando o referido saldo negativo for efetivamente comprovado. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, por meio do qual assinalou, in verbis: [...] Foi declarado na DIPJ Exercício 2001 Ano Base 2000, um saldo credor de IRPJ no valor de R$ 307.377,31, originados de recolhimentos efetivos por estimativa mensal (Cod. 5993) e compensações de saldos credores de anos anteriores. Com base neste saldo, apresentamos a declaração de compensação (proc.10650.000773/200346), compensando parte deste crédito com débitos de IRPJ Estimativa Mensal com vencimentos em 28/02/2003, 31/03/2003 e 28/04/2003, conforme consta no referido processo, o qual anexamos. Entretanto, no final do Ano Calendário de 2003, confrontando o valor devido com base no lucro real anual do período, e os pagamentos feitos por estimativa e as compensações, Fl. 307DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10650.902305/200901 Acórdão n.º 1301001.575 S1C3T1 Fl. 308 4 originou um novo saldo credor no valor de R$ 225.963,53, ora declarado na DIPJ Exercício 2004, pois o valor recolhido por estimativa foi bem maior do que o efetivamente devido com base no lucro real anual. Nota: 1 Conforme instrução extraída do programa DIPJ (anexa), as compensações são consideradas pagamentos por estimativa mensal. Anexamos: Planilha com a composição dos saldos credores do IRPJ dos anos calendários de 1995 à 2000, as páginas da DIPJ onde foram apurados estes créditos e os comprovantes de recolhimentos por estimativas mensais. Cópia do Processo Administrativo 10650.000773/200346 com a planilha da compensação com saldo de exercícios anteriores; Cópias dos razões contábeis das contas onde registramos cada fato na data em que ocorreram, comprovando assim a idoneidade das documentações ora apresentado (sic). Quanto as Compensações a partir do saldo da DIPJ Exercício 2004 Conforme narrativa anterior, comprovamos a existência do crédito no valor de R$ 225.963,53, a partir deste crédito foram feitas compensações através de Per/Dcomp's, as quais anexamos. Diante de todo o exposto, solicitamos de V.Sa. que se digne em baixar os processos de cobrança abaixo relacionados: 10650.902.567/200968 10650.902.568/200911 10650.902.569/200957 10650.902.570/200981 Em sessão realizada em 08 de agosto de 2012, esta Primeira Turma Ordinária resolveu converter o julgamento em diligência (Resolução nº 1301000.077) para que a unidade de jurisdição da contribuinte, por meio de Relatório fundamentado, se pronunciasse sobre as compensações promovidas por meio do processo administrativo nº 10650.000773/200346. Em atendimento, foi aportada ao processo a INFORMAÇÃO FISCAL de fls. 298/299, da qual transcrevo os seguintes excertos: [...] solicitamos o desarquivamento e realizamos a verificação das compensações promovidas por meio do processo nº 10650.000773/200346. Referido processo trata de Declaração de Compensação com utilização de Saldo Negativo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, do exercício 2003 (anocalendário 2002) no valor de R$ 65.939,96, na quitação dos débitos de estimativa mensal, código de receita 5993, dos períodos de apuração de janeiro a março de 2003, nos seguintes valores R$ 31.477,83, R$ 31.522,86 e R$ 2.939,27, que totalizam R$ 65.939,96. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10650.902305/200901 Acórdão n.º 1301001.575 S1C3T1 Fl. 309 5 No Despacho Decisório DC 09051, proferido em 04/08/2009 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Uberaba, foram analisados e demonstrados (por meio de planilhas e anexos) os saldos negativos do IRPJ dos exercícios 1996 a 2003. Concluiuse naquela decisão que, em função de o sujeito passivo não ter observado as orientações de preenchimento da declaração do IRPJ do exercício 2003, foi necessário realizar a recomposição da apuração anual daquele exercício, o que não resultou em saldo negativo, mas sim em imposto de renda a pagar no valor de R$ 32.736,48. Em função de referido período de apuração ter sido alcançado pela decadência, não foi formalizado o lançamento do imposto de renda apurado. Portanto, no Despacho Decisório proferido no processo nº 10650.000773/200346 não houve qualquer reconhecimento de direito creditório. Os débitos relativos às estimativas que o contribuinte pretendeu compensar no referido processo, foram atingidos pela homologação por decurso de prazo prevista no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/1996, o que impossibilitou ao Fisco realizar a cobrança dos débitos. Considerando que não ocorreu efetivamente a quitação das estimativas de IRPJ dos meses de janeiro a março de 2003, não se pode admitir que elas sejam consideradas como antecipações do IRPJ do exercício 2004 (ano calendário 2003), motivo pelo qual concluímos que a decisão proferida no Despacho Decisório Rastreamento nº 84855698, objeto do presente processo, deva ser mantida na íntegra. (GRIFEI) Embora tenha sido cientificada da INFORMAÇÃO FISCAL retromencionada (documentos de fls. 300/302), a contribuinte não aditou razões. É o Relatório. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10650.902305/200901 Acórdão n.º 1301001.575 S1C3T1 Fl. 310 6 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. A lide a ser enfrentada no presente processo diz respeito ao não reconhecimento de parte do direito creditório indicado pela contribuinte para fins de compensação tributária. De acordo com o Despacho Decisório (eletrônico) da Delegacia da Receita Federal Uberaba (cópia às fls. 03), o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003 informado no PER/DCOMP (R$ 225.963,53) derivou da seguinte apuração: Retenções na Fonte R$ 50.543,97 Estimativas Pagamentos R$ 315.594,76 Estimativas Compensação R$ 65.939,96 IR devido R$ 206.115,16 SALDO NEGATIVO R$ 225.963,53 Promovido o confronto com os controles internos da Receita Federal, deixou de ser confirmado o montante de R$ 65.939,96, registrado a título de estimativas compensadas. Em sede de Manifestação de Inconformidade, relativamente ao total glosado pela Delegacia da Receita Federal, a contribuinte argumentou “...que este crédito se origina de valores pagos por estimativa em 1999 conforme demonstrativo (anexo 1)”. À referida contestação, a contribuinte anexou demonstrativos relativos à apuração do saldo negativo de 1999 e sua posterior utilização, e dos resultados fiscais do período de 1999 a 2003. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, apreciando as razões trazidas pela contribuinte, assinalou: [...] A parcela do crédito não confirmada no PER/DCOMP, com demonstrativo de crédito, n° 35946.71397.150107.1.7.027317, conforme se vê, fls. 36 e 73, referese às estimativas dc jan/fev/mar/2003 (R$31.477,83, R$31.522,86 e R$2.939,27 que totalizam R$65.939,96) informadas como compensadas mediante o Processo Administrativo 10650.000773/200346. Quanto a este fato, o contribuinte nada juntou aos autos que infirmasse tal constatação. Dessa forma, tendo em vista que o contribuinte limitouse a apresentar os demonstrativos a que se referiu no Relatório, sem nenhuma documentação hábil e Fl. 310DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10650.902305/200901 Acórdão n.º 1301001.575 S1C3T1 Fl. 311 7 idônea, que comprovasse os dados que dos demonstrativos constam, temse como não comprovada a existência do credito no total de R$65.939,96, não considerada no Despacho Decisório sob análise. Em sede de recurso voluntário, a contribuinte alega: Foi declarado na DIPJ Exercício 2001 Ano Base 2000, um saldo credor de IRPJ no valor de R$ 307.377,31, originados de recolhimentos efetivos por estimativa mensal (Cod.5993) e compensações de saldos credores de anos anteriores. Com base neste saldo, apresentamos a declaração de compensação (proc.10650.000773/200346), compensando parte deste crédito com débitos de IRPJ Estimativa Mensal com vencimentos em 28/02/2003, 31/03/2003 e 28/04/2003, conforme consta no referido processo, o qual anexamos. Não resta dúvida de que a Recorrente não anexou documentos para servir de lastro para as alegações trazidas por meio da Manifestação de Inconformidade anteriormente apresentada. Contudo, não identifico também, ao menos nos autos, intimação a ela dirigida no sentido de prestar esclarecimentos acerca dos valores que compuseram o crédito apontado no PER/DCOMP e que não foram confirmados. De qualquer forma, diante da afirmação da contribuinte de que o montante glosado (R$ 65.939,96) decorreu de compensação efetuada por meio do processo administrativo 10650.000773/200346, penso que caberia ao órgão julgador de primeira instância, a partir da informação de fls. 79 (extrato que indica que o processo em questão foi encaminhado, em 05 de janeiro de 2011, para um denominado ARQUIVO CORRENTE da Delegacia da Receita Federal em Uberaba), determinar que a unidade administrativa de origem (a referida Delegacia da Receita Federal em Uberaba) se pronunciasse sobre tal questão. Nessa linha, não me parece razoável manter o indeferimento, como fez a Turma Julgadora a quo, com base na simples alegação de que não foi aportada aos autos documentação comprobatória do sustentado na defesa apresentada. Aplicável, a meu ver, o disposto no art. 37 da Lei nº 9.784, de 1999, abaixo transcrito. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Diante das razões expostas, me pronunciei por meio da Resolução nº 1301 000.077, de 08 de agosto de 2012, no sentido de que o julgamento fosse convertido em diligência para que a unidade administrativa de jurisdição da contribuinte se pronunciasse acerca das compensações promovidas por meio do processo administrativo nº 10650.000773/200346. A INFORMAÇÃO FISCAL de fls. 298/299, produzida pela Delegacia da Receita Federal em Uberaba, trouxe aos autos os seguintes elementos: i) o processo nº 10650.000773/200346 tratou da compensação de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, no valor de R$ 65.939,96, com débitos relativos a estimativas mensais do período de janeiro a março de 2003, nos montantes respectivos de R$ 31.477,83, R$ 31.522,86 e R$ 2.939,27; Fl. 311DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10650.902305/200901 Acórdão n.º 1301001.575 S1C3T1 Fl. 312 8 ii) nos termos do despacho proferido nos autos do processo acima referenciado, efetuada a recomposição do resultado anual do anocalendário de 2002, foi apurado imposto a pagar no montante de R$ 32.736,48, motivo pelo qual não houve reconhecimento de qualquer direito creditório; iii) não obstante o disposto no item “ii” acima, as estimativas do período de janeiro a março de 2003 foram compensadas tacitamente, haja vista o disposto no parágrafo 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Conclui a Delegacia da Receita Federal em Uberaba que, por não ter ocorrido efetivamente a quitação das estimativas de IRPJ do período de janeiro a março de 2003, “não se pode admitir que elas sejam consideradas como antecipações do IRPJ do exercício 2004 (anocalendário 2003)”, razão pela qual entende que a decisão exarada por meio do Despacho de fls. 03 deve ser mantida. Embora entenda que o pronunciamento da Delegacia da Receita Federal reflete uma conseqüência desejável do ponto de vista da Administração Tributária (eis que sendo certa a ausência da efetiva extinção dos créditos tributários não se poderia admitir a consideração dos valores correspondentes como integrantes do crédito indicado para compensação), não encontro guarida na legislação de regência para que ele possa ser aplicado ao caso presente. Isto porque, uma vez extinta a estimativa por compensação, independentemente de ela, a compensação, ter se dado pela via expressa ou tácita, inexiste comando legal no sentido de excepcionar a sua consideração na apuração do resultado final do imposto. Aqui, não se trata de aplicar a norma de homologação tácita ao pedido de restituição que, de forma concomitante, é observado no procedimento de compensação tributária, mas, sim, de constatação de que os valores que integraram o crédito pleiteado pela contribuinte foram efetivamente extintos, inexistindo impedimento legal para que eles sejam considerados na apuração do saldo negativo. Notese ainda que, tendo sido satisfativa a decisão exarada no processo nº 10650.000773/200346, a contribuinte não exerceu o direito de contestar as conclusões apresentadas no despacho que concluiu pela ausência de saldo negativo, não sendo demais afirmar que, neste caso, tais conclusões revelamse contaminadas de incerteza. Diante do exposto, e considerando que os créditos que remanescem em discussão estão representados exatamente pelos valores correspondentes às estimativas dos meses de janeiro, fevereiro e março de 2003, que perfazem o montante de R$ 65.939,96, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 312DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10650.902305/200901 Acórdão n.º 1301001.575 S1C3T1 Fl. 313 9 Fl. 313DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
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