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Numero do processo: 11610.017131/2008-20
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
INOBSERVÂNCIA DA MODALIDADE DE ENTREGA SEMESTRAL. RESPONSABILIDADE OBJETIVA
O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, queda-se alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais.
Numero da decisão: 1002-000.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
Ailton Neves da Silva - Presidente.
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2006 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. INOBSERVÂNCIA DA MODALIDADE DE ENTREGA SEMESTRAL. RESPONSABILIDADE OBJETIVA O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, queda-se alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1333; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 56 1 55 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11610.017131/200820 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.177 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 09 de maio de 2018 Matéria IRPJ. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Recorrente ASSOCIAÇÃO ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL NOVA ACROPOLE DO BRASIL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. INOBSERVÂNCIA DA MODALIDADE DE ENTREGA SEMESTRAL. RESPONSABILIDADE OBJETIVA O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, quedase alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Ailton Neves da Silva Presidente. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 01 71 31 /2 00 8- 20 Fl. 56DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 48 e 49) interposto contra o Acórdão n° 0540.102, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP (efls. 38 à 41), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente. Decisão essa consubstanciada nos seguintes termos: O Impugnante admitiu ter entregue a declaração fora do prazo, reivindicando o benefício de redução previsto na Lei nº 11.727/2008. A Lei nº 10.426/2002 prevê a aplicação de multa para os casos de atraso na entrega de declaração: (...) A par dessas disposições, adveio em 2008 a Lei nº 11.727, que no art. 30 concedeu redução temporária das multas previstas no §3º, do art. 7º, da Lei nº 10.426: Art. 30. Até 31 de dezembro de 2008, a multa a que se refere o § 3º do art. 7º da Lei no 10.426, de 24 de abril de 2002, quando aplicada a associação sem fins lucrativos que tenha observado o disposto em um dos incisos do § 2º do mesmo artigo, será reduzida a 10% (dez por cento). (g.n.) A aplicação da norma mais benéfica requer a presença dos seguintes requisitos: a) entidade sem fins lucrativos; b) declaração entregue até 31 de dezembro de 2008; e c) cumprimento da obrigação acessória espontaneamente. Ocorre que o Impugnante não trouxe aos autos elementos comprovadores do primeiro requisito. O exame das telas do sistema CNPJ também não nos permite inferir, de forma segura, que o Impugnante não fora constituído com finalidade lucrativa. Desta forma, ante a ausência de elementos mínimos, não se verifica a aplicação condicionada do redutor legal de penalidade. Pelo exposto, e por tudo mais que dos autos consta, voto no sentido de considerar improcedente a impugnação, mantendo a penalidade imposta. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11610.017131/200820 Acórdão n.º 1002000.177 S1C0T2 Fl. 57 3 Os argumentos apresentados na Impugnação são reiterados em sede de Recurso Voluntário, de modo que pretende a Contribuinte a redução da multa ao patamar de 10% (dez por cento); punição esta derivada do descumprimento de obrigação acessória, oriunda do atraso na entrega da DCTF do anocalendário de 2006. Entende que tal direito decorre do art. 30, da Lei nº 11.727/08, pois se enquadra como "associação sem fins lucrativos", conforme atesta mediante estatuto social colacionado aos autos dentro do prazo recursal (efls. 78 e 79). É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Relator .O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. De início, resta evidenciado atraso na entrega das DCTF's do anocalendário de 2006 (primeiro e segundo semestres). Ademais, fazse mister afastar o argumento da Recorrente, no sentido de se enquadrar uma associação sem fins lucrativos. Isso porque seu novo estatuto, o qual aponta esta qualidade, foi registrado apenas em 06 de dezembro de 2006 (sob o número 109.365, no 6º Oficial de Registro de Títulos e Documentos e Civil de Pessoa Jurídica de São Paulo/SP). Assim, é imperativo reconhecer que até 06/12/2006 a Recorrente não era enquadrada como uma associação sem fins lucrativos. E tal aspecto por si só representa autorizativo da manutenção do montante integral da multa aplicada. Insta pontuar que a redação do art. 30, da Lei nº 11.727/08 permite a hermenêutica monolítica no sentido de apenas reduzir a multa ao patamar de 10% àquelas associações que à época da autuação fossem tidas como sem fins lucrativos. Em outras palavras, a questão cinge ao estrito enquadramento da Recorrente como "associação sem fins lucrativos", o qual só veio ocorrer formalmente em dezembro de 2006. Destarte, tornase inviável conceder a indigitada benesse da redução da multa, sob pena de se extrapolar o hialino comando do permissivo legal. Adicionando ao argumentos acima, assevero que tanto na instituição, quanto na aplicação da multa pelo descumprimento da obrigação acessória, a base legal do lançamento consta no referido artigo 7º da Lei nº 10.426, de 2002, o qual criou uma regra específica de sanção para o descumprimento da obrigação relativa às declarações DIPJ, DCTF, DIRF e DACON. Destaco, ainda, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo cobrado. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, nasce um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, converte se em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). Fl. 58DF CARF MF 4 Por fim, repiso que o caráter punitivo da multa decorre de seu viés objetivo, sendo irrelevante a alegação de equívoco por parte da Contribuinte. Isso porque reprimenda quedase alheia à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. Eis que a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional. Conclusão Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.913707/2009-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
Ementa:
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NA DECLARAÇÃO.
A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente (art. 19 da MP 1.990-26/1999, em vigor em virtude da EC 32/2001), devendo ser reconhecida, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. No caso dos autos, o contribuinte não logrou êxito em comprovar a existência do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 1301-002.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NA DECLARAÇÃO. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente (art. 19 da MP 1.990-26/1999, em vigor em virtude da EC 32/2001), devendo ser reconhecida, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. No caso dos autos, o contribuinte não logrou êxito em comprovar a existência do crédito pleiteado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild.
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ERRO NA DECLARAÇÃO. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente (art. 19 da MP 1.99026/1999, em vigor em virtude da EC 32/2001), devendo ser reconhecida, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. No caso dos autos, o contribuinte não logrou êxito em comprovar a existência do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 37 07 /2 00 9- 22 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10480.913707/200922 Acórdão n.º 1301002.897 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Cuida o presente processo de pedido de compensação DCOMP, o qual visa compensar crédito de CSLL com débito de sua responsabilidade, a título de pagamento indevido ou a maior da contribuição apurada. A DRF, por meio de Despacho Decisório, ao analisar as informações prestadas na referida DCOMP, acabou por não homologar a compensação declarada por entender que não há crédito disponível para compensação dos débitos informados no pedido de compensação, tendo em vista que os pagamentos foram integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte. Inconformado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando em síntese que apurava o imposto e a contribuição com o percentual presumido de 32%, enquanto o correto seria de 8% e 12%, respectivamente. Dessa forma, o contribuinte requer a homologação dos despachos decisórios, bem como o devido reconhecimento dos recolhimentos antecipados e a inclusão da DCTF retificadora para o processo do crédito. A decisão da DRJ prolatou o Acórdão mantendo a negativa em relação a compensação, uma vez que constatou que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Contra a decisão, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiteirando os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, destacando, destacando o seu equívoco quando da apuração de base de cálculo do IPRJ e CSLL, o que não obstaria o seu direito creditório. Eis a síntese do necessário. Passo a decidir. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301002.889, de 16.03.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10480.913699/200914, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301002.889): Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10480.913707/200922 Acórdão n.º 1301002.897 S1C3T1 Fl. 4 3 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, dele, portanto, conheço. Tratase de procedimento de Declaração de Compensação em que se almeja a extinção de débito com suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, conforme DARF e DCTF apresentada. Ocorre que, a Fiscalização, após realizada análise das bases dos sistemas disponíveis da Receita Federal, verificou que os pagamentos tidos como indevidos ou a maior foram utilizados integralmente para a extinção anterior de débito do contribuinte, não havendo direito creditório em favor do contribuinte. Ao analisar a documentação apresentada pela contribuinte, a decisão de primeira instância concluiu o quanto segue: A DRF/Recife constatou a existência do pagamento, todavia observou que o recolhimento fora vinculado ao próprio débito da CSLL apurado no 1º trimestre do anocalendário de 2008, conforme declarado em DCTF pela contribuinte. Dessa forma, não poderia a autoridade a quo ter reconhecido crédito algum, dado que o valor recolhido já fora, ao tempo do decisório, integralmente alocado a débito regularmente confessado pelo sujeito passivo. E, não sendo líquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua compensação para extinguir débitos do sujeito passivo (art. 170 do Código Tributário Nacional CTN) nessa esteira, em vão a discussão acerca dos índices de presunção. Por fim, não é possível observar a declaração retificadora para efeito de reconhecimento da disponibilidade do crédito, pois que apresentada após o despacho decisório uma vez que a disponibilidade do crédito é pressuposto da homologação da compensação, o despacho decisório não prescinde de seu prévio reconhecimento. Em sua defesa, a Recorrente se insurge alegando que apurou de modo equivocado toda sua base de cálculo de IRPJ e CSLL do período da autuação, no percentual de 32%, tanto para serviços realizados com emprego de materiais como para os realizados sem materiais não fazendo assim a devida distinção entre eles, para fins apuração do imposto e contribuição devida, conforme o arts. 15 e 20 da Lei 9.249/95, in verbis: Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10480.913707/200922 Acórdão n.º 1301002.897 S1C3T1 Fl. 5 4 Com base na leitura supra, a Recorrente alega que, em regra, aplicamse os percentuais de 8% e de 12% sobre a receita bruta auferida na determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, respectivamente, às pessoas jurídicas optantes ao lucro presumido ou estimado. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10480.913707/200922 Acórdão n.º 1301002.897 S1C3T1 Fl. 6 5 Adiante, colaciona o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 06/97 , que interpretou o art. 15 da Lei 9.249/95, ao declarar que: I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo para o imposto de renda será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, ou seja, sem o emprego de materiais II As pessoas jurídicas enquadradas no inciso I, letra "a" deste Ato Normativo, não poderão optar pela tributação com base no lucro presumido. Destacou que a partir de 1ª de janeiro de 1999, o emprego de materiais pelas empreiteiras passou a não mais constituir impedimento à opção das empresas pela tributação através do lucro presumido, como estabelece o art. 14 da Lei 9718/98. Assim, a vedação para a opção do lucro presumido contida no ato normativo supracitado, em seu inciso II, foi extinta a partir dessa data. Assim, trouxe aos autos, que a Recorrente obteve a Solução de Consulta nº 41 SRRF/4ª RF/DISIT de 19 de agosto de 2008, estabelecendo que a pessoa jurídica que apure o IRPJ e CSLL com base no resultado presumido e que exerça a atividade construção por empreitada, com emprego de mãodeobra e materiais, em qualquer quantidade, deverá aplicar os percentuais de 8% e de 12% sobre a receita bruta auferida, na determinação da base de cálculo do imposto e da contribuição (DOC 02 do Recurso). Com efeito, a Recorrente informa retificou a DCTF posteriormente ao despacho decisório emitido pela DRF competente, o que impossibilitou o agente fiscal a verificar o pagamento a maior de forma eletrônica. Juntou a DCTF retificada (DOC 03 do Recurso) para visualização do crédito pleiteado (DOC 04 do Recurso) que consubstanciou a DCOMP (DOC 05 do Recurso), visando a sua homologação, conforme se extrai da tabela abaixo: [...] Adicionalmente, pugnou pela verdade material relativa aos fatos tributários, de modo que juntou provas que corroboram suas alegações. Pois bem, o cerne da questão cingese no direito creditório pleiteado pela Recorrente gerado por ocasião da retificação da DCTF, quando a alíquota de presunção de sua atividade para fins de IRPJ seria a de 8%.(atividade de mão de obra e materiais) e 12% (sobre a receita bruta auferida) em vez de Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10480.913707/200922 Acórdão n.º 1301002.897 S1C3T1 Fl. 7 6 32%, conforme orientação jurisprudencial dos tribunais superiores. Inicialmente entendo pela possibilidade de retificação da DCTF, posto que a legislação em vigor prevê que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente (art. 19 da MP 1.99026/1999, em vigor em virtude da EC 32/2001). Assim, em regra, a última declaração apresentada pelo contribuinte é a que prevalece para todos os fins. Ressaltase ainda que o processo administrativo fiscal regese pelo princípio da verdade material, segundo o qual fatos inexistentes ou erros evidentes não devem prosperar em detrimento da verdade material, inobstante a presunção de veracidade relativa dos atos administrativos. Igualmente, em decorrência deste princípio, impõese sejam sanadas as falhas, omissões e enganos eventualmente cometidos pelo Fisco. No entanto, a Recorrente não trouxe aos autos autos nenhuma prova do alegado erro do percentual de presunção, de forma a evidenciar suas receitas individualmente, permitindo o confronto com sua alegação. Nesse ponto, ressalvo que a atividade probatória é fundamental à convicção daqueles que não participaram do procedimento de ofício, configurandose imperiosa para a inteligibilidade dos motivos de fato e de direito que embasaram a exigência fiscal, bem como para a análise do conteúdo do Auto de Infração. A exigência do crédito tributário deve ser sempre pautada em elementos probatórios sólidos para fins de comprovação do ilícito. Dessa forma, ao Fisco incumbe apresentar os elementos probatórios que comprovem a ocorrência do fato gerador, bem como o não cumprimento da obrigação tributária pelo contribuinte. Por sua vez, o contribuinte poderá apenas negar os fatos alegados pelo Fisco ou, ainda, poderá alegar outro fato que ateste a inexistência do fato objeto da autuação, incumbindolhe produzir provas somente para consubstanciar fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. No caso concreto, incube a Recorrente o ônus da prova, isto é, o dever de prova existência do crédito pleiteado, por meio de documentos hábeis e idôneos. Entendo, pois, não restou provado a alegação do erro do percentual de presunção. Diante o exposto, conheço do Recurso Voluntário, para no mérito negarlhe provimento. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10480.913707/200922 Acórdão n.º 1301002.897 S1C3T1 Fl. 8 7 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10480.913707/200922 Acórdão n.º 1301002.897 S1C3T1 Fl. 9 8 Fl. 168DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.001468/2006-20
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Data do Fato Gerador: 01/01/2002
SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. EFEITO DECLARATÓRIO. ATIVIDADE VEDADA.
Consoante o que dispõe a legislação do Simples Federal, Lei 9.317, de 1996, é cabível a exclusão da pessoa jurídica quando incorrer em situação vedada (atividades desportivas).
O ato de exclusão do Simples possui natureza declaratória, que atesta que o contribuinte já não preenchia os requisitos de ingresso no regime desde data pretérita, efeito esse que não guarda nenhuma relação com o princípio da irretroatividade, que se aplica a litígios envolvendo confrontos entre vigência da lei e data dos fatos.Os efeitos do ato de exclusão do Simples Federal devem observar o disposto na legislação de regência.
No caso de contribuintes que fizeram a opção pelo SIMPLES Federal até 27 de julho de 2001, constatada uma das hipóteses de que tratam os incisos III a XIV, XVII e XVIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996, os efeitos da exclusão dar-se-ão a partir de 1º de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002 (Súmula CARF n.º 56).
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. MATÉRIA SUMULADA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2).
Recurso Voluntário Negado
Sem crédito em Litígio
Numero da decisão: 1002-000.215
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: 00962070432 - CPF não encontrado.
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EXCLUSÃO. EFEITO DECLARATÓRIO. ATIVIDADE VEDADA. Consoante o que dispõe a legislação do Simples Federal, Lei 9.317, de 1996, é cabível a exclusão da pessoa jurídica quando incorrer em situação vedada (atividades desportivas). O ato de exclusão do Simples possui natureza declaratória, que atesta que o contribuinte já não preenchia os requisitos de ingresso no regime desde data pretérita, efeito esse que não guarda nenhuma relação com o princípio da irretroatividade, que se aplica a litígios envolvendo confrontos entre vigência da lei e data dos fatos.Os efeitos do ato de exclusão do Simples Federal devem observar o disposto na legislação de regência. No caso de contribuintes que fizeram a opção pelo SIMPLES Federal até 27 de julho de 2001, constatada uma das hipóteses de que tratam os incisos III a XIV, XVII e XVIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996, os efeitos da exclusão darseão a partir de 1º de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002 (Súmula CARF n.º 56). PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2). Recurso Voluntário Negado Sem crédito em Litígio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 14 68 /2 00 6- 20 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13896.001468/200620 Acórdão n.º 1002000.215 S1C0T2 Fl. 62 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 79/87) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 34/38), proferida em sessão de 05/07/2007, consubstanciada no Acórdão n.º 0518.412, da 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP (DRJ/CPS), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 2/15) que pretendia desconstituir o Ato Declaratório Executivo DRF/OSA n.º 559, de 02 de agosto de 2004 (efl. 24), que excluiu o contribuinte do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples, com efeitos a partir de 1.º de janeiro de 2002, nos termos do artigo 9º, inciso XIII, artigo 12, artigo 14, I, artigo 15, II, da Lei nº 9.317/1996, tendo sido assim ementada a decisão vergastada: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 ATIVIDADES DESPORTIVAS. ATIVIDADE IMPEDITIVA. OPÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A pessoa jurídica que presta serviços de atividades desportivas não pode optar pelo Simples. Solicitação Indeferida Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13896.001468/200620 Acórdão n.º 1002000.215 S1C0T2 Fl. 63 3 Trata o processo de exclusão da sistemática do Simples, por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/OSA n.º 559.237, de 2 de agosto de 2004 (fl.21), em virtude de o contribuinte exercer atividade econômica não permitida Código CNAE 92614/99 (outras atividades desportivas). O contribuinte apresentou SRS que foi indeferida, por entender a DRF que se trata de matéria de direito. Cientificado do ato de exclusão em 21/08/2006 (fl.24), apresentou manifestação de inconformidade de fls.01/14, em 19/09/2006, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: A sociedade atua no ramo de prática de atividades desportivas, a qual não está expressamente vedada; Quando da solicitação do seu enquadramento não sofreu qualquer espécie de restrição por parte da Receita Federal, motivo pelo qual entende ter direito adquirido a opção efetuada; Sua atividade não depende de habilitação profissional legalmente exigida; Cita o art. 179 da Constituição Federal que fala do tratamento diferenciado a que estão sujeitas as microempresas e empresas de pequeno porte; Alega ofensa ao princípio da isonomia e diz que a única exigência cabível para pessoa jurídica optar pelo Simples é o limite de seu faturamento; Discorda da irretroatividade dos efeitos da exclusão, pois a lei não pode retroagir para prejudicálo, tendo em conta a aplicação do bom senso e da justiça; Comenta sobre o ato jurídico perfeito e diz que o princípio da moralidade deve reger as relações entre os Estados e os indivíduos; Sempre teve intenção inequívoca de aderir ao Simples, cumprindo com todas exigências legais e que a exclusão implicaria em uma responsabilidade tributária maior do que sua capacidade financeira poderia arcar, fato que acarretaria o encerramento de suas atividades. A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ. Primeiro, o juízo a quo ponderou que os órgãos administrativos de contencioso não podem apreciar questões relacionadas a suposta transgressões de atos legais e a princípios constitucionais. Segundo, a primeira instância estabeleceu que a Administração Tributária tem o dever de agir de ofício, sendo sua atividade vinculada e obrigatória, não cabendo nenhuma discricionariedade, devendo obedecer os ditames legais e, por isso, sendo a atividade do contribuinte vedada, deve manter a exclusão. Terceiro, a DRJ decidiu que, ainda que haja empresas com faturamento dentro dos parâmetros do Simples, a legislação pode estabelecer vedações, como no caso dos autos para a atividade do contribuinte. Quarto, estabeleceu que o contribuinte foi excluído por exercer atividades desportivas, que é atividade vedada, vez que não pode optar pelo Simples quem exerce atividades de professor, fisicultor, ou assemelhados, no que entende se incluir atividades desportivas, inclusive explica que o termo "assemelhados" tem um sentido não exaustivo para adicionar qualquer atividade de prestação de serviço que tenha similaridade ou semelhança com as enumeradas e conclui que bastaria o exercício da prestação dos serviços de atividades desportivas e treinamento para que a opção pelo Simples seja vedada, ainda que os serviços sejam prestados por outro tipo de profissional ou pessoa não qualificada, pois se terá o exercício de atividades assemelhadas à de professor. Quinto, diz que as atividades do CNAE Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13896.001468/200620 Acórdão n.º 1002000.215 S1C0T2 Fl. 64 4 pressupõe o concurso profissional de educação física, atividade regulamentada (professor, fisicultor, ou assemelhados). Por fim, ponderou que os efeitos da exclusão devem se processar a partir de 1º de janeiro de 2002, isto porque, na verdade, há um efeito declaratório, vez que as atividades do contribuinte já o impediam de ingressar/permanecer na sistemática do Simples, tendose efetuado a opção por conta e risco e, portanto, sujeito à fiscalização posterior. Neste ponto a DRJ esclareceu que o fato do contribuinte ter efetuado opção, sem que houvesse manifestação da Administração Tributária já naquele momento, não impede a apreciação posterior da legalidade do ato de opção, visto que a opção é faculdade do próprio contribuinte, que a exerce se e quando o quiser, sujeitandose, apenas, ao controle posterior da fiscalização, tendente a verificar a regularidade. Inconformado com a decisão a quo, sobreveio recurso voluntário no qual, em resumo reiterou os termos da manifestação de inconformidade. Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário apresentase tempestivo (efls. 39/40 e 42, face a intimação em 28/11/2010 e o protocolo em 16/12/2008), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Isto porque, trata de exclusão do Simples, desvinculado do crédito tributário. Eventual crédito tributário não é exigido nestes autos, bem como não visualizo qualquer critério que justifique a vinculação destes autos a eventual processo de exigibilidade do crédito tributário, não verificando a aplicação de quaisquer das formas de vinculação constantes do art. 6.º, § 1.º, do Anexo II, do RICARF. Sendo assim, a competência é desta Colenda Turma Extraordinária por cuidar os autos de exclusão do Simples, desvinculado de exigência de crédito tributário, a indicar a aplicação do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, dele conheço. Mérito Quanto ao mérito, entendo que não assiste razão ao recorrente. Inicialmente, enfrento as teses da violação da Constituição, especialmente art. 179, e dos Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13896.001468/200620 Acórdão n.º 1002000.215 S1C0T2 Fl. 65 5 princípios tributários constitucionais, irretroatividade, isonomia tributária, capacidade contributiva, ato jurídico perfeito e moralidade. Pois bem. Quanto as relativas matérias constitucionais e de legalidade invocadas no Recurso Voluntário, temse que destacar a Súmula CARF n.º 2 dispondo que: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." A referida súmula teve por suporte os seguintes paradigmas: Acórdão n.º 10194876, de 25/02/2005, Acórdão n.º 10321568, de 18/03/2004, Acórdão n.º 105 14586, de 11/08/2004, Acórdão n.º 10806035, de 14/03/2000, Acórdão n.º 10246146, de 15/10/2003, Acórdão n.º 20309298, de 05/11/2003, Acórdão n.º 20177691, de 16/06/2004, Acórdão n.º 20215674, de 06/07/2004, Acórdão n.º 20178180, de 27/01/2005, Acórdão n.º 20400115, de 17/05/2005. Por corolário lógico, não há que se admitir matérias que pretendem discutir constitucionalidade, limites constitucionais e controle de legalidade de atos normativos, caso contrário, estaria sendo declarada uma inconstitucionalidade incidenter tantum de norma infraconstitucional, o que é vedado no Regimento Interno do CARF (art. 62, Anexo II, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 2015), havendo que se respeitar, demais disto, o enunciado da Súmula CARF n.º 2, acima mencionado. Observese, igualmente, o disposto no art. 26A do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, com redação dada pela Lei n.º 11.941, de 2009, que enuncia o mesmo entendimento ao dispor que: "No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." Sendo assim, afasto as referidas teses da violação da Constituição, especialmente art. 179, e dos princípios tributários constitucionais, irretroatividade, isonomia tributária, capacidade contributiva, ato jurídico perfeito e moralidade. Quanto a controvérsia principal da exclusão do Simples, observo que não há efetiva controvérsia quanto ao exercício de atividades desportivas. Discute a contribuinte se tais atividades seriam vedadas, pois insiste que a única vedação seria o faturamento, que a opção foi feita e não houve indeferimento imediato e que as atividades que desempenha não exigem habilitação profissional. Entendo, no entanto, que assiste razão a fiscalização, face a circunstância das atividades desportivas, efetivamente, estarem ligadas a atividade regulamentada de educação fiscal. Penso, assim, que as referidas atividades são vedadas no Simples, nos termos do artigo 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/1996. Portanto, não vejo óbice no Ato Declaratório de exclusão. Ao meu ver, a norma é bastante clara, não gerando maiores dúvidas, demais disto a fundamentação da fiscalização e o acórdão da DRJ se apresentam bem motivados e não merecem reparos. Não demonstrou o contribuinte fatos e circunstâncias novos aptos a desconstituírem os argumentos da decisão recorrida. Transcrevo, pela oportunidade, a ementa de outro precedente do CARF, Acórdão n.º 180300.714, com igual entendimento, verbis: Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13896.001468/200620 Acórdão n.º 1002000.215 S1C0T2 Fl. 66 6 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADES DESPORTIVAS. As academias de ginástica e musculação estão excluídas da sistemática do Simples, por desenvolverem atividade de prestação de serviço profissional assemelhado ao de professor. EFEITOS DA EXCLUSÃO. Para as pessoas jurídicas enquadradas na hipótese do inciso XIII, do art. 9° da Lei n° 9.317/1996, que tenham optado pelo Simples até 27 de julho de 2001, o efeito da exclusão darseá a partir de 1º de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. De mais a mais, os efeitos da exclusão são declaratórios e, por conseguinte, retroagem. Isto porque, o ato tem amparo legal no art. 16, bem como no art. 9º, inciso XIII, nos arts. 12, 14, inciso I, todos da Lei nº 9.317, de 1996, bem como no inciso II do art. 15 da Lei 9.317, de 1996, com a redação vigente na época, preceituava que o efeito da exclusão deve ter efeitos a partir do mês subsequente ao que for incorrida a situação excludente e não o momento em que procedida a exclusão, tão pouco o momento em que se tornar definitiva a decisão administrativa que discute a exclusão. Nessa esteira, os efeitos da citada exclusão devem retroagir. Nesse sentido, cito o Acórdão do CARF n.º 1301001.523, assim ementado: EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. IRRETROATIVIDADE. ATO DECLARATÓRIO. O ato de exclusão do Simples possui natureza declaratória, que atesta que o contribuinte já não preenchia os requisitos de ingresso no regime desde data pretérita, efeito esse que não guarda nenhuma relação com o princípio da irretroatividade, que se aplica a litígios envolvendo confrontos entre vigência da lei e data dos fatos. Com igual posicionamento, destaco: Acórdãos ns.º 2202003.552, da 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, sessão de 20/10/16; 1302002070, da 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, sessão de 21/03/17; 1201001.843, da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, sessão de 15/08/2017. Temse que destacar a Súmula CARF n.º 56 preceituando que: "No caso de contribuintes que fizeram a opção pelo SIMPLES Federal até 27 de julho de 2001, constatada uma das hipóteses de que tratam os incisos III a XIV, XVII e XVIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996, os efeitos da exclusão darseão a partir de 1º de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002." Referida súmula teve por paradigmas: Acórdão nº 30335.893, de 11/12/2008 Acórdão nº 39300.032, de 30/09/2008 Acórdão nº 30238.888, de 09/08/2007 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13896.001468/200620 Acórdão n.º 1002000.215 S1C0T2 Fl. 67 7 Acórdão nº 30238.210, de 09/11/2006 Acórdão nº 30333.776, de 09/11/2006 Acórdão nº 30132.695, de 26/04/2006. Por conseguinte, concluise que o ato de exclusão do Simples pode ter efeitos retroativos, para tanto devendo observar o disposto na legislação de regência. Considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe negar provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 67DF CARF MF
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Numero do processo: 10805.720006/2008-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 20/09/2004, 24/09/2004, 30/09/2004, 08/10/2004
CRÉDITOS FINANCEIROS. DECISÃO JUDICIAL. LIMITES DA CONTENDA. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Os limites da decisão judicial, em tema de repetição/compensação de créditos financeiros (indébitos tributários) contra a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial pendente de trânsito em julgado, com débitos tributários vencidos, devem ser criteriosamente observados pelo contribuinte e pela Autoridade Administrativa competente, inclusive quanto à homologação de Dcomp.
DCOMP. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO FINANCEIRO. DISCUSSÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE.
Inexiste amparo legal para a homologação de compensação de crédito financeiro contra a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, com débito tributário estranho à respectiva ação judicial, ou seja, cuja compensação não foi pleiteada na ação, antes do trânsito em julgado.
É vedada a homologação de Dcomp em que se utilizou crédito financeiro contra a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, quando a própria decisão condiciona sua realização ao trânsito em julgado da ação.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-006.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/09/2004, 24/09/2004, 30/09/2004, 08/10/2004 CRÉDITOS FINANCEIROS. DECISÃO JUDICIAL. LIMITES DA CONTENDA. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os limites da decisão judicial, em tema de repetição/compensação de créditos financeiros (indébitos tributários) contra a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial pendente de trânsito em julgado, com débitos tributários vencidos, devem ser criteriosamente observados pelo contribuinte e pela Autoridade Administrativa competente, inclusive quanto à homologação de Dcomp. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO FINANCEIRO. DISCUSSÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste amparo legal para a homologação de compensação de crédito financeiro contra a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, com débito tributário estranho à respectiva ação judicial, ou seja, cuja compensação não foi pleiteada na ação, antes do trânsito em julgado. É vedada a homologação de Dcomp em que se utilizou crédito financeiro contra a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, quando a própria decisão condiciona sua realização ao trânsito em julgado da ação. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 00 06 /2 00 8- 51 Fl. 877DF CARF MF Processo nº 10805.720006/200851 Acórdão n.º 9303006.467 CSRFT3 Fl. 878 2 Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pelo contribuinte contra o acórdão nº 3402001.852, de 29/07/2012, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme ementa transcrita abaixo: "PIS PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CRÉDITO APURADO EM PROCESSO JUDICIAL COMPENSAÇÃO PRESSUPOSTOS LEGAIS ART. 170A DO CTN E ART. 74 DA LEI Nº 9430/96. Não se confundem os objetos da ação judicial de repetição do indébito tributário (arts. 165 a 168 do CTN) e da forma de sua execução, que se pode dar mediante compensação (art. 170 e 170A do CTN; art. 66 da Lei nº 8383/91; art.74 da Lei 9430/96), com as atividades administrativas de lançamento tributário, sua revisão e homologação, estas últimas atribuídas privativamente à autoridade administrativa, nos expressos termos dos arts. 142, 145, 147, 149 e 150 do CTN. Embora a decisão judicial, que declare ser restituível e compensável determinado crédito, sirva de título para a compensação no âmbito do lançamento por homologação, esta última somente se efetiva após o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito à repetição do indébito tributário, e mediante a entrega pelo sujeito passivo, da declaração administrativa legalmente prevista, da qual devem necessariamente constar as informações relativas aos supostos créditos utilizados e aos respectivos débitos a serem compensados. O art. 170A do CTN, inserido pela Lei Complementar 104/2001, é aplicável aos pedidos de compensação formulados após a sua vigência." Contra essa decisão, o contribuinte interpôs Embargos de Declaração alegando contradição e omissão. Contudo, os embargos foram rejeitados nos termos do Despacho às fls. 623e/627e. No Recurso Especial às fls. 635e/654e, o contribuinte insurgiu contra a não homologação das Dcomp, alegando, em síntese, que o disposto no art. 170A do Código Tributário Nacional (CTN) não se aplica ao presente caso, tendo em vista que a ação judicial em que discutiu o seu direito de repetir/compensar os indébitos tributários, objeto do Per/Dcomp em discussão, foi impetrada antes da vigência daquele dispositivo legal. Fl. 878DF CARF MF Processo nº 10805.720006/200851 Acórdão n.º 9303006.467 CSRFT3 Fl. 879 3 Por meio do Despacho de Exame de Recurso Especial às fls. 762e/766e, o Presidente Substituto da Terceira Seção do CARF negou seguimento ao recurso especial. Irresignado, o contribuinte apresentou Agravo Regimental que foi analisado e rejeitado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos termos do despacho às fls. 810e/811e. Intimado daquele despacho, o contribuinte interpôs mandado de segurança (100211176.2017.4.01.0000) visando o seguimento de seu recurso especial e, consequentemente, sua análise e julgamento por esta 3ª Turma. Inicialmente, a liminar foi negada. Contudo, apresentado o respectivo Agravo, a Exa. Excelência Sra. Desembargadora Federal Maria do Carmo Federal deferiu o pedido de antecipação de tutela recursal, determinando o processamento do recurso especial interposto pelo contribuinte. Intimada da decisão judicial, a Fazenda Nacional não apresentou contrarrazões (fls. 859e). É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O Recurso especial do contribuinte foi apresentado com observância do prazo previsto, sem contudo, atender o disposto no art. 67 do RICARF. No entanto, por força da liminar concedida pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, cópia às fls. 843e/845e, que determinou o seu processamento, dele tomo conhecimento. A matéria em discussão restringese ao direito de se compensar crédito financeiro (indébito tributário) contra a Fazenda Nacional, em discussão judicial, antes do trânsito em julgado da respectiva ação judicial, com débito tributário vencido. Inicialmente, destacase que, no presente caso, não se aplica o disposto no art. 62A do RICARF, para que seja adotada a decisão do STJ, no julgamento do REsp nº 1.164.452/MG, sob o rito do art. 543C do CPC. No julgamento do STJ, tanto o crédito financeiro (indébito tributário) como os débitos tributários compensáveis foram objetos da ação judicial, ou seja, foram indicadas as espécies dos créditos pleiteados na discussão judicial e dos débitos tributários compensáveis e/ ou compensados, conforme disposto no art. 66, § 1º da Lei nº 8.383/1991. Além disto, na ação judicial julgada por aquele Tribunal Superior, não havia decisão de segunda instância transitada em julgado que condicionava à compensação do crédito financeiro contra a Fazenda Nacional, somente a partir do trânsito em julgado da respectiva decisão, e ainda limitava a compensação com débitos da mesma espécie. Fl. 879DF CARF MF Processo nº 10805.720006/200851 Acórdão n.º 9303006.467 CSRFT3 Fl. 880 4 No pressente caso, o contribuinte impetrou, inicialmente, em 30/05/1994, medida cautelar, com pedido de liminar, visando assegurar o exercício do seu direito de compensar créditos financeiros decorrentes de recolhimentos indevidos do PIS, com débitos tributários da mesma espécie. Segundo o MM Juiz Federal que julgou a cautelar, nessa ação consignou, literalmente "Aqui, a medida não pretende a compensação em si, mas tem o declarado propósito de assegurar o seu exercício sem as limitações da Instrução Normativa nº 67/92, no que impugnada pelo (a,s) Autor (a, s, es)." A limiar foi deferida nos seguintes termos: "Vislumbro, assim, o fumus boni iuris, na pretensão do (a,s) Requerente (s) em obter (em) a correção plena do valor a ser compensado e bem ainda que tal compensação se faça entre tributos da mesma espécie (v.g. PIS com COFINS) e não limitada aos que tenham idêntico código de arrecadação, o que é bem diverso. Todavia, não vejo óbice à previsão de que a compensação, quando exigida por aquele ato, se faça sob os auspícios da autoridade administrativa, previsão que, afinal, se insere nas condições genéricas a que se referem o art. 170,do CTN, e o parágrafo 4º do art. 66 da Lei nº 8383/91. Em decorrência, presente também o periculum in mora nos limites analisados, em face da postura do (a,s,es) Autor(a,s,es) e da possibilidade de cominações fiscais, defiro parcialmente a liminar, a fim de que, perante a repartição competente, quando couber, seja admitida a compensação apenas entre tributos com o mesmo código de arrecadação, mas se estendendo aos de igual espécie (artigo 40 do CTN), respeitada a correção integral do valor a ser compensado. Ressalvado, porém, à autoridade fazendária, a plena fiscalização sobre os demais aspectos não objeto desta liminar, quanto ac respectivo procedimento de compensação, inclusive números que instruem os autos." (destaque não original) Na ação principal (98.03.0361848), o contribuinte pleiteou o reconhecimento do seu direito à compensação dos valores pagos a maior, a título de PIS, com base nos Decretoslei nº 2.445 e 2.449, ambos de 1998, com débitos do próprio PIS, da Cofins, da CSLL e do IRPJ. O Juízo "a quo" julgou, em 29/07/1996, o pedido parcialmente procedente nos seguintes termos: "Ante o exposto e considerando tudo o mais que dos autos consta, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE o pedido formulado, para o fim de: (i) reconhecer a inconstitucionalidade dos Decretoleis nºs 2.445 e 2.449, de 1988 e, por conseqüência, assegurar o direito de a parte autora recolher a contribuição destinada ao PIS pela sistemática da Complementar LC 7/70 e legislação que lhe sobreveio; Fl. 880DF CARF MF Processo nº 10805.720006/200851 Acórdão n.º 9303006.467 CSRFT3 Fl. 881 5 (ii) declarar que a parte autora tem direito de compensar, a partir do trânsito em julgado desta sentença (porquanto é este o título, liquido e certo que mune a autora para a compensação, o qual só surte efeito depois de confirmado em Superior Instancia 475 e II, do CPC), os valores efetiva e indevidamente recolhidos a titulo do PIS questionado tal como comprovados nos autos, excedentes da sistemática a que se encontra higidamente submetida à correção dos créditos tributários, com o valor das contribuições vincendas, relativas ao próprio PIS, compensação que se defere nos termos do art. 66 e §§ da Lei nº 8.383/91." (destaque não original) Na apelação, o contribuinte requereu a reforma parcial da sentença apenas e tão somente para que fosse determinada a aplicação dos expurgos inflacionários aos valores compensáveis (indébitos tributários do PIS), conforme prova a cópia do Relatório do julgamento no TRF da 3ª Região às fls. 51e/52e, e também da apelação às fls. 294e. Assim, transitou em julgado a decisão que autorizou a compensação dos indébitos do PIS, somente a partir do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, e a limitou aos tributos vencidos/vincendos do próprio PIS. Inconformado com a decisão de 2ª Instância (TRF/3ª) que determinou a atualização monetária dos créditos financeiros (indébitos do PIS) a serem repetidos/compensados pelos mesmos índices utilizados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para cobrança dos débitos tributários federais, o contribuinte apresentou Recursos, Especial e Extraordinário, visando à atualização com aplicação dos expurgos inflacionários. O Recurso Extraordinário não foi admitido, conforme decisão às fls. 393e. Já o Especial foi admitido, nos termos da decisão às fls. 394e. No julgamento do recurso especial, o STJ deulhe provimento parcial, para reconhecer o direito de o contribuinte ter seus créditos financeiros (indébitos do PIS), corrigidos pelos índices constantes do Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos da Justiça Federal, aprovado pela Resolução 561/CJF, de 02/07/2007, conforme ementa às fls. 427e, relatório às fls. 428e. Segundo a Certidão de Objeto e Pé, às fls. 516e/517e, o acórdão transitou em julgado na data de 14 de agosto de 2008. Conforme demonstrado, a decisão judicial que reconheceu o direito de o contribuinte repetir/compensar os indébitos do PIS, limitou a compensação com indébitos do próprio PIS e somente depois do trânsito em julgado da respectiva decisão. Além disto, conforme se verifica da ação judicial, o contribuinte não pleiteou a compensação dos créditos financeiros (indébitos do PIS) com débitos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), mas apenas com débitos do próprio PIS, da Cofins, da CSLL e do IRPJ. Contudo, a decisão judicial limitou a compensação somente com débitos do PIS e depois do trânsito em julgado. No presente caso, o contribuinte transmitiu as Dcomp entre as datas de 29/09/2004 e 08/10/2004, visando à compensação dos créditos financeiros (indébitos do PIS), com débitos vencidos de IPI, bem depois da data da decisão de Segunda Instância, em Fl. 881DF CARF MF Processo nº 10805.720006/200851 Acórdão n.º 9303006.467 CSRFT3 Fl. 882 6 29/07/1996, que condicionou a compensação, a partir do trânsito em julgado e somente com débitos do próprio PIS e/ ou da mesma espécie (Cofins). Assim, tendo o contribuinte optado pela esfera judicial para a discussão da repetição/compensação dos indébitos, por força do disposto na Lei nº 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único, e do Decretolei nº 1.737, de 1979, art. 1º, § 2º, deve ser obedecida a decisão judicial. Portanto, no presente caso, não há que se falar em adotar a decisão do STJ, no REsp nº 1.164.452/MG. sob o rito do art. 543C do CPC, nos termos do art. 62A do RICARF, nem na homologação das Dcomp, por força da decisão judicial, não só, pelo fato de que, na data das transmissões da Dcomp, ainda não ter ocorrido o trânsito em julgado, mas principalmente pelo fato de que ela autorizou a compensação dos créditos financeiros, a partir do trânsito em julgado e a limitou aos débitos do PIS e/ ou débitos da mesma espécie (Cofins), não alcançando débitos de IPI, como no presente caso. À luz do exposto, nego provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 882DF CARF MF Processo nº 10805.720006/200851 Acórdão n.º 9303006.467 CSRFT3 Fl. 883 7 Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Depreendendose da análise dos autos do processo, peço vênia ao ilustre relator, que tanto admiro, para trazer meu entendimento acerca da matéria em debate. Recordo que a lide posta em debate trata de compensações efetuadas em setembro e outubro de 2004 envolvendo débitos de IPI relativos a setembro de 2004 e créditos de PIS recolhidos a maior no período de 1989 a 1993, reconhecidos em ação judicial. Vêse que as compensações foram realizadas, nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96 e a ação foi ajuizada em 1994 – antes da vigência da LC 104/01 – que, por sua vez, trouxe o art. 170A do CTN. Para melhor elucidar meu entendimento, proveitoso trazer a linha do tempo exposta pelo patrono – vez que, após analisar os autos, vejo que transparece os acontecimentos ora discutidos: 19891993 1994 2001 2004 2008 No que tange à discussão acerca da aplicabilidade ou não do art. 170A do CTN ao caso em comento – considerando que o crédito ora discutido é objeto de ação judicial ajuizada antes da vigência do Art. 170A do CTN, entendo que assiste razão ao sujeito passivo. Frisese o decidido em REsp 1164452/MG, que firmou a seguinte tese: “Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização “antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial”, conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001.” O que, para melhor elucidar o alcance daquela decisão, transcrevo sua ementa (Grifos meus): “EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. 1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme Fl. 883DF CARF MF Processo nº 10805.720006/200851 Acórdão n.º 9303006.467 CSRFT3 Fl. 884 8 prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, dar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Arnaldo Esteves Lima, Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Hamilton Carvalhido, Eliana Calmon e Luiz Fux votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Castro Meira. Brasília, 25 de agosto de 2010 MINISTRO TEORI ALBINO ZAVASCKI Relator” Sendo assim, considerando que a decisão emanada pelo STJ observou o regime do art. 543C do CPC antigo (Lei 5.869/73) – atualmente arts. 1.036 a 1041 da Lei 13.105/2015 (Novo CPC), tenho que, nos termos do art. 62, § 2º do RICARF/2015 (já alterada pela Portaria MF 151/2016), deve essa Conselheira reproduzir tal decisão para fins de aplicação aos casos discutidos nesse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, “in verbis”: “Art. 62............ [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF." (NR)” Ademais, não há como se restringir ainda no âmbito administrativo a compensação dos r. créditos com outros tributos, sob o argumento de que a decisão judicial restringiu a compensação somente com débitos de PIS, vez que à época da compensação estava vigente a IN 210/02 – norma superveniente que passou a permitir a compensação de créditos reconhecidos judicialmente com débitos de quaisquer tributos federais. Tanto é assim que o próprio STJ definiu o procedimento em REsp 1.164.452/MG ao estabelecer que a lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débitos e crédito da Fazenda e do contribuinte. Proveitoso recordar que tal decisão observou o regime do art. 543C e da Resolução STJ 8/08. Fl. 884DF CARF MF Processo nº 10805.720006/200851 Acórdão n.º 9303006.467 CSRFT3 Fl. 885 9 Cabe ainda trazer que à época da prolação da decisão judicial, não haveria como a decisão judicial ampliar a compensação dos créditos com outros débitos, pois essa norma da Receita Federal somente veio ao ordenamento posteriormente. O que correta a decisão dada à época. Não obstante, vêse que o sujeito passivo deve observar na compensação a norma vigente à época da compensação, em respeito ao art. 170 do CTN, não podendo aplicar a norma de compensação vigente à época da prolação da decisão judicial. O que, por conseguinte, norma de compensação superveniente à decisão judicial que reconheceu os créditos ora discutidos e restringiu os débitos passíveis de compensação com tais créditos, deve ser observada, no presente caso, vez que, nos termos do art. 170 do CTN, deve o sujeito passivo adotar o regramento da Receita Federal aplicável à época desse evento compensação. Nessa linha, a própria Receita Federal do Brasil expôs seu entendimento (Grifos meus): “SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 29, DE 30 DE MARÇO DE 2016 DOU de 08/04/2016, seção 1, pág. 18 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO EMENTA: COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS RECONHECIDOS POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS A LEI Nº 10.637/2002. RESTRIÇÕES. Como regra geral, desde que observadas as restrições previstas na legislação vigente, os débitos próprios relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB podem ser compensados com os créditos relativos a tributos administrados pela RFB reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, mesmo que essa decisão tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie. Entre as referidas restrições da legislação em vigor citase, exemplificativa, mas não exaustivamente, a impossibilidade de compensar débitos relativos às contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’, e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/1991 com créditos relativos aos demais tributos administrados pela RFB. DISPOSITIVOS LEGAIS: CTN, 170; Lei nº 11.457/2007, arts. 2ºe 26, parágrafo único; Lei nº 8.383/1991, art. 66; Lei nº 8.212, art. 89, caput; IN RFB nº 1.300/2012, arts. 41, caput, e 56, caput.” O que entendo correto o entendimento da autoridade fiscal em Solução de consulta, pois observou, para tanto, o disposto no art. 170 do CTN. Fl. 885DF CARF MF Processo nº 10805.720006/200851 Acórdão n.º 9303006.467 CSRFT3 Fl. 886 10 Em vista de todo o exposto, dou provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 886DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13604.720257/2014-38
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO.
O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão.
Numero da decisão: 2001-000.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO. O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão.
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DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO. O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física. A Ementa do Acórdão de Impugnação foi prolatada nos seguintes termos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 4. 72 02 57 /2 01 4- 38 Fl. 82DF CARF MF 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 RENDIMENTOS ISENTOS. LAUDO MÉDICO OFICIAL. PROFISSIONAL VINCULADO AO ÓRGÃO. A comprovação de doença grave, nos termos da legislação de regência para a isenção de imposto de renda afeta aos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria, somente se faz com a apresentação de laudo médico oficial chancelado pelo órgão emissor e firmado por profissional dotado de competência e designado para tal fim. Impugnação Improcedente Outros Valores Controlados Destacamos algumas passagens do Acórdão de Impugnação: De acordo com o expresso no lançamento, não se deu a apresentação de laudo médico oficial, de maneira a permitir a análise de que os rendimentos de aposentadoria do interessado, pagos pela Prefeitura de Itabira/MG, efetivamente se enquadrariam na isenção ora em comento. O laudo anexado à fl. 12 não se encontra chancelado ou contém a identificação de qualquer serviço médico oficial. O carimbo do médico que o firmou, no caso Demerval José Camilo Guimarães de Oliveira, não faz qualquer referência a órgão público apto a lavrar o laudo nos termos previstos pela legislação. A declaração de fl. 13, emitida pela indigitada Prefeitura, informa que: "Declaro para os devidos fins que o Dr. Demerval José Camilo Guimarães de Oliveira, inscrito no CRMMG sob n. 15677 presta atendimento ambulatorial para o Sistema Único de Saúde SUS, no Hospital Carlos Chagas, na área de clínica geral.", o que não confere ao laudo de fl. 12 a oficialidade requerida para a matéria, porquanto não modifica a natureza particular do documento. Para esse mister, caberia àquele ente municipal reconhecer que a produção do laudo ocorreu em face de serviço médico próprio e lavrado por profissional de seu quadro designado para tal atividade; contudo, isso não se fez pela declaração em comento. À luz da SCI, resta patente que o laudo de fl. 12 não fora expedido por serviço médico oficial, porquanto ausentes informações indispensáveis à sua validade, no caso, o órgão emissor, bem como o número de registro no órgão público e a qualificação do profissional do serviço médico oficial responsável pela emissão do laudo pericial, o que, repisese, não se supriu pela declaração de fl. 13. E, em assim sendo, faltou ao interessado apresentar documento necessário à comprovação da doença grave visando à isenção pleiteada, cuja outorga requer a interpretação literal, rígida, do texto legal, de acordo com o que expressa o art. 111, II, do CTN. Os documentos e passagens do Recurso Voluntário, que constam do presente processo, foram vistos pelos conselheiros durante à sessão. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13604.720257/201438 Acórdão n.º 2001000.280 S2C0T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. O contribuinte apresentou laudo médico emitido por profissional que presta atendimento ambulatorial ao SUS, condição atestada por declaração emitida pela Secretaria Municipal de Saúde. O contribuinte apresenta alienação mental, e existe sentença judicial aceitando o Laudo acima para decretar a interdição. Pelo conjunto dos documentos entendo caracterizada a doença grave, supridas as lacunas apontadas no Laudo apresentado. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10954.000008/2005-73
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
PIS NÃO-CUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
PIS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO RELATIVO AOS SERVIÇOS DE MOVIMENTAÇÃO INTERNA.
Geram direito a crédito da contribuição ao PIS, apurado nos termos da Lei 10.637/02, os serviços tomados de pessoas jurídicas para movimentação interna das matérias-primas.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-005.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), que lhe deu provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PIS NÃO-CUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. PIS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO RELATIVO AOS SERVIÇOS DE MOVIMENTAÇÃO INTERNA. Geram direito a crédito da contribuição ao PIS, apurado nos termos da Lei 10.637/02, os serviços tomados de pessoas jurídicas para movimentação interna das matérias-primas. Recurso Especial do Procurador Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-06-01T19:27:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-06-01T19:27:51Z; Last-Modified: 2018-06-01T19:27:51Z; dcterms:modified: 2018-06-01T19:27:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2018-06-01T19:27:51Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-06-01T19:27:51Z; meta:save-date: 2018-06-01T19:27:51Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-06-01T19:27:51Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-06-01T19:27:51Z; created: 2018-06-01T19:27:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2018-06-01T19:27:51Z; pdf:charsPerPage: 2026; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-06-01T19:27:51Z | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 334 1 333 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10954.000008/200573 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.928 – 3ª Turma Sessão de 28 de novembro de 2017 Matéria PIS NÃOCUMULATIVO RESSARCIMENTO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DOW CORNING METAIS DO PARÁ INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PIS NÃOCUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. PIS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO RELATIVO AOS SERVIÇOS DE MOVIMENTAÇÃO INTERNA. Geram direito a crédito da contribuição ao PIS, apurado nos termos da Lei 10.637/02, os serviços tomados de pessoas jurídicas para movimentação interna das matériasprimas. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento. Vencido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), que lhe deu provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 4. 00 00 08 /2 00 5- 73 Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10954.000008/200573 Acórdão n.º 9303005.928 CSRFT3 Fl. 335 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, em face do Acórdão nº 3403001.590, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PIS REGIME NÃOCUMULATIVO CRÉDITO RELATIVO AOS SERVIÇOS DE MOVIMENTAÇÃO INTERNA Geram direito a crédito da contribuição ao PIS, apurado nos termos da Lei 10.637/02, os serviços tomados de pessoas jurídicas para movimentação interna das matériasprimas. RESSARCIMENTO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS APURADOS PELO REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. ACRÉSCIMO DA TAXA SELIC. VEDAÇÃO. Especificamente no caso da COFINS e da contribuição ao PIS apurados pelo regime nãocumulativo, o ressarcimento de saldos credores admitido pelos artigos 5º, §§1º e §2º e 6º, §§1º e 2º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente, não se sujeita à remuneração pela Taxa SELIC, em virtude de expressa vedação nesse sentido, contida no artigo 13 da Lei nº 10.833/03. O presente processo referese a pedido de Ressarcimento de Crédito da Contribuição para o PIS NãoCumulativa, formulado por DOW CORNING METAIS DO PARÁ INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., relativo ao quarto trimestre de 2004, e Declarações de Compensações Dcomps eletrônicas vinculadas aos créditos em exame. O pedido de ressarcimento foi analisado pela unidade da RFB de Marabá, PA, que expediu em 12 de fevereiro de 2010, Informações e Despacho Decisório, os quais reconheceram apenas parcialmente o crédito reclamado pelo contribuinte. A manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente na decisão de primeira instância. A 3ª TO da 4ª Câmara da Terceira de Julgamento do CARF, assim decidiu: (i) por unanimidade de votos, reconheceuse o direito de o contribuinte tomar o crédito relativo Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10954.000008/200573 Acórdão n.º 9303005.928 CSRFT3 Fl. 336 3 aos serviços de movimentação interna de matériaprima durante o processo produtivo; e (ii) por maioria de votos, negouse o direito à correção do ressarcimento da contribuição não cumulativa pela taxa Selic. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (fls. 252 a 272), suscitando divergência em relação ao conceito de insumo para fins de creditamento de PIS e COFINS, questionando o direito creditório relativo aos serviços de movimentação interna de matéria prima durante o processo produtivo. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi integralmente admitido pela comprovação da divergência suscitada, no que diz respeito ao conceito de insumo utilizado para fins de creditamento de PIS e COFINS, conforme despacho de admissibilidade às fls. 274 a 276. O sujeito passivo apresentou suas contrarrazões às fls. 286 a 297. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Conforme relatado, o tempestivo recurso foi integralmente admitido pela comprovação da divergência suscitada, no que diz respeito ao conceito de insumo utilizado para fins de creditamento de PIS e COFINS, conforme despacho de admissibilidade às fls. 274 a 276. Enquanto a Egrégia Turma aplicou uma interpretação própria para o termo “insumo” na legislação de PIS e COFINS para fins de creditamento, ao admitir que movimentação e descarga de carvão, movimentação interna e empilhamento, corte e arrumação de serraria são passíveis de gerar crédito da contribuição, porque estes bens se enquadrariam no conceito de "insumo", os acórdãos paradigmas apresentados decidiram de modo diverso, empregando um alcance mais restritivo do termo “insumo”, que guardaria correspondência com o obtido da legislação do IPI. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Portanto, a matéria devolvida ao Colegiado cingese à questão do conceito de insumo para fins de creditamento de PIS e COFINS, em especial os serviços de movimentação interna de matériaprima durante o processo produtivo. Os arts. 3º, inciso II, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, dispõem sobre a possibilidade de a pessoa jurídica descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados como “insumo” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Visando normatizar o termo “insumo” a Receita Federal editou as Instruções Normativas nºs 247/02, art. 66, § 5º, no caso do PIS; e 404/04, art. 8º, § 4º, para a Cofins. Nelas, o Fisco limitou a abrangência do termo “insumos” utilizados na fabricação ou produção Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10954.000008/200573 Acórdão n.º 9303005.928 CSRFT3 Fl. 337 4 de bens destinados à venda, à matériaprima, ao produto intermediário, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Em se tratando de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços. Necessário, ainda, que os bens não estejam incluídos no ativo imobilizado, bem assim, os serviços sejam prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, sendo aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto ou prestação do serviço. De modo a esclarecer o alcance de tais normas em relação a casos concretos, foram editadas diversas Soluções de Consultas, por vezes conflitantes, as quais acabaram por ensejar a elaboração de inúmeras Soluções de Divergência. Na sequência dos acontecimentos, decorridos alguns anos desde a edição das leis criadoras do PIS e da Cofins na sistemática não cumulativa, percebese ser cada vez mais intenso o coro a rejeitar a nãocumulatividade dessas contribuições de modo tão restritivo, nos moldes do IPI. A jurisprudência do CARF caminhou no sentido a considerar que o conceito de insumos trazido pelas normas de regência se posiciona de forma intermediária entre o conceito restritivo do IPI e aquele mais extensivo (do IRPJ). Soluções que aplicam puramente a legislação do IPI ou do IRPJ estão ficando como posições isoladas e não mais tem prosperado, em termos de votação das inúmeras turmas que tratam da matéria. Entendo que o termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos. Em casos similares de minha relatoria (Acórdão 9303002.630 e 9303 003.195), este colegiado aplicou esse conceito intermediário, entendendo como “insumo” aquele elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. O STJ tem reconhecido o direito aos créditos de PIS e COFINS com base no critério da essencialidade, conforme extraise do excerto da ementa do REsp 1.246.317: 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Com efeito, o conceito a ser utilizado nesse voto será a relação direta com o processo produtivo, dentro do critério da essencialidade (se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção, e se a produção ou prestação de Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10954.000008/200573 Acórdão n.º 9303005.928 CSRFT3 Fl. 338 5 serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços), além de outras permissivas contidas na lei, por óbvio. Feitos todos esses comentários, passemos à análise dos insumos, objeto do presente caso: serviços contratados de pessoas jurídicas empregados na movimentação interna de insumos. Tratase de serviços contratados de pessoas jurídicas e que são empregados na movimentação interna de insumos utilizados na fabricação do silíciometálico e da Sílica Fumê, que demandam intensa movimentação de matériasprimas e insumos utilizados no processo produtivo (minério de quartzo, carvão mineral, cavaco, material lenhoso, tijolos, argamassa e tubos). Constam nos autos diversas notas fiscais de empresas que prestaram serviços de (i) carregamento de carvão, (ii) descarga de carvão, (iii) movimentação interna e (iv) empilhamento, corte e arrumação de serraria. Também consta do laudo técnico apresentado informação que o carvão é insumo na fabricação de bens ou produtos destinados à venda, assim como o quartzo e o minério. Em atendimento ao já referido conceito intermediário de insumo, dentro do critério da essencialidade, considero que tanto as matériasprimas e produtos intermediários utilizadas no processo produtivo do silíciometálico e da SilicaFumê, ou seja, o minério de quartzo, o carvão mineral, o cavaco, o material lenhoso, os tijolos, argamassa e tubos, quanto os serviços vinculados a tais itens, ou seja, o serviço de carregamento e descarga de carvão, a movimentação interna e empilhamento, corte e arrumação de serraria, são considerados como insumos do processo produtivo. Geram, portanto, direito a crédito na sistemática nãocumulativa das contribuições. Assim, considerase como insumo, por se tratar de gastos incorridos essenciais e diretamente ligados ao processo produtivo, os serviços contratados de pessoas jurídicas empregados na movimentação interna de insumos. Tratase de dispêndios compreendidos na despesa operacional da Recorrida, necessárias para a regular execução de sua exploração mineral e fabricação do silíciometálico e da SilicaFumê, nas diversas etapas de produção. Desta forma, entendo ser correto o cômputo dos créditos de PIS/COFINS sobre as despesas incorridas acima relacionadas, no mesmo sentido que decidiu o julgador a quo. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 338DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.720559/2014-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2301-000.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para tomar a manifestação da fiscalização em relação às provas das e-fls. 660/764 e, sendo o caso, sejam juntadas aos autos provas de que os correios não atendem o CEP do domicílio da responsável solidária.
João Bellini Júnior Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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João Bellini Júnior – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (presidente). Relatório Tratase de recurso de ofício e de recurso voluntário em face do Acórdão 04 39.084, exarado pela 2ª Turma da DRJ em Campo Grande (efls. 782 a 798). O auto de infração (efls. 219 a 265) é referente imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF) e diz respeito à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, correspondentes ao anocalendário 2011; foi constituído crédito tributário de R$ 23.515.115,46, dos quais R$ 12.072.034,22 correspondem a imposto, R$ 9.054.025,67 à multa e R$ 2.389.055,57 a juros de mora. A impugnação foi julgada parcialmente procedente, para: (a) limitar a responsabilidade tributária de Degmar Inês Ramos Franco, em solidariedade com o autuado Vanderlei Franco Vieira, à parte do crédito que se RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 32 27 .7 20 55 9/ 20 14 -5 1 Fl. 888DF CARF MF Processo nº 13227.720559/201451 Resolução nº 2301000.694 S2C3T1 Fl. 3 2 refere aos depósitos que transitaram pela conta bancária de que é titular, remanescendo, assim, a responsabilidade quanto ao imposto de R$ 4.940.846,77, ao qual se acrescem multa e juros proporcionais: CREDITO TRIBUTÁRIO RESPONSABILIDADE SOLIDARIA RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS 18.012.222,60 DESCONTO SIMPLIFICADO 13.916,36 BASE DE CÁLCULO 17.998.306,24 ALÍQUOTA 27,5% PARCELA A DEDUZIR 8.687,45 IMPOSTO APURADO 4.940.846,77 (b) reduzir o crédito tributário para R$ 12.047.534,47, reduzindose na mesma proporção a multa e os juros de mora, conforme demonstrado no seguinte quadro: AUTO DE INFRAÇÃO JULGAMENTO RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS 43.943.813,35 43.943.813,35 DESCONTO SIMPLIFICADO 13.916,36 13.916,36 VALOR EXCLUÍDO NO JULGAMENTO 0,00 89.090,00 BASE DE CÁLCULO 43.929.896,99 43.840.806,99 ALÍQUOTA 27,5% 27,5% PARCELA A DEDUZIR 8.687,45 8.687,45 IMPOSTO APURADO 12.072.034,22 12.047.534,47 O acórdão recorrido recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTIMAÇÃO ANTES DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. CONTAS BANCÁRIAS DE TERCEIROS. É necessária, na fase que precede à lavratura do auto de infração, a intimação de todos os cotitulares da conta bancária para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, sob pena de nulidade do lançamento, não se aplicando, entretanto, tal exigência se a conta pertencer a terceiro. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Os valores creditados em contas bancárias geram presunção "juris tantum" de omissão de rendimentos, quando o contribuinte, depois de intimado, deixar de comprovar a origem dos recursos utilizados nas respectivas operações, sendo desnecessário demonstrar a omissão de rendimentos por outros indícios. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. DEMONSTRAÇÃO INDIVIDUAL. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos feitos nas contas bancárias devem ser analisados individualmente, devendo ser individual a comprovação da respectiva origem dos recursos. Fl. 889DF CARF MF Processo nº 13227.720559/201451 Resolução nº 2301000.694 S2C3T1 Fl. 4 3 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PEQUENO VALOR. A presunção de omissão de rendimentos, no caso de pessoa física, não alcança os depósitos cujos valores, individualmente considerados, sejam iguais ou inferiores a R$ 12.000,00, se o somatório não ultrapassar R$ 80.000,00. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Na hipótese de lançamento feito com base em depósitos bancários, a responsabilidade solidária do cotitular, no caso de conta conjunta, limitase aos recursos que transitaram por suas contas, não alcançando os valores depósitos em contas de terceiros. IMPOSTO DE RENDA. PESSOA FÍSICA. RESULTADO DA ATIVIDADE RURAL. LIMITAÇÃO A 20% DA RECEITA BRUTA. O resultado da atividade rural, na tributação de pessoa física, está limitado a 20% do total da receita bruta do período, sendo irrelevante o total das despesas de custeio e investimento se elas não forem superiores a 80% da receita bruta, ressalvada a hipótese de compensação de prejuízo de períodos anteriores. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. EXAME NO PROCESSO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. É vedado aos órgãos de julgamento administrativo o controle de constitucionalidade de lei ou ato normativo. MULTA COM EFEITO DE CONFISCO. RAZOABILIDADE. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. VEDAÇÃO. É vedado ao órgão administrativo o exame da constitucionalidade de lei, bem como o de eventuais ofensas pela norma legal aos princípios constitucionais da razoabilidade e da vedação de tributo com efeito de confisco. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Tendo sido exonerada a responsabilização da Sra. Degmar Inês Ramos Franco por tributo e multa em valor superior a R$1.000.000,00, a decisão foi submetida a recurso de ofício, nos termos da Portaria MF n° 3, de 2008. A ciência dessa decisão pelo Sr. Vanderlei Franco Vieira, contribuinte, ocorreu em 09/04/2015 (aviso de recebimento, efl. 804). Não há registro de que tenha havido intimação da responsável tributária, Sra. Degmar Inês Ramos Franco. Em 11/05/2015, o contribuinte apresentou recurso voluntário (efls. 805 a 565), alegando, em síntese: (a) cerceamento do direito de defesa por ofensa ao devido processo legal e ausência de motivação da decisão recorrida; (b) possuir interesse na redução da base de cálculo da suposta receita omitida; Fl. 890DF CARF MF Processo nº 13227.720559/201451 Resolução nº 2301000.694 S2C3T1 Fl. 5 4 (c) o levantamento feito pela fiscalização incluiu indevidamente notas fiscais que não servem para comprovar a origem de qualquer recurso financeiro creditado nas contas; (d) terem sido tributadas: d.1) transferências entre suas contas; d.2) empréstimos financeiros; d.3) crédito originário da alienação de animais; d.4) crédito originário da alienação de imóvel; d.5) movimentação de recursos com origem devidamente comprovada; d.6) créditos individuais em conta bancária inferiores a R$ 12.000,00 e com somatório anual inferior a R$ 80.000,00; (e) haver erro material na apuração. Foi requerido o provimento do recurso, para fins de considerar insubsistente o auto de infração que originou a presente ação fiscal, reiterando todos os demais pedidos.É o relatório. Por despacho de saneamento, os autos foram encaminhados para a autoridade preparadora para que fosse juntada prova da intimação, pela responsável solidária, do acórdão de recurso voluntário (efls. 875 a 878). Em decorrência, a unidade preparadora atestou terem sido efetuadas tentativas de ciência frustradas, em face de domicílio em área não coberta pela entrega dos Correios (efl. 884): Conforme proposto no despacho fls 875 a 878, foram realizadas tentativas de ciência à Srª Degmar Inês Ramos Franco, frustradas pela indicação de domicílio em área não coberta pela entrega dos Correios. Assim, encaminho com proposta de retorno ao CARF para julgamento. Decorrentemente, foi realizada ciência por edital (efl. 883). Não houve manifestação pela responsável solidária. Retornaram os autos. É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior – Relator TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE Com relação às transferências bancárias realizadas entre contas bancárias de titularidade do próprio recorrente, é alegado que foram juntadas aos autos, juntamente com a impugnação, mais de mais de 100 páginas de extratos bancários comprobatórios da transferência de recursos entre contas de sua titularidade ou de seu cônjuge (tabela de lançamentos anexada ao presente recurso), separados, de forma didática, por instituições financeiras, conforme se infere do "Anexo IV Tabela de Transferências Bancárias entre Contas de Mesma Titularidade/Cônjuge e comprovantes" (efls. 660/764). Fl. 891DF CARF MF Processo nº 13227.720559/201451 Resolução nº 2301000.694 S2C3T1 Fl. 6 5 Considerando que os documentos apresentados às efls. 660 a 764 foram juntados aos autos tão somente por ocasião da impugnação, entendo, em face do prestígio ao contraditório, ser imperativa a manifestação da fiscalização a seu respeito. Assim, a autoridade fiscal deverá examinar os documentos apresentados, elaborar relatório de diligência detalhado e conclusivo, podendo, para isso, intimar o contribuinte a prestar esclarecimentos, prestar informações adicionais e juntar documentos que entender necessários. Após concluída a diligência, a interessada deve ser intimada de seu relatório, concedendose prazo de trinta dias para apresentação de contrarrazões. DA INTIMAÇÃO DA RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIA Quanto à intimação da responsável tributária do acórdão recorrido, dispõe o art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, que a intimação por edital é reservada para os casos em que as tentativas de intimação pessoal, por edital ou por meio eletrônico restarem improfícuas: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante:(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou(Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo.(Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado:(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet;(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (Grifouse.) Fl. 892DF CARF MF Processo nº 13227.720559/201451 Resolução nº 2301000.694 S2C3T1 Fl. 7 6 No caso em apreço, apesar de atestada pela unidade preparadora que “foram realizadas tentativas de ciência à Srª Degmar Inês Ramos Franco, frustradas pela indicação de domicílio em área não coberta pela entrega dos Correios”, temos que o aviso de recebimento dos Correios (efl. 882) foi devolvido sem a indicação do motivo pelo qual a destinatária não foi procurada. Em busca de verificar a exatidão do fato, consultei o sítio eletrônico dos correios (http://www2.correios.com.br/sistemas/precosPrazos/restricaoentrega/resultado.cfm), que não indicam restrição para a entrega no endereço da destinatária/responsável tributária: Ademais, verifico que diversas intimações foram entregues, no curso deste processo, no mesmo CEP, no endereço Estrada Projetada KM 01, S/N, caixa postal 70, Bairro Zona Rural, CEP. 76.990000, Chupinguaia, RO (efls. 11, 21, 140, 164, 188, 211, 214, 279, 804), domicílio fiscal do contribuinte, marido da responsável tributária. Assim, considerando que a responsável solidária deve ser intimada do resultado da diligência que está sendo solicitada, deve ser feita, conjuntamente, nova tentativa de intimá la do acórdão recorrido. No caso de os Correios não atenderem o CEP de seu domicílio fiscal, devem ser juntadas aos autos provas nesse sentido. Conclusão Assim, voto por converter o julgamento em diligência para tomar a manifestação da fiscalização em relação às provas das efls. 660/764 e, sendo o caso, sejam juntadas aos autos provas de que os correios não atendem o CEP do domicílio da responsável solidária. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Relator Fl. 893DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.722887/2012-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2009
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
Hipótese em que os acórdãos paradigmas não enfrentam a tese construída pelo Recorrente.
RECURSO ESPECIAL. REQUISITO FORMAL. AFRONTA AO ART. 67, §4º DO ANEXO II DO RICARF.
Não cabe recurso especial contra decisão de qualquer das turmas que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de 1ª (primeira) instância por vício na própria decisão, nos termos da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999.
Numero da decisão: 9202-006.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2009 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Hipótese em que os acórdãos paradigmas não enfrentam a tese construída pelo Recorrente. RECURSO ESPECIAL. REQUISITO FORMAL. AFRONTA AO ART. 67, §4º DO ANEXO II DO RICARF. Não cabe recurso especial contra decisão de qualquer das turmas que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de 1ª (primeira) instância por vício na própria decisão, nos termos da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999.
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CONHECIMENTO. SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Hipótese em que os acórdãos paradigmas não enfrentam a tese construída pelo Recorrente. RECURSO ESPECIAL. REQUISITO FORMAL. AFRONTA AO ART. 67, §4º DO ANEXO II DO RICARF. Não cabe recurso especial contra decisão de qualquer das turmas que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de 1ª (primeira) instância por vício na própria decisão, nos termos da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 28 87 /2 01 2- 61 Fl. 697DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações de segurados empregados e contribuinte individuais (Debcad 51.029.9555 cota patronal e Debcad nº 51.029.9563 contribuições destinadas a terceiros) lavrada em razão da não caracterização do contribuinte como entidade beneficente para fins de utilização da imunidade prevista no art. 195, §7º da CF/88. Para melhor compreensão do lançamento, vale transcrever alguns trechos do relatório fiscal de efls. 33/40: No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal n° 08.1.90.00.2012034770, para o período de 2009, realizamos fiscalização na entidade Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Hospital Albert Einstein, para verificação dos requisitos legais da entidade declarada de assistência social, com o intuito de verificar o cumprimento das obrigações tributárias relativas às contribuições sociais administradas pela RFB Receita Federal do Brasil. ... Examinada a documentação apresentada foi confrontado o salário de contribuição apontado no total das Folhas de Pagamento com as rubricas detalhadas na Folha e posteriormente com as principais contas de remuneração da Contabilidade onde então foram apuradas as bases da remuneração. Foram confrontados os recolhimentos de DARF no código 8301 através de consultas aos Sistemas SIEF WEB os declarados na DACON e DCTF e os valores das folhas de salário e verificouse que as contribuições referentes ao PIS foram recolhidas em época própria. Verificouse que a empresa declarou em GFIP Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social código FPAS Fundo Previdência e Assistência Social 639 código com isenção, calculando somente segurados; e recolheu as Guia de Recolhimento a Previdência Social com código 2305 empresa filantrópica com isenção Verificouse ainda, que a empresa não tem isenção,ou seja, a entidade teve sua isenção cancelada a partir do Ato Fl. 698DF CARF MF Processo nº 19515.722887/201261 Acórdão n.º 9202006.663 CSRFT2 Fl. 698 3 Cancelatório de Isenção de Contribuições Previdenciárias n° 05/2006 de 07/12/2006 (PA n° 44023.000017/200759, CARF 1a Turma da 3a Câmara da 2a SEJUL, aguardando julgamento de recurso voluntário perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF), tendo em vista que a entidade não atendeu a todos os requisitos contidos no artigo 55 da Lei 8.212/91 e desta forma deveria ter declarado em GFIP código FPAS 515 Hospitais, clínicas, casas de saúde ... e recolhido em GPS Guia de Recolhimento a Previdência Social código 2100 calculando segurados, empresa, contribuinte individual, GIL/ RAT Contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho constante nos incisos I, II e III do art. 22 da Lei 8.212/91 e TERCEIROS Outras Entidades e Fundo, arrecadadas pela Receita Federal do Brasil, conforme art. 3o da Lei 11.457/2007 terceiros (5,8%). Contribuinte apresentou impugnação por meio da qual afirma preencher os requisitos do art. 14 do CTN, estando apto a usufruir da imunidade prevista no art. 195, §7º da Constituição. Destacou ainda: 2.3. que a fiscalização se amparou unicamente no Ato Cancelatório de Isenção nº 05/2006 para lavrar os autos de infração em questão, entretanto o mesmo não está produzindo efeitos, nos termos do art. 206, parágrafo 8º, inciso IV, do Decreto nº 3.048/99, em virtude do recurso voluntário interposto no autos do processo nº 44023.000017/200756, que aguarda julgamento perante o Conselho Administrativo de Recursos CARF; 2.4. que ainda que o ato cancelatório seja mantido pelo CARF, seus efeitos não terão a extensão pretendida pela fiscalização pois quando da sua emissão, em 07/12/2006, foi averiguado o cumprimento, pela impugnante, dos requisitos do art. 55 da Lei 8.212/91 no período de 01/1996 a 12/2005, de modo que não tem cabimento se considerar, de forma automática, que também não houve o cumprimento dos requisitos no período após 12/2005, notadamente no período de 01/2009 a 11/2009, objeto das autuações. 2.5. que, desta forma, a fiscalização, pelo simples fato de ter havido o ato cancelatório de isenção em 2006, relativo a fatos ocorridos entre 1966 a 2005, não poderia desincumbirse do seu poderdever de fiscalizar o cumprimento, por parte da impugnante, dos requisitos legais para o gozo, seja da isenção ou da imunidade, no ano de 2009, que é o período do lançamento. 2.6. que a situação jurídica da impugnante no período de 01/2009 a 11/2009 é a de uma entidade beneficente de assistência social, devidamente certificada como tal, possuidora do CEBAS, renovado nos termos da MP nº 449/2008, e que cumpre todos os requisitos legais;entretanto, a fiscalização não apontou o descumprimento de nenhum requisito, seja de lei Fl. 699DF CARF MF 4 complementar, de lei ordinária, de decreto, de regulamento ou qualquer ato normativo, fundamentando as autuações no ato cancelatório de isenção lavrado em 2006, relativo a fatos ocorridos entre 1995 a 2005 que, sequer está produzindo efeitos, pois ainda não foi definitivamente julgado pelo CARF. Levado a julgamento, a 14ª Turma da DRJ/SP1 converteu o julgamento em diligência para determinar que a autoridade fiscal demonstrasse nos autos quais os requisitos legais foram descumpridos pela autuada, no período de 01/01/2009 a 30/11/2009, determinado a emissão de novo relatório fiscal. O novo relatório foi juntado às fls. 202/206, e esclareceu: É indiscutível que a Receita Federal do Brasil não poderia dispensar a necessidade de nova fiscalização para verificar se a impugnante, que teve o seu CEBAS, para o período de 2009, concedido à luz de nova legislação, eventualmente descumpriu algum requisito para a fruição da imunidade tributária. A entidade autuada tem sim direito à isenção prevista no art. 195, parágrafo 7o, da Constituição Federal, pois atende todos os requisitos legais para tanto, razão pela qual entregou as suas GFIP com o código FPAS 639 (entidades isentas) e somente efetuou os recolhimentos dos valores referentes à contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais, descontados da remuneração paga aos mesmos, sendo, portanto indevidas as contribuições previstas no art, 22 incisos I, II e III, da Lei 8.212/91, além daquelas devidas a terceiras entidades e fundos, arrecadadas pela RFB nos termos do art. 3o da lei 11.457/2007. ... A entidade detém a isenção prevista no artigo 195, § 7o da Constituição Federal, pois atende todos os requisitos legais para tanto, razão pela qual entregou as suas GFIP Guia de Recolhimento do Fundo e Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com o código FPAS 639 entidades isentas, e somente efetuou os recolhimentos dos valores referentes à contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais, descontados da remuneração paga aos mesmos, sendo portanto indevidas as contribuições previstas no artigo 22 incisos I, II e III da Lei 8212/91, além daquelas devidas a terceiras entidades e fundos, arrecadadas pela RFB Receita Federal do Brasil nos termos do artigo 3o da Lei 11.457/2007. ... Desta forma, atendendo a cada período devido, a entidade preenche os requisitos à filantropia, constantes na Lei 8.212/91 art 55, ao artigo 195 da Constituição Federal, a MP 446/2008 e a Lei 12.101/2009. ... Da analise contábil verificamos o atendimento ao art 14 da Lei n° 5. 172, de 25 de Outubro de 1966, conforme segue: Fl. 700DF CARF MF Processo nº 19515.722887/201261 Acórdão n.º 9202006.663 CSRFT2 Fl. 699 5 ... Verificouse que a entidade teve sua isenção cancelada a partir do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Previdenciárias n° 05/2006 de 07/12/2006. Face ao exposto, cabe salientar que a presente fiscalização lavrou os Autos de Infração: Auto de Infração (Obrigação Principal) COMPROT Nº 19.515.722.133/201391 DEBCAD N° 37.364.2148 Segurados; COMPROT Nº 19.515.722.134/201336 DEBCAD N° 51.029.9601 Segurados, a fim de se resguardar a decadência, uma vez que poderá sim o Ato Cancelatório de Isenção n° 05/2006 ser julgado perante o Conselho Administrativo de Recursos CARF, procedente. Intimado da diligência, o contribuinte reiterou os argumentos de defesa e destacou o fato de a fiscalização afirmar que foram cumpridos os requisitos necessários para aplicação da imunidade. A DRJ de São Paulo, manteve em parte o lançamento. Analisando o mérito entendeuse que o para o período autuado deveria ser excluído do lançamento a competência relativa ao mês de janeiro e ainda parte do mês de fevereiro, nos termos do art. 241, II da Instrução Normativa nº 971/2009. O restante do lançamento foi mantido por afronta ao art. 55, §1º da Lei nº 8.212/91 e neste ponto concluiu o relator: 5.39. Podese concluir que se após a decisão da 3ª Câmara/1º Turma, do CARF (Acórdão nº 2301003847, de 23/112013), que confirmou o cancelamento de isenção, todos os atributos do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais nº 21.404/0001/2006, que estavam suspensos, passaram a produzir efeitos, dentre eles a exigência das contribuições previdenciárias do período cancelado. E não é só, pois tendo em vista o disposto no art. 55 § 1º, da Lei 8.212/91, para o período posterior ao cancelamento, um outro efeito seria a necessidade da interessada efetuar novo pedido de isenção, ou melhor, para o período posterior à data de emissão do ato cancelatório (07/12/2006), em que o art. 55 da Lei 8.212/91 ainda vigorava, a impugnante para ter direito à isenção deveria ser detentora de novo ATO DECLARATÓRIO DE ISENÇÃO, expedido pelo órgão competente, nos termos do art. 208 do Decreto 3.048/99 (RPS). 5.40. Observase que a Impugnante, embora tenha perdido a sua isenção em 11/08/2006, em virtude do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Previdenciárias nº 21.404/005/2006, não efetuou, após o referido cancelamento de isenção, nova requisição de isenção junto ao órgão competente (Receita Federal do Brasil), nos termos do disposto no parágrafo 1º, do artigo 55, da Lei nº 8.212/91. 5.41. Deve ser salientado que tal providência (requerimento de nova isenção) deveria ter sido tomada pela interessada, ora impugnante, mesmo com a interposição do Recurso Voluntário (PTnº 44023.000017/200759) contra o citado Ato Cancelatório, tendo em vista que após decisão definitiva do Conselho Fl. 701DF CARF MF 6 Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, favorável ao Fisco, como de fato ocorreu, os efeitos do cancelamento, até então suspensos, obviamente, retroagem à data do cancelamento. 5.42. Desta forma, de pronto, verificase que no período de 13/02/2009 a 29/11/2009, que corresponde a maior parte crédito tributário em discussão, a Impugnante, tendo em vista que foi confirmado, pelo CARF, o cancelamento de isenção, não faz jus ao benefício previsto no art. 195, § 7º, da Constituição Federal, pois não possui Ato Declaratório de Isenção, exigência prevista no art. 55, § 1º, da Lei 8.212/91, vigente no período, conforme acima demonstrado, razão pela qual deve ser mantido o crédito lançado, correspondente ao referido do período. Contribuinte apresentou Recurso Voluntário alegando que a decisão da DRJ na parte que manteve o crédito tributário usou de fundamentação não considerada pelo fiscal quando do lançamento. Destacou que os Autos de Infração foram fundamentados exclusivamente na existência do Ato Cancelatório de Isenção n.º 05/2006, objeto do PA n.º 44023.000017/200759, que à época da lavratura encontravase pendente de julgamento perante esse Conselho. Em momento algum a isenção foi negada por ausência de requerimento prévio junto ao INSS. A Fazenda Nacional fez juntar contrarrazões ao recurso do contribuinte pugnando pelo seu não provimento e, subsidiariamente, pela declaração de nulidade do lançamento por vício formal. Em tempo o contribuinte apresenta: 1) parecer jurídico da lavra do Professor Roque Antônio Carrazza (fls. 485/606), 2) petição de fls. 609/611 por meio da qual expõe e requer: 5. Ocorre que em 01/09/2015 o MM. Juiz da 6ª Vara Federal do Distrito Federal proferiu r. decisão na Medida Cautelar n.º 4993164.2015.4.01.3400 deferindo o pedido liminar para “SUSPENDER OS EFEITOS DO ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO”, ante o reconhecimento incidenter tantum da inconstitucionalidade formal da antiga redação do art. 55 da Lei n.º 55 da Lei 8.212/91 (doc. 01). 6. A decisão judicial encontrase em vigor e a recorrente aguarda o julgamento pelo referido MM. Juízo da ação principal (Autos n.º 005678222.2015.4.01.3400 – doc. 02). Caso seja mantido o entendimento adotado na r. decisão proferida na medida cautelar, permanecerá o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 55 da Lei n.º 8.212/91 e, via de consequência, do Ato Cancelatório de Isenção, o que afeta a presente autuação. 7. Sendo assim, estando suspensos os efeitos do Ato Cancelatório de Isenção no qual a SRFB se fundou para lavrar os autos de infração, o presente processo necessita permanecer sobrestado até o julgamento dos processos judiciais acima mencionados. 8. Também necessita ser levado em consideração pelo E. CARF que em 30/06/2016 o Exmo. Sr. Min. Marco Aurélio do E. STF proferiu r. decisão nos autos do RE n.º 566.622/RS determinando “A SUSPENSÃO DE TODOS OS PROCESSOS QUE QUESTIONEM O ARTIGO 55 DA LEI Nº 8.212/91”. O eminente Fl. 702DF CARF MF Processo nº 19515.722887/201261 Acórdão n.º 9202006.663 CSRFT2 Fl. 700 7 Ministro fundamentou sua determinação no art. 1.035, § 5º, do CPC em vigor, no sentido de que “Reconhecida a repercussão geral, o relator no Supremo Tribunal Federal determinará a suspensão do processamento de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que versem sobre a questão e tramitem no território nacional”. ... DO PEDIDO 11. Ante o exposto, requer a RETIRADA DE PAUTA do presente processo, a fim de que sejam consideradas as informações ora apresentadas para sobrestar o presente processo até o julgamento da Ação Ordinária n.º 0056782 22.2015.4.01.3400 (ref. à Medida Cautelar n.º 49931 64.2015.4.01.3400) e do Recurso Extraordinário n.º 566.622/RS. Após o trâmite processual, a 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária negou provimento ao recurso de ofício e deu provimento ao recurso voluntário. O acórdão 2402 005.390 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2009 CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. IMUNIDADE. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. AFIRMAÇÃO DE CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. DECISÃO RECORRIDA. INOVAÇÃO. EXISTÊNCIA. 1. Deve ser cancelado o lançamento que, fundamentado em mero Ato Cancelatório de Isenção, afirma, peremptoriamente, que a contribuinte tem, sim, direito à isenção (imunidade), pois atende a todos os requisitos legais para tanto. 2. A DRJ inovou ao afirmar que o lançamento decorreu do fato de a contribuinte não ter efetuado novo pedido de isenção. Recursos de Oficio Negado e Voluntário Provido. Contra a decisão a Fazenda Nacional, interpôs recurso especial de divergência. Citando como paradigmas os acórdãos 3401002.842 e 10808.967 suscita divergência quanto ao entendimento do acórdão recorrido de anular o acórdão 1663.763 da 14ª Turma da DRJ/SPO e também o lançamento fiscal em razão da suposta inovação operada pelos julgadores da Delegacia de Julgamento. Intimado o Contribuinte apresentou contrarrazões. Pugna pelo não conhecimento da peça recursal por ausência de similitude fática entre os acórdãos paradigmas e recorrido e ainda em razão de haver fundamentos de mérito não atacados pela Recorrente e os quais, autonomamente, são suficientes para manter a decisão. No mérito, pugna pelo não provimento do recurso e faz menção ao encerramento do julgamento do RE 566.622, em sede de repercussão geral. Fl. 703DF CARF MF 8 É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Dos esclarecimentos: Antes de analisarmos o recurso se faz necessário tecer algumas considerações. Conforme mencionado no relatório, o contribuinte fez juntar aos autos petição e documentos de fls. 609/611, por meio da qual pediu a retirada de pauta do processo antes do julgamento do recurso voluntário. No referido documento é noticiado o ajuizamento de ação cautelar inominada e a concessão de liminar suspendendo o ato cancelatório de isenção nº 05/1996. Por meio de cópia da referida decisão é possível compreender a amplitude do objeto submetido à apreciação do Poder Judiciário: Vale destacar que o acórdão recorrido não se manifestou sobre a petição e as partes deixaram de apresentar recursos sobre essa suposta omissão. Assim, não cabe a este colegiado qualquer manifestação sobre o tema. Por fim, lembramos que a matéria do recurso se limita a definição acerca da nulidade de decisão que mantém lançamento com base em fundamentação não considerada pelo fiscal quando da lavratura do auto de infração. Aqui não iremos discutir acerca dos requisitos da imunidade previdenciária das entidades sem fins lucrativos ou mesmo acerca da constitucionalidade do art. 55 da Lei nº 8.212/91, inexistindo violação à determinação do STF de sobrestamento dos processos administrativos até o trânsito em julgado do RE 566.622/RS. Do conhecimento: Feitos os esclarecimentos iniciais e diante de pedido expresso na peça de contrarrazões, passo a análise do cumprimento dos requisitos formais para conhecimento do recurso interposto. A Fazenda Nacional se insurge contra a decisão proferida pela Turma a quo que entendeu que a DRJ inovou no lançamento, pois se utilizou de fundamentação não aventada pela fiscalização (necessidade de prévio requerimento de isenção, conforme § 1º do Fl. 704DF CARF MF Processo nº 19515.722887/201261 Acórdão n.º 9202006.663 CSRFT2 Fl. 701 9 art. 55 da Lei nº 8.212/91). Afirma que o acórdão recorrido entendeu que essa alteração extemporânea da motivação importaria em vedada mudança de critério jurídico e geraria a nulidade do lançamento. Citando como paradigmas os acórdãos 3401002.842 e 10808.967, a Recorrente assim delimitou a divergência: Na hipótese, o acórdão ora recorrido, apesar de ter entendido que a DRJ inovou o lançamento, na medida em que se utilizou de fundamentação não aventada pela fiscalização (necessidade de prévio requerimento de isenção, conforme § 1º do art. 55 da Lei nº 8.212/91), optou por reconhecer a nulidade da autuação, e não a nulidade da decisão recorrida: ... Os votos condutores desses paradigmas são claros quanto à necessidade de se declarar a nulidade de acórdão da DRJ que inova na motivação e fundamentação do lançamento: ... Portanto, a divergência diz respeito à interpretação e aplicação do art. 142 do CTN, bem como do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72. ... IV – Do pedido Diante do exposto, requer a União seja dado provimento ao recurso especial para que seja: (a) reconhecida a plena validade do lançamento; ou, então (a) anulada a decisão da DRJ e determinado o consequente retorno dos autos à primeira instância. Parece ter ocorrido um erro de premissa na afirmativa do Recorrente no sentido de ter o Colegiado a quo anulado o lançamento quando deveria ter anulado, apenas, a decisão da DRJ. Da leitura do inteiro teor do acórdão recorrido é possível compreender que o Conselheiro Relator além de reconhecer a nulidade da decisão da DRJ, também enfrentou o mérito, e neste aspecto entendeu por bem em dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o lançamento haja vista que o próprio relatório fiscal foi enfático ao afirmar que o contribuinte cumpriu, em relação ao período lançado, todos os requisitos para o gozo da imunidade. Vejamos partes do voto que nos leva a essa conclusão: Portanto, e nos dizeres do novo relatório fiscal, o lançamento foi meramente preventivo de decadência, tendo em vista o julgamento, então pendente, do Ato Cancelatório de Isenção (ACI). Como se denota, a autoridade lançadora partiu do pressuposto jurídico de que o Ato Cancelatório tem efeitos prospectivos, pois, Fl. 705DF CARF MF 10 embora emitido no ano de 2006, teria consequências jurídicas para o período de apuração em referência (2009). Chama a atenção, de qualquer forma, a afirmação contida no novo relatório fiscal, de que a entidade tem sim direito à isenção, cumprindo todos os requisitos legais, inclusive aqueles do art. 55 da Lei 8.212/1991 e do art. 14 do CTN. A decisão recorrida, contudo, trazendo nova fundamentação para o lançamento, afirmou que a recorrente deveria ter formulado prévio pedido de isenção. Há uma óbvia diferença entre afirmar que o lançamento decorre do ACI e afirmar que o lançamento decorre do fato de que a contribuinte não a requereu. ... A fiscalização, entretanto, ao invés de apontar as ilegalidades praticadas pela autuada, atestou que ela cumpriu todos os requisitos para o gozo da imunidade, tendo efetuado mero lançamento preventivo de decadência, partindo do pressuposto de que o ACI teria efeitos futuros ... Ao afastar a imunidade com base noutro pressuposto, a DRJ identificou a ocorrência do fato gerador alicerçada em fatos distintos daqueles identificados pela autoridade autuante, fatos, inclusive, cujas consequências jurídicas e processuais são diferentes. A autoridade julgadora não tem competência para lançar, ex vi do art. 142 do CTN, segundo o qual o lançamento é da competência privativa da autoridade administrativa. De toda forma, não deve ser declarada apenas a nulidade da decisão recorrida, mas também do próprio lançamento. Isso porque, se a autoridade administrativa, a qual tinha o dever de demonstrar o descumprimento dos requisitos legais porventura descumpridos pela recorrente, afirmou que eles foram cumpridos, outra medida não se impõe, senão o cancelamento do próprio ato administrativo constitutivo do crédito. Portanto, tivemos declarada a nulidade da decisão da DRJ por alteração do critério jurídico do lançamento e ainda tivemos o cancelamento do próprio lançamento motivado pelo fato de a autoridade competente ter atestado o cumprimento dos requisito para o gozo da imunidade. Contra o segundo ponto (cancelamento do lançamento pela comprovação do cumprimento dos requisitos da imunidade) a Fazenda Nacional não apresentou qualquer contrariedade. Assim, somente teríamos reforma aproveitável à Recorrente se fosse possível conhecer de divergência cuja discussão central devolvesse à Câmara Superior tese semelhante ao seguinte raciocínio: ´devese anular uma decisão que mesmo decretando a nulidade do Fl. 706DF CARF MF Processo nº 19515.722887/201261 Acórdão n.º 9202006.663 CSRFT2 Fl. 702 11 acórdão recorrido analisou o mérito da lide e cancelou o lançamento´. E neste contexto, a Recorrente não logrou êxito em demonstrar a divergência. Analisando o acórdão paradigma nº 3401002.842, temos a conclusão no sentido de anular decisão da DRJ em razão da alteração do critério jurídico, e embora tenha havido a determinação do retorno dos autos, aquele Colegiado não enfrentou expressamente a problemática posta. No que tange ao segundo paradigma, acórdão nº 10808967, deixou a Fazenda Nacional de fazer uso da melhor técnica processual, isso porque, a demonstração da divergência foi feita com base no entendimento constante do voto vencido. Temos aqui uma curiosidade, o voto vencido é convergente com o entendimento do acórdão recorrido, pois superando a existência de nulidade na decisão de primeira instância o relator enfrentou o mérito do lançamento e concluiu pela sua improcedência. Por fim, vale destacar que não foi requerido no recurso a nulidade da decisão proferida pela Turma a quo. O que se pede é a nulidade da decisão da DRJ, o que já ocorreu, e o retorno dos autos para novo julgamento da primeira instância, o que se torna inóquo na medida em que já transitou em julgado o entendimento do relator pelo cancelamento do auto de infração em razão do cumprimento dos requisitos da imunidade. Além das argumentações acima expostas, ainda temos no presente caso a vedação expressa constante do art. 67, §4º do Anexo II do RICARF, o qual define que nos termos da Lei nº 9.784/99 não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de 1ª (primeira) instância por vício na própria decisão. Eis o teor do citado dispositivo: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. ... § 4º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de 1ª (primeira) instância por vício na própria decisão, nos termos da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. Assim, diante do exposto, deixo de conhecer do Recurso Especial interposto. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 707DF CARF MF 12 Fl. 708DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13962.000078/2002-78
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997
MULTA DE OFÍCIO. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Tratando-se de ato não definitivamente julgado aplica-se retroativamente a lei nova quando mais favorável ao contribuinte que a lei vigente ao tempo do lançamento, excluindo a multa de ofício pelo fato de os débitos lançados terem sido declarados na respectiva DCTF.
Numero da decisão: 9303-006.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 MULTA DE OFÍCIO. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de ato não definitivamente julgado aplicase retroativamente a lei nova quando mais favorável ao contribuinte que a lei vigente ao tempo do lançamento, excluindo a multa de ofício pelo fato de os débitos lançados terem sido declarados na respectiva DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 380301.919, de 01/09/2011, proferido pela 3ª Turma AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 2. 00 00 78 /2 00 2- 78 Fl. 266DF CARF MF Processo nº 13962.000078/200278 Acórdão n.º 9303006.544 CSRFT3 Fl. 267 2 Especial da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme ementa, transcrita na parte que interessa ao presente litígio: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 REVISÃO DE LANÇAMENTO. DOCUMENTOS JUNTADOS PELO FISCO. OMISSÃO DE INTIMAÇÃO DAS CONCLUSÕES DA AUTORIDADE LANÇADORA INFRAÇÃO AO PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. NULIDADE. Fere o princípio do devido processo legal a falta de intimação para que o sujeito passivo se manifeste sobre as conclusões e os novos documentos aportados aos autos pela autoridade lançadora, em procedimento de revisão de ofício do lançamento. Exigência jurídicoprocedimental, da qual não se pode desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por preterição do direito de defesa e do contraditório." Cientificado do acórdão, o Delegado da Receita Federal do Brasil (RFB) em Blumenau/SC apresentou Embargos de Declaração, alegando inexatidões materiais. Os embargos foram analisados e acolhidos, com efeito infringente, para dar provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte, para afastar a multa de ofício, nos termos do Acórdão nº 3803002.432 (formalizado incorretamente como 380324.432), de 14/02/2012, conforme ementas transcritas abaixo: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 ERRO POR LAPSO MANIFESTO. CORREÇÃO. PROVA CONSTANTE DOS AUTOS. OMISSÃO DE ANÁLISE. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Merece conhecimento com Embargos de Declaração a petição de correção de erro no decisum, que se omitiu em analisar documentos comprobatórios da intimação do sujeito passivo das conclusões da revisão de ofício do lançamento. ÔNUS DA PROVA. FATO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AUTUAÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao recorrente a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 AUTO DE INFRAÇÃO. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF COMO COMPENSADOS COM CRÉDITOS JUDICIALMENTE RECONHECIDOS. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 13962.000078/200278 Acórdão n.º 9303006.544 CSRFT3 Fl. 268 3 A não homologação das compensações informadas em DCTF justifica o lançamento de ofício dos débitos descobertos para a respectiva exigência, com os encargos legais cabíveis. MULTA APLICÁVEL NA COBRANÇA DE DÉBITOS DECLARADOS. Os débitos declarados em DCTF devem ser cobrados com multa de mora, ainda que objeto de lançamento de ofício." No recurso especial, a Fazenda Nacional insurge contra o cancelamento da multa de ofício, alegando, em síntese, que a sua exigência tem como fundamento a Lei nº 9.430/1996, art. 44, I, c/c o § 3º, I; o fundamento fático para seu lançamento é a falta de pagamento ou recolhimento; o fato de o contribuinte ter informado os valores em DCTF, não o exime da aplicação da penalidade, quando devidamente comprovado que não recolheu na integralidade o tributo devido. Por meio do despacho às fls. 224/227, o Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção admitiu o recurso especial da Fazenda Nacional. Intimado do acórdão recorrido, do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho de sua admissibilidade, o Contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 246/251), requerendo o seu improvimento, alegando, em síntese, que tendo declarado os valores lançados e exigidos, a penalidade cabível é a multa de mora. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso apresentado atende ao pressuposto de admissibilidade e deve ser conhecido. A matéria oposta nesta fase recursal restringese ao cancelamento da multa de ofício determinada pelo Colegiado da Câmara baixa, com a aplicação da retroatividade benigna das leis. O lançamento em discussão se refere ao PIS devido para as competências dos meses de janeiro a junho de 1997, cujas parcelas lançadas e exigidas foram devidamente declaradas nas respectivas DCTF. A multa de ofício teve como fundamento o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, pelo fato de o Contribuinte não ter efetuado o pagamento ou recolhimento das parcelas da contribuição que foram lançadas e exigidas de ofício. O art. 18 da Lei nº 10.833/2003 assim dispõe sobre o lançamento de ofício, como no presente caso: "Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar Fl. 268DF CARF MF Processo nº 13962.000078/200278 Acórdão n.º 9303006.544 CSRFT3 Fl. 269 4 seá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964." Ora, segundo este dispositivo legal, a aplicação de penalidade no lançamento de valores declarados nas respectivas DCTF, em decorrência de compensação indevida, limitarseá à imposição de multa isolada e deverá ser aplicada unicamente nas hipóteses elencadas no art. 18 citado e transcrito acima. No presente caso aquela hipóteses não ocorreram. Assim, por força do princípio da retroatividade benigna, previsto no art. 106, II, "c", do CTN, a multa de ofício, exigida com fundamento no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, deve ser exonerada. À luz do exposto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 269DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.721087/2016-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011, 2012, 2013
PROCEDIMENTO FISCAL. DECLARAÇÕES E/OU DEPOIMENTOS PRESTADOS À AUTORIDADE TRIBUTÁRIA. DIREITO AO SILÊNCIO. NÃO APLICÁVEL.
O direito ao silêncio, sob o pretexto de vedação à autoincriminação, não pode ser invocado no contexto do direito tributário para afastar a obrigação do contribuinte de prestar informações e/ou esclarecimentos às autoridades fiscais.
PROCEDIMENTO FISCAL. DEPOIMENTO E/OU DECLARAÇÕES. AUSÊNCIA DA PRESENÇA DO ADVOGADO. VALIDADE.
Sem prejuízo de valoração pela autoridade julgadora, é válido como prova o depoimento do fiscalizado ou a declaração prestada por um terceiro, tomado por termo e assinado pelo declarante, ainda que realizado sem a presença de advogado.
PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA INQUISITÓRIA E INVESTIGATIVA. PERTINÊNCIA E NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVA. AVALIAÇÃO DA FISCALIZAÇÃO.
O procedimento fiscal corresponde a uma fase pré-litigiosa, cuja natureza é inquisitória e investigativa. Compete à autoridade tributária responsável pela execução do procedimento, no primeiro momento, avaliar a pertinência e necessidade da produção de prova para formar a sua convicção acerca do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A presunção legal de omissão de rendimentos tributáveis, de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2401-005.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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DECLARAÇÕES E/OU DEPOIMENTOS PRESTADOS À AUTORIDADE TRIBUTÁRIA. DIREITO AO SILÊNCIO. NÃO APLICÁVEL. O direito ao silêncio, sob o pretexto de vedação à autoincriminação, não pode ser invocado no contexto do direito tributário para afastar a obrigação do contribuinte de prestar informações e/ou esclarecimentos às autoridades fiscais. PROCEDIMENTO FISCAL. DEPOIMENTO E/OU DECLARAÇÕES. AUSÊNCIA DA PRESENÇA DO ADVOGADO. VALIDADE. Sem prejuízo de valoração pela autoridade julgadora, é válido como prova o depoimento do fiscalizado ou a declaração prestada por um terceiro, tomado por termo e assinado pelo declarante, ainda que realizado sem a presença de advogado. PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA INQUISITÓRIA E INVESTIGATIVA. PERTINÊNCIA E NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVA. AVALIAÇÃO DA FISCALIZAÇÃO. O procedimento fiscal corresponde a uma fase prélitigiosa, cuja natureza é inquisitória e investigativa. Compete à autoridade tributária responsável pela execução do procedimento, no primeiro momento, avaliar a pertinência e necessidade da produção de prova para formar a sua convicção acerca do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos tributáveis, de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 10 87 /2 01 6- 92 Fl. 2254DF CARF MF Processo nº 13971.721087/201692 Acórdão n.º 2401005.502 S2C4T1 Fl. 2.255 2 mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Fl. 2255DF CARF MF Processo nº 13971.721087/201692 Acórdão n.º 2401005.502 S2C4T1 Fl. 2.256 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), através do Acórdão nº 0441.606, de 28/09/2016, cujo dispositivo considerou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo o crédito tributário lançado pela fiscalização (fls. 2.120/2.129): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012, 2013, 2014 NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Estando presentes todos os requisitos essenciais do auto de infração e inexistindo cerceamento de defesa, não há que se falar em sua nulidade. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. NÃO COMPROVAÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, estabeleceu, para fatos ocorridos a partir de 01/01/1997, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação eficaz, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. IMPUGNAÇÃO. PROVA. No âmbito do processo administrativo as alegações apresentadas na impugnação devem ser devidamente comprovadas por documentos hábeis, sob pena de serem desconsideradas. Fl. 2256DF CARF MF Processo nº 13971.721087/201692 Acórdão n.º 2401005.502 S2C4T1 Fl. 2.257 4 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Estando comprovado o interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, é cabível a aplicação da sujeição passiva solidária, com fundamento no artigo 124, inciso I, da Lei nº 5.172/1966. Impugnação Improcedente 2. Extraise do Relatório Fiscal, acostado às fls. 19/93, que o processo administrativo é composto da exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF), relativamente aos anoscalendário de 2011, 2012 e 2013, acrescido de juros de mora e multa de ofício qualificada de 150%, em virtude de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada. 2.1 Os fatos apurados dizem respeito à movimentação bancária na conta corrente nº 701 junto à Cooperativa Trentocredi, de Nova Trento (SC), mantida, em conjunto, pelo recorrente e sua esposa, Dalma Maria Voltolini. 2.2 Além dos titulares de fato e direito da conta bancária, a fiscalização considerou a existência de mais 2 (dois) cotitulares de fato: Hemerson Voltolini, filho de Fermino e Dalma Maria Voltolini, e o Auto Posto Voltolini Ltda, cujos sócios e administradores são Hermerson Voltolini e sua esposa. 2.3 Com relação aos créditos havidos em conta corrente, em que se deixou de comprovar a sua origem, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a fiscalização dividiu o montante, em partes iguais, equivalentes a 1/4 (um quarto), para os 4 (quatro) cotitulares, Fermino Voltolini, Dalma Maria Voltolini, Hermerson Voltolini e Auto Posto Voltolini Ltda, efetuando o lançamento como omissão de rendimentos da pessoa física ou, no caso da pessoa jurídica, omissão de receita. 2.4 Sobre o crédito tributário lançado, foi aplicada a multa qualificada no importe de 150%, nos termos do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 2.5 A cônjuge do recorrente, Dalma Maria Voltolini, em razão do regime de bens adotado pelo casal, a comunhão universal, foi arrolada como responsável solidária relativamente aos créditos tributários constituídos, considerando a origem dos rendimentos omitidos como provenientes de bens comuns (art. 124, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional CTN). 3. O Auto de Infração encontrase juntado às fls. 03/17, enquanto a relação de depósitos não comprovados, por data e valor, compõe o Anexo 01 do Relatório Fiscal, observado a exclusão dos cheques depositados e devolvidos e dos créditos bancários expurgados, respectivamente, conforme Anexos 02 e 03 do Relatório Fiscal (fls. 94/163, 164/237 e 238). 4. A ciência da autuação se deu por via postal em 28/04/2016, tendo o contribuinte apresentado impugnação no prazo legal (fls. 1.951/1.953 e 1.956/1.992). Por sua vez, o devedor solidário também impugnou, na mesma data, o lançamento, com adesão à todas as razões de impugnação apresentadas por Fermino Voltolini, por questão de economia processual (fls. 2.086/2.087). Fl. 2257DF CARF MF Processo nº 13971.721087/201692 Acórdão n.º 2401005.502 S2C4T1 Fl. 2.258 5 5. Os sujeitos passivos foram intimados da decisão de piso, por via postal, em 05/10/2016 (fls. 2.131/2.133). O devedor principal apresentou recurso voluntário em 03/11/2016, em que repisa os argumentos de fato e direito da impugnação, a seguir resumidos (fls. 2.135/2.173): (i) há nulidade do lançamento, pois não houve advertência aos autuados que poderiam permanecer em silêncio, na oportunidade em que prestaram informações e esclarecimentos à fiscalização; (ii) há nulidade do lançamento, porque os autuados não estavam acompanhados de defensor quando interrogados pessoalmente pelas autoridades fiscais; (iii) há nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa, visto que o agente fiscal negou a produção de provas, mediante a oitiva de pessoas no interesse dos contribuintes fiscalizados; (iv) as provas colhidas durante os trabalhos de fiscalização não são conclusivas e evidentes a ponto de justificar o direcionamento dos créditos havidos na conta corrente como rendimentos/receitas, na proporção de 1/4 de toda movimentação para Hemerson Voltolini e de 1/4 para o Auto Posto Voltolini Ltda; (v) a esposa do recorrente, Dalma Maria Voltolini exercia de maneira informal, desde há tempos, a atividade de empréstimos financeiros (mútuos) e troca de cheques pré datados a diversas pessoas da cidade de Nova Trenta (SC), o que explica as movimentações na conta bancária para os anos calendário de 2011 a 2013; (vi) os registros existentes nos cadernos de notas da Sra. Dalma Maria Voltolini, preenchidos a mão, e as declarações de pessoas da comunidade, inclusive através de instrumentos públicos, constituemse em provas hábeis e idôneas para o fim de demonstrar a real situação da movimentação da conta corrente e justificar a origem dos depósitos; e (vii) adicionalmente, foi produzida prova pericial, na qual atestase que as anotações nos cadernos realmente têm origem do próprio punho da Sra. Dalma Voltolini e correspondem às datas ali mencionadas. É o relatório. Fl. 2258DF CARF MF Processo nº 13971.721087/201692 Acórdão n.º 2401005.502 S2C4T1 Fl. 2.259 6 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 6. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Preliminares 7. Como alegação inicial, o contribuinte reafirma a nulidade do lançamento em decorrência da obtenção ilícita da prova, eis que (fls. 2.140, "ipsis litteris"): "(...) Os depoimentos de Dalma e de Hemerson Voltolini, na forma em que foram coletados junto aos auditores fiscais, sem a presença de advogado e sem a advertência de que poderiam permanecer calados, não pode ser rotulado, de maneira nenhuma, de prova válida. (...)" 8. Não lhe assiste razão. Em primeiro lugar, os fatos trazidos na impugnação e no recurso voluntário não destoam, ao contrário mantêm coerência com os depoimentos de Fermino Voltolini e Dalma Maria Voltolini (fls. 38/43 e 1.447/1.448). 9. Além disso, a autuação fiscal está escorada em presunção legal, decorrente da falta de comprovação, mediante documentação eficaz, da origem dos recursos creditados em conta corrente de titularidade do recorrente, mantida em conjunto com a sua esposa, após regularmente intimados. 10. No direito tributário, a relação jurídica está voltada ao cumprimento da obrigação de recolher o tributo (obrigação principal) e, no interesse da arrecadação e fiscalização, de observância de deveres instrumentais (obrigação acessória), o que não se confunde com a esfera penal. 11. A atividade vinculada da constituição do crédito tributário, por meio do lançamento do tributo e, se for o caso, da aplicação de penalidades, de acordo com o art. 142 do CTN, pressupõe a prerrogativa de fiscalização, que autoriza, por força do princípio da capacidade contributiva, a identificação do patrimônio, rendimentos e atividades econômicas do contribuinte (art. 145, § 1º, da Constituição da República de 1988). Fl. 2259DF CARF MF Processo nº 13971.721087/201692 Acórdão n.º 2401005.502 S2C4T1 Fl. 2.260 7 12. Para conferir efetividade ao caráter pessoal da tributação e respeito à capacidade contributiva do contribuinte, a legislação pátria determina um dever geral de cooperação com o Fisco, que compreende, entre tantos aspectos, a obrigação de prestar, quando intimado, as informações e os esclarecimentos exigidos pelas autoridades tributárias no exercício de suas funções. 13. Em que pese a alusão pelo acórdão recorrido aos arts. 927 e 928 do Regulamento do Imposto de Renda, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, abaixo copiados, os dispositivos não contêm normas de caráter infralegal, como faz supor o recurso voluntário, na medida em que organizam e reproduzem os preceitos de lei, compatíveis com a atual ordem constitucional: Art. 927. Todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos AuditoresFiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º). Art. 928. Nenhuma pessoa física ou jurídica, contribuinte ou não, poderá eximirse de fornecer, nos prazos marcados, as informações ou esclarecimentos solicitados pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, DecretoLei nº 1.718, de 27 de novembro de 1979, art. 2º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 197). (...) (DESTAQUEI) 14. Há, inclusive, preceptivos de lei que estabelecem penalidades na hipótese de o sujeito passivo descumprir o seu dever de colaboração com o Fisco, a exemplo do agravamento da multa no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 2260DF CARF MF Processo nº 13971.721087/201692 Acórdão n.º 2401005.502 S2C4T1 Fl. 2.261 8 § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (...) (DESTAQUEI) 15. Em suma, o direito ao silêncio, sob o pretexto da vedação à autoincriminação, ou seja, a produzir prova contra si mesmo, não pode ser invocado no contexto do direito tributário para afastar a obrigação do contribuinte de prestar informações e esclarecimentos à fiscalização. 16. Quanto à necessidade da presença de advogado durante os depoimentos dos autuados, na mesma linha de pensamento da decisão de piso, entendo que o processo administrativo tributário, quer na sua fase investigativa, quer na fase contenciosa, não exige, para fins de validade dos atos, a assistência de advogado, mesmo que para acompanhar a pessoa fiscalizada que presta depoimento ou o terceiro que fornece esclarecimentos à autoridade fiscal, quando tomados por termo e assinados pelo declarante. Tudo isso, evidentemente, sem prejuízo de valoração posterior da prova pela autoridade julgadora no âmbito do contencioso administrativo fiscal. 17. Por outro lado, não há nos autos qualquer indício ou mesmo notícia que não foi permitido o acompanhamento por advogado quando dos depoimentos ou declarações prestadas pelos fiscalizados e/ou terceiros. 18. Aponta o recorrente também a nulidade do processo administrativo por cerceamento de defesa, visto que o agente responsável pelo procedimento de fiscalização negou a produção de provas solicitadas pelos contribuintes, consistente na busca de informações junto a terceiros, bem como a requisição de dados à cooperativa de crédito, onde aberta a conta bancária, com a finalidade de aclarar a realidade e demonstrar a verdade da movimentação financeira. 19. Pois bem. O procedimento fiscal, que ocorre anteriormente à lavratura do auto de infração ou da notificação de débito, é uma fase meramente investigativa e inquisitória, onde colhemse elementos, analisamse documentos e informações e reúnemse provas para motivar um eventual ato de lançamento ou aplicação de penalidade. É uma etapa prélitigiosa, preparatória para a constituição do crédito tributário, em que não há litigante nem acusado, tão somente investigado. 20. O conflito de interesses só aparece posteriormente ao lançamento fiscal, caracterizandose pela resistência do contribuinte à pretensão do Fisco. É com a impugnação que se tem início à situação conflituosa. Em outras palavras, presente o caráter litigioso, estabelecese o processo administrativo em sentido estrito. Fl. 2261DF CARF MF Processo nº 13971.721087/201692 Acórdão n.º 2401005.502 S2C4T1 Fl. 2.262 9 21. Na fase procedimental, a fiscalização não está obrigada a informar o sujeito passivo acerca das investigações em curso, tampouco precisa oferecerlhe ampla oportunidade de manifestar e de apresentar justificativas sobre os fatos investigados, ou mesmo realizar as diligências requeridas pelo fiscalizado. 22. Compete à autoridade tributária responsável pela execução do procedimento avaliar a necessidade de esclarecimentos adicionais para formar a sua convicção acerca do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Em outras palavras, o juízo da pertinência e da necessidade da coleta de prova, cabe, no primeiro momento, à autoridade responsável pelo procedimento fiscal. 23. Após o lançamento, mediante a ciência da exigência fiscal, o sujeito passivo tem direito, propriamente, ao contraditório e à ampla defesa, nos termos estabelecidos no processo administrativo tributário. O direito ao contraditório e à ampla defesa é garantido pelo inciso LV do art. 5º da Carta da República de 1988 apenas aos litigantes em processo administrativo e judicial, bem como aos acusados em geral. 24. Instaurado o litígio, nada impede que o autuado solicite, em qualquer fase do contencioso administrativo tributário, a produção da prova, a qual será submetida à avaliação do julgador quanto à sua utilidade e/ou imprescindibilidade para a solução dos pontos controvertidos no processo em curso. 25. Dessa feita, cabe reconhecer o acerto da decisão de piso que concluiu, após a análise das preliminares, pela inexistência de vícios que levassem à decretação de nulidade do lançamento fiscal. Mérito 26. A autuação fiscal respaldase na aplicação da presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, em que se considera omissão de rendimentos tributáveis quando o titular de conta bancária mantida junto à instituição financeira, após regularmente intimado, deixa de comprovar a origem dos recursos creditados: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. (...) Fl. 2262DF CARF MF Processo nº 13971.721087/201692 Acórdão n.º 2401005.502 S2C4T1 Fl. 2.263 10 26.1 Segundo o preceptivo legal, o ônus de comprovar a origem dos depósitos bancários recai sobre o titular ou cotitulares da conta, sob pena de presumirse rendimentos tributáveis omitidos. Tratase, como se vê, de presunção relativa passível de prova em contrário. 27. Com o advento da presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o agente lançador está dispensado de comprovar a existência de sinais exteriores de riqueza ou acréscimo patrimonial incompatível com os rendimentos declarados pelo contribuinte, tampouco há necessidade de mostrar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. 27.1 É o que diz, de forma sintética, o enunciado sumulado nº 26, deste Conselho Administrativo de Recurso Fiscais: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. 28. Durante o procedimento fiscal, previamente à lavratura do auto de infração, o recorrente, nem os demais cotitulares, identificaram a origem dos depósitos bancários na conta corrente nº 701, assim entendida procedência e natureza, a ponto de obstar a aplicação da presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. 29. A fim de afastar a presunção legal, há a necessidade de se comprovar, como regra geral, cada depósito de forma individualizada, vedada a justificação de forma generalizada. É razoável haver uma simetria, na medida em que, para efeitos de determinação dos rendimentos omitidos, os créditos são analisados individualmente (art. 42, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996). 30. A linha de defesa do recorrente está centrada na utilização da movimentação bancária para depósito/compensação de cheques trocados com diversas pessoas da comunidade local, bem como decorrentes das operações de mútuo realizadas pela Sra. Dalma Maria Voltolini, esposa do recorrente. 30.1 Nesse sentido, alegase que as provas colhidas durante os trabalhos de fiscalização, em especial os depoimentos dos titulares da conta corrente e as respostas de boa parte das pessoas inquiridas pela fiscalização, confirmam a procedência e o motivo das movimentações, não se podendo considerar os créditos como rendimentos tributáveis. 30.2 Para fortalecer a realidade dos fatos que pretende fazer prevalecer no processo administrativo, o autuado juntou aos autos, quando da impugnação e do recurso voluntário, a seguinte documentação: (i) declarações assinadas com reconhecimento de firma por autenticidade emitidas por pessoas que realizaram operações de empréstimos e/ou troca de cheques (fls. 1.993/2.009); Fl. 2263DF CARF MF Processo nº 13971.721087/201692 Acórdão n.º 2401005.502 S2C4T1 Fl. 2.264 11 (ii) escrituras públicas de declaração, também de pessoas que efetuaram transações de empréstimos e/ou troca de cheques (fls. 2.174/2.223); (iii) imagens de 2 (dois) cadernos de anotações, tipo escolar, utilizados pela Sra. Dalma Maria Voltolini; um deles, para o registro da troca de cheques ou de operações de mútuo com as pessoas da comunidade de Nova Trento (SC); outro, para lançamento dos juros que auferia em cada mês (fls. 2.010/2.083); e (iv) laudo pericial, elaborado a partir da técnica denominada GRAFOSCOPIA, no qual o perito assegura que tais anotações nos cadernos são provenientes do próprio punho da Sra. Dalma Maria Voltolini e correspondem às datas ali mencionadas (fls. 2.095/2.118). 31. Verificase que o contribuinte, com a documentação apresentada, procurou demonstrar a existência de uma realidade de operações de empréstimos com pessoas de confiança e troca de cheques por meio de depósitos e fluxo de numerário na conta bancária, aparentando a pura verdade, contudo não tendo o condão de provar a origem dos depósitos relacionados pelo agente lançador. 32. Com efeito, não há qualquer vinculação entre as operações realizadas e os créditos em conta corrente, nos anos de 2011 a 2013, indicados pela fiscalização às fls. 94/163, através de correspondência entre datas e valores. Dadas as circunstâncias detectadas pelo agente lançador que permeiam as movimentações bancárias na conta corrente, exaustivamente narradas no Termo de Verificação Fiscal, a correlação com os ingressos em conta constituise em uma providência indispensável para permitir o afastamento da presunção legal de omissão de rendimentos. 33. De acordo com o apurado pelo agente fazendário, a conta bancária era usada não apenas pelos titulares de direito, mas simultaneamente para a movimentação de recursos destinados a Hemerson Voltolini, filho do casal, e ao Auto Posto Voltolini Ltda, administrado por Hemerson Voltolini e esposa. 33.1 Ao longo do período fiscalizado, por meio de saques "na boca do caixa" e compensações bancárias com recursos provenientes da conta nº 701, inúmeras transações tiveram como destino o pagamento de títulos emitidos contra Hemerson Voltolini e sua esposa, assim como títulos em nome do Auto Posto Voltolini Ltda (Anexo 04, às fls. 239/265). 33.2 Tal circunstância, comprovada pela autoridade lançadora, põe em dúvida a procedência dos recursos creditados em conta corrente, ao menos uma parte, haja vista a provável falta de vinculação integral dos depósitos com as atividades da Sra. Dalma Maria Voltolini. 34. A existência de um mecanismo de acerto entre o Auto Posto Voltolini Ltda e a Sra. Dalma Maria Voltolini, tendo em conta a facilidade de acesso aos recursos em dinheiro movimentados diariamente no posto de combustíveis, para fins das operações de troca de cheques prédatados, evitandose o deslocamento a agências bancárias, é alegação desprovida Fl. 2264DF CARF MF Processo nº 13971.721087/201692 Acórdão n.º 2401005.502 S2C4T1 Fl. 2.265 12 de qualquer evidência concreta, porque nenhuma das partes apresentou planilhas, anotações ou qualquer outro indício dotado de seriedade para comprovar que realmente havia o controle em separado de recursos e a divisão patrimonial/financeira para a identificação dos rendimentos auferidos pelos contribuintes. 35. As declarações, juntadas aos autos, evidenciam a cobrança de juros compensatórios nas operações de empréstimos ou de troca de cheques prédatados realizadas pela Sra. Dalma Maria Voltolini, se não em todos os negócios realizados, mas certamente em muitos deles (fls. 2.174/2.223). 35.1 Tal prática rotineira foi confirmada pelo recorrente, ao admitir que as anotações nos cadernos da Sra. Dalma Maria Voltolini são indicativas do recebimento a título de juros de um total de R$ 1.245.743,00, relativamente aos anoscalendário de 2011, 2012 e 2013 (fls. 2.172). 35.2 Além disso, embora a sua esposa estivesse a frente da atividade de empréstimos pactuados com juros e troca de cheques prédatados com deságio, não há dúvida que o Sr. Fermino Voltolini igualmente participava dos negócios do casal (por exemplo, item 123 do Relatório Fiscal, às fls. 61). 35.3 Ressalto também que não identifiquei, nos autos, que os rendimentos de juros foram oferecidos pelo recorrente, ou pela sua cônjuge, tempestivamente à tributação do imposto de renda. 36. Caso tivesse havido a comprovação de forma individualizada da origem dos depósitos no curso do procedimento fiscal, ou seja, antes da constituição do crédito tributário, com a demonstração dos juros incidentes nas operações, seria possível à fiscalização aprofundar a investigação para submeter os rendimentos financeiros auferidos pelo casal às normas específicas de tributação do imposto, na forma prevista no § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. 37. Uma vez transposta a fase de autuação, sem a comprovação da origem dos depósitos bancários, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, somente é elidida com a comprovação, inequívoca, de que os valores depositados não são tributáveis ou que já foram submetidos à tributação, sendo inviável, no presente caso, aceitar uma justificativa generalizada no que tange à procedência e natureza dos créditos bancários, como advoga a petição recursal, para afastar a incidência do imposto de renda sobre a integralidade dos depósitos discriminados na planilha fiscal. 38. Reconheço que o ônus probatório do recorrente, no caso dos autos, possui um certo grau de dificuldade, dado o volume de lançamentos em conta corrente. Porém, a situação desfavorável é resultado tão somente da conduta dos titulares de direito da conta bancária, que, ao que tudo indica, adotavam um acompanhamento rudimentar sobre os empréstimos e as trocas de cheques prédatados mediante deságio, além da falta de transparência no controle das operações realizadas entre pais, filho e pessoa jurídica, da qual o descendente é sócio e administrador, valendose da confiança e cumplicidade no âmbito familiar, consentindo na confusão financeira entre recursos próprios e de titularidade de terceiros. Fl. 2265DF CARF MF Processo nº 13971.721087/201692 Acórdão n.º 2401005.502 S2C4T1 Fl. 2.266 13 39. Por fim, quanto às alegações de que não há provas suficientes para justificar o direcionamento dos créditos havidos na conta corrente como rendimentos de Hemerson Voltolini e o Auto Posto Voltolini Ltda, na condição de cotitulares de fato, cuidase de matéria que não tem maior relevância para o presente processo. 40. Com efeito, a atribuição de cotitularidade da conta bancária pela fiscalização também a tais pessoas, imputando a divisão da movimentação de créditos pela quantidade de titulares, não trouxe prejuízo ao recorrente. Pelo contrário, acabou reduzindo o montante dos rendimentos que lhe cabe, porque adotado critério mais favorável do que a partilha apenas entre os dois titulares de fato e de direito. 41. O mérito do procedimento fiscal, com relação a Hemerson Voltolini e ao Auto Posto Voltolini Ltda, será devidamente avaliado, respectivamente, nos Processos nº 13971.721085/201601 e 13971.721088/201637, mencionados no Termo de Verificação Fiscal. 42. À vista dos motivos acima, cabe, portanto, negar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, REJEITO as preliminares e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 2266DF CARF MF
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