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Numero do processo: 10480.917586/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002
DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO.
Conforme reconstrução lógica e expressa de dispositivos da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e da legislação pertinente ao Processo Administrativo Fiscal, assim como do previsto no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o contribuinte deve comprovar o direito creditório e o pagamento indevido em casos de pedido de restituição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.600
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO. Conforme reconstrução lógica e expressa de dispositivos da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e da legislação pertinente ao Processo Administrativo Fiscal, assim como do previsto no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o contribuinte deve comprovar o direito creditório e o pagamento indevido em casos de pedido de restituição. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO. Conforme reconstrução lógica e expressa de dispositivos da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e da legislação pertinente ao Processo Administrativo Fiscal, assim como do previsto no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o contribuinte deve comprovar o direito creditório e o pagamento indevido em casos de pedido de restituição. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório DELTA VEÍCULOS LTDA. apresentou Pedido de Restituição (PER) de alegado pagamento indevido da contribuição (PIS/Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o pedido, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 75 86 /2 01 1- 11 Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10480.917586/201111 Acórdão n.º 3201003.600 S3C2T1 Fl. 3 2 integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente solicitou a reunião para julgamento conjunto dos processos administrativos conexos, arguindo o seguinte: a) o pagamento indevido decorrera da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, declarada em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF), de observância obrigatória por parte dos órgãos da Administração Tributária por força do art. 26 A, § 6º, do Decreto nº 70.235/1972 e do art. 59 do Decreto nº 7.574, de 2011, bem como do art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF (RICARF); b) contrariamente ao disposto no art. 65 da Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, não fora intimado a esclarecer a higidez de seu crédito e que, tivesse isto ocorrido, o pedido de restituição teria sido deferido, na medida em que teria logrado comprovar o direito ao reconhecimento do indébito; c) nos termos do art. 142 do CTN, é dever da Fiscalização aprofundar o exame da situação concreta, de modo que o lançamento e também as demais glosas fiscais se baseiem na correta subsunção dos fatos à lei, não tendo a Fiscalização sequer tomado conhecimento das razões que justificavam o pedido de restituição; d) o art. 62A, caput, do RICARF vincula o Colegiado a adotar as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF sob o regime previsto no art. 543B do CPC, tal como ocorrera, na situação aqui tratada, no RE nº 585.235, pois “um dispositivo de lei declarado inconstitucional é uma norma absolutamente nula, impossibilitada de produzir efeitos jurídicos válidos, em razão de seu desacordo com o texto constitucional, a quem deve irrestrita obediência”, sendo ilógico "que a administração fazendária continuasse a reconhecer a validade de um texto de lei já declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal”, entendimento esse escorado em diversos precedentes administrativos da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF); e) na base de cálculo da contribuição, “somente deveriam ter sido incluídos pela requerente os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços”. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou, além de documentos de representação processual, (i) planilha com as rubricas sobre as quais apurou o suposto crédito a ser restituído e (ii) cópia de folhas de Balancete correspondente ao período de apuração aqui tratado. Nos termos do Acórdão nº 11040.495, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que o reconhecimento do direito à restituição exige a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior, cujo ônus recai sobre o sujeito passivo. Decidiu também a DRJ que, ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c” do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, as provas comprobatórias do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10480.917586/201111 Acórdão n.º 3201003.600 S3C2T1 Fl. 4 3 Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterou seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa, e juntou aos autos cópias de documentos que, segundo ele, comprovariam o direito creditório pleiteado. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.578, de 21/03/2018, proferido no julgamento do processo 10480.900123/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.578): Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Em que pese a brilhante construção de argumentos a favor do contribuinte, não há nos autos nenhuma prova inequívoca do direito creditório, que permita caracterizar as receitas como hipóteses de exclusão da base de cálculo do Pis, mesmo dentro do conceito de faturamento determinado pelo STF. Desse modo, votase para que a decisão de primeira instância seja mantida sob o fundamento da ausência de comprovação do direito creditório por parte do contribuinte, nos mesmos moldes do seguinte trecho: "44. Antes de adentrar no exame da possibilidade, ou não, desta primeira instância administrativa afastar a disposição contida no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, consigno que, para evidenciar o seu direito à restituição, a contribuinte se limitou a apresentar planilha em que lista diversas rubricas que entende escapariam do conceito de receita de vendas de mercadorias e/ou de prestação de serviços e, além disto, cópia de Balancete Mensal em que constam registros de diversas receitas, mas não comprovou que, efetivamente, incluiu, na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep recolhida de acordo com o valor confessado em DCTF, as receitas por ele indicadas na Manifestação de Inconformidade. 45. Para fazer jus à repetição do indébito, a recorrente, além de ter comprovado que auferiu as outras receitas por ela apontada no recurso, deveria ter apresentado demonstrativo, acompanhado dos correspondentes Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10480.917586/201111 Acórdão n.º 3201003.600 S3C2T1 Fl. 5 4 documentos contábeis fiscais/contábeis comprobatórios de sua exatidão, da apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, devida à alíquota de 0,65%, sobre as receitas de venda de mercadorias e/ou prestação de serviços, o que aqui é indispensável, pois, diante da atividade exercida pela recorrente, é evidente que ela também comercializa produtos (tais como veículos) cujas receitas sofre a incidência desta contribuição à alíquota zero, pois o produto, a depender do período de apuração, foi submetido em etapa anterior à tributação por substituição tributária ou de forma concentrada5." Conforme reconstrução lógica e expressa de dispositivos da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e da legislação pertinente ao processo administrativo fiscal, assim como do previsto no Art. 16 do Decreto 70.235/72, o contribuinte deve comprovar o direito creditório e o pagamento indevido em casos de pedido de restituição. Diante do exposto, votase para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11030.721698/2015-54
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 9101-003.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no me´rito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto Relator
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre´ Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Arau´jo, Luis Fla´vio Neto, Fla´vio Franco Corre^a, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Re^go (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no me´rito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Relator (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre´ Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Arau´jo, Luis Fla´vio Neto, Fla´vio Franco Corre^a, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Re^go (Presidente).
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A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego – Presidente (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto – Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 16 98 /2 01 5- 54 Fl. 939DF CARF MF 2 Cristiane Silva Costa – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Correâ, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial interposto por ÁGUAS MINERAIS SARANDI LTDA (doravante “contribuinte” ou “recorrente”) em face do acórdão n. 1103001.004 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela então 1a Turma, 3a Câmara, 1a Seção (doravante “Turma a quo”). O acórdão recorrido negou provimento ao recurso voluntário, restando assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 NULIDADE FUNDAMENTOS FÁTICOS E JURÍDICOS Do contexto do relatório de ação fiscal que integra os lançamentos resultam com bastante clareza tanto o suporte fático quanto o fundamento jurídico para as glosas efetuadas. Ademais, o mero erro na capitulação legal ou infralegal não é causa de nulidade do lançamento. Essencial e ́o motivo, que deve ser claro e preciso. É o que se dá no caso vertente. Inexistência de nulidade. NULIDADE APLICAÇÃO DO ART. 148 DO CTN A questão não é de aplicaçaõ do art. 148 do CTN. Sendo o caso, a aplicabilidade é da hipótese de arbitramento do lucro do art. 530 do RIR/99. E a quantificaca̧õ do valor arbitrado se dá segundo critérios definidos pela lei. Daí ser inaplicável o art. 148, in fine, do CTN. Inexistência de nulidade. NULIDADE GLOSA DE DESPESAS ARBITRAMENTO DO LUCRO Ordinariamente, quando se glosam despesas relativamente expressivas ao total das despesas, impõese o arbitramento, sob pena de vício substancial do lanca̧mento, pois tal glosa representaria a imprestabilidade da escrituraçaõ contábil, implicando tributar o que não é expressão de renda. No caso em dissídio, a questão comparece em outros termos. Aqui, dada a simulação da Sociedade em Conta de Participaçaõ, há quantificacã̧o precisa do sobrevalor embutido nos custos deduzidos, contrabalanceado pelas receitas excluídas por sua exclusão como lucros distribuídos as quais, corretamente, não foram glosadas. Inexistência de nulidade. SIMULAÇAÕ SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO MAJORAÇÃO INDEVIDA DO CUSTO AO SÓCIO OCULTO O investimento da recorrente, para se tornar sócio oculto, i.e., para fortalecer o empreendimento do sócio ostensivo, é de valor simbólico. O único sócio oculto (recorrente), sobre ser o único cliente da Sociedade em Conta de Participação (SCP), recebia 65% do faturamento bruto da SCP, a título de distribuição de resultados dessa receita não tributável. Conflito de interesses. Incompatibilidade entre causa típica de uma SCP e o fim prático pretendido pelas partes, a configurar simulação da SCP. Diante da simulaçaõ da SCP, fica caracterizada a majoração indevida de 65% dos custos dos kits para producã̧o de refrigerantes, na medida em que foi mantida a exclusão das receitas dos 65%, o que implicaria glosa em duplicidade. Fl. 940DF CARF MF Processo nº 11030.721698/201554 Acórdão n.º 9101003.510 CSRFT1 Fl. 940 3 MULTA QUALIFICADA. No quadro exposto, não há elementos que concorram para uma simulação “inocente”. Ou ainda, não se está diante de fenômeno simulatório que se ponha numa linha divisória ten̂ue ao olhar natural ou sob as lentes defasadas. No caso vertente, não se afigura factível mesmo um erro de proibicã̧o. ILEGALIDADE DA TAXA SELIC E INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA A Súmula CARF no 4 reconhece ser devida a taxa Selic. A constitucionalidade da multa é matéria cujo enfrentamento é defeso a este órgão julgador, conforme a Súmula CARF no 2. JUROS DE MORA INCIDENTE SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional, sobre os quais incidem juros de mora calculados com base na taxa Selic, tese confirmada em reiterada jurisprudência do Superior Tribunal de Justica̧ (AgRg no REsp 1.335.688PR, julgado em 4/12/12). O contribuinte opôs embargos de declaração, os quais foram rejeitados pelo Colegiado da Turma a quo (efls. 678 e seg.). O contribuinte, então, interpôs recurso especial, requerendo a reforma do acórdão a quo em relação às matérias “legalidade do planejamento tributário adotado”, “legalidade da criação da SCP”, “qualificação da multa de ofício” e “cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício” (efls. 697 e seg.). Os despachos de admissibilidade e de reexame de admissibilidade concluíram que apenas a matéria “cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício” deveria ser admitida (efls. 902 e seg.; efls. 907 e seg.). A PFN apresentou contrarrazões, nas quais, embora não se oponha ao conhecimento do recurso especial, requer lhe seja negado provimento, com a manutenção da decisão recorrida (efls. 931 e seg.). Concluise, com isso, o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou os requisitos para a admissibilidade do recurso especial quanto à matéria pertinente à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, razão pela qual não merece reparos. Quanto ao mérito do recurso, a controvérsia interpretativa não se refere necessariamente à norma dos arts. 113 ou 139 do CTN. No âmbito do CTN, a questão reside mais precisamente na norma que se constrói a partir de seu art. 161. O art. 161 do CTN, cumprindo o papel previsto no art. 146 da Constituição Federal, estabelece norma geral, aplicável a todos os entes da federação, quanto à incidência de juros de mora, no percentual de 1%, sobre o crédito não integralmente pago no vencimento. Expressamente, contudo, o seu § 1° resguarda a cada um dos entes federados a competência para estabelecer regramento próprio. Cada ente federado, por meio de seu respectivo Poder Fl. 941DF CARF MF 4 Legislativo, poderá prescrever regramento próprio, com taxa de juros diferente daquela prevista na norma geral (1%) ou, por exemplo, prever a incidência de juros de mora tanto sobre o débito principal quanto sobre as multas ou, ainda, estabelecer que os juros incidam apenas sobre o valor do débito principal, mas não sobre o das multas. A União, no caso, é exemplo de unidade federativa que, de longa data, produz regramentos próprios quanto à incidência de juros de mora sobre o crédito não integralmente pago no vencimento. Assim o fazendo, a União encontra resguardo jurídico no art. 161 do CTN, mas afasta a eficácia da norma geral veiculada neste dispositivo. Portanto, para a solução do caso concreto, a questão não se esgota com a compreensão da norma geral veiculada pelo CTN. É necessário saber qual o tratamento foi atribuído pelo legislador ordinário à materia, o que obriga que se considere o teor da Lei nº 9.430/1996, que dispõe: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como se pode observar, valendose de sua competência, o legislador ordinário decidiu: prever a incidência de juros de mora sobre multas isoladas pagos em atraso (Lei n. 9.430/96, art. 43); prever a incidência de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições pagos em atraso (Lei n. 9.430/96, art. 61); não prever nada quanto à incidência de juros de mora sobre multas de ofício. A evolução legislativa demonstra que não se trata de um silêncio insignificante, mas expressão de decisão consciente do legislador. As leis que se sucederam, em especial, o Decretolei n. 2.232/87, a Lei n. 7.691/88, a Lei n. 7.738/89, a Lei n. 7.799/89, a Lei n. 8.218/91, a Lei n. 8.383/91, a Lei n. 8.981/95, a Lei n. 9.430/96, a Lei n. 10.522/02, demonstram que a decisão do legislador variou no tempo, por vezes determinando a incidência de juros sobre a multa de ofício, por vezes a excluindo. Há uma diferenciação relevante: o dispositivo não estabelece, por si, a incidência de alguma taxa de juros sobre a multa, mas possibilita que leis específicas a estabeleça. Fl. 942DF CARF MF Processo nº 11030.721698/201554 Acórdão n.º 9101003.510 CSRFT1 Fl. 941 5 Essa retrospectiva é relevante para constatar que o legislador competente não agiu ao acaso: tratase de silêncio eloquente do legislador que, ao tutelar a matéria, deixou conscientemente de prever a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Este já foi o entendimento adotado por este Tribunal administrativo, inclusive no âmbito da 1ª Turma da CSRF, como se observa dos seguintes exemplos: RECURSO ESPECIAL – CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional quando inexiste similitude fática entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa ofício aplicada. (Processo nº 10680.002472/200723. Acórdão n. 9101000.722. CSRF, 15.12.2010.) JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. (Processo nº 16327.004079/200275. Acórdão n. 10196.008. TO, 01.03.2007) INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de oficio, vez que o artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de oficio. (Processo nº 10980.013431/200605. Acórdão nº 10196.607, TO, 06.03.2008) JUROS DE MORA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TAXA SELIC. — É cabível, no lançamento de oficio, a cobrança de juros de mora sobre o tributo ou contribuição, calculados com base na variação acumulada da Taxa Selic. Referidos juros não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, decorrente de fatos geradores ocorridos a partir de 1/01/1997, por absoluta falta de previsão legal. (Processo nº 16327.004252/200235. Acórdão nº 20216.397, TO, data da publicação 14.06.2005) Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer e DAR PROVIMENTO ao recurso especial. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Voto Vencedor Conselheira Cristiane Silva Costa, Redatora designada Com a devida vênia ao voto do Relator, entendo por negar provimento ao recurso especial do contribuinte, tendo sido acompanhada pela maioria deste Colegiado. Fl. 943DF CARF MF 6 Ressalvo que em precedentes desta Turma, pronuncieime pela ilegitimidade da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício (acórdãos 9101003.053 e 9101003.216, dentre outros). Ocorre que, diante de reiterados julgamentos em que restei vencida, curvo me ao entendimento predominante do Colegiado, ponderando que a matéria é unicamente de direito e há orientação prevalecente na jurisprudência do CARF pela manutenção da cobrança de juros sobre a multa. A esse respeito, destaco voto elaborado pela Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Presidente desta Turma e do CARF (acórdão 9101003.376): A Lei nº 9.430, de 1996, estabelece, em seu art. 61, § 3º, que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidirão juros de mora à taxa SELIC. Vejase (sublinhei): Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.(grifo nosso) De outra banda, está estampado na Súmula CARF nº 5 que são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento. Confirase (sublinhei): Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Ora, contrariamente àquilo que alega a Contribuinte, dos arts. 113, § 1º, e 139 do CTN deflui que o crédito tributário, que decorre da obrigação principal, compreende tanto o tributo em si quanto a penalidade pecuniária, o que inclui, à toda evidência, a multa de oficio proporcional de caráter punitivo. Vale transcrever os dispositivos: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Sendo assim, outra não pode ser a interpretação da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” expressa no Fl. 944DF CARF MF Processo nº 11030.721698/201554 Acórdão n.º 9101003.510 CSRFT1 Fl. 942 7 retrotranscrito art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, senão a de que abarca a integralidade do crédito tributário, incluindo a multa de oficio proporcional punitiva, constituída por ocasião do lançamento. Resta evidente que a multa de ofício proporcional, lançada juntamente com o tributo devido, se não paga no vencimento, sujeitase a juros de mora por força do disposto no art. 61, caput, da Lei nº 9.430, de 1997. Aliás, se a intenção do legislador fosse limitar a aplicação do art. 61 apenas aos débitos principais de tributos e contribuições, bastaria suprimir o termo "decorrente", como bem pontua o Conselheiro Adolfo dos Santos Medes, no voto condutor do Acórdão nº 1401001.653: É importante notar que no caput do art. 61, o texto é “débitos [...] decorrentes de tributos e contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes” evidencia que o legislador não quis se referir, para todas as situações, apenas aos tributos e contribuições em termos estritos. Com base no art. 161, caput, do CTN, a Contribuinte insiste na tese de que os juros devem incidir apenas sobre valor do tributo, e não sobre valor de multa de ofício. Entretanto, o referido artigo estabelece a incidência de juros de mora sobre o "crédito não integralmente pago no vencimento", dispondo o seguinte: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (Grifei) Não há dúvida de que multa não é tributo, pela própria dicção do art. 3º do CTN: "Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada". Todavia, a coerência interna do CTN evidencia, com clareza, conforme revelam os arts. 113, § 1º, e 139, que a penalidade pecuniária é também objeto da obrigação tributária principal e assim integra o conceito de crédito, objeto da relação jurídica estabelecida entre o Fisco e o sujeito passivo, beneficiandose de todas as garantias a ele asseguradas por lei, inclusive o acréscimo de juros de mora. Sobreleva considerar, ainda, que a orientação do E. Superior Tribunal de Justiça é também pela manutenção da cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício. Destaco ementas de acórdãos das duas Turmas de Direito Público: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. Fl. 945DF CARF MF 8 INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (Superior Tribunal de Justiça, AgRg no RESP 1335688, DJ de 04/12/2012, Primeira Turma) TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (Superior Tribunal de Justiça, Resp 1129990, DJ de 01/09/2009, Segunda Turma) Os referidos julgamentos não foram submetidos à sistemática de recursos repetitivos. No entanto, em respeito à orientação do STJ – como também o entendimento da maioria desta Turma a respeito de matéria de direito – voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, adotando as razões dos votos acima referidos. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 946DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002170/2010-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1996 a 30/09/1997
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF.
A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1996 a 30/09/1997 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 21 70 /2 01 0- 37 Fl. 144DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 19515.002149/201031, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de recurso de ofício apresentado em face da decisão de primeiro grau, pela qual se deu integral provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração que constituiu crédito tributário relativo à contribuição a cargo da empresa e à contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho (SAT) apuradas com base nas remunerações paga aos segurados empregados de empresa prestadora de serviços. De acordo com o relatório da fiscalização, tratase de constituição de crédito tributário visando restabelecer a exigência realizada anteriormente através de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, referente a contribuições apuradas com base no instituto da solidariedade, que foi anulada por vício formal. A exigência foi impugnada pelo sujeito passivo, o que rendeu ensejo ao Acórdão recorrido, pelo qual se reconheceu a decadência do direito de lançar do fisco, uma vez que entre a data que declarou a nulidade por vício formal do lançamento anterior e aquela em que o novo crédito foi constituído transcorreuse prazo superior a cinco anos. Segundo a decisão recorrida, o valor total do crédito constituído na ação fiscal superou o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3, de 2008, de RS 1.000.000,00. Considerando esse somatório, foi apresentado recurso de ofício para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta conselheira. É o que havia para ser relatado." Fl. 145DF CARF MF Processo nº 19515.002170/201037 Acórdão n.º 2201004.180 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018, proferido no julgamento do processo n° 19515.002149/201031, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018: Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Conforme se extrai do relatório, este processo compõe um conjunto de processos decorrentes da mesma ação fiscal e julgados na mesma sessão, com um total de crédito tributário afastado superior a R$ 1.000.000,00, limite previsto na Portaria MF nº 03, de 2008, o que justificou que a autoridade julgadora de primeira instância administrativa recorresse de ofício. Ocorre, porém, que a análise da admissibilidade do recurso de ofício deve ser realizada em vista do limite de alçada vigente na data em que ele é apreciado. É o que preceitua, sem embargo, o enunciado nº 103 da Súmula de jurisprudência deste CARF: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Os fundamentos das decisões que serviram de paradigma para este enunciado são bem explicitados pelo trecho que abaixo se transcreve do Acórdão nº 9202003.027, relator o Conselheiro Marcelo Oliveira: Em síntese, o cerne da questão versa sobre o conhecimento, ou não, de recurso de ofício quando há elevação do valor de alçada, entre o julgamento em primeira instância e o julgamento pelo CARF. Como é cediço, as normas processuais têm aplicação imediata, conforme determinação o Código de Processo Civil (CPC): CPC: “Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes.” Fl. 146DF CARF MF 4 Para a recorrente, entretanto, a norma posterior não pode prejudicar seu direito ao recurso, pois, em síntese, cercearia seu direito à defesa. Com todo respeito, não concordamos com a recorrente. Há uma diferença, relevante, que não pode ser deixada de lado nesta análise: uma das partes (União) foi quem emitiu a norma posterior que fundamentou o não conhecimento do recurso de ofício. No processo civil as norma processuais não são de iniciativa das partes. Ao contrário, a eventual norma processual atinge ambas as partes, beneficiandoas ou as prejudicando, a depender da fase em que se encontre o processo, daí a necessidade de garantia de direitos. Já no processo administrativo fiscal a norma é conseqüência do poder que goza a Administração Pública, o que permite que esta enquanto sujeito processual representado pela Fazenda Nacional, possa criar normas abrindo mão de seus próprios direitos. Esse é o raciocínio presente em acórdãos já proferidos por este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. (Acórdão: 9202002.652 – CSRF. Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira). ... ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO EQUIVOCADO NULIDADE. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 19515.002170/201037 Acórdão n.º 2201004.180 S2C2T1 Fl. 4 5 A verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, é levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso. Não tendo o Colegiado ad quem observado o novo limite de alçada para o recurso de ofício. Tal julgamento é nulo, de pleno direito, visto que, a competência do órgão julgador, no caso concreto, é conferida pela devolutividade do recurso. Processo Anulado. (Acórdão: 9303002.165 – CSRF. Relator: Henrique Pinheiro Torres). ... REEXAME NECESSÁRIO — LIMITE DE ALÇADA — AMPLIAÇÃO — CASOS PENDENTES Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n° 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). (Acórdão: CSRF/0400.965. Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo) A criação e elevação do limite de alçada para recursos de ofício tem como um de seus objetivos dar celeridade à solução do processo no âmbito administrativo fiscal, pela diminuição de julgamentos pela segunda instância em processos em que a própria parte (União) demonstra ausência de interesse na continuidade do litígio. Atualmente, o limite de alçada se encontra fixado pelo art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Pelos parâmetros estabelecidos nesta Portaria, o recurso de ofício será cabível sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), valor este que deverá ser verificado por processo. Fl. 148DF CARF MF 6 O crédito tributário exonerado no processo em análise não atende a esses pressupostos, de forma que o recurso de ofício não preenche os requisitos necessários para que seja conhecido. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. Dione Jesabel Wasilewski – Relatora" Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 149DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.900592/2011-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso interposto em relação ao Acórdão nº 0350.436, de 31 de janeiro de 2013, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (fls. 99 a 106), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. O presente processo cuida da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 00958.70959.200907.1.3.042106 (fls. 21 a 26), por meio da qual a contribuinte compensou débito de sua responsabilidade referente à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS/Pasep), período de apuração de agosto de 2007, no valor de R$ 117,62, com crédito RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 46 .9 00 59 2/ 20 11 -6 2 Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10746.900592/201162 Resolução nº 1302000.591 S1C3T2 Fl. 262 2 decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). O crédito em questão, no valor de R$ 83,70, originarseia de pagamento efetuado em 15/12/2004, no montante de R$ 1.011,37; e não foi reconhecido pelo Despacho Decisório de fl. 12, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a compensação declarada não foi homologada. Cientificado, o sujeito passivo apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 2 a 11, na qual sustentou que, por equívoco, na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), relativa ao anocalendário de 2004, e na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), referente ao quarto trimestre do citado ano calendário, informou débito a título de CSLL, regime de apuração baseado no Lucro Presumido, calculado a partir da aplicação do percentual de 32% sobre a sua receita bruta. Contudo, em decorrência da sua atividade, estaria sujeito à CSLL, sobre o Lucro Presumido, calculada com base na aplicação da alíquota de 12% sobre a sua receita bruta. Invocou o princípio da verdade material e apresentou elementos que, no seu entender, comprovariam o erro de fato e o indébito em questão (DIPJ retificadora, cópias parciais dos livros Diário, Razão e Registro de notas fiscais de serviços prestados, bem como cópias das notas fiscais do período). Relatou, ainda, haver procedido à retificação da DIPJ referente ao ano calendário de 2004, e apresentou diversas decisões de Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento que respaldariam o crédito pleiteado. Em dezembro de 2012, o sujeito passivo apresentou o documento de fls. 97 e 98, intitulado "Resumo do Manifesto de Inconformidade P.J.", no qual, além de reiterar os termos da sua Manifestação Inconformidade, esclarece que deixou de retificar a DCTF do 4º trimestre de 2004, uma vez que, no momento em que constatou a necessidade de tal retificação, já se teria operado a decadência do seu direito de alterar o referido documento. A decisão de primeira instância (fls. 99 a 106) considerou que a Recorrente não havia apresentado documentação suficiente capaz de "demonstrar a natureza das atividades a que se referiram os rendimentos declarados e que poderia esclarecer qual(is) o(s) correto(s) percentual(is) aplicável(is), se de 12%, tal como pretendido, se de 32%, ou mesmo de percentuais diversificados, conforme § 2º do artigo 15 da Lei nº 9.249/95", de modo que o alegado indébito não se revestiria da liquidez e certeza necessárias ao reconhecimento do direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN. Registrou, ainda, que as decisões administrativas colecionadas pela pessoa jurídica não possuíam caráter de normas complementares, nem efeitos vinculantes. Deste modo, não reconheceu o direito creditório do sujeito passivo. Após a ciência, comprovada às fls. 107/108, foi interposto o Recurso de fls. 110 a 120, por meio do qual a Recorrente, após reiterar as razões contidas na Manifestação de Inconformidade, sustenta que tem como cliente contratante, na maioria dos serviços prestados, o Poder Público, sendo a prática e costume os contratos de obras públicas serem formalizados sob a sistemática da empreitada global. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10746.900592/201162 Resolução nº 1302000.591 S1C3T2 Fl. 263 3 Aduz que os documentos já apresentados, em especial as notas fiscais de serviço, são elementos hábeis a demonstrar se tratar de serviços prestados com fornecimento de material. Invoca a aplicação do princípio in dúbio pro contribuinte (calcado no art. 112, inciso II, do CTN) ou, ainda, a realização de diligência para juntada aos autos dos contratos de prestação de serviço. Contudo, com base no art. 16, §4º, alínea c, do Decreto nº 70.235, de 1972, combinado com o §5º do referido dispositivo, já traz aos autos os mencionados contratos de prestação de serviço, que comprovariam o direito pleiteado. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator Como já relatado, tratase de Declaração de Compensação (DComp) referente a pagamento efetuado, em 15/12/2004, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativo ao 4ª trimestre do anocalendário de 2004. O crédito compensado decorreria do fato de a Recorrente haver confessado na DCTF e recolhido a CSLL, apurada sob o regime de apuração baseado no Lucro Presumido, a partir da aplicação do percentual de 32% sobre a sua receita bruta, quando, em decorrência da receita se referir à atividade de construção civil com fornecimento de material, o percentual aplicável para a determinação do Lucro Presumido ser o de 12%, conforme art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995. O direito creditório invocado não foi reconhecido pelo Despacho Decisório de fl. 12, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a compensação declarada não foi homologada. Por outro lado, a Manifestação de Inconformidade do sujeito passivo foi julgada improcedente por se considerar que os elementos juntados aos autos não são suficientes para comprovar que os serviços prestados pela Recorrente incluem o fornecimento de todo o material necessário à sua realização. Nos termos do art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995, a base de cálculo da CSLL devida pelas pessoas jurídicas que apuram o IRPJ com base no Lucro Presumido, corresponderá a doze por cento da receita bruta, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1º do art. 15 daquele diploma legal, dentre as quais se inclui a prestação de serviços em geral, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. O citado art. 15 foi interpretado pelo Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 1997, que esclareceu que, para a determinação da base de cálculo do IRPJ mensal, a construção por empreitada com emprego de qualquer quantidade de materiais se sujeitaria ao percentual de 8% (oito por cento), enquanto incidiria o percentual de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita das atividades de construção por empreitada unicamente de mãodeobra. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10746.900592/201162 Resolução nº 1302000.591 S1C3T2 Fl. 264 4 A Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997, tratava do assunto, nos mesmos moldes do ADN mencionado. Aquele entendimento vigorou até a edição da Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004, que definiu como "construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra". (Destacouse) No caso sob exame, tratandose do anocalendário de 2004, aplicase, portanto, o entendimento que admite o fornecimento de qualquer quantidade de material, para a aplicação do percentual favorecido na determinação da base de cálculo da CSLL. A questão que se põe, portanto, é saber se as provas documentais apresentadas pelo sujeito passivo são (ou não) suficientes para comprovar que as receitas tributadas no trimestre em questão se referem a serviços de construção civil prestados com o fornecimento de material. Ocorre que, previamente à apreciação do Recurso, fazse necessário esclarecimento. É que, dentre os contratos apensados ao Recurso, constatase a existência de instrumentos firmados com a mesma Construtora Monte do Carmo Ltda, CNPJ nº 01.919.293/000178 (fls. 139/144, 146/152, 154/159, 191/198 e 227/236. Por outro lado, os Aditivos de fls. 160/161 e 237/238, aos contratos de fls. 154/159 e 227/236, respectivamente, são firmados com a própria Recorrente. Do mesmo modo, vêse que notas fiscais são emitidas pela Recorrente, em relação aos contratos firmados com a Construtora Monte do Carmo Ltda, e que os valores das referidas receitas estão contabilizadas nos Livros contábeis e fiscais juntados pela Recorrente, e foram considerados na apuração da CSLL devida no período em questão. Isto posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/PalmasTO), para que: a) intime o sujeito passivo a esclarecer a existência de notas fiscais e contratos referentes à Construtora Monte do Carmo Ltda, CNPJ nº 01.919.293/000178, na base de cálculo utilizada para a determinação da CSLL relativa ao 4º trimestre do anocalendário de 2004 e do indébito de que trata o presente processo; b) informe os valores efetivamente recolhidos pela Recorrente, a título de CSLL, em relação ao referido período de apuração, detalhando a eventual utilização/disponibilidade dos pagamentos efetuados; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, bem como se manifestando em relação aos esclarecimentos prestados pelo sujeito passo, que deve ser cientificado do resultado, com a concessão de prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo a este Colegiado. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10746.900592/201162 Resolução nº 1302000.591 S1C3T2 Fl. 265 5 (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 265DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18239.008046/2008-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
GLOSA DE IRRF. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO DO IR PELA FONTE PAGADORA.
O imposto retido na fonte somente pode ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora ou apresentar a comprovação do recolhimento tempestivo do imposto retido. O pagamento efetuado após o início da ação fiscal não elide a glosa.
DOCUMENTOS IDÔNEOS APRESENTADOS EM FASE RECURSAL. PROCEDÊNCIA.
Comprovada idoneamente, por documentos que demonstrem a possibilidade de afastar a glosa do Imposto de Renda, ainda que em fase recursal, devem ser admitidos os comprovantes apresentados a destempo, com fundamento no princípio do formalismo moderado, não subsistindo o lançamento quanto a este aspecto.
Numero da decisão: 2301-005.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso, para cancelar a glosa dos valores pagos antes do início da ação fiscal, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Wesley Rocha (Relator), Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato, que davam provimento ao recurso. Designado por fazer o voto vencedor o conselheiro João Maurício Vital.
(assinado digitalmente).
João Bellini Júnior - Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andréa Brose Adolfo, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 GLOSA DE IRRF. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO DO IR PELA FONTE PAGADORA. O imposto retido na fonte somente pode ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora ou apresentar a comprovação do recolhimento tempestivo do imposto retido. O pagamento efetuado após o início da ação fiscal não elide a glosa. DOCUMENTOS IDÔNEOS APRESENTADOS EM FASE RECURSAL. PROCEDÊNCIA. Comprovada idoneamente, por documentos que demonstrem a possibilidade de afastar a glosa do Imposto de Renda, ainda que em fase recursal, devem ser admitidos os comprovantes apresentados a destempo, com fundamento no princípio do formalismo moderado, não subsistindo o lançamento quanto a este aspecto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso, para cancelar a glosa dos valores pagos antes do início da ação fiscal, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Wesley Rocha (Relator), Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato, que davam provimento ao recurso. Designado por fazer o voto vencedor o conselheiro João Maurício Vital. (assinado digitalmente). João Bellini Júnior - Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha - Relator (assinado digitalmente) João Maurício Vital - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andréa Brose Adolfo, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha.
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COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO DO IR PELA FONTE PAGADORA. O imposto retido na fonte somente pode ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora ou apresentar a comprovação do recolhimento tempestivo do imposto retido. O pagamento efetuado após o início da ação fiscal não elide a glosa. DOCUMENTOS IDÔNEOS APRESENTADOS EM FASE RECURSAL. PROCEDÊNCIA. Comprovada idoneamente, por documentos que demonstrem a possibilidade de afastar a glosa do Imposto de Renda, ainda que em fase recursal, devem ser admitidos os comprovantes apresentados a destempo, com fundamento no princípio do formalismo moderado, não subsistindo o lançamento quanto a este aspecto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso, para cancelar a glosa dos valores pagos antes do início da ação fiscal, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Wesley Rocha (Relator), Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato, que davam provimento ao recurso. Designado por fazer o voto vencedor o conselheiro João Maurício Vital. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 23 9. 00 80 46 /2 00 8- 12 Fl. 422DF CARF MF Processo nº 18239.008046/200812 Acórdão n.º 2301005.251 S2C3T1 Fl. 418 2 (assinado digitalmente). João Bellini Júnior Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator (assinado digitalmente) João Maurício Vital Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andréa Brose Adolfo, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por JOSE BONIFACIO DE OLIVEIRA SOBRINHO, contra o acórdão de julgamento n.º 1249.125, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro IRJ (18 ª Turma da DRJ/RJ1), no qual os membros daquele colegiado julgaram parcialmente procedente a impugnação apresentada, referente à Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física, relativa ao ano calendário 2003, exercício 2004, no valor apurado de R$173.223,92, com os acréscimos legais. O lançamento foi revisto tendo valores alterados pela fiscalização e também analisados pela DRJ de origem, bem como diante de outras comprovações trazidas ao feito, restou somente a glosa de R$69.851,48 a título de IRRF. Por bem descrever os fatos, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de origem: "Contra o contribuinte foi lavrada notificação relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (fls 9 a 18), anocalendário 2003, para apurar imposto suplementar de R$49.889,44 com aplicação de multa de ofício e juros de mora e imposto de renda sob o código 0211 no valor de R$29.918,27 acrescido de multa de mora e juros legais. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal foram apuradas as seguintes infrações: dedução indevida de dependente no valor de R$1.272,00, dedução indevida com despesa de instrução no valor de R$.1998,00, dedução indevida de despesas médicas no valor de R$58.703,91, dedução indevida de pensão judicial R$356.646,75, omissão de rendimentos da fonte pagadora SIGEM Sistema Globo de Edições Musicais Ltda no valor de R$2.567,13, dedução indevida de previdência oficial no valor de R$1.782,91, compensação indevida de imposto de renda retido na fonte R$69.851,48 relativo a NOKIA SIEMENS NETWORKS do Brasil Sistemas de Comunicações LTDA. O contribuinte não concorda com o lançamento conforme razões expostas às fls.2 a 4 e apresenta os comprovantes de fls. 19 a 110. Fl. 423DF CARF MF Processo nº 18239.008046/200812 Acórdão n.º 2301005.251 S2C3T1 Fl. 419 3 Às fls. 111 a 121 foram expedidos os: Termo Circunstanciado e o Despacho Decisório que alteraram o imposto suplementar (2904) de R$49.889,44 para R$23.336,59 e o imposto de renda sob o código 0211 de R$29.918,27 para R$20.308,62. A Fiscalização considerou comprovados a dedução com dependente, a dedução indevida de previdência oficial; dedução com instrução; o montante de R$57447,13 a título de despesas médicas; o montante de R$69.000,00 a titulo de pensão judicial. Desta forma, foi considerado o total de R$131.500,04 (fl.118) a título de deduções. Em 28 de junho de 2012, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fls. 126 a 137 e juntou farta documentação de fls. 154 a 205 e 209 a 293" Conforme decisão da DRJ de origem, foi acatada parcialmente as alegações do contribuinte, lançando a seguinte decisão: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DESPESAS MÉDICAS MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Consideramse não impugnadas as matérias nas quais não tenham sido expressamente contestadas pelo impugnante DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Cabe o restabelecimento das glosas efetuadas quando o contribuinte, por meio de documentação hábil e idônea, supre as falhas apontadas pela autoridade lançadora. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na Declaração de pessoa física se o contribuinte possuir Comprovante de Retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. GLOSA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Mantémse a glosa efetuada pela fiscalização quando o contribuinte não comprovar, por meio de documento hábil e idôneo, o valor declarado a título de IRRF. Impugnação Procedente em Parte". Inconformado, o contribuinte recorre a este Conselho (fls. 335/364), requerendo, em síntese, a procedência do recurso para afastar a exigência dos valores que ainda restam do Lançamento Fiscal em relação à glosa de R$69.851,48, a título de IRRF da Nokia Siemens Networks do Brasil Sistemas de Comunicações LTDA, quando do pagamento da locação do imóveis pertencentes ao recorrente. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 18239.008046/200812 Acórdão n.º 2301005.251 S2C3T1 Fl. 420 4 Após a interposição do recurso voluntário o recorrente junta ao presente processo documentos, emitidos pela fonte pagadora (NOKIA), bem como DARFs da diferença glosada pela fiscalização (fls. 378/393). É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso voluntário é tempestivo. Assim, passo a analisar o mérito. DA DELIMITAÇÃO DA LIDE De todo o auto de infração resta somente o debate sobre o glosa de R$69.851,48 a título de IRRF, referente a aluguéis pagos pela empresa NOKIA ao contribuinte, tendo para tanto uma administração de empresa do ramo imobiliário, que intermédia a locação e os termos decorrentes do negócio jurídico realizado. Da compensação indevida de IRRF O recorrente alega de forma contundente que existiu erro na apuração do cálculo feito pela fiscalização, que digase de passagem corrigiu o valor lançado, mantendo a glosa quanto à fonte pagadora Nokia, conforme termo circunstanciado de fl. 117 nos seguintes termos: Já a DRJ de origem ao analisar a impugnação do recorrente proferiu o seguinte entendimento: "O contribuinte não concorda com o Termo Circunstanciado conforme fls.134 a 136. Alega que a divergência entre o valor apresentado no Informe e Rendimentos com aquele declarado pela fonte pagadora em DIRF decorre das retenções ocorridas no 1º semestre de 2003, não informadas na DIRF pela fonte pagadora. Segundo ele, a DIRF contemplou apenas as Fl. 425DF CARF MF Processo nº 18239.008046/200812 Acórdão n.º 2301005.251 S2C3T1 Fl. 421 5 retenções ocorridas nos meses de agosto a dezembro de 2003. Afirma que o contrato estava vigente no ano calendário de 2003. No intuito de comprovar que recebeu rendimentos a título de aluguel líquidos do imposto de renda retido (R$111.492,56) e que também foram descontados os valores referentes à taxa de administração (Comissão sobre Locação) no montante de R$21.194,45 disponibiliza o extrato da conta corrente de locação emitido pela Bulhões com a demonstração diária dos valores recebidos e descontados (fls.277 a 282). Anexou extratos bancários no intuito de demonstrar que os valores depositados em sua conta bancária foram realizados líquidos do IRRF ,com destaque das TED realizadas pela administradora(fls 282 a 293). Ao final o interessado menciona que a DIMOB apresentada pela Bulhões informa na coluna de rendimentos o valor de R$311.281,11,resultado do total dos rendimentos R$423.889,16 deduzidos dos impostos incidentes (IRRF – R$111492,56 e ISS – R$1.115,49). Inicialmente cabe destacar que em pesquisa realizada no sistema da RFB foi verificado que a empresa NOKIA não alterou a informação relativa ao IRRF retido no valor de R$41.641,08. Para comprovação do IRRF o contribuinte apresentou extratos bancários e informe de rendimentos fornecido pela Administradora do Imóvel. Da leitura do contrato de aluguel apresentado às fls.35 a 41 verificase referência aos seguinte imóveis situados na Avenida das Américas 500, Bloco 22, lojas 105,106,129,130 e salas 206,207,235,236,304,305 e 322. Entretanto, o informe de rendimentos fornecido pela Bulhões fls 277 a 29 referese apenas as lojas 105/106/129/130. Também cabe mencionar que a clausula XV (fl.39) obriga ao locatário fornecer ao locador o informe de rendimentos anualmente, até o dia 25 de janeiro. Caberia ao contribuinte apresentar em sua defesa o comprovante de rendimentos anual fornecido pela NOKIA com o intuito de comprovar o valor do IRRF, ou o DARF recolhido. Cabe destacar que os documentos apresentados expedidos pela BCF não são hábeis para comprovar a retenção na fonte de terceiro. Não há previsão legal e tampouco a BFC é responsável tributário nos termos do Código Tributário Nacional. Fl. 426DF CARF MF Processo nº 18239.008046/200812 Acórdão n.º 2301005.251 S2C3T1 Fl. 422 6 Mesmo tratamento se deve dar aos extratos anexados pelo contribuinte ,uma vez que não são hábeis par comprovar a retenção de IRRF pela pessoa jurídica locatária. Ressaltese que o requisito necessário para que o contribuinte compense em sua declaração o imposto retido na fonte é a sua efetiva retenção por parte da fonte pagadora. Diante do extenso recurso voluntário do recorrente, verifico que não foi possível afastar a responsabilidade do recorrente ao presente caso, diante da legislação em vigor, o qual alega que a fonte pagadora cometeu erro formal em seu declaração ao fisco. Assim, o beneficiário seria o responsável pelo imposto devido. Entretanto, de forma extemporânea, o recorrente junta ao presente feito nas fls. 378/393 a comprovação mencionada na decisão a quo e que no meu entender deve ser acolhida, em razão de todo conjunto probatório trazido pelo contribuinte aos autos. Durante todo o processo o recorrente apresentou boafé e esforçouse em demonstrar à fiscalização as provas necessárias de seu direito. Alegando desde o princípio que a fonte pagadora cometeu erro no envio das informações ao fisco. Juntou inclusive extratos bancários para comprar suas alegações. Entretanto, lhe faltava a prova principal: a efetiva retenção por parte da fonte pagadora em seu nome. Nos DARFs juntados nas fls. 386/392 é possível concluir que a fonte pagadora recolheu em nome do contribuinte a título de imposto de renda retido na fonte a quantia de R$69.988,15, aproximandose da glosa de R$69.851,48, correspondente ao ano calendário de 2003. Esse valor ficou acima dos R$41.641,08, declarado pela fonte pagadora e que foi identificado pela Fiscalização. Assim, entendo que o contribuinte fez prova do seu direito, e que deve afastada a glosa lançada, ainda que juntada posteriormente ao seu recurso. O artigo 16 § 4º do Decreto 70.235/72 determina que "a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro documento processual, a menos que: i) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; ii) refirase a fato ou a direito superveniente; iii) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Entretanto, em razão do princípio do formalismo moderado que se aplica a processos administrativos, em casos de apresentação de documento extemporâneo mas idôneo, esse Conselho tem admitido o acolhimento de provas em fase recursal, como se verifica pelas ementas abaixo transcritas: "IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AUTUAÇÃO POR DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO IDÔNEA EM FASE RECURSAL. ADMITIDA EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO. Comprovada idoneamente, por demonstrativos de pagamentos que atendem as exigências legais, ainda que em fase recursal, deve ser Fl. 427DF CARF MF Processo nº 18239.008046/200812 Acórdão n.º 2301005.251 S2C3T1 Fl. 423 7 admitida os comprovantes apresentados a destempo, com fundamento no princípio do formalismo moderado, não subsistindo o lançamento quanto a este aspecto. "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72 deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, especialmente instrumentalidade das formas e formalismo moderado. O controle da legalidade do ato de lançamento e busca da “verdade material” alçada como princípio pela jurisprudência dessa Corte impõem flexibilidade na interpretação de regras relativas à instrução da causa, tanto no tocante à iniciativa quanto ao momento da produção da prova. Recurso voluntário provido para anular decisão de primeira instância."(Ac 1102000.859, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção 1ª Seção, Sessão 09/04/2013). Assim, diante dos documentos idôneos juntados pelo recorrente, em atendimento à ampla defesa e contraditório, consoante o formalismo moderado e a busca da verdade material no PAF, afasto a glosa lançada a glosa de R$69.851,48 a título de IRRF, referente a aluguéis pagos pela empresa NOKIA ao contribuinte. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para afastar a glosa no valor de R$69.851,48, relativos à retenção de Imposto de Renda Retido na Fonte pela fonte pagadora. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 428DF CARF MF Processo nº 18239.008046/200812 Acórdão n.º 2301005.251 S2C3T1 Fl. 424 8 Voto Vencedor João Maurício Vital Redator Designado. Embora eu concorde com a conclusão do relator acerca de se admitir os pagamentos apresentados após a impugnação, em homenagem aos princípios do formalismo moderado e da busca pela verdade material, observo que foram apresentados dois comprovantes de pagamentos realizados em 26/09/2013, nos valores totais de R$ 25.374,95 e R$ 25.158,49 (respectivamente às efls. 390 e 391), quando já havia sido efetuado o lançamento, cuja ciência se deu em 14/10/2008 (efl. 102). Além disso, há matérias incontroversas que afetam o valor final de apuração do IRPF para o período. Em sua impugnação (efls. 126 a 137) o sujeito passivo somente contestou a pensão alimentícia e a glosa do IRRF sobre alugueis recebidos da Nokia. Não houve insurgência quanto 1) à glosa de dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 1.256,78, e 2) à omissão de rendimentos no valor de R$ 2.567,13. Sobre a glosa da pensão alimentícia, a decisão recorrida deu parcial provimento ao pedido para considerar comprovados R$ 337.751,48, dos quais R$ 69.000,00 já haviam sido considerados na revisão de ofício havida, como se observa no seguinte trecho do voto condutor: Desta forma, restou comprovado o montante de R$337.751,48 (R$23.930,37x5=R$119.651,85 + R$31.157,09x7=218.099,63). Tendo em vista que a fiscalização já aceitou R$69.000,00 (fl.115) cabe considerar comprovado o valor de R$268.751,48 a título de pensão judicial. Ao contrário do que afirmou o recorrente, a DRJ de origem não afastou a glosa de pensão alimentícia no valor de R$ 287.646,75, mas no valor de R$ 268.751,48. Além disso, permaneceram incontroversos a glosa de despesas médicas no valor de R$ 1.256,78 e a omissão de rendimentos no valor de R$ R$ 2.567,13. Por conseguinte, ainda que se admitisse, como pugnado no recurso voluntário, o afastamento da glosa do IRRF incidente sobre os alugueis, há que recompor o quadro de apuração do IRRF do exercício para, somente ao final, certificarse acerca do montante a liquidar. Quanto à compensação indevida do IRRF, a decisão de origem manteve integralmente a glosa. Como bem afirmou o relator, a matéria devolvida ao Carf se restringe à questão da glosa da compensação indevida do IRRF. Como muito bem esclarecido pelo relator, há que se admitir a existência dos pagamentos (efls. 385 a 392) efetuados pela locatária, Nokia, sob o código 3208 Aluguéis e Royalties Pagos a Pessoa Física, ainda que a fonte pagadora não tenha informado a retenção ao Fisco. Divirjo, entretanto, do relator quanto ao montante a se considerar. Desses pagamentos, devese excluir da glosa somente os que foram efetuados antes do início da ação fiscal, que somam R$ 90.672,05. Desse montante se exclui R$ 41.641,08 informados na Dirf e já considerados no lançamento. Devese, pois, cancelar a Fl. 429DF CARF MF Processo nº 18239.008046/200812 Acórdão n.º 2301005.251 S2C3T1 Fl. 425 9 glosa de R$ 49.030,97, mantendose, todavia, a glosa de R$ 20.820,51. A apuração do IRPF do período pode ser assim sintetizada: Notificação de Lançamento Após a Revisão de Ofício Após o julgamento da Impugnação Após o julgamento do Recurso Voluntário 1) Total dos Rendimentos Tributáveis Declarados R$ 647.372,74 R$ 647.372,74 R$ 647.372,74 R$ 647.372,74 2) Omissão de Rendimentos Apurada R$ 2.567,13 R$ 2.567,13 R$ 2.567,13 R$ 2.567,13 3) Total das Deduções Declaradas R$ 420.403,57 R$ 420.403,57 R$ 420.403,57 R$ 420.403,57 4) Glosa de Deduções Indevidas R$ 420.403,57 R$ 288.903,53 R$ 20.152,05 R$ 20.152,05 5) Previ. Oficial sobre Rendimento Omitido R$ R$ R$ R$ 6) Base de Cálculo Apurada (1+23+45) R$ 649.939,87 R$ 518.439,83 R$ 249.688,35 R$ 249.688,35 7) Imposto Apurado Após Alterações (Calculado pela Tabela Progressiva Anual) R$ 173.656,56 R$ 137.494,05 R$ 63.587,39 R$ 63.587,39 8) Dedução de Incentivo Declarada R$ R$ R$ R$ 9) Glosa de Dedução de Incentivo R$ R$ R$ R$ 10) Total de Imposto Pago Declarado R$ 163.603,09 R$ 163.603,09 R$ 163.603,09 R$ 163.603,09 11) Glosa de Imposto Pago R$ 69.851,48 R$ 69.851,48 R$ 69.851,48 R$ 20.820,51 12) IRRF sob re infração e/ou CarnêLeão Pago R$ 97,24 R$ 97,24 R$ 97,24 R$ 97,24 13) Saldo do Imposto a Pagar Apurado após Alterações (78+910+1112) R$ 79.807,71 R$ 43.645,20 R$ 30.261,46 R$ 79.292,43 14) Imposto a Restituir Declarado/Calculado R$ 106.263,47 R$ 106.263,47 R$ 106.263,47 R$ 106.263,47 15) Imposto já Restituído R$ R$ R$ R$ 16) Imposto Suplementar R$ 79.807,71 R$ 43.645,20 R$ R$ Em resumo, ao contribuinte são devidos R$ 79.292,43 de restituição apurada na declaração de ajuste, já consideradas todas as decisões proferidas: revisão de ofício, acórdão da impugnação e julgamento do recurso voluntário. Quanto aos pagamentos efetuados após o lançamento (efls. 390 e 391), o contribuinte poderá, no rito próprio, solicitar a devolução perante a autoridade preparadora, não sendo possível determinála por decisão deste colegiado. É como voto. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Redator Designado Fl. 430DF CARF MF Processo nº 18239.008046/200812 Acórdão n.º 2301005.251 S2C3T1 Fl. 426 10 Fl. 431DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.722673/2013-75
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte.
Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço.
INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. INSUMOS. DIREITOS AUTORAIS.
Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, são imprescindíveis à indústria fonográfica a aquisição de direitos autorais para a produção de suas obras, razão pela qual devem ser reconhecidos como insumos.
Numero da decisão: 9303-006.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008 COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. INSUMOS. DIREITOS AUTORAIS. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, são imprescindíveis à indústria fonográfica a aquisição de direitos autorais para a produção de suas obras, razão pela qual devem ser reconhecidos como insumos.
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REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. INSUMOS. DIREITOS AUTORAIS. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, são imprescindíveis à indústria fonográfica a aquisição de direitos autorais para a produção de suas obras, razão pela qual devem ser reconhecidos como insumos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 26 73 /2 01 3- 75 Fl. 3465DF CARF MF Processo nº 19515.722673/201375 Acórdão n.º 9303006.604 CSRFT3 Fl. 3.466 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 3.089 a 3.102) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 3302003.342 (fls. 3.078 a 3.087) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 24/08/2016, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008 DECADÊNCIA. REGRA GERAL. Constatado inexistência de pagamento por parte da Recorrente, aplicase ao caso o disposto no artigo inciso I do art. 173 do CTN. No caso os pagamentos efetivados pela empresa incorporada, cujo saldo posteriormente foi transferido para recorrente, empresa incorporadora, não possui o condão de justificar o período anterior a incorporação, pois até então se tratava de duas pessoas jurídicas distintas. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Fl. 3466DF CARF MF Processo nº 19515.722673/201375 Acórdão n.º 9303006.604 CSRFT3 Fl. 3.467 3 Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social nãocumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Recurso Provido. A Recorrente alega divergência com relação ao conceito de insumos, para fins de creditamento das contribuições do PIS e da COFINS, adotado no acórdão recorrido e, por conseguinte, reconhecendo o direito ao crédito com relação aos pagamentos efetuados a pessoas jurídicas em operações internas de aquisição de direitos autorais para a produção de obras fonográficas. Para comprovar o dissenso, colacionou como paradigmas o acórdão nº 3801003.611. Foi dado seguimento ao recurso especial, nos termos do despacho S/Nº, de 17/11/2016 (fls. 3.104 a 3.107), proferido pelo Ilustre Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por se ter entendido como comprovada a divergência jurisprudencial. A Contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial (fls. 3.369 a 3.460), postulando a negativa de provimento. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Fl. 3467DF CARF MF Processo nº 19515.722673/201375 Acórdão n.º 9303006.604 CSRFT3 Fl. 3.468 4 Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito A discussão principal posta nos autos referese ao conceito de insumos para determinação se pode ser utilizado pela Contribuinte como crédito de COFINS os gastos incorridos com o pagamento de licenças adquiridas para a reprodução, comercialização de gravações de músicas e áudios protegidos por direitos autorais, bem como, encartes gráficos correspondentes, declarados no DACON como sendo prestação de serviços tomados pela contribuinte. A priori, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] Fl. 3468DF CARF MF Processo nº 19515.722673/201375 Acórdão n.º 9303006.604 CSRFT3 Fl. 3.469 5 nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotar se o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 3469DF CARF MF Processo nº 19515.722673/201375 Acórdão n.º 9303006.604 CSRFT3 Fl. 3.470 6 (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de Fl. 3470DF CARF MF Processo nº 19515.722673/201375 Acórdão n.º 9303006.604 CSRFT3 Fl. 3.471 7 serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. Fl. 3471DF CARF MF Processo nº 19515.722673/201375 Acórdão n.º 9303006.604 CSRFT3 Fl. 3.472 8 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifou se) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo. Fl. 3472DF CARF MF Processo nº 19515.722673/201375 Acórdão n.º 9303006.604 CSRFT3 Fl. 3.473 9 Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve a publicação do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos. No entanto, conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros são obrigados a reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos. O acórdão recorrido decidiu a questão nos seguintes termos: [...] No contexto desse processo produtivo, passase a analisar casuisticamente os créditos vindicados, e, por tratarse de único item controvertido no recurso voluntário, pagamento do direito de uso na fabricação de “CDs”, passase análise do direito à tomada de crédito sobre o custo incorrido. Como resta claro nos votos e acórdãos mencionados acima, os insumos a autorizar a tomada de créditos são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. No caso concreto, a produção dos bens pela Recorrente depende de autorização dos detentores dos direitos autorais, jamais poderia ela fabricar “CD” e “DVDs musicais, utilizar os encartes correlatos, sob licenciamento das detentoras dos direito autorais de tais obras. Tanto é assim, para exploração econômica em processo de reprodução (industrialização) e submetida a regime de controle de numero de exemplares, por essa razão a outorga do direito de uso configura matéria prima e essencial a atividade da Recorrente, sem a qual estaria fadada sucumbir, porque, a final se não adquirir, mesmo temporário, o bem, aqui o direito de uso, é certo que teria e terá a sua continuidade prejudicada por não ter como levar adiante o seu processo de produção. Também inexiste espaço para dizer que o direito autoral não é bem passível de alienação, e, de cessão onerosa e gratuita. Constatada cessão contratual de direitos autorais a título oneroso, fazem jus à contribuinte tomada de crédito gerado sobre os pagamentos ocorridos, descontado os créditos da Contribuição devida para o PIS/PASSEP e a COFINS. [...] Depreendese que a Contribuinte é indústria fonográfica e depende diretamente da aquisição dos direitos autorais para obter o seu faturamento, razão pela qual tais rubricas caracterizamse como itens essenciais ao processo produtivo. No mesmo sentido, manifestouse a COSIT na Solução de Consulta nº 99019, de 20 de janeiro de 2017, ao reconhecer a possibilidade de a indústria fonográfica creditarse dos pagamentos efetuados a título de direitos autorais, considerandoos como insumos de PIS/Pasep, in verbis: Fl. 3473DF CARF MF Processo nº 19515.722673/201375 Acórdão n.º 9303006.604 CSRFT3 Fl. 3.474 10 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS EMENTA: DIREITOS AUTORAIS FOTOGRAFIAS E IMAGENS. PAGAMENTO A EMPRESA SEDIADA NO EXTERIOR. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Por ausência de previsão legal, os valores pagos a empresa sediada no exterior em decorrência de direitos autorais de fotografias e imagens não geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins. Ressaltese que, por expressa determinação legal, no caso específico das indústrias fonográficas, os valores pagos por direitos autorais a pessoa jurídica domiciliada no exterior, desde que tenham se sujeitado ao pagamento da CofinsImportação, podem ser considerados insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda para fins de creditamento da Cofins. Vinculada à Solução de Divergência Cosit nº 07, de 23 de agosto de 2016, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 14 de outubro de 2016. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º; Lei nº 10.865, de 2004, art. 15. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: DIREITOS AUTORAIS FOTOGRAFIAS E IMAGENS. PAGAMENTO A EMPRESA SEDIADA NO EXTERIOR. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Por ausência de previsão legal, os valores pagos a empresa sediada no exterior em decorrência de direitos autorais de fotografias e imagens não geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep. Ressaltese que, por expressa determinação legal, no caso específico das indústrias fonográficas, os valores pagos por direitos autorais a pessoa jurídica domiciliada no exterior, desde que tenham se sujeitado ao pagamento da Contribuição para o PISImportação, podem ser considerados insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda para fins de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep. Vinculada à Solução de Divergência Cosit nº 07, de 23 de agosto de 2016, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 14 de outubro de 2016. Fl. 3474DF CARF MF Processo nº 19515.722673/201375 Acórdão n.º 9303006.604 CSRFT3 Fl. 3.475 11 DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º; Lei nº 10.865, de 2004, art. 15. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 3475DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.724590/2012-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2011
IPI. SUSPENSÃO. EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES.
O regime de suspensão do IPI de que trata o art. 29, da Lei nº 10.637/2002, não se aplica às empresas optantes pelo Simples, seja em relação às aquisições de seus fornecedores, seja no tocante às saídas dos produtos que industrializem.
DECLARAÇÃO DO ESTABELECIMENTO ADQUIRENTE AO VENDEDOR. ATENDIMENTO AOS REQUISITOS PARA FRUIÇÃO DA SUSPENSÃO DO IPI. § 7º DO ART. 29 DA LEI Nº 10.637/2002. SUFICIÊNCIA.
A declaração expressa do estabelecimento adquirente ao estabelecimento vendedor de que cumpre os requisitos para a fruição da suspensão do IPI esgota o dever de diligência do vendedor. Inteligência que deflui do § 7º do art. 29 da Lei nº 10.637/2002 e do art. 21 da IN RFB nº 948/2009.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3302-005.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os lançamentos relativos às vendas às empresas Comércio e Representações Torre de Milano Ltda e Distribuidora de Alimentos Brehm, vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso Almeida e Jorge Lima Abud, que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Raphael Madeira Abad para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Relator.
(assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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SUSPENSÃO. EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. O regime de suspensão do IPI de que trata o art. 29, da Lei nº 10.637/2002, não se aplica às empresas optantes pelo Simples, seja em relação às aquisições de seus fornecedores, seja no tocante às saídas dos produtos que industrializem. DECLARAÇÃO DO ESTABELECIMENTO ADQUIRENTE AO VENDEDOR. ATENDIMENTO AOS REQUISITOS PARA FRUIÇÃO DA SUSPENSÃO DO IPI. § 7º DO ART. 29 DA LEI Nº 10.637/2002. SUFICIÊNCIA. A declaração expressa do estabelecimento adquirente ao estabelecimento vendedor de que cumpre os requisitos para a fruição da suspensão do IPI esgota o dever de diligência do vendedor. Inteligência que deflui do § 7º do art. 29 da Lei nº 10.637/2002 e do art. 21 da IN RFB nº 948/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os lançamentos relativos às vendas às empresas Comércio e Representações Torre de Milano Ltda e Distribuidora de Alimentos Brehm, vencidos os Conselheiros Fenelon Moscoso Almeida e Jorge Lima Abud, que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Raphael Madeira Abad para redigir o voto vencedor. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 45 90 /2 01 2- 85 Fl. 284DF CARF MF Processo nº 11080.724590/201285 Acórdão n.º 3302005.536 S3C3T2 Fl. 285 2 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Relator. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração (fls1. 100/119), lavrado em 23/04/2012 e cientificado pessoalmente em 03/05/2012, para exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no valor de R$ 52.934,22, acrescidos de multa de oficio e juros de mora, pelo saída de produtos sem lançamento do IPI utilização indevida de suspensão, além de multa do IPI não lançado com cobertura de crédito, no valor de R$ 120.215,14, no período compreendido entre 01/09/2009 a 31/12/2011, segundo RELATÓRIO DE AÇÃO FISCAL RAF, às fls. 120/134. No RAF, restou consignado que foram apuradas as seguintes infrações fiscais (1) vendas com suspensão de IPI para empresas optantes do SIMPLES; (2) vendas com suspensão de IPI para adquirentes pessoas físicas; e (3) vendas com suspensão de IPI para estabelecimentos que não se dediquem, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos capítulos da TIPI elencados no art. 29 da Lei 10.637/2002; além de (4) falta de estorno do RAIPI de PER/Dcomps já processados. Cientificada pessoalmente do Auto de Infração, em 03/05/2012, apresentou Impugnação, em 01/06/2012 (fls. 142/211), alegando, em síntese emprestada da decisão recorrida: "Apresenta os argumentos em relação a cada Nota Fiscal de saída por empresa destinatária: IMPISA IND DE ARTEFATOS DE PAPEL LTDA. No Demonstrativo de Cálculo do IPI a Lançar, em sua pg.2, consta a NF n° 446, 07/01/2010 com o valor de R$ 750,00. Todavia, segundo faz prova a cópia da referida NF (doc. anexo n° 01), o valor correto do produto é R$ 2.781,00, sendo que o IPI (R$ 303,75) está regularmente destacado. O. T. EQUIPAMENTOS LTDA. A NF n° 1.029, de 24/06/2010 (doc. anexo n° 02),constante da pg. 5 do referido demonstrativo, foi cancelada em virtude de não ter sido destacado o valor do IPI, tendo sido emitida a NF de 1 Todos os números de folhas indicados neste documento referemse à numeração eletrônica do eprocesso. Fl. 285DF CARF MF Processo nº 11080.724590/201285 Acórdão n.º 3302005.536 S3C3T2 Fl. 286 3 Entrada de n° 1.030(doc. anexo n° 02A). Em substituição, foi emitida a NF n° 1.031, de 24/06/2010 (doc. anexo n° 03) na qual o valor do IPI está regularmente destacado. COMERCIO DE LARANJAS VALE DO CAI LTDA. A NF n° 2.119 de 11/05/2011 (doc. anexo n° 04) foi emitida com equívoco na descrição e conseqüente classificação do produto. Conforme declaração firmada pela referida empresa (doc. anexo n° 05) o produto realmente fabricado e entregue é rótulo (doc. anexo n° 06), em relação ao qual aplicase a alíquota " 0 " do IPI. Outrossim, declara a Impugnante que fornece apenas rótulos para a referida empresa. B R TECNOLOGIA EM PLÁSTICOS INDUSTRIAIS LTDA. Segundo está confirmado pela declaração da empresa destinatária (doe. anexo n° 07) o produto fabricado e entregue é rótulo (doe. anexo n° 08) em relação ao qual a classificação fiscal (49119900) está corretamente descrita na NF n° 2.070, de 19/04/2011 (doc. anexo n° 09), com tratamento fiscal de alíquota " 0 " . Logo, não cabe destaque do IPI na referida NF. COMERCIO E REPRESENTAÇÕES TORRE DE MILANO LTDA. Em relação à referida empresa, a Nobre Autuante invocou o CNAE, como motivo para exigir o destaque do IPI, informando ainda que na denominação da empresa não consta que se trata de indústria. A exigência compreende as seguintes NFs: NF N° 22, de 10/09/2009 NF N° 198, de 04/11/2009 Referida empresa é conhecida pela produção de massas alimentícias, do Capítulo 19 da TIPI. Neste sentido, firmou a declaração a que se reporta a legislação federal aplicável (doc. anexo n° 10) para efeito de adquirir o material de embalagem da Impugnante, sob o regime de suspensão do IPI, razão pela qual é improcedente o pretendido destaque daquele tributo. Quer ainda a Impugnante complementar que seu procedimento tem sustentação no princípio de que a declaração firmada pela adquirente das embalagens é de responsabilidade da mesma, na forma determinada no artigo 29 e seus parágrafos da Lei n° 10.637/2002. A exigência fiscal, por conseguinte, é improcedente. DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS BREHM LTDA Pelos mesmos motivos acima descritos, a Nobre Autuante pretende cobrar IPI não destacado pela Impugnante, relativamente às seguintes NFs N° NF DATA 13 08/09/2009 71 24/09/2009 311 01/12/2009 Fl. 286DF CARF MF Processo nº 11080.724590/201285 Acórdão n.º 3302005.536 S3C3T2 Fl. 287 4 664 11/03/2010 1543 16/11/2010 1878 23/02/2011 1878 23/02/2011 2159 25/05/2011 2547 03/10/2011 2547 03/10/2011 A referida empresa é conhecida por explorar engenho de cereais (feijão, arroz, farinha de mandioca e outros), ou seja, produtos classificados nos capítulos 7 e 10 da TIPI, razão pela qual o material de embalagem remetido através das NFs acima ocorreu com suspensão do IPI, mediante a cobertura da Declaração de Suspensão formalizada pela referida empresa (doc. anexo n° 11), nos termos da legislação aplicável. Por conseguinte, a suspensão do IPI é por conta e ordem daquela empresa, motivo pelo qual é improcedente a pretendida cobrança daquele tributo da Impugnante. SANREMO S.A. A Nobre Autuante pretende cobrar IPI em relação à NF n° 1.642, de 08/12/2010 (doe. anexo n° 12). Todavia, a mercadoria da referida NF foi devolvida em razão do equívoco da falta de destaque do IPI, tendo sido emitida, na mesma data, a Nota Fiscal de Entrada n° 1.643 (doc. anexo n° 13). No mesmo dia 08/12/2010, foi emitida a NF correta, de n° 1.644 (doc. anexo n° 14), com o devido destaque do IPI. Sendo assim, a exigência é improcedente. Das demais operações de saídas sem destaque do IPI, destaca que no caso da impugnante que é fornecedor de insumo, a prática da suspensão do IPI fica condicionada unicamente à formalização da referida Declaração de Enquadramento, e que não é atribuição reservada à fornecedora de insumos ou de material de embalagem, investigar se a empresa destinatária reúne aqueles requisitos. Da mesma forma, destaca ainda, não lhe incumbe saber ou identificar o regime tributário a que está submetida à empresa adquirente, seja no SIMPLES, ou lucro presumido, arbitrado ou lucro real. Sustenta ainda não há na lei que instituiu a suspensão, qualquer dispositivo determinando a qual regime tributário se aplica, onde se pode concluir que nenhum dos regimes pode ser excluído. Com efeito, a pretendida exclusão das empresas submetidas ao regime do SIMPLES, embora com enquadramento nas disposições do art. 29 da Lei n° 10.637/2002 provoca ilegal prejuízo a tais empresas. Cita que: “o pretendido destaque e cobrança do IPI, em relação às empresas optantes do regime do SIMPLES que elaboram os produtos correspondentes aos capítulos da TIPI descritos no art. 29 da Lei n° 10.637/2002, caracteriza manifesta contrariedade ao princípio da ESSENCIALIDADE daquele tributo, princípio Fl. 287DF CARF MF Processo nº 11080.724590/201285 Acórdão n.º 3302005.536 S3C3T2 Fl. 288 5 este que está intimamente vinculado à desoneração tributária” Esclarece que no ato do pedido de fabricação da embalagem, a empresa encomendante informa que está enquadrada nas condições estabelecidas no art. 29 da Lei n° 10.937/2002, e que neste caso fabrica e dá saída aos produtos correspondentes aos capítulos ali descritos, devendose aplicar o tratamento fiscal de suspensão do IPI. E para tal condiciona a formalização e entrega da Declaração de enquadramento. Aduz que não é sua atribuição praticar qualquer ato de investigação quanto à situação fiscal da encomendante, seja em relação aos produtos produzidos ou quanto ao regime tributário a que está submetida naquele momento. Que a Declaração de enquadramento lhe assegura a condição de emitir a respectiva nota fiscal sem destaque do IPI e junta aos autos as Declarações de Enquadramento das empresas que foram qualificadas pela fiscalização como optantes do SIMPLES. Argumenta ainda a impugnante, que não há como subsistir a ilegal e inconstitucional vedação à suspensão do IPI nas vendas realizadas junto a empresas optantes pelo Simples Nacional, visto que a legislação e a Constituição pátrias são claríssimas. Cita a Lei 10637/2002, que é um comando imperativo. Alega a que as INs SRF no s 296/2003 e 948/2009, bem como o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 16/2004, inovaram indevidamente a Lei n° 10.637/2002, bem como violaram os artigos 153, IV, § 3 o, I; 170, IX, e 179 da Constituição Federal. Assevera ainda: “É inegável que a autuação ora atacada, além de violar o art. 29 da Lei n° 10.637/2002, vai de encontro com os anseios do constituinte, ao limitar indevidamente o benefício fiscal em foco, que visa a implementar o princípio da seletividade do IPI, desonerando a cadeia produtiva de industrialização de produtos alimentícios. Por isso, é realmente gritante a violação à norma contida no art. 153, IV, § 3 o , I, da Constituição” Sobre os demonstrativos de reconstituição da Escrita Fiscal, alega que não foi possível o identificar a origem de determinados valores, como é o caso das planilhas onde figuram os valores de Outros Créditos e Débitos, e por isso elaborou novas planilhas e anexou aos autos. Carreia aos autos algumas decisões administrativas. Por fim, requer seja acolhida a presente impugnação." A decisão de primeira instância, proferida em 08/04/2014 (fls. 222/230), foi pela procedência parcial da impugnação, em decisão cuja ementa abaixo transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2011 REGIME DE SUSPENSÃO DO IPI. EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. INAPLICABILIDADE. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 11080.724590/201285 Acórdão n.º 3302005.536 S3C3T2 Fl. 289 6 O disposto no inciso I do art. 23 da Instrução Normativa SRF nº 296, de 6 de fevereiro de 2003, alterada pela Instrução Normativa SRF nº 342, de 15 de julho de 2003, veda a aplicação da suspensão do IPI, nos casos previstos na referida Instrução Normativa, às pessoas jurídicas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), seja em relação às aquisições de seus fornecedores, seja no tocante às saídas dos produtos que industrializem. PREVALÊNCIA DA LEGISLAÇÃO DO SIMPLES. Nos casos concretos que envolvam empresas optantes pelo Simples, as normas desse sistema prevalecem sobre as normas de mesma hierarquia dos demais tributos e contribuições. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Após ciência ao acórdão de primeira instância (AR à fl. 235), em 02/05/2014, apresentou o recurso voluntário de fls. 238/261, em 29/05/2014, em essência, reiterando a argumentação sobre questões oportunamente trazidas em impugnação, somada à outras questões inovadas em grau de recurso, dividido no seguintes em tópicos: 1 Dos equívocos praticados pela recorrente e dos conseqüentes valores devidos e recolhidos; 2 Dos valores indevidos, pelas razões expressas em relação a cada empresa destinatária; 3 Das demais operações de saída sem destaque do IPI; 4 Impossibilidade de instrução normativa criar óbice não previsto em lei; 5 Exame dos fundamentos da DRJ/BEL, em relação as empresas do Simples; 6 Exame dos demonstrativos de reconstituição da escrita fiscal. É o relatório Voto Vencido Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida Relator O recurso apresentado preenche o requisito formal de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. MÉRITO Inicialmente, importante delimitar a matéria devolvida ao conhecimento da instância recursal, visto que, quanto à outras questões, somente trazidas à discussão administrativa em grau de recurso voluntário, operouse a preclusão, por aplicação dos arts. 16 e 17, do Decreto nº. 70.235/72 (PAF): Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, desde já, imputando tal efeito preclusivo ao tópico: 6 Exame dos demonstrativos de reconstituição da escrita fiscal. No início do seu relatório, a autoridade julgadora de primeira instância já chama atenção para o fato de estar à relatar uma: impugnação parcial de fls. 142/211, fato reiterado no inicio do voto condutor da decisão recorrida, restando consignado que a impugnação foi parcial, não tendo sido questionada a infração relativa às vendas com Fl. 289DF CARF MF Processo nº 11080.724590/201285 Acórdão n.º 3302005.536 S3C3T2 Fl. 290 7 suspensão de IPI para adquirente pessoa física e parte da infração relativa às vendas com suspensão de IPI para estabelecimentos que não se dediquem, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos capítulos da TIPI elencados no art. 29 da Lei nº 10.637/2002, tendo sido apartado e cadastrado no processo nº 11080.727473/201273, a parcela não impugnada. Isso posto, delimitase a lide na apreciação do crédito tributário lançado relativo às vendas com suspensão de IPI para empresas optantes do SIMPLES; e às vendas com suspensão de IPI para estabelecimentos que não se dediquem, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos capítulos da TIPI elencados no art. 29, da Lei nº 10.637/2002, em relação às notas fiscais nº 13, 22, 71, 198, 311, 446, 664, 1029, 1543, 1642, 1878, 2070, 2119, 2159, 2547, ressaltando o provimento (parcial) da impugnação em relação às notas fiscais números: 446 (PA 30/04/2010, R$ 303,75), 1029 (PA 30/09/2010, R$ 777,32), 1642 (PA 31/12/2010, R$ 490,86) e 2070 (PA 31/10/2011, R$ 921,65). Vendas com suspensão de IPI para estabelecimentos que não se dediquem, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos capítulos da TIPI elencados no art. 29, da Lei nº 10.637/2002 Nessa questão, recurso voluntário envolvendo o tópico: 2 Dos valores indevidos, pelas razões expressas em relação a cada empresa destinatária. Novamente, relaciona a ora recorrente as empresas e respectivas notas fiscais, sobre as quais a exigência foi mantida pelo acórdão recorrido, renovando as razões que entende determinantes da improcedência da medida fiscal. COMERCIO DE LARANJAS VALE DO CAI LTDA. IMPUGNANTE: A NF n° 2.119 de 11/05/2011 (doc. anexo n° 04) foi emitida com equívoco na descrição e conseqüente classificação do produto. Conforme declaração firmada pela referida empresa (doc. anexo n° 05) o produto realmente fabricado e entregue é rótulo (doc. anexo n° 06), em relação ao qual aplicase a alíquota " 0 " do IPI. Outrossim, declara a Impugnante que fornece apenas rótulos para a referida empresa. DECISÃO RECORRIDA: Sobre a venda realizada à empresa Comercio de Laranjas Vale do Açaí Ltda, nota fiscal nº 2119, contudo, observase que a irregularidade na descrição na Nota Fiscal deveria ter sido comunicada pelo adquirente no prazo de oito dias, conforme dispõe o art 327 do Decreto nº 7.212 de 15 de junho de 2010. Art. 327. Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem ou adquirirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para emprego ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados ou isentos, deverão examinar se eles se acham devidamente rotulados ou marcados ou, ainda, selados se estiverem sujeitos ao selo de controle, bem como se estão acompanhados dos documentos exigidos e se estes satisfazem a todas as prescrições deste Regulamento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 62). § 1º Verificada qualquer irregularidade, os interessados comunicarão por escrito o fato ao remetente da mercadoria, dentro de oito dias, contados do seu recebimento, Fl. 290DF CARF MF Processo nº 11080.724590/201285 Acórdão n.º 3302005.536 S3C3T2 Fl. 291 8 ou antes do início do seu consumo, ou venda, se o início se verificar em prazo menor, conservando em seu arquivo cópia do documento com prova de seu recebimento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 62, § 1º). RECORRENTE: COMERCIO E REPRESENTAÇÕES TORRE DE MILANO LTDA IMPUGNANTE: Em relação à referida empresa, a Nobre Autuante invocou o CNAE, como motivo para exigir o destaque do IPI, informando ainda que na denominação da empresa não consta que se trata de indústria. A exigência compreende as seguintes NFs: NF N° 22, de 10/09/2009 NF N° 198, de 04/11/2009 Referida empresa é conhecida pela produção de massas alimentícias, do Capítulo 19 da TIPI. Neste sentido, firmou a declaração a que se reporta a legislação federal aplicável (doc. anexo n° 10) para efeito de adquirir o material de embalagem da Impugnante, sob o regime de suspensão do IPI, razão pela qual é improcedente o pretendido destaque daquele tributo. Quer ainda a Impugnante complementar que seu procedimento tem sustentação no princípio de que a declaração firmada pela adquirente das embalagens é de responsabilidade da mesma, na forma determinada no artigo 29 e seus parágrafos da Lei n° 10.637/2002. A exigência fiscal, por conseguinte, é improcedente. DECISÃO RECORRIDA: Quantos as vendas realizadas para os estabelecimentos Comercio e Representações Torre de Milano Ltda e Distribuidora de Alimentos Brehm Ltda., não há como acatar os argumentos da impugnante. Depreendese do já citado art. 29 da Lei 10637/2002 que o estabelecimento adquirente dever ser estabelecimento industrial que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, inclusive aqueles a que corresponde à notação NT (não tributados). Fl. 291DF CARF MF Processo nº 11080.724590/201285 Acórdão n.º 3302005.536 S3C3T2 Fl. 292 9 RECORRENTE DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS BREHM LTDA IMPUGNANTE: Pelos mesmos motivos acima descritos, a Nobre Autuante pretende cobrar IPI não destacado pela Impugnante, relativamente às seguintes NFs N° NF DATA 13 08/09/2009 71 24/09/2009 311 01/12/2009 664 11/03/2010 1543 16/11/2010 1878 23/02/2011 1878 23/02/2011 2159 25/05/2011 2547 03/10/2011 2547 03/10/2011 A referida empresa é conhecida por explorar engenho de cereais (feijão, arroz, farinha de mandioca e outros), ou seja, produtos classificados nos capítulos 7 e 10 da TIPI, razão pela qual o material de embalagem remetido através das NFs acima ocorreu com suspensão do IPI, mediante a cobertura da Declaração de Suspensão formalizada pela referida empresa (doc. anexo n° 11), nos termos da legislação aplicável. Por conseguinte, a suspensão do IPI é por conta e ordem daquela empresa, motivo pelo qual é improcedente a pretendida cobrança daquele tributo da Impugnante. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 11080.724590/201285 Acórdão n.º 3302005.536 S3C3T2 Fl. 293 10 DECISÃO RECORRIDA: Quantos as vendas realizadas para os estabelecimentos Comercio e Representações Torre de Milano Ltda e Distribuidora de Alimentos Brehm Ltda., não há como acatar os argumentos da impugnante. Depreendese do já citado art. 29 da Lei 10637/2002 que o estabelecimento adquirente dever ser estabelecimento industrial que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, inclusive aqueles a que corresponde à notação NT (não tributados). RECORRENTE Não tendo a ora recorrente, nesse tópico inicial, apresentado novas razões de defesa perante a segunda instância, proponho a confirmação e adoção da decisão recorrida, nos moldes do §3º, do art. 57, da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 RICARF/2015, introduzido pela Portaria MF nº 329, de 04/06/2017; e dos §§1º e 2º, do art. 50, da Lei n. 9.784/99, para não acolher a defesa apresentada por meio do recurso voluntário, ratificando a decisão recorrida, pelos seus próprios fundamentos, ainda que genericamente negados pela recorrente. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 11080.724590/201285 Acórdão n.º 3302005.536 S3C3T2 Fl. 294 11 Vendas com suspensão de IPI para empresas optantes do SIMPLES Nessa outra questão, apresentouse recurso voluntário envolvendo os tópicos: 3 Das demais operações de saída sem destaque do IPI; 4 Impossibilidade de instrução normativa criar óbice não previsto em lei; e 5 Exame dos fundamentos da DRJ/BEL, em relação as empresas do Simples. A questão de direito em causa referese ao gozo do benefício da suspensão do IPI, nos casos estabelecidos pelo art. 29, da Lei nº 10.637/2002: Art. 29. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003). [...] § 7º Para os fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão: I atender aos termos e às condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal; II declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atende a todos os requisitos estabelecidos. (grifei) Com relação à legalidade do lançamento de ofício, de pronto, rechaçase a alegação da impossibilidade de instrução normativa criar óbice não previsto em lei, no sentido de que a Instrução Normativa nº 296/2003 teria se excedido na sua atribuição regulamentadora de lei, porquanto, a Receita Federal do Brasil estava devidamente autorizada a proceder à regulamentação necessária, consoante o supracitado inciso I, do § 7º, do artigo 29, da Lei nº 10.637/2002. Já quanto aos fatos, das demais operações de saída sem destaque do IPI, para empresas optantes do SIMPLES, alega a ora recorrente não lhe incumbir saber ou identificar o regime tributário a que está submetida a empresa adquirente, seja no Simples, ou qualquer outro, e que a garantia que assegura ao remetente a saída com suspensão do IPI seria a Declaração de enquadramento fornecida pela empresa destinatária. Notar que a referida Declaração, nos termo em que é exigida pelo inciso II, do § 7º, do artigo 29, da Lei nº 10.637/2002, deve ser feita de forma expressa, não constando, em nenhum desses documentos, apresentados pela autuada (fls. 176/195), referência ao regime de tributação ao qual estaria submetido o declarante, mesmo porque, a indigitada declaração diz respeito aos requisitos estabelecidos, todos declarados de forma expressa nas provas apresentadas, enquanto a questão da opção do regime de tributação do Simples, pelo inciso I, do artigo 23, da IN SRF nº 296/2003, exclui a aplicação de toda a IN e do próprio regime suspensivo, não sendo propriamente um requisito. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 11080.724590/201285 Acórdão n.º 3302005.536 S3C3T2 Fl. 295 12 A exigência do inciso II, do § 7º, do art. 29, da Lei nº 10.637/2002, reprisada pelo parágrafo único, do art. 5º, da IN SRF nº 296/2003, não faz nenhuma referência ao regime de tributação, dizendo respeito aos requisitos estabelecidos no caput do artigo, parte principal do comando normativo, diferenciandose do parágrafo único, o qual trata de aspectos específicos do caput do próprio artigo, e não de toda e qualquer determinação estabelecida, no caso, a situação do regime suspensivo não ser aplicável aos optantes do Simples, opção essa que a própria legislação de regência obriga que seja divulgada, além da obrigação dos contratantes de, conhecendo da vedação do inciso I, do artigo 23, da IN SRF nº 296/2003, buscar essa informação junto à outra parte, ao SINTEGRA (Sistema Integrado de Informações sobre Operações Interestaduais com Mercadorias e Serviços) ou em consulta pública aberta junto aos sítios da Receita Federal, que permitem consultar à situação atual do contribuinte no Simples e no Simei (se optante ou não) e aos períodos anteriores de opção, sendo essa informação, portanto, de domínio público. Por fim, insurgese a recorrente contra os fundamentos da DRJ/BEL, em relação as empresas do Simples, argüindo que o utilizado fundamento da interpretação literal (art. 111, do CTN), deverseia aplicar à Lei nº 10.637/2002, não havendo dispositivo legal à ser interpretado no sentido de excluir do regime de suspensão empresas optantes do regime de tributação do Simples, como supostamente promovido pelo inciso I, do artigo 23, da IN SRF nº 296/2003, aduzindo que, ainda que admissível tal hipótese mediante simples ato administrativo, tal exigência só poderia ser materializada a partir da edição na IN SRF nº 1.364/2013, não sendo aplicável aos fatos geradores do período que se reporta o auto de infração. Notar que acabamos por retomar a discussão a respeito da legalidade do lançamento de ofício, já rechaça sob o fundamento da Receita Federal do Brasil estar devidamente autorizada a proceder à regulamentação necessária à matéria, consoante o referido inciso I, do § 7º, do artigo 29, da Lei nº 10.637/2002, aplicandose a contraditada interpretação literal (inciso I, do artigo 111, do CTN) à legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário; sendo que a expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes (art. 96, do CTN); sabido que são normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas (art. 100, do CTN), portanto, possível a interpretação literal da autorização legislativa dada pelo inciso I, do § 7º, do artigo 29, da Lei nº 10.637/2002, e materializada pelo inciso I, do artigo 23, da IN SRF nº 296/2003. Quanto ao aspecto esclarecedor da nova redação dada pela IN SRF nº 1.364/2013, sobre a não aplicação do regime suspensivo, do artigo 29, da Lei nº 10.637/2002, aos optantes do Simples, seja em relação às aquisições de seus fornecedores, seja no tocante às saídas dos produtos que industrializem, ainda que entenda meramente interpretativa, não há necessidade e não houve, na presente autuação, aplicação retroativa desse comando normativo, possuindo a redação original do inciso I, do artigo 23, da IN SRF nº 296/2003, e alterações posteriores, clareza e eficácia suficiente ao afirmar: Art. 23. O disposto nesta Instrução Normativa não se aplica: I às pessoas jurídicas optantes do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); Fl. 295DF CARF MF Processo nº 11080.724590/201285 Acórdão n.º 3302005.536 S3C3T2 Fl. 296 13 Assim, tendo as operações comercias autuadas infringindo as determinações e exigências legais, não podendo enquadrarse nas condições de suspensão do imposto, entendo, deva ser mantida a presente exigência do IPI não recolhido na saída dos produtos. Por tudo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fenelon Moscoso de Almeida Fl. 296DF CARF MF Processo nº 11080.724590/201285 Acórdão n.º 3302005.536 S3C3T2 Fl. 297 14 Voto Vencedor Conselheiro Raphael Madeira Abad Redator designado Com o devido respeito aos argumentos do ilustre Relator, divirjo de seu entendimento quanto à solução a ser dada no presente caso, no que se refere ao atendimento dos requisitos para fruição da suspensão do IPI, diante da existência da declaração expressa do estabelecimento adquirente ao vendedor, pelos motivos a seguir: No que diz respeito às vendas com suspensão de IPI para estabelecimentos que não se dedicam, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos capítulos da TIPI elencados no art. 29, da Lei nº 10.637/2002 merece destaque o fato de que a Recorrente trouxe aos autos declaração firmada pela empresa "Comércio e Representações Torre de Milano Ltda." adquirente das embalagens, por meio da qual ela expressa que as utilizam na produção e vendas em mais de 60% de sua receita, compreendendo os produtos elencados nos capítulos da TIPI a que se refere o artigo 29 da Lei n. 10.637/02. A Recorrente também apresentou Declaração firmada pela empresa "Distribuidora de Alimentos Brehm Ltda.", segundo a qual a referida adquirente asseverou que atendia as condições do regime de suspensão de IPI em comento. Vale destacar a legislação exige, para fins de aproveitamento do benefício, que o adquirente da mercadoria atenda a determinados requisitos, entre os quais desenvolver, de maneira preponderante, determinados produtos da TIPI, estabelecendo, como marco miliário para o entendimento de "preponderância" o percentual de, no mínimo, 60% da receita bruta no ano calendário anterior. Tal informação, contudo, deve ser informado pelo adquirente, pois não se cogitaria que obrigar o vendedor a declarar as receitas brutas de seus clientes. Estes, por seu turno, devem realizar a prestação da informação "sob as penas da lei", regra veiculada também pela Instrução Normativa RFB nº 948, de 16/06/2009: Instrução Normativa RFB nº 948/2009 Art. 21. Sairão do estabelecimento industrial com suspensão do IPI as matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2 a 4, 7 a 12, 15 a 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex 01 do código 2309.90.90), 28 a 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00, e nas posições 21.01 a 2105.00 da TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (nãotributados). § 1º Para fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atendem a todos os requisitos estabelecidos. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 11080.724590/201285 Acórdão n.º 3302005.536 S3C3T2 Fl. 298 15 Uma vez que a Adquirente forneceu à Recorrente uma declaração de que atende os requisitos legais, não se pode exigir do estabelecimento industrial vendedor uma obrigação adicional, acessória ou instrumental não prevista em lei, qual seja de conhecer as operações do seu cliente adquirente. Também é de se ressaltar que a legislação previu, para o caso de declaração falsa por parte do adquirente, além da sujeição genérica "às penas da lei" (inclusive criminais), sanção específica consistente na imputação de responsabilidade sobre obrigação tributária dela decorrente, em conformidade com o art. 9º da Lei nº 4.502/1964 refletido no inciso VI do art. 25 do RIPI: Art. 25. São obrigados ao pagamento do imposto como responsáveis: (...) VI os que desatenderem as normas e requisitos a que estiver condicionada a imunidade, a isenção ou a suspensão do imposto (Lei no 4.502, de 1964, art. 9o, § 1 o, e Lei n o 9.532, de 1997, art. 37, inciso II). Novamente, relaciona a ora recorrente as empresas e respectivas notas fiscais, sobre as quais a exigência foi mantida pelo acórdão recorrido, renovando as razões que entende determinantes da improcedência da medida fiscal. Partese, por final, à demonstração, no caso concreto, de que a contribuinte efetivamente atendeu à determinação em referência de exigir, dos adquirentes, declaração expressa no sentido de cumprirem os requisitos do art. 29 da Lei nº 10.637. Por todo o exposto, no que diz respeito aos produtos alienados a estes dois adquirentes, entendese que é de se dar provimento ao Recurso Voluntário. Raphael Madeira Abad Fl. 298DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.005166/2002-72
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3201-000.221
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência. Impedido o Conselheiro Luis Eduardo Garrossino Barbieri
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter !o s autos em diligência. Impedido o Conselheiro Luis Eduardo Garrossino Barbieri. Judith do A aral arcondes Armando - Presi nte. Caietiat. rcia elena rajano-D'Amorim - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luiz Eduardo Garrossino Barbieri e Daniel Mariz Gudifio. Fl. 316DF CARF MF Verso em Branco Documento de 6 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0518.10509.A9S1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 11128.005166/2002-72 S3-C2T1 Resolução n.° 3201-000.221 Fl. 490 Relatório 0 interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: "A empresa acima qualificada submeteu a despacho através da Declaração de Importação 01/11021043, de 06/11/2001, o produto descrito como "Dióxido de Silício — Grade 965", classificando-o no código 2811.22.90, como OUTROS DIÓXIDOS DE SILÍCIO, com aliquota de 4,5% para o I.I. e de 0% (zero) para o IPI. Foi retirada amostra do produto para efeito de análise, sendo o resultado trazido aos autos através dos Laudos Técnicos n°3069.01 (LAB 3117/GRUAFE) do LABANA (fls. 30 e seguintes) que apresentou as seguintes informações técnicas em resposta aos quesitos apresentados: Quesito no. 01: Identificar a composição química do produto comparando-a com a descrição acima? "Não se trata de um Outro Dióxido de Silício de constituição química definida e isolada. Trata-se de um Di6xido de Silício contendo Oxido de Ferro e Carbono, um subproduto proveniente das cinzas obtidas da fabricação de ligas de Ferro -Silício e Silício Metálico." Quesito no. 02: Trata-se de uma preparação ou um produto de constituição definida apresentado isoladamente? "Trata-se de um subproduto proveniente das cinzas obtidas da fabricação de ligas de Ferro-Silício e Silício Metálico" Quesito no. 03: Qual a aplicação ou finalidade do produto? "Segundo Referências Bibliográficas, mercadorias dessa natureza são utilizadas na fabricação de concretos e outros artefatos refratários, como um dos componentes do concreto para construção civil, etc...." Quesito no. 04: Outras informações que se fizerem necessárias. "Segundo informações técnicas especificas (cópia anexa), a mercadoria é obtida pela coleta de fumos produzidos no processo de fabricação de ligas Ferro -Silício metálico": Conclusão: "Trata-se de um Dióxido de Silício contendo Oxido de Ferro e Carbono" O LABANA, em 23/04/2002, apresentou Aditamento ao Laudo, e número 3069 A (fls. 72 e seguintes), nos seguintes termos: "Considerações gerais: Os compostos de Dióxido de Silício (Silica) considerados no capitulo 28, nas suas diversas formas, além de se encontrar em grânulos vítreos ou pó na cor branca, tem processo de fabricação definida para cada tipo (não são obtidos como subprodutos), 2 Fl. 317DF CARF MF Verso em Branco Documento de 6 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0518.10509.A9S1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 11128.005166/2002-72 S3-C2T1 Resolução n.° 3201-000.221 Fl. 491 De acordo com a literatura técnica especifica, a mercadoria em epígrafe é uma cinza obtida pela captação dos fumos produzidos durante a produção de ferroliga Ferro- Silicio e também do Silício Metálico, como um subproduto. Na sua composição química contém, além da Silica, vários elementos provenientes da obtenção dessas ligas, e apresenta-se na cor cinza, com estrutura amorfa. 0 Parecer Técnico no. 8.104 do 1PT também confirma esse processo de obtenção, bem como a sua utilização especifica, como aditivo na preparação do concreto." Conclusão: "Trata-se de Dióxido de Silício contendo Oxido de Ferro e Carbono". A vista de tais fatos, a fiscalização aduaneira rejeitou o enquadramento tarifário adotado pela empresa (código 2811.22.90), lavrando-se o Auto de Infração (fls. 01/10), procedendo-se h. reclassificação da mercadoria importada para o código NCM 2620.90.90, com aliquotas de 6,5% para o 1.1., para a cobrança da diferença do imposto de importação, multa de oficio (art. 44, inciso I da Lei no. 9.430/96), multa do controle administrativo (art. 526,11 do Decreto no. 91.030/85) e juros moratórios. A empresa regularmente cientificada da autuação, no dia 15/06/2002 (fl.81 — verso), apresentou tempestivamente a Impugnação, em 13/11/2002, onde alega em síntese que: - a autuação não merece prosperar por estar fundamentada em premissa Mica errônea. A mercadoria importada trata-se de "Dióxido de Silício" e o código tarifário correto, no seu entendimento, é o 2811.22.90, nos termos das Regras Gerais de Interpretação da Nomenclatura e as Notas Explicativas do capitulo 28 da TEC; já havia sido autuada recentemente em outro processo, no qual foi indicada como sendo correta a posição NCM 2619.00.00 para escórias, e não a posição 2620.99.99 para cinzas. No Auto de Infração anterior foi embasado no Laudo do LABANA no. 2.737/01 que tem conclusões contraditórias com as conclusões deste processo. Os Laudos desencontrados do LABANA estão colocando em risco o desenvolvimento regular de sua atividade, sendo que os lançamentos efetuados com base em tais trabalhos técnicos merecem serem considerados nulos pela falta de consistência e coerência dos trabalhos; - a classificação adotada pela Impugnante decorre da aplicação da Regra Geral no. 1 da Interpretação da Nomenclatura, bem como da Regra no. 3 A . Considerando-se estas normas, a correta classificação para o produto importado se dá no Capitulo 28, na posição 2811, destinada aos compostos oxigenados inorgânicos de elementos não metálicos, mais precisamente na sub posição 22, item 90, destinado aos dióxidos de silício — outros; - a Nota 1 do Capitulo 28 aduz que as suas posições compreendem os compostos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas. As NESH ao comentar a referida Nota 1, esclarece que o termo "impurezas" aplica-se para aquelas que resultam diretamente do processo de produção; para corroborar a classificação adotada, foram elaborados dois laudos técnicos (pelo IPT — Instituto de Pesquisas Tecnológicas de Sao Paulo, parecer no. 8.104 complementado pelo parecer no. 61.061; pelo INT Instituto Nacional de Tecnologia do Ministério da Ciência e Tecnologia, Relatório Técnico no. 1083). Embora os laudos do IPT tenham analisado os produtos Grade 971 e 940, as suas considerações e conclusões aplicam-se indistintamente ao de Grade 965, pois existe absoluta similaridade de características Fl. 318DF CARF MF Verso em Branco Documento de 6 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0518.10509.A9S1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 11128.005166/2002-72 S3-C2T1 Resolução n.° 3201-000.221 Fl. 492 tecnológicas entre eles. 0 Parecer Técnico do [NT foi elaborado especi fi camente para o exame do produto Elkem Microsilica tipo965; - os dois pareceres técnicos (do IPT e do [NT) confirmam os pontos relevantes para a classificação do produto na posição NCM 2822.11.90, conforme busca demonstrar pela transcrição dos diversos trechos dos pareceres do 1PT; - o produto importado deve ser classificado na posição adotada pelos seguintes motivos: é um composto inorgânico de constituição definida, as impurezas que contém advém do processo de fabricação o que permite a classificação no capitulo 28 o alto grau de pureza é adequado A posição 2811.22.92 o processo de fabricação do produto e sua cor cinza não implicam afastar a sua classificação da posição 2811.22.90, visto que a referência da NESH A cor e ao procedimento de obtenção dos Dióxidos de Silício é apenas exemplificativa, sendo que o produto em questão não está previsto naqueles expressamente referidos como excluídos do capitulo; a classificação adotada pela fiscalização encontra obstáculo nas Notas do Capitulo 26 que dispõem sobre os produtos que devem ser excluídos do referido capitulo: porque não se trata de cinza e resíduos contendo arsênio, metais ou compostos de metais, produtos referidos na posição 2620; a Nota 3 do Capitulo 26 informa "so se incluem na posição 2620 as cinzas e resíduos dos tipos utilizados na indústria para extração do metal ou fabricação de compostos metálicos", não se aplicando, no caso, para o produto utilizado exclusivamente como aditivo na preparação de concretos na indústria da construção civil, conforme literatura apresentada e laudo do IPT; a Agência Nacional Norueguesa de Política Aduaneira entendeu que o produto Elkem Microsilica vem melhor descrito sob a classificação tarifária 2811.2000; a multa prevista no artigo 44 da Lei no. 9.430/96 também não deve prevalecer, uma vez que o produto importado foi corretamente classificado e não houve declaração inexata quanto A referida classificação nos documentos de importação; a multa prevista no artigo 526, II do Regulamento Aduaneiro, também não pode prosperar. Primeiro porque a 1mpugnante não cometeu a falta prevista no referido disposto, pois o produto importado está sujeito A licença de importação automática, sendo que importou o produto efetivamente descrito na DI, que não estava sujeito A licença prévia. Segundo porque entende aplicável ao caso o Ato Declaratório Normativo no. 12/97; a manutenção desta multa (art. 526,11) implicaria, ainda, em penalizar pela segunda vez o mesmo ato, o que ofende o principio da proporcionalidade na aplicação das multas, previstas no artigo 112/CTN requer a improcedência do Auto de Infração lavrado; 4 Fl. 319DF CARF MF Verso em Branco Documento de 6 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0518.10509.A9S1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 11128.005166/2002-72 S3-C2T1 Resolugdo n.° 3201-000.221 F1.493 requer, também, deferimento de eventual prova pericial complementar que venha a se entender como sendo necessária ao curso do processo, indicando perito e quesitos preliminares. o Relatório. Passo a decidir." 0 pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SPO II no 1721.870, de 06/12/2007, proferida pelos membros da l a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Sao Paulo/SP, cuja ementa dispõe, verbis: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇ:i 0 H Data do fato gerador: 09/11/2001 PRODUTO ELKEM M1CROSILICA GRADE 965 0 produto identificado como sendo um dióxido de silicio contendo Oxido de ferro e carbono, uni subproduto proveniente das cinzas obtidas da fabricação de ligas de ferro-silício e silício metálico, pela aplicação das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado no. 01 e 06 deve ser classificado no código NCM 2620.90.90 Outras Cinzas e Resíduos, conforme elementos de prova constantes dos autos, notadamente em Laudo Técnico emitido pelo LABANA. Lançamento Procedente." 0 julgamento foi no sentido de indeferir o pedido da contribuinte, devendo se manter os valores apurados pela fiscalização. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. 0 processo foi digitalizado e distribuído a esta Conselheira. o relatório. Voto Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim - relatora 0 presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de exigência de crédito tributário no valor de R$ 13.445,32, referente a diferença do II, juros, multa do controle administrativo e, multa proporcional ( art. 44, inc. I da Lei de n° 9.430/96). Inicialmente, os fatos controversos são se a mercadoria descrita para fins de obtenção de licença para importação e correspondente despacho aduaneiro é divergente da mercadoria efetivamente importada; situação que acarretou na reclassificação fiscal da mercadoria, do código NCM 2811.22.90 para o código NCM 2620.90.90, segundo a fiscalização. 5 Fl. 320DF CARF MF Verso em Branco Documento de 6 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0518.10509.A9S1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo n° 11128.005166/2002-72 S3-C2T1 Resolução n.° 3201-000.221 Fl. 494 0 julgamento de primeira instância foi no sentido de manter o crédito tributário. Tendo em vista que o litígio refere-se à desclassificação fiscal dos produtos importados, e conseqüente exigência, dentre elas, da Multa ao Controle Administrativo das Importações; sugiro que baixe em diligência, pelo motivo abaixo: - se, à época, com a nova reclassificação fiscal, de fato, em que modalidade do sistema administrativo, a respectiva importação encontrava-se inserida: dispensada de licenciamento, licenciamento automático ou licenciamento não automático. Registro que a importação brasileira, de uma forma geral, esteve sujeita a tratamento administrativo, sob a égide da Portaria Secex n° 21/96 de forma automática ou não automática e atualmente nas modalidades: dispensada de licenciamento, licenciamento automático ou licenciamento não automático, nos termos da Portaria Secex no 23, de 14/07/2011. Entendo, pois, que constatado o erro de classificação tarifária, em situações nas quais a mercadoria não esteja correta e suficientemente descrita, será sempre necessário avaliar se esse erro remete à exigência de novo licenciamento ou não. Não há como escapar de uma análise de mérito, caso a caso, de cada uma das importações licenciadas, buscando identificar se o erro de classificação tarifária descaracterizou a operação original, na medida em que para a NCM licenciada havia tratamento administrativo distinto daquele atribuído à NCM correta, para então, somente depois de constatada a necessidade de novo licenciamento, avaliar se a mercadoria estava ou não correta e suficientemente descrita, e só então decidir pela aplicação ou não da multa por importar mercadoria sem licença de importação ou documento equivalente. Assim como, para minha convicção para o deslinde do julgamento, que seja elucidado se o produto em questão é um composto de constituição química definida ou não? E, ainda, se é um composto de natureza orgânica ou inorgânica? Ao INT para responder estas questões. Outras, informações adicionais/necessárias, caso sejam complementares ao julgamento deste. Realizada a diligência, deverá ser dado vista ao recorrente para se manifestar. Após, devem ser encaminhados os autos para vista A. PGFN da diligência realizada. Por fim, devem os autos retornar a esta Conselheira para prosseguimento no julgamento. erciasgel rajl2PoWt—norim - Relatora / 6 Fl. 321DF CARF MF Verso em Branco Documento de 6 página(s) autenticado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0518.10509.A9S1. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento autenticado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Corresponde à fé pública do servidor, referente à igualdade entre as imagens digitalizadas e os respectivos documentos ORIGINAIS. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por NALI DA COSTA RODRIGUES em 03/05/2013 12:02:01. Documento autenticado digitalmente por NALI DA COSTA RODRIGUES em 03/05/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 07/05/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP07.0518.10509.A9S1 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: F25313F603A07926EF42A45069735BB9FEBA284D Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 11128.005166/2002-72. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 18471.001622/2006-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a legislação autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária, para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos tributáveis declarados, não tributáveis ou já tributados exclusivamente na fonte.
DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - EXAME DAS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS.
Julgamento pelo E. STF em conjunto das ADI nº 2.390, 2.386, 2.397 e 2.859. Possibilidade. Não deve o Estado brasileiro prescindir do acesso automático aos dados bancários dos contribuintes por sua administração tributária, sob pena de descumprimento de seus compromissos internacionais. 7. O art. 1º da Lei Complementar 104/2001, no ponto em que insere o § 1º, inciso II, e o § 2º ao art. 198 do CTN, não determina quebra de sigilo, mas transferência de informações sigilosas no âmbito da Administração Pública.
Numero da decisão: 2201-004.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a legislação autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária, para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos tributáveis declarados, não tributáveis ou já tributados exclusivamente na fonte. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - EXAME DAS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. Julgamento pelo E. STF em conjunto das ADI nº 2.390, 2.386, 2.397 e 2.859. Possibilidade. Não deve o Estado brasileiro prescindir do acesso automático aos dados bancários dos contribuintes por sua administração tributária, sob pena de descumprimento de seus compromissos internacionais. 7. O art. 1º da Lei Complementar 104/2001, no ponto em que insere o § 1º, inciso II, e o § 2º ao art. 198 do CTN, não determina quebra de sigilo, mas transferência de informações sigilosas no âmbito da Administração Pública.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1857; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 822 1 821 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001622/200678 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.457 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de abril de 2018 Matéria imposto de renda pessoa física Recorrente MICHEL POPULO DA COSTA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a legislação autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária, para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos tributáveis declarados, não tributáveis ou já tributados exclusivamente na fonte. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA EXAME DAS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. Julgamento pelo E. STF em conjunto das ADI nº 2.390, 2.386, 2.397 e 2.859. Possibilidade. Não deve o Estado brasileiro prescindir do acesso automático aos dados bancários dos contribuintes por sua administração tributária, sob pena de descumprimento de seus compromissos internacionais. 7. O art. 1º da Lei Complementar 104/2001, no ponto em que insere o § 1º, inciso II, e o § 2º ao art. 198 do CTN, não determina quebra de sigilo, mas transferência de informações sigilosas no âmbito da Administração Pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 16 22 /2 00 6- 78 Fl. 822DF CARF MF Processo nº 18471.001622/200678 Acórdão n.º 2201004.457 S2C2T1 Fl. 823 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório 1 Adoto como relatório o da decisão da DRJ de fls. 767/776 por bem relatar os fatos ora questionados. “DA AUTUAÇÃO Trata o presente processo de lançamento de oficio de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), referente aos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003, consubstanciado no Auto de Infração às fls. 377 a 385. 2 O valor lançado inclui imposto suplementar de R$119.354,84, multa de oficio de 75%, no valor de R$89.5l6,12, e juros moratórios cabíveis. 3 A descrição dos fatos e o enquadramento legal encontramse detalhados no Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal às fls.355 a 360, versando sobre as seguintes infrações: 001 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO; Fl. 823DF CARF MF Processo nº 18471.001622/200678 Acórdão n.º 2201004.457 S2C2T1 Fl. 824 3 002 GANIIOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. OMISSAO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS; 1 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. 4 Com base nos documentos apresentados pelo contribuinte, declaração de ajuste anual e escrituras enviadas pelo 249 Oficio de Notas, foi elaborado demonstrativo de variação patrimonial para 0 anocalendário de 2001, tendo sido apurado acréscimo patrimonial a descoberto (APD) para os meses de abril, maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro, conforme planilhas às fls. 369 a 375. 5 A omissão de ganho de capital de R$20.000,00 foi apurada na alienação, em 26/06/2002, pelo valor de R$100.000,00, de imóvel adquirido por R$80.000,00, conforme demonstrativo às fls. 367 e 368. 6 De posse dos extratos de movimentação financeira do contribuinte /(fls. 30 a 97 e fls. 108 a 128), apresentados pelo próprio contribuinte, a fiscalização selecionou uma série de depósitos bancários e intimou (fls. 131 a 136) e reintimou (fl. 139) o contribuinte a comprovar a origem destes valores creditados em suas contas. I 7 Entendendo que o contribuinte não comprovou a origem de todos os valores questionados, a fiscalização, com base no art. 42, da Lei n.° 9.430/96, lavrou auto de infração considerando como receita omitida os valores de origem não comprovada. Os depósitos bancários lançados como receita omitida encontramse listados às fls. 361 a 366, com discriminação individualizada de banco, agência, conta, data, histórico e valor. DA IMPUGNAÇÃO 8 Cientificado do Auto de Infração em 08/12/2006 (fl. 387), o contribuinte protocolizou impugnação em 09/01/2007 (fls. 391 a 407), em que apresenta as Fl. 824DF CARF MF Processo nº 18471.001622/200678 Acórdão n.º 2201004.457 S2C2T1 Fl. 825 4 seguintes razões, assinalando que a matéria impugnada não foi objeto de ação judicial. Da tempestividade da impugnação 9 Alega, inicialmente, que, tendo tomado ciência em 08/12/2006, sextafeira, 0 termo inicial de contagem do prazo de 30 dias previsto no art. 59, caput, e parágrafo único do Decreto ng 70.235/ 1972, se deslocou para segundafeira, dia 11 de dezembro de 2006, sendo, portanto, tempestiva a sua impugnação protocolizada em 09/01/2007. Dos depósitos bancários de origem não comprovada 10 Trazendo os ensinamentos de Marcus Vinícius Neder e Maria Teresa Martinez Lopes, Sergio André R. G. da Silva e Dejalma de Campos, reclama que, apesar de a fiscalização estar ciente de que os titulares de fato das contas bancárias seriam as empresas das quais é sócio, ainda assim tributou os depósitos bancários em nome do impugnante em total desacordo com o Princípio da Verdade Material, norteadora do processo administrativo fiscal, de que é corolário o art. 42, §59, da Lei nº 9.430/96. 11 Afirma que por dificuldades das empresas o sócio movimentava em seu nome as contas das sociedades empresárias, sendo que diante da situação de dificuldade financeira e de tempo, não foi possível a organização documental, não tendo o contribuinte todos os documentos relativos aos débitos e créditos havidos nas contas auditadas. 12 A fim de comprovar suas alegações de que a movimentação seria das empresas EMBAVI e RJ REPRESENTAÇÕES, junta canhotos de cheques e documentos que considera comprovar que todas as saídas das contas foram em beneficio das empresas, bem como documentos referentes a depósitos efetuados. 13 Por conseguinte, consoante art. 42, §59, da Lei nº 9.430/96, a determinação dos rendimentos deveria ter sido feita em relação ao terceiro efetivo titular da conta. Do acréscimo patrimonial a descoberto Fl. 825DF CARF MF Processo nº 18471.001622/200678 Acórdão n.º 2201004.457 S2C2T1 Fl. 826 5 Do empréstimo 14 Reclama que, embora a fiscalização não tenha considerado o empréstimo de R$35.000,00 de seu pai, por não ter sido comprovado o efetivo recebimento do numerário tanto o contribuinte como ou seu pai realizaram todas as medidas previstas no manual de instruções para preenchimento da declaração de ajuste anual, não sendo exigida nenhuma outra formalidade para efeitos fiscais. Argumenta, ainda, que, tratandose de pai e filho, dada a relação de confiança entre os dois, não houve necessidade de formalizar em instrumento escrito a quitação regular, nos moldes dos arts. 939 e 940 do Código Civil de 1916, vigente à época. Não havendo a necessidade de prova perante ao credor de que o débito foi extinto, inexiste a necessidade de se produzir esta prova perante terceiros, conforme julgado do Conselho de Contribuintes cuja ementa transcreve à tl. 400. 15 Assim sendo, como os valores emprestados teriam origem justificada segundo declaração de seu pai e estariam, como o empréstimo foi de pai para filho, estando consignando nas declaração de ajuste anual de ambos, a fiscalização deveria ter considerado tal valor no fiuxo patrimonial como origens para o contribuinte. 16 Além disso, apresenta na impugnação recibos referentes aos empréstimos, alegando que só não os apresentou antes porque não fora solicitado, e requer os valores sejam considerados no fiuxo patrimonial confomie tabela às fis. 400 e 401. Das parcelas pagas referentes ao imóvel sito à av. Semambetiba. n° 3.500. 17 Sobre esta questão, o contribuinte alega que, na realidade, somente o sinal foi pago, não tendo sido adimplidas as demais parcelas previstas no Instrumento Particular, conforme declaração prestada por seu pai e 48 notas promissórias pro soluto não quitadas que junta ao processo. Da inexistência de saldos bancários em 31/12/2001 18 Tendo em vista que a titularidade de fato das contas seria das empresas, entende que não caberia levar ao fluxo patrimonial os saldos bancários. Fl. 826DF CARF MF Processo nº 18471.001622/200678 Acórdão n.º 2201004.457 S2C2T1 Fl. 827 6 Do ganho de capital na alienação de bens e direitos 19 O contribuinte não discute a operação de compra e venda, requerendo apenas que seja considerado no custo o valor o imposto de transmissão por ele suportado e registrado na escritura pública, consoante art. 17, I, “e”, da IN SRF nº 84/2001. 20 Sobre a questão, citando Maria Rita Ferragut, alega que, se escritura não for suficiente para comprovar o imposto de transmissão, então tal valor deve ser excluído do fluxo patrimonial, posto que ali o Fisco considerou o valor como pago pelo contribuinte.” 2 A decisão da DRJ julgou improcedente a Impugnação do contribuinte, conforme decisão ementada abaixo: ASSUNTO; IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a legislação autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária, para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos tributáveis declarados, não tributáveis ou já tributados exclusivamente na fonte. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO IMPOSTO DE TRANSMISSÃO. Fl. 827DF CARF MF Processo nº 18471.001622/200678 Acórdão n.º 2201004.457 S2C2T1 Fl. 828 7 O valor do imposto de transmissão pago pelo alienante na aquisição do imóvel pode integrar o custo de aquisição do imóvel alienado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 3 Cientificado da decisão de piso o contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. (782/805) mantendo praticamente os mesmos argumentos da impugnação e ao final requer o provimento do recurso com o cancelamento do auto de infração. 4 – É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 5 – O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. 6 – Os assuntos serão tratados na forma como foram apresentados no recurso. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA EXAME DAS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS 7 Por mais que o contribuinte alegue no recurso que não está questionando a constitucionalidade da Lei 105/2001, revelase que questiona quanto a legalidade e necessidade em que a fiscalização obteve tais documentos relacionados às informações bancárias. Fl. 828DF CARF MF Processo nº 18471.001622/200678 Acórdão n.º 2201004.457 S2C2T1 Fl. 829 8 8 – Nesse ponto não é necessário maiores esclarecimentos em vista das disposições contidas na ADI em que o STF já tratou de forma definitiva sobre esse assunto no julgamento das ADIs 2.386, 2.397 e 2.859 e RE 601.314: EMENTA Ação direta de inconstitucionalidade. Julgamento conjunto das ADI nº 2.390, 2.386, 2.397 e 2.859. Normas federais relativas ao sigilo das operações de instituições financeiras. Decreto nº 4.545/2002. Exaurimento da eficácia. Perda parcial do objeto da ação direta nº 2.859. Expressão “do inquérito ou”, constante no § 4º do art. 1º, da Lei Complementar nº 105/2001. Acesso ao sigilo bancário nos autos do inquérito policial. Possibilidade. Precedentes. Art. 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e seus decretos regulamentadores. Ausência de quebra de sigilo e de ofensa a direito fundamental. Confluência entre os deveres do contribuinte (o dever fundamental de pagar tributos) e os deveres do Fisco (o dever de bem tributar e fiscalizar). Compromissos internacionais assumidos pelo Brasil em matéria de compartilhamento de informações bancárias. Art. 1º da Lei Complementar nº 104/2001. Ausência de quebra de sigilo. Art. 3º, § 3º, da LC 105/2001. Informações necessárias à defesa judicial da atuação do Fisco. Constitucionalidade dos preceitos impugnados. ADI nº 2.859. Ação que se conhece em parte e, na parte conhecida, é julgada improcedente. ADI nº 2.390, 2.386, 2.397. Ações conhecidas e julgadas improcedentes. 1. Julgamento conjunto das ADI nº 2.390, 2.386, 2.397 e 2.859, que têm como núcleo comum de impugnação normas relativas ao fornecimento, pelas instituições financeiras, de informações bancárias de contribuintes à administração tributária. 2. Encontrase exaurida a eficácia jurídiconormativa do Decreto nº 4.545/2002, visto que a Lei n º 9.311, de 24 de outubro de 1996, de que trata este decreto e que instituiu a CPMF, não está mais em vigência desde janeiro de 2008, conforme se depreende do art. 90, § 1º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT. Por essa razão, houve parcial perda de objeto da ADI nº 2.859/DF, restando o pedido desta ação parcialmente prejudicado. Precedentes. 3. A expressão “do inquérito ou”, constante do § 4º do art. 1º da Lei Complementar nº 105/2001, referese à investigação criminal levada a efeito no inquérito policial, em cujo âmbito esta Fl. 829DF CARF MF Processo nº 18471.001622/200678 Acórdão n.º 2201004.457 S2C2T1 Fl. 830 9 Suprema Corte admite o acesso ao sigilo bancário do investigado, quando presentes indícios de prática criminosa. Precedentes: AC 3.872/DFAgR, Relator o Ministro Teori Zavascki, Tribunal Pleno, DJe de 13/11/15; HC 125.585/PEAgR, Relatora a Ministra Cármen Lúcia, Segunda Turma, DJe de 19/12/14; Inq 897 AgR, Relator o Ministro Francisco Rezek, Tribunal Pleno, DJ de 24/3/95. 4. Os artigos 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e seus decretos regulamentares (Decretos nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, e nº 4.489, de 28 de novembro de 2009) consagram, de modo expresso, a permanência do sigilo das informações bancárias obtidas com espeque em seus comandos, não havendo neles autorização para a exposição ou circulação daqueles dados. Tratase de uma transferência de dados sigilosos de um determinado portador, que tem o dever de sigilo, para outro, que mantém a obrigação de sigilo, permanecendo resguardadas a intimidade e a vida privada do correntista, exatamente como determina o art. 145, § 1º, da Constituição Federal. 5. A ordem constitucional instaurada em 1988 estabeleceu, dentre os objetivos da República Federativa do Brasil, a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, a erradicação da pobreza e a marginalização e a redução das desigualdades sociais e regionais. Para tanto, a Carta foi generosa na previsão de direitos individuais, sociais, econômicos e culturais para o cidadão. Ocorre que, correlatos a esses direitos, existem também deveres, cujo atendimento é, também, condição sine qua non para a realização do projeto de sociedade esculpido na Carta Federal. Dentre esses deveres, consta o dever fundamental de pagar tributos, visto que são eles que, majoritariamente, financiam as ações estatais voltadas à concretização dos direitos do cidadão. Nesse quadro, é preciso que se adotem mecanismos efetivos de combate à sonegação fiscal, sendo o instrumento fiscalizatório instituído nos arts. 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/ 2001 de extrema significância nessa tarefa. 6. O Brasil se comprometeu, perante o G20 e o Fórum Global sobre Transparência e Intercâmbio de Informações para Fins Tributários (Global Forum on Transparency and Exchange of Information for Tax Purposes), a cumprir os padrões internacionais de transparência e de troca de informações bancárias, estabelecidos com o fito de evitar o descumprimento de normas tributárias, assim como combater práticas criminosas. Não deve o Estado brasileiro prescindir do acesso automático aos dados bancários dos contribuintes por sua administração tributária, sob pena de descumprimento de seus Fl. 830DF CARF MF Processo nº 18471.001622/200678 Acórdão n.º 2201004.457 S2C2T1 Fl. 831 10 compromissos internacionais. 7. O art. 1º da Lei Complementar 104/2001, no ponto em que insere o § 1º, inciso II, e o § 2º ao art. 198 do CTN, não determina quebra de sigilo, mas transferência de informações sigilosas no âmbito da Administração Pública. Outrossim, a previsão vai ao encontro de outros comandos legais já amplamente consolidados em nosso ordenamento jurídico que permitem o acesso da Administração Pública à relação de bens, renda e patrimônio de determinados indivíduos. 8. À ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, órgão da AdvocaciaGeral da União, caberá a defesa da atuação do Fisco em âmbito judicial, sendo, para tanto, necessário o conhecimento dos dados e informações embasadores do ato por ela defendido. Resulta, portanto, legítima a previsão constante do art. 3º, § 3º, da LC 105/2001. 9. Ação direta de inconstitucionalidade nº 2.859/DF conhecida parcialmente e, na parte conhecida, julgada improcedente. Ações diretas de inconstitucionalidade nº 2390, 2397, e 2386 conhecidas e julgadas improcedentes. Ressalva em relação aos Estados e Municípios, que somente poderão obter as informações de que trata o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 quando a matéria estiver devidamente regulamentada, de maneira análoga ao Decreto federal nº 3.724/2001, de modo a resguardar as garantias processuais do contribuinte, na forma preconizada pela Lei nº 9.784/99, e o sigilo dos seus dados bancários. (ADI 2859, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe225 DIVULG 20102016 PUBLIC 21102016) 9 – Portanto, afasto tal ponto do recurso. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS Fl. 831DF CARF MF Processo nº 18471.001622/200678 Acórdão n.º 2201004.457 S2C2T1 Fl. 832 11 10 – Quanto a esse ponto, após reanálise dos documentos juntados aos autos pela recorrente, e por mais que tenha sido indicado pela autoridade lançadora haver “possíveis evidências” quanto ao fato de ser rendimento de terceiro, fato é que pela presunção do art. 42 da Lei 9.430/96 e o conjunto probatório a recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para esclarecer a origem dos recursos que entraram em sua conta corrente. 11 – Evidenciase pela leitura da decisão de piso, que se debruçou sobre os elementos probatórios juntados em defesa e repisados na fase recursal, dispondo acerca de ponto a ponto dos aspectos indicados na defesa, contudo, de acordo com o que foi decidido, no qual adoto como razões de decidir, resta claro que o contribuinte não se desincumbiu de seu onus probandi, senão vejamos: “29 No presente caso, a fim de comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas, o contribuinte junta farta documentação ao processo, que passo a analisar. 30 Inicialmente, cumpre esclarecer que os seguintes documentos apresentados na impugnação referemse a depósitos que a fiscalização já considerou como comprovados na relação às fls. 363 a 366: Fl. 832DF CARF MF Processo nº 18471.001622/200678 Acórdão n.º 2201004.457 S2C2T1 Fl. 833 12 31 No que se refere aos “canhotos” de cheques emitidos e demais documentos que tratam de valores sacados, estes não se prestam a comprovar a origem dos valores depositados de forma individualizada, conforme exige a legislação, mas tão somente a saída de valores. 32 Quanto aos comprovantes de depósito às fls. 415 a 419 cujos valores ainda não foram considerados pela fiscalização como de origem comprovada, estes por si sós, não são suficientes para identificar e comprovar os efetivos motivos dos recebimentos na conta corrente mantida no Bradesco, posto que se limitam a informar o valor do depósito, não esclarecendo o motivo de cada pagamento. 33 Com relação aos demais trinta e sete comprovantes de depósitos às fls. 420 a 466 que não foram relacionados na tabela do parágrafo 30, embora existam supostas correspondências (cartas) de confirmação de pedidos e alguns recibos de quitação, entendo que tais documentos não se prestam a comprovar as alegações do impugnante pelos seguintes motivos. 34 De acordo com as normas brasileiras de contabilidade NBC T2.2, a documentação contábil é hábil quando está revestida das características intrínsecas ou extrínsecas essenciais definidas na legislação, estando a entidade obrigada a manter em boa ordem a documentação contábil. Portanto, em regra, a documentação da pessoa jurídica que comprovaria as receitas em virtude de vendas efetuadas pelas empresas das quais o impugnante é sócio seriam as notas fiscais por elas emitidas e seus livros contábeis e fiscais. Todavia, não foram apresentadas notas fiscais nem registros contábeis e fiscais que correspondam aos depósitos apontados às fls. 420 a 466. l 35 Nesse aspecto, entendo que os demais documentos juntados não suprem esta falta. 36 De todas as trinta e cinco supostas correspondências e recibos referentes a depósitos a serem comprovados, estão assinados apenas onze (fls. 423, 430, 438, 439, 440, 443, 446, 450, 459, 460 e 466), sendo que não há identificação adequada do nome e cargo de quem seriam as pessoas que assinaram tais documentos. Fl. 833DF CARF MF Processo nº 18471.001622/200678 Acórdão n.º 2201004.457 S2C2T1 Fl. 834 13 37 Somandose a isto, para os vinte e seis documentos às fls. 420, 422,1423, 433 e 434 e fls. 438 a 458, não há identificação do CNPJ das empresas nem de seu endereço e não foram encontradas nas notas fiscais juntadas ao processo (fls. 228 a 311) casos de emissão para tais supostos clientes, não sendo possível sequer aventar a hipótese de diligência para a confirmação destas informações. Ressalte se que, para os documentos às fls. 438, 445, 452 e 454, embora o contribuinte em sua impugnação aponte vendas à Millenium, a Fiscalização aceitou a comprovação da origem com base em notas fiscais emitidas por outras empresas: 38 O cheque à fl. 461, referente ao recibo à fl. 460, foi repassado um pedreiro, conforme registrado em ambos os documentos, não podendo servir para comprovar depósitos na conta bancária do contribuinte.” 12 – A valoração da prova nesse caso, não corrobora com as razões recursais, por mais bem elaboradas que tenham sido apresentadas, pois não infirmam o trabalho fiscal não afastando a presunção legal do art. 42 da Lei 9.430/96 e, portanto, aliado a esse fato, não há o que também converter o julgamento em diligência para deferir a requisição de eventual perícia contábil, posto que o que está em discussão nesse momento é a valoração da prova quanto a sua prestabilidade em comprovar determinado fato jurídico diante da dialética das provas e não dúvidas pontuais quanto a valores controvertidos. 13 – Pelo exposto nesse ponto, nego provimento ao recurso. DO ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – DO EMPRÉSTIMO Fl. 834DF CARF MF Processo nº 18471.001622/200678 Acórdão n.º 2201004.457 S2C2T1 Fl. 835 14 14 – Alega a recorrente que efetuou todos os procedimentos indicados no programa da DIRPF para indicar o empréstimo no valor de R$ 35.000,00 obtido de seu genitor e tal informação consta em sua declaração e entende que maiores formalidades não são necessárias a fim de se comprovar tal fato em vista de ter sido um negócio entre pai e filho. 15 – No termo de intimação fiscal a autoridade lançadora pediu às fls. 14 que o contribuinte comprovasse o efetivo recebimento do empréstimo no valor de R$ 35.000,00. O contribuinte poderia comprovar através de extratos na conta corrente ao menos a saída desse dinheiro, através de saques efetuados para comprovar tal relação. 16 – Por mais que não haja a necessidade de comprovação através de maiores formalidades no caso concreto, de um instrumento contratual, mas ao menos, caberia ao contribuinte demonstrar de fato a ocorrência da efetiva entrada e a saída dos valores devolvidos ao genitor a título de empréstimo, através de saques, ou indicando pelo extrato da conta corrente a devolução do dinheiro. 17 – Os valores e operações declaradas pelo contribuinte são meramente unilaterais, não podendo ser considerados de per si, de prova exclusiva e inconteste da existência das operações ali indicadas, tendo o Fisco o direito/dever de auditálas na forma do art. 194 do CTN. 18 – A respeito do assunto cito trecho do voto no AC 2201003.235 j. 15/06/16 de Relatoria do Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira dessa C. Turma, verbis: “Novamente se verifica que o presente recurso é constituído somente de alegações. Fl. 835DF CARF MF Processo nº 18471.001622/200678 Acórdão n.º 2201004.457 S2C2T1 Fl. 836 15 A dialética da provas exige que o contribuinte apresente, e comprove, fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito de crédito do Fisco constante do lançamento e, no caso, devidamente corroborado por provas. Tal exegese, no sentido da exigência de comprovação dos fatos alegados pelas partes constantes do processo administrativo tributário, consta do Decreto nº70.235 em especial dos artigos9º e 15. Como bem apontado pela 3ª Turma da DRJ SPO II no acórdão 1718551 (fls.452). não pôde o Recorrente se desvencilhar do encargo probatório, não se permitindo, portanto, admitir tal argumento. ‘Em relação à alegação de empréstimos tomados pata justificar o acréscimo. tratase de matéria já extensamente examinada pelos tribunais administrativos e a jurisprudência, inclusive desta Turma de Julgamento, firmouse no sentido de só acolher as alegações de empréstimos quando acompanhadas não somente do respectivo contrato de mútuo, mas também de provas que irrefutavelmente demonstrem a transferência do efetivo numerário, com indicação de valor e data coincidentes. Abaixo seguem alguns acórdãos do 1° Conselho de Contribuintes, que ratificam este entendimento: (...)’ Padece do mesmo vício a alegação da falta de comprovação, pelo Fisco, da desconsideração dos empréstimo bancários tomado pelo Recorrente e que, segundo ele, comprovam parte da origem dos recursos aplicados. Tal comprovação é ônus do Recorrente, não cabendo à Administração Tributária tal encargo. A esta coube o ônus da comprovação do acréscimo patrimonial, da obtenção de proventos de qualquer natureza que ensejem tal acréscimo. Recordemos, a lógica presente na ação fiscal. O Fisco, verificando variação patrimonial, intima o contribuinte a comprovar a origem dos recursos. A ausência da comprovação, segundo a legislação tributária, enseja o lançamento. No processo administrativo fiscal instaurado pela impugnação, o Contribuinte deve Fl. 836DF CARF MF Processo nº 18471.001622/200678 Acórdão n.º 2201004.457 S2C2T1 Fl. 837 16 comprovar suas alegações. Observase no presente caso, que o Recorrente não o fez no procedimento inquisitório fiscalizatório e não produziu suas provas novamente aqui. Não se pode considerar os empréstimos alegados por falta de comprovação. Novamente não pode dar provimento ao recurso.” 19 – Outrossim, afasto essa matéria recorrida. DO ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO DAS PARCELAS PAGAS DO IMÓVEL DA AV. SERNAMBETIBA 20 – Nesse ponto, também me utilizo das conclusões do acórdão da DRJ, pois encampam o entendimento desse Relator a respeito da análise do assunto, pois, dá a impressão que o contribuinte utilizase dos fatos contidos nos documentos apenas quando lhe melhor aprouver, chegando até mesmo à alegação de negar fé pública a documento em que o próprio se prestou a declarar perante Tabelionato e nas razões recursais pede para não ser utilizado, na medida em que tais fatos não ocorreram, causando espécie tais alegações. 45 No que se refere à alegação de não quitação das notas promissórias, a escritura pública de 14/09/2001 registra que o valor de R$80.000,00 foi integralmente recebido nos termos do instrumento particular datado de 24/11/1997, com as retificações que com a escritura pública colidisse (fl.351 verso; item D), estando os alienantes pagos satisfeitos da venda, com a mais plena, rasa, geral e irrevogável quitação(fl.351 verso; item E),. 46 O instrumento particular especificava que o pagamento seria de R$8.000,00 naquele ato, com os restantes R$72.000,00 pagos em 48 prestações mensais e sucessivas de R$1.500,00, fixas e irreajustáveis, vencendose a primeira em 24/12/1997. A última, vencendo, portanto, após a data da escritura pública. Tal Fl. 837DF CARF MF Processo nº 18471.001622/200678 Acórdão n.º 2201004.457 S2C2T1 Fl. 838 17 contrato dava ao alienante o direito de considerar desfeito o negócio jurídico se houvesse atraso superior a 30 (trinta) dias e nem o contribuinte (fl. 05) nem o alienante (fl. 502) declararam tal valor como não quitado, havendo apenas a informação de dívida referente ao empréstimo de R$35.000,00 em 25 (vinte e cinco) parcelas de R$1.400,00 concedido pelo pai do contribuinte neste ano. 47 Concluise, assim, que os valores foram devidamente quitados anteriormente à escritura pública, tendo sido retificado o instrumento particular no que se refere à forma de pagamento, já que era incompatível com a mais plena, rasa, geral e irrevogável quitação em 14/08/2001 dada pela escritura pública. Caberia, na realidade, antecipar para a data; da escritura pública os pagamentos das parcelas previstas para os meses posteriores a esta. Todavia esta não antecipação não importou em alteração no cálculo da omissão de rendimentos por acréscimo patrimonial a descoberto que prejudicasse o contribuinte. Ao contrário, apenas o beneficiou, já que nos meses de outubro e novembro havia origens que puderam justificar parcialmente estes dispêndios, enquanto que, em setembro, tais parcelas seriam somadas diretamente ao acréscimo patrimonial naquele mês. Não tem razão o contribuinte. 21 – Pelo exposto, nego provimento ao recurso nesse ponto inclusive. 22 – Quanto ao item 3.2.3. do recurso é um mero demonstrativo apresentado pelo recorrente caso fossem aprovadas as suas razões recursais, sem contudo trazer elemento de questionamento sobre o assunto, restando prejudicada sua análise diante das razões acima apontadas. Conclusão 23 – Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso nos termos da fundamentação acima. Fl. 838DF CARF MF Processo nº 18471.001622/200678 Acórdão n.º 2201004.457 S2C2T1 Fl. 839 18 (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 839DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.901462/2013-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2011
RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO.
A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
Numero da decisão: 1402-003.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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DIREITO CREDITÓRIO. A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 14 62 /2 01 3- 11 Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10850.901462/201311 Acórdão n.º 1402003.030 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) assim ementado: "ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2011 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O caso foi assim relatado pela instância a quo, in verbis: "Trata o presente processo de Pedido de Restituição [...], transmitida em 27/12/2012, por meio da qual o contribuinte acima identificado solicita restituição de direito creditório decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL (código 2372) do período de apuração 31/12/2011. Despacho Decisório (fl. 04) da Delegacia da Receita Federal em São José do Rio Preto indeferiu o Pedido de Restituição em virtude da inexistência de crédito, sob a seguinte fundamentação: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados pra quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. " Cientificado do Despacho Decisório por via postal em 14/05/2013, o contribuinte apresentou, em 07/06/2013, manifestação de inconformidade (fl. 03), alegando que teve indeferido seu pedido de restituição pelo fato de não ter retificado suas declarações (DCTF, DACON e DIPJ), porém pleiteia novamente o crédito afirmando ter corrigido todas as declarações." Inconformada com a decisão da Instância a quo, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual traz a seguinte explicação para retificar a DCTF, DACON e DIPJ: "Isto tudo foi feito quando constatado que a empresa LC ASSISTÊNCIA MÉDICA S/S LTDA, recolheu o IRPJ sendo 4,80% e a CSLL sendo 2,88% na Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10850.901462/201311 Acórdão n.º 1402003.030 S1C4T2 Fl. 4 3 sua totalidade, e a empresa INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO ESTRATÉGICO E ASSISTÊNCIA INTEGRAL A SAÚDE, CNPJ N° 00.376.056/000145, também havia retido e recolhido o IRRF 1,5%, Código 1708 e o PIS/COFINS/CSLL 4,65% Código 5952." Em seu pedido, requer que se aceite as retificações das declarações, pleiteando o crédito novamente referente ao PER/DCOMP acima identificado. Fl. 40DF CARF MF Processo nº 10850.901462/201311 Acórdão n.º 1402003.030 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.078, de 11/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10850.901450/2013 97, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.078): "O Recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos, portanto dele conheço. O recorrente teve seu pedido de restituição indeferido o fato de que, ainda que tenha sido localizado pagamento ao qual se amolda aquele apontado na PER/DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente já teria sido utilizado para a extinção anterior de outro débito. Isso equivale a dizer que o valor do DARF foi integralmente consumido na extinção, por pagamento, de débito regularmente registrado nos arquivos da Receita Federal, motivo pelo qual não há saldo disponível para restituir. O recorrente alega que retificou as declarações DCTF, DACON e DIPJ para redução de tributos, pois recolheu o IRPJ e a CSLL na sua totalidade, contudo a empresa INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO ESTRATÉGICO E ASSISTÊNCIA INTEGRAL A SAÚDE, CNPJ N° 00.376.056/000145, também havia retido e recolhido o IRRF e o PIS/COFINS/CSLL. Uma vez que a administração tributária tenha iniciado procedimento fiscal para verificar as obrigações tributárias referentes a determinado período e tributo, não mais se pode falar em espontaneidade na entrega de declaração retificadora. Dessa forma, uma vez que a administração tributária emite decisão com base em declaração regularmente entregue, não é lícito que o recorrente retifique a informação que levou àquela decisão e pretenda que seja a nova informação aceita sem passar pelo crivo do Autoridade Fiscal. Sendo assim, deveria o recorrente ter apresentado sua manifestação de inconformidade acompanhada de elementos probatórios que permitissem à autoridade julgadora constatar a efetiva ocorrência dos alegados equívocos cometidos em suas declarações anteriores, nos termos do artigo 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10850.901462/201311 Acórdão n.º 1402003.030 S1C4T2 Fl. 6 5 Contudo, apesar das alegações, o recorrente não traz quaisquer documentos (notas fiscais, recibos, comprovante de pagamento) que comprovem que houve a retenção dos referidos valores de IRRF, CSLL, PIS e COFINS. Além de não comprovar a retenção dos referido tributos, também não houve a demonstração de que os valores retidos seriam suficientes para quitar integralmente os tributos apurados a partir de seus livros comerciais e fiscais. Desse modo, sendo do recorrente o ônus de provar o crédito que alegava ter, nos termos do artigo 333, I, do Código de Processo Civil, e não tendo se desincumbido de referido ônus, cumpre indeferir seu pedido de restituição e de compensação, por falta de comprovação da existência do crédito. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 42DF CARF MF
score : 1.0
