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Numero do processo: 15374.900026/2008-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2003
DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO
A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
Numero da decisão: 2201-004.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Douglas Kakazu Kushiyama, que votaram pela conversão do julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2003 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
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ERRO EM DCTF Recorrente BANCO BANERJ S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Douglas Kakazu Kushiyama, que votaram pela conversão do julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 00 26 /2 00 8- 44 Fl. 116DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 64/69, interposto contra decisão da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, de fls. 52/56, que não deu provimento à Manifestação de Inconformidade do contribuinte, não homologando a compensação pleiteada haja vista a ausência de comprovação da existência do crédito. Tratase do PER/DCOMP nº 01167.92487.191103.1.3.044588, fls. 18/23, no qual o contribuinte buscava compensar suposto crédito no valor original de R$ 18.802,01, oriundo do pagamento indevido ou a maior de IRRF, código 0561, com o débito de CPMF, da 1º semana de setembro de 2003, no valor de R$ 18.180,54. Conforme Despacho Decisório de fl. 15, a compensação pleiteada não foi homologada pois "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados em PER/DCOMP". Da Manifestação de Inconformidade Em razão da clareza didática do resumo elaborado pela DRJ no Rio de Janeiro/RJ das razões apresentadas em manifestação de inconformidade, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: "Inconformada, a interessada apresentou, em 28/03/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 3/7, na qual alega, em síntese: 3.1) que faltou ao despacho decisório a demonstração das razões que levaram à não homologação da compensação, o que a impediu de exercer o direito constitucional de ampla defesa; 3.2) que o Fisco não trouxe aos autos nenhum elemento que desse suporte ao fato motivador da nãohomologação da compensação, exceto a descrição dos valores apurados; 3.3) que o ônus da prova incumbe a quem alega o fato constitutivo de seu direito; que o ato administrativo há de ser sempre motivado; 3.4) que o "auto de infração" é nulo de pleno direito por não haver a demonstração do alegado, não permitindo apreender o motivo e o fato da autuação; 3.5) que declarou, por erro, o valor que indica como pagamento indevido ou a maior como DARF vinculado ao débito do período; Fl. 117DF CARF MF Processo nº 15374.900026/200844 Acórdão n.º 2201004.412 S2C2T1 Fl. 104 3 3.6) que sua alegação é comprovada pelo PER/DCOMP (fls. 16/21 , DARF (fl. 22) e quadro demonstrativo (fl. 23) trazidos aos auto; 3.7) que o valor do débito apresentado na DCTF (fls. 24/35) contém erro que deve ser observado, especificamente, no campo pagamento com DARF, pois o valor pleiteado foi recolhido indevidamente; e que pede a alteração de oficio das informações constantes da D TF.” Da Decisão da DRJ A DRJ no Rio de Janeiro julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada, na decisão assim emendada (fls. 52/56): “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano, calendário: 2003.. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer cerceamento a direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERALS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO INDEFERIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Não se homologa compensação baseada em direito creditório, o qual não foi devidamente demonstrado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Em suas razões, a autoridade julgadora afastou a preliminar de nulidade arguida pelo contribuinte, afirmando não haver violação ao princípio constitucional da ampla defesa, considerando que no Despacho Decisório de fl. 15 informa, com clareza, as razões pela qual não reconhece o direito creditório invocado. Também nas palavras da autoridade julgadora, o DARF foi vinculado ao débito nos termos da própria declaração apresentada pelo contribuinte (fl. 26/37). Quanto ao mérito, afirma que o contribuinte não provou as alegações de erro de preenchimento da DCTF, notadamente não apresentando prova documental capaz de provar, cabalmente, a existência do direito creditório. A DRJ entendeu que os documentos apresentados (PER/DCOMP, DARF e quadro demonstrativo) não servem para demonstrar erro o erro de fato que culminou no pagamento indevido ou a maior. Do Recurso Voluntário Fl. 118DF CARF MF 4 O RECORRENTE, cientificado do Acórdão da DRJ em 09/06/2010, conforme fazem prova o AR de fl. 63 e a tela de consulta dos Correios de fl. 85, apresentou o recurso voluntário de fls. 64/69 em 07/07/2010. Em suas razões, praticamente reiterou as alegações do mérito apresentadas em sede de manifestação de inconformidade, além de defender que o processo administrativo se rege pelo princípio da verdade material e que os documentos apresentados, quando interpretados sob a ótica de tal princípio, são suficientes para comprovar a existência do direito creditório. Ademais, juntou ao processo documentação que acredita ser relevante para comprovar a existência do pagamento indevido ou a maior de IRRF, qual seja, o demonstrativo de cálculo realizado nos autos do processo judicial nº 0058/98, que tramitou na 50ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, bem como o DARF vinculado àquele processo (fls. 94/100). Sobre esse tema, afirmou que, em decorrência de condenação resultante de ação trabalhista, deveria recolher o valor de R$18.180,54 a título de IRRF (conforme cálculos de fl. 94). No entanto, o RECORRENTE alega ter cometido erro na apuração do tributo (deixou de deduzir da base de cálculo do imposto a parcela da contribuição previdenciária), assim efetuou o recolhimento do IRRF no montante indevido de R$ 18.802,01 (fl. 93). Assim, afirmou que, para corrigir seu erro e não trazer prejuízos ao exfuncionário, efetuou novo recolhimento do IRRF no valor correto de R$ 18.180,54 (fl. 95). Portanto, entendeu ter demonstrado o recolhimento em duplicidade do tributo e, consequentemente, o seu direito ao crédito pleiteado, o qual não foi contemplado somente por erro no preenchimento da DCTF. Alegou que tal erro não poderia ser utilizado como fundamento para o não reconhecimento do crédito. Este recurso de voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Da Alegação de Prevalência do Princípio da Verdade Material Conforme demonstrado pelo Despacho Decisório de fl. 15, o pedido de compensação não foi homologado por não restar crédito disponível para compensação, devido ao DARF ter sido utilizado integralmente para quitar débito do RECORRENTE relativo ao código 0561 (IRRF rendimento do trabalho assalariado) cujo período de apuração foi 06/09/2003. Sustenta o RECORRENTE que, em verdade, houve equívoco cometido na elaboração das DCTF originais apresentadas, haja vista que o mesmo débito foi declarado em dois DARFs distintos. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 15374.900026/200844 Acórdão n.º 2201004.412 S2C2T1 Fl. 105 5 Aduz ser equivocada a conclusão do Julgador de 1ª Instância sobre a impossibilidade da DRJ e do CARF reconhecerem direito a crédito sem suporte documental produzido previamente pelo contribuinte, pois no processo administrativo vigora o princípio da verdade material. Um dos princípios norteadores do processo administrativo é o cumprimento a estrita legalidade, desta forma, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais promove a verificação da legalidade dos atos administrativos produzidos no curso do procedimento fiscal e do julgamento em primeira instância, cotejando os fatos identificados e os efetivamente ocorridos com a legislação tributária correspondente. No caso dos tributos federais, a compensação tributária ocorre nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. No presente caso, a Autoridade Administrativa emitiu o Despacho Decisório de fl. 16 informando que o crédito que se almeja compensar já estava consignado em outro débito, confessado pelo contribuinte em DCTF. Neste sentido, assim, dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Ora, não pode a autoridade administrativa proceder com a homologação quando existe, de fato, vinculação do crédito a valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência. Fl. 120DF CARF MF 6 Sobre o tema, adoto como razões de decidir as palavras do Ilustríssimo Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, proferida no acórdão nº 2201004.311: A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. (...) Portando, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Portanto, não basta alegar a ocorrência de erro material, é necessário prova lo. Quanto ao ônus da prova, o Código de Processo Civil dispõe o seguinte: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Apesar do procedimento de constituição do crédito tributário não ser regido pelo CPC, a adoção dos critérios principiológicos criados por tal norma em aplicação analógica ao presente caso oferece diretrizes de suma importância para resolução da demanda. Assim, uma vez em curso o procedimento de análise de compensação de crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. Apenas em sede de Recurso Voluntário o contribuinte traz um mínimo de provas para fundamentar sua alegação de ocorrência de erro de fato, qual seja, a cópia de alguns trechos do processo judicial 000058/98, que tramitou na 50ª Vara do Rio de Janeiro, processo este que originou o débito de IRRF objeto da presente celeuma. Contudo, não deveria o contribuinte comprovar o suposto recolhimento em duplicidade, pois é evidente que houve o recolhimento, tanto que o despacho decisório atesta a utilização do pagamento reputado como a maior pelo contribuinte para quitar débito Fl. 121DF CARF MF Processo nº 15374.900026/200844 Acórdão n.º 2201004.412 S2C2T1 Fl. 106 7 confessado pelo RECORRENTE. Em verdade, deveria o contribuinte comprovar que cometeu equívoco na sua DCTF; ou seja, que os débitos confessados nessa declaração estavam equivocados. Assim, deveria ter comprovado o erro na DCTF através de balanços contábeis e demais documentos aptos a comprovar o valor correto devido a título IRRF para o período em questão, ou então auditoria realizada por perito independente. Neste sentido se verifica no Acórdão nº 3201001.713 da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. É bem verdade que, em razão do princípio da autotutela, pode a Administração Tributária reconhecer de ofício a ocorrência de erro que justifique a alteração de ato administrativo que tenha constituído crédito tributário em desacordo com a legislação aplicável, ou tenha denegado ao contribuinte pleito que faz jus. Todavia, não existe nos autos evidências suficientes para se proceder com a correção de ofício, considerando que, o crédito tributário objeto de pedido compensação foi integralmente utilizado para quitar dívida confessada pelo contribuinte. Não há, também, nos presentes autos elementos que justifiquem eventual conversão em diligência, ante ausência quase que integral de conteúdo probatório do direito do contribuinte. Por fim, não há nada nos autos que indique eventual ofensa aos ao princípio da Verdade Material. Todo o procedimento fáticoprobatório e jurídico presente nos autos foi levado em consideração nesta decisão, uma vez não comprovada a ocorrência de erro de fato; a cobrança de um débito indevidamente compensado é medida que se impõe como consequência da não homologação da compensação, devendo sobre estes incidir os acréscimos legais previstos para os casos de pagamento a destempo. Conclusão Pelas razões acima, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 122DF CARF MF 8 Fl. 123DF CARF MF
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Numero do processo: 10073.901503/2008-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 1998
COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. PAGAMENTO ATRASADO.
A multa moratória não é afastada pelo instituto da denuncia espontânea em razão de recolhimento atrasado e, por conseguinte, seu pagamento não representa indébito.
Numero da decisão: 1301-002.882
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 1998 COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. PAGAMENTO ATRASADO. A multa moratória não é afastada pelo instituto da denuncia espontânea em razão de recolhimento atrasado e, por conseguinte, seu pagamento não representa indébito.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-05-11T18:18:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-05-11T18:18:24Z; Last-Modified: 2018-05-11T18:18:24Z; dcterms:modified: 2018-05-11T18:18:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:3d4bbf99-cdff-4588-9018-aa36c187c4d8; Last-Save-Date: 2018-05-11T18:18:24Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-05-11T18:18:24Z; meta:save-date: 2018-05-11T18:18:24Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-05-11T18:18:24Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-05-11T18:18:24Z; created: 2018-05-11T18:18:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2018-05-11T18:18:24Z; pdf:charsPerPage: 772; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-05-11T18:18:24Z | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.901503/200860 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1301002.882 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de março de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente HOTEL DO FRADE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1998 COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. PAGAMENTO ATRASADO. A multa moratória não é afastada pelo instituto da denuncia espontânea em razão de recolhimento atrasado e, por conseguinte, seu pagamento não representa indébito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 15 03 /2 00 8- 60 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10073.901503/200860 Acórdão n.º 1301002.882 S1C3T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10073.901503/200860 Acórdão n.º 1301002.882 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão de primeira instancia que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas em razão da inexistência de crédito para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirma que o reconhecimento do débito, bem como, dos juros de mora foram efetuados voluntariamente, o que torna indiscutível a aplicação do instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, e exime o contribuinte da responsabilidade pelo pagamento da multa de mora, pois a efetivação das compensações se deu antes de qualquer procedimento de fiscalização. O Acórdão recorrido entendeu pela inaplicabilidade da denúncia espontânea ao caso concreto, fundamentando sua decisão no argumento de que não se pode confundir pagamento atrasado com denúncia espontânea, pois o art. 138 do CTN, que trata da denúncia espontânea, não eliminou a figura da multa de mora, a que o Código também faz referência (art. 134, parágrafo único). No Recurso Voluntário apresentado a recorrente repisa seus argumentos de defesa levantados em sede de recurso voluntário. É o relatório. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10073.901503/200860 Acórdão n.º 1301002.882 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301002.880, de 16.03.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10983.900843/201025, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301002.880): O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Compensação Conforme o parágrafo 3º do art. 57 do Regulamento do CARF, o relator pode, para fundamentar seu voto, adotar os argumentos da decisão de primeira instância e transcrever respectivo trecho de tal decisão se verificar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação do adotado pela decisão recorrida. Neste sentido, transcrevese trecho da decisão de primeira instancia que retrata o convencimento do relator [...]): O interessado pretendeu compensar valor pago a titulo de multa de mora, invocando o art. 138 do CTN. Não se pode confundir pagamento atrasado com denúncia espontânea, art. 138 do CTN, que trata da denúncia espontânea, não eliminou a figura da multa de mora, a que o Código também faz referência (art. 134, parágrafo único). A iniciativa do sujeito passivo, promovida com a observância do art. 138, tem a virtude de evitar a aplicação de penas de natureza punitiva, porém não afasta os juros de mora e a chamada multa de mora, de índole indenizatória e destituída do caráter de punição. A multa de mora não é afastada em razão de recolhimento espontâneo e, por conseguinte; seu pagamento não representa indébito. O Despacho Decisório recorrido deve, então, ser mantido, por não ter restado configurada a existência de crédito. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10073.901503/200860 Acórdão n.º 1301002.882 S1C3T1 Fl. 6 5 Resssaltase que o pagamento atrasado, uma vez formalizada a declaração e sem apresentação de procedimento específico relacionado a denúncia espontânea não se enquadra no art. 138 do CTN. Conclusão Diante de todo o acima exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13836.000121/2005-93
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2001
Ementa:
Alterado o contrato social e apresentadas provas do real objeto social do contribuinte e sendo a atividade prevista naquele admitida pelo simples, deve ser cancelado o ato de exclusão do simples.
Numero da decisão: 9101-003.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2001 Ementa: Alterado o contrato social e apresentadas provas do real objeto social do contribuinte e sendo a atividade prevista naquele admitida pelo simples, deve ser cancelado o ato de exclusão do simples.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2001 Ementa: Alterado o contrato social e apresentadas provas do real objeto social do contribuinte e sendo a atividade prevista naquele admitida pelo simples, deve ser cancelado o ato de exclusão do simples. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 6. 00 01 21 /2 00 5- 93 Fl. 287DF CARF MF 2 Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela PGFN, em face do acórdão nº 130200.647, onde se cancelou exclusão ao SIMPLES perpetuada no âmbito da Lei 9.137/96, pela constatação de que a atividade venda de água mineral natural não esta impedida de optar pelo Simples. A exclusão do Simples foi determinada pelo Ato Declaratório Executivo DRF/JUN n°. 465.253, de 07.08.2003 (fls. 03), em virtude do exercício pela recorrente de atividade econômica vedada, qual seja: industrialização de bebida classificada no capitulo 22 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi) . A contribuinte apresentou recurso, sendo o Resultado da análise da SRS improcedente, ao argumento de que no objeto social da empresa existe atividade que se enquadra no CNAE 15946/00 e que, de acordo com a legislação que regulamenta o Simples, esta atividade é impeditiva para a opção por caracterizar industrialização de bebida classificada no capítulo 22 da tabela de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI). Intimada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, argumentando que afirma que apenas envasa água in natura diretamente a partir da fonte, não exercendo nenhuma forma de industrialização. A DRJ manteve a exclusão da contribuinte do Simples, o contrato social da contribuinte possuía atividade de industrialização e que não havia nos autos prova da atividade de envase que a contribuinte disse exercer. Intimada da decisão a contribuinte apresenta Recurso Voluntário, alegando que sua atividade era de envase de água natural e trazendo enorme quantidade de Notas Fiscais que demosntram ser sua atividade venda de água mineral natual. Trouxe ainda o contrato social alterando a atividade para envase de água mineral natural. Nesse contexto, a Turma a quo a ele deu provimento, conforme ementa abaixo: " Assunto: Simples Exclusão. Anocalendário 2001 Ementa: Alterado o contrato social e apresentadas provas do real objeto social do contribuinte e sendo a atividade prevista naquele admitida pelo simples, deve ser cancelado o ato de exclusão do simples. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. " Cientificada da decisão, a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial de divergência trazendo entendimento segundo o qual a previsão no objeto social da pessoa jurídica de qualquer das atividades vedadas pela Lei n.° 9.317/96, ainda que a empresa não as esteja exercendo efetivamente, é suficiente para excluíla do SIMPLES. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 13836.000121/200593 Acórdão n.º 9101003.565 CSRFT1 Fl. 288 3 O Recurso da Fazenda foi conhecido, conforme despacho de admissibilidade. Intimado do Recurso da Fazendo o contribuinte apresenta contrarrazões, pedindo o não provimento do recurso Fazendário. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Sobre a admissibilidade do Recurso, entendo não haver reparos a serem feitos no despacho de admissibilidade, portanto, dele conheço nos mesmos moldes do despacho. Sobre o mérito da questão, entendo que não merece prosperar a pretensão fazendária. Como visto, pretende a Fazenda que aqui se reconheça que o simples fato de constar atividades no contrato social do contribuinte já seria suficiente para sua exclusão do regime do SIMPLES, regulado pela Lei 9.137/96, artigo 9º, XIX. Nesse contexto, necessária a análise de tal regra, para averiguação da melhor técnica de interpretação a ser aplicada, para sua compreensão: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIX que exerça a atividade de industrialização, por conta própria ou por encomenda, dos produtos classificados nos Capítulos 22 e 24 da Tabela de Incidência do IPI TIPI, sujeitos ao regime de tributação de que trata a Lei no 7.798, de 10 de julho de 1989, mantidas, até 31 de dezembro de 2000, as opções já exercidas.; Percebam que o comando legal é no sentido de que não poderia optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que exercesse a atividade de industrialização. Da análise de tal regra é possível identificar que o núcleo da vedação era para a atividade efetivamente executada pela pessoa jurídica, não para atividade constante de seu objeto social, mas que não fosse executada. Logo, não há como atender à pretensão fazendária. Bem andou a decisão a quo ao identificar a atividade efetivamente realizada pela contribuinte em questão e entender que se tratava de atividade cuja pessoa jurídica que a exercesse não estava impedida de utilizar o regime simplificado então vigente. Vale a transcrição de trecho da referida decisão: Entendo merecer acolhimento a argumentação da recorrente. Fl. 289DF CARF MF 4 Em seu recurso, traz cópias de todas as notas fiscais emitidas a partir denovembro de 2001, onde consta a venda de água mineral natural e alteração contratual, data de26 de março de 2005, onde foi alterado o objeto social para Cláusula 03 A sociedade tem por objetivo social: Engarrafamento de água mineral natural, não gaseificada.. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Nesse contexto, voto por negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 290DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.723915/2014-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NECESSIDADE DE EXTENSÃO DO BENEFÍCIO A TODOS OS SEGURADOS. CABIMENTO.
Após o advento da LC n° 109/2001, somente no regime fechado, a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá a empresa eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, em face das disposições da novel legislação.
PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA RESOLUÇÃO DO MÉRITO. SUPERAÇÃO DAS MATÉRIAS EM RAZÃO DA APLICAÇÃO DO § 3º DO ART. 59 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. Inteligência dos arts. 282, § 2º CPC e 59 Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 2201-004.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Dione Jesabel Wasilewski, que negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NECESSIDADE DE EXTENSÃO DO BENEFÍCIO A TODOS OS SEGURADOS. CABIMENTO. Após o advento da LC n° 109/2001, somente no regime fechado, a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá a empresa eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, em face das disposições da novel legislação. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA RESOLUÇÃO DO MÉRITO. SUPERAÇÃO DAS MATÉRIAS EM RAZÃO DA APLICAÇÃO DO § 3º DO ART. 59 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. Inteligência dos arts. 282, § 2º CPC e 59 Decreto 70.235/72.
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secao_s : Segunda Seção de Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Dione Jesabel Wasilewski, que negaram provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1775; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 305 1 304 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.723915/201468 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.544 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de junho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente PELISSARI INFORMATICA SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NECESSIDADE DE EXTENSÃO DO BENEFÍCIO A TODOS OS SEGURADOS. CABIMENTO. Após o advento da LC n° 109/2001, somente no regime fechado, a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá a empresa eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, em face das disposições da novel legislação. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA RESOLUÇÃO DO MÉRITO. SUPERAÇÃO DAS MATÉRIAS EM RAZÃO DA APLICAÇÃO DO § 3º DO ART. 59 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Inteligência dos arts. 282, § 2º CPC e 59 Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Dione Jesabel Wasilewski, que negaram provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 39 15 /2 01 4- 68 Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10980.723915/201468 Acórdão n.º 2201004.544 S2C2T1 Fl. 306 2 Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório 1 Adoto como relatório o da decisão da DRJ/BHE de fls. 251/263, por bem relatar os fatos ora questionados. Tratase de crédito tributário lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, que de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 11/14, referese à autuação por descumprimento de obrigações principais, formalizadas através do Auto de Infração (AI) 51.031.7499 (contribuição patronal), relativas ao período de 12/2009 a 12/2010. As contribuições lançadas são incidentes sobre valores aportados (custeados) pelo autuado, em planos de benefício suplementar de previdência privada (que foram formalizados como tal), disponibilizados, exclusivamente, a diretores não empregados da empresa, contribuintes individuais, que foram mantidos com o objetivo de remunerar tais beneficiários, retirando desses aportes, a natureza de contribuição para previdência complementar à renda dos beneficiários ao se aposentarem. Constam no relatório fiscal, em síntese, as informações que seguem. A empresa contribuinte tem por objeto social a atividade da prestação de serviços na área de informática, desenvolvimento de programas, software, diagramação, computação gráfica, revenda de software, venda de produtos de informática, suporte técnico, consultoria organizacional, treinamento e implantação na área de informática. Foram emitidos no procedimento fiscal na contribuinte o TIPF – Termo de Início de Procedimento Fiscal, os TIF Termos de Intimação Fiscal números 01 a 09, e o TEPF – Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal. A ação fiscal abrangeu o período compreendido entre as competências 01/2009 a 12/2010. O débito lançado no auto de Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10980.723915/201468 Acórdão n.º 2201004.544 S2C2T1 Fl. 307 3 infração supracitado referese ao período de 12/2009 a 12/2010 e pode ser verificado no relatório “Discriminativo do Débito – DD”, anexo. A presente exação referese às contribuições sociais decorrentes das remunerações pagas para diretores não empregados, considerandose as rubricas integrantes das hipóteses de incidência tributária dessas contribuições, conforme fundamentações legais anexas ao auto de infração. O Relatório de Lançamentos RL, anexo, contém os valores e nomes dos diretores não empregados, por competência. Os elementos que justificaram o presente levantamento foram obtidos na análise das folhas de pagamento e lançamentos contábeis. Os valores de remuneração foram pagos para os diretores não empregados, todos acionistas da empresa, de forma não extensiva a todos os seus empregados. Da Impugnação O contribuinte tomou ciência pessoal do Auto de Infração em 18/12/2014 e apresentou impugnação em 16/01/2015, cuja peça foi juntada às fls.145 a 195, aduzindo as alegações a seguir, relatadas em síntese: Nulidade do Auto de Infração por ausência de provas suficientes para sustentar a autuação, já que a fiscalização não analisou o contrato do plano de previdência privada, mas apenas os livros contábeis e as folhas de pagamento, e para que ocorra a perfeita subsunção do fato à norma é preciso que a fiscalização demonstre que o benefício não foi oferecido a todos os empregados e dirigentes da pessoa jurídica, ônus do qual, evidentemente, não se desincumbiu a fiscalização. Como se observa do contrato, os pagamentos enquadramse na regra de isenção de contribuição previdenciária, pois são extensíveis a todos os empregados da empresa. Neste sentido, plenamente aplicável a regra de isenção, o que conduz ao cancelamento integral do auto de infração. Inexistência de remuneração na complementação da empresa a título de previdência privada, porque somente pode ser considerada remuneração pela prestação dos serviços aquilo que o indivíduo recebe diretamente em função da prestação do serviço, como contrapartida do serviço prestado, o que não é o caso do pagamento da previdência complementar, tendo em vista que esse valor não se configura como contraprestação pelo serviço prestado pelo contribuinte individual. Que os valores decorrentes do pagamento de previdência privada são utilidades, conforme se depreende do §2° do artigo 458 da CLT, e as utilidades não estão compreendidas no conceito de remuneração do inciso III do art. 22 da Lei 8.212/91 Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10980.723915/201468 Acórdão n.º 2201004.544 S2C2T1 Fl. 308 4 e, por isso, não podem ser incluídas na base de cálculo das contribuições previdenciárias. O que leva a concluir que, em relação aos contribuintes individuais, a pretensão legislativa de incluir essas verbas na base de cálculo seria inconstitucional. Se a própria lei não poderia fazer isso, muito menos a fiscalização por meio de interpretação. Da Diligência Fiscal Considerandose a alegação de nulidade aduzida pela impugnante, sob o fundamento de que a Auditora Fiscal não analisou o contrato do plano de previdência privada, mas apenas os livros contábeis e as folhas de pagamento, para concluir pelo lançamento, e ainda, considerando que a cópia do contrato juntada na defesa estava ilegível, necessário se fez o retorno dos autos à fiscalização para a análise do aludido contrato e demais elementos que julgasse necessários, objetivando demonstrar se o benefício foi ou não disponibilizado à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa autuada. Foi solicitado, ainda, que fosse juntada nos autos cópia legível do referido contrato e que, após a análise, o contribuinte recebesse cópia do pedido de diligência e do pronunciamento fiscal, para, sendo de seu interesse, manifestasse a respeito. Após proceder a diligência, a autoridade autuante juntou Informação Fiscal às Fls. 205 a 208, trazendo, em síntese, as considerações a seguir transcritas: 3.1) Da análise do contrato apresentado, firmado com ITAÚ VIDA E PREVIDÊNCIA, no dia 25/03/2009, constatouse que nos itens 3 e 3.1 está previsto que o plano de previdência complementar estará disponível, obrigatoriamente, a todas as pessoas físicas que, na vigência do contrato, mantiverem vínculo empregatício ou de administração com a Instituidora, sendo a adesão facultativa; 3.2) A partir desta previsão contratual, poderseia concluir que as alegações da empresa procedem, haja vista a existência explícita de previsão de disponibilidade do plano de previdência privada, obrigatoriamente, a todos os empregados e administradores da empresa. Por outro lado, há de se considerar que a fiscalização original apurou que a empresa não efetuou nenhum pagamento, àquele título, a qualquer funcionário e, somente aos seus diretores não empregados; 3.3) Chama a atenção este fato e, sob esta ótica, caberia pesquisar as razões que levariam a totalidade dos empregados a não aderirem ao plano de previdência privada, haja vista tratar se de um benefício concedido com contrapartidas da empresa e, que, em tese, deveria atrair a adesão, senão da totalidade dos empregados, ao menos de parcela destes, o que não ocorreu; 3.4) Da leitura do item 13.2, letra “f” do contrato firmado com ITAÚ VIDA E PREVIDÊNCIA, extraise a previsão de que a empresa PELISSARI, na condição de Instituidora, está obrigada Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10980.723915/201468 Acórdão n.º 2201004.544 S2C2T1 Fl. 309 5 a fornecer aos participantes (empregados e administradores) o material informativo do plano, previamente à assinatura da proposta de Inscrição; 3.5) Em decorrência desta previsão contratual, intimouse a empresa, através do Termo de Intimação Fiscal n° 2, de 28/11/2016, a comprovar que efetivamente deu publicidade dos termos do contrato para todos os seus funcionários e administradores, oportunizando a todos a adesão ao mesmo; 3.6) Em resposta ao referido Termo a empresa limitouse a informar que, à época da assinatura do contrato, informou a todos os funcionários e administradores da empresa acerca do referido plano mas que, em função do tempo transcorrido, não teria localizado o documento através do qual formalizou este expediente; 3.7) Notar que o contrato apresentado foi firmado em 25 de março de 2009, por prazo indeterminado e que os lançamentos contidos no Auto de Infração se referem ao período de dezembro de 2009 a dezembro de 2010. Por obvio, neste período de quase dois anos, decorrido entre a assinatura do contrato e da última competência, objeto da ação fiscal, houve movimentações de funcionários e de administradores, com admissões e demissões ou desligamentos; 3.8) Considerando a informação da empresa sob suspeição, haja vista não apresentar qualquer prova do alegado, apenas como argumentação poderseia inferir que apenas os funcionários que constavam dos seus quadros, no mês de março de 2009, época da assinatura do contrato, poderiam ter tomado ciência da existência do plano de previdência privada. A partir daquele mês e até os dias atuais, os funcionários que foram sendo admitidos pela empresa, por suposto, não mais tomaram ciência dos termos do contrato; vale dizer que estes empregados jamais souberam que a empresa disponibiliza um plano de previdência privada e, portanto, jamais lhes foi dada a oportunidade de adesão e de fruição dos seus benefícios; 3.9) Considerando a movimentação de contratações e demissões de funcionários ao longo do tempo, não parece razoável a informação da empresa de que fez um único comunicado, à época da assinatura do contrato, da existência do plano de previdência privada. Este comunicado aos empregados recém admitidos deveria estar previsto e formatado como norma obrigatória e corriqueira no dia a dia da empresa e, para fazer prova do alegado, caberia a ela apresentar a comprovação, através de documento que contivesse a ciência formal dos seus empregados (um a um ou em conjunto de mais de um), de que a eles foi disponibilizado o plano de previdência privada, nos exatos momentos das suas admissões ou nos momentos imediatamente posteriores; 4) O Princípio da Primazia da Realidade, um dos princípios que norteiam as relações de trabalho, também aplicável ao Direito Previdenciário, prevê que os fatos devem prevalecer sobre a Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10980.723915/201468 Acórdão n.º 2201004.544 S2C2T1 Fl. 310 6 forma jurídica dos atos, e é plenamente aplicável ao caso em análise. Neste, em que pese a previsão formal da extensão do plano de previdência privada a todos os empregados e administradores da empresa, existe a presunção, não elidida pela empresa, de que os empregados não tomaram ciência daquele plano e, portanto, não puderam exercer o seu direito de adesão formalmente previsto no contrato firmado com a ITAÚ VIDA E PREVIDÊNCIA; 4.1) Em resumo, podese afirmar que o plano de previdência privada ofertado pela Notificada mantém apenas a aparência formal de ser extensivo a todos os empregados e administradores da empresa, mas diante de todas as evidências acima descritas, demonstrase que a realidade dos fatos difere da formalidade contida nos termos do contrato; 4.2) A partir da realidade dos fatos, inferese que os empregados não tiveram acesso a informação do plano de previdência privada ofertado formalmente pela empresa, o que vale dizer que, na prática, ele não é extensivo a todos. Diante desta constatação percebese as razões pelas quais a auditora fiscal notificante não encontrou qualquer pagamento da empresa, a título de previdência privada, para os seus empregados; Da Nova Manifestação da Insurgente Cientificada da referida Informação Fiscal, a Impugnante apresentou, às fls.237 a 248, sua manifestação acerca do resultado da Diligência. Em síntese, com as seguintes considerações: Alega nulidade da autuação por alteração dos fundamentos /elementos de prova e das razões para a constituição do crédito. Afirma que a Fiscalização analisou apenas os livros contábeis e as folhas de pagamento e concluiu que o plano de previdência privada não era extensivo a todos os empregados da empresa. Assevera que o argumento foi de que como só havia pagamentos em relação a determinados sócios os empregados estavam foram do benefício de previdência privada. Aduz que não foi pedido pela fiscalização e nem foi facultado ao contribuinte a oportunidade de apresentar o contrato antes da impugnação porque o fiscal autuou direto ao invés de solicitar informações complementares para formar seu convencimento. Assim somente na impugnação foi possível juntar o contrato. Argumenta que na Informação Fiscal de Diligência restou expresso que no contrato de previdência privada consta a disponibilização do benefício a todos os empregados da empresa, ainda assim a Fiscalização busca sustentar a legalidade da autuação através de elementos e razões completamente diversos do que foi descrito no auto de infração. Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10980.723915/201468 Acórdão n.º 2201004.544 S2C2T1 Fl. 311 7 Diz que a Fiscalização sustenta que a Impugnante teria a obrigatoriedade de comprovar a publicidade dos termos do contrato do plano de previdência privada para todos os seus funcionários e administradores, oportunizando a adesão aos mesmos. Alega que, além de não existir previsão legal determinando que a Impugnante apresente prova da publicidade do documento (o texto legal fala em plano “disponível à totalidade dos empregados” e não prova da intimação de todos os empregados sobre a existência do plano), fato é que o referido contrato do plano de previdência privada, que contradiz a fundamentação utilizada na autuação fiscal, não foi examinado à época da autuação e nem compôs as razões que embasaram a constituição do crédito tributário no presente Auto de Infração. Consequentemente, verificase que neste momento a fiscalização está alterando o fundamento justificador da autuação, o que não pode ocorrer. Afirma que a Fiscalização busca sanar um vício na constituição do crédito com argumentos alternativos que sequer foi invocado no momento da autuação fiscal para justificar a incidência da contribuição previdenciária. Acrescenta que a fiscalização sustenta a necessidade de publicidade do plano com base no item 13.2, letra “f” do contrato do plano de previdência. Aduz que a informação ampla aos funcionários da existência do plano de previdência não pode ser confundida com o informativo àqueles em que demonstraram interesse em aderir ao referido plano. Alega que a fiscalização realiza uma interpretação completamente equivocada e contraditória do contrato do plano de previdência para exigir da Impugnante um documento de que foi dado publicidade aos funcionários, sem qualquer respaldo em lei ou no próprio contrato. Conclui que, restou claro que, ao assim proceder, acabou por alterar os fundamentos que embasaram a autuação em discussão, o que gera nulidade total do auto de infração em questão, conforme dispõe o art. 18 do Decreto 70.235/72. Acrescenta que, caso entenda que houve a alteração da fundamentação do presente auto de infração – já que inicialmente partiuse da folha de salários para autuar a empresa e agora a base é o contrato de previdência privada – fazse necessário a realização de um novo lançamento considerando os novos elementos examinados e as novas razões para constituição do crédito tributário. Afirma que nos termos do artigo 149, inciso VIII do Código Tributário Nacional, uma das hipóteses em que o lançamento tributário pode ser revisto pela autoridade administrativa, como Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10980.723915/201468 Acórdão n.º 2201004.544 S2C2T1 Fl. 312 8 pretende a fiscalização, é quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior. Aduz que o mesmo artigo 149 do CTN, em seu parágrafo único, dispõe expressamente que “a revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública”. E no presente caso, sabese que as competências ora exigidas se referem aos períodos de 12/2009 a 12/2010 e, caso acolhida alteração dos elementos e das razões da constituição do crédito, a revisão do lançamento encontrará como óbice o prazo decadencial. Assevera que analisando as informações fiscais apresentadas, verificase que a Fiscalização sustenta a legalidade da autuação em uma presunção de que os empregados da empresa não tomaram ciência dos termos do contrato, sob o único e inaceitável fundamento de que a Impugnante não tinha em seus arquivos um comprovante de que havia comunicado aos mesmos da disponibilidade do plano de previdência. Por fim, traz novamente todas as argumentações constantes na impugnação inicial. Dos Pedidos a) Declarada a nulidade da autuação, por ausência de provas suficientes para sustentar o auto de infração; b) Declarada a nulidade da autuação, por alterações dos elementos de prova e das razões da constituição do crédito após a baixa em diligência à fiscalização; c) O cancelamento da autuação, uma vez que, caso seja acolhida as novas informações apresentadas pela fiscalização, a sua revisão estaria obstada pela decadência, na forma do artigo 156 do CTN, dado que o lançamento só se tornou perfeito e acabado em 12.2016; d) A nulidade da autuação, uma vez que, na remota hipótese de serem acolhidas as novas informações e afastada a decadência, o auto de infração se encontra embasado em mera presunção de que o plano não era estendido a todos os funcionários, desconsiderando a prova documental trazida, qual seja, o contrato do plano de previdência; e) O cancelamento da autuação, uma vez que os pagamentos se enquadram na regra de isenção de contribuição previdenciária, pois são extensíveis a todos os empregados da empresa, conforme prevê o contrato; f) O cancelamento da autuação, tendo em vista que o pagamento de previdência privada não configura remuneração, nem rendimento do trabalho, na forma do inciso III, do art. 22 da Lei 8.212/91 e demais dispositivos legais e constitucionais aplicáveis. Deve ser cancelado integralmente o auto de infração por ausência de subsunção do fato à norma. Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10980.723915/201468 Acórdão n.º 2201004.544 S2C2T1 Fl. 313 9 2 – A impugnação foi julgada improcedente por decisão da DRJ assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Entendese por salário de contribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades. PREVIDÊNCIA PRIVADA. Integra o saláriodecontribuição o valor pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, em desacordo com a legislação previdenciária. NULIDADE. PAF. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. Se o lançamento foi confeccionado por AuditorFiscal da Receita Federal, se não ocorreu cerceamento ao direito de defesa e tampouco a demonstração de eventual prejuízo a impugnante, não há que se falar em nulidade do lançamento tributário 3 Cientificado da decisão de piso o contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. (272/294), mantendo praticamente os mesmos argumentos da impugnação e ao final requer o provimento do recurso com o cancelamento do auto de infração. 4 É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10980.723915/201468 Acórdão n.º 2201004.544 S2C2T1 Fl. 314 10 5 O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 6 De acordo com a acusação fiscal o presente caso é focado na existência da falta de extensão da contribuição da empresa a todos os demais participantes do plano de previdência privada: "8. Os elementos que justificaram o presente levantamento foram obtidos na análise das folhas de pagamento e lançamentos contábeis. 8.2 LEVANTAMENTO PP – PREVIDÊNCIA PRIVADA SÓCIOS Este valor foi pago para os diretores não empregados, todos acionistas da empresa, mas não é extensivo a todos os seus empregados, devendo compor, em função disto, o salário de contribuição, base de cálculo das contribuições previdenciárias, dos segurados que o receberam. Tal definição deriva da previsão contida no inciso “p”, do parágrafo 9º do artigo 28 da lei nº 8.212/91(lei de custeio da Previdência Social): § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT;(grifei) 7 Quanto a essa matéria, me detenho a indicar como razão e fundamento de decidir os termos do voto dessa C. Turma no Ac. 2201003.416 julgado em 07/02/2017 de Relatoria do I. Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, bem como no Ac. 2201003.726 j. 04.07.2017 de minha relatoria em que a Turma reconheceu a inexistência de incidência de contribuição previdenciária em plano de previdência privada aberto, assim ementado: Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10980.723915/201468 Acórdão n.º 2201004.544 S2C2T1 Fl. 315 11 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. VÍCIO NO LANÇAMENTO. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Cabe ao Fisco a comprovação do fato constitutivo de seu direito de crédito, ou seja, a comprovação do ocorrência do fato gerador. Ao sujeito passivo, resta a comprovação da existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do crédito tributário comprovado pelo Fisco. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101/00. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. APLICABILIDADE. Os valores pagos a título de PLR não sofrem incidência tributária somente se cumpridos os requisitos estabelecidos na Lei nº 10.101/00. Tais requisitos são aplicáveis aos segurados contribuintes individuais, não sendo permitido, porém a fixação de metas e resultados a serem atingidos unilateralmente, ou seja, sem a comprovação da participação dos trabalhadores e do sindicato. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NECESSIDADE DE EXTENSÃO DO BENEFÍCIO A TODOS OS SEGURADOS. CABIMENTO. Após o advento da LC n° 109/2001, somente no regime fechado, a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá a empresa eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, em face das disposições da novel legislação. ABONO DE FÉRIAS. CONCEITO. NÃO INCIDÊNCIA. DISTINÇÃO DA GRATIFICAÇÃO DE FÉRIAS. A conversão do período de 10 dias de férias em período laboral é denominado abono pela legislação trabalhista e não sofre incidência das contribuições previdenciárias em face de seu caráter indenizatório. A gratificação de férias, valor ajustado e pago quando do gozo de férias, acordado por meio de contrato de trabalho, individual ou coletivo, sofre incidência tributária em face do caráter de adicional de remuneração. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. É ônus da Autoridade Lançadora a comprovação da ocorrência das condutas previstas na lei e ensejadoras da multa de ofício qualificada, sob pena de sua inaplicabilidade. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10980.723915/201468 Acórdão n.º 2201004.544 S2C2T1 Fl. 316 12 8 – Nesse caso me atenho e adoto as razões de decidir do Ilustre Conselheiro Relator que assim decidiu: “Me filio à corrente que entende que após o advento da Lei Complementar nº 109/01, a interpretação do dispositivo constante da Lei nº 8.212/91, deve ser realizada em consonância com os ditames da lei complementar editada para cumprir a determinação da Carta de 1988 , em especial quanto à disposição do §2º do artigo 202. Tal entendimento há tempos é exarado por este Colegiado. Transcrevo, com a devida permissão, o voto do Conselheiro Júlio César Vieira Gomes, prolatado nos autos do processo 10783.723424/201109, Acórdão 2402003.661: ‘O benefício tem previsão constitucional no artigo 202, com a redação trazida pela Emenda Constitucional n° 20, de 15/12/98; portanto, tratase de imunidade de contribuição previdenciária: Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. ... § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998). ... Em destaque nas transcrições acima, temse que, atendidos os requisitos da lei, as contribuições vertidas pelo empregador não integram a remuneração e, conseqüentemente, sobre as quais não incidem contribuições previdenciárias. De fato, outra não poderia ser a interpretação. Isto porque somente se pode falar em Previdência Complementar quando suas características estão presentes. Aliás, qualquer que seja o benefício oferecido, são justamente as características que evidenciam sua natureza. E não é diferente com a Previdência Complementar Privada. Para que assim seja considerada e daí não incidirem contribuições previdenciárias devem estar presentes as características exigidas pela Lei Complementar n° 109, de 29/05/2001 que regulou o artigo 202 da Constituição Federal e revogou a Lei n° 6.435, de 15/07/1977. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10980.723915/201468 Acórdão n.º 2201004.544 S2C2T1 Fl. 317 13 Quanto ao artigo 28, §9°, alínea p, parte final, da Lei n° 8.212, de 24/07/91, incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, portanto anterior mesmo à EC n° 20/98, não tenho dúvida que se houver incompatibilidade com os artigos 68 e 69, §1° da Lei Complementar n° 109, de 29/05/2001, que passaram a regular o artigo 202, §2° da Constituição Federal, restará derrogado, pois além desta última veicular norma tributária especial é posterior àquela: Art. 28 (...) §9° (...) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. Apenas como esclarecimento, meu entendimento sobre a expressão: “desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes” já havia sido manifestado no Acórdão n° 20500.176, de 11/12/2007 quando se apreciou a incidência ou não sobre o benefício Plano Educacional. Naquele caso, não havia disposição legal posterior de natureza tributária silente quanto ao requisito, como neste caso; a CLT, regulando relações de trabalho, é que deixava de considerar como salário o benefício, persistindo com isso a parte final do artigo 28, § 9º, alínea “t” da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: Quanto às exigências para o gozo da isenção de que o benefício não substitua parcelas salariais e seja extensivo à totalidade dos segurados empregados e dirigentes, parte final do dispositivo, entendo que não houve revogação. Isto porque é razoável que a legislação tributária procurasse evitar práticas elisivas, como a pretensiosa redução da base de cálculo por meio da substituição pelo benefício ou mesmo sua disponibilização vinculada à Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10980.723915/201468 Acórdão n.º 2201004.544 S2C2T1 Fl. 318 14 produtividade do empregado, do que o caracterizaria como uma gratificação. E não se diga que a falta de previsão dessas exigências na lei posterior tenha sido intencional para a revogação de todo o dispositivo legal da Lei n° 8.212/91. Interessa ao Direito do Trabalho a definição de salário e não as regras periféricas voltadas aos efeitos tributários. As exigências da legislação tributária na parte final do artigo 28, §9°, alínea “t” da Lei n° 8.212/91, ao contrário da parte inicial, não integram a caracterização de alguma utilidade como salário ou não, apenas estabelecem o necessário para gozo da isenção. Retomando ao exame da LC n° 109/2001, selecionamos as principais disposições para este estudo: Lei Complementar nº 109, de 29 de Maio de 2001 Art. 1o O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, é facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício, nos termos do caput do art. 202 da Constituição Federal, observado o disposto nesta Lei Complementar. Art. 4o As entidades de previdência complementar são classificadas em fechadas e abertas, conforme definido nesta Lei Complementar. Seção II Dos Planos de Benefícios de Entidades Fechadas... Art. 16. Os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou associados dos instituidores. § 1o Para os efeitos desta Lei Complementar, são equiparáveis aos empregados e associados a que se refere o caput os gerentes, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. ... Seção III Dos Planos de Benefícios de Entidades Abertas Art. 26. Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas poderão ser: I individuais, quando acessíveis a quaisquer pessoas físicas; ou II coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios previdenciários a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. § 1o O plano coletivo poderá ser contratado por uma ou várias pessoas jurídicas. § 2o O vínculo indireto de que trata o inciso II deste artigo referese aos casos em que uma entidade representativa de pessoas jurídicas contrate plano previdenciário coletivo para grupos de pessoas físicas vinculadas a suas filiadas. Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10980.723915/201468 Acórdão n.º 2201004.544 S2C2T1 Fl. 319 15 § 3o Os grupos de pessoas de que trata o parágrafo anterior poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, podendo abranger empresas coligadas, controladas ou subsidiárias, e por membros de associações legalmente constituídas, de caráter profissional ou classista, e seus cônjuges ou companheiros e dependentes econômicos. § 4o Para efeito do disposto no parágrafo anterior, são equiparáveis aos empregados e associados os diretores, conselheiros ocupantes de cargos eletivos e outros dirigentes ou gerentes da pessoa jurídica contratante. ... CAPÍTULO VIII DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. ... Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. § 2o Sobre a portabilidade de recursos de reservas técnicas, fundos e provisões entre planos de benefícios de entidades de previdência complementar, titulados pelo mesmo participante, não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. Apenas para que não fiquem espaços vazios na linha de desenvolvimento deste trabalho, lembrase que os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 68 e 69 são apenas partes do estatuto da previdência complementar, veiculado pela LC n° 109/2001. Inicialmente, dispõe a lei que os programas podem ser abertos ou fechados, de acordo com a natureza da entidade de previdência complementar. Após, trata de cada um nas seções que se seguem: na Seção II os programas em regime fechado e na Seção III, regime aberto. Para o primeiro, através de seu artigo 16, é exigido, obrigatoriamente, que o benefício seja oferecido à totalidade dos empregados, tal como no artigo 28, § 9º, “p” da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: Art. 28 (...) Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10980.723915/201468 Acórdão n.º 2201004.544 S2C2T1 Fl. 320 16 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Portanto, um suposto programa de previdência complementar em regime fechado não oferecido à totalidade dos empregados não pode ser considerado como tal e as contribuições vertidas devem ser tributadas normalmente, eis que carecem de característica essencial. As entidades fechadas são instituídas para o conjunto de empregados da patrocinadora e não para grupos de categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, faculdade somente possível quando a opção é pelo regime aberto, conforme artigo 26, §3° da lei. Vêse que para o regime fechado, considerando a unidade da lei, não há incompatibilidade com a Lei n° 8.212/1991, apenas que nesta as regras de incidência e abrangência estão em um mesmo dispositivo legal. Agora, como já sinalizado acima, para o regime aberto a lei faculta que, direta ou indiretamente através da entidade, a empresa contrate em benefício de grupos específicos de categorias de empregados plano de previdência complementar, artigo 26, §2° e 3° da lei. Então, neste caso não incidem contribuições previdenciárias ainda que o benefício não seja oferecido à totalidade dos empregados. Mas, sem precipitações, a interpretação será mais segura quando considerado o todo da lei. No caso dos programas em regime aberto, embora não seja necessário estendêlo à totalidade dos empregados e dirigentes, os grupos selecionados são de categorias de empregados, sem discriminações dentro de um mesmo grupo. A escolha recai sobre determinada categoria não como incentivo à produtividade ou outras finalidades relacionadas ao trabalho, mas em razão de necessidades específicas. Em síntese, temos que para a não incidência de contribuições previdenciárias: a) até o advento da LC n° 109/2001, em quaisquer casos, a empresa tinha que oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes; b) a partir da LC n° 109/2001, somente no regime fechado, a empresa deverá oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. Caso adotado o regime aberto, poderá oferecer o benefício a grupos Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10980.723915/201468 Acórdão n.º 2201004.544 S2C2T1 Fl. 321 17 de empregados ou dirigentes pertencentes a determinada categoria, mas não como instrumento de incentivo ao trabalho, eis que flagrantemente o caracterizaria como um prêmio e, portanto, gratificação. No presente caso sob exame, os fatos geradores ocorreram posteriormente à LC n° 109/2001. Tratandose da modalidade de previdência complementar em regime aberto, de acordo com a tese aqui desenvolvida, não haveria necessidade de disponibilização dos planos de previdência complementar à totalidade dos dirigentes e empregados, desde que a restrição ao benefício seja de forma genérica e impessoal, que é o caso; portanto, os valores lançados são insubsistentes. O voto acima reproduzido contempla na totalidade, meu entendimento, inclusive quanto às razões de decidir.” 9 – Nesse compasso, me mantendo fiel ao posicionamento dado no presente julgamento acima reproduzido e que entendo ser aplicável ao caso, uma vez que semelhante ao presente em que divergem as partes, voto por dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte para afastar os lançamentos quanto a esse ponto. 10 Deixo de me manifestar em relação às preliminares indicadas no recurso em vista do seu provimento quanto ao mérito aplicando o princípio da primazia da resolução de mérito de acordo com § 2º do art. 282 do CPC de 2015 e art. 59 § 3º do Decretolei 70.235/72 que se pode afirmar que, "quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta". Conclusão 11 Diante do exposto, voto por conhecer e dar provimento ao recurso voluntário na forma da fundamentação. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10980.723915/201468 Acórdão n.º 2201004.544 S2C2T1 Fl. 322 18 Fl. 322DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11030.722212/2011-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 08 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2401-000.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. Por maioria, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado conselheiro Cleberson Alex Friess. Vencido o relator que dava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. Por maioria, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado conselheiro Cleberson Alex Friess. Vencido o relator que dava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 30 .7 22 21 2/ 20 11 -7 1 Fl. 233DF CARF MF Processo nº 11030.722212/201171 Resolução nº 2401000.644 S2C4T1 Fl. 234 2 Relatório LEONARDO SEGATT, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Florianópolis/SC, Acórdão nº 0736.754/2015, às efls. 197/204, que julgou procedente o Auto de Infração concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos, em relação ao exercício 2007, conforme peça inaugural do feito, às efls. 02/07, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 05/12/2011 (Termo de Encerramento Fiscal efl. 170), nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do seguinte fato gerador: GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS OMISSÃO/APURAÇÃO INCORRETA DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES/QUOTAS NÃO NEGOCIADAS EM BOLSA DE VALORES. Omissão de ganhos de capital auferidos na alienação de participação societária, conforme relatório fiscal. Relata a autoridade lançadora, por intermédio do Termo de Verificação Fiscal (TVF), que o procedimento fiscal teve como antecedente Diligência Fiscal, conduzida sob o MPF Diligência n.° 1010400.2011.00494, levada a termo junto ao próprio fiscalizado. Esclarece que, na oportunidade, evidenciouse que o contribuinte promovera a alienação de sua participação societária na empresa Agromarau Indústria e Comércio Ltda., atual GSI Brasil Indústria e Comércio de Equipamentos Agropecuários Ltda, sem a devida apuração do IRPF sobre ganho de capital auferido naquela operação. Reporta ainda que, em momento anterior, já dispunha dos Ofícios DECEC/GABIN2004/228COM e Decec/GabinCom2005/21, de 19.02.2004 e 25.01.2005, respectivamente, ambos expedidos pelo Banco Central do Brasil, dando conta da nacionalização do capital social da empresa Agromarau Indústria e Comércio Ltda., em razão da transferência, a título gratuito (doação), para Leonardo Segatt, de quotas do capital social da mesma, até então de propriedade de The GSI Group Inc. Diante deste quadro, o agente fiscal apurou o respectivo ganho de capital, pelo confronto do valor da alienação dos bens e direitos com o custo de aquisição correspondente. Com relação ao valor de alienação, noticia que o sujeito passivo detinha a totalidade de 2.005.868 quotas do capital social, as quais foram transferidas pelo valor de R$ 2.005.868,00. No que se refere ao custo de aquisição, ressalta que a Lei n° 7.713/88 estabelece que este é, em princípio, o valor pago, podendo ser considerado igual a zero em diversos casos, dentre os quais, no caso de cessão gratuita, como é a hipótese de que se cuida. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 11030.722212/201171 Resolução nº 2401000.644 S2C4T1 Fl. 235 3 Assim, para o caso em apreço, informa que o custo de aquisição daquela participação societária é zero, face a gratuidade verificada quando da sua aquisição, uma vez obtidas por doação de The GSI Group Inc. Assim sendo, restando configurada a diferença positiva entre a venda da participação societária que o contribuinte Leonardo Segatt detinha na empresa Agromarau Indústria e Comércio Ltda. e a sua aquisição, fezse necessária, portanto, a correspondente apuração do IRPF devido a título de Ganho de Capital, o que, por não haver ocorrido na época própria, foi realizada no presente procedimento. Regularmente intimado e inconformado com a Decisão recorrida, o autuado apresentou Recurso Voluntário, às efls. 209/228, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após detalhado relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, preliminarmente alega que a autoridade lançadora deixou de redigir no corpo do auto de infração a indispensável descrição dos fatos, não atendendo, assim, à condição essencial de validade de que trata o inc. III, art. 10, do Dec. 70.235/72. Nessa linha, afirma que o Decreto nº 70.235/70 comanda sejam relatados os fatos no auto infracional, e não em qualquer outro momento do procedimento de fiscalização: não em planilhas , telas de sistema, tampouco em intimações. Com base nisso, aduz que a “narrativa” dos fatos apurados pelo AFRFB no curso da fiscalização sofrida pelo recorrente, ao cogitar da configuração de “omissão de ganhos de capital”, peca pela ausência de lógica entre os fatos, elementos de sua convicção e pelo desvelar conclusivo a indicar o porquê da lavratura do auto de infração, o que remete à incontornável conclusão da nulidade do lançamento frente à evidente limitação defensiva que gera ao contribuinte, violando os direitos constitucionais da ampla defesa e do contraditório que lhe assiste. No mérito, sustenta que o lançamento fiscal foi realizado com base material absolutamente distinta da “renda” (acréscimo patrimonial) efetivamente auferida, em desacordo com a base imponível possível (permitida) para a incidência da espécie tributária de que se trata (IRPF). Observa, invocando o caput do art. 16 da Lei nº 7.713/88, que o custo de aquisição igual a zero somente poderá ser utilizado na ausência do preço ou valor pago por bens e direitos objeto da tributação, de modo que, na espécie, há que ser primeiramente averiguado se existem estes parâmetros. Além disso, ressalta que na locução “preço ou valor pago” o vocábulo “pago”, contido no caput do artigo precitado, está no singular, sugerindo a referência apenas ao termo “valor”, daí inferindose que, para se ter o preço dos bens ou direitos não é necessário que este tenha sido pago, ou seja, pode ser atribuído. E também que a conjunção “ou” foi aí empregada encerrando a idéia de exclusão, assim, terseá um ou outro elemento. Nesse rumo, conclui que na presente hipótese não há que se falar em “valor pago”, vez que, de fato, as quotas societárias foram adquiridas por doação, o que determinaria, então, examinar se o preço determinado para elas em questão é pertinente. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 11030.722212/201171 Resolução nº 2401000.644 S2C4T1 Fl. 236 4 Para este efeito, argumenta que tiveram os contraentes (doadora e donatário) por bem estipular o preço indicado em cada um dos supramencionados instrumentos modificativos do Estatuto Social, sendo que em tal manifestação de vontades não é exigida a apresentação de quaisquer elementos para orientar referidos valores, atribuídos aos bens adquiridos por doação. Nesse ponto, salienta que a própria Instrução Normativa RFB n° 84/2001, art. 5º, claramente define: “Considerase custo dos bens ou direitos o valor de aquisição expresso em reais”; à evidência de que a expressão “valor de aquisição” não quer significar o mesmo que “valor pago” pelo bem ou direito. Prossegue sustentando que apenas nos casos em que não se puder determinar o “valor” na forma dos incisos I a III é que pode o aplicador da norma atribuir o “custo zero” às transações que envolvam apuração de ganhos de capital. Assim, defende que, tendo em vista que os atos jurídicos de aquisição das quotassociais pelo impugnante, devidamente informadas nas Declarações de Ajuste dos exercícios 2003 a 2005, receberam, nos instrumentos legais de cessão gratuita, valores correntes em moeda nacional, também por isso não se poderá tributar a operação de venda pelo valor integral, ao argumento de o custo de aquisição ter sido nulo. Remata afirmando que o valor da alienação das ações consideradas por expressão financeira (valor corrente) idêntico ao de suas aquisições jamais poderá ser tomada como base imponível do gravame. Relativamente aos juros moratórios exigidos, pede que se afaste a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício lançada. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar o cancelamento do Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 11030.722212/201171 Resolução nº 2401000.644 S2C4T1 Fl. 237 5 Voto Vencido Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINAR DE DILIGÊNCIA Apesar de restar vencido, não vislumbro qualquer dúvida a ensejar uma baixa em diligência, como foi o entendimento da maioria do Colegiado, pois o Contribuinte juntou aos autos todos os documentos possíveis para comprovação dos seus argumentos, observando o que versa a acusação fiscal, cujo os quais são suficientes para convicção deste Relator. Não sendo possível adentrarse ao mérito, não resta melhor sorte ao Relator, do que esperar o retorno dos autos após o cumprimento da Resolução nos valiosos termos e fundamentos do Voto Vencedor do Conselheiro Cleberson Alex Friess, conforme veremos. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 237DF CARF MF Processo nº 11030.722212/201171 Resolução nº 2401000.644 S2C4T1 Fl. 238 6 Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia ao I. Relator para divergir do seu voto, que dava provimento ao recurso voluntário. Entendo que ainda não é o momento de decidir o mérito da questão de fundo. Segundo o agente fazendário, o recorrente adquiriu, por doação, da companhia The GSI Gruop, Inc., empresa domiciliada no exterior e sócia majoritária da Agromarau Indústria e Comércio Ltda, atual GSI Brasil Indústria e Comércio de Equipamentos Agropecuários Ltda, um total de 2.192.847 das quotas do capital social da sociedade empresária nacional, nas datas de 01/02/2002, 09/09/2003 e 18/10/2004, conforme alterações contratuais (fls. 08/11). Algum tempo depois, em 20/12/2006, quando da sua retirada do quadro social, o contribuinte alienou as 2.005.868 quotas remanescentes que detinha na pessoa jurídica, em relação às quais a autoridade tributária considerou, para fins de apuração do ganho de capital, o custo de aquisição igual a 0 (zero). Pois bem. O procedimento de adotar o custo de aquisição da participação societária igual a zero é medida de caráter excepcional, justificável quando não se possa determinálo nos termos previsto na legislação tributária (art. 16, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988). Mesmo a gratuidade verificada quando da aquisição da participação societária pelo recorrente, como é a hipótese de que se cuida, não implica considerar, necessariamente, o custo de sua aquisição igual a zero, na medida em que a tributação pelo imposto sobre a renda deverá alcançar o acréscimo patrimonial experimentado pelo contribuinte. O legislador ordinário, inclusive, afastou do campo da incidência tributária os bens e/ou direitos adquiridos por doação, cabendo a tributação do ganho de capital em futura alienação, desde que configurado o resultado positivo (art. 3º, § 3º, e art. 6º, inciso XVI, da Lei nº 7.713, de 1988). É possível, como sustenta o recorrente, que o valor unitário constante dos instrumentos contratuais, equivalente a R$ 1,00/quota, represente a estipulação do preço da transferência da participação societária entre as partes por ocasião das operações de cessão gratuita de quotas (14ª, 15ª e 17ª alterações contratuais, respectivamente, às fls. 46/63, 64/103 e 116/128). Por outro lado, na mesma linha de compreensão do acórdão recorrido, também é factível que tal expressão de R$ 1,00/quota possa refletir tão só o valor nominal da quota, resultante de uma operação matemática de divisão do capital social da companhia pelo número total de quotas. Dessa feita, com a finalidade de reunir elementos adicionais para a convicção do julgador para uma decisão mais segura a respeito da matéria controvertida, é recomendável a conversão do julgamento do recurso voluntário em diligência, que contribuirá também para aproximarse de uma verdade material. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 11030.722212/201171 Resolução nº 2401000.644 S2C4T1 Fl. 239 7 Nesse passo, VOTO POR CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para determinar à fiscalização da RFB que realize procedimento junto a companhia The GSI Gruop, Inc, CNPJ 05.707.983/000114, através do seu representante no Brasil, e/ou empresa GSI Brasil Indústria e Comércio de Equipamentos Agropecuários Ltda, CNPJ 01.770.039/000150, no que diz respeito à aquisição por doação, pela pessoa física recorrente, de um total de 2.192.847 de quotas do capital social da sociedade empresária nacional, conforme descrito na 14ª, 15ª e 17ª alterações contratuais, esclarecendo os seguintes pontos: (i) custo de aquisição, pela The GSI Gruop, Inc, da participação societária alienada por doação; (ii) valor da alienação, por doação, da participação societária considerado pela The GSI Gruop, Inc; e (ii) valor descrito no balanço patrimonial da empresa brasileira para a participação societária, por ocasião das operações de doação. Uma vez cumpridas as providências acima e devidamente instruído os autos, mediante confecção de relatório circunstanciado, deverá ser oportunizado o contraditório ao recorrente, concedendolhe prazo para manifestação por escrito sobre o resultado da diligência efetuada. Conclusão Voto, portanto, por converter o julgamento em diligência, nos termos acima propostos. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 239DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.730771/2014-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
PROCESSUAL - PRAZO - INTEMPESTIVIDADE
Interposto o recurso após o decurso do prazo legal e não se observando na data da intimação do resultado do julgamento, ou no dies ad quem, a ocorrência de feriados ou motivos para prorrogação do prazo, impôe-se o não conhecimento o apelo.
Numero da decisão: 1302-002.802
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos César Candal Moreira Filho, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente justificativamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos César Candal Moreira Filho, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente justificativamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos César Candal Moreira Filho, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente justificativamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 73 07 71 /2 01 4- 37 Fl. 1449DF CARF MF 2 Cuida o processo de auto de infração lavrado em desfavor de CSA CALOME LTDA. e dos sujeitos passivos solidários, tendo por objeto a exigência dos tributos que compõem o SIMPLES Nacional à vista da constatação de omissão de receitas decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada. O crédito tributário é composto, também, de multa de ofício qualificada e agravada, no percentual de 225%, além dos juros de mora de praxe. Pelo que consta dos autos, a D. Auditoria Fiscal, em ação aberta contra o devedor principal, constatou uma movimentação financeira (cerca de R$ 18.000.000,00) absurdamente incompatível com os valores declarados na DASN (pouco mais de R$ 162.000,00). Por isso, intimou o contribuinte para apresentar livros e documentos fiscais pertinentes, além de solicitar a apresentação de extratos bancários, mediante entrega pessoal do termos de intimação. Nesta oportunidade, verificou que o contribuinte não mais existia no endereço cadastrado na RFB; dado este fato, tentou promover a intimação dos sócios (devedores solidários) Cristiano e Luciano, mais uma vez sem sucesso. Pesquisando especificamente os registros da pessoas físicas, localizou uma segunda empresa de titularidade destes CSA Califórnia Ltda. (também devedora solidária e recorrente) encaminhando a esta as intimações fiscais concernentes às irregularidades acima apontadas que, a despeito de recepcionadas pelo Sr. Luciano, não obteve qualquer resposta. Procedeu, passo seguinte, à expedição do competente RMF às instituições financeiras custodiantes das contas de titularidade do contribuinte; respondida à requisição, a fiscalização encaminhou Termo de Intimação Fiscal aos Srs. Luciano e Cristiano a fim de que fossem comprovados, por documentos hábeis e idôneos, a origem dos créditos identificados em conta de titularidade do devedor principal; as cartas de intimação retornaram sem a ciência dos interessados, tendo a fiscalização, procedido à intimação dos sócios da empresa mediante edital eletrônico. Este termo não foi respondido. Paralelamente a isso, a D. Auditoria enviou nova intimação, desta vez, diretamente à empresa CSA Califórnia, justificando tal procedimento a partir da alegação de que se tratava de pessoa jurídica com os mesmos sócios e que desenvolvia exatamente a mesma atividade da devedora principal. Por meio desta diligência, solicitou apresentação do contrato social desta última empresa, bem como de seu livrocaixa. Em resposta à esta notificação, a empresa se limitou a informar que os Srs. Cristiano e Luciano eram os seus representantes legais, sem apresentar o livrocaixa. Após nova intimação, a CSA Califórnia apresentou o livro de registro de funcionários e o endereço atual de seus sócios, não tendo apresentado o citado livrocaixa. Em face da inação dos interessados, lavrouse o auto de infração e termo de constatação fiscal, lavrandose, igualmente, termos de sujeição passiva em face dos sócios Luciano e Cristiano (cuja responsabilidade foi calcada nos arts. 124, I, e 135 III, do CTN) e, ainda, da recorrente CSA Califórnia (fundamentando a sua inclusão no polo passivo da exigência a partir dos arts. 124, I, 132 e 133, todos da Lei Complementar Tributária Nacional ex ratione materiae). Fl. 1450DF CARF MF Processo nº 10480.730771/201437 Acórdão n.º 1302002.802 S1C3T2 Fl. 1.450 3 Cientificados por meio de edital eletrônico, apenas a empresa CSA Califórnia opôs impugnação a qual foi julgada improcedente pela DRJ de Porto Alegre. A CSA Califórnia teve ciência do julgamento em 10/09/2015 (AR de efls. 1.392), tendo apresentado o seu recurso voluntário em 19/10/2015 (doc. de efls. 1.434), através do qual, repetindo os argumentos constantes de sua impugnação, sustentou, em síntese: a) a inocorrência de sucessão a tipificar as hipóteses do art. 132 e 133 do CTN, bem como a inexistência de interesse comum com a autuada CSA CALOME, contribuinte, alardeando mais que, os atuais sócios não conhecem nem tem, para com esta última, qualquer relacionamento; b) a inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário. Os autos, então, foram encaminhados a este Conselho para análise e julgamento. Este é o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator Consoante descrito no relatório, acima, como apenas o devedor solidário, CSA Califórnia, opôs impugnação, apenas esta empresa foi intimada do resultado do julgamento realizado pela DRJ de Porto Alegre; o crédito tributário aqui discutido já seria exigível dos demais sujeitos passivos principal e solidários tendo, quanto a eles, operado preclusão. Por este motivo, entendo, a despeito de não haver, nos autos, notícias de intimação sobre o resultado do citado julgamento encaminhada á CSA CALOME, Luciano e Cristiano, semelhante fato não encerra nulidade ou necessidade de saneamento já que o crédito tributário, quanto a estes devedores, já se encontrava definitivamente constituído (art. 145, caput, do CTN). No que toca ao recurso voluntário em testilha, vale destacar que a insurgente foi intimada em 10/09/2015, quartafeira, dia útil. Neste passo, o prazo para oferecer o apelo em análise se iniciou em 11/09 (quintafeira) daquele mesmo ano, findando em 12/10/2015 (uma segundafeira), feriado nacional, nos termos da Lei 6.802/80. Assim, a data final para interposição do recurso voluntário se daria no dia 13/10/2015, terça feira... tal qual se dessume do documento de efls. 1.434, o recorrente interpôs seu apelo em 19/10/2015 e, portanto, de forma intempestiva. Diante disso, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 1451DF CARF MF 4 Fl. 1452DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16832.000867/2009-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. DÉBITOS NÃO CONFESSADOS.
A compensação considerada não declarada implicará a constituição dos créditos tributários que ainda não tenham sido lançados de oficio nem confessados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.655
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Processo julgado em sessão de julgamento do dia 19/04/2018, no período da tarde.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Cássio Schappo (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2008 COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. DÉBITOS NÃO CONFESSADOS. A compensação considerada não declarada implicará a constituição dos créditos tributários que ainda não tenham sido lançados de oficio nem confessados. Recurso Voluntário Negado
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DÉBITOS NÃO CONFESSADOS. A compensação considerada não declarada implicará a constituição dos créditos tributários que ainda não tenham sido lançados de oficio nem confessados. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Processo julgado em sessão de julgamento do dia 19/04/2018, no período da tarde. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Cássio Schappo (suplente convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 08 67 /2 00 9- 59 Fl. 205DF CARF MF Processo nº 16832.000867/200959 Acórdão n.º 3201003.655 S3C2T1 Fl. 3 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para exigir o crédito tributário nele consubstanciado (fls. 23/30 Cofins – total = R$ 144.396,75) da empresa acima qualificada, em virtude da constatação da insuficiência de recolhimento do COFINS, tendo sido aplicada à infração constatada a multa de 75%. No Termo de Verificação e Constatação (fls. 22 e seguintes) a autoridade autuante narrou os fatos que motivaram o lançamento conforme a seguir transcrito: A emissão do MPF ... resultou do Parecer Conclusivo n° 308/2009, proferido pela DIORT no processo ... n° 10768.005394/200911, mediante o qual foi considerada não declarada a compensação ... informada ... por meio de DCOMP ... em papel, porquanto não comprovada a impossibilidade de utilização do programa eletrônico de PERD/COMP. Referido Parecer deu ensejo à Representação Fiscal ... processo ... n° 15374.001822/200983, em razão de ... divergência entre os débitos cujas compensações foram consideradas não declaradas na DCOMP, entregue em papel em 22/06/2009, e os constantes da DCTF / 2° semestre de 2008, ou seja, os informados na DCTF são inferiores aos constantes da DCOMP, sendo, portanto, programada a presente ação fiscal com o propósito de lançar as diferenças apuradas em relação aos seguintes tributos: IPI; COFINS; CSLL; PIS e IRPJ, períodos de apuração de novembro a dezembro de 2008, conforme tabela ... Ao ser notificado sobre a negativa a respeito das compensações por intermédio de formulário em papel da DCOMP, a Fiscalizada ingressou na Justiça Federal, direito de fazêlo, por meio de mandado de segurança, com pedido de liminar para que fosse reconhecido tal direito. ... a Fiscalizada retificou a DCTF/2° Semestre de 2008, nela registrando as compensações pelos valores idênticos aos constantes da DCOMP, ... No entanto, quando o procedimento fiscal se iniciou a fiscalizada não havia ainda confessado espontaneamente os débitos ... ... verifiquei que a Fiscalizada não obteve ainda junto à Justiça Federal a concessão de liminar no Mandado de Segurança ... Cientificada do Auto de Infração e do Termo de Verificação e Constatação, a empresa apresentou sua defesa alegando: 2. A FISCALIZAÇÃO 2.1. A Ação Fiscal Fl. 206DF CARF MF Processo nº 16832.000867/200959 Acórdão n.º 3201003.655 S3C2T1 Fl. 4 3 ... a diligência administrativa ... resultou do parecer conclusivo nº 308/2009 do DIORT e no processo de compensação no 10768.005394/200911. Eis a ementa e a fundamentação oriunda do dito processo: DCOMP entregue em papel. Compensação não declarada. Considerase não declarada a compensação de tributos informada por intermédio de DCOMP, quando não comprovada a impossibilidade de utilização do programa eletrônico de PERD/COMP. ... Assim, uma vez que a contribuinte não juntou qualquer prova de que não conseguiu utilizar o pragrama para o envio eletrônico da DCOMP, aplicase ao caso o disposto no artigo 39, §1º, da Instrução Normativa nº 900, de 2008, motivo pelo qual considerase não declarada a presente compensação. ... o mesmo parecer ainda desautorizou pudesse a Impugnante adotar o recurso inerente ao tema, qual seja, o da manifestação de inconformidade. 3. AS RAZÕES DA IMPUGNAÇÃO 3.1. Pródromos Essenciais O cerceamento de seu direito permitiu que a Recorrente ingressasse com a ação constitucional supramencionada, pretendendo remediar o ato considerado abusivo perpetrado pela digna Delegada da Receita Federal (DERAT/RJ), que sequer conheceu o pedido de compensação tributária. Para que não reste dúvida alguma à V. Sa. acerca do ocorrido, temse a esclarecer: valendose do parágrafo 1º , do artigo 74, da Lei no 9.430/96, a Impugnante intentou com o pleito de compensação, utilizando o formulário próprio gerado pelo site da Secretaria da Receita Federal, denominado DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, constante do anexo VII ... ... a Autoridade Fiscal rejeitou o pedido ... sob a seguinte alegação "a contribuinte não juntou qualquer prova de que não conseguiu utilizar o programa para o envio eletrônico da DCOMP" , aplicando ao caso o disposto no artigo 39, §1º, da Instrução Normativa nº 900/2008, considerando não declarada a compensação; ... ato continuo, ... negou ... a utilização do recurso da manifestação de inconformidade ..., fechando os olhos, desta vez, aos princípios da especialidade e legalidade; ... ingressou a Recorrente com a ação mandamental, postulando a concessão de liminar, sendo esta recusada indevidamente, o que levoua a interpor o recurso do Agravo de Instrumento, que ainda ... não se viu julgado. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 16832.000867/200959 Acórdão n.º 3201003.655 S3C2T1 Fl. 5 4 3.2. Da Ofensa ao Principio da Legalidade ... entende a Impugnante que competia a digna Autoridade Fiscal fazer a opção pela LEI e não pela INSTRUÇÃO NORMATIVA, esta carente de previsão legal. O parágrafo 1º, do artigo 32, da Instrução Normativa nº 900/2008, ... é ilegal 3.3. Da Subordinação da Instrução Normativa à Lei 4. DO PLEITO ... requer seja atribuído o efeito suspensivo quanto a exigibilidade dos créditos tributários gerados pelo auto de infração combatido, até que se tenha o provimento final do mandado de segurança de n° 2009.51.01.0208368, em curso pela 6ª Vara Federal do Rio de Janeiro, evitandose, assim, a ocupação desnecessária da máquina administrativa fiscal, posto que, mais a frente, se conhecerá o juizo do TRF da 2ª Região acerca do tema sob enfoque. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG, por intermédio da 2ª Turma, no Acórdão nº 0958.766, sessão de 23/12/2015 julgou improcedente a impugnação e manteve a exigência fiscal formalizada em auto de infração. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. DÉBITOS NÃO CONFESSADOS. A compensação considerada não declarada implicará a constituição dos créditos tributários que ainda não tenham sido lançados de oficio nem confessados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 ATOS NORMATIVOS. LEGALIDADE. Não compete ao julgador administrativo a apreciação de questões que versem sobre a legalidade de atos normativos regularmente editados, sendo esta análise de competência exclusiva do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 170/172) no qual inova na matéria de defesa argumentando tão somente acerca da duplicidade da exação fiscal, que em síntese suscita: Fl. 208DF CARF MF Processo nº 16832.000867/200959 Acórdão n.º 3201003.655 S3C2T1 Fl. 6 5 Os débitos de COFINS nos períodos 11 e 12/2008 seriam liquidados por compensação no processo nº 10768.005394/200911, porém, esta foi considerada não declarada por não ter sido comprovada a impossibilidade de utilização do programa eletrônico de PER/DCOMP; Emitiuse carta cobrança com esses débitos, transformada na CDA nº 70.2.11.00452559 que instruiu a execução fiscal no processo nº 051485651.2011.4.01.5101; A exigência de COFINS dos períodos 11 e 12/2008 no auto de infração formalizado no presente processo consubstanciase cobrança em duplicidade. Pede a anulação do lançamento e declaração de ineficácia do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Noticiouse no relatório que a contribuinte suscita apenas a duplicidade de cobrança do COFINS nos períodos de novembro e dezembro/2008, pois, conforme afirma, é objeto do auto de infração formalizado neste processo, ora combatido, e também em execução fiscal no processo nº 051485651.2011.4.01.5101, em sede de Vara de Execuções Fiscais no Rio de Janeiro/RJ. Conquanto a contribuinte não tenha arguida tal matéria em impugnação, não se pode proferir a preclusão pois que a CDA nº 7061200710656 teve sua formalização em 17/03/2011 (fl. 39 do PAF nº 18470.503544/201119), data esta posterior à interposição da peça inaugural do contencioso, configurandose a hipótese do art. 16, § 4º, "b", do Decreto nº 70.235/761 . A recorrente postula o cancelamento do auto de infração por suposta duplicidade de cobrança à vista da execução fiscal em curso na Justiça Federal. Inicialmente, é de se afirmar que nenhuma irregularidade na lavratura do auto de infração para a exigência da diferença dos valores de COFINS nos períodos de 11 e 12/2008 entre o informado na DCOMP e na DCTF original. 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) b) refirase a fato ou a direito superveniente; Fl. 209DF CARF MF Processo nº 16832.000867/200959 Acórdão n.º 3201003.655 S3C2T1 Fl. 7 6 Ao contrário; a constituição do crédito tributário via lançamento de ofício se mostrou necessária pois apurado pela autoridade fiscal débito de tributo não declarado em instrumento hábil de confissão de dívida a DCTF, que somente foi retificada, em 05/09/2009, data posterior ao início de procedimento fiscal em relação à matéria. Conforme o Termo de Verificação Fiscal, na data de sua lavratura 29/09/2009 os valores de COFINS se apresentavam como informado no quadro: Tributo Apuração Valor DCOMP Valor DCTF Original Diferença Auto de Infração COFINS2172 nov/08 36.843,87 50,00 36.793,87 COFINS2172 dez/08 42.960,82 50,00 42.910,82 Quanto à CDA, compulsando os autos do processo nº 18470.503544/2011 19, constatase que sua inscrição deuse, possivelmente, com os valores consignados na DCTF nº 2008.2010.2050396464 transmitida em 2010; contudo, não coincidem com os valores apurados no Termo de Constatação Fiscal. Em tese, a solução passaria por confirmação da duplicidade de exigência de valores (auto de infração e CDA) em procedimento de diligência fiscal. Contudo, tal providência é despicienda em razão do Pedido de Revisão de Débitos Inscritos em Dívida Ativa requerido pela contribuinte, referendado em despacho da autoridade da unidade de origem e acatado pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional; como consta das folhas 57/65 do processo nº 18470.503544/201119, conforme excerto do despacho (fl. 58): Ao final, especificamente, em relação aos períodos de 11/2008 e 12/2008 os valores inscritos em Dívida Ativa foram integralmente excluídos ("zerados") do processo nº 18470.503544/201119. Assim, afastada a exigência dos valores no processo administrativo do qual decorreu a CDA, eliminaramse possíveis exigências em duplicidade de COFINS nos períodos alegados, mantendose hígido o auto de infração constituído para cobrança das diferenças de COFINS constatadas pela fiscalização. Conclusão Diante do exposto, VOTO para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 210DF CARF MF Processo nº 16832.000867/200959 Acórdão n.º 3201003.655 S3C2T1 Fl. 8 7 Fl. 211DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11444.000946/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2004 a 31/07/2008
AUTO DE INFRAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. INCOMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 3º, IV, do Anexo II do RICARF, os recursos interpostos em processos que versem sobre aplicação da legislação relativa a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, são da competência da Segunda Seção e, não, desta Primeira.
Numero da decisão: 1301-003.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência à Segunda Seção de Julgamento.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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EXCLUSÃO DO SIMPLES. INCOMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 3º, IV, do Anexo II do RICARF, os recursos interpostos em processos que versem sobre aplicação da legislação relativa a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, são da competência da Segunda Seção e, não, desta Primeira. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência à Segunda Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 09 46 /2 00 9- 10 Fl. 385DF CARF MF Processo nº 11444.000946/200910 Acórdão n.º 1301003.014 S1C3T1 Fl. 385 2 Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão nº 1430.920, proferido pela 6ª Turma da DRJ/RPO, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada, com a manutenção do crédito tributário constituído. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de Auto de Infração de obrigação principal AI/DEBCAD n° 37.203.9308 que constitui contribuições devidas à Seguridade Social atinentes às contribuições da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho RAT, em razão da remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços apuradas pelo exame das folhas de pagamento e das declarações feitas pela empresa em GFIP's Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, bem como sobre as Notas Fiscais ou Faturas de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe foram prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. A autuação foi lavrada em face do contribuinte acima identificado e das empresas CRIATIVO EDUCACIONAL LTDA, CNPJ 03.186.732/000106, CRIATIVO ENSINO FUNDAMENTAL LTDA EPP, CNPJ 08.883.199/000155, CRIATIVO EDUCAÇÃO INFANTIL LTDA EPP, CNPJ 08.955.913/000173 e CRIATIVO ENSINO BÁSICO LTDA EPP, CNPJ 08.883.240/000193, em decorrência de terem sido excluídas do regime de tributação conhecido como SIMPLES através do Ato Declaratório Executivo n° 23 datado de 22/05/2009, com os efeitos da exclusão nele estabelecidos. Por configurarem grupo econômico de fato demonstrado pela inequívoca comunhão entre as empresas, todas voltadas para a atividade de ensino, grupo societário familiar, utilização de imóveis e instalações identificados na contabilidade somente de uma delas, tudo a configurar estarem sobre a mesma direção, controle e administração, todas foram excluídas do SIMPLES a partir do exercício de atividade vedada (ensino médio) e as respectivas obrigações principais foram aqui constituídas, sendo os sujeitos passivos arrolados como responsáveis solidários pela obrigação fiscal. O período de apuração está assim delimitado: a contribuição sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais referemse ao período de Fl. 386DF CARF MF Processo nº 11444.000946/200910 Acórdão n.º 1301003.014 S1C3T1 Fl. 386 3 09/2004 a 07/2008 descontínuos por empresa do grupo, conforme especificado no item 4.3 do relato fiscal; a contribuição sobre os serviços contratados através de cooperativas de trabalho médico UNIMED, de 09/2004 a 06/2007 (contratada pela empresa Colégio Criativo Ltda) e a contribuição sobre a contratação da Cooperativa de trabalho dos profissionais da educação Cooper Educ, 09/2004 a 09/2007 (contratada através da empresa Criativo Educacional Ltda). O crédito tributário assim constituído importa em R$ 939.014,92 (Novecentos e trinta e nove mil, quatorze reais e noventa e dois centavos), consolidado em 02/09/2009, atinente ao principal acrescido pelos consectarios legais, juros e multas de mora e de ofício, quando se revelaram de aplicação mais benéfica ao contribuinte, dada as alterações havidas no ordenamento jurídico a partir da MP 449/2008 e observado o art, 106, II, V do Código Tributário Nacional CTN. Por fim acrescenta o relato fiscal que apropriou ao crédito tributário constituído, para abatêlo, os valores recolhidos ao SIMPLES incidentes sobre a receita bruta e destinados à Seguridade Social conforme cota estabelecida na partilha dos valores pagos e Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados RADA, além de planilha demonstrativa. Todas as empresas foram cientificadas do Auto e interpuseram impugnação ao lançamento fiscal consubstanciada em peça única subscrita pelo representante constituído pelos sujeitos passivos, fundada nos seguintes argumentos, em síntese: i) Da necessidade de julgamento do presente em apenso ao processo administrativo n° 11444.000438/200931 Informa que as empresas autuadas eram partícipes dos regimes tributários do SIMPLES (Federal e/ou Nacional) dos quais foram excluídas através do ADE DRF/MRA n° 23/2009, do qual recorreram apresentando as competentes Manifestações de Inconformidade que, caso acolhidas, tornam insubsistentes os créditos tributários constituídos, de maneira que postula pelo julgamento do presente em conjunto com os daqueles autos de exclusão de n° 11444.000438/200931, reiterando os argumentos contrários à exclusão ali alinhavados e postulando pela a anulação do presente auto. ii) Das contribuições incidentes sobre pagamentos efetuados a cooperativas de trabalho Afirma que a contribuição em comento foi criada através da Lei Ordinária n° 9.876/99 que revogou expressamente a Lei Complementar 84/96, criando contribuição nova através da inversão da sujeição passiva que antes atingia as cooperativas e doravante passaram a incidir sobre os tomadores de serviços das cooperativas de trabalho e estabelecendo outra base de cálculo, devendo obediência a alguns preceitos constitucionais Fl. 387DF CARF MF Processo nº 11444.000946/200910 Acórdão n.º 1301003.014 S1C3T1 Fl. 387 4 insuperáveis, notadamente a introdução da matéria no ordenamento jurídico através de Lei Complementar, não por via de Lei Ordinária (cita jurisprudência). Em outra linha argumentativa afirma que os valores pagos pela autuada à UNIMED não podem compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias fundamentandose no art. 72, XVII da Instrução Normativa INSS 03/2005. iii) Da base de cálculo das contribuições incidentes sobre os serviços intermediados por cooperativa de trabalho médico Aduz que a base de cálculo utilizada pela fiscalização está em desacordo com as normas aplicáveis, uma vez que não houve a observância do quanto disposto no art. 291, I, 'a' da sobredita IN 03/2005 que determina a aplicação do percentual de 30% sobre o valor total da fatura para se chegar à base que então sofrerá a alíquota de 15% (cita a solução de consulta n° 333 de 20 de setembro de 2007 para referendar esse raciocínio). iv) Da ilegalidade da aplicação da multa Argui pela correta aplicação da multa, uma vez que a Lei n° 11.941/09, resultante da conversão da MP 449/08, alterou as disposições vigentes para modificar a aplicação da penalidade, que deixou de ser aplicada no percentual de 100% sobre os dados não correspondentes ao fato gerador e não declarados ou de 5% do valor mínimo por campo com informação inexata, respeitados o limite por competência em função do número de segurados, e passou a ser de R$ 20,00 para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, ou ainda 2% ao mês calendário ou fração incidentes sobre o montante das contribuições informadas no caso de falta de entrega ou entrega após o prazo, limitado a 20% (cita Acórdãos administrativos). Acrescenta trechos do relato fiscal onde se esclarece a aplicação da multa para contestálo, afirmando que a análise conjunta dos dispositivos citados pela fiscalização referemse ao lançamento de ofício, jamais para obrigações acessórias, não sendo possível comparálas com a multa única no patamar de 75% para efeitos da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ; c ' do CTN, sob pena de ferirse o princípio da irretroatividade tributária. Postas nestes argumentos requerem o recebimento da defesa, o julgamento em apenso àquele em que se estabelece a exclusão das interessadas do SIMPLES, a desconstituição integral do auto de infração em tela ou a correta utilização da base de cálculo no tocante a contribuição sobre a cooperativa de trabalho médico e/ou ainda que seja afastado os valores exigidos a título de multa de ofício cumulativa por descumprimento de obrigação acessória e principal. E o essencial. Na seqüência, foi proferido o acórdão recorrido, julgando improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido. Fl. 388DF CARF MF Processo nº 11444.000946/200910 Acórdão n.º 1301003.014 S1C3T1 Fl. 388 5 Após intimados, todos os cinco autuados apresentam seus respectivos Recursos, pugnando pelo provimento, onde apresentam argumentos que serão posteriormente analisados. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator Antes de qualquer outra verificação do recurso interposto, um questão preliminar requer averiguação; I. DA INCOMPETÊNCIA DESTA 1ª SEJUL Analisando os autos, verifico que ao cabo de uma única auditoria, a autoridade encarregada formalizou seis processos administrativos. No caso dos autos, tratase de lançamento, onde é exigido crédito tributário de contribuições previdenciárias da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho RAT, em razão da remuneração para ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestem serviços apuradas pelo exame das folhas de pagamento e das declarações feitas pela empresa em GFIP´s Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, bem como sobre Notas Fiscais ou Faturas de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe foram prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, tudo em decorrência da exclusão do regime simplificado denominado de SIMPLES. Assim, embora o presente processo seja decorrente do Ato da exclusão do Simples da recorrente, a exigência das contribuições previdenciárias baseiase em remunerações de seus empregados e contribuintes individuais, além de faturas de prestação de serviços prestados por cooperados através de cooperativas de trabalho. Sobre a competência desta Seção de Julgamento, transcrevo o inciso IV, artigo 2º do Anexo II, com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 389DF CARF MF Processo nº 11444.000946/200910 Acórdão n.º 1301003.014 S1C3T1 Fl. 389 6 (G.N) De acordo com tal norma, no que aqui nos interessa, apenas recursos que versem sobre aplicação da legislação relativa à Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta atrairiam a competência para esta Seção de Julgamento, e só se a exigência fosse formalizada com base nos mesmos elementos de provas de eventual lançamento de IRPJ/CSLL. No caso, não se trata de lançamento de Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta. Dispõe ainda o mesmo diploma no art. 3º, IV, que: Art. 3º À 2ª (segunda) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007; (G.N) A distribuição de competência entre as três Seções de Julgamento do CARF consiste em repartição jurisdicional em razão funcional, para atender o interesse público. Como tal, não é passível de modificação, devendo eventual incompetência ser conhecida de ofício Assim, tendo em vista que o presente caso trata de exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais, além de faturas de prestação de serviços prestados por cooperados através de cooperativas de trabalho, resta claro que ele está fora do âmbito de competência de julgamento desta 1ª Seção, devendo ser remetido à 2ª Seção, que tem a efetiva competência para o julgamento. Conclusão Diante do exposto, voto por declinar da competência para julgamento do recurso em favor da Segunda Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 390DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.686571/2009-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
Ementa:
PROCESSUAL - VERDADE MATERIAL - LIMITES - PROVA POSTERIOR - OBSERVÂNCIA AOS REQUISITOS DO ART. 16, §4º, DO DECRETO 70.235/72.
Ainda que jungido ao principio da verdade material, o processo administrativo também se encontra limitado pelo princípio da legalidade e pela regra do devido processo legal. O momento de que dispõe o contribuinte para produzir provas e trazer documentos é o da oposição de sua impugnação, admitindo-se, como exceção, a produção de provas e argumentos em momento posterior apenas nas hipótese devidamente demonstradas do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Flávio Machado Vilhena Dias, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Rogerio Aparecido Gil.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 Ementa: PROCESSUAL - VERDADE MATERIAL - LIMITES - PROVA POSTERIOR - OBSERVÂNCIA AOS REQUISITOS DO ART. 16, §4º, DO DECRETO 70.235/72. Ainda que jungido ao principio da verdade material, o processo administrativo também se encontra limitado pelo princípio da legalidade e pela regra do devido processo legal. O momento de que dispõe o contribuinte para produzir provas e trazer documentos é o da oposição de sua impugnação, admitindo-se, como exceção, a produção de provas e argumentos em momento posterior apenas nas hipótese devidamente demonstradas do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Flávio Machado Vilhena Dias, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Rogerio Aparecido Gil. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias.
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Ainda que jungido ao principio da verdade material, o processo administrativo também se encontra limitado pelo princípio da legalidade e pela regra do devido processo legal. O momento de que dispõe o contribuinte para produzir provas e trazer documentos é o da oposição de sua impugnação, admitindose, como exceção, a produção de provas e argumentos em momento posterior apenas nas hipótese devidamente demonstradas do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Flávio Machado Vilhena Dias, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Rogerio Aparecido Gil. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 65 71 /2 00 9- 60 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10880.686571/200960 Acórdão n.º 1302002.739 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Em Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de São Paulo (DERAT), o pedido de compensação anteriormente transmitido pelo contribuinte não foi homologado, uma vez que, nos termos constates do Despacho exarado, contatouse que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos, do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Intimado da referida decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, preliminarmente, que o crédito não foi identificado, uma vez que houve um erro interno, já que, uma vez identificado o pagamento indevido ou a maior, olvidou se de retificar as suas DCTF's. Assim, segundo alega, esta ausência de retificação impossibilitou a fiscalização de identificar o crédito apontado em seu pedido de compensação. Afirma que retificou as DCTF's após o recebimento dos despachos decisórios, que acabaram por não homologar os diversos pedidos de compensação apresentados no período. Alegou, ainda, que o seu direito creditório decorre da interpretação da Receita Federal do Brasil, exarada na resposta de consulta de nº 07/2009, em que restou definido que "a venda (desenvolvimento e edição) de softwares prontos para uso (de prateleira, standard) é classificada como venda de mercadoria e o percentual para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica é de oito por cento". Com essa nova interpretação, alegou, o Recorrente, que identificou o erro na apuração do IRPJ e da CSLL, resultando em um recolhimento indevido ou a maior destes tributos. E exatamente por conta desses recolhimentos a maior é que apresentou os pedidos de compensação, utilizando os créditos originados do pagamento indevido ou a maior (resultantes da interpretação exarada pela Receita Federal do Brasil), para pagar débitos próprios, nos termos e contornos exigidos pela legislação. Em análise à Manifestação de Inconformidade, a douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) entendeu por bem julgar o apelo do contribuinte como improcedente. Como fundamento da decisão, o acórdão considerou (i) a impossibilidade de se analisar as DCTF's retificadas após o início do procedimento fiscal e (ii) que o contribuinte não comprovou que fabrica software prontos para o uso (de prateleira). Devidamente intimado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, no qual, em síntese, repisa os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade. No que tange às retificações das DCTF's, o Recorrente alega que mesmo tendo sido as retificações realizadas após o procedimento fiscal, são elas as DCTF's retificadas que comprovam a realidade das suas operações e que, por isso, não podem ser desprezadas pelos órgãos judicantes. Por outro lado, anexa aos autos documento em que detalha o seu processo de produção, para concluir que produz softwares prateleira e, por isso, teria o direito de se valer da Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10880.686571/200960 Acórdão n.º 1302002.739 S1C3T2 Fl. 4 3 forma de cálculo do IRPJ e da CSSL, nos termos exarados pela Receita Federal do Brasil, através de solução de consulta. Junta aos autos, ainda, planilha em que segrega suas vendas, com arrimo na DIPJ, que também anexa aos autos. Assim, pede provimento ao Recurso Voluntário e o consequente reconhecimento do seu direito creditório. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.731, de 12.04.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.686567/200900, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento, contido no voto vencedor, que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302 002.731): "[...] Aqui, vejam bem, existem dois motivos para entender que, ainda que o direito ao crédito seja plausível, semelhante plausibilidade somente alçaria ares de verdade absoluta a partir da prova de que: a) as DCTFs retificadas contemplavam informações corretas e acompanhadas de documentos que lhes comprovavam a veracidade; b) tendo origem em classificação equivocada da atividade desenvolvida, mormente quanto ao tipo de software que seria objeto de venda ou cessão, trouxesse o contribuinte a prova de que, efetivamente, seus programas de computador seriam aqueles considerados como de prateleira (isto é, softwares fechados, sem transferência de código fonte). O problema é que, como a origem do crédito está jungida a estes dois fatos, cabia ao recorrente, desde a sua manifestação de inconformidade (=impugnação), trazer os documentos necessários à demonstração da liquidez e certeza do crédito cuja compensação de se postulava. Essa, digase, é a mens legis do art. 170, caput, do CTN, quando franqueia aos entes federados a realização compensação, senão vejamos: A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10880.686571/200960 Acórdão n.º 1302002.739 S1C3T2 Fl. 5 4 com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Os pressupostos, pois, do direito crédito a ser utilizado pelo sujeito passivo da obrigação tributária é a sua liquidez e certeza, pressupostos estes que antecedem o próprio pedido de compensação. Por isso, e não por outra razão, compete ao contribuinte demonstrar tais liquidez e certeza; é ônus do sujeito passivo e não da Administração Tributária. Neste passo, e no caso presente, como as premissas do pleito compensatório eram, num primeiro momento, a existência do crédito a partir da retificação de DCTFs e, num segundo momento, o erro de classificação da atividade do contribuinte (que, digase, resultou, justamente, na retificação da declaração anteriormente citada), competia ao contribuinte, desde a sua manifestação de inconformidade, nos estritos do art. 16, § 4º, do Decreto 70.2351, trazer as provas que emprestariam ao crédito postulado a liquidez e certeza: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. E nem se diga que ao caso se aplicaria a exceção descrita na alínea "c", acima, já que o próprio contribuinte cuidou de informar que a origem dos créditos objetos deste feito seria a já citada reclassificação de sua atividade (de prestação de serviços para comercialização de produtos/mercadorias); ou seja, a natureza dos softwares, a parcela da receita a que se referiria a venda destes softwares, e a veracidade das informações contidas nas DCTFs retificadoras não são questões novas, surgidas apenas a partir do julgamento realizado pela DRJ; foram, desde logo, suscitadas pelo recorrente (conforme se extrai especificamente da alegação constante de efls. e, digase, não demonstradas. Não podemos, aqui, sob o pálio da verdade material suplantar as regras procedimentais aplicáveis ao processo administrativo e permitir, por fundamentos metajurídicos2, e ao arrepio do princípio da isonomia, fazernos substituir à autoridade fiscal ou a própria DRJ, para refazer todo o trabalho que deveria ter sido 1 A que está sujeito procedimento instaurado a partir da oposição da manifestação de inconformidade, por força de previsão explicita contida no § 11 do art. 74 da Lei 9.430/96. 2 Ainda que me condoa do contribuinte e ainda que, aparentemente, haja uma "fumaça de bom direito" em sua tese, a prova de sua efetiva existência tinha que ter sido produzida no momento oportuno. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10880.686571/200960 Acórdão n.º 1302002.739 S1C3T2 Fl. 6 5 concretizado e trazido ao feito pelo sujeito passivo, pretensamente, detentor do crédito. Insisto, não encontro óbices para considerar as informações prestadas mediante declaração retificadora após o início da ação fiscal; mas não tenho como verificar a correção das ditas informações se o próprio contribuinte não traz ao processo provas e documentos que demonstrem que tais dados são verdadeiros. Se é fato que o processo administrativo admite uma flexibilização no procedimento de instrução, e, portanto, se pauta pelo já aventado princípio da verdade material, não se pode olvidar que determinadas amarras não podem ser sobrepujadas; o primado da verdade material pode nortear o julgador de sorte a garantir que ele aprecie provas não contempladas pela instância interior, mas que tenham sido produzidas no momento oportuno, e, na espécie, tais provas não foram, reprisese, produzidas. Como não se verificam, no concreto, a ocorrência das situações descritas no art. 16, § 4º, do Decreto 70.235 e, lado outro, como o contribuinte não produziu as provas necessárias à demonstração da liquidez e certeza de seu direito creditório, não nos cabe, agora, franquearlhe, por meio de diligência, tal oportunidade, pena de malferir, não o decreto anteriormente invocado, como, também, e como já dito, o princípio da isonomia. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.008214/2009-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 06/06/2008
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO DE DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. INTEMPESTIVIDADE.
Deixar de prestar informação de desconsolidação de carga nos termos do artigo 22 e 50 da Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007 enseja a multa prescrita na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37 de 1966.
Numero da decisão: 3001-000.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila (Relator) e Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhaes e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 06/06/2008 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO DE DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. INTEMPESTIVIDADE. Deixar de prestar informação de desconsolidação de carga nos termos do artigo 22 e 50 da Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007 enseja a multa prescrita na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37 de 1966.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila (Relator) e Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhaes e Francisco Martins Leite Cavalcante.
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INFORMAÇÃO DE DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. INTEMPESTIVIDADE. Deixar de prestar informação de desconsolidação de carga nos termos do artigo 22 e 50 da Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007 enseja a multa prescrita na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila (Relator) e Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhaes e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 82 14 /2 00 9- 16 Fl. 76DF CARF MF 2 Auto de Infração Inicia sua síntese narrativa definindo as principais partes envolvidas nos relacionamentos, jurídicos e negociais, do comércio internacional marítimo. Destaca, o comprador importador e vendedor exportador. Definidas as condições do negócio, contratase a armação do navio. Ressaltando, a existência de representantes diretos ou por agências de navegação. Acrescenta, ainda, a figura do NVOCC, empresas consolidadoras de carga, responsáveis pelo transporte e, em chegando no destino, a desconsolidação da carga mediante seus representantes, as agências de cargas. Poderá haver, a consolidação de carga já consolidada, havendo duas ou mais empresas de agenciamento de carga. Por este motivo, é necessário a prestação de informações em tempo hábil, caso contrário, o poder de polícia aduaneiro teria prejuízo na sua capacidade de controle. O conhecimento de carga (bill of landing BL) é o documento emitido pelo transportador ou consolidador, que representa os termos do contrato de transporte marítimo e prova a posse da carga. Ainda, identifica proprietário, consignatário, último endossatário ou o portador do título, em via de conseqüência, o titular do despacho aduaneiro. O transportador procedente do exterior, tem o dever de prestar informações à Receita Federal do Brasil, sobre a chegada de veículo e as cargas transportadas. Conjugado o artigo 37 do Decreto Lei 37/66, com seu parágrafo primeiro, conclui a autoridade fazendária pela responsabilidade do agente de cargas Controle Aduaneiro Informatizado Os dados transmitidos eletronicamente, obedecem a forma e prazos estabelecidos pela RFB, e os atos detém validade, fiscal e aduaneira, em razão das disposições legais expressas no artigo 64 da Lei 10.833/03, atinentes sobre a certificação digital. Neste ambiente, o Siscomex Carga é sistema informatizado para o controle de movimentação de embarcações e cargas nos portos alfandegados. Os dados ali são inseridos pelos transportadores, agentes de carga ou seus representantes, e submetidos ao controle aduaneiro relatam as escalas, com dados dos Manifestos e Conhecimentos de carga, nos parâmetros do Sistema de Conhecimento Eletrônico (CE Mercante) Da Equiparação a Transportador A indicação prevista no artigo 5.º, combinado com o artigo 2.º, parágrafo 1.º, IV, da IN 800/2007, equipara, para efeitos fiscais, empresas de navegação, desconsolidadores e agentes de carga Informações a ser prestadas. O artigo 6.º da IN 800/2007 impele ao transportador, o dever de prestar informações sobre veículo e cargas para cada escala em porto alfandegado. Dentre as informações, o veículo e escalas, e a carga. Sobre a carga, informações sobre o manifesto, a vinculação à escala, conhecimentos de transportes, informações sobre a desconsolidação e a associação do Conhecimento de Carga ao novo manifesto, em caso de transbordo ou baldeação. Prazos dado às prestações de informações Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10711.008214/200916 Acórdão n.º 3001000.345 S3C0T1 Fl. 77 3 São os artigos 22 e 50 da IN 800/2007, com alteração dada pela IN 899/2008, os prazos mínimos para a prestação de informações, sendo que após a leitura de seus dispositivos, verificase a ocorrência de dois períodos distintos: de 31/03/08 a 31/03/09; e a partir de 1.º de abril de 2009. No período inicial (31/03/08 a 31/03/2009), foram estipulados prazos de menor antecedência, e, aplicando a norma mais benéfica, presente no artigo 50, os prazos mínimos para as prestações de informações são os presentes no artigo I e II: I as relativas ao veiculo e suas escalas, cinco horas antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, b em como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala a) antes da salda da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, guando o item de carga for granel; b) antes da salda da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; C) antes da salda da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; d) antes da chegada da embarcação no primeiro Porto Nacional, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III as relativas a conclusão da desconsolidação, antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Ausência de Denúncia Espontânea Requer a aplicação do artigo 683, parágrafo 3.º do Regulamento Aduaneiro. Dos Danos Causados à Fiscalização Explica que as ações de fiscalização são planejadas a partir das informações do Siscomex Cargas. O gerenciamento de risco é a ferramenta para dar celeridade ao despacho de mercadorias com a conseqüente redução do custo incidente sobre o comércio exterior. Tal análise dos dados, devem ocorrer previamente às operações de comércio exterior, com o conhecimento dos dados que nortearão os atos da RFB. Por este motivo, a falta de prestação de informações, ou sua ocorrência fora de prazo, inviabiliza a análise prévia, causando entrave no exercício do controle aduaneiro. Da Infração pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos Foi aplicado o disposto no artigo 107, IV, e, do Decreto Lei 37/66, com novel redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03. Dos Fatos A chegada da embarcação MSC Tamara no Brasil, porto de Suape, ocorreu dia 23/09/2008, tendo atracado as 19hrs30, conforme informações constante no extrato de manifesto e detalhes de escala. A data e hora da atracação, servem como limites para que a Fl. 78DF CARF MF 4 agência de navegação presta as informações sobre a carga. A agencia MSC Mediterranean Shipping, informou sobre o manifesto e efetuou sua vinculação às escalas de forma tempestiva. Por sua vez, a empresa Craft Multimodal, na qualidade de agente de cargas, promoveu a desconsolidação e introduzindo as informações de forma tempestiva. Nova desconsolidação, com envio de informações também de forma tempestiva, ocorreu pela empresa Hafen. Consta como consignatária, a empresa Braservice, como desconsolidadora. Esta última, constituiu como sua representante a empresa Rioport Assessoria Aduaneira, também cadastrada como desconsolidadora. A embarcação prosseguiu viagem, tendo atracado no Rio de Janeiro dia 29/09/2008, figurando como transportador representante o agente de carga Rioport, tendo havido a desconsolidação da carga somente no dia 29/09/08 as 17hrs12min29. Impugnação Tratase do combate ao auto de infração, cuja lavratura do auto de infração deuse em 11/05/2010, por ter prestado informações sobre carga transportada fora do prazo estabelecido pela IN 800 e 899/08 e com aplicação de multa por infração ao artigo 107, IV, e do Decreto Lei 37/66, com novel redação estabelecida pela Lei 10.833 03.Aponta que em 11 de maio de 2010 foi lavrado auto de infração impondo multa regulamentar no valor de R$ 5.000,00, com fundamento no artigo 107, IV, alínea e, do Decreto Lei 37/66, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03, cujo descritivo aponta a não prestação de informações sobre carga transportada, nos prazos estabelecidos pela Receita Federal. A empresa Braservice Assessoria em Comércio Exterior Ltda., constituiu junto ao Departamento do Fundo de Marinha Mercante DEFMM, como sua representante a ora impugnante. A embarcação MSC TAMARA atracou dia 29/09/2008 às 18 hrs., conforme escala 08000211740 fls. 28, argumento que o auditor fiscal atesta ter sido as informações prestadas em 29 /09/08 as 17;12, em fls. 29 e 30 argumento que o auditor fiscal atesta ter sido as informações prestadas em 29 /09/08 as 17;12. No mérito, argumenta que não haveria como imputar a multa aplicada haja vista estar a legislação em referência sob vacatio legislação, em razão da nova redação do artigo 22 da IN 800/07, dada pela IN 899 de dezembro de 2008 Repete o artigo 50 destacando, em negrito, a parte referente ao "somente serão obrigatórios a partir de 01 de abril de 2009 ... antes da atracação ou desatracação". Alternativamente, argumenta pela não obrigatoriedade da prestação de informações. DRJ/FLN O presente processo foi dispensado de ementa, sendo mister a transcrição de seu relatório, para o fiel entendimento do cerne discutidos nestes autos. O presente Auto de Infração referese à multa capitulada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei n.º 37/66, com a redação dada pela Lei n.º 10.833/2003, no valor de R$5.000,00, por prestação de informação sobre carga transportada fora do prazo estabelecido pela IN SRF n.º 800/2007, com a alteração da IN SRF n.º 899/2008. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10711.008214/200916 Acórdão n.º 3001000.345 S3C0T1 Fl. 78 5 Segundo relato da fiscalização, a autuada prestou informações acerca da desconsolidação de CE (MHBL) n.º 130805182616644 intempestivamente. Junta às fls. 16/32 cópia das telas de informações das escalas e conhecimentos eletrônicos. Nos termos, então, da IN SRF n.º 800/2007, com a alteração da IN SRF n.º899/2008, arts. 22 e 50, respeitadas as vigências das referidas normas, o prazo limite para prestação de informações relativas às cargas transportadas é a data da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Por não ter sido cumprido referido prazo pela autuada, foi lançada a multa por prestação de informação a destempo estatuída no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei n.º 37/66, com a redação dada pela Lei n.º 10.833/2003. Intimada da autuação, a interessada apresentou impugnação alegando que as informações foram prestadas tempestivamente às 17:12 horas do dia 29/09/2008, já que a atracação se deu às 18:00 horas do mesmo dia, segundo relato no auto de infração. Ainda assim alega também que a IN SRF n.º 800/2007 somente estipulou prazo para a prestação das informações a partir de 01/04/2009 (art. 50) com vistas à adequação dos procedimentos por parte dos usuários e como o fato alegado de informação intempestiva se deu antes daquela data é improcedente o lançamento da multa por violação ao princípio Constitucional de Reserva Legal. Examinando o que consta no processo, foi constatada divergência nas datas de atracação que constam na autuação e n os documentos que acompanham o auto de infração (Detalhes da Escala, às fls. 30). Por esta razão foi diligenciado à unidade preparadora para que saneasse tal erro material (fls. 49/50). A ALF/Porto do Rio de Janeiro procedeu, então, a retificação da data de atracação para o dia 28/09/2008, conforme dados da escala, emitindo auto de infração complementar do qual foi novamente cientificada a autuada. A interessada apresentou aditamento à impugnação às fls. 61/63 reiterando os argumentos já apresentados e contestando a alteração procedida pela fiscalização na autuação. Alega que tal erro material caracteriza vício intransponível, cabendo a nulidade do auto de infração para atender aos princípios da legalidade e ampla defesa. Ao longo do voto, o colegiado julgador de primeiro piso esclarece os fundamentos do voto: A presente autuação referese à exigência da multa capitulada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei n.º 37/66, com a redação dada pela Lei n.º 10.833/2003, tendo em vista que a interessada prestou informações acerca da desconsolidação da carga na data/hora de 29/09/2008, às 118:00 h, de forma intempestiva, já Fl. 80DF CARF MF 6 que a atracação da embarcação se deu no dia 29/09/2008, às 17:12 h. Quanto ao mérito, o argumento trazido pela interessada para contestar a autuação é de que o artigo 50 da IN SRF n.º 800/2007, estabelecia que os prazos previstos no art. 22 seriam obrigatórios a partir de 1.º de abril de 2009. Todavia está equivocada a impugnante em sua análise. Isto porque o indigitado art. 50 da IN SRF n.º 800/2007, em vigor a partir de 31/03/2008, possuía, originalmente a seguinte redação: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1o de janeiro de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no Pais. (grifei) Vêse, portanto, que apesar de os prazos de antecedência estabelecidos no art. 22 serem obrigatórios a partir de 01/01/2009, já havia desde o estabelecimento de seus efeitos em 31/03/2008, a obrigação da prestação das informações referentes às cargas antes da atracação da embarcação no País. Recurso Voluntário Em sua defesa, a recorrente ressaltou o argumento de que o prazo seria obrigatório apenas a partir de 01 de abril de 2009 ,conforme artigo 50 da IN 800/07 e 899/08 No mérito, repete o artigo 50 destacando, em negrito, a parte referente ao "somente serão obrigatórios a partir de 01 de abril de 2009 ... antes da atracação ou desatracação", mencionando o artigo 22 prazos de antecedência, com sua referência legal. Destaca do voto condutor do acórdão recorrido, o argumento de que mesmo estando suspensa a obrigatoriedade, não exime o contribuinte de prestar as a informações, contrapondo que as informações foram, efetivamente, prestadas Do texto destacado do referido acórdão de piso, evidencia o início do termo dos prazos em 01 de abril de 2009 Ainda, menciona o artigo 76, I, h da Lei 10.833/03, a qual, em eu entendimento, impõe a sanção de advertência, no atraso por mais de 03 vezes Na seqüência, conclui que a aplicação da multa conforme efetivada, não é contemplada pelo regulamento aduaneiro, não havendo, portanto, fundamento legal para sua imposição, ocasionando ofensa ao princípio constitucional da reserva legal, em nome da preservação da segurança jurídica. Pela efetividade do princípio da Razoabilidade, menciona doutrina e precedentes do STJ quanto à inexigibilidade de multa administrativa em procedimento de Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10711.008214/200916 Acórdão n.º 3001000.345 S3C0T1 Fl. 79 7 vistoria e revisão aduaneira ante a inexistência de prejuízo ao fisco e a boa fé do sujeito passivo. Neste sentido, indica a inocorrência de dano ao erário É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de recurso voluntário interposto pela recorrente a fim de verse livre da imposição de multa, mediante lavratura de auto de infração, cujo antecedente normativo prevê, em caso de ocorrência de atraso na prestação de informações ao Siscomex, a aplicação de multa. Mérito Termo Inicial da aplicação de multa aplicável à prestação em atraso das informações exigidas pelo artigo 22 e 50 da IN 800/2007, alterada pela IN 899/2008 A multa combatida encontrase prevista no artigo transcrito a seguir: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; A legislação tributária que merece atenção, é o mencionado artigo 50 da IN 800 modificado pela IN 899. IN 800/2007, modificada pela IN 899/2008 Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e Fl. 82DF CARF MF 8 II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. E, por fim, mister transcrever o artigo 22 da mencionada IN. Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; Em que pese a existência de precedentes deste Conselho, favoráveis à aplicação da multa em comento, no caso de atraso prestação de informações consubstanciadas na declaração, entendo que: 1. há previsão normativa de postergação do prazo para a incidência da multa cujo fato gerador é a envio de comunicação, por parte do consignante, em momento posterior à atracação da embarcação. IN 800, de 27 de dezembro de 2007 Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1o Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Ainda, em segundo momento, houve norma posterior, abrandando a aplicação da penalidade, postergando o início de sua obrigatoriedade para somente após de 01 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10711.008214/200916 Acórdão n.º 3001000.345 S3C0T1 Fl. 80 9 de abril de 2009, devendo ser obedecido o artigo neste sentido. Por este motivo, se socorre da aplicação do artigo seguinte do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Em caso semelhante, tal raciocínio fora empreendido. O caso do precedente acostado abaixo, relacionase com a extensão do prazo, de 05 para 07 dias, como necessário à prestação de informações. Como é sabido, no caso presente, tratase de legislação que determinava a ocorrência de multa, IN 800, posteriormente revogada pela IN 899, a qual concedeu o prazo para início da obrigatoriedade apenas em 01 de abril de 2009. IN 899, de 29 de dezembro de 2008 Art. 1º O art. 50 da Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009 Deste modo, devese aplicar o entendimento da legislação mais benéfica ao contribuinte. Acórdão nº 3302004.717 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2008 a 22/03/2008 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, E, DO DECRETOLEI 37/1966 (IN SRF 28/1994, 510/2005 E 1.096/2010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando de descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da Fl. 84DF CARF MF 10 IN SRF 28/1994, a multa instituída pelo artigo 107, IV, e do DL 37/1966, deve ser mitigada diante do novo prazo imposto pela IN SRF 1.096/2010, em decorrência da retroatividade benigna. Após a lavratura do auto de infração foi publicada a Instrução Normativa RFB n. 1.096, de 13/13/2010, que ampliou o prazo para registro dos dados pertinentes no SISCOMEX para 7 dias2. Afirma que o art. 106 do CTN permite que a dilação do prazo pela publicação da recente norma deve gerar benefícios a seu favor, já que não é mais considerada infração o não fornecimento de informações no prazo de 2 dias. Considerando que não poderão ser objeto de deliberação por este Colegiado as matérias abordadas no recurso voluntário e que já foram objeto de deliberação, nos resta apreciar, unicamente, o argumento sobre o fato superveniente, que é a publicação da IN RFB n. 1.096/2010 e se seus efeitos retroagem à data dos fatos descritos no auto de infração. E, sobre esse tópico, filiome à vasta jurisprudência deste Conselho, que reconhece que os efeitos benignos da IN RFB n. 1.096/2010 devem surtir efeitos em hipóteses análogas à dos autos. Isso porque estamos diante de uma sanção (ainda que na seara tributária) e a melhor interpretação sobre o texto contido no inciso XL do artigo 5º da Constituição Federal 1988 impõe o reconhecimento que a lei penal deverá retroagir, sempre que for para beneficiar o réu (no caso, o contribuinte apenado pela multa). A propósito, e ilustrativamente, segue a ementa de julgado deste Conselho, o qual adoto como fundamento: TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO / 2ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA / ACÓRDÃO 3202000.486 em 25/04/2012 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA. Data do fato gerador: 04/07/2006, 06/07/2006, 10/07/2006, 11/07/2006, 13/07/2006, 15/07/2006, 23/07/2006 e 29/07/2006 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, 'E' DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994, 510/2005 E 1.096/2010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando do descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da IN SRF no 28/1994, a multa instituída no art. 107, IV, 'e' do Decretolei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo de dois dias para o registro desses dados no Siscomex. Uma vez que a IN SRF no 1.096/2010 fixou o prazo de sete dias para o registro dos dados Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10711.008214/200916 Acórdão n.º 3001000.345 S3C0T1 Fl. 81 11 no Siscomex, deve ser aplicada, com fulcro no princípio da retroatividade benigna, a norma mais benéfica ao contribuinte. CONTAGEM DE PRAZO. DIA ÚTIL. A contagem dos prazos estipulados na legislação tributária deve seguir os ditames do artigo 210 do Código Tributário Nacional. Os prazos iniciam e terminam apenas em dias úteis. SISCOMEX. INDISPONIBILIDADE. PROVA. A parte que alega a indisponibilidade do sistema SISCOMEX deve apresentar prova irrefutável sobre tal situação. A mera alegação, sem comprovação do alegado, não é capaz de influir no entendimento do julgador. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA N. 02 DO CARF. De acordo com a Súmula n. 02 do CARF, o órgão não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Recurso voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, preliminar de nulidade do auto de infração não acolhida e, no mérito, recurso voluntário provido em parte. (grifos adicionados) Assim, entendo que o recurso voluntário deve ser provido para que as multas impostas em decorrência das informações prestadas dentro do prazo de 7 dias (IN SRF n.1.096/2010) sejam canceladas. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, fazendo se valer o artigo 50 da IN SRF n.º 800/2007, estabelecia que os prazos previstos no art. 22 seriam obrigatórios a partir de 1.º de abril de 2009. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Voto Vencedor Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Redator Designado Fl. 86DF CARF MF 12 Preâmbulo 1 Em que pese o elogiável argumento que fundamentou o Voto Vencido, peço vênia para submeter a este Colegiado entendimento diferente do esposado pelo Ilustre Conselheiro Renato Vieira de Avila, acompanhado que foi pelo Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, em seu bem fundamentado voto como Relator. Procurarei, em breves linhas, expor por que entendo que se deve negar provimento ao recurso voluntário quanto à exoneração da exigência da multa em debate, posição diametralmente oposta à do ilustre relator, que proveu o recurso voluntário. Neste passo, alerto que o desencontro de entendimento restringese tão somente ao fundamento jurídico adotado, segundo o qual "houve norma posterior, abrandando a aplicação da penalidade, postergando o início de sua obrigatoriedade para somente após de 01 de abril de 2009". Preâmbulo 2 Ainda, antes de adentrarse à questão jurídica que motivou a presente divergência de entendimento, destacase, por oportuno, que o caso sob exame processo 10711.002995/201061 (Acórdão 3001000.341), afora os dados concernentes ao nome da embarcação, a da data e hora de atracação da embarcação no Porto do Rio de Janeiro/RJ, o número do conhecimento eletrônico e a data e hora que o recorrente registrou a desconsolidação da carga, é congêrene àqueles tratado nos processos 10711.003775/201054 (Acórdão 3001000.342), 10711.004007/201018 (Acórdão 3001000.343), 10711.006048/201049 (Acórdão 3001000.344), 10711.008214/200916 (Acórdão 3001 000.345), 10711.008215/200952 (Acórdão 3001000.346), 10711.721400/201151 (Acórdão 3001000.347) e 10711.724279/201119 (Acórdão 3001000.348), tanto que igualmente são idênticos os argumentos de direito trazidos nos respectivos recursos voluntários. Desta feita, revela destacar também que a decisão encartada neste Voto Vencedor seguirá a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelos parágrafos 1º e 2º do artigo 47 do Anexo II do Ricarf, aprovado pela Portaria MF 343 de 09.06.2015. Portanto, o aqui decidido será adotado em todos os demais processos deste contribuinte, conforme destacados no parágrafo anterior, vez que tratamse, como já delineado, de processos paradigmas, o que importará na transcrição, como solução da controvérsia o entendimento que prevaleceu na decisão vencedora tratada nos autos deste processo (Acórdão 3001000.341). Da divergência do entendimento jurídico A questão pareceme bastante simples. O recorrente está certo quando defende que as disposições do artigo 22 da IN RFB 800 de 2007 não são aplicáveis ao caso em exame, visto que alguns os fatos datam de período posterior 2008 e os efeitos do artigo supramencionado fluiriam somente após 1º de abril de 2009, na forma do caput do artigo 50 da referida norma regulamentar, com redação dada pela IN RFB 899 de 2008. Entretanto, a fiscalização foi bastante clara e correta ao exigir a observância dos prazos de antecedência de prestação de informações, na forma do parágrafo único do artigo 50 da IN RFB 800 de 2007, cuja redação mais adiante reproduzse. Vejase que tanto o transportador quanto o próprio agente de cargas, qualidade que se insere o ora recorrente, por força do caput e § 1º do artigo 37 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, têm o dever de prestar Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10711.008214/200916 Acórdão n.º 3001000.345 S3C0T1 Fl. 82 13 informações à Receita Federal do Brasil, na forma e prazos estabelecidos pela própria Administração, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ora, não me parece razoável supor que mesmo não estando em vigor o artigo 22 da IN RFB 800 de 2007, deixarseia de aplicar a regra prevista no caput do artigo 50 da mesma Instrução Normativa. Tal dispositivo, conforme transcreverseá, mais adiante, diz textualmente que o tempo de vacância do artigo 22 da IN RFB 800 de 2007 “não exime o transportador da obrigação de prestar informações”. Tendo em vista que o recorrente somente procedeu a desconsolidação da carga após a atracação das embarcações, é patente que houve desrespeito aos prazos de antecedência previstos na legislação normativa em questão. Então, uma vez descumprida a obrigação acessória, cuja finalidade me parece bastante razoável para fins de efetivo controle aduaneiro, impõese sim a aplicação da correspondente multa. E em relação à multa, não há como eximir o recorrente, pois esta decorre de lei específica, na forma da alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 18.11.1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 29.12.2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; (...) Explicito melhor o tema em debate. Fl. 88DF CARF MF 14 Atendendo ao determinado no dispositivo legal supratranscrito, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) publicou a Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007, que “dispõe sobre o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e unidades de carga nos portos alfandegados”. Relativamente aos prazos mínimos para a prestação das informações à Secretaria da Receita Federal do Brasil a referida Instrução Normativa estabeleceu no artigo 22 da seguinte forma, in verbis: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, quando o item de carga for granel; b) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; c) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1º Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no sistema pela Coordenação Especial de Vigilância e Repressão (Corep), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. § 3º Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput, se reduz a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10711.008214/200916 Acórdão n.º 3001000.345 S3C0T1 Fl. 83 15 Todavia, o artigo 50 da IN RFB 800 de 2007 previa, desde sua publicação, a data a partir da qual referidos prazos seriam implementados e, depois da alteração promovida pela IN RFB 899 de 29.12.2008, ficou com a seguinte redação, in verbis: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (destaquei) Como a norma transcrita esclarece, os prazos previstos em seu artigo 22 somente serão exigidos a partir de 1º de abril de 2009. Todavia, seu parágrafo único estabelece expressamente que, a despeito dos prazos passarem a viger na data determinada, isso não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Portanto, reforço, a intempestividade da informação de carga após a atracação da embarcação, quando se trata de carga de estrangeira, enseja a aplicação da penalidade. Desta forma, está preservado o princípio da legalidade pela combinação da alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com os dispositivos 22 e 50 da Instrução Normativa nº 800 de 2007. Salientese, o princípio da irretroatividade não se macula quando a lei vigente coaduna com a época do fato gerador como se esclareceu no presente caso. Da conclusão Pelas razões que expus acima entendo que o Colegiado a quo agiu consoante os princípios constitucionais e legais, a lei processual administrativa e as leis que motivam o lançamento e a exigência em discussão. Portanto, proponho a este Colegiado, especificamente quanto a este item, seja negado provimento ao recurso voluntário, mantendose a exigência fiscal, nos termos em que lavrado o auto de infração. É como penso e voto. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 90DF CARF MF 16 Fl. 91DF CARF MF
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