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Numero do processo: 10380.724816/2015-43
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2015
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DE DCTF. INCIDÊNCIA.
É devida a multa por entrega de declaração fora do prazo normativamente estabelecido.
Numero da decisão: 1002-000.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2015 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DE DCTF. INCIDÊNCIA. É devida a multa por entrega de declaração fora do prazo normativamente estabelecido.
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ENTREGA EXTEMPORÂNEA DE DCTF. INCIDÊNCIA. É devida a multa por entrega de declaração fora do prazo normativamente estabelecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 48 16 /2 01 5- 43 Fl. 31DF CARF MF 2 Relatório Por economia processual, adoto parte do relatório produzido pela DRJ/REC: Versa o presente processo sobre a Notificação de lançamento mediante a qual é exigido da contribuinte acima identificada crédito tributário relativo à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) relativa ao mês de janeiro de 2015, no valor total de R$ 500,00. Em sua impugnação a contribuinte afirma que o no período de janeiro a março a autarquia ficou sem superintendente, ocasionando o atraso na prestação das informação. Afirma que não existiu dolo ou culpa da impugnante na entrega intempestiva da DCTF. Requer ao final o cancelamento da multa aplicada. A exigência tributária foi impugnada pelo contribuinte e julgada improcedente pela DRJ/REC, conforme acórdão n. 1154.152 4ª Turma (efl. 12), de 27 de outubro de 2016, assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2015 MATÉRIA NÃO CONTESTADA MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. Inconformado com a decisão de primeira instância, o Recorrente apresentou recurso voluntário no qual, em síntese, ratifica os fundamentos de fato e de direito apresentados em sede de impugnação, requerendo o deferimento de seu pleito. É o relatório. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator Inicialmente, esclareço que a matéria relativa ao atendimento dos requisitos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72 e da lei nº 10.522, denominada como "preliminar" no Recurso Voluntário é, na verdade, um antecedente de regularidade processual necessário ao processamento do recurso e não, juridicamente, matéria prejudicial à análise de seu mérito, razão pela qual não será tratada como tal por este relator. Nessa perspectiva, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e é tempestivo; portanto, dele conheço. Fl. 32DF CARF MF Processo nº 10380.724816/201543 Acórdão n.º 1002000.163 S1C0T2 Fl. 3 3 Seguindo a análise, destacase que o atraso na entrega da declaração não é alvo de discussão nesses autos, o que o torna o fato incontroverso. O Recorrente simplesmente tenta justificar o atraso no fato de que a autarquia estadual não possuía Superintendente efetivo designado entre janeiro e março de 2015 (período em que ocorreu a autuação), o que somente veio a ocorrer em 13/03/2015. O argumento do Recorrente não prospera por falta de fundamento legal, porque, como se sabe, o caráter punitivo da multa em questão possui natureza objetiva, ou seja, quedase alheia à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância de regras formais. É que a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Assim, tendo em conta que o atraso na entrega da DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais do mês de janeiro de 2015 é fato incontroverso e inexistindo fundamentos de fato e de direito para alteração do lançamento, considero legítima a cobrança das multas pelo atraso na entrega das referidas declarações. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 33DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.003628/2008-25
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento . Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e redator designado
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), José Ricardo Moreira, José Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento . Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e redator designado (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), José Ricardo Moreira, José Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento . Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e redator designado (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), José Ricardo Moreira, José Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 36 28 /2 00 8- 25 Fl. 50DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento (f. 08/11), relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2006, anocalendário de 2005, onde foram glosadas dedução de despesas médicas no valor de R$ 29.653,00, por ausência de comprovação do efetivo pagamento. O contribuinte apresentou impugnação (f. 02/07), que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ SÃO PAULO II de f. 30/36. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 40/45. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigado a apresentar seus exames médicos e laboratoriais. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte.. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Voto Vencido José José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O lançamento cingese à glosa de despesas médicas. O interessado, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende o recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10855.003628/200825 Acórdão n.º 2001000.082 S2C0T1 Fl. 3 3 Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. . Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. Se tivesse atendido a este simples pedido, provavelmente não seriam glosadas parte ou a totalidade das despesas. O contribuinte, entretanto, por diversas vezes, mediante negativas genéricas, se opôs a trazer os elementos de prova que lhe seriam benéficos. Não apresentou à autoridade lançadora, não juntou à impugnação e não se aproveita da oportunidade agora trazida pelo recurso voluntário. Desta forma, adoto a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu a dedução das despesas glosadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o crédito tributário lançado (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 52DF CARF MF 4 Voto Vencedor Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10855.003628/200825 Acórdão n.º 2001000.082 S2C0T1 Fl. 4 5 prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.900609/2011-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso interposto em relação ao Acórdão nº 0350.453, de 31 de janeiro de 2013, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (fls. 157 a 164), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. O presente processo cuida da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 16460.39844.311007.1.3.040250 (fls. 21 a 26), por meio da qual a contribuinte compensou débito de sua responsabilidade referente ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), relativo ao 3º trimestre de 2007, no valor de R$ 20,76, com crédito decorrente de suposto RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 46 .9 00 60 9/ 20 11 -8 1 Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10746.900609/201181 Resolução nº 1302000.608 S1C3T2 Fl. 317 2 pagamento indevido ou a maior relativo a título de Contribuição social sobre o Lucro Líquido (CSLL). O crédito em questão, no valor de R$ 16,97, originarseia de pagamento efetuado em 31/01/2006, no montante de R$ 2.866,86; e não foi reconhecido pelo Despacho Decisório de fl. 12, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a compensação declarada não foi homologada. Cientificado, o sujeito passivo apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 2 a 11, na qual sustentou que, por equívoco, na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), relativa ao anocalendário de 2005, e na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), referente ao quarto trimestre do citado ano calendário, informou débito a título de CSLL, regime de apuração baseado no Lucro Presumido, calculado a partir da aplicação do percentual de 32% sobre a sua receita bruta. Contudo, em decorrência da sua atividade, estaria sujeito à CSLL, sobre o Lucro Presumido, calculada com base na aplicação da alíquota de 12% sobre a sua receita bruta. Invocou o princípio da verdade material e apresentou elementos que, no seu entender, comprovariam o erro de fato e o indébito em questão (DIPJ retificadora, cópias parciais dos livros Diário, Razão e Registro de notas fiscais de serviços prestados, bem como cópias das notas fiscais do período). Relatou, ainda, haver procedido à retificação da DIPJ referente ao ano calendário de 2005, e apresentou diversas decisões de Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento que respaldariam o crédito pleiteado. Em dezembro de 2012, o sujeito passivo apresentou o documento de fls. 155 e 156, intitulado "Resumo do Manifesto de Inconformidade P.J.", no qual, além de reiterar os termos da sua Manifestação Inconformidade, esclarece que deixou de retificar a DCTF do 4º trimestre de 2005, uma vez que, no momento em que constatou a necessidade de tal retificação, já se teria operado a decadência do seu direito de alterar o referido documento. A decisão de primeira instância (fls. 157 a 164) considerou que a Recorrente não havia apresentado documentação suficiente capaz de "demonstrar a natureza das atividades a que se referiram os rendimentos declarados e que poderia esclarecer qual(is) o(s) correto(s) percentual(is) aplicável(is), se de 12%, tal como pretendido, se de 32%, ou mesmo de percentuais diversificados, conforme § 2º do artigo 15 da Lei nº 9.249/95", de modo que o alegado indébito não se revestiria da liquidez e certeza necessárias ao reconhecimento do direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN. Registrou, ainda, que as decisões administrativas colecionadas pela pessoa jurídica não possuíam caráter de normas complementares, nem efeitos vinculantes. Deste modo, não reconheceu o direito creditório do sujeito passivo. Após a ciência, comprovada às fls. 165/166, foi interposto o Recurso de fls. 168 a 179, por meio do qual a Recorrente, após reiterar as razões contidas na Manifestação de Inconformidade, sustenta que tem como cliente contratante, na maioria dos serviços prestados, o Poder Público, sendo a prática e costume os contratos de obras públicas serem formalizados sob a sistemática da empreitada global. Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10746.900609/201181 Resolução nº 1302000.608 S1C3T2 Fl. 318 3 Aduz que os documentos já apresentados, em especial as notas fiscais de serviço, são elementos hábeis a demonstrar se tratar de serviços prestados com fornecimento de material. Invoca a aplicação do princípio in dúbio pro contribuinte (calcado no art. 112, inciso II, do CTN) ou, ainda, a realização de diligência para juntada aos autos dos contratos de prestação de serviço. Contudo, com base no art. 16, §4º, alínea c, do Decreto nº 70.235, de 1972, combinado com o §5º do referido dispositivo, já traz aos autos os mencionados contratos de prestação de serviço, que comprovariam o direito pleiteado. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator Como já relatado, tratase de Declaração de Compensação (DComp) referente a pagamento efetuado, em 31/01/2006, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativo ao 4ª trimestre do anocalendário de 2005. O crédito compensado decorreria do fato de a Recorrente haver confessado na DCTF e recolhido a CSLL, apurada sob o regime de apuração baseado no Lucro Presumido, a partir da aplicação do percentual de 32% sobre a sua receita bruta, quando, em decorrência da receita se referir à atividade de construção civil com fornecimento de material, o percentual aplicável para a determinação do Lucro Presumido ser o de 12%, conforme art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995. O direito creditório invocado não foi reconhecido pelo Despacho Decisório de fl. 12, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a compensação declarada não foi homologada. Por outro lado, a Manifestação de Inconformidade do sujeito passivo foi julgada improcedente por se considerar que os elementos juntados aos autos não são suficientes para comprovar que os serviços prestados pela Recorrente incluem o fornecimento de todo o material necessário à sua realização. Nos termos do art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995, a base de cálculo da CSLL devida pelas pessoas jurídicas que apuram o IRPJ com base no Lucro Presumido, corresponderá a doze por cento da receita bruta, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1º do art. 15 daquele diploma legal, dentre as quais se inclui a prestação de serviços em geral, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. O citado art. 15 foi interpretado pelo Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 1997, que esclareceu que, para a determinação da base de cálculo do IRPJ mensal, a construção por empreitada com emprego de qualquer quantidade de materiais se sujeitaria ao percentual de 8% (oito por cento), enquanto incidiria o percentual de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita das atividades de construção por empreitada unicamente de mãodeobra. Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10746.900609/201181 Resolução nº 1302000.608 S1C3T2 Fl. 319 4 A Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997, tratava do assunto, nos mesmos moldes do ADN mencionado. Aquele entendimento vigorou até a edição da Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004, que definiu como "construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra". (Destacouse) No caso sob exame, tratandose do anocalendário de 2005, aplicase, portanto, o entendimento que exige o fornecimento de todos os materiais, para a aplicação do percentual favorecido na determinação da base de cálculo da CSLL. A questão que se põe, portanto, é saber se as provas documentais apresentadas pelo sujeito passivo são (ou não) suficientes para comprovar que as receitas tributadas no trimestre em questão se referem a serviços de construção civil prestados com o fornecimento de material. Ocorre que, previamente à apreciação do Recurso, fazse necessário esclarecimento. É que, dentre os contratos apensados ao Recurso, constatase a existência de instrumento firmado com a Construtora Monte do Carmo Ltda, CNPJ nº 01.919.293/000178 (fls. 296/303). Do mesmo modo, vêse que notas fiscais (fl. 295 e 304) são emitidas pela Recorrente, em relação ao contrato firmado com a Construtora Monte do Carmo Ltda, e que os valores das referidas receitas estão contabilizadas nos Livros contábeis e fiscais juntados pela Recorrente, e foram considerados na apuração da CSLL devida no período em questão. Isto posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/PalmasTO), para que: a) intime o sujeito passivo a esclarecer a existência de notas fiscais e contrato referente à Construtora Monte do Carmo Ltda, CNPJ nº 01.919.293/000178, na base de cálculo utilizada para a determinação da CSLL relativa ao 4º trimestre do anocalendário de 2005 e do indébito de que trata o presente processo; b) informe os valores efetivamente recolhidos pela Recorrente, a título de CSLL, em relação ao referido período de apuração, detalhando a eventual utilização/disponibilidade dos pagamentos efetuados; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, bem como se manifestando em relação aos esclarecimentos prestados pelo sujeito passo, que deve ser cientificado do resultado, com a concessão de prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo a este Colegiado. (assinado digitalmente) Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10746.900609/201181 Resolução nº 1302000.608 S1C3T2 Fl. 320 5 Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 320DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.907531/2014-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO. CSLL. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Correta a não homologação do pedido de restituição com base em saldo negativo de CSLL quando restar comprovado nos autos a insuficiência de crédito a ser restituído.
Numero da decisão: 1402-002.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone (presidente), Julio Lima Souza Martins, Caio Cesar Nader Quintella, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues), Marco Rogério Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Evandro Correa Dias. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO. CSLL. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Correta a não homologação do pedido de restituição com base em saldo negativo de CSLL quando restar comprovado nos autos a insuficiência de crédito a ser restituído.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone (presidente), Julio Lima Souza Martins, Caio Cesar Nader Quintella, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues), Marco Rogério Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Evandro Correa Dias. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO. CSLL. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Correta a não homologação do pedido de restituição com base em saldo negativo de CSLL quando restar comprovado nos autos a insuficiência de crédito a ser restituído. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone (presidente), Julio Lima Souza Martins, Caio Cesar Nader Quintella, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues), Marco Rogério Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 75 31 /2 01 4- 24 Fl. 155DF CARF MF 2 Evandro Correa Dias. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10880.907531/201424 Acórdão n.º 1402002.961 S1C4T2 Fl. 156 3 Relatório Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade nº 1461.212, proferido em 08 de junho de 2016, pela 13ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto, complementandoo, ao final, com as pertinentes atualizações processuais. Tratase do Despacho Decisório Eletrônico nº 079299544 de 03/04/2014, emitido sob a jurisdição da Derat São Paulo/SP para indeferir o pedido de restituição, formalizado no PER nº 23059.54656.291010.1.2.038066, e não homologar as compensações formalizadas nas DCOMP nº 09027.94456.180211.1.3.032439, 00427.04971.200111.1.3.03 0673, 00454.20264.310311.1.3.038525 e 04873.94473.291111.1.3.035784, vinculados ao crédito de saldo negativo de CSLL do Exercício 2010 (anocalendário 2009), no valor de R$ 1.825.791,48, sob os fundamentos abaixo reproduzidos: No demonstrativo de análise de crédito constou que não teria sido homologada a compensação da estimativa mensal de setembro de 2009, no valor de R$ 1.825.791,48 formalizada na DCOMP nº 25810.53958.271009.1.3.035067. Cientificada da decisão e intimada, em 11/04/2014 (sextafeira), a pagar os débitos cuja compensação não fora homologada, a contribuinte protocolizou a manifestação de inconformidade, em 13/05/2014, na qual aduz a tempestividade da defesa apresentada e, no mérito, que a compensação não homologada relativa ao débito da estimativa mensal de CSLL de setembro de 2009 teria se dado no âmbito do processo nº 16306.000270/200962. Naquele processo teria sido decidido que a DCOMP nº 25810.53958.271009.1.3.035067 seria não homologada, porque a parcela remanescente dos créditos de saldos negativos de IRPJ e CSLL do Exercício 2008, anocalendário 2007, já teriam sido restituídos, em espécie, por meio da Ordem Bancária nº 2010OB800709. Segundo a contribuinte, como aquela DCOMP teria sido transmitida em 27/10/2009, em momento anterior à emissão da ordem bancária, datada de 22/02/2010, o valor do crédito não poderia ter sido restituído por intermédio daquela Ordem Bancária. Em suas palavras: Fl. 157DF CARF MF 4 Assim, a REQUERENTE apresentou, no dia 08 de novembro de 2013, Manifestação de Inconformidade (Doc. n° 07) para demonstrar que o montante restituído abarcaria não somente o saldo remanescente de crédito reconhecido nos autos do Processo Administrativo n° 16306.000270/200962 após a realizadas as compensações lá pleiteadas, dentre as quais se encontra o PER/DCOMP n° 25810.53958.271009.1.3.035067 mas também outros créditos a que a REQUERENTE teria direito, os quais foram reconhecidos nos Processos Administrativos n08 16306.000012/200633 e 13808.002368/9700. Reconhecida a procedência daquela Manifestação de Inconformidade, a consequência direta seria a homologação da compensação perseguida no PER/DCOMP n° 25810.53958.271009.1.3.035067. e, por via de consequência, a posterior homologação da restituição consignada no PER/DCOMP n° 23059.54656.291010.1.2.038066. Ocorre que o Processo Administrativo n° 16306.000270/200962 ainda não possui decisão final acerca de sua homologação, eis que foi apresentada a supracitada manifestação de Inconformidade (Doc. n° 07), de modo que o PER/DCOMP n° 23059.54656.291010.1.2.038066 não poderia ter sido não homologado enquanto não restasse definitivamente julgado aquele processo administrativo. Sendo assim, tendo em vista a relação de prejudicialidade entre o crédito pleiteado no PER/DCOMP n° 23059.54656.291010.1.2.038066 e aqueles discutidos no Processo Administrativo n° 16306.000270/200962, este não poderia ser considerado como inexistente, devendo, primeiramente, ser julgada aquela Manifestação de Inconformidade para que seja reconhecida a higidez deste crédito. Uma vez verificada a regularidade do crédito tributário passível de aproveitamento pela REQUERENTE sob a rubrica “saldo negativo”, deverá ser integralmente homologado o direito creditório vindicado por meio do PER/DCOMP n° 23059.54656.291010.1.2.038066, dandose provimento a presente Manifestação de Inconformidade, como medida de direito. Advoga também a duplicidade de exigências, nos seguintes termos: Conforme dito acima, a não homologação do presente PER/DCOMP decorre da inexistência de decisão final nos autos do Processo Administrativo n° 16306.000270/200962. Caso a Receita Federal do Brasil entenda pela procedência daquela Manifestação de Inconformidade, o presente PER/DCOMP deverá ser homologado, eis que o crédito aqui utilizado terá sido demonstrado naquele Processo Administrativo. De outro modo, se o desfecho daquele Processo Administrativo for desfavorável à REQUERENTE, o débito lá cobrado será pago pela REQUERENTE ou encaminhado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional para inscrição em dívida ativa e cobrança judicial. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10880.907531/201424 Acórdão n.º 1402002.961 S1C4T2 Fl. 157 5 Em qualquer uma das situações, o crédito tributário lá discutido findará pago ou desconstituído, de modo que, seja pelo pagamento ou pelo reconhecimento do crédito, aquele valor passará a definitivamente compor o saldo negativo da REQUERENTE para o anocalendário de 2009, impondo se o provimento da presente Manifestação de Inconformidade e a consequente homologação do PER/DCOMP n° 23059.54656.291010.1.2.03 8066. Essa vinculação ao referido Processo Administrativo deve ensejar, no mínimo, o sobrestamento e/ou a reunião dos dois processos e, no máximo, a homologação do crédito aqui pleiteado, para evitar a materialização de uma cobrança em duplicidade em detrimento da REQUERENTE. Passa a discorrer sobre a higidez do crédito utilizado no âmbito do processo nº 16306.000270/200962, e nos termos do art. 265, IV, “a” do CPC, requer a suspensão ou o sobrestamento do julgamento do presente processo até que ultimada a análise do processo nº 16306.000270/200962, ou, ao menos, pela reunião dos processos administrativos, para evitar a prolação de decisões conflitantes/contraditórias. Invoca a ocorrência de erro de preenchimento da DCOMP nº 23059.54656.291010.1.2.038066, em relação à demonstração do crédito de saldo negativo de CSLL do Exercício 2010, anocalendário 2009, haja vista que na DCOMP nº 25810.53958.271009.1.3.035067, de fato, teria sido compensada a estimativa mensal de CSLL de setembro de 2009, no valor de R$ 1.888.106,09, e não R$ 1.825.791,48, como constou na DCOMP ora sob apreciação. Em suas palavras: Todavia, o simples fato de a REQUERENTE ter incorrido em erros na elaboração de seu PER/DCOMP não invalida o procedimento de compensação por ela realizado; a um, porque o direito creditório subsiste a eventuais vícios formais em torno do instrumento administrativo utilizado pelo contribuinte para a sua efetivação; e a duas, porque a REQUERENTE cumpriu com o ônus que lhe cabia de comprovar a liquidez e certeza do crédito compensado. (...) Ressaltese que, a existência de erro no preenchimento tão somente na PER/DCOMP não permite que o direito à utilização do crédito seja obstado por parte das D. Autoridades Fiscais, pois o pressuposto nuclear para que ocorra a compensação é a existência do crédito e do débito, e não o formalismo da sua exteriorização. É dizer, o erro formal incorrido na PER/DCOMP não pode ter o condão de afastar a realidade fática vivenciada pela REQUERENTE, qual seja, o saldo negativo a titulo de CSLL no anocalendário 2009, no valor de R$ 1.888,106,09 (um milhão, oitocentos e oitenta e oito mil, cento e seis reais e nove centavos). Fl. 159DF CARF MF 6 Repitase, o erro de preenchimento é de natureza formal e, como tal, não deve ser óbice ao reconhecimento do direito creditório que ensejou a compensação pretendida pela REQUERENTE, desde que devidamente demonstrada sua origem. Com efeito, devese observar que o fato da legislação dispor sobre a compensação de débitos, com créditos oriundos de ‘recolhimento a maior’ ou de formação de excedentes’, não configura tal procedimento em um ‘favor fiscal’, mas sim o reconhecimento de um direito subjetivo do contribuinte, oponível ao Fisco, de não ser tributado quando possuir créditos que interferem diretamente na apuração da base tributável dos tributos em questão. De acordo com o até aqui exposto, impõese reconhecer que a D. Autoridade Fiscal deixou de observar o princípio da busca pela verdade material, o qual, no presente caso, determinaria a mera conferência do PER/DCOMP n° 25810.53958.271009.1.3.035067, para verificar que o montante efetiva quitado por meio daquele documento foi R$ 1.888,106,09 (um milhão, oitocentos e oitenta e oito mil, cento e seis reais e nove centavos). Com base em doutrina e jurisprudência, invoca em seu favor o princípio da verdade material, e prossegue: Como demonstrado por meio da jurisprudência administrativa, de primeira e segunda instância, a busca pela verdade material consiste no levantamento dos fatos efetivamente ocorridos. Na hipótese sob análise, consistiria na mera conferência do PER/DCOMP n° 25810.53958.271009.1.3.035067, para verificar que o montante efetiva quitado por meio daquele documento foi R$ 1.888,106,09 (um milhão, oitocentos e oitenta e oito mil, cento e seis reais e nove centavos). A adoção desse tipo de comportamento teria dado ensejo ao reconhecimento do direito creditório da REQUERENTE no montante pleiteado através do PER/DCOMP n° 23059.54656.291010.1.2.038066 (Doc. n° 03). Diante do exposto, impõese a reforma do Despacho Decisório (Doc. n° 02), para que seja reconhecido o direito creditório da REQUERENTE no montante de R$ 1.888,106,09 (um milhão, oitocentos e oitenta e oito mil, cento e seis reais e nove centavos), eis que o montante de R$ 1.825.791,48 (um milhão, oitocentos e vinte e cinco mil, setecentos e noventa e um reais e quarenta e oito centavos) decorre de mero erro no preenchimento do PER/DCOMP objeto do presente processo. No mérito, com relação à insuficiência de crédito, após a emissão da Ordem Bancária, que fundamentou o ato de não homologação, no âmbito do processo nº 16306.000270/200962, assim se manifesta: Nos autos do Processo Administrativo n° 16306.000270/200962, foi reconhecido direito da REQUERENTE pleitear a restituição de R$ 44.646.735,55 (quarenta e quatro milhões, seiscentos e quarenta e seis mil, setecentos e trinta e cinco reais e cinquenta e cinco centavos) Doc. n° 05 , a titulo de IRPJ e CSLL, relativos ao anocalendário 2007. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10880.907531/201424 Acórdão n.º 1402002.961 S1C4T2 Fl. 158 7 Além disso, foi acostada aos autos daquele Processo Administrativo a decisão administrativa proferida nos autos do Processo Administrativo n° 16306.000012/200633, onde foi reconhecido o direito da REQUERENTE à restituição do montante de R$ 11.193.793,58 (onze milhões, cento e noventa e três mil, setecentos e noventa e três reais e cinquenta e oito centavos) Doc. n° 08 a titulo de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2003, bem como a demonstração do crédito de Imposto sobre produtos Industrializados (IPI), nos autos do Processo Administrativo n° 13808.004692/9791. Após diversas compensações de ofício autorizadas pela REQUERENTE nos autos dos Processos Administrativos supracitados, a REQUERENTE procedeu com a transmissão, dentre outros, do PER/DCOMP n° 25810.53958.271009.1.3.035067, por meio do qual pretendia usar parte do saldo remanescente nesses processos para quitação de débito de CSLL relativo ao mês de setembro de 2009, no montante de R$ 1.888,106,09 (um milhão, oitocentos e oitenta e oito mil, cento e seis reais e nove centavos), que passou a compor seu saldo negativo para o anocalendário 2009. O aludido PER/DCOMP foi transmitido em 27 de outubro de 2009. Ato contínuo, em de 24 de fevereiro de 2010, foi autorizada a emissão da Ordem Bancária para a restituição dos valores não utilizados pela REQUERENTE, a qual abarcaria os saldos remanescentes dos Processos Administrativos n°s 16306.000270/200962,16306.000012/200633 e 13808.004692/9791. Ou seja, o valor constante daquela Ordem Bancária jamais poderia ter restituído todo o montante objeto do Processo Administrativo n° 16306.000270/200962, eis que a REQUERENTE procedeu com as compensações em momento anterior àquela restituição, sendo certo, ainda, que a restituição ali concretizada se refere aos montantes dos três Processos Administrativos supramencionados, subtraídas as compensações de oficio e aquelas de iniciativa da REQUERENTE. Protesta pela realização de diligência/perícia para comprovar o saldo negativo de CSLL objeto dos PER/DCOMP ora em litígio, e elabora os quesitos a serem respondidos. Requer o reconhecimento do crédito, o deferimento do pedido de restituição e a homologação das compensações em litígio. A autoridade preparadora, apesar de não haver atestado a tempestividade da manifestação de inconformidade, encaminhou o processo para julgamento, em 01/07/2014. O processo foi distribuído à DRJ Ribeirão Preto/SP em 22/12/2014 Passo, agora, a complementar o relatório acima transcrito. A 13ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da fiscalizada, ao entender que: Fl. 161DF CARF MF 8 a) embora tenha sido reconhecida a relação de prejudicialidade entre os processos, a Administração Tributária deve prosseguir na apreciação dos procedimentos adotados, ainda que na pendência de decisão administrativa definitiva sobre o primeiro processo. b) o Acórdão nº 60.716, também proferido por esta R. Turma, já julgou pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente nos autos do Processo Administrativo 10880.725942/201584 e que toda a discussão sobre o PER/DCOMP 25810.53958.271009.1.3.035067 deve se dar somente no âmbito daquele processo, de modo que a eventual reforma daquela decisão repercutirá, necessariamente, nos presentes autos. c) mesmo declarada/confessada a estimativa do tributo com débito em DCTF ou DCOMP, não havendo pagamento ou homologação, deve ser tida por inexistente, já que o débito não será possível nem de cobrança ou de inscrição em dívida ativa Ainda, indeferiu a produção de prova pericial e, da mesma forma, entendeu ser prescindível a produção de prova diligencial, alegando que os elementos constantes dos processos foram suficientes para a formação da convicção acerca da matéria litigiosa. No que se refere ao sobrestamento ou suspensão do julgamento do presente processo, entendeu que não há previsão no processo administrativo fiscal, e nesse aspecto, não cabe aplicação subsidiária do Código de Processo Civil. Tal decisão restou assim ementada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 Saldo Negativo. Estimativas Compensadas. Não Homologação. Nos termos da legislação tributária, as estimativas devidas no curso do ano calendário constituemse em meras antecipações do IRPJ/CSLL devidos no encerramento do período de apuração, e assim apesar de obrigatórias, não atendem os pressupostos de certeza e liquidez, para serem exigíveis, mediante lançamento, cobrança e inscrição em Dívida Ativa da União. Somente se extintas, mediante pagamento, ou reforma da decisão administrativa de não homologação de compensação, as estimativas devem integrar o saldo negativo do período. Inconformada com a r. decisão, a fiscalizada interpôs Recurso Voluntário (e (fls. 113 a 121), reiterando seus argumentos e requerendo novamente a conversão em diligência à primeira instância, de forma a promover a efetiva análise dos processos acima mencionados, de forma a comprovar que os valores creditados em favor da Recorrente pela Ordem Bancária nº 2010OB800709 se compõem de créditos devidos oriundos de outros processos, anteriormente mencionados, para, ao fim, se verificar a existência de saldo credor nos autos, aptos a homologar as compensações realizadas e, com isso, afastar a exigência fiscal perpetrada. Requereu também que, caso não se entenda pela realização da diligência, seja conhecido o recurso e provido em sua integralidade para reformar o v. acórdão para que seja reconhecido o direito creditório sobre a integralidade do saldo negativo de CSLL do ano Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10880.907531/201424 Acórdão n.º 1402002.961 S1C4T2 Fl. 159 9 calendário de 2009 e homologada a integralidade das declarações de compensações realizadas contra o direito creditório. Por fim requereu ainda, sejam os presentes autos sobrestados até que se dê o julgamento definitivo nos autos do Processo Administrativo nº 10880.725942/201584, ante a manifesta relação de prejudicialidade entre os casos, conforme, inclusive, reconhecido pela D. Autoridade Julgadora a quo. Informo ainda, que foi proferida decisão judicial, nos autos do Mandado de Segurança nº 101651787.2017.4.01.3400, impetrado pelo contribuinte, perante a 6ª Vara Federal, da Seção Judiciária do Distrito Federal, determinando à autoridade impetrada que, no prazo de 60 (sessenta) dias, proceda ao julgamento dos processos administrativos números 10880.914484/201394, 10880.725942/201584 e 10880.907531/201424. Saliento que, apesar de os processos acima referidos terem dado entrada no CARF há cerca de 1 ano, foram distribuídos à minha relatoria 26 de janeiro de 2018, sendo que poderiam ser indicados para a pauta de julgamento, conforme RICARF, até o mês de julho de 2017 Estão sendo julgados antecipadamente devido ao mandado judicial. É o relatório. Fl. 163DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Em síntese, a Recorrente alega em seu recurso que a autoridade fiscal, ao analisar o seu pedido de restituição de saldo negativo de CSLL, AC 2009, no importe de R$ 1.825.791,48, o indeferiu (despacho decisório de p. 78). Que ciente dos termos do referido despacho, demonstrou que os valores não confirmados se referem à não homologação de PER/DCOMP em discussão no processo administrativo nº 10880.725942/201584, referente à PER/DCOMP nº 25810.53958.271009.1.35067, créditos de saldo negativo de CSLL, AC 2007, reconhecido no processo administrativo nº 16306.000270/200962. Afirma que a transmissão do PER/DCOMP nº 25810.53958.271009.1.35067 deuse antes da emissão de ordem bancária no processo administrativo nº 16306.000270/2009 62, restando controversa a restituição aduzida pela autoridade fiscal e duplicidade de glosa. Requer diligência. Requer, também, sobrestamento do presente processo até o julgamento definitivo do processo administrativo nº 10880.725942/201584. Observase que o pagamento, via compensação, de estimativa mensal de CSLL, no anocalendário 2009, competência setembro/2009, com créditos decorrentes de saldo negativo de CSLL, AC 2007, ao não ser homologada (PER/DCOMP nº 25810.53958.271009.1.35067), repercutiu no valor do saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário de 2009, Exercício 2010 e, consequentemente, no crédito trazido à restituição/compensação neste processo administrativo, redundando em falta de crédito para todas as compensações declaradas. Inicialmente, é importante ressaltar que o processo administrativo nº 10880.725942/201584 está sendo julgado em conjunto (mesma reunião de julgamento, em momento anterior) com o presente processo administrativo, uma vez que este Julgador reconheceu existir, de fato, relação de prejudicialidade entre um e outro, na medida que, havendo decisão favorável quanto à homologação das compensações declaradas no PER/DCOMP nº 25810.53958.271009.1.35067, a homologação no presente feito seria decorrência e, da mesma forma, confirmada a não homologação, também decorreria naturalmente a não homologação no presente feito. Fazendose a análise de todos os documentos que compuseram o processo administrativo nº 16306.000270/200962 e nº 10880.725942/201584, concluiuse que havia um crédito reconhecido de saldo negativo de CSLL, AC 2007, no importe de R$ 5.063.994,77, mas que esse crédito compôs a Ordem Bancária nº 2010OB800709, no importe de R$ 45.482.586,66, a qual foi recebida pelo contribuinte, de fato, após a transmissão da PER/DCOMP nº 25810.53958.271009.1.35067. No entanto, em nenhum momento, em ambos os processos (nº 16306.000270/200962 e nº 10880.725942/201584), o contribuinte alertou à autoridade fiscal que teria utilizado o saldo negativo de CSLL, AC 2007, em compensações via PER/DCOMP. Optou por entender que os créditos ressarcidos estariam vinculados também a outros dois processos administrativos (nº 13808.002368/9700 e nº 16306.000012/200633), mas em nenhum momento demonstrou existir tal relação. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10880.907531/201424 Acórdão n.º 1402002.961 S1C4T2 Fl. 160 11 A autoridade fiscal, ao contrário, através de cálculo apresentado na p. 236 do processo administrativo nº 16306.000270/200962, demonstrou que o saldo negativo de CSLL, AC 2007, no importe de R$ 5.063.994,77, compôs o valor apurado para fins de ressarcimento, razão pela qual a decisão exarada no processo administrativo nº 10880.725942/201584 foi por manter a decisão recorrida / despacho decisório, confirmandose a não homologação da compensação declarada através da PER/DCOMP nº 25810.53958.271009.1.35067. Desta forma, uma vez não homologada a compensação declarada através da PER/DCOMP nº 25810.53958.271009.1.35067, prejudicada está a apuração de saldo negativo de CSLL, AC 2009 e, consequentemente, os créditos pleiteados pelo contribuinte através deste processo administrativo. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário, uma vez que, julgado previamente o processo administrativo nº 10880.725942/201584, não restou homologada a compensação declarada na PER/DCOMP nº 25810.53958.271009.1.35067 e, consequentemente, restou prejudicada a apuração do saldo negativo de CSLL, AC 2009, inexistindo crédito passível de compensação nos moldes requeridos pela Recorrente. Consequentemente, restam não homologadas as compensações declaradas através das PER/DCOMPs nº 00427.04971.200111.1.3.030673, 09027.94456.180211.1.3.032439, 00454.20264.310311.1.3.038525 e 04873.94473.291111.1.3.035784. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.722951/2012-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
AUTO DE INFRAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. INCOMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 3º, IV, do Anexo II do RICARF, os recursos interpostos em processos que versem sobre aplicação da legislação relativa a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, são da competência da Segunda Seção e, não, desta Primeira.
Numero da decisão: 1301-003.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência à Segunda Seção de Julgamento.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência à Segunda Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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EPP E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 AUTO DE INFRAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. INCOMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 3º, IV, do Anexo II do RICARF, os recursos interpostos em processos que versem sobre aplicação da legislação relativa a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, são da competência da Segunda Seção e, não, desta Primeira. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência à Segunda Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 29 51 /2 01 2- 40 Fl. 1061DF CARF MF Processo nº 13971.722951/201240 Acórdão n.º 1301003.075 S1C3T1 Fl. 1.062 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratamse de Recursos Voluntários interpostos pelo contribuinte e demais interessados contra o acórdão 1261.463, proferido pela 11ª Turma da DRJ/RJ1, na sessão de 19 de novembro de 2013, que, ao apreciar a impugnação apresentada pelo contribuinte, por unanimidade de votos, julgoua procedente em parte. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Trata o presente processo de Auto de Infração n° 51.002.3339, lavrado em 14/11/2012, no valor de R$ 743.294,50 (setecentos e quarenta e três mil duzentos e noventa e quatro reais e cinquenta centavos), que acrescido de multa e juros corresponde ao valor consolidado de R$ 2.014.308,68 (dois milhões quatorze mil trezentos e oito reais e sessenta e oito centavos), referente a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados. 2. De acordo com o Relatório Fiscal, de fls. 46/52 do processo digital, foi realizada auditoria na autuada, MESH COMÉRCIO E CONFECCÇÕES DE ROUPAS LTDA e, concomitantemente, nas empresas COISAS DE BEBÊ CONFECÇÕES LTDA, CNPJ: 01.232.447/000159 e WRCP TÊXTIL LTDA, CNPJ: 08.869.459/000138, onde constatouse que as mesmas integram, DE FATO, um GRUPO ECONÔMICO e, portanto, solidariamente responsáveis, conforme fundamentações legais: CTN, art. 124, I e II; Lei 8.212/1991, art. 30, IX; Decreto 3.048/1999, art. 222 e Lei 8.884/1994, art. 17. 3. Diante disso, a autuada foi excluída do Simples Nacional, conforme Ato Declaratório Executivo – ADE nº 49, de 01/11/2012 (fls. 23), decorrente do processo de Representação Administrativa para Exclusão do SIMPLES, processo nº 13971.722923/201222. 4. Em função da exclusão do SIMPLES, com efeito retroativo a 01/01/2008, foram lançadas as contribuições previdenciárias patronais que deixaram de ser recolhidas. O presente lançamento compreende o período de 01/2009 a 12/2011, inclusive os décimos terceiros salários. Fl. 1062DF CARF MF Processo nº 13971.722951/201240 Acórdão n.º 1301003.075 S1C3T1 Fl. 1.063 3 5. Os fatos geradores foram as contribuições omitidas nas GFIPs, devido à informação incorreta referente à opção pelo SIMPLES e não recolhidas, constantes das folhas de pagamento. Nos levantamentos E2 (segurados empregados) e I2 (contribuintes individuais), que abrangem as competências 01/2009 a 12/2011, foi aplicada a multa qualificada (2 x 75%), por serem posteriores à edição da Medida Provisória nº 449, de 04/12/2008, que estipulou a nova multa, e por ter restado caracterizada a prática de sonegação e conluio previstas nos arts. 71 e 73 da Lei 4.502/64. 6. “Numa análise objetiva dos fatos relatados, constantes nos processos de Representações Administrativas para Exclusão do SIMPLES, mencionados no item 5, frente aos dispositivos legais em comento, não há como deixar de enquadrar a ação dolosa, intencional e consciente de simular a existência de empresas, formalmente distintas (MESH, COISAS DE BEBÊ e WRCP), porém formando um GRUPO ECONÔMICO DE FATO, com o evidente intuito de impedir o conhecimento do Fisco da incidência da Contribuição Previdenciária Patronal sobre as remunerações dos segurados das empresas MESH e COISAS DE BEBÊ (optantes, indevidamente, pelo SIMPLES), nas definições de sonegação e conluio, contidas nos arts. 72 e 73 da Lei 4.502/64, já transcritos.” IMPUGNAÇÃO 7. O contribuinte foi cientificado do lançamento em 26/11/2012, conforme AR de fls. 60. Caracterizada a sujeição passiva solidária, foram cientificadas do “Termo de Sujeição Passiva Solidária” as empresas COISAS DE BEBÊ CONFECÇÕES LTDA, CNPJ: 01.232.447/000159 (AR fls. 61) e WRCP Têxtil Ltda, CNPJ nº 08.869.459/000138 (AR fls. 62). 8. O contribuinte “MESH” apresentou impugnação em 26/12/2012, fls. 203/258, alegando, em síntese: 8.1 Não é possível que o lançamento seja objeto de emissão de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP), antes mesmo do fim do processo administrativo tributário. 8.2 Fazse necessário o julgamento em conjunto dos processos nº 13971.722951/201240, 13971.722950/201203, 13971.722959/201214, 13971.722963/201274, por envolverem os mesmos fatos geradores e identidade dos elementos de prova. Preliminar: 8.3 O Auto de Infração tem como fundamento básico a exclusão da Impugnante do Simples Nacional, que se deu através do Ato Declaratório Executivo nº 50/2012, processo administrativo nº 13971.722923/201222. Porém, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade contra a sua exclusão, que por sua vez ainda não foi julgada. Fl. 1063DF CARF MF Processo nº 13971.722951/201240 Acórdão n.º 1301003.075 S1C3T1 Fl. 1.064 4 8.4 Conforme art. 4º, § 3ºA da Resolução CGSN nº 15/07 e art. 75, § 3º da Resolução nº 94/2011, o termo de exclusão do Simples só se tornará efetivo após decisão irrecorrível desfavorável ao contribuinte. Dessa forma, somente após o julgamento definitivo, desfavorável à empresa, do processo de exclusão do Simples é que ela poderia ser notificada para o pagamento das contribuições em questão. Mérito Insubsistência da exclusão do Simples 8.5 Alega a insubsistência da exclusão do Simples e reproduz os mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade apresentada contra a ADE que a excluiu, processo nº 13971.722923/201222, apenso ao presente. Insubsistência do Auto de Infração 8.6 Independente dos argumentos relativos à exclusão do Simples, há outros motivos que impedem a manutenção do Auto de Infração: 8.6.1 A exigência de contribuições sobre verbas não remuneratórias, que não possuem natureza de salário/remuneração. Para que possam ser consideradas como salário ou remuneração é indispensável que elas apresentem duas características: contraprestação pelo trabalho e habitualidade. 8.6.2 Dentre as rubricas indevidamente incluídas na base de cálculo das contribuições está o Salário Maternidade, que sempre se constituiu em um benefício de natureza previdenciária e de responsabilidade da Previdência Social. As empresas apenas são chamadas a adiantar os valores devidos pelo INSS a esse título, tanto é assim que tais importâncias desembolsadas são prontamente compensadas com os valores devidos pela empresa ao INSS. Cita decisão do STF e do STJ nesse sentido. 8.6.3 Outra verba que também não se constitui em salário ou remuneração é o chamado Auxíliodoença nos primeiros 15 dias de afastamento do segurado. Tal verba não é compatível com os conceitos jurídicos de salário e de remuneração, pois não representam contraprestação aos serviços prestados e nem é dotada da característica da habitualidade. Cita decisão do STJ e do TRF da 4ª Região. 8.6.4 O 1/3 de férias e respectivos reflexos também não tem natureza jurídica de salário ou remuneração, o que impede que ele seja considerado salário de contribuição. Ele se configura um abono pago ao funcionário que tira férias. Cita entendimento do STJ para respaldar o posicionamento defendido pela Impugnante. Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 13971.722951/201240 Acórdão n.º 1301003.075 S1C3T1 Fl. 1.065 5 8.6.5 O mesmo se dá em relação aos valores pagos a título de férias. Tais valores não poderiam ser considerados como salário/remuneração, porque pagos enquanto os funcionários não prestam serviços para a empresa. Transcreve decisão do STJ. 8.6.6 “Há, ainda, diversas outras verbas que, muito embora sejam pagas pela Impugnante às pessoas que lhe prestem serviços, não poderiam ser incorporadas à base de cálculo das contribuições.” Podem ser citadas, entre outras, importâncias pagas a título de horasextras, gratificações e outras verbas delas decorrentes. 8.6.7 O Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de que as contribuições não podem incidir sobre abonos ou demais verbas trabalhistas de natureza indenizatória. 8.6.8 “Dessa forma, caso seja mantido o Auto de Infração (o que se admite somente por hipótese), as verbas que não correspondem a salário e demais rendimentos do trabalho precisam ser excluídas da base de cálculo adotada pela fiscalização.” 8.7 Insurgese contra o aumento da alíquota do SAT/GILRAT de 2% para 3% instituída pelo Decreto nº 6.957/09 que alterou o anexo V do Decreto nº 3.048/99. Alega que tal decreto restringiuse única e exclusivamente a aumentar a alíquota do SAT sem expor os motivos para a mudança do grau de risco. Com isso o Decreto violou os princípios da publicidade e da motivação dos atos administrativos, além de ter desrespeitado os princípios da capacidade contributiva e da isonomia tributária. Portanto, o Decreto nº 6.957/09 é inconstitucional. 8.8 A fiscalização deixou de abater do montante exigido os valores recolhidos pela empresa a título de Contribuição Previdenciária Patronal no âmbito do Simples Nacional (anexa os comprovantes de recolhimento – doc. nº 14). 8.8.1 O CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já pacificou o entendimento, através da Súmula nº 76, de que, no caso de lançamentos decorrentes da exclusão de empresas do Simples, devem ser deduzidos os valores pagos pela empresa no âmbito do Simples. 8.9 Devem ser excluídos os montantes referentes às competências de 12/2011 e 13/2011. O presente Auto de Infração exige as contribuições previdenciárias previstas no art. 22, I e II da Lei 8.212/91, ambas com alíquota de 20%, sendo a primeira incidente sobre a folha de salários e a segunda sobre as remunerações pagas ou creditadas aos contribuintes individuais. 8.9.1 A MP nº 540/11 (art. 8º), convertida na Lei nº 12.546/11 (art. 8º, na redação anterior à MP nº 563/12) previu que as referidas contribuições patronais seriam substituídas, temporariamente, por uma contribuição de 1,5% sobre a receita bruta da empresa. Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 13971.722951/201240 Acórdão n.º 1301003.075 S1C3T1 Fl. 1.066 6 8.9.2 Tal substituição se aplica apenas às empresas que fabricam os produtos classificados nas posições da TIPI (Tabela do IPI) indicadas nas referidas normas. E entre estes produtos destacamse aqueles classificados no Capítulo 61 da TIPI, que são fabricados pela Impugnante, como demonstram as notas fiscais anexas (doc nº 16). 8.9.3 Portanto, a partir de 01/12/2011 a Impugnante está obrigada a recolher a nova contribuição previdenciária sobre a receita bruta. Assim, os valores referentes à essas competências devem ser cancelados. 8.10 Mantido o lançamento, não poderia prevalecer a multa aplicada. 8.10.1 No caso concreto, não é possível a aplicação da multa qualificada no percentual de 150% da exigência, uma vez que o intuito de fraude, consubstanciado em ação/omissão dolosa tendente a impedir o conhecimento da ocorrência de fato gerador das contribuições, tem que estar materialmente comprovado e não meramente presumido. 8.10.2 A multa é desproporcional à falta hipoteticamente cometida pela contribuinte, contrariando os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e do devido processo legal material. Além de possuírem caráter confiscatório. 8.11 Requer seja julgada procedente a Impugnação para que: a) não seja formalizada qualquer representação para fins penais; b) sejam julgados em conjunto os processos citados; c) o Auto de Infração seja cancelado em virtude da ausência de julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada contra o ato de exclusão do Simples; d) o Auto de Infração seja cancelado diante da inexistência de qualquer valor devido; ou na pior das hipóteses, e) sejam excluídas: as parcelas relativas às verbas não remuneratórias; ao SAT/GILRAT; à majoração da alíquota do SAT/GILRAT de 2% para 3%; aos valores já pagos do Simples Nacional; às competências 12/2011 e 13/2011; às multas aplicadas e à multa qualificada de 150%, reduzindoa para, no máximo, 75%. 9. A empresa Coisas de Bebê Confecções Ltda – EPP, responsável solidária, apresentou impugnação em 26/12/2012, fls. 803/810, alegando, em síntese: 9.1 Insurgese contra a responsabilidade solidária imputada, conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária. A fiscalização, para concluir que haveria responsabilidade solidária entre a Impugnante e a empresa originalmente autuada, alegou que teria ocorrido a formação de grupo econômico “de fato”, o que Fl. 1066DF CARF MF Processo nº 13971.722951/201240 Acórdão n.º 1301003.075 S1C3T1 Fl. 1.067 7 justificaria a responsabilidade solidária, com fundamento nos arts. 124 do CTN, 30, IX, da Lei nº 8.212/91 e 222 do Decreto nº 3.048/99. 9.2 Tais normas não poderiam, no entanto, amparar a pretensão da fiscalização, uma vez que o art. 124 do CTN está inserido no capítulo IV que não trata de responsabilidade tributária, função desempenhada pelo capítulo V, que não prevê a situação em análise. O mesmo ocorre com o art. 30, IX da Lei nº 8.212/91 e o art. 222 do Decreto nº 3.048/99. 9.3 Segundo a jurisprudência pacífica dos tribunais, a responsabilidade tributária é matéria que somente pode ser regida por lei complementar e não por lei ordinária ou decreto. 9.4 O argumento da fiscalização contraria a definição de “grupo de sociedades”, prevista no art. 265 da lei das S/A (Lei nº 6.404/76). 9.5 Alega que as pessoas jurídicas em questão são independentes e a inexistência de atos de gestão da Impugnante junto à empresa originalmente autuada. 9.6 Reitera os termos da impugnação apresentada pela autuada. 10. A empresa WRCP Têxtil Ltda – EPP, responsável solidária, apresentou impugnação em 26/12/2012, fls. 870/877, trazendo exatamente as mesmas argumentações da Coisas de Bebê Confecções Ltda – EPP. 11. É o relatório. Na seqüência, foi proferido o Acórdão recorrido, julgando procedente em parte a impugnação apresentada, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido. Após intimadas todas as interessadas, elas apresentam seus respectivos Recursos, pugnando pelo provimento, onde apresentam argumentos que serão posteriormente analisados. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator Antes de qualquer outra verificação do recurso interposto, um questão preliminar requer averiguação; I. DA INCOMPETÊNCIA DESTA 1ª SEJUL Analisando os autos, verifico que ao cabo de uma única auditoria, a autoridade encarregada formalizou seis processos administrativos. Fl. 1067DF CARF MF Processo nº 13971.722951/201240 Acórdão n.º 1301003.075 S1C3T1 Fl. 1.068 8 No caso dos autos, tratase de lançamento, onde é exigido crédito tributário de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados. Assim, embora o presente processo seja decorrente do Ato da exclusão do Simples da recorrente, a exigência aqui reclamada baseiase em remunerações de seus empregados. Sobre a competência desta Seção de Julgamento, transcrevo o inciso IV, artigo 2º do Anexo II, com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (G.N) De acordo com tal norma, no que aqui nos interessa, apenas recursos que versem sobre aplicação da legislação relativa à Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta atrairiam a competência para esta Seção de Julgamento, e só se a exigência fosse formalizada com base nos mesmos elementos de provas de eventual lançamento de IRPJ/CSLL. No caso, não se trata nem mesmo de Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta. Dispõe ainda o mesmo diploma no art. 3º, IV, que: Art. 3º À 2ª (segunda) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007; (G.N) A distribuição de competência entre as três Seções de Julgamento do CARF consiste em repartição jurisdicional em razão funcional, para atender o interesse público. Como tal, não é passível de modificação, devendo eventual incompetência ser conhecida de ofício Fl. 1068DF CARF MF Processo nº 13971.722951/201240 Acórdão n.º 1301003.075 S1C3T1 Fl. 1.069 9 Assim, tendo em vista que o presente caso trata de exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações de seus empregados, resta claro que ele está fora do âmbito de competência de julgamento desta 1ª Seção, devendo ser remetido à 2ª Seção, que tem a efetiva competência para o julgamento. Conclusão Diante do exposto, voto por declinar da competência para julgamento do recurso em favor da Segunda Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 1069DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.901958/2014-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimaraes, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimaraes, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimaraes, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição cujo crédito é decorrente de pagamento a maior que o devido. No despacho decisório o direito creditório não foi reconhecido porque o pagamento em questão fora integralmente utilizado na quitação de débito devidamente declarado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 01 95 8/ 20 14 -4 4 Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10675.901958/201444 Resolução nº 1201000.477 S1C2T1 Fl. 3 2 Foi protocolada manifestação de inconformidade em que foi alegado tratarse de pagamento de tributo já retido pela fonte pagadora. A manifestação foi considerada improcedente uma vez que, pelos elementos de prova carreados aos autos, não se observa ter ocorrido pagamento em duplicidade de tributo sujeito à retenção na fonte. O pagamento referese a tributo devido pela sistemática do lucro presumido, regularmente apurado e declarado. No Recurso Voluntário foi alegado: a) que houve prestação de serviços da recorrente e a fonte pagadora efetuou a retenção do imposto; b) a recorrente também recolheu imposto do período, ocasionando o recolhimento em duplicidade; c) foram produzidas provas que comprovam o recolhimento em duplicidade. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.457, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10675.901644/201441, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.457): "Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Mérito. Segundo o recorrente, houve pagamento em duplicidade, uma vez a retenção na fonte relativamente aos serviços por ele prestados e, posteriormente, pagamento do imposto desse mesmo período. Ocorre que o valor pago referese ao imposto apurado no período trimestral pela sistemática do Lucro Presumido e, conforme pode ser visto desde o Despacho Decisório, esse pagamento corresponde ao valor apurado e devidamente declarado. Esse o motivo do indeferimento do pleito. Contudo, não consta dos autos a DIPJ do período correspondente, pelo que não é possível verificar se houve ou não a dedução do IRRF na apuração do imposto e, ainda, o resultado dessa apuração. Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10675.901958/201444 Resolução nº 1201000.477 S1C2T1 Fl. 4 3 Fazse pois necessária a juntada aos autos da DIPJ do período e a demonstração do imposto a pagar apurado. Conclusão. Em face do exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para: a) juntadas das cópias da DIPJ e da DCTF (e eventuais retificadoras) do período correspondente; b) confirmação das retenções do IRRF; c) verificação quanto à dedução do imposto retido; d) que se apure eventual pagamento a maior (crédito passível de utilização). O contribuinte poderá ser intimado a prestar esclarecimentos, a juízo da autoridade diligenciante. A conclusão deverá constar de relatório circunstanciado do qual se dará ciência ao interessado para que, querendo, se manifeste no prazo de trinta dias. Com ou sem a manifestação do interessado, os autos deverão retornar a este colegiado para julgamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 47DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.724526/2015-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado e Rafael Gasparello Lima.
Relatório
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado e Rafael Gasparello Lima. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado e Rafael Gasparello Lima. Relatório 1. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: "Contra a empresa em epígrafe foi lavrado Auto de Infração para exigir R$ 15.760.038,52 de IRPJ, R$ 5.692.015,33 de CSLL, R$ 9.102.487,04 de COFINS e R$ 1.944.220,57 de PIS, inclusos multa de ofício e de juros de mora, decorrente de Omissão de receita RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 24 52 6/ 20 15 -3 1 Fl. 1618DF CARF MF Processo nº 10980.724526/201531 Resolução nº 1201000.415 S1C2T1 Fl. 3 2 operacional caracterizada pela falta de comprovação de depósitos bancários, conforme descrito no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, que faz parte do Auto de Infração. De acordo com o Termo de Descrição dos Fatos e Encerramento Parcial da Ação Fiscal de fls. 939/953 a origem dos créditos em conta corrente bancárias, relacionados no ANEXO TIF 30/11/2015, não foram comprovados com documentos hábeis e idôneos, fato que caracterizou omissão de receitas, no montante de R$ 40.863.678,99, conforme disposto no artigo 287, ficando os valores sujeitos à tributação do Imposto de Renda e Contribuições Sociais conforme disposto no artigo 288, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/1999), com as alterações contidas no artigo 29 da Lei nº 11941, de 27 de maio de 2009, conforme DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS, anocalendário de 2011. Regularmente cientificado da autuação, o contribuinte (Bayonne Cosméticos Ltda) ingressou com a impugnação, aduzindo, em síntese, as seguintes razões de defesa: Em Preliminar a nulidade do lançamento, alegando: AUSÊNCIA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS DEPÓSITOS QUESTIONADOS. O § 3° do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 determina que para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualmente. O legislador, portanto, estabeleceu que para a validade da presunção de omissão de receita, a fiscalização deverá individualizar os créditos em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira tidos como não comprovados pelo seu titular. Tratase de determinação legal imperativa, que deve ser obrigatoriamente observada pela fiscalização. Isso, entretanto, não se verifica no presente caso, onde o Agente Fiscal optou por considerar os créditos "que somados no dia do lançamento totalizam o valor dos cheques emitidos pela APROVE" (conforme expressamente consignado no item 20 do Termo de Verificação e Encerramento Parcial de Ação Fiscal, que fundamenta e motiva os Autos de Infração). O Agente Fiscal, portanto, promoveu o lançamento sobre diversos valores somados (lançamentos globais), deixando de individualizar cada um dos lançamentos que, no seu entender, representariam a omissão de receitas, violando a legalidade e ferindo de morte o direito à ampla defesa da Impugnante, negando vigência ao § 3º do artigo 42 da Lei 9.430/96. Toda a presunção, ainda que estabelecida em lei, deve ter relação entre o fato adotado como indiciário e sua consequência lógica, a fim de que se realize o primado básico de se partir de um fato conhecido para se provar um fato desconhecido. Destarte, quando o Fisco recorre a uma presunção legal tem o dever de observar os ditames da lei e deve Fl. 1619DF CARF MF Processo nº 10980.724526/201531 Resolução nº 1201000.415 S1C2T1 Fl. 4 3 demonstrar, de forma analítica todos os motivos e dados detalhados que o levaram a presumir a omissão de rendimentos. Requerse, portanto, seja reconhecida a nulidade do lançamento realizado, posto que levado a feito sem observância dos requisitos legais, representando a descrição inadequada dos fatos, haja vista fundarse em saldos globais, não individualizados, de movimentação financeira da Impugnante. DA NULIDADE POR DIRIGISMO. O Agente Fiscal atua com absoluta dissociação da busca pela verdade material, ignorando a realidade fática apresentada pela Impugnante, com o objetivo único de promover o lançamento, que não encontra qualquer amparo nos resultados da fiscalização efetivada, na documentação agremiada ou nas alegações ou justificativas apresentadas pela Impugnante ou terceiros no presente caso. Senão vejamos: Em resposta aos "Termos de Intimação Fiscal" emitidos pelo Agente Fiscal, a Impugnante informou que a origem de tais recursos seriam operações de venda de produtos realizadas com a empresa LANGON COSMÉTICOS LTDA. Pois bem, em atendimento aos Termos de Intimação Fiscal, a IMPUGNANTE apresentou a lista de todas as faturas e notas fiscais vinculadas aos recebimentos, confirmando a origem dos pagamentos (transferências da LANGON para a BAYONNE).Cumpre informar que a BAYONNE e a LANGON possuem relacionamento mercantil intenso, posto que a LANGON é a empresa atacadista que promove a distribuição e a revenda de parcela significativa da produção da BAYONNE, atuando em todo o estado do Paraná. É natural, portanto, que na dinâmica continua e perene de negócios entre as duas empresas ocorram negociações diárias sobre o pagamento de faturas, consolidação de saldos e encontros de contas, que muitas das vezes implicam na adoção de valores "redondos" para depósito e transporte de saldos "quebrados" de um dia para outro, tamanho o volume de operações de venda e notas fiscais emitidos diariamente. Nesse contexto, a mera especulação do Auditor no sentido de que tais notas não podem ser vinculadas aos depósitos realizados é ilegal e arbitrária. Ainda assim, entretanto, a Autoridade Fiscal optou, deliberadamente, por desconsiderar as informações prestadas e os documentos apresentados, ignorando, portanto, a realidade fática. Classificando, a seu bel prazer, os documentos como não idôneos, perseguindo o resultado almejado de promover o lançamento, ainda que ao arrepio do que fora demonstrado e comprovado na fiscalização. De forma absolutamente arbitrária, e totalmente dissociado dos princípios que deveriam nortear sua atuação (entre eles o da busca da verdade material), o Sr. Auditor Fiscal simplesmente ignorou as informações prestadas, considerando, sem motivação ou fundamentação, como inidôneos os documentos e justificativas apresentados pela Fl. 1620DF CARF MF Processo nº 10980.724526/201531 Resolução nº 1201000.415 S1C2T1 Fl. 5 4 Impugnante, que convergem em todos os aspectos e correspondem à verdade material. Todos os procedimentos fiscalizatórios foram realizados com claro dirigismo pela Autoridade Fiscal, com o intuito de corroborar sua percepção préconcebida. Tanto o é que, em nenhuma das diligências ou solicitações apresentadas para a Impugnante, nos diversos Termos de Intimação emitidos requisitou esclarecimentos específicos sobre a suposta "sonegação" ou "omissão de receitas", optando deliberadamente por construir o seu convencimento a partir de sua própria e peculiar interpretação dos fatos. Para tanto, partiu de critérios absolutamente subjetivos, simplesmente ignorando a validade dos documentos e justificativas apresentados, conforme lhe convinha, baseado unicamente em exercício subjetivo, configurando o dirigismo do procedimento e a violação ao princípio da busca pela verdade material, sendo certo que em nenhum momento a autoridade fiscal logrou demonstrar que a Impugnante efetivamente promoveu as práticas que lhe foram imputadas (omissão de receitas). Ao valorar de forma inadequada as provas, documentos e justificativa tomados ao longo da fiscalização, apenas para corroborar seu entendimento subjetivo, o Agente Fiscal comprometeu o objetivo do procedimento fiscalizatório, violando o princípio da verdade material, configurando consumação do simulacro de procedimento administrativo, instaurado já com a predisposição de configuração do resultado final, razão pela qual a nulidade há de ser reconhecida. No mérito, trouxe, em resumo, os seguintes argumentos: DA IMPROCEDÊNCIA DOS LANÇAMENTOS. Como visto, o artigo 42 da lei 9.430/96 estabelece rito probatório especial para os depósitos bancários e aplicações financeiras, e, no caso de suspeitas sobre a sua origem ou se foram ou não considerados na composição da tributação, a lei exige o atendimento de determinados requisitos, em rigorosa observação do princípio da proporcionalidade, da razoabilidade e da impossibilidade do cerceamento de defesa. Por isso, certas restrições ao emprego da presunção já vieram destacadas na própria norma, em especial no § 3º do artigo 42 da lei 9.430/96, que diz respeito à análise individuada dos depósitos bancários. A base de cálculo dos tributos, mesmo quando decorre de presunção, não pode prescindir de um grau de certeza, por se constituir na materialização do fato gerador de tributos. Exatamente por isso é imperativo que no levantamento da suposta "receita omitida" com base no artigo 42 da lei 9.430/96, a análise dos créditos omitidos seja realizada de forma individual (um por um) e não de forma global ou por amostragem. Não demonstra a Autoridade, por outro lado, que tais receitas teriam sido omitidas ou desconsideradas das demonstrações contábeis e da apuração do Lucro Real e da base de cálculo dos demais tributos apresentados oportunamente pela Impugnante. tornando o lançamento falho, não podendo sustentarse no mérito, deturpado da aplicação da Fl. 1621DF CARF MF Processo nº 10980.724526/201531 Resolução nº 1201000.415 S1C2T1 Fl. 6 5 presunção legal de que teria havido a omissão, cuja comprovação cabal é ônus da autoridade autuante. Assim, considerando que as solicitações constantes dos TIFs foram integralmente atendidas pela Impugnante, de boa fé, tempestiva e pontualmente, nos exatos termos solicitados pela própria autoridade fiscal, não há que se falar em aplicação dos artigos 287 e 288 do RIR ao presente caso. O único fundamento para aplicação do dispositivo é a subjetividade do próprio Agente, que achou por bem desconsiderar os documentos apresentados pela Impugnante, documentos esses que ratificam o informado pela Impugnante: os ingressos nas contas financeiras eram depósitos realizados pela LANGON para a compra de produtos. A Autoridade sequer chegou a esboçar indícios de que tais ingressos foram ignorados pela Impugnante na composição das bases de cálculo do exercício fiscal de 2011, sendo que tal ônus caberia ao fisco: demonstrar que os valores ingressados não foram considerados pela Impugnante em sua escrita fiscal, lembrando que as demonstrações financeiras e a escrituração contábil e fiscal da Impugnante gozam de presunção de veracidade, até prova em contrário, que não foi apresentada pelo agente fiscal no presente caso. Com efeito, sequer foram analisados os lançamentos contábeis e financeiros da escrita da impugnante, pois os livros RAZÃO e DIÁRIOS registram que, efetivamente, cada entrada de caixa se deu para o pagamento de notas fiscais, ainda que alguma tiveram baixa de valores parciais em determinados momentos. O Agente Fiscal limitouse a solicitar planilhas em excel, não confrontando suas conclusões com a contabilidade da empresa, que demonstra que todos esses valores foram considerados como Receita, não havendo como se falar em omissão, se efetivamente compuseram os resultados do período. Todos os valores recebidos possuem documentos hábeis e idôneos que compravam que os recebimentos relacionados no AUTO DE INFRAÇÃO foram promovidos pela empresa LANGON tal como informado pela impugnante. A COMPOSIÇÃO DA SUPOSTA RECEITA "OMITIDA" Nada obstante a improcedência do lançamento conforme demonstrado acima, a autoridade fiscal cometeu equívoco na determinação da base de cálculo das supostas receitas omitidas, ao considerar valores transferidos de uma conta corrente para a outra pela própria IMPUGNANTE, e, portanto, que não representam ingressos efetivos, conforme descriminados na Planilha anexa. Impugnase, portanto, o cálculo da suposta receita omitida, que deverá ser expurgado dos valores transferidos de uma conta corrente para a outra pela própria Impugnante, resgates de aplicação e créditos de empréstimo de capital de giro, de modo que devem ser recalculados os valores dos impostos lançados. Ademais, devem ser expurgados os valores de movimentação financeira que já foram devidamente ofertados à tributação pela empresa, posto que constaram de suas demonstrações e do cálculo dos Fl. 1622DF CARF MF Processo nº 10980.724526/201531 Resolução nº 1201000.415 S1C2T1 Fl. 7 6 impostos, sob pena de caracterização de bis in indem, conforme orientação do CARF. DA PROVA PERICIAL Com a finalidade de exercer a prerrogativa de avaliação contraditória do arbitramento realizado, requer realização de prova pericial. Para tanto, em conformidade com o artigo 16, inciso IV do Decreto 70.235/1972 indica como seu assistente técnico a empresa HOFFMANN AUDITORES INDEPENDENTES, empresa devidamente registrada no CRCSP sob n° 2SP 031856/O6, inscrita no CNPJ sob n° 19.600.260/000126, sediada à Av. Dr. Chucri Zaidan, 940, 16° Andar — Market Place Tower II, na cidade de São Paulo SP, na pessoa de seu diretor, Sr. JOSÉ ISAIAS HOFFMANN, brasileiro, Bacharel em Ciências Contábeis, registrado no CRCSP, categoria contador sob n° 022566/O3. Os quesitos (em número de 14) constam das efls 993/994 da impugnação. Ao final requereu que o presente auto de infração seja julgado NULO, em razão dos vícios apontados no corpo da presente Impugnação e no mérito que seja a totalidade dos lançamentos consubstanciados nos Autos de Infração julgada IMPROCEDENTE. Por fim, solicitou, ainda, a produção de todas as provas em direito admitidas, em especial a juntada de novos documentos, protestando desde logo pela possibilidade de apresentação complementar de documentos." 2. Em sessão de 28 de junho de 2008, a 8ª Turma da DRJ/RPO, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação (fls. 981/995), mantendo o crédito tributário conforme fora lançado, nos termos do voto do relator, Acórdão nº 1461.687 (fls. 1522/1536), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2011 a 31/12/2011 NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação encontraram plenamente assegurados. A alegação de cerceamento do direito de defesa sem a apresentação de elemento que evidencie sua caracterização em termos materiais e formais carece de fundamento, pois há que ser identificado real prejuízo ao contribuinte. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. IMPEDIMENTO DE APRECIAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 1623DF CARF MF Processo nº 10980.724526/201531 Resolução nº 1201000.415 S1C2T1 Fl. 8 7 O protesto pela juntada posterior de documentação não obsta a apreciação da impugnação e somente é possível em casos especificados na lei.” “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Período de apuração: 01/04/2011 a 31/12/2011 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” 3. A DRJ/RPO não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: Dilação Probatória e Perícia 3.1. Em consonância com o artigos 16, inciso IV e 18, do Decreto nº 70.235, de 1972, sustenta que "No caso em exame, não há necessidade de realização de perícia concernente à escrita contábil, pois tudo está plenamente demonstrado e de modo suficientemente documentado nos autos, sendo a autoridade fiscal apta ao exame dos assentamentos contábeis e também concernente a legislação aplicável ao caso concreto". 3.2. "Descabe a juntada posterior de documentos, ressalvada as hipóteses previstas no § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972". Decisões Judiciais e Administrativas 3.3. Considera que a jurisprudência dos Tribunais Pátrios e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais citadas pela contribuinte não têm qualquer efeito vinculante para este julgamento, com base no artigo 100, inciso II, do Código Tributário Nacional (CTN); e artigos 1º e 2º, do Decreto nº 73.529/1974. Nulidades 3.4. Considera que não houve cerceamento do direito de defesa da contribuinte, pois "No relatório confeccionado pela autoridade fiscal, há informações que possibilitam a perfeita avaliação da irregularidade tributária perpetrada pelo sujeito passivo. Depois, é possível notar nos autos constam demonstrativos e termos que possibilitam ao contribuinte verificar a base de cálculo, o fato gerador, a multa e o valor do débito e juntamente com o Fl. 1624DF CARF MF Processo nº 10980.724526/201531 Resolução nº 1201000.415 S1C2T1 Fl. 9 8 Termo de Verificação e planilhas são suficientes para que se tenha perfeita compreensão do que lhe está sendo imputado pelo Fisco." 3.5. "A alegação de cerceamento do direito de defesa sem a apresentação de elemento que evidencie sua caracterização em termos materiais e formais carece de fundamento, pois há que ser identificado real prejuízo ao contribuinte". 3.6. Com relação a suposta ausência de individualização dos depósitos questionados, consigna que estaria "havendo alguma confusão na interpretação da legislação por parte do contribuinte. A legislação não diz que o lançamento deve ser individualizado e sim que os créditos em conta corrente devem ser individualizados para análise na determinação da receita omitida, ou seja, cada crédito depositado deve ser verificado (seu valor, sua razão e comprovação, se proveniente de vendas, transferências, omissão, etc.), mas não diz que o lançamento não possa conter os vários valores constatados no período, desde que tenham sido verificados individualmente e conferido a oportunidade de o sujeito passivo se manifestar individualmente para cada um deles." 3.7. O contribuinte foi devidamente intimado a esclarecer cada um dos depósitos individualizados do período de abril a dezembro de 2011, conforme Anexo TIF de 30/11/2015 (fls. 444/448). 3.8. "Questões atinentes à apuração em si (valoração da prova), como a reclamada pelo interessado, pertencem ao campo de análise de mérito e revisão do lançamento, e não implicam em nulidade", com fundamento os citados artigos 59 e 60, do Decreto nº 70.235/72. Mérito 3.9. Quanto à operação de vendas de produtos da BAYONNE para a LANGON, considerou que: "(...) somente houve a apresentação de planilhas relacionando o motivo de cada depósito bancário e depois uma planilha relacionando várias notas fiscais por data de saída e valor. Não houve apresentação de qualquer relação entre as notas fiscais e o valor e data de depósito. Também não houve apresentação das notas fiscais. E, quando apresentadas as notas fiscais específicas para cada depósito, o valor total não bateu (somatório das notas fiscais divergiu do valor do depósito). Apesar do esforço do contribuinte para provar a origem dos depósitos, não me sinto convencida de que as planilhas trazidas ao processo possam, por si sós, provar a origem dos depósitos, pois são deficientes em promover a ponte entre as notas fiscais e o depósito (documentos não concordantes em valor e data). Ademais, quando apresentadas as notas fiscais ditas específicas para cada depósito, o valor total não bateu. Além de serem documentos que não indicam, sem sombra de dúvida, a operação ocorrida. Da maneira que foram trazidas aos autos (ancoradas apenas em relatórios internos) qualquer nota fiscal, representante de qualquer operação efetuada, poderia ser apresentada para salvaguardar os depósitos. Não existe nada consistente, data, valor, operação, etc. Fl. 1625DF CARF MF Processo nº 10980.724526/201531 Resolução nº 1201000.415 S1C2T1 Fl. 10 9 No caso, cabe à defesa constituir a prova pela precisa articulação dos elementos. Provar não é juntar documentos, é articulálos, e isso não foi realizado pelo impugnante. Desta forma, por tudo o que foi exposto até agora, devo concordar com a autoridade fiscal de que os depósitos efetuados nas contascorrentes bancárias do autuado, não tiveram sua origem comprovada." 3.10. Relativamente a alegação da contribuinte de que a autoridade fiscal cometeu equívoco na determinação da base de cálculo das supostas receitas omitidas, ao considerar valores transferidos de uma conta corrente para a outra de mesma titularidade da Recorrente, consignou que "da análise das planilhas anexas aos autos não foi encontrado nenhum documento (bancário ou outro) que comprovasse transferência entre contas ou empréstimo bancário. Apenas planilha, na qual a ocorrência estava indicada". 4. Cientificada da decisão (Termo de Registro de Mensagem de fl. 1544, de 11/07/2016 e Ciência Eletrônica por Decurso de Prazo de fl. 1545, de 26/07/2016), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls.1576/1600) em 24/08/2016 (fl. 1547), reiterando as razões já expostas em sede de Impugnação (fls. 981/995) e reforçando para que seja reconhecida a preliminar de cerceamento de defesa ou, alternativamente, seja o feito convertido em diligência para viabilizar a prova pericial; e, no mérito, sejam reconhecidas as razões capazes de levar a improcedência do lançamento em questão. É o relatório. Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora Voto 5. O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. 6. Em virtude da necessidade de baixar os autos em diligência, deixo de apreciar as demais razões suscitadas em sede de Recurso Voluntário (fls.1576/1600) e atenho me aos pressupostos e fundamentos hábeis a justificar tal providência a ser atendida pela douta autoridade preparadora. 7. Em análise à documentação suporte que instruiu a Impugnação de fls. 981/995, verifiquei que a ora Recorrente cuidou de apresentar documentação fiscal e contábil por meio dos seguintes anexos: 7.1. Anexo 1 (fls. 996/1134): Relaciona 6 valores recebidos pela Bayonne em abril de 2011 que totalizam R$ 1.190.000,00. Para cada valor, apresentou: cópia do depósito fornecido pelo cliente (Langon Cosméticos Ltda.), documento utilizado para fins de contabilização; cópia das notas fiscais de venda que originaram as entradas dos recursos; e cópia do diário de abril de 2011, com destaque para os valores questionados. 7.2. Anexo 2 (fls. 1135/1159): Relaciona extratos bancários de novembro e dezembro de 2011, que demonstram ser os lançamentos receitas não tributáveis, mas sim resgates de aplicação automática e operação de capital de giro, que remontam um total de R$ 6.190.873,44. Fl. 1626DF CARF MF Processo nº 10980.724526/201531 Resolução nº 1201000.415 S1C2T1 Fl. 11 10 7.3. Anexo 3 (fls. 1160/1292): Relaciona 19 valores recebidos pela Bayonne em maio de 2011 que totalizam R$ 5.430.000,00. Para cada valor, apresentou: cópia do depósito fornecido pelo cliente (Langon Cosméticos Ltda.), documento utilizado para fins de contabilização; cópia das notas fiscais de venda que originaram as entradas dos recursos; e cópia das páginas do diário que demonstram a movimentação. 7.4. Anexo 4 (fls. 1293/1342): Relaciona 23 valores recebidos pela Bayonne em junho de 2011 que totalizam R$ 6.110.000,00. Para cada valor, apresentou: cópia do depósito fornecido pelo cliente (Langon Cosméticos Ltda.); e cópia das páginas do diário em cotejo com os depósitos, com o intuito de evidenciar nota a nota baixada e forma de registro das mesmas. 7.5. Anexo 5 (fls. 1361/1381): Relaciona 16 valores recebidos pela Bayonne em julho de 2011 que totalizam R$ 3.913.000,00. Para cada valor, apresentou: cópia do depósito fornecido pelo cliente (Langon Cosméticos Ltda.); e cópia das páginas do diário em cotejo com os depósitos, com o intuito de evidenciar nota a nota baixada e forma de registro das mesmas. 7.6. Anexo 6 (fls. 1343/1360): Relaciona 17 valores recebidos pela Bayonne em agosto de 2011 que totalizam R$ 4.610.000,00. Para cada valor, apresentou cópia dos depósitos fornecidos pelo cliente (Langon Cosméticos Ltda). 7.7. Anexo 7 (fls. 1382/1398): Relaciona 17 valores recebidos pela Bayonne em setembro de 2011 que totalizam R$ 3.074.912,12. Para cada valor, apresentou cópia dos depósitos fornecidos pelo cliente (Langon Cosméticos Ltda). 7.8. Anexo 8 (fls. 1399/1412): Relaciona 16 valores recebidos pela Bayonne em outubro de 2011 que totalizam R$ 3.037.066,65. Para cada valor, apresentou cópia dos depósitos fornecidos pelo cliente (Langon Cosméticos Ltda). 7.9. Anexo 9 (fls. 1413/1428): Relaciona 18 valores recebidos pela Bayonne em novembro de 2011 que totalizam R$ 9.560.451,60. Para cada valor, apresentou cópia dos depósitos fornecidos pelo cliente (Langon Cosméticos Ltda). 7.10. Anexo 10 (fls. 1429): Relaciona 25 valores recebidos pela Bayonne em dezembro de 2011 que totalizam R$ 3.938.248,62. Para cada valor, apresentou: cópia do depósito fornecido pelo cliente (Langon Cosméticos Ltda.), documento utilizado para fins de contabilização; cópia das notas fiscais de venda que originaram as entradas dos recursos; e cópia das páginas do diário em cotejo com os depósitos, com o intuito de evidenciar nota a nota baixada e forma de registro das mesmas. 8. Em vista da relação supra, fica no mínimo evidente que a ora Recorrente apresentou, de forma organizada, articulada e tempestiva, documentação hábil e idônea capaz de comprovar no todo ou em parte a origem dos depósitos bancários constantes do Termo de Verificação e Encerramento Parcial da Ação Fiscal (fls. 964/978), planilha de depósitos de fls. 949/953. 9. Com efeito, não concordo com as razões constantes da r. decisão da DRJ dispostas nos itens 3.9 e 3.10 do presente relatório, visto que não encontrei nos autos efetivo esforço por parte do órgão de 1ª instância em analisar as provas acostadas. Fl. 1627DF CARF MF Processo nº 10980.724526/201531 Resolução nº 1201000.415 S1C2T1 Fl. 12 11 10. Diante do exposto, e em linhas com as razões fáticas e jurídicas acima apresentadas, entendo cabível a realização de diligência para que autoridade preparadora preste os devidos esclarecimentos e providencie: (i) Após a devida apreciação da prova, exclua das receitas supostamente omitidas as receitas não tributáveis, bem como aquelas cuja origem está efetivamente comprovada pela ora Recorrente, observado o disposto no artigo, 287, §2º, do Decreto nº 3.000/99. (ii) É inequívoco que, em caso de dúvidas quanto à exatidão das informações prestadas, a autoridade fiscal pode intimar a contribuinte e a fornecedora LANGON COSMÉTICOS LTDA a prestar esclarecimentos complementares. 11. Lembro que, as atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão devem ser realizadas de ofício pela autoridade fiscal, nos termos do artigo 29, da Lei nº 9.784/991. 12. Após a conclusão da diligência, a autoridade preparadora deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior ciência à Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na seqüência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa 1 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. Fl. 1628DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002221/2010-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF.
A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 22 21 /2 01 0- 21 Fl. 194DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 19515.002149/201031, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de recurso de ofício apresentado em face da decisão de primeiro grau, pela qual se deu integral provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração que constituiu crédito tributário relativo à contribuição a cargo da empresa e à contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho (SAT) apuradas com base nas remunerações paga aos segurados empregados de empresa prestadora de serviços. De acordo com o relatório da fiscalização, tratase de constituição de crédito tributário visando restabelecer a exigência realizada anteriormente através de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, referente a contribuições apuradas com base no instituto da solidariedade, que foi anulada por vício formal. A exigência foi impugnada pelo sujeito passivo, o que rendeu ensejo ao Acórdão recorrido, pelo qual se reconheceu a decadência do direito de lançar do fisco, uma vez que entre a data que declarou a nulidade por vício formal do lançamento anterior e aquela em que o novo crédito foi constituído transcorreuse prazo superior a cinco anos. Segundo a decisão recorrida, o valor total do crédito constituído na ação fiscal superou o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3, de 2008, de RS 1.000.000,00. Considerando esse somatório, foi apresentado recurso de ofício para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta conselheira. É o que havia para ser relatado." Fl. 195DF CARF MF Processo nº 19515.002221/201021 Acórdão n.º 2201004.231 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018, proferido no julgamento do processo n° 19515.002149/201031, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018: Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Conforme se extrai do relatório, este processo compõe um conjunto de processos decorrentes da mesma ação fiscal e julgados na mesma sessão, com um total de crédito tributário afastado superior a R$ 1.000.000,00, limite previsto na Portaria MF nº 03, de 2008, o que justificou que a autoridade julgadora de primeira instância administrativa recorresse de ofício. Ocorre, porém, que a análise da admissibilidade do recurso de ofício deve ser realizada em vista do limite de alçada vigente na data em que ele é apreciado. É o que preceitua, sem embargo, o enunciado nº 103 da Súmula de jurisprudência deste CARF: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Os fundamentos das decisões que serviram de paradigma para este enunciado são bem explicitados pelo trecho que abaixo se transcreve do Acórdão nº 9202003.027, relator o Conselheiro Marcelo Oliveira: Em síntese, o cerne da questão versa sobre o conhecimento, ou não, de recurso de ofício quando há elevação do valor de alçada, entre o julgamento em primeira instância e o julgamento pelo CARF. Como é cediço, as normas processuais têm aplicação imediata, conforme determinação o Código de Processo Civil (CPC): CPC: “Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes.” Fl. 196DF CARF MF 4 Para a recorrente, entretanto, a norma posterior não pode prejudicar seu direito ao recurso, pois, em síntese, cercearia seu direito à defesa. Com todo respeito, não concordamos com a recorrente. Há uma diferença, relevante, que não pode ser deixada de lado nesta análise: uma das partes (União) foi quem emitiu a norma posterior que fundamentou o não conhecimento do recurso de ofício. No processo civil as norma processuais não são de iniciativa das partes. Ao contrário, a eventual norma processual atinge ambas as partes, beneficiandoas ou as prejudicando, a depender da fase em que se encontre o processo, daí a necessidade de garantia de direitos. Já no processo administrativo fiscal a norma é conseqüência do poder que goza a Administração Pública, o que permite que esta enquanto sujeito processual representado pela Fazenda Nacional, possa criar normas abrindo mão de seus próprios direitos. Esse é o raciocínio presente em acórdãos já proferidos por este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. (Acórdão: 9202002.652 – CSRF. Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira). ... ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO EQUIVOCADO NULIDADE. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 19515.002221/201021 Acórdão n.º 2201004.231 S2C2T1 Fl. 4 5 A verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, é levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso. Não tendo o Colegiado ad quem observado o novo limite de alçada para o recurso de ofício. Tal julgamento é nulo, de pleno direito, visto que, a competência do órgão julgador, no caso concreto, é conferida pela devolutividade do recurso. Processo Anulado. (Acórdão: 9303002.165 – CSRF. Relator: Henrique Pinheiro Torres). ... REEXAME NECESSÁRIO — LIMITE DE ALÇADA — AMPLIAÇÃO — CASOS PENDENTES Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n° 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). (Acórdão: CSRF/0400.965. Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo) A criação e elevação do limite de alçada para recursos de ofício tem como um de seus objetivos dar celeridade à solução do processo no âmbito administrativo fiscal, pela diminuição de julgamentos pela segunda instância em processos em que a própria parte (União) demonstra ausência de interesse na continuidade do litígio. Atualmente, o limite de alçada se encontra fixado pelo art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Pelos parâmetros estabelecidos nesta Portaria, o recurso de ofício será cabível sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), valor este que deverá ser verificado por processo. Fl. 198DF CARF MF 6 O crédito tributário exonerado no processo em análise não atende a esses pressupostos, de forma que o recurso de ofício não preenche os requisitos necessários para que seja conhecido. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. Dione Jesabel Wasilewski – Relatora" Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 199DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.917581/2011-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001
DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO.
Conforme reconstrução lógica e expressa de dispositivos da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e da legislação pertinente ao Processo Administrativo Fiscal, assim como do previsto no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o contribuinte deve comprovar o direito creditório e o pagamento indevido em casos de pedido de restituição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.597
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001 DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO. Conforme reconstrução lógica e expressa de dispositivos da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e da legislação pertinente ao Processo Administrativo Fiscal, assim como do previsto no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o contribuinte deve comprovar o direito creditório e o pagamento indevido em casos de pedido de restituição. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001 DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO. Conforme reconstrução lógica e expressa de dispositivos da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e da legislação pertinente ao Processo Administrativo Fiscal, assim como do previsto no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o contribuinte deve comprovar o direito creditório e o pagamento indevido em casos de pedido de restituição. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório DELTA VEÍCULOS LTDA. apresentou Pedido de Restituição (PER) de alegado pagamento indevido da contribuição (PIS/Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o pedido, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 75 81 /2 01 1- 80 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10480.917581/201180 Acórdão n.º 3201003.597 S3C2T1 Fl. 3 2 integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente solicitou a reunião para julgamento conjunto dos processos administrativos conexos, arguindo o seguinte: a) o pagamento indevido decorrera da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, declarada em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF), de observância obrigatória por parte dos órgãos da Administração Tributária por força do art. 26 A, § 6º, do Decreto nº 70.235/1972 e do art. 59 do Decreto nº 7.574, de 2011, bem como do art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF (RICARF); b) contrariamente ao disposto no art. 65 da Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, não fora intimado a esclarecer a higidez de seu crédito e que, tivesse isto ocorrido, o pedido de restituição teria sido deferido, na medida em que teria logrado comprovar o direito ao reconhecimento do indébito; c) nos termos do art. 142 do CTN, é dever da Fiscalização aprofundar o exame da situação concreta, de modo que o lançamento e também as demais glosas fiscais se baseiem na correta subsunção dos fatos à lei, não tendo a Fiscalização sequer tomado conhecimento das razões que justificavam o pedido de restituição; d) o art. 62A, caput, do RICARF vincula o Colegiado a adotar as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF sob o regime previsto no art. 543B do CPC, tal como ocorrera, na situação aqui tratada, no RE nº 585.235, pois “um dispositivo de lei declarado inconstitucional é uma norma absolutamente nula, impossibilitada de produzir efeitos jurídicos válidos, em razão de seu desacordo com o texto constitucional, a quem deve irrestrita obediência”, sendo ilógico "que a administração fazendária continuasse a reconhecer a validade de um texto de lei já declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal”, entendimento esse escorado em diversos precedentes administrativos da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF); e) na base de cálculo da contribuição, “somente deveriam ter sido incluídos pela requerente os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços”. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou, além de documentos de representação processual, (i) planilha com as rubricas sobre as quais apurou o suposto crédito a ser restituído e (ii) cópia de folhas de Balancete correspondente ao período de apuração aqui tratado. Nos termos do Acórdão nº 11040.490, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que o reconhecimento do direito à restituição exige a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior, cujo ônus recai sobre o sujeito passivo. Decidiu também a DRJ que, ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c” do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, as provas comprobatórias do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10480.917581/201180 Acórdão n.º 3201003.597 S3C2T1 Fl. 4 3 Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterou seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa, e juntou aos autos cópias de documentos que, segundo ele, comprovariam o direito creditório pleiteado. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.578, de 21/03/2018, proferido no julgamento do processo 10480.900123/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.578): Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Em que pese a brilhante construção de argumentos a favor do contribuinte, não há nos autos nenhuma prova inequívoca do direito creditório, que permita caracterizar as receitas como hipóteses de exclusão da base de cálculo do Pis, mesmo dentro do conceito de faturamento determinado pelo STF. Desse modo, votase para que a decisão de primeira instância seja mantida sob o fundamento da ausência de comprovação do direito creditório por parte do contribuinte, nos mesmos moldes do seguinte trecho: "44. Antes de adentrar no exame da possibilidade, ou não, desta primeira instância administrativa afastar a disposição contida no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, consigno que, para evidenciar o seu direito à restituição, a contribuinte se limitou a apresentar planilha em que lista diversas rubricas que entende escapariam do conceito de receita de vendas de mercadorias e/ou de prestação de serviços e, além disto, cópia de Balancete Mensal em que constam registros de diversas receitas, mas não comprovou que, efetivamente, incluiu, na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep recolhida de acordo com o valor confessado em DCTF, as receitas por ele indicadas na Manifestação de Inconformidade. 45. Para fazer jus à repetição do indébito, a recorrente, além de ter comprovado que auferiu as outras receitas por ela apontada no recurso, deveria ter apresentado demonstrativo, acompanhado dos correspondentes Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10480.917581/201180 Acórdão n.º 3201003.597 S3C2T1 Fl. 5 4 documentos contábeis fiscais/contábeis comprobatórios de sua exatidão, da apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, devida à alíquota de 0,65%, sobre as receitas de venda de mercadorias e/ou prestação de serviços, o que aqui é indispensável, pois, diante da atividade exercida pela recorrente, é evidente que ela também comercializa produtos (tais como veículos) cujas receitas sofre a incidência desta contribuição à alíquota zero, pois o produto, a depender do período de apuração, foi submetido em etapa anterior à tributação por substituição tributária ou de forma concentrada5." Conforme reconstrução lógica e expressa de dispositivos da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e da legislação pertinente ao processo administrativo fiscal, assim como do previsto no Art. 16 do Decreto 70.235/72, o contribuinte deve comprovar o direito creditório e o pagamento indevido em casos de pedido de restituição. Diante do exposto, votase para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.014615/2007-65
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa.
Numero da decisão: 9202-006.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, para afastar a nulidade declarada, com retorno dos autos ao colegiado de origem para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, para afastar a nulidade declarada, com retorno dos autos ao colegiado de origem para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, para afastar a nulidade declarada, com retorno dos autos ao colegiado de origem para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 46 15 /2 00 7- 65 Fl. 150DF CARF MF 2 Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Auto de Infração (fl. 43 – vol I), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente ao exercício 2003, anocalendário 2002, para exigência do seguinte crédito tributário: IRPF Suplementar – R$ 64.298,59; multa de ofício (passível de redução) – R$ 48.223,94; juros de mora – R$ 43.350,10, totalizando um crédito tributário apurado no valor de R$ 155.872,63 (cento e cinqüenta e cinco mil, oitocentos e setenta e dois reais, e sessenta e três centavos). Crédito esse, resultante da apuração de omissão de rendimentos recebidos do Governo do Estado do Paraná, no valor de R$ 251.150,88. Na descrição dos fatos é explicado que, dos R$ 381.810,44 recebidos pelo contribuinte, conforme documentos por ele apresentados, foram deduzidos R$ 809,40 de custas e R$ 34.636,46 de honorários advocatícios, resultando em R$ 346.364,59 de rendimentos tributáveis, dos quais o contribuinte só teria declarado R$ 95.213,71. O autuado apresentou impugnação, tendo Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR julgado a impugnação procedente em parte, mantendo, em parte, o crédito tributário. Apresentado Recurso Voluntário pelo autuado, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 17/04/2012, foi sobrestado “o julgamento do recurso, tendo em vista o disposto no artigo 62A, do RICARF”, de acordo com a Resolução nº 2201000064, da 1ª TO/2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento. Encerrado o sobrestamento, em sessão plenária de 09/09/2014, foi dado provimento ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2802003.095 (fls. 89/99), com o seguinte resultado: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. O Conselheiro Ronnie Soares Anderson acompanhou o voto vencedor pelas conclusões”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. O julgador administrativo pode utilizar qualquer fundamento que entenda necessário para resolver a causa, mesmo que não Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10980.014615/200765 Acórdão n.º 9202006.702 CSRFT2 Fl. 3 3 alegado pelas partes, desde que a decisão venha suficientemente fundamentada. VERBAS SALARIAIS RECEBIDAS EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. INCIDÊNCIA COM BASE NO MONTANTE GLOBAL (REGIME DE CAIXA). IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. PRECEDENTE DO STJ EM SEDE DE REPETITIVO. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ARTIGO 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre verbas trabalhistas pagas em atraso e acumuladamente, em virtude de condenação judicial, deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que essas verbas deveriam ter sido pagas (regime de competência), vedandose a utilização do montante global como parâmetro (regime de caixa). Impossibilidade, na fase recursal, de conferir liquidez e certeza ao crédito tributário indevidamente constituído e em inobservância ao artigo 142 do CTN e à correta interpretação dada pela Corte Federal ao artigo 12 da Lei n. 7.713/88. Recurso Voluntário Provido. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 19/11/2014 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs em 19/12/2014, portanto, tempestivamente, Recurso Especial (fls. 101/112). Em seu recurso visa a reforma do acórdão em relação às seguintes matérias: a) (im) possibilidade de recalcular o valor devido, com base na interpretação dada pelo Colegiado ao art. 12 da Lei nº 7.713/1988; e b) tipo de vício que macula o lançamento (formal x material), acaso existente. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento parcial, semente em relação ao item “a”, conforme o Despacho s/nº da 2ª Câmara, de 24/03/2017 (fls. 115/123), em confronto com os paradigmas 2201002.566, porém deixando de analisar o segundo paradigma, face já restar demonstrada a divergência2201002.588. · A recorrente, em relação ao item “a – (im) possibilidade de recalcular o valor devido, com base na interpretação dada pelo Colegiado ao art. 12 da Lei nº 7.713/1988”, visa a reforma do acórdão recorrido a fim de que o lançamento seja mantido, determinandose tão somente o recálculo do valor devido a título de IRPF, tendo como parâmetro as decisões tomadas pelo STJ (RESP nº 1.118.429/SP) e pelo STF (RE 614.406/RS), na sistemática dos recursos repetitivos e da repercussão geral, respectivamente, os quais decidiram que o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. Fl. 152DF CARF MF 4 · Diz que, diante do pronunciamento da mais alta Corte do país acerca do art. 12 da Lei nº 7.713/88, não há mais dúvidas acerca da sistemática aplicável para cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de decisão judicial; todavia, cabe à Câmara Superior de Recursos Fiscais analisar qual será o destino dos lançamentos por omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de decisão judicial, cujo imposto de renda foi calculado com base no montante integral creditado extemporaneamente. · Entende que os lançamentos devem ser mantidos, determinandose tão somente o recálculo do valor de IRPF devido, tendo como parâmetro o decidido pelo STJ e pelo STF, uma vez que a omissão de rendimentos efetivamente existiu, não sendo tal fato alterado pelas decisões judiciais supra referidas. · Fazse necessário, tão somente, recalcular o montante do tributo devido de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. · Diz que se trata de mero ato para salvaguardar o crédito tributário representado pelo presente lançamento, não havendo razão plausível para declarar a sua improcedência, se o mesmo pode ser ajustado. · Acrescenta ser desnecessária e ilegal a anulação do presente lançamento, bastando sua revisão pela autoridade julgadora, excluindose os valores indevidos, até mesmo em sede de execução do julgado, para sanar eventuais equívocos na determinação do quanto devido. Cientificado do Acórdão nº 2802003.095, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 19/05/2017, o contribuinte apresentou, em 30/05/2017, portanto, tempestivamente, contrarrazões (fls. 132/146). Em suas contrarrazões, o contribuinte apresenta um histórico dos fatos e, basicamente, faz sua defesa alegando o seguinte: · “Foi recolhido o valor do imposto de renda de RETENÇAÕ NA FONTE conforme GRPR (GUIA DE RECOLHIMENTO DO ESTADO DO PARANÁ) sobre o valor de R$ 95.213,71, no valor de R$ 25.760,77 (Guia fl. 254). · Assim, a responsabilidade do cálculo e recolhimento do imposto de renda é da competência de quem efetivou o pagamento, no caso a Fazenda Pública do Estado e do respectivo Juízo, cujo cálculo foi efetivado pelo Contador Judicial onde tramitou a ação, e objeto do respectivo recolhimento como determinado pelo r. Juiz, com as guias espedidas e recebidas pela Fazenda Pública do Estado, tanto que, somente após tal recolhimento do imposto de renda na fonte, é que foi requerido pelo advogado do reclamante, o levantamento do líquido Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10980.014615/200765 Acórdão n.º 9202006.702 CSRFT2 Fl. 4 5 disponível (fls 449 dos autos), sendo então expedido o referido ALVARÁ DE LAVANTAMENTO. · Aliás, contatase que o recorrido prestou a sua declaração incluindo o recebimento efetivado pela fazenda Pública do Estado, exatamente de acordo com o recebimento efetuado e os descontos efetivados, os valores tributados e não tributado, nada omitindo a respeito. (...) · Assim, constatase que o recorrido não omitiu o recebimento dos valores pagos, inclusive aqueles não tributados em decorrência do pagamento do aludido precatório, pois se devido, caberia a Retenção na Fonte pelo órgão pagados, assim como ocorreu com o imposto retido, constatandose, inclusive, pelo despacho do Juízo, a determinação para a retenção do imposto de renda devido na fonte”. É o relatório. Fl. 154DF CARF MF 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 115. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão Do Mérito Em face dos pontos trazidos no Recurso especial da Fazenda Nacional e do conteúdo do acórdão recorrido entendo que a apreciação do presente recurso cingise a discussão em relação a nulidade do lançamento, frente a regra aplicável no art. 62_a do RICARF em consonância com a interpretação adotada pelo STJ no REsp nº 1.118.429/SP, o qual firmou entendimento de que, no caso de recebimento acumulado no caso de recebimento acumulado de valores, decorrente de ações trabalhistas, revisionais, e etc., o Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF não deve ser calculado por regime de caixa, mas sim por competência; obedecendose as tabelas, as alíquotas, e os limites de isenção de cada competência (mês a mês). Um questão importante que ajudanos a delimitar o alcance da lide, referese ao fato de o relator do acórdão da Câmara a quo descrever em seu voto, mesmo que implicitamente, que o fundamento da declaração de nulidade diz respeito a jurisprudência do STJ a quem compete promover a interpretação ultima da lei federal, já ter se posicionado pela forma como deve ser interpretado o art. 12 da Lei 7.713/88, o que enseja um erro de cunho material na apuração do montante devido, porém em momento algum, o relator, deixa de reconhecer a incidência do tributo, nem faz qualquer referência ao caráter salarial ou indenizatório da verba. Podemos chegar a essa conclusão ao lermos os termos do voto abaixo transcrito: Ainda que não haja impugnação expressa quanto à adoção do regime de caixa e os argumentos de defesa girem em torno da natureza dos rendimentos isentos e não tributáveis no entendimento do recorrente entendo que o julgador tributário não se encontra adstrito às razões do recorrente, mormente quando há previsão regimental de aplicação do decido pelo STJ em sede de repetitivo. Tal conclusão deriva do princípio do livre convencimento motivado e da verdade material, que permite ao julgador se utilizar de fundamento jurídico diverso dos apontados pelas partes para solução da lide, cujo fundamento se encontra no artigo 29 do Decreto n. 70.235/72 [...] Versam os presentes autos sobre matéria de fundo que trata da incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente decorrentes de decisão Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10980.014615/200765 Acórdão n.º 9202006.702 CSRFT2 Fl. 5 7 judicial, nos termos do artigo 56 do RIR/99, conforme trecho da decisão recorrida, a seguir: Preliminarmente, cabe delimitar o litígio estabelecido pelo impugnante. Este reside no fato do contribuinte ter informado rendimentos recebidos acumuladamente da ação judicial nº 01212.009/789, movida contra a Superintendência de Portos e Hidrovias, conforme Descrição da folha 12. Logo, ainda que a impugnação em sede recursal não trate do regime de tributação adotado aos rendimentos recebidos, o fato de a tributação destes valores ter sido submetido ao regime de caixa, e não ao regime de competência, conforme determinado pelo STJ em sede de repetitivo, invalida o lançamento. É de se ver que a tributação desses valores se deu pelo regime de caixa, ou seja, pela aplicação da alíquota sobre a totalidade dos rendimentos recebidos, em desacordo com o decidido pelo STJ, em sede de repetitivo (REsp n. 1.118.429∕SP) e já julgado sob repercussão geral pelo STF (Tema 368). O julgado, apesar de se referir ao pagamento a destempo de benefícios previdenciários, não se restringiu, conforme se depreende da leitura da ementa acima transcrita, a afastar somente a tributação pelo regime de caixa naquela hipótese. O debate foi além da situação fática em julgamento e abordou expressamente as demais situações nas quais o recebimento de rendimentos acumulados decorrentes de condenações judiciais sem observância da tabela progressiva vigente à época dos rendimentos, implicaria em desprestígio à capacidade contributiva e isonomia tributária. Não por outra razão, ambas as Turmas da Primeira Seção do STJ, já se pronunciaram favoravelmente à tese de que o decidido em repetitivo no Resp n. 1.118.429∕SP, deve ser aplicado no âmbito das verbas trabalhistas. Por fim, é de ressaltar que a discussão ainda pendente no STF, no RE 614.406, sob repercussão geral (Tema 368), em nada afeta a definitividade da decisão em repetitivo proferida pelo STJ. Isso em razão do distinto enfoque dado pelo STF ao tema, eminentemente em razão da superveniência de decisão do TRF da 4 Região, pela inconstitucionalidade do artigo 12 da Lei n. 7.713/88, o que em tese, poderia violar a isonomia e o princípio da uniformidade geográfica. [...] De outro lado, não há nos autos elementos suficientes para saber se os rendimentos foram por acaso tributados pela alíquota correta, se observado o regime de competência, ou se se tratavam de rendimentos isentos. Ademais, mesmo se presentes tais elementos, por se tratarem de rendimentos sujeitos a ajuste anual, é possível, ainda que tributáveis, não gerassem imposto a pagar, dadas as dedutibilidades permitidas na legislação. Fl. 156DF CARF MF 8 Ademais, além de se tratar de novo lançamento, ato de competência privativa da autoridade lançadora, nos termos do artigo 142 do CTN, a aplicação das alíquotas vigentes à época, sem oportunizar ao contribuinte a retificação das informações prestadas por ocasião da entrega da DIRPF referentes aos respectivos anoscalendários, poderia gerar pagamento de imposto a maior, dadas as dedutibilidades permitidas na legislação e não incluídos por opção do contribuinte à época. Ademais, o vício contido no lançamento não pode ser resumido em um mero erro na aplicação da alíquota, sanável em sede contenciosa administrativa. A base do fundamento do acórdão recorrido encontrase na própria ementa do acórdão, fls. 89 e seguintes, assim descrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. O julgador administrativo pode utilizar qualquer fundamento que entenda necessário para resolver a causa, mesmo que não alegado pelas partes, desde que a decisão venha suficientemente fundamentada. VERBAS SALARIAIS RECEBIDAS EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. INCIDÊNCIA COM BASE NO MONTANTE GLOBAL (REGIME DE CAIXA). IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. PRECEDENTE DO STJ EM SEDE DE REPETITIVO. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ARTIGO 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre verbas trabalhistas pagas em atraso e acumuladamente, em virtude de condenação judicial, deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que essas verbas deveriam ter sido pagas (regime de competência), vedandose a utilização do montante global como parâmetro (regime de caixa). Impossibilidade, na fase recursal, de conferir liquidez e certeza ao crédito tributário indevidamente constituído e em inobservância ao artigo 142 do CTN e à correta interpretação dada pela Corte Federal ao artigo 12 da Lei n. 7.713/88. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. O Conselheiro Ronnie Soares Anderson acompanhou o voto vencedor pelas conclusões.Ou seja, o cerne da questão referese ao questionamento se as decisões reiteradas do STJ, como mencionado pelo relator do acórdão recorrido, que acabaram por ensejar julgamento no ambito do STJ em sede de repetititivos Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10980.014615/200765 Acórdão n.º 9202006.702 CSRFT2 Fl. 6 9 e, portariormente pelo STF que declarou a inconstitucionalidade parcial do art. 12 da 7.713/1988, em sede de repercussão geral, seria capaz de eivar de vício material o lançamento? Entendo que não! Ao apreciarmos o inteiro teor da decisão do STF, e mais, baseado na decisão do STJ, que ensejou o pronunciamento daquela corte máxima, observamos que toda a discussão cingee sobre o regime de tributação aplicável aos RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE RRA, se regime de caixa (como originalmente lançado no dispositivo legal), ou o regime de competência (forma adotada posteriormente pela própria Receita Federal calcada em pareceres, decisões do STJ que ensejaram inclusive alteração legislativa art. 12A da 12.530/2010. Entendo que a decisão do STJ descrita no Resp 1.118.429/SP, se coaduna com a do caso ora apreciado já que, em ambas, discutise a sistemática de cálculo aplicável na apuração do imposto devido: caixa ou competência. Dessa forma, entendo que a aplicação do repetitivo se amolda a questão trazida nos autos, já que a mesma apresentase em estrita consonância com a matéria objeto de repercussão geral no RE 614.406/RS. Na verdade a posição do STF, nada mais fez do que pacificar a questão que já vinha sendo observada pelo STJ em seus julgados e pela própria Receita Federal e PGFN, por meio de seus pareceres. Vale destacar que no âmbito deste Conselho não é a primeira vez que essa questão é enfrentada por essa Câmara Superior. No Recurso Especial da PGFN processo nº 11040.001165/200561, julgado na 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, encontramos situação similar, cujo voto vencedor, do ilustre Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior trata da matéria ora sob apreciação. Vejamos a ementa do acórdão nº 9202003.695: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Ainda, como o objetivo de esclarecer a tese esposada no referido acórdão, transcrevo a parte do voto vencedor na parte pertinente ao tema: Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a Fl. 158DF CARF MF 10 observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10980.014615/200765 Acórdão n.º 9202006.702 CSRFT2 Fl. 7 11 (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Com base nas questões levantadas pelo ilustre conselheiro Heitor de Souza Lima Junior aqui transcritas, e as quais uso como fundamento de razões para decidir, entendo que a posição tanto do STJ no REsp nº 1.118.429/SP como do STF no RE 614.406/RS não foi no sentido de inexistência ou inconstitucionalidade do dispositivo que definia os valores dos rendimentos recebidos acumuladamente como fato gerador de IR, mas tão somente no sentido de que a apuração da base de cálculo do imposto devido não seria pelo regime de caixa (na forma como descrito originalmente na lei, art. 12 da Lei 7783/88) já que conferiria tratamento diferenciado e prejudicial ao contribuinte, já definindo o novo regime a ser aplicável para apuração do montante devido. Não se trata de alteração de critério jurídico aplicado pela fiscalização, mas de aplicação dos termos de lei, que posteriormente por decisão judicial deixa claro qual a melhor interpretação acerca do regime aplicável. Dessa forma, considerando os termos do acórdão proferido, bem como a delimitação da lide objeto deste Recurso Especial ser tão somente sobre a nulidade do lançamento, encaminho pelo provimento do Resp da Fazenda Nacional, para afastar a nulidade, DETERMINANDO O RETORNO dos autos à turma a quo para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte, inclusive suscitadas em sede de contrarrazões. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para no mérito DARLHE PROVIMENTO para afastar a nulidade declarada, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 160DF CARF MF
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