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Numero do processo: 10480.917581/2011-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001
DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO.
Conforme reconstrução lógica e expressa de dispositivos da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e da legislação pertinente ao Processo Administrativo Fiscal, assim como do previsto no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o contribuinte deve comprovar o direito creditório e o pagamento indevido em casos de pedido de restituição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.597
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001 DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO. Conforme reconstrução lógica e expressa de dispositivos da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e da legislação pertinente ao Processo Administrativo Fiscal, assim como do previsto no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o contribuinte deve comprovar o direito creditório e o pagamento indevido em casos de pedido de restituição. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório DELTA VEÍCULOS LTDA. apresentou Pedido de Restituição (PER) de alegado pagamento indevido da contribuição (PIS/Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o pedido, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 75 81 /2 01 1- 80 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10480.917581/201180 Acórdão n.º 3201003.597 S3C2T1 Fl. 3 2 integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente solicitou a reunião para julgamento conjunto dos processos administrativos conexos, arguindo o seguinte: a) o pagamento indevido decorrera da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, declarada em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF), de observância obrigatória por parte dos órgãos da Administração Tributária por força do art. 26 A, § 6º, do Decreto nº 70.235/1972 e do art. 59 do Decreto nº 7.574, de 2011, bem como do art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF (RICARF); b) contrariamente ao disposto no art. 65 da Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, não fora intimado a esclarecer a higidez de seu crédito e que, tivesse isto ocorrido, o pedido de restituição teria sido deferido, na medida em que teria logrado comprovar o direito ao reconhecimento do indébito; c) nos termos do art. 142 do CTN, é dever da Fiscalização aprofundar o exame da situação concreta, de modo que o lançamento e também as demais glosas fiscais se baseiem na correta subsunção dos fatos à lei, não tendo a Fiscalização sequer tomado conhecimento das razões que justificavam o pedido de restituição; d) o art. 62A, caput, do RICARF vincula o Colegiado a adotar as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF sob o regime previsto no art. 543B do CPC, tal como ocorrera, na situação aqui tratada, no RE nº 585.235, pois “um dispositivo de lei declarado inconstitucional é uma norma absolutamente nula, impossibilitada de produzir efeitos jurídicos válidos, em razão de seu desacordo com o texto constitucional, a quem deve irrestrita obediência”, sendo ilógico "que a administração fazendária continuasse a reconhecer a validade de um texto de lei já declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal”, entendimento esse escorado em diversos precedentes administrativos da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF); e) na base de cálculo da contribuição, “somente deveriam ter sido incluídos pela requerente os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços”. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou, além de documentos de representação processual, (i) planilha com as rubricas sobre as quais apurou o suposto crédito a ser restituído e (ii) cópia de folhas de Balancete correspondente ao período de apuração aqui tratado. Nos termos do Acórdão nº 11040.490, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que o reconhecimento do direito à restituição exige a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior, cujo ônus recai sobre o sujeito passivo. Decidiu também a DRJ que, ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c” do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, as provas comprobatórias do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10480.917581/201180 Acórdão n.º 3201003.597 S3C2T1 Fl. 4 3 Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterou seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa, e juntou aos autos cópias de documentos que, segundo ele, comprovariam o direito creditório pleiteado. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.578, de 21/03/2018, proferido no julgamento do processo 10480.900123/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.578): Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Em que pese a brilhante construção de argumentos a favor do contribuinte, não há nos autos nenhuma prova inequívoca do direito creditório, que permita caracterizar as receitas como hipóteses de exclusão da base de cálculo do Pis, mesmo dentro do conceito de faturamento determinado pelo STF. Desse modo, votase para que a decisão de primeira instância seja mantida sob o fundamento da ausência de comprovação do direito creditório por parte do contribuinte, nos mesmos moldes do seguinte trecho: "44. Antes de adentrar no exame da possibilidade, ou não, desta primeira instância administrativa afastar a disposição contida no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, consigno que, para evidenciar o seu direito à restituição, a contribuinte se limitou a apresentar planilha em que lista diversas rubricas que entende escapariam do conceito de receita de vendas de mercadorias e/ou de prestação de serviços e, além disto, cópia de Balancete Mensal em que constam registros de diversas receitas, mas não comprovou que, efetivamente, incluiu, na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep recolhida de acordo com o valor confessado em DCTF, as receitas por ele indicadas na Manifestação de Inconformidade. 45. Para fazer jus à repetição do indébito, a recorrente, além de ter comprovado que auferiu as outras receitas por ela apontada no recurso, deveria ter apresentado demonstrativo, acompanhado dos correspondentes Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10480.917581/201180 Acórdão n.º 3201003.597 S3C2T1 Fl. 5 4 documentos contábeis fiscais/contábeis comprobatórios de sua exatidão, da apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, devida à alíquota de 0,65%, sobre as receitas de venda de mercadorias e/ou prestação de serviços, o que aqui é indispensável, pois, diante da atividade exercida pela recorrente, é evidente que ela também comercializa produtos (tais como veículos) cujas receitas sofre a incidência desta contribuição à alíquota zero, pois o produto, a depender do período de apuração, foi submetido em etapa anterior à tributação por substituição tributária ou de forma concentrada5." Conforme reconstrução lógica e expressa de dispositivos da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e da legislação pertinente ao processo administrativo fiscal, assim como do previsto no Art. 16 do Decreto 70.235/72, o contribuinte deve comprovar o direito creditório e o pagamento indevido em casos de pedido de restituição. Diante do exposto, votase para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.014615/2007-65
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa.
Numero da decisão: 9202-006.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, para afastar a nulidade declarada, com retorno dos autos ao colegiado de origem para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, para afastar a nulidade declarada, com retorno dos autos ao colegiado de origem para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, para afastar a nulidade declarada, com retorno dos autos ao colegiado de origem para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 46 15 /2 00 7- 65 Fl. 150DF CARF MF 2 Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Auto de Infração (fl. 43 – vol I), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente ao exercício 2003, anocalendário 2002, para exigência do seguinte crédito tributário: IRPF Suplementar – R$ 64.298,59; multa de ofício (passível de redução) – R$ 48.223,94; juros de mora – R$ 43.350,10, totalizando um crédito tributário apurado no valor de R$ 155.872,63 (cento e cinqüenta e cinco mil, oitocentos e setenta e dois reais, e sessenta e três centavos). Crédito esse, resultante da apuração de omissão de rendimentos recebidos do Governo do Estado do Paraná, no valor de R$ 251.150,88. Na descrição dos fatos é explicado que, dos R$ 381.810,44 recebidos pelo contribuinte, conforme documentos por ele apresentados, foram deduzidos R$ 809,40 de custas e R$ 34.636,46 de honorários advocatícios, resultando em R$ 346.364,59 de rendimentos tributáveis, dos quais o contribuinte só teria declarado R$ 95.213,71. O autuado apresentou impugnação, tendo Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR julgado a impugnação procedente em parte, mantendo, em parte, o crédito tributário. Apresentado Recurso Voluntário pelo autuado, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 17/04/2012, foi sobrestado “o julgamento do recurso, tendo em vista o disposto no artigo 62A, do RICARF”, de acordo com a Resolução nº 2201000064, da 1ª TO/2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento. Encerrado o sobrestamento, em sessão plenária de 09/09/2014, foi dado provimento ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2802003.095 (fls. 89/99), com o seguinte resultado: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. O Conselheiro Ronnie Soares Anderson acompanhou o voto vencedor pelas conclusões”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. O julgador administrativo pode utilizar qualquer fundamento que entenda necessário para resolver a causa, mesmo que não Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10980.014615/200765 Acórdão n.º 9202006.702 CSRFT2 Fl. 3 3 alegado pelas partes, desde que a decisão venha suficientemente fundamentada. VERBAS SALARIAIS RECEBIDAS EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. INCIDÊNCIA COM BASE NO MONTANTE GLOBAL (REGIME DE CAIXA). IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. PRECEDENTE DO STJ EM SEDE DE REPETITIVO. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ARTIGO 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre verbas trabalhistas pagas em atraso e acumuladamente, em virtude de condenação judicial, deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que essas verbas deveriam ter sido pagas (regime de competência), vedandose a utilização do montante global como parâmetro (regime de caixa). Impossibilidade, na fase recursal, de conferir liquidez e certeza ao crédito tributário indevidamente constituído e em inobservância ao artigo 142 do CTN e à correta interpretação dada pela Corte Federal ao artigo 12 da Lei n. 7.713/88. Recurso Voluntário Provido. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 19/11/2014 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs em 19/12/2014, portanto, tempestivamente, Recurso Especial (fls. 101/112). Em seu recurso visa a reforma do acórdão em relação às seguintes matérias: a) (im) possibilidade de recalcular o valor devido, com base na interpretação dada pelo Colegiado ao art. 12 da Lei nº 7.713/1988; e b) tipo de vício que macula o lançamento (formal x material), acaso existente. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento parcial, semente em relação ao item “a”, conforme o Despacho s/nº da 2ª Câmara, de 24/03/2017 (fls. 115/123), em confronto com os paradigmas 2201002.566, porém deixando de analisar o segundo paradigma, face já restar demonstrada a divergência2201002.588. · A recorrente, em relação ao item “a – (im) possibilidade de recalcular o valor devido, com base na interpretação dada pelo Colegiado ao art. 12 da Lei nº 7.713/1988”, visa a reforma do acórdão recorrido a fim de que o lançamento seja mantido, determinandose tão somente o recálculo do valor devido a título de IRPF, tendo como parâmetro as decisões tomadas pelo STJ (RESP nº 1.118.429/SP) e pelo STF (RE 614.406/RS), na sistemática dos recursos repetitivos e da repercussão geral, respectivamente, os quais decidiram que o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. Fl. 152DF CARF MF 4 · Diz que, diante do pronunciamento da mais alta Corte do país acerca do art. 12 da Lei nº 7.713/88, não há mais dúvidas acerca da sistemática aplicável para cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de decisão judicial; todavia, cabe à Câmara Superior de Recursos Fiscais analisar qual será o destino dos lançamentos por omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de decisão judicial, cujo imposto de renda foi calculado com base no montante integral creditado extemporaneamente. · Entende que os lançamentos devem ser mantidos, determinandose tão somente o recálculo do valor de IRPF devido, tendo como parâmetro o decidido pelo STJ e pelo STF, uma vez que a omissão de rendimentos efetivamente existiu, não sendo tal fato alterado pelas decisões judiciais supra referidas. · Fazse necessário, tão somente, recalcular o montante do tributo devido de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. · Diz que se trata de mero ato para salvaguardar o crédito tributário representado pelo presente lançamento, não havendo razão plausível para declarar a sua improcedência, se o mesmo pode ser ajustado. · Acrescenta ser desnecessária e ilegal a anulação do presente lançamento, bastando sua revisão pela autoridade julgadora, excluindose os valores indevidos, até mesmo em sede de execução do julgado, para sanar eventuais equívocos na determinação do quanto devido. Cientificado do Acórdão nº 2802003.095, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 19/05/2017, o contribuinte apresentou, em 30/05/2017, portanto, tempestivamente, contrarrazões (fls. 132/146). Em suas contrarrazões, o contribuinte apresenta um histórico dos fatos e, basicamente, faz sua defesa alegando o seguinte: · “Foi recolhido o valor do imposto de renda de RETENÇAÕ NA FONTE conforme GRPR (GUIA DE RECOLHIMENTO DO ESTADO DO PARANÁ) sobre o valor de R$ 95.213,71, no valor de R$ 25.760,77 (Guia fl. 254). · Assim, a responsabilidade do cálculo e recolhimento do imposto de renda é da competência de quem efetivou o pagamento, no caso a Fazenda Pública do Estado e do respectivo Juízo, cujo cálculo foi efetivado pelo Contador Judicial onde tramitou a ação, e objeto do respectivo recolhimento como determinado pelo r. Juiz, com as guias espedidas e recebidas pela Fazenda Pública do Estado, tanto que, somente após tal recolhimento do imposto de renda na fonte, é que foi requerido pelo advogado do reclamante, o levantamento do líquido Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10980.014615/200765 Acórdão n.º 9202006.702 CSRFT2 Fl. 4 5 disponível (fls 449 dos autos), sendo então expedido o referido ALVARÁ DE LAVANTAMENTO. · Aliás, contatase que o recorrido prestou a sua declaração incluindo o recebimento efetivado pela fazenda Pública do Estado, exatamente de acordo com o recebimento efetuado e os descontos efetivados, os valores tributados e não tributado, nada omitindo a respeito. (...) · Assim, constatase que o recorrido não omitiu o recebimento dos valores pagos, inclusive aqueles não tributados em decorrência do pagamento do aludido precatório, pois se devido, caberia a Retenção na Fonte pelo órgão pagados, assim como ocorreu com o imposto retido, constatandose, inclusive, pelo despacho do Juízo, a determinação para a retenção do imposto de renda devido na fonte”. É o relatório. Fl. 154DF CARF MF 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 115. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão Do Mérito Em face dos pontos trazidos no Recurso especial da Fazenda Nacional e do conteúdo do acórdão recorrido entendo que a apreciação do presente recurso cingise a discussão em relação a nulidade do lançamento, frente a regra aplicável no art. 62_a do RICARF em consonância com a interpretação adotada pelo STJ no REsp nº 1.118.429/SP, o qual firmou entendimento de que, no caso de recebimento acumulado no caso de recebimento acumulado de valores, decorrente de ações trabalhistas, revisionais, e etc., o Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF não deve ser calculado por regime de caixa, mas sim por competência; obedecendose as tabelas, as alíquotas, e os limites de isenção de cada competência (mês a mês). Um questão importante que ajudanos a delimitar o alcance da lide, referese ao fato de o relator do acórdão da Câmara a quo descrever em seu voto, mesmo que implicitamente, que o fundamento da declaração de nulidade diz respeito a jurisprudência do STJ a quem compete promover a interpretação ultima da lei federal, já ter se posicionado pela forma como deve ser interpretado o art. 12 da Lei 7.713/88, o que enseja um erro de cunho material na apuração do montante devido, porém em momento algum, o relator, deixa de reconhecer a incidência do tributo, nem faz qualquer referência ao caráter salarial ou indenizatório da verba. Podemos chegar a essa conclusão ao lermos os termos do voto abaixo transcrito: Ainda que não haja impugnação expressa quanto à adoção do regime de caixa e os argumentos de defesa girem em torno da natureza dos rendimentos isentos e não tributáveis no entendimento do recorrente entendo que o julgador tributário não se encontra adstrito às razões do recorrente, mormente quando há previsão regimental de aplicação do decido pelo STJ em sede de repetitivo. Tal conclusão deriva do princípio do livre convencimento motivado e da verdade material, que permite ao julgador se utilizar de fundamento jurídico diverso dos apontados pelas partes para solução da lide, cujo fundamento se encontra no artigo 29 do Decreto n. 70.235/72 [...] Versam os presentes autos sobre matéria de fundo que trata da incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente decorrentes de decisão Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10980.014615/200765 Acórdão n.º 9202006.702 CSRFT2 Fl. 5 7 judicial, nos termos do artigo 56 do RIR/99, conforme trecho da decisão recorrida, a seguir: Preliminarmente, cabe delimitar o litígio estabelecido pelo impugnante. Este reside no fato do contribuinte ter informado rendimentos recebidos acumuladamente da ação judicial nº 01212.009/789, movida contra a Superintendência de Portos e Hidrovias, conforme Descrição da folha 12. Logo, ainda que a impugnação em sede recursal não trate do regime de tributação adotado aos rendimentos recebidos, o fato de a tributação destes valores ter sido submetido ao regime de caixa, e não ao regime de competência, conforme determinado pelo STJ em sede de repetitivo, invalida o lançamento. É de se ver que a tributação desses valores se deu pelo regime de caixa, ou seja, pela aplicação da alíquota sobre a totalidade dos rendimentos recebidos, em desacordo com o decidido pelo STJ, em sede de repetitivo (REsp n. 1.118.429∕SP) e já julgado sob repercussão geral pelo STF (Tema 368). O julgado, apesar de se referir ao pagamento a destempo de benefícios previdenciários, não se restringiu, conforme se depreende da leitura da ementa acima transcrita, a afastar somente a tributação pelo regime de caixa naquela hipótese. O debate foi além da situação fática em julgamento e abordou expressamente as demais situações nas quais o recebimento de rendimentos acumulados decorrentes de condenações judiciais sem observância da tabela progressiva vigente à época dos rendimentos, implicaria em desprestígio à capacidade contributiva e isonomia tributária. Não por outra razão, ambas as Turmas da Primeira Seção do STJ, já se pronunciaram favoravelmente à tese de que o decidido em repetitivo no Resp n. 1.118.429∕SP, deve ser aplicado no âmbito das verbas trabalhistas. Por fim, é de ressaltar que a discussão ainda pendente no STF, no RE 614.406, sob repercussão geral (Tema 368), em nada afeta a definitividade da decisão em repetitivo proferida pelo STJ. Isso em razão do distinto enfoque dado pelo STF ao tema, eminentemente em razão da superveniência de decisão do TRF da 4 Região, pela inconstitucionalidade do artigo 12 da Lei n. 7.713/88, o que em tese, poderia violar a isonomia e o princípio da uniformidade geográfica. [...] De outro lado, não há nos autos elementos suficientes para saber se os rendimentos foram por acaso tributados pela alíquota correta, se observado o regime de competência, ou se se tratavam de rendimentos isentos. Ademais, mesmo se presentes tais elementos, por se tratarem de rendimentos sujeitos a ajuste anual, é possível, ainda que tributáveis, não gerassem imposto a pagar, dadas as dedutibilidades permitidas na legislação. Fl. 156DF CARF MF 8 Ademais, além de se tratar de novo lançamento, ato de competência privativa da autoridade lançadora, nos termos do artigo 142 do CTN, a aplicação das alíquotas vigentes à época, sem oportunizar ao contribuinte a retificação das informações prestadas por ocasião da entrega da DIRPF referentes aos respectivos anoscalendários, poderia gerar pagamento de imposto a maior, dadas as dedutibilidades permitidas na legislação e não incluídos por opção do contribuinte à época. Ademais, o vício contido no lançamento não pode ser resumido em um mero erro na aplicação da alíquota, sanável em sede contenciosa administrativa. A base do fundamento do acórdão recorrido encontrase na própria ementa do acórdão, fls. 89 e seguintes, assim descrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. O julgador administrativo pode utilizar qualquer fundamento que entenda necessário para resolver a causa, mesmo que não alegado pelas partes, desde que a decisão venha suficientemente fundamentada. VERBAS SALARIAIS RECEBIDAS EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. INCIDÊNCIA COM BASE NO MONTANTE GLOBAL (REGIME DE CAIXA). IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. PRECEDENTE DO STJ EM SEDE DE REPETITIVO. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ARTIGO 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre verbas trabalhistas pagas em atraso e acumuladamente, em virtude de condenação judicial, deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que essas verbas deveriam ter sido pagas (regime de competência), vedandose a utilização do montante global como parâmetro (regime de caixa). Impossibilidade, na fase recursal, de conferir liquidez e certeza ao crédito tributário indevidamente constituído e em inobservância ao artigo 142 do CTN e à correta interpretação dada pela Corte Federal ao artigo 12 da Lei n. 7.713/88. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. O Conselheiro Ronnie Soares Anderson acompanhou o voto vencedor pelas conclusões.Ou seja, o cerne da questão referese ao questionamento se as decisões reiteradas do STJ, como mencionado pelo relator do acórdão recorrido, que acabaram por ensejar julgamento no ambito do STJ em sede de repetititivos Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10980.014615/200765 Acórdão n.º 9202006.702 CSRFT2 Fl. 6 9 e, portariormente pelo STF que declarou a inconstitucionalidade parcial do art. 12 da 7.713/1988, em sede de repercussão geral, seria capaz de eivar de vício material o lançamento? Entendo que não! Ao apreciarmos o inteiro teor da decisão do STF, e mais, baseado na decisão do STJ, que ensejou o pronunciamento daquela corte máxima, observamos que toda a discussão cingee sobre o regime de tributação aplicável aos RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE RRA, se regime de caixa (como originalmente lançado no dispositivo legal), ou o regime de competência (forma adotada posteriormente pela própria Receita Federal calcada em pareceres, decisões do STJ que ensejaram inclusive alteração legislativa art. 12A da 12.530/2010. Entendo que a decisão do STJ descrita no Resp 1.118.429/SP, se coaduna com a do caso ora apreciado já que, em ambas, discutise a sistemática de cálculo aplicável na apuração do imposto devido: caixa ou competência. Dessa forma, entendo que a aplicação do repetitivo se amolda a questão trazida nos autos, já que a mesma apresentase em estrita consonância com a matéria objeto de repercussão geral no RE 614.406/RS. Na verdade a posição do STF, nada mais fez do que pacificar a questão que já vinha sendo observada pelo STJ em seus julgados e pela própria Receita Federal e PGFN, por meio de seus pareceres. Vale destacar que no âmbito deste Conselho não é a primeira vez que essa questão é enfrentada por essa Câmara Superior. No Recurso Especial da PGFN processo nº 11040.001165/200561, julgado na 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, encontramos situação similar, cujo voto vencedor, do ilustre Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior trata da matéria ora sob apreciação. Vejamos a ementa do acórdão nº 9202003.695: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Ainda, como o objetivo de esclarecer a tese esposada no referido acórdão, transcrevo a parte do voto vencedor na parte pertinente ao tema: Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a Fl. 158DF CARF MF 10 observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10980.014615/200765 Acórdão n.º 9202006.702 CSRFT2 Fl. 7 11 (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Com base nas questões levantadas pelo ilustre conselheiro Heitor de Souza Lima Junior aqui transcritas, e as quais uso como fundamento de razões para decidir, entendo que a posição tanto do STJ no REsp nº 1.118.429/SP como do STF no RE 614.406/RS não foi no sentido de inexistência ou inconstitucionalidade do dispositivo que definia os valores dos rendimentos recebidos acumuladamente como fato gerador de IR, mas tão somente no sentido de que a apuração da base de cálculo do imposto devido não seria pelo regime de caixa (na forma como descrito originalmente na lei, art. 12 da Lei 7783/88) já que conferiria tratamento diferenciado e prejudicial ao contribuinte, já definindo o novo regime a ser aplicável para apuração do montante devido. Não se trata de alteração de critério jurídico aplicado pela fiscalização, mas de aplicação dos termos de lei, que posteriormente por decisão judicial deixa claro qual a melhor interpretação acerca do regime aplicável. Dessa forma, considerando os termos do acórdão proferido, bem como a delimitação da lide objeto deste Recurso Especial ser tão somente sobre a nulidade do lançamento, encaminho pelo provimento do Resp da Fazenda Nacional, para afastar a nulidade, DETERMINANDO O RETORNO dos autos à turma a quo para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte, inclusive suscitadas em sede de contrarrazões. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para no mérito DARLHE PROVIMENTO para afastar a nulidade declarada, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 160DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.901838/2013-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. SALDO NEGATIVO FORMADO POR ESTIMATIVAS COMPENSADAS. CONEXÃO PROCESSUAL. PREJUDICIALIDADE. HOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES ANTERIORES. CONFIRMAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ CRÉDITO. PROCEDÊNCIA.
Nas compensações em que exclusivamente se utiliza crédito oriundo de saldo negativo formado por estimativas liquidadas por outras compensações, anteriores, a certeza e a liquidez desse crédito pretendido depende diretamente da homologação daquelas primeiras manobras compensatórias.
Diante dessa relação de conexão, uma vez homologadas as compensações que quitaram as estimativas que dão origem ao crédito utilizado na DCOMP, deve-se promover a sua homologação, sob pena de anacronismo e incongruência jurisdicional.
Numero da decisão: 1402-002.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário no sentido de reconhecer o direito creditório no montante de R$ 742.234,27.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário no sentido de reconhecer o direito creditório no montante de R$ 742.234,27. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
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CRÉDITO. SALDO NEGATIVO FORMADO POR ESTIMATIVAS COMPENSADAS. CONEXÃO PROCESSUAL. PREJUDICIALIDADE. HOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES ANTERIORES. CONFIRMAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ CRÉDITO. PROCEDÊNCIA. Nas compensações em que exclusivamente se utiliza crédito oriundo de saldo negativo formado por estimativas liquidadas por outras compensações, anteriores, a certeza e a liquidez desse crédito pretendido depende diretamente da homologação daquelas primeiras manobras compensatórias. Diante dessa relação de conexão, uma vez homologadas as compensações que quitaram as estimativas que dão origem ao crédito utilizado na DCOMP, devese promover a sua homologação, sob pena de anacronismo e incongruência jurisdicional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário no sentido de reconhecer o direito creditório no montante de R$ 742.234,27. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 18 38 /2 01 3- 97 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10680.901838/201397 Acórdão n.º 1402002.987 S1C4T2 Fl. 835 2 (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10680.901838/201397 Acórdão n.º 1402002.987 S1C4T2 Fl. 836 3 Relatório Trata se de Recurso Voluntário (fls. 119 a 131) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I/RJ (fls. 108 a 114) que julgou totalmente improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada (fls. 02 a 89), mantendo integralmente r. Despacho Decisório (fls. 90), que apenas homologou parte da compensação pretendida na DCOMP transmitida (fls. 91 a 102). Doravante, adotase o completo e preciso relatório da v. Resolução nº 110.1000.132 (fls. 134 a 137), exarada anteriormente nestes autos pela extinta C. 1ª Turma Especial da 1ª Câmara dessa 1ª Seção: Cuidase, na origem, de declaração de compensação (DCOMP) por meio da qual a ora Recorrente pleiteia alegado crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2008 (exercício 2009), no valor histórico de R$ 4.641.031,58 – que, atualizado até a data da DCOMP, perfazia o montante de R$ 5.814.284,36 –, conforme PER/DCOMP n. 26755.99642.250711.1.3.034956, objetivando a compensação com débito de IRPJ de junho/2011 (fls. 91/102). A douta DRF Belo Horizonte confirmou os valores (i) de retenções na fonte (R$2.602.348,91) e (ii) de pagamentos realizados no exercício (R$107.396.379,42), glosando, tão somente, (iii) valores relativos compensações declaradas (R$742.234,27) cujo alegado crédito teria se originado em pagamentos a maior de estimativas, conforme tabela existente no Despacho Decisório n. 048867965 (fl. 90): Os valores não reconhecidos pela d. DRF encontramse em discussão em Processos Administrativos que estão em julgamento neste c. CARF, conforme sintetizado no quadro abaixo: Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10680.901838/201397 Acórdão n.º 1402002.987 S1C4T2 Fl. 837 4 Por assim ser, a d. DRF Belo Horizonte entendeu que “o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual HOMOLOGO(U) PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado” (fl. 90) e apontou como valor consolidado (para pagamento até 30/04/2013) os montantes de R$929.871,10 (principal), R$185.974,22 (multa) e R$143.851,05 (juros). Apresentada tempestiva manifestação de inconformidade (fls. 02/05), a d. 8ª Turma da DRJ/RJ1 julgou improcedente o pleito, nos termos do acórdão n. 1261.269 que restou assim ementado (fls. 108/114), litteris: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 DIREITO CREDITÓRIO. Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, líquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional). SALDO NEGATIVO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não restando comprovado, pelo interessado, o saldo negativo de IRPJ, não está comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado e, portanto, não deve ser reconhecido o direito creditório e não deve ser homologada a compensação efetuada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Na ocasião, a douta instância a qua fundamentou a decisão de improcedência sob os seguintes fundamentos: (i) impossibilidade de sobrestamento do julgamento por ausência de amparo legal; (ii) inexistência de prova do crédito referente às estimativas compensadas no montante de R$742.234,27; (iii) a DRJ não está vinculada às Súmulas do CARF; e (iv) o pagamento indevido ou a maior de CSLL, a título de estimativa mensal, somente poderá ser utilizado para composição de saldo de CSLL (a pagar ou negativo) ao final do período base. A contribuinte foi intimada do r. decisum a quo no dia 21/11/2013 (AR de f. 118) e contra referido acórdão apresentou, em 19/12/2013, Recurso Voluntário (fls. 119/126) afirmando, em síntese, que: (i) “Não prospera a alegada impossibilidade de sobrestamento do processo por ausência de previsão legal” (fl. 121), pois “o princípio constitucional da eficiência e a própria legalidade exigem comportamentos que racionalizem a tomada de decisões pela Administração pública” (fl. 122), sendo certo que a própria Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10680.901838/201397 Acórdão n.º 1402002.987 S1C4T2 Fl. 838 5 Lei n. 9.784/99 dispõe que serão obedecidos os princípios da legalidade, razoabilidade, interesse público e eficiência, o que determinaria que “a análise e julgamento do presente recurso devem ocorrer conjuntamente ou, então, após o julgamento dos processos administrativos n° 10680.932855/200990 e 10680.932856/200934” (fl. 123); e (ii) “A justificativa consignada pela Receita Federal para não homologar as duas compensações” tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de PJ tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente podeia ser utilizado na dedução de IRPJ ou de CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período “não encontra amparo no CARF, tendo em vista a edição da Súmula CARF n. 84” (fl. 124), que dispõe que “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação” (fl. 124). Por essas razões, pede expressamente que se aguarde o julgamento dos recursos voluntários oferecidos nos PAs ns. 10680.932855/200990 e 10680.932856/200934 e, ao final, (ii) seja reconhecido o direito creditório em discussão. É o relatório. Foram estes os termos dessa primeira v. Resolução: O recurso voluntário é tempestivo, razão por que dele conheço. Nos termos do relatório acima, a questão em debate cingese ao montante de R$ 742.234,27 (valor histórico) relativo a crédito de saldo negativo que teria origem em pagamento de estimativas compensadas, parcela essa que está sendo analisada nos autos dos Processos Administrativos ns. 10680.932855/200990 e 10680.932856/200934. Conforme destacou a d. DRJ/RJ1, essa situação afastaria a certeza necessária para que uma antecipação possa integrar o direito creditório representado pelo saldo negativo a partir dali formado, cuja compensação se pretende nos termos do art. 170 do CTN, que possui a seguinte redação: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Com efeito, depreendese da norma que um dos pressupostos nucleares para a compensação tributária é justamente a Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10680.901838/201397 Acórdão n.º 1402002.987 S1C4T2 Fl. 839 6 necessidade de que o crédito do contribuinte contra a Fazenda se revista de certeza e liquidez. Por outro lado, certo é que o saldo negativo pleiteado no presente processo somente poderá, em tese, ser reconhecido, se o CARF der provimento aos recursos voluntários nos processos ns. 10680.932855/200990 e 10680.932856/200934. Por assim ser, pareceme razoável que seja o presente julgamento SOBRESTADO até o julgamento final dos Processos Administrativos ns. 10680.932855/200990 e 10680.932856/200934, conforme expressamente pleiteado pela contribuinte. Frente a tal contexto, o presente voto é no sentido de SOBRESTAR o julgamento do presente recurso voluntário, remeter os autos deste processo à DRF de origem e determinar lhe que devolva o presente processo administrativo a este Conselho apenas quando encerrado o contencioso administrativo no âmbito dos processos administrativos nº 10680.932855/200990 e 10680.932856/200934, para que sem estas prejudiciais seja possível decidir acerca da exigibilidade do crédito tributário aqui lançado. É como voto. Como se observa, pela comprovada e reconhecida relação de dependência entre o direito creditório debatido no presente feito e os objetos dos Processos Administrativos nº 10680.932855/200990 e 10680.932856/200934, foi determinado, por meio de tal v. Resolução, o sobrestamento da demanda, até o encerramento do seu contencioso administrativo. Encaminhados aos autos à DRF de origem, lá permaneceram, aguardando a resolução definitiva destes outros processos. Como atesta a fl. 139 do processo, foi exarado despacho de encaminhamento afirmando que o contencioso admiminstrativ o(SIC) dos processos 10680.932855/2009 90 e 10680.932856/200934 já foi encerrado. Retornese ao CARF para prosseguimento do julgamento. Na sequência, os autos foram retornaram para este Conselheiro relatar e votar. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10680.901838/201397 Acórdão n.º 1402002.987 S1C4T2 Fl. 840 7 Incluído tal processo na pauta de julgamento de 21 de setembro de 2017 desta C. 2ª Turma Ordinária, foi proferida a v. Resolução nº 1402000.462 (fls. 141 a 149), determinado o seguinte: Como se observa, foi provado e constatado no presente processo administrativo que, a totalidade da parcela de crédito controversa, não homologada desde a prolatarão do r. Despacho Decisório, na monta de R$ 742.234,27, é objeto de outros dois Processos Administrativos nº 10680.932855/200990 e 10680.932856/200934. (...) Fato é que, efetivamente, não houve o desfecho material necessário naqueles outros processos administrativos para que possa ser aplicado ao presente, na sua definitiva resolução, os efeitos daqueles julgamentos. Ora, se a certeza e a liquidez do crédito objeto dessa demanda está exclusiva e diretamente relacionada à certeza e à liquidez daqueles outros direitos creditórios, as quais ainda estão pendentes de apreciação pela Unidade Local, não há como proceder ao julgamento meritório deste feito. Contudo, o ocorrido é oportuno, tendo em vista que a mesma Unidade Local é responsável pelos 3 processos administrativos relacionados e, por sua vez, já procedeu (ou está ainda procedendo) à análise expressamente determinada naqueles v. Acórdãos. Diante de todo o exposto, resolvese por sobrestar o julgamento até que seja proferido novo despacho decisório ou novo acórdão da DRJ favorável ao pleito do sujeito passivo no julgamento dos processos 10680.932855/200990 e 10680.932856/200934 ou ainda, em caso contrário, esses processos sejam encaminhados novamente ao CARF para julgamento de eventual recurso voluntário interposto, quando então deverão ser apreciados em conjunto com o presente. Devidamente processado o feito, foi constatado que os Processos Administrativos nº 10680.932855/200990 e 10680.932856/200934 tiveram seu desfecho meritório, sendo tais autos apensados a este feito e encaminhados posteriormente para este Conselheiro para relatar e votar. É o relatório. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10680.901838/201397 Acórdão n.º 1402002.987 S1C4T2 Fl. 841 8 Voto Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10680.901838/201397 Acórdão n.º 1402002.987 S1C4T2 Fl. 842 9 Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator Como anteriormente verificado, o Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. É certo que a controvérsia que permanece na presente contenda, referente à existência do crédito no valor de R$ 742.234,27, denegado desde o r. Despacho Decisório, é direta e totalmente dependente dos Processos Administrativos nº 10680.932855/200990 e 10680.932856/200934, em clara relação de prejudicialidade, conforme pode se observar das tabelas abaixo (vide fls. 90 e 135): Tal correlação e dependência total já vinha sendo reconhecida desde o v. Acórdão da DRJ, motivando, inclusive, o sobrestamento deste feito pela I. Relatora original do feito nessa Instância, que determinou que seu julgamento deveria apenas ocorrer quando encerrado o contencioso administrativo no âmbito dos processos administrativos nº 10680.932855/200990 e 10680.932856/200934, para que sem estas prejudiciais seja possível decidir acerca da exigibilidade do crédito tributário aqui lançado (fls. 137). Agora, uma vez confirmado o desfecho de tais demandas conexas e apensados seus autos a esta contenda, cabe apenas verificar o seu resultado quanto ao reconhecimento dos créditos lá debatidos e a homologação daquelas outras compensações pleiteadas, transportando e aplicando seus efeitos a este processo dependente. Processo Administrativo nº 10680.932855/200990 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10680.901838/201397 Acórdão n.º 1402002.987 S1C4T2 Fl. 843 10 Em relação ao Processo Administrativo nº 10680.932855/200990, como anteriormente relatado, foi proferido o v. Acórdão nº 1801002.083, aplicando a Súmula CARF nº 84 e determinando: Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de compensação de indébitos de estimativa por meio de DCOMP, devendo a unidade de origem apreciar a liquidez e a certeza do indébito declarado. Não havendo Recurso Especial da Fazenda Nacional, em cumprimento a tal v. decisório, os autos foram remetidos à D. Unidade Local que, após solicitar a documentação necessária para a verificação de liquidez e certeza do valor creditório utilizado, proferiu o seguinte relatório conclusivo: Em 02/12/2014 o contribuinte apresentou sua resposta e juntou os documentos comprobatórios abaixo relacionados, que passaram a fazer parte integrante do presente processo: Cópia do Termo de Intimação Fiscal (doc 01); Cópia do PerDcomp nº 38040.82986.040808.1.7.042605 (doc 02); Balancete do mês de fevereiro de 2005 (doc 03); Cópia da memória de cálculo da CSLL do mês de fevereiro de 2005 (doc 04); Memória de cálculo da ficha 16 – Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido mensal por estimativa do ano calendário 2005 (doc 05); Cópia do Darf, código 2484, no valor de R$ 5.244.682,50, recolhido em 31/03/2005, referente a estimativa da CSLL do mês de fevereiro de 2005 (doc 06). Diante de todo o exposto e das informações e documentação apresentadas, procedi a análise das mesmas e cheguei ao seguinte entendimento: O contribuinte, como documentação comprobatória de seus argumentos, apresentou o Balancete Geral CEMIG Geração e Transmissão S.A. encerrado em fevereiro de 2005, onde ficou demonstrado que o lucro contábil, antes da Contribuição Social, totalizava o valor de R$ 152.157.053,29. Pela memória de cálculo da apuração da CSLL acumulada até o mês de fevereiro de 2005 apresentada, o lucro líquido foi ajustado pelas adições e exclusões, resultando na base de Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10680.901838/201397 Acórdão n.º 1402002.987 S1C4T2 Fl. 844 11 cálculo de R$ 163.966.600,87. Esta base resulta na CSLL devida de R$ 14.756.994,08, valor este informado na apuração da ficha 12A da DIPJ/2006, cópia anexa. Assim, consideradas as deduções permitidas pela legislação, o valor da CSLL a recolher finalizava em R$ 4.834.772,77. Como a empresa havia recolhido anteriormente para esta apuração de fevereiro o montante de R$ 5.244.682,50, a importância de R$ 409.909,73 tornouse, portanto, recolhimento indevido (R$ 5.244.682,50 R$ 4.834.772,77). Por estes fatos e documentos analisados, ficou justificado o pedido de compensação realizado pelo contribuinte através do PerDcomp sob apreciação. O crédito pleiteado teve origem no recolhimento a maior da estimativa da CSLL do mês de fevereiro de 2005, no montante de R$ 409.909,73. De forma coerente, a empresa transmitiu a DIPJ/2006 com as apurações das estimativas da CSLL e resultado final atualizados, pois já havia ajustado as informações prestadas à RFB via entrega de DCTF mensal retificadora. A DCTF original do mês de fevereiro/2005, transmitida em 06/04/2005, arquivada sob o nº 100.0000.2005.1810003823, que registrava como valor a recolher da estimativa da CSLL o montante de R$ 5.244.682,50, foi retificada em 02/10/2008. Esta retificadora, arquivada sob o nº 100.0000.2008.1810400980, trouxe o registro do valor a recolher desta estimativa da CSLL de R$ 4.834.772,77. Finalmente, concluídas as determinações da Resolução CARF nº 1801002.083 1ª Turma Especial, e reconhecido o direito creditório pleiteado pelo contribuinte de R$ 409.909,73, será procedida a operacionalização da compensação declarada pela empresa na PerDcomp nº 38040.82986.040808.1.7.042605, até o limite deste crédito disponibilizado. (fls. 198 e 199 do referido apenso. Destacamos) Deve aqui se frisar que, ainda que o débito compensado naquele feito montasse em R$ 591.417,76 (DCOMP transmitida em 08/2008 para liquidar estimativa de 07/2008), o crédito utilizado, referente a recolhimento a maior, somava originalmente, em 31/12/2005, R$ 407.537,05, conforme se comprova de trecho do v. Acórdão da DRJ proferido naquele feito (fls. 67 do referido apenso): 1. Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP), mediante utilização de pretenso "Pagamento Indevido/a Maior" no valor de R$ 407.537,05. 2. As compensações declaradas pelo contribuinte, sinteticamente: Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10680.901838/201397 Acórdão n.º 1402002.987 S1C4T2 Fl. 845 12 Dessa forma, a confirmação da existência, certeza e liquidez do crédito pela Autoridade Fiscal implicou na homologação integral da compensação da estimativa debatida naquela demanda. Comprovando, fora certificado a insubsistência de quaisquer débitos após essa confirmação efetuada, encerrandose, definitivamente, o processo após a intimação do Contribuinte do seguinte Termo: TERMO DE CIÊNCIA E NOTIFICAÇÃO Encaminhamos, para ciência, o(s) Acórdão(s) do Recurso Voluntário e do Relatório Fiscal, relativo(s) ao(s) processo(s) acima referido(s). Ressaltese que não há débitos remanescentes relativamente ao mesmo. Segue, em anexo, Extrato do processo de cobrança para comprovação de quitação dos débitos. Cópia integral do processo pode ser obtida por meio do Portal eCAC, na página da Receita Federal do Brasil na internet (www.receita.fazenda.gov.br), sem custo, com utilização de Certificado Digital, para o contribuinte que é optante pelo Domicílio Tributário Eletrônico – DTE. (fls. 203 do referido apenso) (fls. 202 do referido apenso) Diante disso, resta, então, aqui já confirmada e certificada a existência da parcela de R$ 591.417,76 do crédito pretendido, referente à estimativa em questão, que formou Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10680.901838/201397 Acórdão n.º 1402002.987 S1C4T2 Fl. 846 13 o saldo negativo do anocalendário de 2008, o qual deu origem ao crédito pleiteado no presente processo. Processo Administrativo nº 10680.932856/200934 Em relação ao Processo Administrativo nº 10680.932856/200934, este teve desfecho idêntico ao outro apenso, acima demonstrado. Pela mesma C. 1ª Turma Especial foi proferido o v. Acórdão nº 1801 002.084, aplicando a Súmula CARF nº 84 e determinando: Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de compensação de indébitos de estimativa por meio de DCOMP, devendo a unidade de origem apreciar a liquidez e a certeza do indébito declarado. Da mesma forma, não havendo Recurso Especial da Fazenda Nacional, em cumprimento a tal v. decisório, os autos foram remetidos à D. Unidade Local que, após solicitar a documentação necessária para a verificação de liquidez e certeza do valor creditório utilizado, proferiu o seguinte relatório conclusivo: O Acórdão CARF nº 1801002.084 – 1ª Turma Especial, de 26/08/2014, deu provimento parcial ao recurso do contribuinte, reconhecendo a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa. O referido julgamento fez retornar este processo à origem para análise de mérito quanto à existência, suficiência e disponibilidade do crédito informado na Declaração de Compensação DCOMP nº 39577.50547.040808.1.7.042987. Tal crédito, R$ 249.550,38, referese a valor declarado como pagamento a maior de CSLL, recolhido em 29/12/2005 para o período de apuração PA Março/2005. Em 07/10/2009, o Despacho Decisório de nº 848544516 indeferiu a compensação declarada, em conformidade com o entendimento de que o pagamento a título de estimativa só pode ser utilizado na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de CSLL do exercício. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10680.901838/201397 Acórdão n.º 1402002.987 S1C4T2 Fl. 847 14 O débito declarado foi vinculado ao protocolo eletrônico nº 10680.936.120/200935: Fundamentação: Pesquisa aos sistemas da RFB confirmou a existência do pagamento de CSLL, cujo nº de registro é 22419271911 e referese à quitação de parcela de estimativa no valor de R$ 456.378,41, relativa ao período de apuração Março/2005. Desse montante, R$ 206.828,02 foram vinculados à DCTF e alocados ao débito informado na declaração retificadora, restando um saldo de R$ 249.550,38, declarados na DCOMP informadora do crédito. Consulta à DIPJ/ Exercício 2006 revela que a diferença a maior não foi aproveitada para abater o imposto de renda na apuração anual, uma vez que o valor da estimativa de CSLL informado para a competência Março/2005 (R$ 5.566.716,58) foi equivalente àquele declarado na DCTF retificadora. A Solução de Consulta Interna nº 19 Cosit, de 05/12/2011, entende que o art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevido de estimativas, sendo preceito interpretativo da legislação, com efeitos retroativos. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, em conformidade com sua Súmula 84, segundo a qual o pagamento indevido ou a maior de estimativa é passível de restituição ou compensação. Conclusão: Diante do acima exposto, proponho: o reconhecimento do indébito de R$ 249.550,38 utilizado na DCOMP em análise, referente ao pagamento a maior de estimativa de CSLL no período de apuraçãoPA Março/2005; a homologação total da compensação na DCOMP nº 39577.50547.040808.1.7.04 2987. (fls. 149 e 150 do referido apenso. Destacamos) Como acima explicado e já anteriormente relatado, o crédito de CSLL na monta de R$ 249.550,38 foi utilizado na DCOMP nº 39577.50547.040808.1.7.04 2987, que, ao seu turno, compensou estimativa do mês de junho de 2008 desse mesmo tributo, no valor de R$ 150.816,51, acabando por formar o saldo negativo que deu origem ao crédito pretendido nessa presente demanda conexa. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10680.901838/201397 Acórdão n.º 1402002.987 S1C4T2 Fl. 848 15 E como resta claríssimo, houve a confirmação da existência, certeza e liquidez do crédito pela Autoridade Fiscal, que implicou na homologação integral da compensação da estimativa debatida naquela demanda. Comprovando, fora certificada a insubsistência de quaisquer débitos após confirmação efetuada, encerrandose definitivamente o processo após a intimação do Contribuinte do seguinte Termo: TERMO DE CIÊNCIA E NOTIFICAÇÃO Encaminhamos, para ciência, o(s) Acórdão(s) de Recurso Voluntário e do Despacho de Análise de Mérito. relativo(s) ao(s) processo(s) acima referido(s). Ressaltese que não há débitos remanescentes relativamente ao mesmo. Segue, em anexo, Extrato do processo de cobrança para comprovação de quitação dos débitos. Cópia integral do processo pode ser obtida por meio do Portal eCAC, na página da Receita Federal do Brasil na internet (www.receita.fazenda.gov.br), sem custo, com utilização de Certificado Digital, para o contribuinte que é optante pelo Domicílio Tributário Eletrônico – DTE. (fls. 155 do referido apenso) (fls. 153 do referido apenso) Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10680.901838/201397 Acórdão n.º 1402002.987 S1C4T2 Fl. 849 16 Posto isso, resta aqui confirmada e certificada a existência da parcela remanescente de R$ 150.816,51 do crédito pretendido, referente à estimativa em questão, que formou o saldo negativo do anocalendário de 2008, o qual deu origem ao crédito pleiteado neste processo. Por derradeiro, restam demonstradas e comprovadas a certeza e a liquidez do valor total do crédito ainda controverso nestes autos, na quantia de R$ 742.234,27 (R$ 591.417,76 + R$ 150.816,51). Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento integral ao Recurso Voluntário, reformandose o v. Acórdão recorrido, para reconhecer o direito adicional ao crédito no valor de R$ 742.234,27; homologandose as compensações ainda pendentes até esse limite. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 171DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.904192/2012-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007
EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL.
A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-004.287
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
1.0 = *:*
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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PIS/COFINS. Recorrente JOÃO ALVES DE ALMEIDA GOIANO EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrandose que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 90 41 92 /2 01 2- 15 Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 10746.904192/201215 Acórdão n.º 3301004.287 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 03052.841, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília. Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor para a realização da compensação pretendida. Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. A 4ª Turma da DRJ/BSB julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório sob o fundamento, em síntese, que não foi comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição. Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte protocolou recurso voluntário e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos documentação comprobatória, e no que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Encaminhado o processo para julgamento por este Carf, a 3ª Turma Especial desta Terceira Sessão decidiu pela conversão daquele em diligência, por meio da Resolução 3803000.566. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, em cumprimento ao procedimento de Diligência Fiscal, através da Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO, no qual foi realizado o confronto entre as informações provenientes de Declarações da requerente armazenadas nos sistemas de controle da RFB e as constantes nos documentos fiscais apresentados (planilhas e notas fiscais), onde propôs o deferimento parcial do Pedido de Restituição, reconhecendo assim o direito creditório em favor do requerente no montante ali expresso. Fl. 1172DF CARF MF Processo nº 10746.904192/201215 Acórdão n.º 3301004.287 S3C3T1 Fl. 4 3 Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte declarou que está de acordo com os valores propostos pela autoridade fiscal perante o CARF, conforme Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.279, de 20 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10746.904178/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.279): "A recorrente bem coloca a discussão, no recurso voluntário que apresentou: A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que, para se comprovar a existência de crédito supostamente decorrente de pagamento a maior, a simples entrega de declarações retificadoras não é bastante e que "é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração", ônus este, da contribuinte. Em seu recurso a esta decisão de primeira instância, a contribuinte juntou livros contábeis e fiscais, além de notas fiscais. Fl. 1173DF CARF MF Processo nº 10746.904192/201215 Acórdão n.º 3301004.287 S3C3T1 Fl. 5 4 Sucederamse então exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação da documentação. Registrese que a norma faculta a apresentação desta em papel. Tal questão fora ultrapassada por resolução de Turma desta CARF, a qual determinou que se baixassem os autos em diligência, em apreço ao princípio da verdade material, "com vistas à apuração e pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente (sic) para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido", o que fez acertadamente, a meu ver. A norma em pauta, Lei nº 10.833/03, artigos 58A e 58B (revogados em 2015, mas vigentes à época dos fatos), de fato, dá direito à redução 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos lá especificados, o que fora verificado em sede de diligência A recorrente traz indevidamente tal questão como preliminar. Seguem os dispositivos legais referidos: Por fim, ultrapassada a relatada questão da apresentação de documentos, o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo "deferimento parcial do PER sob nº 01179.52590.291210.1.2.046407, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original de R$ 14,76" (grifos do original), com o que concordo. Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 10746.904192/201215 Acórdão n.º 3301004.287 S3C3T1 Fl. 6 5 Assim, por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo o deferimento parcial do PER apresentado, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original expresso na Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos, com o que concordo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 1175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.928898/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2006
Ementa:
SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE.
Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES.
A instalação de elevadores amolda-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços.
Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.177
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 2006 Ementa: SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores amolda-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado.
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ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores amoldase ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 88 98 /2 00 9- 01 Fl. 364DF CARF MF Processo nº 11080.928898/200901 Acórdão n.º 3402005.177 S3C4T2 Fl. 0 2 Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado. Relatório Trata o presente processo de DCOMP transmitida com objetivo de compensar os débitos nela apontados com créditos provenientes de pagamento indevido ou a maior. A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório, no qual a Delegacia de origem, com base em informação fiscal resultante de diligência do Serviço de Fiscalização para apuração do direito creditório informado na DCOMP, onde ficou constatada a improcedência do mesmo, revisou de ofício o reconhecimento do direito creditório automático para não reconhecimento do direito creditório por inexistência do crédito e também de ofício revisou a homologação total da compensação efetuada através da mencionada declaração para compensação não homologada. A autoridade fiscal que proferiu a referida informação tomou por base a Solução de Consulta 446 SRRF/8ª RF/Disit, de 18/08/2007, uma vez que a Solução de Consulta 104 SRRF/10ª RF/Disit, de 18/08/2008, foi anulada pelo Parecer 52 SRRF10/Disit, de 13/09/2011, sob o seguinte argumento: É vedada a coexistência de duas soluções de consulta vigentes e eficazes sobre o mesmo fato, relativas a um mesmo sujeito passivo(...). Por sua vez, a Solução de Consulta vigente tem a seguinte ementa para o PIS: ELEVADORES. NÃOCUMULATIVIDADE. A instalação de elevador por seu produtor não caracteriza obra de construção civil, descabendo a aplicação do art. 10, XX, da Lei nº 10.833, de 2003. Caracterizase como operação de industrialização, na modalidade montagem, a reunião de partes, peças e componentes da qual resulte elevador, inclusive quando realizada fora do estabelecimento do executor, no próprio prédio onde esse equipamento será utilizado. Sofre incidência da contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração não cumulativo o total das receitas decorrentes do fornecimento de elevador por seu produtor, o qual se conclui ao final do processo de montagem. Para a Cofins foi proferida ementa com igual teor. (...). Uma vez intimado o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pelo acórdão 09054.900, que entendeu que a compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, não verificado no caso em comento, afastou a preliminar de nulidade do Despacho Decisório e concluiu que "a Fl. 365DF CARF MF Processo nº 11080.928898/200901 Acórdão n.º 3402005.177 S3C4T2 Fl. 0 3 decisão judicial transitada em julgado é, na verdade, a lei aplicada ao caso concreto e, tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente". Diante deste quadro, o contribuinte apresentou o recurso voluntário tempestivo, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.145, de 18 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 11080.729500/201323, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.145): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. A discussão travada nos autos e o precedente vinculante deste CARF favorável ao contribuinte 6. A questão aqui travada não é nova, uma vez que já foi decidida por este CARF para o mesmíssimo contribuinte de forma paradigmática, i.e., nos termos do art. 47, § 2º do RICARF. Referida decisão foi veiculada por intermédio do acórdão n. 3201002.448 e encontrase assim prescrita: (...). A princípio, temse que o cerne da questão é definir qual a natureza da atividade exercida pela Recorrente (instalação de elevadores): se construção civil ou se industrialização. Tal definição determinará se a Recorrente deveria, à época dos fatos geradores, apurar o recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo ou pelo cumulativo. Há peculiar situação no feito, consistente no fato de que a Recorrente teria apresentado duas Consultas Fiscais acerca do tratamento tributário mais adequado, obtendo Soluções conflitantes. Na primeira delas, Solução de Consulta nº 446/2007, da 8ª Região Fiscal, concluiuse que se tratava de industrialização e que, portanto, as receitas estariam Fl. 366DF CARF MF Processo nº 11080.928898/200901 Acórdão n.º 3402005.177 S3C4T2 Fl. 0 4 sujeitas ao regime não cumulativo das citadas contribuições. A segunda, Solução de Consulta nº 104/2008, da 10ª Região Fiscal, afirmou que as receitas estariam sob o regime cumulativo. No caso, o crédito postulado pela Recorrente origina da aplicação do segundo entendimento. Os créditos postulados, portando, decorrem da reapuração do PIS e da COFINS outrora calculados pelo regime não cumulativo e reajustados para o cumulativo. Idêntica questão já foi examinada por esta mesma Turma na sessão de 24 de fevereiro de 2016, em decisão por maioria proferida nos autos do Processo nº 11080.726628/201335, da mesma THYSSENKRUPP ELEVADORES S/A, no qual a Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi designada Relatora para o Voto Vencedor. O referido Acórdão nº 3201002.070 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 Fl. 367DF CARF MF Processo nº 11080.928898/200901 Acórdão n.º 3402005.177 S3C4T2 Fl. 0 5 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Como consta em ata, o voto da i. Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi por mim acompanhado integralmente. Por essa razão, peço vênia para transcrevêlo como fundamento do presente julgado: Como se depreende do voto do eminente relator, o mérito da presente demanda não foi conhecido, por se entender que havia solução de consulta, proferida para a situação específica dos autos e proposta pela própria Recorrente. Com efeito, no mérito a Recorrente alega que o regime jurídico de apuração das contribuições sociais, tome a sua atividades de instalação de elevadores como prestação de serviços de construção civil, o que determinaria a aplicação do regime cumulativo. A Recorrente obteve a solução de consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 446, de 18/09/2007, que ao analisar as atividades realizadas pela Recorrente de instalação de elevadores, decidiu não ser atividade de construção civil e portanto, estariam sujeita a apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 11080.928898/200901 Acórdão n.º 3402005.177 S3C4T2 Fl. 0 6 Não obstante, a Recorrente protocolou nova consulta, na Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT nº 104, de 18 de agosto de 2008), que considerou a atividade da Recorrente como prestação de serviços de construção civil e portanto, enquadrada nas disposições do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, determinando a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo.(fls. 391 a 397). O entendimento do eminente Conselheiro Winderley Morais Pereira foi no sentido de que, em sendo a solução de consulta instrumento de garantia do contribuinte para esclarecimentos quanto a aplicação da legislação, a possibilidade de consultas do mesmo contribuinte tratando da mesma matéria serem protocoladas em unidades diversas da RFB, poderia mitigar a força normativa das consultas. Por essa razão, a decisão anterior não produziria efeito, nos termos do art. 54, IV do Decreto nº 70.235/72. Contudo, a questão que se põe e da qual se diverge do ilustre relator, é precisamente sobre a possibilidade de a decisão proferida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, se sobrepor a decisão em solução de consulta, para o mesmo contribuinte. Ora, embora pelo processo de consulta possa se entender que o contribuinte recorra à Administração para buscar a correta exegese de determinada norma jurídica, verificase o que se busca, invariavelmente, é uma medida protetiva, de cunho preventivo, para a estruturação tributária de suas operações. O fato é que no âmbito do processo de consulta, o contribuinte não comparece na condição de mero consulente, até mesmo porque, já traz em seu pedido o posicionamento que entende cabível, com a respectiva fundamentação legal, o que aliás, é condição para o processamento de sua consulta, de acordo com a legislação em vigor, sob pena de sua ineficácia. Embora o procedimento de consulta não se equipare lógica e juridicamente ao processo administrativo fiscal, o fato é que este também possui conteúdo persuasivo, buscandose convencimento da Administração, acerca de determinada interpretação. E se assim for o caso, a solução em consulta conferelhe medida protetiva, um verdadeiro escudo contra eventuais futuros entendimentos administrativos contrários. Por essa razão, apenas a solução de consulta favorável ao contribuinte tem repercussões no contencioso administrativo fiscal, no sentido de coibir o lançamento. Observese que, nessa toada, dispõe o art. 100 do Decreto n. 7574/2011: (...). Fl. 369DF CARF MF Processo nº 11080.928898/200901 Acórdão n.º 3402005.177 S3C4T2 Fl. 0 7 Acresçase, por fim, que as decisões proferidas em procedimentos de consulta e no processo administrativo fiscal são lógica e juridicamente distintas, de sorte que não se verifica quaisquer relações de hierarquia entre elas. Superadas a questão, partese para o conhecimento do mérito da lide. A atividade de instalação de elevadores deve ser caracterizada como serviço, e não como atividade de industrialização, frisandose que, na hipótese dos autos, a Recorrente aparta a atividade de fabricação dos elevadores, da de sua instalação. Além de todas os fundamentos jurídicos trazidos pela Recorrente, como o fato de que a instalação de elevadores sob encomenda ser complemento da obra de construção civil, esta, indubitavelmente subsumida ao conceito de serviço, por se agregarem ao solo, dentre outras, temse que, para efeitos da legislação federal, que passou a tributar os serviços pelas contribuições sociais, bem como instituir o instrumental necessário para o controle do comércio exterior de serviços, com a edição da Nomenclatura Brasileira de Serviços, Decreto n. 7708/2011, não há mais dúvidas quanto ao enquadramento. Destarte, de acordo com o art. 2o do decreto, a NBS será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados. Os serviços de instalação de elevadores estão assim dispostos: SEÇÃO I SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1 Serviços de construção 1.0131 Outros serviços de instalação 1.0131.10.00 Serviços de instalação de elevadores, esteiras e escadas rolantes O direito positivo brasileiro não traz um conceito conotativo de "serviço' nem mesmo para efeitos de incidência do ISSQN, operando sempre com definições denotativas, ou seja, com listas que arrolam o que são considerados os "serviços" para efeitos de tributação. Portanto, não se questiona a validade, vigência e eficácia da Nomenclatura Brasileira de Serviços, para esse fim. Não se olvide, finalmente, que os decretos são de aplicação obrigatória para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de maneira que considerada a atividade em questão como serviço, deve ser a aplicação do regime cumulativo das contribuições sociais. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11080.928898/200901 Acórdão n.º 3402005.177 S3C4T2 Fl. 0 8 Por essas razões, entendo que há de ser dado provimento ao recurso voluntário.Com efeito, não vislumbro a possibilidade de uma Solução de Consulta expedida pela Receita Federal do Brasil vincular, ad eternum, uma exigência tributária que se mostre claramente ilegítima. Não se trata aqui de discutir se o contribuinte poderia ou não ter formulado uma segunda Consulta Fiscal, ou mesmo qual das respostas deveria prevalecer. Tratase aqui de reconhecer a legalidade ou ilegalidade de uma exigência tributária, ou, melhor dizendo, de definição acerca do alcance de uma norma tributária. Mesmo se admitisse que, de acordo com as normas procedimentais, a segunda Solução de Consulta deveria ser tida por inexistente, tal constatação, por óbvio, não chancela a legitimidade da primeira Solução de Consulta. Afinal, este não é o meio adequado para se definir fato gerador de obrigação tributária. E, nesse sentido, trago o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o serviço de instalação e montagem de elevadores como obra de engenharia, e não como industrialização (portanto, atraindo a incidência do regime cumulativo do PIS e da COFINS à época dos fatos geradores): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ELEVADORES. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A atividade de fornecimento de elevadores, que envolve a produção sob encomenda e a instalação no edifício, encerra, precipuamente, uma obra de engenharia que complementa o serviço de construção civil, não se enquadrando no conceito de montagem industrial, para fins de incidência do IPI. 2. Recurso especial provido. (REsp 1231669/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe 16/05/2014) Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário lançado. 7. Referida decisão apresenta um caráter vinculante, devendo ser seguida por esta Turma julgadora. Neste aspecto, todavia, não concordou o colegiado, que entende que, em tese, o colegiado poderia julgar de forma diferente daquele precedente paradigmático, haja vista que se está diante de outro lote de processos (ainda que referentes aos mesmíssimos fatos e com as mesmíssimas partes litigantes). Deixo tais considerações aqui registradas em razão do disposto no esquizofrênico art. 63, Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11080.928898/200901 Acórdão n.º 3402005.177 S3C4T2 Fl. 0 9 §8º do RICARF1, que determina que as conclusões adotadas pelo colegiado seja externada por aquele Conselheiro que divergiu (e continua divergindo) e que foi vencido em relação à tais conclusões. 8. Tais considerações do colegiado, entretanto, não trazem qualquer repercussão no caso prático, até porque, no que tange ao mérito, a Turma julgadora aderiu integralmente com as precisas considerações elaboradas pela então Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e replicadas pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (transcritas alhures), motivo pelo qual emprego tais fundamentos para fins de motivação do presente voto, o que faço com amparo no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/992. Dispositivo 9. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. 10. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. 1 "Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...). § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros." 2 "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...). § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...)." Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11080.928898/200901 Acórdão n.º 3402005.177 S3C4T2 Fl. 0 10 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado deu provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra . Fl. 373DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726325/2009-32
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA SALARIAL.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte.
Numero da decisão: 9202-006.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10580.726609/2009-29, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
EDITADO EM: 05/05/2018
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA SALARIAL. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte.
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NATUREZA SALARIAL. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10580.726609/200929, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator EDITADO EM: 05/05/2018 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 63 25 /2 00 9- 32 Fl. 314DF CARF MF 2 Relatório Tratase de lançamento, conforme Auto de Infração, para cobrança de Imposto de Renda de Pessoa Física, constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. O acórdão recorrido manifestou o entendimento de que referida verba tem natureza tributável. Consoante despacho de exame de admissibilidade proferido pelo Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF, o recurso especial de divergência interposto pelo sujeito passivo, em face do acórdão recorrido, obteve seguimento parcial para que a divergência relacionada à natureza indenizatória da URV fosse apreciada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, pugnando pela manutenção do acórdão recorrido, por seus próprios e jurídicos fundamentos. É o relatório. Voto Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.334, de 29/01/2018, proferido no julgamento do processo 10580.726609/200929, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor dos votos proferidos naquela decisão (Acórdão 9202006.334): Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de processo de Autuação, conforme Auto de Infração, para cobrança de Imposto de Renda de Pessoa Física, exercícios de 2005, 2006 e 2007, para exigência de crédito tributário no valor de R$ 178.526,73, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora, constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10580.726325/200932 Acórdão n.º 9202006.348 CSRFT2 Fl. 3 3 O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a divergência jurisprudencial em relação à definição da natureza da verba URV. IMPOSTO SOBRE A RENDA E INDENIZAÇÕES Pois bem, como dito a problemática consiste na questão da natureza atribuída a verba recebida pelo contribuinte, e para melhor deslinde da questão mister se faz analisar o enquadramento das indenizações perante a legislação do imposto sobre a renda. A interpretação dada pela Fazenda Nacional é a de que na medida em que a legislação federal, prevê expressamente a isenção ou nãotributação de certas verbas indenizatórias (como as contempladas nos incisos IV e V do artigo 6° da Lei federal n. 7.713/88 ), então só estariam excluídas da incidência estas verbas; e por consequência, todas as demais verbas de caráter indenizatório não expressamente contempladas estariam sujeitas à tributação pelo imposto sobre a renda. Para os doutrinadores esta afirmação é incompatível com os dispositivos constitucionais e também as disposições do Código Tributário Nacional. Para Aliomar Baleeiro, " a renda se destaca da fonte sem empobrecêla", e Marco Aurélio Greco complementa: "indenizar é tornar" sem dano" aquele patrimônio; não é acrescêlo, é recompôlo ao que era antes do evento. Portanto, nestes casos, a indenização não é produto do capital e/ou do trabalho, nem acréscimo patrimonial, razão pela. qual está fora do âmbito de incidência do imposto sobre a renda". Isto significa que o fato de não haver na legislação federal regra expressa prevendo a não incidência de determinada indenização (com o perfil acima) não implica na sua tributação. Ao contrário, não há necessidade de regra neste sentido, pela singela razão de esta indenização não estar alcançada pela norma constitucional (art. 153, Ill). Por definição, está fora do âmbito material de incidência; logo, não precisa haver previsão neste sentido e as que existirem terão caráter explicitador, por vezes, resultantes de dúvidas surgidas quanto à natureza jurídica de determinada verba. O jurista citado ainda ensina que, "indenização que implique recomposição de patrimônio passado economicamente identificável (ou seja, sem haver acréscimo patrimonial), não configura hipótese de incidência do imposto sobre a renda. A verba paga é evento do mundo dos fatos que pode receber mais de uma qualificação jurídica a depender das circunstâncias que a cercam". A questão primordial a ser debatida aqui é saber a quem cabe afirmar a natureza jurídica de determinada verba para fins de enquadramento na legislação do imposto sobre a renda. Três situações podem ser identificadas: a) partes privadas (contratualmente ou por outro instrumento) qualificam determinada verba como de caráter indenizatório; b) o Poder Judiciário, no bojo da prestação jurisdicional, qualifica a verba como indenizatória; e c) a Lei qualifica a verba como indenizatória. Na medida em que a natureza jurídica é que determina a incidência ou não do imposto sobre a renda, importante compreender em quais hipóteses o Fisco Federal pode Fl. 316DF CARF MF 4 recusar a qualificação oriunda de qualquer das situações acima e afirmar a natureza não indenizatória da verba, de modo a deflagrar a incidência das regras do imposto. A terceira hipótese é a que nos importa no caso em tela, uma vez que o contribuinte em questão teve a natureza de sua verba declarada como indenizatória por meio de Lei Estadual. É de se destacar o fato de a qualificação indenizatória dada a verba foi editada pelo legislador através de uma lei específica. Toda lei goza de presunção de constitucionalidade. Caso se tratasse de uma lei federal, o Fisco também federal, não teria competência para afastar sua aplicabilidade, pois não lhe é dado substituirse ao legislador, nem tem competência para declarar a inconstitucionalidade de uma norma. Tratandose de lei estadual abrese o debate, pois a qualificação jurídica por ela veiculada tem o efeito de atribuir ao fato subjacente uma qualidade que por decorrência e em função do caráter de Direito de superposição de que se reveste o Direito Tributário repercute na aplicação da lei tributária federal, ao afastála no caso de indenizações (que não impliquem acréscimo patrimonial). Daí a pergunta, que responde toda a problemática aqui veiculada: pode a lei estadual interferir com a interpretação e aplicação da lei tributária federal? Embora pareça questão de fácil resolução, e a resposta pareça ser a simples alegação realizada pelo Fisco, de que não cabe a Lei estadual interferir nas hipóteses de incidência (fato gerador) de tributo federal, penso que a questão envolve outros institutos jurídicos e concepções tributárias. Para alguns juristas, nos quais novamente cito Marco Aurélio Greco, a pergunta envolve um falso problema. Pois a questão efetiva não é esta, obviamente os Estados não têm competência para legislar sobre imposto sobre a renda. A questão legítima aqui discutida é, se o Fisco Federal pode afastar a qualificação jurídica de determinada verba que tenha sido atribuída por lei estadual válida no ordenamento jurídico. E aqui neste ponto, sem dúvida a resposta é não, por força da presunção de constitucionalidade de que se reveste toda lei. Portanto, enquanto subsistir o preceito normativo, o Fisco federal não possui competência para afastar a qualificação jurídica ali contida. Para afastála é preciso, previamente, buscar a declaração da sua inconstitucionalidade, o que não pode ser realizado pelo Poder Executivo, sem a chancela do Poder Judiciário. Ainda que a alegação do fisco fosse de que o preceito nela contido é manifestamente inconstitucional, por dispor sobre matéria que não cabe ao Estado regular ou se seu conteúdo contiver disciplina inequivocamente conflitante com o ordenamento, a ponto de configurar aquilo que a jurisprudência denomina de "ato teratológico", não é o que ocorre no caso em tela, pois a disposição sobre a verba submetida ao regime estatutário é de plena competência do ente estadual. Assim, não há que se falar que a Lei Complementar n. 20/2003 ou a Lei n. 8.730/2003, possua qualificação jurídica teratológica que possa afastar de plano sua aplicabilidade. Assim, além da presunção de constitucionalidade de que se revestem as leis em referência, elas dispõem sobre matéria que compete aos Estados regular, por dizer respeito ao funcionamento das respectivas Instituições. Portanto, não é estranho que seja a lei a reconhecer a natureza jurídica de determinada verba, à luz do contexto do respectivo regime estatutário, conforme previsão expressa do § 11 do artigo 37, CF, que é explícito ao prever que: Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10580.726325/200932 Acórdão n.º 9202006.348 CSRFT2 Fl. 4 5 “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) XI a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicandose como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (...) § 11. Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios de que trata o inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei." (grifo nosso) Ou seja, podem existir pagamentos a agentes públicos que tenham caráter indenizatório, desde que as respectivas parcelas estejam previstas em lei. Ora, se tais parcelas podem existir, a própria lei também pode afirmar esse caráter, "especialmente" em relação a verba submetida ao regime estatutário. Ad argumentandum tantum, ainda há que se salientar que, sendo da competência dos Estados definir a natureza de tais verbas, ainda é também de sua competência a responsabilidade pela retenção do imposto na fonte e consequentemente é de sua titularidade o direito de cobrála. Contudo até o presente momento não vemos no Estado da Bahia nenhuma menção neste sentido. Assevera, Marco Aurélio Grecco, que a CF/88, a titularidade não é sobre o resultado material da atividade de reter, mas é sobre todo aquele imposto que de acordo com a legislação pertinente deva ser submetido ao regime de retenção na fonte. Esta titularidade é atribuída em caráter exclusivo ao Estado o que afasta qualquer interesse ou pretensão por parte da União. Vale dizer, se determinada verba, pela sua natureza, deve submeterse à retenção, o simples fato de esta ser a respectiva qualificação, afasta por si só a titularidade da União. Ou seja, a União não tem titularidade sobre a parcela do imposto sobre a renda na fonte que incidir (juridicamente) na fonte. A circunstância de haver ou não no plano fático a retenção não modifica esta qualificação jurídica da titularidade sobre esse montante, posto que a qualificação advém diretamente da CF/88 e a eventual inação do Estado em reter não configura transferência de titularidade à União; nem doação a seu favor de verba que pertence ao Estado, Daí a conclusão de que, em relação ao imposto incidente na fonte, a relação jurídica que se instaura é entre o contribuinte e Estado, diretamente, sem qualquer mediação da União. A União editou a lei que dispõe sobre o tratamento tributário das diversas verbas que o contribuinte pode auferir. Mas, em relação àquelas que, por sua natureza, devam se submeter à retenção na fonte, o respectivo imposto pertence integral e exclusivamente ao Estado. Por fim o julgamento do caso em tela implica na aplicação de princípio basilar do Direito Administrativo, qual seja o respeito a legalidade. Assim, enquanto a Administração Fl. 318DF CARF MF 6 Pública só pode fazer o que está previsto em lei, ao Administrado, no caso em tela Contribuinte, é possível fazer tudo aquilo que não é proibido. Ainda, para Hely Lopes Meirelles: Na Administração Pública não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza” (MIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 30. Ed. São Paulo: Malheiros, 2005). A Legalidade é intrínseca a ideia de Estado de Direito, pensamento este que faz que ele próprio se submeta ao direito, fruto de sua criação, portanto esse é o motivo desse princípio ser tão importante, um dos pilares do ordenamento. É na legalidade que cada indivíduo encontra o fundamento das suas prerrogativas, assim como a fonte de seus deveres. A administração não tem fins próprios, mas busca na lei, assim como, em regra não tem liberdade, escrava que é do ordenamento. O Princípio da Legalidade é uma das maiores garantias para os gestores frente o Poder Público. Ele representa total subordinação do Poder Público à previsão legal, visto que, os agentes da Administração Pública devem atuar sempre conforme a lei. Assim, o administrador público não pode, mediante mero ato administrativo, conceder direitos, estabelecer obrigações ou impor proibições aos cidadãos. A criação de um novo tributo, por exemplo, dependerá de lei. Do mesmo modo, a limitação de direitos não poderá ser feita por via de interpretação mais gravosa que aquela propriamente estabelecida na norma. Na fiscalização, o Princípio da Legalidade possui atividade totalmente vinculada, ou seja, a falta de liberdade para a autoridade administrativa. A lei define as condições da atuação dos Agentes Administrativos, determinando as tarefas e impondo condições excludentes de escolhas pessoais ou subjetivas. Por fim, esse princípio é vital para o bom andamento da Administração Pública, sendo que ele coíbe a possibilidade do gestor público agir por conta própria, tendo sua eficácia através da execução jurídica dos atos de improbidade, evitando a falta de vinculação à norma e, principalmente, a corrupção no sistema. Essa preocupação se faz constante para que seja atingido o objetivo maior para o país, o interesse público, através da ordem e da justiça. No caso em tela, entendo que não houve por parte do Estado da Bahia uma intromissão quanto ao tributo federal de competência da União imposto de renda pessoa física. Mas que houve sim, uma natureza indenizatória dada a verbas oriundas do regime estatutário daquele Estado, as quais são de competência exclusiva do mesmo, responsável por gerir e organizar seu Regime Próprio de Trabalho e Previdência. A existência destas leis legitimou o agir do contribuinte, que exerceu direito que lhe foi conferido por lei. Lei esta emitida por Ente participante da Administração Pública, face ao pacto federativo constitucionalmente imposto. Desse modo, por melhor que seja a construção jurídica utilizada pela Receita Federal, afastar a legalidade ou a constitucionalidade de norma válida no ordenamento jurídico prescinde de um conjunto de medidas dispostas na Constituição Federal, as quais não contemplam a possibilidade do Fisco, ou até mesmo do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, negar validade ou aplicabilidade. Observo que o controle de constitucionalidade pode ser realizado de modo preventivo (antes de a lei entrar em vigor) pelo Poder Legislativo ou de modo repressivo (a lei já está em vigência e deve ser expulsa do ordenamento), em regra, no Brasil, é jurisdicional, logo pelo Poder Judiciário na modalidade concentrado ou difuso. Assim resume Zeno Veloso: (...) O controle jurisdicional da constitucionalidade, no Brasil, utiliza o método concentrado, sendo o controle abstrato, em tese, através de ação direta, a ser julgada pelo Supremo Tribunal Federa, tendo por objeto leis e atos normativos federais e estaduais, em confronto com a Constituição Federal, que nos Estadosmembros, compete aos Tribunais de Justiça, Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10580.726325/200932 Acórdão n.º 9202006.348 CSRFT2 Fl. 5 7 tendo por objeto leis e atos normativos estaduais e municipais, em face da Constituição estadual. Servimonos, também, do controle difuso, concreto, incidenter tantum, exercido por qualquer órgão, singular ou coletivo, do Poder Judiciário. (VELOSO, Zeno. p. 35) Assim, resta evidente que no caso em apreço, ainda que fosse caso de não aplicar a natureza jurídica dada a verba por lei, esta seria de exclusiva competência do Poder Judiciário, pois por uma questão de competência constitucional, legal e regimental, este Tribunal Administrativo não pode afastar a constitucionalidade de Lei. Ressaltese aqui, a clara diferenciação entre o poder dever dos julgadores no âmbito judicial e administrativo. Enquanto o juiz é dotado de equidade, o conselheiro do Tribunal Administrativo é dotado de obediência ao princípio da legalidade. Contudo, compreendo que a melhor solução da questão não prescinde de Juízos de constitucionalidade, vez que conforme explanado acima, a natureza das verbas percebidas pelo contribuinte foram legitimamente declaradas indenizatórias por força de lei estadual, sendo que conforme previsão constitucional é da competência do Ente Federado responsável pelo Regime estatutário fazêlo, não usurpando assim competência da União para declarar as hipóteses de incidência do imposto de renda pessoa física, a quem coube determinar que o imposto era devido sobre verbas remuneratórias, excluindo as indenizatórias, sem no entanto, ser responsável por determinar quais verbas são de uma natureza ou de outra. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte para afastar a incidência do imposto de renda sobre as parcelas pagas a Agentes Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV, as quais tem natureza claramente indenizatória. Voto Vencedor Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora Designada Em que pese o brilhantismo e a logicidade do voto da ilustre Relatora, ouso dela divergir, com a máxima vênia, quanto à incidência do imposto de renda sobre o valor recebido a título de diferenças da Unidade Real de Valor (URV). Argumenta o Recorrente, em síntese, a não incidência do imposto de renda sobre a diferença de URV, considerando a natureza indenizatória de tais verbas. A primeira apreciação a ser feita referese à natureza das verbas sob análise. E o segundo ponto a ser analisado é sobre a existência ou não de isenção relativa à URV. Entendo que os valores recebidos pelos contribuintes decorrem da compensação pela falta de correção no valor nominal do salário, oportunamente, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. Não obstante o meu entendimento anteriormente destacado acerca da natureza salarial da diferença de URV, cabe ressaltar que, no caso do Ministério Público da Bahia, foi publicada uma Lei Estadual (LC 20/2003) que dispôs de modo diverso, tratando a verba como indenização. Tendo em vista que o imposto de renda é regido por legislação federal, tal dispositivo não possui efeito tributário para a análise do tributo em questão. Assim, estando a mencionada lei em plena vigência, prestase apenas ao fim por ela almejado, qual seja o pagamento de precatório, de forma especial. Fl. 320DF CARF MF 8 Cabe destacar que a inaplicabilidade da LC 20/2003 não decorre de um juízo de inconstitucionalidade, mas sim de uma interpretação sistemática das normas, em observância do princípio da legalidade, tendo em vista a ausência de lei isentiva, no presente caso. Sobre a aplicação da Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) 245/2002 pugnada pela recorrente, notase que foi conferida natureza jurídica indenizatória ao abono variável concedido à Magistratura Federal e ao Ministério Público da União, não se confundindo com as diferenças decorrentes de URV, ora analisadas. Desse modo, deve ser considerada a natureza salarial das diferenças sob apreciação. Ainda que fosse caracterizada como indenizatória a verba sob análise, ressaltase que a incidência do imposto de renda independe da denominação do rendimento, pois as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica concessiva de isenção. Havendo, notadamente, acréscimo patrimonial, sob a forma de diferenças de vencimentos recebidos a destempo, resta evidente a incidência do imposto de renda, não havendo lei concessiva de isenção apta a afastar a tributação, nesse caso. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, negarlhe provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 321DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13014.720240/2017-73
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. Art. 73 do RIR/99.
Numero da decisão: 2002-000.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente MARIA DOS SANTOS VERGILIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2015 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. Art. 73 do RIR/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 4. 72 02 40 /2 01 7- 73 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13014.720240/201773 Acórdão n.º 2002000.081 S2C0T2 Fl. 114 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13014.720240/201773 Acórdão n.º 2002000.081 S2C0T2 Fl. 115 3 Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2015, ano calendário 2014, tendo em vista a apuração de dedução indevida de despesas médicas. A contribuinte apresentou sua impugnação (fls.2/70), indicando a juntada de documentação comprobatória das despesas glosadas que, segundo aduz, atenderia aos requisitos exigidos pela legislação tributária. Lista as despesas informadas em sua Declaração de Ajuste Anual e diz que, tendo sido intimada acerca desses gastos, apresentou os recibos emitidos pelos profissionais responsáveis pelas prestações de serviço demonstradas em tais documentos, comprovando, no seu entendimento, o pagamentos desses valores em espécie. Explica que foram apresentados recibos consignando os valores gastos por profissional ao longo de todo o ano de 2014, razão pela qual os valores ali dispostos são elevados e apenas aparentemente poderiam inviabilizar o pagamento em dinheiro. Acrescenta que apresentou a comprovação de tal forma, achando que diminuiria o quantitativo de documentos e facilitaria a análise documental pela Receita Federal do Brasil (RFB). Aponta que os recibos foram apresentados levandose em conta as disposições do artigo 97 da IN RFB nº 1.500, de 2014. Diz que a RFB não acatou essas despesas alegando a comprovação insuficiente, haja vista a não apresentação de comprovação do efetivo pagamento. Volta a citar o artigo 97 da IN RFB nº1.500, de 2014, apontando suas disposições acerca da documentação comprobatória das despesas médicas. Repisa que apresentou, quando solicitada, recibos onde constavam nome, endereço, CPF dos prestadores dos serviços, bem como a identificação do responsável pelo pagamento. Entende que não há que se falar em ausência de comprovação, pois os comprovantes apresentados, além de idôneos, cumprem com todas as exigências legais relativas a sua elaboração. Defende que não caberia à autoridade fiscal exigir a comprovação dos referidos pagamentos e de mais provas documentais, quando foram apresentados pelo contribuinte documentos que satisfazem integralmente a legislação de regência, sob pena de tal exigência se caracterizar em desvio de finalidade. Reproduz decisão judicial acerca do tema. Argumenta que a autoridade não trouxe junto às razões de sua notificação de lançamento qualquer fato que contrarie ou ataque a idoneidade dos recibos apresentados. Ressalta ter renda declarada suficiente para cobrir as despesas médicas declaradas. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13014.720240/201773 Acórdão n.º 2002000.081 S2C0T2 Fl. 116 4 Pontua que não existe obrigação legal do contribuinte de sacar o dinheiro no mesmo dia do pagamento ou realizar os pagamentos dos serviços prestados por meio de cheques, como se não estivesse em curso legal a moeda corrente ou se o pagamento em espécie não produzisse efeitos fiscais pretendidos. Em que pese entender comprovadas as despesas médicas, junta a sua defesa os recibos originários desses gastos, de forma a comprovar os pagamentos fracionados e em espécie. Indica a juntada de laudos médicos, que comprovam a necessidade de tratamento ortopédico com profissional habilitado. Espera que se reconheça a idoneidade da documentação apresentada, afastandose a exigência fiscal. Ao final, requer que as notificações, intimações e avisos, em especial a decisão proferida nestes autos, sejam enviadas ao seu representante legal, sob pena de nulidade. Pede ainda a suspensão da exigibilidade do crédito, na forma prevista no artigo 151, do CTN. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE) negou provimento à Impugnação (fls. 81/86). Cientificada dessa decisão em 22/9/2017 (fl.93), a contribuinte apresentou, em 24/10/2017 (fl.99), Recurso Voluntário (fls. 99/110), no qual apresenta as alegações a seguir sintetizadas. Preliminarmente, requer seja decretada a nulidade da intimação da decisão de piso. Explica que, na sua impugnação, requereu que todas as intimações fossem enviadas a seu advogado, o que não aconteceu no caso. Aponta que o artigo 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, prescreve que a intimação regular do sujeito passivo da obrigação tributária pode ser postal ou pela via postal. Argumenta que, quando o contribuinte constitui advogado, as intimações emitidas ao contribuinte devem ocorrer na pessoa do seu patrono, já que teria se dado a transferência do jus postulandi, até então pertencente somente ao contribuinte, à semelhança do que ocorre no processo judicial. Defende que é direito do cidadão transferir seu direito de defesa técnica a quem tem habilitação legal e profissional para tanto. Em que pese seu pleito na impugnação, a decisão da DRJ foi encaminhada apenas para o sujeito passivo e, dessa forma, entende que cabe a decretação da nulidade da intimação, para que se realize novo ato, de forma a sanear o vício praticado. Reproduz decisão judicial abordando esse tema. Quanto ao mérito, reproduz as alegações trazidas na sua impugnação e já relatadas acima. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13014.720240/201773 Acórdão n.º 2002000.081 S2C0T2 Fl. 117 5 Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fls.91/92). É o relatório. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13014.720240/201773 Acórdão n.º 2002000.081 S2C0T2 Fl. 118 6 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Nulidade da Intimação e Pedido de Intimação no Endereço do Advogado A recorrente alega nulidade na intimação da decisão recorrida porque esta não foi encaminhada para o endereço de seu advogado, como requerido na impugnação. O Decreto nº 70.235, de 1972, regulamenta a intimação no âmbito do Processo Administrativo Fiscal em seu artigo 23. O mencionado dispositivo prevê que a intimação por via postal será feita no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo e este domicílio é o endereço fornecido por ele para fins cadastrais. Inexiste qualquer disposição no sentido de se poder adotar o endereço informado na impugnação como domicílio para fins de intimação. Os artigos 26 e seguintes da Lei nº 9.784, de 1999, também não prevêem que o advogado possa ser comunicado dos atos de interesse do administrado. Registrese que tais disposições não impedem que o contribuinte busque um profissional para fazer sua defesa. Tão logo receba as intimações e notificações em seu domicílio tributário, ele poderá fazer a opção por contratar um profissional ou não. No caso, é de se ressaltar ainda que o recurso da contribuinte foi apresentado dentro do prazo legal, não se vislumbrando qualquer prejuízo a sua defesa. Assim, é de se considerar regular a intimação da contribuinte, sendo de se rejeitar a preliminar arguida. Aproveitando as digressões sobre o tema e considerando o pleito para que as novas intimações se dêem na figura do procurador da contribuinte, indefiro o pedido, uma vez que a legislação atinente à matéria, acima citada, não prevê a intimação do patrono dos contribuintes. Acrescentese que a intimação em sede de PAF é de competência da Receita Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13014.720240/201773 Acórdão n.º 2002000.081 S2C0T2 Fl. 119 7 Federal do Brasil, inexistindo pronunciamento normativo do CARF amparando a pretensão da contribuinte. Mérito Quanto às despesas médicas, por ocasião do procedimento de fiscalização, a autoridade fiscal intimou a contribuinte a apresentar comprovação quanto ao efetivo pagamento das despesas declaradas com Andressa Souza (R$10.000,00), Guilherme Medeiros (R$12.000,00), Rosemary Henriques (R$10.100,00) e Naira dos Santos (R$10.008,00) (fl. 73). Em sua impugnação, a contribuinte defendeu que os recibos revelariamse hábeis a fazer a prova exigida, nos termos da legislação de regência. A DRJ não acatou as alegações da contribuinte, mantendo a exigência. Em seu recurso, a contribuinte insiste que faz jus a deduzir os demais valores declarados, uma vez que os recibos apresentados são idôneos e atendem os requisitos legais. Argumenta ainda que, diante desses documentos, não caberia a exigência de elementos adicionais pela autoridade fiscal. Ressalta ainda a apresentação de laudos médicos, que evidenciariam a necessidade de tratamento ortopédico. Não é de se dar razão a recorrente. São dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probante absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa. O artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas. Nesse sentido, a decisão de piso andou bem, sendo pertinente sua reprodução: 7. A tal respeito cumpre transcrever o art. 80, § 1º, incisos II e III, do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: “Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13014.720240/201773 Acórdão n.º 2002000.081 S2C0T2 Fl. 120 8 dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea “a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;” (grifos acrescidos) 7.1 Observase que a documentação comprobatória das despesas com saúde, para efeito de dedução da base de cálculo do imposto, deve necessariamente conter nome, endereço e CPF ou CNPJ do prestador do serviço, além de identificar o beneficiário do tratamento. Alternativamente, o contribuinte pode indicar como prova o cheque nominativo utilizado como meio de pagamento de tais gastos. 8. Não obstante, ainda que cumpridos todos os requisitos formais enumerados, destacase que a legislação tributária não confere aos recibos valor probante absoluto. A tônica do art. 80, § 1º, inciso III, do RIR/99, é a especificação e comprovação dos pagamentos. Tanto que admite o cheque nominativo como documento comprobatório, por ser prova cabal de transferência de numerários. Entretanto, mesmo o cheque pode ser submetido à justificação, quando dúvidas razoáveis acudirem ao Fisco sobre a efetiva prestação do serviço, que se constitui no substrato material da dedução. 9. Registrese que, para fins de dedução, o ônus da prova é do sujeito passivo, cabendo a este apontar documentação suficiente para dirimir os questionamentos acerca do fato informado em sua declaração de ajuste, consoante o art. 73 do RIR/99: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).” 9.1 Por conseguinte, à fiscalização é permitido exigir elementos adicionais de prova. No presente caso, o motivo da glosa foi a Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13014.720240/201773 Acórdão n.º 2002000.081 S2C0T2 Fl. 121 9 não apresentação de documentação capaz de evidenciar o desembolso das despesas com saúde, a exemplo de cópias de cheques, comprovantes de depósitos e extratos bancários com indicação dos saques utilizados para cobrir os gastos. Como solução alternativa, a impugnante poderia demonstrar a realização do serviço através de cópias de exames, laudos, requisições, prontuários, fichas de atendimento ou outros documentos de natureza similar, vinculados diretamente aos profissionais informados na declaração de ajuste, que servissem de sustentação ao conteúdo dos recibos. Nada foi juntado ao processo nesse sentido. Cumpre frisar que documentação relativa a profissionais diversos dos glosados não tem o condão de comprovar as despesas em comento. 9.2 Vale comentar que a conduta adotada pela autoridade fiscal não reflete uma restrição à circulação da moeda nacional em espécie, até mesmo porque o Real tem curso forçado no Brasil. Apenas se exige apresentação de provas suficientes para demonstrar a despesa indicada como paga, independentemente da forma de quitação. 10. Esclareçase que a presente autuação não possui como fundamento a falsidade documental, mas a falta de comprovação da efetividade do pagamento e da prestação do serviço, em decorrência da imprestabilidade dos recibos, apresentados isoladamente, para fruição do benefício fiscal. 11. Quando se tem a finalidade de utilizar despesas médicas como dedução, o contribuinte deve ter em mente que o pagamento correspondente não envolve apenas ele e o profissional de saúde, mas também a Administração Tributária. Por essa razão, deve conservar, além dos recibos, outros meios probantes do desembolso e da realização do serviço. Nesse contexto, o Código Civil, instituído pela Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, ao dispor sobre provas em seu art. 219, afirma que o teor de documentos assinados (recibos) guarda presunção de veracidade somente entre os próprios signatários, sem alcançar terceiros (Administração Tributária) estranhos ao ato: “Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas.” (grifos acrescidos) 12. Pelos citados motivos e com alicerce no princípio da livre convicção do julgador na apreciação da prova, gravado no art. 291 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, ratificase a glosa de despesas médicas por falta de comprovação da efetividade do pagamento e da realização do serviço. (destaques acrescidos) Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13014.720240/201773 Acórdão n.º 2002000.081 S2C0T2 Fl. 122 10 Os laudos a que a contribuinte faz referência se encontram às fls.60/63. Primeiro ponto a se destacar que não estão datados, de forma que não se pode afirmar que acobertariam o anocalendário 2014, ora em exame. Outro ponto é que estão desacompanhados de exames a lhes dar força probante. Assim, não os considero suficientes a fazer a prova quanto a efetividade dos serviços. Sobre essa matéria, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13014.720240/201773 Acórdão n.º 2002000.081 S2C0T2 Fl. 123 11 (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) Na ausência da comprovação exigida, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.932263/2009-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, José Carlos de Assis Guimarães, Gisele Barra Bossa, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli); ausentes justificadamente Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Luis Fabiano Alves Penteado
Nome do relator: 04845811391 - CPF não encontrado.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, José Carlos de Assis Guimarães, Gisele Barra Bossa, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli); ausentes justificadamente Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Luis Fabiano Alves Penteado 1 Relatório Trata o processo de Declaração(ões) de Compensação PER/DComp, transmitidas, em que o contribuinte requer o crédito de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal para compensação de débitos. O crédito provém do recolhimento em 28/12/2006, de R$ 292.427,75 de 236201 IRPJ PJ em geral obrigada ao lucro real/Estimativa mensal, do mês 11/2006. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 32 26 3/ 20 09 -9 3 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10980.932263/200993 Resolução nº 1201000.422 S1C2T1 Fl. 3 2 2. O Despacho Decisório DD não homologou a compensação declarada porque: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. 3. E exige o total de débitos não compensados, com juros e multa de mora. 4. O contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, em relação à qual a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR DRJ/CTA emitiu o Acórdão, considerandoa improcedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2006 PER/DCOMP. NÃOHOMOLOGAÇÃO. PGTO INDEVIDO OU A MAIOR. PARCELA ESTIMATIVA IRPJ. NECESSIDADE DE DEDUÇÃO COM O DEVIDO NO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO OU COMPOR O SALDO NEGATIVO. VIGÊNCIA IN SRF 600/2005. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. 5. Cientificado, o contribuinte apresentou tempestivo recurso voluntário resumido a seguir. 6. Assevera que a DIPJ e DCTF comprovam o pagamento a maior da estimativa mensal; que a aplicação da IN SRF nº 600, de 2005, não tem sido recepcionada nas instâncias superiores de julgamento. 7. Descreve que, tanto as pessoas jurídicas como as pessoas físicas fazem a consolidação da renda auferida durante o ano para, conforme determinações legais, fazer o cálculo do ajuste anual do imposto devido ou imposto a ser restituído e compensado; que, para facilitar a gestão desses tributos, inclusive beneficiando o fluxo de caixa das empresas e do próprio Governo Federal, foi criada a sistemática de recolhimento antecipado do IRPJ e da CSLL, no regime de estimativas mensais pelo qual as Pessoas Jurídicas ficaram obrigadas a ANTECIPAR mensalmente valores de Imposto de Renda/ CSLL; e, uma vez apuradas e pagas as estimativas mensais, caso no final do período o imposto devido seja inferior ao recolhido mensalmente, o contribuinte poderá utilizar esse valor pago a maior na forma de "saldo negativo" do imposto/contribuição; e se o contribuinte recolher um valor a maior do que a estimativa apurada, é certo que esse pagamento será indevido, podendo o valor excedente ser restituído ao contribuinte. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10980.932263/200993 Resolução nº 1201000.422 S1C2T1 Fl. 4 3 8. Frisa que o pagamento indevido não está condicionado ao período de apuração anual, mas decorre do pagamento do imposto em valor superior ao efetivamente apurado para determinada estimativa. 9. Argumenta que, como esses pagamentos a maior não foram utilizados para a compensação das estimativas subsequentes e nem para a composição do saldo negativo do período, é líquido e certo o direito da Recorrente em utilizálos na compensação de outros tributos. 10. Aponta ilegalidade da IN SRF nº 600, de 2005, dado que, conforme comando inserto no art. 165 do Código Tributário Nacional, o sujeito passivo tem direito à restituição total ou parcial do tributo, no caso de pagamento espontâneo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributaria aplicável; da mesma forma, o art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, garante a restituição de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal, cujo recolhimento tenha se mostrado superior ao exigível. 11. Transcreve Acórdãos do CARF e de DRJ em apoio à sua tese. 12. Reportase à IN SRF nº 900, de 2008, que veio corrigir o cenário, permitindo a compensação de pagamentos indevidos e não a condicionando ao uso dos valores na composição do saldo negativo, pois suprimiu o art. 10 da IN anterior; as autoridades administrativas passaram a decidir pela aplicação retroativa da IN SRF nº 900, de 2008. 2 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.417, de 16/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10980.934190/200974, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O direito creditório requerido no presente processo tem como origem o DARF recolhido em 28/12/2006 , relativo ao 236201 IRPJ PJ em geral obrigada ao lucro real/Estimativa mensal, no valor de R$ 292.427,75. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.417): "2.1 LOTE. 13. O processo nº 10980.934190/200974, foi elaborado visando que sua análise e conclusões sirvam como paradigma para os Acórdãos a serem proferidos nos demais processos do Lote; são eles, conforme pesquisa no sistema eprocesso: 10980.932255/200947 10980.932260/200950 10980.932256/200991 Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10980.932263/200993 Resolução nº 1201000.422 S1C2T1 Fl. 5 4 10980.932258/200981 10980.934191/200919 10980.932263/200993 10980.934189/200940 14. Verificouse que tanto os despachos decisórios como os Acórdãos DRJ destes processos que compõem o lote são de teor idêntico. 2.2 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. VALOR INDEVIDO OU A MAIOR. 15. A IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, determinava que: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. 16. O art supra foi suprimido pela IN SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que revogou a IN SRF nº 600, de 2005. 17. E a Solução de Consulta Interna Cosit nº 19 de 5 de dezembro de 2011, explicitou que: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa.Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005.A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10980.932263/200993 Resolução nº 1201000.422 S1C2T1 Fl. 6 5 originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa.Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. 18. Na sessão realizada em 10/12/2012, foi aprovada pela Primeira Turma da CSRF a Súmula CARF nº 84: Súmula Acórdãos paradigma Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 1101 00.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006. 19. Reproduzse a seguir excertos do Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009, um dos que foram paradigma para a Súmula: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial do contribuinte para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir valores recolhidos a maior daqueles estabelecidos por lei a titulo de antecipação (estimativas) e, por conseguinte, determinar que sejam examinadas as demais questões de mérito inerente ao pedido de compensação formulada pelo contribuinte, inclusive no que se refere a correção das retificações de declaração e ao eventual aproveitamento do citado credito ao final do ano calendário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (...) No caso, entendo não ser possível homologar, desde já, a compensação declarada pelo Contribuinte, urna vez que a única questão submetida ao contraditório nos autos foi a da restituibilidade (ou não) da estimativa recolhida a maior . Tendo em vista que o Recorrente em um primeiro momento calculou em R$ 4.668.087,16 o valor de sua obrigação de antecipar a CSLL, no mês de junho de 2002 e, depois, informou que, por novo cálculo, referido valor seria de R$ 2.559.397,53, entendo que os referidos valores devem ser confirmados ou infirmados pela Fiscalização, para, somente após, haver a homologação do pleito do Contribuinte. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso especial do contribuinte para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir valores recolhidos a maior daqueles estabelecidos por lei a titulo de antecipação (estimativas) e, por Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10980.932263/200993 Resolução nº 1201000.422 S1C2T1 Fl. 7 6 conseguinte, determinar que sejam examinadas as demais questões de mérito inerentes ao pedido de Compensação formulado pelo Contribuinte, no que se refere à correção das retificações de declaração e ao (eventual) aproveitamento do citado credito no ajuste do anocalendário. (Grifouse.) 20. À vista do exposto, evidenciase pacificada a questão quanto à possibilidade de restituição/compensação de valor recolhido indevidamente ou a maior de estimativas mensal. 2.3 DIREITO CREDITÓRIO. 21. O valor requerido se refere a estimativa mensal informada no processo nº [...] como tendo sido recolhida em [...], via DARF, no valor total de [...], mas cujo comprovante de arrecadação não consta do processo, e tampouco foi objeto de verificação/confirmação. O contribuinte anexou a Ficha 11 da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ do anocalendário e a ficha de totalização dos tributos e contribuições apurados no mês, da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referentes à estimativa em pauta, ambas retificadoras. As datas de transmissão de todas as peças do processo são: a. PER/Dcomp [...]; b. DIPJ retificadora [...]; c. DCTF retificadora [...]; d. ciência do despacho decisório [...], portanto as declarações supra foram espontâneas. 22. Sobre declarações retificadoras, determina a IN SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999: Art. 1º A retificação da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. (...) § 2º A declaração retificadora referida neste artigo: I terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF No 094, de 24 de dezembro de 1999; II será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. Art. 2º A pessoa jurídica que entregar declaração retificadora alterando valores que hajam sido informados na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais DCTF, deverá Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10980.932263/200993 Resolução nº 1201000.422 S1C2T1 Fl. 8 7 apresentar DCTF Complementar ou pedido de alteração de valores, mediante processo administrativo, conforme o caso. Art. 3º Quando a retificação da declaração apresentar imposto maior que o da declaração retificada, a diferença apurada será devida com os acréscimos correspondentes. Art. 4º Quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. 23. Consoante a IN SRF nº 166, de 1999, as declarações retificadoras substituem integralmente as originais, produzindo os mesmos efeitos; verificase que foram espontâneas, pois entregues antes da ciência do despacho decisório. 24. Porém, em se tratando do reconhecimento de direito creditório, e como a discussão se ateve ao direito ou não ao crédito referente a estimativa recolhida a maior ou indevidamente, verificase que não houve em momento algum a análise visando confirmar o direito creditório requerido. 25. Consta da DIPJ [...], da qual a Ficha [...], foi anexada, que a forma de determinação da base de cálculo foi em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução; eis que neste caso, na apuração da estimativa de cada mês, se deduz os valores de IRPJ /CSLL, respectivamente, devidos nos meses anteriores do mesmo ano, assim como os valores de IRPJ/CSLL, respectivamente, retidos na fonte. 26. Verificase no sistema eprocesso que constam para relatar 8 (oito) processos do contribuinte distribuídos para esta Turma, que requerem créditos de estimativas de recolhimento indevido ou a maior de estimativas de IRPJ e de CSLL, dos anoscalendário 2006 e 2005. 27. É necessário que sejam analisados todos os PER/Dcomp destes processos (sendo que pode haver ainda outros processos de teor análogo distribuídos a outras Turmas do CARF ou ainda nas DRJ's), que tratem dos mesmos créditos ou não, mas que sejam referentes a estes anoscalendário. 28. Há necessidade que: a. se confirmem os recolhimentos das estimativas que o contribuinte considera recolhidas a maior ou indevidamente, sendo que parte delas pode ter sido objeto de compensações (verificase que em algumas partes de DCTF anexadas nos processos do lote consta que o pagamento se deu mediante "Outras compensações", sem informar o PER/Dcomp onde tal compensação teria sido declarada), que devem ser verificadas; b. se refaçam as apurações das estimativas mensais dos anos calendário em pauta, para verificar se as estimativas quitadas foram ou não computadas nas apurações dos meses subsequentes e na apuração anual; c. consta da DIPJ que a determinação da base de cálculo foi em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução, cabe portanto Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10980.932263/200993 Resolução nº 1201000.422 S1C2T1 Fl. 9 8 verificar ao menos por amostragem, se os dados da DIPJ efetivamente se baseiam em Balanços/Balancetes constantes da contabilidade do contribuinte; d. se verifique se eventuais saldos negativos anuais resultantes já não teriam sido objeto de Per/Dcomp; e. emitir Parecer acerca do pedido constante do PER/Dcomp em epígrafe, informando se e qual o valor do recolhimento indevido ou a maior da estimativa efetivamente recolhida ou compensada caracteriza crédito de recolhimento indevido ou a maior, passivel de ser reconhecido para compensação, em que a data do direito creditório deva ser computada a partir da respectiva data do recolhimento. f. cientificar o contribuinte, facultandolhe a apresentação de contestação. 3. Conclusão. Voto pela realização da diligência descrita no voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.918855/2016-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 24/12/2012
CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO.
Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição.
A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-003.536
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES S/A declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 88 55 /2 01 6- 14 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10680.918855/201614 Acórdão n.º 3201003.536 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente requereu a anulação do despacho decisório e a homologação da compensação, alegando o seguinte: a) transmitira Pedido de Restituição (PER) para garantir o direito ao crédito de pagamento efetuado a maior, crédito esse objeto de compensação declarada posteriormente; b) devido a incompatibilidade do programa gerador da declaração, o número do PER não foi informado na declaração de compensação. Nos termos do Acórdão nº 06058.677, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que, por se encontrar retido o direito creditório reconhecido administrativamente até que fossem liquidados os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública, encontravase correto o despacho decisório de não homologação da compensação declarada. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, aduzindo, inicialmente, que havia entendido que a glosa de seu crédito se dera por ocorrência de erro operacional nos sistemas da Receita Federal, fato esse esclarecido somente na decisão da DRJ. Arguiu o Recorrente que a decisão recorrida sustentarase na premissa equivocada de que o não deferimento do direito creditório decorrera da discordância do contribuinte quanto ao procedimento de compensação de ofício, procedimento esse que não alcança débitos que se encontrem com exigibilidade suspensa, de acordo com decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) REsp nº 1.213.082/PR , submetido à sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF,. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.508, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10680.904616/201679, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.508): O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. (...) Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.918855/201614 Acórdão n.º 3201003.536 S3C2T1 Fl. 4 3 Não há litígio a ser decidido nesta instância. A pretensão da contribuinte é ter reconhecido seu direito ao crédito informado em Pedido de Restituição. Ocorre que, conforme informado no voto da decisão recorrida, o crédito indicado já foi integralmente reconhecido e deferido no PER n° 39452.15834.310314.1.2.044815, tendo como resultado extraído da tela do Sief Processo: "DEFERIDO TOTALMENTE RDC AUTOMÁTICO". Ora, uma vez reconhecido e deferido o crédito não há o que se decidir quanto ao direito da contribuinte. A negativa da unidade de origem em efetuar a compensação, sob o fundamento de que o crédito está retido frente a débito pendente de liquidação, não se constitui matéria a ser apreciada pelo CARF, devendo negar conhecimento ao recurso da contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto para NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto, uma vez que na origem o crédito fora reconhecido e deferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Além disso, devese ressaltar, que, neste processo, também ocorreram fatos da mesma natureza daqueles observados no processo paradigma que ensejaram o não conhecimento do recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira . Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.734088/2013-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
Intimação Pessoal e por Via Postal. Ordem de Preferência. Notificação Enviada para o Domicílio do Sujeito Passivo. Validade.
Não existe ordem de preferência entre a intimação pessoal e a realizada por via postal, que é válida se enviada para o domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja representante do destinatário.
Lançamento. Impugnação. Julgamento de Primeira Instância. Competência. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento.
Em primeira instância, a competência para julgar impugnações a lançamento de crédito tributário é de uma das turmas da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a que o processo for enviado.
Mandado de Procedimento Fiscal-MPF. Emissão e Prorrogação. Irregularidade. Nulidade. Não Ocorrência. Pluralidade de Sujeitos Passivos. Dispensa de MPF.
As irregularidades na emissão e prorrogação do MPF não acarretam nulidade do lançamento, nem do processo administrativo, ademais, nos casos de pluralidade de autuados, não se exige MPF individual para cada um dos responsáveis tributários.
Enquadramento Legal. Irregularidade. Correta Descrição dos Fatos. Validade do Lançamento.
É válido o lançamento, ainda que contenha alguma irregularidade no enquadramento legal, se a descrição dos fatos for correta, permitindo ao sujeito passivo exercer o direito de defesa.
Decadência. Lançamento por Homologação. Dolo. Termo Inicial. Prescrição. Constituição Definitiva do Crédito Tributário.
Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação e estando comprovado o dolo do sujeito passivo, o termo inicial do prazo de decadência é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, já o prazo prescricional só começa a fluir da data em que o crédito tributário esteja definitivamente constituído, o que não ocorre enquanto existir recurso pendente de julgamento.
Prova Emprestada. Prova Indiciária. Validade.
É válido o emprego no processo administrativo tributário de prova emprestada, bem como de provas indiciárias, cujo valor probante dependerá da quantidade e da consistência dos indícios.
Excesso de Poderes. Infração de Lei, Contrato ou Estatuto. Interesse Comum. Solidariedade.
Os administradores, gestores e representantes de pessoas jurídicas, quando praticarem atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato ou estatuto, passam a ser sujeitos passivos da relação tributária, e quando se associam de forma voluntária e consciente, praticando em conjunto o fato gerador do tributo, obrigam-se solidariamente pelo pagamento do crédito tributário, dada a existência de interesse comum.
Pluralidade de Sujeitos Passivos. Lançamento. Inclusão de Todos os Responsáveis. Validade.
Uma vez apurada pela Fiscalização a existência de pluralidade de sujeitos passivos, o lançamento deve ser dirigido contra todos eles, os quais deverão figurar no polo passivo, assegurando a cada um o direito de defesa.
Uso de Documentos Fiscais Pertencentes a Empresa de Existência Puramente Formal. Interposição de Pessoas. Dolo.
O uso de documentos fiscais pertencentes a empresa de existência meramente formal - inexistente de fato - bem como a interposição de pessoas caracterizam por si sós o dolo, porquanto revelam a intenção de lesar o Fisco.
Multa. Efeito de Confisco. Exame na Esfera Administrativa. Impossibilidade.
No processo administrativo tributário é vedado o exame do caráter confiscatório da multa, por implicar a realização de controle de constitucionalidade, vedado pelo art. 26-A do Decreto nº 70.235/1972.
Juros de Mora. Emprego da Taxa Selic. Validade.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
IRPJ e CSLL. Identidade de Matéria Fática. Mesma Decisão.
Quando os lançamentos de IRPJ e de CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
Numero da decisão: 1301-002.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade, e, no mérito, por maioria de votos negar provimento aos recursos voluntários, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto, que votaram por lhes dar provimento parcial para obstar a incidência de juros sobre a multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild). Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 Intimação Pessoal e por Via Postal. Ordem de Preferência. Notificação Enviada para o Domicílio do Sujeito Passivo. Validade. Não existe ordem de preferência entre a intimação pessoal e a realizada por via postal, que é válida se enviada para o domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja representante do destinatário. Lançamento. Impugnação. Julgamento de Primeira Instância. Competência. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Em primeira instância, a competência para julgar impugnações a lançamento de crédito tributário é de uma das turmas da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a que o processo for enviado. Mandado de Procedimento Fiscal-MPF. Emissão e Prorrogação. Irregularidade. Nulidade. Não Ocorrência. Pluralidade de Sujeitos Passivos. Dispensa de MPF. As irregularidades na emissão e prorrogação do MPF não acarretam nulidade do lançamento, nem do processo administrativo, ademais, nos casos de pluralidade de autuados, não se exige MPF individual para cada um dos responsáveis tributários. Enquadramento Legal. Irregularidade. Correta Descrição dos Fatos. Validade do Lançamento. É válido o lançamento, ainda que contenha alguma irregularidade no enquadramento legal, se a descrição dos fatos for correta, permitindo ao sujeito passivo exercer o direito de defesa. Decadência. Lançamento por Homologação. Dolo. Termo Inicial. Prescrição. Constituição Definitiva do Crédito Tributário. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação e estando comprovado o dolo do sujeito passivo, o termo inicial do prazo de decadência é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, já o prazo prescricional só começa a fluir da data em que o crédito tributário esteja definitivamente constituído, o que não ocorre enquanto existir recurso pendente de julgamento. Prova Emprestada. Prova Indiciária. Validade. É válido o emprego no processo administrativo tributário de prova emprestada, bem como de provas indiciárias, cujo valor probante dependerá da quantidade e da consistência dos indícios. Excesso de Poderes. Infração de Lei, Contrato ou Estatuto. Interesse Comum. Solidariedade. Os administradores, gestores e representantes de pessoas jurídicas, quando praticarem atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato ou estatuto, passam a ser sujeitos passivos da relação tributária, e quando se associam de forma voluntária e consciente, praticando em conjunto o fato gerador do tributo, obrigam-se solidariamente pelo pagamento do crédito tributário, dada a existência de interesse comum. Pluralidade de Sujeitos Passivos. Lançamento. Inclusão de Todos os Responsáveis. Validade. Uma vez apurada pela Fiscalização a existência de pluralidade de sujeitos passivos, o lançamento deve ser dirigido contra todos eles, os quais deverão figurar no polo passivo, assegurando a cada um o direito de defesa. Uso de Documentos Fiscais Pertencentes a Empresa de Existência Puramente Formal. Interposição de Pessoas. Dolo. O uso de documentos fiscais pertencentes a empresa de existência meramente formal - inexistente de fato - bem como a interposição de pessoas caracterizam por si sós o dolo, porquanto revelam a intenção de lesar o Fisco. Multa. Efeito de Confisco. Exame na Esfera Administrativa. Impossibilidade. No processo administrativo tributário é vedado o exame do caráter confiscatório da multa, por implicar a realização de controle de constitucionalidade, vedado pelo art. 26-A do Decreto nº 70.235/1972. Juros de Mora. Emprego da Taxa Selic. Validade. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. IRPJ e CSLL. Identidade de Matéria Fática. Mesma Decisão. Quando os lançamentos de IRPJ e de CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
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P. E. AUTO PEÇAS EIRELI E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 INTIMAÇÃO PESSOAL E POR VIA POSTAL. ORDEM DE PREFERÊNCIA. NOTIFICAÇÃO ENVIADA PARA O DOMICÍLIO DO SUJEITO PASSIVO. VALIDADE. Não existe ordem de preferência entre a intimação pessoal e a realizada por via postal, que é válida se enviada para o domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja representante do destinatário. LANÇAMENTO. IMPUGNAÇÃO. JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. COMPETÊNCIA. DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO. Em primeira instância, a competência para julgar impugnações a lançamento de crédito tributário é de uma das turmas da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a que o processo for enviado. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCALMPF. EMISSÃO E PRORROGAÇÃO. IRREGULARIDADE. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. PLURALIDADE DE SUJEITOS PASSIVOS. DISPENSA DE MPF. As irregularidades na emissão e prorrogação do MPF não acarretam nulidade do lançamento, nem do processo administrativo, ademais, nos casos de pluralidade de autuados, não se exige MPF individual para cada um dos responsáveis tributários. ENQUADRAMENTO LEGAL. IRREGULARIDADE. CORRETA DESCRIÇÃO DOS FATOS. VALIDADE DO LANÇAMENTO. É válido o lançamento, ainda que contenha alguma irregularidade no enquadramento legal, se a descrição dos fatos for correta, permitindo ao sujeito passivo exercer o direito de defesa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 73 40 88 /2 01 3- 98 Fl. 15421DF CARF MF Processo nº 10480.734088/201398 Acórdão n.º 1301002.930 S1C3T1 Fl. 15.422 2 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DOLO. TERMO INICIAL. PRESCRIÇÃO. CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação e estando comprovado o dolo do sujeito passivo, o termo inicial do prazo de decadência é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, já o prazo prescricional só começa a fluir da data em que o crédito tributário esteja definitivamente constituído, o que não ocorre enquanto existir recurso pendente de julgamento. PROVA EMPRESTADA. PROVA INDICIÁRIA. VALIDADE. É válido o emprego no processo administrativo tributário de prova emprestada, bem como de provas indiciárias, cujo valor probante dependerá da quantidade e da consistência dos indícios. EXCESSO DE PODERES. INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO OU ESTATUTO. INTERESSE COMUM. SOLIDARIEDADE. Os administradores, gestores e representantes de pessoas jurídicas, quando praticarem atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato ou estatuto, passam a ser sujeitos passivos da relação tributária, e quando se associam de forma voluntária e consciente, praticando em conjunto o fato gerador do tributo, obrigamse solidariamente pelo pagamento do crédito tributário, dada a existência de interesse comum. PLURALIDADE DE SUJEITOS PASSIVOS. LANÇAMENTO. INCLUSÃO DE TODOS OS RESPONSÁVEIS. VALIDADE. Uma vez apurada pela Fiscalização a existência de pluralidade de sujeitos passivos, o lançamento deve ser dirigido contra todos eles, os quais deverão figurar no polo passivo, assegurando a cada um o direito de defesa. USO DE DOCUMENTOS FISCAIS PERTENCENTES A EMPRESA DE EXISTÊNCIA PURAMENTE FORMAL. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. DOLO. O uso de documentos fiscais pertencentes a empresa de existência meramente formal inexistente de fato bem como a interposição de pessoas caracterizam por si sós o dolo, porquanto revelam a intenção de lesar o Fisco. MULTA. EFEITO DE CONFISCO. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. No processo administrativo tributário é vedado o exame do caráter confiscatório da multa, por implicar a realização de controle de constitucionalidade, vedado pelo art. 26A do Decreto nº 70.235/1972. JUROS DE MORA. EMPREGO DA TAXA SELIC. VALIDADE. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. IRPJ E CSLL. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. MESMA DECISÃO. Fl. 15422DF CARF MF Processo nº 10480.734088/201398 Acórdão n.º 1301002.930 S1C3T1 Fl. 15.423 3 Quando os lançamentos de IRPJ e de CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade, e, no mérito, por maioria de votos negar provimento aos recursos voluntários, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto, que votaram por lhes dar provimento parcial para obstar a incidência de juros sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild). Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 15423DF CARF MF Processo nº 10480.734088/201398 Acórdão n.º 1301002.930 S1C3T1 Fl. 15.424 4 Relatório Tratase de recursos interpostos por A.P.E. AUTO PEÇAS EIRELI, ROBSON MARCELO TOLARDO, ROGÉRIO MÁRCIO TOLARDO, JEANE CRISTINE TOLARDO DALLE ORE, ÍRIS DA SILVA TOLARDO, e SAMUEL TOLARDO JUNIOR, todos já qualificados nos autos, contra o Acórdão n° 1276.407, da 5ª Turma da DRJ Rio de Janeiro, que negou provimento às impugnações dos recorrentes. A controvérsia foi assim resumida pela DRJ: Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 14.573 a 14.601, lavrado pela DRF/MGA, no qual consta a exigência de: • Imposto de renda da pessoa jurídica IRPJ, cód. 2917, no valor de R$ 646.080,03, somados a multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora; e • Contribuição social sobre o lucro líquido CSLL, cód. 2973, no valor de R$ 282.671,34, somados a multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 14.575 e do relatório de atividade fiscal de fls. 13.993 a 14.370, os lançamentos se devem a apuração da omissão de receitas da atividade referentes à revenda de mercadorias, com arbitramento do lucro com base na receita conhecida, por ter a autuada apresentado à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração do anocalendário de 2008, sem as formalidades essenciais, bem como por ter sido considerada a escrituração mantida pelo contribuinte do período imprestável para identificação da efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, bem como para a determinação do Lucro Real. Segundo a autoridade fiscal, o procedimento fiscal decorreu do resultado da operação "Laranja Mecânica", deflagrada em 17/11/2012, fruto da parceria entre o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal, na qual foram cumpridos mandados de busca e apreensão nos estados do Paraná (Maringá e Curitiba), São Paulo (Guarulhos), Rio Grande do Sul (Caxias do Sul) e Mato Grosso do Sul (Campo Grande e Iguatemi), no qual apurouse, por meio de vasta documentação e arquivos magnéticos apreendidos com autorização da justiça federal, a existência de uma rede intrincada de empresas atuando no ramo de comercialização de autopeças, denominada Rede Presidente, do qual a autuada faz parte, constituídas por interpostas pessoas, porém administradas de fato por integrantes da família Tolardo. O histórico de atuação das empresas e pessoas físicas envolvidas, somado à falta documentação e demais elementos probatórios obtidos nos procedimentos acima mencionados, apontariam de forma contundente e inequívoca para a existência de um grande empreendimento comercial, voltado ao ramo de comércio no auto peças (atacado e varejo), denominado Rede Presidente, com lojas espalhadas em várias unidades da federação, e que, embora formalmente constituído por diversas empresas, a quase totalidade em nome de "laranjas", tratase, em verdade, de um único empreendimento, que teria sido originariamente iniciado por Samuel Tolardo (CPF 006.914.70944), já falecido, e transmitido aos seus herdeiros e atuais proprietários, quais sejam, sua esposa, Íris da Silva Tolardo (CPF 958.804.96953), e Fl. 15424DF CARF MF Processo nº 10480.734088/201398 Acórdão n.º 1301002.930 S1C3T1 Fl. 15.425 5 os filhos, Róbson Marcelo Tolardo (CPF 623.843.84953), Rogério Márcio Tolardo (CPF 723.045.53915), Samuel Tolardo Júnior (CPF 121.023.83814) e Jeane Cristme Tolardo Dalle Ore (CPF 828.784.55991). Com base em documentação e em arquivos magnéticos apreendidos teria sido possível apurar que a receita bruta efetiva da fiscalizada no anocalendário de 2008 foi de R$ 30.653.638,60, sendo calculados o montante de IRPJ e CSLL devidos, com base no lucro arbitrado, abatendose os tributos (IRPJ e CSLL) já declarados/confessados pelo contribuinte. No que tange aos reflexos de PIS e COFINS, a fiscalização só os fez incidir sobre as vendas efetivadas pelo contribuinte sem emissão de nota fiscal, e portanto, não declaradas. Isso porque, em regra, para as vendas declaradas o contribuinte confessou o PIS e COFINS devidos. Tendo em vista que a autuada teria se utilizado de elaborada sistemática de vendas sem emissão de notas fiscais, às quais não foram declaradas à RFB, omitindo, portanto, parcela relevante de suas vendas mediante intricado sistema mantido a margem de sua escrita contábil e fiscal, bem como a apuração de que sociedade teria sido constituída por sócios sem capacidade econômica, mediante falsificação de diversos documentos e assinaturas, foi aplicada a multa qualificada no percentual de 150%, pela prática de sonegação fiscal e fraude, segundo a definição contida nos incisos I e II do art. 71 e art. 72 da Lei n° 4.502/64, com fundamento no § 1º, do inciso I do art. 44, da Lei n° 9.430/96. Em decorrência da comprovação inequívoca de que os reais proprietários e administradores da fiscalizada seriam os integrantes da família Tolardo, foram nomeados sujeitos passivo solidários mediante lavratura dos competentes termos de sujeição passiva solidária, com base no art 124, inciso I, e art 135, inciso III, ambos da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional), as seguintes pessoas físicas: Íris da Silva Tolardo, CPF 958.804.96953; Róbson Marcelo Tolardo, CPF 623.843.84953; Rogério Márcio Tolardo, CPF 723.045.53915; Samuel Tolardo Júnior, CPF 121.023.83814; Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, CPF 828.784.55991. Cientificada da autuação em 11/12/2013, conforme AR de fl. 14.620, a interessada apresentou em 09/01/2014 a impugnação de fls. 14.922 a 14.970, na qual alega, em síntese, a tempestividade, e: 1) a nulidade da autuação pela violação aos princípios informadores do processo, especialmente do devido processo legal e da ampla defesa, posto que a autuação teria sido feita com base em meras suposições e presunções, com total ausência de provas que consubstanciem as alegações da autoridade autuante, uma vez que o ônus de provar a ocorrência do fato gerador dos tributos lançados e a responsabilidade pela obrigação tributária é do Fisco; 2) que os atos societários praticados pela impugnante são perfeitamente válidos e produzem efeitos no ordenamento jurídico, o que afastaria em absoluto a consideração de que seus sócios seriam "laranjas", inexistindo qualquer indício de falsidade ou de simulação, resultando na nulidade da autuação; Fl. 15425DF CARF MF Processo nº 10480.734088/201398 Acórdão n.º 1301002.930 S1C3T1 Fl. 15.426 6 3) também seria nulo todo o procedimento fiscal, ante a ausência de devolução dos documentos fiscais após o encerramento da fiscalização, por violação aos princípios do devido processo legal e do contraditório; 4) a nulidade na utilização no procedimento fiscal das provas obtidas no trabalho realizado pela Polícia Federal, uma vez que sequer foram objetos de julgamento na esfera jurisdicional adequada, e requer diligência a delegacia de origem de modo a atestar a ausência de irregularidades fiscais em sua escrituração; 5) a decadência do crédito tributário, relativo aos fatos geradores ocorridos no período de 01/01/2008 a 11/12/2008, uma vez que foi cientificada em 11/12/2013 do lançamento de tributos sujeitos ao lançamento por declaração, devendo, por isso, incidir a regra estabelecida pelo § 4o, do art. 150 do CTN; 6) insurgese contra o arbitramento do lucro, uma vez que a suposta ausência de verificação de movimentação financeira e bancária não é capaz de tornar a contabilidade imprestável, sendo possível, de fato, com os elementos que dispunha a fiscalização apurar o lucro da autuada; 7) a inexistência de dolo, fraude ou simulação, uma vez que todos os atos societários e contábeis praticados foram legais e estavam amparados pela legislação correspondente, o que não pode ensejar a qualificação da multa aplicada, evocando a seu favor o princípio da interpretação mais benéfica, prevista no art. 112, do CTN; 8) insurgese contra o caráter confiscatório da multa aplicada, ante os princípios constitucionais da capacidade econômica do contribuinte e a vedação ao confisco, previstos nos arts. 145, § 1º e 150, IV da CF/88; 9) pleiteia o afastamento dos juros incidentes sobre a multa de ofício proporcional, ante a ausência de previsão legal; 10) a ilegitimidade passiva da impugnante, com base na sujeição passiva solidária, bem como a nulidade dos termos de sujeição passiva solidária lavrados, por ausência de competência legal da fiscalização. Por fim, requereu preliminarmente o cancelamento integral da exigência, em face das nulidades arguidas, o reconhecimento da decadência dos créditos tributários com fatos geradores ocorridos até a data da ciência do lançamento, que seja acatada as questões de mérito desconstituindo os créditos tributários exigidos, o afastamento da multa qualificada, ou a sua redução ao equivalente a 2% da obrigação, bem como o cancelamento dos termos de sujeição solidária, a realização de diligências e suspensão da exigibilidade do crédito tributário lançado. Cientificados da autuação e dos termos de sujeição passiva em 07/12/2013, conforme AR de fls. 14.625, 14.622, 14.626, e 14.624, Rogério Márcio Tolardo, Íris da Silva Tolardo, Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore e Samuel Tolardo Júnior apresentaram em 06/01/2014 as impugnações de fls. 14.853 a 14.892, 14.800 a 14.839, 14.757 a 14.795 e 14.714 a 14.753, respectivamente, nas quais alegam, em apertada síntese, a tempestividade e: 1) a nulidade da autuação por ausência de mandado de procedimento fiscal; 2) a ausência de intimação pessoal, considerando nula a efetuada através dos correios; 3) cerceamento do direito de defesa, uma vez que não obtiveram o acesso ao inteiro teor dos autos apesar de requerido; Fl. 15426DF CARF MF Processo nº 10480.734088/201398 Acórdão n.º 1301002.930 S1C3T1 Fl. 15.427 7 4) a ilegitimidade passiva dos impugnantes, ante a ausência de prova do vínculo entre estes e a empresa autuada, e tendo em vista a impossibilidade de utilização de prova emprestada produzida em inquérito policial onde não foi observado o contraditório e à ampla defesa; 5) a falta de motivação e fundamentação da autuação; 6) a incompetência legal da autoridade fiscal para desconsiderar a personalidade jurídica da empresa e atribuir a responsabilidade objetiva e solidária aos impugnantes; 7) a ilicitude das provas utilizadas, tendo em vista que a ordem de busca e apreensão teria sido emanada por autoridade judicial incompetente; 8) pugna pela necessidade de suspensão do processo administrativo fiscal para aguardar o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal de cinco Ações Diretas de Inconstitucionalidade, que questionam a constitucionalidade da quebra do sigilo fiscal diretamente pela autoridade administrativa, com base na Lei Complementar n° 105; 9) a ausência de responsabilidade dos impugnantes, uma vez que não seriam sócios ou administradores da autuada, nem teriam interesse comum no fato gerador da obrigação tributária, pois a realização do comércio é exclusiva da pessoa jurídica; 10) a decadência ou a prescrição dos créditos tributários lançados; 11) pleiteiam a exclusão ou redução da multa, uma vez que a responsabilidade pelo não atendimento às intimações não pode ser atribuída a terceiros, e tendo em vista que o agravamento da multa seria incompatível com a aplicação do arbitramento do lucro, além do fato de que seria vedado a aplicação de multa com caráter confiscatório; 12) a inaplicabilidade da correção da multa com base na taxa Selic, por ausência de previsão legal; Por fim, requereram a produção de prova pericial, oral e a juntada posterior de documentos, bem como que fosse julgada improcedente a exigência fiscal. Cientificado da autuação e do termo de sujeição passiva em 30/12/2013, conforme Edital de fls. 14.631, Robson Marcelo Tolardo apresentou em 06/01/2014 a impugnação de fls. 14.661 a 14.700, na qual apresenta as mesmas alegações e pedidos dos demais impugnantes responsáveis solidários. (fls. 14.995 a 14.997) A DRJ RJO negou provimento às impugnações em acórdão cuja ementa foi assim redigida: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 AUTO DE INFRAÇÃO. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE. DOLO OU SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA Fl. 15427DF CARF MF Processo nº 10480.734088/201398 Acórdão n.º 1301002.930 S1C3T1 Fl. 15.428 8 Começa a fluir o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser lançado, quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOSGERENTES E ADMINISTRADORES DE FATO. INTERESSE COMUM. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, decorrente de atos praticados com infração de lei. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONTROLE EFETUADO À MARGEM DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. COMPROVAÇÃO. Caracterizam a omissão de receitas as vendas efetuadas sem emissão de nota fiscal, com registro das receitas auferidas efetuado pelo contribuinte e mantidos à margem de sua escrituração contábil e fiscal. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. SONEGAÇÃO. CABIMENTO. E cabível a qualificação da multa no caso de sonegação, caracterizada pela utilização de interpostas pessoas, de modo a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade tributária das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributaria principal ou o crédito tributário correspondente. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa no caso de fraude, caracterizada pela utilização de sistema de controle de vendas realizadas sem a emissão de notas fiscais, e mantidos a margem da escrituração contábil e fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Diante da decisão que lhe foi desfavorável, A.P.E. Auto Peças Eireli interpôs recurso, alegando, como preliminar, os seguintes pontos: a) falta de imparcialidade na condução do trabalho de fiscalização e na lavratura dos autos de infração; b) presunção inadequada, baseada na utilização de elementos coligidos de processos administrativos ainda pendentes de decisão final, bem como de inquérito policial ainda não finalizado; c) exacerbação da regra do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, que dispõe que a autoridade julgadora, na apreciação da prova, formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias; Fl. 15428DF CARF MF Processo nº 10480.734088/201398 Acórdão n.º 1301002.930 S1C3T1 Fl. 15.429 9 d) ato arbitrário cometido pelo Fisco ao considerar como "laranjas" os sócios da recorrente, negando a validade e a segurança jurídicas dos atos praticados pelo órgão de registro de comércio; e) falta de devolução dos documentos fiscais após o encerramento da fiscalização, violando o princípio do devido processo legal; f) questionou o indeferimento da diligência pela DRJ. No mérito, arguiu decadência, em face da aplicação do art. 150, § 4º, do CTN. Disse que foi indevida a apuração da base de cálculo pelo lucro arbitrado. Ademais, questionou a multa qualificada, em razão da inexistência de dolo, fraude ou simulação por parte da recorrente. Ainda em relação à multa, alegou efeito de confisco. Por fim, aduziu a impossibilidade de incidência, sobre a multa, de juros calculados pela taxa Selic. Os corresponsáveis Robson Marcelo Tolardo, Rogério Márcio Tolardo, Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, Íris da Silva Tolardo e Samuel Tolardo Junior também apresentaram recursos que, tanto nas preliminares, quanto no mérito, tanto nas questões centrais, quanto nas periféricas, têm o mesmo conteúdo. São estes os pontos suscitados pelos recorrentes: Nulidade Os recorrentes arguiram a nulidade do lançamento por vários motivos. 1) Nulidade por violação da garantia do contraditório e da ampla defesa, já que os recorrentes teriam sido incluídos no auto de infração por meio de "termo de sujeição passiva tributária", desprovido de fundamentação e desacompanhado de elementos de convicção. Receberam apenas um relatório, fazendo referência a documentos apreendidos em poder de terceiras pessoas; documentos aos quais se negou acesso aos recorrentes. Foram solicitadas cópias dos documentos, as quais não foram fornecidas a tempo e no prazo da impugnação, gerando nulidade na constituição do crédito tributário. Ademais, efetuouse a desconsideração da personalidade jurídica e a imputação de responsabilidade solidária objetiva aos recorrentes, sem que eles tivessem participado do processo administrativo. Não foram apresentadas aos recorrentes as provas com base nas quais a autoridade lançadora lhes imputou responsabilidade tributária. Dizem eles: Evidente o cerceamento de defesa, na medida em que teve que se defender sem ter acesso aos autos, embora tenha diligenciado neste sentido, quando o próprio termo de sujeição passiva solidária reconhece a ausência de seu envio, tanto que consta: "O conteúdo integral do Processo Administrativo Fiscal acima identificado poderá ser consultado pelo sujeito passivo solidário nos Centros de Atendimento ao Contribuinte (CAC) nas unidades da Receita Federal do Brasil." Embora tenha diligenciado neste sentido na Delegacia da Receita Federal de seu domicílio fiscal, não obteve êxito em consultar o conteúdo integral e nem em Fl. 15429DF CARF MF Processo nº 10480.734088/201398 Acórdão n.º 1301002.930 S1C3T1 Fl. 15.430 10 obter cópia antes de exaurido o prazo de impugnação, causando nulidade insanável ante a inobservância do devido processo legal. (fl. 15.058) Até o momento, os recorrentes não tiveram acesso ao conteúdo do processo administrativo, não conhecendo os motivos, as razões e os documentos que levaram à imputação de responsabilidade, situação que caracteriza cerceamento de defesa, gerando nulidade do lançamento. 2) O segundo motivo é a ausência de análise de todas as matérias invocadas na defesa, mediante impugnação administrativa, bem como a ausência de fundamentação do acórdão da DRJ. A decisão de primeira instância não teria analisado as questões invocadas na impugnação. Não teria sido examinada a validade das provas indiciárias contidas no inquérito policial, nem a ofensa ao contraditório e à ampla defesa. Aduziram os recorrentes que, apesar de terem demonstrado que nenhum vínculo havia entre eles e os fatos, rebatendo as afirmações da autoridade fiscal, a DRJ não se ateve a tais alegações, adotando simplesmente, como razões de decidir, o relatório do auto de infração. As provas não seriam suficientes para sustentar as ilações do lançamento. Com uma simples planilha, a Fiscalização entendeu que todas as lojas de autopeças do Brasil tinham vinculação com Samuel Tolardo, sem identificar uma ligação sequer com os recorrentes, salvo o parentesco. O art. 93, incisos IX e X, da Constituição Federal exige o convencimento racional e motivado, e que haja fundamentação do julgamento. 3) O terceiro motivo está no fato de que o julgamento teria sido proferido por autoridade incompetente, pois prolatado por Auditor da Receita Federal, quando deveria ter sido por Delegado da Receita Federal. 4) O quarto motivo é a ausência de mandado de procedimento fiscal MPF. Os recorrentes não foram cientificados da existência de processo de fiscalização contra si instaurado, nem da desconsideração da personalidade jurídica da empresa autuada, com a consequente responsabilização solidária dos recorrentes, sem a observância dos requisitos legais. 5) O quinto motivo está na ausência de intimação pessoal e na nulidade da intimação realizada por via postal. 6) O sexto motivo é a ilegitimidade passiva dos recorrentes. O processo administrativo foi instaurado, utilizandose de elementos coligidos nos processos administrativos 11020.723699/201218 e 15586.720329/201195, e no Inquérito Policial nº 256/2008 DPF/MGA/PR, instaurado em 02/04/2008, por força de requisição do Ministério Público Federal e que tramita na Delegacia de Polícia Federal de Maringá/PR. No entanto, seria nulo o direcionamento do processo administrativo contra os recorrentes, como se sujeitos passivos solidários fossem, dada a ausência de prova que demonstre a existência de qualquer vínculo entre eles e a pessoa jurídica autuada. Fl. 15430DF CARF MF Processo nº 10480.734088/201398 Acórdão n.º 1301002.930 S1C3T1 Fl. 15.431 11 A conclusão de que os recorrentes são sujeitos passivos solidários, a quem o Fisco denomina de proprietários da empresa autuada, foi extraída de inquérito policial, que, em si, nada mais é do que um procedimento administrativo, de cunho meramente investigativo e inquisitivo, sem contraditório e ampla defesa. É peça meramente informativa, destituída de juízo de valor. Por isso, não se admite a validade da prova emprestada, como pretende a Fiscalização. 7) O sétimo motivo é falta de motivação e fundamentação. A autoridade lançadora tipificou as exigências em dispositivos genéricos, o que foi mantido pela DRJ, não especificando em seu relatório quais artigos servem de embasamento à lavratura do auto de infração, especialmente quando impõe a responsabilidade objetiva aos recorrentes. 8) O oitavo motivo é a ilegitimidade do Auditor Fiscal que lavrou os autos de infração. Esse servidor, extrapolando os limites de sua competência funcional, previstas na Lei nº 10.593/2002, desconsiderou a personalidade jurídica da empresa, atribuindo responsabilidade objetiva e solidária aos recorrentes, sem indicar os motivos. Os recorrentes não seriam sócios da pessoa jurídica autuada, nem teriam exercido qualquer função relacionada ao fato gerador do tributo. A responsabilidade apontada no lançamento baseouse no art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN, mas não mostrou a presença do interesse comum, nem a relação dos recorrentes com a situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária. Além disso, com base no art. 135, inciso III, do CTN, os recorrentes foram responsabilizados de forma objetiva, sem que a autoridade fiscal provasse que qualquer deles ostentava a condição de diretor, gerente ou representante da pessoa jurídica, e que, nessa condição, tivesse praticado ato com excesso de poderes ou infração de lei. Por outro lado, a referida responsabilização foge da esfera de competência do Auditor Fiscal, pois, além de não estar prevista expressamente na lei de regência de seu cargo, compete exclusivamente ao Procurador da Fazenda Nacional fazêlo, na esfera judicial, desde que presentes os requisitos da lei. 9) O nono motivo da nulidade do lançamento está na ilicitude das provas. Embora não se admitam provas obtidas por meios ilícitos, seriam ilícitas as provas utilizadas no presente processo administrativo, pois decorrentes de mandados de busca e apreensão expedidos por autoridade judicial incompetente para a matéria. O inquérito policial teve origem no compartilhamento de dados entre COAF, Receita Federal e Ministério Público, sem qualquer autorização judicial. Além disso, no momento em que o juízo decretou a busca e apreensão, quando houve a instauração dos procedimentos, nenhum dos crimes investigados era crime antecedente do delito de lavagem de dinheiro. Portanto, a vara de lavagem de dinheiro não tinha competência para processar o feito. Ademais, a utilização, pela autoridade fiscal de dados sigilosos, inclusive de terceiros, com a quebra de sigilo fiscal, de dados de informática e utilização de planilhas unilaterais, que sequer foram fornecidas à recorrente, caracteriza utilização de prova ilícita. Fl. 15431DF CARF MF Processo nº 10480.734088/201398 Acórdão n.º 1301002.930 S1C3T1 Fl. 15.432 12 Questão prejudicial Os recorrentes pedem, caso seja superada a alegação de nulidade, a suspensão do processo administrativo, pois, segundo afirmam, é preciso aguardar a decisão do E. Supremo Tribunal Federal STF acerca da constitucionalidade da quebra de sigilo bancário pela autoridade fiscal, sem a intervenção do Poder Judiciário. Prescrição e decadência Afirmaram a ocorrência de prescrição e decadência. Ausência de responsabilidade dos recorrente e inexistência de prova do benefício No mérito alegaram a ausência de responsabilidade, o que, por si só, inviabilizaria a solidariedade tributária passiva indicada nos autos de infração. Os recorrentes seriam pessoas estranhas ao quadro societário da pessoa jurídica autuada. A autoridade fiscal, todavia, invocou o art. 124, inciso I, do CTN, sem qualquer fundamentação, utilizandose de presunções e ficções baseadas em provas ilícitas. Dizem os recorrentes que não há provas de que eles tenham recebido qualquer vantagem da pessoa jurídica autuada. Não tiveram qualquer relação com a empresa ou seus sócios. Não existe procuração passada em favor de nenhum deles. Não há vinculação dos recorrentes com os fatos geradores, nem existe interesse comum. Ressaltaram que, para haver interesse comum, as pessoas devem agir de um mesmo lado da relação jurídica. A responsabilidade solidária do art. 124, inciso I, do CTN, só pode subsistir quando todos os sujeitos passivos houverem praticado, conjuntamente, atos relacionados com o fato gerador, porque essa é a única hipótese em que todos têm interesse jurídico comum no fato gerador de que se origina a tributação. Afirmaram que a vinculação dos recorrentes ao fato gerador não restou demonstrada. Não haveria sequer a possibilidade de aplicação do art. 135 do CTN, já que os recorrentes não são sócios da empresa fiscalizada. Além disso, atribuir responsabilidade solidária aos recorrentes implicaria desconsiderar ato jurídico sem observar o disposto no parágrafo único do art. 116 do CTN. No mais, a desconsideração de personalidade jurídica requer autorização judicial. Afirmam os recorrentes que a acusação é frágil, pois se baseia em documentos unilaterais, elaborados por terceiros, sem identificar os recorrentes. As planilhas mencionadas foram elaboradas por pessoa totalmente desconhecida, que não tinha poder, nem autorização para vincular os recorrentes. Os Auditores Fiscais reconheceram que as planilhas se referem a anos anteriores ao período abrangido no lançamento, não podendo, pois, valer como prova. Além disso, por se tratar de mera presunção, não servem para impingir qualquer responsabilidade aos recorrentes, sobretudo quando os nomes destes sequer são mencionados em tais documentos. Fl. 15432DF CARF MF Processo nº 10480.734088/201398 Acórdão n.º 1301002.930 S1C3T1 Fl. 15.433 13 O processo administrativo tributário deve garantir que o devido processo legal e o contraditório, princípios primários e basilares do Estado de Direito, sejam respeitados, quando da constituição do crédito tributário. Destarte, a eleição do sujeito passivo, seja por solidariedade ou por desconstituição da pessoa jurídica, deve ter como alicerce, primeiro, uma legislação em vigor que atribua a determinada pessoa a responsabilidade pelo tributo; e, segundo, provas cabais, produzidas em ação fiscal e detalhadamente apresentadas na notificação, possibilitando a ampla defesa do sujeito passivo, o que certamente não se verifica no caso em tela. As alegações mencionadas no Relatório Fiscal são frágeis e subjetivas. O fato de os sócios de algumas das empresas indicadas no relatório terem sido funcionários da empresa pertencente ao falecido Samuel Tolardo não é suficiente para a responsabilização de setenta empresas e seus respectivos sócios e de toda a família Tolardo, indicados equivocadamente como "sócios de fato" das empresas. A mera presunção levada a efeito pela autoridade fiscal não é suficiente para impor responsabilidade tributária, ainda mais em se tratando de "prova" consubstanciada em documentos produzidos por terceiros, sem qualquer relação direta com os recorrentes. Acresce a isso o fato de serem os documentos de períodos anteriores aos anos a que se referem os autos de infração. Por outro lado, não pode o legislador estabelecer confusão entre os patrimônios das pessoas físicas e jurídicas, o que, além de impor desconsideração "ex lege" e objetiva da personalidade jurídica, descaracterizando as sociedades limitadas, implicaria falta de razoabilidade, inibindo a iniciativa privada, por afronta aos arts. 5º, XIII, e 170, parágrafo único, da Constituição Federal. Da análise dos documentos mencionados no Relatório Fiscal, verificase que as empresas ali mencionadas, supostamente pertencentes ao mesmo grupo econômico "Rede Presidente", são empresas absolutamente autônomas, localizadas em bairros, cidades e Estados distintos, sem qualquer identidade em seu quadro societário e, quiçá, no objeto social, cada uma com seu próprio quadro de funcionários, e em dia com as respectivas obrigações tributárias, razão pela qual não se pode sustentar a tese apresentada pela autoridade lançadora. Não se trata sequer de grupo econômico, visto que possuem administração própria e descentralizada como se apurou, e não realizavam conjuntamente situações configuradoras de fato jurídico tributário. Não existia, portanto, interesse comum. Crucial destacar que a responsabilidade solidária prevista no art. 124, inciso I, do CTN, só pode subsistir quando todos os sujeitos passivos houverem realizado conjuntamente o fato gerador, porque esta é a única hipótese em que todas as pessoas possuem interesse jurídico comum no fato de que se origina a tributação. Enfim, para que se configure a solidariedade fundada no interesse comum é essencial que se realize, pessoalmente e em conjunto com outras pessoas, a materialidade do próprio fato gerado, pois somente assim se caracterizará o interesse jurídico que faz surgir a solidariedade. O interesse comum não se confunde com o fato de existir eventual benefício em contratos celebrados em parceria, em aquisição e alienação de bens, e outros negócios jurídicos por elas ou entre elas realizados. Fl. 15433DF CARF MF Processo nº 10480.734088/201398 Acórdão n.º 1301002.930 S1C3T1 Fl. 15.434 14 Contudo, fundamental perquirir qual o tipo de interesse existente acerca dos negócios praticados por empresas pertencentes a um mesmo grupo. Pois se ele for movido apenas por razões econômicas, financeiras e negociais, não será capaz de gerar a responsabilidade tributária, visto que esta apenas se configura se existente o interesse jurídico, e não o interesse econômico. Multa Os recorrentes pedem a exclusão da multa. Lembram que o CARF editou a Súmula 14 cujo enunciado diz que "a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo." Invocaram também a Súmula 25, com o seguinte teor "a presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64." Disseram não caber o agravamento de multa contra os que não respondem pela empresa, e sequer tinham conhecimento do mandado de procedimento fiscal. Extrapola, pois, os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade impor penalidade por atos praticados por outrem. O agravamento da multa de ofício em face do não atendimento à intimação para apresentar a escrita fiscal e contábil ou para esclarecer fatos não se aplica aos casos em que a omissão do contribuinte já tem consequências específicas previstas na legislação, no caso, o arbitramento dos lucros. Para haver a cobrança da multa é preciso haver intuito de fraude, o que não ficou provado. Ademais, a multa tem caráter confiscatório. Devem prevalecer os princípios da razoabilidade e da capacidade contribuinte. Redução Na hipótese de ser mantida a multa, pede sua redução. Qualificação da multa A desqualificação da multa se deve ao fato de os recorrentes não terem praticado fraude, nem omissão dolosa durante o processo fiscalizatório. Estariam ausentes, pois, os requisitos necessários à qualificação da multa. Inaplicabilidade da taxa Selic e da incidência de juros sobre multa Os recorrentes alegaram também a inaplicabilidade da taxa Selic como critério para cálculo do juros de mora, bem como o não cabimento da incidência de juros de mora sobre a multa. Produção de provas Por último, afirmaram não terem tido acesso aos documentos constantes dos autos, o que lhes impediu de formular quesitos em eventual pedido de perícia. Reiteram o Fl. 15434DF CARF MF Processo nº 10480.734088/201398 Acórdão n.º 1301002.930 S1C3T1 Fl. 15.435 15 pedido de produção de provas, resguardandose o direito de formular quesitos tão logo tenham acesso à toda documentação. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator Admissibilidade Os recursos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade. Nulidades 1) Nos recursos dos coobrigados responsáveis tributários, Robson Marcelo Tolardo, Rogério Márcio Tolardo, Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, Íris da Silva Tolardo e Samuel Tolardo Junior, foram arguidas várias nulidades. A primeira delas se refere a uma possível violação do contraditório e da ampla defesa, pois a inclusão dos recorrentes no polo passivo careceria de fundamentação. Além disso, não teriam sido entregues aos interessados ou postos à disposição os documentos apreendidos com terceiros, e com base nos quais se procedeu à imputação de responsabilidade. Questionam também a desconsideração da personalidade jurídica e a inclusão dos recorrentes no polo passivo da relação tributária, sem que tivessem participado do processo administrativo. Em primeiro lugar, não é correta a afirmação de que a inclusão dos recorrentes no polo passivo carece de fundamentação. Ao contrário, existe exaustiva fundamentação no Relatório de Atividade Fiscal (fls. 13.993 a 14.370). Quanto à copiosa documentação constante dos autos, o Termo de Ciência (fl. 14.609) deixa claro que tais documentos sempre estiveram à disposição dos recorrentes. Consta do termo: No exercício das funções de AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, encaminhamos ao contribuinte acima identificado, em arquivos digitais gravados no Compact Disk (CD) anexo ao presente Termo de Ciência, os documentos extraídos do Processo Administrativo Fiscal n° 10480.734088/201398 abaixo relacionados: 1) Auto de Infração de IRPJ/CSLL, ano 2008, folhas 14.573 a 14.601 2) Demonstrativo Consolidado do Crédito, folhas 14.572 3) Relatório de Atividade Fiscal, folhas 13.993 a 14.370 4) Anexo ao Relatório de Atividade Fiscal, folhas 14.371 a 14.571 Fl. 15435DF CARF MF Processo nº 10480.734088/201398 Acórdão n.º 1301002.930 S1C3T1 Fl. 15.436 16 5) Orientações para pagamento ou impugnação, folhas 14.602 (...) Os códigos de autenticação foram gerados pelo Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais (SVA), disponível no site da Receita Federal do Brasil. As demais folhas do referido processo poderão ser obtidas nos Centros de Atendimento ao Contribuinte (CAC) da Receita Federal do Brasil. Para constar e surtir os efeitos legais lavramos o presente termo em duas vias de igual teor e forma, assinado pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, sendo a via do contribuinte encaminhada para ciência via postal, por Aviso de Recebimento (AR). Se, ao contrário do que consta do termo, os documentos não lhes foram entregues, nem postos à disposição, cabia aos recorrentes, de plano, acusar formalmente o fato, requerendo vista dessa documentação. Entretanto, não há prova nos autos de que tal medida tenha sido adotada, o que leva a presumir que o acesso aos documentos que instruem o processo sempre esteve disponível aos autuados. Quanto à alegada desconsideração de personalidade jurídica, importa dizer que a norma de direito material aplicada ao caso concreto não foi o art. 50 do Código Civil, nem o art. 28 do Código de Defesa do Consumidor, que cogitam expressamente da desconsideração de personalidade jurídica. Aplicouse aqui o art. 135 do CTN, que existe desde 25 de outubro de 1966, sem fazer referência à desconsideração de personalidade jurídica. O art. 135 vem sendo utilizado pelo Fisco na constituição de crédito tributário, sem necessidade de procedimento específico de desconsideração de personalidade jurídica ou de petição à Justiça para esse fim. Igualmente desnecessária é a autorização judicial para a que Fiscalização possa considerar não oponíveis à Fazenda os atos e negócios jurídicos praticados com dolo, fraude ou simulação, na forma do art. 149, inciso VII, e do art. 150, § 4º, todos do CTN. 2) O segundo motivo de nulidade, de acordo com os recorrentes, não diz respeito ao lançamento em si, mas à decisão de primeira instância, que teria deixado de apreciar as matérias invocadas nas impugnações, carecendo também de fundamentação em diversos pontos. É vaga a afirmação. O recorrente deve especificar os pontos sobre os quais a decisão recorrida deveria discorrer, e se omitiu. A impugnação, assim como o recurso devem ser especificados. O que não for especificado deve ser tido como matéria não impugnada ou não recorrida. De forma específica, existe apenas a alegação quanto aos seguintes pontos: validade das provas indiciárias contidas no inquérito policial; razões de decidir baseadas no relatório do auto de infração; e insuficiência da prova para sustentar as ilações do lançamento. A primeira questão foi examinada na decisão recorrida, como se vê do trecho abaixo reproduzido: Fl. 15436DF CARF MF Processo nº 10480.734088/201398 Acórdão n.º 1301002.930 S1C3T1 Fl. 15.437 17 Quanto à alegada ilicitude das provas utilizadas por empréstimo, obtidas em decorrência de ordem judicial expedida por autoridade supostamente incompetente, não há como dar guarida às pretensões dos impugnantes. A ordem emanada por autoridade judicial reputase como válida até que outra lhe sobrevenha, alterandoa ou cancelandoa. Não cabe ao julgador administrativo avaliar a validade das decisões proferidas em sede judicial, por lhe faltar competência legal, e em respeito ao princípio constitucional de separação dos poderes. (fls. 15.008) (g.n.) A questão, como se percebe, foi enfrentada. Portanto não existe a suposta omissão no acórdão da DRJ. Já os outros dois pontos não se referem propriamente a omissão, mas, sim, ao exame e à valoração da prova. O erro na apreciação da prova pode dar causa à reforma da decisão, mas não à sua nulidade, o que implicaria devolver os autos à DRJ para proferir um novo acórdão. 3) O terceiro motivo de nulidade seria a incompetência do agente público que proferiu o julgamento, que não poderia ser um Auditor da Receita, mas, sim, o Delegado da Receita Federal. A decisão não foi proferida por um Auditor da Receita Federal, mas por um colegiado, na forma do art. 25, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pela MP nº 2.15835/2001. 4) A quarta causa de nulidade estaria na ausência de mandado de procedimento fiscal MPF. Os recorrentes não teriam sido cientificados da existência de procedimento de fiscalização contra si instaurado. O MPF, no tempo em que era exigido, não passava de instrumento de controle administrativo. Assim, eventuais irregularidades em sua emissão, prorrogação de vigência, ou ampliação de objeto não eram aptos a projetar qualquer efeito sobre o lançamento ou sobre o processo. A consequência que poderia advir de um daqueles vícios cingiase ao plano funcional, podendo dar ensejo, nos casos de extrema gravidade, a uma medida de ordem disciplinar, mas sem acarretar a invalidade do lançamento, se este (que é ato vinculado) fosse realizado por servidor competente, e se da irregularidade do MPF não tivesse resultado prejuízo real para o contribuinte. No caso concreto, entretanto, nem sequer de irregularidade se trata, já que a Portaria RFB nº 2.284/2010, no § 2º do art. 2º, deixava claro que, no caso de pluralidade de sujeitos passivos, não se exigia um MPF para cada codevedor. Art. 2º Os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, na formalização da exigência, deverão, sempre que, no procedimento de constituição do crédito tributário, identificarem hipóteses de pluralidade de sujeitos passivos, reunir as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado. § 1º A autuação deverá conter a descrição dos fatos e o enquadramento legal das infrações apuradas e do vínculo de responsabilidade. Fl. 15437DF CARF MF Processo nº 10480.734088/201398 Acórdão n.º 1301002.930 S1C3T1 Fl. 15.438 18 § 2º Na hipótese de que trata o caput, não será exigido Mandado de Procedimento Fiscal para os responsáveis. (g.n.) 5) O quinto motivo é a ausência de intimação pessoal e a nulidade da intimação realizada por via postal. Não procede a alegação. O Decreto nº 70.235/1972 não estabelece preferência entre estas duas formas de intimação: a pessoal e a por via postal. Nesse sentido dispõe o art. 23 daquele diploma normativo: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I no endereço da administração tributária na internet; II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (...) § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (g.n.) Entre as três formas de intimação, pessoal, por via postal ou por meio eletrônico, qualquer uma delas pode ser validamente utilizada, pois entre elas não há ordem de preferência. 6) O sexto motivo é a ilegitimidade passiva dos recorrentes. Sustentam que o processo administrativo foi instaurado com base em elementos extraídos dos processos administrativos 11020.723699/201218 e 15586.720329/201195, e do Inquérito Policial nº 56/2008 DPF/MGA/PR, instaurado em 02/04/2008. Seria nulo o direcionamento da autuação contra os recorrentes, como se sujeitos passivos solidários fossem, dada a ausência de prova que demonstrasse a existência de qualquer vínculo entre os recorrentes e a pessoa jurídica autuada. Fl. 15438DF CARF MF Processo nº 10480.734088/201398 Acórdão n.º 1301002.930 S1C3T1 Fl. 15.439 19 Disseram que a conclusão de que os recorrentes são sujeitos passivos solidários, a quem o Fisco denomina de proprietários da empresa autuada, foi extraída de inquérito policial, que, em si, nada mais é do que um procedimento administrativo, de cunho meramente investigativo e inquisitivo, sem contraditório e ampla defesa. É peça meramente informativa, destituída de juízo de valor. Por isso, não se admite a validade da prova emprestada, como pretende a Fiscalização. Essa matéria será tratada quando se examinar a validade das provas emprestadas e indiciárias. Também será examinada de forma específica a legitimidade passiva de cada um dos autuados. 7) A sétima causa de nulidade é a falta de motivação e fundamentação, pois a autoridade lançadora tipificou as exigências em dispositivos genéricos. O lançamento foi mantido pela DRJ, que não especificou em seu relatório quais artigos servem de embasamento à lavratura do auto de infração, especialmente quando impõe a responsabilidade objetiva aos recorrentes. Para a validade do lançamento é necessária a descrição correta e precisa dos fatos, pois é dos fatos que o contribuinte se defende. O erro de capitulação legal, se efetivamente existir, só invalidará o lançamento se dele resultar prejuízo ao direito de defesa, o que deve ser demonstrado pelo recorrente. No caso em tela, não há comprovação do efetivo prejuízo. Por outro lado, não procede o argumento de que a decisão de primeira instância carece de fundamentação específica sobre a matéria. Os fundamentos, embora contrários aos recorrentes, estão postos no voto que conduziu a decisão vencedora. 8) O oitavo motivo de nulidade é a suposta incompetência do Auditor Fiscal, que teria extrapolado suas atribuições e desconsiderado a personalidade jurídica da empresa, para assim imputar responsabilidade solidária aos recorrentes, sem indicar os motivos para tanto. O lançamento, não obstante fundado no art. 124, inciso I, do CTN, não teria demonstrado a relação dos recorrentes com o fato gerador, nem a presença do interesse comum. A autoridade fiscal, por outro lado, teria deixado de provar que qualquer um dos recorrentes, na condição de diretor, gerente ou representante da pessoa jurídica, tenha praticado atos com excesso de poderes ou infração de lei. Disseram ainda que a imputação desse tipo de responsabilidade compete exclusivamente ao Procurador da Fazenda Nacional. Sem razão os recorrentes. Como se disse, não houve desconsideração de personalidade jurídica na forma do Código Civil, do Código de Defesa do Consumidor ou de qualquer outra lei. A ação fiscal teve por base o disposto no art. 135 do CTN, cuja aplicação se dá, na via administrativa, mediante lançamento, que é ato administrativo inserido no rol de atribuições do Auditor Fiscal da Receita Federal, nos termos do art 6º, inciso I, alínea "a", da Lei nº 10.593/2002. Frisese que, ao realizar o lançamento, a autoridade, na forma do art. 142 do CTN, tem o dever de identificar o sujeito passivo, seja ele pessoa física ou jurídica, seja contribuinte ou responsável. Quanto à prova do interesse comum ou da prática de atos com excessos de poderes ou com infração de lei, tratase de matéria de mérito, a ser examinada mais adiante. Fl. 15439DF CARF MF Processo nº 10480.734088/201398 Acórdão n.º 1301002.930 S1C3T1 Fl. 15.440 20 Outro ponto suscitado diz respeito à suposta impossibilidade de atribuição de responsabilidade tributária no lançamento, pois tal providência caberia somente à PFN, na fase de execução. O lançamento tem de incluir no polo passivo todas as pessoas obrigadas, na condição de responsável, ao pagamento do crédito tributário, salvo se a situação da qual decorra o vínculo de responsabilidade for posterior ao lançamento, como se dá, por exemplo, na extinção irregular da empresa (STJ, Súmula 435), depois de lançado o tributo. Ao contrário, se o fato que impõe a sujeição passiva for anterior ao lançamento, nele já deve ser incluído o responsável. Esse entendimento, mais do que o interesse da Fazenda, tutela o interesse do responsável tributário, assegurandolhe a possibilidade de defesa ainda na esfera administrativa. Assim vem decidindo do E. STJ, como revela o voto proferido, no REsp nº 1.435.515 SP, pelo Ministro Og Fernandes, do qual se extrai o trecho abaixo: Como é sabido, a ausência da precisa indicação do devedor na constituição do crédito tributário vulnera o título executivo, retirandolhe a certeza, liquidez e exigibilidade que lhe são inerentes, nos termos dos arts. 202 e 203 do CTN. Na senda de tal premissa, não se concebe a substituição do sujeito passivo no título executivo constituído, pois tal alteração corresponderia a um novo lançamento tributário, sem que fosse conferida ao novo devedor a oportunidade de exercer sua impugnação na via administrativa, ou mesmo do pagamento do débito antes do ajuizamento da ação de cobrança. (g.n.) O CARF também adota entendimento semelhante, o que fica evidente pelo enunciado da Súmula nº 71: Súmula CARF n° 71: Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade. A legitimidade para impugnar o lançamento pelos responsáveis tributários tem como pressuposto o fato de que tais pessoas tenham sido originalmente incluídas no polo passivo. Portanto, é a inclusão do responsável no polo passivo do lançamento que lhe assegura, ainda em sede de processo administrativo, o direito de discutir a validade do ato nos seus aspectos formais e materiais, bem como de discutir a própria existência do liame de responsabilidade. 9) A última causa de nulidade suscitada pelos recorrentes estaria na ilicitude das provas utilizadas na apuração das infrações. Segundo eles, seriam ilícitas as provas, pois colhidas em mandados de busca e apreensão expedidos por autoridade judicial incompetente. Dizem que o Juízo de onde emanou a ordem era competente para processar e julgar os crimes de lavagem de dinheiro; porém, decretou busca e apreensão em procedimento investigatório de crimes que não eram antecedentes do delito de lavagem de dinheiro. Além disso, não existiria autorização judicial para o compartilhamento de dados entre COAF, Receita Federal e Ministério Público. Fl. 15440DF CARF MF Processo nº 10480.734088/201398 Acórdão n.º 1301002.930 S1C3T1 Fl. 15.441 21 Os documentos, que neste processo servem de prova das infrações e do envolvimento dos autuados, não vieram aos autos por acaso, mas por determinação da Justiça Federal, como se pode concluir dos termos do Ofício nº 032/2012UIP/DPF/MGA/PR (fl. 9.223), cujo teor abaixo se reproduz: Como é de conhecimento de V.Sa no último dia 17/10/2012, foi deflagrada a fase ostensiva da investigação denominada internamente como "Operação Laranja Mecânica", com o cumprimento de dezenas de mandados de busca/apreensão e condução coercitiva expedidos pelo Juízo Federal da 3ª Vara Criminal de Curitiba/PR, inclusive com a participação de servidores dessa Instituição. Por ocasião do cumprimento das medidas judiciais pertinentes, foi arrecadada/apreendida farta documentação, bem como mídias, veículos, etc., sendo que parte do material já se encontra acautelado nesta Delegacia de Polícia Federal em Maringá/PR, enquanto que acervo arrecadado fora desta cidade será encaminhado a esta descentralizada nos próximos dias. Considerando os termos de decisões judiciais prolatadas no âmbito do Inquérito Policial n° 256/2008DPF/MGA/PR, onde estão sendo conduzidas as investigações da denominada "Operação Laranja Mecânica", autorizando o compartilhamento dos dados ali obtidos, dentre outros, com Delegacia da Receita Federal do Brasil, serve o presente para colocar à disposição dessa Instituição o material arrecadado durante as buscas, os quais poderão ser analisados por servidores designados, numa sala já reservada para esta finalidade nas dependências desta Delegacia de Polícia Federal em Maringá/PR, sempre com a ressalva da manutenção do sigilo das informações compartilhadas. (g.n.) No âmbito administrativo não se pode discutir a validade de ato judicial. Se os recorrentes entendiam que a determinação da Justiça Federal estava viciada, a eles cabia requerer medida judicial visando o reconhecimento do vício ou o afastamento da ilicitude. A esfera administrativa não é o local adequado para discutir a matéria. Suspensão do processo Os recorrentes pediram a suspensão do processo até que fossem julgadas pelo E. STF as ações que questionavam a constitucionalidade do acesso direto pelo Fisco aos dados bancários de contribuintes. A pretensão deve ser indeferida. O lançamento não se baseou em dados obtidos pelo exame de extratos bancários. Porém, ainda que isso tivesse ocorrido, a suspensão do processo administrativo não seria cabível. É que a discussão que envolve a possibilidade de requisição direta de informações bancárias pela autoridade administrativa já está superada por decisão do E. STF, que, no julgamento das Ações Diretas de Inconstitucionalidade nº 2859, 2390, 2386 e 2397, em 24/02/2016, decidiu pela constitucionalidade das normas que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelas instituições financeiras, sem autorização judicial. (http ://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=310670) Prescrição e decadência São genéricas as alegações de prescrição e decadência. Fl. 15441DF CARF MF Processo nº 10480.734088/201398 Acórdão n.º 1301002.930 S1C3T1 Fl. 15.442 22 Os recorrentes não explicitaram as razões pelas quais, no caso concreto, teria ocorrido decadência, referindose apenas ao fato de que o lançamento deveria ter sido feito por homologação. Entretanto, o lançamento por homologação requer que o sujeito passivo apure o débito e proceda ao recolhimento sem prévio exame da autoridade administrativa. Quando essa atividade não é realizada corretamente, abrese espaço para o lançamento de ofício, cuja decadência é regulada pelo § 4º do art. 150 ou pelo inciso I do art. 173, todos do CTN. Ademais, por força do mesmo § 4º do art. 150, havendo dolo, fraude ou simulação, o termo inicial do prazo de decadência é o assinalado no art. 173, inciso I, do CTN, mesmo que o tributo seja passível de lançamento por homologação. No caso em tela, o dolo dos autuados é manifesto. Portanto, se o fato gerador mais remoto é de 2008 e o lançamento se aperfeiçoou com a intimação em dezembro 2013, é forçoso concluir que não houve decadência. Os recorrentes, no caso em tela, não demonstraram o motivo pelo qual sustentam ter a Fazenda decaído do direito de constituir o crédito tributário mediante auto de infração (lançamento de ofício). Quanto à prescrição, o termo inicial do prazo, conforme dispõe o caput do art. 174 do CTN, é a data da constituição definitiva do crédito, que só ocorre com a decisão final no processo administrativo. Enquanto houver recurso pendente de decisão não tem início a fluência do prazo prescricional. Provas Os recorrentes buscam desqualificar as provas, contestando a validade da utilização de prova emprestada, de informações extraídas de inquérito policial e de indícios. Quanto à prova emprestada, não há dúvida de que sua utilização é válida. É o que ensina Moacyr Amaral Santos: 208. Perguntase: é admissível a prova emprestada? Indiscutivelmente, sim. Sempre é uma peça de instrução, que, quando maior efeito não tenha, trará consigo valor argumental, servirá de subsídio na formação do convencimento. (...) Na verdade, a prova emprestada, como todas as espécies de provas, é sujeita à avaliação e vale pelo poder de convencimento que carrega. Tanto poderá, por si só, convencer, como poderá cooperar no convencimento, quando mais não seja, pelo seu simples valor argumental, como ainda poderá ser considerada inteiramente ineficiente, tudo dependendo das condições objetivas e subjetivas que apresenta, das partes nela interessadas, do caráter do fato probando, da natureza do processo, enfim das circunstâncias que influem na avaliação e estimação das provas. (...) Contudo, não padece dúvida, em razão do próprio caráter de sua produção, que as provas de natureza oral (depoimentos de parte ou de testemunhas, esclarecimentos prestados pelo perito em audiência) não podem ser transplantadas, com a mesma tonalidade e vigor, de um processo para outro, diversamente da prova de natureza escrita, muda, que se traslada como se trasladam documentos. Não é por Fl. 15442DF CARF MF Processo nº 10480.734088/201398 Acórdão n.º 1301002.930 S1C3T1 Fl. 15.443 23 isso que aquelas não possam ser transportadas, nem que, isso acontecendo, não se lhes atribua no novo processo valor bastante que não baste para formar convencimento. O mais acertado é concederse à prova de natureza oral transportada o valor da prova feita mediante precatória. (...) Em suma, podese, em princípio, adotar como regras gerais, quanto à eficácia da prova emprestada, segundo o sistema do Código, as seguintes: a) a prova emprestada guarda a eficácia do processo em que foi colhida, na conformidade do poder de convencimento que trouxer consigo; b) a eficácia e a aproveitabilidade da prova emprestada, de natureza oral, estão na razão inversa da possibilidade de sua repetição no processo; c) a eficácia da prova emprestada, de natureza oral, equivale à da produzida mediante precatória. (Moacyr Amaral Santos. Prova Judiciária Cível e Comercial. São Paulo: Max Limonad. Volume I. 4ª ed. 1970, pp 307 a 311) É válido o emprego da prova emprestada. A controvérsia sobre sua eficácia cingese à prova oral, em face dos princípios da imediatidade, da identidade física do juiz, da concentração e da oralidade. Ressalvadas, portanto, as provas orais (como depoimentos das partes ou de testemunhas e esclarecimentos de peritos prestados em audiência), as demais, desde que envolvam as mesmas partes, podem ser trasladadas de um processo para outro, tendo no segundo processo a mesma força probante que ostentavam no primeiro. No caso de prova oral, entretanto, a eficácia deve ser analisada levando em conta as circunstâncias em que, no caso concreto, foram produzidas as provas. Portanto, a prova empresta é válida e eficaz, devendo, como qualquer outra prova, ser valorada pelo julgador. Frisese, entretanto, que não caracteriza prova emprestada o simples traslado de documentos de um processo para outro. No caso concreto, o que se deu foi o compartilhamento, por ordem judicial, de informações e documentos colhidos em inquérito policial, procedimento válido se assegurado ao contribuinte o direito de se manifestar sobre os documentos. No que tange aos indícios, também prevalece o entendimento de que é possível seu emprego como meio de prova, sobretudo, para demonstrar a existência de fatos ilícitos. Admitese a prova de fatos ilícitos por indícios porque, diferentemente dos atos e negócios jurídicos, os ilícitos, principalmente os de natureza tributária, são concebidos às escondidas, e executados sob a roupagem de aparente licitude. Os ajustes ilícitos destinados a fraudar a arrecadação tributária, no mais das vezes, são urdidos sem a presença de testemunhas. Não se lavra escritura ou outro instrumento formal para provar a existência ou o conteúdo de conluios ou pactos com intuito fraudatório. Nem sempre é possível, por essa razão, obter do ato fraudulento uma prova direta. A comprovação, muitas vezes, se faz pela reunião consistente de indícios, que apontem no mesmo sentido. Fl. 15443DF CARF MF Processo nº 10480.734088/201398 Acórdão n.º 1301002.930 S1C3T1 Fl. 15.444 24 No caso dos autos, o ilícito imputado aos recorrentes é a omissão de receitas, perpetrada mediante constituição de entidades empresariais em diversas unidades da Federação, tendo por sócios pessoas interpostas, desprovidas de capacidade econômica para a integralização do capital social subscrito. O ajuste fraudulento envolveria, entre outras práticas, falsidade documental, falso reconhecimento de firma, suborno de agentes públicos etc O Ministro do STF Luiz Fux, no voto proferido na Ação Penal 470, sustenta a viabilidade da utilização de indícios como prova de ilícito penal. Eis os fundamentos então adotados: Assim é que, através de um fato devidamente provado que não constitui elemento do tipo penal, o julgador pode, mediante raciocínio engendrado com supedâneo nas suas experiências empíricas, concluir pela ocorrência de circunstância relevante para a qualificação penal da conduta. Aliás, a força instrutória dos indícios é bastante para a elucidação de fatos, podendo, inclusive, por si próprios, o que não é apenas o caso dos autos, conduzir à prolação de decreto de índole condenatória, (cf. PEDROSO, Fernando de Almeida. Prova penal: doutrina e jurisprudência. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2005, p. 9091). Neste sentido, este Egrégio Plenário, em época recente, decidiu que "indícios e presunções, analisados à luz do princípio do livre convencimento, quando fortes, seguros, indutivos e não contrariados por contraindícios ou por prova direta, podem autorizar o juízo de culpa do agente" (AP 481, Relator: Min. Dias Toffoli, Tribunal Pleno, julgado em 08/09/2011). Idêntica a orientação da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, cabendo a referência aos seguintes Julgado: "O princípio processual penal do favor rei não ilide a possibilidade de utilização de presunções hominis ou facti, pelo juiz, para decidir sobre a procedência do ius puniendi, máxime porque o Código de Processo Penal prevê expressamente a prova indiciária, definindoa no art. 239 como "a circunstância conhecida e provada, que, tendo relação com o fato, autorize, por indução, concluirse a existência de outra ou outras circunstâncias". Doutrina (LEONE, Giovanni. Trattato di Diritto Processuale Penale. v. II Napoli: Casa Editrice Dott. Eugenio Jovene, 1961. p. 161162)." (HC nº 111.666, Relator: Min. Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em O8/05/2012) CONDENAÇÃO BASE. Constando do decreto condenatório dados relativos a participação em prática criminosa, descabe pretender fulminálo, a partir de alegação do envolvimento, na espécie, de simples indícios. (HC 96062, Relator: Min. Marco Aurélio, Primeira Turma, julgado em 06/10/2009) Em idêntico sentido: HC nº 83.542, Relator: Min. Sepulveda Pertence, Primeira Turma, julgado em 09/03/2004; HC nº 83.348, Relator: Min. Joaquim Barbosa, Primeira Turma, julgado em 21/10/2003. As digressões ora engendradas se justificam porque, nesses delitos econômicos e sofisticados, unemse as forças das provas diretas e dos indícios. (...) Em suma: a presunção de não culpabilidade pode ser ilidida até mesmo por indícios que apontem a real probabilidade da configuração da conduta criminosa. A condenação, na esteira do quanto já exposto, não necessita basearse em verdades Fl. 15444DF CARF MF Processo nº 10480.734088/201398 Acórdão n.º 1301002.930 S1C3T1 Fl. 15.445 25 absolutas, por isso que os indícios podem ter, no conjunto probatório, robustez suficiente para que se pronuncie um juízo condenatório. (grifo do original) (...) Ora, se a prova deve ser compreendida em sua função persuasiva, é na argumentação do processo que se deve buscar o convencimento necessário aos magistrados para o teste probatório às alegações das partes. E um conjunto probatório seguro, cuja elaboração, decorrente do debate processual, seja apta a reconstruir os fatos da vida e apontar para a ocorrência dos fatos alegados pelo Ministério Público, é o suficiente para extirpar qualquer " dúvida razoável" que as alegações de defesa tentavam impingir na convicção do julgador. Isso é especialmente importante em contextos associativos, no qual os crimes ou infrações administrativas são praticados por muitos indivíduos consorciados, nos quais é incomum que se assinem documentos que contenham os propósitos da associação, e nem sempre se logra filmar ou gravar os acusados no ato de cometimento do crime. Fato notório, e notoria non egent probatione, todo contexto de associação pressupõe ajustes e acordos que são realizados a portas fechadas. (g.n.) Neste sentido, por exemplo, a doutrina norteamericana estabeleceu a tese do "paralelismo consciente" para a prática de cartel. Isso porque normalmente não se assina um "contrato de cartel", basta que se provem circunstâncias indiciárias, como a presença simultânea dos acusados em um local e a subida simultânea de preços, v.g., para que se chegue à conclusão de que a conduta era ilícita, até porque, num ambiente econômico hígido, a subida de preços, do ponto de vista de apenas um agente econômico, seria uma conduta irracional economicamente. Portanto, a conclusão pela ilicitude e pela condenação decorre de um conjunto de indícios que apontem que a subida de preços foi fruto de uma conduta concertada. No mesmo diapasão é a prova dos crimes e infrações no mercado de capitais. São as circunstâncias concretas, mesmo indiciárias, que permitirão a conclusão pela condenação. Na investigação de insider trading (uso de informação privilegiada e secreta antes da divulgação ao mercado de fato relevante): a baixa liquidez das ações; a frequência com que são negociadas; ser o acusado um neófito em operações de bolsa; as ligações de parentesco e amizade existentes entre os acusados e aqueles que tinham contato com a informação privilegiada; todas estas e outras são indícios que, em conjunto, permitem conclusão segura a respeito da ilicitude da operação. Em resumo, se as provas indiciárias são admitidas no processo penal, com muito mais razão devem ser aceitas na apuração de ilícito administrativo tributário. Omissão de receita Quanto à omissão de receitas e a sujeição passiva dos autuados, cumpre frisar que a presente autuação é uma dentre várias que foram lavradas no bojo da chamada operação "Laranja Mecânica". Foram vários autos de infração tendo por base os mesmos fatos e mesmos elementos de convicção, variando apenas a unidade econômica (o estabelecimento empresarial), os valores envolvidos e os períodos. Considerando essa circunstância, cabe transcrever os fundamentos já expostos no processo nº 10945.720395/201468 (Pré Comércio Distribuição de Auto Peças Ltda.), envolvendo as mesmas pessoas físicas que aqui figuram no polo passivo. Eis os fundamentos então adotados, no que concerne à omissão de receitas e à sujeição passiva: Fl. 15445DF CARF MF Processo nº 10480.734088/201398 Acórdão n.º 1301002.930 S1C3T1 Fl. 15.446 26 Omissão de receitas foi a infração que deu causa ao lançamento. O ilícito foi praticado pelos autuados, utilizandose para tanto de diversas pessoas jurídicas que, embora constituídas de forma autônoma, integravam um mesmo grupo econômico, denominado Rede Presidente, controlado pelos autuados. Os sócios dessas empresas eram pessoas interpostas, desprovidas de capacidade contributiva (fls. 30.636 a 30.681). Algumas delas já haviam trabalhado para os autuados ou para uma de suas empresas. A constituição dessas empresas, em alguns casos, se fazia mediante o uso de documentos falsos dos sócios, com a colaboração de funcionários de um cartório de notas da cidade de Maringá, como demonstra o trecho abaixo transcrito, extraído de decisão judicial que determinou uma busca e apreensão: 37.31. Na decisão que fundamenta o MBA (fl 781): E importante ressaltar a possível participação na empreitada criminosa de Humberto Perón Neto, representante do Cartório Costa, onde foram autenticados diversos dos contratos sociais relativos ao Grupo Tolardo sem que correspondessem à realidade. Humberto foi flagrado em interceptações telefônicas, transcritas na representação de prisão preventiva, em que conversava com Liderci acerca do reconhecimento de firma de várias pessoas, muito provavelmente com o intuito de constituir novas empresas ou adquirir bens utilizandose de pessoas interpostas. (fl. 30.599) A autoridade fiscal chegou aos valores de receita omitida, ao longo do período, a partir de dados extraídos de arquivos de computador, apreendido pela autoridade policial, em cumprimento de mandado de busca e apreensão. A DRJ manteve a autuação, servindose dos seguintes fundamentos: "A autoridade autuante efetuou o lançamento com base em arquivos digitais apreendidos com autorização da justiça federal de Curitiba, nos quais eram feitos pelos administradores de fato da autuada ou por seus empregados o controle das receitas de vendas da fiscalizada e de todas as suas filiais, e mantidos à margem da escrituração contábil e fiscal da autuada. (...) Há nos autos, farto conjunto probatório demonstrando e quantificando a receita de vendas obtidas não só pela autuada, como de todas as empresas da denominada "Rede Presidente", uma vez que era efetuado pela autuada o controle das receitas com vendas sem emissão de notas fiscais, ao passo que as vendas com emissão de notas fiscais eram devidamente escrituradas e suas receitas declaradas ao Fisco. Em diversos documentos apreendidos, havia as expressões "TAB1" e "TAB2". Apurouse que "TAB1" referiase a vendas com nota fiscal, e "TAB2" referiase a vendas sem documento fiscal. Tal constatação é confirmada pela informação constante da agenda encontrada na loja de CuritibaPR, constante das fls 1.200 a 1.242, e reproduzida à fl. 30.869 a 30.871 do relatório fiscal, com agravante de que as vendas sem nota eram estimuladas pela autuada com comissão majorada em 50% em relação às das vendas com nota. Fl. 15446DF CARF MF Processo nº 10480.734088/201398 Acórdão n.º 1301002.930 S1C3T1 Fl. 15.447 27 Mesmas conclusões se tiram dos documentos reproduzidos no relatório fiscal à fl. 30.871, extraído de duas agendas encontradas na loja de Curitiba/PR. Da análise efetuada dos arquivos com extensão SPL, bem como dos relatórios extraídos dos programas AUTOW, obtidos no disco rígido do computador de funcionário Daniel de Oliveira Júnior apreendido, constante das fls. 10.305 a 10.311, 13.757 a 13.761, e 27.499 a 29.875, em que consta o controle mensal das vendas de todas empresas da Rede Presidente, inclusive a autuada, com individualização das receitas auferidas por estabelecimento e segregação das vendas com emissão de notas fiscais e das vendas sem emissão de documentos fiscais, foi possível apurar as receitas mensais da autuada, possibilitando o lançamento, levandose em conta que a autuada era considerada a filial 44 da Rede Presidente, e que os valores controlados representam 10% do valor real das operações de vendas, conforme metodologia de cálculo explicitada no relatório de atividade fiscal, às fls. 30.904 a 31.010. A prova obtida foi sem dúvida elaborada pela própria autuada, por meio dos seus administradores de fato ou por seus empregados, e mantida nos computadores e pendrives apreendidos das empresas da Rede Presidente, de seus empregados ou de seus administradores de fato do grupo empresarial. Assim, tenho como comprovada a omissão de receitas de vendas da autuada, razão pela qual mantenho, neste aspecto, o lançamento." (fls. 31.699 a 31.700) Firmado nessas razões, se deve considerar caracterizada a omissão de receitas. Ressaltese que, no lançamento, foram considerados os débitos declarados pela pessoa jurídica autuada. Sujeição passiva Os recorrentes negam responsabilidade pelo crédito tributário. Dizem não existir fundamento para a aplicação do disposto no art. 124, inciso I, do CTN, diante da ausência de vínculo entre suas condutas e o fato gerador da obrigação tributária, o que implicaria também a ausência de interesse comum. Ademais, afirmam não serem sócios da empresa autuada, nem terem dela recebido qualquer recurso ou vantagem. A acusação do Fisco, dizem, baseiase em documentos de terceiros, produzidos de forma unilateral, e em meras presunções. A imputação de responsabilidade está baseada nas diversas provas e indícios reunidos nos autos. São papéis, arquivos de computador, depoimentos e diálogos interceptados entre diversas pessoas envolvidas no esquema, inclusive os autuados. O Relatório de Atividade Fiscal (fls. 30.575 a 31.225), que contém 447 páginas, acrescidas ainda de um anexo com 202 páginas, traz capítulo específico, tratando da participação de cada um dos corresponsáveis. Desse relatório se pode retirar alguns trechos, a fim de pôr em evidência a responsabilidade dos recorrentes. Íris da Silva Tolardo (fls. 30.788 a 30.797) é tida, juntamente com Robson Marcelo Tolardo, como a proprietária da Rede Presidente. Tem conhecimento pleno das atividades do grupo e de seu caráter ilícito, além de auferir ganhos patrimoniais oriundos dessa atividade. Fl. 15447DF CARF MF Processo nº 10480.734088/201398 Acórdão n.º 1301002.930 S1C3T1 Fl. 15.448 28 A seu respeito consta do Relatório Fiscal: O programa CAIXA, utilizado pela REDE PRESIDENTE, e onde eram registradas todas movimentações financeiras do esquema, traz, na Subconta “Iris” (fls 26.976 a 26.984) diversos pagamentos feitos à IRIS DA SILVA TOLARDO. Vê se que a REDE PRESIDENTE pagava todo o tipo de despesas pessoais de ÍRIS (TV a cabo, plano de saúde, água, telefone, consertos, etc...), além de vultosos pagamentos sob histórico “RETIRADAS”. Abaixo alguns exemplos desses registros, extraídos do programa CAIXA. (fl. 30.788) Íris da Silva Tolardo é administradora e formalmente responsável por algumas empresas do grupo. (fl. 30.789) Consta do Relatório de Atividade Fiscal: 479. Destaquese também que ÍRIS DA SILVA TOLARDO consta como usuária de um cartão de crédito AMEX, conjuntamente com os demais integrantes/proprietários do esquema, e cuja fatura é paga pela REDE PRESIDENTE. (...) 480. Adiantese que este cartão AMEX, conforme faturas encontradas no computador de SAMUEL TOLARDO JUNIOR (CTB29.10 – fls 9.777 a 9.798), era utilizado pela família TOLARDO (ÍRIS, ROBSON, SAMUEL, ROGÉRIO e JEANE) e pago pela REDE PRESIDENTE, tendo os valores pagos apontados em uma planilha de “acerto” entre os irmãos. (fls. 30.792 e 30.793) Este trecho revela a posição de Íris da Silva Tolardo dentro do grupo Rede Presidente: Notese que seu irmão, ÉDSON BARBOSA DA SILVA, em depoimento à Polícia Federal, prestado no dia 17/OUT/2012 (MGA06, fls 2.226), afirmou claramente que a REDE PRESIDENTE pertence à sua irmã, ÍRIS DA SILVA TOLARDO. Vejamos o trecho do depoimento, onde o mesmo afirma: “que não tem nenhum emprego formal e exerce esporadicamente atividade de “flanelinha” no centro da cidade; QUE pelo que sabe nunca foi sócio de empresa; (...) QUE conhece a distribuidora Presidente, pois pertence à sua irmã ÍRIS DA SILVA TOLARDO e seu sobrinho ROBSON MARCELO TOLARDO” (fl. 30.797) Robson Marcelo Tolardo (fls. 30.782 a 30.831) é reconhecido como o comandante do esquema. Eis trecho do Relatório de Atividade Fiscal que evidencia essa circunstância: 498. O primeiro elemento de comprovação da participação de ROBSON MARCELO TOLARDO, e também de seus irmãos (ROGÉRIO MÁRCIO TOLARDO, SAMUEL TOLARDO JÚNIOR, JEANE CRISTINE TOLARDO) no esquema REDE PRESIDENTE é o arquivo "ACERTOS CELO MAR JR JI ALTERADOS.xis" (arquivo anexado aos documentos de fls 9.751 pendrive de ODETE; e fls. 9.684 pendrive de Samuel Tolardo Júnior). 499. Como visto no subtópico 6.1 PLANILHA CONTROLE DE CRÉDITOS JUNTO À REDE PRESIDENTE, tal arquivo controla os débitos e créditos entre os irmãos TOLARDO e os rendimentos obtidos no esquema da REDE PRESIDENTE, Fl. 15448DF CARF MF Processo nº 10480.734088/201398 Acórdão n.º 1301002.930 S1C3T1 Fl. 15.449 29 desde 30/11/2007 até 31/05/2011. Viuse que em todo período de 30/11/2007 até 31/05/2011 cada um dos 04 irmãos recebeu um crédito superior a R$ 200.000,00 mensais. 500. Deste crédito mensal eram descontadas as despesas pessoais de cada irmão, tais como o já mencionado cartão de crédito (AMEX), luz, condomínio, net, despesas estas que, logicamente, haviam sido pagas pela REDE PRESIDENTE. 501. Como visto anteriormente, o programa CAIXA, utilizado pela REDE PRESIDENTE, e onde eram registradas todas movimentações financeiras do esquema, confirma tais pagamentos. Tal programa traz, na Subconta "Celo" (fls 26.964 a 26.975) diversos pagamentos feitos à ROBSON MARCELO TOLARDO. Vêse que a REDE PRESIDENTE pagava todo o tipo de despesas pessoais de ROBSON (escola dos filhos, energia elétrica, água, telefone, manutenção da residência, etc...), além de vultosos pagamentos sob histórico "RETIRADAS". Abaixo alguns exemplos desses registros, extraídos do programa CAIXA. (fl. 30.799) Depoimentos de empregados das empresas do grupo e diálogos obtidos por meio de interceptações telefônicas confirmam que Robson Marcelo Tolardo era visto como o proprietário das empresas e líder do grupo. Este trecho revela a posição de Robson Marcelo Tolardo dentro do grupo e dá mostras do modus operandi do esquema. 541. Em junho de 2009, DANIEL repassa a ROBSON MARCELO TOLARDO informações do banco acerca de um saque de valores elevados que seriam utilizados na compra de um avião. Notemse as dificuldades apontadas pela gerente do banco SICOOB, causadas pelo fato de que "nenhum dos sócios tem bens, e nenhuma das empresas tem bens no nome". Ora, já se viu que os sócios de direito eram sempre laranjas, sem bens registrados em seus nomes. DANIEL ainda comenta que "vai ficar muito na cara que fazemos uns procedimentos errados" (fls 13.562 a 13.567). "ADEUS NAS PAZ SOBRE O ESQUEMA DO SICOOB PARA PAGAMENTO DO AVIÃO, NOSSA GERENTE DISSE QUE NÃO TERIA PROBLEMA EM RELAÇÃO À AGÊNCIA, POIS A GARANTIA QUE ESTAMOS DANDO É EXPRESSIVA. O problema maior é que o dinheiro QUE VC QUER SACAR tem um valor expressivo e necessariamente precisa passar para A CENTRAL DELES. Nos documentos pedira as seguintes opções » SÓCIOS OU EMPRESA POSSUI BENS ???? Nenhum dos sócios tem bens, e nenhuma das empresas tem bens no nome também. ELA DISSE QUE FICARA ESTRANHO ESTA OPÇÃO EM BRANCO POIS NOSSO FATURAMENTO E LIQUIDAÇÕES SÃO ALTAS. VAI FICAR MUITO NA CARA QUE FAZEMOS UNS PROCEDIMENTOS ERRADOS. O Q O SENHOR SUGERE??? A ÚNICA EMPRESA QUE TEMOS CARROS NO NOME SERIA A REDE PRESIDENTE PORÉM NÃO TEMOS CONTA NO SICOOB. TAMBÉM PODERIA PEGAR ALGUNS CARROS E PASSAR PARA O NOME DOS SÓCIOS OU DA EMPRESA. AGUARDO SUA SUGESTÃO. DANIEL JR 542. ROBSON MARCELO TOLARDO responde: "Adeus Daniel conversamos depois pessoalmente. Paz de Deus. Marcelo.". A empresa utilizada para registrar o avião comprado pelo esquema foi a RNO COBRANÇAS LTDA ME (CNPJ 10.768.625), criada em ABR/2009. Fl. 15449DF CARF MF Processo nº 10480.734088/201398 Acórdão n.º 1301002.930 S1C3T1 Fl. 15.450 30 543. Fezse uma brevíssima amostra dos inúmeros emails trocados entre DANIEL DE OLIVEIRA JÚNIOR e ROBSON MARCELO TOLARDO no período compreendido entre JAN/2008 e JUL/2012 (arquivo encontrado no computador de DANIEL MGA08.23). A tal amostra foram somados ainda os emails trocados entre ROBSON MARCELO TOLARDO e ADRIANO PIAMOLIN, sobre parcela de salário "por fora". 544. A partir dessas comunicações podese fixar, de forma inequívoca, a posição de comando exercida por ROBSON MARCELO TOLARDO à frente do esquema REDE PRESIDENTE. Notese que ROBSON MARCELO TOLARDO é consultado (e é quem decide) sobre todos os assuntos, desde moradias para funcionários, passando por salários, localização de equipamentos (servidor de rede informatizada), nomes de empresas a serem constituídas, bem como sobre reuniões com gerentes de bancos, decisões sobre contas bancárias, etc. (fls. 30.815 a 30.816) Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore (fls. 30.832 a 30.841) tinha participação no esquema. Ela também recebia valores oriundos da Rede Presidente. A exemplo do que ocorria com Robson Marcelo Tolardo, Jeane Cristina também recebeu, no período de 30/11/2007 a 31/05/2011 crédito superior a R$ 200.000,00 mensais. Também utilizou, para pagamento de despesas pessoais, cartão de crédito cuja fatura era liquidada pela Rede Presidente. O recebimento de quantias expressivas (cf extrato fl. 30.833) indica uma posição de destaque dentro da organização. Diz o Relatório de Atividade Fiscal: 579. JEANE tinha participação ativa na REDE PRESIDENTE, sobretudo na posição de administradora do novo grupo adquirido (EMBREPAR), em Curitiba/PR, como demonstram as ligações telefônicas interceptadas pela Polícia Federal. Nesse sentido, reproduzse a transcrição abaixo, que descreve o conteúdo da conversa por telefone entre JEANE e outra funcionária do esquema, realizada em 29/05/2012 (fls 678), acerca da apreensão de um caminhão da REDE PRESIDENTE que estava registrado em nome de uma laranja: “MNI (VANINHA???). MNI diz em tom de brincadeira que a JEANE está trabalhando feito uma 'condenada' agora e teria até que aumentar o salário dela. JEANE diz que agora é “funcionária” da EMBREPAR. MNI diz que precisa que JEANE encaminhe alguns documentos pra ela ainda hoje, um recibo de um caminhão que foi 'preso'. JEANE pergunta: 'preso'?, por que? e MNI diz que estava com mercadorias lá em Foz do Iguaçu. JEANE se assusta 'putz'. JEANE pergunta qual foi, pois MNI tem uma lista dos caminhões de JEANE. MNI diz que é o caminhão que está em nome de OTTILIA HOFFMANN e que está faltando um monte de recibos dos veículos, que não estão com MNI. JEANE diz que teve um que o NEGO perdeu, que tem que tirar uma segunda via. MNI diz que tem uma lista completa. JEANE pergunta quantas folhas é a relação que MNI possui, se foi a lista com o abecedário inteirinho. MNI diz que tem a lista por placa e JEANE diz que MNI tem mais informações que ela a respeito dos caminhões, pelo fato de estar de posse de uma listagem com as placas. JEANE pergunta se o caminhão foi estava com o licenciamento certinho e que foi pego por causa da mercadoria. MNI confirma que sim. JEANE pergunta se o caminhão é o 1595. MNI diz que sim.” (fls. 30.833 e 30.834) Fl. 15450DF CARF MF Processo nº 10480.734088/201398 Acórdão n.º 1301002.930 S1C3T1 Fl. 15.451 31 Foram encontradas várias procurações passadas por sócios das empresas do grupo (pessoas interpostas), outorgando poderes de representação a Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, como registra o Relatório de Atividade Fiscal: 583. No cumprimento dos MBAs foram localizadas várias procurações dos sócios laranjas de empresas do esquema REDE PRESIDENTE, para JEANE CRISTINE TOLARDO DALLE ORE, senão vejamos: a) Cópia de Procuração autenticada tendo como outorgante GERALDO RICHTER, e outorgada JEANE CRISTINE TOLARDO, com poderes para vender ou incorporar as quotas da REDE PRESIDENTE LTDA, datada de 07/11/2002 (MGA19.1931, fls 8.299); b) Cópia de Procuração autenticada da RPT, representada por GERALDO RICHTER, constituindo JEANE CRISTINE TOLARDO, como sua procuradora para representálo perante bancos, datada de 07/11/2002; (MGA19.1934, fls 8.302); c) Cópia de Procuração autenticada da RPT, representada por GERALDO RICHTER, constitui JEANE CRISTINE TOLARDO como seu procurador a quem confere poderes amplos gerais para representálo, datada de 07/11/2002 (MGA19.1937, fls 8.309 a 8.311); d) Procuração da empresa RPT, representada pelo sócio gerente GERALDO RICHER, constituindo como sua procuradora JEANE CRISTINE TOLARDO DALLE ORE, a quem confere poderes amplos, gerais e ilimitados para representá la em bancos, datada de 12/11/2003 (MGA19.19128, fls 8.342); e) Procuração da empresa RPT, representada pelo sócio gerente GERALDO RICHER, constituindo como sua procuradora JEANE CRISTINE TOLARDO DALLE ORE, a quem confere poderes amplos, gerais e ilimitados, datada de 12/11/2003 (MGA1919136, fls 8.350 a 8.352); f) Procuração da empresa NOBRE PARTICIPAÇÕES LTDA (CNPJ 06.178.519/000140), representada pela sócia laranja MIRIAN COUTINHO DE LIMA constituindo como seu procurador SAMUEL TOLARDO JUNIOR e JEANE CRISTINE TOLARDO DALLE ORE, a quem confere poderes amplos e gerais, datada de 25/08/2004 (MGA1919132, fls 8.346 a 8.348). Essa empresa é uma das que foram criadas pela FAMÍLIA TOLARDO para gerir os imóveis amealhados pelo esquema. No início de suas atividades estava em nome de laranjas da REDE PRESIDENTE. Atualmente tem como sócias ÍRIS DA SILVA TOLARDO (99,90%) e ADRIANA DE OLIVEIRA LIMA (CPF 064.874.43964), uma laranja remanescente com ínfimos 0,10%. (fls. 30.835 e 30.836) Além disso, existem contratos de locação de imóveis utilizados pelas empresas do grupo ou por pessoas do esquema, nos quais Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore figura como garante. Rogério Márcio Tolardo (fls. 30.841 a 30.852), assim como Robson e Jeane Cristine, também recebeu no período de 30/11/2007 a 31/05/2011 crédito superior a R$ 200.000,00 mensais; utilizou, para pagamento de despesas pessoais, cartão de crédito cuja fatura era liquidada pela Rede Presidente; e recebeu quantias expressivas. Também foram encontradas várias procurações lhe outorgando poderes, como revela o Relatório de Atividade Fiscal: Fl. 15451DF CARF MF Processo nº 10480.734088/201398 Acórdão n.º 1301002.930 S1C3T1 Fl. 15.452 32 613. Outras provas da atuação de ROGÉRIO MÁRCIO TOLARDO na REDE PRESIDENTE a serem citadas são as seguintes procurações encontradas: a) Procuração, datada de 10/10/1996, da então ainda FORAMEC AUTO PEÇAS LTDA (atual RPT CNPJ 62.622.881/000130), representada pelos então sócios ROGÉRIO MÁRCIO TOLARDO e SAMUEL TOLARDO JÚNIOR, constituindo um procurador (JAIRO BOLOGNO COUTINHO) para representar a empresa perante repartições públicas (MGA1919.43, fis 8.313); b) Procuração de ADANICE GONÇALVES DE JESUS, constituindo como seus procuradores ROGÉRIO MÁRCIO TOLARDO e SAMUEL TOLARDO a quem confere poderes amplos, gerais e ilimitados, datada de 03/04/2000 (MGA19.19.72, fls 8.319 a 8.320); c) Procuração da empresa REDE PRESIDENTE LTDA, representada pelos sócios SAMUEL TOLARDO, ADANICE GONÇALVES DE JESUS e MANSFIELD FINANCE LTD (representada pela mesma ADANICE GONÇALVES DE JESUS) constituindo como seus procuradores SAMUEL TOLARDO e ROGÉRIO MÁRCIO TOLARDO, conferindolhes poderes amplos, gerais e ilimitados, datada de 03/04/2000 (MGA19.19.73, fls 8.321 a 8.323); d) Procuração, datada de 07/11/2002, de GERALDO RICHTER (então laranja da RPT CNPJ 62.622.881/000130), constituindo como seu procurador ROGÉRIO MÁRCIO TOLARDO, conferindo amplos e gerais poderes para vender ou incorporar as quotas da RPT, ou assinar pelo outorgante quaisquer contratos de compra e venda, inclusive alterações contratuais. (MGA1919.30, fls 8.298). e) Procuração, datada de 07/11/2002, da REDE PRESIDENTE (CNPJ 62.622.881/000130), representada pelo laranja GERALDO RICHTER, constituindo como seu procurador ROGÉRIO MÁRCIO TOLARDO, concedendo amplos e gerais poderes para representar a empresa perante quaisquer estabelecimentos bancários, público ou privado do país, podendo abrir ou movimentar e encerrar contas, solicitar, retirar, e emitir cheques, autorizar débitos e créditos, etc...(MGA1919.33, fis 8.301). f) Procuração, também datada de 07/11/2002, da própria REDE PRESIDENTE (CNPJ 62.622.881/000130), representada pelo laranja GERALDO RICHTER, constituindo como seu procurador ROGÉRIO MÁRCIO TOLARDO, conferindo amplos e gerais poderes para constituir advogados outorgandolhes os poderes da cláusula adjudicia et extra, com todos os poderes inerentes (MGA19 19.36, fls 8.306 a 8.308). (fls. 30.843 a 30.844) Rogério Márcio Tolardo era também proprietário de vários imóveis, onde funcionavam empresas do grupo. Samuel Tolardo Júnior (fls. 30.852 a 30.866), assim como os outros autuados, recebeu mensalmente elevadas quantias em dinheiro e teve despesas pessoais pagas com cartão de crédito cuja débitos foram liquidados pela Rede Presidente. Em seu apartamento, encontraramse vários documentos das empresas da Rede Presidente, inclusive procurações de pessoas ligadas ao esquema. Existem também procurações outorgadas por algumas daquelas pessoas interpostas, utilizadas pelo esquema, conferindo poderes a Samuel Tolardo Júnior. Consta do Relatório de Atividade Fiscal: Fl. 15452DF CARF MF Processo nº 10480.734088/201398 Acórdão n.º 1301002.930 S1C3T1 Fl. 15.453 33 642. Além disso, como já visto, JÚNIOR, ou SAMUEL TOLARDO JÚNIOR, foi diversas vezes mencionado nas escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal. Inicialmente citamos duas interceptações telefônicas, uma do dia 22/05/2012 entre ÍRIS e a filha JEANE (fls. 687), e outra do dia 26/05/2012, entre ÍRIS o filho MÁRCIO ROGÉRIO (fls. 688). Nestas interceptações fica clara a participação de JÚNIOR (SAMUEL TOLARDO JÚNIOR) na empresa recém adquirida pelo esquema, o grupo EMBREPAR: (fl. 30.857) Esta é a sinopse do diálogo referido acima: Curitiba fechando contrato (EMBREPAR). Íris diz que final de mês Marcelo costuma ir para SP. Íris comenta que Marcelo é sobrecarregado de atividades. Jeane diz que a nova firma vai exigir ainda mais. Jeane diz que Júnior vai ficar no setor comercial, vai ajudar Marcelo. Íris diz que como está Marcelo fica com muito poder, pois os outros não ajudam no serviço. Reclama de Paula e Amanda. Íris deixa claro que Marcelo é o líder da família (18 min). Íris reclama que Paula bajula demais Liderci, e acha que isso se deve ao fato de Liderei saber de "tudo". (fl. 30.587) (g.n.) Ainda do Relatório de Atividade Fiscal são colhidas as seguintes observações: 644. Ainda acerca da participação de SAMUEL TOLARDO JUNIOR, destacase o imóvel onde se localizava um dos "bunkers" do esquema REDE PRESIDENTE, na Rua das Camélias, 690, Maringá/PR, que se trata de uma residência em alvenaria, sem qualquer tipo de identificação, e onde, em cumprimento ao MBA, foram encontrados inúmeros documentos do esquema REDE PRESIDENTE. Esse imóvel foi registrado em nome de DANIEL DE OLIVEIRA JUNIOR, CPF 040.589.53993 (matrícula 7.811 MGA1913.143), importante operador do esquema. Porém, consta uma procuração desse operador para a família TOLARDO ÍRIS DA SILVA TOLARDO, ROBSON MARCELO TOLARDO e SAMUEL TOLARDO JUNIOR, datada de 22/06/2009, concedendo poderes para "vender, ceder, prometer, transferir ou de qualquer forma alienar a quem quiser, pelo preço e condições que convencionarem" (MGA1916.59 fls. 8.053 a 8.054). 645. Considerandose que o imóvel em questão era utilizado pelo esquema REDE PRESIDENTE como um "bunker" administrativo, a procuração é um inequívoco elemento que vincula SAMUEL TOLARDO JÚNIOR ao esquema. (fls. 30.859 e 30.860) O Relatório de Atividade Fiscal não menciona, mas a procuração referida acima é pública, e dela consta, em destaque (sublinhada e em negrito), a seguinte observação: "...o presente mandato é outorgado por prazo indeterminado, em caráter irrevogável e irretratável, ficando ainda os outorgados isentos da prestação de contas com relação aos atos praticados com fulcro neste instrumento." (fl. 8.054) O quadro aqui descrito mostra o concerto havido entre os autuados, que ingressaram no denominado esquema Rede Presidente, de forma livre e voluntária. Todos estavam conscientes da ilicitude que envolvia o funcionamento daquela engrenagem, da qual sistematicamente extraíram benefícios econômicos. Fl. 15453DF CARF MF Processo nº 10480.734088/201398 Acórdão n.º 1301002.930 S1C3T1 Fl. 15.454 34 Ficou evidenciado também que os recorrentes integravam o núcleo de onde partiam as decisões; núcleo que comandava todo o esquema, não obstante, nesse aspecto, a posição de proeminência fosse ocupada por Robson Marcelo Tolardo. Não obstante fosse Robson Marcelo Tolardo o cabeça, a função exercida no esquema por parte de cada um dos recorrentes permite atribuir a eles o papel de administradores e, assim, com fulcro no art. 135 do CTN, imputarlhes responsabilidade tributária. Solidariedade passiva Na hipótese de lançamento que coloca no polo passivo duas ou mais pessoas, como coobrigadas ao pagamento do crédito tributário, tendo por base legal o art. 124, inciso I, do CTN, a exemplo do que ocorre no caso em exame, não raro se alega a incompatibilidade desse dispositivo legal com o disposto no art. 135 do mesmo CTN, utilizado para imputar responsabilidade aos administradores, diretores ou representantes de pessoas jurídicas. A responsabilidade tributária de terceiros, prevista no art 135, surge quando estão presentes, de forma concomitante, duas situações: a primeira é a pessoa jurídica ter seu patrimônio gerido ou administrado por pessoas que, em nome da entidade, praticam atos e negócios jurídicos; a segunda é a existência de atos praticados com excesso de poderes ou com infração de lei, contrato social ou estatuto. Tais atos são realizados em benefício próprio, contra os interesses da pessoa jurídica; ou são realizados em benefício próprio, valendose da pessoa jurídica como instrumento da fraude. Demonstrada a presença dessas circunstâncias, o administrador vem, por força do art 135, para o primeiro plano, passando a ocupar o polo passivo da relação tributária. Se forem dois ou mais os administradores, ou se forem duas ou mais as pessoas que tenham praticado atos de gestão com excesso de poderes ou infração de lei, contrato ou estatuto, todas elas devem figurar no polo passivo, na qualidade de devedores solidários. A solidariedade, nessa hipótese, vem do interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. O interesse comum aqui decorre da atuação conjunta, ou seja, da efetiva participação das pessoas físicas na ocorrência do fato gerador. Para caracterizar o interesse comum é necessário que as pessoas tenham se associado, para a prática do fato gerador e do ilícito tributário, de forma livre, voluntária e consciente. Os que realizam o fato gerador são aqueles que voluntária e conscientemente se associam para esse fim. É dessa associação que vem o interesse comum. Eis a razão pela qual devem figurar no polo passivo do lançamento todas essas pessoas, na condição de devedores solidários, não se podendo cogitar de um lançamento autônomo contra cada uma delas individualmente. É exatamente essa a situação que se verifica no caso em exame, como ficou demonstrado. Multa Fl. 15454DF CARF MF Processo nº 10480.734088/201398 Acórdão n.º 1301002.930 S1C3T1 Fl. 15.455 35 Os recorrentes confundem multa agravada e multa qualificada. O agravamento tem como causa atos praticados ao tempo da fiscalização, que consistem em opor injustificada resistência ao trabalho da autoridade fiscal, caracterizando embaraço à fiscalização. A qualificação da multa, ao contrário, tem por fundamento uma conduta dolosa praticada ao tempo do fato gerador, visando ocultar do Fisco o nascimento da própria obrigação tributária ou mascarar um de seus elementos constitutivos, tais como a base de cálculo ou o sujeito passivo. As multas, agravada e qualificada, têm como causa infrações diferentes, ocorridas em momentos diferentes. São autônomas e, por isso, podem ser aplicadas cumulativamente. No caso em exame, entretanto, não houve aplicação de multa agravada, de modo que toda a alegação envolvendo especificamente essa matéria é impertinente, não merecendo atenção maior. Quanto à multa qualificada, seu fundamento está no ajuste voluntário e consciente dos autuados, para subtrair à tributação parcela significativa das receitas auferidas pelas empresas do grupo, inclusive mediante emprego de falsificações e interpostas pessoas, como ficou demonstrado nos autos. No que tange à alegação de efeito confiscatório da multa e de violação do princípio da capacidade contributiva e da razoabilidade, a apreciação da matéria implicaria, de forma indireta, o exercício do controle de constitucionalidade de ato normativo, o que não se permite no âmbito do processo administrativo, não estando inserido, por isso mesmo, na competência do CARF. Nesse sentido o art. 26A do Decreto nº 70.235/1972: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. O mesmo entendimento está consolidado no enunciado da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por último, a pretensão de reduzir o percentual de multa não pode ser acolhida por absoluta falta de amparo legal. A multa no percentual pretendido pelos recorrentes cingese aos casos de auto de infração lavrado contra espólio. Juros Sobre essa matéria são duas as alegações. A primeira é relativa ao emprego da taxa Selic como critério de cálculo dos juros de mora; a segunda é a incidência de juros sobre a multa. Relativamente ao emprego da taxa Selic, a questão já está pacificada no âmbito do CARF, como se constata pelo enunciado da Súmula nº 4: Fl. 15455DF CARF MF Processo nº 10480.734088/201398 Acórdão n.º 1301002.930 S1C3T1 Fl. 15.456 36 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. O Egrégio Superior Tribunal de Justiça STJ também considera legítimo o emprego da taxa Selic para cálculo dos juros de mora, desde que haja previsão legal nesse sentido. Esse entendimento está consagrado na Súmula 523, abaixo reproduzida. Súmula 523. A taxa de juros de mora incidente na repetição de indébito de tributos estaduais deve corresponder à utilizada para cobrança do tributo pago em atraso, sendo legítima a incidência da taxa Selic, em ambas as hipóteses, quando prevista na legislação local, vedada sua cumulação com quaisquer outros índices. No que concerne à incidência de juros sobre a multa proporcional aplicada em lançamento de ofício, esta 1ª Turma Ordinária tem posição firmada, se inclinando pela validade dessa incidência. O fundamento legal estaria nos art. 61 da Lei nº 9.430/1996, e nos artigos 161 e 139 ambos do CTN. Nessa linha de interpretação, emprestase um sentido amplo à expressão "débitos para com a União, decorrentes de tributos", constante do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, de modo a abarcar tanto o tributo, quanto a multa. Nesse mesmo sentido, decidiu esta 1ª Turma Ordinária no Acórdão nº 1301 002.154, cujo ementa, naquilo que diz respeito ao ponto a aqui tratado, tem a seguinte redação: JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. PROCEDÊNCIA. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Portanto, com base nesses fundamentos, deve ser indeferida a pretensão de obstar a incidência de juros sobre a multa. CSLL Quanto ao lançamento de CSLL, por ter origem na mesma situação fática do IRPJ, deve receber a mesma decisão adotada para este (IRPJ), o que só não aconteceria se houvesse algum aspecto específico, inerente à legislação dessa contribuição que impusesse solução diferente. Recurso de A.P.E. Auto Peças Eireli O recurso de A.P.E. Auto Peças Ltda., a par das alegações trazidas pelos demais coobrigados, suscitou alguma questões específicas. Fl. 15456DF CARF MF Processo nº 10480.734088/201398 Acórdão n.º 1301002.930 S1C3T1 Fl. 15.457 37 A recorrente acusa a falta de imparcialidade na condução do trabalho de fiscalização. Todavia nada existe nos autos a indicar que a autoridade lançadora tenha agido motivada por qualquer interesse pessoal, por sentimento de vingança ou por algum propósito subalterno alheio ao exercício da função. Nada foi dito no auto de infração ou no TVF que, de alguma forma, já não existisse no inquérito policial ou nas manifestações da Justiça e do Ministério Público. Alegou também que os documentos fiscais não lhes foram devolvidos, após o encerramento da fiscalização. Os documentos que dão suporte à autuação sempre estiveram à disposição dos recorrentes, como prova o Termo de Ciência de fl. 14.609. É importante reiterar, ao examinar esse ponto, que documentos apreendidos pela autoridade policial, em cumprimento de mandado da Justiça, não podem ser devolvidos pela autoridade fiscal, salvo se nesse sentido houver determinação do Juízo competente. Não obstante, o exercício do direito de defesa se assegura permitindo ao sujeito passivo o acesso ao conteúdo de tais documentos, ainda que eles permaneçam em poder da autoridade administrativa ou da própria Justiça. Ainda no que tange à inobservância do devido processo legal, a recorrente questionou a falta de realização de diligência. Diligência probatória se destina a produzir prova de fato determinado e relevante para a solução da controvérsia objeto do processo; e só deve ser deferida se útil, necessária e possível. No caso, o que a recorrente pretendia, a pretexto de diligência, era refazer a fiscalização, propósito que não se coaduna com a finalidade da diligência. Quanto à alegação de que houve presunção indevida e excesso na aplicação do livre convencimento, cumpre dizer que as conclusões, tanto da Fiscalização, quanto da decisão recorrida, estão respaldadas nas provas carreadas aos autos, conforme ficou demonstrado quando se abordou a validade da prova emprestada e da prova indiciária. Da mesma forma, não procede a afirmação de que o Fisco arbitrariamente considerou como "laranja" o titular da entidade empresarial recorrente. As afirmações nesse sentido já se encontravam no inquérito policial. Além disso, a Fiscalização constatou, em relação a essa e outras pessoas físicas envolvidas no esquema, a falta de capacidade econômica para integralizar capital social das empresas das quais, formalmente, eram sócias. No mérito, questionouse a apuração do IRPJ e da CSLL pela sistemática do lucro arbitrado. O lucro arbitrado, assim como o lucro real e o presumido são formas igualmente legítimas de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. São válidas desde que se observem os requisitos e os pressupostos fáticos que, em alguns casos, autorizam e, em outros, impõem a apuração do lucro por uma dessas três formas. No caso em tela, a apuração dos tributos pelo lucro arbitrado deveuse ao fato de a contabilidade revelar claros indícios de fraude, conforme descrito às fls. 14.355 a 14.368 do TVF. A receita da recorrente, em 2008, foi de R$ 30.653.638,60. Porém, declarouse apenas R$ 4.480.365,58. O TVF assim resume os motivos que impuseram o lucro arbitrado: 844. Deste modo, seja pela imprestabilidade da contabilidade apresentada sem autenticação da junta comercial e assinada por pessoa incompetente, elaborada apenas "pró forma" e que não se presta à identificação da efetiva movimentação financeira e bancária, ou mesmo para a determinação do Lucro Real, ou ainda pela Fl. 15457DF CARF MF Processo nº 10480.734088/201398 Acórdão n.º 1301002.930 S1C3T1 Fl. 15.458 38 apresentação de Livro obrigatório (Livro Registro de Inventário art 527, inciso II do RIR) sem as formalidades legais (sem assinatura, sem termos de abertura e encerramento, meros relatórios encadernados), não resta outra alternativa a não ser a tributação pelo LUCRO ARBITRADO. É o que se denota do art 530 do decreto 3.000 de 26 de Março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99. (fl. 14.364) Com esses fundamentos, indeferese a pretensão da recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade, para, no mérito, negar provimento aos recursos. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 15458DF CARF MF
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