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Numero do processo: 16327.910624/2011-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 11/12/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.512
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 11/12/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 11/12/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 06 24 /2 01 1- 55 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 16327.910624/201155 Acórdão n.º 3402004.512 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2004. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14060.757, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 11/12/2004 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910624/201155 Acórdão n.º 3402004.512 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910624/201155 Acórdão n.º 3402004.512 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910624/201155 Acórdão n.º 3402004.512 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.906713/2012-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/05/2009
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de restituição ou compensação quando comprovadas a sua liquidez e certeza.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/05/2009
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.178
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2009 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de restituição ou compensação quando comprovadas a sua liquidez e certeza. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/05/2009 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/05/2009 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de restituição ou compensação quando comprovadas a sua liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2009 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 67 13 /2 01 2- 12 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10865.906713/201212 Acórdão n.º 3201003.178 S3C2T1 Fl. 3 2 RENASCER CONSTRUÇÕES ELÉTRICAS LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da Cofins. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação em litígio neste processo, em virtude de o pagamento correspondente ter sido utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante alegou, laconicamente, que o "indeferimento parcial não pode prosperar porque os créditos oriundos de pagamento indevido ou maior já tinham sido devidamente disponibilizados em razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período". Nos termos do Acórdão nº 02051.150, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão na falta de comprovação da existência e da suficiência do crédito pleiteado. Em seu recurso voluntário, o Recorrente alega que não atentara para o fato de que o seu departamento fiscal não procedera às retificações necessárias à confirmação das alegações por ele apresentadas, em razão do quê solicita a concessão de novo prazo para realizar a apuração efetiva do seu direito creditório, tendo em vista os princípios constitucionais da capacidade contributiva e do não confisco. É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201003.176, de 28/09/2017, proferido no julgamento do processo 10865.906711/201215, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.176): O recurso voluntário, por mostrarse tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece, por isto, ser conhecido. Nos termos do relatório fiscal, a lide do processo cingese à falta de comprovação pela Recorrente do seu direito creditório, nos termos constantes do despacho decisório, parte dos créditos declarados pelo contribuinte na DCOMP estavam vinculados ao pagamento de outros tributos, razão pela qual, as declarações de compensação foram homologadas parcialmente. Nas alegações do Recurso a Recorrente confirma que não realizou as apuração do seu direito creditório e não providenciou as alterações necessárias para confirmar o direito creditório alegado e pede uma prorrogação de prazo para realizar tais procedimentos. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10865.906713/201212 Acórdão n.º 3201003.178 S3C2T1 Fl. 4 3 A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non para a compensação, necessitando de prova clara e inconteste do direito creditório. No caso em tela, o contribuinte alega a existência do indébito tributário, sem apresentar as provas necessárias para comprovar as suas alegações. O pedido para prorrogação de prazo não é matéria afeita a este processo, pois, os documentos e informações comprobatórios precisam acompanhar o recurso interposto, caso a Recorrente, junto com o seu recurso voluntário, tivesse apresentado informações ou documentos que pudessem comprovar o seu direito creditório, seria possível considerar a realização de diligências para averiguar tais informações. Entretanto, a Recorrente apenas confirma os fatos já apresentados no despacho decisório e posteriormente na decisão da primeira instância, que os créditos não aceitos pela fiscalização estão vinculados a outros pagamentos, não existindo nenhuma informação que possa contradizer estes fatos, não pode prosperar o pedido da Recorrente. Quanto à alegação de ofensa a princípios constitucionais, este Conselho não é competente para aprecia a matéria, conforme assentado na súmula nº 2 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009, que veda o pronunciamento sobre constitucionalidade de lei tributária. "Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação da compensação respectiva. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.000928/2002-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998, 1999
PROCEDIMENTO FISCAL. DECLARAÇÃO EM CONJUNTO. CÔNJUGE DECLARANTE.
A opção pela declaração em conjunto implica a tributação somada dos rendimentos dos cônjuges, inclusive quando provenientes da atividade rural, cabendo a abertura de procedimento fiscal para verificação do cumprimento das obrigações tributárias em nome do cônjuge declarante.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE RURAL.
Mantém-se a omissão de rendimentos na atividade rural quando a pessoa física autuada, no curso do processo administrativo tributário, não consegue infirmar as razões que fundamentam a constituição do crédito tributário mediante o lançamento de ofício.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A presunção legal de omissão de rendimentos tributáveis, estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26.
A presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
(Súmula Carf nº 26)
CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA (CPMF). EXERCÍCIOS ANTERIORES. UTILIZAÇÃO DE DADOS PARA LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 35.
O § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, com a redação da Lei nº 10.174, de 2001, que autorizou o uso de informações da CPMF para a constituição de crédito tributário relativo a outros tributos, aplica-se a fatos geradores pretéritos à sua vigência.
(Súmula Carf nº 35)
Numero da decisão: 2401-005.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Andréa Viana Arrais Egypto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998, 1999 PROCEDIMENTO FISCAL. DECLARAÇÃO EM CONJUNTO. CÔNJUGE DECLARANTE. A opção pela declaração em conjunto implica a tributação somada dos rendimentos dos cônjuges, inclusive quando provenientes da atividade rural, cabendo a abertura de procedimento fiscal para verificação do cumprimento das obrigações tributárias em nome do cônjuge declarante. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE RURAL. Mantém-se a omissão de rendimentos na atividade rural quando a pessoa física autuada, no curso do processo administrativo tributário, não consegue infirmar as razões que fundamentam a constituição do crédito tributário mediante o lançamento de ofício. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos tributáveis, estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula Carf nº 26) CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA (CPMF). EXERCÍCIOS ANTERIORES. UTILIZAÇÃO DE DADOS PARA LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 35. O § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, com a redação da Lei nº 10.174, de 2001, que autorizou o uso de informações da CPMF para a constituição de crédito tributário relativo a outros tributos, aplica-se a fatos geradores pretéritos à sua vigência. (Súmula Carf nº 35)
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ATIVIDADE RURAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS Recorrente JOSÉ CÂNDIDO MACHADO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998, 1999 PROCEDIMENTO FISCAL. DECLARAÇÃO EM CONJUNTO. CÔNJUGE DECLARANTE. A opção pela declaração em conjunto implica a tributação somada dos rendimentos dos cônjuges, inclusive quando provenientes da atividade rural, cabendo a abertura de procedimento fiscal para verificação do cumprimento das obrigações tributárias em nome do cônjuge declarante. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE RURAL. Mantémse a omissão de rendimentos na atividade rural quando a pessoa física autuada, no curso do processo administrativo tributário, não consegue infirmar as razões que fundamentam a constituição do crédito tributário mediante o lançamento de ofício. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos tributáveis, estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula Carf nº 26) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 09 28 /2 00 2- 48 Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10865.000928/200248 Acórdão n.º 2401005.122 S2C4T1 Fl. 239 2 CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA (CPMF). EXERCÍCIOS ANTERIORES. UTILIZAÇÃO DE DADOS PARA LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 35. O § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, com a redação da Lei nº 10.174, de 2001, que autorizou o uso de informações da CPMF para a constituição de crédito tributário relativo a outros tributos, aplicase a fatos geradores pretéritos à sua vigência. (Súmula Carf nº 35) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10865.000928/200248 Acórdão n.º 2401005.122 S2C4T1 Fl. 240 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo II (DRJ/SPOII), cujo dispositivo julgou procedente o lançamento fiscal, mantendo o crédito tributário. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1726.637 (fls. 196/211): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998, 1999 ATIVIDADE RURAL. Ano calendário de 1998. Fica mantido: a) glosa de despesas, a título de “Proposta para Prorrogação de Dívida”; b) glosa de despesas a título de “pagamento parcial de Financiamento Rural”, c) a “correção do valor da receita de Atividade Rural”, considerado no auto de infração lavrado. Ano calendário de 1999. Fica mantido: a) glosa de “prejuízo de Atividade Rural, do exercício anterior”; b) a “correção do valor da receita de Atividade Rural”, considerado no auto de infração lavrado. CPMF COMO SUBSÍDIO PARA VERIFICAÇÃO DO CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS. As informações, da CPMF, foram obtidas das Instituições financeiras, com base no § 2° do art. 11 da Lei n° 9311/96, respaldadas pelo inciso III, § 3° do art. 1° da Lei Complementar n° 105/2001 Os dados das arrecadações da CPMF, concernentes aos anos calendário de 1998, 1999 e 2000, serviram como subsídio para a verificação do cumprimento das obrigações tributárias do impugnantecontribuinte, com respaldo nos artigos 195 e inciso II do 197 da 1, Lei n° 5172/72 (CTN): Dessa forma não há que se falar em lesão aos w princípios da irretroatividade, e da segurança jurídica. PROCEDIMENTO DA FISCALIZAÇÃO. A contribuinte Sra. MARIA DE LOURDES NELLI MACHADO, foi declarada como sua dependente, na DIRPF Ex.99/Ac.98 e DIRPF Ex.2000/Ac.99, na condição de cônjuge. E, neste caso a verificação do cumprimento das obrigações tributárias da Sra. Maria de Lourdes Nelli Machado, deve ser Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10865.000928/200248 Acórdão n.º 2401005.122 S2C4T1 Fl. 241 4 efetuado em nome do contribuinte declarante, que no caso é o próprio fiscalizado. DO DEPÓSITO BANCÁRIO NÃO JUSTIFICADO OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Conforme relatado pelo próprio impugnante, O fornecimento dos extratos bancários, de sua movimentação financeira do ano calendário de 1998, foi efetuado pelo mesmo, em atendimento aos termos de intimações lavrados durante a fiscalização, sem a necessidade da quebra de sigilo bancário. DO DEPÓSITO BANCÁRIO NO VALOR DE R$ 164.165,50, CONSIDERADO COMO NÃO JUSTIFICADO PELO FISCO. Pagamento de empréstimo como justificativa da origem do depósito. A alegação do impugnante de que a origem do depósito contestado, foi em função de presumido empréstimo ao seu filho, face à divergência de valores, não foi aceito. A cessão de crédito. A cessão de crédito como justificativa do depósito em conta corrente, não foi aceito porque O favorecido se trata do Sr. José Candido Machado Filho, e, não em favor do impugnante, e, os cheques apresentados, não são de emissão do Sr. Hélio Maróstica, conforme deveria ser em função dos termos do “COMUNICADO” da cessão de crédito. O recibo de pagamento. O recibo de pagamento apresentado, não foi aceito porque O produto tipificado nele, não coincide com a produção rural do impugnante, conforme se nota pelos vários comprovantes de venda da sua fazenda, e, também não consta em sua Declaração de Rendimentos Ex.l999/Ac.l998, a venda de nenhum imóvel rural. DA PRESUNÇÃO DEPÓSITO BANCÁRIO NÃO JUSTIFICADO CLASSIFICADO COMO OMISSÃO DE RENDIMENTOS PELO FISCO A Lei n° 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. O ônus legal desta comprovação cabe ao contribuinte, que detêm o conhecimento das operações financeiras, que deram origem aos créditos porventura ocorrido na sua contabancária. Lançamento Procedente Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10865.000928/200248 Acórdão n.º 2401005.122 S2C4T1 Fl. 242 5 2. Extraise do Termo de Constatação Fiscal, acostado às fls. 17/21, que o processo administrativo é composto da exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF), acrescido de juros de mora e multa de ofício de 75%, nestes termos: (i) omissão de rendimentos da atividade rural, relativamente aos anoscalendário 1998 e 1999; e (ii) omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários, efetuados em conta corrente, de origem não comprovada, relativo ao anocalendário 1998. 2.1 O Auto de Infração encontrase juntado aos autos às fls. 10/16. 3. A ciência da autuação se deu em 16/05/2002, conforme fls. 21, tendo o sujeito passivo apresentado impugnação no prazo legal (fls. 166/179). 4. Intimado da decisão de piso por via postal, em 10/09/2008, segundo fls. 215/217, o recorrente apresentou recurso voluntário em 10/10/2008, com os seguintes argumentos de fato e de direito em face da decisão de piso que manteve a pretensão fiscal (fls. 218/235): (i) o procedimento fiscal teve início na contribuinte Maria de Lourdes Nelli Machado, esposa do recorrente, para fins de verificação da movimentação bancária com base em dados da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF). Posteriormente, devido a entrega de declarações de rendimentos em conjunto, o recorrente foi incluído na fiscalização. Contudo, se o objeto decorria da CPMF, referente à movimentação financeira efetuada em conta bancária da sua esposa, uma vez que as origens dos recursos foram justificadas, o procedimento deveria ter sido encerrado, e não iniciado ação fiscal para verificação da tributação da atividade rural do recorrente; (ii) no anocalendário 1998, o valor declarado como receita da atividade rural foi identificado como equivocado, devendo considerar o montante de R$ 245.612,74, e não R$ 334.270,89, e adotar como resultado do período a quantia de R$ 49.122,65; (iii) no anocalendário 1999, o recorrente aproveitou o prejuízo em sua atividade rural no exercício anterior de R$ 136.451,15, o que entende correto. Tendo em conta a opção pelo arbitramento da receita bruta de R$ 313.667,32, com aplicação da alíquota de 20%, resulta um valor tributável de R$ 62.733,46; Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10865.000928/200248 Acórdão n.º 2401005.122 S2C4T1 Fl. 243 6 (iv) a obtenção de dados de movimentação bancária a partir do recolhimento da CPMF não ampara o lançamento fiscal de fatos pretéritos ao ano de 2001, concernentes aos anos calendário de 1998 e 1999, por desrespeitar os institutos do direito adquirido e do ato jurídico perfeito; (v) não há previsão legal para a exigência de apresentação ou verificação de extratos bancários de titularidade do contribuinte, pois imprestáveis para, isoladamente, fundamentar a imposição tributária; (vi) a fiscalização não demonstrou aumento patrimonial e/ou sinais exteriores de riqueza do contribuinte incompatíveis com os valores creditados em contacorrente, os quais pudessem levar à caracterização da omissão de rendimentos a partir de depósitos bancários; e (vii) o único depósito bancário considerado pela autoridade tributária como de origem não justificada no curso do procedimento fiscal, no montante de R$ 164.165,50, efetuado no dia 09/09/1998, é correspondente à devolução de empréstimo do seu filho, José Cândido Machado Filho, envolvendo a cessão de crédito em contrato de compra e venda de soja em grãos. É o relatório. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10865.000928/200248 Acórdão n.º 2401005.122 S2C4T1 Fl. 244 7 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Preliminar 6. Em síntese, o recorrente defende a inadequação do direcionamento da ação fiscal, inicialmente levada a efeito na Srª Maria de Lourdes Nelli Machado, para a verificação do cumprimento das obrigações tributárias em seu nome. 7. Não lhe assiste razão. Como explicado pela decisão de piso, a Srª Maria de Lourdes Nelli Machado é casada com o recorrente, declarada como dependente pelo Sr. José Cândido Machado nas Declarações de Ajuste Anual, relativas ao exercícios de 1999 e 2000 (fls. 23/24 e 148/159). 8. A opção pela declaração em conjunto implica a tributação somada dos rendimentos dos cônjuges, inclusive quando provenientes da atividade rural (art. 8º do Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/99, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999). 8.1 Vale dizer que a investigação do cumprimento das obrigações tributárias pelo agente fiscal deve ser realizada em nome do cônjuge declarante, com base no conjunto dos bens, direitos e das obrigações de casal, de maneira a identificar os rendimentos tributáveis, o patrimônio e as atividades econômicas desenvolvidas pelas pessoas físicas e, se for o caso, proceder ao lançamento de ofício. 9. De mais a mais, o procedimento fiscal efetivado em face da pessoa do recorrente observou as formalidades previstas nos atos normativos vigentes à época, como a expedição de Mandado de Procedimento Fiscal e Termos de Intimação para apresentação de documentos e/ou esclarecimentos, com prazo razoável para atendimento (fls. 3/9, 47/48, 117/118 e 133/134). Mérito a) Atividade Rural 10. Assim como na fase de impugnação, o recorrente não trás qualquer elemento de fato e/ou direito para infirmar a acusação fiscal de omissão de rendimentos decorrentes da atividade rural, nos anoscalendário de 1998 e 1999. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10865.000928/200248 Acórdão n.º 2401005.122 S2C4T1 Fl. 245 8 11. Justificase a manutenção do lançamento sobre as receitas auferidas com o exercício da atividade rural, conforme efetuado no auto de infração, pela própria descrição das infrações pelo agente fazendário, em que identificados: (i) com relação ao anocalendário de 1998, a inclusão indevida de despesas da atividade rural, a título de "Proposta para Prorrogação de Dívida" e "Pagamento Parcial de Financiamento Rural", e a incorreção do montante da receita da atividade rural; e (ii) relativamente ao anocalendário de 1999, a má utilização de valor a título de "Prejuízo da Atividade Rural", do ano anterior, e o equívoco do montante da receita da atividade rural. 12. Reproduzo a seguir excertos do Termo de Constatação Fiscal, que acresço às minhas razões de decidir (fls. 17/20): 1 1 ATIVIDADE RURAL 1.1 ANOCALENDÁRIO DE 1998 DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL (...) Dentre os comprovantes de despesas apresentados, em atendimento ao nosso termo, verificamos que dois deles foram indevidamente incluídos como despesas da atividade rural, conforme esclarecimentos a seguir: a PROPOSTA PARA PRORROGAÇÃO DE DÍVIDA (fls.42/43) o contribuinte considerou o valor de R$ 227.729,48 como despesa da atividade rural, quando na verdade este documento comprova apenas a prorrogação de um empréstimo para custeio de entressafra (algodão herbáceo). ` b PAGAMENTO PARCIAL DE FINANCIAMENTO RURAL (fls.44) o contribuinte apresentou como comprovante de despesa, um extrato bancário onde constam os pagamentos de dois financiamentos rurais, efetuados em 31/08/98, no valor de R$ 43.843,49 e R$ 43.140,97, totalizando R$ 86.984,46. Dessa forma, os empréstimos efetuados na atividade rural não podem ser considerados como despesas de custeio/investimento, os quais devem ser informados na Declaração de Rendimentos no campo apropriado, ou seja, “Dívidas Vinculadas à Atividade Rural”. (...) O documento “Proposta para Prorrogação de Dívida” (fls.43) apresentado pelo contribuinte como despesa da atividade rural, 1 As páginas a que se refere o agente fiscal no Termo de Constatação Fiscal dizem respeito à numeração em papel, antes da digitalização do processo administrativo. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10865.000928/200248 Acórdão n.º 2401005.122 S2C4T1 Fl. 246 9 nada mais é que um parecer técnico do banco financiador efetuado em 06/08/98, que justifica a prorrogação da data de pagamento em virtude de problemas ocorridos durante a safra de algodão, não dispondo portanto, de recursos financeiros para liquidar o empréstimo na data aprazada. (...) O contribuinte esclarece em sua resposta de 20/03/2002 (fls.135/138), que efetuou a liquidação concernente ao aditivo de prorrogação do referido empréstimo em 01/09/98, o que ainda assim, não justifica o lançamento deste como despesa da atividade rural, pois para tanto, deveriam ser apresentados os documentos comprobatórios das despesas efetivamente incorridas. O mesmo se aplica aos pagamentos parciais de financiamento rural conforme descrito no item b) acima, uma vez que os mesmos devem ter as despesas correspondentes comprovadas através de documentos hábeis e idôneos. RECEITAS DA ATIVIDADE RURAL O contribuinte, em sua resposta de 25/10/2001 (fls.48/52), esclareceu que o valor declarado de R$ 334.270,89 como receita da atividade rural, foi indevidamente informado em sua declaração de rendimentos (fls.150) apresentando os respectivos Informes de Rendimentos da empresas Dedini S. A. Agro Indústria (fls.84)e Citrosuco Paulista S.A (fls.85), bem como notas fiscais de produtor, para comprovar a receita efetivamente recebida de R$ 245.612,74 (fIs.86/98). APURAÇÃO DO RESULTADO TRIBUTÁVEL DA ATIVIDADE RURAL Uma vez que o contribuinte não comprovou a efetividade das despesas da atividade rural de agosto/98, referentes aos valores de R$ 227.729,48 e de R$ 86.984,46 os mesmos foram glosados por esta fiscalização. E ainda, levandose em conta a redução da receita comprovada pelo contribuinte, de R$ 334.270,29 para R$ 245.612,74, o mesmo incorreu num lucro da atividade rural de R$ 89.604,64. Na apuração do valor tributável, considerandose a opção pelo arbitramento sobre a receita bruta feita pelo contribuinte,ou seja, 20% da receita bruta total, este será de R$ 49.122,55. Dessa forma, tendo o contribuinte optado pelo arbitramento sobre a receita bruta, e sendo este menor que o lucro apurado, o resultado tributável do período será de R$ 49.122,55. 1.2 ANOCALENDÁRIO DE 1999 No anocalendário de 1999, o contribuinte se aproveitou indevidamente do prejuízo da atividade rural do exercício Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10865.000928/200248 Acórdão n.º 2401005.122 S2C4T1 Fl. 247 10 anterior, de R$ 136.451,15, o qual efetivamente não existiu, conforme esclarecimentos apresentados no item acima. O contribuinte, em sua resposta de 25/10/2001(fls.71/75), esclareceu que o valor declarado de R$ 365.954,76 como receita da atividade rural, foi indevidamente informado em sua declaração de rendimentos (fls.155), apresentando os respectivos Informes de Rendimentos da empresas Dedini S. A. Agro Indústria (fls.107)e Citrosuco Paulista S.A (fls.108), bem como notas fiscais de produtor (fls.109/114), para comprovar a receita efetivamente recebida de R$ 313.667,32. APURAÇÃO DO RESULTADO DA ATIVIDADE RURAL Levandose em conta a redução da receita comprovada pelo contribuinte, de R$ 365.954,76 para R$ 313.667,32, o mesmo incorreu num lucro da atividade rural de R$ 90.507,89. Na apuração do valor tributável, considerandose a opção pelo arbitramento sobre a receita bruta feita pelo contribuinte,ou seja, 20% da receita bruta total, este será de R$ 62.733,46. Dessa forma, tendo o contribuinte optado pelo arbitramento sobre a receita bruta, e sendo.este menor que o lucro apurado, o resultado tributável do período será de R$ 62. 733,46. O valor do prejuízo de exercício anterior, no valor de R$ 136.451,15 informado pelo contribuinte na apuração do resultado tributável da atividade rural, foi desconsiderado, uma vez que, conforme mencionado, o mesmo efetivamente não ocorreu. b) Depósito Bancário 13. No que tange à utilização de informações da CPMF para a finalidade de subsidiar o lançamento de ofício relativo a outros tributos, ao amparo do prescrito no § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996, na redação dada pela Lei nº 10.174, de 9 de janeiro de 2001, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a súmula nº 35, assim vazada: Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. 13.1 De observância obrigatória pelos Conselheiros, o enunciado representa o entendimento reiterado e uniforme no âmbito da segunda instância do contencioso administrativo tributário quanto à possibilidade de aplicação retroativa do dispositivo de lei ordinária, para alcançar os fatos geradores anteriores à vigência da nova redação, por tratarse de norma de cunho procedimental, que apenas concedeu poderes adicionais de investigação ao Fisco (art. 144, §1º, do Código Tributário Nacional CTN). Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10865.000928/200248 Acórdão n.º 2401005.122 S2C4T1 Fl. 248 11 14. É verdade que o afastamento ou não aplicação de lei no âmbito administrativo, sob fundamento de inconstitucionalidade, é medida possível na hipótese de que já tenha havido a sua declaração por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal (STF) e obrigatória quando houver decisão definitiva em sede de julgamento realizado na sistemática da repercussão geral (art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e suas modificações). 15. Acontece que a linha argumentativa exposta pela recorrente, em sua essência jurídica, foi objeto de recente apreciação pelo Tribunal Constitucional, na sessão do dia 24/02/2016, por meio do Recurso Extraordinário (RE) nº 603.314/SP, de relatoria do Ministro Edson Fachin, julgado sob a sistemática da repercussão geral. 15.1 Restou consignado pela maioria dos Ministros do STF que a modificação promovida pela Lei nº 10.174, de 2001, no § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, não teve o condão de induzir a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma jurídica, consoante o § 1º do art. 144 do CTN. 15.2 Para melhor visualização do decidido pelo STF, reproduzo na sequência parte da ementa do RE nº 603.314/SP: (...) 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. (...) 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (DESTAQUES DO ORIGINAL) 16. Afirma também o recorrente que os depósitos bancários, por si só, não configuram rendimentos tributáveis, eis que não representam sinais exteriores de riqueza. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10865.000928/200248 Acórdão n.º 2401005.122 S2C4T1 Fl. 249 12 Cuidase de alegações, entretanto, que não se sustentam em face do conteúdo explícito do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) 17. Consiste a autuação fiscal na aplicação da presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, em que se considera omissão de rendimentos tributáveis quando o titular de conta bancária mantida junto à instituição financeira, após regularmente intimado, deixa de comprovar a origem dos recursos creditados. 17.1 Segundo o preceptivo legal, os extratos bancários possuem força probatória, recaindo o ônus de comprovar a origem dos depósitos sobre o contribuinte, por meio de documentação hábil e idônea, sob pena de presumirse rendimentos tributáveis omitidos em seu nome. 18. Quando da edição da Lei nº 9.430, de 1996, houve a revogação do § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021, de 12 de abril de 1990: Art. 6° O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) § 5° O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) 18.1 Sob a égide do dispositivo legal suprimido do mundo jurídico, exigiase a prévia demonstração de sinais exteriores de riqueza pelo agente fiscal para o lançamento de ofício com base na renda presumida decorrente de depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras. 18.2 As decisões judiciais colacionadas pelo recorrente referemse a períodos anteriores à Lei nº 9.430, de 1996, com base em dispositivos já revogados, o mesmo contexto dos precedentes que fundamentaram o entendimento da Súmula nº 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos. 19. A partir do ano de 1997, com o advento do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o agente fazendário está dispensado de demonstrar a existência de sinais exteriores de riqueza ou acréscimo patrimonial incompatível com os rendimentos declarados pelo contribuinte, tampouco há necessidade de mostrar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10865.000928/200248 Acórdão n.º 2401005.122 S2C4T1 Fl. 250 13 19.1 É o que diz, de forma sintética, o enunciado sumulado nº 26, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. 20. Especificamente quanto à omissão de rendimentos não justificada pela pessoa física, referese a um único depósito efetuado em cheque, em 09/09/1998, no valor de R$ 165.164,50. 20.1 Devidamente intimado e reintimado no curso do procedimento fiscal, o contribuinte justificou a origem do crédito em conta bancária como proveniente da sua atividade rural, explicação, conforme realçado no Termo de Constatação Fiscal, que se mostrou não só inconsistente com os dados disponíveis, como também desprovida de lastro em documentação hábil e idônea dos fatos alegados (fls. 20/21). 21. Na peça de impugnação, com idêntica manifestação no recurso voluntário, a explicação do contribuinte para o depósito em conta andou em outra direção, com motivo na concessão anterior de empréstimo ao seu filho. Copio as suas palavras, para melhor apreciação das razões de defesa (fls. 229/230): a) Em data de 18/ 05/ 98, o Impugnante e a Contribuinte Maria de Lourdes Nelli Machado, emprestaram ao seu filho José Candido Machado Filho, através do cheque n° 1186 222871 do Banco Banespa SA. conta corrente n° 0026920006700, no valor de R$ 112.538,00, conforme extrato respectivo, documento acostado às fls. do processo. b) Também é certo que, durante o anocalendário de 1998, outros valores menores foram emprestados em dinheiro pelo Recorrente ao seu filho José Candido Machado Filho. c) Que o filho do Impugnante em data de 03/08/98, através de COMUNICADO, do Sr. Gilberto Bruza, que de acordo com a Cláusula Terceira do Contrato Particular de Compra e Venda de Soja em Grãos, celebrado com o Sr. Hélio Maróstica, cedeu e transferiu por Cessão de Crédito ao Sr. José Candido Machado Filho, cujo documento foi firmado em 03/08/98, com firma reconhecida do Cedente SR. Gilberto Bruza, conforme prova o documento anexado aos autos em questão. d) Que em data de 09/09/98 o Sr. Gilberto Bruza e Outros, conforme Recibo em anexo, documento n° 3, efetuou o pagamento da quantia de 19.300 sacas de soja pelo preço médio, cujo valor que será convertido em reais, consoante consta na Cláusula Quinta do referido contrato, será pago ao Sr. José Candido Machado, conforme Cessão de Crédito. e) Que em data de 09/09/98, foram efetuados dois depósitos na Conta 10150234160 do Sr. José Candido Machado, ora Impugnante nos valores de R$90.436,50 e R$74.728,00, que perfazem a citada importância de R$165.164,50, consoante Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10865.000928/200248 Acórdão n.º 2401005.122 S2C4T1 Fl. 251 14 provam os documentos anexados aos autos, fornecidos pelo Banco HSBC Brasil SA. de Itumbiara, onde reside o filho do Recorrente. f) Dessa maneira, resultou provada a origem do depósito efetuado em data de 09/09/98, no HSBC Bamerindus conta corrente n° 023416, Agência 1015 Pirassununga, do Sr. José Candido Machado ora Impugnante, portanto improcede a presunção da Fiscalização como rendimento omitido, devendo ser extraído da base de calculo na apuração do presente crédito tributário. 22. A despeito das razões alinhavadas pelo recorrente, que incluem uma explanação sobre a realização de operação de cessão de crédito e conversão de sacas de sojas em moeda corrente, não estou convencido da origem alegada para o depósito de R$ 165.164,50, em 09/09/2008, vinculado a uma devolução de empréstimo pelo filho. 22.1 É que a quantia efetivamente depositada em 09/09/1998, equivalente a R$ 165.164,50, considerada como rendimentos de origem não comprovada, está bem aquém do cheque datado em 18/05/1998, no montante de R$ 112.538,00, declarado como emprestado ao filho, José Cândido Machado Filho. 22.2 Apesar de o recorrente dizer que, durante o anocalendário de 1998, outros valores menores foram emprestados em dinheiro ao seu filho, não há sequer uma evidência de quantias, datas ou quaisquer indícios sérios e convergentes para respaldar os fatos que pretende o autuado fazer prevalecer, impossibilitando, desse modo, a adequada correlação do numerário movimentado entre pais e filho. 23. Para afastar a presunção legal de omissão de rendimentos, é necessário a comprovação inequívoca de que o crédito bancário mencionado teve origem em fatos não tributáveis, tal como a devolução de empréstimo, o que não restou, em minha avaliação, demonstrado nos autos. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, REJEITO a preliminar e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 251DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910722/2011-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 09/04/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.580
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 09/04/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 07 22 /2 01 1- 92 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 16327.910722/201192 Acórdão n.º 3402004.580 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2005. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14061.314, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 09/04/2005 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910722/201192 Acórdão n.º 3402004.580 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910722/201192 Acórdão n.º 3402004.580 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910722/201192 Acórdão n.º 3402004.580 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 92DF CARF MF
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Numero do processo: 13653.720298/2013-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Período de apuração: 01/10/1995 a 30/06/1996
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO AUTORIZADA JUDICIALMENTE.
O deferimento do pedido de restituição administrativa de indébito não configura ofensa à coisa julgada ou descumprimento de decisão judicial quando esta última tão somente declarou o direito creditório e autorizou a compensação. Não houve, na decisão judicial, determinação no sentido de que a compensação seria o único meio de satisfazer o direito da contribuinte, razão pela qual é plenamente válida a restituição pleiteada.
Numero da decisão: 2201-003.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 09/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. EDITADO EM: 09/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO AUTORIZADA JUDICIALMENTE. O deferimento do pedido de restituição administrativa de indébito não configura ofensa à coisa julgada ou descumprimento de decisão judicial quando esta última tão somente declarou o direito creditório e autorizou a compensação. Não houve, na decisão judicial, determinação no sentido de que a compensação seria o único meio de satisfazer o direito da contribuinte, razão pela qual é plenamente válida a restituição pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 09/10/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 3. 72 02 98 /2 01 3- 68 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13653.720298/201368 Acórdão n.º 2201003.934 S2C2T1 Fl. 67 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 60/63, interposto contra o acórdão nº 0835.114 da DRJ em Fortaleza/CE, de fls. 48/56, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade da RECORRENTE, não reconhecendo o direito creditório relativo a Pagamento Indevido ou a Maior, no valor original de R$ 4.979,26 (quatro mil novecentos e setenta e nove reais e vinte e seis centavos). Trata o presente processo da análise do Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação – PER/DCOMP nº 14003.85866.270111.2.2.549377 (fls. 35/36). Tal requerimento de restituição de direito creditório é fundamentado por decisão judicial transitada em julgado. Porém, foi indeferido pelo fisco por este entender que “o reconhecimento do direito creditório estar vinculado à decisão judicial e o tipo de ação, por ser de compensação, restringir o aproveitamento do crédito a essa forma de utilização, não permitindo restituição ou ressarcimento” (fls. 34). Cientificada da decisão em 26/08/2013 (fls. 37), a RECORRENTE apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 02/10) em 05/09/2013. Nesta, alegou que, apesar da decisão judicial tratar do instituto da compensação, é facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição e que esta opção não fere a coisa julgada. A fim de embasar sua tese, colacionou precedentes do Superior Tribunal de Justiça. Ocorre que, como já citado, o acórdão nº 0835.114 da 1ª Turma da DRJ/FOR (fls. 48/56) indeferiu a Manifestação de Inconformidade. Tal decisão, em apertada síntese, fundouse na argumentação de que o declarado na decisão judicial somente autoriza os autores da ação a compensar o crédito, sendo impossível autorizar a sua restituição. Além disso, apesar de o contribuinte poder optar pela restituição ou pela compensação, no caso concreto esta opção teria sido feita nos autos do processo judicial, pelo que conclui: “A teor dos artigos 467 e 468 do Código de Processo Civil, a sentença judicial transitada em julgado tem força de lei nos limites da lide e das questões decididas. Assim, cabe tãosomente à Secretaria da Receita Federal do Brasil dar cumprimento à decisão judicial definitiva, em respeito ao princípio da unidade da jurisdição contemplado na Carta Magna, em seu art. 5º, inciso XXXV. A avaliação da contribuinte de que não seria apurado, nos anos vindouros, saldo de imposto a pagar na declaração de ajuste Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13653.720298/201368 Acórdão n.º 2201003.934 S2C2T1 Fl. 68 3 anual, apesar de perfeitamente plausível, não tem o condão de permitir à autoridade administrativa que deixe de aplicar o teor do julgado. De qualquer forma, o pedido administrativo devese ater aos termos da decisão judicial transitada em julgado, razão pela qual não há como acatar a pretensão do contribuinte de ver restituído o imposto retido indevidamente, pois, na via judicial, optou pela sua compensação com débitos futuros da mesma espécie.” O acórdão, então, restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Período de apuração: 01/10/1995 a 30/06/1996 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO DEFERIDA JUDICIALMENTE. Cabe ao Fisco dar cumprimento à decisão judicial definitiva que acatou o pedido da autora e determinou a compensação do imposto retido indevidamente com parcelas futuras da mesma exação. Impossível a restituição administrativa do indébito, sob pena de ofensa à coisa julgada. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. EFEITOS. As decisões judiciais só fazem coisa julgada às partes, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito à Restituição Não Reconhecido Do Recurso Voluntário A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 20/04/2016, conforme AR de fls. 58, apresentou o Recurso Voluntário de fls. 60/63 em 19/05/2016. Em suas razões, reitera os termos da Manifestação de Inconformidade, alegando que a opção do contribuinte pela restituição é de bom direito, bem como não afronta a coisa julgada. Confirase: “Pela Lei nº 9.096/95 tem o contribuinte direito de optar pela compensação ou restituição do imposto pago indevidamente, conforme artigo 58. Pelo artigo 66 da mesma lei, em seu §2º, ‘é facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição’. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13653.720298/201368 Acórdão n.º 2201003.934 S2C2T1 Fl. 69 4 Vale reiterar que a restituição é forma de devolução de indébito tributário, assim como a compensação e o pagamento por RPV e/ou precatório sem que se constitua ofensa à coisa julgada, mas sim a reparação de um dano econômico financeiro ao contribuinte, que teve recursos de verba alimentar retidos indevidamente pelo empregador BACEN e repassados aos cofres da União.” Mais à frente, conclui: “Isto posto, demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento de seu pleito roga seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade (sic) e por consequência, determinada a restituição dos valores declarados no PER/DCOMP nº 14003.85866.270111.2.2.549377, devidamente atualizada até a data da restituição.” Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. MÉRITO A RECORRENTE defende possuir direito à restituição de valores considerados indevidamente recolhidos, vez que a sentença judicial que baseia o seu pleito reconheceu o direito creditório, ainda que tenha autorizado a compensação. Entendo que assiste razão à RECORRENTE. Primeiramente, é preciso ressaltar que tanto a restituição – requerida pela contribuinte – quanto a compensação são formas de execução de decisão judicial transitada em julgado colocadas à disposição do contribuinte pelo legislador, mais precisamente no artigo 66, caput e parágrafo segundo, da Lei nº 8.383/1991 (com redação dada pela Lei nº 9.069/1995). “Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13653.720298/201368 Acórdão n.º 2201003.934 S2C2T1 Fl. 70 5 recolhimento de importância correspondente a período subsequente. § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição.” (grifos acrescidos) Notese que nestes dispositivos o legislador utilizou, propositadamente, verbos “poder” e “facultar”, com vistas a deixar a cargo do contribuinte a escolha pelo método para reaver o montante pago indevidamente ou em valor a maior que considerar melhor ou mais vantajoso para si. Assim, o direito de escolha é do contribuinte, titular do direito creditório. Ressaltese que esse é o posicionamento dos tribunais superiores, notadamente o Superior Tribunal de Justiça, o qual possui enorme lastro de decisões nesse sentido. Destacase recente julgado do STJ, exarado em 16/03/2017: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA DE INDÉBITO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. POSSIBILIDADE. (...) 4. O art. 66 da Lei 8.383/1991, que trata da compensação na hipótese de pagamento indevido ou a maior, em seu § 2º, faculta ao contribuinte a opção pelo pedido de restituição, tendo o art. 74 da Lei 9.430/1996 deixado claro que o crédito pode ter origem judicial, desde que com trânsito em julgado. 5. "O entendimento pacífico do Superior Tribunal de Justiça, inclusive já sumulado (Súmula nº 461 do STJ), é no sentido de que 'o contribuinte pode optar por receber, por meio de precatório ou por compensação, o indébito tributário certificado por sentença declaratória transitada em julgado'. Com efeito, a legislação de regência possibilita a restituição administrativa de valores pagos a maior a título de tributos, conforme se verifica dos art. 66 da Lei nº 8.383/1991 e 74 da Lei nº 9.430/1996" (REsp 1.516.961/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 22/03/2016). 6. Recurso Especial provido para assegurar o direito de o contribuinte buscar a restituição do indébito na via administrativa, após o trânsito em julgado do processo judicial. (STJ – REsp 1642350 / SP 2016/03060966, Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN, Data do Julgamento: 16/03/2017, Data da Publicação: DJe 24/04/2017)” “PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. EXECUÇÃO CONTRA A FAZENDA. DECISÃO Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13653.720298/201368 Acórdão n.º 2201003.934 S2C2T1 Fl. 71 6 EXEQUENDA QUE RECONHECEU O DIREITO À RESTITUIÇÃO. OPÇÃO PELA COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. FACULDADE DO CREDOR. 1. "O contribuinte pode optar por receber, por meio de precatório ou por compensação, o indébito tributário certificado por sentença declaratória transitada em julgado" (Súmula 461/STJ). Ressaltese que "a opção entre a compensação e o recebimento do crédito por precatório ou requisição de pequeno valor cabe ao contribuinte credor pelo indébito tributário, haja vista que constituem, todas as modalidades, formas de execução do julgado colocadas à disposição da parte quando procedente a ação que teve a eficácia de declarar o indébito" (REsp 1.114.404/MG, 1ª Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 1º.3.2010 recurso submetido ao regime previsto no art. 543C do CPC). 2. Agravo regimental não provido. (STJ AgRg no REsp 1266096 / PR 2011/00580831. Relator: Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES. Data de Julgamento: 04/03/2013. Data da Publicação: DJe 10/04/2013)” Isto posto, apesar de correta a afirmação da DRJ de que decisão administrativa não pode afrontar coisa julgada, ou seja, de que é defeso ao fisco sobrepor ou contrariar decisão judicial transitada em julgado, isso não ocorre no processo em apreço. A bem da verdade, o Poder Judiciário, quando da prolação da sentença do processo nº 1999.61.00.062749, tão somente se posicionou favorável ao pleito do contribuinte pelo direito creditório e autorizou a compensação dos valores devidos pela União, e não determinou que este fosse o único meio hábil para executar o direito reconhecido à RECORRENTE. O trecho da decisão judicial abaixo colacionado assim comprova: “Isto posto, JULGO PROCEDENTE O PEDIDO, para declarar a inexistência de relação jurídica válida capaz de fundamentar os recolhimentos e autorizar a compensação, a partir do corrente mês, dos créditos oriundos das retenções indevidas de imposto de renda pessoa física nos períodos questionados, referentes a conversão de prêmio assiduidade, férias e licença prêmio não gozadas, com as quantias efetivamente devidas do mesmo imposto, até a extinção dos créditos acumulados.” Como se depreende, a decisão não teceu uma linha argumentativa sequer acerca do direito à restituição dos valores pagos indevidamente ou a maior, de modo que autorizar a devolução destes valores não invade ou fere a coisa julgada, muito menos significa que se estaria deixando de aplicar o teor do julgado, como afirmou o acórdão recorrido. Por outro lado, caso o Judiciário tivesse negado provimento, expressamente, a um hipotético pleito por restituição da RECORRENTE, autorizando tão somente a compensação, é certo que o fisco não poderia proceder com a devolução. Todavia, ressaltese: o Poder Judiciário apenas declarou o direito creditório do particular e o autorizou a compensar os valores na via administrativa – não se pronunciou sobre eventual restituição. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13653.720298/201368 Acórdão n.º 2201003.934 S2C2T1 Fl. 72 7 Logo, diante do silêncio do Judiciário no que diz respeito ao instituto da restituição, não há que se falar em prejuízo ou ataque à coisa julgada na concessão deste método de devolução do que foi pago indevidamente ou a maior pela RECORRENTE. Por este motivo, considero que a RECORRENTE tem direito à restituição pleiteada. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário da contribuinte, para conceder a restituição pleiteada através do PER/DCOMP nº 14003.85866.270111.2.2.549377. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910683/2011-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 23/07/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.551
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 23/07/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 06 83 /2 01 1- 23 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910683/201123 Acórdão n.º 3402004.551 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2005. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14061.048, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 23/07/2005 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910683/201123 Acórdão n.º 3402004.551 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910683/201123 Acórdão n.º 3402004.551 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 92DF CARF MF Processo nº 16327.910683/201123 Acórdão n.º 3402004.551 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.721848/2014-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 09/09/2009
DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA, NÃO LOCALIZADA OU REVENDIDA. MULTA IGUAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA.
Considera-se dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento, que é substituída por multa igual ao valor aduaneiro da mercadoria importada caso tenha sido entregue a consumo, não seja localizada ou tenha sido revendida.
INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
O adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, responde conjunta ou isoladamente pela infração.
INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE.
Respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie (artigo 95, I, do Decreto-lei nº 37/1966).
Numero da decisão: 3401-004.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Sustentou pelas recorrentes que remanescem no contencioso o advogado Adam Soares, OAB/SC no 32.540.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
MARA CRISTINA SIFUENTES - Redatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D´Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 09/09/2009 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA, NÃO LOCALIZADA OU REVENDIDA. MULTA IGUAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Considera-se dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento, que é substituída por multa igual ao valor aduaneiro da mercadoria importada caso tenha sido entregue a consumo, não seja localizada ou tenha sido revendida. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, responde conjunta ou isoladamente pela infração. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE. Respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie (artigo 95, I, do Decreto-lei nº 37/1966).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1853; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 832 1 831 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.721848/201444 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401004.240 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de outubro de 2017 Matéria PENA DE PERDIMENTO Recorrente BELLEVUE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 09/09/2009 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA, NÃO LOCALIZADA OU REVENDIDA. MULTA IGUAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento, que é substituída por multa igual ao valor aduaneiro da mercadoria importada caso tenha sido entregue a consumo, não seja localizada ou tenha sido revendida. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, responde conjunta ou isoladamente pela infração. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE. Respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie (artigo 95, I, do Decretolei nº 37/1966). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Sustentou pelas recorrentes que remanescem no contencioso o advogado Adam Soares, OAB/SC no 32.540. ROSALDO TREVISAN Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 18 48 /2 01 4- 44 Fl. 832DF CARF MF Processo nº 13971.721848/201444 Acórdão n.º 3401004.240 S3C4T1 Fl. 833 2 MARA CRISTINA SIFUENTES Redatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D´Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado. Relatório Versa o presente processo sobre Auto de Infração lavrado em nome de BELLEVUE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS LTDA E OUTROS, para exigência do crédito tributário no valor de R$102.914,97 referente a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas irregularmente e não encontradas, conforme Arts. 673, 675, inciso IV, 689 e §1° do Decreto n° 6.759/09 e arts. 73, §§ 1° e 2° e 77 da Lei n° 10.833/03. Foram enumerados como responsáveis solidários os sujeitos passivos TORENT DO BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA,CNPJ 06.211.677/000155, BELLESKY INDÚSTRIA, COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA,CNPJ 09.346.825/000137, BELLEVUE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS LTDA, CNPJ 00.572.416/000184, DARIO TOMASELLI NETO, sócio administrador da fiscalizada Torent, CPF 005.034.74975, LUIS CARLOS CENZI REBELLATO, sócio administrador da fiscalizada Bellesky, CPF 393.495.00000, CARMEN VETTER WERNER, CPF 068.791.799 91 e ALCANTARO CORREA, CPF 003.791.23991, todos sócios administradores da fiscalizada Bellevue, conforme arts. 124 e 128 do CTN, e art. 95 do DecretoLei nº 37/1966, por terem interesse comum na situação que constitui o fato gerador. Segundo a descrição dos fatos a empresa TORENT adquiriu as mercadorias para a empresa BELLESKY, com recursos da empresa BELLEVUE, ou seja, a empresa TORENT realizou operação de comércio exterior por conta e ordem da empresa BELLEVUE, conforme art. 27 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2012. A empresa Torent registrou a Declaração de Importação DI nº 09/11969980 em 09/09/09, desembaraçada no canal verde, informando no Siscomex que se tratava de importação realizada por sua própria conta(com recursos próprios) e ordem (pedido/demanda própria). A fiscalização da RFB afirma que as mercadorias entraram em território aduaneiro por conta e ordem das empresas Bellesky e Bellevue, as reais adquirentes. Somente a empresa Torent possuía habilitação para operar no comércio exterior à época do fato. Foram abertas fiscalizações para as empresas Torent, Bellesky, e Bellevue em 2014. Na fiscalização foi constatado que a empresa Torent emitiu notas fiscais de entrada e saída, no mesmo dia, para venda a empresa Bellesky. A empresa Torent creditou em conta corrente cheque no valor de R$ 100.00,00 em 16/06/2009, e o contrato de cambio nº 09006251, referente à DI nº 09/11969980, foi liquidado em 18/06/2009, em valor de R$ 101.444,53. No dia 15/06/2009 a empresa Bellevue contabilizou cheque de R$100.00,00 em favor da Torent. Os valores foram transacionados antes do registro da DI e do embarque da mercadoria, restando comprovado para a fiscalização que os recursos para o pagamento do contrato de Fl. 833DF CARF MF Processo nº 13971.721848/201444 Acórdão n.º 3401004.240 S3C4T1 Fl. 834 3 câmbio foram supridos pela Bellevue e não pela Torent. A empresa Torent não possuía fundos suficientes para pagamento do contrato de câmbio à época. Em 11/09/2009 foi efetuado o lançamento contábil de R$172.958,52 referente a venda da Torent para a Bellesky das mercadorias, NF nº 578., e em 17/09/2009 foi efetuado o lançamento contábil de R$72.958,52, referente ao recebimento de duplicata da Bellesky, que coincide com a diferença entre o valor já adiantado pela empresa Bellevue. As operações foram comprovadas por meio dos registros contábeis das interessadas, assim como pelos extratos bancários das movimentações financeiras e notas fiscais. As mercadorias não puderam ser localizadas, como informa a adquirente e destinatária, por isso a pena de perdimento que seria aplicada foi substituída pela multa prevista no §3º do art. 23 do decretolei nº 1.455/1976, equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, por caracterizada a interposição fraudulenta de terceiros na importação. Foram autuados na condição de responsáveis solidários os sócios administradores das empresas: Dario Tomaselli Neto, Luis Carlos Cenzi Rebellato, Carmen Vetter Werner e Alcantaro Correa. A empresa Bellevue Participações Societárias Ltda, e Carmen Vetter Werner e Alcantaro Corrêa, sócios administradores, apresentaram impugnação em conjunto na qual alegam, em síntese: 1. O suposto adiantamento de recursos acusado pela fiscalização não passou de transferência de créditos devidos à empresa Bellesky em razão de venda de fundo de comércio àquela empresa. Conforme contrato, que anexa, a venda do fundo de comércio à empresa Bellesky previa a cessão de créditos e contas a receber referentes a vendas realizadas a prazo de produtos produzidos pelo fundo de comércio vendido. O valor a ser recebido no dia 15/06/2009, de R$ 130.000,00, da empresa Condor Supercenter foi dividido a pedido da empresa Bellesky, sendo que R$ 100.000,00 foram encaminhados por meio de cheque diretamente à empresa Torent, que sequer os impugnantes conhecem, e o saldo de R$ 30.000,00 diretamente na conta da empresa Bellesky. O fato está registrado na Conta Operação Transferência Fundo de Comércio. 2. Não houve nenhuma comprovação no auto de infração de qualquer interesse da Bellevue na importação realizada. Não se comprovou nenhum dano ao Erário ou fraude ao recolhimento do IPI, pois é sabedora de que a mercadoria adquirida pela Torent era industrializada e utilizada em seu processo produtivo, de modo que não era vendida a terceiros sem a incidência de IPI como destacado no auto de infração. 3. A importação por encomenda não caracteriza importação por conta e ordem de terceiro, conforme dispõe o art. 11 da Lei nº 11.281/2006. 4. A multa exigida é desarrazoada, desproporcional e confiscatória, atentando contra os princípios constitucionais. 5. Requerem seja declarada suas ilegitimidades passivas e cancelado o auto de infração. A empresa Torent do Brasil Importação e Exportação Ltda e Dario Tomaseli Neto, administrador, apresentaram impugnação em conjunto, assim como Bellesky Indústria, Comércio, Importação e Exportação Ltda e Luis Carlos Cenzi Rebellato, sócio administrador da empresa. As impugnações apresentam as seguintes alegações, em síntese: Fl. 834DF CARF MF Processo nº 13971.721848/201444 Acórdão n.º 3401004.240 S3C4T1 Fl. 835 4 1. A importação foi realizada por conta e ordem própria da empresa Torent, não se utilizando de qualquer outra pessoa jurídica importadora. Os recursos empregados foram oriundos da importadora Torent, perfeitamente aferíveis e decorrentes de suas operações negociais seja com a empresa Bellesky, seja com seus demais clientes. 2. O crédito em conta corrente, registrado como Operação Transferência de Fundo de Comércio derivou de crédito da empresa Bellesky em face da empresa Bellevue, decorrente da aquisição do fundo de comércio pela Bellesky que, por ordem desta, transferiu o respectivo crédito a sua fornecedora, no caso a ora impugnante Torent. 3. Não realizou qualquer contato comercial ou outro de qualquer natureza com a também autuada Bellevue, mas tão somente com a autuada Bellesky em relação a produtos importados comercializados no mercado nacional. 4. Não houve nenhum ilícito ou interposição fraudulenta e não pode prosperar a solidarização entre as empresas autuadas, tão pouco a seus sócios. 5. Não há qualquer prova efetiva da alegada interposição fraudulenta, mas tão somente presunções. 6. A operação comercial foi realizada com recurso próprio da Torent, disponíveis em sua conta corrente originados de legítimas operações comerciais, todas declaradas para a Receita Federal. Não há qualquer remissão a ilícito ou a fraude contra o sistema financeiro ou à ordem pública. 7. A fiscalização faz interpretação equivocada do que sejam importações para encomendante prédeterminado. Interpretando o art. 11 da Lei nº 11.281/2006 e o parágrafo único do art. 1º da IN RFB 634/2006 concluise que a operação realizada pela Torent e posterior venda à Bellesky, de forma alguma poderia ser entendida como importação por conta e ordem de terceiro ou como por encomenda. 8. A Torent foi a responsável por todas as fases da operação: comercial, financeira, logística e transporte, desembaraço aduaneiro e pagamento de tributos, garantia, reposição de peças, troca e qualidade do produto, contabilização e revenda das mercadorias nacionalizadas. 9. As antecipações de recursos decorrem tão somente da forma negocial adotada entre as empresas Torent e Bellesky. O fato de haverem pagamentos que antecedem a entrega dos produtos não desconstitui a operação de importação direta, nem tão pouco, poderia ser ventilado que estes fossem os únicos recursos dispostos pela importadora, como quer fazer parecer à fiscalização. 10. A operação propiciou lucro de 12,65% à Torent, fato que demonstra que não houve interposição fraudulenta, pois não haveria motivo para a Bellesky aumentar seus custos, não sendo margem irrisória como aduz a fiscalização. 11. A remuneração nas importações, por conta e ordem de terceiros, realizadas pela Torent são da ordem de 0,5% sobre o total da nota fiscal de venda e o valor das mercadorias nas notas fiscais de entrada e de venda são exatamente os mesmos, adicionados unicamente dos impostos de nacionalização. Fl. 835DF CARF MF Processo nº 13971.721848/201444 Acórdão n.º 3401004.240 S3C4T1 Fl. 836 5 12. Não houve a necessária comprovação do cometimento de fraude ou simulação, apenas meras presunções. 13. Caso se entenda pela procedência da multa, os tributos aduaneiros já recolhidos devem ser compensados. Requerem seja declarada a nulidade do auto de infração ou sua insubsistência e improcedência. A Torent, em caso contrário, requer a compensação dos tributos incidentes. A DRJ no acórdão DRJ 0736.915 1ª Turma da DRJ/FNS, Sessão de 18 de março de 2015, se pronuncia assim: 1. Como relatado, a importadora Torent do Brasil Importação e Exportação Ltda registrou Declaração de Importação na qual informou ser a importadora e a adquirente das mercadorias importadas. Submetida a procedimento fiscal, verificouse que houve ocultação da real adquirente das mercadorias, a empresa Bellesky Indústria, Comércio, Importação e Exportação Ltda, e adiantamento dos recursos empregados na operação da empresa Bellevue Participações Societárias Ltda. 2. A ocultação da real adquirente das mercadorias, empresa Bellesky, foi comprovada mediante a constatação de que as notas fiscais de entrada e saída, da empresa Torent, que ampararam as mercadorias foram emitidas logo após o desembaraço aduaneiro fato que demonstra que as mercadorias haviam sido negociadas anteriormente à importação, bem como pela comprovação do adiantamento de recursos empregados na importação, que teriam sido encaminhados pela empresa Bellevue à empresa Torent. A infração acusada e a penalidade a ser aplicada estão dispostas no art. 23 do Decretolei nº 1.455/1976. 3. A empresa Bellevue e seus sócios diretores, todos autuados na condição de responsáveis solidários, vêm aos autos protestando contra a acusação de que seriam partícipes da fraude ou simulação, pois, ao contrário do alegado pela fiscalização, o recurso transferido à empresa Torent não se referia à importação de mercadorias, mas sim, a transferência de valores devidos à empresa Bellesky a quem teria vendido fundo de comércio e que foram transferidos diretamente à empresa Torent a pedido daquela. 4. O contrato apresentado pelos impugnantes (fls. 216 a 220), não contém os requisitos formais que garantam sua validade (não consta que tenha registro público e não possui data de reconhecimento de firmas que possibilitem atestar a data de assinatura do contrato). Todavia, aliado ao registro contábil, de folhas 222, às cópias dos cheques, ao recibo de depósito (fls.225) e às declarações das demais envolvidas, respalda a alegação dos impugnantes. De acordo com o contrato apresentado, o fundo de comércio da empresa Fl. 836DF CARF MF Processo nº 13971.721848/201444 Acórdão n.º 3401004.240 S3C4T1 Fl. 837 6 Bellevue foi adquirido pela empresa Bellesky, sendolhe transferidos todos os ativos e passivos. 5. Os registros contábeis informam que foi creditado, no dia 12/06/2009, pela empresa Bellevue, o valor de R$ 130.000,00 na conta “Adiantamento de clientes” sob a rubrica “Adto Cliente Ref Com Condor Supercenter”. Na mesma data consta na conta “Operação Transferência Fundo de Comércio”, sob a rubrica “Pgto Adto Importação por Conta Bellesky”, o débito de R$ 100.000,00, assim como sob a rubrica “Bellesky por Conta Contrato Venda Fundo e Comércio” o valor de R$ 30.000,00. Os cheques apresentados e o recibo de depósito, por sua vez, demonstram que, de fato, ditos valores foram depositados pela empresa Bellevue para a empresa Torent (R$ 100.000,00) e Bellesky (R$ 30.000,00). 6. Concluise, assim, que os documentos apresentados comprovam a transação comercial e financeira entre as empresas Bellevue e Bellesky, assim como respaldam a alegação de que os recursos transferidos pela empresa Bellevue à empresa Torent se referiam às obrigações contratuais assumidas pela empresa Bellevue perante a empresa Bellesky. 7. Não havendo outras provas de que a empresa Bellevue tenha transferido os recursos à empresa Torent para a realização de importação de seu interesse, a empresa Bellevue Participações Societárias Ltda e seus sócios diretores devem ser excluídos do polo passivo da autuação do presente processo por não ter sido comprovada sua responsabilidade na fraude acusada. 8. Por outro lado, esse fato comprova a efetiva participação da empresa Bellesky na importação autuada. Como analisado e de acordo com todos os impugnantes, a transferência dos recursos pela empresa Bellevue à empresa Torent se deu por conta das obrigações assumidas perante a empresa Bellesky. Em outras palavras, os recursos transferidos pela empresa Bellevue à empresa Torent eram, em verdade, da empresa Bellesky, fato que ratifica a conclusão da fiscalização de que a importação em apreço foi realizada em razão do interesse da empresa Bellesky e não da empresa Torent como essa quer fazer crer. 9. De acordo com os lançamentos contábeis da empresa Torent, esta realizou o fechamento de câmbio, ou seja, pagamento pela mercadoria, da importação em tela, no dia 18/06/2009, somente dois dias depois e em valor quase que idêntico (R$ 101.444,53), ao valor a ela transferido pela empresa Bellevue a mando da empresa Bellesky (R$ 100.000,00 no dia 16/06/2009). Dita coincidência comprova que, independentemente da condição financeira da empresa Torent, os recursos empregados na importação tiveram como fonte a empresa Bellesky. Fl. 837DF CARF MF Processo nº 13971.721848/201444 Acórdão n.º 3401004.240 S3C4T1 Fl. 838 7 10. Aliado à constatação de que as mercadorias foram encaminhadas à empresa Bellesky pela empresa Torent imediatamente ao desembaraço aduaneiro, o dispositivo legal em menção faz concluir que a importação autuada foi realizada por conta e ordem da empresa Bellesky e não da empresa Torent, como querem fazer crer. Quanto à responsabilidade solidária dos autuados, cumpre verificar o disposto no art. 95 do Decretolei nº 37/1966, [...] respondem pela infração, solidariamente com a importadora Torent do Brasil Importação e Exportação Ltda a empresa Bellesky Indústria, Comércio, Importação e Exportação Ltda, por ser a real adquirente das mercadorias importadas por sua conta e ordem, como visto, previsão do inciso V do art. 95 do Decretolei nº 37/1966; e os sócios administradores da empresa Bellesky Indústria, Comércio, Importação e Exportação Ltda e da empresa Torent do Brasil Importação e Exportação Ltda, pois esses concorreram para a prática da infração, como previsto no inciso I do art, 95 do Decretolei nº 37/1966. 11. Não cabe razão aos impugnantes quando alegam que a autuação se baseou em meras presunções. Como visto, restou plenamente comprovado, inclusive confessado pelas autuadas, que os recursos transferidos à importadora Torent provieram da empresa Bellesky. Esses recursos foram utilizados pela empresa Torent para pagar os custos das mercadorias importadas. Esse fato, por si só, já estabelece a presunção legal de que a operação de importação foi realizada por conta e ordem da empresa Bellesky. Ademais, as mercadorias foram transferidas pela empresa Torent à empresa Bellesky imediatamente após o desembaraço aduaneiro. Portanto, a autuação não se baseou em meras presunções, mas sim, em uma presunção juris tantum legalmente estabelecida, bem como em prova indiciária suficiente para comprovar o cometimento da ilegalidade acusada. 12. Da mesma forma não se acata o argumento dos impugnantes de que os valores recolhidos a título de tributos devem ser a eles ressarcidos no caso de manutenção da multa lançada. A penalidade lançada se refere a multa substitutiva de pena de perdimento em razão da impossibilidade de localização das mercadorias importadas. Essa impossibilidade de localização se deu pelo fato de essas mercadorias terem sido revendidas, ou seja, terem adentrado à economia nacional. 13. Por todo o exposto voto no sentido de considerar procedente em parte as impugnações constantes do presente processo, mantendo o crédito tributário lançado, e excluindo Bellevue Participações Societárias Ltda, Carmen Vetter Werner e Alcantaro Corrêa do polo passivo da autuação. Os autuados Torent do Brasil Importação e Exportação Ltda, Dario Tomaselli Neto, Bellesly indústria, comércio, importação e exportação Ltda, e Luiz Carlos Cenzi Rebellato apresentam recurso voluntário protocolado em 04/05/2015, alegando em síntese: Fl. 838DF CARF MF Processo nº 13971.721848/201444 Acórdão n.º 3401004.240 S3C4T1 Fl. 839 8 A. pela empresa Torent e Sr. Dario Tomaselli: 1. A empresa Torent possuía recursos financeiros, conforme anexa comprovantes, à data dos fatos para arcar com o contrato de câmbio e com as despesas de importação e tributos. Ocorrendo uma antecipação de pagamento por parte da Bellesky, dentro das tratativas negociais, sendo a questão temporal despicienda. 2. A ocultação do sujeito passivo deve ser efetuada mediante comprovada fraude ou simulação. A interposição fraudulenta aduaneira exige um ilícito antecedente. Todas as operações comerciais e movimentações financeiras foram contabilizadas. A Torent foi a responsável por todas as fases da importação, desde a negociação com o fornecedor até a entrega ao cliente final. 3. Inexiste a responsabilidade solidária e a subsunção fática a norma, já que a Torent não se utilizou de outra pessoa jurídica importadora, descaracterizando o comando dos incisos I, V e VI do art. 95 do DecretoLei nº 37/1966. 4. O art. 11 da Lei 11.281/06 não proíbe ao importador ter pedidos de compra realizados antes da importação. E também não há qualquer disposição nos autos que informem que a importação se deu por encomenda, conforme IN SRF nº 634/06. 5. Todo o cenário desenhado pela fiscalização pautase em mera presunção, não existindo qualquer elemento que demonstre simulação, fraude documental, lavagem de dinheiro, sonegação de tributos, subfaturamento, quebra da cadeia do IPI, ou seja, não há qualquer dano ao erário. 6. Requer ao final a declaração de nulidade do auto de infração e imposição da multa substitutiva e se houver entendimento diverso que sejam compensados os tributos incidentes na operação de importação com a multa. B. pela empresa Bellesky e Sr. Luiz Carlos Cenzi, após repetir os argumentos apresentados em recurso voluntário pela Torent e Sr. Dário: 1. Não ocorreu a ocultação, fraude ou simulação, sendo que a empresa Torent tinha total domínio da operação e comprovou a origem dos recursos e capacidade econômica. 2. Não restou comprovado pela fiscalização a utilização de meios ilícitos, ato que buscasse ocultar algo para que a contribuinte pudesse furtarse do cumprimento da obrigação tributária, ato que buscasse ocultar o real vendedor, comprador ou responsável pela operação, e a realização de determinado negocio que não representa de fato a verdadeira intenção e objetivos dos agentes. 3. Os valores adquiridos da Torent são inferiores a 2% do volume de negócios efetuados pela Bellesky em sua atividade industrial. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. Os presentes recursos voluntários são tempestivos e preenchem as condições de admissibilidade, pelo que deles tomo conhecimento. Inicialmente vale recapitular o enquadramento legal do Auto de Infração (fl. 04), qual seja, o art. 23, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76, com a redação dada pelo art. 59 da Fl. 839DF CARF MF Processo nº 13971.721848/201444 Acórdão n.º 3401004.240 S3C4T1 Fl. 840 9 Lei nº 10.637/02, que trata conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). A conversão em multa ocorreu por ter sido aplicado os arts. 673, 675, inciso IV, 689 e §1° do Decreto n° 6.759/09 e arts. 73, §§ 1° e 2° da Lei n° 10.833/03. Art. 673. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa física ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Decreto ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálo (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 94, caput). Parágrafo único. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 94, § 2º). Art. 675. As infrações estão sujeitas às seguintes penalidades, aplicáveis separada ou cumulativamente (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 96; DecretoLei nº 1.455, de 1976, arts. 23, § 1º, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, art. 59, e 24; Lei no 9.069, de 1995, art. 65, § 3o; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 76): I perdimento do veículo; II perdimento da mercadoria; III perdimento de moeda; IV multa; e Fl. 840DF CARF MF Processo nº 13971.721848/201444 Acórdão n.º 3401004.240 S3C4T1 Fl. 841 10 V sanção administrativa. Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (...) XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, § 3º, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). Art. 73. Verificada a impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita a pena de perdimento, em razão de sua não localização ou consumo, extinguirseá o processo administrativo instaurado para apuração da infração capitulada como dano ao Erário. § 1º Na hipótese prevista no caput, será instaurado processo administrativo para aplicação da multa prevista no § 3o do art. 23 do DecretoLei no 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002. § 2º A multa a que se refere o § 1o será exigida mediante lançamento de ofício, que será processado e julgado nos termos da legislação que rege a determinação e exigência dos demais créditos tributários da União. De acordo com os autos a empresa Torent registrou Declaração de Importação nº 09/11969980 em nome próprio, sendo que a mercadoria se destinava a terceiros, no caso a empresa Bellesky, incidindo no teor do art. 23 do DL 1455/76: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Importante relembrar que as sanções aplicadas no âmbito aduaneiro almejam mais significativamente a garantia do controle aduaneiro, pois a fiscalização e o controle sobre Fl. 841DF CARF MF Processo nº 13971.721848/201444 Acórdão n.º 3401004.240 S3C4T1 Fl. 842 11 o comércio exterior são essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, conforme artigo 237 da Constituição Federal, de 1988. Por isso uma informação prestada, e declarada pelo contribuinte, em momento oportuno permite que a Secretaria da Receita Federal do Brasil do Brasil exerça sua competência institucional, e assim garanta a defesa dos interesses fazendários e em um escopo maior a defesa da economia nacional. O comando do inciso I, do art. 80 da MP nº 2.15835, de 24/08/2001, veio agregar possibilidade de atuação à instituição ao dar à RFB a prerrogativa de estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro. Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e II exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, 1quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente. O que se percebe é que a legislação não interfere nas relações comerciais, proibindo uma configuração que é prática no comércio. Ela apenas impõe o disciplinamento da relação comercial quando efetuada por conta e ordem de terceiros. Almejase assim um melhor controle aduaneiro e defesa da economia nacional, afastando a possibilidade do emprego de terceiras pessoas para práticas ilícitas diversas, tais como sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e descaminho, dentre outros. E coaduno com o que consta no Auto de Infração quando afirma: Vale lembrar que o objetivo primordial do disciplinamento acima é exatamente estabelecer os devidos controles sobre os verdadeiros adquirentes das mercadorias importadas, a fim de que sobre eles se exerçam as fiscalizações necessárias para se detectar, entre outros aspectos, a origem lícita dos recursos empregados, o devido recolhimento dos tributos internos incidentes sobre tais operações fiscais, inibindose, dessa forma, que empresas inidôneas venham a competir de forma desleal com aquelas legalmente estabelecidas e observadoras da legislação vigente. As importações “por conta e ordem de terceiros” foi regulamentada pela IN SRF nº 225, de 18/10/2002: Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que opere por conta e ordem de terceiros será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. 1 O inciso I foi alterado pela Lei nº 12.995/2014 para incluir a empresa exportadora. "I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora ou exportadora por conta e ordem de terceiro; Fl. 842DF CARF MF Processo nº 13971.721848/201444 Acórdão n.º 3401004.240 S3C4T1 Fl. 843 12 Parágrafo único. Entendese por importador por conta e ordem de terceiro a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial. Art. 2º A pessoa jurídica que contratar empresa para operar por sua conta e ordem deverá apresentar cópia do contrato firmado entre as partes para a prestação dos serviços, caracterizando a natureza de sua vinculação, à unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRF), de fiscalização aduaneira, com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz. Parágrafo único. O registro da Declaração de Importação (DI) pelo contratado ficará condicionado à sua prévia habilitação no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), para atuar como importador por conta e ordem do adquirente, pelo prazo previsto no contrato. Observese da leitura da IN SRF 225/2002 e da IN SRF 650/2006, vigentes à época dos fatos, que é condição para atuação da empresa por conta e ordem de terceiros, que ambas estejam habilitadas perante a RFB para a prática de atos de comércio exterior. Também é condição para essa atuação que seja informado no Siscomex, no momento do registro da Declaração de Importação que a operação é efetuada por conta e ordem de terceiros. Ao elaborar a declaração de importação (DI), o importador, pessoa jurídica contratada, deve selecionar, na Aba "Importador" no Campo "Caracterização da Operação", o Tipo "Importação por Conta e Ordem"2 ; A empresa Torent possuía habilitação3, já a empresa Bellesky somente foi habilitada em 10/06/2010, muito tempo após o registro da DI autuada. Importante notar que na Declaração de importação4 não foi informado tratar se de uma importação por conta e ordem, nem foi mencionada a existência de um terceiro interessado – um “adquirente” ou “encomendante predeterminado” para as mercadorias importadas. A importação poderia ter sido efetuada por conta e ordem de terceiros ou por encomenda. Já concluímos que para ser uma importação por conta e ordem de terceiros, não foram cumpridas duas exigências importantes, quais sejam, a habilitação de ambas as empresas, com a apresentação do contrato de prestação de serviços à RFB, e a informação no Siscomex de se tratar de uma importação por conta e ordem de terceiros. Ficando constatado o prejuízo ao controle aduaneiro. 2 Informação disponível no site da RFB: idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais 3 Me desobrigo de tecer considerações aqui sobre a habilitação das empresas para práticas de atos de comércio exterior, já que tal informação nada acrescentará aos debates. 4 Na DI anexa aos autos, doc 2 do AI, não consta o nome do adquirente da mercadoria. Fl. 843DF CARF MF Processo nº 13971.721848/201444 Acórdão n.º 3401004.240 S3C4T1 Fl. 844 13 Quanto a ser uma importação por encomenda, existe também disciplinamento para a matéria. A Lei nº 11.281, de 20/02/2006, criou a figura do encomendante predeterminado, submetendo à regulamentação da RFB. E a IN SRF nº 634, de 24/03/2006 trouxe a regulamentação: Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente. Art. 2º O registro da Declaração de Importação (DI) fica condicionado à prévia vinculação do importador por encomenda ao encomendante, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). ... § 3º Para fins do disposto no caput, o encomendante deverá estar habilitado nos termos da IN SRF nº 455, de 5 de outubro de 20047. Art. 3º O importador por encomenda, ao registrar DI, deverá informar, em campo próprio, o número de inscrição do encomendante no CNPJ. ... Como para a importação por conta e ordem, nesse caso não houve habilitação do encomendante e também não foi informado no Siscomex tratarse de uma importação por encomenda. Voltando ao tipo legal aplicado vemos que fica configurada a ocultação do sujeito passivo, do real comprador da mercadoria pela não informação prestada à RFB, a quem compete a regulamentação e o disciplinamento da matéria. Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Também resta comprovada a ocultação do real adquirente das mercadorias, a empresa Bellesky, já que consta nos autos que a empresa adiantou os recursos financeiros para o fechamento do contrato de câmbio, por meio de cheque da Bellevue. E as notas fiscais de Fl. 844DF CARF MF Processo nº 13971.721848/201444 Acórdão n.º 3401004.240 S3C4T1 Fl. 845 14 entrada e saída, da empresa Torent, que ampararam as mercadorias foram emitidas logo após o desembaraço aduaneiro fato que demonstra que as mercadorias haviam sido negociadas anteriormente à importação. Os registros contábeis informam que foi creditado, no dia 12/06/2009, pela empresa Bellevue, o valor de R$ 130.000,00 na conta “Adiantamento de clientes” sob a rubrica “Adto Cliente Ref Com Condor Supercenter”. Na mesma data consta na conta “Operação Transferência Fundo de Comércio”, sob a rubrica “Pgto Adto Importação por Conta Bellesky”, o débito de R$ 100.000,00, assim como sob a rubrica “Bellesky por Conta Contrato Venda Fundo e Comércio” o valor de R$ 30.000,00. Os cheques apresentados e o recibo de depósito, por sua vez, demonstram que, de fato, ditos valores foram depositados pela empresa Bellevue para a empresa Torent (R$ 100.000,00) e Bellesky (R$ 30.000,00) Concluise, assim, que os documentos apresentados comprovam a transação comercial e financeira entre as empresas Bellevue e Bellesky, assim como respaldam a alegação de que os recursos transferidos pela empresa Bellevue à empresa Torent se referiam às obrigações contratuais assumidas pela empresa Bellevue perante a empresa Bellesky. (Acórdão DRJ nº 0736.915) Resta saber se o restante do tipo legal é atingido, ou seja, a ocultação ter sido efetuada mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Encontramos a definição de fraude no art. 72 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964: Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Para a definição de simulação, buscamos o esclarecimento de juristas como Orlando Gomes5 para quem há simulação quando “em um negócio jurídico se verifica intencionalmente divergência entre a vontade real e a vontade declarada, com o fim de enganar a terceiros”. Ou Clóvis Bevilaqua para quem a simulação é uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado. Já a interposição fraudulenta de terceiros, é segundo o dicionário de Aurélio Buarque de Holanda uma simulação que consiste em ocultar o verdadeiro interessado no ato jurídico, fazendo aparecer um terceiro em seu lugar. 5 Introdução ao Estudo do Direito, 7a. ed., Rio de Janeiro: Forense, 1983, p. 374 Fl. 845DF CARF MF Processo nº 13971.721848/201444 Acórdão n.º 3401004.240 S3C4T1 Fl. 846 15 Revendo toda a documentação acostada ao processo podemos concluir que o caso concreto enquadrase perfeitamente nesses conceitos, restando comprovado que a empresa Bellesky foi a real adquirente das mercadorias importadas, e que a importação foi declarada como importação própria da empresa Torent, quando na verdade já tinha destino certo, inclusive com recebimento de parte do pagamento antes da chegada da mercadoria. Toda essa negociação configura clara a simulação sendo que restou ludibriado o controle aduaneiro. Quanto a alegação das recorrentes que a empresa Torent possuía recursos financeiros para arcar com a operação e que a antecipação de pagamento por parte da Bellesky era parte das tratativas negociais, essas afirmativas restaram desnecessárias ao deslinde da questão, pois mais importante era garantir o controle aduaneiro e os requisitos não foram cumpridos pelas recorrentes, a habilitação de ambas empresas, com a apresentação do contrato de prestação de serviços à RFB, e a informação no Siscomex de se tratar de uma importação por conta e ordem de terceiros. A alegação das recorrentes que toda a autuação foi baseada em presunções, também não merece guarita. A ocultação do sujeito passivo ficou demonstrada a partir do momento em que ele não foi identificado na importação. A fraude, simulação ou interposição fraudulenta também se mostra quando um terceira empresa (Torent) se coloca entre o fisco e o real adquirente, escondendo quem de fato estava adquirindo a mercadoria, inclusive confessado pelas autuadas, que os recursos transferidos à importadora Torent provieram da empresa Bellesky A respeito da sujeição passiva temos que relembrar os comandos dos arts. 124, 128 e 135 do CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Art.135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – as pessoas referidas no artigo anterior; II – os mandatários, prepostos e empregados; III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 846DF CARF MF Processo nº 13971.721848/201444 Acórdão n.º 3401004.240 S3C4T1 Fl. 847 16 E o DecretoLei nº 37/1966 define em seu art. 95 os responsáveis pelas infrações, não fazendo distinção à responsabilização solidária, se a operação é por conta e ordem ou por encomenda: Art 95. Respondem pela infração: I Conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...) V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora (incluído pelo art. 78 da Medida Provisória nº 2.158/2001). VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora (incluído pelo art. 12 da Lei nº 11.281/2006). Logo tanto o importador quanto o real adquirente das mercadorias são responsáveis solidários pelos tributos e pelas multas aplicadas, e também os sócios Srs. Dario Tomaselli e Luis Carlos Cenzi, pela simples leitura e aplicação dos dispositivos citados. Quanto a possibilidade de ressarcimento dos valores recolhidos a título de tributos no caso de manutenção da multa, repiso os argumentos levantados no acórdão da DRJ: Da mesma forma não se acata o argumento dos impugnantes de que os valores recolhidos a título de tributos devem ser a eles ressarcidos no caso de manutenção da multa lançada. A penalidade lançada se refere a multa substitutiva de pena de perdimento em razão da impossibilidade de localização das mercadorias importadas. Essa impossibilidade de localização se deu pelo fato de essas mercadorias terem sido revendidas, ou seja, terem adentrado à economia nacional. Por essa razão, o Decretolei nº 37/1966 assim estabelece em seu art. 1º, in verbis: Art.1º O Imposto sobre a Importação incide sobre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no Território Nacional.(Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) (...) § 4º O imposto não incide sobre mercadoria estrangeira:(Incluído pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) III que tenha sido objeto de pena de perdimento, exceto na hipótese em que não seja localizada, tenha sido consumida ou Fl. 847DF CARF MF Processo nº 13971.721848/201444 Acórdão n.º 3401004.240 S3C4T1 Fl. 848 17 revendida.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (destaques acrescidos) Portanto, improcedente a alegação dos impugnantes de que os tributos pagos devam ser a eles ressarcidos. A mercadoria não foi localizada, por já ter sido revendida, conforme informado nos autos, aplicandose então a conversão do perdimento em multa. Por todo o exposto voto no sentido de conhecer o recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Mara Cristina Sifuentes Fl. 848DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.730203/2014-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 11/04/2012 a 21/01/2014
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. CESSÃO DE NOME.
Aplica-se a multa de dez por cento do valor da operação exclusivamente à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários.
Recurso Negado. Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-004.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator
(assinado digitalmente)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Redatora Ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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CESSÃO DE NOME. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação exclusivamente à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. Recurso Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator (assinado digitalmente) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Redatora Ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho (relator), Maria do Socorro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 73 02 03 /2 01 4- 18 Fl. 1155DF CARF MF 2 Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Foime designado formalizar o presente voto, como Redatora Ad Hoc, conforme despacho de fls. 1153 eprocesso, Acórdão nº 3302004.149, proferido na sessão de 27 de abril de 2017, nos termos do artigo 17, inciso III do Anexo II do RICARF. Na condição de Redatora ad hoc para formalização deste acórdão, passo a transcrever o relatório constante da minuta do voto do Relator Conselheiro Domingos de Sá Filho. "Cuidase de Recurso Voluntário apresentado pela empresa ALIANÇA COMERCIAL, IMPORTAÇÃO E EXPORTADORA LTDA., visando modificar a decisão de piso, que manteve aplicação da penalidade, prevista pelo artigo 33 da Lei nº 11.488/2007. A fiscalização acusa a Recorrente de ceder o nome em realização de operações de comércio exterior com vista ao acobertamento de reais intervenientes ou beneficiários. No caso concreto, atribui a condição de real adquirente das mercadorias importadas à empresa STELL COMÉRCIO, DISTRIBUIÇÃO E REPRESENTAÇÃO LTDA. e DIRECT LOGÍSTICA LTDA, mantendoas ocultas aos controles aduaneiros, quando as operações foram registradas em nome da ALIANÇA. Adotase o relatório da decisão da DRJ/Florianopólis: “Trata o presente processo do Auto de Infração, de fls. 792/797, por meio do qual é feita a exigência de R$ 238.302,29, relativa à multa correspondente a 10% do valor aduaneiro de que trata o art. 33, da Lei nº 11.488/2007. Relata a auditoria, às fls. 23/51, que se constatou ligação entre a ALIANÇA e as empresas STEEL COMÉRCIO, DISTRIBUIÇÃO E REPRESENTAÇÃO LTDA, CNPJ 13.474.016/000188 e DIRECT LOGÍSTICA LTDA, CNPJ 02.119.270/000141. Estas duas últimas empresas trazem como endereço o mesmo indicado nos dados cadastrais da ALIANÇA e apresentam como sócios: Cláudio Correa de Moura, casado com a sócia da ALIANÇA Djenane Salvadori Moura; e Mario Sérgio dos Santos, casado com Luceli Assenjo de Souza Santos, que fora sócia da ALIANÇA e que repassou suas cotas para a filha – Adriana Assenjo dos Santos. As sócias constantes do quadro societário da ALIANÇA não apresentam capacidade econômica para fazer frente aos valores indicados como capital social (R$ 235.000,00), se analisada a evolução patrimonial constante das suas DIRPF. Relata que a empresa DIRECT promoveu transferências de numerários no montante de, aproximadamente, R$ 1.066.000,00, à empresa ALIANÇA, a título de mútuo, conforme resposta à intimação. Grande parte deste valor (R$ 746.939,46) advém de seu sócio Cláudio Correa Moura, após ser depositado na conta da empresa DIRECT, conforme consta dos comprovantes bancários. Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 11128.730203/201418 Acórdão n.º 3302004.149 S3C3T2 Fl. 1.154 3 Verificou, na contabilidade da empresa DIRECT, os seguintes pagamentos dos empréstimos: no montante de R$170.000,00, divididos em operações realizadas nos meses de julho e setembro de 2012; R$ 480.000,00 em 2013; e, em 2014, pagamentos no valor de R$ 150.000,00 (anexo 4). A auditoria explica que, conforme extratos bancários da empresa ALIANÇA, os pagamentos por ela efetuados à DIRECT têm suporte nos valores realizados como adiantamentos pela STEEL. E que tais recursos podem ser utilizados pela DIRECT para fechamento de câmbios ou pagamentos de tributos na realização de importações realizadas pela Aliança. Na resposta à intimação, a auditoria fiscal observou diversas inconsistências, eis que, questionada acerca das transferências, a empresa ALIANÇA remete a notas fiscais com emissão em datas posteriores àquelas nas quais se observou o fluxo econômico e, muitas vezes, a quantia constante do extrato bancário é muito superior ao valor da nota mencionada, conforme exemplifica. Assim, a auditoria concluiu que a demonstração da origem dos recursos não é clara e nem guarda lógica quanto aos valores e datas. A empresa STEEL aparece como principal compradora dos produtos comercializados pela ALIANÇA, atingindo o percentual de 86% das transações desta empresa. Em relatórios extraídos da contabilidade da STEEL, observou que foram providenciados adiantamentos em valores substanciais que serviram de custeio às operações realizadas pela Aliança, como os exemplos mostrados, sem que, no entanto, haja coerência entre as datas (até um ano após) e os valores apontados nas notas fiscais a que se relacionam seus históricos. Esses adiantamentos são encontrados também na contabilidade da empresa ALIANÇA, historiados como pagamentos referentes às notas fiscais emitidas em data muito posterior àquelas em que se observam as transferências de recursos. Verificou, também, a existência de uma conta denominada “empréstimos aliança”, onde se pode ver a periodicidade e os montantes enviados à importadora visando ao financiamento das importações. Informa que a empresa STEEL não possuía habilitação para operar no comércio exterior, tendo permanecido oculta, uma vez que é tida como real adquirente das mercadorias despachadas através das DI listadas, registradas pela ALIANÇA como operação por conta própria. Nota que não foram seguidos os passos e as condições que devem ser observadas para tais operações, através de Instrução Normativa RFB nº 225, de 18 de outubro de 2002, e que o seu descumprimento traz prejuízo ao controle aduaneiro. Considerou a existência de solidariedade entre as empresas ALIANÇA, STEEL e DIRECT LOGÍSTICA, com base no art. 124 do DecretoLei nº 5.172/66 (CTN). Fl. 1157DF CARF MF 4 Cientificadas do lançamento (fls. 816/818), as empresas ALIANÇA, DIRECT e STEEL, apresentaram suas impugnações (fls. 824/849, 897/922 e 985/1011, respectivamente), nas quais, em síntese: Alegam que, somandose os valores dos adiantamentos, não é possível chegar ao real valor descrito nas notas fiscais e que as vendas estão lançadas nas contabilidades das empresas. Aduzem que os valores relacionados como adiantamentos são decorrentes de outras transações entre as empresas e não se pode presumir ocultação do real adquirente somente pelo fato da existência de pagamentos em datas próximas às datas das compras das mercadorias no exterior. Informam que a empresa ALIANÇA possuía saldo em conta corrente, no momento do desembaraço aduaneiro, decorrente de empréstimos por meio de contrato de mútuo com a empresa DIRECT. Desta forma, não existe dano ao erário e motivo da referida fiscalização. Aduzem que não houve ocultação do sujeito passivo, pois o auditor fiscal sabia para quem fora vendida a mercadoria, intimando a suposta empresa ocultada para prestar informações, e que falta clareza na descrição dos fatos, não atendendo todos os requisitos de validade elencados pela legislação vigente. Afirmam que a ausência de motivo fere os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, gerando a nulidade do ato administrativo e que não havendo a perfeita subsunção do fato concreto à hipótese prevista legalmente, não há que se falar na aplicação da presente penalidade. Alegam incompetência do agente, pois a equipe que formaliza os autos de infração nas importações onde existam indícios de fraude em matéria aduaneira é da Eqpea e não da Eqaufi, que foi responsável pelo lançamento. Aduzem que houve a prática de atos com excesso de poderes com relação ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), pois não lhe foram atribuídos poderes para solicitar extratos bancários das contas correntes, ferindo princípios constitucionais. Argumenta, ainda, que há vício material passível de nulidade, eis que a auditoria descreve a fundamentação legal da pena de perdimento no item 4 do relatório fiscal, no entanto, o enquadramento legal correto do presente lançamento seria do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 (cessão do nome da pessoa jurídica com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários). Alegam que a pena de perdimento aplicada não se encontra amparada legalmente, pois o auditor sabe para quem foi vendida a mercadoria, não havendo que se falar em ocultação do sujeito passivo. Elenca os procedimentos da ALIANÇA, relativos à importação e venda das mercadorias, caracterizandoa como por encomenda. Afirmam que não existem provas cabais das alegações do fisco e que a pena aplicável seria tão somente a disposta no art. 711, III, da Lei nº 6.759/2009, ou seja, 1% do valor aduaneiro, conforme art. 712, 736, I, e 737, da mesma lei, pois, havendo o pagamento dos tributos a multa há de ser relevada. Fl. 1158DF CARF MF Processo nº 11128.730203/201418 Acórdão n.º 3302004.149 S3C3T2 Fl. 1.155 5 Argumentam que as três empresas são independentes entre si, com endereços em locais distintos, possuem objetos sociais diversos e, portanto, não formam um grupo econômico. Ademais, mesmo que exista parentesco entre os sócios das empresas e realização de negociações comerciais entre si, não significa que atuem com o intuito de fraude ou simulação a fim de ocultar os reais adquirentes das mercadorias, tanto isto é verdade que o auditorfiscal não encontrou empecilhos para constatar que a empresa adquirente é a STELL. Informam que o valor de R$ 746.939,46 é originário da venda de imóvel localizado na rua Antônio Bento de Amorim, 83, em Santos/SP, o que se comprova pela DIRPF anexada do Sr. Cláudio Correa Moura. Este valor foi investido na DIRECT que, por sua vez, realizou um contrato de mútuo com a empresa ALIANÇA, sendo uma operação lícita. Assim, a ALIANÇA realizou as importações de mercadorias com seus próprios recursos, por encomenda e por fim revendia a seus clientes, dentre eles a STELL, não havendo que se falar em fraude ou simulação. Ademais, a empresa ALIANÇA, ao vender mercadorias, recebia os pagamentos de seus clientes, como é o caso da STEEL, constituindo caixa e pagando aos seus credores, sendo um deles a empresa DIRECT, não havendo nenhuma irregularidade. Aduzem que a auditora supõe que a STELL fizesse adiantamentos à Aliança, sem comprovar, pois são decorrentes de outras transações entre as empresas, tanto que não coincidem com os valores das notas fiscais. Requerem seja declarada a nulidade do presente auto de infração, pelos motivos expostos, ou que seja desconstituído o lançamento, ou, que seja reduzido o valor da multa para 1%, pelo erro de preenchimento da DI, abstendose dos procedimentos de cobrança pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Requerem a produção de provas, inclusive sustentação oral.” Na decisão da DRJ, houve a exclusão de ofício do polo passivo as empresas STEEL COMÉRCIO, DISTRIBUIÇÃO E REPRESENTAÇÃO LTDA e DIRECT LOGÍSTICA LTDA, CNPJ 02.119.270/000141 Sobreveio o Recurso Voluntário, tempestivo, apresentado pela empresa Aliança Comercial Importadora e Exportadora Ltda. A Recorrente mantém os mesmos argumentos da fase inicial, bem como, preliminar de ausência de motivo do lançamento, por entender que faltou o motivo, que conduziram o agente público a elaboração do ato administrativo, constaria que a situação fática e jurídica que levou a lavratura do auto de infração não teria ocorrido, segundo o seu raciocínio, não existiu ocultação do real adquirente para realização de operações de comércio exterior. Sustenta também incompetência do agente, alegando, no caso de fraude em matéria aduaneira é da “Eqcol” e não da “Equafi”, quem lavrou o auto em discussão, menciona o artigo 59 do Decreto 70.235/72. Fl. 1159DF CARF MF 6 Alega, ainda, pratica excedente ao MPF e indeferimento de produção de prova É o relatório." Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Redatora Ad Hoc. Na condição de Redatora Ad Hoc para formalização deste acórdão, passo a transcrever as razões do julgado, constantes da minuta do voto do Conselheiro Domingos de Sá Filho. "Tratase de recurso tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. A matéria devolvida ao exame se refere acessão de nome para realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários sujeitos a multa de 10% (dez por cento). Há preliminares, antes de se dirigir ao ponto nodal da situação controvertida, impõese examinar questões atinentes à admissibilidade do recurso, que propiciam acesso ao pedido propriamente dito. 1. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO A preliminar não merece prosperar, a sustentação por si só confunde com o mérito, pois trata de situação fática e jurídica, se existiu ou não ocultação do real adquirente nas operações realizadas de comércio exterior é o objeto principal do processo. Ademais, o fato do auditor entender tratarse de situação que configure a ocultação, revela o convencimento da autoridade para proceder ao lançamento, por essa razão não se vislumbra existência de elementos capaz de macular o lançamento. Sendo assim, o assunto será examinado, quando da apreciação do mérito. 2. COMPETÊNCIA DO AGENTE A competência do auditor da Receita Federal para proceder à auditoria e lançamento decorre de força de lei desde que inerentes à função, por isso o acerto da decisão recorrida. A parda alegação de que a matéria aduaneira é da “Eqcol” e não da “Equafi”, não se sustenta, basta exame da legislação, dispõe o art. 9º do Decreto 70.235/72 e o art. 9º da Lei nº 11.457, de 2007, in verbis: Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 9º. A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 11128.730203/201418 Acórdão n.º 3302004.149 S3C3T2 Fl. 1.156 7 distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. § 3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. Lei nº 11.457, de 2007 Art. 9º. A Lei no 10.593, de 6 de dezembro de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições. b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais. c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados. d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal.” (...) Sendo assim, não merece prosperar, rejeito. 3. VÍCIO NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O MPF disciplina a execução do procedimento fiscal relativo aos tributos e contribuições sociais administrados pela Receita Federal, sendo assim, se revela instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte, em síntese a meu ver é meramente autorização para que o agente se apresente ao Contribuinte. Fl. 1161DF CARF MF 8 A ausência desse documento abre a porta para o contribuinte recusar o atendimento das solicitações efetivadas, entretanto, quaisquer omissão não macula o lançamento. Portanto, não vislumbro qualquer macula capaz de dar azo nulidade. 4. PRODUÇÃO DE PROVA. INDEFERIMENTO A produção de prova é direito constitucional. Os códigos de rito disciplinam os momentos oportunos as quais devem ser exibidas, com exceções daquelas que podem ser objeto ao longo do curso do procedimento, e não há dúvida de que o impedimento configura o cerceamento de defesa. No caso dos autos a irresignação está vinculada ao pedido de produção posterior de provas sustentado na fase de impugnação como se extraí da narração da peça recursal. Como restou bem contornado a questão pelo julgador de piso, a produção de prova deve ocorrer no momento da impugnação, cabe a parte provar as alegações por meio idôneos, juntar os documentos pertinentes ao assunto debatido, requerer outras, pericia desde que justificável, ficando a cargo da autoridade julgar se é conexas deferir ou não. Mesmo em nome da verdade material, deve o Interessado fazer prova mínima do alegado, o complemento para momento diferente encontra disciplinado no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, se demonstrado cabe ao julgador deferir, que não é o caso dos autos, pois não há qualquer justificativa capaz de convencer o deferimento para outro momento. Sendo assim, deve ser afastada alegação de cerceamento de defesa. NO MÉRITO Examinando ocorrência de ocultação do real interessado nas importações realizadas pela empresa ALIANÇA, concluise pela constatação fática de que o real adquirente tratava da empresa STELL, considerando que a penalidade prevista pelo artigo 33, da Lei nº 11.488/2007, deve ser imposta somente a pessoa jurídica que cede, andou bem o julgador a quo em afastar a sujeição passiva da empresa STELL. Nesse aspecto os elementos probatórios na autuação encontram fincados no grau de parentesco entre os sócios das três em pesas envolvidas nesse processado, ALIANÇA, DIRECT e STEEL, incapacidade financeira de alguns dos sócios em integralizar o capital, transferência de quotas por meio de doação entre sócios, empréstimos por meio de contrato de mútuos entre ALIANÇA e a DIRECT, bem como o fato das vendas para STELL representar mais de 86% e os valores adiantados ocorrer muito tempo antes da emissão das notas fiscais de venda. Contra essas acusações a defesa não traçou uma linha sequer, contentouse em sustentar a inexistência de ocultação de real interessado que não fosse a própria Aliança. Apenas apresentou com a impugnação cópia do contrato de mútuo firmado entre as empresas Aliança e a Direct. A fiscalização toma como elementos de convicção a incapacidade financeira dos sócios, bem como, da Aliança, demonstra por meio de fluxo saída de recursos financeiros da empresa Steel para Aliança sem contrapartida de venda. Demonstrou que o montante emprestado por meio de mútuo da DIRECT para Aliança foi devolvido em diversas parcelas oriundo das remessas de dinheiro efetivados pela empresa STEEL, que esse mesmo recurso financeiro circulava constantemente entre as três empresas. Fl. 1162DF CARF MF Processo nº 11128.730203/201418 Acórdão n.º 3302004.149 S3C3T2 Fl. 1.157 9 Assim como, os empréstimos bancários eram quitados por meio dos adiantamentos efetivados pela STEEL, curiosamente contabilizados em conta de “adiantamento para importação futura”, como afirmado no relatório fiscal. Apenas um item dos elementos da autuação é contestado na impugnação e no recurso voluntário, que não logra afastar a caracterização da ocultação. Aduz que os valores, pagos à Aliança pela STEEL, são decorrentes de outras transações efetuadas entre as empresas, não se revelam suficiente para fazer prova contrária, necessitando de muito mais, cabia vincular as operações de venda com as respectivas notas fiscais, demonstrando que valor recebido se referia aquela transação. Não basta alegar licitude das operações realizadas entre as duas empresas, no caso concreto, impõe provar por meio de documentos idôneos, que tratava de operação de compra e venda por se referir empresa que guarda estreito vínculo familiar, cujos recursos financeiros são oriundos de empréstimo de mútuo de outra empresa familiar. O fato de a empresa ter adquirido com dinheiro próprio ou de terceiro as mercadorias, não afasta a existência de acobertamento. Não logrando êxito em afastar acusação, além de sofrer pena em substituição perda de mercadoria, também ficou à mercê da aplicação da penalidade por cessão do nome por tratar de penalidades distintas, no primeiro caso de conversão de perda de mercadorias importadas pela multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, no caso concreto o percentual de 10% (dez por cento) do valor das mercadorias. Dúvida não há de que a ALIANÇA se colocou na condição interposta nas operações de importação para empresa STELL, cedendo o nome fazendo com que a interessada permanecese oculta aos controles aduaneiros. A sustentação do Recorrente de que no caso em tela aplicase o disposto no art. 711, III, da Lei nº 6.759/2009, multa equivalente a 1% do valor aduaneiro, conforme os artigos 712, 736, I, e 737 do mesmo diploma legal, improcede, pois no caso não se refere omissão, prestação de informação inexata ou incompleta. Assim sendo, não há como acudir o pleito. Diante do exposto, conheço do recurso e nego provimento. É como voto." Domingos de Sá Filho Relator (assinado digitalmente) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Redatora Ad Hoc Fl. 1163DF CARF MF 10 Fl. 1164DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.722256/2013-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/06/2013
COISA JULGADA. INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA.
A concomitância pressupõe a coexistência de dois processos, um judicial e outro administrativo, para que caracterize a renúncia à impugnação e recurso administrativo. Na hipótese de encerramento do processo judicial, com trânsito em julgado favorável ao contribuinte, cabe ao Colegiado aplicar o teor da decisão ao caso.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-004.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para dar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para dar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo.
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INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA. A concomitância pressupõe a coexistência de dois processos, um judicial e outro administrativo, para que caracterize a renúncia à impugnação e recurso administrativo. Na hipótese de encerramento do processo judicial, com trânsito em julgado favorável ao contribuinte, cabe ao Colegiado aplicar o teor da decisão ao caso. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para dar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 22 56 /2 01 3- 14 Fl. 243DF CARF MF 2 Relatório Por bem relatar o feito, reproduzo abaixo trechos do relatório da decisão recorrida: Versa o presente processo sobre os Autos de Infração lavrados (fls. 04/41) para a exigência do crédito tributário no montante de R$ 272.612,11, relativo ao Imposto de Importação – II, Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI – Importação, PIS/PASEP –Importação, Cofins – Importação e Multa do Controle Administrativo das Importações, de que trata o art. 23, inciso II, alínea “d” e §3º do DecretoLei nº 1.455, de 1976, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637, de 2002, equivalente a 100% do valor aduaneiro das mercadorias importadas. Na descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, a auditoria relata o abaixo transcrito, em sua íntegra, ocultandose apenas os textos dos dispositivos legais: DESCRIÇÃO DOS FATOS Em atendimento ao RPF nr 07276002013004515, lavrase o presente de Auto de Infração para aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, conforme previsto no §3° do art. 23 do DecretoLei n° 1.455/76. Penalidade substitutiva a ser aplicada, pois conforme descrito, a mercadoria foi reexportada e embarcada em 07/12/2012 através da DDE n° 21212424506, averbada em 07/12/2012, portanto verificase a impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita à pena de perdimento, que não seja localizada. Ressalvase que o crédito tributário está sendo constituído para prevenir a decadência e portanto está com a exigibilidade suspensa, aguardado o deslinde do MS n°0009363 31.2012.4.02.5001 (2012.50.01.0093630) 5a Vara Federal da Seção Judiciária do ES. Contudo, se ao final do processo judicial a decisão restar favorável à Fazenda Nacional, deverá ser aplicada a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, conforme previsto no § 3o do art. 23 do Decreto Lei n° 1.455/ 1976: Em 02/05/2012 foi lavrado Auto de infração Tratase de processo para aplicação da pena de perdimento às mercadorias relacionadas no Termo de Apreensão e Guarda Fiscal N° 072760000161/12, com fundamento em abandono, nos termos do DecretoLei n° 37, de 1966, art. 105; DecretoLei n°1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1o (este com a redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002); e Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 6.759/09): arts. 642, II, alínea "a", e art. 689, XXI. 12466.720204/201214). Naquele processo, por falta de previsão legal, o pedido de reexportação das mercadorias entrepostadas restou indeferido. A interessada, entretanto, impetrou o mandado de segurança n° 0009363 31.2012.4.02.5001 (2012.50.01.0093630) JUSTIÇA FEDERAL SEÇÃO JUDICIÁRIA DO ESPÍRITO SANTO 5a VARA FEDERAL CÍVEL, no qual requer " [...] a declaração de nulidade dos Autos de Infração de Perdimento de n. 0727600/00161/12 e0727600/00237/12, bem como de todas as decisões prolatadas contrárias à reexportação dos bens a favor de seu proprietário (o exportador) exaradas nos Processos Administrativos de n. 12466.720204/2012 14 e 12466.721201/2 01206." Em sede de sentença (fls.. 453/462), reconheceuse "a nulidade do indeferimento dos pedidos de reexportação das mercadorias vinculadas às declarações de Admissão versadas na inicial, bem como das penas de perdimento Fl. 244DF CARF MF Processo nº 12466.722256/201314 Acórdão n.º 3402004.674 S3C4T2 Fl. 3 3 impostas posteriormente, devendo a Autoridade Coatora dar regular seguimento ao procedimento de devolução ao exterior dos bens em questão." Além disso, tendo sido reconhecida "[...] a ilegalidade das decisões que indeferiram os pedidos de reexportação, tal posicionamento culmina na ausência de validade dos atos posteriores tomados pela Autoridade Coatora, razão pela qual as penas de perdimento aplicadas devem ser anuladas." Em cumprimento da decisão judicial, as mercadorias objeto desses autos de infração foram reexportadas, conforme DDE 21212424500 , desembaraçada em 28/11/2012, com dados do embarque registrados em 07/12/2012 e averbação automática em 07/12/2012. Desse modo, mesmo que a decisão definitiva no Mandado de Segurança nº 000936331.2012.4.02.5001(2012.50.01.0093630) seja favorável a Fazenda Nacional, haverá a impossibilidade de apreensão das mercadorias controladas neste processo. Nesse sentido, há que se reconhecer que não há mais utilidade prática auto de infração lavrado anteriormente, o que implica a perda do objeto do presente processo. Em anexo planilha dos cálculos dos tributos e multas cabíveis, que passa a integrar o relatório. Regularmente cientificada, a interessada apresentou impugnação tempestiva (fls. 75/88), na qual, em síntese: Alega que as questões levadas à apreciação judicial não impede a análise da matéria de mérito no presente litígio administrativo. Argumenta que o simples decurso do prazo não configura uma presunção absoluta de abandono de mercadorias, conforme jurisprudências, e que adotou efetivas medidas para dar uma destinação a referidos produtos, requerendo sua reexportação/devolução ao exportador, antes de ser iniciado qualquer procedimento de aplicação de perdimento das mercadorias pela autoridade coatora, conforme os documentos 05, 06, 09, 10 e 15, o que, por si só, é incompatível com o abandono. Aduz que o art. 409, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, não criou nenhum prazo decadencial para o direito de reexportar os bens, mas é apenas uma referência à presunção de abandono para autorizar o início de um processo administrativo de aplicação de perdimento. E que, após o decurso de tal prazo, quando muito a autoridade coatora poderia exigir alguma multa administrativa para que a Impugnante retomasse o exercício de direitos sobre bens de seu interesse. Porém, fato é que não existe qualquer multa legal estabelecida pela devolução fora do prazo de mercadoria entrepostada, mas nem por isso a ausência dessa penalidade, para o presente caso, significa que seria irregular a devolução dos bens ao exterior. Argumenta que é equivocada a decisão da autoridade administrativa de que à Impugnante cabe apenas o direito de nacionalização das mercadorias após o término do prazo de 45 dias previsto no art. 409 do Regulamento Aduaneiro, porque culmina na exigência transversa de que o exportador, ainda detentor da propriedade, teria a obrigatoriedade de vender as mercadorias para a Impugnante, sob pena de ter decretado o perdimento de seus bens. Alega que, com o término do regime de entreposto aduaneiro pelo decurso de seu prazo, as mercadorias passam a ser tratadas pelo regime geral. E o despacho de importação, a seu turno, é regulado essencialmente pelo disposto na IN SRF 680/2006, a qual, em seu art. 65, prevê a hipótese de devolução da mercadoria ao exterior, o que é aplicável ao caso em concreto, pois requereu tempestivamente a reexportação de todas as mercadorias antes de ser iniciado qualquer procedimento Fl. 245DF CARF MF 4 fiscal ou de ser aplicado o seu perdimento, como se vê nas petições datadas de 16/01/2012 (doc. 05) e 02/04/2012 (doc. 06), uma vez que os autos de perdimento apenas foram lavrados em 02/05/2012 (doc. 13) e 07/08/2012 (doc. 14). Aduz que é incabível a exigência dos tributos sobre as mercadorias que foram reexportadas, cumulado com a aplicação de multa de 100% do valor aduaneiro das mesmas mercadorias em substituição a uma pena de perdimento previamente aplicada, de acordo com o art. 1o, § 4o, inciso III, do DL 37/1966, pois suas ressalvas somente têm aplicação quando e se as mercadorias forem nacionalizadas. Ou seja, não pode haver a incidência tributária sobre bens reexportados, sendo a situação de fato incompatível com o suposto normativo dos tributos na importação. Requer seja julgado insubsistente o Auto de Infração, determinandose a sua baixa e arquivo definitivo. Em 08/01/2015, foi apresentada petição, na qual se requer seja reconhecida e acatada a decisão judicial definitiva juntada aos autos (fls. 149/175). A decisão da DRJ reconheceu concomitância entre a discussão de mérito do processo, não conhecendo os argumentos da peça impugnatória relativos à discussão da multa de 100% do valor aduaneiro na esfera administrativa ressalvando que a mesma deveria ser revista pela unidade de origem, em cumprimento à decisão judicial. Além disso, exonerou o contribuinte, de ofício, dos tributos lançados e consectários legais. Em razão desta decisão, o contribuinte foi intimado do resultado e instado a recorrer da parte mantida, relativa à multa de 100%, o que o fez, aduzindo as razões relativas à existência de coisa julgada no Mandado de Segurança nº 000936331.2012.4.02.5001. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A decisão da DRJ deixou de conhecer os argumentos da impugnação relativos à multa aduaneira em razão da ocorrência de concomitância, aplicando assim a Súmula CARF nº 01: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Todavia, apesar do voto técnico, laborou em equívoco o Colegiado a quo, haja vista que concomitância pressupõe a existência simultânea de dois processos, um judicial e outro administrativo, versando sobre a mesma matéria. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 12466.722256/201314 Acórdão n.º 3402004.674 S3C4T2 Fl. 4 5 No presente caso, o que havia era uma processo administrativo em curso, e um processo judicial encerrado, com trânsito em julgado favorável ao contribuinte. Portanto, não se trata de hipótese de não conhecimento da Impugnação por renúncia à instância administrativa, mas sim de aplicação da coisa julgada existente favorável ao contribuinte de resto já plenamente reconhecida nos autos pela decisão a quo. É o que se verifica na ementa do julgado: APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO. REGIME ESPECIAL DE ENTREPOSTO ADUANEIRO. REEXPORTAÇÃO DE MERCADORIA. PENA DE PERDIMENTO. DECURSO DE PRAZO DE PERMANÊNCIA EM RECINTO ALFANDEGADO. RECURSO E REMESSA NECESSÁRIA IMPROVIDOS. 1. Manejase o presente mandado de segurança com o intuito de obterse, em essência, a nulidade de autos de infração que culminaram na aplicação de pena de perdimento de bens submetidos a regime aduaneiro especial, restando acolhida a pretensão mandamental por entender sua prolatora pela legalidade da pretensão de se efetuar a reexportação de mercadorias estrangeiras importadas quando verificada a ausência de registros de Declarações de Importação e de procedimento fiscal instaurado com vistas a apurar abandono de mercadorias importadas pelo decurso do prazo de permanência em recintos alfandegados. 2. O regime especial de entreposto aduaneiro caracterizase pela suspensão do pagamento de tributos incidentes sobre a importação de mercadorias estrangeiras armazenadas em recinto alfandegado (DL n° 1.455/76, art. 9o e Decreto n° 6.759/09, art. 404). A permanência da mercadoria no citado regime especial poderá ser de até um ano, admitida prorrogação até dois anos, prazo a iniciarse da data do desembaraço aduaneiro de admissão (Decreto n° 6.759/09, art. 408, caput). 3. No caso concreto, a empresa impetrante promoveu a reexportação dos bens após o prazo de 45 (quarenta e cinco) dias previsto no art. 409 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 6.759/09), cuja contagem iniciase com o término da vigência daquele regime especial. De acordo a legislação aduaneira, considerase tal fato infração sujeita à aplicação de pena de perdimento em razão do decurso de prazo de permanência das mercadorias submetidas àquele regime. 4. Verificase que a pena de perdição decretada pela Administração Aduaneira não se revela sensata quando há previsão normativa para a devolução de mercadoria que sequer fora nacionalizada , desde que pertinente pedido nesse sentido seja feito antes do registro de Declaração de Importação e não haja instauração do procedimento fiscal previsto no art. 27 do Decretolei n° 1.455/76 ("Art 27. As infrações mencionadas nos artigos 23, 24 e 26 serão apuradas através de processo fiscal, cuja peça inicial será o auto de infração acompanhado de termo de apreensão, e, se for o caso, de termo de guarda"). Precedentes. Fl. 247DF CARF MF 6 5. Apelação e remessa necessária impróvidas. Desse modo, voto no sentido de dar Provimento Integral ao Recurso Voluntário para exonerar a multa de 100% do valor aduaneiro, com fundamento na coisa julgada decorrente do Mandado de Segurança nº nº 000936331.2012.4.02.5001. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 248DF CARF MF
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Numero do processo: 10805.723698/2014-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
AGÊNCIA DE TURISMO. RECEITA BRUTA.
A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o valor correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Contudo, no caso de os serviços serem prestados pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
AGÊNCIA DE TURISMO. RECEITA BRUTA.
A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o valor correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Contudo, no caso de os serviços serem prestados pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3302-004.818
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus que davam provimento integral e a Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza que dava provimento parcial para exclusão dos juros de mora sobre a multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 AGÊNCIA DE TURISMO. RECEITA BRUTA. A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o valor correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Contudo, no caso de os serviços serem prestados pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 AGÊNCIA DE TURISMO. RECEITA BRUTA. A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o valor correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Contudo, no caso de os serviços serem prestados pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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RECEITA BRUTA. A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o valor correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Contudo, no caso de os serviços serem prestados pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 AGÊNCIA DE TURISMO. RECEITA BRUTA. A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o valor correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Contudo, no caso de os serviços serem prestados pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus que davam provimento integral e a Conselheira Sarah Maria L. de A. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 36 98 /2 01 4- 37 Fl. 2650DF CARF MF Processo nº 10805.723698/201437 Acórdão n.º 3302004.818 S3C3T2 Fl. 2.651 2 Paes de Souza que dava provimento parcial para exclusão dos juros de mora sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Trata o presente de Autos de Infração lavrados para constituição de crédito tributário de PIS/Pasep e Cofins, relativo ao anocalendário de 2010, referente à valores não transitados pelo resultado decorrentes da venda de serviços turísticos na qualidade de operadora turística e não como agência de turismo. Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevese parte do relatório do voto do acórdão recorrido: "Os lançamentos ocorreram face a infração de omissão de receitas sujeitas as contribuições, referentes aos valores dos contratos de vendas de produtos e serviços turísticos – pacotes, cruzeiros, hospedagens, passeios que a CVC Brasil, na qualidade de operadora de turismo vendeu a seus clientes/passageiros nas respectivas datas dos lançamentos contábeis “débitos” lançados na conta contábil 112010001 RECURSOS EM TRANSITO DE TERCEIROS , no ano de 2010, em seu nome, por sua conta e risco, e que nessa condição configuramse como receita bruta da empresa. A impugnante, a seu turno, contesta as autuações alegando que esses valores não integram sua receita bruta, pois referemse a valores repassados a terceiros, fornecedores de serviços turísticos e agências de turismo (lojas), os quais, portanto, não integram a base de cálculo das contribuições. Inicialmente, discorre sobre as atividades que desenvolve. Explica que: é empresa brasileira que se dedica à prestação do serviço de intermediação de viagens e excursões, individuais ou coletivas, compreendendo a organização e a contratação de programas, roteiros e itinerários no Brasil e no exterior; na condição de intermediadora de serviços turísticos, está sujeita ao recolhimento do ISS, e a sua atividade está prevista no item 9 da lista de serviços anexa à LC 116/2003; Fl. 2651DF CARF MF Processo nº 10805.723698/201437 Acórdão n.º 3302004.818 S3C3T2 Fl. 2.652 3 mantém uma rede de contatos e acordos com os fornecedores dos serviços turísticos (hotéis, companhias aéreas etc), realizando a organização, estruturação e oferecimento dos serviços turísticos prestados por tais fornecedores aos clientes/passageiros tomadores dos serviços, de forma individual ou em pacotes (conjunto de serviços turísticos de diferentes naturezas); atua por intermédio de agências filiais (lojas filiais) ou agências terceirizadas (lojas terceirizadas), com as quais firmou contratos de franquia empresarial, responsáveis pela comercialização de pacotes turísticos previamente estruturados ou serviços turísticos individuais prestados pelos fornecedores aos clientes/passageiros; as lojas filiais são detidas por outra empresa do grupo, denominada CVC Serviços Agência de Viagens Ltda. e, pois, representam pessoa jurídica diversa da requerente. Com fundamento artigo 27 da Lei n° 11.771/2008 (Lei Geral do Turismo LGT) e na Lei n° 12.974, de 15/05/2014, define no que consistem as “atividades de intermediação das agências de turismo”, e a diferença existente entre “agência de viagens” e “agência de viagens e turismo”. Conclui que, haja vista os conceitos previstos nas referidas leis, bem como na legislação anterior que tratava da matéria, dependendo da natureza e extensão da atividade específica desenvolvida, a agência poderá denominarse “Agência de Turismo” ou “Agência de Viagens e Turismo/Operadora Turística”. Aduz que, independentemente da denominação, a caracterização da espécie de serviço por ela realizado depende das atividades efetivamente realizadas: se a Agência de Viagens ou a Agência de Viagens e Turismo/Operadora Turística prestar determinados serviços de forma direta (e não por intermédio dos terceiros fornecedores), não restará configurada a atividade de intermediação; por outro lado, se a Agência de Viagens ou a Agência de Viagens e Turismo/Operadora Turística tiver como propósito a organização e oferecimento de serviços turísticos prestados por terceiros aos clientes/passageiros (passagens aéreas, hospedagem etc), estará realizando a atividade de intermediação de que trata a legislação do setor. E, considerando os conceitos legais e os aspectos fáticos que expõe, a Requerente defende que fica evidente que é uma Agência de Viagens e Turismo/Operadora Turística que realiza a intermediação entre fornecedores e passageiros, pelas lojas filiais ou lojas terceirizadas, de serviços turísticos prestados por terceiros. Alega que a Auditora Fiscal, entretanto, claramente confunde, ou busca confundir, os conceitos legais. Aduz que o “esforço realizado” pela fiscalização em “descaracterizar a Requerente como agência de turismo” e alegar que a Requerente realizaria a “revenda” de serviços turísticos se justifica para fundamentar a errônea premissa adotada para a lavratura da presente autuação, qual seja, de que os valores referentes aos repasses Fl. 2652DF CARF MF Processo nº 10805.723698/201437 Acórdão n.º 3302004.818 S3C3T2 Fl. 2.653 4 aos fornecedores e as comissões às lojas seriam custos da Requerente e não receitas de terceiros. Alega que, entretanto, tal premissa estaria em total desconformidade com a legislação do Turismo por ela mencionada, pois, o fato de determinada agência ser denominada Operadora significa tão somente que, além de realizar a venda comissionada ou a intermediação de serviços turísticos, a agência também realiza o planejamento e organização das atividades relacionadas às viagens. Afirma que de forma alguma a denominação de “Operadora” significa que a agência presta/oferece ela própria serviços turísticos “em seu nome”, como alega a Auditora Fiscal. Acrescenta que a circunstância de a Requerente também realizar atividades próprias de Operadora Turística (que nada tem a ver com a prestação direta de serviços turísticos) não afasta a sua caracterização como Agência de Viagem que tem como atividade principal a intermediação. Considerando que a atividade que desenvolve é a de intermediação de serviços turísticos, defende a não incidência das contribuições sobre os valores repassados a terceiros, no caso, aos fornecedores de serviços turísticos e comissões repassadas às lojas. Argumenta que tais contribuições incidirão, nos termos do art. 1º da Lei n° 9.718/1998, sobre o faturamento mensal da pessoa jurídica, que corresponde à sua receita bruta. Acrescenta que: o conceito jurídico de “receita” abarca apenas os valores que representam acréscimos patrimoniais efetivos e definitivos e que resultam diretamente da atividade econômica desenvolvida pela empresa; a legislação específica do turismo confirma que a receita da agência de turismo não pode abarcar a integralidade dos valores recebidos, mas apenas a verdadeira remuneração auferida pela atividade de intermediação; o preço do serviço de intermediação das agências de turismo é a comissão recebida dos fornecedores e/ou o valor agregado ao preço de custo desses fornecedores, e não o valor total dos ingressos. Na sequência, aponta e contesta as premissas, identificadas segundo o seu entendimento, adotadas pela Fiscalização como segue. Contesta a premissa do fiscal de que “a requerente não realiza atividade de intermediação de serviços turísticos, mas sim a compra e (re)venda de serviços turísticos em nome próprio” alegando: que o principal aspecto do negócio jurídico de compra e venda é a efetiva transferência de titularidade/propriedade sobre o bem em questão e na intermediação, o elemento da remuneração decorre da existência da prestação do serviço e não se verifica a transferência de titularidade/propriedade para a empresa que realiza a intermediação; que sua atividade consiste da “prestação de serviço de intermediação”, já que “não compra passagens e hospedagens e as revende em seu nome, mas sim organiza, reserva e contrata os serviços turísticos prestados Fl. 2653DF CARF MF Processo nº 10805.723698/201437 Acórdão n.º 3302004.818 S3C3T2 Fl. 2.654 5 pelos fornecedores e os oferece e comercializa aos clientes/passageiros”. Em relação ao fato de que de as notas fiscais e/ou faturas comerciais terem sido emitidas pelos fornecedores dos serviços turísticos (companhias aéreas, hotéis etc) em nome da requerente, alega que tal fato se deu por razões legais, estritamente operacionais e/ou alheias à sua vontade, e que não desnatura a essência da sua atividade de intermediação. Acrescenta que: as companhias aéreas não emitem notas fiscais contra os passageiros por expressa determinação legal; as faturas comerciais emitidas pelas companhias aéreas contra a requerente apenas formalizam os valores que deverão ser repassados por ela aos efetivos prestadores dos serviços de transporte aéreo usufruídos pelos clientes/passageiros; os bilhetes aéreos, que substituem as notas fiscais, são emitidos contra cada um dos passageiros, tomadores de tais serviços. E ainda que os valores a serem remetidos a terceiros são lançados em uma conta específica e transitória e são efetivamente transferidos aos verdadeiros titulares e que os documentos que suportam tal procedimento – contratos firmados com os passageiros, extratos bancários que atestam os valores recebidos e repassados aos fornecedores, faturas emitidas pelos fornecedores e notas fiscais emitidas com o valor da intermediação da requerente – foram apresentados na Fiscalização. Quanto ao veto do art. 46 da Lei n° 11.771/2008, argumenta que este não é capaz de gerar obrigação tributária, ainda mais sobre valores que não podem ser configurados como receita. Em relação às soluções de consulta mencionadas pelo autuante, a interessada, considerando que não fornece serviços turísticos diretamente, mas realiza a atividade de intermediação a eles relacionada, alega que o entendimento lá exarado demonstram que os procedimentos da requerente para a determinação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins foram absolutamente regulares. Por fim, discorre sobre a orientação da jurisprudência a respeito da não tributação das receitas de terceiros relacionadas às Agências de Turismo. Em relação à multa de ofício, suscita a impossibilidade da incidência mensal de juros Selic sobre a multa de ofício lançada. Alega que o artigo 61 da Lei 9.430/96 trata tão somente da incidência de juros sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, não havendo menção às multas de ofício aplicadas pela RFB. Requer o acolhimento integral da presente Impugnação e o imediato cancelamento da autuação. Protesta ainda pela juntada posterior de documentos que possam se fazer necessários. É o relatório. Fl. 2654DF CARF MF Processo nº 10805.723698/201437 Acórdão n.º 3302004.818 S3C3T2 Fl. 2.655 6 A Quarta Turma da DRJ em Florianópolis proferiu o acórdão nº 0737.081, com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. DESCARACTERIZAÇÃO COMO NORMAS COMPLEMENTARES DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As decisões judiciais prolatadas em ações individuais não produzem efeitos para outros que não aqueles que compõem a relação processual. E as decisões administrativas, não formalmente dotadas de caráter normativo, igualmente se aplicam inter partes. JUROS DE MORA. CRÉDITO CONSTITUÍDO. Os juros de mora incidentes sobre o crédito tributário no momento de sua efetiva exigência não é matéria que componha a lide no âmbito do julgamento administrativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 AGÊNCIA DE TURISMO. RECEITA BRUTA. A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o valor correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Contudo, no caso de os serviços serem prestados pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 AGÊNCIA DE TURISMO. RECEITA BRUTA. A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o valor correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Contudo, no caso de os serviços serem prestados pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 2655DF CARF MF Processo nº 10805.723698/201437 Acórdão n.º 3302004.818 S3C3T2 Fl. 2.656 7 Irresignada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reprisando as alegações deduzidas na impugnação. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos demais pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A recorrente defende basicamente que atua como intermediadora na prestação de serviços turísticos em vista dos comandos legais das Leis nº 11.771/2008 e Lei nº 12.974/2014 e a impossibilidade de tributação de receitas repassadas a terceiros, por não se incorporarem de maneira positiva e definitiva ao patrimônio da empresa. Inicialmente, salientase que as receitas da prestação de serviços das agências de viagem e agências de viagens e turismo estão excluídas do regime nãocumulativo das contribuições em razão do disposto no inciso XXIV do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003 (aplicável ao PIS pelo artigo 15 da mesma lei), abaixo transcrito: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: [...] XXIV as receitas decorrentes da prestação de serviços das agências de viagem e de viagens e turismo. Assim, a recorrente é sujeita à apuração cumulativa das contribuições nos termos da Lei nº 9.718/98, especialmente o artigo 3º, sem o alargamento da base de cálculo considerado inconstitucional pelo STF, o que culminou na revogação de seu §1º pela Lei nº 11.941/2009. Assim, a base de cálculo corresponde ao faturamento, entendido como a receita bruta a venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Primeiramente, quanto à possibilidade de repasse de receitas, ressaltase a discordância em relação ao posicionamento da recorrente quanto à possibilidade de exclusão, genericamente, de tais repasses. Ocorre que o inciso III do §2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 nunca foi regulamentado e foi revogado pela MP nº 2.15835/2001, sendo norma de eficácia limitada, não produzindo efeitos quanto à possibilidade de exclusão. A matéria foi abordada no REsp 1.339.767, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos, conforme decisão publicada em 02/08/2013, cuja ementa transcrevese: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. ART. 3º, §2º, III, DA LEI N. Fl. 2656DF CARF MF Processo nº 10805.723698/201437 Acórdão n.º 3302004.818 S3C3T2 Fl. 2.657 8 9.718/98. CONCEITO DE FATURAMENTO/RECEITA BRUTA PARA CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULOS. PREÇO DE VENDA AO CONSUMIDOR. IMPOSSIBILIDADE DE SE UTILIZAR A DIFERENÇA ENTRE AQUELE E O VALOR FIXADO PELA MONTADORA/FABRICANTE (MARGEM DE LUCRO). 1. O Poder Judiciário não está obrigado a emitir expresso juízo de valor a respeito de todas as teses e artigos de lei invocados pelas partes, bastando para fundamentar o decidido fazer uso de argumentação adequada, ainda que não espelhe qualquer das teses invocadas. 2. As empresas concessionárias de veículos, em relação aos veículos novos, devem recolher PIS e COFINS na forma dos arts. 2º e 3º, da Lei n. 9.718/98, ou seja, sobre a receita bruta/faturamento (compreendendo o valor da venda do veículo ao consumidor) e não sobre a diferença entre o valor de aquisição do veículo junto à fabricante concedente e o valor da venda ao consumidor (margem de lucro). Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no AREsp. n. 67.356/DF, Primeira Turma, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 24.04.2012; REsp. n. 465.822/RS, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ 14.08.2006; REsp n. 382.680/SC, Segunda Turma, Relator Ministro Francisco Peçanha Martins, DJ de 5.12.2005; AgRg no REsp n. 538.258/RS, Primeira Turma, relatora Ministra Denise Arruda, DJ de 3.10.2005; REsp n. 739.201/RS, Primeira Turma, relator Ministro José Delgado, DJ de 13.6.2005. 3. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos esses autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas, o seguinte resultado de julgamento: "A Seção, por unanimidade, negou provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator." Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Ari Pargendler, Eliana Calmon, Arnaldo Esteves Lima, Humberto Martins, Herman Benjamin e Napoleão Nunes Maia Filho votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Castro Meira. Brasília (DF), 26 de junho de 2013. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES , Relator Transcrevese, ainda, o excerto do voto condutor abaixo que assim decidiu: “Também não socorre ao PARTICULAR o argumento de que artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 teria afastado a referida Fl. 2657DF CARF MF Processo nº 10805.723698/201437 Acórdão n.º 3302004.818 S3C3T2 Fl. 2.658 9 tributação, pois sequer teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. A jurisprudência do STJ é pacífica nesse sentido. Transcrevo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. SÚMULA 168/STJ. PRECEDENTES. 1. Agravo regimental contra decisão que negou seguimento a embargos de divergência. 2. A embargante sustenta que “a norma em apreço teve vigência e eficácia plena, independentemente de não ter sido editada a regulamentação administrativa”. 3. No seio das Turmas integrantes da 1ª Seção, restou firmada posição no sentido de que “se o comando legal inserto no artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 previa que a exclusão de crédito tributário ali prevista dependia de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, é certo que, embora vigente, não teve eficácia no mundo jurídico, já que não editado o decreto regulamentador, a citada norma foi expressamente revogada com a edição de MP 199118/2000” (AgRg no Ag 596818/PR, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005). 4. Conforme posicionamento exarado pelo colendo STF (MI nº 20/DF, Rel. Min. Celso de Mello, DJ 22/11/1996), as normas de eficácia limitada são aquelas que apresentam “aplicabilidade indireta, mediata e reduzida, porque somente incidem totalmente sobre esses interesses, após uma normatividade ulterior que lhes desenvolva a aplicabilidade”. 5. Se o comando legal inserto no art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9718/98 previa que a exclusão de crédito tributário ali prevista dependia de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, é certo que, embora vigente, não teve eficácia no mundo jurídico, já que não editado o decreto regulamentador, a citada norma foi expressamente revogada com a edição de MP nº 1.99118/2000. Não comete violação do art. 97, IV, do CTN o decisório que em decorrência desse fato não reconhece o direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de contribuição para o PIS e a COFINS. 6. In casu, o legislador não pretendeu a aplicação imediata e genérica da lei sem que lhe fossem dados outros contornos como pretende a recorrente, caso contrário, não teria limitado seu poder de abrangência. Precedentes desta Corte Superior. Fl. 2658DF CARF MF Processo nº 10805.723698/201437 Acórdão n.º 3302004.818 S3C3T2 Fl. 2.659 10 7. Incidência do teor da Súmula 168/STJ: “Não cabem embargos de divergência, quando a jurisprudência do Tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado”. 8. Agravo regimental nãoprovido (AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006). TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO IMPUGNADO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULOS. COFINS E PIS. RECOLHIMENTO SOBRE RECEITA BRUTA. INCLUSÃO DA QUANTIA REPASSADA À MONTADORA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Apesar de oposto aos interesses recorrente, o aresto proferido pelo Tribunal a quo adotou fundamentação apropriada para a conclusão por ele alcançada. Ademais, não há confundir decisão contrária ao interesse da parte com a falta de pronunciamento do órgão julgador 2. É firme a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que a empresa concessionária de veículos deve recolher COFINS e PIS sobre a receita bruta, incluída nesta a quantia repassada à montadora ou fabricante, e não apenas sobre sua margem de lucro. 3. Agravo regimental não provido (AgRg no AREsp. n. 67.356/DF, Primeira Turma, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 24.04.2012). Relativamente à sujeição das receitas auferidas especificamente pelas agências de viagens e operadoras turísticas, a recorrente defende que apenas exerce atividade de intermediação, de acordo com os preceitos do artigo 27 da Lei nº 11.771/2008, a seguir reproduzidos: Art. 27. Compreendese por agência de turismo a pessoa jurídica que exerce a atividade econômica de intermediação remunerada entre fornecedores e consumidores de serviços turísticos ou os fornece diretamente. § 1o São considerados serviços de operação de viagens, excursões e passeios turísticos, a organização, contratação e execução de programas, roteiros, itinerários, bem como recepção, transferência e a assistência ao turista. § 2o O preço do serviço de intermediação é a comissão recebida dos fornecedores ou o valor que agregar ao preço de custo desses fornecedores, facultandose à agência de turismo cobrar taxa de serviço do consumidor pelos serviços prestados. § 3o As atividades de intermediação de agências de turismo compreendem a oferta, a reserva e a venda a consumidores de um ou mais dos seguintes serviços turísticos fornecidos por terceiros: Fl. 2659DF CARF MF Processo nº 10805.723698/201437 Acórdão n.º 3302004.818 S3C3T2 Fl. 2.660 11 I passagens; II acomodações e outros serviços em meios de hospedagem; e III programas educacionais e de aprimoramento profissional. § 4o As atividades complementares das agências de turismo compreendem a intermediação ou execução dos seguintes serviços: I obtenção de passaportes, vistos ou qualquer outro documento necessário à realização de viagens; II transporte turístico; III desembaraço de bagagens em viagens e excursões; IV locação de veículos; V obtenção ou venda de ingressos para espetáculos públicos, artísticos, esportivos, culturais e outras manifestações públicas; VI representação de empresas transportadoras, de meios de hospedagem e de outras fornecedoras de serviços turísticos; VII apoio a feiras, exposições de negócios, congressos, convenções e congêneres; VIII venda ou intermediação remunerada de seguros vinculados a viagens, passeios e excursões e de cartões de assistência ao viajante; IX venda de livros, revistas e outros artigos destinados a viajantes; e X acolhimento turístico, consistente na organização de visitas a museus, monumentos históricos e outros locais de interesse turístico. § 5o A intermediação prevista no § 2o deste artigo não impede a oferta, reserva e venda direta ao público pelos fornecedores dos serviços nele elencados. § 6o (VETADO) § 7o As agências de turismo que operam diretamente com frota própria deverão atender aos requisitos específicos exigidos para o transporte de superfície. Antes da publicação desta lei, a Solução de Consulta nº 214/2008 da SRRF 9º RF/Disit abordou o tema, tratando do cálculo da receita bruta para fins de enquadramento como microempresa ou empresa de pequeno porte no Simples Nacional (§1º do artigo 3º da LC nº 123/2006). Transcrevese trecho abaixo da SC nº 214/2008, que bem delineou quais atividades estariam abrangidas pela intermediação e quais seriam consideradas como prestadas em nome próprio: Fl. 2660DF CARF MF Processo nº 10805.723698/201437 Acórdão n.º 3302004.818 S3C3T2 Fl. 2.661 12 “Para responder a essa questão, é necessário consultar a Resolução Normativa CNTUR nº 4, de 28 de janeiro de 1983, que assim dispõe (sem destaques no original): Art. 5º As agências de turismo serão remuneradas, quando da intermediação na venda e comercialização de passagens individuais ou em grupo, passeios, viagens e excursões, da seguinte forma: I mediante o recebimento de comissão, paga pelas empresas transportadoras, no caso da emissão ou venda de passagens; II mediante o recebimento de comissão, paga por outras agências de turismo, quando venderem ou comercializarem produtos turísticos por essas organizados e promovidos; III mediante a cobrança de adicionais, no caso de venda e comercialização de serviços turísticos não comissionados ou oferecidos por preços "netos".(Preço líquido, sem comissionamento para agências ou operadoras (eco)turísticas, explicação não constante no original.) ... Art. 7º As agências de turismo quando exercerem a intermediação remunerada na reserva de acomodações em meios de hospedagem, o farão mediante uma das seguintes formas: I recebimento de comissão, paga pelas empresas ou entidades que se dediquem a atividade de hospedagem, em empreendimentos classificados pela EMBRATUR; II cobrança de adicional sobre o preço da hospedagem, a ser pago pelo(s) usuário(s), desde que cumulativamente atendidas as seguintes condições: a) que se trate de reservas de acomodações para estabelecimentos localizados no exterior, que não paguem a comissão referida no inciso anterior; b) que a reserva efetuada seja objeto de negociação direta entre a agência de turismo intermediadora e os responsáveis pelo empreendimento para a qual se destinará; c) que a reserva efetuada não faça parte ou integre excursão organizada ou vendida pela agência intermediadora. ... Art. 8º Os serviços receptivos, consistentes na recepção, transferência e assistência especializadas ao turista ou viajante, referidos no inciso III, do artigo 2º, do Decreto nº 84.034, de 21 de julho de l980, compreendem todos os serviços prestados pelas agências de turismo, nas localidades visitadas pelos usuários, participantes das excursões, viagens e passeios locais por elas organizados. Fl. 2661DF CARF MF Processo nº 10805.723698/201437 Acórdão n.º 3302004.818 S3C3T2 Fl. 2.662 13 ... Art. 9º Os serviços de que trata o artigo anterior serão prestados pela agência de turismo ao usuário: I diretamente, mediante remuneração ou preço de serviço correspondente à categoria de conforto dos equipamentos e a qualidade dos serviços receptivos, no caso da agência de turismo que possua equipamentos próprios de transporte turístico de superfície e utilizese regularmente de profissionais cadastrados como guias de turismo,. observado o disposto nesta Resolução; II mediante subcontratação de agência de turismo habilitada a operar os serviços receptivos, e por esta comissionada, ou por contratação de transportadora turística, no caso de não atender o disposto no inciso anterior. ... Art. 15 Os serviços de operação de viagens e excursões, individuais ou em grupo, compreenderão: I organização da viagem ou excursão, mediante o planejamento e elaboração de programas, roteiros e itinerários turísticos; II contratação dos serviços necessários á realização dos programas, roteiros e itinerários elaborados, mediante ajuste ou acordo, na forma da legislação aplicável, firmado pela agência de turismo com: a) as empresas transportadoras responsáveis pela exploração do meio de transporte em que se farão os deslocamentos principais do programa, quando for o caso; b) as empresas ou entidades responsáveis pela exploração ou administração de meios de hospedagem de turismo, ou outros estabelecimentos ou formas de hospedagem, quando permitidos; c) outras agências de turismo ou transportadoras turísticas, para recepção, transferência e assistência especializadas aos turistas; d) outras empresas ou entidades responsáveis pela exploração ou administração dos atrativos e empreendimentos de interesse turístico previstos nos programas. III prestação integral dos serviços mediante a execução dos programas, roteiros e itinerários elaborados e contratados. 11. Sempre que o serviço da agência de turismo for de intermediação (arts. 5º e 7º), sua receita é apenas a comissão ou o adicional. Assim, p.ex., a venda de uma passagem a alguém, mediante comissão da transportadora. Nesse caso, apenas o valor da comissão é reputado “resultado em conta alheia” e, nessa condição, incluído da base de cálculo do Simples Nacional, cf. art. 3º, § 1º, da Lei Complementar nº 123, de 2006. Fl. 2662DF CARF MF Processo nº 10805.723698/201437 Acórdão n.º 3302004.818 S3C3T2 Fl. 2.663 14 12. Sempre que o serviço for de prestação de serviços receptivos (art. 8º), diretamente ou por subcontratação (art. 9º), e operação de viagens e excursões (art. 15), sua receita é a íntegra dos valores recebidos pelos seus clientes. Assim, p.ex., a venda de pacotes fechados, com fretamento de aeronaves etc. Nesse caso, o contrário do que ocorre na intermediação, a receita bruta é composta pelo valor integral pago pela contratante, aí incluídos os valores repassados às eventuais subcontratadas (que configuram custos). Ressaltase que a Resolução Normativa, embora referindose à Lei nº6.505/77, revogada pela Lei nº 11.771/2008, esclareceu quais as formas de remuneração da intermediação, se por comissão ou por cobrança de adicional sobre os custos dos fornecedores e a que atividades se refere, diferenciandoos da prestação de receptivos e de operação de viagens e excursões. A Solução de Divergência nº 3/2012, analisando divergência entre a SC nº 214/2008 e outra solução de consulta, referendou o entendimento adotado na primeira, nos seguintes termos: “7. Percebese que a controvérsia indigitada reside, basicamente, em se definir quais as receitas auferidas por agências de turismo devem ser consideradas na obtenção da receita bruta para fins de enquadramento como microempresa (ME) e empresa de pequeno porte (EPP) segundo a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. 8. A definição de receita bruta encontrase insculpida no § 1º do art. 3º da Lei Complementar nº 123, de 2006: “Art. 3º (...) § 1º Considerase receita bruta, para fins do disposto no caput deste artigo, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos.”(O grifo não é do original) 9. A Lei nº 11.771, de 17 de setembro de 2008 (Lei Geral do Turismo), que estabelece normas sobre a Política Nacional de Turismo, aborda aspectos relevantes para a solução da controvérsia em estudo ao disciplinar a prestação de serviços turísticos e classificar os prestadores de serviços turísticos: “Art. 27. Compreendese por agência de turismo a pessoa jurídica que exerce a atividade econômica de intermediação remunerada entre fornecedores e consumidores de serviços turísticos ou os fornece diretamente. [...] 10. Depreendese, da leitura do dispositivo legal acima, que as agências de turismo podem atuar de duas formas: na qualidade de intermediadora dos serviços (emissão de passagens aéreas ou marítimas, os meios de hospedagem dos viajantes e Fl. 2663DF CARF MF Processo nº 10805.723698/201437 Acórdão n.º 3302004.818 S3C3T2 Fl. 2.664 15 excursionistas, pacotes turísticos de operadoras turísticas, dentre outros serviços ligados ao turismo) e na qualidade de fornecedora direta dos serviços (organizar e promover o serviço, englobando o transporte e a hospedagem dos viajantes e excursionistas). 11. Essas duas situações produzem consequências jurídicas distintas no âmbito do Simples Nacional. No primeiro caso – intermediadora – a agência de turismo aufere como receita apenas o valor da comissão recebida dos fornecedores dos serviços por ela vendidos, de modo que a receita bruta deve ser o valor da comissão por ela recebida. 12. Já no segundo caso – fornecedora direta – a agência de turismo aufere como receita o valor total pago pelo viajante, de modo que a receita bruta deve ser o preço total por ela recebido do viajante. 13. Observese que a venda e comercialização de passagens, passeios, viagens e excursões, bem como a realização de reservas em restaurantes ou de acomodações para hospedagem, assim como outros serviços turísticos, poderão ser realizadas por agência de turismo na qualidade de apenas intermediadora do negócio sem, contudo, atuar em nome próprio, ou seja, sem que a obrigação da prestação do serviço recaia sobre ela. 14. Importante destacar que, apesar da vedação expressa à intermediação de negócios exercida por empresa optante pelo Simples Nacional (art. 17, inciso XI), tal ação é permitida pela Lei Complementar nº 123, de 2006, quando for inerente à atividade de agências de viagem e turismo (art. 18, § 5ºB, inciso III, c/c art. 17 § 1º). 15. Portanto, quando uma agência de turismo atua como intermediadora de negócios relativos à atividade turística prestados por conta e em nome de terceiros, a receita auferida para fim de aferição da receita bruta de que trata o § 1º do art. 3º da Lei Complementar nº 123, de 2006, deverá corresponder à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos, por tratarse do preço do serviço por ela prestado. 16. De outra forma, caso o serviço seja prestado pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores recebidos de seus clientes. Em qualquer das hipóteses, permitida apenas a dedução das vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos.” Conclusão 17. Diante do exposto, concluise que: 17.1 Quando uma agência de turismo atuar como intermediadora de negócios relativos à atividade turística prestados por conta e em nome de terceiros, a receita auferida para fim de cálculo da receita bruta de que trata o § 1º do art. 3º Fl. 2664DF CARF MF Processo nº 10805.723698/201437 Acórdão n.º 3302004.818 S3C3T2 Fl. 2.665 16 da Lei Complementar nº 123, de 2006, será o correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. 17.2 Caso o serviço seja prestado pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes. Em qualquer das hipóteses, permitida apenas a dedução das vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos. Diante do exposto, é possível distinguir dois tipos de operações desenvolvidas pelas agências de turismo: as relativas à intermediação e as realizadas em nome próprio. O artigo 271 da Lei nº 11.771/2008 manteve esta diferenciação ao expor que compreendese por agência "a pessoa jurídica que exerce a atividade econômica de intermediação remunerada entre fornecedores e consumidores de serviços turísticos ou os fornece diretamente". Logo em seu §1º identificou os serviços como operação de viagens, excursões e passeios turísticos como sendo a organização, contratação e execução de programas, roteiros, itinerários, bem como recepção, transferência e a assistência ao turista e, de forma distinta, tratou dos demais serviços como intermediação nos §§3º e 4º, podendo executálos, alternativamente, repetindo, de modo similar a distinção da Resolução Normativa CNTUR nº 4/1983. A verificação no caso concreto se se trata de intermediação ou de autuação em nome próprio dependerá das condições contratuais das operações em análise. Assim, passase à análise da descrição dos fatos pela fiscalização. Pontuese que um dos objetos sociais da recorrente disposto em seu artigo 3º do Estatuto Social é a (i) intermediação e a operação de pacotes de viagens e turismo, assim como a prática de todas as atividades inerentes às operações de turismo, em conformidade com as disposições do Ministério do Turismo – MTUR e do Instituto Brasileiro de Turismo – EMBRATUR; (ii) [...] A fiscalização então intimou a recorrente a apresentar a segregação entre os valores de intermediação de negócios (atuação como agência de viagem) e os valores de vendas de pacotes de turismo, na condição de operadora turística e a apresentar os contratos relativos a cada operação. A recorrente apresentou apenas dois contratos, com as companhias TAM e VRG, sendo o primeiro relativo a venda de bilhetes aéreos vinculados a pacotes turísticos e o segundo referente a fretamento de aeronave. As cláusulas do contrato com a TAM estipulam que a CVC adquirirá os bilhetes da TAM em condições comerciais estabelecidas no ANEXO (anexo este não apresentado à fiscalização), especificando que as tarifas aplicáveis ao acordo não permitem comissões ou incentivos, que os bilhetes emitidos fora das condições do ANEXO deverão ser pagos como uma venda normal, dentre outras. Constatase que o ANEXO que contém as 1 Art. 27. Compreendese por agência de turismo a pessoa jurídica que exerce a atividade econômica de intermediação remunerada entre fornecedores e consumidores de serviços turísticos ou os fornece diretamente. § 1o São considerados serviços de operação de viagens, excursões e passeios turísticos, a organização, contratação e execução de programas, roteiros, itinerários, bem como recepção, transferência e a assistência ao turista. Fl. 2665DF CARF MF Processo nº 10805.723698/201437 Acórdão n.º 3302004.818 S3C3T2 Fl. 2.666 17 condições comerciais, especialmente a forma de pagamento dos bilhetes não foi apresentado à fiscalização. Já o contrato com a VRG referese a um fretamento de aeronave, estipulando que o preço total dos voos fretados é o descrito no ANEXO A, no qual a recorrente se responsabiliza pelo pagamento dos valores acordados (bilhetes e taxas de embarque), pela apresentação dos passageiros na hora e da forma contratada, que a CVC arcará com o valor integral do voo, ainda que não compareçam todos os passageiros, que a CVC arcará com multa em razão do cancelamento de voos, sob certas condições. No ANEXO A, constam as condições para o trecho GRUBPSGRU com saídas e retornos aos sábados, a um custo fixo por voo. Verificase que as características dos únicos contratos apresentados com as companhias aéreas denotam tratar de relações comerciais entre a CVC e as referidas companhias, não existindo vínculo negocial entre estas e os clientes da CVC, no que se refere à aquisição dos bilhetes de passagem. Não há qualquer intermediação, seja por comissão, seja por cobrança de adicional, presente nestes documentos juntados aos autos. Ressaltase que também não foi apresentado contrato entre a CVC e a Cia Webjet, embora foram escriturados valores de pacotes com repasse a esta companhia. Concernente aos meios de hospedagem, não foram apresentados contratos que indicassem a existência de intermediação, seja por comissão, seja por cobrança de adicional sobre os valores contratados. Relativamente à escrituração dos valores de receita, a recorrente apresentou quatro casos práticos, nos quais as notas fiscais emitidas pela CVC correspondem apenas ao que se denominou "comissões" e representam valores resultantes do preço total acordado, mediante "recibo", diminuído dos custos dos principais fornecedores envolvidos nas operações, com base em rateios demonstrados em sistemas internos da recorrente. Assim, o valor total do recibo era contabilizado em Recursos em Trânsito de Terceiros (conta de ativo) contra Contratos Não Embarcados (conta de passivo). Na data do embarque ou hospedagem, o valor líquido era objeto de emissão de nota fiscal e contabilizado em conta de receita. Por outro lado, a fiscalização, diante da falta de documentação, efetuou pesquisas no próprio site da recorrente, identificando situações que corroboravam o entendimento de que as operações foram contratadas com os fornecedores não como intermediação, mas em conta própria da CVC. A respeito destacamse os seguintes trechos extraídos do Termo de Verificação Fiscal: 1. Relações com a Webjet: trecho extraído no endereço eletrônico http://pt.m.wikipedia.org/wiki/WebJet_Linhas_A%C3%A9reas: “A CVC, maior operadora de pacotes turísticos do país, deu um passo concreto para ter voos próprios ao comprar a companhia aérea WebJet poro cerca de R$ 45 milhões. A operadora quis reduzir sua dependência por voos das companhias aéreas regulares. A Holding CVC fechou a aquisição de 100% das ações da WebJet em 25 de junho de 2007. Até então, a companhia aérea era controlada pelos empresários Jacob Fl. 2666DF CARF MF Processo nº 10805.723698/201437 Acórdão n.º 3302004.818 S3C3T2 Fl. 2.667 18 Barata Filho e Wagner Abrahão, cada um com 32,5% e 46,3% das ações, respectivamente, e por um fundo capitaneado por Mauro Molchansky, que detinha o restante do capital. A operadora de viagens negou tanto a compra da WebJet quanto o interesse de adquirir a empresa. Ela confirmou apenas ter fechado um acordo para fretar os aviões da companhia aérea no período em que eles ficavam ociosos. No entanto, fontes do mercado, incluindo pessoas ligadas à WebJet, confirmaram a aquisição.” (grifo nosso) 2. Site oficial da CVC: http://www.cvc.com.br/institucional/nossa historia.aspx LINHA DO TEMPO 1972 Nascimento da Agência de Viagens CVC …… 1989 A CVC comprou 100 mil passagens aéreas da Vasp A CVC comprou 100 mil passagens aéreas da Vasp. Esse volume representava 50% de todo o movimento mensal da companhia aérea. O empreendedorismo da operadora foi noticiado até pela imprensa internacional como case de marketing. Esse acontecimento foi o impulso para, anos mais tarde, a CVC fosse pioneira no fretamento de aeronaves inteiras para a formatação de pacotes para viagens de lazer. 1992 A CVC começou a fretar aviões para uso exclusivo de seus passageiros. As primeiras viagens foram para Maceió, Natal, Porto Seguro, Serra Gaúcha e para a Pousada do Rio Quente em Boeings 737500 ou 737 300. …… 2005 CVC anuncia o fretamento de cinco transatlânticos para a temporada de navios no Brasil, parceria com a South African Airways | Janeiro de 2005 | A comprovação de que os cruzeiros caíram definitivamente no gosto dos brasileiros: a CVC anunciara o fretamento de cinco transatlânticos para a temporada de navios no Brasil. Foi quando a operadora estreou a bordo o conceito do "tudo incluído", uma comodidade e uma economia a mais ao passageiro. Naquele ano, vieram com a CVC para o Brasil, os navios Blue Dream, Grand Voyager, Mistral, Pacific e Sky Wonder. ... As viagens internacionais também começam a ganhar novidades! ... | Agosto de 2005 | A CVC e a companhia aérea South African Airways iniciam parceria inédita para criar programas de viagem para a África do Sul com preços promocionais, bloqueios aéreos e roteiros, acompanhamento de guias de turismo que falam português e visitas por Cape Town, Johannesburgo, Pilanesberg, Sun City e Ilha Maurício. Este conceito de viagem ganharia força nos anos seguintes, com o programa CVC Fl. 2667DF CARF MF Processo nº 10805.723698/201437 Acórdão n.º 3302004.818 S3C3T2 Fl. 2.668 19 conhecido hoje como "Mundo para Brasileiros", que conta com roteiros exclusivos para brasileiros, hotelaria deprimeira linha e assistência completa CVC. Hoje já são mais de 100 diferentes roteiros de viagens pelo mundo. Informou, ainda, a fiscalização que “Não houve apresentação de quaisquer documentos ou esclarecimentos que permitissem comprovação de vendas de livre escolha de passagens de voos regulares, estadias em hotéis, vendas de cabines em cruzeiros ou quaisquer outros produtos independentes, efetuadas pela CVC BRASIL OPERADORA E AGENCIA DE VIAGENS S A, que não fossem vendas de produtos em seu nome e por sua conta.” A fiscalização ainda constatou que a recorrente atuava como intermediadora na venda de passagens aéreas de rotas comerciais de livre escolha pelo portal de serviços na internet e que, apesar de falta de esclarecimentos por parte da recorrente, estas receitas foram escrituradas na conta 31101002 COMISSÃO NA VENDA DE BILHETES AÉREOS. Nestas operações, os clientes faziam os pagamentos diretamente à companhia aérea e a companhia fazia o pagamento da comissão à CVC, não havendo a situação de repasse, nem contabilização na conta 112010001 RECURSOS EM TRÂNSITO DE TERCEIROS. Concluise, destarte, pela análise dos documentos apresentados e pela falta de quaisquer outros documentos que indiquem a existência de contratos de intermediação, que os valores contabilizados na conta patrimonial 112010001 Recursos em Trânsito de Terceiros (diminuídos de ajustes efetuados pela própria recorrente) são decorrentes de vendas de produtos turísticos e serviços turísticos em nome próprio, na qualidade de operadora turística, configurando receita tributável nos termos da Lei nº 9.718/98 e que os repasses efetuados são custos das operações, cuja exclusão carece de previsão legal. Neste sentido, citase Acórdão nº 3101001.747, de 14/10/2014, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004 AGÊNCIA DE TURISMO. RECEITA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Caso o serviço seja prestado pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/07/2004 a 31/12/2004 Fl. 2668DF CARF MF Processo nº 10805.723698/201437 Acórdão n.º 3302004.818 S3C3T2 Fl. 2.669 20 AGÊNCIA DE TURISMO. RECEITA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A receita auferida por agência de turismo por meio de intermediação de negócios relativos à atividade turística, prestados por conta e em nome de terceiros, será o correspondente à comissão ou ao adicional percebido em razão da intermediação de serviços turísticos. Caso o serviço seja prestado pela própria agência de turismo ou em seu nome, sua receita bruta incluirá a totalidade dos valores auferidos de seus clientes. Por fim, quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, analisase, inicialmente, a possibilidade de incidência de juros de mora sobre multas. O artigo 161 do CTN dispõe: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. O crédito tributário decorre da obrigação principal e possui a mesma natureza desta, conforme disposto no art. 139 do Código. Esta, por sua vez, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente (artigos 113, §1º e 139 do CTN). Depreendese, assim, que o crédito tributário mencionado no artigo 161 do CTN abrange os tributos e as penalidades pecuniárias, sujeitandose à incidência dos juros de mora. A respeito, citase o Recurso Especial 1.129.990 PR (2009/00543162), julgado em 01/09/2009, de relatoria do Ministro Castro Meira: EMENTA TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. ACÓRDÃO Fl. 2669DF CARF MF Processo nº 10805.723698/201437 Acórdão n.º 3302004.818 S3C3T2 Fl. 2.670 21 Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, dar provimento ao recurso nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques e Eliana Calmon votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília, 1º de setembro de 2009(data do julgamento). Transcrevese, ainda, excerto do voto condutor, esclarecedor da questão: “Da sistemática instituída pelo art. 113, caput e parágrafos, do Código Tributário NacionalCTN, extraise que o objetivo do legislador foi estabelecer um regime único de cobrança para as exações e as penalidades pecuniárias, as quais caracterizam e definem a obrigação tributária principal, de cunho essencialmente patrimonialista, que dá origem ao crédito tributário e suas conhecidas prerrogativas, como, a título de exemplo, cobrança por meio de execução distinta fundada em Certidão de Dívida AtivaCDA. A expressão "crédito tributário" é mais ampla do que o conceito de tributo, pois abrange também as penalidades decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias. Em sede doutrinária, ensina o Desembargador Federal Luiz Alberto Gurgel de Faria que, "havendo descumprimento da obrigação acessória, ela se converte em principal relativamente à penalidade pecuniária (§ 3º), o que significa dizer que a sanção imposta ao inadimplente é uma multa, que, como tal, constitui uma obrigação principal, sendo exigida e cobrada através dos mesmos mecanismos aplicados aos tributos " (Código Tributário Nacional Comentado: Doutrina e Jurisprudência, Artigo por Artigo. Coord.: Vladimir Passos de Freitas. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2ª ed., 2004, p. 546). De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Rematando, confirase a lição de Bruno Fajerstajn, encampada por Leandro Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 9ª ed., 2007, p. 1.0271.028): Fl. 2670DF CARF MF Processo nº 10805.723698/201437 Acórdão n.º 3302004.818 S3C3T2 Fl. 2.671 22 "A partir da redação do dispositivo, fica evidente que os tributos não podem corresponder à aplicação de sanção pela prática de ato ilícito, diferentemente da penalidade, a qual, em sua essência, representa uma sanção decorrente do descumprimento de uma obrigação. A despeito das diferenças existentes entre os dois institutos, ambos são prestações pecuniárias devidas ao Estado. E no caso em estudo, as penalidades decorrem justamente do descumprimento de obrigação de recolher tributos. Diante disso, ainda que inconfundíveis, o tributo e a penalidade dele decorrente são figuras intimamente relacionadas. Ciente disso, o Código Tributário Nacional, ao definir o crédito tributário e a respectiva obrigação, incluiu nesses conceitos tanto os tributos como as penalidades.(grifos não originais) Com efeito, o art. 139 do Código Tributário Nacional define crédito tributário nos seguintes termos: 'Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta'. Já a obrigação principal é definida no art. 113 e no parágrafo 1º. Vejase: 'Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente'. Como se vê, o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis. No entanto, essa equiparação, muito útil para fins de arrecadação e administração fiscal, não identifica a natureza jurídica dos institutos. (...) O Código Tributário Nacional tratou da incidência de juros de mora em seu art. 161. Confirase: 'Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito' Fl. 2671DF CARF MF Processo nº 10805.723698/201437 Acórdão n.º 3302004.818 S3C3T2 Fl. 2.672 23 A redação deste dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre 'crédito' não integralmente recolhido no vencimento. Ao se referir ao crédito, evidentemente, o dispositivo está tratando do crédito tributário. E conforme demonstrado no item anterior, o crédito tributário decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. (grifos não originais) Sendo assim, considerando o disposto no caput do art. 161 acima transcrito, é possível concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre as multas" (Exigência de Juros de Mora sobre as Multas de Ofício no Âmbito da Secretaria da Receita Federal. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 132, p. 29, setembro de 2006). Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial Na mesma direção, ensina Hugo de Brito Machado2: “A denominada multa de ofício caracterizase pela inafastável necessidade de ação fiscal para que se considere devida. Assim, mesmo em face da jurisprudência que tem predominado, em se tratando de multa de ofício não se pode falar da existência de uma obrigação que a tenha como conteúdo, antes de regularmente constituído o crédito tributário. Assim, somente com a lavratura do auto de infração é que se pode considerar devida a multa de ofício. E como em face do auto de infração o contribuinte é notificado a fazer o correspondente pagamento, é a partir daí que se pode cogitar da configuração da mora, , em conseqüência, do início da incidência de juros de mora correspondentes” Inferese, de fato, que a multa de ofício é constituída na lavratura do auto de infração e vence no prazo de trinta dias para a apresentação da impugnação ao lançamento. Após este prazo, considerase devida e, portanto, sujeita a juros de mora, não fazendo sentido algum permanecer seu montante imutável ao longo do tempo até que se ultime sua extinção. Assim, o artigo 161, §1º do CTN, determina que se a lei não dispuser de modo diverso, os juros serão calculados à taxa de um por cento ao mês. Destarte, ultrapassada a questão da pertinência da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, resta verificar se a taxa Selic, aqui em discussão, deve ser utilizada como os juros de mora a que se refere o artigo 161. Sobre a legitimidade da Selic como juros moratórios, descabem maiores considerações, conforme decidido no REsp 879.844/MG, julgado em 11/11/2009 (recursos repetitivos), e no RE 582.461/SP, submetido à repercussão geral, julgado em 18/05/2011, e de acordo com o enunciado da Súmula CARF nº 4: 2 MACHADO, Hugo de Brito. Juros de Mora sobre Multas Tributárias. RDDT 180/82, set/2010, apud PAULSEN, Leandro. Direto Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência / Leandro Paulsen. 14º ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE: 2012. Fl. 2672DF CARF MF Processo nº 10805.723698/201437 Acórdão n.º 3302004.818 S3C3T2 Fl. 2.673 24 “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Cabe frisar que no julgamento dos recursos especial e extraordinário, acima referidos, a discussão girou em torno da isonomia entre a aplicação da Selic na repetição de indébito como na atualização dos débitos: “Forçoso esclarecer que os debates nesta Corte gravitaram em torno da aplicação da taxa SELIC em sede de repetição de indébito. Nada obstante, impõese, mutatis mutandis, a incidência da referida taxa nos cálculos dos débitos que os contribuintes tenham para com as Fazendas Municipal, Estadual e Federal. Aliás, raciocínio diverso importaria tratamento antiisonômico, porquanto a Fazenda restaria obrigada a reembolsar os contribuintes por esta taxa SELIC, ao passo que, no desembolso, os cidadãos exonerarseiam desse critério, gerando desequilíbrio nas receitas fazendárias.”(REsp 879.844/MG) Assim, sob este aspecto abordado nos julgamentos dos recursos especial e extraordinário, é legítima a incidência da taxa Selic sobre a multa de ofício após seu vencimento, pois que eventual indébito referente à multa paga a maior que a devida, necessariamente seria corrigido pela referida taxa. Por outro lado, diversos diplomas legais trataram da Selic como juros de mora incidentes sobre os débitos para com a Fazenda Nacional. Assim, citamse: Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995: Art. 84 – Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I – juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; ............................. § 8o O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional.(Incluído pela Lei nº 10.522, de 2002) (grifei) Art. 91. O parcelamento dos débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, autorizado pelo art. 11 do DecretoLei nº 352, de 17 de junho de 1968, com a redação dada pelo DecretoLei nº 623, de 11 de junho de 1969, pelo inciso II, do art. 10 do DecretoLei nº 2.049, de 01 de agosto de 1983, e pelo Fl. 2673DF CARF MF Processo nº 10805.723698/201437 Acórdão n.º 3302004.818 S3C3T2 Fl. 2.674 25 inciso II, do art. 11 do DecretoLei nº 2.052, de 03 de agosto de 1983, com as modificações que lhes foram introduzidas, poderá ser autorizado em até trinta prestações mensais. Parágrafo único. O débito que for objeto de parcelamento, nos termos deste artigo, será consolidado na data da concessão e terá o seguinte tratamento: a) se autorizado em até quinze prestações: a.1) o montante apurado na consolidação será dividido pelo número de prestações concedidas; a.2) o valor de cada parcela mensal, por ocasião do pagamento, será acrescido de juros equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna, calculados a partir da data do deferimento até o mês anterior ao do pagamento, e de um por cento relativamente ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado; (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) b) se autorizado em mais de quinze prestações mensais: b.1) o montante apurado na consolidação será acrescido de encargo adicional, correspondente ao número de meses que exceder a quinze, calculado à razão de dois por cento ao mês, e dividido pelo número de prestações concedidas; b.2) sobre o valor de cada prestação incidirão, ainda, os juros de que trata a alínea a.2 deste artigo.(Revogado pela Lei nº 10.522, de 19.7.2002) Lei nº 9.065, de 1995: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Produção de efeito (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. ... Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, Fl. 2674DF CARF MF Processo nº 10805.723698/201437 Acórdão n.º 3302004.818 S3C3T2 Fl. 2.675 26 serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. ......................................... Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002: Art. 17. Fica acrescentado o seguinte parágrafo ao art. 84 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995: "Art. 84. ......................................................... § 8o O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional." (NR) (grifei) ... Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1° de janeiro de 1997. (grifei) § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – UFIR, instituída pelo art. 1° da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Fl. 2675DF CARF MF Processo nº 10805.723698/201437 Acórdão n.º 3302004.818 S3C3T2 Fl. 2.676 27 Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. (g.n) (grifei) Destacase que o artigo 30 da Lei nº 10.522/2002, expressamente prevê a incidência dos juros de mora à taxa Selic, a partir de1º/01/1997, relativamente aos débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional referidos no artigo 29, cujos fatos geradores tivessem ocorridos até 31/12/1994. Já a mesma lei acrescentou ao artigo 84 da Lei nº 8.981/95, o §8º, a disposição de que aos demais créditos da Fazenda Nacional, aplicamse as disposições do artigo 84, o que determina a aplicação dos juros de mora aos tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorressem a partir de 1º/01/1995. § 8o O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional." (NR) A Lei nº 10.522/2002, é conversão da MP nº 2.17679/2001, fruto da reedição de sucessivas medidas provisórias, desde a original de nº 1.110, de 30 de agosto de 1995. A inclusão do §8º no artigo 84 da Lei nº 8.981/95, pela MP nº 1.110/95, bem como a inclusão dos artigos 29 e 30 pela MP nº 1.542/96 (nove dias antes da publicação da Lei nº 9.430/96) estabeleceram, expressamente, a incidência da taxa Selic sobre quaisquer débitos da Fazenda Nacional (até 1994 pelo artigo 30 e após 1º/01/1995, pelo §8º do artigo 84). Constatase que, por sua vez, a Lei nº 9.430/96, ao prever a aplicação da Selic em seus artigos 43 e 61 convalidou o que já estava sendo previsto pela MP nº 1.542/96 (atual Lei nº 10.522/2002). Concluise, portanto, que é legítima a incidência da taxa de juros Selic sobre a multa de ofício vinculada ao tributo. Neste sentido, citamse, recentes decisões da CSRF: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (CSRF, 3ª Turma, Processo nº 10835.001034/0016, Sessão de 15/08/2013, Acórdão nº 9303002400. Relator Joel Miyazaki). Fl. 2676DF CARF MF Processo nº 10805.723698/201437 Acórdão n.º 3302004.818 S3C3T2 Fl. 2.677 28 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (CSRF, 1ª Turma, Processo nº 13839.001516/200664, Sessão de 15/05/2013, Acórdão nº9101001657. Relator designado Valmir Sandri). Assim, mantémse a incidência dos juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício lançada. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 2677DF CARF MF
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