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Numero do processo: 13888.905199/2009-14
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 05 19 9/ 20 09 -1 4 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.905199/200914 Resolução nº 1802000.409 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1430.294, às fls. 68 a 71: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 62/65, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de PIS/PASEP (código de receita: 8109) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ: 2089). Por intermédio do despacho decisório de fl. 58, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no PER/Dcomp de n° 06940.99143.150806.1.3.044719, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fl. 01, acompanhada dos documentos de fls. 02/57, na qual alega, em síntese, que certamente havia o crédito a ser compensado, conforme informado na PER/Dcomp supra, porém, o despacho decisório não homologou a compensação declarada por erro de fato na DCTF do 4º trimestre de 2001. A par disso, a contribuinte encaminha em anexo a respectiva DCTF retificadora, relativa ao 4° trimestre de 2001, DIPJ/2002 e compensações com o DARE em epígrafe, para requerer o acolhimento da presente manifestação de inconformidade. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2002 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.905199/200914 Resolução nº 1802000.409 S1TE02 Fl. 4 3 COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 15/09/2010, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 15/10/2010, com os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS o crédito utilizado na compensação é referente a pagamento indevido/a maior realizado pela Recorrente por meio de guia DARF, recolhida no código 2089, haja Vista apuração equivocada da base de cálculo do IRPJ, pelo lucro presumido, no percentual de 32% (trinta e dois por cento), quando os serviços prestados pela mesma se enquadram em serviços hospitalares, impondose a aplicação do beneficio fiscal concedido pela Lei 9.249/95, com a conseqüente utilização da alíquota de 8% (oito por cento) para fins de aferimento do tributo; PRELIMINARMENTE DA COMPROVAÇÃO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE RADIOLOGIA PELA RECORRENTE de início, cumpre expor que a Recorrente é sociedade empresária limitada, fornada da reunião de profissionais da medicina, todos inscritos no CRM/SP, tendo por objeto a “prestação de serviços radiológicos em geral” enquadrados na “ATRIBUIÇÃO 4: PRESTAÇÃO DE ATENDIMENTO DE APOIO AO DIAGNÓSTICO E TERAPIA” da Resolução RDC 50/2002 da ANVISA, prestação que depende de qualificação pessoal e maquinário especializado e de alto custo para seu desenvolvimento, envolvendo maquinário tecnológico e específico para consecução de seu objeto social; em síntese, a Recorrente presta os seguintes serviços, com discriminação arrolada nos documentos anexos, extraídos do site da empresa (www.cparadiologia.combr): 1) Radiologia Digital; 2) UltraSonografia — 3D; 3) Doppler Color; 4) Mamografia Digital; 5) Densitometria Óssea; 6) Tomografia Computadorizada Multi Slice. atualmente, exerce as atividades em seus estabelecimentos localizados na cidade de Piracicaba/SP, sendo a matriz inscrita no CNPJ nº 55.361.117/000192, com endereço na Avenida Independência, nº 940, 12° andar, e sua filial, inscrita no CNPJ n° 55.361.117/000435, localizada no Hospital — Clínica Amalfi, na Rua Saldanha Marinho, n° 817; Fl. 232DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.905199/200914 Resolução nº 1802000.409 S1TE02 Fl. 5 4 conforme documentos anexos, o estabelecimento matriz possui inscrição perante a Receita Federal do Brasil sob o CNAE principal 86.40205 – “serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante exceto tomografia” e CNAE'S secundários n° 86.40204 – “serviços de tomografia” e n° 86.40211 — “serviço de radioterapia”, bem como licença de funcionamento da Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária nesta atividade econômica; no mesmo sentido, sua filial encontrase devidamente inscrita junto à Receita Federal sob o CNAE principal n° 86.40205 – “serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante — exceto tomografia” e CNAE's secundários n° 86.40204 – “serviços de tomografia” e n° 86.40211 — “serviço de radioterapia”, e licença de funcionamento da Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária, com atividade econômica — CNAE n° 86305/02 — “atividade médica ambulatorial com recursos para realização de exames complementares”; consoante anteriormente explicitado, o exercício do objeto social da Recorrente requer maquinário de alto custo, tecnologia e de uso específico que deve ser renovado e atualizado periodicamente, que fazem parte de seu ativo imobilizado, conforme se comprova com a relação de bens da empresa, relativa ao patrimônio adquirido no transcorrer de suas atividades no período de apuração de 01/1999 a 12/2003, que engloba a competência discutida nos presentes autos; ainda, corroborando tal assertiva, demonstrase que a Recorrente detém todas as licenças emitidas pela Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária para utilização do maquinário supramencionado, conforme documentos anexos; não obstante, seguem anexas cópias do livro razão da empresa e relatório de insumos utilizados nas mesmas competências, para consecução de suas atividades, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como mão de Obra de Terceiros; desta feita, transparente por toda documentação anexa, bem como a já existente nos arquivos da Receita Federal e em toda sua contabilização, que a Recorrente exerce a prestação de serviços Radiológicos em geral, de alta complexidade, não se enquadrando em simples consultas médicas, o que se demonstrará relevante pelos argumentos que seguem adiante; DO DIREITO IMPOSTO DE RENDA — LUCRO PRESUMIDO — PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES — APLICAÇÃO OBJETIVA DO BENEFICIO FISCAL CONCEDIDO PELA LEI 9.249/95 — 1) IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA DAS IN'S 480/2004 E 539/2005 — 2) ILEGALIDADE DAS IN'S 480/2004 E 539/2005 RECONHECIDA PELA 1ª SEÇÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA NO RESP N° 951.251/PR E RATIFICADA NO RESP 1.116.399/BA, REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA E SOB O REGIME VINCULATIVO DO ARTIGO 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL pela execução de serviços de Radiologia, ainda que não prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas sim em clínica especializada para tanto, sendo atividade ligada diretamente à promoção da saúde, a Recorrente exerce atribuição que a princípio é de Fl. 233DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.905199/200914 Resolução nº 1802000.409 S1TE02 Fl. 6 5 competência do Poder Público, que por não cumprila eficazmente, concede benefícios tributários ao particular para sua satisfação perante a sociedade; este é o caso do beneficio fiscal trazido pela Lei 9.249 em seu artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a”, que reduz de 32 (trinta e dois) para 8% (oito por cento) o percentual para determinação da base de cálculo do IRPJ sobre o lucro presumido, que de forma objetiva aliviou a carga tributária quando da prestação de serviços hospitalares, visando ampliar o acesso à saúde para a população, nos quais estão englobados os serviços de Radiologia prestados pela Recorrente; prestadora de serviços hospitalares desde sua instituição, a Recorrente sempre fez jus ao beneficio conferido legalmente, entretanto, de forma equivocada apurou a base de cálculo do lucro presumido utilizandose da alíquota de 32% (trinta e dois por cento) em diversos períodos de apuração, inclusive na competência objeto destes autos, ocasionando num recolhimento a maior do IRPJ que por conseqüência enseja em direito a ser ressarcida do indébito; como de praxe, a Receita Federal editou diversas normas objetivando regulamentar a quem se destinaria o benefício concedido, mas na realidade legislou ao seu bel prazer, com a imposição de diversas restrições de intuito meramente arrecadatório; desde a edição da Lei 9.249/95, até o inicio de 2003, não existiu qualquer regulamentação da Receita Federal acerca do tema, o que veio a ocorrer em março do citado ano, com a publicação da IN 306/2003; nessa primeira regulamentação, não houve nenhuma referência à internação de pacientes como condição para fazer jus ao benefício. Nos termos da lei, a IN 306/2003 limitou se a focar a análise do benefício a partir, primordialmente, da natureza dos serviços prestados, e não das características dos contribuintes que os realizam; todavia, em 15 de dezembro de 2004, foi editada a IN 480, que revogou a norma precedente, passando a exigirse, para a configuração da prestação de um “serviço hospitalar”, que o contribuinte tivesse, ao menos, cinco leitos para a internação de pacientes. Na realidade, a IN 480/2004, a pretexto de regulamentála, deixou em segundo plano as atividades a serem realizadas e preocupouse em estabelecer condições a serem preenchidas pelos contribuintes; posteriormente, em 25 de abril de 2005, foi editada a IN 539/2005, atualmente em vigor, a qual fez uma mescla entre as regulamentações previstas nas IN's 306/2003 e 480/2004. Quanto aos serviços a serem executados, foram expandidos, abarcando uma gama de atividades, a teor do que constava da IN 306. Entretanto, exigiuse que a realização dessas atividades fosse feita por contribuinte que possuísse estrutura física capaz de internar pacientes; por primeiro, cumpre asseverar acerca da inaplicabilidade das referidas instruções normativas, por vedação expressa do artigo 150, inciso III, “a”, da Constituição Federal, haja vista que a competência do recolhimento indevido é anterior à edição destas normas. a irretroatividade das normas tributárias apresentase como instrumento de concretização do principio da segurança jurídica, garantindo ao contribuinte em face do arbítrio estatal o conhecimento prévio da carga tributária a que estará sujeito; Fl. 234DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.905199/200914 Resolução nº 1802000.409 S1TE02 Fl. 7 6 no sentido da irretroatividade de instrução normativa restringindo direito dos contribuintes, colacionase julgados do Conselho de Contribuintes (ementas transcritas no recurso); afora a violação da Carta Maior em eventual aplicação pretérita das Instruções Normativas 480/04 e 539/05 ao caso da Recorrente, ainda que aplicáveis, verificase a impossibilidade das imposições restritivas em desacordo com o contido na Lei 9.249/95; isto porque é de fácil visualização que o disposto no artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, que reduz de 32 (trinta e dois) para 8% (oito por cento) o percentual para determinação da base de cálculo do IRPJ sobre o lucro presumido, veio de forma objetiva aliviar a carga tributária quando da prestação de serviços hospitalares, visando ampliar o acesso à saúde para a população, nos quais estão englobados os serviços de Radiologia prestados pela Recorrente; o Poder Legislativo, no exercício de sua competência e autonomia, decidiu manter o beneficio destinado aos “serviços hospitalares” e não especificamente aos “hospitais”, senão assim o faria, como sempre pretendeu a Receita Federal; é obvio que a intenção era prestigiar de forma objetiva os serviços destinados à saúde e não o contribuinte e suas especificações quanto a custos, estrutura física para internação e dimensionamento, conforme restrições contidas nas IN's 480/04 e 539/05; o objetivo da lei sempre foi fornecer aos necessitados de prestação de serviços médicos, o livre arbítrio de buscar seu atendimento necessário seja em hospitais e/ou clínicas especializadas para tanto; se houvesse diferença de tributação entre hospitais e clinicas/consultórios especializadas, no exercício de atividade idêntica, notoriamente os hospitais ficariam ainda mais abarrotados, pois diante de um menor custo pela carga tributária reduzida, teriam condições mais chamativas com preços menores, afora a violação do princípio constitucional da isonomia e não obstante a concorrência desleal em face de outros estabelecimentos prestadores dos serviços; a jurisprudência administrativa deste Conselho já solidificou entendimento acerca do tema (ementas transcritas); ao decidir o Resp 951251/PR, a 1ª Seção do STJ pacificou o tema, no sentido da aplicação objetiva do beneficio da Lei 9.249/95, ou seja, para todos os prestadores de serviços destinados à saúde, não incluídas apenas as simples consultas, declarando ainda a ilegalidade das Instruções Normativas de n° 480/04 e 539/05; para efeito vinculativo, a questão foi levada novamente à análise do C. STJ, que nomeou o Recurso Especial n° 1.116.339/BA como representativo da controvérsia, e o julgou sob o regime do artigo 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ, que ratificou o posicionamento adotado no Resp 951.251/PR, vinculando todos os demais processos acerca da matéria; verificase perfeitamente que diante do enquadramento da Recorrente, impõe se a apuração da base de cálculo para o lucro presumido com a alíquota de 8% (oito por cento), nos termos do artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, sendo que os valores Fl. 235DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.905199/200914 Resolução nº 1802000.409 S1TE02 Fl. 8 7 excedentes recolhidos a título do IRPJ sob a alíquota de 32% (trinta e dois por cento) devem ser ressarcidos na forma pleiteada, devidamente atualizados desde o indevido desembolso, ensejando na homologação da compensação realizada em sua integralidade; DA COMPROVAÇÃO DO CARÁTER EMPRESARIAL DA RECORRENTE de plano, verificase a caracterização de sociedade empresária da Recorrente, que exerce atividades de profissionais empresários, organizada e para prestação de serviços radiológicos, com fins lucrativos, constituída sob o regime de Sociedade Limitada, consoante artigo 1.052 do Código Civil; conforme se extrai do próprio contrato social da Recorrente, a empresa não se. figura como uma simples reunião de profissionais da medicina para prestação de serviços de caráter pessoal, pois detém capital social integralizado no importe de R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais), filiais para consecução de suas atividades, divisão de prólabore para os sócios, não obstante a existência de ativo imobilizado de alto custo para o exercício de sua atividade; a contabilização da Recorrente é toda apurada como sociedade empresarial, sendo que todos os serviços prestados são realizados em nome da pessoa jurídica, que responde com seu patrimônio integral por eventual perdas e danos em face dos clientes. Inexiste prestação de serviços pessoais por conta dos sócios, somente pela empresa, sendo óbvio que por intermédio de pessoas naturais; o fato de que a prestação de serviços realizada pela Recorrente se perfaz por intermédio de profissionais da medicina não afasta seu caráter empresarial, nos termos do parágrafo único do artigo 966 do Código Civil; no caso em exame, o exercício da medicina, especificamente na prestação de serviços radiológicos, constitui elemento essencial da empresa ora Recorrente, pois confunde se com seu próprio objeto social, sendo pressuposto de sua existência; não obstante, conforme já arrolado na comprovação dos serviços prestados pela Recorrente, seguem anexas cópias do livro razão da empresa e relatório de insumos utilizados nas mesmas competências, para a consecução de suas atividades, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como mão de Obra de Terceiros; DO DIREITO LÍQUIDO E CERTO DA RECORRENTE QUANTO À COMPENSAÇÃO REALIZADA o recolhimento do DARF mencionado fora reconhecido no próprio despacho decisório da Receita Federal, e sequer levado à dúvida no teor da decisão recorrida, portanto insuscetível de discussão, ou seja, a prova do recolhimento sempre foi de ciência tanto do Contribuinte quanto da Receita Federal, restando somente a análise quanto a ser pagamento indevido/a maior ou não; quanto ao ponto relativo a existir pagamento indevido ou a maior, a Recorrente sempre deteve direito líquido e certo, haja vista que fazia jus ao benefício concedido objetivamente pela Lei 9.249/95, cabendolhe compensar na forma da legislação em vigor os valores recolhidos em apuração da base de cálculo do IRPJ, no lucro presumido, sob a alíquota de 32%, conforme corretamente procedeu; Fl. 236DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.905199/200914 Resolução nº 1802000.409 S1TE02 Fl. 9 8 DOS PEDIDOS de todo o exposto, requer deste Conselho a total procedência do presente recurso voluntário para: 1) que seja reformada a decisão recorrida, com o conseqüente reconhecimento do crédito em exame, haja vista o enquadramento da Recorrente no artigo 15, §1º, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, que concede beneficio fiscal de caráter objetivo em virtude da prestação de serviços hospitalares, nos quais se enquadram os serviços de radiologia prestados, procedendose com a homologação integral da compensação realizada, diante de toda documentação anexa e nos termos amplamente fundamentados; 2) caso se entenda necessário, que seja determinada a conversão do julgamento em diligência nos estabelecimentos da Recorrente, para que sejam corroboradas todas as assertivas constantes desta peça recursal; RELAÇÃO DE DOCUMENTOS ANEXOS 1. Cópia autenticada do contrato social da empresa; 2. Cópia da DIPJ e DCTF retificadoras; . 3. Discriminação dos serviços prestados pela Recorrente extraída do site da empresa (www.cparadiologia.com.br); 4. Comprovante de Inscrição e Situação Cadastral da Recorrente (matriz e filial) perante a Receita Federal do Brasil, com os devidos CNAE's principal e secundários; 5. Cópia das licenças de funcionamento emitidas pela Secretaria Municipal de Saúde Vigilância Sanitária, com os respectivos CNAE's; 6. Relação de bens do ativo imobilizado da Recorrente, adquiridos no período de 01/1999 a 12/2003; 7. Licenças de utilização dos mencionados bens; 8. Cópias do livro razão e planilha de insumos utilizados na competência de 01/1999 a 12/2003, para consecução das atividades da Recorrente, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como Mão de Obra de Terceiros; 9. Cópia do despacho decisório da RFB em Piracicaba; 10. Cópia da decisão recorrida. Este é o Relatório. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.905199/200914 Resolução nº 1802000.409 S1TE02 Fl. 10 9 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 15/08/2006 (fls. 63 a 66), na qual utiliza parte de um alegado crédito decorrente de pagamento a maior referente ao IRPJ/Lucro Presumido do 4º trimestre de 2001. O DARF gerador do crédito foi recolhido em 31/01/2002 e possui o valor total de R$ 34.101,08. A compensação abrange débito de PIS do mês de julho de 2006, no valor de R$ 2.506,29. A negativa da Delegacia de origem se deu pelo argumento de que o referido pagamento de R$ 34.101,08 já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (declarado em DCTF), conforme consta do Despacho Decisório de fls. 59. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, informando que havia erro no preenchimento da DCTF, no que se refere à apuração do IRPJ; que a DIPJ tinha sido retificada (em 2004) para a correção do problema, mas que a DCTF continuou errada até a elaboração do despacho decisório (em 2009). Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve a negativa em relação à compensação, entendendo que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório, nos seguintes termos: [...] A contribuinte, portanto, pretende que o indébito fiscal se exteriorize tão somente com os dados declarados em sua DCTFretificadora do 4° trimestre de 2001. Malgrado o intento da contribuinte, importa assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Conseqüentemente. por ocasião do presente contencioso, a declaração de compensação sob exame deveria estar necessariamente instruída com as devidas provas Fl. 238DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.905199/200914 Resolução nº 1802000.409 S1TE02 Fl. 11 10 do indébito tributário no qual se fundamenta, sob pena de indeferimento. Assim, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca da base de cálculo do IRPJ são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. O artigo 45 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, dispõe: [...] No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação com esta intenção, limitandose a apresentar a DIPJ/2002 (fls. 15/41) e a DCTFretificadora (fls. 02/14), na qual se destaca o novo valor declarado. De se lembrar que, por regra, a escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: [...] Nessa linha, salientese que tal qual o pagamento de tributos e contribuições, que necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de urna série de atos do sujeito passivo, como manter escrituração contábil, baseada em documentos hábeis e idôneos, e a partir desta documentação determinar o tributo devido e recolher o correspondente valor, a restituição também almeja, para materializar o indébito, atividade semelhante. [...] Por tais razões, quando a contribuinte apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário a seu favor, para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário deve ser o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. Nesse sentido, a declaração de compensação apresentada não contém os atributos necessários de certeza e liquidez, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública. Diante do exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. Primeiramente, é importante registrar que ao não retificar a DCTF antes de enviar o PER/DCOMP, a Contribuinte concorreu para a primeira negativa da compensação pleiteada. Contudo, essa questão procedimental não justifica uma negativa em definitivo, eis que o art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.905199/200914 Resolução nº 1802000.409 S1TE02 Fl. 12 11 A DCTF, embora seja uma confissão de dívida, não pode ser tomada em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. Sua retificação, da mesma forma, não teria caráter absoluto, pelo que, mesmo que apresentada a declaração retificadora antes do envio do PER/DCOMP, ela deveria ser cotejada com outras informações e documentos, como a DIPJ, os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos, etc., porque o que interessa é saber se houve ou não recolhimento indevido ou a maior. Não se trata aqui de simplesmente aceitar ou não a declaração retificadora com a produção de efeitos automáticos, para fins de reduzir/excluir tributo, conforme a regra prevista no art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional – CTN, porque o exame de um PER/DCOMP é sempre realizado de ofício, aproximandose muito mais da regra contida no § 2º deste mesmo dispositivo, segundo o qual “os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela”. No caso, a Contribuinte apresentou em tempo hábil uma declaração de compensação – PER/DCOMP (15/08/2006), que deu origem ao presente processo, pleiteando perante a Administração Tributária a devolução (na forma de compensação) de um pagamento que entendia ter realizado indevidamente, procedimento que se não implicava em uma alteração/desconstituição automática de parte do débito declarado em DCTF, implicava ao menos na suspensão de sua constituição definitiva, em razão da relação direta existente entre o pagamento e o débito a que ele corresponde. Não há, portanto, que se pensar em homologação de lançamento e constituição definitiva do débito se a Contribuinte, em tempo hábil, informou à Administração Tributária que o pagamento relativo a este débito havia sido feito indevidamente ou a maior. Além de ter enviado o PER/DCOMP, a Contribuinte, desde a manifestação de inconformidade, vem informando que ocorreu erro na apuração e recolhimento do IRPJ, e que a DIPJ retificadora (apresentada bem antes do despacho decisório) havia corrigido o problema, evidenciando o alegado direito creditório. Não considero que a divergência entre as informações deve ser solucionada graduando a importância destas declarações. Se uma é confissão de dívida (DCTF), a outra traz informações e detalhes sobre a apuração dos tributos (DIPJ). No que toca à comprovação de um indébito, também é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. Além disso, não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.905199/200914 Resolução nº 1802000.409 S1TE02 Fl. 13 12 Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento concluiu que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório. Ocorre que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos, ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário os documentos mencionados no final do relatório acima. Tais documentos indicam que a Contribuinte tem direito de utilizar o coeficiente de 8% para a apuração da base de cálculo do IRPJ/Lucro Presumido. A tributação dos serviços hospitalares na modalidade do lucro presumido já suscitou muitas controvérsias. A Lei 9.249/1995, em sua redação original, definiu o coeficiente de 8% para os serviços hospitalares nos seguintes termos: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I – (...) II – (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Fl. 241DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.905199/200914 Resolução nº 1802000.409 S1TE02 Fl. 14 13 Havia muita polêmica sobre quais atividades poderiam ser enquadradas como “serviço hospitalar”, e quais os requisitos que os contribuintes deveriam atender para que fosse aplicado o coeficiente de 8%. A Lei nº 11.727/2008, então, promoveu uma alteração na alínea “a” acima transcrita, que passou a conter a seguinte redação: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Os fatos debatidos nesse processo são anteriores a esta alteração legislativa. Interpretando a redação original da Lei 9.249/1995, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, ao julgar um Recurso Especial representativo de controvérsia, que foi submetido ao regime do artigo 543C do CPC, consolidou o entendimento de que “a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde)”: RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.399 BA (2009/00064810) EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si Fl. 242DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.905199/200914 Resolução nº 1802000.409 S1TE02 Fl. 15 14 (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que “a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares”. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos”. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (grifo acrescido) O STJ vinha interpretando o referido dispositivo legal de maneira bem restritiva, e a mudança neste posicionamento se deu no julgamento do RESP 951.251PR, conforme mencionado acima. Também é interessante transcrever a ementa desta decisão: RECURSO ESPECIAL Nº 951.251 PR (2007/01102360) Fl. 243DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.905199/200914 Resolução nº 1802000.409 S1TE02 Fl. 16 15 EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. ARTS. 15, § 1º, III, “A”, E 20 DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇO HOSPITALAR.. INTERNAÇÃO. NÃOOBRIGATORIEDADE. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA NORMA. FINALIDADE EXTRAFISCAL DA TRIBUTAÇÃO. POSICIONAMENTO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO DA UNIÃO. CONTRADIÇÃO. NÃO PROVIMENTO. 1. Acórdão proferido antes do advento das alterações introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. O art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como “serviços hospitalares” aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. 6. Duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. 7. Orientações da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal contraditórias. 8. Recurso especial não provido. (grifos acrescidos) Fl. 244DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.905199/200914 Resolução nº 1802000.409 S1TE02 Fl. 17 16 O voto que orientou o julgamento do RESP 951.251PR esclarece bem o que significa interpretar a norma em questão sob a ótica de seu conteúdo objetivo: Entretanto, não se deve perder de vista que o art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.274/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não na pessoa do contribuinte que executa a “prestação de serviços hospitalares”. Doutro modo, seria alterar a própria natureza da norma legal, transmudandose o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo, a fim de concedêlo apenas aos estabelecimentos hospitalares. (...) Se a intenção do legislador – que, não se deve esquecer, representa a vontade popular – fosse beneficiar determinados contribuintes em face de suas características particulares, concedendo, assim, uma isenção subjetiva, a regra deveria referirse a esses sujeitos, e não ao serviço por eles prestado. Dessa forma, não se deve restringir o benefício aos hospitais, até mesmo porque, se esse fosse o propósito da lei, caberia explicitarse que a concessão estaria dirigida apenas a esses estabelecimentos, pois nada o impediria de ter assim procedido. (...) A Receita Federal tem reconhecido o direito à base de cálculo reduzida do IRPJ a prestadores de serviços hospitalares, mesmo que esses não possuam estrutura física para realizar internação de pacientes. (...) Em conclusão, por serviços hospitalares compreendemse aqueles que estão relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade. Devese, por certo, excluir do benefício simples prestações de serviços realizadas por profissionais liberais consubstanciadas em consultas médicas, já que essa atividade não se identifica com as atividades prestadas no âmbito hospitalar, mas, sim, nos consultórios médicos. (grifos acrescidos) Este mesmo voto fornece ainda outros parâmetros para a compreensão do que seriam serviços hospitalares, especialmente no sentido de diferenciálos da “simples prestação de atendimento médico”: (...) Com esta exegese, não está excluído por completo o aspecto referente aos custos dos contribuintes, uma vez que, para que esses efetivamente prestem serviços hospitalares, necessitam possuir um suporte material e humano específico – instrumentos necessários à elaboração de diagnósticos e intervenções cirúrgicas, bem como profissionais especializados para sua utilização, sendo tal aparato diverso e mais Fl. 245DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.905199/200914 Resolução nº 1802000.409 S1TE02 Fl. 18 17 oneroso do que aquele relacionado com a simples prestação de consultas médicas. Dessa forma, duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por contribuinte que no desenvolvimento de sua atividade possua custos diferenciados da simples prestação de atendimento médico, sem, contudo, decorrerem esses custos necessariamente da internação de pacientes. Como mencionado anteriormente, os documentos apresentados com o recurso voluntário indicam em uma primeira análise que a Contribuinte tem direito de utilizar o coeficiente de 8% para a apuração da base de cálculo do IRPJ/Lucro Presumido. Mas ainda faltam elementos para embasar a conclusão sobre a ocorrência de pagamento indevido ou a maior causado pela utilização equivocada do coeficiente de 32%. Em primeiro lugar, não há como confrontar a DIPJ/retificadora com a DIPJ/original, porque esta não foi juntada aos autos. Aparentemente, a redução no valor do IRPJ não decorreu apenas da modificação do coeficiente de 32% para 8%, e isto precisa ser esclarecido. É que partindo da receita bruta constante da DIPJ/retificadora, e refazendo o cálculo com o coeficiente de 32%, com a devida variação do adicional do IRPJ e mantendo os mesmos valores para as demais rubricas constantes da DIPJ/retificadora (outras receitas, retenções, etc.), não se obtém o valor do IRPJ original, que foi pago através de DARF. Outro aspecto relevante, é que a Contribuinte zerou o valor do IR a pagar no período em questão com deduções a título de IR retido na fonte, exatamente no mesmo valor do imposto apurado. Por estas razões, a decisão do presente processo demanda uma instrução complementar. É necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Piracicaba/SP, para que aquela unidade, à luz dos documentos apresentados pela Recorrente, de sua escrituração contábil e fiscal, das declarações e informações constantes dos sistemas de informação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e de outros que se entenda necessários: 1) junte aos autos cópia da DIPJ original referente ao anocalendário de 2001; 2) acrescente, se entender oportuno, outras informações a respeito da atividade da Recorrente, no intuito de subsidiar a decisão sobre a definição do coeficiente para a presunção do lucro; 3) verifique e informe: a receita bruta, a base de cálculo e o respectivo IRPJ do 4º trimestre de 2001; e o valor a ser considerado como saldo a pagar, após as deduções legais; Fl. 246DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.905199/200914 Resolução nº 1802000.409 S1TE02 Fl. 19 18 4) esclareça os critérios de cálculo e rubricas que geraram a diferença entre a DIPJ/original e a DIPJ/retificadora quanto à apuração do saldo a pagar de IRPJ, intimando a Contribuinte para tanto, se entender necessário; 5) apresente relatório circunstanciado sobre os pontos mencionados acima, esclarecendo se há crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, e qual o seu valor; 6) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Piracicaba/SP atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 247DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10865.900402/2008-55
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .9 00 40 2/ 20 08 -5 5 Fl. 373DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900402/200855 Resolução nº 1802000.371 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1429.137, às fls. 113 a 121: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ estimativa, código de arrecadação 5993), concernente ao período de apuração 01/2003. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que no anocalendário de 2003 teria apurado saldo negativo de IRPJ e CSLL, no valor de R$ 556.671,88 e R$ 218.360,83, respectivamente, bem como retenções de IRRF sobre aplicações financeiras no valor de R$ 2.452,11, que teriam sido informadas em DIPJ/2004. Os saldos negativos assim apurados teriam sido utilizados para compensação de débitos próprios, mediante transmissão de diversos PER/DCOMP; que teria incorrido em equívoco “quanto ao preenchimento relativo ao campo 'Tipo do Crédito', selecionou 'Pagamento Indevido ou a Maior' ao invés de 'Saldo Negativo de IRPJ', bem como relacionou os DARF's relativos ao pagamento por estimativa mensal, como o presente”. Em que pese o erro, a requerente teria direito ao crédito declarado, como estaria a comprovar a documentação anexa à manifestação de inconformidade; que “desconsiderar os valores recolhidos a maior pela Requerente (apuração de saldo negativo de IRPJ e CSLL anocalendário/2003), seria o mesmo que tributar parcela não correspondente ao conceito de renda e de lucro líquido, hipótese, por óbvio, manifestamente inconstitucional”; Fl. 374DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900402/200855 Resolução nº 1802000.371 S1TE02 Fl. 4 3 que os alegados créditos não teriam sido utilizados em qualquer outra compensação ou restituição, além daquelas informadas; Ao final, requer reconhecimento do direito creditório pleiteado e homologação integral das compensações efetuadas, bem como sejam as intimações dirigidas a seus procuradores (advogados). Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 05/08/2010, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 03/09/2010, onde reitera os mesmos argumentos de sua manifestação de inconformidade, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Além disso, no intuito de afastar qualquer dúvida acerca do crédito pleiteado saldos negativos de IRPJ e CSLL, informa que está apresentando cópia de toda a documentação contábil mencionada pela decisão de primeira instância administrativa, que os originais destes documentos se encontram à inteira disposição para exame, e que se coloca à inteira disposição acerca de quaisquer outros documentos que venham a ser considerados como necessários. Na sessão realizada em 06/08/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF proferiu a Resolução nº 1802000.285 (fls. 350 a 359), solicitando realização de diligência à DRF Limeira/SP, para onde os autos foram encaminhados. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900402/200855 Resolução nº 1802000.371 S1TE02 Fl. 5 4 O Processo foi devolvido ao CARF com a Informação Fiscal de fls. 370 a 371. Este é o Relatório. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900402/200855 Resolução nº 1802000.371 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. Conforme mencionado, o julgamento do presente recurso voluntário foi iniciado na sessão de 06/08/2013, ocasião em que esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF proferiu a Resolução nº 1802000.285 (fls. 350 a 359), solicitando realização de diligência à DRF Limeira/SP. No presente processo, a Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação (retificadora) por ela apresentada em 21/09/2006, na qual utilizou um alegado crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior referente à estimativa de IRPJ do mês de janeiro/2003, no valor de R$ 56.928,87. A Delegacia de origem não homologou a compensação, porque o referido pagamento havia sido integralmente utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (quitação da própria estimativa declarada), não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que o tipo de crédito da compensação deveria ser “Saldo Negativo de IRPJ” em vez de “pagamento indevido ou a maior” de estimativa. Informou ter apurado no anocalendário de 2003 saldos negativos de IRPJ e CSLL, nos valores de R$ 556.671,88 e R$ 218.360,83, respectivamente, bem como retenções de IRRF sobre aplicações financeiras no valor de R$ 2.452,11, conforme a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ apresentada à Receita Federal. Registrou também que havia vários outros processos e outros PER/DCOMP pendentes de análise, os quais relacionou, consignando que todos eles possuiriam origem no mesmo direito creditório (saldos negativos de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2003), e que seria oportuno que todos fossem analisados conjuntamente como saldo negativo. Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve a negativa em relação à compensação. Em sua decisão, a DRJ fez uma série de considerações e enumerou requisitos para a caracterização de saldo negativo a ser restituído/compensado, concluindo que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório. Na presente fase de recurso voluntário, a Contribuinte reiterou os mesmos argumentos de sua manifestação de inconformidade, e juntou documentos contábeis e fiscais, no intuito de ver homologada a pretendida compensação. Ao proferir a referida Resolução nº 1802000.285, em 06/08/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF esclareceu as razões pelas quais normalmente desconsidera o erro formal de a Contribuinte indicar nos PER/DCOMP (como Fl. 377DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900402/200855 Resolução nº 1802000.371 S1TE02 Fl. 7 6 crédito) os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado a partir do conjunto destas mesmas estimativas. Além disso, registrou que esse passo já tinha sido dado pela DRJ; que a decisão de primeira instância já havia admitido o exame do crédito sob a ótica de saldo negativo; e que o indeferimento da compensação fora mantido por falta de elementos comprobatórios do saldo negativo (e não mais porque o pagamento da estimativa estava alocado ao próprio débito de estimativa declarado em DCTF). Nesse contexto, e após tecer comentários sobre a dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, esta Turma julgadora elaborou a referida resolução, com o conteúdo final transcrito abaixo: [...] Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário cópias dos seguintes documentos: DARF´s recolhidos ao longo de 2003; Demonstrativo de Rendimentos Financeiros e de Retenções de IR em 2003; Livro Razão contendo lançamentos nas contas “IRPJ pago por Estimativa”, “Contr. Soc. s/ Lucro pg. Estimat.” e “IRRF s/ Aplicação Financeira”; Livro Diário contendo lançamentos referentes aos pagamentos das estimativas de IRPJ e CSLL; Balanço de Suspensão de Novembro/2003; Balancetes de Verificação para cada um dos meses de 2003 (janeiro a dezembro); Balanço Anual de 2003; Demonstração de Resultado do Exercício; e Livro LALUR com registros em novembro e dezembro/2003. Pela DIPJ do anocalendário de 2003, às fls. 78, a Contribuinte apurou IRPJ anual no valor de R$ 78.332,30 e realizou deduções a título do Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT (R$ 1.913,09), dos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente (R$ 600,00), de IR fonte (R$ 2.452,11) e de IR mensal pago por estimativa (R$ 630.038,98), o que resultou em saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 556.671,88. Nos meses de janeiro a outubro de 2003, a Contribuinte realizou recolhimentos de estimativa com base na Receita Bruta e acréscimos. Já nos meses de novembro e dezembro, ela suspendeu o pagamento das estimativas mediante balancetes de suspensão. O quadro abaixo indica os valores das estimativas mensais constantes da DIPJ e os valores dos DARF´s apresentados: PA Estimativas de IRPJ em 2003 DIPJ DARF jan/03 93.135,68 88.881,45 fev/03 64.065,05 56.171,72 mar/03 66.840,37 66.352,13 abr/03 50.304,98 49.856,63 mai/03 65.076,12 65.222,70 Fl. 378DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900402/200855 Resolução nº 1802000.371 S1TE02 Fl. 8 7 jun/03 39.088,27 39.055,58 jul/03 82.839,95 82.843,14 ago/03 68.810,45 68.812,77 set/03 49.626,27 53.509,66 out/03 51.423,38 57.313,27 Total 631.210,52 628.019,05 A solução deste processo demanda uma instrução processual complementar. Embora a indicação seja de existência de saldo negativo, ainda não é possível apurar o seu exato valor. Há divergências entre os valores das estimativas constantes da DIPJ e os DARF´s correspondentes. Além disso, a estimativa de julho foi recolhida em atraso, o que enseja imputação proporcional do pagamento para apartação correta da rubrica principal e dos acréscimos legais. Há também deduções a outros títulos que demandam requisitos específicos, ainda não examinados pela Delegacia de origem, porque o despacho decisório não tratou do reivindicado crédito sob a ótica de saldo negativo, o que deverá ser feito agora. A condução do exame do PER/DCOMP fez com que a documentação contábil e fiscal só fosse apresentada nessa fase processual. É necessário, portanto, que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade, à luz dos documentos contábeis e fiscais apresentados pela Recorrente, e de outros que se entenda necessários: 1) verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJ no anocalendário de 2003; o valor a ser considerado como dedução a título de estimativas mensais; o valor a ser considerado como dedução referente ao Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT; o valor a ser considerado como dedução referente aos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente; o valor a ser considerado como dedução a título de IR fonte, levando em conta se as receitas correspondentes foram computadas pela Contribuinte na apuração do lucro real; 2) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se há saldo negativo de IRPJ a ser restituído/compensado, e qual o seu valor; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900402/200855 Resolução nº 1802000.371 S1TE02 Fl. 9 8 Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Limeira/SP atenda ao acima solicitado. Em resposta à diligência que lhe foi demandada pelo CARF, a DRF/Limeira/SP prestou a Informação Fiscal de fls. 370/371, nos seguintes termos: Trata este processo da declaração de compensação n.º 41042.84640.210906.1.7.04 1174 em que o contribuinte utilizou o pagamento da estimativa de IRPJ do mês de janeiro de 2003, no valor de R$ 56.928,87 para compensação de débitos próprios A compensação não foi homologada, porque o pagamento encontrase totalmente vinculado ao débito e esta decisão foi mantida pela Delegacia de Julgamento. O contribuinte entrou com recurso alegando que havia se equivocado e que seu crédito era saldo negativo de IRPJ e não pagamento indevido. O argumento foi acatado pela 2ª Turma Especial do CARF que baixou o processo para diligência. Em consulta aos sistemas da RFB, foi verificado que o contribuinte entregou em 23.06.2009, pedido de restituição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003/exercício 2004, cuja via completa está sendo anexada a este processo. [...] O contribuinte induziu o nobre julgador a erro e provavelmente utilizou de máfé ao manter a alegação de que se tratava de saldo negativo quando já havia solicitado este mesmo crédito em outro procedimento. Não há dúvida de que a conversão do pedido feita pelo CARF implica a concomitância de pedidos do mesmo crédito, o que é extremamente temerário, principalmente porque entendimento semelhante foi proferido em outros quinze processos do mesmo contribuinte ou seja, há o risco iminente de se reconhecer indevidamente milhões de crédito para o contribuinte, ressaltando que há ainda mais cinco processos com esta mesma matéria a ser apreciado pelo CARF. Assim, proponho o retorno deste processo àquela instância de julgamento para que se manifeste sobre a manutenção deste entendimento e a necessidade de realização da diligência, sugerindose que a declaração de compensação n.º 31383.04781.230609.1.6.02 1937 seja examinada para que se confirme que o próprio contribuinte incluiu o pagamento da estimativa de IRPJ do mês de janeiro de 2003, no valor de R$ 56.928,87 no rol dos pagamentos que geraram o saldo negativo de IRPJ desse mesmo período, o que só vem confirmar que o pagamento não era não é e nunca foi indevido e este processo não pode ser convertido em saldo negativo. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900402/200855 Resolução nº 1802000.371 S1TE02 Fl. 10 9 Em síntese, a DRF/Limeira/SP registra: que a Contribuinte apresentou em 23/06/2009 um pedido de restituição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003 (PER/DCOMP nº 31383.04781.230609.1.6.02 1937, juntado aos autos); que a decisão do CARF implica na concomitância de pedidos do mesmo crédito; que a decisão do CARF em converter a compensação de estimativa em compensação de saldo negativo é temerária; e que o pagamento de estimativa não pode ser convertido em saldo negativo. Diante destes comentários, a DRF/Limeira devolveu o processo ao CARF, para que este órgão se manifeste sobre a manutenção de seu entendimento e sobre a necessidade da realização da diligência. A resolução proferida por esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF apresenta motivação adequada e suficiente. Quanto à solicitação de diligência, é oportuno relembrar que “na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”, e que quando “determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusar se de cumprilas”, conforme artigos 29 e 37 do Decreto 70.235/1972 (PAF), e artigo 36, § 3º, do Decreto 7.574/2011. Ao proferir a referida Resolução nº 1802000.285, em 06/08/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF esclareceu as razões pelas quais normalmente desconsidera o erro formal de a Contribuinte indicar nos PER/DCOMP (como crédito) os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado a partir do conjunto destas mesmas estimativas. Não bastasse isso, esta Turma Julgadora também registrou que esse passo já tinha sido dado pela DRJ; que a decisão de primeira instância já havia admitido o exame do crédito sob a ótica de saldo negativo; e que o indeferimento da compensação fora mantido por falta de elementos comprobatórios do saldo negativo (e não mais porque o pagamento da estimativa estava alocado ao próprio débito de estimativa declarado em DCTF). Não que esse entendimento seja imutável, mas há meios formais para revertêlo, a exemplo dos embargos de declaração da Procuradoria da Fazenda Nacional, ou dos Recursos Especiais apresentados por aquele mesmo órgão. O fato é que ao servidor designado para o cumprimento de diligência não é dada a livre vontade para cumprir ou não as decisões do CARF. De qualquer modo, a resposta dada pela Delegacia de origem, embora não atendendo ao que lhe foi solicitado, trouxe aos autos uma informação adicional relevante, que merece ser analisada no contexto dos fatos que envolvem o presente processo. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900402/200855 Resolução nº 1802000.371 S1TE02 Fl. 11 10 A Contribuinte ingressou em 2004 com vários PER/DCOMP referentes a pagamentos indevidos ou a maior de IRPJ e CSLL em 2003, entre eles o que configura objeto destes autos. Ela indicou que o crédito utilizado nestes PER/DCOMP decorreria de pagamentos individuais a título de estimativas mensais, em vez de indicar o saldo negativo do período anual (que é formado a partir do conjunto destas mesmas estimativas). Em meados de 2008 foram proferidos os despachos decisórios negando a compensação, porque cada um destes pagamentos já havia sido utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (quitação da própria estimativa declarada em DCTF). A Contribuinte apresentou manifestações de inconformidade, pleiteando que seu crédito fosse apreciado como saldo negativo, e não como pagamento indevido ou a maior de estimativa, e os processos vieram caminhando até a presente instância recursal. Nesse interregno, em 22/12/2008, a Contribuinte apresentou o pedido de restituição PER/DCOMP nº 04011.89490.221208.1.2.026498, retificado pelo PER/DCOMP nº 31383.04781.230609.1.6.021937, que foi mencionado na informação fiscal da Delegacia de origem. O fato de a Contribuinte ter apresentado o pedido de restituição acima referido, e continuar alegando que o crédito debatido nestes autos era mesmo referente a saldo negativo (o que implicava na concomitância de pedidos do mesmo crédito), foi entendido como uma provável máfé de sua parte. Mas é preciso considerar que caso não houvesse, nas instâncias de julgamento, a reversão da posição manifestada pela Delegacia de origem, uma nova solicitação do indébito (saldo negativo) somente após a conclusão dos processos de compensação certamente estaria prejudicada pelo prazo prescricional do art. 168, I, do Código Tributário Nacional, ainda que houvesse saldo negativo a ser restituído/compensado. Cabe registrar também que o PER/DCOMP mencionado na informação fiscal é referente a pedido de restituição. A Contribuinte não buscou a compensação de novos débitos com o mesmo crédito. Vêse que no contexto da decisão da Delegacia de origem, não havia outra maneira de a Contribuinte se resguardar da prescrição de seu alegado direito creditório (a não ser mediante a apresentação de um novo PER/DCOMP), principalmente porque depois de proferidos os despachos decisórios, os PER/DCOMP originais não podiam mais ser retificados (IN SRF 600/2005, art. 57). No recurso voluntário, a Contribuinte ainda destacou que havia vários outros processos envolvendo o mesmo crédito (saldo negativo em 2003), e que todos eles deveriam ser analisados em conjunto, sob a ótica de saldo negativo. Não vislumbro a alegada máfé da Contribuinte, e nem óbice de natureza procedimental ao seu pleito. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900402/200855 Resolução nº 1802000.371 S1TE02 Fl. 12 11 Nesse sentido, cabe ainda mencionar que sempre existe a possibilidade de os contribuintes apresentarem vários PER/DCOMP a partir do mesmo direito creditório, ainda que se trate de saldo negativo. E nos casos em que os contribuintes vão utilizando em partes um único crédito, há sempre o risco de este crédito não ser suficiente para a quitação de todos os débitos, seja em razão de um simples erro matemático na evolução do crédito, ou por um inadequado cômputo dos acréscimos moratórios no encontro de contas, etc. Esta é uma das razões pelas quais a declaração de compensação “extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação”, conforme o § 2º do art. 74 da Lei 9.430/1996. Realmente, o ideal é que os PER/DCOMP que utilizam o mesmo crédito sejam examinados em conjunto. De todo modo, na medida em que o crédito vai sendo consumido em várias compensações, o resultado final dos PER/DCOMP posteriores (seja para fins de compensação ou de restituição) está sempre condicionado ao montante do crédito que remanesce dos PER/DCOMP anteriores, após a dedução das parcelas já restituídas ou compensadas. Isso é uma situação comum para o caso de vários PERDCOMP fundados no mesmo crédito. No caso, a DRF Limeira/SP informou que a Contribuinte ingressou com pedido de restituição do saldo negativo de 2003 (apresentado em 22/12/2008, e retificado em 23/06/2009), mas não esclareceu se houve algum exame sobre esse saldo negativo, se ele já foi restituído à Contribuinte, se a DRF está aguardando o desenrolar dos processos referentes às compensações, etc. Havendo algum saldo negativo a ser restituído/compensado, não entendo que a melhor decisão seja a de reconhecer o direito à restituição desse indébito e, por outro lado, insistir na exigência dos débitos que a Contribuinte pretende quitar por compensação com este mesmo direito creditório. Também não seria adequado condicionar a restituição do direito creditório (caso ele seja confirmado) ao pagamento dos débitos que poderiam ser com ele quitados por compensações declaradas pela própria Contribuinte. Por tudo o que já se disse sobre a relação entre as estimativas mensais e o saldo negativo que delas decorre, havendo confirmação de algum saldo negativo em 2003, a melhor solução é promover os encontros de contas pretendidos pela Contribuinte em seus PER/DCOMP, no limite do crédito reconhecido. Diante de todo esse contexto, é necessário que os autos novamente retornem à DRF Limeira/SP, para que aquela unidade: atenda ao já demandado na Resolução nº 1802000.284, proferida por esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF em 06/08/2013; Fl. 383DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10865.900402/200855 Resolução nº 1802000.371 S1TE02 Fl. 13 12 informe se houve algum exame sobre o valor e a disponibilidade do saldo negativo de IRPJ em 2003, no contexto do PER/DCOMP nº 31383.04781.230609.1.6.021937; informe se houve restituição do crédito indicado no PER/DCOMP acima referido, relativo ao saldo negativo de IRPJ em 2003. No caso de a DRF estar aguardando o resultado final do PER/COMP objeto destes autos (bem como dos demais relacionados à mesma apuração do anocalendário de 2003), para dar encaminhamento ao PER/DCOMP nº 31383.04781.230609.1.6.021937 (que é posterior aos demais), é importante que fique consignada esta informação. Deste modo, voto no sentido de novamente converter o julgamento em diligência para que a DRF Limeira/SP atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 384DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 11020.721532/2008-28
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
Direito Creditório. Saldo Negativo de IRPJ Composto por Antecipações a Titulo de IRRF. Empresa em Fase Pré-Operacional.
Em fase pré-operacional, deve-se confrontar, contabilmente, as despesas e receitas pré-operacionais. Se o resultado apurado for negativo, ou seja, se as despesas pré-operacionais forem superiores às receitas auferidas, não haverá apuração de lucro tributável pelo IRPJ e, nessas condições, o imposto de renda retido na fonte deverá compor a apuração final, e, caso seja apurado saldo negativo de IRPJ, este será passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1801-001.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcos Vinicius Barros Ottoni e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Roberto Massao Chinen, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 Direito Creditório. Saldo Negativo de IRPJ Composto por Antecipações a Titulo de IRRF. Empresa em Fase Pré-Operacional. Em fase pré-operacional, deve-se confrontar, contabilmente, as despesas e receitas pré-operacionais. Se o resultado apurado for negativo, ou seja, se as despesas pré-operacionais forem superiores às receitas auferidas, não haverá apuração de lucro tributável pelo IRPJ e, nessas condições, o imposto de renda retido na fonte deverá compor a apuração final, e, caso seja apurado saldo negativo de IRPJ, este será passível de restituição ou compensação.
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SALDO NEGATIVO DE IRPJ COMPOSTO POR ANTECIPAÇÕES A TITULO DE IRRF. EMPRESA EM FASE PRÉOPERACIONAL. Em fase préoperacional, devese confrontar, contabilmente, as despesas e receitas préoperacionais. Se o resultado apurado for negativo, ou seja, se as despesas préoperacionais forem superiores às receitas auferidas, não haverá apuração de lucro tributável pelo IRPJ e, nessas condições, o imposto de renda retido na fonte deverá compor a apuração final, e, caso seja apurado saldo negativo de IRPJ, este será passível de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcos Vinicius Barros Ottoni e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Roberto Massao Chinen, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 15 32 /2 00 8- 28 Fl. 570DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório Por economia processual reproduzo relatório adotado na Resolução n º 1801 000.137: Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o acórdão n º 1236.620, de 11/04/2011, da 8a. Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJI (fls. 197 e ss.) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório n º 29/2009, da DRF em Caxias do Sul/RS (fls. 141/145), que não homologou as compensações declaradas nos PERDCOMP constantes dos autos. HISTÓRICO Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ no Rio de Janeiro/RJI. Trata o presente processo de Declarações de Compensação – DCOMPs, abaixo relacionadas, cujo crédito pleiteado referese a saldo negativo de IRPJ do 1o. trimestre de 2005, no valor de R$ 587.320,06. PER/DCOMP 07748.74962.270705.1.3.028090 16636.74760.030805.1.3.026200 24310.20001.100805.1.7.020530 42371.84198.170805.1.3.026006 38868.71399.240805.1.3.020711 06724.81721.310805.1.3.028574 13680.08953.080905.1.3.023887 27057.53352.120905.1.3.029215 03976.73216.140905.1.3.026618 17085.06596.200905.1.3.020309 03739.35207.131005.1.3.026660 12469.55813.191005.1.3.020440 20998.31874.261005.1.3.025009 17939.10185.031105.1.3.029305 27377.11867.091105.1.3.020383 20100.54658.171105.1.7.028831 Fl. 571DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.721532/200828 Acórdão n.º 1801001.795 S1TE01 Fl. 3 3 18157.53599.231105.1.3.020521 42461.01264.301105.1.3.024463 32599.59162.071205.1.3.020542 05796.42847.141205.1.3.023748 14870.12580.211205.1.3.026624 02364.29059.281205.1.3.028452 36345.95374.040106.1.3.023031 05654.32348.110106.1.3.025902 26910.86603.300106.1.3.021308 18385.52648.100206.1.3.021103 33706.00031.100306.1.3.028900 36223.80092.100406.1.7.026320 18847.79223.250406.1.3.023557 Em análise da DIPJ verificouse que o saldo negativo era composto de imposto de renda retido na fonte, contudo, as receitas que lhe deram origem não foram oferecidas à tributação. A interessada foi intimada (fls. 122/123) a demonstrar e comprovar a tributação das receitas, por meio de demonstrativo embasado com escrita contábil. Em resposta (125/126) a contribuinte informou que: "estava em fase pré operacional, com isso suas receitas não transitavam pelo resultado'" e não apresentou a escrita contábil. A DRF Caxias do Sul (RS) proferiu o despacho decisório n° 29/2009 (141/145) não homologando as compensações alegando que: "As receitas e despesas financeiras compõem o resultado do período em que incorridas, enquanto as despesas préoperacionais são ativadas para posterior amortização, nos termos do art. 179, V, da Lei 6.404/76, vigente a época dos fatos, combinado com o art. 325, II, "a ", do RIR/99. Assim, podemos dizer que as receitas e despesas financeiras deveriam ser levadas ao resultado do exercício de forma que sejam tributadas, conforme ocorre com as pessoas jurídicas em geral, já os gastos préoperacionais são lançados no ativo diferido para posterior amortização." Diante do exposto, recalculou o imposto de renda devido considerando as receitas financeiras e apurou imposto a pagar e não saldo negativo. A interessada foi cientificada em 11/03/2009 (fl. 162) e apresentou manifestação de inconformidade (fls. 167/168) em 17/03/2009 (fl. 96), alegando que: •os pressupostos quanto ao registro das despesas e receitas financeiras estabelecidos pela IN 54/1988 permanecem válidos. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 "A ativação das despesas parte da presunção de que no período pré operacional não há receita. Essa presunção, contudo, não é absoluta, e havendo receita, ela deve ser utilizada para diminuir a despesa correspondente. Em se tratando de empresa em fase préoperacional, esse confronto será feito no ativo, e na eventualidade de se apurar um saldo credor (receitas maiores que despesas), haveria apuração do imposto." "a DIPJ enviada apresenta as despesas e receitas financeiras e as despesas préoperacionais registradas corretamente no ativo e o IRPJ decorrente da retenção na fonte sobre aplicações financeiras, por vir a ser objeto de utilização para compensar débitos futuros, foram registrados na ficha correspondente" o procedimento adotado pela Companhia está embasado na Solução de Consulta n° 289/2007 da DISIT/SRRF 09 e na solução de consulta n° 73. A Turma Julgadora de 1a. instância consignou que a interessada estaria correta quanto à possibilidade de diminuição do saldo líquido das receitas e despesas financeiras do total das despesas préoperacionais registradas, mas não teria comprovado, nem por ocasião da intimação, nem no momento da impugnação, o registro das despesas pré operacionais que alega possuir, o que impossibilitaria a análise da diferença entre o valor das despesas préoperacionais e o saldo das receitas e despesas financeiras, informações que não poderiam ser extraídas da DIPJ. Como conseqüência o pleito foi indeferido, o direito creditório não reconhecido e as compensações pleiteadas, não homologadas. Notificada da decisão, em 17/06/2011, como demonstra a cópia do AR à fl. 210/211, postou, a interessada, em 08/07/2011, como demonstra o incluso envelope, recurso voluntário. Aduz que, conforme permitido pela notificação, estaria a apresentar a escrita contábil comprobatória da contabilização das receitas e despesas financeiras, através de seu livro razão dos períodos 2004 e 2005, quando se encontrava em fase préoperacional. Nesse sentido, em relação a 2004, o balanço publicado demonstraria receitas financeiras no valor de R$ 10.288.477,38 e despesas financeiras no valor de R$ 89.780.504,94, conforme páginas 35 e 36 do respectivo Livro Razão. Na ficha 45A da DIPJ – linha 45 – Despesas Préoperacionais ou Préindustriais – teria sido preenchido o valor de R$ 214.400.503,40, e, nesse total, estariam incluídos os valores de despesas e receitas financeiras mencionados. Pondera que, tratandose de concessionária de geração de energia elétrica, os gastos préoperacionais devem ser classificados no grupo de contas do Ativo Imobilizado em Curso, conforme manual de contabilidade que deve ser obrigatoriamente seguido pelas empresas desse setor e, independentemente da classificação contábil, estaria comprovado que a despesa financeira foi maior que a receita financeira, não apresentando resultado passível de gerar base para a tributação. Aduz que, apesar de ainda não ter seu empreendimento em operação, a empresa poderia auferir receitas – como no caso de aplicações financeiras dos recursos levantados para a construção, mas ainda não gastos no empreendimento – de modo que tais receitas devem ser confrontadas com as despesas a elas relativas no período, o que estaria comprovado pela documentação apresentada. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.721532/200828 Acórdão n.º 1801001.795 S1TE01 Fl. 4 5 Salienta que no ano de 2005 a empresa entrou em operação no mês de novembro e, de janeiro a outubro, teriam sido registradas no Ativo Imobilizado em Curso as receitas financeiras no valor de R$ 19.370.558,12 e despesas financeiras no valor de R$ 146.935.198,57, conforme demonstrado no Livro Razão, páginas 41 e 42. Na DIPJ – Ficha 45, linha 45A Despesas Préoperacionais ou Préindustriais – foi preenchido o valor de R$ 127.564.640,45, resultado negativo financeiro, que não constituiria base para a tributação. Pelo exposto e documentação apresentada, entende comprovar que suas despesas financeiras foram maiores que suas receitas financeiras e, dessa forma, seria indevida a cobrança de impostos, pois não teria apresentado lucro no período préoperacional. Ao final pugna pelo acolhimento do recurso. Em sessão realizada em 07/08/2012, esta 1a. TE / 3a. Câmara / 1a. Seção do CARF, converteu o julgamento na realização de diligências para que fossem analisados os elementos de prova apresentados pela defesa, a fim de que ficasse demonstrada a existência, composição e suficiência do direito creditório invocado. Realizada a diligência com a anexação, ao processo, dos documentos inclusos às fls. 258/541, o agente fiscal encarregado dos trabalhos produziu o relatório de fls. 542/545, contendo respostas aos quesitos formulados na Resolução n º 1801000.137. A recorrente foi cientificada do resultado da diligência fiscal, em 07/06/2013, como demonstra a cópia do AR à fl. 546 e, em resposta encaminhada a repartição em 28/06/2013, manifestouse (fl. 547) no sentido de estar ciente da suficiência do direito creditório e reiterando o pedido de homologação da compensação. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Como se verifica do relato a recorrente pleiteia, neste processo, a homologação de compensações de débitos vinculados a direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ do 1o. trimestre de 2005, no valor de R$ 587.320,06, composto, basicamente, de imposto de renda retido na fonte. Seu pedido foi indeferido pelo órgão de origem porque na respectiva DIPJ apresentada, as receitas que teriam dado origem à retenção não teriam sido oferecidas à tributação. A recorrente defendeuse afirmando que estava em fase préoperacional e, com isso, suas receitas não transitavam pelo resultado. Mas, na decisão recorrida, a Turma Fl. 574DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Julgadora de 1a. instância motivou a não homologação das compensações pleiteadas nos presentes autos na ausência de comprovação, por parte da requerente, do quanto alegado, em especial na existência de despesas préoperacionais registradas em sua escrituração contábil e fiscal. No recurso voluntário apresentado a defesa tratou de apresentar elementos de sua escrituração a fim de comprovar a existência das referidas despesas préoperacionais, o que motivou a solicitação de diligência fiscal por parte desta Turma de Julgamento do CARF. Contudo, antes de adentrarmos à análise dos fatos, julgo pertinente contextualizar o tema. Caracterizamse como despesas préoperacionais ou préindustriais as despesas necessárias, consideradas indispensáveis à implantação e organização ou a ampliação da empresa, pagas ou incorridas pela pessoa jurídica anteriormente ao início de suas operações sociais ou posteriormente para expansão da empresa. As despesas préoperacionais ou préindustriais em nada se assemelham as despesas operacionais, uma vez que não se destinam a exploração do objeto social nem à manutenção das atividades. Desse modo, conceituamse como despesas incorridas aquelas relativas a bens empregados ou serviços consumidos nas operações da empresa, de competência do período de apuração, pagas ou não. Portanto, para a apropriação das despesas deverá ser observado o período de apuração em que os bens foram empregados ou os serviços consumidos, segundo o regime de competência. As despesas aqui tratadas poderão surgir em dois momentos distintos, quais sejam: anteriormente ao início das operações sociais ou posteriormente para expansão da empresa. (*) Fundamentação legal: Parecer Normativo CST nº 72/75; artigo 299 do Decreto nº 3.000/99). São consideradas despesas préoperacionais ou préindustriais todas as despesas necessárias à implantação e a organização ou a ampliação da empresa, até mesmo as despesas administrativas. (*) Fundamentação legal:art. 325, II RIR/99. Os recursos aplicados na realização de despesas préoperacionais que contribuiriam para a formação do resultado de mais de um exercício social deveriam ser registrados no ativo diferido, sujeitandose a amortização a partir do início da operação normal ou da sua utilização. (*) Fundamentação legal: Lei 6.404, de 1976; Art. 179, V. 1 Como bem ressaltou a Turma Julgadora de 1a. instância, a COSIT pôs fim as divergências sobre o tema, por meio da Solução de Divergência n° 32, de 21 de julho de 2008 e n° 45 de 21 de novembro de2008, concluindo que: "Em vista do exposto, concluise que as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real devem registrar no ativo diferido o saldo líquido negativo entre receitas e despesas financeiras, quando provenientes de recursos classificáveis no referido subgrupo. 1 Disponível em www.fiscosof.com.br Fl. 575DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.721532/200828 Acórdão n.º 1801001.795 S1TE01 Fl. 5 7 Sendo positivo, tal diferença diminuirá o total das despesas préoperacionais registradas. O eventual excesso remanescente deverá compor o lucro líquido do exercício. " Assim, a ativação das despesas parte da suposição de que no período pré operacional não há receita. Mas, havendo receita, ela deve ser utilizada para diminuir a despesa correspondente. Em se tratando de empresa em fase préoperacional, esse confronto será feito no ativo, e na eventualidade de se apurar um saldo credor (receitas maiores que despesas), haverá apuração do imposto. Caso as despesas préoperacionais sejam superiores às receitas auferidas, a empresa não terá lucro tributável pelo IRPJ. Dessa forma, tem razão a recorrente quanto à possibilidade de diminuição do saldo líquido das receitas e despesas financeiras do total das despesas pré operacionais registradas. Nesse sentido afirmou que a DIPJ enviada apresentaria as despesas e receitas financeiras e as despesas préoperacionais registradas no ativo e que o IRPJ decorrente da retenção na fonte sobre aplicações financeiras, por vir a ser objeto de utilização para compensar débitos futuros, teriam sido registrados na ficha correspondente. Com o objetivo de comprovar suas alegações e demonstrar a existência do registro das despesas préoperacionais alegadas, a defesa apresentou, junto ao recurso voluntário, elementos da escrita contábil e fiscal a fim de que fossem identificados os valores das receitas e despesas financeiras e das despesas préoperacionais. Passemos, pois, ao exames dos fatos. Com base na documentação apresentada no Recurso Voluntário esta Turma de Julgamento do CARF converteu o julgamento na realização de diligência, para que fossem respondidos os quesitos constantes da Resolução n º 1801000.137: Em atendimento à Resolução, o agente fiscal encarregado dos trabalhos produziu o relatório pertinente e, em relação aos quesitos formulados, respondeu: 1. Em relação ao anocalendário 2004 Quesito: 1.1) demonstração do registro de receitas financeiras no valor de R$ 10.288.477,38 e de despesas financeiras no valor de R$ 89.780.504,94, e a inclusão desses valores no total informado na ficha 45A da DIPJ – linha 45 – Despesas Préoperacionais ou Préindustriais – de R$ 214.400.503,40. 1.2) a correção do registro dos gastos préoperacionais em conta do Ativo Imobilizado em Curso, conforme manual de contabilidade das empresas do setor de geração de energia elétrica; Resposta (itens 4.1 e 4.2 da Informação Fiscal): 4.1 Na declaração original e nas retificadoras referente ao anocalendário 2004, a linha 45 da ficha 45 A não foi preenchida apenas (a coluna ano da declaração) na do Fl. 576DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 anocalendário 2005, para a coluna “último balanço do ano imediatamente anterior” com o valor de R$ 214.400.503,40. Esse valor resulta do desmembramento do total do imobilizado no valor de R$ 1.087.479.888,37 em R$ 873.079.384,97 (imobilizado) e R$ 214.400.503,40 (despesas préoperacionais). Assim, a resposta ao quesito 1.1 é de que pelos arquivos digitais apresentados as receitas e despesas financeiras do anocalendário 2004 foram contabilizadas no imobilizado em curso. 4.2 De acordo com a planilha comparativa de fls. 536/539, percebese que, no balancete de 31/12/2004, apenas a conta provisão para contingências cíveis não constava do imobilizado em curso. Conclusão: O valor de R$ 214.400.503,40 referese ao total de despesas pré operacionais do anocalendário 2004 e foram contabilizadas no ativo imobilizado. Quesito: 1.3) demonstração de que a despesa financeira foi maior que a receita financeira, não apresentando resultado passível de gerar base para a tributação. Resposta (item 4.3 da Informação Fiscal): 4.3 Quanto ao item 1.3, as despesas financeiras apresentam valor superior às receitas financeiras, não apresentando resultado passível de gerar base para a tributação. Conclusão; A despesa financeira, no anocalendário 2004, foi maior que a receita financeira, não sendo produzido resultado passível de gerar base para tributação. Quesito: 1.4) se foram auferidas receitas de aplicações financeiras de recursos adquiridos no período em que o empreendimento ainda não estava em operação, e não empregados no empreendimento por conta dessa inoperância, devendo ser intimada a empresa a esclarecer quanto ao critério de sua contabilização. Resposta (item 4.4 da Informação Fiscal): 4.4 Com relação ao item 1.4, da análise dos arquivos digitais entregues, depreendese que os recursos obtidos por meio de empréstimos foram, em parte, objeto de aplicações financeiras no período préoperacional. As receitas de aplicações financeiras foram ativadas no Imobilizado em curso nesse período. Conclusão: Houve apropriação de receitas financeiras decorrentes do período pré operacionais, contabilizadas no ativo imobilizado do respectivo período. Quesito: 1.5) o resultado líquido do confronto das receitas mencionadas no item acima com as despesas a elas relativas. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.721532/200828 Acórdão n.º 1801001.795 S1TE01 Fl. 6 9 Resposta (item 4.5 da Informação Fiscal): 4.5 O resultado líquido do confronto das receitas e despesas financeiras, requerido no item 1.5, de acordo com os arquivos digitais, é: Final do Trimestre 31/03/2004 30/06/2004 30/09/2004 31/12/2004 Receitas Financeiras R$ 8.103.363,10 C R$ 7.946.958,90 C R$ 8.498.233,94 C R$ 10.288.477,38 C Despesas Financeiras R$ 55.071.034,22 D R$ 78.563.612,04 D R$ 78.860.087,50 D R$ 89.780.504,94 D Resultado Líquido R$ 46.967.671,12 D R$ 70.616.653,14 D R$ 70.361.853,56 D R$ 79.492.027,56 D Conclusão: As Despesas Financeiras superaram as Receitas Financeiras, em todos os trimestres do anocalendário 2004. Em relação ao anocalendário 2005: Quesito: 2.1) o registro, no Ativo Imobilizado em Curso, das receitas financeiras no valor de R$ 19.370.558,12 e despesas financeiras no valor de R$ 146.935.198,57, e sua correlação com o valor consignado na DIPJ – Ficha 45, linha 45A Despesas Préoperacionais ou Préindustriais – como resultado negativo financeiro de R$ 127.564.640,45. Resposta (item 4.6 da Informação Fiscal): 4.6 De acordo com o balancete de 31/10/2005, doc. de fls. 541, a soma algébrica dos valores salientados no referido balancete, que se reportam a despesas e receitas financeiras, monta R$ 127.564.640,45, valor equivalente ao resultado financeiro negativo. Conclusão: No anocalendário 2005, até o momento em que a empresa entrou em operação, foi apurado resultado financeiro negativo, no valor de R$ 127.564.640,45. Finalmente, quanto a existência, composição e suficiência do direito creditório invocado pela recorrente, relativo a saldo negativo de IRPJ do 1o. trimestre de 2005, composto por antecipação a título de IRRF, o agente fiscal assim se manifestou: 5. Com a relação à suficiência do direito creditório invocado pela recorrente, relativo a saldo negativo de IRPJ do 1º trimestre de 2005, no valor de R$ 585.320,06, a consulta da DIRF constante do volume I comporta o valor de IRRF informado. 6 Assim, proponho que seja dada ciência à contribuinte desta Informação, entregandolhe cópia desta, da planilha comparativa de fls. 536/539 e do balancete de Fl. 578DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 31/10/2005 de fls. 541. Como, também, cientifiquese a contribuinte que fica, nos termos da legislação pertinente, concedido o prazo de trinta dias a partir da data da ciência, para a interessada apresentar suas considerações sobre o referido relatório, se assim desejar. Conclusão: No caso em apreço, comprovouse que no 1o. trimestre de 2005, as despesas préoperacionais foram superiores às receitas auferidas, e, assim sendo, não houve apuração de lucro tributável pelo IRPJ. Nessas condições, o imposto de renda retido na fonte compôs a apuração final, resultando em saldo negativo de IRPJ, passível de restituição ou compensação. Por todo o exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório reivindicado relativo a saldo negativo de IRPJ do 1o. trimestre de 2005, no valor de R$ 587.320,06, e homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 579DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 23/01/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10675.003008/2006-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 22/06/2006
DA LEGITIMIDADE PASSIVA
É sujeito passivo da obrigação tributária, devendo responder pela infração aduaneira, a pessoa que, nos termos do inciso I do art. 95 do decreto-lei 37/66, conjunta ou isoladamente, de qualquer forma, concorra para a prática da infração ou dela se beneficie.
A RESPONSABILIDADE OBJETIVA DA RECORRENTE POR INFRAÇÃO ADUANEIRA.
Não há necessidade de estar configurada a vontade do agente em infringir a legislação aduaneira, bastando estar configurada a omissão ou a ação do infrator.
DO ADEQUADO ENQUADRAMENTO DA INFRAÇÃO. DA LEGALIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. MERCADORIA ESTRANGEIRA À MORAL E AOS BONS COSTUMES.
Estando o contribuinte na posse de bens importados, que sejam atentatórios à moral e aos bons costumes, auferindo benefícios de sua utilização, é cabível a penalidade por importação de mercadoria atentatória a moral e aos bons costumes.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3402-002.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Silvia de Brito Oliveira.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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A RESPONSABILIDADE OBJETIVA DA RECORRENTE POR INFRAÇÃO ADUANEIRA. Não há necessidade de estar configurada a vontade do agente em infringir a legislação aduaneira, bastando estar configurada a omissão ou a ação do infrator. DO ADEQUADO ENQUADRAMENTO DA INFRAÇÃO. DA LEGALIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. MERCADORIA ESTRANGEIRA À MORAL E AOS BONS COSTUMES. Estando o contribuinte na posse de bens importados, que sejam atentatórios à moral e aos bons costumes, auferindo benefícios de sua utilização, é cabível a penalidade por importação de mercadoria atentatória a moral e aos bons costumes. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Silvia de Brito Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 30 08 /2 00 6- 42 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 2 (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente em exercício (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10675.003008/200642 Acórdão n.º 3402002.232 S3C4T2 Fl. 73 3 Relatório Trata esse processo administrativo fiscal de auto de infração decorrente da importação de mercadoria atentatória à moral, bons costumes, saúde ou ordem pública, no valor total de R$ 1.000,00 (mil reais). Segundo autuação, foram apreendidas pela Polícia Federal, em conjunto com a Receita Federal, 02 (duas) placas para máquina caça níquel no estabelecimento comercial de propriedade da Impugnante, sendo que da ação fiscal resultou a aplicação da multa objeto do Crédito Tributário em discussão. DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do Auto de Infração em 16.11.2006, através do AR de fls. 20 (numeração eletrônica) o contribuinte apresentou em 06.12.2006, as fls. 23 e ss. (numeração eletrônica) sua Impugnação Administrativa, alegando o seguinte: Que foi autuado por suposta ‘importação de mercadoria atentatória à moral/bons costumes/saúde pública, lhe sendo aplicada multa pecuniária de R$ 1.000,00. Que não é importador e não importou as mercadorias (placas de caça níquel), bem como não é e nunca foi proprietário das mesmas. Que desconhecia a existência de placas estrangeiras dentro das máquinas de caça níqueis, pois apenas alugou um pequeno espaço no seu comércio para a colocação das máquinas, mediante a contraprestação de um modesto aluguel fixo, prática esta de praxe geral e de conhecimento dos agentes públicos. Que o importador das máquinas é a empresa Grand Columbus Importadora e Exportadora Ltda, conforme nota fiscal e laudo de assistência técnica juntados à Impugnação. Que a multa pecuniária passou a vigorar em 2003 e que a importação ocorreu em data anterior, motivo pelo qual a multa de R$ 1.000,00, prevista pela lei 10.833/03, que deu nova redação ao art. 107, VII, b do declei 37/66 não pode ser aplicada.” Requereu, por fim fosse julgada procedente a impugnação. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Fl. 74DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 4 Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (DRJ/FOR), houve por bem em considerar improcedente a Impugnação apresentada, proferido Acórdão nº. 0822.900, ementado nos seguintes termos: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 22/02/2006 ULTERIOR APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PROTESTO GENÉRICO.INEFICÁCIA. O protesto genérico pela posterior apresentação de prova não gera efeitos no processo administrativo fiscal, em que a impugnação deve estar instruída com os documentos em que se fundamenta, precluindo o direito de apresentálos noutro momento, exceto nos casos previsto no § 4º do art.16 do Decreto nº 70.235/1972, incluído pela Lei nº 9.532/1997, cuja aplicação será apreciada quando forem trazidas as provas extemporâneas. INTIMAÇÃO NO ENDEREÇO DO PATRONO DA CAUSA. FALTA DE PREVISÃO NORMATIVA. A intimação dos atos processuais por via postal deve sempre ser dirigida para o domicílio tributário eleito pelo contribuinte, eis que no processo administrativo federal não há dispositivo que autorize o uso do endereço do patrono da causa para esse fim. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 22/02/2006 MÁQUINA CAÇANÍQUEL. IMPORTAÇÃO. MULTA. A partir da publicação da Lei nº 10.833/2003, a importação de máquina do tipo “caçaníquel”, considerada como mercadoria atentatória à moral e aos bons costumes, passou a ser punível, também, com multa pecuniária no valor de R$ 1.000,00. MÁQUINA CAÇANÍQUEL. IMPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA INFRAÇÃO. A responsabilidade por infrações à legislação aduaneira é objetiva e extensiva a quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido .” A DRJ/FOR decidiu, por maioria de votos, negar provimento à Impugnação, mantendo integralmente a multa lançada, sob o argumento de que o Impugnante/Recorrente, embora tenha alegado não ser o proprietário ou mesmo o importador dos bens apreendidos, assume a posse e o usufruto dos benefícios decorrente dos mesmos. De acordo com a legislação aduaneira, em vigor à época dos fatos (RA/02), a infração é aplicável a todos que Fl. 75DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10675.003008/200642 Acórdão n.º 3402002.232 S3C4T2 Fl. 74 5 concorram com a prática da infração ou dela se beneficie. Segundo o órgão julgador, ficou claro que o Impugnante/Recorrente se beneficiava da instalação das máquinas em seu estabelecimento, sendo irrelevante a alegação da defesa, quanto ao fato do mesmo ser ou não o importador dos bens. Fundamentou ainda que as notas fiscais juntadas em nada socorre o Impugnante, eis que não há provas de que a nota fiscal corresponde às máquinas encontradas no estabelecimento do Impugnante. Além do mais, não exclui a condição de responsável solidário da Impugnante. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Devidamente intimado o Impugnante/Recorrente apresentou Recurso Voluntário, através do qual ratifica as alegações apresentadas na Impugnação, quais sejam, i) de que não é importador ou proprietário do bem, considerado atentatório à moral e aos bons costumes, ii) que desconhecia a existência das “placas estrangeiras”, encontradas no interior da máquina de caça níquel, iii) que apenas alugou um pequeno espaço no seu estabelecimento para a colocação das máquinas de caça níquel em contraprestação ao pagamento de um modesto aluguel, iv) que o importador do bem é a empresa Grand Columbus Importadora e Exportadora Ltda, v) que o valor da multa aplicada passou a vigorar em 2003, ou seja, após a aquisição das máquinas, conforme Nota fiscal apresentada. Ao final, requer seja acolhido o recurso, julgada improcedente a autuação e arquivado o processo administrativo, na forma da lei. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico numerado – eletronicamente até a folha 71 (setenta e uma), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 6 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece o mesmo, ser apreciado. Ademais, por tratar de matéria da competência deste Colegiado, dele tomo conhecimento. Havendo diversas questões sob julgamento, passo a abordagem daquelas que interferem no deslinde da matéria. DA LEGITIMIDADE PASSIVA DA RECORRENTE. O Recorrente alega não ser o sujeito passivo da obrigação tributária que lhe foi imputada, sendo, portanto, mister ser declarada sua ilegitimidade para atuar no pólo passivo da autuação fiscal. A arguição de ilegitimidade está fundamentada na alegação do fato de que o Recorrente não importou as mercadorias (placas), tendo indicado um terceiro como importador dos referidos bens. Resta saber, portanto, se o Recorrente pode ou não ocupar a posição de sujeito passivo no caso em tela. O art. 95, I do Decretolei 37/66, que estabelece a responsabilidade pela penalidade decorrente de infração aduaneira e administrativa, referente às importações, assim dispõe: Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; O referido dispositivo estabelece duas condições para configurar a responsabilidade pela infração, e consequentemente, a sua legitimidade, se concorreu para a prática da infração ou se beneficiou da prática. Por se tratar o bem importado de material ilegal, certamente foi internalizado no território nacional de forma irregular, sendo inviável, portanto, a comprovação da importação e da concorrência do Recorrente na importação do bem. Entretanto, com relação ao beneficio auferido pelo mesmo, decorrente da importação, este fato está mais do que comprovado nos autos, seja pela apuração dos fatos, seja pelo próprio Recorrente, que assumiu tirar proveito, auferindo vantagem financeira dos bens apreendidos. Tendo em vista tais considerações, fica demonstrado que o Recorrente se enquadra perfeitamente nas hipóteses de responsabilidade por infração, previstas no citado art. 95, I do decreto lei 37/66, sendo devida, portanto a sua inclusão no pólo passivo do presente Auto de Infração. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10675.003008/200642 Acórdão n.º 3402002.232 S3C4T2 Fl. 75 7 A RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO RECORRENTE POR INFRAÇÃO ADUANEIRA A legislação aduaneira aplicável ao caso, (RA/02) e (II), ressalta que não há necessidade de estar configurada a vontade do agente em infringir a legislação aduaneira, bastando estar configurada a omissão ou a ação do infrator (art. 94 da lei do II e art. 602 do RA/02), ou seja, no caso em comento, não há necessidade de estar comprovada que o Recorrente teve a intenção de importar os bens, mas que o mesmo está agindo em desacordo com as normas estabelecidas no RA/02 e no decreto do II. O conceito de infração aduaneira contém o mesmo conteúdo do conceito de infração tributária, previsto pelo CTN e, em suma, dispõe que o sujeito que descumprir qualquer uma das normas expressas no Regulamento Aduaneiro mesmo que não tenha tido intenção, será considerado infrator. Na época dos fatos vigorava o RA/02, cujo art. 602 declarava: Art. 602. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa física ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Decreto ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálo (Decretolei no 37, de 1966, art. 94). Parágrafo único. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato (Decretolei no 37, de 1966, art. 94, § 2o). O texto do referido dispositivo legal faz menção ao que o direito denomina responsabilidade objetiva, o que significa dizer que a norma punitiva incide automaticamente sobre o sujeito indicado na Lei como responsável por aquela conduta. A ocorrência do resultado de modo a configurar uma infração, independe da intenção que tinha o agente. A infração das normas aduaneiras dá ensejo à caracterização do ato ilícito. Como bem ressaltado na decisão da impugnação: “Constatase dos dispositivos legais em análise que impera no Direito Tributário o princípio da responsabilidade objetiva, segundo o qual constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe em inobservância dos preceitos legais ou normativos. É importante neste caso apreender o verdadeiro alcance da lei sancionatória. De acordo com os comandos legais que definem a infração da espécie dos autos, informados pelos institutos já mencionados, a hipótese legal “...importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública’ não distingue quanto ao sujeito passivo, se contribuinte ou responsável, tampouco quanto ao aspecto formal da importação, mas visa albergar os seguintes elementos do tipo: a) mercadorias de procedência estrangeira, ingressadas no território nacional; b) que se afigurem como atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública” (fls. 42). Os fundamentos apresentados, na fase administrativa, pela autoridade competente, não foram descaracterizados pela Recorrente. Ademais, em pese que a alegada ausência de identificação do importador, e a atribuição da importação à terceiro, sem prova Fl. 78DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 8 robusta neste sentido, vale ressaltar que a infração atribuída a Recorrente decorre da aferição de benefício do bem importado, considerado atentatório à moral e aos bens costumes. Que o Recorrente se beneficiava da exploração dos bens importados, não há dúvida. O próprio sujeito passivo assume tal fato em sua impugnação. Como bem apontado pela decisão proferida pela DRJ, “a identificação do importador não excluiria a condição da impugnante, que é de responsável solidária, conforme acima demonstrado. Além disso, os referidos documentos não garantem nem mesmo que a própria autuada não tenha importado as máquinas ou não as tenha introduzido irregularmente no país, já que não há provas de que elas pertençam a terceiros, apenas alegações”(fls. 44). Dessa forma, caracterizada a responsabilidade objetiva do Recorrente, deve o mesmo responder pela infração que lhe foi imputada. DO ADEQUADO ENQUADRAMENTO DA INFRAÇÃO. DA LEGALIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO O art. 9º do decretolei 70.235/72 que regula o processo administrativo dispõe: Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Neste sentido, frizase lição do professor Hugo de Brito Machado: “O desconhecimento da teoria da prova, ou a ideologia autoritária, tem levado alguns a afirmarem que no processo administrativo fiscal o ônus da prova é do contribuinte. Isso não é, nem poderia ser correto em um estado de Direito democrático. O ônus da prova no processo administrativo fiscal é regulado pelos princípios fundamentais da teoria da prova, expressos, aliás, pelo Código de Processo Civil, cujas normas são aplicáveis ao processo administrativo fiscal. No processo administrativo fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador.” (São Paulo, 2003. Pg 272) Da análise do dispositivo legal transcrito e da lição do ilustre professor, é possível concluir que o auto de infração deve ser instruído com todos os elementos de prova possíveis capazes de corroborar o enquadramento legal apontado pelo fiscal, no auto de infração. O ônus da prova, neste sentido, cabe à autoridade que lavrou o respectivo auto. Qualquer dissonância entre as provas apresentadas e a materialidade da infração imputada ao infrator, implica na anulação do auto de infração. Neste sentido, aliás, já julgou o STJ, determinando que o auto de infração só pode se basear em prova irrefutável, tendo o fiscal a obrigação de provar que o fato gerador Fl. 79DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10675.003008/200642 Acórdão n.º 3402002.232 S3C4T2 Fl. 76 9 praticado pelo contribuinte, está perfeitamente enquadrado com o que a lei determina como ilícito. Ademais, o contribuinte não é obrigado a produzir prova contra si mesmo e nem a fazer prova negativa. Assim, decidiu o STJ: “Tributário – Lançamento Fiscal – Requisitos do Auto de Infração e Ônus das Prova – O lançamento fiscal, espécie de ato administrativo, goza de presunção de legitimidade; essa circunstância, todavia, não dispensa a Fazenda Pública de demonstrar, no correspondente auto de infração, a metodologia seguida para o arbitramento do imposto – exigência que nada tem a ver com a inversão no ônus da prova, resultado da natureza do lançamento fiscal, que deve ser motivado.” (Acórdão Unânime da 2ª. Turma do STJ, Relator Min. Ari Pargendler – Rec. Especial 48.516, in DJU de 13/10/1997, página 51.553). O Recorrente argüi em seu Recurso Voluntário (cujos argumentos transcritos são ipis litteris o voto do auditor Ricardo Serra Rocha, autor do voto dissidente) que o fiscal não “cuidou de apontar de forma precisa e fundamentada se a importação em questão se deu na vigência desse referido dispositivo legal, bem como quem praticou ou de qualquer forma haja concorrido para a sua prática ou dela tenha se beneficiado. Entretanto, tal argumento não merece prosperar. Analisando os fatos e a documentação na qual se baseou o fiscal para lavrar o auto de infração, entendese que o fiscal cumpriu sua obrigação de comprovar que os bens estrangeiros, apreendidos no estabelecimento de propriedade do Recorrente, estavam sob uso e posse do mesmo e que deles, auferia benefício. De acordo com o auto de infração, em cumprimento a um mandado de busca e apreensão, no dia 22.06.2006 a autoridade fiscal esteve no estabelecimento comercial de propriedade da Recorrente, juntamente com a Polícia Federal e lá encontraram 02 (duas) placas para máquina de caça níquel. O Recorrente foi enquadrado nos seguintes dispositivos legais previstos pela legislação aduaneira vigente à época dos fatos, os quais seguem transcritos abaixo: Decretolei 37/66 Art. 94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; II conjunta ou isoladamente, o proprietário e o consignatário do veículo, quanto à que decorrer do exercício de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes; Fl. 80DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 10 III o comandante ou condutor de veículo nos casos do inciso anterior, quando o veículo proceder do exterior sem estar consignada a pessoa natural ou jurídica estabelecida no ponto de destino; IV a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria. Art.96 As infrações estão sujeitas às seguintes penas, aplicáveis separada ou cumulativamente: II perda da mercadoria; III multa; Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: (...) XIX estrangeira, atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou ordem públicas. Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas (...) VII de R$ 1.000,00 (mil reais) (...) b) pela importação de mercadoria estrangeira atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem pública, sem prejuízo da aplicação da pena prevista no inciso XIX do art. 105. Basicamente, o Recorrente foi autuado por auferir benefício de bens importados que se enquadram na condição de atentatórios à moral, aos bons costumes, à saúde e à ordem pública, quais sejam, as placas destinadas à máquinas de caçaníquel, visto que a exploração de jogos de azar é proibido por lei, em especial, jogos de caçaníquel, fato este de conhecimento público e notório, tendo inclusive sido objeto de grande discussão na sociedade, quando se instaurou o debate sobre a legalidade ou não das máquinas de caçaníqueis, que redundou no fechamento de “bingos” ao redor de todo o país. No mesmo sentido das matérias sob análise nestes autos, cumpre transcrever decisão proferida no STJ: RECURSO ESPECIAL Nº 1.218.324 SC (2010/01956848) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX DECISÃO PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIAS INTERNALIZADAS. FALTA DE PROVA DE REGULAR IMPORTAÇÃO. PERDIMENTO. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICOPROBATÓRIO. ÓBICE DA SÚMULA 07/STJ. 1. (...) Fl. 81DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10675.003008/200642 Acórdão n.º 3402002.232 S3C4T2 Fl. 77 11 2. Restando assentado pelo acórdão recorrido que: "(...) Percebese, de logo, que cabe à parte autora provar a regular importação dos produtos apreendidos. Assim, não há imputar tal ônus ao Fisco, isto é, na dúvida sobre a regularidade da importação, cabe o perdimento da mercadoria. E, no caso dos autos, as circunstâncias fáticas retratadas demonstram um conjunto suficiente e razoável de indícios que, consoante as máximas de experiência, geram a presunção de fraude na alegada compra interna dos produtos apreendidos. Ou seja, a prova dos autos (produzida por ambas as partes) não demonstrou a real importação da mercadoria. (...) De fato, o encontro de mercadorias de origem estrangeira dentro das fronteiras nacionais na posse de pessoa jurídica em movimentação de cunho comercial exige do contribuinte a prova de que tal mercadoria foi internalizada corretamente. Não importa aqui ser concomitante ou logo após a internalização. Também não importa o uso do produto. A prova da regularidade deve ser convincente. O ônus é todo do particular. E não se trata de prova impossível, pois somente impossível seria para uma operação ilícita. A escrita contábil e o registro de notas servem especificamente para tanto. E devem ser precisos. A descrição genérica por tipo ou marca de produtos, apenas, é algo temerário para esse momento de análise. No desembaraço aduaneiro há a conferência física que milita a favor do contribuinte, flexibilizando a minuciosa descrição da mercadoria. Mas aqui, não é possível a mesma lógica. O trânsito comercial de mercadorias deve ser cuidadoso e rígido. É ônus da empresa adequarse às minúncias do controle estatal. É risco do negócio. Portanto, a dúvida milita a favor do Fisco. É o que, NO MÍNIMO, está presente no conjunto probatório desta lide. De outra banda, tenho por inaplicável o art. 112, II, do CTN, uma vez que não há dúvida no caso. Ressalto, também, ser evidente o dano ao erário em razão do não pagamento dos tributos referentes às mercadorias internalizadas. (fls. 480/485), afigurase incontestável que o conhecimento do apelo extremo por meio das razões expostas pelo recorrente importa o reexame fáticoprobatório da questão versada nos autos, insindicável nesta via especial, em face da incidência do verbete sumular n.º 07 deste Superior Tribunal de Justiça:" A pretensão de simples reexame deprova não enseja recurso especial ". 3. Recurso especial a que se nega seguimento (art. 557, caput, do CPC). Como se vê, em situações como esta, o ônus é transferido para o Recorrente, de provar que não importou os bens. Esta prova não é impossível, pois se os bens foram adquiridos de terceiro, esta aquisição pode facilmente ser provada; impossível seria se tratase de uma operação ilícita. O Recorrente afirmou que as máquinas foram importadas pela empresa Grand Columbus Importadora e Exportadora Ltda, cujo destinatário do bem seria a empresa Game Line Ltda e para provar que a referida empresa importou os bens, e portanto, seria a efetiva infratora, juntou a nota fiscal nr. 000176 e ainda um laudo técnico que se refere a nf. 000176. Acontece que tais documentos, provam a importação de 240 máquinas de diversão eletrônica modelo WMH120 copa/98 pela referida empresa, e não são suficientes para provar Fl. 82DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 12 de que as máquinas encontradas no estabelecimento do Recorrente correspondem a qualquer uma daquelas descritas na nota fiscal. Sobre as placas, em que pese a afirmação do Recorrente arguida na Impugnação e ratificada no Recurso Voluntário, de que não tinha conhecimento da existência das placas importadas no interior das máquinas pois “nunca as abriu para olhar o que tinha dentro, porque se olhasse, não saberia distinguir por não ter o mínimo de conhecimento técnico pertinente à questão”, bem como sobre a alegação apresentada no Recurso Voluntário (argumento copiado ipsis litteris do voto dissidente do auditor fiscal Ricardo Serra Rocha) de que a autoridade lançadora não demonstrou a ocorrência inequívoca do fato típico, qual seja, de que o Recorrente importou o bem (placa) atentatório à moral e aos bons costumes, convém ressaltar o seguinte. Embora tenha alegado não ser o proprietário ou importador dos bens, não logrou êxito em comprovar quem eram os efetivos proprietários, e, consequentemente, não cumpriu o ônus de comprovar o fato desconstitutivo do Direito do Fisco ao crédito tributário decorrente da multa aplicada. Na esteira das considerações acima, voto no sentido de conhecer o Recurso Voluntário e negarlhe provimento, mantendo o lançamento efetuado. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/1 1/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO
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Numero do processo: 16327.002188/2007-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
Ementa:
CORRETORA DE MERCADORIAS - OPÇÃO PELO LUCRO
PRESUMIDO - As sociedades corretoras de mercadorias não estão inseridas no inciso II do artigo 14 da Lei n° 9718/98, portanto, podem optar pela apuração da CSLL com base no lucro presumido.
Numero da decisão: 1202-000.871
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência proposta pelo relator e, no mérito, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo (relator) e Viviane Vidal Wagner. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta.
Matéria: CSL - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 Ementa: CORRETORA DE MERCADORIAS - OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO - As sociedades corretoras de mercadorias não estão inseridas no inciso II do artigo 14 da Lei n° 9718/98, portanto, podem optar pela apuração da CSLL com base no lucro presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência proposta pelo relator e, no mérito, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo (relator) e Viviane Vidal Wagner. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Nereida de Miranda Finamore I Iorta. Ne son Lóss residente anos Alberto Don solo - Relator. Nereida de Miranda Fina ore o a — edatora Designada. EDITADO EM: Processo n° 16327.002! 88/2007-62 SI-C2T2 Actirdfio n.° 1202-000.871 1 '1. 19 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson L6sso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore I lorta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner. 2 Processo n" 16327.002188/2007-62 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-000.871 1 . 1. 20 Relatório Por bem retratar os fatos ocorrido, adoto o relatório do Acórdão no 16-17.175 da DRJ/5:àu Pack) I, dc fls. 433 a 438, que passo a transcrever: "Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 133 a 135), lavrado em procedimento de fiscalização, para a constituição de créditos tributários dc Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL relativos aos anos-calendário de 2002, 2003 e 2004. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 118 a 128), relata a fiscalização que, no referido período, a contribuinte optou pela apuração do IRPJ e da CSLL com base no regime do lucro presumido. Sustenta, todavia, que a contribuinte estava obrigada A apuração do lucro real, nos termos do art. 246, II, do RIR/99. Argumenta que tal dispositivo obriga apuração do lucro real as pessoas jurídicas cujas atividades sejam de corretoras de valores mobiliários e que as corretoras de mercadorias negociam valores mobiliários em bolsas de mercadorias e futuros. A corroborar seu entendimento cita os artigos 1° e 2° da Instrução CVM n° 387/2003, o art. 10 da Lei n°6.385/76 e os artigos 1 0, 2° e 10 da Instrução CVM n°402/2004. A fiscalização ressalta que as operações realizadas por uma corretora de mercadorias (negociações de contratos de derivativos - futuros, termo, opções ou swaps) não se confundem corn simples operações mercantis com mercadorias. Acrescenta que urna corretora de mercadorias é instituição financeira, "assim entendida pela Receita Federal como sociedade corretora habilitada a negociar ou registrar operações coin valores mobiliários em Bolsas de Mercadorias e Futuros. sujeita portanto a todas as exigências da legislação tributária especifica, pois de outra forma não estaria sob jurisdição da Delegacia Especial das Instituições Financeiras". A fiscalização também argumenta que o Conselho Monetário Nacional — CMN equiparou as corretoras de mercadorias As demais instituições financeiras para efeito das regras contidas na Lei Complementar n° 105/2001, que trata do sigilo das operações. Além disso, alega que a contabilidade da contribuinte atende As exigências do Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional — Cosif e que, na esfera operacional, a contribuinte atende As exigências administrativas relativas a uma empresa que se caracteriza por realizar operações no mercado de valores mobiliários. Em face do exposto, conclui a fiscalização que as atividades desenvolvidas pela contribuinte se enquadram no inciso II do art. 246 do RIR/99, o que a obriga apuração do lucro real, impedindo a opção pelo lucro presumido. Em razão de a contribuinte possuir contabilidade em conformidade com o Cosif, não foi efetuado o arbitramento do resultado, mas foi apurado o lucro real, tendo sido lançada a diferença entre a CSLL apurada pelo lucro real e a declarada na DIPJ (lucro presumido). 3 Processo 11° 16327.002188/2007-62 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-000.871 H. .1 Cientificada da autuação em 21/12/2007 (fls. 133), a contribuinte apresentou, em 21/01/2008, a impugnação de fls. 138 a 165, acompanhada dos documentos de fls. 166 a427. Inicialmente, alega que são distintos os conceitos de instituição financeira (Lei n° 4.595/64, art. 17), Sociedade Corretora de Títulos e Valores Mobiliários -- CTVM (Instrução CVM 387/2003, art. 2°, II) e Sociedade Corretora de Mercadorias — CM (Instrução CVM 387/2003, art. 2°, 111), sendo, portanto, diversos os regimes jurídicos aplicáveis a essas entidades. Alega que a Lei n° 6.385/76, que regula o mercado de valores mobiliários, menciona sempre separadamente as instituições financeiras, as CTVM e as CM. demonstrando claramente que existe diferença entre elas. Acrescenta que a Lei Complementar n° 105/2001, ao enumerar as instituições consideradas financeiras para fins de sigilo bancário, não menciona as corretoras de mercadorias, mas apenas as "corretoras de cambio e valores mobiliários". Além disso, argumenta que a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB reconhece que as CTVM e as CM são instituições distintas, relacionando-as em itens diversos (X111 e XVI) no Anexo V da Portaria RFB n° 10.166/2007, que estabelece a jurisdição da Deinf. A impugnante também ressalta que as instituições financeiras e as CTVM estão submetidas As normas do Conselho Monetário Nacional — CMN e dependem de autorização do Banco Central do Brasil — Bacen para funcionar, ao passo que as CM necessitam somente de autorização da Comissão de Valores Mobiliários — CVM. Acrescenta que as instituições financeiras e as CTVM estão sujeitas A exigência de capital minim, o que não ocorre com as CM. Assim, reitera a impugnante que as CM têm regime jurídico próprio e que eventuais regras da RFB ou mesmo normas que considerem como valores mobiliários os "produtos" negociados pelas CM na Bolsa de Mercadorias e Futuros não são capazes de alterar o regime jurídico ao qual estão submetidas. Isso porque o regime jurídico de uma determinada pessoa não se baseia em atos administrativos ou na finalidade de suas atividades, mas em normas jurídicas válidas que regulam a sua atividade e não o resultado de sua atividade. [-..] Assim, sustenta a impugnante que as CM não têm a mesma natureza das CTVM e, portanto, não estão obrigadas A apuração do lucro real. Acrescenta que, nos termos do art. 516 do RIR/99, está autorizada a optar pela apuração do 1RPJ e da CSLL pelo lucro presumido, sendo indevida a autuação. Alega que, em razão do principio da legalidade, consagrado no inciso II do art.5° da Constituição Federal, a exigência fiscal deve decorrer de expressa disposição legal que lhe dê respaldo, sob pena de insanável nulidade, não só pela afronta AConstituição, mas também ao art. 142 do Código Tributário Nacional. Ante o exposto, conclui a impugnante que o regime jurídico ao qual está submetida é completamente distinto daquele aplicável As instituições financeiras e As CTVM, razão pela qual não pode ser considerada como se urna delas fosse. Assim, não se encontra obrigado à apuração do lucro real, motivo pelo qual deve ser cancelado o auto de infração." 4 Proccsso n° 16327.002188 12007-62 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-000.871 Fl. 22 Na sequência, foi emitido o Acórdão no 16-17.175, da DRJ/São Paulo 1, de fls. 433 a 438, cuja ementa abaixo se reproduz: CORRETORAS DE MERCADORIAS. LUCRO REAL. OBRIGATORIEDADE. As sociedades corretoras de mercadorias que negociem ou registrem operações coin valores mobiliários em bolsa de mercadorias e futuros estão obrigadas à apuração do IRPJ e da CSLL pelo regime do lucro real. Lançamento Procedente Os principais fundamentos do acórdão recorrido podem ser assim resumidos: - Nos termos do que dispõe o art. 2° da Instrução CVM no 387, de 28 de abril de 2003, e arts. 1° e 2° a Instrução CVM no 402, de 27 de janeiro de 2004, conclui-se que tanto as corretoras de valores quanto as corretoras de mercadorias são sociedades habilitadas a negociar ou registrar operações com valores mobiliários, sendo o âmbito de atuação das corretoras de mercadorias mais restrito, visto que podem operar somente em bolsa de mercadorias e futuros, ao passo que as corretoras de valores podem operar em bolsa (de valores ou de mercadorias c futuros) e em entidades de balcão organizado. - Tanto a CTVM quanto a CM negociam ou registram operações com valores mobiliários, que se encontram relacionados no art. 2° da Lei n° 6.385, de 7 de dezembro de 1976, alterado pela Lei no 10.303, de 31 de outubro de 2001. - A impugnante é entidade associada A Bolsa de Mercadorias e Futuros e habilitada a intermediar negócios no mercado de derivativos, que compreende operações em futuros, termo, opções ou swaps. - Não há dúvidas de que a impugnante negocia ou registra operações com valores mobiliários na Bolsa de Mercadorias e Futuros, ou seja, exerce atividade de corretora de valores mobiliários, prevista no inciso II do art. 246 do RIR199, estando obrigada A apuração pelo lucro real. - O legislador tributário entendeu dispensável explicitar, no dispositivo mencionado, a atividade "corretora de mercadorias", porquanto ao definir o rol de operações dessas corretoras, já estava dcvidamente caracterizada, entre suas atribuições, as operações com valores mobiliários. Irresignado, o contribuinte apresentou seu recurso voluntário a este colegiado, mediante arrazoado, de fls. 442 a 488, repisando praticamente as mesmas alegações trazidas na peça impugnatória. o Relatório 5 Processo n° 16327.002188/2007-62 SI-C2T2 Acórdão ri.° 1202-000.871 Fl. 23 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso é tempestivo e nos termos da lei. Portanto, dele tomo conhecimento. 0 auto de infração foi formalizado para exigir a diferença da CSLL devida st5 undo o regime de tributação adotado pelo contribuinte, lucro presumido, e aquele à que o isco entende como correto, lucro real. Entendeu o agente fiscal que a autuada, Corretora de Mercadorias, operava com valores mobiliários junto a Bolsa de Mercadorias e Futuros e, dessa forma, realizaria operações análogas às das corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, estas últimas expressamente relacionadas no art. 14 da Lei n° 9.718, de 1998 (art. 246, II do RIR/99) como sendo obrigadas h. apuração do lucro real. Já a defesa pugna pela aplicação do principio da legalidade estrita a que se sujeita a exigência dos tributos. Menciona que o art. 14 da Lei no 9.718, de 1998 não relaciona expressamente as Corretoras de Mercadorias como sendo obrigadas à apuração do lucro real. Entende que deve ser examinado o caráter subjetivo na aplicação dispositivo legal retro- mencionado e não o tipo de operação que o sujeito passivo executa. Inicialmente, para melhor exame da matéria, necessário transcrever o art. 246, II, do RIR/99, cujo fundamento legal é o art. 14 da Lei n°9.718, de 1998, base da autuação: Art. 246. Estão obrigadas a apuração do lucro real as pessoas jurídicas (Lei n°9.718, de 1998, art. 14): (..) Ii - cujas atividades sejam de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras de títulos, valores mobiliários e cámbio, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização e entidades de previdência privada aberta: A primeira impressão a que se chega da leitura do dispositivo legal acima transcrito é que o legislador enumerou taxativamente as pessoas jurídicas sujeitas à apuração do lucro real. Entretanto, verifica-se que a redação da parte inicial do inciso II contém o termo "cujas atividades sejam de ...". Nesse caso, o legislador pretendeu que se sujeitassem ao lucro real aquelas pessoas jurídicas "cujas atividades" sejam típicas das entidades que relaciona. Ao contrário do que alega a defesa, a norma legal elegeu um caráter objetivo para definir as pessoas jurídicas sujeitas ao lucro real. Vale dizer, o que interessa é identificar se as "atividades" desenvolvidas pela pessoa jurídica se enquadram dentro das atividades desempenhadas por aquelas pessoas relacionadas no art. 246, II do RIR199, e não analisar apenas o seu caráter subjetivo, corno equivocadamente entendeu a recorrente. A estrutura do Processo n° 16327.002188/2007-62 S I-C2T2 Acórdão n.° 1202-000.871 Fl. 24 dispositivo legal revela que o critério relevante, no caso, para elencar as pessoas jurídicas obrigadas ao lucro real, é o das respectivas "atividades" desenvolvidas. Dessa forma, se mostram irrelevantes os argumentos apresentados de que a autuada não instituição financeira, ou que não se subsume as normas do Banco Central do Brasil, °I. , que rao se sujeita ao sigilo bancário. De fato, a recorrente concorda que opera com valores mobiliários junto a Bolsa ip M cadorias e Futuros e, dessa forma, realiza operações análogas as das corretoras de titulo:, valores mobiliários e câmbio, entidade relacionada no inciso II do art. 246, acitna .-ans:.rito e sujeita a apuração do lucro pela sistemática do lucro real. Defende, entretanto, que essa seria apenas urna das "atividades" que coincide com as "atividades" desenvolvidas pelas corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, não se podendo, dessa forma, alterar o seu regime jurídico, sua natureza e os elementos do seu conjunto, tampouco transformar uma corretora de mercadorias em corretora de títulos, valores mobiliários e câmbio. Creio não assistir razão à defesa. A Lei n° 6.385, de 7 de dezembro de 1976, dispõe sobre o mercado de valores mobiliários definindo, no seu art. 2°, o que se entende por valor mobiliário, além de tratar do sistema de distribuição de valores mobiliários, no seu art. 15, nele incluidas as corretoras de mercadorias: Art. 2o Sao valores mobiliários sujeitos ao regime desta Lei: (Redação dada pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001) I - as ações, debêntures e bonus de subscrição; (Redação dada pela Lei n°10.303, de 31.10.2001) Ii - os cupons, direitos, recibos de subscrição e certificados de desdobramento relativos aos valores mobiliários referidos no inciso II; (Redação dada pela Lei n°10.303, de 31.10.2001) III - os certificados de depósito de valores mobiliários; (Redação dada pela Lei n°10.303, de 31.10.2001) IV - as cédulas de debêntures; (Inciso incluído pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001) V - as colas de fundos de investimento em valores /nobiliários ou de clubes de investimento em quaisquer ativos; (Inciso incluído pela Lei n°10.303, de 31.10.2001) VI - as tunas. comerciais; (Inciso incluído pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001) VII - os contratos futuros, de opcões e outros derivativos, cujos ativos subjacentes sejam valores mobiliários; (Inciso incluído pela Lei n°10.303, de 31.10.2001) VIII - outros contratos derivativos, independentemente dos ativos subjacentes; e (Inciso incluído pela Lei n° 10.303, de 31.10.2001) Processo n° 16327.002188/2007-62 S I -C2T2 FL 25 Acórd8o n.° 1202-000.871 IX - quando ofertados publicamente, quaisquer outros títulos ou contratos de investimento coletivo, que gerem direito de participação, de parceria ou de remuneração, inclusive resultante de prestação de serviços, cujos rendimentos advém i do esforço do empreendedor ou de terceiros. (Inciso incluído pela n° 10.303, de 31.10.2001) Art. 15. 0 sistema de distribuição de valores mobiliárias compreende: I — as instituições financeiras e demais sociedades que tenham por objeto distribuir emissão de valores mobiliários; (-.) VI — as corretoras de mercadorias, os operadores especiais e as Bolsas de Mercadorias e Futuros; Com efeito, nota-se que a própria lei distingue as instituições financeiras e demais sociedades que tenham por objeto distribuir emissão de valores mobiliários, grupo do qual fazem parte as corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio (inciso I) e as corretoras de mercadorias (inciso VI), ora em análise. No entanto, o fato da lei distinguir uma sociedade corretora da outra não implica cm dizer que as atividades por elas desenvolvidas são totalmente distintas. Ao contrário, o próprio art. 15 da Lei n° 6.385, de 1976, ao tratar da distribuição de valores mobiliários, equipara as atividades das duas espécies de corretoras. Desse modo, é perfeitamente admissivel entender que ao menos uma das "atividades" (distribuição de valores mobiliários) das corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, também podem ser desempenhadas pelas corretoras de mercadorias e, por isso, sujeitas à tributação do lucro real. Assim, é necessário identificar com precisão quais são as "atividades" desenvolvidas pela autuada a fim de prosseguir com mais certeza no deslinde do litígio. Entendo que é preciso esclarecer se são desempenhadas, além das atividades de distribuição de valores mobiliários (reconhecido pela recorrente), outras atividades distintas daquelas operadas pelas sociedades corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio. Em última análise, é necessário apurar se as atividades desempenhadas pela autuada, corretora de mercadorias, encontra-se completamente dentro do conjunto de atividades desempenhadas pelas corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio. Os balancetes da autuada juntados aos autos, de fls. 47 e ss., indicam a contabilização de receitas relativas A. "RENDA CORRETAGEM BM&F" e it "RENDAS DE INTERM. DE OPERACOES DE SWAP", que se caracterizam por serem "atividades" típicas das sociedades corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio. Entretanto, a simples verificação no Balancete não permitem uma análise precisa c conclusiva a esse respeito. Além disso, alega a recorrente que o agente fiscal equivocou-se na apuração do IRPJ e CSLL devidos, anexando com o seu recurso, planilhas de cálculo apontando divergências entre o valor lançado e aquele que entende correto, fls. 625 a 627, fato que também demanda apreciação pela autoridade lançadora. Df 8 HZ 9a7z,/ r arlos Alberto Dor solo Processo n° 16327.002188/2007-62 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-000.871 Fl. 26 Em vista do exposto, proponho a conversão do julgamento do recurso em DILIGÊNCIA, retornando o processo à unidade de origem, para que a autoridade fiscal se manifeste nos seguintes pontos: a) relacionar quais as "atividades" desenvolvidas pela autuada compõem as contas registri.dr,s tio titulo contábil "receitas operacionais"; b) com base nas informações acima, informar se todas as "atividades" flesen pela autuada fazem parte do conjunto das atividades desenvolvidas pelas socie aes corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio; em caso negativo, relacionar as "ativ;dades" desenvolvidas que são distintas daquelas operadas pelas sociedades corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, emitindo decisão conclusiva a respeito; c) analisar as planilhas de cálculo anexadas pela recorrente, de fls. 625 a 627, em que foram apontadas divergências entre os valores lançados pela fiscalização e o apurado pela defesa, relativo ao IRPJ e da CSLL, emitindo parecer e decisão conclusiva a respeito de possíveis erros; d) cientificar a recorrente do conteúdo das decisões mencionadas nos itens precedentes, com intimação para se manifestar, querendo, no prazo de 30 dias; c) após, retorno a este CARF para julgamento do recurso voluntário. 9 Processo e 16327.002188/2007-62 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-000.871 Fl. 27 Voto Vencedor Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta, Redatora designada Pew vênia ao relator, para discordar sobre a impossibilidade da recorrente PtIO regime de tributação do lucro presumido para apuração da CSLL devida. Como acima transcrito, o artigo 246, inciso 11, do RIR/99, cujo fundamento legal é o artigo 14, inciso II, da Lei no 9718/1998, traz sobre a obrigatoriedade de apuração da CSLL devida com base no lucro real. 0 referido artigo faz várias divisões dentre seus incisos, agrupamento por montante de receita bruta, pelo fato de obter resultados positivos auferidos no exterior,sendo o inciso II, o grupo por ramo de atividades, onde as corretoras de mercadorias não estão inseridas como a seguir explanaremos. Repetindo, o inciso II cita as pessoas jurídicas, indicando-as pelo seu ramo de atividades, especificando cada uma das atividades que estão obrigadas. 0 ramo de atividades da recorrente é a corretagem de mercadorias, a qual não foi elencada, logo, por não estar expressa no referido inciso, la não está inserida. Se a intenção do legislador fosse listar as atividades sem vinculá-las as pessoas jurídicas habilitadas para tanto, limitar-se-ia a mencionar as receitas, rendimentos ou lucros sem citas os ramos de atividades vinculados a cada sociedade, não indicaria cada um dos ramos das atividades das pessoas jurídicas para compor a lista. Assim, o entendimento de que o inciso dispõe sobre as atividades e, não, o ramo de atividades As quais as pessoas jurídicas estão habilitadas, não é aplicável. Ou seja, entender que o fato da corretora de mercadorias ter autorização para intermediar transações com valores mobiliários e executar tal atividade, não a insere na lista ou não a faz uma corretora de títulos, valores mobiliários e câmbio, como quer a autoridade lançadora. A recorrente continua sendo uma corretora de mercadorias e seu ramo de atividades não está listado no inciso II. Dizendo de outra forma, pela redação do inciso II, o legislador não quiz incluir todas as pessoas jurídicas que exerçam determinadas atividades, mas sim identificar a pessoa jurídica pelo seu ramo de atividade, que tenha autorização ou habilitação para desenvolver aquelas atividades la determinadas, la discriminadas. Assim, é relevante a conceituação de cada uma das atividades elencadas no inciso II. A distinção entre as duas sociedades corretoras está disposta na Instrução CVM n° 387/2003, artigo 2°, a saber: 'Art 2° - Considera-se, para os efeitos desta instrução: — Corretora de Valores: a sociedade habilitada a negociar ou registrar operações com valores mobiliários por conta própria ou por coma de terceiros em bolsa e entidades de balcão organizado: 10 Processo n° 16327.002188/2007-62 S I-C212 Fl. 28 Acórddo n.° 1202-000.871 Corretora de Mercadorias: a sociedade habilitada a negociar ou registrar operações com valores mobiliários negociados em bolsa de mercadorias e futuros." Ainda nessa mesma linha, a Instrução CVM no 402/2004, diz: "Art. 10 - Esta Instrução estabelece normas e procedimentos para a organização e o funcionamento de corretoras de mercadorias que negociem ou registrem operações con i valores mobiliários em bolsa de mercadorias e futuros. Parágrafo único — Para efeitos desta Instrução, considera-se corretora de mercadorias a sociedade habilitada a negociar ou registrar operações C0171 valores !nobiliários em bolsa de mercadorias e futuros." Portanto, enquanto as sociedades corretoras de títulos, valores mobiliários c câmbio atuam em bolsas de valores ou no mercado de balcão, podendo negociar ou registrar operações por conta própria ou de terceiros, as sociedades corretoras de mercadorias podem apenas negociar ou registrar operações em bolsas de mercadorias e futuros, sempre em nome de terceiros e não por conta própria. Outra distinção importante é o órgão fiscalizador e regulador dessas corretoras: as sociedades corretoras de valores estão sujeitas ao controle do Banco Central, nos termos do artigo 2° da Lei n° 4728/65, e as sociedades corretoras de mercadorias estão submetidas à fiscalização da CVM, nos termos das Instruções anteriormente citadas. Ainda, outra tópico que demonstra a divergência entre elas é que as sociedades corretoras de mercadorias podem negociar mercadorias fisicamente, ou mais conhecido como mercado "spot", participar de leilões de mercadorias em nome de clientes e intermediar negócios outros que não são incluem valores mobiliários. As sociedades corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, já não podem atuar dessa maneira. Outro fator importante para apresentar e fundamentar que o inciso 11 não incluiu as sociedades corretoras de mercadorias é que a Lei n° 9718/1998 foi publicada no momento em que as sociedades corretoras de mercadorias não tinham autorização para executar operações com valores mobiliários. Essa autorização se deu com a Lei n°10.303/2001 e, não houve alteração do referido inciso 11 nesse momento, a sua aplicabilidade manteve-se. Desse modo, mais uma vez fica provado que o legislador, ao elaborar a lista que está no inciso 11, não inseriu as sociedades corretoras de mercadorias, mesmo após essa sociedade corretora ter recebido a autorização para negociar valores mobiliários. Esse inciso II sua aplicabilidade limitada apenas as sociedades corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio. O momento da ampliação das atividades das sociedades corretoras de mercadorias para poder executar operações com valores mobiliários, muito bem esclarece que a alusão a valores mobiliários não foi o fator que determinou o conjunto de sociedades que estivessem obrigadas à apuração pelo lucro real, mas o ramo de atividade das pessoas jurídicas uma vez que as sociedades corretoras de mercadorias não estavam e não foram incluidas na lista da obrigatoriedade. Ademais, importante apontar que os valores mobiliários que essas sociedades corretoras podem negociar não são os mesmos que as outras sociedades corretoras, mais urna vez apontando que a recorrente não está incluída. As sociedades corretoras de Nereida de Miranda Finam a, re atora designada. Processo n' 16327.002188/2007-62 81-C2T2 Acárdao n." 1202-000.871 Fl. 29 mercadorias tem sim regime jurídico próprio que não se confunde com as sociedades corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio. Por todo o exposto, como as sociedades corretoras de mercadorias não foram inseridas no ::se.iso II, elas não estão impedidas de optar pela apuração da CSLL devida corn base no lucn. presumido. Nesse sentido, o voto é no sentido de dar provimento ao Recurso Vol untA ri •0 1 2
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Numero do processo: 11030.905007/2009-25
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2004
COFINS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE.
Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN).
COOPERATIVAS. COFINS. LEI Nº 10.892/2004.
As sociedades cooperativas de produção agropecuária e as de consumo poderão adotar antecipadamente o regime de incidência não-cumulativo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS nos termos do art. 4º da Lei nº 10.892/2004.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-002.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). COOPERATIVAS. COFINS. LEI Nº 10.892/2004. As sociedades cooperativas de produção agropecuária e as de consumo poderão adotar antecipadamente o regime de incidência nãocumulativo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS nos termos do art. 4º da Lei nº 10.892/2004. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 50 07 /2 00 9- 25 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 15/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.905007/200925 Acórdão n.º 3801002.670 S3TE01 Fl. 124 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 15/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.905007/200925 Acórdão n.º 3801002.670 S3TE01 Fl. 125 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Tratase de Manifestação de Inconformidade, fls. 10 e 11, contra despacho decisório eletrônico da DRF/Passo Fundo, nº. 842600965, fl. 06, que não homologou a compensação declarada no Per/Dcomp nº 17708.14903.280406.1.3.046200, em virtude do crédito apontado ter sido utilizado integralmente para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp. Cientificada do despacho decisório, em 29/06/2009, a interessada apresentou, em 28/07/2009, manifestação de inconformidade, fls. 10 e 11, alegando, em síntese, que: · efetuou a opção pelo regime não cumulativo e refez a apuração da Cofins faturamento, referente ao mês de jun/2004, em função da lei nº 10.892/2004, que, no seu art. 4º, facultava às cooperativas de produção agropecuária adotarem antecipadamente o regime de incidência não cumulativo da COFINS, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de maio de 2004, e no parágrafo único do art. 4º, que deu o prazo de até o décimo dia do mês subseqüente ao da publicação da referida lei; · após a retificação da apuração do referido mês, o débito que havia sido apurado deixou de existir. A DCTF do período foi retificada; · requer o recebimento da manifestação de inconformidade e homologação Per/Dcomp n° 17708.14903.280406.1.3.046200. A DRJ em Salvador (BA), às fls. 23/26, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. DISPONIBILIDADE DO CRÉDITO. O crédito usado em compensação tem que estar disponível na data da transmissão do PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS. COMPROVAÇÃO. A insuficiência da apresentação de prova inequívoca mediante documentação hábil e idônea acarreta a negação de reconhecimento do direito creditório, em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 15/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.905007/200925 Acórdão n.º 3801002.670 S3TE01 Fl. 126 4 Inconformada, a contribuinte recorreu a este Conselho, conforme recurso de fls. 29 a 34, no qual , apesar de fazer referência ao período de apuração de maio/2004, reproduziu, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação. Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse o valor devido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidente sobre o faturamento com base na escrituração fiscal e contábil, período de apuração de Jun/2004, segundo o regime de incidência não cumulativo, inclusive informasse se o contribuinte efetuou a opção do art. 4º da Lei nº 10.892/2004 regulamentada pela IN SRF 433/2004. A DRF de origem atendeu o solicitado na Resolução e juntou cópia do “Termo de Opção” antecipada ao regime de incidência não cumulativo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins e a partir dos registros existentes nos sistemas da RFB e dos documentos apresentados pela cooperativa, conclui que não houve apuração de saldo a pagar a título de Cofins, no regime não cumulativo, para o período de apuração de junho de 2004. A contribuinte foi devidamente cientificada do teor da diligência por via postal e não se manifestou no prazo que lhe foi concedido. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 15/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.905007/200925 Acórdão n.º 3801002.670 S3TE01 Fl. 127 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Assiste razão à recorrente, conforme será demonstrado. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da Cofins faturamento, referente ao mês de jun/2004, em função da lei nº 10.892/2004, que, no seu art. 4º, facultava às cooperativas de produção agropecuária adotarem antecipadamente o regime de incidência não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de maio de 2004, e no parágrafo único do art. 4º, que deu o prazo de até o décimo dia do mês subseqüente ao da publicação da referida lei para que fosse feita a opção pelo regime não cumulativo. Do exame do despacho decisório que indeferiu a compensação, verificase que essa matéria não foi apreciada. A autoridade fiscal, em síntese, apenas considerou os dados apresentados na DCTF original. Tal fundamentação, por certo, decorre de análise superficial, realizada nos limites de sistema informatizado de informações (batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não), no qual não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Registrese, por oportuno, que a DCTF retificadora foi apresentada antes da ciência do despacho decisório. Assim, a interessada não foi intimada a justificar a origem de seu crédito, o que de fato lhe trouxe prejuízo. Convém ressaltar que o simples erro de preenchimento da DCTF não pode resultar em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Ademais, não há óbice legal para a apresentação de DCTF retificadora antes da emissão do despacho decisório. De sorte que o mero erro de fato no preenchimento da DCTF não é elemento suficiente para afastar o direito à restituição de tributo pago a maior indevidamente. No mérito, analisemos os arts. 4º e 5º da lei nº 10.892/2004: Art. 4oAs sociedades cooperativas de produção agropecuária e as de consumo poderão adotar antecipadamente o regime de incidência nãocumulativo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Parágrafo único. A opção será exercida até o 10o(décimo) dia do mês subseqüente ao da data de publicação desta Lei, de acordo com as normas e condições estabelecidas pela Secretaria Fl. 127DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 15/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.905007/200925 Acórdão n.º 3801002.670 S3TE01 Fl. 128 6 da Receita Federal, produzindo efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1ode maio de 2004. Art. 5oEsta Lei entra em vigor em 1ode outubro de 2004, exceto em relação ao seu art. 4o, que entra em vigor na data da sua publicação. A recorrente, por se tratar de sociedade cooperativa de produção agropecuária, tendo efetuado a opção de antecipação do regime de nãocumulatividade de que trata o art. 4º da Lei nº 10.892, de 2004, deveria apurar as contribuições nesse regime a partir de 1º de maio de 2004. A adesão antecipada pelo regime de nãocumulatividade foi regulamentada pela IN SRF 433/2004. Como a publicação da Lei nº 10.892 ocorreu em 14.7.2004, essa opção deu se de forma retroativa em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de maio de 2004, o que poderia ocasionar divergências em relação às contribuições apuradas pelo regime de incidência cumulativo, como alegado pela recorrente. Conforme informado pela Delegacia de origem e colacionado nos autos, o contribuinte apresentou cópia do “Termo de Opção” de que trata o art. 4º da Lei nº 10.892, de 2004, fazendo jus portanto à apuração antecipada no regime de incidência não cumulativo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Ao realizar a diligência e constatar, a partir dos registros existentes nos sistemas da RFB e dos documentos apresentados pela cooperativa, que não houve apuração de saldo a pagar a título de Cofins, no regime não cumulativo, para o período de apuração de junho de 2004, a Delegacia de origem confirmou a legitimidade do direito creditório, restando caracterizado o indébito e tendo o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN. Assim sendo, pelos documentos comprobatórios colacionados aos autos, e em especial a diligência fiscal realizada pela Delegacia de origem, reconhecesse como legítimo o crédito de pagamento indevido ou a maior, no valor de R$ 36.465,42, relativo ao recolhimento realizado em 15.07.2004, utilizado na PER/DCOMP nº 17708.14903.280406.1.3.046200 Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário no sentido de reconhecer um crédito originário no valor pleiteado pela recorrente e homologar a compensação indicada no PER/DCOMP objeto deste processo até o limite do crédito original aqui reconhecido, devidamente atualizado. .É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 128DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 15/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.905007/200925 Acórdão n.º 3801002.670 S3TE01 Fl. 129 7 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 15/02/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10660.720728/2009-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1402-000.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinada digitalmente)
Carlos Pelá Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá.
Nome do relator: CARLOS PELA
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinada digitalmente) Carlos Pelá – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá. Relatório Conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal às fls. 49/80, em fiscalização efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo (DEFIS/SPO) MPF 08.1.90.002005009404, apurouse (i) a falta de adição ao lucro líquido, para fins de apuração do lucro real, das provisões para crédito de liquidação duvidosa; e (ii) algumas operações consideradas inexistentes, o que culminou na glosa de despesas com a industrialização de grãos de soja e com serviços de assessoria tributária. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 60 .7 20 72 8/ 20 09 -8 8 Fl. 514DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10660.720728/200988 Resolução nº 1402000.218 S1C4T2 Fl. 3 2 Em decorrência disso, houve a reversão do Saldo Negativo de IRPJ do ano calendário de 2002 e a lavratura de autos de infração para cobrança dos débitos de IRPJ e CSLL apurados, objeto de discussão no processo administrativo nº. 19515.002777/200711. Nesse contexto, o presente processo teve origem na Representação de fls. 1, que recomendou o tratamento manual dos PER/DCOMP's 33409.85318.240505.1.3.029280 e 36586.15797.100406.1.2.020524 (fls. 2/10), transmitidos pela contribuinte para compensação do mencionado Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário 2002, no valor original de R$ 1.223.665,52. Em virtude do exposto, a DRFVarginha/MG, ao analisar os PER/DCOMP's em questão, não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações pleiteadas pela contribuinte (fls. 104/106). Irresignada, a empresa apresenta manifestação de inconformidade (fls. 112/154), alegando, em síntese, conforme relatório às fls. 192/193, que: a) "o auto de infração ora impugnado deverá ser declarado nulo em decorrência de ausência de fundamentação". "0 evento escolhido pela fiscalização, foi a cobrança de imposto em razão da não homologação de compensação apresentada pela contribuinte. No entanto, não fundamentou em qualquer lei, esta conduta escolhida"; b) "da inexistência do MPF em virtude da ausência de emissão de ordem escrita pelo Delegado da Receita Federal de Varginha MG para autorizar o agente fiscal a promover o reexame da fiscalização"; c) "a SRF deixou de homologar a declaração da impugnante com a simples argumentação de que o saldo negativo do valor apurado pelo interessado APRESENTA INCONSISTÊNCIA, mas não buscou diligenciar, esclarecer e discriminar de forma abrangente quais seriam essas inconsistências"; d) "o artigo 1° da Lei 9.316/96 é inconstitucional, posto que não há motivo plausível para vedar a dedutibilidade da CSLL na base de cálculo do IR e na sua própria base de cálculo"; Em documento recebido em 08/04/2010 (fls. 168/173), a empresa traz alegações para mostrar que "todas as operações anteriores à exportação da soja existiram"; Em documento recebido em 04/05/2010 (fls. 174/187) manifestante requer a "nulidade total do lançamento efetuado", "ante a ausência nítida e incontestável da Receita Federal em proceder de acordo com a Portaria MF n° 187/1993"; A 2ª Turma da DRJ/JFA entendeu por bem não conhecer o direito creditório em discussão, adotando, como razões de decidir, os fundamentos do Acórdão nº. 1618.163, proferido pela 6ª Turma da DRJ/SPO, no bojo do referido processo administrativo nº. 19515.002777/200711. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10660.720728/200988 Resolução nº 1402000.218 S1C4T2 Fl. 4 3 Nesse passo, a contribuinte apresenta recurso voluntário (fl. 251/303) repisando os argumentos de sua manifestação de inconformidade. É, no essencial, o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator Como se vê, a matéria em discussão nos presentes autos compensação de saldo negativo de IRPJ está atrelada à matéria que vem sendo discutida nos autos do processo administrativo n°. 19515.002777/200711. Isso porque, o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, utilizado nas compensações realizadas pela Recorrente e discutidas nestes autos, só poderá ser considerado inexistente, quando houver uma decisão administrativa definitiva sobre a reversão e consequente extinção do saldo negativo de IRPJ (determinada pelo fisco como resultado da decisão proferida nos autos do processo administrativo n°. 19515.002777/200711). Nesse passo, é de se notar que, conforme pesquisa realizada no sítio eletrônico do CARF, o processo administrativo nº. 19515.002777/200711 teve seu julgamento iniciado pela 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara desta 1ª Seção no dia 11/06/2013, ocasião na qual foi determinada a conversão do julgamento em diligência para melhor apuração dos fatos. No que toca à possibilidade de sobrestamento, tenho como certo que, muito embora não prevista expressamente no Decreto nº. 70.235/72, encontrase prevista no artigo 265, inciso IV do Código de Processo Civil, legislação que se aplica subsidiariamente aos processos administrativos. Segundo o mencionado artigo, suspendese o processo quando a decisão de mérito depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência de relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente, como ocorre no presente caso. Assim, uma vez que o cancelamento da autuação objeto do processo administrativo nº. 19515.002777/200711 legitimaria a totalidade das compensações efetuadas pela Recorrente e analisadas no presente processo, entendo prudente o sobrestamento do feito até decisão definitiva no processo administrativo nº. 19515.002777/200711. Por tudo quanto exposto até aqui, Senhor Presidente, proponho que o presente processo aguarde a decisão a ser proferida no processo administrativo nº. 19515.002777/2007 11, quando então o julgamento estará em condições de prosseguir. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Fl. 516DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10950.903000/2011-49
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
Numero da decisão: 3803-005.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Curitiba/PR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 30 00 /2 01 1- 49 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.903000/201149 Acórdão n.º 3803005.126 S3TE03 Fl. 99 2 decorrência da emissão de despacho decisório que homologara somente em parte a compensação declarada, pelo fato de que o pagamento informado já havia sido utilizado parcialmente na quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento da totalidade do direito creditório, devidamente atualizado com base na taxa Selic, alegando que o indébito decorreria da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Segundo o então Manifestante, tratarseia, o presente caso, de tributação incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, rubricas essas não abarcadas pelo conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de partes do Balancete, do livro Razão, do PER/DCOMP, do DARF e de planilhas por ele elaboradas. A DRJ Curitiba/PR não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 30/08/2002 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de outros débitos confessados. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO PELO STF. Até que haja a manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, sobre matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo STF ou pelo STJ, nos termos dos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil, aplicase, ao caso, a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, relativamente à ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apontou o relator do voto condutor do acórdão recorrido que, ainda que se superasse a questão de direito, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos e/ou livros fiscais e contábeis que Fl. 99DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.903000/201149 Acórdão n.º 3803005.126 S3TE03 Fl. 100 3 demonstrassem a efetiva base de cálculo da contribuição, bem como as receitas que deveriam ser excluídas em razão da alegada inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Cientificado da decisão em 12 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11 de outubro do mesmo ano e requereu o deferimento do seu pedido, alegando que o indébito decorreria da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir expostos. Com base no relatório supra, constatase que, diferentemente do alegado na Manifestação de Inconformidade, quando se apontou a origem do indébito como sendo a tributação indevida incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, em desacordo com a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, em sede de recurso, o contribuinte passa a fundamentar seu direito na indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. Vale destacar que, na primeira instância, o ora Recorrente não fez qualquer referência à alegada incidência indevida da contribuição sobre o ICMS. É flagrante a inovação operada em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputandolhe celeridade, numa sequência lógica e ordenada dos fatos, em prol da pretendida pacificação social. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. O princípio da preclusão conectase ao princípio do impulso processual e destinase “não apenas a proporcionar uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.903000/201149 Acórdão n.º 3803005.126 S3TE03 Fl. 101 4 tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem litigância de máfé” 2. [A] preclusão deve ser compreendida como um instituto que envolve a impossibilidade, por regra, de, a partir de determinado momento, serem suscitadas matérias no processo, tanto pelas partes como pelo próprio juiz, visandose precipuamente à aceleração e à simplificação do procedimento. Integra sempre o objeto da preclusão, portanto, um ônus processual das partes ou um poder do juiz; ou seja, a preclusão é um fenômeno que se relaciona com as decisões judiciais (tanto interlocutória como final) e as faculdades conferidas às partes com prazo definido de exercício, atuando nos limites do processo em que se verificou. 3 Tal princípio busca garantir o avanço da relação processual e impedir o retrocesso às fases anteriores do processo, encontrandose fixado o limite da controvérsia, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), no momento da impugnação/manifestação de inconformidade. De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo as inovações ser afastadas por se referirem a matéria não impugnada no momento processual devido. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. 2 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Interesse da União, preclusão. A preclusão e o órgão judicial”. In: A Marcha do Processo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 230/241. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 15 abr 2013. 3 RUBIN, Fernando. A prevalência da justiça estatal e a importância do fenômeno preclusivo. Disponível em: http://www.ambito_juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 16 abr 2013. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.903000/201149 Acórdão n.º 3803005.126 S3TE03 Fl. 102 5 (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 102DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10980.006853/2009-69
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE VEDADA. PROVA.
A exclusão de ofício da sistemática de recolhimento simplificado preconizada na Lei Nº 9.317/96, deve estar sustentada em prova inequívoca do exercício de atividade vedada e não se basear em simples presunções desacompanhadas de qualquer suporte fático probatório.
Numero da decisão: 1803-001.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Sérgio Rodrigues Mendes.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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EXCLUSÃO DE OFÍCIO. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE VEDADA. PROVA. A exclusão de ofício da sistemática de recolhimento simplificado preconizada na Lei Nº 9.317/96, deve estar sustentada em prova inequívoca do exercício de atividade vedada e não se basear em simples presunções desacompanhadas de qualquer suporte fático probatório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Sérgio Rodrigues Mendes. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Sérgio Luiz Bezerra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 68 53 /2 00 9- 69 Fl. 281DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório BELADERMA COMÉRCIO DE COSMÉTICOS LTDA, ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ CURITIBA (PR), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Trata o presente processo de manifestação de inconformidade ao conteúdo do Ato Declaratório Executivo nº 163, de 17/07/2009 emitido pela DRF/CTA, fl. 14, que excluiu a contribuinte ao Simples, com efeitos a partir de 01/01/2002, em face de ter incorrido na vedação prevista no inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317, de 1996, haja vista constar de seu objeto social as seguintes atividades: comércio de cosméticos, centro de tratamento estético facial e corporal. 2. Regularmente cientificada, apresentou manifestação de inconformidade onde alega que sua atividade principal é o comércio de cosméticos e que o fisco entendeu, erroneamente, que a prestação de serviços de tratamento estético facial e corporal que consta do contrato social a faz infringir o inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317, de 1996; que as notas fiscais emitidas demonstram que restringiu sua atividade à compra e venda de produtos cosméticos e só a partir de 08/2006, passou a prestar alguns serviços de salão de beleza que não se confundem com as atividades mencionados no referido inciso XIII, razão pela qual pede a reforma do ato atacado. 3. Afirma que o fato de constar de seu objeto várias atividades, não a obriga a desenvolver todas elas e que o contrato social apenas subsidia legalmente a empresa para o caso de ela desejar exercer as atividades ali dispostas. Transcreve jurisprudência do CARF neste sentido, bem como o dispositivo que ampara sua exclusão e volta a sustentar que os serviços prestados não requerem habilitação profissional legalmente exigida. 4. Depois de mencionar outros julgados, assevera que o fato de contar com pessoas da área da saúde em seu quadro de sócios não implica que preste serviços profissionais de médico ou fisioterapeuta ou de qualquer outro serviço que requeira habilitação profissional; que a Receita Federal sequer se dirigiu à sede da empresa para diligenciar quais atividades são ali desenvolvidas; que o despacho que fundamenta a emissão do ato de exclusão deve ser reconsiderado, permitindo sua permanência na sistemática. À vista do exposto, alega ter ocorrido afronta ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa. Sustenta ser indispensável a realização de diligência, com o seu acompanhamento, e que o seu indeferimento importará em nulidade do procedimento como um todo. 5. Contesta a retroatividade dos efeitos do ato e mais uma vez se socorre de vasta jurisprudência além de manifestações doutrinárias para discorrer acerca de suposta violação à alínea “a” do inciso III do artigo 150 da Constituição Federal e Fl. 282DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10980.006853/200969 Acórdão n.º 1803001.982 S1TE03 Fl. 282 3 afronta ao artigo 146 do CTN. Afirma que a lei é uma vontade plena do legislador enquanto que a instrução normativa é vontade do intérprete. Neste sentido; o interesse público não pode ser utilizado para fundamentar uma posição inicial do intérprete da lei tributária a favor do Fisco. O real interesse público reside sim na interpretação adequada da Constituição e da legislação, para que seus dispositivos não restem banalizados. 6. Portanto, ainda que se entenda que a empresa exerceu atividade vedada r pela Lei 9.317/96, com a alteração dada pela Lei 9.732/98, os efeitos da exclusão devem operar tão somente a partir da sua exclusão do SIMPLES, o que impõe desde logo a revogação do Ato Declaratório Executivo DRF/CTA nº 163 de 17 de julho de 2009. 7. Ao final, requer: a) Seja reformado o Despacho Decisório, determinandose a revogação do ADE em razão da inexistência de qualquer motivo para exclusão do regime SIMPLES desonerando a empresa de quaisquer pendências tributárias que possam decorrer dos efeitos da referida exclusão; b) Caso assim não se entenda, requer a suspensão do ADE para sejam realizadas as diligências cabíveis mediante seu acompanhamento, no intuito de averiguar as atividades por ela desenvolvidas, com a posterior manifestação da requerente aos termos das diligências que forem efetuadas ou; c) Por fim, na remota hipótese de ser considerada inapta a permanecer no regime tributário do SIMPLES, requer seja reformado o despacho decisório e conseqüentemente revogado o ADE, para que os efeitos da exclusão se operem tão somente após a emissão do ato. A DRJ CURITIBA (PR), através do acórdão nº 0636.796, de 10 de maio de 2012 (fls. 244/251), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a decisão: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Uma vez a exclusão do Simples ter sido devidamente notificada à contribuinte, abrindoselhe prazo para manifestação de inconformidade, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. EXCLUSÃO DO SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. CONTRATO SOCIAL. ÔNUS DA PROVA. A previsão de atividade vedada como objeto social, constante no contrato social da pessoa jurídica, legitima a presunção de seu Fl. 283DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 exercício, cabendo ao contribuinte o ônus de prova em contrário. OPINIÕES DOUTRINÁRIAS. JURISPRUDÊNCIA. Opiniões doutrinárias e julgados de tribunais superiores não são fonte de direito tributário na forma prevista no capítulo I do título I do Livro segundo do CTN. No máximo servem para ilustrar determinado posicionamento. OPÇÃO. REVISÃO. EXCLUSÃO COM EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. A opção pela sistemática do Simples é ato do contribuinte sujeito a condições e passível de fiscalização posterior. A exclusão com efeitos retroativos, quando verificado que o contribuinte incluiu se indevidamente no sistema, é admitida pela legislação. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. EFEITOS. TERMO INICIAL DE VIGÊNCIA. A data em que o ato de exclusão gera seus efeitos é determinada pela legislação que rege a matéria. Ciente da decisão em 15/02/2013, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 254), apresentou o recurso voluntário em 08/03/2013 fls. 256/274, onde reitera suas alegações constantes da inicial. É o relatório Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de exclusão da sistemática de recolhimento simplificado do SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96) por suposto exercício de atividade vedada (exercício de profissão regulamentada). Alega a recorrente em síntese: a) A nulidade do ato de exclusão em virtude do cerceamento de defesa por não ter sido realizada diligência para verificação da real atividade exercida pela recorrente; b) Que a exclusão foi realizada apenas com base no objeto social constante do contrato social sem verificação das atividades realizadas pela recorrente; c) Que as atividades constantes do contrato social são autorizativas e podem ou não ser realizadas pela empresa; Fl. 284DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10980.006853/200969 Acórdão n.º 1803001.982 S1TE03 Fl. 283 5 d) Que a recorrente não exerce qualquer atividade vedada conforme comprovam as notas fiscais juntadas ao processo; e) Que exercia apenas o comércio de cosméticos e a partir de 10/08/2006 passou a prestar alguns serviços de beleza que não se confundem com qualquer tipo de atividade vedada para adesão ao SIMPLES FEDERAL; f) Que em caso de manutenção da exclusão da sistemática do SIMPLES FEDERAL esta somente poderá ter efeitos prospectivos não se admitindo a exclusão retroativa. Assiste razão à interessada. A decisão de primeira instância merece reforma. Com efeito, conforme se observa do Despacho Decisório (fls. 09/10) que sustenta o Ato Declaratório de Exclusão (fl. 11), os atos de exclusão estão amparados tão somente sobre o objeto social constante do Contrato Social (fls. 02/05). Consta do mencionado contrato social o seguinte objeto social “comércio de cosméticos e centro de tratamento estético facial e corporal”. Segundo o despacho decisório a contribuinte exerceria atividade vedada para a inclusão e manutenção no SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96)), com fundamento no art. 9º, inciso XIII da mesma Lei. O dispositivo invocado está assim redigido: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (...). Inicialmente verifico que as únicas provas carreadas aos autos sobre as atividade exercidas pela recorrente foram os documentos constantes de fls. 46/252 apresentados por ocasião da manifestação de inconformidade pela própria contribuinte. Pela análise dos documentos conforme a própria decisão de primeira instância reconhece, não há em princípio qualquer evidência de exercício de atividade vedada. Pelas graves conseqüências que advém da exclusão da sistemática do SIMPLES FEDERAL, o processo de exclusão deve estar amparado em elementos sólidos para apoiar a convicção de suas conclusões e a plena legalidade do ato de exclusão. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH 6 A falta de elementos seguros quanto a verdadeira natureza das atividades exercidas pela recorrente impedem que se atribua legalidade ao ato de exclusão fundado exclusivamente no suposto exercício de atividade vedada com base no contrato social. A composição societária da empresa cujo quadro social é composto de uma médica e uma fisioterapeuta por si só tampouco consistem em elemento seguro para aferição do exercício de atividade vedada. Não há nos autos qualquer vestígio ou evidência do exercício de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada o que invalida o ato de exclusão, pois a prestação de serviços estéticos ou de beleza, não implicam por si só na comprovação do exercício de qualquer tipo de atividade que dependa de habilitação profissional legalmente exigida. Destarte, seja pela absoluta falta de legalidade do ato de exclusão amparado exclusivamente no objeto social constante do contrato social, seja pela inexistência de comprovação de exercício de qualquer atividade vedada, impõese a revogação da exclusão efetuada. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 286DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10925.003488/2007-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
ÁREAS DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA.
A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de área de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação.
JURISPRUDÊNCIA ARGÜIDA
Não sendo parte nos litígios objetos da jurisprudência trazida aos autos, não pode o sujeito passivo beneficiar-se dos efeitos das sentenças ali prolatadas, uma vez que tais efeitos são inter partes e não erga omnes.
ITR. REDUÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA. LAUDO TÉCNICO.
Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontados no SIPT, exige-se que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para reduzir o VTN para R$ 679,00/ha.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Relator.
EDITADO EM: 27/01/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Ausente justificadamente o Conselheiro Atílio Pitarelli.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para reduzir o VTN para R$ 679,00/ha. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho - Relator. EDITADO EM: 27/01/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Ausente justificadamente o Conselheiro Atílio Pitarelli.
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OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de área de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. JURISPRUDÊNCIA ARGÜIDA Não sendo parte nos litígios objetos da jurisprudência trazida aos autos, não pode o sujeito passivo beneficiarse dos efeitos das sentenças ali prolatadas, uma vez que tais efeitos são inter partes e não erga omnes. ITR. REDUÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA. LAUDO TÉCNICO. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontados no SIPT, exigese que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para reduzir o VTN para R$ 679,00/ha. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos – Presidente na data da formalização. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 34 88 /2 00 7- 33 Fl. 342DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10925.003488/200733 Acórdão n.º 2102002.019 S2C1T2 Fl. 11 2 Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 27/01/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Ausente justificadamente o Conselheiro Atílio Pitarelli. Relatório Trata o presente processo de autuação do ITR decorrente de retificações de ofício. Os valores declarados, retificados de ofício e julgados na DRJ seguiram o seguinte histórico: ITR 2003 Declarado, fl. 243 Retificação de ofício, fl. 243 Acórdão DRJ Área de Utilização Limitada 0,0 ha 900,0 ha 900,0 ha Área Exploração Extrativa 2.430,0 ha 98,8 ha 98,8 ha Valor da Terra Nua R$ 100.000,00 R$ 3.330.000,00 R$ 3.330.000,00 Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 289 a 298: Trata o presente processo de Auto de Infração, mediante o qual se exige a diferença de Imposto Territorial Rural – ITR, Exercício 2003, no valor total de R$ 513.861,55, do imóvel rural inscrito na Receita Federal sob o nº 0.971.4421, localizado no município de Matos Costa SC. No Relatório e Termo de Encerramento (f. 234/243), o fiscal autuante relata que foi apurada a falta de recolhimento do ITR, decorrente do aumento da glosa parcial da área declarada como de exploração extrativa, por não haver sido comprovado o cumprimento do cronograma do plano de manejo. Houve, ainda, alteração do valor da terra nua, em adequação aos valores constantes do SIPT. Em conseqüência, houve aumento da base de cálculo, da alíquota e do valor devido do tributo. A interessada apresentou a impugnação de f. 245/254. Solicita que seja declarada a nulidade do lançamento.Alega, em síntese, que houve equívoco no preenchimento da DITR. O erro, segundo a impugnante, consistiu na inserção, na área utilizada da DITR, de 2.430 ha que deveriam ser declaradas como isenta, por ser área gravada como de utilização limitada, averbada a título de plano de manejo florestal sustentado. Argumenta que a área não pode ser considerada como tributável, por ser área de reserva legal. Com relação ao valor da terra nua, afirma que o valor não condiz com a realidade da região. Solicita que seja acatado o Laudo Técnico de Avaliação apresentado. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que o Laudo Técnico apresentado foi insuficiente para retificar o valor lançado Fl. 343DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10925.003488/200733 Acórdão n.º 2102002.019 S2C1T2 Fl. 12 3 do VTN com base no Sipt e em relação a área de exploração extrativa, não houve a prova do cumprimento do Plano de Manejo Sustentado. Ainda, não seria possível considerar nenhuma área de Utilização Limitada pela ausências dos requisitos de averbação na matrícula do imóvel e do ADA, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2003 ÁREA DE RESERVA LEGAL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA. Por exigência de Lei, para ser considerada isenta, a área de reserva legal deve estar especificadamente averbada na Matrícula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis e ser reconhecida mediante Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado dentro do prazo estipulado. O ADA é igualmente exigido para a comprovação das áreas de preservação permanente. EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. Não comprovada a efetiva exploração extrativa, com observância dos índices de rendimento e da legislação ambiental, nem a aprovação do plano e cumprimento do cronograma de exploração por manejo sustentado de floresta, considerase procedente a glosa da área declarada a esse título. VALOR DA TERRA NUA. O valor da terra nua, apurado pela fiscalização, em procedimento de ofício nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração quando o contribuinte não apresentar elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 302 a 321, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: I. Área de Reserva Legal: Declaração original do DITR 2004 apresentada a Receita Federal não indicou lançamento em “área de utilização limitada”. Ocorre que o Auditor Fiscal não levou em consideração o fato de que efetivamente, a área de 2.432,46 hectares lançada equivocadamente como "exploração extrativa" é “área de utilização limitada”, portanto, não tributável. Ao elaborar o Laudo Técnico, verificouse que efetivamente essa área corresponde a 3.332,4 hectares; enquanto que o Sr. Auditor acatou como área de utilização limitada somente a área de 900,00 hectares, por entender que somente esta área pode ser considerada como de “Reserva Legal”, desconsiderando a área de 2.432,46 hectares também averbada como sendo de “utilização limitada”. A área de 2.432,46 ha, consta da matrícula como sendo de utilização limitada é de reserva legal por definição da própria lei. II. Ato Declaratório Ambiental (ADA): Não pode ser exigido ou utilizado para fundamentação da decisão do Conselho, isso porque o ADA não é exigível e não imprescindível para a exclusão da área de reserva legal da base de cálculo do ITR. Apresentou jurisprudência do TRF 4a Região e STJ para corroborar com as suas razões relativas a área de utilização limitada e ADA. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10925.003488/200733 Acórdão n.º 2102002.019 S2C1T2 Fl. 13 4 III. Valor da Valor da Terra Nua (VTN): O Laudo de Avaliação da Terra Nua – VTN foi acompanhado da devida ART, onde demonstrase claramente que o valor da terra nua utilizada pelo Auditor é totalmente desvirtuada da realidade. O atendimento a ABNT foi demonstrado no Laudo Técnico, tendo sido inclusive indicado inúmeras Corretoras de Imóveis e outras informações que traduzem o real prego (ou valor venal) da área objeto do presente Processo. Não se pode "adotar" um valor extraído do dito "SIPT", uma vez que os valores alí constantes não tem o menor fundamento técnico. Dois imóveis, mesmo que confrontantes, podem ter preços absolutamente diferentes, devido às suas peculiaridades, como por exemplo: existência de plano de manejo sustentado, áreas de preservação permanente, áreas de interesse ecológico, entre outras tantas. Portanto, deve prevalecer o valor da terra nua indicado na DITR 2003, visto que os valores tidos como reais pela Turma julgadora absolutamente alienígenas, tendo em vista os vários fatores e peculiaridades da época. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). No recurso, o recorrente afirma que a existência da referida área de 2.432,46 ha está averbada na matrícula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis e que a glosa deve ser revista não obstante a ausência do respectivo Ato Declaratório Ambiental (ADA) para esta área. Verificase, portanto, que o que se discute no presente feito não é a existência ou não das referidas áreas, mas a obrigatoriedade da utilização dos documentos exigidos em lei para a concessão da isenção, em contraposição à admissibilidade de outros meios de prova capazes de comprovar a existência das áreas de preservação. Afirmam, ainda, os recorrentes que a apresentação do ADA estaria dispensada em razão do disposto no parágrafo 7º do artigo 10 da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, incluído pela Medida Provisória 2.16667, de 24 de agosto de 2001, nos seguintes termos: § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto Fl. 345DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10925.003488/200733 Acórdão n.º 2102002.019 S2C1T2 Fl. 14 5 correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001) A Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) assim se refere à responsabilidade de fazer prova para concessão da isenção de tributos: Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. (grifei) (...) Por outro lado, o artigo 147 do mesmo diploma legal previu as situações em que o lançamento seria efetuado sem a necessidade de que a autoridade fiscal obtivesse, pelos seus próprios meios, as informações especificadas no artigo 142. Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (...) Art. 147 O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. No mesmo sentido, o artigo 150 estabeleceu as regras que norteiam o lançamento realizado por homologação. Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10925.003488/200733 Acórdão n.º 2102002.019 S2C1T2 Fl. 15 6 § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. Dos artigos acima transcritos, verificase que o CTN, visando à simplificação da estrutura necessária à fiscalização e arrecadação de tributos, previu as hipóteses em que o sujeito passivo prestaria à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à efetivação do lançamento e anteciparia o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Tal modalidade de pagamento/lançamento, denominada de lançamento por homologação, hodiernamente, compreende quase que a totalidade dos tributos administrados pela União, dentre os quais se encontra o Imposto Territorial Rural. Foi, sem dúvida, com base nesses preceitos legais que o legislador atribuiu ao contribuinte a responsabilidade prevista nos artigos 8º e 10º da Lei nº 9.393, de 1996, in verbis: Art. 8º O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua VTN correspondente ao imóvel. § 2º O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. § 3º O contribuinte cujo imóvel se enquadre nas hipóteses estabelecidas nos arts. 2º e 3º fica dispensado da apresentação do DIAT. Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. Contudo, a sistemática do lançamento por homologação não dispensa o contribuinte de fazer prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para a concessão da isenção. Com efeito, mais do que o dever geral de colaboração, a isenção de caráter especial, impõe ao beneficiário o ônus de provar o preenchimento das condições para fruição do tratamento diferenciado. Está claro que o parágrafo 7º apenas dispensa a prévia apresentação dos documentos definidos em lei, no caso o ADA, como necessários à fruição da isenção do ITR Fl. 347DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10925.003488/200733 Acórdão n.º 2102002.019 S2C1T2 Fl. 16 7 quanto às áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal. Contudo, inarredável é a competência da autoridade fiscal para solicitálo posteriormente, dentro do prazo decadencial, visando a verificação do correto cumprimento da obrigação tributária por parte do contribuinte. No que diz respeito à obrigatoriedade de apresentação do ADA para fins de redução do imposto a pagar, temse que, a partir da vigência da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que deu nova redação à Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, tal exigência passou a ter expressa disposição legal. “Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1º A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)” (grifei) Do artigo acima transcrito, resta claro que, a partir do exercício 2001, a obtenção do ADA é condição necessária e obrigatória para que o contribuinte usufrua a redução do valor a pagar do ITR quanto às áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal. A exigência do ADA para a fruição da benesse da isenção das áreas de Reserva Legal é tema recorrente e pacífico nessa Turma de Julgamento e nestes Autos, não se encontra nenhum ADA para os 2.432,46 ha objeto do lançamento. Assim, a nãoapresentação do ADA implica em descumprimento dos requisitos necessários para a concessão da isenção, de tal forma que o lançamento, nesse item, deve prosperar nos termos em que foi consubstanciado no Auto de Infração. Registro que julgados administrativos ou judiciais somente tem efeito vinculantes às partes e não vinculam o presente processo, especialmente, pelo fato que estamos diante de análise de provas que são distintas em cada caso. VALOR DA TERRA NUA (VTN) Protesta o recorrente que há uma supervalorização do VTN Tributado com base no SIPT. Requer que seja subavaliado essa base de cálculo, conforme Laudo Técnico de avaliação do VTN apresentado às fls. 15 a 44, ART, fl. 47, cuja conclusão, fl. 43, indica: Assim, o valor obtido de R$730, 00 (setecentos e trinta reais) por hectare, quando descontados por 1 (quatro) anos seu valor fica reduzido para R$679,00 (seiscentos e setenta e nove reais) por hectare. 0 valor da terra nua pode ser avaliado para o total da propriedade de 4.500,00 hectares em R$3.055.500,00 (Três milhões cinqüenta e cinco mil e quinhentos reais) Fl. 348DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10925.003488/200733 Acórdão n.º 2102002.019 S2C1T2 Fl. 17 8 Do Relatório Fiscal, fl. 242, a autoridade autuante, sem lastro nas informações das Secretarias de Agricultura dos Estados e Municípios, fixouse, excepcionalmente, no valor de Terras de Campo ou Reflorestamento do município autuado, constante do SIPT., fornecido pelo Instituto de Planejamento e Economia Agrícola de Santa Catarina (ICEPA/SC). Não se encontra nos autos sequer a tela do Sipt e sua composição avaliatória. Diz assim o Relatório Fiscal: O VTN/ha declarado pelo contribuinte foi de .R$ 22,22, valor bem abaixo do mínimo admitido de VTN/ha para o município de.Matos Costa pelo Sistema de Preços de Terras (SIPT) aprovado pela PORTARIA No. 447 DE 28/03/2002 da SRF, que naquele ano era de R$ 740,00. Este era o VTN pesquisado para Terras de Campo ou Reflorestamento. A utilização do valor médio das DITR do SIPT de um mesmo município, tratando todos os imóveis de pequeno, médio e grande porte de forma uniforme, é uma medida precária de arbitramento, pois é cediço que um imóvel de pequeno porte, próximo de estradas ou vias vicinais, com atributos especiais, pode atingir valor de VTN inalcançável para um imóvel de grande porte. Na prática, quando se utiliza essa forma de arbitramento, pedese qualquer possibilidade de discriminar os imóveis, por porte, por tipo de solo, cultura etc., tratando todos como uma massa uniforme, situação que não permite confrontar o VTN proveniente de um laudo técnico, subscrito por profissional habilitado, voltado para as características individuais do imóvel, como se tem no Laudo Técnico apresentado, com a sua devida ART e fontes de avaliação do VTN. Com as considerações acima, voto por acatar o VTN indicado no Laudo Técnico, no valor de R$ 679,00/ha, conforme indicado à fl. 43. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO, reduzindo o VTN para R$ 679,00/ha e mantendo o valor considerado como de utilização limitada. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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