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Numero do processo: 11050.000247/2006-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005
COFINS NÃO-CUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. SERVIÇOS TÉCNICOS TERCEIRIZADOS ESSENCIAIS NAS AÉREAS DE ENGENHARIA, PLANEJAMENTO E GESTÃO DE SISTEMAS DE CONTROLE DE QUALIDADE UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO DE PLATAFORMA DE PETRÓLEO. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
Por serem imprescindíveis à existência, funcionamento, aprimoramento e à manutenção do complexo processo produtivo da plataforma petrolífera destinada à venda, que constitui o objeto do mister social da Recorrente, as locações de serviços técnicos tercerizados prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no país e habilitadas a presta-los, se inserem no conceito de insumo, assim como seus custos se inserem obrigatoriamente no custo do produto final (plataforma petrolífera) destinada à venda.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-006.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. SERVIÇOS TÉCNICOS TERCEIRIZADOS ESSENCIAIS NAS AÉREAS DE ENGENHARIA, PLANEJAMENTO E GESTÃO DE SISTEMAS DE CONTROLE DE QUALIDADE UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO DE PLATAFORMA DE PETRÓLEO. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. Por serem imprescindíveis à existência, funcionamento, aprimoramento e à manutenção do complexo processo produtivo da plataforma petrolífera destinada à venda, que constitui o objeto do mister social da Recorrente, as locações de serviços técnicos tercerizados prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no país e habilitadas a prestalos, se inserem no conceito de insumo, assim como seus custos se inserem obrigatoriamente no custo do produto final (plataforma petrolífera) destinada à venda. Recurso Especial do Procurador Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 02 47 /2 00 6- 51 Fl. 841DF CARF MF Processo nº 11050.000247/200651 Acórdão n.º 9303006.084 CSRFT3 Fl. 842 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento. Vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, em face do Acórdão nº 3402001.980, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 COFINS NÃOCUMULATIVIDADE RESSARCIMENTO CONCEITO DE INSUMO CRÉDITOS RELATIVOS A SERVIÇOS TÉCNICOS TERCEIRIZADOS NAS AÉREAS DE ENGENHARIA, PLANEJAMENTO E GESTÃO DE SISTEMAS DE CONTROLE DE QUALIDADE UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO DE PLATAFORMA DE PETRÓLEO – LEIS Nº 10.637/02 E Nº 10.684/03. O princípio da não cumulatividade da COFINS visa neutralizar a cumulação das múltiplas incidências da referida contribuição nas diversas etapas da cadeia produtiva até o consumo final do bem ou serviço, de modo a desonerar os custos de produção destes últimos. A expressão “insumos e despesas de produção incorridos e pagos”, obviamente não se restringe somente aos insumos utilizados no processo de industrialização, tal como definidos nas legislações de regência do IPI e do ICMS, mas abrange também os serviços terceirizados utilizados no processo produtivo de bens e serviços. Em razão da natureza intangível dos serviços, associada à natureza do processo produtivo e não ao produto gerado resultante deste processo, o que qualifica um determinado serviço como insumo, não é o seu o contato físico Fl. 842DF CARF MF Processo nº 11050.000247/200651 Acórdão n.º 9303006.084 CSRFT3 Fl. 843 3 com o produto, mas sim a sua imprescindibilidade à existência, funcionamento, aprimoramento ou à manutenção de outros processos produtivos de bens ou serviços. Por serem imprescindíveis à existência, funcionamento, aprimoramento e à manutenção do complexo processo produtivo da plataforma petrolífera destinada à venda, que constitui o objeto do mister social da Recorrente, as locações de serviços técnicos tercerizados prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no país e habilitadas a prestalos, se inserem no conceito de insumo, assim como seus custos se inserem obrigatoriamente no custo do produto final (plataforma petrolífera) destinada à venda (art. 290, inc. I do RIR/99) O presente processo referese a pedido de Ressarcimento de Crédito da COFINS NãoCumulativa, relativo ao período de apuração de 01/12/2005 a 31/12/2005, incidente sobre os serviços terceirizados utilizados no processo produtivo de bens e serviços, mais especificamente serviços técnicos terceirizados nas aéreas de engenharia, planejamento e gestão de sistemas de controle de qualidade nas áreas química, petroquímica, petróleo e congêneres. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira de Julgamento do CARF, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para assegurar o direito ao ressarcimento dos créditos de COFINS e de PIS em relação às aquisições de serviços técnicos terceirizados nas aéreas de engenharia, planejamento e gestão de sistemas de controle de qualidade nas áreas química, petroquímica, petróleo e congêneres, efetivamente prestados ao contribuinte. A Fazenda apresentou recurso especial (fls. 744 a 764), suscitando divergência relativamente aos itens considerados como insumos: serviços técnicos terceirizados nas aéreas de engenharia, planejamento e gestão de sistemas de controle de qualidade. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi integralmente admitido pela comprovação da divergência suscitada, no que diz respeito ao conceito de insumo utilizado para fins de creditamento da COFINS, conforme despacho de admissibilidade (fls. 766 a 768). O sujeito passivo apresentou suas contrarrazões (fls. 776 a 808). É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Conforme relatado, o tempestivo recurso foi integralmente admitido pela comprovação da divergência suscitada, no que diz respeito ao conceito de insumo utilizado para fins de creditamento de COFINS. Fl. 843DF CARF MF Processo nº 11050.000247/200651 Acórdão n.º 9303006.084 CSRFT3 Fl. 844 4 Visando comprovar a divergência, a Fazenda Nacional apresentou como paradigma o Acórdão nº 20312.448, cujos inteiro teor da ementa foi transcrita no recurso. O confronto das decisões comprova a divergência. Enquanto a turma a quo reconheceu como insumo as aquisições de serviços técnicos terceirizados nas aéreas de engenharia, planejamento e gestão de sistemas de controle de qualidade nas áreas química, petroquímica, petróleo e congêneres, efetivamente prestados ao contribuinte, por serem imprescindíveis à existência, funcionamento, aprimoramento ou à manutenção de outros processos produtivos de bens ou serviços do contribuinte, não sendo necessário o contato físico com o produto, a decisão paradigma, em sentido contrário, adotou a interpretação restritiva do conceito de insumo, tal como prescreve a legislação do IPI e o PN CST 65/79. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Portanto, a matéria devolvida ao Colegiado cingese à questão do conceito de insumo para fins de creditamento de PIS e COFINS, em especial os serviços técnicos terceirizados nas aéreas de engenharia, planejamento e gestão de sistemas de controle de qualidade. Os arts. 3º, inciso II das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, dispõem sobre a possibilidade de a pessoa jurídica descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados como “insumo” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Visando normatizar o termo “insumo” a Receita Federal editou as Instruções Normativas, IN SRF nº 247/02, art. 66, § 5º, no caso do PIS e IN SRF nº 404/04, art. 8º, § 4º para a Cofins. Nelas, o fisco limitou a abrangência do termo “insumos” utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, à matériaprima, ao produto intermediário, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Em se tratando de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços. Necessário, ainda, que os bens não estejam incluídos no ativo imobilizado, bem assim, os serviços sejam prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, sendo aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto ou prestação do serviço. De modo a esclarecer o alcance de tais normas em relação a casos concretos, foram editadas diversas Soluções de Consultas, por vezes conflitantes, as quais acabaram por ensejar a elaboração de inúmeras Soluções de Divergência. Na sequência dos acontecimentos, decorridos alguns anos desde a edição das leis criadoras do PIS e da Cofins na sistemática não cumulativa, percebese ser cada vez mais intenso o coro a rejeitar a não cumulatividade dessas contribuições de modo tão restritivo, nos moldes do IPI. A jurisprudência do CARF caminhou no sentido a considerar que o conceito de insumos trazido pelas normas de regência se posiciona de forma intermediária entre o conceito restritivo do IPI e aquele mais extensivo (do IRPJ). Soluções que aplicam puramente a legislação do IPI ou do IRPJ estão ficando como posições isoladas e não mais tem prosperado, em termos de votação das inúmeras turmas que tratam da matéria. Fl. 844DF CARF MF Processo nº 11050.000247/200651 Acórdão n.º 9303006.084 CSRFT3 Fl. 845 5 Entendo que o termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos. Em casos similares de minha relatoria (Acórdãos 9303002.630 e 9303 003.195), este colegiado aplicou esse conceito intermediário, entendendo como “insumo” aquele elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. O STJ tem reconhecido o direito aos créditos de PIS e COFINS com base no critério da essencialidade, conforme extraise do excerto da ementa do REsp 1.246.317: 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Com efeito, o conceito a ser utilizado nesse voto será a relação direta com o processo produtivo, dentro do critério da essencialidade (se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção, e se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços), além de outras permissivas contidas na lei, por óbvio. Feitos todos esses comentários, passemos à análise dos insumos, objeto do presente caso: serviços técnicos terceirizados nas aéreas de engenharia, planejamento e gestão de sistemas de controle de qualidade. Assim dispõe o artigo 3º do Estatuto Social da companhia (fl. 9) acerca de seu objetivo social: Os itens glosados pela fiscalização relativos a serviços técnicos terceirizados nas aéreas de engenharia, planejamento e gestão de sistemas de controle de qualidade estão perfeitamente vinculados às atividades operacionais da recorrida. Conforme destacado no voto condutor do acórdão recorrido, constatase que tais serviços terceirizados destinados ao Fl. 845DF CARF MF Processo nº 11050.000247/200651 Acórdão n.º 9303006.084 CSRFT3 Fl. 846 6 funcionamento, aprimoramento e manutenção da plataforma petrolífera destinada à venda são considerados essenciais ao processo produtivo. A Recorrida, em suas contrarrazões, faz referência expressa aos parágrafos 36 a 43 de seu recurso voluntário, nos quais demonstra detalhadamente os aspectos relacionados à construção da plataforma P53 e a importância dos serviços tomados. Analisando os fatos e as alegações da Recorrente, constatase que a decisão recorrida não merece reparos. Não adotamos o entendimento esposado pela Fazenda Nacional acerca da necessidade de contato físico para configurar o bem ou serviço como insumo, conforme previsto na legislação do IPI. De acordo com o nosso entendimento já explicitado no presente voto e em outros de nossa relatoria, adotamos o critério da essencialidade do bem e serviço na prestação de serviço ou produção. Concluise que os serviços técnicos terceirizados nas aéreas de engenharia, planejamento e gestão de sistemas de controle de qualidade são essenciais à construção, funcionamento, aprimoramento e manutenção da plataforma petrolífera, eis que a subtração desses insumos no seu processo produtivo acarretaria perda substancial de qualidade do produto. Nenhuma ressalva há que ser feita na decisão recorrida, e deve ser mantida a reversão da glosa relativa aos serviços tomados acima referidos. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, mantendo integralmente a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 846DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.904622/2016-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/02/2011
CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO.
Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição.
A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-003.511
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES S/A declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 46 22 /2 01 6- 26 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10680.904622/201626 Acórdão n.º 3201003.511 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente requereu a anulação do despacho decisório e a homologação da compensação, alegando o seguinte: a) transmitira Pedido de Restituição (PER) para garantir o direito ao crédito de pagamento efetuado a maior, crédito esse objeto de compensação declarada posteriormente; b) devido a incompatibilidade do programa gerador da declaração, o número do PER não foi informado na declaração de compensação. Nos termos do Acórdão nº 06057.488, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que, por se encontrar retido o direito creditório reconhecido administrativamente até que fossem liquidados os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública, encontravase correto o despacho decisório de não homologação da compensação declarada. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, aduzindo, inicialmente, que havia entendido que a glosa de seu crédito se dera por ocorrência de erro operacional nos sistemas da Receita Federal, fato esse esclarecido somente na decisão da DRJ. Arguiu o Recorrente que a decisão recorrida sustentarase na premissa equivocada de que o não deferimento do direito creditório decorrera da discordância do contribuinte quanto ao procedimento de compensação de ofício, procedimento esse que não alcança débitos que se encontrem com exigibilidade suspensa, de acordo com decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) REsp nº 1.213.082/PR , submetido à sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF,. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.508, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10680.904616/201679, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.508): O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. (...) Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.904622/201626 Acórdão n.º 3201003.511 S3C2T1 Fl. 4 3 Não há litígio a ser decidido nesta instância. A pretensão da contribuinte é ter reconhecido seu direito ao crédito informado em Pedido de Restituição. Ocorre que, conforme informado no voto da decisão recorrida, o crédito indicado já foi integralmente reconhecido e deferido no PER n° 39452.15834.310314.1.2.044815, tendo como resultado extraído da tela do Sief Processo: "DEFERIDO TOTALMENTE RDC AUTOMÁTICO". Ora, uma vez reconhecido e deferido o crédito não há o que se decidir quanto ao direito da contribuinte. A negativa da unidade de origem em efetuar a compensação, sob o fundamento de que o crédito está retido frente a débito pendente de liquidação, não se constitui matéria a ser apreciada pelo CARF, devendo negar conhecimento ao recurso da contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto para NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto, uma vez que na origem o crédito fora reconhecido e deferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Além disso, devese ressaltar, que, neste processo, também ocorreram fatos da mesma natureza daqueles observados no processo paradigma que ensejaram o não conhecimento do recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira . Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004117/2008-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DA GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES. RESULTADO DOS JULGAMENTOS DOS PROCESSOS RELATIVOS ÀS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS PRINCIPAIS. APLICAÇÃO. RICARF.
1. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo.
2. Dentro desse espírito condutor, deve ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, os resultados dos julgamentos dos processos atinentes ao descumprimento das obrigações tributárias principais, que se constituem em questão antecedente ao dever instrumental.
DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. GFIP. BASE DE CÁLCULO. CONTRIBUIÇÃO NÃO DECLARADA. EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
1. Muito embora, nas obrigações acessórias, não haja pagamento a ser homologado pelo Fisco, sendo aplicável o art. 173, inc. I, do CTN (vide acórdão 2402-005.900, julgado em 01/08/2017), e não o art. 150 § 4º, fato é que, como se reconheceu a decadência de parte das obrigações principais no PAF conexo, haverá repercussão neste lançamento.
2. Isso porque a multa lançada neste Auto de Infração é de 100% da contribuição não declarada, ainda que observado o limite mensal máximo previsto no inc. II do art. 284 do RGPS.
3. Sendo insubsistente a contribuição, é igualmente insubsistente a multa, que tem por base de cálculo aquela rubrica.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB Nº 14/09. APLICAÇÃO.
1. Por unanimidade, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) vem aplicando, à presente discussão, as conclusões contidas na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/09.
2. Isto é, deverá haver comparação entre a soma das multas por descumprimento das obrigações principal e acessórias, de acordo com a redação anterior à Lei 11941/09, com a multa de ofício calculada na forma da atual redação do art. 35-A da Lei 8212/91.
Numero da decisão: 2402-006.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer os reflexos da decadência declarada nos Processos Administrativos nº 19515.004118/2008-09 e nº 19515.004112/2008-23, afastando a aplicação da multa em relação às competências anteriores a agosto de 2003. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior que deram provimento em maior extensão e os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson e Mauricio Nogueira Righetti que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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APRESENTAÇÃO DA GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES. RESULTADO DOS JULGAMENTOS DOS PROCESSOS RELATIVOS ÀS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS PRINCIPAIS. APLICAÇÃO. RICARF. 1. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo. 2. Dentro desse espírito condutor, deve ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, os resultados dos julgamentos dos processos atinentes ao descumprimento das obrigações tributárias principais, que se constituem em questão antecedente ao dever instrumental. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. GFIP. BASE DE CÁLCULO. CONTRIBUIÇÃO NÃO DECLARADA. EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. 1. Muito embora, nas obrigações acessórias, não haja pagamento a ser homologado pelo Fisco, sendo aplicável o art. 173, inc. I, do CTN (vide acórdão 2402005.900, julgado em 01/08/2017), e não o art. 150 § 4º, fato é que, como se reconheceu a decadência de parte das obrigações principais no PAF conexo, haverá repercussão neste lançamento. 2. Isso porque a multa lançada neste Auto de Infração é de 100% da contribuição não declarada, ainda que observado o limite mensal máximo previsto no inc. II do art. 284 do RGPS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 41 17 /2 00 8- 56 Fl. 976DF CARF MF 2 3. Sendo insubsistente a contribuição, é igualmente insubsistente a multa, que tem por base de cálculo aquela rubrica. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB Nº 14/09. APLICAÇÃO. 1. Por unanimidade, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) vem aplicando, à presente discussão, as conclusões contidas na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/09. 2. Isto é, deverá haver comparação entre a soma das multas por descumprimento das obrigações principal e acessórias, de acordo com a redação anterior à Lei 11941/09, com a multa de ofício calculada na forma da atual redação do art. 35A da Lei 8212/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer os reflexos da decadência declarada nos Processos Administrativos nº 19515.004118/200809 e nº 19515.004112/200823, afastando a aplicação da multa em relação às competências anteriores a agosto de 2003. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior que deram provimento em maior extensão e os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson e Mauricio Nogueira Righetti que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Fl. 977DF CARF MF Processo nº 19515.004117/200856 Acórdão n.º 2402006.072 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório A fiscalização lavrou o seguinte Auto de Infração (AI) DEBCAD em face do sujeito passivo: (a) AI DEBCAD 37.159.2615, para a constituição da multa devida pela apresentação da GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, correspondendo a 100% da contribuição não declarada, observado o limite mensal máximo previsto no inc. II do art. 284 do RGPS. Em todas as competências, houve a incidência do citado limite, uma vez que ele foi inferior ao montante das contribuições não declaradas (v. fl. 36). O fato gerador das contribuições foi o pagamento de Participação nos Lucros ou Resultados PLR em desacordo com a lei. As contribuições devidas foram lançadas nos Autos de Infração nºs 37.159.2577, 37.159.2585, 37.159.2593 e 37.159.2607. No transcorrer da fiscalização, o sujeito passivo apresentou dois diferentes acordos para duas categorias distintas: (a) Acordo de Participação nos Resultados Categorias Seniores, Executivos e Dirigentes; (b) Acordo Coletivo de Trabalho Categorias Horistas e Mensalistas. Em resumo, teriam sido descumpridos os seguintes requisitos legais: (a) Acordo de Participação nos Resultados Categorias Seniores, Executivos e Dirigentes não existe acordo para a PLR paga em 2005; o acordo de 2004 só tem as assinaturas de um representante da empresa e de um representante dos empregados; com exceção do acordo de 2003, os demais foram entregues sem autenticação; os acordos não foram objeto de negociação, uma vez que não foram apresentadas as atas de reuniões e de eleições das comissões de empregados; não houve a participação de um representante indicado pelo sindicato; não foi demonstrado que os acordos foram arquivados nos sindicatos, mas apenas que houve requerimento; Fl. 978DF CARF MF 4 os acordos foram assinados após o período de aferição dos resultados; os acordos não têm regras claras e objetivas; (b) Acordo Coletivo de Trabalho Categorias Horistas e Mensalistas o único acordo original foi do ano de 2005; o acordo de 2002, apresentado em duas cópias, contém uma versão com a data de julho de 2002, mas sem as assinaturas do sindicato e da comissão; a outra assinada, mas sem data; o acordo de 2003 não está assinado pelo sindicato; o acordo de 2004 não está assinado pela comissão de negociação; apesar de o acordo ter estipulado regras objetivas, conforme determina a lei, não foi possível a verificação do cumprimento do acordado; alguns empregados receberam quantias acima do estipulado; todos os acordos foram assinados após o período de aferição. Desta forma, a fiscalização concluiu que as parcelas pagas a título de PLR não seriam "isentas". A existência de Gratificação Especial, contabilizada em conta de PLR, foi lançada no Auto de Infração 37.095.5650, que não integra este processo e nem os seus apensos. A contribuinte apresentou sua impugnação tempestivamente (cujos fundamentos são idênticos aos do seu recurso voluntário), a qual foi julgada improcedente pela DRJ em decisão assim ementada: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Constitui infração deixar de informar mensalmente por meio de GFIP os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do Fisco. Art. 32, IV da Lei 8.212/91. LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA Tratandose de ato não definitivamente julgado, a Administração deve aplicar a lei nova a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática assim observando, quando da aplicação das alterações na legislação tributária referente às penalidades, a norma mais benéfica ao contribuinte. PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A formulação de pedido juntada de provas documental, pericial etc, deve obedecer ao disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72. INTIMAÇÃO DIRIGIDA AO PATRONO DA EMPRESA NO ENDEREÇO DAQUELE. IMPOSSIBILIDADE. É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante em endereço diverso do domicílio Fl. 979DF CARF MF Processo nº 19515.004117/200856 Acórdão n.º 2402006.072 S2C4T2 Fl. 4 5 fiscal do contribuinte tendo em vista o § 4º do art. 23 do Decreto 70.235/72. (como no original) Intimada da decisão em 08/02/2010, através de aviso de recebimento, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 08/03/2010, no qual reafirmou as seguintes teses de defesa: (a) nulidade do Auto de Infração; (b) os PLRs estabelecidos para os períodos de 2002 a 2005 atendem plenamente a norma constitucional; (c) tendo em vista que os pagamentos efetuados a título de PLR gozam de imunidade constitucional, nem mesmo seria necessária a existência de acordo; (d) as empresas e os empregados têm a faculdade de se utilizar dos critérios legais para a confecção do plano (índices de produtividade, qualidade ou lucratividades; programas de metas, resultados e prazos); (e) não obstante, as regras foram devidamente cumpridas; (f) enumerou todos os requisitos legais que teriam sido observados; (g) a fiscalização e a DRJ incorreram em formalismo exacerbado e lesaram o espírito da norma; (h) as regras gerais foram acordadas entre a recorrente e seus empregados, ainda que não tenham sido formalizadas antes dos períodos aquisitivos; (i) os acordos foram firmados previamente aos pagamentos; (j) todos os acordos de PLR tiveram a participação e a anuência do sindicato, conforme doc. 05 da impugnação; (k) os PLRs relativos aos horistas e mensalistas foram firmados em papel timbrado do sindicato; (l) a lei não obriga a confecção de documentos tais como ata de eleição de comissão e ata da reunião de PLR; (m) juntamente com o pagamento de PLR, a recorrente efetuou o adimplemento de gratificação especial a certo empregados. Por equívoco, contabilizou tal procedimento como PLR, mas isso não significa que alguns funcionários tenham recebido valores maiores a título de participação. Alega, ainda, que efetuou o recolhimento de contribuições sobre as gratificações; (n) os pagamentos a título de PLR não se confundem com remuneração; Fl. 980DF CARF MF 6 (o) as empresas e os empregados podem tomar livremente por base ou referencial os critérios e elementos que quiserem para estabelecer, nos acordos coletivos, a participação dos empregados; (p) o ato de lhe impor a obrigação de custear a parte que cabe ao empregado é ilegal e inconstitucional, não havendo como imputarlhe a responsabilidade exclusiva no custeio dos encargos, sob pena de enriquecimento ilícito do empregado; (q) o prazo decadencial aplicável aos tributos sujeitos a lançamento por homologação é de cinco anos contados do fato gerador, de forma que, como o lançamento ocorreu em 25 de agosto de 2008, os créditos tributários relativos aos fatos geradores compreendidos entre janeiro de 2003 e agosto de 2003 estão decaídos; (r) houve recolhimento parcial das contribuições devidas, o que pode ser facilmente verificado em consulta ao sistema da Receita; (s) a aplicação da retroatividade benigna para a alteração da multa imposta em autuações decorrentes de omissões de GFIPs é perfeitamente correta e não há que se falar em aplicabilidade do art. 35A da Lei 8212/91, pois restaria configurada a retroatividade maléfica. A exrelatora do processo proferiu o despacho de fls. 934/935, igualmente assinado pelo então Presidente desta Turma, requerendolhe a distribuição dos demais processos atinentes aos Autos de Infração acima referidos. Em 29/03/2011, a recorrente requereu a juntada aos autos do Acordo de Participação nos Resultados do ano de 2004, assinado e ratificado pelas partes envolvidas. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 981DF CARF MF Processo nº 19515.004117/200856 Acórdão n.º 2402006.072 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Do resultado do julgamento dos PAFs nºs 19515.004118/200809 e 19515.004112/200823 A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo. Dentro desse espírito condutor, deve ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, os resultados dos julgamentos dos processos atinentes ao descumprimento das obrigações tributárias principais, que se constituem em questão antecedente ao dever instrumental. Logo, e de acordo com os PAFs nºs 19515.004118/200809 e 19515.004112/200823, em apenso, deve ser dado provimento parcial ao recurso voluntário, (i) rejeitandose a preliminar de nulidade do lançamento; (ii) acolhendose parcialmente a preliminar de decadência, para reconhecer como decaídas as contribuições cujos fatos geradores sejam anteriores a agosto de 2003; e (iii) dandose parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo da multa as contribuições relativas aos pagamentos efetuados em consonância com os acordos coletivos de trabalho categorias horistas e mensalistas. A propósito da decadência, muito embora, nas obrigações acessórias, não haja pagamento a ser homologado pelo Fisco, sendo aplicável o art. 173, inc. I, do CTN (vide acórdão 2402005.9001, julgado em 01/08/2017), e não o art. 150 § 4º, fato é que, como se reconheceu a decadência de parte das obrigações principais nos PAFs encimados, haverá repercussão neste lançamento, pois a multa lançada neste Auto de Infração é de 100% da 1 [...] OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, INC. I, DO CTN. COMPETÊNCIA DEZEMBRO. TERMO INICIAL QUE CORRESPONDE AO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. SÚMULA CARF 101. 1. O prazo decadencial para constituição de obrigações tributárias acessórias é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN, vez que, nesta hipótese, não há pagamento a ser homologado pela Fazenda Pública. 2. Conforme preleciona a Súmula CARF 101, "na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". (CARF, Recurso Voluntário, Acórdão 2402005.900, PAF 10803.720154/201271, sessão de 04/07/2017, relator João Victor Ribeiro Aldinucci, por unanimidade) Fl. 982DF CARF MF 8 contribuição não declarada, ainda que observado o limite mensal máximo previsto no inc. II do art. 284 do RGPS. Isto é, estão sendo reconhecidos os reflexos da decadência declarada nos PAFs conexos. 3 Da retroatividade benigna Conforme relatado, o sujeito passivo afirma que a aplicação da retroatividade benigna para a alteração da multa imposta em autuações decorrentes de omissões em GFIPs é perfeitamente correta e não há que se falar em aplicabilidade do art. 35A da Lei 8212/91, pois restaria configurada a retroatividade maléfica. No seu entender, a penalidade aplicável é aquela estabelecida no atual art. 32 A da Lei 8212/91, de R$ 20,00 para cada grupo de dez informações omitidas. Ocorre que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) vem aplicando, à presente discussão, as conclusões contidas na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/09, segundo a qual: Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Isto é, no entender da CSRF, deverá haver comparação entre a soma das multas por descumprimento das obrigações principal e acessórias, de acordo com a redação anterior à Lei 11941/09, com a multa de ofício calculada na forma da atual redação do art. 35 A da Lei 8212/91. Vejase: APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em Fl. 983DF CARF MF Processo nº 19515.004117/200856 Acórdão n.º 2402006.072 S2C4T2 Fl. 6 9 conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. (CSRF, Recurso Especial do Procurador, PAF 19647.019537/200831, acórdão 9202005.667, relatora Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, julgado em 26/07/2017, por unanimidade) Este relator vinha discordando das conclusões do citado parecer, mas as decisões da CSRF têm sido tomadas por unanimidade, não havendo, por outro lado, nenhuma decisão do STJ tomada em sede de recurso repetitivo. Logo, deve ser negado provimento ao recurso voluntário neste ponto. Cabe ressaltar que a autoridade executora do presente julgado deverá observar, na liquidação, as conclusões do Parecer retro mencionado. 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER do recurso voluntário para: (a) REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento; (b) ACOLHER parcialmente a preliminar, para reconhecer como decaídas as contribuições cujos fatos geradores sejam anteriores a agosto de 2003 e determinar a sua exclusão da base de cálculo da multa, devendo ser aplicada a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/09 apenas para os períodos não abrangidos pela decadência; (c) DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, para excluir do lançamento os pagamentos efetuados em consonância com os acordos coletivos de trabalho, determinandose, por consequência, a exclusão das contribuições referentes a tais pagamentos da base de cálculo da multa. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 984DF CARF MF 10 Voto Vencedor Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Redator designado Decadência De início há que se esclarecer que meu posicionamento com relação à decadência em razão do descumprimento de obrigação acessória é no sentido da inaplicabilidade do art. 150, § 4º Código Tributário Nacional, pois diferentemente do que ocorre quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, no caso do descumprimento de obrigação de fazer não há que se falar em antecipação de pagamento e, por consequência lógica, a contagem do prazo decadencial deve se reger pelo art. 173, I do CTN. Em outras palavras, os créditos tributários relacionados a obrigações acessórias decorrem sempre de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que, como já se disse, afasta a incidência da contagem do prazo estabelecida no art. 150, § 4º, do Codex Tributário. Também não considero correto, mesmo nos autos de infração por omissão de fatos geradores de contribuições sociais em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, o reconhecimento, nos processos de obrigações acessórias, dos reflexos da decadência declarada nos PAF que versam sobre obrigações principais. Tratamse de obrigações tributárias distintas e independentes entre si, sujeitas a regramentos legais diversos. A meu ver, atribuir o resultado das obrigações principais, quando seu prazo decadencial é regido pelo art. 150, § 4º do CTN, às obrigações acessórias, não obstante os argumentos em sentido diverso, é o mesmo que aplicar tal dispositivo às infrações por descumprimento de obrigação de fazer. Em razão disso, considerando a vasta jurisprudência administrativa a esse respeito, e mesmo tendo saído vencido neste ponto, entendo que ao caso em tela aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, I, razão pela qual entendo necessário expressar o meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, afastando a preliminar de decadência. Questões de Mérito Aplicação do Resultado do Julgamento dos PAF de Obrigações Principais ao Auto de Infração pela Não Informação de Fatos Geradores em GFIP Diferentemente do que ocorre no caso da preliminar de decadência, as questões de mérito discutidas nos processos administrativos de obrigações principais têm reflexos diretos nos autos de infração por não informação de fatos geradores em GFIP. Nesse caso, quando determinada rubrica é considerada pelo Fisco como fato gerador de contribuições previdenciárias, além do lançamento pelo não pagamento do tributo é, via de regra, efetuado também um outro lançamento pela falta de informação do fato gerador na Guia. Assim, se no decorrer do processo administrativo fiscal a autoridade julgadora afasta a incidência das contribuições lançadas sobre certa rubrica essa deve também Fl. 985DF CARF MF Processo nº 19515.004117/200856 Acórdão n.º 2402006.072 S2C4T2 Fl. 7 11 ser excluída da base de cálculo multa do auto de infração relacionado à GFIP, podendo esse fato implicar a redução de seu valor, sendo a recíproca também verdadeira. No caso concreto, em relação ao mérito, os apelos do sujeito passivo restaram improvidos nos PAF nº19515.004118/200809 e nº 19515.004112/200823, devendo o recurso sub examine seguir a mesma sorte. CONCLUSÃO Em razão do exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, ressalvando que, por ter saído vencido em relação à decadência, prevalece nesse ponto a decisão consubstanciada no voto vencido. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 986DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.024523/95-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/1993 a 30/11/1993, 01/01/1994 a 31/01/1994
ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. NORMA DE EXECUÇÃO COSIT/COSAR 08/97. ÍNDICES APLICÁVEIS.
Nos termos do Acórdão 9900-000.860, do Pleno do Carf, são aplicáveis os índices de correção monetária consagrados na jurisprudência, consubstanciados na Resolução CNJ 561.
COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
A compensação efetuada até 31/10/2003, quando indevida, enseja o lançamento de ofício. Aplicação da Súmula Carf nº 52.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3201-003.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para reconhecer a aplicação dos índices de correção monetária consubstanciados na Resolução 561 do Conselho da Justiça Federal.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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NORMA DE EXECUÇÃO COSIT/COSAR 08/97. ÍNDICES APLICÁVEIS. Nos termos do Acórdão 9900000.860, do Pleno do Carf, são aplicáveis os índices de correção monetária consagrados na jurisprudência, consubstanciados na Resolução CNJ 561. COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A compensação efetuada até 31/10/2003, quando indevida, enseja o lançamento de ofício. Aplicação da Súmula Carf nº 52. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para reconhecer a aplicação dos índices de correção monetária consubstanciados na Resolução 561 do Conselho da Justiça Federal. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 02 45 23 /9 5- 07 Fl. 900DF CARF MF 2 Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Reproduzo relatório de primeira instância. “Em ação fiscal levada a efeito em face da contribuinte acima identificada foi apurada falta de recolhimento da contribuição para financiamento da seguridade social – Cofins, relativa aos períodos de apuração de outubro/93 a novembro/93 e janeiro/94, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração de fls. 20 e 21, integrado pelos termos, demonstrativos e documentos nele mencionados, com o seguinte enquadramento legal: Arts 1º, 2º, 3º, 4º e 5º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991. 2. O crédito tributário apurado, composto pela contribuição, multa proporcional e juros de mora, calculados até 21/08/95, perfaz o total de 842.918,63 (oitocentas e quarenta e duas mil, novecentas e dezoito unidades fiscais de referência e sessenta e três centésimos). 3. Inconformada com a autuação, da qual foi devidamente cientificada em 21/08/1995, a contribuinte protocolizou, em 19/09/1995, a impugnação de fls. 25 a 30, acompanhada de documentos de fls. 31 a 72, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: 3.1. A impugnante propôs a Medida Cautelar Inominada nº 94.0092970 com Pedido de Concessão de Liminar, e respectiva Ação Ordinária nº 94.00116152, para que fosse admitida a legalidade da compensação efetuada. 3.1.1. No transcorrer da discussão judicial, o Tribunal Pleno do STF julgou, em 16 de dezembro de 1992, inconstitucionais diversos dispositivos da legislação reguladora do FINSOCIAL, a partir da edição da Lei nº 7.689/88, no Recurso Extraordinário nº 150.7641. 3.1.2. A decisão proferida pelo plenário da Colenda Corte, ao julgar inconstitucional o artigo 9º da Lei nº 7.689/88 e das diversas alterações havidas “a posteriori”, manteve a exação FINSOCIAL na forma recepcionada pelo artigo 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. 3.1.3. Conseqüentemente, patente ficou a limitação da exação denominada FINSOCIAL ao percentual limite de 0,5%, em virtude da inexistência de LC. 3.1.4. Portanto, restou nítida a admissibilidade pelo STF do FINSOCIAL na forma prevista pelo DL 1.940/82, recepcionado pelo artigo 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitória, limitando sua exigibilidade a 0,5%. Fl. 901DF CARF MF Processo nº 10880.024523/9507 Acórdão n.º 3201003.753 S3C2T1 Fl. 3 3 3.1.5. Nesse sentido, ainda que a retro citada decisão não tenha efeito “erga omnes”, claro está, em virtude desta e de outros posicionamentos no mesmo caminho, que as demais decisões sobre a matéria caminham nesta direção, inclusive os processos judiciais da ora Impugnante. 3.1.6. Dessa feita, não há que se falar na obrigatoriedade da ora Impugnante em efetuar a declaração dos valores referentes à compensação realizada, na DCTF. Isso porque, não há mais qualquer relação jurídicotributária da Impugnante para com o FISCO que valide tal necessidade de informação. 3.1.7. A compensação efetuada pela Impugnante seguiu, invariavelmente, os ditames estabelecidos pelo CTN em seu artigo 170 e Lei nº 8383, de 30/12/1991, em seu artigo 66. 3.1.8. Cumpre lembrar, por oportuno, o quanto disposto no art. 156 do CTN, conforme reproduzido. 3.1.9. Ora, se o crédito tributário resta extinto com a compensação, como pode o FISCO pretender penalizar a ora Impugnante com relação ao integral valor da compensação efetuada? Reproduz o acórdão nº 10187.615 do CC. 3.1.10. Observandose o entendimento que o Conselho de Contribuintes vem manifestando, não faz sentido a autuação lavrada contra a ora Impugnante, posto que se faz totalmente desnecessário o dispêndio de recursos em esfera administrativa, para o questionamento de temas que já foi objeto de deslinde pelo Judiciário. 3.2. Conforme já demonstrado, não há a alegada obrigatoriedade de declaração dos valores em questão na DCTF, em virtude da inexistência de relação jurídicotributária entre o FISCO e a Impugnante. Por conseguinte, o Auto de Infração ora lavrado não merece prosperar, não podendo ser aventada qualquer multa ou juros a título de infração cometida pela ora Impugnante, posto que a mesma procedeu em plena conformidade com as medidas judiciais por ela obtidas. 3.3. Ademais, foi publicado o Decreto 1.601, de 23 de Agosto de 1995, o qual determinou que nas causas em que a representação da União competir à PGFN, em que haja manifestação jurisprudencial reiterada e uniforme e decisões definitivas do STF ou do STJ, em suas respectivas áreas de competência, fica o ProcuradorGeral da Fazenda Nacional autorizado a declarar, mediante parecer fundamentado, aprovado pelo Ministério de Estado da Fazenda, as matérias em relação às quais é de ser dispensada a apresentação de recursos. 3.3.1. Dentre as matérias já determinadas, temos: ANEXO (...) 2. Contribuição ao FINSOCIAL – majoração de alíquota acima de 0,5% (meio por cento), em relação às empresas comerciais e Fl. 902DF CARF MF 4 mistas (Lei nº 7.689, der 15 de dezembro de 1988, art. 9; Lei nº 7.787, de 30 de junho de 1989; Lei nº 7.894, de 24 de novembro de 1989; Lei nº 8.147, de 28 de dezembro de 1990)” 3.3.2. O quanto determinado do decreto em tela nada mais demonstra senão o nítido posicionamento que a matéria referente ao FINSOCIAL, alíquota excedente a 0,5%, já está mais do que consolidada. Portanto, entende a Impugnante, mais uma vez, ser descabida a autuação lavrada pelo FISCO. 3.4. Por fim, requer que esta impugnação seja julgada procedente, para que seja cancelado o procedimento fiscal em questão.” A DRJ/São Paulo I/SP9ª Turma, por meio do Acórdão 1618.758, de 26/09/2008, decidiu pela procedência parcial da Impugnação. Transcrevo a ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURI DADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/1993 a 30/11/1993, 01/01/1994 a 31/01/1994 COFINS DÉBITOS NÃO DECLARADOS NA DCTF OBRIGATORIEDADE DO LANÇAMENTO. Nos casos em que for efetuada a compensação de pagamento indevido ou a maior com o valor do tributo e/ou contribuição a ser declarado (art. 66 da Lei n° 8.383/91), deverá ser informado na DCTF o valor total apurado, não devendo ser considerados eventuais ajustes decorrentes da compensação. MULTA DE OFÍCIO DE 100%. Deve ser reduzida para 75% por haver lei posterior impondo penalidade menos severa.” A decisão recorrida exonerou do lançamento a parcela efetivamente compensada com Finsocial, conforme cálculo da Delegacia da Receita Federal, fl.629, e, sobre parte mantida, reduziu a multa de ofício, de 100% para 75%, por retroatividade benigna, art. 116 do CTN. A empresa apresentou Recurso Voluntário, reiterando a Impugnação, e acrescentou que os cálculos da compensação considerados pela decisão recorrida estariam errados, e que não haveria demonstração desse cálculo, no processo, que resultasse em saldo insuficiente de Finsocial para compensação. Os autos vieram a julgamento no Carf em 28/04/2016, que foi convertido em diligência, para que o Fisco esclarecesse o cálculo efetivado e outros elementos pertinentes. O Fisco apenas reiterou o parecer e os demonstrativos já feitos antes da decisão recorrida, conforme fls. 617, 633637. A recorrente manifestase, aduzindo que a diferença de cálculo se deve à utilização, pelo Fisco, da Norma Cosit/Cosar 08/97, e que ela, empresa, aplicou o IPC de Fl. 903DF CARF MF Processo nº 10880.024523/9507 Acórdão n.º 3201003.753 S3C2T1 Fl. 4 5 março de 1990 a dezembro de 1990, INPC janeiro a dezembro de 1991, e Ufir a partir de janeiro de 1992, que entende em conformidade com a jurisprudência. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator. O recurso é tempestivo, e não havendo outros óbices, deve ser conhecido. Atualização Monetária O cálculo do Fisco, resultado à fl. 629, enseja uma compensação insuficiente no montante de 98.098,81 Ufir´s, valor mantido pela decisão recorrida, enquanto a recorrente sustenta uma insuficiência de apenas 9.979,39 Ufir´s, conforme cálculos que apresenta na manifestação à diligência fiscal, fl. 873. A recorrente aduz que a diferença é devida a diferentes índices aplicados, sustentando a necessidade de aplicação do IPC de março de 1990 a dezembro de 1990, INPC de janeiro a dezembro de 1991 e UFIR a partir de janeiro de 1992. Observo que não há discussão judicial própria para dirimir tais índices, no presente caso. Assim, invoco as razões do Acórdão 9900000.860 (14/11/2016), do Pleno do Carf, decidido por unanimidade, para aplicação dos expurgos inflacionários e índices pacificados na jurisprudência, consubstanciados na Resolução 561 do Conselho da Justiça Federal, e que “inclui os seguintes expurgos inflacionários: 42,72% (01/89), 10,14¨% (02/89), 84,32% (03/90), 44,80% (04/90), 7,87% (05/90), 21,87% (02/91) e o INPC de 03/91 a 12/91”. Demais índices são conforme previsto na legislação pertinente, refletidos na Nota Cosit/Cosar 8/97. Necessidade de Lançamento A decisão recorrida já exonerou do lançamento a parte coberta pela compensação, conforme cálculos às fls. 629. Sobre a parcela de Cofins não coberta pela compensação, e não confessada em DCTF, correto o lançamento de ofício, para constituição do crédito tributário não confessado, nos termos do art. 142 do CTN. Confirase a a Súmula Carf nº 52: “Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício.” Para a parte não compensada, não havia suspensão de exigibilidade, porque todo o indébito de Finsocial já fora alocado na parte exonerada do lançamento. Assim, para Fl. 904DF CARF MF 6 essa parte não compensada, cabe a multa de ofício, a contrario sensu do que define a Súmula Carf 17: Súmula CARF n° 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Os juros também são devidos, Súmula Carf nº 5: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. As Súmulas Carf são vinculantes para as respectivas turmas, conforme artigo 72 do Anexo II do Regimento Interno do Carf – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Conclusão Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a aplicação dos índices consubstanciados na tabela única da Resolução 561 do Conselho da Justiça Federal. Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 905DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.912258/2008-68
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO.
A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72.
Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1001-000.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, vencido também o conselheiro José Roberto Adelino da Silva, que votou pela diligência. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues, que lhe davam provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, vencido também o conselheiro José Roberto Adelino da Silva, que votou pela diligência. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues, que lhe davam provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 22 58 /2 00 8- 68 Fl. 239DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Declaração de Compensação 08025.56370.101204.1.3.048532 (efl. 20/24) através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos de IRPJ lucro presumido (2° trimestre de 2003). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório (efl. 03), que analisou as informações e não reconheceu o direito creditório. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (efl. 02), em que alegou que: houve erro de preenchimento da DCTF original; o valor correto do débito consta da DIPJ; o erro foi corrigido na DCTF retificadora apresentada em 06/08/2008. A Delegacia de Julgamento (Acórdão 0229.624 3a Turma da DRJ/BHE, e fl. 36/40) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o contribuinte não trouxe aos autos as provas contábeis confirmando o direito ao crédito: Para que seja caracterizado o crédito, é necessário provar que o valor do débito é menor do que o valor recolhido por meio de DARF. No presente caso, o valor recolhido é ponto pacifico. A discussão está no valor do débito. A DCTF original faz prova em favor do fisco de que o valor do débito é igual ao valor recolhido. O contribuinte não logra fazer prova em contrário.. (...) Em se tratando da prestação de serviço de construção civil, até o ano de 2004, a apuração da base de cálculo do IRPJ era feita com a aplicação o percentual de 32%, quando houvesse emprego unicamente de mão de obra; o percentual era de 8%, quando houvesse emprego de materiais, em qualquer quantidade. Esse entendimento tem por base o disposto no Ato Declaratório Normativo (ADN) Cosit n° 6, de 13 de janeiro de 1997. Na própria DIPJ, há informação que contraria a aplicação do percentual de 8%. Na linha 02 ficha 56 B (fl. 42), o contribuinte informou que não havia estoques nem em 31/12/2002 nem em 31/12/2003; na linha 07 da mesma ficha, informou que não efetuou compras de mercadorias no anocalendário de 2003. Portanto, não poderia ter prestado serviço de construção civil com fornecimento de materiais. Prevalece, pois, o percentual de 32% e o valor de R$ 8.908,53 para o débito. Cientificada da decisão de primeira instância em 21/12/2010 (efl. 44) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 20/01/2011 (efl. 47), em que alega, em resumo, que não procede o indeferimento e que anexa todos os documentos necessários à comprovação de seu direito creditório: Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10680.912258/200868 Acórdão n.º 1001000.527 S1C0T1 Fl. 240 3 Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96), fazendose necessário verificar a exatidão das informações referentes ao crédito alegado e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. O pedido de restituição de crédito não foi acompanhado (quando da apresentação manifestação de inconformidade, efl. 02) dos atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Neste sentido, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado deve ser indeferido. No mesmo sentido, assim ficou consolidado no Parecer COSIT n. 2/2015: As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário.(Destaquei) Observo que no caso em apreciação nesta segunda instância o recorrente pretende trazer pela primeira vez documentos que comprovariam, segundo alega, seu crédito. Conforme disposto nos artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade, pois operase o fenômeno da preclusão. O texto legal está assim redigido: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Fl. 241DF CARF MF 4 IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Neste sentido, e em caso que se referia a pedido de restituição/compensação, assim decidiu a 3ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9303006.241: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10680.912258/200868 Acórdão n.º 1001000.527 S1C0T1 Fl. 241 5 Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em trazer na manifestação de inconformidade e/ou antes da decisão de primeiro grau todos os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos contábeis hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, é a preclusão, impossibilidade de o fazer em outro momento. Por fim, se somente considerássemos os documentos fiscais já disponíveis ao Fisco, antes do julgamento de piso, o pleito também deve ser indeferido, tendose em vista a ausência de estoque e a ausência de compras, que afastam a alegação de que o contribuinte não exerceria, como declarou, atividade com emprego unicamente de mão de obra. No mesmo sentido fundamentou a primeira instância: Em se tratando da prestação de serviço de construção civil, até o ano de 2004, a apuração da base de cálculo do IRPJ era feita com a aplicação o percentual de 32%, quando houvesse emprego unicamente de mão de obra; o percentual era de 8%, quando houvesse emprego de materiais, em qualquer quantidade. Esse entendimento tem por base o disposto no Ato Declaratório Normativo (ADN) Cosit n° 6, de 13 de janeiro de 1997. Na própria DIPJ, há informação que contraria a aplicação do percentual de 8%. Na linha 02 ficha 56 B (fl. 42), o contribuinte informou que não havia estoques nem em 31/12/2002 nem em 31/12/2003; na linha 07 da mesma ficha, informou que não efetuou compras de mercadorias no anocalendário de 2003. Portanto, não poderia ter prestado serviço de construção civil com fornecimento de materiais. Prevalece, pois, o percentual de 32% e o valor de R$ 8.908,53 para o débito. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Declaração de Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Fl. 243DF CARF MF 6 Na sessão de julgamento do processo em epígrafe, o D. Relator rejeitou em seu voto os documentos apresentados pela Contribuinte por ocasião de seu Recurso Voluntário sob o argumento de que o direito à produção probatória estaria precluído, em estrita aplicação do art. 16, §4º e §5º, do Decreto 70.235/72. Com a devida vênia, discordo do Voto do Relator. Razão pela qual, entendi por bem declarar meu voto, especificando as razões que me levaram a divergir do posicionamento do ilustre Relator. Pois bem, conforme cediço, em nosso sistema jurídico pátrio nenhuma norma paira sozinha no universo, mas, sim, se concilia com todas as demais perfazendo um ordenamento uno, coeso e harmônico. Quer isto dizer que nenhuma norma pode ser interpretada apenas de forma isolada, devendo o hermeneuta, em seu trabalho, extrair de todas as acepções possíveis de determinado texto legal aquelas que permitam aplicação harmoniosa com as demais disposições pertinentes à mesma matéria. Em outras palavras, dentre as várias interpretações possíveis de um dispositivo legal, devese buscar aquela que não entre em conflito com outra norma igualmente válida, sob pena de subversão da ordem jurídica. Fixada essas premissas, cabe voltar a análise as normas vigentes relacionadas à questão da produção probatória. O permissivo legal que fundamentou o Voto do Relator, art. 16 do Decreto 70.235/72, possui a seguinte redação: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10680.912258/200868 Acórdão n.º 1001000.527 S1C0T1 Fl. 242 7 § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (grifouse) Uma analise literal e isolada deste dispositivo permitiria concluir rigidamente que haveria a preclusão do direito à produção probatória após a apresentação da Impugnação, salvo nas hipóteses taxativas do §5º. Contudo, tal interpretação não deve ocorrer desta forma, vez que há outros elementos normativos atinentes a matéria que também devem ser considerados. A Constituição Federal, norma de maior hierarquia em nosso ordenamento, estabelece no inciso LV de ser art. 5º os princípios do contraditório e da ampla defesa, nos seguintes termos: LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Ao incluir o direito ao contraditório e a ampla defesa "com os meios e recursos a ela inerentes" no rol de direitos e garantias fundamentais, o legislador constituinte elevaos ao mais alto grau de importância dentro de nosso ordenamento, restando claro a preponderância que tais direitos devem ter. E, assim, devem ser observados e operacionalizados pelas demais normas infraconstitucionais. Não por acaso, tais princípios foram observados pela Lei 9.784/99, responsável por regular o Processo Administrativo Federal, que trouxe no bojo de seu art. 2º as seguintes disposições: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, Fl. 245DF CARF MF 8 proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, e à produção de provas à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (...)(grifouse) Conforme se extrai, o legislador infraconstitucional não só incorporou expressamente os princípios constitucionais da legalidade, ampla defesa, contraditório e ouros, como elencou uma série de critérios a serem observados na regulamentação e condução dos processos administrativos. Desses critérios expressos acima, temse de forma bastante clara que as formalidades e restrições devem ser limitados ao estrito necessário para garantir a efetividade do processo em atender a finalidade pública. Ora, as regras processuais formais visam dar ordem ao processo, permitindo que este cumpra com seus objetivos de forma eficiente, isto é, dentro da moralidade e proporcionando segurança jurídica no cumprimento do interesse público. Contudo, a norma processual não pode se sobrepor ao próprio objetivo do processo, qual seja, a promoção da legalidade. Por oportuno esclarecese que não se está a sugerir que as regras formais postas sejam mitigadas, mas sim que a interpretação do texto legal seja feita de forma a considerar a finalidade maior do processo, as regras formais não devem ser interpretadas de forma rigorosa a ponto de prejudicar o cumprimento de seu escopo. Ainda, cumpre trazer a colação os termos do art. 38 da mesma Lei 9.784/99, que trata especificamente da produção probatória nos Processos Administrativos Federais: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10680.912258/200868 Acórdão n.º 1001000.527 S1C0T1 Fl. 243 9 § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Notese que o texto legal diz expressamente que é permitido ao interessado apresentar ou requerer a produção de material probatório não só na fase instrutória, mas também antes da tomada da decisão. Outrossim estabelece taxativamente que a prova só poderá ser recusadas quando ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Pois bem, retornando a ideia inicialmente tratada neste Voto de que as normas jurídicas devem ser interpretadas da forma mais harmônica possível, me parece que a interpretação restritiva do art. 16 do Decreto 70.235/72, para recusar de plano toda e qualquer prova apresentada pelo contribuinte após o protocolo da Impugnação/Manifestação de Inconformidade não se coaduna com as demais normativas já expostas. Em verdade, a aplicação tão restrita assim da norma, não só implica na frontal negativa de vigência aos disposto da mais moderna Lei 9.784/99, como destoa até mesmo dos objetivos maiores do Processo Administrativo Federal que é a revisão do ato administrativo fiscal e a garantia de que este se encontra dentro da legalidade. Alias, fazse oportuno lembrar que o Processo Administrativo Fiscal também se rege pelo princípio da busca pela verdade material, ou seja, a preponderância no interesse público é a solução jurídica mais adequada ao caso, independente dos excessos de formalidade. Assim, ao meu ver, a melhor interpretação extraída da conjugação dos disposto quanto ao tema na Constituição Federal, Lei. 9.784/99 e Decreto 70.235/702 é aquela que não impõe óbice na apresentação de provas junto ao Recurso Voluntário, ou até mesmo em momento posterior prévio ao julgamento, desde que as provas não sejam ilícitas ou manejadas de má fé. De forma semelhante tem decidido a 1ª Câmara Superior de Recursos Fiscais, em recentes julgados, conforme se colaciona: PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. (Processo: 10880.004637/9929. Rel. ANDRE MENDES DE MOURA. Data da Sessão: 14/09/2017) Fl. 247DF CARF MF 10 PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. (Processo: 16327.001227/200542. Rel. ADRIANA GOMES REGO. Data da Sessão: 08/08/2017) RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999. (Processo: 14098.000308/200974. Rel. GERSON MACEDO GUERRA. Data da Sessão: 19/06/2017 ) Para melhor ilustrar, peço vênia para transcrever a parte final da fundamentação do Voto deste último julgado colacionado, de autoria da ilustre Conselheira Cristiane Silva Costa, designada Redatora para o Voto Vencedor: "Os processos administrativos, portanto, devem atender a formalidade moderada, com a adequação entre meios e fins, assegurandose aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardandose o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam à exigência legal. (...) Ao tratar do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/1972, são as pertinentes considerações de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López: Ao se levar às últimas consequências, as regras atualmente vigentes para o Decreto nº 70.235/72, estarseia mitigando a aplicação de um dos princípios mais caros ao processo administrativo que é o da verdade material. (...) Assim, revela destacar que a depender da situação é possível flexibilizar a norma, desde que evidentemente, a prova apresentada seja Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10680.912258/200868 Acórdão n.º 1001000.527 S1C0T1 Fl. 244 11 inconteste e nesse sentido independa da análise de uma instância inferior, eis que a preclusão ligase ao princípio do impulso processual. (...) Na prática, quer nos parecer que, o direito à parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da justiça. (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª edição, Dialética, 2010, fls. 305 e 306.) Diante de tais razões, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, determinando a baixa dos autos para que a Turma a quo aprecie os documentos apresentados pelo contribuinte." Destarte, diante de todos os argumentos expedindos, entendo que as provas apresentadas em momento posterior ao da Impugnação/Manifestação de Inconformidade, podem, e devem, ser conhecidas, desde que não acarretem qualquer prejuízo processual as partes ou ao bom trâmite processual. Ressalvase que o Julgador ao analisar o recebimento de provas que eventualmente entenda serem ilícitas, meramente protelatórias, ou que sejam manejadas com o intuito de lesar a parte adversa tem o poder e o dever de recusálas. Ou, ainda que não vislumbre qualquer má fé, mas tema por eventual supressão de instância ou direito ao contraditório, sempre pode recorrer a prerrogativa de baixar os autos em diligência para que seja oportunizada as providências necessárias para o resguardo do direito. Nesta linha, considerando que no caso em tela as provas oferecidas pela Recorrente por ocasião do Recurso Voluntário não foram sequer analisadas pelo digno Relator, tampouco pela DRJ de origem, entendo por bem que seja os autos baixados em diligência para que a d. Autoridade Fiscal se pronuncie a respeito. Desta feita, diante de tudo o que foi exposto, peço vênia ao Ilustre Conselheiro Relator para discordar de suas e encaminhar o meu VOTO no sentido de converter o presente julgamento em DILIGÊNCIA para que a unidade de origem proceda ao exame dos argumentos e da documentação apresentada junto com o Recurso Voluntário, confrontandoa com os demais já constante dos autos e, ainda, com outros dados disponíveis. Para efetividade desse exame, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos, sem prejuízo de outras providências, a juízo da autoridade diligenciante, assim como consultas a dados e sistemas disponíveis à fiscalização. Ao final, deverá ser elaborado relatório circunstanciado explicitando suas conclusões a respeito da matéria em litígio, do qual se dará ciência à contribuinte para que no prazo de trinta dias, querendo, se manifeste. Decorrido o prazo, com ou sem manifestação da contribuinte, os autos devem retornar ao CARF para julgamento. Fl. 249DF CARF MF 12 (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues. Fl. 250DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.722556/2014-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2010 a 28/02/2013
IPI NÃO DECLARADO E NÃO PAGO. MULTA DE OFÍCIO DE 112,5%. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE.
Aplica-se a multa de ofício agravada de 112,5%, nos casos de IPI lançado em nota fiscal e escriturado nos livros, porém não declarado na DCTF e não pago.Não deve ser apreciado por este colegiado questionamento acerca da constitucionalidade de lei tributária.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEFINITIVIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. PRECLUSÃO CONSUMATIVA.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela contribuinte, restando definitiva na esfera administrativa.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
IPI. SUJEIÇÃO SOLIDÁRIA PASSIVA. SÓCIOS DIRETORES INFRAÇÃO DE LEI. ART. 28 DO RIPI/2010.
São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo, no período de sua administração, gestão ou representação, os acionistas controladores, e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos tributários decorrentes do não recolhimento do imposto no prazo legal, inteligência que deflui do art. 28 do RIPI (Decretos 4.544/2002 e 7.212/2010).
Numero da decisão: 3401-004.438
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan- Presidente
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara De Araújo Branco - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), André Henrique Lemos, Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) , Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição à Conselheira Mara Cristina Sifuentes).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 28/02/2013 IPI NÃO DECLARADO E NÃO PAGO. MULTA DE OFÍCIO DE 112,5%. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. Aplicase a multa de ofício agravada de 112,5%, nos casos de IPI lançado em nota fiscal e escriturado nos livros, porém não declarado na DCTF e não pago.Não deve ser apreciado por este colegiado questionamento acerca da constitucionalidade de lei tributária. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEFINITIVIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela contribuinte, restando definitiva na esfera administrativa. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IPI. SUJEIÇÃO SOLIDÁRIA PASSIVA. SÓCIOS DIRETORES INFRAÇÃO DE LEI. ART. 28 DO RIPI/2010. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo, no período de sua administração, gestão ou representação, os acionistas controladores, e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos tributários decorrentes do não recolhimento do imposto no prazo legal, inteligência que deflui do art. 28 do RIPI (Decretos 4.544/2002 e 7.212/2010). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 25 56 /2 01 4- 48 Fl. 821DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara De Araújo Branco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice presidente), André Henrique Lemos, Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) , Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição à Conselheira Mara Cristina Sifuentes). Relatório 1. Tratase de auto de infração, situado às fls. 8 a 13, lavrado com a formalizar a exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados, referente ao período de apuração compreendido entre 01/01/2010 a 28/02/2013, acrescido de juros de mora e multa de ofício no percentual de 112,5%, totalizando o montante histórico de R$ 13.782.646,59. 2. Conforme de depreende da leitura do relatório fiscal, situado às fls. 3 a 6, a contribuinte autuada, estabelecimento industrial, não declarou em DCTF e nem recolheu integralmente o IPI apurado no Livro Registro de Apuração de IPI, nos prazos estabelecidos pela legislação, tendo sido lavrado, ainda, termo de sujeição passiva, situado às fls. 29 a 30, que atribuiu responsabilidade solidária aos sócios dirigentes da pessoa jurídica nos termos do art. 28 do Decreto nº 7.212, de 15/06/2010 (RIPI/2010), tendo sido formalizada, ainda, representação fiscal para fins penais com base no inciso I do art. 1º e no inciso II do art. 2º da Lei nº 8.137/90, de 27/12/1.990, bem como termo de arrolamento de bens representado pelo Processo nº 10865.722.707/201468. 3. A contribuinte apresentou impugnação, situada às fls. 603 a 619, na qual argumentou, em síntese, que: (i) seria inaplicável o agravamento da multa de ofício, majorada de 50%, em razão da inexistência de circunstâncias agravantes; (ii) a impossibilidade de aplicação de multa de ofício nos tributos lançados sob o "regime de homologação" (sic), situação em que todas as informações, dados e valores fiscais são prestados e fornecidos ao Fisco; (iii) é inconstitucional a multa superior ao valor do tributo, pois o percentual aplicado a reveste de natureza confiscatória, o que é vedado pela Constituição Federal, havendo a necessidade de respeito ao primado da vedação ao confisco não apenas para os tributos, mas também para as multas fiscais; (iv) ante a ausência de comprovação, por parte da autoridade fiscal, do dolo e da prática de atos fraudulentos por parte dos sócios da autuada, apenas CLAUDEMIR APARECIDO DEMO deve ser responsabilizado, uma vez que, durante todo o período autuado, atuou isoladamente na administração e gestão da empresa, com amplos e totais poderes de representação perante Fisco e perante seus parceiros comerciais, em conformidade com documentação que anexa à sua defesa (instrumentos de mandato, comprovantes de Fl. 822DF CARF MF Processo nº 10865.722556/201448 Acórdão n.º 3401004.438 S3C4T1 Fl. 822 3 recolhimento de tributos, termo de responsabilidade técnica, contrato de locação, emails, atos internos de gestão, entre outros), que comprovariam que o sócio em referência realizava toda a movimentação contábil, fiscal e comercial da contribuinte no período fiscalizado, sem que houvesse a necessidade de anuência de qualquer outro sócio, tratandose, portanto, de administrador e gestor isolado da pessoa jurídica. Recortase, da decisão recorrida, por fidedigno, o seguinte trecho: "Apenas para fins de esclarecimento, cumpre destacar que o Sr. Claudemir Aparecido Demo era funcionário de extrema confiança da Impugnante, de modo que, em razão disso e de sua formação contábil, lhe foram confiadas as rédeas da empresa, passando os sócios administradores, Srs. Leonel Groppo e Aristides Groppo, a não mais efetuar qualquer ato administrativo de gestão. Isso se deu até o desligamento do Sr. Claudemir Aparecido Demo do quadro de funcionários da Impugnante, ocasião em que, com a contratação de serviços de contabilidade externo, apurouse o extravio de toda a documentação fiscal do período, conforme comprova a declaração anexa (doc. 11). Tais fatos comprovam a máfé do gestor da Impugnante no período fiscalizado, pois, ao se desligar da Impugnada, foi diligente em não deixar rastros de suas atividades fraudulentas no comando da empresa. Também comprova o alegado as declarações do Sr. Claudemir de que o recolhimento dos tributos devidos pela Impugnante, sob sua responsabilidade, estavam sendo efetuados regularmente. (...)Tais práticas dolosas e fraudulentas ocorreram sem o conhecimento dos sócios da Impugnante, haja visto a extrema confiança depositada no Sr. Claudemir que, como já demonstrado, possuía total autonomia de gestão da Impugnante.” 4. Assim, em 28/09/2015, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) prolatou o Acórdão DRJ nº 1055.721, de relatoria do AuditorFiscal Evandro Francisco Silva Araújo, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação para indeferir o pedido de perícia, declarar definitiva na esfera administrativa a matéria não contestada e julgar improcedente a impugnação, cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 28/02/2013 MULTA DE OFÍCIO MAJORADA. DOLO NA PRÁTICA DA INFRAÇÃO. CABIMENTO. A falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser recolhido, percentual aumentado de metade, ocorrendo apenas uma Fl. 823DF CARF MF 4 circunstância agravante. É considerada agravante qualquer circunstância que demonstre a existência de artifício doloso na prática da infração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 28/02/2013 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEFINITIVIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, restando definitiva na esfera administrativa. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 28/02/2013 SUJEIÇÃO SOLIDÁRIA PASSIVA. SÓCIOS DIRETORES INFRAÇÃO DE LEI. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo, no período de sua administração, gestão ou representação, os acionistas controladores, e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos tributários decorrentes do não recolhimento do imposto no prazo legal. 5. A contribuinte, intimada da decisão em 30/11//2015, interpôs, em 28/12/2015, recurso voluntário, situado às fls. 751 a 779, no qual reiterou as razões de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Fl. 824DF CARF MF Processo nº 10865.722556/201448 Acórdão n.º 3401004.438 S3C4T1 Fl. 823 5 6. O motivo da autuação se deve ao fato da contribuinte não ter recolhido saldos devedores de IPI apurados pela autoridade fiscal em sua escrita fiscal, não tendo declarado, ademais, tais saldos nas DCTF. 7. A respeito desta acusação, que funda o lançamento de ofício, registrase, por correto, o seguinte trecho da decisão a quo: "Cumpre registrar que a impugnante sobre isso nada arguiu, solicitando, de forma genérica, a nulidade e cancelamento do Auto de Infração. Tal solicitação não o socorre, pois de acordo com o art. 16, inc. III, do Decreto 70.235/1972, com a redação dada pela Lei 8.748/1993, a impugnação deverá mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. E de acordo com o art. 17 do mesmo Decreto 70.235/1972, com a redação dada pela Lei 9.532/1997, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Desta forma a matéria resta definitiva na esfera administrativa" (seleção e grifos nossos). 8. De fato, a defesa da contribuinte silencia quanto à acusação de não recolhimento do tributo, operando, assim, os efeitos da preclusão consumativa na jurisdição administrativa. 9. Quanto à multa de ofício majorada com fundamento no caput e inciso I do § 6º do artigo 80 da Lei nº 4.502, de 1964, com redação dada pelo artigo 13 da Lei nº 11.488, de 2007, Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. ..................... § 6º O percentual de multa a que se refere o caput deste artigo, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será: I – aumentado de metade, ocorrendo apenas uma circunstância agravante, exceto a reincidência específica; Por outro lado, as circunstâncias agravantes estão previstas no artigo 68 da antes referida Lei, a saber: Art. 68. A autoridade fixará a pena de multa partindo da pena básica estabelecida para a infração, como se atenuantes houvesse, só a majorando em razão das circunstâncias agravantes ou qualificativas provadas no processo. Fl. 825DF CARF MF 6 § 1º São circunstâncias agravantes: I – a reincidência; II – o fato de o imposto, não lançado ou lançado a menos, referirse a produto cuja tributação e classificação fiscal já tenham sido objeto de decisão passada em julgado, proferida em consulta formulada pelo infrator; III – a inobservância de instruções dos agentes fiscalizadores _ obre a obrigação violada, anotada nos livros e documentos fiscais do sujeito passivo; IV – qualquer circunstância que demonstre a existência de artifício doloso na prática da infração, ou que importe em agravar as suas conseqüências ou em retardar o seu conhecimento pela autoridade fazendária. 10. Entendeu a autoridade fiscal que, ao não informar nas DCTF valores incompatíveis com aqueles devidos, a contribuinte teria agido por meio de um "artifício doloso", nos termos do inciso IV do art. 68 da Lei nº 4.502/1964, como abaixo se transcreve: "Não resta dúvida que a autuada, ao informar nas DCTF nenhum valor de imposto a recolher ou valor inferior ao escriturado em seus livros fiscais utilizouse de artifício doloso na prática da infração, pois agiu intencionalmente de forma a reduzir o montante do tributo a pagar, o que justifica a majoração da multa de ofício. Cabe também esclarecer que, como previsto na legislação antes reproduzida, a falta de recolhimento do imposto lançado sujeita o infrator à penalidade objeto do lançamento de ofício, consubstanciado no auto de infração, sendo descabida a alegação de não ser aplicável aos impostos afetos ao regime de lançamento por homologação" (seleção e grifos nossos). 11. Ainda que mero não pagamento de tributos não configure o fato típico previsto pelo dispositivo, não se tratando de condição suficiente para o agravamento da multa, a falta da informação na DCTF impede a administração fazendária de tomar conhecimento quanto à ocorrência dos fatos geradores dos tributos devidos em função das receitas auferidas em sua atividade. 12. Assim, improcedente o recurso voluntário interposto neste particular. 13. Quanto à sujeição passiva solidária, escoramonos no art. 28 do RIPI (Decretos 4.544/2002 e 7.212/2010) para manter o laço solidarístico costurado pelo termo de sujeição passiva que acompanha o auto de infração: “Art. 28. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo, no período de sua administração, gestão ou representação, os acionistas controladores, e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos Fl. 826DF CARF MF Processo nº 10865.722556/201448 Acórdão n.º 3401004.438 S3C4T1 Fl. 824 7 créditos tributários decorrentes do não recolhimento do imposto no prazo legal (Decretolei nº 1.736, de 20 de dezembro de 1979, art. 8º)”. 14. Repelese de pronto, ainda, a tentativa de redirecionar a responsabilidade dos sóciosadministradores ao contador da empresa, em conformidade com a argumentação vazada pela decisão recorrida: "De encontro à alegação de que a responsabilidade pela falta de recolhimento do imposto seria do contabilista da empresa, cujos instrumentos de mandato não delegam a gestão da autuada, impõese o prescrito no art. 123 do CTN, reproduzido no art. 23 do mesmo regulamento: Art. 23. As convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento do imposto, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição do sujeito passivo das obrigações correspondentes (Lei nº 5.172, de 1966, art. 123). Diante disso, está correta a imputação de soliedariedade passiva aos diretores da impugnante pelo crédito tributário exigido neste processo" (seleção e grifos nossos). 15. Assim, improcedente o recurso voluntário interposto neste particular. 16. Quanto às alegações de inconstitucionalidade de leis, tratase de matéria que não pode ser apreciada no âmbito do processo administrativo fiscal, conforme dispõe o Decreto nº 70.235/1972: Art. 26. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) 17. Tal entendimento, ademais, encontrase consolidado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme súmula aprovada pela Portaria nº 52, de 21 de dezembro de 2010: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 18. Assim, improcedente o recurso voluntário interposto neste particular. Fl. 827DF CARF MF 8 19. Tampouco o pedido de perícia deduzido pela ora recorrente deve prosperar, por desconformidade do pedido realizado com a disposição do inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972: Decreto nº 70.235/1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...). IV. as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. 20. Observase que caso bastante semelhante ao presente foi apreciado no Acórdão CARF nº 3301003.880, proferido em 28/06/2017, de relatoria do Conselheiro Marcelo Costa Marques D'Oliveira, que decidiu, por unanimidade de votos, negar o recurso voluntário, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 GLOSA DE CRÉDITOS DE IPI. ERROS DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. É lícita a cobrança da multa de ofício de 75%, em razão de falta de recolhimento do IPI, derivada do registro indevido de créditos e de erros de classificação fiscal.Não deve ser apreciado por este colegiado questionamento acerca da constitucionalidade de lei tributária. IPI NÃO DECLARADO E NÃO PAGO. MULTA DE OFÍCIO DE 112,5%. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. Aplicase a multa de ofício agravada de 112,5%, nos casos de IPI lançado em nota fiscal e escriturado nos livros, porém não declarado na DCTF e não pago.Não deve ser apreciado por este colegiado questionamento acerca da constitucionalidade de lei tributária. ATRIBUIÇÃO A SÓCIOS DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Nos termos do art. 28 do RIPI/2010, os sócios são responsáveis solidários pelo IPI não pago. Recurso Voluntário Negado 21. Assim, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário interposto. Fl. 828DF CARF MF Processo nº 10865.722556/201448 Acórdão n.º 3401004.438 S3C4T1 Fl. 825 9 (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara De Araújo Branco Relator Fl. 829DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.916579/2011-52
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/04/2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PIS Recorrente BPR NATAÇÃO E WELLNESS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/04/2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comproválo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 65 79 /2 01 1- 52 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10980.916579/201152 Acórdão n.º 3002000.136 S3C0T2 Fl. 77 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP 01816.95348.141107.1.3.043003 (fl. 06/09), transmitido em 14/11/2007, cujo crédito teria origem em recolhimento do PIS efetuado a maior. A compensação declarada não foi homologada, conforme Despacho Decisório (fl. 02), pelos seguintes motivos: " A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Após ser intimada da decisão em 19/07/2011, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade em 15/08/2011 (fl. 10/16), na qual informou que não apurou débito de PIS no 1º trimestre de 2004, conforme a Dacon, portanto, não deveria ter pago o DARF no valor de R$ 2.283,21. Informa, também, que se utilizou desse crédito para compensar outros débitos através de três PER/DCOMP´s. A recorrente prossegue discorrendo sobre a legislação e a jurisprudência, que embasariam seu direito à compensação. Por fim, pede a reforma da decisão e a homologação da compensação realizada. Para comprovar o seu suposto crédito, a recorrente juntou cópia da Dacon, referente ao 1º trimestre de 2004, transmitida em 18/09/2007. Em seqüência, analisando as argumentações da contribuinte e os documentos juntados, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/04/2004 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de Compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10980.916579/201152 Acórdão n.º 3002000.136 S3C0T2 Fl. 78 3 Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 65/72), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos já apresentados e acrescentando que ocorreu a homologação tácita dos créditos declarados na Dacon. Não juntou mais nenhum documento. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Entendo que a questão fundamental a ser decidida no presente julgamento se refere ao direito probatório em processos administrativos fiscais. O art. 173 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao autor, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis ......................................................................................................... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10980.916579/201152 Acórdão n.º 3002000.136 S3C0T2 Fl. 79 4 ......................................................................................................... § 1° omissis ......................................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ......................................................................................................... Como se percebe dos dispositivos transcritos, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Por certo, não se pode olvidar do Princípio da Verdade Material, que norteia o processo administrativo, devendo o julgador buscar o esclarecimento dos fatos, adotando as providências necessárias no sentido de firmar sua convicção quanto a verdade real. Contudo, a atuação do julgador somente pode ocorrer de forma subsidiária à atividade probatória, que deve ser desempenhada pelas partes. Assim, não pode o julgador usurpar a competência da autoridade fiscal e intentar produzir provas, que validem um lançamento fiscal fracamente instruído, assim como, lhe é vedado desincumbir, pela sua atuação ativa no processo, o sujeito passivo de trazer aos autos o conjunto probatório mínimo necessário para comprovar o seu direito creditório. Dessa forma, a busca pela verdade material não pode ser entendida como ilimitada. Em realidade, nenhum Princípio é soberano e outros também regem o processo administrativo, tais como: os Princípios da Celeridade, Imparcialidade, Eficiência, Moralidade, Legalidade, Segurança Jurídica, dentre outros. Por conseguinte, será lastreado nas circunstâncias fáticas do caso concreto, que o julgador deverá ponderar e sopesar a influência de cada um dos diversos Princípios, visando a maior justeza em seu julgamento. Ainda sobre o mesmo tema, devese tecer alguns comentários sobre o valor probatório do material eventualmente apresentado. Não basta a juntada de documentos, estes devem possuir valor probatório, mínimo que seja, considerandose as vicissitude do caso concreto posto em análise. Assim, determinado documento pode guardar conteúdo probatório das alegações em um processo e, em outro, não se configurar prova. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10980.916579/201152 Acórdão n.º 3002000.136 S3C0T2 Fl. 80 5 Por certo, em regra, as declarações fiscais transmitidas pelo contribuinte, assim como, seus registros contábeis, fazem prova em seu favor. Contudo, esses elementos, para possuírem algum valor probatório, devem ter sido elaborados segundo os ditames legais e em época apropriada. Vejamos, por exemplo, a DCTF retificadora. Como vem se manifestando, reiteradamente, este Conselho, a apresentação da DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de compensação, em casos de pagamento indevido ou a maior, ou mesmo antes da ciência do Despacho Decisório, não é condição para a homologação da compensação pleiteada, pois o direito creditório não surge com a declaração, mas com o efetivo pagamento indevido ou a maior. Entretanto, a mera apresentação da DCTF retificadora não tem o condão de, por si só, comproválo. Nessa linha, outras declarações prestadas à RFB, tais como DIPJ e Dacon, poderiam fazer prova da veracidade dos dados registrados na DCTF retificadora, desde que transmitidas antes do Despacho Decisório e possuíssem informações compatíveis com o conteúdo da retificadora. Então, nesse caso, a juntada de outras declarações ao processo se constituiria num conjunto com força probatória, ainda que relativa e, por isso mesmo, não afastaria a necessidade de apresentação de outros elementos, visando a comprovação das alegações. De forma diversa, deveriam ser consideradas essas mesmas declarações se fossem transmitidas extemporaneamente, pois não passariam de documentos sem nenhum valor probatório. Assim, registros contábeis, que não estejam revestidos das formalidades legais ou que não se possa confirmar tais requisitos, não se constituem prova. No presente caso em análise, a ora recorrente restringiuse apenas a fazer alegações sobre seu suposto crédito e a juntar cópia da Dacon, referente ao 1º trimestre de 2004, transmitida em 18/09/2007. Se, por um lado, é certo que a Dacon faz prova em favor do contribuinte, por outro, seu valor probatório é tênue e, por isso mesmo, não afasta a necessidade de apresentação de outros documentos, que também comprovem o crédito de forma mais robusta. Quanto à alegação da recorrente de que haveria ocorrido a homologação tácita dos créditos declarados na Dacon, tal fato não procede. A Dacon tem cunho meramente informativo, portanto, não constitui documento hábil para a confissão de dívida, nem para a constituição de crédito e, ademais, não está sujeita à homologação. A necessidade de comprovação dos créditos a compensar por parte do contribuinte é imperiosa, como já mencionado, e não encontra respaldo legal a afirmação da recorrente de que a Administração Pública não pode deixar de aceitar um suposto crédito, mesmo que este não tenha liquidez e certeza. Reproduzse trecho do recuso da recorrente: "Não pode a recorrida (Administração Pública), por falta de certeza do crédito da recorrente ignorar tal crédito e não deixar que a recorrente o utilize." Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10980.916579/201152 Acórdão n.º 3002000.136 S3C0T2 Fl. 81 6 Do excerto acima, percebese que a própria recorrente tinha conhecimento de que o crédito, que intentava utilizar, não gozava de liquidez e certeza. Dessa forma, entendo que a decisão da instância a quo foi correta, pois o sujeito passivo não se desincumbiu do seu ônus de comprovar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Nesse ponto, creio ser oportuno discorrer sobre o momento para a apresentação de provas. Como é cediço, a autoridade fiscal tem como limite temporal para a juntada de provas, usualmente, a lavratura do Auto de Infração. Em contrapartida, o sujeito passivo está limitado, em regra, ao momento de instauração da fase litigiosa do processo, isto é, quando da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, conforme o § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72. Entretanto, o próprio dispositivo citado enumera três circunstâncias , as quais permitiriam ao contribuinte carrear provas aos autos em outro momento processual: a) fique demonstrado a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente e c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Considerandose os Princípios da Igualdade, Moralidade, Imparcialidade e o da Verdade Material, entendo, data venia, que as exceções dispostas só podem ser validamente consideradas se estendidas a ambas as partes. A jurisprudência desse Conselho mostra que, em várias ocasiões, temse admitido a juntada de provas em fase posterior àquela definida na legislação e em circunstâncias diversas daquelas exceções legais, que afastam a preclusão. Tudo em nome do Princípio da Verdade Material. Creio que isso é possível, legal, justo e desejável. Entretanto, somente em condições bastante específicas. Entendo que somente devese admitir tais provas, quando no momento oportuno, o sujeito passivo já tenha carreado aos autos provas mínimas do que alega. Importante frisar que não basta ter apresentado documentos, que não guardam nenhum valor probatório no caso concreto analisado, há que ter sido juntado na Impugnação/Manifestação de Inconformidade um conjunto probatório mínimo. Assim, as provas excepcionalmente juntadas de forma extemporâneas são aceitáveis, quando apenas reforçam o valor probatório do material já anteriormente apresentado. Agir de forma diversa, aceitando qualquer tipo de prova, em qualquer circunstância, sem que tenha sido apresentado um conjunto probatório no momento fatal definido em lei, a fim de privilegiar a verdade material, significaria, data venia, se emprestar uma força absoluta e soberana a um Princípio em detrimento aniquilar dos outros. Ademais, estariase diante de uma verdadeira derrogação do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235, realizada pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, o seu disposto não seria aplicado em hipótese alguma, excluindoo do ordenamento jurídico, fato que somente poderia ser realizado por lei. Então, considerandose todo o raciocínio lógicojurídico sobre o direito probatório, desenvolvido ao longo do presente voto, e nas circunstâncias do caso concreto, isto é, já ter sido apresentada uma prova mínima, entendo que seria admissível a apresentação de novas provas juntamente com o Recurso Voluntário. Contudo, repisese que a recorrente não apresentou mais nenhuma prova. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10980.916579/201152 Acórdão n.º 3002000.136 S3C0T2 Fl. 82 7 Essa atitude da recorrente tornase incompreensível, tendo em vista que, no Acórdão recorrido, restou claro quais outros documentos deveriam ter sido apresentados: "Portanto, a interessada não fez juntar aos autos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar a origem e forma de aproveitamento do suposto crédito, e evidenciar recolhimento indevido ou a maior resultante do confronto entre pagamentos alocados e/ou compensações realizadas naquele PA, e o débito apurado, resultante da aplicação da alíquota da contribuição sobre a base de cálculo efetivamente apurada na contabilidade." (grifo nosso) Dessarte, forçoso é admitir que a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu suposto direito creditório, seja por seus erros anteriores ao Despacho Decisório, seja pela ausência da apresentação de provas robustas da sua liquidez e certeza, tanto na instância a quo, como nesta Corte. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917746/2011-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.543
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PIS/COFINS. Recorrente Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S/A Recorrida Fazenda Nacional Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. A DRF, no despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada, conforme o caso. Cientificada do despacho, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade, aduzindo que o crédito apurado é legítimo em virtude do reconhecimento de inconstitucionalidade do § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98. Logo, a base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim entendido como a totalidade das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, excluindo "outras receitas". RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 17 74 6/ 20 11 -0 4 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10830.917746/201104 Resolução nº 3301000.543 S3C3T1 Fl. 3 2 A 2ª Turma da DRJ/BHE indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 02054.427. A negativa do reconhecimento do crédito pela DRJ se deu em virtude da ausência de prova do pagamento indevido; da ausência de DCTF retificadora e outros documentos que comprovassem as alegações da Recorrente. Em seu recurso voluntário, a empresa: · Defende que o recolhimento indevido decorre da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, já declarada pelo STF; · Sustenta que a base de cálculo do PIS e da COFINS deveria ter sido composta por valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas de vendas de mercadorias e prestação de serviços e não por suas receitas extraordinárias; · Reiterou que é devido o crédito pleiteado no PER/DCOMP, por se tratar de PIS/COFINS calculado sobre receita que não integra o seu faturamento; · Anexou planilha demonstrativa do pagamento indevido de PIS/COFINS sobre “outras receitas” (inclusive as receitas financeiras), DCTF, DIPJ e cópia de parte do livro razão analítico. · Ao fazer a juntada do seu livro razão, entende ser suficiente para conferência e comprovação do recolhimento indevido sobre “outras receitas”. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.538, de 19 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.904018/201124, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.538): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Resta pacificado no STF o entendimento sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10830.917746/201104 Resolução nº 3301000.543 S3C3T1 Fl. 4 3 Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico das operações empresariais típicas, que constitui a base de cálculo do PIS. O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Em decorrência, apenas o faturamento decorrente da prestação de serviços e da venda de mercadorias (não se podendo incluir outras receitas, tais como aquelas de natureza financeira) pode ser tributado pelo PIS. O art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015, dispõe que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos detratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; Logo, o entendimento do STF deve ser aplicado no presente caso, para afastar a tributação do PIS e da COFINS exigida com base no disposto no art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Com isso, é obrigatória a observância da decisão proferida no RE nº 585.235/MG, nos termos do RICARF. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10830.917746/201104 Resolução nº 3301000.543 S3C3T1 Fl. 5 4 Todavia, a Recorrente juntou documentos apenas em seu Recurso Voluntário DCTF, DIPJ e livro razão , justificando: Diante da plausibilidade da alegação da Recorrente, entendo necessária a conversão em diligência deste processo para a confirmação da tributação indevida pelo PIS sobre outras receitas (inclusive as financeiras). Por conseguinte, voto pela conversão do julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente: DCTF, DIPJ, livro razão, planilha e guia de pagamento; b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas nãooperacionais e receitas financeiras (chamadas pela empresa de “receitas extraordinárias”), na base de cálculo do PIS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; c) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; d) Intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos que entender necessários; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Por fim, retorne o processo ao CARF para julgamento. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente: DCTF, DIPJ, livro razão, planilha e guia de pagamento; Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10830.917746/201104 Resolução nº 3301000.543 S3C3T1 Fl. 6 5 b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas nãooperacionais e receitas financeiras (chamadas pela empresa de “receitas extraordinárias”), na base de cálculo do PIS/COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; c) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; d) Intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos que entender necessários; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Por fim, retorne o processo ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10907.720417/2013-65
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 07/08/2008
AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA.
Por expressa determinação legal (art. 32 do Decreto-lei nº 37/66), o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária e aduaneira. O agente marítimo é, portanto, parte legítima para figurar no polo passivo de auto de infração por descumprimento de norma do regulamento aduaneiro.
SISCOMEX CARGA. ALEGAÇÃO DE CONTINGÊNCIA. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova quanto a fato impeditivo, modificativo ou extintivo do Direito da Fazenda é do contribuinte. Sendo assim, a mera alegação de que o atraso na prestação de informação decorreu de problemas no Siscomex Carga, desacompanhada de qualquer elemento de prova deste fato, ou mesmo do atendimento às regras de contingência estabelecidas, impossibilita o afastamento da aplicação da multa cominada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Larissa Nunes Girard (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 07/08/2008 AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Por expressa determinação legal (art. 32 do Decreto-lei nº 37/66), o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária e aduaneira. O agente marítimo é, portanto, parte legítima para figurar no polo passivo de auto de infração por descumprimento de norma do regulamento aduaneiro. SISCOMEX CARGA. ALEGAÇÃO DE CONTINGÊNCIA. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova quanto a fato impeditivo, modificativo ou extintivo do Direito da Fazenda é do contribuinte. Sendo assim, a mera alegação de que o atraso na prestação de informação decorreu de problemas no Siscomex Carga, desacompanhada de qualquer elemento de prova deste fato, ou mesmo do atendimento às regras de contingência estabelecidas, impossibilita o afastamento da aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado.
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Agente de carga. Legitimidade passiva. Ônus da prova. Recorrente CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 07/08/2008 AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Por expressa determinação legal (art. 32 do Decretolei nº 37/66), o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária e aduaneira. O agente marítimo é, portanto, parte legítima para figurar no polo passivo de auto de infração por descumprimento de norma do regulamento aduaneiro. SISCOMEX CARGA. ALEGAÇÃO DE CONTINGÊNCIA. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova quanto a fato impeditivo, modificativo ou extintivo do Direito da Fazenda é do contribuinte. Sendo assim, a mera alegação de que o atraso na prestação de informação decorreu de problemas no Siscomex Carga, desacompanhada de qualquer elemento de prova deste fato, ou mesmo do atendimento às regras de contingência estabelecidas, impossibilita o afastamento da aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 72 04 17 /2 01 3- 65 Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10907.720417/201365 Acórdão n.º 3002000.015 S3C0T2 Fl. 127 2 Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Larissa Nunes Girard (Presidente). Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10907.720417/201365 Acórdão n.º 3002000.015 S3C0T2 Fl. 128 3 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 60/61 dos autos: Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização, foi contestado pela empresa autuada. Da Autuação Antes de adentrar na descrição dos fatos que ensejaram a autuação, a autoridade lançadora fez longa explanação acerca do comércio marítimo internacional, na qual esclarece quem são os intervenientes nessa atividade, a documentação utilizada, as informações a serem prestadas e seus respectivos prazos e a sistemática de utilização delas. Foram apresentados tópicos específicos sobre a obrigatoriedade de prestar informação pelo agente de carga, bem como sobre a importância, para o controle aduaneiro, de os dados exigidos serem apresentados correta e tempestivamente. A fiscalização expôs detalhadamente quem são os responsáveis pelo fornecimento dos dados exigidos pela Aduana, bem como a forma e os prazos para cumprimento dessa obrigação, inclusive com a transcrição dos dispositivos legais aplicáveis. Em seguida, a autoridade lançadora reproduziu o artigo do Regulamento Aduaneiro que trata da denúncia espontânea, alertando que, de acordo com as determinações ali constantes, a espontaneidade do sujeito passivo já havia sido afastada pela formalização da entrada do veículo transportador da carga cujo atraso na informação deu ensejo ao lançamento. Foi alertado, também, sobre os danos causados ao controle aduaneiro pela infração apurada. Na sequência, foi reproduzido o dispositivo legal que tipifica a conduta considerada irregular que, de acordo com o relatado no tópico Dos Fatos (fl. 13), consistiu na prestação de informação intempestiva referente ao conhecimento eletrônico (CE) ali identificado, o que acarretou o bloqueio automático dele no Siscomex Carga, conforme extrato em anexo. Diante dos fatos apurados, a fiscalização entendeu configurada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali cominada. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação em 2/4/2013 e, em 2/5/2013, apresentou impugnação (fls. 2124) na qual aduz os seguintes argumentos. a) Ilegitimidade passiva. O prazo estabelecido na IN RFB n° 800/2007 não se aplica à impugnante, que atua como agente de cargas, atividade que não se confunde com a exercida pelo transportador, sujeito da obrigação e da anterioridade exigidas pela referida IN. A classificação da defendente como transportador distorce conceito de direito privado, o que é expressamente vedado pelo art. 110 do CTN. b) Inaplicabilidade de multa no período de contingência do Siscomex Carga. As operações objeto da autuação ocorreram no chamado “período de Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10907.720417/201365 Acórdão n.º 3002000.015 S3C0T2 Fl. 129 4 contingência”, em que o cumprimento dos prazos da IN RFB nº 800/2007 não era exigido, já que o Siscarga não estava integralmente disponível para utilização pelos agentes e desconsolidadores. Dessa forma, evidenciado que a impugnante não poderia agir de outra forma, a aplicação de multa no presente caso afronta, além do princípio da inexigibilidade de conduta diversa, o da razoabilidade, que impõe à Administração Pública o dever de agir com bom senso, prudência e moderação, levando em conta a relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que envolvem a prática do ato. Ao final a impugnante requer que seja cancelado o lançamento. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por rejeitar a arguição de ilegitimidade passiva do contribuinte e julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 07/08/2008 SISCOMEX CARGA. CONTINGÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação foi decorrente de problema no Siscomex Carga, desacompanhada de prova desse fato e do atendimento às regras de contingência estabelecidas, não afasta a aplicação da multa cominada para a citada irregularidade. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 07/08/2008 AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE. O agente de carga submetese às regras da IN RFB nº 800/2007, pois além de a lei responsabilizálo pela prestação das informações a seu encargo regulamentadas por essa norma, está expressamente incluído entre as espécies de transportador ali definidas, devendo o significado desse termo ser compreendido considerandose o contexto em que ele foi empregado. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/08/2008 INFORMAÇÕES SOBRE VEÍCULO, OPERAÇÃO OU CARGA. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. Até a entrada em vigor dos prazos estabelecidos no art. 22 da Instrução Normativa RFB nº 800/2007, as informações exigidas pela Aduana referentes ao transporte internacional de mercadorias, inclusive as de responsabilidade Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10907.720417/201365 Acórdão n.º 3002000.015 S3C0T2 Fl. 130 5 do agente de carga, deveriam ser prestadas antes da atracação ou desatracação da embarcação em porto no País. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 12/05/2015 (vide termo de ciência por abertura de mensagem à fl. 72 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs em 05/06/2015 Recurso Voluntário, anexado aos autos em 08/06/2015 (fls. 75/87), (vide termo de análise de solicitação de juntada à fl. 101), através do qual, repisando os argumentos apresentados em sua impugnação, requereu o recebimento e provimento do recurso para fins de reformar a decisão de primeira instância e afastar a multa combatida. O contribuinte foi intimado, com prazo de 10 dias após a ciência, para juntar versão assinada do recurso, juntamente com os documentos necessários à identificação do signatário, visto que a primeira versão foi apresentada apócrifa (vide intimação de fl. 102). Tomou ciência da intimação em 08/06/2015, como atesta o termo de ciência por abertura de mensagem à fl. 105, e apresentou o recurso assinado (fls. 108/120) e os documentos solicitados em 12/06/15, conforme termos de fls. 106 e 123. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o breve relatório. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10907.720417/201365 Acórdão n.º 3002000.015 S3C0T2 Fl. 131 6 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: De início, é válido destacar que, no meu entendimento, não havia qualquer irregularidade quando da interposição do Recurso Voluntário originalmente apresentado, visto que o referido recurso encontravase assinado digitalmente pelo contribuinte conforme atesta a página de autenticação à fl. 87 dos autos. De toda sorte, caso houvesse qualquer dúvida acerca da regularidade do Recurso Voluntário interposto, esta restou afastada após o cumprimento por parte do contribuinte da intimação determinada à fl. 102 dos autos. O Recurso Voluntário interposto no presente caso, portanto, é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Superada esta questão preliminar, passo à análise do conteúdo do Recurso Voluntário interposto. O recorrente insurgese contra o entendimento da DRJ de manter a multa aplicada pela Alfândega do Porto de Paranaguá em 12/03/2013, no valor de R$ 5.000,00, por descumprimento de prazo para entrega de informações sobre embarcação chegada em 25/07/2008 pelo Porto de Santos. É importante destacar aqui que é incontroverso nos presentes autos o descumprimento do referido prazo. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte não nega tal fato. Traz, contudo, dois fundamentos no intuito de afastar a penalidade que lhe fora aplicada, quais sejam: (i) a sua ilegitimidade passiva; (ii) a inexigibilidade de conduta diversa, em razão do período de contingência. Tais fundamentos serão devidamente enfrentados a seguir. 1. Da ilegitimidade da cobrança em face da Impugnante. O recorrente afirma que a ele não se aplicava, na situação, a exigência de antecedência na prestação de informações, devido à previsão do art. 50 da IN RFB nº 800/2007. Segundo essa norma, a obrigação só seria exigível a partir de 1º de abril de 2009, e a exceção prevista no parágrafo único não lhe era aplicável em razão de sua condição de agente de cargas, divergente da de transportador. O contribuinte alega que a interpretação do mencionado artigo 50 deve ser restritiva, caso contrário se estaria estendendo penalidade e ferindo o princípio da legalidade. Ainda, alega que aplicarlhe a multa seria desrespeito ao artigo 111 do CTN, que prevê interpretação literal no caso de dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Cita o artigo 150, III, do CTN, que trata da irretroatividade da lei tributária, e o artigo 110 do mesmo Diploma, para impugnar a distorção de conceitos de direito privado (equiparar agentes de carga a transportador) com a finalidade de exigir obrigação tributária. A decisão da DRJ afastou a alegação de ilegitimidade passiva, por entender que a autuação está de acordo com o artigo 50 da IN RFB nº 800/2007, pois o agente de carga está englobado na definição de transportador, nos termos do artigo 2º, V e § 1º, IV, “e”, da referida instrução normativa. Afirma que os responsáveis pela prestação das informações não Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10907.720417/201365 Acórdão n.º 3002000.015 S3C0T2 Fl. 132 7 ficaram eximidos, mas, dentro do período concedido pela norma para a adaptação das empresas às regras ali estabelecidas, lhes foi admitido o fornecimento dos dados com menor antecedência. Informou que a obrigação do agente de cargas de prestar informações decorre do artigo 37, §1º, DecretoLei 37/1966, recepcionado pela Constituição com força de lei, dispositivo que é a base legal da IN 800/2007. Além disso, a infração atribuída ao recorrente prevê sua aplicabilidade aos agentes de carga, nos termos do artigo 107, IV, “e”, do Decreto Lei 37/1966, com redação dada pela lei 10.833/2003. Sua responsabilidade também está prevista no artigo 18 da instrução normativa, corroborada pela documentação dos autos, uma vez que foi o recorrente quem emitiu o CE. Por fim, o acórdão consigna que o emprego genérico do termo transportador não vai de encontro ao artigo 110 do CTN, pois este se volta à definição de competências tributárias, e a interpretação da palavra tem que ser feita em seu contexto. Para que melhor se compreenda o cerne da discussão, transcrevo a seguir o teor do art. 50 da IN RFB nº 800/2007: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. O contribuinte, então, defende que a exceção à regra de que seriam exigidos os prazos de antecedência tão somente a partir de 1º de abril de 2009 seria aplicável apenas aos "transportadores", em razão da literalidade do disposto no parágrafo único acima. Entendo, contudo, que esta não é a melhor solução a ser dada ao caso em análise. De fato, dito dispositivo legal determina que os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta mesma IN somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. Ocorre que o parágrafo único deste mesmo dispositivo afasta a prorrogação do prazo no que concerne à obrigação do transportador de prestar informações sobre as cargas transportadas. E o art. 32 do Decretolei nº 37/66, ao tratar sobre a responsabilidade tributária, estende ao agente marítimo (representante, no país, do transportador estrangeiro), na qualidade de responsável solidário, a responsabilidade atribuída ao transportador. É o que se infere da transcrição a seguir: Art. 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; (Incluído pelo Decreto Lei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10907.720417/201365 Acórdão n.º 3002000.015 S3C0T2 Fl. 133 8 II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incubida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. É responsável solidário: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) II representante, no País, do transportador estrangeiro; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) Entendo, portanto, que não há que se falar em afronta ao art. 110 do CTN. A equiparação dos agentes marítimos aos transportadores não decorreu da alteração da definição, conteúdo ou alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado, mas sim de observância à expressa determinação legal, expressa no art. 32 do Decretolei nº 37/66, acima transcrito. Tal responsabilidade, inclusive, encontra respaldo nos artigos 121, inciso II, 124, inciso II, e 128 do CTN, in verbis: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. *** Art. 124. São solidariamente obrigadas: Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10907.720417/201365 Acórdão n.º 3002000.015 S3C0T2 Fl. 134 9 I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. *** Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Ainda sobre o tema, é importante ressaltar a decisão proferida pelo STJ nos autos do RESP 1.129.430/SP, em que aquele tribunal decidiu que o agente marítimo, no exercício exclusivo de atribuições próprias, não ostentava a condição de responsável tributário no período anterior à vigência do Decretolei nº 2.472/88 (que alterou o art. 32 do DecretoLei nº 37/66), por ausência de previsão legal. Tal decisão, portanto, leva à conclusão lógica de que, iniciada a vigência do referido Decretolei nº 2.472/88, não há mais que se falar em ilegitimidade passiva dos agentes marítimos. Nesse mesmo sentido, vem decidindo este Conselho, a exemplo das decisões a seguir colacionadas: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 14/12/2009 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada. (...). (Acórdão nº 3402004.438 de 26/09/2017). *** Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 07/12/2005 AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária e aduaneira. O agente marítimo é, portanto, parte legítima para figurar no polo passivo do auto de infração por descumprimento de norma do regulamento aduaneiro. (...). (Acórdão nº 3301003.882 de 28/06/2017). Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10907.720417/201365 Acórdão n.º 3002000.015 S3C0T2 Fl. 135 10 Entendo, pois, que deverá ser rejeitada a preliminar de ilegitimidade passiva apresentada pelo contribuinte. 2. Da inaplicabilidade de multas no período de contingência. Em sua defesa, o recorrente alega que o atraso na prestação das informações se deu em razão do chamado “período de contingência” do Siscarga, aquele em que o Siscomex fica indisponível, e que não seria razoável a Administração lhe exigir o cumprimento da obrigação em tal período, em razão do instituto da inexigibilidade de conduta diversa. A decisão da primeira instância afastou o argumento por não ter sido apresentada qualquer prova do problema alegado no sistema, ressaltando que caberia ao recorrente a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Autor, nos termos do art. 333 do CPC. Fundamentou a sua decisão, ainda, no fato de que tampouco fora demonstrado terem sido seguidas as regras de contingência estabelecidas na IN RFB nº 835, de 28/3/2008, que dispõe em em seus artigos 1º, 2º e 4º, III, sobre os procedimentos a serem adotados nesse caso. Em seu Recurso Voluntário, impugna o contribuinte o fundamento da decisão recorrida de ausência de prova da indisponibilidade do sistema presente no acórdão, alegando que a IN RFB 835/2008 já dispõe sobre os longos períodos de indisponibilidade do Siscomex, e que tal norma já configuraria prova da indisponibilidade do sistema. Defende, então, que caberia à fiscalização comprovar que o sistema estava disponível no momento dos fatos, o que não teria feito. Sobre o ônus da prova, penso que se apresenta acertada a decisão recorrida ao afirmar que ao Autor (Fazenda Nacional) cumpre a comprovação do ato constitutivo do seu direito e ao Réu (contribuinte) a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Autor. Nesse contexto, no caso dos autos, cabia à fiscalização comprovar que houve o descumprimento da norma (não apresentação das informações no prazo devido). E, consoante já constatado, tal comprovação restou incontroversa nos presentes autos em razão, inclusive, do reconhecimento realizado por parte do próprio contribuinte quanto ao não atendimento do prazo disposto na norma. Sendo assim, diante do incontroverso não atendimento do comando normativo, cabia ao contribuinte trazer aos autos comprovação quanto a fato impeditivo, modificativo ou extintivo apto a afastar a pretensão punitiva da fiscalização. Constatase, contudo, que o contribuinte não logrou trazer aos autos em seu Recurso Voluntário qualquer elemento adicional apto a demonstrar que, de fato, esteve impedido por inoperação do sistema de apresentar as informações exigidas dentro do prazo. Limitouse a alegar que a IN RFB disporia sobre os longos períodos de indisponibilidade do Siscomex, como se tal norma fosse bastante para comprovar o alegado em seu recurso. Entendo, contudo, que o disposto na IN RFB 835/2008, embora reconheça a possibilidade de o SISCOMEX apresentarse indisponível, não comprova que o sistema esteve de fato indisponível no período objeto do presente auto de infração. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10907.720417/201365 Acórdão n.º 3002000.015 S3C0T2 Fl. 136 11 Ademais, como bem ressaltou o acórdão recorrido, destaquese que o contribuinte sequer logrou demonstrar a observância de qualquer dos procedimentos dispostos na IN RFB nº 835, de 28/3/2008. Logo, concluo que o contribuinte não se desincumbiu do seu ônus probatório nos presentes autos. 3. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.720897/2010-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
Ementa:
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS
Eventuais diferenças entre depósitos/créditos bancários sem origem identificada e a receita bruta declarada, ratifica a presunção legal reportada no artigo 42 da Lei n? 9.430, de 1996.
TRIBUTAÇÃO DA RECEITA OMITIDA.
Para o ano calendário em que a empresa estava inscrita no Simples e dele não tendo sido excluída, nem de ofício, nem a requerimento, as eventuais omissões de receitas apuradas pelo Fisco devem ser tributadas de acordo com o regime do Simples.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. INAPLICÁVEL.
O arbitramento dos lucros pelas normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas somente é possível após a exclusão da contribuinte do sistema simplificado de tributação.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Aplica-se aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento do IRPJ pela íntima relação de causa e efeito existente.
AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA. LOCAL EM QUE FOR CONSTATADA A INFRAÇÃO. PROCEDÊNCIA.
É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento ou domicílio do contribuinte.
PEDIDO DE PERÍCIA.
Devem ser indeferidos os pedidos de perícia, quando forem prescindíveis ao deslinde da questão a ser apreciada, não sendo o caso de solicitação de realização de perícia para produzir provas que caberia ao autuado apresentar, ainda mais quando se trata de presunção legal.
DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA
A jurisprudência ressalvadas as previsões legais neste sentido e A doutrina não gozam do status de legislação tributária e não vinculam a Administração Tributária Federal.
Numero da decisão: 1302-002.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS Eventuais diferenças entre depósitos/créditos bancários sem origem identificada e a receita bruta declarada, ratifica a presunção legal reportada no artigo 42 da Lei n? 9.430, de 1996. TRIBUTAÇÃO DA RECEITA OMITIDA. Para o ano calendário em que a empresa estava inscrita no Simples e dele não tendo sido excluída, nem de ofício, nem a requerimento, as eventuais omissões de receitas apuradas pelo Fisco devem ser tributadas de acordo com o regime do Simples. ARBITRAMENTO DO LUCRO. INAPLICÁVEL. O arbitramento dos lucros pelas normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas somente é possível após a exclusão da contribuinte do sistema simplificado de tributação. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Aplica-se aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento do IRPJ pela íntima relação de causa e efeito existente. AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA. LOCAL EM QUE FOR CONSTATADA A INFRAÇÃO. PROCEDÊNCIA. É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento ou domicílio do contribuinte. PEDIDO DE PERÍCIA. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia, quando forem prescindíveis ao deslinde da questão a ser apreciada, não sendo o caso de solicitação de realização de perícia para produzir provas que caberia ao autuado apresentar, ainda mais quando se trata de presunção legal. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA A jurisprudência ressalvadas as previsões legais neste sentido e A doutrina não gozam do status de legislação tributária e não vinculam a Administração Tributária Federal.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1559; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 664 1 663 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.720897/201039 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302002.770 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2018 Matéria Simples Recorrente TRANSJO TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS Eventuais diferenças entre depósitos/créditos bancários sem origem identificada e a receita bruta declarada, ratifica a presunção legal reportada no artigo 42 da Lei n◦ 9.430, de 1996. TRIBUTAÇÃO DA RECEITA OMITIDA. Para o ano calendário em que a empresa estava inscrita no Simples e dele não tendo sido excluída, nem de ofício, nem a requerimento, as eventuais omissões de receitas apuradas pelo Fisco devem ser tributadas de acordo com o regime do Simples. ARBITRAMENTO DO LUCRO. INAPLICÁVEL. O arbitramento dos lucros pelas normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas somente é possível após a exclusão da contribuinte do sistema simplificado de tributação. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Aplicase aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento do IRPJ pela íntima relação de causa e efeito existente. AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA. LOCAL EM QUE FOR CONSTATADA A INFRAÇÃO. PROCEDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 08 97 /2 01 0- 39 Fl. 665DF CARF MF Processo nº 10980.720897/201039 Acórdão n.º 1302002.770 S1C3T2 Fl. 665 2 É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento ou domicílio do contribuinte. PEDIDO DE PERÍCIA. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia, quando forem prescindíveis ao deslinde da questão a ser apreciada, não sendo o caso de solicitação de realização de perícia para produzir provas que caberia ao autuado apresentar, ainda mais quando se trata de presunção legal. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA A jurisprudência ressalvadas as previsões legais neste sentido e A doutrina não gozam do status de legislação tributária e não vinculam a Administração Tributária Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Versa o processo sobre recurso voluntário, interposto pela contribuinte face ao Acórdão nº 0635.814 da 2ª Turma da DRJ/CTA. Para a devida síntese do processo, transcrevo o relatório da DRJ: Fl. 666DF CARF MF Processo nº 10980.720897/201039 Acórdão n.º 1302002.770 S1C3T2 Fl. 666 3 “O presente processo trata dos seguintes atos a serem analisados: a) manifestação de inconformidade ao conteúdo do Ato Declaratório Executivo DRF/CTA nº 92 (fl.141), de 23/04/2010, que determinou a exclusão da contribuinte ao Simples Federal, desde 01/01/2006; b) a manifestação de inconformidade ao conteúdo do Ato Declaratório Executivo DRF/CTA nº 93 (fl.143), de 29/04/2010, que determinou a exclusão da contribuinte ao Simples Federal, desde 01/07/2007; c) a impugnação aos autos de infração lavrados na sistemática do Simples, relativos aos fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2005, fls.0372, onde se exige o crédito tributário de R$46.306,96 de IRPJ Simples (fl.23), R$46.306,96 de PISSimples (fl.34), R$72.138,05 de CSLLSimples (fl.45), R$144.276,10 de COFINSSimples (fl.56) e, R$300.436,38 de INSSSimples (fl.67) e; d) a impugnação aos autos de infração lavrados pela sistemática do Lucro Arbitrado, relativos aos fatos geradores ocorridos nos anos calendário de 2006 e 2007, fls.445490, onde se exige o crédito tributário de R$250.447,07 de IRPJ (fl.453), R$133.068,61 de CSLL (fl.463), R$369.361,06 de COFINS (fl.473) e, R$80.829,30 de PIS (fl.485). 2. Do Ato declaratório Executivo nº 92, de 23/04/2010 2. O ADE nº 92, de 23/04/2010 foi expedido em face da Representação Fiscal de fls.135136, onde restou comprovado que a contribuinte em análise, auferiu no anocalendário de 2005 receita no importe de R$6.401.497,68, com base na receita declarada e na movimentação bancária, sendo que deste montante, ofereceu à tributação apenas R$ 238.639,92, tendo sido omitido o importe de R$6.162.857,76. A fundamentação para a emissão do ato foi afronta ao disposto no artigo 2º, inciso II e artigo 9º, inciso II, da Lei nº 9.317, de 1996, com efeitos a partir de 01/01/2006. 3. Do Ato declaratório Executivo nº 93, de 24/04/2010 3. Já o ADE nº 93, de 29/04/2010, foi emitido em face da Informação Fiscal de fls 143, sob o mesmo argumento que o ato anteriormente mencionado, foi emitido tendo como fundamento legal infração ao inciso II do artigo 3º, da Lei Complementar nº 123, de 2006, combinado com o artigo 12, inciso II da Resolução CGSN nº 4, de 30/05/2007. A ciência dos atos de exclusão ocorreu em 14/05/2010, conforme AR de fl. 209. 4. Apresentou manifestação de inconformidade em 22/06/2010, fls. 263266, onde pede que seja julgado inconsistente o ADE pelos seguintes motivos: que o despacho decisório que instruí o ADE sustenta que a reclamante omitiu receitas no Fl. 667DF CARF MF Processo nº 10980.720897/201039 Acórdão n.º 1302002.770 S1C3T2 Fl. 667 4 importa de R$ 6.162.857,76, o que extrapola o limite previsto na legislação de regência; que faz questão de ressaltar que a omissão tomou por base os depósitos bancários relativos ao ano calendário de 2005; que o despacho ignora que apresentou impugnação aos lançamentos efetuados para o período; que naquela peça demonstra ser improcedente a omissão; que o lançamento deveria ter sido por arbitramento uma vez que em 2004 já teria extrapolado o limite de receitas, não podendo ser tributada na forma do § 3º do artigo 23 da lei do Simples e; que os argumento que culminaram com a emissão do ADE estão sendo rebatidos junto ao lançamento, cuja exigibilidade se encontra suspensa. Pede o cancelamento do ADE nº 92. 5. Em 11/06/2010 fez aditamento à manifestação já apresentada (fls. 267336), pedindo a apensação de extratos bancários, os quais comprovariam que sua exclusão ao Simples deveria ter ocorrido desde o ano calendário de 2004, visto que naquele período também não dispunha de escrituração regular e, tenta forçar fisco a cancelar o lançamento do ano calendário de 2005, o qual não encontraria amparo no artigo 23, §3º da Lei nº 9.317, de 1996. Invoca a proteção dos artigos 530, inciso III e 535 do RIR, de 1999, para pleitear que o lançamento se dê por arbitramento. 6. O Termo de Revelia se encontra à fl. 571. 4. Do auto de infração lavrado pela sistemática do Simples Anocalendário 2005 7. O auto de infração de fls. 0372, exige R$46.306,98 a título de IRPJSimples (fl. 23), R$46.306,96 a título de PISSimples (fl.34), R$72.138,05 a título de CSLLSimples (fl.45), R$ 144.276,10 a título de CofinsSimples (fl.56) e, R$300.436,38 a título de Contribuição ao INSSSimples, decorrente de infrações apuradas no ano calendário de 2005, conforme descrito no Termo de Verificação fiscal de fls. 73104. 8. A infração que está sendo imputada ao sujeito passivo é diferença de base de cálculo apurada com base nos recebimentos bancários e, a insuficiência de recolhimentos decorrente da alteração da faixa de tributação. 9. O enquadramento legal das exigências ficou assim estabelecido: a) para o IRPJ, § 2º do art. 2º, alínea “a” do § 1º do art. 3º, inciso II, § 1º do art. 5º e, §1º do art. 7º, todos da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e, art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998 e; art. 186 e 188 do RIR/99; b) para o PIS, a alínea “b” do art. 3º da Lei Complementar nº 07, de 07 de julho de 1970, art. 1º e parágrafo único da Lei Complementar nº 17 Fl. 668DF CARF MF Processo nº 10980.720897/201039 Acórdão n.º 1302002.770 S1C3T2 Fl. 668 5 de 1970, art. 2º, inciso I, 3º e 9º da Medida Provisória nº 1.249, de 1995 e suas reedições e art. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea “b”, 5º e 7º § 1º, da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998; c) para a Contribuição Social, o art. 1º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988; .o § 2º do art. 2º, alínea “c” do § 1º do art. 3º, inciso II, § 1º, do art. 5º, art. 5º, 7º, 17, 18, 19 e 23 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998; d) para a Cofins, o art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 1991; o § 2º do art. 2º, alínea “d” do § 1º do art. 3º, inciso II e § 1º do art. 5º, art. 6º, 7º, 17, 18, 19 e 23 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996 e art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998 e; e) para a Contribuição ao INSS, o § 2º do art. 2º, alínea “f” do § 1º do art. 3º, inciso II e § 1º do art. 5º, art. 6º, 7º, 17, 18, 19 e 23 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, combinado com o art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. 10. A razão utilizada para o calculo da multa de ofício é de 112,5% para a diferença da base de cálculo e 75% para a insuficiência de recolhimento e está amparada no art. 44, § 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 44, inciso I da Lei nº 9.430, de 1996, respectivamente, sendo que ambos estão combinados com o art. 19 da Lei nº 9.317, de 1996. 11. O impugnante foi cientificado da autuação em 30/03/2010 (AR de fl. 150). 12. Apresentou impugnação ao lançamento em 27/04/2010, conforme fls 152208. Em síntese alega que a infração imputada, capitulada nos artigos 186 e 188 do RIR/1999, dispositivos que tratam da receita bruta da pessoa jurídica, definida no artigo 279 do mesmo diploma legal, não se enquadra na presunção estipulada no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. 13. Alega que existem incoerências nos autos de infração e transcreve parte do Termo de Verificação Fiscal para concluir que é improcedente o lançamento. 14. Afirma que o sócio Luiz Roberto Lopes já possuía um certo número de veículos e que por conta da grande procura por transporte rodoviário, tendo em vista a experiência acumulada, passou a contratar veículos de terceiros para fazer transportes, tendo acabado por descurarse da administração financeira do negócio, tratandoo Fl. 669DF CARF MF Processo nº 10980.720897/201039 Acórdão n.º 1302002.770 S1C3T2 Fl. 669 6 como se fosse pessoa física acarretando deficiência na segregação dos valores que transitam pelas contas correntes, que podiam registrar tanto créditos relativos a transportes efetuados por terceiros, como os atinentes aos seus próprios veículos, de tal forma que as contas bancárias englobam créditos que não correspondiam integralmente à contraprestação de serviço executado, sendo que existiam valores que depois eram repassados aos legítimos titulares. 15. Sustenta que, afora os valores já explicados haviam, ainda, recursos repassados por importadores para a quitação do frete marítimo, despesas de armazenagem, carregadores e despachantes que não constituem receita de sua atividade. Tais importâncias estão identificadas como depósitos em cheques de outras praças, transferências on line, tipo TED e DOC. Defende que efetua tais pagamentos como cortesia aos clientes, sem qualquer retorno financeiro afora aumentar a eficiência do negócio. 16. Destaca que a autoridade fiscal não individualizou um crédito sequer que fosse decorrente da receita da prestação de serviços, sendo que os mesmos foram classificados como depósitos de origem não comprovada, os quais não se submetem à regra dos dispositivos dados como infringidos. 17. Destaca dois pontos que entende serem cruciais: a) que os depósitos decorrem da atividade da pessoa jurídica e, b) que tais depósitos podem ser agrupados em quatro categorias distintas, decompostos nas planilhas em anexo, onde fica evidente a origem dos recursos. A origem dos depósitos decorre de: 1) TED, DOC e transferências on line, cuja origem pode ser rastreada, porquanto os depositantes são facilmente identificados, por se tratarem de transferências eletrônicas entre bancos, 2) cobrança e crédito unicobrança ambos decorrentes de recebíveis de clientes por serviços previamente faturados, classificáveis no ativo circulante, 3) depósitos em cheque compensáveis, descontados e desbloqueados e, 4) alguns depósitos em numerário. 18. Afirma que antes de proceder à autuação, a autoridade fiscal deveria conceder prazo razoável para regularizar o Livro Caixa, caso este não fosse escriturado ou, se não atendesse às exigências legais, que partisse para o arbitramento do lucro, porquanto, por falta de previsão legal, depósitos bancários de origem não comprovada, por terem regras específicas, não se enquadram na apuração normal das receitas da atividade da pessoa jurídica, previstas nos artigos 186 e 188 do RIR, 1999. Fl. 670DF CARF MF Processo nº 10980.720897/201039 Acórdão n.º 1302002.770 S1C3T2 Fl. 670 7 19. Atacando o conceito de receita bruta, transcreve manifestação do Ministro Ilmar Galvão ao julgar o RE nº 346.084/PR e defende que os depósitos bancários de origem não comprovada, por constituírem presunção de omissão de receitas, não se enquadram no conceito de receita bruta, porquanto não demonstrado provirem de venda de mercadorias ou de serviços, não constituem infração aos artigos 186 e 188 do RIR de 199. 20. Transcreve os dois dispositivos mencionados e sustenta que mesmo em se admitindo a presunção do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, por força do disposto no artigo 537 do RIR de 1999, a tributação deveria obedecer ao comando do artigo 535 do mesmo comando legal, qual seja o lucro deveria ser arbitrado, ante a falta de escrituração. 21. Invoca o artigo 18 da Lei nº 9.317, de 1996, para alegar que as presunções de omissão de receitas somente são aplicáveis às empresas optantes do Simples, quando apuráveis com base nos livros e documentos a que estão obrigadas e o termo de verificação deixa claro que o lançamento não se utilizou destes instrumentos, razão pela qual a exigência não pode prosperar, já que deveria ter sido aplicado o arbitramento do lucro. 22. Pretende fazer prevalecer a tese de que desde de 2005 já estaria sujeita ao arbitramento haja vista ter extrapolado o limite de receitas em 2004, sendo inaplicáveis os percentuais previstos no artigo 23 da lei que rege o Simples. Defende que a jurisprudência rejeita o lançamento com base em depósitos bancários quando demonstrado que os recursos depositados não se incorporaram ao patrimônio do contribuinte. 23. Alega que o fisco não logrou demonstrar que os recursos foram incorporados ao seu patrimônio, bem como constam da listagem créditos cuja origem está justificada via identificação dos depositantes, que são clientes seus, como os casos dos depósitos a título de TED, DOC e, transferências on line. A mesma situação se repete nos depósitos identificados como cobrança e créditos de cobrança, cujas origens estão identificadas, ilidindo a presunção de depósitos de origem não comprovada a que faz menção o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, base da autuação. Transcreve vasta jurisprudência administrativa. Requer a realização de diligência. 24. Faz questão de consignar que a ação fiscal ocorreu nas dependências da DRF/Curitiba, enquanto que o domicílio da impugnante é Paranaguá, sem a Fl. 671DF CARF MF Processo nº 10980.720897/201039 Acórdão n.º 1302002.770 S1C3T2 Fl. 671 8 necessária diligência à sua sede, fato que revelaria as condições modestas e precárias de suas instalações e a dificuldade para fazer prova em tão pouco tempo da origem de sua movimentação financeira. 25. Em determinado ponto da peça de defesa, assim se manifesta: “Por outro lado, não se deve perder de vista que a fiscalização fixou como premissa das autuações constituir irregularidade a proporção de 3,2% entre a receita declarada e a movimentação financeira da fiscalizada no ano calendário de 2005. Acontece, porém, que tal proporção se verifica igualmente no ano calendário de 2004, que redunda dizer que, no caso dos autos, ocorrida a hipótese nos anos calendário de 2004 e 2005, no exercício seguinte, ou seja, de 2005, a autuada não se submete às normas de apuração previstas no artigo 23, §3º da Lei nº 9.317 de 1996” 26. A argumentação serve para defender que o dispositivo legal mencionado só tem aplicação no primeiro ano em que a receita da pessoa jurídica ultrapassa o limite estipulado no artigo 5º, I e II do Estatuto da Microempresa e, assim sendo, como o limite já teria sido extrapolado em 2004, a impugnante já estaria excluída do Simples em 2005, sujeitandose às regras do arbitramento previstas no artigo 530, III do RIR de 1999. Afirma ser descabido falar que os fatos ocorridos no ano calendário de 2004 já estariam atingidos pela decadência, por ofensa aos princípios contábeis da uniformidade e da comparabilidade. Sustenta que juntará os extratos referentes a 2004 para comprovar sua tese. 27. Combate que não pode prosperar o agravamento da multa prevista na alínea “b” do parágrafo 2º do Artigo 44 da Lei nº 9.430 de 1996, porque , embora parcialmente, a impugnante atendeu às intimações do fisco. Sustenta que a jurisprudência administrativa é clara no sentido de que tal exasperação só é cabível quando ficar demonstrada a recusa do sujeito passivo para prestar esclarecimentos. Transcreve ementas. Alega que não foi demonstrada a imprestabilidade do Livro Caixa e mais uma vez apóia seus argumentos em jurisprudência. 28. Ao final, pede: a desconstituição dos autos de infração ou; o deferimento ao pedido de diligência e, ainda, a redução da multa ao percentual normal. 5. Dos autos de infração pelo Lucro Arbitrado Anos calendário 2006 e 2007 29. Os autos de infração de fls. 445490, exigem o crédito tributário de R$250.447,07 a título de IRPJ (fl.453), R$133.068,61 a título de CSLL (fl.463), Fl. 672DF CARF MF Processo nº 10980.720897/201039 Acórdão n.º 1302002.770 S1C3T2 Fl. 672 9 R$369.361,06, a título de Cofins (fl.473) e, R$ 80.829,30 a título de PIS, calculados por arbitramento, com base no disposto no inciso III do artigo 530 do RIR de 1999. A infração imputada é depósitos bancários de origem não comprovada. 30. O suporte legal para a exigência dos tributos obedece ao seguinte: a) IRPJ – artigos 27, inciso I e 42 da Lei nº 9.430, de 1996 e artigos 530,inciso II, 532 e 537 do RIR/99; b) CSLL – artigo 2º e §§ da Lei nº 7.689, de 1988, art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995, art. 29 da Lei nº 9.430 de 1996 e artigo 37 da Lei nº 10.637, de 30/12/2002; c) Cofins artigos 2º, inciso II e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524, de 17/12/2002 e; d) PIS artigos 1º e 3º da Lei Complementar nº 7 de 07/09/1970, 24, § 2º da Lei nº 9.249, de 1995 e, artigos 2º, inciso I, alínea “a” e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524, de 17/12/2002. 31. A ciência destes autos ocorreu em 26/10/2010, conforme AR de fl.547. O lançamento não foi contestado conforme informação à fl. 568. 32. Os valores não impugnados foram apartados dos autos para cobrança, conforme fls 577580, para o processo nº 1098.721808/201152. 33. Eis o que consta do processo. Após análise das razões de impugnação, a DRJ/CTA decidiu pela sua procedência parcial, afastando somente a multa agravada, como denota a ementa do julgado a seguir transcrito: “Acórdão 0635.8142ª Turma da DRJ/CTA Sessão de 01 de março de 2012 Processo 10980.720897/201039 Interessado TRANSJO TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS LTDA ME CNPJ/CPF 01.119.998/000100 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Fl. 673DF CARF MF Processo nº 10980.720897/201039 Acórdão n.º 1302002.770 S1C3T2 Fl. 673 10 Anocalendário:2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS Eventuais diferenças entre depósitos/créditos bancários sem origem identificada e a receita bruta declarada, ratifica a presunção legal reportada no artigo 42 da Lei n◦ 9.430, de 1996. TRIBUTAÇÃO DA RECEITA OMITIDA. Para o ano calendário em que a empresa estava inscrita no Simples e dele não tendo sido excluída, nem de ofício, nem a requerimento, as eventuais omissões de receitas apuradas pelo Fisco devem ser tributadas de acordo com o regime do Simples. ARBITRAMENTO DO LUCRO. INAPLICÁVEL. O arbitramento dos lucros pelas normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas somente é possível após a exclusão da contribuinte do sistema simplificado de tributação. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2005 LANÇAMENTOS DECORRENTES. Aplicase aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento do IRPJ pela íntima relação de causa e efeito existente. AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA. LOCAL EM QUE FOR CONSTATADA A INFRAÇÃO. PROCEDÊNCIA. É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento ou domicílio do contribuinte. PEDIDO DE PERÍCIA. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia, quando forem prescindíveis ao deslinde da questão a ser apreciada, não sendo o caso de solicitação de realização de perícia para produzir provas que caberia ao autuado apresentar, ainda mais quando se trata de presunção legal. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA A jurisprudência ressalvadas as previsões legais neste sentido e A doutrina não gozam do status de legislação Fl. 674DF CARF MF Processo nº 10980.720897/201039 Acórdão n.º 1302002.770 S1C3T2 Fl. 674 11 tributária e não vinculam a Administração Tributária Federal. AGRAVAMENTO DA MULTA. DESCABIMENTO O agravamento da multa de ofício em face do não atendimento à intimação para apresentação de esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tem conseqüências específicas previstas na legislação, no caso do lançamento por presunção legal de omissão de receitas. Reduzse a multa de ofício aplicada ao patamar de 75%, conforme exposto no presente Acórdão. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Notificado da decisão de 1ª instância o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, o que segue: a) Nulidade. Cerceamento do Direito de Defesa. Princípio da Verdade Real A Recorrente sustenta que houve cerceamento de defesa em razão do indeferimento injustificado de requerimento de produção de perícia contábil essencial para identificar depósitos registrados no SISBACEN, identificar depósitos decorrentes de operações financeiras de troca de título de créditos e identificar quais seriam os depósitos que poderiam ser enquadrados como omissão de receitas. b) Nulidade Auto Infração. Prova Ilícita. Quebra de Sigilo Bancário Sustenta que a autuação pautada em extratos bancários é nula em razão de fundamentarse em prova ilícita. c) Nulidade Auto de Infração. Ausência de Capacidade Contributiva. Verdade Material Aduz que não basta a simples presunção legal de que os depósitos constituem renda tributável, é imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados com renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza. Alegou ainda que se a fiscalização não procedeu à identificação dos gastos representados pelos cheques de conta bancária é ilegítima a sua imputação como aplicações do fluxo financeiro. Por fim requer a nulidade do auto de infração por não ter feito o cotejo entre a natureza dos depósitos e seu destino com a comprovação da capacidade contributiva do contribuinte e materialidade da exação tributária. d) Nulidade. Omissão de Receitas. Princípio da Legalidade. Requisitos Ausentes. Fl. 675DF CARF MF Processo nº 10980.720897/201039 Acórdão n.º 1302002.770 S1C3T2 Fl. 675 12 Alega que o auto de infração foi lavrado com base de extratos bancários o que afasta a possibilidade de aplicação das normas vigentes sobre omissão de rendimentos vigentes em outros regimes tributários. Isto pelo fato de a norma de conduta autorizar a aplicação análoga sobre omissão de receita, somente quando a irregularidade for apurada nos livros e documentos específicos de modo que houve ofensa ao princípio da legalidade e consequente nulidade do processo. e) Conceito de Receita. Redução da Base de Cálculo. Necessidade Sustentou que o processo fiscal constituiu créditos tributários com base em valores que não se amoldam ao conceito constitucional de receita bruta os quais foram: repasse de verbas a terceiros frete terceirizado, repasse verbas de terceiros – custos aduaneiros e operações de mútuo. f) Exclusão do Simples. Princípio da Verdade Real. Efeitos. Lucro Arbitrado Alternativamente aduz a recorrente que deveria ter sido excluída do regime simplificado no ano de 2004. Que o que importa para determinação das sanções tributárias é a realidade dos fatos imponíveis e não se estes fatos foram fulminados pela decadência do direito de constituir o crédito tributário. Nesta lógica, a recorrente deveria ser tributada através do regime tributário de arbitramento de lucro, pois teria sido excluída no regime simplificado no anterior (2004) ao que se refere o lançamento tributário e, portanto, requer a alteração da metodologia de apuração das exações tributárias no ano calendário de 2005, que deverá ser feito pelo regime do lucro arbitrado. g) Omissão de Receitas. Movimentação Bancária. Operações SISBACEN Requereu a exclusão dos créditos denominados TRF ON LINE; DOC; TED; DEP ON LINE; TF. INTERCONTA; COBRANÇA; CRÉDITO UNI COBRANÇA, do valor mensurado a título de omissão de receitas, eis que totalmente identificáveis através de do sistema SISBACEN. Conforme Termo de Revelia de fl. 571, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em face do Ato Declaratório Executivo DRF/CTA nº 92, que determinou sua exclusão do SIMPLES, depois de transcorrido o prazo legal de 30 (trinta) dias estabelecido no art. 2º do mencionado Ato. Destarte, quanto à exclusão do SIMPLES, foi decretada a revelia do contribuinte, e, em decorrência, o ato de exclusão acima mencionado tornouse definitivo em esfera administrativa. É o relatório. Fl. 676DF CARF MF Processo nº 10980.720897/201039 Acórdão n.º 1302002.770 S1C3T2 Fl. 676 13 Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso. Como bem delimitado pela DRJ/CTA, o presente processo envolve as seguintes questões: a) a exclusão da contribuinte ao Simples Federal; b) a exclusão ao Simples Nacional; c) o lançamento referente ao anocalendário de 2005, obedecendo à opção feita pela interessada (Simples Federal) e, por fim; d) o lançamento relativo aos anos calendário 2006 e 2007, pelo lucro arbitrado, tendo em vista a falta de apresentação dos livros e documentos de sua escrituração, mesmo após intimações. Entretanto, os Atos Declaratórios Executivos de Exclusão do Simples Federal e do Simples Nacional foram emitidos em 23/04/2010 e 29/04/2010, respectivamente, e o sujeito passivo foi deles cientificado em 14/05/2010, conforme relato acima. Ocorre que, a manifestação de inconformidade somente foi protocolada em 22/06/2010, qual seja mais de trinta dias após a ciência dos mesmos. Portanto, comprovada a intempestividade da manifestação e em obediência à legislação que rege o processo administrativo fiscal o sujeito passivo foi declarado revel (fl.571), nos termos dos artigos 15 e 21 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação do artigo 1º da Lei nº 8.748, de 1993, e Ato Declaratório Normativo COSIT nº 15, de 12/07/1996. A declaração de revelia tornou definitiva a exclusão ao benefício, não comportando a análise das razões apresentadas. De outro bordo, em 20/10/2010 foram lavrados os autos de infração com base no Lucro Arbitrado de fls. 445/490, com base no disposto no inciso III do artigo 530 do RIR de 1999 sendo que a ciência da exigência ocorreu em 26/10/2010, conforme AR de fl.547. O lançamento não foi contestado conforme informação à fl. 568 e os valores foram apartados para cobrança conforme fls. 577/580, para o processo nº 1098.721808/201152. Portanto, a matéria que comporta ser apreciada se refere ao lançamento correspondente ao ano calendário de 2005, cientificado em 30/03/2010 e cuja impugnação foi apresentada em 27/04/2010 (fls. 152208). Pois bem. Da análise das razões apresentadas em seu recurso, não se vislumbra qualquer argumento passível de modificação da decisão recorrida, tendo em vista que o procedimento fiscal, atividade vinculada e obrigatória, se desenvolveu em conformidade com as disposições legais. Sendo assim, adoto as razões de decidir da DRJ, nos termos do §3, do art.57 do RICARF, que passa a integrar o presente voto, litteris: Da improcedência do lançamento Fl. 677DF CARF MF Processo nº 10980.720897/201039 Acórdão n.º 1302002.770 S1C3T2 Fl. 677 14 38. Na impugnação sustenta que o lançamento é improcedente porque a infração imputada, capitulada nos artigos 186 e 188 do RIR/1999, dispositivos que tratam da receita bruta da pessoa jurídica, definida no artigo 279 do mesmo diploma legal, não se enquadra na presunção estipulada no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. 39. Transcrevemse os dispositivos legais que, na opinião da autuada não estão relacionados à presunção legal do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 186. Para os fins do disposto no artigo anterior, considera se receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos (Lei nº 9.317, de 1996, art. 2º, § 2º). ... Art. 188. O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos percentuais e nas condições estabelecidas no art. 5º, e seus parágrafos, da Lei nº 9.317, de 1996, observado, quando for o caso, o disposto nos arts. 204 e 205. 40. Percebase que é improcedente a tese levantada pela contribuinte. Vejamos: os valores dos depósitos/créditos bancários não escriturados e de origem não comprovada foram levados à tributação como omissão de receita, com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, entre outros, que assim dispõe: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 41. Todos os dispositivos transcritos se referem à receita e, portanto, existe sim relação entre eles, para fins de apuração da base de cálculo dos tributos. É de se destacar que a existência de depósitos não escriturados ou de origens não comprovadas tornouse, a partir de 01/01/1997 (data em que se tornou eficaz a Lei n.º 9.430 de 1996), uma nova hipótese legal de presunção de omissão de receitas, que veio se juntar ao elenco já existente; com isso, atenuouse a carga probatória atribuída ao fisco, o qual precisa Fl. 678DF CARF MF Processo nº 10980.720897/201039 Acórdão n.º 1302002.770 S1C3T2 Fl. 678 15 apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada para satisfazer o onus probandi a seu cargo. 42. Assim, sempre que o titular de conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, está o fisco autorizado/obrigado a proceder ao lançamento do imposto correspondente, não mais havendo a obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. 43. Ao fazer uso de uma presunção legalmente estabelecida, o Fisco fica dispensado de provar no caso concreto a omissão de rendimentos. Tratase de presunção juris tantum, que admite prova em contrário, cabendo ao contribuinte a sua produção. É o que se depreende da leitura do artigo 334 do Código de Processo Civil, cujos preceitos aplicamse subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal: “Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV – em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade.” 44. No texto abaixo reproduzido, José Luiz Bulhões Pedreira (in Imposto sobre a RendaPessoas JurídicasJUSTECRJ1979, pag. 806) sintetiza com muita clareza essa questão: “O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso”. 45. As presunções estão, desde há muito, incorporadas à nossa ordem jurídica. Por meio delas, estabelece a lei, com base naquilo que se observa na maior parte dos casos – baseandose, portanto, na aplicação de um critério de razoabilidade, que ocorrida determinada situação fática, pode se presumir, até prova em contrário – esta a cargo do contribuinte, a ocorrência da omissão de receitas. Exemplos de hipóteses de presunção legais são aquelas incorporadas ao art. 281 do RIR de 1999 (mas que desde há muito estão incluídas na legislação fiscal): Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da Fl. 679DF CARF MF Processo nº 10980.720897/201039 Acórdão n.º 1302002.770 S1C3T2 Fl. 679 16 presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei n.º 1.598, de 1977, art. 12, § 2.º, e Lei n.º 9.430, de 1996, art. 40): I – a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II – a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III – a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. 46. Portanto, a existência de depósitos bancários não escriturados ou com origem não comprovada é, por si só, no ano calendário sob análise, hipótese presuntiva de omissão de receitas, cabendo ao sujeito passivo a prova em contrário. Não o fazendo a fiscalizada, é lícito concluir que se tratam de receitas tributáveis não incorporadas àquelas registradas na escrituração. Salientese que o fisco procedeu à dedução dos valores anteriormente reconhecidos pela contribuinte para fixar o montante da receita omitida ao crivo da autoridade fiscal. Contudo, para efeitos de tributação, foram considerados os valores integrais, a fim de estabelecer a faixa de tributação, deduzidos os montantes já recolhidos. 47. Apenas como ilustração, cabe evidenciar que este entendimento é reiterado pela Câmara de Recursos Fiscais, conforme trecho/ementa abaixo transcritos: O certo é que, cabendo ao Fisco detectar os fatos que constituem o conteúdo das regras jurídicas em questão, e constituindose esses fatos em presunções legais relativas de rendimentos tributáveis, não cabe ao Fisco infirmar a presunção, pena de laborar em ilogicidade jurídica absoluta. Pois, se o Fisco tem a possibilidade de exigir o tributo com base na presunção legal, não me parece ter o menor sentido impor ao Fisco o dever de provar que a presunção em seu favor não pode subsistir. Parece elementar que a prova para infirmar a presunção há de ser produzida por quem tem interesse para tanto. No caso, o contribuinte. (Acórdão 010.071/80). PRESUNÇÕES LEGAIS A constatação, no mundo factual, de infrações capituladas como presunções legais juris tantum, tem o condão de transferir o ônus probante da autoridade fiscal para o sujeito passivo da relação jurídicotributária, o qual, para elidir a respectiva imputação, deverá produzir provas hábeis e irrefutáveis da nãoocorrência da infração (Acórdão 1º CC 10320.397/00). 48. E, como dos autos se pode inferir, fez a autoridade lançadora exatamente o que a lei lhe atribuiu como responsabilidade, ou seja, constatada a existência de movimentação bancária não contemplada na Fl. 680DF CARF MF Processo nº 10980.720897/201039 Acórdão n.º 1302002.770 S1C3T2 Fl. 680 17 escrituração comercial, intimou a fiscalizada a comprovar a origem dos recursos depositados nas contas correntes de titularidade da empresa. A contribuinte não tendo apresentado provas da origem do numerário depositado, agiu corretamente a fiscalização tributando os depósitos como receita omitida, com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. 49. Neste ponto devese esclarecer que não se está tributando o depósito bancário ou que este seja o fato gerador do imposto de renda. O que se está tributando é uma importância financeira de propriedade da fiscalizada que, pelo fato de não estar escriturada, declarada ou justificada, deve ser considerada receita omitida, segundo a legislação acima reproduzida, que presume que este montante na verdade se origina de receita tributável auferida e não declarada. Diante desta presunção legal o ônus da prova se inverte e passa à autuada, que tem a obrigação legal de comprovar a origem dos recursos. 50. No caso concreto, apesar de todo o tempo de que dispôs a contribuinte para apresentar suas informações e seus documentos, não houve, em nenhum momento, informação de que os valores depositados nas contas correntes bancárias, sem escrituração na sua contabilidade, pudessem provir de outra origem que não receitas omitidas. Dos valores repassados por clientes 51. Em determinado ponto da defesa, alega que dentre os valores que circularam por suas contas correntes bancárias havia numerário repassado por importadores para a quitação de frete marítimo, despesas de armazenagem, carregadores e despachantes, os quais não constituem receitas suas. Pede que sejam desconsiderados os valores identificados como depósitos de cheques de outras praças, transferências on line, tipo TED e DOC. Contesta, ainda, o fato de o fisco não haver individualizado nem um crédito que fosse decorrente da receita de prestação de serviços e que os valores questionados foram classificados como depósitos de origem não comprovada, não se submetendo à regra dos dispositivos dados como infringidos. 52. De fato, como alegou a impugnante, nem todo depósito bancário é necessariamente receita tributável. Mas é preciso que o contribuinte sob fiscalização, quando regularmente intimado, apresente documentação hábil e idônea que comprove, caso a caso, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente, ou de investimento. 53. Portanto, em que pese as argumentações da contribuinte, é importante esclarecer que estando elas desacompanhadas de documentos comprobatórios, tornamse improcedentes. Nesse momento cabe recordar um brocardo jurídico que se aplica à situação que está sendo apreciada: Fl. 681DF CARF MF Processo nº 10980.720897/201039 Acórdão n.º 1302002.770 S1C3T2 Fl. 681 18 “Allegatio et non probattio, quasi non allegatio” que significa que “quem alega e não prova, se mostrará como se estivesse calado ou que nada alegasse”. Ou seja, não basta questionar graciosamente os argumentos do fisco, deve o interessado rebater de forma coerente e com meios de prova idôneos. 54. Acrescentese que a impugnação, a qual instaura a fase litigiosa do procedimento, deve, nos termos do art. 15 do Decreto n º 70.235, de 6 de março de 1972, ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, o que não ocorreu no caso em tela. Apesar das oportunidades, tanto na fase de fiscalização quanto na fase de impugnação, a interessada não trouxe aos autos prova da origem dos depósitos bancários, ficando, assim, configurada a materialização da hipótese legal, o que respalda o procedimento fiscal. 55. Assim, pretender que sejam desconsiderados os cheques de outras praças, as transferências on line e os TED e DOC, sem efetivamente comprovar que os valores não correspondem à receitas da atividade, não pode ser acatado. Por fim, alegar que o fisco não teria individualizado nenhum valor decorrente de receita da atividade também não prospera. Por primeiro, ao fisco cabe individualizar os créditos havidos nas contas correntes da pessoa jurídica e intimála a justificar a origem dos mesmos. A responsabilidade por esclarecer quais seriam decorrentes da atividade e quais teriam outras origens, é do contribuinte, haja vista tratarse de lançamento por presunção. 56. Mais adiante, afirma que os depósitos decorrem da atividade da empresa e podem ser assim decompostos: TED, DOC e transferências on line, cuja origem pode ser rastreada; cobrança e crédito unicobrança decorrentes de recebiveis de clientes; depósitos em cheques e alguns depósitos em numerário. Percebase que este não é o ponto central da lide. Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal, a movimentação bancária foi utilizada para aferir a receita bruta do sujeito passivo. Quando da análise dos extratos bancários, foram eliminadas eventuais transferências entre contas da própria empresa e os cheques por ela emitidos. Os outros valores creditados foram objeto de intimação à contribuinte para que justificasse a origem e, como não houve resposta, eles foram considerados como receitas da empresa. Portanto, não existe descompasso entre a afirmativa do sujeito passivo e a atuação do fisco. Do arbitramento 57. Argumenta que deveria ter sido concedido maior prazo para regularizar o Livro Caixa, caso este não fosse escriturado ou, se não atendesse às exigência legais, que o fisco partisse para o arbitramento do Fl. 682DF CARF MF Processo nº 10980.720897/201039 Acórdão n.º 1302002.770 S1C3T2 Fl. 682 19 lucro, porquanto, por falta de previsão legal, depósitos bancários de origem não comprovada, por terem regras específicas, não se enquadram na apuração normal das receitas da atividade da pessoa jurídica, previstas nos artigos 186 e 1888 do RIR de 1999. 58. Cumpre destacar que a ação fiscal teve início em 09/07/2009 (fl.105), oportunidade em que foram solicitados o Livro Caixa ou o Livro Diário e Razão, além dos extratos bancários. A reintimação ocorreu em 11/09/2009 (fl.109), tendo sido parcialmente atendida em 09/10/2009. Novas reintimações para a apresentação dos livros e justificar depósitos foram efetuadas em 11/11/2009, 13/01/2010 e 08/03/2010, sendo que os autos de infração foram lavrados em 22/03/2010, com ciência em 30/03/2010. 59. Pelo histórico acima, descabe alegar falta de tempo para regularizar a escrituração do Livro Caixa. Foram 08 meses de ação fiscal onde, reiteradamente a autoridade solicitou a apresentação do Livro Caixa. E mais, o livro de que se está falando se refere aos fatos ocorridos no ano calendário de 2005 e a ação iniciou em 2009, portanto, ele já deveria ter sido concluído lá atrás uma vez que os fatos registrados deveriam ter sido utilizados na declaração apresentada em 2006. 60. Outra alegação que não merece prosperar se refere ao pedido para que a autuações se desse pelo arbitramento do lucro. Ainda sobre este assunto, pretende fazer prevalecer a tese de que desde 2004 já estaria sujeita ao arbitramento, por ter extrapolado o limite de receitas, sendo, portanto, inaplicáveis os percentuais previstos no artigo 23 da Lei nº 9.317, de 1996. 61. A autuação do IRPJ no anocalendário de 2005 – Simples teve com base legal, entre outros, o art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, que assim dispõe: “Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão.” 62. Do art. 5º da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, constante da capitulação legal, se extrai: “Art. 5° O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: (...)” Fl. 683DF CARF MF Processo nº 10980.720897/201039 Acórdão n.º 1302002.770 S1C3T2 Fl. 683 20 63. Do transcrito se evidencia que, verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto de renda a ser lançado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. Em sendo empresa inscrita no Simples, e não havendo sua exclusão do referido sistema no ano fiscalizado (2005), seja por solicitação da empresa, seja de ofício, os valores devidos mensalmente pela empresa autuada devem ser determinados mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos percentuais definidos na Lei, que foi exatamente o procedimento seguido pela fiscalização, na presente autuação. 64. Sobre a matéria trazse ainda à colação o art. 18 da Lei nº 9.317, de 1996: “Art. 18. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas.” 65. À luz, portanto, dos dispositivos legais supracitados, concluise que são aplicáveis à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata a lei do Simples, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas as pessoas jurídicas optantes do referido regime de tributação (Lei nº 9.317/96, art. 18), e especificamente a prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, acima transcrito. 66. Portanto, correto o procedimento fiscal ao tributar a receita omitida na modalidade do Simples no anocalendário de 2005. 67. Alega que o fisco não logrou demonstrar que os recursos foram incorporados ao seu patrimônio, bem como constam da listagem créditos cuja origem está justificada via identificação dos depositantes, que são clientes seus, como os casos dos depósitos a título de TED, DOC e, transferências on line. 68. A presunção de omissão de receitas não exige que o fisco demonstre ter havido incremento patrimonial ao sujeito passivo e, quanto aos depósitos “justificados” repitase que nenhum documento foi apresentado quer durante a ação fiscal, quer junto à peça de defesa. Do local da autuação Fl. 684DF CARF MF Processo nº 10980.720897/201039 Acórdão n.º 1302002.770 S1C3T2 Fl. 684 21 69. Alerta que o auto de infração foi lavrado nas dependências da Receita Federal, sem uma necessária visita à sua sede, fato que revelaria as condições modestas e precárias de suas instalações e a dificuldade para fazer prova da origem de sua movimentação financeira. 70. Há que se elucidar, o fato de os autos de infração por terem sido lavrados na repartição. Dispõe o Decreto nº 70.235/1972, em seu art. 10: Art. 10 O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta e conterá obrigatoriamente: ..................................................... II o local, a data e a hora da lavratura; 71. Como se verifica no caput do art. 10 acima, o auto de infração deve ser lavrado no local da verificação da falta, o que não significa o estabelecimento do contribuinte ou outro local onde a falta foi praticada, mas sim onde foi constatada. 72. Dispondose dos elementos suficientes para caracterizar a infração e formalizar o lançamento, o auto de infração pode ser lavrado dentro da própria repartição fiscal, o que não constitui irregularidade. 73. Não há que se confundir a confecção do auto de infração (processamento de informações), que é um procedimento material, desprovido de qualquer efeito jurídico apriorístico, com lavratura de auto de infração, procedimento formal e produtor de efeitos jurídicos previstos em lei. Caso contrário, o agente seria obrigado a levar seu computador e sua impressora até a sede da empresa ou na residência do contribuinte e lá processar as informações e imprimir o auto de infração. Não há efeito jurídico que se possa extrair de tal raciocínio. 74. Assim, local da verificação da falta não significa local onde a falta foi praticada, mas sim onde foi constatada. O local de verificação da falta está vinculado ao conceito de circunscrição, para prevenir a jurisdição ou prorrogar a competência. 75. Esse é o entendimento manifestado pelas instâncias superiores em seus julgados, conforme Acórdãos transcritos a seguir: LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. "Perfeitamente legal a lavratura do auto de infração na repartição fiscal, vez que a lei prevê seja ele lavrado no local de verificação da falta e não obrigatoriamente no estabelecimento do contribuinte.” (Ac. 1º CC 10410.641/93 – DO 26/08/1996) Fl. 685DF CARF MF Processo nº 10980.720897/201039 Acórdão n.º 1302002.770 S1C3T2 Fl. 685 22 LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. "O auto de infração deve ser lavrado no local da apuração da irregularidade, não se configurando, portanto, hipótese de nulidade o fato do mesmo ter sido lançado na repartição fiscal. (...)." (Ac. 1º CC 1057.910/93 – DO 25/10/1996) 76. Argumentar que uma visita do fisco às suas instalações revelaria as condições precárias em que desempenha suas atividades, não teria o condão de fazer com que a autoridade fiscal mudasse sua forma de agir. A atividade fiscal é impessoal e se atem aos fatos concretos de que toma conhecimento por meio dos documentos angariados. Do pedido de perícia 77. Vêse, de logo, que o pedido para realização de perícia visa transferir para o Fisco a produção de provas que deveriam ter sido apresentadas pela contribuinte no decorrer da ação fiscal ou no momento da impugnação. Em se tratando de presunção legal (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996), compete ao sujeito passivo o ônus da prova de fatos que ensejaram o lançamento e, em geral, os registros da sua escrituração (art. 925 do RIR/1999). 78. Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de pleitear a realização de diligências e perícias, em conformidade com o artigo 16, inciso IV do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.748, de 1993, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerar prescindíveis ou impraticáveis (art. 18, caput , do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993). 79. Notase que, embora o pedido de perícia esteja formalmente correto, com formulação de quesitos e indicação de perito, no caso concreto, a resposta dos quesitos apresentados pela defendente transfere para terceiros a produção de provas contábeis e fiscais que deveriam ter acompanhado a impugnação. 80. A realização de diligência e perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado e/ou esclarecimento de fatos considerados obscuros no processo. Todavia, elas não integram o rol dos direitos subjetivos do autuado, podendo o julgador, se justificadamente entendelas prescindíveis, não acolher o pedido. 81. No presente caso, tratandose de comprovar a origem dos depósitos bancários ocorridos nos períodos fiscalizados, os elementos probatórios, como já se mencionou reiteradamente, deviam ter sido Fl. 686DF CARF MF Processo nº 10980.720897/201039 Acórdão n.º 1302002.770 S1C3T2 Fl. 686 23 produzidos pela parte. Dessa forma, e em conformidade com o artigo 18, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972, indefiro os pedidos de perícia, por considerala prescindível para o julgamento da presente lide. Das decisões judiciais 82. Na peça de defesa o contribuinte faz alusão a julgados dos tribunais, pretendendo que o entendimento neles adotados sejam estendidos ao presente caso. Inicialmente é improfícuo pretender que se estenda ao presente caso decisões judiciais que transcreve na peça de defesa. Observe se o disposto nos arts. 102, § 2°, e 103A da Constituição Federal (DOU de 31/12/2004), com redação dada pela Emenda Constitucional n° 45, de 08/12/2004, além do art. 8° desta Emenda, ipsis litteris: Art. 1º Os arts. 5º, 36, 52, 92, 93, 95, 98, 99, 102, 103, 104, 105, 107, 109, 111, 112, 114, 115, 125, 126, 127, 128, 129, 134 e 168 da Constituição Federal passam a vigorar com a seguinte redação: “[...] Art. 102. .................................................. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. [...]” Art. 2º A Constituição Federal passa a vigorar acrescida dos seguintes arts. 103A, 103B, 111A, 130A: “Art. 103A: O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” Fl. 687DF CARF MF Processo nº 10980.720897/201039 Acórdão n.º 1302002.770 S1C3T2 Fl. 687 24 [...] Art. 8º As atuais súmulas do Supremo Tribunal Federal somente produzirão efeito vinculante após sua confirmação por dois terços de seus integrantes e publicação na imprensa oficial. 83. Assim, apenas as súmulas vinculantes supramencionadas deverão ser observadas pela Administração Pública e aquelas decisões judiciais em que o contribuinte se configure como parte. Nesse passo, também não serão conhecidas as decisões judiciais suscitadas pelo litigante, posto que vinculam somente às partes envolvidas naqueles litígios específicos, não abrangendo terceiros. Da multa agravada 84. Ataca o agravamento da multa, exigida nops termos do inciso II do § 2º do artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996, a seguir: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) ... § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I – prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea “a” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) 85. A autoridade fiscal justificou o agravamento nos seguintes termos: Em virtude do não atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº1, no qual deveria o contribuinte prestar esclarecimentos sobre os valores recebidos em suas contas bancárias, aplicouse o aumento previsto no § 2º transcrito acima, o que resultou no percentual de 112,5%. 86. Pois bem, sobre a majoração da multa de ofício praticada pelo Fisco, baseada no não atendimento integral, pela fiscalizada, da intimação Fl. 688DF CARF MF Processo nº 10980.720897/201039 Acórdão n.º 1302002.770 S1C3T2 Fl. 688 25 para justificar os depósitos havidos em suas contas correntes durante a ação fiscal, impende ver sua aplicação. 87. No entender deste Relator, a imposição da multa de ofício com agravamento em 50% de seu percentual original (75% ou 150%), elevando a a patamares de 112,50% e 225,00%, exige a ausência total de atendimento, por parte do sujeito passivo, das intimações emitidas pela fiscalização no curso do procedimento investigativo, o que não ocorreu nos autos presentes. 88. É bem verdade que a fiscalizada não atendeu integralmente aquilo que lhe exigiu a fiscalização, mas não é menos verdade que vários documentos e respostas foram trazidos pela autuada no curso do procedimento, conforme expressamente reconhecido pelo autuante em diversos termos que lavrou. 89. Isto é, ainda que não tenha fornecido tudo que lhe foi imposto pela autoridade tributária, a autuada não deixou de cumprir vários dos pleitos formulados, tendo providenciado a entrega, dentre outros, de parte dos extratos bancários. 90. A não entrega dos livros e documentos levou a fiscalizada a ser alvo de lançamento por presunção legal de omissão de receitas e esse foi o ônus que teve que suportar pelo seu procedimento, descabendo a aplicação da multa majorada. 91. Em síntese, a aplicação da multa de ofício em percentuais acrescidos de 50% exigiria uma omissão completa da fiscalizada no atendimento àquilo que a fiscalização lhe impôs, o que não se viu nos autos. 92. A jurisprudência administrativa caminha no mesmo trilho (ementa transcrita apenas na parte relativa ao assunto discutido): Número do Processo 11007.000921/200541 Data da Sessão 07/11/2007 Relator(a) Luiz Martins Valero Nº Acórdão 10709208 MULTA AGRAVADA NO ARBITRAMENTO – DESCABIMENTO O agravamento da multa de ofício em face do não atendimento à intimação para apresentação da escrituração ou de esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tem conseqüências específicas previstas na legislação, no caso o arbitramento dos lucros. 93. Pelo exposto, dáse provimento à impugnação neste aspecto, reduzindose as multas aplicadas de 112,50% para 75,00%, conforme descrição nos autos de infração lavrados. Lançamentos decorrentes Fl. 689DF CARF MF Processo nº 10980.720897/201039 Acórdão n.º 1302002.770 S1C3T2 Fl. 689 26 94. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos, implicam a obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários. A decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, mantida a exigência do IRPJ, o mesmo destino deve ser dato às exigências relativas às contribuições, uma vez que não há qualquer alegação ou fato que possa levar à conclusão diversa. Conclusão Por todo o exposto, NEGO provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 690DF CARF MF
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