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Numero do processo: 10980.935305/2011-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.613
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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COFINS. Recorrente Sociedade Paranaense de Ensino e InformáticaSPEI Recorrida Fazenda Nacional Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. A DRF, no despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada, conforme o caso. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade cuja argumentação é a seguir resumida. Sustenta que é uma instituição de educação sem fins lucrativos e, nos termos do art. 14, X da MP nº 2.15835, de 2001, estaria isenta da COFINS. Argumenta que tal RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 35 30 5/ 20 11 -6 2 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10980.935305/201162 Resolução nº 3301000.613 S3C3T1 Fl. 3 2 dispositivo estabelece que tal isenção se dá, a partir de 01/02/1999, para as receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13, o qual, por sua vez, referese às “instituições de educação e de assistência social” arroladas no art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Afirma que se encaixa nos requisitos legais, uma vez que: (a) não remunera, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (b) aplica integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; e (c) assegura a destinação de seu patrimônio à outra instituição congênere, em caso de extinção. Anexa o seu Estatuto Social para provar o alegado. Relativamente à expressão “atividade própria” (art. 14, X, da MP 2.158/35), argumenta que deve ser entendida como aquela atividade regular e relativa à natureza essencial da entidade. Sustenta que ‘própria’ é toda a atividade prevista em seu estatuto, ou na lei, já que conexa à própria existência da pessoa jurídica. Assim, assevera que “a existência de finalidade lucrativa não devia ser vinculada à gratuidade ou não dos serviços prestados ou à forma de obtenção da receita, nas, sim, à forma como ela é aplicada. Caso constitua objetivo da instituição exercer atividade educacional sem fins lucrativos, ainda que o serviço seja prestado mediante o pagamento de mensalidade ou retribuições, a receita obtida com as mensalidades constitui receita própria de sua atividade e, desta forma, estaria isenta da COFINS.” Afirma, outrossim, que os princípios da legalidade e da legalidade tributária impede o Fisco de exigir tributo que não está previsto em lei, acrescentando que a lei, nesse caso, prevê expressamente uma isenção. Portanto, em seu entendimento, não há “espaço para que atos normativos como, por exemplo, decretos, instruções normativas, atos interpretatórios ou declaratórios criem qualquer redução ou limitação à isenção de COFINS prevista nos artigos 13 e 14 da MP 2.15835/01”. No seguimento, tece comentários sobre o instituto da compensação para afirmar que “tendo a instituição recolhido o tributo de forma indevida tem direito à restituição/compensação”. Em razão do alegado, requer a homologação da compensação pleiteada. A 3ª Turma da DRJ/CTA indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 06046.041. Em seu recurso voluntário, a empresa: § Reitera os fundamentos de sua manifestação de inconformidade; § Declara que se subsume à isenção do art. 14, X da MP n° 2.15835; § Aduz que “todos os valores que são aplicados no desenvolvimento da atividade da entidade sem fins lucrativos são receitas decorrentes de atividades próprias”. § Defende a inaplicabilidade da IN n° 247/2002; § Junta documentos que comprovariam sua condição de isenta. É o relatório. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10980.935305/201162 Resolução nº 3301000.613 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.589, de 19 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.934789/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.589): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Os fundamentos da negativa do pleito da Recorrente pela DRJ foram: I. Na interpretação do art. 14, X da MP, entendeu o voto condutor que seriam receitas de atividades próprias das instituições a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532/97, apenas as receitas típicas dessas entidades, como as decorrentes de contribuições, doações e subvenções por elas recebidas, bem assim mensalidades ou anuidades pagas por seus associados, destinadas à manutenção da instituição e consecução de seus objetivos sociais, sem caráter contraprestacional. A DRJ aplicou o art. 47, da Instrução Normativa n° 247/2002: Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: I – não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II – são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. § 1º Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. II. Atendeu ao comando do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, aduzindo que se sujeitam à incidência da COFINS, as receitas decorrentes de atividades comuns às dos agentes econômicos, como as resultantes da venda de mercadorias e prestação de serviços, inclusive as receitas de matrículas e mensalidades dos cursos ministrados pelas entidades educacionais, ainda que exclusivamente a seus Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10980.935305/201162 Resolução nº 3301000.613 S3C3T1 Fl. 5 4 associados e em seu benefício e, receitas de aplicações financeiras. Concluiu que estão sujeitas à COFINS, por força da Lei nº 9.718/98, as receitas de caráter contraprestacional, inclusive as mensalidades cobradas por instituições de educação e as receitas financeiras auferidas. A revisão dos dois pontos será feita a seguir. Isenção do art. 14, X, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001 Prescreve o art. 14, X da MP n° 2.15835: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. Por sua vez, o art. 13 do mesmo veículo normativo dispõe: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997; Notese que o art. 13, III da MP nº 2.15835/2001 ao fazer remissão ao art. 12 da Lei n° 9.532/1997, condiciona a Instituição ao cumprimento das exigências impostas por esta Lei. O art. 12 da Lei n° 9.532/1997, com redação vigente à época, exigia: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10980.935305/201162 Resolução nº 3301000.613 S3C3T1 Fl. 6 5 d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3º Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinando exercício, destine referido resultado integralmente ao incremento de seu ativo imobilizado. Ocorre que as mensalidades cobradas por instituições de educação estão ao abrigo da norma isentiva, como já pacificado pela Súmula CARF n° 107 e pelo REsp 1.353.111 RS, DJ 18/12/2015, julgado como recurso repetitivo, transitado em julgado desde 02/03/2016, verbis: Súmula CARF nº 107 A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. REsp 1.353.111 – RS PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COFINS. CONCEITO DE RECEITAS RELATIVAS ÀS ATIVIDADES PRÓPRIAS DAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS PARA FINS DE GOZO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 14, X, DA MP N. 2.15835/2001. ILEGALIDADE DO ART. 47, II E § 2º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 247/2002. SOCIEDADE CIVIL EDUCACIONAL OU DE CARÁTER CULTURAL E CIENTÍFICO. MENSALIDADES DE ALUNOS. 1. A questão central dos autos se refere ao exame da isenção da COFINS, contida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), relativa às entidades sem fins lucrativos, Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10980.935305/201162 Resolução nº 3301000.613 S3C3T1 Fl. 7 6 a fim de verificar se abrange as mensalidades pagas pelos alunos de instituição de ensino como contraprestação desses serviços educacionais. O presente recurso representativo da controvérsia não discute quaisquer outras receitas que não as mensalidades, não havendo que se falar em receitas decorrentes de aplicações financeiras ou decorrentes de mercadorias e serviços outros (vg. estacionamentos pagos, lanchonetes, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade, receitas de formaturas, excursões, etc.) prestados por essas entidades que não sejam exclusivamente os de educação. 2. O parágrafo § 2º do art. 47 da IN 247/2002 da Secretaria da Receita Federal ofende o inciso X do art. 14 da MP n° 2.15835/01 ao excluir do conceito de "receitas relativas às atividades próprias das entidades", as contraprestações pelos serviços próprios de educação, que são as mensalidades escolares recebidas de alunos. 3. Isto porque a entidade de ensino tem por finalidade precípua a prestação de serviços educacionais. Tratase da sua razão de existir, do núcleo de suas atividades, do próprio serviço para o qual foi instituída, na expressão dos artigos 12 e 15 da Lei n.º 9.532/97. Nessa toada, não há como compreender que as receitas auferidas nessa condição (mensalidades dos alunos) não sejam aquelas decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001). Sendo assim, é flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 4. Precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (...) 6. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: as receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade" , conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), sendo flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 7. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Logo, deve a decisão de piso ser reformada nesse ponto. A respeito do cumprimento dos requisitos do art. 12 da lei n° 9.532/97, aponta a Instituição os artigos do seu Estatuto Social que comprovam exatamente o exigido pela Lei n° 9.532/97 (art. 1°, 3°, 30, 32, 34), junta a DIPJ alegando que sua condição sempre foi de conhecimento do fisco e prossegue: Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10980.935305/201162 Resolução nº 3301000.613 S3C3T1 Fl. 8 7 Entendo que a prova do cumprimento dos requisitos é da Recorrente, contudo não foi instada a isso quando da edição do Despacho Decisório. No recurso voluntário, acostou documentos que merecem a análise da Delegacia de Origem. Alargamento da Base de Cálculo da COFINS – RE n° 585.235/MG RG Resta pacificado no STF o entendimento sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico das operações empresariais típicas, que constitui a base de cálculo do PIS. O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Em decorrência, apenas o faturamento decorrente da prestação de serviços e da venda de mercadorias (não se podendo incluir outras receitas, tais como aquelas de natureza financeira) pode ser tributado pelo PIS. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10980.935305/201162 Resolução nº 3301000.613 S3C3T1 Fl. 9 8 Logo, assiste razão à Recorrente quando alega que as receitas financeiras não podem compor a base de cálculo da COFINS. Conclusão Diante da plausibilidade do pleito da Recorrente, entendo necessária a conversão em diligência deste processo para a confirmação da tributação indevida pela COFINS sobre as receitas operacionais (“próprias”), bem como sobre as receitas financeiras. Isso porque a tributação sobre as “receitas próprias”, incluídas as mensalidades pagas por alunos, são isentas, nos termos do art. 14, X da Medida Provisória. Ao passo que a exclusão das receitas financeiras se dá com base na inconstitucionalidade do alargamento a base de cálculo da COFINS pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Por conseguinte, voto pela conversão do julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente no recurso voluntário; b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas próprias e receitas financeiras na base de cálculo da COFINS, fazendo a segregação entre as receitas, se houver; c) Verifique o cumprimento pela Recorrente dos requisitos do art. 12 da Lei n° 9.532/1997. Para tanto, intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos, caso necessário; d) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Após, retorne o processo ao CARF para julgamento. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente no recurso voluntário; b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas próprias e receitas financeiras na base de cálculo da COFINS, fazendo a segregação entre as receitas, se houver; Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10980.935305/201162 Resolução nº 3301000.613 S3C3T1 Fl. 10 9 c) Verifique o cumprimento pela Recorrente dos requisitos do art. 12 da Lei n° 9.532/1997. Para tanto, intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos, caso necessário; d) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Após, retorne o processo ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.901056/2012-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001
DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO.
Conforme reconstrução lógica e expressa de dispositivos da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e da legislação pertinente ao Processo Administrativo Fiscal, assim como do previsto no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o contribuinte deve comprovar o direito creditório e o pagamento indevido em casos de pedido de restituição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.585
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO. Conforme reconstrução lógica e expressa de dispositivos da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e da legislação pertinente ao Processo Administrativo Fiscal, assim como do previsto no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o contribuinte deve comprovar o direito creditório e o pagamento indevido em casos de pedido de restituição. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório DELTA VEÍCULOS LTDA. apresentou Pedido de Restituição (PER) de alegado pagamento indevido da contribuição (PIS/Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o pedido, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 10 56 /2 01 2- 23 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10480.901056/201223 Acórdão n.º 3201003.585 S3C2T1 Fl. 3 2 integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente solicitou a reunião para julgamento conjunto dos processos administrativos conexos, arguindo o seguinte: a) o pagamento indevido decorrera da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, declarada em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF), de observância obrigatória por parte dos órgãos da Administração Tributária por força do art. 26 A, § 6º, do Decreto nº 70.235/1972 e do art. 59 do Decreto nº 7.574, de 2011, bem como do art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF (RICARF); b) contrariamente ao disposto no art. 65 da Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, não fora intimado a esclarecer a higidez de seu crédito e que, tivesse isto ocorrido, o pedido de restituição teria sido deferido, na medida em que teria logrado comprovar o direito ao reconhecimento do indébito; c) nos termos do art. 142 do CTN, é dever da Fiscalização aprofundar o exame da situação concreta, de modo que o lançamento e também as demais glosas fiscais se baseiem na correta subsunção dos fatos à lei, não tendo a Fiscalização sequer tomado conhecimento das razões que justificavam o pedido de restituição; d) o art. 62A, caput, do RICARF vincula o Colegiado a adotar as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF sob o regime previsto no art. 543B do CPC, tal como ocorrera, na situação aqui tratada, no RE nº 585.235, pois “um dispositivo de lei declarado inconstitucional é uma norma absolutamente nula, impossibilitada de produzir efeitos jurídicos válidos, em razão de seu desacordo com o texto constitucional, a quem deve irrestrita obediência”, sendo ilógico "que a administração fazendária continuasse a reconhecer a validade de um texto de lei já declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal”, entendimento esse escorado em diversos precedentes administrativos da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF); e) na base de cálculo da contribuição, “somente deveriam ter sido incluídos pela requerente os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços”. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou, além de documentos de representação processual, (i) planilha com as rubricas sobre as quais apurou o suposto crédito a ser restituído e (ii) cópia de folhas de Balancete correspondente ao período de apuração aqui tratado. Nos termos do Acórdão nº 11040.812, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que o reconhecimento do direito à restituição exige a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior, cujo ônus recai sobre o sujeito passivo. Decidiu também a DRJ que, ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c” do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, as provas comprobatórias do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10480.901056/201223 Acórdão n.º 3201003.585 S3C2T1 Fl. 4 3 Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterou seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa, e juntou aos autos cópias de documentos que, segundo ele, comprovariam o direito creditório pleiteado. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.578, de 21/03/2018, proferido no julgamento do processo 10480.900123/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.578): Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Em que pese a brilhante construção de argumentos a favor do contribuinte, não há nos autos nenhuma prova inequívoca do direito creditório, que permita caracterizar as receitas como hipóteses de exclusão da base de cálculo do Pis, mesmo dentro do conceito de faturamento determinado pelo STF. Desse modo, votase para que a decisão de primeira instância seja mantida sob o fundamento da ausência de comprovação do direito creditório por parte do contribuinte, nos mesmos moldes do seguinte trecho: "44. Antes de adentrar no exame da possibilidade, ou não, desta primeira instância administrativa afastar a disposição contida no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, consigno que, para evidenciar o seu direito à restituição, a contribuinte se limitou a apresentar planilha em que lista diversas rubricas que entende escapariam do conceito de receita de vendas de mercadorias e/ou de prestação de serviços e, além disto, cópia de Balancete Mensal em que constam registros de diversas receitas, mas não comprovou que, efetivamente, incluiu, na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep recolhida de acordo com o valor confessado em DCTF, as receitas por ele indicadas na Manifestação de Inconformidade. 45. Para fazer jus à repetição do indébito, a recorrente, além de ter comprovado que auferiu as outras receitas por ela apontada no recurso, deveria ter apresentado demonstrativo, acompanhado dos correspondentes Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10480.901056/201223 Acórdão n.º 3201003.585 S3C2T1 Fl. 5 4 documentos contábeis fiscais/contábeis comprobatórios de sua exatidão, da apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, devida à alíquota de 0,65%, sobre as receitas de venda de mercadorias e/ou prestação de serviços, o que aqui é indispensável, pois, diante da atividade exercida pela recorrente, é evidente que ela também comercializa produtos (tais como veículos) cujas receitas sofre a incidência desta contribuição à alíquota zero, pois o produto, a depender do período de apuração, foi submetido em etapa anterior à tributação por substituição tributária ou de forma concentrada5." Conforme reconstrução lógica e expressa de dispositivos da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e da legislação pertinente ao processo administrativo fiscal, assim como do previsto no Art. 16 do Decreto 70.235/72, o contribuinte deve comprovar o direito creditório e o pagamento indevido em casos de pedido de restituição. Diante do exposto, votase para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 115DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.694837/2009-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação cujo crédito é decorrente de pagamento de IRPJ a maior que o devido. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em face de o crédito informado decorrer de "pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período". Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente pelo seguinte fundamento: "a pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 94 83 7/ 20 09 -4 8 Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10880.694837/200948 Resolução nº 1201000.375 S1C2T1 Fl. 3 2 indevido ou a maior a título de estimativa mensal somente poderá utilizar o valor pago na dedução do tributo devido ao final do período de apuração". Foi manejado o Recurso Voluntário em que é alegado: a) houve um equívoco da contribuinte ao indicar o crédito como decorrente de pagamento indevido ou a maior que o devido; b) o valor do "pagamento indevido" é exatamente o mesmo do saldo negativo apurado ao final do período de apuração; c) houve retificação da DIPJ para que esta espelhasse com exatidão o valor do saldo negativo; d) não foi possível retificar a Dcomp após a emissão do Despacho Decisório, por impedimento imposto pelo próprio sistema da Receita Federal; É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.362, de 23.02.2018, proferida no julgamento do Processo nº 10880.679536/200994, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 31/10/2006 e, nos presentes autos, o contribuinte solicita a compensação de débito com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ recolhido em 29/12/2004. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.362): "O crédito indicado é relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ. Consultandose a DIPJ retificadora correspondente ao anocalendário em questão, verificase que, dentre as estimativas de IRPJ a pagar declaradas, não se vê nenhum valor igual ao do crédito pleiteado. Nessa mesma declaração foi apurado saldo negativo de IRPJ, em face da dedução de estimativas pagas e IRRF durante o anocalendário. Ocorre que o total das estimativas a pagar apuradas mensalmente nas fichas próprias da DIPJ é menor que o indicado para fins de apuração do saldo negativo. Também, o total do IRRF aproveitado para fins de dedução das estimativas mensais devidas tem valor maior que aquele declarado na ficha da apuração anual (saldo negativo). Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10880.694837/200948 Resolução nº 1201000.375 S1C2T1 Fl. 4 3 Nas DCOMPs com que a recorrente pretendeu retificar as originariamente entregues, há informações quanto a estimativas pagas, compensadas e de IRRF. Ocorre que esses valores também não são consentâneos com os declarados na DIPJ. Vêse, assim, que não há certeza quanto ao valor do saldo negativo apurado. Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: a) verifique qual é o real montante do saldo negativo do período, em face das estimativas efetivamente pagas, compensadas e do IRRF; b) relacione todas as Dcomps relativas a pagamento a maior de IRPJ do anocalendário em questão, discriminando todos os créditos e débitos indicados para compensação, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência do saldo negativo apurado, considerandose, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. Encerrada a diligência, a contribuinte deverá ser intimada para que, querendo, manifestese num prazo de trinta dias. Havendo ou não manifestação da contribuinte, após esgotado o prazo a ela concedido os autos devem retornar ao CARF para julgamento. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, converto o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 259DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13618.000054/2003-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2007
Ementa: IPI. RESSARCIMENTO. LEI N° 9.779/99. 0 aproveitamento
dos créditos do IPI incidentes sobre a fabricação de produtos
somente é possível uma vez devidamente comprovada que os
referidos insumos se constituem em matérias-primas, materiais
de embalagem ou produtos intermediários conforme prescreve a
legislação.
TAXA SELIC. Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos
termos do art. 39, § 4° da Lei n° 9.250/95, a partir de 01.01.96,
sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição,
conforme entendimento da Câmara Superior de Recurso Fiscais
no Acórdão CSRF/02-0.708, de 04.06.98, além do que, tendo o
Decreto n° 2.138/97 tratado restituição e ressarcimento da
mesma maneira, a referida Taxa incidirá, também, sobre o
ressarcimento.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 203-11.905
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso apenas quanto à atualização monetária (Selic), admitindo-a a partir da data de protocolização do pedido de ressarcimento. Vencidos os Conselheiros Odassi Guerzoni Filho e Antonio Bezerra Neto.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Dalton Cesar Cordeiro de Miranda
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso apenas quanto à atualização monetária (Selic), admitindo-a a partir da data de protocolização do pedido de ressarcimento. Vencidos os Conselheiros Odassi Guerzoni Filho e Antonio Bezerra Neto.
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Numero do processo: 16327.911639/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.545
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
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(assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SP1), que, por meio do Acórdão 1648.847, de 25 de julho de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 11 63 9/ 20 09 -1 6 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 16327.911639/200916 Resolução nº 1401000.545 S1C4T1 Fl. 164 2 (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) 1.O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a declaração de compensação, fls. 108 a 111 (PER/DCOMP nº 32516.24793.290906.1.3.040164), na qual pleiteia da compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de IRPJ – código 2319, referente ao período de apuração 31/01/2006. 2.Pelo Despacho Decisório de fls. 75 o contribuinte foi cientificado, em 31/08/2009 (fls. 76), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. 3.Em razão do acima descrito não foi homologada a compensação pleiteada, restando indevidamente compensado o débito de R$ 118.058,73 (valor principal). 4.Irresignado, o contribuinte apresentou, em 30/09/2009, a Manifestação de Inconformidade de fls. 02 a 19, informando e argumentando, em apertada síntese o seguinte: 4.1.Apurou, em janeiro de 2006, estimativa mensal de IRPJ no montante de R$ 951.510,05 e procedeu, por equívoco, ao recolhimento de R$ 1.099.136,17, sendo, portanto, possuidor de um direito de crédito no valor de R$ 147.626,12. Até porque no encerramento do exercício 2007 (ano base 2006), acabou apurando, a título de IRPJ, valor inferior ao montante efetivamente recolhido com base nas estimativas mensais do referido tributo (saldo negativo). 4.2.Não apurou IRPJ a pagar no encerramento do exercício, no entanto recolheu a quantia de R$ 1.099.136,17 correspondente ao somatório das estimativas mensais, restandolhe, portanto um saldo credor do mesmo valor que deve ser reconhecido com saldo negativo, o qual pode ser utilizado para quitação, via compensação, de débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela RFB, nos termos autorizados pelo artigo 74, da Lei nº 9.430/96. Assim sendo, apresentou o presente PER/DCOMP para a compensação de parte do débito de CSLL apurado em março de 2006. 4.3.Pela leitura do despacho decisório depreendese que a compensação não foi homologada por supostamente não existirem créditos suficientes para tanto, uma vez que o DARF utilizado para tanto já estaria vinculado ao pagamento da estimativa mensal de IRPJ do exercício 2006 (sic), não existindo crédito a ser utilizado para a restituição e/ou compensação. 4.4.Não assiste razão ao Fisco, pois deve ser reconhecido o seu direito à compensação, com créditos líquidos e certos advindos de pagamento a maior e indevido, nos termos do inciso II, do artigo 156, do CTN. 4.4.1.Uma vez constatado que os valores pagos por estimativa mensal superam o montante efetivamente devido da exação no encerramento do exercício como comprovadamente ocorreu no presente caso é forçoso reconhecer que todos os pagamentos realizados a título das antecipações mensais compõem o prejuízo fiscal apontado para o período em questão. Assim, deve ser reconhecido que o Requerente apurou saldo negativo da IRPJ ao final do exercício de 2007 (ano base 2006), oriundo dos pagamentos comprovadamente realizados a maior a título de estimativa mensal de imposto no referido ano, assegurandose, por conseguinte, o seu direito à utilização do Fl. 164DF CARF MF Processo nº 16327.911639/200916 Resolução nº 1401000.545 S1C4T1 Fl. 165 3 referido saldo negativo para a compensação pleiteada., nos termos do inciso II, do artigo 156, do CTN. 4.5.O que se verifica no presente caso é o mero cometimento de um simples erro formal no preenchimento do PER/DCOMP pois, ao invés de informar que a origem do seu crédito decorre da apuração de saldo negativo de IRPJ no exercício de 2007 (ano base 2006), acabou informando que seu crédito decorreria de pagamento indevido ou a maior. 4.5.1.O cometimento de mero erro formal não pode, em hipótese alguma, prejudicar a utilização de seu saldo negativo para a quitação, via compensação, de seus débitos, isto porque o preenchimento de declarações, como a declaração de compensação, encontrase no rol das obrigações acessórias, que tem como razão de ser a garantia do cumprimento da obrigação tributária principal, ou seja, visa possibilitar o controle, por parte do Fisco, das atividades exercidas pelo contribuinte, com o objetivo de verificar a adequação dos montantes levados por este a título de tributos aos cofres públicos. 4.5.2.Se por qualquer outro meio, a autoridade administrativa puder verificar a adequação dos recolhimentos efetuados pelo contribuinte, bem como proceder ao devido controle de suas atividades, temse que reconhecer que o eventual descumprimento dos deveres instrumentais não poderá prejudicar o direito do contribuinte, no presente caso o direito do requerente à compensação de seus débitos com saldo negativo de IRPJ devidamente comprovado, sendo certo que a fiscalização possuía todas as informações necessárias à verificação deste direito. Assim, segundo o § 2º do artigo 147 do CTN deve ser efetuada a retificação de ofício da PER/DCOMP ora analisada, a fim de que passe a constar a informação de que a compensação declarada utilizase de crédito advindo de saldo negativo de IRPJ, comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado. 4.5.3.A Solução de Consulta da RFB nº 90/2009 admite a compensação, por meio de PER/DCOMP, de estimativas fiscais, antes mesmo do encerramento do ano calendário. 5.Por fim, solicita que seja a presente manifestação de inconformidade julgada integralmente procedente, reconhecendose o direito à compensação declarada com a conseqüente extinção do débito vinculado, bem como seja determinada a retificação de ofício do referido pedido de compensação para que passe a constar a informação de que a origem do crédito em questão é o saldo negativo de IRPJ do exercício 2007, nos termos em que autorizados pelo artigo 147 § 2º do CTN ou, sucessivamente, que seja aplicada a mesma interpretação dada na Solução de Consulta nº 90/2009. Requer ainda, enquanto perdurar o julgamento, que o crédito tributário advindo da não homologação da compensação tenha a sua exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, inciso III, do CTN e conforme a previsão constante do artigo 66, § 5º da IN SRF nº 900, de 30.12.2008. É o relatório. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SP1), que, por meio do Acórdão 1648.847, de 25 de julho de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa, conforme a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 165DF CARF MF Processo nº 16327.911639/200916 Resolução nº 1401000.545 S1C4T1 Fl. 166 4 Data do fato gerador: 24/02/2006 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. MODIFICAÇÃO DA NATUREZA DO CRÉDITO PLEITEADO. NOVO PER/DCOMP. A modificação do tipo de crédito implica alteração da sua natureza, o que não configura erro formal e nem inexatidão material (erro de preenchimento ou de digitação), mas, sim, erro no critério jurídico, de forma que para alterar o tipo de crédito, impõese cancelar o PER/DCOMP errado e apresentar outro certo COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada, eletronicamente, da decisão de DRJ em 28/08/2013 (efl. 126) e insatisfeita com a decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário (efls. 128 a 148) em 13/09/2013 (efl. 149), em que repete os argumentos trazidos na impugnação. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972, devendo pois ser reconhecido. Para o julgamento deste processo, devese analisar, inicialmente, se a indicação de origem do crédito diversa da que efetivamente tenha ocorrido deve ensejar a improcedência do direito creditório da recorrente. Entendo que não. A indicação de que o crédito se refere a pagamento a maior no caso, por recolhimento de estimativas , e não a saldo negativo de IRPJ, como alegou a DRJ para fundamentar a negação ao direito creditório, não impede que se verifique se a empresa efetivamente tem direito ao crédito. Entendo importante e extremamente necessário que a fazenda nacional crie regras e estabeleça procedimentos que objetivem o controle das informações prestadas pelos Fl. 166DF CARF MF Processo nº 16327.911639/200916 Resolução nº 1401000.545 S1C4T1 Fl. 167 5 contribuintes. Dentre esses controles, a informação de crédito tributário e de seu consequente pedido de restituição deve comportar verdadeiramente o que ocorreu na realidade fática. Em busca disso, instituiuse o Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). No caso concreto, a empresa apresentou o PER/DCOMP em época própria, indicando que o crédito apurado tinha origem em pagamento a maior. A DRJ, por sua vez, indeferiu o pedido creditório por entender que a empresa deveria ter indicado que o saldo advinha de saldo negativo de IRPJ. Vide Ementa: PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. MODIFICAÇÃO DA NATUREZA DO CRÉDITO PLEITEADO. NOVO PER/DCOMP. A modificação do tipo de crédito implica alteração da sua natureza, o que não configura erro formal e nem inexatidão material (erro de preenchimento ou de digitação), mas, sim, erro no critério jurídico, de forma que para alterar o tipo de crédito, impõese cancelar o PER/DCOMP errado e apresentar outro certo. Para decidir, a DRJ entendeu "que o erro de preenchimento do PER/DCOMP apresentado na realidade se traduz num efetivo erro de critério jurídico por parte do manifestante, uma vez que a alteração do tipo de crédito interfere na natureza do próprio direito que se pretende demonstra ", se apegando ao formalismo da norma que ali indica, qual seja, artigo 89 da IN RFB 1.300/2012 (que repete o artigo 58 da IN SRF 600/2005, e o artigo 78 da IN RFB nº 900/2008), combinado com o artigo 32 do Decreto nº 70.235/72. Veja (efl. 118): “Art. 89. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário em meio papel somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 90. “Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo.” (grifos nossos) Não obstante o posicionamento da delegacia de julgamento, entendo que há relevantes indícios de que a recorrente possui o crédito pleiteado. Na DIPJ, por exemplo, a empresa recolheu tributos e apurou saldo negativo no final do anocalendário. Assim, por entender que ninguém pode se apropriar indevidamente do recursos que não lhe competem, e em busca da verdade material, supero as razões da DRJ para analisar o crédito ora pleiteado. Entretanto, entendo que o caso ainda requer uma análise mais aprofundada sobre o suposto direito creditório. E a própria DRJ indicou a necessidade de tal análise, mesmo que ao fim tenha julgado improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora recorrente, veja se (efl. 118): Fl. 167DF CARF MF Processo nº 16327.911639/200916 Resolução nº 1401000.545 S1C4T1 Fl. 168 6 No presente caso, além dos pagamentos e informados haveria que se verificar a existência de retenções na fonte e se dentre o total antecipado por meio das chamadas estimativas mensais existiriam parcelas vinculadas à compensações. Caberia também a validação destas mesmas antecipações através da análise de créditos vinculados, efetivo pagamento das estimativas ou comprovação das eventuais retenções, ou seja, não há como fazer análise de um saldo negativo apenas por meio dos pagamentos informados, ainda mais de forma fracionada, uma vez que o presente PER/DCOMP contemplaria apenas parte do suposto crédito pleiteado. Quanto à retificação da DCTF, ao contrário do que fundamentou a DRJ, entendo também que há indícios de que a DCTF retificadora equivale ao valor que efetivamente deveria ser declarado. Desta feita, proponho baixar o processo em diligência para que seja analisado o seguinte: 1) Verificar se existe Per/Dcomp entregue em relação ao mesmo período de apuração, que tenha como natureza do crédito saldo negativo do tributo pleiteado. 2) Verificar se os pagamentos indevidos coincidem com o saldo negativo, incluindo a análise de qualquer recolhimento efetuado pela recorrente ou por terceiros, mas em nome dela. 3) Enfim, informar se a recorrente tem direito ao crédito pleiteado e indicar se o valor do crédito coincide com o constante no PER/DCOMP. 4) Preparar Informação Fiscal sobre o resultado da diligência, encaminhála à empresa e intimar a recorrente para que se manifeste sobre o seu teor, no prazo de 30 (trinta) dias contados da intimação, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.784/1998. 5) Após encaminhar o processo ao CARF para seu julgamento. É como voto! (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.900434/2014-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto da relatora. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto da relatora. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto da relatora. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarouse impedido. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Florianópolis/SC, que declarou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte. Versa este processo sobre Pedido de Ressarcimento (PER) nº 35862.80315.261213.1.1.097425 (fls. 1781 e seguintes), transmitido em 26/12/2013, de créditos da COFINS de incidência nãocumulativa, vinculados à receita de exportação, apurados no 4º trimestrecalendário de 2010 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 00 43 4/ 20 14 -5 2 Fl. 7300DF CARF MF Processo nº 10983.900434/201452 Resolução nº 3402001.364 S3C4T2 Fl. 7.301 2 Em julgamento datado de 31 de maio de 2016, a DRJ de Florianópolis/SC declarou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, nos termos da ementa a seguir colacionada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindível é a perícia requerida pelo contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferila. DIREITO DE CRÉDITO. ALEGAÇÕES CONTRA O FEITO FISCAL. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Nos processos administrativos referentes reconhecimento de direito creditório, deve o contribuinte, em sede de contestação ao feito fiscal, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela autoridade fiscal para não reconhecer, ou reconhecer apenas parcialmente o direito pretendido. PIS/PASEP. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. APURAÇÃO DO CRÉDITO. DACON A apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, não cumulativas, é realizada pelo contribuinte por meio do Dacon, não cabendo a autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses créditos, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados neste demonstrativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CRÉDITO. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A adoção do regime de competência na apuração da Cofins e dos correspondentes créditos da não cumulatividade decorre da legislação tributária, sendo, portanto, de observação obrigatória pelo contribuinte. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. Fl. 7301DF CARF MF Processo nº 10983.900434/201452 Resolução nº 3402001.364 S3C4T2 Fl. 7.302 3 As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Cofins são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da Cofins somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS À CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO. É vedado o direito a créditos da Cofins não cumulativa sobre as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição; nos casos de isenção, quando os bens sejam revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas as embalagens que se caracterizam como insumos, que são incorporadas ao produto destinado à venda durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação) dão direito a crédito na sistemática não cumulativa da Cofins. As agregadas ao produto apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tão somente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. PARTES E PEÇAS PARA REPOSIÇÃO. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. As partes e peças de reposição aplicadas em máquinas e equipamentos podem ser considerados insumos para fins de creditamento na sistemática não cumulativa da Cofins, desde que as máquinas e equipamentos em que foram utilizadas sejam diretamente utilizados no processo produtivo do bem destinado à Fl. 7302DF CARF MF Processo nº 10983.900434/201452 Resolução nº 3402001.364 S3C4T2 Fl. 7.303 4 venda e desde que não repercutam em aumento, superior a um ano, de vida útil do bem. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. No regime não cumulativo da Cofins, as aquisições de combustíveis e lubrificantes geram crédito desde que tais produtos sejam diretamente utilizados nas máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo da empresa. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. SERVIÇO DE MANUTENÇÃO. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. Os serviços de manutenção de máquinas e equipamentos podem ser considerados insumos para fins de creditamento na sistemática não cumulativa da Cofins, entretanto, desde que as máquinas e equipamentos em que são aplicados sejam diretamente utilizados no processo produtivo do bem destinado à venda. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÃO COM SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Nos termos do artigo 34 da Lei nº 12.058/2009, caput e § 1º, na redação dada pela Medida Provisória nº 497/2010, a pessoa jurídica tributada pelo Lucro Real fazia jus a créditos presumidos da Cofins referentes às mercadorias adquiridas no mercado interno com a suspensão prevista no inciso II do art. 32, da mesma lei, e destinadas à revenda ou industrialização, desde que as receitas das vendas desses bens ou das vendas das mercadorias produzidas a partir deles não se sujeitassem a esta mesma suspensão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho, alegando e requerendo: i) que seja reconhecida a sua inconformidade com a integralidade da não homologação pelo despacho decisório ou, subsidiariamente, seja decretada a nulidade do despacho decisório por insuficiência de fundamentação na "informação fiscal"; ii) nulidade do acórdão vergastado por ter indeferido o pedido de perícia; iii) no mérito, defende o conceito de insumo para fins de creditamento da Contribuição ao PIS e da COFINS com base na essencialidade do bem ou serviço ao processo produtivo; iv) com relação a cada glosa mantida pelo acórdão da DRJ, afirma que iv.1) teria direito ao crédito de bens sujeito à alíquota zero; iv.2) sobre a devolução de compras de insumo, afirma que a documentação trazida aos autos é suficiente para demonstrar seu direito; Fl. 7303DF CARF MF Processo nº 10983.900434/201452 Resolução nº 3402001.364 S3C4T2 Fl. 7.304 5 iv.3) sobre os bens e serviços não enquadrados no conceito de insumo, rebate cada uma das conclusões do acórdão recorrido (partes e peças necessárias à manutenção do parque industrial; óleos, aditivos, fluídos e graxas; pallets; suíno Fêmea Reprodução C22 Master), procurando demonstrar sua pertinência ao processo produtivo e a autorização legal para a tomada do crédito; v) quanto às notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de insumos e nem outra operação com direito a crédito, alega que consistem de insumos utilizados na atividade produtiva, conforme descrição do seu processo produtivo, documentos e jurisprudência já citados; vi) no que tange ao aproveitamento de crédito extemporâneo, afirma que não promoveu o creditamento a destempo, mas apenas formalizou o reconhecimento de créditos no exato momento em que escrituradas as correspondentes notas fiscais; ademais, o óbice formal imposto pela Fiscalização ao aproveitamento não encontraria respaldo legal, podendo ocorrer o aproveitamento do crédito em meses subsequentes; vii) sobre os créditos presumidos de atividades agroindustriais, coloca que cumpriu todos os requisitos legais para sua tomada, não lhe sendo aplicável a restrição contida no artigo 34, §1º da Lei n. 12.058/2009. Depois da apresentação do recurso voluntário, a Recorrente trouxe aos autos a petição de fls 2449 a 2456, bem como a documentação que lhe sucede, com laudo por ela mesma confeccionado a respeito de seu processo produtivo e utilização dos insumos relativos aos créditos glosados, no intuito de corroborar todas as suas alegações e provas anteriormente defendidas. Assim, e tendo em vista o conteúdo do artigo 10 do Novo Código de Processo Civil (Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015), propus via despacho (fls 1769) a abertura de vista dos autos à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), para que se manifestasse acerca das razões e documentos apresentado pela Recorrente e assim submeter a documentação ao contraditório, tornandose então prova capaz de legitimamente influenciar o julgamento do caso. Em sua resposta, a PFN requer o desentranhamento dos documentos juntados ao processo de modo intempestivo, com fulcro no artigo 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72 (fls 7066 a 7069). Outrossim, por requisição dessa relatora e deferimento da Presidência da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, foram a mim encaminhados os processos conexos ao presente, seja por se tratar da mesma matéria fática, divididos apenas por razões processuais em processos de ressarcimento de cada trimestre, e que, portanto, devem ser analisados em conjunto (PAFs 10983.900432/201463, 10983.900433/201416, 0983.900434/201452, 10983.900431/201419), seja porque versam sobre a multa isolada pela não homologação dos mesmo pedidos de ressarcimento (PAFs 11516.722404/201559; 11516.722405/201501; 11516.722402/201560 e 11516.722403/2015). É o relatório. VOTO Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora. Fl. 7304DF CARF MF Processo nº 10983.900434/201452 Resolução nº 3402001.364 S3C4T2 Fl. 7.305 6 A Recorrente tomou ciência do Acórdão da DRJ em 21/06/2016, conforme informação de fls 2341 a 2343, apresentando Recurso Voluntário em 15/07/2016. Assim, o recurso voluntário é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Entretanto, ainda não é possível o julgamento do mérito do caso. Explico. No presente processo discutese o conceito de insumo para direito ao crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS nãocumulativas. Como é consabido, nesse tipo de processo põese em pauta quais aquisições de bens e serviços são capazes de ser considerados como insumos para fins de creditamento das Contribuições sociais em questão, uma vez que a Fiscalização toma como base o conteúdo das Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004. Também é de conhecimento geral que a jurisprudência desse Conselho consolidouse no sentido de que o direito a tomada de crédito da Constituição ao PIS e da COFINS denota uma maior abrangência do que o conceito aplicável ao IPI, embora não seja tão extensivo quanto aquele aplicável ao IRPJ. Com isso, este Tribunal passou a defender uma abrangência específica para o conceito de insumo com relação à Contribuição ao PIS e à COFINS, levando em conta a materialidade das contribuições (receita), pelo que se impõe conceder o crédito relativo a custos indispensáveis à produção e, portanto, à geração de receita (e.g. Acórdão n. 3302002.674). Ademais, na recente data de 24 de abril de 2018, foi publicado pelo Superior Tribunal de Justiça o Acórdão relativo ao REsp 1.221.170 / PR, julgado sob o rito dos recursos repetitivos, que pacifica a tese adotada por este Conselho, in verbis: 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Tal julgamento é de observância obrigatória pelo CARF, em conformidade com o que estabelece o art. 62, §2º do Regimento Interno. Pois bem. Tendo a Recorrente trazido aos autos vasto conjunto probatório sobre o direito que pleiteia, não cabe ao julgador desconsiderar o direito da parte, mas sim permitir que seja o processo seja devidamente trabalhado, já que as premissas utilizadas pela Fiscalização e pela DRJ são divergentes da aqui adotada. Daí sim será possível, com precisão, julgar ser ou não devida a não homologação dos créditos pleiteados no presente processo. É nesse sentido que tem entendido o CARF, como se constata, por exemplo, das Resoluções 3402000.478, 3202000.483, 3202000.480, 3101 000.371, todas referente a mesma empresa, ora Recorrente, que entenderam que as provas apresentadas pela Contribuinte mereciam aprofundamento em diligência à unidade fiscal de origem, haja vista a complexidade Fl. 7305DF CARF MF Processo nº 10983.900434/201452 Resolução nº 3402001.364 S3C4T2 Fl. 7.306 7 de seu processo produtivo e a enormidade de glosas perpetradas pela fiscalização. Todos os processos abarcados pelas referidas resoluções foram posteriormente julgados por este Colegiado, em decisões com embasamento fático incontestável, da lavra do Conselheiro Waldir Navarro. Também assim procedeu recentemente este Colegiado, ao converter em diligência o julgamento de caso análogo ao presente, por meio da Resolução n. 3402001.100, bem como na Resolução n. 3402001.258 (esta última de minha relatoria, referente à mesma empresa ora Recorrente, votada em fevereiro de 2018) Dessarte, havendo indícios contundentes sobre o direito da Recorrente, entendo que o julgamento deste processo deve ser convertido em diligência, com base no artigo 18 do Decreto 70.235/72, para a repartição fiscal de origem, a fim de que: i) elabore, com base nos elementos constantes nesses autos, um parecer conclusivo que possibilite identificar cada custo/despesa elencados, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado, quanto à participação de cada bem ou serviço no processo produtivo da Recorrente; ii) o referido parecer deverá ser elaborado acompanhado de uma planilha que segregue os bens e serviços considerados pela Recorrente sob os seguintes critérios: a) pertinência ou não ao processo produtivo da empresa, utilizando o conceito de custo de produção (artigos 289 a 291 do Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/99); b) vida útil estimada (consumo imediato, menos de um ano, mais de um ano) e sua eventual incorporação ao ativo imobilizado; c) contato direto com o produto em fabricação; d) agregação ao produto final; e) utilização direta em máquinas ou equipamentos do processo industrial; iii) também no referido parecer devem constar as informações a respeito do crédito aproveitado extemporaneamente pela Recorrente (indicação de que houve escrituração de créditos extemporâneos e prova de que tais créditos existem e não foram utilizados em períodos anteriores), aferindo sua validade, independentemente de retificações do DACON; iv) ato contínuo, dê ciência desse parecer à Procuradoria da Fazenda Nacional e à Recorrente, abrindolhes prazo regulamentar para manifestação, e; v) Finalmente, devolva o processo para esta 2ª TO/4ª C/3ª S/CARF, para prosseguimento do julgamento. Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 7306DF CARF MF
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Numero do processo: 10730.720182/2010-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild.
Relatório
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 30 .7 20 18 2/ 20 10 -2 8 Fl. 685DF CARF MF Processo nº 10730.720182/201028 Resolução nº 1301000.574 S1C3T1 Fl. 686 2 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Trata o processo das seguintes DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO, abaixo listadas, na qual a interessada pretende compensar débitos com crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2006, no valor de R$ 2.907.881,58: Em 16/12/2010, após análise, foi emitido Despacho Decisório pela DRF/Niterói, fls. 174/175, com base no Parecer SEORT/DRF/Niterói, nº 3.240, fls. 164/173, no qual ficou decidido: 1) reconhecer parcialmente o crédito utilizado pelo sujeito passivo nas declarações de compensação em apreço, no valor originário de R$ 2.096.384,15, relativo ao saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2006; 2) homologar as compensações formalizadas por meio das declarações de compensação eletrônicas (DCOMP) 3) homologar parcialmente as compensações formalizadas por meio da declaração de compensação eletrônica (DCOMP) nº 32760.45080.200510.1.7.021826; 4) não homologar a compensação formalizada por meio da declaração de compensação eletrônica (DCOMP) nº 15478.99762.240510.1.3.029818. O deferimento parcial do pleito teve como principal motivo a constatação de auto de infração, sob o processo administrativo de nº 16561.000078/200955, ainda pendente de decisão administrativa definitiva, pelo qual foi revertido o resultado original, de prejuízo fiscal para lucro líquido, resultando em imposto de renda a pagar no valor de R$ 463.712,82, com multa de ofício de 150% de R$ 695.569,22. O citado auto de infração foi objeto de impugnação, sendo apreciado por meio de Acórdão nº 1623.711, de 03/12/2009, que concluiu pela procedência do lançamento, com a redução da multa de ofício para 75%. Ou seja, o crédito tributário constituído para o ano calendário de 2006 totaliza R$ 463.712,82 de valor principal, acrescido da multa de ofício de R$ 347.784,61. Assim sendo, considerando que o saldo negativo apurado foi de R$ 2.907.881,58, e compensando o crédito tributário constituído por meio de lançamento, restaria saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 2.096.384,15. A interessada tomou ciência da decisão em 23/12/2010 (AR fls. 178). Inconformada, apresentou manifestação de inconformidade, em 24/01/2011, fls. 222/244, com os seguintes argumentos: o IRRF foi reconhecido no valor de R$ 2.907.881,58 pela decisão ora recorrida. também consta registrado que apurou prejuízo fiscal no anocalendário de 2006. concluise que tem direito de utilizar o saldo negativo de IRPJ para compensar com outros tributos administrados pela Receita Federal. Fl. 686DF CARF MF Processo nº 10730.720182/201028 Resolução nº 1301000.574 S1C3T1 Fl. 687 3 quando à época da apresentação da DCOMP não havia qualquer glosa ao prejuízo fiscal declarado e constituído pela interessada, sendo seu direito líquido e certo neste momento, de modo que se impõe a homologação da compensação. a decisão deixou de homologar em razão de superveniente auto de infração, que constituiu crédito tributário de IRPJ no valor de R$ 463.712,82, com multa de ofício vinculada de 150%. o auto de infração, sob o processo administrativo nº 16561.000078/200955, não conta com decisão definitiva em esfera administrativa, conforme pesquisa no site no Ministério da Fazenda. extraise da decisão ora recorrida que a única razão do não reconhecimento do direito creditório, e conseqüente não homologação da DCOMP reside na indevida constituição de superveniente crédito tributário de IRPJ do anocalendário de 2006, por meio de auto de infração. o direito era líquido e certo à época da transmissão da DCOMP, exercendo de forma legítima a compensação prevista no artigo 74 da Lei nº 9.430/96, já que não se enquadrava nas hipóteses proibitivas do §3º deste citado artigo. a compensação realizada encontra respaldo no ato jurídico perfeito, princípio constitucional previsto no inciso XXXVI do artigo 5º da CF/88. o superveniente auto de infração não impedia a compensação, sob pena de violação ao artigo 170 do CTN, artigo 74 da Lei nº 9.430/96 e inciso XXXVI do artigo 5º da CF/88. o auto de infração que constitui o crédito tributária de IRPJ foi lavrado em 18/08/2009, sendo que nesta data, todas as DCOMP originais, a exceção da DCOMP nº 15478.99762.240510.1.3.029818, já haviam sido transmitidas, de modo que podese dizer que o auto de infração é posterior as mesmas. ] cabia à interessada utilizar seu crédito sob pena de prescrição prevista no artigo 174 do CTN (sic). a decisão realizou indevidamente compensação de ofício, pois, partindo do suposto crédito constituído por meio de auto de infração, dele abateu o saldo negativo de IRRF (sic), cujo crédito se pretende compensar, chegou à conclusão de que houve resultado positivo, negando o reconhecimento do crédito. a decisão jamais poderia realizar uma compensação dentro do anocalendário de 2006 para, uma vez realizada, negar o crédito, e isso partindo de uma premissa de que o crédito constituído pelo auto de infração, que ainda não conta com decisão definitiva, seria válido. pelo lançamento não constar de decisão definitiva, por si só, já sepulta a conclusão que chegou a decisão recorrida, sendo que se encontra suspensa a exigibilidade dos valores constituídos no aludido auto de infração. assim, inexistindo decisão definitiva no processo do auto de infração, jamais poderia a decisão dar como válido o reconhecimento da inexistência de prejuízo fiscal. no auto de infração que constituiu o pretenso crédito tributário de IRPJ do ano calendário de 2006 não foram consideradas as necessárias deduções dos valores retidos de IRPJ, ou seja, não houve abatimento do valor antecipadamente recolhido na fonte a título de imposto de renda, no valor de R$ 2.907.881,58. Fl. 687DF CARF MF Processo nº 10730.720182/201028 Resolução nº 1301000.574 S1C3T1 Fl. 688 4 há um paradoxo: o auto de infração que constituiu o crédito tributário não abateu os valores recolhidos de IRRF, e, paradoxalmente, pela decisão recorrida, a interessada ficou impossibilitada de compensálos no caso em foco, sendo isto inaceitável e descabido. se o auto de infração não abateu o IRRF, este valor constitui indébito tributário, e merecem ser ressarcidos e/ou compensados. se tivesse pago ou vier a pagar o referido lançamento, ainda assim o direito ao crédito de IRRF. a decisão incorreu em bis in idem: o IRRF é negado e não considerado no auto de infração. a compensação é inconteste, eis que o auto de infração não considerou e não abateu os valores de IRRF; assim, a relação de indébito de IRRF que a interessada possui frente ao fisco é inconteste e subsiste; o reconhecimento do direito creditório não trará prejuízo ao fisco, já que o auto de infração não abateu o IRRF. em tese subsidiária, existe causa prejudicial , de modo que há se ser anulada a decisão recorrida, isto porque se o lançamento for julgado improcedente, cai por terra o único argumento utilizado pelo fisco para não homologar a compensação. assim, a vinculação do presente processo à sorte do processo vinculado ao auto de infração é inconteste. o julgamento da compensação sem o desfecho final é afronta ao direito da ampla defesa e do devido processo legal, pelo que se há de anular a decisão recorrida para que outra seja feita, somente após a decisão final da causa prejudicial do auto de infração. caso não anulada, é essencial, imprescindível e necessário que o presente caso seja suspenso até o julgamento final do auto de infração, evitando decisões conflitantes entre si, conforme prevê o CPC, artigo 264, inciso IV, alíneas “a” e “b”. caso não anulado ou não suspenso, em tese subsidiária, este caso deve ser apensado ao processo do auto de infração, sendo este entendimento do então Conselho de Contribuintes, até porque a reunião de processos é a forma de se evitar decisões conflitantes e incoerentes entre si, guardando consonância com o princípio da racionalidade e da economia processual. A decisão da autoridade de primeira instancia julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade da contribuinte, cuja acórdão encontrase as fls. 630 e segs. e ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2010 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO IRPJ A lavratura de auto de infração, com a constituição de crédito tributário para cobrança do imposto de renda, em decorrência da reversão de prejuízo para lucro real, acarreta na utilização dos valores apurados a título de estimativa (artigo 837 do RIR/99), prejudicando a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Fl. 688DF CARF MF Processo nº 10730.720182/201028 Resolução nº 1301000.574 S1C3T1 Fl. 689 5 COMPENSAÇÃO HOMOLOGAÇÃO ATÉ O CRÉDITO RECONHECIDO. A comprovação parcial da certeza e liquidez do crédito, requisitos necessários para o reconhecimento do direito creditório, conforme o previsto no art. 170 da Lei nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta o deferimento parcial do pedido, e a homologação das compensações até o limite do crédito reconhecido. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Cientificado da decisão de primeira instancia em 26/12/2012, o contribuinte apresentou, fl. 647 e segs, em 25/07/2012, recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de manifestação de inconformidade, acrescentando razões para reforma na decisão de primeira instancia. É o relatório. Fl. 689DF CARF MF Processo nº 10730.720182/201028 Resolução nº 1301000.574 S1C3T1 Fl. 690 6 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. O direito creditório foi reconhecido parcialmente em razão da constatação de auto de infração para o anocalendário de 2006, sob o processo de nº 16561.000078/200955, que resultou em reversão do prejuízo fiscal para lucro real, apurando imposto de renda a pagar no valor de R$ 463.712,82, que adicionado multa de ofício de 75%, totaliza o valor de R$ 811.497,43. Do saldo de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 2.907.881,58, foi deduzido o crédito tributário constituído, no valor de R$ 811.497,43, concluindose pelo reconhecimento parcial do direito creditório no valor de R$ 2.096.384,15. Logo, a lide está limitada a parcela não reconhecida, no valor de R$ 463.712,82, que adicionado multa de ofício de 75%, totaliza o valor de R$ 811.497,43. No entanto, acolho os argumentos da Recorrente no sentido de que: Ainda que o auto de infração que deu origem ao 16561.000078/200955 seja julgado procedente, o que se cogita apenas para fins de argumentação, permanece o direito da recorrente à totalidade do crédito informado na declaração de compensação n° 37983.69514.191108.1.3.027908 (declaração com demonstrativo de crédito), retificada pela declaração de compensação n° 2845.68804.200510.1.7.020457. Isso porque, da análise do demonstrativo de apuração do IRPJ (referente ao anocalendário de 2006) do auto de infração em questão, verificase que os valores retidos antecipadamente a título de IRPJ em desfavor da recorrente durante o ano calendário de 2006 exercício de 2007 no valor total de R$ 463.712,82, não foram deduzidos do valor total a pagar a título de IRPJ apurado pela autoridade fiscal para o ano calendário de 2006. Ou seja, julgado procedente o auto de infração, a recorrente efetuará o pagamento do débito lançado a título de IRPJ referente ao ano calendário de 2006, sem as devidas deduções dos valores retidos antecipadamente. Por conseguinte, a falta de dedução do valor de R$ 463.712,82 (IRRF) do valor apurado pela autoridade fiscal a pagar a título de IRPJ referente ao ano calendário de 2006 acarretará a negativa à recorrente dos valores comprovadamente antecipados ao longo daquele ano, caracterizando enriquecimento ilícito ao fisco. É inadmissível, portanto, que o valor de R$ 463.712,82 retido antecipadamente a título de IRPJ em desfavor da recorrente durante o ano calendário de 2006 não possa ser utilizado para compensar débitos da recorrente, visto que sequer foi deduzido do valor total a pagar a título de IRPJ Fl. 690DF CARF MF Processo nº 10730.720182/201028 Resolução nº 1301000.574 S1C3T1 Fl. 691 7 (ano calendário de 2006) apurado pela autoridade fiscal, por meio da lavratura do auto de infração. Assim, ainda que o auto de infração em tela seja julgado procedente, permanece o direito da recorrente à totalidade do crédito informado na declaração de compensação em questão (declaração com demonstrativo de crédito), não gerando qualquer prejuízo ao fisco. Conforme alegado pelo contribuinte, verificase que, deveras, não houve dedução das retenções na lavratura do auto de infração que se discute nos autos do Processo Administrativo n° 16561.000078/200955 (fl. 289 Volume 2). Diante de todo o acima exposto, converto o presente julgamento em diligência para que os autos retornem a unidade de origem de forma que seja atestada de forma conclusiva a disponibuilidade do crédito tributário (liquidez e certeza) para que se possa dar provimento ao Recurso Voluntário. Em relação as verificações acima requisitadas deverá ser lavrado Relatório de Diligência circunstanciado e dele ser dada ciência ao contribuinte para sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 691DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13804.002610/2005-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. ASSEPSIA DE EMBALAGENS. CREDITAMENTO.
Insumos, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo, cuja subtração obsta a atividade produtiva ou implica substancial perda de qualidade do serviço ou do produto final resultante.
Tratando-se de produção de alimentos, os gastos com bens e serviços utilizados na limpeza ou assepsia das embalagens para os produtos finais dão direito ao creditamento das contribuições não cumulativas, por guardarem relação de essencialidade e pertinência com o processo produtivo.
INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE.
O custo com embalagens utilizadas para o transporte ou para embalar o produto para apresentação deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins quando pertinente e essencial ao processo produtivo.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO.
Com o advento da Lei nº 10.925/2004 o crédito presumido da agroindústria deixou de se submeter à tríplice forma de aproveitamento estabelecida no art. 5º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/02 e no art. 6º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/03, só podendo ser utilizado para o abatimento das contribuições devidas por operações no mercado interno.
CRÉDITO DE EMPRESA INCORPORADA TRANSPORTADO DE PERÍODOS ANTERIORES. RESSARCIMENTO
A Instrução Normativa SRF nº 460/2004 (redação original) não veda o direito ao ressarcimento do crédito transportado de períodos anteriores.
Numero da decisão: 3301-004.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas relativas a gás nitrogênio e, sob a rubrica material de embalagem, os tambores de aço TF, baldes de aço, etiquetas adesivas, lacres metálicos, tambores de aço de tampa removível, sacos plásticos, tamboretes plásticos, bombonas plásticas, fio de nylon (fitilho) e caixas de papelão, bem como do crédito de empresa incorporada.
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: 86372807734 - CPF não encontrado.
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. ASSEPSIA DE EMBALAGENS. CREDITAMENTO. Insumos, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo, cuja subtração obsta a atividade produtiva ou implica substancial perda de qualidade do serviço ou do produto final resultante. Tratando-se de produção de alimentos, os gastos com bens e serviços utilizados na limpeza ou assepsia das embalagens para os produtos finais dão direito ao creditamento das contribuições não cumulativas, por guardarem relação de essencialidade e pertinência com o processo produtivo. INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. O custo com embalagens utilizadas para o transporte ou para embalar o produto para apresentação deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins quando pertinente e essencial ao processo produtivo. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO. Com o advento da Lei nº 10.925/2004 o crédito presumido da agroindústria deixou de se submeter à tríplice forma de aproveitamento estabelecida no art. 5º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/02 e no art. 6º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/03, só podendo ser utilizado para o abatimento das contribuições devidas por operações no mercado interno. CRÉDITO DE EMPRESA INCORPORADA TRANSPORTADO DE PERÍODOS ANTERIORES. RESSARCIMENTO A Instrução Normativa SRF nº 460/2004 (redação original) não veda o direito ao ressarcimento do crédito transportado de períodos anteriores.
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CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. ASSEPSIA DE EMBALAGENS. CREDITAMENTO. Insumos, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo, cuja subtração obsta a atividade produtiva ou implica substancial perda de qualidade do serviço ou do produto final resultante. Tratandose de produção de alimentos, os gastos com bens e serviços utilizados na limpeza ou assepsia das embalagens para os produtos finais dão direito ao creditamento das contribuições não cumulativas, por guardarem relação de essencialidade e pertinência com o processo produtivo. INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. O custo com embalagens utilizadas para o transporte ou para embalar o produto para apresentação deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins quando pertinente e essencial ao processo produtivo. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO. Com o advento da Lei nº 10.925/2004 o crédito presumido da agroindústria deixou de se submeter à tríplice forma de aproveitamento estabelecida no art. 5º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/02 e no art. 6º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/03, só podendo ser utilizado para o abatimento das contribuições devidas por operações no mercado interno. CRÉDITO DE EMPRESA INCORPORADA TRANSPORTADO DE PERÍODOS ANTERIORES. RESSARCIMENTO A Instrução Normativa SRF nº 460/2004 (redação original) não veda o direito ao ressarcimento do crédito transportado de períodos anteriores. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 26 10 /2 00 5- 57 Fl. 2742DF CARF MF Processo nº 13804.002610/200557 Acórdão n.º 3301004.673 S3C3T1 Fl. 2.743 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas relativas a gás nitrogênio e, sob a rubrica material de embalagem, os tambores de aço TF, baldes de aço, etiquetas adesivas, lacres metálicos, tambores de aço de tampa removível, sacos plásticos, tamboretes plásticos, bombonas plásticas, fio de nylon (fitilho) e caixas de papelão, bem como do crédito de empresa incorporada. Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Fl. 2743DF CARF MF Processo nº 13804.002610/200557 Acórdão n.º 3301004.673 S3C3T1 Fl. 2.744 3 Relatório Por bem descrever e retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls.2.6172.628: 4. O processo em exame, composto de 13 volumes numerados até a fl. 2.595; versa, sobre pedido de ressarcimento de credito de Pis pertinente a operações de exportação, no montante de R$ 2.111.637;62: o qual teria sido apurado no 3° trimestre de 2004 pelo regime não cumulativo. 5. Ao referido pedido, protocolizado na fl. 1 em 07/06/2005, se acham vinculadas a declaração de compensação em formulário contida no processo n° 13854.000192/200497; apenso aos autos, bem como as quatro declarações de compensação eletrônicas listadas na fl. 2.169. 6. Em despacho decisório exarado nas fls. 2.167/2.180 (V..11), a Equipe . especial de Auditoria (EQAUD) da ,DERAT/SPO deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento, reconhecendo o crédito de R$.792.398,76, e homologou até esse valor as declarações de compensação mencionadas 7. Intimada da decisão, por :via postal, em 12/01/2011 (fl. 2.182), apresentou' a contribuinte em .11/02/2011 tempestivamente portanto a manifestação de inconformidade anexa às fls. 2.185/2.207 (V. 12), Cujo teor resumo a seguir, acompanhada de vasta documentação reunida nas fls. 2.225/2.383 (V. 12) e 2.386/2.587 (V. 13). 8. Resumo 8.1 Do crédito presumido I. Assinala, de início, não haver motivo para restringir a utilização do crédito presumido de Pis calculado sobre o valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas, crédito este fundado, a partir de 1° de agosto de 2004, no art. 8° da lei n°. 10.925/2004, porque a própria lei citada não prevê nenhuma restrição. II. Assim posto — prossegue não há razão para que o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15/2005 e a IN SRF n° 660/2005 ao interpretar o art. 8° da lei em apreço; "criem restrições inexistentes na própria lei, sob pena de desrespeito ao princípio da hierarquia das normas", inscrito no art. 59, da Constituição Federal. III. Citando um excerto de doutrina, um acórdão do antigo Conselho de Contribuintes e apoiada em vasta jurisprudência judicial, procura demonstrar que tanto as instruções normativas quanto os atos declaratórios interpretativos, por constituírem normas de caráter meramente acessório e hierarquia inferior, não podem, sem amparo legal, instituir, por si sós, restrição ao aproveitamento do credito presumido de Pis a que alude o art. 8° da lei n° 10.925/2004. IV. Acrescenta ainda que, ao estabelecer a dita restrição sem respaldo em lei, a Secretaria da Receita Federal incidiu em patente ofensa ao princípio da não cumulatividade, sobre cujas principais característica discorre em breve excurso. Fl. 2744DF CARF MF Processo nº 13804.002610/200557 Acórdão n.º 3301004.673 S3C3T1 Fl. 2.745 4 8.2 Do crédito básico V.Contesta a glosa dos créditos a que se refere o art. 30, II, da.lei n° 10.637/2002 apurados sobre os valores de aquisição de alguns produtos que a autoridade fiscal entendeu não se enquadrarem no conceito de insumo: gás nitrogênio e material embalagem (etiquetas, plástico, saco, pallet, envoltório papelão, tambor fixa e removível, grampo, lacre e fita) VI. Alega que o gás nintrogênio, sendo "utilizado na assepsia do processo de envase e/ou de armazenagem do suco de laranja", é consumido diretamente no processo de produção, de modo que se enquadra na condição de insumo "passível de desconto de créditos", nos termos do art. 3º, II, da lei nº 10.637/2002 e dos arts. 66 e 67 da IN SRF nº 247/2002. VII. Passando aos demais produtos mencionados, aos quais, como visto, atribui a denominação genérica de "material de embalagem", procura inicialmente demonstrar a condição de insumo dos tambores. VIII. Afirma, em síntese, que, quando o suco de laranja sai da fábrica acondicionado em tambores, é porque será exportado nessas embalagens, não sendo, em hipótese alguma, retirado delas para transferência aos "tank farms" do porto de Santos, o que "representaria um custo de logística absolutamente inadmissível". IX. Apresenta como proa dessa assertiva as cópias de notas fiscais anexas às fls. 2.232/2.266 (V.12), reunidas sob o título "Conjunto Documental 02", composto, segundo observa na fl.2.231, de "notas fiscais de exportação de suco de laranja". X. Acrescenta ainda que, por tratarse de "matéria absolutamente superada há muito tempo", nunca se questionou a "natureza jurídica de insumo dos tambores que acondicionam suco de laranja vendido no mercado interno ou no mercado externo". Atestamno, a seu ver, os documentos reunidos sob o título "Conjunto Documental 03" (fls. 2.267/2.298) V 12), os quais compreendem, segundo afirma, " cópia de notas fiscais de aquisição de tambores", um pedido de ressarcimento de IPI e o respectivo despacho decisório, exarado eletronicamente pela DERAT. XI. Cita ainda, em abono de sua argumentação, um acórdão da DRJ de Curitiba, no qual afirma haver pronunciamento expresso acerca dos requisitos para que materiais de embalagem sejam considerados insumos. Reproduzindolhe a ementa, ressalta em negrito o seguinte trecho: "INSUMOS EMBALAGEM. O conceito de insumo abrange tão somente a embalagem que agrega valor comercial ao produto através de sua apresentação e que objetiva valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional" (fl.2.203). XII. Quanto aos demais produtos ("etiquetas, sacos plásticos, pallets, grampos, lacres, e fitas"), acoima de imprópria a glosa dos créditos descontados sobre seus valores de aquisição, alegando tratarse de "material que compõe o arsenal de insumos aplicados no acondicionamento e identificação do suco de laranja e/ou óleo essencial de laranja" por ela produzidos. 8.3 Do crédito de empresa incorporada XIII. Observa que a autoridade fiscal glosou o crédito de R$ 651.587,10 informado na linha 22 do DACON, relativo a receita de exportação, por haver verificado que a empresa CoinbraFrutesp Agropecuária Ltda., detentora do crédito Fl. 2745DF CARF MF Processo nº 13804.002610/200557 Acórdão n.º 3301004.673 S3C3T1 Fl. 2.746 5 e incorporada pela contribuinte, não havia obtido receitas de exportação no ano de 2003, muito embora o referido crédito houvesse sido apurado em agosto desse ano. XIV. Traçando breve histórico de suas alterações societárias, esclarece que, na verdade, o crédito em apreço pertencia originalmente à empresa CoinbraFrutesp Citrus Ltda., incorporada pela CoinbraFrutesp Agropecuária Ltda., que a sucedeu em todos os direitos e obrigações. Afirma que a primeira realizou de fato operações de exportação, consoante o demonstram os documentos reunidos sob o título "Conjunto Documental 04", anexos às fls. 2.299/2.383 (V. 12) e 2.386/2.419 (V. 13), os quais compreendem "notas fiscais, comprovantes de exportação, Demonstrativo de Crédito Presumido de IPI e Dacon". XV. Assinala que a CoinbraFrutesp Agropecuária Ltda., ao incorporar, em 31/07/2003, a CoinbraFrutesp Citrus Ltda., transferiu o crédito para seu Dacon do 3º trimestre de 2003 (agosto), mas jamais o aproveitou, como o mostram os documentos enfeixados sob o título "Conjunto Documental 06" (fls.2.582/2.587 V. 13), intitulado "Demonstração do crédito decorrente de receita de exportação de empresa incorporada", os quais consistem basicamente em cópia da "Ficha 04" do referido DACON. XVI. Informa por fim que a CoinbraFrutesp Industrial Ltda. (antiga razão social da Louis Dreyfus Commodities Agroindustrial S/A), assim que incorporado o patrimônio da CoinbraFrutesp Agropecuário Ltda., que sofrera cisão se tornou detentora do crédito, o reconheceu, informandoo no Dacon, na competência de setembro de 2004, quando formalizou o pedido de ressarcimento em exame. XVII. Ressalta ainda "que era permitido fazer pedido de ressarcimento retroativo, vez que a CoinbraFrutesp Citrus Ltda. não mais existia e a Coinbra Frutesp Industrial Ltda. iniciou suas atividades somente em 09.03.2004." XVIII. Argumentando que em nenhum momento se questionou a existência ou o valor do crédito em causa, requer, por fim, que na hipótese de discordar dos argumentos expostos este órgão julgador determine sua alocação, no Dacon às receitas referentes ao mercado interno, de modo que a contribuinte possa aproveitá lo por meio de desconto da própria contribuição, visto que o crédito decorrente de operações no mercado interno não é passível de ressarcimento nem de compensação com outros tributos. 8.4 Conclusão XIX. Requer a imediata suspensão da exigibilidade do crédito tributário vinculado ao pedido de ressarcimento, bem como o reconhecimento do montante integral do crédito postulado e a homologação de todas as declarações de compensação já mencionadas. 9. Em despacho exarado na fl. 2.595, informa a autoridade preparadora haver realizado a compensação do valor deferido. Em 12 de agosto de 2013, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 Fl. 2746DF CARF MF Processo nº 13804.002610/200557 Acórdão n.º 3301004.673 S3C3T1 Fl. 2.747 6 CRÉDITO PRESUMIDO DECORRENTE DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. A IN SRF nº 660/2006 e o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15/2005 vedam expressamente a compensação ou ressarcimento dos créditos presumidos apurados a partir de 01/08/2004 com base no art.8º da Lei nº 10.925/2004, permitindo apenas deduzilos das contribuições devidas. BENS UTILIZADOS COMO INSUMO. GLOSA DE CRÉDITO. No regime não cumulativo do Pis, não geram direito a crédito os gastos relativos a bens que não se enquadram no conceito de insumo a que alude a IN SRF nº 247/2002. CRÉDITOS VINCULADOS A RECEITA DE EXPORTAÇÃO. SALDO REMANESCENTE. Os créditos vinculados a receitas de exportação acumulados ao final de cada trimestrecalendário poderão ser objeto de pedido de ressarcimento, o qual deverá referirse a um único trimestrecalendário. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. Não compete ao julgador da esfera administrativa a análise de questões que versem sobre a constitucionalidade ou legalidade de norma complementar regularmente editada. SUBFATURAMENTO. ARBITRAMENTO DO VALOR ADUANEIRO. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO AGRAVADA E MULTAS DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DA IMPORTAÇÃO. A declaração de valores inferiores aos reais, lastreada em faturas comerciais inidôneas, para fins de despacho aduaneiro de importação de mercadorias, caracteriza a prática do subfaturamento e permite o arbitramento do valor aduaneiro. Cabível na espécie a aplicação da multa de ofício agravada, de 150% dos tributos não recolhidos, além das duas multas administrativas relativas ao controle da importação, de 100% sobre a diferença de valor aduaneiro e de 30% sobre o valor da mercadoria. Normas Gerais de Direito Tributário MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVOTRIBUTÁRIA. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. O prazo para efetuar lançamento de multas relacionadas ao controle aduaneiro das importações é de cinco anos, contado da data da infração, portanto, seu quinto aniversário encerra o período permissivo (SCI nº 32, de 2013 Cosit). Intimada de decisão em 02.07.2015 (fls.2.631), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 30.07.2015 (fls. 2.6312.651) para que fosse revista a matéria citada nos seguintes tópicos: (i) do crédito presumido, possibilidade legal de ressarcimento; (ii) direito ao crédito básico de PIS (ii.a) material de embalagem; (ii.b) gás nitrogênio; (iii) conceito de insumo; e (iv) do crédito da empresa incorporada. Fl. 2747DF CARF MF Processo nº 13804.002610/200557 Acórdão n.º 3301004.673 S3C3T1 Fl. 2.748 7 Às fls. 2.6962.727 foi juntando pela Recorrente cópia da inicial e decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 100632010.2016.4.01.3400, determinando o imediato julgando do processo administrativo. É o relatório. Fl. 2748DF CARF MF Processo nº 13804.002610/200557 Acórdão n.º 3301004.673 S3C3T1 Fl. 2.749 8 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Admissibilidade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 02.07.2015 (fls.2.631) e protocolou Recurso Voluntário em 30.07.2015 (fls. 2.6312.651), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Mérito Conforme exposto anteriormente, a presente demanda tem por escopo auferir se os créditos apurados pela Recorrente são passíveis de ressarcimento, os quais, em síntese, dizem respeito a (i) créditos presumidos calculados sobre o valor das aquisições de insumos (frutas cítricas) feitas de fornecedores pessoas físicas referidas no artigo 8º da Lei nº 10.925/2004; (ii) créditos básicos: (ii.a) material de embalagem: tambores de aço TF, baldes de aço, etiquetas adesivas, lacres metálicos, tambores de aço de tampa removível, sacos plásticos, tamboretes plásticos, bombonas plásticas, fio de nylon (fitilho), estrados de madeiras (pallets para transportes) e caixa de papelão; (ii.b) gás nitrogênio; e (iv) crédito de empresa incorporada. No que diz respeito aos itens "i" e "ii", referida matéria já foi objeto de análise nos autos do PA nº 13854.000059/200511, instaurado em face da Recorrente, sendo que naquela oportunidade restou decidido o quanto segue: DO GÁS NITROGÊNIO Este Conselho Administrativo não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a interpretação restrita de insumos veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, e nem tão amplo como o da legislação do Imposto de Renda, conforme bem esclarece o Acórdão nº 3403002.656, julgado em 28/11/2013, Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan, cuja ementa ora se transcreve: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 2749DF CARF MF Processo nº 13804.002610/200557 Acórdão n.º 3301004.673 S3C3T1 Fl. 2.750 9 ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Filiome ao entendimento deste CARF que tem aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados indiretamente, conforme ilustra a ementa abaixo do Acórdão nº 3403003.052, julgado em 23/07/2014, por voto condutor do Relator Conselheiro Alexandre Kern: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. O custo dos serviços de remoção de resíduos, em face das exigências do controle ambiental, subsumemse no conceito de insumo e ensejam a tomada de créditos. (...) Com efeito, no presente caso concreto, considerandose os parâmetros acima para a delimitação do conceito de insumo, incumbe analisar se há o direito ao crédito da contribuição não cumulativa relativamente à aquisição de gás nitrogênio, utilizado pela contribuinte "na assepsia do processo de envase e/ou de armazenagem do suco de laranja, cujo procedimento consiste em efetuar um sopro de nitrogênio no bocal das embalagens de suco a cada período determinado, o que elimina qualquer resíduo do local, deixandoo asséptico para o fechamento". Fl. 2750DF CARF MF Processo nº 13804.002610/200557 Acórdão n.º 3301004.673 S3C3T1 Fl. 2.751 10 Aduz a recorrente que a assepsia com o material de embalagem é cuidado inarredável dentro do processo de produção de qualquer bem alimentício, in casu, também para que seja preservada a qualidade do suco de laranja por até 24 meses. Entendo que assiste razão à recorrente. A assepsia com o gás nitrogênio é essencial para a obtenção do suco de laranja nas condições desejadas para comercialização e consumo humano no período de validade, eis que a subtração desse insumo no seu processo produtivo acarretaria perda substancial de qualidade do produto. Nessa linha, em alguns precedentes deste Conselho Administrativo, conforme ementas abaixo colacionadas, decidiuse pela direito ao creditamento das contribuições não cumulativas pelos gastos relativos à higienização na produção de alimentos: Processo nº 10925.907012/201150 Acórdão nº 3403003.550– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2015 Relator: Rosaldo Trevisan Ementa: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos, no caso em análise: (a) materiais de limpeza, desinfecção e higienização; e (b) hexano, óleo de xisto, GLP, lenha e diesel, assim especificados pela empresa. (...) Processo nº 16098.000087/200617 Acórdão nº 3803004.025– 3ª Turma Especial Sessão de 19 de março de 2013 Relator: Alexandre Kern Ementa: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 2751DF CARF MF Processo nº 13804.002610/200557 Acórdão n.º 3301004.673 S3C3T1 Fl. 2.752 11 Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Tratandose de prestação de serviços de catering e de handling, ensejam o creditamento os gastos com uniformes, serviços de lavanderia, de remoção e incineração de resíduos e análises laboratoriais, por guardarem relação de essencialidade e pertinência a tais processos produtivos. Processo nº 16366.000240/200861 Acórdão nº 3802001.474 – 2ª Turma Especial Sessão de 29 de novembro de 2012 Relator: José Fernandes do Nascimento Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 (...) REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM AQUISIÇÃO DE PRODUTO QUÍMICO UTILIZADO NA HIGIENIZAÇÃO DE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS E TRATAMENTOS DE RESÍDUOS INDUSTRIAIS. DEDUÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. No regime da não cumulatividade, os gastos da indústria de laticínios com a aquisição de produtos químicos, utilizados na higienização de equipamentos industriais e tratamento de resíduos industriais, destinados a atender exigência do Poder Público, são considerados insumos essenciais à manutenção do processo produtivo e, nessa condição, integram a base de cálculo dos crédito da Cofins. Recurso Voluntário Provido. Assim, por se tratar de bem pertinente e essencial ao processo produtivo da recorrente, entendo que a glosa relativa à aquisição do gás nitrogênio deve ser revertida. DO MATERIAL DE EMBALAGEM Com relação ao material de embalagem, o julgador de primeira instância manteve a glosa da fiscalização com base nos seguintes fundamentos: (...) II.a Do material de embalagem 16. Foram excluídos da base de cálculo, sob esta rubrica, os seguintes produtos: tambores de aço TF, baldes de aço, etiquetas adesivas, lacres metálicos, tambores de aço de tampa removível, sacos plásticos, tamboretes plásticos, Fl. 2752DF CARF MF Processo nº 13804.002610/200557 Acórdão n.º 3301004.673 S3C3T1 Fl. 2.753 12 bombonas plásticas, fio de nylon (fitilho), estrados de madeira (palets para transporte) e caixas de papelão. 17. Informa a autoridade fiscal têlos desconsiderado devido à constatação de serem utilizados como embalagens para transporte e/ou movimentação de mercadorias. 18. Cabe aqui uma distinção. Material de embalagem não se confunde com material de transporte. O primeiro é acrescentado ao produto ao final do processo de industrialização, alterando sua apresentação e acompanhandoo até o destino final, quando será comercializado com ele. Já o segundo se destina apenas ao transporte do produto a ser comercializado, podendo inclusive ser reutilizado para transportar novos produtos, o que não se dá com a embalagem. 19. Vejamos inicialmente o caso dos tambores. Alega a contribuinte que o suco de laranja, quando acondicionado nesse tipo de recipiente, é nele exportado, não sendo transferido para os “tank farms” do porto de Santos. 20. Tal assertiva, todavia, é cabalmente desmentida pelo depoimento que o próprio representante legal da empresa à época, o Sr. Adelmor Gheller, prestou à autoridade tributária, resumido nos seguintes termos: “43. A entrega dessa intimação foi pessoal, feita ao Sr. Adelmor Gheller, representante legal da empresa. Nessa oportunidade, o Sr Adelmor foi solicitado a esclarecer como era feita a comercialização/transporte do suco de laranja. Ele então esclareceu que o suco de laranja era transportado em caminhões refrigerados (transporte a granel) até o porto de Santos, quando então seu conteúdo era transferido para tanques também refrigerados (tank farm) para aguardar o posterior carregamento/alimentação em navios apropriados (dotados de câmaras frigoríficas) e assim ser exportado. Outra forma era transportar suco acondicionado em tambores de aço até o porto, sendo que ali ele era transferido para os tank farms e depois transferido/alimentado em navios para exportação. Segundo ele, o transporte de suco para o exterior em tambores de aço já não é utilizado há mais de quinze anos.” (fls. 1.082/1.083) — Os negritos são meus. 21. O depoimento transcrito não deixa margem a dúvidas. Ao contrário do que alega a interessada, a natureza dos tambores em apreço é inegavelmente de material de transporte e não de material de embalagem. 22. O mesmo se pode afirmar dos demais produtos incluídos nesta rubrica (etiquetas, lacres, sacos plásticos, etc.), uma vez que, como ficou visto, o suco de laranja é transferido sem qualquer embalagem para os tanques refrigerados do porto de Santos e dali para câmaras frigoríficas de navios apropriados a seu transporte. 23. Quanto às cópias de notas fiscais apresentadas pela empresa, não trazem nenhuma informação relevante, visto não especificarem a forma de acondicionamento do produto a ser exportado. (...) Entendo que, diversamente do que ocorre no caso de insumos do IPI, na hipótese dos insumos que dão direito ao creditamento das contribuições sociais não cumulativas, não cabe a distinção entre material de embalagem e material de transporte, como fez o julgador de primeira instância, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e Fl. 2753DF CARF MF Processo nº 13804.002610/200557 Acórdão n.º 3301004.673 S3C3T1 Fl. 2.754 13 pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda tenha as características desejadas quando chegar ao comprador. Nesse sentido, já foi decidido por esta 3ª Seção, conforme demonstra abaixo parte do Voto Vencedor da Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas: Processo nº 12571.000126/201079 Acórdão nº 3302001.858 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária (...) Após análise dos autos constato que o único item possível para o crédito do PIS e COFINS não cumulativo tratase da embalagem para transporte. Em relação a este item, ouso divergir do parecer apresentado pelo ilustre Conselheiro Relator. Pareceme claro que a embalagem de transporte é UTILIZADO no processo produtivo (isso porque entendo que a produção alcança até este momento, apenas com a embalagem para o transporte é que a fase produtiva se finda), é INDISPENSÁVEL e necessária para a composição do produto final, uma vez que a madeira tem que estar em condições para poder ser disponibilizada ao consumidor; e sem dúvida está RELACIONADO à atividade da Recorrente. (...) Assim, a meu ver, tanto a aquisição de material de embalagem ou de material de transporte podem ensejar o creditamento das contribuições sociais não cumulativas desde que não se tratem de bens ativáveis. Com relação aos tambores, entendeu a fiscalização, com base em declaração verbal de representante legal da empresa, que eles não seriam enviados ao exterior juntamente com o produto, conforme extrato abaixo da decisão: (...) 43. A entrega dessa intimação foi pessoal, feita ao Sr. Adelmor Gheller, representante legal da empresa. Nessa oportunidade, o Sr Adelmor foi solicitado a esclarecer como era feita a comercialização/transporte do suco de laranja. Ele então esclareceu que o suco de laranja era transportado em caminhões refrigerados (transporte a granel) até o porto de Santos, quando então seu conteúdo era transferido para tanques também refrigerados (tank farm) para aguardar o posterior carregamento/alimentação em navios apropriados (dotados de câmaras frigoríficas) e assim ser exportado. Outra forma era transportar suco acondicionado em tambores de aço até o porto, sendo que ali ele era transferido para os tank farms e depois transferido/alimentado em navios para exportação. Segundo ele, o transporte de suco para o exterior em tambores de aço já não é utilizado há mais de quinze anos. (...) Insurgese a recorrente com a conclusão da fiscalização, eis que a retirada hipotética do suco de laranja dos tambores para transferência aos tank farms no Porto de Santos representaria um "custo logístico totalmente inadmissível", o que corresponde a uma outra declaração de representante legal da empresa em sentido contrário à primeira. Além da questão do custo logístico alertado pela recorrente, a primeira declaração do representante legal não foi reduzida a termo assinado pelo Fl. 2754DF CARF MF Processo nº 13804.002610/200557 Acórdão n.º 3301004.673 S3C3T1 Fl. 2.755 14 entrevistado, podendo daí decorrer problemas de interpretação no momento da transcrição da sua fala. Ademais, os documentos de exportação constantes nos autos referemse a várias exportações em tambores, conforme se vê nas fls. 316, 326, 365, 389, 398, 453, 465, 475, 488, 492 e 512, dos produtos "frozen orange cells", "orange oil" e "citrus terpene". Na Descrição do Processo (fls. 119/129) entregue pela contribuinte em atendimento à intimação, não há qualquer referência à transferência do conteúdo dos tambores para os tank farms, mas que: "O produto já pronto é envasado em tambores para posterior envio ao Terminal de Santos ou diretamente ao Cliente" (fl. 120); "o produto poderá ser armazenado em câmaras refrigeradas (tankfarm) à 10 °C, ou acondicionado em embalagens adequada, permanecendo armazenado (tambores) à uma temperatura máxima de 15° C até que seja enviado para o cliente" (fl. 122); "Após a separação os aromas são enviados para tanques refrigerados, onde ficam armazenados até o momento de sua preparação, sendo envasado em tambores para envio a Clientes (mercado interno) e Terminal de Santos" (fl. 124). Também as pesquisas extraídas da Internet, juntadas pela fiscalização, acerca dos sistemas de transporte e armazenagem utilizados comumente na comercialização desse tipo de produto (fls. 144/150) [fls. 126/130 do processo papel] contradiz a alegação de que os tambores não seriam enviados ao exterior: (...) Novo conteiner Enquanto nos portos de maior movimentação compensa instalar terminais recebedores de suco a granel, para a maior parte dos países até agora a quantidade do produto importado é insuficiente para justificar investimentos em sistemas mais sofisticados como o de Guent. Por isso é que os tambores de suco ainda são usados, transportados por navios com porões frigoríficos. Nesses casos, o custo do produto agrega o dos tambores para 250 litros (US$ 20 por unidade). Não é compensador promover o retorno dos tambores ao Brasil após o uso, de forma que os exportadores não os recuperam. [fl. 146] (...) As vantagens A grande vantagem desse sistema, o mais moderno do mundo no transporte de suco, é a eliminação dos tambores como meio tradicional de estocagem, transporte e distribuição. Como se sabe, esses tambores, além do manuseio bastante trabalhoso, vão para o exterior e não retornam mais, encarecendo o produto final. A nível empresarial, a eliminação de tambores, sacos plásticos e estrados de madeira (pallets) possibilita uma redução nos custos diretos da produção. Os custos indiretos também são beneficiados com a racionalização da movimentação interna do suco, redução do consumo de energia elétrica devido maior homogeneidade térmica do suco a granel. O sistema permitiu ainda a redução dos custos de carregamento do navio, bem como a redução dos fretes marítimos, tendo em vista, entre outros fatores, a maior rapidez no carregamento e descarregamento do navio, que é de no máximo 2 dias, enquanto que pelo sistema tradicional de tambores esse tempo era de sete dias. [fl. 148][grifos da Conselheira Relatora] Fl. 2755DF CARF MF Processo nº 13804.002610/200557 Acórdão n.º 3301004.673 S3C3T1 Fl. 2.756 15 Assim, os tambores são enviados com os produtos exportados, sendo considerados material de embalagem não ativáveis, e, logo, dão direito ao creditamento das contribuições sociais não cumulativas. Com relação aos pallets, que se tratam de material de transporte, e não de embalagem, não há provas nos autos, que incumbiria à recorrente, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/72, que eles não seriam de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do Regulamento do Imposto de Renda/99. Conforme já foi decidido por este Conselho Administrativo, no Acórdão nº 3403002.648, de 27/11/2013, cujo Relator foi o Conselheiro Antonio Carlos Atulim, para fins de creditamento da contribuição não cumulativa, nos termos do art. 3º, II da Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, o bem deve ser aplicado no processo produtivo e não ser passível de ativação obrigatória, sendo que, na hipótese de o bem ser de ativação obrigatória, o crédito deveria ser apropriado com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. De forma que incabível o reconhecimento do direito creditório na forma pleiteada pela recorrente pelo custo total da aquisição desses bens. Por certo, não poderia este Colegiado alterar o pedido da recorrente para reconhecer o direito creditório com base no encargo de depreciação. Este Conselho Administrativo já decidiu que os paletes utilizados para transporte ensejam o creditamento da Cofins somente pela despesa de depreciação: Processo nº 13502.001320/200914 Acórdão nº 3403001.935 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2013 Relatora: Raquel Motta Brandão Minatel Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/11/2004 a 31/12/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS. INDUSTRIALIZAÇÃO. Os materiais utilizados como insumo, durante o processo produtivo, geram direito a crédito de PIS e COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PALETES E BARROTES DE MADEIRA NÃO CARACTERIZAÇÃO COMO MATERIAL DE EMBALAGEM. Os bens incorporados ao ativo não circulante só geram direito a crédito de PIS e COFINS via depreciação, nos termos do inciso III do §1º do art. 3º da Lei 10.833/03. (...) As etiquetas adesivas, lacres metálicos, sacos plásticos, tamboretes plásticos, bombonas plásticas, fio de nylon (fitilho), baldes de aço e as caixas de papelão tratamse de materiais de embalagem não ativáveis e são passíveis de creditamento das contribuições. Fl. 2756DF CARF MF Processo nº 13804.002610/200557 Acórdão n.º 3301004.673 S3C3T1 Fl. 2.757 16 Assim, entendo que devem ser revertidas as glosas sob a rubrica de material de embalagem, à exceção dos paletes pela ausência de comprovação, a cargo da recorrente, de que não seriam ativáveis, não sendo cabível o creditamento neste caso. DO CRÉDITO PRESUMIDO: Alega, em síntese, a recorrente que o Ato Declaratório Interpretativo n° 15/2005 e a IN SRF n° 660/2006, ao vedarem a compensação e o ressarcimento dos créditos presumidos apurados a partir de 01/08/2004, violaram a hierarquia das normas e o ato jurídico perfeito. O art. 6º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/03 e o art. 5º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/02 dispõem que, no caso de exportação, o crédito da contribuição apurado na forma do art. 3º poderá ser utilizado: a) para dedução da contribuição a recolher por operações no mercado interno; b) para compensação com débitos próprios relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal; e, c) se após essas duas formas de utilização ainda restar crédito ao final de cada trimestre calendário, o saldo poderá ser ressarcido em dinheiro a pedido do contribuinte. No entanto, o § 1º assegurou essas formas de aproveitamento apenas em relação ao “(...) crédito apurado na forma do art. 3º (...)”, o que significa que apenas os créditos previstos nas diversas hipóteses relacionadas nos arts. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 podem ser utilizados na forma nos seus artigos 5º e 6º, respectivamente. O crédito presumido da agroindústria estava previsto originariamente nos §§ 10 e 12 do art. 3º da Lei nº 10.637/02 e nos §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei nº 10.833/03 e, portanto, no caso de exportação, gozava, nessa época, do benefício da tríplice forma de aproveitamento. Ocorre que o crédito presumido previsto nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 foi expressamente revogado a partir de agosto de 2004 pelo art. 16, I, "a" e “b”, da Lei nº 10.925/2004, passando a constar dos arts. 8º e 15 dessa mesma lei. De forma que, por opção do legislador ordinário, passouse a restringir o aproveitamento do crédito presumido da agroindústria apenas para o abatimento da contribuição devida por operações no mercado interno, ainda que o crédito tenha sido auferido em operações de exportação. Nessa esteira, a Receita Federal do Brasil dispôs em normas complementares, mediante a Instrução Normativa SRF nº 660/2006 e o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 sobre a compensação ou ressarcimento dos créditos presumidos apurados a partir de 01/08/2004, nos termos do art. 8° da lei n° 10.925/2004, ou seja, decorrentes de atividades agroindustriais, permitindo apenas deduzilos das contribuições devidas: IN SRF n° 660/2006 Do Crédito Presumido Do direito ao desconto de créditos presumidos Fl. 2757DF CARF MF Processo nº 13804.002610/200557 Acórdão n.º 3301004.673 S3C3T1 Fl. 2.758 17 Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: (...) Do cálculo do crédito presumido Art. 8º Até que sejam fixados os valores dos insumos de que trata o art. 7 º, o crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins será apurado com base no seu custo de aquisição. (...) § 3º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo: I não constitui receita bruta da pessoa jurídica agroindustrial, servindo somente para dedução do valor devido de cada contribuição; e II não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 Art. 1º O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência nãocumulativa. Art. 2º O valor do crédito presumido referido no art. 1º não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º,§ 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. [grifos da Relatora] Conforme já decidido na Apelação Cível Nº 2006.72.00.0078654/ SC, do Tribunal Federal da 4ª Região, cuja ementa segue abaixo, "as próprias leis instituidoras dos créditos presumidos em questão previram como modo de aproveitamento destes créditos o desconto das contribuições do PIS e COFINS a pagar, limitando a sua utilização, assim, à esfera das próprias contribuições": 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região APELAÇÃO CÍVEL Nº 2006.72.00.0078654/ SC RELATORA : Juíza VÂNIA HACK DE ALMEIDA EMENTA: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. ARTS. 8º E 15 DA LEI N.º 10.925/04. COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO. NORMAS INFRALEGAIS. 1. Os artigos 17 da Lei n.º 11.033/2004 e 16 da Lei n.º 11.116/2005 tratam de saldos credores do PIS e da COFINS apurados na forma do art. 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, ou seja, de créditos gerados a partir da sistemática da não cumulatividade e inerentes a ela, calculados em relação aos bens e serviços descritos nos seus incisos, não alcançando os créditos previstos nos artigos 8º e 15 da Lei n.º 10.925/2004. Fl. 2758DF CARF MF Processo nº 13804.002610/200557 Acórdão n.º 3301004.673 S3C3T1 Fl. 2.759 18 2. As próprias leis instituidoras dos créditos presumidos em questão previram como modo de aproveitamento destes crédito o desconto das contribuições do PIS e COFINS a pagar, limitando a sua utilização, assim, à esfera das próprias contribuições. 3. Tanto os artigos 1º e 2º do Ato Declaratório Interpretativo SRF n.º 15/2005 como o § 6º do artigo 3º da Instrução Normativa SRF n.º 636/2006 (substituído pelo art. 5º da IN SRF n.º 660/06), ao vedarem expressamente outra forma de devolução do montante do crédito presumido apurado, vieram somente a esclarecer aquilo que a lei já trazia em seu conteúdo. Assim, tais dispositivos infralegais possuem cunho meramente interpretativo, de modo que não "inovaram", desbordando de sua competência regulamentar. Nessa mesma linha o Superior Tribunal de Justiça já manifestou seu entendimento, no REsp 1240714/PR (Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/09/2013, DJe 10/09/2013), conforme ementa abaixo: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. PRODUTOR RURAL. CRÉDITOS PRESUMIDOS. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 8º DA LEI 10.925/04. LEGALIDADE DA ADI/SRF 15/05 E DA IN SRF 660/06. PRECEDENTES DO STJ. MORA DO FISCO. INEXISTÊNCIA. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E NÃO PROVIDO. 1. "A jurisprudência firmada por ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ é no sentido de que inexiste previsão legal para deferir restituição ou compensação (art. 170, do CTN) com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil do crédito presumido de PIS e da COFINS estabelecido na Lei 10.925/2004, considerandose, outrossim, que a ADI/SRF 15/2005 não inovou no plano normativo, mas apenas explicitou vedação já prevista no art. 8º, da lei antes referida" (AgRg no REsp 1.218.923/PR, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, Primeira Turma, DJe 13/11/12). 2. O Superior Tribunal de Justiça tem entendido ser legítima a atualização monetária de crédito escritural quando há demora no exame dos pedidos pela autoridade administrativa ou oposição decorrente de ato estatal, administrativo ou normativo, postergando o seu aproveitamento, o que não ocorre na hipótese, em que os atos normativos são legais. 3. "O Fisco deve ser considerado em mora (resistência ilegítima) somente a partir do término do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias contado da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento, aplicandose o art. 24 da Lei 11.457/2007, independentemente da data em que efetuados os pedidos" (AgRg no REsp 1.232.257/SC, Rel. Min.NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Primeira Turma, DJe 21/2/13). 4. Recurso especial conhecido e não provido. Também não merece prosperar a alegação da recorrente de lesão ao ato jurídico perfeito, vez que, o período de apuração sob análise é de 01/10/2004 a 31/12/2004, sendo que já a partir de 01/08/2004 o crédito presumido das contribuições não estava mais previsto nos §§ 10 e 12 do art. 3º da Lei nº 10.637/02 e nos §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei nº 10.833/03 e, portanto, no caso de exportação, não gozava do benefício da tríplice forma de aproveitamento. Desta forma, entendo que deve ser mantida a glosa do crédito presumido. Fl. 2759DF CARF MF Processo nº 13804.002610/200557 Acórdão n.º 3301004.673 S3C3T1 Fl. 2.760 19 Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter somente as glosas relativas a gás nitrogênio e, sob a rubrica material de embalagem, os tambores de aço TF, baldes de aço, etiquetas adesivas, lacres metálicos, tambores de aço de tampa removível, sacos plásticos, tamboretes plásticos, bombonas plásticas, fio de nylon (fitilho) e caixas de papelão. Ressaltase que referida decisão (acórdão 3402002.793), foi mantida pela CSRF (acórdão 9303006.091) conforme se verifica na ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS NÃO CUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. ASSEPSIA DE EMBALAGENS. AQUISIÇÃO DE EMBALAGENS. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. Tratandose de produção de alimentos, os gastos com bens e serviços utilizados na limpeza ou assepsia das embalagens para os produtos finais dão direito ao creditamento das contribuições não cumulativas, por guardarem relação de essencialidade e pertinência com o processo produtivo. O custo com embalagens utilizadas para o transporte ou para embalar o produto para apresentação deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, por se enquadrar no conceito de insumo, quando pertinente e essencial ao processo produtivo, desde que não ativado. Recurso Especial do Procurador Negado. Neste cenário, considerando a idêntica situação fática e jurídico dos processos e, para o fim de evitar decisões divergentes, entendo que a mesma solução dada naquela lide deve ser adotada neste processo em relação aos itens "i" e "ii" anteriormente citados. Já em relação ao crédito oriundo as operações de incorporação, entendo que a Recorrente faz jus ao crédito apurado. Senão Vejamos. O crédito oriundo de incorporação decorre de operações de exportação realizadas no ano de 2003 pela empresa Coinbra Frutesp Citrus Ltda., incorporado pela empresa Coinbra Frutesp Agropecuária Ltda., cujo patrimônio foi posteriormente incorporado pela Recorrente, atualmente denominada Louis Dreyfus Commodities Agroindustrial S/A, à época denominada Coinbra Frutesp Industrial Ltda, a qual assim se tornou detentora do crédito, declarado no DACON relativo ao 3º trimestre de 2004. Fl. 2760DF CARF MF Processo nº 13804.002610/200557 Acórdão n.º 3301004.673 S3C3T1 Fl. 2.761 20 Do que se extraí do despacho de fls. 2.2402.266 é que a fiscalização indeferiu o pedido realizado pela Recorrente por 02 (dois) motivos: (i) com base nas informações prestadas pelo contribuinte, constatouse que empresa Coinbra Frutesp Agropecuária Ltda., cujo patrimônio foi posteriormente incorporado pela Recorrente, não obteve receitas de exportação; e (ii) o pedido de ressarcimento foi realizado fora dos preceitos previstos nos artigos 21 e 22 da IN/SRF nº 460, de 18.10.2004. A Recorrente em sede de manifestação de inconformidade, alega (i) que o crédito de exportação é originário das operações realizadas pela Coinbra Frutesp Citrus Ltda., incorporado pela empresa Coinbra Frutesp Agropecuária Ltda.; (ii) que o §2º, do artigo 5º, da Lei nº 10.637/2002, concede a pessoa jurídica vendedora o direito de solicitar o ressarcimento em dinheiro nos casos de não conseguir utilizar o crédito até o final do trimestre; e (iii) que à época em que formulou o pedido de compensação (07.06.2005), a IN SRF 460, 18/10/2004, em sua redação original, não trazia em seu bojo qualquer vedação para a realização de pedido de ressarcimento de crédito gerado em trimestrecalendário passado cumulado com crédito de período posterior. A DRJ por sua vez, manteve o despacho decisório por entender que cada pedido de ressarcimento deve referirse a um único trimestrecalendário a teor do previsto no §3º, I, do artigo 22, da IN SRF nº 600/2005, cujo redação já se achava implícita em ambas redação da IN SRF nº 460/04 e, que os créditos apurados das operações realizadas pela Coinbra Frutesp Citrus Ltda. no ano de 2003 estão em total desacordo com a regra explanada. Inicialmente, insta tecer que a IN SRF nº 600/2005 foi publicada em 30.12.2005, surtindo efeitos a partir de sua publicação, a teor do previsto em seu artigo 77. Neste termos, o pedido de ressarcimento protocolado pela Recorrente em 07.06.2005 não deve se submeter as regras impostas na referida Instrução Normativa, principalmente em relação a condição de que cada pedido de ressarcimento deveria referirse a um único trimestre calendário, mas sim, à redação original da IN SRF 460/2004, que em seu artigo 22 previa: Art. 22. Poderão ser objeto de ressarcimento os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a que se refere o art. 21 que, ao final de um trimestre do ano civil, remanescerem na escrita contábil da pessoa jurídica após efetuadas as deduções e compensações cabíveis. Não vejo, como entendeu a fiscalização, que houvesse vedação legal para impedir o contribuinte de realizar de pedido de ressarcimento de crédito gerado em trimestre calendário passado cumulado com crédito de período posterior, como fez a Recorrente. Ora, o fato de a instrução normativa mencionar que “poderão ser objeto de ressarcimento os créditos escriturados no período ou no trimestrecalendário”, não autoriza a conclusão de que a Receita Federal está vedando o ressarcimento do saldo credor e/ou remanescente em virtude de transporte de trimestres anteriores. Uma coisa é a restrição procedimental de vincular um pedido de ressarcimento a cada trimestrecalendário, e outra coisa totalmente distinta é entender que essa limitação impede o ressarcimento de crédito apurado que veio por transporte de trimestres anteriores. Neste sentido, já decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), por meio do Acórdão n° 9303004.562, de 08/12/16, cuja a ementa é a seguinte: Fl. 2761DF CARF MF Processo nº 13804.002610/200557 Acórdão n.º 3301004.673 S3C3T1 Fl. 2.762 21 "CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Na forma do art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado nãocumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre. As Linhas 06/30 e 06/31 do DACON, denominadas respectivamente de “Ajustes Positivos de Créditos” e de “Ajustes Negativos de Créditos”, contemplam a hipótese de o contribuinte lançar ou subtrair outros créditos, além daqueles contemporâneos à declaração. Também a EFDPIS/Cofins, constante do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 34/2010, prevê expressamente a possibilidade de lançar créditos extemporâneos, nos registros 1101/1102 (PIS) e 1501/1502 (COFINS). Precedente do CARF." Neste cenário, deve o acórdão de primeira instância ser reformado para conceder o direito da Recorrente utilizar o crédito oriundo as operações de incorporação que, no concreto, a legitimidade do saldo credor acumulado por transporte de períodos anteriores foi aferida pela DRJ quando afirmou que "...o pedido de ressarcimento apresentado pela Dreyfus engloba, além de seus créditos relativos ao 3º trimestre de 2004, os créditos apurados pela extinta Coinbra Frutesp Citrus no ano de 2003, de modo que está em total desacordo com a regra explanada". Conclusão Diante do exposto, voto dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas relativas a gás nitrogênio e, sob a rubrica material de embalagem, os tambores de aço TF, baldes de aço, etiquetas adesivas, lacres metálicos, tambores de aço de tampa removível, sacos plásticos, tamboretes plásticos, bombonas plásticas, fio de nylon (fitilho) e caixas de papelão, bem como do crédito de empresa incorporada. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 2762DF CARF MF
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Numero do processo: 12709.000057/2011-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 23/12/2010
LAUDO TÉCNICO POR PERITO CREDENCIADO. CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO IMPORTADO COMPROVADAS. EX-TARIFÁRIO.
Deve ser cancelado o lançamento por meio do qual exigidos os tributos aduaneiros quando restar comprovado, mediante laudo técnico elaborado por perito credenciado, que o produto importado atende às especificações técnicas necessárias ao seu enquadramento em "ex" tarifário.
Numero da decisão: 3201-003.748
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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EX TARIFÁRIO. Recorrente CROWN EMBALAGENS METÁLICAS DA AMAZÔNIA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 23/12/2010 LAUDO TÉCNICO POR PERITO CREDENCIADO. CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO IMPORTADO COMPROVADAS. EXTARIFÁRIO. Deve ser cancelado o lançamento por meio do qual exigidos os tributos aduaneiros quando restar comprovado, mediante laudo técnico elaborado por perito credenciado, que o produto importado atende às especificações técnicas necessárias ao seu enquadramento em "ex" tarifário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 70 9. 00 00 57 /2 01 1- 81 Fl. 360DF CARF MF 2 Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito decorrente do Imposto de Importação, PIS/Pasep importação, Cofinsimportação e multas de ofício, acrescidos de juros e de multas. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Trata o presente processo de autos de infração lavrados para exigência de crédito tributário no valor de R$ 807.747,17 referente a Imposto de Importação, PIS/Pasepimportação, Cofinsimportação e multas de ofício, decorrentes do não enquadramento de equipamento importado em “extarifário”. Depreendese da descrição dos fatos dos autos de infração que a interessada submeteu a despacho de importação máquina tipo offset para decorar copos de latas metálicas modelo Rutherford 8CD62200CT, amparada pela Declaração de Importação nº 10/22932383, registrada em 23/12/2010, enquadrandoa em “extarifário” que estabelece redução do imposto de importação. Referido benefício é concedido a máquinas com capacidade máxima de impressão de 2.200 latas/minuto. No ato de conferência física da mercadoria verificouse que o modelo da máquina importada não conferia com o declarado, sendo a máquina importada de modelo Rutherford 8CD62000 CT. O importador foi solicitado a retificar a Declaração de Importação e a recolher multa de 1% sobre o valor aduaneiro em razão da descrição equivocada do modelo do equipamento e da falta de discriminação dos itens constantes da adição 002 e as diferenças de tributos e multas de ofício. Todavia recolheu apenas o valor referente à multa de 1% do valor aduaneiro. A interessada alegou erro do fabricante em relação à plaqueta de identificação do modelo da máquina que, inclusive, apresentou declaração sobre o fato e se prontificou a encaminhar nova plaqueta coma identificação correta. Registrou sua discordância com relação às exigências da fiscalização e solicitou a lavratura de auto de infração para poder apresentar as provas de suas alegações. Solicitado a apresentar catálogo técnico da máquina importada, o importador informou não possuir tal catálogo, pois esse modelo não mais é fabricado. Foi solicitada a elaboração de laudo técnico para comprovar a capacidade de produção da máquina. Segundo informações do técnico signatário do laudo, este foi elaborado com base no próprio catálogo, sendo que a real capacidade de produção da máquina somente seria possível atestar após a montagem e início de sua produção. Considerando que não houve comprovação de que a máquina possui a capacidade máxima de produção declarada e necessária para enquadramento no benefício de redução do imposto de importação, e que em Declaração de Importação Fl. 361DF CARF MF Processo nº 12709.000057/201181 Acórdão n.º 3201003.748 S3C2T1 Fl. 361 3 anteriormente registrada (DI nº 10/20419220), de máquina idêntica, a interessada declinou da redução do imposto e em outra importação (DI nº 10/21408389) também não comprovou as características da máquina, foi lavrado auto de infração para exigência do imposto de importação e diferenças de contribuições reflexas e multas devidas. Cientificada da autuação, a interessada apresentou impugnação na qual alega, em síntese, que: A máquina importada se enquadra nos requisitos previstos no “ex22” estabelecido pela Resolução Camex nº 18/2010 que determina a redução da alíquota de imposto de importação de 14% para 2%, especialmente em relação a sua capacidade máxima de produção de 2200 latas por minuto. O que ocorreu foi um equívoco na indústria que produziu a máquina ao apor plaqueta na qual indica o modelo como “8CD6–2000CT”, quando, em verdade, a máquina é de modelo “8CD62200CT”. Esse fato foi registrado pela engenheiro que produziu o laudo técnico no momento da importação, bem como por laudo técnico complementar produzido pelo mesmo engenheiro, que atestou que a capacidade de produção da máquina é de 2200 latas por minuto (laudo anexo). Requer, assim, que o auto de infração seja declarado improcedente. Em 24 de novembro de 2016 o processo foi encaminhado a esta DRJ Florianópolis para julgamento prioritário, considerando a determinação judicial acostado aos autos às folhas 169/170. É o relatório. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/FNS n.º 0738.971, de 19/12/2016 (fls. 205 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/12/2010 EXTARIFÁRIO. CARACTERÍSTICAS. Para o enquadramento de mercadoria em “extarifário” todas as características nele determinadas devem estar presentes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 362DF CARF MF 4 Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 315 e ss., por meio do qual, depois de relatar os fatos, suscita, em síntese, os seguintes argumentos de defesa: No despacho aduaneiro, informou à fiscalização que a plaqueta de identificação do bem importado estava equivocada. Apresentou laudo técnico apontando a capacidade operacional de 2.200 latas por minuto, laudo que foi considerado insuficiente, daí o auto de infração. A DRJ, contudo, não considerou este último laudo, porque não constava a assinatura do perito. Para espancar qualquer dúvida, traz aos autos laudo técnico assinado pelo mesmo perito. Durante as medições, a capacidade de produção de 2.200 latas por minuto foi atingida várias vezes e de maneira consistente. A admissibilidade do laudo técnico ora apresentado deve ser admitida e atende ao disposto no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235, de 1972. Tratase de mera complementação de prova entregue junto com a impugnação (reproduz ementa de decisão do CARF admitindo a juntada de provas no recurso voluntário). O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Em síntese, a Recorrente promoveu a importação de uma máquina offset e a enquadrou em “extarifário” para o qual se previa uma redução da alíquota de imposto de importação. Não se discute a sua classificação fiscal, mas apenas se estava correto o enquadramento no "ex". Na conferência física, constatou a fiscalização que o modelo importado (8CD6 2000CT) não conferia com o informado na Declaração de Importação DI (8CD62200CT), sendo que o benefício era conferido apenas para as máquinas com capacidade máxima de impressão de 2.200 latas/minuto – o caso da declarada. A fiscalização, então, solicitou e obteve um primeiro laudo técnico oficial, atestando que a máquina importada era uma impressora ofsete modelo 8CD62000CT, com número de série 14787, específica para imprimir latas de alumínio destinadas a envasar bebidas. Para outro quesito que lhe foi formulado, informou o perito: "Não é possível informar a capacidade de produção da máquina. O modelo que consta na Declaração de Importação é o 8cd6 2200 CT. Para este modelo foi fornecido um catalogo que informa a capacidade de produção de 2200 latas por minuto. Porém durante a inspeção do equipamento importado verificou se que na sua placa de identificação que o modelo o 8cd62000 (Fotografia 06) sendo que para este modelo não foi fornecido nenhum catálogo ou descritivo técnico. Por analogia podese apenas supor que a sua capacidade de produção seria de 2000 latas por minuto (8cd6 2200>2200 latas por minuto, 8cd62000 > 2000 latas por minuto)". Fl. 363DF CARF MF Processo nº 12709.000057/201181 Acórdão n.º 3201003.748 S3C2T1 Fl. 362 5 Portanto, para estimar a capacidade de produção, o perito baseouse nas informações constantes de manual técnico do modelo informado na DI, mas esse modelo, como ele próprio afirma, era diverso do identificado na placa de identificação aposta na máquina importada. Além de sustentar ter havido um mero erro do fabricante da máquina quando da aposição da placa de identificação (o fabricante informou que o modelo identificado na placa não era mais fabricado, tendo sido substituído pelo informado na DI; ver de fl. 44), a Recorrente alega que laudo técnico complementar, da lavra do mesmo técnico signatário do laudo inicial, atesta que, “Como resultado das medições realizadas posso afirmar que a impressora importada atende à especificação de capacidade de produção máxima de 2200 latas por minuto” (fl. 211). Todavia, como destacado no acórdão recorrido, o referido laudo complementar não se encontrava assinado, fato que, no entender do seu relator, impossibilitaria a sua utilização para comprovar as características da máquina. O relator do acórdão recorrido afirma que esse laudo técnico complementar foi apresentado junto com a impugnação. Todavia, ele já estava anexado aos autos quando esta foi apresentada. Resumindo: temos um laudo técnico inicial feito com base em manual técnico, porque a máquina ainda não estava operante; um segundo laudo técnico, desta feita chamado complementar, feito por engenheiro credenciado, mas não assinado; e, finalmente, um terceiro, idêntico em forma e conteúdo ao anterior (o complementar), mas agora assinado pelo mesmo engenheiro. Neles, este informa que fez a medição na mesma máquina vistoriada no EADI e que "Durante as medições a capacidade de produção de 2.200 latas por minuto foi atingida diversas vezes, e de maneira consistente. Como resultado das medições realizadas, posso afirmar que a impressora importada atende à especificação de capacidade de produção máxima de 2.200 latas por minuto." (fls. 352). Parecenos, portanto, que o derradeiro laudo finalmente comprova a capacidade de produção da máquina de impressão de até 2.200 latas/minuto, o que autoriza o enquadramento no "ex tarifário". Cabe ressaltar, porém, que, a nosso juízo, a fiscalização agiu corretamente ao desconsiderar o primeiro laudo técnico. O fato de que a indicação na placa de identificação indicava modelo diverso do declarado, conjugado à inviabilidade da aferição de sua capacidade "na produção" – eis que a máquina ainda se encontrava em recinto alfandegado – não levaria a uma outra solução, senão a de promoverse o lançamento. As dúvidas, todavia, como se viu, restaram dirimidas. Ante o exposto, dou provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 364DF CARF MF 6 Fl. 365DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.003876/2007-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO ENTRE FUNDAMENTAÇÃO E PARTE DISPOSITIVA DA DECISÃO;
Demonstrada a contradição entre os fundamentos e a parte dispostiva da decisão deve ser acolhidos os embargos declaratórios opostos.
Numero da decisão: 2202-004.475
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para sanar a contradição apontada e alterar a decisão recorrida para: "Dar provimento parcial ao recurso voluntário para fins de restabelecer a dedução das despesas odontológicas pagas a Antonio Miguel da Silveira, no montante de R$ 6.000,00".
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÃO ENTRE FUNDAMENTAÇÃO E PARTE DISPOSITIVA DA DECISÃO; Demonstrada a contradição entre os fundamentos e a parte dispostiva da decisão deve ser acolhidos os embargos declaratórios opostos.
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CONTRADIÇÃO ENTRE FUNDAMENTAÇÃO E PARTE DISPOSITIVA DA DECISÃO; Demonstrada a contradição entre os fundamentos e a parte dispostiva da decisão deve ser acolhidos os embargos declaratórios opostos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para sanar a contradição apontada e alterar a decisão recorrida para: "Dar provimento parcial ao recurso voluntário para fins de restabelecer a dedução das despesas odontológicas pagas a Antonio Miguel da Silveira, no montante de R$ 6.000,00". (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 38 76 /2 00 7- 34 Fl. 90DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos de declaração em face do Acórdão nº 2202002.910, da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, julgado na sessão plenária de 14 de abril de 2014, cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário:2004 DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. RECURSO PROVIDO PARCIALMENTE. A comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas é ônus do contribuinte, sempre que instado pela fiscalização a fazêla. A apresentação de recibos, isoladamente, não assegura o direito à dedução da base de cálculo do imposto dos valores supostamente pagos, sendo imprescindível a exibição de cópias de cheques, transferência de numerário ou comprovação de saques em datas que precederam aos pagamentos, que evidenciem a disponibilidade para fazêlo com numerário. Após comprovações apresentadas pelo contribuinte, a glosa de dedução de despesas somente pode ser mantida quando restarem motivadas as razões da autoridade administrativa, sob pena de nulidade do ato por arbitrariedade. Nos casos em que o contribuinte apresenta cópia de cheques nominais ao profissional odontológico e/ou à clínica, tais documentos devem ser acatados como prova da despesas. A decisão foi assim resumida: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado Cientificada da decisão em 24 de outubro de 2014, a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração em 29/10/2014, alegando a seguinte contradição entre a fundamentação e a conclusão do voto: Enquanto, na fundamentação consta: "Desta forma, deve ser restabelecida parcialmente a dedução de despesa médica no valor de R$ 6.000,00 (e não de R$ 12.000,00) paga ao Dr. Antonio Miguel da Silveira, eis que sua efetividade foi comprovada por meio das cópias de cheques acostados às fls. 60 a 63. Portanto, deve ser mantido o lançamento em relação às glosas dos seguintes valores: R$ 6.000,00 pagos ao Dr. Antonio Miguel da Silveira; R$ 2.820,00 pagos ao Dr. Adan Maurício Lopes Velasquez; e R$ 2.760,00 pagos ao Dr. Vicente Santos Dias. (Destaque nosso)" Na conclusão apresentada consta: Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10680.003876/200734 Acórdão n.º 2202004.475 S2C2T2 Fl. 91 3 Isto posto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para alterar o lançamento, reconhecendo a dedutibilidade parcial das despesas odontológicas com o Dr. Antonio Miguel da Silveira (comprovada despesa no valor de R$ 8.000,00), e manter o lançamento em relação às demais glosas. (Destaque nosso) Registrese, foram acostados 6 cheques de R$ 1.000,00, conforme fls. 60/63. Ademais, convém destacar que no dispositivo consta que foi dado provimento ao recurso voluntário, quando na realidade o provimento foi PARCIAL. Em face do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento do presente recurso para sanar: I) a contradição entre a fundamentação e a conclusão do voto, e II) o vício existente no dispositivo do acórdão. Uma vez admitidos os embargos e encaminhados para julgamento deve ser feita a análise da contradição apontada no acórdão embargado. É o relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço Compulsandose o voto condutor do acórdão embargado, verificase que o Relator afirmou à fl. 70 que "...Entendo que a cópia dos outros 6 (seis) cheques (nº 294538 a nº 294543) devem ser aceitas como comprovação de despesas odontológicas no valor de R$ 8.000,00 ...". Mais adiante assevera que "Desta forma, deve ser restabelecida parcialmente a dedução de despesa médica no valor de R$ 6.000,00 (e não de R$ 12.000,00) paga ao Dr. Antonio Miguel da Silveira ...". Por fim, conclui que "Isto posto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para alterar o lançamento, reconhecendo a dedutibilidade parcial das despesas odontológicas com o Dr. Antonio Miguel da Silveira (comprovada despesa no valor de R$ 8.000,00), e manter o lançamento em relação às demais glosas". Analisando os recibos juntados às fls. 60/63 constatase que foram juntados 8 cheques no valor de R$ 1.000,00. Do total dos cheques verificase que 6 foram emitidos em nome do próprio profissional médico ou da clínica odontológica. No entanto, os dois cheques juntados às fls. 60 são nominais a terceiros. Essa situação foi reconhecida no voto condutor do acórdão embargado, conforme se verifica pelo trecho abaixo transcrito: Da análise de tais cheques, percebe se que: Fl. 92DF CARF MF 4 dois deles foram emitidos em nome do Dr. Antonio Miguel da Silveira (cheques de nº 294538 e nº 294541); dois foram emitidos em nome da Dental Capital LTDA. (cheques nº 294539 e nº 294540); dois foram emitidos em nome do Centro Odontológico Integrado LTDA. (cheques nº 294542 e nº 294543); dois deles encontramse nominais a terceiros, que não o médico e a clínica odontológica (cheques nº 294537 e nº 294545). (...) Desta forma, deve ser restabelecida parcialmente a dedução de despesa médica no valor de R$ 6.000,00 (e não de R$ 12.000,00) paga ao Dr. Antonio Miguel da Silveira, eis que sua efetividade foi comprovada por meio das cópias de cheques acostados às fls. 60 a 63. Todavia, na parte expostiva do voto restou consignado que: Isto posto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para alterar o lançamento, reconhecendo a dedutibilidade parcial das despesas odontológicas com o Dr. Antonio Miguel da Silveira (comprovada despesa no valor de R$ 8.000,00), e manter o lançamento em relação às demais glosas Correta, portanto, a contradição apontada pela Fazenda Nacional, uma vez que as despesas efetivamente comprovadas equivalem à R$ 6.000,00 e não R$ 8.000,00 como consta da parte dispositiva da decisão. Ademais a própria parte dispositiva inobstante fale "dar provimento" reconhece que o provimento foi apenas parcial. Em face de todo o exposto, acolho os embargos opostos pela Fazenda Nacional, com efeitos infringrentes, para sanar a contradição apontada, devendo ser alterada a parte dispositiva da decisão embargada no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para alterar o lançamento, reconhecendo a dedutibilidade parcial das despesas odontológicas com o Dr. Antonio Miguel da Silveira (comprovada despesa no valor de R$ 6.000,00), e manter o lançamento em relação às demais glosas. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10680.003876/200734 Acórdão n.º 2202004.475 S2C2T2 Fl. 92 5 Fl. 94DF CARF MF
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