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Numero do processo: 10680.933062/2009-98
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/11/2005
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADA. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/11/2005 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADA. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/2005 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADA. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 30 62 /2 00 9- 98 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 06/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 1ª Turma da DRJ Belo Horizonte (fls. 27/29 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação de débito tributário com crédito decorrente de pagamento a maior de COFINS relativo ao fato gerador de 30/11/2005. A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte/MG não homologou a compensação pleiteada sob o argumento de que o pagamento teria sido utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando, portanto, saldo creditório disponível. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde aduz haver exercido direito amparado pela legislação vigente, e que apenas não retificara as respectivas DCTF e demais obrigações acessórias. Acrescenta que a compensação realizada, que tem natureza “declaratória”, está amparada no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, não se enquadrando em nenhuma das hipóteses que vedam a apresentação de compensação declaratória administrativa. Os argumentos aduzidos pela reclamante foram acolhidos em parte pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, onde ficou consignado que a recorrente, muito embora tivesse afirmado não haver apresentado DCTF retificadora, procedera com a correspondente retificação, esta admitida no âmbito daquele julgamento, já que a retificação em tela não se enquadrava em nenhuma das hipóteses normativas que impedissem seu acolhimento. Assim: [...] Na DCTF retificadora, referente ao período de apuração de 30/11/2005, foi indicado um débito da contribuição correspondente ao valor informado no Dacon. Com o envio da DCTF retificadora, houve a apropriação de parcela do Darf (R$ 154.383,51), no valor de R$ 132.222,84, restando um saldo de crédito de R$ 22.160,67, inferior ao valor pleiteado e utilizado no Per/Dcomp (R$ 39.970,45). Cientificada da referida decisão em 14/03/2012 (vide AR de fls. 33), a interessada, em 04/04/2012, apresentou o recurso voluntário de fls. 34/43, onde repete os argumentos já expostos na primeira instância recursal, ressaltando ainda que a decisão recorrida incorrera em equívoco ao não reconhecer a DCTF retificadora e, consequentemente, glosar a compensação pleiteada, em ofensa ao disposto na IN 903/08 e Lei no 9.430/96. Diante do exposto, requer seja provido seu recurso e homologada a compensação pretendida. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Fl. 107DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 06/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10680.933062/200998 Acórdão n.º 3802001.595 S3TE02 Fl. 107 3 O recurso é tempestivo e merece ser conhecido por preencher os demais requisitos de admissibilidade do pleito. A defesa da recorrente não condiz com a realidade dos fatos, posto que, como relatado, a primeira instância acolheu a retificação da DCTF apresentada pela empresa, tendo, no entanto, deferido apenas em parte o pedido, já que o saldo do crédito em favor da empresa foi inferior ao valor pleiteado e utilizado na DCOMP. Com efeito, vêse do extrato de fls. 30, que o valor principal do débito cadastrado no processo, de R$ 45.086,67, foi reduzido para R$ 21.033,48, isso, justamente, em vista do acatamento da retificação do débito declarado na DCTF retificadora, conforme relatado. Assim, permanece apenas a situação em aberto dos débitos não liquidados por compensação depois dos cálculos decorrentes do reconhecimento parcial, pela primeira instância, do crédito alegado pela reclamante. Ao que parece, a recorrente apresentou o presente recurso buscando contestar a legitimidade da exigência do saldo devedor remanescente – depois de admitida a retificação da DCTF pela instância recorrida. Contudo, comparece a este foro sem apresentar nenhuma prova capaz de infirmar, minimamente, a exigência tributária atrelada a este processo. Vale lembrar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 27 de fevereiro de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 108DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/ 06/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
score : 1.0
Numero do processo: 13117.000188/2007-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRLAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2001
CUSTEIO - CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - DECADÊNCIA
De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-000.512
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimiidade de votos acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Bernadete de Oliveira Barros
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRLAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2001 CUSTEIO - CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - DECADÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Recurso Voluntário Provido
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Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. r---, Processo n° 13117.000188/2007-13 52-C3T1 Acórdão n.° 2301-00312 Fl. 118 ACORDAM os membros da 3* Câmara / 1 Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, po un. idade de votos acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, no. t os o voto do relator. %\• ulv JULIO ESA ' VIEIRA GOMES Presiden ' OCA c.."*- BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relatora • Participaram do julgamento os conselheiros: Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal (Suplente), Maria Helena Lima dos Santos (Suplente), Bemadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). 2 Processo n° 13117,00018812007-13 S2-C3T1 Acórdão n.• 2301-00.512 Fl. 119 • Relatório Trata-se de crédito previdenciário lançado contra o Município acima identificado, referente a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à contribuição dos segurados empregados, à da empresa, e à destinada ao financiamento dos beneficios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Conforme Relatório Fiscal (fls. 70/71), o fato gerador da contribuição previdenciária lançada é a remuneração paga a título de salários e ordenados, gratificações e outros, aos segurados, servidores de cargos efetivos, que prestaram serviços à prefeitura no período 01/99 a 06/01. A recorrente impugnou o débito via peça de fls. 75 a 86 e a Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da Decisão-Notificação n°28.401.4/0011/2007 (fls. 90 a 93), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 100 a 109), alegando, em apertada síntese, o que se segue. Preliminarmente, alega decadência do débito e a aplicação do art. 173, do CTN. No mérito, insurge-se contra o lançamento ao argumento de que a sua constituição não foi devidamente acompanhada pelo Município, sendo ato unilateral que não levou em conta o contraditório e a ampla defesa, motivo pelo qual é nulo. Reafirma que os valores efetivamente recolhidos pelo Município não foram atualizados à semelhança dos indigitados débitos, evidenciando o caráter confiscatório do lançamento. Reitera que os juros e atualização monetária são excessivos e inconsistentes, e os juros e as multas não refletem o principio constitucional da proporcionalidade. Assevera que não há objetividade na indicação dos supostos valores imputados, e que o débito não se encontra devidamente esclarecido, o que retira as condições para o exercício do contraditório e da ampla defesa. Ressalta que o autor do lançamento não levou em conta os valores efetivamente pagos pelo Município e repete que • a recorrente nada deve em relação aos indigitados fatos geradores. Entende que a decisão recorrida feriu o art. 5 0, LV, eis que afastou os argumentos da defesa no sentido de que as empresas prestadoras de serviços deviam ser averiguadas quanto ao efetivo recolhimento dos débitos apontados na NFLD. É o relatório. 3 Processo n° 13117.000188/2007-13 82-C3TI Acórdão n.° 2301-00312 Fl. 120 V080 Conselheira BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. A notificada alega, em seu recurso, decadência do débito sob o entendimento de que as contribuições subordinam-se aos prazos de prescrição e decadência previstos no CTN. A fiscalização lavrou a presente NFLD com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue- se após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, `13' da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários n° 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante n° 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 50 do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadéncia de crédito tributário" Cumpre ressaltar que o art. 49 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: "Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de oficio, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no capta não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: 1 - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; (g.n)" Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei n°8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após 4 Processo n° 13117.000188/2007-13 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00312 Fl. 121 o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103-A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional n° 45/2004. in verbis: "Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1° A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2° Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3° Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g. n)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, conclui-se que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64-B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. "Art. 64-11. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, dar-se-á ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futureis decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal" O STJ pacificou o entendimento de que, nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplica-se o prazo previsto no § 40 do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. et -1 5 . • Processo n°13117.000188/2007-13 52-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.512 Fl. 122 • No caso presente, verifica-se que houve antecipação do pagamento, conforme consta do DAD, fls. 05 a 11. Verifica-se, da análise dos autos, que a ciência da NFLD pelo contribuinte se deu em 05/12/2006, conforme AR de fls. 73 e o débito se refere às competências compreendidas no período de 01/1999 a 06/2001, inclusive os décimos terceiros salários de 1999 e 2000. Dessa forma, considerando o exposto acima, constata-se que se operara a decadência do direito de constituição do crédito para todas as competências objeto da NFLD em comento. Nesse sentido, Voto por CONHECER do recurso e DAR-LHE PROVIMENTO. É como voto Sala das Sessões, em 07 de julho de 2009 00", BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relatora • 6 Page 1 _0015200.PDF Page 1 _0015300.PDF Page 1 _0015400.PDF Page 1 _0015500.PDF Page 1 _0015600.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10183.004563/2007-12
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003, 2004, 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Cabíveis os embargos de declaração quando demonstrado que o acórdão foi proferido desconhecendo documentos que deveriam constar dos autos na data do julgamento.
ANTERIOR PEDIDO DE DESISTÊNCIA DE RECURSO. ACÓRDÃO CARF. NULIDADE.
A protocolização de pedido de desistência de recurso voluntário, em data anterior ao julgamento, põe fim ao litígio, sendo nulo o acórdão posteriormente proferido.
Embargos Acolhidos.
Acórdão CARF Anulado.
Numero da decisão: 2801-003.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para declarar a nulidade do Acórdão 2801-02.395, de 19/04/2012, por ausência de litígio, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Márcio Henrique Sales Parada, Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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Cabíveis os embargos de declaração quando demonstrado que o acórdão foi proferido desconhecendo documentos que deveriam constar dos autos na data do julgamento. ANTERIOR PEDIDO DE DESISTÊNCIA DE RECURSO. ACÓRDÃO CARF. NULIDADE. A protocolização de pedido de desistência de recurso voluntário, em data anterior ao julgamento, põe fim ao litígio, sendo nulo o acórdão posteriormente proferido. Embargos Acolhidos. Acórdão CARF Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para declarar a nulidade do Acórdão 280102.395, de 19/04/2012, por ausência de litígio, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Márcio Henrique Sales Parada, Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 45 63 /2 00 7- 12 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10183.004563/200712 Acórdão n.º 2801003.044 S2TE01 Fl. 264 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 01/15, referente a Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, exercícios 2003 a 2005, formalizando a exigência de crédito tributário no valor de R$ 73.918,17. A autuação decorreu de glosa da Área de Reserva Legal/Utilização Limitada, da Área de Preservação Permanente e alteração do Valor da Terra Nua (VTN) declarado. A 1ª Turma da DRJ/CGE/MS, conforme Acórdão de fls. 184/192, julgou improcedente a impugnação. Em 19/04/2012, a 1ª Turma Especial/2ª Seção de Julgamento/CARF, proferiu o Acórdão de nº 280102.395, fls. 217/229, cujo resultado foi por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para acatar Área de Reserva Legal de 3.064,06ha referente ao exercício 2005, e restabelecer o Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo recorrente para os exercícios 2003, 2004, e 2005. A Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) interpôs recurso especial contra o Acórdão nº 280102.395, alegando divergência jurisprudencial da decisão em relação ao provimento parcial ao recurso voluntário para acatar a área de reserva legal de 3.064,06ha, referente ao exercício 2005, e restabelecer o Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo recorrente, para os exercícios 2003, 2004, e 2005. Entretanto, ao se verificar que havia nos autos um requerimento enviado por meio do Memorando nº 048/2010, da Agência da Receita Federal do Brasil em Francisco Beltrão/PR, datado de 26 de fevereiro de 2010, com a solicitação de desistência do recurso administrativo, interposta pelo sujeito passivo, bem antes da apreciação do recurso voluntário, os autos foram encaminhados para esta Conselheira Relatora, que, interpôs embargos de declaração para submeter o recurso voluntário a nova apreciação pelo colegiado, tendo em vista a desistência do recurso voluntário pelo contribuinte, não analisada pela Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF. Em 28/03/2013, o Presidente da Turma Especial/2ª Seção de Julgamento/CARF, consoante documento de fls. 262/263, acatou os embargos interpostos e determinou a inclusão do processo em pauta para nova apreciação do Colegiado. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. Os embargos são tempestivos e atendem às demais condições de admissibilidade, portanto merecem ser conhecidos. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10183.004563/200712 Acórdão n.º 2801003.044 S2TE01 Fl. 265 3 No caso, o pedido de desistência de recurso de fls. 254, foi protocolizado em 25/02/2010, portanto, em data anterior ao julgamento do recurso voluntário. Dessa forma, não caberia mais a esse Colegiado apreciar o mérito do litígio, por ausência de litígio. Sendo assim, cabe declarar a nulidade do Acórdão 280102.395, proferido em 19/04/2012 (fls. 217 e 229). Diante do exposto, voto por acolher os embargos interpostos para declarar a nulidade do Acórdão 280102.395, de 19/04/2012, por ausência de litígio. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 266DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 11557.001708/2008-73
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/12/2004
NULIDADE. NFLD. FORMA. INOCORRÊNCIA.
Uma vez presentes os requisitos do art. 10 do Decreto n. 70.235/72, não há que se falar em inépcia do Auto de Infração, principalmente quando individualizado os fatos geradores através de Relatório Fiscal, bem como da capitulação legal constante de seus anexos, Fundamentos Legais de Débito - FLD e Discriminativo Analítico de Débito - DAD.
PRODUÇÃO RURAL. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL.
No RE 596.177, submetido ao regime do Art. 542-B, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, foi julgada a inconstitucionalidade da contribuição de 2% sobre a produção rural, por ofender ao art. 150, II, da CF, em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador e por necessidade de Lei Complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social.
CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. LEGITIMIDADE. ARRECADAÇÃO. COMPETÊNCIA. LEI 8.022/90. DECRETO-LEI 1.110/70. SENAR. LEI. 8.315/91. ART. 543-C.
No julgamento do REsp 977.058/RS, relatoria do Ministro Luiz Fux, restou decidido que o INCRA nunca teve a seu cargo a atribuição de serviço previdenciário, razão por que a contribuição a ele destinada não foi extinta pelas Leis nºs 7.789/89 e 8.212/91 - ambas de natureza previdenciária -, permanecendo íntegra até os dias atuais como contribuição de intervenção no domínio econômico.
A competência para arrecadação, fiscalização e cobrança das contribuições passou apenas a ser da Secretaria da Receita Federal, após a vigência da Lei 11.457 de 16 de março de 2007, cumulada com a Lei 11.501 de 11 de julho de 2007, com revogação expressa do art. 94 da Lei 8.212/91.
A Lei 8.022.90 apenas transferiu para a SRF a administração das receitas decorrentes do cadastramento de imóveis rurais.
MULTA. RECÁLCULO. ART. 35-A DA LEI 8.212/91.
Tendo em vista que o artigo 106 do CTN expressa o princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial do recurso para excluir da autuação os valores referentes à produção rural e determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora..
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2000 a 31/12/2004 NULIDADE. NFLD. FORMA. INOCORRÊNCIA. Uma vez presentes os requisitos do art. 10 do Decreto n. 70.235/72, não há que se falar em inépcia do Auto de Infração, principalmente quando individualizado os fatos geradores através de Relatório Fiscal, bem como da capitulação legal constante de seus anexos, Fundamentos Legais de Débito - FLD e Discriminativo Analítico de Débito - DAD. PRODUÇÃO RURAL. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. No RE 596.177, submetido ao regime do Art. 542-B, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, foi julgada a inconstitucionalidade da contribuição de 2% sobre a produção rural, por ofender ao art. 150, II, da CF, em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador e por necessidade de Lei Complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. LEGITIMIDADE. ARRECADAÇÃO. COMPETÊNCIA. LEI 8.022/90. DECRETO-LEI 1.110/70. SENAR. LEI. 8.315/91. ART. 543-C. No julgamento do REsp 977.058/RS, relatoria do Ministro Luiz Fux, restou decidido que o INCRA nunca teve a seu cargo a atribuição de serviço previdenciário, razão por que a contribuição a ele destinada não foi extinta pelas Leis nºs 7.789/89 e 8.212/91 - ambas de natureza previdenciária -, permanecendo íntegra até os dias atuais como contribuição de intervenção no domínio econômico. A competência para arrecadação, fiscalização e cobrança das contribuições passou apenas a ser da Secretaria da Receita Federal, após a vigência da Lei 11.457 de 16 de março de 2007, cumulada com a Lei 11.501 de 11 de julho de 2007, com revogação expressa do art. 94 da Lei 8.212/91. A Lei 8.022.90 apenas transferiu para a SRF a administração das receitas decorrentes do cadastramento de imóveis rurais. MULTA. RECÁLCULO. ART. 35-A DA LEI 8.212/91. Tendo em vista que o artigo 106 do CTN expressa o princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial do recurso para excluir da autuação os valores referentes à produção rural e determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2000 a 31/12/2004 NULIDADE. NFLD. FORMA. INOCORRÊNCIA. Uma vez presentes os requisitos do art. 10 do Decreto n. 70.235/72, não há que se falar em inépcia do Auto de Infração, principalmente quando individualizado os fatos geradores através de Relatório Fiscal, bem como da capitulação legal constante de seus anexos, Fundamentos Legais de Débito FLD e Discriminativo Analítico de Débito DAD. PRODUÇÃO RURAL. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. No RE 596.177, submetido ao regime do Art. 542B, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, foi julgada a inconstitucionalidade da contribuição de 2% sobre a produção rural, por ofender ao art. 150, II, da CF, em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador e por necessidade de Lei Complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. LEGITIMIDADE. ARRECADAÇÃO. COMPETÊNCIA. LEI 8.022/90. DECRETOLEI 1.110/70. SENAR. LEI. 8.315/91. ART. 543C. No julgamento do REsp 977.058/RS, relatoria do Ministro Luiz Fux, restou decidido que o INCRA nunca teve a seu cargo a atribuição de serviço previdenciário, razão por que a contribuição a ele destinada não foi extinta pelas Leis nºs 7.789/89 e 8.212/91 ambas de natureza previdenciária , permanecendo íntegra até os dias atuais como contribuição de intervenção no domínio econômico. A competência para arrecadação, fiscalização e cobrança das contribuições passou apenas a ser da Secretaria da Receita Federal, após a vigência da Lei AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 55 7. 00 17 08 /2 00 8- 73 Fl. 347DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 24/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 11.457 de 16 de março de 2007, cumulada com a Lei 11.501 de 11 de julho de 2007, com revogação expressa do art. 94 da Lei 8.212/91. A Lei 8.022.90 apenas transferiu para a SRF a administração das receitas decorrentes do cadastramento de imóveis rurais. MULTA. RECÁLCULO. ART. 35A DA LEI 8.212/91. Tendo em vista que o artigo 106 do CTN expressa o princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial do recurso para excluir da autuação os valores referentes à produção rural e determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 24/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11557.001708/200873 Acórdão n.º 2403001.907 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face de DecisãoNotificação n. 07.401.4/0143/2005, proferida pela Delegacia da Receita Previdenciária em Vitória/ES, que entendeu por manter a autuação constante da NLFD DEBCAD n. 35.776.0549, originalmente no importe de R$ 622.687,31 (seiscentos e vinte e dois mil seiscentos e oitenta e sete reais e trinta e um centavos). Os fatos foram narrados no relatório fiscal, fls. 83/85: 4. Característica do Débito: 08/00 a 09/01: Diferenças de recolhimento do Seguro do Acidente de Trabalho – SAT e da contribuição patronal referentes à comercialização de produtos rurais; 08/00 a 13/04: Diferenças de recolhimento referentes a “Terceiros”incidentes sobre a folha de pagamento. 5 – Fato Gerador 5.1 – A base de cálculo da contribuição do empregador rural pessoa física é a comercialização da receita bruta proveniente da sua produção (Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 25, (com as alterações posteriores da Lei n. 10.256, de 09/07.2001), I (com as alterações da Lei n. 9.528, de 10.12.97) e parágrafos 3 e 4 (com alterações da Lei n. 8.540, de 22.12.92, e posteriores da Lei n. 10.256, de 09.07.2001); Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 9, I e V, “a”, art. 200, I, parágrafos 1. (revogado, posteriormente pelo Decreto 4.032, de 26.1.01), 4, 5, 7 e art. 216, III e IV e parágrafo 5, com as alterações dadas pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99. 5.1.1. Conforme constatado nas GFIPs – Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, nas competências 08/00 a 09/01 a empresa informou valores relativos à comercialização da produção rural adquirida de pessoas físicas (FPAS 744) sem ter efetuado o respectivo recolhimento, na sua totalidade, do SAT e parte patronal. 5.2 – O Instituto Nacional do Seguro Social – INSS poderá arrecadar e fiscalizar, mediante remuneração de 3,5% do montante arrecadado, contribuição por lei devida a terceiros, desde que provenha de empresa, segurado, aposentado ou pensionista a ele vinculado, aplicandose a essa contribuição, no que couber, o disposto na Lei (Lei n. 8.212/91, art. 94 “com a redação dada pela MP n. 15234, de 05/02/97, e reedições posteriores até à MP n. 159614, de 10/11/97, convertidas na Lei n. 9.528, de 10/12/97) 5.2.1 – Conforme recolhimentos efetuados pela empresa, constatamos que a mesma não recolheu a contribuição referente a terceiros (INCRA) incidentes sobre a folha de pagamento do período 08/00 a 13/04. A empresa tem convênio com o SalárioEducação, cuja contribuição foi recolhida. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 24/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 120/130. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, Delegacia da Receita Previdenciária em Vitória/ES, prolatou a Decisão Notificação n. 07.401/0143/2005, fls. 254/260, mantendo o lançamento, conforme ementa que abaixo segue transcrita, verbis: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRODUTO RURAL. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE. INCRA. MULTA DE MORA. INCONSTITUCIONALIDADE. O adquirente de produto rural de produtor rural pessoa física é responsável pela arrecadação da contribuição por este devida, artigo 30 incisos III da Lei 8.212/91 É devida à Seguridade Social, contribuição previdenciária patronal, as devidas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, sobre a comercialização de produtos rurais, bem como para terceiros – INCRA, sobre a Folha de Pagamento de seus empregados, declarados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e informações à Previdência Social – GFIP. É lícita a cobrança de multa sobre contribuições sociais em atraso, nos termos do artigo 35 da Lei 8.212/91, com alterações posteriores. Inconstitucionalidade é matéria reservada ao Supremo Tribunal Federal, conforme art. 102 parágrafo 1º da Constituição Federal de 1988. LANÇAMENTO PROCEDENTE. DO RECURSO Inconformado, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 265/276, requerendo a reforma do Acórdão, com os seguintes argumentos, em suma: Os fundamentos utilizados pela autoridade julgadora da defesa administrativa para manter o débito subsistente são vagos, abstratos e inconsistentes pois, conforme é de rigor, não configuram a res dúbia, res controversa, consoante determinam as instruções interna corporis do INSS que dispõe sobre o julgamento de feitos na linha da previdência social; O Instituto Nacional do Seguro Social não tem competência, nas competências anteriores a novembro/2001, para proceder à fiscalização e arrecadação de contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção agrícola adquirida pela empresa notificada do produtor rural pessoa física; Após a Constituição Federal os serviços sociais passaram para a competência e responsabilidade do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), art. 62 do ADCT passando o INCRA a desempenhar exclusivamente, atividades de interesse público Fl. 350DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 24/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11557.001708/200873 Acórdão n.º 2403001.907 S2C4T3 Fl. 4 5 geral no âmbito do Ministério da Agricultura e Reforma Agrária, o que esvaziaria a natureza da contribuição corporativa para caracterizarse como imposto, vedado expressamente pelo artigo 167, inciso IV da Carta Magna e ainda que não o fosse o INSS não teria competência para proceder a sua fiscalização; É improcedente a incidência de percentual de 15% a título de multa moratória, deveria o agente exator aplicar as alíquotas previstas no art. 35 da Lei n. 8.212/91, por ser menos severa, nos termos do art. 106, alínea “c”do CTN. É o relatório. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 24/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme o documento de fls. 344, tomo o recurso como tempestivo e, por estarem presentes os demais requisitos, adentro ao mérito da questão. DA NULIDADE DE FORMA DA NFLD Alega o recorrente que o INSS, ao lavrar a notificação de lançamento de débito, deixou de observar várias exigências de forma contidas no Código Tributário Nacional, art. 142 c/c art. 202 e no Decreto n. 70.235/72 (art. 10) tornandoa inepta. Afirma que o INSS não capitulou, com precisão, a imposição tributária nem circunstanciou adequadamente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. No entanto, conforme se percebe do compulsar dos autos, consta nas fls. 83/85 o relatório fiscal que informa os a legislação, assim como individualiza os fatos geradores, correlacionando os fatos às disposições legais. Também corroborando os fatos, nas fls. 06/24, consta o Discriminativo Analítico de Débito – DAD, fls. 25/31 o Discriminativo Sintético de Débito – DSD, assim como nas fls. 32/49 o Relatório de Lançamentos. Não há, portanto, qualquer nulidade de forma no referido auto de infração. DO MÉRITO DA COMPETÊNCIA DO INSS PARA A ARRECADAÇÃO E FISCALIZAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZADAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL A matéria posta resta prejudicada uma vez que, conforme será demonstrado no tópico seguinte, não poderia ter sido objeto da autuação a exigência de contribuição sobre a produção rural. DA (IN)CONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA Dentre as exigências realizadas pelo fiscal na autuação está a contribuição do empregador rural, conforme art. 25, parágrafos 3º e 4º da Lei 8.212/91. No entanto, cumpre esclarecer que a exigência foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento nos moldes do art. 543B, de reprodução obrigatória por este conselheiro, em razão de expressa disposição regimental, art. 62A, in verbis: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA Fl. 352DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 24/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11557.001708/200873 Acórdão n.º 2403001.907 S2C4T3 Fl. 5 7 PRODUÇÃO. ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I – Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II – Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III – RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. (RE 596177, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 01/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe165 DIVULG 26082011 PUBLIC 29082011 EMENT VOL0257502 PP00211 RT v. 101, n. 916, 2012, p. 653662) Cumpre trazer à lume os argumento para reconhecimento da inconstitucionalidade, constantes no voto condutor do acórdão, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski: A Lei Maior é exaustiva quanto aos fatos que podem dar causa à obrigação de financiamento da seguridade social,e que somente a Constituição pode abrir exceção à unicidade de incidência da contribuição; O produtor rural passou a estar compelida a duplo recolhimento, com a mesma destinação, ou seja, o financiamento da seguridade social recolhe, a partir do disposto no art. 195, I, alínea 'b', a COFINS e a contribuição prevista no referido art. 25"; Ofensa ao princípio constitucional da isonomia tributária Art. 150, II, da CF/1988 pois haveria duplicidade de contribuição, uma vez que o produtor rural, caso possua empregados estará obrigado não só ao recolhimento sobre a folha de salários, como também, levando em conta o faturamento da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da prevista tomada a mesma base de incidência, o valor comercializado no artigo 25 da Lei n. 8.212/91; Necessidade de lei complementar para se instituir nova fonte de custeio para a seguridade social, dado que o faturamento e resultado da produção não possuem o mesmo significado. Nesse sentido, destacou ser essa a razão para a existência do art. 195 da Constituição e da impossibilidade de se considerar o previsto no art. 25, I e II, da Lei 8.212/1991 como majoração da alíquota da contribuição prevista na Lei Complementar 70/1991. Todos os fundamentos foram retirados do julgamento do RE 363.852, matéria com o mesmo objeto do julgado acima, apenas sem o pálio da repercussão geral, de relatoria do Ministro Marco Aurélio, cuja ementa segue dado o valor do precedente: RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do Fl. 353DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 24/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. (RE 363852, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010, DJe071 DIVULG 22042010 PUBLIC 23042010 EMENT VOL0239804 PP00701 RTJ VOL00217 PP00524 RET v. 13, n. 74, 2010, p. 4169) O Acórdão prolatado foi no seguinte sentido, in verbis: Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade e nos termos do voto do relator, em conhecer e dar provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do recolhimento por sub rogação sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da produção rural"de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1 da Lei n. 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n. 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei n. 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n. 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus sucumbência. Em seguida, o relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitada por maioria, vencida a Ministra Ellen Gracie, em sessão presidida pelo Ministro Gilmar Mendes, na conformidade da ata do julgamento e das respectivas notas taquigráficas. Em continuação ao acórdão do Recurso em sede de repercussão geral, para que não restasse dúvidas, o Ministro relator do primeiro acórdão julgado, RE 363.852, Marco Aurélio, interveio em seu voto, cujos trechos seguem transcritos a seguir: Fl. 354DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 24/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11557.001708/200873 Acórdão n.º 2403001.907 S2C4T3 Fl. 6 9 Senhor Presidente, apenas em atenção ao que foi veiculado da tribuna, consigno que persiste o erro glosado quando do pronunciamento anterior do Tribunal. Veio à balha não uma lei complementar que atendesse ao artigo 195, parágrafo quarto, da Carta Federal, mas uma lei ordinária, a n. 10.256/2001. E nem se diga que a Emenda Constitucional n. 20 acabou por placitar a utilização da lei ordinária para criação desse tributo, porque apenas alterou o parágrafo oitavo do artigo 185 para expungir a referência a garimpeiro. A situação, portanto, é idêntica àquela com a qual o Plenário se defrontou se não me falha a memória, quando do julgamento do Recurso Extraordinário n. 363.852/MG , e concluiu pelo provimento do recurso do contribuinte. Acompanho o relator provendo o recurso e declarando a inconstitucionalidade dos preceitos referidos por Sua Excelência, reportandome ao voto proferido no mencionado extraordinário: (...) Portanto, há de ser afastada a exigência no tocante à contribuição rural. DA CONTRIBUIÇÃO AO INCRA Alega o recorrente que a contribuição ao INCRA foi instituída pelo Decreto Lei n. 1.110/70, com o fim de propiciar o financiamento dos serviços sociais e após o advento da Constituição de 1988 tais serviços passaram a ser de responsabilidade do SENAR. Em síntese, afirma que a natureza da contribuição corporativa passou a se caracterizar como imposto com destinação específica, o que seria vedado pelo art. 167, inciso IV da Carta Magna. Subsidiariamente, também afirma que o INSS não teria competência para proceder a sua fiscalização e arrecadação uma vez que o tributo tem como base de incidência o saláriodecontribuição dos empregados, quando o INSS poderia apenas arrecadar em favor de terceiros e, a Lei 8.022/91, transferiu a competência para fiscalização e arrecadação do INCRA à SRF. Apesar dos esforços do recorrente, temse que a matéria ventilada já foi objeto de julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de Recurso Repetitivo de controvérsia, art. 543C, de reprodução obrigatória por este conselho, nos termos do art. 62A do RICARF, in verbis: AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. NATUREZA. INTERVENÇÃO NA ATIVIDADE ECONÔMICA. 1. Criado pelo DL nº 1.110/70 com a missão de promover e executar a reforma agrária, a colonização e o desenvolvimento rural no País, ao Incra foi destinada, para a consecução de seus objetivos, a receita advinda da contribuição incidente sobre a Fl. 355DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 24/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 folha de salários no percentual de 0,2% fixada no art. 15, II, da LC nº 11/71. 2. O Incra nunca teve a seu cargo a atribuição de serviço previdenciário, razão por que a contribuição a ele destinada não foi extinta pelas Leis nºs 7.789/89 e 8.212/91 – ambas de natureza previdenciária –, permanecendo íntegra até os dias atuais como contribuição de intervenção no domínio econômico. 3. Entendimento da Primeira Seção, nos termos do artigo 543C do Código de Processo Civil, no REsp 977.058/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 10.11.08. 4. Tendo o Tribunal regional, diante das especificidades do processo, reduzido a sucumbência a 5% do valor da condenação, a revisão da verba honorária esbarraria no óbice da Súmula 7/STJ. 5. Agravo regimental não provido. (AgRg nos EDcl no REsp 973.204/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 12/05/2009, DJe 25/05/2009) Quanto à competência para arrecadação e fiscalização, cumpre observar que assiste razão à DRJ ao afirmar que com relação à contribuição destinada ao INCRA, a Lei 8.022/90, não extinguiu a competência do INSS, em razão da vigência à época do disposto no art. 94 da Lei 8.212.91. Somente foi transferida para a SRF somente a administração das receitas decorrente do cadastramento de imóveis rurais, sem relação com as contribuições em apreço. A competência para arrecadação, fiscalização e cobrança das contribuições passou apenas a ser da Secretaria da Receita Federal, após a vigência da Lei 11.457 de 16 de março de 2007, cumulada com a Lei 11.501 de 11 de julho de 2007. DA MULTA APLICADA Os fundamentos legais para aplicação da multa estão esposados na fl. 75 dos autos, cujo teor é o seguinte: ACRÉSCIMOS LEGAIS MULTA Competências : 08/2000 a 13/2004 Lei n. 8.212, de 2 4 . 0 7 . 9 1 , art. 35, I, II, III (com a redação dada pela Lei n. 9.876, de 26.11.99); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 239, III, "a", "b" e "c", parágrafos 2. ao 6. e e 11, e art. 242, parágrafos 1. e 2. (com a redação dada pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99). CALCULO DA MULTA: PARA PAGAMENTO DE OBRIGAÇÃO VENCIDA, NAO INCLUIDA EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO: 8% dentro do mês do mês de vencimento da obrigação; 14%, no mês seguinte; 20%, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; PARA PAGAMENTO DE CRÉDITOS INCLUIDOS EM NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DEBITO (NFLD): 2 4% em ate 15 dias do recebimento da notificação; 3 Fl. 356DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 24/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11557.001708/200873 Acórdão n.º 2403001.907 S2C4T3 Fl. 7 11 0% apos o 15. dia do recebimento da notificação; 4 0% apos a apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, ate quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; 5 0% apos o 15. dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Divida Ativa; PARA PAGAMENTO DO CREDITO INSCRITO EM DIVIDA ATIVA: 60%, quando não tenha sido objeto de parcelamento; 70%, se houve parcelamento; 80%, apos o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o credito não foi objeto de parcelamento; 100% apos o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o credito foi objeto de parcela mento. OBS.: NA HIPÓTESE DAS CONTRIBUIÇÕES OBJETO DA NOTIFICAÇÃO DO DEBITO TEREM SIDO DECLARADAS EM GFIP, EXCETUADOS OS CASOS DE DISPENSA DA APRESENTAÇÃO DESSE DOCUMENTO, SERA A REFERIDA MULTA REDUZIDA EM 50% (CINQUENTA POR CENTO). A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias Fl. 357DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 24/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 24/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11557.001708/200873 Acórdão n.º 2403001.907 S2C4T3 Fl. 8 13 Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso para excluir da autuação os valores referente à produção rural e determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 359DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 24/04 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10803.000071/2009-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 15/01/2004 a 31/10/2007
MATÉRIA IMPUGNADA E NÃO APRECIADA NO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ANULAÇÃO DA DECISÃO. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO.
Comprovado que existiu matéria impugnada que não foi objeto de manifestação no julgamento de primeira instância, deve-se anular o julgamento para que a autoridade a quo realize novo julgamento, apreciando todas as impugnações apresentadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-001.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive. A conselheira Andrea Medrado Darze declarou-se impedida e foi substituída pela Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro. Acompanharam o julgamento os advogados Igor Nascimento de Souza OAB/SP 173.167, representante da pessoa jurídica Mude Comércio e Serviços Ltda. Paulo Rogério Sehn OAB/SP 109361, representante da pessoa jurídica Cisco; Mário Junqueira Franco Júnior, OAB/SP 140284, representante do Sr. Carlos Roberto Carnevali; e Júlio César Soares OAB/DF 29266, representante dos Srs. Cid Guardia Filho e Ernani Bertino Maciel. Pela Fazenda Nacional, acompanhou o Procurador Rodrigo Macedo Burgos.
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Adriana Oliveira e Ribeiro e Nanci Gama.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 15/01/2004 a 31/10/2007 MATÉRIA IMPUGNADA E NÃO APRECIADA NO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ANULAÇÃO DA DECISÃO. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO. Comprovado que existiu matéria impugnada que não foi objeto de manifestação no julgamento de primeira instância, devese anular o julgamento para que a autoridade a quo realize novo julgamento, apreciando todas as impugnações apresentadas. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive. A conselheira Andrea Medrado Darze declarouse impedida e foi substituída pela Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro. Acompanharam o julgamento os advogados Igor Nascimento de Souza OAB/SP 173.167, representante da pessoa jurídica Mude Comércio e Serviços Ltda. Paulo Rogério Sehn OAB/SP 109361, representante da pessoa jurídica Cisco; Mário Junqueira Franco Júnior, OAB/SP 140284, representante do Sr. Carlos Roberto Carnevali; e Júlio César Soares OAB/DF 29266, representante dos Srs. Cid Guardia Filho e Ernani Bertino Maciel. Pela Fazenda Nacional, acompanhou o Procurador Rodrigo Macedo Burgos. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 00 00 71 /2 00 9- 67 Fl. 49991DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Adriana Oliveira e Ribeiro e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância, que passo a transcrever. "Contra a empresa em epígrafe foi lavrado auto de infração pelos seguintes motivos: a) falta de lançamento do IPI nas saídas de produtos do estabelecimento equiparado a industrial, no montante de R$ 888.822.267,20 (inclusos multa de oficio e juros de mora); b) consumir ou pôr a consumo mercadoria importada fraudulentamente, aplicandose a multa regulamentar prevista no art. 490, I do Regulamento do IPI, Decreto n° 4.544/2002 (Lei n 2 4.502/1964, art. 83, I, e Decretolei nº 400/1968, art. 1), no valor de R$ 1.753.518.219,29. O Relatório Fiscal explicitou que o procedimento fiscal decorreu de trabalho desenvolvido pelo Escritório de Pesquisa e Investigação da Receita Federal em conjunto com a Policia Federal em face da instauração do Procedimento Criminal Diverso no 2005.61.0092851, em curso na 4a Vara Federal Criminal da P Subseção Judiciária de São Paulo/ SP, que teve como objeto "a logística de importação e distribuição de produtos eletroeletrônicos e de telecomunicações da empresa norteamericana CISCO SYSTEM INC.". Em decorrência do procedimento fiscal, o estabelecimento em epígrafe foi equiparado a industrial por ser o real importador das mercadorias que revende (artigo 79 da MP n° 2.158/01), conforme informado Termo de Verificação Fiscal TVF. A autuação fiscal se baseou, resumidamente, nos seguintes pontos fundamentais: a) verificação da ocorrência de simulação de negócio jurídico, por uso de interpostas pessoas em operações de importação, a fim de ocultar o verdadeiro sujeito passivo, pois constatada a antecipação de recursos; b) a equiparação da empresa a estabelecimento industrial, por ser a real importadora de mercadorias e c) constatação de fraude, por ter a empresa, com a simulação das operações, deixado de recolher os tributos devidos, pelo que foi aplicada a multa qualificada, prevista na Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, II. Fl. 49992DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10803.000071/200967 Acórdão n.º 3102001.873 S3C1T2 Fl. 49.992 3 Foi lavrado termo de sujeição passiva solidária para cada elemento do grupo, atribuindose responsabilidade solidária aos sócios, dirigentes e mandatários, nos termos do Código Tributário Nacional (CTN), artigo 124, I. Foi atribuída responsabilidade solidária as seguintes pessoas físicas: Fernando Machado Grecco; Marcelo Naoki Ikeda; Marcilio Palhares Lemos; Moacyr Alvaro Sampaio, Hélio Benetti Pedreira; Gustavo Henrique Castellari Procópio; José Roberto Pemomian Rodrigues; Luiz Scarpelli Filho; Pedro Luis Alves Costa; Reinaldo de Paiva Grillo; Carlos Roberto Carnevali, Cid Guardia Filho e Emani Bertino Maciel. Foi também atribuida responsabilidade solidária à empresa Cisco do Brasil Ltda. Regularmente cientificada da autuação, em 21/12/2009, conforme consta do auto de infração (fls. 1543), a empresa ingressou com impugnação na qual, após explanação Sobre o modelo de negócio adotado, alegou, em preliminar, que o fato de a empresa ter sido alvo de operação policial, com interceptação de ligações telefônicas e de mensagens telemáticas, não pode influenciar a análise da impugnação, que deve ser julgada nos moldes da legislação aplicável, o que certamente acarretará a declaração de insubsistência do auto de infração. Alertou, ainda, que a ausência dos elementos da impessoalidade e da imparcialidade nos atos administrativos (auto de infração e decisão administrativa) acarreta sua nulidade. Em síntese, também em preliminar, fez as seguintes considerações: 1. CERCEAMENTO DE DEFESA: A empresa alegou cerceamento de seu direito de defesa, por ter solicitado cópias dos autos (documentos) e estas somente terem sido disponibilizadas em 15/01/2005, a poucos dias do prazo final para apresentar a impugnação. Acrescentou que recebeu simultaneamente a ciência de diversos autos de infração, nos últimos dias do ano fiscal, com prazos para impugnação praticamente idênticos e esse fato juntamente com a obtenção de cópias do processo que continhal7 mil páginas de documentos impediu o exercício do contraditório e da ampla defesa, na medida em que a empresa não pode confrontar as acusações do Termo de Verificação Fiscal com os documentos que compõe o auto. E que, as provas que sustentam as acusações de fraude, simulação e conluio são justamente aquelas que foram indevidamente utilizadas no processo administrativo fiscal, de modo que a contestação somente poderá ocorrer com a devida análise do conjunto probatório. 2. NULIDADE DAS PROVAS: Alegou que as provas que fundamentaram a autuação foram colhidas nos autos do procedimento criminal no âmbito da operação policial deflagrada em conjunto com a Receita Federal do Brasil e, sendo assim, por terem sido obtidas com o único objetivo de instruir ação criminal, jamais poderiam ser utilizadas no processo administrativo fiscal, violando o artigo 5º da Constituição Federal, incisos X, XI e XII, devendo a D.Turma Julgadora determinar a desconstituição do crédito tributário. A quebra do sigilo das informações pessoais somente poderá ser admitida por ordem judicial e para fins de investigação criminal ou instrução processual penal (Lei n° 9.296/96). Por conseguinte, a D. Turma Julgadora deve deixar de reconhecer a validade das provas colhidas no âmbito criminal no presente processo administrativo reconhecendo, assim, que o auto de infração carece de "fundamentação faticoprobatória" e determinandose seu cancelamento. 3. AUSÊNCIA DE RELAÇÃO ENTRE AS PROVAS E 0 LANÇAMENTO: Suscitou que as provas colecionadas nos autos referemse a períodos diferentes daqueles tratados no auto de infração (janeiro de 2004 a outubro de 2007), porquanto as ligações e emails coletados para comprovação do "esquema fraudulento de importações", ocorreram apenas no ano de 2007, sem qualquer relação com a maior parte dos fatos geradores do presente auto. E principio basilar de direito que as provas devam ter relação Fl. 49993DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 direta com os fatos tidos como infracionais, não se admitindo que tais documentos sejam base para a constituição do crédito tributário nos anos de 2004, 2005, 2006 e parte de 2007 nem para a aplicação da multa agravada. 4. AUTUAÇÃO COM BASE EM SUPOSIÇÕES NULIDADE DO PROCEDIMENTO: Argumentou que, de acordo com a doutrina, para que haja o lançamento tributário se faz necessário que a descrição do fato contido no auto de infração seja bastante clara e objetiva, não se admitindo presunções, de forma que não pairem dúvidas acerca da ocorrência do fato e que haja a completa subsunção desse fato a norma jurídico tributária, sob pena de nulidade do lançamento, não se permitindo aplicar qualquer tipo de punição com base em presunções. E que, sendo assim, a aplicação de sanções depende de prova que deve ser exaustivamente promovida pelo fisco, de forma a convencer, por meios não indiciários, mas diretos, o julgador quanto da procedência do alegado. Tratase de uma proteção estabelecida em favor da liberdade e do patrimônio do contribuinte, que não pode ser punido com base em presunções. Portanto, comete a fiscalização uma ilegalidade ao exigir, da impugnante, tributos e multas sobre um fato jurídico presumido (supostas irregularidades nos processos de importação) e não provado, mormente quando se verifica que a impugnante jamais antecipou valores às importadoras. Necessário para que o auto de infração possa subsistir que a fiscalização comprove, documentalmente, por meios diretos e não indiretos (presuntivos) a alegada intenção de ocultar o real adquirente das mercadorias, ante toda a documentação que lhe foi apresentada, ou ainda, que tivesse comprovado a ocorrência da realização de atos simulados, o que também não foi feito, pois, ao contrário, o que se verificou foi que nenhum dos atos praticados poderia ser considerado ilícito ou ilegal. 5. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE PROVA EMPRESTADA: O auto de infração foi lavrado com base em prova emprestada, produzida no âmbito criminal, o que não é admitido, já que a fiscalização deve guardar estrita obediência aos princípios que regem a administração pública, dentre os quais destacase o da motivação e o da legalidade. Sendo assim, os agentes fiscais jamais poderiam lavrar os autos sem fazer levantamento e exame completo de toda a documentação contábil das empresas que participaram da fiscalização. O Conselho de Contribuinte tem entendimento de que não se pode utilizar prova emprestada, cancelando o lançamento lavrado nessa situação. 6. DA NULIDADE DA TRANSCRIÇÃO DAS PROVAS NO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL: É fácil notar a absoluta manipulação dos supostos meios de prova que, além de muitas vezes serem objeto de conclusões sem qualquer fundamento ou relação com o documento a que se faz referência, nunca são transcritos em sua totalidade. Na quase totalidade das transcrições a fiscalização sequer transcreveu o diálogo, utilizandose, como meio de prova, mera descrição ou resumo da conversa a partir das impressões dos próprios Auditores Fiscais. Impossível não notar a facilidade com que se pode manipular esse procedimento "probatório", configurando claro e evidente cerceamento do direito à. ampla defesa. 7. INSUBSISTÊNCIA DAS ALEGAÇÕES DE IMPORTAÇÃO FRAUDULENTA: A alegação de prática de uma série de operações comerciais simuladas com objetivo de fraudar o fisco não possui a mínima fundamentação, seja porque (i) nem a impugnante, nem os importadores operavam exclusivamente com produtos da CISCO, de modo não fazer qualquer sentido a acusação de que se tratava de uma organização sob comando único; (ii) todas as importadoras e distribuidoras são empresas existentes de fato e de direito, com registros perante todos os órgãos competentes; (iii) a simulação, além de não existir e, por conseqüência, não ter sido documentalmente comprovada, seria relativa a períodos diferentes daqueles que foram autuados e (iv) não existe qualquer fraude ao Fisco, já que não houve prova de que as operações comerciais realizadas pela impugnante geraram redução de carga tributária (haveria a necessidade de considerar que o importador, na forma como realmente Fl. 49994DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10803.000071/200967 Acórdão n.º 3102001.873 S3C1T2 Fl. 49.993 5 ocorreu a operação, recolheu o PIS e a Cofins sobre o total das vendas realizadas, ao passo que, na hipótese de importação por conta e ordem, a base de cálculo das operações do importador seria simplesmente o preço do serviço). Acrescentou que as acusações sobre o suposto adiantamento de valores, bem como o suposto acompanhamento da cadeia por parte da impugnante, como justificativas da interdependência, nada mais são que frutos de uma visão equivocada do modelo just in time, o qual se funda na intensa e rápida interação entre os membros da cadeia produtiva e, em ultima hipótese, se fosse possível dizer que um ou mais agentes controlavam a cadeia de distribuição, sem dúvida tais agentes somente poderiam ser o fabricante ou o usuário final, pois são esses agentes que "empurram e puxam" a cadeia produtiva. Outro ponto que demonstra a improcedência da autuação referese às acusações de que as importações foram realizadas por empresas offshore ou desprovidas de recursos econômicos, pois cada importação realizada convalida a existência das empresas importadoras, já que a Receita Federal autorizava o desembaraço aduaneiro sem qualquer óbice à operação. Também é de se observar que utilizando o critério adotado pela Fiscalização, a maioria das empresas poderia ser caracterizada como interpostas, pois é sabido que uma empresa com grande volume de operação não precisa, necessariamente, ter sócios de grande poder aquisitivo. Ademais, a prova sobre a existência regular dos importadores cumpre a eles (importadores) e não à impugnante. Questão relevante também diz respeito h contabilidade da impugnante. Por um lado o Fisco afirma que se trata de contabilidade imprestável, que não espelha verdadeiramente os fatos contábeis ocorridos, registrando apenas a simulação das operações, mas por outro, aproveita os valores das saídas das mercadorias, constantes das notas fiscais, para exigir o IPI e a multa objeto do AI, sem efetuar o arbitramento previsto no artigo 138 do Regulamento do IPI. O questionamento que se faz é se faria sentido estruturar uma operação com suposto objetivo de economizar tributos se, por outro lado, haveria tantas outras incidências tributárias (PIS, Cofins, etc...). 0 prego das mercadorias vendidas pela impugnante é maior do que o praticado pelos concorrentes, fazendo a diferença dos serviços a velocidade e a segurança oferecidas pela impugnante. 8. DA DESMISTIFICACÃO DA LINGUAGEM COLOQUIAL UTILIZADA NAS MENSAGENS TELEMATICAS E CONVERSAS TELEFÔNICAS. A expressão "antecipação de pagamentos", que aos olhos da Fiscalização trata de antecipação de recursos aos importadores, na realidade nada mais é do que o pagamento antecipado de faturas a vencer, mas de mercadorias já entregues, recebidas e com o pagamento em aberto. Ressaltese, uma vez mais, que nunca houve financiamento das importações por parte da impugnante. Outra interpretação incorreta diz respeito ao verbete "comissão" que não se trata de remuneração paga aos importadores pelos serviços prestados aos reais adquirentes, conforme entendeu a Fiscalização, mas ao percentual de adicional de preço praticado por cada fornecedor de mercadorias. As alegações de MÉRITO são transcritas resumidamente a seguir: 9. A INEXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE RECURSOS E DA INDEVIDA EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL: a) Jamais poderia prevalecer a acusação de antecipação de recursos aos importadores tendo em vista que não houve, por parte da Fiscalização um levantamento individualizado da movimentação de recursos para pagamento da aquisição de mercadorias CISCO , e que o fisco Fl. 49995DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 apresentou apenas uma operação de aquisição de mercadorias quando deveria de fato demonstrar a fraude detalhadamente em todas as operações. b) Nos termos do artigo 276 do RIR199, a escrituração mantida com observância das disposições legais FAZ PROVA A FAVOR DO CONTRIBUINTE dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis. Assim, a declaração de vontade consubstanciada nos documentos emitidos pelas importadoras, devidamente registrados na contabilidade como compra e venda de mercadorias, não havendo impedimento para tanto e sendo os agentes capazes e licito o objeto é hábil para comprovar o fato. c) Os importadores figuram como legítimos compradores dos produtos CISCO, pois a operação foi realizada com obediência ao Ato Declaratório Interpretativo n° 07/02 — legitima compra de mercadorias nacionalizadas. Caso não tivessem agido desta forma, estariam sujeitos ao PIS e a Cofins sobre a totalidade das operações com o acréscimo de juros de multa de até 150% do valor do tributo lançado. Por conseguinte, não se pode aplicar A. impugnante qualquer penalidade, já que ela e os importadores trataram as suas operações em conformidade com ato administrativo válido. Mudança de posicionamento do Fisco em razão de determinada matéria não pode acarretar a autuação do Contribuinte quando este seguiu à risca as instruções daquele órgão. 10. DEMONSTRAÇÃO DOS PAGAMENTOS: A impugnante realizou minucioso levantamento em sua contabilidade considerando a data de entrada das mercadorias adquiridas de 2004 a 2007, o dia em que foi emitida a cobrança e o que em que realmente foi quitada a operação de compra e venda, no qual restou constatado que NUNCA HOUVE ANTECIPAÇÃO DE RECURSOS POR PARTE DA IMPUGNANTE PARA FINANCIAR 0 IMPORTADOR, mas tãosomente pagamentos de faturas antes do vencimento. A impugnante solicitou realização de PERÍCIA contábil, conforme laudo em anexo, que afirmou não ter havido antecipação de recursos aos fornecedores. 11. DA AUSÊNCIA DE PROCEDIMENTO PRÓPRIO (IN/SRF N°228/02) PARA A CONSTATAÇÃO DE INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA: A legislação estabeleceu procedimento especifico para a verificação da origem dos recursos utilizados nas operações com do comércio exterior, a Portaria MF n° 350/2002 e IN SRF n° 228/2002, esta estabelecendo instauração de procedimento especial de verificação da origem dos recursos sem a qual o auto é nulo. Tal procedimento prévio não foi praticado pelas autoridades fiscais, não podendo subsistir a autuação lavrada. Ao analisar o cadastro das empresas mencionadas na peça fazendária como sendo as importadoras e distribuidoras, verificase três situações distintas: (i) inaptidão do CNPJ da BRASTEC em 14/01/2008; (ii) suspensão do CNPJ da ABC Industrial da Bahia Ltda. em 16/03/2009; e (iii) todos os demais CNPJ estão ativos. Fato é que, A. época das aquisições, não havia qualquer declaração de inaptidão ou de suspensão, não podendo o Fisco considerar que aquelas operações teriam sido praticadas de forma irregular. Todos os importadores detinham o "RADAR" e todas as importações foram objeto de registro das respectivas DI. 12. DA IMPROCEDÊNCIA DA ALEGAÇÃO DE QUE AS IMPORTADORAS E AS DISTRIBUIDORAS SÃO EMPRESAS DE "FACHADA" A impugnante procurou as empresas envolvidas para obter elementos que corroborassem sua convicção acerca da idoneidade de seus fornecedores, trazendo aos autos documentos que comprovam a regularidade de suas atividades. 13. DA ILEGALIDADE DA INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA E SOBRE A MULTA EQUIVALENTE AO VALOR DAS MERCADORIAS. Fl. 49996DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10803.000071/200967 Acórdão n.º 3102001.873 S3C1T2 Fl. 49.994 7 Não pode prosperar a incidência de juros sobre as multas lançadas no presente auto, pois a partir do vencimento do prazo para recolhimento do crédito tributário apurado no AI, as autoridades fiscais certamente computarão juros de mora sobre a multa de oficio e sobre a multa de 100% do valor das mercadorias, não obstante os juros que já incidem sobre o valor da obrigação principal. Tal procedimento é ilegal. 14. DA INEXISTÊNCIA DE CONTROLE ACOMPANHAMENTO NATURAL DE MERCADO PARA QUALQUER CADEIA DE COMÉRCIO. As acusações acerca do suposto acompanhamento da cadeia de negócios por parte da impugnante, como justificativas da interdependência, nada mais é do uma visão equivocada do modelo just in time, o qual se funda na intensa e rápida interação entre os membros da cadeia produtiva e, em ultima hipótese, se fosse possível dizer que um ou mais agentes controlavam a cadeia de distribuição, sem dúvida tais agentes somente poderiam ser o fabricante ou o usuário final, pois são esses agentes que "empurram e puxam" a cadeia produtiva. 15. NÃO COMPROVAÇÃO DE SUBFATURAMENTO BANALIZAÇÃO DO CRIME. A fiscalização não perdeu a oportunidade de acusar a impugnante de promover o subfaturamento nas operações de importação, como se ela fosse a real importadora dos produtos comprados de seus distribuidores e verdadeira chefe de uma quadrilha de criminosos, unidos para fraudar o Fisco. Para este fato a fiscalização desrespeitou a personalidade jurídica de incontáveis empresas, taxandoas de interpostas e, seus sócios, de "laranjas". Não pode a fiscalização agir com tamanha irresponsabilidade e despreparo, com acusações infundadas, feitas sem qualquer prova ou por meio de provas manipuladas. Obvio que este tipo de procedimento macula a autuação de vicio insanável e a torna absolutamente nula. 16. DA AUSÊNCIA DE FRAUDE, SIMULAÇÃO E CONLUIO INAPLICABILIDADE DA MULTA AGRAVADA DE 150%; A matriz legal da multa agravada foi revogada pelo artigo 40 da Lei n° 11.488/2007 de modo que não poderá prevalecer qualquer cobrança com fundamento legal em dispositivo revogado expressamente. Ainda que houvesse alguma simulação nas operações realizadas pela impugnante, esta não configuraria, por si só, a hipótese de aplicação da multa agravada, pois, para que esta multa possa ser exigida é necessário que a fiscalização demonstre que as operações foram feitas com evidente intuito de fraude, conforme definido nos artigos 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502/64, ou seja, que a empresa intencionalmente adotou uma conduta com o objetivo de fraudar. No Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização sequer mencionou ter havido dolo e máfé, não se preocupando em provar o fato. 17. DA DECADÊNCIA DO DIREITO DE CONSTITUIR CRÉDITOS DE IPI. Como não se pode falar em fraude, simulação ou conluio, verificase que parte do crédito tributário constituído nos autos (ano de 2004) foi atingida pela decadência, prevista no artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. 18. VALOR TRIBUTÁVEL. A impugnante também argumentou quanto à obrigatoriedade de o fisco em arbitrar o valor tributável do IPI e o valor das mercadorias para fins de apuração dos tributos na importação, ao constatar a suposta idoneidade dos documentos fiscais e a interposição fraudulenta nas operações de importação, fato previsto no artigo 148 do CTN, aplicável sempre que o valor ou o preço de bens, direitos ou serviços sejam omitidos ou não mereçam fé das declarações ou os esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo, ou os documentos emitidos por este ou por terceiro legalmente obrigado. Fl. 49997DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 8 19. ERRO NA SUJEIÇÃO PASSIVA. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO ADOTADO PELA FISCALIZAÇÃO. Ao exigir do impugnante o pagamento do IPI e das multas, o Fisco identificou incorretamente o sujeito passivo, o que acarreta a nulidade do auto de infração. No entendimento consolidado no E. Conselho, nos casos em que houver operação por conta e ordem, o estabelecimento que será equiparado a industrial será aquele que realmente financiar a operação. Em sendo assim, no caso de prevalecer o entendimento que houve importação por conta e ordem, jamais poderia ser equiparada a industrial a impugnante, pois, em última análise, a fiscalização entendeu que quem financiava a operação com produtos Cisco System INC., seja diretamente, seja pela CISCO Capital ou GE Capital, era a CISCO. Por outro lado, a situação abordada nos autos é exatamente igual à tratada no caso da empresa TELECON. No entanto, no caso presente, o Fisco lavrou o auto de infração contra a impugnante (equiparandoa a industrial) e, no caso da TELECON, o auto de infração foi lavrado contra o destinatário final das mercadorias. 20. DA AUSÊNCIA DA APURAÇÃO DOS CRÉDITOS DO IPI. OFENSA AO PRINCIPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE: O Fisco, para exigência do tributo devido, equiparou a impugnante a estabelecimento industrial e exigiulhe o IPI sobre o valor total das mercadorias vendidas, considerando como crédito apenas as entradas a titulo de devolução, não considerando como crédito o montante do IPI pago nas operações anteriores, devidamente lançados nas notas fiscais de aquisição, em clara ofensa ao principio constitucional da nãocumulatividade do imposto. Caso a fiscalização tivesse utilizado os créditos de IPI na entrada, o valor deste crédito seria de cerca de R$ 28.053.185,52, o que resultariam um IPI supostamente devido de R$ 216.503,48. Tal ato se deu sob a alegação de que tais créditos foram considerados como custo na apuração do IRPJ e da CSLL, fato sequer provado nos autos. E mesmo que houvesse esta demonstração, caberia a fiscalização "demonstrar que o reflexo tributário desse procedimento é exatamente o mesmo do que o creditamento do IPI" e o lançamento da diferença destes impostos e contribuições e não desconsiderar o crédito do IPI. 21. ILEGALIDADE DA UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC: Não pode prosperar a cobrança dos juros morat6rios mediante a utilização da taxa selic, já que sua fixação visa a remuneração do investidor e não para ser aplicada como sanção por atraso no cumprimento de uma obrigação. Ademais, devese ressaltar que a referida taxa não foi criada e definida em lei, mas por Resolução do Banco Central do Brasil, o que ofende o principio constitucional da legalidade, bem como ao disposto no artigo 161, § 1 0, do CTN. 22. PEDIDO DE PERÍCIA E PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Por fim, com respaldo no disposto no artigo 16, IV, do Decreto n°70.235/72 e no artigo 11 da Portaria RFB n° 10.875/2007, solicitou realização de perícia para que se comprovem todos os argumentos anteriormente delineados, nomeando como perito o Sr. Luiz Fernando Lyra Magalhães, contador e indicando quesitos: a) se houve adiantamento de recursos; b) apurar os créditos de IPI nas operações anteriores as praticadas pela impugnante e calcular o montante que seria devido a titulo de IPI considerando tais créditos; c) esclarecer se, de fato, havia o endividamento da impugnante frente a seus fornecedores e como se registrou esse endividamento. Também solicitou a realização de diligência, para que se comprovem todos os argumentos anteriores, solicitando às autoridades fiscais que respondam aos seguintes quesitos: Fl. 49998DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10803.000071/200967 Acórdão n.º 3102001.873 S3C1T2 Fl. 49.995 9 a) verificar, perante a WHAT'S UP, mediante análise, se houve, durante o período compreendido pela autuação, algum pagamento da impugnante para tal empresa; b) averiguar contra quem a WHAT'S UP, no período compreendido no AI, emitia suas faturas e qual era o serviço por ela prestado e, c) elaborar relação identificando os nomes dos adquirentes finais das mercadorias CISCO e respectivos valores.Após, identificar nas notas fiscais de saída emitidas pela impugnante as vendas dos produtos encomendados por intermédio das purchase orders . Por fim diligenciar junto aos encomendantes para que eles relacionem as notas fiscais de saída para os usuários finais. Em 06/05/2010, a empresa encaminhou os documentos de fls. 27.905 a 28.202, solicitando , com fulcro no artigo 16, § 4°, a e § 5° do Decreto n° 70.235/72, ajuntada do anexo: Relatório de Análise de Créditos de IPI 2007 (doc. 02), elaborado pela empresa M/Legate Soluções Empresariais, relativamente aos créditos do IPI de 2007, que comprova créditos no montante de R$ 75.962.547,95 Em 19/10/2010 a empresa encaminhou os documentos de fls 28.297 a 28.804 solicitando , com fulcro no artigo 16, § 4°, a e § 5° do Decreto n° 70.235/72, a juntado de provas que contradizem a alegação do Fisco que as empresas envolvidas eram "tudo uma coisa só" e comprovam a existência das importadoras, inclusive, demonstrando sua personalidade jurídica respeitada pelo próprio Fisco em autuações aduaneiras. Na mesma data juntou Pareceres dos professores Paulo de Barros Carvalho e Eurico Marcos Diniz de Santi, analisando o modelo de negócio adotado pela empresa. A empresa CISCO apresentou, em 26/01/2010, impugnação ao Termo de Sujeição Passiva Solidária, protestando pela posterior juntada de elementos de prova. Fez, em resumo, as seguintes considerações: 1 DO MODELO NEGOCIAL DA CISCO: A CdB, ora impugnante, é uma subsidiária da CSI e foi constituída em 1994 para desenvolver, basicamente, atividades de suporte de prévenda, serviços relativos à geração de demanda e fornecimento de partes para reposição em virtude de garantia. O modelo de negócios, padrão do grupo Cisco em mais de 80 países e também adotado pela maioria de seus concorrentes, consiste basicamente em um sistema de vendas indiretas ("channel partiner program" ou "canais de distribuição"), segundo o qual os produtos de sua fabricação são distribuídos por terceiros nãorelacionados (parceiros). As vendas foram realizadas nos USA de forma transparente e segundo as regras do "Incoterms". O preço de venda dos produtos Cisco é determinado em total consistência com a política global de descontos do grupo (que geralmente concede abatimentos relevantes em torno de 30% a 60% dependendo dos níveis de certificação) e, em 2003, o nível de descontos praticado para todos os distribuidores na América Latina era da ordem de 40%, podendo ser maior em grandes transações, negócios estratégicos e distribuidores aptos à prestação de serviços de alto nível em seus territórios. Referidos parceiros são empresas multinacionais, as quais ficam responsáveis pelo gerenciamento de estoque, pela logística internacional (inclusive no tocante a todos os trâmites aduaneiros) e pela revenda de produtos Cisco, não se tratando de esquema para redução de carga tributária, mas sim de prática negocial licita e usual no setor de tecnologia da informação (TI). O modelo "onetier", os parceiros adquirem os produtos diretamente da CSI para revenda de seus usuários finais. Referidos integradores de sistema são, em sua grande maioria, empresas de grande porte, como, por exemplo, a IBM e Telefônica. O modelo "twotier" o distribuidor nãorelacionado localizado nos USA adquire os produtos da CSI e exporta para os parceiros nãorelacionados no Brasil, os quais, por sua vez, revendem o produto localmente. Por regra, os distribuidores nãorelacionados nos USA são Fl. 49999DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 10 contratualmente proibidos de vender diretamente aos consumidores finais e normalmente possuem estoques de produtos. Em ambos os modelos, os parceiros efetuam as compras no exterior e são responsáveis pela importação e pelos procedimentos relativos ao desembaraço aduaneiro dos equipamentos no Brasil, bem como pela revenda para os consumidores finais e são os responsáveis por estabelecer os preços aplicáveis na revenda, assim como quaisquer outros termos e condições exceto em condições especificas previstas na política de descontos do grupo Cisco. A impugnante, portanto, não importa produtos para revenda, mas apenas para uso próprio (ativo fixo) ou partes e peças de reposição para fornecimento aos adquirentes dos produtos Cisco em virtude de garantia. Incluise na atividade de suporte de prévenda a: i) demonstração de produtos, ii) a apresentação de seminários técnicos e o treinamento para os engenheiros de seus parceiros; iii) a apresentação de seminários de vendas e treinamento para os executivos do departamento de vendas dos parceiros; iv) visitas aos clientes juntamente com os parceiros; v) a revisão de propostas técnicas e vi) a solicitação de desconto junto à CSI, dentro dos limites da referida política de descontos estabelecida pelo grupo. É de se enfatizar que constitui prática normal a busca de maiores descontos possíveis pelos parceiros da CSI e, de igual sorte, o envolvimento dos funcionários da impugnante nesse processo é igualmente regular e corriqueiro, constituindo, na verdade, uma das atividades previstas contratualmente, pela qual a impugnante é remunerada pela CSI, além dos serviços de suporte de marketing e vendas e assistência técnica e treinamento. 2 DAS PROVAS: Nenhuma das provas colididas pela fiscalização demonstra qualquer fundamento para invocar a sujeição passiva solidária e tampouco qualquer conhecimento por esta quanto aos alegados fatos fraudulentos que teriam sido cometido pela Mude. A maioria das provas coligidas se refere à Mude e a terceiros, não à impugnante e tampouco se refere ao período autuado. 2.1 INVAL1DADE DAS PROVAS EMPRESTADAS E DO CERCEAMENTO DE DEFESA DECORRENTE DA VIOLAÇÃO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA NA FORMAÇÃO DA PROVA; O procedimento criminal n°2005.61.81.0092851 foi instaurado exclusivamente em desfavor das pessoas físicas investigadas, não havendo evidências de contraditório envolvendo as pessoas jurídicas envolvidas. Não foi concedido à. impugnante, no processo criminal a oportunidade de examinar formalmente, em juízo, o conteúdo das gravações, alegar incoerências, requerer a verificação de sua autenticidade, entre outros, como ocorreria se parte ela fosse de tal procedimento. Com a transferência irregular das mencionadas "provas emprestadas" (falta de identidade entre as partes), de cuja produção da impugnante jamais tomou parte, restou violado o principio constitucional do devido processo legal, com as suas inerentes e fundamentais garantias, quais sejam: o contraditório e a ampla defesa, o que representa claro cerceamento de defesa. As provas,evidências e indícios dai obtidos serão necessariamente inválidos e não podem embasar uma medida de sanção contra a empresa. Sendo assim, a prova emprestada na presente ação fiscal não pode embasar a solidariedade da impugnante, a quem se quer imputar uma gravíssima sanção sem que tenha contraditado devidamente a principal prova, que contra ela não foi produzida no âmbito criminal. Mesmo se as provas coletadas fossem válidas, não demonstram qualquer responsabilidade da impugnante com relação às alegadas condutas ilícitas 2.2 DA IMPROCEDÊNCIA DAS ACUSAÇÕES FEITAS CONTRA A IMPUGNANTE; A fiscalização não parece haver atentado para o fato de que nem sempre provas atuais refletem com exatidão situações pretéritas, além de não demonstrarem qualquer conduta ilícita da impugnante ou da CSI. A prova de estreita relação comercial entre o grupo Cisco e seus distribuidores, comprovada por diversos ângulos ao longo do TSPS não só era de se esperar como, principalmente, não prova que a impugnante teria conhecimento e/ou participação em eventuais fraudes que estariam sendo cometidas pela empresa Mude e demais partes envolvidas na investigação. Vale lembrar que as atividades comerciais realizadas pelo grupo Fl. 50000DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10803.000071/200967 Acórdão n.º 3102001.873 S3C1T2 Fl. 49.996 11 Cisco consistiam na venda, formalizada em contratos reais e perfeitamente idôneos e o relacionamento comercial com a Mude não prova que a CdB ou a CSI tenham se beneficiado de qualquer forma pela eventual prática das atividades fraudulentas imputadas a terceiros. Na eventualidade de o seu então administrador, Carlos Roberto Carnevali, haver participado, em alguma extensão, das fraudes de que a Mude e as demais empresas auditadas são acusadas, é importante mencionar que a impugnante nunca permitiu, tomou conhecimento ou chancelou tal prática. A política interna da Cisco é severa com relação a esse tipo de assunto, sendo imediatamente rechaçadas atitudes que atentem contra os princípios éticos e normas legais que regem as suas atividades. 2.3 DAS INVESTIGAÇÕES REALIZADAS PELA CSI; Em razão de denúncia anônima, em 2004, a CSI iniciou investigação interna para apurar a veracidade de acusações feitas contra a empresa Mude e Carlos Roberto Carnevali, bem como sobre a alegada vinculação de ambos, razão pela qual formalizou "acordo de não revelação de informações" para que pudesse ter acesso aos atos constitutivos das empresas "offshore" sócias da empresa Mude e ver se a denúncia era procedente, não havendo por parte da CSI intuito de burlar as leis brasileiras, tampouco menosprezo por parte da empresa americana com relação às atividades da Receita Federal do Brasil. 0 que queria a CSI era detectar a suposta vinculação do então presidente da empresa do grupo no Brasil com o distribuidor Mude. O Código de Conduta interna da Cisco proibe de forma expressa que seus funcionários em todos os níveis tenham interesses financeiros ou de qualquer outra ordem com empresas com as quais transaciona ao qual voluntariamente se submetera o referido dirigente é renovado formalmente a cada ano (doc. 13). Nem se diga que o resultado obtido pela CSI — o de que não havia provas suficientes a embasar a denúncia anônima efetuada contra a Mude e Roberto Carlos Carnevali — autorizaria a fiscalização federal a concluir que a CSI teria conhecimento ou participação no alegado esquema fraudulento apontado na chamada "operação persona", a uma, porque é de se questionar se a CSI teria meios para chegar a um resultado diverso daquele obtido na mencionada investigação; a duas, porque o simples acesso aos atos constitutivos nas "offshore" não permitiria que a CSI vislumbrasse o alegado esquema de interposição fraudulenta de empresas; a três, porque a CSI não está sujeita às leis Brasileiras e a quatro, porque a acusação é carente de provas. 2.4 DA DEFINIÇÃO DO PREÇO E DAS CONDIÇÕES DO NEGOCIO; O TSPS traz emails trocados entre funcionários da impugnante e da CSI no que diz respeito a desconto concedido em compra de produtos Cisco efetuada pela empresa TAM e Telefônica, na qual é fornecido o preço total dos equipamentos que seriam comprados por essa ultima. Esses dois negócios são anteriores ao período abrangido no TSPS e, portanto, imprestáveis para embasar as conclusões do Fisco. Quanto ao exemplo da TAM, devese ressaltar que a fiscalização aparentemente confundiuse acerca de qual seria o cliente da CSI, o qual, neste caso, era a Fulfill, que solicitada à CSI um desconto maior. E, de acordo com o procedimento de aprovação de descontos então vigente, a concordância prévia da impugnante era necessária antes que a CSI o aceitasse. No que diz respeito à Telefônica, esta, na condição de Provedora de Serviços, poderia comprar diretamente da CSI ou por via de um parceiro selecionado pela própria empresa. Uma das funções da impugnante no Brasil é justamente a revisão de propostas técnicas e a solicitação de descontos junto h. CSI, dentro dos limites da referida política de descontos estabelecida pela empresa e, mesmo nessas ocasiões especificas previstas, são os parceiros responsáveis pela importação e pelos procedimentos relativos ao desembaraço aduaneiro dos equipamentos no Brasil, bem como pela revenda para os destinatários. Seja por qual ângulo se examine, vêse que as operações realizadas pela Mude com a CSI efetivamente ocorreram dentro de um dos modelos de distribuição adotados pela Cisco, Fl. 50001DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 12 "twotier", de acordo com o qual o distribuidor nãorelacionado localizado nos USA adquiriu os produtos CSI e os exportou para o Brasil, sendo então revendido o produto localmente em linha com a política de preços e desconto da Cisco. Não é por outro motivo que, no documento relativo h. aquisição de produtos pela empresa TAM, se 16 que o autor daquela ordem de compra havia sido a Fulfill Holding Company, que à época era a empresa que adquiria os produtos Cisco nos USA para posterior exportação para o Brasil, que posteriormente foi substituida pela Mude USA. A Fulfill estava solicitando da CSI um desconto maior do que 62% na compra. O mesmo pode ser encontrado na carta emitida pela impugnante à empresa Telefônica, na qual se 16 claramente que "... o valor mencionado acima deverá ser pago pela Telefônica ao parceiro Cisco selecionado. 0 faturamento poderá ser feito diretamente pelo distribuidor autorizado Cisco para a Telefônica nos termos do contrato a ser celebrado com o parceiro Cisco selecionado". Nos dois documentos seguintes (págs. 13 a 16 do TSPS) vêse que os produtos Cisco vendidos seriam faturados contra a Mude USA e enviados pelo agente exportador LOGCIS e entregues diretamente ao seu comprador final, no caso as empresas de telefonia Brasil Telecom e Telefônica. envolvimento da CSI ocorreria somente na venda para a Mude USA. A afirmação de que a participação da impugnante no esquema de importação fraudulenta seria comprovada pela fato de o representante da empresa, na época, Pedro Ripper, mencionar a separação (split) de software e hardware que estaria sendo efetuada pela Mude, já que as importações individualizadas estariam sendo realizadas por interpostas pessoas, é inverídica. A leitura cuidadosa da transcrição da escuta telefônica, contudo, traz que do inicio ao fim, seus interlocutores mencionam que o referido "split" seria efetuado pela Mude e, jamais, por outras empresas interpostas e não autoriza o fisco a concluir que a impugnante teria conhecimento dessas outras empresas. E, com relação à alegação especifica acerca da separação do valor relativo a software e hardware, a política da Cisco sempre foi a de que o software embutido no hardware deve ser tratado como hardware, de modo que o preço cobrado pela CSI na venda dos seus produtos inclui o valor do software. Além disso, considerando que nem a CSI exporta diretamente e nem a impugnante importa produtos para revenda, não lhe cabe decidir acerca do tratamento que será dado aos produtos importados para o Brasil e seus efeitos fiscais. 3 DA VINCULAÇÃO CISCO/MUDE: A empresa Mude não é o setor de importação da impugnante no pais e todas as provas levantadas pela própria fiscalização comprovam tal fato, já que a Mude não é uma empresa de fachada, bem como a impugnante não importa produtos Cisco a não ser aqueles destinados a reparos e substituição em garantia. A CSI ou a impugnante não tinham qualquer interesse jurídico ou titularidade econômica ou societária em qualquer das empresas alegadamente interpostas e nas operações de importação e revenda no Brasil. Todas as transações realizadas diretamente pela CSI ou pela impugnante foram e são regulares. Como já dito, o grupo Cisco opera por intermédio de distribuidores, sendo que a empresa Mude era a principal distribuidora de seus produtos no ano auditado. No período da autuação e em quanto perdurou a relação comercial da empresa Mude com a impugnante e a sua controladora no exterior (CSI), a Mude sempre atuou de forma independente e por sua conta e risco, sendo certo que também comercializava outros produtos, fabricados por outras empresas e a CSI também vendia para duas outras empresas estabelecidas no Brasil (Ingram Micro e Techdata), as quais seguem atuando nessa condição até hoje. Cabia à. Mude no Brasil proceder d. importação dos produtos fabricados e vendidos pela CSI nos USA a preços de mercado, tal como o grupo Cisco procede em relação a centenas de outros adquirentes dos seus produtos. Cabia, ainda, à Mude proceder à distribuição desses produtos no Brasil, conforme o já citado modelo de negócios do grupo Cisco. 4 DO FINANCIAMENTO DAS IMPORTAÇÕES: A concessão de linhas de crédito para os distribuidores é um dos itens do programa de recompensa criado pelo grupo Cisco para o desenvolvimento de suas vendas por intermédio Fl. 50002DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10803.000071/200967 Acórdão n.º 3102001.873 S3C1T2 Fl. 49.997 13 dos chamados "parceiros". Além de linhas de crédito há, ainda, o acesso aos melhores produtos e serviços de cada linha, suporte técnico, ferramentas de produtividade, treinamento online, recursos de marketing e promoção de vendas,benefícios esses concedidos de acordo com o nível de certificação de cada parceiro. A concessão de linhas de crédito A. Mude, portanto, constitui medida comum entre a CSI e seus parceiros, inclusive para determinadas categorias de distribuidores. Representa, de fato, uma vinculação comercial existente entre as empresas, mas jamais, o financiamento de supostas fraudes. 5 DAS PESSOAS QUE EFETIVAMENTE DIRIGEM A EMPRESA. As acusações da fiscalização de ser a impugnante a grande beneficiária do esquema de interposição fraudulenta investigado demonstram seu desconhecimento sobre o modelo de negócios adotado pela empresa, aliado ao intuito velado de trazer o grupo Cisco para perto das fraudes apontadas. No entanto, a fiscalização limitase a provar o óbvio: a existência de vinculo entre o fabricante e seu distribuidor, mas falha em comprovar que a impugnante teria conhecimento e/ou tomado parte do esquema fraudulento impingindo A. empresa Mude, ou mesmo dele se beneficiado concretamente e por liame causal adequado a tal comprovação. 6 DA INEXISTÊNCIA DE INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUA 0 FATO GERADOR DO IPI E DA IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA DE PENALIDADES POR SOLIDARIEDADE. O interesse comum, previsto no artigo 124, do CTN pressupõe que duas ou mais partes sejam igualmente obrigadas ao pagamento de um determinado tributo, podendo o erário exigir a satisfação integral de seu crédito contra qualquer uma delas, sem que se obedeça a qualquer beneficio de ordem, como se fossem apenas um devedor, tratandose, portanto, da transferência da responsabilidade tributária a terceiros e exige que as partes tidas por solidárias estejam igualmente ligadas ao fato que deu ensejo ao nascimento da relação jurídica, cujo resultado é o pagamento do tributo previsto em lei. Portanto, só há que se falar na solidariedade tributária prevista no dispositivo em questão quando os sujeitos passivos derem causa a uma única obrigação tributária decorrente da efetivação, por todos, de um s6 fato gerador, o que permite, conseqüentemente, que o erário os considere como um só devedor. Tais elementos, contudo, não podem ser encontrados no caso em exame, no qual a autoridade fiscal, calcada em conclusões equivocadas e distorcidas sobre o modelo negocial do grupo Cisco, procura trazer para dentro da relação jurídica tendente ao pagamento do IPI , a impugnante, que tal como expressamente reconhecido pelo próprio fisco, não importou, por sua conta e ordem ou qualquer outro modelo de importação existente e, conseqüentemente, não deu saída as mercadorias de propriedade da Mude. É fato inconteste que a impugnante jamais foi acusada de importar, por qualquer modalidade existente, ou dar saída das mercadorias de procedência estrangeira objeto da fiscalização em exame. A conseqüência direta e indelegável desse fato é que, independentemente de todos os outros fatos que permeiam o caso, o próprio fisco federal declara reconhecer que a impugnante jamais foi a importadora ou revendedora das mercadorias, jamais ocupando o polo passivo da relação obrigacional tendente ao pagamento do IPI sobre tais mercadorias, não havendo como aplicar a solidariedade passiva prevista no art. 124,1, do CTN. Ainda mais evidenciada fica a impossibilidade dessa cobrança em se tratando não da exigência de imposto (IPI) por solidariedade, mas sim de penalidade, caso em que não se aplica a solidariedade pelo caráter personalíssimo que decorre da sanção por ato ilícito, conforme a melhor doutrina e jurisprudência. Constam, também do processo, impugnações apresentadas pelas seguintes pessoas físicas: Fernando Machado Grecco; Marcelo Naoki Ikeda; Marcilio Palhares Lemos; Moacyr Alvaro Sampaio, Hélio Benetti Pedreira; Gustavo Henrique Castellari Procópio; José Roberto Fl. 50003DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 14 Pernomian Rodrigues; Luiz Scarpelli Filho; Pedro Luis Alves Costa; Reinaldo de Paiva Grillo; Carlos Roberto Carnevali, Cid Guardia Filho e Ernani Bertino Maciel. Fernando Machado Grecco; Marcelo Naoki Ikeda; Marcilio Palhares Lemos; Moacyr Álvaro Sampaio; Hélio Benetti Pedreira, Gustavo Henrique Castellari Procópio e José Roberto Pernomian Rodrigues, representados pelo escritório Souza Schineider e Pugliese Advogados, apresentaram impugnações semelhantes quanto ao termo de sujeição passiva e A. autuação, alegando em síntese, o que se segue: a) Cerceamento do Direito de Defesa, por não haver menção expressa de qual hipótese de solidariedade, dentre aquelas previstas no artigo 124 do CTN a fiscalização entendeu ser aplicada ao caso; a) Nulidade das provas: o Termo de Sujeição Passiva foi fundamentado por documentos obtidos para instruir ação criminal e jamais poderiam ter sido utilizados no processo administrativo fiscal; b) Ausência de relação entre as provas e os fatos que ensejam a responsabilidade solidária; pois as provas colhidas referemse ao ano de 2006 e 2007 e não ao ano de 2004 e 2005; c) Ausência de procedimento fiscal em face dos impugnantes: O Fisco, mesmo sem direcionar qualquer intimação aos impugnantes durante o procedimento fiscalizatório, considerouos sujeitos passivos da obrigação tributária, exigindolhes o crédito constituído contra a MUDE; d) Na hipótese de terem agido os sócios com infração A. lei ou estatuto, dando causa a situação que tenham gerado atos tributários cujas obrigações fiscais não tenham sido cumpridas, cabe a aplicação da responsabilidade pessoal (e não solidária) prevista no artigo 135 do CTN, o que implica outra forma e fundamento de lançamento. Para figurar como obrigado solidário com base no artigo 124, I, a pessoa teria de estar numa posição em que poderia ser considerada contribuinte, ainda que em relação a apenas uma parte da obrigação. A sujeição passiva solidária decorreria da impossibilidade de divisão, dado o interesse comum da parcela da obrigação a ser imputada a cada um ou mesmo da opção do legislador, no caso de interesse comum, de atribuir responsabilidade solidária, sem interferir na divisão entre os coobrigados da parcela de cada um. Não basta, para ser apontado como responsável solidário, nos termos do artigo 124, I, do CTN, que a pessoa concorra para a realização do fato gerador, que participe de ações que culminem com a ocorrência do fato gerador. E preciso que, mais do que participar do fato gerador, o realize, ao lado de outras pessoas, que envergue a condição pessoal ou realize as ações definidas como necessárias à ocorrência do fato gerador: obter a disponibilidade de renda, ter o domínio útil de imóvel, obter receita, etc.; e) 0 primeiro aspecto que macula o Termo de Sujeição Passiva Solidária é a falta de prova que pudesse comprovar a antecipação de recursos por parte do responsável solidário, já que não participaram da operação de compra e venda de mercadorias CISCO pela MUDE e, por esse motivo, jamais poderiam ser responsabilizadas solidariamente pelo crédito tributário constituído. Também não podem ser equiparados a .estabelecimento industrial, por não ser atacadista ou varejista, já que são pessoas físicas, e jamais poderiam ser contribuintes do IPI; f) O impugnante nunca teve interesse na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal (nem poderia), muito menos no fato gerador da multa; g) A multa exigida no auto de infração, no montante de 150% do valor do IPI apurado, não poderá ser imputada por solidariedade, pois, como é cediço, a multa imputada possui caráter personalíssimo, não podendo ser cobrada dos responsáveis solidários. Neste sentido somente o agente da infração poderá ser apenado com a cobrança de multa de oficio e o próprio artigo 124, I, do CTN, prevê que o instituto da solidariedade é restrito à cobrança da obrigação principal; Quanto ao crédito tributário levantaram os mesmos argumentos desenvolvidos pela empresa Mude em sua peça impugnatória. Fl. 50004DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10803.000071/200967 Acórdão n.º 3102001.873 S3C1T2 Fl. 49.998 15 Por fim, protestaram pela possibilidade de juntar novos documentos tão logo tenham a possibilidade de retirar cópias do processo, bem como de analisálas adequadamente. Carlos Roberto Carnevali, representado pelo escritório Martins Chamon e Franco Advogados, apresentou sua impugnação quanto ao Termo de Sujeição Passiva Solidária e após breve relato sobre as operações e modelo mundial adotado pela Cisco, alegou não existir qualquer prova que demonstre que o impugnante foi (ou 6) sócio, ou se beneficiou pelas supostas operações simuladas praticadas pela Mude, tampouco que comprove qualquer participação na administração da autuada e que sua vinculação não passa daquelas pertinentes à sua função profissional como funcionário da empresa Cisco do Brasil Ltda. Teceu breve histórico de sua carreira profissional, argumentando que sempre teve conduta digna na condução das empresas que presidiu e que a imputação do artigo 124, I, do CTN é incompatível com os fatos narrados, pois os sujeitos que possuem interesse comum na situação que constitua o fato gerador sempre se revestem da qualidade de contribuintes, assim como os coproprietários e condôminos em relação aos tributos imobiliários e nem mesmo a inverídica alegação da sua condição de sócio poderia levar a autuação, ainda que de sócio se tratasse (o que não é verdade), pois a sua eventual responsabilidade repousaria em outra fundamentação jurídica, a do artigo 135 do CTN. No mérito, argumentou que a fiscalização tentou embasar a acusação de que o impugnante teria vinculo com a empresa autuada por meio de interpretações distorcidas e equivocadas dos emails e conversas telefônicas mantidas com os executivos da Mude (transcritas no termo de sujeição passiva), que na verdade demonstram apenas o interesse empresarial condizente com a função e cargo de presidente que ocupava no Brasil. Contudo, nenhum destes diálogos constitui indícios de que o impugnante exercia atos executórios ou de coordenação do gerenciamento dos negócios realizados pela Mude. A atribuição de responsabilidade solidária pela fiscalização decorre de meras ilações baseadas em: 1) fatos circunstanciais, 2) documentos que não constituem nexo causal para imputação da sujeição passiva solidária e 3) emails que apenas demonstram a relação de amizade entre o executivo da Mude (Hélio Pedreira) e o impugnante, comprovada, inclusive pela linguagem coloquial utilizada pelos interlocutores aos se comunicarem. E que, embora evidente a existência de um vinculo de amizade entre o impugnante e o Sr. Hélio, tal fato não pode ser utilizado como premissa ou indicio de que o impugnante atuava como sócio oculto da Mude. A fiscalização não conseguiu demonstrar o nexo de causalidade entre os supostos indícios apurados e o fato que se desejou demonstrar. Alegou que a União Digital somente passou a revender os produtos da Cisco no Brasil em razão da incorporação pela Cisco norteamericana da empresa Newport. A Unido Digital era a principal revendedora dos produtos da Newport no Brasil, tornandose parceira da Cisco por um fato aleatório e circunstancial, ou seja, não houve um planejamento arquitetado pelo impugnante e pelo Sr. Hélio para que a União Digital fosse constituída e se tornasse a principal revendedora dos produtos Cisco no pais e antes mesmo da constituição da Cisco do Brasil a Unido Digital já comercializava equipamentos de telecomunicações, distribuindo produtos da Newport. Acrescentou que a Unido Digital foi constituída em 1992, enquanto o impugnante somente ingressou na Cisco do Brasil em 1994. A União Digital em nenhum momento tornouse inoperante por força da autuação do ICMS mencionada ou de outras sofridas pela empresa e os autos foram devidamente cancelados, conforme faz prova os documentos anexados aos autos. Sustentou que estava afastado das operações diárias da Cisco do Brasil a época dos fatos, já que em 2002 assumiu a vicepresidência da Cisco na América Latina, função encarregada por desenvolver novos mercados e não mais teve qualquer relação com os denominados "canais" implementados pela Cisco Inc. e, a partir de 2007, afastouse quase que definitivamente da Cisco do Brasil, iniciando um novo ciclo em sua carreira profissional, prestando consultoria a diversas empresas, entre elas a Mude que, no caso, objetivava a possível venda da empresa ou a realização de abertura de capital. Alegou que, o organograma utilizado como meio de prova pela fiscalização para imputar responsabilidade tributária ao Fl. 50005DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 16 impugnante decorre exatamente desta época em que estudava várias propostas para voltar ao mercado de trabalho, inclusive a de integrar o Conselho de Administração da Mude. Destacou, ainda, que no termo de verificação, no capitulo intitulado "PESSOAS QUE EFETIVAMENTE DIRIGEM A MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA." não se menciona a pessoa do impugnante, embora sejam citados todos os demais executivos do grupo. Com o corolário do principio da legalidade, o auto de infração (e o processo administrativo dele decorrente) tem de se pautar também no principio da verdade material, ou seja, a realidade dos fatos, de forma a possibilitar a constatação da ocorrência ou não do fato gerador do tributo e a correta identificação do sujeito passivo, o que evidentemente não se verificou no presente caso, tendo em vista que a fiscalização preferiu partir de suposições não autorizadas para imputação da responsabilidade tributária. Por fim, esclareceu que deixa de manifestarse quanto ao mérito da autuação em si, por profundo desconhecimento de qualquer questão operacional das autuadas, protestando por provar por todos os meios de provas admitidos e pela posterior juntada de documentos que se fizerem necessários. Pedro Luis Alves Costa, representado pelo escritório Camargo & Araújo Advogados Associados, apresentou sua impugnação quanto ao auto de infração e a imposição de multa, alegando em preliminar cerceamento de defesa, vez que cabia ao fisco notificar o interessado para que apresentasse esclarecimentos, documentos e demais informações que comprovassem ou, de outra forma, o absolvesse sumariamente da responsabilidade solidária a que está sujeito. Também em preliminar, argumentou que as provas carreadas aos autos não fazem menção ao ano de 2003, 2004 e 2005, pois obtidas nos anos de 2006 e 2007, não havendo como admitilas sem qualquer vinculo temporal com o suposto ilícito tributário imputado a MUDE. Alegou, também, ter ocorrido a decadência para o período de janeiro a novembro de 2004, em conformidade à regra do artigo 150, § 4º do CTN. Quanto ao Termo de Sujeição Passiva Solidária, argumentou que o artigo 124, I, do CTN não pode ser interpretado isoladamente, devendo ser analisado juntamente com o artigo 135, inciso III, do mesmo diploma legal e que se faz necessário que a pessoa física responsabilizada solidariamente tenha praticado atos de gerência e de administração em relação empresa fiscalizada ou, que de qualquer modo, tenha refletido na atividade geradora do fato imponível. 0 "interesse comum", a que se refere o artigo 124, I, do CTN, não se resume em interesse econômico, devendo existir para que se configure a solidariedade passiva tributária o interesse jurídico na realização da situação que deu origem ao fato gerador do tributo. Acrescentou que toda a ação fiscal foi calcada em presunções, não havendo qualquer prova de que Pedro Luis Alves Costa tenha se beneficiado do suposto ilícito tributário, tenha contribuído na execução do mesmo ou tenha qualquer ligação com o fato gerador. Argumentou ainda que cabe ao fisco a prova de que o impugnante praticou atos de administração ou gerência em nome da Mude e com intuito de fraude. Alegou, ainda, que a responsabilidade por multa decorrente de infração tributária não pode ser repassada ao impugnante, já que o artigo 124 do CTN faz referência somente à solidariedade em relação à obrigação principal gerada pelo fato imponível. Luiz Scarpelli Filho, representado pelo escritório Amato Filho Advogados, apresentou sua impugnação ao auto de infração alegando, em preliminar, a decadência preconizada no artigo 150, §4° do Código Tributário Nacional para os fatos geradores havidos entre janeiro e novembro de 2004, já que ao impugnante não fora imputada conduta ilícita. No mérito, alegou que o impugnante . prestava serviços (engenharia, informática, administração de empresas e de pessoas) para a empresa MUDE, por meio da pessoa jurídica MANUS ASSESSORIA LTDA., da qual era diretor, e não teve qualquer participação em esquema fraudulento, apesar de ter , por força do trabalho realizado, contato direto com fornecedores e clientes da empresa, mas com objetivo único que ordenar informações para otimizar os trabalhos na MUDE, sem qualquer interferência na área comercial da empresa. Fl. 50006DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10803.000071/200967 Acórdão n.º 3102001.873 S3C1T2 Fl. 49.999 17 Em meados de 2003, teve pequena participação societária na MUDE, tendo a empresa lhe conferido como bônus, com o objetivo para que deixasse de prestar serviços por meio de sua empresa e atuar de maneira mais próxima, a fim de implementar plano de crescimento. A existência pura e simples de empresas offshore ou internacionais não pode servir, por si s6, como presunção de ilegalidade ou atividade ilícita, como transparece o entendimento do ente fiscalizador. Quanto à sujeição passiva solidaria, argumentou que nem mesmo a ação penal sofrida no processo criminal 2005.61.81.0092851 arrolou o impugnante como parte do esquema fraudulento, deixandoo de fora da denúncia, e que a responsabilidade fiscal dos sócios restringese 6. prática de atos que configurem abuso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatuto da sociedade. Com relação às provas acostadas aos autos, argumentou que, por serem provas emprestadas, não são suficientes por si só para provar o faro jurídico ou o ilícito tributário e que os apontamentos dos autos fazem referência a supostas transações havidas após o ano de 2003 ou desvirtuadas do contexto, além de não conterem datas, fato que as invalidam como prova de suposto excesso de poder. Cid Guardia Filho e Ernani Bertino Maciel, representados pelo escritório Dias de Souza Advogados Associados, apresentaram impugnações similares quanto ao Termo de Sujeição Passiva Solidária, alegando sua nulidade na medida em que não atenderia aos preceitos constitucionais e legais necessários a atividade fiscal de lançamento e de constituição de créditos tributários. Em resumo, sustentou que todos os elementos fundamentadores da autuação foram obtidos exclusivamente no âmbito da investigação em curso nos autos do procedimento criminal n° 2005.61.0092851, o que é vedado, já que a utilização de prova emprestada do processo criminal, destinadas exclusivamente a fins penais, não pode substituir os procedimentos de fiscalização que são próprios da administração, além de violar os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Afirmou ser incabível a responsabilização solidária, na medida em que o impugnante sequer em tese teria participado das operações no mercado interno, objeto da autuação originária, inexistindo o requisito do "interesse comum" previsto no artigo 124, I, do CTN e que os indícios colacionados pela fiscalização, a par de não serem dotados de clareza, precisão e de concordância, não demonstram que o impugnante seria sócio das empresas importadoras. Quanto ao auto de infração, defendeu que este seria nulo, por ter também se baseado em provas emprestadas, destinadas exclusivamente a fins penais, sendo imprestáveis os indícios e presunções apontados pela fiscalização. Sustentou que a empresa Tecnosul Distribuidora de Prod. EletroEletrônico e Informática Ltda. encontrase em processo de fiscalização quanto à sua capacidade econômica e as importadoras D 'Luck Com. Imp. e Exportação Ltda. e Prime Tecnologia Ind. e Com. Ltda. tiveram a sua regularidade fiscal comprovada no bojo do procedimento fiscal previsto na IN n° 228/2002, sendo vedada a alteração do critério jurídico do lançamento, nos termos do artigo 146 do CTN e os indícios colacionados pela fiscalização não demonstram a ocorrência de importação por conta e ordem de terceiros. Defendeu, ainda, que os valores relativos aos períodos anteriores a 29/12/2004 foram atingidos pela decadência, nos termos dos artigos 150, § 4°, c/c art. 156, VII, do CTN. Reinaldo de Paiva Grillo, representado por seu advogado (Sr.Guilherme de Azevedo Camargo) apresentou impugnação alegando, em preliminar, decadência sobre todo o período autuado e cerceamento de defesa configurado pela falta de acesso aos autos, além de alegações totalmente insubsistentes e provas precárias. Sustentou que a imputação de coresponsabilidade é totalmente indevida, pois nunca participou do contrato social da empresa autuada, nem da respectiva administração ou Fl. 50007DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 18 negócios, limitandose apenas à prestação de serviços de logística, sendo nula sua inclusão no polo passivo da presente exação. Acrescentou que a inexistência de sua relação com os fatos imputados na autuação corroborase pela absoluta ausência de provas concretas de qualquer participação sua no fato danoso e as provas utilizadas ofendem os preceitos constitucionais dispostos no artigo 5° da Constituição Federal. E que, no ano de 2004, a empresa What's Up Business sequer existia, tendo sido aberta somente em 2005. Acrescentou que a jurisprudência dominante tem entendido que a responsabilidade é subjetiva, devendo ser comprovada cabalmente a intenção do agente em suprir tributos, omitir declarações e deixar de pagálos pontualmente. Quanto ao auto de infração, alegou cerceamento de seu direito de defesa, por ter a fiscalização mencionado diversos "áudios obtidos", mas não se preocupando em transcrevêlos nos autos, nem juntar a autorização judicial para comprovar a legalidade da prova. Tal fato, corroborado pela impossibilidade de vista dos autos, negada pela autoridade fiscal, prejudica de forma inexorável a elaboração da defesa do autuado. Alegou também haver equivoco de interpretação dos fatos pelo Fisco e que não há provas no processo que a impugnante à empresa Mude." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento ao analisar as impugnações adotou as seguintes posiçoes: a) Decidiu não se manifestar quanto ao lançamento referente a interposição fraudulenta no valor de R$ 1.753.518.219,29, por entender que a responsabilidade do julgamento desta matéria seria de competência da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento II em São PauloSP, determinando, com base neste entendimento, a apartação dos autos dos valores referentes a interposição fraudulenta. b) decidiu não se manifestar quanto às impugnações dos solidários, por entender que a solidariedade se aplica quando da execução do débito fiscal, ficando a cargo da Procuradoria da Fazenda Nacional decidir sobre a responsabilidades dos solidários. c) Quanto a impugnação, apresentada pela Mude, decidiu pela sua improcedência, mantendo integralmente o lançamento. A decisão da DRJ foi assim ementada. "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 15/01/2004 a 31/10/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Mesmo não tendo recebido em tempo hábil as cópias de todas as peças que fundamentam o auto de infração, é facultada a vista ao processo, na repartição competente, durante o prazo legal para a impugnação, sendo inaceitável a invocação de preterimento de defesa, ainda mais se demonstrada a inércia do impugnante em fazer o pedido em tempo hábil suficiente e se restar demonstrado o conhecimento integral da imputação. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE FISCALIZATÓRIA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa antes de iniciado o prazo para a impugnação do lançamento, haja Fl. 50008DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10803.000071/200967 Acórdão n.º 3102001.873 S3C1T2 Fl. 50.000 19 vista que, no decurso da ação fiscal, inexiste litígio ou contraditório, por força do artigo 14 do Decreto n° 70.235/1972. CONTRADITÓRIO. INICIO. Somente com a impugnação iniciase o litígio, quando devem ser observados os princípios da ampla defesa e do contraditório. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE É licito ao Fisco Federal valerse de informações colhidas por outras autoridades fiscais, administrativas ou judiciais para efeito de lançamento, desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. Descabe a alegação de ilicitude na obtenção de prova ou de quebra de sigilo quando as informações e documentos que instruem processo criminal são compartilhados em processo administrativo fiscal por expressa autorização Judicial. PROVAS INDICIARIAS. A comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, em regra, por uma de duas vias: ou por uma prova única, direta, concludente por si só; ou por um conjunto de elementos/indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza daquela matéria de fato. RESPONSABILIDADE SOLIDARIA. EXCLUSÃO DE PESSOAS. FALTA DE COMPETÊNCIA. Não compete às Delegacias da Receita Federal de Julgamento a apreciação da exclusão de pessoas arroladas como responsáveis solidárias pelos tributos exigidos do sujeito passivo. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. IMPEDIMENTO DE APRECIAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O protesto pela juntada posterior de documentação não obsta a apreciação da impugnação e somente é possível em casos especificados na lei. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 15/01/2004 a 31/10/2007 PRAZO DECADENCIAL. FRAUDE. Nos lançamentos por homologação, o prazo decadencial começa a fluir a partir do fato gerador. Porém, na hipótese de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação a contagem do referido prazo se inicia no primeiro dia do exercício seguinte ao do fato gerador. EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. Fl. 50009DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 20 0 estabelecimento importador de produtos de procedência estrangeira que da saída a esses produtos equiparase a estabelecimento industrial, estando sujeito à obrigação principal, que consiste no pagamento do tributo, e às obrigações acessórias, consistentes na emissão de notas fiscais com o lançamento do IPI e na escrituração de livros fiscais. SAÍDA DE PRODUTO TRIBUTADO DE ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. Ocorre o fato gerador do IPI na saída, a qualquer titulo, de produtos do estabelecimento que os tenha importado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 15/01/2004 a 31/10/2007 JUROS DE MORA. SELIC. A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legal. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Mantémse a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovada a sonegação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Cientificada da decisão, a empresa Mude e as pessoas arroladas como solidárias: a pessoa jurídica Cisco do Brasil ltda.; e as pessoas físicas Fernando Machado Grecco; Marcelo Naoki Ikeda; Marcilio Palhares Lemos; Moacyr Alvaro Sampaio, Hélio Benetti Pedreira; Gustavo Henrique Castellari Procópio; José Roberto Pemomian Rodrigues; Luiz Scarpelli Filho; Reinaldo de Paiva Grillo; Carlos Roberto Carnevali, Cid Guardia Filho e Emani Bertino Maciel apresentaram Recurso Voluntário. Alegações Mude A Mude alega em preliminar a nulidade da decisão de primeira instância baseado em duas alegações, a primeira o não enfrentamento de todas as questões suscitadas na impugnação. A decisão recorrida deixou de se manifestar sobre (i) os comentários ao modelo de negócio da Recorrente; (ii) o fato das supostas provas e documentos apresentados dizerem respeito a períodos posteriores ao da ocorrência dos fatos geradores que foram objeto da autuação; (iii) a nulidade da transcrição das provas no Termo de Verificação Fiscal; (iv) a ausência de prova individualizada dos fatos geradores; (v) a contabilidade como prova em favor do contribuinte; (vi) a obediência ao ADI nº 07/02; (vii) os documentos anexados aos autos sobre a improcedência das alegações de que as empresas importadoras eram de fachada; e (viii) os autos de infração novos, que tratam da importação de software, e o auto de infração lavrado em face da BRASTEC (petição protocolada em 19/10/2010). A segunda alegação questiona o não enfrentamento pela decisão de primeira instância das impugnações apresentadas pelos sujeitos passivos solidários, alegando que este Fl. 50010DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10803.000071/200967 Acórdão n.º 3102001.873 S3C1T2 Fl. 50.001 21 enfrentamento é obrigatório e ausência de manifestação na decisão da primeira instância caracteriza cerceamento do direito de defesa. Cita a Portaria da RFB nº 2.284/2010, que dispõe sobre os procedimentos a serem adotados quando da constatação de pluralidade de sujeitos passivos de uma mesma obrigação tributária e o artigo 3º desse normativo é claro ao estabelecer que todos os autuados deverão ser cientificados para apresentar a impugnação. A seguir são colecionadas as alegações já apresentadas na impugnação quanto a outras preliminares e ao mérito. Alegações Cisco A Cisco arrolada como sujeito passivo solidário alega em sede preliminar a nulidade da decisão a quo, por não ter enfrentado a sua impugnação, em razão do seu entendimento que a solidariedade é questão a ser enfrentada pela Procuradoria da Fazenda Nacional quando da execução fiscal. Defende a obrigatoriedade da apreciação da impugnação por parte da DRJ, em razão do seu direito de defesa e ao contraditório, nos termos previstos no art. 5º da CF. Cita o fato que em outros processos administrativos decorrentes da mesma operação da Receita Federal em que a Cisco consta também como responsável solidário (processos nº 10803.000038/200937, 10803.000134/200802 e 16151.720068/201186), teve seus argumentos de defesa enfrentados pela Delegacia de Julgamento em São Paulo II. A seguir a Recorrente repisa os argumentos contra as conclusões do Termo de sujeição Passiva Solidária, já apresentados na impugnação. Fernando Machado Grecco; Marcelo Naoki Ikeda; Marcilio Palhares Lemos; Moacyr Álvaro Sampaio e José Roberto Pernomian Rodrigues, representados pelo escritório Souza Schineider e Pugliese Advogados apresentaram recursos voluntários semelhantes, alegando em síntese: Preliminarmente, a nulidade da decisão de primeira instância baseado em duas alegações, a primeira o não enfrentamento de todas as questões suscitadas na impugnação, e a segunda alegação questiona o não enfrentamento pela decisão de primeira instância das impugnações apresentadas pelo solidários, alegando que este enfrentamento é obrigatório e caracteriza o cerceamento do direito de defesa. Cita a Portaria da RFB nº 2.284/2010, que dispõe sobre os procedimentos a serem adotados quando da constatação de pluralidade de sujeitos passivos de uma mesma obrigação tributária e o artigo 3º desse normativo é claro ao estabelecer que todos os autuados deverão ser cientificados para apresentar a impugnação. A seguir são colecionadas as alegações já apresentadas na impugnação quanto a outras preliminares e ao mérito. Hélio Benetti Pedreira e Gustavo Henrique Castellari Procópio, representados pelo escritório Souza Schineider e Pugliese Advogados apresentaram Recursos Voluntários semelhantes, alegando em síntese: Inicialmente informam que foram absolvidos por meio de sentença proferida pela 4ª Vara Criminal Federal/SP, nos autos do Processo Criminal nº 0005827 49.2003.403.6181. Assim, após a absolvição, resta ainda mais indiscutível a precariedade das acusações de solidariedade passiva, ancoradas em meras ilações, pois as lavraturas do auto de Fl. 50011DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 22 infração e dos termos de sujeição passiva decorreram de fiscalização que teve origem das provas colhidas nos autos do processo criminal. Preliminarmente, alegam a nulidade da decisão de primeira instância baseado em duas alegações, a primeira o não enfrentamento de todas as questões suscitadas na impugnação e a segunda alegação questiona o não enfrentamento pela decisão de primeira instância das impugnações apresentadas pelo solidários, alegando que este enfrentamento é obrigatório e caracteriza o cerceamento do direito de defesa. Citam a Portaria da RFB nº 2.284/2010, que dispõe sobre os procedimentos a serem adotados quando da constatação de pluralidade de sujeitos passivos de uma mesma obrigação tributária e o artigo 3º desse normativo é claro ao estabelecer que todos os autuados deverão ser cientificados para apresentar a impugnação. A seguir são colecionadas as alegações já apresentadas na impugnação quanto a outras preliminares e ao mérito. Carlos Roberto Carnevali, representado pelo escritório Martins Chamon e Franco Advogados. Inicialmente informa que foi absolvido por meio de sentença proferida pela 4ª Vara Criminal Federal/SP, nos autos do Processo Criminal nº 000582749.2003.403.6181. Assim, após a absolvição, resta ainda mais indiscutível a precariedade das acusações de solidariedade passiva, ancoradas em meras ilações, pois as lavraturas do auto de infração e dos termos de sujeição passiva decorreram de fiscalização que teve origem das provas colhidas nos autos do processo criminal. A seguir repisa os argumentos já apresentados na impugnação. Pedro Luis Alves Costa, representado pelo escritório Camargo & Araújo Advogados Associados. Foi intimado por AR que retornou sem ciência. Foi feita o edital nº 249/2011 da DERAT/SP (fls. 47.472). Não tendo apresentado Recurso Voluntário. Luiz Scarpelli Filho, representado pelo escritório Amato Filho Advogados. Pede o afastamento da solidariedade e repisa os argumentos já apresentados na impugnação. Cid Guardia Filho e Ernani Bertino Maciel, representados pelo escritório Dias de Souza Advogados Associados. Fl. 50012DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10803.000071/200967 Acórdão n.º 3102001.873 S3C1T2 Fl. 50.002 23 Tendo sido arrolada como solidário conforme o Termo de Solidariedade, alega em sede preliminar a nulidade da decisão a quo, por não ter enfrentado a sua impugnação, em razão do seu entendimento que a solidariedade é questão a ser enfrentada pela Procuradoria da Fazenda Nacional quando da execução fiscal. Defende a obrigatoriedade da apreciação da impugnação por parte da DRJ, em razão do seu direito de defesa e ao contraditório, nos termos previstos no art. 5º da CF. Cita o fato que em outros processos administrativos decorrentes do desmembramento deste feito Processo Administrativo nº 16151.720068/201186, a DRJ São Paulo II apreciou integralmente os argumentos suscitados pelo ora Recorrente contra sua corresponsabilização pelo crédito tributário (Acórdão 1754.414 2ª Turma da DRJ/SP II. A seguir a Recorrente repisa os argumentos contra a as conclusões do Termo de sujeição Passiva Solidária, já apresentados na impugnação. Reinaldo de Paiva Grillo, representado por seu advogado (Sr.Guilherme de Azevedo Camargo). Pede o afastamento da solidariedade e repisa os argumentos já apresentados na impugnação. Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões alegando a procedência do lançamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Inicialmente por tratarse de questão preliminar, aprecio a alegação trazida em diversos Recursos Voluntários que pedem a nulidade da decisão da primeira instância por não ter enfrentado a impugnação dos solidários, por entender que tal obrigação seria de responsabilidade da Procuradoria da Fazenda Nacional, quando da execução fiscal. Transcrevo abaixo, trecho extraído do acórdão da DRJ, que detalha as razões para a não apreciação das impugnações apresentadas pelos solidários (fls. 28.819 a 28.820). "Em principio, a circunstância de haverem sido arrolados responsáveis solidários autoriza a formação de litisconsórcio passivo no momento da cobrança do crédito. Nesse momento, portanto, será apropriado discutir se aquelas pessoas físicas e jurídicas possuem interesse comum na situação que constitui o Fl. 50013DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 24 fato gerador da obrigação principal. É necessário registrar, portanto, que não somente o momento, mas também a autoridade incumbida de decidir essa questão, será outra, ou seja, o Poder Judiciário. Assim, o registro constante do termo de declaração de sujeição passiva é uma mera informação destinada a subsidiar a Procuradoria da Fazenda Nacional para a inscrição do débito em divida ativa. Como se sabe, o CTN, art. 202, I, determina que o termo de inscrição da divida ativa indicará o nome do devedor e, sendo o caso, os dos coresponsáveis. Essa mesma disposição consta do § 5° do art. 2° da Lei n° 6.830, de 22 de setembro de 1980, que regula o processo de inscrição e cobrança judicial da Divida Ativa da Fazenda Pública. Por outro lado, o § 4° do mesmo artigo estipula que a Divida Ativa da Unido será apurada e inscrita na Procuradoria da Fazenda Nacional. Assim sendo, fácil é de concluir que caberá à Procuradoria da Fazenda Nacional, órgão incumbido da inscrição da divida ativa, a análise das circunstancias relatadas pela fiscalização, bem como da legislação apontada e, entendendo que aqueles senhores realmente se encontram na condição prevista no CTN, fazer constar seus nomes como responsáveis. Em hipótese contrária, proceder de forma diversa. Por óbvio, esse é um juízo de valor dos senhores Procuradores, em face dos elementos carreados para os autos pelo Fisco, ou de outros a que vierem ter acesso. Assim sendo, não estão dependentes de entendimentos anteriormente emanados a respeito pelas Delegacias de Julgamento. Demonstrado está, portanto, que não se trata de matéria que deva ser apreciada por essa instancia julgadora. É necessário recordar, ainda, que o fato de constar da Certidão de Divida Ativa o nome de alguém como coresponsável não significa que essa pessoa estará definitivamente revestida dessa condição. Isso porque, como se sabe, por força do art. 3 0 da Lei nº 6.830, de 1980, a Divida Ativa regularmente inscrita goza da presunção de certeza e liquidez. Todavia, o parágrafo único desse mesmo artigo ressalva que essa presunção é relativa e pode ser ilidida por prova inequívoca em contrário. Concluise, portanto, que, ainda que a Procuradoria da Fazenda Nacional entenda que as pessoas mencionadas como co responsáveis pelo crédito tributário devem efetivamente por ele responder, a última palavra a respeito caberá ao Poder Judiciário. Apenas nesse momento será cabível discutir se a situação fática determina a existência desse vinculo obrigacional. Assim sendo, este Colegiado devese abster de emitir julgamentos a respeito." A leitura do acórdão da DRJ mostra o entendimento da autoridade a quo sobre a impugnação dos solidários. Divirjo do entendimento adotado pela autoridade de piso. Os Termos de Sujeição Passiva arrolam como solidárias, pessoas envolvidas nos fatos que Fl. 50014DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10803.000071/200967 Acórdão n.º 3102001.873 S3C1T2 Fl. 50.003 25 ensejaram a lavratura do Auto de Infração, imputando a estas, responsabilidade no mesmo nível daquele que foi alcançado diretamente pela exigência fiscal. Não se trata apenas de uma responsabilidade subsidiária. Confirmado os fatos apontados pela fiscalização e a procedência do lançamento, o solidário responde em conjunto e integralmente pela exigência fiscal. Portanto, sendo cientificado o solidário dos fatos que lhe estão sendo imputados, possui o direito de apresentar a impugnação competente e ver analisado os seus argumentos nas esferas administrativas judicantes. A solidariedade pressupõe a integral coresponsbilidade nas implicações advindas do lançamento tributário. Assim também fica assegurado dentro do processo administrativo tributário a impugnação e o Recurso Voluntário ao solidário e obrigação de apreciação pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em regra geral, aplicase aos processos administrativos, os procedimentos previstos na Lei nº 9.784/99. Este diploma normativo determina no seu art. 9º, que são legítimos interessados no processo administrativo, aquele que, mesmo sem ter iniciado o processo têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão adotada. "Art. 9o São legitimados como interessados no processo administrativo: I pessoas físicas ou jurídicas que o iniciem como titulares de direitos ou interesses individuais ou no exercício do direito de representação; II aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão a ser adotada; III as organizações e associações representativas, no tocante a direitos e interesses coletivos; IV as pessoas ou as associações legalmente constituídas quanto a direitos ou interesses difusos.." É inconteste que sendo o Termo de Sujeição Passiva lavrado pela Autoridade Fiscal, torna o solidário corresponsável por todos as obrigações constantes do lançamento e lhe outorga o direito a questionar tal posicionamento da Autoridade Fiscal, tanto a sua qualificação como solidário da obrigação tributária quanto ao próprio mérito deste lançamento. Assim, a impugnação tempestiva apresentada pelo solidário atende os requisitos previstos no Decreto nº 70.235/72 e instaura quanto a este interessado também o litígio administrativo, sendo necessária o cumprimento de todos as esferas de julgamento previstas no Processo Administrativo Fiscal. Recentemente, na decisão do RE 608426, em 28/11/2011, de relatoria do Ministro Joaquim Barbosa, foi trazido a lume a discussão quanto a situação do solidário na obrigação tributária. O entendimento caminhou no sentido da aplicação do princípios do contraditório e da ampla defesa aos devedores solidários, transcrevo abaixo trecho constante desta decisão: Fl. 50015DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 26 "Em relação ao art. 5º, LV da Constituição, observo que os princípios do contraditório e da ampla defesa aplicamse plenamente à constituição do crédito tributário em desfavor de qualquer espécie de sujeito passivo, irrelevante sua nomenclatura legal (contribuintes, responsáveis, substitutos, devedores solidários etc.). Por outro lado, a decisão administrativa que atribui sujeição passiva por responsabilidade ou por substituição também deve ser adequadamente motivada e fundamentada, sem depender de presunções e ficções legais inadmissíveis no âmbito do Direito Público e do Direito Administrativo. Considerase presunção inadmissível aquela que impõe ao sujeito passivo deveres probatórios ontologicamente impossíveis, irrazoáveis ou desproporcionais, bem como aquelas desprovidas de motivação idônea, isto é, que não revelem o esforço do aparato fiscal para identificar as circunstâncias legais que permitem a extensão da relação jurídica tributária." Este Conselho já se manifestou em discussões anteriores quanto a matéria, assegurando o direito ao contraditório administrativo aos solidários arrolados no processos, cito abaixo algumas destas decisões: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Constitui cerceamento do direito de defesa, e portanto é nula, a decisão que deixa de apreciar a impugnação proposta pelo sujeito passivo solidário.(Acórdão 120100.686, 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária. Rel. Marcelo Cuba Netto)." " ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário. 2001, 2002, 2003, 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO — CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se a fiscalização, nos termos do art. 124 do CTN conclui pela presença de solidariedade em razão de interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e levando em conta que segundo o § único do mesmo artigo, a solidariedade não importa em beneficio de ordem, resulta que todos os devedores solidários devem constar no lançamento tributário e do titulo executivo, uma vez que a responsabilidade tributária é una e todos os envolvidos encontramse na posição de sujeitos passivos da obrigação tributária, assim, não conhecer os argumentos expendidos pelos indicados no autos para compor o p6lo passivo da obrigação tributária constitui cerceamento do direito de defesa. (Acórdão 110300.043. 1ª Câmara/3ª Turma Ordinária. Rel. Albertina Silva Santos de Lima.)" Fl. 50016DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10803.000071/200967 Acórdão n.º 3102001.873 S3C1T2 Fl. 50.004 27 "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. COMPETÊNCIA. Por força dos princípios do contraditório e da ampla defesa, deve o órgão administrativo discutir a questão da solidariedade, pois essencial ao deslinde do litígio e por efetivamente produzir efeitos concretos. Processo anulado a partir da decisão de primeira instância, inclusive. (Acórdão 20217.251. 2ª Câmara / 2º Conselho. Rel. Gustavo Kelly ALencar.)" "Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercícios: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA NECESSIDADE DE APRECIAÇÃO Carece de respaldo legal a decisão de primeira instância que deixa de conhecer impugnações interpostas por sujeitos passivos solidários com base no argumento de que o acórdão prolatado em segundo grau é inexeqüível. O responsável tributário que ingressa na relação jurídicotributária como sujeito passivo indireto, poderá dela ser excluído se assim entender as autoridades competentes para apreciar as suas razões. Não conhecer os argumentos expendidos pelos indicados no autos para compor o pólo passivo da obrigação tributária constitui, à evidência, cerceamento do direito de defesa.. (Acórdão 10517.371. 5ª Câmara/ 1º Conselho de Contribuintes. Rel. Wilson Fernandes Guimarães.)" Por fim, jogando uma pá de cal sobre a discussão, o CARF editou a Súmula nº 71 que determina a apreciação administrativa dos recursos apresentados pelos responsáveis solidários. “Súmula CARF nº 71 Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade.” Diante dos fatos, não há outro caminho, que não seja a anulação da decisão proferida pela autoridade de piso, sendo necessária a realização de novo julgamento, apreciando todas as impugnações apresentadas. Quando aos efeitos da anulação da decisão a quo, ao meu sentir, não existe dúvida quanto ao prejuízo dos atos decorrentes da decisão a ser anulada, pois um novo julgamento poderá ter caminhos diferentes daquele que foi anulado e sendo assim, eventuais posicionamentos da decisão poderão prejudicar ou trazer novos julgados que poderão ser objeto de questionamento pelas partes envolvidas, tanto o principal, quanto os solidários e Fl. 50017DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 28 também a Fazenda Nacional representada pela sua Procuradoria. Assim, é mister que todos os atos realizados no processo a partir da decisão declarada nula, sejam cancelados, sendo o processo retornado a situação anterior à decisão. Quanto a apartação do processo que foi decidido pela decisão a ser anulada, também não poderá subsistir devendo ser cancelado todos os feitos realizados naquele processo inclusive a decisão prolatada pela DRJ São Paulo II. Diante do exposto, voto no sentido de anular a decisão da primeira instância e anular o processo a partir da decisão da primeira instância, inclusive. Determinando um novo julgamento da DRJ apreciando todas as impugnação protocoladas pelas pessoas principal e aquelas arroladas na situação de solidárias no Auto de Infração. Concluído o julgamento, será dada a ciência desta nova decisão aos sujeitos passivos principal e solidários, abrindose o prazo legal para apresentar Recurso Voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 50018DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/08/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 10840.720039/2011-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jul 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 10/01/2006 a 31/12/2006
GLOSA DE CRÉDITOS. PRODUTOS ISENTOS ADQUIRIDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS.
São insuscetíveis de apropriação na escrita fiscal os créditos concernentes a produtos isentos adquiridos para emprego no processo industrial, mas não elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais, exclusive as de origem pecuária, de produção regional por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental e sem projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Suframa.
INSUMOS DESONERADOS. DIREITO AO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Somente são passíveis de aproveitamento na escrita fiscal do sujeito passivo os créditos concernentes a insumos onerados pelo imposto, ou seja, com montante de imposto cobrado na operação anterior.
Recurso Voluntário Negado
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais.
Numero da decisão: 3302-001.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Fábia Regina Freitas. As conselheiras Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Fábia Regina Freitas apresentarão declaração de votos.
Fez sustentação oral pela Recorrente em maio de 2012 o Dr. Antonio Carlos Garcia de Sousa - OAB/RJ 48955.
Fizeram sustentação oral, em junho, Dr. Antonio Carlos Garcia de Sousa (pela Recorrente) e a Dra. Leila Prado (PGFN)
Fizeram sustentação oral, em setembro de 2012, o Dr. Antonio Carlos Garcia de Souza - OAB/RJ 48955, pela Recorrente, e a Dra. Ana Paula Ferreira de Almeida Vieira - Procuradora da PGFN.
(Assinado digitalmente)
Walber José da Silva - Presidente
(Assinado digitalmente)
José Antonio Francisco - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: José Antonio Francisco
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ALCANCE. Somente se incluem no mandado de segurança coletivo os associados que se localizem no âmbito territorial da entidade que propõe a ação como substituta tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/01/2006 a 31/12/2006 IPI. DECADÊNCIA. PRAZO. Inexistindo pagamentos antecipados, o prazo de decadência do IPI é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. MULTA DE OFÍCIO E JUROS. AFASTAMENTO. HIPÓTESES. Somente cabe o afastamento da multa de ofício e dos juros de mora nas hipóteses previstas em lei. Atos administrativos da Suframa não se classificam como “atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas”. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/01/2006 a 31/12/2006 GLOSA DE CRÉDITOS. PRODUTOS ISENTOS ADQUIRIDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 00 39 /2 01 1- 70 Fl. 843DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10840.720039/201170 Acórdão n.º 3302001.790 S3C3T2 Fl. 842 2 São insuscetíveis de apropriação na escrita fiscal os créditos concernentes a produtos isentos adquiridos para emprego no processo industrial, mas não elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais, exclusive as de origem pecuária, de produção regional por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental e sem projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Suframa. INSUMOS DESONERADOS. DIREITO AO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Somente são passíveis de aproveitamento na escrita fiscal do sujeito passivo os créditos concernentes a insumos onerados pelo imposto, ou seja, com montante de imposto cobrado na operação anterior. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Fábia Regina Freitas. As conselheiras Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Fábia Regina Freitas apresentarão declaração de votos. Fez sustentação oral pela Recorrente em maio de 2012 o Dr. Antonio Carlos Garcia de Sousa OAB/RJ 48955. Fizeram sustentação oral, em junho, Dr. Antonio Carlos Garcia de Sousa (pela Recorrente) e a Dra. Leila Prado (PGFN) Fizeram sustentação oral, em setembro de 2012, o Dr. Antonio Carlos Garcia de Souza OAB/RJ 48955, pela Recorrente, e a Dra. Ana Paula Ferreira de Almeida Vieira Procuradora da PGFN. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas. Relatório Fl. 844DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10840.720039/201170 Acórdão n.º 3302001.790 S3C3T2 Fl. 843 3 Tratase de recurso voluntário (fls. 739 a 469) apresentado em 15 de junho de 2011 contra o Acórdão no 1433.483, de 26 de abril de 2011, da 8ª Turma da DRJ/RPO (fls. 719 a 733), cientificado em 16 de maio de 2011, que, relativamente a auto de infração de IPI de períodos de janeiro a dezembro de 2006, julgou a impugnação improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 GLOSA DE CRÉDITOS. PRODUTOS ISENTOS ADQUIRIDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. São insuscetíveis de apropriação na escrita fiscal os créditos concernentes a produtos isentos adquiridos para emprego no processo industrial, mas não elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais, exclusive as de origem pecuária, de produção regional por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental e sem projetos aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA. INSUMOS DESONERADOS. DIREITO AO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Somente são passíveis de aproveitamento na escrita fiscal do sujeito passivo os créditos concernentes a insumos onerados pelo imposto, ou seja, com montante de imposto cobrado na operação anterior. AÇÃO JUDICIAL. ALCANCE. O provimento jurisdicional somente abrange o objeto da demanda judicial, vale dizer, o conteúdo o pedido da petição inicial. DECADÊNCIA. A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte apura o montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de pagamento não há que se falar em homologação, regendose o instituto da decadência pelos ditames do art. 173 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO. LEGALIDADE. A multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado é aplicada no percentual determinado expressamente em lei. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa SELIC para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. Fl. 845DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10840.720039/201170 Acórdão n.º 3302001.790 S3C3T2 Fl. 844 4 Impugnação Improcedente O auto de infração foi lavrado em 21 de janeiro de 2011 e, de acordo com o termo de fls. 287 a 293, a Interessada creditouse indevidamente de insumos isentos, uma vez que o fornecedor teria utilizado irregularmente do benefício da isenção. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Contra a contribuinte em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração (fls. 266/286), no montante de R$ 65.908.693,03, referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), juros de mora e multa proporcional, em virtude de no ano de 2006, a empresa ter se aproveitado de créditos indevidos do IPI. Segundo consta no Termo de Encerramento de fls. 287/293, o estabelecimento industrial apropriouse, indevidamente, no período de janeiro a dezembro de 2006, em sua escrita fiscal (livro Registro de Entradas e livro Registro de Apuração do IPI), de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) não permitidos pela legislação aplicável, relativos às aquisições de matériasprimas isentas do citado imposto, isenção esta condicionada à localização dos fornecedores (Zona Franca de Manaus e Amazônia Ocidental). Concluiuse que a empresa fornecedora, Recofarma Indústria do Amazonas Ltda., não dispõe de amparo legal para dar saída aos produtos denominados concentrados para bebidas não alcoólicas com a isenção do inciso III do artigo 82 do RIPI/2002 e, conseqüentemente, a empresa adquirente dos referidos produtos não tem autorização legal para creditarse do IPI como se devido fosse. Acrescenta ainda, segundo informação da própria empresa Recofarma, que esta utiliza em sua produção produtos intermediários industrializados e não matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, assim sendo, as saídas dos concentrados, de bebidas não alcoólicas, vendidos à empresa fiscalizada não poderiam ser objeto da isenção prevista no inciso III do artigo 82 do RIPI/2002. Em decorrência da escrituração de créditos indevidos do imposto, a contribuinte deixou de lançar/declarar valores de saldos devedores de IPI na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e, conseqüentemente, não recolheu o IPI devido em diversos períodos de apuração, conforme os demonstrativos de fls. 224/249 e “Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal” de fls. 263/264. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 297/324, instruída com os documentos de fls. 325/713, alegando, em síntese, que: a) Decaiu o direito de lavrar o auto de infração para exigir créditos tributários anteriores a 21/01/2006, porque não efetuou o respectivo lançamento no prazo de cinco anos contados do fato gerador (art. 150, § 4 , do Código Tributário Nacional CTN); Fl. 846DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10840.720039/201170 Acórdão n.º 3302001.790 S3C3T2 Fl. 845 5 b) A impugnante tem direito ao crédito de IPI relativo à aquisição do concentrado isento por força da disposição expressa do art. 6º do Decretolei (DL) nº 1.435, de 16 de dezembro de 1975; c) A impugnante tem direito ao crédito de IPI relativo à aquisição do concentrado isento em razão do princípio da não cumulatividade, nos termos em que decidido pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do recurso extraordinário (RE) nº 212.484RS; d) A diferença de IPI decorrente do estorno dos créditos desse imposto relativos à aquisição de insumos isentos, adquiridos na Zona Franca de Manaus, ora exigidos, está extinta por força da coisa julgada formada nos autos do Mandado de Segurança Coletivo (MSC) nº 91.00477834; e) É indevida a exigência de qualquer penalidade e juros de mora, nos termos do art. 100, I, parágrafo único, do CTN, e art. 76, II, a), da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964; Ao final, requer o cancelamento do auto com a conseqüente extinção dos créditos tributários correspondentes. No recurso, a Interessada alegou ter ocorrido a decadência em relação a parte do período, devendo ser aplicada a disposição do art. 150, § 4º, do CTN. Na sequência, tratou do direito ao crédito escritural decorrente da aquisição de insumos isentos de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus ZFM, citando jurisprudência do Supremo Tribunal Federal no RE n. 212.484RS. Afirmou que, no RE n. 566.819RS, o STF concluiu que não haveria direito a créditos no caso geral de isenção, esclarecendo que não seria o caso das aquisições de insumos oriundos especificamente da ZFM. Mencionou, ainda, a repercussão geral examinada no RE 592.891, que abrangeria as isenções em questão. A seguir, afirmou que o dispositivo do art. 26A, § 6º, I, do Decreto n. 70.235, de 1972, exigiria a aplicação, no julgamento administrativo, do entendimento definitivo do plenário do STF. Acrescentou que, ainda antes da alteração legal acima mencionada, a CSRF já teria aplicado o entendimento do STF no RE 212.4842. A seguir, tratou da coisa julgada no Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834 (RE 252.801RJ), esclarecendo que integraria a AFBCC (autora da ação) e que foi concedida medida liminar. Questionou a conclusão da Primeira Instância de que os refrigerantes industrializados com o emprego de matériaprima isenta não seriam objeto do MS, em razão da classificação fiscal dos produtos mencionados na petição inicial. Segundo a Primeira Instância, a ação judicial abrangeria apenas os produtos de código 2202.90, enquanto que os refrigerantes seriam enquadrados na posição 2202.10.00. Fl. 847DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10840.720039/201170 Acórdão n.º 3302001.790 S3C3T2 Fl. 846 6 Mas, segundo a Interessada, ao contrário do afirmado pelo acórdão, teriam sido utilizados insumos isentos na industrialização de refrigerantes e o código 2202.90 incluiria os refrigerantes, o que teria sido alterado somente com o Decreto n. 4.542, de 26 de dezembro de 2002. Além disso, na Rcl n. 7.778, o STF teria reconhecido “expressamente a existência e a aplicabilidade da coisa julgada formada no MSC n. 91.00477834 à Recorrente (AI n. 252.801 relator Ministro Marco Aurélio) e deferiu a liminar pleiteada para suspender execução fiscal ajuizada para exigir débito de IPI decorrente da glosa do referido crédito [...]”. Ao final, alegou a impossibilidade de exigência de multa e juros de mora, por ter agido de acordo com a Resolução CAS n. 387/93, cabendo a aplicação do art. 100, I, do CTN. A PFN apresentou suas contrarrazões nas fls. 775 a 813, em que, inicialmente, recordou as razões da autuação, especialmente as informações fornecidas pela Recofarma (fornecedora dos insumos à Interessada): Desse modo, entendeu que a Recofarma, por não utilizar diretamente as matérias-primas de produção regional em seu processo industrial, não faz jus à isenção prevista no art. 82, III, do RIPI/2002. Por seu turno, a recorrente não pode se valer do art. 175 do RIPI/2002 para se creditar do IPI como se devido fosse. Com isso, observa-se que a recorrente apropriou-se indevidamente de créditos de IPI em sua escrita fiscal, fato este que culminou com o não pagamento (recolhimento) do imposto devido, em vários períodos de apuração do ano-calendário de 2006. A seguir, tratou da decadência, defendendo a aplicação do art. 173, I, do CTN ao caso dos autos e citando entendimento do Superior Tribunal de Justiça e da doutrina. Depois, tratou “dos atos emitidos pela Suframa”, alegando que o Parecer Técnico requerido pela Recofarma “não faz qualquer menção ao fato de que os produtos produzidos pela Recofarma gozariam da isenção prevista no art. 6º do Decretolei 1.435/75.” Concluiu que não haveria no Parecer Técnico ou na Resolução n. 387/1993 “menção expressa de vinculação do projeto aprovado ao gozo da isenção prevista no art. 6º do Decretolei n. 1.435/75”, mas, sim, “a concessão da isenção prevista no Decreto-lei nº 288/67, que não se confunde com a anterior e que não autoriza o creditamento do IPI nos termos pretendidos pelo recorrente.” Segundo a PFN, a fornecedora não possuiria o benefício fiscal anteriormente mencionado e, ainda que assim não fosse, a própria Recofarma teria confirmado nos autos que não satisfaria à outra condição (de empregar diretamente matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais na produção regional). Tratou, então, da não cumulatividade do IPI e do direito ao creditamento, concluindo que pressuporia a incidência do imposto nas operações anterior e posterior. Quanto ao MSC, alegou que se aplicaria ao caso o disposto no art. 2ºA da Lei n. 9.494, de 1990, segundo o qual os efeitos da decisão judicial somente abrangeriam “os Fl. 848DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10840.720039/201170 Acórdão n.º 3302001.790 S3C3T2 Fl. 847 7 substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator” (texto incluído pela MP n. 2.18035, de 2001). Segundo a PFN, o referido MSC teria sido impetrado em face de ato iminentemente ilegal do Delegado da Receita Federal do Rio de Janeiro, “como se nota da exordial colacionada aos autos”. Como, no caso dos autos, a autoridade fiscal seria o Delegado da Receita Federal em Ribeirão Preto, ficaria afastada qualquer possibilidade de a autuada beneficiarse da decisão judicial prolatada no âmbito do mencionado MSC. Ademais, segundo a PFN, não teria ficado demonstrado nos autos que a associação da Interessada à autora da ação haveria ocorrido anteriormente a sua impetração. Por fim, esclareceu que a decisão liminar concedida na Reclamação n. 7.778 1/SP teria sido cassada em junho de 2011, conforme publicação no DJE n. 124, divulgado em 29 de junho de 2011, tendo sido negado seguimento à Reclamação. Ao final, defendeu a aplicação da multa e dos juros, uma vez que não haveria atos normativos administrativos envolvidos no procedimento adotado pela Interessada. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Inicialmente, esclareçase que a maioria das questões será tratada de forma objetivamente sucinta, à vista da análise criteriosa efetuada pela Primeira Instância. No tocante à decadência, aplicase a regra do art. 173, I, do CTN, à vista do disposto no Ricarf Regimento Interno do Carf (Anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, com a redação dada pela Portaria MF n. 586, de 2010), art. 62A. A respeito da matéria, o Superior Tribunal de Justiça pacificou seu entendimento, como demonstra a ementa abaixo reproduzida (REsp 512840 / SP; Relatora: Ministra Eliana Calmon; DJ 23.05.2005 p. 194): TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (ART. 150 § 4o E 173 DO CTN). 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4o, do CNT). 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Fl. 849DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10840.720039/201170 Acórdão n.º 3302001.790 S3C3T2 Fl. 848 8 3. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. 4. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5. Recurso especial provido. Em relação à abrangência do lançamento pela coisa julgada, descabe razão à Interessada. É preciso esclarecer, antes de se seguir, que há duas questões a serem discutidas: primeiramente, se se trata de hipótese de isenção em que a legislação garante o direito ao crédito (crédito ficto); se, não se tratando da hipótese anterior, ainda assim caberia o creditamento em face do princípio da não cumulatividade. A primeira questão não é objeto da ação judicial e não envolve matéria constitucional, uma vez que, se se tratar da hipótese de crédito ficto prevista em regulamento, o direito de crédito é garantido pela legislação. A segunda questão, que se aplicaria caso não comprovadas as condições para o crédito ficto, exige, para ser analisada no âmbito do presente processo, a não ocorrência de renúncia às instâncias administrativas (ou mais propriamente a aplicação de decisão judicial transitada em julgado ao caso concreto). De toda forma, como se trata de questão preliminar, deve ser analisada antes do mérito. Nas contrarrazões da PFN, ficou demonstrado que a Reclamação a que a Interessada se referiu no recurso foi especificamente rejeitada pelo fato de os efeitos da decisão judicial transitada em julgado poder ser aplicada somente no âmbito do Estado do Rio de Janeiro. O acórdão da Reclamação se fundamentou pelo seguinte: Inicialmente, verifico que inexiste decisão deste Supremo Tribunal Federal com autoridade de coisa julgada que tenha sido descumprida. Isso porque o Min. Marco Aurélio, ao apreciar o Agravo de Instrumento 252.801, limitouse a negar seguimento ao agravo de instrumento, de modo que a decisão que prevaleceu naquele caso, a rigor, foi a proferida pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, ao julgar o Mandado de Segurança Coletivo n. 91.0047783-4. Ainda que assim não fosse, o autor, quando se refere à coisa julgada, pressupõe que sua empresa tenha sido alcançada pela decisão imposta nos autos do Agravo de Instrumento 252.801, cuja origem é o Mandado de Segurança Coletivo 91.0047783-4. No entanto, por ter sido esta ação impetrada em face do Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro, seus efeitos se restringem aos associados estabelecidos no território de competência daquela autoridade administrativa. Fl. 850DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10840.720039/201170 Acórdão n.º 3302001.790 S3C3T2 Fl. 849 9 A decisão proferida no referido agravo de instrumento não beneficia o associado ora reclamante. Este se situa no Município de Ribeirão Preto-SP, que tem, como competente para fiscalizar, seu respectivo Delegado da Receita Federal. Posto isso, não há qualquer descumprimento à decisão desta Corte. Tudo isso está de acordo com o art. 2º da Lei 9.494/97, segundo o qual: “A sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator”. Portanto, a causa da rejeição da ação foi a inexistência de decisão própria do STF, tendo sido considerada a questão da Lei n. 9.494, de 1997, apenas como complementação. Ademais, a ação referiuse ao processo administrativo n. 10840.002170/200422, não se aplicando ao presente caso. Portanto, há que se analisar se a Interessada era parte na ação proposta pela AFBCC e, se for o caso, qual o objeto da ação. Alegou a Interessada que, anteriormente à Lei n. 9.494, de 1997, art. 2ºA, não haveria a restrição dos efeitos da ação ao limite de competência territorial do órgão prolator. As decisões do STJ nos REsp n. 1.243.887 e 1.247.150 referiramse à execução individual no caso de ação civil pública e analisaram a aplicação do art. 2ºA da citada lei. Concluiu o seguinte o Ministro Relator (https://ww2.stj.jus.br/ processo/jsp/revista/abreDocumento.jsp?componente=ATC&sequencial=18913675&num_regi stro=201100763619&data=20111212&tipo=91&formato=PDF): Cumpre ressaltar, primeiramente, que o mencionado artigo foi acrescentado à Lei n. 9.494/97 por força da Medida Provisória n. 1.7981, de 11 de fevereiro de 1999, e que, somente depois de inúmeras outras medidas provisórias, o texto foi definitivamente consolidado pela Medida Provisória n. 2.18035, de 2001. A limitação contida no art. 2ºA, caput, da Lei n. 9.494/97, de que a sentença proferida "abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator", evidentemente não pode ser aplicada aos casos em que a ação coletiva foi ajuizada antes da entrada em vigor do mencionado dispositivo, sob pena de perda retroativa do direito de ação das associações. A jurisprudência, nesse sentido, é unânime: “ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO RESCISÓRIA. INCOMPETÊNCIA DO JUÍZO PROLATOR DO ACÓRDÃO RESCINDENDO. MATÉRIA ANALISADA SOB O Fl. 851DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10840.720039/201170 Acórdão n.º 3302001.790 S3C3T2 Fl. 850 10 PRISMA CONSTITUCIONAL. LIMITAÇÃO DOS EFEITOS DO ACÓRDÃO RESCINDENDO. INVIABILIDADE. REAJUSTE DE 28,86%. BASE DE CÁLCULO. INCIDÊNCIA SOBRE A RAV – RETRIBUIÇÃO ADICIONAL VARIÁVEL. POSSIBILIDADE. MULTA DO ART.488, INCISO II, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. INAPLICABILIDADE À FAZENDA PÚBLICA. “[...] “2. As regras relativas à fixação da competência firmamse na data do ajuizamento da demanda. No caso, é inaplicável o disposto no art. 2ºA da Lei n.º 9.494/97, acrescentado pela Medida Provisória n.º 2.18035, de 24/08/2001, que limita os efeitos da decisão rescindenda, na medida em que a ação de conhecimento, cujo acórdão ora se busca rescindir, foi ajuizada antes de sua vigência. “[...] “(REsp 663.116/AL, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, julgado em 26/02/2008, DJe 24/03/2008) “[...]” A ementa do acórdão, cujo REsp estava sob a cláusula de recurso repetitivo, foi a seguinte: 1.1. A sentença genérica proferida na ação civil coletiva ajuizada pela Apadeco, que condenou o Banestado ao pagamento dos chamados expurgos inflacionários sobre cadernetas de poupança, dispôs que seus efeitos alcançariam todos os poupadores da instituição financeira do Estado do Paraná. Por isso descabe a alteração do seu alcance em sede de liquidação/execução individual, sob pena de vulneração da coisa julgada. Assim, não se aplica ao caso a limitação contida no art. 2ºA, caput, da Lei n. 9.494/97. Assim, além de se referir a um caso específico, em que a sentença expressamente determinava efeitos sobre todo o Estado, tratouse de ação civil pública, ação cuja natureza não se assemelha à do mandado de segurança. Ademais, questionou a PFN a filiação da Interessada à entidade à época da propositura do MSC. O fato de haver proposto a Rcl. n. 7.778, por si só, já seria evidência suficiente para a comprovação ou para a sua desnecessidade, uma vez que, se assim não fosse, a reclamação teria sido indeferida prontamente. De fato, considerouse a aplicação do entendimento do STF contido no MS n. 23.769: 2 Não aplicação, ao mandado de segurança coletivo, da exigência inscrita no art. 2ºA da Lei nº 9.494/97, de instrução da petição inicial com a relação nominal dos associados da impetrante e da indicação dos seus respectivos endereços. Requisito que não se aplica à hipótese do inciso LXX do art. 5º Fl. 852DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10840.720039/201170 Acórdão n.º 3302001.790 S3C3T2 Fl. 851 11 da Constituição. Precedentes: MS nº 21.514, rel. Min. Marco Aurélio, e RE nº 141.733, rel. Min. Ilmar Galvão. Nesse contexto, há que se verificar em que termos a decisão transitada em julgado foi pronunciada. A sentença de primeira instância cassou a liminar e denegou a segurança (fl. 282), por falta de comprovação de que os insumos estariam classificados no inciso XXVI do art. 45 do Ripi/82. No Tribunal Regional Federal da 2ª Região, onde o processo recebeu o número 96.02.060506/RJ (fl. 463), decidiu o seguinte: À unanimidade, foi a ordem concedida, ainda que parcialmente vencida a Relatora no que diz respeito a excluir da isenção a sacarose, ou o açúcar. Lavrará o acórdão o Desembargador Federal NEY FONSECA. A ementa foi a seguinte (fl. 486): TRIBUTÁRIO MANDADO DE SEGURANÇA IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS MATÉRIAPRIMA PROCEDENTE DA ZONA FRANCA DE MANAUS COMPENSAÇÃO DE VALOR NÃO TRIBUTADO POR ISENÇÃO PROCEDENTES JUDICIAIS. I Cabente o creditamento do valor do IPI que, em razão de isenção, deixou de ser tributado em operação anterior, para que se dê pleno alcance ao princípio constitucional de não cumulatividade, enunciado sem restrições para esse imposto. II recurso a que se dá provimento. Dessa forma, no referido mandado de segurança, foi concedida a ordem para admitir o creditamento relativo a insumos provenientes da Zona Franca de Manaus. A União apresentou RE, cujo seguimento foi negado (fl. 533), tendo apresentado agravo de instrumento (fl. 656 do eP), conforme já noticiado, que foi negado pelo STF (fl. 703 do eP), tendo em vista que, no RE 212.4842, o STF reconheceu o direito ao creditamento no caso de insumos isentos. Portanto, a decisão reconheceu o direito de crédito no caso de insumos isentos provenientes da ZFM, mas, pelo fato de ter sido negada a segurança na primeira instância, não se especificou o âmbito territorial do direcionamento da ordem. De fato, no caso do mandado de segurança, o seu âmbito de aplicação parece ser mais restrito do que nas demais ações. Isso por que visa à prática de ato coator de uma autoridade específica. Mas, nas demais ações, a ação é destinada diretamente à União e não apenas indiretamente. Como no presente caso, a autoridade a quem se dirigiu a ordem tem atuação territorial restrita, mais até do que a prevista na própria Lei n. 9.494, de 1997. Fl. 853DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10840.720039/201170 Acórdão n.º 3302001.790 S3C3T2 Fl. 852 12 Vejase que sequer existe litisconsórcio necessário entre o Estado e a autoridade coatora, situação que poderia, se existisse, vincular as demais autoridades representantes do Estado na prática dos atos considerados como coatores (Resp n. _): PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. AUTORIDADE COATORA E PESSOA JURIDICA. INEXISTENCIA DE LITISCONSORCIO NECESSARIO. SISTEMATICA DA LEI DE MANDADO DE SEGURANÇA. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. I A lei do mandado de segurança (Lei n. 1533/51, art. 7.,I), em reforço da celeridade uma das tônicas do instituto rompeu com a sistemática anterior (Lei n. 191/36, art. 8., par1., e CPC 39, art. 332, II). Basta, assim, que se "notifique" o órgão coator. O órgão não "representa" a pessoa jurídica. Ele é "fragmento" dela (Otto von Gierke). Desse modo, não se pode falar em "litisconsorte necessário" entre o órgão (autoridade coatora) e a pessoa jurídica (ré). II Recurso especial não conhecido. Dessa forma, o mandado de segurança não poderia produzir efeitos em relação ao Delegado da Receita Federal de Ribeirão Preto, não havendo que se falar em coisa julgada. Ainda em sustentação oral, a Interessada mencionou a decisão monocrática no REsp n. 1.295.383, cuja ementa é abaixo reproduzida: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. LIMITAÇÃO DOS EFEITOS DA COISA JULGADA AO TERRITÓRIO SOBRE JURISDIÇÃO DO ÓRGÃO JULGADOR. ART. 2ºA DA LEI N. 9.494/1997. MATÉRIA DECIDIDA EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL REPETITIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C DO CPC). RECURSO ESPECIAL PROVIDO Entretanto, tal decisão não tem efeito vinculativo, uma vez que não é, em si, o recurso repetitivo representativo de controvérsia. Tratase de tese contrária à anteriormente defendida, uma vez que reconhece a aplicação da matéria decidida em recurso repetitivo ao caso de mandado de segurança. Em relação ao mérito, como se esclareceu anteriormente, há duas matérias a serem analisadas sucessivamente. Quanto à primeira, de fato, conforme o relatório fiscal, ficou demonstrado que a fornecedora da Interessada não satisfaria às condições de creditamento da isenção específica (manutenção do crédito “como se devido fosse” crédito ficto). A Interessada alegou que teria seguido as determinações dos atos da Suframa. Entretanto, tal questão é irrelevante, uma vez que não se trata da hipótese prevista no regulamento e a isenção, com base no dispositivo específico citado no relatório, foi Fl. 854DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10840.720039/201170 Acórdão n.º 3302001.790 S3C3T2 Fl. 853 13 indevidamente utilizada pelo fornecedor. A respeito da questão, devese repetir o que concluiu a Primeira Instância: A aprovação do projeto pela Suframa, por si só, não estende a concessão de incentivos fiscais para outros dispositivos legais que não aquele inequivocamente discriminado na Resolução. Para a fruição do benefício em tela seria necessário ato específico pois cada benefício tem regras próprias e distintas a ser observadas para o respectivo gozo, que devem ser expressas e claras. Esse entendimento foi ratificado pelo Parecer n° 1.420, de 16 de novembro de 1995, da Coordenação do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal. É patente que, pelos termos da Resolução nº 387/1993, do Conselho de Administração da SUFRAMA, não houve aprovação de projeto vinculada ao gozo do benefício do artigo 6º do DecretoLei n° 1.435/1975. A Declaração da Secretaria Especial de Políticas Regionais da SUFRAMA (fls. 342/343) simplesmente reitera os termos da Resolução nº 387/1993, que não contempla o artigo 6° do DecretoLei n° 1.435/1975. O Parecer Técnico de Acompanhamento nº 035/1997, da Secretaria Especial de Políticas Regionais da SUFRAMA, ratifica os termos da Resolução nº 387/1993. O fato deste Parecer em seu texto considerar que a Resolução nº 387/1993 contempla o art. 6º do DecretoLei nº 1.435/1975, é inconteste que a Resolução nº 387/1993 emitida pelo Conselho de Administração da Suframa é o documento legal e hábil para a aprovação do projeto exigido pela legislação pertinente. Assim, é de se concluir que a empresa fornecedora dos insumos não possui o benefício fiscal do art. 6º do DecretoLei nº 1.435/1975, pois este benefício não está incluído na citada Resolução nº 387/1993. Mesmo que essa conclusão seja passível de reparos, há a outra condição a ser considerada conjuntamente: na elaboração dos concentrados de refrigerantes a empresa Recofarma Indústria do Amazonas Ltda não utiliza matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exceto semente de guaraná na composição do concentrado de guaraná, condição essencial para fruição do beneficio fiscal previsto no dispositivo legal em questão. As matériasprimas de produção regional utilizadas na produção de concentrados para refrigerantes, exceto o concentrado de guaraná, são o açúcar cristal e o álcool, que são produtos industrializados e não matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, assim como relatado no Termo de Encerramento (fl. 288), “Observando a informação da própria empresa Recofarma acima descrita, verificamos que esta utiliza em sua produção produtos intermediários industrializados e não matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. Ou seja, a empresa Recofarma não utiliza diretamente matériasprimas de produção regional em seu processo industrial. Assim sendo, as saídas dos concentrados, de bebidas não alcoólicas, vendidos à Fl. 855DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10840.720039/201170 Acórdão n.º 3302001.790 S3C3T2 Fl. 854 14 empresa fiscalizada não poderiam ser objeto da isenção prevista no inciso III do artigo 82 do RIPI/2002.” Portanto, a Primeira Instância considerou que, embora o Parecer citasse o art. 6º do Decreto n. 1.435, de 1975, seria a Resolução n. 387, de 1993, que definiria a matéria. Antes de prosseguir, é necessário analisar se a RFB poderia “desconsiderar” os atos da Suframa, que, segundo a Interessada, seria a única autoridade competente para reconhecer a isenção. Primeiramente, é inequívoco concluir que a competência da administração tributária, que envolve necessariamente a verificação das condições para isenção conforme previsto nos arts. 176 a 179 do Código Tributário Nacional, é da RFB. A Suframa pode ter a competência para aprovar o regime e administrálo, mas isso não exclui a competência do Fisco para exercer suas atribuições. Nesse contexto, é elementar que a Suframa aprova o regime e, dessa aprovação, decorre o direito de isenção em termos gerais. Mas a competência para verificar se, em cada caso, os requisitos da isenção são ou não cumpridos é do Fisco, conforme dispositivos anteriormente citados. Ao proceder à glosa, a Fiscalização não desobedeceu aos atos da Suframa, apenas constatou que, no caso específico, não se aplicaria a isenção. Notese que, especificamente em relação ao Decretolei n. 1.435, de 1975, o art. 8º dispõe que “O Superintendente da Zona Franca de Manaus, ouvido o Conselho de Administração, fixará condições e requisitos a serem atendidos pelos estabelecimentos que se dediquem à comercialização, naquela área, de mercadorias beneficiadas pelos incentivos previstos no Decretolei número 288, de 28 de fevereiro de 1967.” Entretanto, nada dispõe sobre a competência específica para reconhecimento da isenção prevista no art. 6º, cujo § 2º estabeleceu que a isenção aplicarseia apenas aos “produtos elaborados por estabelecimentos industriais cujos projetos tenham sido aprovados pela SUFRAMA”. Vale dizer, a aprovação do projeto pela Suframa é condição para que incida o incentivo, o que não se confunde com o reconhecimento da isenção e sua competência exclusiva pela Suframa. No que diz respeito aos atos especificamente citados pela Interessada, trataram do que foi originalmente objeto do Parecer Técnico Suframa n. 88, de 1993, e da Resolução Suframa n. 387, de 1993. O Parecer Técnico mencionado não trata de isenção, conforme já ressaltado anteriormente nos presentes autos. A Resolução, por sua vez, aprovou o projeto de atualização da empresa, definindo a redução das alíquotas do imposto de importação e exigindo o cumprimento das condições do incentivo concedido. No caso, tratase do incentivo do Decretolei n. 288, de 1967, alterado pelo Decretolei n. 1.435, de 1975. Fl. 856DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10840.720039/201170 Acórdão n.º 3302001.790 S3C3T2 Fl. 855 15 Entretanto, a disposição do art. 6º do último Decretolei citado, que é a em discussão nos autos, não diz respeito às alterações do primeiro Decretolei. Dessa forma, não se tratou, nos atos mencionados, da isenção do art. 6º e § 1º do Decretolei n. 1.435, de 1975. O que poderia ser relevante ao caso seria o Parecer Técnico de Acompanhamento que decorreu da solicitação da Recofarma para que a Resolução antes mencionada fosse ratificada para incluir o benefício do art. 6º do último DL citado. Salientese, no mesmo sentido do que foi anteriormente exposto, que a referida Resolução e o posterior parecer não poderiam tratar da concessão da isenção, por inexistir previsão legal para isso. Vale dizer, o Decretolei não prevê que a Suframa deva reconhecer a isenção, pois simplesmente diz que o incentivo se aplica aos produtos elaborados por estabelecimentos cujos projetos tenham sido aprovados pela Suframa. Aprovado o projeto, a isenção se aplica aos produtos dos respectivos estabelecimentos, desde que obedecidas as condições do art. 6º. Nesse contexto, é elementar que a Resolução abrangia o incentivo do art. 6º citado, mas não confirmava que a condição do caput do art. 6º se aplicaria automaticamente e especificamente em relação a todos os produtos fabricados. Em conclusão, a verificação específica da condição para a isenção do art. 6º do DL n. 1.435, de 1975, não competia à Suframa e, sim, à RFB. Nos termos já afirmados, verificouse que não foi verificada a condição prevista no caput e, como consequência, inexiste direito ao crédito ficto. Quanto à possibilidade de glosa do crédito registrado pela Interessada à vista das informações prestadas pelo fornecedor na nota fiscal, primeiramente devese considerar que o creditamento ficto decorre da isenção específica, mas é incentivo adicional. Normalmente, segundo as disposições regulamentares, a isenção implicaria a vedação do registro do crédito, pelo fato de o adquirente não arcar com o ônus financeiro do crédito. Portanto, o crédito registrado era ilegítimo, cabendo a glosa. Quanto à segunda questão, a Interessada alegou que, para efeito de aplicação das decisões do STF, haverseia que diferenciar as isenções subjetivas das objetivas, não se aplicando ao caso o entendimento do RE n. 566.819RS. De fato, se se tratasse da hipótese de crédito ficto, a questão do direito ao creditamento em todos os casos de isenção seria irrelevante, uma vez que se trataria de benefício fiscal, equivalente a crédito presumido, por exemplo. Mas, como ficou demonstrado não se tratar de tal hipótese, resta saber se do princípio da não cumulatividade decorre diretamente o direito ao crédito. Assim, há que se analisar se a isenção relativa a produtos oriundos da ZFM garantiriam, de toda forma, o registro do crédito. Fl. 857DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10840.720039/201170 Acórdão n.º 3302001.790 S3C3T2 Fl. 856 16 Esclareçase, inicialmente, que o Regulamento do IPI, que tem matriz legal nas leis que regem o imposto, não prevê tal tipo de creditamento. Nesse contexto, aplicamse as disposições do art. 59 do Decreto n. 7.574, de 2011, art. 26A do Decreto n. 70.235, de 1972, arts. 62 e 62A do Ricarf e Súmula Carf n. 2. A controvérsia diz respeito a como devem ser aplicadas tais disposições, uma vez que a Interessada concluiu que o entendimento do RE 212.4842 teria que ser aplicado ao caso. Entretanto, conforme a própria Interessada observou, a questão do direito de crédito encontrase sob o regime de repercussão geral. De fato, no RE 590.809, que se refere a ação rescisória, declarouse a repercussão geral da matéria “relativa ao creditamento no caso de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero”. No caso, ainda que haja uma questão preliminar também em repercussão geral (o cabimento da rescisória), o STF terá que decidir a questão do direito de creditamento no caso de isenção. Tal fato descaracteriza o entendimento proferido no RE n. 212.4842 como definitivo no âmbito do STF e, portanto, afasta a aplicação do art. 62, parágrafo único, I. Ao contrário, a aplicação do entendimento é vedada pelo caput do mesmo artigo. Portanto, aplicarseia ao caso o disposto no art. 62A, mas o Supremo Tribunal Federal ainda não julgou definitivamente a matéria. Devese esclarecer, ainda, que não é o caso de sobrestamento do julgamento do recurso, uma vez que não se observa, no caso, a condição do art. 62A, § 1º, pois o STF não determinou a suspensão dos recursos extraordinários no acórdão de repercussão geral. Situação parecida ocorre com o caso específico de insumos isentos oriundos da ZFM, que, no RE 592.891, teve a repercussão geral reconhecida, sem o sobrestamento dos recursos extraordinários: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. NÃOCUMULATIVIDADE. DIREITO AO CREDITAMENTO NA ENTRADA DE INSUMOS PROVENIENTES DA ZONA FRANCA DE MANAUS. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. A Interessada trouxe, nos memoriais, duas decisões do STF que demonstrariam o sobrestamento dos RE no âmbito o STF, o que demonstraria a condição prevista na Portaria Carf n. 1, de 2012. No RE 294.068, de relatoria o Ministro Gilmar Mendes, foi determinada a devolução do RE ao Tribunal de origem e, portanto, não trata de sobrestamento. No AgRAgRAI 651.013, os autos principais (RE 651.013) estavam no Tribunal Regional da 1ª Região e o que foi decidido no primeiro AgR é que os autos deveriam aguardar (lá) o julgamento do RE 592.891 (de repercurssão geral). Nos segundos AgR foi Fl. 858DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10840.720039/201170 Acórdão n.º 3302001.790 S3C3T2 Fl. 857 17 corrigida a vinculação com o paradigma de RE, incorretamente mencionado no 1º AgR como 568.396 (e não 592.891, o correto). Portanto, não se trata de hipótese de sobrestamento. Quanto à jurisprudência administrativa, observese que as decisões da CSRF citadas são anteriores ao novo Ricarf, razão pela qual não se pode cogitar da aplicação de seu entendimento. Quanto à multa e aos juros de mora, não tem razão a Interessada, uma vez que não se constata a existência dos atos normativos descritos no art. 100 do CTN, conforme esclarecido pela Primeira Instância e pela PFN em suas contrarrazões. Ademais, alegou a Interessada que se aplicaria ao caso a disposição do art. 76, II, “a”, da Lei n. 4.502, de 1964: Art . 76. Não serão aplicadas penalidades: [...] II enquanto prevalecer o entendimento aos que tiverem agido ou pago o imposto: a) de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado; [...] O entendimento a que se referiu a Interessada foi o pronunciado no Acórdão CSRF n. 0202.357, de 24 de julho de 2006. O auto de infração foi lavrado em 2011, relativamente ao ano de 2006, conforme anteriormente esclarecido. Entretanto, para aplicação do dispositivo, o entendimento deve prevalecer até a data da lavratura do auto de infração, uma vez que, se alterado, o contribuinte teria que se adequar, sem pagamento de penalidade, ao novo entendimento. Em sentido contrário, há vários acórdãos da CSRF, como o de n. 0203.677, de 26 de novembro de 2008: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2000 PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO BÁSICO DE IPI. O sistema de compensação de débitos e créditos do IPI é decorrente do principio constitucional da nãocumulatividade; tratandose de instituto de direito público, deve o seu exercício Fl. 859DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10840.720039/201170 Acórdão n.º 3302001.790 S3C3T2 Fl. 858 18 darse nos estritos ditames da lei. Não há direito a crédito referente à aquisição de insumos isentos. Recurso Especial Negado Além desse, ainda os acórdãos CSRF/0202.979, 0203.029, 0203.585, todos de 2008, e os Acórdãos CSRF 930301.274 e 930300.854, de 2010. Portanto, a Interessada não pode beneficiarse da disposição mencionada, porque o entendimento exposto no acórdão por ela alegada foi posteriormente alterado. A incidência da Selic é matéria sumulada pelo Carf (Portaria n. 106, de 21 de Dezembro de 2009): Súmula CARF n. 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Declaração de Voto Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Pedi vista para melhor me inteirar sobre os fatos ocorridos. Conforme relatado, tratase de auto de infração lavrado em virtude de a fiscalização entender que houve um aproveitamento indevido de crédito tributário de IPI. In casu, a Recorrente adquiriu insumos isentos da empresa RECOFARMA sendo que esta isenção estaria fundamentada nos artigos 69, inciso II e 82, inciso III, ambos do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/02)1 e, com base no artigo 1752 deste mesmo RIPI/2002, tomou créditos de IPI. 1 Decreto nº 4.544/2002 “Art. 69. São isentos do imposto (Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, art. 9º, e Lei nº 8.387, de 30 de dezembro de 1991, art. 1º): (...) Fl. 860DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10840.720039/201170 Acórdão n.º 3302001.790 S3C3T2 Fl. 859 19 Todavia, a fiscalização entendeu que a empresa RECOFARMA não atendeu aos requisitos necessários para se enquadrar no mencionado artigo 82, “Observando a informação da própria empresa Recofarma, verificamos que esta utiliza em sua produção produtos intermediários industrializados, e não matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. Ou seja, a empresa Recofarma não utiliza diretamente matérias primas de produção regional em seu processo industrial. Assim sendo, a saída dos concentrados, de bebidas não alcóolica, vendidos à empresa fiscalizada não poderiam ser objeto da isenção prevista no inciso III do artigo 82 do RIPI/2002. Por outro lado, se a empresa Recofarma tivesse utilizado matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional na elaboração de seus concentrados, o destinatário poderia utilizar o crédito como se devido fosse por ter empregado o produto adquirido como matéria prima (artigo 175 RIPI/2002)”. Neste sentido, como a empresa RECOFARMA, no entender da fiscalização, não produziu produtos isentos, o crédito tomado pela Recorrente inexiste. Esta é a matéria fática. A complexidade jurídica da questão, porém, alcançou proporções maiores. Primeiramente porque o Supremo Tribunal Federal – STF possui algumas decisões, proferidas pelo seu órgão Pleno, acerca da possibilidade de creditamento no caso de insumos isentos. Depois porque a própria Recorrente pleiteia a aplicação de uma decisão judicial, proferida em sede de Mandado de Segurança Coletivo (proc. nº 91.00477834). Em virtude deste panorama, entendo que é preciso analisar, em sede de preliminar (i) a repercussão geral do tema no STF e seus efeitos; (ii) o alcance do Mandado de Segurança Coletivo e, no mérito (iii) a possibilidade de creditamento de insumos isentos em virtude das regras específicas da Zona Franca de Manaus – ZFM e (iv) a possibilidade de aproveitamento do crédito do IPI no caso específico. II os produtos industrializados na ZFM, por estabelecimentos com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA, que não sejam industrializados pelas modalidades de acondicionamento ou reacondicionamento, destinados a comercialização em qualquer outro ponto do Território Nacional, excluídos as armas e munições, fumo, bebidas alcoólicas e automóveis de passageiros e produtos de perfumaria ou de toucador, preparados ou preparações cosméticas, salvo quanto a estes (posições 33.03 a 33.07 da TIPI) se produzidos com utilização de matériasprimas da fauna e flora regionais, em conformidade com processo produtivo básico; (...)” Decreto nº 4.544/2002 Art. 82. São isentos do imposto: (...) III os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, excetuados o fumo do Capítulo 24 e as bebidas alcoólicas, das posições 22.03 a 22.06 e dos códigos 2208.20.00 a 2208.70.00 e 2208.90.00 (exceto o Ex 01) da TIPI (Decretolei nº 1.435, de 1975, art. 6º, e Decretolei nº 1.593, de 1977, art. 34). (...)” 2 Decreto nº 4.544 de 26 de Dezembro de 2002 “Art. 175. Os estabelecimentos industriais poderão creditarse do valor do imposto calculado, como se devido fosse, sobre os produtos adquiridos com a isenção do inciso III do art. 82, desde que para emprego como MP, PI e ME, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto (Decretolei nº 1.435 , de 1975, art. 6º , § 1º ).” Fl. 861DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10840.720039/201170 Acórdão n.º 3302001.790 S3C3T2 Fl. 860 20 (i) Repercussão Geral e seus Efeitos O primeiro ponto imprescindível para analisarmos este processo pareceme vinculado às várias decisões que o Supremo Tribunal Federal possui sobre a possibilidade de creditamento de IPI no caso de insumos isentos. A questão é polêmica, e o próprio plenário do STF já alterou seu posicionamento acerca do tema. Em resumo, no que se refere aos julgamentos de crédito de IPI (insumos), podemos citar os seguintes julgamentos do Tribunal Pleno: Recurso Julgamento Objeto Argumento Analisado Decisão RE 212.484/RS 05/03/1998 Isenção ZFM Princípio da Não Cumulatividade Favorável ao creditamento RE 350.446/PR 18/12/2002 Alíquota Zero Princípio da Não Cumulatividade Favorável ao creditamento RE 566.819/RS 29/09/2010 Isenção, Equiparação à alíquota de saída, quando a alíquota é menor na entrada Princípio da Não Cumulatividade Desfavorável ao creditamento RE 592.891/SP – em repercussão geral Aguardando julgamento Isenção ZFM Princípio da Não Cumulatividade Regras Específicas da Zona Franca de Manaus Aguardando julgamento RE 590.809/RS – em repercussão geral Aguardando julgamento Isenção, Alíquota Zero, Não tributável Princípio da Não Cumulatividade Aguardando julgamento O quadro esquemático interessa para se constatar que a matéria discutida nos presentes autos possibilidade de creditamento em razão de insumos isentos em virtude de regras específicas da ZFM não foi objeto de julgamento pelo Pleno razão pela qual este tribunal administrativo não está vinculado a qualquer resultado. Esclareço que o RE 212.484/RS3, que obteve resultado favorável ao contribuinte, analisou apenas o aspecto genérico do princípio da não cumulatividade, sem adentrar às normas específicas existentes na Zona Franca de Manaus. 3 Esclarecimentos que constam do acórdão proferido no julgamento do 566.819RS, publicado em 10.02.2011: “O SENHOR MINISTRO MARCO AURELIO Presidente, apenas um esclarecimento, como relator. Estamos a examinar a isenção sob o critério objetivo. Não estamos a tratar de situações peculiares, muito menos que haja norma prevendo o creditamento, no caso de isenção. Fl. 862DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10840.720039/201170 Acórdão n.º 3302001.790 S3C3T2 Fl. 861 21 Ocorre que o entendimento pela possibilidade de creditamento dos insumos isentos em virtude da simples aplicação do princípio da não cumulatividade foi alterado pelo Plenário da Suprema Corte quando do julgamento do RE 566.819/RS, ou seja, pela atual decisão válida, vigente e eficaz (à qual me submeto por força do artigo 62A do RICARF – Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) a característica de isenção do insumo não é suficiente para gerar crédito a quem o adquire. Neste sentido, a única opção de crédito decorrente de insumos isentos está pautada na peculiaridade das regras da ZFM e é esta questão que ainda não foi objeto de recurso do Pleno do STF. Aponto, entretanto, a existência de processo pendente de julgamento (RE 892.891/SP) em sede de repercussão geral o qual, segundo a interpretação conferida pela Portaria CARF 01/12, não possui o condão de obstar o presente julgamento. Desta forma, entendo que não há decisão vinculando este Colegiado e que a questão pode ser analisada livremente, razão pela qual afasto a preliminar suscitada. (ii) Do Mandado de Segurança Coletivo Outra preliminar alegada pela Recorrente referese ao Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834. A Recorrente pleiteia que lhe seja aplicada a decisão judicial favorável (coisa julgada) proferida nos autos do citado Mandado de Segurança, que assegurou aos associados da Associação dos Fabricantes Brasileiros de Coca ‑ Cola (AFBCC) o direito de se creditar do IPI relativo à aquisição de insumos isentos adquiridos de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus, utilizado na industrialização dos seus refrigerantes sujeitos ao IPI. A questão é que a Recorrente, como associada da referida Associação, teria direito à aplicação da decisão por extensão. A não aplicação desta decisão ao caso concreto está embasada nas limitações do efeito da coisa julgada trazida pelo artigo 2A da Lei nº 9.494/90, inserido em nosso ordenamento pela Medida Provisória nº 2.18035/01, a saber: “Art. 2º‑A: A sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator. (Incluído pela Medida provisória nº 2.18035/01) Parágrafo único. Nas ações coletivas propostas contra a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas autarquias e fundações, a petição inicial deverá obrigatoriamente estar instruída com a ata da assembléia da entidade associativa que a autorizou, acompanhada da relação nominal dos seus A SENHORA MINISTRA CARMEM LUCIA Exatamente, é o caso da Zona Franca, por exemplo, que aí é outra coisa. O SENHOR MINISTRO MARCO AURELIO Presidente, apenas gostaria de ressaltar que, neste caso concreto, não estamos apreciando a questão quando existe uma norma prevendo o creditamento, algo semelhante ao que se verifica no caso de isenção quanto ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e prestação de Serviços. E, portanto, não contrariamos, a meu ver, o precedente que resultou do Recurso Extraordinário nº212.484.” Fl. 863DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10840.720039/201170 Acórdão n.º 3302001.790 S3C3T2 Fl. 862 22 associados e indicação dos respectivos endereços. (NR) (Incluído pela Medida provisória nº 2.18035/01)” – destaquei. Concluo, portanto, que a aplicação da decisão ao caso em análise depende, necessariamente, da interpretação e aplicação do dispositivo supramencionado. Ressalvado meu posicionamento pessoal – que seria pela negativa da restrição, uma vez que a ação judicial foi interposta no ano de 1991, ou seja, 10 anos antes do advento da restrição – fato é que a Recorrente levou a questão para o judiciário ao interpor a Medida Cautelar em Reclamação nº 7.7781/SP4 4 RECLTE.(S) : COMPANHIA DE BEBIDAS IPIRANGA ADV.(A/S) : ANTONIO CARLOS GARCIA DE SOUZA RECLDO.(A/S) : AUDITOR FISCAL DA REC. FED. DE RIBEIRÃO PRETO RECLDO.(A/S) : DELEGADO DA REC. FED. CLASSE "B" EM RIB PRETO RECLDO.(A/S) : DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DE RIBEIRÃO PRETO RECLDO.(A/S) : CHEFE SECAT DA RECEITA FEDERAL DE RIB. PRETO RECLDO.(A/S) : CHEFE EAJUD DO SECAT DA REC. FED. RIB. PRETO RECLDO.(A/S) : PROC.SECCIONAL FAZ. NAC. EM RIBEIRÃO PRETO RECLDO.(A/S) : PROC. CHEFE DA DÍV. ATIVA EM RIBEIRÃO PRETO RECLDO.(A/S) : PROC. DA PROCURADORIA DA FAZ. NAC. SECCIONAL DE RIBEIRÃO PRETO RECLDO.(A/S) : JUIZ FED.9ª VARA FED. ESPECIALIZADA EM EXEC. FISCAIS DE RIB. PRETO RECLDO.(A/S) : DIRETOR DA VEF RB RECLDO.(A/S) : TRIB. REG. DA 2ª REGIÃO (AGR. DE INSTR. Nº 2004.02.01.0132984) RECLDO.(A/S) : RELATOR DO AGR.DE INSTR. Nº 2005.02.01.0027380 DO TRF DA 2ª REGIÃO) INTDO.(A/S) : UNIÃO ADV.(A/S) : ADVOGADOGERAL DA UNIÃO Decisão Tratase de reclamação constitucional, com pedido liminar, ajuizada pela Companhia de Bebidas Ipiranga contra atos praticados por diversas autoridades federais do Município de Ribeirão PretoSP, as quais teriam descumprido a autoridade da decisão proferida por esta Suprema Corte no julgamento do Agravo de Instrumento 252.801, Rel. Min. Marco Aurélio, decisão monocrática, DJ. 19.11.1999, em que se firmou o direito de creditamento de IPI relativo a aquisições de matériasprimas isentas (concentrado para refrigerante) oriundas de estabelecimentos localizados na Zona Franca de Manaus. Na petição inicial alegase, em síntese, que “esta decisão transitou em julgado em 2.12.1999 (doc. 11), tornando definitiva a ordem judicial no sentido de que todos os associados da AFBCC – Associação dos Fabricantes Brasileiros de Coca Cola – inclusive a reclamante, têm direito ao crédito de IPI, relativo à aquisição de concentrado isento de estabelecimento localizado na Zona Franca de Manaus utilizado na industrialização dos seus produtos (refrigerantes), cuja saída é sujeita ao IPI, de forma ampla e irrestrita”. (fl. 06) Ao apreciar a medida cautelar, o então relator do feito, Min. Cezar Peluso, deferiu o pedido e determinou a imediata suspensão do andamento dos Processos n. 2004.02.01.0132984, em trâmite no Tribunal Regional Federal da 2ª Região, e n. 91.00477834,em trâmite na 22ª Vara Federal do Rio de Janeiro, do respectivo AI n. 2005.02.01.0027380, em trâmite no Tribunal Regional Federal da 2ª Região, bem assim do Processo Administrativo n. 10840.002.170/200422 e da respectiva Execução Fiscal n. 2008.61.02.0113791, até o julgamento definitivo desta reclamação (fls. 431434). A União Federal (Fazenda Nacional), reclamada, impetrou agravo regimental contra o deferimento da medida cautelar, às fls. 652656, nas quais afirma que a decisão “desconsiderou a inexistência de coisa julgada em relação às autoridades fazendárias reclamadas e, sobretudo, em relação à reclamante, de sorte que as mencionadas autoridades fazendárias não descumpriram decisão passada em julgado dessa Suprema Corte, seja porque não estavam vinculadas pelo decisum, seja porque a reclamante não estava albergada pelo manto da coisa julgada”. Registrese que o agravo regimental não foi conhecido, por ser considerado intempestivo (fls. 786794). Não obstante, o reclamado interpôs embargos de declaração, ainda pendentes de julgamento. É o breve relatório. Decido. Inicialmente, verifico que inexiste decisão deste Supremo Tribunal Federal com autoridade de coisa julgada que tenha sido descumprida. Isso porque o Min. Marco Aurélio, ao apreciar o Agravo de Instrumento 252.801, limitouse a negar seguimento ao Fl. 864DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10840.720039/201170 Acórdão n.º 3302001.790 S3C3T2 Fl. 863 23 E a decisão judicial prefere à administrativa, conforme posicionamento consolidado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – que inclusive sumulou a matéria (Súmula no 1), segundo a qual importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Desta feita, deixo de conhecer a alegação acerca da aplicação da decisão judicial proferida nos autos do Mandado Segurança Coletivo em vista da concomitância averiguada. agravo de instrumento, de modo que a decisão que prevaleceu naquele caso, a rigor, foi a proferida pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, ao julgar o Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834. Ainda que assim não fosse, o autor, quando se refere à coisa julgada, pressupõe que sua empresa tenha sido alcançada pela decisão imposta nos autos do Agravo de Instrumento 252.801, cuja origem é o Mandado de Segurança Coletivo 91.00477834. No entanto, por ter sido esta ação impetrada em face do Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro, seus efeitos se restringem aos associados estabelecidos no território de competência daquela autoridade administrativa. A decisão proferida no referido agravo de instrumento não beneficia o associado ora reclamante. Este se situa no Município de Ribeirão PretoSP, que tem, como competente para fiscalizar, seu respectivo Delegado da Receita Federal. Posto isso, não há qualquer descumprimento à decisão desta Corte. Tudo isso está de acordo com o art. 2ºA da Lei 9.494/97, segundo o qual: “A sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator”. Consigno, por oportuno, que, no julgamento do Mandado de Segurança 23.769, Rel. Min. Ellen Gracie, Tribunal Pleno, DJ. 30.4.2004, este Tribunal declarou a inconstitucionalidade apenas do parágrafo único do mencionado artigo, que se refere à necessidade de “(...) instrução da petição inicial com a relação nominal dos associados da impetrante e da indicação dos seus respectivos endereços”. O caput do referido artigo, contudo, mantémse incólume. Assim, a coisa julgada em sede desta demanda coletiva abrange apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão julgador do Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834. Ademais, no que diz respeito ao direito de creditamento, a discussão refoge ao âmbito estrito de cabimento da reclamação, a qual pressupõe usurpação de competência deste Tribunal ou descumprimento de decisão com efeito vinculante. No caso, não se verifica nenhuma das hipóteses. Ante o exposto, casso a liminar que fora concedida, declaro a prejudicialidade dos embargos de declaração às fls. 800806, por perda superveniente de objeto, e nego seguimento à reclamação (art. 21, § 1º, RISTF). Publiquese. Arquivese. Brasília, 8 de junho de 2011. Ministro GILMAR MENDES Relator Fl. 865DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10840.720039/201170 Acórdão n.º 3302001.790 S3C3T2 Fl. 864 24 (iii) Da Possibilidade de Creditamento de Insumos Isentos – ZFM Superadas as preliminares arguídas, passo a adentrar ao mérito. Nos termos esclarecidos a questão em análise referese à possibilidade de creditamento de insumos isentos em razão das regras específicas da Zona Franca de Manaus. Ao contrário dos demais insumos isentos, cujo crédito se garantia apenas com a interpretação do conceito do princípio da não cumulatividade (que pelos julgados proferidos nos Recursos Extraordinários 212.484/RS e 350.446/PR se justificava em virtude de tratarse de espécie de tributação de valor agregado), no caso da Zona Franca de Manaus o legislador expressamente definiu que a compra de insumos isentos daria direito a crédito de IPI. Desta feita, independente do conceito de não cumulatividade, no caso em apreço, o que importa é que existe uma determinação normativa, consubstanciada no artigo 175 do RIPI/2002 (incluído pelo Decretolei nº 1.435, de 1975, art. 6º, § 1º), a qual permite o crédito no caso de insumos isentos conforme o inciso III, do artigo 82 do mesmo RIPI/2002 (Decreto nº 4.544/2002). Ainda, nos termos do artigo 62 do RICARF (Regimento Interno deste Tribunal Administrativo) é defeso aos julgadores afastar os termos de Decreto por inconstitucionalidade, verbis: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993.” – destaquei. De acordo com o exposto e uma vez que em premissa afastei a interpretação de que houve decisão do Supremo sobre o tema em análise, concluo pela possibilidade de creditamento no caso de insumos isentos decorrentes da Zona Franca de Manaus. (iv) Da Possibilidade do Creditamento in casu No que se refere ao direito da Recorrente ao aproveitamento da crédito de IPI em vista da compra de insumos da RECOFARMA, são necessárias algumas considerações. Em Fl. 866DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10840.720039/201170 Acórdão n.º 3302001.790 S3C3T2 Fl. 865 25 primeiro lugar, relevante analisar as razões que fizeram os julgadores de primeira instância administrativa manterem o auto de infração neste particular, verbis: “Da leitura dos dispositivos normativos, são vislumbradas duas condições cumulativas para a isenção do produto industrializado na Zona Franca de Manaus, adquirido e utilizado como insumo em produtos onerados pelo imposto em processo industrial em qualquer ponto do território nacional: a utilização de matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na Amazônia Ocidental (área definida pelo § 4º do art. 1º do Decretolei nº 291, de 1967) e a aprovação pelo Conselho de Administração da SUFRAMA de projetos da empresa produtora do insumo passível de isenção nas vendas para o território nacional. Há as seguintes cópias de documentos concernentes à Recofarma Indústria do Amazonas Ltda., fornecedora de concentrado para refrigerantes situada na Zona Franca de Manaus, apresentadas na peça impugnatória: Resolução nº 387/1993 da SUFRAMA (fls. 335/336), Parecer Técnico nº 088/1993 da SUFRAMA (fls. 337/341), Declaração da Secretaria Especial de Políticas Regionais da SUFRAMA (fls. 342/343), Parecer Técnico de Acompanhamento nº 035/1997 da Secretaria Especial de Políticas Regionais da SUFRAMA (fls. 345/348) e Parecer Técnico de Projeto nº 172/2002 da SUFRAMA (fls. 349/356). Devese ressaltar que segundo a própria impugnante, quanto ao Parecer Técnico nº 172/2002, solicitado pela fiscalização e não apresentado pela Recofarma Indústria do Amazonas Ltda. em suas informações, não trata do concentrado utilizado na fabricação de refrigerantes, mas sim do insumo utilizado na fabricação do chá líquido da marca Nestea e, pois, não é aplicável ao presente caso. O Parecer Técnico n° 088/1993 foi elaborado, por solicitação da empresa fornecedora (Recofarma) do concentrado, para incorporar nova verticalização de insumo básico para refrigerante (açúcar líquido) em sua linha de produção, mediante a aquisição de parte das matérias primas, principalmente açúcar mascavo e álcool, de produtores da Amazônia Ocidental, mais especificamente do Estado do Amazonas. Ao examinar os termos da Resolução n° 387/1993, é verificado que foi aprovado projeto industrial de atualização da empresa Recofarma Indústria do Amazonas Ltda. para a produção de concentrados, tendo sido concedidos os benefícios fiscais previstos no DecretoLei n° 288, de 28 de fevereiro de 1967 (matriz legal do artigo 69 do RIPI/2002). A alteração deste ato legal, foi promovida pelo artigo 1º do DecretoLei n° 1.435/1975, e limitase ao artigo 7o do DecretoLei nº 288/1967, e atualmente possui a redação dada pela Lei nº 8.387/1991. Fl. 867DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10840.720039/201170 Acórdão n.º 3302001.790 S3C3T2 Fl. 866 26 Observase que os dispositivos normativos constantes do DecretoLei n° 288/1967 não prevêem a hipótese de crédito do IPI como se devido fosse nas aquisições desoneradas. Consoante transcrição alhures, o artigo 82, inciso III, combinado com o artigo 175 do RIPI/2002, que prevêem tal hipótese, tem como matriz legal o artigo 6º do DecretoLei n° 1.435/1975, sendo que este artigo não está incluído nos benefícios fiscais citados na Resolução em comento. A aprovação do projeto pela Suframa, por si só, não estende a concessão de incentivos fiscais para outros dispositivos legais que não aquele inequivocamente discriminado na Resolução. Para a fruição do benefício em tela seria necessário ato específico pois cada benefício tem regras próprias e distintas a ser observadas para o respectivo gozo, que devem ser expressas e claras. Esse entendimento foi ratificado pelo Parecer n° 1.420, de 16 de novembro de 1995, da Coordenação do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal. É patente que, pelos termos da Resolução nº 387/1993, do Conselho de Administração da SUFRAMA, não houve aprovação de projeto vinculada ao gozo do benefício do artigo 6º do DecretoLei n° 1.435/1975. A Declaração da Secretaria Especial de Políticas Regionais da SUFRAMA (fls. 342/343) simplesmente reitera os termos da Resolução nº 387/1993, que não contempla o artigo 6º do DecretoLei n° 1.435/1975. O Parecer Técnico de Acompanhamento nº 035/1997, da Secretaria Especial de Políticas Regionais da SUFRAMA, ratifica os termos da Resolução nº 387/1993. O fato deste Parecer em seu texto considerar que a Resolução nº 387/1993 contempla o art. 6º do DecretoLei nº 1.435/1975, é inconteste que a Resolução nº 387/1993 emitida pelo Conselho de Administração da Suframa é o documento legal e hábil para a aprovação do projeto exigido pela legislação pertinente. Assim, é de se concluir que a empresa fornecedora dos insumos não possui o benefício fiscal do art. 6º do DecretoLei nº 1.435/1975, pois este benefício não está incluído na citada Resolução nº 387/1993. Mesmo que essa conclusão seja passível de reparos, há a outra condição a ser considerada conjuntamente: na elaboração dos concentrados de refrigerantes a empresa Recofarma Indústria do Amazonas Ltda não utiliza matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exceto semente de guaraná na composição do concentrado de guaraná, condição essencial para fruição do beneficio fiscal previsto no dispositivo legal em questão. As matériasprimas de produção regional utilizadas na produção de concentrados para refrigerantes, exceto o concentrado de guaraná, são o açúcar cristal e o álcool, que são produtos industrializados e não matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, assim como relatado no Termo de Encerramento (fl. 288), “Observando a informação da própria empresa Recofarma Fl. 868DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10840.720039/201170 Acórdão n.º 3302001.790 S3C3T2 Fl. 867 27 acima descrita, verificamos que esta utiliza em sua produção produtos intermediários industrializados e não matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. Ou seja, a empresa Recofarma não utiliza diretamente matériasprimas de produção regional em seu processo industrial. Assim sendo, as saídas dos concentrados, de bebidas não alcoólicas, vendidos à empresa fiscalizada não poderiam ser objeto da isenção prevista no inciso III do artigo 82 do RIPI/2002.” Concluise que a impugnante, nas aquisições de concentrados adquiridos com isenção, não tem autorização legal para creditarse do IPI como devido fosse.” – destaquei. Claro está que o v. acórdão recorrido entendeu que (i) os atos administrativos apresentados pela Recorrente (especialmente a Resolução nº 387/1993) não eram suficientes para comprovar que o produto da RECOFARMA estava isento nos termos do artigo 82 do RIPI/02, que a empresa não possuía o benefício fiscal do art. 6º do DecretoLei nº 1.435/1975. Ainda, ao voto condutor da decisão citada (ii) somou a interpretação de que a empresa RECOFARMA não utiliza matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exceto semente de guaraná na composição do concentrado de guaraná, faltando com condição essencial para fruição do beneficio fiscal previsto no dispositivo legal em questão. No que se refere à Resolução nº 387/19935, a decisão recorrida afirma que não houve vinculação ao benefício previsto no artigo 6º do DecretoLei n° 1.435/1975 e o Parecer Técnico nº 35/97 não poderia, per si, fazer esta vinculação, porque não consiste ato decisório. Com razão a autoridade administrativa quando diz que o Parecer Técnico, sozinho, não tem o condão de conceder o benefício de isenção6. Todavia, in casu, a autoridade administrativa técnica competente aprovou o parecer, postando seu DE ACORDO (fls. 347) com os termos do parecerista. Neste aspecto, vale lembrar que o artigo 50 da Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, define que, nos casos em que a decisão da autoridade seja baseada em anterior parecer, os fundamentos deste se integram à motivação do ato, verbis: 5 Trecho da Resolução nº 387/1993 “Resolve: I APROVAR o projeto Industrial de atualização da empresa RECOFARMA DO AMAZONAS LTDA., na Zona Franca de Manaus, na forma do Parecer Técnico nº 88/93 SAP/DEPRO, para a produção de concentrado e base para bebida, educorante e corante caramelo concentrado, concedendolhe, pelo prazo estabelecido no art. 40 dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição de 1988, os benefícios fiscais no DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, regulamentado pelo Decreto nº 61.244, de 28 de agosto de 1967, alterado pelo Decretolei nº 1.435 de 16 de dezembro de 1975, com a nova redação dada pela Lei nº 8.387, de 30 de dezembro de 1991, e legislação complementar pertinente; (...)” 6 De acordo com Hely Lopes Meirelles (Direito Administrativo Brasileiro, Malheiros Editores, 29ª Edição, ano 2004): "Pareceres administrativos são manifestações de órgãos técnicos sobre assuntos submetidos à sua consideração. O parecer tem caráter meramente opinativo, não vinculando a Administração ou os particulares à sua motivação ou conclusões, salvo se aprovado por ato subsequente. Já então, o que subsiste como ato administrativo não é o parecer, mas sim, o ato de sua aprovação, que póderá revestir a modalidade normativa, ordinatória, negocial, punitiva." Fl. 869DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10840.720039/201170 Acórdão n.º 3302001.790 S3C3T2 Fl. 868 28 “CAPÍTULO XII DA MOTIVAÇÃO Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V decidam recursos administrativos; VI decorram de reexame de ofício; VII deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo. § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. § 2o Na solução de vários assuntos da mesma natureza, pode ser utilizado meio mecânico que reproduza os fundamentos das decisões, desde que não prejudique direito ou garantia dos interessados. § 3o A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata ou de termo escrito.” – destaquei. Neste contexto, o Parecer 035/97, não pode ser desconsiderado por ter constituído a motivação do ato administrativo do Diretor da Depro. Ademais, a Declaração da Secretaria Especial de Políticas Regionais da SUFRAMA7 (fls. 342/343), ao contrário do afirmado no decisum, além de reiterar os termos da 7 “DECLARAMOS, para os devidos fins, atendendo requerimento da interessada sob protocolo nº 01229/95, que a empresa RECOFARMA INDUSTRIA DO AMAZONAS LTDA., obteve aprovação através da Resolução nº 387/93 – CAS, de 03 de novembro de 1993, para a fabricação dos produtos concentrado e base para bebida, edulcorante e corante caramel concentrado, estando obrigada a tender o processo produtivo básico constante do item III. 20 do Parecer Tecnico N° 088/93 SAP/DEPRO conforme o exigido no item IV da citada Resolucao. (...) Por fim, ressalvase que a Resolução n° 387/93CAS, concedeu à empresa o gozo dos beneficios fiscais previstos, entre outros, pelo DecretoLei N° 1 435. de16 de dezembro de 1975.” Fl. 870DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10840.720039/201170 Acórdão n.º 3302001.790 S3C3T2 Fl. 869 29 Resolução nº 387/1993, registrou expressamente a concessão ao benefício previsto no artigo 6º do DecretoLei n° 1.435/1975. Sem mencionar que a competência para cassar o ato é daquele que o proferiu, os auditores da Receita Federal não podem cassar ato concessório da SUFRAMA. Necessário registrar que não consta qualquer apontamento nos autos no sentido de que a RECOFARMA perdeu o incentivo fiscal da Zona Franca de Manaus, bem assim não há menção a qualquer espécie de impropriedade em relação aos certificados das autoridades competentes. Ademais, constatada qualquer irregularidade, a fiscalização deveria desencadear o procedimento administrativo próprio para culminar na cassação do incentivo fiscal da RECOFARMA. Repisese, nos autos não consta informação neste sentido. Para utilizar o benefício do crédito de IPI, a Recorrente apenas tem que adquirir produtos de empresas que estão na ZFM e possuem os Atos Concessórios do benefício fiscal, não tem a obrigação legal de fiscalizar as empresas de quem adquirem os insumos e menos ainda, de realizar à auditoria de produção (para saber acerca da utilização dos insumos como matéria prima, e não produtos intermediários) ou controle de cumprimento dos requisitos da SUFRAMA. Os atos concessórios da SUFRAMA são documentos públicos expedidos que contam com presunção de veracidade e devem ser desta forma considerados, sob pena de estar se negando fé a documentos públicos, o que por si só atenta contra a Constituição Federal/888. Assim, da análise que faço dos documentos apresentados, pareceme que o órgão competente para concessão e fiscalização do regime de incentivo – SUFRAMA – conferiu tratamento beneficiado para a empresa RECOFARMA. O segundo item indicado pela decisão recorrida como faltante qual seja, o cumprimento da condição, pela empresa RECOFARMA, de utilizar matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, não intermediárias, data vênia não pode ser considerado. Percebo que este é o principal fundamento do auto de infração, mas, neste particular deparome com um empecilho a meu sentir intransponível. Como é possível, no processo de fiscalização da Recorrente, fiscalizar terceiro (RECOFARMA) e desconsiderar benefício que lhe foi regularmente concedido (ao terceiro) pelo órgão competente por questões atinentes ao seu processo produtivo (do terceiro)? Não vejo meios, porque o terceiro não está sendo fiscalizado. Do autos depreendese que a RECOFARMA prestou informações, mas não foi fiscalizada por desobedecer os Atos Concessórios da Suframa, e isto não ocorreu provavelmente porque esta fiscalização não é de competência da Receita Federal. 8 “Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencionálos, embaraçarlhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público; II recusar fé aos documentos públicos; III criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si.” Fl. 871DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10840.720039/201170 Acórdão n.º 3302001.790 S3C3T2 Fl. 870 30 De acordo com a fiscalização a RECOFARMA utiliza insumos da Amazônia, mas como produtos intermediários, não como matéria prima. E utiliza outros insumos, que possuem origem diversa, como matéria prima. Este fato é perceptível da própria Resolução 387/93, que em seu inciso II referese à redução da alíquota para insumos estrangeiros. Esta especificidade seria suficiente para a não aplicação, para o não reconhecimento do benefício? Mas e o suposto cumprimento do Processo Produtivo Básico PPB? Porque ao que consta dos autos, a RECOFARMA está atuando de acordo com o PPB que registrou na SUFRAMA, quer dizer, esta questão, do insumo utilizado em produto intermediário não seria constatado no PPB? A resposta é afirmativa. As questões referentes à produção, aproveitamento de insumos, cumprimento de requisitos para o benefício, são de competência da SUFRAMA e, no caso, atinentes à empresa diversa da fiscalizada . Ao meu sentir, a fiscalização da Recorrente não pode decidir sobre o processo produtivo de terceiro, ou mesmo sobre os requisitos de incentivo deste terceiro. É possível, claro, que ao auditar a Recorrente, as autoridades administrativas percebam a necessidade de fiscalizar a RECOFARMA e então, procedam à esta fiscalização, noticiem a SUFRAMA e a quebra do incentivo pela empresa. Todavia, tudo isso em processo próprio contra a RECOFARMA. A fiscalização da Recorrente pode alcançar apenas os seus procedimentos próprios, discutir acerca de suas obrigações acessórias e principais. Em virtude destes fatos que ouso divergir no nobre colega relator, com as vênias de costume, para o fim de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado pela Recorrente. É como penso. É como voto. (Assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas Declaração de Voto Transcorrido o prazo regimental de 15 (quinze) dias do julgamento, a Conselheira Maria Conceição Arnaldo Jacó não apresentou sua declaração de voto, razão pela qual o acórdão foi formalizado sem a referida declaração de voto, conforme autoriza os §§ 7º e 8º, do art. 63, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256/09, com alteração da Portaria MF nº 586/10) Fl. 872DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/06/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 35564.000121/2006-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias.
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998.
Ementa: DECADÊNCIA. TOMADOR DE SERVIÇO. CESSÃO DE MÃO
DE OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ARBITRAMENTO.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou
inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo,
portanto, ser aplicadas as regras de decadência estabelecidas no Código
Tributário Nacional.
No presente caso, todo o lançamento fiscal foi alcançado pela decadência
quinquenal, tanto pela regra estabelecida no art. 150, §4º do CTN, quanto
pela disposição do art. 173, inciso I, do mesmo Codex.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-002.025
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Empresas em Geral Recorrente TELECOMUNICAÇÕES DE SÃO PAULO S/A TELESP Recorrida DRP EM SÃO PAULO SP Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias. Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998. Ementa: DECADÊNCIA. TOMADOR DE SERVIÇO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ARBITRAMENTO. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras de decadência estabelecidas no Código Tributário Nacional. No presente caso, todo o lançamento fiscal foi alcançado pela decadência quinquenal, tanto pela regra estabelecida no art. 150, §4º do CTN, quanto pela disposição do art. 173, inciso I, do mesmo Codex. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/06 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/06 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35564.000121/200654 Acórdão n.º 2301002.025 S2C3T1 Fl. 3.703 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa TELECOMUNICAÇÕES DE SÃO PAULO SA TELESP contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte o lançamento relativo a “contribuições devidas à Seguridade Social, decorrentes da apuração de responsabilidade solidária em SERVIÇOS DE VIGILÂNCIA E SEGURANÇA, prestados mediante cessão de mãodeobra, correspondentes à parte dos empregados, à parte da empresa e ao financiamento da complementação das prestações por acidentes do trabalho (SAT) / financiamento da aposentadoria especial e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GIILRAT).” (fl. 737), no período de janeiro de 1997 a dezembro de 1998. 2. A ementa da decisão de primeira instância restou vazada nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1998 NFLD DEBCAD n° 35.799.2687 Responsabilidade Solidária na contratação de serviços mediante cessão de mão de obra de empresas executoras de serviços de Vigilância e Segurança Não elisão da solidariedade por ausência de comprovação dos recolhimentos específicos pelo executor, representados por Guias de Recolhimento e Folhas de Pagamento vinculadas às Notas Fiscais ou Faturas, nos termos do art. 31, parágrafos 1° ao 4°, da Lei 8.212/91, com as alterações constantes das Leis 9.032/95, 9.129/95 e 9.528/97. Aferição Indireta Face recusa ou apresentação deficiente de documentos a fiscalização promoverá o lançamento de ofício por arbitramento, inscrevendo as importâncias que reputar devidas, conforme respaldo no art. 33, § 3° da Lei 8.212/91, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Decadência de Contribuições Previdenciárias. O prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias é de 10 anos, na forma do art. 45 da Lei 8.212/91. Juros Moratórios SELIC O Código Tributário Nacional autoriza a fixação de percentual de juros de mora diverso daquele previsto no § 1° do art. 161. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/06 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Alegações de Inconstitucionalidade. As alegações de inconstitucional idade são de competência exclusiva do Poder Judiciário. Lançamento Procedente” 3. Em suas razões recursais, o contribuinte, ao combater o decisum, trouxe os seguintes argumentos: a) preliminarmente, que o prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 5 anos nos termos do artigo 173, I do Código Tributário Nacional; b) ainda em sede preliminar, defende a nulidade do lançamento fiscal haja vista ilegalidade na exigência de guarda e manutenção dos documentos relativos a período anterior a privatização da recorrente; aprovação de suas contas perante Tribunal de Contas da União (TCU) conforme certidão exarada pelo órgão; impossibilidade do lançamento ser realizado através da aferição indireta, dada a sua regularidade contábil e apresentação das empresas contratadas; cerceamento do direito de defesa por não ter sido intimada a se manifestar sobre o resultado da diligencia fiscal ocorrida antes da decisão notificação e ausência de intimação das empresas prestadoras de serviços para se manifestarem nos autos; erro quanto a lista dos corresponsáveis devendo ser retificada; c) pleiteia, do mesmo modo, que “não sendo decretada a nulidade do lançamento, requer a Recorrente, que a NFLD em questão seja declarada insubsistente, com o seu consequente cancelamento, diante da impossibilidade da utilização da aferição indireta com base no saldo da sub conta intitulada "Vigilância e Segurança" (n° 311.39.610), diante da indicação de todas as empresas contratadas pela Recorrente durante o período da ação fiscal.”; d) no mérito, contesta o débito sob a alegação de que o fisco não comprovou a existência de cessão de mão obra referente ao serviço de segurança; acrescenta ainda que, de acordo com o parágrafo único, do artigo 145, da IN n° 3/2005, os serviços vigilância ou segurança, prestados mediante monitoramento eletrônico, não estão sujeitos à retenção de 11%, a titulo de contribuição previdenciária; além do mais a fiscalização deveria ter averiguado a forma pela qual os serviços de vigilância/segurança foram prestados, uma vez que as empresas prestadoras de serviços são as verdadeiras contribuintes da exação previdenciária em discussão, e não a recorrente; e) comprovação de regularidade previdenciária das empresas prestadoras de serviços; f) inaplicabilidade da taxa Selic aos créditos tributários, uma vez que a referida taxa não teria sido criada para fins tributários. 4. O fisco, embora ciente do recurso protocolado tempestivamente pelo contribuinte não apresentou suas contrarrazões, sendo os autos encaminhados a este Conselho. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/06 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35564.000121/200654 Acórdão n.º 2301002.025 S2C3T1 Fl. 3.704 5 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, tendo em vista que atende aos pressupostos legais de admissibilidade. DECADÊNCIA 2. Conforme alegação da empresa recorrente, o prazo decadencial para o fisco constituir o crédito tributário é de cinco anos nos termos do artigo 173, I, do CTN. 3. E no que se refere a esse instituto, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade de votos, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08, nos seguintes termos: “Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 4. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Fl. 5DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/06 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 5. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. 6. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplica ao caso concreto. Compulsando os autos, constatase que independentemente das regras dos artigos 173, inciso I ou 150, §4º, encontramse decaídas as parcelas ora discutidas. 7. Assim sendo, tendo sido cientificado o recorrente do lançamento fiscal em 20/12/2005 referente às contribuições do período de 01/01/1997 a 31/12/1998, fica alcançado pela decadência quinquenal o lançamento fiscal em sua totalidade. 8. Em razão do exposto, acato a preliminar de decadência para dar provimento ao recurso interposto. CONCLUSÃO 9. Assim, conheço do recurso voluntário e doulhe PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 6DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/06 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35564.000121/200654 Acórdão n.º 2301002.025 S2C3T1 Fl. 3.705 7 Fl. 7DF CARF MF Impresso em 23/09/2011 por APARECIDA DA SILVA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/06 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/06/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 12448.730504/2011-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007
PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
Prescinde de perícia a verificação de quesitos examinados durante o procedimento fiscal e consignado em relatório do lançamento.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS.
Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a titulo de participação nos lucros e resultados da empresa, quando descumprida regra para distribuição do benefício fixada no próprio instrumento de negociação.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado que dava provimento.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007 PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Prescinde de perícia a verificação de quesitos examinados durante o procedimento fiscal e consignado em relatório do lançamento. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a titulo de participação nos lucros e resultados da empresa, quando descumprida regra para distribuição do benefício fixada no próprio instrumento de negociação. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado que dava provimento. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
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INDEFERIMENTO. Prescinde de perícia a verificação de quesitos examinados durante o procedimento fiscal e consignado em relatório do lançamento. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a titulo de participação nos lucros e resultados da empresa, quando descumprida regra para distribuição do benefício fixada no próprio instrumento de negociação. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 05 04 /2 01 1- 49 Fl. 523DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado que dava provimento. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12448.730504/201149 Acórdão n.º 2402003.592 S2C4T2 Fl. 524 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal de 05/08/2011 de contribuições previdenciárias sobre participação nos lucros e resultados da empresa. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO LEGAL. Tratandose de parcela cuja nãoincidência esteja condicionada ao cumprimento de requisitos previstos na legislação previdenciária, o pagamento em desacordo com a legislação de regência se sujeita à tributação. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis e atos normativos é prerrogativa do Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pela Administração Pública. PRODUÇÃO DE PROVAS. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. O momento para a produção de provas, no processo administrativo, é juntamente com a impugnação. Indeferemse os pedidos de perícia quando esta se revelar desnecessária. MULTA. RETROATIVIDADE NORMA BENIGNA. O cálculo para aplicação da norma mais benéfica ao contribuinte deverá ser efetuado na data da quitação do débito, comparandose a legislação vigente à época da infração com os termos da Lei nº 11.941/2009. ... 11. Consoante o item 14 do Relatório Fiscal (fls. 153), os valores pagos não resultaram de negociação clara e entre empresa e empregados. Os “Planos de Participação nos Resultados” apresentados não trazem metas, resultados ou prazos pactuados previamente pois o documento foi assinado em 12 de dezembro de 2007, 19 dias antes do encerramento do período ao qual as metas ou resultados deveriam corresponder. ... Considerando que a negociação do PLR de 2007 somente terminou em 12 de dezembro de 2007 (data de assinatura do anexo PLR) e que a intenção das partes era a realização do pagamento ainda no ano de 2007, tanto a Aliansce como a Comissão de representantes dos Empregados optaram por não Fl. 525DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 realizar a avaliação individual, permanecendo, neste contexto, como fato gerador para o pagamento da PLR, o EBITDA/LAJIDA Earnings before Interests, Taxes, depreciations and Amortizations/Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (i.é., receita antes de juros, impostos, depreciações e amortizações, ou simplesmente ganhos operacionais). Os principais motivos para a incidência da contribuição foram a assinatura do acordo ao final do exercício de apuração e a não realização pela empresa da avaliação individual prevista no acordo que complementaria a avaliação geral com base no EBITDA. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação e, ainda, requer a realização de perícia: 3.1. A total improcedência do Auto de Infração impugnado, tendo em vista que o Acordo celebrado entre a IMPUGNANTE, seus empregados e o sindicato da categoria atende integralmente as disposições da Lei n° 10.101/2000; 3.2. Que em cumprimento às disposições legais a IMPUGNANTE celebrou em 12/12/2007 o Acordo Coletivo de Trabalho para Implementação de Plano de Participação nos Resultados, estabelecendo de modo claro e preciso a forma de participação de seus empregados nos lucros ou resultados da empresa. 3.3. Que o referido Acordo Coletivo de Trabalho para Implementação de Plano de Participação nos Resultados, atende todos os requisitos exigidos na Lei n 10.101/2000; 3.4. Que no encerramento do anocalendário de 2007 a IMPUGNANTE apurou lucro, conforme atesta o respectivo Balanço Patrimonial (cópia inclusa). Nessas condições, e em obediência aos critérios estabelecidos no "Acordo Coletivo de Trabalho para Implementação de Plano de Participação nos Resultados" em tela, formalizado dentro das condições da Lei nº 10.101/2000, a IMPUGNANTE pagou em dezembro/2007 a seus empregados os valores devidos a título de PLR a que os mesmos faziam jus; 3.5. Que a Fiscalização entendeu equivocadamente que os referidos pagamentos supostamente teriam "caráter salarial" e que sobre os mesmos deveria incidir a contribuição previdenciária; 3.6. Que a Lei n 10.101/2000, que dispõe sobre a PLR, não estabelece nenhum prazo, quer mínimo quer máximo, para a celebração do instrumento de acordo entre o empregador, o sindicato e os empregados. Obviamente, a única exigência lógica seria a de que o Acordo seja formalizado antes do pagamento da PLR, conforme ocorreu no caso em tela; 3.7. Que, sem prejuízo da improcedência do Auto de Infração tendo em vista que foram obedecidas todas as disposições da Lei n 10.101/2000, deve tembém ser reconhecida a inconstitucionalidade da exigência de contribuição Fl. 526DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12448.730504/201149 Acórdão n.º 2402003.592 S2C4T2 Fl. 525 5 previdenciária sobre os pagamentos realizados pela IMPUGNANTE a seus empregados a título de PLR; 3.8. Se a PLR está excluída do conceito de remuneração, por óbvio que a contribuição social de que trata o art. 195, I, a da CF incidente sobre a "folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício", não poderá levar em conta aquela PLR na definição do fato gerador da contribuição previdenciária; 3.9. No caso sob exame, o legislador constituinte, objetivando incentivar as empresas a repartirem seus lucros ou resultados com os seus empregados, promovendo a 'socialização dos lucros' como meio de alcançar o justo equilíbrio entre o capital e o trabalho, prescreveu no inciso XI do art. 7º da Carta Política, que a PLR fica desvinculada da remuneração; 3.10. Desse modo, a PLR está desvinculada da remuneração por força de dispositivo constitucional, de modo que é inconstitucional a exigência de contribuição previdenciária sobre a PLR paga pela empresa a seus empregados; 3.11. Com arrimo no art. 18 do Decreto n° 70.235/1972, a IMPUGNANTE requer a realização de perícia, destinada a comprovar a veracidade das alegações e dos elementos materiais aduzidos na Impugnação. Para os fins do inciso IV do art. 16 do citado decreto, formula os quesitos e indica o perito; É o Relatório. Fl. 527DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Perícia Verifico que os quesitos apresentados para a realização de perícia já foram examinados durante o procedimento fiscal, do que cabe a recorrente em suas peças recursais exercer sua defesa, trazendo aos autos as provas que reputa necessárias para contraditar as afirmações da fiscalização. Tal como proposta, a perícia teria mais a finalidade de substituir o recorrente na produção de provas que lhe cabe no processo administrativo tributário. Caso, de fato, reputasse necessária uma perícia contábil, caberlheia juntála aos autos ao invés de provocar a administração tributária que a produza quando já fora feito nos autos. Por entendêla desnecessária, rejeito o pedido de perícia. Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12448.730504/201149 Acórdão n.º 2402003.592 S2C4T2 Fl. 526 7 O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados e tão pouco se faz necessária a realização de diligência ou perícia, já que os autos estão devidamente instruídos para exame e julgamento: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No mérito Participação nos lucros e resultados A participação do trabalhador nos lucros e resultados da empresa é um marco histórico dos direitos trabalhistas. Com todas as conquistas: saláriomínimo, limitação da jornada de trabalho, proteção contra a demissão sem justa causa, férias, descanso semanal remunerado, apenas para mencionar algumas, ainda assim capital e trabalho se opunham, um ao outro, como realidades inconciliáveis. Foi com a Constituição Federal que se abriu a possibilidade de o trabalhador auferir parte do resultado de sua força laboral entregue à empresa. No artigo 7º, Inciso XI, junto com outros direitos sociais do trabalhador está a participação nos lucros ou resultados, desvinculada da remuneração; portanto, tratase imunidade tributária: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Fl. 529DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Entretanto, apenas com a Medida Provisória nº 794, de 22/12/94, convertida na Lei nº 10.101, de 19/12/2000, a matéria foi regulamentada: Art.1oEsta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. a) Finalidades: integração entre capital e trabalho; e ganho de produtividade. Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. b) Negociação entre empresa e empregados, através de acordo coletivo ou comissão de trabalhadores. No instrumento de negociação devem constar, com clareza e objetividade, as condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direitos substantivos). Entre outros, podem ser considerados como critérios ou condições: produtividade, qualidade, lucratividade, programas de metas e resultados mantidos pela empresa. Vêse que no instrumento de negociação deve constar o que dispõe o artigo 2°, §1° e, no caso dos critérios para se fazer jus ao benefício, o legislador cuidou apenas de exemplificá los. Como se constata pelas disposições acima, a regulamentação é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros se efetive. Não há regras detalhadas na lei sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivos obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e Fl. 530DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12448.730504/201149 Acórdão n.º 2402003.592 S2C4T2 Fl. 527 9 condições possam ser aferidos. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: a empresa ganha em aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com sua participação nos lucros. Nesse sentido, o artigo 2º, §1º, I da lei possibilita inclusive que a condição para a participação nos lucros ou resultados seja apenas o aumento da lucratividade da empresa. Comprovandose no Demonstrativo de Resultados do Exercício Financeiro que foi alcançada esta meta, que existe acordo coletivo ou comissão de trabalhadores e que a distribuição não é inferior a um semestre civil a participação nos lucros é regular. Não há nenhuma restrição na lei para que assim proceda a empresa. E nem poderia a autoridade fiscal criálas no caso concreto, sob pena de violação do Princípio da Legalidade, artigo 37, “caput” da Constituição Federal. Quanto aos mecanismos de aferição das informações para fins de comprovação do cumprimento dos critérios para a participação, não há qualquer previsão na lei no sentido de se exigir metas individualizadas para os trabalhadores. E nem poderia. Caso adote o aumento da lucratividade da empresa ou o alcance de outras metas organizacionais, critérios esses exemplificados na lei, não vejo como se exigir a aferição da contribuição de cada trabalhador para o cumprimento dessas metas. Como se poderia aferir a parcela do lucro de uma empresa de grande porte atribuída individualmente a um trabalhador da linha de produção? E mais. A exigência por parte da fiscalização de metas individualizadas vai de encontro ao que se procurou evitar na regulamentação da participação nos resultados e lucros – PLR, que é afastálo do conceito de salário. Caso se exigisse do segurado empregado o cumprimento de metas individuais para a percepção do benefício, flagrantemente, caracterizaria um prêmio, gratificação, e como tal parcela remuneratória. Porém, caso seja fixada como meta alguma avaliação do empregado, essa regra deverá ser cumprida. Em razão de tudo aqui exposto, vêse que prevalece a livre negociação para a participação nos lucros ou resultados. Porém, é possível que esse importante direito trabalhista seja malversado em prejuízo dos próprios trabalhadores e do fisco. Comprovando a autoridade fiscal dissimulação do pagamento de salários com participação nos lucros, deverá aplicar o Princípio da Verdade Material para considerar os valores pagos integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, preocupouse o legislador com essa possibilidade de se desvirtuar a finalidade da lei e se utilizar a participação nos lucros e resultados da empresa para a sonegação de contribuições sociais: Art.3oA participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. ... §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. No caso, a fiscalização, na análise dos documentos da empresa que sustentam o pagamento do benefício, verificou que, embora a avaliação individual seja um dos critérios Fl. 531DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 para verificação do cumprimento de metas, não foi realizada para o pagamento do benefício. De fato, prevalece a autonomia entre empresa e empregados para a estipulação de regras que deverão ser cumpridas pelas partes para que, de um lado o empregado faça jus ao benefício e de outro o empregador se desonere da obrigação tributária. Embora também tenha sido fixado como critério para distribuição do benefício a empresa ter gerado EBITDA, não houve fixação de uma meta em relação a esse critério geral como, por exemplo, um aumento do EBITDA em relação aos exercícios anteriores. Não deve ser considerada uma meta apenas a apuração de resultado. O cumprimento da meta seria alcançar um índice ou proporção de alguma base que tenha relação com o resultado da empresa. Verificase que a Lei nº 10.101/2000 exemplifica como critérios e condições a fixação de índices. Apenas possuir lucro não é meta, mas a condição básica para existência de um PLR; do contrário,o que se estaria distribuindo se não houve resultado ou lucro? Por essa razão é que venho sustentando em votos anteriores que é possível a fixação de meta apenas no aumento da lucratividade da empresa. Lei nº 10.101/2000: §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Em razão dos fundamentos adotados, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 532DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 19679.007259/2003-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sat Jun 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1998
Ementa:LANÇAMENTO DA CSLL SOBRE A BASE ESTIMADA APÓS O ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. INADMISSIBILIDADE.
A sistemática de tributação da CSLL sobre a base ajustada anual, disciplinada pela Lei nº 9.430/96, determina que, após o encerramento do período em curso, a constatação de falta recolhimento das contribuições sobre as bases estimadas ensejam apenas o lançamento da multa isolada, a qual, à época, encontrava fundamento no § 1º, V, do art. 44 da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 1302-001.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator.
EDITADO EM: 16/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Márcio Rodrigo Frizzo, Alberto Pinto Souza. Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Luiz Tadeu Matosinho.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1998 Ementa:LANÇAMENTO DA CSLL SOBRE A BASE ESTIMADA APÓS O ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. INADMISSIBILIDADE. A sistemática de tributação da CSLL sobre a base ajustada anual, disciplinada pela Lei nº 9.430/96, determina que, após o encerramento do período em curso, a constatação de falta recolhimento das contribuições sobre as bases estimadas ensejam apenas o lançamento da multa isolada, a qual, à época, encontrava fundamento no § 1º, V, do art. 44 da Lei nº 9.430/96.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. EDUARDO DE ANDRADE - Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator. EDITADO EM: 16/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Márcio Rodrigo Frizzo, Alberto Pinto Souza. Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Luiz Tadeu Matosinho.
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INADMISSIBILIDADE. A sistemática de tributação da CSLL sobre a base ajustada anual, disciplinada pela Lei nº 9.430/96, determina que, após o encerramento do período em curso, a constatação de falta recolhimento das contribuições sobre as bases estimadas ensejam apenas o lançamento da multa isolada, a qual, à época, encontrava fundamento no § 1º, V, do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. EDUARDO DE ANDRADE Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. EDITADO EM: 16/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Márcio Rodrigo Frizzo, Alberto Pinto Souza. Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Luiz Tadeu Matosinho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 72 59 /2 00 3- 98 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Versa o presente processo sobre recurso ofício em face do Acórdão n˚ 1638.638 da 4ª Turma da DRJ/SP1, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1998 AUTO DE INFRAÇÃO POR FALTA DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. AUDITORIA INTERNA DE DCTF. LUCRO REAL ANUAL. INADMISSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO DE VALORES ESTIMADOS, APÓS ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO FINANCEIRO CORRESPONDENTE. Configurado que a pessoa jurídica sujeitase à tributação com base no Lucro Real anual em face de manifesta opção pela feitura de recolhimentos mensais amparados em base imponível estimada, descabe a manutenção dos efeitos da autuação da estimativa mensal de imposto de renda declarado e não pago pelo contribuinte até o encerramento do exercício financeiro competente, sendo aplicável, nestas hipóteses, a adoção das medidas administrativas norteadas pelos termos do art. 15 e 16 da Instrução Normativa SRF nº 93, de 24/12/1997. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado A contribuinte, devidamente intimada da decisão, não apresentou contrarrazões. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior O recurso de ofício atende o disposto no art. 34, I, do Decreto nº 70.235/72 c/c a Portaria MF nº 03/2008, razão pela qual dele conheço. No mérito, nego provimento ao recurso de ofício, pois a sistemática de tributação da CSLL sobre a base ajustada anual,, disciplinada pela Lei nº 9.430/96, determina que, após o encerramento do período em curso, a constatação de falta recolhimento das contribuições sobre as bases estimadas ensejam apenas o lançamento da multa isolada, a qual, à época, encontrava fundamento no § 1º, V, do art. 44 da Lei nº 9.430/96. No âmbito deste Colegiado, a questão ficou pacificada com a publicação da Súmula CARF nº 82, cujo verbete assim dispõe: “Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas.”. Há expressa indicação, no auto de infração a fls. 20, de que foi lançada a multa proporcional com fundamento no § 1º, I, do art. 44 da Lei nº 9.430/96, a qual só subsiste se mantido o tributo sobre o qual incide. Dessa forma, uma vez indevida a cobrança da CSLL Fl. 82DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19679.007259/200398 Acórdão n.º 1302001.066 S1C3T2 Fl. 82 3 sobre a base estimada no presente caso, deve ser a contribuinte também exonerada da multa de ofício lançada. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 83DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10882.000607/2002-35
Turma: Terceira Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1992 a 31/07/1998
PIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-000593
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Carlos Alberto Freitas Barreto
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10882.000607/2002-35 Recurso n° 233.416 Especial do Procurador Acórdão n° 9303-00.593 – 3' Turma Sessão de 2 de fevereiro de 2010 Matéria PIS - Restituição/compensação - Termo inicial do prazo de prescrição Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado POLETTI DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1992 a 31/07/1998 PIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ,— Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator EDITADO EM: 29/03/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Tones, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Assinado digitalmente em 19105/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 1 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 2 Relatório Trata-se de pedido de Restituição/Compensação de indébitos pertinentes a tributo supostamente pago a maior que o devido. A questão que se apresenta a debate cinge-se ao termo inicial para o sujeito passivo postular a repetição do alegado indébito. O julgamento deste recurso tem como paradigma o do Recursos n° 227.494, julgados na sessão imediatamente anterior a esta, sendo-lhe aplicada a mesma tese daquele julgado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n°256, de 22 de junho de 2009. Em apertada síntese, este é o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O recurso merece ser conhecido por ser tempestivo e atender aos pressupostos de admissibilidade previstos no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A teor do relatado, a questão devolvida a este Colegiado cinge-se a do termo inicial do prazo extintivo para repetição de indébito de tributos pagos a maior do que o devido. Nos termos do § 2°, in fine, do art. 47 do Anexo H do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, adoto a tese do julgamento do Recurso n° 227.494, paradigma para o caso em discussão. A Câmara recorrida afastou a prescrição e determinou o retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instância para que fossem julgadas as demais questões de mérito. • O representante da Fazenda Nacional pede o restabelecimento da decisão de primeira instância, por entender que o termo de início da contagem da prescrição para repetição de indébito é a extinção do crédito pelo pagamento, nos termos do art. 168, inc. 1, do C7'N. De imediato, passemos à controvérsia sobre a prescrição do direito pleiteado. Antes, porém, devo registrar que na elaboração deste voto, socorri-me dos conhecimentos do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, a quem, desde já agradeço pelos relevantes argumentos sobre a matéria, e peço licença para mais adiante, transcrever excerto do voto por ele proferido no julgamento do Recurso Voluntário n° 133.010, na Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. É de bom alvitre esclarecer que, muito embora existam divergências doutrinárias quanto à natureza do prazo para repetição do indébito — se decadencial ou prescricional —para o deslinde da matéria em apreço, esse questionamento não Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 2 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 3 Processo n° 10882.000607/2002-35 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.593 Fl. 160 apresenta qualquer relevância, razão pela qual não será aqui abordado. Até o advento da Lei Comp. lementar n° 118, de 10 de fevereiro de 2005, a maioria esmagadora da doutrina e da jurisprudência de nossos tribunais, abalizadas em posicionamento consolidado no STJ, entendia que o critério correto para se contar o prazo prescricional de repetição de indébito era o da tese dos "cinco mais cinco anos". Como é de todos sabido, a premissa dessa tese consistia em assumir que a extinção do crédito tributário só se daria quando da homologação do lançamento, fosse ela tácita ou expressa. Como o prazo para homologação é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme art. 150, ,¢ 4 0, do Código Tributário Nacional, no caso da homologação tácita, somente após o decurso dos cinco anos se iniciaria o prazo prescricional para a postulação da restituição do valor indevidamente recolhido. Todavia, essa apascentada jurisprudência foi violentamente atacada com a publicação da Lei Complementar n° 118, em 10 de fevereiro de 2005. Predita lei, além de adaptar o Código• Tributário Nacional à nova legislação falimentar, pretendeu reverter esse entendimento sobre a interpretação do inciso I do art. 168 do CT1V, para tanto, em seu artigo 3°, assim dispôs: Art. 3° Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1° do art 150 da referida Lei. Ora, com esse dispositivo, ressurge no ordenamento jurídico contemporâneo de nosso País a interpretação autêntica. Tal dispositivo recebeu duras críticas da doutrina e, sobretudo, do STJ, que viu o entendimento, até então dominante nessa Corte guardiã da legislação federal, ser alterado por via legislativa direta. O escopo dessa lei era restabelecer o entendimento, que vigia no STF quando a Corte Maior detinha a função de tutor da legislação federal, segundo o qual a contagem do prazo prescricional para repetição de indébito, no caso de lançamento por homologação, se iniciaria a partir da data do pagamento. Apesar das críticas de abalizada doutrina, como por exemplo, Carlos Maximiliano, para quem o mecanismo por meio do qual o Legislador, de forma transversa, pretende substituir-se às funções do Juiz, vige no Supremo Tribunal Federal a concepção de que, em tese, a lei interpretativa é válida, desde que esta seja proveniente da mesma fonte legislativa do ato primitivo interpretado; que tenha a mesma hierarquia jurídica do comando jurídico originário; e que seus efeitos não prejudiquem o direito adquirido, a coisa julgada e o ato jurídico perfeito. Assinado dtalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 3Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 4 A partir dessa lei, a questão, então, passou a ser a data a partir de quando se espraiem os efeitos da interpretação trazida em seu art. 3°. Se prospectiva ou retroativa. Isso porque o STJ e boa parte da doutrina entenderam que a eficácia operava-se a partir de junho de 2005, enquanto o art. 4° da lei em comento determinou a aplicação retroativa, nos termos seguintes: Art. 4°. Esta lei entra em vigor em 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3°, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966— Código Tributário Nacional. A seu turno, esse dispositivo do CTN tem a seguinte dicção: Art 106. A lei aplica-se ao ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (...) De outro lado, os críticos da Lei Complementar n° 118/2005 alegam que a diretriz interpretativa da novel legislação, na realidade, modificou a força normativa da legislação anterior, ao menos em seu sentido até então, majoritariamente, extraído, por essa razão, a pretensa interpretação nela veiculada há de ser tratada como lei nova, e, como tal, deveria respeitar suas características, inclusive, a dos efeitos prospectivos. Assim, a "interpretação" dada ao art. 168 do CTN pelo art. 3° da novel lei complementar não poderia retroagir para alcançar fatos pretéritos, sob pena de violação dos princípios da não surpresa e da segurança jurídica, já que esse dispositivo legal alterou o entendimento consagrado há mais de uma década pelo STJ Como arrimo dessas críticas, é comum a citação do julgamento da ADIN 605 MC, da relatoria do Ministro Sepúlveda Pertence, onde o STF decidiu: Se, no entanto, a título de lei interpretativa, a segunda lei extrapola da interpretação, é lei nova, que altera a lei antiga, modificando-a ou adicionando-lhe normas inexistentes. E assim há de ser examinada. No âmbito judicial, o Superior Tribunal de Justiça, inicialmente, sem declarar formalmente a inconstitucionalidade do art. 4° dessa lei, decidiu, reiteradamente, por meio de sua 1° Seção, que a Lei Complementar n°118/2005, no tocante ao art. 3°, somente entraria em vigor, em sua integralid. ade, à partir do mês de junho de 2005. Contra esse entendimento insurgiu-se a Fazenda Nacional, que recorreu ao STF. Acolhido o recurso extraordinário apresentado pela Fazenda Nacional, o pleno da corte maior deu provimento ao RE 482.090-1 SP, e determinou que o STJ observasse a reserva de plenário para afastar a aplicação do art. 4° dessa lei complementar. Aqui, peço licença para transcrever excerto do acórdão do STF, por ser emblemático ao deslinde da questão ora submetida a debate. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 4 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 5 Processo te 10882.000607/2002-35 CSRF-T3 Acórdão o.° 9303-00.593 Fl. 161 EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSO CIVIL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ACÓRDÃO QUE AFASTA A INCIDÊNCIA DE NORMA FEDERAL. CAUSA DECIDIDA SOB CRITÉRIOS DIVERSOS ALEGADAMENTE EXTRAÍDOS DA CONSTITUIÇÃO. RESERVA DE PLENÁRIO. ART. 97 DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTÁRIO, PRESCRIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/2005, ARTS. 3° E 4°. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (LEI 5.17211966), ART. 106, L RETROAÇÃO DE NORMA AUTO-INTITULADA INTERPRETATIVA. "Reputa-se declaratório de inconstitucionalidade o acórdão que - embora sem o explicitar - afasta a incidência da norma ordinária pertinente à lide para decidi-la sob critérios diversos alegadamente extraídos da Constituição" (RE 240.096, rel. min. Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, DJ de 21.05.1999). Viola a reserva de Plenário (art. 97 da Constituição) acórdão prolatado por órgão fracionário em que há declaração parcial de inconstitucionalidade, sem amparo em anterior decisão proferida por Órgão Especial ou Plenário. Recurso extraordinário conhecido e provido, para devolver a matéria ao exame do Órgão Fracionário do Superior Tribunal de Justiça. Brasília, 18 de junho de 2008. VOTO O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA - (Relator): Inicialmente, enfatizo que a discussão travada neste recurso extraordinário se limita à argüida necessidade de submissão do exame incidental de inconstitucionalidade do art. 4°, segunda parte, da LC 118/2005 ao Órgão Especial do Superior Tribunal de Justiça, nos termos do art. 97 da Constituição. Não se discute neste recurso extraordinário a constitucionalidade da norma que fixou a validade de uma única interpretação para a contagem do prazo prescricional para a restituição do indébito tributário. Registro também que o e. Superior Tribunal de Justiça, em outro recurso especial e após a submissão deste recurso extraordinário ao conhecimento e julgamento do Pleno, resolveu por submeter questão análoga ao respectivo Órgão Especial, após decisão proferida pelo eminente Ministro Sepúlveda Pertence, nos autos do RE 486.888 {DJ de 31.08.2006). O referido precedente, firmado por ocasião do julgamento da Argüição de Inconstitucionalidade nos Embargos de Divergência no Recurso Especial 644.736 (rel. min. Teori Zavascki, DJ de 27.08.2007), foi assim ementado: "CONSTITUCIONALTRIBUTÁRIaLEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 5Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 6 INDÉBITO, NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LC 118/2005: NATUREZA MODIFICATIVA NÃO SIMPLESMENTE INTERPRETATIVA) DO SEU ARTIGO 3°. INCONSTITUCIONALIDADE DO SEU ART. 4°, NA PARTE QUE DETERMINA A APLICAÇÃO RETROATIVA. 1. Sobre o tema relacionado com a prescrição da ação de repetição de indébito tributário, a jurisprudência do STJ (I a Seção) é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de cinco anos,previsto no art. 168 do CTN, tem inicio, não na datado recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação - expressa ou tácita - do lançamento.Segundo entende o Tribunal, para que o crédito se considere extinto, não basta o pagamento: é indispensável a homologação do lançamento, hipótese de extinção albergada pelo art. 156, VII, do CTN. Assim, somente a partir dessa homologação é que teria início o prazo previsto no art. 168, I. E, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo, na verdade, de dez anos a contar do fato gerador. 2. Esse entendimento, embora não tenha a adesão uniforme da doutrina e nem de todos os juizes, é o que legitimamente define o conteúdo e o sentido das normas que disciplinam a matéria, já que se trata do entendimento emanado do órgão do Poder Judiciário que tem a atribuição constitucional de interpretá-las. 3. O art. 3° da LC 118/2005, a pretexto de interpretar esses mesmos enunciados, conferiu-lhes, na verdade, um sentido e um alcance diferente daquele dado pelo Judiciário. Ainda que defensável a f interpretação' dada, não há como negar que a Lei inovou no plano normativo, pois retirou das disposições interpretadas um dos seus sentidos possíveis, justamente aquele tido como correto pelo STJ, intérprete e guardião da legislação federal. 4. Assim, tratando-se de preceito normativo modificativo, e não simplesmente interpretativo, o art. 3° da LC 118/2005 só pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. 5. O artigo 4°, segunda parte, da LC 118/2005, que determina a aplicação retroativa do seu art. 3 0, para alcançar inclusive fatos passados, ofende o princípio constitucional da autonomia e independência dos poderes (CF, art. 2°) e o da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (CF, art. 5°, XXXVI). 6. Argüição de inconstitucionalidade acolhida." Passo ao exame do recurso. .•• Esta é a redação dada aos arts. 3° e 4o da Lei Complementar 118/2005: "Art. 3° Para efeito de interpretação do inciso Ido art. 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966- Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito Assinado digitalmente em 19/0512010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJi 6 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 7 Processo tf 10882.000607/2002-35 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.593 Fl. 162 a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1° do art. 150 da referida Lei. Art. 4° Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado/ quanto ao art. 3-, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional." Por sua vez, o art. 106, I, do Código Tributário Nacional tem a seguinte redação: "Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados;" Discute-se no recurso extraordinário se o acórdão recorrido violou a reserva de Plenário para declaração de inconstitucionalidade de lei (art. 97 da Constituição) na medida em que deixou de aplicar retroativamente o art. 3° da LC 118/2005, como determinam o art. 4° da mesma lei e o art. 106, I, do Código Tributário Nacional. Passo a examinar, então, a questão de fundo. Os arts. 3° e 4° da Lei Complementar 118/2 005 objetivam estabelecer, com eficácia retroativa, que a prescrição do direito do contribuinte à restituição do indébito tributário pertinente às exações sujeitas ao lançamento por homologação ocorre em cinco anos contados do pagamento antecipado. Na linha do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, interpretado literalmente, a retroatividade de normas meramente interpretativas é irrestrita e, portanto, o disposto no art. 3° da LC 118/2005 também se aplica aos recolhimentos indevidos que se deram antes da publicação da referida lei complementar, independentemente da data de ajuizamento da respectiva ação judicial. Dito de outro modo, o art. 3° e o art. 106, I, do Código tributário Nacional não colocam qualquer limitação ao alcance retroativo da norma que estabelece como o prazo prescricional deverá ser computado. Anteriormente à publicação da LC 118/2005, o Superior Tribunal de Justiça firmara orientação segundo a qual o prazo para restituição do indébito tributário era de cinco anos, contados a partir da homologação do lançamento (art. 156, VII, do CTN), que poderia ser expressa ou tácita. Como o prazo de que dispõe a autoridade fiscal para homologação é de cinco anos (art. 150, §§ 1° e 4°, do CTN), a prescrição do direito à restituição do indébito tributário poderia chegar a dez anos, contados do momento em que ocorria o fato gerador, se houvesse a homologação tácita do lançamento. O art. 3° da LC 118/2005, em um primeiro exame, busca superar o entendimento e firmar uma única possibilidade interpretativa para a contagem do prazo de prescrição de indébito relativo a tributo sujeito ao lançamento por homologação. (Destaquei). Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 7Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 8 Para afastar a aplicação conjunta dos arts. 3° e 4° da Lei 118/2005 e do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, assim limitando a retroação às ações ajuizadas após a entrada em vigência da lei complementar em questão, o acórdão recorrido invocou precedente da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (EREsp 327.043). O mencionado precedente, ainda não publicado, apoia-se no principio constitucional da segurança jurídica, como se lê no registro feito pelo eminente relator do acórdão recorrido. Ministro Luiz Fux: "O acórdão embargado assentou que a Primeira Seção reconsolidou a jurisprudência desta Corte acerca da cognominada tese dos cinco mais cinco para a definição do termo a quo do prazo prescricional das ações de repetição/compensação de valores indevidamente recolhidos a titulo de tributo sujeito a lançamento por homologação, desde que ajuizadas até 09 de junho de 2005 (EREsp 327043/DF, Relator Ministro João Otávio de Noronha, julgado em 27.04.2005)". A Lei Complementar 118/2005 não foi declarada inconstitucional pela Primeira Seção, tendo apenas sido limitada sua incidência às demandas ajuizadas após sua entrada em vigor (09 de junho de 2005), em homenagem, entre outros, ao princípio da segurança jurídica, consoante perfilhado no voto-vista desta relatoria: "a Lei Complementar 118, de 09 de fevereiro de 2005, aplica-se, tão somente, aos fatos geradores pretéritos ainda não submetidos ao crivo judicial, pelo que o novo regramento não é retroativo mercê de interpretativo. E que toda lei interpretativa, como toda lei, não pode retroagir. Outrossim, as lições de outrora coadunam-se com as novas conquistas constitucionais, notadamente a segurança jurídica da qual é corolário a vedação à denominada "surpresa fiscal". Na lúcida percepção dos doutrinadores, "Em todas essas normas, a Constituição Federal dá uma nota de previsibilidade e de proteção de expectativas legitimamente constituídas e que, por isso mesmo, não podem ser frustradas pelo exercício da atividade estatal." (Humberto Ávila in Sistema Constitucional Tributário, 2 O 04, pág. 295 a 300) . (...) À mingua de prequestionamento por impossibilidade jurídica absoluta de engendrá-lo, e considerando que não há inconstitucionalidade nas leis interpretativas como decidiu em recentíssimo pronunciamento o Pretório Excelso, o preconizado na presente sugestão de decisão ao colegiado, sob o prisma institucional, deixa incólume a jurisprudência do Tribunal ao ângulo da máxima tempus regit actum, permite o prosseguimento do julgamento dos feitos de acordo com a jurisprudência reinante, sem invalidar a vontade do legislador através suscitação de incidente de inconstitueionalidade de resultado moroso e duvidoso a afrontar a efetividade da prestação jurisdicional, mantendo higida a norma com eficácia aos fatos pretéritos ainda não sujeitos à apreciação judicial, máxime porque o artigo 106 do CTN é de constitucionalidade induvidosa até então e ensejou a edição da LC 118/2005, constitucionalmente imune de vícios". Ao deixar de aplicar os dispositivos em questão por risco de violação da segurança jurídica (principio constitucional), é inequívoco que o acórdão recorrido declarou-lhes implícita e incidentalmente a inconstitucionalidade parcial. Vale dizer, como observou a Primeira Turma desta Corte por ocasião do Assinado digitalmente em 19105/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/0412010 por CLEUZA TAKAFUJI 8 Emitido em 21105/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 9 Processo n° 10882.000607/2002-35 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.593 Fl. 163 julgamento do RE 24 0.096 (rei. mm . Sepúlveda Pertence, DJ de 21.05.1999), "reputa-se declaratório de inconstitucionalidade o acórdão que - embora sem o explicitar -afasta a incidência da norma ordinária pertinente à lide para decidi-la sob critérios diversos alegadamente extraídos da Constituição". Portanto, ao invocar precedente da Seção, e não do Órgão Especial, para decidir pela inaplicabilidade de norma ordinária federal com base em disposição constitucional, entendo que o acórdão recorrido deixou de observar a necessária reserva de Plenário, nos termos do art, 97 da Constituição. Em sentido semelhante, registro as seguintes passagens do voto proferido pelo eminente Ministro Sepúlveda Pertence, por ocasião do julgamento de recente precedente (RE 544.246, rei. min. Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, Dl de 08.06.2007): "A inaplicação dos dispositivo questionados da LC 118/05 a todos processos pendentes reclamava, pois, a declaração de sua inconstitucionalidade, ainda que parcial. Foi o que fez, na verdade, o acórdão recorrido. Não importa que o precedente invocado da Primeira Seção do Tribunal a quo, EREsp 328043 tenha declarado incidir a lei nova nas ações propostas a partir de sua vigência. O distinguo - dada a irretroatividade irrestrita preceituada nos arts. 3° e 4° da LC 118/05 importou na declaração de inconstitucionalidade parcial deles, malgrado sem redução de texto. Estou, pois, em que, assim decidindo — com fundamento em precedente da Seção e não, do Órgão Especial o acórdão recorrido contrariou efetivamente a norma constitucional da "reserva de plenário", do art. 97 da Lei Fundamental." É como voto. Do exposto, conheço do recurso extraordinário e dou-lhe provimento, para que a matéria seja devolvida ao órgão fracionário do Superior Tribunal de Justiça, para que seja observado o art. 97 da Constituição. Da leitura do acórdão, dúvida não há que, segundo o Supremo Tribunal Federal, qualquer medida no sentido de afastar a aplicação de dispositivo de lei vigente, importa em controle incidental de inconstitucionalidade. Diante desse posicionamento da Corte Maior, o STJ, por sua corte especial, declarou a inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da lei em comento, e, após isso, firmou o entendimento de que o disposto no art. 3 0 da citada lei somente produz efeitos sobre as açã es de repetição que se referirem a indébitos pertinentes a fatos geradores ocorridos a partir de junho de 2005. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 9Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI Emitido em 21105/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 10 Em outro giro, como bem destacou o Ministro Joaquim Barbosa no voto condutor do acórdão transcrito linhas acima, o art. 3 0 da Lei Complementar n° 118/2005 pretendeu superar o entendimento vigente sobre o termo inicial da prescrição e firmar uma única possibilidade interpretativa para a contagem do prazo de prescrição de indébito relativo a tributo sujeito a lançamento por homologação. Agora, se o art. 4°, que determinou a aplicação retroativa da interpretação trazida no art. 3°, padece de vício de inconstitucionalidade, não cabe a este Colegiado isto declarar, como será demonstrado a seguir. Para começar este tema, faremos um breve passeio na história do controle de constitucionalidade. O mundo conhece hoje, no dizer l Cappelletti, dois grandes tipos de sistemas de controle da legitimidade constitucional das leis: O "sistema difuso", isto é, aquele em que o poder de controle pertence a todos os órgãos judiciários de um dado ordenamento jurídico, que os exercitam incidentalmente, na ocasião da decisão das causas de sua competência; e O "sistema concentrado", em que o poder de controle se concentra, ao contrário, em um único órgão judiciário. O primeiro deles, o difuso, é também conhecido como sistema de controle do tipo americano, em razão da percepção equivocada de alguns constitucionalistas de que esse sistema tenha sido inaugurado pelos norte americanos no famoso caso Marbury versus Madison, em 1803. O segundo, o concentrado, também pode ser denominado, agora com razão, de sistema austríaco de controle, ou ainda como sistema europeu, porquanto foi inaugurado na Constituição da Áustria de ]0 de outubro de 1920, redigida com base em projeto elaborado pelo Mestre da Escola Jurídica de Viena, o grande Hans Kelsen. No Brasil, até a promulgação da Constituição da República de 1891, não existia qualquer controle Judicial de Constitucionalidade. Por influência do jacobinismo parlamentar francês e da idéia inglesa da supremacia do parlamento, o Constituinte de 1824 outorgou ao Poder Legislativo a atribuição de fazer leis, interpretá-las, suspendê-las e revogá-las, bem como velar na guarda da Constituição (art. 15, itens 8° e 9°). Nesse sistema, não havia lugar para o mais incipiente modelo de controle judicial de constitucionalidade. Consagrava-se, assim, o dogma da soberania do Parlamento. Com a adoção do regime republicano em 1889, os ventos da mudança também sopraram no sistema 2jurídico brasileiro, sobretudo, no que concerne ao papel a ser exercido pelo Poder Judiciário. A Constituição Republicana de 1891 adotou o sistema norte americano, defendido entusiasticamente por Rui Barbosa, personagem principal na elaboração da Carta. M. CAPPELLETTI, O controle Judicial de Constitucionalidade das Leis no Direito Comparado, r ed, Sergio Antônio Fabris Editor, Porto Alegre 1992, p 67 ss. 2 O Decreto 848, de 11 de outubro de 1890, estabeleceu que, na guarda e aplicação da Constituição e das leis nacionais, a magistratura federal só interviria em espécie e por provocação da parte. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22104/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 10 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 11 Processo n° 10882.000607/2002-35 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.593 Fl. 164 A Constituição de 1934 trouxe uma figura nova no controle brasileiro de constitucionalidade, a ADIn Interventiva, que deveria ser proposta pelo Procurador-Geral da República, perante o Supremo Tribunal Federal, contra lei ou ato normativo estadual que violassem a Constituição Federal. Essa ADIn Interventiva inseriu no nosso ordenamento jurídico um tímido sistema de controle concentrado de constitucionalidade. A Emenda Constitucional n° 16, de 26 de novembro de 1965, inseriu, de forma clara, o controle concentrado, mas restrito às pessoas legitimadas a propor a ação de inconstitucionalidade. Somente com a Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 é que se consagrou, de forma ampla, o sistema de controle concentrado, também denominado sistema abstrato ou do tipo europeu. Desde então, o Brasil passou a conviver harmonicamente com os dois tipos de controle, o concentrado e o difuso. Deixemos de lado o sistema europeu, para voltarmos ao que, de fato, interessa ao nosso tema, o controle difuso, que, como dito linhas acima, alguns constitucionalistas apressados atribuíram sua origem à famosa decisão da Suprema Corte norte americana, prolatada em 1803, no caso Marbury versus Madison, cuja sentença foi redigida pelo juiz John Marshall, que fixou, por um lado, aquilo que ficou conhecido como a supremacia da constituição e, por outro, o poder-dever dos juízes negarem aplicação às leis contrárias à constituição. Para se chegar àquela decisão, Marshall partiu do seguinte raciocínio: ou a constituição prepondera sobre os atos legislativos que com ela contrastam ou o Poder Legislativo pode mudá-la por meio de lei ordinária. Não há meio termo, asseverou o Chefe da Suprema Corte, ou a constituição é uma lei fundamental superior e não mutável por dispositivos ordinários, ou seja, é rígida; ou ela é colocada em pé de igualdade com os atos legislativos ordinários, portanto, flexível, e, por conseguinte, pode ser alterada sem qualquer entrave pelo Poder Legislativo. Todavia, se é correto a primeira alternativa, e assim concluiu Marshall, um ato do legislativo contrário à constituição não é lei, é nulo, é como se não existisse. Ao proclamar a prevalência da constituição sobre os demais atos legislativos e reconhecer o poder dos juízes de não aplicar as leis inconstitucionais, a Suprema Corte Americana não só inaugurou no mundo moderno o sistema judicial de controle de constitucionalidade, mas, sobretudo, rompeu com o dogma da supremacia do Poder Legislativo, que vige até hoje na Inglaterra e nos demais países que adotam constituições flexíveis. Os fundamentos da inovadora e corajosa decisão da Suprema Corte no caso Marbury versus Madison já haviam sido muito bem delineados por Alexander Hamilton em sua obra-prima The Federalist, e partiu do seguinte raciocínio: - a função de todos os juízes é a de interpretar as leis e aplicá- las ao caso concreto submetido a seu julgamento; Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 11 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 12 - a regra básica de interpretação das leis determina que quando dois dispositivos legislativos estiverem contrastando entre si, deve o juiz aplicar a prevalente. Se ambas tiverem igual densidade normativa, deve-se valer dos critérios tradicionais, segundo os quais: lex posteriori derogat legi priori, lex specialis derogat legi generali, etc. Mas todos esses critérios são desnecessários quando o contraste dá-se entre dispositivos de densidade normativa diversa, aí, o critério é o da lex superior derogat legi inferiori. Neste caso, a norma constitucional prevalecerá sempre sobre a lei ordinária, quando a constituição for rígida e não flexível. Do mesmo modo, a lei prevalecerá sempre sobre os decretos. De tudo o que foi exposto, a conclusão óbvia é no sentido de que todo e qualquer juiz, encontrando-se no dever de decidir uma lide onde seja relevante ao caso uma lei ordinária que contrasta com a constituição, deve preservar a Carta Magna e não aplicar a norma de menor hierarquia. Vejamos agora como é dividido o controle de constitucionalidade no Brasil. Quanto ao momento de sua realização, o controle é dividido em preventivo e repressivo, o primeiro realizado durante o processo legislativo e, o segundo, após a entrada em vigor da lei. O preventivo é exercido, inicialmente, pelas Comissões de Constituição e Justiça do Poder Legislativo (art. 32, III, do Regimento Interno da Câmara Federal e art. 110 do Regimento Interno do Senado Federal, todos fundamentados no art. 58 da CF/88) e, posteriormente, pela participação do Chefe do Executivo no processo legislativo, quando poderá vetar a lei aprovada pelo Congresso Nacional por entendê-la inconstitucional, nos termos do art. 66, ,¢ 1°, da CF/88, denominado veto jurídico. Por sua vez, se o projeto de lei é de iniciativa do Poder Executivo, ou se se trata de Medida Provisória, há, ainda, além dos controles de constitucionalidade acima mencionados, o realizado previamente, no âmbito do Poder Executivo, pela Casa Civil da Presidência da República, por força do estatuído no art. 2° da Lei n°9.649, de 27/05/1998, que assim dispõe: Art. 2°. À Casa Civil da Presidência da República compete assistir direta e imediatamente ao Presidente da República no desempenho de suas atribuições, especialmente na coordenação e na integração das ações do governo, na verificação prévia da constitucionalidade e legalidade dos atos presidenciais, ... (grifo nosso). O repressivo, por sua vez, poderá se dar de maneira concentrada, por via de ação direta de inconstitucionalidade ou de ação declaratória de constitucionalidade, competindo em ambos os casos, somente, ao Supremo Tribunal Federal processar e julgar tais ações, conforme dispõe a alínea "a" do inciso Ido art. 102 da Constituição Federal de 1988. Pode ainda o controle repressivo dar-se de forma difusa, ou seja, como incidente processual, no julgamento de casos concretos. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 12 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 13 Processo n° 10882.000607/2002-35 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.593 Fl. 165 Depois de tudo o que aqui foi dito, pergunta-se: - podem os órgãos judicantes da administração afastar a aplicação de lei inconstitucional? - podem esses órgãos afastar a aplicação de lei que entenderem inconstitucional ou incompatível com a constituição? A resposta à primeira pergunta é positiva, pois a lei inconstitucional, como bem asseverou Marshal, não é lei, é ato nulo. Por conseguinte, não obriga, não vincula ninguém. Já a resposta à segunda pergunta é negativa, pois da interpretação sistemática da Constituição Federal (especialmente dos seus arts. 97; 102, III, "a" e "c"; e 105, II, "a" e "b'), tem-se que a competência para realizar o controle difuso de constitucionalidade é exclusiva do Poder Judiciário e estendida a todos os seus componentes. Nesse sentido, valiosas são as palavras do ex-Procurador-Geral da República e Professor Titular da Universidade de Brasília, Dr. Inocêncio Mártires Coelho, conforme elucidativo artigo por ele publicado na Revista Jurídica Virtual (n° 13) da Presidência da República, do qual transcrevemos o seguinte trecho: ...Nessa linha de raciocínio - que ousaríamos chamar fática, livre e realista - e ainda acompanhando o pensamento do maior jurista do século XX, pode-se dizer, igualmente, que sem aquela declaração de incompatibilidade, proferida pelo órgão a tanto legitimado, nenhuma norma será reputada inconstitucional; que onde a Constituição não atribuir a algum órgão, distinto do que produz as leis, a prerrogativa de aferir-lhes a constitucionalidade, norma alguma poderá reputar-se inconstitucional; e que, finalmente, enquanto não for anulada - e nos limites em que o seja - toda lei é simplesmente constitucional... (grifo nosso). Por tais razões, pode-se concluir, que, não tendo a Constituição Federal de 1998 dado competência a órgãos da administração para efetuarem o controle repressivo de constitucionalidade das leis, não podem seus órgãos judi cantes afastar a aplicação de lei que julgarem inconstitucional, pois competência não tem quem quer, mas quem a teve atribuída pela Constituição. No mesmo sentido, é a lição de Lúcio Bittencourt' a respeito da incompetência dos órgãos do Poder Executivo para afastar a aplicação de uma lei sob alegação de sua inconstitucionalidade: É princípio assente entre os autores, reproduzindo a orientação pacífica da jurisprudência, que milita sempre em favor dos atos do Congresso a presunção de constitucionalidade. É que ao Parlamento, tanto quanto ao Judiciário, cabe a interpretação do Texto constitucional, de sorte que, quando uma lei é posta Bittencourt, Lúcio - O Contrôle Jurisdicional da Constitucionalidade, Forense, 1968, 2° edição, págs.91 a 96. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 13 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 14 em vigor, já o problema de sua conformidade com o Estatuto Político foi objeto de exame e apreciação, devendo-se presumir boa e válida a resolução adotada. (...) Oscar Saraiva entende que o julgamento da inconstitucionalidade é privativo do Judiciário, porque, se êste cabe, por fôrça de preceito expresso, a função em aprêço, nenhum dos outros podêres tem competência para exercê-la 'sob pena de se confundirem as atribuições dêstes, o que a nossa Constituição veda, ao prescrever a sua separação e independência'. Não acolhemos, todavia, êsse entendimento do culto e esclarecido jurisconsulto, que se choca, aliás, com a opinião unânime dos doutôres. Damo-lhe razão, apenas quando nega aos funcionários administrativos competência para se recusar a aplicar uma lei sob alegação de sua inconstitucionalidade. É que a sanção presidencial afasta qualquer possível manifestação dos funcionários administrativos, que não dispõem do exercício do poder executivo. (sic) Desta feita, se o órgão administrativo deixa de aplicar lei vigente por considerá-la inconstitucional, não apenas invade a esfera de competência do Poder Judiciário como também fere de morte um dos princípios norteadores da administração pública, qual seja, o princípio da hierarquia, pois se está discordando do Chefe do Poder Executivo que, ao não vetar a lei, está reconhecendo sua constitucionalidade. Em face do exposto, parece-nos equivocada a afirmação daqueles que pregam que se a administração é vinculada aos ditames da lei, muito mais será aos da Lei Maior, logo pode negar aplicação à lei manifestamente inconstitucional. Rotundo engano, pois, primeiro, milita a favor de todas as leis a presunção de constitucionalidade; segundo, mesmo sendo uma presunção juris tantum, só ao órgão legitimamente indicado pela Constituição Federal como competente para exercer o controle de constitucionalidade cabe desconstituir a presunção. Pertinente trazer à colação as conclusões de Lúcio Bittencourt sobre o tema, na obra já citada: A lei, enquanto não declarada pelos tribunais incompatível com a Constituição, é lei - não se presume lei - é para todos os efeitos. Submete ao seu império tôdas as relações jurídicas a que visa disciplinar e conserva plena e íntegra , aquela fôrça formal que a torna irrefragável, segundo a expressão de Otto Mayer. Aliás, em relação à lei, ocorre ainda situação diversa da que se manifesta no tocante aos atos jurídicos públicos ou privados, e que reforça a idéia de sua eficácia enquanto não declarada por via jurisdicional. É que, em relação a ela, existe o princípio da obrigatoriedade, que constitui, dentro de qualquer doutrina de direito público, a garantia e a segurança da ordem jurídica. Sendo a lei obrigatória, por natureza e por definição, não seria possível facilitar a quem quer que fôsse furtar-se a obedecer-lhes os preceitos sob o pretexto de que a considera contrária à Carta Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 14 Emitido em 21/0512010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 15 Processo n° 10882.000607/2002-35 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.593 Fl. 166 Política. A lei, enquanto não declarada inoperante, não se presume válida: ela é válida, eficaz e obrigatória. (sic) Ainda sobre o tema, não menos valiosos são os ensinamentos do festejado constitucionalista Luís Roberto Barroso4: A presunção de constitucionalidade das leis encerra, naturalmente, uma presunção iuris tantum, que pode ser infirmada pela declaração em sentido contrário do órgão jurisdicional competente. O princípio desempenha uma função pragmática indispensável na manutenção da imperatividade das normas jurídicas e, por via de conseqüência, na harmonia do sistema. O descumprimento ou não-aplicação da lei, sob o fundamento de inconstitucionalidade, antes que o vicio haja sido proclamado pelo órgão competente, sujeita a vontade insubmissa às sanções prescritas pelo ordenamento. Antes da decisão judicial, quem subtrair-se à lei o fará por sua conta e risco. (grifo nosso). A meu sentir, é imperioso reconhecer que, no Direito brasileiro, o controle de constitucionalidade das leis em vigor é atribuição exclusiva do Poder Judiciário. Com isso, não sendo declarada a inconstitucionalidade pelo Jurisdicional, seja com efeitos erga omnes no controle concentrado de constitucionalidade, seja com efeito inter partes no controle difuso, a lei goza de presunção de constitucionalidade, e, por conseguinte, é válida e tem aplicação cogente em todo o território nacional. A declaração incidental de inconstitucionalidade de lei é ato de tamanha gravidade, que, desde a Constituição Federal de 1934, há exigência expressa de reserva de plenário para que os tribunais exerçam o controle difuso de constitucionalidade. Por essa regra, suscitado o incidente de inconstitucionalidade por um dos membros do tribunal, suspende-se o julgamento do processo e remete-se a questão incidental para o pleno ou órgão que o represente. A inconstitucionalidade somente será declarada por voto da maioria absoluta dos membros do tribunal (art. 97 da Seção 1 do Capítulo III - Do Poder Judiciário - do Título IV - Das Organizações dos Poderes da CF/88). Essa exigência veio para uniformizar a interpretação constitucional no âmbito de cada tribunal. E como se processaria o incidente de inconstitucionalidade no processo administrativo, já que, diferentemente do que ocorre nos tribunais do Judiciário, nos administrativos não há a previsão para tal. Aliás, não poderia mesmo haver, pois, conforme já fartamente demonstrado, órgão nenhum da administração tem poderes para exercer o controle difuso de constitucionalidade. Ora, se para os tribunais do Judiciário é exigida a reserva de plenário, como então, querer que os órgãos judicantes da administração, por suas turmas ou Câmaras, possam exercer o controle de constitucionalidade. Se assim fosse possível, a esfera administrativa estaria investida de mais poder do que o próprio 4 BARROSO, Luís Roberto. Interpretação e Aplicação da Constituição. São Paulo: ed. Saraiva, 30 edição, pp 170e 171. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJ I 15 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 16 judiciário. E o que dizer, então, da impossibilidade de a Fazenda Nacional recorrer ao Supremo Tribunal Federal quando a instância administrativa julgar determinada lei inconstitucional, o que não ocorre quando o controle é feito no Judiciário. Veja-se ao absurdo a que chegaríamos: se determinada lei fosse declarada inconstitucional em controle difuso, a questão, se as partes forem diligentes, iria ser decidida, em última instância, pelo STF. Agora reparem, se a inconstitucionalidade fosse apontada na esfera administrativa, a questão sequer chegaria a ser discutida no Judiciário, que dirá no Supremo Tribunal Federal. Com isso, a decisão administrativa teria mais força do que a de todos os outros órgãos do Poder Judiciário, à exceção do Supremo. Em outras palavras, em matéria de inconstitucionalidade, a Câmara Superior de Recursos Fiscais estaria alçada no mesmo patamar do STF, pois da decisão que declarasse alguma lei inconstitucional, assim como ocorre no STF, não caberia qualquer recurso. De tudo o que foi dito, resta concluir que falece aos órgãos judicantes da Administração competência para afastar a aplicação de lei ainda vigente. Missão atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário. Aliás, há disposição legal expressa no sentido de vedar este colegiado afastar aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade, salvo as exceções nele previstas, o que não é o caso dos autos. Vide art. 26-A do Decreto n° 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei n° 11.941/2009. A norma inserta nesse dispositivo do Processo Administrativo Fiscal foi reproduzida no art. 62 do atual regimento interno do CARF. Demais disso, cabe ressaltar que sobre essa matéria os antigos 1°, 2° e 3° Conselhos de Contribuintes sumularam o entendimento de falecer competência aos órgãos administrativos afastar a aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade. Por outro lado, não me parece razoável o entendimento de parte da doutrina de que essa lei complementar não se aplicaria ao caso em discussão, pois a normatização da repetição de indébito é toda dada pelo CTN, mais especificamente, no art. 168, e o caso dos autos está amparado, justamente, nesse dispositivo, o qual recebeu a interpretação autêntica trazida pelo art. 3° da Lei complementar n°118/2005. Aliás, há disposição legal expressa no sentido de vedar este colegiado afastar aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade, salvo as exceções nele previstas, o que não é o caso dos autos. Vide art. 26-A do Decreto n° 70.235/1972, com a redação dada Pelo art. 25 da Lei n° 11.941/2009. A norma inserta nesse dispositivo do Processo Administrativo Fiscal foi reproduzida no art. 62 do atual regimento interno do CARF. Demais disso, cabe ressaltar que sobre essa matéria os antigos 1°, 2° e 3° Conselhos de Contribuintes sumularam o entendimento de falecer competência aos órgãos administrativos afastar a aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 16 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 17 Processo n° 10882.000607/2002-35 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.593 Fl. 167 Por outro lado, não me parece razoável o entendimento de parte da doutrina de que essa lei complementar não se aplicaria ao caso em discussão, pois a normalização da repetição de indébito é toda dada pelo CTN, mais especificamente, no art. 168, e o caso dos autos está amparado, justamente, nesse dispositivo, o qual recebeu a interpretação autêntica trazida pelo art. 3 0 da Lei Complementar n°118/2005. Ultrapassada a questão da inconstitucionalidade do art. 4 0 da Lei Complementar n° 118/2005, passa-se à análise do termo inicial da prescrição do direito de a reclamante repetir o indébito objeto destes autos. O direito à repetição de indébito é assegurado aos contribuintes no art. 1655do Código Tributário Nacional - CTN. Todavia, como todo e qualquer direito, esse também tem prazo para ser exercido. A Carta Política da República, de 1988, exigiu lei complementar para estabelecer normas gerais de prescrição e decadência tributários, conforme se vê da alínea "h" do inciso III do art. 146. Art. 146. Cabe à lei complementar: I ifi - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; A lei com o status exigido pela Constituição para fixar as hipóteses de prescrição e decadência tributária, quer para a cobrança do débito quer para a devolução do indébito, como é de todos sabido, é a Lei n° 5.172/1966, alçada a categoria de Código Tributário Nacional, recepcionada pela Constituição como lei complementar. Para o caso aqui em debate interessa, apenas, essa última hipótese, a qual é tratada no art. 168 do Código, que estabelece o prazo de 05 anos para a repetição, contados da seguinte forma: 1- da data de extinção do crédito tributário nas hipóteses: a) de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou 5 Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 40 do artigo 162, nos seguintes casos: 1 - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 17 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 18 da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; b) de erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; - da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória nas hipóteses: a) de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. A exegese desse artigo não deixa margem a dúvida de que o prazo prescricional para repetição de indébito é de 05 anos. A celeuma que se instaurou na doutrina, e também na jurisprudência gira em torno do termo inicial da contagem do prazo. O art. 1686 fixa duas datas distintas, como não poderia deixar de ser, para hipóteses também distintas. A primeira - data da extinção do crédito tributário — aplica-se aos casos previstos nos incisos I e II do art. 165 do CT1V; e a segunda — data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou judicial ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória, destina-se, exclusivamente, às hipóteses enumeradas no inciso II do mencionado art. 165. A exegese, como todos sabem, é a arte de se extrair da norma o seu conteúdo por meio das técnicas de interpretação. Todavia, não pode ir além disso, ou seja, não pode extrair aquilo que não está na norma. O exegeta não pode criar, não pode inventar, tem que se ater ao comando normativo, sob pena de transformar-se em legislador positivo, usurpando competência que não lhe foi dada. Em outro giro, a lei complementar fixou, numerus clausus, os eventos que servem como data do termo de início da contagem do prazo prescricional de repetição de indébito — a extinção do crédito tributário que se pretende repetir, e da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória — afora essas duas hipóteses, nenhum outro dispositivo legal versa sobre o termo inicial da prescrição para repetir o indébito. Assim, toda a engenharia jurídica e criativa utilizada para dar sustentação a outros marcos temporais da contagem desse prazo não encontra respaldo no arcabouço jurídico nacional. Aliás, é de se ressaltar que essas teses que criaram termos de início alternativos ao dado pelo C7N, não só carecem de amparo legal, como afrontam o ordenamento jurídico, in casu, a própria Constituição, art. 146, III, "b", e o Código Tributário Nacional que detém o status normativo exigido na Carta Cidadã para 6 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: 1- nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 18 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 19 Processo n° 10882.000607/2002-35 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.593 Fl. 168 disciplinar essa matéria. Nesse ponto, transcrevo excerto do voto do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro': Nessa linha, penso, portanto, que a inexistência de Lei em sentido formal ou material que apóie a jurisprudência administrativa da qual ora se diverge, faz com que a mesma entre em conflito com o princípio da legalidade, insculpido no art. 37 da Constituição Federal de 1988 8, na medida em que, uma vez afastada a regra jurídica formalmente vigente, simplesmente não existe outra de igual concretude para ser aplicada. Nesse ponto, não custa relembrar que, sob o ponto de vista da atuação da Administração Pública, onde inegavelmente está inserida este Colegiado, dito princípio assume feições diversas da prevista no art. 52, II da CF de 1988,9 denominado Autonomia da Vontade. Diferentemente deste último, à Administração Pública só é permitido fazer aquilo que a lei (regra jurídica) prevê. Sobre esse aspecto, peço licença para trazer a lição de JJ Gomes Canotilho l°, que assim esquadrinha os diferentes ângulos de atuação do princípio em discussão: "O princípio da legalidade postula dois princípios fundamentais: o princípio da supremacia ou prevalência da lei (Vorrang des Gesetzes) e o princípio da reserva de lei (Vorbehalt des Gesetzes). Estes princípios permanecem válidos, pois num Estado democrático-constitucional a lei parlamentar é, ainda, a expressão privilegiada do princípio democrático (daí a sua supremacia) e o instrumento mais apropriado e seguro para definir os regimes de certas matérias, sobretudo dos direitos fundamentais e da vertebração democrática do Estado (daí a reserva de lei). De uma forma genérica, o princípio da supremacia da lei e o princípio da reserva de lei apontam para a vincula ção jurídico-constitucional do poder executivo (cfr., infra, fontes de direito e estruturas normativas)". (grifei) Ou seja, como é cediço, o princípio da legalidade é o alicerce do Estado de Direito e, nessa condição, irradia seus efeitos sobre os demais valores defendidos no plano constitucional, inclusive sobre a Segurança Jurídica, invocado como fundamento para a decisão em debate. Nesse aspecto, recorro à lição de Sacha Calmon Navarro - membro de corrente doutrinária contrária àquela que inspirou a prolação dos votos vencedores - que, baseado na doutrina alemâ 11 , pontifica: 7 •julgamento do recurso voluntário n° 133.010, na Terceira Câmara do do Terceiro Conselho de Contribuintes. 8 "Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência..." 9 - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;" I ° Canotilho, Joaquim José Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. Coimbra, Portugal, Almedina, 2000, 70 Edição, p. 256 II STEIN Torstein, A Segurança Jurídica na Ordem Legal da República Federal da Alemanha, apud Navarro, Sacha Calmon, Reflexões Sobre o Artigo 30 da Lei Complementar 118. Segurança Jurídica e a Boa-Fé como Valores Constitucionais. As Leis Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 19 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 20 "O conceito de segurança jurídica é considerado conquista especial do Estado de Direito. Sua função é a de proteger o indivíduo de atos arbitrários do poder estatal, já que as intervenções do Estado nos direitos dos cidadãos podem ser muito pesadas e, às vezes, injustas. No entanto, se tais intervenções têm base em lei e visam o bem-estar público, será preciso decidir-se pela avaliação conjunta do interesse coletivo e do interesse do particular afetado para se aferir a juridicidade (conformação do direito) da medida estatal. Esse princípio é freqüentemente denominado 'principio da proporcionalidade t. " (grifei). Poder-se-ia então argumentar que a solução ora discutida seria então resultado do sopesamento entre os princípios constitucionais aparentemente conflitantes, mediante a redução da "força" do princípio da legalidade. Ocorre que essa solução só seria possível, penso, se os princípios constitucionais invocados possuissem o mesmo grau de concretude das normas cuja aplicação tem sido afastada. Ou seja, se os princípios em conflito pudessem ser traduzidos em regras jurídicas, passíveis de aplicação imediata, independente de lei complementar ou ordinária. Nesse ponto, é importante reforçar que, malgrado seu poder, que os toma aptos a, nas palavras de Paulo de Barros Carvalho'', informar e iluminar a compreensão de segmentos normativos, os princípios invocados, a bem da verdade, não são regras jurídicas, conforme a que precisa lição de Alexy, para quem os primeiros, enquanto "mandatos de otimização" 13 , assim se distinguem das últimas: "El punto decisivo para la distinción entre reglas y principios es que los principios son normas que ordenan que algo sea realizado en la mayor medida posible, dentro de las posibilidades jurídicas y reales existentes. Por lo tanto, los principios son mandatos de optmización, que están caracterizados por el hecho de que pueden ser cumplidos en diferente grado y que la medida debida de su cumplimiento no sólo depende de las posibilidades reales sino también de las jurídicas. El ámbito de las posibilidades jurídicas es determinado por los principios y regias opuestos. En cambio, las regias son normas que sólo pueden ser cumplidas o no. Si una regia es válida, entonces de hacerse exactamente lo que el exige, ni más ni menos. Por lo tanto, ias regias contienen determinaciones en el ámbito de lo fáctica y juridicamente posible. Esto significa que ia diferencia entre reglas y principios es cualitativa y no de grado. Toda norma es o Nen una regla o un principio" (grifei) Interpretativas no Direito Tributário Brasileiro. Disponível elll http://www.sacha.adv.briadmin/arq_publica/bc7f621451b4f5df3 O 8 a8e098112185 d.pdf 12 Curso de direito tributário. 3 edição, p.72 13 Teoria de los Derechos Fundamentales, apud Inocência Mártires Coelho. Interpretação Constitucional. Porto Alegre, 1997, Sérgio Antonio Fabris Editor, p. 85. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 20 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 21 Processo n° 10882.00060712002-35 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.593 Fl. 169 Como esclarece José Afonso da Silva m, apesar de sempre vigentes, as normas principiológicas constitucionais normalmente não reúnem todos os elementos necessários para sua incidência direta. Às vezes, falta-lhes o que Alexy definiu como "possibilidade jurídica". Daí porque, desenvolveu o mestre paulista a clássica distinção entre normas de eficácia plena, contida e limitada: "Quando essa regulamentação normativa é tal que se pode saber, com precisão, qual a conduta positiva ou negativa a seguir relativamente ao interesse descrito na norma, é possível afirmar-se que está é completa e juridicamente dotada de plena eficácia". Ainda sob o prisma da concretude, esclarecem Manuel Atienza e Juan Ruiz Manero 15 que as regras: "constituem concreções relativas às circunstâncias genéricas que constituem suas condições de aplicação, derivadas do balanço entre os princípios relevantes em ditas circunstâncias. Estas concreções, constituídas pelas regras, pretendem ser concludentes e excluir, como base para adotar um curso de ação, a deliberação de seu destinatário sobre o balanço de razões aplicáveis ao caso. Esta pretensão, sem embargo, resulta em ocasiões falida: quando o resultado de aplicar a regra é inaceitável a luz dos princípios do sistema que determinam a justificação e o alcance da própria regra. Em tais casos, a pretensão concludente e excludente das regras fracassa e o ordenado ou permitido por elas alcança só um valor prima fade que se vê finalmente, uma vez consideradas todas as circunstâncias, afastado" Assim sendo, um princípio constitucional que não reúne os elementos condicionantes para sua eficácia plena não pode substituir a regra jurídica insculpida no CTN, no máximo, afastar sua aplicação por meio dos adequados instrumentos de controle da constitucionalidade, medida que foge à competência deste colegiado. Ou seja, se efetivamente fosse afastada a aplicação da norma, o resultado seria igualmente a improcedência do pedido, pois essa medida não faria surgir uma nova em seu lugar e, nessa condição, o tomaria carente de fundamento legal. Relembre-se, o Decreto n° 20.910, de 1932 não pode servir de base para a concessão de restituição tributária. 2. Interpretação Conforme a Constituição Doutrinadores de peso, como Paulo Bonavides 16, defendem a interpretação conforme a Constituição, como método de 'Aplicabilidade das Normas Constitucionais. 3'. ed., São Paulo, Malheiros, 1998, p. 99: 15 Ilícitos atz'picos apud Decadência e Prescrição do Direito do Contribuinte e a LC 118: Entre Regras e Princípios, in Temas de Direito Público — Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá, pp 149 a 178 Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 21 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 22 harmonização da norma infraconstitucional aos princípios constitucionais, pretendendo, ao que parece, conferir a essa técnica contornos de mera busca pelo verdadeiro sentido do texto da norma hierarquicamente inferior à Constituição. Ocorre que tal linha, que, ao que parece, tem sido seguida majoritariamente por este Colegiado, diverge daquela que tem sido adotada pelo Supremo Tribunal Federa/, que firmou norte no sentido de que a interpretação conforme a Constituição, em verdade, corresponde a um método de controle da constitucionalidade, sentido igualmente atribuído por Celso Ribeiro Bastos i7 e Jorge Miranda's. Tal convicção ganha força em função da leitura do parágrafo único, do art. 28, da Lei n° 9.868, de 10 de novembro de 1999, que assim disciplina os possíveis resultados da Ação Declaratória de Inconstitucionalidade ou da Ação Declaratória de Constitucionalidade. Parágrafo único. A declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade, inclusive a interpretação conforme a Constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto, têm eficácia contra todos e efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública federal, estadual e municipal. (grifei) Nesse sentido, trago à colação manifestação do Ministro Carlos Ayres Britto, em voto vista proferido em questão de ordem suscitada nos autos da ADPF 54: "38. Em remate, a interpretação conforme não se exprime num típico exercício de hermenêutica, pois o típico exercício de hermenêutica se dá é num precedente contexto de serena aceitação da validade do dispositivo sobre que recai. Ela se inscreve é entre os mecanismos de controle de constitucionalidade, como exigência do sumo princípio da supremacia material da Constituição. Por isso que, já no citado segundo momento processual de sua aplicabilidade, ela é manejada como instrumento de sindicabilidade jurídica do ato público de menor escalão hierárquico. Por conseguinte, mecanismo pelo qual se afere tanto a validade formal quanto material de um modelo jurídico-positivo posto em cotejo com a Magna Carta." Nesse diapasão, penso que falta competência legal a este Colegiado para, por meio da pré-falada técnica, interferir no texto do Código Tributário como se encontra vigente ou afastar a sua aplicação a hipóteses que, sem a pretensa colisão com os princípios constitucionais invocados nos votos vencedores, se subsumiriam perfeitamente ao seu texto. 16 Curso de direito constitucional, p. 518. 17 Hermenêutica e interpretação constitucional, apud Sérgio Augusto Zampol Pavani. A Interpretação Conforme e Constituição e o Controle Difuso de Constitucionalidade. Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá. pp. 581 a 599. 18 Manual de direito constitucional, tomo II, p. 267. A Interpretação Conforme e Constituição e o Controle Difuso de Constitucionalidade. Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá. pp. 581 a 599. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 22 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 23 Processo n° 10882.000607/2002-35 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.593 Fl. 170 Aliás, ainda que tivéssemos competência para tanto, a técnica da interpretação conforme, na lição de J.J. Gomes Canotilho ' 9, não admite alteração do texto normativo. Leciona o autor: "...daqui se conclui que a interpretação conforme só permite a escolha entre dois ou mais sentidos possíveis da lei mas nunca a revisão de seu conteúdo. A interpretação conforme a constituição tem, assim, os seus limites na 'letra e na clara vontade do legislador', devendo 'respeitar a economia da lei' e não podendo traduzir-se na 'reconstrução' de uma norma que não esteja devidamente explícita no texto ".(grifei) Nesse mesmo sentido, concluiu o Tribunal Pleno do STF, nos autos da ADI 30461SP20: "Ill Interpretação conforme a Constituição: técnica de controle de constitucionalidade que encontra o limite de sua utilização no raio das possibilidades hermenêuticas de extrair do texto uma significação normativa harmônica com a Constituição." Importa ponderar, noutro giro, que nem a interpretação conforme nem qualquer outro método de controle da constitucionalidade admite que o intérprete inove em relação ao texto da lei, conforme deixou claro o Pretório Excelso na decisão proferida nos autos da Representação nfi 1.417-721: "O princípio da interpretação conforme a Constituição (Verfassungskonforme Auslegung) é princípio que se situa no âmbito do controle da constitucionalidade e não apenas simples regra de interpretação. A aplicação desse princípio sofre, porém, restrições, uma vez que, ao declarar a inconstitucionalidade de uma lei em tese, o STF - em sua função de Corte Constitucional - atua como legislador negativo, mas não tem o poder de agir como legislador positivo para criar norma jurídica diversa da instituída pelo Poder Legislativo. Por isso, se a única interpretação possível para compatibilizar a norma com a Constituição contrariar o sentido inequívoco que o Poder Legislativo lhe pretendeu dar, não se pode aplicar o princípio da interpretação conforme à Constituição que implicaria, em verdade, criação de norma jurídica, o que é privativo do legislador positivo. (.) - No caso, não se pode aplicar a interpretação conforme a Constituição por não se coadunar essa com a finalidade inequivocamente colimada pelo legislador, expressa literalmente 190p. cit., p. 1265/1266 20 Relator Min. Sepúlveda Pertence (resp. pelo acórdão), DJ 28.05.2004. 21 Relator Min. Moreira Alves, DJ 15.04.1988. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 23 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 24 no dispositivo em causa, e que dele ressalta pelos elementos da interpretação lógica." (os grifos constam do original) Nessa linha, importa relembrar, que, como é cediço, no Regime Constitucional vigente, o "remédio" contra a omissão do legislador que ameace a efetividade dos direitos e garantias, não é a criação ou alteração do texto legal, por qualquer dos meios de controle da constitucionalidade, mas o Mandado de Injunção, ex vi do art. 5°, caput, inciso VXXI e §1 022 . Nem a Ação de Inconstitucionalidade por Omissão, definida no § 2° do art 103, tem o efeito positivo ou inovador aplicado no voto do qual se discorda. Não se vê, portanto, como, em sede de recurso voluntário, conciliar a pretensão do interessado e a aplicação da legislação como se encontra vigente. Todavia, deve-se reconhecer que, na jurisprudência dos antigos conselhos de contribuintes, proliferaram-se teses e mais teses criando várias outras hipóteses de marco inicial da contagem desse prazo. Como exemplo, pode-se citar a data da publicação da resolução do Senado nos casos em que o indébito decorresse de lei declarada inconstitucional em controle difuso pelo STF; a data do dispositivo lega123, por meio do qual a administração teria reconhecido o direito de não mais se pagar o tributo inconstitucional; a tese do 5 mais 5 e por aí vai. Entretanto, com a edição da Lei Complementar n° 118, de 09/02/2005, cujo artigo 3 0 deu interpretação autêntica ao art. 168, inciso 1, do Código Tributário Nacional, estabelecendo que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o art. 150, ,¢ 1°, da Lei n°5.172/1966, o único entendimento possível é o trazido na novel lei complementar. Esclareça-se, por oportuno, que em se tratando de norma expressamente interpretativa, deve ser obrigatoriamente aplicada aos casos não definitivamente julgados, por força do disposto no art. 106, 1, do CIN. Aliás, não se pode olvidar que o entendimento segundo o qual o termo inicial da prescrição é a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento era o adotado pelo STF antes de a competência para apreciar este tipo de matéria passar para o STJ Aqui sobreleva citar as palavras do Ministro Marco Aurélio de Mello proferida na votação do RE acima transcrito: O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO - Presidente, diria mesmo que a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça foi surpresada com os embargos declaratórios e a veiculação da 22 LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania; § 1° - As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. 23 Pacificou-se, noutro giro, o entendimento de que, independentemente da modalidade de controle da constitucionalidade, considera-se como inicio da contagem do prazo prescricional a data da publicação da lei que dispense os agentes públicos de adotar providências tendentes à cobrança dos tributos declarados inconstitucionais. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 24 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 25 Processo n° 10882.000607/2002-35 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.593 Fl. 171 matéria, isso porque o caso não é simplesmente de aplicação da lei no tempo, mas, sim, de afastamento peremptório de preceito que revelou, ou melhor, explicitou mais ainda, se é que era preciso, o princípio segundo o qual a prescrição tem como termo inicial a data do nascimento da ação. E se afastou a Lei Complementar n° 118/2005, mais precisamente o artigo esclarecedor, artigo 4°, no que remeteu ao artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional, que versa, justamente, a aplicação da lei a ato ou fato pretérito, em qualquer hipótese, quando seja expressamente - para mim, ela foi simplesmente interpretativa - interpretativa, excluída a aplicação de penalidade no caso de infração. Aqui estamos diante daquela situação concreta em que se dobrou o prazo alusivo à prescrição mediante uma interpretação inteligente, sem dúvida alguma, mas que, a meu ver, de início, não se coaduna com o que se contém no Código Tributário Nacional. Acompanho, integralmente, o relator no voto proferido, em situação que viria a ser apanhada pelo nosso verbete. Em outro giro, embora não concorde com a tese dos 5 + 5 adotada pelo Superior Tribunal de Justiça, por entender que a homologação tem efeitos declarató rios, e, portanto, seus efeitos retroagem à data do pagamento,deve-se reconhecer que tal tese tem sua lógica, posto que, assim como o C7N, o termo inicial é a data da extinção do crédito tributário. A divergência reside na interpretação de quando se deu essa extinção. Aqui, ao contrário das demais teses adotadas para refutar o disposto no art. 168 do CTN parte deste dispositivo e, como dito linhas acima, interpreta-o de forma afixar quando se deu o evento da extinção do crédito tributário. Não se inventou nada, apenas se interpretou a lei. Interpretação esta, a meu sentir, não escorreita, já que dile. renciada da que foi dada pelo legislador. De qualquer sorte,- na interpretação do STJ, continua valendo o marco estabelecido no CTN, o que varia é o momento em que ele se deu, já nas teses outras, aqui combatida, o interprete buscou outro termo de início, sem qualquer pertinência com o estabelecido em lei. Gize-se que nenhum tribunal pátrio abriga hoje em dia qualquer dessas teses inovadoras adotadas nos antigos Conselhos de Contribuintes, já que o STJ, a partir de novembro de 2005, espancou qualquer tese que não tivesse como marco temporal da prescrição a data da extinção do crédito tributário, e consolidou aposição de que a decretação da inconstitucionalidade pelo STF ou a edição de resolução do Senado não exercem qualquer influência sobre a contagem do prazo de prescrição. Vejamos: EREsp na 435.835 / SC SC 24 : CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LEI 24 Relator (para o acórdão): Ministro José Delgado, julgado em 24/03/2004, publicado no DJ de 04/06/2007; Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 25 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 26 N° 7.787/89. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO PRAZO. PRECEDENTES. 1.Está uniforme na Ia Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicam-se a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. 2.Não há que se falar em prazo prescricional a contar da declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. A pretensão foi formulada no prazo concebido pela jurisprudência desta Casa Julgadora como admissivel, visto que a ação não está alcançada pela prescrição, nem o direito pela decadência. Aplica-se, assim, o prazo prescricional nos molde sem que pacificado pelo STJ, id est, a corrente dos cinco mais cinco. AgRg no REsp 852086 / RJ25: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ADMINISTRADORES E AUTÔNOMOS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. PRAZO. I - Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo prescricional para se pleitear a compensação ou a restituição do crédito tributário somente se opera quando decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais cinco anos, contados a partir da homologação tácita, em nada influenciando o termo inicial da prescrição, a declaração de inconstitucionalidade da exação, pelo STF, seja em controle difuso ou concentrado, conforme restou decidido no julgamento dos EREsp n° 435.835/SC, Rei. p/ acórdão Min. JOSÉ DELGADO, julgado em 24/03/2004. REsp 841652 / PR 26: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COFINS.PRESCRIÇÃO. SOCIEDADE CIVIL. ISENÇÃO. ACÓRDÃO VERGASTADO.ENFOQUE EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO STF. Nos tributos lançados por homologação, o prazo para a propositura da ação de repetição de indébito será de dez anos a contar do fato gerador, se a homologação for tácita (tese dos "cinco mais cinco"), e de cinco anos a contar da homologação, se expressa. Precedentes. O Tribunal a quo negou a pretensão recursal sob enfoque eminentemente constitucional, cujo reexame é da competência exclusiva do STF. 25 Relator: Ministro Castro Meira, julgado em 17/05/2007, publicado no DJ de 29.05.2007. 26 Relator: Ministro Castro Meira, julgado em 17/05/2007, publicado no DJ de 29.05.2007. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 26 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 27 Processo n° 10882.000607/2002-35 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.593 Fl. 172 Recurso especial conhecido em parte e improvido. De outro modo não poderia ser, pois ao se deslocar o prazo de prescrição da data da extinção do crédito tributário para qualquer outra data, estar-se-ia criando direito novo, totalmente incompatível com o CTN, e também, com o art. 146 da Constituição da República. Impõe-se ressaltar que o interprete não pode dar à norma um alcance maior do que a ela o legislador não deu, sob pena de se transformar o ato de interpretar em ato de legislar. Aquele, da alçada do aplicador da lei; esse, com exclusividade, da do legislador. Sobre a tese do termo de início ser deslocado da extinção do crédito tributário, para a data da publicação da resolução do Senado que retirou do mundo jurídico a lei declarada inconstitucional pelo STF, deve-se esclarecer que ela encontra- se totalmente desvinculada da jurisprudência de nossos tribunais, bem como da boa doutrina, como se pode ver a seguir. Regina Maria Macedo Nery Ferrari22 , apoiada na doutrina de Oswaldo Aranha Bandeira de Melo28, leciona que a Resolução Senatorial que dá efeitos erga omnes à decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de lei teria efeito constitutivo e, nessa condição, somente após a publicação surtiria efeitos para as partes que não integraram o litígio. O Conselheiro Luis Marcelo, no aludido voto proferido na Terceira Câmara do Terceiro Conselho, aduz que um dos efeitos que pode ser afastado de plano é o da imprescritibilidade, característica própria da ADI e das demais ações de cunho declaratório. Todavia, depois da suspensão efetuada pelo Senado, perde a lei ou ato normativo sua eficácia; perde sua executoriedade, vale dizer, a sua revogação, e, a partir dai, não mais pode ser considerada em vigor. Ora, parece-nos claro, dentro de tal colocação de idéias, que só a partir dessa suspensão é que a lei perde a eficácia, o que nos leva a admitir seu caráter constitutivo. A lei até tal momento existiu e, portanto, obrigou, criou direitos, deveres, com toda sua carga de obrigatoriedade, e só a partir do ato do Senado é que ela vai passar a não obrigar mais, já que, enquanto tal providência não se concretizar, pode o próprio Supremo, que decidiu sobre sua invalidade, alterar seu entendimento, conforme manifestação dos próprios ministros do Supremo, em voto proferido na decisão do Mandado de Segurança 16.512, de maio de 1966. Assim sendo, não estão com a razão aqueles que consideram ter efeito retroativo a suspensão pelo Senado, pois, se não podemos negar o caráter normativo de tal ato, o mesmo, embora não se 27 Efeitos da Declaração de Inconstitucionalidade. São Paulo, Revista dos Tribunais, 2004, 5' ed., p. 205. 28 A Teoria das Constituições Rígidas, apud Efeitos da Declaração de Inconstitucionalidade. São Paulo, Revista dos Tribunais, 2004, 5° ed. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 27 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 28 confunda com a revogação, opera como ela, já que retira, por disposição constitucional, a eficácia da lei ou ato normativo tido por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. José Afonso da Silva29, apoiado em doutrinadores da envergadura de Pontes de Miranda, Alfredo Buzaid e Themistocles Brandão Cavalcanti, esclarece que: O problema deve ser decidido, pois, considerando-se dois aspectos. No que tange ao caso concreto, a declaração surte efeitos ex tune, isto é, fulmina a relação jurídica fundada na lei inconstitucional desde o seu nascimento. No entanto, a lei continua eficaz e aplicável, até que o Senado suspenda sua executoriedade; essa manifestação do Senado, que não revoga nem anula a lei, mas simplesmente lhe retira a eficácia, só tem efeitos, daí por diante, ex nunc. Pois, até então, a lei existiu. Se existiu, foi aplicada, revelou eficácia, produziu validamente seus efeitos. O Ministro Teori Albino Zavascki 39, em obra dedicada ao tema, citado no voto do Conselheiro Luis Marcelo, estabelece limites temporais para o poder vinculativo advindo da Resolução Senatorial, a saber: Em qualquer caso, o efeito vinculante da declaração de inconstitucionalidade é, sob o aspecto temporal, logicamente posterior ao efeito da inconstitucionalidade em si: esta é ex tunc, desde a edição da norma; aquele só é vinculante a partir do ato do qual decorre, que é superveniente à norma inconstitucional [Essa linha de entendimento norteou o acórdão do Supremo Tribunal Federal no Recurso em Mandado de Segurança 17.976, Relator Min. Amaral Santos (julgamento de 13.09.68), em cujo voto está dito que 'a suspensão da vigência da lei por inconstitucionalidade toma sem efeito os atos praticados sob o império da lei inconstitucional. Contudo, a nulidade da decisão transitada em julgado só pode ser declarada por via de ação rescisória'. Esclareceu o Min. Eloy da Rocha, na oportunidade, que 'a suspensão da execução da lei, pelo Senado, tem efeito ex nunc']. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiçan , sobre o tema, firmou-se no seguinte sentido: REsp n° 547.744/MG32: Como a ADIN é imprescritível, todas as ações que tiverem por objeto direitos subjetivos decorrentes de lei cuja constitucionalidade ainda não foi apreciada, ficariam sujeitas à reabertura do prazo de prescrição, por tempo indefinido. Assim, disseminaria-se a imprescritibilidade no direito, tomando os 29 Curso de Direito Constitucional Positivo. São Paulo. Malheiros, 1994, 10° ed., p. 57. 39 Eficácia das Sentenças na Jurisdição Constitucional. São Paulo. Revista dos Tribunais, 2001, pp. 81-101 ' I jurisprudência trazida à colação no voto proferido pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, no voto proferido no julgamento do Recurso Voluntário n° 133.010, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. 32 Publicado no DJ de 09/12/2003, Relator: Ministro Luiz Fux. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 28 Emitido em 21/0512010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 29 Processo n° 10882.000607/2002-35 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.593 Fl. 173 direitos subjetivos instáveis até que a constitucionalidade da lei seja objeto de controle pelo STF. Ocorre que, se a decadência e a prescrição perdessem o seu efeito operante diante do controle direto de constitucionalidade, então todos os direitos subjetivos tornar-se-iam imprescritíveis. A decadência e a prescrição rompem o processo de positivação do direito, determinando a imutabilidade dos direitos subjetivos protegidos pelos seus efeitos, estabilizando as relações jurídicas, independentemente de ulterior controle de constitucionalidade da lei. (grifei) O acórdão em ADIN que declarar a inconstitucionalidade da lei tributária serve de fundamento para configurar juridicamente o conceito de pagamento indevido, proporcionando a repetição do débito do Fisco somente se pleiteada tempestivamente em face dos prazos de decadência e prescrição: a decisão em controle direto não tem o efeito de reabrir os prazos de decadência e prescrição. Descabe, portanto, justificar que, com o trânsito em julgado do acórdão do STF, a reabertura do prazo de prescrição se dá em razão do princípio da actio nata. Trata-se de petição de princípio: significa sobrepor como premissa a conclusão que se pretende. O acórdão em ADIN não faz surgir novo direito de ação ainda não desconstituído pela ação do tempo no direito. Respeitados os limites do controle da constitucionalidade e da imprescritibilidade da ADIN, os prazos de prescrição do direito do contribuinte ao débito do Fisco permanecem regulados pelas três regras que construímos a partir dos dispositivos do CTN. (grifei) O Ministro Teori Albino Zavascki, em declaração de voto proferida nos autos EREsp n° 423.994/MG33, entendeu que: Em suma, não há como afirmar que a declaração de inconstitucionalidade, notadamente quando formulada em controle difuso, importe, no plano da norma, qualquer efeito extintivo ou modificativo. A norma permanece nula, como sempre foi. Também nenhum efeito dessa espécie ocorre no plano das relações jurídicas individuais (salvo, evidentemente, a que envolve as partes diretamente vinculadas à ação individual proposta). Mas, mesmo havendo sentença de inconstitucionalidade proferida em ação de controle concentrado, as relações jurídicas individuais formadas inconstitucionalmente (como, v. g., o pagamento de um tributo inconstitucional), não são diretamente atingidas pela declaração e muito menos desfeitas de modo automático. A seu turno, o Ministro 'Gilmar Ferreira Mendes34 , sobre os efeitos desconstitutivos da sentença proferida em sede de controle da constitucionalidade, pondera: 33 Publicado no DJ de 05/04/2004. 34 Jurisdicão Constitucional. Brasilia. Forense. 2005, 5' edição, pp. 333 e 334. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 29 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 30 Não se está a negar caráter de princípio constitucional ao princípio da nulidade da lei inconstitucional. Entende-se, porém, que tal princípio não poderá ser aplicado nos casos em que se revelar absolutamente inidôneo para a finalidade perseguida (casos de omissão; exclusão de benefício incompatível com o princípio da igualdade), bem como nas hipóteses em que a sua aplicação pudesse trazer danos para o próprio sistema jurídico constitucional (grave ameaça à segurança jurídica). (...) Acentue-se, desde logo, que, no direito brasileiro, jamais se aceitou a idéia de que a nulidade da lei importaria na eventual nulidade de todos os atos que com base nela viessem a ser praticados. Embora a ordem jurídica brasileira não disponha de preceitos semelhantes aos constantes do § 79 da Lei do Bundesverfassungsgericht que prescreve a intangibilidade dos atos não mais suscetíveis de impugnação, não se deve supor que a declaração de inconstitucionalidade afete todos os atos praticados com fundamento na lei inconstitucional. Embora o nosso ordenamento não contenha regra expressa sobre o assunto e se aceite, genericamente, a idéia de que o ato fundado em lei inconstitucional está eivado, igualmente, de iliceidade concede-se proteção ao ato singular, em homenagem ao princípio da segurança jurídica, procedendo-se à diferenciação entre o efeito da decisão no plano normativo (Normebene) e no plano do ato singular (Einzelaktebene) mediante a utilização das chama das fórmulas de preclusão. De qualquer sorte, os atos praticados com base na lei inconstitucional que não mais se afigurem suscetíveis de revisão não são afetados pela declaração de inconstitucionalidade. (os grifos não constam do original) Nesse mesmo sentido é a doutrina de JJ Canotilho l : Pode também entender-se que os limites à retroactividade se encontram na definitiva consolidação de situações, actos, relações, negócios a que se referia a norma declarada inconstitucional. Se as questões de facto ou de direito regulados pela norma julgada inconstitucional se encontram definitivamente encerradas porque sobre elas incidiu caso julgado judicial, porque se perdeu um direito por prescrição ou caducidade, porque o acto se tomou inimpugnável, porque a relação se extinguiu com o cumprimento da obrigação, então a dedução de inconstitucionalidade, com a conseqüente nulidade ipso jure, não perturba, através da sua eficácia retroactiva, esta vasta gama de situações ou relações consolidadas. Como bem asseverou o Conselheiro Luis Marcelo, no voto já citado linhas acima: (...) um exemplo claro da aplicação das chamadas normas de preclusão pode ser extraído da decisão proferida nos autos do 35 Canotilho, José Joaquim Gomes. Direito Constitucional, apud Jurisdição Constitucional. Brasília. Forense. 2005, 5' edição, p. 388. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 30 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 31 Processo n° 10882.000607/2002-35 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.593 Fl. 174 Resp n° 686.05836 - MG, em que se discutia o cabimento de ação rescisória em face da decretação da inconstitucionalidade de lei que fundamentou a sentença: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EFICÁCIA TEMPORAL DA COISA JULGADA. DESCONSTITUIÇÃO DOS EFEITOS PRETÉRITOS DE SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO, TENDO EM VISTA A POSTERIOR DECLARAÇÃO PELO STF, EM CONTROLE DIFUSO, DA INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI EM QUE SE FUNDA. IMPRESONDIBILIDADE DA AÇÃO RESCISÓRIA. SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO DAS NORMAS PELO SENADO FEDERAL. MODIFICAÇÃO NO ESTADO DE DIREITO QUE FAZ CESSAR, DESDE A EDIÇÃO DA RESOLUÇÃO, AUTOMATICAMENTE, A FORÇA VINCULANTE DO PROVIMENTO JURISDICIONAL. (...) 4. Em nosso sistema, as decisões tomadas em controle difuso de constitueionalidade, ainda que pelo STF, limitam sua força vinculante às partes envolvidas no litígio. Não afetam, por isso, de forma automática, como decorrência de sua simples prolação, eventuais sentenças transitadas em julgado em sentido contrário, para cuja desconstituição é indispensável o ajuizamento de ação rescisória. 5. A edição de Resolução do Senado Federal suspendendo a execução das normas declaradas inconstitucionais, contudo, confere à decisão in concreto efeitos erga omnes, universalizando o reconhecimento estatal da inconstitucionalidade do preceito normativo, e acarretando, a partir de seu advento, mudança no estado de direito capaz de sustar a eficácia vinculante da coisa julgada, submetida, nas relações jurídicas de trato sucessivo, à cláusula rebus sic stantibus. 6. No caso concreto, tem-se ação ordinária por meio da qual se busca desconstituir os efeitos pretéritos da aplicação do art. 3 0, I, da Lei 7.787/89, emanados de sentença transitada em julgado, invocando a posterior declaração de sua inconstitucionalidade pelo STF em controle difuso. Uma vez esgotado, porém, o prazo para a propositura da ação rescisória, tal intento é inviável.(grifei) Conclui o ilustre Conselheiro: (...) ainda que se discutam os efeitos da declaração de inconstitucionalidade, tornou-se pacífico na jurisprudência da Corte Constitucional, que a reclamada nulidade só atinge o ato que ainda encontra condições de ser revisto, o que não ocorre, v.g. com aquele atingido pela prescrição. Como prova de tais 36 Relator designado: Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 19/10/2006, publicado no DJ de 16/11/2006. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 31 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 32 conclusões, o reconhecido constitucionalista, cita voto proferido pelo Ministro Rodrigues Alckmin, nos autos do RE 86.05637: Não contendo a ordem jurídica brasileira disciplina geral sobre o direito-dever de revogar ou anular os atos administrativos ou sobre o prazo dentro do qual isso possa ocorrer afigura-se difícil afirmar, com segurança, o dever do Poder Público de anular todos os atos praticados com base na lei inconstitucional. É certo que, por analogia, poder-se-ia cogitar da aplicação dos prazos prescricionais a essa situação, de modo que seria admissivel o dever de a Administração proceder à revisão apenas dos atos ainda suscetíveis de impugnação na via judicial. Releva ainda mencionar a posição do Ministro Teori Zavascki, em voto proferido no EREsp n° 423.994/MG38: O caso dos autos é paradigmático, porque põe em confronto duas orientações do STJ, adotadas há muito tempo, mas que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, se mostram incompatíveis, expondo a fragilidade dos fundamentos que as sustentam. Tal fragilidade reside, segundo penso, na circunstância de terem, ambas, se assentado sobre bases que desconsideram inteiramente um princípio universal em matéria de prescrição: o princípio da actio nata, segundo o qual a prescrição se inicia com o nascimento da pretensão ou da ação (Pontes de Miranda, Tratado de Direito Privado, Bookseller Editora, 2.000, p. 332). Realmente, ocorrendo o pagamento indevido, nasce desde logo o direito a haver a repetição do respectivo valor, e, se for o caso, a pretensão e a correspondente ação para a sua tutela jurisdicional. Direito, pretensão e ação são incondicionados, não estando subordinados a qualquer ato do Fisco ou a decurso de tempo.(grifei) C..) Por tais razões, não se pode justificar, do ponto de vista constitucional, a orientação segundo a qual, relativamente à repetição de tributos inconstitucionais, o prazo prescricional somente corre a partir da data da decisão do STF que declara a sua inconstitucionalidade. Isso significaria, conforme já se disse, atribuir eficácia constitutiva àquela declaração. Significaria, também, atrelar o início do prazo prescricional não a um termo (= fato futuro e certo), mas a uma condição (= fato futuro e incerto). Não haveria termo a quo do prazo, e sim condição suspensiva. Isso equivale a eliminar a própria existência do prazo prescricional de cinco anos previsto no art. 168 do CTN, já que, sem termo "a quo", o termo "ad quem" será indeterminado. O prazo prescricional será incerto, aleatório e eventual, já que, se ninguém tomar a iniciativa de provocar jurisdicionalmente a declaração de inconstitucionalidade, não estará em curso prazo prescricional algum, mesmo que o recolhimento do tributo indevido tenha ocorrido há cinco, dez ou vinte anos. 37 DJ 01/07/1977. 38 Julgado em 08/10/2003, publicado no DJ de 05/04/2004. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 32 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 33 Processo n° 10882.000607/2002-35 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.593 Fl. 175 Em palestra proferida no XX CONGRESSO BRASILEIRO DE DIREITO TRIBUTÁRIO, publicada na revista RDT da Malheiros, o Professor e Doutor Eurico de Santi, com a costumeira maestria, demonstra que a prescrição para repetir tributo tem como termo inicial a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento. Com apalavra o mestre de Santi: 3. Desafios da interpretação I, "o início do caos": a origem da tese dos 10 anos IR, LPI, ICMS, ISS, 1PVA etc, demais contribuições e outros tributos, sujeitos ao lançamento por homologação, sempre tiveram suas leis discutidas e os respectivos indébitos reconhecidos em nome do princípio da legalidade, mas sempre sujeitos ao limite temporal desse controle da legalidade, balizado pela regra de prescrição do direito à repetição do indébito, cujo prazo desde a CF67 foi de 5 anos, contados do momento pagamento indevido. Assim foi recepcionada na CF/88, a rega do Art. 168 do C1N: "O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: (...) I— nas hipóteses do inciso I ("pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável") e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário". Sendo que, por quase trinta anos, doutrina e jurisprudência foram uníssonas no entendimento de que o dies a quo deste prazo é o momento do pagamento indevido, i.é, a data da extinção do crédito: a regra parecia tão clara que sequer se falava de interpretação (tampouco em "tese"), passavam-se 5 anos e, simplesmente, "ocorria" a prescrição do direito de repetir o indébito (por exemplo, no TIT, decadência e prescrição sequer precisavam de paradigmas, no recurso especial). Tudo começou com o reconhecimento, pelo STF, da inconstitucionalidade do Art. 10, primeira parte, do Decreto-lei n° 2.288/86, que instituiu o controvertido empréstimo compulsório sobre consumo de combustíveis, justamente, depois de esgotado o prazo para propositura da ação de repetição do indébito deste tributo — i.é, cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário ex vi do Art. 168, I, do CTN. Deveras, o simples fato era que havia ocorrido a prescrição: bastava aplicar, então, a clara regra prevista no Art. 168 do CTN. É por isso que as regras de prescrição elegem em seus suportes facticos o tempo, o tempo é um fator objetivo e indiscutível: todos tendem a concordar com os dias do calendário e com os ponteiros do relógio: assim, pela legalidade da prescrição, a tipicidade do tempo realiza a segurança jurídica em detrimento da própria legalidade do tributo. Além disso, convenhamos, tratava-se de um tributo irrelevante, contingente e provisório: o empréstimo compulsório sobre combustíveis. Que, alias, enquanto empréstimo, mesmo passado o prazo de ação para questionar o indébito tributário, ensejaria, Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 33Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 34 simplesmente, a exigência do cumprimento de sua clatisula de restituição, tal qual prevista na lei instituidora: novamente, bastava aplicar a lei. 4. Ruptura da legalidade: a sede de fazer justiça! Mas a sede de "justiça" foi maior. Assim, em nome da luta pela reparação da ilegalidade do empréstimo compulsório, corrompeu-se sistemicamente, a legalidade da regra de prescrição, disciplinada na própria Constituição ex vi do Art. 146, III, "c". A partir daí, os prazos de decadência e prescrição, que tem na segurança jurídica sua „única razão de existir - servindo como técnicas de limitação do próprio princípio da legalidade - encontraram-se modificados por mera tese. Assim, sem a devida lei complementar e mediante mera e contingente interpretação, alterou-se o prazo de prescrição de praticamente todos nossos tributos federais, estaduais e municipais. Tudo, decorrência de uma criativa e sedutora tese que clamava por "Justiça". E o STJ fez sua justiça salomônica: tese de 10 para cá, tese de 10 para lá. E todos nós ficamos no meio! Até hoje incertos do prazo, mas sempre certos que somos sempre nós, contribuintes, que pagamos a conta. Não lutamos contra gigantes abstratos, o Estado é um moinho concreto que se alimenta do nosso trabalho: é nosso dinheiro que entra; e bem ou mal, é nosso dinheiro que sai para prover o numerário para as restituições de indébito pleiteadas. E se a carga tributária aumenta, é, também, porque alguém tem que pagar mais, para que outros, ou os mesmos, possam restituir mais. Assim, corrompendo-se a legalidade em nome da legalidade, mas em absurdo desrespeito a segurança jurídica, o termo inicial do prazo deixou de ser o "pagamento antecipado" e passou a ser o momento da homologação tácita ou expressa desse pagamento, sob a alegação de que a extinção do crédito só se realiza com a ulterior homologação do pagamento, ex vi do Art. 156, VII do CTN. Firmou-se, assim, a denominada tese dos dez anos, conforme o seguinte acórdão do STJ: Embargos de Divergência em Recurso Especial n° 43.995-5/RS Relator: Min. Cesar Asfor Rocha EMENTA: Tributário — Empréstimo Compulsório sobre a aquisição de combustíveis — Decreto-Lei n° 2.288/86 — Restituição - Decadência — Prescrição — Inocorrência. Consoante entendimento fixado pela egrégia Primeira Seção, sendo o empréstimo compulsório sobre a aquisição de combustíveis sujeito a lançamento por homologação, à falta deste, o prazo decadencial só começa a fluir após o decurso de cinco anos da ocorrência do fato gerador, somados de mais cinco anos, contados estes da homologação tácita do lançamento. Por sua vez, o prazo prescricional tem como termo inicial a data da declaração de inconstitucionalidade da Lei em que se fundamentou o gravame."(DJ: 24/04/1995) Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZATAKAFUJI 34 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 35 Processo n° 10882.000607/2002-35 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.593 Fl. 176 5. Restaurando a legalidade: dura lex, lex sed A efetivação do princípio da legalidade exige o respeito a sua tríplice dimensão: irretroatividade, reserva legal e tipicidade. A tese dos dez anos fere, num só golpe, estas três perspectivas: (i) corrompeu a irretroatividade, criando, projetando e introduzindo, no passado, novo critério legal de prescrição (como o efeito que agora se pretende com a LC 118, só que, aqui, mediante lei); (ii) desrespeitou, flagrantemente, a reserva legal, arrostando matéria de lei para a discrionariedade do Poder Judiciário, ignorando o princípio da separação dos Poderes; e (iii) afrontou a tipicidade do Art. 168, fundamental nas regras de decadência e prescrição, sobrepondo à clareza objetiva do critério da regra posta, a incerta subjetividade de valores contingentes. A legalidade se realiza no ato de aplicação, mas não muda. O artigo 168 sempre esteve lá, da mesma forma, e a LC 118 em nada o alterou. O prazo legal sempre foi, e continua sendo, de 5 anos a contar do pagamento antecipado: primeiro, porque pagamento antecipado não significa pagamento provisório à espera de seus efeitos, mas pagamento efetivo, realizado antes e independentemente de ato de lançamento; segundo, porque se interpretou o "sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento" de forma equivocada como se fosse, necessariamente, uma condição suspensiva que desloca o efeito do pagamento para a data da homologação39. Ocorre que o Art. 150 § 1° refere-se a "condição resolutiva" que, como tal, não impede a plena eficácia do pagamento antecipado que equivale, assim, para todos os efeitos à data da extinção do crédito tributário, no caso dos tributos sujeitos ao Art. 150 do CTN. Desta forma, é a data efetiva em que o contribuinte recolhe o valor, a título de tributo, que haverá de funcionar como dies a quo do prazo de prescrição. Em suma, legalmente, o contribuinte sempre gozou de cinco anos para pleitear o débito do Fisco, e nunca dez. 6. Concluindo: legalidade e as decisões judiciais HERBERT HART4°, analisando a definitividade e a infalibilidade das decisões dos tribunais superiores, faz uma instigante analogia com os jogos em que, num primeiro momento, não há a figura do juiz, mas que, quando instituído, funcionará como marcador oficial dos pontos e cujas decisões serão definitivas. Explica que nesse tipo de sistema passa a ocorrer um novo tipo de interação entre os actantes do jogo, que deixam de opinar sobre a pontuação ou sobre as regras do jogo, porque as determinações do marcador oficial são indisputáveis e definitivas. E continua: 39 LUCIANO AMARO aponta a impropriedade técnica de o CTN dirigir a homologação como condição resolutiva: "Ora, os sinais aí estão trocados. Ou se deveria prever, como condição resolutória, a negativa de homologação (de tal sorte que, implementada essa negativa, a extinção restaria resolvida) ou teria de definir-se, como condição suspensiva, a homologação (no sentido de que a extinção ficaria suspensa até o implemento da homologação). Direito tributário brasileiro, p. 344 40 O conceito de direito, p. 155-6 Assinado digitalmente em 19/0512010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 35Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 36 Não difere dessa situação os julgados do STJ ("marcador oficial") com relação às regras do termo inicial do prazo de prescrição do direito ao indébito: é certo que a autoridade e a definitividade das decisões do STJ são inquestionáveis. Contudo, como ensina BERBERT HART41 : "O resultado é o que o marcador diz que é' não é uma regra de marcação: é uma regra que atribui autoridade e definitividade à aplicação por ele em casos concretos da regra de pontuação". Não é a legalidade: é o simples efeito concreto da coisa julgada. Remanesce, assim, o seguinte problema, como diz o legendário titular da Cadeira de Jurisprudência da Universidade de Oxford: "o fato de as decisões oficiais em descompasso com a regra de jogo serem aceitas não significa que o jogo de críquete ou de basebol já não esteja a jogar-se; por outro lado, se estas distorções forem freqüentes ou se o juiz repudiar a regra do jogo positivada, há que chegar um ponto em que, ou os jogadores não aceitam mais as determinações destoantes do marcador ou, se o fazem, o jogo vem a alterar-se; já não é criquete ou basebol que se joga, mas "o jogo do Juiz" 42. Enfim, a partir do direito e da aplicação efetiva da legalidade, continuamos entendendo, como aliás vimos defendendo desde 23 de maio de 2000, que nunca coube falar em prazo de 10 anos: nem antes, nem depois da tese dos 10 anos; nem antes, nem depois da LC 118. Em suma, o prazo de prescrição no CTN e o direito continuam os mesmos: tudo não passou de um pesadelo e, agora, o dia está amanhecendo, há luz, e todos nós, acordados, podemos nos dar conta deste simples fato: os tribunais interpretam a lei, podendo até alterar sua eficácia legal, mas não alteram a lei... Outro ponto que clama por refutar a tese adotada no acórdão recorrido é o da total inversão da finalidade da prescrição. Explico: esse instituto extintivo do direito de ação, oriundo do direito civil, tem por escopo estabilizar as relações jurídicas e contribuir para a estabilidade social, na medida em que impede que conflitos jurídicos se perpetuem no tempo e passe de uma geração para outra. A tese adotada no acórdão recorrido, simplesmente, mantém a possibilidade de conflitos extintos em um passado distante sejam ressuscitados e venham assombrar a geração presente ou futura. Tome-se, por exemplo, o caso da Lei n°4.502/1964 — lei básica do IPI — que prevê a incidência desse tributo sobre produtos das indústrias gráficas. O Judiciário, sistematicamente, vem decidindo em sentido contrário, que sobre tais produtos incide apenas ISS, e não o imposto federal. A prevalecer a tese esposada no acórdão recorrido, se a União vier a editar qualquer ato dispensando a fiscalização de lançar o IPI sobre esses produtos, o prazo de prescrição do tributo pago desde 1964 seria reaberto, a partir desse ato, que passaria a ser o termo inicial da prescrição. Com isso, poder-se-ia repetir 41 O conceito de direito, p. 156-9. 42 Tradução livre do original: The concept of law, Oxford university Press, 1961. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI 36 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF .F1. 37 Processo n° 10882.000607/2002-35 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.593 Fl. 177 eventuais indébitos relativos a tributos ocorridos no longínquo ano do golpe militar, ou seja, meio século depois. Tal fato acarretaria ônus insuportável aos cofres públicos, de tal monta que, a geração sobrevivente dos anos de chumbo sucumbiria ao caos financeiro decorrente dessa canhestra engenharia jurídica inventada para legitimar, ao arrepio da lei e da constituição, a devolução de um tributo pago por uma geração, que, aliás, dele se beneficiou. Por derradeiro, transcrevo excerto do voto do Luis Marcelo para refutar a tese que defende a renúncia da Fazenda Pública à prescrição. Outro ponto da matéria sob exame que foi objeto de análise pelo Superior Tribunal de Justiça, é a definição dos efeitos do ato governamental que, a teor do artigo 18 da Lei 10.522/2002, resultado de sucessivas conversões da Medida Provisória 1.110, de 1995, que dispensa a adoção de medidas tendentes à cobrança administrativa ou judicial dos tributos declarados inconstitucionais. Conforme já foi dito, este colegiado tem equiparado esses atos à confissão de indébito, capaz de interromper ou de caracterizar renúncia à prescrição que, nesses casos, militaria em favor da Fazenda Pública. Mais uma vez, peço vênia a meus pares para discordar de mais um dos pontos em que se baseia a tese vencedora ora contestada. Em primeiro lugar, penso, estribado na doutrina de Pontes de Miranda43, que é impossível estender, por analogia, as hipóteses de interrupção da prescrição taxativamente expressas na legislação tributária. Por outro lado, independentemente da indisponibilidade dos bens públicos, admitindo, apenas para argumentar, que os interesses em testilha fossem privados, é cediço que, nos termos da Lei n° 10.406, de 2002 (Novo Código Civil), o ato de renúncia 4 deve ser interpretado restritivamente e que a renúncia tácita à prescrição somente se opera pela prática de atos incompatíveis com esse fato preclusivo45. Dessa forma, não consigo enxergar nos atos em questão os efeitos vislumbrados nos votos vencedores. Ao meu ver, no caso da medida provisória n° 1.110, de 1995, que, após sucessivas reedições, foi convertida na Lei n° 10.522, 43 Tratado de direito privado, apud Eurico Marcos Diniz de Senti. Decadência e Prescrição do Direito do Contribuinte e a LC 118: Entre Regras e Princípios, in Temas de Direito Público — Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba. Juruá, 2005, pp 149 a 178. 44Art. 114. Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se estritamente. 45Art. 191. A renúncia da prescrição pode ser expressa ou tácita, e só valerá, sendo feita, sem prejuízo de terceiro, depois que a prescrição se consumar; tácita é a renúncia quando se presume de fatos do interessado, incompatíveis com a prescrição. Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 37Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 38 de 19 de julho de 2002, esse raciocínio ganha ainda mais força dada a ressalva expressa contida no § 3° do seu art. 1846. Nesse aspecto, transcrevo trecho do voto vencedor do Recurso Especial 119- 747.09147 "Sem razão, contudo. Em nosso sistema, considerado o princípio da indisponibilidade dos bens públicos, está assentado o entendimento de que a renúncia à prescrição já consumada em favor da Fazenda Pública não pode ser simplesmente tácita, daí porque, segundo orientação já antiga do próprio STF, é "incensurável a tese de que a renúncia da prescrição em favor da Fazenda Pública só possa fazer-se por lei" (RE 80.153/SP, Segunda Turma, Min. Leitão de Abreu, 13.10.1976). A doutrina posiciona-se em igual sentido: "O Poder Público pode renunciar a direito próprio, mas esse ato de liberalidade não pode ser praticado discricionariamente, dependendo de lei que o autorize. A renúncia tem caráter abdicativo e em se tratando de ato de renúncia por parte da Administração depende sempre de lei autorizadora, porque importa no despojamento de bens ou direitos que extravasam dos poderes comuns do administrador público" (NOBRE JUNIOR, Edilson Pereira. Prescrição: decretação de ofício em favor da Fazenda Pública in Revista Forense 345/35). "A administração, uma vez consumado o prazo prescricional, não pode satisfazer o direito prescrito, salvo autorização legislativa, vez que isso importaria em liberalidade com o patrimônio público, que o executor da lei só pode praticar por determinação da própria lei" (CARVALHO, Selma Dnimond. Aplicabilidade das normas sobre prescrição à Fazenda Pública in Informativo Jurídico Consulex, Volume 14, n° 40, página 11). No presente caso, o art. 18 da Lei 10.5222002 simplesmente dispensou "a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União e o ajuizamento da respectiva execução fiscal" relativamente à quota de contribuição para exportação para o café. Nada dispôs sobre renúncia a prescrição. Pelo contrário, em seu §3° expressamente dispôs que a dispensa nela prevista não autorizava a restituição ex officio de quantias já pagas. Portanto, além de não fazer menção alguma à renúncia à prescrição, a lei deixou claro que não abria mão, espontaneamente, dos valores já recebidos, muito menos, portanto, dos valores já recebidos e insuscetíveis de lhe serem exigidos por via judicial, quando consumada a prescrição. Em outras palavras: não houve renúncia alguma, nem expressa e nem tácita, mas, ao contrário, houve a clara e expressa manifestação no sentido de não abrir mão dos valores já recebidos. Diante do exposto e considerando que no caso em análise o pedido foi protocolado após o transcurso do prazo qüinqüenal, contado a partir da extinção do crédito tributário pelo pagamento, é de reconhecer-se que o direito à repetição pleiteado nestes autos foi alcançado pela prescrição. 46 § O disposto neste artigo não implicará restituição ex officio de quantia paga. 47 Relator: Ministro Teori Albino Zavascici, publicado no DJ de 06/02/2006 Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Autenticado digitalmente em 22/0412010 por CLEUZA TAKAFUJI 38 Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda DF CSRF/CARF MF Fl. 39 Processo n° 10882.000607/2002-35 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.593 FL 178 Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Carlos Alberto Freitas Barreto Assinado digitalmente em 19/05/2010 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, 39Autenticado digitalmente em 22/04/2010 por CLEUZA TAKAFUJI Emitido em 21/05/2010 pelo Ministério da Fazenda
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