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Numero do processo: 16095.000603/2007-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
Ementa: DEBÊNTURES. DESPESAS COM REMUNERAÇÃO. DEDUÇÃO. Inaceitável a dedução dos valores pagos a título de remuneração de debêntures quando demonstrado o caráter de liberalidade dos pagamentos efetuados.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
Ementa: LANÇAMENTO DECORRENTE
Aplica-se ao lançamento tido como decorrente o resultado do julgamento do IRPJ, tendo em vista o liame fático que os une.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
Ementa: JUROS DE MORA. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4) MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA.
Cabe a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício com base na taxa SELIC, nos termos do nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 1402-001.575
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Alexandre Alkmin Teixeira, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Moisés Giacomelli Nunes da Silva, que votaram por dar provimento parcial ao recurso para limitar a glosa ao valor da despesa que excedesse è remuneração do IGPM+6%. Por maioria de votos, manter a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez. Declarou-se impedido o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Alexandre Alkmin Teixeira, que apresentará declaração de voto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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DESPESAS COM REMUNERAÇÃO. DEDUÇÃO. Inaceitável a dedução dos valores pagos a título de remuneração de debêntures quando demonstrado o caráter de liberalidade dos pagamentos efetuados. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 Ementa: LANÇAMENTO DECORRENTE Aplicase ao lançamento tido como decorrente o resultado do julgamento do IRPJ, tendo em vista o liame fático que os une. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 Ementa: JUROS DE MORA. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4) MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Cabe a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício com base na taxa SELIC, nos termos do nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 2967DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Alexandre Alkmin Teixeira, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Moisés Giacomelli Nunes da Silva, que votaram por dar provimento parcial ao recurso para limitar a glosa ao valor da despesa que excedesse è remuneração do IGPM+6%. Por maioria de votos, manter a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez. Declarouse impedido o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Alexandre Alkmin Teixeira, que apresentará declaração de voto. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 2968DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000603/200714 Acórdão n.º 1402001.575 S1C4T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de autos de infração à legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL referentes aos anos calendário de 2002, 2003, 2004 e 2005; para a constituição o crédito tributário, no valor total de R$372.392.753,03 (incluídos o principal, a multa de oficio e os juros de mora devidos até a data da lavratura 07/12/2007) e a redução do Imposto de Renda a Compensar ou ser Restituído, informados nas DIPJ. A autuação tem origem no entendimento fiscal de que o sujeito passivo apropriou indevidamente, nos períodos sob exame, despesas financeiras oriundas da remuneração de debêntures. Foi constatada alteração na cláusula de remuneração contida na escritura de emissão das debêntures, originalmente prevista com base da variação do IGPM mais juros de 6% aa, que passou a ser vinculada ao percentual de 97% do resultado ajustado. Entendeu o Fisco que restou caracterizado o caráter de liberalidade das despesas referentes a essa remuneração, não sendo razoável estabelecer uma cláusula que obrigue a entregar quase a totalidade do resultado positivo aos debenturistas. Cientificada, a interessada apresenta impugnação com os argumentos de defesa abaixo resumidos: Teria ocorrido erro de cálculo nos lançamentos, tendo em conta que com as reduções, efetuadas pela fiscalização, dos saldos negativos de IRPJ dos anoscalendário de 2001 a 2004, deveriam também ser excluídas das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL as variações monetárias ativas incidentes sobre tais saldos negativos, escrituradas pelo regime de competência, com base na variação da taxa Selic; A autuação teria sido motivada pela mudança de critério de remuneração e não em questionamentos acerca de existência e validade das debêntures. Ao solicitar a elaboração de quadro comparativo com a projeção de remuneração dos papeis com base na variação do IGPM + 6% ao ano, a fiscalização estaria a indicar a efetivação da glosa apenas do montante que excedesse tal critério de remuneração, mas por "cobiça arrecadatória" teriam sido glosadas a totalidade das despesas contabilizadas; No que toca à alteração do critério de remuneração das debêntures para 97% do lucro ajustado, afirma a observância do art. 56 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976 (Lei das Sociedades por Ações — LSA), no qual estaria prescrita apenas a possibilidade de as debêntures assegurarem participação nos lucros da companhia, sem imposição de qualquer limite. Assim, com base no principio da livre iniciativa e da liberdade de contratação teria sido estabelecido como critério de remuneração a participação nos lucros. Colaciona doutrina a favor desta forma de remuneração das debêntures; Fl. 2969DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 A acusação de que tal forma de remuneração das debêntures seria desnecessária, por não atender às características da normalidade e da usualidade, seria decorrente de mera presunção, baseada nas seguintes premissas: (i) não ser razoável a alteração, para um critério mais oneroso, de remuneração de debêntures já subscritas; (ii) não ser normal e usual a remuneração de debêntures no percentual de 97% do lucro; (iii) desvio de finalidade da empresa; A remuneração das debêntures no período sob exame mostrouse inferior àquela que seria apurada se aplicados índices de remuneração fixados pelo mercado; Aduz que, se não cancelados integralmente, os lançamentos deveriam ser cancelados parcialmente devido ao excesso de glosa, na medida em que as remunerações das debêntures com base na variação do IGPM + 6% a.a., limitada ao lucro, conforme as disposições originais seriam dedutíveis. Nota que somente as remunerações efetuadas após a mudança do critério de remuneração teriam sido glosadas; Contesta a exigência da CSLL, tendo em conta estar fundada no art. 28 da Lei n° 9.430, de 1996, no qual não se encontra fundamento para a glosa ora perpetrada. Não haveria, no âmbito da legislação da CSLL, a qualificação de despesa normal, usual e necessária, e tal norma válida e vigente para o IRPJ não teria sido mencionada como de aplicação válida também para a CSLL; e: Questiona a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC Em primeira apreciação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento converteu o julgamento do recurso em diligência a fim de que fosse verificada a contabilização das variações monetária ativas incidentes sobre os saldos negativos do IRPJ revertidos ou reduzidos pela autuação. Como resultado da diligência, o Órgão julgador de primeira instância prolatou o Acórdão 0525.532 e deu provimento parcial à impugnação para reduziu o valor tributável com dedução dos valores da variação monetária ativa que incidiram sobre o saldo negativo retificado. Dessa decisão foi interposto recurso de ofício a este Colegiado. Os demais argumentos de defesa foram rejeitados, em decisão consubstanciada na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 Remuneração de Debêntures. Participações nos Lucros. Titularidade Exclusiva dos Acionistas. Para a Lei fiscal, somente são dedutíveis as participações nos lucros atribuídas a debêntures de emissão da companhia, na medida em que essa participação tenha natureza de juros. Conseqüentemente, a possibilidade de dedução dessas participações, deve ser confrontada com o critério de sua necessidade, em face dos objetivos sociais da empresa. Despesas Financeiras. Remuneração de Debêntures. Idedutibilidade.Despesas Desnecessárias. Fl. 2970DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000603/200714 Acórdão n.º 1402001.575 S1C4T2 Fl. 3 5 Configuram ato de liberalidade ou de favor, estranho aos objetivos sociais da empresa, as despesas financeiras com remuneração de debêntures, de titularidade exclusiva dos acionistas, calculadas com base em 97% do lucro ajustado. t ato estranho aos objetivos sociais da empresa produzir lucros para terceiros. Admitirse a dedutibilidade das despesas financeiras com a remuneração de debêntures, pagas aos próprios acionistas do empreendimento, com base em 97% dos lucros ajustado, seria permitir a manipulação pelos contribuintes da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por meio de contratos particulares entre pessoas ligadas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 Despesas Desnecessárias. Ofensa ao Principio da Entidade Contábil. A base de cálculo da CSLL é o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, na qual há determinação expressa para que a escrituração da companhia obedeça também aos princípios de contabilidade geralmente aceitos. O Principio Contábil da Entidade reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial da pessoa jurídica em relação ao patrimônio particular de seus sócios ou acionistas. Reputamse indedutíveis da base de cálculo da CSLL, as despesas desnecessárias, assumidas pela empresa e não vinculadas As suas finalidades essenciais, que assim ofendem diretamente ao principio da entidade. Devidamente cientificado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário a esta Corte ratificando as razões expedidas na peça impugnatória e acrescentando a arguição de nulidade da decisão de primeira instância que teria inovado o lançamento ao dar provimento parcial à impugnação, quando deveria cancelar integralmente o auto de infração e determinar a realização de novo lançamento, e também pelo fato do acórdão recorrido ter mantido a exigência da CSLL com base em argumentos não suscitados pela autoridade lançadora. Além disso, questionou a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício e solicitou a dedução do IRRF pago sobre o valor da remuneração. É o Relatório. Fl. 2971DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO RECURSO DE OFÍCIO A interessada apurou saldo negativo do IRPJ nos períodos de apuração objetos da ação fiscal. Tendo em vista que esses valores representavam um crédito a seu favor, apropriou receitas a título de variação monetária ativa sobre esses montantes. O cômputo na receita foi demonstrado através do procedimento de diligência determinada pelo Órgão julgador de primeira instância. Se parte do saldo negativo foi desconsiderado como decorrência das irregularidades apuradas, como conseqüência lógica a variação monetária oferecida à tributação, e correspondente a esse valor desconsiderado, deve ser excluída do resultado. A meu ver agiu bem a decisão recorrida motivo pelo qual voto por negar provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso é tempestivo, e preenche as demais condições de admissibilidade motivo pelo qual dele conheço. Em caráter preliminar, a recorrente suscita a nulidade da decisão de primeira instância que teria inovado o lançamento, seja por não têlo cancelado ao invés de darlhe parcial provimento, seja por ter mantido a autuação da CSLL com base em razões não suscitadas na autuação. A prevalecerem as razões de defesa nessa questão, na prática deixaria de existir a possibilidade do provimento parcial à impugnação ou recurso voluntário apresentado. Ao contrário do alegado, penso que a adequação da exigência, com exclusão de valores que não deveriam integrála e manutenção do remanescente, caracteriza a típica atividade julgadora. Com relação à CSLL, ainda que a decisão recorrida para reforçar os argumentos tenha feito menção ao princípio contábil da entidade, não deixou de contestar especificamente as razões de defesa: [....] Fl. 2972DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000603/200714 Acórdão n.º 1402001.575 S1C4T2 Fl. 4 7 Quanto ao fato de constar da exigência de CSLL apenas o enquadramento no art. 28 da Lei n° Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não assiste razão A Impugnante. Destaquese que, na autuação, constam também os dispositivos abaixo reproduzidos: [....] Mais além: [.....] Encontrase especificamente mencionado nas autuações o art. 2° e seus parágrafos da Lei n° 7.689, de 1988, que dá completo amparo às exigências ora formalizadas, na medida em que explicita que a base de cálculo da CSLL é o resultado do período base, apurado com observância da legislação comercial. [.....] Assim, rejeitase a preliminar. Em relação ao resultado do julgamento proferido nos autos do processo 13820.000860/200210, ainda que trate da mesma matéria e do mesmo sujeito passivo, não vincula este julgador pois os processos não são reflexos. Explicase: Entendase como decorrente a exigência que só poderia existir a partir de uma outra. Caso típico são as autuações de PIS e Cofins (reflexos) no caso de omissão de receita tributada no IRPJ (principal). Cancelada a exigência do IRPJ pela desqualificação da omissão, não há como prosperarem as autuações do PIS e da Cofins. No presente caso, se por hipótese a decisão caminhar no sentido da manutenção da exigência, haveria uma divergência entre turmas julgadoras numa questão de direito, a ser dirimida em sede de recurso especial. O questionamento em relação à inexistência de base legal para a glosa das despesas em relação à CSLL não resiste a uma análise básica. Isso porque o art. 28, da Lei nº 9.430/96 deve ser analisado em conjunto com toda a legislação que trata da CSLL. Atentese para o texto desse dispositivo, na redação à época dos períodos sob exame (destaque acrescido): Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1o a 3o, 5o a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. Verificase que o dispositivo remete às normas da legislação vigente e não apenas aos dispositivos expressamente mencionados. O alcance do texto vai muito além do que deseja crer a recorrente. Sob esse prisma, vejase o art. 13, da Lei nº 9.249/95 (destaques acrescidos): Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: Fl. 2973DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 [.......] O art. 47, da Lei nº 4.506/64 é o fundamento legal do art. 299, do RIR/99 que dispõe justamente sobre a necessidade, usualidade e normalidade das despesas. A abrangência do art. 28, da Lei nº 9.430/96 supre a ausência de menção do art. 13 da Lei nº 9.249/95 no enquadramento legal. No mérito, a primeira constatação a ser feita é que a emissão e a subscrição das debêntures não implicou na captação efetiva de recursos. A integralização ocorreu com aproveitamento de créditos oriundos de debêntures anteriores. Além disso, as características do título são reveladoras de um planejamento instrumentalizado, merecedor de análise mais acurada. Devese salientar que o cerne da lide não se limita, como sustenta a recorrente, no fato da remuneração ter sido inferior àquela que seria decorrente da utilização de índices do mercado financeiro, mas sim na avaliação da transação sob a ótica da usualidade e normalidade com vistas à conclusão de sua necessidade. Não há ilegalidade em vincular a remuneração do título à participação no resultado. De fato, essa possibilidade tem previsão expressa. Entretanto, a doutrina majoritária não entende a remuneração de debêntures desvinculada de juros como usual e normal. Em comentário sobre a Lei nº 6.404/76, Amador Paes de Almeida1 sustenta: Ponto altamente controvertido na nova Lei, e que, por isso mesmo vem se constituindo em objeto de controvérsias, é a regra estabelecida no art. 56, que faculta participação nos lucros da companhia ao debenturista. Manifestandose a respeito, assim se expressou a Federação do Comércio do Estado de São Paulo: ‘A debênture é título característico de empréstimo, sendo os juros e a correção monetária a remuneração a ela peculiar, não se justificando a concessão de vantagens adicionais, dada a natureza do negócio jurídico que origina seu lançamento. Lucro é remuneração de capital de risco e, salvo o caso especial das ‘partes beneficiárias’, não deve ser estendido a outros títulos que não as ações. (grifo acrescido) Na mesma linha, José Edwaldo Tavares Borba2: ......A debênture, como título de renda fixa, deveria oferecer sempre uma taxa determinada de juros. A atual lei, entretanto, alterando o sistema anterior, estabelece que ‘a debênture poderá assegurar juros fixos ou variáveis, participação no lucro da companhia e prêmio de reembolso. Criamse, desse modo, alternativas várias para a empresa emitente, que poderá optar entre uma taxa certa de juros e uma taxa variável, ou, até mesmo, fazer depender o rendimento do título do lucro da empresa, dandolhe caráter de mera participação. Essa flexibilidade não se afigura conveniente, uma vez que atenta contra a tradição brasileira, a qual, em matéria de títulos de crédito, sempre se fundou na certeza. Uma debênture cujo rendimento depende do desempenho da emitente não é uma verdadeira debênture e sua existência, sob o aspecto psicológico, apresenta a desvantagem de esgarçar a consistência do título, descaracterizandoo...... (grifo acrescido) Borba menciona Fernando Mendonça3 : 1 ALMEIDA, Amador Paes de. Teoria e Prática dos Títulos de Crédito. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1989, p. 313 2 BORBA, José Edwaldo Tavares. Direito societário. 9. ed. Rio de Janeiro: Renovar, p.270. Fl. 2974DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000603/200714 Acórdão n.º 1402001.575 S1C4T2 Fl. 5 9 Há quem admita, em virtude dos termos da lei atual, que o rendimento da debênture possa consistir, tão somente, em participação no lucro. Não nos parece ser o melhor entendimento” (...) “Interpretação diversa, no sentido de se poder deixar de atribuir juros à debênture, levaria à descaracterização do título. Com efeito, debênture sem juro, com participação no lucro apenas, não teria a natureza de debênture, mas a de parte beneficiária.. (grifo acrescido) Podese concluir que sem embargo da ausência de vedação legal, está longe de ser usual ou normal o estabelecimento da remuneração do título nos moldes efetuados pela interessada. O comprometimento de 97% do resultado com a remuneração do título é incompatível com as necessidades da empresa de, como alegado, gerar recursos para o Banco Safra. A cláusula de remuneração, por si só, já demonstraria o caráter de liberalidade dos pagamentos. O fato de que a aplicação de índices do mercado financeiro poderia gerar uma remuneração maior é questão circunstancial, que não elide o raciocínio aqui esposado. Na peça recursal a interessada tenta fazer uma distinção entre o presente caso e outras situações na quais não foi aceita a remuneração das debêntures, principalmente por se tratar aqui de uma holding enquanto naqueles seriam empresas operacionais. Penso que a interessada não foi feliz nesse intento pois são muitos os pontos em comum, principalmente a ausência na ausência do ingresso de recursos, a similaridade das cláusulas de remuneração e o fato dos beneficiários serem os próprios acionistas. A inquestionável autonomia na gestão empresarial não é ilimitada, a ponto de legitimar procedimentos que se mostrem voltados exclusivamente à redução artificial da carga tributária. Manifestandose em caso idêntico ao presente, a Ilustre Conselheira SANDRA MARIA FARONI, da 1ª Câmara deste Colegiado, sustentou com precisão (Acórdão 101 94.986, Sessão de 19/05/2005): Não se discute que o empresário pode gerir seus negócios com inteira liberdade, inclusive sendo lícito e até desejável fazêlo de forma a obter maior economia de tributos possível. Há, todavia, uma diferença entre atuações que objetivam os negócios empresariais e atuações que objetivam exclusivamente reduzir artificialmente a carga tributária. O direito do contribuinte de autoorganizar sua vida não é ilimitado. Os direitos de alguns sofrem limitações impostas pelos direitos de outrem. Atuando dentro da lei, o empresário é livre para gerir os seus negócios, mas não para gerir os negócios do Estado. A mais moderna corrente doutrinária entende que a ótica da análise não deve ser sob o ângulo da licitude ou ilicitude (a licitude é requisito prévio), mas sim, da oponibilidade ou inoponibilidade dos seus efeitos ao fisco. O conceito de legalidade a ser observado não tem sentido estrito de corresponder à conduta que esteja de acordo com os preceitos específicos da lei, mas sim um sentido amplo, de conduta que esteja de acordo com o Direito, que abrange, além da lei, os princípios jurídicos.3 Assim, cada caso deve ser analisado com cuidado, para decidir sobre a oponibilidade ao fisco dos negócios formalizados. 3 MENDONÇA, Fernando. Dêbêntures. São Paulo: Saraiva. 1988, p.14. Fl. 2975DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 10 Dentro dessa ótica, se o negócio lícito, embora inusual, se apoiar em causas reais, em legítimos propósitos negociais, contra ele o Fisco nada pode objetar. Todavia se adotada uma forma de negócio jurídico inusual, sem um real propósito negocial , mas visando apenas reduzir artificialmente a carga tributária, o Fisco a ele pode se opor. Quanto à não submissão dos pagamentos às condições de dedução estabelecidas no art. 299, do RIR/99; tomo a liberdade de transcrever trechos do voto condutor do Acórdão 1014.432, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre que analisou a matéria com precisão: [.....] O Decretolei nº 1.598/77 foi editado para adaptar a legislação do imposto de renda face à introdução da lei das sociedades anônimas (Lei nº 6.404/76). Sua exposição de motivos revela: 26. A lei de sociedade por ações conceitua as participações como deduções do lucro líquido do exercício, pois do ponto de vista dos acionistas são despesas, que reduzem o montante do lucro que lhes cabe. Para a lei fiscal, todavia, somente são dedutíveis as participações atribuídas a empregados (o que traduz a orientação de estimular, através do tributo, a participação dos assalariados nos resultados da empresa) ou às debêntures de emissão da companhia (porque a participação, nesse caso, é modalidade de juros). O projeto mantém os dispositivos da legislação em vigor que não admitem dedução das participações pagas a partes beneficiárias e a administradores. (Grifei.) Em sendo “modalidade de juros”, as participações também seriam consideradas despesas pela lei fiscal. O art. 462 do RIR/99 tem sua base legal no art. 58 do DecretoLei n 1.598/97. A Lei das S.A. reestruturou a disciplina das debêntures (arts. 52 a 74), prevendolhes a participação nos lucros da sociedade. Contabilmente, tal participação seria demonstrada no resultado do exercício: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: VI as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, e as contribuições para instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados; O cálculo das participações é regrado pela lei das S.A.: Art. 190. As participações estatutárias de empregados, administradores e partes beneficiárias serão determinadas, sucessivamente e nessa ordem, com base nos lucros que remanescerem depois de deduzida a participação anteriormente calculada. A sucessividade do cálculo restou imprecisa ao não serem mencionadas as participações de debêntures; no entanto, a interpretação corrente é de que tais participações seriam as primeiras a serem calculadas, tendo em vista a ordem colocada no art. 187, VI. Das quatro participações de terceiros sobre os lucros das empresas, apenas duas delas foram reputadas dedutíveis pelo Decretolei nº 1.598/77: Art. 58. Podem ser excluídas do lucro líquido do exercício, para efeito de determinar o lucro real, as participações nos lucros da pessoa jurídica: I atribuídas a seus empregados segundo normas gerais aplicáveis, sem discriminações, a todos que se encontrem na mesma situação, por dispositivo do estatuto ou contrato social, ou por deliberação da assembléia de acionistas ou sócios quotistas; II asseguradas a debêntures de sua emissão. Fl. 2976DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000603/200714 Acórdão n.º 1402001.575 S1C4T2 Fl. 6 11 Parágrafo único. Serão adicionadas ao lucro líquido do exercício, para efeito de determinar o lucro real, as participações nos lucros da pessoa jurídica atribuídas a partes beneficiárias de sua emissão e a seus administradores. As debêntures emitidas pela autuada previram a “participação nos lucros antes dos impostos, excluídos os valores de equivalência patrimonial”. Tal especificação não é a recomendada pelo art. 189 da Lei das S.A.: Art. 189. Do resultado do exercício serão deduzidos, antes de qualquer participação, os prejuízos acumulados e a provisão para o Imposto sobre a Renda. Portanto, como as participações adotadas para remuneração das debêntures não seguiram os parâmetros da Lei da S.A., é de se questionar se poderiam estar sujeitas ao regime fiscal diferenciado estabelecido pelo Decretolei nº 1.598/77 (art. 462 do RIR/99), já que essa norma foi editada em razão da Lei das S.A. Se essa assertiva não foi proposta no auto de infração deve, no entanto, ser considerada como obstáculo à sustentação da impugnante de que o art. 462 seria regra impeditiva à aplicação do art. 299. As considerações acima demonstram que participações nos lucros por debêntures são despesas, sendolhes aplicável o art. 299 do RIR/99 em conjunto com o art. 462. No caso que se trata, o art. 462 até poderia ser afastado porque as participações concedidas não reuniram os requisitos legais para seu benefício. É oportuna a transcrição de parte do Parecer Normativo CST nº 99/78, ao interpretar o art. 58 do DecretoLei nº 1.598/77, quando esclarece a razão de não serem dedutíveis as participações dos administradores e das partes beneficiárias: 2. As participações nos lucros da pessoa jurídica atribuídas a administradores e a partes beneficiárias não devem influir na base de cálculo do imposto, e portanto, devem ser acrescidas ao lucro líquido (art. 58, § único). 2.1 Esse acréscimo tornase necessário para recompor os resultados, de tal modo que a base impositiva não seja afetada por valores estranhos aos conceitos de custos ou despesas necessários à percepção do rendimento ou à manutenção da fonte produtora, segundo a lei fiscal. Assim é porque a Lei nº 6.404/76 (art. 187, VI) manda subtrair, para obtenção do lucro líquido do exercício, do resultado do exercício, participações especificadas, dentre elas as dos administradores e das partes beneficiárias. 2.2 Tais participações estão deduzidas do lucro líquido do exercício (art. 6º, § 1º, do DL nº 1.598/77) com que é aberta a demonstração do lucro real (art. 8º, § 1º, D.L. nº 1.598). A adição ao lucro líquido, mandada fazer pelo parágrafo único do art. 58, apenas anula a dedução antes feita. (Grifei.) O parecer normativo enfatiza a idéia de que os custos ou despesas com participações somente seriam dedutíveis se fossem necessários à atividade operacional da empresa. Isso é o mesmo que preconiza o art. 299 do RIR/99. [....] Por tudo que foi exposto, entendo que a emissão das debêntures e, por conseqüência, a remuneração do título constituiuse em ato de liberalidade, sendo inaceitável a dedução pela interessada da remuneração paga aos acionistas. No que se refere ao IRRF sobre os rendimentos pagos aos debenturistas, o pedido de compensação suscitado pela requerente parte de uma premissa equivocada. Afirma na peça recursal que (destaque acrescido): Fl. 2977DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 12 [....] Ora, se, por um lado, a Fiscalização desconsiderou a despesa reconhecida pela Recorrente, refez o cálculo do IRPJ e o lançou, deveria, de outro, ter levado em consideração o IRRF acima referido e têlo compensado na apuração final. [.....] Na verdade não houve a desconsideração pura e simples da despesa, como se inexistente, mas sim a não aceitação da dedutibilidade. De fato, se a operação fosse considerada simulada o rendimento pago se convolaria em dividendos e não se justificaria a incidência na fonte. Não foi o que ocorreu, no presente caso. Descabe, portanto, a compensação suscitada. Em primeiro lugar, porque a incidência decorre de disposição expressa da norma e em segundo lugar, pelo fato do ônus do imposto ser do debenturista e não da fonte pagadora. A cobrança de juros de mora com indexação à taxa SELIC é matéria consolidada neste Colegiado nos termos da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais Quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício exigida junto com o tributo é tema que adquiriu relevância neste Colegiado em vista de julgamentos recentes que poderiam direcionar a jurisprudência para a não incidência do acréscimo sob exame. Argumentos dignos de respeito foram trazidos à baila para rechaçar a cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício não isolada, particularmente em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, e sensibilizeime com eles em alguns julgados. Entendo que a lide merece cuidadosa reflexão, inclusive por envolver interpretações de natureza semântica, terreno escorregadio para quem, como este relator, está longe de ser um exegeta. A meu ver, a previsão de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício estaria plenamente configurada no bojo do art. 161, do CTN: Art. 161.0 crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. (......) Em primeiro lugar, a acepção da palavra crédito deve ser feita em consonância com o fato de que após o lançamento de ofício a multa aplicada passa a integrar aquele valor. Não há base para a segregação almejada, pois a obrigação tributária principal é composta tanto pelo tributo como pela penalidade pecuniária. Não se quer dizer que a norma Fl. 2978DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000603/200714 Acórdão n.º 1402001.575 S1C4T2 Fl. 7 13 equipare penalidade pecuniária a tributo pois, por definição, esse último não tem natureza de sanção. No acórdão 10422.508 de lavra do Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, a questão foi magnificamente tratada conforme transcrição: Ora, se o crédito tem a mesma natureza da obrigação principal e esta tem por objeto o pagamento de tributos e penalidades pecuniárias, é evidente que o crédito tributário compreende um e outro. Isso não quer dizer em absoluto que o CTN equipare penalidade pecuniária a tributo, que não tem natureza de sanção. Nesse mesmo sentido, no art. 142 que define o procedimento de lançamento, por meio do qual se constitui o crédito tributário, o legislador não esqueceu de mencionar a imposição da penalidade. Da mesma forma, o art. 175, II, ao se referir à anistia como forma de exclusão do crédito tributário, afasta qualquer dúvida que ainda pudesse remanescer sobre a inclusão da penalidade pecuniária no crédito tributário, pois não seria lícito atribuir ao legislador ter dedicado um inciso especificamente para tratar da exclusão do crédito tributário de algo que nele não está contido. Poderseia argumentar em sentido contrário dizendo que, mesmo estando a penalidade pecuniária contida no crédito tributário, ao se referir a "crédito" no artigo 161, o Código não estaria se referindo ao crédito tributário, mas apenas ao tributo. Questionase, por exemplo, o fato de a parte final do caput do artigo fazer referência à imposição de penalidade e, portanto, se os juros seriam devidos, sem prejuízo da aplicação de penalidades, estas não poderiam estar sujeitas aos mesmos juros. Inicialmente, conforme a advertência de Carlos Maximiliano, não vejo como, num artigo de lei, em um capitulo que versa sobre a extinção do crédito tributário e numa seção que trata do pagamento, forma de extinção do crédito tributário, a expressão "o crédito não integralmente pago" possa ser interpretado em acepção outra que não a técnica, de crédito tributário. Sobre a alegada contradição entre a parte inicial e a parte final do dispositivo que essa interpretação ensejaria, penso que tal imperfeição, de fato existe. Mas se trata aqui de situação como a que me referi nas considerações iniciais, em que as limitações da linguagem ou mesmo as imperfeições técnicas que o processo legislativo está sujeito produzem textos imprecisos, às vezes obscuros ou contraditórios, mas que tais ocorrências não permitem concluir que a melhor interpretação do texto é aquela que harmoniza a própria estrutura gramatical do texto, e não aquela que melhor harmoniza esse dispositivo com os demais que integram o diploma legal. É interessante notar que em outro artigo do mesmo CTN o legislador incorreu na mesma aparente contradição ao se referir conjuntamente a crédito tributário e a penalidade. Refirome ao art. 157, segundo o qual "A imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário". Uma interpretação apressada poderia levar à conclusão de que a penalidade não é parte do crédito tributário, pois a sua imposição não poderia excluir o pagamento dela mesma. Porém, essa inconsistência gramatical não impediu que a doutrina, de forma uníssona, embora a remarcando, mas não por causa dela, extraísse desse tato à prescrição de que a penalidade não é substitutiva do próprio tributo, estremando nesse ponto o Direito Tributário de certas normas do Direito Civil em que penalidade é substitutiva da obrigação; de que o fato de se aplicar uma penalidade pelo não pagamento do tributo, por exemplo, não dispensa o infrator do pagamento do próprio tributo. Fl. 2979DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 14 Esse é o entendimento manifestado por Luciano Amaro, que não se desapercebeu dessa incoerência gramatical do texto. Vejase: A circunstância de o sujeito passivo sofrer imposição de penalidade (por descumprimento de obrigação acessória, ou por falta de recolhimento de tributo) não dispensa o pagamento integral do tributo devido, vale dizer, a penalidade é punitiva da infração à lei; ela não substitui o tributo, acrescese a ele, quando seja o caso. O art. 157 diz que a penalidade não ilide o pagamento integral "do crédito tributário", mas como, na conceituação dos arts. 113, § 1°, e 142, a obrigação e o crédito tributário englobariam a penalidade pecuniária, o que o Código teria que ter dito, se tivesse a preocupação de manter sua coerência interna, é que a penalidade não ilide o pagamento integral "do tributo", pois não haveria sequer possibilidade lógica de uma penalidade excluir o pagamento de quantia correspondente a ela mesma.(Amaro, Luciano – Direito Tributário Brasileiro, 10 ed., Atual São Paul, pág. 379). Do até aqui exposto, estaria esclarecida a possibilidade da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Considerando que o parágrafo primeiro do art. 161, do CTN estabelece que os juros devem ser calculados à taxa de 1% ao mês, salvo disposição de lei em sentido diverso, cabe agora avaliar a existência de norma prevendo a incidência da taxa Selic. Ainda que a discussão envolva, precipuamente, fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, cabe um resumo cronológico da questão com vistas a uma análise mais abrangente, começando pelo DecretoLei nº1.736/1979 (todos os destaques foram acrescidos): Art 1° O débito decorrente do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, do imposto sobre produtos industrializados, do imposto sobre a importação e do imposto único sobre minerais, não pago no vencimento, será acrescido de multa de mora, consoante o previsto neste Decretolei. (......) Art 2° Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do dia seguinte ao do vencimento e à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário, ou fração, e calculados sobre o valor originário. Parágrafo único. Os juros de mora não são passíveis de correção monetária e não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo 1°. Art 3° Entendese por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e ao encargo previsto no artigo 1° do Decretolei n°. 1.025, de 21 de outubro de 1969, com a redação dada pelos Decretosleis n°. 1.569, de 8 de agosto de 1977, e n°. 1.645, de 11 de dezembro de 1978. (......) Constatase a previsão da incidência de juros de mora, a razão de 1% ao mês, sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional calculados sobre o valor originário, o que incluiria a multa de ofício como se pode concluir pelo exame do art. 3º. Nesse ponto, notase que o parágrafo único do art. 2º expressamente registrava a não incidência dos juros sobre a multa de mora, e não sobre a multa de oficio. Fl. 2980DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000603/200714 Acórdão n.º 1402001.575 S1C4T2 Fl. 8 15 Posteriormente, o Decreto Lei nº 2.323/87 ao tratar da matéria manteve em essência a redação supra transcrita, o que implica na incidência dos juros sobre a multa de ofício, ressalvando apenas que o cálculo seria feito sobre o débito atualizado monetariamente: Art. 16. Os débitos, de qualquer natureza, para com a Fazenda Nacional e para com o Fundo de Participação PISPASEP, serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do mês seguinte ao do vencimento, à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário ou fração e calculados sobre o valor monetariamente atualizado na forma deste decretolei. Parágrafo único. Os juros de mora não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo anterior. A seguir, a Lei nº 7.738/89 trouxe uma inovação, qual seja, restringiu os juros de mora aos tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda o que implicou na não incidência sobre as penalidades, inclusive a multa de ofício: Art. 23. Os tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de trinta por cento e a juros de mora na forma da legislação pertinente, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição atualizado monetariamente. (........) Na mesma linha conduziuse a Lei nº 7.799/89. Algum tempo depois, com o advento da Lei 8.218/91, retornou a incidência dos juros de mora sobre os débitos de qualquer natureza com a Fazenda Nacional, e calculados com base na TRD: Art. 3º Sobre os débitos exigíveis de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional,bem como para o Instituto Nacional de Seguro Social INSS, incidirão: I juros de mora equivalentes à Taxa Referencial Diária TRD acumulada, calculados desde o dia em que o débito deveria ter sido pago, até o dia anterior ao do seu efetivo pagamento; e II multa de mora aplicada de acordo com a seguinte Tabela: (.......) §2 – A multa de mora de que trata este artigo não incide sobre o débito oriundo de multa de ofício A exclusão determinada pelo § 2º, no que se refere à não incidência da multa de mora, deixa claro que o legislador inclui a multa de ofício no rol dos “débitos exigíveis de qualquer natureza” de que trata o caput e, portanto, sujeita a juros de mora equivalente à TRD. Logo após, a Lei nº 8.383/91, com vigência a partir de 01/01/1992, estabeleceu que os débitos tributários seriam expressos em UFIR, o que incluiria a multa de Fl. 2981DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 16 ofício. Além disso, a norma trouxe de volta a taxa de juros de 1% ao mês, com incidência sobre tributos e contribuições: Art. 59. Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. (......) Com o advento da Lei nº 8.981/95, deflagrouse o processo de adequação dos débitos tributários ao novo padrão monetário voltado para a desindexação da economia. Além de estabelecer a conversão dos débitos de UFIR para Real a norma trouxe o cálculo dos juros com base na taxa de captação pelo Tesouro Nacional da Dívida Pública: Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Divida Mobiliária Federal Interna; (.....) A Selic foi introduzida pela Lei nº 9.065/95: Art. 13. A partir de 1° de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei n°. 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art 6° da Lei n°. 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei n°. 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei n°. 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Importantíssimo detalhe quanto ao art. 84 da Lei 8.981/95, foi a inclusão do § 8º no seu texto, alteração trazida pela Medida Provisória nº 1.110, de 30/08/1995, nos seguintes termos: § 8º O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Divida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Também merece destaque os artigos 25 e 26 da Medida Provisória nº 1.542, de 18 de dezembro de 1996 (convertida na Lei nº 10.522/2002, arts. 29 e 30) Art. 25. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 30 de agosto de 1995, ou que, na data de início de vigência desta norma ainda não tenham sido encaminhados para a inscrição em Dívida Ativa da União, Fl. 2982DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000603/200714 Acórdão n.º 1402001.575 S1C4T2 Fl. 9 17 expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para Real, com base no valor daquela fixado para 1º de janeiro de 1997. (...) Art. 26. Em relação aos débitos referidos no artigo anterior, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1º de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Antes de adentrar à legislação específica aplicável aos fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997 (Lei nº 9.430/96) cabe uma avaliação do arcabouço legal supra transcrito. Vêse que a legislação anterior que versou sobre a matéria referiuse a débitos de qualquer natureza, quando quis fazer incidir os juros sobre os débitos em geral incluindo a multa de ofício; ou a tributos e contribuições, quando a multa não deveria sofrer a incidência de juros. Assim, para os fatos geradores ocorridos até 31/12/1996, houve períodos em que não incidiria os juros sobre a multa de ofício por disposição legal, ou pela ausência dela? A resposta é que, na prática, com as sucessivas alterações legislativas isso não ocorreu. Vamos aos fatos: O arts.25 c/c art. 26 da MP nº 1.542/96 estabelece a incidência da taxa Selic a partir de janeiro de 1997, sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional com fatos geradores ocorridos até 31/12/1994, o que inclui a multa de ofício. A Lei nº 8.383/91 determinou que os débitos para com a Fazenda Nacional fossem convertidos em UFIR ,o que abarcou a multa de ofício nos termos do parágrafo único do art. 58 dessa norma. A Lei nº 8.383/91 não estabelece textualmente a incidência de juros de mora sobra a multa de ofício mas, na verdade, essa penalidade foi estipulada em UFIR, sofrendo a variação desse indicador até 31/12/1994 e a taxa Selic a partir daí. Quanto à alegação de que os dispositivos mencionados serviriam de limitação à incidência dos juros de mora sobra a multa apenas a fatos geradores ocorridos até 31/12/1994, volto a usar os argumentos do Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, no voto acima mencionado: Cabe analisar, por fim, o comando constante dos artigos 29 e 30 da Lei n°. 10.522, de 2002, introduzidos pela MP 1.542, de 18 de dezembro de 1996. Esses dois artigos em conjunto prevêem a incidência de juros Selic sobre débitos de qualquer natureza cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, o que é invocado às vezes como argumento no sentido de que a lei limitou a incidência dos juros Selic sobre os débitos de qualquer natureza aos fatos geradores ocorrido até 1994. Fl. 2983DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 18 Tal conclusão, todavia, é fruto de uma análise meramente gramatical e isolada dos dispositivos, sem preocupação com a natureza da matéria que se pretende regular. É que os dois artigos claramente regularam uma situação pendente, decorrência desse processo de desindexação dos tributos, relacionada com a Lei n°. 8.981, de 1995, em especial com o seu artigo 5°, transcritos acima. Relembrese que a Lei n°. 8.981, de 1995 determinou que a partir de 1° de janeiro de 1995, os tributos e contribuições seriam apurados em Reais (art. 6°), e não mais em Ufir, como até então. Mas os débitos relativos aos fatos geradores até 31 de dezembro de 1994, continuavam sendo apurados em Ufir e convertidos para Reais apenas quando do pagamento (art. 5"), e sobre esses incidiam juros de mora de 1% ao mês (art. 84, § 5°). O que a Medida Provisória n°. 1.541, de 18 de dezembro de 1996 (convertida na Lei n". 10.522, de 2002) fez foi regular a situação dos débitos relativos a fatos geradores até 31/12/1994 que, por não terem sido pagos ou parcelados, continuavam sendo controlados e apurados em Ufir, ao mesmo tempo em que determinava que, a partir de 1° de janeiro de 1997, os débitos relativos a fatos geradores ocorridos até 31/12/1994 seriam lançados em Reais. E determinou também que, a partir de 1° de janeiro de 1997, esses mesmos débitos, que antes eram atualizados monetariamente e acrescidos de juros de mora de 1% ao mês, e, a partir de 1° de janeiro de 1997 não mais sofreriam correção monetária, passariam a incidir juros de mora com base na taxa Selic. Portanto, não há como entender que os artigos 25 e 26 da Medida Provisória n°. 1.541, de 1996, estivessem limitando a incidência de juros Selic aos débitos referentes a fatos geradores até 31/12/1994, mas apenas que eles regulavam uma situação especifica desses débitos. Ao contrário, o fato de a lei determinar a incidência de juros Selic, a partir de janeiro de 1997, sobre os débitos de qualquer natureza, relacionados com fatos geradores até 31/12/1994, denota uma clara tendência de aplicação de juros Selic sobre os débitos em geral. No que se refere ao período de 01/01/1995 a 31/12/1996, sustentam alguns que o Parecer MF/SRF/Cosit nº 28/98 teria deixado claro não ser exigível a incidência de juros sobre a multa de ofício tendo em vista as disposições do inciso I, do art. 84, da Lei nº 8.981/95. O mencionado Parecer, ainda que conclua pela incidência dos juros sobre a multa de ofício para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, de fato manifestase nos termos dessa tese. Entretanto, constatase que o referido Ato Administrativo não levou em consideração a alteração legislativa trazida pela MP nº 1.110, de 30/08/95, que acrescentou o § 8º ao art. 84, da Lei 8.981/95, já transcrito em momento anterior deste voto, e que estendeu os efeitos do disposto no caput aos demais créditos da Fazenda Nacional cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Do até aqui exposto, pareceme ter ficado patente a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício para os fatos geradores ocorridos até 31/12/1996 ainda que se considere, o que não é meu caso salientese, que as disposições do art. 161, do CTN seriam insuficientes para autorizar essa cobrança. Para os fatos geradores ocorridos a partir da 01/01/1997, a análise envolve fundamentalmente o alcance do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Grande parte da controvérsia gira em torno do sentido, conteúdo e alcance de determinados vocábulos e locuções do texto da lei, aos quais se atribuem diferentes significações, o que reclama uma apreciação preliminar sobre esse tipo de ocorrência. Fl. 2984DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000603/200714 Acórdão n.º 1402001.575 S1C4T2 Fl. 10 19 Como afirmei no início deste voto, meu desconhecimento da ciência hermenêutica mostrase agora um limitador. Cabeme buscar apoio no mestre maior com vistas a embasar minhas conclusões. Assim, vejamos Carlos Maximiliano4 (todos os destaques não são do original): a) Cada palavra pode ter mais de um sentido; e acontece também o inverso – vários vocábulos se apresentam com o mesmo significado; por isso, da interpretação puramente verbal resulta ora mais, ora menos do que se pretendeu exprimir. Contornase em parte, o escolho referido, com examinar não só o vocábulo em si, mas também em conjunto, em conexão com outros; e indagar do seu significado em mais de um trecho da mesma lei, ou repositório. Em regra, só do complexo das palavras empregadas se deduz a verdadeira acepção de cada uma, bem como a idéia inserta no dispositivo. b) O juiz atribui aos vocábulos o sentido resultante da linguagem vulgar, porque se presume haver o legislador, ou escritor, usado expressões comuns; porém, quando são empregados termos jurídicos, deve crerse ter havido preferência pela linguagem técnica. Não basta obter o significado gramatical e etimológico, releva, ainda, verificar se determinada palavra foi empregada em acepção geral ou especial, ampla ou restrita; se não se apresenta às vezes exprimindo conceito diverso do habitual. O próprio uso atribui a um termo sentido que os velhos lexicógrafos jamais previram. Enfim, todas as ciências, e entre elas o Direito, têm a sua linguagem própria, a sua tecnologia; deve o intérprete levála em conta; bem como o fato de serem as palavras em número reduzido, aplicáveis, por isso, em várias acepções e incapazes de traduzir todas as graduações e finura do pensamento. No Direito Público usam mais dos vocábulos no sentido técnico; em Direito Privado, na acepção vulgar. Em qualquer caso, entretanto, quando haja antinomia entre os dois significados, prefirase o adotado geralmente pelo mesmo autor, ou legislador, conforme as inferências deduzíveis do contexto. Pois bem. Com base nas explanações do mestre, tentarei analisar o sentido do art. 61, da Lei nº 9.430/96, no que se refere aos juros de mora, num contexto mais amplo do que a simples literalidade do texto. O dispositivo em questão estabelece: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. 4 Maxirniliano, Carlos Hermenêutica e Aplicação do Direito Rio de Janeiro, Forense, 2002. pág. 89/91. Fl. 2985DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 20 A interpretação literal levou julgadores de muito respeito nesta Corte a entenderem que a expressão “decorrentes” excluiria a multa de ofício do dispositivo, pois esta não decorreria dos tributos ou contribuições, mas do descumprimento do dever legal de pagá lo. Tenho dificuldade de vislumbrar base razoável para, diante de diferentes possibilidades semânticas de um vocábulo, assumirse apenas uma delas como ponto de partida da interpretação do texto de uma lei, quando essa acepção deveria ser o ponto de chegada. Podemos fazer o que também se poderia denominar de interpretação literal da norma em comento e chegar a uma conclusão diametralmente oposta. Dizer que os “débitos decorrentes de tributos e contribuições” ou, em outras palavras,”débitos cuja origem remonta a tributos e contribuições” se sujeitam a juros de mora, não é o mesmo que afirmar que “apenas os débitos de tributos e contribuições submeterseiam aos juros de mora. Assim, para que os juros moratórios atingissem apenas os tributos e contribuições a redação do dispositivo deveria ser: Os débitos de tributos e contribuições para com a União, administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Essa redação seria mais condizente com a sistemática historicamente usada pelo legislador para definir a incidência dos juros de mora. Como visto em momento anterior neste voto, a norma referiuse a débitos de qualquer natureza, quando quis fazer incidir os juros sobre os débitos em geral incluindo a multa de ofício; ou a tributos e contribuições, quando a multa não deveria sofrer a incidência de juros. Entretanto a redação não é essa, Não apenas é impossível ignorar a expressão “decorrentes de” , como devese dar a ela efeito includente, e não excludente como quer ver a corrente de entendimento da qual discordo. Além disso, não é demais ratificar a indissociabilidade da multa de ofício e do principal, após a formalização do lançamento. Não é lógico que valor do tributo sofra a incidência de juros moratórios, enquanto que a multa de ofício não, sendo que ambas as verbas fazem parte de um mesmo todo. Ainda resta o argumento no sentido de que o entendimento quanto à inclusão da multa de ofício na expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” implicaria na incidência de multa de mora sobre a multa de ofício. Nesse ponto, socorrome novamente do voto pelo proferido pelo Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA que enfrenta a questão com maestria: Sustentam os que defendem a interpretação de que o art. 61 da Lei n°. 9.430, de 1996 dirigese apenas aos tributos e contribuições; que, a se entender que a multa de oficio está contida no termo débitos decorrentes de tributos e contribuições, o dispositivo estaria prevendo a incidência de multa de mora sobre a multa de oficio. Assim como quando da análise do art. 161 do CTN, aqui, da mesma forma, esse argumento está associado a um critério de interpretação do texto legal com base na Fl. 2986DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000603/200714 Acórdão n.º 1402001.575 S1C4T2 Fl. 11 21 leitura que melhor harmoniza, do ponto de vista gramatical, o próprio texto o que, como se viu, não é a melhor forma de se apreciar a questão. Verifico, contudo, que neste caso sequer existe a contradição na forma como apontada e que a interpretação proposta não a soluciona. De fato, ao prever que sobre os débitos incidirá multa de mora, entendendose que a multa de oficio integra o débito, a análise meramente gramatical do texto leva à conclusão de que o dispositivo prescreve a incidência da multa de mora sobre a multa de oficio. Superandose, entretanto, a mera leitura gramatical do texto e examinandoo como parte de um conjunto normativo mais amplo, verseá que tal conclusão não é possível, o que afasta a contradição. É que, como se sabe, a multa de mora e a multa de oficio se excluem mutuamente, de modo que uma não se aplica onde se aplica a outra. Assim, não haveria hipótese de que, quando da aplicação da multa de mora, na sua base esteja a multa de oficio. Esse fato não pode ser visualizado com a mera leitura isolada dos dispositivos, mas é facilmente percebido quando se examina conjuntamente os artigos 44 e 61 da Lei n°. 9.430, de 1996. O primeiro, prescreve que, nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas multa de oficio de 75% ou 150%, conforme o caso, o que exclui a incidência, nas mesmas hipóteses, da multa de mora. Portanto, não há como se concluir que o art. 61, ao prever a aplicação da multa de mora no caso de pagamento de débitos decorrentes de tributos e contribuições, inclusive a multa de oficio, em atraso estaria determinando a incidência daquela sobre esta. O Decreto nº 3000/99 que aprovou o Regulamento do Imposto de Renda para 1999 (RIR/99) tem dispositivo específico sobre a incidência da multa de mora, com matriz legal justamente no art. 61 da Lei nº 9.430/96: Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei d. 9.430, de 1996, art. 61). (.......) § 3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. O dispositivo supra transcrito expõe em definitivo a fragilidade da interpretação do texto sob o aspecto exclusivamente gramatical. Aqui, a exceção estabelecida no § 3º deixa claro que o caput do art. 950, bem como de sua matriz legal o caput do art. 61, da Lei nº 9.430/96, englobam a multa de ofício. Em termos jurisprudenciais, convém transcrever julgado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que utiliza justamente o fundamento acima exposto para manter os juros sobre a multa de ofício5: "TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. 5 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário. Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. . 11 ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009. Fl. 2987DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 22 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa." (TRF4ª Região, Ap. Cível nº 2005.72.01.0000311/SC, Rel. Des. DIRCEU DE ALMEIDA SOARES, 2ª T., v.u., j. em 29/01/2008, DE de 21/02/2008). Confirase o voto do Relator: "Não merece acolhida a tese da apelante. O artigo 113, § 3º, do CTN dispõe que "a obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária." A respeito do mencionado artigo, Leandro Paulsen teceu o seguinte comentário: "o legislador quis deixar certo é que a multa tributária, embora não sendo, em razão da sua origem, equiparável ao tributo, há de merecer o mesmo regime jurídico previsto para a sua cobrança (...)" (in Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 5ª edição, p. 774) Ou seja, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. Tampouco há falar em violação ao princípio da estrita legalidade em matéria tributária como quer a impetrante. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. Confirase in verbis: "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir Fl. 2988DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000603/200714 Acórdão n.º 1402001.575 S1C4T2 Fl. 12 23 do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifos meus) Esse entendimento se coaduna com a Súmula nº 45 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que já previa a correção monetária da multa: "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justifica se a sua aplicação sobre a multa. Ante o exposto, nego provimento ao apelo." Registrese que o STJ também tem decisões nesse sentido: TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL MULTA PUNITIVA CORREÇÃO MONETÁRIA JUROS DE MORA INCIDÊNCIA. 1. Incide juros de mora e correção monetária sobre o crédito tributário consistente em multa punitiva. 2. Perfeitamente cumuláveis os juros de mora, a multa punitiva e a correção monetária. Precedentes. 3. Recurso especial não provido. (STJ, 2ª T, REsp 1146859/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, publ: 11/05/2010) TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.2. Recurso especial provido. (STJ, 2ª T, REsp 1129990/PR, Rel. Ministro Castro Meira, publ: 14/09/2009) De todo o exposto, a meu ver o entendimento correto é no sentido de considerar perfeitamente legal a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício com base na taxa SELIC, nos termos do art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430/96. Em resumo do meu voto, entendo que o lançamento deve ser mantido em sua integralidade. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 2989DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 24 Declaração de Voto Inicialmente cumprimento o nobre Conselheiro Relator Leonardo de Andrade Couto por seu voto, pedindolhe licença e aos meus pares para declarar o meu entendimento acerca do caso posto. CONSIDERAÇÕES INICIAIS O ponto central em debate referese à alteração na cláusula de remuneração contida na escritura de emissão das debêntures, originalmente prevista com base da variação do IGPM mais juros de 6% aa, que passou a ser vinculada ao percentual de 97% do resultado ajustado. Minha divergência não toca a essência dos fatos em análise, mas sim dos efeitos que a partir deles se extrai. Isso porque a essência da debênture com a nova remuneração não foi questionada. Na esteira do convencimento do voto vencedor, não tenho dúvidas de que a alteração da cláusula de remuneração exacerbou o limite do aceitável. A empresa, ao vincular a remuneração da debênture a 97% do seu resultado resultado esse sempre futuro criou uma limitação natural à tributação do lucro. Nesse sentido, o pagamento de 97% a título de remuneração das debêntures forçou, contratualmente, uma despesa proporcional fixa que, em qualquer circunstância, limita a base de apuração do seu lucro tributável. Discordo, todavia, dos efeitos aplicados pela fiscalização a partir da constatação dessa irregularidade. Isso porque, ao invés de acusar o contribuinte de irregularidade material das debêntures após a alteração do critério de remuneração, a Autoridade Fiscal enfrentou apenas a cláusula de remuneração das debêntures, sem questionar a sua validade intrínseca. Com isso, limitou a discussão apenas ao critério de remuneração das debêntures, e não à sua própria existência. De fato, é ponto pacífico no presente feito que, segundo a classificação jurídica disposta no lançamento, os valores registrado foram pagos à título de remuneração de debêntures. Não existe, todavia, acusação de inexistência ou desnaturação das debêntures. Se houvesse, todos os efeitos da extinção da debêntures deveriam ter sido considerados no lançamento, não apenas aqueles relacionados à indedutibilidade das despesas incorridas em remuneração às mesmas. Mas não é esta a hipótese dos autos. No Termo de Verificação Fiscal, acusa se apenas e tão somente a indedutibilidade dos valores de remuneração das debêntures que, em si mesma, continuaram a ser aceitas. Tenho esse entendimento a partir da leitura do TVF, que transcrevo: Fls 424: Fl. 2990DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000603/200714 Acórdão n.º 1402001.575 S1C4T2 Fl. 13 25 Da análise dos elementos acima, constatamos serem indedutíveis as despesas financeiras relativas à remuneração das debêntures apropriadas após a alteração do critério originalmente estabelecido, em função do caráter de liberalidade das despesas incorridas. Pela citada alteração, o contribuinte trocou uma remuneração estabelecida em função da variação do IGPM acrescida de juros de 6% ao ano, limitada ao valor dos lucros antes de deduzidas as próprias despesas e expurgado os resultados das participações societárias, por outra equivalente a 97% do resultado positivo auferido no exercício social ajustado pela exclusão de rendimentos de participações societárias de caráter permanente; Fls. 425: Não fosse o caso dos próprios acionistas da empresa serem os únicos subscritores das debêntures emitidas, e na exata proporção da participação acionaria de cada um, sujeitarseia a empresa a entregar 97% do seu resultado aos debenturistas? Não pode ser considerado razoável a aceitação da troca pela empresa de uma posição consolidada de remuneração As debêntures já subscritas (IGPM + juros de 6% a/a), por outra que a obriga entregar quase que a totalidade de seu resultado positivo aos debenturistas. Tal forma de remuneração não se reveste de características normais e usuais, quando comparadas às emissões de debêntures em geral. Afinal, o objetivo principal de uma companhia é auferir lucros aos seus acionistas, mas quando este lucro passa servir de remuneração a debentures cujos próprios acionistas são os únicos beneficiários, fica evidenciado que tal operação serviu exclusivamente para reduzir a carga tributária, através da criação meramente liberal de despesas financeiras caracterizadas como não necessárias; Fls. 425: Ressaltase, também, não ser cabível em relação à remuneração das debêntures em questão, a aplicação das regras anteriores à alteração da escritura emitida em 06/12/1999, uma vez que o aditivo A escritura, promovido pelos próprios e únicos interessados (debenturistas/acionistas) em 30/07/2001, revogou contratualmente o dispositivo original (cláusulas remuneratórias); Nesse sentido, entendo existir uma limitação por parte do Julgador, que não pode alterar os fundamentos jurídicos do lançamento. O LANÇAMENTO A PARTIR DA ACUSAÇÃO FISCAL Fl. 2991DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 26 Tomo, assim, como pressuposto de julgamento que (i) as debêntures continuaram a existir e (ii) a discussão referese a dedutibilidade de valores. Uma coisa é o contrato, outra são os efeitos tributários que dele se extrai. No caso, está correto o entendimento de que a mudança de critério seja inaceitável, posto que a despesa é indedutível por liberalidade. No entanto, sendo essa a acusação fiscal, a “liberalidade” é limitada apenas ao valor que extrapola a remuneração aceita pelo Fisco. O fato de ter havido a revogação da cláusula de remuneração anterior não é suficiente para se afastar o direito de aproveitamento das despesas incorridas no limite daquilo que é aceito pela Receita, qual seja, a remuneração de IGPM + 6%. Isso porque, a partir da assembléia de 30/07/2001, o contrato passou a fixar taxas de remuneração que tiveram os seus efeitos mitigados. Ora, não se afastou por completo a existência da debênture, mas apenas da sua remuneração. Neste sentido, deve ser aceita a despesa no limite daquele critério que até então era aceito pelo Fisco. Cumpre registrar que não cabe ao julgador. No curso do processo administrativo tributário, alterar o fundamento fático ou jurídico da autuação, naquilo que lhe é essencial. Assim, não há como se alterar os fundamentos da glosa da remuneração da debênture. O que se está em discussão é apenas saber se o VALOR da remuneração da debênture, após a alteração, deve ou não ser aceito. Caso o novo VALOR não seja aceito, deve se a glosa ser limitada ao VALOR aceito pelo Fisco como válido para a remuneração das debêntures. Por fim, dois outros pontos são importantes: PRIMEIRO PONTO: como a Autoridade Fiscal não questionou a existência ou a legalidade da debênture “em si”, despiciendo saber se a sua origem, calcada em empréstimos concedidos pelos acionistas/debenturistas, em troca de passivo, é irrelevante para o deslinde do caso. Repiso que o processo administrativo fiscal está limitado aos fundamentos que embasam o lançamento fiscal. SEGUNDO PONTO: no meu entendimento, é irrelevante saber se o novo critério de remuneração da debênture (97% do lucro) é mais ou menos vantajoso do que o critério anterior (IGPM + 6%). A ilegalidade não está na contraposição destes montantes, mas sim no critério jurídico utilizado para encontrálos6. Entendo como altamente perigoso fazerse uma análise retrospectiva, para dizer se um critério é mais ou menos oneroso que outro. Em verdade, quando se fixou a remuneração das debêntures em 97% do lucro, os acionistas/debenturistas não sabiam se o novo o critério de remuneração seria, ou não, mais benéfico que o anterior (IGPM+6%). E, aliás, isso era irrelevante, posto que o objetivo não era o recebimentos, em si, da remuneração das debêntures, mas sim a conversão do lucro tributável em dividendos. Tomar, assim, a contraposição desses valores como cerne de decisão acerca da sua legalidade é atribuir incerteza quanto à validade, ou não, do critério, sem tomar em conta a sua própria essência. Isso porque, como dito, a anormalidade não está no valor por si só considerado, mas sim no abuso daquele que, valendose do poder de comando na empresa, (i) 6 Discordo de dizer que não poderia, a debênture, em tese, condicionarse aos lucros da sua empresa emitente. Apesar de, de fato, não ser tal prática usual, ela não é vedada pela legislação privada. Mas não é isso que está em discussão. O que se está em discussão é o percentual. Fl. 2992DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000603/200714 Acórdão n.º 1402001.575 S1C4T2 Fl. 14 27 promove a emissão privada de debêntures, (ii) adquiridas pelos acionistas, (iii) e com a fixação de remuneração pela quase totalidade do lucro por ela auferido. Essa é a ilegalidade. Assim, não interessa se, numa análise retrospectiva, houve, de fato, remuneração menor em alguns exercícios. Não é a vantagem maior ou menor que tornou a cláusula juridicamente indesejada. Por outro lado, ao fundamentar a glosa pela excessividade do valor pago a maior, o auto de infração impediu a desconsideração completa das debêntures, limitando a glosa, no caso concreto, àquilo que foi pago além do aceitável. Nesse sentido, entendo que, adotandose o fundamento jurídico do auto de infração: (i) a remuneração da debênture em IGPM + 6% deve ser aceito e (ii) deve ser glosado o que exceder esse montante. Aqui, a análise não deve ser econômica, para saber se o primeiro critério chega a um valor maior que o segundo, como parece ter ocorrido em alguns anos calendário; mas sim uma análise jurídica, coerente e compatível com aquilo que se tem por aceito na ordem jurídica. IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO DO FUNDAMENTO DA AUTUAÇÃO É certo que, se a acusação fiscal tivesse sido de inexistência das debêntures após a mudança da cláusula de remuneração os efeitos dessa acusação seriam de glosa da totalidade dos valores pagos a esse título. No entanto, não cabe ao julgador alterar os fundamentos jurídicos da autuação, que apenas alcançou a excessividade do pagamento. Em estudo organizado pelo Prof. Ives Gandra da Silva Martins (Questões Controvertidas no Processo Administrativo Fiscal – CARF. Revista dos Tribunais, São Paulo, 2012, tivemos a oportunidade de firmar o seguinte entendimento: Postos esses entendimentos, entendo que lançamento é o ato administrativo que declara a ocorrência do fato gerador e formaliza o crédito tributário, descrevendo a norma individual e concreta de tributação, apontando o sujeito passivo e sujeito ativo, o montante da obrigação tributária, além de operacionalizar a forma do seu pagamento. Nesse sentido, o lançamento lida com dois momentos lógicos (e não cronológicos): 1º) a identificação do fato imponível, ocorrido com a subsunção do fato descrito à hipótese prevista na norma geral e abstrata de tributação; e 2º) a formalização da relação jurídicotributária entre sujeito ativo e sujeito passivo, pela edição da norma individual e concreta de tributação. Na verdade, o termo de verificação fiscal ou o termo de encerramento da ação fiscal, muitas vezes negligenciado como Fl. 2993DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 28 peça secundária na lavratura dos lançamentos fiscais, é o elemento essencial que realiza a subsunção do fato à hipótese de incidência tributária e, fundamentalmente, onde se encontram os elementos informadores da relação jurídico tributária objeto do lançamento. Sem esse descritivo, devidamente realizado em apartado ou no próprio auto de lançamento, não há como se saber acerca da legalidade da imputação tributária, ou da confirmação dos elementos da relação jurídicotributária dele constantes. Tanto é assim que o decreto nº 70.235, exige que o lançamento fiscal7 contenha, obrigatoriamente, esses dois momentos lógicos: (i) o inciso II do art. 10 exige a “descrição do fato” e (ii) os incisos I e V do art. 10 exigem a qualificação do autuado (sujeito passivo) e a determinação da exigência com apuração do montante tributo devido (c/c inciso II do art. 11). Notificado o lançamento ao contribuinte, este pode oporse tanto com relação à imputação da ocorrência do fato imponível, buscando apresentar um fato diverso daquele que fora tomado como elemento de subsunção à hipótese de incidência abstratamente considerada; quanto pode confirmar o fato imponível, mas divergir quanto aos elementos formadores da relação jurídicotributária, na implicação da norma geral e abstrata em norma individual e concreta. A partir do questionamento do contribuinte, com a apresentação da impugnação, tem início o processo administrativo fiscal. Com efeito, a impugnação apresentada pelo contribuinte é o elemento delimitador do objeto de análise e decisão no âmbito do processo administrativo fiscal, podendo tratar tanto das questões de fato tomadas como fundamento do lançamento, quando de questões de direito. As questões não impugnadas não são devolvidas à apreciação no curso do processo administrativo fiscal, salvo se se tratarem de matéria passível de conhecimento de ofício (nulidade ou decadência). Tanto é assim que “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante” (art. 17 do decreto nº 70.235) Na sistemática da lei do processo administrativo fiscal, havendo divergência de matéria fática, o contribuinte poderá oporse ao lançamento, devendo trazer os elementos de prova que confirmem a sua versão. Surgido o litígio quanto a matéria de fato, o processo administrativo passa a lidar com uma contraposição de versões: a versão do Fisco, fundada nos elementos constantes do lançamento; e a versão do contribuinte, fundada nos elementos constantes da impugnação. Cada um assume o ônus de prova da versão dos fatos que pretende sustentar. 7 O decreto nº 70.235 utiliza o termo auto de infração. Na verdade, o auto de infração encerra tanto o lançamento tributário, no sentido de formalizar a norma individual e concreta de tributação quanto a aplicação da multa, formalizando a penalidade pelo descumprimento do dever de pagar antecipadamente o tributo, no termos do art. 150 do CTN. Fl. 2994DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000603/200714 Acórdão n.º 1402001.575 S1C4T2 Fl. 15 29 Segundo o decreto nº 70.235, cabe ao contribuinte apresentar, na impugnação, “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir” (art. 16, inciso III), sendo que a prova documental deverá ser apresentada na impugnação, sob pena de preclusão (§ 4º do art. 16). Mas essa imputação não desonera a Fazenda Pública de provar, no processo administrativo fiscal, que a versão dos fatos constantes do lançamento, em especial do termo de verificação fiscal, está sustentada em elementos de prova suficientes ao enquadramento jurídico realizado. Na verdade, o lançamento pressupõe a existência desses elementos de prova apurados pela Administração Tributária, no curso do procedimento de fiscalização. Assim, no curso do processo administrativo fiscal, o ônus da prova quanto aos fatos descritos no lançamento cabe à Fazenda Pública, pois são essas provas que sustentam a aplicação do direito realizada na formalização do crédito tributário. A exceção ocorre quando da aplicação de presunções legalmente previstas, em que se autoriza à Administração Tributária assumir determinado fato como verdadeiro, revertendose o ônus da prova para atribuílo ao contribuinte. Nessa situação, basta a descrição do fato presumido para que se atribua o ônus ao contribuinte de provar que o mesmo, na realidade, não ocorreu. Mas, mesmo aqui, cabe à Autoridade Fiscal provar, no lançamento, que os requisitos legais para a aplicação da presunção estavam presentes e foram observados. Vejase que a presunção de certeza do crédito tributário e a presunção de certeza do próprio lançamento enquanto ato administrativo não existem no curso do processo administrativo fiscal. Essa qualidade somente será adquirida após o encerramento do PAF, quando o crédito for remetido para inscrição em dívida ativa, oportunidade em que deverá submeterse a um controle final de legalidade por parte da advocacia pública (art. 204 do CTN). Assim, entendemos que a versão dos fatos constantes do lançamento deve desvelar a realidade com fundamentos sustentáveis para a sua manutenção. Se a versão dos fatos apurados no curso do processo administrativo fiscal infirmar a versão dos fatos constantes do lançamento, em ponto fundamental, o mesmo deverá ser cancelado. Declaro, assim, meu voto, no sentido de limitar a glosa aos montantes superiores a aplicação do IGPM mais 6% critério este aceito pela Autoridade Fiscal. Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 2995DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 24/02 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 15758.000342/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2007
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. EXTRATOS BANCÁRIOS FORNECIDOS PELA PRÓPRIA FISCALIZADA. PROVAS ILÍCITAS. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade do lançamento em face de provas obtidas por meios ilícitos na situação em que os extratos bancários foram apresentados pela própria fiscalizada, em cumprimento do dever legal de prestar informações ao Fisco e em resposta a intimação escrita da Autoridade Fiscal. Não se cogita, na espécie, de quebra de sigilo bancário.
OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA. FORMA DE TRIBUTAÇÃO.
As receitas auferidas pela pessoa jurídica optante pelo SIMPLES devem ser tributadas na forma prevista em lei para esse regime. Não é o fato de estarem ou não as atividades praticadas previstas entre os objetos societários que qualifica as receitas correspondentes como operacionais ou não operacionais, mas sim a própria natureza das atividades.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. FUNDAMENTOS. PRODUÇÃO DE EFEITOS.
Mantido o lançamento, deve ser igualmente mantido o Ato Declaratório Executivo que excluiu o contribuinte do sistema simplificado. A produção de efeitos desse ato decorre de disposição legal expressa.
Numero da decisão: 1302-001.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2007 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. EXTRATOS BANCÁRIOS FORNECIDOS PELA PRÓPRIA FISCALIZADA. PROVAS ILÍCITAS. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do lançamento em face de provas obtidas por meios ilícitos na situação em que os extratos bancários foram apresentados pela própria fiscalizada, em cumprimento do dever legal de prestar informações ao Fisco e em resposta a intimação escrita da Autoridade Fiscal. Não se cogita, na espécie, de quebra de sigilo bancário. OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. As receitas auferidas pela pessoa jurídica optante pelo SIMPLES devem ser tributadas na forma prevista em lei para esse regime. Não é o fato de estarem ou não as atividades praticadas previstas entre os objetos societários que qualifica as receitas correspondentes como operacionais ou não operacionais, mas sim a própria natureza das atividades. EXCLUSÃO DO SIMPLES. FUNDAMENTOS. PRODUÇÃO DE EFEITOS. Mantido o lançamento, deve ser igualmente mantido o Ato Declaratório Executivo que excluiu o contribuinte do sistema simplificado. A produção de efeitos desse ato decorre de disposição legal expressa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 75 8. 00 03 42 /2 00 9- 91 Fl. 690DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15758.000342/200991 Acórdão n.º 1302001.373 S1C3T2 Fl. 691 2 (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório LANCHONETE A PRAÇA LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 0431.926, de 04/06/2013, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Trata o presente processo de autos de infração, lavrados em 21/08/2009 (ciência em 27/08/2009, fl. 507), para constituição de crédito tributário referente aos tributos do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, quais sejam, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) (fl. 506), Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) (fl. 519), Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL) (fl. 529), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) (fl. 539) e Contribuição para Seguridade Social (INSS) (fl. 549), acrescidos de multa de ofício de 75%, além de juros de mora, perfazendo o crédito tributário de R$ 1.443.732,06, tudo relativo ao anocalendário 2006, conforme demonstrativo consolidado de fl. 2. O Fisco apurou a ocorrência de omissão de receitas, conforme descrito no Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 557/559), verbis: Em 24/09/2008 a empresa apresentou os livros Diário e Razão, bem como os livros Fiscais, os extratos/demonstrativos referentes às administradoras American Express, Redecard e Visanet, e os extratos referentes aos bancos Itaú, Bradesco, Safra e Unibanco. Nas informações obtidas nos sistemas da Receita Federal constam, além destas citadas, outra administradora, Cia Brasileira de Meios de Pagamento. [...] Em 18/05/2009 a empresa entregou os extratos dos comprovantes dos cartões de crédito e planilhas demonstrativas referentes ao período fiscalizado (fls. 305/366). [...] Fl. 691DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15758.000342/200991 Acórdão n.º 1302001.373 S1C3T2 Fl. 692 3 Confrontando os extratos bancários com a escrituração contábil, verificamos que os valores foram lançados nos livros Diário e Razão. Examinamos os dados contidos nos extratos das Administradoras Redecard, American Express e Visanet (fls. 175/295) e as planilhas demonstrativas apresentadas pela contribuinte. Conciliamos os créditos lançados nos extratos bancários com os valores apresentados nessas planilhas e nos extratos dos cartões de crédito, e identificamos e constatamos que os valores se relacionam. Elaboramos então planilha, parte integrante deste Termo, consolidando a soma dos valores repassados, e confrontandose estes valores com a Receita Bruta declarada pela fiscalizada Lanchonete a Praça Ltda., e concluímos que ocorreu omissão de receita. [...] Além da infração de omissão de receitas (infração 001), consta também dos autos de infração lançamento por insuficiência de recolhimento (infração 002), visto que os percentuais aplicáveis ao SIMPLES foram alterados, com a inclusão das receitas omitidas. Consta também dos autos o Ato Declaratório Executivo nº 28/2009 (fl. 569), mediante o qual a contribuinte foi excluída do SIMPLES com efeitos a partir de 01/01/2007, por haver ultrapassado o limite de receita bruta no ano de 2006. Cientificada do lançamento e do ADE, a interessada apresentou impugnação ao primeiro e manifestação de inconformidade ao segundo, com razões assim sintetizadas no relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância: A impugnação aos autos de infração, protocolada em 25 de setembro de 2009, conforme carimbo aposto em sua primeira página (parte superior direita), foi juntada às fls. 572 a 578. Nela foi alegado, em apertada síntese, que: a) a receita diária da empresa é de cerca de R$ 600,00 por dia; b) além da venda de refeições, lanches e bebidas, compram vales refeição ou vale alimentação com um deságio médio de 15,5%, atividade que possibilita a rotatividade de um capital de R$ 200.000,00, com um movimento financeiro operacional de mais de R$ 5.000.000,00 por ano; c) os vales adquiridos eram enviados às administradoras que efetuavam o reembolso descontando a comissão de 6% a 8%; d) as operações descritas são classificadas como não operacionais, devendo ser tributadas como ganho de capital, cujo resultado foi de R$ 514.265,52; e) os valores de R$ 74.473,79 (Visa/Solesp), R$ 62.976,71 (Redecard), R$ 1.072,80 (American Express) e R$ 278,19 (Hipercard) correspondem a recebimentos referentes às operações normais da empresa. Ao final, a impugnante requer sejam cancelados os autos de infração. Há o protesto pela prova por todos os meios em direito admitidos, especialmente perícias e provas documentais. Houve manifestação de inconformidade relativamente ao ato de exclusão do Simples, protocolada em 30 de outubro de 2009 (fls. 622 a 629). Esta traz as mesmas alegações contidas na peça de fls. 572 a 578, bem como de que, Fl. 692DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15758.000342/200991 Acórdão n.º 1302001.373 S1C3T2 Fl. 693 4 impugnados os autos de infração que ensejaram a representação para a exclusão da contribuinte do Simples, o ato de exclusão fica suspenso assim como o crédito tributário decorrente daqueles. A 2ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS analisou a impugnação e a manifestação de inconformidade apresentadas pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 04 31.926, de 04/06/2013 (fls. 638/642), considerou procedente o lançamento e correta a exclusão do SIMPLES, em decisão assim ementada: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Anocalendário: 2006 PRODUÇÃO DE PROVAS. PERÍCIA. As provas devem ser juntadas com a impugnação e o pedido de perícia só é deferido quando necessário e regular. SIMPLES. RECEITAS. As receitas de pessoas jurídicas enquadradas no Simples sujeitamse à tributação segundo esse regime favorecido. SIMPLES. EXCLUSÃO. Mantidos os lançamentos, subsistem os fundamentos para a exclusão do Simples por excesso de receita. Ciente da decisão de primeira instância em 12/06/2013, conforme Aviso de Recebimento à fl. 649, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 11/07/2013 conforme carimbo de recepção à folha 651. No recurso interposto (fls. 651/661), após historiar o ocorrido, por sua ótica, a interessada alega preliminarmente a inconstitucionalidade e a nulidade do lançamento, “por basear em acervo probatório ilícito (quebra do sigilo bancário)”. Sustenta que faltaria competência à autoridade administrativa para a quebra de sigilo bancário, a qual deveria ser precedida de autorização judicial. A seguir, desenvolve seus argumentos por tópicos, conforme a seguir sintetizado: · III – Do mérito recursal A interessada combate a decisão recorrida, reafirma que seu objeto social é de lanchonete, com venda de lanches e pequenas refeições. Sustenta que, segundo a Lei nº 9.317/1996, os rendimentos de ganhos financeiros não se incluem na base de cálculo do SIMPLES, e seriam tributados exclusivamente na fonte ou como ganho de capital. Acrescenta que, “quando adquiriu vale refeição a título de apurar um ganho positivo entre o valor da compra e o valor de sua alienação, está adquirindo um bem ou direito, que assim deve ser considerado por uma interpretação lógica”. O ganho auferido na operação deveria ser tributado como ganho de capital (atividade não operacional), não sendo este o seu objeto social. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15758.000342/200991 Acórdão n.º 1302001.373 S1C3T2 Fl. 694 5 A recorrente aduz que o razão auxiliar juntado aos autos faria prova de que o ganho de capital a ser tributado seria de R$ 514.265,52, e não da forma e nos valores que constam da autuação. A escrituração, revestida das formalidades legais, faria prova em seu favor. Reitera que apenas o deságio na negociação com os vales refeição é que seria renda tributável. · IV – Do Ato Declaratório de exclusão do SIMPLES e da irrazoabilidade da autuação A recorrente se reporta à tributação simplificada como garantia constitucional outorgada às empresas de pequeno porte. Insurgese contra o Ato Declaratório de exclusão do SIMPLES, por consideralo “intempestivo por antecipação”. A seu ver, tal ato não poderia produzir efeitos até o exaurimento da via administrativa, ou enquanto estiver o crédito tributário com a exigibilidade suspensa. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Preliminarmente, deve ser apreciada a alegação de inconstitucionalidade e nulidade do lançamento, “por basear em acervo probatório ilícito (quebra do sigilo bancário)”. Sustenta a recorrente que faltaria competência à autoridade administrativa para a quebra de sigilo bancário, a qual deveria ser precedida de autorização judicial. O exame dos autos demonstra que não ocorreu qualquer “quebra” do sigilo bancário, no sentido que lhe deseja atribuir a recorrente. De fato, os extratos bancários foram apresentados pelo próprio contribuinte, mediante intimação escrita, em cumprimento do dever de prestar ao Fisco as informações necessárias e indispensáveis ao procedimento de fiscalização. Os procedimentos adotados estão detalhadamente descritos às fls. 557/558 do Termo de Verificação e Constatação Fiscal, item A1, inclusive com menção às fls. em que se encontram as intimações e respostas da então fiscalizada. Quanto aos questionamentos acerca de inconstitucionalidade, é de se trazer à colação o conteúdo da súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. As súmulas CARF foram objeto da Portaria CARF nº 49, de 01/12/2010, publicada no DOU de 07/12/2010, e são de observância obrigatória por este Colegiado, por força do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno em vigor, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e alterações supervenientes. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15758.000342/200991 Acórdão n.º 1302001.373 S1C3T2 Fl. 695 6 Rejeito, pois, a preliminar suscitada. No mérito, melhor sorte não assiste à interessada. De se ressaltar que o lançamento se baseia em prova direta de omissão de receitas, consistente nas informações que constam nos extratos bancários e das administradoras de cartões. Tais extratos dão conta do recebimento de valores a título de vale alimentação e vale refeição, o que é absolutamente compatível com a atividade reconhecidamente desempenhada pela empresa e que consta de seu objeto social. A recorrente alega que tais créditos não adviriam da venda de refeições e alimentos, mas de atividade não incluída em seu objeto social, a saber, a compra e venda de vales refeição e alimentação, sendo a compra feita com deságio maior do que aquele praticado pelas administradoras dos tickets, a quem os vales são repassados. Desta forma, seu ganho seria meramente a diferença entre o valor de compra dos vales e o valor recebido das administradoras. No entanto, tal afirmação carece de prova. Aquilo que a interessada chama “Razão Auxiliar” nada mais é do que uma planilha, produzida pela própria interessada, em que são reproduzidos os valores de saques diários em contascorrentes e os valores creditados nessas mesmas contascorrentes pelas administradoras de cartões. Não há dúvidas de que os créditos bancários têm sua origem em vales refeição e vales alimentação, fato confirmado pelos históricos nos extratos das administradoras. Quanto aos saques em contascorrentes, a singela descrição do histórico bancário (“cheque”, vide, por exemplo, fl. 160) não constitui prova de qual tenha sido o emprego dos valores sacados. Ademais, ainda que, apenas por hipótese, se pudesse aceitar as alegações da recorrente sobre a atividade de compra e venda de vales refeição e alimentação, suas conclusões acerca da forma de tributação não poderiam prosperar, como bem demonstrado pela decisão recorrida. Os resultados não operacionais, para fins do imposto de renda, são regulados pelos artigos 418 e segs. do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99). De sua análise, resta evidenciado que a classificação sob essa rubrica nada tem a ver com estar a atividade incluída ou não nos objetivos societários, mas sim com a natureza da atividade que gerou o resultado. Especialmente, os ganhos ou perdas de capital somente são apurados quando da alienação, a qualquer título, de bens do ativo permanente. Disso não destoa a Lei nº 9.317/1996, ao dispor, em seu art. 3º: Art. 3° A pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e de empresa de pequeno porte, na forma do art. 2° , poderá optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. § 1° A inscrição no SIMPLES implica pagamento mensal unificado dos seguintes impostos e contribuições: [...] § 2° O pagamento na forma do parágrafo anterior não exclui a incidência dos seguintes impostos ou contribuições, devidos na qualidade de contribuinte ou responsável, em relação aos quais será observada a legislação aplicável às demais pessoas jurídicas: Fl. 695DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15758.000342/200991 Acórdão n.º 1302001.373 S1C3T2 Fl. 696 7 [...] d) Imposto de Renda, relativo aos pagamentos ou créditos efetuados pela pessoa jurídica e aos rendimentos ou ganhos líquidos auferidos em aplicações de renda fixa ou variável, bem assim relativo aos ganhos de capital obtidos na alienação de ativos; [...] § 3° A incidência do imposto de renda na fonte relativa aos rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações de renda fixa ou variável e aos ganhos de capital, na hipótese da alínea "d" do parágrafo anterior, será definitiva. Ora, a atividade alegadamente desempenhada pela recorrente (e de cuja efetividade, insisto, não há provas), por certo não se enquadra como aplicações de renda fixa ou variável, nem como alienação de bens do ativo. Tratandose de atividade exercida de forma sistemática (não eventual), ao longo de todo o período fiscalizado, e geradora de receitas em valores bastante superiores às outras receitas (reconhecidas pela interessada como originadas da venda de lanches e refeições), tal atividade há de ser classificada como operacional, e as receitas correspondentes devem ser incluídas entre aquelas tributadas na forma do SIMPLES, tal como fez a Autoridade Lançadora. Inexiste previsão, no regime simplificado, de tributação apenas da margem de lucro, como pretende a recorrente. Nesse sistema, a margem de lucro é presumida por lei, mediante a aplicação dos percentuais legais. Se a interessada considera que sua lucratividade seria menor do que aquela presumida por lei, poderia ter permanecido na regra geral de tributação, aplicável às demais pessoas jurídicas (lucro real). Diante do exposto, é de se negar provimento ao recurso voluntário quanto a este ponto, mantendose a autuação. Firmado este entendimento, e tendo sido o lançamento acima discutido e mantido o fundamento para o Ato Declaratório de exclusão do SIMPLES, também esse ato administrativo deve ser mantido. De se observar que a produção de efeitos desse ato decorre de expressa disposição legal (art. 15 da Lei nº 9.317/1996) Em conclusão, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 696DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15758.000342/200991 Acórdão n.º 1302001.373 S1C3T2 Fl. 697 8 Fl. 697DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 11610.002803/2003-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
COMPENSAÇÃO. MOMENTO DO ENCONTRO DE CONTAS. DÉBITO VENCIDO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. SALDO DEVEDOR REMANESCENTE.
O dia de transmissão da Dcomp corresponde à data da utilização do crédito e também à data da quitação do débito. Computados os acréscimos legais e remanescendo saldo devedor, este deve ser exigido do contribuinte.
Numero da decisão: 3201-001.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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MOMENTO DO ENCONTRO DE CONTAS. DÉBITO VENCIDO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. SALDO DEVEDOR REMANESCENTE. O dia de transmissão da Dcomp corresponde à data da utilização do crédito e também à data da quitação do débito. Computados os acréscimos legais e remanescendo saldo devedor, este deve ser exigido do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 28 03 /2 00 3- 98 Fl. 436DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11610.002803/200398 Acórdão n.º 3201001.569 S3C2T1 Fl. 437 2 Trata o presente processo de Declaração de Compensação (DCOMP) que a empresa Unilever Bestfoods Brasil Ltda, CNPJ 01.615.814/000101, atualmente sob a denominação Unilever Brasil Alimentos Ltda, apresentou em 21/02/2003, com o fito de compensar débito de COFINS, vencido em 15/01/2003, com crédito de ressarcimento de IPI apurado pelo estabelecimento filial CNPJ 01.615.814/002066, no 3º trimestre de 2002, no montante de R$ 2.964.740,46 (dois milhões, novecentos e sessenta e quatro mil, setecentos e quarenta reais, quarenta e seis centavos). Inicialmente, cabe esclarecer que, em razão do correspondente processo administrativo ter sido digitalizado e materializado na forma eletrônica, todas as referências a folhas dos autos pautar seão na numeração estabelecida no processo digital. Na DCOMP apresentada pela interessada (fl. 03) consta o montante de R$ 5.058.600,73 como débito compensado. Contudo, logo abaixo deste valor, há uma anotação manuscrita indicando R$ 2.964.740,46. O cadastramento inicial do processo no sistema de controle da RFB registrou o débito de R$ 5.058.600,73 (fl. 18), mas foi corrigido para R$ 1.150.553,90 (fl. 25), presumivelmente em razão da informação prestada em DCTF (fl. 23). Posteriormente, houve outra correção do débito, desta vez para R$ 2.964.740,46 (fl. 347), tendo em vista que a DCTF foi alterada, fazendose constar este valor (fl. 345). No despacho decisório prolatado pela DRF/Goiânia, a autoridade administrativa competente reconheceu integralmente o crédito pleiteado e homologou a compensação no limite deste crédito, nos seguintes termos (fl. 353): RESOLVO: a) DEFERIR o pedido de ressarcimento de IPI (fl. 01), reconhecendo direito creditório à empresa UNILEVER BESTFOODS BRASIL LTDA., CNPJ n° 00615814/000101, no montante de R$ 2.964.740,46 (dois milhões novecentos e sessenta e quatro mil setecentos e quarenta reais e quarenta e seis centavos), referente ao 3° trimestrecalendário do ano de 2002; e c) HOMOLOGAR a compensação, efetivada pela requerente, com a utilização e até o limite do crédito reconhecido no item “a” deste Despacho Decisório, do débito relacionado no Pedido de Compensação de fl 1, especificado no quadro que se segue: [...] A autoridade administrativa determinou também (fl. 353): (...) b) efetivar a compensação homologada, após, caso haja saldo devedor, efetuar a cobrança, na forma da legislação vigente; (...) Fl. 437DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11610.002803/200398 Acórdão n.º 3201001.569 S3C2T1 Fl. 438 3 No encontro de contas para efetivação da compensação, cuja data de valoração é aquela em que a DCOMP foi apresentada, remanesceu uma diferença de débito de R$ 345.943,41. Isto porque a DCOMP foi apresentada em 21/02/2003 e o vencimento da contribuição se deu em 15/01/2003, ensejando a incidência dos encargos legais sobre o valor do débito, na data da valoração. A ciência da decisão e da intimação para pagamento do débito não compensado, por parte da interessada, ocorreu em 14/12/2006, conforme AR anexado aos autos (fl. 364). Todavia, irresignada com a cobrança o débito remanescente, a interessada manifestou sua inconformidade em 29/12/2006, aduzindo, em síntese: A decisão administrativa, não só deferiu o ressarcimento do IPI na sua integralidade, como também homologou a compensação até o limite do crédito reconhecido. Não obstante, arbitrariamente, o débito compensado somente ocorreu no montante de R$ 2.618.797,05. Não poderia o Fisco contrariar a própria decisão homologatória e simplesmente efetuar compensação do imposto em valor aquém do devido, sob pena de restar caracterizado o descumprimento de decisão administrativa já proferida, bem como dar efeito diverso ao teor decidido, tal como se o julgado fosse pela parcial homologação da compensação declarada, de maneira a caracterizar ofensa direta ao mencionado julgamento, além de contrariar diversos princípios gerais do ordenamento jurídico e até mesmo dispositivos legais expressos. A decisão que homologou a compensação no limite do direito creditório reconhecido possui natureza declaratória, já que o crédito sempre esteve à disposição do Fisco e em posse deste. O pedido de compensação aponta uma situação de fato que já existia, ou seja, as partes já eram credoras e devedoras mutuamente, pelo que as dívidas deviam se extinguir até onde se equivalessem. Não há atraso para o pagamento quando a “moeda” para a quitação já está sob a posse do suposto credor, o que se constatou no presente em decorrência do direito creditório entre as partes. Nos termos das legislação em vigor (art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, alterado pela Lei nº 10.637, de 2002), é assegurado ao contribuinte o direito de proceder à compensação de créditos apurados, inclusive os judiciais transitados em julgado, com quaisquer outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. No caso em tela, o crédito não só foi apurado e reconhecido, como foi homologada a compensação. Ao final, a manifestante requer o provimento da manifestação de inconformidade, para que seja determinado o cancelamento da cobrança, com a sua extinção ex tunc, bem como homologada integralmente a compensação realizada. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11610.002803/200398 Acórdão n.º 3201001.569 S3C2T1 Fl. 439 4 Anexou à manifestação de inconformidade cópia do Contrato Social arquivado na JUCESP e Instrumento de Procuração Pública. Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 DCOMP. VALORAÇÃO. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os débitos vencidos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A recorrente, em 21/02/2003, transmitiu, eletronicamente, PER/Dcomp informando a compensação tributária de débito referente à Cofins de período de apuração 12/2002 no valor de R$ 2.964.740,46, com data de vencimento em 15/01/2003, mediante utilização de créditos de IPI passíveis de ressarcimento. O direito creditório pleiteado de R$ 2.964.740,46 foi integralmente reconhecido pela unidade de origem da RFB, no caso a DRF/Goiânia, quando da emissão do Despacho Decisório, sendo a compensação tributária homologada até o limite do crédito reconhecido, remanescendo débito a pagar no valor de R$ 345.943,41. A existência de um débito remanescente nesta Dcomp decorre de a contribuinte ter apresentado a declaração em data posterior ao vencimento do débito, ensejando na exigência de acréscimos legais: multa de mora e juros de mora (imputação proporcional). A contribuinte contesta a exigência fiscal entendendo que o despacho decisório teria homologado seu crédito, de forma que não restaria nenhum débito a ser recolhido. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11610.002803/200398 Acórdão n.º 3201001.569 S3C2T1 Fl. 440 5 Em atenção ao tema, mostrase necessário ressaltar as regras previstas no art. 74 da Lei 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] Da leitura do texto legal extraise que todos os procedimentos de compensação junto à Receita Federal do Brasil devem seguir as regras introduzidas no art. 74 da Lei 9.430/1996. Em relação ao caso concreto sob julgamento, ressaltase aquela prevista no parágrafo 1º, segundo a qual a compensação “deverá ser efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados”. A declaração mencionada no referido dispositivo legal é justamente a Dcomp, e não qualquer outra. Portanto, a compensação dos débitos referente à Cofins de período de apuração 12/2002 somente ocorreu com o envio da Dcomp, em 21/02/2003. Observase ainda que a Dcomp, de acordo com o previsto no parágrafo 2º do artigo 74 da Lei 9.430/1996, possui o efeito de extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. A compensação, desta forma, assemelhase à quitação por moeda, com efeitos semelhantes àqueles previstos no art. 150 do Código Tributário Nacional (lançamento por homologação). Dentro deste quadro normativo, temos que enquanto não apresentada a Dcomp não há que se falar em realização de compensação. Por consequência, é precisamente na data da transmissão da Dcomp que se dá o encontro de contas, e se o débito estiver vencido, sobre ele deverão incidir os acréscimos moratórios previstos em lei, da mesma forma que incidirão juros Selic sobre o crédito até esta mesma data. O dia de transmissão da Dcomp corresponde à data da utilização do crédito e também à data da quitação do débito. Se os débitos informados na Dcomp venceram em 15/01/2003, e sua quitação somente ocorreu em 21/02/2003, é perfeitamente cabível a exigência dos acréscimos moratórios previstos no art. 61 da Lei 9.430/1996 (multa de mora e juros Selic). Fl. 440DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11610.002803/200398 Acórdão n.º 3201001.569 S3C2T1 Fl. 441 6 Constatase ainda que o despacho decisório foi claro em homologar a compensação tributária até o limite do crédito reconhecido: Diante do exposto, com base nos elementos constantes dos autos, proponho: a) DEFERIR o pedido de ressarcimento de IPI (fl. 01), reconhecendo o direito creditório à empresa UNILEVER BESTFOODS BRASIL LTDA., CNPJ n° 00615814/0001 . 01, no montante de R$ 2.964.740,46 (dois milhões novecentos e sessenta e quatro mil setecentos e quarenta reais e quarenta e seis centavos), referente ao 3° trimestrecalendário do ano de 2002; e c) HOMOLOGAR a compensação, efetivada pela requerente, com a utilização e até o limite do crédito reconhecido no item "a" deste Despacho Decisório, para compensar o débito relacionado no Pedido de Compensação de fl 1, vinculado em DCTF a este processo e suspenso pelo PROFISC (fl. 340). (grifo nosso) Desta forma, mostrase sem razão a recorrente ao alegar que o despacho decisório teria homologado totalmente a compensação declarada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 441DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 16327.001249/2006-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REITERAÇÃO DA ALEGAÇÕES DO RECURSO VOLUNTÁRIO. OMISSÕES. INEXISTÊNCIA.
Ainda que não concorde com a conclusão a embargante, nada existe a ser suprido ou esclarecido, pois examinados todos os pontos merecedores de exame. E os embargos de declaração não se prestam para rediscutir o que já decidido, e muito menos reabrir discussão a respeito de matéria já amplamente exaurida no v. acórdão.
OMISSÃO. EXISTÊCIA. SOBRAS DE COOPERATIVA.
Sendo omisso o acórdão sobre a incidência da PIS e da COFINS sobra as sobras de sociedade cooperativa, os embargos devem ser conhecidos neste ponto e no mérito dado provimento.
Numero da decisão: 3401-002.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, acolheram-se parcialmente os embargos com efeitos infringentes nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Julio Cesar Alves Ramos - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Marques Cleto Duarte - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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REITERAÇÃO DA ALEGAÇÕES DO RECURSO VOLUNTÁRIO. OMISSÕES. INEXISTÊNCIA. Ainda que não concorde com a conclusão a embargante, nada existe a ser suprido ou esclarecido, pois examinados todos os pontos merecedores de exame. E os embargos de declaração não se prestam para rediscutir o que já decidido, e muito menos reabrir discussão a respeito de matéria já amplamente exaurida no v. acórdão. OMISSÃO. EXISTÊCIA. SOBRAS DE COOPERATIVA. Sendo omisso o acórdão sobre a incidência da PIS e da COFINS sobra as sobras de sociedade cooperativa, os embargos devem ser conhecidos neste ponto e no mérito dado provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, acolheramse parcialmente os embargos com efeitos infringentes nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Julio Cesar Alves Ramos Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 12 49 /2 00 6- 93 Fl. 711DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori. Relatório 1. Tratase de Embargos de Declaração opostos, tempestivamente, pela contribuinte COOPERATIVA CENTRAL DE ECONOMIA E CRÉDITO MÚTUO DAS UNICREDS DO ESTADO DE SÃO PAULO com fundamento no art. 65, Anexo II, do Regimento Interno do CARF contra o Acórdão nº. 340101.052 deste Colegiado que, por unanimidade de votos, não conheceu em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negou provimento. 2. Transcrevo a ementa da decisão embargada, in verbis: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: janeiro/2002 a dezembro/2003 COFINS. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. Provimento negado ao Recurso Voluntário em razão da Súmula n°. 1 do CARF, segundo a qual importa renúncia 'As instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso negado.” 3. Em suas razões de Embargos Declaratórios, a contribuinte enumera a ocorrência de cinco omissões verificadas na decisão recorrida, de forma que o acórdão merece integração. 4. Argumenta a ocorrência da omissão em razão de o acórdão vergastado não se pronunciar acerca da impossibilidade de manutenção do lançamento preventivo de decadência na pendência de decisão judicial. 5. Como segunda omissão, reiterou os argumentos utilizados para a primeira omissão arguida. 6. Enumerou como terceira omissão a não análise da decisão do Mandado de Segurança nº. 1999.61.00.0278497, que afastou a exigência da COFINS sobre ingressos estranhos ao conceito de faturamento. 7. Ao apontar a quarta omissão constatada, enfatiza que não houve enfrentamento da matéria alusiva à não tributação das sobras cooperativistas, nos moldes do que determina a Lei n°. 10.636/2003. Fl. 712DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 16327.001249/200693 Acórdão n.º 3401002.478 S3C4T1 Fl. 712 3 8. A última omissão detectada diz respeito à não apreciação do pedido de perícia formulado. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte Os embargos de declaração apresentados são tempestivos, razão pela qual passo à análise dos argumentos trazidos pela contribuinte. De acordo com o artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n 256, de 22/06/2009, a omissão quanto a algum ponto sobre o qual deveria se pronunciar a turma possibilita a oposição de embargos de declaração: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Devese entender por omissão o vício resultante da falta de alguma declaração que a decisão deveria conter. Nesse caso, os embargos têm por fim provocar a declaração do ponto omitido, a fim de se completar a decisão. Todavia, que pese a louvável intenção da embargante, não se vislumbra no v. acórdão várias das omissões apontadas. Pelo contrário, por perfunctória análise do julgado observase que esta Turma analisou de forma detalhada todo o cotejo do processo, sendo que as omissões citadas pela embargante foram devidamente analisadas por este colegiado no momento da apreciação do recurso voluntário. Ademais, foi da própria contribuinte, em seu Recurso Voluntário, a alegação de que devido ao processo judicial a exigibilidade do crédito está suspensa, portanto não resta dúvida sobre a identidade de objeto entre ambas as ações, fazendose necessário a aplicação por este colegiado da Súmula 01 do CARF. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ora, os embargos de declaração possuem o escopo de aprimoramento do julgado, como bem observou o Eminente Ministro Marco Aurélio em seu voto no AI 163.047 5/PR: “os embargos declaratórios não consubstanciam crítica ao ofício judicante, mas servemlhe ao aprimoramento. Ao apreciálos, o órgão deve fazêlo com espírito de Fl. 713DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 4 compreensão, atentando para o fato de consubstanciarem verdadeira contribuição da parte em prol do devido processo legal”. Todavia, no tocante à apreciação da incidência da Cofins sobre as sobras geradas pela cooperativa de fato não foi objeto do processo judicial, razão pela qual este Conselho deve se manifestar sobre esta matéria específica. Como é cediço, as cooperativas são sociedades de pessoas, sem fins lucrativas, criadas para prestar serviços aos seus associados, de acordo com princípios jurídicos próprios. Disciplinadas pela Lei 5.764/71, a definição legal de cooperativas é a seguinte: Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: Dentre todas as características destas sociedades, a de relevância marcante para a adequação da incidência de tributos sobre os atos cooperativos é a traçada no inc. VII, art. 4º da Lei 5.764/71, qual seja: VII – retorno das sobras líquidas do exercício, proporcionalmente às operações realizadas pelo associado, salvo deliberação em contrário da Assembléia Geral; Como se vê do acima transcrito, toda a receita da cooperativa, reverte, exclusivamente, aos cooperados. Da mesma forma, as despesas da sociedade são rateadas proporcionalmente entre os sócios. Tratase de uma sociedade que não possui receita e nem despesa. Os valores auferidos representam meros ingressos temporários no patrimônio, sem acréscimos no ativo ou decréscimos nos passivos, de conformidade com os princípios da contabilidade, em nada aumentando o patrimônio líquido da sociedade. As sobras não são, nem ao longe, o objetivo das cooperativas, mas sim o resultado positivo das operações por ela realizadas, em nome dos seus sócios. Por isso as sobras não podem ser equiparadas ao lucro. O que as cooperativas buscam para si, enquanto pessoas jurídicas propriamente ditas, é tão somente a satisfação dos custos administrativos, nunca o lucro. Tributar os atos cooperativos de forma equiparada aos atos de comércio, que visam tão somente o lucro, é uma clara ofensa aos princípios constitucionais da capacidade contributiva e da isonomia, além de ferir o "adequado tratamento tributário ao ato cooperativo". Quanto à tributação pelo PIS e COFINS, as cooperativas foram, inicialmente, consideradas isentas do pagamento da COFINS pela Lei Complementar n.º 70/91, a qual instituiu este tributo, como se vê do inc. I do art. 6º: Art. 6º São isentas da contribuição: I – as sociedades cooperativas que observarem ao disposto na legislação específica, quanto aos atos cooperativos próprios de sua finalidade; Fl. 714DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 16327.001249/200693 Acórdão n.º 3401002.478 S3C4T1 Fl. 713 5 Os atos cooperativos estão conceituados no art. 79 da Lei 5.764/71: Art. 79 – Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associadas, para a consecução de seus objetivos sociais. Parágrafo único – O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Doutrinariamente, conceituase atos cooperativos como sendo "os atos jurídicos que criam, mantém ou extinguem relações cooperativas, exceto a constituição da própria entidade, de acordo com o objeto social, em cumprimento de seus fins institucionais", no exato dizer do nobre mestre Renato Lopes Becho. Muito preciso o inc. I do art. 6º da LC n.º 70/91 ao isentar do pagamento da Cofins os atos cooperativos, vez que, em sendo a base de cálculo desta contribuição o faturamento mensal, "assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza", como bem delimita o art. 2º da citada LC, e como os atos cooperativos não implicam em contratos de compra e venda, como se vê do parágrafo único do já citado art. 79 da Lei 5.764, efetivamente não deveria haver a incidência da Cofins e muito menos do Pis sobre os atos cooperativos. Todavia, em uma clara demonstração de despreparo para exercer a função de legislador, e ainda simplesmente ignorando todos os motivos de direito suso delineados, o Chefe do Poder Executivo, através do art. 23 da Medida Provisória n.º 1.8586, de 29 de junho de 1999, revogou os incisos I e III do art. 6º da LC n.º 70/91, revogação esta mantida pela Medida Provisória 66/02 e recepcionada pela Lei 10.637/02, que atualmente regulamenta esta matéria. Passaram então as cooperativas, a partir de 01.11.99, a recolher o valor de 3% sobre o faturamento mensal, qual seja, sobre a receita bruta mensal da cooperativa, a título de COFINS, num claro e inconteste caso de incidência tributária em casos de não incidência e afronta aos princípios da capacidade contributiva e da isonomia. Quanto ao PIS, estão as cooperativas sujeitas ao pagamento deste tributo de duas formas: 1.SOBRE A FOLHA DE PAGAMENTO, mediante a aplicação de alíquota de 1% sobre a folha de pagamento mensal de seus empregados. 2.SOBRE A RECEITA BRUTA, calculada à alíquota de 0,65%, a partir de 01.02.2003, de acordo com a MP 107, com exclusões da base de cálculo previstas pela Medida Provisória 211327/2001, art. 15. A partir de 01.12.2002, por força da Lei 10637/2002, a alíquota do PIS foi majorada para 1,65%, sendo que a Medida Provisória n.º 107 de 10.02.2003, retomou a situação inicial, qual seja a alíquota de 0,65% para as sociedades cooperativas. Consoante as disposições da Medida Provisória – MP nº 2.11329, de 27 de Março de 2001, DOU de 28.3.2001, reedições e modificações posteriores, até a MP 2158 Fl. 715DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 6 35/2001, podem as sociedades cooperativas excluir da base de cálculo os valores e as mercadorias abaixo delineadas: "Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2º e 3º da Lei n. 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. Também deverão ser observadas as disposições da Medida Provisória 101/2002, in verbis: Art. 1º As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971. § 1º As sobras líquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas pela sociedade cooperativa de produção agropecuárias. § 2º Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão de que trata o caput ficará limitada aos valores destinados a formação dos Fundos nele previstos. § 3º O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória nº 1.85810, de 26 de outubro de 1999. Notese que as exclusões dizem respeito mais especificamente às operações realizadas pelas cooperativas agrícolas e de consumo. Como não se pode fazer interpretação extensiva destas exclusões, as cooperativas dos demais ramos vem sendo extremamente prejudicadas pela tributação do PIS e COFINS sobre o ato cooperativo, sobretudo as cooperativas dos ramos trabalho e saúde. Quanto à sociedade cooperativa de crédito, poderá deduzir da receita bruta mensal os valores correspondentes a: Fl. 716DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 16327.001249/200693 Acórdão n.º 3401002.478 S3C4T1 Fl. 714 7 I – despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; II – despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições financeiras; III – perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; IV – perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operação de hedge. Ressaltese que, por força do artigo 8, inciso I, da Lei 10.637/2002, a nova modalidade de contribuição do PIS a partir de 01.12.2002 não se aplica as cooperativas de crédito. Varias cooperativas, sobretudo as cooperativas dos ramos trabalho e saúde, ingressaram com ações judiciais insurgindose contra a tributação pelo PIS e COFINS sobre os atos cooperativos. O STJ, em recentíssima decisão, acatou a tese de que medida provisória não pode revogar isenção concedida por Lei Complementar, proferindo o seguinte acórdão: ISENÇÃO. PIS. COFINS. COOPERATIVAS. O art. 23, II, a, da MP n. 1.8586/1999 (atualmente equivalente ao art. 93,II, a, da MP n. 2.15835/2001) não revogou a isenção de PIS e Cofins concedida às cooperativas pelo art. 6º, I, da LC n. 70/1991. O entendimento do STJ de que lei ordinária não pode revogar lei complementar, adotado para justificar a manutenção da isenção conferida às prestadoras de serviço, também tem valia quanto às cooperativas e deve ser mantido apesar do novel entendimento do STF, que equiparou a referida LC à lei ordinária. Precedente citado do STF: ADC 1DF, DJ 16/6/1995. Resp 476.510SC, Rel.Min. Luiz Fux, julgado em 6/5/2003. Assim, entendo que os valores relativos às sobras das cooperativas não sofrem a incidência da PIS e da COFINS, merecendo ser sanada a omissão no v. acórdão para dar provimento ao recurso voluntário especificamente neste tópico. Em razão do exposto, conheço em parte os embargos de declaração apresentados para, na parte conhecida, julgar procedente dando provimento ao recurso voluntário do contribuinte no tocante às sobras da cooperativa. Fernando Marques Cleto Duarte Relator Fl. 717DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 8 Fl. 718DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 1/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
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Numero do processo: 11516.003512/2006-38
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1999
SALDO NEGATIVO DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO.
O saldo negativo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido é apurado pela existência de pagamento de estimativas em montante superior ao efetivamente devido no final do ano-calendário, considerando-se inclusive o tributo retido na fonte por terceiros, validado pelo constante na DIRF.
COMPENSAÇÃO. DISPONIBILIDADE. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO RETIDA NA FONTE. COMPROVAÇÃO.
A compensação de saldo negativo é possível à luz da legislação. A disponibilidade do crédito é considerada pela consistência do constante na DIPJ da pessoa jurídica, e, quando o caso, da comprovação do montante retido na fonte, através de Informe de Rendimentos da DIRF. In casu, ficou evidenciada a não existência de prova da retenção, motivo que impede a caracterização de certeza e liquidez do crédito pretendido, resultando na sua não homologação.
Numero da decisão: 1802-001.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR provimento ao Recurso, nos termos do voto do Relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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O saldo negativo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido é apurado pela existência de pagamento de estimativas em montante superior ao efetivamente devido no final do anocalendário, considerandose inclusive o tributo retido na fonte por terceiros, validado pelo constante na DIRF. COMPENSAÇÃO. DISPONIBILIDADE. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO RETIDA NA FONTE. COMPROVAÇÃO. A compensação de saldo negativo é possível à luz da legislação. A disponibilidade do crédito é considerada pela consistência do constante na DIPJ da pessoa jurídica, e, quando o caso, da comprovação do montante retido na fonte, através de Informe de Rendimentos da DIRF. In casu, ficou evidenciada a não existência de prova da retenção, motivo que impede a caracterização de certeza e liquidez do crédito pretendido, resultando na sua não homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR provimento ao Recurso, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 35 12 /2 00 6- 38 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11516.003512/200638 Acórdão n.º 1802001.987 S1TE02 Fl. 232 3 Relatório Tratam os presentes autos de não homologação de compensação cujo crédito está em saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) oriundo de pagamentos de estimativas e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido retida na fonte supostamente suportados pelo contribuinte no anocalendário de 1999. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do presente Recurso Voluntário, adoto o Relatório proferido pela 3a Turma da DRJ/FNS, através do Acórdão n° 07 25.365, constante às efls. 154/156: Trata o presente processo de Declarações de Compensação — Dcomp, que utilizam como crédito o saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, do ano calendário de 1999. Por meio do Despacho Decisório de f. 91/92, foi declarada a: (a) não homologação das Dcomp n° 04911.75583.050104.1.7.037789 e 19450.38866.070104.1.3.03 0098; (b) homologação parcial da Dcomp n° 14915.48905.050104.1.7.035607. A alocação do crédito reconhecido aos débitos indicados à compensação é demonstrada nas tabelas abaixo reproduzidas: DCOMP n° 04911.75583.050104.1.7.037789 Código de Tributo Período de Apuração Data de Vencimento Valor Original do Débito Compensação Homologada Compensação Não Homologada 5869 3a SEM/12/2003 24/12/2003 113.571,76 113.571,76 DCOMP n° 14915.48905.050104.1.7.035607 Código de Tributo Período de Apuração Data de Vencimento Valor Original do Débito Compensação Homologada Compensação Não Homologada 3426 4a SEM/12/2003 02/01/2004 98.103,14 98.103,14 8053 4a SEM/12/2003 02/01/2004 24.851,48 24.851,48 5884 4a SEM/12/2003 02/01/2004 49.287,95 49.287,95 1150 4a SEM/12/2003 02/01/2004 7.274,78 7.274,78 3467 4a SEM/12/2003 02/01/2004 44.662,30 44.662,30 5871 4a SEM/12/2003 02/01/2004 17.118,15 17.118,15 5869 4a SEM/12/2003 02/01/2004 512.260,13 89.379,44 422.880,69 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Na Informação Fiscal (f. 87 a 90) que fundamenta o Despacho Decisório, consta que a contribuinte não logrou comprovar o montante de R$ 53.411,48 a titulo de CSLL retida na fonte, nem o montante de R$ 195.304,78 a titulo de crédito de que trata o art. 8° da MP n° 1.807/99 e reedições. Deste modo, estes valores foram glosados na apuração do saldo negativo de CSLL, na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, sendo apurado o saldo negativo de R$ 258.678,83. A fiscalização revela que (f. 87 a 89): Conforme a DIPJ, no período teriam sido retidos R$ 53.411,48 na fonte por órgão público e de acordo com a DCOMP esse valor foi retido pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), CNPJ n° 29.979.036/000140 (fl. 04). Em pesquisa aos sistemas informatizados, verificouse, contudo, que essa retenção de CSLL, indicada na DIPJ e na DCOMP, não encontra comprovação na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) entregue pela fonte pagadora. De acordo com a DIRF não houve retenções na fonte por órgão público no anocalendário 1999 (fls. 63/72). Pela Intimação SAORT n° 2006296 Ns. 74 e 81, solicitou se ao contribuinte a apresentação do comprovante de rendimentos para confirmação da retenção de R$ 53.411,48 indicada na DIPJ. Em resposta o contribuinte apresentou o documento de fl. 82. [...] Pela análise do documento de fl. 82, observase que o mesmo não possui as informações necessárias a sua caracterização como comprovante de rendimento válido. Além disso, foi preenchido pelo próprio contribuinte, não foi emitido pela fonte pagadora dos rendimentos. Como somente pode ser acatada na declaração a dedução de fonte quando o contribuinte apresentar comprovante de rendimentos, a dedução de R$ 53.411,48 não será considerada no cálculo do saldo negativo de CSLL. As Medidas Provisórias n° 1.807, de 25 de fevereiro de 1999, e reedições, n° 1.8586, de 1999 e reedições, e n° 1.99122, de 1999 e reedições, em seu art. 8°, facultaram as instituições financeiras que tinham base de cálculo negativa e valores adicionados, temporariamente, ao lucro liquido, para efeito de apuração da base de cálculo da CSLL, correspondentes a períodos de apuração encerrados até 31 de dezembro de 1998, optar por escriturar, em seu ativo, como crédito compensável com débitos da mesma DCOMP n° 19450.38866.070104.1.3.030098 Código de Tributo Período de Apuração Data de Vencimento Valor Original do Débito Compensação Homologada Compensação Não Homologada 5869 5a SEM/12/2003 07/01/2004 5.078,99 5.078,99 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11516.003512/200638 Acórdão n.º 1802001.987 S1TE02 Fl. 233 5 contribuição, o valor equivalente a dezoito por cento da soma daquelas parcelas. Ou seja, o contribuinte poderia utilizar 18% do montante acumulado de base de cálculo de CSLL negativa que possuísse em 31/12/1998 para dedução da CSLL apurada. Na DIPJ do anocalendário 1999, essa dedução era registrada na Linha 26 da Ficha 30, a titulo de recuperação de crédito de CSLL. De acordo com o Sistema SAPLI, o único período em que foi apurada base de cálculo negativa de CSLL foi junho de 1993 e no mês seguinte (julho de 1993) o crédito foi utilizado em quase sua totalidade. Em 31/12/1998 o saldo de bases de cálculo negativas de CSLL ainda não utilizado era R$ 181,24 (fl. 78), esse valor é o resultado da correção do remanescente de junho/1993 não usado em julho de 1993 (fls. 76/78). Assim, o crédito que o contribuinte tinha direito para dedução da CSLL a partir de 1999 era R$ 32,62 (18% do remanescente de R$ 181,24). Consta da DIPJ que no ajuste anual foi utilizada dedução relativa à recuperação de crédito de CSLL, no valor de R$ 195.304,78 (fl. 47). Conforme o SAPLI (fl.80), ocorreu um excesso de recuperação de crédito no valor de R$ 195.272,16. O contribuinte informou em sua declaração uma dedução indevida, uma vez que já havia utilizado praticamente todo o saldo de base de cálculo negativa que possuía. Assim, da dedução informada (R$ 195.304,78), serão excluídos R$ 195.272,16, permanecendo o valor de R$ 32,62. Irresignada, a contribuinte encaminhou a manifestação de inconformidade de f. 109 a 113, na qual faz referência a outros processos e, em relação ao presente processo, alega que (f. 110): INSS: Alegase que não houve retenções na fonte por órgão público no anocalendário 1999. No entanto, como provam os documentos anexados, o INSS reteve R$ 376.550,95 (7,05%), sendo R$ 53.411,48 (1%) referente à CSLL. Documentos anexados: de 27 a 51. À fl 112 faz a seguinte indicação: Documentos anexados: Recibos de Pagamento por Serviços Prestados de Arrecadação e de Benefícios do INSS, Relação de Recolhimentos — Sistema de Controle Financeiro da Previdência Social Planilha "Comprovante das Tarifas pagas pelo INSS" Naquela oportunidade, a nobre turma julgadora entendeu pela total improcedência da Manifestação de Inconformidade, conforme sintetiza a seguinte Ementa (e fls 153): Fl. 235DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1999 RETENÇÃO. COMPROVAÇÃO. UTILIZAÇÃO. REQUISITO. A parcela referente à CSLL retida na fonte sobre rendimentos ou ganhos de capital, submetidos à tributação ao final do período de apuração, poderá ser compensada na declaração de pessoa jurídica, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ou outros elementos de provas hábeis a demonstrar que sofreu o ônus da retenção Manifestação. de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada do Acórdão em 07/05/2012 (efls 164), apresentou Recurso Voluntário em 05/06/2012 (efls. 166/177), alegando em apertada síntese que o crédito pleiteado é válido, merecendo reforma a decisão recorrida pela aplicação do princípio da verdade material. Em síntese, é o relatório. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11516.003512/200638 Acórdão n.º 1802001.987 S1TE02 Fl. 234 7 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e preenche aos requisitos de admissibilidade, pelo que dele, passo a tomar conhecimento. Como se extrai do relatório, os presentes autos versam sobre a legitimidade e existência do saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, do ano calendário de 1999. Foram apresentadas as DCOMP 38980.61364.231203.1.3.031882 retificada pela DCOMP 04911.75583.050104.1.7.037789, DCOMP 28234.30630.020104.1.3.038607 retificada pela DCOMP 14915.48905.050104.1.7.035607 e a DCOMP 19450.38866. 070104.1.3.030098, noticiando que o crédito correspondente ao saldo negativo do período é de R$ 507.362,47. As retificações não alteraram o valor crédito pleiteado desde o início. Referido saldo, conforme consta nas DCOMP apresentadas pelo contribuinte, é decorrente do pagamento das estimativas de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido recolhidas e compensadas no anocalendário de 1999, conforme observado na Informação Fiscal (efls. 90): 0 montante de CSLL mensal pago por estimativa, conforme a DIPJ, foi R$ 909.662,17. Os pagamentos feitos por intermédio de Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) confirmados no Sistema SINAL09 totalizam R$ 907.688,86 (fl. 48). De acordo com a DCOMP, R$ 1.973,31 foram compensados com saldo negativo de CSLL do ano anterior. Essa informação consta também da DCTF (fl. 73). No anocalendário 1998, conforme a DIPJ, foi apurado saldo negativo de R$ 1.084.385,55. Ao transmitir a primeira DCOMP eletrônica que usa o saldo negativo daquele anocalendário, o contribuinte inicia a utilização do crédito informando ter R$ 1.082.715,52 disponível, ou seja, o requerente reservou R$ 1.670,03 do crédito original de 1998 para a compensação com a CSLL de 1999. Os R$ 1.670,03 atualizados ate setembro de 1999 (18,16%) atingem R$ 1.973,31. Verificase assim que a compensação com saldo do período anterior pode ser aceita. Ficou confirmado, portanto, o pagamento de todo o montante de CSLL mensal por estimativa, de R$ 909.662,17, R$ 907.688,86 recolhidos em DARF e R$ 1.973,31 quitados por compensação com saldo negativo de CSLL do período anterior. Além dos pagamentos e compensações, o saldo negativo apurado pelo contribuinte também levou em conta o imposto retido no montante de R$ 53.411,48, que restou não comprovado na diligência fiscal, motivo que ensejou o reconhecimento parcial do crédito pleiteado. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Também houve reconhecimento parcial do crédito relativo a base de cálculo negativa de anos anteriores, que quase integralmente já havia sido utilizada (efls. 91): De acordo com o Sistema SAPLI, o único período em que foi apurada base de cálculo negativa de CSLL foi junho de 1993 e no mês seguinte (julho de 1993) o crédito foi utilizado em quase sua totalidade. Em 31/12/1998 o saldo de bases de cálculo negativas de CSLL ainda não utilizado era R$ 181,24 (fl. 78), esse valor é o resultado da correção do remanescente de junho/1993 não usado em julho de 1993 (fls. 76/78). Assim, o crédito que contribuinte tinha direito para dedução da CSLL a partir de 1999 era R$ 32,62(18% do remanescente de R$ 181,24). Consta da DIPJ que no ajuste anual foi utilizada dedução relativa à recuperação de crédito de CSLL, no valor de R$ 195.304,78 (fl. 47). Conforme o SAPLI (fl. 80), ocorreu um excesso de recuperação de crédito no valor de R$ 195.272,16. O contribuinte informou em sua declaração uma dedução indevida, uma vez que já havia utilizado praticamente todo o saldo de base de calculo negativa que possuía. Assim, da dedução informada (R$ 195.304,78), serão excluídos R$ 195.272,16, permanecendo o valor de R$ 32,62. Assim concluiu a diligência fiscal no reconhecimento do saldo negativo de CSLL apenas o montante de R$ 258.678,83, conforme narrativa a seguir (efls. 92/93): As deduções com retenções na fonte não foram comprovadas. Foram confirmadas as deduções de R$ 2.522.240,57 referentes a 1/3 da COFINS efetivamente paga, R$ 909.662,17 relativos a estimativas mensais, e R$ 32,62 relativos à recuperação de crédito de CSLL. Como a CSLL apurada foi R$ 3.173.256,53, o resultado do ajuste anual é saldo negativo de CSLL no valor de R$ 258.678,83. Diante disso, a DCOMP 04911.75583.050104.1.7.037789 (retificadora) restou homologada na sua integralidade, a DCOMP 14915.48905.050104.1.7.035607 (retificadora) foi homologada parcialmente e a DCOMP 19450.38866.070104.1.3.030098 não foi homologada. Compulsandose dos autos, não há litígio quanto à glosa da dedução de CSLL de períodos anteriores, permanecendo o litígio tão somente na parte relativa às supostas retenções de CSLL ocorridas. Em síntese, eis a razão do não reconhecimento pela DRJ do crédito pleiteado sob esta epígrafe (efls. 157): Na manifestação de inconformidade, a interessada alega que esses valores referemse a retenções de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, promovidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (CNPJ n° 29.979.036/000140). Para comprovação, juntou os documentos de f. 115 a 139. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11516.003512/200638 Acórdão n.º 1802001.987 S1TE02 Fl. 235 9 Compulsandose os documentos, verificase que eles não são hábeis a comprovar as supostas retenções que teriam ocorrido no ano de 1999. As f. 115 a 121, 123, 126, 129, 131 e 134 encontramse demonstrativo e recibos emitidos pela própria interessada, os quais não se prestam a comprovar as correspondentes retenções de CSLL, até porque os recibos nem indicam valores desta natureza. Como se observa, carecia nos autos a apresentação de documento válido capaz de demonstrar a existência de pagamento do tributo retido, de forma a aproveitar o saldo negativo noticiado. Em sede recursal, o contribuinte informa: Em decorrência disso, e visando provar a regularidade dos documentos recebidos, o Recorrente obteve do próprio INSS a expressa confirmação/autenticidade dos pagamentos das remunerações devidas no período de janeiro a julho de 1999, emitindo, inclusive, novos relatórios, os quais foram devidamente validados pelo atual Coordenador Geral de Orçamento, Finanças e Contabilidade, Sr. Antônio Bacelar Ferreira, os quais ora se junta aos autos (Anexo 3). Trazse aos autos, (sic) também, visando espancar (sic) qualquer dúvida porventura existente, os registros contábeis pertinentes, esclarecendo que as retenções efetuadas pelo INSS, de R$ 53.411,48, que compõem o saldo negativo de CSLL, de 1999, decorreram de receitas auferidas e tributadas nos anos de 1998 e 1999, sendo os respectivos pagamentos e retenções efetuados pelo INSS em 1999 (Anexo 4). Em análise da documentação acostada, novamente não se atesta a validade dos créditos utilizados. Assim como a autenticação bancária é prova do recolhimento de valores a um beneficiário, o Informe de Rendimentos da DIRF é prova da existência do tributo retido, que pode ser aproveitado pelo beneficiário. Os documentos apresentados não têm o condão de satisfazer de forma inequívoca que os tributos foram efetivamente retidos e recolhidos, sendo duvidosa a liquidez e certeza do crédito pleiteado, ficando adstrito o requisito do art. 170 do Código Tributário Nacional – CTN. Caso houvesse a demonstração de que a recorrente recebera valores a menor pela sua prestação de serviço e o Informe de Rendimentos da DIRF, haveria de se reconhecer o crédito em seu favor. Porém, o documento apresentado não é próprio para demonstrar a existência do tributo retido, capaz de aproveitar no saldo negativo apurado. Ressaltase que o contribuinte deveria ter trazido e colacionado aos autos todos os documentos válidos e aceitos capazes de comprovar o direito pretendido. O Decreto Fl. 239DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 n° 70.235/72 deixa claro a necessidade do contribuinte fazer isso em momento próprio, sob pena de preclusão desse direito: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Assim sendo, não há como considerar os valores supostamente retidos como válidos para adição ao saldo negativo apurado, não havendo o que reformar da decisão recorrida. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 240DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10480.008592/00-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1988, 01/08/1994 a 31/03/1996
PIS. INCONSTITUCIONALIDADES DOS DECRETOS LEIS 2.445 E 2.449/88. DESCUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL.
O contribuinte não consegue demonstrar em seu recurso voluntário que houve descumprimento da decisão judicial que atestou direito ao contribuinte de compensar os valores pagos a maior do PIS sob a égide dos Decretos-Leis nº 2.445 e 2.449/88.
PIS. SEMESTRALIDADE. SÚMULA CARF Nº 15.
Os cálculos elaborados pela DRF/Recife e mantidos pelo DRJ/Recife obedeceram o disposto na Súmula CARF nº 15.
PIS. PAGAMENTO A MAIOR. LIQUIDEZ E CERTEZA.
De acordo com o art. 170 do CTN faz jus à restituição/compensação quem tem crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional. O contribuinte não logrou demonstrar a certeza e liquidez do crédito solicitado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-002.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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INCONSTITUCIONALIDADES DOS DECRETOS LEIS 2.445 E 2.449/88. DESCUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. O contribuinte não consegue demonstrar em seu recurso voluntário que houve descumprimento da decisão judicial que atestou direito ao contribuinte de compensar os valores pagos a maior do PIS sob a égide dos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449/88. PIS. SEMESTRALIDADE. SÚMULA CARF Nº 15. Os cálculos elaborados pela DRF/Recife e mantidos pelo DRJ/Recife obedeceram o disposto na Súmula CARF nº 15. PIS. PAGAMENTO A MAIOR. LIQUIDEZ E CERTEZA. De acordo com o art. 170 do CTN faz jus à restituição/compensação quem tem crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional. O contribuinte não logrou demonstrar a certeza e liquidez do crédito solicitado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 85 92 /0 0- 80 Fl. 455DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10480.008592/0080 Acórdão n.º 3301002.167 S3C3T1 Fl. 404 2 Andrada Márcio Canuto Natal – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10480.008592/0080 Acórdão n.º 3301002.167 S3C3T1 Fl. 405 3 Relatório Por economia processual e por bem relatar os fatos até aquele momento transcrevo abaixo o relatório da DRJ/Recife elaborado por ocasião do Acórdão nº 1128.171. Trata o presente processo administrativo, de pedidos de restituição e compensação formulados pela contribuinte acima identificada às fls. 01 a 03, de valores do PIS cujos pagamentos foram efetivados sob a égide dos DecretosLei n°s 2.445/88 e 2.449/88, ambos considerados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal e suspensa a sua execução pela Resolução n° 49/95 do Senado Federal que conferiu efeito erga omnes à declaração de inconstitucionalidade citada. 2. O pedido em questão tem ainda como amparo a concessão parcial de segurança proferida em sede de Mandado de Segurança (MS n° 99.0011430) incluindose na correção dos créditos os expurgos inflacionários, aplicandose como indexadores, para os períodos de março/90 a novembro/91, o IPC, relativamente ao de fev/91 a dezembro/91, o INPC e, a partir de jan/92, a Ufir, na forma preconizada pela Lei n° 8.383/91, afastada a aplicação de juros compensatórios. 3. Os pleitos foram indeferidos inicialmente por meio do Despacho Decisório de fl.49, subscrito pelo Chefe do Serviço de Tributação da DRFRecife PE, por Delegação de Competência do Delegado da Receita Federal no Recife, respaldado no Parecer de fls. 144 a 148, que traz as seguintes conclusões, verbis: a) Com os faturamentos discriminados às fls. 39, apresentados pelo contribuinte, foi apurado o PIS devido de acordo com a Lei Complementar 07/70, sendo efetivada a imputação do PIS calculado com os respectivos pagamentos e apurados os saldos de pagamentos; b) Os saldos de débitos remanescentes são muito maiores do que o saldo de pagamentos, o que indica que o contribuinte não pagou o PIS a maior, não tendo, conseqüentemente, créditos a compensar. 4. Inconformada com a decisão referenciada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 159/166), onde requer a insubsistência e improcedência do Despacho Decisório, bem como o deferimento do seu pleito pelos motivos por ela expostos. 5. Submetida a julgamento nesta instância julgadora, foi emitido o Acórdão n° 7.241, de 13 de fevereiro de 2004, assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/1988 a 31/03/1996 Ementa: PAF. NULIDADE. São nulos os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente. PAF. COMPETÊNCIA PARA APRECIAR PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10480.008592/0080 Acórdão n.º 3301002.167 S3C3T1 Fl. 406 4 A decisão sobre o pedido de restituição/compensação de quantia recolhida a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF caberá ao titular da Delegacia da Receita Federal (DRF). A decisão proferida por autoridade outra que não o titular da Delegacia da Receita Federal, ainda que por delegação de competência, padece de vício insanável e irradia a mácula para todos os atos dela decorrentes. PAF. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. A manifestação de inconformidade fica prejudicada pela nulidade do despacho decisório, mas o pedido de compensação continua válido e deve ser apreciado pela autoridade competente. 6. Em face da anulação supracitada foi emitido pelo Delegado da Receita Federal no Recife, o Despacho Decisório de fls.257, no qual foi indeferido o pleito da contribuinte, com base na Informação Fiscal de fls.248 a 250, que contém as seguintes conclusões, em síntese: a) os débitos dos Pedidos de Compensação indicados no item 01 não mais se encontram vinculados a este processo (fls.242 a 244), estando todos vinculados a processos de parcelamento onde se verifica que já se encontram quitados; b) em cumprimento à decisão em Mandado de Segurança n° 99.11430, 12ª Vara FederalPE, foram apreciadas as informações apresentadas pelo contribuinte nas planilhas de correções monetárias dos pagamentos relativos ao PIS efetuados e dos débitos do PIS calculados de acordo com as LC n°s 07/70 e 17/73, lembrando que para os períodos de apuração informados pelo contribuinte (jul/88 a set/88 e jul/94 a 03/96) já se encontravam vigentes os DecretosLei n°s 2.445 e 2.449, de 1988 que não foram objeto de inconstitucionalidade pela via incidental em relação ao contribuinte; c) dessa forma as bases de cálculo apresentadas eram menores do que as previstas na legislação vigente e o contribuinte ainda utilizou como data dos vencimentos dos débitos, segundo LC 07/70, art.6°, Parágrafo único, a sistemática de defasagem de 6 meses entre a apuração da base de cálculo e o seu vencimento, lembrando que tal defasagem de 6 meses é apenas um intervalo para o recolhimento pois tanto a apuração do faturamento quanto a ocorrência do fato gerador se dão no mesmo mês, podendo o pagamento ocorrer em até seis meses posteriores, conforme Parecer PGFN/CAT n° 437/1999. Apesar disso toda essa sistemática não mais se encontrava vigente devido ao advento da Lei n° 7.691/88; d) mesmo assim, os valores apresentados foram objeto de investigação referente aos cálculos de correção monetária que, segundo o contribuinte, levariam à apuração de pagamento indevido ou a maior de PIS, tomando inicialmente, tanto os valores dos pagamentos com suas datas de recolhimento por ele apresentadas à fl.23, quanto aos valores dos débitos com as datas de vencimento apresentadas à fl.24; e) foi utilizada, para os pagamentos efetuados até dez/91, bem como para os débitos vencidos até essa data, a tabela da Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar n° 8/97 (fls.252/253) com a alteração/inclusão dos expurgos inflacionários dos planos econômicos como indicado na sentença judicial emitida no MS n° 99.0011430, atualizandose os valores até 01/01/1996 em Reais. Os pagamentos efetuados entre jan/92 a dez/95, bem como os débitos vencidos nesses Fl. 458DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10480.008592/0080 Acórdão n.º 3301002.167 S3C3T1 Fl. 407 5 período, foram convertidos em Ufir de referência e posteriormente convertidos em Reais na data de 01/01/1996; f) com o valor do total dos pagamentos efetuados e dos débitos vencidos até dez/95 atualizados para 01/01/1996 e verificandose que, de acordo com a informação apresentada pela contribuinte (fl.24) o último débito envolvido havia vencido em setembro/1996, o montante dos pagamentos efetuados e dos débitos vencidos, calculados conforme item anterior, foram atualizados pela Selic acumulada mais 1% no mês de referência até a data de 30/09/1996, assim como os pagamentos efetuados até o mês de dezembro/1995 e os débitos vencidos após dezembro de 1995; g) dessa forma foram encontradas as somas dos pagamentos efetuados pelo contribuinte para o PIS atualizados desde as suas datas de recolhimento até 30/09/1996, bem como dos débitos para o PIS atualizados desde as suas datas de vencimento, apresentados pelo contribuinte, até 30/09/1996. Com os dois valores calculados, verificouse que a soma dos pagamentos é inferior à soma dos débitos e que, portanto, não existe pagamento a maior ou indevido de PIS para todo o período pleiteado à fl.01; h) como os débitos inicialmente compensados com supostos créditos vinculados a este processo já haviam sido transferidos para parcelamento, conforme item 5, não havendo mais débitos vinculados a este (fl.247) não há compensações a serem objeto aqui, de nãohomologação. 7. Cientificada do Despacho Decisório em 29.07.2007 conforme “AR” de fls. 275, a contribuinte apresenta, por meio da sua procuradora (instrumento de Procuração de fls.288) a manifestação de inconformidade, fls.277/286, na data de 18/08/2008 em que contesta o indeferimento sob os seguintes argumentos, em síntese: I o direito à restituição sob a forma de compensação ora postulada teve como respaldo valores pagos indevidamente a título de PIS, bem como o Decreto n° 2318/97, sancionado pelo Presidente da República com a finalidade de regulamentar os arts 73 e 74 da Lei n° 9.439/96 e por fim, às controvérsias acerca da possibilidade de compensação; II a DRFRecife, na decisão vergastada Despacho Decisório/DRF/REC/Pessoa Jurídica/2008, afirma, no item 5, que os débitos dos Pedidos de Compensação indicados no item 01 não mais se encontravam vinculados a este processo estando todos vinculados a processos de parcelamento onde se verifica que já se encontram quitados. Entretanto, o entendimento acima demonstra que não foram levadas em conta as decisões judiciais que ampararam o direito da empresa contribuinte no que toca à existência de créditos a seu favor; III ocorre que paralelamente ao pleito administrativo, impetrou o Mandado de Segurança MS n° 99.11430 que tramitou perante a 12ª vara da seção Judiciária de Pernambuco, tendo sido o seu direito à compensação reconhecido judicialmente e transitado em julgado , sem que a Procuradoria da Fazenda Nacional se manifestasse contrariamente à referida decisão; IV assim, como as decisões judiciais têm força superior às proferidas no âmbito administrativo, fica afastado qualquer julgamento desfavorável ao pleito do contribuinte; Fl. 459DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10480.008592/0080 Acórdão n.º 3301002.167 S3C3T1 Fl. 408 6 V além disso, a própria decisão administrativa afirma que as compensações efetuadas neste processo administrativo já foram objeto de parcelamento e , ainda, que este parcelamento já se encontrava totalmente quitado, não havendo que se falar, no caso em tela, de homologação das compensações efetuadas; VI entende que, dessa forma, a decisão recorrida fere a coisa julgada, além de constituir um flagrante descumprimento/desobediência à coisa julgada; VII na planilha detalhada dos créditos da contribuinte integrante do despacho decisório impugnado não foi levada em conta a semestralidade da Contribuição do PIS, o que, conseqüentemente, acabou por diminuir os créditos pleiteados pela contribuinte; VII assim, cabe à Receita Federal proceder corretamente ao levantamento desses créditos e, na falta de débitos a serem compensados, proceder à restituição destes à contribuinte; VIII pondera que, independentemente de decisão judicial, a contribuinte tem direito de requerer a restituição dos valores pagos indevidamente, em face da semestralidade do PIS acima referenciada; IX transcreve entendimento expresso na Doutrina e na jurisprudência administrativa como amparo para o seu entendimento; X diante das fundamentações expostas, requer: a juntada da presente peça ao processo Administrativo n° 10480.008592/00 80 e, finalmente, reconsidere a decisão vergastada, no sentido de admitir que há créditos em favor da contribuinte, a título de pagamento indevido da Contribuição para o PIS, bem como determinar o ressarcimento do valor correspondente ao montante indevidamente pago. Analisando a referida manifestação de inconformidade, a DRJ/Recife proferiu o Acórdão nº 1128.171, cuja ementa transcrevese abaixo: Assunto : Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1988 a 31/03/1996 Compensação tributária. A compensação, nos termos em que está definida em lei (art. 170 do CTN), somente poderá ser homologada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos estejam revestidos dos atributos de liquidez e certeza. PIS. PAGAMENTOS A MAIOR. COMPENSAÇÃO COM COFINS. DECISÃO JUDICIAL. ÍNDICES DE ATUALIZAÇÃO. O aplicativo utilizado pela autoridade administrativa para atualização dos valores pagos a maior pelo contribuinte, embora confeccionado com base na Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar n° 8/97, admite a utilização de outros índices com ou sem os expurgos inflacionários , a depender dos índices determinados na decisão judicial. Assim sendo, a atualização dos referidos valores foram efetuadas em perfeita consonância Fl. 460DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10480.008592/0080 Acórdão n.º 3301002.167 S3C3T1 Fl. 409 7 com o determinado pela decisão judicial proferida em ação judicial intentada pela pessoa jurídica interessada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Não concordando com referida decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário, repisando basicamente as mesmas questões trazidas em sede de manifestação de inconformidade e que podem ser assim resumidas: demonstra o arcabouço legal que lhe dá direito à apresentação do presente recurso; demonstra também o arcabouço legal que permite aos contribuintes a apresentação de pedido de compensação; afirma que houve descumprimento da decisão judicial relativa ao Mandado de Segurança nº 99.11430, informando que com o seu trânsito em julgado há que se respeitar a coisa julgada. Faz um arrazoado jurídico sobre a “coisa julgada” e “direito adquirido”; afirma que, ao contrário do que entendeu o acórdão recorrido, não foi obedecida a regra da semestralidade no cálculo do PIS devido com base no parágrafo único do art. 6º da LC nº 07/70, sem correção monetária, o que garantiria saldo credor do PIS em seu favor, em decorrência da elevada inflação daquele período; por fim, requer o reconhecimento do seu direito creditório com determinação do valor a ser restituído, ante a constatação de que os débitos antes objetos de pedidos de compensação já foram quitados por meio de parcelamento. É o relatório. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10480.008592/0080 Acórdão n.º 3301002.167 S3C3T1 Fl. 410 8 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isto dele tomo conhecimento. Da análise do recurso voluntário constatase que o contribuinte traz efetivamente dois pontos controversos a serem decididos no presente julgamento: 1) se o indeferimento do seu direito creditório teria ferido a decisão judicial; e 2) que nos cálculos efetuados pela DRF não foi obedecida a regra da semestralidade no cálculo do PIS. Quanto ao primeiro ponto de que a DRF teria desobedecido a decisão judicial ao efetuar os cálculos e constatar que ao contribuinte não restava valores a ser restituído/compensado, creio que não cabe razão ao recorrente. Transcrevo abaixo alguns pontos do Termo de Informação Fiscal elaborado pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária Seort/DRF/Recife, fl. 248/251, o qual embasou o Despacho Decisório que negou o direito creditório ao contribuinte: (...) 7) Em cumprimento da decisão em Mandado de Segurança n° 99.11430, 12ª Vara FederalPE, foram apreciadas as informações apresentadas pelo contribuinte nas planilhas de correçõe monetárias dos pagamentos relativos ao PIS efetuados pelo contribuinte e dos débitos de PIS calculados de acordo com as Leis Complementares n° 07/70 e 17/73, lembrando que para os períodos de apuração informados pelo contribuinte (jul/88 a set/88 e jul/94 a 03/96) já se encontrava vigente os Decretos Leis n° 2.445 e 2.449/1988 que não foram objeto de inconstitucionalidade pela via incidental em relação ao contribuinte. (...) 10) Para os pagamentos efetuados pelo contribuinte até dez/91, bem como para os débitos vencidos até essa mesma data, foi utilizada a tabela da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT n° 008/97 (Anexos 1 e 2, fls. 252 e 253) com a alteração/inclusão dos expurgos inflacionários dos planos econômicos, como indicado no Mandado de Segurança (fl. 229), atualizandose os valores até 01/01/1996 em Reais. Os pagamentos efetuados entre jan/92 e dez/95, bem como os débitos vencidos nesse período, foram convertidos pela Ufir de referência e posteriormente convertidos em Reais na data 01/01/1996 (Anexos 1 e 2, fls. 252 e 253).(grifei) Ao observar o Termo de Informação Fiscal a que se refere o trecho acima transcrito, bem como a planilha que o acompanha, fls. 252/254, constatase que a autoridade preparadora foi bem detalhista no que diz respeito aos critérios dos cálculos utilizados, Fl. 462DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10480.008592/0080 Acórdão n.º 3301002.167 S3C3T1 Fl. 411 9 inclusive sempre fazendo referência ao cumprimento da decisão judicial. Porém o contribuinte alega o descumprimento da decisão judicial sem demonstrar em qual ponto dos referidos cálculos estaria em desacordo com a decisão judicial. Ele argumenta o seu direito de ter crédito do tributo exclusivamente porque a decisão judicial teria determinado a compensação dos valores pagos a maior do PIS que teriam sido efetuados na vigência dos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449/88. Ele não entra no mérito de onde estariam os cálculos efetuados pela DRF em dissonância com a decisão judicial. A DRF/Recife efetuou os cálculos com os mesmos valores de débitos e pagamentos informados pelo contribuinte em sua planilha, fls. 22/24, tudo em atendimento à decisão judicial, e constatou que não houve pagamento a maior do PIS no período e que, portanto o pedido de restituição/compensação não poderia ser autorizado. Concluo assim que não há elementos processuais que demonstrem inobservância do cumprimento da decisão judicial, conforme alegado pelo contribuinte. O segundo ponto de controvérsia alegado pelo recorrente é que nos cálculos efetuados pela DRF/Recife não teria sido obedecida a regra da semestralidade do cálculo do PIS nos termos do parágrafo único do art. 6º da LC nº 07/70. Esta questão já é pacífica no âmbito do CARF, sendo inclusive objeto da Súmula Carf nº 15, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 15 (VINCULANTE): A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Porém ao analisar a planilha de fl. 253, observase que os valores devidos da contribuição ao PIS, na forma da LC nº 07/70, foram calculados nos exatos termos informados pelo contribuinte em suas planilhas de fls. 22/24. Entendo que foi obedecida a regra da semestralidade. A título de exemplo peguemos o valor referente ao PIS devido em janeiro/89. Na planilha elaborada pelo contribuinte, fl. 23, o valor devido corresponde a 1.488.373,28, valor este que foi obtido a partir da base de cálculo de seis meses anteriores e sem correção monetária (base de cálculo de julho/88 no valor de 198.449.770,00). Na planilha elaborada pela DRF/Recife, fl. 253, consta justamente o valor de 1.488.373,28 devidos a título de PIS em janeiro/89. Os demais valores da planilha obedecem esta mesma lógica. O Termo de Informação Fiscal, apesar de demonstrar que não concordava com estas regras, citando inclusive o seu parâmetro normativo, explicitou que mesmo efetuando os cálculos com os dados apresentados pelo contribuinte, não havia saldo de pagamento em favor do recorrente. Transcrevo abaixo também alguns trechos do referido termo, que deixam claro estas referências: (...) 7) Em cumprimento da decisão em Mandado de Segurança n° 99.11430, 12ª Vara FederalPE, foram apreciadas as informações apresentadas pelo contribuinte nas planilhas de correções monetárias dos pagamentos relativos ao PIS efetuados pelo contribuinte e dos débitos de PIS calculados de acordo com as Leis Complementares n° 07/70 e 17/73, lembrando que para os períodos de apuração informados pelo contribuinte (jul/88 a set/88 e jul/94 a 03/96) já se encontrava vigente os Decretos Fl. 463DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10480.008592/0080 Acórdão n.º 3301002.167 S3C3T1 Fl. 412 10 Leis n° 2.445 e 2.449/1988 que não foram objeto de inconstitucionalidade pela via incidental em relação ao contribuinte. 8) Dessa forma, as bases de cálculo apresentadas pelo contribuinte eram menores do que as previstas na legislação vigente e o contribuinte ainda utilizou como data de vencimento dos débitos, segundo a LC 07/70, art. 6o, § único, a sistemática de defasagem de 6 meses entre a apuração da base de cálculo e o seu vencimento, lembrando que tal defasagem é apenas um intervalo para o recolhimento pois tanto a apuração do faturamento quanto a ocorrência do fato gerador se dão no mesmo mês, podendo o pagamento ocorrer em até 6 meses posteriores, conforme parecer PGFN/CAT n° 437/1999. Apesar disso, toda essa sistemática não mais se encontrava vigente devido ao advento da lei n° 7.691/88, a qual instituiu nova sistemática para o recolhimento do PIS em seu art. 3º, III, b, e art. 4º. 9) Apesar das inconsistências aqui apontadas, os valores apresentados pelo contribuinte foram objeto de investigação referente aos cálculos de correção monetária que, segundo o contribuinte, levariam a apuração de pagamento indevido ou a maior de PIS, tomando inicialmente tanto os valores dos pagamentos com suas datas de recolhimentos por ele apresentadas à folha 23, quanto os valores dos débitos com as datas de vencimento por ele apresentadas à folha 24. (...) 13) Assim, apesar das inconsistências apontadas nos itens 07 e 08 foram apreciadas as informações apresentadas pelo contribuinte, tendo a análise delas demonstrado a inexistência de pagamento indevido ou a maior de PIS em favor do contribuinte. (grifei) Constatase também que a esta mesma conclusão chegou o Acórdão recorrido, in verbis: (...) 8. A contribuinte, em sua manifestação de inconformidade, contesta os cálculos efetuados, sob a alegação de que não foi levada em conta a semestralidade da Contribuição do PIS, o que, conseqüentemente, acabou por diminuir os créditos por ela pleiteados. 9. Analisandose a Informação Fiscal de fls. 248 a 250 que embasou o Despacho Decisório impugnado, constatase que o seu autor apenas expressa a sua discordância, no item 8, quanto aos cálculos da contribuinte, no que se refere à base de cálculo por ela utilizada com base no faturamento do sexto mês anterior, e invoca como fundamento para tal discordância, o Parecer PGFN/CAT n° 437/1998, que considerou o parágrafo único do art.6º da LC n° 07/70, dispositivo que determina tão somente o prazo para pagamento da contribuição (seis meses após o fato Fl. 464DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10480.008592/0080 Acórdão n.º 3301002.167 S3C3T1 Fl. 413 11 gerador) e que o mesmo estaria revogado, inclusive, pela Lei n° 7.691/88 a qual determina em seu art.3o, inciso III, alínea b, a incidência da multa para os pagamentos de contribuição efetuados após o dia dez do terceiro dia subseqüente ao da ocorrência do fato gerador. 10. Entretanto, fica bem claro na mesma Informação fiscal (item 9) que, mesmo assim, os valores apresentados foram objeto de investigação referente aos cálculos de correção monetária que, segundo o contribuinte, levariam à apuração de pagamento indevido ou a maior de PIS, tomando inicialmente, tanto os valores dos pagamentos com suas datas de recolhimento por ele apresentadas à fl.23, quanto aos valores dos débitos com as datas de vencimento apresentadas à fl.24. (...) O recurso voluntário não aponta especificamente os erros de cálculos sugeridos, mesmo tendo sido informado pelo acórdão recorrido de que foi obedecida a regra da semestralidade. A respeito do direito à compensação tributária, assim determina o art. 170 do CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Desta forma, diante dos elementos factuais acima apontados, entendo que não estão demonstradas a liquidez e certeza do direito creditório do contribuinte e, portanto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 465DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 03/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10783.901463/2008-40
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo à demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-002.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosando Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Traanchesi Ortiz.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo à demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 14 63 /2 00 8- 40 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosando Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Traanchesi Ortiz. Relatório Tratase de indeferimento de pedido de compensação – COMP que visava utilizar crédito decorrente de pagamento a maior de COFINS período de apuração 01/02/2003 a 28/02/2003. No entanto, por meio do despacho de fl.4 o pleito foi negado ao argumento da inexistência de saldo disponível, visto que, o DARF indicado no COMP teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, e, assim sendo, não restando crédito a ser utilizado no processo de compensação pretendida. A recorrente alegou equivoco no preenchimento no DACON e na DCTF ao informar que o débito seria da ordem de R$ 61.978,91 (sessenta e um mil, novecentos e setenta e oito reais e noventa e um centavos), quando valor devido e correto seria de R$ 57.238,20 (cinqüenta e sete mil, duzentos e trinta e oito reais e vinte centavos). Além do que, recolheu o valor do DARF de R$ 64.846,64 (sessenta e quatro mil, oitocentos e quarenta e seis reais e sessenta e quatro centavos). Diz também que deveria ter feito a retificação da DACON, mas por um equívoco interno não o fez. Entende que é necessário se faz a reapreciação do pedido de compensação, visto que o crédito realmente existe e é suficiente para quitar o débito indicado. Não há cópia do DARF referente ao pagamento de R$ 64.846,64 (sessenta e quatro mil, oitocentos e quarenta e seis reais e sessenta e quatro centavos). Afirmar ainda que demonstrado o erro contábil cometido, não há como se admitir que o Estado apropriese de valores que não se referem a pagamento de tributos, impedindo a compensação pretendida mesmo quando a empresa possui os créditos, e somente deixou de retificar as suas declarações. A decisão de piso rejeitou os argumentos ao fundamento de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de outros débitos. O exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia, por conseguinte, não havia saldo disponível para suportar uma nova extinção de débito, à luz do art. 170 do CTN para que possa ser feito o encontro de contas com a Fazenda Nacional se faz necessário que os créditos estejam revestidos de liquidez e certeza, bem como, o disposto no art. 74 da Lei nº 9.430 Diz ainda que a simples retificação dos DACON e DCTF, mesmo que tivesse sido efetuada antes da ciência da decisão que não homologou a compensação declarada, não afasta de nenhum modo o dever de comprovar a origem do crédito. Concluiu que a fim de comprovar a certeza e liquide de seu crédito, a Inconformada, obrigatoriamente, deveria ter instruído sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldassem seu direito. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10783.901463/200840 Acórdão n.º 3403002.851 S3C4T3 Fl. 6 3 Concluiu que o ônus da prova é de quem alega, e, no caso não foram trazidas aos autos cópia da escrituração contábil, demonstrações financeiras. Na fase recursal mantevese o argumento tecido em Manifestação de Inconformidade, diz que a verdade real dos fatos prepondera sobre potenciais irregularidades formais, que não possuem o condão de afastar direito líquido e certo do contribuinte, assegurado pela legislação vigente. Faz juntar cópias do DACON e DCTF retificadora. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo que deve ser conhecido. No caso subexamine tratase de matéria de fato, razão pela qual a Administração necessita, além de identificar a origem do crédito que se pretende ver restituído ou compensado, de prova concreta de que tenha acontecido o evento alegado como equívoco. O relato da peça de Inconformidade, bem como, as razões recursais informa que o direito é oriundo de pagamento a maior visto que, ao informar o débito em DCTF teria cometido erro, confessando débito maior do que ao efetivamente devido. Se for assim o motivo encontra diretamente vinculado à base de cálculo da contribuição, e, aceitações do argumento para correção desses equívocos passam pelo exame dos livros contábeis e fiscais do contribuinte. No caso concreto a receita a compor à base de cálculo é aquela consignada nos livros fiscais, principalmente no livro de apuração de ICMS, a qual deverá ser somada a outras de origens diversas, se existirem. Além dos livros fiscais, a contabilidade se revela peça fundamental ao deslinde da questão, pois ela que milita a favor do contribuinte, configurando prova contundente da verdade material. Ao compulsar os autos constatase cópia da DIPJ anexada junto a Manifestação de Inconformidade, diante do fundamento da decisão recorrida de que a contestação do indeferimento do crédito não se fez acompanhar de prova mais robusta, mencionou os livros fiscais e escrituração contábil, a Contribuinte traz à colação de relatórios das notas fiscais e demonstrativos bem elaborados demonstrando à base de cálculo. Do exame dos documentos trazidos com Recurso Voluntário, a cópia do DACON e DCTF retificadora transmitido após ciência da decisão questionada desacompanhada de documentos fiscais e contábeis, pareceme não suficientes para aceitar a modificação da base de cálculo a gerar o valor da contribuição a menor do que declarado anteriormente, tenho que são inábeis a justificar o alegado sem o apoio em documentos oriundos da escrita fiscal e contábil. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Tenho que a simples demonstração do faturamento por meio de planilhas de cálculos conforme elaborada pela recorrente não é o bastante a possibilitar a Autoridade Administrativa aferir se os valores informados em DCTF são condizentes com a realidade fática a concluir que o pagamento sucedido por meio de DARF se revela superior ao efetivamente devido declarado equivocadamente. Precisase, ter certeza que o pagamento a maior ou indevido ocorreu de fato, para tanto, impõe a comprovação robusta corroborada pela escrituração contábil e fiscal. No caso a base de cálculo trazida neste caderno administrativo deveria ter vindo acompanhada das cópias dos livros fiscais (saída, apuração de ICMS, etc.) cópia dos razões e do livro diário referente ao período que se alega que o recolhimento da contribuição foi à maior do que o devido, esses documentos se revelam indispensáveis a lide. Compulsando os autos não se vislumbra qualquer documento capaz de corroborar com o alegado, os demonstrativos elaborados por uma parte interessada não pode ser valorada como se fosse documento fiscal e contábil. De modo que, havendo uma afirmativa do contribuinte de que possui o direito a restituição/compensação de um determinado crédito, e, do outro lado a negativa da Administração Fiscal de que não teve êxito em saber a origem do crédito que se pretende compensar, visto que, o pagamento realizado foi absolvido pelo débito confessado, impõe, no caso concreto, aquele que deseja proceder à compensação ou ser restituído o ônus da prova. Portanto, andou bem o julgador de piso quando deixa de reconhecer por ausência de comprovação de que existiu uma situação capaz de modificar a declaração inicial e reduzir o quanto devido, portanto, para o êxito da resistência contra o indeferimento pleito faz se necessário que esse venha devidamente instruído com os documentos capazes, por si só, de comprovar o direito que se pretende. No caso deste caderno, a demonstração da base de cálculo tãosó desacompanhada de documentos fiscais e da contabilidade não possui o condão de modificar o indeferimento, pois a prova da existência do direito se revela requisito indispensável. É de toda sabença que o fato deve ser provado, e, a regra do ônus de provar é do interessado. Cabe ao julgador valorizar e apreciar as provas dos autos no sentido de formar seu convencimento. Assim, a meu sentir, além da demonstração da base de cálculo, fizesse juntar documentos fiscais a permitir averiguar a ocorrência de fato, confirmar o argumento aduzido pela recorrente, sem o qual, tenho como mera presunção da existência do direito do crédito tributário. O direito consagrado pelo dispositivo do art. 170 do Código Tributário Nacional exigese que apure previamente, por via administrativa ou judicial, a liquidez e certeza do crédito tributário, a Fazenda Nacional não pode dispensar esse exame. Segundo a doutrina, o crédito das pessoas físicas e jurídicas se revela um direito oponível contra a Fazenda Pública, é como ensina Plínio Gustavo Prado Garcia: “A imputação de crédito de pessoa física ou de pessoa jurídica diante do fisco, para fins de compensação tributária, é um direito de seu titular oponível contra a Fazenda Pública, no contexto do exercício de um direito potestativo. Não tem o Poder Público o direito de reter parcelas do patrimônio alheio, sem justa causa. Inexiste justa causa nas hipóteses de recebimento de crédito indevido ou maior do que o devido, ou de tributo ilegal Fl. 187DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10783.901463/200840 Acórdão n.º 3403002.851 S3C4T3 Fl. 7 5 ou inconstitucional”. (Compensação e Imputação de Crédito, em Revista Dialética de Direito Tributário nº 41, 1999, p.64). Quanto alegação de que além de declarar errado em DACON e DCTF, assim mesmo, teria recolhido a mais do que o valor declarado R$ 61.978,91 (sessenta e um mil, novecentos e setenta e oito reais e noventa e um centavos), vez que recolheu por meio de DARF valor de R$ 64.846,64 (sessenta e quatro mil, oitocentos e quarenta e seis reais e sessenta e quatro centavos). Compulsando os autos não se logrou êxito em localizar o comprovante do valor alegado ter sido pago, motivo pelo qual se deixa de acolher o pleito. Entretanto, inexistindo prova cabal da existência do crédito, não pode o fisco realizar o encontro do crédito do contribuinte e o débito que se pretende extinguir. Em sendo assim, não vislumbro a possibilidade de acudir o pleito. Diante do exposto, conheço do recurso e nego provimento. É como voto Domingos de Sá Filho Fl. 188DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/04/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10925.904081/2012-92
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2003
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2003 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 40 81 /2 01 2- 92 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.904081/201292 Acórdão n.º 3801002.841 S3TE01 Fl. 65 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.904081/201292 Acórdão n.º 3801002.841 S3TE01 Fl. 66 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedido de Restituição PER, apresentado pela contribuinte acima qualificada. Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu indeferilo (Despacho Decisório à folha 5), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição solicitada no PER. Inconformada com o não deferimento de seu Pedido de Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual alega que a exigência da prévia retificação da DCTF como condição para reconhecer o crédito tributário pleiteado pela recorrente não possui qualquer fundamento legal, devendo ser enfrentado os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.904081/201292 Acórdão n.º 3801002.841 S3TE01 Fl. 67 4 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Apesar da alegação da existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não ter sido acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, in verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; No mérito, a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais Fl. 67DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.904081/201292 Acórdão n.º 3801002.841 S3TE01 Fl. 68 5 suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém, referese a uma universalidade, um todo composto pelas receitas da empresa, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.904081/201292 Acórdão n.º 3801002.841 S3TE01 Fl. 69 6 INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. No mais, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A1 do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.904081/201292 Acórdão n.º 3801002.841 S3TE01 Fl. 70 7 (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 70DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10280.005800/2005-94
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
ITR, ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA.
Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao IBAMA não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2° e 16 da Lei n. 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel.
No caso em análise, deve ser mantida a exclusão de uma Área de 48.024,46ha, que é a que foi indicada no laudo apresentado pela Contribuinte e para a qual consta ADA, apresentado intempestivamente.
ITR - ÁREA DE RESERVA LEGAL - NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 11 DA LEI N° 8.847/94. DESNECESSIDADE DE QUE A AVERBAÇÃO SEJA ANTERIOR AO FATO GERADOR.
Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393, de 1996, e 4.771, de 1965 (Código Florestal), mas não há exigência de que a averbação se verifique em momento anterior à ocorrência do fato gerador.
No caso, a ARL foi averbada em 2002, 2003 e 2004, ou seja, antes da ação fiscal e em extensão maior a declarada [totalizam 108.078,08ha e a área declarada foi de 82.260ha].
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo e Henrique Pinheiro Torres que davam provimento parcial para manter a glosa de reserva legal e Marcelo Oliveira que dava provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício)
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Júnior - Relator
EDITADO EM: 14/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001 ITR, ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao IBAMA não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2° e 16 da Lei n. 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. No caso em análise, deve ser mantida a exclusão de uma Área de 48.024,46ha, que é a que foi indicada no laudo apresentado pela Contribuinte e para a qual consta ADA, apresentado intempestivamente. ITR - ÁREA DE RESERVA LEGAL - NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 11 DA LEI N° 8.847/94. DESNECESSIDADE DE QUE A AVERBAÇÃO SEJA ANTERIOR AO FATO GERADOR. Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393, de 1996, e 4.771, de 1965 (Código Florestal), mas não há exigência de que a averbação se verifique em momento anterior à ocorrência do fato gerador. No caso, a ARL foi averbada em 2002, 2003 e 2004, ou seja, antes da ação fiscal e em extensão maior a declarada [totalizam 108.078,08ha e a área declarada foi de 82.260ha]. Recurso especial negado.
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ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao IBAMA não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2° e 16 da Lei n. 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. No caso em análise, deve ser mantida a exclusão de uma Área de 48.024,46ha, que é a que foi indicada no laudo apresentado pela Contribuinte e para a qual consta ADA, apresentado intempestivamente. ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 11 DA LEI N° 8.847/94. DESNECESSIDADE DE QUE A AVERBAÇÃO SEJA ANTERIOR AO FATO GERADOR. Para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393, de 1996, e 4.771, de 1965 (Código Florestal), mas não há exigência de que a averbação se verifique em momento anterior à ocorrência do fato gerador. No caso, a ARL foi averbada em 2002, 2003 e 2004, ou seja, antes da ação fiscal e em extensão maior a declarada [totalizam 108.078,08ha e a área declarada foi de 82.260ha]. Recurso especial negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 58 00 /2 00 5- 94 Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2 014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo e Henrique Pinheiro Torres que davam provimento parcial para manter a glosa de reserva legal e Marcelo Oliveira que dava provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Relator EDITADO EM: 14/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em sessão plenária de 02/12/2010, a lª Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF julgou o Recurso Voluntário n° 344.350, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão n° 220100.937, assim ementado: ASSUNTO: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 Ementa: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO — Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CT1V, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto n". 702.35, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vicio prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. 1TR, ÁREA TRIBUTÁVEL, ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL, EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao lhama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2° e 16 da Lei n" 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel,. RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO. 0 §8° do art. 16 da Lei n° 4.771, de 1965 (Código Florestal) traz a Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2 014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10280.005800/200594 Acórdão n.º 9202002.971 CSRFT2 Fl. 16 3 obrigatoriedade de averbação na matricula do imóvel da área de reserva legal. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à área de reserva legal, condição indispensável para exclusão dessas áreas na apuração da base de cálculo do ITR. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido. A decisão foi assim resumida: Acordam os membros do Colegiado por unanimidade, rejeitar as preliminares. E, no mérito, por maioria, dar parcial provimento ao recurso para considerar a área de preservação permanente no total de 48.024,46 ha e restabelecer o total declarado a titulo de reserva legal equivalente a 82.260,0 ha. Em relação à área de reserva legal, vencidos os conselheiros Eduardo Tadeu Farah e Francisco Assis de Oliveira Junior. Ausência justificada da conselheira Rayana Alves de Oliveira França A Fazenda Nacional inconformada com o decidido no Acórdão de n° 2201 00.937, proferido em 02/12/2010, interpõe Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, com fulcro nos artigos 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, visando a revisão do julgado. Ciente, formalmente, daquele acórdão em 05/04/2011, conforme Intimação constante as fls. 1.028verso, o digno representante da Fazenda Nacional protocolizou o Recurso Especial, em 05/04/2011, isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias fixado pelo caput do art. 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O recurso está manejado quanto à discussão sobre a necessidade de apresentação do ADA para reconhecimento de isenção do ITR sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal. Quanto a esta última área, ainda se faz necessária a averbação na matricula do imóvel, anteriormente ao fato gerador do tributo. Seguem abaixo as ementas dos acórdãos paradigmas: Acórdão 30228.844 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 Ementa: ÁREA DE RESERVA LEGAL. A exclusão da área de reserva legal da tributação pelo ITR depende de sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, até a data da ocorrência do fato gerador. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO PARA A PROTEÇÃO DOS ECOSSISTEMAS. Para efeito de exclusão do ITR não serão aceitas como de interesse ecológico as áreas declaradas, em caráter geral, por região local ou nacional, mas, sim, apenas as declaradas, em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2 014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 PERMANENTE OU ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA COMPROVAÇÃO Para que as áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada estejam isentas do ITR, é preciso que as mesmas estejam perfeitamente identificadas por documentos idôneos e que assim sejam reconhecidas pelo IBAMA ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental – ADA, ou que o contribuinte comprove ter requerido o referido ato àqueles órgãos, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E DE INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete às instâncias administrativas de julgamento apreciar ou se manifestar sobre matéria referente à inconstitucionalidade de leis ou ilegalidade de atos normativos regularmente editados, uma vez que esta competência é exclusiva do Poder Judiciário, conforme constitucionalmente previsto. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. Somente produzem efeitos, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, as decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal que tenham efeitos erga omnes. Demais decisões judiciais apenas se aplicam às partes envolvidas nos litígios para os quais são proferidas. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Acórdão n. 30239.070 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 Ementa: ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. No caso da área de Reserva Legal, para o presente julgamento, por medida de economia processual, curvome à posição adotada por esta Câmara no sentido de ser indispensável, para fins de sua exclusão da base de cálculo do ITR, a respectiva averbação na matrícula do imóvel, anteriormente ao fato gerador do tributo. ITR. AUTO DE INFRAÇÃO POR GLOSA DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. A ausência de comprovação hábil é motivo ensejador da não aceitação da área de preservação permanente como excluída da área tributável do imóvel rural. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Instado a se manifestar, o i. Presidente da 2ª Câmara desta Seção resolveu dar seguimento ao Recurso Especial interposto pelos seguintes motivos [fls. 436 e ss]: Do simples confronto do voto do acórdão recorrido com as ementas e votos dos acórdãos paradigmas, é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudencial. Isso porque se trata da mesma matéria fatica e a divergência de julgados, nos termos Regimentais, referese a interpretação divergente em relação ao mesmo dispositivo legal aplicado ao mesmo fato, que no caso em questão é a necessidade de apresentação do ADA para fins de isenção do ITR sobre as areas de preservação permanente e de reserva legal. Quanto a esta última área, ainda se faz necessária a averbação na matricula do imóvel, anteriormente ao fato gerador do tributo. Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2 014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10280.005800/200594 Acórdão n.º 9202002.971 CSRFT2 Fl. 17 5 Assim, o mero cotejo do voto condutor do acórdão recorrido com as ementas e votos dos acórdãos paradigmas já caracterizam a divergência, haja vista que tipifica tratamentos diferenciados. Ou seja, o acórdão recorrido entende não ser necessária a apresentação do ADA, ao passo que os acórdãos paradigmas entendem ser indispensável o Ato Declaratório Ambiental — ADA — para fins de isenção do ITR sobre as Areas de preservação permanente e de reserva legal. Quanto a esta última área, ainda se faz necessária a averbação na matricula do imóvel, anteriormente ao fato gerador do tributo. Intimado do recurso, a Contribuinte apresentou contrarrazões que reitera os argumentos dispostos no decisum recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Primeiramente, há que ser declarada a tempestividade do Recurso Especial, tendo em vista sua interposição no prazo estabelecido pelo artigo 68, caput, do Regimento acima mencionado. Conforme previsão regimental, é requisito para admissibilidade do recurso especial a demonstração de divergência, que consiste em julgado proferido por outra câmara dos conselhos de contribuintes, que não tenha sido reformado pela Câmara Superior. Devolvese a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto à essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural ITR das áreas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 10, inciso II, aliena ‘a’da Lei n° 9.393/1996, verbis: Pois bem, o artigo 10, § 1°, inciso II, alínea “a”, da Lei n° 9.393/96 tem a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1°. Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2 014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Portanto, de acordo com tal regra, as áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas no Código Florestal (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da base de cálculo do ITR. As chamadas áreas de preservação permanente e de reserva legal ou de utilização limitada têm contornos estabelecidos pelos artigos 2°, 3° e 16 do Código Florestal, atualmente com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.16667/2001, da seguinte forma: Art. 2°. Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2 014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10280.005800/200594 Acórdão n.º 9202002.971 CSRFT2 Fl. 18 7 Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Art. 3º. Consideramse, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. § 1°. A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujei.tas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei. Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2 014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 8 III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1°. O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2°. A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3°. Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4°. A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5°. O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2 014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10280.005800/200594 Acórdão n.º 9202002.971 CSRFT2 Fl. 19 9 § 6°. Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7°. O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8°. A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9°. A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. Estas são as previsões do Código Florestal atualmente em vigor a respeito dos temas em discussão. Para a área conceituada como reserva legal pelo artigo 16, §2° do Código Florestal, com a redação trazida pela Lei nº 7.803/89, a exigência é a averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental de área não inferior a 20% do total do imóvel, conforme região. É o que se conclui da combinação com a parte final do artigo 11 inciso I da Lei n° 8.847/94, acima transcrito. Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2 014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 10 Temse que a, ao alterar o art. 16 da Lei nº 4.771/65, acrescentoulhe dois parágrafos, sendo que, na hipótese dos autos, interessanos o § 2º, com a seguinte redação, in verbis: “Art. 16. ...................... § 1º. ............................. § 2º. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área.” A necessidade ou não de averbação da referida área no cartório de registro de imóveis, para fins de apuração da base de cálculo do ITR, é matéria bastante controvertida, tanto nos Tribunais Judiciais quanto no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Após profundos debates, principalmente no âmbito da Segunda Turma desta CSRF, da qual faço parte, firmei meu posicionamento para entender que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é, como regra geral, condição para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Acabei convencido de que a necessidade de averbação da área de reserva legal, embora com função declaratória e não constitutiva, decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal), conforme acima destacado. Ademais, nos termos do artigo 55 do Decreto n° 6.514/2008, cuja entrada em vigor restou prorrogada para 11/12/2011, por força do Decreto n° 7.497, de 09/06/2011, a ausência de averbação da reserva legal dá ensejo à aplicação de multa pecuniária. O ITR é tributo de natureza eminentemente extrafiscal, sendo que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal está relacionada, muito além do direito tributário, à garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Salvo melhor juízo, o benefício tributário consistente na exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal só pode ser reconhecido se estiverem cumpridas as exigências da legislação ambiental. Portanto, de acordo com tal regra, as áreas de reserva legal, previstas no Código Florestal (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da apuração do ITR. A chamada área de reserva legal ou de utilização limitada tem seus contornos estabelecidos pelo artigo 16 do Código Florestal, cuja redação à época do fato gerador, antes da alteração promovida pela Medida Provisória n° 2.16667/2001, era a seguinte: “Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2º e 3º desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: a) nas regiões Leste Meridional, Sul e CentroOeste, esta na parte sul, as derrubadas de florestas nativas, primitivas ou regeneradas, só serão permitidas, desde que seja, Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2 014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10280.005800/200594 Acórdão n.º 9202002.971 CSRFT2 Fl. 20 11 em qualquer caso, respeitado o limite mínimo de 20% da área de cada propriedade com cobertura arbórea localizada, a critério da autoridade competente; b) nas regiões citadas na letra anterior, nas áreas já desbravadas e previamente delimitadas pela autoridade competente, ficam proibidas as derrubadas de florestas primitivas, quando feitas para ocupação do solo com cultura e pastagens, permitindo se, nesses casos, apenas a extração de árvores para produção de madeira. Nas áreas ainda incultas, sujeitas a formas de desbravamento, as derrubadas de florestas primitivas, nos trabalhos de instalação de novas propriedades agrícolas, só serão toleradas até o máximo de 30% da área da propriedade; c) na região Sul as áreas atualmente revestidas de formações florestais em que ocorre o pinheiro brasileiro, "Araucaria angustifolia", não poderão ser desflorestadas de forma a provocar a eliminação permanente das florestas, tolerandose, somente a exploração racional destas, observadas as prescrições ditadas pela técnica, com a garantia de permanência dos maciços em boas condições de desenvolvimento e produção; d) nas regiões Nordeste e Leste Setentrional, inclusive nos Estados do Maranhão e Piauí, o corte de árvores e a exploração de florestas só será permitida com observância de normas técnicas a serem estabelecidas por ato do Poder Público, na forma do art. 15. § 1º Nas propriedades rurais, compreendidas na alínea a deste artigo, com área entre vinte (20) a cinqüenta (50) hectares computarseão, para efeito de fixação do limite percentual, além da cobertura florestal de qualquer natureza, os maciços de porte arbóreo, sejam frutícolas, ornamentais ou industriais. § 2º A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. § 3º Aplicase às áreas de cerrado a reserva legal de 20% (vinte por cento) para todos os efeitos legais.” (original sem grifo) Diante do disposto nos artigos 10 da Lei n. 9.393, de 1996, e 16, parágrafo 2º da Lei n. 4.771, de 1965 (Código Florestal), debatemse a doutrina e a jurisprudência acerca da imprescindibilidade ou não da exigência da averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel para fins de exclusão da tributação pelo ITR. O debate historicamente tem se pautado pela dicotomia de posições quanto ao efeito constitutivo ou declaratório, quanto à existência da reserva legal, da averbação à margem da matrícula do imóvel, com consequencias diametralmente opostas na apuração do ITR, a saber: para os que entendem ser constitutivo o efeito da averbação, só existe direito à isenção da área de reserva legal se ela estiver averbada à margem da matrícula anteriormente à data do fato gerador; e, Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2 014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 12 para os que advogam o efeito declaratório da averbação, ela seria dispensável para amparar a isenção do ITR aplicável à area de reserva legal, cabendo neste caso ao contribuinte provar a existência da referida área por outros meios de prova (laudo, etc.). A meu ver, ambas as soluções propugnadas não se sustentam a partir da consideração do viés indutivo de comportamento de que se reveste o conjunto normativo acima referido aplicável à espécie. Por óbvio que a isenção do ITR aplicável à area de reserva legal condicionada à averbação à margem da matrícula do imóvel atende ao desiderato de preservação ambiental, eis que, como se sabe, o ônus de utilização limitada, uma vez efetuada a averbação, perenizase e se transmite a quaisquer adquirentes futuras. Assim, aceitar a isenção do ITR da área de reserva legal independemente da prova da averbação (e ainda que haja prova da existência da área preservada) frusta o propósito extrafiscal de criação do ônus de preservação ambiental para as gerações futuras, em confronto com a exigência do artigo 16, parágrafo 2º do Código Florestal. Por outro lado, existindo a averbação, ainda que posterior ao fato gerador, não é razoável recusar a desoneração tributária, notoriamente quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua recomposição, sendo que uma área averbada e comprovada em exercício posterior provavelmente existia nos exercícios precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação como condicionante à isenção do ITR, perfazendose com a averbação a qualquer data o viés indutivo de comportamento que informa a dispensa do tributo. Nada obstante, tenho para mim que com a averbação na matrícula do imóvel das áreas de reserva legal, ainda que posteriormente ao momento eleito como aspecto temporal da hipótese de incidência do ITR ou ao início do procedimento fiscal, tais áreas devem ser excluídas da base de cálculo do tributo, pelas razões expostas acima. No presente caso, verifico que a Câmara a quo proveu parcialmente o Recurso Voluntário com espeque nos seguintes argumentos [fl. 1176]: Pois bem, do exame da referida planilha fica claro que a Fiscalização considerou como Área de preservação permanente os valores relativos aos lotes, constantes do Laudo apresentado pela Contribuinte, para os quais foram apresentados Atos Declaratórios Ambientais tempestivos. Cumpre observar que foram apresentados ADA com valores menores do que os apurados no referido Laudo e que, posteriormente, foram apresentados ADA retificadores que corrigiram os valores originalmente declarados. A Fiscalização acatou os valores constantes dos ADA retificadores, isto 6, aqueles para os quais foram apresentados ADA originais, tempestivamente, com valores menores. Portanto, foram glosados apenas os valores declarados como areas de preservação permanente que não constavam de ADA originalmente apresentado, tempestivamente. Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2 014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10280.005800/200594 Acórdão n.º 9202002.971 CSRFT2 Fl. 21 13 O fundamento da autuação nestes pontos, portanto, é exclusivamente o da entrega intempestiva do ADA. No que se refere à área de preservação permanente, nada foi dito a respeito da existência efetiva da area; e no que se refere A. Area de reserva legal, como explicitado pela decisão de primeira instância, o requisito legal da averbação da área foi cumprida pelo contribuinte. Dessa forma, a pretensão recorrente de afastar a glosa pela “desnecessidade dessa averbação para fins tributários”, ou seja, a “não incidência do ITR sobre as áreas de reserva legal está condicionada apenas à real existência da reserva” [fl. 126], não encontra guarida, segundo entendimento deste Conselheiro. Além disso, a ARL foi averbada em 2002, 2003 e 2004, ou seja, antes da ação fiscal e em extensão maior a declarada [totalizam 108.078,08ha e a área declarada foi de 82.260ha]. Área de Preservação Permanente Em momento anterior à alteração promovida no artigo 17O da Lei n° 6.938/81 pela Lei n° 10.165, de 27/12/2000, apenas Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal veiculavam a obrigação relativa à apresentação do ADA. A ausência de amparo legal para a exigência do ADA, quanto a fatos ocorridos até o exercício 2000, deu origem ao Enunciado CARF n° 41, que tem o seguinte conteúdo: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. No entanto, o caso em apreço está relacionado ao exercício 2002. A Súmula, então, é inaplicável à espécie. Para fatos ocorridos a partir do exercício 2001, inclusive, o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei 10.165/2000, passou a prever que: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n° 10.165. de 2000) § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído nela Lei n° 10.165. de 2000) § 1º. A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n°10.165, de 2000) Embora este texto pareça demonstrar que a legislação é taxativa ao exigir a protocolização tempestiva do ADA para fins de exclusão da base de cálculo do ITR das áreas Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2 014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 14 de preservação permanente e de utilização limitada, sob minha ótica, não se pode olvidar que a apresentação do ADA pelo contribuinte ao IBAMA ou órgão conveniado – até que haja uma vistoria pelo órgão competente e a ratificação ou retificação das declarações ali contidas – restringese a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência de áreas que têm algum interesse ecológico. Segundo penso, com o advento de tal regra, o ADA apresentado tempestivamente tem a função de inverter o ônus da prova, passando este a ser do Fisco a partir da sua entrega. Caso não ocorra o protocolo tempestivo do ADA, pode o contribuinte se valer de outros meios de prova visando à fruição da redução da base de cálculo do ITR. Nesse sentido, no que toca à demonstração da existência efetiva das áreas em referência, na página do IBAMA na internet (www.ibama.gov.br), nos “Serviços Online”, na parte relativa ao “Ato Declaratório Ambiental – ADA”, no link “Respostas às Perguntas mais Freqüentes sobre o ADA”, em resposta à pergunta n° 40 (“Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental?”), consta a possibilidade de apresentação dos seguintes documentos para tal finalidade: ● Ato Declaratório Ambiental – ADA e o comprovante da entrega do mesmo; ● Ato do Poder Público declarando as florestas e demais formas de vegetação natural como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o Código Florestal em seu artigo 3.; ● Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine as Áreas de Interesse Ambiental (Área de Preservação Permanente; Área de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Área de Declarado Interesse Ecológico; Área de Servidão Florestal ou Ambiental; Áreas Cobertas por Floresta Nativa; Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); ● Laudo de vistoria técnica do Ibama relativo à área de interesse ambiental; ● Certidão do Ibama ou de outro órgão de preservação ambiental (órgão ambiental estadual) referente às Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal; ● Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC); ● Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual – Ato do Poder Público – para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico. ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Servidão Florestal; ● Portaria do Ibama de reconhecimento da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2 014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10280.005800/200594 Acórdão n.º 9202002.971 CSRFT2 Fl. 22 15 Portanto, a própria Administração Pública entende que o ADA tem efeito meramente declaratório, não sendo o único documento comprobatório da área de preservação permanente, podendo ser levado em conta, dentre outros, laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine a área de interesse ambiental. No caso em análise, deve ser mantida a exclusão de uma Área de 48.024,46ha, que é a que foi indicada no laudo apresentado pela Contribuinte e para a qual consta ADA, apresentado intempestivamente. DISPOSITIVO Em razão do exposto, voto em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto. É o voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/04/2 014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 10925.903998/2012-70
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-005.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 INCONSTITUCIONALIDADE. ALEGAÇÕES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei não cabe na esfera administrativa, ressalvadas as exceções à regra. (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 39 98 /2 01 2- 70 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação (DComp) de PIS apurado no regime cumulativo, no valor de R$ 5.794,81, relativo a pagamento indevido ou maior que o devido efetuado em 13/12/2002. Despacho Decisório do DRF/Joaçaba indeferiu a DComp, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) a DComp referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos da Cofins e do PIS; b) os arts. 2º e 3º, da Lei nº 9.718/98, e o art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, apenas admitem como base de cálculo de supraditas contribuições a receita ou o faturamento, não autorizando a inclusão do ICMS em citada base de cálculo, pois o valor deste imposto constitui ônus fiscal – e não faturamento; c) o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto1, a qual determina que sua base de cálculo seja composta do próprio tributo, constituindo o destaque mera indicação para fins de controle; d) o faturamento “é decorrente, em essência, de um negócio jurídico, de uma operação, importando, por isso mesmo, o que é recebido por aquele que a realiza, considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviço” e que “a base de cálculo não pode extravasar, desse modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar”; Pugnou, ainda, que se atentasse “para o princípio da razoabilidade, pressupondose que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de Expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações” e transcreve o art. 110, do CTN. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.903998/201270 Acórdão n.º 3803005.749 S3TE03 Fl. 73 3 Em julgamento da lide a DRJ/Recife fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e de outras disposições legais e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS do faturamento. Buscou reforço em decisões do STJ e de tribunais regionais. Demais, mencionou a falta de anexação de provas da alegado indébito. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O direito ä restituição de tributo pago de acordo com o valor confessado em DCTF ativa quando da emissão do Despacho Decisório exige a comprovação, pelo sujeito passivo, de erro nesta confissão e de que referido pagamento é indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. CONTRIBUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. O ICMS, devido por responsabilidade tributária própria, compõe o preço da mercadoria e integra a base de cálculo da contribuição, mesmo numa visão de faturamento estreita à receita de vendas de mercadorias e/ou serviços. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2002 a 31/11/2002 DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão em 12 de outubro de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 4 de novembro de 2013, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep. De início, destaco que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade a que se limitam as decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.903998/201270 Acórdão n.º 3803005.749 S3TE03 Fl. 74 5 A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implícitamente que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: · ICMS por dentro Tenhase, por hipótese o valor de: Mercadorias em estoque = R$ 830,00 Alíquota do ICMS = 17% 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 · Se o cálculo do ICMS fosse por fora O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não Fl. 77DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.903998/201270 Acórdão n.º 3803005.749 S3TE03 Fl. 75 7 ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Ademais, nesta segunda fase recursal, a Recorrente nenhum elemento anexa referente às provas, cujo ônus é seu. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 25 de março de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 79DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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