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Numero do processo: 44000.002429/2006-19
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1996 a 01/02/2002
NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD.
CONTRIBUIÇÃO DECORRENTE DA FOLHA DE PAGAMENTO PARTE
PATRONAL. SAT. TERCEIROS CONTRIBUINTES
INDIVIDUAIS.
DEPÓSITO RECURSAL. INEXIGIBILIDADE. RECURSO ADMITIDO.
DECISÃO JUDICIAL E INCONSTITUCIONALIDADE E REVOGAÇÃO
DA EXIGÊNCIA. SELIC. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO.
LIMITAÇÃO DE JUROS. INEXISTÊNCIA. ANATOCISMO.
INOCORRÊNCIA. SAT. INCRA SESC
SEBRAE SELIC. VALIDADE
RECONHECIDA NO STF E STJ.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-001.399
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: Eduardo de Oliveira
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 01/02/2002 NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD. CONTRIBUIÇÃO DECORRENTE DA FOLHA DE PAGAMENTO PARTE PATRONAL. SAT. TERCEIROS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. DEPÓSITO RECURSAL. INEXIGIBILIDADE. RECURSO ADMITIDO. DECISÃO JUDICIAL E INCONSTITUCIONALIDADE E REVOGAÇÃO DA EXIGÊNCIA. SELIC. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. LIMITAÇÃO DE JUROS. INEXISTÊNCIA. ANATOCISMO. INOCORRÊNCIA. SAT. INCRA SESC SEBRAE SELIC. VALIDADE RECONHECIDA NO STF E STJ. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrente COLÉGIO FLUMINENSE DE MERETI LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 01/02/2002 NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD. CONTRIBUIÇÃO DECORRENTE DA FOLHA DE PAGAMENTO PARTE PATRONAL. SAT. TERCEIROS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. DEPÓSITO RECURSAL. INEXIGIBILIDADE. RECURSO ADMITIDO. DECISÃO JUDICIAL E INCONSTITUCIONALIDADE E REVOGAÇÃO DA EXIGÊNCIA. SELIC. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. LIMITAÇÃO DE JUROS. INEXISTÊNCIA. ANATOCISMO. INOCORRÊNCIA. SAT. INCRA SESC SEBRAE SELIC. VALIDADE RECONHECIDA NO STF E STJ. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Fl. 1DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 44000.002429/200619 Acórdão n.º 280301.399 S2TE03 Fl. 299 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 44000.002429/200619 Acórdão n.º 280301.399 S2TE03 Fl. 300 3 . Relatório A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD 35.462.4520, objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores segurados obrigatórios – empregados e contribuintes individuais, relativamente à cota patronal, destinadas à Previdência Social e a outras entidades e fundos – Terceiros , conforme Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – REFISC, de fls. 66 e 67, com período de apuração de 01/1996 a 01/2002, conforme Mandado de Procedimento Fiscal MPF, de fls. 51 a 53. A NFLD é composta de dois levantamentos denominados 01 FOLHA DE PAGAMENTO e DAL – DIFERENÇAS AC. LEGAIS, conforme Relatório Discriminativo de Débito – DAD, de fls. 04 a 18. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 26/09/2002, Folha de Rosto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, de fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, em 11/10/2002, as fls. 71, conforme peça vestibular da impugnação, que se encontra acostada, as fls. 71 a 91, sendo acompanhada dos documentos, de fls. 92 a 154. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 159. O órgão julgador de primeiro grau emitiu a DecisãoNotificação Nº 17.422.4/0016/2004, em 19/05/2004, fls. 162 a 167. No qual o lançamento foi considerado procedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 22/07/2004, AR, de fls. 169. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 178, recebida, em 26/08/2004, fls. 177, protocolo SIPPS, com razões recursais, as fls. 179 a 204, acompanhada dos documentos, de fls. 205 a 255, onde alega em síntese. Requisito de Admissibilidade. • Que a exigência de depósito prévio recursal é inconstitucional e que a recorrente manejou MS para excluir está exigência, estando este em andamento; Mérito. • Que a taxa SELIC é ilegal, pois não criada por Lei Complementar, sendo remuneratória e substituta da correção monetária, sendo que o STJ já se manifestou sobre isto; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 44000.002429/200619 Acórdão n.º 280301.399 S2TE03 Fl. 301 4 • Que o juros moratórios devem ser de 1%, artigo 161 §1º, do CTN, segundo lição de Édison Freitas de Siqueira, estando limitado a 12% aa, apesar da revogação do dispositivo constitucional; • Que não cabe anatocismo em tributos, conforme TJRS e TJMS e Súmula 121 do STF e lição de Roberto Rosas e jurisprudência do STJ; • Que a contribuição para o INCRA é inconstitucional, pois não recepcionada pela CF/88, tendo em vista que não constar do artigo 195 daquela carta e não estar ressalvado pelo 240, conforme Heron Arzua e Dirceu Galdino; • Que tal contribuição não é devida por empresa urbanas, transcreve decisões do STJ; • Que o SAT é inconstitucional, pois o conceito de atividade preponderante foi estabelecido por decreto, bem como os requisitos de grau leve, médio e grave foram instituídos por decreto do Poder Executivo e não lei complementar, o que fere a legalidade cerrada em matéria tributária; • Que as contribuições para o SESC e SEBRAE são indevidas, pois a recorrente não é estabelecimento comercial e nem é vinculada à Confederação Nacional do Comércio, sendo a recorrente estabelecimento de ensino e prestando serviços não se enquadra nas normas destas exações, assim já decidiu o STJ e o TRF4, cabendo a Administração Pública sem razão da autotutela rever seus atos e anulálos quando viciados, Súmula 473 STF; • Finalizando pede: a) procedência total do recurso, anulando a decisão da notificação e extinguindo a cobrança. O Recurso Voluntário foi considerado INTEMPESTIVO, fls. 267. A recorrente impetrou MS 2004.51100056882, fls. 239 a 245 e 247 a 255, onde obteve inicialmente liminar e sentença de mérito para ver processados seus recursos sem o depósito prévio. Ocorre, porém, que a Seção de Análise considerou os recursos intempestivos e negou seguimento aos mesmos emitido, respectivo, despacho e o Termo de Trânsito em Julgado. Entretanto, após isto a recorrente peticionou ao D. Juiz Federal que inovou no feito, ante a sentença de mérito já proferida por ele e pelas decisões do TRF2 que denegará AI da impetrada, em face da liminar, e do Acórdão denegando a apelação e prolatou nova “sentença”, fls. 275 a 287, para reconhecer a tempestividade dos recursos e determinar sua subida ao CRPS. Os autos subiram à 4ª Câmara do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, fls. 292 a 297. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 44000.002429/200619 Acórdão n.º 280301.399 S2TE03 Fl. 302 5 É o Relatório. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 44000.002429/200619 Acórdão n.º 280301.399 S2TE03 Fl. 303 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso foi interposto INTEMPESTIVAMENTE, conforme se pode verificar, as fls. 264 a 267, Despacho 17.422.4/0013/2006, itens 7 a 9, datado, 06/02/2006. No entanto, as fls. 275 a 281, consta decisão judicial no MS 2004.51.10.0056882, que afasta a intempestividade e determina o encaminhamento dos recursos ao 2º grau administrativo, observese a transcrição. DEFIRO o pedido do Impetrante e DETERMINO que a Impetrada seja intimada a encaminhar ao Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, a contar da ciência da intimação, o recurso administrativo da Impetrante referente às NFLDs nº. 35.399.0086 e 35.462.4520, restando afastada por este Juízo a alegação de que o referido recurso seria intempestivo, e superada a exigência do depósito recursal. Inicialmente, cumpre informar que o julgamento do presente Recurso Voluntário ficou suspenso entre a edição da PT MF 586/2010 até a edição da PT CARF 01/2012 que disciplinaram o sobrestamento de processos no âmbito do CARF em razão do reconhecimento da repercussão geral com sobrestamento de matéria tributária no Supremo Tribunal Federal – STF. A recorrente não realizou o depósito recursal, mas está amparada por liminar em MS, fls. 239 a 245 e 247 a 255 Porém, tal questão está superada como a seguir demonstro. Quanto ao depósito recursal, ainda, que necessário a época da impetração, hoje este não mais vige, uma vez que revogado pela MP 413/2008, convertida na Lei 11.727/2008. Ainda, que se alegue que tal condição deva ser averiguada tendo como marco a data da interposição do recurso, tenho para mim que tal exigência estava com os dias contados, basta ver a ADIN 19767, que exclui do Decreto 70.235/72, tal exigência, acrescentada pela Lei 10.522/2002. Neste diapasão apresentase, também, a Súmula Vinculante n° 21 do STF, ou seja, se não tivesse sido revogado tal depósito na seara previdenciária, fatalmente este acabaria declarado inconstitucional, sendo inexigível desde a origem. Não fosse esses argumentos suficientes o Regimento Interno do CARF Portaria MF 256/2009, em seu artigo 62, parágrafo único, inciso I, do Anexo II, estabelece que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 44000.002429/200619 Acórdão n.º 280301.399 S2TE03 Fl. 304 7 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Assim, temse no caso a possibilidade do afastamento desta exigência, uma vez que em RE, conforme abaixo transcrito o STF já havia reconhecido a inconstitucionalidade do artigo 126, §§ 1° e 2°, da Lei 8.213/91, senão vejamos: RECURSO ADMINISTRATIVO DEPÓSITO §§ 1º E 2º DO ARTIGO 126 DA LEI Nº 8.213/1991 INCONSTITUCIONALIDADE. A garantia constitucional da ampla defesa afasta a exigência do depósito como pressuposto de admissibilidade de recurso administrativo. (RE 389383, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 28/03/2007, DJe047 DIVULG 28062007 PUBLIC 29062007 DJ 29062007 PP00031 EMENT VOL 0228208 PP01625 RDDT n. 144, 2007, p. 235236. (grifos do subscritor). Tal decisão transitou em julgado em 14/09/2007, conforme resumo de andamento do processo, consultado no site do STF. Desta forma, e tendo em vista os princípios da isonomia e da segurança jurídica, bem como em razão das decisões judiciais, admito o presente recurso. Superado os pressupostos de admissibilidade passo ao recurso. Mérito. No que tange a taxa SELIC encontra esta fundamento no artigo 35 da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, estando tal matéria está Sumulada no CARF. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Além do que, esta é plenamente aceita pelos tribunais como aplicáveis aos créditos tributários, senão vejamos. EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL. JUROS. LIMITAÇÃO. ARTIGO 192, § 3º, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. 1. A controvérsia relativa à aplicação da taxa SELIC sobre débitos tributários reside no âmbito infraconstitucional, circunstância que impede a admissão do recurso extraordinário. 2. O Pleno deste Tribunal já decidiu que o artigo 192, § 3º, da Constituição do Brasil, que limita as taxas de juros em 12% ao ano, necessita de regulamentação [ADI n. 4, Relator o Ministro Sydney Sanches, Fl. 7DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 44000.002429/200619 Acórdão n.º 280301.399 S2TE03 Fl. 305 8 DJ de 25.6.93]. Agravo regimental a que se nega provimento.(AIAgR 713488, EROS GRAU, STF) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO INATACADOS. SÚMULA 283/STF. NULIDADE DAS CDAs. SÚMULA 07/STJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃOCONFIGURAÇÃO. SELIC. LEGALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO DE MULTA. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DA SUPREMA CORTE. 6. É devida a Taxa Selic no cálculo dos débitos dos contribuintes para com a Fazenda Pública Federal. 7. A apuração do caráter confiscatório da multa tributária depende da interpretação da norma prevista no artigo 150, V, da Constituição Federal, o que refoge ao âmbito do recurso especial. 8. Agravo regimental não provido.(AGA 201001365825, CASTRO MEIRA, STJ SEGUNDA TURMA, 23/11/2010) TRIBUTÁRIO. CDA. EXAME DE REGULARIDADE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. IMPUGNAÇÃO AO VALOR DA CAUSA. ART. 261 DO CPC. ALEGAÇÃO EM PRELIMINAR DE CONTESTAÇÃO. POSSIBILIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE COTEJO. 5. É pacífico na jurisprudência do STJ que é possível utilização da Taxa Selic como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários. (AGEDAG 201001476055, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 09/11/2010) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AFERIÇÃO DA NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. ANÁLISE DOS REQUISITOS FORMAIS DA CDA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7/STJ. PAGAMENTO NÃO EFETUADO. NÃO OCORRÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. PRECEDENTE REGIDO PELA SISTEMÁTICA DO ART. 543C, DO CPC 4. A Primeira Seção desta Corte, quando do julgamento do REsp. n. 1.111.175/SP, de relatoria da Ministra Denise Arruda, pacificou entendimento, pela sistemática do art. 543C, do CPC, no sentido da legalidade da Taxa Selic, a qual incide sobre o crédito tributário a partir de 1º.1.1996 não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária tendo em vista que o art. 39, § 4º da Lei n. 9.250/95 preenche o requisito do § 1º do art. 161 do CTN. (AGA 200900895519, MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ SEGUNDA TURMA, 28/09/2010. (grifos meus). Fl. 8DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 44000.002429/200619 Acórdão n.º 280301.399 S2TE03 Fl. 306 9 Por fim o STF no julgamento da Repercussão Geral Tema nº 214, no RE 212.209, em 08/06/2011, considerou cabível tal índice, conforme sua página de notícias. O Plenário do Supremo Tribunal Federal (SFT) ratificou, ontem, quartafeira (18), por maioria de votos, jurisprudência firmada em 1999, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 212209, no sentido de que é constitucional a inclusão do valor do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual, Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) na sua própria base de cálculo. A decisão foi tomada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 582461, interposto pela empresa Jaguary Engenharia, Mineração e Comércio Ltda .contra decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), que entendeu que a inclusão do valor do ICMS na própria base de cálculo do tributo – também denominado “cálculo por dentro” – não configura dupla tributação nem afronta o princípio constitucional da não cumulatividade. No caso específico, a empresa contestava a aplicação, pelo governo de São Paulo, do disposto no artigo 33 da Lei paulista nº 6.374/89, segundo o qual o montante do ICMS integra sua própria base de cálculo. Súmula Em 23 de setembro de 2009, o Plenário do STF reconheceu repercussão geral à matéria suscitada no RE. Após a decisão do RE, o presidente da Corte, ministro Cezar Peluso, propôs que fosse editada uma súmula vinculante para orientar as demais cortes nas futuras decisões de matéria análoga. Assim, uma comissão da Corte vai elaborar o texto da súmula para ser posteriormente submetido ao Plenário. O caso A decisão da Justiça paulista afastou a alegação da empresa de que o artigo 13, parágrafo 1º, da Lei Complementar (LC) nº 87/96 (que prevê a inclusão do valor do ICMS na sua própria base de cálculo), bem como o artigo 33 da lei paulista nº 6.374/89, no mesmo sentido, conflitariam com a Constituição Federal (CF) no que diz caber a lei complementar definir os fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes dos impostos. Considerou legítima, ainda, a aplicação da taxa Selic e da multa de 20% sobre o valor do imposto corrigido. (grifos meus). A limitação da taxa de juros em 12%, segundo o Supremo Tribunal Federal – STF, dependia de regulamentação, não tendo mais razão de ser, hoje, pois revogado o dispositivo constitucional. O Superior Tribunal de Justiça STJ entende que a SELIC contempla a previsão do artigo 161, § 1º da Lei 5.172/66, conforme a seguir exposto. EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. MATÉRIA INFRACONSTITUCIONAL. JUROS. LIMITAÇÃO. ARTIGO Fl. 9DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 44000.002429/200619 Acórdão n.º 280301.399 S2TE03 Fl. 307 10 192, § 3º, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. 1. A controvérsia relativa à aplicação da taxa SELIC sobre débitos tributários reside no âmbito infraconstitucional, circunstância que impede a admissão do recurso extraordinário. 2. O Pleno deste Tribunal já decidiu que o artigo 192, § 3º, da Constituição do Brasil, que limita as taxas de juros em 12% ao ano, necessita de regulamentação [ADI n. 4, Relator o Ministro Sydney Sanches, DJ de 25.6.93]. Agravo regimental a que se nega provimento.(AIAgR 713488, EROS GRAU, STF) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS AO SEBRAE E AO SALÁRIOEDUCAÇÃO. ARGUMENTAÇÃO DE CUNHO EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. SAT LEGALIDADE DA REGULAMENTAÇÃO DOS GRAUS DE RISCO ATRAVÉS DE DECRETO. PRECEDENTES. TAXA SELIC. LEGALIDADE. PRECEDENTE REGIDO PELA SISTEMÁTICA DO ART. 543C, DO CPC. 1. Contribuições relativas ao SEBRAE e ao Salário Educação fundamentadas em argumentações constitucionais. Impossibilidade de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 2. A Primeira Seção desta Corte, em 22.10.2008, apreciando o REsp 977.058/RS em razão do art. 543C do CPC, introduzido pela Lei n. 11.672/08 Lei dos Recursos Repetitivos, à unanimidade, ratificou o entendimento já adotado por esta Corte no sentido de que a contribuição destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei nº 7.787/89, nem pela Lei nº 8.212/91. Isso porque a referida contribuição possui natureza de CIDE contribuição de intervenção no domínio econômico destinandose ao custeio dos projetos de reforma agrária e suas atividades complementares, razão pela qual a legislação referente às contribuições para a Seguridade Social não alteraram a parcela destinada ao INCRA. 3. É pacífica a jurisprudência desta Corte, que reconhece a legitimidade de se estabelecer por decreto o grau de risco (leve, médio ou grave) para determinação da contribuição para o SAT, partindose da "atividade preponderante" da empresa. 4. Legalidade da aplicação da taxa Selic pela sistemática do art. 543C, do CPC, a qual incide sobre o crédito tributário a partir de 1º.1.1996 não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária tendo em vista que o art. 39, § 4º da Lei n. 9.250/95 preenche o requisito do § 1º do art. 161 do CTN. 5. Agravo regimental a que se nega provimento.(AGA 200900679587, MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:28/09/2010.) Também, não encontra guarida na legislação e nas provas dos autos a alegação de anatocismo, basta uma simples leitura do relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, de fls. 43 a 47, na rubricas ACRÉSCIMOS LEGAIS – MULTA e ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS para se perceber que a multa moratória é estipulada pelo artigo 35 da Lei 8.212/91 e que os juros moratórios representados pela SELIC após 01/01/1996 é estipulado pelo artigo 35 da citada lei, sendo os juros calculados, conforme abaixo descritos respeitado cada qual a sua época de aplicação e de forma isolada um do outro e não concomitante. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 44000.002429/200619 Acórdão n.º 280301.399 S2TE03 Fl. 308 11 CÁLCULO DOS JUROS: Juros calculados sobre o valor originário, mediante a aplicação dos seguintes percentuais, cumulativos: a) 1%( um por cento) no mês de vencimento da competência ; b) b) Taxa Média Mensal de Captação do Tesouro Nacional Relativa a Divida Mobiliaria Federal Interna/Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos respectivos períodos; c) c) 1% no mês da consolidação da divida. As alegações em razão da contribuição para o INCRA, do SESC e SEBRAE não sofrem melhor sorte, uma vez que o Supremo Tribunal Federal – STF e o Superior Tribunal de Justiça – STJ reconhecem a legalidade e legitimidade da exação, inclusive em relação as empresa urbanas, ainda, que estas sejam prestadoras de serviço, observese o que a seguir consta. EMENTA: CONTRIBUIÇÃO AO FUNRURAL E AO INCRA: EMPRESAS URBANAS. O aresto impugnado não diverge da jurisprudência desta colenda Corte de que não há óbice à cobrança, de empresa urbana, da referida contribuição. Precedentes: AI 334.360AgR, Rel. Min. Sepúlveda Pertence; RE 211.442AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes; e RE 418.059, Rel. Min. Sepúlveda Pertence. Agravo desprovido.(AIAgR 548733, CARLOS BRITTO, STF) E M E N T A: AGRAVO DE INSTRUMENTO VALIDADE CONSTITUCIONAL DA LEGISLAÇÃO PERTINENTE À INSTITUIÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AO SEBRAE EXIGIBILIDADE DESSA ESPÉCIE TRIBUTÁRIA RECURSO DE AGRAVO IMPROVIDO. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE 396.266/SC, Rel. Min. CARLOS VELLOSO, reconheceu a plena legitimidade constitucional da norma inscrita no § 3º do art. 8º da Lei nº 8.029/90, na redação dada pelas Leis nº 8.154/90 (art. 1º) e nº 10.668/2003 (art. 12), admitindo, em conseqüência, a constitucionalidade da contribuição social destinada ao SEBRAE. O tratamento dispensado à referida contribuição social não exige a edição de lei complementar, resultando conseqüentemente legítima a disciplinação normativa dessa exação tributária mediante legislação de caráter meramente ordinário. Precedentes.(AIAgR 655354, CELSO DE MELLO, STF) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. NÃO EXTINÇÃO PELAS LEIS 7.787/89, 8.212/91 E 8.213/91. DECISÃO EM RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. CONTRIBUIÇÃO AO SESC. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS DE ENSINO/EDUCAÇÃO. EXIGIBILIDADE. CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE. COMPENSAÇÃO COM CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL. ART. 66 DA LEI N. 8.383/91. IMPOSSIBILIDADE. SOMENTE COM EXAÇÃO DA MESMA ESPÉCIE E Fl. 11DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 44000.002429/200619 Acórdão n.º 280301.399 S2TE03 Fl. 309 12 DESTINAÇÃO. 1. A antiga controvérsia acerca da exigibilidade da contribuição destinada ao Incra há muito está pacificada nesta Corte, inclusive com o julgamento do REsp 977.058/RS, da relatoria do Rel. Min. Luiz Fux, mediante a sistemática do art. 543C do CPC e da Res. 8/08 do STJ. Na ocasião, a Primeira Seção decidiu que a referida exação não fora extinta pelas Leis 7.787/89, 8.212/91 e 8.213/91, permanecendo lídima sua cobrança até os dias atuais. 2. O Superior Tribunal de Justiça tem jurisprudência formada no sentido de que as empresas prestadoras de serviço estão enquadradas no rol relativo ao art. 577 da CLT, atinente ao plano sindical da Confederação Nacional do Comércio e, portanto, estão sujeitas às contribuições destinadas ao Sesc e ao Senac. Esse entendimento também alcança as empresas prestadoras de serviços de ensino/educação. Precedentes da Primeira e Segunda Turmas e da Primeira Seção. 3. O art. 66 da Lei n. 8.383/91 não admite a compensação das contribuições devidas ao Sebrae com as demais contribuições patronais recolhidas ao INSS, porque a referida autorização legal permite tal operação apenas entre tributos da mesma espécie e destinação. Precedentes. 4. Recursos especiais do Incra, INSS e Sesc providos e recurso especial da empresa não provido. (RESP 200601909339, MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ SEGUNDA TURMA, 01/09/2010) (grifos meus). A contribuinte para o SAT já foi reconhecida como regular pelo Supremo Tribunal Federal – STF e pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, observese os arestos, abaixo transcritos. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. SAT. CONSTITUCIONALIDADE. 1. A decisão agravada fundouse em precedente do Plenário que resolveu a controvérsia referente à cobrança da contribuição para o custeio do SAT (RE 343.446). Nesse julgamento, afastouse a alegação de ofensa ao princípio da legalidade, bem como se ressaltou que eventual conflito entre a lei instituidora da contribuição ao SAT e os decretos que a regulamentaram é questão de índole ordinária, insuscetível de apreciação em sede de apelo extremo. 2. Agravo regimental improvido.(REAgR 473793, ELLEN GRACIE, STF) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. SÚMULA 126/STJ. NÃO INCIDÊNCIA. SAT. PARÂMETROS ESTABELECIDOS POR DECRETO. LEGALIDADE. SÚMULA 83/STJ. 1. Afastase a aplicação da Súmula 126/STJ, no caso, ante a ausência de intimação da recorrente da decisão que não admitiu o recurso extraordinário. 2. Pacífico o entendimento em relação à legalidade da cobrança da contribuição ao SAT, no sentido de que o decreto que estabeleça o que venha a ser atividade preponderante da empresa e seus correspondentes graus de risco leve, médio ou grave não exorbita de seu poder regulamentar. Incidência da Súmula 83/STJ. Embargos de declaração acolhidos, sem efeitos modificativos.(EARESP 201001073930, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:14/02/2011.) Fl. 12DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 44000.002429/200619 Acórdão n.º 280301.399 S2TE03 Fl. 310 13 Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações de prejudicial de mérito, bem como as alegações de mérito, suscitadas pela recorrente, não havendo razão para atender aos pleitos desta. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito negarlhe provimento, tendo em vista a falta de lastro fático e jurídico das alegações da recorrente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10675.001306/2008-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/09/2006 a 31/12/2007
COMPENSAÇÃO DETERMINADA POR MEDIDA JUDICIAL. APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS. TRÂNSITO EM JULGADO DA MEDIDA CONCESSIVA.
A decisão judicial concessiva de compensação somente surtirá efeitos quanto ao aproveitamento dos créditos dela decorrentes, após o seu trânsito em julgado.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/09/2006 a 31/12/2007
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.216
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2006 a 31/12/2007 COMPENSAÇÃO DETERMINADA POR MEDIDA JUDICIAL. APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS. TRÂNSITO EM JULGADO DA MEDIDA CONCESSIVA. A decisão judicial concessiva de compensação somente surtirá efeitos quanto ao aproveitamento dos créditos dela decorrentes, após o seu trânsito em julgado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2006 a 31/12/2007 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário Negado.
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APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS. TRÂNSITO EM JULGADO DA MEDIDA CONCESSIVA. A decisão judicial concessiva de compensação somente surtirá efeitos quanto ao aproveitamento dos créditos dela decorrentes, após o seu trânsito em julgado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2006 a 31/12/2007 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 147DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10675.001306/200860 Acórdão n.º 240102.216 S2C4T1 Fl. 148 3 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.128.1148, lavrado contra o sujeito passivo acima identificado, visando à exigência das contribuições que se supõe terem sido compensadas indevidamente. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 18/33, o sujeito passivo ingressou com o Mandado de Segurança n.º 2006.38.03.0053764 , na 2.ª Vara Federal de UberlândiaMG, contra o recolhimento de Contribuições Previdenciárias incidentes sobre as seguintes rubricas da folha de pagamento:as primeiros 15 dias de afastamento dos empregados doentes ou acidentadas, a salário maternidade. férias e adicional de 1/3. Foi deferida parcialmente liminar favorável à empresa. Entretanto, nada foi deferido em relação à possibilidade de antecipação de compensações. Na sentença de mérito determinouse exigíveis as contribuições previdenciárias incidentes sobre as rubricas: Salário Maternidade e férias e respectivo adicional de1/3, porém, no tocante a eventual compensação, ficou decidido que só poderá ser feita após o trânsito em julgado da sentença. Relata ainda o Fisco que na data do lançamento, o trânsito em julgada da referida sentença ainda não ocorrera, pois ambas as partes recorreram, tendo os recursos sido recebidos no efeito devolutivo. Concluise, assim, que o processo de compensação foi irregular. Foram acostadas cópias de peças do referido processo judicial. Cientificada do lançamento em 31/03/2008, a autuada apresentou defesa, fls. 42/71, cujas razões não foram acatadas pelo órgão de primeira instância, que declarou procedente o lançamento, fls. 95/103, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2006 a 30/12/2007 SUJEIÇÃO AOS TERMOS DA DECISÃO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO. GLOSA. MULTA MORATÓRIA E JUROS. O sujeito passivo fica restrito aos exatos termos da decisão judicial. Verificada compensação de crédito discutido judicialmente, sem expressa autorização em sentença, cabe à fiscalização apurar e cobrar os créditos oriundos das compensações indevidas, acrescidas de multa moratória e juros decorrentes da falta de pagamento no prazo legal. Lançamento Procedente Fl. 149DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Inconformada com a decisão, a autuada interpôs recurso voluntário, fls. 107/132, no qual asseverou, em apertada síntese, que: a) a interpretação do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, leva à conclusão de que a contribuição somente pode incidir sobre rendimentos decorrentes de contraprestação pelo trabalho; b) é ilegal a exigência de contribuições sobre valores pagos aos trabalhadores em situações em que não há remunerações por serviços prestados, como é o caso de: i) importâncias pagas nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado (antes da obtenção do auxiliodoença ou auxilioacidente); ii) valores pagos a título de saláriomaternidade; iii) importâncias pagas a título de férias6 e adicional de férias de 1/3 (um terço); c) a jurisprudência que transcreve está a confirmar a tese de que não há incidência previdenciária sem pagamento decorrente da prestação de serviço; d) tem o direito líquido e certo de proceder a compensação dos valores com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, o qual independente de autorização administrativa ou judicial; e) de acordo com a jurisprudência do STJ, a simples aplicação do art. 66 da Lei n.º 8.893/1991 é suficiente para justificar o procedimento de compensação, ficando afastadas as regras infralegais em sentido contrário; f) o fato da recorrente haver requerido a autorização judicial para se compensar das quantias recolhidas indevidamente teve o objetivo apenas de evitar retaliações por parte da Administração; g) O art. 170 do Código Tributário — e seu apêndice, o artigo 170A cuidam de outra modalidade de compensação, realizada diretamente pelos agentes fiscais a pedido do contribuinte, e que extingue o crédito tributário (já constituído), portanto, nos termos do art. 156, II, do CTN. É o entendimento abalizado do jurista Hugo de Brito Machado; h) nos termos da jurisprudência citada, não há que se condicionar a compensação em debate ao trânsito em julgado do feito, devendo ser afastada a aplicação do artigo 170A do Código Tributário Nacional, bem como a de instruções normativas nesse sentido; i) Não se pode admitir a aplicação da IN SRF n° 600/05, que, além de pretensamente condicionar a compensação ao reconhecimento dos créditos por decisão judicial transitada em julgado, ainda chega às raias de determinar que haja um prévio processo administrativo de habilitação de crédito; j) em boa parte do período lançado esteve a contribuinte em posse de decisão liminar que suspendia a exigibilidade das contribuições questionadas, assim, o Fisco estaria impedido de lançálas. É o relatório. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10675.001306/200860 Acórdão n.º 240102.216 S2C4T1 Fl. 149 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. A matéria discutida no bojo do Mandado de Segurança As compensações, cujas glosas deram ensejo ao presente AI, decorreram de créditos que a recorrente teria por força de decisão no MS n.º 2006.38.03.0053764 , interposto para afastar o recolhimento de Contribuições Previdenciárias incidentes sobre as seguintes rubricas da folha de pagamento: os primeiros 15 dias de afastamento dos empregados doentes ou acidentadas,a salário maternidade e, férias e adicional de 1/3. Sobre esses aspectos, trazidos também no recurso, abstenhome de lançar pronunciamento, uma vez que é matéria que já está sendo discutida no âmbito do Poder Judiciário. Adoto esse proceder com esteio na súmula n.º 1 do CARF, verbis: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, ao ingressar no judiciário para discutir as mencionadas matérias, o sujeito passivo renunciou ao direito de vêlas apreciadas nas instâncias administrativas. A possibilidade de compensação antes do trânsito em julgado da decisão judicial autorizativa Entendendo o contribuinte, com esteio na jurisprudência apontada, que a compensação de créditos decorrentes de decisão judicial independe do trânsito em julgado do provimento do Poder Judiciário, promoveu a compensação das quantias que achou que teria direito, malgrado não haver ainda decisão definitiva do judiciário sobre a demanda. Não é esse o entendimento que deve prevalecer. O legislador, ao inserir o art. 170A do CTN, mediante a Lei Complementar n.º 104/2001, teve por desiderato evitar a insegurança jurídica advinda da realização de compensações tributárias determinadas por medidas judiciais carentes de definitividade, as quais acabavam por prejudicar a Fazenda Pública, que tinha a arrecadação desfalcada, mas também os próprios sujeitos passivos, que acabavam por ter que arcar com o recolhimento dos tributos com acréscimos, quando sucumbiam de suas pretensões. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Eis o dispositivo sob enfoque: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.(Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001). Diante dessa determinação, a própria decisão judicial de mérito de primeira instância cuidou de evitar a possibilidade de compensação antes do trânsito em julgado da decisão. Eis as palavras do magistrado: DA COMPENSAÇÃO (...) A compensação ora deferida deverá ser feita somente após o trânsito em julgado da presente decisão (art. 170A, CTN), ficando ressalvado, ao INSS, o direito de conferir e fiscalizar a compensação a ser efetivada pela autora em sua escrita fiscal. Também no acórdão do TRF da 1.ª Região ficou assentada essa mesma preocupação, como pode se ver da ementa do julgado: APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO Nº 2006.38.03.005376 4/MG Processo na Origem: 200638030053764 R E L ATO R : DESEMBARGADOR FEDERAL CATÃO ALVES APELANTE : LUNASA LUIZ NASCIUTTI S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO ADVOGADOS : DRS. MARCOS RODRIGUES PEREIRA E OUTROS APELANTE : UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) PROCURADOR : DR. LUIZ FERNANDO JUCÁ FILHO APELADAS : LUNASA LUIZ NASCIUTTI S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO E OUTRA E M E N T A PREVIDENCIÁRIO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDÊNCIA SOBRE VALORES PAGOS A TÍTULO DE AUXÍLIODOENÇA/ACIDENTE, SALÁRIO MATERNIDADE, FÉRIAS E ADICIONAL DE FÉRIAS EXIGIBILIDADE REPETIÇÃO E/OU COMPENSAÇÃO DOS VALORES RECOLHIDOS LEGITIMIDADE CONTRIBUIÇÕES DA MESMA NATUREZA LIMITES PERCENTUAIS LEI Nº 11.941/2009 CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL, ART. 170 A APLICABILIDADE DECADÊNCIA PRAZO LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 APLICABILIDADE RECOLHIMENTOS ANTERIORES A VIGÊNCIA DA ALUDIDA LEI SISTEMÁTICA DO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. a) Recursos Apelações em Mandado de Segurança. b) Decisão de origem Concedida, em parte, a Segurança. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10675.001306/200860 Acórdão n.º 240102.216 S2C4T1 Fl. 150 7 1 A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça e a Corte Especial deste Tribunal decidiram que o direito à repetição de indébito tributário extinguese com o decurso do prazo de 05 (cinco) anos, contados da data de quitação em relação aos pagamentos efetuados a partir da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, adotado, porém, para os recolhimentos anteriores à Lei, o regime precedente, sistemática dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, mas limitado ao lapso máximo de cinco anos do advento do novo preceito. (STJ EREsp nº 437.760/DF; TRF/1ª REGIÃO Arguição de Inconstitucionalidade nº 2006.35.02.0015150/GO.) 2 A Lei Complementar nº 118/2005 não se aplica aos créditos referentes a pagamentos feitos antes do prazo de cento e vinte dias da sua publicação, ainda que o ajuizamento da ação tenha ocorrido na sua vigência. (EREsp nº 437.760/DF Rel. Min. Teori Albino Zavascki STJ Primeira Seção Unânime DJe 11/5/2009.) 3 Indevida a incidência de contribuição previdenciária sobre o abono constitucional de terço de férias por não se incorporar aos proventos de aposentadoria e sobre a retribuição paga a empregado doente, nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do trabalho, pela sua natureza previdenciária. 4 Devida a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de salário maternidade e férias porque, tendo natureza salarial, integram sua base de cálculo, excetuando se, apenas, as férias indenizadas nos termos do art. 28, § 9º, "d", da Lei nº 8.212/91. 5 A compensação sujeitarseá ao trânsito em julgado do acórdão, nos termos do art. 170A, do Código Tributário Nacional, ressalvandose à autoridade fazendária a aferição da regularidade do procedimento. 6 Legítima, nos termos do art. 26, parágrafo único, da Lei nº 11.457/2007, a compensação de valores pagos a título de contribuições previdenciárias sobre o abono constitucional de terço de férias e sobre a retribuição que empregado doente recebe nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do trabalho com outras contribuições da seguridade social. 7 A partir do advento da Lei nº 11.941/2009 de 27/5/2009, que revogou o art. 89, § 3º, da Lei nº 8.212/91, deferida a compensação, não há, em relação ao valor a ser pago, aplicação de limite máximo. 8 Recurso da União Federal (Fazenda Nacional) denegado. 9 Apelação da Impetrante e Remessa Oficial providas em parte. 10 Sentença reformada parcialmente. (grifei) Fl. 153DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Diante das considerações acima, não devo acolher a tese de que a compensação efetuada pela contribuinte com arrimo na decisão judicial não se submeteria ao regime do art. 170A do CTN. Ao contrário do que afirma a recorrente, o citado dispositivo é aplicável a todas a compensação dos créditos decorrentes de ação judicial, que somente poderão ser utilizados após o trânsito em julgado da decisão que os reconheceu. Frisese que o art. 170A apenas visa evitar o procedimento de compensação antes de um provimento judicial definitivo, em nada afetando o lado dos débitos do sujeito passivo para com a Fazenda Pública, os quais podem ter sido constituídos mediante o lançamento ou não. Assim uma vez transitada em julgado a decisão que autorizou a compensação, os valores decorrentes podem ser utilizados para a quitação de créditos constituídos, créditos vencidos ou mesmo vincendos. Ao efetuar a compensação ao arrepio do art. 170A do CTN, o sujeito passivo acabou por atropelar as decisões judiciais que lhe garantiam o direito à compensação. Assim, tendo o Fisco exercido a sua prerrogativa de analisar o procedimento compensatório e constatado a irregularidade apontada, estava obrigado a lavrar o AI para constituir o crédito decorrente das glosas de compensação realizadas ilegalmente. Salientese ainda que em consulta ao sítio do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região pude constar que o acórdão relativo a apelação no processo judicial em tela ainda não transitou em julgado, estando aguardando o julgamento de embargos de declaração interpostos pelo sujeito passivo e pela Fazenda Nacional (ver http://www.in.gov.br/imprensa/visualiza/index.jsp?jornal=20&pagina=379&data=09/04/2010). Alega a recorrente a ilegalidade da IN SRF n.º 600 que, em seu art. 51, determina que opedido de utilização de crédito decorrente de decisão judicial somente poderá ser recepcionada pela Administração Tributária após prévia habilitação do crédito junto as unidades da Receita Federal. Não devo lhe dar razão. Fazse necessário que antes de requerer a compensação o sujeito passivo demonstre que a decisão concessiva do crédito tem caráter de definitividade. Tal determinação tem por objetivo evitar a utilização de valores decorrentes de decisões precárias, fazendo valer, assim, o comando inserto no art. 170A do CTN. Da improcedência do crédito A empresa alega também que o crédito é, pelo menos, improcedente em parte, uma vez que em boa parte do período da apuração a empresa seria detentora de medida liminar afastando a exação sobre determinadas rubricas. A premissa lançada é verdadeira, posto que há nos autos comprovação de concessão de liminar favorável em parte à empresa, todavia, esse fato em nada altera o lançamento, haja vista que a apuração fiscal não foi direcionada à exigência de contribuições sobre parcelas cuja relação jurídicotributária houvera sido afastada pelo Judiciário, mas restringese a glosas de compensação que, como visto, foi efetuada ao arrepio da lei e das decisões judiciais exaradas nos autos do MS proposto pela empresa. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10675.001306/200860 Acórdão n.º 240102.216 S2C4T1 Fl. 151 9 Conclusão Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 155DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/02 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10855.000738/2004-10
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendatio: 1996, 1997, 1998
Ementa:
DECADÊNCIA — PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO
TRIBUTÁRIO Diante da interpretação dada pela Corte Especial do STJ na Aiguição de Inconstitucionalidade nos EREsp 644.736-PE, em 6 de ,junho de 2007, e sobretudo em face do julgamento, pela 1" Seção do Superior Tribunal de Justiça, do REsp I 002,932-SP, sob o rito de recurso repetitivo, de 6 de junho de 2009, forçoso se te conhecer a pacificação da questão no STJ. Nesse sentido, aos pagamentos indevidos antes de 9 de junho de 2005 o prazo para
o direito à repetição e de cinco mais cinco anos, contados da data do lato geradol, limitado ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da Lei Complementar. 118/05-Não consumação da decadência.
MULTA DE MORA — DENÚNCIA ESPONTÂNEA — CRÉDITO
O art, 138 do CTN prevê o pagamento do principal acrescido dos juros de mora, inexistindo referência a alguma multa. A cláusula penal moratória ou multa de mora tem função diversa à multa compensatória (cláusula penal compensatória cláusula de pré-liquidação de perdas e danos): a primeira tem caráter pensionato. Quando a obrigação é de da i dinheiro, seja urna obrigação
de direito privado ou de direito público, como é a obrigação tributada, a função indenizatória se limita e se identifica nos, juros moratórios (porquanto carecei ia de sentido prever uma cláusula penal compensatória, com a extinção da obrigação Existência do crédito do contribuinte correspondente a. multa de mora recolhida, em face da denúncia espontânea.
Numero da decisão: 1103-000.139
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR
provimento ao recurso, Vencidos Os Conselheiros Decio Lima ,Jardim e Gerviisio Nicolau Recktenvald que negavam provimento quanto ao prazo decadencial, nos tarmos do relatório voto que integram o presente julgado
Nome do relator: Não Informado
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendatio: 1996, 1997, 1998 Ementa: DECADÊNCIA — PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO Diante da interpretação dada pela Corte Especial do STJ na Aiguição de Inconstitucionalidade nos EREsp 644.736-PE, em 6 de ,junho de 2007, e sobretudo em face do julgamento, pela 1" Seção do Superior Tribunal de Justiça, do REsp I 002,932-SP, sob o rito de recurso repetitivo, de 6 de junho de 2009, forçoso se te conhecer a pacificação da questão no STJ. Nesse sentido, aos pagamentos indevidos antes de 9 de junho de 2005 o prazo para o direito à repetição e de cinco mais cinco anos, contados da data do lato geradol, limitado ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da Lei Complementar. 118/05-Não consumação da decadência. MULTA DE MORA — DENÚNCIA ESPONTÂNEA — CRÉDITO O art, 138 do CTN prevê o pagamento do principal acrescido dos juros de mora, inexistindo referência a alguma multa. A cláusula penal moratória ou multa de mora tem função diversa à multa compensatória (cláusula penal compensatória cláusula de pré-liquidação de perdas e danos): a primeira tem caráter pensionato. Quando a obrigação é de da i dinheiro, seja urna obrigação de direito privado ou de direito público, como é a obrigação tributada, a função indenizatória se limita e se identifica nos, juros moratórios (porquanto carecei ia de sentido prever uma cláusula penal compensatória, com a extinção da obrigação Existência do crédito do contribuinte correspondente a. multa de mora recolhida, em face da denúncia espontânea.
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Nesse sentido, aos pagamentos indevidos antes de 9 de junho de 2005 o prazo para o di' eito à repetição e de cinco mais cinco anos, contados da data do lato geradol, limitado ao piazo máximo de cinco anos a contar da vigência da Lei Complemental . 118/05-Não consumação da decadencia MULTA DE MORA — DENÚNCIA ESPONTÂNEA — CRÉDITO O art„ 138 do CTN prevê o pagamento do ptincipal acrescido dos juros de mom, inexistindo leferência a alguma multa. A cláusula penal moratólia ou multa de mora tem função diversa à multa compensatália (clausula penal compensatória cláusula de pré-liquidação de perdas e danos): a piimeira tem caráter apenatorio. Quando a obrigação é de dai dinheiro, seja urna obrigação de direito piivado ou de direito público, como é a obrigação tributada, a função indenizatóiia se limita e se identifica nos ,juros moratórios (poignant() carecei ia de sentido prever uma cláusula penal compensatóiia, com a extinção da obrigação Existência do crédito do contribuinte correspondente a. multa de mora recolhida, em face da denúncia espontãnea. Vistos, ielatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por majolia de votos, DAR provimento ao recurso, Vencidos Os Conselheiros Decio Lima ,Jaidim e Cierviisio Nicolau ArOYSI Plocesso 11" 10855 000738/2004-10 Acórcliio ii " 1103-00 139 SI-CI 13 H 2 Recktenvald que negavam provimento quanto ao prazo decadenciai, nos tamps do relatório e voto que integi am o presente 'ulgado (PER 10-6A-SILVA Presidente 1\4 Ç TAKATA - Relator EDITADO EM: O ty-)7 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Aloysio Jose Percinio da Silva (Presidente), Hugo Correia Sotero, Decio Lima Jardim, Marcos Shigueo Takata (Relator), Gervrisio Nicolau Recktenvald, Eric Moraes de Castro e Silva Pi ocesso n" I 0855 000738/2004- I 0 Si -C1 F3 Ac(9 (150 11" 1103-00.139 Fl 3 Relatório DO DESPACHO DECISÓRIO E DA MANIFESTAÇÃO DE INCONEORMIDADE Ii ata o presente process() de pedido de reconhecimento de direito creditório, protocolizado em 19/0.3/2004, no valor de R$ 42.971,57. Esse direito creditório postulado decorre de pagamentos de débitos em atraso, efetuados nos anos-calendario de 1996 a 1998, corn acréscimo de multa de mom (conforme demonstrativo de II. 7), considerada indevida pela recorrente, A vista do art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Em .5/06/2007 sobreveio o despacho decisório (M.. 23 a 29), pelo qual DR.F/Sorocaba-SP indeferiu o pedido de restituição, pelos motivos abaixo sintetizados: a) inaplicabilidade, ao caso, do instituto da denúncia espontânea previsto no art.. 138 do CTN, para efeito de car acterizar como indébitos os recolhimentos a titulo de multa de mora efetuados pela i cementer b) extinção do direito por transcurso do lapso quinquenal previsto no ar t. 168 c/c o art. 165, 1, do CTN. Ciente da decisão ern 12/07/2007, a reconente apresentou, em 6/08/2007, ' manifestação de inconformidade (fls. .37 a 70), alegando, em síntese, que: a) teria direito à apresentação de manifestação de inconformidade e A suspensão da exigibilidade do debito oferecido A compensação; I)) ter ia direito a restituielb/compensayao pleiteada, concernente às par celas pagas a titulo de multa de mora nor pagamento de débitos em atraso, A vista do instituto da denúncia espontânea, previsto no art 138 do CTN, e do disposto no art 26 da Instrução Normativa 600/05; c) não teria se operado a "prescrição" do direito de pleitear a restituição, já que o prazo seria de cinco anos contados da data da homologação do lançamento, nos ternos dos arts. 150, § 4", 165, I, e 168, Ido CTN; d) os elementos colhidos na doutrina e em decisões administrativas e judiciais estariam a amparar seus argumentos, requer endo, ao final, o reconhecimento restituição/compensação pleiteada DA DECISÃO DA DRJ E DO RECURSO VOLUNTÁRIO Ern 29/11/2007, acordar am os membros da 5" Turma de Julgamento da DRI cur Ribeirao Preto (SP), poi unanimidade de votos, indeferir a solicitação da recorrente nos termos do voto abaixo sintetizados: Proccsso n° 10855 ([00738/2001-0 S 113 Acôrcrio n " 1103-00.139 a) preliminarmente, a recorrente requer que the seja concedida a suspensão da exigibilidade do credito tributdrio. Todavia, inexiste nos autos qualquer negativa do r eferido direito, de tal modo que Os efeitos da suspensão de exigibilidade se operam eY loge, a teor do disposto no art. 74, § 11, da Lei 9 430/96 com a reciação da Lei 10 833/03, de modo quo não há litígio sobre essa questão; b) quanto à decadência, tal instituto flui em desfavor ria recorrente, pois o direito de pleitear a restituição/compensação extingue-se com o decurso do pi azo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário e, em conformidade com o ai t 156, II, do CTN, a compensação é uma das modalidades de extinção do credit() tributário; c) quanto ao direito à restituição/compensayao concernente as parcelas pagas a titulo de multa de mora pot pagamento de débitos em atraso, à vista do instituto da denúncia espontânea, tal pleito é inaplicável, pois tal instituto não exclui a multa de mom estipulada na legislação tributária: seu pagamento é expressamente previsto para Os casos em que o pagamento do tributo ()cone espontaneamente após o vencimento da obrigação. Devidamente notificada em 9/01/2008, inconformada com o I acórdão, a recorrente inter pôs, em 1`)/02/2008, recurso voluntário, no qual basicamente tenet a as argumentações apresentadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório„ Processo n" 108:55 000738/2004-10 SI-C113 Ac(3rd5o o" 1103-00..139 H 3 Voto Conselheiro MARCOS SHIGUE0 TAKATA O recurso é tempestivo e atende aos demais i equisitos de admissibilidade Dele, pois, conheço„ Fm sede de preliminar, a leCOriente postula a suspensão de exigibilidade do débito objeto da compensação cm lide„ Absolutamente despicienda tal postulação, porquanto é indene de dúvidas essa suspensão de exigibilidade, na conformidade do art. 74, § 11, da Lei 9.430/96 com a redação da Lei 10.833/03. Tanto que, como bem acentuado pelo órgão julgador a quo, não há nos autos a negativa dessa suspensão de exigibilidade, de modo que essa questão preliminar não se coloca nos limites da lide --- não há controvérsia. Inexistente a pretensão — da recorrente — resistida, pois não se recusa a operação da suspensão de exigibilidade do débito em causa, não ha juizo a ser extraído em sede de preliminar Posto isso, principio com o exame da preliminar de mérito de decadência. Como se viu do relatório, os "pagamentos" indevidos ou a maior se deram nos anos-calendário de 1996, 1997 e 1998. E o pedido de restituição fora apresentado em 19/0.3/04. A tese da 1 CCOrrente 6 a de que o termo inicial do prazo decadencial de seu dir eito creditório 6 a data da homologação tácita do lançamento, de modo que o termo a quo se iniciaria somente coin o decurso de cinco anos contados do fato gerador. Só a partir de então se contariam os cinco anos para concreção do fenômeno decadencial, ao teor do art. 168, 1, do CTN. F, a tese dos cinco cinco anos, para consumação da decadência.. Em matéria de tributo sujeito a lançamento por homologação (caso de quase todos os tributos), é assente a jurisprudência do Conselho de Contribuintes, especialmente desta Turma, de que a .decadência do direito de lançar o crédito tributário se opera ao cabo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador, quer tenha havido ou não algum pagamento I . Tenho para mim que o direito A repetição ou à compensação de "pagamento" indevido (em geral, recolhimento indevido) ou a major é fulminado pela decadência com o decurso de cinco anos da data cio "pagamento" indevido ou a maior. Isso porque o pagamento extingue a obrigação tributária, sob condição resolutiva. Aliás, pagamento 6 forma de extinção de obrigação por excelência. Embora o art. E não seja caso de fraus legis (que, a rigor, compreende as hipóteses de dolo e simulaeão mencionadas no alt. 150, § 4", do CTN) ocesso n" 0555 00073872004-10 Si 113 Acórcliio o " 1103-00.139 I I a 150 do CTN use a expressão "pagamento antecipado", o próprio § 1" reconnece clue se cuida de pagamento simples, ao reconhecer que se extingue a obrigação tributúria sob condição resolutiva da ulterior não homologação do pagamento (malgt ado a liter alidade 'Cale em "ulterior' homologação do lançamento", evidente a ell orna: o que resolve o pagamento 6 a ulterior não homologação) Como o CTN se arena à indispensabilidade do lançamento, ele constrói figura da homologação tácita do pagamento ao termo de cinco anos da oconência cio tato gerador. Mas, se o pagamento já extingue a obrigação tributaria sob condição resolutiva, o coroldrio lógico e inescapdvel é o de que a chamada homologação tácita opera a decadência cio direito de lanyar . Isto 6, não ha mais como resolver o pagamento (que extingue a obrigação), corn o decurso de cello tempo 4- a inércia da autoridade fiscalizadora: para não ficar sem lançamento, na construção feita pelo CTN, chama-se a isso de homologação tácita Não se poder resolver o• pagamento (que extingue a obrigação) 6 decair do direito de lançar; decadência que tem o mesmo suporte fatico da chamada homologação tácita_ Pode-se, pois, dizer que essa tem como sua contraface a decadência. Exegese diversa corrompe a lógica e o sentido do art. 150 do CTN. O art. 168, 1, do cfN dispõe que o direito de pleitear a restituição se extingue com o decurso do prazo de cinco anos contados da data da .extinção do crédito tributário Apesar de outra aparente erronia, fácil extrair o sentido coreto do preceito. Se o pagamento extingue o crédito sob condição resolutiva, ao tear do art. 150 do CIN, é a partir do "pagamento" indevido que se conta o prazo decadencial para a repetição do indébito Se 6 que se pode War em dislate, este se verifica ao War em extinção do credito tributário Se o chamado pagamento 6 indevido, nunca nasceu credito tributário em relação ao indébito; não há corm se extinguir o que não nasce, Não se extingue crédito tributáno. Em geral, há recolhimento (que 6 diferente de pagamento — forma de extinção de obrigação) indevido Mas, como exposto, fácil superar o aparente deslize redacional pia se extrair' a devida interpretação do preceito. Vale dizer, o direito de pleitear a restituição se extingue corn o decurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento indevido ou que venha a se revelar a maior, salvo nos casos em que ha superveniente declaração de inconstitucionalidade do tributo ou de reconhecimento de não incidir o tributo E o mesmo prazo incide, a meu ver, pata a compensação do pagamento indevido, No caso em dissidio, o pedido de restituição apresentada após o referido prazo, isto é , após cinco anos contados da data do pagamento a maior: aquele Rua protocolizado em 19/03/04 (fls. 1, 5 e 6) e o pagamento a maior mais recente se dera no ano' calendário de 1998 (ou outros ocorreram nos anos-calendario de 1997 e 1996). Par outro lado, o SIJ assentou a seguinte inteligência, poi sua Corte Especial, no julgamento da Arguição de Inconstitucionalidade nos Embargos de Inftingência no Recurso Especial (AI nos EREsp) 644.736/PE, de 6/06/07 2 . O art.. 3" da Lei Complementar 118/05 só 2 E isso porque o STF, em recurso extraordinário em face do "decisum" prolatado nos autos dos EREsp 644 736/PE, reconheceu a ofensa ao art 9"7 da CF (principio da reserva de plenário), corn a consequente Plocesso n" 1M55 000735/2001-10 Si-cl 1 . 3 Ac6id3o n " 1103 - 00 139 Fl 7 pode tel eficácia prospectiva, porquanto não se trata de norma interpretativa, de modo que seu comando só é aplicável "sobre situações que venham a °con er a partir de sua vigência": após 120 dias da publicação da Lei Complementar 118/05, isto e, a partir de 9/06/05. Nesses moldes, a segunda parte do art. 4' do Lei Complementar 118/05 não possa pelo teste de validade, Ou seja, conforme a interpretação assentada pelo ST], por sua Corte Especial, no julgamento por unanimidade da AI nos EREsp 644.7.36/PE: a) sobre pagamentos indevidos antes de 9/06/05, permanece o entendimento de que o prazo "prescricional" para repetição de indébito tributário é de cinco anos mais cinco anos, contados da data do fato gerador, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da nova lei; b) sobre pagamentos indevidos a partir de 9/06/05, o referido prazo "prescricional" é de cinco anos contados cio data do pagamento indevido, E a inconstitucionalidade foi declarada pelo órgão especial do STI, em conformidade corn o art, 97 da CF 3 , e em consonância corn . a Súmula Vinculante 10 do Supremo Tribunal Federa1 4 .. Ainda, mais recentemente, a 1" Seção do ST.J julgou, ern sede de procedimento de recurso especial repetitivo, nos termos do art 54.3-C do CPC, o REsp 1..002.932-SP, em 25 de novembro de 2009. No , julgamento desse REsp afetado em procedimento de recurso repetitivo, consagrou-se derradeiramente a inter pi etação dada no julgamento da AI nos EREsp 644 736/PE: a) sobre os pagamentos indevidos antes de 9/06/05, o prazo "prescricional" para repetição de indébito tributár io é de cinco mais cinco, limitado ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da nova lei; b) sobre pagamento indevidos partir de 9/06/05, o prazo "prescricional é de cinco anos contados da data do pagamento indevido. Como já disse, não comungo com tal intelecção pelas razões adrede colocadas. Enttetanto, diante dc julgamento do REsp 1.002 932-SE, sob o fit() de lecurso repetitivo, forçoso se reconhecer o pacificação do matéria no ST1, Outrossim, v.g , no REsp 1.096 288-RS, julgado em 9/1.2/09, no Agravo Regimental (AgRg) no Agi avo de Instiumento 1..056,899-SE, julgado em 15/12/09, no AgR.g no R.Esp 1.045,690-SP, julgado em 15/12/09, em todos esses julgamentos se fez expressa remissão a. interpretação consagrada no regime repetitivo no REsp 1 002.932/SR. Embola discorde desse entendimento do STJ, em free do quadro posto curvo- me ã afetação da interpretação do STJ, para reconhecei o prazo decadencial (ou "prescricional" como quer o ST.1) dos cinco mais cinco anos, limitado a cinco anos a contar da vigência da nova lei (Lei Complemental 118/05). inconstitucionalidade daquele acói dOo Dai a I" Seçao do ST4 impor o processamento, perante a Corte Especial do S TT, cio incidente de inconstitucionalidade do art 4" da Lei Complemental 118/05 An 97 Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo árgAo especial poderilio os tribunais declarar a inconstituc,ionalidade de lei ou ato normativo do Poder Publico Súmula n" 10 . Viola a clausula de ieserva de plenario artigo 97) a decisao de OrgAo fracionário de Tribunal que, embora nàlo declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte Processo n" 10855 000738/2004-10 SI -C1 -13 Acárdilo ri 0 1103-00.139 H 8 Por .essa ordem de razões, reconheço inexistir a consumação do fenomeno decadencial Passo ao exame do mér ito Tenho para mim set nitido o caráter apenatário da multa de mora: o que tem caráter compensatório são os chamados juros moratérios. É a dicção do art. 138 do CTN: Art. 138. A responsabilidade ó excluída pela dentincia espontdnea da in» ação, acompanhada, se lbr o caso, do pagamento do tributo dorido e dos jaws de mora, ou do depósito da impoi tancia ai bitrada pela auto; idade administr ativa, quando o montante do tributo dependa de aptuaçao Par agi Ulric° Nao se considera espontanea a demincia apr e.semada após o inicio de qualquer proeedimerito adminisn ativo ou medida de ficali,:acao, elacionado.s COM infi açao Como se vê, o preceito legal exige, para a configuração da denúncia espontânea, tão somente o pagamento cio valor principal acrescido dos juros de mota, inexistindo referência a alguma multa: Sucede que o ea-rater compensatório ou indenizatório de uma obrigação, seja tributária ou não, é representado pelos juros mot ator ios, Quando a obrigação não é de dar dinheiro circunstancia que afasta obrigação tributdria - e sua fonte é con -tin:la', o próprio contrato pode acomodar uma cfrimula c/c pré-liquidaçâo de perdas e danos. Esta é chamada de cláusula penal compensatória, que não se confunde CO!)? a cláusula penal 17101 a tória ou mull(' de mom. Sobre ser pacific() tal exegese na doutrina civilista, é o que se extrai claramente dos arts.. 408 a 411, do Código Civil A cláusula penal moratoria ou multa de mota tern função diver sa a multa compensatória (clausula penal compensatória). Poi isso mesmo, o contratante, prejudicado pela mora da contraparte, pode optar: a) pela aplicação da clausula penal compensatória, com a resolução cio contrato; ou b) pela aplicação conjunta da multa de mora (cláusula penal moratoria) e dos juros moratorids (que possui tal como a clausula penal compensatória, caráter indenizatotio), além da própria obrigação contratualmente prevista (diversa à de dar dinheiro) . Quando a obrigação é de dar dinheiro, seja uma obrigação de (bran privado ou de direito público, como é a obrigação tributária, a função indenizatória se limita e se identifica nos juros moratorios (porquanto careceria de sentido prover uma cláusula penal compensatória, com a extinção da obrigação primitiva) . Dai a razão de o art. 1.38 do CTN não fazer referencia a nenhum tipo de multa que se encontre fora do alcance da denúncia espontânea, Pincesso 10855 0007.38/2001- k) SI-C:11 3 AcSi cIth ii" 1103-00.139 I'l 9 Poi isso minha inteleccao e de ser aplicável o ai t. 13$ cio CTN à multa de mom, desde que tenha havido o pagamento integral do tributo devido corn os juros moratórias preteritamente ao inicio de algum procedimento fiscal Sob essa oidem de consideracOes c juizo, dou provimento ao teCLI1SO o meu voto, MAT -IGUE0 TAKATA 9
score : 1.0
Numero do processo: 13746.000534/2005-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
IRPF. ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA PERCEBIDOS POR PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE.
“Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda.” (Súmula CARF n. 43).
“Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos tryEstados, do Distrito Federal ou dos Municípios.” (Súmula CARF nº 63).
Hipótese em que o Recorrente não comprovou ter moléstia grave, nos termos
do inciso XIV do art. 6º da Lei n.º 7.713/88.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.573
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 IRPF. ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA PERCEBIDOS POR PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. “Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda.” (Súmula CARF n. 43). “Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos tryEstados, do Distrito Federal ou dos Municípios.” (Súmula CARF nº 63). Hipótese em que o Recorrente não comprovou ter moléstia grave, nos termos do inciso XIV do art. 6º da Lei n.º 7.713/88. Recurso negado.
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ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA PERCEBIDOS POR PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. “Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda.” (Súmula CARF n. 43). “Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.” (Súmula CARF nº 63). Hipótese em que o Recorrente não comprovou ter moléstia grave, nos termos do inciso XIV do art. 6º da Lei n.º 7.713/88. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente Fl. 42DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13746.000534/200587 Acórdão n.º 210101.573 S2C1T1 Fl. 39 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canário da Silva, José Evande Carvalho Araujo e Ewan Teles Aguiar. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 28/31) interposto em 02 de fevereiro de 2011 contra o acórdão de fls. 23/26, do qual o Recorrente teve ciência em 08 de janeiro de 2011 (fl. 27, verso), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fl. 06, lavrado em 02 de maio de 2005, relativamente ao anocalendário de 2000. O acórdão teve a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF AnoCalendário: 2000 Moléstia Grave. Isenção Para serem isentos do imposto de renda pessoa física, os rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que o interessado é portador de uma das moléstias apontadas na legislação de regência. Impugnação improcedente. Crédito Tributário Mantido” (fl. 23). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 28/31), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13746.000534/200587 Acórdão n.º 210101.573 S2C1T1 Fl. 40 3 A controvérsia cingese à glosa do valor que foi indevidamente qualificado, na declaração de ajuste anual do contribuinte, como rendimento isento e não tributável. O Recorrente afirma ser beneficiário de norma de isenção (inciso XIV do art. 6º da Lei n.º 7.713/88) que ampara sua moléstia grave, em razão das declarações que atestam sua invalidez. De acordo com o dispositivo supra, ficam isentos do imposto de renda: “XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma”. Dispondo sobre essa isenção, a Lei n.º 9.250/95, em seu art. 30, veio a exigir, a partir de 1º de janeiro de 1996, para reconhecimento de novas isenções, que a doença fosse comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: “Art. 30. A partir de 1° de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º. O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2°. Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6° da Lei n° 1713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrosecística (mucoviscidose).” Da simples leitura dos dispositivos supracitados concluise que o contribuinte para gozar da isenção ora em discussão deve cumprir três requisitos, cumulativamente, quais sejam: i) os rendimentos percebidos pelo interessado devem ser rendimentos de aposentadoria; ii) o interessado deve estar acometido de moléstia grave prevista no rol do art. 6º, XIV, da Lei n.º 7.713/88; iii) a moléstia deve ser comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, Estado, Distrito Federal ou Município. No caso dos autos, a decisão recorrida entendeu que a moléstia grave não estaria comprovada, pois o contribuinte não apresentou laudo médico, não sendo as declarações acostadas aos autos suficientes para comprovar a existência da alegada moléstia grave. Em seu recurso, o contribuinte traz aos autos as mesmas declarações emitidas pela Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (fl. 35), bem como pela Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro (fl. 36), que informam que o Recorrente é aposentado, inválido e que faz jus Fl. 44DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13746.000534/200587 Acórdão n.º 210101.573 S2C1T1 Fl. 41 4 à isenção de imposto de renda, a partir de janeiro de 2001, conforme respectivos processos de inspeção, além de juntar comprovantes de rendimentos relativos ao anocalendário em questão. Não obstante, não foi localizado qualquer documento que comprove a efetiva existência da moléstia grave que o Recorrente alega possuir, qual seja, hanseníase, conforme exige a Súmula CARF nº 63, in verbis: Súmula CARF nº 63: “Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.” Assim, inaplicável ao caso a Súmula CARF n. 43, que tem a seguinte redação: Súmula CARF nº 43: “Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda.” Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 45DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10865.000455/2003-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Período de apuração: 28/02/1996 a 31/12/1996
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
CRÉDITOS INEXISTENTES. A ADIN nº 14170
declarou
inconstitucional somente a parte final do art. 18 da Lei n.° 9.715/98.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-00.805
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Não Informado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Período de apuração: 28/02/1996 a 31/12/1996 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO CRÉDITOS INEXISTENTES. A ADIN nº 14170 declarou inconstitucional somente a parte final do art. 18 da Lei n.° 9.715/98. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Walber José da Silva Presidente Gileno Gurjão Barreto Relator EDITADO EM: 09/05/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto (Relator). Relatório Adotase o relatório do Acórdão nº 1416.690 da DRJ de Ribeirão Preto, São Paulo: Fl. 1DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10865.000455/200360 Acórdão n.º 330200.805 S3C3T2 Fl. 2 2 ”O contribuinte acima identificado requer às fls. 0102 a restituição de valores recolhidos a título de PIS para os meses de fevereiro a dezembro de 1996. Fundamenta seu pedido na alegação de que o STF, na ADIn 14170, afastou a retroatividade do fato gerador do PIS a 01/10/1995, tal como prevista no art. 18 da Lei 9.715/98. Sustenta o contribuinte que a inconstitucionalidade alcança desde o art. 17 da Medida Provisória n° 1.325/96 até o art. 18 da Lei n° 9.715/98, passando pelas Medidas Provisórias n's 1.212/95, 1.249/95, 1.286/96 e posteriores reedições, de modo que inexiste base legal para a exigência do PIS no período considerado inconstitucional, de 01/10/96 até a publicação da Lei n° 9.715/98, em 25/11/98. O contribuinte apresentou, ademais, a declaração de compensação de fl. 01 do processo administrativo 10865.00566/200365, apensado ao presente processo administrativo. 2. A DRF/LIMEIRA, por meio do Despacho Decisório de fls. 3133, indeferiu o pedido de restituição do PIS, já que houve o transcurso do prazo de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN, entre a data do último recolhimento cuja restituição é pretendida e a data do requerimento. Ademais, o STF, na ADIn 1.417, afastou apenas a retroatividade da MP 1.212/95 e fixou o entendimento de que o prazo nonagesimal a que se refere o art. 195, § 6°, da Constituição Federal contase, no caso de reedições de Medidas Provisórias, da primeira delas, e não da que haja sido convertida em lei. Assim, aos fatos geradores ocorridos a partir de 29/02/96 aplicamse as alterações introduzidas pela Medida Provisória n° 1.212/95 e suas reedições. 3. Inconformado com o Despacho Decisório, do qual foi cientificado em 05/01/2004, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 3640, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: 3.1. Não há base legal para a exigência do PIS no período compreendido entre 15/03/96 e 15/01/97, pois o STF afastou, no julgamento da ADIn 1417 0, a retroatividade prevista no art. 18 da Lei n° 9.715/98. Esta decisão alcança também a retroatividade prevista no art. 17 da MP n's 1.325/95, 1.212/95, 1.249/95 e 1.286/96, bem como as reedições posteriores. 3.2. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, tal como o PIS, a extinção do crédito tributário ocorre, nas hipóteses em que a homologação é tácita, apenas após cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, conforme prescreve o art. 150, § 4°, do CTN. Só então tem início a contagem do prazo de cinco anos para pedir restituição, previsto no art. 168, I, do CTN. A soma dos dois prazos perfaz o total de 10 anos para pleitear a repetição do indébito. Este é o entendimento adotado pelo STJ e pelo Conselho de Contribuintes. A própria SRF reconhece, no art. 105 da IN SRF 247/2002, que o prazo para constituição de créditos do PIS é de dez anos. 3.3. Por fim, pede a impugnante o reconhecimento do direito creditório pleiteado e a manutenção do direito à compensação. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10865.000455/200360 Acórdão n.º 330200.805 S3C3T2 Fl. 3 3 4. Mediante o Despacho de fl. 43, os autos retornaram à DRF/LIMEIRA para apreciação da declaração de compensação apresentada no processo administrativo 10865.000568/200365, vinculada ao presente processo administrativo. Às fls. 4546, foi proferido o Despacho Decisório de Re Ratificação, não homologando a compensação declarada, pela improcedência do direito creditório pleiteado. 5. Intimado, em 04/05/2007, do Despacho Decisório de ReRatificação, o contribuinte apresentou, em 04/06/2007, a manifestação de inconformidade de fls. 4985, na qual alega que: 5.1. Não há no Despacho Decisório qualquer consideração a respeito da aplicação de juros e correção monetária, de modo que estas parcelas devem ser consideradas homologadas na íntegra. 5.2. Reitera os argumentos já aduzidos na manifestação de inconformidade anterior acerca da contagem do prazo decadencial para pedir restituição. Adverte que a própria SRF regulamentou o cálculo da atualização monetária, em 27/06/97, por meio da Norma de Execução Conjunta Cosit/Cosar n° 8/97, estabelecendo normas quanto aos tributos pagos no período de 01/01/88 a 31/12/91, de modo que o próprio órgão admite, por meio desta norma, restituições de valores recolhidos há mais de cinco anos. Em seguida, tece a impugnante considerações acerca da distinção entre decadência e prescrição e sobre a contagem do prazo decadencial para o PIS recolhido entre julho de 1988 e outubro de 1995, quando a exigência tinha por base os inconstitucionais DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88. Reproduz vários julgados que tratam da decadência do direito de pedir restituição. Invoca pronunciamentos doutrinários quanto à contagem do prazo decadencial. Finalmente, alega que a Lei Complementar 118/2005 não pode, sob o pretexto de ter natureza interpretativa, ser aplicada retroativamente, por ferir a harmonia entre os poderes. 5.3. A propósito da fundamentação do indeferimento do direito creditório, a impugnante afirma que a Lei 7.691/88 regulamentou o DecretoLei 2.445/88, de modo que não pode se sobrepor à Resolução 49/95 do Senado Federal, que determina a aplicação da Lei Complementar 7/70 durante o período de vigência dos DecretosLeis julgados inconstitucionais. Com o reconhecimento, pela Resolução do Senado Federal, da inconstitucionalidade dos DecretosLeis n° 2.445/88 e 2.449/88, também deixou de existir a norma regulamentadora, vale dizer, a Lei n° 7.691/88. Invoca diversos julgados favoráveis à tese da semestralidade do PIS. 5.4. Por fim, pede a impugnante a reforma do Despacho Decisório, para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado e a compensação declarada.” A Delegacia de Julgamento em Acórdão de fls. 89, datado de 13.08.2007 por unanimidade de votos manteve a decisão recorrida. Intimada da decisão em 11.10.2007, protocolou Recurso Voluntário de fls. 102, em 23.10.2007 sob os mesmos argumentos anteriormente aludidos. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10865.000455/200360 Acórdão n.º 330200.805 S3C3T2 Fl. 4 4 É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. A Câmara Superior de Recursos Fiscais sintetizou bem essa questão no Acórdão CSRF/0103.239, de 19 de março de 2001, cuja ementa tem o seguinte teor: “DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TERMO INICIAL. Em caso de conflito quanto à inconstitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente iniciase: a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIn; b) da Resolução do senado que confere efeito ‘erga omnes’ à decisão proferida ‘inter partes’ em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária.” No caso concreto não restaria dúvidas quanto inexistência de prescrição do direito do contribuinte de pleitear seus créditos tributários, uma vez que a publicação da liminar proferida pelo E. STF ocorrera em 23.03.2001 e seu pedido fora protocolado em 14.04.2003. Outrossim, no mérito, o resultado do julgamento daquela Corte que acolheu a declaração de inconstitucionalidade, em controle concentrado de constitucionalidade, ou seja, com efeitos erga omnes, não resultaria na concessão do crédito pleiteado pelo contribuintes. Isso porque em seu pedido, de fls. 01, consta tabela, de fls. 02, onde a contribuinte apura seu suposto crédito a partir da suposta desnecessidade de recolhimento da contribuição a partir de março de 1996 e até dezembro de 1996. Sendo mais especifico, importante transcrever o disposto nos artigos 17 e 18 da Lei 9.715, de 1998, na qual se converteu a MP n° 1.67637, de 1998: Art.17.Ficam convalidados os atos praticados com base na Medida Provisória nº 1.67637, de 25 de setembro de 1998. aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de outubro de 1995. (Vide RSF n°10, de 2005)” Já a Resolução n° 10/2005 do Senado Federal assim resolveu: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10865.000455/200360 Acórdão n.º 330200.805 S3C3T2 Fl. 5 5 Art. 1° É suspensa a execução da disposição inscrita no art. 15 da Medida Provisória Federal n° 1.212, de 28 de novembro de 1995 "aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de outubro de 1995" e de igual disposição constante das medidas provisórias reeditadas e do art. 18 da Lei Federal n°9.715, de 25 de novembro de 1998, declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário n° 232.8963 Pará. Art. 2° Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.” Ressaltese que foi a seguinte a decisão final proferida pelo pleno do STF nos autos da ADIN 1.417/0, em 02/08/1999 (DJ 23/03/2001): O Tribunal, por unanimidade , julgou procedente, em parte, a ação direta para declarar a inconstitucionalidade, no art. 18 da Lei n° 9715, de 25/11/1998, da expressão "aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 01 de outubro de 1995". Salientese então que, na ADIN 14170, foi declarado inconstitucional tão somente a parte final do artigo 18 da Lei n.° 9.715/1998, conforme já havia feito com a MP n.° 1.212/1995, restando válidos os demais dispositivos daquela lei de conversão, dos quais destacamos o artigo 17 que convalidou os atos praticados com base na MPv n.° 1.67637/1998 penúltima reedição daquela outra. A propósito, o único ponto declarado inconstitucional diz respeito anterioridade nonagesimal veiculada pela MP nº 1.212/95 em sua primeira edição, depois convertida em lei, abrangendo somente o período de 1° de outubro de 1995 a 29 de fevereiro de 1996, pois consoante pacífico entendimento do STF, em caso de publicação de Medida Provisória (sistemática anterior à E.C. n.° 32/01), o período nonagesimal tem como dies a quo a primeira edição. Portanto não há que se falar em direito creditório fora do citado período nonagesimal, como é o caso, onde o contribuinte requer créditos a partir de março de 1996 a dezembro de 1996. Finalmente, para espancar quaisquer dúvidas, transcrevo inteiro teor de julgamento no REAgR nº 501.972/PR, de 2007, do E. STF, cuja objetividade é similar à do nosso entendimento: “O SENHOR MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE – (Relator): Não tem razão a agravante. A constitucionalidade da MP nº 1.212.95 e suas reedições é entendimento que há muito se encontra pacificado neste Tribunal, v.g., ADI 1.417, Gallotti, RTJ Fl. 5DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10865.000455/200360 Acórdão n.º 330200.805 S3C3T2 Fl. 6 6 176/1.026, RREE 360.359, 10.12.2001, 1ª T Moreira; e 356.368AgR, 29.04.2003, 2ª. T, Maurício. Nego provimento ao Agravo Regimental: é o meu voto” Dessa feita, inassiste direito a contribuinte a pleitear qualquer crédito, não por força da prescrição do seu direito, mas por inexistência de mérito no fundamento do seu pedido. Isso posto, voto no sentido de negar provimento à pretensão recursal. É como voto. GILENO GURJÃO BARRETO Fl. 6DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10325.001778/2008-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
SUBROGAÇÃO NA PESSOA DO ADQUIRENTE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL POR PESSOAS
FÍSICAS. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF.
IMPROCEDÊNCIA
Declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária (RE n.º 363.852/MG), a inconstitucionalidade do art. 1.º da Lei n. 8.540/1992 e as atualizações posteriores até a Lei n. 9.528/1997, as quais, dentre outras, deram redação ao art. 30, IV, da Lei n. 8.212/1991, são improcedentes as contribuições sociais exigidas dos adquirentes da produção rural da pessoa física na condição de subrogado.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2401-002.412
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF. IMPROCEDÊNCIA Declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária (RE n.º 363.852/MG), a inconstitucionalidade do art. 1.º da Lei n. 8.540/1992 e as atualizações posteriores até a Lei n. 9.528/1997, as quais, dentre outras, deram redação ao art. 30, IV, da Lei n. 8.212/1991, são improcedentes as contribuições sociais exigidas dos adquirentes da produção rural da pessoa física na condição de subrogado. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Fl. 118DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10325.001778/200892 Acórdão n.º 2401002.412 S2C4T1 Fl. 119 3 Relatório Tratase do Auto de Infração AI n.º 37.198.1441, lavrado contra o sujeito passivo acima identificado, visando a exigência de contribuições incidentes sobre os valores decorrentes de aquisição de produto rural de produtor rural pessoa física. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 19 e segs.: 4.10 fato gerador das contribuições sociais ocorreu na aquisição, pela empresa, da produção rural, gado bovino, do produtor rural pessoa física equiparado a trabalhador autônomo (contribuinte individual a partir de 29/11/99), que como adquirente se enquadra na condição de subrogada que a torna diretamente responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pelo produtor rural pessoa física, conforme disposto nos artigos 25 e 30, inciso IV da Lei 8.212.91. A autuada apresentou defesa, fls. 77 e segs., alegando, em síntese, que: a) ocorreu decadência das contribuições lançadas para o período de 01 a 11/2003; b) por não se enquadrar como agroindústria, não tem a obrigação de recolher as contribuições com base no valor da receita da comercialização produção rural; c) também não pode ser responsabilizada pela contribuição decorrente de receita de produção rural de terceiros; d) o art. 25 da Lei n° 8.212/91 implicou em ofensa à isonomia, justamente por equiparar o empregador rural a o segurado especial, tratando similarmente situações díspares; O órgão de primeira instância declarou procedente a impugnação, extinguindo o crédito tributário (ver fls. 102 e segs,). Eis a ementa do acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUBROGAÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF. Em sede de controle difuso de constitucionalidade, o pleno do STF declarou a inconstitucionalidade dos artigo 1.º da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei n° 9.528/97 RE 363.852MG. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF. REPERCUSSÃO SOBRE O JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. Os órgãos de julgamento administrativo podem afastar a aplicação de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Dessa decisão a DRJ recorreu de ofício, da qual foi dada ciência ao sujeito passivo. É o relatório. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10325.001778/200892 Acórdão n.º 2401002.412 S2C4T1 Fl. 120 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidade, posto que o valor exonerado foi de R$ 4.906.205,60 (quatro milhões, novecentos e seis mil, duzentos e cinco reais e sessenta centavos), portanto acima do valor mínimo fixado pela Portaria MF n.º 03, de 03/01/20081. Aplicação do Recurso Extraordinário RE n. 363.852/MG ao lançamento A aplicação do entendimento do STF exarado no RE n.º 363.852/MG ao presente caso é uma exigência do inciso I do art. 62 do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n. 256/2009, assim redigido: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou (...) O RE transitou em julgado em 06/05/2011 e, tendo o mesmo contado com a manifestação do Plenário da Corte, deve a referida decisão ser observada nos julgamentos do CARF. Assim a solução da presente lide passa pela delimitação do alcance do que ficou decidido pela Corte Máxima no bojo do RE n.º 363.852/MG, no qual discutiuse a constitucionalidade da exigência de contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta da comercialização da produção rural do empregador pessoa física, prevista no art. 25, I e II, da Lei n.º 8.212/1991, com redação dada pela Lei n.º 8.540/1992, e da subrogação do adquirente na obrigação de recolher o tributo devido, conforme art. 30, IV, da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.528/1997. Ali a empresa recorrente, adquirente de produtos rurais de produtores pessoas físicas, não concordando com a exação suscitou ofensa do dispositivo atacado aos art. 195, e §§ 4. e 8. , 154, I e 146, III, todos da Constituição Federal. 1 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 O Pretório Excelso deu provimento ao RE, conforme abaixo: Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitadta por maioria, vencida a Senhora Ministra Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, licenciado, o Senhor Ministro Celso de Mello e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, com voto proferido na assentada anterior. Plenário, 03.02.2010. Contra essa decisão a Procuradoria da Fazenda Nacional manejou embargos de declaração, os quais foram rejeitados pela Corte, nos seguintes termos: A C Ó R D Ã O Vistos, relatados e discutidos estes autos, acórdão os Ministros do Supremo Tribunal Federal em rejeitar os embargos de declaração o recurso extraordinário, nos termos do voto do relator e por unanimidade, em sessão presidida pelo Ministro Cezar Peluzo, na conformidade da ata do julgamento e das respectivas notas taquigráficas. Analisando a ementa do acórdão exarado pelo STF no citado RE, percebese que o mesmo é explícito em declarar a inconstitucionalidade da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização dos produtores rurais pessoas física, e vai além, também afastando a possibilidade de se responsabilizar o adquirente na condição de subrogado. Eis as exatas palavras contidas na parte dispositiva do decisum: “... para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais...” Percebese, então, que a decisão da Corte Maior atingiu não somente as contribuições sociais previstas no art. 25, I e II, da Lei n.º 8.212/1991, mas também a forma de arrecadação, afastando a responsabilidade da empresa adquirente na condição de subrogada, esta estampado no inciso IV do art. 30 da mesma Lei. O Pretório Excelso, todavia, reconheceu que nova legislação, compatível com a Emenda Constitucional n.º 20/1998, poderia vir a ser editada, eliminando, assim, a inconstitucionalidade formal declarada no RE n.º 363.852. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10325.001778/200892 Acórdão n.º 2401002.412 S2C4T1 Fl. 121 7 É que a EC n.º 20/1998 inseriu a possibilidade da União instituir contribuição para a Seguridade Social incidente sobre a receita do empregador, eliminando assim a necessidade de que a contribuição fosse instituída por lei complementar, em obediência ao disposto no § 4.º do art. 195 combinado com o art. 146, I, ambos da Carta Magna. Ocorre que a lei compatível com a referida Emenda Constitucional já houvera sido editada em 09/07/2001. Tratase da Lei n.º 10.256, que deu nova redação ao art. 25 da Lei n.º 8.212/1991, nos seguintes termos: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (...) Respeitada a anterioridade nonagesimal, as contribuições incidentes sobre a receita da comercialização efetuada pelo produtor pessoa natural passaram, então, a ser exigíveis a partir de 09/10/2001. Assim, a decisão do STF não atinge período relativo ao presente lançamento (01/2003a 12/2004), posto que a norma que dá guarida à exação, art. 25 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 10.256/2001, não sofreu declaração de inconstitucionalidade. O mesmo não se pode falar acerca da subrogação do adquirente dos produtos rurais de pessoa física na obrigação de pagar o tributo, posto que o único dispositivo que autorizava essa técnica de arrecadação era o inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.528/1997, o qual foi declarado inconstitucional pelo STF, como se pode ver da parte dispositiva do acórdão exarado no bojo do RE n.º 363.852, conforme se extrai do texto: “...declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97...” Eis os textos do inciso IV do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social desde a redação original até a que vige atualmente: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (redação original) IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea a do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento Fl. 124DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 das obrigações do art. 25 desta lei, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei nº 8.540, de 1992). IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Percebase que quando a decisão faz menção ao dispositivo declarado inconstitucional ela reportase também às atualizações legais trazidas ao ordenamento pela Lei n. 9.598/1997, posto que essas são anteriores a edição da EC n.º 20/1998. Assim, considerando que o inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, nas redações dadas pelas Leis n.º 8.540/1992 e n.º 9.548/1997, foram declarados inconstitucionais, não pode subsistir o crédito tributário arrimado nesses dispositivos. E nem se fale que a decisão do Supremo não atingiu esse dispositivo, posto que na inicial foi requerida a declaração de inconstitucionalidade de todo o art. 1.º da Lei n.º 8.540/1992, o qual alterou dispositivos da Lei n.º 8.212/1991, inclusive trazendo a regra que previa a subrogação do adquirente de produtos rurais de pessoa física. Tendo sido declarada inconstitucional pelo STF, em decisão plenária, a norma que previa a subrogação do adquirente de produtos oriundos de produtor rural pessoa física na obrigação de recolher as contribuições sociais, deve este Tribunal Administrativo, em obediência ao seu Regimento Interno, declarar a improcedência do lançamento. Conclusão Diante de todo exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 125DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10830.009228/2003-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1996
NULIDADE. FALTA DAS PROVAS ANALISADAS PELO AUDITOR.
INEXISTÊNCIA.
É desconexa das provas dos autos a alegação de não constar cópia da documentação examinada pelo auditor, mas apenas a descrição genérica das deduções consideradas indevidas, quando o processo se encontra devidamente instruído com o Livro Caixa e a documentação comprobatória entregue pelo fiscalizado.
IRPF. LANÇAMENTO DECLARADO NULO POR VÍCIO FORMAL.
PRAZO DECADENCIAL.
Aplica-se a regra do artigo 173, inciso II, do CTN, apenas para as situações em que o segundo lançamento é materialmente idêntico àquele declarado nulo por vício formal, o que não se verifica neste caso, no qual, além da correção do vício formal, também houve alteração com relação à base de cálculo das infrações imputadas ao contribuinte. Há, inclusive, diferença com relação às infrações apuradas. Assim, a decadência não é regida pelo artigo 173, inciso II, do CTN, mas pelo disposto no artigo 150, § 4°, do CTN.
IRPF. GLOSA DE DEDUÇÕES. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. ARTIGO 62-A DO RICARF.
O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que, na visão deste julgador, exceto para as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, no caso em apreço, ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário.
Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN.
Contudo, por força do artigo 62-A do RICARF, este Colegiado deve
reproduzir a decisão proferida pelo Egrégio STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, ou seja, “O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.”
No caso, relativamente ao ano-calendário 1995, o contribuinte efetuou recolhimento de imposto de renda pessoa física, conforme indicado pela própria autoridade lançadora, sendo que o auto de infração envolve apenas diferenças e não os valores integrais eventualmente devidos. Ademais, inexiste a acusação pela fiscalização de dolo, fraude ou simulação.
O lançamento está atingido pela decadência.
DEDUÇÕES DE LIVRO CAIXA. DESPESAS NECESSÁRIAS E DEVIDAMENTE COMPROVADAS. DESPESA DE TRANSPORTE DE PERITO JUDICIAL NÃO DEDUTÍVEL.
Apenas as despesas de consumo indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora podem ser deduzidas no Livro Caixa, no caso de trabalho não assalariado, desde que devidamente discriminadas e identificadas através de documentos hábeis, sendo vedada a dedução de despesa de transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo.
Hipótese em que o recorrente teve sucesso em comprovar parte das deduções pleiteadas.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
“A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais” (Súmula CARF nº 4).
MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO DO AGENTE. IRRELEVÂNCIA.
Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do CTN).
Assim, não é possível se eximir a imposição de multa de ofício com a alegação de que os rendimentos declarados foram digitados incorretamente e de que não houve a intenção de lesar o Fisco.
Preliminar de Nulidade Rejeitada.
Decadência acolhida.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-001.521
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher a
preliminar de decadência do direito de lançar, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros José Evande Carvalho Araújo e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votaram por afastar a preliminar de decadência.
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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FALTA DAS PROVAS ANALISADAS PELO AUDITOR. INEXISTÊNCIA. É desconexa das provas dos autos a alegação de não constar cópia da documentação examinada pelo auditor, mas apenas a descrição genérica das deduções consideradas indevidas, quando o processo se encontra devidamente instruído com o Livro Caixa e a documentação comprobatória entregue pelo fiscalizado. IRPF. LANÇAMENTO DECLARADO NULO POR VÍCIO FORMAL. PRAZO DECADENCIAL. Aplicase a regra do artigo 173, inciso II, do CTN, apenas para as situações em que o segundo lançamento é materialmente idêntico àquele declarado nulo por vício formal, o que não se verifica neste caso, no qual, além da correção do vício formal, também houve alteração com relação à base de cálculo das infrações imputadas ao contribuinte. Há, inclusive, diferença com relação às infrações apuradas. Assim, a decadência não é regida pelo artigo 173, inciso II, do CTN, mas pelo disposto no artigo 150, § 4°, do CTN. IRPF. GLOSA DE DEDUÇÕES. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. ARTIGO 62A DO RICARF. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que, na visão deste julgador, exceto para as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, no caso em apreço, ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente Fl. 436DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GONCALO BONET ALLAG E, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.009228/200305 Acórdão n.º 2101001.521 S2C1T1 Fl. 2 2 homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Contudo, por força do artigo 62A do RICARF, este Colegiado deve reproduzir a decisão proferida pelo Egrégio STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, ou seja, “O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” No caso, relativamente ao anocalendário 1995, o contribuinte efetuou recolhimento de imposto de renda pessoa física, conforme indicado pela própria autoridade lançadora, sendo que o auto de infração envolve apenas diferenças e não os valores integrais eventualmente devidos. Ademais, inexiste a acusação pela fiscalização de dolo, fraude ou simulação. O lançamento está atingido pela decadência. DEDUÇÕES DE LIVRO CAIXA. DESPESAS NECESSÁRIAS E DEVIDAMENTE COMPROVADAS. DESPESA DE TRANSPORTE DE PERITO JUDICIAL NÃO DEDUTÍVEL. Apenas as despesas de consumo indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora podem ser deduzidas no Livro Caixa, no caso de trabalho nãoassalariado, desde que devidamente discriminadas e identificadas através de documentos hábeis, sendo vedada a dedução de despesa de transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo. Hipótese em que o recorrente teve sucesso em comprovar parte das deduções pleiteadas. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (Súmula CARF nº 4). MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO DO AGENTE. IRRELEVÂNCIA. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do CTN). Assim, não é possível se eximir a imposição de multa de ofício com a alegação de que os rendimentos declarados foram digitados incorretamente e de que não houve a intenção de lesar o Fisco. Preliminar de Nulidade Rejeitada. Decadência acolhida. Recurso Voluntário Provido. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GONCALO BONET ALLAG E, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.009228/200305 Acórdão n.º 2101001.521 S2C1T1 Fl. 3 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher a preliminar de decadência do direito de lançar, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros José Evande Carvalho Araújo e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votaram por afastar a preliminar de decadência. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. (assinado digitalmente) ___________________________________ Gonçalo Bonet Allage – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Gonçalo Bonet Allage, Eivanice Canário da Silva (Suplente). Ausente o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 4 a 32, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 1996, para lançar infrações de dedução indevida de despesas médicas e de livro caixa, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$5.842,93, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. A autuação se efetivou como consequência da anulação da Notificação de fl. 151, conforme Despacho Decisório de fl. 181. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GONCALO BONET ALLAG E, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.009228/200305 Acórdão n.º 2101001.521 S2C1T1 Fl. 4 4 IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 188 a 227), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 233 a 234v), que: 1) A Declaração de Ajuste Anual correspondente ao anocalendário de 1995 foi entregue pelo contribuinte regularmente em 30 de abril de 1996, sendo a contagem do tempo da decadência se inicia no ano de 1997, tendo seu termo final em 31 de dezembro de 2001. 2) Apesar dos atos que, eventualmente, possam interromper a prescrição, operouse a DECADÊNCIA, haja vista que a constituição do crédito tributário deuse somente em 08 de dezembro de 2003 (feriado Municipal em Campinas). 3) O lançamento não pode prosperar, conforme entendimentos constantes no “Caderno de Pesquisas Tributárias – vol. I, Decadência e Prescrição” e “A Decadência e Prescrição em Direito Tributário”, ambos da Ed. Resenha Tributária. 4)Nesse sentido temse acórdão do Conselho de Contribuinte e decisão da DRJ Ribeirão Preto. 5) Extinto o crédito tributário pela decadência (parágrafo único do art. 173 do CTN), pela inércia do direito em proceder, conforme prazo do art. 173 do CTN, não há razão para o trâmite do presente auto de infração. Assim, requer o cancelamento do presente auto de infração. 6) Somente tomou ciência da decisão da Delegada da Receita Federal de Julgamento em Campinas que anulou a Notificação de Lançamento quando, instado a manifestar sobre o lançamento recebido aos 08/12/2003, dirigiuse à Receita Federal para obter esclarecimentos e pediu vistas no processo, agendada e efetivada aos 30/12/2003. 7) Verificou que o comunicado fora encaminhado para endereço diferente do domicílio do contribuinte, razão pela qual não teve conhecimento. Neste mesmo processo, em datas anteriores e posteriores àquela aqui tratada, a Receita Federal tem mantido contatos (via postal) regularmente com o contribuinte no endereço domiciliar correto. 8) Declarou despesas médicas relativas ao Convênio Médico com a UNIMED com base nos boletos de pagamentos mensais, ora extraviados. A diferença de valor é igual a uma mensalidade do plano de saúde, provavelmente vencida em Novembro ou Dezembro de 1995, documentos estes substituídos pela declaração emitida pela empresa. 9) Na declaração fornecida pela UNIMED não constou o pagamento de uma das parcelas do segundo semestre daquele ano. Solicitou novo levantamento na contadoria da empresa, o que demanda algum tempo por não se encontrar no sistema informatizado atual. É provável que tenha ocorrido erro na emissão da declaração da empresa, fato que poderá ser comprovado posteriormente. 10) O entendimento da Receita Federal no que se refere à questão das despesas necessárias para a percepção da receita auferida é ilógico e incoerente, distorcida da realidade fática para este caso específico. 11) A atividade de perito judicial, geradora das receitas e despesas objeto deste processo, possui características bastantes distintas daquelas cujo enquadramento se pretende dar. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GONCALO BONET ALLAG E, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.009228/200305 Acórdão n.º 2101001.521 S2C1T1 Fl. 5 5 12) A nomeação para atuar como perito judicial na área técnica é pessoal, intransferível e irrecusável (exceto em situações muito especiais devidamente esclarecidas e aceitas pelo Juízo) conforme determina o Código do Processo Civil. O Juiz nomeia quem entender apto para a função, tanto do ponto de vista técnico como ético, imparcial e ilibada, sem grau de amizade e parentesco com Juízes e funcionários de cartórios. 13) A atividade pericial somente se viabiliza com os seguintes meios, equipamentos e instrumentos: a) Veículo automotor – ferramenta de trabalho imprescindível a atividade – é totalmente inviável executar uma perícia sem um veículo para as diligências de campo necessárias à realização do trabalho. b) Equipamentos e instrumentos de trabalho – aquisição ou locação – dependendo da área do conhecimento, podendo ir de um equipamento de alta precisão, a exemplo de um GPS (US$ 15.000), um decibelimetro (US$ 3.000), máquina fotográfica digital (US$ 1.000,00), máquina fotográfica convencional (R$ 1.000,00) e outros. c) Especialização – constantes cursos de especialização e aperfeiçoamento do conhecimento técnico e científico – congressos, seminários, pósgraduação e correlato. d) Livros e publicações técnicas – atualização e aquisição constante de material técnico. e) Escritório de apoio com máquinas, equipamentos e demais materiais e suprimentos técnicos de trabalho, tais como máquinas de cálculo, computador, telefone, faz, scanner, mobília. f) Programas em geral para uso em cálculos e outras atividades. g) Contratação de serviços de terceiros, desde um digitador ou desenhista até empresas e/ou profissionais altamente especializados em ensaios tecnológicos. h) Inúmeras outras necessidades para possibilitar o exercício do mister na mais alta e precisa qualidade. 14) A formação necessária para realização da maioria das perícias atendidas por este signatário foi a de engenheiro, mas não se enquadra nos serviços normais da área de engenharia, conforme quer nos parecer o entendimento do relator do processo fiscal, visando a glosa das despesas de locomoção e transporte, sem o qual inviabiliza totalmente a atividade que gerou as receitas sobre as quais pesam as despesas. 15) O contribuinte não é representante comercial autônomo, mas o veículo é a mais importante e imprescindível ferramenta de trabalho. É uma atividade especial que, não sendo devidamente regulamentada ou normatizada pelo fisco, deve ser tratada com a devida cautela para não penalizar injustamente o contribuinte. 16) A atividade do contribuinte não é a de “caixeiroviajante”, mas seu principal instrumento de trabalho também é o veículo automotor. 17) A remuneração pelos trabalhos prestados é feita através de mandados de levantamento, com depósito prévio em conta judicial. É comum ao perito judicial de Fl. 440DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GONCALO BONET ALLAG E, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.009228/200305 Acórdão n.º 2101001.521 S2C1T1 Fl. 6 6 confiança do juízo desempenhar função social, realizando perícia gratuitas, sem possibilidades de recuperar nem mesmo os custos diretos para sua realização. 18) A atividade de perito nomeado pela justiça representou 95% da receita que originou as despesas lançadas, sendo que 75% destas foram auferidas fora do domicílio do contribuinte. 19) Com base nos cupons de pedágios lançados, a maioria nas praças de Jaguariúna – SP340, Bandeirante (SP348) e Anhanguera (SP330), apenas nos trajetos de estradas, é possível calcular aproximadamente 20.000 quilômetros rodados no ano para realizar as suas diligências. 20) Nos lançamento de gastos com combustível, devidamente comprovados com Notas Fiscais, verificase uma perfeita compatibilidade entre a quilometragem aproximada rodada no ano e o consumo para dois carros movidos a álcool, um Monza/86 e um Kadet/93. Foram consumidos no ano aproximadamente 4.000 litros de álcool combustível, o que daria para rodar de 25.000 a 28.000 quilômetros entre cidade e estradas. 21) Fica claro e patente a constante movimentação do impugnante para as diversas Comarcas em que presta serviços pela quantidade de pedágios que é obrigado a pagar, bem como os gastos com combustíveis., e demais custos decorrentes do uso do veículo automotor, tais como estacionamento pago para ir ao fórum de Campinas. 22) Muitas das perícias judiciais realizadas necessita de mão de obra de terceiros para os trabalhos de campo, envolvendo a contratação eventual de serviços de agromensura, consultoria técnica, ajudantes, desenhistas e outros, com todos os seus custos diretos e indiretos atrelados, a exemplo da locação, manutenção e seguros de instrumentos e equipamentos, transporte, hospedagem, alimentação e outros. 23) Não é possível produzir as receitas sem a existência de custos para tanto, tendo em vista as necessidades resumidas a seguir: Escritórios técnicos de apoio em Campinas e Mogi Guaçu; Despesas de viagens e estadias; Busca de títulos e documentos, Ensaios tecnológicos de laboratórios; Materiais e suprimentos de uso e consumo, Locação e manutenção de material e equipamentos; Serviços de terceiros, tais como fotografias, equipes de campo, desenhos técnicos, datilografia, digitação e correlato; Associações, Institutos e Órgãos de Classe em geral; Meios de comunicação, como telefone, fax, Internet e outros; Investimentos em geral, como equipamentos de trabalho, computadores, veículos, livros e publicações técnicas, cursos, congressos, seminários, etc. 24) Parece claro que as despesas lançadas não podem ser dissociadas ou excluídas para manutenção da fonte produtora de receita. 25) Não existe coerência na classificação dos lançamentos de despesas do livro caixa por parte da Receita Federal. Para um mesmo tipo de despesa, ora é aceito, ora é glosado. 26) Os documentos de comprovação das despesas estão distribuídos da seguinte foram: 60% dos comprovantes são Notas Fiscais – a RF aceitou 3% e glosou 75%. 16% são cupons fiscais, inclusive de pedágios, dos quais a RF não aceitou nenhum. 15% são recibos diversos – a RF aceitou 2,5% e glosou 12,5%. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GONCALO BONET ALLAG E, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.009228/200305 Acórdão n.º 2101001.521 S2C1T1 Fl. 7 7 09% são boletos bancários, carnês e outros, do quais a RF aceitou apenas 1% e glosou 8%. 27) Do ponto de vista de classificação das despesas, temse a seguinte distribuição: Escritório em Geral – consumo, manutenção, suprimentos, locação, condomínio, impostos, brindes, gráfica, postagens, cópias reprográficas e xerográficas, certidões, anuidades de conselhos, associações profissionais e sindicatos, seguros e correlato. Esses custos, em moeda, representam 26% do total e a RF aceitou apenas 7%. Em relação aos comprovantes, para um total de 41%, a RF aceitou apenas 7%. Locomoção e transporte de pessoal para fora do domicílio de trabalho – alimentação, hospedagem, combustível, pedágios, manutenção e seguro de veículo de trabalho, passagens de ônibus. Estes custos, em moeda, representam 16% do total e a RF nada aceitou. Em relação aos comprovantes, num total de 48%, a RF também nada aceitou. Equipamentos e Instrumentos necessários ao trabalho (aquisição e locação) – Estes custos, em moeda, representam 18% do total e a RF nada aceitou. Em relação aos comprovantes, num total de 1%, a RF também nada aceitou. Serviços especializados de terceiros – Agrimensura, topografia técnica, digitação, desenho, buscas e certidões imobiliárias e cadastrais, revelação de fotografias e outros. Esses custos, em moeda, representam 39% do total e a RF aceitou apenas 8%. Em relação aos comprovantes, num total de 10%, a RF aceitou 1%. 28) Quanto ao formalismo dos documentos apresentados, desconhece outros meios de comprovar, ou seja: Qual seria o comprovante correto para os custos de pessoa física com pedágios? Qual seria o comprovante correto de gastos de combustíveis? Qual o documento correto utilizado para pagamentos de Impostos Municipais? O que substituiria o boleto bancário para comprovar os pagamentos realizados desta forma? Se fosse lançado recibo de consultoria jurídica, fiscal e contábil para analisar as situações elencadas, caso a caso, o fisco aceitaria como custeio para auferir as receitas ou glosaria? 29) Entende o contribuinte, que inexistindo o crédito tributário não existiriam os acessórios (multa e juros). De qualquer forma, embora revestida do caráter de legalidade, a multa é extremamente abusiva, o que torna praticamente insuportável e despropositada a relação tributária com o contribuinte. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente em parte o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 232 a 239v): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1995 PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. Na hipótese de lançamento declarado nulo por vício formal, o termo inicial da contagem do prazo decadencial para efetuar o novo lançamento é a data em que a decisão declaratória da Fl. 442DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GONCALO BONET ALLAG E, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.009228/200305 Acórdão n.º 2101001.521 S2C1T1 Fl. 8 8 nulidade do lançamento anterior se tornou definitiva na esfera administrativa. INOVAÇÃO NO NOVO LANÇAMENTO. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. O lançamento da parte do crédito tributário não incluída no lançamento original não se enquadra na regra especial do artigo 173, II do Código Tributário Nacional, e se submete à regra geral de decadência. LIVRO CAIXA. DESPESAS DE CUSTEIO. As despesas que se autoriza excluir da receita decorrente do exercício da atividade de perito judicial para apuração do rendimento tributável, além de estar devidamente escrituradas em Livro Caixa e comprovadas por meio de documentação hábil e idônea, devem ser necessárias à percepção da receita. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE. A multa de ofício é prevista em disposição legal específica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Devidos os juros de mora calculados com base na taxa SELIC na forma da legislação vigente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O julgador de primeira instância cancelou o lançamento das despesas médicas, matéria estranha à notificação de lançamento original, e que por isso deveria atender à regra normal de decadência. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 09/02/2011 (fl. 242), o contribuinte apresentou, em 10/3/2011, recurso voluntário, onde defende: a) preliminarmente, a nulidade do auto de infração, por não constar nos autos cópia da documentação examinada pelo auditor, mas apenas a descrição genérica das deduções consideradas indevidas, devendose aplicar ao caso a mesma solução dada pelo Acórdão no 280200.283, de 10/05/2010, que analisou processo semelhante do recorrente; Fl. 443DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GONCALO BONET ALLAG E, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.009228/200305 Acórdão n.º 2101001.521 S2C1T1 Fl. 9 9 b) que o lançamento anterior não foi anulado por vício de formal, mas sim por falta dos requisitos do art. 142 do CTN, e que o prazo decadencial não se reiniciou com a anulação da notificação anterior, estando o crédito tributário decadente; c) que precisa do veículo para trabalhar, e que os cálculos com locomoção foram feitos a partir das distâncias trafegadas, aferidas pelos pedágios pagos, de forma bastante conservadora, não havendo razão técnica ou lógica para não admitilo; d) que as despesas com alimentação e hospedagem deduzidas também são em valores condizentes com sua atividade, pois teve que se deslocar 68 vezes para fora de sua sede para realizar perícias judiciais; e) que apenas as despesas com brindes foram realizadas por sua liberalidade; f) que a fiscalização glosou despesas sem critério, aceitandoas em alguns meses, mas rejeitandoas em outros, o que ainda é mais grave para despesas de mesma natureza, como telefone, energia elétrica, pagamentos ao mesmo profissional, serviços de certidões imobiliárias e despesas postais; g) que além dos juros de mora cobrados pela taxa SELIC serem exorbitantes, não é correto que sejam contabilizados desde o fatogerador, pois não deu causa ao atraso no julgamento; h) que a multa de ofício deve ser afastada, pois agiu com boafé, sem intenção de lesar o Fisco. Ao final, pugna pelo reconhecimento da nulidade do lançamento, da decadência do crédito tributário, e da propriedade das despesas lançadas em livrocaixa, e pelo afastamento dos juros de mora e da multa de ofício aplicados. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Preliminar de nulidade: Preliminarmente, o recorrente defende a nulidade do auto de infração, por não constar nos autos cópia da documentação examinada pelo auditor, mas apenas a descrição genérica das deduções consideradas indevidas, devendose aplicar ao caso a mesma solução dada pelo Acórdão no 280200.283, de 10 de maio de 2010, que analisou processo semelhante do recorrente. De fato, a decisão apontada, proferida pela 2a Turma Especial da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ao analisar lançamento de glosa de despesas de Livro Caixa do exercício de 2000 contra o contribuinte, decidiu, por Fl. 444DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GONCALO BONET ALLAG E, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.009228/200305 Acórdão n.º 2101001.521 S2C1T1 Fl. 10 10 unanimidade de votos, cancelar a autuação por descrição insuficiente do fato, o que impedia a identificação dos valores e documentos efetivamente glosados. Entretanto, não é possível se adotar solução semelhante ao caso sob análise, diante da total diferença das situações que embasaram cada processo. Pelo que consta no voto do Acórdão no 280200.283, naquele processo o “autuante sequer fez juntar aos autos cópia da documentação por ele examinada, promovendo tãosomente, por meio da planilha de fl. 15, ao apontamento dos totais mensais por ele glosados”, e, assim, “passou a caber ao contribuinte ou as autoridades julgadoras que pudessem a vir no futuro a atuar nos autos o encargo de inferir quais teriam sido, individualizadamente, os valores e documentos acatados, ou não, pelo agente fiscal.” Ao contrário, o presente processo encontrase devidamente instruído com o Livro Caixa e a documentação comprobatória entregue pelo fiscalizado (fls. 65 a 150 e 155 a 171v), sendo desconexa das provas dos autos a alegação de não constar cópia da documentação examinada pelo auditor, mas apenas a descrição genérica das deduções consideradas indevidas. Dessa forma, rejeito a preliminar de nulidade suscitada. Decadência: O auto de infração sob análise (fls. 4 a 32), cientificado ao contribuinte em 08/12/2003 (fl. 183), foi lavrado em substituição à Notificação de Lançamento de fl. 151, anulada por vício formal pelo despacho decisório de fl. 181, em 10/03/1999. Como o art. 173, inciso II, do Código Tributário Nacional CTN, determina que o prazo decadencial deve ser contado a partir da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o julgador a quo afastou o argumento de decadência, uma vez que o novo lançamento poderia ser feito até 10/03/2004. O recorrente alega que a nulidade não se deu por vício formal, pois o lançamento não atendeu a formalidades intrínsecas, no caso, os requisitos do art. 142 do CTN, mais especificamente a falta de caracterização ou de determinação do fato tributário. Sem razão o recorrente. O lançamento original foi anulado em cumprimento dos ditames do art. 6o da Instrução Normativa SRF nº 094, de 24 de dezembro de 1997, que determina a declaração de ofício da nulidade dos lançamentos que não contivessem, obrigatoriamente, a identificação do sujeito passivo, a matéria tributável, a norma legal infringida, o montante do tributo ou contribuição, a penalidade aplicável, o nome, o cargo, o número de matrícula e a assinatura do autuante, o local, a data e a hora da lavratura, ou a intimação para o sujeito passivo pagar ou impugnar a exigência no prazo de trinta dias contado a partir da data da ciência do lançamento. Essa orientação se deu para se desconstituir, em especial, as notificações de lançamento emitidas sem a identificação da autoridade lançadora, o que violava determinação expressa do art. 11, inciso IV, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal – PAF. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GONCALO BONET ALLAG E, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.009228/200305 Acórdão n.º 2101001.521 S2C1T1 Fl. 11 11 Como o citado dispositivo especificava os elementos obrigatórios de uma notificação de lançamento, sempre se entendeu que a falta de um deles resultaria em um vício formal, por atentar contra a forma prescrita em lei. Foi esse o entendimento que prevaleceu no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, consubstanciado na Súmula CARF nº 21, que possui o seguinte enunciado: É nula, por vício formal, a notificação de lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu. É exatamente esse o caso da notificação originalmente lavrada (fl. 151), pelo que há que se reconhecer que a anulação se deu por existência de vício formal, o que resulta em novo prazo para a constituição do crédito tributário, inexistindo decadência do crédito tributário sob análise. Durante a sessão de julgamento, o Ilustre Conselheiro Gonçalo Bonet Allage indicou posicionamento já tomado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais de que o lançamento para corrigir vício formal deve ser examente igual à autuação original, apenas com a correção da irregularidade apontada, sob pena de se estar diante de uma nova constituição do crédito tributário, sujeito às regras de decadência dos arts. 173, inciso I, ou 150, §4o, do CTN. Sob essa ótica, não seria possível nem mesmo se realizar lançamento mais benéfico ao sujeito passivo, caso a nova autoridade lançadora considerasse que parte da autuação fosse indevida. A discussão é extremamente relevante, pois, ao se analisar a Notificação original (fl. 151), verificase que nela houve também a alteração dos rendimentos recebidos de pessoas jurídicas e da contribuição previdenciária oficial, matérias estranhas à nova autuação, e a exclusão de toda a dedução a título de Livro Caixa, enquanto o novel lançamento procedeu à glosa parcial. Entendo não haver qualquer problema no fato do novo lançamento ser mais benéfico ao autuado. Penso ser obrigação vinculada da autoridade fiscal a constituição do crédito tributário de acordo com as provas de que dispõe, e segundo suas convicções. O que lhe é vedado é agravar a autuação caso tenha passado o prazo de cinco anos contado a partir da ocorrência do fato gerador ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter ser sido efetuado, conforme o caso. Mas nada lhe impede que, circunscrito à matéria originalmente lançada, tribute apenas parte dos fatos geradores que haviam sido inicialmente tributados. Contudo, após profícua discussão, prevaleceu o posicionamento de impossibilidade de qualquer mudança na nova autuação, o que levou à conclusão de que crédito tributário em análise estava fulminado pela decadência. Como não consegui me convencer da força do argumento, o Ilustre Conselheiro que trouxe à baila a interpretação elaborará o voto vencedor. Despesas escrituradas em Livro Caixa: Em sua declaração de ajuste do exercício de 1996, o contribuinte deduziu despesas escrituradas em Livro Caixa no valor de R$25.638,35 (fls. 62 a 64). Fl. 446DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GONCALO BONET ALLAG E, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.009228/200305 Acórdão n.º 2101001.521 S2C1T1 Fl. 12 12 Contudo, a autoridade lançadora considerou dedutíveis apenas despesas que totalizaram R$3.891,91, procedendo à glosa daquelas não permitidas pela legislação, relacionadas à locomoção e transporte, e de outras comprovadas com tickets de caixa e recibos não identificados (fls. 30 a 32). A dedução de despesas escrituradas em Livro Caixa está disciplinada no art. 6o da Lei no 8.134, de 27 de dezembro de 1990, nos seguintes termos: Art. 6° O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: (Vide Lei nº 8.383, de 1991) I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. § 1° O disposto neste artigo não se aplica: a) a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) b) a despesas de locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo. (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) c) em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 9° e 10 da Lei n° 7.713, de 1988. § 2° O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em livrocaixa, que serão mantidos em seu poder, a disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência. § 3° As deduções de que trata este artigo não poderão exceder à receita mensal da respectiva atividade, permitido o cômputo do excesso de deduções nos meses seguintes, até dezembro, mas o excedente de deduções, porventura existente no final do ano base, não será transposto para o ano seguinte. § 4° Sem prejuízo do disposto no art. 11 da Lei n° 7.713, de 1988, e na Lei n° 7.975, de 26 de dezembro de 1989, as deduções de que tratam os incisos I a III deste artigo somente serão admitidas em relação aos pagamentos efetuados a partir de 1° de janeiro de 1991. Assim, para que as despesas escrituradas em Livro Caixa sejam dedutíveis do Imposto de Renda, é necessário que sejam necessárias à percepção da receita e à manutenção Fl. 447DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GONCALO BONET ALLAG E, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.009228/200305 Acórdão n.º 2101001.521 S2C1T1 Fl. 13 13 da fonte produtora, que estejam devida e regularmente escrituradas no livro próprio, e que sejam comprovadas mediante documentação idônea. O contribuinte dedica boa parte do seu recurso a explicar a necessidade dos gastos com veículos em sua profissão, de perito judicial. Alega que precisa do veículo para trabalhar, e que os cálculos com locomoção foram feitos a partir das distâncias trafegadas, aferidas pelos pedágios pagos, de forma bastante conservadora, não havendo razão técnica ou lógica para não admitilo. Entretanto, há que se reconhecer que há vedação legal expressa para esse tipo de exclusão na alínea “b”, do §1o, do art. 6o, da Lei no 8.134, de 1990, acima transcrito, que só permite a dedução de despesa de transporte no caso de representante comercial autônomo. Assim, apesar da relevância dos argumentos do recurso, não é possível se admitir a dedução dessa espécie de gasto. O recorrente também afirma que as despesas com alimentação e hospedagem deduzidas também são em valores condizentes com sua atividade, pois teve que se deslocar 68 vezes para fora de sua sede para realizar perícias judiciais. Contudo, em análise dos documentos acostados aos autos, verifiquei que todas as despesas com alimentação e hospedagem estavam comprovadas por notas fiscais e recibos sem indicação do beneficiário, o que impede que sejam considerados como documentação idônea apta a servir de comprovação. Na sessão do recurso denominada “Inconsistência do lançamento”, o recorrente afirma que a fiscalização glosou despesas sem critério, aceitandoas em alguns meses, mas rejeitandoas em outros, o que seria ainda mais grave para despesas de mesma natureza, como telefone, energia elétrica, pagamentos ao mesmo profissional, serviços de certidões imobiliárias e despesas postais. Em seguida, aponta diversas inconsistências, que serão agora analisadas em confronto com as provas dos autos. Com relação a despesas telefônicas: 1. 05/06 – R$12,35 – fatura não localizada; 2. 07/08 –R$245,57 – fl. 114 – restabelecer; 3. 07/09 – R$71,01 fl. 122v – restabelecer; 4. 09/10 – R$71,37 – fl. 130 – restabelecer; 5. 07/11 – R$65,92 – fl. 135v – restabelecer. Desta forma, é possível se admitir a dedução dos pagamentos dos itens 2, 3, 4 e 5, que totalizam R$453,87. Com relação a despesas com energia elétrica: 1. 09/06 – CPFL – R$35,41 – fatura não localizada; Fl. 448DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GONCALO BONET ALLAG E, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.009228/200305 Acórdão n.º 2101001.521 S2C1T1 Fl. 14 14 2. 02/08 – CPFL – R$22,45 – fatura também deduzida no dia 07/09 com o pagamento com juros no total de R$24,70 – fl. 112v. Assim, não é possível se admitir qualquer valor dessa rubrica. Com relação a pagamentos de serviços efetuados por terceiros: 1. 10/02 – Ariadne Sevá – R$112,00 – fl.76 – indicação do cheque, sem recibo; 2. 10/03 – Daniele Silva Souza – R$ 140,00 – fl. 81v – sem recibo; 3. 03/05 – Nicia Marcondes Zingra – R$360,00 – fl. 90v – recibo de pagamento recebido de Nicia, e não pago a ela; 4. 18/05 – Antonio Bernardino Faria – R$550,00 – fl. 94 depósito bancário + recibo de R$550 rasurado – restabelecer; 5. 10/06 Viviana Lastre – R$300,00 – fl. 100 – só indicação de pagamento, sem recibo; 6. 05/07 Viviana Lastre – Aceito R$250,00, R$50,0 rejeitado – fl. 106 – só tem recibo de R$250,00 e indicação do pagamento dos outros R$50,0; 7. 15/09 – Antonio Bernardino Farias – R$1.500,00 – fl. 125 – simples indicação de retirada, sem recibo; 8. 03/10 – Nelson Correa Granja – R$950,00 – fl. 128v – depósito bancário sem recibo; 9. 06/11 – Nelson Correa Granja – R$700,00 – fl. 135v – depósito bancário sem recibo; 10. 24/11 – Benedito Mariano – R$100,0 – fl. 139 – recibo em nome de outra pessoa; 11. 28/12 Ana Maria Paula de Moura – R$240,00 – não localizado Dessa forma, é fácil perceber que se buscou comprovar o pagamento a terceiros com documentação inábil a esse propósito. Dessa rubrica, somente é possível se admitir a dedução do item 4, no valor de R$550,0, por estar acompanhado de recibo, mesmo que rasurado. Com relação a despesas com cartórios: 1. 27/06 – R$3,36 – fl. 102v – recibo sem identificação do destinatário; 2. 17/07 – R$15,75 – fl.108v – recibo sem identificação do destinatário; 3. 08/08 – R$13,20 – fl.114v – recibo sem identificação do destinatário; Fl. 449DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GONCALO BONET ALLAG E, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.009228/200305 Acórdão n.º 2101001.521 S2C1T1 Fl. 15 15 4. 09/08 – R$22,70 – fl. 115 – recibo em nome de terceiro; 5. 28/08 – R$31,20 – fl. 120 – recibo sem identificação do destinatário; 6. 14/09 – R$44,00 – fl. 123v – recibo em nome de terceiro; 7. 19/09 – R$12,70 fl. 125v – recibo em nome de terceiro. Assim, não é possível se admitir qualquer valor dessa rubrica. Com relação a despesas com serviços postais: 1. 25/4 – R$2,51 – fl. 88v – restabelecer; 2. 18/12 – R$11,50 – fl. 147 – restabelecer. Por julgar as despesas comprovadas, restabeleço a dedução de R$14,01. No mais, verifiquei todos os comprovantes de despesas de fls. 66 a 150, em confronto com as planilhas de fls. 12 a 25, que contém todas as despesas escrituradas em Livro Caixa e aquelas que foram aceitas pela fiscalização, e não encontrei mais qualquer reparo a ser feito ao lançamento, não tendo o recorrente apontado especificamente outras falhas. Desta forma, julgo comprovadas as seguintes despesas: Telefônicas R$453,87 Serviços Terceiros R$550,00 Postais R$14,01 R$1.017,88 Considero que essas pequenas falhas no lançamento não maculam toda a autuação, como pretende o recorrente, pois decorreram de pontuais omissões da fiscalização, razoáveis diante de grande quantidade de provas a serem analisadas, e de diferenças de critérios entre as autoridades lançadora e julgadora. Juros e Multa: O recorrente afirma que além dos juros de mora cobrados pela taxa SELIC serem exorbitantes, não é correto que sejam contabilizados desde o fatogerador, pois não deu causa ao atraso no julgamento. Entretanto, devese enfatizar que a sistemática de cobrança de juros moratórios não comporta mais discussão no âmbito do CARF com a publicação da Súmula CARF nº 4 (antigas Súmulas nos 4 do 1º e 3º Conselhos de Contribuinte e 3 do 2º Conselho de Contribuinte), que possui o seguinte conteúdo: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GONCALO BONET ALLAG E, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.009228/200305 Acórdão n.º 2101001.521 S2C1T1 Fl. 16 16 Finalmente, o contribuinte defende que a multa de ofício deve ser afastada, pois agiu com boafé, sem intenção de lesar o Fisco. Contudo, o art. 136 do CTN determina que, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Assim, não é possível se eximir da imposição de multa de ofício com a alegação de que não houve a intenção de lesar o Fisco. Conclusão: Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer deduções de despesas escrituradas em Livro Caixa no valor de R$1.017,88. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Voto Vencedor Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Designado. Não obstante a respeitável posição defendida pelo Conselheiro José Evande Carvalho Araujo (Relator) e seguida pelo Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, tenho adotado entendimento diverso com relação à decadência, para casos como este. Na exigência declarada nula por vício formal, houve a glosa total das despesas do LivroCaixa informadas pelo contribuinte na declaração de ajuste anual do exercício 1996, bem como a alteração dos rendimentos recebidos de pessoas jurídicas e da contribuição previdenciária oficial. Já no caso em apreço, a autoridade lançadora promoveu a glosa apenas parcial das despesas com LivroCaixa pleiteadas pelo contribuinte na declaração de ajuste anual do exercício 1996, além de glosar, também, despesas médicas, tudo de acordo com o voto do Relator. Portanto, materialmente os lançamentos são distintos. Para que fosse aplicável ao caso a regra do artigo 173, inciso II, do CTN, ambas as exigências deveriam ter idêntico conteúdo material, com a correção, no segundo lançamento, apenas do vício formal. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GONCALO BONET ALLAG E, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.009228/200305 Acórdão n.º 2101001.521 S2C1T1 Fl. 17 17 Mas não é essa a situação em tela, onde, além de se corrigir o erro formal que justificou a nulidade do primeiro lançamento, também se alterou a materialidade das glosas das deduções, inclusive com modificação das infrações apuradas. A inaplicabilidade da regra prevista no artigo 173, inciso II, do CTN, para situações nas quais os lançamentos têm conteúdo material distinto, era uníssona perante a jurisprudência do extinto e Egrégio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, inclusive perante a Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ilustram as ementas dos seguintes acórdãos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1995 IRPF LANÇAMENTO DECLARADO NULO POR VÍCIO FORMAL PRAZO DECADENCIAL. Aplicase a regra do artigo 173, inciso II, do CTN, apenas para as situações em que o segundo lançamento é materialmente idêntico àquele declarado nulo por vício formal, o que não se verifica neste caso, no qual, além da correção do vício formal também houve alteração com relação à base de cálculo das infrações imputadas ao contribuinte (glosa de deduções com contribuições e doações e despesas do LivroCaixa). Assim, a decadência não é regida pelo artigo 173, inciso II, do CTN, mas pelo disposto no artigo 150, § 4°, do CTN. IRPF GLOSA DE DEDUÇÕES DECADÊNCIA. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, como regra, ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício opera se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Recurso negado. (CSRF, Quarta Turma, Recurso Especial n° 106150.566, Acórdão n° CSRF/04@@, Relator Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, julgado em 03/03/2009) PIS. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PIS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO ANULADO POR VÍCIO FORMAL. SEGUNDO LANÇAMENTO MATERIALMENTE DISTINTO DO PRIMEIRO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O termo inicial previsto no art. 173, II, do CTN, aplicável aos casos de anulação por vício formal do lançamento anterior, somente se aplica ao novo lançamento que seja de conteúdo material idêntico ao primeiro. No caso dos Fl. 452DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GONCALO BONET ALLAG E, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.009228/200305 Acórdão n.º 2101001.521 S2C1T1 Fl. 18 18 tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo de decadência contase do fato gerador, nas hipóteses de haver pagamento antecipado e inexistir dolo, fraude ou simulação. Caso contrário, o termo inicial deslocase para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (...) Recurso provido em parte. (Segundo Conselho, Primeira Câmara, Recurso Voluntário n° 124.025, Acórdão n° 20178.638, Relator Conselheiro José Antônio Francisco, julgado em 11/08/2005) PRECLUSÃO – Não impugnado determinado lançamento, consolidase a situação tributária nele constituída, não permitindo que em procedimento administrativo posterior, decorrente dos fatos anteriormente consolidados, reabrase a discussão de mérito já superada pela preclusão. DECADÊNCIA VÍCIO FORMAL – CTN, ART. 173, II – Tratandose de nulidade por vício formal, o prazo para a constituição de crédito tributário materialmente idêntico ao anteriormente declarado nulo, é de cinco anos contados da própria declaração de nulidade.Preliminar de decadência rejeitada.Recurso negado. (Primeiro Conselho, Oitava Câmara, Recurso Voluntário n° 131.226, Acórdão n° 10807.280, Relator Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior, julgado em 26/02/2003) Segundo o § único, do artigo 149, do CTN, “A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública”. No caso, sob minha ótica, a revisão, não apenas formal, mas também material, deuse quando os fatos ocorridos no anocalendário 1995 já estavam albergados pelo manto da decadência. Tenho como aplicável ao caso a regra decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a qual está prevista no artigo 150, § 4°, do CTN. Como regra geral, o fato gerador do imposto de renda pessoa física é complexivo e tem seu marco temporal no dia 31 de dezembro de cada anocalendário, contandose, a partir dessa data, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários. Tal raciocínio aplicase ao caso em comento, pois os valores recolhidos e/ou devidos a título de antecipação, com suas respectivas bases de cálculo, devem compor as informações prestadas através da declaração de ajuste anual, aí sim se apurando o total de imposto devido no anocalendário. Inteligência dos artigos 9° e seguintes da Lei n° 8.134/1990, especialmente do artigo 10, inciso I, do referido texto normativo. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GONCALO BONET ALLAG E, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.009228/200305 Acórdão n.º 2101001.521 S2C1T1 Fl. 19 19 É em 31 de dezembro que são confrontados os rendimentos e as deduções para se chegar ao valor do tributo devido no anocalendário. Assim, para a hipótese em análise o tributo lançado tem como fato gerador o dia 31/12/1995. Segundo a legislação e de acordo com a jurisprudência pacífica desta Corte Administrativa, o imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do chamado lançamento por homologação, já que cabe aos contribuintes a apuração da base de cálculo do imposto e o recolhimento do montante devido, submetendo, posteriormente, esse procedimento à autoridade administrativa, que deverá, homologar ou não, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo obrigado. A homologação expressa, para os tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, deve se dar no prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Ultrapassado esse prazo, sem ter sido lavrado lançamento de ofício pela autoridade administrativa, considerase homologada tacitamente a atividade exercida pelo contribuinte e extinto o crédito tributário, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, que prevê: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4°. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O decurso do prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, implica na homologação tácita da atividade exercida pelo contribuinte e, em razão do instituto da decadência, previsto no artigo 156, inciso V, do CTN, extingue o crédito tributário. Considerando que o fato gerador do imposto de renda pessoa física, no caso em apreço, ocorreu em 31/12/1995 e diante do fato de que o sujeito passivo da obrigação tributária tomou ciência do auto de infração em 08/12/2003 (fls. 183), concluo que a decadência impede a manutenção do lançamento. Para esclarecer, na visão deste julgador, como não houve a acusação pela fiscalização de dolo, fraude ou simulação, inexiste fundamento legal que justifique a contagem do prazo decadencial da forma prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GONCALO BONET ALLAG E, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.009228/200305 Acórdão n.º 2101001.521 S2C1T1 Fl. 20 20 Contudo, por força do que determina o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, não posso deixar de reproduzir aqui o julgamento proferido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, cuja ementa tem o seguinte teor: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 455DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GONCALO BONET ALLAG E, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.009228/200305 Acórdão n.º 2101001.521 S2C1T1 Fl. 21 21 Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ, Primeira Seção, REsp n° 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, DJE de 18/09/2009) Portanto, segundo o Egrégio STJ, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando inexistir pagamento antecipado o prazo decadencial qüinqüenal, conta se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo que “O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, ...”. Dessa forma, tornase importante analisar a comprovação quanto à existência ou não de pagamento do tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso, imposto de renda pessoa física, relativamente ao anocalendário 1995. A existência de pagamento antecipado para tal período é inquestionável, devendose ressaltar que no próprio auto de infração a autoridade lançadora considerou valores pagos. Conseqüentemente, com relação aos fatos ocorridos no anocalendário 1995 o prazo decadencial de cinco anos expirou em 31/12/2000, de modo que o lançamento não pode prosperar. Assim, voto por dar provimento ao recurso voluntário, em razão da decadência. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 456DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GONCALO BONET ALLAG E, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.009228/200305 Acórdão n.º 2101001.521 S2C1T1 Fl. 22 22 Fl. 457DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GONCALO BONET ALLAG E, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13931.000048/99-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Ressarcimento IPI
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1996
CRÉDITOS PRESUMIDOS INSUMOS
ADQUIRIDOS DE PESSOAS
FÍSICAS
É possível o creditamento de IPI presumido para ressarcimento de
PIS/PASEP e COFINS referente aos valores de matériasprimas,
insumos,
produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de produtores
rurais pessoas físicas, devendo ser afastada a limitação da IN SRF nº 23/97 e
subseqüentes.
Numero da decisão: 3302-001.379
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Walber José da Silva Presidente (Assinado Digitalmente) Gileno Gurjão Barreto – Relator (Assinado Digitalmente) EDITADO EM: 05/01/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Helio Eduardo de Paiva Araújo, Fabíola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto (Relator). Relatório Fl. 323DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13931.000048/9971 Acórdão n.º 330201.379 S3C3T2 Fl. 2 2 Adotase o relatório do acórdão da 2ª Turma de Julgamento da DRJRIBEIRÃO PRETO/SP: “O contribuinte em epígrafe pediu o ressarcimento do crédito presumido, apurado no período em destaque, para ser utilizado na compensação dos débitos que declarou. O Despacho Decisório da autoridade competente deferiu parcialmente o pleito, excluindo do cálculo do crédito presumido as aquisições de pessoas físicas. Tempestivamente, o interessado apresentou sua manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que, de acordo com a jurisprudência que cita, são improcedentes as glosas das aquisições de pessoas físicas, na medida que a lei não impôs exclusão de qualquer espécie na fruição do benefício em questão. Encerrou solicitando o total deferimento de sua manifestação.” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso, acordaram os Membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada em 11/02/2011, irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 15/03/2011. É o Relatório. Voto Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. 1. Créditos presumidos – insumos adquiridos de pessoas físicas A Requerente alega que as entradas de matérias primas adquiridas de pessoas físicas dão direito ao crédito presumido de IPI. Assiste razão à Recorrente. O art. 1º da Lei nº 9.363/96 enumera os insumos utilizados no processo produtivo que devem ser considerados na base de cálculo do crédito presumido: matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13931.000048/9971 Acórdão n.º 330201.379 S3C3T2 Fl. 3 3 De fato, o crédito presumido é uma subvenção que visa incrementar as exportações brasileiras. O objetivo expresso do legislador foi o de estimular as exportações de empresas industriais (produtorexportador) e a atividade industrial interna, mediante o ressarcimento das contribuições Cofins e PIS incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de insumos utilizados no processo produtivo. O crédito presumido do IPI para ressarcimento do PIS/PASEP e da COFINS constitui incentivo às exportações e tem o intuito de desonerar das exportações o gravame relativo à contribuição ao PIS e COFINS. Neste sentido não pode a IN/SRF nº 23/97 limitar algo que a própria Lei nº 9.363/96 não limitou, pois aquela é ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. O E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial nº 993.164, de relatoria do Ministro Luiz Fux, reconheceu que o crédito presumido do IPI para ressarcir PIS/COFINS também pode ser calculado sobre as compras de produtos rurais e de insumos oriundos de fornecedores não sujeitos ao pagamento dessas contribuições aumentando, com isso, a base de cálculo do referido crédito. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados , como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo . Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." Fl. 325DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13931.000048/9971 Acórdão n.º 330201.379 S3C3T2 Fl. 4 4 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, Fl. 326DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13931.000048/9971 Acórdão n.º 330201.379 S3C3T2 Fl. 5 5 julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição" ; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais" ; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público , afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 13931.000048/9971 Acórdão n.º 330201.379 S3C3T2 Fl. 6 6 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008” grifos nossos. Tratase de recurso repetitivo (art. 543C do CPC e Res. n. 8/2008STJ) em que a controvérsia cingiuse à legalidade da instrução normativa IN/SRF n. 23/1997, que restringiu o direito ao crédito presumido do IPI às pessoas jurídicas efetivamente sujeitas à incidência da contribuição destinada ao PIS/PASEP e da Cofins conforme dispõe a Lei n. 9.363/1996. A Seção entendeu que o mencionado crédito não poderia ter sua aplicação restringida por força daquela IN, ato normativo secundário que não poderia inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Consignouse que a validade das IN´s pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade. Assim, tornase evidente a ilegalidade da referida IN, visto que extrapolou os limites da Lei n. 9.363/1996 ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições relativas aos produtos oriundos de atividade rural de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeitos à tributação do PIS/PASEP e da Cofins. Nestes termos, dou provimento ao recurso voluntário. É como voto, Sala das Sessões, em 24 de Janeiro de 2012 Gileno Gurjão Barreto (Assinado Digitalmente) Fl. 328DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 22/02/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 18471.000528/2006-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/03/2004 a 30/04/2004, 01/06/2004 a 31/07/2004, 01/10/2004 a 31/12/2004
MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. VALORES NÃO DECLARADOS OU CONSTITUÍDOS PELO CONTRIBUINTE.
O STJ adotou, em sede de Recurso Repetitivo, como critério para a caracterização da denúncia espontânea a apresentação de declaração informando a existência de débitos (DCTF).
Se o crédito foi previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido (Súmula 360/STJ).
A contrario sensu, não tendo havido prévia declaração dos débitos, mesmo o sujeito a lançamento por homologação, é possível a configuração de sua denúncia espontânea, uma vez concorrendo os demais requisitos estabelecidos no art.138 do CTN.
RECURSO REPETITIVO. REGIMENTO INTERNO DO CARF. REPRODUÇÃO PELOS CONSELHEIROS.
As decisões definitivas proferidas pelo STJ, na sistemática prevista no artigo 543C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme dispõe o artigo 62A do Regimento Interno.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3202-000.421
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao Recurso Voluntário.
O conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Ausente momentaneamente o conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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Matéria PIS/COFINS DENÚNCIA ESPONTÂNEA Recorrente SCHLUMBERGER SERVIÇOS DE PETRÓLEO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2004 a 30/04/2004, 01/06/2004 a 31/07/2004, 01/10/2004 a 31/12/2004 MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. VALORES NÃO DECLARADOS OU CONSTITUÍDOS PELO CONTRIBUINTE. O STJ adotou, em sede de Recurso Repetitivo, como critério para a caracterização da denúncia espontânea a apresentação de declaração informando a existência de débitos (DCTF). Se o crédito foi previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido (Súmula 360/STJ). A contrario sensu, não tendo havido prévia declaração dos débitos, mesmo o sujeito a lançamento por homologação, é possível a configuração de sua denúncia espontânea, uma vez concorrendo os demais requisitos estabelecidos no art. 138 do CTN. RECURSO REPETITIVO. REGIMENTO INTERNO DO CARF. REPRODUÇÃO PELOS CONSELHEIROS. As decisões definitivas proferidas pelo STJ, na sistemática prevista no artigo 543C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme dispõe o artigo 62A do Regimento Interno. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Ausente momentaneamente o conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Fl. 755DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 21/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 18471.000528/200600 Acórdão n.º 3202000.421 S3C2T2 Fl. 613 2 Fez sustentação oral em favor do contribuinte o advogado Leonardo Alfradique Martins OAB/RJ 98.995. José Luiz Novo Rossari Presidente. Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório O presente litígio decorre de lançamentos de ofício, veiculados através de autos de infração, para a cobrança do PIS e da COFINS, acrescidos de multa de ofício e juros moratórios, em decorrência da empresa, ao utilizarse do instituto da “denúncia espontânea”, ter recolhido apenas os tributos devidos e juros de mora, deixando de recolher a multa de mora. A fiscalização, então, efetuou a imputação proporcional dos pagamentos efetuados, sendo que restaram parcelas do principal a pagar em cada um dos períodos de apuração examinados, resultando os créditos tributários exigidos nesta autuação em valores correspondentes a R$ 151.031,43 (relativo ao PIS); e R$ 647.388,66 (relativo a COFINS). Por bem retratar os fatos ocorridos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Trata o presente processo de auto de infração de fls. 349 a 355 lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo à falta/insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, incidência cumulativa (períodos de apuração de março e outubro de 2004) e incidência não cumulativa (períodos de apuração de março, junho, julho, e outubro a dezembro de 2004), no valor total de R$ 151.031,43, incluindo principal, multa de oficio de 75%, e juros de mora, calculados até 31/07/2007. Foi também lavrado o auto de infração de fls. 358 a 364, relativo à .falta/insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, incidência cumulativa (períodos de apuração de março e outubro de 2004) e incidência não cumulativa (períodos de apuração de abril, junho, e outubro a dezembro de 2004), no valor total R$ 647.388,66, incluindo principal, multa de oficio de 75%, e juros de mora, calculados até 31/07/2006. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 334 a 341), a autoridade lançadora registra que: Fl. 756DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 21/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 18471.000528/200600 Acórdão n.º 3202000.421 S3C2T2 Fl. 614 3 a) A ação fiscal decorre de representação formalizada pela DERAT/RJO, no processo n° 10768.002936/200570, motivada pela ausência de recolhimento da multa moratória pelo sujeito passivo, que nos pagamentos efetuados (espontaneamente) contemplou apenas o valor dos tributos e dos juros de mora correspondentes; b) Ao ser intimado, o contribuinte manifestou sua inconformidade quanto ao cabimento da multa moratória em procedimento espontâneo, alegando o disposto no art. 138 do CTN que, segundo seu entendimento, exige apenas o pagamento dos tributos e dos juros moratórios e invocando jurisprudência dos Tribunais Superiores e decisões do Conselho de Contribuintes; c) 0 sujeito passivo informou que a matéria em comento não havia sido ajuizada; d) Verificouse que em boa parte, os débitos denunciados pelo contribuinte já haviam sido declarados em DCTF, o que os exclui do objeto da ação fiscal, cabendo ao órgão autor da representação sua regular cobrança; e) A matéria encontrase pacificada, no âmbito da administração tributária, desde a edição do Parecer Normativo CST 61/79, com eficácia vinculante em sede administrativa; f) Cita Solução de Consulta da SRRF 4a RF e decisões do Conselho de Contribuintes e do STJ; g) 0 Parecer PGFN/CDA/CAT n° 2237/2006 esclarece que embora afastada a aplicação da multa de oficio isolada, antes prevista no § 1 0, inciso II, do art. 44 da Lei 9.430/96,prevalece a exigência da multa de mora faltante, calculada na forma do art. 61, da Lei 9.430/96, o que justifica o procedimento fiscal; h) Verificouse, para os períodos de março e outubro de 2004 (PIS e COFINS cumulativos) e outubro a dezembro de 2004 (PIS e COFINS nãocumulativos), a ausência de informação em DCTF, dos valores das contribuições denunciadas pelo sujeito passivo no processo n° 10768.002936/200570. Formalizouse, assim, a sua constituição e exigência através dos autos de infração em que são considerados os pagamentos efetuados, mediante procedimento de imputação proporcional, conforme Parecer PGFN/CDA 1936/2005; i) Adicionalmente, nos meses de abril, junho e julho de 2004 (PIS nãocumulativo) e abril e junho de 2004 (COFINS não cumulativa), verificouse a declaração em DCTF de valores menores que os denunciados e pagos pelo sujeito passivo, sem a multa de mora, impondose a constituição exoficio, do crédito correspondente A parcela não declarada; j) Após promover a imputação proporcional de pagamentos, restaram as parcelas do principal a pagar em cada um dos períodos de apuração examinados (conforme planilhas anexas Fl. 757DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 21/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 18471.000528/200600 Acórdão n.º 3202000.421 S3C2T2 Fl. 615 4 ao Termo) que adicionadas aos valores das diferenças a lançar resulta nos lançamentos objeto dos Autos de Infração de PIS e de COFINS. 0 enquadramento legal citado nos Autos de Infração foi: COFINS art. 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto 4.524/02; arts. 1 °, 2°, 3° e 50, 10, XI, "h" e 15, V, da Lei 10.833/03; arts. 1 ° e 2°, § 2°, e demais da IN SRF 468/04. PIS — arts. 1 0 e 3° da Lei Complementar 07/70; arts. 2 °, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3 0, 10, 22 e 51 do Decreto 4.524/02; arts. 1 °, 2°, 3° e 4° da Lei 10.637/02; arts. 10, XI, "h" e 15, V, da Lei 10.833/03; arts. 1 ° e 2°, § 2°, da IN SRF 468/04. A base legal da multa de oficio e dos juros de mora exigidos consta dos Demonstrativos de Multa e Juros de Mora nos Autos de Infração em fls. 354/355 e 363/364. Após tomar ciência das autuações em 03/09/2007 (fls. 350 e 359), a empresa autuada, inconformada, apresentou as impugnações de fls. 397 a 411 e 485 a 497 em 02/10/2007 alegando, em síntese que: a) No exercício de suas atividades, a impugnante celebrou, antes de 31/10/2003, contratos,ainda vigentes, de prestação de serviços por preço determinado, contendo cláusulas de reajuste de preço, com prazo de duração superior a um ano; b) Com base no disposto nos arts. 10, XI, "h" e 15, V da Lei 10.833/03, a impugnante vinha submetendo as receitas advindas de determinados contratos de prestação de serviços, por preço predeterminado, ao PIS e A COFINS sob o regime cumulativo. Com a edição da IN SRF 468/2004, considerando que houve o reajuste de preços dos referidos contratos, a impugnante constatou estar em situação de descumprimento da legislação fiscal; c) A impugnante recalculou os valores devidos a titulo de PIS e COFINS e apurou diferenças tanto em relação às contribuições devidas sob o regime cumulativo quanto sob o regime não cumulativo; d) A diferença apurada foi quitada, com acréscimo de juros de mora, conforme guias de recolhimento em anexo e posteriormente declarados os débitos através de DCTF retificadoras. Tal quitação se fez antes de qualquer procedimento fiscalizatório, o que revela que o recolhimento foi realizado em razão de denúncia espontânea, sem inclusão de multa moratória, conforme autorizado pelo art. 138 do CTN, sendo manifestamente ilegal a cobrança da multa ora impugnada; e) 0 STF já decidiu que é indevida a multa de mora quando ocorre, mesmo extemporâneo, o recolhimento espontâneo do Fl. 758DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 21/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 18471.000528/200600 Acórdão n.º 3202000.421 S3C2T2 Fl. 616 5 tributo devido. No mesmo sentido o STJ já consolidou seu entendimento; f) O próprio Conselho de Contribuintes vem repelindo a exigência da multa moratória no caso de denúncia espontânea; g) Não fossem suficientes tais razões, cumpre esclarecer que a Lei 10.833/2003 não enunciava se as receitas provenientes de contratos que contivessem cláusula de reajuste permaneceriam ou não no regime cumulativo das contribuições. Assim, a impugnante seguiu a orientação da própria SRF através da IN 21/79 e continuou a efetuar o recolhimento do PIS e da COFINS na sistemática cumulativa; h) Quase um ano após a edição da Lei 10.833/03, a Receita Federal alterou o entendimento acima, através da IN SRF 468/2004. 0 parágrafo único do art. 100 do CTN veda a exigência de penalidades na hipótese de o contribuinte ter seguido orientação veiculada pela própria autoridade administrativa, como ocorreu no caso em tela; i) Não restam dúvidas de que a cobrança da multa ora impugnada é manifestamente ilegal. Assim, requer sejam julgados improcedentes os autos de infração impugnados. A 5ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II julgou procedente o lançamento efetuado, proferindo o Acórdão nº 1326.043 (fls. 588/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2004 a 30/04/2004, 01/06/2004 a 31/07/2004, 01/10/2004 a 31/12/2004 MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Cabível multa de mora sobre valores pagos em atraso, visto que a denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, aplicase apenas às multas de lançamento de oficio, de caráter punitivo, não afetando aquelas derivadas do adimplemento da obrigação tributária fora do prazo legal. A Recorrente foi cientificada do Acórdão em 29/10/2009 (fl. 592). Inconformada com a decisão da autoridade julgadora de primeira instância administrativa, interpôs Recurso Voluntário em 23/11/2009 (fls. 595/ss) onde repisa os argumentos trazidos em sua Impugnação, os quais podem ser sintetizados em dois pontos principais: que no caso de denúncia espontânea, nos termos do artigo 138 do CTN, é cabível apenas o pagamento do tributo e dos juros moratório. Assim, se o citado artigo não ressalva a natureza da penalidade a ser excluída com a denúncia espontânea, não podem as autoridades fiscais fazelo, por falta de previsão legal para tanto. Cita doutrina e jurisprudência favorável a sua tese; Fl. 759DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 21/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 18471.000528/200600 Acórdão n.º 3202000.421 S3C2T2 Fl. 617 6 que deve ser aplicado ao caso concreto do disposto no artigo 100, I, do Código Tributário Nacional uma vez que seguiu as orientações emanadas pela própria Receita Federal, não podendo ser penalizado por isso. Ocorre que após a edição da Lei n° 10.833/2003, na medida em que esta não enunciava se as receitas provenientes de contratos que contivessem cláusula de reajuste permaneceriam ou não submetidas à sistemática cumulativa das contribuições, a Recorrente, seguiu orientação da própria Secretaria da Receita Federal (Instrução Normativa SRF n° 21/79) ao considerar que o reajustamento do preço não teria o condão de alterar o seu caráter predeterminado, e assim, continuou a efetuar o recolhimento das contribuições ao PIS e à COFINS de acordo com a sistemática cumulativa até o advento da IN n° 468/04. por fim, requer seja acolhido o Recurso Voluntário e, por conseguinte, declarada a insubsistência da autuação. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O lide centrase na controvérsia sobre a exigibilidade da multa de mora quando há denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN. Este conselheiro sempre vinha exarando seus votos no sentido de que o artigo 138 do CTN prescrevia que a responsabilidade seria excluída pela denúncia espontânea da infração, por estar inserido na Seção que trata especificamente da “Responsabilidade por Infração”, devendo, portanto, guardar relação lógica com os dois artigos que o precedem – artigos 136 e 137, que tratam especificamente das responsabilidades objetiva e pessoal do agente. Assim, a finalidade deste artigo (138), no meu entendimento, seria incentivar o contribuinte a informar a ocorrência de eventuais infrações cometidas, sujeitas às penalidades de caráter punitivo, desconhecidas do Fisco, tornando possível o arrependimento eficaz de forma a regularizar o sua situação perante o Fisco. Nesta linha de entendimento, a incidência da multa de mora não seria incompatível e nem restaria afastada pelo art. 138 do CTN, pois este artigo não trataria da exclusão de penalidades compensatórias pelo atraso no pagamento, mas, repitase, apenas da responsabilidade por infrações de caráter punitivo. Não haveria lógica em a legislação “premiar” o contribuinte em atraso, excluindo a multa de mora, em caso de pagamento a destempo. Seria uma afronta ao princípio da isonomia, uma vez que o contribuinte em mora ficaria em situação privilegiada em relação àquele que pagou o tributo pontualmente no prazo fixado pela legislação. Seria um estímulo ao não pagamento dos tributos no prazo fixado. Este era o entendimento, inclusive, de abalizada doutrina do Professor Paulo de Barros Carvalho (in Curso de Direito Tributário, 17ª edição. Saraiva. São Paulo, pág. 516/518) verbis: Fl. 760DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 21/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 18471.000528/200600 Acórdão n.º 3202000.421 S3C2T2 Fl. 618 7 “Modo de exclusão da responsabilidade por infrações à legislação tributária é a denúncia espontânea do ilícito, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração (CTN, art. 138). A confissão do infrator, entretanto, haverá de ser feita antes que tenha início qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com o fato ilícito, sob pena de perder seu teor de espontaneidade (art. 138, parágrafo único). A iniciativa do sujeito passivo, promovida com a observância desses requisitos, tem a virtude de evitar a aplicação de multa de natureza punitiva, porém não afasta os juros de mora e a chamada multa de mora, de índole indenizatória e destituída de caráter de punição. Entendemos, outrossim, que as duas medidas – juros de mora e multa de mora – por não se excluírem mutuamente, podem ser exigidas de modo simultâneo: uma e outra”. (...) b) As multas de mora são também penalidades pecuniárias, mas destituídas de nota punitiva. Nelas predomina o intuito indenizatório, pela contingência de o Poder Público receber a destempo, com as inconveniências que isso normalmente acarreta, o tributo a que tem direito. Muitos a consideram de natureza civil, porquanto largamente utilizadas em contratos regidos pelo direito privado. Essa doutrina não procede. São previstas em leis tributárias e aplicadas por funcionários administrativos do Poder Público. (grifei) Entretanto, o STJ – Superior Tribunal de Justiça – ao julgar o REsp 962.379 – RS (data do julgamento: 22/10/2008), relatado pelo Ministro Teori Albino Zavascki reconheceu que a denúncia espontânea fica afastada nos casos em que o crédito foi previamente declarado e constituído pelo contribuinte (através, por exemplo, de DCTF) e seu recolhimento se deu fora do prazo estabelecido, a teor da Súmula 360/STJ: "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo”. Entretanto, de forma contrária, reconheceu que o entendimento esposado na Súmula 360/STJ não afasta, de modo absoluto, a possibilidade de denúncia espontânea em tributos sujeitos a lançamento por homologação. Afirma que não tendo havido prévia declaração do tributo, mesmo sujeito a lançamento por homologação, é possível a configuração de sua denúncia espontânea, desde que atendidos os demais requisitos previstos no artigo 138 do CTN. O presente Acórdão foi submetido ao regime do artigo 543C, do CPC. Abaixo transcrevo a ementa do REsp 962.379 – RS e trechos do voto condutor do julgado para melhor elucidação da matéria, verbis: EMENTA: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo”. É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Fl. 761DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 21/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 18471.000528/200600 Acórdão n.º 3202000.421 S3C2T2 Fl. 619 8 Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. VOTO: (...) 2. Sobre a questão da denúncia espontânea, esta 1ª Seção editou a Súmula 360, nos seguintes termos: ‘O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo’ . (...) 3. Realmente, a jurisprudência sedimentada na 1ª Seção é no sentido de que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, que dispensa, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido.(...) 4. Importante registrar, finalmente, que o entendimento esposado na Súmula 360/STJ não afasta de modo absoluto a possibilidade de denúncia espontânea em tributos sujeitos a lançamento por homologação. A propósito, reportome às razões expostas em voto de relator,que foi acompanhado unanimente pela 1ª Seção, no AgRG nos EREsp 804785/PR, DJ de 16.10.2006: ‘(...) 4. Isso não significa dizer, todavia, que a denúncia espontânea está afastada em qualquer circunstância ante a pura e simples razão de se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação. Não é isso. O que a jurisprudência afirma é a nãoconfiguração de denúncia espontânea quando o tributo foi previamente declarado pelo contribuinte, já que, nessa hipótese,o crédito tributário se achava devidamente constituído no momento em que ocorreu o pagamento. A contrario sensu, podese afirmar que, não tendo havido prévia declaração do tributo, mesmo o sujeito a lançamento por homologação, é possível a configuração de sua denúncia espontânea, uma vez concorrendo os demais requisitos estabelecidos no art. 138 do CTN.(...)’ (...)” Fl. 762DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 21/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 18471.000528/200600 Acórdão n.º 3202000.421 S3C2T2 Fl. 620 9 (negritamos) No mesmo sentido o REsp 1.149.022 – SP (de 09/06/2010) relatado pelo Ministro Luiz Fux (à época Ministro do STJ), cuja ementa transcrevese a seguir: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): ‘No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, Fl. 763DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 21/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 18471.000528/200600 Acórdão n.º 3202000.421 S3C2T2 Fl. 621 10 pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional’ 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (negritamos) Assim, pareceme, que o critério adotado pelo STJ, para a caracterização do instituto da denúncia espontânea, foi a apresentação ou não de declaração por parte do contribuinte informando a existência de débitos (DCTF, por exemplo): (i) Se o crédito foi previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido (Súmula 360/STJ); (ii) A contrario sensu, não tendo havido prévia declaração do tributo, mesmo o sujeito a lançamento por homologação, é possível a configuração de sua denúncia espontânea, uma vez concorrendo os demais requisitos estabelecidos no art. 138 do CTN. No caso em tela, a fiscalização informou no Termo de Verificação Fiscal lavrado que os valores lançados não haviam sido declarados/confessados em DCTF, conforme trecho abaixo transcrito (extraído da folha 339 dos autos): “Assim, verificase, para os períodos de apuração antes relacionados (e indicados nas tabelas precedentes) a ausência de informação em DCTF, dos valores das contribuições (PIS e COFINS) "denunciadas" pelo sujeito passivo (nos autos do processo administrativo n°. 10768.002936/200570), que, assim procedendo, deixou de promover o autolançamento das referidas contribuições, através de declaração própria (DCTF). Tratandose, portanto, de crédito tributário devido em favor da União, em montante já admitido pelo sujeito passivo, porém não constituído (não declarado/confessado em DCTF), formalizase a sua indispensável constituição e exigência, através dos competentes Autos de Infração (de que faz parte integrante o presente Termo), em que são considerados os pagamentos Fl. 764DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 21/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 18471.000528/200600 Acórdão n.º 3202000.421 S3C2T2 Fl. 622 11 efetuados pelo contribuinte, mediante procedimento de imputação proporcional, conforme disciplinado pelo Parecer PGFN/CDA n°. 1936/2005.” A fiscalização informou, ainda, que procedeu ao lançamento também em relação à valores declarados em DCTF em valores menores que os denunciados pelo sujeito passivo, verbis (extraído da folha 340 dos autos): “Adicionalmente, nos meses de abril, junho e julho de 2004 (para o PIS não cumulativo) e abril e junho de 2004 (para a COFINS não cumulativa), verificouse a declaração, em DCTF, de valores menores que os denunciados pelo sujeito passivo e por ele pagos, em 06/05/2005 sem a correspondente multa de mora, impondo, da mesma forma, a necessidade de constituição, exoficio, do crédito correspondente à parcela espontaneamente denunciada porem não declarada.” Muito bem. Como já informado, o REsp 962.379 – RS e o REsp 1.149.022 – SP foram reconhecidos na sistemática de Recurso Repetitivo (artigo 543C, do CPC). Em consequência das decisões proferidas nos citados Recursos Especiais, resta obrigatória a observância, por este Relator, das disposições neles contidas, nos termos do disposto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF (Portaria MF 256/2009, alterado pelas Portarias MF 446/2009 e 586/2010). Destarte, diante ao exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 765DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 21/03/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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Numero do processo: 35331.000048/2005-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1994 a 31103/1999
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciarios é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada
Súmula Vinculante na 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN).
PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO.
Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.058
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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OMISSÕES, VÍCIO MATERIAL, NULIDADE. É nulo, por vicio material, o Relatório Fiscal que não demonstra/explicita de forma clara e precisa todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário, de forma a possibilitar ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e do contraditório, PROCESSO ANULADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4? Câmara / I n Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em anular, por vício material, a NFLD. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatara), que votou por excluir, por vício formal, as bases de cálculo referentes ao educação fornecida aos empregados Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente A (-r - • ELAINE CRISTINA MONTEI-RUE SILVA VIEIRA - Relatara Ukh& KLEBER FERREIRA DE A 4 I ÚJO — Redator Designado Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n°37306 001178/2006-47 S2-C4T1 Acérdilo a° 2401-01,258 F1 504 Relatório O presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos Terceiros, bem como a parcela a cargo dos segurados empregados não descontada em época própria, sobre os valores de bolsas de estudos fornecidas aos empregados e seus dependentes. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deu-se em 29/04/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 04/05/2005. O processo foi baixado em diligência fl, 96 para que a autoridade fiscal identificasse individualmente os segurados beneficiados, bem com o valor da contribuição de segurados já descontada Emitiu a autoridade informação fiscal, indicando a relação de beneficiados, bem como executando planilha DE/PARA em relação a contribuição de segurados. • Devidamente cientificado o recorrente manifestou-se à fis. 380, requerendo mais prazo para analisar os fatos apresentados na diligência, porém não se manifestou quanto aos fatos geradores. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 47 a 77. A Decisão-Notificação confirmou a procedência total do lançamento, fls. 387 a 396. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls, 414 a 446. Em síntese, a recorrente em seu recurso traz as mesmas alegações apresentadas em sua defesa: 1. Preliminarmente, impõe-se a autoridade fiscal, inclusive sob os primados da moralidade e da eficiência administrativa, indicar precisamente quais os dispositivos legais ou mesmo normativos, que o autorizaram, em 21/07/99, a lavrar o noticiado indigitado ato cancelatório. Sendo assim, a DN encontra-se maculada de nulidade, 2. Nulidade do lançamento tendo em vista que não restou esclarecido os motivos que determinaram a mudança do FPAS por parte da autoridade .fiscal, ensejando cerceamento do direito de defesa. Os argumentos apresentados pela autoridade julgadora de que o enquadramento FPAS já existia em outras NFLD não merece prosperai-, tendo em vista que a IN 03/200.3, determina a cientificação do recorrente de qualquer reenquadramento, (--‘-tr 3 1\ 3. Diante das disposições estatutárias do contribuinte, o código FPAS que mais se adapta à sua atividade institucional é o 639. Destaca que o contribuinte já usufruía, regularmente a desobrigação do recolhimento da cota patronal desde o Advento do Decreto 1572/77, assim, correto o seu enquadramento no código 639. 4. Preservando o direito adquirido, o Decreto 1572/77, em seu art. 1. descreve que somente as entidades que até então não usztfialam da isenção da cota patronal, é que deveriam obedecer as novas regras 5. A questão envolvendo a infiingência do inciso IV do art, 55 da Lei 8212/91 está superada pelo julgamento da resolução CNAS 25/2003, oportunidade em que . fora, por nota técnica expressamente afastada a conclusão do INSS, prevalecendo a legitimidade dos atos praticados pelo contribuinte., o que demonstra a total precariedade do lançamento em questão. 6, O CRPS, proclamou em solene sessão de 19/08/2004 por meio do acórdão 04/1928/2004, firmado a unaninzidade pela sua quarta câmara de Julgamento, que se harmoniza com o quanto postulado pelo contribuinte. 7. Dessa forma, inexistem argumentos hábeis a impedir a reverificação da situação .fiscal previdenciária do contribuinte recorrente, pelos argumentos expostos, primeiro em preliminar, no sentido de ser o FPAS 639 o adequado para o enquadramento de sua hipótese previdenciária, e que entendendo o fisco de forma diversa deverá observar os adequados procedimentos a tal reenquadramento. 8. Se previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, as bolsas concedidas a .filhos de professores e funcionários não caracterizam-se como base de cálculo de contribuições. 9. As bolsas de estudo concedidas pela notificada se encaixam perfeitamente na hipóteses previstas na alínea "t" do ,sç 9. Da lei 8212/91, alcançando inclusive a universalidade dos empregados. do contribuinte. Há de se concluir que a modalidade firmada em Convenção Coletiva - CC, no sentido de ser concedida bolsa de estudos a .funcionários e seus filhos, é modalidade harmoniosa ao plano educacional de educação básica, considerando a definição do art 21 e principalmente, o atendimento as ,finalística.s impostas pelo art. 22 da lei 9394/1996.. 10. O fornecimento da educação na forma como disponibilizado pela empresa cumpri os requisitos do art. 458 da CLT e na alínea "t" , 9, Do art. 28 da Lei 8212/91, 11 Constituem ganhos eventuais, diante da transitoriedade do beneficio, da cláusula convencional e da própria Convenção Coletiva, 12, As Convenções Coletivas são equiparadas a lei, conforme disposto na Constituição Federal, art. 7, XYCVI e 114, sendo que mesmo que a cláusula do acordo coletivo . for contra legis, deve ser respeitada até que seja excluída do mundo jurídico.. 4 Processo n' 37.306.001178/2006-47 S2-C4TI Acórciao n 2401-01.258 F1. 505 13, Face o exposto requer seja declarada a improcedência por alicerçar-se em premissa conflitante, visto que os benefícios concedidos não se integram no conceito de salário de contribuição. O processo foi encaminhado a este conselho tendo a SRP apresentado contra- razões as fls. 178 a 481. É o relatório. 5 \-3jjj.-)\ Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 178. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Quanto a preliminar de nulidade do lançamento considerando que a fiscalização baseou-se em norma não mais em vigor, qual seja MP 222. Diga-se que esse argumento é incapaz de refutar o lançamento, primeiro porque não foi argüida quando da defesa, razão porque não pode a empresa inovar na esfera recursal. Ainda em sede de preliminar, alega o recorrente a fàlta de fundamentação legal para o reenquadramento disposto pela autoridade fiscal, que apurou as contribuições com base no FPAS 574, sem justificar os motivos pelos quais encontra-se incorreto o FPAS adotado pela empresa, qual seja FPAS 639, Quanto a este ponto, entendo que razão não assiste ao recorrente, tendo em vista que a empresa já fora fiscalizada em período anterior, tendo sido inclusive emitido ATO CANCELATORIO emitido ainda no ano de 1999, já definitivamente julgado no âmbito do CRPS, não possuindo o recorrente, razão porque incorreto o enquadramento realizado pelo recorrente na qualidade de entidade isenta. A fiscalização realizada, que ensejou a lavratura desta NFLD é posterior a outras duas lavrada no ano de 2001 e 2002, fiscalizações essas que já consideram a empresa entidade não isenta, tendo em vista inclusive do Transito em Julgado do Recurso, portanto não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quanto ao procedimento adotado. O procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa. Destaca-se como passos necessários a realização do procedimento: I. autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal — MPF- F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; 2, intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os docunzentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária, 3, autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, •com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com a.s informações necessárias para 6 k Processo n°37306.001178/2006-47 SZ-C41-1 Acórdão n.° 2491-01258 Fl 506 que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida fundamentação do enquadramento, não lhe confiro razão. Não só o relatório fiscal, como também o relatório FLD — Fundamentos Legais do Débito, trazem toda a fundamentação legal que embasou a constituição da presente NFLD, DO MÉRITO No recurso em questão, o contribuinte resumiu-se a atacar a validade do procedimento fiscal quanto ao entendimento de possuir a condições de entidade isenta, bem como no mérito contestar a incidência de contribuições sobre o valor da educação fornecida, sem refutar propriamente os valores da educação apurada. Dessa forma, em relação aos fatos geradores objeto da presente notificação, como não houve recurso expresso aos pontos da Decisão-Notificação (DN) presume-se a concordância da recorrente com a DN quanto as bases de cálculo apuradas Quanto a empresa ter direito adquirido a qualidade de entidade isenta, também não lhe confiro razão. Em primeiro lugar conforme evidenciado em sede de preliminar a empresa teve cancelada sua isenção ainda no ano de 1999, sem que o mesmo tenha apresentado qualquer prova de cumprimento dos requisitos para declaração de entidade isenta. Para melhor esclarecimento faz-se necessário apontar o histórico das isenções de contribuições no direito pátrio em função das alterações legislativas que envolveram a matéria, Primeiramente foi publicada a Lei ri,' 3,577, de 04.07.1959, que concedeu o beneficio fiscal aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões, para as entidades de fins filantrópicos. De acordo com essa Lei, era concedida a isenção para as Entidades de Fins Filantrópicos reconhecidas como sendo de utilidade pública, cujos membros de sua diretoria não percebessem remuneração. Posteriormente foi publicado o Decreto rir° 1,117, de 01/06/1962, que regulamentou a Lei 3.577 e concedeu ao Conselho Nacional do Serviço Social — CNSS a competência para certificar a condição de entidade filantrópica para fins de comprovação junto ao Instituto de Previdência. Consideravam-se filantrópicas as entidades, para fins de emissão do certificado, aquelas que: - estivessem registradas no Conselho Nacional do Serviço Social; - cujos diretores, sócios ou irmãos não percebessem remuneração e não usufruíssem vantagens ou benefícios; - que destinassem a totalidade das rendas apuradas ao atendimento gratuito das suas.finalidades Em 1977, o Decreto-Lei n," 1.572, de 01/09/1977, revogou a Lei 71 ° 3.577, não sendo possível a concessão de novas isenções a 7 \ partir de então Contudo, permaneciam com o direito à isenção de acordo com as regras antigas somente as seguintes entidades: - As entidades que já eram beneficiadas pela isenção e que possuíssem: - Decreto de Utilidade Pública expedido pelo Governo Federal; - Certificado expedido pelo CNSS com prazo de validade indeterminado; - As que beneficiadas pela isenção fossem detentoras: - de declaração de utilidade pública; - de certificado provisório de "Entidade de Fins Filantrópicos expedido pelo CNSS, mesmo com prazo expirado; desde que comprovassem ter requerido os títulos definitivos de Utilidade Pública Federal até 30.11.1977 Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, houve a previsão, em seu art.195 §7 0, a permissão de isenção de contribuições para a seguridade social das entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos estabelecidos em lei. Esse dispositivo constitucional .foi regulado por meio da Lei n " 8,212 de 24/07/1991. Os pressupostos para obtenção do direito à isenção estavam previstos no art, .55 da Lei n ° 8,212/1991, com a seguinte redação original: Art. 55, Fica isenta das contribuiçôes de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos, cumulativamente: 1- seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal,- II- seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, .fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social CNSS, renovado a cada 3 (três) anos; III- promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV - não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V - aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao Conselho Nacional da Seguridade Social relatório circunstanciado de suas atividades. § 1 0 Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido 8 -fflei1/4 Processo n 37306.001178/2006-47 82-C41-1 Acórdão n." 2401-01.258 Fl. 507 ,sç 2°A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. Conforme se depreende do texto legal, permaneciam isentas as entidades que já estavam beneficiadas com esse direito, desde que se adequassem as novas situações, qual seja: renovação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos — CEFF a cada três anos, sendo o prazo para renovação até 24,07,1994, na forma do Decreto 612/92; sejam reconhecidas como de utilidade pública estadual, do Distrito Federal ou municipal, a serem apresentadas quando da renovação do CEFF. Quanto ao argumento da recorrente de que já havia adquirido o direito a usufruir o beneficio fiscal, conforme legislação anterior ao texto constitucional; tal argumento não merece acolhida, A Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência já se pronunciou, por meio do Parecer CJ/MPS n 1133/2003, pelo não cabimento da tese de invocação de direito adquirido em relação à isenção das contribuições previdenciárias.. Nesse sentido segue trecho do referido Parecer: 30 Ora, revela-se absurda a tese de direito adquirido à isenção, com fundamento no § I" do art, 1" do Decreto-lei n" 1..572/77, uma vez que este mesmo diploma legal estabelece, no art. 2 0, hipóteses em que a isenção será automaticamente revogaria, 31. A regra contida no art. 2" do Decreto-lei n" 1.572/77 exige que as entidades beneficiadas pelos §§ 10, 2" e 3" do art.. 1", do referido Decreto-lei, mantenham a condição de entidades .filantrópicas, bem como o reconhecimento de utilidade pública .federal, caso contrário, perdem automaticamente o direito à isenção, ou seja, a garantia do direito à isenção .fica sujeita a não ocorrência da condição resolutiva, 32. Ao prever a possibilidade da perda da qualidade de entidade de fins ,fflantrópricos, depreende-se que o Decreto-lei n" 1.572/77 manteve, consequentemente, no ordenamento jurídico, a exigência dos requisitos para caracterização da entidade como .filantrópica, bem como o meio e a competência para esta certificação. 33. O instituto do direito adquirido protege um determinado direito, já incorporado definitivamente ao patrimônio do seu titular, contra alterações posteriores da legislação. Para tanto, é necessário que o ordenamento jurídico, em um dado momento, segundo as regras então vigentes, tenha garantido a incorporação do direito ao patrimônio do seu titular; bem como tenha determinado a intangibilidade deste direito. 34. Conclui-se, portanto, que o direito à isenção não foi resguardado pela cláusula da intangibilidade, muito pelo contrário, a própria lei que o garantiu, estabeleceu os casos em que seria revogado. Nunca, em nenhum niomento, o direito à isenção tornou-se um direito intocável, de .forma a configurar 9 ‘*01jj\ direito adquirido das entidades beneficiárias, como quer fazer crer; equivocadamente, a recorrente, Assim, corroboro com o entendimento de que não há que se falar em direito adquirido e como a empresa não possui isenção valida face a existência de ato cancelatório, entendo que não há argumentos para refutar o lançamento. Contudo quanto ao mérito de incidência de contribuições sobre os valores ogg_s_klMolq educação para os se como osfijhoscirro que razão assiste em parte ao recorrente, De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n 8.212/1991, para o segurado empregado entende-se por salário-de-contribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entende-se por salário-de-contribuição: - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a .forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomado,- de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n°9.528, de 10/12/97) Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9 0 da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras, especificamente em relação a bolsas de estudo: Art.. 28(.) §- 9" Não integram o salário-de-contribuição para os . fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n" 9„528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n°9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei n°9.711, de 20/11/98) No caso, quanto a verba BOLSA DE ESTUDOS nos termos em que fui concedida não constituir salário de contribuição, entendo que, não restaram cumpridos os requisitos para que sua concessão não constituísse salário de contribuição em relação ao valor da bolsa fornecida aos filhos dos empregados.. Conforme descrito no relatório fiscal, as bolsas são previstas em acordos coletivos e convenções coletivas e concedidas aos empregados e filhos destes, contudo mesmo individualizando os beneficiários, a empresa não especificou a condição de cada bolsista, ou seja, se professor aluno ou filho de funcionário. Processo o' 37306 001178/2006-47 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01258 F1 508 Entendo que o posicionamento do auditor ao considerar os valores como salário indireto encontra-se acertada em parte. Mais especificamente com relação a bolsa concedidas aos filhos dos empregados entendo que a verba relativa a bolsa de estudos fornecida aos dependentes não está fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias, prevista no art. 28, § 9°, "t" da Lei n° 8,212/1991. Entendo que o que não integra o salário de contribuição é o valor relativo ao plano educacional destinada ao próprio empregado. Neste caso, o legislador buscou uma forma de estimular as empresas a fornecer educação de qualidade a seus empregados. É certo que ao fornecer educação básica aos filhos de seus empregados a empresa está colaborando com o desenvolvimento do país, com a satisfação de seus empregados que conseguem oferecer aos seus filhos um ensino de qualidade. Porém não se pode desconsiderar que esse fornecimento representa um ganho considerável para o trabalhador, caracterizando-se corno um salário indireto, à medida que o empregado teria que arcar com o custo da educação de seus filhos em uma outra unidade escolar. O art. 458 da CLT, § 2' descreve as verbas fornecidas aos empregados que não possuem natureza salarial na esfera trabalhista, porém não podemos entender que essas verbas quando estendidas aos dependentes dos empregados também estarão excluídas da remuneraçãoL Se assim o fosse, acabaria por estimular os empregadores e retribuir os empregados, por meio de seus dependentes com diversas outras utilidades, sem que isso refletisse em seus direitos trabalhistas tais como: férias, 13° salário etc. Senão vejamos: Art.. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreende-se no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natw-a que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. § 1" Os valores atribuídos às prestações in natura deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder; em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do salário mínimo (artigos 81 e 82). § 2' Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: — vestuários, equipamentos e outros acessórios . fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; II — educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; III — transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; IV — assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante seguro-saúde; V — seguros de vida e de acidentes pessoais; VI — previdência privada; VII — VETADO. Como dito anteriormente, é certo que o legislador busca o bem estar do trabalhador, estimulando o empregador fornecer beneficias aos empregados, sem que isso onere em demasia o seu empreendimento. Contudo, existe uma grande preocupação para que os empregadores não se utilizem dessas possibilidades para firmar entendimento de que tudo que forneçam na forma de utilidades estaria desvinculado, Certo é que a autoridade previdenciária está correta ao considerar procedente o lançamento, simplesmente porque se trata do pagamento de um beneficio que extrapola os limites legais de exclusão do salário de contribuição. É claro que esse beneficio resulta em um incremento na renda do trabalhador, suportada pelo empregador e dessa forma acaba por se constituir como uma espécie de salário indireto. Doutrinariamente, convém reproduzir a posição da ilustre professora Alice Monteiro de Barros acerca da distinção entre utilidades salariais e não-salariais: "As utilidades salariais são aquelas que se destinam a atender às necessidades individuais do trabalhador, de tal modo que, se não as recebesse, ele deveria despender parte de seu salário para adquiri-las. AS utilidades salariais não se confundem com as que são fornecidas para a melhor execução do trabalha Estas equiparam-se a instrumentos de trabalho e, conseqüentemente, não têm feição salarial Portanto, as bolsas de estudo concedidas aos filhos de empregados em nada melhoram a execução do trabalho, não representando contraprestação laborai, mas apenas ganhos auferidos pelos empregados "pelo" simples trabalho na empresa. Por fim, não se altera este panorama em face de eventuais cláusulas de convenções ou acordos coletivos de trabalho que prevejam subsistir a concessão de bolsas de estudo para filhos ou dependentes de empregados, A interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpreta-se literalmente a legislação que disponha sobre esse beneficio fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I - suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violar-se os princípios da reserva legal e da isonomia.. Ao contrário do que afirma a recorrente, a verba paga a título de bolsa de estudo para os dependentes dos empregados possui natureza remuneratória. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados empregados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto, uma verba paga pelo trabalho e não para 12 ifjk Processo rf 37306 001178/2006-47 82-C4T1 Acórdão n° 2401-01.258 Fl. 509 o trabalho. O ganho foi direcionado ao segurado empregado da recorrente, quando este deixou de despender valores com sua educação superior. Contudo, no lançamento em questão, entendo que não logrou êxito o auditor em demonstrar porque os valores de educação paga aos empregados constituiriam salário de contribuição. Na verdade, paira dúvida acerca da inclusão de ditos fatos geradores no lançamento em questão, tendo em vista que o auditor descreveu como fato gerador em seu relatório a educação fornecida a seus empregados. A defesa, bem como o recurso fazem menção expressa a não incidência sobre a educação fornecida aos filhos, fazendo o recorrente constar em apenas parte de seu recurso "As bolsas de estudo concedidas pela notificada se encaixam perfeitamente na hipóteses previstas na alínea "t" do § 9, Da lei 8212/91, alcançando inclusive a universalidade dos empregados do contribuinte. Há de se concluir que a modalidade firmada em Convenção Coletiva - CC, no sentido de ser concedida bolsa de estudos a funcionários e seus filhos, é modalidade harmoniosa ao plano educacional de educação básica, considerando a definição do art. 21 e principalmente, o atendimento as finalísticas impostas pelo art. 22 da lei 9394/1996." Para constituir salário de contribuição a educação concedida ao empregado deve estar em desacordo com o disposto na lei 8212/91, seja pela não extensão a todos os empregados, ou falta de relação com o desempenho da atividade, mas esses fatos deveriam estar descritos pela autoridade fiscal, o que não restou demonstrado. Assim, pela falta de indicação clara e precisa do fato gerador, entendo que deve ser excluído do lançamento as bases de calculo da educação fornecida ao empregado por vicio formal. É pertinente também destacar, que entendo que a nulidade que alcança os levantamentos acima descritos é formal, visto não ter o auditor formalizado da maneira devida o lançamento em relação aos levantamentos que envolveram o fato gerador "bolsa de estudos dos empregados",. Nesse sentido, pode-se identificar que a nulidade é aplicável por não ter o auditor fiscal discriminado de forma clara e precisa, o porque das bolsas concedidas aos empregados estariam em desacordo com os dispositivos da lei 8212/91. Dessa forma, entendo que a falta da descrição pormenorizada levaria a anulação da NFLD por vício formal, por se tratar do não preenchimento de todas as formalidades necessárias a validação do ato administrativo, conforme destaco abaixo. Em uma concepção a respeito da forma do ato administrativo é incluída não somente a exteriorização do ato, mas também as formalidades que devem ser observadas durante o processo de formação da vontade da Administração, e até os requisitos concernentes à publicidade do ato. Nesse sentido é a lição de Maria Sylvia di Pietro, na obra Manual de Direito Administrativo, 18" edição, Ed. Atlas, página 200. Na lição expressa de Maria Sylvia di Pietro, na obra já citada, página 202, in verbis: "Integra o conceito de forma a motivação do ato administrativo, ou seja, a exposição dos fatos e dos direitos que serviram de fundamento para a prática do ato; a sua ausência impede a verificação da legitimidade do ato." Não se pode confundir falta de motivo com a falta de motivação. A motivação é a exposição de motivos, ou seja, é a demonstração, por escrito, de que os pressupostos de fato realmente existiram. A motivação diz respeito às formalidades do ato. O motivo, por seu turno, antecede a prática do ato, correspondendo aos fatos, às circunstâncias, 13 \\‘ que levam a Administração a praticar o ato. São os pressupostos de fato e de direito da prática do ato. Na lição de Maria Sylvia di Pietro, pressuposto de direito é o dispositivo legal em que se baseia o ato; pressuposto de fato, corresponde ao conjunto de circunstâncias, de acontecimentos, de situações que levam a Administração a praticar o ato. A ausência de motivo ou a indicação de motivo falso invalidam o ato administrativo. No lançamento fiscal o motivo é a ocorrência do fato gerador, esse inexistindo torna improcedente o lançamento, não havendo como ser sanado, pois sem fato gerador não há obrigação tributária. Agora, a motivação é a expressão dos motivos, é a tradução para o papel da realidade encontrada pela fiscalização. Logo, se há falha na motivação, o vício é formal, se houver falha no pressuposto de fato ou de direito, o vício é material. Como exemplo nas contribuições previdenciárias: se houve lançamento enquadrando o segurado como empregado, mas com as provas contidas nos autos é possível afirmar que se trata de contribuinte individual, há falha no pressupostos de fato e de direito. Agora, se houve lançamento como empregado, mas o relatório fiscal falhou na caracterização; entendo que haveria falha na motivação; devendo o lançamento ser anulado por vício fonnal, A autoridade julgadora deverá analisar a observância dos requisitas formais do lançamento, previstos no art. 37 da Lei n 8.212. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos acima proposto, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação em sua totalidade. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO, para rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO para que se exclua por vício formal as bases de cálculo referentes ao educação fornecida aos empregados. Sala das Sessões, em 09 de junho de 2010 ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA — Relatora 14 nem, Processo n° 37306.001178/200647 S2-C4T1 Acórdão n 2401-01258 Fl 510 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Redator Designado Em que pese a boa fundamentação apresentada pela relatora, concluo de forma diversa no que diz respeito à declaração de nulidade do crédito, Explico. A um, por entender que a nulificação deve abranger a totalidade do lançamento e, a dois, por ter esse tipo de vício como material. Passo a fundamentar. Não há nos autos como se identificar quais bolsas de estudos foram fornecidas aos dependentes dos empregados e quais foram fornecidas aos próprios trabalhadores. E ainda, quanto a esses últimos, qual a modalidade de educação fornecida. Nesse sentido, caso declarássemos a nulidade parcial do lançamento, deixando para o órgão preparador a função de liquidar o decisum, mediante a exclusão dos valores corresponderiam a despesas com segurados e quais teriam vinculação com os dependentes, haveria a necessidade de se facultar ao sujeito passivo a oportunidade de manifestação, sobre a apuração efetuada, o que fatalmente abriria um novo contencioso, não previsto nas normas do PAF. Diante desse fato, forçoso concluir que o lançamento fiscal, ao não descrever com precisão as circunstâncias que envolveram a ocorrência dos fatos geradores, impedindo, assim, a correta aferição da base tributável, violou normas de cogentes que determinam que o ato administrativo de constituição do crédito tributário deve se cercar de cautela de modo a conferir liquidez e certeza ao quantum lançado e, ainda, propiciar ao sujeito passivo todas as informações necessárias ao amplo exercício do seu direito de defesa. Nessa toada, não vejo como possa prosperar tal lançamento, devendo ser declarada a sua integral nulidade. Passo a análise do tipo de vício presente na espécie. O vicio formal, no entendimento deste julgador, relaciona-se aos requisitos de validade do ato administrativo, ou seja, os pressupostos sem os quais referido ato não produziria efeitos. Em outras palavras, guarda relação com as formalidades legais extrínsecas do lançamento. Os artigos 10 e 11, do Decreto n° 70235/72, são os exemplos mais nítidos que podemos encontrar a respeito do tema, in verbis: "Art.10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: 1- a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura,. III - a descrição do fato; 15 ;,.\\ "\ IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou .função e o número de matrícula. Art.11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente,- 1- a qualificação do notificado; - o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III - a disposição legal infringida, se for o caso; IV - a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou .função e o número" Ao tratar da matéria, a Lei n° 4717/65, que regulamenta a Ação Popular, em seu artigo 2°, parágrafo único, alínea "b", estabelece que o vício formal é: " [..] a omissão ou observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato," Como se observa, o ato administrativo somente terá validade se observados os pressupostos formais, extrínsecos, previstos nos dispositivos legais supra, entre outros, sob pena de ser anulado por vicio founal. Repita-se, o requisito formal do lançamento representa a observância dos ditames estabelecidos por lei no momento de sua exteriorização. A jurisprudência administrativa, que se ocupou do tema, é mansa e pacifica nesse sentido, senão vejamos: "PROCESSUAL — LANÇAMENTO — Vício FORMAL — NULIDADE — É nula a Notificação de Lançamento emitida sem o nome do órgão que a expediu, sem identificação do chefe desse órgão ou outro servidor autorizado e sem a indicação do respectivo cargo e matrícula, em flagrante descumprimento às disposições do art, 11, do Decreto n" 70.235/72. Precedentes da Terceira Turma da Câniara Superior de Recursos Fiscais. Recurso Especial improvido." (3' Turma . da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Recurso n° 201-108717 — Acórdão CSRF/03-03.305, Sessão de 09/07/2002) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADE - VÍCIO FORMAL - LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO - INEXISTÊNCIA - Os vícios formais são aqueles que não inteilerem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos .fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevem-se a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de oficio, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não contagem do prazo especial 16 Processo n° 37306.001178/2006-47 52-C4T1 Acórd5o n.° 2401-01258 Fl 511 previsto no art. 173, II, do CTN. " (8 Câmara do 1° Conselho, Recurso n° 143,020 --- Acórdão n" 108-08.174, Sessão de 23/02/2005) (grifamos) O Acórdão no 107-06695, da lavra do então Conselheiro representante da Fazenda, Dr. Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, nos traz com muita propriedade a diferenciação entre vício formal e material, nos seguintes termos: „r RECURSO EX OFFICIO — NULIDADE DO LANÇAMENTO — VICIO FORMAL. A verificação da ocorrência do .fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional — CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto.. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavra/ura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou unção e o número de matrícula.[..] " (7. Câmara do 1" Conselho de Contribuintes — Recurso tf 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração, Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. Destarte, o artigo 142 do Código Tributário Nacional, ao atribuir a competência privativa do lançamento a autoridade administrativa, igualmente, exige que nessa atividade a autoridade fiscal descreva e comprove a ocorrência do fato gerador do tributo lançado, identificando perfeitamente o sujeito passivo, como segue: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível." Aliás, o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, com mais especificidade, impõe ao fisco que discrimine clara e precisamente os fatos geradores do débito constituído, in verbis: "Ari. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos 17 X‘33j fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento,"' (grifamo.$) No mesmo sentido, o artigo 50 da Lei n° 9384/99 estabelece que os atos administrativos devem conter motivação clara, explícita e congruente, sob pena de nulidade, "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e fitndamentosjurídicos [. 1'A motivação deve ser explícita, clara e congruente [„1„ Consoante se infere dos dispositivos legais encimados, para que o lançamento encontre sustentáculo nas normas jurídicas e, conseqüentemente, tenha validade, deverá a autoridade fiscal descrever precisamente e comprovar a ocorrência do fato gerador do tributo. A ausência dessa descrição clara e precisa, especialmente no Relatório Fiscal da Notificação, ou erro nessa conduta, macula o procedimento fiscal por vício material. Outro não é o entendimento do ilustre Dr. Manoel Antônio Gadelha Dias, ex- presidente do 1 0 Conselho de Contribuinte, conforme se extrai do excerto de sua obra "O Vício Formal no Lançamento Tributário", nos seguintes termos: O defeito na descrição do . fato, por exemplo, não pode caracterizar-se mero vício . formal, pois a descrição do fato está intimamente ligada à valoração jurídica do fato jurídico, requisito fundamental do lançamento. A descrição do fato defeituosa tanto pode configurar nulidade de direito material como de direito processual. Estaremos diante da primeira situação quando o vício atinge o motivo do ato, ou seja, o seu pressuposto objetivo, que corresponde à ocorrência dos fatos que ensejaram a sua prática." (Tôrres, Heleno Taveira et ai. — coordenação — "Direito Tributário e Processo Administrativo Aplicados — São Paulo : Quartier Latin, 2005, p. 348) A jurisprudência administrativa não discrepa desse entendimento, consoante se positiva dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: " PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO EX OFFICIO — É nulo o Ato Administrativo de Lançamento, formalizado com inegável insuficiência na descrição dos fatos, não permitindo que o sujeito passivo pudesse exercitar; como lhe outorga o ordenamento jurídico, o amplo direito de defesa, notadamente por desconhecer; com a necessária nitidez, o conteúdo do ilícito que lhe está sendo imputado. Trata-se, no caso, de nulidade por vicio material, na medida em que falta conteúdo ao ato, o que implica inocorrência da hipótese de incidência. " (1" Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, Recurso if 132..213 — Acórdão if 101-94049, Sessão de 06/12/2002, unânime) "LANÇAMENTO — NULIDADE - VICIO MATERIAL — DECADÊNCIA - Nulo o lançamento quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável, por se tratar de vício de natureza material, Aplicável 18 Processo n° 37306 001178/2006-47 S2-C4T1 Acórdão n,' 2401-01.258 H 512 o disposto no artigo 150, § 4", do CTN." (2' Câmara do 1° Conselho, Recurso n° 138,595 — Acórdão n° 102-47201, Sessão de 10/11/2005) Antes de fechar a questão, cabe aqui fazer um parêntese, relativamente ao efeito prático de se declarar a nulidade do lançamento por vício formal ou material. No primeiro caso, na forma proposta pela nobre relatora, o prazo decadencial é restabelecido, passando a ser contado a partir da data da decisão definitiva que declarou a nulidade por vicio formal do lançamento. É o que se extrai do artigo 173, inciso II, do CTN. Por outro lado, tratando-se de vício material, o prazo decadencial continua a ser contado da ocorrência do fato gerador do tributo, no caso do artigo 150, § 4P, do CTN, ou do 1° dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, tratando- se dos artigos 173 do CTN. Ou melhor, poderá o Fisco promover novo lançamento, corrigindo o vício material incorrido, conquanto que dentro do prazo decadencial acima estipulado. Assim, deve ser declarada a nulidade do lançamento, por vício material, em observância à legislação de regência, mais precisamente do artigo 142 do CTN e demais dispositivos das Leis 8,212/91 e 9384/99 encimados, uma vez que referida incorreção contamina a exigência fiscal, tornando-a precária, não lhe oferecendo certeza ou liquidez, principalmente pelo fato de se mostrar insanável e por cercear o direito de defesa da recorrente Por todo o exposto, estando o lançamento sub examine em desacordo com os dispositivos legais que regulam a matéria, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e declarar a NFLD integralmente nula por erro/vício material. Sala das Sessões, em 09 de junho de 2010 NNa4) ' h KLEBER FERREIRA DE ARA ( JO — Redator DesignadoK 19 , . N.5, MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS -rfr QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n': 37306.001178/2006-47 Recurso n°: 147.802 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3 0 do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01,258 Bras' ia, 1 de agosto de 2010 ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [II Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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