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Numero do processo: 35504.000864/2006-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/1996 a 31/12/1998
CONTRIBUIÇÃO SAT. DIFERENÇAS. DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-000.492
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Damião Cordeiro de Moraes
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAISsw r..... tv -,,:italtkí 7 SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, ..: 41n., s.f. Processo n° 35504.000864/2006-39 Recurso n° 147.085 Voluntário Acórdão n° 2301-00.492 — 3a Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 07 de julho de 2009 Matéria Decadência Recorrente PARATI S/A Recorrida DRP/FLORIANOPOLIS/SC ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1996 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÃO SAT. DIFERENÇAS. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. il rÍ"'--- \ 1 , . Processo n°35504.000864/2006-39 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.492 Fl. 147 ACORDAM os membros da 3' Câmara / P Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por un. imidade de votos, acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nL , ii e do voto do relator. \ 11 It'PA í JULIO t .1 IEIRA GOMES Preside \ e ,..— 10I \,41 ,.......4..... DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator , 2 Processo n° 35504.000864/2006-39 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.492 Fl. 148 Participaram do julgamento os conselheiros: Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal (Suplente), Maria Helena Lima dos Santos (Suplente), Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). 3 Processo n° 35504.000864/2006-39 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.492 Fl. 149 Relatório 1. Trata-se de recurso voluntário interposto pela empresa PARATI S/A contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal de contribuições sociais previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento dos empregados e pagamentos efetuados a contribuintes individuais, sem vinculo empregaticio. 2. O julgado restou assim ementado: "CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SELIC. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. As contribuições em atraso estão sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — SELIC. Não cabe ao INSS apreciar inconstitucionalidade de dispositivo de lei, competência esta, reservada ao Poder Judiciário. LANÇAMENTO PROCEDENTE." 3. Não conformadas com a decisão, a empresa interpôs recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: a) decadência qüinqüenal em relação ao débito levantado; h) a aplicação da taxa Selic é ilegal porque está em desacordo com as regras do art. 161, §1°, do Código Tributário Nacional e é inconstitucional porque viola o disposto no art. 192, §3°, da Constituição Federal. 4. As contra-razões do fisco batalham pela manutenção da decisão recorrida. E o relatório. 4 Processo n° 35504.000864/2006-39 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.492 Fl. 150 Voto Conselheiro DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, Relator ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Acolho o recurso, uma vez que é tempestivo a atende aos pressupostos de admissibilidade. DECADÊNCIA 2. Sobre a decadência, cumpre dizer que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: "Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n" 8.212/91 e o parágrafo único do art..? do Decreto-lei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se higida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, ss' 4", 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, 111, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5° do Decreto-lei n° 1.569/77, frente ao § 1° do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". 1111r n 5 Processo n° 35504.000864/2006-39 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.492 Fl. 151 3. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: "Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n°45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei n 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. •• • Art. 22 O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. ,f 1' O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão." 4. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclino-me à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. 5. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual rega de decadência prevista no Código Tributário Nacional - CTN se aplica ao caso concreto. Compulsando os autos, constata-se no Discriminativo Analítico de Débito e no documento de fl. 32 que a recorrente efetuou parcialmente o pagamento de suas obrigações as quais se refere o lançamento. Então, deve-se prevalecer a regra trazida pelo artigo 150, §4° do CTN. 6. Assim sendo, tendo sido cientificado o recorrente do lançamento fiscal em 19/05/2006, referente às contribuições do período de 01/06/1996 a 31/12/1998, fica alcançado pela decadência qüinqüenal o lançamento fiscal em sua totalidade. 6 Processo n° 35504.000864/2006-39 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.492 Fl. 152 7. Em razão do exposto, acato a preliminar de decadência para dar provimento ao recurso interposto. CONCLUSÃO 8. Assim, voto por dar PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. Sala das Sessões, em 07 de julho de 2009 DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator • 7
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Numero do processo: 16095.000429/2010-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/06/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. MATÉRIA SUBMETIDA À REPERCUSSÃO GERAL NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - STF. SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO. PORTARIA Nº 01/2012. LIMITES.
A aplicação do disposto no art. 62-A, §1º, do RI-CARF, foi regulamentada pela Portaria CARF n° 01, deste Conselho, determinando que O procedimento de sobrestamento (...) será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal - STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Assim, havendo norma regimental interna expressa, bem como, não tendo sido determinado, pelo STF, o sobrestamento da tramitação de todos os feitos sobre a matéria objeto do processo, deve ser procedido ao julgamento. No caso concreto o sujeito passivo possui decisão judicial em processo individual específico, com decisão desfavorável objeto de recursos sem efeitos suspensivos, reforçando a possibilidade de julgamento.
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE 05 ANOS. TERMO INICIAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A, DO RI-CARF.
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação e desde que tenha havido antecipação, total ou parcial, de pagamento do tributo calculado pelo contribuinte, o Poder Público dispõe do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador, para constituir o crédito tributário pelo lançamento, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ, no Recurso Especial Representativo de Controvérsia nº 566.621, nos termos do art. 62-A, do RI-CARF. Decadência suscitada de ofício e acolhida parcialmente.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não padece de nulidade o auto de infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto-Lei nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, apontamento e determinação da matéria tributável, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, dentro de uma lógica razoável, o seu direito de defesa.
AUTO DE INFRAÇÃO. COOPERATIVA DE SERVIÇOS. ISENÇÃO DA COFINS. REVOGAÇÃO PELO ART. 15, DA MP 2.158-35/2001. EXISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL MOVIDA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA CARF Nº 01.
Havendo processo individual movido pelo sujeito passivo, no qual demanda exatamente o reconhecimento do direito à isenção tributária sobre receitas que vieram a ser colhidas pelo lançamento tributário hostilizado, deve ser aplicado o disposto na Súmula CARF nº 01, que importa no não conhecimento do recurso pela existência de ação judicial que trata de mesmo assunto, ocorrendo, desta forma, a renúncia da via administrativa.
Recurso Parcialmente Provido.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 3402-001.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos não conhecer da matéria levada à apreciação do poder judiciário. Na parte conhecida, por unanimidade de votos dar provimento parcial para reconhecer a decadência dos períodos de julho e agosto de 2005.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Silvia de Brito Oliveira, Helder Masaaki Kanamaru (suplente), Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 30/06/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. MATÉRIA SUBMETIDA À REPERCUSSÃO GERAL NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL - STF. SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO. PORTARIA Nº 01/2012. LIMITES. A aplicação do disposto no art. 62-A, §1º, do RI-CARF, foi regulamentada pela Portaria CARF n° 01, deste Conselho, determinando que O procedimento de sobrestamento (...) será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal - STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Assim, havendo norma regimental interna expressa, bem como, não tendo sido determinado, pelo STF, o sobrestamento da tramitação de todos os feitos sobre a matéria objeto do processo, deve ser procedido ao julgamento. No caso concreto o sujeito passivo possui decisão judicial em processo individual específico, com decisão desfavorável objeto de recursos sem efeitos suspensivos, reforçando a possibilidade de julgamento. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE 05 ANOS. TERMO INICIAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A, DO RI-CARF. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação e desde que tenha havido antecipação, total ou parcial, de pagamento do tributo calculado pelo contribuinte, o Poder Público dispõe do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador, para constituir o crédito tributário pelo lançamento, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ, no Recurso Especial Representativo de Controvérsia nº 566.621, nos termos do art. 62-A, do RI-CARF. Decadência suscitada de ofício e acolhida parcialmente. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não padece de nulidade o auto de infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto-Lei nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, apontamento e determinação da matéria tributável, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, dentro de uma lógica razoável, o seu direito de defesa. AUTO DE INFRAÇÃO. COOPERATIVA DE SERVIÇOS. ISENÇÃO DA COFINS. REVOGAÇÃO PELO ART. 15, DA MP 2.158-35/2001. EXISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL MOVIDA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA CARF Nº 01. Havendo processo individual movido pelo sujeito passivo, no qual demanda exatamente o reconhecimento do direito à isenção tributária sobre receitas que vieram a ser colhidas pelo lançamento tributário hostilizado, deve ser aplicado o disposto na Súmula CARF nº 01, que importa no não conhecimento do recurso pela existência de ação judicial que trata de mesmo assunto, ocorrendo, desta forma, a renúncia da via administrativa. Recurso Parcialmente Provido. Crédito Tributário Mantido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos não conhecer da matéria levada à apreciação do poder judiciário. Na parte conhecida, por unanimidade de votos dar provimento parcial para reconhecer a decadência dos períodos de julho e agosto de 2005. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Silvia de Brito Oliveira, Helder Masaaki Kanamaru (suplente), Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/06/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. MATÉRIA SUBMETIDA À REPERCUSSÃO GERAL NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL STF. SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO. PORTARIA Nº 01/2012. LIMITES. A aplicação do disposto no art. 62A, §1º, do RICARF, foi regulamentada pela Portaria CARF n° 01, deste Conselho, determinando que “O procedimento de sobrestamento (...) será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso”. Assim, havendo norma regimental interna expressa, bem como, não tendo sido determinado, pelo STF, o sobrestamento da tramitação de todos os feitos sobre a matéria objeto do processo, deve ser procedido ao julgamento. No caso concreto o sujeito passivo possui decisão judicial em processo individual específico, com decisão desfavorável objeto de recursos sem efeitos suspensivos, reforçando a possibilidade de julgamento. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE 05 ANOS. TERMO INICIAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A, DO RICARF. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação e desde que tenha havido antecipação, total ou parcial, de pagamento do tributo calculado pelo contribuinte, o Poder Público dispõe do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador, para constituir o crédito tributário pelo lançamento, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ, no Recurso Especial Representativo de Controvérsia nº 566.621, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 04 29 /2 01 0- 13 Fl. 801DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 2 nos termos do art. 62A, do RICARF. Decadência suscitada de ofício e acolhida parcialmente. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não padece de nulidade o auto de infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do DecretoLei nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, apontamento e determinação da matéria tributável, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, dentro de uma lógica razoável, o seu direito de defesa. AUTO DE INFRAÇÃO. COOPERATIVA DE SERVIÇOS. ISENÇÃO DA COFINS. REVOGAÇÃO PELO ART. 15, DA MP 2.15835/2001. EXISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL MOVIDA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA CARF Nº 01. Havendo processo individual movido pelo sujeito passivo, no qual demanda exatamente o reconhecimento do direito à isenção tributária sobre receitas que vieram a ser colhidas pelo lançamento tributário hostilizado, deve ser aplicado o disposto na Súmula CARF nº 01, que importa no não conhecimento do recurso pela existência de ação judicial que trata de mesmo assunto, ocorrendo, desta forma, a renúncia da via administrativa. Recurso Parcialmente Provido. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos não conhecer da matéria levada à apreciação do poder judiciário. Na parte conhecida, por unanimidade de votos dar provimento parcial para reconhecer a decadência dos períodos de julho e agosto de 2005. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Silvia de Brito Oliveira, Helder Masaaki Kanamaru (suplente), Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta. Fl. 802DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 16095.000429/201013 Acórdão n.º 3402001.798 S3C4T2 Fl. 802 3 Relatório Versam os autos de Auto de Infração, mediante o qual se exige do contribuinte o valor de R$ 12.742.222,35 (Doze milhões, setecentos e quarenta e dois mil, duzentos e vinte e dois reais e trinta e cinco centavos), relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, no período de Julho de 2005 à Junho de 2010. Segundo a autoridade fiscal, o lançamento se deu pelos seguintes motivos: a) A ação fiscal teve origem através de MPF – Diligência, com a finalidade de averiguar a necessidade de constituição de créditos tributários que não houvessem sido recolhidos/declarados em função de medida judicial, no qual o sujeito passivo é autor e discute a inexistência de relação jurídica de COFINS sobre os seus atos cooperativos próprios, nos termos do art. 6º, inciso I, da Lei Complementar n° 70/91; b) Após solicitar estatuto social/atas, certidão de objeto e pé atualizada relativa ao processo judicial, livros Diário e Razão e balancetes mensais bem como resumir o acompanhamento processual, como narrado pela DRJ, a 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região decidiu que: “a intermediação de serviços prestados por cooperados a terceiros não se insere no conceito legal de atos cooperativos próprios, sendo portanto exigível a COFINS sobre a receita ou faturamento do contribuinte”; c) Comunicado da decisão do TRF através de AR, e indagado sobre a existência de outra demanda judicial que discutisse a matéria em questão (inexigibilidade de COFINS), o contribuinte esclareceu que a última decisão seria a proferida pelo TRF, mas que existe sim uma ação movida pelos sindicatos do qual o GUARUCOOP era filiada, visando o mesmo afastamento de COFINS tramitando no TRF da 3ª Região; d) Após referida resposta apresentada pelo contribuinte, foi lançado o tributo, juros e multa de ofício sobre o período de julho/2005 a junho/2010, com base na receita bruta declarada em DIPJ e/ou contabilizada, excluídos aqueles valores correspondentes aos "atos cooperativos próprios" definidos na LC n° 70/91 e especificados no Acórdão proferido pela 3ª Turma do TRF da 3ª Região. DA IMPUGNAÇÃO Divergindo da exigência e tomando ciência do Auto de Infração em 20/09/2010, o contribuinte apresentou impugnação em 19/10/2010, contrapondose aos lançamentos, argumentando, em síntese que: a) A autoridade fiscal não identificou no lançamento quais seriam os atos nãocooperativos e os atos cooperativos (que não sofrem a incidência da COFINS); Fl. 803DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 4 b) A cooperativa auxilia motoristas cooperados (constantes no quadro social) na organização e estruturação de suas atividades. Transcreve o art. 79 da Lei n° 5.764/71, que dispõe sobre o que são os atos cooperativos e finaliza alegando que recolheu COFINS quando auxiliou taxistas não cooperados, pois este ato seria não cooperativo, implicando operação de mercado e gerando faturamento. Ou seja, defende o sujeito passivo que incide COFINS somente nesta situação; c) Quanto aos valores recolhidos, alega o sujeito passivo que sua função seria a de prestar serviços a seus associados realizando o ato cooperativo, sendo exceção os atos não cooperativos (sobre estes recolhida a COFINS) contestando falha na descrição dos fatos imponíveis por parte do órgão administrativo; d) Alude o fato do agente fiscal não ter explanado quais os atos cooperativos foram excluídos da base de cálculo da COFINS, violando assim o princípio da ampla defesa, o da necessária motivação dos atos administrativos e o da segurança jurídica; e) Finaliza acrescentando que as cooperativas não auferem receita ou faturamento, sendo incabível a incidência da COFINS, não podendo lei infraconstitucional ampliar os conceitos de direito privado utilizados pela Constituição para definir competências tributárias. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na defesa apresentada, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP, proferiu o Acórdão de nº. 0531.632, nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 [sic] COOPERATIVA. ISENÇÃO. ATO COOPERATIVO. A partir de 1°.07.1999, por força da MP 1.8586/99, inexiste a isenção inicialmente estabelecida em prol dos atos cooperativos, incidindo a contribuição sobre a totalidade das receitas. Verificado que o auto de infração obedeceu aos parâmetros para a incidência do tributo fixados em decisão judicial, mantémse o lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Preliminarmente, discorre sobre a Lei Complementar n° 70/91, em art. 6°, I, que isentava do tributo as sociedades cooperativas, mais que veio a ser revogado pela Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, com efeitos a partir dos fatos geradores de outubro de 1999. Sendo assim, a partir de outubro de 1999 as sociedades cooperativas passaram a se submeter à incidência da COFINS nos mesmos moldes das pessoas jurídicas em geral, de modo que passaram a pagar a COFINS com base nas receitas provenientes de operações com associados, superandose a questão de atos cooperados e não cooperados alegados pelo sujeito passivo. Fl. 804DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 16095.000429/201013 Acórdão n.º 3402001.798 S3C4T2 Fl. 803 5 Cita a MP n° 2.15835, de 2001, em seu art. 15, que estabelece as exclusões da base de cálculo da COFINS ressalvando a superação da questão de atos cooperados e não cooperados ao passo que conforme Lei nº 9.718/98, a tributação de COFINS é o faturamento da sociedade. Afirma que apenas os valores correspondentes aos ingressos com a taxa de manutenção paga pelos cooperados (ato cooperativo próprio, de acordo com o teor da mencionada decisão judicial), foram excluídos do montante tributável e especificados pela autoridade fiscal. Diante do exposto, afirma que não há nada que anule o procedimento fiscal, sob todos os pontos de vista: respeito à decisão judicial e direito de defesa do contribuinte. Manteve, então, o lançamento julgando improcedente a impugnação. DO RECURSO Ciente em 03/01/2011 e não concordando com a decisão proferida pela 3a Turma de Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, o contribuinte interpôs, em 01/02/2011, seu Recurso Voluntário dirigido a este Conselho. Após fazer uma síntese dos fatos ocorridos até a data da apresentação do Recurso Voluntário, o sujeito passivo alega, em uma apertada síntese que: a) É essencial a distinção entre ato cooperativo e ato não cooperativo para se obter a legalidade da autuação do fato gerador da COFINS; b) Existe um vício formal no auto de infração ao violar o Art. 142 do CTN e o direito de defesa do contribuinte, e ainda, que o Auto de Infração não respeitou o artigo 2° da Lei n° 9.784/99, por não possuir motivação, segurança jurídica, nem propiciar a ampla defesa, devendo haver nulidade de lançamento em função desses argumentos; c) Cita o acórdão 137.728 proferido na Ação Declaratória n° 2004.61.19.0006347, ressalvando que o sujeito passivo não deve recolher a COFINS pertinente aos atos cooperativos próprios (realizados entre cooperativa e cooperados e entre cooperativas), dentro do seu objetivo social e sem inserção de qualquer terceiro. Após denominar seu objetivo social, explana que a cooperativa somente auxilia o motorista na organização e estruturação de suas atividades, pois o serviço é prestado pela pessoa física. Sendo assim, afirma realizar o ato cooperativo conforme ditames do artigo 79, da Lei n° 5.764/71; d) Protesta que somente incide COFINS nos casos em que o contribuinte realiza ato não cooperativo ao prestar serviços a terceiros não cooperados, e que esta é uma exceção, daí os ditos valores insignificantes alegados pela autoridade fiscal, que, conforme Recurso Voluntário, não se preocupou em atestar a origem de tais valores; Fl. 805DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 6 e) Repisa a imprecisão no Termo de Verificação e Constatação ao alegar serem indefinidos quais os atos cooperativos excluídos da base de cálculo pelo Auditor Fiscal; f) Há decisão da Primeira Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes dando provimento a um Recurso Voluntário de uma Cooperativa do Rio de Janeiro sobre o mesmo caso. Cita também Ato Declaratório da SRF a seu favor; g) O Auto de Infração não respeitou o artigo 2° da Lei n° 9.784/99, por não possuir motivação, segurança jurídica, nem propiciar a ampla defesa; h) Explica detalhadamente o Sistema Cooperativista e o que são atos cooperativos (definido no artigo 79 da Lei n° 5.764/71) ao refutar os argumentos utilizados pelo Julgador de Primeira Instância, utilizandose de doutrina e jurisprudência; i) Afirma que existe o desvirtuamento do conceito de receita/faturamento, quando da cobrança de COFINS de sociedade Cooperativa, infringindo art. 110 do CTN; j) Não há que se falar então em juros e multas exigidas diante dos argumentos acima expostos; k) Por fim, solicita que todas as correspondências sejam encaminhadas à Alvaro Trevisioli, inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil, Secção São Paulo, sob o n° 108.491, com escritório na Avenida Paulista n° 352, conjunto 55, Bairro Bela Vista, na Capital do Estado de São Paulo, Cep: 01310905. Após todo o exposto, solicita o cancelamento integral do auto de infração uma vez que não houve a ocorrência do fato gerador necessário para a constituição do crédito tributário. O contribuinte veio ainda aos autos, por petição protocolizada em 31 de Março de 2011, que a incidência de COFINS sobre atos cooperativos encontrase sob apreciação do Poder Judiciário em caráter de Recurso Representativo de Controvérsia no Superior Tribunal de Justiça (REsp n° 1.141.667) e Repercussão Geral no Supremo Tribunal Federal (RE n° 598.085), diante desta situação, requer o sobrestamento do julgamento do presente Recurso Voluntário, nos termos do artigo 62A, § 2°, do Regimento Interno do CARF, até decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a este relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 04 (quatro) Volume, numerados até a folha 655 (seiscentos e cinquenta e cinco), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 806DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 16095.000429/201013 Acórdão n.º 3402001.798 S3C4T2 Fl. 804 7 Voto Conselheiro Relator, João Carlos Cassuli Junior. O recurso atende aos pressupostos de desenvolvimento válido e regular, foi apresentado tempestivamente, razão pela qual dele tomo conhecimento. Versam os autos de lançamento objeto de Auto de Infração, através do qual se constituiu crédito tributário relativo à COFINS, dos períodos de julho/2005 a junho/2010, ao fundamento de falta de pagamento da referida contribuição, pelo fato de que as receitas auferidas pelo contribuinte, que é constituído sob a forma de Cooperativa de Serviços, não estariam inseridas no campo de isenção ante a revogação do art. 6º, inciso I, da Lei Complementar n° 70/91, pela Medida Provisória n° 2.15835, de 2001. A ação fiscal teve início em Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência – MPFD, emitido para acompanhamento de decisão judicial proferida nos autos da Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica Tributária com Pedido de Antecipação de Tutela n. 2004.61.19.000634, movida pela Cooperativa Mista de Trabalho dos Motoristas Autônomos de Taxis do Município de Guarulhos – GUARUCOOP, ora Recorrente, através do qual pretendeu o reconhecimento do direito a não submeterse ao recolhimento da COFINS ante a ilegalidade da revogação da isenção acima citada, promovida pela MP n° 2.15835/01. Houve pedido expresso de sobrestamento do julgamento da causa, devendo ser preliminarmente apreciado nesse recurso. 1.Pedido de Sobrestamento. Matéria com Repercussão Geral. Limites: Antes de adentrar nas questões suscitadas no recurso voluntário interposto, devese apreciar o pedido de sobrestamento do julgamento do recurso, requerida pela Recorrente. Para tanto, devese registrar que não se desconhece que tramita perante o Supremo Tribunal Federal o Recurso Extraordinário n° 598.085, no qual houve reconhecimento de Repercussão Geral, e, ainda, perante o Superior Tribunal de Justiça do Recurso Especial n° 1.141.667/RS, que foi submetido ao rito de julgamento dos processos representativos de controvérsia (art. 543C, do CPC), cujos julgamentos poderão, certamente, produzir efeitos sobre a matéria objeto deste processo administrativo fiscal, já que trata da isenção do PIS e da COFINS sobre as receitas auferidas por Cooperativas provenientes de Atos Cooperados. No entanto, considerandose que no caso em concreto, há decisão judicial proferida em processo no qual figurou como parte a própria Recorrente, a esta desfavorável e sem efeito suspensivo (como se tratará no mérito), e, ainda, que nos autos dos referidos Recursos Extraordinário e Especial citados como de Repercussão Geral e Representativo de Controvérsia, respectivamente, não há decisão com efeitos erga omnes determinando o Fl. 807DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 8 sobrestamento da tramitação de todos os processos relativos à matéria, entendo que o processo deve ser submetido a julgamento. E isto porque, a aplicação do disposto no art. 62A, §1º, do RICARF, foi regulamentada pela Portaria CARF n° 01, deste Conselho, sendo que pelo teor do parágrafo único do seu art. 1º, “O procedimento de sobrestamento ... será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para caso”. Assim, havendo norma regimental interna expressa, bem como, não tendo sido determinado, pelo STF, a tramitação de todos os feitos sobre a matéria objeto deste processo, e, finalmente, pelo fato da Recorrente ser parte em processo individual que julgou a matéria em debate no STF, que transitou em julgado, entendo que deva ser indeferido o pleito deduzido pela recorrente em petição apartada, dando prosseguimento ao julgamento do Recurso. 2. Prejudicial de mérito: Decadência parcial do lançamento. Dando início ao julgamento propriamente dito, entendo que, independentemente do desfecho que os autos vierem a ter, a matéria relativa a decadência, que pode ser conhecida de ofício, produz efeitos sobre o lançamento como um todo, devendo, consequentemente, se analisada antes de se debater as demais questões contidas nos autos, especialmente no caso de lançamento veiculado em Auto de Infração. Em assim sendo, verificase nos autos que o lançamento tem como objeto a exigência da COFINS relativa aos fatos geradores relativos aos períodos compreendidos entre julho/2005 e junho/2010, sendo o contribuinte cientificado do lançamento em 20/09/2010. Além disso, conforme se observa, houve antecipação parcial de tributos nos períodos de apuração de julho a agosto de 2005 (vide fls. 361, dos autos). Temse pacificado que o prazo decadencial é de 05 (cinco) anos para que a Fazenda Pública constitua o crédito tributário pelo lançamento. Quanto ao termo inicial de contagem do prazo decadencial, existem duas regras para o caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, sendo a primeira delas para os casos em que tenha havido antecipação, ainda que parcial, do pagamento de tributo lançado, hipótese em que a contagem do prazo se inicia na data do fato gerador, e a segunda regra, que aplicase para os casos em que não tenham havido antecipação parcial do pagamento de tributo, hipótese em que a contagem do prazo decadencial iniciase no primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador. Esta é a orientação que se colhe da jurisprudência em vigor emanada do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento pelo rito dos Recursos Repetitivos (art. 543C, do CPC), no sentido de que o prazo de 05 (cinco) anos começa a fluir do fato gerador, quando há antecipação de recolhimento, e do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado (entendido como ano seguinte ao da ocorrência do fato gerador), no caso de falta de antecipação parcial de pagamento. Cumprindo disposto no art. 62A, do Regimento interno do CARF, transcrevese a Ementa da decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça: Fl. 808DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 16095.000429/201013 Acórdão n.º 3402001.798 S3C4T2 Fl. 805 9 “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, §4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo incorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativode o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra de decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito tributário” 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no art. 173, I, do CTN, sendo certo que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º e 173, do Codex tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, “Do lançamento no Direito Tributário Brasileiro”, 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, “Direito Tributário Brasileiro” 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).4. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) obrigaçao ex lege de pagamento antecipado de contribuições previdenciárias não Fl. 809DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 10 restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne os fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 19991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 5. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 6. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733 SC 2007/01769940. Rel. Min. Luiz Fux. Dt. Jul. 12/08/2009) Além disso, quanto ao entendimento de quando se inicia o prazo, nos casos em que se aplique o art. 173, I, do CTN, igualmente cumpre transcrever o julgado do STJ: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITOTRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: ‘Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.’ 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória Fl. 810DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 16095.000429/201013 Acórdão n.º 3402001.798 S3C4T2 Fl. 806 11 do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que ‘o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, ‘Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro’, 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, ‘Direito Tributário Brasileiro’, 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, ‘Decadência e Prescrição no Direito Tributário’, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em FALTA O JULGAMENTO AGUARDAR) 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial Fl. 811DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 12 qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo regimental desprovido.” (AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.203.986 MG ‘2010/01395597’. Rel. Min. Luiz Fux. Dt. Jul. 09/11/2010). Aplicando referidos entendimentos (de observância obrigatória pelo CARF), ao caso em concreto, no qual houve antecipação parcial do pagamento dos tributos relativos aos fatos geradores ocorridos em 31.07 e 31.08.2005, temse que a contagem do prazo decadencial se inicia nas referidas datas em que perfectibilizados os fatos geradores mensais, de modo que o lançamento quanto a tais períodos poderiam ter sido efetuados até 31.07 e 31.08.2010, respectivamente. Considerando que a ciência do contribuinte quanto ao lançamento se deu em 20.09.2010, tenho que tais períodos se encontram fulminados pela decadência. Assim sendo, suscito de ofício e aplico as regras quanto à decadência para decretar a extinção do direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento, cancelando parcialmente a exigência quanto aos períodos de apuração compreendidos entre 01.07 a 31.08.2005. 3. Preliminar de Nulidade do Lançamento por vício no Auto de Infração: falta de indicação, no Termo de Verificação Fiscal, de quais seriam os Atos Cooperativos e os Não Cooperativos: Afirma a Recorrente que o lançamento seria nulo ante ao fato de que, no Termo de Verificação Fiscal, ou então, nos documentos que compõem o lançamento, não teria a Autoridade autuante especificado quais seriam as receitas que decorreriam de atos cooperados próprios, bem assim, quais decorreriam de atos não cooperados, e, ainda, quais as receitas seriam excluídas da base de cálculo da contribuição. Destes vícios, sobreviria, nos dizeres da Recorrente, a nulidade por violação à ampla defesa, que ficou prejudicada ante a falta de apontamento de tais elementos do lançamento fiscal. Adentrando na análise dos fatos articulados pela Recorrente, constatase, pela leitura do “Termo de Verificação e Constatação”, o seguinte excerto: “Desta forma, considerando o acima exposto, mais especificamente os termos do Acórdão 1137728, e considerando também que, relativamente ao período em questão (07/2005 a 06/2010) os valores correspondentes à COFINS recolhidos e/ou declarados em DCTF são insignificantes mediante a contribuição devida sobre as receitas do contribuinte, é necessário que se efetue o lançamento de oficio a fim de se constituir o crédito tributário relativo à COFINS no período de julho/2005 a junho/2010 (regime cumulativo), com base na receita bruta declarada em DIPJ e/ou contabilizada, excluídos aqueles valores correspondentes aos ‘atos cooperativos próprios’ definidos na LC n° 70/91 e especificados no Acórdão 1137728, conforme demonstrado na planilha denominada ‘Demonstrativo das Receitas a Tributar Base de Cálculo da COFINS’, anexa a este Termo. Da contribuição apurada serão deduzidos os valores declarados e/ou recolhidos pelo Fl. 812DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 16095.000429/201013 Acórdão n.º 3402001.798 S3C4T2 Fl. 807 13 contribuinte, conforme discriminado no item ‘C DA BASE DE CALCULO’ a seguir.” Cotejando as afirmações acima, com o documento citado (‘Demonstrativo das Receitas a Tributar Base de Cálculo da COFINS’), com aquelas constantes do item C – DA BASE DE CÁLCULO”, ambos constantes do Termo acima citado, se constata que os valores apontados como sendo as bases de cálculo objeto da tributação, são o resultado das somas das colunas descritas como sendo “NF”, “REPASSE COML”, “SOLICITAÇÕES”, “BOLT AVUL”, RCT N OP” e “OUT RCT OPERC”. Para bem apreciar a preliminar suscitada, procedi, por amostragem, essas somatórias, sem encontrar exclusões da base de cálculo, a título do que viessem a ser receitas provenientes de “Atos Cooperativos próprios”, como determinara a decisão judicial. Todas as receitas objeto de tributação, são simplesmente todas as receitas apresentadas pela Recorrente à Fiscalização. Os abatimentos identificados no Quadro denominado de “COFINS DECLARADA/RECOLHIDA – A DEDUZIR”, constante do Termo de Verificação e Constatação, correspondem a valores declarados em DIPJ ou DCTF pela Recorrente, e/ou por ela efetivamente pagos. Não se identificou exclusões da base de cálculo, nem a Recorrente trouxe provas de que tais rubricas efetivamente existiram, para contrapor aos termos que foram elaborados pela Fiscalização. Além disso, analisando o art. 15 da MP n. 2.15835/2001, verificase que não haveriam receitas a serem excluídas, dada a particularidade de que a Recorrente é uma Cooperativa de Serviço, e, consequentemente, em pouco (ou quase nada), lhe favorece as revisões de exclusões da base de cálculo. Vejamos: “Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. § 1o Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. Fl. 813DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 14 § 2o Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: I a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas.” Penso que agiu com acerto a DRJ, na decisão ora recorrida, que sobre essa mesma argumentação assim se posicionou: “Voltandose à autuação, verificase que o autuante, nos quadros de fls. 152/157 demonstrou a origem dos ingressos de recursos na cooperativa. No quadro em destaque abaixo de cada planilha, o auditor cuidou de cada item responsável pela entrada de numerário na sociedade: Notas Fiscais (corridas realizadas através de contratos com empresas), Taxa de Manutenção (valor cobrado dos cooperados para rateio das despesas), Repasse Coml (corridas pagas com cartão de crédito), Solicitações (corridas captadas pela central telefônica), Boletos Avulsos (corridas realizadas por particulares), além de outras receitas não operacionais. Por sua vez, os valores levados para a formação da base de cálculo da Cofins são aqueles expostos na tabela de fls. 359/360. Notese que apenas os valores correspondentes aos ingressos com a taxa de manutenção paga pelos cooperados (ato cooperativo próprio, de acordo com o teor da mencionada decisão judicial) foram excluídos do montante tributável.” Analisando os documentos acostados pela Recorrente em sua impugnação e também no recurso, assim como, verificando o arcabouço probatório que dos autos constam, levantados especialmente por ocasião do procedimento de fiscalização, verificase que não estão destacados nos registros apresentados pela Recorrente, receitas que se enquadrassem no conceito de Atos Cooperativos próprios. E, disto decorre que efetivamente o fato de não ter o autuante feito referidas exclusões, é porque efetivamente não ocorreram no caso em concreto. Em se tratando de matéria relativa à nulidade em sede de processo administrativo tributário, é consabido que estas devem ser analisadas dentro dos ditames abaixo: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Fl. 814DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 16095.000429/201013 Acórdão n.º 3402001.798 S3C4T2 Fl. 808 15 § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.” (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 9/12/93) “Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” “Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade.” Cotejando os dispositivos acima, com os procedimentos de fiscalização, assim como, verificado que a recorrente demonstrou plenos conhecimentos da matéria objeto do lançamento fiscal, exercendo seu direito de defesa com amplitude e conhecimento detalhado da matéria, verificase que teve, sim, resguardado seu direito de defesa, não estando presentes os requisitos que permitiriam concluir pela nulidade do lançamento. Verificouse ainda que a base de cálculo utilizada pela Fiscalização partiu das informações elaboradas e apresentadas pelo próprio sujeito passivo, que tinha, portanto, pleno conhecimento de seu conteúdo, exercitando habilmente sua defesa, também com relação à matéria quantitativa. Sendo assim, por ter o agente fiscal atendido aos princípios da legalidade, discricionariedade e motivação, e por ter a Recorrente exercitado plena e amplamente seu direito de defesa, entendo não ter havido afronta aos princípios da ampla defesa e do contraditório, deve ser rejeitada a alegação de vício insanável no ato do lançamento fiscal. Nesse contexto, no caso em análise, a parte não aponta um caso em concreto, ainda que por amostragem, limitandose a afirmar a falta desta segregação por parte da autoridade autuante. À míngua de prova desta inconsistência, que deveria já ter sido articulada na impugnação, mas que, todavia, poderia ao menos ter sido veiculada no Recurso Voluntário, em contraposição aos fundamentos constantes da DRJ (que seriam aceitáveis pelo Princípio da busca da verdade material que orienta o processo administrativo tributário), forçoso concluir pela inexistência da nulidade apontada. Consequentemente, voto por rejeitar a preliminar de nulidade suscitada. 4. Mérito: efeitos da decisão judicial proferida no processo judicial em que figurou a Recorrente como parte. Adentrando no julgamento de mérito do recurso, entendo que o cerne da contenda se focaliza em se perquirir sobre os efeitos da decisão judicial sobre o objeto da demanda, a qual resumese na existência (ou não) do direito ao gozo da isenção da COFINS sobre as receitas da recorrente, provenientes da intermediação de serviços de transporte de passageiros pelos taxistas cooperados a terceiros, e cujas receitas são recebidas pela Fl. 815DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 16 Cooperativa, que retém uma taxa de administração, repassando o valor excedente aos cooperados. Nesta atividade, é também necessário verificar o teor, o estágio processual e a extensão dos efeitos da decisão judicial sobre esse feito. Assim sendo, conforme se colhe dos autos, há decisão judicial na Ação Declaratória de Inexistência de Relação Jurídica Tributária com Pedido de Antecipação de Tutela n. 2004.61.19.000634, através do qual, após sentença que lhe fora favorável, ascendeu ao tribunal, que não concedeu ao contribuinte o reconhecimento da ilegalidade ou inconstitucionalidade da revogação da isenção da COFINS. Do teor da decisão, expressa no Acórdão proferido pela 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, nos autos da Apelação Cível n. 2004.61.19.0006347, Relator Des. Federal Leonel Ferreira, interposta pela Fazenda Nacional em face a sentença procedente, até então vigente, colhemse os seguintes trechos: “A exigibilidade da tributação não pode, portanto, ser afastada, como pretendido na ação, relativamente às sociedades cooperativas, quaisquer que sejam, sem respaldo em legislação especifica, que lhes outorgue tratamento diferenciado, ou de maneira a ampliar os limites próprios do regime fiscal positivamente instituído. Apenas se excepcionam, entretanto, neste contexto, os atos cooperativos próprios, que não correspondem, em sua pratica, ao conceito de faturamento, e sobre os quais não existe incidência destas contribuições. São aqueles descritos no artigo 79 da lei 5.764171, entendidos como os realizados entre cooperativa e cooperados e entre cooperativas, dentro do seu objetivo social, e sem inserção de qualquer terceiro. Todavia, além dos aspectos gerais da controvérsia, como supracitado, cabe uma referência à circunstância específica do caso, relacionada à natureza das atividades desenvolvidas pela autora que, como cooperativa de trabalho e não de produção, pretende excluir a tributação social sobre a intermediação de serviços prestados por cooperados a terceiros, porém fora do que qualificado, propriamente, como atos cooperativos pelo artigo 79 da Lei n° 5.764/71, segundo o qual somente os são ‘os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados para a consecução dos objetivos sociais’. Por isso mesmo, em via de conseqüência, os atos com terceiros ficam sujeitos a tributação, como revelam os artigos 86, 87 e 111 da Lei do Cooperativismo. (...) Não se pode aceitar, desta forma, qualquer raciocínio que tenda a ampliar o que se entende por ato cooperativo próprio para se abranger atos nos quais a cooperativa trata com outrem como mandatária dos cooperados e que implique em afastar as entradas de numerário em cooperativas sob o argumento de que representam rendimentos dos cooperados, e não da cooperativa, já que isto, além de tudo, representaria negar a figura da cooperativa como ente com individualidade jurídica” (transcrição de parte do v. Acórdão, constante das fls. 220 e 221). Fl. 816DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 16095.000429/201013 Acórdão n.º 3402001.798 S3C4T2 Fl. 809 17 Consequentemente, a decisão judicial reconheceu que há o direito de excluir da base de cálculo da COFINS apenas as receitas provenientes dos atos cooperativos próprios, entendidos como aqueles praticados entre a cooperativa e os cooperados, esses sim reconhecidos como Atos Cooperados típicos. Quanto às receitas provenientes do recebimento de valores pelos serviços prestados pelos cooperados a terceiros, cujos numerários ingressam no caixa da Cooperativa para posterior repasse para os cooperados, a decisão judicial foi expressa em afastar do conceito de ato cooperado, e, consequentemente, não permitiu nem que houvesse o gozo de isenção e nem que se pudesse excluir referidos valores da base de cálculo da contribuição em tela. A decisão ainda deixa clara a diferença entre cooperativas de produção e cooperativas de trabalho, para fins de exclusão de valores da base de cálculo, e, ainda, no tange ao tratamento tributário do ato cooperativo, sendo expressa em dizer não haver ilegalidade nas distinções de regimes entre categorias diferentes de cooperativa. Esses são os dizeres da decisão judicial, textualmente, e da qual não cabe a este Relator emitir qualquer juízo de valor. Assim sendo, em que pese meu posicionamento particular sobre a contenda, o qual, ademais, sequer poderia sobreporse à Lei antes que o STF viesse a declarar, eventualmente, haver inconstitucionalidade da revogação da isenção, no caso em particular, há outro princípio que deve ser observado, qual seja: respeito a decisão judicial (coisa julgada). Assim sendo, havendo uma decisão judicial, ainda que não esteja transitada em julgado, mas que seus efeitos estejam vinculando as partes, proferida em processo individual movido pela própria Recorrente, no qual demandou exatamente o reconhecimento do direito à isenção tributária sobre receitas que vieram a ser colhidas pelo lançamento tributário hostilizado, e que, consequentemente, vem a ser novamente debatido nesse processo administrativo, não há como deixar de aplicar esta decisão judicial, pois que toda a Administração Pública está a ela submissa. Não tem o CARF e nem qualquer órgão do Poder Executivo, competência para reformar ou para rescindir qualquer decisão judicial. Essa atividade cabe ao próprio Poder Judiciário, dentro dos limites permitidos pela Constituição e pela Lei Processual. Consultando o andamento processual da Ação n° 2004.61.19.000634, assim como, pela Certidão colacionada nos autos (fls. 102), constatase que houve interposição de Recurso Especial que, depois de inadmitido na origem, ascendeu ao STJ e atualmente encontrase concluso no Gabinete do Ministro Relator Cesar Asfor Rocha, na 2ª Turma, sob o n° 1.115.570, desde o dia 10/09/2010 (consulta no sítio do STJ, em 19.06.2012). Igualmente sabese que o Recurso Extraordinário interposto pela ora Recorrente, foi admitido na origem, e será apreciado pelo STF, depois que o Recurso Especial houver sido julgado pelo STJ (e desde que não se torne prejudicado). Desse modo, não se desconhece que a demanda ainda poderá vir a ser revista pelas Cortes Superiores, no âmbito do Poder Judiciário. Além disso, é sabido que a Autoridade Administrativa está compelida a praticar o ato de lançamento, para evitar e prevenir a decadência do direito de constituir o crédito tributário. Deste modo, no momento da lavratura do Auto de Infração e até este momento, não havia e não há nada que impedisse ou impeça a constituição do crédito tributário. Além disso, é munus do agente público proceder ao lançamento (art. 142, do CTN). Fl. 817DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 18 Não se conhece de nenhuma medida que suspenda ou sobreste o julgamento deste processo administrativo fiscal, especialmente pela interpretação que a Portaria CARF n° 01/2012 deu ao art. 62A, do RICARF, como explanado alhures. E, finalmente, como se verificou acima, embora pendam de apreciação os Recursos Constitucionais (Recurso Especial n° 1.115.570 e Recurso Extraordinário – já admitido na origem), é certo que os mesmos não possuem efeito suspensivo da decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, como expressamente prescreve o art. 542, do Código de processo Civil: “Art. 542. Recebida a petição pela secretaria do tribunal, será intimado o recorrido, abrindoselhe vista, para apresentar contrarazões. (Redação dada pela Lei nº 10.352, de 26.12.2001) (...) § 2o Os recursos extraordinário e especial serão recebidos no efeito devolutivo. (Incluído pela Lei nº 8.950, de 13.12.1994) (grifei) Consequentemente, até que (ou sem que) haja decisão judicial reformando o v. Acórdão proferido pelo TRF da 3ª Região, na Apelação Cível n. 2004.61.19.0006347, a decisão que está em vigor é aquela que não reconhece à Recorrente o direito em não submeter à tributação da contribuição da COFINS, as receitas provenientes da intermediação de serviços praticados pelos Cooperados a terceiros, na qual a Cooperativa figura como mandatária daqueles. Frisese que a ação judicial acima referenciada ainda não atingiu o trânsito em julgado, pendendo ainda de análise de recursos interposto perante os Tribunais Superiores. Finalmente, há notícia de que igualmente existe outra ação judicial (processo n° 2003.61.00.0183339), promovida pelo Sindicooperativas – Sindicato das Cooperativas do Estado de São Paulo, entidade do qual a Recorrente seria filiada, e que igualmente penderia de decisão final. Neste particular, entendo que a existência de uma ação individual, promovida pela própria Recorrente, afasta os efeitos da ação promovida pela Entidade de Classe, pois que aquela visa atingir toda a categoria, de forma geral. De igual maneira, se a entidade filiada viesse a sofrer derrota em processo promovido por entidade sindical, nada lhe obstaria de ingressar com ação individual, em seu próprio nome, podendo alcançar uma decisão favorável, dada às peculiaridades do caso em concreto. Daí porque entendo que havendo ação individual, esta deve se sobrepor à ação movida pela entidade sindical da qual a Recorrente fizer parte. E esta situação aplicase com ainda mais razão, ante ao fato de que a Ação Declaratória e correspondente Apelação Cível n° 2004.61.19.0006347, ainda pendem de decisão dos Recursos Especial e Extraordinário, antes que atinja o trânsito em julgado, devendo a discussão sobre a exigibilidade ou não do crédito tributário, sob o aspecto da constitucionalidade, ser travada no âmbito do Poder Judiciário. Analisando as matérias tratadas em ambos os âmbitos (administrativo e judicial), percebese que tem os mesmos objetos, tratando acerca das mesmas matérias. Desta forma, destacase a ocorrência de concomitância entre este Processo Administrativo e o Processo Judicial acima citado, fazendo com que seja necessária a aplicação da Súmula CARF nº 01, que diz o seguinte: Fl. 818DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 16095.000429/201013 Acórdão n.º 3402001.798 S3C4T2 Fl. 810 19 Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ante a tais fundamentos, no mérito, voto no sentido de não conhecer do recurso apresentado, já que a opção da Recorrente pela via judicial para a discussão da matéria, ainda que anterior ao processo administrativo, importa na renúncia da via administrativa, o que inviabiliza a análise da matéria por este Conselho. 5. Dispositivo: Ante o exposto, voto no sentido de suscitar de ofício e declarar a decadência parcial do lançamento, extinguindo o crédito tributário dos meses de julho e agosto de 2005, rejeitar as preliminares arguidas, e, finalmente, no mérito, negar conhecimento ao recurso. (Assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO
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Numero do processo: 11065.003075/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE DIAGNÓSTICO POR IMAGEM E AFINS. CLINICA DE MEDICINA. PERCENTUAL.
A prestação de serviços de clínica médica por imagem - ressonância magnética, tomografia computadorizada, radiologia, ecografia, mamografia e medicina nuclear -, por se enquadrar dentre as atividades compreendidas nas atribuições de atendimento a pacientes internos e externos em ações de apoio direto ao reconhecimento e recuperação do estado da saúde, poderá ser enquadrada como serviços hospitalares, podendo ser aplicado à referida atividade o percentual de 8% (oito por cento), para fins de determinação do lucro presumido.
Recurso provido.
Numero da decisão: 1302-001.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Eduardo de Andrade - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo de Andrade (Presidente), Waldir Veiga Rocha, Paulo Roberto Cortez, Márcio Rodrigo Frizzo, Alberto Pinto Souza Junior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE DIAGNÓSTICO POR IMAGEM E AFINS. CLINICA DE MEDICINA. PERCENTUAL. A prestação de serviços de clínica médica por imagem ressonância magnética, tomografia computadorizada, radiologia, ecografia, mamografia e medicina nuclear , por se enquadrar dentre as atividades compreendidas nas atribuições de atendimento a pacientes internos e externos em ações de apoio direto ao reconhecimento e recuperação do estado da saúde, poderá ser enquadrada como serviços hospitalares, podendo ser aplicado à referida atividade o percentual de 8% (oito por cento), para fins de determinação do lucro presumido. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Presidente em exercício (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 30 75 /2 00 9- 51 Fl. 714DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 2 Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo de Andrade (Presidente), Waldir Veiga Rocha, Paulo Roberto Cortez, Márcio Rodrigo Frizzo, Alberto Pinto Souza Junior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.003075/200951 Acórdão n.º 1302001.055 S1C3T2 Fl. 3 3 Relatório TOMOCLÍNICA TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA S/S LTDA., contribuinte inscrita no CNPJ/MF sob nº 93.542.603/000104, com domicílio fiscal na cidade de Canoas RS, Estado do Rio Grande do Sul, à Rua Santos Ferreira, nº 1864 Bairro Chácara Barreto, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo RS, inconformada com a decisão de Primeira Instância de fls. 656/669, prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 677/707. Contra a contribuinte, acima identificada, foi lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo RS, em 16/12/2009, Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 134/161), com ciência pessoal, em 17/12/2009 (fl. 244), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 2.103.300,07, a título de imposto e contribuição, acrescidos da multa de ofício normal de 75%; dos juros isolados e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do tributo e contribuição referente aos exercícios de 2005 a 2008, correspondente aos anoscalendário de 2004 a 2007, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização onde a autoridade fiscal lançadora constatou aplicação incorreta do coeficiente de presunção de lucro sobre as receitas de prestação de serviços de execução de exames de tomográficos, interpretação e parecer. O contribuinte entendeu que o lucro presumido de sua atividade seria calculado pelo percentual de 8%, como se clínica de interpretação de imagens fosse enquadrada no conceito de hospitaldia. Todos os valores pagos, ou declarados, com base no percentual de 8% foram considerados neste auto de infração, para o correto lançamento da parcela do tributo não declarada. Infração capitulada nos arts. 518 e 519, do RIR/99. Em sua peça impugnatória de fls. 163/200, apresentada, tempestivamente, em 18/01/2010, o autuado se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que, o art. 15 do Decreto 70.235/72 que regula o processo administrativo fiscal na Receita Federal que o prazo para impugnação do auto de infração é de 30 dias, contados de sua ciência pelo contribuinte, assim como consta no auto de infração lavrado contra a impugnante; que o período apurado no auto de infração, diz respeito quanto ao IRPJ do ano exercício 2005 até o ano completo de 2007, e quanto a CSLL ao ultimo trimestre de 2004 ao ano completo de 2007; que a administração alega que a impugnante recolheu Imposto de Renda sobre a modalidade de lucro presumido sobre a alíquota de 8% e CSLL com alíquota de 12%, Fl. 716DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 4 quando deveria ter utilizado a alíquota de 32% pois não se enquadra no beneficio tributário decorrente da prestação de serviços hospitalares; que, na ação fiscal, apurou a auditoria da SRF a existência destas diferenças, chegando ao valor devido de diferenças de IRPJ em R$ 774.876,09, mais juros de mora de R$ 292.841,06 e multa (75%) de R$ 581.157,04, subtotalizando o IRPJ em R$ 1.648.874,19, e relativo a CSLL de R$ 213.959,22, com juros de mora de R$ 79.997,30 e multa (75%) de R$ 160.469,36, subtotalizando a CSLL em R$ 454.425,88, e, totalizando o auto de infração em R$ 2.103.300,07; que é de conhecimento público, ou ao menos deveria ser, pois direito constitucional, que é assegurado o direito ao devido processo legal, materializado no exercício do contraditório e da mais ampla defesa, inclusive na via administrativa, tudo conforme dispõe o art. 5°, L IV e LV da CF; que a impugnante não teve nenhum contato com o auditor que lavrou o auto, com exceção do dia da ciência do mesmo, quando então o auditor verificou as instalações da unidade hospitalar e informou que serviria de testemunha para comprovação dos serviços hospitalares, mas que o auto já estava lavrado e não podia voltar atrás, restringindose o auditor na ação fiscal a contatar com o escritório que presta serviços contábeis à impugnante; que o auditor no dia de entrega do auto de infração ao diretor da impugnante, foi por este convidado para conhecer as instalações técnicas das unidades da empresa impugnante, para assim verificar os serviços médicos/hospitalares que realizam, com beneficio fiscal de alíquota reduzida, mas tal solicitação não foi aceita pelo auditor, informando que o auto de infração estava lavrado e que poderiam impugnálo se não concordassem com seu teor; que a legislação não traz nenhuma exigência, salvo a prestação de serviços hospitalares, sendo concedido o beneficio fiscal de forma objetiva, em razão do serviço prestado, ou seja, o fim buscado pela norma não foi concedêla ao contribuinte hospital, não devendo haver restrição do beneficio fiscal apenas aos hospitais, visto que não foi esta a intenção legis que repetese tem caráter objetivo, e isto aliado ao art. 111 do CTN, que busca a isonomia e equidade tributária, percebese que inexiste critério subjetivo a aplicação do termo nuclear serviços hospitalares, isso porque a lei não faz nenhuma exigência, e assim não pode a RE ou qualquer outro órgão da administração querer a partir da interpretação restritiva/subjetiva da norma, enquadrar do ponto de vista fiscal, através de atos infralegais as exigências e requisitos para a obtenção do beneficio fiscal, atribuído de forma objetiva (não discriminado) pela lei; que os serviços hospitalares não são restritivos a hospitais nosocômios, e nem devem ser prestados apenas no interior dos mesmos, mas sim que são serviços de promoção da saúde e que são realizados também por hospitais, a ponto de que se executado pelo nosocômio ocorrer a obtenção do beneficio, e por certo, se o mesmo serviço realizado por clinica médica, dentro ou fora do nosocômio também obterá o beneficio; que, portanto, evidente o excesso da IN, haja vista que o beneficio fiscal que trata a Lei 9.249/95 tem como escopo principal a consideração do serviço prestado, e a nova instrução deixou a atividade a ser realizada pelo contribuinte em segundo plano, e preocupou se em estabelecer condições a serem preenchidas pelos contribuintes, o que contraria a intenção legis da lei; Fl. 717DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.003075/200951 Acórdão n.º 1302001.055 S1C3T2 Fl. 4 5 que, não é aceitável a distinção pretendida pelo Fisco, ao considerar determinadas pessoas prestadoras de serviços hospitalares apenas aquelas que possuem estrutura para internação de pacientes, o que em última analise restringiria o benefício na maioria esmagadora dos casos aos hospitais, criando requisitos/obstáculos não previstos em lei; que, com esse argumento a impugnante não pretende mitigar o poder legiferante, ainda que secundário, da RFB, mas sim demonstrar que uma simples IN não pode ultrapassar os ditames legais, isso porque devem obediência à lei; sendo assim os atos infralegais editados devem preconizar um melhor controle das empresas que se utilizam de beneficio e não criar requisitos e condições para sua fruição, eis que tal argumento tem sucedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostram irrelevantes para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares. Ademais, tal construção possibilitaria autorizar ao Fisco escolher livremente a qualificação dos contribuintes para cada tipo de tributo e para cada forma de recolhimento e, com isso, serlheia dado sempre alterar a matéria tributável como se legislador fosse, o que resta ficar claro, embora dispensável, que não é. que, portanto, cristalino que as referidas sociedades de prestação de serviços médicos deverão utilizar como base de cálculo para apuração do Imposto de Renda a alíquota de 8% e de 12% para a CSLL; que a impugnante é de verdade prestadora de serviços hospitalares, e isto se verifica de vereda, não apenas com base nos exames diagnósticos e procedimentos que executa, mas também em face de localizarse dentro de nosocômio; que a impugnante realiza procedimentos diagnósticos e terapêuticos nas áreas de tomografia computadorizada, ressonância magnética e radiologia geral e intervencionista e outros procedimentos cirúrgicos orientados por imagem; que, para o desenvolvimento de tais atividades intervencionistas, necessita se de um corpo médico, enfermeiras, técnicos de enfermagem, técnicos de raiosx, leitos, sala de recuperação, de aspecto similar a estrutura de um hospital, porém proporcionalmente de acordo com a complexidade dos procedimentos realizados, razão pela os serviços são prestados dentro do ambiente hospitalar, seja na filial ou na matriz dentro do Hospital Nossa Senhora das Graças; que, com o intuito de demonstrar ainda mais o enquadramento da impugnante como prestadora de serviços hospitalares, juntase dezenas de notas fiscais, por amostragem, do período de apuração pela autoridade fiscal, onde constam a execução dos serviços prestados nos e aos Hospitais, sendo que as notas relativas ao Hospital Nossa Senhoras das Graças de Canoas, é emitida em nome de sua mantenedoras Associação Beneficente de Canoas — ABC. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, os membros da Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS concluíram pela improcedência da impugnação e pela manutenção do crédito tributário lançado com base, em síntese, nas seguintes considerações: que, a impugnação atende as formalidades legais, razão pela qual deve ser conhecida; Fl. 718DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 6 que, inicialmente, cabe esclarecer que a Lei n.º 9.784, de 1999, citada pelo Contribuinte, regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, sendo que o art. 69 assim dispõe: “Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhe apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei.”. Depreendese desse dispositivo legal que os processos administrativos específicos devem continuar a regerse por lei própria; que, esse dispositivo legal aplicase no caso do presente processo, pois tratase de processo administrativo fiscal (específico) regido por legislação própria, ou seja, pelo Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações posteriores. Desse modo, para a solução do litígio, aplicase o Decreto nº 70.235, de 1972; que verificase que o primeiro dispositivo legal transcrito enumera os requisitos a serem observados pelo servidor quando da lavratura do Auto de Infração. A ausência de um ou alguns desses requisitos, se presente qualquer das situações enunciadas no artigo 59 do mesmo Decreto, pode implicar na nulidade do lançamento. No segundo dispositivo, são enumeradas as hipóteses de nulidade de atos administrativos que, no caso, não se vislumbra a ocorrência de nenhuma dessas hipóteses de nulidade. Os Autos de Infração foram lavrados por servidor competente e não ocorreu a hipótese de cerceamento do direito de defesa. Foram cumpridos todos os preceitos da legislação em vigor, constando a perfeita descrição do fato e os dispositivos legais infringidos, obedecendo o art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 1972, como se verifica nos autos; que, não foram violados os princípios do contraditório e da ampla defesa. De acordo com o art. 14 do Decreto n.º 70.235, de 06 de março de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, a fase litigiosa do procedimento somente se instaura com a impugnação do Contribuinte ao ato administrativo do lançamento, atendendo, assim, ao que dispõe o art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, de 1988, que assegura aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral, o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; que, antes do julgamento, a possibilidade ou não de ser exercido o direito de defesa deve ser analisada em todo o contexto e não exclusivamente sob o ponto de vista formal. Devese averiguar se o Contribuinte foi devidamente cientificado das infrações que lhe estão sendo imputadas e, ainda, se tem condições para, por meio do conteúdo do auto de infração, devidamente instruído com todos os termos, depoimentos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, contestar a acusação e produzir prova de seu direito; que, no presente caso, não ocorreu violação aos princípios constitucionais citados pela autuada, tendo sido concedido ao sujeito passivo o mais amplo direito à defesa e ao contraditório, pois teve a oportunidade de apresentar, tanto na fase de instrução do processo e em resposta às intimações que recebeu, quanto na fase de impugnação, argumentos, alegações e documentos no sentido de tentar elidir as infrações apuradas pela fiscalização; que no caso de perícia, a lei determina que devem ser expostos os motivos que justifiquem a perícia, formulados os quesitos e nomeado o perito. Se não atender a todos esses requisitos, considerase como não formulado o pedido de perícia; que, no caso em tela, o Contribuinte não formulou os quesitos referentes aos exames desejados, nem nomeou o seu perito, não atendendo, portanto, os requisitos determinados no inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972; Fl. 719DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.003075/200951 Acórdão n.º 1302001.055 S1C3T2 Fl. 5 7 que, quanto à jurisprudência administrativa citada pelo Contribuinte, cabe esclarecer que a mesma não vincula o julgador administrativo, constituindo tão somente elemento adicional na formação do convencimento, não podendo ser estendida administrativamente. A autoridade administrativa não pode ir além do que a lei lhe determina que seja exigido, como também não pode conceder benefícios que ultrapassem o legalmente previsto; que o Contribuinte requer oitiva do diretor técnico do Hospital Nossa Senhora das Graças do município de Canoas. Entretanto, na legislação que regula o processo administrativo fiscal, não há prevista para a produção de prova testemunhal. Desse modo, indeferese a solicitação dirigida nesse sentido pelo Contribuinte; que a controvérsia é acerca do direito ou não à aplicação dos percentuais de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL; que, contrato social e alterações, onde consta como atividade a prestação de serviços médicos, especializados em diagnósticos em imagem, tais como ressonância magnética, tomografia computadorizada, radiologia, ecografia, densitometria óssea, mamografia e medicina nuclear; que constatase que o legislador fez uma distinção clara entre “serviços hospitalares” e serviços “de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas”. Não se trata de norma interpretativa acerca do alcance do termo “serviços hospitalares”, mas sim, a inclusão de novos serviços; que, no caso ora analisado, os fatos geradores se referem aos anos calendário de 2004, 2005, 2006 e 2007; portanto, antes da edição da Lei nº 11.727, de 2008. Assim, cabe verificar se as atividades desenvolvidas pelo Contribuinte, nesses anoscalendário, se enquadravam ou não como serviços hospitalares, devendo ser seguido o entendimento da Receita Federal do Brasil vigente à época; que, sobre o assunto, a RFB publicou uma série de Instruções Normativas, entre as quais a Instrução Normativa SRF nº 306, de 2003, a Instrução Normativa SRF nº 480, de 2004, a Instrução Normativa SRF nº 539, de 2005 e a Instrução Normativa SRF nº 791, de 2007; que a Instrução Normativa SRF nº 306, de 12 de março de 2003, art. 23, dispõe que podiam ser considerados serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas, diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de uma das atividades ou a combinação de uma ou mais das atribuições de que trata a Parte II, Capítulo 2, da Portaria GM nº 1.884, de 11 de novembro de 1994, do Ministério da Saúde; que o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 18, de 23 de outubro de 2003, publicado pela SRF (RFB), considera serviços hospitalares aqueles prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde constituídos por empresários ou sociedades empresárias. Independente da forma de constituição da pessoa jurídica, não são considerados serviços hospitalares, ainda que com o concurso de auxiliares ou colaboradores, quando foram: a) prestadores exclusivamente pelos sócios da empresa; b) referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza científica, dos profissionais envolvidos. Os termos Fl. 720DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 8 auxiliares e colaboradores de que trata o caput referemse a profissionais sem a mesma habilitação técnica dos sócios da empresa e que a esses prestem serviços de apoio técnico ou administrativo; que, como visto, um dos requisitos é que os estabelecimentos assistenciais e saúde estejam constituídos por empresários ou sociedades empresárias e inscritos obrigatoriamente no Registro Público das Empresas Mercantis (art. 967 do Novo Código Civil); que a normativa SRF nº 306, de 12 de março de 2003, art. 23, dispõe que podiam ser considerados serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas, diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de uma das atividades ou a combinação de uma ou mais das atribuições de que trata a Parte II, Capítulo 2, da Portaria GM nº 1.884, de 11 de novembro de 1994, do Ministério da Saúde; que em resumo, até a edição da Lei nº 11.727, de 2008, para se beneficiar do coeficiente de 8% para o IRPJ e da alíquota de 12% para a CSLL, o estabelecimento devia prestar serviços de natureza hospital, contendo uma estrutura e organização suficientes que possibilite a internação de pacientes; que no caso dos autos, os serviços prestados pelo Contribuinte durante o período fiscalizado não se enquadram como serviços hospitalares, não podendo utilizar os coeficientes de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL, eis que não atendeu integralmente aos requisitos impostos pelas instruções normativas citadas; que, também, nesses anoscalendário o Contribuinte não podia usufruir dos percentuais reduzidos, eis que não atendeu integralmente aos requisitos impostos pelas Instruções Normativas SRF nºs. 480, de 2004 e 539, de 2005, já mencionadas anteriormente; que a partir da vigência da Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004, o Contribuinte não comprovou que era um estabelecimento hospitalar . Não apresentou comprovação de que possuía pelos menos cinco leitos para internação de pacientes, que garantia um atendimento básico de diagnóstico, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, que possuía serviços e enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com serviços de cirurgia e/ou parto; que, além disso, o estabelecimento não estava registrado no Registro Público de Empresas Mercantis (Junta Comercial), fato esse que impedia usufruir do benefício do percentual de presunção reduzida; que, também, a partir da vigência da IN SRF nº 539, de 25/04/2005, não comprovou que exercia uma ou mais das seguintes atribuições de que trata o subitem 2.1 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC nº 189, de 18 de julho de 2003; que diante do exposto, entendese que as atividades desenvolvidas pelo Contribuinte, nos anoscalendário de 2004, 2005, 2006 e 2007, não se enquadram como serviços hospitalares, mas sim, como prestadora de serviços em geral, devendo ser mantido o percentual de 32% sobre a receita bruta para fins de apuração do lucro presumido; Fl. 721DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.003075/200951 Acórdão n.º 1302001.055 S1C3T2 Fl. 6 9 que em relação à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, pelos motivos já mencionados, também deve ser mantido o percentual de 32% para fins de apuração da sua base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2004, 2005, 2006, 2007 NULIDADE. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL Rejeitase a preliminar de nulidade quando o processo administrativo fiscal obedece as determinações legais e garante ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa, e não foi provada nenhuma violação aos arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. NULIDADE. NÃO VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO Nos termos da legislação de regência, o direito à defesa só se estabelece após a ciência do lançamento. Assim, o Auto de Infração não pode ser declarado nulo por cerceamento do direito de defesa, nem por ofensa ao princípio do contraditório, se constarem no processo elementos suficientes para o conhecimento da infração cometida, os quais podiam ser examinados pelo contribuinte durante o prazo de impugnação, possibilitando, assim, o pleno exercício de sua defesa. DILIGÊNCIA E PERÍCIA Considerase não formulados os pedidos de diligência e de perícia que deixem de atender aos requisitos previstos na legislação de regência. OITIVA DE TESTEMUNHAS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL Não há previsão legal que permita a oitiva de testemunhas na primeira instância do julgamento do contencioso Administrativo Fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. REQUISITOS Para ser considerado serviço de natureza hospitalar é necessário que o empresário ou a sociedade empresária ostentem caráter empresarial e que as atividades desenvolvidas e a estrutura física do estabelecimento se enquadrem naquelas determinadas pela legislação vigente. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 10 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. REQUISITOS Para ser considerado serviço de natureza hospitalar é necessário que o empresário ou a sociedade empresária ostentem caráter empresarial e que as atividades desenvolvidas e a estrutura física do estabelecimento se enquadrem naquelas determinadas pela legislação vigente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 25/06/2012, conforme Termo constante à fl.673, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (23/07/2012), o recurso voluntário de fls. 677/707, instruída com documentos adicionais, fls. 708/711 no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que, como os procedimentos são de alta complexidade e envolvem risco de vida, são recebidos pacientes de todo o Estado, em face da pouca oferta de serviços especializados no interior e mesmo da Capital e a infraestrutura necessária para recebêlos; que para o desenvolvimento de tais atividades intervencionistas se necessita de um corpo médico, enfermeiras, técnicos de enfermagem, técnicos de raiosx, leitos, sala de recuperação, de aspecto similar à estrutura de um hospital, porém proporcionalmente de acordo com a complexidade dos procedimentos realizados, razão pela os serviços são prestados dentro do ambiente hospitalar, seja na filial ou na matriz dentro do Hospital Nossa Senhora das Graças; que o ato de desonerar determinada situação, seja pela imunidade, isenção ou mesmo o uso de alíquotas reduzidas, tem como objetivo estimular determinadas condutas dos indivíduos, o que é uma característica marcante da extrafiscalidade; que, quando se verifica a desoneração dos serviços hospitalares, percebese o nítido interesse de se preservar a vida, de forma digna, oferecendo serviços acessíveis, tanto pela ótica publica quanto pela privada; que, de forma, a trazer segurança bem como celeridade ao procedimento administrativo, determinou o Ministro da Fazenda, por meio da Portaria nº 256, de 2009 e alterações posteriores, que as decisões dos tribunais superiores deverão ser respeitados pelo CARF; que, de forma sucinta, a sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C trata dos processos que, por terem como objeto o mesmo tema, um é selecionado dentre outros, o qual será julgado e tal julgamento deverá ser seguido nos outros casos nestes dois tribunais; que, no caso do STF, o legislador determinou que um processo somente será avaliado por este tribunal caso seja declarada a sua repercussão geral. A recepção da lide terá Fl. 723DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.003075/200951 Acórdão n.º 1302001.055 S1C3T2 Fl. 7 11 avaliação de existência, ou não, de questões relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico, que ultrapassem os interesses subjetivos da causa; que, no caso do STJ, os recursos repetitivos, tendo um recurso sido escolhido, os demais aguardarão a decisão final deste. A decisão final deste caso será aplicável aos demais casos sobrestados; que tal entendimento está disposto no artigo 5º da Resolução nº 8, de 7 de agosto de 2008, que tem por objetivo estabelecer os procedimentos relativos ao processamento e julgamento de recursos especiais repetitivos; que do julgamento de mérito do Recurso Repetitivo nº 1.116.399, julgado pelo STJ, relativo aos limites semânticos do termo “serviços hospitalares” de forma a determinar a alíquota aplicável do imposto de renda pelo lucro presumido; que a questão da definição do alcance do sentido do sintagma nominal “hospitalar” na conformação do signo “serviços hospitalares” foi levado à apreciação dos tribunais judiciais, a qual culminou com a decisão final do Superior Tribunal de Justiça, em Embargos de Declaração do Recurso Especial nº 1399 – BA; que o tribunal superior considerou que o serviço hospitalar não está adstrito às determinações emanadas pelas Instruções Normativas aqui já citadas, sendo aplicável a todo e qualquer serviço prestado por clinica, fazendo tal decisão apenas duas exceções: (a) Serviços puros de consulta, o que não se aplica no caso da impugnante, dado que sua atividade é a de serviços hospitalares de imagem; e (b) Serviços excluídos pela Lei nº 11.727/08, o que também não se aplica, dado que o auto de infração corresponde aos períodos de apuração entre 2004 e 2008 e tal lei passou a exarar seus efeitos somente a partir de 2009; que, desse modo, este tribunal determinou que as restrições impostas pelas Instruções Normativas não devem prevalecer, dado que a lei nº 9.249, de 1995, que instituiu tal previsão, não fez qualquer distinção. É o relatório. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 12 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. A matéria de mérito em discussão, nesta fase recursal, se estende as seguintes irregularidades constatadas pela autoridade fiscal lançadora, matérias descritas nos Autos de Infrações lavrados (fls. 134/161): 1 O Auto de Infração do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), às fls. 147 a 150, com os demonstrativos de fls. 135 a 146, exige o recolhimento do valor de R$ 774.876,09 de imposto, acrescido da multa de 75%, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007 e dos juros de mora, em razão da aplicação incorreta do percentual para a determinação do lucro presumido, no 4º trimestre de 2004 e nos 1º, 2º, 3º e 4º trimestres dos anoscalendário de 2005 a 2007. Conforme descrição dos fatos, para a apuração do lucro presumido, o Contribuinte aplicou o coeficiente de 8% sobre as receitas apuradas nesses períodos, quando o correto seria 32%, eis que a sua atividade consiste na prestação de serviços de execução de exames de tomografia, interpretação e parecer. O Contribuinte entendeu que o lucro presumido fosse calculado pelo percentual de 8%, como se a clinica de interpretação fosse enquadrado no conceito de serviços hospitalares (hospitaldia). Infração capitulada nos arts. 518 e 519 do RIR/1999. 2 O Auto de Infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), às fls. 157 a 161, com os demonstrativos de fls. 151 a 156, exige o recolhimento do valor de R$ 213.959,22 de contribuição, acrescido da multa de 75% e dos juros de mora, em razão da aplicação incorreta do percentual para a determinação da base de cálculo da CSLL, no 4º trimestre de 2004 e nos 1º, 2º, 3º e 4º trimestres dos anoscalendário de 2005 a 2007. Conforme descrição dos fatos, o Contribuinte aplicou o coeficiente de 12% sobre as receitas apuradas nesses períodos, quando o correto seria 32%, eis que a sua atividade consiste na prestação de serviços de execução de exames de tomografia, interpretação e parecer. Infração capitulada no art. 2º, e §§, da Lei nº 7.689, de 1988, art. 29 da Lei nº 9.430, de 1996 e art. 37 da Lei nº 10.637, de 2002. A decisão recorrida manteve o lançamento sob o argumento básico de que para ser considerado serviço de natureza hospitalar é necessário que o empresário ou a sociedade empresária ostentem caráter empresarial e que as atividades desenvolvidas e a estrutura física do estabelecimento se enquadrem naquelas determinadas pela legislação vigente. Inconformada, em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, a contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, em sua defesa, suscita basicamente que o Superior Tribunal Justiça considerou que o serviço hospitalar não está adstrito às determinações emanadas pelas Instruções Normativas, sendo aplicável a todo e qualquer serviço prestado por clinica, fazendo tal decisão apenas duas exceções: (a) Serviços puros de consulta, o que não se aplica no caso da impugnante, dado que sua atividade é a de Fl. 725DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.003075/200951 Acórdão n.º 1302001.055 S1C3T2 Fl. 8 13 serviços hospitalares de imagem; e (b) Serviços excluídos pela Lei nº 11.727/08, o que também não se aplica, dado que o auto de infração corresponde aos períodos de apuração entre 2004 e 2008 e tal lei passou a exarar seus efeitos somente a partir de 2009. Observa, ainda, que para o desenvolvimento de suas atividades intervencionistas necessita de um corpo médico, enfermeiras, técnicos de enfermagem, técnicos de raiosx, leitos, sala de recuperação, de aspecto similar à estrutura de um hospital, porém proporcionalmente de acordo com a complexidade dos procedimentos realizados, razão pela os serviços são prestados dentro do ambiente hospitalar, seja na filial ou na matriz dentro do Hospital Nossa Senhora das Graças. Resta claro nos autos de que a atividade econômica da recorrente referese a serviços médicos, especializados em diagnóstico por imagem, tais como: ressonância magnética, tomografia computadorizada, radiologia, ecografia, dosimetria óssea, mamografia e medicina nuclear, realizados nas dependências de suas instalações. A matéria posta ao exame do Colegiado tem sido objeto de diversos pronunciamentos da Administração Fazendária para estabelece um conceito do que sejam atividades hospitalares, todas elas identificando a expressão como atividade de hospital, ou, por extensão, atividades que considera préhospitalares, na área de urgência, prestadas por unidades móveis de UTI. No fundo, que seja exercida por hospital, onde existe internação em caráter de 24 horas e onde existam serviços de hotelaria, lavanderia, culinária e segurança. Ou seja, restringe o conceito a serviços prestados por hospital. E isto porque a se atender todas as exigências da Administração para a prestação da atividade de exame de diagnóstico uma clínica nele especializada se tomaria um verdadeiro hospital. Não se leva em consideração que esses exames são realizados por aparelhos alguns altamente sofisticados e de elevado custo e cujos resultados são "lidos" por médicos que expedem os necessários laudos. A importância dos equipamentos é de tanta predominância que se o laudo não for elaborado na clínica, outro médico, de posse das imagens, poderá fazêlo. Daí justificarse o porquê a lei não estabelece as restrições e exigências trazidas pela Administração para limitar o exercício de um direito estabelecido pela lei. O artigo 15, § 1º, III, "a", da Lei n° 9.249, de 1995, tem a seguinte redação: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n° 8.981 de 20 de janeiro de 1995. § 1° Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Como se vê, o texto legal não autoriza as exigências estabelecidas pela Administração do tributo. Fl. 726DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 14 Devese lembrar que se o hospital tem custos com hotelaria, lavanderia, culinária, atividade por 24 horas gerados pelas internações, cobra o diferencial correspondente a cada atividade. Esses custos nada têm a ver com a realização de exames radiológicos, e, sim com as internações. Quando alguém precisa se submeter a exames radiológicos não vai à procura do médico, mas em busca das imagens que precisam ser feitas para leválas ao seu médico assistente. Se a pessoa está internada ou não o resultado do exame radiológico será o mesmo, de modo que é irrelevante o requisito da internação. Ora, dizer que se esse exame é feito em hospital o coeficiente será de 8% e se for feito fora dele será de 32%, não tem sentido, pois a atividade é a mesma, o trabalho é o mesmo, o custo é o mesmo. Buscar condições ou restrições não constantes da lei para considerar os exames por imagem como prestação de serviços profissionais não pode prosperar. E também uma redundância porque toda atividade hospitalar está sujeita ao coeficiente de 8%. Não se podem mudar conceitos em função de arrecadação ou de estancar restituição de tributos. O conceito tem de ser jurídico e não em função do Caixa do Estado. A postura cambiante da Administração no trato dessa matéria, inicialmente restringindo o conceito, ora alargando o conceito, ora voltando a restringilo, indicia esse comportamento. Além disso, os esclarecimentos prestados pela empresa demonstram que, apesar de tudo, ela atende a diversos requisitos que a Administração entende necessários para caracterizar a sua atividade como serviços hospitalares. Em resumo: Os serviços de exames clínicos de diagnóstico por imagem se insere no conceito de serviços hospitalares de que trata o art. 15, § 1°, III, "a", da Lei n° 9.249, de 1995, sendo a sua base de cálculo do imposto, em cada mês, determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente. A jurisprudência deste Tribunal Administrativo caminha neste sentido, como podemos observar nos julgados abaixo mencionados: Acórdão nº 10323075 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL. Demonstrado nos autos que o sujeito passivo exerce atividades definidas na legislação como serviços hospitalares, cabível a apuração do lucro presumido com percentual de 8%. Fl. 727DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.003075/200951 Acórdão n.º 1302001.055 S1C3T2 Fl. 9 15 Acórdão nº 10195766 IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA — PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE HEMODIÁLISE — NATUREZA HOSPITALAR — AL1QUOTA DE 8% SOBRE A RECEITA BRUTA MENSAL. Não importa o local em que o serviço é prestado para que sua natureza seja considerada hospitalar, mas tão somente a essência intrínseca da prestação, qual seja, dar amparo à saúde humana. Considerandose a complexidade que envolve a prestação de serviço de hemodiálise, que exige pessoal especializado, espaço físico adequado, equipamentos sofisticados e rotinas procedimentais especificas, o mesmo pode ser enquadrado como 'serviços hospitalares, devendolhe ser aplicada a alíquota reduzida de 8% para fins de apuração da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. Acórdão nº 10708062 SERVIÇOS HOSPITALARES – COEFICIENTES PARA APURAÇÃO DE LUCRO PRESUMIDO — Demonstrado que a prestação de serviços por estabelecimentos de assistência à saúde se enquadrem dentre as atividades compreendidas como serviços hospitalares, cabível a aplicação do coeficiente de 8%, para fins de apuração de lucro presumido. Acórdão nº 10515473 SERVIÇOS HOSPITALARES – LABORATÓRIO DE ANALISES CLINICAS LUCRO PRESUMIDO – Para fins de definição dos percentuais de presunção a serem utilizados na apuração da base de cálculo do IRPJ, constitui prestação de serviços hospitalares a atividade de laboratório de análises clinicas, desde que estejam presentes os elementos necessários para que a pessoa jurídica possa ser qualificada como sociedade empresária, ainda que o registro de seu contrato social não atenda aos requisitos formais impostos pela legislação comercial. Recurso voluntário provido Acórdão nº 10195117 LUCRO PRESUMIDO — SERVIÇOS DE HEMODIÁLISE — ALÍQUOTA APLICÁVEL — LEI N° 9.249/95 — CONTEXTO FÁTICO — ATIVIDADE HOSPITALAR — A interpretação do julgador deve se vincular a lei, e para proceder a aplicação consentânea ao Direito deve considerar todos os fatos da realidade operacional da atividade desenvolvida pela contribuinte. Em face disso, os serviços prestados de hemodiálise, considerando a estrutura funcional, e demais condições operacionais, que compõem o caráter empresarial da prestação, não se confundem com uma mera prestação de serviços de profissão regulamentada, mas sim e propriamente, no caso concreto, com verdadeira prestação de serviços hospitalares. Assim, tal enquadramento quanto a alíquota aplicável no regime de tributação de lucro presumido, se insere Fl. 728DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 16 na exceção prevista no art. 15, §1°, inciso III, alínea 'a' da Lei n° 9.249/95. Recurso provido. Acórdão nº 10808280 IRPJ LUCRO PRESUMIDO PERCENTUAIS — PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE DIAGNÓSTICO POR IMAGEM A mencionada prestação de serviços por se enquadrar dentre as atividades compreendidas nas atribuições de atendimento a pacientes externos e internos em ações de apoio à recuperação da saúde, poderão ser enquadradas como serviços hospitalares, podendolhes ser aplicado o 'percentual de 8% para fins de determinação do lucro. Por fim, é de se ressaltar que a questão da definição do alcance do sentido do termo “hospitalar” na conformação de “serviços hospitalares” foi levado à apreciação dos tribunais judiciais, a qual culminou com a decisão final do Superior Tribunal de Justiça, em Embargos de Declaração do Recurso Especial nº 1.116.399 – BA, conforme as ementas abaixo: RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.399 BA (2009/00064810) RELATOR : MINISTRO BENEDITO GONÇALVES RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : LABORATÓRIO DE ANÁLISES JOÃO PINTO CUNHA S/C LTDA ADVOGADO : ISALBERTO ZAVÃO E OUTRO(S) EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a Fl. 729DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.003075/200951 Acórdão n.º 1302001.055 S1C3T2 Fl. 10 17 orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. EDcl no RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.399 BA (2009/00064810) Fl. 730DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 18 RELATOR : MINISTRO BENEDITO GONÇALVES EMBARGANTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMBARGADO : LABORATÓRIO DE ANÁLISES JOÃO PINTO CUNHA S/C LTDA ADVOGADO : ISALBERTO ZAVÃO E OUTRO(S) EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. 1. Os embargos de declaração são cabíveis quando o provimento jurisdicional padece de omissão, contradição ou obscuridade nos ditames do art. 535, I e II, do CPC, bem como para sanar a ocorrência de erro material. 2. A parte embargante aduz que há no acórdão embargado, basicamente, três questões a serem esclarecidas, quais sejam: (i) a atividade de consulta médica realizada no interior dos hospitais por profissionais com vínculo com a instituição deve ser conceituada como serviços hospitalares para efeito de beneficiarse da redução da base de cálculo?; (ii) estão (ou não) abrangidas pelo benefício fiscal as consultas médicas prestadas em consultório médico não localizado no interior do hospital, mas com prestação de serviços que não a simples consulta médica?; e (iii) as consultas médicas prestadas em consultório médico de forma exclusiva se incluem no benefício? 3. No caso dos autos, o Colegiado foi claro e preciso ao afirmar que são excluídas dos benefícios tendentes à redução das alíquotas ora pleiteadas as atividades destinadas unicamente à realização de consultas médicas, de sorte que a conclusão ora buscada pela embargante decorre da simples leitura do acórdão embargado. 4. Não obstante, a fim de dirimir quaisquer dúvidas sobre o que foi efetivamente decidido pelo colegiado, prevenir interpretações errôneas do julgado, bem como o manejo de novos aclaratórios, devese esclarecer que a redução da base de cálculo de IRPJ na hipótese de prestação de serviços hospitalares prevista no artigo 15, § 1º, III, "a", da Lei 9.249/95, efetivamente, não abrange as simples atividades de consulta médica realizada por profissional liberal, ainda que no interior do estabelecimento hospitalar. Por conseguinte, também é certo que o benefício em questão não se aplica aos consultórios médicos situados dentro dos hospitais que só prestem consultas médicas. Fl. 731DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11065.003075/200951 Acórdão n.º 1302001.055 S1C3T2 Fl. 11 19 5. Ademais, por ocasião do julgamento dos embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão proferido no REsp 951.251PR, o eminente Ministro Relator afirmou que: "Não há que se estender o benefício aos consultórios médicos somente pelo fato de estarem localizados dentro de um hospital, onde apenas sejam realizadas consultas médicas que não envolvam qualquer outro procedimento médico." 6. Embargos de declaração rejeitados. Como visto, o Superior Tribunal Justiça considerou que o serviço hospitalar não está adstrito às determinações emanadas pelas Instruções Normativas, sendo aplicável a todo e qualquer serviço prestado por clinica, fazendo tal decisão apenas duas exceções: (a) Serviços puros de consulta, o que não se aplica no caso da impugnante, dado que sua atividade é a de serviços hospitalares de imagem; e (b) Serviços excluídos pela Lei nº 11.727/08, o que também não se aplica, dado que o auto de infração corresponde aos períodos de apuração entre 2004 e 2008 e tal lei passou a exarar seus efeitos somente a partir de 2009. No que diz respeito a tributação decorrente, como se infere do relato, a exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) decorre do lançamento levado a efeito na área do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e, especificamente, em razão da irregularidade apurada pela autoridade fiscal lançadora e mantida nesta decisão. Em observância ao princípio da decorrência, e sendo certo a relação de causa e efeito existente entre o suporte fático em ambos os processo, o julgamento daquele apelo principal, ou seja, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), deve, a princípio, se refletir no presente julgado, eis que o fato econômico que causou a tributação por decorrência é o mesmo e já está consagrado na jurisprudência administrativa que a tributação decorrente/reflexa deve ter o mesmo tratamento dispensado ao processo principal em virtude da íntima correlação de causa e efeito. Considerando que, no presente caso, o autuado conseguiu elidir a totalidade da irregularidade apurada, é de se excluir a totalidade do exigido no processo decorrente, que é a espécie do processo sob exame, uma vez que ambas as exigências que a formalizada no processo principal quer a dele originada (lançamento decorrente) repousam sobre o mesmo suporte fático. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 732DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 20 Fl. 733DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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Numero do processo: 19515.004352/2010-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005, 2006
IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA - IRPJ. GLOSA DA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS APURADOS EM PERÍODOS ANTERIORES. REGISTROS CONTÁBEIS. DIPJ E LALUR. VALORAÇÃO DA PROVA FRENTE À REALIDADE DOS FATOS.
É certo que os registros contábeis, divorciados da realidade dos fatos, não se constituem em meios hábeis para comprovação de fato jurídico-tributário. Em se tratando de operações comerciais, glosas de despesas, ou pagamentos realizados, para efeitos tributários, é necessário verificar se estes eventos efetivamente ocorreram no mundo dos fatos. No entanto, passados quase 9 (nove) anos de situação caracterizada por registros constantes em DIPJ tempestivamente entregue, corroborada com registros regulares verificados no LALUR, não pode a autoridade fiscal desconsiderar tais informações pelo fato de que o sujeito passivo não lhe apresentou o Livro Diário, consumido em incêndio devidamente comprovado. Da análise do caso concreto, considerando os elementos existentes nos autos, chega-se a conclusão de que não subsiste o lançamento efetuado em 2010, para efetuar a glosa de prejuízos fiscais apurados/acumulados nos anos de 2002 e 2003, pois tais valores constam nas DIPJ regular e tempestivamente apresentada pelo contribuinte.
Nessas situações especificas, cabe ao Fisco observar o prazo decadencial para o proceder ao lançamento, nos termos dos art. 142, 149, 150 e 173 do Código Tributário Nacional, combinados com o art. 9o. § 4o. do Decreto 70.235/1972 (alterado pela Lei 11.94/2009, já em vigência à época da autuação).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-001.377
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Carlos Pelá e Alexandre Antonio Alkmim Teixeira acompanharam o Relator pelas conclusões. Ausente o Conselheiro Alexei Macorin Vivan Participou do julgamento o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Alexei Macorin Vivan e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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Recorrente ELI LILLY DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006 IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ. GLOSA DA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS APURADOS EM PERÍODOS ANTERIORES. REGISTROS CONTÁBEIS. DIPJ E LALUR. VALORAÇÃO DA PROVA FRENTE À REALIDADE DOS FATOS. É certo que os registros contábeis, divorciados da realidade dos fatos, não se constituem em meios hábeis para comprovação de fato jurídicotributário. Em se tratando de operações comerciais, glosas de despesas, ou pagamentos realizados, para efeitos tributários, é necessário verificar se estes eventos efetivamente ocorreram no mundo dos fatos. No entanto, passados quase 9 (nove) anos de situação caracterizada por registros constantes em DIPJ tempestivamente entregue, corroborada com registros regulares verificados no LALUR, não pode a autoridade fiscal desconsiderar tais informações pelo fato de que o sujeito passivo não lhe apresentou o Livro Diário, consumido em incêndio devidamente comprovado. Da análise do caso concreto, considerando os elementos existentes nos autos, chegase a conclusão de que não subsiste o lançamento efetuado em 2010, para efetuar a glosa de prejuízos fiscais apurados/acumulados nos anos de 2002 e 2003, pois tais valores constam nas DIPJ regular e tempestivamente apresentada pelo contribuinte. Nessas situações especificas, cabe ao Fisco observar o prazo decadencial para o proceder ao lançamento, nos termos dos art. 142, 149, 150 e 173 do Código Tributário Nacional, combinados com o art. 9o. § 4o. do Decreto 70.235/1972 (alterado pela Lei 11.94/2009, já em vigência à época da autuação). Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 43 52 /2 01 0- 42 Fl. 429DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19515.004352/201042 Acórdão n.º 1402001.377 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Carlos Pelá e Alexandre Antonio Alkmim Teixeira acompanharam o Relator pelas conclusões. Ausente o Conselheiro Alexei Macorin Vivan Participou do julgamento o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Alexei Macorin Vivan e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Pelo que se extrai do auto de infração cuja cópia consta a partir da fl. 121, tratase de exigência notificada ao recorrente em 14/12/2010 (fl. 122, identificando a seguinte, com o enquadramento legal que segue. 001 GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE SALDO DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES Fato gerador Valor Tributável ou imposto Multa 31/12/2005 R$ 2.794.257,95 75% 31/12/2006 R$ 31.313,924,79 75% Enquadramento Legal: art. 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, 509 e 510 do Regulamento do Imposto de Renda. Pelo que se extrai do Termo de Verificação Fiscal de fls. 108 e seguintes, assim como do relatório do acórdão recorrido, parcialmente adotado por este relator. Destaca a autoridade que através dos Demonstrativos de Compensação de Prejuízos Fiscais (SAPLI) e respectivas DIPJs, foi constatado que a recorrente efetuou compensação de prejuízos no anocalendário de 2005 no valor de R$ 31.183.697,16 apresentando um excesso de R$ 2.794.257,95 em função do saldo inexistente de períodos anteriores, bem como no anocalendário de 2006 apresentou compensação indevida de R$ 31.313.927,79. Pelo que se extrai do Termo de Verificação Fiscal, à fl. 111, foram procedidas verificações retroativas ao anocalendário de 2003 para correta apuração dos Fl. 430DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19515.004352/201042 Acórdão n.º 1402001.377 S1C4T2 Fl. 0 3 valores indevidamente compensados nos anoscalendário de 2005 e 2006, sendo encontrado os seguintes dados: Segundo o relatório fiscal, no anocalendário de 2003 a empresa apresentou prejuízo de R$ 50.062.938,78, após as adições e exclusões procedidas no lucro líquido antes do IRPJ no valor de R$ 121.181.708,31, sendo que da análise do lucro líquido apresentado constatouse o seguinte: Desta forma, segundo destacou a autoridade fiscal, o prejuízo não operacional de R$ 34.701.839,57 encontrase reduzindo o lucro líquido, conforme quadro que segue: Fl. 431DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19515.004352/201042 Acórdão n.º 1402001.377 S1C4T2 Fl. 0 4 Procedimento idêntico ao acima referido foi feito em relação aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, sendo que em relação a estes dois últimos transcrevo o seguintes quadros do termo de verificação fiscal: Em face do exposto efetuou compensação indevida no valor de R$ 2.794.275,95. No ano de 2006, a empresa obteve resultado operacional conforme quadro que segue: Fl. 432DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19515.004352/201042 Acórdão n.º 1402001.377 S1C4T2 Fl. 0 5 Em síntese, nos termos do relatório fiscal, a empresa compensou a maior os seguintes valores: Intimada da autuação, a parte interessada apresentou impugnação, alegando, em síntese. a) A apuração do prejuízo fiscal operacional do anocalendário de 2003 efetuada pela fiscalização no item II.1 do Termo de Verificação Fiscal, e que resultou no valor de R$ 15.361.099,21, não está correta porque: (i) deixou de considerar o montante de R$ 40.126.427,22, relativo a receitas não operacionais que foram adicionadas pela Impugnante à base de cálculo para apuração do Lucro Real daquele exercício; (ii) não se apercebeu, assim, que em razão da receita acima mencionada, o resultado não operacional do período não foi negativo em R$ 34.701.839,57, mas positivo em R$ 5.424.588,16, restando afastada, assim, a aplicação dos §§ 5º e 6º do artigo 36 da IN/SRF nº 11/96; (iii) dessa forma, o valor do prejuízo fiscal de R$ 50.062.938,78 indicado na DIPJ só retrata prejuízo operacional; (iv) em conseqüência, não mais subsiste o único fundamento invocado pela fiscalização para glosar as compensações realizadas em 2005 e 2006. A DRJ julgou improcedente a impugnação, sendo que desta decisão a autuada, de forma tempestiva, apresentou o recurso de fls. 395 e seguintes, alegando: Fl. 433DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19515.004352/201042 Acórdão n.º 1402001.377 S1C4T2 Fl. 0 6 I) que a autuação foi lavrada sob o fundamento de que o prejuízo fiscal operacional da recorrente em 2003 seria de apenas R$ 15.361.099,21 e não de R$ 50.062.938,78, uma vez que parte deste prejuízo fiscal seria supostamente relativo a prejuízo não operacional. II) que a autoridade fiscal só lavrou a presente autuação porque partiu de premissa equivocada, posto que não considerou a existência, no ano de 2003, de receita não operacional no montante de R$ 40.126.427,73, correspondente a reversão de receita diferida de venda de ativo. III) a autuação não merece prosperar, pois a própria autoridade fiscal reconheceu que consta do LALUR relativo ao anocalendário de 2003, na parte de adições, que o montante de R$ 40.126.427,73 compôs a base de cálculo do IRPJ, integrando o total das adições de R$ 146.044.052,29, sendo esse o mesmo total de adições que compõe a linha 24, da página 6, da Ficha 9A, da DIPJ. iv) Afastada a premissa de que o saldo do prejuízo fiscal operacional relativo ao ano de 2003 seria de R$ 15.361.099,21 e não de R$ 50.062.938,78, corretamente escriturado pela recorrente, resta demonstrada a improcedência da autuação; v) Caso mantida a autuação, não podem ser exigidos juros sobre a multa, pois a lei prevê a incidência de juros somente sobre o valor dos tributos. É o relatório. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19515.004352/201042 Acórdão n.º 1402001.377 S1C4T2 Fl. 0 7 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. A essência do deslinde da presente questão diz respeito ao anocalendário de 2003. Naquele ano, sustenta a recorrente que seu prejuízo operacional foi de R$ 50.062.938,78, valor este escriturado na DIPJ. Em procedimento de fiscalização, levado a efeito em 2010, a autoridade fiscal concluiu que o prejuízo operacional foi de R$ 15.361.099,21, conforme quadro que segue: Por meio da DIPJ o sujeito passivo realiza procedimento no qual apura o tributo devido cujo montante pode ser positivo ou negativo. Se negativo, a lei lhe confere o direito de compensar o respectivo montante nos períodos subseqüentes. Se positivo, a lei lhe impõe a obrigação de entregar a DCTF e realizar o pagamento. Em outras palavras, o procedimento por meio do qual o sujeito passivo está obrigado a apurar o montante do tributo devido pode resultar em valor positivo ou negativo. Em discordando do valor lançado pelo sujeito passivo a autoridade fiscal pode revêlo nos termos do artigo 149, V, e parágrafo único, combinado com o artigo 150, ambos do CTN, abaixo transcritos: Art. 149 O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: ... V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19515.004352/201042 Acórdão n.º 1402001.377 S1C4T2 Fl. 0 8 Dado a ser considerado diz respeito ao prazo decadencial para a autoridade fiscal rever o lançamento. O artigo 149, parágrafo único, do CTN, é expresso ao destacar que tal procedimento somente pode ser revisto enquanto não se efetivar a decadência. No caso de lançamento por homologação, como é o da espécie, o prazo para revisão encontrase no artigo 150, § 4º, e é de 5 (cinco) anos. Assim, em 2010, já havia decaído o direito da autoridade fiscal de rever procedimento realizado em 2003, alterando o valor do prejuízo fiscal de R$ 50.062.938,78 para R$ 15.361.099,21. Cumpre aqui destacar o disposto no art. 9o. parágrafo 4o. do Decreto 70.235, na redação da pela Lei 11.941/2009, já vigente à época da auditoria fiscal: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 4o O disposto no caput deste artigo aplicase também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Grifei e Negritei. Ora, no presente caso não se trata de atos, fatos ou registros contábeis com repercussão futura, de que cuida o art. 37 da Lei 9.430/1996, cujo prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I do CTN. Tratase sim de fatos e registros contábeis com repercussão nos próprios anoscalendário de 2002 e 2003, qual seja: a apuração da base de cálculo do IRPJ daqueles anos que, revelaramse negativas, daí a constituição de prejuízos fiscais compensáveis nos períodos de apuração seguintes. A situação amoldase perfeitamente ao disposto na norma transcrita, ou seja, a auditoria fiscal deveria ter sido concluída, mediante lavratura do auto de infração, antes do transcurso do prazo decadencial de 5 (cinco) anos, contados do fato gerador o do 1o. dia do período de apuração seguinte a esse. Dado a posição de alguns integrantes da Turma, observo que no caso concreto não estamos falando de comprovação do saldo negativo, mas sim de prejuízo fiscal. Em relação ao saldo negativo, cujo valor é oferecido à compensação, diferentemente do que entendem os Conselheiros Carlos Pelá e Alexandre Alkimin, tenho que a autoridade fiscal tem legitimidade para, a qualquer tempo, verificar a existência do saldo negativo utilizado nos processos de compensações. Assim, em 2010, caso estivéssemos falando de saldo negativo de 2003, indicado para compensar tributo devido, podia a autoridade fiscal retroagir ao ano Fl. 436DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19515.004352/201042 Acórdão n.º 1402001.377 S1C4T2 Fl. 0 9 de 2003 para verificar a materialidade do crédito utilizado nos processos de compensação levados a efeito em 2005 e 2006. Em outras palavras, tendo por norte que o valor do saldo negativo é formado, em regra, pelo imposto de renda retido na fonte e pelo valor das estimativas, menos o valor do imposto apurado, pode a autoridade fiscal, a qualquer tempo, verificar se efetivamente houve a retenção ou o recolhimento das estimativas. O que não é possível, passados mais de 05 (cinco) anos, é a glosa de despesas ou a alegação de que a receita que gerou a retenção do IRFF que formou o saldo negativo não fora incluída na base de cálculo da tributação para, com base neste argumento, alterar o valor do saldo negativo. Tal procedimento importaria, por linhas transversas, instaurar procedimento de fiscalização em razão a período já alcançado pela decadência. No caso concreto, em face do disposto no artigo 149, parágrafo único, do CTN, em 2010 a autoridade fiscal não podia retroagir ao ano de 2003 para alterar o valor do prejuízo fiscal naquele ano e, fazendo refletir nos exercícios seguintes, chegar a conclusão de que em 2005 e 2006 houve compensação a maior em razão de apuração a menor no anocalendário de 2003. No entanto, além deste argumento, que não é seguido por todos os Conselheiros, no caso concreto há um segundo fundamento em relação ao qual não há divergência. Vejamos: Ninguém discute que prejuízo não operacional, como bem observou o Conselheiro Carlos Pelá, só pode ser compensado com prejuízo não operacional e que prejuízo operacional só pode ser compensado com prejuízo operacional. No caso concreto, se discute a receita de R$ 40.126.427,73 que seria correspondente a reversão de receita diferida de venda do ativo – marcas e patentes – que teria integrado o total de adições de R$ 144.044.052,99 informado na linha 24, Ficha 9 A, da DIPJ 2004, conforme escriturado no Livro LALUR do anocalendário de 2003, cujas cópias a impugnante apresentou às fls. 167/180 (Parte A) e fls. 181/187 (Parte B), a seguir transcrita, na parte que interessa: O valor de R$ 40.126.427,73 foi regularmente escriturado em 2002 como sendo receita não operacional. Desconsiderando a questão da decadência, a DRJ converteu o julgamento em diligência e em 16/6/2012 a recorrente foi intimada para, no prazo de cinco dias, apresentar os seguintes documentos ou informações (fl. 334): Fl. 437DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19515.004352/201042 Acórdão n.º 1402001.377 S1C4T2 Fl. 0 10 1. cópia autenticada do Livro LALUR do A/C 2002, Parte A, onde constam os ajustes efetuados no lucro líquido (adições e exclusões); 2. cópia autenticada do Livro LALUR do A/C 2002, Parte B, onde consta o controle da conta denominada "Receita Diferida Venda Ativo Marcas e Patentes "; 3. cópia autenticada do Livro Diário do A/C 2002 onde constam os Termos de Abertura e de Encerramento, e dos lançamentos correspondentes às receitas e os custos provenientes da venda de bens do ativo permanente, num total de R$ 30.936.715,03 e R$ 40.463,73, respectivamente, informados na DIPJ do A/C 2002, Ficha 06A, linhas 42 e 44, acompanhados dos respectivos documentos de origem (notas fiscais e outros); 4. cópia autenticada do Livro Diário do A/C 2002 onde consta o lançamento correspondente à receita proveniente da venda de bens do ativo, Marcas e Patentes, num total de R$ 40.126.427,73, que o contribuinte informou em sua defesa datada de 13 de janeiro de 2011, à folha 7, juntada ao processo administrativo n° 19515.004352/201042, acompanhada dos respectivos documentos de origem (notas fiscais e outros); 5. Tendo em vista o contribuinte adicionou ao lucro líquido do A/C 2003 (folhas 72 e 74, da Parte A, do Livro LALUR) o valor de R$ 40.126.427,73, com o seguinte histórico "Reversão Receita Diferida Venda Ativo Marcas e Patentes de Dezembro de 2002 ", pedese informar a legislação que o autorizou a excluir o referido valor do lucro líquido na apuração do Lucro Real do A/C 2002. Em 22/07/2012 a recorrente apresentou os documentos relacionados nos itens 1 e 2 e justificou a ausência dos documentos solicitados nos itens 3 a 5 informando que: • devido ao fato de se tratar de documentos relativos ao ano de 2002, eles já se encontravam em arquivo externo terceirizado. • em 04/07/2011, a empresa Interfile Gestão de Arquivos Ltda. que prestava serviços de arquivo para a Eli Lilly sofreu um incêndio em que diversos documentos desta empresa foram perdidos ... e por este motivo a Eli Lilly ainda não logrou localizar a documentação solicitada. (ocorrência fl. 353/354) Diante da falta de apresentação dos Livros Diário e documentos comprovando a composição e existência da receita diferida da venda de marcas e patentes (R$ 40.126.427,73), indicada na cópia do LALUR, a fiscalização entendeu que não poderia considerar tal valor como sendo oriundo de receita não operacional. Em outras palavras, se tivesse sido apresentado o Livro Diário resultaria provado em favor da contribuinte de que o valor de R$ 40.126.427,73 indicada no LALUR efetivamente correspondia à receita não operacional. Contudo, por não ter sido apresentado o Livro Diário e demais documentos solicitados, a autoridade fiscal presumiu que não se tratavam de receitas não operacionais. É certo que os registros contábeis, divorciados da realidade dos fatos, não se constituem em meios hábeis para comprovação de fato jurídicotributário. Em se tratando de operações comerciais, glosas de despesas, ou pagamentos realizados, para efeitos tributários, é necessário verificar se estes eventos efetivamente ocorreram no mundo dos fatos. No entanto, passados quase 10 (dez) anos de situação caracterizada por registros constantes em DIPJ tempestivamente entregue, corroborada com registros regulares, verificados no LALUR, não pode a autoridade fiscal desconsiderar tais registros pelo simples fato de que o sujeito passivo não lhe apresentou o Livro Diário, consumido em incêndio devidamente comprovado. Da análise do caso concreto, considerando os elementos existentes nos autos, chegase a conclusão Fl. 438DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19515.004352/201042 Acórdão n.º 1402001.377 S1C4T2 Fl. 0 11 de que não subsiste o lançamento calcado na premissa de que, em não mais existindo o Livro Diário de 2002, há que se presumir que os valores lançados na contabilidade, inclusive no LALUR, como sendo oriundos de receita não operacional não correspondem à verdade. Para afastar os registros levados a efeito pelo contribuinte cabia à autoridade fiscal, observando sempre o prazo decadencial, apresentar prova de que os mesmos continham omissão ou inexatidão. Inteligência do artigo 149, V, do CTN. Superadas tais questões, dentre as quais a de que a receita não operacional de R$ 40.126.427,73 está contida na linha 24 da FICHA 9A da DIPJ (leiase soma das adições)1, e considerando as receitas de bens do ativo permanente2, quando se analisa as linhas 42 e 44 da Ficha 61, temse receitas da alienação do ativo permanente no valor de R$ 8.248.090,75, correspondente a bens contabilizados por R$ 42.949.930,33. Assim, chegase a um saldo negativo de R$ 34.701.839,57 relacionado às transações não operacionais inerentes à venda do ativo imobilizado. (8.248.090,75 42.949.930,33 = 34.701.839,57). Ocorre que além da receita não operacional decorrente da venda de ativos ( R$ 34.701.839,57) temse receita não operacional correspondente à venda de marcas e patentes, no valor de R$ 40.126.427,73. Assim, a receita não operacional de – R$34.701.839,57 passa a ser de R$ 5.424.588,16 (–R$34.701.839,57 + R$ 40.126.427,73 = R$ 5.424.588,16). No caso dos autos, pelos números acima, foi constatado: a) resultado não operacional positivo de R$ 5.424.588,16; b) resultado operacional negativo de R$ 50.062.938,78 (prejuízo fiscal). O artigo 36, § 5º, da INSRF nº 11, de 1996, prevê textualmente: "§ 5º. A separação em prejuízos não operacionais e em prejuízos das demais atividades somente será exigida se, no período, forem verificados cumulativamente, resultados não operacionais negativos e lucro real negativo (prejuízo fiscal). O § 6º, alínea "a", do artigo 36, acima citado, dispõe que “verificada a situação prevista no parágrafo acima, a pessoa jurídica deverá comparar o prejuízo não operacional com o prejuízo fiscal apurado na demonstração do lucro real, observado o seguinte: a) se o prejuízo fiscal for maior, todo o resultado não operacional negativo será considerado prejuízo fiscal não operacional e a parcela excedente será considerada, prejuízo fiscal das demais atividades; c) se todo o resultado não operacional negativo for maior ou igual ao prejuízo fiscal, todo o prejuízo fiscal será considerado não operacional. No caso dos autos, considerando que foi positivo o resultado não operacional e negativo o resultado operacional, a autoridade fiscal não podia ter subtraído este valor do lucro real negativo. Assim, também por este fundamento, seguido por todos os Conselheiros, conforme verificado durante os debates, o recurso merece provimento. 1 24. SOMA DAS ADIÇÕES 144.044.052,99 2 Não confundir a receita de bens do ativo permanente com a receita de venda de marcas e patentes Fl. 439DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19515.004352/201042 Acórdão n.º 1402001.377 S1C4T2 Fl. 0 12 Por oportuno, registro que os Conselheiros Carlos Pelá e Alexandre Alkimin acompanharam o relator pelas conclusões por entenderem que a matéria poderia ser resolvida pelo disposto na primeira parte do voto em que se analisou a impossibilidade da autoridade fiscal, no ano de 2010, rever a contabilidade do ano de 2003 para alterar o valor do prejuízo fiscal. ISSO POSTO, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 440DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 18/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
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Numero do processo: 11020.921181/2009-34
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
RESTITUIÇÃO.COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF.
Comprovado nos autos, mediante apresentação da contabilidade, o valor do IRRF que compõe o saldo negativo de IRPJ, bem como o registro contábil das receitas correlatas, restitui-se o crédito pleiteado e homologam-se as compensações até o limite comprovado.
Numero da decisão: 1801-001.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 RESTITUIÇÃO.COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. Comprovado nos autos, mediante apresentação da contabilidade, o valor do IRRF que compõe o saldo negativo de IRPJ, bem como o registro contábil das receitas correlatas, restituise o crédito pleiteado e homologamse as compensações até o limite comprovado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1235.542/11 exarado pela Sétima Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJ 1, fls. 104 a 110, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como não homologar as pertinentes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 92 11 81 /2 00 9- 34 Fl. 678DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 01 a 13. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “Tratase de Pedido de Restituição PER n° 40913.29314.210307.1.6.022986, onde a interessada declara, resumidamente, a compensação utilizando o seguinte crédito: Crédito Saldo Negativo de IRPJ Exercício : 2005 (01/01/2004 a 31/12/2004) Valor do Saldo Negativo : R$ 11.035.424,16 Posteriormente, foram apresentadas as seguintes DCOMP, utilizando o mesmo crédito: [...] De acordo com o Despacho Decisório de fls. 14, n° de rastreamento 854508668, o direito creditório foi reconhecido parcialmente, pois a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP foi suficiente para quitação do imposto devido, mas não foi suficiente para comprovar o saldo negativo de IRPJ em sua totalidade. [...] Complementando as informações constantes no Despacho Decisório, foi acostado aos autos o relatório Análise do Crédito, fls. 15/17, disponível no site da Receita Federal do Brasil. Com base neste relatório, constatase que as parcelas não confirmadas do crédito se referem às retenções do imposto de renda na fonte, conforme tabela abaixo: CNPJ da Fonte Pagadora Código de Receita Valor PER/DCOMP Valor Confirmado Valor Não Confirmado Justificativa 00.348.003/006402 6883 1.189,20 1.041,60 147,60 Informação do PER/DCOMP excede o valor da retenção proporcional. Comprovação parcial. 01.567.601/000143 6883 2.068,06 2.067,84 0,22 Informação do PER/DCOMP excede o valor da retenção proporcional. Comprovação parcial. 05.222.506/000169 6800 1.254.709,37 1.123.343,29 131.366,08 Retenção comprovada em DIRF 10.995.587/000170 3426 304.791,93 17.584,49 287.207,44 Retenção comprovada em DIRF 24.416.174/000106 6883 1.350,00 0,00 1.350,00 Retenção na fonte não comprovada 35.672.054/000188 6147 1.080,00 0,00 1.080,00 Retenção na fonte não comprovada 81.424.962/000170 3426 397.174,13 348.917,77 48.256,36 Retenção comprovada em DIRF Total 1.962.362,69 1.492.954,99 469.407,70 Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 14/01/2010, fls. 19/27, alegando em síntese: Alega a tempestividade da manifestação da inconformidade. A DIPJ foi informado como total de IRRF o valor de RS 8.196.958,91, mas que somente foi confirmado R$ 7.727.551,21. A diferença de R$ 469.407,70 se refere às seguintes retenções: [...] Fl. 679DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.921181/200934 Acórdão n.º 1801001.489 S1TE01 Fl. 3 3 CNPJ. 00.348.003/006402 relativo à Nota Fiscal n° 124.363. O valor da retenção soma R$ 1.189,20 (um mil cento e oitenta e nove reais e vinte centavos), ou seja, 1,20% (art. 653, § I o c/c art. 223 caput do RIR) do valor total da nota, de R$ 99.100,00 (noventa e nove mil e cem reais). Tal quantia foi retida juntamente com os outros tributos cuja retenção na fonte é obrigatória (PIS 1,47%, COFINS 6,79% e CSLL 1,00%) somandose 10,46%, ou seja, R$ 10.365,85 (dez mil trezentos e sessenta e cinco reais e oitenta e cinco centavos), conforme Documento Consulta CONDARF (fls. 51). CNPJ. 01.567.601/000143 relativo à Nota Fiscal n° 122.729 O valor da retenção soma R$ 2.068.06 (dois mil sessenta e oito reais e seis centavos), ou seja, 1,20% (art. 653, § I o c/c art. 223 caput do RIR) do valor total da nota, de R$ 172.338,03 (cento e setenta e dois mil trezentos e trinta e oito reais e três centavos). Tal quantia foi retida juntamente com os outros tributos cuja retenção na fonte é obrigatória (CSLL 1,00%) somandose 2,20%, ou seja, R$ 3.791,44 (três mil setecentos e noventa e um reais e quarenta e quatro centavos), conforme Documento Consulta CONDARF (fls. 56). CNPJ. 05.222.506/000169 houve equívoco, já que o valor efetivamente retido foi de R$ 1.123.343,29; efetuará o recolhimento deste valor, acrescido de encargos legais, no âmbito do Programa Refis 4. CNPJ. 10.995.587/000170 houve equívoco. O correto seria dividir este montante entre dois CNPJ: CNPJ 33.124.959/000198 Banco Rural S.A. R$ 287.207,45 CNPJ 10.995.587/000170 Banco Simples S.A. R$ 17.584,49 CNPJ. 24.416.174/000106 referente à nota fiscal 123.399. O valor da retenção soma R$ 1.350,00 (um mil trezentos e cinquenta reais), ou seja, 1,20% (art 653, § I o c/c art. 223 caput do RIR) do valor total da nota, de R$ 112.500,00 (cento e doze mil e quinhentos reais). Tal quantia foi retida juntamente com os outros tributos cuja retenção na fonte é obrigatória (PIS 1,47%, COFINS 6,79% e CSLL 1,00%) somandose 10,46%, ou seja, R$ 11.767,50 (onze mil setecentos e sessenta e sete reais e cinquenta centavos), conforme Documento Consulta CONDARF (fls. 82.) CNPJ 35.672.054/000188 referente à nota fiscal 129.195 O valor da retenção soma R$ 1.080,00 (um mil e oitenta reais), ou seja, 1,20%) (art. 653, § I o c/c art. 223 caput do RIR) do valor total da nota, de R$ 90.000,00 (noventa mil reais). Tal quantia foi retida juntamente com os outros tributos cuja retenção na fonte é obrigatória (PIS 0,65%>, COFINS 3,00% e CSLL 1,00%) somandose 5,85%, ou seja, R$ 5.265,00 (cinco mil duzentos e sessenta e cinco reais), conforme Documento Consulta CONDARF (fls. 87). CNPJ 81.424.962/000170 a referida pessoa jurídica não declarou a totalidade do valor em sua DIRF referente ao exercício 2005, tendo procedido à retificação de sua declaração, corrigindo o equívoco. O imposto foi efetivamente retido, e é proveniente de rendimento que compôs a base de cálculo do IRPJ devido no ano calendário de 2004, razão pela qual deve ser considerado para o fim de dedução do saldo de IRPJ a recolher. Aduz que no processo administrativo tributário predomina o Princípio da Verdade Material, devendose reconhecer o direito da interessada de ter restituído a totalidade do valor recolhido a maior. Fl. 680DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 [...] VOTO [...] Com base no Despacho Decisório e no relatório Análise do Crédito, foi apurado parcialmente crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004 já que as parcelas informadas na PER/DCOMP, todas relativas ao imposto de renda retido na fonte, no montante de R$ 469.407,70, não foram confirmadas. Em sua defesa, a interessada apresenta contestação parcialmente, limitando a lide ao montante de R$ 338.041,62, conforme tabela abaixo: CNPJ da Fonte Pagadora Código de Receita Valor PER/DCOMP Valor Confirmado Valor Não Confirmado 00.348.003/006402 6883 1.189,20 1.041,60 147,60 01.567.601/000143 6883 2.068,06 2.067,84 0,22 10.995.587/000170 3426 304.791,93 17.584,49 287.207,44 24.416.174/000106 6883 1.350,00 0,00 1.350,00 35.672.054/000188 6147 1.080,00 0,00 1.080,00 81.424.962/000170 3426 397.174,13 348.917,77 48.256,36 Total 707.653,32 369.611,70 338.041,62 Passo à análise, esclarecendo que o direito à restituição, para que se proceda à compensação pleiteada neste processo, requer que o crédito seja líquido e certo, conforme prevê o artigo 170 do CTN, abaixo transcrito: [...] Cabe ressaltar que o ônus da comprovação do crédito é da interessada que apresentou a DCOMP. É o que determina o artigo 333 do CPC. [...] Com relação às retenções do imposto de renda efetuadas por órgãos públicos, a interessada apresentou as Notas Fiscais e o DARF de recolhimento (pesquisa no sistema SIAFI Consulta CONDARF). Afirma que o valor retido a título de IRPJ seria de 1,2% incidente sobre o total da Nota Fiscal, conforme tabela abaixo: CNPJ da Fonte Pagadora Código de Receita Valor PER/DCOMP Nota fiscal Valor da Nota Fiscal Tributo recolhido DARF IRPJ 1,2% 00.348.003/006402 6883 1.189,20 124.363fls. 52 R$ 99.100,00 R$ 10.365,86 fls. 51 RS 1.189,20 01.567.601/000143 6883 2.068,06 122.729fls. 57 R$ 172.338,03 RS 3.791,44fls. 56 RS 2.068,06 24.416.174/000106 6883 1.350,00 123.399fls. 83 R$112.500,00 R$ 11.767,50fls. 82 R$ 1.350,00 35.672.054/000188 6147 1.080,00 129.195fls. 88 R$ 90.000,00 R$ 5.265,00 fls. 87 R$ 1.080,00 As retenções dos tributos foram confirmadas, assim como o valor a título de IRPJ, calculado aplicandose o percentual de 1,2 % sobre o total da Nota Fiscal. Com relação à retenção da fonte pagadora CNPJ. 10.995.587/000170, alega que se equivocou, sendo que deveria ter declarado as seguintes retenções: CNPJ 33.124.959/000198 Banco Rural S.A. R$ 287.207,45 CNPJ 10.995.587/000170 Banco Simples S.A. R$ 17.584,49 As retenções do imposto de renda foram confirmadas pelas DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras, conforme pesquisa acostada aos autos, fls. 98/99. Por fim, com relação ao CNPJ. 81.424.962/000170, alega que houve erro na DIRF apresentada, informando que a fonte pagadora já providenciou a retificação. De fato, Fl. 681DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.921181/200934 Acórdão n.º 1801001.489 S1TE01 Fl. 4 5 consta nos sistemas da Receita Federal do Brasil a DIRF retificada, informando a retenção do imposto de renda no valor de R$ 397.174,13, fls. 101. No entanto, em que pese a comprovação da retenção do imposto de renda, faltou a demonstração de que os rendimentos, sobre os quais incidiram a retenção, foram oferecidos à tributação. Cabe à interessada demonstrar, com a apresentação dos livros contábeis e fiscais, e demais documentos hábeis e idôneos, que os valores constantes nas Notas Fiscais, decorrentes da venda de bens, assim como os rendimentos financeiros, foram computados no resultado do exercício. Mas não é só. Ainda em pesquisas aos sistemas da Receita Federal do Brasil, com o objetivo de verificar a regularidade fiscal da interessada, constatouse a lavratura de auto de infração, sob o processo administrativo n° 11020.003681/200992, com a apuração de imposto de renda a pagar relativo ao anocalendário de 2004 no valor de R$ 7.173.710,64, com multa de ofício qualificada de 150%, fls. 101/103. Neste contexto, uma vez que houve uma verificação de ofício quanto à regularidade das informações prestadas na DIPJ/2005, de forma a constatar que o imposto de renda devido é superior àquele declarado, concluo que a certeza e liquidez do crédito relativo ao saldo negativo, apurado na referida declaração, estão comprometidas. [...] Por todo acima exposto, já que não restaram comprovadas a liquidez e certeza do crédito, voto pelo não reconhecimento do direito à restituição, e pela não homologação das compensações.” (grifos do original) A empresa interpôs tempestivamente (AR – 25/02/11, fls 112; Recurso – 28/03/11, fls. 126) o Recurso de fls. 126 a 143, reiterando os termos da defesa exordial. Juntou ao recurso, cópias: das fls. do Livro Diário nas quais foram computadas as receitas referentes às retenções de IR, especificando uma por uma; balancetes; 13 demonstrativos analíticos das receitas auferidas, aplicações financeiras, rendimentos e IRRF – fls. 144 a 530. Argumenta, por fim, ser descabido negar o direito à restituição/compensações pleiteadas em vista da existência de processo administrativo de exigência fiscal em julgamento. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. De pronto, cabe salientar que as retenções de imposto de renda realizadas pelas fontes pagadoras a seguir discriminadas foram todas confirmadas nos sistemas da Administração Tributária, consoante já afirmado no Acórdão recorrido: Fl. 682DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Razão Social CNPJ da Fonte Pagadora Código de Receita Valor da Nota Fiscal Tributo recolhido DARF IRPJ 1,2% EMBRAPA / RO 00.348.003/006402 6883 99.100,00 10.365,86 fls. 51 1.189,20 UNIV FED GOIÁS 01.567.601/000143 6883 172.338,03 3.791,44 fls. 56 2.068,06 UNIV FED R / PE 24.416.174/000106 6883 112.500,00 11.767,50 fls. 82 1.350,00 ESC AGRO TÉCNICA FED BJ 35.672.054/000188 6147 90.000,00 5.265,00 fls. 87 1.080,00 Total 1 5.687,26 Razão Social CNPJ da Fonte Pagadora Código de Receita Informe Rendimentos/ DIRF IRPJ 20% MVC COMPONENTES PLÁSTICOS 81.424.962/000170 3426 1.985.870,64 fls. 91 e 100 397.174,13 BCO. RURAL 33.124.959/000198 3426 1.436.037,25 fls. 76 e 99 287.207,45 BCO. SIMPLES 10.995.587/000170 3426 87.922,47 fls. 76 e 98 17.584,49 Total 2 701.966,07 Total 3 (1+2) 707.653,33 A seguir consolidase o valor final de IRRF, anocalendário 2004, ao qual a recorrente faz jus: Razão Social CNPJ da Fonte Pagadora IRRF / VALOR PER/DCOMP IRRF VALOR COMPROVADO MVC COMPONENTES PLÁSTICOS 81.424.962/000170 397.174,13 397.174,13 BCO. RURAL 33.124.959/000198 287.207,45 287.207,45 BCO. SIMPLES 10.995.587/000170 17.584,49 17.584,49 EMBRAPA / RO 00.348.003/006402 1.189,20 1.189,20 UNIV FED GOIÁS 01.567.601/000143 2.068,06 2.068,06 UNIV FED R / PE 24.416.174/000106 1.350,00 1.350,00 ESC AGRO TÉCNICA FED BJ 35.672.054/000188 1.080,00 1.080,00 BRADESCO 05.222.506/000189 1.254.709,37 1.123.343,29 IRRF CONFIRMADO NO DESPACHO DECISÓRIO 6.234.596,22 TOTAL IRRF COMPROVADO 8.065.582,84 TOTAL IRRF PER/DCOMP 8.196.958,91 Por conseguinte, das 44 fontes pagadoras informadas pela recorrente, os valores de IRRF que constaram nos Per/Dcomp estão confirmados, com exceção da diferença de R$ 131.366,08 (CNPJ 05.222.506/000169), reconhecida pela recorrente como parcela de IR não retido pela fonte pagadora. Considerando os demais valores que compõem a apuração do saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2004, obtémse (valores extraídos do Despacho Decisório de fls. 14): IRPJ DEVIDO 15.132.387,67 ( ) ESTIMATIVAS PAGAS 5.308.993,52 ( ) ESTIMATIVAS COMPENSADAS (SNPA) 2.834.834,20 ( ) ESTIMATIVAS COMPENSADAS 9.827.025,07 ( ) IRRF 8.065.582,84 SALDO NEGATIVO DE IRPJ R$ 10.904.047,94 Fl. 683DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11020.921181/200934 Acórdão n.º 1801001.489 S1TE01 Fl. 5 7 A esta mesma conclusão chegouse no acórdão recorrido, mas a Turma Julgadora ao invés de converter em diligência o julgamento para que se verificasse o registro contábil das receitas correlatas, optou por indeferir o pedido da recorrente. Por esta razão a recorrente trouxe aos autos a contabilidade e demonstrou as fls. do Diário onde estão contabilizadas as referidas receitas obtidas e devidamente oferecidas à tributação. Em assim sendo, reformase a primeira causa impeditiva argüida no Acórdão recorrido. No que respeita à ação fiscal levantada contra a recorrente, objeto do processo administrativo nº 11020.003681/200982, no qual discutese o resultado do período, verifico que os autos encontramse sob análise na Procuradoria da Fazenda Nacional. Todavia, em segunda instância deuse provimento ao Recurso Voluntário consoante Acórdão nº 1402 00.754, proferido em 30 de setembro de 2011. Posteriormente, em sessão realizada em 17 de julho de 2012, a Câmara Superior de Recursos Fiscais negou provimento ao Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional e manteve a insubsistência da exigência fiscal. Acórdão nº 910101.402, ora anexado a estes autos, efls. 584 a 677, no sistema e processo. Acolho as razões suscitadas pela recorrente neste ponto. A fiscalização ao autuar a recorrente considerou os dados informados na DIPJ/05, considerando o IRPJ devido por ela apurado, exigindo o IRPJ calculado sobre omissões de receitas, computando os valores já declarados. Daí que, sendo o tributo exigido ex officio calculado sobre as bases de cálculo apuradas pela recorrente, o valor engloba o saldo negativo de IRPJ ora debatido e, se fosse o caso, seria exigido pelo Auto de Infração sendo subsistente. Por todo o exposto, voto em dar provimento ao recurso voluntário, por reconhecer o direito creditório da recorrente no valor de R$ 10.904.047,94 e homologar as compensações pleiteadas até este limite. Parte deste crédito, observese, já foi reconhecido pela autoridade a quo. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 684DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Fl. 685DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10530.722524/2010-09
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
LANÇAMENTO.NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO COMPLETA DO FATO E SUAS FONTES.
Fulcro nos artigos 33, da Lei n. 8.212/1991, qualquer lançamento de crédito tributário deve conter todos os motivos fáticos e legais, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito tributário.
MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA.
Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica.
Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-002.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de que a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos com base a fatos geradores ocorridos até o dia 05.12.208 seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.212-1991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, comparada apenas com a do art. 35-A, da Lei n. 8.212-1991, com redação posterior à MP n 449, de 04.12.2008, desde que mais favorável ao contribuinte, sendo vedada a comparação conjunta com as penalidades dos arts. 32 e 32-A, sob a anterior e atual redação. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Junior , Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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Fulcro nos artigos 33, da Lei n. 8.212/1991, qualquer lançamento de crédito tributário deve conter todos os motivos fáticos e legais, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito tributário. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de que a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos com base a fatos geradores ocorridos até o dia 05.12.208 seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, comparada apenas com a do art. 35A, da Lei n. 8.2121991, com redação posterior à MP n 449, de 04.12.2008, desde que mais favorável ao contribuinte, sendo vedada a comparação conjunta com as penalidades dos arts. 32 e 32A, sob a anterior e atual redação. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 25 24 /2 01 0- 09 Fl. 1784DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10530.722524/201009 Acórdão n.º 2803002.275 S2TE03 Fl. 1.785 2 Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Junior , Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos. Fl. 1785DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10530.722524/201009 Acórdão n.º 2803002.275 S2TE03 Fl. 1.786 3 Relatório O recurso voluntário em questão busca a reforma da decisão que manteve parcialmente claramente o lançamento realizado de obrigação principal (segurados empregados), de créditos tributários do período das competências 01/01/2006 a 31/12/2008, diferenças de pagamento e não declarados em GFIP. A ciência do auto de infração inaugural foi em 24.12.2009. Tempestivamente, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, que foi encaminhado à presente Turma Especial do CARF/MF, alegando que a decisão não analisou dos documentos e argumentos trazidos, e que não foram aproveitados pagamentos realizados pela contribuinte. Os autos retornaram para apreciação. É o relatório. Fl. 1786DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10530.722524/201009 Acórdão n.º 2803002.275 S2TE03 Fl. 1.787 4 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato Relator I O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. II – Realmente as questões levantadas pela recorrente, que repetiu integralmente a impugnação, foram plenamente abordadas pela decisão a quo, em que apenas não concordamos quanto à aplicação da multa, mas de resto não deve ser retocada, podendo ser plenamente adotada a parte transcrita transcrito os trechos abaixo: 7. Tratando, preliminarmente, do procedimento fiscal em causa, registrese a atenção ao amplo direito de defesa e ao contraditório garantidos ao impugnante, verificado, não só pelo estrito cumprimento dos prazos legais previstos, como, e, sobretudo, pela própria materialização do lançamento do crédito, extensa e pormenorizadamente detalhado no AI, seus discriminativos, anexos e Relatório Fiscal, fls. 01 a 1.624, com a qualificação do autuado, discriminação clara dos fatos geradores das contribuições, das bases de cálculo apuradas, das alíquotas aplicadas e contribuições devidas, dos períodos a que se referem os documentos analisados e que serviram de base para o levantamento, dos fundamentos legais que sustentam a ação fiscal desenvolvida, os procedimentos e/ou técnicas aplicadas, o prazo para recolhimento ou impugnação, a assinatura do fiscal autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Cumprese, assim, o que dispõem o art. 37, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, o art. 243, §§ 2º, 5º e 6º, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n º 3.048, de 6 de maio de 1999, e os arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235, de 1972. 8. Assim, inexistente cerceamento do direito de defesa quando, na fase de impugnação, foi concedida oportunidade ao Autuado de apresentar documentos e esclarecimentos. 9. Dispõe o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, o qual dispõe sobre o processo administrativo fiscal: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito Fl. 1787DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10530.722524/201009 Acórdão n.º 2803002.275 S2TE03 Fl. 1.788 5 pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) 10. A intimação para a ciência do débito foi enviada para o domicílio tributário do contribuinte por meio de carta com aviso de recebimento, conforme estatui o art. 23, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972, e, na forma do §3º deste artigo, os meios de intimação previstos nos incisos do caput do referido artigo não estão sujeitos a ordem de preferência, de modo que a intimação é válida. 11. O Decreto nº 45.490/00, citado pelo Impugnante, é um ato expedido pelo Estado de São Paulo, o qual aprova o Regulamento do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e Comunicação – RICMS, portanto inaplicável ao processo administrativo fiscal federal. 12. Encontrase pacificada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF a possibilidade de lavratura de Fl. 1788DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10530.722524/201009 Acórdão n.º 2803002.275 S2TE03 Fl. 1.789 6 Auto de Infração fora do estabelecimento da autuada, inclusive por meio de súmula, nos termos abaixo: Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. 13. Assim, inexiste qualquer nulidade a ser declarada quanto à lavratura fora do estabelecimento da Impugnante 14. Quanto à afirmação de que o Agente do Fisco ao encontrar qualquer suposta irregularidade, antes de autuar, deve, necessariamente, intimar o contribuinte, por escrito, na pessoa de seu representante legal, para que preste, no prazo razoável, todos os esclarecimentos necessários, sob pena de nulidade do ato, verificase que tal conseqüência inexiste; os esclarecimentos somente seriam necessários se houvesse algo obscuro, pois, na forma do art. 243 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos do RPS, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. 15. Argumenta o Impugnante que houve violação do princípio da irretroatividade da lei tributária, uma vez que a autoridade administrativa está pretendendo a cobrança do tributo/contribuição, em face do período compreendido de 01/2006 a 12/2008, vez que já foram devidamente fiscalizados pelo então INSS, inclusive com as respectivas liberações das certidões de débitos relativas às contribuições providenciarias. A propósito da das CND emitidas em nome da impugnante, a Instrução Normativa (IN) RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, dispõe: Art. 411. Após a solicitação da certidão, o sistema informatizado da RFB verificará, mediante consulta aos dados de todos os estabelecimentos e obras de construção civil da empresa, se: I houve a entrega da GFIP; II há divergência entre os valores declarados na GFIP e os efetivamente recolhidos; III há débitos que impeçam a emissão da CND ou da CPDEN. (...) § 3º Inexistindo restrições, a certidão será expedida eletronicamente pelo sistema informatizado da RFB, podendo o solicitante imprimila via Internet, independentemente de senha, ou requisitála em qualquer unidade de atendimento da RFB. 16. O mesmo dispositivo era encontrado no art. 528 da IN nº 03, de 14 de julho de 2005. Assim, as restrições que impedem a emissão de CND são: falta de entrega de GFIP; divergência entre os valores declarados na GFIP e os efetivamente Fl. 1789DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10530.722524/201009 Acórdão n.º 2803002.275 S2TE03 Fl. 1.790 7 recolhidos; e débitos que impeçam a emissão da CND ou da CPDEN. Em não havendo quaisquer destas restrições, a CND deve ser emitida. 17. Como se verifica, se houver omissão em GFIP de fatos geradores de contribuição previdenciária, estes somente serão apurados por meio de uma fiscalização nos documentos da empresa, como de fato restaram constatados na ação fiscal em que se originou o presente lançamento. Portanto, a CND não impede que a RFB fiscalize os contribuintes e eventualmente lance as contribuições previdenciárias que não foram espontaneamente declaradas pelo contribuinte, observação que consta no corpo da própria CND. 18. O último procedimento fiscal realizado no contribuinte, antes da ação fiscal que gerou o presente AI, foi no ano de 2004, conforme tela do Cadastro Nacional de Ação Fiscal CNAF de fls. 1.731. Logo, o período de 01/06 a 12/08 não havia sido fiscalizado anteriormente. 19. O DD discrimina, por estabelecimento, competência e levantamento, as bases de cálculo, as rubricas, as alíquotas, os valores já recolhidos, confessados, autuados ou retidos, as deduções permitidas (saláriofamília, saláriomaternidade e compensações), as diferenças existentes e o valor dos juros SELIC, da multa e do total cobrado, atendendo, portanto, o que determina a legislação. 20. No que se refere à justificativa apresentada pelo Impugnante durante ação fiscal, a qual encontrase nos presentes autos às fls. 38/93, percebese que o valor das contribuições devidas pelos segurados na competência 09/06, informado na justificativa, é de R$ 35.650,64. Portanto, superior ao encontrado pela fiscalização na folha de pagamento, que é de R$ 34.407,05. Assim, o Contribuinte pode espontaneamente recolher a diferença e declarar em GFIP. 21. O valor devido à Previdência declarado em GFIP na competência 09/06 é de R$ 88.999,88. O valor da retenção no FPM é de R$ 96.395,72, conforme informa o Impugnante, e foi distribuído da seguinte forma: R$ 7.395,84 foi creditado no CNPJ da Câmara Municipal de Andorinha, e R$ 88.999,88, no CNPJ da Prefeitura Municipal de Andorinha. Portanto, todo o valor retido do FPM foi apropriado, conforme RADA. 22. Na competência 12/06, o valor apurado pela fiscalização das contribuições devidas pelos segurados é o mesmo consignado na justificativa do Contribuinte, R$ 35.163,05. 23. O valor das contribuições devidas declaradas em GFIP na competência 12/06 é R$ 115.600,63, conforme apropriação do RADA e verificação do sistema GFIPWEB. Fl. 1790DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10530.722524/201009 Acórdão n.º 2803002.275 S2TE03 Fl. 1.791 8 O valor retido do FPM é R$ 176.498,92, consoante informa o próprio Contribuinte, e foi distribuído da seguinte forma: R$ 7.395,84 foi creditado no CNPJ da Câmara Municipal de Andorinha, e R$ 116.277,71, no CNPJ da Prefeitura Municipal de Andorinha, na competência 12/06, e R$ 52.825,37, com R$ 1.056,51 de acréscimos legais, na competência 13/06. Portanto, todo o valor retido do FPM foi apropriado, conforme RADA. 24. O valor das contribuições devidas pelos segurados na competência 12/07, informado na justificativa, é de R$ 31.317,38. Portanto, superior ao encontrado pela fiscalização na folha de pagamento, que é de R$ 29.897,00. Assim, o Contribuinte pode espontaneamente recolher a diferença e declarar em GFIP. 25. Na competência 04/08, o valor consignado na justificativa das contribuições devidas pelos segurados de R$ 33.211,31 está claramente equivocado, haja vista que está menor que o declarado em GFIP de R$ 46.737,75. 26. O valor das contribuições devidas declaradas em GFIP na competência 04/08 é R$ 144.562,43, conforme apropriação do RADA e verificação do sistema GFIPWEB. O valor retido do FPM é R$ 151.180,88, consoante informa o próprio Contribuinte, e foi distribuído da seguinte forma: R$ 6.618,45 foi creditado no CNPJ da Câmara Municipal de Andorinha, e R$ 144.562,43, no CNPJ da Prefeitura Municipal de Andorinha. Portanto, todo o valor retido do FPM foi apropriado, conforme RADA. 27. Na competência 07/08, o valor consignado na justificativa das contribuições devidas pelos segurados de R$ 34.550,82 está claramente equivocado, haja vista que está menor que o declarado em GFIP de R$ 37.073,77. 28. O valor das contribuições devidas declaradas em GFIP na competência 07/08 é R$ 119.323,47, conforme apropriação do RADA e verificação do sistema GFIPWEB. O valor retido do FPM é R$ 126.032,39, consoante informa o próprio Contribuinte, e foi distribuído da seguinte forma: R$ 6.708,92 foi creditado no CNPJ da Câmara Municipal de Andorinha, e R$ 119.323,47, no CNPJ da Prefeitura Municipal de Andorinha. Portanto, todo o valor retido do FPM foi apropriado, conforme RADA. 29. Na competência 08/08, o valor consignado na justificativa das contribuições devidas pelos segurados de R$ 34.708,16 está claramente equivocado, haja vista que está menor que o declarado em GFIP de R$ 37.073,77. 30. O valor das contribuições devidas declaradas em GFIP na competência 08/08 é R$ 119.323,47, conforme apropriação do RADA e verificação do sistema GFIPWEB. O valor retido do FPM é R$ 126.032,39, consoante informa o próprio Contribuinte, e foi distribuído da seguinte forma: R$ Fl. 1791DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10530.722524/201009 Acórdão n.º 2803002.275 S2TE03 Fl. 1.792 9 6.708,92 foi creditado no CNPJ da Câmara Municipal de Andorinha, e R$ 119.323,47, no CNPJ da Prefeitura Municipal de Andorinha. Portanto, todo o valor retido do FPM foi apropriado, conforme RADA. 31. Na competência 09/08, o valor consignado na justificativa das contribuições devidas pelos segurados de R$ 35.650,64 está claramente equivocado, haja vista que está menor que o declarado em GFIP de R$ 37.073,77. 32. O valor das contribuições devidas declaradas em GFIP na competência 09/08 é R$ 119.323,47, conforme apropriação do RADA e verificação do sistema GFIPWEB. O valor retido do FPM é R$ 126.032,39, consoante informa o próprio Contribuinte, e foi distribuído da seguinte forma: R$ 6.708,92 foi creditado no CNPJ da Câmara Municipal de Andorinha, e R$ 119.323,47, no CNPJ da Prefeitura Municipal de Andorinha. Portanto, todo o valor retido do FPM foi apropriado, conforme RADA. 33. Na competência 10/08, o valor consignado na justificativa das contribuições devidas pelos segurados de R$ 35.468,13 está claramente equivocado, haja vista que está menor que o declarado em GFIP de R$ 35.563,21. 34. O valor das contribuições devidas declaradas em GFIP na competência 10/08 é R$ 110.185,10, conforme apropriação do RADA e verificação do sistema GFIPWEB. O valor retido do FPM é R$ 116.894,02, consoante informa o próprio Contribuinte, e foi distribuído da seguinte forma: R$ 6.708,92 foi creditado no CNPJ da Câmara Municipal de Andorinha, e R$ 110.185,10, no CNPJ da Prefeitura Municipal de Andorinha. Portanto, todo o valor retido do FPM foi apropriado, conforme RADA. 35. Na competência 11/08, o valor consignado na justificativa das contribuições devidas pelos segurados de R$ 34.482,78 está claramente equivocado, haja vista que está menor que o declarado em GFIP de R$ 37.689,99. 36. O valor das contribuições devidas declaradas em GFIP na competência 11/08 é R$ 119.939,69, conforme apropriação do RADA e verificação do sistema GFIPWEB. O valor retido do FPM é R$ 116.894,02, consoante informa o próprio Contribuinte, e foi vista que a GFIP, nas competências objeto de lançamento, apresenta contribuição previdenciária devida pelos segurados empregados menor que o verificado em folha de pagamento (Levantamentos N11 e N12). Além disso, não houve o pagamento da totalidade das contribuições previdenciárias, tanto que estão sendo cobradas no presente AI. 46. Os valores das bases de cálculo declaradas em GFIP da planilha “Município de Andorinha Competências 01/2006 a Fl. 1792DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10530.722524/201009 Acórdão n.º 2803002.275 S2TE03 Fl. 1.793 10 13/2008 Demonstrativo”, estão de acordo com o sistema GFIPWEB da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), e os valores das bases das folhas de pagamento diferem dos valores apontados pelo contribuinte, em razão de que na “Base Inss” da folha de pagamento não estão consignadas todas as rubricas sobre as quais incide contribuição previdenciária. Portanto, improcede a alegação de que a diferença relatada pelo AuditorFiscal, entre as folhas de pagamento e as GFIP, não condiz com a realidade dos fatos, relativo ao valor remanescente da base de cálculo dos Levantamentos N11 e N12 do Processo nº 10530.722523/201056, DEBCAD nº 37.262.6602, bem como a contestação do item 1.10 do Relatório Fiscal, no qual o Senhor AuditorFiscal afirma que os valores mensais informados na GFIP não conferem com a soma das folhas de pagamentos. 47. Alega o Contribuinte que o AuditorFiscal está com dupla interpretação nos levantamentos do Auto de Infração. No Item 1.10, o Auditor relata que na competência 01/2008, o valor informado no Resumo Geral das Folhas é inferior ao informado na GFIP, ou seja, R$ 361.343,69 contra R$ 375.661,78. Só que no demonstrativo, na competência 01/2008, o AuditorFiscal afirma o seguinte: VALOR DA GFIP R$ 375.661,78; VALOR RESUMO DA FOLHA R$ 375.661,78; “DIFERENÇA” 0,00. 48. Na referida competência, o valor da remuneração dos segurados na folha de pagamento apresentase inferior ao declarado em GFIP, razão pela qual o AuditorFiscal repetiu o valor da GFIP na coluna referente à folha de pagamento, de modo que não houvesse diferença, tendo em vista que foi considerado pela fiscalização como real o salário de contribuição encontrado na GFIP. Tanto que inexiste lançamento na competência 01/08 relativo aos Levantamentos N11 e N12. Portanto, não há qualquer irregularidade na afirmação do AuditorFiscal. Destaquese que não houve lançamento de contribuições previdenciárias relativas à competência 01/08 nos presentes autos. 49. O Contribuinte não fez constar nas GFIP a totalidade das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, haja vista que deixou de informar em GFIP parte do salário de contribuição dos segurados, por considerar rubricas sobre as quais incide contribuição previdenciária como isentas ou mesmo por não incluir na base de cálculo todo o valor do salário base, item da folha de pagamento. Eventuais documentos que tenham deixado de ser entregues configura descumprimento de obrigação acessória, devendo ser analisado no AI respectivo. 50. O Contribuinte requereu nova análise de todas as multas aplicadas neste AI, em especial sob o regime estabelecido pela Lei nº 11.941/09. A análise foi realizada quando do lançamento, conforme prevê o art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN. Contudo, na sistemática antiga, a multa variava de acordo com o momento do pagamento das contribuições, devendo ser Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10530.722524/201009 Acórdão n.º 2803002.275 S2TE03 Fl. 1.794 11 novamente realizada a análise, quando do efetivo pagamento. Ressaltese que o art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, trata de multa por descumprimento de obrigação acessória, o que não é o caso dos presentes autos. distribuído da seguinte forma: R$ 6.708,92 foi creditado no CNPJ da Câmara Municipal de Andorinha, e R$ 110.185,10, no CNPJ da Prefeitura Municipal de Andorinha. Portanto, todo o valor retido do FPM foi apropriado, conforme RADA. 37. Na competência 12/08, o valor consignado na justificativa das contribuições devidas pelos segurados de R$ 34.482,78 está claramente equivocado, haja vista que está menor que o declarado em GFIP de R$ 37.689,99. 38. O valor das contribuições devidas declaradas em GFIP na competência 11/08 é R$ 119.939,69, conforme apropriação do RADA e verificação do sistema GFIPWEB. O valor retido do FPM é R$ 116.894,02, consoante informa o próprio Contribuinte, e foi distribuído da seguinte forma: R$ 6.708,92 foi creditado no CNPJ da Câmara Municipal de Andorinha, e R$ 110.185,10, no CNPJ da Prefeitura Municipal de Andorinha. Portanto, todo o valor retido do FPM foi apropriado, conforme RADA. 39. Logo, improcede a alegação de nulidade por estar o AI desprovido de provas, bem como não condizendo com os extratos. 40. As alegações referentes às competências 01/06, 01/07 e 01/08 não serão apreciadas, pois não houve lançamentos de contribuições devidas pelos segurados empregados nessas competências nos presentes autos. 41. O RADA demonstra como os documentos GRPS, GPS, LDC, CRÉD (créditos diversos) e DNF (valores destacados em nota fiscal ainda não recolhidos) , apresentados pelo contribuinte ou apurados em procedimento fiscal, foram apropriados pela fiscalização. Os recolhimentos efetuados foram primeiramente apropriados nas contribuições declaradas em GFIP, eventual saldo foi apropriado nas contribuições devidas pelos segurados empregados, estando, por conseguinte, regular o RADA. 42. Não foram lançadas diferenças de acréscimos legais nos presentes autos, mas incide multa e juros sobre as contribuições não espontaneamente declaradas e recolhidas pelo contribuinte. 43. O Relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito é gerado automaticamente pelos sistemas da Receita Federal, quando do lançamento de contribuições previdenciárias e informa ao contribuinte os dispositivos legais que fundamentam o lançamento efetuado, de acordo com a legislação vigente à época de ocorrência dos fatos geradores. As alíquotas e bases de cálculo encontramse no DD e as informações sobre os levantamentos e sobre os fatos verificados na ação fiscal, no Relatório Fiscal. Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10530.722524/201009 Acórdão n.º 2803002.275 S2TE03 Fl. 1.795 12 44. Assim, os itens 800, 800.10 e 800.11 apontam a legislação referente ao prazo e obrigação de recolhimento; os itens 602.07 e 602.08, a legislação respectiva e as competências em que foram lançados acréscimos legais – juros; o item 701, a legislação respectiva e as competências em que houve falta de pagamento, falta de declaração ou declaração inexata, sendo lançada a multa de ofício de 75%. Assim, o FLD atende à legislação específica. 45. Como a conseqüência para a falta de pagamento, falta de declaração em GFIP ou declaração inexata em GFIP é a mesma, multa de ofício de 75%, e a legislação é a mesma, o FLD trata essas hipóteses no mesmo item 701. Improcede a alegação de que não houve pagamento das competências citadas, falta de declaração ou declaração inexata, haja vista que a GFIP, nas competências objeto de lançamento, apresenta contribuição previdenciária devida pelos segurados empregados menor que o verificado em folha de pagamento (Levantamentos N11 e N12). Além disso, não houve o pagamento da totalidade das contribuições previdenciárias, tanto que estão sendo cobradas no presente AI. 46. Os valores das bases de cálculo declaradas em GFIP da planilha “Município de Andorinha Competências 01/2006 a 13/2008 Demonstrativo”, estão de acordo com o sistema GFIPWEB da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), e os valores das bases das folhas de pagamento diferem dos valores apontados pelo contribuinte, em razão de que na “Base Inss” da folha de pagamento não estão consignadas todas as rubricas sobre as quais incide contribuição previdenciária. Portanto, improcede a alegação de que a diferença relatada pelo AuditorFiscal, entre as folhas de pagamento e as GFIP, não condiz com a realidade dos fatos, relativo ao valor remanescente da base de cálculo dos Levantamentos N11 e N12 do Processo nº 10530.722523/201056, DEBCAD nº 37.262.6602, bem como a contestação do item 1.10 do Relatório Fiscal, no qual o Senhor AuditorFiscal afirma que os valores mensais informados na GFIP não conferem com a soma das folhas de pagamentos. 47. Alega o Contribuinte que o AuditorFiscal está com dupla interpretação nos levantamentos do Auto de Infração. No Item 1.10, o Auditor relata que na competência 01/2008, o valor informado no Resumo Geral das Folhas é inferior ao informado na GFIP, ou seja, R$ 361.343,69 contra R$ 375.661,78. Só que no demonstrativo, na competência 01/2008, o AuditorFiscal afirma o seguinte: VALOR DA GFIP R$ 375.661,78; VALOR RESUMO DA FOLHA R$ 375.661,78; “DIFERENÇA” 0,00. 48. Na referida competência, o valor da remuneração dos segurados na folha de pagamento apresentase inferior ao declarado em GFIP, razão pela qual o AuditorFiscal repetiu o valor da GFIP na coluna referente à folha de pagamento, de modo que não houvesse diferença, tendo em vista que foi considerado pela fiscalização como real o salário de contribuição encontrado na GFIP. Tanto que inexiste Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10530.722524/201009 Acórdão n.º 2803002.275 S2TE03 Fl. 1.796 13 lançamento na competência 01/08 relativo aos Levantamentos N11 e N12. Portanto, não há qualquer irregularidade na afirmação do AuditorFiscal. Destaquese que não houve lançamento de contribuições previdenciárias relativas à competência 01/08 nos presentes autos. 49. O Contribuinte não fez constar nas GFIP a totalidade das remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, haja vista que deixou de informar em GFIP parte do salário de contribuição dos segurados, por considerar rubricas sobre as quais incide contribuição previdenciária como isentas ou mesmo por não incluir na base de cálculo todo o valor do salário base, item da folha de pagamento. Eventuais documentos que tenham deixado de ser entregues configura descumprimento de obrigação acessória, devendo ser analisado no AI respectivo. 50. O Contribuinte requereu nova análise de todas as multas aplicadas neste AI, em especial sob o regime estabelecido pela Lei nº 11.941/09. A análise foi realizada quando do lançamento, conforme prevê o art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN. Contudo, na sistemática antiga, a multa variava de acordo com o momento do pagamento das contribuições, devendo ser novamente realizada a análise, quando do efetivo pagamento. Ressaltese que o art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, trata de multa por descumprimento de obrigação acessória, o que não é o caso dos presentes autos. 51. O pedido de anulação das multas e juros não pode ser acolhido, haja vista que estão de acordo com a legislação, e os juros se regem pela norma vigente à época dos fatos geradores, pois não albergados pelo art. 106 do CTN Quanto à suposta inconstitucionalidade de tal aplicação da sanção em face do principio da equidade, vedação ao confisco, ou ofensa à legalidade, é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob tal argumento, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A do Regimento Interno do CARFMF. Realmente, todos os pontos da defesa foram abordados mesmo que por meio de agrupamento, o que demonstrou a coerência e corretude da decisão a quo. Os pontos eu entendemos equivocados estão na seqüência. V Por final, quanto à ressalva, entendo que a fiscalização aplicou de forma equivocada o art. 35A, da Lei n. 82121991, na redação posterior à MP n 449, de 04.12.2008, convertido na Lei n. 11.9412009, que remete à aplicação do art. 44, I, da Lei n. 94301996, com multa estabelecida no patamar de 75%, por entender mais benéfico ao contribuinte. Em análise ao art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, a multa aplicada ao caso é escalonada de acordo com a fase do processo de constituição e cobrança das contribuições previdenciárias, iniciando com 4% a 100%. Os patamares superiores à 75% somente eram aplicáveis após o ajuizamento de ação de execução fiscal. Ou seja, em fase administrativa, a aplicação mais favorável é a da redação do art. 35, , Fl. 1796DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10530.722524/201009 Acórdão n.º 2803002.275 S2TE03 Fl. 1.797 14 da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008. Notese que os créditos são inclusive anteriores à publicação da MP n 449, de 04.12.2008, Assim, entendimento contrário, será uma afronta à irretroatividade da aplicação da lei, salvo se mais benéfica,(art. 104, III, c;c 106, I, do CTN) bem como negar vigência à necessidade de interpretação mais benéfica ao contribuinte (art. 112, do CTN), pois o ato omissivo de não pagamento de contribuições que não foram devidamente declaradas ocorreu antes do lançamento. Toda multa tributária é uma sanção, ou seja tem natureza primária punitiva, ou de penalização. Contudo, ainda assim podem ser classificadas em multa moratória, decorrente do simples atraso na satisfação da obrigação tributária principal, e multa punitiva em sentido estrito, quando decorrente de infração à obrigação instrumental cumulada ou não com a obrigações principais. Tal classificação é necessária pois, apesar de não terem natureza remuneratória, mas sancionatória, os tribunais brasileiros admitem que as multas tributárias devem ser classificadas em moratórias e punitivas (sentido estrito), em razão da existência de tratamentos diversos para cada espécie pelo próprio Código Tributário Nacional e legislação esparsas. (RESP 201000456864, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 29/04/2010; PAULSEN, Leandro. Direito tributário, constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12ª Ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2010, p.1103 1109) Assim, coloco como premissa que a diferença entre multa moratória e multa punitiva em sentido estrito. Como supra colocado, a primeira decorre do mero atraso da obrigação tributária principal, podendo sendo constituída pelo próprio contribuinte inadimplente no momento de sua apuração e pagamento. Já, a segunda espécie de multa, a punitiva em sentido estrito, demanda constituição pelos instrumentos de lançamento de ofício por parte dos agentes fiscais (art. 149, do CTN), em que se apura a infração cometida e a penalidade a ser aplicada. Inclusive a estipulação e definição da espécie de multa é dado exclusivamente pela lei, fato ressaltado em face do principio da estrita legalidade a que se regula o Direito Tributário e suas sanções (art. 97, V, do CTN). A mudança de natureza para fins de comparação no tempo, não pode ser realizada sem autorização legal, e por isso não se poderia comparar com multas punitiva em sentido estrito (referente à descumprimento de obrigação exclusivamente instrumental) com multas de natureza moratória a exemplo com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. Não se pode tratar a hipótese de incidência da multa moratória disposta no art. 32A cumulada com a multa do art. 35, com a redação anterior, como uma possível multa de ofício para comparar com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8.212/1991, incluso pela Medida Provisória n. 449/2008, convertida em Lei n. 11.941/2009, porque a multa aplicada pela redação anterior do art. 35, somente tratava de multa de natureza moratória, variada em razão das fases (tempo) do processo. Salvo se a própria lei, expressamente assim definisse. Dessa forma, entendo que deve ser aplicado ao caso as penalidades estabelecidas no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, até o limite de 75% (art.. 35A da Lei n. 8.21211991 combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.4301996), conforme estabelecido pela redação posterior a da comentada alteração. Conclusão Fl. 1797DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10530.722524/201009 Acórdão n.º 2803002.275 S2TE03 Fl. 1.798 15 Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, no sentido de que a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos com base a fatos geradores ocorridos até o dia 05.12.208 seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, comparada apenas com a do art. 35A, da Lei n. 8.2121991, com redação posterior à MP n 449, de 04.12.2008, desde que mais favorável ao contribuinte, sendo vedada a comparação conjunta com as penalidades dos arts. 32 e 32A, sob a anterior e atual redação. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 1798DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10855.901987/2008-40
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 30/04/2004
Ementa:
NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do recurso voluntário protocolizado após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72
Numero da decisão: 1802-001.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do recurso voluntário protocolizado após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório Por considerar pertinente, transcrevo o Relatório da decisão recorrida (fl.64) a seguir: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 19 87 /2 00 8- 40 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/02, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ (código de receita: 2089) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL: 2372). Por intermédio do despacho decisório de fls. 03/04, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada compensação declarada no PER/Dcomp de n° 22090.19603.270904.1.3.041414, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls.06/10, acompanhada dos documentos de fls. 11/55, na qual alega erro de cálculo na DCTF, relativa ao 1° trimestre de 2004. A contribuinte apresentou quadros demonstrativos para comprovar o seu direito ao crédito, atinente ao pagamento da CSLL (cód: 2372), período de apuração: 1° trimestre de 2004, efetuado em 30/04/2004, bem como retificou a informação constante de sua DCTF, de forma a demonstrar os pontos de discordância apontados na impugnação. Ao final, requer que seja acolhida a presente impugnação. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Ribeirão Preto/SP) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1431.727, de 26 de novembro de 2010 (fls.65/68), cientificado ao interessado em 17/12/2010 (fl.72). A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.65): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 30/04/2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 24/01/2011, fls.73/74, no qual argúi, em síntese, que: Fl. 129DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.901987/200840 Acórdão n.º 1802001.722 S1TE02 Fl. 3 3 Quando na apuração da CSLL, a partir de 01/09/2003, por força do art. 22 da lei 10.684/2003, a base de cálculo, devida pela pessoa jurídica optante pelo lucro presumido foi interpretada de maneira errônea: 0 correto para receita bruta nas atividades comerciais, industriais e industrialização por encomenda é de 12%; Sendo que para receita bruta na atividade de industrialização por encomenda foi de 32%. Para demonstrar o erro no cálculo de apuração da CSLL do 1º trimestre de 2004, apresenta planilhas de cálculo, DARFs e Registro de Saídas dos meses de 01/2004, 02/2004 e 03/2004 (fls.76/104). Finalmente, requer seja homologada a compensação em lide. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Conforme relatado acima, a pessoa jurídica foi cientificada da decisão proferida mediante o Acórdão nº 1431.727, de 26 de novembro de 2010 (fls.65/68), em 17/12/2010 (sexta feira) conforme o Aviso de Recebimento (AR) juntado à fl.72, e, interpôs recurso ao Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais CARF, somente em 24/01/2011, segundafeira) fls.73/74, portanto, após o prazo dos trinta dias seguintes à ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art.33 do Decreto nº 70.235/72, que teve como prazo inicial o dia 20/12/2010(segunda feira) e final o dia 18/01/2011 (terça feira) para a apresentação do mencionado recurso. Diante do exposto, concluo que o presente recurso, é intempestivo, não preenche as condições de admissibilidade, nos termos do art.33 do Decreto nº 70.235/72, razão pela qual voto para não conhecêlo. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720022/2008-10
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL.
A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF).
DILIGÊNCIAS. COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS DE FRETE. INDEFERIMENTO.
Indefere-se a diligência requerida com o intuito de verificar a comprovação das despesas de frete, visto que o ônus da prova do direito creditório é do sujeito passivo e não da Fazenda Nacional.
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
Não geram direito a créditos a serem descontados da Cofins os gastos de produção que não aplicados ou consumidos diretamente no processo fabril, vez que não se enquadram no conceito de insumos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-001.885
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I - por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto às glosas decorrentes de créditos decorrentes de despesa com transporte rodoviário de cargas. II - Pelo voto de qualidade em negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em relação aos serviços não especificados (CFOP 1.949 e 2.949). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). DILIGÊNCIAS. COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS DE FRETE. INDEFERIMENTO. Indefere-se a diligência requerida com o intuito de verificar a comprovação das despesas de frete, visto que o ônus da prova do direito creditório é do sujeito passivo e não da Fazenda Nacional. CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Não geram direito a créditos a serem descontados da Cofins os gastos de produção que não aplicados ou consumidos diretamente no processo fabril, vez que não se enquadram no conceito de insumos. Recurso Voluntário Negado.
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MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). DILIGÊNCIAS. COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS DE FRETE. INDEFERIMENTO. Indeferese a diligência requerida com o intuito de verificar a comprovação das despesas de frete, visto que o ônus da prova do direito creditório é do sujeito passivo e não da Fazenda Nacional. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Não geram direito a créditos a serem descontados da Cofins os gastos de produção que não aplicados ou consumidos diretamente no processo fabril, vez que não se enquadram no conceito de insumos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto às glosas decorrentes de créditos decorrentes de despesa com transporte rodoviário de cargas. II Pelo voto de qualidade em negar provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em relação aos serviços não especificados (CFOP 1.949 e 2.949). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 00 22 /2 00 8- 10 Fl. 796DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720022/200810 Acórdão n.º 3801001.885 S3TE01 Fl. 11 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 797DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720022/200810 Acórdão n.º 3801001.885 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos da Contribuição para Programa de Integração Social – PIS, nãocumulativa, que remanesceram ao final do segundo trimestre de 2006. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Blumenau/SC pelo seu deferimento parcial, fazendoo com base no não acatamento da apuração de créditos em relação às seguintes operações: a) devolução de produtos que seriam utilizados como insumo: relata, a autoridade fiscal, que constatou por meio da análise do arquivo digital das notas fiscais de saída e da memória de cálculo (fl. 63), na qual a contribuinte declara os CFOP utilizados para a quantificação dos créditos da linha dois do DACON, que a mesmo não excluiu, da base de cálculo do crédito apurado, a totalidade das devoluções de bens que seriam utilizados no processo produtivo. Conclui que a diferença de R$ 17.033,23, apurada em relação aos valores dos registros com CFOP 5.201 e 6.201, foi reduzida da base de cálculo. b) referentes a serviços utilizados como insumo: b.1) serviços de transporte rodoviário de cargas na aquisição de insumos: relata a autoridade fiscal que o preenchimento de parcela relevante dos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas (CTRC) não foi efetuado em conformidade com o exigido pela legislação do ICMS. Aponta como principais irregularidades: a emissão do CTRC posteriormente à prestação do serviço; o valor da nota fiscal informada no CTRC inferior ao nele informado; notas fiscais informadas nos CTRC não registradas no Livro de Registro de Entrada. Acrescenta que os “serviços de transporte muitas vezes superam o valor da própria mercadoria transportada e que as distâncias percorridas entre a origem e o destino não são compatíveis com os valores médios de frete praticados no mercado”. Conclui que “em função das deficiências encontradas a aferição da idoneidade dos documentos fica completamente prejudicada” b.2) serviços não especificados: foram glosados os serviços em relação aos quais a interessa, instada a apresentar a memória de cálculo para os créditos referente a linha três (Serviços Utilizados com Insumo), informou utilizar os CFOP 1.949 (Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada). Observa que enquanto o montante informado das operações com esse CFOP, para fins de creditamento, é de R$ 402.283,66, no RAIP e no RLE é de apenas R$ 18.125,72, sendo que “nenhuma das entradas do LRE solicita crédito de PIS e/ou COFINS". Acrescenta que efetuouse a glosa da totalidade do valor solicitado considerando que 95% deste não encontra respaldo na escrita fiscal e que entradas com o CFOP 1.949, “por referirse a outras entradas não previstas nos demais códigos, a princípio, não correspondem a bens e serviços utilizados como insumo”; Fl. 798DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720022/200810 Acórdão n.º 3801001.885 S3TE01 Fl. 13 4 c) energia elétrica: foram glosados os valores incluídos nas faturas, e no cômputo do crédito, que não são passíveis do desconto legalmente previsto, quais sejam os valores referentes às doações ao Hospital Annegret Neitzke e ao pagamento de juros e multa de mora e correção monetária decorrentes de pagamentos extemporâneos; d) alugueis de prédios: foi glosado o valor indicado no contrato de locação como despesa de energia elétrica, por não integrar tal despesa o valor do aluguel contratado; e) locação de máquinas e equipamentos: a autoridade fiscal glosou os valores referentes às despesas com locação de caminhões e carrocerias reboques, de propriedade da empresa controladora, Rohden Artefatos de Madeiras Ltda., pois, de acordo com a NCM, “caminhão é espécie do gênero veículo e não do gênero máquina”; Cientificada do Despacho Decisório, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade com as alegações que seguem. Inicialmente, a contribuinte contesta a glosa dos valores referentes às devoluções de bens que seriam utilizados como insumo, alegando que “está habilitada a comprar insumos com suspensão – e estes não geram direito de crédito – a eventual devolução não pode ser deduzida da base de cálculo, como ocorreu no caso”. Explica que considerou na devolução apenas o que não era suspensão, conforme fazem prova as notas fiscais de aquisição de números 210, 298042 e as respectivas notas de devolução números 19722 e 20403. Quanto aos serviços de transporte rodoviário de cargas na aquisição de insumos, a contribuinte alega que não existem os supostos “vícios formais” a ensejar a glosa referente aos fretes das aquisições de insumos mas, quando muito, meras irregularidades. Explica: que diariamente contratava fretes de terceiras pessoas as quais transportavam madeira bruta das florestas até seu estabelecimento; que tais serviços eram realizados por pessoas humildes que, muitas vezes, ao invés de emitirem uma nota fiscal (conhecimento de frete) para cada operação de transporte, emitiam uma nota fiscal conjunta com a totalidade dos serviços prestados em determinado período. Argumenta que a referida falha não prejudicou o fisco pois não houve omissão dos valores referentes aos fretes e não impediu que a empresa transportadora recolhesse PIS e COFINS sobre esses valores. Ao final pugna que “caso se entenda que não tem como auferir os valores a serem ressarcidos, que se determine o retorno dos autos à DRF em Blumenau para análise do crédito”. Por fim, a contribuinte manifestase contra as glosas das aquisições de serviços não especificados, argumentando que os valores das entradas com CFOP 1.949 foram incluídos corretamente na apuração do crédito, vez que se tratam de importâncias relativas a serviços de pessoa jurídica utilizados na extração de madeira e manutenção de máquinas, cujo direito ao crédito está previsto no art. 3o, II, da Lei 10.637/2002. Alega que, com o mesmo CFOP existem entradas com direito ao crédito e outras sem, e que a Autoridade Administrativa, antes de glosar todos os valores pleiteados, deveria ter intimado a recorrente para prestar as informações necessárias; desta feita, anexa aos autos as notas fiscais que diz comprovarem o direito pleiteado. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: Fl. 799DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720022/200810 Acórdão n.º 3801001.885 S3TE01 Fl. 14 5 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM SERVIÇOS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Dão direito a crédito, no âmbito do regime da não cumulatividade, custos e despesas com bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado, inicialmente, descreve os fatos argumentando que merece reforma a decisão recorrida. Com relação ao ônus da prova, entende a recorrente que a regra de quem alega deve provar não é absoluta, pois vige para o Fisco o princípio da busca pela verdade material buscando a satisfação do interesse público, que é corolário do princípio da legalidade. Sustenta que se falhou na comprovação dos fatos que a autoridade reputa pertinente, deverá remeter os autos a quem tem competência para novamente instruílo, elencando objetivamente o que precisa ser demonstrado. Conclui este tópico com a afirmação de que a autoridade administrativa não pode indeferir requerimento efetuado pelo contribuinte sob o argumento de que o mesmo não logrou êxito na comprovação de seu direito. No que tange a glosa da despesa com frete na aquisição de insumos (CFOP 1352), argumenta que nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.833/03, o serviço que for utilizado como insumo possibilita à pessoa jurídica a realização de um desconto tributável. Neste sentido, o frete, como elemento necessário a chegada do insumo no estabelecimento fabril, também pode ser enquadrado como insumo. Alega que o frete encaixase facilmente no conceito de insumo, haja vista que o mesmo é necessário a chegada da matériaprima ao estabelecimento fabril, ou seja, este item configura um serviço aplicado na fabricação do bem destinado a venda. Cita Solução de Consulta. Defende a tese de que se os conhecimentos se prestaram para o reconhecimento da dívida de PIS e Cofins, cujo valor foi recolhido, é evidente que os mesmos se prestarão para o reconhecimento dos créditos. Afirma que não é cabível o entendimento de que os elementos intrínsecos aos conhecimentos de transporte não estavam postos a evidência no presente caso. Se a autoridade Fl. 800DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720022/200810 Acórdão n.º 3801001.885 S3TE01 Fl. 15 6 julgadora sente falta de elementos probatórios nos autos, deve instruir o feito, de modo a sanar suas dúvidas. Destaca que o fato de os transportes se referirem, em parte, a produtos adquiridos de pessoas físicas, não tem o condão de limitar ou excluir a possibilidade da percepção de créditos. Esclarece que não são as pessoas físicas que fazem o transporte e sim as pessoas jurídicas, situação que é apta a ensejar o crédito. Menciona que a situação de parte da mercadoria ter sido remetida com referência “a pagar” em nada altera a relação jurídica existente, pois quem sofreu o ônus da exação tributária merece ter o crédito repetido. No que se refere as glosas dos serviços não especificados (CFOP 1949 e 2949) por não se enquadrem no conceito de insumos, argumenta, com base em doutrina, que o conceito legal de insumos é muito mais amplo que o de matériasprimas, de produtos intermediários ou de materiais de embalagem. Defende a tese de que caracteriza insumo toda e qualquer despesa e investimento que contribui para um resultado ou para a obtenção de uma mercadoria ou produto até o consumo final, ou seja, insumo é o conjunto de fatores necessários para que a empresa desenvolva sua atividade. Discorda da tese do acórdão recorrido de que o serviço de extração de madeira é etapa anterior ao processo produtivo, pois o corte da madeira é efetuado com base nas exigências feitas pela recorrente. Alega que a matériaprima não é encontrada em qualquer lugar, uma vez que precisa ser tratada como exige a fabricação dos artefatos de madeira. Assim, a partir do momento em que a árvore está sendo cortada já se iniciou o processo produtivo da empresa. Afirma que a empresa não adquire seu produto de madeireiras ou similares, visto que compra diretamente na terra, de forma que não há intermediação entre o momento em que a árvore é extraída da terra e a hora em que é cortada na serraria da recorrente. Seu processo industrial começa já no momento em que seus prestadores de serviços se dirigem até a localidade onde estão as árvores e realizam o corte da forma exigida pela recorrente. A recorrente discorda das glosas relativas às despesas com serviços de reparos de máquinas, pois essas despesas se enquadram no conceito de insumo. Alega que os bens adquiridos pela recorrente não fazem parte de seu ativo imobilizado, mas apenas são utilizados para reposição e manutenção de seus veículos e maquinário utilizados na produção. Cita Soluções de Consulta sobre o tema. Por fim, requer o recebimento e apreciação de seu recurso voluntário para o efeito de reconhecer o direito da recorrente de ressarcirse dos créditos da contribuição para o PIS, relativos ao 3º trimestre do ano de 2006, no que toca as despesas realizadas com (i) frete na aquisição (ii) serviços de exploração de florestas e manutenção de máquinas. É o relatório. Fl. 801DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720022/200810 Acórdão n.º 3801001.885 S3TE01 Fl. 16 7 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. As matérias serão enfrentadas em tópicos específicos, em consonância com as alegações da requerente no recurso voluntário. 1 – Glosa de créditos decorrentes de despesa com transporte rodoviário de cargas (CFOP 1.352) A recorrente insurgiuse parcialmente contra a glosa dos créditos decorrentes de despesas de fretes nas aquisições de produtos (CFOP 1.352). Ao contrário do alegado, a decisão de primeira instância reconheceu que a recorrente pode descontar créditos em relação as despesas de fretes nas aquisições de produtos, todavia tem que comprovar a natureza das operações e a sua efetiva realização. Assim, a discussão limitase a aferição da força probante dos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas (CTRC), como bem colocado pela decisão de primeira instância. Sobre essa matéria, a autoridade fiscal após exame dos CTRC relatou: Evidenciouse, por meio da análise dos arquivos digitais e da conferência física das notas fiscais, que a grande maioria dos CTRC (Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas) padece dos requisitos formais exigidos pelo regulamento do ICMS a que se sujeita a requerente (RICMS/SC 2001, Anexo V, artigos 63 a 71). Dentre as principais irregularidades destacamse: a) A emissão do CTRC posteriormente à prestação do serviço de transporte o que é expressamente vedado pelo art. 65 do RICMS/SC e que a nota fiscal informada no CTRC é de valor inferior ao nele informado. São alguns exemplos desses fatos as cópias dos CTRC anexas aos autos às fls. 385 a 390; b) Muitas das notas fiscais informadas nos CRTC não estão registradas no Livro Registro de Entrada, ou seja, a nota fiscal informada no CTRC não figura nos registros fiscais e/ou contábeis da requerente. São exemplos os CTRC juntados ao processo às fls. 408 a 410 e 412 a 415; Constatouse que os problemas no preenchimento dos CRTC ocorreram exclusivamente com os transportadores locais ou de cidades limítrofes à sede da requerente. Importante nesse momento o registro de que tais serviços de transporte muitas vezes superam o valor da própria mercadoria transportada e que as distâncias percorridas entre a origem e o destino não são compatíveis com os valores médios de frete praticados no Fl. 802DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720022/200810 Acórdão n.º 3801001.885 S3TE01 Fl. 17 8 mercado. Tomemos como exemplo o CTRC juntado aos autos à fl. 385 que percorreu uma distância inferior a 50km entre a origem no município de Otacílio Costa e o destino no município de Pouso Redondo, segundo o sítio http://wvvrw.mapainterativo.ciasc.gov.br/tabeladistancias.php, e custou à requerente R$ 6.209,49 (seis mil duzentos e nove reais e quarenta e nove centavos). A tese da recorrente, de que se falhou na comprovação dos fatos, a autoridade julgadora deverá converter o processo em diligência para novamente instruílo, não merece prosperar. O § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que a prova documental tem que ser apresentada na impugnação, salvo os casos expressos abaixo mencionados: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Assim sendo, a lei estabelece o momento de apresentação da prova documental, qual seja, a interposição da manifestação de inconformidade. In casu, a recorrente não alegou uma das exceções do aludido dispositivo, portanto precluiu o seu direito de produção de prova documental. A propósito, Maria Teresa Martinez López e Marcela Cheffer Bianchini no artigo Aspectos Polêmicos sobre o Momento de Apresentação da Prova no Processo Administrativo Fiscal Federal em A Prova no Processo Tributário – São Paulo: Dialética, 2010, p. 51, esclarecem: (...) O devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. O processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com o direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. O artigo 16 do PAF, em seu parágrafo 4º, estabelece limitações à atividade probatória do administrado ao determinar que a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento Fl. 803DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720022/200810 Acórdão n.º 3801001.885 S3TE01 Fl. 18 9 processual, a menos que restar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior ou referirse a fato ou direito superveniente.(grifouse) Por seu turno, o art. 333 do Código de Processo Civil preceitua que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Ora, tendo alegado que efetivamente as despesas de frete foram realizadas e pagas, a recorrente tinha por obrigação legal de juntar aos autos administrativos os respectivos documentos comprobatórios que sustentariam seu direito. Assim sendo, os CTRC questionados não são hábeis e idôneos para o reconhecimento da legitimidade dos créditos da Cofins. De modo que é inaceitável a forma suscitada pela recorrente de conversão em diligência para a comprovação dos pretensos créditos. Nessa esteira, é sobremodo assinalar que deve ser indeferida a diligência requerida com o intuito de verificar a comprovação das demais despesas de frete, uma vez, como visto, o ônus da prova do direito creditório é da requerente e não da Fazenda Nacional. Além disso, a recorrente não apresentou quaisquer elementos probatórios que invalidasse as glosas feitas pela fiscalização. De fato, as irregularidades apontadas pela fiscalização impedem o direito de descontar créditos com despesas de fretes, a exemplo de notas fiscais que não foram registradas no Livro Registro de Entrada, em outras não há a descrição satisfatória dos produtos adquiridos. Além do mais, existem CTRC com data de emissão posterior a data registrada como de entrada da mercadoria transportada. Diferentemente do alegado, não é viável o reconhecimento dos créditos sem a efetiva comprovação dos serviços prestados, pois o direito ao crédito requer exame minucioso dos serviços prestados e do processo produtivo. Como visto não se trata de simples falhas no sistema de emissão dos conhecimentos de frete, mas a falta de comprovação da efetiva realização e pagamentos dos serviços. Ademais, não há provas de que os transportadores recolheram as contribuições PIS e Cofins sobre esses fretes. Em suma, a autoridade fiscal acertadamente glosou os créditos, pois os aludidos CRTC não contêm os elementos comprobatórios necessários para caracterizar uma operação de transporte de insumos adquiridos. 2 – glosas dos serviços não especificados (CFOP 1949) Esta controvérsia tem por objeto o direito de descontar créditos sobre serviços prestados por pessoa jurídica na extração de madeira e manutenção de máquinas. Como visto, a recorrente defende uma interpretação extensiva do conceito de insumo. Sustenta que insumo é o conjunto de fatores necessários para que a empresa desenvolva sua atividade. Com efeito, a solução deste tópico envolve o conceito de insumo. Segundo o art. 3º, inciso II, Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, disciplina, a pessoa jurídica poderá descontar créditos em relação a bens e serviços, utilizados Fl. 804DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720022/200810 Acórdão n.º 3801001.885 S3TE01 Fl. 19 10 como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (...) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (...) (grifouse) Fl. 805DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720022/200810 Acórdão n.º 3801001.885 S3TE01 Fl. 20 11 Destarte, o ponto central da questão é compreender o conceito de insumo estabelecido nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. Há diversas exegeses a respeito desse dispositivo, tais como: definição de insumo segundo a legislação do IPI, aplicação de custos e despesas de acordo com a legislação do IRPJ, custos de produção, etc. Para o deslinde da questão, é despiciendo examinar o método indireto subtrativo que, em regra, foi adotado para o exercício da nãocumulatividade da contribuição PIS. A respeito da interpretação das leis, Carlos Maximiliano em Hermenêutica e Aplicação do Direito, 19ª ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2010, p. 162, ensina: Por mais opulenta que seja a língua e mais hábil quem a maneja, não é possível cristalizar numa fórmula perfeita tudo o que se deva enquadrar em determinada norma jurídica: ora o verdadeiro significado é mais estrito do que se deveria concluir do exame exclusivo das palavras ou frases interpretáveis; ora sucede o inverso, vai mais longe do que parece indicar o invólucro visível da regra em apreço. A relação lógica entre a expressão e o pensamento faz discernir se a lei contém algo de mais ou de menos do que a letra parece exprimir: as circunstâncias extrínsecas revelam uma idéia fundamental mais ampla ou mais estreita e põem em realce o dever de estender ou restringir o alcance do preceito. Mais do que regras fixas influem no modo de aplicar uma norma, se ampla, se estritamente, o fim colimado, os valores jurídico sociais que lhe presidiram à elaboração e lhe condicionaram a aplicabilidade. (grifouse) A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Instrução Normativa (IN) nº 247/2002 (redação dada pela IN SRF nº 358/03), regulamentou o assunto a partir da concepção tradicional da legislação do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) e adotou uma interpretação para o conceito de insumo, conforme excerto a seguir transcrito: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (Redação dada pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.2) na prestação de serviços; (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Fl. 806DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720022/200810 Acórdão n.º 3801001.885 S3TE01 Fl. 21 12 I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) II utilizados na prestação de serviços: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003)(grifouse) Em que pese não vincular a autoridade julgadora, a interpretação dada pela RFB apresentase compatível e coerente com a legislação da nãocumulatividade da Cofins. Essas normas complementares não atentaram contra a legalidade, além de não terem extrapolados os limites traçados na respectiva lei. Em outras palavras, as normas acima delimitaram o direito de crédito com a especificação dos serviços que geram crédito. Posto isso, ao sujeito passivo somente é permitido descontar unicamente os créditos autorizados e discriminados pela lei. Em suma, não é qualquer serviço, custo de produção ou despesa que confere crédito da contribuição. Caso o legislador tivesse outra intenção, de tal forma que os direitos de descontar os créditos abrangeriam o maior número de gastos possíveis, teria feito constar na lei uma referência explícita ao direito de descontar créditos em conformidade com custos e as despesas necessárias segundo a legislação do IRPJ. Da mesma maneira, caso quisesse adotar o conceito de custos de produção, não teria utilizado a expressão insumos. Além disso, a lei que instituiu a nãocumulatividade da Cofins especificou outros custos de produção e despesas operacionais que geram direto ao crédito, tais como: aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica; máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. Nessa esteira, se o conceito de insumo estivesse relacionado com os custos de produção, não faria sentido o legislador ordinário enumerar uma série de outros custos Fl. 807DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720022/200810 Acórdão n.º 3801001.885 S3TE01 Fl. 22 13 passíveis de gerarem créditos. Deste modo, adotase como solução deste litígio o conceito de insumo segundo o disposto na 247/2002. Com efeito, o conceito de insumo no âmbito do direto tributário foi estabelecido no inciso I, § 1º, do artigo 1º da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, in verbis: Art. 1º (...) §1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; Destarte, em tributos não cumulativos o conceito de insumos corresponde a matériasprimas, produtos intermediários e a materiais de embalagem. Ampliar este conceito implica em fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo e passivo. Consignese, por oportuno, que a autoridade fiscal no Despacho Decisório manifestou expressamente no sentido de que créditos mencionados no CFOP 1.949 não corresponde a serviço utilizado como insumo suscetível de creditamento no regime não cumulativo do PIS/Pasep e Cofins. Deste modo, nos termos da posição adotada anteriormente, para se ter direito ao desconto dos créditos é necessário que os serviços prestados pela pessoa jurídica sejam aplicados diretamente na fabricação do produto, o que não ocorreu nas situações descritas. Dos elementos que constam neste processo administrativo fiscal, constatase que os serviços prestados por pessoas jurídicas de extração de madeira (empreiteiras de mão de obra) não podem ser considerados insumos porque não foram aplicados diretamente na atividade fabril. Neste caso, a produção iniciase com a transformação da matériaprima (madeira), de sorte que a extração é uma etapa prévia do processo produtivo. É bem verdade que esses serviços são importantes para o processo produtivo, todavia tais serviços não são empregados diretamente na fabricação do produto destinado à venda. Do exame dos elementos probatórios, é forçoso concluir que são serviços preliminares ao processo produtivo. Como visto, em regra, são custos de produção que não se enquadram no conceito de insumos. Em relação ao direito de descontar créditos com a manutenção de máquinas é importante consignar que antes de discutir o direito, é preciso examinar os elementos probatórios que susteriam esse direito. A recorrente não apresentou os documentos fiscais que sustentariam seu direito. As notas fiscais colacionadas em seus recursos não se referem a serviços de manutenção de máquinas, como bem assentado pela decisão “a quo”, de tal modo que não são documentos hábeis e idôneos para gerar eventuais créditos. Fl. 808DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13971.720022/200810 Acórdão n.º 3801001.885 S3TE01 Fl. 23 14 Destarte, a autoridade fiscal acertadamente glosou os créditos, pois os documentos fiscais apresentados não contêm os elementos necessários para configurar uma operação de aquisição de insumos. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 809DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/07/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.008164/2001-55
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI. PRODUTOS IMPORTADOS DESTINADOS À INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA. SAÍDAS COM SUSPENSÃO DO IPI. LEI Nº 9.826/99, ART. 5º. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. EFEITOS.
Tendo sido reconhecido em processo administrativo com decisão transitada em julgado, que o contribuinte realizou operações de industrialização de produtos importados sob a modalidade de reacondicionamento, com posterior venda destinada a montadoras de veículos, fazendo jus a suspensão do IPI prevista no art. 5º, da Lei nº 9.826/99, pode ser mantido o crédito de IPI decorrente das respectivas aquisições, e, consequentemente, haverá direito ao ressarcimento, ou compensação com tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 74, da Lei nº 9.420/96.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-002.067
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral o Dr. Guilherme Augusto Abdalla Rosinha OAB/SP 306482.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Luiz Caros Shimoyama, Silvia de Brito Oliveira, João Carlos Cassuli Junior, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. PRODUTOS IMPORTADOS DESTINADOS À INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA. SAÍDAS COM SUSPENSÃO DO IPI. LEI Nº 9.826/99, ART. 5º. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. EFEITOS. Tendo sido reconhecido em processo administrativo com decisão transitada em julgado, que o contribuinte realizou operações de industrialização de produtos importados sob a modalidade de reacondicionamento, com posterior venda destinada a montadoras de veículos, fazendo jus a suspensão do IPI prevista no art. 5º, da Lei nº 9.826/99, pode ser mantido o crédito de IPI decorrente das respectivas aquisições, e, consequentemente, haverá direito ao ressarcimento, ou compensação com tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 74, da Lei nº 9.420/96. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral o Dr. Guilherme Augusto Abdalla Rosinha OAB/SP 306482. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 81 64 /2 00 1- 55 Fl. 325DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Luiz Caros Shimoyama, Silvia de Brito Oliveira, João Carlos Cassuli Junior, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10830.008164/200155 Acórdão n.º 3402002.067 S3C4T2 Fl. 1.335 3 Relatório Versam estes autos de Pedido de Ressarcimento de saldo credor de IPI relativo ao 3º Trimestre do anocalendário de 2001, no montante de R$ 59.549,74 (cinquenta e nove mil, quinhentos e quarenta e nove reais e setenta e quatro centavos), vinculado a Pedidos de Compensações nesses próprios autos e nos autos apensados de nº 10830.003134/200314. A DRF de Campinas houve por bem indeferir o ressarcimento e consequentemente a compensação pleiteada ao fundamento da inexistência de saldo credor, após ter procedido à recomposição da escrita fiscal do sujeito passivo, por entender que as operações de importação e subsequente revenda, no mercado interno, de clips de metal e plásticos destinados à montadoras de veículos, não poderiam sair ao abrigo da suspensão do IPI, nos termos do art. 5º, da Lei nº 9.826/99, sendolhe portanto vedada a manutenção dos respectivos créditos, pois que se tratava de uma simples revenda sem submissão a processo industrial. Ao proceder a recomposição da escrita, a Administração ainda lavrou o Auto de Infração nº 10830.006348/200512. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do despacho decisório em 20/12/2005 (fl. 132) o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, pela qual, em apertada síntese, defendeu que somente com a alteração introduzida pela Lei n° 10.485/2002 restaram afastados do beneficio da suspensão os estabelecimentos que importassem as peças e não as empregassem na produção de veículos ou de peças a serem a eles destinadas, bem como, que com a IN n° 235/02, que regulou o citado dispositivo legal, não teria vedado expressamente a hipótese de suspensão, de modo que conclui que é somente a Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT que definiu tal impossibilidade, acabando por contrariar as disposições dos art. 153, da Constituição Federal e arts. 46 e 51, do CTN. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na manifestação de inconformidade, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), proferiu o Acórdão nº 1413.941, julgando improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa constou do seguinte: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR DO TRIMESTRE CALENDÁRIO. Extinguindose o saldo credor de IPI do trimestrecalendário, em virtude do lançamento de imposto e reconstituição da escrita fiscal, indeferese o pedido de ressarcimento. REVENDA DE MATERIAS IMPORTADOS DESTINADOS À FABRICAÇÃO DE VEÍCULOS. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 Não há previsão legal que ampare a suspensão do IPI na revenda de materiais importados destinados à fabricação de veículos.” Em apertada síntese, a DRJ/RPO aplicou a decisão proferida nos autos do Processo nº 10830.006348/200512, que versava sobre o Auto de Infração proveniente da reconstituição da escrita do sujeito passivo, e, considerando que o mesmo fora concomitantemente julgado de modo desfavorável ao contribuinte, restara reconhecida a inexistência de saldo credor passível de ressarcimento e correlatas compensações. Aplicou, em síntese, o mesmo desfecho e entendimento de mérito extraído dos autos que julgou o auto de infração proveniente da reconstituição da escrita fiscal, julgando improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o indeferimento dos pedidos de ressarcimento e compensação. DO RECURSO Cientificado do Acórdão de 1ª Instância em 09/04/2007, conforme AR de fls. 198 – numeração eletrônica, o contribuinte apresentou tempestivamente, em 09/05/2007, Recurso Voluntário a este Conselho, que além de repisar os argumentos já apresentados em sua manifestação de inconformidade, aduz relação deste feito com o relativo ao auto de infração (Processo nº 10830.006348/200512), noticiando ter nele igualmente apresentado recurso voluntário que aguardaria julgamento que viria a interferir diretamente no caso sob exame, sendo que requer, ao final, o provimento do Recurso Voluntário. DO JULMENTO EM 2ª INSTÂNCIA Distribuído à 4ª Câmara do extinto 2º Conselho de Contribuintes, o processo foi a julgamento em sessão datada de 07/08/2008, tendo sido convertido em diligência no sentido de que “devem os autos retomar à repartição preparadora para juntar a cópia da decisão final proferida nos autos do Processo n° 10830.006348/200512 de que depende o julgamento deste.” DA DILIGÊNCIA Após baixar à origem, que constatou não haver decisão no citado Processo n° 10830.006348/200512, devolvendo ao Conselho pois que o mesmo alí se encontrava, o processo foi novamente posto em pauta de julgamento, e este, por sua vez, em novo julgamento proferido em 09/06/2009, foi novamente convertido em diligência, para que o processo ora sob análise ficasse com o processamento sobrestado até que se tivesse decisão definitiva naquele feito, sendo que, às fls. 320 – numeração eletrônica, foi expedido Despacho de Encaminhamento ao CARF, informando que houvera a juntada da decisão proferida naqueles autos, dando conta, ainda, que o processo em questão já se encontraria arquivado após ciência da PFN. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a este relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 02 (dois) Volumes e demais folhas eletronicamente anexadas, numerados até a folha 320 (trezentos e vinte), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10830.008164/200155 Acórdão n.º 3402002.067 S3C4T2 Fl. 1.336 5 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Conforme se verifica pelas manifestações proferidas anteriormente, seja do extinto 2º Conselho de Contribuintes, seja já da 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, que após veio a ser convertida nesta 4ª Câmara, 2ª Turma, o caso sob exame encerra uma relação de “causa e efeito” em relação ao Processo n° 10830.006348/200512, que tratou de julgar o mérito da recomposição da escrita fiscal do sujeito passivo. Naquele feito, discutiuse se o contribuinte fazia jus em promover às saídas de materiais por ele importados (clips de metal e plásticos destinados à empresas montadoras de veículos), ao abrigo da suspensão do IPI prevista no art. 5º, da Lei nº 9.826/99, e, consequentemente, se poderia manter os créditos das respectivas entradas. Como consequência, se era possível ao sujeito passivo assim agir, teria ele direito ao ressarcimento do saldo credor; se, por outro lado, não poderia valerse da suspensão do IPI por não lhe favorecer o tratamento legal respectivo, deveriam referidas operações serem tributadas pelo imposto, o que acabaria por “consumir” os créditos oriundos das aquisições/entradas dos produtos, e, consequentemente, estaria exaurido o saldo credor passível de ressarcimento e compensação, estes sim, objeto de análise nestes autos. Portanto, o julgamento deste feito está atrelado ao julgamento do processo que definiu a recomposição da escrita, e, conforme consta dos autos, às folhas 302 a 317 – numeração eletrônica, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara deste Conselho, proferiu em 03/02/2001 o Acórdão nº 340300.805, com a seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01 /07/2000 a 30/09/2001 PROCEDIMENTO FISCAL DE LANÇAMENTO. EMINENTEMENTE INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO DEFESA. INEXISTÊNCIA. O procedimento fiscal que antecede o lançamento, onde a autoridade administrativa certifica o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo, é regido pelo sistema inquisitorial, não se verificando nesta etapa a existência de litígio a deflagrar o contraditório e a ampla defesa nos moldes definidos, pelo art. 5º, LV da CF/88, não havendo, portanto, que se falar em cerceamento do direito de defesa neste momento. DILIGÊNCIAS/PERICIAS. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A realização de diligências e/ou perícias tem por escopo espancar dúvidas surgidas no íntimo do julgador, que se as Fl. 329DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 entender impertinentes ou desnecessárias poderá indeferilas fundamentadamente, ainda que com isso não concorde o requerente, não se qualificando esta situação como hipótese de cerceamento do direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DEDIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2001 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. O Imposto sobre Produtos Industrializados IPI é tributo submetido ao regime do lançamento por homologação, art. 150 do Código Tributário Nacional, de tal sorte que a apuração e o recolhimento do tributo são cometidas ao contribuinte e sujeito à homologação por parte da autoridade administrativa, o que, em não se concretizando de forma expressa e desde que tenha havido a “antecipação” do pagamento, nos termos da legislação de regência, ocorre tacitamente em 05 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2001 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. REACONDICIONAMENTO. Para a incidência do IPI se considera como industrialização inclusive a alteração na apresentação do produto, ou seja, o seu reacondicionamento, excepcionandose exclusivamente a hipótese de acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto (Lei n° 4.502/64, art. 3º, p.u.). Por isso o Regulamento é estruturado de tal modo que a falta de atendimento de qualquer uma das condições para configurar acondicionamento para mero transporte implica na caracterização de acondicionamento de apresentação, fazendo incidir o IPI. Não é necessário que na embalagem haja apelo de propaganda ou valorização do produto, bastando que ocorra a mudança de apresentação, com alteração do tamanho, rotulagem de identificação do produtor e a etiquetagem descrevendo o conteúdo. Recurso Voluntário Provido.” Em síntese, entendeu a Colenda 3ª Turma Ordinária desta 4ª Câmara, em sua Douta maioria, que a Recorrente não realizava operações de simples revenda dos materiais por ela importados, mas antes submetiaos a processo de reacondicionamento, caracterizando uma das modalidades de “industrialização”, e como tal, faria jus ao beneplácito da suspensão do IPI nas operações de venda desses produtos as empresas montadoras de veículos. Considerando que a Fazenda Nacional foi devidamente intimada (fls. 318, n.e.), e há informação fiscal de que o referido Processo n° 10830.006348/200512, inclusive já Fl. 330DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10830.008164/200155 Acórdão n.º 3402002.067 S3C4T2 Fl. 1.337 7 se encontraria arquivado (fl. 320 – n.e.), houvera o trânsito em julgado da decisão administrativa, formandose a chamada “coisa julgada administrativa”, que reconhecera de modo definitivo entre o sujeito passivo em questão e a Administração, a inexistência de relação jurídica que permitisse à administração reconstituir a sua escrita para considerar o IPI como custo de importação, já que restara reconhecido que havia operação de industrialização sob a modalidade de reacondicionamento. Consequentemente, tenho que resta apenas aplicar aqui nestes autos, a interpretação que foi proferida no Processo n° 10830.006348/200512, eis que o julgamento daquele processo, deste é precedente e determinante. Tendo havido o cancelamento do auto de infração que fora constituído justamente pelo fundamento de que o contribuinte promoveria “simples revenda” e na condição de “equiparado a industrial” não faria jus à suspensão do IPI (já que seria necessário, no seu entendimento, que fosse concretamente realizado processo industrial não bastando a equiparação), resta claro que, promovendo operação de industrialização sob a modalidade de reacondicionamento, lhe assistia o direito a suspensão e à manutenção do IPI. Deve, portanto, ficar consignado que embora tenham sido apresentados documentos e livros pelo sujeito passivo, ainda na fase de fiscalização instaurada em face do pedido de ressarcimento, o motivo que levou ao indeferimento do pedido decorreu exclusivamente da interpretação de que a suspensão do IPI não se aplicaria aos “estabelecimentos comerciais equiparados a industriais”. Portanto, embora neste voto esteja havendo o reconhecimento do direito à suspensão do IPI em tais operações, o efetivo ressarcimento e respectivas homologações serão decorrência da análise que a autoridade preparadora deverá promover à vista dos documentos e registros do sujeito passivo. Consequentemente, o provimento que aqui se dá não é integral, pois que entendo que não há elementos suficientes para que seja de pronto deferido por esta Turma o ressarcimento e homologadas as compensações, de modo que neste particular não é viável atender ao contido no recurso, pois que dependerá das análises a cargo da autoridade executora deste julgado. Ante ao exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator Fl. 331DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/0 7/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000615/2007-54
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL.
CINCO ANOS. TERMO A QUO.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08,
declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de
24/07/91. Tratando-se
de tributo sujeito ao lançamento por homologação,
que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as
regras do Código Tributário Nacional - CTN.
Assim, comprovado nos
autos o pagamento parcial, aplica-se
o artigo 150, §4°; caso contrário,
aplica-se
o disposto no artigo 173, I.
Encontram-se
atingidos pela decadência os fatos geradores referentes
competência 02/1999.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGATORIEDADE DE
RETENÇÃO.
Consoante art. 31 da lei 8.212/91, a empresa contratante de serviços
executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de
trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da
nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da
empresa cedente da mão de obra, a importância retida.
Apenas os fatos geradores devidamente demonstrados pela fiscalização
caracterizam a hipótese de incidência legal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-001.515
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para reconhecer a
decadência referente a competência 02/1999, julgar totalmente improcedente o
levantamento FRE-FREE
FAST RETENCAO e parcialmente procedente o levantamento
ZEX-ZARAS
EXPRESS RETENCAO, mantendo, nesse caso, apenas a competência
06/2005, valor de base cálculo R$ 2.900,00.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. Encontramse atingidos pela decadência os fatos geradores referentes competência 02/1999. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGATORIEDADE DE RETENÇÃO. Consoante art. 31 da lei 8.212/91, a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Apenas os fatos geradores devidamente demonstrados pela fiscalização caracterizam a hipótese de incidência legal. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para reconhecer a decadência referente a competência 02/1999, julgar totalmente improcedente o levantamento FRE FREE FAST RETENCAO e parcialmente procedente o levantamento ZEX ZARAS EXPRESS RETENCAO, mantendo, nesse caso, apenas a competência 06/2005, valor de base cálculo R$ 2.900,00. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Nome do Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Leôncio Nobre de Medeiros. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a notificação fiscal lavrada, referente a falta de retenção de 11% incidentes sobre o valor dos serviços contidos nas Notas Fiscais de Serviços emitidas pelas empresas Free Fast Express LTDA, RCA, Scorpions Segurança e Vigilância LTDA e Zaras Expressw LTDA. A DecisãoNotificação – fls 164 e ss, conclui, por maioria, pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo a Notificação lavrada. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese, o seguinte : 1 Presunção Relativa na identificação do Fato Gerador Ausência de Diligência Fiscal para elaboração de Relatório Fiscal Complementar Nulidade dos Lançamentos. o Entenderam os ilustres julgadores Leonairdo Martins Soares e José Calp Neto, tratarse de vícios que ensejaram a propositura de diligencia fiscal poderiam ser plenamente sanáveis pela autoridade lançadora através do• Relatório Fiscal Complementar, logo, há de ser considerado o voto dos ilustres julgadores, afim de que se exclua do presente auto de infração os valores relativos à prestação de serviços efetuados pelas empresas Free Fast Express Ltda serviços com motoboys, Scorpions Segurança e Vigilância Ltda serviços de vigilância e RCA Vigilância serviços com vigilância e Zaras Express Ltda serviços de entregas com motocicletas. o Conforme exposto pelos ilustres julgadores, da leitura do REFISC pôdese constatar, que o AFRFB não enquadrou os serviços de entrega realizados pelas empresas Free Fast e Zaras Express dentre aqueles contidos nos incisos do parágrafo 4°, do art. 31c/c parágrafo 2° do art. 219 do RPS, enquadramento suficiente e necessário para que a autoridade fiscal procedesse aos levantamentos FRE e ZEX efetuados. o Embora possase imaginar que os serviços constantes dos levantamentos FRE e ZEX tenham sido prestados na área de "entrega de contas e documentos" (inciso XIII do Fl. 258DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR parágrafo 2°, do art. 219 do Decreto 3.048/99 fls. 173 do presente decisório), foi ressaltado pelo ilustre julgador que, pela leitura do Relatório Fiscal da NFLD e dos demais documentos constitutivos do presente crédito, não há como inferir, de forma clara e inequívoca, que os serviços prestados pelas contratadas referentes a "serviços de entregas com motoboys" e serviços de entrega com motociclistas apontados pelo AFRFB notificante no Relatório de Lançamentos de fls 18/22 sejam referentes ao enquadramento ora proposto, uma vez que as descrições acima podem abranger inúmeros tipos de serviços executados mediante cessão de mãodeObra que não se enquadram nas hipóteses de incidência do art. 219 do RPS. 2 Os serviços prestados pelas empresas acima, apesar terem sido enquadrados pela ilustre julgadora como insertos no inciso II do parágrafo 4°, do art. 31 da Lei 8.212 c/c incisos I, II e XIII do parágrafo 2°, do art. 219 RPS, sendo que os elementos caracterizadores dos fatos geradores da obrigação previdenciária atinentes aos serviços prestados pelas empresas de entregas não permite concluir no sentido do referido enquadramento. 3 Decadência ao período exigido anterior a 2002 4 Não responsabilidade da fonte pagadora pelo recolhimento de contribuições previdenciárias em virtude desta não ter retido tais contribuições. o A fonte pagadora, no caso a impugnante, não é contribuinte, nem responsável por substituição ou por transferência e nem tem responsabilidade solidária ou subsidiária relativamente ao imposto que deve reter e recolher, independentemente de se tratar de antecipação ou tributação definitiva. o A obrigação da fonte pagadora de reter e recolher a antecipação ou o imposto definitivo, ainda que não retidos, é apenas acessória, por ter a sua disposição os valores a serem pagos a terceiros, em razão de relações extra tributárias, sendo, portanto, mera retentora e repassadora do tributo, tanto na hipótese de antecipação como de tributação definitiva. É isso que devemos relevar para o caso em tela, em que a impugnante repassou totalmente os valores a serem pagos tanto a terceiros como aos produtores rurais. Por não ser a obrigação da fonte qualificada como principal, ou seja, Fl. 259DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR por não ser contribuinte ou responsável, é que a fonte não tem legitimidade para impugnar a exigência ou pedir restituição e, no caso de não recolhimento do valor retido, lhe é imputado crime de apropriação indébita, diversamente do contribuinte ou responsável, em que o não recolhimento caracteriza apenas inadimplência. o Assim sendo, se não houver lei designando expressamente a fonte como contribuinte, responsável ou substituto tributário, o contribuinte é sempre o beneficiário do rendimento, quer a tributação seja definitiva ou por antecipação, razão pela qual compete ao beneficiário e não A fonte pagadora incluir na declaração anual a antecipação e o respectivo rendimento, bem assim os rendimentos tributados exclusivamente na fonte 5 Requer o acolhimento e a decretação da procedência deste recurso voluntário, determinandose, a reforma do decisório de primeira instância, para o fim de decretar a total improcedência da autuação em relação aos valores tributados anteriores a 2002, tendo em vista terse operado a decadência do Fisco de lançá los, bem como a improcedência total do presente auto de infração lavrado, face As atuações relativamente presumidas, bem como da ausência de responsabilidade da fonte pagadora, tendo a vista a mesma não ter retidos tais contribuições, repassando o valor integral das notas fiscais ao prestador de serviços. É o relatório. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Voto Conselheiro Oséas Coimbra DA DECADÊNCIA A súmula vinculante do STF, nº 08 traz: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Com a decisão do Pretório Excelso, a questão passa a ser decidida com base nos artigos art. 150, § 4º e 173, ambos do Código Tributário Nacional – CTN. Transcrevemos o artigo 173 : Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A jurisprudência pátria já assentou que a aplicabilidade deste artigo seria na hipóteses de inexistência de pagamento antecipado ou na ocorrência de fraude ou dolo, conforme transcrevemos. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ... Fl. 261DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) Já o artigo 150, § 4º, informa: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Aplicandose as regras dos arts. 150 ou 173, há que se reconhecer a decadência referente às competências anteriores a 07/2002, inclusive, uma vez que a ciência do débito foi em 22/08/2007. Com o período reconhecido, apenas a competência 02/1999 encontrase atingida pela decadência, pois as demais competências lavradas estão fora do período decadencial. DA RETENÇÃO OBRIGATÓRIA Dentre a legislação aplicável ao tema, temos o art. 219 do Regulamento Fl. 262DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR da Previdência Social, aprovado pelo decreto 3048/99: Art.219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) § 1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. § 2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãode obra: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; ... XIII entrega de contas e documentos; O Relatório de lançamentos, em relação a prestadora FREE FAST, indica como fato gerador a nota fiscal examinada, com o seguinte histórico: Nf [...] Serviços de entrega Motoboy . O relatório fiscal não traz maiores esclarecimentos acerca do serviço prestado. No levantamento ZEX o quadro se repete, constando do relatório de lançamentos o histórico: Serviços de entregas com Motociclistas/motoboys. Apenas na competência 06/2005 há expressa menção “NF 576 Serviços de entregas de documentos com Motociclistas. A legislação retro determina que apenas os serviços de entrega de contas e documentos sujeitamse a retenção obrigatória, dessa feita, como consta apenas no relatório de lançamentos serviços de entrega com motoboy/motociclista, não vejo como enquadrar o fato descrito à norma posta, uma vez que há várias modalidades de serviços de entrega que não se referem a contas e documentos. Nesse caso, deveria o Auditor notificante ter solicitado esclarecimentos a empresa fiscalizada e, somente na falta destes, poderseia admitir o devido arbitramento, o que não ocorreu. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Ressalvamos a competência 06/2005 do levantamento ZEX, onde o fato gerador foi corretamente demonstrado, evidenciando o valor, competência, serviço prestado e nota fiscal examinada. Apesar de todas as informações necessárias a defesa, tal fato não foi expressamente impugnado pelo contribuinte, na linha dos arts. 16 e 17 do decreto 70.235/72, restando assim incontroverso, devendo este lançamento ser mantido. O mesmo ocorre com o levantamento RCA VIGILANCIA E SEG, em 04/2005, que igualmente deve ser mantido. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, DOUlhe parcial provimento para reconhecer a decadência referente a competência 02/1999, julgar totalmente improcedente o levantamento FRE FREE FAST e parcialmente procedente o levantamento ZEX ZARAS EXPRESS, mantendo, nesse caso, apenas a competência 06/2005, valor de base cálculo R$ 2.900,00. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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