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Numero do processo: 18470.905740/2010-43
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei.
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO LUSTRO. COMPENSAÇÃO.
Na apresentação de DCOMP, o termo inicial do lustro qüinqüenal ocorre quando da efetiva transmissão da declaração, pois esta é o veículo introdutório da compensação per se.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. TRANSCURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL OBSERVOU LISURA E REGULARIDADE.
Não se admite argumento genérico de cerceamento de defesa, mormente quando o PAF transcorreu de forma escorreita e observou todos os ditames legais, oferecendo ao Contribuinte as oportunidades de postulação previstas na norma.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO LUSTRO. COMPENSAÇÃO. Na apresentação de DCOMP, o termo inicial do lustro qüinqüenal ocorre quando da efetiva transmissão da declaração, pois esta é o veículo introdutório da compensação per se. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. TRANSCURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL OBSERVOU LISURA E REGULARIDADE. Não se admite argumento genérico de cerceamento de defesa, mormente quando o PAF transcorreu de forma escorreita e observou todos os ditames legais, oferecendo ao Contribuinte as oportunidades de postulação previstas na norma. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. DIREITO CRÉDITO NÃO COMPROVADO. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO LUSTRO. COMPENSAÇÃO. Na apresentação de DCOMP, o termo inicial do lustro qüinqüenal ocorre quando da efetiva transmissão da declaração, pois esta é o veículo introdutório da compensação per se. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. TRANSCURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL OBSERVOU LISURA E REGULARIDADE. Não se admite argumento genérico de cerceamento de defesa, mormente quando o PAF transcorreu de forma escorreita e observou todos os ditames legais, oferecendo ao Contribuinte as oportunidades de postulação previstas na norma. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 90 57 40 /2 01 0- 43 Fl. 169DF CARF MF Processo nº 18470.905740/201043 Acórdão n.º 1002000.633 S1C0T2 Fl. 170 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto tempestivamente contra o Acórdão n° 1241.974 (efls. 118 à 128) proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ1, que, por unanimidade de votos, não reconheceu o direito creditório do Contribuinte. O Despacho Decisório (efl. 07), de 01 de novembro de 2010, aduz que os valores informados na DCOMP (transmitida em 17/08/2006) foram utilizados integralmente para a quitação de débitos do Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos ora informados. Em sua Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte alegou o que segue: 1. Senhor Delegado como se vê do Despacho Decisório, o contribuinte foi penalizado, com base na seguinte alegação: "Limite de crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informada no PER/DCOMP: R$ 3.310,56. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP..." 2. Não pode, data vênia, conformarse o contribuinte com essa apenação haja vista que: a) A DCTF do 3 o trimestre de 2002 (Pág. 3), nos mostra que o valor principal do débito relativo à competência do 3 o trimestre de 2002 é de R$9.542,18. (Doc. 1) b) No DARF datado de 31 de agosto de 2001 verificase que o pagamento corresponde a parte do total do débito acima referido. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 18470.905740/201043 Acórdão n.º 1002000.633 S1C0T2 Fl. 171 3 c) Os lançamentos efetuados no Livro Diário No. 19 folhas 380 e Razão No. 19 folhas 331 nos mostram que o débito e o sua respectiva compensação, também correspondem ao valor acima mencionado com o recolhimento do adicional de R$ 216,87, Guia de 31/10/202. (Doc. 2 e 3) 3. Portanto, o que daí se extrai, é que o PER/DCOMP foi preenchido e transmitido equivocadamente, ou seja, tanto o DARF no valor de R$ 3.310,56 quanto o débito nesse mesmo valor foram ali apontados indevidamente, sendo que o valor compensado não consta da DCTF e também não fez parte do lançamento contábil, cujo valor compensado neste mês foi de R$ 2.848,51 (2o trimestre de 2002), contabilizado no Livro Diário No. 19 Fls. 0249 e Razão No. 19 Fls. 331 e DCTF 2o trimestre de 2002, de acordo com o quadro demonstrativo. (Docs. 4, 5 e 6) 4. Isto ainda mais se infere, porque alem dos créditos e do débito resgataram o valor de R$ 9.542,18, eles também referemse à competência do 3 o trimestre de 2003, conforme quadro demonstrativo. (Doc.7) 5. Ainda nessa esteira, verificase que o Pedido de Compensação teve como base o regime de apuração mensal, quando na verdade as folhas 252 do mesmo Livro Diário No. 19 e as folhas No. 331 do mesmo Livro Razão No. 19, nos mostram que o regime de apuração era trimestral. (Doc. 8) 6. Os valores que deram origem ao rastreamento não constam da DCTF do 2o trimestre de 2002, em virtude deste não haver nenhuma compensação, conforme o rastreamento. (Doc. em anexo) 7. Cabe citar, que não foi possível reparar o equívoco espontaneamente, em vista do sistema da Receita não ter recepcionado o pedido de cancelamento do PER/DCOMP, por conta da instauração da Ação Fiscal. 8. Sabendo, porém, do espírito de justiça que norteia às decisões proferidas por V. Sa., espera que o PER/DCOMP seja cancelado quando da respectiva análise no âmbito da Receita Federal. Isto posto, inclusive por juntada de documentos cuja menção vai no bojo do presente, pede V. Sa. Se digne mandar cancelar o crédito tributário, bem como tornar sem efeito o respectivo PER/DCOMP, com base nos fatos aqui demonstrados. Como desiderato final de seu arrazoado, o Acórdão da DRJ concluiu o que segue: Conclusão 36 Nos termos da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, ao declarante cabe solicitar (antes que a autoridade lançadora emita intimações ou profira decisão administrativa), e sempre através do Programa Gerador de Per/DcompPGD Perdcomp, o cancelamento da Dcomp transmitida, inexistindo previsão para Fl. 171DF CARF MF Processo nº 18470.905740/201043 Acórdão n.º 1002000.633 S1C0T2 Fl. 172 4 que a autoridade julgadora nele se subrogue, ou que tal se dê em sede de julgamento. 37 Se o declarante não cancela a Dcomp que ele mesmo transmitiu, as declarações nesta veiculadas se consolidam na esfera administrativa, com os efeitos que lhes são próprios, ainda mais se não comprovado que o débito objeto de compensação era indevido ou inexistente. 38 Assim, o Despacho Decisório deve ser mantido. 39 Observese, por fim, que, nesta data, estão em julgamento nesta Turma 18 (dezoito) processos (incluindo este), nos quais o interessado, em sede de MI, pede o cancelamento das respectivas Dcomps: (...) Ao longo do processo, restou ajuizada execução fiscal pela Fazenda Nacional, tendo sido proferida sentença extintiva sem julgamento de mérito. Já em sede de Recurso Voluntário, o Contribuinte aduz os seguintes aspectos: PRELIMINARMENTE Requer ao D. Julgador de Io Instância, em sede de pressuposto de admissibilidade recursal, em conformidade com o artigo 32 c/c art. 60, ambos do Decreto 70.235/72, dispondo sobre o processo administrativo fiscal, que seja corrigida de ofício a omissão do julgado, ora recorrido, eis que na decisão atacada é mencionado que a empresa ora recorrente compensou tributo de forma indevida . (...) No caso em debate flagrante a nulidade encontrada, devendo este Colegiado decretar a mesma de ofício, posto que ainda criou a esta recorrente cerceio do direito de defesa, conforme art. 59, II do Decreto 70.235/72. Ad Argumentandum, que a Constituição da República Federativa do Brasil prevê em seu art. 5o, II que ninguém, seja pessoa jurídica e/ou física, está obrigado a cumprir determinado preceito sem previsão legal, pois o ato da autoridade Fiscal não encontra fundamento legal, que ampare o r. decisum, o qual pedimos vênia para transcrever: (...) Caso não sejam acolhidas as assertivas acima, para que seja cancelada a decisão, ora recorrida, vejamos então, preliminar abaixo sobre Prescrição e Decadência: (...) Cumprenos mencionar que no item 32 da decisão, ora recorrida, de fls. 112. o próprio julgador menciona que a Fl. 172DF CARF MF Processo nº 18470.905740/201043 Acórdão n.º 1002000.633 S1C0T2 Fl. 173 5 compensação foi realizada há mais de 5 (cinco) anos, o que viola a legislação em regência; Bem se a compensação já por isto foi tachado como indevida, mais indevida ainda é a constituição em mora do tributo, sua cobrança, a constituição do crédito tributário, eis que já passados mais de cinco anos. Posto Isto indevida é cobrança, eis que já alcançada pela Decadência, conforme previsão do artigo 173 do Código Tributário Nacional, além ainda de estar prescrita, conforme redação do artigo 174 do CTN. como a seguir pedimos vênia para transcrever: DO MÉRITO Sem nos estendermos por demais, nos comentários, eis que este D. Julgador lê pacientemente todas as questões, ora em comento, melhor sorte não assiste à D. Receita Federal, posto pelas argumentações acima expostas. Verificase claramente pelos documentos acostados aos autos que as declarações e pagamentos estão perfeitamente corretos, conforme os preceitos estipulados na Legislação em vigor, demonstrando toda a boafé da empresa. Ora. passados todos os argumentos, e ainda com a demonstração de todos os protestos acima, requer o provimento do presente recurso para que seja cancelado o débito, em cobrança, por todo exposto acima. DO PEDIDO "Ex Positis" é a presente a fim de requerer a estes Ilustres membros desta Turma Julgadora acolher " In Totun" a presente pretensão, por tudo aquilo que ficou devidamente expositado. dando provimento ao recurso, para que cancelada a cobrança, eis que a PER/DCOMP foi feita de forma equivocada, haja vista a inexistência de débito e saldo a compensar, além da Decadência e Prescrição que já alcançaram o débito, ora cobrado do Recorrente. Cabe consignar que não restou apresentada qualquer prova adicional em sede de Recurso Voluntário. Por fim, consignase a existência de um total de 18 (dezoito) Processos Administrativos Fiscais semelhantes ao presente, sob a relatoria deste Conselheiro que ora subscreve. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator Admissibilidade Fl. 173DF CARF MF Processo nº 18470.905740/201043 Acórdão n.º 1002000.633 S1C0T2 Fl. 174 6 O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos e extrínsecos, portanto, dele conheço. Preliminares Conforme relatado acima, as preliminares alegadas abarcam uma série de elementos, que serão doravante rechaçados. a) Da correção da suposta omissão do julgado Segundo sustenta o Contribuinte, houve imprecisão material na Decisão de piso, eis que nesta é mencionado que se compensou tributo de forma indevida. No entanto, o Recorrente não aponta exatamente onde estaria o suposto erro material, e se utiliza de argumentos genéricos de impugnação. Sabese que, para que se proponha tal correção, é necessário exibir categoricamente a imprecisão detectada. Caso contrário, a alegação acaba esvaziada por configurar mero argumento de retórica. Portanto, afasto a preliminar de omissão. b) Do suposto cerceamento de defesa Outra preliminar aduzida foi a suposta ocorrência de cerceamento de defesa. Contudo, em momento algum o Recorrente logrou demonstrar em quais oportunidades o dito cerceamento teria se perpetrado. Novamente, notamse alegações genéricas, as quais são desprovidas de amparo fático. Vejo, ainda, que presente Processo Administrativo cumpriu com seu regular deslinde, apresentando todas as oportunidades de defesa à Contribuinte e observando as normas a ele intrínsecas. Assim, não restou comprovada qualquer incidência do rol do art. 59 do Decreto n° 70.235/72. Logo, afasto a preliminar de cerceamento de defesa. c) Da suposta prescrição e decadência Por fim, entende o Recorrente pela existência de prescrição e decadência. Sem embargo, tais fenômenos não ocorreram no presente caso. Isso porque o marco a quo do lustro tem início neste caso quando da apresentação da DCOMP, que, por seu turno, é o veículo introdutório da compensação ora pretendida. Portanto, seria uma absoluta incoerência admitir como início a contagem decadencial ou prescricional em etapa distinta, pois sequer há móvel fáticojurídico para sustentar tal intelecção. Quanto ao mais, anoto que este assunto já se encontra pacificado na jurisprudência deste e. CARF, conforme se extrai do Acórdão n° 340301.376, Rel. i. Conselheiro Antonio Carlos Atulim: Realmente, não merece reparo a decisão recorrida. Uma coisa é a decadência do direito do fisco constituir o crédito tributário por meio do lançamento de ofício e outra coisa Fl. 174DF CARF MF Processo nº 18470.905740/201043 Acórdão n.º 1002000.633 S1C0T2 Fl. 175 7 totalmente distinta é o prazo de decadência para o fisco não homologar a compensação declarada pelo contribuinte. Os prazos de decadência do direito do fisco constituir o crédito tributário estão previstos nos arts. 150, § 4º e 173, do CTN. Estes dispositivos legais deixam claro que a decadência fulmina o direito da administração tributária exigir tributo por meio de lançamento de ofício, não afetando de modo algum o direito de abrir fiscalização ou de rever os créditos lançados no livro de IPI. Em outras palavras, a decadência inibe o processo de positivação do direito consubstanciado no ato de lançamento tributário; mas não inibe o processo de positivação do direito do fisco declarar que o crédito, no todo ou em parte, é ilegítimo, ainda que este crédito tenha sido lançado na escrita há mais de cinco anos. No caso dos autos, a administração tributária agiu dentro dos lindes da legalidade, pois não foi expedida nenhuma norma individual e concreta por parte do fisco tendente a exigir tributo, o que existe é a exigência de crédito tributário em razão de norma individual e concreta que foi introduzida no mundo jurídico pelo próprio contribuinte, consistente na declaração de compensação. No que tange ao prazo de decadência para o fisco não homologar a compensação, o art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, com as alterações introduzidas pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 estabelece que o prazo é de cinco anos, contados da data entrega da declaração de compensação. Nesta parte, a defesa alegou que deve prevalecer como termo inicial de contagem do prazo decadencial a data de transmissão do PER/Decomp original, pois além da alteração ter alcançado apenas o valor do crédito, a retificação posterior não consubstancia cancelamento do pedido original, mas mera retificação dos dados anteriormente informados. Acontece que a retificação das informações referida pela defesa, significa, na verdade, a inserção de nova norma individual e concreta no mundo jurídico distinta da anterior, uma vez que o elemento quantitativo atinente ao crédito sofreu alteração. Assim, a norma individual e concreta consubstanciada no documento original, que declarava o direito de compensar um crédito equivalente a R$ 14.556,92 com um débito equivalente a R$ 14.362,22, foi revogada e substituída por uma nova norma individual e concreta, introduzida no mundo jurídico pelo próprio contribuinte, por meio da qual declarouse o direito de compensar um crédito equivalente a R$ 2.284.013,42 com o débito de R$14.362,22. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 18470.905740/201043 Acórdão n.º 1002000.633 S1C0T2 Fl. 176 8 A norma que declarava o direito de compensar o crédito de R$ 14.556,92 deixou de existir e foi substituída por uma nova, que passou a declarar a existência do direito de compensar um crédito cerca de cento e cinquenta vezes maior. É evidente que a mudança no elemento quantitativo, correspondente ao valor do crédito vinculado à compensação, acarreta uma alteração no mundo jurídico. E em decorrência deste fato, justificase o início do transcurso de novo prazo de decadência. A cada alteração no mundo jurídico provocada pelo contribuinte, é disparado o cronômetro do art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, concedendo um novo prazo de cinco anos para que o fisco possa aferir a legitimidade do novo direito alegado. Não foi por outro motivo, que as instruções normativas da Receita Federal que regulamentaram o procedimento de compensação, com base no permissivo legal no art. 74 § 14 da Lei nº 9.430/96, sempre estabeleceram que no caso de retificação, o termo inicial da contagem do prazo de decadência é a data da apresentação da retificadora. Portanto, também não em razão a recorrente quando alega que a Receita Federal está dispondo sobre interrupção ou suspensão de prazos de decadência por meio de atos administrativos, pois as instruções normativas apenas explicitaram a interpretação do art. 74, da Lei nº 9.430/96. A cada norma individual e concreta introduzida pelo contribuinte, nasce um prazo de cinco anos para que o fisco exerça a competência de homologar ou não a compensação. (GN) Igual intelecção é adotada na prescrição, eis a inocorrência do lustro qüinqüenal na modalidade prescritiva. Rechaçadas, pois, as alegações de decadência e prescrição. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao Recorrente, conforme se observará. Trata o presente caso de pedido de compensação, alegando o Contribuinte possuir crédito contra a Administração Tributária (Art. 74 da Lei n° 9.430/96). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (Art. 368 do CC). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à Autoridade Administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras Fl. 176DF CARF MF Processo nº 18470.905740/201043 Acórdão n.º 1002000.633 S1C0T2 Fl. 177 9 para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com suas alterações. 1. Dos erros de adequação instrumental para a compensação de crédito Em que pese a recalcitrância do Recorrente em admitir equívocos em sua sistemática procedimental, notamse claros erros na via eleita para a compensação. Ao invés de requerer seu cancelamento quando da Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte deveria procedêlo por iniciativa própria, conforme se extrai do texto claro da norma (IN RFB n° 900/2008). Aliás, o Acórdão a quo logrou a conferir com precisão os procedimentos que necessários, cujo arrazoado adoto desde já como parte da fundamentação do presente Voto, verbis: 15 Na forma da legislação de regência (Instrução Normativa RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008), o pedido de cancelamento da Dcomp deve ser transmitido através do programa eletrônico Per/dcomp (disponibilizado a partir de 14 de maio de 2003): CAPITULO XII DA DESISTÊNCIA DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO, DE PEDIDO DE REEMBOLSO E DE COMPENSAÇÃO Art. 82. A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação a RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário em meio papel, mediante a apresentação de requerimento a RFB, o qual somente será deferido caso o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento, o pedido de reembolso ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa a data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento. 15 Além disso, a sobredita Instrução Normativa dispõe que o pedido de cancelamento de Declaração de Compensação — Dcomp só pode ser aceito se transmitido antes da ciência para apresentação de documentos referentes A compensação, ou, antes da decisão administrativa correspondente, sendo vejamos: Art. 86 (..) Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 18470.905740/201043 Acórdão n.º 1002000.633 S1C0T2 Fl. 178 10 17 No caso, o interessado transmitiu a Dcomp em 17.08.2006. O Despacho Decisório foi emitido em 01.11.2010. Desse modo, o pedido do interessado para cancelamento da Dcomp contraria a legislação de regência e deve, de plano, ser indeferido. 18 Da data da transmissão da Dcomp – 17.08.2006 até a emissão do Despacho Decisório, o interessado teve 4 (quatro) anos para veicular o pedido de cancelamento da dita Dcomp, porém, não o fez. Destacase, ainda, que o procedimento de DCOMP eletrônica e seu respectivo cancelamento já era há muito tempo adotado pela Receita Federal do Brasil, de modo que não se pode alegar qualquer desconhecimento dessa sistemática. Outrossim, é imperativo ressaltar que a indigitada práxis também é descrita na IN SRF n° 900/2008; e, mesmo editada posteriormente à apresentação da DCOMP, era vigente à época do Despacho Decisório (datado de 01 de novembro de 2010). Logo, o Contribuinte teve ainda mais tempo para proceder com o cancelamento de seu pedido (ainda que se admitisse tal feito após decisão administrativa). Quanto ao mais, o Recorrente não apresenta quaisquer documentos aptos a corroborar seu pleito e sua versão de regularidade contábil. De tal modo, complemento tais aspectos fáticos e normativos com a jurisprudência deste e. CARF na figura do Acórdão n° 1302002.403, Rel. i.Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa , que expõe o trâmite correto na retificação dos valores apresentados na DCOMP, bem como seus consectários: Salientese que a contribuinte não apresentou qualquer retificação em sua DCTForiginal, nem prova documental que abrigue a alegada alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva do imposto, sob a modalidade de lançamento por homologação, cuja informação confessada na declaração original serviu de base para certificação da inexistência de crédito tipificado na modalidade de pagamento indevido ou a maior. (...) O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários .Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 18470.905740/201043 Acórdão n.º 1002000.633 S1C0T2 Fl. 179 11 Logo, sem receio de redundâncias, é fundamental destacar que os pedidos de compensação para que possam ser analisados e deferidos devem seguir os exatos trâmites delineados pela norma. Tal aspecto é que garante o escorreito deslinde petitório, devendo ser respeitado em sua totalidade, e não encarado como uma espécie de "burocracia dispensável". Impende destacar que, para que se tenha faculdade à compensação, torna se necessário que o Contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não aquela pode ocorrer. O ônus probatório do crédito alegado pelo Contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Pois bem. No caso em comento, após análise do PER/DCOMP, também não foi possível à Administração Tributária por consectário lógico reconhecer a certeza e liquidez do crédito vindicado pelo Contribuinte, pois lhe faltavam elementos probatórios capazes de assegurar a existência do crédito, fosse um pagamento indevido ou a maior ou, mesmo, crédito decorrente de saldo negativo. Assim, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância, quando conclui que não resta demonstrado o direito creditório Portanto, a decisão da DRJ resta irretocável, razão pela qual sua fundamentação serve de igual amparo no presente caso, com base no § 1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999, e no § 3° do artigo 57 do Anexo II do RICARF: 20 Ainda que a legislação não proibisse que, após a emissão do Despacho Decisório, se intentasse o cancelamento da confissão de dívida (real natureza da Dcomp), a diversidade de informações que o interessado confessou em DCTFs (como a seguir se verá), relativamente à natureza, ao montante e aos modos de extinção do débito apurado nem se resolve com o registro contábil do pagamento, nem blinda a informação contábil de questões concernentes à sua consistência e confiabilidade. 21 Aliás, as folhas de Diário/Razão que o interessado junta aos autos nada dizem acerca das diversas mutações pelas quais passou o dito débito. 22 Com efeito, como se vê no quadro 1, o interessado, nesta Dcomp em tela, confessou débito de estimativa de IRPJ de junho de 2002, segundo trimestre. (...) 25 À vista da última DCTF do rol acima, e, considerando que as informações em declarações entregues à RFB têm que espelhar a informação registrada na contabilidade sob pena de desconsideração daquelas, desta ou de ambas , é lícito supor que, nos registros contábeis do interessado, vigorou pelo menos de 23.08.2006 (data de entrega da penúltima DCTF Retificadora) até 01.12.2008 (data de entrega da última DCTF Retificadora) o débito de estimativa mensal que ele agora quer cancelar. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 18470.905740/201043 Acórdão n.º 1002000.633 S1C0T2 Fl. 180 12 26 É ônus do interessado juntar não só a prova dos elementos que compuseram cada um dos diferentes valores apurados, como, também, todos os registros de lançamento e de estorno contábil que embasaram tais mutações. 27 Tal está nos moldes da legislação de regência, segundo a qual, a escrituração mercantil só faz prova dos fatos nela registrados se, além de elaborada com a observância das disposições legais e dos princípios contábeis, vier instruída com os documentos em que se lastreia (art.26 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011). 28 Mas, o interessado não junta aos autos os documentos correspondentes. 29 Em seu entendimento, movido pela certeza de que esta Dcomp estaria fadada ao cancelamento automático (porque foge à lógica a simultaneidade de dois regimes de apuração: anual (estimativa e trimestral), transmitiu em 01.12.2008 nova DCTF, na qual a compensação a que se refere esta Dcomp sequer existe. 30 A sobredita DCTF – que, ao final, é aquela cujas informações vigorariam, caso acolhido o pedido de cancelamento desta Dcomp contém informações sobre compensações efetuadas sem a utilização do Programa Gerador de Per/dcomp, de utilização obrigatória desde maio de 2003. 31 De fato, desde a Medida Provisória (MP) nº 66, de 30 de agosto de 2002 (convertida na Lei nº 10.637, de 31 de dezembro de 2002), o procedimento de compensação exige a apresentação de Dcomp a esta Secretaria, através do PGD Per/dcomp o que, no caso, não ocorreu. 32 Ademais disso, tais “compensações”, veiculadas na última DCTF Retificadora, além de informadas sem Dcomp, estão sendo efetuadas com darfs cuja data de arrecadação ocorreu há mais 5 (cinco) anos, e, também por isso, violam a legislação de regência. 33 Com efeito, se desde a DCTF Retificadora anterior (23.08.2006), o débito estava compensado em Dcomp regularmente entregue a esta Secretaria, e, se apenas em 01.12.2008 o interessado entregou DCTF Retificadora, é essa última data que rege o procedimento de compensação. 34 No entanto, na sobredita data, já havia decorrido o prazo decadencial de 5 (cinco) anos (darfs de 2001 e darfs de 2002), de forma que tais pagamentos não poderiam mais ser objeto de restituição/compensação. 35 Temse, assim, que a última DCTF Retificadora está contrária à legislação em vigor, de forma que as informações nela veiculadas não podem substituir as da DCTF anterior. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 18470.905740/201043 Acórdão n.º 1002000.633 S1C0T2 Fl. 181 13 Nesse espeque, ressalto que não há uma precisa indicação consubstanciada em elementos documentais para confrontar DIPJ, DCTF, LALUR, códigos de recolhimento, informativo quanto ao método, balancetes de apuração de resultados, a fim de comprovar o crédito, inclusive para também se compreender eventuais cálculos de valores originalmente declarados e porventura retificados. Nesse sentido entendo por bem trazer aos autos o resumo da conclusão do seguinte precedente que entendo reforçar o presente fundamento: Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Relator: Orlando Rutigliani Berri – Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Ressaltese, não caberia ao julgador, em instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria; sem falar que eventual documentação contábil não pode ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e de devida fundamentação com análise circunstanciada das conclusões que se extrairiam da escrita contábil ou da escrita fiscal, a fim de demonstrar o fato jurídico constitutivo da situação de direito a crédito que se pretende invocar sob a ótica da restituição, que seria o elo para efetivar a compensação. Para tanto, cito o precedente o i. Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, no Acórdão n° 1002000.405, de 13/09/2018: O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação com a extinção do crédito tributário que o próprio contribuinte confessa e indica para ser objeto da quitação via compensação. No caso dos autos, a Administração Tributária não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o pagamento indevido ou a maior, negando a restituição, vale dizer, por não reconhecer o crédito. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 18470.905740/201043 Acórdão n.º 1002000.633 S1C0T2 Fl. 182 14 Para a análise que foi efetivada não se comprovou crédito líquido e certo, incontroverso, inclusive sendo apontada a alocação do DARF para extinção de débitos próprios do sujeito passivo. Logo, se havia alocação do DARF, assistiu razão ao conteúdo do despacho decisório, pelo que, quando a DRJ atestou correção naquele ato administrativo, agiu corretamente a primeira instância ao efetivar o controle de legalidade, não havendo razões para reformar o decisum vergastado. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito vindicado com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração da sua efetiva alocação, de modo a não restar saldo residual como pretendido para restituição. Por isso, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância. A despeito das alegações do contribuinte quanto a retificação e a alegada surgência do crédito a partir da retificadora, ao meu ver não se desincumbiu o sujeito passivo de demonstrar a contento o referido crédito, isto porque, com os elementos que constam dos autos, inexiste qualquer materialidade probatória para que se possa dar certeza e liquidez ao apontado crédito. Não houve a demonstração cabal de elementos documentais, de prova da escrita contábil e fiscal, que possibilitem efetivar de forma inconteste e transparente a respectiva comprovação, inclusive para justificar e validar a retificação invocada. E mais, não caberia ao julgador, em segunda instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventuais provas documentais não poderia ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e fundamentação, a fim de demonstrar o fato jurídico a ser provado. Ressaltese, neste aspecto, que existindo controvérsia quanto ao crédito a demonstração de sua efetiva existência, inclusive com a prova da escrituração contábil e fiscal, integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte. Dessa forma, não cumpre ao presente Relator, sequer a este Colegiado, na condição de instância recursal, suprir o ônus do contribuinte, realizando uma verdadeira auditoria nos livros contábeis, que sequer foram apresentados, para, em substituição ao seu ônus, comprovar a certeza de liquidez do crédito perseguido no seu exclusivo interesse. Nesse sentido: Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Relator: Orlando Rutigliani Berri – Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano calendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 18470.905740/201043 Acórdão n.º 1002000.633 S1C0T2 Fl. 183 15 DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Não há, portanto, motivos que justifiquem a reforma da decisão proferida pela DRJ, principalmente por ser atribuição deste Colegiado o controle da legalidade, e não o saneamento de erros imputados aos próprios contribuintes, notadamente quando destinados à constituição de créditos para fins de compensação e, mais, o ponto principal não resta claramente demonstrado o alegado saldo negativo/pagamento a maior. Logo, verificandose correção no julgamento a quo, bem como observando que a Administração Tributária não agiu em desconformidade com a lei, nada há que se reparar no procedimento adotado na análise do pedido transmitido pelo contribuinte. No mais, a decisão da DRJ apreciou, com riqueza e rigor de detalhes, a matéria suscitada na manifestação de inconformidade, apresentando os devidos fundamentos transcritos ao longo destes autos para rebatêla; de seu turno, o Contribuinte não estabeleceu, através de seu recurso, dialeticidade suficiente para apontar, na decisão combatida, quais daqueles argumentos da primeira instância não seriam adequados e conteriam eventual erro de julgamento ou erro de procedimento. Não foram refutados pontos importantes da decisão vergastada, repetindoa sem enfrentar algumas das razões de decidir da decisão objeto do Recurso Voluntário. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer quaisquer reparos. Dispositivo Ante o exposto, voto para rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 18470.905740/201043 Acórdão n.º 1002000.633 S1C0T2 Fl. 184 16 É como Voto. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Fl. 184DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.903498/2012-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/07/2003
ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS).
O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº 13 - Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 3302-006.704
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento em maior extensão para excluir o ICMS destacado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento em maior extensão para excluir o ICMS destacado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 34 98 /2 01 2- 31 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10283.903498/201231 Acórdão n.º 3302006.704 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) eletrônico, por meio da qual a contribuinte solicita restituição de valor que teria sido indevidamente recolhido a título de COFINS, no regime não cumulativo. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição pelo indeferimento do pedido de restituição, mediante Despacho Decisório (DD) acostado aos autos, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para restituição. Inconformada com o indeferimento do PER, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, na qual, após a apresentação dos fatos, explica que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão da exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. A interessada esclarece que, para apuração do valor indevidamente pago, elaborou planilha demonstrando a diferença entre o valor efetivamente recolhido e o valor que legalmente seria devido, excluindose da base de cálculo da contribuição o ICMS efetivamente apurado e recolhido. Informa, ainda, que a comprovação do direito creditório será feita em momento oportuno, no Livro Registro de Apuração do ICMS. A fim de justificar seu direito ao crédito, a contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. Em sua defesa, cita julgamento da matéria no Supremo Tribunal Federal (STF). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07040.564. Regulamente cientificada desta decisão, a Recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, no qual essencialmente reitera os argumentos iniciais apresentados na impugnação e aduz que a decisão recorrida não pode prosperar, uma vez que é desnecessária a previsão legal que permita a exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins e do PIS. Diz, ainda, que é impossível considerar o ICMS como parte do faturamento e aponta jurisprudência do STF. Por fim, requer reforma da decisão e reconhecimento da restituição pleiteada. É o relatório. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10283.903498/201231 Acórdão n.º 3302006.704 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.687, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10283.900996/201493, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.687): "O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em não havendo preliminares, passase, de plano, ao mérito do litígio. DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS A matéria é por demais conhecida deste Colegiado, razão por que trato de invocar excertos de recente acórdão, nº 3302 006.452, de 30/01/2019, para ilustrar meu entendimento sobre a questão. Naquela oportunidade, o eminente relator, conselheiro Walker Araujo, assim se pronunciou sobre o tema: (...) sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, é de conhecimento notório que o Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 574.706, com repercussão geral reconhecida, decidiu que o ICMS não integra a base de cálculo das famigeradas contribuições. Contra a decisão proferida no RE 574.706, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional opôs embargos declaratórios da decisão, pleiteando a modulação temporal dos seus efeitos e realizou outros questionamentos, em especial, se o valor a ser excluído é somente aquele relacionado ao arrecadado a título de ICMS e/ou se o valor a ser excluído da base de cálculo abrange, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída, sendo que referidos questionamentos aguardam sua análise e julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. Entretanto, em que se pese inexistir trânsito em julgado da decisão proferida pela Suprema Corte, entendo que se tornou definitiva a matéria quanto ao direito do Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10283.903498/201231 Acórdão n.º 3302006.704 S3C3T2 Fl. 5 4 contribuinte ao menos de excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher, restando àquela Corte apenas decidir se o direito de exclusão será concedido em maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. A respeito do direito do contribuinte excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher(...) (...) temos a Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, emitida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de cálculo mensal, conforme o Código de Situação tributária (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relacao percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa juridica estar dispensada da escrituracao do ICMS, na Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10283.903498/201231 Acórdão n.º 3302006.704 S3C3T2 Fl. 6 5 EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.715, de 1998, art. 2o; Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.637, de 2002, arts. 1o, 2o e 8o; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Cofins, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Cofins do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de calculo mensal, conforme o Código de Situação tributaria (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relação percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10283.903498/201231 Acórdão n.º 3302006.704 S3C3T2 Fl. 7 6 escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa jurídica estar dispensada da escrituração do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.833, de 2003, arts. 1o, 2o e 10; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Neste cenário, entendo que o montante a ser excluído da(s) base(s) de calculo da Contribuicao para o PIS/Pasep e da Cofins é o valor mensal do ICMS a recolher. Posto isso, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir o valor tão somente do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 90DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.903360/2009-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA.
Considera-se não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito.
Numero da decisão: 1402-003.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio, Edeli Pereira Bessa e Lucas Bevilacqua Cabianca Viera, que davam provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10530.902722/2009-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone- Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia Sampaio, Edeli Pereira Bessa e Lucas Bevilacqua Cabianca Viera, que davam provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10530.902722/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 33 60 /2 00 9- 77 Fl. 138DF CARF MF 2 Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação do débito declarado em Declaração de Compensação Segundo o Despacho Decisório, foi encontrado pagamento com as características do DARF discriminado no PER/Dcomp, mas integralmente utilizado para quitação de débito da Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado no PER/Dcomp. A DRJ de origem detectou o erro que deu origem a retificação. O mencionado erro consiste na aplicação do coeficiente de determinação da base de cálculo da CSLL sobre as receitas de prestação de serviços ali informadas: Para o cálculo da CSLL confessada na DCTF, e paga, foi utilizado o percentual de 32% (trinta e dois por cento), enquanto que para a apuração da CSLL informada na DIPJ/2005 foi aplicado o percentual de 12% (doze por cento). Examinando as informações constantes da DIPJ verificase que a razão da divergência relatada acima o contrato social prevê que o objetivo da empresa é “o transporte rodoviário de cargas intermunicipal e interestadual, logística e armazéns gerais”. Desta forma, para o julgamento do direito creditório pleiteado, um dos aspectos a serem analisados é a natureza dos serviços que efetivamente deram origem às receitas de prestação de serviços informadas na DIPJ Diante da situação acima descrita, a DRJ encaminhou processo à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Feira de Santana, a fim de que fosse realizada diligência no sentido de intimar a Contribuinte a apresentar a documentação comprobatória (notas fiscais e eventuais contratos) referente à receita auferida. Em resposta à intimação, o contribuinte junto o livro de registro de saídas escriturado, exclusivamente, com "conhecimento de transporte rodoviário de cargas" para comprovar a origem da receita auferida. Insatisfeita com a documentação trazida pelo contribuinte, a DRJ promoveu a reintimação na qual requer que o contribuinte faça a juntada das notas fiscais e eventuais contratos relativos aos serviços prestados. Em resposta a contribuinte informa que "com relação aos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas, do mencionado período, estes foram guardados pelo períodos de 5 anos, conforme determina norma específica expedida pela Receita Federal do Brasil (RFB), sendo que os dados destes documentos, hoje e agora, estão totalmente apagados, ou seja, não tem a mínima condição de se fazer nenhuma leitura dos dados constantes nesses documentos, pelo fato de terem mais de 12 anos da sua expedição, visto que foram emitidos em "formulário continuo autocopiativo" devidamente autorizado pela autoridade fazendária estadual; porém, todos esses documentos foram devidamente escriturados nos competentes Registros de Saída, os quais já foram apresentados a essa autoridade fazendária federal." Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10530.903360/200977 Acórdão n.º 1402003.677 S1C4T2 Fl. 3 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) negou provimento à Manifestação de Inconformidade Cientificado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário no reitera as alegações já suscitadas quando da Manifestação de Inconformidade. É o relatório Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.673, de 13/12/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10530.902722/2009 11, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1402003.673): Conforme decidido pelo colegiado, discordase do i. relator, decidindose, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, por entender que os documentos juntados pela recorrente não são suficientes para comprovação do direito creditório pleiteado. A recorrente alega que "a receita foi comprovada, sim, por meio do Livro de Registro de Saídas, legalmente escriturado, exclusivamente, com “conhecimentos de transporte rodoviário de cargas”, o que comprova que a origem da receita auferida, por esta contribuinte, foi, exclusivamente, do transporte rodoviário de cargas; aliás, está confirmado no próprio relatório do aludido acórdão que a contribuinte apresentou a comprovação da receita por meio do citado Livro de Registro de Saídas." Informa que quanto aos conhecimentos de transportes, "estes não foram apresentados, pois estavam ilegíveis, uma vez que eram documentos preenchidos, na época da sua expedição, em papel autocopiativo “formulário contínuo”, devidamente autorizado pela autoridade fazendária estadual, porém tais documentos (conhecimentos de transporte rodoviário de cargas) foram guardados em boa ordem por todo período decadencial, sendo solicitado a sua apresentação quase 10 (dez) anos após a sua expedição, razão pela qual não foi possível fazer leitura do conteúdo dos mencionados conhecimentos de transporte;" Esclarece que "no Acórdão 1529.873, de 24/02/2012 (Processo 10530.900128/200987), da 1ª Turma da DRJ/SDR (cópia anexa), Contestação, com essas mesmas características, foi Fl. 140DF CARF MF 4 acolhida, ou seja, julgada como procedente, o que demonstra que todos os atos praticados por esta contribuinte foram feitos, estritamente, com bases em preceitos legais, tanto no citado Processo, bem como neste, objeto desse nosso Recurso Voluntário." Verificase que conforme previsto no objeto social da recorrente atividades que podem estar submetidas a diferentes coeficientes de determinação da base de cálculo, portanto fazse necessário a comprovação da natureza do serviços que efetivamente deram origem às receitas de prestação de serviços informadas na DIPJ. Entendeuse que ambas as declarações (DCTF e DIPJ) são preenchidas pela própria recorrente e devem retratar os dados da escrituração da pessoa jurídica. Por conseguinte, a simples alegação de que o valor correto do débito é aquele informado na DIPJ não é suficiente para comprovar o erro no preenchimento da DCTF original, sem apoio nos registros e documentos contábeis e fiscais da interessada e/ou em outros elementos consistentes de prova. A recorrente não trouxe provas lastreadas em sua escrituração contábil e fiscal (completa ou simplificada), notas fiscais de receita emitidas, e eventuais contratos, a fim de se verificar o montante e a natureza das receitas submetidas à tributação, e ratificar o indébito pleiteado. Notase que a recorrente apresentou apenas o livro Registro de Saídas, que não se presta para o objetivo almejado, e mesmo reintimada deixou de apresentar a documentação requerida. Caberia à recorrente apresentar dos conhecimentos de transportes e eventuais contratos que comprovassem os registros do Livro de Saídas. Quanto à alegação de que o conhecimentos de transportes não foram apresentados, pois estavam ilegíveis, caberia à recorrente mantêlos conservados enquanto não prescritos eventuais ação que lhes sejam pertinentes, conforme determina o artigo 264 do RIR/99: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto Lei n.º 486, de 1969, art. 4º) Tendo em vista a não apresentação da documentação que permitisse o conhecimento da natureza das receitas oferecidas à tributação no 1º trimestre de 2004, e possibilitasse comprovar o alegado pagamento indevido, verificase que o crédito informado na declaração de compensação apresentada não contém os atributos necessários de certeza e liquidez, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de direito creditório junto à Fazenda Pública. Ressaltase que a decisão no Acórdão 1529.873, de 24/02/2012 (Processo 10530.900128/200987), da 1ª Turma da DRJ/SDR não vincula o julgamento do presente recurso pelo colegiado. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10530.903360/200977 Acórdão n.º 1402003.677 S1C4T2 Fl. 4 5 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 142DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.904879/2016-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 21/03/2014
DECISÃO RECORRIDA. ELEMENTOS MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS.
Incumbe à interessada, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, inclusive, a prova documental que se destine a contrapor razões ou fatos aduzidos pelo julgador a quo (art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72).
PIS/COFINS. RESTITUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. LICENÇA DE USO. COMPROVAÇÃO.
A restituição somente pode ser autorizada com a comprovação pela requerente de que o pagamento foi indevido. No caso, para a comprovação da não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação e da Cofins-Importação sobre os valores pagos, creditados, entregues ou remetidos para pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas no exterior a título de Royalties, cessão do direito de uso ou de licença de uso, faz-se necessário que esses valores estejam segregados do montante referente aos serviços conexos no documento que fundamentar a operação (Solução de Divergência Cosit nº 11/2011).
Recurso Voluntário negado
Direito Creditório não reconhecido
Numero da decisão: 3402-006.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 21/03/2014 DECISÃO RECORRIDA. ELEMENTOS MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS. Incumbe à interessada, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, inclusive, a prova documental que se destine a contrapor razões ou fatos aduzidos pelo julgador a quo (art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72). PIS/COFINS. RESTITUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. LICENÇA DE USO. COMPROVAÇÃO. A restituição somente pode ser autorizada com a comprovação pela requerente de que o pagamento foi indevido. No caso, para a comprovação da não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação e da Cofins-Importação sobre os valores pagos, creditados, entregues ou remetidos para pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas no exterior a título de Royalties, cessão do direito de uso ou de licença de uso, faz-se necessário que esses valores estejam segregados do montante referente aos serviços conexos no documento que fundamentar a operação (Solução de Divergência Cosit nº 11/2011). Recurso Voluntário negado Direito Creditório não reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 21/03/2014 DECISÃO RECORRIDA. ELEMENTOS MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS. Incumbe à interessada, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, inclusive, a prova documental que se destine a contrapor razões ou fatos aduzidos pelo julgador a quo (art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72). PIS/COFINS. RESTITUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. LICENÇA DE USO. COMPROVAÇÃO. A restituição somente pode ser autorizada com a comprovação pela requerente de que o pagamento foi indevido. No caso, para a comprovação da não incidência da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da Cofins Importação sobre os valores pagos, creditados, entregues ou remetidos para pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas no exterior a título de Royalties, cessão do direito de uso ou de licença de uso, fazse necessário que esses valores estejam segregados do montante referente aos serviços conexos no documento que fundamentar a operação (Solução de Divergência Cosit nº 11/2011). Recurso Voluntário negado Direito Creditório não reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 48 79 /2 01 6- 21 Fl. 262DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre Declaração de Compensação DComp na qual foi apontado crédito de pagamento indevido ou a maior no valor original de R$ 83.431,19, proveniente do DARF no mesmo valor principal acrescido de multa de mora, perfazendo o valor total de R$ 83.706,51, recolhido sob código 5442 (Cofins – importação de serviços), PA 20/03/2014, com data de arrecadação em 21/03/2014, utilizado para compensação de débitos declarados. Nos processos descritos abaixo, sob julgamento conjunto nesta sessão, foram utilizados Darfs com as características descritas nesta Dcomp, conforme quadro extraído da decisão recorrida: No presente processo, foi proferido Despacho Decisório de não homologação da compensação declarada, eis que "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo, em síntese: a) existência de erro de fato na retificação da DCTF de março/2014; e b) equívoco na identificação do DARF na Dcomp. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10880.904879/201621 Acórdão n.º 3402006.390 S3C4T2 Fl. 263 3 O julgador a quo não acolheu as razões de defesa da manifestante, sob os seguintes fundamentos principais: Como a segunda retificação de DCTF só ocorreu após a ciência dos Despachos Decisórios, não foi possível mais homologação alguma pela análise eletrônica, ensejando as Manifestações de Inconformidade que inauguram a fase litigiosa e exigem a apresentação, pela interessada, de provas da certeza e liquidez do crédito. No caso, os documentos apresentados, relativos a fatura de licença e taxa de manutenção e do Acordo de Licença e taxa de Manutenção, Conservação (fls. 100/119 do processo 10880.904878/201687), estão em língua inglesa, não traduzidos, e não permitem identificar a discriminação de valores componentes do valor pago a que se reporta a Solução de Divergência COSIT nº 11/2011. Os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do real valor devido a título da contribuição apurada, bem como acerca dos fatos que ensejaram o pagamento alegadamente não sujeito a incidência da contribuição, para o período de apuração em questão, são indispensáveis para que se comprove a existência do direito creditório indicado em DCOMP. Os documentos apresentados, relativos a fatura de licença e taxa de manutenção e do Acordo de Licença e taxa de Manutenção, Conservação (fls. 100/119 do processo 10880.904878/201687 e também constantes dos demais processos), estão em língua inglesa, não traduzidos, e não permitem identificar a discriminação de valores componentes do valor pago a que se reporta a Solução de Divergência Cosit nº 11/2011. Cientificada dessa decisão em 30/05/2018, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 29/06/2018, repisando as alegações da impugnação e sustentando, em contraposição à decisão recorrida, que o contrato de câmbio, invoice e contrato que subsidiaram a operação, bem como a retirada de um dos Darfs na primeira retificação da DCTF, demonstrariam sim a certeza e liquidez do crédito alegado. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Inicialmente há que se esclarecer à recorrente, quanto aos débitos informados nas Dcomps, que não há controvérsia acerca da suspensão da sua exigibilidade no curso do processo administrativo fiscal, nos termos do art. 74, §11 da Lei nº 9.430/96 e do art. 151, III do CTN. A Delegacia de Julgamento bem delimitou o problema nos seguintes termos: (...) Fl. 264DF CARF MF 4 Na DCTF original cancelada foi confessado débito de código 5442 do PA 20/03/2014 no valor de R$ 333.724,76, vinculado a 4 (quatro) pagamentos, cada um deles no valor principal de R$ 83.431,19, acrescido de multa de mora de R$ 275,32, todos com data de arrecadação em 21/03/2014: (...) Prosseguindo na análise das DCTF, temse que, em DCTF retificadora transmitida em 17/07/2015, válida quando da ciência do Despacho Decisório Eletrônico (DDE) em 10/03/2016, o débito acima referido, de R$ 333.724,76 foi reduzido para R$ 250.293,57 com vinculação a três pagamentos, cada um deles de valor principal R$ 83.431,19, acrescido de multa de mora de R$ 275,32: (...) Em DCTF retificadora ativa transmitida em 11/03/2014 foi excluído débito de código 5442, conforme pesquisa a seguir: (...) Dessa forma, à época da emissão do Despacho Decisório constava na DCTF vigente, após a primeira retificação, o débito de R$ 250.293,57, o qual foi quitado com os 3 Darf´s de valor principal R$ 83.431,19, data de vencimento e PA de 20/03/2014. Como restou evidenciado no Despacho Decisório do processo nº 10880.904878/201687, dos três Darfs localizados com as características indicadas pela requerente na Dcomp, haveria saldo disponível em apenas um deles, no montante de R$275,32, razão da homologação parcial da compensação objeto desse outro processo. Conforme consta no demonstrativo abaixo, extraído do Despacho Decisório do processo nº 10880.904878/201687, dois dos Darfs foram utilizados para quitar o débito de R$250.293,57, constante na 1ª DCTF retificadora relativa a março/2014; e um dos Darfs, utilizado no processo nº 10880.904878/201687, foi parcialmente consumido em outras duas Dcomps para as quais houve a homologação das compensações e não há litígio: Neste ponto, é importante destacar que o fato de as compensações objeto das duas primeiras Dcomps transmitidas (04366.24892.130815. 1.3.048197 e 10876.48210.170915.1.3.042094) terem sido homologadas em Despacho Decisório Eletrônico (DDE), em face da exclusão de um dos Darfs na 1ª retificação da DCTF, não impede a análise das demais Dcomps, as quais, embora se refiram a Darfs com as mesmas características, tratam de situação diferente, para a qual houve retificação de DCTF posterior ao Despacho Decisório (2ª retificação) relativamente ao pagamento informado como indevido. Como dito na decisão recorrida: "instalada a discussão, o sucesso da contribuinte em ver homologada a compensação declarada nesta instância administrativa, já fora da órbita do tratamento eletrônico, condiciona se à comprovação da liquidez e certeza do direito de crédito". O litígio que remanesce no âmbito do julgamento do presente recurso voluntário é a verificação se a documentação constante nos autos seria suficiente para Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10880.904879/201621 Acórdão n.º 3402006.390 S3C4T2 Fl. 264 5 demonstrar a não incidência da contribuição social (PIS/Cofins importação de serviços) e consequentemente considerar o pagamento como indevido. A interessada acostou à manifestação de inconformidade a Solução de Divergência Cosit nº 11, de 28 de abril de 2011, que veicula, em conclusão, o seguinte entendimento: 13. Diante do exposto, solucionase a presente divergência respondendo ao autor da representação, que não incidem a Contribuição para o PIS/Pasep Importação e a CofinsImportação sobre os valores pagos, creditados, entregues ou remetidos para pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas no exterior a título de Royalties, cessão do direito de uso ou de licença de uso, desde que estes valores estejam discriminados no documento que fundamentar a operação. Neste caso, as contribuições sobre a importação incidirão apenas sobre eventuais valores referentes a serviços conexos contratados. Entretanto, se o documento que lastreia a operação não for suficientemente claro para individualizar o que é serviço e o que é Royalties, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência das mencionadas contribuições. De outra parte, a compensação tributária pressupõe a liquidez e certeza do crédito a ser utilizado no encontro de contas, nos termos do art. 170 do CTN, e, em se tratando de pedido de reconhecimento de direito creditório (restituição de pagamento indevido), o ônus da prova é da própria requerente, nos termos do art. 36 da Lei nº 9.784/99, seguindo a regra geral de que quem pleiteia um direito deve também proválo. Não tendo obtido êxito em seu pleito no despacho decisório, pode a contribuinte apresentar a documentação que comprovaria o seu direito juntamente com a manifestação de inconformidade, nos termos delimitados pelo art. 16 do Decreto nº 70.235/72, aplicável à manifestação de inconformidade por força do art. 74, §11 da Lei nº 9.430/96, providência que adotou acostando aos autos os documentos das fls. 93/120, com as seguintes informações que interessam ao caso: No Contrato de Câmbio, descrevese a natureza do fato como: "Servicos Direitos Autorais Cessao ou uso de programas de computador". Na Invoice nº 2012122, de 31/12/2012, a descrição é dada por: "License and maintenance fee / FSecure products 712/2012". No Contrato de Licença e Distribuição (License and Distribution Agreement), observase que o contrato envolve outros serviços a serem fornecidos pela empresa estrangeira ("FSecure") à recorrente ("Company"), tais como serviços de suporte, manutenção, treinamento e marketing (vide no Contrato"3 FSecure's Duties" e "Schedule 1"). Como se vê, os documentos juntados pela então manifestante demonstram que, além de licença de uso de programas de computador mencionados pela recorrente, o contrato envolve vários outros serviços passíveis de tributação pelas contribuições de PIS/Cofinsimportação. Como já havia concluído o julgador a quo, a então manifestante não logrou êxito em demonstrar os valores que teriam sido pagos exclusivamente a título de licença de uso de programas de computador, além de, em relação à retificação da DCTF efetuada após o Fl. 266DF CARF MF 6 Despacho Decisório, não ter trazido aos autos os documentos contábeis/fiscais acerca do real valor devido da contribuição para o período de apuração, nestes termos: (...) E, no caso, os documentos apresentados, relativos a fatura de licença e taxa de manutenção e do Acordo de Licença e taxa de Manutenção, Conservação (fls. 100/119 do processo 10880.904878/201687 e também constantes dos demais processos), estão em língua inglesa, não traduzidos, e não permitem identificar a discriminação de valores componentes do valor pago a que se reporta a Solução de Divergência. Recordese que a DCTF é instrumento de confissão de dívidas, por expressa disposição legal (§§ 1º e 2º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13/06/1984) e pressupõese que, à época da entrega dessas declarações a contribuinte tenha verificado a ocorrência do fato gerador do tributo e apurado o montante a pagar conforme confessado, declarado e recolhido. Necessário então provar que houve o erro a ser retificado. (...) Reiterese que a entrega da declaração de compensação – instrumento que a partir da edição da MP nº 66, de 2002, passou a integrar a própria essência do instituto da compensação –, não prescinde da necessidade de que o credor da Fazenda Pública possa comprovar a liquidez e certeza do direito de crédito, nos termos do art. 170, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN). No caso em foco, em que o crédito aproveitado em declaração de compensação teria suposta origem em pagamento maior que o apurado e devido, a comprovação da certeza e liquidez do direito atase intimamente à necessária comprovação do erro presente em confissão/declaração prestada à Administração Tributária. Vale destacar que essa exigência está expressa no artigo 147 do Código Tributário Nacional: (...) Acrescentese, acerca da produção de provas, que nos termos dispostos no art. 923 do RIR/99, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (...) Dessa forma, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do real valor devido a título da contribuição apurada, bem como acerca dos fatos que ensejaram o pagamento alegadamente não sujeito a incidência da contribuição, para o período de apuração em questão, são indispensáveis para que se comprove a existência do direito creditório indicado em DCOMP. No caso dos autos, como visto acima, verificouse que a interessada procedeu à posterior retificação da declaração DCTF, deixando de apresentar a escrituração contábil e fiscal, bem como toda a documentação que a acoberta bem como que justifique a alegação de não incidência da contribuição. Assim, diante de informações diversas prestadas pela contribuinte a respeito do valor de um débito de determinado período – inclusive mediante retificação da DCTF –, e tendo ela recolhido DARF em montante equivalente ao maior valor declarado em declaração, com efeito de confissão de dívida, válida quando da ciência dos DEE, não é possível atestar a certeza e liquidez de indébito daí decorrente, senão mediante a apresentação da documentação contábil/fiscal, comprovandose efetivamente o valor realmente apurado ou a alegada não incidência. Não discorda a recorrente que teria o ônus de apresentar, com esteio no Parecer Cosit nº 2/2015, a "Comprovação documental do erro de fato demonstrando o crédito como líquido e certo". Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10880.904879/201621 Acórdão n.º 3402006.390 S3C4T2 Fl. 265 7 No entanto, a recorrente não apresentou os documentos contábeis/fiscais que comprovariam o erro na DCTF vigente por ocasião do despacho decisório e a veracidade da 2ª DCTF retificadora, nem tampouco demonstrou a segregação dos valores de royalties remetidos ao exterior das parcelas dos demais serviços prestados pela empresa estrangeira referidos no Contrato de Licença e Distribuição, embora o julgador a quo já tivesse apontado a falta desses documentos para o reconhecimento do direito à restituição/compensação. Como se sabe, incumbiria à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, inclusive, a prova documental que se destinasse a contrapor razões ou fatos aduzidos pelo julgador a quo (art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72). Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 268DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.907916/2016-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.923
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1618; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.907916/201672 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.923 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 26 de março de 2019 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente CATHO ONLINE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o processo de Recurso Voluntário contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação apresentada pela contribuinte. Segundo o despacho decisório, as compensações não foram homologadas em razão de não ter sido apurada a existência de direito creditório. Tais conclusões, ao que consta, encontram amparo no Termo de Verificação Fiscal carreado aos autos. No aludido TVF, emitido em decorrência da necessidade de análise das DCTF retificadoras apresentadas e, também, dos esclarecimentos que posteriormente foram prestados pela contribuinte, consta que “as receitas auferidas pela CATHO, decorrentes de sua atividade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 07 91 6/ 20 16 -7 2 Fl. 423DF CARF MF Processo nº 13896.907916/201672 Resolução nº 3201001.923 S3C2T1 Fl. 3 2 fim, não se enquadram na exceção prevista no inciso XXV do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, estando sujeitas, portanto, ao regime NÃO CUMULATIVO de apuração do PIS e do COFINS.” Consta, portanto, que as DCTF retificadoras não deveriam ser homologadas e que, por não existirem, os créditos não deveriam ser reconhecidos. Na manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte, após resumo dos fatos, esclarece que houve mudança no controle acionário da empresa e que, em razão disso, foi submetida a uma profunda revisão de políticas e procedimentos. Em decorrência, diz que teria identificado que suas atividades vinham sendo indevidamente qualificadas para fins de PIS e de Cofins, sendo necessário, portanto, a retificação das DCTF. A seguir, discorre sobre a sua atividade. Afirma que os serviços prestados não abrangem promessa de emprego ou obrigação presente ou futura de recolocação ou obtenção de emprego para seus clientes. Aduz, ainda, que o seu site na internet “é somente uma ferramenta online que permite ao assinante consultar vagas, enviar currículos e acessar demais conteúdos aí disponibilizados” sem “qualquer garantia de colocação profissional” nem “qualquer cobrança relacionada a essas atividades.” Em suma, conforme afirma, “simplesmente disponibiliza conteúdo na Internet aos Assinantes e não desenvolve qualquer atividade de intermediação.” Salienta que se qualifica como empresa de Internet, com atividade de portal ou empresa provedora de conteúdo e de informações, e que sua atividade vem descrita na Norma 004/95, aprovada pela Portaria nº 148, de 1995, item 3, letras ‘e’ e ‘f’ do Ministério das Comunicações. Objetivando o acesso às informações especializadas que são disponibilizadas, afirma que desenvolveu ferramenta própria (software), “cujo uso é liberado/cedido para seus clientes, os Assinantes.” Insiste que não promove a intermediação de contratação de mão de obra. Aduz que “sua tarefa se esgota em permitir o acesso à informação que integra seus bancos de dados: currículos e vagas.” Chama a atenção para o contido no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003 e diz que conforme Solução de Consulta nº 309, de 2011, “a RFB confirmou, expressamente, que, para o contribuinte aplicar o regime cumulativo dessas contribuições sociais, basta exercer apenas uma das atividades mencionadas no inciso XXV citado anteriormente.” Na seqüência, diz que se deve destacar “que a simples não homologação das declarações retificadoras não é fato que, por si só, é capaz de fundamentar a não homologação das compensações realizadas.” Diz ser incabível a revisão de ofício da homologação pois ela não teria ocorrido por erro “mas sim pelo correto enquadramento legal da situação ora analisada”. Se houve erro, aduz, ele teria ocorrido com a revisão. Reclama, ainda, que não existe base legal para a revisão de ofício. Insiste na necessidade de cancelamento do despacho decisório. Ao final, requer a reforma do despacho decisório e a homologação das compensações. Subsidiariamente requer o cancelamento do despacho decisório em face da Fl. 424DF CARF MF Processo nº 13896.907916/201672 Resolução nº 3201001.923 S3C2T1 Fl. 4 3 impossibilidade de revisão de ofício no caso de erro de direito. Protesta pelo direito de provar o alegado por todos os meios de prova e informa que “não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa mesmos argumentos pleiteados em manifestação de inconformidade para o deferimento integral dos valores que constam do pedido de restituição. Suscita em seu pedido: i. Seja declarada a nulidade do v. acórdão recorrido, com o retorno dos autos à origem, para que (a) nova decisão seja proferida, com adstrição aos limites objetivos da lide fixados no Termo de Verificação Fiscal e na manifestação de inconformidade; ou (b) subsidiariamente, para que seja devolvido à recorrente o prazo para manifestação, garantindo lhe o exercício do direito de defesa em relação aos pontos novos suscitados pelo v. acórdão, tudo sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 16, 17 e 18, parágrafo 3o, do Decreto n. 70.235, à luz do art. 5o, inciso LIV e LV, da Constituição de 1988; ii. Na eventualidade da superação da preliminar acima, seja reformado o v. acórdão, com o integral cancelamento das exigências fiscais, em razão da declaração: a. da nulidade do r. despacho decisório, por ter configurado revisão de ofício de lançamento, por erro de direito, com violação aos arts. 145 e 149 do CTN; b. da nulidade do r. despacho decisório, por carência de motivação, por ter se baseado em termo de verificação fiscal que não analisou o direito creditório discutido nestes autos, com violação ao art. 9o do Decreto n. 70,235; c. da improcedência do r. despacho decisório, tendo em vista a legitimidade da inclusão das receitas da recorrente no regime cumulativo de apuração da contribuição ao PIS e da COFINS, com a consequente homologação da declaração de compensação, sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 10, inciso XXV e 15, inciso V, da Lei n. 10.833; d. eventualmente, caso se entenda que a requerente se encontra submetida ao regime não cumulativo das contribuições, seja reconhecida a inexistência de crédito tributário passível de cobrança, sob pena de bis in idem. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº Fl. 425DF CARF MF Processo nº 13896.907916/201672 Resolução nº 3201001.923 S3C2T1 Fl. 5 4 3201001.853, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.720975/201638, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.8539): "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. A pretensão da contribuinte de requalificar a natureza jurídica de seus serviço, de intermediação para atividades de internet, enquadrando as receitas auferidas no regime cumulativo foi indeferido no despacho decisório proferido com base nas conclusões do TVF que consta do dossiê nº 10010.014822/021604, formalizado para análise das DCTFs retificadoras transmitidas para espelharem o procedimento de requalificação. De fato, concluiu o procedimento fiscal que os serviços prestados pelo contribuinte não poderiam ser qualificados como serviços de internet (art. 10, XXV e art. 15, V, da Lei nº 10.833/03), mas sim de intermediação, mantendoos no regime de apuração não cumulativo. Fl. 426DF CARF MF Processo nº 13896.907916/201672 Resolução nº 3201001.923 S3C2T1 Fl. 6 5 A principal matéria em litígio envolve a rejeição pela autoridade fiscal em sede de despacho decisório da requalificação das atividades da recorrente e a mudança para o regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS e para a Cofins. Os argumentos da fiscalização são no sentido de que o regime a que se submete as receitas das atividades desenvolvidas pela Catho para apuração e recolhimento continuava a ser o da não cumulatividade, pois não se tratam de serviços de informática (desenvolvimento de software ou de páginas eletrônicas) nos termos do art. 10, XXV, da Lei nº 10.833/03 uma vez que a atividade seria a prestação de serviços de intermediação ao profissional que busca se posicionar no mercado de trabalho. Nada obstante, o TVF assevera que para que a receita auferida subsumase à sistemática da apuração cumulativa devese comprovar que esta (receita) advenha da prestação de alguns dos serviços listados no referido dispositivo da Lei 10.833/03. Pois bem, compulsando os autos, em especial os termos e demais peças que constam do dossiê nº 10010.014822/021604 verificase que em momento algum a contribuinte fora intimada a comprovar a natureza de suas receitas. Ao contrário, a intimação limitouse a solicitar esclarecimentos e informações que resultaram na requalificação das receitas, como se vê: De ressaltar, contudo, que o fundamento para o indeferimento do pleito creditório é a natureza da receitas das atividades prestadas pela Catho conforme descritos nos autos, que não se qualificam como sujeitas à apuração cumulativa. O acórdão da DRJ trilha o mesmo fundamento de indeferimento e não homologação das compensações exarados no despacho decisório. Evidenciouse naquela decisão que o sítio da internet da Catho é uma mera ferramenta para quer o assinante consulte vagas de trabalho, envie currículos e acesse outros conteúdos. Poderseia concordar com os argumentos daqueles julgadores conquanto não trouxessem argumento subsidiário no qual reconhecem a possibilidade da contribuinte fazer prova de que determinadas atividades auferem receitas cuja apuração se dá no regime cumulativo. Vejase o excerto do voto condutor do acórdão recorrido: É possível concluir, portanto, que algumas de suas receitas podem estar sujeitas à apuração cumulativa das contribuições, ensejando, assim, a real possibilidade de enquadramento da empresa na modalidade de apuração mista das contribuições Fl. 427DF CARF MF Processo nº 13896.907916/201672 Resolução nº 3201001.923 S3C2T1 Fl. 7 6 (circunstância que, sendo eficazmente comprovada, pode evidenciar um possível erro no preenchimento da DCTF original). A forma como a existência de tal erro – que deve ser corrigido via DCTF retificadora – pode vir a ser acatado administrativamente irá depender da apresentação de provas (conforme estabelece o §1º do art. 147 do CTN), baseadas na escrituração contábil/fiscal do período analisado, ou seja, da apresentação de provas capazes de demonstrar, sem possibilidade de dúvida, quais receitas foram efetivamente auferidas nos períodos sob análise e a que tipo de serviço/atividade elas se vinculam. Ressaltese que, para fazer jus à apuração cumulativa, devese comprovar que as receitas advêm efetivamente da prestação de serviços, no caso, de informática (tal como listado no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, já transcrito). Evidentemente, as receitas assim enquadradas, devem ser passíveis de segregação, com vistas à correta tributação. Sem que tais comprovações existam nos autos, inviável será o deferimento do pleito. Resta claro que no mérito a decisão recorrida reconheceu a possibilidade do contribuinte fazer prova a seu favor, providência esta até então não determinada pela autoridade fiscal e se insere nas situações que o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 PAF prevê regra de exceção para a apresentação extemporânea de conjunto probatório após a impugnação (manifestação de inconformidade): Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 428DF CARF MF Processo nº 13896.907916/201672 Resolução nº 3201001.923 S3C2T1 Fl. 8 7 Assim, entendo que os autos devam retornar à unidade preparadora para apreciação do Laudo Técnico apresentado pela Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 429DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.002752/2003-11
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri May 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 1998
AUTO DE INFRAÇÃO.
Se a notificação atingiu o seu objetivo e não houve prejuízo ao contribuinte, descabe decretar a sua nulidade por preciosismo de forma.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.168
Decisão: ACORDAM os membros da lª câmara / 1ª turma ordinária da segunda
seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: DOMINGOS DE SÁ FILHO
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS.. ,.. -...- --.,..- .:', SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10280.002752/2003-11 Recurso n° 134.589 Voluntário Acórdão n° 2101-00.168 — 1 Câmara / l' Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2009 Matéria PIS Recorrente PAULO BARROSO ENGENHARIA LTDA. Recorrida DRJ-BELÉM/PA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIWPASEP Ano-calendário: 1998 AUTO DE INFRAÇÃO. Se a notificação atingiu o seu objetivo e não houve prejuízo ao contribuinte, descabe decretar a sua nulidade por preciosismo de forma. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da l • câmara / 1' turma ordinária da segunda ieseção de jul ..... - o, por unanimidade de votos, - : • provimento ao recurso. --.r-- r 411 e -dg IO • RCOS CÂND DO \ k a ti ' e ---- - • 1 ..rDOMING • S DE SÁ FIL ii O Relator Participaram, ainda, do pr; ente julgamento, • Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar, • tonio Carlos • a im, Antônio Lisboa Cardoso, Antonio Zomer e Maria Teresa Martínez L6. - . I o Processo rr 10280.002752/2003-11 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.168 Fl. 167 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto em face do r. Acórdão da DRJ em Belérn/PA, que manteve o lançamento do crédito tributário constituído por meio de auto de infração, no qual a recorrente visava o afastamento da imputação de ter deixado de recolher Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, referente ao período de 01/12/1998 a 31/12/1998, o crédito foi apurado por meio de auditoria interna realizada em DCTF. A Recorrente tomou ciência da r. decisão contida no v. Acórdão em 13 de abril de 2006, sendo uma quinta-feira, conforme documento de fl. 60, em seu correto endereço, e interpôs Recurso Voluntário em 15 de maio de 2006, uma segunda-feira, face o dia 13/05/2006 ser dia de sábado, conforme se vê à fl. 62, juntando, para tanto, as razões recursais. Adoto e transcrevo, a seguir, o relatório (fl. 54) que compõe a Decisão Recorrida: "Trata o processo de lançamento do Programa de Integração Social — PIS, no montante de R$ 967,16. Fundamentou-se a imputação na falta de recolhimento do PIS do mês de dezembro do ano-calendário de 1998 (fls. 5 a 8). A interessada foi cientificada do auto de infração no dia 9 de julho de 2003 (f1.46). No dia 7 de agosto de 2003 foi apresentada impugnação (fls. 1 e 2), cujo teor, em suma foi: MÉRITO PIS. FALTA DE RECOLHIMENTO A empresa apurou o valor do PIS de dezembro no valor total de R$ 495,79. Desse valor foi deduzida a retenção decorrente de pagamentos recebidos da Universidade Federal do Pará,no valor de R$ 78,31; Do valor apurado, foi deduzido, também, o valor de R$ 256,69; correspondente ao valor antecipado recolhido em novembro de 1998. Assim, restou o valor de R$ 160,79 apagar, que foi recolhido em março de 1999 com os acréscimos legais. - Por equivoco, a impugnante informou na DCTF que o valor devido era de R$ 377,52; quando o correto seria R$ 160,79. Por isso, solicita a retificação de oficio, nos termos das provas que seguem anexas." A decisão de piso contemplou parte dos argumentos da recorrente e decidiu retificar o valor do lançamento, deduzindo o valor de R$ 160,77 (cento sessenta reais e setenta sete centavos), por ter sido pago por meio de DARF, restando o saldo devedor de R$ 216,75 (duzentos dezesseis reais e setenta cinco centavos), como se vê à fl. 54. 2 , r • Processo e 10280.002752/2003-11 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.168 Fl. 168 Nas razões recursais mantém os argumentos contidos na Impugnação, conclui pleiteando a reforma do julgado e a correção de oficio do valor informado,. Equivocadamente, na DCTF. É o relatório. Voto Conselheiro DOMINGOS DE SÁ FILHO, Relator Trata-se recurso voluntário tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, assim sendo, conheço do mesmo. A decisão de piso não merece qualquer reparo, decidiu a contenda no limite da questão colocada e deu contorno jurídico acertado. Em que pese tratar-se de Auto de Infração decorrente de análise interna de DCTF, sendo o lançamento fiscal uma espécie de ato administrativo, goza, portanto, da presunção de legitimidade, entretanto, não dispensa a Fazenda Pública de demonstrar, no correspondente auto de infração, a metodologia e o arbitramento do imposto, em obediência ao princípio que exige a motivação do ato administrativo. No caso deste caderno processual administrativo os fatos narrados são suficientes para o entendimento do ilícito imputado ao contribuinte. Não há qualquer dúvida de que o lançamento decorre da ausência do pagamento do valor devido declarado em DCTF. Tanto é verdade que a decisão da DRJ acolheu parcialmente a impugnação e reduziu parte do débito apontando no auto de infração, mediante a prova do pagamento de parte. Além do que, não há mudança do fundamento de decidir daquele que motivou o lançamento. Assim, tenho para mim que a descrição do fato motivador do lançamento está correto, por essa razão não vislumbro qualquer prejuízo a defesa do contribuinte e tampouco causa arranhões a norma contida no art. 10 do Decreto número 70.235/72, que regula o Processo Administrativo. .. • O pleito da contribuinte refere-se a retificação de oficio do valor informado em DCTF. A correção de dados informados indevidamente por meio de DCTF deve ser corrigidos em procedimento próprio pelo contribuinte, de modo que, não cabe em sede de impugnação e recurso voluntário tal pleito, salvo nos casos que restar demonstrado por meio de documentos hábeis e capaz de afastar o efeito da declaração. É de total sabença que os tributos sujeitos ao chamado auto-lançamento, entre tantos o IPI, ICMS, PIS, COFINS, e mais atual, o Imposto de Renda, é o próprio sujeito passivo quem, por meio de sua declaração, torna clara a situação impositiva, apura o quanturn c devido e faz o pagamento, sem interferência do Fisco. 3 Processo n° 10280.002752/2003-11 82-C1T1 Acórdão n.• 2101-00.168 Fl. 169 A atividade administrativa é posterior, limitando-se à homologação expressa ou tácita, no prazo do art. 150, parágrafo 4° do CTN. Portanto, cabe ao Fisco acolher, como absolutamente correto, o montante declarado como devido pelo contribuinte ou revisar e chegar a um quanttun devido superior àquele declarado pelo sujeito passivo. Sendo confessada a dívida pelo próprio contribuinte, seja mediante o cumprimento de obrigação tributária acessória de apresentação da declaração de débitos e créditos tributários federais ou de outro documento em que conste a confissão, toma-se desnecessária a atividade do fisco de verificar a ocorrência do fato gerador, apontar a matéria tributável, calcular o tributo e indicar o sujeito passivo, notificando-o da sua obrigação, pois tal já foi feito por ele próprio, portanto, tem conhecimento inequívoco do débito que cabia recolher. É obrigação vinculada da Administração Fiscal, constatando ausência de pagamento do quanttun declarado, podendo de imediato inscrever em divida ativa, independentemente de qualquer procedimento administrativo prévio ou notificação, uma vez que trata-se de débito declarado pelo sujeito passivo. Além do que, assiste total razão a Autoridade de Julgadora de Piso, pois para se retificar o lançamento faz-se necessário que o contribuinte demonstre por meio de prova clara e objetiva o que alegou, deixando de assim proceder, não há como acudir o pleito. Também se revela insuficiente o fato de estar consignado o valor de retenção da contribuição no documento fiscal, exige-se, para tanto, demonstração por meio de comprovante emitido pelo tomador serviços quanto aos valores retidos. No tocan e a pagamento antecipado e deixando de trazer à colação o documento que comprove • efetivo recolhimento, não resta comprovado a alegação que visa afastar a imputação. Assim, co eço do r urso •luntário e neg. ovimento. Eco •vot. Sala das - s • Zes, em 08 de aio de 2009. • DOMINGOS' SA FILHO 4 Page 1 _0033300.PDF Page 1 _0033400.PDF Page 1 _0033500.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 13011.000858/2010-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
PROVENTOS DE APOSENTADORIA POR MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇAO. CABIMENTO.
Para ser beneficiado com o Instituto da Isenção, os rendimentos devem atender a dois pré-requisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria e o contribuinte ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecido por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial, sendo certo que, nos termos do inciso III, do § 2º, do art. 5º da IN SRF nº 15/2001, a isenção em análise se aplica aos rendimentos recebidos a partir da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial.
Comprovado nos autos o atendimento às exigências legais, impõe-se o reconhecimento do direito do contribuinte à isenção do imposto sobre a renda em relação aos proventos de aposentadoria.
Numero da decisão: 2402-006.998
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Recorrente SERGIO ANTONIO MURAD Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 PROVENTOS DE APOSENTADORIA POR MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇAO. CABIMENTO. Para ser beneficiado com o Instituto da Isenção, os rendimentos devem atender a dois prérequisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria e o contribuinte ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecido por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial, sendo certo que, nos termos do inciso III, do § 2º, do art. 5º da IN SRF nº 15/2001, a isenção em análise se aplica aos rendimentos recebidos a partir da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. Comprovado nos autos o atendimento às exigências legais, impõese o reconhecimento do direito do contribuinte à isenção do imposto sobre a renda em relação aos proventos de aposentadoria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 1. 00 08 58 /2 01 0- 77 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13011.000858/201077 Acórdão n.º 2402006.998 S2C4T2 Fl. 107 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 4ª Tuma da DRJ/JFA, consubstanciada no Acórdão nº 0940.014 (fls. 51), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância: A notificação de lançamento de fls. 7/11 exige do interessado, já qualificado nos autos, o recolhimento do crédito tributário no valor de R$ 12.265,40. O lançamento originouse da revisão da Declaração de Ajuste Anual (DAA) – retificadora/2009, quando foram apuradas as seguintes infrações: • à fl. 8, a omissão de rendimentos pagos pela Fundação de Ensino e Tecnologia de Alfenas no valor de R$ 800,00; • à fl. 9, rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave, no total de R$ 341.614,28 (Uniprev – Fundação Unifenas, R$ 22.467,14; TRT 15ª Região, R$ 302.571,59; e INSS, R$ 16.685,58), uma vez que entendeu a autoridade revisora que a simples aposição de um carimbo não caracteriza o laudo como oficial; ademais, o laudo está datado de 19 de janeiro de 2010, e faz referência ao anocalendário de 2003, sem que nenhum exame médico (datado de 2003) fosse apresentado. O interessado, por intermédio de procurador (instrumento de fls. 13/14), ofereceu a impugnação de fls. 2/6, na qual aduziu, em síntese, que: • o peticionário encontrase aposentado desde 21/5/1998 e foi constatado que é portador de cardiopatia grave, desde o ano de 2003, conforme laudo médico pericial, emitido pela Secretaria Municipal de Saúde de Alfenas, estando, assim, isento do imposto de renda nos termos previstos na legislação; • a lei faculta a apresentação de um laudo oficial federal, estadual ou municipal, sendo esta última a espécie apresentada, contendo todos os elementos necessários; • quanto à afirmação sobre a caracterização do laudo, formato, carimbo, isso é inerente a cada órgão, desde que sejam preenchidos os requisitos estabelecidos; Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13011.000858/201077 Acórdão n.º 2402006.998 S2C4T2 Fl. 108 3 • a exigência estampada na descrição dos fatos acerca da apresentação de exame médico não consta da legislação, mesmo porque o responsável para analisar o citado documento seria o perito médico; • salientese que na declaração apresentada anteriormente constava todos os rendimentos ora tidos por omitidos; quando o contribuinte, ainda, pagou R$ 6.477,80 de imposto, mas mesmo assim foi notificado, havendo uma bitributação. Após a instrução dos autos, a unidade preparadora, considerado a impugnação tempestiva na forma descrita à fl. 37, encaminhouos a esta DRJ. Em análise inicial dos elementos componentes do processo e em face do que à época (8/11/2011) orientava o sítio eletrônico da Receita Federal sobre os “procedimentos para usufruir a isenção” pleiteada pelo interessado, os autos foram devolvidos à ARF em Alfenas/MG, nos termos do Despacho de fls. 38/39, para que o contribuinte providenciasse: “1) Documentação hábil e idônea para comprovar que apresentou o seu “pedido de reconhecimento da isenção do imposto de renda” perante suas fontes pagadoras Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, Instituto Nacional do Seguro Social e Uniprevi Fundação Unifenas de Previdência Privada; 2) O deferimento ou indeferimento dos referidos pedidos, caso já tenham sido apreciados; 3) Tendo sido deferidos, apresentar laudo, certificado ou documento próprio das fontes pagadoras que expresse a data/período a partir de quando foi considerado o início da doença; 4) Se a suspensão da retenção do imposto de renda já foi procedida pelas mencionadas fontes pagadoras e a partir de quando.” Em resposta, o interessado apresentou os elementos de fls. 46/48, com o retorno dos autos a esta DRJ para análise. A DRJ julgou improcedente a impugnação do contribuinte, nos termos do Acórdão 0940.014 (fls. 51), cuja ementa reproduzse a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 RENDIMENTOS ISENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS. A apresentação de laudo sem o necessário vínculo entre o médico emitente e o órgão indicado no carimbo consiste em item que não assegura ao contribuinte direito à isenção pleiteada sobre os rendimentos declarados como isentos alusivos ao ano Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13011.000858/201077 Acórdão n.º 2402006.998 S2C4T2 Fl. 109 4 calendário em análise. Outras questões acessórias foram abordadas, sendo que, no seu conjunto, formaram a convicção de que a moléstia alegada cardiopatia grave não restou demonstrada para o período. LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. O interessado deixou de apresentar contradita acerca da omissão de rendimentos apontada no lançamento; daí se considerar a matéria não impugnada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado dessa decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 61, reiterando o quanto aduzido na impugnação apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Conforme exposto no relatório supra, a Fiscalização apurou Imposto de Renda Suplementar em decorrência da constatação da seguinte infração à legislação tributária (ressaltando que, conforme destacado no acórdão da DRJ, não houve impugnação em relação à omissão de rendimentos apurada nos termos descritos à fl. 8, no caso o valor de R$ 800,00 pagos pela Fundação de Ensino e Tecnologia de Alfenas): 1) Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave – Não Comprovação da Moléstia ou sua Condição de Aposentado, Pensionista ou Reformado Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 341.614,28, recebidos pelo titular e/ou dependentes, das fontes pagadoras relacionadas abaixo, indevidamente declarados como isentos e/ou nãotributáveis, em razão de o contribuinte não ter comprovado ser portador de moléstia considerada grave ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado, nos termos da legislação em vigor, para fins de isenção do imposto de renda. A DRJ, corroborando o entendimento da Fiscalização, concluiu que a moléstia alegada – cardiopatia grave – não restou demonstrada no período. De fato, assim se manifestou aquele colegiado de piso: Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13011.000858/201077 Acórdão n.º 2402006.998 S2C4T2 Fl. 110 5 O laudo médico de fls. 20/21, datado de 19 de janeiro de 2010, estampa carimbo da Secretaria Municipal de Saúde de Alfenas/MG, mais especificamente da Unidade Básica de Saúde São Vicente. Está assinado por médico, clínico geral, identificado como Valério Dias dos Reis Coutinho, que firmou ser o contribuinte portador de cardiopatia grave desde o ano de 2003, sem se reportar ao mês de início. Não se vislumbra, em termos expressos no documento em análise, qualquer vínculo entre o médico Valério Dias dos Reis Coutinho e a Secretaria Municipal de Saúde, porquanto o carimbo utilizado pelo esculápio não permite realizar essa necessária verificação. Somente se consideraria a oficialidade do documento se aquele que o emitiu de fato representasse o órgão que tutela a informação. O outro ponto abordado pela Fiscalização, consistente na omissão de exames que estabelecessem o início da doença em 2003, de fato não consta exigência legal. Compreende este relator tratarse mais como uma observação; afinal, o diagnóstico é de cardiopatia grave, a qual se presume requerer acompanhamento amiúde inclusive com diversos tipos de exames, mas nada foi carreado aos autos pelo interessado, privando este relator, se necessário fosse para formar sua convicção, de encaminhálos à perícia. Ocorre que, apesar da razoabilidade dos fundamentos da decisão recorrida, uma rápida consulta ao sítio eletrônico do Munícipio de Alfenas – MG, verificase que o médico Valério Dias dos Reis Coutinho pertence, de fato, aos quadros dos servidores daquela prefeitura, conforme se infere da imagem abaixo: Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13011.000858/201077 Acórdão n.º 2402006.998 S2C4T2 Fl. 111 6 Sobre o tema, o CARF já teve oportunidade de se manifestar em processo do mesmo contribuinte, quando do julgamento do PAF 10660.003573/200831, consubstanciado no Acórdão 2101002.227, por meio do qual, os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, deram provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, tendo participado daquela assentada os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Gonçalo Bonet Allage, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka e Celia Maria de Souza Murphy. Neste espeque, estando o entendimento deste relator com as razões de decidir do voto objeto do susodito Acórdão 2101002.227, adotase as mesmas como fundamento do presente voto, in verbis: (...) Está demonstrado que a moléstia grave (cardiopatia grave) está listada entre as que possibilitam o benefício; que há necessidade de laudo oficial e que a isenção pode ser deferida da data em que foi contraída, desde que identificada pelo laudo oficial. Com essas conclusões, verificamos a documentação carreada aos autos, que demonstra: a) Há laudos médicos oficiais, expedidos pela Secretaria Municipal de Saúde de Alfenas e pela Diretoria de Saúde do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, que afirmam que o recorrente apresenta cardiopatia grave desde 2003 (fls.147/148). b) Há certidão de Tempo de Serviços expedida pela Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, na qual consta que o recorrente teve concedida aposentadoria a partir de 21/05/98 (fls. 150). Assim, os valores recebidos já não eram rendimentos tributáveis desde o momento do seu recebimento. Poderseia objetar dizendo que a incidência tributária não pode ficar condicionada à ocorrência de fatos supervenientes; que basta o recebimento dos rendimentos, independentemente de sua denominação, para caracterizar o fato gerador do imposto. É certo que não pode a ocorrência do fato gerador ficar condicionada a evento futuro e incerto; mas não é disso que aqui se trata. O contribuinte recebeu rendimentos que entendia serem tributáveis e os submeteu à tributação, certamente por ignorar o benefício da legislação aplicável. É o fato. Relativamente à comprovação da moléstia grave, vejase o teor da ementa do Processo de Consulta Interna nº 11/12–COSIT: Processo de Consulta Interna nº 11/12 Órgão: CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação COSIT Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa FísicaIRPF. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13011.000858/201077 Acórdão n.º 2402006.998 S2C4T2 Fl. 112 7 Ementa: A comprovação da moléstia grave deverá ser realizada mediante laudo pericial, assim entendido como documento emitido por médico legalmente habilitado ao exercício da profissão de medicina, integrante de serviço médico oficial da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios, independentemente de ser emitido por médico investido ou não na função de perito, observadas a legislação e as normas internas especificas de cada ente. O laudo pericial deve conter, no mínimo, as seguintes informações: a) o órgão emissor; b) a qualificação do portador da moléstia; c) o diagnóstico da moléstia (descrição; CID10; elementos que o fundamentaram; a data em que a pessoa física é considerada portadora da moléstia grave, nos casos de constatação da existência da doença em período anterior à emissão do laudo); d) caso a moléstia seja passível de controle, o prazo de validade do laudo pericial ao fim do qual o portador de moléstia grave provavelmente esteja assintomático; e e) o nome completo, a assinatura, o nº de inscrição no Conselho Regional de Medicina (CRM), o nº de registro no órgão público e a qualificação do(s) profissional(is) do serviço médico oficial responsável(is) pela emissão do laudo pericial. Despacho de Aprovação Cosit nº 13 Para efeito do reconhecimento das isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, sem prejuízo das demais exigências legais relativas à matéria, somente podem ser aceitos laudos periciais expedidos por instituições públicas, ou seja, instituídas e mantidas pelo Poder Público, independentemente da vinculação destas ao Sistema Único de Saúde (SUS). Os laudos médicos expedidos por entidades privadas não atendem à exigência legal, não podendo ser aceitos, ainda que o atendimento decorra de convênio referente ao SUS. (Data da Decisão: 03.07.2012 03.07.2012) – 1068508. Vejase, ainda, o seguinte trecho do item 13 do relatório alusivo à citada ementa: 13. É oportuno ratificar os conceitos de serviço médico oficial, discriminados na SCI SRRF10/Disit nº 134, de 10 de outubro de 2008: 9. Serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, é o serviço médico dos órgãos integrantes da administração direta dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, da União, dos Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13011.000858/201077 Acórdão n.º 2402006.998 S2C4T2 Fl. 113 8 Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, bem como de suas autarquias e fundações públicas. Destarte, os documento de fls. 14/15 são hábeis para o que se propõe, ou seja, comprovar a moléstia grave e a data em que o paciente é considerado portador da mesma. Contém inegavelmente todos os requisitos necessários à comprovação, restando claro, de consequência, que o contribuinte possui direito à isenção do imposto de renda no período de 2003, não havendo no presente caso, hipótese de incidência do referido imposto uma vez que, em verdade, não nasceu a obrigação tributária por força da inocorrência do fato gerador. O contribuinte não auferiu, nos termos da legislação tributária vigente, rendimentos passíveis de incidência do imposto. Neste contexto, considerando que a Notificação de Lançamento, neste ponto, tem como único fundamento a não aceitação dos laudos apresentados, matéria analisada linhas acima, impõese o reconhecimento do direito do Recorrente à isenção do IR no caso concreto. Conclusão Ante o exposto, concluo o voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 114DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.728626/2016-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
CONCEITOS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS DO ART. 14, X DA MP 2.158/35-2001.
As atividades próprias são aquelas do objeto social da entidade, as atividades finalísticas para as quais foi criada. Aplicação vinculante do Resp 1.353.111/RS.
ISENÇÃO. EXIGÊNCIA DE CEBAS.
A exigência de CEBAS somente pode se dar, para fins de isenção de Cofins, a entidades beneficentes de assistência social ou instituições de educação. Fundações privadas prescindem do CEBAS, para fins de isenção de Cofins.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3201-005.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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As atividades próprias são aquelas do objeto social da entidade, as atividades finalísticas para as quais foi criada. Aplicação vinculante do Resp 1.353.111/RS. ISENÇÃO. EXIGÊNCIA DE CEBAS. A exigência de CEBAS somente pode se dar, para fins de isenção de Cofins, a entidades beneficentes de assistência social ou instituições de educação. Fundações privadas prescindem do CEBAS, para fins de isenção de Cofins. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 86 26 /2 01 6- 80 Fl. 4572DF CARF MF 2 Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Reproduzo o relatório da primeira instância administrativa: Trata o presente processo do lançamento de ofício da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, lavrado em 16/12/2016, pela Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro I – DRF/RJI, no montante de R$ 39.887.181,14, conforme a descrição abaixo: Cofins cumulativa, por insufiência de recolhimento nos períodos de apuração de janeiro de 2011 a dezembro de 2012, com o crédito tributário no valor total de R$ 68.399,78, sendo R$ 30.336,03 de principal (Contribuição), R$ 15.311,82 de juros de mora, calculado até dezembro de 2016, e R$ 22.751,93 de multa de ofício, aplicada no percentual de 75% sobre o valor do principal; Cofins não cumulativa, por insufiência de recolhimento nos períodos de apuração de janeiro/11, fevereiro/11, junho/11, julho/11, setembro/11, outubro/11, fevereiro/12, abril/12, setembro/12 e outubro/12, com o crédito tributário no valor total de R$ 39.818.781,36, sendo R$ 17.729.919,06 de principal (Contribuição), R$ 8.791.423,05 de juros de mora, calculados até dezembro de 2016, e R$ 13.297.439,25 de multa de ofício, aplicada no percentual de 75% sobre o valor do principal. Em conformidade com o disposto no auto de infração (fls. 4.354 a 4.377) e no Termo de Verificação Fiscal – TVF (fls. 4.378 a 4.415), a autoridade a quo alega que, nos anos de 2011 e 2012, a contribuinte auferiu receitas que se encontravam sujeitas ao recolhimento tanto da Cofins cumulativa quanto da Cofins não cumulativa. Entre outros argumentos, a fiscalização sustenta: que a empresa, para fins tributários, não é imune às contribuições sociais do art. 195 da Constituição Federal e que as receitas por ela auferidas “têm caráter contraprestacional direto, pois são oriundas de serviços prestados de avaliações em vestibulares e concursos públicos, e não são decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas em lei, assembleia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais.”; que a Fundação não atende as exigências previstas no § 7º do art. 195 da Constituição Federal e nem tampouco do art. 29 da Lei nº 12.101, de 2009 (Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS), não fazendo jus, portanto à isenção do pagamento das contribuições sociais; Fl. 4573DF CARF MF Processo nº 12448.728626/201680 Acórdão n.º 3201005.025 S3C2T1 Fl. 3 3 que a receita das atividades da Fundação (mencionadas no primeiro anterior), conforme aponta a escrituração contábil, compõe mais de 97% da receita operacional auferida pela Fundação nos anos analisados (2011 e 2012); que, apesar de constar previsto em seu estatuto, não foi encontrada, na escrita contábil/fiscal da empresa, conta destinada ao recebimento de anuidades ou mensalidades de mantenedores. Foi encontrada, entretanto, a conta “42110101 – DOAÇÕES”, porém sem nenhum movimento nos anos de 2011 e de 2012; que a Fundação vem custeando e desenvolvendo suas atividades às custas de recebimentos por serviços prestados a terceiros, por meio de contratos de prestação de serviços firmados entre ela e a parte interessada (tomador de serviços); que a escrituração contábil e o Estatuto demonstram, claramente, que o objetivo da Cesgranrio não é a prestação de serviços de Assistência Social, uma vez que ela não tem como missão ou objeto ser uma entidade de Assistência Social e, também, porque ela não define seu público alvo; que as receitas da empresa não podem ser consideradas isentas da Cofins, nos termos definidos no art. 14, inciso X, da Medida Provisória nº 1.8586/1999 (atualmente MP nº 2.15835/2001), uma vez que, de acordo com o art. 47 da IN SRF nº 247, de 2012, somente podem ser consideradas “receitas derivadas das atividades próprias aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas em lei, assembleia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais.”. A fiscalização informa, também, que a empresa, no período em análise, estava sujeita à apuração do Lucro Real e, conseqüentemente, sujeita ao recolhimento da contribuição (Cofins) pela modalidade não cumulativa. Nesse sentido relata: que as receitas decorrentes das atividades de ensino superior (mestrado) foram consideradas na apuração cumulativa da contribuição (Lei nº 9.718, de 1998), tendo em vista a determinação contida no art. 10, inciso XIV da Lei n° 10.833/2003; e que as demais receitas foram consideradas na apuração não cumulativa da contribuição, tendo sido consideradas, também, as deduções legais relacionadas pela Fundação no “Doc” 01, constante da resposta datada de 19/09/2016 (fls. 993). A contribuinte foi cientificada do encerramento do procedimento fiscal, bem como do auto de infração (fls. 4.354 a 4.377) e do Termo de Verificação Fiscal – TVF (fls. 4.378 a 4.415), conforme o Termo de Ciência de Lançamentos e Encerramento Total do Procedimento Fiscal (fls. 4434 a 4436), de forma pessoal em 16/12/2016 e apresentou, em 11/01/2017, impugnação (fls. 4.441 a 4.457), cujo teor é resumido a seguir (Para facilitar o resumo as argumentações apresentadas pela Fl. 4574DF CARF MF 4 contribuinte foram dispostas abaixo em tópicos idênticos aos apresentados na impugnação). Impugnação I. DA TEMPESTIVIDADE Diz que foi cientificada do encerramento do procedimento em 16/12/2016 e que o prazo legal de 30 (trinta) dias encerrouse em 19/01/2017, o que demonstra a tempestividade da impugnação apresentada . II – O TERMO DE VERIFICAÇÃO E O AUTO DE INFRAÇÃO ORA IMPUGNADO. Neste tópico, a interessada faz um breve resumo dos fatos relacionados à ação fiscal, afirma que é uma instituição de educação sem fins lucrativos, que atende os requisitos para a fruição da imunidade constitucional de impostos (prevista no art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal) e relata que apresenta, anualmente, a Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – DIPJ na condição de entidade imune a cobrança de impostos. III – DAS RAZÕES PARA A IMPROCEDÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO. Esclarece, inicialmente, que jamais defendeu a tese de que estava beneficiada pela imunidade das contribuições sociais, prevista no § 7º do art. 195 da Constituição Federal, uma vez que, desde o ano de 2001, não é mais detentora do CEBAS. Diz que o não recolhimento da contribuição (Cofins), no período fiscalizado, ocorreu pelo fato de ela ser uma fundação de direito privado e também uma instituição de ensino sem fins lucrativos, cuja isenção consta prevista no inciso X do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Alega que o § 2º do art. 47 da IN/SRF nº 247/2002 restringe, de forma ilegal, dispositivo de lei, contrariando, portanto, o princípio constitucional da legalidade (art. 5º, inciso II da CF). Argumenta que referida ilegalidade já foi reconhecida pelo CARF (Súmula nº 107) e pelo Superior Tribunal de Justiça, no r. Acórdão do Recurso Especial nº 1.343.111RS, o qual foi decidido como recurso representativo de controvérsia, no procedimento de que trata o art. 543C do CPC/1973. IV – A FUNDAÇÃO CESGRANRIO TEM DIREITO À ISENÇÃO DA COFINS POR DOIS FUNDAMENTOS DISTINTOS: POR SER FUNDAÇÃO DE DIREITO PRIVADO E POR SER INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. Argumenta que, como a isenção da Cofins do inciso X do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 estendese a todas as entidades relacionadas no art. 13 (da mesma MP), atende duplamente as condições para o benefício da isenção. Primeiramente, por conta do disposto no inciso VIII do mencionado art. 13, que prevê a isenção da contribuição para as Fl. 4575DF CARF MF Processo nº 12448.728626/201680 Acórdão n.º 3201005.025 S3C2T1 Fl. 4 5 fundações de direito privado. Afirma que esta sua condição, de fundação de direito privado, é comprovada (conforme seus estatutos e o reconhecimento formal dado pela Receita Federal) e assim, como conseqüência, todas as suas receitas devem ser consideradas como isentas da contribuição. E em segundo, por conta do disposto no inciso III do art. 13 da citada MP, o qual prevê a isenção da contribuição para as instituições de ensino e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. Nesse sentido, afirma que atende plenamente aos dispositivos legais mencionados, uma vez que é uma instituição de educação, com reconhecimento oficial pelo Ministério da Educação e Cultura, e que não tem fins lucrativos, consoante o disposto no art. 1º de seu Estatuto. Argumenta, também, que aplica as rendas e superávits obtidos com a prestação de serviços onerosos a terceiros na consecução dos seus objetivos institucionais, conforme determinação estatutária e, também, conforme constatou a fiscalização em seu Termo de Verificação. Acrescenta que suas contas foram aprovadas pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, consoante se verifica nos doc. 07 e 08, apresentados em conjunto com a impugnação. No tocante às receitas auferidas, esclarece que a Fundação Cesgranrio, embora não atue diretamente com o ensino, presta serviços, de forma preponderante, na área de avaliação educacional, atividade a qual faz parte da “Organização da Educação Nacional” e que se encontra regulamentada nos incisos VI, VII e IX do art. 9, artigo 41 e inciso II do artigo 44, todos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394, de 1996). Esclarece, também, que “somente presta serviços onerosos a terceiros, que estão expressamente previstos nas suas finalidades estatutárias”, tais como: “realização de concursos públicos de seleção de pessoal”; “realização de concursos vestibulares ao ensino superior”; “serviços de avaliação educacional”; e “curso de Mestrado em Avaliação”. Argumenta, por fim, consoante extratos de Acórdãos administrativos colacionados na impugnação, que é pacífico o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais no sentido “de que as receitas próprias relativas às atividades das entidades de educação isentas da Cofins são todas as receitas auferidas pelas instituições de educação, que lhes propiciem rendas e superávits, cuja aplicação seja destinada à manutenção e ao desenvolvimento das suas atividades estatutárias.” V – O PEDIDO. Em face do exposto, requer o julgamento pela procedência da presente impugnação, de forma a desconstituir as exigências de Cofins contidas no auto de infração contestado. Fl. 4576DF CARF MF 6 A 3ª Turma da DRJ/Curitiba/PR, por meio do Acórdão 0659.278, de 31/05/2017, decidiu pela improcedência da Impugnação. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2011 a 31/12/2012 CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não tem competência para, em sede de julgamento, negar validade às normas vigentes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2011 a 31/12/2012 ISENÇÃO. RECEITA DA ATIVIDADE PRÓPRIA. Somente as instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos legais são isentas da Cofins e exclusivamente em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. RECEITA DE ATIVIDADE PRÓPRIA. DEFINIÇÃO. A receita da atividade própria de uma entidade é composta pelas doações, contribuições, mensalidades e anuidades recebidas de associados, mantenedores e colaboradores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao custeio e manutenção das suas atividades sem fins lucrativos. No Recurso Voluntário, reforça os argumentos para a isenção de Cofins, tanto por ser instituição de educação, quanto por ser fundação de direito privado. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. 1 – Exigência de CEBAS A exigência de CEBAS se dá para entidades de beneficência e assistência social, e instituições de educação. Art. 46 do Decreto 4.524/2002: Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º, e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e Fl. 4577DF CARF MF Processo nº 12448.728626/201680 Acórdão n.º 3201005.025 S3C2T1 Fl. 5 7 II são isentas da Cofins com relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. Parágrafo único. Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. As fundações privadas não necessitam de CEBAS para usufruto da isenção do art. 14, X, combinado com art. 13,VIII da MP 2.15835/2001. A recorrente, como fundação privada, para fins de isenção de Cofins, prescinde do CEBAS. 2 – Conceito de Atividades próprias Inicialmente, verifico que a atividade da entidade é tanto educacional (curso de mestrado), quanto de prestação de serviços relacionados a instituições de educação, tais como preparação e aplicação de provas de concursos e vestibulares. Nessas últimas não seria, propriamente, instituição de educação, mas prestadora de serviços relacionados. Todavia, sendo fundação de direito privado, encontra isenção no art. 14, X, combinado com art. 13, VIII, da MP 2.15835/2001, em relação às receitas de atividades próprias. Art. 13 A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...) VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; (...) Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. Sobre o conceito de atividades próprias, temse a seguinte súmula Carf 107: Súmula CARF nº 107 A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação Fl. 4578DF CARF MF 8 sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. Embora não aplicável diretamente à totalidade das atividades da entidade, tal súmula dirige o entendimento no sentido de que as atividades próprias não são aquelas restritas, previstas no art. 47 da Instrução Normativa 247/2002, mas sim as atividades típicas da entidade, seu objeto social, as atividades finalísticas para as quais foi criada. As atividades relatadas no presente processo não desbordam das atividades finalísticas da Cesgranrio. No mesmo sentido, temos o Resp 1.353.111/RS, sob o rito dos recursos repetitivos, de aplicação vinculada para as turma do Carf (art. 62do regimento interno). Transcrevo a ementa, a tese firmada e alguns excertos: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COFINS. CONCEITO DE RECEITAS RELATIVAS ÀS ATIVIDADES PRÓPRIAS DAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS PARA FINS DE GOZO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 14, X, DA MP N. 2.15835/2001. ILEGALIDADE DO ART. 47, II E § 2º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 247/2002. SOCIEDADE CIVIL EDUCACIONAL OU DE CARÁTER CULTURAL E CIENTÍFICO. MENSALIDADES DE ALUNOS. 1. A questão central dos autos se refere ao exame da isenção da COFINS, contida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), relativa às entidades sem fins lucrativos, a fim de verificar se abrange as mensalidades pagas pelos alunos de instituição de ensino como contraprestação desses serviços educacionais. O presente recurso representativo da controvérsia não discute quaisquer outras receitas que não as mensalidades, não havendo que se falar em receitas decorrentes de aplicações financeiras ou decorrentes de mercadorias e serviços outros (vg. estacionamentos pagos, lanchonetes, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade, receitas de formaturas, excursões, etc.) prestados por essas entidades que não sejam exclusivamente os de educação. 2. O parágrafo § 2º do art. 47 da IN 247/2002 da Secretaria da Receita Federal ofende o inciso X do art. 14 da MP n° 2.158 35/01 ao excluir do conceito de "receitas relativas às atividades próprias das entidades", as contraprestações pelos serviços próprios de educação, que são as mensalidades escolares recebidas de alunos. 3. Isto porque a entidade de ensino tem por finalidade precípua a prestação de serviços educacionais. Tratase da sua razão de existir, do núcleo de suas atividades, do próprio serviço para o qual foi instituída, na expressão dos artigos 12 e 15 da Lei n.º 9.532/97. Nessa toada, não há como compreender que as receitas auferidas nessa condição (mensalidades dos alunos) não Fl. 4579DF CARF MF Processo nº 12448.728626/201680 Acórdão n.º 3201005.025 S3C2T1 Fl. 6 9 sejam aquelas decorrentes de "atividades próprias da entidade" , conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001). Sendo assim, é flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 4. Precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: (...) 6. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: as receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade" , conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), sendo flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 7. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (...) Deve ser registrado que o presente recurso representativo da controvérsia não discute quaisquer outras receitas que não as mensalidades, não havendo que se falar em receitas decorrentes de aplicações financeiras ou decorrentes de mercadorias e serviços outros (vg. estacionamentos pagos, lanchonetes, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade, receitas de formaturas, excursões, etc.) prestados por essas entidades que não sejam exclusivamente os de educação. (...) Ocorre que o referido art. 13, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001) faz menção a uma série de entidades cujas atividades normais a elas inerentes também podem possuir natureza contraprestacional, ainda que sem fins lucrativos. Tal é o caso, para exemplo, das instituições de educação ou de assistência social previstas no art. 12, da Lei n. 9.532/97 e das instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis previstas no art. 15, da Lei n. 9.532/97. Em ambas as situações, não por acaso, os artigos 12 e 15 da Lei n.º 9.532/97 mencionaram que a instituição deve prestar "os serviços para os quais houver sido instituída ". Identificouse ali , na própria lei, o núcleo do que se chamou de "atividades próprias ", que seriam esses mesmos serviços. Decerto, ao contrário da entidades públicas, que em regra estão proibidas de cobrar mensalidades pelos serviços que prestam, haja vista que a União funciona como sua mantenedora, as Fl. 4580DF CARF MF 10 entidades privadas têm garantido o direito ao auto financiamento. Essa natureza contraprestacional inerente e necessária à sobrevivência de tais entidades e constitucionalmente incentivada para que possam atuar de forma complementar ao Estado, inclusive foi reconhecida pelo próprio Supremo Tribunal Federal ao conceder medida liminar na ADIN n. 2.028DF, para suspender a eficácia do art. 55, III e §3º, da Lei n. 8.212/91, inseridos pelo art. 1º, da Lei n. 9.732/98, que exigiram a gratuidade (ausência de contraprestação) como condição para o gozo da imunidade constitucional do art. 195, §7º, da CF/88. (...) Desse modo, não resta dúvida alguma que o conceito extraível da expressão "atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13", contida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), é bem mais amplo que o conceito estabelecido no art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002 e que aquele trabalhado no âmbito do Parecer Normativo CST n. 5, de 22 de abril de 1992, abarcando algumas, não todas, as atividades contraprestacionais das referidas entidades. (...) No caso, estamos diante de uma entidade que tem por finalidade precípua a prestação de serviços educacionais. Tratase da sua razão de existir, do núcleo de suas atividades, do próprio serviço para o qual foi instituída, na expressão dos artigos 12 e 15 da Lei n.º 9.532/97. Nessa toada, não há como compreender que as receitas auferidas nessa condição (mensalidades dos alunos) não sejam aquelas decorrentes de "atividades próprias da entidade" , conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.158 35/2001). Sendo assim, é flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 3 Conclusão Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 4581DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.005260/2009-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados a seu serviço.
DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO DO TRIBUTO.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração (Súmula CARF nº 99),
CIÊNCIA DO LANÇAMENTO. EXPIRAÇÃO PRAZO DE VALIDADE DO MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A notificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal - MPF - não acarreta nulidade do lançamento.
SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. Integram o salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma ou denominação, tendo a lei relacionado explicitamente aquelas parcelas não integrantes do salário de contribuição.
ALIMENTAÇÃO. INSCRIÇÃO DA PESSOA JURÍDICA NO PAT. Evidenciada nos autos a inscrição da Pessoa Jurídica no PAT - Programa de Alimentação do Trabalhador, os valores pagos a título de auxílio-alimentação devem ser excluídos da base de cálculo da contribuição previdenciária.
INDENIZAÇÃO ESPECIAL. ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. CONFIGURADO PAGAMENTO EVENTUAL. Uma vez configurada a natureza eventual dos pagamentos feitos a título de indenização especial prevista em acordo coletivo de trabalho, há de se afastar a incidência de contribuição previdenciária (artigo 28, § 9º, alínea e, item 7, da Lei nº 8212/1991).
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF 119.
No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (Súmula CARF nº 119).
Numero da decisão: 2301-005.785
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e reconhecer a decadência até 10/2004, inclusive; no mérito, em DAR PARCIAL PROVIMENTO para: 1) por unanimidade de votos, excluir da base de cálculo os valores de auxílio-alimentação e indenização especial e, quanto à multa, aplicar a Súmula Carf nº 119; 2) por maioria de votos, manter o lançamento quanto às demais rubricas, vencidos os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto e Wesley Rocha que excluíram a rubrica "empréstimos".
(Assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados a seu serviço. DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO DO TRIBUTO. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração (Súmula CARF nº 99), CIÊNCIA DO LANÇAMENTO. EXPIRAÇÃO PRAZO DE VALIDADE DO MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A notificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal MPF não acarreta nulidade do lançamento. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. Integram o salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma ou denominação, tendo a lei relacionado explicitamente aquelas parcelas não integrantes do salário de contribuição. ALIMENTAÇÃO. INSCRIÇÃO DA PESSOA JURÍDICA NO PAT. Evidenciada nos autos a inscrição da Pessoa Jurídica no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador, os valores pagos a título de auxílioalimentação devem ser excluídos da base de cálculo da contribuição previdenciária. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 52 60 /2 00 9- 46 Fl. 178DF CARF MF 2 INDENIZAÇÃO ESPECIAL. ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. CONFIGURADO PAGAMENTO EVENTUAL. Uma vez configurada a natureza eventual dos pagamentos feitos a título de indenização especial prevista em acordo coletivo de trabalho, há de se afastar a incidência de contribuição previdenciária (artigo 28, § 9º, alínea “e”, item 7, da Lei nº 8212/1991). DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF 119. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (Súmula CARF nº 119). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e reconhecer a decadência até 10/2004, inclusive; no mérito, em DAR PARCIAL PROVIMENTO para: 1) por unanimidade de votos, excluir da base de cálculo os valores de auxílioalimentação e indenização especial e, quanto à multa, aplicar a Súmula Carf nº 119; 2) por maioria de votos, manter o lançamento quanto às demais rubricas, vencidos os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto e Wesley Rocha que excluíram a rubrica "empréstimos". (Assinado digitalmente) João Maurício Vital Presidente. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente). Relatório 1. Tratase de julgar recurso voluntário (efls 137/167) interposto em face do Acórdão nº 1626.919 (efls 110/133) prolatado pela 12ª Turma de Julgamento da DRJ/SP1, na sessão de julgamento realizada em 29 de setembro de 2010. 2. Fazse a transcrição do relatório contido na decisão recorrida (início da transcrição do relatório inserto no Acórdão nº 1626.919) Fl. 179DF CARF MF Processo nº 19515.005260/200946 Acórdão n.º 2301005.785 S2C3T1 Fl. 179 3 DA AUTUAÇÃO Tratase de crédito (AI) debcad nº 37.231.7987, de 25.11.2009, lançado pela fiscalização, contra o contribuinte acima identificado, que se refere a contribuições previdenciárias devidas à Terceiros – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE e Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA, cujos recolhimentos não foram comprovados pela empresa, não declaradas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIPs. O crédito lançado corresponde a R$ 79.401,53 (setenta e nove mil, quatrocentos e um reais e cinquenta e três centavos), consolidado em 25.11.2009, abrangendo o período de 01/2004 a 12/2004. Informa ainda o relatório fiscal que: Foram examinados os seguintes documentos: folhas de pagamento, GFIP’s, Relação Anual de Informações Sociais –RAIS, Contrato Social e alterações contratuais apresentadas, Livros Razão e Diário 109 a 121 referentes ao exercício de 2004, rescisões contratuais, acordos trabalhistas e escrituração contábil conforme solicitado em Termo de Intimação Fiscal – TIF. As informações referentes às remunerações, datas de admissão e demissão, estabelecimento em que o empregado esteve vinculado e demais informações pertinentes, foram prestadas pela empresa através das folhas de pagamento apresentadas, escrituração contábil, documentos entregues à fiscalização e informações prestadas na RAIS e GFIP. O lançamento em questão é composto dos seguintes levantamentos: REM NÃO DECL EM GFIP – FL2 e Z1 referese ao salário de contribuição considerado pelo sistema de folha de pagamento da empresa e integrante dos lançamentos contábeis, cujas remunerações, contribuição descontada dos segurados e respectivas contribuições previdenciárias e a Terceiros não foram declaradas em GFIP. REMUN DECL GFIP – FL1 , referese ao salário de contribuição de empregados e contribuintes individuais considerado pelo sistema de folha de pagamento da empresa bem como pagamento de notas fiscais de cooperativas de serviços, cujas remunerações, contribuição descontada dos segurados e respectivas contribuições previdenciárias e a Terceiros foram declaradas em GFIP. Referidos valores foram recolhidos pela empresa na época própria, tendo sido registrados apenas para apropriação dos recolhimentos previdenciários. INDENIZAÇÃO ESPECIAL – FL3 e Z2, referese a remuneração creditada aos empregados em folha de pagamento – rubrica 72 – Indenização Especial . A empresa não considerou esta remuneração na base de cálculo previdenciária, tendo informado que a mesma referese à Indenização Especial prevista em Acordo Coletivo Sindical, o qual estabelece que, em caso de dispensa sem justa causa de empregados com tempo de serviço igual ou superior a 4 (quatro) anos será paga tal indenização no valor do último salário nominal, com exceção dos empregados admitidos após 01/01/2002. Foi constatado pela fiscalização que a empresa não creditou esta remuneração a todos os empregados demitidos que se enquadraram nas condições descritas, bem Fl. 180DF CARF MF 4 como pagoua a empregados que não preencheram os mesmos requisitos conforme demonstrado no Anexo I do Auto de Infração 37.231.7960. SEGURO SAÚDE – FL 4 , referese a remuneração creditada no mês de dezembro a dois empregados em folha de pagamento, na rubrica 118 – Acordo ref. Seguro Saúde, cujos contratos foram rescindidos neste mês. Informou a empresa que concede aos empregados demitidos, extensão de seis meses no plano de saúde, mas que, excepcionalmente no caso destes dois empregados , preferiu pagar esta remuneração e desligálos do plano de saúde da empresa na data da rescisão contratual. ALIMENTAÇÃO FL5 e Z3 , referese à remuneração indireta atribuída aos empregados, em decorrência do fornecimento de alimentação. O valor correspondente a alimentação fornecida pela empresa a seus empregados, quanto não inscrita no PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador, sofre incidência de contribuição previdenciária. Esclarece o auditor fiscal que No ano de 2004 foi efetuado um recadastramento das empresas beneficiárias e fornecedoras do PAT, sendo que a sua não realização implicou em cancelamento automático do registro ou inscrição. A empresa apresentou comprovante de adesão expedido pelo MTE, onde consta que requereu sua inscrição em 19/11/2004, com validade a partir desta data. Deste modo, foi computado neste lançamentos, os benefícios pagos no período de janeiro a outubro/04, quando a empresa não integrava o PAT. EMPRÉSTIMOS A EMPREGADOS FL6, referese a remuneração creditada a empregados, classificada pela empresa sob esta nomenclatura. Em 22/07/2004 a empresa contabilizou na conta 58821 intitulada “Empréstimos Funcionários”, o valor de R$ 439.120,00 (quatrocentos e trinta e nove mil, cento e vinte reais). Referida contabilização decorreu de transferência de valores contabilizados anteriormente nas contas 18307 – Adiantamento de Salários e 18320 – Adiantamento de Férias. A empresa procedeu ao depósito bancário na conta dos beneficiários, contabilizandoos como adiantamento de salários e adiantamento de férias, os quais não foram lançados em folha de pagamento . Posteriormente, em 22/07, transferiu os valores creditados para a conta Empréstimo Funcionários, integrante do grupo contábil Ativo Créditos a Receber. A fiscalização solicitou os documentos pertinentes e informações sobre a natureza dos créditos efetuados e a empresa apresentou Contratos de Mútuo para os segurados: David P. da Silva, Giuliano Mourão, Marcelo Rodrigues Elias, Walmir Fernandes e Laerte Rezende. Nada apresentou quanto a Marco Antonio Ferreira. Os contratos apresentados dispõem que a empresa procede a empréstimo a ser pago em três vezes, nos próximos três anos, em abril de cada ano, parcelas estas que seriam descontadas em folha de pagamento, ficando a empresa autorizada a descontar o empréstimo em caso de rescisão do contrato de trabalho. Os contratos citados não estão assinados por testemunhas e apenas um contém assinatura da empresa sem identificação do subscritor, bem como há algumas notas promissórias anexadas não assinadas. Todos os empregados relacionados não mantém mais relação de trabalho com a empresa atualmente e, questionada acerca da quitação dos empréstimos a mesma informou que não cobrou os valores creditados. Também informou que quando tais valores foram creditados aos empregados como adiantamento férias e de adiantamento de salários, havia expectativa da empresa que os mesmos tivessem determinada performance profissional que lhes atribuiria pagamento de bônus o que acabou não acontecendo, tendo a empresa aberto mão de cobrar esses valores. A empresa não mantém cartilha de benefícios na qual concede empréstimos a empregados, onde deveriam constar as regras estipuladas para o recebimento e Fl. 181DF CARF MF Processo nº 19515.005260/200946 Acórdão n.º 2301005.785 S2C3T1 Fl. 180 5 pagamento do empréstimo ao empregado que o desejasse, bem como não há previsão deste benefício nos acordos coletivos de trabalho. As regras estipuladas no contrato não foram cumpridas na prática. A empresa procedeu ao crédito destes valores exclusivamente a estes empregados, sem nunca os ter descontado, o que os caracteriza como salário de contribuição na data do crédito, conforme previsto na Lei nº 8.212/91 art. 28 e no Decreto nº 3.048/99 , art. 214. Foi constatada na auditoria fiscal a ausência de declaração de fatos geradores em GFIP na forma do art. 32 da Lei nº 8.212/91 e o não recolhimento das respectivas contribuições previdenciárias e lavrado o presente lançamento de ofício para constituição do crédito tributário, nos termos do artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional – CTN, conforme estabelecido no artigo 37 da Lei nº 8.212/91. A contribuição não recolhida no prazo está sujeita a juros de mora conforme disposto na Lei nº 8.212/91, art. 35 com a redação dada pela Lei 11.941/2009. Além dos juros de mora, a contribuição não recolhida está sujeita à aplicação da Multa de Ofício à alíquota de 75%, com esteio na Lei 8.212/91, art. 35A incluído pela Lei 11.941 de 27 de maio de 2009 combinado com a Lei nº 9.430/96, artigo 44. Entretanto, em cumprimento ao disposto no artigo 106, II, “c”, foi aplicada multa de mora cuja alíquota é de 24%, prevista na Lei nº 8.212/91, art. 35, inciso II, letra “a”, revogado pela Lei nº 11.941/2009, por ser mais benéfica ao contribuinte. DA IMPUGNAÇÃO A empresa foi cientificada deste lançamento em 26.11.2009, fls. 02 e apresentou defesa tempestiva em 22.12.2009, fls. 61/88, alegando em síntese: Decadência O débito em discussão encontrase parcialmente extinto pela decadência, tendo em vista tratarse de débito relativo ao período de janeiro a dezembro/2004, com intimação do contribuinte em 26.11.2009. Fundamenta sua alegação no artigo 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional, por se tratar as contribuições previdenciárias de tributo sujeito ao lançamento por homologação e, que houve pagamento de tributo declarado em GFIP (sobre o efetivo salário dos empregados), sendo o presente crédito relativo a diferenças apuradas além daqueles declarados e devidamente recolhidos pela empresa. Deste modo, a autuação encontrase alcançada pela decadência em relação ao período de janeiro a outubro de 2004. Intempestividade da autuação É nula a autuação em razão de o auditor fiscal não ter observado o prazo constante no Mandado de Procedimento Fiscal para a cientificação do contribuinte acerca do débito que fora constituído. A fiscalização foi encerrada em 25.11.2009, sendo emitido nesta data o Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal – TEAF, esquecendo –se de observar que a emissão deste documento implicava na extinção do Mandado de Procedimento Fiscal, nos termos da Portaria RFB 11.371/2007. A presente autuação foi consolidada em 25 de novembro de 2009, porém o primeiro ato tendente a cientificar o contribuinte ocorreu após esta data. Encerrouse Fl. 182DF CARF MF 6 a fiscalização em 25.11.2009, mas o Auto de Infração só foi efetivamente constituído e a empresa cientificada em 26.11.2009. A fiscalização ao proceder desta forma lavrou autuação em desconformidade com o disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional. Alega que a notificação do contribuinte é autônoma em relação ao próprio lançamento, pois ela constitui requisito de eficácia que permite que o lançamento produza o seu principal efeito: o início da exigibilidade do crédito regularmente constituído. Tanto o lançamento quanto a notificação do contribuinte integram conceito mais amplo, denominado procedimento administrativo tributário sendo necessário que a notificação seja feita no limite de validade do Mandando de Procedimento Fiscal – MPF, uma vez que este se constitui na autorização para que a autuação da autoridade fiscalizadora possa verificar a existência de eventuais obrigações descumpridas e assim, exigilas do contribuinte. O Mandado de Procedimento Fiscal dá início à fiscalização e retira a espontaneidade do contribuinte para o pagamento de quaisquer débitos. Extinguindose o MPF, ou expirado o seu prazo o contribuinte readquire a espontaneidade para o cumprimento de suas obrigações. Deste modo, findo o prazo de validade doMPF o contribuinte deixa de estar “sob” fiscalização, readquirindo o status de espontaneidade e somente poderá receber autuações se iniciada nova fiscalização, precedida de novo Mandado de Procedimento Fiscal. Reproduz jurisprudência. Requer a nulidade absoluta da autuação considerando que o Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal extingue o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF e ainda, que a notificação do contribuinte se deu após o prazo legalmente conferido à fiscalização para tanto. Indenização Especial O ganho dos empregados que receberam Indenização Especial foi eventual, pois esta se deu uma única vez por ocasião da rescisão do contrato de trabalho. O ganho eventual não está sujeito à incidência de contribuições previdenciárias, nos termos do artigo 28, parágrafo 9º, “e”, “7”, da Lei 8.212/91. Tratou a fiscalização tal pagamento como se fosse uma verba que não teria sido desvinculada da remuneração por força de Lei. Porém não procede o raciocínio da fiscalização, por duas razões: primeiro a indenização em questão foi prevista em Acordo Coletivo de Trabalho, o qual, de acordo com o art. 7º, XXVI, da Constituição Federal, tem força de lei. Logo, tratase de indenização que fora expressamente desvinculada do salário por força de lei; segundo é indiscutível que a indenização especial não configurou ganho habitual dos empregados. Não só é um ganho eventual do empregado (pago apenas na rescisão contratual), não só decorre de Convenção Coletiva de Trabalho (que tem força de lei), mas também visa exclusivamente a reparar um dano, que é a perda de emprego inesperadamente. Reproduz jurisprudência. Tais valores somente poderiam ser considerados como verba salarial se tivessem sido pagos com habitualidade aos empregados, nos termos da atual redação do art. 201, parágrafo 11º da Constituição Federal. Reproduz doutrina. Além de ganho eventual, evidente é o caráter indenizatório da “indenização especial” prevista em Acordo Coletivo de Trabalho, a qual não decorre do trabalho prestado e não pode ser incluída no conceito de salário de contribuição. Assistência Médica Fl. 183DF CARF MF Processo nº 19515.005260/200946 Acórdão n.º 2301005.785 S2C3T1 Fl. 181 7 O pagamento feito a título de Assistência Médica foi feito por meio de instrumentos de transação em que a impugnante paga a título de indenização valor equivalente a seis meses de extensão do plano médico da empresa, para que o empregado não tenha prejuízo inesperado com a perda da cobertura. Além dessa verba ter sido eventual (paga apenas na rescisão do contrato e de uma só vez), ela visa permitir que o empregado recém desligado fique desamparado em termos de assistência médica. Tal modalidade de benefício não tem natureza salarial nem mesmo quando concedida habitualmente, já que como ressaltou a fiscalização no relatório do AI, há expressa previsão legal acerca da natureza não salarial do pagamento de plano médico. (Lei 8.212/91, art. 28, parágrafo 9º, alínea “q”). A própria fiscalização reconhece que a empresa faz contratação de plano médico para “todos os seus empregados”, de modo que todos os requisitos legais estão cumpridos para que o benefício não integre a remuneração. Acrescenta que a própria legislação trabalhista, conforme Lei nº 10.243/2001 reconheceu o caráter assistencial de assistência médica conferida a empregados, desvinculandoa do salário para todos os fins de direito. Alimentação A autuação lavrada pela fiscalização deve ser declarada insubsistente, pois não foi observado que a alimentação in natura fornecida não tem natureza salarial, e, portanto, não integra a remuneração para fins de incidência de contribuições previdenciárias, independentemente de inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. Aduz que o Superior Tribunal de Justiça já consolidou há muito o entendimento de que a alimentação in natura não integra o salário, independentemente de inscrição no PAT. A fiscalização preferiu adotar posição formalista, ao invés de observar que a empresa sempre se inscreveu no PAT e sempre teve essa condição reconhecida pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Apegase a fiscalização ao fato de que a empresa teria feito recadastramento no PAT apenas em 19.11.2004, de modo que até a competência de outubro de 2004 estaria fora do Programa, o que tornaria a alimentação fornecida em salário. Esse é um entendimento formalista e descabido, na medida em que o recadastramento do PAT ocorrido em 2004 foi prorrogado diversas vezes, gerando muito desencontro de informações, surpreendendo as empresas que já se consideravam inscritas no Programa. Nesse sentido a Portaria 81 de 27 de maio de 2004, permitia o recadastramento até setembro de 2004, com efeitos retroativos a janeiro de 2004, demonstrando que não havia rigor formal para que as empresas fossem inscritas. Tanto assim, que mesmo a empresa tendo feito seu recadastramento em 19.11.2004, o Ministério do Trabalho reconheceu sua condição de inscrita no PAT de forma ininterrupta, entre os anos de 1995 a 2007. Acosta aos autos ofício do Ministério do Trabalho, no sentido de que a empresa “participou do PAT nos anos de 1995 a 2007. Desse modo, não se pode cogitar de aplicar uma penalidade desproporcional e descabida (já que o benefício em questão é assistencial) apenas em razão do Fl. 184DF CARF MF 8 recadastramento da empresa no PAT, desconsiderando que a impugnante participa do Programa desde 1995. A alimentação não pode perder ou ganhar status de salário apenas porque uma inscrição no PAT não foi feita ou o foi no final de um ano, especialmente quando o Ministério do Trabalho reconheceu que houve dificuldades no recadastramento, prorrogando diversas vezes o prazo, e ainda reconheceu a participação da ora impugnante. Inexistência de Benefício Salarial – Do real alcance da expressão “Folha de Salários” Alega a impugnante que a parcela “in natura” não pode ser inserida na base de cálculo da contribuição previdenciária. Para corroborar seu entendimento reproduz o Art. 195 da Constituição Federal, com a redação dada pela Emenda Constitucional 20/98. Ressalta ser mister interpretar o efetivo significado da expressão “folha de salários”, intrinsecamente ligada aos rendimentos decorrentes do trabalho (contra prestação pelo serviço prestado). Para tanto cita jurisprudência e doutrina na construção do entendimento de que somente as verbas efetivamente salariais, assim entendidas aquelas pagas pelo empregador como contraprestação do serviço prestado pelo seu empregado, estão encartadas no conceito de folha de salários, constituindose em base de incidência de contribuições previdenciárias. O valor da alimentação, ainda que sem a participação da autuada no PAT, não deve incidir contribuição previdenciárias, pois não se enquadra no conceito de “folha de salários”, previsto no inciso I, “a”, do art. 195, da CF/88. Afirma que é evidente que o valor da alimentação não tem caráter salarial uma vez que não retribuiu o trabalho efetivo (apenas o viabiliza). A fiscalização entendeu que a alimentação fornecida aos empregados da impugnante estaria inserida no conceito de folha de salários e daí a sofrer a incidência de contribuição previdenciária. Tal interpretação afronta o art. 195, I, “a” da CF/88, e também o decidido pelo E. Supremo Tribunal Federal, devendo a presente autuação ser julgada insubsistente. Da ausência de inscrição no PAT não altera a natureza da alimentação fornecida aos empregados A natureza jurídica da alimentação paga pelo trabalhador não está vinculada à inscrição ou não da empresa fornecedora nos programas de alimentação. Inscrever se ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador é faculdade da empresa e não obrigação. Trata o Programa de Alimentação do Trabalhador de uma faculdade concedida às empresas de deduzirem do lucro tributável, para fins de recolhimento do Imposto de Renda, o despendido no custeio do programa. Não tem o condão de transformar a alimentação vendida ao trabalhador ou fornecida para o trabalho em salário “in natura”. O fato de a empresa não estar inscrita no PAT (o que não é o caso da impugnante), não implica que a alimentação fornecida “in natura” aos seus empregados pudesse ser considerada pagamento de utilidade e, portanto, estivesse sujeita à contribuição previdenciária. Reproduz doutrina e jurisprudência. A alimentação era fornecida para facilitar execução do trabalho Entende ser diversa a natureza das utilidades fornecidas pelo empregador para que o empregado possa executar os serviços aos quais se obrigou, e as prestações “in Fl. 185DF CARF MF Processo nº 19515.005260/200946 Acórdão n.º 2301005.785 S2C3T1 Fl. 182 9 natura”, substitutivas do salário em dinheiro, concedidas como remuneração pelo trabalho prestado. Aduz que a alimentação fornecida ao empregado visa proporcionarlhe maior facilidade para que possa prestar os serviços aos quais se incumbiu. Assim, as contribuições previdenciárias não podem incidir sobre aquilo que não retribui o serviço, mas facilita sua execução. Reproduz doutrina. Independentemente do fato de não estar inscrita no PAT, a alimentação por ela fornecida/vendida aos empregados tem por objetivo facilitar a execução do trabalho. Não possui natureza salarial a parcela alimentar que foi vendida pela autuada a seus empregados, de forma que tais valores não podem representar base de cálculo para incidência da contribuição previdenciária. Empréstimos a empregados Os empréstimos concedidos a empregados ainda não foram pagos, por impossibilidade dos beneficiários, mas a empresa ainda tem esse crédito e pretende cobrálo de alguma forma. As dificuldades para a cobrança dos valores não implica em transmutação de sua natureza jurídica, sendo que a jurisprudência pátria entende que os empréstimos, se não expressamente perdoados, não integram a remuneração. Reproduz jurisprudência. É nula a autuação, especialmente porque a fiscalização não apresentou nenhum elemento no sentido de que a empresa teria perdoado os valores emprestados, até porque isso não ocorreu e os valores ainda estão contabilizados como empréstimos a cobrar/receber. Conclusão De todo o exposto, impugnase totalmente o valor do débito apresentado pela autuação em debate. Requer sejam acolhidas as preliminares de decadência parcial do débito e de intempestividade da autuação ou, no mérito, seja sua defesa acolhida, julgandose insubsistente a autuação lavrada. (final da transcrição do relatório inserto no Acórdão nº 1626.919) 2.1. O acórdão recorrido julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Seguese o teor da ementa: TERCEIROS. RECOLHIMENTO. As contribuições destinadas aos Terceiros devem ser recolhidas juntamente com as contribuições previdenciárias, cabendo à Secretaria da Receita Federal do Brasil efetuar sua cobrança. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Para fins de cômputo do prazo de decadência, no lançamento de ofício, aplicase a regra do artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional, contandose o prazo cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. CIÊNCIA DO LANÇAMENTO. EXPIRAÇÃO PRAZO DE VALIDADE DO MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A notificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal MPF não acarreta nulidade do lançamento. Fl. 186DF CARF MF 10 SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. Integram o salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma ou denominação, tendo a lei relacionado explicitamente aquelas parcelas não integrantes do salário de contribuição. ALIMENTAÇÃO EM DESACORDO COM O PAT. Integram o saláriode contribuição os valores pagos a título de auxílio alimentação sem a devida inscrição no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; que refirase a fato ou a direito superveniente;ou que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia deve ser realizada quando motivada pela necessidade de verificação de dados técnicos, não se prestando para suprir provas que o impugnante deixou de apresentar à fiscalização no momento da ação fiscal ou quando de sua impugnação. SUJEITO PASSIVO.INTIMAÇÃO. Pertence à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária DERAT jurisdicionante do domicílio do contribuinte, a competência para intimálo dos atos exarados no processo administrativo relativo a cobrança de crédito tributário. 3. Interposto o recurso voluntário (efls 137/167) em cujas razões formula as mesmas alegações deduzidas na impugnação. Vejamos: 3.1. No tópico "3.1 DECADÊNCIA PARCIAL DO DÉBITO LEVANTADO DIFERENÇAS DE FATOS GERADORES APLICAÇÃO DO ART. 150, §4°, DO CTN " (efls 141/145), diante da alegada antecipação de pagamento parcial, refaz o pedido acerca da decadência em relação ao período de janeiro/2004 a outubro/2004. 3.2. Com base na argumentação constante no item "3.2 DA INTEMPESTIVIDADE DA AUTUAÇÃO" (efls 145/149), repisa o pedido de nulidade pelo fato não ter sido observado o prazo constante no Mandado de Procedimento Fiscal para a cientificação do contribuinte acerca do débito que fora constituído. 3.3. No tópico "3.3 DA INDENIZAÇÃO ESPECIAL" (efls 149/151), reitera argumentos anteriores sobre a indenização especial prevista em acordo coletivo de trabalho, o que não poderia ter sido incluída no conceito de saláriodecontribuição. 3.4. No tópico "3.4 ASSISTÊNCIA MÉDICA" (efls 152/153), reforça a argumentação deduzida em sede de impugnação, ao expor inconformismo com situação que qualifica como "ânsia arrecadatória desmedida". 3.5. Também repisa no tópico " 3.5 DA ALIMENTAÇÃO FORNECIDA INEXISTÊNCIA DE BENEFÍCIO SALARIAL " (efls 153/165) a mesma argumentação deduzida na impugnação, subdividindoa como se segue: 3.5.1. A EMPRESA ESTAVA INSCRITA NO P.A.T. (efls 154/155); Fl. 187DF CARF MF Processo nº 19515.005260/200946 Acórdão n.º 2301005.785 S2C3T1 Fl. 183 11 3.5.2. INEXISTÊNCIA DE BENEFÍCIO SALARIAL DO REAL ALCANCE DA EXPRESSÃO 'FOLHA DE SALÁRIOS (efls 155/160); 3.5.3. A AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO NO PAT NÃO ALTERA A NATUREZA DA ALIMENTAÇÃO FORNECIDA AOS EMPREGADOS (efls 160/165); 3.5.4. A ALIMENTAÇÃO ERA FORNECIDA PARA FACILITAR A EXECUÇÃO DO TRABALHO (efls 165). 3.6. No tópico "3.6 EMPRÉSTIMOS A EMPREGADOS" (efls 166/167), repisa a argumentação sobre a falta de comprovação de que a empresa teria perdoado os valores emprestados, valores ainda contabilizados como empréstimos a cobrar/receber. 3.7. No item "4 DO VALOR DO DÉBITO" (efls 167), apenas se cinge a impugnar o valor do débito. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles 4. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. PPRREELLIIMMIINNAARR DDAASS AALLEEGGAAÇÇÕÕEESS RREELLAACCIIOONNAADDAASS ÀÀ PPRREETTEENNSSAA ""IINNTTEEMMPPEESSTTIIVVIIDDAADDEE DDAA AAUUTTUUAAÇÇÃÃOO"" 5. Não assiste razão à Recorrente. 5.1. Neste aspecto adotase como razões de decidir a mesma fundamentação consignada no voto contido no acórdão recorrido. Da tempestividade da autuação1 Requer a impugnante seja declarada a nulidade absoluta da presente autuação considerando que o Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal extingue o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF e, ainda, que a notificação do contribuinte se deu após o prazo legalmente conferido à fiscalização para tanto. No âmbito da RFB, o procedimento fiscal é controlado por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), desde a edição da Portaria SRF nº 1.265/99. A partir de 2001, o MPF passou a ser exigido pelo Decreto nº 3.724/2001, art. 2º, com as alterações de Decreto nº 6.104/2007. Sua atual regulamentação está na Portaria RFB nº 11.371/2007. Conforme definido na Portaria RFB nº 11.371/2007, art. 2º, os procedimentos fiscais relativos a tributos administrados pela RFB serão executados, em nome desta, pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). 1 Efls. 122/124. Fl. 188DF CARF MF 12 Entendese como procedimentos fiscais: § de fiscalização, as ações que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, relativas aos tributos administrados pela RFB, bem como da correta aplicação da legislação do comércio exterior, podendo resultar em constituição de crédito tributário, apreensão de mercadorias, representações fiscais, aplicação de sanções administrativas ou exigências de direitos comerciais; § de diligência, as ações destinadas a coletar informações ou outros elementos de interesse da administração tributária, inclusive para atender exigência de instrução processual. Com a edição da Lei nº 11.457/2007, a Secretaria da Receita Federal (SRF) passou a denominarse Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), tendo recebido a atribuição de planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos, além daquelas competências originalmente atribuídas à SRF. Para regulamentar o processo administrativo fiscal relacionado às contribuições previdenciárias e às contribuições devidas a outras entidades e fundos, inicialmente, foi editada a Portaria RFB nº 10.875/2007. A partir de 01/04/2008, por força do art. 25 da Lei nº 11.457/2007, os procedimentos fiscais e os processos administrativos fiscais relacionados à determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições previdenciárias e às contribuições devidas a outras entidades e fundos passaram a ser regidos pelo Decreto nº 70.235/1972 (PAF). Segundo os referidos atos os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. O prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) encontrase determinado na Portaria RFB nº 11.371, de 12.12.2007, em seus artigos 11, 12, 13: Art. 11. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 12. A prorrogação do prazo de que trata o art. 11 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. Art. 13. Os prazos a que se referem os arts. 11 e 12 serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, nos termos do art. 5º do Decreto nº 70.235, de 1972. Parágrafo único. A contagem do prazo do MPFE farseá a partir da data do início do procedimento fiscal. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 19515.005260/200946 Acórdão n.º 2301005.785 S2C3T1 Fl. 184 13 O Mandado de Procedimento Fiscal nº 08.190.002008043727 emitido em 13 de junho de 2008, com prazo para execução até 11 de outubro de 2008, deu início a fiscalização na impugnante tendo sido prorrogado diversas vezes, sendo que o último prazo de validade se extinguiria em 03 de fevereiro de 2010, conforme se verifica às fls. 01 dos autos. O Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal tem como finalidade atestar o contribuinte do encerramento do procedimento fiscal, informando quais os elementos examinados e também qual o seu resultado. Ressaltese que no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF contido nos autos às fls. 82, encontramse relacionados todos os Autos de Infração lavrados, inclusive o presente. De fato o Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal –TEPF extingue o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, conforme art. 14 da Portaria 11.371/2007, mas somente, e tão somente, com a ciência do contribuinte: Art. 14. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio, com a ciência do sujeito passivo; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 11 e 12. Parágrafo único. A ciência do sujeito passivo de que trata o inciso I do caput deverá ocorrer no prazo de validade do MPF. Deste modo, não é com a emissão do Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF que ocorre a extinção do MPF, mas sim com a ciência do contribuinte daquele documento. No presente caso não há como se afirmar que a impugnante foi cientificada do encerramento do procedimento fiscal em 25.11.2009, pois não consta do citado documento acostado às fls. 92 a data de ciência do sujeito passivo, mas tão somente a de sua emissão. Ademais, mesmo que a ciência do lançamento tivesse sido dada após expirado o prazo de validade do MPF, tal fato não acarretaria em nulidade. É a inteligência do Enunciado nº 25 do Conselho de Recursos da Previdência Social, editado através da Resolução MPS/CRPS nº 01, de 23 de fevereiro de 2006 – DOU de 06/03/2006: A CÂMARA SUPERIOR do Conselho de Recursos da Previdência Social, especializada em matéria de custeio, no uso da competência que lhe é atribuída pelo artigo 303, parágrafo 1º, Inciso IV do Decreto 3.048/99 na redação do Decreto nº 4.729, de 09 de Junho de 2003, publicado no Diário Oficial da União de 10 de Junho de 2003, tendo em vista o disposto no artigo 61, Parágrafos 1º e 2º e artigo 63, Parágrafo 5º, Inciso I da Portaria MPS nº 88/2004 Regimento Interno do CRPS e cumprindo deliberação do Conselho Pleno em reunião realizada no dia 23 de Fevereiro de 2006, resolve: Editar o seguinte enunciado: Enunciado Nº 25 A notificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal MPF não acarreta nulidade do lançamento. Fl. 190DF CARF MF 14 SALVADOR MARCIANO PINTO Presidente da Câmara 5.2. Rejeitase, portanto, a preliminar de nulidade deduzida no presente recurso. PPRREEJJUUDDIICCIIAALL DDEE MMÉÉRRIITTOO DDEECCAADDÊÊNNCCIIAA PPAARRCCIIAALL DDOO DDÉÉBBIITTOO LLEEVVAANNTTAADDOO DDIIFFEERREENNÇÇAASS DDEE FFAATTOOSS GGEERRAADDOORREESS AAPPLLIICCAAÇÇÃÃOO DDOO AARRTT.. 115500,, §§44°°,, DDOO CCTTNN 6. Tendo a ciência do lançamento ocorrida em 26/11/2009 (efls 4) e o crédito lançado abrangido o período de 01/01/2004 a 31/12/2004, a Recorrente pede a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, § 4º do CTN, para que seja reconhecida a decadência do crédito no período de 01/01 a 10/2004. 6.1. Como se pode observar, o entendimento da decisão de primeira instância foi no sentido de se aplicar o prazo decadencial previsto no artigo 173, I, do CTN. Vejamos o trecho contido às efls. 122: "Diante do exposto, no caso dos autos, tratase de lançamento de ofício, uma vez que a Impugnante não considerando as rubricas lançadas como fato gerador de contribuição previdenciária, não os declarou em GFIP, implicando em ausência de declaração de contribuição a recolher sobre os mesmos. Portanto, não declarando os fatos geradores ora em debate, sobre eles não se considera ter havido qualquer pagamento, aplicandose ao caso a regra do art. 173, inc. I do Código Tributário Nacional. 6.2. Como os lançamentos se referem a contribuições previdenciárias devidas à Terceiros – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE e Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA, cujos recolhimentos não foram comprovados pela empresa, o exame do RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (efls 26/47), se mostra elucidativo para demonstrar o recolhimento antecipado do tributo lançado. 6.3. A título de exemplo, apresentase a visão parcial do RADA (efls. 35): Fl. 191DF CARF MF Processo nº 19515.005260/200946 Acórdão n.º 2301005.785 S2C3T1 Fl. 185 15 6.4. Considerando, ainda, ausência nos autos de elementos indicativos de dolo, fraude ou simulação, e verificado que houve antecipação de pagamento do tributo, independentemente do título da rubrica, devese aplicar pois, o disposto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, que tem como marco inicial para a contagem da decadência, a ocorrência do fato gerador. 6.5. No mesmo sentido a Súmula CARF nº 99: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. 6.6. Em síntese, devese reconhecer extintas pela decadência, as contribuições lançadas nas competências de 01/2004 a 10/2004. MMÉÉRRIITTOO DDAASS AALLEEGGAAÇÇÕÕEESS RREELLAACCIIOONNAADDAASS AAOO PPAAGGAAMMEENNTTOO DDAA AALLIIMMEENNTTAAÇÇÃÃOO FFOORRNNEECCIIDDAA Fl. 192DF CARF MF 16 7. Neste tópico, cumprenos transcrever trecho do relatório fiscal (efls 56/57): 7.1 A fiscalização solicitou à empresa informar se no ano 2004 era participante do PAT e, em caso afirmativo, apresentar a comprovação da adesão. A empresa apresentou comprovante expedido pelo MTE, cuja cópia anexamos, onde consta que requereu sua inscrição em 19/11/2004 com validade a partir desta data. Foi computado neste código de levantamento, os benefícios pagos no período de janeiro/04 a outubro/04, quando a empresa não integrava o PAT. 7.2Foi solicitado à empresa a relação dos nomes e respectivos valores que compõem os lançamentos a débito nas contas de despesa 19235 Programa de Alimentação e 21746 Vale Alimentação, bem como explicar a que se referem os valores contabilizados nestas contas. A empresa apresentou relação mensal discriminando o nome dos empregados que receberam o auxilio alimentação, o valor creditado e o valor descontado do salário do empregado a título de participação no benefício. Para apuração da remuneração, foram lançados os valores pagos e deduzidos os valores descontados dos empregados. 7.1. Segundo o entendimento da fiscalização, assim como da decisão de primeira instância, o pagamento da alimentação feito no período compreendido entre 01/2004 a 10/2004, por meio de tíqueterefeição, foi considerado verba remuneratória em vista de não ter sido feita a comprovação da regular adesão ao Programa da Alimentação do Trabalhador em tal período. 7.2. Porém, ao compulsar os autos do processo nº 19515.005254/200999, notase a anexação de cópia de ofício expedido pelo Ministério do Trabalho e Emprego2 ao atestar o fato da Pessoa Jurídica estar inscrita no PAT de forma ininterrupta, entre os anos de 1995 a 2007 (efls 197 dos autos do citado processo). 7.3. Em vista do conteúdo do documento referido no subitem precedente e do órgão expedidor Coordenação do Programa de Alimentação do Trabalhador, vinculado ao Ministério do Trabalho e Emprego não há como deixar de atribuir força probante ao mesmo, no que respeita à regular inscrição da Recorrente perante o PAT durante o período citado no ofício, que abrange o período do lançamento. 7.4. Com isso, devem ser excluídas da base de cálculo os valores pagos a título de auxílio alimentação. MMÉÉRRIITTOO DDAASS AALLEEGGAAÇÇÕÕEESS RREELLAACCIIOONNAADDAASS AAOO PPAAGGAAMMEENNTTOO DDAA IINNDDEENNIIZZAAÇÇÃÃOO EESSPPEECCIIAALL 8. Com referência ao pagamento desta verba, fazse a transcrição de trecho contido no relatório fiscal (efls 54): 5 O Código de Levantamento “INDENIZAÇÃO ESPECIAL” FL3 e Z2 referese a remuneração creditada aos empregados em Folha de Pagamento Rubrica 72 Indenização Especial _ A 2 Ofício nº 324/2008/COPAT/DSST/SIT/MTE, datado de 10 de setembro de 2008, expedido pela Coordenação do Programa de Alimentação do Trabalhador COPAT, vinculada ao Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho DSST, da Secretaria de Inspeção do Trabalho SIT, do Ministério do Trabalho e Emprego. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 19515.005260/200946 Acórdão n.º 2301005.785 S2C3T1 Fl. 186 17 empresa não considerou esta remuneração na base de cálculo previdenciária. Perguntada sobre a natureza desta remuneração, informou que a mesma referese à Indenização Especial prevista em Acordo Coletivo Sindical, o qual estabelece que, em caso de dispensa sem justa causa de empregados com tempo de serviço igual ou superior a 4 (quatro) anos será paga indenização especial no valor do último salário nominal, estando excluídos os empregados admitidos após 01/01/2002. 8.1. De acordo com os elementos presentes nos autos, o pagamento da chamada Indenização Especial é motivada pelo evento rescisão do contrato de trabalho, e tem previsão em Acordo Coletivo de Trabalho. A circunstância de ser pago uma única vez por ocasião da rescisão, sobreleva a natureza de ganho eventual, não se mostrando razoável considerar tal pagamento como prestação salarial (remuneração). 8.2. Neste aspecto, há de se atribuir razão ao Recorrente quanto a excluir os valores do conceito de saláriodecontribuição, uma vez que se antevê a previsão legal no próprio artigo 28 da Lei nº 8.212/1991: Lei 8.212/91 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente e) as importâncias: 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário. 8.3. Assim, a verba paga a título de indenização especial, no caso específico destes autos, deve ser excluída da base de cálculo de contribuições previdenciárias. MMÉÉRRIITTOO DDAASS AALLEEGGAAÇÇÕÕEESS RREELLAACCIIOONNAADDAASS AAOO PPAAGGAAMMEENNTTOO DDEE AASSSSIISSTTÊÊNNCCIIAA MMÉÉDDIICCAA DDAASS AALLEEGGAAÇÇÕÕEESS RREELLAACCIIOONNAADDAASS AAOO PPAAGGAAMMEENNTTOO DDEE EEMMPPRRÉÉSSTTIIMMOOSS AA EEMMPPRREEGGAADDOOSS 9. Em prosseguimento, coincidentes as razões recursais e as deduzidas ao tempo da impugnação, a análise do recurso pode ser feita utilizandose da prerrogativa conferida pelo Regimento Interno do CARF. RRIICCAARRFF:: AARRTTIIGGOO 5577 §§ 33ºº 10. De acordo com o disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 –RICARF, não tendo sido apresentadas perante a segunda instância administrativa novas razões de defesa, adotamse os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição dos trechos dos votos que guardam pertinência com as questões recursais ora tratadas. (início da transcrição do voto inserto no Acórdão nº 1626.919) Fl. 194DF CARF MF 18 Da assistência Médica A impugnante efetuou pagamento a título de Assistência Médica para segurados desligados no valor equivalente a seis meses de extensão do plano médico da empresa, a título de indenização para que os empregados não tivessem prejuízo inesperado com a perda da cobertura do Plano Médico que contrata para todos os seus empregados e alega que sobre tais valores não incide contribuição previdenciária. Inicialmente, cabe esclarecer que não incide contribuição previdenciária sobre pagamentos efetuados a título de Assistência Médica na situação definida no artigo 28, parágrafo 9º, alínea “q”: q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. No entanto, os valores aqui tratados não se referem ao pagamento de Plano de Saúde para todos os empregados da impugnante, mas sim de situação específica delimitada no Relatório Fiscal: SEGURO SAÚDE – FL 4 referese a remuneração creditada no mês de dezembro a dois empregados em folha de pagamento, na rubrica 118 – Acordo ref. Seguro Saúde, cujos contratos foram rescindidos neste mês. Informou a empresa que concede aos empregados demitidos, extensão de seis meses no plano de saúde, mas que, excepcionalmente no caso destes dois empregados , preferiu pagar esta remuneração e desligálos do plano de saúde da empresa na data da rescisão contratual. Deste modo os valores pagos configuramse como remuneração dos empregados pagas por ocasião de seu desligamento da empresa, que não se encontra relacionada entre as exceções previstas no artigo 28, parágrafo 9º da Lei 8.212/91, decorrente do vínculo empregatício, incorrendo assim em incidência de contribuição previdenciária. (...) Dos empréstimos a empregados Relativamente aos empréstimos concedidos a empregados, alega a impugnante que estes não foram pagos por impossibilidade dos beneficiários, mas que pretende ainda cobrálos. No entanto, não traz aos autos qualquer prova acerca da cobrança dos valores emprestados. Conforme consta no Relatório Fiscal os valores emprestados a alguns segurados da empresa foram inicialmente contabilizados nas contas Adiantamento de Salários e Adiantamento de Férias, posteriormente transferidos para a conta Empréstimos a Empregados, conta esta integrante do grupo contábil Ativo – Créditos a Receber. Nesse sentido, os contratos de mútuo apresentados dispõem que a empresa procede a empréstimo a ser pago em três vezes, nos próximos três anos, em abril de cada ano, parcelas estas que seriam descontadas em folha de pagamento, ficando a empresa autorizada a descontar o empréstimo em caso de rescisão do contrato de Fl. 195DF CARF MF Processo nº 19515.005260/200946 Acórdão n.º 2301005.785 S2C3T1 Fl. 187 19 trabalho. Porém, os empréstimos foram feitos em 2004, os empregados em questão não mais mantém relação de trabalho e decorridos 6 (seis) anos não houve qualquer pagamento dos valores creditados a título de empréstimos somente aos segurados David P. da Silva, Giuliano Mourão, Marcelo Rodrigues Elias, Walmir Fernandes e Laerte Rezende e Marco Antonio Ferreira. A situação fática é que os segurados em questão receberam pagamentos feitos pela empresa a título de “empréstimo” na vigência do contrato de trabalho, decorrentes, pois, do vínculo empregatício e gerando um ganho econômico, sem que houvesse qualquer devolução de tais valores ao empregador até esta data. A empresa não comprova ter tomado qualquer atitude para reaver tais valores, o que implica em perdão tácito da dívida. A empresa procedeu ao crédito destes valores exclusivamente a estes empregados, sem nunca os ter descontado, o que os caracteriza como salário de contribuição na data do crédito, conforme previsto na Lei nº 8.212/91 art. 28 e no Decreto nº 3.048/99, art. 214. (final da transcrição do relatório inserto no Acórdão nº 1626.919) 11. Com relação ao montante da multa aplicada, aplicase o entendimento sumulado neste CARF: Súmula CARF nº 119: No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. CCOONNCCLLUUSSÃÃOO 12. Voto por rejeitar as preliminares, reconhecer a decadência até a competência 10/2004 inclusive e, no mérito, dar parcial provimento para excluir da base de cálculo os valores de auxílioalimentação e indenização especial e, quanto à multa, aplicar a Súmula CARF nº 119. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator Fl. 196DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.723066/2017-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL - NULIDADE.
A não apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão fere o princípio da verdade material, com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legitimidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento.Preliminar acolhida.
DEDUÇÃO IRPJ DE IMPOSTO SOBRE LUCRO PAGO NO EXTERIOR. ASPECTO FORMAL. CONVENÇÃO DE HAIA DE APOSTILAMENTO.
Para a dedução do IRPJ decorrente de imposto pago no exterior, o comprovante de pagamento deve ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado brasileiro no país em que for devido o imposto.
A Convenção sobre a Eliminação da Exigência de Legalização de Documentos Públicos Estrangeiros de que trata o Decreto nº 8.660, de 29 de janeiro de 2016, aplica-se à dedução de IRPJ pelo pagamento efetuado no exterior. O documento da administração tributária deve ser devidamente apostilado pelo Estado estrangeiro, podendo ser no próprio documento ou em folha apensa, com o título "Apostille", em língua local, traduzido para o português por tradutor juramentado.
DEDUÇÃO IRPJ DE IMPOSTO SOBRE LUCRO PAGO NO EXTERIOR. ASPECTO MATERIAL. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO.
Para a dedução do IRPJ decorrente de imposto pago no exterior de que trata o art. 26 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, o sujeito passivo deve trazer comprovante de pagamento detalhando o imposto pago, o qual deve restar comprovado que incide sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital. Assim, demonstrada a base de cálculo dos impostos, ratificando-se a incidência sobre renda dos impostos pagos, bem como a validade dos comprovantes apresentados, constando suas datas e valores de pagamento, aceita-se a dedução.
CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade.
Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
Numero da decisão: 1401-003.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário tão somente para afastar a glosa do imposto pago em Nova Iorque, Milão e Argentina-Patagônia. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Daniel Ribeiro Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada para eventuais substituições), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado para eventuais substituições).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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A não apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão fere o princípio da verdade material, com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legitimidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento.Preliminar acolhida. DEDUÇÃO IRPJ DE IMPOSTO SOBRE LUCRO PAGO NO EXTERIOR. ASPECTO FORMAL. CONVENÇÃO DE HAIA DE APOSTILAMENTO. Para a dedução do IRPJ decorrente de imposto pago no exterior, o comprovante de pagamento deve ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado brasileiro no país em que for devido o imposto. A Convenção sobre a Eliminação da Exigência de Legalização de Documentos Públicos Estrangeiros de que trata o Decreto nº 8.660, de 29 de janeiro de 2016, aplicase à dedução de IRPJ pelo pagamento efetuado no exterior. O documento da administração tributária deve ser devidamente apostilado pelo Estado estrangeiro, podendo ser no próprio documento ou em folha apensa, com o título "Apostille", em língua local, traduzido para o português por tradutor juramentado. DEDUÇÃO IRPJ DE IMPOSTO SOBRE LUCRO PAGO NO EXTERIOR. ASPECTO MATERIAL. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO. Para a dedução do IRPJ decorrente de imposto pago no exterior de que trata o art. 26 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, o sujeito passivo deve trazer comprovante de pagamento detalhando o imposto pago, o qual deve AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 30 66 /2 01 7- 99 Fl. 4041DF CARF MF 2 restar comprovado que incide sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital. Assim, demonstrada a base de cálculo dos impostos, ratificandose a incidência sobre renda dos impostos pagos, bem como a validade dos comprovantes apresentados, constando suas datas e valores de pagamento, aceitase a dedução. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade. Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário tão somente para afastar a glosa do imposto pago em Nova Iorque, Milão e ArgentinaPatagônia. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Daniel Ribeiro Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada para eventuais substituições), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado para eventuais substituições). Fl. 4042DF CARF MF Processo nº 10166.723066/201799 Acórdão n.º 1401003.098 S1C4T1 Fl. 4.042 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão n. 0741.155 3ª Turma da DRJ/FNS, que por unanimidade de votos julgou parcialmente procedente a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário exigido, exonerando o valor de R$ 10.384.689,59, mais os respectivos juros de mora e multa de ofício. Em relação à parte exonerada, houve Recurso de Ofício. Por bem descritos no Relatório do Acórdão recorrido, os fatos ocorridos até aquele momento, o adoto em parte, naquilo que interessa para a solução do litígio: Tratase de auto de infração que constituiu crédito tributário referente a imposto sobre a renda pessoa jurídica (IRPJ) no valor principal de R$ 107.886.396,38, totalizando R$ 238.882.059,85, incluídos juros de mora e multa de ofício de 75%, na época do lançamento. 2. O contribuinte informou na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), exercício 2013, que no anocalendário 2012 possuía créditos decorrentes de lucros pagos no exterior no valor de R$ 246.068.474,40. Ele deduziu do IRPJ, na ficha 12B, Linha 12, o valor de R$ 148.564.284,21, e da CSLL o valor de 73.630.847,79 (Ficha 17, Linha 79). 2.1 O auto de infração entendeu que parte da compensação anterior não era devida e, por tal motivo, glosou em relação ao IRPJ o valor de R$ 107.886.396,83 (de um total de R$ 148.564.284,21, como visto no item 2) 2.2. O presente processo não trata da compensação da CSLL, uma vez que esta foi objeto do PER/Dcomp nº 12326.8200.291013.1.3.037921, em litígio no processo 10166.723066/201799. 3. No termo de verificação fiscal de fls. 20762116, intimouse o contribuinte em 23 de maio de 2016 a apresentar os comprovantes referentes aos valores declarados na DIPJ 2013 para o anocalendário de 2012 como pagos a título de Imposto de Renda no exterior. O contribuinte atendeu parcialmente a intimação em 22 de junho e em 8 de julho. 3.1. Ato contínuo, a autoridade tributária lançadora apresentou a legislação acerca da comprovação dos pagamentos efetuados no exterior, destacando o disposto no §2º do art. 26 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995: " para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto." 3.2. Informa que o contribuinte entendeu que a publicação do Decreto nº 8.660, de 29 de janeiro de 2016, que promulgou a Convenção sobre a Eliminação da Exigência de Legalização de Documentos Públicos Estrangeiros, firmada pela República Federativa do Brasil, em Haia, em 5 de outubro de 1961, implicou a desnecessidade de consularização dos comprovantes trazidos ao processo. Contudo, informa discordar desse entendimento, trazendo trecho de texto retirado do sítio eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), pelo qual passase a aceitar Fl. 4043DF CARF MF 4 apostilas únicas emitidas pelos demais Estados num procedimento de legalização única, mas sem se eximir de cumprir outras exigências legais. Logo, entende que a exigência de reconhecimento pelo consulado brasileiro contido no § 2º do art. 26 da Lei nº 9.249, de 1995, continua vigente. 3.4. A autoridade lançadora analisou os documentos de cada estabelecimento no exterior e o lançamento decorreu exatamente do reconhecimento ou não dos pagamentos que teriam sido efetuados em cada um deles, conforme planilharesumo a seguir: 4. Outra questão ressaltada no lançamento é a taxa do câmbio para a compensação dos valores pagos no exterior. Segundo o § 3º do art. 26 da Lei nº 9.249, de 1995, "o imposto de renda a ser compensado será convertido em quantidade de Reais, de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que o imposto foi pago; caso a moeda em que o imposto foi pago não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norteamericanos e, em seguida, em Reais". Entretanto, o entendimento da contribuinte seria que a compensação se daria na taxa de câmbio de 31 de dezembro, e não do efetivo pagamento, em observância ao regime de competência. 5. Com base nessas informações, a autoridade fiscal confirmou os seguintes valores como tendo sido comprovadamente pagos e passíveis de dedução (em moeda local) : Fl. 4044DF CARF MF Processo nº 10166.723066/201799 Acórdão n.º 1401003.098 S1C4T1 Fl. 4.043 5 6. A autoridade fiscal informa ainda que a dedução dos valores pagos no exterior deve respeitar a regra contida na IN SRF 213, de 7 de outubro de 2002, segundo a qual o "tributo pago no exterior, passível de compensação, será sempre proporcional ao montante dos lucros, rendimentos ou ganhos de capital que houverem sido computados na determinação do lucro real". Ademais, "o valor do tributo pago no exterior, a ser compensado, não poderá exceder o montante do imposto de renda e adicional, devidos no Brasil, sobre o valor dos lucros, rendimentos e ganhos de capital incluídos na apuração do lucro real." 6.1. A fim de proceder a tal cálculo, a autoridade tributária verificou o lucro auferido no exterior e aplicou a alíquota do Brasil (15% mais adicional de 10%). Com esse limite legal, comparou os valores por ele confirmados como pagos no exterior com o limite legal aqui tratado. O quadro a seguir demonstra o valor que ele considerou (inclui a CSLL, mas como visto no item 2.2, ela está sendo tratada em outro processo): Fl. 4045DF CARF MF 6 6.2. Ao fim, concluiu: O contribuinte informou em linha 12, Ficha 12B DIPJ/2013, Imposto Pago no Exterior sobre Lucros, Rendimentos e Ganhos de Capital o montante de R$ 148.564.284,21. Esse valor foi utilizado como dedução do IRPJ apurado nesse período de apuração. Como o valor confirmado a título de imposto de renda pago no exterior foi de R$ 40.667.887,38, verificase que houve uma dedução indevida no montante de R$ 107.886.396,83. Apreciados os argumentos da impugnação por unanimidade de votos julgou parcialmente procedente a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário exigido, exonerando o valor de R$ 10.384.689,59, mais os respectivos juros de mora e multa de ofício, relativos a valores pagos na controladas ParisFrança, MadriEspanha e Viena Áustria (Lisboa). Para concluir neste sentido, a decisão de piso analisou primeiro as questões gerais, notadamente acerca da necessidade ou não do reconhecimento da administração tributária e do consulado brasileiro do comprovante de pagamento para compensar os pagamentos efetuados ou se há a sua dispensa, e a taxa do câmbio. Num segundo momento de maneira específica os países que foram objeto de impugnação, resultando do julgado a seguinte ementa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 DEDUÇÃO IRPJ DE IMPOSTO SOBRE LUCRO PAGO NO EXTERIOR. ASPECTO MATERIAL. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO. Para a dedução do IRPJ decorrente de imposto pago no exterior de que trata o art. 26 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, o sujeito passivo deve trazer comprovante de pagamento detalhando o imposto pago, o qual deve restar comprovado que incide sobre Fl. 4046DF CARF MF Processo nº 10166.723066/201799 Acórdão n.º 1401003.098 S1C4T1 Fl. 4.044 7 lucros, rendimentos e ganhos de capital. Não basta proceder a uma descrição vaga acerca do sistema tributário do país estrangeiro em abstrato, sem relacionar com o pagamento efetuado. As inconsistências nos comprovantes de pagamento tornaos imprestáveis para efeito de prova e utilização para a dedução do IRPJ. DEDUÇÃO IRPJ DE IMPOSTO SOBRE LUCRO PAGO NO EXTERIOR. ASPECTO FORMAL. CONVENÇÃO DE HAIA DE APOSTILAMENTO. Para a dedução do IRPJ decorrente de imposto pago no exterior, o comprovante de pagamento deve ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado brasileiro no país em que for devido o imposto. A Convenção sobre a Eliminação da Exigência de Legalização de Documentos Públicos Estrangeiros de que trata o Decreto nº 8.660, de 29 de janeiro de 2016, aplicase à dedução de IRPJ pelo pagamento efetuado no exterior. O documento da administração tributária deve ser devidamente apostilado pelo Estado estrangeiro, podendo ser no próprio documento ou em folha apensa, com o título "Apostille", em língua local, traduzido para o português por tradutor juramentado. TAXA DE CÂMBIO. DEDUÇÃO. DATA DO PAGAMENTO. O tributo pago no exterior, a ser compensado pelo regime do art. 26 da Lei nº 9.249, de 26 de 1995, será convertido em Reais tomandose por base a taxa de câmbio da moeda do país de origem correspondente à data de seu efetivo pagamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. A prova documental referente a fato pretérito deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo força maior. Mera alegação do contribuinte de que está providenciando os documentos, sem justificativa e sem comprovação da ocorrência de força maior, não pode ser aceito para retardar o julgamento do processo administrativo fiscal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada, interpôs Recurso Voluntário, com vistas a obter a reforma do julgado com a conseqüente anulação do Auto de Infração em face da comprovada existência de crédito suficiente apurado em seu favor, e anexa aos autos demonstrações financeiras e comprovantes de indicação de pagamento de imposto pago no exterior de com tradução juramentada, de forma a elidir os fundamentos da glosa, além disso, assevera que eventuais falhas identificadas na tradução e consularização dos documentos comprovadores dos pagamentos de tributos efetuados no exterior sejam superadas, em atendimento aos princípios ensejadores da boa fé, da verdade material e da razoabilidade, dada a existência de tratados e acordos extrangeiros, o quais tem como premissa a simplificação ou dispensa de legalizações em documentos públicos ou formalidades análogas. Fl. 4047DF CARF MF 8 É o relatório. Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos de admissibilidade, portanto passo a analisálo. O principal argumento utilizado pela DRJ para indeferir a compensação do imposto de renda incidente no exterior sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real foi a ausência da comprovação necessária para fins de compensação referente ao documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que fosse devido. Naquela ocasião, o contribuinte se fiava no argumento que a necessidade de reconhecimento por parte do consulado brasileiro no exterior não mais subsiste com o advento do Decreto nº 8.660, de 29 de janeiro de 2016, que internalizou a Convenção sobre a Eliminação da Exigência de Legalização de Documentos Públicos Estrangeiros, firmada pela República Federativa do Brasil, em Haia, em 5 de outubro de 1961. Todavia, ao final de sua impugnação pugnou pela juntada de novos documentos posteriormente, vez que não dispunha até aquele momento de documentos reconhecidos pelo Consulado da Embaixada Brasileira em todos os países em que operava. O primeiro argumento relativo a eliminação da exigência da legalização dos documentos extrangeiros, fora afastado pela DRJ, ao considerar que tal requisito legal visa à proteção do erário brasileiro para se garantir que o pagamento efetivamente ocorreu e que foi para imposto incidente sobre lucro, renda ou ganho de capital. Afinal, não deixa de ser forma de reconhecer um crédito por parte do contribuinte contra a União, mas que foi gerado no exterior. Quanto à este ponto manifestou –se a DRJ: 15. Notese que tal alegação do contribuinte não foi novidade, já que pugnou pela sua aplicação durante o procedimento de fiscalização, mas que não foi considerado, conforme se depreende do seguinte trecho do auto: 04. Antes da análise da documentação apresentada, se faz necessária a análise da legislação que rege o imposto de renda no exterior. Sob o aspecto formal, o art. 26, § 2°, da Lei n° 9.249, de 1995, abaixo transcrito, estabelece que os documentos relativos ao imposto de renda incidente no exterior deverão ser reconhecidos pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. (...) 05. Essa obrigação fica dispensada quando for comprovado que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital, prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado, de acordo com art. 16, § 2°, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996, abaixo transcrito: (...) Fl. 4048DF CARF MF Processo nº 10166.723066/201799 Acórdão n.º 1401003.098 S1C4T1 Fl. 4.045 9 06. Apesar de a lei exigir a consularização dos documentos relativos ao imposto de renda, o contribuinte apresentou, fls.1782/1783, o seguinte entendimento: "Não obstante a exigência de que trata o art.26, § 2° da Lei n° 9.249/95, quanto ao reconhecimento do comprovante do imposto pago no exterior pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto, entrou em vigor recentemente, 14/08/2016, a Convenção sobre a Eliminação da Exigência de Legalização de Documentos Públicos Estrangeiros que foi promulgada pelo Decreto n° 8.660/2016. Tal simplificação de atos para validação de documentos estrangeiros entre os países participantes implica a desnecessidade de consularização dos comprovantes trazidos ao processo. " (grifei) 07. Em que pese a publicação do Decreto n° 8.660/2016, o art.26, § 2° da Lei 9.249/95, não foi alterado e continua, portanto, vigente. Nesse contexto, cabe citar o entendimento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), abaixo transcrito, a respeito da Convenção sobre a Eliminação da Exigência de Legalização de Documentos Públicos Estrangeira, conhecida como Convenção da Apostila, cuja vigência no Brasil ocorreu com a publicação do Decreto n° 8.660/2016, em 14/08/2016. Esse entendimento foi extraído do sítio do CNJ: http://www.cnj.jus.br/noticias/cnj/83079 entraemvigornobrasilaconvencaodaapostiladahaia. "Atualmente, para um documento ser aceito por autoridades estrangeiras, é necessário tramitálo por diversas instâncias, gerando as chamadas "legalizações em cadeia". A entrada em vigor da Convenção da Apostila permitirá a "legalização única", bastando ao interessado dirigirse a um cartório habilitado em uma das capitais estaduais ou no Distrito Federal e solicitar a emissão de uma "Apostila da Haia" para um documento. A apostila confere validade internacional ao documento, que poderá ser apresentado nos 111 países que já aderiram à Convenção. Contudo, a "legalização única" não exime o solicitante de apurar junto ao país ou à instituição destinatária do documento eventuais exigências adicionais, a exemplo de traduções. A partir de agora, o Brasil também passa a aceitar apostilas emitidas pelos demais Estados partes da Convenção." (grifei) 8. Percebese que não houve a dispensa de legalização de documentos estrangeiros, mas somente a chamada "legalização única". A última frase do texto extraído o sítio do CNJ ressalta que o Brasil passa a aceitar apostilas emitidas pelos demais Estados partes da Convenção. No caso em análise, ainda é necessário que os documentos relativos ao imposto de renda sejam reconhecidos pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. 16. Nesse ponto, o pressuposto contido no lançamento não está correto. O Decreto nº 8.660, de 2016, que incorporou ao ordenamento jurídico a Convenção de Haia de Apostilamento (aprovado pelo Congresso Nacional por intermédio do DecretoLegislativo nº 148, de 6 de julho de 2015), possui força de lei ordinária, conforme já é pacífico desde a prolação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) dos Recursos Extraordinários nº 71.154 e nº 80.004, ainda na década de 1970. 16.1 No direito tributário, ainda, há disposição expressa no Código Tributário Nacional (CTN) que incluiu os tratados internacionais (sem fazer limitação de ser apenas aqueles sobre direito tributário) na "legislação tributária", de observância obrigatória, inclusive pela legislação que lhes sobrevenha, conforme dispõem os arts. 96 e 98 do CTN: Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas Fl. 4049DF CARF MF 10 complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Art. 98. Os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha. 16.2. A própria RFB já entendeu que a legislação interna deve ser interpretada em conformidade com os tratados internacionais, consoante se depreende do seguinte trecho do Parecer Normativo Cosit nº 4, de 1 de dezembro de 2015: 10. A Constituição Federal de 1988 impõe o respeito a tratados e convenções internacionais (art. 5º, §2º), enquanto o Direito Tributário reconhece força normativa aos tratados internacionais, com base no art. 98 do CTN, permitindo a incorporação ao ordenamento jurídico pátrio da regra da imunidade diplomática conferida aos agentes diplomáticos e aos Estados estrangeiros, positivada na Convenção de Viena de 1961. (grifouse) 16.3. Ademais, analisandose o texto da convenção do apostilamento, não só é obrigação de cada Estado dispensar a "consularização" dos documentos emitidos por autoridade estrangeira como ela deve impedir que os seus consulados assim procedam, conforme arts. 2º e 9º: Artigo 2º Cada Estado Contratante dispensará a legalização dos documentos aos quais se aplica a presente Convenção e que devam produzir efeitos em seu território. No âmbito da presente Convenção, legalização significa apenas a formalidade pela qual os agentes diplomáticos ou consulares do país no qual o documento deve produzir efeitos atestam a autenticidade da assinatura, a função ou o cargo exercidos pelo signatário do documento e, quando cabível, a autenticidade do selo ou carimbo aposto no documento. Artigo 9º Cada Estado Contratante tomará as providências necessárias para evitar que seus agentes diplomáticos ou consulares realizem legalizações nos casos em que esse procedimento seja dispensado pela presente Convenção. (grifouse) 16.4 Nessa linha, o Ministério das Relações Exteriores expressamente determinou que a legalização de documentos estrangeiros em Consulado brasileiro somente deve ocorrer para aqueles emitidos por países que não aderiram à referida Convenção, consoante se depreende do sítio eletrônico oficial daquele Ministério (http://www.portalconsular.itamaraty.gov.br/legalizacaodedocumentos): Se os países de origem e de destino do documento constarem da lista de países parte da Convenção da Apostila (disponível em http://www.cnj.jus.br/poder judiciario/relacoesinternacionais/convencaodaapostiladahaia/paisessignatarios), o documento deverá ser apostilado. Se os países de origem e de destino do documento NÃO constarem da lista, deverá ser legalizado conforme as orientações deste Portal Consular. Entendo assistir a razão à DRJ no que diz respeito a necessidade mínima do apostilamento do documento estrangeiro e a sua necessária tradução para que ele possa ser apreciado no curso do processo administrativo fiscal, conforme o disposto na SCI Cosit nº 21, de 20 de julho de 2004. Diante desse arrazoado da DRJ e convalidando o pedido feito desde a impugnação para que os documentos consularizados tivessem sua aceitação assegurada futuramente, dada a complexidade de seu alcance, a Recorrente os apresenta por ocasião de seu Fl. 4050DF CARF MF Processo nº 10166.723066/201799 Acórdão n.º 1401003.098 S1C4T1 Fl. 4.046 11 recurso voluntário, como meio de satisfazer a exigibilidade da DRJ no que diz respeito a necessidade da comprovação dos pagamentos feitos nos países extrangeiros. Nos termos da legislação que regulamenta a compensação no Brasil de imposto pago no exterior, artigo 395 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, temos que as exigências para a compensação são: a) que ela obedeça ao limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos, ganhos de capital e receitas de prestação de serviços; b) que os documentos relativos ao imposto pago no exterior sejam reconhecidos pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país, ou, alternativamente, que a empresa comprove que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado; c) com relação aos lucros, a empresa deverá apresentar as demonstrações financeiras correspondentes; d) os créditos só serão compensados se os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior forem computados na base de cálculo do imposto, no Brasil, até o final do segundo ano calendário subseqüente ao de sua apuração. Conforme trazido em Recurso Voluntário, a Recorrente aponta ter obedecido tais limites e o acervo probatório anexado aos autos, demonstra indícios de sua existência. Para melhorar e complementar o acervo probatório de seu crédito, a Recorrente anexou ao seu Recurso Voluntário, os comprovantes de recolhimento do imposto de renda pago no exterior utilizados para compor o saldo negativo ora discutido estão consularizados e devidamente traduzidos para o português; aduz que os valores pagos correspondem a imposto de renda efetivamente apurado e devido por controladas indiretas da Recorrente; e aponta provas de que os valores de imposto de renda compensados no exterior foram efetivamente aceitos pelas respectivas autoridades locais, conforme se verifica ás fls. 2298 a 2377; 2401 a 3345, 3347/3979 e 3986/4031; Observese que, se o lucro no exterior é computado no cálculo do lucro real (e só no lucro real) e existe um comprovante de recolhimento de imposto no exterior legítimo apresentado pela empresa, basta verificar o limite de compensação e efetuar o confronto de débito e crédito. Embora tal complementação da prova tenha se efetivado já na fase recursal, em razão aos princípios da Verdade Material, exercício de contraditório pleno, não vejo impedimento algum quanto a recepção destes documentos, já que tem por escopo principal solucionar e esclarecer as dúvidas levantadas no acórdão DRJ, neste sentido temos as Resoluções 1401000.541 e 1401000.538, proferidas recentemente por esta turma. Em prol da verdade material, o fato da prova não ter sido feita em momento oportuno, não impede que este órgão julgador a aprecie e lhe reconheça a validade. Este E. Conselho já decidiu: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 4051DF CARF MF 12 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL – NULIDADE. A não apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão fere o princípio da verdade material, com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legitimidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento.Preliminar acolhida. Recurso provido. Acórdão nº 10319.789, 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, prolatado em 08 de dezembro de 1998, relatora Conselheira Sandra Maria Dias Nunes. No mesmo sentido, Alberto Xavier : “afronta ao princípio da ampla defesa e da verdade material qualquer restrição ao exercício do direito à prova em função da fase do processo, desde que anterior à decisão final tomada na segunda instância”. (Princípios do Processo Administrativo e Judicial Tributário, 1ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p.160). Por se tratar de questão indispensável para o bom deslinde da causa, conforme art. 29 do Decreto 70.235/72 e para a apreciação dos documentos indicativos da existência de saldo de prejuízo fiscal acumulado em valor aparentemente suficiente à compensação dos créditos exigidos nos autos, voto pela conversão do processo em DILIGÊNCIA, para a unidade de origem para analiticamente analise os limites cumpridos os requisitos exigidos pela DRJ reavaliar os valores compensados. Acredito ser desnecessária a comprovação de que a legislação prevê o imposto no exterior, pois é evidente que a Empresa não pagaria imposto desnecessário (e o pagamento é comprovado pelas guias) para, depois, tentar compensálo, de forma limitada, com o imposto pago no Brasil. Seria um planejamento tributário para perder. Em relação ao que foi acatado pela DRJ e o que foi objeto de recurso voluntário, trago a observação feita no acórdão recorrido quanto ao resumo dos argumentos da impugnação que defende a ocorrência da comprovação dos pagamentos efetuados para algumas agências do exterior (não todas), seja pelo aspecto material, seja pelo aspecto formal. A planilharesumo a seguir apresenta quais agências foram objeto de impugnação e os principais argumentos utilizados: Fl. 4052DF CARF MF Processo nº 10166.723066/201799 Acórdão n.º 1401003.098 S1C4T1 Fl. 4.047 13 Fl. 4053DF CARF MF 14 Das impugnações formuladas, foi reconhecida procedência parcial da impugnação, exonerando o valor de R$ 10.384.689,59, mais os respectivos juros de mora e multa de ofício, conforme tabela a seguir: Quanto aos valores mantidos na autuação, a Recorrente apresenta, país a país, os argumentos pelos quais entende necessário o afastamento da glosa. BOLÍVIA — LA PAZ A recorrente argumenta em Voluntário apresentamos a legislação local e respectiva tradução juramentada acompanhada das demonstrações financeiras já constantes do procedimento fiscal n° 10010.024964/041605, juntadas em resposta à Intimação n° 425/2016 — Documento Contadoria ri° 2016/6688 de 22/06/2016, com as quais reputamos restar atendida a condição alternativa prevista na Lei n° 9.249/95, art. 26, tornando, segundo ela, dispensada à impresa a obrigação de processar o reconhecimento do órgão arrecadador e consularização de documento na repartição consular brasileira no exterior. Fl. 4054DF CARF MF Processo nº 10166.723066/201799 Acórdão n.º 1401003.098 S1C4T1 Fl. 4.048 15 Entendo que o argumento não é suficiente para afastar as conclusões da DRJ no sentido de que: O contribuinte alega a existência do Acordo de Cooperação e Assistência Jurisdicional em matéria Civil, Comercial, Trabalhista e Administrativa entre Estados Partes do Mercosul, República da Bolívia e República do Chile, aprovado pelo Decreto n° 6.891, de 2009, que tornaria desnecessário o reconhecimento pelo consulado brasileiro. 21.3. Analisandose o referido acordo, ele tem por objetivo "prestar assistência mútua e ampla cooperação jurisdicional em matéria civil, comercial, trabalhista e administrativa". (art. 1º). Para tanto, os Estados Partes indicarão uma Autoridade Central encarregada de receber e dar andamento a pedidos de assistência jurisdicional em matéria civil, comercial, trabalhista e administrativa", as quais "comunicarseão diretamente entre si, permitindo a intervenção das respectivas autoridades competentes, sempre que necessário." (art.2º) Em outras palavras, é um acordo com espectro de atuação no Poder Judiciário e na cooperação direta Estado a Estado por intermédio de uma autoridade central designado por cada um deles. 21.4. Quando o acordo trata de documentos públicos, o faz nos seguintes termos: " Os documentos emanados de autoridades jurisdicionais ou outras autoridades de um dos Estados Partes, assim como as escrituras públicas e os documentos que certifiquem a validade, a data e a veracidade da assinatura ou a conformidade com o original, e que sejam transmitidos por intermédio da Autoridade Central, ficam isentos de toda legalização, certificação ou formalidade análoga quando devam ser apresentados no território do outro Estado Parte." (art. 26). A despeito de tratar de dispensa de "legalização, certificação ou formalidade análoga", isso se dá somente para os documentos públicos objeto da cooperação jurisdicional e que sejam repassados direto de um Estado a outro por intermédio da autoridade central designada. 21.5. Não se aplica tal acordo ao presente caso, em que o documento é apresentado por particular. Para esse caso continua válido integralmente o disposto no § 2º do art. 26 da Lei nº 9.249, de 1995. Razão pela qual, mantenho a glosa. NOVA IORQUE O crédito pleiteado pela Recorrente foi indeferido, sob o argumento principal de que: "O contribuinte deve questionar, de forma direta e objetiva, a matéria devolvida à instância julgadora, que é apenas aquela expressamente contraditada na peça impugnatória, ou seja, aquela em que está evidenciada, de maneira inequívoca, a reação do contribuinte ao lançamento. Ele tem a obrigação de comprovar que os pagamentos efetuados incidem sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital, não bastando meras alegações ou descrições vagas acerca do sistema tributário do país estrangeiro. Não há como considerar, assim, cumprida a obrigação do § 2º do art. 16 da Lei nº 9.430, de 1996, sem falar na falta de apresentação das demonstrações financeiras a que se refere o inciso I desse dispositivo". Em seu Voluntário, a Recorrente traz os seguintes elementos probatórios: Fl. 4055DF CARF MF 16 Quanto aos impostos pagos ao Estado e o Município de Nova Iorque, entendemos inapropriada a afirmação da RFB de que a legislação apresentada não prevê a incidência de tais impostos sobre o lucro e que se relacionam aos comprovantes apresentados, isso porque os detalhes contidos nos comprovantes e traduções foram criteriosamente colacionados no recurso de manifestação de inconformidade, contudo, sem a devida atenção da RFB. 20. Para tanto, realizaremos nova colação a fim de tornar evidente o cruzamento de informações e comprovantes de pagamento, que em análise detida são suficientes para refutar a alegação de que não há referência ao imposto pago ou de incidência sobre o lucro. 21. Perceba nos exemplos a seguir, tradução do comprovante à fl. 400 e 402, consta descrição expressa indicando o tributo pago "Imposto Estimado do Estado de Nova Iorque", em seguida a indicação do meio utilizado para quitação representado pelo "Formulário CT400", se reportarnos à legislação juntada às fls. 1566, observarseá a nítida correlação sobre o tributo pago do Estado de Nova Iorque e o respectivo comprovante apresentado, que colacionamos a seguir: Eis destacado abaixo, fls. 1566, trecho da legislação traduzida que prevê o recolhimento do Imposto Estimado do Estado de Nova Iorque por meio do formulário CT400: Fl. 4056DF CARF MF Processo nº 10166.723066/201799 Acórdão n.º 1401003.098 S1C4T1 Fl. 4.049 17 De forma equivalente houve omissão da RFB quanto à verificação na legislação anexada aos autos em conciliação aos comprovantes também juntados acerca do Imposto de Renda Estimado da Cidade de Nova Iorque. A exemplificar tal incoerência registrese que dos comprovantes de pagamentos colacionados abaixo, a utilização do formulário "NYC 400B", o qual detém sua previsão na legislação de fls. 1572 a 1580, como segue: Seguem destacadas as imagens do comprovante NYC 400B e descrição traduzida da legislação que aponta o formulário NYC 400B (fls. 1572 e 1574): Fl. 4057DF CARF MF 18 25. Reiteramos ponto de omissão da RFB no que concerne à comprovação de que ambos os impostos do Estado e Cidade de Nova Iorque configuram de fato tributos incidentes sobre o lucro. Essa condição foi cabalmente demonstrada quando da apresentação de manifestação de inconformidade, informes dos quais a DRJ cuidou de suprimir ao proferir a decisão. Dito isso, novamente discorremos sobre o tema nos parágrafos seguintes, a demonstrar os tributos e menções da incidência destes sobre o lucro na legislação regente. 26. Em relação à legislação sobre o Imposto Estimado da Cidade de Nova Iorque, item "Cargas Tributárias (fls. 1554 do Processo 10010.024964/041605)", selecionamos os trechos que denotam a incidência deste tributo sobre a renda líquida, conforme a seguir: 27. De outro lado também, relativamente ao Imposto Estimado do Estado de Nova Iorque, observase que a base de cálculo é integrada pela renda empresarial, o capital empresarial e imposto mínimo, pelo disposto às fls. 1564 e 1566 do Processo 10010.024964/041605: 28. A respeito da legislação tributária americana, os documentos extraídos de sítios dos órgãos arrecadadores americanos referente à Cidade de NY e o Estado de Nova Iorque constituemse de organismos oficiais governamentais, revestindose, portanto, da fidedignidade necessária a validar os comprovantes apresentados, seguem os sites de pesquisa: https://www.tax. nv.qov/pit/estimated tax/who must make.htm https://wwwl.nvc.clov/site/finance/taxes/businessgeneralcorporationtax óct.paqe, 29. Desse modo, julgamos equivocada e omissa a análise da RFB quanto aos impostos pagos em Nova Iorque, em razão da forma elucidativa com a qual a legislação americana se apresenta, ao demonstrar a base de cálculo dos impostos, ratificandose a incidência sobre renda dos impostos pagos, bem como a validade dos comprovantes apresentados, constando suas datas e valores de pagamento, o que Fl. 4058DF CARF MF Processo nº 10166.723066/201799 Acórdão n.º 1401003.098 S1C4T1 Fl. 4.050 19 traduz no cumprimento da condição alternativa prevista na legislação, nos termos do art. 16, § 20, inciso II da Lei n° 9.430/96. Entendo assistir razão ao Recorrente, já que demonstrada a base de cálculo dos impostos e a incidência dos impostos pagos, mediante a apresentação dos necessários comprovantes, reformo a decisão para reconhecer o aproveitamento do valor dos impostos pagos em Nova York. FRANKFURT. O Recorrente reitera o argumento em sede de Voluntário que os comprovantes relativos as despesas incorridas no pagamento do imposto para devidamente apostilados, na forma demonstrada acima e que foram disponibilizados a essa Autoridade Fiscal (anexo), não havendo que se falar na ausência de tal requisito, de modo que a RFB deverá manifestarse pelo reconhecimento do direito creditório relativo ao Imposto de Renda e Adicional de Solidariedade (Kõrperschatfsteuer), assim como, do Imposto Comercial (Gewerbesteur). Referido argumento já foi considerado e afastado a exaustão pela DRJ, ao mencionar que: 26. Em suma, do que se depreende do auto de infração foi que o Banco do Brasil apresentou na DIPJ o valor equivalente a €1.571.537,04 como imposto pago pela agência Frankfurt a deduzir do IRPJ. Intimado a apresentar tabela contendo todos os pagamentos que seriam passíveis de dedução, apresentou a seguinte (fl. 2018): Fl. 4059DF CARF MF 20 26.1 Contudo, a autoridade lançadora entendeu que os comprovantes de pagamento não foram apresentados, fazendo as seguintes observações: (...) foram apresentados apenas 04 comprovantes de pagamentos, conforme tabela 08. Ademais, algumas datas de pagamentos informadas em coluna 01 não conferem com as datas dos comprovantes, coluna 03. Percebese que foram pagos tanto imposto de renda quanto o adicional de solidariedade. 26.2. Analisandose os comprovantes trazidos à baila nas fls. 16071618, a autoridade lançadora tem razão: relacionados com a tabela apresentada pelo próprio contribuinte, apenas constam os pagamentos de €133.016.00 (10/12/2012), €7.315,88 (10/12/2012), €193.411,00 (5/6/2013) e €10.637.60 (5/6/2013), os quais não foram aceitos por não conter o reconhecimento do consulado brasileiro. 27. Na impugnação, o contribuinte aduz que todos os pagamentos (sem dizer exatamente quais: da sua DIPJ ou da tabela que fez depois?) constam do processo nas fls. 2.029 a 2.039. Ressaltese que em tais folhas encontramse parte da manifestação do banco contendo diversas tabelas de pagamentos efetuados, não se referindo à agência Frankfurt. De qualquer forma, apresentou uma tabela (tradução contida nas fls. 16121614), conforme imagem a seguir: 27.1. Analisando o documento anterior, além dos quatro pagamentos considerados pela autoridade lançadora, há mais nove: €431.256,00 (4/9/2012), €4.92300 (10/3/14), €8.390,00 (24/10/14), €777,00 (24/10/14), €7.022,00 (23/10/14), €23.718,76 (4/9/12), €10.637,60 (5/6/13) €271,09 (10/3/14) e € 461,45 (24/10/14). Aparentemente são esses os valores que o impugnante também espera Fl. 4060DF CARF MF Processo nº 10166.723066/201799 Acórdão n.º 1401003.098 S1C4T1 Fl. 4.051 21 ver reconhecidos (desconsideradas as questões formais, pelos quais a autoridade lançadora desconsiderou quaisquer pagamentos). 27.2 Notese que parte desses pagamentos nem consta da planilha feita pelo próprio contribuinte (item 23). Na peça impugnatória, por sua vez, não há nenhuma explicação para este fato ou a que se refere o termo "pagamentos resumidos" contido em dois deles. Mais: não consta exatamente o valor que se requer conhecido na impugnação, fazendo menção apenas ao documento cuja imagem foi colacionada no item 27 supra. 28. De qualquer forma, o reconhecimento desses pagamentos fica pendente da questão formal. Notese que a autoridade lançadora, não obstante ter reconhecido parcialmentesob o aspecto material uma fração dos pagamentos efetuados, não o reconheceu pelo aspecto formal, pois não teria tido o reconhecimento do consulado brasileiro. 28.1. Conforme itens 13 a 19.6, este julgador tem o entendimento que se aplica ao presente caso a Convenção de Haia de Apostilamento. 28.2. O contribuinte apresentou um documento (de uma folha) acerca do apostilamento em alemão, cuja imagem colacionase a seguir: 28.3. Como visto, o selo do apostilamento deve se dar no próprio documento ou em folha apensa, com o título "Apostille", em língua local. O contribuinte, por sua vez, trouxe esse selo num documento avulso, vale dizer, o selo não estava contido no documento que se pretendia apostilar. 28.4. Ademais, o apostilamento não foi traduzido para o português, o que continua sendo obrigatório para a sua validade no processo administrativo fiscal, consoante item 18.2. Não se sabe a qual documento ele se refere. Em relação ao pedido do contribuinte requerendo prazo para trazer a tradução juramentada, indefiroo. O contribuinte não demonstrou a impossibilidade de apresentar a referida tradução. Notese que se trata de uma folha, o que se presume não ser um trabalho demorado. A falta de apresentação junto com a impugnação enseja a preclusão processual de assim proceder, conforme § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 4061DF CARF MF 22 29. Em adição a esses pagamentos, o contribuinte trouxe outro documento na impugnação em que pretende comprovar a dedução dos valores pagos ao governo alemão em relação ao imposto denominado "Gewerbesteur", que é um imposto sobre atividade comercial (e que o impugnante entende ser passível da dedução em tela). Apresentou o seguinte documento no Anexo 2 (fl. 2198): 29.1. Tratase de documento produzido pela agência do Banco do Brasil em Frankfurt, parte em português e parte em alemão (do que se depreende não ter sido produzido pela administração tributária alemã ou de um de seus entes federados), totalizando o valor de €836.505,40. 29.2. Os pagamentos constam da planilha constante do item 26, mas já não tinham sido considerados pela autoridade lançadora. Realmente no procedimento de fiscalização o contribuinte não trouxe os comprovantes de pagamento com o reconhecimento da administração tributária. Na presente impugnação, apresentou o documento colacionado no item 29, que, como visto, não é documento oficial. Desta feita, não há como reconhecer tais pagamentos para fins de dedução. 29.3. Conforme visto nos itens 28 a 28.4, não houve reconhecimento consular. Na folha exatamente anterior ao documento colacionado no item 28.2, apresentouse aquele colacionado no item 29. Não se sabe a qual documento o apostilamento se refere, mas certamente não seria de um produzido pelo próprio contribuinte. Evidentemente que para ser aceito o apostilamento, teria que se saber qual documento foi apostilado pela autoridade alemã. Logo, não há como se reconhecer como cumprido o apostilamento pelo documento apresentado pelo contribuinte. Fl. 4062DF CARF MF Processo nº 10166.723066/201799 Acórdão n.º 1401003.098 S1C4T1 Fl. 4.052 23 Diante do exposto, mantémse a glosa para a dedução dos pagamentos efetuados pela agência Frankfurt TÓQUIO Nos termos do que foi observado pela DRJ: 35.4. Conforme consta do próprio relatório produzido pelo contribuinte, a taxa referente ao valor adicionado possui como base de cálculo: (i) os cursos da mãode obra, (ii) o pagamento de juros, aluguel e (iii) o resultado do exercício corrente. A taxa referente ao capital tem por base de cálculo exatamente o capital da pessoa jurídica. Não há incidência sobre o lucro, renda ou ganho de capital, portanto. 35.5. Já em relação ao "imposto especial", a base informado no relatório seria um multiplicador dos rendimentos tributáveis com a taxa padrão do imposto comercial. Contudo, não houve maiores detalhamentos de cada um dos tributos que o contribuinte quer compensar. Isso sem falar que o próprio relatório dispõe que os valores depreendidos são despesas dedutíveis para o IRPJ (vide transcrição no item 35.1). Não restou clara a base de incidência de tal tributo, não me convencendo de que seria uma parcela incidente sobre lucros, ganhos de capital ou rendimentos, mormente quando se diz que é considerada despesa dedutível do próprio imposto de renda, incide sobre lucro, renda ou ganho de capital. Verificase que em sede de Recurso Voluntário, a recorrente limitase a reprisar os argumentos da impugnação (aplicar art. 57), razão pela qual adoto os fundamentos da DRJ que os rebate a precisão e mantenho a glosa efetuado dos pagamentos que se pretendeu compensar da agência Tóquio. MILÃO Em relação as operações relacionadas à MILÃO, esclarece a Recorrente: 49. Do total do direito creditório pleiteado em relação ao imposto pago na Itália, no valor de R$ 3.542.155,60, a Receita Federal confirmou o valor parcial de R$ 3.207.142,34, resultante da conversão do importe de 1.172.087,00 euros, o que importou na desconsideração dos valores pagos a título de IRAP (códigos 3800 e 3812), resultado que foi mantido pela DRJ Florianópolis. 50. A findar a discussão, quanto à confirmação de que o IRAP é incidente sobre a renda, apresentamos a legislação em língua estrangeira e respectiva tradução juramentada acerca do IRAP Decreto Legislativo° 446 de 15 de dezembro de 1997 (anexo), cuja descrição explica que o referido tributo é incidente sobre o valor da produção líquida, conforme o exposto a seguir: 51. Por todo o exposto, fica assegurado a incidência sobre lucro relativamente ao IRAP, em cumprimento à condição prevista na legislação, nos termos do art. 16, Fl. 4063DF CARF MF 24 § 2°, inciso II da Lei n° 9.430/96, e demonstrações financeiras já constantes do procedimento fiscal n° 10010.024964/041605, juntadas em resposta à Intimação n° 425/2016 — Documento Contadoria n°2016/6688 de 22/06/2016. Feitos esses esclarecimentos voto por dar provimento ao Voluntário para incluir na possibilidade de aproveitamento os valores pagos a título de IRAP (códigos 3800 e 3812),. ARGENTINA — PATAGÔNIA Em relação as operações relacionadas à ARGENTINA, anoto que a glosa foi mantida sob os seguintes fundamentos: 45.1. De um total de 34 pagamentos informados pelo contribuinte, cujo valor total seria de 370.902.670,23 pesos, apenas dois foram apresentados: um de 62.7098.494,16 pesos (13/6/2012) e outro de 186.962.549,82 pesos (14/5/2013), totalizando o valor em reais em R$ 101.123.070,13, conforme tabela a seguir colacionada: 45.2. O percentual de participação do Banco do Brasil no Banco Patagônia é de 58,96% do seu capital. Logo, o valor de R$ 101.123.070,13 (proveniente da conversão do valor de 249.761.043,98 pesos) deve ser proporcionalizado, restando o valor de R$ 59.622.163,15 (de um total de R$ 154.295.510,82 informado na DIPJ). Contudo, mesmo em relação a esses dois comprovantes de pagamento houve a glosa por não terem sido reconhecidos pelo consulado brasileiro. Contrapondo tais fundamentos, o Recorrente esclarece: 65. De acordo com o exposto, encaminhamos os comprovantes complementares dos tributos sobre o lucro pagos por meio de compensação, ressalvandose que estão em língua estrangeira, e serão submetidos à tradução juramentada para posterior juntada ao processo (anexo). 66. Em sentido oposto ao órgão Colegiado Superior, a DRJFlorianópolis assincronicamente restringiu a análise para somente considerar os comprovantes de pagamentos via internet banking, documento VEPAFIP, omitindose acerca das demais parcelas de pagamento do tributo apurado, conforme declaração F.713 — lmpuesto a las Ganancias, que para melhor exemplificar demonstramos no quadro a seguir: 67. A coluna "a" remonta o imposto apurado, tendo as colunas "h" a "f' informado a forma pela qual a gestão empresarial tributária se utilizou para quitação do tributo devido. 68. Nessa perspectiva, necessário que o Fisco empreenda análise conjunta dos documentos já confirmados com as declarações fiscais dos impostos pagos, que demonstram o pagamento do imposto mediante compensação, conforme o dispositivo da IN 213, artigo 14, § 8°. Fl. 4064DF CARF MF Processo nº 10166.723066/201799 Acórdão n.º 1401003.098 S1C4T1 Fl. 4.053 25 Da Dispensa de Legalização de Documentos Estrangeiros 69. Não obstante a exigência da consularização dos documentos relativos ao Imposto de Renda incidente no exterior, fundado na disciplina do art. 26, § 2° da Lei n° 9.249/95, ressaltamos a existência de tratados e acordos multilaterais celebrados entre o Brasil e diversos Estados estrangeiros, os quais têm como premissa a simplificação ou dispensa de legalizações em documentos públicos ou formalidades análogas, nesse sentido, citamse alguns normativos identificados sobre a matéria: a) Decreto n° 8.660/2016 Promulga o Convenção sobre a Eliminação da Exigência de Legalização de Documentos Públicos Estrangeiros, firmada pela República Federativa do Brasil, em Haia, em 05 de outubro de 1961; b) Decreto n° 6.891/2009 —Acordo de Cooperação e Assistência Jurisdicional em matéria Civil, Comercial, Trabalhista e Administrativa entre Estados Partes do Mercosul, República da Bolívia e República do Chile; c) Decreto n° 3.598/2000 Promulga o Acordo de Cooperação em Matéria Civil entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República Francesa, celebrado em Paris, em 28 de maio de 1996; d) Decreto n° 166/1991 Promulga o Convênio de Cooperação Judiciária em Matéria Civil, entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Reino da Espanha 70. Assim, requerse que eventuais falhas identificadas na tradução e consularização dos documentos comprovadores dos pagamentos de tributos efetuados no exterior sejam superadas, em atendimento aos princípios da boafé, da verdade material e da razoabilidade. Diante dos documentos apresentados ao Recurso Voluntário, fls. 2401/3149, possível superar o argumento utilizado pela DRJ para manutenção do lançamento no sentido de que em relação ao pedido de apresentação dos comprovantes de pagamento em momento posterior, sem demonstrar (e não basta meramente alegar) que já está providenciando ou explicar o porquê de não ter apresentado sem falar que já se passaram em torno de seis meses entre a impugnação e o presente julgamento, sem a apresentação do referido documento não há como ser aceito. Dou provimento ao recurso em relação a esse item. Em relação ao demais países ESPANHA — MADRI / PARISFRANÇA, PORTUGAL — LISBOA, mantenho a decisão DRJ no que diz respeito ao acolhimento parcial dos valores exonerando o valor de R$ 10.384.689,59, mais os respectivos juros de mora e multa de ofício, não tendo o Recurso Voluntário trazido novos elementos aptos a justificar a reforma da decisão de piso, ressalvada, em relação a MADRI em que houve a ampliação da exoneração para reconhecer a diferença a título de IRAP, nos termos expostos no item relativo a esse pais. Do confisco. Argui a recorrente que em face da suposta insuficiência dos créditos declarados além do indevido tem intuito meramente arrecadatório sendo de todo confiscatório, violando preceitos constitucionais. Fl. 4065DF CARF MF 26 Quanto ao argumento, observo que à luz do artigo 103, I, da Constituição Federal, o chefe do Poder Executivo, no caso o Presidente da República, tem legitimidade para propor ação direta de inconstitucionalidade sustentando que determinada lei viola da Constituição. Contudo, nem o Presidência da República e tampouco os demais órgãos da Administração podem deixar de cumprir lei sob o pretexto de que esta viola norma Constitucional. Neste sentido, por força do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) A propósito, na mesma linha dos fundamentos anteriormente expostos, a matéria resultou Sumulada junto ao Carf, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Deste modo, não conheço das questões que sustentam a insubsistência do crédito tributário com base em alegações relacionadas à inconstitucionalidade das normas apontadas pela recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso de Ofício e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para restabelecer as glosas relativas aos impostos demonstrados como recolhidos em NOVA IORQUE, MILÃO e ARGENTINA — PATAGÔNIA. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 4066DF CARF MF Processo nº 10166.723066/201799 Acórdão n.º 1401003.098 S1C4T1 Fl. 4.054 27 Fl. 4067DF CARF MF
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