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Numero do processo: 10280.720006/2008-17
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 Ementa: LUCRO ARBITRADO. APURAÇÃO. O Lucro Arbitrado está sob a égide da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e tem aplicação in casu, pela não demonstração dos livros Diário e Razão capazes de satisfazer os trabalhos de fiscalização tendentes a homologar/convalidar o lançamento de tributos federais. FATO GERADOR E BASE DE CÁLCULO. ERRO. INOCORRÊNCIA. Não há vício material na edificação da base de cálculo dos tributos, tendo em vista que o lançamento respeitou período de apuração trimestral, com a demonstração de faturamento de origem mensal. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA. Não há ofensa ao princípio da legalidade entre outros que regem a administração pública, dado a atividade ter respeitado a forma e os limites do art. 142 do Código Tributário Nacional e atendido aos requisitos do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. CSLL, PIS E COFINS. DECORRÊNCIA. Da imputação do principal, decorre a exigência com relação aos demais tributos.
Numero da decisão: 1802-001.425
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, REJEITAR as preliminares suscitadas e no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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SILVEIRA LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 Ementa: LUCRO ARBITRADO. APURAÇÃO. O Lucro Arbitrado está sob a égide da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e tem aplicação in casu, pela não demonstração dos livros Diário e Razão capazes de satisfazer os trabalhos de fiscalização tendentes a homologar/convalidar o lançamento de tributos federais. FATO GERADOR E BASE DE CÁLCULO. ERRO. INOCORRÊNCIA. Não há vício material na edificação da base de cálculo dos tributos, tendo em vista que o lançamento respeitou período de apuração trimestral, com a demonstração de faturamento de origem mensal. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA. Não há ofensa ao princípio da legalidade entre outros que regem a administração pública, dado a atividade ter respeitado a forma e os limites do art. 142 do Código Tributário Nacional e atendido aos requisitos do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. CSLL, PIS E COFINS. DECORRÊNCIA. Da imputação do principal, decorre a exigência com relação aos demais tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, REJEITAR as preliminares suscitadas e no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marciel Eder Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Jose de Oliveira Ferraz Correa e Gustavo Junqueira Carneiro Leao. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720006/200817 Acórdão n.º 1802001.425 S1TE02 Fl. 192 3 Relatório Tratam os presentes de Auto de Infração de IRPJ e reflexos em CSLL, PIS e Cofins originados pelo arbitramento da pessoa jurídica diante da não apresentação de documentação própria capaz de permitir o cálculo dos referidos tributos. A exigência tem como origem o processo administrativo fiscal n° 10280.004505/200511, onde se discutiu sua exclusão do SIMPLES, inaugurado através do Parecer SECAT/DRF/BEL n° 793 de 05/12/2006 constante às fls. 12/16, confirmado pelo Ato Declaratório Executivo (ADE) n° 64, de 05 de dezembro de 2006 (fls. 17) e consolidado em 10/04/2007, pela Equipe de Análise de Processos DRFBELPA. Diante da confirmação de exclusão do SIMPLES, instaurouse o presente processo visando constituir o crédito tributário devido pelo contribuinte. Para isso, foi requerido diversas vezes documentos fiscais do contribuinte, os quais não foram apresentados, conforme Relatório de Encerramento de Fiscalização (fls. 53) que aplicou por derradeiro o arbitramento do lucro: Contribuinte :R L Silveira Ltda Cap Centro de Anestesia do Pará Ltda (sic) Operação : 25101 Simples Descaracterização da Opção Vendas. Períodos Fiscalizado(sic): Ano Calendário de 2005 e 2006 2. Dos Fatos A Ação fiscal teve como embasamento, o Parecer SECAT/DRF/BEL, N° 793 de 05.12.2005 do Processo 10280.004505/200511, fls 12 a 17, encaminhado à SAPAC/DRF/BEL, para cobrança da multa que trata o art.21 da Lei 9.317/96 e lançamento de eventuais tributos devidos em virtude da exclusão da PJ da Sistemática do Simples a partir de 01.01.2005, através do ADE/DRF/BEL n° 64 de 05.12.2006, mesma data de sua opção por este regime de Tributação. Como foi excluído Simples na mesma data da inclusão a SAPAC/DRF/BEL concluiu uq (sic) por não haver base de cálculo aplicável ao caso não haveria aplicação da multa solicitada, doc fls. 10 e 11. Intimado várias vezes a apresentar os documentos fiscais e Contábeis, fls. 04 e 18 a 21, somente apresentou os extratos Bancários do Bradesco do período de 01.01.2005 a 31.12.2005, fls. 22 a 50. Com Base nestes extratos apuramos mensalmente , os Valores Depositados , doc às fls. 51 e 52 e Autuamos o Contribuinte Arbitrando o seu Lucro. Inconformado com o arbitramento do lucro e ao conseqüente lançamento de ofício, o contribuinte apresentou impugnação, que se sujeitou à análise da 1a Turma da Fl. 206DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 DRJ/BEL, cujo relatório parte integrante do Acórdão n° 0122.751, (fls. 151) colaciono a seguir: Versa o presente processo sobre auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Programa de Integração Social PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, no valor total de R$ 265.579,37, incluídos os acréscimos legais, referente aos anoscalendário de 2005 e 2006. O arbitramento teve como base a receita bruta conhecida apurada através de extrato bancário apresentado pelo autuado. Cientificado do lançamento em 23/01/2008 apresenta impugnação em 01/02/2008 onde alega em síntese que: 1. houve erro material na determinação do fato gerador, pois a fiscalização descreveu ora 3 (três), ora 4 (quatro) fatos geradores para a mesma data trimestral; 2. após ser excluída do SIMPLES, apresentou espontaneamente, sua DIPJ 2007, anocalendário 2006, com base no Lucro Presumido, opção essa que não foi respeitada pela fiscalização; 3. o PIS, a COFINS (sic) e a CSLL também devem ser considerados IMPROCEDENTE (sic) por acompanhar o resultado do primeiro; 4. a ação fazendária encontrase eivada de nulidade, em razão de desrespeitar diversos princípios estabelecidos na Constituição Federal. Naquela oportunidade, a nobre turma julgadora entendeu pela improcedência da impugnação, conforme seguinte ementa (fls. 150): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, não apresentar os livros e documentos de sua escrituração. ERRO NA DETERMINAÇÃO DO FATO GERADOR E BASE DE CÁLCULO. INOCORRÊNCIA. O lançamento em questão observou o correto período de apuração, não contendo vício de ordem material. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA. Não há de se cogitar da materialização de hipótese de ofensa a princípios constitucionais quando os lançamentos se pautaram nos pressupostos jurídicos, declarados no enquadramento legal, Fl. 207DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720006/200817 Acórdão n.º 1802001.425 S1TE02 Fl. 193 5 e fáticos, esses coadunados com o conteúdo econômico das operações comerciais do contribuinte. CSLL, PIS E COFINS. DECORRÊNCIA. Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das Contribuições Sociais, aplicase no que couber o que foi decidido em relação àquele. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada do Acórdão em 28/10/2011, apresentou Recurso Voluntário em 23/11/2011, requerendo em apertada síntese pela improcedência do lançamento, ratificando o feito de sua impugnação acerca de suposto excesso de tributação na caracterização do fato gerador, que sustenta evidenciar vício material e formal na constituição do lançamento, e violação aos princípios da verdade material, da legalidade, da impessoalidade e da eficiência. Em síntese, o relatório. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e preenche aos requisitos de admissibilidade. Dele, tomo conhecimento. Primeiramente é de se ressaltar, que já está consolidada a exclusão do SIMPLES da recorrente para os períodos de que trata a exigência fiscal, nos autos do processo n° 10280.004505/200511, conforme consulta eletrônica no site Comprot, verificandose que se encontra referido processo devidamente arquivado (Arquivo Geral da SAMF/PA). Desta forma, não cabe mais quaisquer considerações a respeito, em atenção ao princípio da segurança jurídica, estando consolidados os efeitos do Ato Declaratório Executivo n° 64, de 05 de dezembro de 2006. Vencida esta prefacial, há que se validar os demais pontos argüidos pela recorrente. Neste sentido, suscita haver vício material, conforme narrativa (fls. 188): 1° A Fiscalização descreveu que fez arbitramento do lucro e denominou a infração como Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada, e relacionou como Fatos Geradores: 3 (três) para a data de 31/03/2005; 3 (três) valores para a data 30/06/2005; 3 (três) valores para a data 30/09/2005; 3 (três) valores para a data de 31/12/2005; 2 (dois) valores para a data 31/03/2006; 3 (três) valores para a data 30/06/2006; 3 (três) valores para a data 30/09/2006 e 3 (três) valores para a data 31/12/2006, como se depreende da leitura nas folhas 55 e 56 do processo. [...] 3° Como se vê o flagrante erro de vício material praticado pela fiscalização que descreveu ora 3 (três) fatos geradores para a mesma data para os quatro trimestres do anocalendário de 2005, e para os três últimos trimestres do anocalendário de 2006, e para o primeiro trimestre de 2006 descreveu 2 (dois) fatos geradores para a mesma data, o que torna improcedente o lançamento, por se tratar de erro insanável, uma vez que contrariou literalmente à disposição legal acima citada (art. 530 RIR/99), que não prevê 2 (dois) ou 3 (três) fatos geradores para a mesma data.(Grifo no original) Ora, verifico dos autos que não procede o vício material alegado. Neste sentido, o documento de fls. 51/52 demonstra com base nos extratos bancários fornecidos pela recorrente, os valores levados à tributação. Dada a apuração dos tributos exigidos ser trimestral, foi separado no auto de infração demonstrativo do lançamento mês a mês, embora o “fato gerador” seja o mesmo, pertencendo a cada trimestre relativo. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720006/200817 Acórdão n.º 1802001.425 S1TE02 Fl. 194 7 O fato de haver apenas “2 (dois) valores para a data 31/03/2006” verificase ocorrido por não haver movimento relativo ao mês de fevereiro de 2006 imputado pela fiscalização. Portanto, não há que se falar em vício material, merecendo persistir a cobrança nesta parte, eis que a recorrente não comprova e nem sequer alega a inimputabilidade dos valores considerados pelos extratos bancários como não sendo receita. Em sendo o caso, deveria a recorrente comprovar que os valores que sofreram o arbitramento não fizeram parte da receita da empresa, atendendo ao disposto no art. 333 do Código de Processo Civil: Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Não realizada essa comprovação, atesto não ter ocorrido vício material capaz da julgar pela improcedência do lançamento. Num segundo plano, a recorrente argui que realizou a opção para o ano calendário de 2006 no Lucro Presumido, através da Declaração de Informações Econômico Fiscais – DIPJ de 2007, a qual, não foi respeitada pela fiscalização. Neste sentido, é de se ressaltar que o lucro arbitrado é decorrente de fatos que tornem imprestável a escrituração de forma a impedir a efetiva identificação da movimentação financeira, nos termos do art. 530, II do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). Um desses indícios é retratado pelos incisos III e VI desse mesmo artigo acima, senão vejamos: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; Fl. 210DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. Tal comando é senão positivado pelo teor do art. 47 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995: Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o DecretoLei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de cumprir o disposto no § 1º do art. 76 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958; VII o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. VIII – o contribuinte não escriturar ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros ou registros auxiliares de que trata o § 2o do art. 177 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e § 2o do art. 8o do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 211DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720006/200817 Acórdão n.º 1802001.425 S1TE02 Fl. 195 9 § 1º Quando conhecida a receita bruta, o contribuinte poderá efetuar o pagamento do Imposto de Renda correspondente com base nas regras previstas nesta seção. § 2º Na hipótese do parágrafo anterior: a) a apuração do Imposto de Renda com base no lucro arbitrado abrangerá todo o anocalendário, assegurada a tributação com base no lucro real relativa aos meses não submetidos ao arbitramento, se a pessoa jurídica dispuser de escrituração exigida pela legislação comercial e fiscal que demonstre o lucro real dos períodos não abrangido por aquela modalidade de tributação, observado o disposto no § 5º do art. 37; b) o imposto apurado com base no lucro real, na forma da alínea anterior, terá por vencimento o último dia útil do mês subseqüente ao de encerramento do referido período. In casu, restou evidenciada a não demonstração dos documentos pertinentes e próprios à validação da escrituração da recorrente, o que obrigou a fiscalização a apurar o tributo via lançamento de ofício através do lucro arbitrado, assim como ordena a legislação. Assim, não há que se falar do “momento” em que “houve opção” pela apuração, tendo em vista que o comando legal dispõe ser aplicável o lucro arbitrado quando a escrituração fiscal e contábil impossibilitar os trabalhos de fiscalização tendentes a apurar o tributo. Neste sentido, temse como imprescindível a demonstração dos livros Diário e Razão, comprovando a apuração do lucro, no caso de apuração do lucro real, ou a constatação das receitas no caso de apuração do lucro presumido. Portanto, ainda que a recorrente tenha optado pela forma de apuração que lhe pareceu mais favorável, cabe à fiscalização convalidar a validade dessa apuração, e, não se prestando a documentação para os fins a que se destina, sendo, portanto, imprestável, acarreta a apuração pelo lucro arbitrado, conforme já decidido por este Conselho: FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. A falta de apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais impossibilita a apuração do lucro real, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável, mormente quando não comprovada a sua destruição em enchente, causadora de sinistro nas dependências da empresa, quando não atendidas as exigências contidas no art. 210 §1°, do RIR/94, com a comunicação à repartição fiscal e ao órgão de registro do comércio, a publicação tempestiva da notícia do ocorrido em jornal de grande circulação e a tentativa de reconstituição da escrita contábil. (1° CC, 8a Câmara, Acórdão n° 10807.624, julgado em 04.12.2003)(Grifouse.) Fl. 212DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 Ressaltase ainda, que após a decretação do lucro arbitrado, incabível e sem validade a demonstração dos documentos que lhe conduziram a essa condição, conforme já sumulado por este Conselho: Súmula CARF n° 59. A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. Ademais, é de se atestar que não há nulidade capaz de se averiguar no processo, conforme hipóteses do art. 59 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1° A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2° Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3° Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe falta. Por derradeiro, a recorrente pede pela aplicação do princípio da legalidade, oportunidade em que estende aos demais princípios do art. 37 da Carta Magna. Como já disposto e estando reflexo ao próprio Auto de Infração, o procedimento fiscal atendeu a tais princípios, sobretudo o princípio da legalidade. A autoridade fiscal procedeu conforme manda a Lei, na boa forma do trazido pelo Código Tributário Nacional – Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720006/200817 Acórdão n.º 1802001.425 S1TE02 Fl. 196 11 Em decorrência da manutenção da exigência quanto ao IRPJ, decorrese CSLL, PIS e COFINS, na forma em que reflexos. Diante de todo o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marciel Eder Costa Relator Fl. 214DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 11065.002178/2009-01
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PRELIMINAR DE OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL.
Acato o argumento contido na preliminar, não pela suposta ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, mas pelo enquadramento do fato às determinações da Súmula CARF nº 76.
O lançamento, como bem delineado no acórdão recorrido (fls. 234) foi realizado no âmbito da estrita competência do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil.
A fundamentação legal utilizada pela fiscalização, o art. 89 da Lei nº 8.212/91 c/c o § 6º do art. 44 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, demonstra a correção quando da constituição do crédito tributário.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-002.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para acatar a preliminar não pela suposta ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, mas pelo enquadramento do fato às determinações da Súmula CARF nº 76.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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LEYHD CALÇADOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PRELIMINAR DE OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. 1. Acato o argumento contido na preliminar, não pela suposta ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, mas pelo enquadramento do fato às determinações da Súmula CARF nº 76. 2. O lançamento, como bem delineado no acórdão recorrido (fls. 234) foi realizado no âmbito da estrita competência do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. 3. A fundamentação legal utilizada pela fiscalização, o art. 89 da Lei nº 8.212/91 c/c o § 6º do art. 44 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, demonstra a correção quando da constituição do crédito tributário. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para acatar a preliminar não pela suposta ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, mas pelo enquadramento do fato às determinações da Súmula CARF nº 76. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 21 78 /2 00 9- 01 Fl. 283DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11065.002178/200901 Acórdão n.º 2803002.075 S2TE03 Fl. 3 2 Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11065.002178/200901 Acórdão n.º 2803002.075 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições destinadas a outras entidades ou fundos, denominados de Terceiros (Salário Educação, SESI, SENAI, SEBRAE e INCRA), incidente sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês aos segurados empregados. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 29 de junho de 2011 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2008 Auto de Infração – AI 37.205.5206 CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. A constitucionalidade e a legalidade das leis são vinculadas para a Administração Pública. RECOLHIMENTO. APROVEITAMENTO. Não há que se falar em recolhimento de contribuição quando não efetuado no NNPJ da autuada. NULIDADE. Não há nulidade do auto de infração quando identificado o respectivo sujeito passivo e demonstradas, de forma suficiente, a origem e a composição dos valores lançados, inclusive no que respeita às respectivas bases legais. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva beneficiária do trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços através de empresa interposta, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Em preliminar o contribuinte alega ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, na medida em que desconsidera os já efetuados – e regular – recolhimentos das contribuições patronais destinadas a outras entidades ou terceiros efetuadas por Hanyvery Calçados Ltda. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11065.002178/200901 Acórdão n.º 2803002.075 S2TE03 Fl. 5 4 Com argumentos fundados em análises superficiais, sem provar a efetiva ocorrência (por documentos ou qualquer outro meio que não sejam consolidados com base em meras conjecturas) do fato jurídico tributário ou o procedimento do sujeito passivo que se configure como infração à legislação tributária, teve desconsiderada a relação jurídica, por suposta simulação na terceirização de atividades produtivas, a ora recorrente, sendo equivocadamente autuada. Sobreveio decisão, consubstanciada no acórdão da 7ª Turma da DRJ/POA (fls. 2002007), no sentido de julgar improcedente a impugnação interposta, mantendo a exação fiscal – com o que não concorda a contribuinterecorrente, eis que, além das demais ilegalidades, sequer restou considerado, que este Auto de Infração, lança – novamente – valores já corretamente recolhidos. Os serviços prestados por pessoas jurídicas não podem ser desconsiderados sem prova robusta e concreta da presença dos requisitos caracterizados da relação de emprego, pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação. Sem eles, não há como reconhecer os segurados de Hanyvery Calçados Ltda como empregados da recorrente. Digase, ainda, que tal competência pertence ao Auditor do Trabalho vinculado ao M.T.E. O lançamento é equivocado e desmedido. Não há documento algum que erija a recorrente à categoria de empregadora da mãodeobra pertencente efetivamente à sua terceirizada. Em relação à composição societária, não há nenhuma ilegalidade. Não há vedação legal que impeça a empresa apontada no relatório fiscal, de prestar serviços de industrialização por encomenda a um único cliente. Não há razão de fato, e nem de direito, que dê guarida a desconsideração da relação jurídica entre a prestadora de serviços e a recorrente. É direito/dever do contribuinte, até para fazer frente ao mercado externo, escolher, dentre as várias alternativas legais, a menos onerosa no planejamento de sua produção industrial. Houve recolhimento válido à previdência social e que não foi considerado pelo fisco. Ante o todo exposto, requer: a) O recebimento das presentes razões recursais – eis que tempestivas e de direito da parte que as interpõe, e; b) Seja analisada a preliminar de ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, pelo fato de o acórdão nº 1032.268, da 7ª Turma – DRJ/POA, não ter considerado o recolhimento de contribuições previdenciárias validamente operado – impondo se a reforma do julgado e a decretação de nulidade do AI que deu origem ao feito; Fl. 286DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11065.002178/200901 Acórdão n.º 2803002.075 S2TE03 Fl. 6 5 c) Por ocasião do julgamento do mérito, seja dado total provimento ao presente recursos voluntário, reformandose integralmente o Acórdão nº 1032.268 – 7ª Turma da DRJ/POA, com o fito de que seja declarado totalmente nulo o Auto de Infração DEBCAD nº 37.205.5206 (inclusive no que concerne a juros, correção monetária e multa), processo nº 11065.002.178/200901. Reforçamse todos os fundamentos e postulações já veiculados na impugnação e resposta à diligência constantes dos autos. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11065.002178/200901 Acórdão n.º 2803002.075 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em preliminar o contribuinte alega ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, na medida em que o fisco desconsidera os já efetuados – e regular – recolhimentos das contribuições patronais e ao SAT, efetuadas por Hanyvery Calçados Ltda. Acato o argumento contido na preliminar, não pela suposta ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, mas pelo enquadramento do fato às determinações da Súmula CARF nº 76, verbis: Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Vêse, contudo, não ser o caso de efetiva exclusão do Simples, mas de constatação, pela fiscalização (Relatório Fiscal, fls. 25 a 40), e demais elementos de provas carreados aos autos, de quem seria o efetivo empregador dos trabalhadores supostamente contratados pela empresa Hanyvery Calçados Ltda, in casu, a ora recorrente. Como a matéria diz respeito a um mesmo grupo de segurados a serviço da recorrente, não resta dúvida de que no cômputo final do devido, deve ocorrer o aproveitamento da parte já recolhida pela empresa interposta, devendo a empresa autuada recolher a diferença apurada. Destarte, quando da apuração do devido, a autoridade administrativa incumbida desse mister deve se ater às determinações contidas na Súmula CARF nº 76. Com efeito, não vislumbro nestes autos, a caracterização de decisão lastreada em análise superficial, sem provar a efetiva ocorrência do fato jurídico tributário ou de procedimento do sujeito passivo que se configure como infração à legislação tributária, como alega a recorrente. O lançamento, como bem delineado no acórdão recorrido (fls. 234) foi realizado no âmbito da estrita competência do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. A fundamentação legal utilizada pela fiscalização, o art. 89 da Lei nº 8.212/91 c/c o § 6º do art. 44 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, demonstra a correção quando da constituição do crédito tributário. Portanto, não há que se falar em lançamento equivocado e desmedido. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11065.002178/200901 Acórdão n.º 2803002.075 S2TE03 Fl. 8 7 A questão de ser ou não direito do contribuinte valerse de alternativas legais e menos onerosa no planejamento de sua produção industrial não se aplica à situação vertente, tendo em vista que a opção adotada malfere a legislação em vigor, conforme bem explicitado no relatório fiscal e na decisão recorrida. Por último, as matérias que foram objeto da impugnação e não aventadas no recurso não serão apreciadas, em face do art. 17 do Decreto nº 70.235/72 que estabelece que “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO. Acato a preliminar, não pela suposta ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, mas pelo enquadramento do fato às determinações da Súmula CARF nº 76. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 19679.012479/2004-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Exercício: 2002
Ementa: PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE INCENTIVOS FISCAIS.
DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Para obtenção de benefício fiscal, o artigo 60 da Lei 9.069/95 prevê a demonstração da regularidade no cumprimento de obrigações tributárias em face da Fazenda Nacional. Segundo entendimento sumulado pela Corte Administrativa, “para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72”.
Numero da decisão: 1102-000.779
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2002 Ementa: PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE INCENTIVOS FISCAIS. DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Para obtenção de benefício fiscal, o artigo 60 da Lei 9.069/95 prevê a demonstração da regularidade no cumprimento de obrigações tributárias em face da Fazenda Nacional. Segundo entendimento sumulado pela Corte Administrativa, “para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72”. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Presidente. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO 2 EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, José Sergio Gomes, João Otávio Opperman Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, Silvana Rescigno Guerra e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Quarta Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo SP assim ementado, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 PERC. PROVA DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. Nos termos do art. 60 da Lei 9.069/95, a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo fiscal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. Solicitação Indeferida.” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Tratase de processo de Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais PERC, relativo ao anocalendário de 2001, formulado em 23/09/2004, pela empresa acima identificada. O "EXTRATO DAS APLICAÇÕES EM INCENTIVOS FISCAIS" aponta a ocorrência "11 — CONTRIBUINTE COM DÉBITOS DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES E/OU IRREGULARIDADES CADASTRAIS (LEI 9069/95 ART. 60)". Os dados da Ficha 29 — Aplicações em Incentivos Fiscais, da DIPJ/2001/2002, à fl. 19, mostram a destinação de parcela (R$ 485.710,90) do imposto de renda para aplicação no FINAM (fls. 1 a 36). O interessado, com base nos extratos de fls. 14 a 20, foi intimado (Intimação n.° 258/2008, à fl. 21), em 26/06/2008 (fl. 39), a solucionar, em 30 dias, as seguintes pendências (fl. 21): I 1 apresentar Certidão Negativa ou Positiva com efeito de Negativa de Dívida Ativa da União, emitida pela PFN, pois há débitos inscritos na Dívida Ativa da União; 2 apresentar Certidão Negativa de Débitos do INSS; 3 apresentar Certificado de Regularidade do FGTS, emitido pela CEF. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 19679.012479/200414 Acórdão n.º 110200.779 S1C1T2 Fl. 2 3 Feita nova verificação, o PERC foi indeferido, em 19/11/2008 (fls. 38 a 40 e ,verso), pois constatouse a existência das seguintes pendências impeditivas: "INFORMAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL PESSOA JURÍDICA — PERC (...) Face às verificações efetuadas de acordo com a NE SRF/CORAT/COSIT N., 02/2004, proponho que o pedido seja indeferido. (...) Após análise do processo de acordo com a NE/SRF/COSAR/COSIT n.° 02 de 14 de maio de 2004, foi constatado que o contribuinte possuía pendências impeditivas a liberação do incentivo. Foi, então, o contribuinte intimado em 26/06/2008 a ;regularizar tais pendências, conforme consta à fl. 21. Feita nova análise da regularidade fiscal, foi constatado que ainda havia pendências impeditivas à liberação do Incentivo, conforme consta no relatório à pagina 38. Tendo em vista que a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativo a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais (Lei 9069/95, art 60), proponho que o processo de PERC Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, do exercício de 1998, seja indeferido." A empresa apresentou manifestação de inconformidade, protocolizada em 16/12/2008 (fls. 41 a 46), alegando, em síntese, o seguinte: 1 optou, por meio de indicação na Ficha 29 da DIPJ/02, por aplicar parte do IRPJ no FINAM; 2 não tendo havido a ordem de emissão para o FINAM, protocolou Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC relativo ao exercício de 2002 ano calendário de 2001, indeferido, conforme intimação n.° 6234/2008, em razão de irregularidades na sua situação fiscal; 3 será demonstrado que não há quaisquer pendências que impossibilitem a concessão dos incentivos fiscais; 4 cumpre, de início, insurgirse contra o procedimento adotado pela Administração para a averiguação da sua situação fiscal; 5 o fundamento principal da decisão foi de que, para fins de aplicação do art. 60, da Lei n.° 9.069/95, a autoridade deve Fl. 320DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO 4 verificar a regularidade fiscal do contribuinte na data em que analisa o PERC, desconsiderandose a regularidade da pessoa jurídica quando da apresentação da DIPJ, momento no qual se dá a opção pelo incentivo, conclusão com a qual a não concorda, pois essa posição não se coaduna com a interpretação sistêmica da legislação de regência da Matéria, sendo que a melhor interpretação para a definição da data da regularidade fiscal é a da data da entrega da DIPJ, visto que este critério (i) trata de forma igualitária o período de fruição do beneficio e a regularidade fiscal do contribuinte e (ii) oferece previsibilidade e segurança jurídica a ele; traz diversos argumentos, bem como jurisprudênc1 ia administrativa para respaldar sua tese; 6 quanto às pendências apontadas ,vejase que: a) Sistema Sief Débito em cobrança Saldo devedor principal de R$ 100.594.51: tratase de parte do valor de ajuste anual de IRPJ do anocalendário de 2003; o valor total do ajuste é de R$ 1.117.630,14, do qual R$ 229.252,34 (doc. 3) foi pago com DARF's e R$ 582.014,03 (doc. 4) foi compensado com PER/DCOMP's de n° 01696.65292.260204.1.3.030665, de R$ 205.769,26 (doc. 5) e de n.° 25676.88686.260204.1.3.038566, retificado pela de n° 29898.56534.050107.1.7.033755 (docs. 6 e 7), de $ 100.594,51; ou seja, o valor do ajuste anual de IRPJ do anocalendário de 2003 foi pago em sua totalidade, embora tais PER/DCOMP's, ao que tudo indica, não tenham sido analisados Pela Receita Federal do Brasil, fato que não pode prejudicar o contribuinte; b) inscrição 80.7.04.00081835: foi objeto de Pedido de Revisão protocolado em 04/05/2004 (doc. 5), pendente de análise até o momento (doc. 8); são valores de PISFaturamento dos meses de março (R$ 14.430,16), abril (R$ 10.928,71), maio (R$ 12.299,36) e junho (R$ 10.356,85) de 1999, totalizando R$ 48.015,08, que estavam com à exigibilidade suspensa em virtude de medida liminar em Mandado de Segurança n° 1999.61.00.015652.5 (doc. 10), ajuizado para assegurar o direito de adotar como base de cálculo do PIS o faturamento, entendido como as receitas de venda de bens e de prestação de serviços, afastando a base de cálculo expandida do art. 3º, § 1°, da Lei n° 9.718/98, tendo o processo transitado em julgado com decisão favorável ao contribuinte (doc. 11), de forma que essa inscrição é indevida; c) inscrição 80.6.04.00304900: foi objeto de Pedido de Revisão protocolado em 21/05/2004 (doc. 12 pendente de análise até o momento (doc. 13); tratase da CSLL de R$ 71.365,39, devida no mês de junho/1999, que estava sendo discutida no Mandado de Segurança n° 98.00058273 (doc. 14), que visava deduzir a CSLL da base de cálculo do IRPJ e da sua própria base de cálculo; a ação foi julgada improcedente (doc. 15) e foi proposta Medida Cautelar para não ser compelida ao pagamento desse valor de CSLL (doc. 16), não concedida (doc. 17), razão pela qual foi efetuado, em 30/04/2002, depósito judicial dos valores devidos de CSLL dos anos de 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 e 2002 em um único DARF, inclusive com acréscimos legais, no valor total de R$ 1.172.243,64 (doc. 18); Fl. 321DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 19679.012479/200414 Acórdão n.º 110200.779 S1C1T2 Fl. 3 5 COMPOSIÇÃO DO DEPÓSITO JUDICIAL — R$ 1.172.243,64 d) em 31/07/2002, com base no art. 11 da MP n.° 38 de 15/05/2002, requereu a desistência parcial dessa medida cautelar no que tange à dedução da de esa da CSLL da sua própria base de cálculo (doc. 19), devidamente homologada (doc. 20), solicitou a conversão em renda da União dos valores depositados judicialmente; em 28/08/2002, nos termos da Portaria Conjunta SRF/PGFN n° 900/02, e protocolou na Receita Federal requerimento de desistência de ações judiciais (doc. 21) e, em 08/04/2003, protocolou na Receita Federal cópia da decisão homologatória (doc. 22) proferida nos autos da Apelação em Mandado de Segurança n° 2001.03.99.0052414 de desistência e renúncia parcial da ação judicial. Portanto, essa inscrição é indevida, pois o valor foi integralmente pago nos termos da MP n.° 38/2002; e) inscrição 80.2.04.00238584: IRPJ devido no mês de junho/1999, de R$ 188.917,27, que ainda está sendo discutido no Mandado de Segurança n° 98.00058273 (doc. 14), mencionado no item "c"; em 30/04/2002, para suspender a exigibilidade, efetuou depósito judicial no valor de R$ 422.371,78, que corresponde ao valor do principal de R$ 188.917.27, mais a multa de R$ 37.783.45, Juros Selic de R$ 157.273,63 e encargos legais de R$ 38.397,43 (doc. 23); portanto o débito é indevido, pois está com a exigibilidade suspensa nos termos do inciso IV do art. 151 do CTN; f) nos termos dos incisos II e IV do art. 151 do CTN, nas datas de inscrição em dívida ativa, os valores de PIS dos meses de março, abril, maio e junho de , 1999, já estavam com a exigibilidade suspensa em virtude da medida liminar em mandado de segurança, bem como os valores da CSLL e IRPJ de junho de 1999, em decorrência dos depósitos judiciais; desse modo, não poderiam ter sido inscritos em dívida ativa da União no ano de 2004, ou ao menos, não poderia servir de base para o indeferimento do Incentivo Fiscal; g) quanto aos débitos do sistema PROFISC, são CSLL e IRPJ dos anoscalendário de 2000 a 2002, que, por serem cobranças indevidas, apresentou recursos contestandoas (docs. 21 e 22), que aguardam julgamento na DRJSPO (docs. 23 e 24), e cuja exigibilidade está suspensa (doc. 25); h) assim, os débitos inscritos em dívida ativa 80.7.04.00081835 (PIS), 80.6.04.00304900 (CSLL) e 80.2.04.00238584 (IRPJ), bem assim os débitos do sistema PROFISC, não podem motivar o indeferimento do PERC, pois o contribuinte está em situação fiscal regular e só não apresentou \a Certidão Negativa em virtude de erro da própria Receita Federal, que inscreveu indevidamente em dívida ativa débitos com exigibilidade Fl. 322DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO 6 suspensa e até o momento não analisou os pedidos de revisão dos débitos indevidamente inscritos. É o relatório.” Em síntese, o acórdão recorrido rejeitou a manifestação de inconformidade apresentada sob o fundamento de que o momento apropriado para a verificação da regularidade fiscal do contribuinte é justamente a data de expedição do Despacho Decisório, conforme precedentes do 1° Conselho de Contribuintes sobre a matéria. Nesse sentido, em não tendo sido demonstrada a regularidade fiscal do contribuinte no momento que lhe fora solicitado pela Fiscalização (anocalendário de 2008 – fls 26 e ss), o pedido de revisão de ordem de emissão de incentivos fiscais – PERC relativo ao anocalendário de 2001 deve ser indeferido. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte reproduz suas razões de impugnação, notadamente no tocante ao momento adequado para a verificação pela Fiscalização da regularidade Fiscal da Contribuinte para fins de acolhimento do PERC. É o relatório. Voto Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO O recurso voluntário é tempestivo e interposto por parte legítima, pelo que dele tomo conhecimento. Cingese a controvérsia, pois, em estabelecer a interpretação que deve ser dada ao art. 60 da Lei n. 9.069, de 1995, especialmente no que se refere ao momento da regularidade fiscal a ser comprovada pelo contribuinte. Citada legislação não faz expressa menção se o referido momento seria o do fato gerador, o da data da opção, o do indeferimento pelo Fisco ou, ainda, o momento do julgamento definitivo do PERC. Citada controvérsia encontrase superada nesta Corte Administrativa por força da edição da Súmula CARF n. 37, verbis: “Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72.” Diante da edição de referida súmula, impõese o afastamento das razões do acórdão recorrido para justificar o indeferimento do direito de fruição do incentivo fiscal pelo Contribuinte, porquanto todas elas reportamse à situação fiscal da Contribuinte em 2008 (fls 26 e ss) e não na data da entrega da DIPJ relativa ao anocalendário de 2001, momento em que a Contribuinte optou por destinar parcela do imposto de renda ao fundo de investimento FINAM. Nesse sentido, ausente demonstração pela Fazenda Nacional de que a situação fiscal da Contribuinte era irregular no momento da opção do benefício fiscal, oriento Fl. 323DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 19679.012479/200414 Acórdão n.º 110200.779 S1C1T2 Fl. 4 7 meu voto no sentido de conhecer do recurso voluntário interposto para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator Fl. 324DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO
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Numero do processo: 11020.900145/2008-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 Ementa: DCOMP. COMPENSAÇÃO. DIVERGÊNCIAS NAS DECLARAÇÕES. DIPJ. DCTF. FALTA DE CERTEZA DO CRÉDITO. Para a efetivação da compensação pretendida, é exigência legal que o crédito pretensamente utilizado pela contribuinte goze dos atributos de liquidez e certeza. A existência de inconformidade nas Declarações DIPJ e DCTF apresentadas, impedem, no caso, a existência da certeza do suposto direito creditório pretendido. Apesar de devidamente intimada, a contribuinte não promovera, ao tempo e modo devido, a necessária retificação de suas declarações, não sendo possível, assim, a admissão da compensação pretendida.
Numero da decisão: 1301-000.857
Decisão: Acordam os membros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 Ementa: DCOMP. COMPENSAÇÃO. DIVERGÊNCIAS NAS DECLARAÇÕES. DIPJ. DCTF. FALTA DE CERTEZA DO CRÉDITO. Para a efetivação da compensação pretendida, é exigência legal que o crédito pretensamente utilizado pela contribuinte goze dos atributos de liquidez e certeza. A existência de inconformidade nas Declarações DIPJ e DCTF apresentadas, impedem, no caso, a existência da certeza do suposto direito creditório pretendido. Apesar de devidamente intimada, a contribuinte não promovera, ao tempo e modo devido, a necessária retificação de suas declarações, não sendo possível, assim, a admissão da compensação pretendida.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004 Ementa: DCOMP. COMPENSAÇÃO. DIVERGÊNCIAS NAS DECLARAÇÕES. DIPJ. DCTF. FALTA DE CERTEZA DO CRÉDITO. Para a efetivação da compensação pretendida, é exigência legal que o crédito pretensamente utilizado pela contribuinte goze dos atributos de liquidez e certeza. A existência de inconformidade nas Declarações DIPJ e DCTF apresentadas, impedem, no caso, a existência da certeza do suposto direito creditório pretendido. Apesar de devidamente intimada, a contribuinte não promovera, ao tempo e modo devido, a necessária retificação de suas declarações, não sendo possível, assim, a admissão da compensação pretendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma acordam, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (Assinado digitalmente) Alberto Souza Pinto Junior Presidente. (Assinado digitalmente) Carlos Augusto de Andrade Jenier Relator. Fl. 920DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier Relatório Por bem apresentar a realidade expressa nos autos, adoto o relatório indicado pela r. decisão recorrida: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (DCOMP) de n° 27531.35023.031106.1.7.025385, transmitida em 03/11/2006, com dito crédito de saldo negativo de imposto de renda da pessoa jurídica— IRPJ, do período de apuração de 01/01 a 31/12/2004, no valor de R$ 192.540,85, dos quais pretendia com o valor de R$ 186.816,12, compensar débito de COFINS do PA de Set12005, Out/2005, Nov/2005, Dez/2005 e de IRPJ e CSLL, estimativas mensais de Dez13005 e Jan12006, respectivamente, no valor total de R$ 233.370,70. 2. A interessada foi intimada pela RFB para retificar, no prazo 20 dias, a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP . retificador indicando corretamente o período de apuação do saldo negativo e o detalharnénto do crédito utilizado na sua composição. A intimação, n° 672795063, de 28/02/2007, foi recebida pela interessada em 02/03/2007, cf. AR de fl. 10 e, posteriormente, outra intimação de n° 676031653, substituindo a anterior para retificar o exercício para 2005, expedida em 26/03/2007, com as mesmas exigências, e recebida pela interessada em 02/04/2007, cf. comprova o AR de fl. 12. 3. Em 20/03/2008, diante da inércia da interessada, foi expedido o despacho decisório n° 754351185 que não homologou a DCOMP acima citada e a de n° 35857.80780.031106.1.7.02 8440, vez que não,foi possível confirmar a apuração do saldo negativo, pois não foi identificado o período de apuração a que se refere o crédito informado, uma vez que houve entrega de mais de uma DIPJ para o período de apuração do saldo negativo demonstrado na DCOMP. A interessada recebeu o despacho decisório em 01/04/2008, fl. 14. 3..0 enquadramento legal apontado pela autoridade fazendiria para não homologar a compensação: parágrafo 1° do artigo 1°, parágrafo 3° do artigo 2°, parágrafo 1° do artigo 6°, artigo 28 e 74 da Lei 9.430/96. 4. Inconformada, em 30/04/2008 a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade ao Despacho Decisório citado, fl. 15e seguintes, alegando que: 4.1. a empresa apresentou PER/DCOMP com demonstrativo de crédito referente ao apurado no exercício de 2005, entre 01/01/2004 e 31/12/2004, decorrente de saldo negativo de IRPJ, cf. DCOMP 27531.35023.031106.1.7.025385, mas a DIPJ entregue em 31/10/2006 tinha erros de preenchimento na ficha 12 A calculo do IRPJ Lucro Real onde constou R$ 118.544,76 e o correto seria R$ 192.540,85; 4.2. o erro decorreu do fato de na ficha 09 A, a soma das parcelas não dedutiveis foi informada incorretamente como R$ 370.227,30 quando o correto seria R$ 89.948,87. acarretando um lucro real de R$ 2.146.531,44, quando o correto seria R$ 1.866.253,01; 4.3. visando acertar os referidos erros, apresentou nova retificação da DIPJ em 18/04/2008, valores que estariam de acordo com a DCOMP apresentada. 5. Em 11/08/2008, a interessada protocolou petição (fls. 145/8) sobre a mesma matéria, em função do Edital PER/DCOMP n° 0989/2008, alegando que não recebeu despacho decisório referente à DCOMP n°35857.80780.031106.1.7.028440. Aditando razões de inconformidade, apresenta esclarecimentos adicionais e: Fl. 921DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11020.900145/200856 Acórdão n.º 1301000.857 S1C3T1 Fl. 2 3 5.1. alega que as PER/DCOMP foram apresentadas com alguns erros de preenchimento (data de inicio de período, fichas Pagamentos com DARF, ficha Demais Estimativas Compensadas, Ficha Débitos Referentes à PER/DCOMP 25731.35023.031106. 1.7.025385); 5.2. solicita a retificação das DIPJ dos períodos de 01/01/2004 a 29/03/2004 e 30/03/2004 a 31/12/2004, bem como das fichas contendo informações corretas 5.3. reitera o pedido de homologação das DCOMP Analisando os argumentos apresentados pela contribuinte, por sua vez, conclui a douta DRJ de origem pela IMPROCEDÊNCIA da manifestação de inconformidade, em aresto que, inclusive, assim restara ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. INEXISTÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ. INDEFERIMENTO. A lei pode, nas condições e sob • as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do .sujeito passivo contra a Fazenda pública. Inexistindo certeza e liquidez do crédito, não há que se homologar a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com o apontamento contido na referida decisão, apresenta, agora, a contribuinte o seu competente Recurso Voluntário, destacando, em síntese, que, de fato, foram verificadas falhas nos dados incluídos em sua DIPJ e também nas conseqüentes PER/DCOMP’s, todas elas, entretanto, efetivamente retificadas, não podendo, assim, ser negada a pretensão da compensação pretendida, nos termos então ali destacados. Em síntese, é o relatório. Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Sendo tempestivo o recurso voluntário, dele conheço. Analisando as circunstâncias específicas tratadas nos presentes autos, verificase que toda a discussão mantida referese à inconsistência de informações a respeito do pretenso direito creditório utilizado pela contribuinte para fins das compensações manejadas a partir das PER/DCOMP”s n o 27531.35023. 031106.1.7.025385 e n° 35857.80780.031106.1.7.028440. Da análise efetivada, verificase que, reiteradas vezes, a contribuinte, mesmo tendo sido efetivamente intimada para providenciar a retificação das declarações apresentadas Fl. 922DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 4 (ora DIPJ‘s, ora as PER/DCOMP’s) mantevese inerte, passando a promovêlas a destempo, o que, a rigor, teria então acarretado a negativa de homologação apontada. Nas alegações apresentadas pela recorrente, verificase que, indubitavelmente, não se discute, no caso, a ocorrência do erro apontado em sua DIPJ, não se tendo verificado, entretanto, nenhum ato da contribuinte – em que pese ter sido para isso efetivamente intimada , com vistas à regularização das inconsistências, não se podendo, assim, admitir a desconstituição das circunstâncias da forma como pretendido. Conforme apontado pela r. decisão recorrida, a circunstância constante nos presentes autos é decorrente de erro exclusivamente imputável à contribuinte, que, não atentando para a inclusão das válidas e adequadas informações em suas declarações/manifestações fiscais, impediria, no caso, a constatação de certeza do pretenso direito creditório apontado, afastando, assim, a possibilidade de efetivação da compensação pretendida, com base nas respectivas disposições de regência. Sobre o assunto, nunca é demais destacar, a respeito do assunto, as expressas disposições do art. 170 do CTN, onde especificamente resta apontado: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Especificamente relacionado ao regramento federal entabulado em torno da efetivação da compensação entre débitos e créditos de natureza tributária, destacamse as disposições atuais do art. 74 da Lei 9.430/96, que, a esse respeito, assim destacam: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física;(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 923DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11020.900145/200856 Acórdão n.º 1301000.857 S1C3T1 Fl. 3 5 IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I previstas no § 3o deste artigo; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1o do DecretoLei no 491, de 5 de março de 1969; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) c) refirase a título público; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 924DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 6 e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) f) tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei, exceto nos casos em que a lei:(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) 1 – tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 2 – tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 3 – tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; ou(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 4 – seja objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 13. O disposto nos §§ 2o e 5o a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) § 16. O percentual da multa de que trata o § 15 será de 100% (cem por cento) na hipótese de ressarcimento obtido com falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) Nesses termos, sendo incontroverso nos autos a efetiva intimação da contribuinte para a regularização dos registros de sua DIPJ e/ou das informações lançadas nas PER/DCOMP’s emitidas, e, também, a sua respectiva inércia, imperioso se faz, no caso, o reconhecimento da incerteza dos créditos apontados na compensação pretendida, estando, assim, perfeitamente adequada a negativa de homologação apontada pela autoridade fazendária de origem. Diante disso, encaminho meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário oferecido, mantendose, assim, integralmente, a r. decisão recorrida. É como voto. (Assinado digitalmente) Carlos Augusto de Andrade Jenier Relator Fl. 925DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11020.900145/200856 Acórdão n.º 1301000.857 S1C3T1 Fl. 4 7 Fl. 926DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10183.006557/2008-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
Ementa:
AUTO DE INFRAÇÃO – CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA – CONFUSÃO NA DESCRIÇÃO DOS FATOS – NULIDADE.
É nulo o auto de infração que, por confusão na descrição do fato imponível, dificulte o entendimento da acusação fiscal e, por conseqüência, o exercício do pleno direito de defesa.
Numero da decisão: 1102-000.430
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé acompanhou pelas conclusões.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO – CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA – CONFUSÃO NA DESCRIÇÃO DOS FATOS – NULIDADE. É nulo o auto de infração que, por confusão na descrição do fato imponível, dificulte o entendimento da acusação fiscal e, por conseqüência, o exercício do pleno direito de defesa.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé acompanhou pelas conclusões.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1749; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 1 1 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.006557/200872 Recurso nº 894.439 Voluntário Acórdão nº 110200.430 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 01 de abril de 2011 Matéria IRPJ e outro Recorrente FIAGRIL AGRO MERCANTIL LTDA. Recorrida 2ª TURMA/DRJ CGE Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO – CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA – CONFUSÃO NA DESCRIÇÃO DOS FATOS – NULIDADE. É nulo o auto de infração que, por confusão na descrição do fato imponível, dificulte o entendimento da acusação fiscal e, por conseqüência, o exercício do pleno direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. O Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé acompanhou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente. (assinado digitalmente) João Carlos de Lima Junior – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente à época), João Carlos de Lima Junior, Silvana Rescigno Guerra Barretto, João Otávio Oppermann Thomé, José Sérgio Gomes e Manoel Mota Fonseca. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA S ANTOS DE LIMA Processo nº 10183.006557/200872 Acórdão n.º 110200.430 S1C1T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de auto de infração por meio do qual foi lançado crédito tributário de IRPJ e CSLL no valor de R$ 7.363.592,72 (sete milhões, trezentos e sessenta e três mil quinhentos e noventa e dois reais e setenta e dois centavos) e R$ 2.655.802,19 (dois milhões, seiscentos e cinqüenta e cinco mil, oitocentos e dois reais e dezenove centavos) respectivamente, valores estes que englobam o principal, juros e multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). De acordo com a descrição dos fatos, referido débito se fundamenta na ausência de recolhimento dos tributos, quando da incorporação da “Fiagril Armazéns Gerais” por “Fiagril Agromercantil Ltda”, conforme relatório fiscal, a seguir transcrito: Esta fiscalização recebeu o Mandado de Procedimento de Fiscalização n° 0131002007001086 em 12 de março de 2007.Em 23 de março de 2007 envia Termo de Início de Fiscalização que foi recepcionado pelo contribuinte em 05 de abril de 2007 cujo teor evidenciava algumas exigências e dentre elas ressaltamos a de n° 11 que ipsis litteris, exigia "11. APRESENTAR E DEMONSTRAR os atos formais praticados na incorporação efetuada com os respectivos balanços de fechamento e abertura e o tratamento dado na compensação de prejuízos (se houver) e as transferências dos valores constantes da parte E do LALUR com seus respectivos tratamentos tributários." Em 25 de abril de 2007 o contribuinte apresenta os documentos exigidos no Termo de Inicio de Fiscalização para a devida conferência. Em 16 de julho de 2008 esta fiscalização envia Termo de Solicitação de Esclarecimentos que foi recepcionado em 21 de julho de 2008 cujo teor intimava, "Dando continuidade a ação fiscal iniciada em 05/04/2007 e de acordo com o disposto nos artigos 904 e 927 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/ 99), fica o contribuinte, acima identificado, INTIMADO a, no prazo de 05 (cinco) dias úteis, prestar os esclarecimentos relativos aos elementos especificados abaixo: 1. Esta fiscalização intima o contribuinte a ESCLARECER E JUSTIFICAR o não recolhimento do IR e CSLL na incorporação efetuada em janeiro de 2005 da FIAGRIL ARMAZÉNS GERAIS LTDA visto que a legislação preleciona, no artigo 441 do Decreto 3000 de 29 de março de 1999 e artigo 21, §2° e 3º da Lei 9.249 de 26 de dezembro de 1995, ipsis litteris, Fl. 2DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA S ANTOS DE LIMA Processo nº 10183.006557/200872 Acórdão n.º 110200.430 S1C1T2 Fl. 3 3 "Art. 441. As reservas de reavaliação transferidas por ocasião da incorporação, fusão ou cisão terão, na sucessora, o mesmo tratamento que teriam na sucedida. "Art. 21. A pessoa jurídica que tiver parte ou todo o seu patrimônio absorvido em virtude de incorporação, fusão ou cisão deverá levantar balanço especifico para esse fim, no qual os bens e direitos serão avaliados pelo valor contábil ou de mercado. § 2° No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, que optar pela avaliação pelo valor de mercado, a diferença entre este e o custo de aquisição, diminuído dos encargos de depreciação, amortização ou exaustão, será considerada ganho de capital, que deverá ser adicionado à base de cálculo do imposto de renda devido e da contribuição social sobre o lucro líquido. § 3° Para efeito do disposto no parágrafo anterior, os encargos serão considerados incorridos ainda que não tenham sido registrados contabilmente." De acordo com o laudo de avaliação do patrimônio liquido e Demonstração do Acervo Liquido em 31 de janeiro de 2005 da Fiagril Armazéns Gerais Ltda, os imóveis foram reavaliados a preço de mercado pelo valor de R$ 23.195.940,09 e com a depreciação no valor de R$ 5.020.260,50 tendo então um ganho de capital de R$ 18.175.679,59 (R$ 23.195.940,09 R$ 5.020.260,50) conforme legislação acima mencionada. Como a Fiagril Armazéns Gerais Ltda, entregou as declarações de 2004 e 2005 como Lucro Presumido, portanto, este ganho de capital precisa ser incorporado à base de cálculo do IR e CSLL como preleciona a legislação. Assim sendo e com a regra de que na incorporação, cisão ou fusão o tratamento da sucessora teria que ser o mesmo da sucedida concluise, sem sombra de dúvida, que o ganho de capital mencionado deva ser incorporado a base de cálculo dos impostos IR e CSLL.". Em 22 de julho de 2008 o contribuinte responde, in verbis: “(..) No intuito de prestar esclarecimentos, estamos enviando cópia do laudo de avaliação pelo valor contábil utilizado na incorporação devidamente registrado na jucemat, esclarecendo lhe que não houve avaliação a valor de mercado e nem ganho de capital nenhum.” Dispõe o art. 21 da Lei 9249/1995: “...os bens e direitos serão avaliados pelo valor contábil ou de mercado ..." Conforme evidenciado no laudo de avaliação houve a opção da empresa pela incorporação ao valor histórico contábil citado na página 02 do laudo de avaliação, ainda na página 03 do Distrato de extinção por incorporação cita que os ativos e Fl. 3DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA S ANTOS DE LIMA Processo nº 10183.006557/200872 Acórdão n.º 110200.430 S1C1T2 Fl. 4 4 passivos foram transferidos conforme o constante no balanço levantado na data da incorporação. A incorporada possuía, registrado historicamente, uma reserva de reavaliação e uma provisão de IRPJ e CSLL Diferido, saldos contábeis estes que foram transferidos da mesma forma para a incorporadora onde está sendo tributado o IRPJ e CSLL pela realização através da depreciação mensal, baixa por perecimento ou alienação (art. 435 do RIR/99) . Decreto 3000/99 RIR: "Art. 441. As reservas de reavaliação transferidas por ocasião da incorporação, fusão ou cisão terão, na sucessora, o mesmo tratamento tributário que teriam na sucedida.(...)” DO AUTO DE INFRAÇÃO Esta fiscalização esclarece que o artigo 21 da Lei n° 9.249 , de 1995, legisla, “Art. 21. A pessoa jurídica que tiver parte ou todo o seu patrimônio absorvido em virtude de incorporação, fusão ou cisão deverá levantar balanço específico para esse fim, no qual os bens e direitos serão avaliados pelo valor contábil ou de mercado. § 1° O balanço a que se refere este artigo deverá ser levantado até trinta dias antes do evento. § 2º No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, que optar pela avaliação a valor de mercado a diferença entre este e o custo de aquisição, diminuído dos encargos de depreciação, amortização ou exaustão será considerada ganho de capital, que deverá ser adicionado à base de cálculo do imposto de renda devido e da contribuição social sobre o lucro liquido. § 3° Para efeito do disposto no parágrafo anterior, os encargos serão considerados incorridos, ainda que não tenham sido registrados contabilmente. § 4° A pessoa jurídica incorporada, fusionada ou cindida deverá apresentar declaração de rendimentos correspondente ao período transcorrido durante o anocalendário, em seu próprio nome, até o último dia útil do mês subseqüente ao do evento”. Analisando o artigo retro referido entendese que a pessoa jurídica que tiver parte ou todo o seu patrimônio absorvido deverá levantar balanço específico para esse fim, no qual os bens e direitos serão avaliados pelo valor contábil ou de mercado. Pois bem, a empresa sucedida , FIAGRIL ARMAGÉNS GERAIS LTDA, conforme Laudo de Avaliação de Ativo Imobilizado de 31 de dezembro de 2004, efetuado pela empresa GENTURY BUSINESS CONSULTANTS LTDA, efetuou uma avaliação A PREÇO DE MERCADO, em 31 de dezembro de 2004, dos bens pertencentes ao ativo imobilizado nas unidades Fl. 4DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA S ANTOS DE LIMA Processo nº 10183.006557/200872 Acórdão n.º 110200.430 S1C1T2 Fl. 5 5 de LUCAS DO RIO VERDE, SORRISO E SINOP cujos valores são os seguintes: SORRISO VLR TOTAL DOS BENS MÓVEIS......................... 4.385.524,00 VLR TOTAL DOS BENS IMÓVEIS....................... 4.977.000,00 SINOP VLR TOTAL DOS BENS MÓVEIS......................... 1.973.042,00 VLR TOTAL DOS BENS IMÓVEIS....................... 3.385.000,00 LUCAS DO RIO VERDE VLR TOTAL DOS BENS MÓVEIS......................... 3.950.071,00 VLR TOTAL DOS BENS IMÓVEIS.......................... 7.113.000,00 Ainda de acordo com a legislação pátria o contribuinte que declara pelo lucro presumido deve acrescentar na base de cálculo o valor de ganhos de capital, demais receitas e resultados positivos decorrentes de receitas não compreendidas na atividade pelo valor total. Assim sendo deverá tributar as receitas com alíquota diferenciada para se encontrar a base de cálculo e após, adicionar na mesma o valor do ganho de capital.Como o contribuinte efetuou uma reserva de reavaliação em 31 de dezembro de 2004 houve no mês de dezembro de 2004 um ganho de capital que deveria ter sido adicionado à base de cálculo do imposto e o contribuinte não o fez. A empresa FIAGRIL ARMAZÉNS GERAIS LTDA, que recolhia IRPJ e CSSL pelo lucro presumido conforme DIPJs entregues, deveria ter recolhido IRPJ e CSLL sobre a operação de reavaliação do imobilizado em dezembro de 2004. Já o CTN, Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, verbera em seu artigo 132, in verbis: "Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar da fusão, transformação ou incorporação de outra em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas.” Em síntese, a FIAGRIL AGROMERCANTIL LTDA, sendo sucessora da FIAGRIL ARMAZÉNS GERAIS LTDA, é responsável direta pela tributação do IRPJ e CSLL sobre a avaliação a preço de mercado efetuada em 31 de dezembro de 2004 que conforme ANEXO IV da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido é da ordem de R$ 12.984.649,02 (doze milhões, novecentos e oitenta e quatro mil, seiscentos e quarenta e nove reais e dois centavos). Valores referentes a ganhos de capital não acrescidos à base de cálculo para fins de incidência do imposto e do adicional. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto multa (%) 31/12/2004 R$ 12.984.649,02 75% ENQUADRAMENTO LEGAL Fl. 5DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA S ANTOS DE LIMA Processo nº 10183.006557/200872 Acórdão n.º 110200.430 S1C1T2 Fl. 6 6 Art. 521 do RIR/99, Lei n° 9.430, de 1996, art. 25, inciso II. No que se refere à atualização monetária e às penalidades aplicáveis, os enquadramentos legais correspondentes constam dos respectivos demonstrativos de cálculo.” Intimada do auto em 20 de Janeiro de 2009, a Contribuinte apresentou Impugnação, suscitando, em síntese, que: a) Houve cerceamento de defesa, porque a narrativa dos fatos no auto de infração foi confusa, vez que a Fiscalização entendeu, num primeiro momento, que a simples reserva de reavaliação do ativo da empresa incorporada era hipótese de incidência de ambos os tributos, sendo que em outro momento se manifestou no sentido de que foi a incorporação registrada em 27.01.2005 que provocou o nascimento da obrigação tributária, retroagindo àdata da verdadeira reavaliação, em 31.12.2004, bem como porque, conseqüentemente, houveerro na capitulação legal da infração; b) A simples existência da Reserva de Avaliação não desencadeou efeitos tributários aptos a fazer nascer a Obrigação Tributária, seja na sistemática de apuração doLucro Real, ou mesmo, do Lucro Presumido, vez que não representou acréscimo patrimonial; c) Inexistia base legal capaz de amparar a pretensão do fisco à data da reavaliação, em 31.12.2004, o que motivou a fiscalização a embasarse no artigo 21 da Lei 9.249/95, sendo certo que, mesmo tal dispositivo, não tratava do acréscimo patrimonial quando da incorporação; d) Fato posterior (incorporação em 2005), não poderia retroagir para disciplinar fato ocorrido anteriormente (reavaliação em 2004), revelando flagrante ilegalidade na cobrança do IRPJ e da CSLL pretendidos pela fiscalização; e) Inexistiu real ganho de capital, o que somente se efetivaria quando da realização dos ativos. Por unanimidade de votos, a 2ª Turma da DRJ de Campo Grande julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo na íntegra o Auto de Infração lavrado pela fiscalização. Ao afastar a preliminar de nulidade, a DRJ o fez nos seguintes termos, “ipsis literis”: Nulidade. A preliminar deve ser rejeitada. A leitura do relato feito no auto de infração pelo AuditorFiscal autuante dá a exata noção do fato que motivou o lançamento. A parte final da descrição se apresenta assim redigida: Em síntese, a FIAGRIL AGROMERCANTIL LTDA., sendo sucessora da FIAGRIL ARMAZÉNS GERAIS LTDA., é responsável direta pela tributação do IRPJ e CSLL sobre a avaliação a preço de mercado efetuada em 31 de dezembro de 2004 que conforme ANEXO IV da Demonstração das mutações Fl. 6DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA S ANTOS DE LIMA Processo nº 10183.006557/200872 Acórdão n.º 110200.430 S1C1T2 Fl. 7 7 do Patrimônio Líquido é da ordem de R$ 12.984.649,02 (..).Valores referentes a ganhos de capital não acrescidos à base de cálculo para fins de incidência do imposto e adicional. (fls. 07e 16). O trecho acima reproduzido deixa ver com clareza que o fato tido como infração consistiu na omissão do ganho de capital sobre bens transferidos da empresa incorporada para a impugnante. Não houve, por outro lado, dubiedade, nem imprecisão no que diz respeito ao enquadramento legal. Os dispositivos que servem de enquadramento aos autos de infração constam das fls. 07 e 16, e são os seguintes: art. 521 do RIR, art. 25, inciso II, da Lei n° 9.430, art. 2° da Lei n°7.689/1988, art. 29, inciso 11, da Lei n°9.430 e art. 37 da Lei n°10.637/2002. O art. 521 do RIR e o art. 25 da Lei n° 9.430 se referem ambos ao tratamento tributário dispensado ao ganho de capital na alienação de bens e direitos por pessoa jurídica que tenha optado pelo lucro presumido. Para maior clareza, eis o teor dos aludidos dispositivos: Art. 521. Os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art 519, serão acrescidos à base de cálculo de que trata este Subtítulo, para efeito de incidência do imposto e do adicional, observado o disposto nos arts. 239 e 240 e no § 3° do art. 243, quando for o caso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 25, inciso II). § 1° O ganho de capital nas alienações de bens do ativo permanente e de aplicações em ouro não tributadas como renda variável corresponderá à diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil. § 2º Os juros e as multas por rescisão contratual de que tratam, respectivamente, os arts. 347 e 681 serão adicionados à base de cálculo (Lei n°9.430, de 1996, arts. 51 e 70, § 3°, inciso III). § 3° Os valores recuperados, correspondentes a custos e despesas, inclusive com perdas no recebimento de créditos, deverão ser adicionados ao lucro presumido para determinação do imposto, salvo se o contribuinte comprovar não os ter deduzido em período anterior no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro real ou que se refiram a período no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado (Lei n°9.430, de 1996, art. 53). § 4º Na apuração de ganho de capital, os valores acrescidos em virtude de reavaliação somente poderão ser computados como parte integrante dos custos de aquisição dos bens e direitos se a empresa comprovar que os valores acrescidos foram computados na determinação da base de cálculo do imposto (Lei n° 9.430, de 1996, art. 52). Fl. 7DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA S ANTOS DE LIMA Processo nº 10183.006557/200872 Acórdão n.º 110200.430 S1C1T2 Fl. 8 8 Art. 25 da Lei n° 9.430: Art. 25. O lucro presumido será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: 1 o valor resultante da aplicação dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei n°9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 31 da Lei n°8.981, de 20 de janeiro de 1995, auferida no período de apuração de que trata o art. 1° desta Lei; II os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período. Os artigos 441 do RIR e 21 da Lei n° 9.249 em nenhum momento foram invocados como base normativa dos lançamentos. A citação a tais dispositivos se deu por conta da reprodução feita pelo autuante, no relato da infração, dos termos de uma das intimações feitas à contribuinte na fase fiscalizatória e da respectiva resposta dada naquela ocasião. Bastaria, portanto, uma leitura atenta para desfazer qualquer compreensão imperfeita ou dúbia acerca do enquadramento legal dos autos de infração. O alegado cerceamento de defesa deve igualmente ser rechaçado, porquanto a impugnante teve todas as condições para exercer o direito, tanto é que foi apresentada uma impugnação de vinte seis laudas, contendo farta argumentação, dando mostras de que a contribuinte sabia exatamente os fatos que lhe eram imputados. Analisando, ainda, a alegação do contribuinte quanto à decadência parcial do direito de constituir o crédito, a DRJ manifestouse no sentido da inexistência desta, já que o fato gerador incidiu sobre o ganho de capital ocorrido na incorporação realizada, sendo irrelevante a data da reavaliação. Por fim, ao tratar da alegação do contribuinte no sentido de que teria inocorrido, na espécie, o ganho de capital, a DRJ afastou tal argumento, sob o fundamento que a contribuinte não provou ter adicionado os valores da reserva de reavaliação à base de cálculo do IRPJ e da CSLL, bem como, afirmou não haver na legislação de regência a possibilidade de adicionar à base de cálculo dos tributos o saldo da reserva de reavaliação somente na medida em que estes se realizarem. Também afirmou não ter ocorrido o alegado “bis in idem” e, se tivesse ocorrido, seria exclusivamente por culpa da errônea escrituração contábil da contribuinte, competindo, exclusivamente, a esta as correções, sem prejuízo do lançamento. Intimada da decisão em 11 de maio de 2009, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 08 de junho do mesmo ano, repisando os argumentos aduzidos na impugnação. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA S ANTOS DE LIMA Processo nº 10183.006557/200872 Acórdão n.º 110200.430 S1C1T2 Fl. 9 9 É o relatório do necessário. Voto Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Relator. Presentes as condições de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele tomo conhecimento. Alegou a Recorrente, em sede de preliminar, nulidade do Auto de Infração por flagrante confusão na narrativa dos fatos e conseqüentemente na capitulação legal. O deslinde da causa merece apurada análise por parte deste julgador, senão vejamos. Inicialmente, da análise os argumentos aduzidos pelo Senhor Auditor, no relatório do auto de infração, temse a nítida impressão que a autuação diz respeito à incorporação efetuada: “Esta fiscalização esclarece que o artigo 21 da Lei n° 9.249 , de 1995, legisla: “Art. 21. A pessoa jurídica que tiver parte ou todo o seu patrimônio absorvido em virtude de incorporação, fusão ou cisão deverá levantar balanço específico para esse fim, no qual os bens e direitos serão avaliados pelo valor contábil ou de mercado. (...) Analisando o artigo retro referido entendese que a pessoa jurídica que tiver parte ou todo o seu patrimônio absorvido deverá levantar balanço específico para esse fim (...) Contudo, logo após, o Auditor começa a tratar da reserva de reavaliação efetuada e dá a entender que o fato tributado foi a reserva de reavaliação, causando grande confusão no entendimento do Auto, conforme se depreende do trecho a seguir transcrito: “Como o contribuinte efetuou uma reserva de reavaliação em 31de dezembro de 2004 houve no mês de dezembro de 2004 um ganho de capital que deveria ter sido adicionado à base de cálculo do imposto e o contribuinte não o fez. A empresa FIAGRIL ARMAZÉNS GERAIS LTDA, que recolhia IRPJ e CSLL pelo lucro presumido conforme DIPJs entregues, deveria ter recolhido IRPJ e CSLL sobre a operação de reavaliação do imobilizado em dezembro de 2004.” Por fim, para aumentar a confusão, quando da conclusão do auto, a autoridade fiscalizadora afirmou ter havido ganho de capital não oferecido a tributação, conforme trecho abaixo transcrito: Em síntese, a FIAGRIL AGROMERCANTIL LTDA, sendo sucessora da FIAGRIL ARMAZÉNS GERAIS LTDA, é Fl. 9DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA S ANTOS DE LIMA Processo nº 10183.006557/200872 Acórdão n.º 110200.430 S1C1T2 Fl. 10 10 responsável direta pela tributação do IRPJ e CSLL sobre a avaliação a preço de mercado efetuada em 31 de dezembro de 2004 que conforme ANEXO IV da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido é da ordem de R$ 12.984.649,02 (doze milhões, novecentos e oitenta e quatro mil, seiscentos e quarenta e nove reais e dois centavos). Valores referentes a ganhos de capital não acrescidos à base de cálculo para fins de incidência do imposto e do adicional. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto multa (%) 31/12/2004 R$ 12.984.649,02 75,00 Assim, temse que a conclusão do Auto induz, logo de início, ao entendimento de que o fato tributado é a incorporação, ocorrida em janeiro de 2005, para em seguida, conduzir a outro entendimento, qual seja, de que a tributação, em verdade, está se dando sobre a reserva de reavaliação, tanto que adota como data do fato gerador 31/12/2004. Inegável, assim, a confusão que causa a narrativa do Auto de Infração. E tal confusão, por si só, causa a nulidade do Auto, já que, inegavelmente, impede que o contribuinte exerça seu direito de defesa de forma plena e clara, vez que do modo como foi redigido, não permite o entendimento dos fatos geradores que ensejaram a autuação. Neste sentido é a jurisprudência deste E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: Processo nº 12045.000068/200736 Recurso nº 141.947 Voluntário Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Acórdão nº 20500.665 Sessão de 03 de junho de 2008 Recorrente SCHMIDT IRMÃOS CALÇADOS LTDA Recorrida SRP PORTO ALEGRE ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 23/09/2005 PREVIDENCIÁRIO – CUSTEIO – AUTO DE INFRAÇÃO – RELATÓRIO FISCAL INCOMPLETO. CERCEAMENTO DE DEFESA. É nulo o Ato Administrativo de Lançamento, formalizado com insuficiência na descrição clara e precisa dos fatos geradores. A deficiente descrição dos fatos geradores da contribuição autoriza a decretação da nulidade do lançamento por inobservância dos requisitos básicos para a sua validade, propiciadores do exercício do amplo direito de defesa por parte do sujeito passivo e livre formação de convencimento por parte dos julgadores. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA S ANTOS DE LIMA Processo nº 10183.006557/200872 Acórdão n.º 110200.430 S1C1T2 Fl. 11 11 Processo Anulado. E ainda: Processo nº 10183.005589/200184 Recurso nº 132213 ofício Matéria IRPJ E OUTROS Acórdão nº 10194049 Sessão de 06 de dezembro de 2002 Recorrente 2ªTURMA/DRJCAMPO GRANDE/MS Recorrida CRBS S.A. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO EX OFFICIO – É nulo o Ato Administrativo de Lançamento, formalizado com inegável insuficiência na descrição dos fatos, não permitindo que o sujeito passivo pudesse exercitar, como lhe outorga o ordenamento jurídico, o amplo direito de defesa, notadamente por desconhecer, com a necessária nitidez, o conteúdo do ilícito que lhe está sedo imputado. Tratase, no caso, de nulidade pro vício material, na medida em que falta conteúdo ao ato, o que implica inocorrência da hipótese de incidência. Recurso negado. E, caso seja superada a preliminar de nulidade acima tratada, passamos a enfrentar a data eleita pelo Fisco como a data do fato gerador que ensejou o presente lançamento, qual seja, o dia 31/12/2004, data que nos remete à reserva de reavaliação efetuada e, portanto, nos faz concluir que foi este o fato gerador considerado pelo Fisco ao lavrar o Auto de Infração ora guerreado. Cumpre ressaltar, entretanto, que a reserva de reavaliação não é fato apto a desencadear o nascimento de obrigação tributária. A legislação fiscal, ao tratar do assunto, determina que a reavaliação seja tributada quando for utilizada para aumento de capital ou quando ocorrer a efetiva realização do ativo reavaliado, situação que diverge da ora analisada, portanto, sendo esta a conclusão adotada, é de rigor o cancelamento do Auto de Infração. Por fim, diante da narrativa do auto de infração ora guerreado, poderíamos adotar uma terceira conclusão, no sentido de que o fato gerador foi a data da incorporação da Fiagril Armazéns Gerais Ltda. pela Fiagril Agromercantil Ltda. Neste caso, teríamos um erro de eleição do momento do fato gerador, segundo, inclusive, citado pela própria DRJ em sua decisão, conforme trecho a seguir transcrito: Não obstante tudo quanto se disse acerca da validade do lançamento, há um erro que, embora não induza nulidade do ato administrativo, nem impeça à autuada a compreensão do fato a ela imputado, reclama imediata correção. Tratase do momento de ocorrência do fato gerador e do respectivo período de apuração. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA S ANTOS DE LIMA Processo nº 10183.006557/200872 Acórdão n.º 110200.430 S1C1T2 Fl. 12 12 O fato gerador (o ganho de capital) só ocorreu com a incorporação da Fiagril Armazéns Gerais Ltda. pela Fiagril Agromercantil Ltda., negócio jurídico consumado em janeiro de 2005. Portanto, é neste momento, e não no quarto trimestre de 2004, que nasce a obrigação relativa ao IRPJ e à CSLL. Ao contrário do que afirma a DRJ, tal erro de eleição cometido pela fiscalização quanto ao momento em que teria ocorrido o fato gerador da obrigação tributária, se no quarto trimestre de 2004 ou se em janeiro de 2005, acarreta sim a nulidade do Auto, uma vez que impõe ao contribuinte a tributação à título de IRPJ e da CSLL em dezembro de 2004 de um evento que só ocorreu em janeiro 2005 e, portanto, só poderia ser tributado no ano de 2005, jamais em 2004. Impende ressaltar que tal erro acarreta erro na base de cálculo e no critério temporal do tributo, elementos essenciais à regra matriz do tributo, eivando de total nulidade o auto lavrado. Assim, o erro na eleição da data do fato gerador acarreta insanável nulidade ao mesmo, conforme a jurisprudência consolidada por este E. Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF, proferidos nesse mesmo sentido: Processo nº 10280.004867/200340 Recurso nº 140241 ofício Matéria IRF Acórdão nº 10420365 Sessão de 01 de dezembro de 2004 Recorrente 1ª TURMA/DRJBELÉM/PA Recorrida FAZENDA DA PONTA LTDA. IRRF DATADO FATO GERADOR ERRO NA SUA INDICAÇÃO LANÇAMENTO NULO A precisa indicação na data da ocorrência do fato gerador é aspecto essencial na fixação da matéria tributável de modo que eventual erronia nesse aspecto do lançamento se constitui vício substancial e insanável e, portanto, enseja a nulidade do lançamento. Recurso de ofício negado. (...) Como se vê, a questão central está muito bem delimitada. Trata se de definir se a formalização do Auto de Infração com a indicação da data do fato gerador diferente da efetiva ocorrência dos fatos imponíveis é suficiente para ensejar a anulação do lançamento. (...) De fato, a necessidade de indicação precisa da data do fato gerador é condição essencial para a validade do lançamento pois a partir dela advém diversas conseqüências jurídicas Fl. 12DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA S ANTOS DE LIMA Processo nº 10183.006557/200872 Acórdão n.º 110200.430 S1C1T2 Fl. 13 13 essenciais para a determinação, por exemplo, da data do vencimento do imposto, como assinalou a decisão recorrida. E acrescento, a própria legislação aplicável depende da data do fato gerado, ex vi do disposto no art. 144 do Código Tributário Nacional. Convém ressaltar, por fim, que a DRJ ao julgar a impugnação da Recorrente pretendeu corrigir o erro em que incidiu o Auditor quando da eleição do fato gerador do tributo ao lavrar o auto de infração ora guerreado, o que não se pode aceitar, uma vez que a decisão administrativa é vinculada à lei que trata do momento da verificação da ocorrência do fato gerador do tributo lançando, não podendo a decisão administrativa inovar em relação ao dispositivo legal que rege a matéria, sob pena de nulidade. Desta forma, concluise pela nulidade do Auto de Infração lavrado, seja pela confusão do auto, que acarreta, por si só, cerceamento do direito de defesa do contribuinte, seja em virtude do auto ter tributado a reavaliação, que não é fato gerador apto a desencadear o nascimento da obrigação tributária, ou, por fim, seja pelo erro na eleição da data do fato gerador, ao tributar no exercício de 2004, fato gerador que só ocorreu no ano de 2005. Por todo o exposto, voto no sentido de dar TOTAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, anulando o lançamento fiscal em sua íntegra. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos de Lima Junior Relator Fl. 13DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA S ANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10920.001166/2004-57
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano calendário: 2002 SIMPLES, EXCLUSÃO. ATIVIDADE NÃO VEDADA. PROVA
A pessoa jurídica que presta serviços de assistência técnica em máquinas e equipamentos pode optar pelo Simples, pois sua atividade não equivale aos serviços profissionais prestados por engenheiros. Inteligência da Sumula 57 do CARF. Incumbe ao Fisco proceder à prova cabal do exercício de atividade vedada a adesão ao sistema. Na ausência de tal prova não pode ser reputada como correta a decisão que não permitiu sua adesão ao Simples Nacional
Numero da decisão: 1803-001.276
Decisão: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por maioria de votos dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes que negava provimento ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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ATIVIDADE NÃO VEDADA. PROVA A pessoa jurídica que presta serviços de assistência técnica em máquinas e equipamentos pode optar pelo Simples, pois sua atividade não equivale aos serviços profissionais prestados por engenheiros. Inteligência da Sumula 57 do CARF. Incumbe ao Fisco proceder à prova cabal do exercício de atividade vedada a adesão ao sistema. Na ausência de tal prova não pode ser reputada como correta a decisão que não permitiu sua adesão ao Simples Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por maioria de votos dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes que negava provimento ao recurso. Selene Ferreira de Moraes Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10920.001166/200457 Acórdão n.º 1803001.276 S1TE03 Fl. 86 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 0617.490 proferido pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR, constante das fls. 64 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “A contribuinte acima qualificada, mediante o Ato Declaratório Executivo DRF/JOI n° 038, de 28 de maio de 2007 (fl. 46), foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples, com efeitos a partir de 01/01/2002, por incorrer em vedação prevista no art. 9°, incisos V e XIII, da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, ou seja, por realizar serviços de instalações elétricas, eletrônicas e de telecomunicações prediais e obras civis complementares necessárias et execução dos serviços principais, cuja atividade é vedada ao Simples por se tratar de serviços auxiliares e complementares da construção civil e por ser assemelhada à de engenheiro. 2. A exclusão do Simples foi fundamentada nos arts. 9°, V e XIII, 14 e 15, § 3 0, da Lei n° 9.317, de 1996, e Instrução Normativa SRF nº. 608, de 9 de janeiro de 2006. 3. Regularmente intimada por via postal (AR recebido em 01/06/2007, A fl. 47), a interessada, por intermédio de seu representante legal (mandato A fl. 53), optou por não utilizar o formulário Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples — SRS e apresentou, tempestivamente, em 27/06/2007, a manifestação de inconformidade de fls. 48/51, instruída com os documentos de fls. 54/61, cujas alegações são sintetizadas a seguir. 4.1. Relata que tem como atividade a prestação de serviços de instalações elétricas e eletrônicas em geral, comércio de materiais elétricos, eletrônicos, hidráulicos, máquinas elétricas e mecânicas, material de construção civil e automação comercial. 4.2. Argui que, ainda que a legislação vigente equipare algumas destas atividades à de engenheiro, tecnólogo ou assemelhados, tratase de ilegalidade flagrante que merece ser reparada; que a atividade por ela desempenhada não exige o concurso de nenhum engenheiro, requerendo, no máximo o acompanhamento de técnicos, pois não projeta instalações elétricas ou eletrônicas; cita julgados do STJ e do TRF da 4ª Região. 4.3. Ao final, requer seja julgada improcedente a exclusão do Simples. 4. Nos termos da Portaria MF no 179, de 13 de fevereiro de 2007, o processo foi transferido a essa DRJ em CuritibaPR, para julgamento”. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR, na sessão de 28/03/2008, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 0617.490 entendendo “por unanimidade de votos, indeferir a solicitação”, em decisão assim ementada: Fl. 86DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10920.001166/200457 Acórdão n.º 1803001.276 S1TE03 Fl. 87 3 “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 ATIVIDADE VEDADA. As pessoas jurídicas cuja atividade seja prestação de serviços em instalações elétricas, eletrônicas ou hidráulicas, para automação comercial, por se tratar de serviços auxiliares e complementares da construção civil e por ser assemelhada à de engenheiro, estão impedidas de optar pelo Simples. Solicitação Indeferida”. Cientificada da decisão de primeira instância em 17/04/2008, (AR constante das fls. 74) a R.E AUTOMACAO LTDA EPP, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 0617.490, recorre em 13/05/2008 (fls. 75 e segs) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado reiterando, basicamente, os argumentos da peça impugnativa. Em síntese, é o relatório. Voto Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do artigo 33 do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Mesmo diante dos argumentos e também da base legal constante da decisão contida no Acórdão nº 0617.490, não encontrei nos autos qualquer comprovação que a Recorrente realize serviços de construção civil, na verdade a atividade a Recorrente é “prestação de serviços em instalações elétricas e eletrônicas em geral; comércio de materiais elétricos, eletrônicos, hidráulicos; materiais elétricas e mecânicas, material de construção civil e automação comercial” (fls. 04 dos autos). Diante desses fatos e das notas fiscais juntadas aos autos não me parece que se possa considerar que a atividade de venda de piscinas e assistência técnica, exercida pela Recorrente seja alcançada pelo § 4º do inciso V do e o inciso XIII ambos art. 9º da Lei n° 9.317, de 1996, apontado pela DRJ como fatos excludente do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, tendo em vista que tais atividades não equivalem, via de regra, a serviços de construção nem tampouco a atividade profissionais de engenheiro ou assemelhado. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10920.001166/200457 Acórdão n.º 1803001.276 S1TE03 Fl. 88 4 Isso porque o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES não é, simplesmente, um método de administração tributária; tratase de um verdadeiro Instituto Jurídico de nível constitucional que fora introduzido, no ordenamento Brasileiro, pelo constituinte originário e aperfeiçoado pelo constituinte derivado. A arquitetura jurídica do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES obedeceu a dois princípios fundamentais que estão escritos na Constituição da República e direcionados às microempresas e às empresas de pequeno porte: a) Com tratamento favorecido (inciso X do art. 170 da CF/88); e b) Com tratamento Diferenciado (art.179 da CF/88). Por conta disso, para dirimir a questão trago, exemplificativamente uma das notas juntada aos autos: Veja que analisandose as condições estabelecidas no contrato social e nas notas fiscais não consigo ligar o “prestação de serviços em instalações elétricas e eletrônicas em geral; comércio de materiais elétricos, eletrônicos, hidráulicos; materiais elétricas e mecânicas, material de construção civil e automação comercial” como atividade privativa de engenheiro. E, diante da afirmação da 2ª Turma da DRJ em Curitiba que as “Com relação ao entendimento de que os serviços atinentes a instalações elétricas e hidráulicas estão abrangidos no conceito legal de atividade de construção de imóveis, o Ato Declaratório Fl. 88DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10920.001166/200457 Acórdão n.º 1803001.276 S1TE03 Fl. 89 5 Normativo Cosit n° 30, de 1999”, caberia a fiscalização comprovar que a Recorrente executava serviços privativos de engenheiro e não a Recorrente fazer prova negativa de que não os exercia. Por conta disso e observando tudo que consta nos autos, vou ao sentido que o “prestação de serviços em instalações elétricas e eletrônicas em geral; comércio de materiais elétricos, eletrônicos, hidráulicos; materiais elétricas e mecânicas, material de construção civil e automação comercial” não podem ser equiparados a serviços construção de imóveis. Observando a pagina na internet do CREASC (http://www.crea sc.org.br/portal/index.php?cmd=empresashabilitadasdetalhe®=0577816) podemos constatar que a Recorrente tem o seu registro aprovado somente: “para as atividades de: montagem e instalação de sistemas e equipamentos de iluminação em vias publicas, portos e aeroportos; instalação e manutenção elétrica; prestação de serviços em instalações elétricas e eletrônicas em geral, montagem e instalação de sistemas e equipamentos de iluminação e sinalização”. Ou seja, atividades que não são exclusivas de engenheiro. E como a exclusão do Simples da Recorrente foi fundamentada nos arts. 9°, V e XIII, 14 e 15, § 3 0, da Lei n° 9.317, de 1996, e Instrução Normativa SRF nº. 608, de 9 de janeiro de 2006, de forma genérica, não consegui identificar a comprovação da realização de atividades vedadas no sistema . Entendo ser necessário a aplicação do principio do “in dubio pro reu”, com base no inciso II do art. 112 do CTN1, tendo em vista que caberia ao Fisco comprovar que a Recorrente executou serviços vedados no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. Como essa prova não consta dos autos, não há o que se falar em manter a decisão proferida pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR, na sessão de 28/03/2008, que excluiu a Recorrente de do sistema Simples Assim, observando tudo que consta nos autos, entendo que a decisão recorrida não pode ser confirmada por seus próprios fundamentos. Assim, voto no sentido de dar provimento ao recurso para anular o Ato Declaratório Executivo DRF/JOI n° 038, de 28 de maio de 2007 que excluiu a Recorrente do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator (Assinado digitalmente) 1 Art. 112 A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I (...) II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; Fl. 89DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10920.001166/200457 Acórdão n.º 1803001.276 S1TE03 Fl. 90 6 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 25/0 5/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA
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Numero do processo: 11080.725888/2010-41
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
DECADÊNCIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA.
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. No entanto, o período lançado como crédito tributário não foi alcançado pela decadência.
RECÁLCULO DA MULTA DE MORA.
Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, c do CTN.
TAXA SELIC.
Legalidade da Taxa SELIC nos termos do art. 62-A do Regimento Interno do CARF e da Súmula n. 3 do CARF.
ÔNUS DA PROVA.
Estando o lançamento devidamente instruído, compete ao contribuinte o ônus de prova o alegado.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-001.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros na questão da multa de mora.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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INOCORRÊNCIA. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. No entanto, o período lançado como crédito tributário não foi alcançado pela decadência. RECÁLCULO DA MULTA DE MORA. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. TAXA SELIC. Legalidade da Taxa SELIC nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF e da Súmula n. 3 do CARF. ÔNUS DA PROVA. Estando o lançamento devidamente instruído, compete ao contribuinte o ônus de prova o alegado. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros na questão da multa de mora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 58 88 /2 01 0- 41 Fl. 646DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 647DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11080.725888/201041 Acórdão n.º 2403001.608 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de crédito lançado em face da PORTO ALEGRA CLÍNICAS LTDA., por meio do Auto de Infração n° 37.294.6429, cuja notificação ocorreu em 10/12/2010 (fl. 02), por ter deixado de recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, incidentes sobre o saláriodecontribuição, no valor de R$ 435.348,84 (quatrocentos e trinta e cinco mil, trezentos e quarenta e oito reais e oitenta e quatro centavos), em relação às competências compreendidas entre 01/2006 a 12/2008, incluindo o 13o salário de 2006 a 2008. 2. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 57/60, constituem levantamentos do Auto de Infração, in verbis: “AD1 e AD2 Valores declarados nos lançamentos contábeis conta 238219000001 do sócio Alexandre Diamante conforme Planilha e não declarados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP DAL Diferença de Acréscimos Legais, GPS paga com erro na atualização dos juros. D11 e D12 – Segurados empregados cat 1 declarados em DIRF código de retenção 0561, mas não incluídos em Folha de Pagamento, nem GFIP. Valores declarados mensalmente, inclusive com 13 º salário. F11 e F12 – Cruzamento entre FOPAG X GFIP. Valores pagos aos segurados empregados informados pela empresa nas folhas de pagamento e não declarados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. LA1 e LA2 Leandro Castro Alves – recibo. Valores lançados na contabilidade (cta 228159070) dos serviços prestados por Leandro Castro Alves. Em TIF (Termo de Intimação Fiscal nº 04/2010, solicitado o Contrato de Prestação de Serviços entre as partes. O pedido não foi atendido na sua totalidade. Anexa planilha com os lançamentos contábeis. LM1 e LM2 – Leandro Mello Valores lançados na contabilidade (ctas 121319000, 218119000, 4111111100, 462179000 e 468899000). Em TIF (Termo de Intimação Fiscal nº 04/2010, solicitado o Contrato de Prestação de Serviços entre as partes. O pedido não foi atendido na sua totalidade. Anexa planilha com os lançamentos contabeis. PF1 – Serviços Prestados PF Contabilidade – Valores lançados na contabilidade (ctas 4111111000021, 462199000 e 462111002 – Serviços Prestados a Pessoa Físicas). Contribuintes Individuais não declarados em GFIP e tampouco em Folha de Pagamento. R1 – Retenção NF Fernando Escouto Vieira – Serviços Prestados e lançados na cta 228159050. Anexa Planilha com os devidos lançamentos. S11 e S12 – Salários a Pagar, valores lançados na cta 228119001. Em TIF – Termo de Intimação Fiscal 05/2010, solicitado esclarecimentos a respeito dos lançamentos. Não foi atendido o pedido, tampouco cópia dos documentos foram colocados a disposição. Planilha anexa com todos os lançamentos contábeis desta conta. Fl. 648DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 SF1 – Salário Família Divergências. Feito confronto entre os valores declarados em GFIP e os declarados em Folha de Pagamento da rubrica salário família.” Ainda segundo o Relatório Fiscal, in verbis: “4) Os créditos previdenciários constituídos neste lançamento fiscal, destinamse à Previdência Social e referemse às contribuições devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais. No cálculo da contribuição dos segurados empregados e dos contribuintes individuais foi observado o limite máximo do salário de contribuição. 5) O fato gerador da obrigação previdenciária teve como base as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, informadas nas folhas de pagamento, Contabilidade e DIRF e não declaradas em sua totalidade nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia – GFIP´s. (...) Em razão da MP 449, de 03/12/2008, publicada no DOU de 04/12/2008, convertida na Lei nº 11941/09, publicada no DOU de 28/05/2009, elaboramos para efeito de comparação, o cálculo da multa pela legislação vigente à época dos fatos, ou seja, multa prevista no inciso II, art. 35, de lei 8212/91 (24%), acrescida da multa pelo descumprimento de obrigação acessória e pela legislação atual, multa de ofício (75%), prevista no art . 44 da Lei 9430/96, a fim de estabelecer o valor mais benéfico ao contribuinte, demonstrado na “Planilha Comparativa da Multa ”, anexa. 8) Verificada a redução de contribuição social previdenciária mediante a omissão de informações na GFIP, fica o contribuinte cientificado que tal fato configura, em tese, ilícito penal, previsto no art. 337 – A, inciso I do Código Penal, com a redação dada pela Lei n° 9.983/2000 e que será objeto de comunicação ao Ministério Público Federal para a eventual propositura de ação penal, em relatório à parte. 9) As bases de cálculo, as contribuições lançadas, as alíquotas aplicadas, encontramse discriminados, por levantamento e competência, no anexo Discriminativo do Débito – DD, Relatório de Documentos Apresentados.” DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração, por meio do instrumento de fls. 368/380, a qual não logrou êxito. A DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto AlegreRS, por meio da 7ª Turma da DRJ/POA, prolatou o Acórdão n° 1036.694 de fls. 599/608, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que se transcreve abaixo, verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 649DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11080.725888/201041 Acórdão n.º 2403001.608 S2C4T3 Fl. 4 5 Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. A constitucionalidade e a legalidade das leis são vinculadas para a Administração Pública. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus da prova em relação àquilo que alega, devendo fazêlo oportunamente por ocasião da impugnação. PRAZO PARA JUNTADA DE DOCUMENTOS. Não comprovada nenhuma das hipóteses previstas na legislação para a concessão de prazo para a juntada de documentos após a impugnação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 MULTA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A multa aplicada obedece à legislação de regência, exceto quando a nova previsão legal de multa for mais benéfica ao contribuinte. JUROS. Os juros aplicados obedecem à previsão legal específica. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não se considera denúncia espontânea da infração as medidas tomadas pelo contribuinte para sanar a irregularidade após o iniciado o procedimento fiscal OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DECADÊNCIA. Extinguese o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, na existência de recolhimento na competência, quando transcorrido o prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. PRESCRIÇÃO. Não há que se falar em prescrição sem a constituição definitiva do crédito tributário. Impugnação Improcedente Fl. 650DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Crédito Tributário Mantido” DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente (fl. 645), Recurso Voluntário (fls. 613/627), requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, com os seguintes argumentos, após resumir os fatos: Preliminarmente Da Dilação de Pazo Denegada Neste tópico alega que o pedido de dilação de prazo quanto à perícia requerida no momento da apresentação da impugnação, tempestivamente, teria sido denegada pela DRJ, sem fundamentação pertinente. Que a Receita Federal teria extremo apego às formas ao não atender o pedido de dilação de prazo de 45 dias requerida pelo Recorrente e em contra partida se permite julgar uma simples impugnação em prazo superior a 1 ano. Alega ainda que, o decreto nº 70.235/72 admite expressamente a requisição de juntada de documentos a posteriori. Da Decadência Alega a Recorrente que em relação ao período de crédito compreendido entre 2001 a 2008 parte estaria decaído, em face do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional – CTN. Alega que o período de 2006 jamais poderia ser alvo do lançamento tributário, extinguindo o direito da Fazenda cobrar o suposto débito. Das Obrigações Acessórias Da Inconformidade Quanto à Multa Ante a Extensão dos Efeitos da MP 449 – Retroatividade da Lei Mais Benéfica O efeito mais importante que teria dado o art. 24 da MP 449/2008 não seria a redução da multa de ofício, proporcionada a partir da edição da referida MP, mas sim o efeito retroativo a todos os débitos dessa natureza que ainda não tenham sido julgados definitivamente na esfera administrativa ou judicial. Dessa forma, no caso de multa por erro ou omissão na GFIP, que seria uma obrigação acessória, também deveria ser aplicada a mencionada retroatividade mais benéfica, conforme preceitua o art. 106 do CTN, sendo no presente caso aplicado o art. 32A da lei 8.212/91 que seria mais benéfico ao contribuinte em detrimento da norma aplicada no momento da autuação. Da Multa Moratória e da Ilegalidade da Taxa Selic Insurgese a Recorrente contra a cobrança de multas nos percentuais de acordo com os moldes previstos no art. 35A da lei 8.212/91 c/c o art. 44 da lei 9.430/96, bem como contra a aplicação da Taxa Selic, por estar sendo utilizado pelo governo federal como índice de correção monetária juros moratórios. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11080.725888/201041 Acórdão n.º 2403001.608 S2C4T3 Fl. 5 7 Das Contribuições Individuais Que haveria divergência entre os cálculos elaborados pela Receita Federal e a efetiva contribuição devida para comparação da multa, dos valores apurados pela contabilidade. Informa que, nesta oportunidade, anexa Parecer Técnico elaborado por Perito Contábil o qual aponta os equívocos constantes nos lançamentos apontados. E que o Parecer evidencia de fato o débito de R$ 65.558,81, conforme fls. 83 a 90 do citado Parecer. Do Pedido Ao final requer, a reforma do Acórdão de n. 1036.694, a fim de que seja reconhecido a insubsistência do Auto de infração e a consequente extinção do crédito tributário. Que não sendo assim entendido, que seja procedido novo cálculo, tendo por base a perícia que em anexo. É o relatório. Fl. 652DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme consta na fl. 645 o recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINARMENTE DA DILAÇÃO DE PRAZO REQUERIDA Em sede de Impugnação, a Recorrente pleiteou a dilação de prazo de 45 dias para apresentação de relatórios contábeis da auditoria externa contratada. A Recorrente impugnou o lançamento em 10/01/2011 (fl. 368) e até o julgamento por parte da DRJ, que ocorreu em 20/01/2012 (fl. 599), não juntou os relatórios contábeis. Mister destacar que, nem mesmo em sede de Recurso Voluntário a Recorrente juntou o citado relatório, apesar da afirmação em sentido contrário. Pelos princípios norteadores do Processo Administrativo Tributário, em especial o da busca pela verdade material e a informalidade, este conselheiro aceitaria qualquer elemento de prova admitido em direito, mesmo que juntado após a apresentação da Impugnação. Logo, não tendo juntado mais nenhum elemento de prova, tornase sem efeito a sua preliminar acerca da dilação de prazo denegada, vez que, todos os documentos de prova juntados pela Recorrente foram considerados, ou seja, não teve, efetivamente, nenhum documento indeferido. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade Fl. 653DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11080.725888/201041 Acórdão n.º 2403001.608 S2C4T3 Fl. 6 9 administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Nesse diapasão, mister destacar que para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, § 4º do CTN. Também é entendimento deste Relator, que a antecipação a título de Contribuição Previdenciária abrange o pagamento para todas as rubricas relacionadas, tais como: destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA), dentre outras. A DRJ aplicou a decadência em relação aos períodos anteriores a 12/2005. Nesse diapasão, o lançamento permaneceu em relação ao período compreendido entre as competências 01/2006 a 12/2008. A notificação ocorreu em 10/12/2010 (fl. 02). Logo, não há como prosperar o pleito da Recorrente para afastar o período de 2006, vez que não abrangido pela decadência. Fl. 654DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS E A INCONFORMIDADE QUANTO À MULTA ANTE A EXTENSÃO DOS EFEITOS DA MP 449 – RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA. Alegou o Recorrente o efeito retroativo para beneficiar o contribuinte ante os débitos que ainda não tenham sido julgados definitivamente na esfera administrativa ou judicial. Que, no caso de multa por erro ou omissão na GFIP, que seria uma obrigação acessória, também deveria ser aplicada a mencionada retroatividade mais benéfica, conforme preceitua o art. 106 do CTN, para se aplicar o art. 32A da lei 8.212/91 que seria mais benéfico ao contribuinte em detrimento da norma aplicada no momento da autuação. Ocorre que, a autuação no caso concreto se deu em face da empresa ter deixado de recolher as contribuições patronais, inclusive a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho – RAT, incidente sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais, ou seja, uma obrigação principal. Dessa forma, não se verifica relação entre o tópico abordado e o caso concreto, o que faz o referido tópico ser excluído da apreciação deste julgador. DA MULTA APLICADA A multa aplicada teve por base o artigo 35A, combinado com o art. 44, inciso I da Lei n. 9.430, de 27.12.96, ambos com redação da MP n. 449 de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009, o qual dispõe que nos casos de lançamento de oficio relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Ocorre que, o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo), para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 655DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11080.725888/201041 Acórdão n.º 2403001.608 S2C4T3 Fl. 7 11 Assim, no presente caso, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 em comparativo com a multa aplicada com base na redação do artigo 35A da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica ao contribuinte. Esse artigo estabelece que os débitos referentes a contribuições não recolhidas no prazo previsto em lei, estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. DA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC A Recorrente entende como ilegal a incidência da taxa Selic na correção do crédito tributário lançado. Ocorre que, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, os julgamentos dos conselheiros estão vinculados aos acórdãos do STF e STJ, quando prolatados nos termos dos arts. 543B e 543C do CPC, verbis: Art. 62A do Regimento Interno do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nesse diapasão, o Colendo STJ já se manifestou acerca da possibilidade de atualização monetária pela Taxa SELIC, nos termos do art. 543C do CPC, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. Fl. 656DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1111175/SP, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/06/2009, DJe 01/07/2009) (grifo nosso) Ademais, além do referendo Judicial em sede de Recurso Repetitivo, essa matéria consta na Súmula n. 3 do CARF, verbis: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há que se falar em ilegalidade na aplicação da Taxa SELIC em matéria tributária. DOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Após o acórdão da DRJ, a Recorrente apenas ratifica que “anexou, por ocasião da impugnação ao lançamento, as planilhas comparativa (sic) dos cálculos elaborados pela Receita Federal e a efetiva contribuição devida para comparação da multa, com divergência de 50% (cinquenta por cento) dos valores aplicados pela Receita Federal e aqueles apurados pela contabilidade.” Afirma, outrossim, que está anexando um Parecer Técnico elaborado por Perito Contábil. Ocorre que, analisando os autos, não se constata esse parecer. Logo, além dos argumentos genéricos de que as planilhas anexadas aos autos seriam suficientes para comprovar o alegado, a Recorrente não trouxe nenhum novo elemento de fato ou de direito para ensejar na anulação. Por esse motivo, não há como prosperar o pleito da Recorrente. CONCLUSÃO Do exposto, julgo procedente em parte o recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 657DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 13884.900978/2008-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000
CARÊNCIA DE CRÉDITO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
Comprovado que o pagamento apontado como crédito fora totalmente utilizado para satisfazer outro crédito tributário, declarado pela própria recorrente, legítima é a não homologação da compensação encetada.
Numero da decisão: 3101-001.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Corintho Oliveira Machado - Relator.
EDITADO EM: 22/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Leonardo Mussi da Silva, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Comprovado que o pagamento apontado como crédito fora totalmente utilizado para satisfazer outro crédito tributário, declarado pela própria recorrente, legítima é a não homologação da compensação encetada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Corintho Oliveira Machado Relator. EDITADO EM: 22/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Leonardo Mussi da Silva, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 09 78 /2 00 8- 82 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/02 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP, com base em suposto crédito de contribuição social oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada desse despacho, a manifestante protocolou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do inciso III do parágrafo 2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, quando apurou as bases de cálculos das contribuições; o único fundamento para a glosa das compensações é uma pretensa inexistência de crédito; não foi sequer solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não o crédito; tivesse a autoridade intimado o contribuinte, teria acesso às planilhas de apuração, podendo verificar a regularidade do encontro de contas efetuado; pelas razões alegadas, deve ser anulado o despacho decisório, determinando que a autoridade efetue as diligências necessárias para comprovar a origem e existência do crédito utilizado, alternativamente, requer que seja logo homologada a compensação. Ao final pede deferimento da presente manifestação de inconformidade. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/02 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13884.900978/200882 Acórdão n.º 3101001.326 S3C1T1 Fl. 55 3 A DRJ em SÃO PAULO II/SP julgou a Manifestação de Inconformidade Improcedente, ficando a ementa do acórdão com a seguinte dicção: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 Faturamento. Valores Repassados A Terceiros. Exclusão da Base De Cálculo. Os valores faturados, ainda que repassados a terceiros, compõem a base tributável da contribuição social, em face da inexistência de permissivo legal para sua exclusão. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde basicamente reprisa os argumentos de primeira instância e aduz argumentos no sentido de mostrar que a norma do artigo 3º, parágrafo 2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98 1 teria sido autoaplicável enquanto não revogado; ao final requer a reforma do acórdão a quo, para que seja reconhecido seu direito creditório. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Relatados, passo a votar. 1 Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: (...) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (...) Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/02 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator Preenchidos os requisitos de admissibilidade, passo à apreciação do apelo. À míngua de preliminares, adentro o mérito do litígio. A decisão recorrida não merece qualquer reparo. Notase que a causa principal para a não homologação da compensação encetada é a carência de crédito da recorrente, porquanto o pagamento apontado fora totalmente utilizado para satisfazer o crédito tributário declarado pela própria recorrente. Significa dizer que antes de transmitir a DCOMP, a recorrente devia ter retificado sua declaração de débito se quisesse ter direito a algum crédito. Num segundo momento, deve ser afastada também a pretensão da recorrente porque a origem veiculada para o seu suposto crédito transferências para outra pessoa jurídica nos termos do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98, não chegou a existir, de fato, em nosso sistema jurídico tributário, por falta de regulamentação durante a vigência do dispositivo legal, e o advento de sua revogação em 2001, pela medida provisória nº 2.15835, de 24 de agosto. Sendo a matéria inclusive objeto de AD da Secretaria da Receita Federal do Brasil, de nº 56/2000, cuja redação foi trazida no bojo do acórdão guerreado. No vinco do exposto, voto por DESPROVER o apelo, prejudicadas as demais alegações. Sala das Sessões, em 31 de janeiro de 2013. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/02 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13884.900978/200882 Acórdão n.º 3101001.326 S3C1T1 Fl. 56 5 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 22/02 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 10325.001126/2006-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2002
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL.
EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). AVERBAÇÃO EM CARTÓRIO.
A área de utilização limitada / reserva legal, para fins de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental - ADA, fazendo-se, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel, no Cartório de Registro de Imóveis, até a data do fato gerador do imposto. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. MULTA DE OFICIO.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Recurso Negado.
Numero da decisão: 2202-002.027
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior (Relator), Guilherme Barranco de Souza e Odmir Fernandes, que proviam o recurso em razão do laudo apresentado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Nelson Mallmann.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). AVERBAÇÃO EM CARTÓRIO. A área de utilização limitada / reserva legal, para fins de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental ADA, fazendose, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel, no Cartório de Registro de Imóveis, até a data do fato gerador do imposto. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. MULTA DE OFICIO. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração de lançar com multa de oficio rendimentos omitidos na declaração de ajuste. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior (Relator), Guilherme Barranco de Souza e Odmir Fernandes, que proviam o recurso em razão do laudo apresentado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Nelson Mallmann. (Assinado Digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Redator Designado (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10325.001126/200696 Acórdão n.º 2202002.027 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 19/25, no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2002, relativo ao imóvel denominado "Agropiraiba III", localizado no município de Tasso Fragoso MA, com Área total de 695,0 ha, cadastrado na SRF sob o n° 5.493.6896, no valor de R$ 3.256,50 (três mil duzentos e cinqüenta e seis reais e cinqüenta centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 31/10/2006, perfazendo um crédito tributário total de R$ 8.008,05 (oito mil oito reais e cinco centavos). No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DITR/2002 e dos documentos coletados no curso da ação Fiscal, conforme Demonstrativo de Apuração do ITR, fl. 22, a fiscalização apurou a seguinte infração: (a) exclusão, indevida, da tributação de 695,0 ha de Área de utilização limitada. As exclusões indevidas, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fl. 21, tem origem na falta de comprovação das Áreas de utilização limitada como áreas dedutíveis da Área tributável pelo ITR. O Auto de Infração foi postado nos correios tendo o contribuinte tomado ciência em 11/12/2006, conforme Aviso de Recebimento AR fl. 27. Não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou, em 18/12/2006, a impugnação de fls. 28/35, alegando, em síntese: I que toda a área do imóvel. foi averbada como de utilização limitada. A autoridade recorrida, ao examinar o pleito, decidiu, por unanimidade por negar provimento a impugnação através do acórdão DRJ/REC n° 1124.959, de 22 de dezembro de 2008, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A exclusão de áreas declaradas como de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao protocolo do Ato Declaratório Ambiental (ADA), no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR, no IBAMA ou em órgão delegado. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 A exclusão da área de utilização limitada/reserva legal da tributação pelo 1TR depende ainda de sua averbação à margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, ate a data da ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2002 ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. A legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. Devidamente cientificado dessa decisão, o Recorrente apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, onde reitera os argumentos da impugnação. É o relatório Fl. 87DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10325.001126/200696 Acórdão n.º 2202002.027 S2C2T2 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheiro Pedro Anan Junior Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e merece ser conhecido. Tratase de lançamento fiscal de ITR, exercício 2002, derivado de glosa de área de utilização limitada/reserva legal devidamente averbada, por força da não apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA junto ao IBAMA. A questão exige que se separe a análise da disciplina normativa que as áreas de preservação permanente e reserva legal recebem no âmbito do Direito Tributário daquela que recebem no contexto do Direito Ambiental. A Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, expressamente exclui da base de cálculo tributável do ITR as áreas de reserva legal e de preservação permanente (art. 10, § 1º, inciso II, letra “a”), ou seja, estas áreas constituem elementos redutores da base de cálculo tributável do ITR. A base de cálculo tributária é a própria exteriorização econômica do fato tributável. Por essa razão, a base de cálculo está submetida à reserva legal e aos rigores da legalidade tributária, contemplada constitucionalmente como uma das principais limitações constitucionais ao poder de tributar (art. 150, I, CF). O Código Tributário Nacional (art. 97, IV), de forma mais explícita, ratifica a necessidade de lei formal para a disciplina da base de cálculo tributável. Importante destacar que o Código Tributário Nacional (art. 97, § 1º) vincula os conceitos de majoração tributária (submetida à reserva legal) ao efeito “onerosidade”, produzido em decorrência de modificação da base de cálculo tributária. Vale dizer, qualquer alteração de base de cálculo que torne o tributo mais oneroso para o sujeito passivo submetese ao regime jurídico aplicável à majoração tributária, notadamente ‘a exigência de que seja veiculada por lei formal e atenda aos interstícios temporais previstos constitucionalmente (anterioridade geral, anterioridade nonagesimal) para cada espécie tributária. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano (art. 1º, lei 9.393/96). A base de cálculo tributável é resultado de uma operação complexa que tem como ponto de partida o Valor da Terra Nua – VTN, o qual sofre o efeito de vários elementos redutores. Do valor do imóvel declarado pelo contribuinte (Valor da Terra Nua) devem ser excluídos (art. 10, § 1º, Lei 9.393/96) os valores relativos a construções, instalações e Fl. 88DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 6 benfeitorias; culturas permanentes e temporárias; pastagens cultivadas e melhoradas; florestas plantadas. Outro conceito importante na definição da base de cálculo tributável do ITR é o de “área tributável”, entendida como a área total do imóvel, excluídas, ou seja, devem ser considerados como elementos redutores: as áreas de preservação permanente e de reserva legal; as áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nas áreas de preservação permanente e de reserva legal; as áreas comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; as áreas sob regime de servidão florestal ou ambiental; as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; e as áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. Da multiplicação do Valor da Terra Nua (VTN) pelo quociente entre a área tributável e a área total, chegase ao Valor da Terra Nua tributável (VTNt), que á efetiva base de cálculo sobre a qual deve incidir a alíquota (variável) do ITR. Importante aferir, no entanto, o Grau de Utilização da terra, tarefa que exige a análise e determinação da “área aproveitável” e da “área efetivamente utilizada”. Considerase como “área aproveitável”, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias e os elementos redutores da área tributável, entre os quais destacamse as áreas de preservação permanente e as de reserva legal. Por outro lado, entendese por “área efetivamente utilizada” a porção do imóvel que no ano anterior tenha sido plantada com produtos vegetais; servido de pastagem, nativa ou plantada, observados índices de lotação por zona de pecuária; tenha sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; tenha servido para exploração de atividades granjeira e aqüícola, ou tenha sido o objeto de implantação de projeto técnico, nos termos do art. 7º da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993. O Grau de Utilização – GU do imóvel rural é a relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável. A base de cálculo tributável do ITR é o Valor da Terra Nua tributável (VTNt), sobre a qual incidirão alíquotas variáveis dependendo da área total do imóvel e do Grau de Utilização da terra (art. 11, caput, Lei 9.393/96). Qualquer alteração nos elementos redutores da base de cálculo tributável poderá ensejar modificação no nível de onerosidade tributária, índice que pode refletir majoração tributária, a submeterse aos rigores da reserva legal, na forma do disposto na Constituição Federal e no Código Tributário Nacional. As áreas de preservação permanente e de reserva legal constituem, como visto, elementos redutores da “área tributável”, e por isso influenciam diretamente a base de cálculo tributável (Valor da Terra Nua tributável – VTNt), na medida em que esta é o resultado da multiplicação do Valor da Terra Nua (VTN) pelo quociente entre a área tributável e a área total. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10325.001126/200696 Acórdão n.º 2202002.027 S2C2T2 Fl. 5 7 A desconsideração de elementos redutores do valor da “área tributável”, tais como as áreas de preservação permanente e reserva legal, leva inexoravelmente ao aumento do número resultante da divisão entre área tributável e área total do imóvel, resultado que repercute aumentando o valor da Terra Nua Tributável (VTNt), base de cálculo do ITR. A rigor, a base de cálculo do ITR (VTNt) é o resultado da multiplicação do Valor da Terra Nua (VTN) pelo índice resultante da divisão da área tributável pela área total do imóvel. O aumento de área tributável, decorrente, por exemplo, da desconsideração de elementos que o reduzem, como as áreas de preservação permanente e de reserva legal, conduz a um aumento na base de cálculo do ITR na medida em que aumenta o resultado da divisão da área tributável pela área total do imóvel. Ao disciplinar a base de cálculo do ITR, a Lei 9.393/96 não impôs qualquer condição para que as áreas de preservação permanente e de reserva legal fossem consideradas como elementos redutores da área tributável por este imposto. Ocorre que a IN/SRF 67/97, conferindo nova redação ao art. 10, § 4º da IN/SRF 43/97, estabeleceu que: Art. 10. § 4º As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR. Observado o seguinte: I as áreas de reserva legal, para fins de obtenção do ato declaratório do IBAMA, deverão estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, conforme preceitua a Lei nº 4.771, de 1965, II o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA. Como visto, o referido ato regulamentar criou três condições relativas aos elementos redutores da base de cálculo do ITR (áreas de preservação permanente e de reserva legal), a saber: Primeiro, as áreas de preservação permanente só poderão ser utilizadas para fins de apuração da base de cálculo do ITR após o protocolo, pelo interessado, de requerimento junto ao IBAMA solicitando a expedição de ato declaratório reconhecendo as características ambientais do imóvel. Segundo, as áreas de reserva legal deverão estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel antes do pleito de expedição do ato declaratório junto ao IBAMA. Terceiro, o requerimento para expedição do ato declaratório deve ser protocolado junto ao IBAMA no prazo de até seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 8 Segundo a dicção da citada Instrução Normativa, se não cumpridas as três condições por ela criadas, as áreas de preservação permanente e de reserva legal não poderão ser utilizadas pelo sujeito passivo como elementos redutores da base de cálculo do ITR. As referidas condições foram reproduzidas posteriormente pelo art. 17 da IN/SRF 73/2000 e da IN 60/2001 e constam do Decreto 4.382/2002 (art. 10, § 1º e 12, § 1º). Como resta claro, a lei tributária, ao definir o fato gerador do ITR, estabeleceu a sua base de cálculo sem condições. Atos regulamentares editados posteriormente, a pretexto de regular o tributo, na prática, tornaramno mais oneroso, na medida em que majoraram a sua base de cálculo, criando condições (antes inexistentes) para que esta pudesse ser apurada. O Código Tributário Nacional (art. 97, § 1º) é expresso ao equiparar à majoração do tributo, submetida à reserva de lei, qualquer modificação de sua base de cálculo, que resulte em tornálo mais oneroso”. No caso em concreto a reserva legal ou área de utilização limitada, entendo que deve prevalecer no presente caso a verdade material, ou seja apesar do Recorrente ter apresentado o ADA, isso não tira a natureza jurídica da sua exclusão, uma vez que quando a DITR foi entregue, a área estava devidamente averbada no registro imóveis. Salientese uma vez a própria legislação que rege a matéria não exige tal requisito. O que a Lei 9.393/96 não exige a prévia comprovação por parte do contribuinte, cabe ao mesmo comprovar quando for devidamente intimado pela autoridade fiscal. Neste sentido, dou provimento ao recurso do contribuinte. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior relator Fl. 91DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10325.001126/200696 Acórdão n.º 2202002.027 S2C2T2 Fl. 6 9 Voto Vencedor Conselheiro Nelson Mallmann, Redator Designado Com a devida vênia do nobre relator da matéria, Conselheiro Pedro Anan Junior, permitome divergir quanto à exclusão da tributação a integralidade da área de utilização limitada (reserva legal). Entende o nobre relator, que no caso em concreto, no que diz respeito às áreas de utilização limitada (reserva legal), a recorrente preencheu os requisitos previstos na legislação de regência, em razão da apresentação de laudo técnico. Contudo, não posso acompanhar o raciocínio do nobre relator, já que discordo frontalmente no que diz respeito ao Ato Declaratório Ambiental – ADA, exigência mútua para as áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal e interesse ecológico), além da exigência concomitante da averbação da área de reserva legal nos Cartórios de Registro, pelos motivos abaixo expostos. Não resta duvidas de que se confirmou o não cumprimento de uma exigência genérica, aplicada às áreas de utilização limitada (Reserva Legal, Reserva Particular do Patrimônio Natural ou Imprestável para a atividade produtiva/Interesse Ecológico), quanto às áreas de preservação permanente, de que as áreas ambientais do imóvel, para fins de exclusão do ITR, sejam devidamente reconhecidas como de interesse ambiental, por intermédio de Ato Declaratório Ambiental ADA, emitido pelo IBAMA/órgão conveniado ou, pelo menos, que seja comprovado a protocolização tempestiva do seu requerimento (do ADA). Como visto nos autos, a discussão principal de mérito diz respeito à área de utilização limitada (reserva legal), e o nó da questão restringese a exigência relativa ao ADA — Ato Declaratório Ambiental, que deve conter as informações de tal área e ter sido protocolado tempestivamente junto ao IBAMA/órgão conveniado, para fins de exclusão dessa área da tributação, bem como a exigência da averbação tempestiva da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis. Para fins de um melhor entendimento da presente matéria (isenção das áreas de interesse ambiental), se faz necessário a transcrição da Instrução Normativa nº 5, de 25 de março de 2009, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, verbis: Art. 1o O Ato Declaratório AmbientalADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial RuralITR, sobre estas últimas. Parágrafo único. O ADA deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis rurais obrigados à apresentação do ITR. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 10 Art. 2o São áreas de interesse ambiental não tributáveis consideradas para fins de isenção do ITR: I Área de Preservação Permanente APP: a) aquelas ocupadas por florestas e demais formas de vegetação natural, sem destinação comercial, descritas nos arts. 2o e 3o da Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965, e não incluídas nas áreas de reserva legal, com as exceções previstas na legislação em vigor, bem como não incluídas nas áreas cobertas por floresta nativa; II Área de Reserva Legal: a) deve estar averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente, ou mediante Termo de Compromisso de Averbação de Reserva Legal, com firma reconhecida do detentor da posse, para propriedade com documento de posse reconhecido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA; III Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural, prevista na Lei no 9.985, de 18 de julho de 2000; IV Área Declarada de Interesse Ecológico: a) para proteção dos ecossistemas, declarada mediante ato do Poder Público competente, que contemple as Unidades de Conservação Federal, Estadual ou Municipal, de proteção integral ou de uso sustentável, comprovadamente contidas nos limites da unidade de conservação, caracterizadas sua limitação ao exercício do direito de propriedade; b) localizada em propriedade particular e que foi nominada e delimitada em ato do Poder Público Federal e Estadual, que contenha restrição de uso no mínimo igual à área de reserva legal; e c) comprovadamente imprestável para a atividade rural, declarada mediante ato do órgão competente federal ou estadual; V Área de Servidão Florestal ou Ambiental, prevista nas Leis nos 4.771, de 1965, e 11.284, de 2 de março de 2006, averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente; VI Área Coberta por Florestas Nativas, aquela onde o proprietário protege as florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, conforme Lei no. 11.428, de 22 de dezembro de 2006; VII Área Alagada para Fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas, autorizada pelo poder público, conforme Lei no 11.727, de 23 de junho de 2008. Parágrafo único. As áreas enumeradas nos incisos I, II, V e VI deste artigo devem estar com vegetação natural não degradada ou as frações em estágio médio ou avançado de regeneração. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10325.001126/200696 Acórdão n.º 2202002.027 S2C2T2 Fl. 7 11 Art. 3o O IBAMA, a qualquer tempo, poderá solicitar que sejam informadas as áreas tributáveis constantes do Relatório de Atividades do Cadastro Técnico Federal, quais sejam: I construções, instalações e benfeitorias; II culturas permanentes e temporárias; III pastagens cultivadas e melhoradas; e IV florestas plantadas, área de reflorestamento com essências exóticas ou nativas. Parágrafo único. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, o ADA substituirá o Relatório de Atividades e poderá conter informações sobre as atividades desenvolvidas nas áreas descritas nos incisos I à IV deste artigo. Art. 4o Os imóveis rurais que possuem áreas de reserva legal, de servidão florestal ou ambiental e área coberta por florestas nativas como compensação de outros imóveis rurais, de acordo com as normas estabelecidas na legislação, farão jus à isenção do ITR sobre essas áreas. Art. 5o O proprietário rural que se beneficiar da isenção prevista no art. 2o desta Instrução Normativa deverá recolher junto ao IBAMA, anualmente, a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 28 de janeiro de 2000, a título de vistoria. Art. 6o O declarante deverá apresentar o ADA por meio eletrônico formulário ADAWeb, e as respectivas orientações de preenchimento estarão à disposição no site do IBAMA na rede internacional de computadores www.ibama.gov.br ("Serviços online"). § 1o Para a apresentação do ADA não existem limites de tamanho de área do imóvel rural. § 2o O declarante da pequena propriedade rural ou posse rural familiar definidas na Lei no 4771, de 1965, poderá dirigirse a um dos órgãos descentralizados do IBAMA, onde poderá solicitar seja efetuada a transmissão das informações prestadas no ADAWeb. § 3o O ADA deverá ser entregue de 1o de janeiro a 30 de setembro de cada exercício, podendo ser retificado até 31 de dezembro do exercício referenciado. Art. 7o. As pessoas físicas e jurídicas cadastradas no Cadastro Técnico Federal, obrigadas à apresentação do ADA, deverão fazêla anualmente. Art. 8o. O ADA será devidamente preenchido conforme informações constantes do Documento de Informação e Atualização CadastralDIAC do ITR, Documento de Informação Fl. 94DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 12 e ApuraçãoDIAT do ITR e da Declaração para Cadastramento de Imóvel RuralDP do INCRA. Parágrafo único. Será necessário um ADA para cada número do imóvel na Receita Federal N I R F. Art. 9o. Não será exigida apresentação de quaisquer documentos comprobatórios à declaração, sendo que a comprovação dos dados declarados poderá ser exigida posteriormente, por meio de mapas vetoriais digitais, documentos de registro de propriedade e respectivas averbações e laudo técnico de vistoria de campo, conforme Anexo desta Instrução Normativa, permitida a inclusão, no ADAWeb, das informações obtidas em campo, quando couber. Art. 10. Deverão constar no ADA os imóveis rurais daqueles declarantes que pleiteiam autorizações ou licenças junto ao IBAMA. Não há dúvidas que, a princípio, por se tratarem de áreas não tributáveis pelo Imposto Territorial Rural, cabe destacar que as áreas assim declaradas estão sujeitas à comprovação para serem aceitas, de acordo com a situação em que se enquadrem: 1 Reserva Legal — Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário que o contribuinte protocolize o Ato Declaratório Ambiental (ADA) no prazo legal e a cada exercício e que as áreas estejam averbadas no Registro de Imóveis competente até a data da ocorrência do fato gerador (Lei n° 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela MP n° 2.166, de 2001, art. 1°). Definição: São áreas de reserva legal aquelas cuja vegetação não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos, devendo estar averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001, art. 1º; RITR/2002, art. 12; IN SRF nº 256, de 2002, art. 11). 2 Reserva Legal do Patrimônio Natural — RPPN — Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário o protocolo do ADA no prazo legal e a cada exercício; que as áreas sejam reconhecidas pelo IBAMA ou por órgão estadual de meio ambiente, mediante requerimento do proprietário (Decreto n° 1.922, de 1996 e Lei nº 9.985, de 2000, art. . 21); que as áreas estejam averbadas no Registro de Imóveis competente na data da ocorrência do fato gerador (Lei n° 9.985, de 2000, art. 21; Decreto n° 4.382, de 2002, art. 13, parágrafo único). Definição: São áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) as áreas privadas gravadas com perpetuidade, averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, destinadas à conservação da diversidade biológica, nas quais somente poderão ser permitidas a pesquisa científica e a visitação com objetivos turísticos, recreativos e educacionais, reconhecidas pelo IBAMA. (Lei nº 9.985, de 2000, art. 21; RITR/2002, art. 13; IN SRF nº 256, de 2002, art. 12). 3 Interesse Ecológico – Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário o protocolo do ADA no prazo legal e a cada exercício; reconhecimento, em caráter especifico, para determinada área, de órgão competente federal ou estadual (Lei n° 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, II, "b" e "c"). Fl. 95DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10325.001126/200696 Acórdão n.º 2202002.027 S2C2T2 Fl. 8 13 Definição: São áreas de interesse ecológico, desde que atendam ao disposto na legislação pertinente, as áreas assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, que sejam: I destinadas à proteção dos ecossistemas, e que ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal; e II comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. Para efeito de exclusão do ITR, apenas será aceita como área de interesse ecológico a área declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular. Não será aceita a área declarada em caráter geral. Portanto, se o imóvel rural estiver dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular. (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º , II, “b” e “c”; RITR/2002, art. 15; IN SRF nº 256, de 2002, art. 14) 4 Servidão Florestal — Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário o protocolo do ADA no prazo legal e a cada exercício; que as áreas estejam averbadas no Registro de Imóveis competente na data da ocorrência do fato gerador (Lei n° 4.771, de 1965, art. 44A, acrescentado pela MP n° 2.16667, de 2001, art. 2°). Definição: São áreas de servidão florestal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais o proprietário voluntariamente renuncia, em caráter permanente ou temporário, a direitos de supressão ou exploração da vegetação nativa, localizadas fora das áreas de reserva legal e de preservação permanente. (Lei nº 4.771, de 1965, art. 44A, acrescentado pela Medida Provisória nº 2.166 67, de 2001, art. 2º; RITR/2002, art. 14; IN SRF nº 256, de 2002, art. 13). 5 Para as áreas de Preservação Permanente – Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário que o contribuinte protocolize o Ato Declaratório Ambiental (ADA) no prazo legal e a cada exercício ou reconhecimento da área através de Laudo Técnico, firmado por Engenheiro Agrônomo ou Florestal acompanhado da ART (Anotação da Responsabilidade Técnica) e de acordo com as normas da ABNT. As áreas de Preservação Permanente são as descritas na Lei n° 4.771, de 1965, artigos 2° e 3°, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989, artigo 1°. Definição: São áreas de preservação permanente, desde que atendam ao disposto na legislação pertinente: I As florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d’água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: de trinta metros para os cursos d’água de menos de dez metros de largura; de cinquenta metros para os cursos d’água que tenham de dez a cinquenta metros de largura; de cem metros para os cursos d’água que tenham de cinquenta a duzentos metros de largura; de duzentos metros para os cursos d’água que tenham de duzentos a seiscentos metros de largura; Fl. 96DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 14 de quinhentos metros para os cursos d’água que tenham largura superior a seiscentos metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d’água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados “olhos d’água”, qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de cinquenta metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a quarenta e cinco graus, equivalente a cem por cento na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a cem metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a mil e oitocentos metros, qualquer que seja a vegetação. II As florestas e demais formas de vegetação natural, declaradas de preservação permanente por ato do poder público, quando destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) afixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. 6 As Áreas Cobertas por Florestas Nativas (artigo 10 da Lei Federal n° 9.393, de 1996). Para exclusão das áreas cobertas por florestas nativas da incidência do ITR é necessário que o contribuinte apresente o ADA ao IBAMA, no prazo lega e a cada exercício, e que atendam ao disposto na legislação pertinente. (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 1º, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, art. 1º). Definição: São áreas cobertas por florestas nativas aquelas nas quais o proprietário protege as florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, onde o proprietário conserva a vegetação primária – de máxima expressão local, com grande diversidade biológica, e mínimos efeitos de ações humanas, bem como a vegetação secundária – resultante dos processos naturais de sucessão, após supressão total ou parcial da vegetação primária por ações humanas ou causas naturais. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10325.001126/200696 Acórdão n.º 2202002.027 S2C2T2 Fl. 9 15 Assim, verificase que uma das exigências prevista para justificar a exclusão da área de utilização limitada (reserva legal) do ITR/2002 qualquer que sejam as suas reais dimensões, não foi providenciada de forma tempestiva, qual seja, não cumprimento de uma exigência genérica, aplicada às áreas de interesse ambiental, para fins de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, sejam devidamente reconhecidas como de interesse ambiental, por intermédio de Ato Declaratório Ambiental ADA, emitido pelo IBAMA/órgão conveniado ou, pelo menos, que seja comprovado a protocolização tempestiva do seu requerimento. No tocante à apuração do imposto, de acordo com as instruções de preenchimento da DITR, podem ser excluídas, da área total do imóvel, para determinar a área tributável, as áreas de interesse ambiental. Como é de notório conhecimento, o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR incide sobre: (i) o direito de propriedade do imóvel rural; (ii) o domínio útil; (iii) a posse por usufruto; (iv) a posse a qualquer título, tudo conforme ditado pela Lei nº 9.393, de 1996. Conquanto, este tributo será devido sempre que no plano fático se configurar a hipótese de incidência ditada pela norma (Lei 9393/96): (i) a norma dita que a obrigação tributária nasce sempre em primeiro de janeiro de cada ano uma vez que a periodicidade deste tributo é anual; (ii) o imóvel deve estar localizado em zona rural; (iii) os demais requisitos já constam acima posse, propriedade ou domínio útil. Tenho para mim que para excluir as áreas de interesse ambiental cobertas por florestas nativas e anular a sua influência na determinação do Grau de Utilização, é necessário que seja atendida uma condição essencial que a informação no Ato Declaratório Ambiental – ADA. É de se ressaltar, que em nenhum momento estou questionando a existência e o estado das áreas cobertas por florestas nativas, relatórios técnicos que atestam a sua existência não atingem o âmago da questão. Mesmo aquelas possíveis áreas consideradas inaproveitáveis, para integrarem as reservas da propriedade, para fins de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, devem, no meu ponto de vista, obrigatoriamente, atender as exigências legais. Um dos objetivos precípuos da legislação ambiental e tributária é, indubitavelmente, estimular a preservação do meio ambiente, via beneficio fiscal. No entanto, o beneficio da exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, inclusive em áreas de proteção e/ou interesse ambiental como os Parques Estaduais, não se estende genérica e automaticamente a todas as áreas do imóvel por ele abrangidas. Somente se aplica a áreas especificas da propriedade, vale dizer, somente para as áreas de interesse ambiental situadas no imóvel como: área de preservação permanente, área de reserva legal, área de reserva particular do patrimônio natural e área de proteção de ecossistema, áreas cobertas por florestas nativas, bem como área imprestável para a atividade rural, desde que reconhecidas de interesse ambiental e desde que haja o reconhecimento dessas áreas por ato especifico, por imóvel, expedido pelo IBAMA, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) apresentado para o exercício e de forma tempestiva. Não tenho dúvidas, de que a obrigatoriedade da apresentação do ADA para fins de exclusão das áreas de interesse ambiental da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, surgiu no ordenamento jurídico pátrio com o art. 1º da Lei Fl. 98DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 16 nº 10.165, de 2000 que incluiu o art. 17, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001, verbis: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. § 2o O pagamento de que trata o caput deste artigo poderá ser efetivado em cota única ou em parcelas, nos mesmos moldes escolhidos pelo contribuinte para o pagamento do ITR, em documento próprio de arrecadação do IBAMA. § 3o Para efeito de pagamento parcelado, nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais). § 4o O inadimplemento de qualquer parcela ensejará a cobrança de juros e multa nos termos dos incisos I e II do caput e §§ 1oA e 1o, todos do art. 17H desta Lei. § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. Tal dispositivo teve vigência a partir do exercício de 2001, anteriormente a este, a imposição da apresentação do ADA para tal fim era definido por ato infralegal, que contrariava o disposto no § 1º do inciso II do art. 97, do Código Tributário Nacional. Os presentes autos tratam do lançamento de ITR do exercício de 2002, portanto, a exigência do ADA para fins de exclusão da base de cálculo daquele tributo encontra respaldo legal, pelo quê, deve ser mantido quanto a este ponto, já o recorrente não comprovou nos autos a protocolização, de forma tempestiva, do requerimento/ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado para as áreas de utilização limitada. Não é do desconhecimento deste Relator, que as áreas cobertas por florestas nativas, foram introduzidas especificamente nas áreas de interesse ambiental pelo art. 48 da Lei Federal nº 11.428, de 2006, verbis: Art. 48. O art. 10 da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 10. (...). § 1o (...). II –(...). d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; Fl. 99DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10325.001126/200696 Acórdão n.º 2202002.027 S2C2T2 Fl. 10 17 e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; Assim se manifesta o art. 10 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1993: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) d) sob regime de servidão florestal ou ambiental;(Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração;(Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) É oportuno salientar, que Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem entendido em suas decisões de que a dispensa de comprovação relativa às áreas de interesse ambiental, conforme redação do parágrafo 7°, do art. 10, da Lei n° 9.363, de 1996, introduzido originariamente pelo art. 3º da MP n° 1.95650, de 2000, e mantido na MP n° 2.16667, de Fl. 100DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 18 2001, ocorre quando da entrega da declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, o que não dispensa o contribuinte de, uma vez sob procedimento administrativo de fiscalização, comprovar as informações contidas em sua declaração por meio dos documentos hábeis previstos na legislação de regência da matéria. Não obstante a pretensão da requerente de comprovar nos autos a efetiva existência da área de utilização limitada no imóvel (materialidade) por meio do documento “Laudo Técnico”, cabe ressaltar que essa comprovação, no meu entendimento, não é suficiente para que a lide seja decidida a seu favor, pois o que se busca nos autos é a comprovação do reconhecimento das referidas áreas mediante ato do IBAMA ou órgão delegado por convênio ou, no mínimo, a comprovação da protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Enfim, a solicitação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) constituiuse um ônus para o contribuinte. Assim, caso não desejasse a incidência do ITR sobre a área de utilização limitada/reserva legal, o proprietário do imóvel deveria ter providenciado, dentro do prazo legal, o requerimento do ADA. Portanto, não há outro tratamento a ser dada às áreas de preservação permanente s de utilização limitada glosadas pela fiscalização, por falta de comprovação da exigência tratada anteriormente, que devem realmente passar a compor as áreas tributável e aproveitável do imóvel, respectivamente, para fins de apuração do Valor da Terra Nua tributado e do seu Grau de Utilização (do imóvel). Desta forma, não tendo sido comprovada a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental — ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado, cabe manter a glosa efetuada pela fiscalização em relação à área de utilização limitada (reserva legal). Para finalizar a redação do presente voto vencedor, cabe, ainda, tecer alguns comentários sobre a aplicação da penalidade e dos juros de mora lançados com base na taxa SELIC. Quanto à multa de lançamento de ofício mantida é de se dizer, que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontramse elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235/72. Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional CTN, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional CTN, denota que não apenas a Fl. 101DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10325.001126/200696 Acórdão n.º 2202002.027 S2C2T2 Fl. 11 19 medida de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídicotributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. (...). A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação (...). Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 20 Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da Constituição Federal, não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da mesma constituição, que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Da mesma forma, não vejo como se poderia acolher o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da multa de ofício aplicada e dos juros moratórios com base na taxa SELIC. É meu entendimento, acompanhado pelos pares desta Turma de Julgamento, que quanto à discussão sobre a inconstitucionalidade de normas legais, os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de declarar a inconstitucionalidade de lei ou regulamento, face à inexistência de previsão constitucional. No sistema jurídico brasileiro, somente o Poder Judiciário pode declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade. No caso de lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle seria mesmo incabível, por ilógico, pois se o Chefe Supremo da Administração Federal já fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a lei, não seria razoável que subordinados, na escala hierárquica administrativa, considerasse inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional. Exercendo a jurisdição no limite de sua competência, o julgador administrativo não pode nunca ferir o princípio de ampla defesa, já que esta só pode ser apreciada no foro próprio. Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que Fl. 103DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10325.001126/200696 Acórdão n.º 2202002.027 S2C2T2 Fl. 12 21 entenda inconstitucional, maior insegurança teriam os cidadãos, por ficarem à mercê do alvedrio do Executivo. O poder Executivo haverá de cumprir o que emana da lei, ainda que materialmente possa ela ser inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo afasta sob o ponto de vista formal a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetálaia, nos termos do artigo 66, § 1º da Constituição. Rejeitado o veto, ao teor do § 4º do mesmo artigo constitucional, promulguea ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza, não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Facultaselhe, tãosomente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a decisão, continuará o Poder Executivo a lhe dar execução. Imaginese se assim não fosse, facultandose ao Poder Executivo, através de seus diversos departamentos, desconhecer a norma legislativa ou simplesmente negarlhe executoriedade por entendêla, unilateralmente, inconstitucional. A evolução do direito, como quer o suplicante, não deve pôr em risco toda uma construção sistêmica baseada na independência e na harmonia dos Poderes, e em cujos princípios repousa o estado democrático. Assim, não se deve a pretexto de negar validade a uma lei pretensamente inconstitucional, praticarse inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder. Ademais, estas matérias (inconstitucionalidade de leis e juros moratórios com base na taxa SELIC) já estão pacificadas no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, razão pela qual o Presidente do então Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, pela Portaria CARF nº 106, de 2009 (publicada no DOU de 22/12/2009), assim redigidas: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4)”. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 104DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 22 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR
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Numero do processo: 11065.720130/2007-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2005
VENDA DO IMÓVEL. PROVA DA QUITAÇÃO DO ITR.
RESPONSABILIDADE DO ALIENANTE PELO ITR ATÉ A DATA DA VENDA. INCLUSIVE POR CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS CONSTITUÍDOS APÓS A VENDA.
Nos termos do art. 130 do CTN, os créditos tributários relativos ao ITR subrogam-se na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação.
Hipótese em que consta do título a prova da quitação dos tributos relativos ao imóvel, tendo a venda ocorrido em 21/10/2005, permanecendo o alienante responsável pelo ITR do exercício de 2005, cujo fato gerador ocorreu em 01/01/2005.
Essa responsabilidade alcança os créditos tributários constituídos posteriormente à venda, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a essa data, nos termos do art. 129 do CTN.
VTN. SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO PELA FISCALIZAÇÃO.
O art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, autoriza que, no caso de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal proceda à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de
sistema a ser por ela instituído (SIPT), e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização.
No caso, diante da evidente subavaliação, razoável se atribuir como valor do imóvel aquele efetivamente obtido com sua venda, excluídas as benfeitorias, valor inferior ao constante do SIPT.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-001.782
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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PROVA DA QUITAÇÃO DO ITR. RESPONSABILIDADE DO ALIENANTE PELO ITR ATÉ A DATA DA VENDA. INCLUSIVE POR CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS CONSTITUÍDOS APÓS A VENDA. Nos termos do art. 130 do CTN, os créditos tributários relativos ao ITR sub rogamse na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação. Hipótese em que consta do título a prova da quitação dos tributos relativos ao imóvel, tendo a venda ocorrido em 21/10/2005, permanecendo o alienante responsável pelo ITR do exercício de 2005, cujo fato gerador ocorreu em 01/01/2005. Essa responsabilidade alcança os créditos tributários constituídos posteriormente à venda, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a essa data, nos termos do art. 129 do CTN. VTN. SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO PELA FISCALIZAÇÃO. O art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, autoriza que, no caso de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal proceda à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído (SIPT), e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. No caso, diante da evidente subavaliação, razoável se atribuir como valor do imóvel aquele efetivamente obtido com sua venda, excluídas as benfeitorias, valor inferior ao constante do SIPT. Recurso Voluntário Negado Fl. 112DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11065.720130/200717 Acórdão n.º 2101001.782 S2C1T1 Fl. 109 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Alexandre Naoki Nishioka. Ausente justificadamente o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 1 a 6, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, para arbitrar o Valor da Terra Nua – VTN, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Santa Rita”, NIRF no 2.251.8010, com área de 1.664,4 ha, localizado no município de Nova Santa Rita – RS, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$21.335,72, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 31 a 35), acatada como tempestiva. Consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 91), alegou o seguinte: 7.1 Estava em dia com suas obrigações fiscais e tributárias no momento da formalização da compra e venda do imóvel, tanto que ficou consignado na Escritura Pública que foram apresentadas todas as certidões negativas, inclusive a de quitação de tributos e contribuições federais administrados pela Receita Federal. 7.2 Havia informado que, por subrogação legal e convencional, cabia aos novos proprietários, INCRA e Estado do Rio Grande do Sul, a responsabilidade fiscal e tributária sobre o referido bem. 7.3 Surpresamente se deparou com a apuração e lançamento em foco, discordando da utilização dos valores do SIPT por estarem mais próximos daquele pelo qual o imóvel foi, efetivamente, vendido. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11065.720130/200717 Acórdão n.º 2101001.782 S2C1T1 Fl. 110 3 7.4 Tratou da avaliação efetuada para alienar o imóvel em leilão público, através do processo de licitação da Superintendência de Seguros Privados – SUSEP, cujo valor constante do laudo da AHM Consultoria de Avaliações Ltda., foi de R$ 4.200.000,00. 7.5 Listou os valores dos lances e explanou a respeito da ordem judicial que autorizou o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA apresentar proposta do VTN de R$ 8.770.533,71, homologado pelo Conselho Diretor da SUSEP. 7.6 Na seqüência disse que a alienação ocorreu atendendo ao disposto na legislação que regulamenta as liquidações extrajudiciais, sendo que o valor foi aquele maior entre os lançadores, superior ao da avaliação do especialista e maior do que o escriturado na contabilidade da vendedora e que, no entanto, não procede o lançamento fiscal apurado entre o valor efetivo da venda e o efetivo da declaração do ITR em cada um dos períodos base, 2003, 2004 e 2005. 7.7 De todo o exposto requereu seja recebida a defesa, com seus respectivos anexos, para considerar cumpridas todas as obrigações fiscais, principais e acessórias, enquanto o bem imóvel esteve sob a propriedade da impugnante, e se determine a extinção, baixa e arquivamento do procedimento para todos os fins e efeitos de direito. 8. Das fls. 36 a 75 consta a documentação anexada, composta por cópia de folhas do processo licitação mencionada, onde constam: as propostas de pagamentos; informação do INCRA de apresentação dos valores com base em laudo técnico; da avaliação efetuada pela AHM Consultoria de Avaliações Ltda., embasada em uma avaliação ocorrida em 28/09/1999 e atualizada por meio de opiniões e variações do valor do Dólar Americano, entre outros, para concluir pelo valor de R$ 5.992.092,00 e, considerando a necessidade de liquidez imediata, com uma redução de 30,0% restaria o valor de R$ 4.200.000,00; cópia da liminar concedida ao INCRA, na qual se verifica a não realização de laudo conforme ABNT; entre ouros e, das fls. 76 a 87 consta providência quanto à regularização do processo, bem como quanto à baixa de inscrição na dívida ativa, efetuada equivocadamente. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 88 a 93): Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2005 Alienação de bens imóveis Subrogação de créditos Por determinação legal, os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições de melhoria, subrogamse na pessoa dos respectivos adquirentes, porém, não ocorre subrogação se do título de aquisição constar a prova de quitação dos tributos. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11065.720130/200717 Acórdão n.º 2101001.782 S2C1T1 Fl. 111 4 Valor da Terra Nua VTN O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação somente se, na contestação, forem oferecidos elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, que apresente valor de mercado diferente relativo ao ano base questionado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 26/10/2009 (fl. 96), o contribuinte apresentou, em 24/11/2009, o recurso de fls. 99 a 105, onde afirma: a) que é uma empresa controlada e/ou coligada do MONTEPIO MFM EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL, ambas em processo especial de Liquidação Extrajudicial decretada nos termos e de acordo com o que dispõe a Lei Complementar no 109/2001, submetidas ao juízo da Superintendência de Seguros Privados – SUSEP, e que essa condição não foi mencionada pelo acórdão recorrido; b) que o imóvel objeto do lançamento foi vendido ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA e ao Estado do Rio Grande do Sul em 21/10/2005, e que, nesta data, estava em dia com suas obrigações fiscais, como ficou consignado na escritura pública; c) que os adquirentes são responsáveis pelo tributo do ano base 2005 por sub rogação legal; d) que todos os documentos do imóvel foram entregues aos compradores; e) que os valores arbitrados com base no SIPT são irreais; f) que o imóvel estava registrado em sua contabilidade por valor baixo, e que, ao vendêlo em leilão público, realizou laudo de avaliação elaborado por AHM Consultoria de Avaliações Ltda, e que se chegou ao valor de R$4.200.000,00, bem abaixo daquele utilizado como base para o lançamento; g) que o valor efetivamente pago pela terra nua foi o de R$ 8.770.533,71; h) que está comprovado que o valor do imóvel foi alienado atendendo ao disposto na legislação que regulamenta as liquidações extrajudiciais, sendo que o valor da venda foi aquele maior entre os lançadores, superior ao valor da avaliação do especialista e maior do que aquele escriturado na contabilidade da vendedora, sendo improcedente, portanto, Fl. 115DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11065.720130/200717 Acórdão n.º 2101001.782 S2C1T1 Fl. 112 5 o ato de lançamento fiscal do imposto complementar da diferença apurada entre o valor efetivo da venda e o valor efetivo da declaração do ITR em cada um dos períodosbase. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 107, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. Responsabilidade pelo tributo O recorrente afirma que o imóvel objeto do lançamento foi vendido ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA e ao Estado do Rio Grande do Sul em 21/10/2005, e que, nesta data, estava em dia com suas obrigações fiscais, como ficou consignado na escritura pública. Assim, defende que os adquirentes são responsáveis pelo tributo do ano base 2005 por subrogação legal. A solução do impasse é encontrada no art. 130 do Código Tributário Nacional CTN, abaixo transcrito: Art. 130. Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições de melhoria, subrogamse na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação. (...) Desta forma, as dívidas do ITR, em regra, acompanham o imóvel quando de sua alienação, exceto quando estiver comprovado no título a quitação do tributo, ficando, nesse caso, apenas o alienante responsável pelos débitos passados. Examinando os termos da escritura de venda e compra de fls. 12 a 15, lavrada em 21/10/2005, verificase que foi apresentada certidão negativa de débitos do imóvel rural, expedida pela Secretaria da Receita Federal em 27/09/2005. Assim, ocorre a cláusula excepcional do art. 130 do CTN, ficando o adquirente responsável pelos tributos apenas após a venda. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11065.720130/200717 Acórdão n.º 2101001.782 S2C1T1 Fl. 113 6 Como o fato gerador do ITR ocorre em 1o de janeiro de cada ano, nos termos do art. 1o da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e tendo a venda ocorrido em 21/10/2005, o alienante permanece responsável pelo ITR até o exercício de 2005. Acrescentese que essa responsabilidade alcança os créditos tributários constituídos posteriormente à venda, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a essa data, nos termos do art. 129 do CTN, abaixo transcrito: Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Valor da Terra Nua – VTN O contribuinte informou, em sua Declaração do ITR do exercício de 2005, o VTN de R$ 1.511.752,29 (fls. 18). Entretanto, o VTN constante no Sistema de Preços de Terra da Receita Federal (SIPT), para imóveis daquele município, era de R$11.105.859,83. Intimado a comprovar o efetivo valor da terra nua mediante laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT (fls. 7 a 8), o sujeito passivo alegou não possuir mais os documentos relativos ao imóvel, que haviam sido entregues ao novo proprietário (fls. 9 a 10). Diante da falta de comprovação mediante laudo, e por considerar que o valor da alienação de R$10.011.847,95, em 2005, era compatível com aqueles constantes no SIPT daquele ano (R$11.105.859,83), a Fiscalização adotou o valor da venda da terra nua como base para o arbitramento do VTN. Para isso, subtraiu, do valor de venda, as benfeitorias declaradas, chegando ao valor de R$9.233.642,95. O recorrente afirma que os valores arbitrados com base no SIPT são irreais, que o imóvel estava registrado em sua contabilidade por valor baixo, que, ao vendêlo em leilão público, utilizou laudo de avaliação elaborado por AHM Consultoria de Avaliações Ltda, que indicou o valor de R$4.200.000,00, bem abaixo daquele utilizado como base para o lançamento, e que o valor efetivamente pago pela terra nua foi o de R$8.770.533,71. Pela simples comparação entre o valor adotado no lançamento, referente a 01/01/2005 (R$9.233.642,95), e aquele efetivamente obtido na venda em 21/10/2005 indicado pelo contribuinte (R$8.770.533,71), vêse que não procede o argumento de que o valor arbitrado era irreal. Na verdade, utilizandose os valores constantes na escritura (fl. 13v), há que reconhecer que o valor da terra nua foi na verdade de R$9.595.475,65, já que o valor pago foi de R$10.011.847,95 e as benfeitoria indenizadas importaram em R$416.372,30. O laudo de fls. 50 a 52, que atribuiu o valor de R$ 4.200.000,00 para o imóvel, e que serviu de base para o preço da licitação, não foi admitido pelo julgador de 1a instância por ter como “base uma avaliação efetuada em 1999, corrigida com base em opiniões e valoração de moeda estrangeira”, não se tratando “de uma avaliação específica de VTN, com Fl. 117DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11065.720130/200717 Acórdão n.º 2101001.782 S2C1T1 Fl. 114 7 base em pesquisa de valores de mercados, acompanhado dos comprovantes dessa pesquisa, em quantidade mínima de cinco, relativamente à negociação e/ou oferta oficial de imóveis à venda na região da propriedade em avaliação no ano base do lançamento, atendendo, assim, a requisitos mínimos constante das normas técnicas da ABNT.” Correta a conclusão do acórdão recorrido, até mesmo porque o preço efetivo de venda foi mais que o dobro daquele indicado nessa avaliação. Não se pode perder de vista que o art. 14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, autoriza que, no caso de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal proceda à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Assim, diante da evidente subavaliação, nada mais razoável do que se atribuir como valor do imóvel aquele efetivamente obtido com sua venda, excluídas as benfeitorias, valor inferior ao constante do SIPT. Desta forma, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 118DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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