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Numero do processo: 13808.002298/2001-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1996
INCENTIVO FISCAL - FINOR. REQUISITOS - ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC.
A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIRPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos.
Uma vez admitido o deslocamento do marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dando-se a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo.
Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidão negativa ou positiva, com efeito, de negativa, válida na data de apresentação do recurso.
Numero da decisão: 1402-002.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Mateus Ciccone e Demetrius Nichele Macei que votaram pelo retorno dos autos à Unidade Local para análise do mérito. O conselheiro Leonardo de Andrade Couto acompanhou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Cissone, Gilberto Batista e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1996 INCENTIVO FISCAL FINOR. REQUISITOS ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIRPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Uma vez admitido o deslocamento do marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dandose a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo. Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidão negativa ou positiva, com efeito, de negativa, válida na data de apresentação do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Mateus Ciccone e Demetrius Nichele Macei que votaram pelo retorno dos autos à Unidade Local para análise do mérito. O conselheiro Leonardo de Andrade Couto acompanhou pelas conclusões. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 22 98 /2 00 1- 38 Fl. 438DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 13808.002298/200138 Acórdão n.º 1402002.161 S1C4T2 Fl. 439 2 LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Cissone, Gilberto Batista e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 13808.002298/200138 Acórdão n.º 1402002.161 S1C4T2 Fl. 440 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário (fl.313/327) interposto face v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de São Paulo (fls.340/347) que manteve o r. Despacho de indeferimento (fl.205) do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC (fls.1/2). No processamento eletrônico da DIRPJ, não foi reconhecido o direito ao incentivo fiscal, conforme extratos do sistema IRPJ (fls.302/303), o que motivou a apresentação do PERC, que foi indeferido no r. Despacho Decisório de fl. 205, em razão de irregularidades da contribuinte (fls. 136 a 204) perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls.250/261), requerendo o deferimento do PERC, devido a comprovação de sua regularidade fiscal por meio das certidões anexas (fls.290/334). O v . acórdão "a quo" referente a manifestação de inconformidade, teve como fundamento para manter a negativa do PERC dois principais fatos: 1 que, no momento da análise do pedido, quando foi proferido o r. despacho de indeferimento, a Recorrente não teria comprovado sua regularidade fiscal, requisito este para a aprovação do pedido de repasse ao FINOR de parcela do seu IRPJ recolhido. 2 que a existência de Certidão Negativa ou Certidão Positiva com efeito negativo não é elemento suficiente para deferir o PERC e que os artigos 1 e 19 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal de 23 de outubro de 2000, reproduzidas nos artigos 1 e 10 da IN 734/07, bem como no artigo 614 do RIR/99. Vejamos a fundamentação do "r. decisum a quo". "12. A manifestante ainda afirma que a desconsideração de sua Certidão Positiva de Débitos com Efeito de Negativa é outra causa de cerceamento de seu direito de defesa e nulidade do despacho recorrido. A administração tributária não desconhece a emissão da invocada certidão que é referida inclusive no extrato de fl. 136. Contudo, a existência de Certidão Negativa de Débitos ou de Certidão Positiva com efeito de Negativa não é elemento suficiente para deferimento do Perc, de acordo com o que determinam os artigos 10 e 19 da Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal n° 96, de 23 de outubro de 2000: [...] 13. Cabe pontuar que estas normas acima reproduzidas ainda estão em vigor nos artigos 10 e 10 da Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal do Brasil n° 734, de 02 de maio de 2007, e que o artigo 614 do RIR11999 não diz que a Certidão Negativa ou Positiva com Efeitos de Negativa é documento indispensável para fruição do incentivo fiscal, como quer fazer crer a manifestante: [...] Fl. 440DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 13808.002298/200138 Acórdão n.º 1402002.161 S1C4T2 Fl. 441 4 14. Não se pode exigir Certidão para se conceder ou reconhecer qualquer incentivo ou beneficio fiscal, mas se deve verificar a regularidade fiscal do sujeito passivo solicitante. Dito de outra forma: o que importa é a regularidade fiscal do contribuinte e não a existência de Certidão Negativa ou Positiva com efeitos de Negativa. Juntese a isto o fato de não existir qualquer norma que determine que a existência de certidão é suficiente para deferimento do beneficio. Portanto, não há como dizer que houve cerceamento do direito de defesa da recorrente ou nulidade do despacho impugnado. 15. O artigo 60 da Lei n° 9.069/1995 é assim redigido: [...] 16. A autoridade administrativa fundamentou o indeferimento do pedido da Manifestante na constatação de pendências junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil e à Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 204 e 205), além de verificar a inscrição da empresa no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (CADIN — fls. 181 e 184). 17. Cumpre, inicialmente, esclarecer quais são os requisitos necessários para que a contribuinte possa usufruir o beneficio fiscal em tela. Conforme o artigo 60 da Lei n° 9.069/1995, acima transcrito, é preciso que a contribuinte comprove a quitação de tributos e contribuições federais. 18. Pois bem, o despacho decisório da DIORT/DERAT/SP de fl. 205 verificou justamente o atendimento dessa condição, conforme demonstra a tabela de fl. 204 e as pesquisas aos sistemas informatizados de fls. 136 a 202. 19. Tendo em vista que a verificação da regularidade fiscal da contribuinte possui uma natureza essencialmente dinâmica, o despacho decisório realizou uma análise atualizada da situação da contribuinte e concluiu que, em 30/07/2008, data da elaboração do despacho decisório, a contribuinte se encontrava em situação irregular. [...] 21. Feitas essas considerações, concluise que o momento apropriado para a verificação da regularidade fiscal da contribuinte é justamente a data de expedição do Despacho Decisório, conforme corrobora o entendimento acima transcrito do 1° Conselho de Contribuintes. 22. Sendo assim, resta claro que não assiste razão à manifestante quanto à alegação de que a definição da data da regularidade fiscal deveria ser a da entrega da DIRPJ, isso porque, reiterando o previamente exposto, o momento de verificação da regularidade fiscal é a data de expedição do Despacho Decisório, e não a época da opção do incentivo fiscal. Ademais, tal pleito não encontra fundamento nas normas que regem a concessão de benefícios fiscais. Em seguida, inconformada com a r. decisão, interpôs Recurso Voluntário reiterando praticamente as mesmas alegações. Ato contínuo, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 13808.002298/200138 Acórdão n.º 1402002.161 S1C4T2 Fl. 442 5 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Inicialmente, é importante destacar, que como a matéria posta a lide no processo em epigrafe já foi pacificada pela Súmula 37 deste E. CARF/MF (abaixo colacionada), o cerne da questão cingese apenas em verificar se a documentação acostada aos autos comprovaria a regularidade da Recorrente no momento em que optou pelo incentivo ou se ela conseguiu comprovar no decorrer do presente processo. Súmula CARF no. 37 "Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72." A Fiscalização não aponta quais eram as irregularidades ou débitos existentes no momento em que foi feita a opção pelo incentivo e o seu respectivo indeferimento. De acordo com os documentos constantes nos autos, a situação da Recorrente no momento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais PERC era regular, conforme fls. 03/164. Ocorre que quando a Fiscalização foi analisar o pedido (PERC), apenas em 2008, conforme intimação de fls.165, constatou algumas irregularidades e posteriormente decidiu indeferir o incentivo (fls.205). Não obstante, em sede de manifestação de inconformidade, a Recorrente juntou as fls. 290/334 as certidões positivas com efeito de negativas, comprovando novamente sua regularidade fiscal. Assim, seguindo o entendimento majoritário da jurisprudência deste E. CARF/MF, de que a Recorrente tem o direito de comprovar sua regularidade durante o curso do processo por meio de apresentação de certidões, não resta alternativa senão acolher o Pedido de Revisão de Incentivo Fiscal, reformando o v. acórdão "a quo" . Vejamos algumas ementas de v. acórdãos que consolidaram o entendimento majoritário e posteriormente forma utilizados para fundamentar a edição da Súmula CARF no 37. "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ ANOCALENDÁRIO: 1999 INCENTIVO FISCAL FINOR. REQUISITOS ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 13808.002298/200138 Acórdão n.º 1402002.161 S1C4T2 Fl. 443 6 A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Uma vez admitido o deslocamento do marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dandose a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo. Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidão negativa ou positiva, com efeito, de negativa, válida na data de apresentação do recurso. Preliminar Afastada. Recurso Voluntário Provido." (Proc. 16327.000075/200307 Acórdão 19800.80 de 09/12/2008) No mesmo sentido segue a ementa do v. acórdão no 1950.110 de 10/12/2008, proferido no processo no 16327.003860/200311, vejamos: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001 Ementa: INCENTIVOS FISCAIS "PERC" COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL A comprovação da regularidade fiscal deve se reportar à data da opção do beneficio, pelo contribuinte, com a entrega da declaração de rendimentos. Comprovada a regularidade fiscal em qualquer fase do processo ou não logrando a administração tributária comprovar irregularidades que se reportem ao momento da opção pelo beneficio, deve ser deferida a apreciação do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC.." Desta forma, face comprovação da regularidade da Recorrente por meio de certidões juntadas aos autos com a manifestação de inconformidade e com o Recurso Voluntário, conheço do Recurso e a ele dou provimento, reformando a r. decisão "a quo", deferindo o Pedido de Revisão de Incentivo Fiscal PERC. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10280.003970/2004-53
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 1998, 2000
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL.
Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE.
Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM RECURSOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
O art. 42 da Lei nº 9.430/96, instituiu presunção legal de omissão de receitas em relação aos valores creditados em instituição financeira para os quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos neles utilizados. Tratando-se de presunção legal, ocorre a inversão do ônus da prova em favor do fisco.
COMPROVAÇÃO DOS VALORES APURADOS.
Tendo o lançamento fiscal sido efetuado a partir de divergências constatadas entre valores declarados à Receita Federal e os informados pela contribuinte ao Fisco Estadual, para impugnar os valores não basta ao contribuinte alegar que se equivocou ao prestar as informações à Fazenda Estadual, sendo
indispensável identificar os erros cometidos e comprová-los
documentalmente.
MATÉRIA PRECLUSA.
Questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, e nem mesmo vêm a ser demandadas na petição de recurso, e que não consistem em matéria de Ordem Pública, constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento, por afrontar as regras do Processo Administrativo Fiscal
MULTA DE OFÍCIO.
A imposição da cobrança de multa de oficio decorre da lei em vigor, cuja aplicação não pode ser negada pelos agentes públicos.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Por se tratar de lançamentos com base exclusivamente em omissão de receitas, infrações que influencia igualmente a base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, o que decidido quanto a esta matéria aplica-se a essas exações.
Numero da decisão: 1301-000.519
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar a
preliminar de nulidade de lançamento. Por qualidade, negar a preliminar de decadência relativa ao ano de 1998, vencidos os conselheiros Valmir Sandri, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e
André Ricardo Lemes da Silva. No mérito, por maioria, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Valmir Sandri e André Ricardo Lemes da Silva, que cancelavam os créditos de IRPJ e CSLL do ano calendário 2000. Por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: Valmir Sandri
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TERMO INICIAL. Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM RECURSOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. O art. 42 da Lei nº 9.430/96, instituiu presunção legal de omissão de receitas em relação aos valores creditados em instituição financeira para os quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos neles utilizados. Tratandose de presunção legal, ocorre a inversão do ônus da prova em favor do fisco. COMPROVAÇÃO DOS VALORES APURADOS. Tendo o lançamento fiscal sido efetuado a partir de divergências constatadas entre valores declarados à Receita Federal e os informados pela contribuinte ao Fisco Estadual, para impugnar os valores não basta ao contribuinte alegar que se equivocou ao prestar as informações à Fazenda Estadual, sendo Fl. 924DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.003970/200453 Acórdão n.º 130100.519 S1C3T1 Fl. 879 2 indispensável identificar os erros cometidos e comproválos documentalmente. MATÉRIA PRECLUSA. Questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, e nem mesmo vêm a ser demandadas na petição de recurso, e que não consistem em matéria de Ordem Pública, constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento, por afrontar as regras do Processo Administrativo Fiscal. MULTA DE OFÍCIO. A imposição da cobrança de multa de oficio decorre da lei em vigor, cuja aplicação não pode ser negada pelos agentes públicos. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). LANÇAMENTOS DECORRENTES. Por se tratar de lançamentos com base exclusivamente em omissão de receitas, infrações que influencia igualmente a base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, o que decidido quanto a esta matéria aplicase a essas exações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade de lançamento. Por qualidade, negar a preliminar de decadência relativa ao ano de 1998, vencidos os conselheiros Valmir Sandri, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e André Ricardo Lemes da Silva. No mérito, por maioria, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Valmir Sandri e André Ricardo Lemes da Silva, que cancelavam os créditos de IRPJ e CSLL do ano calendário 2000. Por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Redator Designado Fl. 925DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.003970/200453 Acórdão n.º 130100.519 S1C3T1 Fl. 880 3 Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, André Ricardo Lemes da Silva e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório O presente litígio instaurouse em relação a autos de infração cientificados ao contribuinte em 20 de outubro de 2004, relativos ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), todos com base na mesma infração e referentes a fatos geradores corridos nos anos calendário de 1998 e 2000. O sujeito passivo é acusado de ter praticado omissão de receitas à tributação, caracterizada pela falta de contabilização de valores de representativos da diferença de vendas declaradas a maior à Secretaria Executiva de Estado da Fazenda do Pará — SEFA, em DIEF, Declaração de Informações Econômicasfiscais e os declarados a menor à Secretaria da Receita Federal, SRF, em DIPJ, Declaração de informações Econômicasfiscais da Pessoa Jurídica, referente ao anocalendário de 2000, e omissão de receitas caracterizada pela falta de contabilização de depósitos bancários sem comprovação da origem dos recursos, respaldada em extratos bancários, mapas demonstrativos e relatório de fiscalização, referente ao ano calendário de 1998. A investigação junto ao contribuinte iniciouse em 27 de dezembro de 2002, relacionada com o anocalendário de 1998, em razão da movimentação financeira flagrantemente incompatível com as receitas declaradas. Posteriormente, o contribuinte foi cientificado da extensão da ação fiscal para os anos de 1999 e 2000, e foi intimado a esclarecer remessa/recebimento de US$ 105.400,00, em 20/05/1999, para New YorkNY USA, através da Beacon Bill Service Corporation/subconta Finah 310624, e a esclarecer a diferença existente entre as vendas informadas à Secretaria Executiva de Estado da FazendaSEFA, no ano calendário de 2000, e as vendas declaradas à Secretaria da Receita Federal. A ação fiscal foi parcialmente encerrada em outubro de 2004 (ciência em 20/10/2004), com lavratura de autos de infração para os anoscalendário de 1998 e 2000, para tributação das receitas omitidas. Para o ano de 1999 a ação fiscal prosseguiu em outro processo. Em impugnação tempestiva o contribuinte arguiu, em preliminares, a decadência, a nulidade dos autos de infração por irregularidades relacionadas como Mandado de Procedimento Fiscal, ofensa ao princípio da legalidade na caracterização do fato gerador, impossibilidade de autuação com base em presunção e indícios. No mérito, alegou inconstitucionalidade da multa, por ter caráter confiscatório, e impossibilidade de utilização da taxa Selic para fins de juros de mora. Em 30 de março de 2006, a DRJ em Belém anulou os lançamentos com base em irregularidades formais no MPF, recorrendo de ofício. A 5ª Câmara do extinto Primeiro Fl. 926DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.003970/200453 Acórdão n.º 130100.519 S1C3T1 Fl. 881 4 Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso de ofício, considerando que os lançamentos não padecem de qualquer vício. O contribuinte apresentou recurso voluntário à Câmara Superior de Recursos Fiscais, que negoulhe provimento, determinado o retorno dos autos à DRJ em Belém, para julgar as demais questões levantadas na impugnação. Em 29 de janeiro de 2010, a 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, apenas para acolher parcialmente a decadência suscitada. Foram considerados decadentes os lançamentos do PIS e da COFINS cujos fatos geradores ocorreram até 30/11/1998. É a seguinte a ementa da decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Anocalendário: 1998, 2000 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos lançamentos por homologação, havendo pagamento antecipado do imposto, ou da contribuição, e ausentes o dolo, fraude ou simulação, realizase a contagem do prazo decadencial pelo disposto no art. 150 do CTN. De outra forma, aplicase a regra ordinária da decadência estampada no art. 173, inciso I, do CTN. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO ADMINISTRATIVA. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores, pois não faz parte da legislação tributária de que fala o artigo 96 do Código Tributário Nacional, salvo quando tenha gerado uma súmula vinculante, nos termos da Emenda Constitucional n.° 45, DOU de 31/12/2004. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. PRELIMINAR DE NULIDADE POR VICIO FORMAL MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Fl. 927DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.003970/200453 Acórdão n.º 130100.519 S1C3T1 Fl. 882 5 Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO IDENTIFICADA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. INTIMAÇÃO ESPECÍFICA. AMPLA DEFESA. IMPUGNAÇÃO. Não configura cerceamento de defesa, nas autuações com base na presunção contida no art. 42 da Lei 9.430/96, se a intimação para o fiscalizado justificar a origem dos depósitos bancários for bem específica, possibilitando ao Interessado saber exatamente sobre quais depósitos deveria produzir provas para ilidir a presunção legal. Ademais, após a ciência do auto de infração, com o litígio instaurado entre o fisco e o contribuinte, a legislação concede na fase impugnatória, ampla oportunidade para apresentação documentos e razões de fato e de direito. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações são caracterizados como omissão de receitas. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos. (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. COMPROVAÇÃO DOS VALORES APURADOS. Tendo o lançamento fiscal sido efetuado a partir de divergências constatadas entre valores: os declarados/pagos e os escriturados, esses também informados pela contribuinte ao Fisco Estadual, tudo regularmente documentado no presente processo, descabem as alegações de irregularidade concernentes à prova produzida pela autoridade administrativa e à apuração fiscal. ALEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. As alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando esse for o meio pelo qual sejam provados os fatos alegados, não têm valor. MULTA DE OFÍCIO. A imposição da cobrança de multa de oficio decorre da lei em vigor que deve ser aplicada pelos agentes públicos, sob pena de responsabilidade. JUROS. TAXA SELIC. Tendo a cobrança dos juros de mora com base na Taxa SELIC previsão legal, não compete aos órgãos Fl. 928DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.003970/200453 Acórdão n.º 130100.519 S1C3T1 Fl. 883 6 julgadores administrativos apreciar argüição de sua ilegalidade/inconstitucionalidade. PEDIDO DE PERÍCIA. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia, quando forem prescindíveis ao deslinde da questão a ser apreciada, não sendo o caso de solicitação de realização de perícia para produzir provas que caberia ao autuado apresentar, ainda mais quando se trata de presunção legal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Da parte exonerada, houve recurso de ofício. Ciente da decisão em 05 de abril de 2010, a interessada ingressou com recurso em 29 do mesmo mês. Suscita a decadência e invoca a nulidade dos autos de infração por irregularidades relacionadas com o MPF e por infringir o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, ao não conter o local, a data e a hora da lavratura. Pondera que a fiscalização não pode lavrar auto de infração sem a prova da efetiva ocorrência do fato gerador, que não é admissível o lançamento baseado em presunções. Assevera que o fisco supôs omissão de receitas com base nos extratos e informações financeiras, apurados indiscriminadamente, sem o correto esclarecimento se são rendimentos já tributados, isentos ou não tributados ou decorrentes de obrigações junto a instituições de crédito. Alega não terem sido consideradas as transferências entre agências de um mesmo contribuinte, o retorno de valores decorrentes de aplicações no mercado aberto, antecipações de empréstimos a curto prazo renováveis, adiantamento de contratos de câmbio, entre outros. Diz ainda que a fiscalização supôs a omissão de receitas com base nas informações "emprestadas" pelo fisco estadual, apuradas indiscriminadamente, sem observar se referidas informações encontravamse equivocadas e, posteriormente, corrigidas. Aduz que não houve o cotejo do montante que seria efetivamente tributável, já que a fiscalização não considerou operações isentas ou decorrentes de transferência. E mais, que a fiscalização descartou os livros fiscais apresentados, apesar de mencionálos e expressamente reconhecer sua existência. Menciona a impossibilidade de confissão em matéria tributável. Alega que as informações prestadas à SEFA, por meio da DIEF encontramse lançadas de forma errônea, não sendo provas legais de receita, uma vez que passíveis de correção, e que o fiscal considerou como receita valores contábeis de "saídas de mercadorias e produtos", enquanto na verdade seria "transferência de mercadorias e produtos". Diz que o erro nas informações prestadas ao Fisco Estadual somente foram detectados por meio da Ação Fiscal da Receita Federal, conforme faz prova idônea o Livro de Apuração do ICMS. Fl. 929DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.003970/200453 Acórdão n.º 130100.519 S1C3T1 Fl. 884 7 Afirma que a fiscalização deveria ter verificado as anotações mediante análise das receitas efetivamente recebidas pelo contribuinte, o quê não fez. Alega que tal levantamento deveria ter sido feito pelo fisco, como conseqüência natural de uma instrução probatória e de uma análise séria e acurada dos documentos fiscais apresentados, e que sua ausência importa cerceamento de defesa. Alegou inconstitucionalidade da multa, por ter caráter confiscatório, e impossibilidade de utilização da Selic para fins de juros de mora. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Valmir Sandri, Relator Ambos os recursos atendem os pressupostos legais para admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecidos. Analisoos em conjunto porque a matéria que ensejou o recurso de ofício (decadência) integra também o recurso voluntário. A preliminar de nulidade dos lançamentos invocando irregularidades relacionadas com o MPF não pode ser conhecida, uma vez que já afastada pela Quinta Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes. A recorrente suscita, ainda, nulidade dos autos de infração por infringência ao art. 10 do Decreto nº 70.235/72, por não mencionarem local, data e hora da lavratura. Esse fato, entretanto, constituiu mera irregularidade formal, sem o condão de implicar nulidade do ato administrativo do lançamento. Conforme dispõem os artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72, são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, e quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões, que não essas, não importarão em nulidade e serão sanadas quando não resultarem em prejuízo do sujeito passivo. No caso, não foi apontado qualquer prejuízo do sujeito passivo por não constarem hora e data da lavratura (o local está indicado: o endereço do contribuinte – fls. 224). Em sua impugnação, a interessada argüiu a decadência, que foi acolhida apenas em parte pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém, que afastou, por esse motivo, os lançamentos de PIS e COFINS referentes aos fatos geradores ocorridos até 30 de novembro de 1998. Entendeu, a Turma de Julgamento, que a decadência se rege pelo inciso I do art. 173 do CTN, afastando a regra do §4º do art. 150, pelo fato de não terem sido constatados pagamentos. Nos votos que até então vinha proferido neste E. Conselho, sempre me manifestei no sentido de que o que define se o termo inicial será aquele previsto no art. 173, I, ou no §4º do art. 150 do CTN, é a natureza do lançamento previsto na legislação específica do Fl. 930DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.003970/200453 Acórdão n.º 130100.519 S1C3T1 Fl. 885 8 tributo (por declaração ou por homologação), em nada influenciando a circunstância de ter ou não havido pagamento. Ocorre que a partir da Portaria MF 586, de 21 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, e tendo em vista as decisões das Cortes Superiores de Justiça, venho me manifestando de acordo com essas jurisprudências, em respeito ao que dispõe o referido artigo, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. De fato, a matéria referente à decadência no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação já foi objeto de decisão do STJ na sistemática do art. 545C do Código de Processo Civil. Quando do julgamento do Recurso Especial nº 973.333, conforme a seguir reproduzido: RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS REPR. POR : PROCURADORIAGERAL FEDERAL PROCURADOR : MARINA CÂMARA ALBUQUERQUE E OUTRO(S) RECORRIDO : ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADOR : CARLOS ALBERTO PRESTES E OUTRO(S) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS RTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, Fl. 931DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.003970/200453 Acórdão n.º 130100.519 S1C3T1 Fl. 886 9 DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi,"Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 932DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.003970/200453 Acórdão n.º 130100.519 S1C3T1 Fl. 887 10 Vê se que pela jurisprudência do E. Superior Tribunal de Justiça, sempre que não constatado pagamento, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado – art. 173, I, do CTN , esclarecendo que: “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ‘corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação’”. Assim, em cumprimento ao art. 62A do Regimento Interno, confirmo a decisão de primeira instância, na parte que foi objeto de recurso de ofício, e dou provimento para acolher a decadência em relação ao anocalendário de 1998, por encontrarse de acordo com o que dispõe a jurisprudência do STJ, eis que tendo o contribuinte tomado ciência do lançamento em 20.10.2004, e tendo se iniciado a contagem do prazo decadencial em 01.01.1999, o termo final deuse em 01.01.2004. Quanto ao mérito, verificase que para o anocalendário de 1998, as omissões de receitas foram apuradas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada. Já para o anocalendário de 2000, as omissões de receitas foram apuradas a partir de diferenças entre o faturamento informado ao fisco estadual e o informado à Receita Federal. Para afastar as exigências relativas ao anocalendário de 1998, a recorrente contesta a caracterização do fato gerador e determinação do crédito tributário, e alega impossibilidade de lançamento baseado em meras presunções. Inicialmente, digase que não há qualquer vedação no direito pátrio para efetivação de lançamento provado indiretamente, ou seja, por presunções. Apenas, se o lançamento se der com base em presunções simples, deve ela reunir os requisitos de gravidade, presunção e concordância. Quanto à presunção legal, nenhum ônus cabe ao fisco a não ser provar a ocorrência do fato indício, cabendo ao contribuinte o ônus de desconstituir a presunção. Não se verifica, também, nenhuma irregularidade no curso do procedimento fiscalizatório. Não se trata de lançamento baseado em suposições, como alega a Recorrente, eis que o lançamento foi efetuado a partir da presunção legal de omissão de receitas com base em créditos em instituições financeiras cuja origem o contribuinte não esclareceu ou comprovou, tendo, portanto, observado rigorosamente o procedimento cabível. Vejase que no presente caso, não atendida adequadamente à intimação ao contribuinte para fornecer extratos de movimentações financeiras, a fiscalização intimou as instituições financeiras a apresentálas e, depois de trabalhadas e expurgados os valores que não representavam efetivo ingresso, novamente intimou o contribuinte a esclarecer a origem, somente aplicando a presunção de omissão de receita em relação aos valores não comprovados, tal como determina a lei. É o que se constata a partir da intimação de fls. 382 e seguintes, em cujos termos esclarece a autoridade fiscal: (...) De posse das informações bancárias, as trabalhamos e as submetemos a V. Sa., através de termos próprios, datados de 05 e 26/03/2004, para que esclarecesse a origem dos créditos ali registrados; Fl. 933DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.003970/200453 Acórdão n.º 130100.519 S1C3T1 Fl. 888 11 4. No entanto, V. Sa. nos apresentou receitas em valores bem inferiores aos movimentados nos extratos bancários, decorrentes de ingressos de recursos. Ressaltese que para se chegar aos valores apresentados, foram excluídas transferências entre bancos, aplicações financeiras de valores já existentes nas contas, bem como, outros valores não representativos de reais ingressos nas contas, como empréstimos, etc.; 5. Para que V. Sa. possa visualizar a verdadeira situação, elaboramos, então, um mapa comparativo das receitas apresentadas com os valores dos créditos bancários, de apenas dois bancos: HSBC e BRADESCO, que estamos anexando a este termo; 6. Referido mapa comparativo registra na coluna "Receitas de Origem não comprovadas", valores não cobertos pelas receitas apresentadas por V. Sa. e, por isso, passível de Autuação Fiscal, nos termos do artigo 42, da Lei 9.430 de 1996; 7. Estamos lhe remetendo, mais uma vez, relatório da movimentação dos bancos mencionados no item 5 HSBC e BRADESCO; e Vossa Senhoria tem o prazo de 05 (cinco) dias, a contar do recebimento deste termo, para, se julgar necessário, manifestarse sobre ele, seja apresentando documentos, tecendo comentários, etc. Por seu turno, genericamente alega o contribuinte que não foram consideradas as transferências entre agências de um mesmo contribuinte, o retorno de valores decorrentes de aplicações no mercado aberto, antecipações de empréstimos a curto prazo renováveis, adiantamento de contratos de câmbio. Porém não aponta, concretamente, um único caso em que essas operações foram desconsideradas. Em se tratando de presunção legal, materializado o fato indício (depósitos cuja origem o contribuinte, intimado, não logre comprovar), o valor integral do depósito é considerado receita omitida, descabendo qualquer consideração quanto a possíveis custos necessários para auferila, que não estejam comprovados. Quanto à omissão de receitas relativa ao anocalendário de 2000, também não houve qualquer “suposição”, por parte do fisco, mas apuração de omissão em razão da diferença entre o informado ao fisco estadual e o informado ao fisco federal. A partir de informações obtidas junto a Fazenda Estadual, a fiscalização identificou divergências entre os valores de vendas informados às duas administrações tributárias (estadual e federal). Apesar de intimado e reintimado a esclarecer as diferenças de valores das vendas informadas à Fazenda Estadual e à Receita Federal, o contribuinte nada esclareceu, o que levou a fiscalização a lavrar os autos de infração apontando omissão de receitas informadas à Secretaria da Receita Federal, correspondente à diferença a maior informada ao fisco estadual. Portanto, o lançamento não está baseado em “suposições”, como afirma o contribuinte, mas em valores por ele declarados à Fazenda Estadual. Se o contribuinte se equivocou ao prestar as informações à SEFA, por meio da DIEF, conforme alega, deveria Fl. 934DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.003970/200453 Acórdão n.º 130100.519 S1C3T1 Fl. 889 12 identificar os erros cometidos e comproválos documentalmente, não sendo suficiente trazer meras alegações. Da mesma forma, não cabia ao fisco federal desqualificar os valores declarados ao fisco estadual por divergirem dos registrados em livros, tendo em vista que o assentamento em livro só faz prova do que estiver lastreado em documentos hábeis. Ora, não basta alegar que os lançamentos estão embasados em presunções equivocadas e irremediavelmente contraditórias com a realidade dos fatos, sem provar qual a realidade dos fatos. As alegações genéricas, sem trazer os documentos comprobatórios e contextualizálos, não têm utilidade para invocar “ausência de demonstração da ocorrência do fato gerador”. Assim, diz à recorrente que “as informações prestadas (...) à SEFA, por meio da DIEF encontramse lançadas de forma errônea, não sendo provas legais de receita, uma vez que passíveis de correção, tendo o ilustre auditor fiscal considerado como receita valores contábeis de ‘saídas de mercadorias e produtos’, enquanto na verdade seria, como de fato é ‘transferência de mercadorias e produtos’ ”. Ocorre que nada nos autos indica que os valores de saídas de mercadorias e produtos foram indevidamente considerados receitas, quando de fato seriam transferências de mercadorias e produtos. O valor do faturamento de cada mês informado na DIEF e que serviu de base para os lançamentos feitos pelo Fisco Federal foi apenas aquele obtido “por venda de mercadoria”, nele não estando computados os valores referentes a transferências de mercadorias e transferências de produção, esses compreendidos no total maior de saídas do mês. Contudo, especificamente em relação ao IRPJ e à CSLL, tenho que a apuração da matéria tributável por parte da autoridade fiscal foi equivocada, eis que, se a tributação é com base no lucro real, e a diferença na matéria tributável está sendo apurada com base nas informações prestadas à Fazenda Estadual, não é razoável considerar apenas as vendas omitidas e desconsiderar as compras também informadas ao fisco estadual. Vejase que, segundo apurou a fiscalização, a partir das informações prestadas ao Estado, a interessada teria deixado de informar à Receita Federal cerca de 71% das receitas tributáveis. Contudo, os mesmos documentos do Fisco Estadual, que indicam operações de venda em montante superior em 71% aos escriturados/informados à Receita Federal, indicam também compras de insumos e mercadorias em montante superior em cerca de 75 % aos escriturados/informados à Receita Federal (fls. 273 a 284 dos autos). Ora, se a autoridade fiscal não está arbitrando o lucro, mas sim tributando a diferença a menor do lucro real apurado pela pessoa jurídica, e se o mesmo documento (no qual se baseou o auditor) que evidencia omissão de receita evidencia, também, omissão de compras, o ajuste da base tributável deve levar em conta apenas a diferença entre as rubricas omitidas. O fato é que, com base nas omissões (compra/venda) registradas na escrita do contribuinte, teria o fisco motivação para arbitrar o lucro da empresa. Entretanto, tendo optado por não fazêlo, não pode apurar o lucro real considerando as receitas e desconsiderando os custos quando a prova de ambos é a mesma (informações à Fazenda Estadual). Fl. 935DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.003970/200453 Acórdão n.º 130100.519 S1C3T1 Fl. 890 13 Conforme se depreende dos autos, as omissões de vendas levantadas pela fiscalização importaram em R$ 32.853.227,60. Por seu turno, a partir das mesmas informações prestadas à Secretaria de Fazenda Estadual (fls. 273 a 284), as compras de insumos e mercadoria no período, tiveram um custo efetivo (excluído o ICMS) de R$ 33.283.240,85. Logo, entendo que o lançamento fiscal tal qual feito, relativo ao ano calendário de 2000, não tem como prosperar, razão porque, dou provimento ao recurso para cancelar as exigências (IRPJ e CSLL). Finalmente, a Recorrente alega inconstitucionalidade da multa, ao argumento de ter caráter confiscatório, e ilegalidade da exigência dos juros de mora segundo a taxa Selic. A multa está aplicada rigorosamente de acordo com a lei de regência, descabendo a este Colegiado analisar se a norma viola princípio constitucional do não confisco. Nesse sentido, a Súmula nº 2, do CARF, de observância obrigatória pelos seus membros, nos termos do art. 72 do Regimento, enuncia: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Também quanto aos juros de mora a matéria já se encontra sumulada, como a seguir: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por todo o exposto, REJEITO a preliminar de nulidade do lançamento, ACOLHO a preliminar de decadência relativo ao anocalendário de 1998, para no mérito DAR provimento PARCIAL ao recurso, para cancelar as exigências do IRPJ e CSLL relativo ao ano calendário de 2000. (assinado digitalmente) Valmir Sandri Voto Vencedor Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Redator Designado Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência que levou a conclusão diversa, no recurso voluntário, quanto a dois pontos, a saber, a decadência para o anocalendário 1998 e a ocorrência da preclusão. No que toca à decadência, o ilustre Relator, baseado no art. 62A do vigente Regimento Interno do CARF (RICARF), fez aplicar a decisão do Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos (art. 543C do CPC), nos autos do Recurso Especial nº Fl. 936DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.003970/200453 Acórdão n.º 130100.519 S1C3T1 Fl. 891 14 973.733 SC (2007/01769940). O julgamento se deu em 12/08/2009 e o acórdão foi publicado no DJe de 18/09/2009, restando assim ementado (grifos constam do original): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Fl. 937DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.003970/200453 Acórdão n.º 130100.519 S1C3T1 Fl. 892 15 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Em face dessa decisão, e de sua aplicabilidade obrigatória por parte dos integrantes deste CARF, o Relator proferiu seu voto no sentido de acolher a decadência para os fatos geradores ocorridos no anocalendário 1998. Ocorre que o próprio STJ já reviu seu posicionamento quanto ao termo inicial para a contagem do prazo decadencial, nos EDcl nos EDcl no AgRG no Recurso Especial nº 674.497 – PR (2004/01099782). Ressalto que o ilustre Ministro Relator, após mencionar expressamente o REsp nº 973.733, registra que “impõese o acolhimento dos presentes embargos de declaração, a fim de se adequar o decisório embargado à jurisprudência uniformizada no âmbito do STJ sobre a matéria”. O julgamento ocorreu em 09/02/2010, e o acórdão foi publicado no DJe em 26/02/2010, com a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. De se observar a diferença relevante entre um e outro julgados: no primeiro caso (REsp nº 973.733), o termo inicial para a contagem do prazo decadencial era tido como sendo o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, interpretação esta que fugia por completo à textualidade do art. 173, I, do CTN. No segundo julgado, revendo o Fl. 938DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.003970/200453 Acórdão n.º 130100.519 S1C3T1 Fl. 893 16 posicionamento anterior, o Tribunal passou a considerar que (naquele caso), completandose o fato gerador em 31 de dezembro de 1993, o lançamento somente poderia ser feito a partir de 1994, e o prazo decadencial começaria a fluir em 1º de janeiro de 1995. Após discussão, este colegiado considerou aplicável a modificação no entendimento do STJ, nos termos do anteriormente mencionado art. 62A do RICARF, o que levou a que, no caso concreto sob análise, os fatos geradores ocorridos em 31 de dezembro de 1998 pudessem ser objeto de lançamento a partir de 1999 e, por conseguinte, o prazo decadencial tivesse início em 1º de janeiro de 2000, findandose em 31 de dezembro de 2004. Como o lançamento foi cientificado ao sujeito passivo em 20 de outubro de 2004, não há que se falar em decadência para fatos geradores de IRPJ e CSLL ocorridos no anocalendário 1998. O segundo ponto acerca do qual surgiu divergência foi quanto à autuação por fatos geradores ocorridos no anocalendário 2000. Após fundamentadamente rejeitar os argumentos trazidos pela recorrente (sobre o que não houve qualquer discordância), o ilustre Relator trouxe à baila um hipotético erro na apuração da matéria tributável nesse ano calendário. É que as receitas omitidas identificadas pelo Fisco eram em valor substancialmente maior do que aquelas declaradas pelo sujeito passivo. Em assim sendo, considerou o Relator que o caminho adequado seria o arbitramento dos lucros ou ainda, por outra via, caso entendessem os autuantes que caberia a permanência no lucro real (hipótese dos autos), que deveriam ter sido considerados como custos os indicativos de entradas/compras de mercadorias informados ao órgão fazendário estadual. Desde que nem uma nem outra coisa foram feitas, o lançamento não poderia prosperar para o anocalendário 2000. Foi observado que esses argumentos, fundamentais para o voto proferido, não constaram nem da peça impugnatória, nem do recurso voluntário. Tratase de argumentos estranhos aos autos, sobre os quais não houve discussão nem menção anteriormente a este momento. Assim, a teor do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada, tornandose preclusa. Não tendo sido objeto de impugnação nem de recurso, nem se tratando de matéria de Ordem Pública, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. A maioria do Colegiado decidiu, então, no mérito, pelo improvimento do recurso voluntário em sua integralidade. Em conclusão, a decisão do colegiado foi por rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, negar a preliminar de decadência relativa ao ano de 1998 e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Quanto ao recurso de ofício, negar provimento. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 939DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10280.003970/200453 Acórdão n.º 130100.519 S1C3T1 Fl. 894 17 Fl. 940DF CARF MF Impresso em 13/09/2011 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 29/04/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/04/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 02/05/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 20/05/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10805.900804/2008-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 Ementa: RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS Os créditos líquidos e certos são passíveis de restituição/compensação, nos termos do que dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário provido
Numero da decisão: 3201-001.969
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 Ementa: RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS Os créditos líquidos e certos são passíveis de restituição/compensação, nos termos do que dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (Dcomp) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado Fl. 193DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. A interessada foi cientificada e apresentou manifestação de inconformidade, a qual a DRJ julgou improcedente, nas seguintes palavras: A não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de o DARF indicado na DCOMP como origem de crédito aproveitado na compensação ter sido integralmente utilizado na quitação de débitos informados pela própria contribuinte. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem de crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito confessado pela interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito líquido e certo) para suportar uma nova extinção,desta vez por meio de compensação.Decorre disso que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. Alega a interessada que a referida declaração de compensação se deu pelo motivo de ter recolhido o PIS pelo regime não-cumulativo, sendo que a Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, excluiu as cooperativas desse regime, incluindo no regime cumulativo, com efeitos a partir de 01/02/2003. Devido a isso, apresentou DCTF retificadora. Porém afirma a DRJ que esse fato, não implica, por si só, que os valores recolhidos seriam indevidos. Confira-se: Entretanto, o fato de ter recolhido o PIS pelo regime não- cumulativo, quando o correto seria pelo regime cumulativo, de forma alguma implica, por si só, que os valores recolhidos seriam indevidos. Com efeito, nada impede que os valores devidos a título de PIS pelo regime não cumulativo sejam inferiores aos devidos segundo o regime cumulativo, pois, mesmo que a alíquota se já superior no primeiro caso, existe a possibilidade de dedução de créditos, o que pode sim fazer com que o valor recolhidos e já menor do que o realmente devido. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito líquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Decorre disso que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. Por sua vez, a DCTF retificadora foi apresentada após a ciência do despacho decisório, não tendo igualmente o condão de fazer nascer o direito de crédito e de comprometer a decisão que não homologou a declaração de compensação. Por fim, na ótica da DRJ, o impugnante tem que demonstrar a certeza e liquidez do crédito com que pretendeu extinguir a obrigação tributária, através da declaração de Fl. 194DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10805.900804/2008-64 Acórdão n.º 3201-001.969 S3-C2T1 Fl. 2 3 compensação, conforme art. 147 do CTN, fato que não ocorreu no caso narrado. Logo o direito creditório não pode ser admitido. Confira-se: Observe-se que o chamado ônus da prova é da contribuinte no que tange a existência e regularidade do crédito com que pretendeu extinguir a obrigação tributária. Com efeito, ao declarar à Autoridade Tributária que dispunha de crédito capaz de extinguir um débito, o contribuinte assume a incumbência de demonstrar sua liquidez e certeza quando do exame administrativo. Como visto, a disponibilidade do crédito não existia na faze em que aconteceu a conferência eletrônica da compensação e sua liquidez e certeza não foi demonstrada nesta fazer de contestação do despacho resultante. Concluindo, faltando aos autos a comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior, o direito creditório não pode ser admitido e a compensação que dele se aproveita não pode ser homologada. Cientificado do acórdão, acima destacado, a recorrente apresentou recurso voluntário, afirmando que: a) houve a demonstração, por documentos, da existência do crédito e do valor da compensação pleiteada, conforme Anexo I; b) os referidos documentos demonstram seu direito ao crédito; c) apresentou DCTF retificadora, embora essa retificação tenha ocorrido após a identificação do erro por parte do Fisco. Iniciado o julgamento do recurso voluntário, nossa Turma, por unanimidade, decidiu converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: Todavia, entendo que essa não é a solução mais adequada ao caso concreto, uma vez que, diante da apresentação da DCTF retificadora, impende que esta seja analisada para verificar se procede ou não o crédito utilizado na compensação de tributo. Ante o exposto, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a unidade preparadora certifique o quantum representaria o crédito da recorrente, com base na documentação existente nos autos, intimando a contribuinte para apresentar dados adicionais, se necessário. Cumprindo-se ao determinado na Resolução, foi elaborado Relatório Fiscal e, em seguida, os autos retornaram ao CARF para julgamento. Contudo, a Turma enviá-los mais uma vez à unidade de origem, a fim de que a Recorrente fosse cientificada do Relatório Fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente pleiteou a compensação de débito seu com crédito decorrente de pagamento a maior de PIS. A unidade de origem indeferiu o pleito, ao fundamento de que o alegado crédito estava vinculado à quitação de outra obrigação devida pela Recorrente, que, no entanto, em sua manifestação de inconformidade, sustentou que o pagamento a maior resultou do fato de a cooperativa ter recolhido a contribuição sob regime de apuração não cumulativo, quando deveria tê-la recolhido na sistemática cumulativa. A DRJ não acolheu as razões de defesa, ao fundamento de que a DCTF retificadora foi apresentada após a ciência do despacho decisório. Assentou, ainda, que o erro de aplicação do regime de apuração não comprovaria o pagamento a maior, cabendo ao contribuinte o ônus de prová-lo. No recurso voluntário, a Recorrente juntou comprovantes da origem do pagamento a maior, em função da utilização equivocada do regime de apuração, nos quais informados dados coincidentes com os inseridos na DCTF retificadora. Em face dos argumentos encartados na primeira Resolução (a segunda destinou-se apenas a cientificar a Recorrente do teor do Relatório Fiscal), a Turma baixou os autos em diligência, para que a unidade de origem certificasse o valor do crédito, com base na documentação existente nos autos, intimando a Recorrente a apresentar dados adicionais, se necessário. No Relatório Fiscal de fls. 174/176, a autoridade diligenciadora conclui que o valor original do indébito tributário que a Recorrente teria direito a requerer a restituição e/ou compensação com débitos tributários próprios é de R$ 2.370,44 (dois mil, trezentos e setenta reais, e quarenta e quatro centavos), o mesmo pleiteado no PER/DCOMP. Solucionado o litígio, então. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 196DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10925.721393/2013-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 05/10/2011 a 09/08/2012
Ementa:
REVISÃO ADUANEIRA. QUESTIONAMENTO SOBRE A ORIGEM.
A integração dos efeitos de ato da administração que desqualifica, após desembaraço, certificado de origem não invalidado pelo país emissor demanda oportunidade para a contribuinte apresentar suas razões e obter aceitação para apresentar ou requerer outros meios de provas da origem dos produtos. O desatendimento implica descumprimento dos requisitos de validade da autuação, justificando sua anulação.
Numero da decisão: 3401-003.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, em dar provimento aos recursos voluntários para anular o lançamento, vencidos os conselheiros Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl, que negavam provimento. Em primeira votação o conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira restou vencido, adotando a tese de impossibilidade de aplicação retroativa dos ADE no 36 e 37/2012, aderindo à tese vencedora da nulidade da autuação, por carência de fundamentação, em segunda votação. Designado o conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira para redigir o voto vencedor. Sustentou pelas autuadas o advogado Sidney Eduardo Stahl.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente Substituto.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Eloy Eros da Silva Nogueira, Elias Fernandes Eufrásio (suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 05/10/2011 a 09/08/2012 Ementa: REVISÃO ADUANEIRA. QUESTIONAMENTO SOBRE A ORIGEM. A integração dos efeitos de ato da administração que desqualifica, após desembaraço, certificado de origem não invalidado pelo país emissor demanda oportunidade para a contribuinte apresentar suas razões e obter aceitação para apresentar ou requerer outros meios de provas da origem dos produtos. O desatendimento implica descumprimento dos requisitos de validade da autuação, justificando sua anulação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, em dar provimento aos recursos voluntários para anular o lançamento, vencidos os conselheiros Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl, que negavam provimento. Em primeira votação o conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira restou vencido, adotando a tese de impossibilidade de aplicação retroativa dos ADE no 36 e 37/2012, aderindo à tese vencedora da nulidade da autuação, por carência de fundamentação, em segunda votação. Designado o conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira para redigir o voto vencedor. Sustentou pelas autuadas o advogado Sidney Eduardo Stahl. ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente Substituto. ROSALDO TREVISAN - Relator. ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Eloy Eros da Silva Nogueira, Elias Fernandes Eufrásio (suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2326; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 3.356 1 3.355 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.721393/201343 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3401003.093 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de fevereiro de 2016 Matéria Imposto de Importação Certificado de Origem Recorrentes FARTURA ALIMENTOS LTDA (Responsável Solidário: NACOM GOYA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA) FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 05/10/2011 a 09/08/2012 Ementa: REVISÃO ADUANEIRA. QUESTIONAMENTO SOBRE A ORIGEM. A integração dos efeitos de ato da administração que desqualifica, após desembaraço, certificado de origem não invalidado pelo país emissor demanda oportunidade para a contribuinte apresentar suas razões e obter aceitação para apresentar ou requerer outros meios de provas da origem dos produtos. O desatendimento implica descumprimento dos requisitos de validade da autuação, justificando sua anulação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, em dar provimento aos recursos voluntários para anular o lançamento, vencidos os conselheiros Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl, que negavam provimento. Em primeira votação o conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira restou vencido, adotando a tese de impossibilidade de aplicação retroativa dos ADE no 36 e 37/2012, aderindo à tese vencedora da nulidade da autuação, por carência de fundamentação, em segunda votação. Designado o conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira para redigir o voto vencedor. Sustentou pelas autuadas o advogado Sidney Eduardo Stahl. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente Substituto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 13 93 /2 01 3- 43 Fl. 3356DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 08/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 2 ROSALDO TREVISAN Relator. ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Eloy Eros da Silva Nogueira, Elias Fernandes Eufrásio (suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração lavrado em 22/07/2013 (fls. 2 a 137)1, para exigência de Imposto de Importação, no valor original de R$ 8.752.106,40, por ter a empresa submetido a despacho de importação mercadorias invocando acordo internacional para redução a zero da alíquota, com certificado de origem que veio a ser desqualificado por ato da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (COANA). No Relatório de Ação Fiscal (fls. 158 a 177), narra a fiscalização que: (a) a ação fiscal teve por objetivo verificar as importações de mercadorias classificadas no código NCM 0711.51.00 no período de janeiro de 2010 a dezembro de 2012, tendo como adquirente a empresa NACOM GOYA Indústria e Comércio de Alimentos LTDA (NACOM GOYA); (b) entre as importações verificadas, várias foram efetuadas ao amparo de certificados de origem desqualificados nos termos dos Atos Declaratórios Executivos (ADE) COANA no 36, de 29/10/2012, e no 37, de 13/11/2012, por descumprimento do Regime de Origem estabelecido no Anexo 13 do Acordo de Complementação Econômica (ACE) no 35, incorporado ao ordenamento jurídico brasileiro pelo Decreto no 2.075/1996; (c) a empresa FARTURA Alimentos LTDA (FARTURA) registrou, no período, 288 Declarações de Importação (DI) das referidas mercadorias, tratandose todas de cogumelos do gênero Agaricus, exportados pelas empresas chilenas "Exportadora MM Limitada" (que teve certificados de origem desqualificados pelo ADE COANA no 36/2012) e "Comercial Agrometa Ltda" (que teve certificados de origem desqualificados pelo ADE COANA no 37/2012), e sendo todas as importações por conta e ordem da empresa NACOM GOYA, que é relacionada como responsável solidária na autuação; (d) diante da desqualificação dos certificados de origem, cabe a cobrança do imposto de importação (os demais tributos possuem alíquota zero) que deixou de ser pago, com acréscimos e multa de lançamento de ofício (75%); e (e) a responsabilidade solidária tem fundamento no art. 95 do DecretoLei no 37/1966 e no art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN), sendo que ambas as empresas se beneficiaram da prática da infração. A empresa NACOM GOYA, cientificada da autuação em 24/07/2013 (cf. AR de fl. 1033), apresentou Impugnação em 21/08/2013 (fls. 1038 a 1083), alegando, em síntese, que: (a) a investigação dos Certificados de Origem foi promovida pela COANA de forma sorrateira e ilegal, em descumprimento à legislação pátria e a tratados internacionais, violando o devido processo legal, a legalidade estrita e a verdade real, o que inquina de 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 3357DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 08/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.721393/201343 Acórdão n.º 3401003.093 S3C4T1 Fl. 3.357 3 nulidade o lançamento; (b) as importações foram efetuadas com Certificados de Origem válidos, emitidos por autoridade competente do Chile, e subscritos por funcionário habilitado, tendo sido a empresa surpreendida com a desqualificação de tais certificados pela COANA, com base em simples resposta a quesito enviado à entidade chilena responsável pela certificação, que informou que não era possível determinar o país de origem dos produtos porque as empresas exportadoras não foram encontradas em seus domicílios; (c) não houve tentativa de esclarecer de fato a situação, com efetiva investigação sobre a origem das mercadorias; (d) o procedimento foi efetuado ao arrepio da legislação que trata da matéria, especificamente, arts. 18 e seguintes do ACE no 35, sequer havendo direito de defesa à empresa; (e) a NACOM GOYA fez Reclamação perante o MERCOSUL em 24/07/2013, e opôs Medida Provisória em 12/08/2013, buscando levar ao conhecimento das autoridades internacionais as irregularidades perpetradas pela COANA; (f) as importações foram efetuadas de boafé, sendo a origem atestada por órgão competente do país exportador, com fé pública, não podendo ter o importador consciência de que a origem das mercadorias seria de um terceiro país (se é que de fato são, pois nada nesse sentido foi comprovado); (g) a empresa solicitou à COANA cópia dos procedimentos investigativos, sequer obtendo resposta, o que motivou a impetração de Mandado de Segurança; (h) o lançamento é nulo por ser baseado em presunções, e diante da ausência de provas; (i) os Atos Declaratórios da COANA são fundados exclusivamente na Instrução Normativa no 149/2002, e não observaram o procedimento e o rito determinado no Anexo 13 do ACE no 35 (que possui status de lei ordinária), incorporado ao ordenamento brasileiro pelo Decreto no 2.075/1996; (j) a entidade chilena emissora dos Certificados de Origem (Sociedad de Fomento Fabril SOFOFA) era devidamente habilitada pelo governo chileno, conforme o art. 12 do Anexo 13 do ACE no 35, sendo responsabilidade daquele governo fiscalizar a entidade, e havendo presunção de veracidade nos documentos emitidos; (k) não foi cumprido o art. 17 do Anexo 13 do ACE no 35, tendo a COANA realizado questionamentos genéricos, sequer intimando a NACOM GOYA ou solicitando informações adicionais; (l) conforme art. 23 do Anexo 13 do ACE no 35, os Certificados de Origem somente poderiam ter sido desqualificados em caso de fraude, adulteração ou circunstância que dê lugar a prejuízo fiscal e econômico, o que não ocorreu, sendo a NACOM GOYA um terceiro de boafé, aplicandose o disposto no art. 167, § 2o do Código Civil brasileiro; (m) o órgão certificador "SOFOFA" tem obrigação de guarda dos documentos referentes a certificação, e violou seu dever de guarda, diante da resposta inconclusiva à COANA; (n) as empresas exportadoras encontramse devidamente constituídas perante os órgãos fiscalizadores do Chile, conforme documentação que anexa, e representantes da NACOM GOYA verificaram in loco os procedimentos de produção, conforme fotos de uma das sedes da empresa "Agrometa", no Chile; (o) seis declarações de importação que são objeto da presente autuação já foram objeto de autuação anterior, pelo mesmo motivo; (p) há necessidade de individualização da pena e, não havendo dolo, a NACOM GOYA não poder ser responsabilizada por penalidade; (q) para comprovar a verdadeira origem da mercadoria, há necessidade de prova pericial; e (r) a multa de ofício é inaplicável, pois não houve falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata, e não houve intuito de fraude; mas, ainda que fosse aplicável, a multa é confiscatória e deveria ser limitada a 20%, em função de retroatividade benigna. Requer, por fim, dilação de prazos para produção de provas documentais, em especial, laudos arbitrais do MERCOSUL e documentos a serem fornecidos pela COANA em função do Mandado de Segurança impetrado. A empresa FARTURA, por sua vez, cientificada da autuação em 25/07/2013 (cf. AR de fl. 1035), apresentou Impugnação em 22/08/2013 (fls. 1304 a 1348), com os mesmos argumentos que a NACOM GOYA, cabendo adicionar que defende sua ilegitimidade Fl. 3358DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 08/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 4 para figurar no polo passivo da autuação, por ser importadora por conta e ordem, mera prestadora de serviços, não tendo interferência na negociação das mercadorias. A decisão de primeira instância, proferida em 29/07/2014 (fls. 1600 a 1625), foi pela parcial procedência das impugnações, afastandose as alegações de nulidade, esclarecendose a diferença entre o contencioso em apreciação e os procedimentos de investigação de origem conduzidos pela COANA, afastandose a multa de ofício, em decorrência do Ato Declaratório Interpretativo no 13/2002, entendendo aplicáveis ao valor do imposto de importação apenas juros de mora e multa de mora (20%), reconhecendose a duplicidade de exigência em relação às seis DI apontadas, o que culmina em seu afastamento do presente processo, e mantendose ambas as empresas no polo passivo, tendo em vista a legislação que rege a matéria. O montante excluído ensejou a interposição de Recurso de Ofício. A empresa NACOM GOYA, cientificada da decisão de piso em 06/10/2014 (cf. AR de fl. 1653), apresentou Recurso Voluntário em 05/11/2014 (fls. 1788 a 1823), no qual reiterou a argumentação expressa em sua impugnação no que se refere a nulidades (por ofensa ao contraditório, à ampla defesa, à legalidade, inclusive tributária e à verdade material, agregando ainda demanda por nulidade por desrespeito à segurança jurídica e ao mérito (invocando as disposições do ACE no 35 e a boafé/ausência de fraude e regularidade dos documentos instrutivos das importações), acrescentando que, no julgamento de piso, houve: (a) omissão, em relação a argumentos de defesa, documentos e solicitação de perícia, no que se refere ao procedimento de investigação conduzido pela COANA, e que restou comprovado de forma inequívoca que as mercadorias são provenientes do Chile; (b) contradição, pois a constatação de que não há elementos que apontem a máfé da empresa é incompatível com a manutenção da autuação; e (c) cerceamento de defesa, pois a DRJ se manteve inerte ao pedido formulado para dilação de prazo para apresentação de provas/documentos. E que tais vícios eivariam de nulidade o julgamento da DRJ. Em síntese, no mérito, reitera a empresa que não foi informada sobre a investigação de origem, e que não se utilizou de benefício de forma indevida, visto que desconhecia a investigação dos certificados de origem, e suas importações continuaram a ser desembaraçadas sem quaisquer óbices. A empresa FARTURA, por seu turno, cientificada da decisão da DRJ em 07/10/2014 (cf. AR de fl. 1654), apresentou Recurso Voluntário também em 05/11/2014 (fls. 1658 a 1696), basicamente com as mesmas alegações da empresa NACOM GOYA, inclusive no que se refere às nulidades apontadas na decisão de piso e na inovação em relação a segurança jurídica. No mais, reitera o entendimento de que há ilegitimidade para que figure no polo passivo. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Os recursos voluntários apresentados são tempestivos e atendem os demais requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deles se toma conhecimento. O Recurso de Ofício, por sua vez, é interposto em atendimento a requisitos normativos específicos, e deve também ser objeto de análise pelo colegiado. Fl. 3359DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 08/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.721393/201343 Acórdão n.º 3401003.093 S3C4T1 Fl. 3.358 5 Antes de ingressar na análise dos argumentos de defesa, confrontandoos com as razões da autuação, é importante trazer alguns esclarecimentos iniciais sobre as regras de origem em Direito Aduaneiro, e sobre qual, exatamente, é a questão relevante a ser debatida no presente processo. A partir de tais esclarecimentos, passase a analisar as alegações de defesa (nulidades apontadas pelas empresas recorrentes e mérito), culminando na análise da questão do recurso de ofício interposto e da responsabilidade solidária. 1. Esclarecimentos iniciais sobre Regras de Origem Imagine que uma empresa brasileira adquira uma máquina produzida na Itália, que é de propriedade de uma empresa mexicana, e se encontra na Argentina, de onde embarcará com destino ao Brasil. Teríamos uma importação com indicação de país de origem (Itália) diferente do país de aquisição (México) e do país de procedência (Argentina). No Brasil, como em diversos outros países, a declaração de importação no sistema informatizado específico (SISCOMEX) comporta campos diferentes para informações, v.g., sobre a origem e sobre a procedência da mercadoria. 2 Mas não é difícil saber qual o critério mais importante em Direito Aduaneiro, e que evita burlas: a origem. Por óbvio, o fato de o proprietário de uma mercadoria ser Argentino não a torna uma mercadoria argentina, e o fato de a mercadoria simplesmente ter sido proveniente da Argentina também não a torna argentina. Fosse assim, seriam, por exemplo, paraguaias (com todos os benefícios que deste atributo advêm) todas as mercadorias fabricadas no continente asiático e provenientes daquele país com destino ao Brasil. Bastaria um passeio do meio de transporte ou uma transferência intermediária para que a mercadoria tivesse alterado seu tratamento aduaneiro e/ou tributário. A NACOM GOYA parece confundir (ou mesclar) isso em sua defesa, ao afirmar que "restou comprovado de forma inequívoca que as mercadorias são provenientes do Chile, na medida em que foram apresentados na oportunidade da impugnação os documentos instrutivos das 228 declarações de importação" (fls. 1792). E ambas as empresas recorrentes atribuem importância, em sua defesa, à fatura comercial e aos documentos de transporte, documentos esses que se prestam primordialmente aos fatores "aquisição" e "procedência". Internacionalmente, a origem de uma mercadoria, critério de substancial relevância para o Direito Aduaneiro, está atrelada à sua fabricação (um produto inteiramente feito no Brasil é indiscutivelmente de origem brasileira), ou a processo de transformação substancial (turbinas de origem inglesa, trem de pouso de origem francesa, e motor de origem alemã, quando utilizados, no Brasil para fabricação de um avião, indiscutivelmente receberam transformação substancial, sendo o avião de origem brasileira), ou ainda a regras específicas estabelecidas em acordo internacional. 2 A terminologia aqui utilizada não é exatamente a trazida na legislação brasileira, o que não prejudica a explicação, destinada a diferenciar o país de origem daquele onde se encontra a mercadoria, ou de onde esta é embarcada. No Brasil, a Instrução Normativa SRF n. 69/1996 (assim como as normas que a sucederam, as Instruções Normativas SRF n. 206/2002 e RFB n. 680/2006) esclareceu detalhadamente como preencher os campos da declaração de importação (DI), e definiu como país de procedência aquele "onde a mercadoria se encontrava no momento de sua aquisição e de onde saiu para o Brasil, independentemente do país de origem ou do ponto de embarque final". De qualquer forma, resta inequívoca a distinição entre país de origem e país de procedência, ou entre país de origem e país onde fica o ponto de embarque final. Fl. 3360DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 08/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 6 Em função da origem das mercadorias podem existir benefícios aos importadores, por exemplo, os decorrentes de acordos de preferência tarifária. É o que se chama de origem preferencial. Por outro lado, a origem pode trazer ônus aos importadores, por exemplo, no que se refere a medidas de defesa comercial (como antidumping e direitos compensatórios). É o que se entende por origem nãopreferencial. Há regras nacional e internacionalmente estabelecidas para cada categoria. 3 Como no presente processo se está a tratar de origem preferencial, pois a empresa demanda redução de alíquota em função da origem da mercadoria, há que se perscrutar nas regras nacionais e internacionais referentes à matéria o cabimento do benefício. No Brasil, o DecretoLei no 37/1966, em seu art. 8o, estabelece que "o tratamento aduaneiro decorrente de ato internacional, aplicase exclusivamente a mercadoria originária do país beneficiário"(sic), complementando, em seu art. 9o, que "respeitados os critérios decorrentes do ato internacional de que o Brasil participe, entenderseá por país de origem da mercadoria aquele onde houver sido produzida, ou, no caso de mercadoria resultante de material ou mãodeobra de mais de um país, aquele onde houver recebido transformação substancial". Internacionalmente, as regras de origem são estabelecidas em cada acordo preferencial. Se o Brasil, por exemplo, celebra um acordo bilateral com a África do Sul, as regras de origem para efeitos de tal acordo serão nele estabelecidas ou indicadas. Em geral, tais acordos estabelecem as regras de origem aplicáveis, normalmente vinculadas a fabricação, transformação substancial, agregação de valor (ao produto final, em face das matériasprimas) e salto tarifário (mudança de posição na nomenclatura do Sistema Harmonizado), podendo ainda haver regras específicas para determinadas mercadorias/situações. E, também de forma geral, tais acordos estabelecem uma forma para se atestar (frequentemente por órgãos governamentais ou entidades por eles autorizadas) que as mercadorias são originárias de determinado país. 2. Esclarecimentos iniciais sobre a questão relevante a ser debatida no presente processo No caso dos autos, o acordo internacional que estabelece as regras de origem é o Acordo de Complementação Econômica (ACE) no 35, celebrado entre Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Chile, em 30/09/1996, no âmbito da ALADI (Associação Latino Americana de Integração), e incorporado ao ordenamento jurídico brasileiro pelo Decreto no 2.075, de 19/11/1996. Em tal decreto (que tem o acordo em anexo), esclarecese, no art. 1o, que o ACE acordo "será executado e cumprido tão inteiramente como nele se contém, inclusive quanto à sua vigência". No ACE no 35 são estabelecidas preferências, em um programa de liberalização comercial, para as mercadorias originárias dos países participantes, estabelecendose, no Artigo 13, que: "TÍTULO III REGIME DE ORIGEM 3 São raras, no Brasil, as obras sobre Regras de Origem, merecendo destaque a elaborada por especialistas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior,sob a coordenação de Maruska Aguiar (Discussões sobre Regras de Origem, São Paulo: Aduaneiras, 2007). Internacionalmente, há que se salientar a recente publicação de obra com contribuições de autores relevantes como Ricardo Xavier Basaldúa e Germán Pardo Carrero (que também é o organizador) sobre regras de origem (Incidencia de la origen de la mercancía en materia tributaria, Bogotá: ICDT, 2015). Fl. 3361DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 08/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.721393/201343 Acórdão n.º 3401003.093 S3C4T1 Fl. 3.359 7 Artigo 13. As Partes aplicarão o regime de origem contido no Anexo 13 do presente Acordo às importações realizadas ao amparo do Programa de Liberalização Comercial. A Comissão Administradora do Acordo, estabelecida no Artigo 46, poderá: a. Modificar as normas contidas no citado Anexo; b. Modificar os elementos ou critérios dispostos no referido Anexo, com o objetivo de qualificar as mercadorias como originárias; c. Estabelecer, modificar, suspender ou eliminar requisitos específicos." A Comissão Administradora a que se refere o Artigo 46 é integrada pelo Grupo Mercado Comum (GMC) do MERCOSUL e o Ministério das Relações Exteriores do Chile, por meio da Direção Geral de Relações Econômicas Internacionais. E o Anexo 13 do acordo é preciso, já em seu Artigo 2, ao estabelecer que "para se beneficiar do Programa de Liberalização, as mercadorias deverão demonstrar o cumprimento dos requisitos de origem, de conformidade com o disposto no presente Anexo". No Artigo 3 são fixadas as regras que qualificam a origem, e, nos Artigos 4 a 6, os requisitos específicos que poderiam ser ainda estabelecidos pelos participantes. Mas é no Artigo 10 do Anexo 13 que reside a norma preponderante para o que se está a discutir no presente processo: Em todos os casos sujeitos à aplicação das normas de origem estabelecidas no Artigo 3, o Certificado de Origem é o documento indispensável para a comprovação da origem das mercadorias. Esse certificado deverá indicar inequivocamente que a mercadoria à qual se refere é originária da Parte Signatária em questão, nos termos e disposições do presente Anexo. (grifo nosso) Assim, não existe a possibilidade de que uma mercadoria possa gozar do tratamento preferencial previsto no acordo se não for atestada a sua origem por meio de Certificado de Origem. O Certificado de Origem, conforme o Artigo 12 do Anexo 13, é um documento emitido por repartições oficiais do país de origem (no caso dos autos, o Chile), ou por organismos públicos ou privados, mediante delegação (no caso dos autos, a Sociedad de Fomento Fabril SOFOFA), sob controle de repartição oficial, e deverá ser emitido com obediência às formalidades estabelecidas nos Artigos 13 a 16 do Anexo 13. O Certificado deverá ainda conter declaração juramentada do produtor final ou exportador da mercadoria (Artigo 11 do Anexo 13). Nas importações de que trata o presente processo, não consta que o desembaraço tenha ocorrido ao desamparo de Certificado de Origem. Resta inequívoco que foram acolhidos Certificados de Origem nas importações em comento, possibilitando o desembaraço aduaneiro das declarações de importação. O que se discute é a revisão aduaneira de tais declarações, com desconsideração da certificação de origem das mercadorias importadas (cogumelos do gênero Fl. 3362DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 08/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 8 Agaricus) apresentadas ao tempo do desembaraço, em função de Atos Declaratórios Executivos (ADE) emitidos pela COANA (no 36, de 29/10/2012, e no 37, de 13/11/2012), em relação a dois exportadores: "Exportadora MM Limitada" e "Comercial Agrometa Ltda". Tais ADE são reproduzidos, na íntegra, a seguir: "ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO COANA Nº 36, DE 29 DE OUTUBRO DE 2012 (DOU 16/11/2012) Dispõe sobre o encerramento de processo aduaneiro de investigação de origem. O COORDENADORGERAL DE ADMINISTRAÇÃO ADUANEIRA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 129, inciso IV, do Anexo da Portaria do MF no 203, de 14 de maio de 2012, e tendo em vista o disposto nos arts. 20 e 23, Anexo 13 do Acordo de Complementação Econômica no 35, internalizado no Brasil por meio do Decreto no 2.075, de 19 de novembro de 1996, e os arts. 20 e 26 da Instrução Normativa SRF no 149, de 27 de março de 2002, declara: Art. 1o Concluído, com base no Relatório Fiscal Coana/Cotad/Divom no 2012/0001, o processo aduaneiro de investigação de origem das mercadorias "Cogumelos do gênero Agaricus", NCM 0711.51.00 (Naladi/SH 0711.90.19), do exportador chileno "Exportadora MM Limitada", aberto por meio do ADE Coana no 26/2012, de 24 de agosto de 2012. Art. 2o Desqualificados todos os Certificados de Origem que instruíram os despachos aduaneiros de importação de "Cogumelos do gênero Agaricus" exportados pela empresa mencionada no art. 1o, por descumprimento do Regime de Origem estabelecido no Anexo 13 do ACE 35. Art. 3o Fica suspensa a concessão de preferência tarifária para novas operações referentes às mesmas mercadorias exportadas pela empresa "Exportadora MM Limitada", do Chile. Art. 4o Este Ato Declaratório entra em vigor na data de sua publicação." (grifo nosso) "ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO COANA Nº 37, DE 13 DE NOVEMBRO DE 2012 (DOU 30/11/2012) Dispõe sobre o encerramento de processo aduaneiro de investigação de origem. O COORDENADORGERAL DE ADMINISTRAÇÃO ADUANEIRA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 129, inciso IV, do Anexo da Portaria do MF no 203, de 14 de maio de 2012, e tendo em vista o disposto nos arts. 20 e 23, Anexo 13 do Acordo de Complementação Econômica no 35, internalizado no Brasil por meio do Decreto no 2.075, de 19 de novembro de 1996, e os arts. 20 e 26 da Instrução Normativa SRF no 149, de 27 de março de 2002, declara: Art. 1o Concluído, com base no Relatório Fiscal Coana/Cotad/Divom no 2012/0002, o processo aduaneiro de investigação de origem das mercadorias "Cogumelos do gênero Agaricus", NCM 0711.51.00 (Naladi/SH 0711.90.19), do Fl. 3363DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 08/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.721393/201343 Acórdão n.º 3401003.093 S3C4T1 Fl. 3.360 9 exportador chileno "Comercial Agrometa Ltda", aberto por meio do ADE Coana no 25/2012, de 24 de agosto de 2012. Art. 2o Desqualificados todos os Certificados de Origem que instruíram os despachos aduaneiros de importação de "Cogumelos do gênero Agaricus" exportados pela empresa mencionada no art. 1o, por descumprimento do Regime de Origem estabelecido no Anexo 13 do ACE 35. Art. 3o Fica suspensa a concessão de preferência tarifária para novas operações referentes às mesmas mercadorias exportadas pela empresa "Comercial Agrometa Ltda", do Chile. Art. 4o Este Ato Declaratório entra em vigor na data de sua publicação. " (grifo nosso) Então, a matéria relevante a discutir no presente processo não está atrelada à Certificação de Origem apresentada para o desembaraço, mas à possibilidade jurídica de Ato Declaratório Executivo da COANA desqualificar tais documentos. E a fundamentação para tal discussão também se encontra no Anexo 13 do ACE no 35, em seus Artigos 17 a 22, que tratam de "Processos de Verificação e Controle". De início, a simples leitura do Artigo 17 do Anexo 13 já deixa claro que em caso de dúvida, a autoridade aduaneira pode requerer informações adicionais: "Não obstante a apresentação do certificado de origem nas condições estabelecidas por este Anexo e nas que vier a estabelecer a Comissão Administradora do Acordo, as autoridades aduaneiras poderão, no caso de dúvidas fundamentadas em relação à autenticidade ou veracidade do certificado, requerer da repartição oficial da Parte Signatária exportadora responsável pela verificação e controle dos certificados de origem, informações adicionais com a finalidade de elucidar a questão ou iniciar as investigações pertinentes, quando procedente, informando à repartição oficial de controle da Parte Signatária importadora". (grifo nosso) Assim, a simples existência de Certificado de Origem, emitido por entidade competente do país de origem (no caso, o Chile), não afasta a possibilidade de verificação e controle no país importador (no caso, o Brasil), nos casos de dúvidas fundamentadas em relação à autenticidade ou veracidade do certificado. Os Artigos 18 a 22 do Anexo 13 trazem rito específico para a investigação de origem, possibilitando a suspensão dos benefícios no curso da investigação (Artigo 18), determinando a notificação sobre o início da investigação ao importador e à autoridade emissora, que deverá prestar a informação necessária (Artigo 19), estabelecendo prazo e forma para troca de informação entre as autoridades dos países, e seu caráter confidencial (Artigos 20 e 21), e dispondo sobre mecanismos de consulta entre as partes do acordo (Artigo 22). Fl. 3364DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 08/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 10 Mas não é tal rito que está aqui em discussão. Tal rito, destaquese, foi seguido em etapa anterior, relativa a investigação de origem, e não tem vínculo nenhum com o rito que rege o processo de determinação e exigência de créditos tributários, previsto no Decreto no 70.235/1972, e não em acordo internacional. A partir de tais premissas é que passam a ser analisadas, a seguir, as alegações de defesa preliminares e de mérito. 3. Da análise das alegações da defesa As empresas recorrentes apontam diversos princípios que entendem violados, todos ocasionando a nulidade da autuação, e indicam ainda omissão, contradição e cerceamento de defesa no julgamento de piso, que eivariam de nulidade também o acórdão emanado da DRJ. Afirmase, nas peças recursais, que houve omissão da DRJ em relação a argumentos de defesa, documentos e solicitação de perícia, no que se refere ao procedimento de investigação conduzido pela COANA, e cerceamento de defesa, pois a DRJ se manteve inerte ao pedido formulado para dilação de prazo para apresentação de provas/documentos. Sobre tais alegações, é de se informar que não houve efetivamente omissão da DRJ nesses temas, ou cerceamento de defesa. Houve, sim, esclarecimento de que o presente contencioso não trata do procedimento de investigação internacional de origem, mas sobre autuação por não ter a empresa possibilidade de gozar de benefício fiscal em virtude da desqualificação de certificados de origem em procedimento diverso, que observou rito diferenciado, com competência de julgamento distinta, e que as empresas estão a discutir em outros foros. Nas palavras do julgador de piso (fls. 1620/1621): "Afirmam as impugnantes que em função da IN 149/2002, a COANA não observou o procedimento e rito determinado pelo Anexo 13 do ACE35, culminando com má colheita de provas e cerceamento do direito de defesa do importador na edição dos referidos ADE. Na análise da matéria observase que não se trata de alegações contra o procedimento fiscal da unidade da RFB que efetivou o lançamento do crédito tributário, e sim contra o procedimento de investigação internacional de origem da mercadoria. O dever de observância, por parte dos julgadores administrativos, do entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil expresso em atos normativos, encontrase disposto na Portaria MF nº 341, 12/07/2011, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento: (...) Os citados ADE Cona no 36 e 37 foram emitidos e publicados no DOU (fls. 11131114) com base no relatório conclusivo do processo aduaneiro de investigação de origem, aberto nos termos dos ADE Coana no 25 e 26, ambos de 2012 (fl. 1110 Fl. 3365DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 08/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.721393/201343 Acórdão n.º 3401003.093 S3C4T1 Fl. 3.361 11 1111), que resultou na desqualifição dos certificados de origem, tornando incabível o tratamento tarifário preferencial e motivando a revisão das Declarações de Importação que dele se beneficiaram indevidamente, conforme artigos 19 e 20 da IN 149/2002 c/c o art. 149, inc. V da Lei nº 5.172, de 25 de março de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). (...) Assim, refoge competência a esta turma para apreciar as alegações relativas a cerceamento do direito de defesa por falta de resposta da petição encaminhada à Coana (fls.11611166) e relativas a vícios na produção de provas no procedimento e rito das trocas de informações entre as partes do acordo internacional (Processo Aduaneiro de Investigação de Origem), bem como tudo que diga respeito à investigação de autenticidade dos referidos Certificados de Origem. Ademais, as impugnantes noticiam que estas alegações (inobservância do procedimento e rito do anexo 13 do ACE35, inclusive com vícios na produção de provas) foram por elas levadas em Mandado de Segurança perante o poder judiciário brasileiro (fls.11681185) e também em Reclamação Particular perante o sistema de solução de controvérsias no Mercosul (fls. 1159), sendo estes motivos também justificadores da impossibilidade desta turma tomar conhecimento da matéria, não podendo sequer apreciar o pedido de perícia que resta prejudicado e automaticamente indeferido por não influir na solução administrativa do litígio perante esta DRJ. Quanto à dilação probatória requerida, é um direito que assiste às impugnantes nos termos estabelecidos na legislação processual administrativa, especificamente nos parágrafos 4.º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Considerando a existência dos processos em tramitação noutras esferas decisórias, poderá ser requerida a aplicação da alínea “b” do citado § 4º, devido a fato ou a direito superveniente, quando as impugnantes reverterem naquele(s) processos os efeitos dos ADE que desqualificaram os Certificados de Origem, situação esta que parece não ter ainda acontecido uma vez que não foi requerida a juntada de qualquer documento nesse sentido." (grifo nosso) Vêse, assim, que a DRJ, que não pode negar vigência aos atos normativos emanados no âmbito da RFB, como os dois ADE emitidos pela COANA, deve simplesmente aplicálos, o que ocasiona a indiscutível desqualificação dos Certificados de Origem utilizados para instrução das declarações de importação registradas, restando pouco a discutir na análise das impugnações apresentadas. Aproveitamos tais considerações para reiterar as observações efetuadas no tópico anterior deste voto, referentes à distinção entre o presente contencioso e o procedimento de investigação de origem, regido por rito próprio. Percebase que as insurgências das Fl. 3366DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 08/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 12 empresas recorrentes no que se refere a contraditório e ampla defesa concentramse no procedimento de investigação de origem, e não no presente contencioso. Daí assistir razão à DRJ ao afirmar que não se vê, no presente contencioso, cerceamento de defesa ou violação ao contraditório. E, reparese, retornando à discussão sobre o procedimento de investigação internacional de origem, previsto em acordo internacional, que ali não há previsão de contencioso envolvendo particulares. O Artigo 17 do Anexo 13, aqui já transcrito, recordese, claramente dispõe que a simples apresentação de Certificado de Origem, ainda que assinado por autoridade competente e dentro dos requisitos previstos no acordo, pode ser questionado em caso de dúvidas fundamentadas em relação à autenticidade ou à veracidade. E que as autoridades aduaneiras do país importador poderão requerer informações adicionais da repartição oficial da Parte Signatária exportadora responsável pela verificação e controle dos certificados de origem com a finalidade de elucidar a questão ou iniciar as investigações pertinentes, quando procedente, informando à repartição oficial de controle da Parte Signatária importadora. E isso foi feito pela COANA (autoridade aduaneira brasileira), obtendose como resposta, da entidade chilena emissora dos Certificados de Origem (SOFOFA), que não era possível determinar o país de origem dos produtos porque as empresas exportadoras não foram encontradas em seus domicílios, como alega a própria defesa. Não se tem aqui a mínima dúvida de que se a própria entidade que emitiu os Certificados de Origem não os endossa, nem confirma o que certificou, resta descumprido o requisito para fruição de benefício de redução de alíquotas (preferência tarifária acordada). O Anexo 13 do ACE no 35 não prevê a participação ou a defesa do importador em tal procedimento, mas tão somente sua notificação quando do início da investigação, no Artigo 19: A autoridade aduaneira deverá notificar o início da investigação ao importador e à autoridade encarregada da verificação e controle na Parte Signatária exportadora, à qual solicitará a informação necessária para essa investigação. (grifo nosso) E os inícios das investigações foram publicados em Diário Oficial (Atos Declaratórios Executivos COANA no 25/2012 e 26/2012). Ademais, a importadora foi alertada sobre o procedimento de investigação também pela autoridade aduaneira, como se atesta de seu pedido de cópia integral do procedimento (fl. 1162): Fl. 3367DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 08/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.721393/201343 Acórdão n.º 3401003.093 S3C4T1 Fl. 3.362 13 Como o acordo prevê uma entidade competente para certificar origem (no caso, no Chile), e esta não a atesta a certificação apresentada, a função do Artigo 19 é possibilitar ao importador tomar as ações (privadas, civis/comerciais) que entender necessárias contra tal entidade ou contra o exportador que eventualmente tenha se equivocado em relação à origem da mercadoria, pelos prejuízos que lhe ocasionaram, e não um convite a atuar como parte no processo de investigação (que é público e confidencial). Veja que a expressão "à qual", que grifamos na transcrição do Artigo 19, não tem por objeto o importador, mas a autoridade encarregada da verificação e controle no país exportador. Reparese ainda que os artigos seguintes do Anexo 13 (Artigos 20 a 22) são restritos às repartições oficiais, cabendo aqui reproduzir excerto do Artigo 20: "A repartição oficial responsável pela verificação e controle dos Certificados de Origem deverá fornecer as informações solicitadas pela aplicação do disposto no Artigo 17, em um prazo não superior a 30 dias úteis, contados a partir da data do recebimento do respectivo pedido. As informações terão caráter confidencial e serão utilizadas, exclusivamente, para esclarecer essas questões." (grifo nosso) A própria previsão de recurso ao sistema de Solução de Controvérsias (do Acordo, e não do MERCOSUL), no Artigo 22, endossese, é restrita à Parte Signatária (país) e não a empresas: "Esgotada a instância de investigação, se as conclusões não forem satisfatórias para os envolvidos, as Partes Signatárias manterão consultas bilaterais. Se os resultados destas consultas não forem satisfatórios para a Parte Signatária afetada, esta poderá recorrer ao sistema de Solução de Controvérsias do Acordo." As empresas recorrentes protocolizaram Reclamação perante o MERCOSUL. E relatam ainda que houve impetração de Mandado de Segurança para que a COANA fornecesse cópia dos procedimentos investigativos. A cópia da primeira folha da "Reclamação Particular" (fls. 1159) no âmbito do MERCOSUL endossa o que dissemos em relação ao caráter privado da discussão, previsto no Artigo 19, que é independente da questão pública referente ao pagamento de tributos. Veja se que a reclamação é em face da SOFOFA e do Ministério das Relações Exteriores do Chile, e tem por fundamento o Artigo 39 e seguintes do Protocolo e Olivos (referente a Solução de Controvérsias no MERCOSUL), e não o sistema de Solução de Controvérsias do ACE no 35. Em que pese a problemática da (i)legitimidade passiva, do foro (in)adequado, e de não se noticiar nos autos qualquer prosseguimento em relação à reclamação, é de se informar que isso não traz prejuízo nenhum ao presente julgamento, que é sobre tema de ordem pública diverso (pagamento de tributos). Sobre o Mandado de Segurança Impetrado (cópia de consulta processual à fl. 1168, e da petição inicial às fls. 1169 a 1184), verificouse, em nome da verdade material, em consulta ao processo, no sítio web do TRF1, que foi obtida liminar, em 03/10/2013, para fornecimento da cópia integral dos procedimentos de investigação: Fl. 3368DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 08/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 14 Conforme informa a autoridade impetrada, a desqualificação dos Certificados de Origem relativos aos produtos chilenos importados, Cogumelos Agaricus, foi fundada em informação de entidade estrangeira, SOFAFA, responsável pela emissão daqueles certificados. À impetrante, portanto, não pode ser vedado o acesso ao processo e documentos que revelam os motivos que levaram a essa desqualificação, em obséquio à publicidade e a ampla defesa garantidas constitucionalmente. Entendo, assim, que o sigilo do processo não pode ser oposto à impetrante, principal interessada, máxime em razão dos certificados de origem dizerem respeito à mercadoria por ela importada. Ante o exposto, defiro a liminar para determinar o fornecimento à impetrante de cópia integral dos processos de investigação que deram origem às ADE’s nº 36 e 37/2012. E, na sentença, sujeita a reexame necessário, após a interposição de embargos de declaração, consignouse, em 09/12/2014: "CONCEDO A SEGURANÇA, para determinar o fornecimento à impetrante de cópia integral dos processos de investigação que deram origem às ADE’s nº 36 e 37/2012. Em consequência, julgo extinto o processo, com resolução de mérito, nos termos do disposto no art. 269, I, do CPC." Em 17/11/2015 o processo estava concluso para relatório e voto no "GAB. DF Souza Prudente". Também em relação ao processo judicial, que objetiva simplesmente a obtenção de cópia do procedimento, não se vê conflito com a matéria em discussão no presente processo administrativo. Ademais, desde a manifestação da autoridade impetrada naquele processo judicial, a empresa já tinha ciência da motivação da desqualificação dos Certificados de Origem, como se percebe pelo relatório, naqueles autos: "A autoridade impetrada apresentou as informações de fls. 196/202, justificando a não aceitação dos Certificados de Origem apresentados pela impetrante, relativo ao produto importado do Chile (fls. 14): 14. O procedimento foi iniciado com a edição do Ato Declaratório Coana n° 2012/25, e 2012/26, culminando com a desqualificação dos certificados de origem por intermédio dos ADE's 2012/36 e 2012/37. O fundamento para desqualificação dos Certificados de Origem, a afirmação da autoridade estrangeira, é inconteste, inclusive conhecido pela própria impetrante. O próprio país estrangeiro afirma que: (I) não foi possível determinar o país de origem dos produtos exportados pelas empresas exportadoras estrangeiras; e mais grave ainda, (II) não foi possível encontrar as empresas nos seus domicílios. Fl. 3369DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 08/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.721393/201343 Acórdão n.º 3401003.093 S3C4T1 Fl. 3.363 15 15. Temse portanto posicionamento firme do país estrangeiro, e não mera ação leviana, ou suposições, interpretações que superficialmente tenta emprestar a impetrante. 16. Se o próprio país de procedência das mercadorias afirma que não pode determinar sua origem, e mais ainda, sequer encontrar as empresas, a ação da Administração Aduaneira é absolutamente legítima e necessária. Não havia outra conduta a se esperar. 17. Não obstante a afirmação da autoridade estrangeira, uma vez encerrado o procedimento de investigação de origem, se as conclusões não forem satisfatórias para os envolvidos, as Partes Signatárias manterão consultas bilaterais, conforme disposto no art. 22 do Anexo 13 ao ACE 35. (...)" (grifo nosso) É preciso, então, mais uma vez, aclarar que o Certificado de Origem (conforme Art. 10 do Anexo 13 do ACE no 35) é "documento indispensável para a comprovação da origem das mercadorias", e a consequente obtenção de tratamento tributário preferencial na importação, e que "deverá indicar inequivocamente que a mercadoria à qual se refere é originária da Parte Signatária em questão" (Chile). E, após a manifestação da autoridade emissora do Certificado de Origem, resta patente que não se está a atestar qualquer origem. As importações, assim, não fazem jus à redução tarifária. E isso está longe de constituir uma penalidade. É simplesmente a consequência do não atendimento do requisito para a fruição do benefício. Daí a autuação ser motivada (fl. 5) simplesmente no "não reconhecimento da redução do imposto". E para chegar a tal conclusão, sequer é necessário passar por normas infralegais, não havendo violação à legalidade, ou, ainda à legalidade estrita. As normas infralegais invocadas são todas resultantes da competência atribuída no ACE no 35 à autoridade aduaneira. Em virtude do exposto, ausentes as nulidades apontadas em relação a cerceamento de defesa, contraditório e legalidade, inclusive estrita. Sobre a verdade material, e a alegação de que deveriam as autoridades brasileiras e chilenas seguir adiante nas investigações, não se contentando com as informações prestadas pela entidade certificadora oficial chilena de que as empresas não se encontravam em seus domicílios indicados, e que não era possível atestar a origem, cabe ressaltar que a resposta ao questionamento brasileiro foi dada pela SOFOFA, entidade competente para certificar a origem. Tal entidade certifica ou não a origem, e, no caso, reconheceu que os Certificados que havia anteriormente emitido não se prestavam a atestar a origem das mercadorias neles descritas. Não há meios para, nem é papel da Aduana brasileira, obrigar entidade de país estrangeiro a prosseguir no exame da matéria. E a empresa não apresenta qualquer elemento conclusivo sequer para provocar dúvida neste julgador, para que se indicasse medida pericial ou outra, destinada a atestar a efetiva origem das mercadorias, limitandose a anexar fotos e explicações genéricas. Ademais, ainda que fosse demandada perícia, o que aqui se entende como absolutamente desnecessário ao esclarecimento dos fatos, o perito não emitiria um Fl. 3370DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 08/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 16 Certificado de Origem nos temos do Anexo 13 do ACE no 35, o que continuaria a deixar as importações ao desamparo do benefício de redução de alíquota. Em relação à segurança jurídica, argumento inaugurado nos recursos voluntários, há que se destacar que a possibilidade de revisão aduaneira encontra expressa guarida na lei (art. 54 do DecretoLei no 37/1966) e no próprio Anexo 13 do ACE no 35, na Seção que trata de "Processos de Verificação e Controle" (Artigos 17 a 22). E não pode este CARF afastar comandos de estatura legal (como atesta a Súmula CARF no 2), ainda que a parte eventualmente os entenda inconstitucionais. Sobre a aparente contradição na decisão da DRJ, porque não foram verificados elementos que apontem a máfé da empresa, e a manutenção do lançamento, temos que novamente resulta de mácompreensão da motivação da autuação. Reiterese que a autuação é motivada simplesmente no "não reconhecimento da redução do imposto", em função de desqualificação de Certificados de Origem. Não se imputa na autuação conduta dolosa. E é exatamente isso que a DRJ toma em conta para afastar a multa de ofício com base no Ato Declaratório Interpretativo SRF no 13/2002 (sequer suscitado pela defesa). Mas em relação aos tributos, a ausência de dolo não tem o condão de provocar seu afastamento. Afinal de contas, as importações foram efetuadas sem o preenchimento dos requisitos para fruição do tratamento preferencial. Ausente, assim a contradição apontada. No mérito, a análise aqui empreendida tornou nítido que a empresa fez leitura equivocada do texto do ACE no 35, às vezes confundindo o procedimento lá estabelecido com o contencioso que se aprecia nestes autos, e, em outras ocasiões, entendendo que aquele procedimento lhe asseguraria participação mais ampla do que efetivamente assegura, ou que eventual reparação pelos prejuízos que a SOFOFA ou outra entidade lhe teriam ocasionado seria resolvida na esfera tributária nacional, e não na esfera civil internacional. É preciso ter em conta, na apreciação desta lide, que os procedimentos de investigação foram efetuados dentro do rito previsto no Anexo 13 do ACE no 35, e que os Certificados de Origem anteriormente emitidos não podem ser aceitos diante da informação oficial prestada pela própria emissora chilena dos Certificados de que além de não ser possível atestar a origem, as empresas sequer foram encontradas nos endereços indicados. Não há outra conclusão possível a não ser a de que a empresa não cumpriu, nas importações objeto da autuação, os requisitos de origem exigidos no Anexo 13 do ACE no 35. E isso tem como consequência a exigência dos tributos que deixaram de ser recolhidos, com os devidos acréscimos legais. No mérito, assim, é clara a procedência da autuação, visto que efetivamente as importações estão desamparadas da devida certificação de origem, requisito indispensável à fruição da redução de alíquotas. 4. Do recurso de ofício No que se refere às razões para exclusão da multa de ofício, reconhecendo apenas a aplicação dos acréscimos moratórios, em função do Ato Declaratório Interpretativo SRF no 13/2002, e à verificação de efetiva ocorrência de duplicidade de lançamento em relação a seis declarações de importação, pela DRJ, nada temos a opor. Fl. 3371DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 08/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.721393/201343 Acórdão n.º 3401003.093 S3C4T1 Fl. 3.364 17 Efetivamente, verificada a duplicidade, este segundo lançamento deve ser afastado em relação àquelas declarações de importação, pois não se pode exigir duas vezes o mesmo tributo em relação ao mesmo fato. E, no que se refere ao afastamento da multa de ofício, com exigência apenas de acréscimos moratórios, é de se destacar que atende a entendimento consagrado pela própria RFB, a ponto de ser plasmado no referido ato declaratório interpretativo. Tendo em vista tais observações, incumbese negar provimento ao recurso de ofício interposto. 5. Da responsabilidade solidária As importações de que trata o presente processo foram, como se narra na autuação, efetuadas pela empresa FARTURA Alimentos LTDA (FARTURA), tendo como adquirente a empresa NACOM GOYA Indústria e Comércio de Alimentos LTDA (NACOM GOYA). Informa ainda o fisco (fl. 158) que "todas as DI's da tabela do ANEXO I foram feitas por conta e ordem para o adquirente da mercadoria". E ambas as empresas figuram no polo passivo da autuação por força do art. 95 do DecretoLei no 37/1966 e por força 124 do Código Tributário Nacional (CTN). A empresa FARTURA discute a possibilidade de figurar no polo passivo, alegando que, por ser importadora por conta e ordem, mera prestadora de serviços, não tem interferência na negociação das mercadorias. Ocorre que a responsabilidade solidária pelo pagamento do imposto de importação, nas importações por conta e ordem, decorre de disposição expressa de lei, que não pode ser afastada por este tribunal administrativo (em face da já citada Súmula CARF no 2) artigos 31 e 32 do DecretoLei no 37/1966: "Art. 31. É contribuinte do imposto: (Redação pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) I o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no Território Nacional; (Redação pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) (...) Art. 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) (...) Parágrafo único. É responsável solidário: (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) (...) c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por Fl. 3372DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 08/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 18 intermédio de pessoa jurídica importadora; (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora.(Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006)" (grifo nosso) Assim, a importação de mercadoria efetuada pela FARTURA (importador por conta e ordem) tendo como adquirente a empresa NACOM GOYA torna ambas as empresas legalmente aptas a figurar validamente no polo passivo da autuação. No caso, sequer é necessária demonstração efetiva (em que pese ela residir nos autos) de que ambas possuem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124 do CTN. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e aos recursos voluntários apresentados. Rosaldo Trevisan Fl. 3373DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 08/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10925.721393/201343 Acórdão n.º 3401003.093 S3C4T1 Fl. 3.365 19 Voto Vencedor Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, redator designado Tenho a missão de, neste voto, registrar o entendimento que o Colegiado, em sua maioria, decidiu deveria prevalecer nesta sessão de julgamento, com a máxima vênia com relação ao exposto pelo relator, em seu bem fundamentado voto. No caso, podemos ver que os autos de infração exigem os tributos incidentes sobre as importações, acrescidos de multas e juros, a partir de revisão aduaneira. A autuação está justificada pela desqualificação dos certificados de origem que instruíam essas declarações de importação, ou seja, pela conclusão de que todas essas importações não seriam originárias do Chile, e não fariam jus ao tratamento tarifário dado pelo Acordo internacional. A nosso ver, o auto de infração não logrou comprovar que as mercadorias não foram originadas do Chile, ou que os certificados não poderiam ser considerados válidos, ou que a razão para a emissão dos Atos Declaratórios Executivo ADE COANA 36 e 37, ambos de 2012 (em outubro de novembro desse ano), poderia ser considerada suficiente para justificar que cada uma e todas as 288 importações feitas entre outubro de 2010 e agosto de 2012 se referiam a produtos não originados do Chile. De acordo com o relatado, os Atos Declaratórios em comento partiram da informação prestada pelas autoridades chilenas de que não puderam verificar a origem chilena dos produtos por que as empresas exportadoras não foram localizadas nos domicílios informados. A autoridade fiscal pretende concluir, em procedimento de revisão aduaneira, com base no teor desses atos executivos da COANA, que as 288 importações se deram em condições de absoluta irregularidade quanto à sua origem não ser chilena. Notese que esse atos executivos compõem a fundamentação da autuação, mas ao contribuinte não foi dada oportunidade para contraditálos, em seus efeitos sobre as importações revisadas. E nem a autoridade fiscal ultrapassou o plano formal, para demonstrar que os produtos chilenos poderiam não ser originados do Chile. Ademais, a autoridade chilena não declarou que os produtos não eram originados do Chile, ou que não poderiam ser considerados válidos os certificados de origem emitidos entre 2011 e 2012. Não questionamos a competência da COANA para pretender desqualificar a certificação de origem nos termos previstos no Acordo Internacional em epígrafe. O relator invoca o artigo 10 do Anexo 13 do ACE 35 (transcrito no voto do relator) para explicar por que não há possibilidade de mercadoria aproveitar tratamento preferencial previsto em acordo se a sua origem não for atestada por certificado de origem. Fl. 3374DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 08/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 20 De fato, esse artigo do acordo internacional informa que os certificados de origem são indispensáveis para comprovar a origem. Mas ele não permite concluir que se possa afastar o tratamento tarifário simplesmente por que, em momento posterior aos desembaraços aduaneiros, a autoridade estrangeira não localizou as empresas exportadoras em seus domicílios. Recordemos, que é fato, que não está sendo contestado por nenhuma das partes, que os certificados de origem haviam instruído os despachos aduaneiros. Ora, Senhores Conselheiros, o artigo 9o do Decretolei no 37, de 1966, prevê que, "respeitados os critérios decorrentes do ato internacional de que o Brasil participe, entenderseá por país de origem da mercadoria aquele onde houve sido produzida, ou, no caso de mercadoria resultante de material ou mão de obra de mais de um país, aquele onde houve recebido transformação substancial." O Regulamento Aduaneiro, em seu artigo 563, em minha leitura, disciplina que a verificação da origem acolherá qualquer meio julgado idôneo, não se restringindo à formalidade dos certificados de origem. Ou seja, a lei aduaneira estabelece um conceito base de país de origem e admite que haja procedimento para se verificar a origem de determinada mercadoria. O auto de infração não demonstrou que os certificados de origem que instruíram os despachos eram nãoválidos, nem demonstrou que os produtos não eram originários do Chile. Além disso, a integração dos efeitos dos citados atos declaratórios executivos da COANA que desqualificam os certificados de origem por não ter sido localizado o exportador estrangeiro em seu domicílio em sede de revisão aduaneira, deveria comportar oportunidade de a contribuinte contraditálos. Essa decisão preteriu o direito de defesa. Nessa oportunidade, seriam observados os §§ do artigo 117 e o artigo 563, ambos do Regulamento Aduaneiro em vigor. A nosso ver, não se pode cingir a lide unicamente a um debate de direito, desconsiderando a questão probatória. Para não merecer o tratamento tarifário previsto no Acordo Internacional é necessário que o produto não tenha sua origem no país 'beneficiado' pelo Acordo. Concluímos, assim, por essas considerações, que a autuação não logrou trazer elementos para identificar a infração e atender os requisitos para sua validade (artigo 119, I, a, do DL no 37/1966; e artigo 10 c/c inciso II do artigo 59, ambos do Decreto no 70.235, de 1972). Eloy Eros da Silva Nogueira Fl. 3375DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado dig italmente em 08/04/2016 por ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 14485.000527/2007-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2004
DA CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. NÃO CONSTATAÇÃO.
A aplicação da concomitância de instância pressupõe a identidade de objeto litigioso nas discussões administrativa e judicial, fato não evidenciado nos elementos probatórios juntados aos autos.
SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA.
É nula, em razão de supressão de instância, a decisão de primeiro grau que deixa de apreciar pontos fundamentais para o deslinde da contenda apresentados na impugnação.
Decisão Recorrida Nula.
Numero da decisão: 2402-005.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declarar a nulidade da decisão de primeira instância (DRJ), em razão da falta de apreciação de pontos fundamentais para o deslinde da contenda apresentados na impugnação.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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NÃO CONSTATAÇÃO. A aplicação da concomitância de instância pressupõe a identidade de objeto litigioso nas discussões administrativa e judicial, fato não evidenciado nos elementos probatórios juntados aos autos. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. É nula, em razão de supressão de instância, a decisão de primeiro grau que deixa de apreciar pontos fundamentais para o deslinde da contenda apresentados na impugnação. Decisão Recorrida Nula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 05 27 /2 00 7- 28 Fl. 706DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, declarar a nulidade da decisão de primeira instância (DRJ), em razão da falta de apreciação de pontos fundamentais para o deslinde da contenda apresentados na impugnação. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 707DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 14485.000527/200728 Acórdão n.º 2402005.095 S2C4T2 Fl. 736 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 16 23.836 de lavra da 13.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em São Paulo I (SP), que julgou improcedente em parte a impugnação apresentada para desconstituir a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n.º 37.011.2024. O crédito em questão referese à exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento do benefício concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, além das contribuições destinadas a outras entidades ou fundos (terceiros). Houve também o lançamento das contribuições dos segurados. De acordo com o relatório fiscal, fls. 65/68, os fatos geradores ocorreram com os pagamentos de remunerações a segurados empregados e contribuintes individuais, as quais foram identificadas mediante análise das folhas de pagamento e da escrita contábil. Assevera que foram acostados demonstrativos da composição da base de cálculo, cujos valores encontramse segregados em dois itens de apuração (levantamentos), a saber: a) CNG: verbas salariais contabilizadas e não declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP; e b) CIN: pagamentos a contribuintes individuais lançadas na contabilidade e também não declaradas na GFIP. Segundo a autoridade lançadora, a empresa não possuía autorização do INSS para gozo de isenção da cota patronal, por isso a utilização do código FPAS 639 (entidade beneficente de assistência social) deuse indevidamente, sendo que o correto e 574 (estabelecimento de ensino). Tal infração seria o motivo da exigência da cota patronal. Cientificado do lançamento em 29/06/2006, o sujeito passivo ofertou impugnação, fls. 109/122, na qual, inicialmente, afirmou que é uma pessoa jurídica de direito privado, constituída em 23/09/1925, que se dedica à prestação de serviços educacionais, culturais e assistenciais de fins filantrópicos, tendo por objetivo propiciar à infância, à adolescência e à população em geral oportunidades de instrução e aprimoramento educacional. Defendeu ser nula a notificação no período de 01/2000 a 11/2001, posto que este lapso já havia sido objeto de verificação fiscal, conforme comprovam as cópias do termo de encerramento de auditoria anterior (doc. 06) e das NFLD lavradas (docs. 07 a 09). Chamou a atenção de que teria se operado a decadência para as contribuições lançadas no exercício de 2000, em consonância com o que dispõe o inciso I do art. 173 do CTN. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Sustentou que é imune às contribuições incidentes sobre a folha de salários por ser associação constituída para prestar serviços educacionais sem fins lucrativos, declarada de utilidade pública municipal (doc. 10), de utilidade pública estadual (doc. 11) e de utilidade pública federal (doc. 12) e que se encontra registrada no Conselho Nacional de Assistência social desde 1944 (doc. 13), estando sob análise o pedido do certificado (doc. 13). O seu direito a imunidade, alegou, decorre do integral atendimento ao disposto no art. 14 do CTN, uma vez que: não distribui rendas ou patrimônio; aplicou integralmente as suas receitas em seus objetivos institucionais e as escriturou na forma legalmente prescrita. Advogou que a afirmação do fisco quanto a inexistência de requerimento ao INSS não pode atropelar o seu direito constitucional à imunidade. Apresentou jurisprudência, cujo entendimento é de que basta o atendimento do art. 14 do CTN para que as entidades possam gozar do benefício de não recolhimento da cota patronal previdenciária. Mesmo entendendo que são inconstitucionais as exigências do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, afirma que também não deixou de atendêlas. Em razão de ter aderido ao PROUNI, a Impugnante não só postulou novo certificado e o reexame de seus processos junto ao CNAS, como também formulou pedido de isenção das contribuições sociais junto ao Ministro de Estado da Previdência Social (doc. 16), em conformidade com a Medida Provisória n.º. 213/2004, o qual está sob apreciação. Argumentou que a grande maioria das remunerações de contribuintes individuais listadas pelo fisco não se referem a retribuição por serviço prestado, mas a pagamentos por outras causas, a exemplo de bolsas concedidas e verbas de capacitação profissional. Da mesma forma, os prêmios e gratificações concedidos aos empregados não se enquadram no conceito de saláriodecontribuição, por lhes faltar a caráter de habitualidade. Além do mais, o fisco teria considerado como contribuintes individuais diversos dos empregados, o que conduziu a erro na alíquota aplicada. Menciona a ocorrência de duplicidade na apuração, posto que houve o lançamento de contribuições sobre pagamentos que também foram incluídos na apuração que deu ensejo à NFLD n.º 37.011.2032. O então Serviço do Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária em São Paulo Sul, determinou a realização de diligência fiscal, fls. 292/296, no sentido de que fosse emitido relatório fiscal substitutivo para esclarecimentos acerca dos pontos questionados na impugnação. O relatório substitutivo encontrase às fls. 301/304. Vejamos quais as principais informações nele contidas: a) apresenta novas planilhas de apuração, as quais foram denominadas: Verbas Salariais (horasextras, prêmios e gratificações); Verbas Salariais (horas extras) e Contribuintes Individuais Livro Diário; Fl. 709DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 14485.000527/200728 Acórdão n.º 2402005.095 S2C4T2 Fl. 737 5 b) as contribuições dos segurados contribuintes individuais não foram descontadas, motivo pelo qual não houve a lavratura de Representação para Fins Penais pelo delito de apropriação indébita; c) apresenta a sistemática de pagamento de horasextras pela empresa e conclui que os valores correspondentes não eram considerados pela empresa como saláriode contribuição; d) os prêmios e gratificações por não serem excepcionados do conceito de saláriodecontribuição devem ser mantidos na apuração; e) afirma que a empresa não era portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, deixando de atender a um dos requisitos do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, sendo procedente à exigência. Mais adiante, fl. 335, há um despacho do auditor fiscal, detalhando ao órgão de julgamento os passos seguidos na diligência. Eis as afirmações: a) as contribuições dos segurados empregados foram excluídas, pelo fato de todos já contribuírem pelo limite máximo do saláriodecontribuição, além de que no cálculo da contribuição dos contribuintes individuais este limite foi respeitado; b) alguns segurados considerados contribuintes individuais, na verdade, eram empregados, por isso foram excluídos da apuração; c) as bolsas de estudo foram expurgadas da base de cálculo; d) houve retificação da rubrica hora extra, para excluir valores que a empresa declarava na GFIP; e) os valores apurados em lançamentos de ação fiscal pretérita foram objeto de abatimento, quando da apuração da NFLD n.º 37.011.2032; f) no relatório substitutivo foi lançado o correto fundamento que enquadraria a empresa no delito de sonegação; g) foram acostados o Termo de Arrolamento de Bens, Relação de Corresponsáveis e Relatório de Vínculos. Cientificada do relatório substitutivo, a entidade apresentou nova impugnação, fls. 366/378, na qual repetiu os mesmos argumentos postos na defesa anterior. A DRJ São Paulo I resolveu converter o julgamento em diligência, fls 383/385, desta feita para que o fisco adotasse providências no sentido de sanear diversas inconsistências verificadas nos demonstrativos anexados ao relatório substitutivo e para que fosse juntada petição inicial de ação proposta pela empresa contra o INSS tratando de imunidade do recolhimento das contribuições sociais. A informação fiscal decorrente desta diligência encontrase às fls. 398/399, na qual o fisco juntou diversos anexos para sanear as inconsistências apontadas pelo órgão de julgamento, além de que foi juntada petição inicial da ação acima mencionada. Fl. 710DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 Em sua resposta aos termos da informação fiscal, fls. 494/502, a empresa manifestouse alegando que: a) o agente do fisco não se manifestou sobre a decadência, a qual atingiria o período até 31/12/2000; b) o § 3.º do art. 126 da Lei n.º 8.212/1991, que trata da renúncia ao contencioso para os contribuinte que postulem no judiciário pedido com objeto idêntico ao tratado no processo administrativo, não se aplica à espécie, haja vista que a sua ação judicial possui caráter preventivo, ao passo que as impugnações administrativas têm natureza repressiva. Nesse sentido não há de se reconhecer a concomitância entre as lides judicial e administrativa; c) ao não juntar novos discriminativos do débito às planilhas geradas nas diligências, o fisco deixou de transmitir claramente à impugnante a origem do débito, prejudicando, por conseguinte, o seu direito à ampla defesa e ao contraditório; d) também foi negligenciada a obrigação de informar ao contribuinte a metodologia e os critérios adotados para se chegar as bases de cálculo retificadas; e) o agente fiscal deixou de se pronunciar claramente acerca dos valores apurados em duplicidade, em razão de haver sobreposição de fiscalizações sobre um mesmo período; f) afirma que se mantém o erro de alíquota por incorreto enquadramento de segurado empregado como contribuinte individual, além de exigência de contribuição sobre gratificações,as quais não podem ser tratadas como remuneração. Na decisão de primeira instância, fls. 565/582, foi reconhecida a decadência para o período de 01 a 11/2000 e 13/2000 (13.º salário), por aplicação do inciso I do art. 173 do CTN. Entendeu o órgão recorrido que não caberia o enfrentamento da tese da imunidade, uma vez que a empresa, por haver postulado no Judiciário ação visando ao reconhecimento da sua condição de imune, teria renunciado à discussão dessa matéria no contencioso administrativo. Foi afastada a suscitada afronta ao princípio da ampla defesa, por entender a DRJ que o lançamento, além de revestido das formalidades legais, possibilitou ao contribuinte a perfeita compreensão da origem das quantias exigidas. Também se enfatizou que as diligências foram executadas de forma a esclarecer e sanear falhas apresentadas pelo sujeito passivo em suas manifestações, o que garantiu a higidez do procedimento fiscal. Acerca do pedido de anulação do período de 01/2000 a 11/2001, o órgão a quo defendeu que não há o que se falar em duplicidade ou revisão de lançamento, haja vista que a ação fiscal pretérita não alcançou os lançamentos contábeis do período, conforme atesta o Termo de Encerramento Fiscal acostado na defesa. Sobre as correções efetuadas por ocasião das diligências, a DRJ asseverou que estas serviram para eliminar vícios passíveis de saneamento, os quais não implicam em nulidade, mas tão somente em retificação dos valores lançados, o que é permitido pela legislação. Fl. 711DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 14485.000527/200728 Acórdão n.º 2402005.095 S2C4T2 Fl. 738 7 Por fim foi indeferido o requerimento para juntada de novas provas, por entender a DRJ que não se verificou nenhuma das exceções previstas no § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972. Concluise que a impugnação mereceria o provimento parcial para afastar o período decadente e retificar os valores conforme proposta do fisco em sede de diligência. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, fls. 587/608, no qual, alegou que: a) o lançamento é nulo para o período de 01/2000 a 12/2001, haja vista que já havia sido objeto de fiscalização anterior, onde foram lavradas as NFLD n.º 35.132.5794, 35.132.5808 e 35.132.5816; b) a nulidade deve ser reconhecida, posto que o fisco não demonstrou a ocorrência de quaisquer das hipóteses legais que pudessem autorizar a revisão de lançamento; c) ao contrário do que consta na decisão recorrida, o Livro Diário n.º 11 foi sim objeto de análise na auditoria anterior, conforme comprova relatório de NFLD lavrada na ocasião; d) devese reconhecer a decadência dos fatos geradores ocorridos em 2000, inclusive as competências de 12/2000 e 13/2000, nos termos do artigo 173, I, combinado com o artigo 156, V, ambos do CTN; e) é uma entidade educacional sem fins lucrativo e, por atender aos requisitos constantes do art. 14 do CTN, é imune ao recolhimento das contribuições lançadas, nos termos do § 7.º do art. 195 da Carta Magna; f) em razão de ter aderido ao PROUNI, a recorrente não só postulou novo certificado e o reexame de seus processos junto ao CNAS, como também formulou pedido de isenção das contribuições sociais junto ao Ministro de Estado da Previdência Social, como comprova documento acostado aos autos do processo administrativo em epígrafe, em conformidade com a Medida Provisória n°. 213/2004, o qual está sob apreciação; g) é no mínimo incoerente não reconhecer a qualidade de entidade beneficente de assistência social a uma instituição de educação que executa ação de assistência social no bojo de um programa criado pela própria União desde o primeiro semestre de 2005, ou seja, há mais de três anos ininterruptos; h) deixar de reconhecer a entidade notificada como beneficiária da imunidade apenas pela demora na aquisição do certificado expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social é dar mais valor ao formalismo que aos ditames da Lei Maior; i) É cabível, portanto, a juntada de prova documental posterior à impugnação e por tal motivo a Recorrente pugna pela apresentação do Certificado de Entidade de Assistência Social (CEAS) até julgamento definitivo; j) não deve prevalecer o entendimento de que houve renúncia à instância administrativa pela concomitância de objeto com ação judicial. É que a ação declaratória visa impedir a violação de um direito, objetivando principalmente a declaração da existência, ou Fl. 712DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 inexistência de uma relação jurídica enquanto que o presente recurso visa reparar o direito violado com a finalidade de anular o débito ora discutido; h) caso se entenda pela manutenção da multa, que seja reduzida à metade, em obediência aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, uma vez que as contribuições foram classificadas como declaradas em GFIP, nos termos da própria decisão atacada, além de que a notificada não agiu com intuito doloso de fraudar o fisco; i) não foram retificadas as incorreções presentes no relatório fiscal substitutivo, mantendose no lançamento vícios graves que prejudicam o direito de defesa da recorrente; j) embora tenham sido apresentadas planilhas de retificação, o sujeito passivo não tomou conhecimento do Discriminativo Analítico do Débito DAD e nem do Discriminativo Sintético do Débito DSD, ficando impossibilitado de conhecer o reais valores devidos do tributo e da multa; k) acerca dos vícios apontados pela recorrente durante toda a marcha processual, o fisco deixou de transmitir com clareza e precisão a origem do débito, prejudicando o seu direito à ampla defesa e ao contraditório. Ao final pugna pelo provimento integral do recurso, pela juntada, se necessário, de novos elementos e pela realização de sustentação oral. É o relatório. Fl. 713DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 14485.000527/200728 Acórdão n.º 2402005.095 S2C4T2 Fl. 739 9 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Inocorrência de concomitância total entre discussão judicial e administrativa A DRJ, por aplicação do § 1.° do art. 123 da Lei n.° 8.213/1991, deixou de apreciar a totalidade das alegações da empresa referentes à imunidade frente ao recolhimento das contribuições sociais. Segundo o entendimento do órgão a quo, o sujeito passivo propôs no Judiciário ação com objeto idêntico àquele apresentado no processo administrativo fiscal, qual seja, o direito a não recolher as contribuições patronais. Compulsando os autos, verifiquei a petição inicial da ação, fls. 407/443. Ali buscase garantir o não recolhimento das contribuições patronais sob o argumento de que a entidade cumpre os requisitos do art. 114 do CTN, que é a norma aplicável para aferir o direito ao benefício fiscal, uma vez que o art. 55 da Lei n.° 8.212/1991 é inconstitucional por veicular matéria reservada pela Carta Magna a lei complementar. Na impugnação, fls. 109/222, observase que a notificada também alega a inconstitucionalidade do art. 55 da Lei n.° 8.212/1991, todavia, assevera que, mesmo diante desse vício, cumpre os requisitos ali enunciados, além de haver aderido ao PROUNI, o que lhe garantiria a imunidade pleiteada. De acordo com o enunciado no 1 de Súmula Vinculante do CARF (Portaria do Ministério da Fazenda no 383, de 14/07/2010), o contribuinte tem o direito de se defender na esfera administrativa, mas, caso tenha ingressado na via judicial para pleitear o mesmo objeto litigioso, a consequência jurídica é que a renúncia da via administrativa, levando o seu caso diretamente ao Poder Judiciário, ao qual cabe dar a última palavra quanto à interpretação e à aplicação do Direito e, por consectário lógico do principio da jurisdição una no sistema brasileiro, isso importará em não conhecimento do recurso na via administrativa. Súmula CARF no 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(grifei) Registrase que a aplicação desse enunciado e da legislação que dispõe sobre a concomitância de instâncias administrativa e judicial, tais como o art. 38, parágrafo único, da Fl. 714DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 Lei 6.830/1980 e o art. 126, §3º, da Lei 8.213/1991, não é efetuada automaticamente, observandose somente a propositura de ação judicial pelo contribuinte, há de se verificar sempre a identidade de objeto nas discussões administrativas e judicial, para se adotar os seus comandos impositivos. Isso porque a identidade do objeto litigioso deverá ser constatada caso a caso, de modo a identificar as semelhanças fáticas e jurídicas das questões postuladas nas instâncias administrativa e judicial. Nesse sentido, tanto a doutrina como a jurisprudência do STJ (EDcl no REsp 840.556/AM) afirmam que quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial estará caracterizada a concomitância de instância, nas palavras de Leandro Paulsen: “(...) o ato administrativo pode ser controlado pelo Judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. (...) Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto nas discussões administrativa e judicial”. (Leandro Paulsen e René Bergmann Ávila. Direito Processual Tributário. 8a ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2014, p. 560). No caso dos autos, o objeto da peça recursal, na parte relativa à imunidade, versa, em síntese, sobre as seguintes questões: a) inconstitucionalidade da Lei n.° 8.212/1991, com verificação da condição de imune pelas normas do art. 14 do CTN; b) cumprimento do art. 55 da Lei n.° 8.212/1991; c) benefício fiscal obtido com adesão ao PROUNI. Por sua vez, o objeto litigioso da ação judicial restringese à discussão mencionada no item "a", acima. Diante do cotejo das questões postuladas na via administrativa e judicial, verificase que a ação judicial é menos abrangente que o recurso administrativo, portanto, de se concluir que as questões relativas à imunidade mencionadas nos itens "b" e 'c" não podem ser alcançadas pela concomitância, posto que tratadas apenas no PAF. Nesse sentido, a DRJ, ao deixar de apreciar essas questões incorreu em omissão de pontos essenciais que deveriam ter sido enfrentados para o deslinde da contenda. Nesse sentido, não pode a turma do CARF apreciar essas matérias sob pena de incorrer na indesejável supressão de instância, com claro prejuízo ao sujeito passivo, que deixa de ver apreciadas razões relevantes do seu inconformismo nas duas instâncias de julgamento administrativo. Nesse passo, o caminho viável para afastar a mencionada omissão é a determinação de nulidade da decisão recorrida, com retorno dos autos à primeira instância para prolação de novo acórdão. É assim que têm sido encaminhadas questões dessa natureza pelas turmas do CARF, como se pode ver do recente aresto dessa turma: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E DECISÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA PARCIAL. SÚMULA CARF Nº 1. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 14485.000527/200728 Acórdão n.º 2402005.095 S2C4T2 Fl. 740 11 Restando comprovado haver o contribuinte ter estabelecido litígio no Poder Judiciário cujo objeto abarca parte da matéria submetida à apreciação em processo administrativo, deve ser aplicada a Súmula CARF nº 1: "importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial", dada a prevalência do entendimento emanado naquela esfera sobre eventual decisão administrativa. FALTA DE APRECIAÇÃO DAS RAZÕES RECURSAIS. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. A falta de apreciação, por parte do acórdão de primeiro grau, de razões recursais aptas a ensejar a reforma ou cancelamento da exigência, implica em cerceamento de defesa via supressão de instância e violação da garantia de recorribilidade das decisões. Decisão Recorrida Nula." Acórdão n.° 2402004.733, de 09/12/2015 Assim, encaminho pela declaração de nulidade da decisão a quo. Conclusão Voto por anular a decisão de primeira instância. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 716DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10435.000086/2005-37
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Jul 28 00:00:00 UTC 2006
Ementa: PIS/PASEP. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. MULTA DE
OFÍCIO. INAPLICABILIDADE.
Os débitos declarados em DCTF e não pagos tempestivamente
devem ser objeto de remessa para Dívida Ativa da União,
ficando sujeitos à multa de mora, sendo inaplicável a multa de
oficio, consoante determina o art. 3 2 da MP n2 75/2002, que
alterou a redação do art. 90 da MP n2 2.158-35/2001.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
de mora incidentes sobre o crédito tributário não
o prazo legal estão estabelecidos no art. 13 da Lei n2
9.065 consoante permissivo legal do § 1 2 do art. 161 do
CTN.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 202-17.236
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: Maria Cristina Roza da Costa
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DÉBITO DECLARADO EM DCTF. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Os débitos declarados em DCTF e não pagos tempestivamente devem ser objeto de remessa para Dívida Ativa da União, • ficando sujeitos à multa de mora, sendo inaplicável a multa de oficio, consoante determina o art. 3 2 da MP n2 75/2002, que alterou a redação do art. 90 da MP n2 2.158-35/2001. *ROS DE MORA. TAXA SELIC. • s de mora incidentes sobre o crédito tributário não rec. tid. • o prazo legal estão estabelecidos no art. 13 da Lei n2 9.065 consoante permissivo legal do § 1 2 do art. 161 do CTN. Recurso pr e idnn parte. Vistos, relatados e discutidos os pr entá autos de recurso interposto por BONANZA SUPERMERCADOS LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câuara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar proviment arcial ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Sala d.. Sessões, em 28 de julho de 2006. "ff r • o io Carlos Atulim Presidente - e„,;.; \\. ana Cristina Roza•D•C‘sta Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Nadja Rodrigues Romero, Ivan Allegretti (Suplente), Antonio Zomer, Simone Dias Musa (Suplente) e Maria Teresa Martínez López. 1 .. , 22 CC-MF •.- - Ministério da Fazenda Fl. '07 ...,' \g"- Segundo Conselho de Contribuintes •i ->„,,, Processo n2 : 10435.000086/2005-37 Recurso n2 : 130.933 Acórdão n2 : 202-17.236 Recorrente : BONANZA SUPERMERCADOS LTDA. ‘2) ,49 RELATÓRIO -..:; (-- Trata-se de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 2 2 Turma de Julg. z to da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife - PE. ,!,, ' e wonomia processual reproduzo abaixo o relatório da decisão recorrida: " • .tã a empresa acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração, a seguir espect . ad • para exigência de crédito tributário relativo à Contribuição para o Programa s'ib tegração Social (PIS), período de apuração junho de 1997. 1 (.) 2. O lançamento o efetuado em vista de falta de recolhimento ou pagamento do principal e declaras so"&exata, como também faz constar o enquadramento legal, conforme se verifica no s‘.\4e infração n° 0000151, fls. 04/05. 3.Inconformada, a contrib — :' sresentou peça impugnatária à fl. 02, onde alega que o mencionado débito foi objeto s :.(s, 1 s 'n ação de acordo com o Pedido de Compensação anexo ao Processo n°10435.000: ' 4 0- 5." Apreciando as razões postas na i iugnação, o Colegiado de primeira instância proferiu decisão julgando procedente o lançament• consoante relato contido no voto, como segue: "Entende a autuada que por pleitear cres *tos em processo administrativo de compensação já teria o direito assegurado. Contus s para ter direito à compensação, o crédito tem que ser líquido e certo. Entretanto, à époc • 'a lavratura do Auto de Infração, a contribuinte não havia efetuado o recolhimento devi. s e nem estava amparada por decisão definitiva administrativa e ou decisão 'udicial ansitada em Sul!ado que determinasse a extinção da Contribuição para o Programa s - Integração Social - PIS por meio de compensação com créditos decorrentes de pagamen s a maior ou indevido ou gerados de valores a serem ressarcidos/restituídos, definitiva -nte reconhecidos. Como a Defendente não comprovou ter crédito a compensar por s cisão definitiva administrativa ou judicial transitada em julgado, tal alegação não pode pr erar." \xp\t Intimada a conhecer da decisão em 14/06/2005, a interessada, insurre k contra seus termos, apresentou, em 13/07/2005, recurso voluntário a este Egrégio Consenn . de Contribuintes, com as seguintes razões de improcedência total do auto de infração e da dec -0 singular, alegando em recurso: a) cerceamento do direito de defesa em razão da indicação de um amontoado de dispositivos legais, dentre os quais não sabe de qual se defender; b) decadência do direito de o Fisco lançar a exigência, uma vez que o fato gerador ocorreu em junho de 1997, cuja homologação tácita ocorreu em 2001, havendo tomado ciência do aviso de cobrança em 22/01/2002, quando ocorridos mais de cinco anos do fato gerador; & 2 29 CC-MF • Ministério da Fazenda FI. Segundo Conselho de Contribuintes Processo nst : 10435.000086/2005-37 Recurso nst : 130.933 Acórdão n : 202-17.236 c) inaplicabilidade da taxa Selic como juros de mora, uma vez que o § 1 2 do art. 161 do CTN não admite percentual superior a 1%; e d) inconstitucionalidade da aplicação da taxa Selic nas relações tributárias, por o se constituir em índice criado por lei, conforme pronunciamento já realizado pelo STF. Alfim, requer seja declarada a nulidade da denúncia fiscal diante do cerceamento do dire o de defesa e decadência, bem como que, em caso de dúvida, a norma jurídica seja interpreta., de forma mais favorável à recorrente, nos termos do art. 112 do CTN. Requer, também, a • odução de provas por todos os meios permitidos em direito, inclusive juntada posterior de pro as, perícia e diligência. A a . • ridade preparadora informa a efetivação da garantia da instância recursal, conforme fl. 52. É o relatóri. o \S`ç) • 3 Q • Ministério da Fazenda 2 CC-MF Fl. '<x, Segundo Conselho de Contribuintes • Processo n2 : 10435.000086/2005-37 Recurso nft : 130.933 Acórdão n : 202-17.236 VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA • MARIA CRISTINA ROZA DA COSTA O recurso voluntário atende aos requisitos legais exigidos para sua . dmissibilidade e conhecimento. Trata-se de lançamento eletrônico n2 000151, de exigência da contribuição para o PIS, - erente à filial 0017, cuja descrição dos fatos é "falta de recolhimento ou pagamento do princip. declaração inexata, conforme Anexo III". anexo Ia, de fl. 06, aponta: d• débito informado na DCTF com vinculação de DARF" - R$968,69; "DA' /- firmado"; "data de -kfcAnento" - 15/07/1997; ‘-1 "valor confir • o" - R$96,86; "saldo em aberto" 38j5k,83; "situação do DARF'; \S' "pgto não localizado" e o gm. pendência de MM e de JM'. No anexo III, de fl. 07, apon \omo período de apuração 01-06/1997, como data de vencimento 15/07/1997 e como débito •'•1 n.,:•41 a pagar o valor do principal lançado: R$ 871,83, multa de oficio de 75% e juros de mo : ' ;:lculados até 28/02/2002. Portanto, trata-se de débito declarado - • I) TF para o qual consta valor de Darf confirmado correspondente a 10% do valor declarado. • isxl• não se defende a recorrente. Quanto à decadência, verifica-se, de pronto,recorrente equivocou-se na forma de calcular o prazo decadencial. O referido prazo tem o dies a quo no dia 01/07/1 '55--; o dies ad quem no dia 30/06/2002. Portanto, a ciência do aviso de cobrança em 22/01/200 ' • tinguiu a contagem do prazo decadencial, impedindo que operassem seus efeitos. Quanto ao lançamento de oficio, por referir-se a período de . • uração relativo ao mês de junho de 1997, foi observado o disposto no art. 90 da Medida Provisár n° 2.158-35, de 24/08/2001, que determinou que "as diferenças apuradas, em declaração presta, • pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de e :ibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administr • os pela Secretaria da Receita Federal", seriam objeto de lançamento de oficio. Entretanto, modificação legislativa posterior, introduzida pela Medida Provis ia n2 75, de 24/10/2002, determinou que "A aplicação do disposto no art. 90 da . Medida Provisóri • n o 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, fica limitada aos casos em que as diferenças apuradas decorrem de: 1- na hipótese de compensação, direito creditório alegado com base em crédito: a) de natureza não tributária; b) não passível de compensação por expressa disposição normativa; c) inexistente de fato; d) fundados em documentação falsa;". 4 is - . ',- 22 CC-MF Ministério da Fazendak-,-"---z• -.. I'L Fl. Segundo Conselho de Contribuintes Processo n-q : 10435.000086/2005-37 Recurso 1)1 12 : 130.933 Acórdão 119- : 202-17.236 Tratando-se de crédito tributário não definitivamente julgado, deve ser aplicado o disposto no art. 106 do CTN, em razão da aplicação de penalidade mais gravosa, prevista na legislação que motivou o ato administrativo do lançamento de oficio. 1 Desse modo, por se tratar de lançamento de oficio efetuado com base em valores 1 de . ados pela recorrente, bem como por inexistir na peça recursal defesa no sentido de negar, I exting . • r, modificar o direito da Fazenda em exigir o tributo identificado nos presentes autos, entendo e - va • 'esmo ser mantido. -4. n pf to à multa de oficio, pelo mesmo motivo acima exposto - débito declarado - entendo que dev- ezpicc ida, em face da alteração legislativa que limitou a aplicação do art. 90 p4da MP n2 2.158-35 ' ex; 98os nos quais não se inclui o ora analisado, por força do disposto no citado art. 106, inciso :ema "c", do CTN, o qual aplica a lei a ato ou fato pretérito quando houver cominação de pe $ iqájle menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, como se vê no prese -c49pf Por oportuno, de ,"%cr lembrado que o não pagamento tempestivo de tributo devidamente declarado em DCTF d. ir.¡Fm, automaticamente, à aplicação da multa de mora. Quanto à Taxa Referenci. it Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - Selic, saliente-se que sua cobrança está em . e krmidade com a autorização contida no art. 161, § 12, do Código Tributário Nacional, e vis. ,riicamente, ressarcir o Tesouro Nacional do rendimento do capital que permaneceu à disposiç ... d!ntribuinte, no período de tempo até seu efetivo recolhimento. No presente caso, os arts. 84 da Lei n2 8. ' : .(2-A - 01/01/95, c/c o art. 13 da Lei n2 9.065/95, e os arts. 26 da MP n2 1.542/96, 30 da MP n2 1.7 I -9N--- reedições e 61, § 32, da Lei n2 9.430/96, dispõem de forma diversa, razão pela qual não merec - ero a a ecisão recorrida. Observe-se que, relativamente aos débitos da F. , -4%Nacional para com o • contribuinte, esta também é a taxa aplicada, até que seja efetivada, por .Ekekt ófgão tributante, a restituição ou compensação do tributo. Desta forma, a aplicação da t. . &etre, com base no citado diploma legal, combinado com o art. 161, § 1 2, do Código Tributário , acional, não sofre de qualquer mácula de ilegalidade. Com as considerações acima, voto por dar provimento parcial .o recurso voluntário para excluir a multa de oficio. Sala das Sessões, em 28 de julho de 2006. 4.4... ARIA CRISTINA RO dA COSTA • . • J\ 5 Page 1 _0027000.PDF Page 1 _0027100.PDF Page 1 _0027200.PDF Page 1 _0027300.PDF Page 1
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Numero do processo: 10320.720066/2007-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
Não é nulo acórdão de primeira instância que simplesmente reproduz legislação que rege matéria suscitada pelo Contribuinte em sua impugnação.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE.
A partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, a apresentação do ADA passou a ser obrigatória (ou a comprovação do protocolo de requerimento daquele Ato, junto ao Ibama, em tempo hábil), por força da Lei nº 10.165, de 28/12/2000.
IMUNIDADE RECÍPROCA. INAPLICABILIDADE
Incabível se cogitar em imunidade recíproca prevista na Constituição Federal, quando não restar comprovado nos autos que o imóvel integra o patrimônio do Estado.
Numero da decisão: 2201-002.832
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar alegada e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH Relator
Assinado Digitalmente
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente em Exercício.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente em exercício), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), EDUARDO TADEU FARAH, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, justificadamente, o Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Não é nulo acórdão de primeira instância que simplesmente reproduz legislação que rege matéria suscitada pelo Contribuinte em sua impugnação. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE. A partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, a apresentação do ADA passou a ser obrigatória (ou a comprovação do protocolo de requerimento daquele Ato, junto ao Ibama, em tempo hábil), por força da Lei nº 10.165, de 28/12/2000. IMUNIDADE RECÍPROCA. INAPLICABILIDADE Incabível se cogitar em imunidade recíproca prevista na Constituição Federal, quando não restar comprovado nos autos que o imóvel integra o patrimônio do Estado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar alegada e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 00 66 /2 00 7- 35 Fl. 598DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Assinado Digitalmente CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente em Exercício. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente em exercício), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), EDUARDO TADEU FARAH, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, justificadamente, o Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente). Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2003, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 01/04), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 99.020,81, relativo ao imóvel denominado “Gleba Alegria”, cadastrado na RFB sob o nº 5.971.6347, com área declarada de 11.445,0 ha, localizado no Município de Mirador/MA. A fiscalização glosou a área declarada de preservação permanente de 11.445,0 ha, correspondente a área total do imóvel. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: informa que arrematou o imóvel, em ação de execução, com base em laudo técnico elaborado por um de seus técnicos, que, infelizmente foi vitima de engodo, por ocasião da vistoria, posto que lhe foi apresentado um imóvel que na verdade não se referia ao imóvel em questão; esclarece que foi, então, elaborado um segundo laudo técnico, para avaliar e medir a área do imóvel, tendo o técnico constatado que a Fazenda Alegria encontrase encravada no Parque Estadual do Mirador, no Maranhão e por isso elaborou Noticia Crime, endereçada à Procuradoria Geral de Justiça/MA, na qual se narrou a situação, inclusive juntando o Decreto Estadual n° 7.461/1980, constatando que as terras do Parque são todas terras devolutas pertencentes ao Estado do Maranhão e que não poderiam vincularse a patrimônio de particular; considera que, no caso, todos os títulos de domínio existentes são nulos, sendo, consequentemente, nulas, a hipoteca e a arrematação, bem como as inscrições do imóvel efetuadas perante a RFB, ressaltando que o negócio jurídico nulo não produz qualquer efeito no mundo jurídico, já que a nulidade é de ordem pública e de alcance geral, pode e deve ser decretada de oficio, a requerimento dos interessados e até mesmo do MP; conclui que não detém a propriedade do imóvel, por se tratar de terras devolutas pertencentes ao Estado do Maranhão, integrante da área do Parque Mirador; Fl. 599DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10320.720066/200735 Acórdão n.º 2201002.832 S2C2T1 Fl. 3 3 considera que a Notificação foi expedida por entender a autoridade fiscal que não comprovou a isenção da área declarada de preservação permanente, por meio do ADA, laudo técnico ou certidão de órgão público competente, contudo, ocorre que apresentou, tempestivamente, Laudo Técnico elaborado por profissional competente, além de cópia da noticia crime, já mencionada; ressalta que há jurisprudência emanada do 3° Conselho de Contribuintes, no sentido de que não encontra base legal a exigência de que as áreas declaradas de preservação permanente somente sejam reconhecidas mediante ADA, podendo tal comprovação ser efetuada mediante laudo técnico elaborado por profissional competente; entende que a prova da existência das áreas de preservação permanente é robusta, consubstanciada no Relatório Técnico Avaliação e Medição do imóvel, salientando que, conforme se vê nas “Conclusões e Considerações Finais”, o imóvel encontrase totalmente dentro da área do Parque Estadual do Mirador, pertencente ao Governo do Estado do Maranhão, inclusive, faz parte do Relatório, o Mapa Geográfico e Mapa de uso atual dos solos; requer a nulidade da Notificação pelo fato de a fiscalização ter ignorado o laudo técnico, que foi elaborado por profissional capacitado, com estrita observância das normas técnicas, sem proceder verificação das áreas de preservação permanente; entende que, da mesma forma padece de nulidade a Notificação, considerando que ela, segundo a autoridade fiscal, foi lavrada por não ter o impugnante, no seu entender, atendido a intimação para apresentar a documentação comprobatória da área de preservação permanente; salienta que atendeu, tempestivamente, à intimação, apresentando o laudo técnico e demais documentos, os quais comprovam a existência da área de preservação permanente, razão pela qual requerse a nulidade da Notificação; requer que, na hipótese desta DRJ reconhecer a nulidade apontada, e na hipótese de decidir o mérito a seu favor a quem aproveita, considerando se que o mérito da demanda encontra se justo e bem fundamentado, que não a pronuncie nem mande repetir o ato ou suprir a falta, nos exatos termos do §3°, do art. 59, do Decreto nº 70.235/72; entende que o §7°, art. 10, da Lei nº 9.393/96 dispõe que é suficiente a declaração do contribuinte para exclusão das áreas de proteção ambiental, dispensando qualquer comprovação prévia e dispensando, assim, a apresentação do ADA, ficando o declarante responsável pelo pagamento do imposto correspondente com juros e multa, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira; Fl. 600DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 salienta que não restou comprovado pela fiscalização que a sua declaração não é verdadeira, ou seja, não havendo o devido processo de verificação a fim de que fosse constatada a existência da área de preservação permanente declarada; entende que não existe no ordenamento jurídico base legal a justificar a autuação procedida sobre as áreas de preservação permanente, posto que, independentemente de qualquer ato declaratório, seja do Fisco ou de qualquer outro órgão administrativo, tais áreas devem ser obrigatoriamente preservadas, e, portanto, necessariamente isentas do ITR; salienta que admitir que a não apresentação do ADA possa impedir a isenção do ITR, equivale a incentivar a utilização de áreas que devem ser preservadas, o que redundaria em crime ambiental; considera que a fiscalização fundamentou a Notificação no art. 170, §1º, da Lei nº 6.938/91, com a redação dada pela Lei nº 10.165/2000, entretanto, não se pode admitir que a partir da entrada em vigor desse dispositivo houvesse fundamento para a exigência do ADA como condição prévia para o reconhecimento de isenção do ITR, mesmo porque referida exigência estaria tacitamente revogada em face do §7º, art. 10, da Lei nº 9.393/96, que dispensa a comprovação prévia das áreas ambientais para fins de isenção do ITR; expõe que a fiscalização, também, fundamenta a Notificação no art. 10, §3°, do RITR, todavia, o Decreto n° 4.382/2002 tem o condão, tãosomente, de regulamentar a Lei nº 9.393/96, que determinou a isenção do ITR, não podendo um Decreto estabelecer mais do que a própria lei, a propósito de regulamentála, sendo que a Lei nº 9.393/96 não autoriza, em nenhum momento, a apresentação do ADA; considera, ainda, que a IN SRF n° 256/2002, também, repete no seu art. 10, §3º, a obrigatoriedade de apresentação do ADA para efeito de excluir da área tributável, as áreas de preservação permanente, regra esta que não encontra amparo no art. 10 da Lei nº 9.393/96; reitera que, de acordo com a Lei nº 9.393/96, a exigência de ato declaratório existe somente com relação às alíneas "h" e "c" do inciso II do §1º do art. 10, já em relação à alínea "a" do inciso II do §1° desse dispositivo legal, não existe essa obrigatoriedade, mesmo porque referida alínea faz menção expressa à Lei n° 4.771/65, na qual já se encontram definidas as áreas de preservação permanente e de reserva legal; observa que no art. 2° da Lei nº 4.771/65, resta consignado que as terras ali previstas são consideradas de preservação permanente “pelo só efeito desta Lei”, o que afasta a obrigatoriedade de qualquer outra comprovação; reitera que o imóvel é composto integralmente por áreas de preservação permanente, na forma do art. 2° da Lei nº 4.771/65, e que se encontra encravado no Parque Estadual do Mirador, sendo, portanto, terras devolutas do Estado do Maranhão, o que Fl. 601DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10320.720066/200735 Acórdão n.º 2201002.832 S2C2T1 Fl. 4 5 pode ser comprovado pela análise do Decreto Estadual n° 7.641/1980, em anexo; afirma que análise do Laudo Técnico e do Decreto n° 7.641/80, verificase que a área do Parque Mirador é a mesma onde se encontra o imóvel, e, portanto, são terras devolutas do Estado do Maranhão e, ainda, que pelo Decreto percebese que se trata o Parque Estadual do Mirador, incontestavelmente, de área de preservação permanente, prevista na Lei nº 4.771/65, conforme se infere dos arts. 1°, §2°, II, e art. 2°; salienta que a apresentação do Decreto Estadual representa prova contundente de que o imóvel, por estar encravado integralmente nas terras do Parque Mirador, e, portanto, terras devolutas, sobre ele não incide o ITR, constituindose referido Decreto, em documento que prova muito mais a existência de áreas de interesse ambiental e de preservação permanente, do que o próprio ADA exigido, haja vista que se trata o Decreto de documento ao qual foi dada ampla publicidade, por meio de órgão oficial do Estado; reitera que não apresentou declaração falsa, única hipótese, ex vi do art. 10, §7°, da Lei nº 9.393/96, que enseja o pagamento posterior com juros e multa, sendo, portanto, a exclusão das áreas de preservação permanente da tributação, medida que se impõe; aduz que, se não foi merecedora de fé por parte da autoridade lançadora a sua declaração, este fato necessita do devido processo regular para o arbitramento da base de cálculo do tributo por ela perpetrado, com o levantamento de vários dados e elementos, concretos e verdadeiros, que possibilitem de forma lógica e racional um regular arbitramento, conforme preceitua o art. 148, do CTN; continua o argumento afirmando que essa regra se coaduna com a prevista no § 7º, art. 10, da Lei nº 9.393/96, que estabelece que somente quando fique comprovado que a declaração do contribuinte não é verdadeira é que o mesmo fica responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa prevista na mencionada lei, fato este que não restou comprovado pela fiscalização; informa que o Decreto Estadual n° 7.641/1980, que criou o Parque Estadual do Mirador, traz, em seu art. 3°, que as terras compreendidas na área do Parque Estadual são oriundas de terras devolutas pertencentes ao Estado do Maranhão, acarretando, com isso, a impossibilidade de existência de relação jurídica tributária vinculando o impugnante, o imóvel e a Fazenda Nacional; ressalta que o art. 26 da Constituição da República estabelece quais são os bens que integram o patrimônio dos Estados membros e a Constituição do Estado do Maranhão, consoante com a Carta Magna, aponta em seu art. 13 quais são as suas terras devolutas; Fl. 602DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 salienta que, resta claro que os títulos de domínio apresentados ao impugnante para a constituição do ônus real sobre a Fazenda Alegria, que se encontra dentro do Parque Estadual do Mirador, são documentos sem validade jurídica, uma vez que as terras devolutas não se encontram entre os bens comercializáveis, não podendo integrar o patrimônio de particular algum; lembra que sendo o imóvel integrante do patrimônio do Estado do Maranhão, se encontra sob o albergue da imunidade recíproca, de que trata o art. 150, VI, "a", da Constituição da República; menciona o que dispõe o art. 1º da Lei nº 9.393/1996, acerca da hipótese de incidência tributária do ITR, e afirma que não se enquadra em nenhuma das situações descritas como hipótese de incidência do ITR; conclui que não detém o domínio útil, nunca chegou a ter a posse, direta ou indireta, nem possui a propriedade do imóvel, que integra o Parque Estadual do Mirador; ressalta que, ainda que o imóvel fosse passível de tributação, a sua área tributável seria zero, uma vez que as terras em que se acha encravado é área de preservação permanente e entendimento diverso seria institucionalizar o confisco ao patrimônio de quem não pode promover a exploração econômica do imóvel, e cita a Limitação ao Poder de Tributar contida no art. 150, IV, da Carta da República; entende que foi demonstrada a insubsistência da Notificação, posto que toda a área do imóvel é de preservação permanente, como declarado, tendo, por conseguinte, uma área aproveitável igual a zero, sendo, pois, indevida a alíquota de 20,0%, aplicada sobre um VTN correspondente a 100% da área do imóvel; requer a realização de perícia, in loco, com base no art. 16 do Decreto n° 70.235/72, com vistas a comprovar que o imóvel se encontra encravado no Parque Estadual do Mirador, portanto, de preservação permanente, considerando o Principio da Verdade Material; entende que se faz imprescindível a realização de diligências a cartórios e a órgãos de cadastro de imóveis rurais, com vistas a averiguar a área do Parque Estadual do Mirador e da fidelidade dos registros cartorários, tudo em função do dever de investigação e do principio da verdade material; indica assistente técnico para a realização da perícia geográfica, bem como os seguintes quesitos para serem respondidos pelo perito; por todo o exposto, requer: a) que seja recebida a impugnação, com todos os seus efeitos, inclusive o de suspender a exigibilidade do crédito tributário; b) que seja declarada de oficio a nulidade da Notificação de Lançamento, por conter vicio formal, conforme demonstrado; Fl. 603DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10320.720066/200735 Acórdão n.º 2201002.832 S2C2T1 Fl. 5 7 c) que na hipótese de reconhecer a nulidade apontada, e considerando que o mérito da demanda encontrase justo e bem fundamentado, requer que, na hipótese de decidir o mérito a seu favor a quem aproveita, que não a pronuncie nem mande repetir o ato ou suprir a falta, nos exatos termos do §3°, do art. 59, do Decreto n° 70.235/72; d) uma vez admitida, seja dado provimento ao pleito para julgar insubsistente a Notificação de Lançamento, reconhecendose a imunidade recíproca, estabelecida no art. 150, VI, a, da Constituição da República, em razão de o imóvel ser de propriedade do Estado do Maranhão e afastandose, como conseqüência, a constituição de qualquer crédito tributário relativo a valores de impostos ou decorrentes de penalidades pecuniárias; e) em não se reconhecendo a imunidade recíproca, que seja dado provimento à impugnação, para julgar insubsistente a Notificação de Lançamento em decorrência da inexistência de área tributável, vez que as terras objeto da autuação encontram se em área de preservação permanente; f) a realização de prova pericial de caráter geográfico, para aferição da área do Parque Estadual do Mirador, nos termos dos quesitos formulados e sob o acompanhamento do assistente técnico indicado; g) a realização de diligências a cartórios e aos órgãos de cadastro de imóveis rurais, de modo a se aferir a legalidade e fidelidade dos registros imobiliários e cadastrais do suposto imóvel Fazenda Alegria, bem como do Parque Estadual do Mirador; h) a juntada dos documentos adiante relacionados, a titulo probatório, bem como o deferimento da possibilidade de juntada posterior de documentos que guardem relação com o caso em tela, tudo em função do principio da verdade material, do dever de colaboração e do dever de investigação; i) a sua intimação para tomar conhecimento e se pronunciar sobre quaisquer diligências, perícias e documentos apresentados pela administração fazendária, por força do principio do contraditório e da ampla defesa. Ressalvase que as referências à numeração das folhas das peças processuais, feitas no relatório e no voto, referemse aos autos primitivamente formalizados em papel, antes de sua conversão em meio digital, no qual as referidas peças estão reproduzidas sob a forma de imagem. A 1ª Turma da DRJ em Brasília/DF julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DO FATO GERADOR DO ITR E DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 604DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. Constando nos autos documentos que comprovam a propriedade de imóvel rural, há a ocorrência do fato gerador do imposto. O proprietário do imóvel rural é contribuinte do ITR. Não comprovada a perda da propriedade do imóvel, por Ação de Nulidade e Cancelamento de Registro, em período anterior à ocorrência do fato gerador do ITR/2003 (1º.01.2003), deve ser mantido o contribuinte no pólo passivo da relação jurídicotributária. DA IMUNIDADE RECÍPROCA. INAPLICABILIDADE Não comprovado nos autos que o imóvel integra o patrimônio do Estado do Maranhão, por Decisão Judicial transitada em julgado, até a data do fato gerador do imposto, não há que se cogitar do benefício da imunidade recíproca prevista na Constituição da República. DA NULIDADE LANÇAMENTO Contendo a Notificação de Lançamento todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF) e tendo sido o procedimento fiscal instaurado em conformidade com as normas e os princípios constitucionais vigentes, possibilitando ao contribuinte exercer plenamente o seu direito de defesa, não há que se falar em qualquer irregularidade que macule o lançamento (Nulidade). DO ÔNUS DA PROVA Cabe ao contribuinte, quando solicitado pela autoridade fiscal, comprovar com documentos hábeis, os dados cadastrais informados na sua DITR, posto que é seu o ônus da prova. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE INTERESSE ECOLÓGICO Essas áreas ambientais, para fins de exclusão do ITR, devem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do respectivo ADA, além do ato específico emitido por órgão competente, para a área localizada dentro de Parque Estadual. DA PROVA PERICIAL A perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância em 17/03/2014 (fl. 410), o autuado apresenta Recurso Voluntário em 14/04/2014 (fls. 413/431), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10320.720066/200735 Acórdão n.º 2201002.832 S2C2T1 Fl. 6 9 É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Como visto do relatório, a autoridade fiscal glosou a área declarada de preservação permanente de 11.445,0 ha, correspondente a área total do imóvel, relativamente ao exercício de 2003. Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar, de antemão, a preliminar de cerceamento do direito de defesa. Alega o suplicante, em linhas gerais, que a autoridade recorrida inovou ao fundamentar seu julgamento com legislação que não consta do Auto de Infração. De pronto, não assiste razão ao recorrente. Analisando detidamente a decisão recorrida, verificase que a autoridade julgadora de primeira instância apenas reproduziu dispositivos legais que demonstram a necessidade de apresentação do ADA, já que houve diversos questionamentos suscitados pelo recorrente acerca de sua desnecessidade. Ademais, compulsandose a impugnação apresentada, constatase que o sujeito passivo defendeuse, adequadamente, de todas as acusações fiscais. Portanto, não identifiquei na decisão recorrida qualquer inovação que tenha cerceado o direito defesa do recorrente. No mérito, melhor sorte não está reservada ao recorrente. Embora defenda a desnecessidade de apresentação do ADA, conforme jurisprudências colacionadas, cumpre esclarecer que sua entrega tornouse obrigatória a partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, conforme determina a Lei n° 10.165/2000: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (NR) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. (AC) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (NR) (grifei) Pelo que se vê, o ADA é um dos requisitos legais para que algumas áreas especificadas na legislação não sejam tributadas pelo ITR. Portanto, a partir da edição da Lei nº 10.165/2000 a entrega do ADA, para fins de redução do valor a pagar do ITR, é obrigatória. A Fl. 606DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 alegação de que o imóvel é composto apenas por área de reserva legal e preservação permanente, já que se encontra encravado no Parque Nacional do Mirador, conforme o Decreto Estadual nº 7.641/80, fls. 170/172, e Relatório Técnico, fls. 111/114, esbarra na legislação que determina a apresentação do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR. Ressaltese que a invocação do princípio da verdade material não desonera o recorrente da apresentação de provas documentais hábeis previstas na legislação tributária. Fazse oportuno salientar que nesta instância administrativa prevalece o entendimento de que a dispensa de comprovação relativa às áreas de interesse ambiental (preservação permanente/utilização limitada), conforme redação do parágrafo 7º, do art. 10, da Lei nº 9.393/1996, introduzido originariamente pelo art. 3º da MP nº 1.95650, de maio de 2000, e mantido na MP 2.16667, de 24/08/2001, ocorre quando da entrega da declaração do ITR, o que não dispensa o contribuinte de, uma vez sob procedimento administrativo de fiscalização, comprovar as informações contidas em sua declaração por meio dos documentos hábeis previstos na legislação de regência da matéria. No que tange à alegação de imunidade recíproca, penso que a tese não merece acolhimento, já que esse instituto constitucional aplicase ao patrimônio, renda e serviços da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e não ao contribuinte (sociedades de economia mista que explora atividade econômica), consoante dispõe o art. 150, inciso VI, letra "a", da Constituição Federal. Na verdade, o imóvel objeto da exação pertence ao recorrente, e não ao Estado do Maranhão, conforme se infere da certidão do Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de Mirador/MA (R6, Mat. 778, de 13.06.2000), fls. 150/152, além do Registro na Carta de Arrematação de fls. 112/113. Assim, consoante dispõe a Lei nº 9.393/1996, havendo propriedade, posse ou domínio útil de imóvel rural, ocorre o fato gerador do ITR, já que o imposto é devido por qualquer das pessoas que se prenda ao imóvel rural. Sobre legitimidade passiva do contribuinte, peço venia para transcrever as observações do acórdão recorrido: Ressaltese que se constatou que as declarações para o imóvel em tela vêm sendo sistematicamente entregues em nome do contribuinte, inclusive a DITR/2012, corroborando a legitimidade passiva e com o reconhecimento de o imóvel estar sujeito à incidência do ITR. Além disso, o cadastro do imóvel continua ATIVO no CAFIR, às fls. 385, e, consequentemente, produzindo todos seus efeitos, além de não constar, até a presente data, qualquer pedido de alteração ou de cancelamento do mesmo, nos termos da IN/RFB nº 830/2008, que dispõe sobre esse Cadastro. Portanto, não se vislumbra, pois, qualquer erro na eleição do sujeito passivo. Ressaltese que a ação movida pelo contribuinte “Notitia Criminis” fls. 163/172, não tem o condão afastar a legitimidade passiva sobre o imóvel objeto da exação e, tampouco, comprovar que o imóvel encontrase encravado no Parque Nacional do Mirador. Por fim, cumpre destacar que é improfícua a jurisprudência administrativa e judicial trazida pelo recorrente, mormente porque essas decisões, mesmo que proferidas pelos órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Fl. 607DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10320.720066/200735 Acórdão n.º 2201002.832 S2C2T1 Fl. 7 11 Ante ao exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 608DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/02/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/03/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10865.003727/2007-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini de Carvalho.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini de Carvalho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .0 03 72 7/ 20 07 -1 5 Fl. 998DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.003727/200715 Resolução nº 1401000.353 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra a decisão de piso, fls. 763764: Trata o presente processo de declarações de compensação eletrônicas, abaixo relacionadas, com utilização do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2003, no valor de RS 15.021.920,52, cujo direito creditório foi reconhecido parcialmente, no valor de R$ 7.749.422,70, por meio do despacho decisório de folhas 306/313. A interessada foi cientificada em 30/12/2008 (fls. 337) e apresentou manifestação de inconformidade em 29/01/2009 (fls. 338/366), alegando em síntese: que as estimativas de janeiro, março, maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro e novembro que são objeto de compensação não Fl. 999DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.003727/200715 Resolução nº 1401000.353 S1C4T1 Fl. 4 3 homologada em outros processos, ainda estão pendentes de decisão do recurso e que em caso de manutenção da decisão de não homologação, a estimativa será cobrada naquele processo; que a parcela da estimativa de junho, no valor de R$ 30.353,14 não foi confirmada em virtude da dcomp 15169.67130.250505.1.3.013040 não ter sido analisada e o contribuinte não pode ser prejudicado pela inércia da administração pública. que o despacho esqueceu de considerar a compensação de 303.317,51 relativa a estimativa de outubro, por meio da dcomp 21738.41282.290104.1.3.044304, já homologada no processo 10865.000626/200431; que em relação a estimativa de outubro " o valor constante da DCOMP retificadora, e que fora admitida, encontrase equivocado tratandose, sem dúvida, de erro de fato (falha de digitação), e será objeto de pedido de revisão de débito a ser apresentado pela contribuinte nos autos do processo 10865.000627/200567 para que conste o valor efetivamente devido, ou seja, R$ 457.723,23; que, em relação a estimativa de novembro, o despacho esqueceu de considerar que R$ 202.982,09 foi compensado na DCOMP 20176.93389.270904.1.7.046978 já homologada; que o despacho simplesmente olvidou considerar que, do total de R$ 1.386.974,54 foi indicado a compensação um valor de R$ 633.141,72 através da DCOMP 40974.41247.290104.1.3.043142 que foi parcialmente homologada, conforme consta do despacho decisório prolatado nos autos do processo 10865.000626/200431; que o r. despacho simplesmente olvidou considerar que, do total de R$ 1.386.974,54 foi indicado a compensação um valor de R$ 205.563,14 através da DCOMP 21738.41282.290104.1.3.044304, que foi parcialmente homologada, conforme consta do despacho decisório prolatado nos autos do processo 10865.000626/200431; que o r. despacho novamente fez confusão quanto à existência de débitos, uma vez que, o débito indicado a compensação na referida Dcomp retificadora, no valor de R$ 500.300,46 referese a CSLL e não 1RPJ. que o despacho desconsidera o imposto pago pelo contibuinte no exterior, alegando que a documentação não foi traduzida e que junta cópias dos documentos traduzidos. A 8ª Turma da DRJ/RJ1, por unanimidade de votos, deu provimento parcial à manifestação de inconformidade da interessada, para reconhecer o direito creditório adicional no valor de R$ 1.941.867,19 e homologar as demais compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. A citada decisão foi formalizada por meio de Acórdão assim ementado, fls. 762: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 SALDO NEGATIVO IRPJ. COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVAS. Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.003727/200715 Resolução nº 1401000.353 S1C4T1 Fl. 5 4 As compensações declaradas, pendentes de decisão administrativa, não gozam dos atributos de certeza e liquidez, exigidos pelo art. 170 CTN. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Cientificada da aludida decisão em 16/03/2011, fl. 828, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 15/04/2011, fls 829 e seguintes, no qual repisa as alegações da peça impugnatória, contesta as conclusões do acórdão recorrido e, ao final, requer (verbis, grifado): […] Percebese, portanto, que a discussão acerca da quitação do imposto devido nas estimativas cingese a três pontos: As compensações efetuadas com o Saldo negativo de 2002, cujo crédito está sendo discutido no Processo 10865.000657/200310; As compensações efetuadas com pagamento indevido ou a maior das estimativas de 2003, controladas no Processo 10865.000626/200431; As compensações efetuadas com crédito de IPI ao 2º Trimestre de 2003, controladas no Processo 10865.900991/200618. Além disso, houve quitação de alguns débitos nos anos anteriores a 2010 e que não foram reconhecidas no v. acórdão. [...]Finalmente, no que se refere à parcela de julho/2003, no valor de R$ 1.393.354,46, não menciona o Acórdão que quanto à decisão da DRJ que manteve o não reconhecimento do crédito, foi interposto Recurso Voluntário com Pedido de Conversão em diligência nos autos do Processo 10865.900991/200618 (doc.33) para que a administração apure que o crédito naquele processo é legítimo e decorre do aproveitamento regular de crédito de IPI e de pagamento indevido e a maior, conforme se observa da respectiva petição de Recurso. Tecidas essas considerações, têmse, também que a análise do crédito decorrente do saldo negativo de 2003 deve ser considerada conforme o Quadro Explicativo – Anexo III. [...]Tecidas as considerações acima, verificase indispensável a conversão do julgamento em diligência para que o fisco possa realizar o trabalho de alocação dos débitos pagos e das homologações recentes, de forma a rever a composição do saldo negativo dos anos de 2001, 2002 e 2003, a fim de homologar as compensações com os créditos deles decorrentes, sob pena de não o fazendo, incorrer em enriquecimento ilícito em detrimento do contribuinte. Requer, outrossim, que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, e, ao final, seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário, uma vez que confirmados todos os créditos de saldo negativo dos anos mencionados, ficando, portanto, validado o saldo negativo do ano de 2003 que gerou o crédito discutido no presente processo. Em 05/11/2001, por meio da Resolução nº 140200.080 (fls. 951958), a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara deste CARF converteu o julgamento em diligência para os seguintes fins: Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.003727/200715 Resolução nº 1401000.353 S1C4T1 Fl. 6 5 1) reunir a este o processo 10865.000657/200310, após o julgamento em 1ª. instância, caso interposto o recurso voluntário (se não houver recurso voluntário, verificar os reflexos da decisão no presente processo); 2) reunir a este os processos 10865.900991/200618, 10865.000626/200431, 10865.000971/200475, 10865.000627/200567 (nos quais o contribuinte já interpôs recurso voluntário), também para julgamento em conjunto, ou caso já estejam julgados em segunda instância, verificar os reflexos da decisão no presente processo; 3) Proceder as verificações propugnadas pelo contribuinte nas peças recursais dos aludidos processos, conforme quadros anexos aos recursos, efetuando os procedimentos cabíveis. 4) Ao final, deverá ser lavrado relatório consubstanciado dos procedimentos executados pela unidade de origem, bem com cientificado o contribuinte para, caso deseje, manifestar no prazo de 30 dias. A autoridade competente da unidade de origem redigiu a Informação Fiscal de fls. 966967, recusandose a adotar as providências determinadas por este CARF, com base nos seguintes argumentos, verbis (grifado no original): Tratandose de processo digital, a anexação somente pode ser feita se os processos estiverem na mesma localização, atividade e sob a responsabilidade do mesmo servidor, o que impede o atendimento da juntada solicitada uma vez que nenhum dos processos citados encontrase na DRF/Limeira. Quanto à análise das razões trazidas pelo contribuinte, nota que ele próprio contribuinte alega que “no decorrer do processo a situação fática das compensações e pagamentos que ensejaram o crédito utilizado nos PerDCOMPS analisados no presento processo se alterou”, portanto não cabe à DRF/Limeira manifestarse sobre fatos ocorridos posteriormente ao seu despacho decisório, pois a diligência somente se presta a esclarecer dúvidas relativas aos fatos que foram ou deveriam ter sido analisados pelo auditor fiscal quando da emissão do despacho decisório. Considerando que o Relator originário não mais integrava este CARF, o processo foi submetido a novo sorteio. Em 10/10/2013 o processo foi sorteado ao Conselheiro Leonardo de Andrade Couto. Em 09/04/2014, por meio da Resolução nº 1402000.249, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara deste CARF, por maioria de votos, decidiu sobrestar o julgamento do presente processo, até que sejam apreciados no CARF os processos nº 10865.000657/200310, nº 10865.900991/200618, nº 10865.000626/200431, nº 10865.000971/200475 e nº 10865.000627/200567. O processo nº 10865.000626/200431 está sendo julgado por esta Turma, na presente sessão de julgamento. Conforme consultas feita ao sistema Eprocesso, em 12/11/2015, constatei que: a) o processo nº 10865.000657/200310 ainda aguarda distribuição. Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.003727/200715 Resolução nº 1401000.353 S1C4T1 Fl. 7 6 b) os processos nº 10865.900991/200618 e 10865.000627/200567 foram distribuídos ao Conselheiro Thiago Moura de Albuquerquer Alves, da 2º Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamentos deste CARF. Em 18/03/2105 o julgamento destes 2 processos foi convertido em diligência, por meio das Resoluções nº 3202000.344 e nº 3202 000.345, respectivamente. c) o processo nº 10865.000971/200475 foi excluído do sistema Eprocesso (sem indicação expressa do motivo dessa exclusão). Em 06/08/2015, por decisão da Secretaria desta 4ª Câmara (v. Despacho de Encaminhamento, fls. 973), o presente processo foi distribuído a este Conselheiro, por conexão ao processo nº 10865.000626/200431. O Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, relator anterior, permanece nesse CARF. É o relatório. Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10865.003727/200715 Resolução nº 1401000.353 S1C4T1 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Conforme relatado, o saldo negativo do IRPJ a que se refere o crédito pleiteado foi composto por diversos valores do imposto devido a título de estimativas, que teriam sido quitadas mediante compensação. Nos termos da Resolução 140200.080, prolatada pela 2ª Turma Ordinária desta 4ª Seção, o pedido aqui analisado só pode ser analisado após o julgamento, no CARF, dos diversos processos de compensação que tratam da quitação das estimativas. Por esta razão, determinouse o sobrestamento do julgamento do presente processo, até que sejam apreciados no CARF os processos nº 10865.000657/200310, nº 10865.900991/200618, nº 10865.000626/200431, nº 10865.000971/200475 e nº 10865.000627/200567. De todos estes processos, apenas o de nº 10865.000626/200431 foi julgado, nesta data, por esta Turma de Julgamento. O processo nº 10865.000657/200310 ainda aguarda distribuição. Os processos nº 10865.900991/200618 e 10865.000627/200567 aguardam julgamento pela 2º Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento deste CARF. E o processo nº 10865.000971/200475 foi excluído do sistema Eprocesso, sem indicação expressa do motivo dessa exclusão. Diante do exposto, proponho a continuidade do sobrestamento do julgamento do presente processo, até que sejam apreciados no CARF os processos nº 10865.000657/200310, nº 10865.900991/200618, nº 10865.000971/200475 e nº 10865.000627/200567. É como voto. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 6/05/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 10882.000497/2002-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/1988 a 28/02/1996
DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. CARACTERIZAÇÃO. REQUISITOS.
O dissídio jurisprudencial apto a ensejar a abertura da via recursal extrema consiste na interpretação divergente da mesma norma aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o que implica a adoção de posicionamento distinto para a mesma matéria versada em hipóteses semelhantes na configuração dos fatos embasadores da questão jurídica. A dessemelhança nas circunstâncias fáticas sobre as quais se debruçam os acórdãos paragonados impede o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência argüida.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido
Numero da decisão: 9303-004.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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CARACTERIZAÇÃO. REQUISITOS. O dissídio jurisprudencial apto a ensejar a abertura da via recursal extrema consiste na interpretação divergente da mesma norma aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o que implica a adoção de posicionamento distinto para a mesma matéria versada em hipóteses semelhantes na configuração dos fatos embasadores da questão jurídica. A dessemelhança nas circunstâncias fáticas sobre as quais se debruçam os acórdãos paragonados impede o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência argüida. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 04 97 /2 00 2- 10 Fl. 358DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Relatório Tratase de recurso especial de interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 3401 00.626, de 17 de março de 2010, fls. 308 a 312, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/01/1997 a 31/05/1997 MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Excluise a multa de ofício lançada, com fundamento no art. 106, II, c, do CTN, haja vista a modificação provocada pelo caput do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, no artigo 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001. Assunto : Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 31/01/1997 a 31/05/1997 PAGAMENTOS COMPROVADOS. UTILIZADOS PARA FINS DE REDUÇÃO DE LANÇAMENTO EM PROCEDIMENTO DE OFICIO ANTERIOR. Caracterizaria indevida duplicidade em desfavor da Fazenda Nacional o aproveitamento por parte do contribuinte de pagamentos efetuados, devidamente comprovados, porém, j á considerados para fins do lançamento em auto de infração realizado em procedimento de oficio anterior. Assunto : Normas de Administração Tributária Período de apuração: 31/01/1997 a 31/05/1997 DÉBITOS INCLUÍDOS NO REFIS. EXCLUSÃO DELES. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Refoge à competência deste Colegiado apreciar e promover pedido de exclusão de débitos supostamente incluídos no Refis. Recurso de Oficio Negado e Recurso Voluntário Negado. A controvérsia suscitada cingese à aplicação do princípio da retroatividade benéfica ao art. 18 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para fins de exclusão da multa de ofício. Em sua peça recursal, a Fazenda Pública argumenta que o sujeito passivo agiu com intuito de fraude, utilizandose de débitos em verdade inexistentes, para fins de compensação, eis que não poderia esta ser realizada com base em créditos ilíquidos e não certos, para extinção de outros débitos, inobstante asseverada a observância do rito do art. 170 A, restando, assim, a compensação indevida (inexistente), sendo correta a aplicação da multa isolada em razão do disposto na legislação que menciona. O recurso teve seguimento nos termos do Despacho nº 34001489, fls. 329. O sujeito passivo apresentou contrarrazões às fls. 338 a 347. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.000497/200210 Acórdão n.º 9303004.151 CSRFT3 Fl. 359 3 É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Compulsando os autos, constatase que a decisão recorrida laborou em face de Auto de Infração eletrônico nº 0002597, fls. 95 e 96, decorrente do processamento da DCTF do anocalendário 1997, decorrente da constatação da falta de localização de pagamento e de compensação não confirmada de débitos Cofins. O recurso de ofício não mereceu provimento porque o Colegiado a quo entendeu correta a aplicação do princípio da retroatividade benigna, exonerando a multa de oficio, feita pela decisão administrativa de primeira instância incidente sobre os valores que remanesceram também se mostrou correta. Considerou que o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, dispositivo legal que embasou a autuação, sofreu alteração substancial com a edição do art. 18 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 (convertida na Lei nº 10.833, de 2003), com a redação dada pela Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, limitandoo a uma imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas em auditoria de DCTF, decorrentes de compensação indevida, porém, aplicada unicamente nas hipóteses em que o crédito seja de terceiros; refírase ao "créditoprêmio"; refirase a título público; seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; não se refira a tributos e contribuições administrados pela SRF; ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos art. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, ratificando que em nenhuma dessas ocorrências se enquadrou o procedimento do sujeito passivo. A decisão indicada como paradigmática, Acórdão nº 20313.150, por sua vez, analisou caso de lançamento de ofício por prática de conduta dolosa e fraudulenta contra o Erário, pois realizada a compensação nos moldes do que ilicitamente requerida, para beneficiar o sujeito passivo com a expedição de Certidões Negativas a seu favor e para a realização e continuidade de suas atividades empresariais. Nesse contexto, julgou correta a aplicação da multa isolada, nos termos previstos pelo art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003. Como se vê, as decisões paragonadas laboram a partir de circunstâncias fáticas distintas: a recorrida, negou provimento ao apelo voluntário porque ausente qualquer circunstância que justificasse a manutenção da multa isolada segundo a novel redação do art. 90 da MP nº 2.15835, de 2001; A indicada como paradigma negou provimento ao recurso voluntário e manteve a aplicação da multa isolada justamente por julgar presentes circunstâncias qualificativas da infração, em compensação indevida prevista pelo art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003. Essas dessemelhanças fáticas impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial. E em se tratando de espécies Fl. 360DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reportome ao Acórdão no CSRF/010.956, de 27/11/89: “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” Com essas considerações, não conheço do recurso especial do Fazenda Nacional em razão da não comprovação da divergência jurisprudencial. Sala de sessões, em 07/06/2016 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 361DF CARF MF Impresso em 24/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 19515.721608/2011-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2009
MULTA QUALIFICADA. REQUISITOS. ASPECTO SUBJETIVO DO INFRATOR.
Diferentemente da multa de oficio de 75%, que é objetiva, decorre do tipo (lei) e é imposta com culpa ou dolo, a multa qualificada de 150% necessita da aferição do aspecto subjetivo do infrator, consistente na vontade livre e consciente, deliberada e premeditada de praticar a conduta ou de assumir o risco da sonegação.
OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS.
Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização, em inobservância da correta interpretação a ser conferida ao art. 135 do Decreto no 3.000, de 1999, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado.
JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.
A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS DE MORA POR APLICAÇÃO DE NORMA INFRALEGAL. INOCORRÊNCIA.
Somente é cabível a exclusão da imposição de penalidades e da cobrança de juros de mora na hipótese de comprovada aplicação do disposto em normas complementares às leis. A alegada observação da Instrução Normativa SRF n° 84, de 11 de outubro de 2001, não possui o condão de afastar essa imposição, porque tal normativo não trata especificamente do caso discutido nos autos e, consequentemente, não pode dar suporte à interpretação do art. 135 do RIR/99.
REP Negado e REC Negado
Numero da decisão: 9202-003.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez que davam provimento parcial ao recurso para excluir os juros sobre a multa de ofício. Por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez. No Mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento Especial da Fazenda Nacional. Realizou sustentação oral: Representante da Fazenda Nacional, Dr. Moisés de Sousa Carvalho Pereira.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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REQUISITOS. ASPECTO SUBJETIVO DO INFRATOR. Diferentemente da multa de oficio de 75%, que é objetiva, decorre do tipo (lei) e é imposta com culpa ou dolo, a multa qualificada de 150% necessita da aferição do aspecto subjetivo do infrator, consistente na vontade livre e consciente, deliberada e premeditada de praticar a conduta ou de assumir o risco da sonegação. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização, em inobservância da correta interpretação a ser conferida ao art. 135 do Decreto no 3.000, de 1999, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. EXCLUSÃO DE MULTA E JUROS DE MORA POR APLICAÇÃO DE NORMA INFRALEGAL. INOCORRÊNCIA. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 16 08 /2 01 1- 61 Fl. 879DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Somente é cabível a exclusão da imposição de penalidades e da cobrança de juros de mora na hipótese de comprovada aplicação do disposto em normas complementares às leis. A alegada observação da Instrução Normativa SRF n° 84, de 11 de outubro de 2001, não possui o condão de afastar essa imposição, porque tal normativo não trata especificamente do caso discutido nos autos e, consequentemente, não pode dar suporte à interpretação do art. 135 do RIR/99. REP Negado e REC Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Vencidos os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez que davam provimento parcial ao recurso para excluir os juros sobre a multa de ofício. Por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez. No Mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento Especial da Fazenda Nacional. Realizou sustentação oral: Representante da Fazenda Nacional, Dr. Moisés de Sousa Carvalho Pereira. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Fl. 880DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.721608/201161 Acórdão n.º 9202003.764 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração referente a crédito tributário do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física – IRPF, apurado em relação à omissão de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa, relativa aos anoscalendário 2006 e 2009, em face do contribuinte JOSÉ OCTÁVIO MENDES VITA, no montante de R$ 5.097.268,67 (cinco milhões, noventa e sete mil, duzentos e sessenta e oito reais e sessenta e sete centavos),sendo R$ 1.816.138,87, referentes ao imposto, R$ 2.724.208,30, à multa de ofício, e R$556.921,50, aos juros de mora (calculados até 31/10/2011). De acordo com o termo de verificação fiscal (fls. 343 a 362), a fiscalização teve como objeto a análise da operação de alienação das ações do Banco Pactual S/A, CNPJ n° 30.306.294/000145, de propriedade do sócio JOSÉ OCTÁVIO MENDES VITA, precedida por reorganização societária ocorrida entre sociedades holdings, que detinham todas as ações do Banco Pactual. Assim, descreveu o Auditor: Em dezembro de 2006, após um complexo processo de reorganização societária, o contribuinte alienou à empresa UBS Brasil Participações Ltda a participação que possuía no Banco Pactual, representada por 19.846.361 (dezenove milhões, oitocentas e quarenta e seis mil, trezentas e sessenta e uma) ações ordinárias. Tal alienação resultou na apuração de um ganho de capital no valor aproximado de R$ 57,81 milhões e de um imposto de renda pessoa física da ordem de R$8,50 milhões, sendo R$ 3,37 milhões no ano de 2006 e R$ 5,13 milhões em 2009 (uma vez que parte do valor da venda foi recebida apenas nessa data, diferindose, assim, sua tributação). Afirma a autoridade lançadora que, antes de concluir a venda de sua participação no Banco Pactual S/A à UBS Brasil Participações Ltda, o contribuinte elevou indevidamente o custo de aquisição dessa participação, utilizandose de sofisticados artifícios contábeis, engendrados através de diversos negócios societários, que, resumidamente, consistiram na elevação do capital em empresas investidoras, via equivalência patrimonial com as empresas investidas e a quase simultânea extinção das holdings que detinham participação societária no Banco Pactual, por meio de sucessivas incorporações reversas, culminando com a alienação das ações do Banco diretamente pelos acionistas pessoas físicas da instituição. Com isto, o contribuinte inflou artificialmente o custo das ações que pretendia vender, com o propósito de reduzir o montante de seu ganho de capital e conseqüentemente o valor do IR incidente sobre essa alienação. De acordo ainda com o Termo de Verificação Fiscal, através dessa manobra, o contribuinte promoveu, em 2006, um aumento do custo de aquisição de sua participação no Banco Pactual de incríveis 269,16%, enquanto que, no mesmo período, o patrimônio líquido do Banco experimentou um aumento de 84,45%. Fl. 881DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Conclui, então, o fiscal autuante que a análise em conjunto de todas as operações que antecederam a alienação das ações representativas do capital social do Banco Pactual, realizadas entre o grupo Pactual e o contribuinte, evidenciam que este incorreu na prática de ato simulado, ao inflar artificialmente o custo de aquisição das ações, com capitalização cumulativa de valores derivados dos lucros apurados por equivalência patrimonial, nas operações de incorporações inversas, com o propósito de lesar terceiros, no caso a Fazenda Nacional, configurandose a hipótese de incidência prevista no inciso I, do parágrafo primeiro, do art. 167 do Código Civil, combinado com seu parágrafo 2º. Assim, para efeito da correta apuração do ganho de capital ocorrido na alienação da participação societária que o Contribuinte possuía no Banco Pactual S/A, foi expurgado, para fins de cálculo de seu efetivo custo de aquisição, o efeito produzido pelas capitalizações de lucros e/ou reservas nas empresas Nova Pactual Participações e Pactual Holdings, ocorridas em 13/10/2006, nos respectivos valores de R$ 686 milhões e de R$ 202,5 milhões, uma vez que, como acima evidenciado, esse efeito foi utilizado em duplicidade e está embutido na capitalização de lucros da Pactual S/A, realizada em 03/11/2006, no valor de R$996.087.876,00. Expurgandose o acréscimo promovido pelo Contribuinte no custo de aquisição de suas ações, em razão capitalização da empresa Nova Pactual Participações, no valor de R$ 15.350.501,00, foi apurado o valor correto do custo de aquisição das ações alienadas, que somou R$ 29.610.909,82 (R$ 44.961.410,82 R$ 15.350.501,00). A fiscalização ainda entende que a estrutura de holdings adotada pelo Grupo Pactual, bem como a reestruturação societária prévia à alienação do Banco Pactual foi efetuada de forma irregular e artificial com o intuito exclusivo de pagamento a menor de tributo e com fulcro nessa argumentação aplica multa qualificada. Em decorrência do procedimento adotado pelo recorrente, o aumento de capital da pessoa jurídica incorporada com os lucros de equivalência patrimonial auferidos no exercício em que ocorreu a incorporação (sem que estes restassem capitalizados ao fim do processo de reorganização societária) possuiria a finalidade de inflar os lucros isentos. Com isso, o benefício fiscal de isenção seria, indevidamente, maior do que o de possível fruição. Foi proferida decisão pela 16ª Turma de Julgamento da DRJ de São Paulo, fls. 529 a 559, que manteve a autuação do IRPF nos anos calendários 2006 e 2009. Inconformado o recorrente apresentou recurso voluntário, abaixo transcrito (é incluída transcrição de parte do acordão recorrido): A autuação considerou dispositivos genéricos na sua fundamentação que não guardam relação direta com a matéria autuada. Não há no Auto de Infração comprovação do dispositivo legal que fora violado. A então estrutura societária do Grupo Pactual com a presença de 02 holdings era factível e interessava de forma imprescindível à gestão do Grupo, pois garante que o poder de decisão seja alocado de forma coerente, observando as regras civis e societárias vigentes, bem como permite que a distribuição de Fl. 882DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.721608/201161 Acórdão n.º 9202003.764 CSRFT2 Fl. 4 5 resultados seja efetuada de acordo com a participação de cada acionista para alcançar o resultado. Ou melhor, aqueles acionistas que mais contribuíram recebem mais do que aqueles que menos contribuíram, prezando pelo caráter meritório da distribuição de resultados. Logo, a estruturação do Grupo Pactual em holdings não tem o intuito de evitar ou reduzir o pagamento de tributos. A reestruturação societária prévia à alienação do Banco Pactual foi necessária em razão de exigência do comprador que tinha como alvo a empresa operacional do Grupo Pactual, ou seja, o Banco Pactual. Portanto, a reestruturação goza de propósito negocial e econômico e foi efetuada da forma mais célere e menos burocrática com vistas que o negócio fosse concretizado em um curto espaço de tempo. A conduta do Contribuinte pautouse na aplicação da legislação tributária em vigor que autoriza o aumento do custo de aquisição do investimento em face à capitalização de lucros e /ou reservas de lucros. A aplicação da multa qualificada deve ser desconsiderada por restar demonstrado durante a fiscalização que a intenção do Contribuinte não foi a redução do pagamento de tributo de forma artificial e ilícita. O Contribuinte não se valeu de fraude, abuso de direito ou simulação em sua conduta. Em antecipação defende que não devem incidir juros de mora sobre a multa de ofício por se tratar de uma majoração indevida da penalidade já aplicada. Em sessão plenária de 22/01/2015, foi concedido provimento parcial ao recurso voluntário para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, prolatandose o Acórdão nº 2201002.638 (fls. 653 a 667), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2006, 2009 OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítida inobservância da primazia da essência sobre a forma, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado. MULTA QUALIFICADA. INOCORRÊNCIA A existência de correntes doutrinárias divergentes, além de precedentes jurisprudenciais favoráveis ao negócio jurídico praticado pelo contribuinte, demonstra, na verdade, uma hipótese de erro de proibição. Não há como ser reconhecido o Fl. 883DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 dolo necessário à qualificação da multa, quando se percebe dos autos a convicção do recorrente no sentido de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. O processo foi encaminhado à PGFN em 30/05/2014 (Despacho de Encaminhamento de fls. 671). Em 08/04/2015, foi interposto o Recurso Especial de fls. 672 a 689, com fundamento no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Ao Recurso Especial foi dado seguimento para rediscutir a desqualificação da multa de ofício, conforme o Despacho fls. 830 a 833, abaixo transcrito: O apelo da Fazenda Nacional, que tem como fundamento os artigos 67 e 68, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, visa rediscutir a desqualificação da multa de ofício. Como paradigmas, foram indicados os Acórdãos nºs 1301001.220 e 1101.000.913. Relativamente ao primeiro paradigma – Acórdão nº 1301 001.220 – a Fazenda Nacional efetuou o seguinte cotejo: Acórdão recorrido Ementa “A existência de correntes doutrinárias divergentes, além de precedentes jurisprudenciais favoráveis ao negócio jurídico praticado pelo contribuinte, demonstra, na verdade, uma hipótese de erro de proibição. Não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, quando se percebe dos autos a convicção do recorrente no sentido de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios.” Paradigma – Acórdão nº 1301001.220 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA –IRPJ Exercício: 2008, 2009, 2010 Ementa: LANÇAMENTO DE OFÍCIO. BASE DE CÁLCULO. RECOMPOSIÇÃO. NECESSIDADE. No lançamento de ofício do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro devese levar em conta o valor apurado pelo de contribuinte, de modo que a eventual existência de resultados negativos (prejuízo fiscal ou base negativa) deve ser considerada na determinação do saldo a tributar MULTA. QUALIFICAÇÃO. PROCEDÊNCIA. Se os fatos retratados nos autos deixam foram de dúvida a intenção do contribuinte de, por meio de atos societários diversos, desprovidos de substância econômica e propósito negocial, reduzir a base de incidência de tributos, descabe afastar a qualificação da penalidade promovida pela autoridade autuante. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. SUBSTÂNCIA ECONÔMICA E PROPÓSITO NEGOCIAL. AUSÊNCIA. Fl. 884DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.721608/201161 Acórdão n.º 9202003.764 CSRFT2 Fl. 5 7 Se os elementos colacionados aos autos indicam que a despesa de ágio apropriada no resultado fiscal derivou de operações que, desprovidas de substância econômica e propósito negocial, objetivaram, tãosomente, a redução das bases de incidência das exações devidas, há de se restabelecêlas, promovendose a glosa dos referidos dispêndios. MULTA DE OFÍCIO. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.”(Destaques da Fazenda Nacional) Voto “Relativamente à qualificação da multa, diversamente do esposado na decisão de primeiro grau, penso que ela deve ser mantida. A autuação, no presente caso, fundouse na constatação e comprovação de que a reestruturação elaborada pela fiscalizada visou, apenas, alcançar um benefício fiscal previsto em lei. Para tanto, em curtíssimo espaço de tempo, não obstante declinar formalmente razões de ordem societária ou econômica, constituiu uma HOLDING; transformouse em subsidiária integral da HOLDING criada, vez que esta incorporou suas ações pelo valor de mercado; e, passo seguinte, fez desaparecer a HOLDING criada para, por meio de uma incorporação reversa, deduzir um suposto “ágio”, derivado de uma alegada rentabilidade futura dos seus ativos. Diante dos fatos retratados, não me parece restar dúvida de que a fiscalizada agiu, intencionalmente (dolosamente), no sentido de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, das suas condições pessoais, afetando, assim, as obrigações tributárias principais. No caso vertente, a meu ver, a qualificação é ínsita à própria infração imputada, isto é, se existente essa, não há como deixar de admitir a exasperação da penalidade, vez que a irregularidade apontada encontra seu maior suporte no artificialismo da reorganização societária empreendida.” (Destaques da Fazenda Nacional) O cotejo dos trechos acima permite constatar a existência do alegado dissídio jurisprudencial, no que tange ao critério de aplicação da multa qualificada. Com efeito, as situações são análogas, já que em ambas se verifica artificialismo nas operações levadas a cabo pelos autuados, o que resultou em redução de imposto. Ocorre que, no caso do acórdão recorrido, mesmo reconhecendose tal artificialismo, considerouse incabível a majoração da multa de ofício, sem que se perquirisse acerca da vontade livre e consciente do Contribuinte, no sentido de sonegar tributo. Já no caso do paradigma, ao contrário, a qualificação foi considerada como ínsita à própria infração imputada, considerandose o artificialismo como o maior suporte para a sua manutenção. Em seu apelo, a Fazenda Nacional alegou, em síntese, que: Fl. 885DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 · era preciso salientar que a multa qualificada, após as alterações promovidas pela Lei nº 11.488/2007, estava prevista no art. 44, § 1º da Lei 9.430/97, e seria aplicada nas hipóteses descritas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64; · no presente feito, diante dos fatos apresentados, que geraram a manutenção do lançamento se percebia que os atos praticados pelo contribuinte teriam como propósito aumentar irregularmente o custo de aquisição das ações do BANCO PACTUAL S.A. Com isso, ele pretendia reduzir a tributação do ganho de capital quando fosse finalizada a venda do Banco para a UBS AG; · efetivamente houvera a prática de sonegação por parte do recorrente que, por meio de operações realizadas em sequência, omitira receitas passíveis de tributação. A fraude também estaria caracterizada, pois a forma conferida ao negócio teria, ainda, o objetivo de modificar as características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante do tributo devido. Por essas razões, seria aplicável a majoração prevista no art. 44 da Lei 9.430/96; · não havia que se falar em equívoco na interpretação da norma. O art. 135 do RIR de maneira alguma permitiria que um mesmo lucro fosse utilizado em mais de uma capitalização de empresas do grupo e ainda fosse distribuído aos sócios, como ocorreu na hipótese dos autos; · para caracterizar a irregularidade do efeito fiscal pretendido pela parte, cumpriria repetir que o custo de aquisição do Banco Pactual foi aumentado em incríveis 236,84%, sendo que o patrimônio líquido do investimento experimentou, no mesmo período, um aumento de 89%. Sem esquecer da distribuição dos dividendos realizada em 2007, com base nos mesmo lucros gerados em 2006; · não existindo a riqueza respectiva, o aumento seria artificial, de forma fraudulenta, apenas visando à minoração da tributação do ganho de capital auferido quando da alienação do Banco Pactual. Portanto, restaria clara aplicabilidade da multa qualificada imposta pela Fiscalização, tendo em vista o inequívoco intuito de sonegação e fraude; · nos termos da fundamentação supra, o recurso fosse conhecido e provido para reformar parcialmente o acórdão atacado, restabelecendo a qualificação da multa de ofício, conforme decidido pela DRJ. Foram apresentadas contrarrazões, fls. 698 a 715, nas quais o contribuinte argumenta pelo não conhecimento do recurso especial, destacando, em síntese, que: · os fatos objeto do acórdão recorrido e os fatos analisados no acórdão paradigma não guardariam qualquer relação. Não seriam idênticos, semelhantes nem, minimamente, próximos ou correlacionáveis; · não só os acórdãos tratariam de fatos completamente distintos (ganho de capital de pessoa física versus amortização de ágio por pessoa jurídica), como o acordão recorrido afastaria a existência de qualquer artificialismo na reestruturação, o contrário do acordão paradigma, que considerou desprovido de substância econômica e propósito negocial os diversos atos societários praticados para fins de aproveitamento fiscal do ágio. Não havia, portanto, interpretação Fl. 886DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.721608/201161 Acórdão n.º 9202003.764 CSRFT2 Fl. 6 9 divergente da legislação tributária federal, mas, sim, duas análises distintas, de matérias completamente diferentes, porque baseadas em fatos diversos; · os acórdãos confrontados não apresentariam nenhuma proximidade fática. Pressupor que essa identidade fosse possível pelo simples fato de haver, nas duas situações, operações realizadas em sequência, ou mesmo, uma reestruturação societária, fugiria à finalidade do processo administrativo fiscal, que exigiria o confronto de interpretações legais discrepantes sobre a mesma matéria; · outro fato que distinguiria as operações analisadas nos dois acórdãos seria a necessidade das holdings nas respectivas estruturas societárias. Essas holdings seriam necessárias à organização do grupo pactual por mais de uma década e só foram eliminadas por ocasião da venda do banco à UBS, a fim de atender às condições do negócio contratado; distintamente, no acordão paradigma, a holding fora criada no contexto da reestruturação apenas para permitir o aproveitamento do ágio gerado dentro de um mesmo grupo econômico; · diversamente do que afirma o despacho, o acordão recorrido analisara todos os atos que compuseram a reestruturação e reconhecera expressamente a legitimidade dos atos jurídicos praticados pelos acionistas para alienar as suas ações do banco, isoladamente e em conjunto, assim como a inexistência de fraude, simulação e dolo; · no acordão paradigma, ao contrário, ainda que isoladamente válidos os atos jurídicos praticados, os elementos fáticos permitiriam aos julgadores concluir que o contribuinte teria deliberadamente realizado operações desprovidas de substância econômica e propósito negocial como único objetivo de reduzir sua carga tributária, ou seja, as operações eram válidas apenas em seu aspecto formal; · o dolo devia ser apreciado diante de um caso concreto, decorrendo do trabalho de valoração pelos julgadores do caso, da prova e dos atos praticados. A aplicação de multa qualificada pressuporia o evidente intuito de fraude, que não podia ser extraído com base na análise de fatos diversos, presentes em acordão que não guardaria a menor semelhança com o acordão recorrido. O Resp não se prestaria ao reexame de provas, nem a sua revaloração jurídica para fins de determinação da justiça da decisão. Seria reservada à CSRF a competência apenas para dirimir divergências de interpretação legal; · a reestruturação teria produzido efeitos favoráveis ao recorrido, mas nem por isso ele teria a obrigação de concluir estar agindo em desacordo com a lei. Desde a impugnação, o recorrente vem tentando apontar diversas situações semelhantes à da reestruturação adotado pelo Pactual, em que a capitalização de ganhos da MEP gera distorções econômicas. A legislação nem sempre contempla todas as situações, sendo que suas lacunas ora beneficiam o fisco, ora os contribuintes; Fl. 887DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 · conforme descrito no acordão recorrido, após analisar os atos da reestruturação, concluíra inexistir fraude e simulação, e a multa teria sido qualificada apenas pelo dolo. Sendo assim, exigiase a prova da intenção ou do concurso deliberado ou premeditado de sonegar ou assumir o risco consciente da conduta dolosa. Não sendo comprovada a vontade livre, consciente e premeditada do recorrido de sonegar, a multa não podia ser mantida. Devidamente cientificado da decisão proferida, o contribuinte interpôs Recurso Especial, fls. 718 a 728. De acordo com o recorrente, o Acórdão teria divergido em relação à forma de apuração do custo de aquisição a ser considerado no cálculo do ganho de capital na operação de alienação da participação societária no Banco Pactual S/A, comparativamente ao decidido no Acórdão CARF nº 210201.938, prolatado pela 2a. Turma Ordinária da 1a Câmara da 2a Seção, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário:2006 IRPF. GANHO DE CAPITAL. INEXISTÊNCIA DE SIMULAÇÃO. Há um consenso entre a Doutrina e a Jurisprudência quanto ao fato de que são considerados simulados os atos realizados pelas partes quando a intenção delas não corresponde àquela expressa pelos atos efetivamente realizados (ou exteriorizados). Por outro lado, quando os atos praticados revelam exatamente a intenção das partes, não há que se falar em simulação. IRPF. GANHO DE CAPITAL NA VENDA DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. APURAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. INCORPORAÇÃO REVERSA. CAPITALIZAÇÃO DOS LUCROS. APLICAÇÃO DO ART. 135 DO RIR/99. O art. 135 do RIR/99 prevê expressamente que “no caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista”. A lei não prevê qualquer exceção à aplicação da norma, de forma que, para afastála, deverá ser demonstrada pela fiscalização a sua inaplicabilidade ao caso concreto. Diante da falta de tal demonstração, não pode prevalecer o lançamento. Por sua vez, em relação aos juros sobre multa de ofício, foram apresentados os paradigmas: Acórdãos CSRF 0203.133 e 180200.981. Acórdão paradigma CSRF 0203.133 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Período de apuração: 01/03/1999 a 31/12/2003 Fl. 888DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.721608/201161 Acórdão n.º 9202003.764 CSRFT2 Fl. 7 11 COFINS. DECADÊNCIA. Nos casos de lançamento por homologação em que há a antecipação do pagamento, aplicase o artigo 150 §4° do CTN, contandose o prazo de 5 anos da ocorrência do fato gerador. NORMAS PROCESSUAIS. Em respeito ao principio da economia processual, se determinada questão é afeta diretamente ao processo administrativo fiscal em curso, deve ser conhecida e enfrentada de pronto. Desnecessário se aguardar outro momento futuro para fazêlo. ATUALIZAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. FATOS GERADORES A PARTIR DE 1°/01/97. Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de oficio aplicada. Recurso Especial do Contribuinte Provido.” (destaques do Recorrente) O recurso especial foi regularmente admitido, em relação às duas matérias suscitadas: (a) forma de apuração do custo de aquisição a ser considerado no cálculo do ganho de capital e (b) juros de mora sobre a multa de ofício, conforme despacho de fls. 834 a 838. No que concerne às alegações de mérito no Recurso Especial, o Contribuinte repisa os argumentos apresentados em seu recurso voluntário, porém ressalta que, pelas autuações, não haveria divergência pela fiscalização quanto ao fato de o custo dos investimentos dos acionistas não poder ser realizado como feito. Destaca que a forma da quantificação do ganho de capital tem variado de uma fiscalização para outra, mostrando a precariedade dos argumentos utilizados pela RFB ao promover os lançamentos. Essa diversidade de critérios na quantificação do ganho de capital dos acionistas evidenciaria que o lançamento se baseou exclusivamente no efeito econômico gerado pela reestruturação, e não na lei, violando o princípio da legalidade Por fim, requer que fosse reformado o Acórdão Recorrido e cancelado o auto de infração. Subsidiariamente, requer que fossem canceladas as multas e juros de mora, com base no art. 100, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a observância plena, pelo recorrente, da Instrução Normativa SRF 84/2001. Relativamente ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte, a Fazenda Nacional ofereceu contrarrazões, fls. 840 a 860, nas quais requer a negativa de provimento ao recurso. É o relatório. Fl. 889DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL MULTA QUALIFICADA Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, razão pela qual passo a apreciação dos demais pressupostos. Em relação ao conhecimento, entendo que o recurso atende ao pressuposto de similitude fática entre o acórdão recorrido e o paradigma. Desse modo, não assiste razão ao contribuinte em suas contrarrazões. A base de toda a argumentação do contribuinte é de que só seria cabível o conhecimento se os fatos ocorridos nos dois lançamentos (recorrido e paradigma) fossem idênticos e que não competiria à CSRF a reapreciação de provas. Concordo que compete ao recorrente, no caso a Fazenda Nacional, demonstrar que as decisões proferidas pelos colegiados distintos poderiam ter outro fim, casos invertidos os processos. A lógica do recurso especial é justamente essa: demonstrar a possibilidade de outro colegiado, em relação ao mesmo processo, julgar de modo diverso. Por isso, concordo com a Presidente da 2ª Câmara desta Seção, a Dra. Maria Helena Cotta Cardozo, e voto pelo conhecimento do recurso. No caso, o paradigma colacionado pela PFN permite concluir que o colegiado entendeu que as sucessivas operações no intuito de diminuir o valor a ser pago de IRPF carregariam em seu bojo o caráter doloso, razão pela qual seria aplicável a qualificação da multa. Vejamos o trecho do despacho que deu seguimento ao Recurso Especial da Fazanda, fls. 830: O cotejo dos trechos acima permite constatar a existência do alegado dissídio jurisprudencial, no que tange ao critério de aplicação da multa qualificada. Com efeito, as situações são análogas, já que em ambas se verifica artificialismo nas operações levadas a cabo pelos autuados, o que resultou em redução de imposto. Ocorre que, no caso do acórdão recorrido, mesmo reconhecendose tal artificialismo, considerouse incabível a majoração da multa de ofício, sem que se perquirisse acerca da vontade livre e consciente do Contribuinte, no sentido de sonegar tributo. Já no caso do paradigma, ao contrário, a qualificação foi considerada como ínsita à própria infração imputada, considerandose o artificialismo como o maior suporte para a sua manutenção. Por outro lado, é necessária a seguinte reflexão: qual foi o entendimento adotado pelo colegiado, no presente caso, para desqualificar a multa aplicada? Sem adiantar o mérito, podese resumir no fato de a realização de uma operação sucessiva de incorporação, que resultou na redução da base de cálculo de IRPF, por si só, não pressupor o caráter doloso. Se invertêssemos os colegiados, em relação aos dois processos, poderia haver tanto decisões favoráveis como desfavoráveis ao contribuinte. Não entendo com isso, que caberia a apreciação de provas para a admissibilidade do recurso, mas, caso admitido, restaria verificar se a tese de que a mera capitalização de lucros seguida de incorporação reversa seria suficiente para manutenção da qualificação. Fl. 890DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.721608/201161 Acórdão n.º 9202003.764 CSRFT2 Fl. 8 13 Acredito que, ao se falar em similitude fática, não se está afirmando que os casos devem ser idênticos. Se assim o fosse, seria enormemente restrita a possibilidade de recursos, alcançando o ponto que só se daria seguimento a recursos de mesmas empresas, sob o mesmo procedimento fiscal, mas julgados por colegiados distintos – o que, digase, o disposto no art. 6º do RICARF, aprovado pela portaria 343, de 9 de junho de 2015, pressupõe evitar. Entendo que a similitude se refere à interpretação distinta sobre a mesma legislação em relação a fatos em que os lançamentos fiscais alcançaram a mesma conclusão. Tanto no acórdão recorrido, quanto no paradigma, o suporte analisado foi o mesmo: um conjunto de operações societárias visando a economia de imposto, ensejaria ou não a qualificação da multa. Ambos os auditores fiscais, nos diferentes lançamentos, entenderam que sim, contudo os colegiados tiveram interpretações do art. 44, §1º, diversas no concernente à caracterização do dolo, fraude ou simulação. No caso do acórdão recorrido, tratase de IRRF apenas porque o ganho de capital foi apurado na pessoa física. Entretanto, todas as discussões e peças processuais giram em torno de operações e rearranjos societários. Nesse passo, recorrida e paradigma tratam de planejamento tributário envolvendo a criação de holdings e incorporações, inclusive reversas, ambos visando alcançar economia de imposto. No caso do recorrido, tais operações incluindo o artificialismo das incorporações, não foram suficientes para caracterizar dolo. Já no caso do paradigma, o dolo seria ínsito ao próprio artificialismo das operações. Assim, ao contrário da alegação do contribuinte, concordo com o despacho que conferiu seguimento ao Resp. da Fazenda. Do mérito quanto a qualificação da multa Superada a etapa de conhecimento do recurso, vejamos se, com os argumentos apresentados pelo ilustre procurador, seríamos capazes de aplicar ao acordão recorrido resultado diverso do proferido. Alegouse que os atos praticados pelo contribuinte tiveram como propósito aumentar irregularmente o custo de aquisição das ações do BANCO PACTUAL S.A. Com isso, ele pretendia reduzir a tributação do ganho de capital no momento de encerramento da venda do Banco para a UBS AG. A base dessa argumentação realmente é verdadeira, ou seja, os fatos apresentados geraram a manutenção do lançamento, bem como ficou demonstrado que atos praticados ensejaram o aumento irregular do custo de aquisição das ações do BANCO PACTUAL S.A, diminuindo a base de cálculo final do IRPF. Contudo, não entendo que este fato, por si só enseja os elementos caracterizadores do dolo, fraude ou simulação. A norma legal que determina a aplicação da multa de ofício aplicável nos casos em que restar evidenciado o intuito de fraude é o artigo 44, I, §1°, da Lei 9.430/96, transcrito abaixo: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei no 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei no 11.488, 2007) Fl. 891DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 14 (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei no 11.488, de 2007) Já os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502, de 30 de novembro de 1964, assim definem: Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Como se percebe, nos casos de lançamento de ofício, a regra é aplicar a multa de 75%, estabelecida no inciso I do artigo acima transcrito. Excepciona a regra a comprovação do intuito fraudulento, a qual acarreta a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º , do artigo 44, da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação dada Lei nº 11.488, de 15/06/2007. A fraude fiscal pode se dar em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, um propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Nesses casos, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à Fazenda Pública, onde se utilizando subterfúgios escamoteiam a ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. É nesse ponto, que não concordo como o posicionamento adotado pela Fazenda Nacional em seu recurso. No presente caso, embora concorde ser equivocada a leitura feita pelo contribuinte acerca do art. 135 do RIR, não consigo identificar a intenção dolosa de ocultar, mesmo que considerássemos que a intenção final fosse a diminuição do imposto a ser pago. O procedimento adotado pelo contribuinte deuse de forma aberta, inclusive com a prestação dos esclarecimentos solicitados pela autoridade fiscal . Dessa forma, nego provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, quanto a multa qualificada. RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO PELO CONTRIBUINTE Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pelo contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 834 a 838. Não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento, concordo com os termos do despacho proferido e passo ao mérito da questão. Fl. 892DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.721608/201161 Acórdão n.º 9202003.764 CSRFT2 Fl. 9 15 Do mérito I Interpretação da legislação aplicável ao caso de capitalização de lucros de uma pessoa jurídica, bem como a forma de apuração do custo de aquisição a ser considerado no cálculo do ganho de capital, relativamente à operação de alienação da participação societária do Contribuinte no Banco Pactual S/A a empresa do Grupo UBS. Considerando os diversos fatos narrados pela autoridade fiscal, a vasta argumentação trazida tanto pelo recorrente como pela procuradoria da Fazenda Nacional, podemos identificar que não se trata de matéria simples, exigindose estudo detalhado. Embora a referida matéria seja complexa, já foi objeto de debates intensos neste Colegiado, com sustentações das partes e discussões que muito corroboraram a decisão já proclamada em outros processos, envolvendo fatos semelhantes. É neste ponto que peço licença ao ilustre conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, relator do Processo 12448.736152/201135, Acórdão nº 9202003.700, julgado em 27 de janeiro de 2016, para adotar seu voto como fundamento para o presente julgamento. Considero que o relator conseguiu brilhantemente demonstrar, no trecho abaixo transcrito – que adoto como razão para decidir –, a interpretação adequada do art. 135 do RIR, que vai no sentido contrário ao defendido pelo contribuinte, ora recorrente. "O cerne da questão é identificar se a legislação aplicável no caso de capitalização de lucros de uma pessoa jurídica, no tocante à atualização do custo de aquisição das participações societárias mantidas pelos proprietários dessa pessoa jurídica, bem como a Pela complexidade do tema, dividirei meu voto em quatro partes, a saber: (a.I) a delimitação do problema a ser enfrentado, (a.II) a interpretação correta da legislação aplicável, (a.III) a aplicação da legislação ao caso dos autos e (a.IV) conclusão. a.I – Delimitação do Problema Vejamos aqui o dispositivo central da discussão: o parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro 1995, base legal do art. 135 do Decreto n° 3.000, de 1999, expressamente referido no auto de infração, in verbis: Art. 10. ... Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Com base nesse dispositivo, o aumento de capital, realizado por uma pessoa jurídica, por incorporação de lucros, implica o aumento proporcional do custo de aquisição da participação societária de seus proprietários. Para exemplificar essa determinação, considere uma participação societária correspondente a 100% do capital de uma pessoa jurídica (detida por dois sócios, pessoas físicas), adquirida por R$ 1.000,00. Considere, também, que essa pessoa jurídica, em seguida, tenha auferido um lucro de R$ 100,00 e o tenha capitalizado. Considere, por fim, que os sócios tenham alienado essa participação societária a terceiros por R$ 1.500,00. Nesse caso, em que pese os sócios terem adquirido a participação societária por R$ 1.000,00 e, posteriormente, a alienado por R$ 1.500,00, o ganho de capital apurado não seria de R$ 500,00, mas apenas de R$ 400,00. Isso porque os lucros de Fl. 893DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 16 R$ 100,00, capitalizados, têm o condão de aumentar o custo de aquisição da participação societária e, consequentemente, de diminuir o ganho de capital. Dessa forma, de uma maneira simples e apressada, poderseia concluir que qualquer capitalização de lucros implicaria um aumento do custo da correspondente participação societária. Ocorre que essa interpretação, no entender deste conselheiro, é literal e, considerando exclusivamente o parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, gera incoerências no sistema jurídico e disfuncionalidades na tributação de operações. Para ilustrar a questão, vejamos uma situação, em tudo semelhante à anterior, porém em que os sócios tenham decidido criar uma holding controladora da pessoa jurídica operacional, que por sua vez, passaria a ser subsidiária integral da holding. Nesse caso: inicialmente, teríamos os sócios, como proprietários da Holding, e esta reconhecendo em seu ativo uma participação societária na pessoa jurídica operacional, avaliada em R$ 1.000,00 por equivalência patrimonial; em seguida, com a pessoa jurídica operacional auferindo lucros de R$ 100,00, a Holding (por equivalência patrimonial) iria refletir esse lucro no valor de sua participação societária, o que resultaria no reconhecimento de lucros, também no valor de R$ 100,00; prosseguindo, a holding capitalizaria o lucro por ela reconhecido por equivalência patrimonial e, consequentemente, os proprietários atualizariam o valor da participação societária, para R$ 1.100,00; em momento posterior, a pessoa jurídica operacional incorporaria a holding, mantendo porém os lucros, de R$ 100,00, em seu patrimônio líquido e, somente então, capitalizaria esses lucros, permitindo que os proprietários atualizassem, mais uma vez, o valor da participação societária, agora para R$ 1.200,00; por fim, com os proprietários alienando sua participação societária por R$ 1.500,00, seria apurado um ganho de capital de apenas R$ 300,00. Repare que, em que pese os sócios terem adquirido a participação societária por R$ 1.000,00 e, posteriormente, alienado essa participação societária por R$ 1.500,00, o ganho de capital apurado não foi de R$ 500,00, nem de R$ 400,00, mas de apenas R$ 300,00. Isso ocorreu porque os lucros de R$ 100,00, reconhecidos na Holding por equivalência patrimonial foram capitalizados, aumentando o custo de aquisição da participação societária e, posteriormente, os mesmos lucros de R$ 100,00, auferidos pela pessoa jurídica operacional, em função de suas atividades, também foram capitalizados, aumentando mais uma vez o custo de aquisição da participação societária. Consequentemente, vemos aqui o ganho de capital reduzido duas vezes. Ora, essa situação é – em essência – igual à anterior: (a) uma participação societária adquirida por mil reais, (b) a correspondente empresa – operacional – que aufere 100 reais de lucro e (c) a venda dessa participação societária por mil e 500 reais. Mas apenas pela interposição de uma holding na estrutura societária do grupo econômico, o ganho de capital ficaria reduzido. E o pior, se – ao invés de uma holding – existissem duas ou mais, o ganho de capital seria mais reduzido ainda. Portanto, essa aplicação direta do parágrafo único a qualquer incorporação de lucros leva à incoerente conclusão de que, em se existindo várias holdings interpostas entre os proprietários e a pessoa jurídica, o ganho de capital pode ficar artificialmente reduzido, até a zero ou ainda a valores negativos. E adicionalmente, com essa interpretação, a capitalização de lucros apenas nas Holdings, além de permitir que o ganho de capital fosse reduzido, permitiria que o lucro registrado na pessoa jurídica fosse, posteriormente, distribuído isento, aos proprietários ou então aos futuros adquirentes. Fl. 894DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.721608/201161 Acórdão n.º 9202003.764 CSRFT2 Fl. 10 17 O que se discute aqui é o efeito da aplicação da legislação tributária em situações como essa, de capitalização de lucros em uma pessoa jurídica que detenha participação em outras pessoas jurídicas, para fins de cálculo do custo das ações ou cotas dessa primeira pessoa jurídica. Delimitados os problemas a serem enfrentados, passo agora à análise da legislação de regência. a.II Interpretação da Legislação Com efeito, a capitalização de lucros nada mais é do que uma operação que substitui o seguinte procedimento: (i) a distribuição do lucro, pela pessoa jurídica a seus proprietários, (ii) o imediato aumento de capital da pessoa jurídica, no valor do lucro distribuído e (iii) a subscrição e integralização do aumento de capital, por esses mesmos proprietários, com os recursos antes recebidos a título de distribuição de lucro. Por outro lado, o método da equivalência patrimonial tem por objetivo refletir no patrimônio de uma pessoa jurídica controladora (ou coligada) de outra, o patrimônio e consequentemente o resultado da investida. Com efeito, ele serve para refletir a situação da investida no patrimônio da investidora. Esclarecendo a questão, Modesto Carvalhosa, em Comentário à Lei de Sociedades Anônimas (Saraiva São Paulo, 1998) ensina que: de início todos os investimentos (inclusive de empresas controladas) eram registrados pelo custo e os respectivos lucros somente eram reconhecidos quando da distribuição de lucros ou dividendos, já no caso de prejuízos, no máximo era aceito o reconhecimento de uma provisão para perdas no investimento; com influência anglosaxã, surgiu a figura da consolidação de balanços e, consequentemente, de reconhecimento do lucro de pessoas jurídicas controladas no patrimônio da controladora; estendendose esse raciocínio a todos os investimentos relevantes, surgiu a equivalência patrimonial, para dar o mesmo efeito da consolidação, trazendose para uma linha do ativo da investidora, uma parte do patrimônio (e do resultado) da investida. Nesse mesmo sentido, no dizer de Eliseu Martins, em Iniciação à Equivalência Patrimonial Considerando Algumas Regras Novas da CVM (IOB São Paulo 1997) o Método da Equivalência Patrimonial é a consolidação de patrimônios em uma linha. A propósito, lembramos que, no procedimento de consolidação, para apresentação da efetiva situação patrimonial, os lucros refletidos por equivalência patrimonial no patrimônio das investidoras devem ser eliminados. Realizaremos, agora, a análise jurídica da legislação, sem perder de vista essas características ontológicas (a) da operação de capitalização de lucros e (b) do método da equivalência patrimonial. Para fins de contextualização histórica da questão, cumpre referir que, nos termos da legislação anteriormente vigente, a capitalização de lucros, assim como a distribuição de ações bonificadas, não tinha qualquer efeito na determinação do custo de aquisição da participação societária dos proprietários da pessoa jurídica. Com efeito, naquele período: o lucro distribuído era passível de tributação; e consequentemente, o custo de aquisição das participações societárias não era alterado quando da capitalização de lucros pela pessoa jurídica, inclusive no caso de distribuição de ações bonificadas, cujo valor de aquisição devia ser considerado como igual a zero. Fl. 895DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 18 Nesse sentido, cabe referência aos arts. 727 e 810 do Decreto 1.041, de 1994. (a) Art. 727 – lucros distribuídos até 1988 eram tributados: Art. 727. Os dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses, apurados em balanço de períodobase encerrado até 31 de dezembro de 1988, pagos por pessoa jurídica, inclusive sociedade em conta de participação, a pessoa física residente ou domiciliada no País, estão sujeitos à incidência de imposto exclusivamente na fonte, à alíquota de (DecretosLeis n°s 1.790/80, art. 1°, 2.065/83, art. 1°, I, a, e 2.303/86, art. 7° parágrafo único): ... (b) Art. 810 – o custo de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucro era igual a zero: Art. 810. O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital ... § 2° O custo é considerado igual a zero (Lei n° 7.713/88, art. 16, § 4°): a) no caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas, apurados até 31 de dezembro de 1988; ... Reparase aqui a coerência dos dispositivos acima referidos. Como, na época, a distribuição de lucros era tributada, a capitalização do lucro não alterava o custo de aquisição da participação societária. Assim, quando a participação societária fosse alienada, o valor do lucro capitalizado seria alcançado pelo ganho de capital. Ora, a partir de 1996, temos uma clara mudança de tratamento na distribuição de lucro, que passou a não ser tributada, nem na fonte, nem na declaração de ajuste, nos termos do disposto no art. 10, da Lei n° 9.249, de 1995. Assim: o lucro distribuído deixou de ser tributado; e consequentemente, o custo de aquisição das participações societárias passou a ser alterado quando da capitalização de lucros distribuíveis pela pessoa jurídica, inclusive no caso de distribuição de ações bonificadas, cujo valor de aquisição devia ser considerado igual ao desse lucro capitalizado. A seguir, encontrase reproduzido o caput do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, e seu respectivo parágrafo. Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Reparase, da mesma forma que no sistema vigente anteriormente, a coerência dos dispositivos acima referidos. Como a distribuição de lucros deixou de ser tributada, a capitalização do lucro distribuível passou a alterar o custo de aquisição Fl. 896DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.721608/201161 Acórdão n.º 9202003.764 CSRFT2 Fl. 11 19 da participação societária. Assim, quando a participação societária fosse alienada, o valor do lucro (distribuível isento e capitalizado) não seria alcançado pelo ganho de capital. Portanto, conhecendo a razão histórica do surgimento da legislação, (que foi a alteração de tributação para nãotributação da distribuição de lucros), para compreensão da legislação, (a) afastamos a aplicação da interpretação literal e (b) entendemos como mandatória a aplicação da interpretação histórico/teleológica (acima discutida) e, sobretudo, da interpretação sistemática dos dispositivos relativos ao método da equivalência patrimonial, à distribuição e à capitalização de lucros. Ressaltese aqui que todos esses métodos de interpretação convergem. Especificamente quanto à interpretação sistemática é muito fácil perceber que não se deve considerar somente a leitura do parágrafo, mas também (e sobretudo) a leitura do caput do próprio artigo 10 da Lei n° 9.249, de 1995. Aliás, essa é uma regra hermenêutica básica, o parágrafo deve sempre se referir ao caput, sendo que sua consideração em separado gera problemas de contexto e, o que é pior, gera a famosa falácia de ênfase em que, se acentuando um aspecto da realidade, acabase por negar a própria realidade. Ora, no caput, é referido que os lucros ou dividendos pagos ou creditados é que não estarão sujeitos à incidência do imposto de renda. Portanto, interpretando o parágrafo nos limites do que dispõe o caput, concluímos facilmente que a capitalização de lucros que tem o condão de alterar o custo de aquisição de participações societárias é aquela referente a lucros passíveis de efetiva distribuição aos sócios ou acionistas sem tributação. Por seu turno, conforme já colocado no início desse voto, temos que o método da equivalência patrimonial teve por objetivo o reconhecimento de lucros de investidas, mesmo antes de sua distribuição. Não se está aqui negando a existência de um lucro decorrente do ajuste de equivalência patrimonial, mas não podemos deixar de levar em conta o fato de o lucro não é efetivamente distribuído mais de uma vez. Com efeito, o lucro decorrente do ajuste por equivalência patrimonial, é somente o reflexo do lucro auferido pela pessoa jurídica operacional (investida), esse último sim, passível de efetiva distribuição. Comprovando a conclusão acima, sabemos que a distribuição de lucro, registrado em decorrência do ajuste de equivalência patrimonial implica a necessidade de contratação de empréstimos ou distribuição de recursos aportados a título de capital. Pois bem, devemos nos lembrar de que a própria operação de capitalização de lucros foi concebida como um atalho para substituição do complexo procedimento de (i) a distribuição do lucro, pela pessoa jurídica a seus proprietários, (ii) o imediato aumento de capital da pessoa jurídica, no valor do lucro distribuído e (iii) a subscrição e integralização do aumento de capital, por esses mesmos proprietários, com os recursos antes recebidos a título de distribuição de lucro. Agora, a partir do que se encontra acima colocado, é possível chegarmos a uma conclusão quanto ao procedimento de aplicação da legislação, no tocante à atualização do custo da participação societária, em função da capitalização de lucros pela pessoa jurídica. Considerando que a efetiva distribuição de lucros deve se dar a partir da pessoa jurídica operacional, essa distribuição, seguida de subscrição de aumento de capital nas empresas componentes de um grupo econômico (a pessoa jurídica operacional e suas holdings) deve ter por efeito patrimonial o aumento de capital em toda a cadeia de entidades relacionadas societariamente. Por óbvio não é possível distribuir mais de uma vez o mesmo lucro (o lucro e seus reflexos por equivalência Fl. 897DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 20 patrimonial), portanto também não deve ser aceitável, pelo menos para fins fiscais, capitalizálo mais de uma vez. A conclusão acima é inevitável, porque: as disponibilidades passíveis de distribuição estão no patrimônio da pessoa jurídica operacional, que somente pode distribuir o lucro para sua proprietária direta, a holding; já, a holding, somente pode distribuir o lucro aos acionistas, pessoas físicas, após o recebimento dos recursos da pessoa jurídica operacional; os acionistas, por sua vez, somente podem aumentar capital na holding, em que possuem participação direta; e por fim, a holding, com os recursos recebidos, poderá aumentar capital da pessoa jurídica operacional. Ora, consequentemente, somente haverá capitalização de lucros efetivamente distribuíveis caso todas as pessoas jurídicas da cadeia societária (holdings e empresa operacional) realizem a capitalização. Ao contrário, caso ocorra apenas a capitalização dos lucros de holdings, o parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, não incide, devendo ser mantido o valor da participação societária pelos proprietários, até mesmo porque os efetivos lucros da pessoa jurídica operacional ainda poderão ser distribuídos sem tributação (para os próprios sócios) ou para futuros adquirentes. E, ainda, quando houver holdings mistas, com operações próprias, a capitalização de seus lucros, sem que tenha ocorrido a correspondente capitalização dos lucros das investidas, somente poderá ter efeito parcial na atualização do custo da participação societária de seus sócios. Isso é facilmente calculado com base na memória de cálculo abaixo: ( ) Lucro Existente no Patrimônio Líquido da Holding (‐) Lucro/Reservas Existentes na Investida (*) % de participação (=) Lucro passível de distribuição pela Holding (/) Lucro Existente no Patrimônio Líquido da Holding (=) Percentual aceitável para aumento do custo da participação (*) Valor do aumento de custo considerando o total do lucro capitalizado pela Holding (=) Valor aceitável para aumento do custo Reparase que a memória de cálculo acima é simples, utilizando somente as quatro operações matemáticas e os dados constantes dos balancetes da holding e da correspondente investida, na data da capitalização de lucros. Ela atende a aplicação do disposto no Art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, tanto no caso de holdings mistas (com operações próprias), como no caso de distribuição diferenciada de lucros (em percentual diferente daquele da participação societária do acionista). a.III – Aplicação da Legislação ao Caso dos Autos Verifico que, no caso dos autos, somente houve capitalização de lucros nas holdings, tendo sido mantido sem capitalização todo o lucro da pessoa jurídica operacional. Com efeito, no caso dos autos: ocorreram duas capitalizações seguidas de lucros, ambos reconhecidos em decorrência da aplicação do método de equivalência patrimonial às participações societárias de duas holdings (a NOVA PACTUAL e a PACTUAL) e não houve a capitalização dos lucros auferidos pela pessoa jurídica operacional (o BANCO PACTUAL); Nesse ponto, convém retratar a aplicação do voto do ilustre Dr. Luiz Eduardo de Oliveira Santos, ao caso ora em análise, já que em relação a cada um dos sócios procedeu a Fl. 898DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.721608/201161 Acórdão n.º 9202003.764 CSRFT2 Fl. 12 21 fiscalização o levantamento das diferenças entre os valores declarados como ganho de capital para fins de cálculo do imposto devido, comparandoos com o valor real do ganho excluídas as capitalizações realizadas em cadeia. Senão vejamos: A autoridade fiscal, insurgindose contra a sequência de capitalizações efetuadas pelo contribuinte, achou por bem arbitrar em R$ 29.610.909,82 o valor do custo das ações do autuado, fls.354 . Importante descrever que somente houve glosa da atualização do custo de participação societária, para uma das capitalizações de lucro, mais especificamente, para a capitalização na NOVA PACTUAL, no valor de R$ 15.350.501,00 . Porém, de acordo com a interpretação já apresentada pelo conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, 12448.736152/201135 Acordão nº 9202003.700, os aumentos de custo decorrentes das capitalizações ocorridas em 2006 na NOVA PACTUAL de R$ 15.350.501,00 e na PACTUAL HOLDING R$ 17.431.540,00 (vide demonstrativos fls. 346 e 347), deveriam ter sido glosados. Isso porque o lucro da pessoa jurídica operacional (ou seja, o lucro efetivamente auferido pelo BANCO PACTUAL) continuou mantido em seu patrimônio líquido, após as incorporações reversas, e consequentemente permaneceu passível de distribuição isenta aos adquirentes, ou terceiros (até mesmos os próprios alienantes), conforme acordo entre as partes. Nesse sentido, concluiu no referido processo, que trata das mesmas questões aqui expostas, que de fato, os alienantes venderam aos adquirentes do Banco o direito de receber os lucros isentos de tributação ou de repasse desse valor a terceiros. Ora, como, (a) em primeiro lugar, a capitalização de lucros que tem o condão de alterar o custo da participação societária é somente aquela relativa aos lucros efetivamente distribuíveis isentos de tributação e como, (b) em segundo lugar, a distribuição de lucros com isenção de tributação foi, no caso, efetivamente transferida (aos adquirentes do banco, ou terceiros por eles determinados), (c) podemos concluir que as capitalizações de lucros realizadas no anocalendário de 2006 não podem ter qualquer efeito no custo da participação alienada. Verifico, ainda, a propósito a partir do valor concedido pela fiscalização (R$ 29.610.909,82) que, uma vez sendo glosadas as duas capitalizações ocorridas em 2006, aplicandose assim o procedimento defendido defendido pelo Conselheiro Luiz Eduardo no voto transcrito, o valor do tributo devido seria maior do que o originalmente lançado, uma vez que se atingiria um montante de custo a ser concedido de aproximadamente R$ 12,18 milhões, conforme a seguir apurado: ( ) Custo considerado pelo autuado por ele informado 44,96 () Aumento de custo pela 1ª capitalização Participações (NOVA PACTUAL) 15,35 Aumento de custo pela 1ª capitalização Holdings (PACTUAL HOLDING) 17,43 (=) Custo original a ser aceito conforme procedimento do conselheiro 12,18 Obs.: Informações extraídas do Termo de Verificação Fiscal (apresentadas em R$ milhões) Reparase que o valor acima calculado é muito inferior ao referido montante de R$ 29.610.909,82, considerado como custo na apuração do ganho de capital pela autoridade autuante, o que torna despiciendo buscar qualquer ajuste nesse valor. Quanto à alegação de erro na base de cálculo pela fiscalização ter aplicado critérios distintos, entendo que o voto do conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos bem esclarece a forma que o cálculo deveria ser realizado. Apesar de a adotada pela fiscalização ter Fl. 899DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 22 beneficiado o contribuinte, de forma alguma desnaturou o lançamento. A autoridade fiscal identificou a base de cálculo, conforme o valor de cotas apontadas pelo próprio recorrente em sua declaração de ajuste anual, e compensou o valor tempestivamente recolhido pelo sujeito passivo. Aliás, quanto a possíveis alegações de alteração do critério jurídico, também bem colocou o Dr. Luiz Eduardo na sequência de seu voto, que novamente transcrevo como razões de decidir: Por conta das discussões travadas em plenário sobre o tema, penso ser necessário aqui fazer um esclarecimento quanto à dúvidas sobre a eventual ocorrência de alteração do critério jurídico do lançamento por esta decisão. Tenho plena convicção de que não se está aqui alterando critério jurídico, porque no lançamento e na respectiva impugnação encontramse claramente fixados os limites da lide e não foram alterados. Com efeito, o fato e a acusação em debate estão perfeitamente descritos no termo de verificação fiscal e, na decisão, é precisamente esse fato que se analisa: i. o fato é a alienação de participações societárias, ii. a acusação é de insuficiência do recolhimento do tributo por erro na apuração do ganho de capital, por se entender que a capitalização de lucros refletidos em sociedades investidoras, pelo método da equivalência patrimonial, não teria o condão de alterar o custo da participação societária alienada. iii. o que se apresenta aqui, sem qualquer inovação quanto ao fato analisado e a acusação originalmente feita, é o fundamento que este conselheiro entende ser suficiente para julgamento da acusação, em face das alegações do sujeito passivo. Diferente seria o caso em que há uma acusação verificada insubsistente mas, por conta de outra infração, fosse mantido o tributo lançado, situação que não ocorre aqui. Cumpre lembrar que o julgador não está vinculado ao fundamento das partes, somente não pode exarar uma decisão extrapetita, o que, conforme acima esclarecido, não ocorreu. [...] a.IV – Conclusão Como a exigência original foi apenas de parte do valor que este conselheiro, nos termos da fundamentação deste voto, entende devido, e considerando a impossibilidade de reformatio in pejus voto por NEGAR provimento ao recurso especial de iniciativa do contribuinte, para manter o crédito tributário reconhecido como devido pela decisão a quo, inclusive a multa de ofício no patamar mantido pelo acórdão recorrido, bem como a incidência de juros de mora sobre o principal e sobre a mencionada multa. Verificase que o recorrente aumentou o custo de aquisição de sua participação, por meio de artifícios contábeis que tiveram como única origem o lucro obtido pelo Banco Pactual S/A. Houve o aumento do custo de aquisição pelo efeito multiplicativo dos resultados do Banco Pactual, evidenciando, dessa feita, a elevação artificial do custo de alienação das ações. De fato, a mesma riqueza representou aumento do custo de aquisição mais de uma vez, reduzindo o ganho de capital e, por consequência, o pagamento do imposto de renda. Cito aqui conclusão do ilustre conselheiro Eduardo Farah, no Acordão nº 2201002.638, que resume, com propriedade, a solução para o caso em tela: "Concluise, pois, que o recorrente majorou artificialmente o custo de aquisição da participação Fl. 900DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.721608/201161 Acórdão n.º 9202003.764 CSRFT2 Fl. 13 23 societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporações reversas e nova capitalização, em nítida inobservância da primazia da essência sobre a forma, já que seu propósito era de fato reduzir o montante de seu ganho de capital e consequente imposto incidente sobre essa alienação. Essa premissa fica mais evidente quando se constata que os aumentos de capital tiveram origem em um único fato econômico, o lucro obtido pelo Banco Pactual S/A, sendo que os demais aumentos de custo foram destituídos de qualquer amparo material e econômico." Pelo exposto, não há reparo na decisão recorrida, neste ponto, devendo ser expurgados os efeitos das seguidas capitalizações nas participações, tendo em vista que a operação implicaria capitalização duplicada sem fundamentação econômica. Assim, não há razão ao contribuinte, ora recorrente. Quanto ao cancelamento da multas e juros de mora, com base no art. 100, parágrafo único, do Código Tributário Nacional Em relação a não aplicação de penalidade e juros de mora, novamente, adoto o entendimento já explicitado no acórdão referido acima, que assim, apreciou a questão: "que a partir do disposto no parágrafo único do art. 100 do Código Tributário Nacional e da observância à Instrução Normativa SRF no 84, de 11 de outubro de 2001, é de se ressaltar que, em nenhum momento, tal normativo dá suporte à interpretação do art. 135 do RIR/99 defendida pela autuada, a qual, na forma acima disposta, se entende aqui como totalmente equivocada." Dessa forma, também nego provimento ao recurso especial do contribuinte, nesta parte. II Juros sobre multa de ofício Alega o contribuinte que seria ilegal a cobrança de juros sobre a multa de ofício. Diferentemente, entendo que não lhe assiste razão, conforme decidido no acórdão recorrido. Ao contrário do que entende o recorrente, a aplicação de juros sobre multa de ofício é devida, na medida em que a penalidade compõe o crédito apurado. De acordo com o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN é autorizada a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Fazendo parte do crédito juntamente com o tributo, devem ser aplicados à multa os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. Nesse sentido, já se manifestou esta Câmara, em outras oportunidades, como no processo 10.768.010559/200119, Acordão 920201.806 de 24 de outubro de 2011, cuja ementa transcrevo a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário:1997 JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Fl. 901DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 24 Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. Recurso Especial Negado. A matéria sob exame pode ser dividida em duas questões, que se completam. A primeira, diz respeito à própria possibilidade genérica da incidência de juros sobre a multa, e centrase na interpretação do artigo 161 do CTN; a segunda questão envolve a discussão sobre a existência ou não de previsão legal para a exigência de juros sobre a multa, cobrados com base na taxa Selic. Sobre a incidência de juros de mora o citado art. 161 do CTN prevê o seguinte: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” Inicialmente entendo que o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Ou seja, tanto a multa como o tributo compõem o crédito tributário, devendolhes ser aplicado os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Ademais, não haveria porque o valor da multa permanecer congelado no tempo. Por seu turno o § 1.º do art. 161 do CTN, ao prever os juros moratórios incidentes sobre os créditos não satisfeitos no vencimento, estipula taxa de 1% ao mês, não dispondo a lei de modo diverso. Abriu, dessa forma, possibilidade ao legislador ordinário tratar da matéria, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de oficio com base na taxa Selic. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa. Confirase in verbis: "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifei) Fl. 902DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 19515.721608/201161 Acórdão n.º 9202003.764 CSRFT2 Fl. 14 25 Esse entendimento se coaduna com a Súmula nº 45 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que já previa a correção monetária da multa: "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região: “TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2005.72.01.0000311/ SC, Relator: Desembargador Federal Dirceu de Almeida Soares) “TRIBUTÁRIO. ART. 43 DA LEI 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a exigência fiscal consistente na incidência de juros moratórios sobre multa de ofício aplicada ao contribuinte. Inteligência do artigo 43 da Lei 9.430/96 c/c art. 113, § 3, do CTN. 2. Improvida a apelação.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2004.70.00.0263869/ PR, Relator: Juiz Federal Décio José da Silva). Destarte, entendo que é legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Conforme descrito acima, os juros de mora sobre a multa são devidos em função do § 3º do art. 113 do CTN, pois tanto a multa quanto o tributo compõe o crédito tributário. Esse entendimento encontra precedentes da 2ª Turma da CSRF: Acórdão nº 920201.806 e Acórdão nº 920201.991. Destacase ainda que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a legalidade dos juros de mora sobre a multa de oficio (AgRg no REsp 1.1335.688/PR; REsp 1.129.990PR; REsp 834.681MG). Fl. 903DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 26 Entendo aplicável a incidência de juros sobre a multa de ofício, adotando os precedentes citados como fundamento para decidir. CONCLUSÃO Conheço dos RECURSOS ESPECIAIS DA FAZENDA NACIONAL E DO CONTRIBUINTE, para no mérito NEGARLHES PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 904DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 23/03/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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