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Numero do processo: 10166.009504/2002-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997
AUDITORIA DE DCTF. COMPROVAÇÃO DO ERRO.
Comprovado que um dos débitos exigidos havia sido pago com código de receita errado, e que os outros dois débitos decorriam de declaração equivocada do valor do principal acrescido da multa de mora paga, há que se alocar o pagamento indicado à primeira dívida, e se cancelar as outras duas exigências.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-001.129
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso para se alocar o pagamento do DARF de fl. 164 ao débito 3983357 de R$18,87, e para se cancelar as exigências dos débitos 3983442 de R$57,09 e 3983429 de R$35,75. Declarou-se
impedido o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka.
Matéria: DCTF_IRF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRF)
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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COMPROVAÇÃO DO ERRO. Comprovado que um dos débitos exigidos havia sido pago com código de receita errado, e que os outros dois débitos decorriam de declaração equivocada do valor do principal acrescido da multa de mora paga, há que se alocar o pagamento indicado à primeira dívida, e se cancelar as outras duas exigências. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para se alocar o pagamento do DARF de fl. 164 ao débito 3983357 de R$18,87, e para se cancelar as exigências dos débitos 3983442 de R$57,09 e 3983429 de R$35,75. Declarouse impedido o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Fl. 195DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 20 a 33, decorrente de Auditoria Interna na DCTF dos 3o e 4o trimestres de 1997, nos termos das Instruções Normativas SRF nos 045 e 077/98, referente a Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF, formalizando a exigência de crédito tributário no valor de R$66.059,31. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 a 3), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fl. 155), que: o débito n° 3983352, foi recolhido corretamente, por meio de dois DARF, nos valores de R$ 17,94 e R$ 10,76; os débitos de nos 3983442 e 3983429, os valores devidos constantes da DCTF do 3° trimestre/97 estão errados, pois quando do preenchimento da DCTF foram incluídos os valores das multas; os débitos 3983385, 3983361, 4135841, 4135906 e 4135892, foram recolhidos corretamente; os débitos nos 4135822, 4135823, 4135824, 4135825, 4135826 e 4135827, informa que seus recolhimentos foram efetuados indevidamente com o CNPJ n° 00.000.208/002235, quando deveriam ter sido com o CNPJ da matriz (00.000.208/000100), conforme anexos de 07 a 12. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou o lançamento procedente em parte, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 153 a 156): Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1997 PROVAS/DCTF Se na fase impugnatória a contribuinte comprovar a improcedência do lançamento referente a tributos informados em DCTF, seja por recolhimentos já efetuados ou por outra razão qualquer, há que se cancelar a importância da exigência fiscal correspondente. Por outro lado será mantido o valor do crédito tributário cujo recolhimento não for comprovado. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. MULTA ISOLADA RETROATIVIDADE BENIGNA O ordenamento jurídico vigente prevê a aplicação de lei Fl. 196DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10166.009504/200226 Acórdão n.º 2101001.129 S2C1T1 Fl. 183 3 superveniente quando comina penalidade menos severa que a prevista no tempo do ato cometido. Lançamento Procedente em Parte O julgador de 1a instância fundamentou sua decisão da seguinte maneira (fls. 155 e 156): Analisando as peças processuais verificase que a fundamentação do lançamento foi por: pagamentos não localizados, R$ 14.393,69 (folhas 22, 24/26 e 29) e multa isolada, R$ 28.072,06 (folhas 22, 27, 28 e 30) e, daí, verificase e concluise que: 1) Dos valores considerados na revisão de ofícios, excluídos os improcedentes, restou um saldo remanescente de R$ 123,87 (pagamento não localizado). Ver, documentos, folhas 136/137. Dessa forma permanece como pendência o saldo remanescente Pagamentos não Localizados, R$ 123, 87, e da exigência da multa isolada, RS 28.072,06. Esses serão os valores apreciados. a) No tangente aos pagamentos não localizados, no valor total de R$ 123,87, verificase que: a1) o valor de R$ 12,16 (R$ 28,70 () 16,54 excluído na revisão de ofício) P.A 0407/97, folha 24, deve ser excluído da tributação, pois os DARF de folhas 05/06, são provas suficientes dos recolhimentos da exigência neste processo, referente o código 0473. O fato de constar no relatório, folha 148, que o valor de RS 17,94, foi parcialmente alocado a exigência apurada em 0307/97, é situação irrelevante no julgamento deste processo, pois, este, tem sido o entendimento dos julgadores da 4a turma da DRJ/BSB. a2) os valores de 35,75 P.A 0208/97, código 3426 e R$ 57,09 P.A 02 08/97, código 8053, folha 25, devem permanecer na tributação, pois a interessada não apresentou nenhum documento capaz de provar suas alegações quanto a estes valores terem sido informados erradamente na DCTF do 3o trimestre/97, ou seja, quando do preenchimento da DCTF foram incluídos os valores das multas. Isto é, não anexou documentos contábeis do período correspondente a exigência fiscal. Ver, também, revisão de ofício, folha 149, 1º e 2º itens. a3) o valor de R$ 18,87 0508/97, folha 24, também, deve permanecer na tributação, pois a requerente não fez qualquer alegação expressa quanto a esse valor, bem como não apresentou comprovantes para elidir a infração. Por esse motivo o valor é mantido na tributação por força do Art. 17 do Decreto n° 70.235/72, que é no sentido de que, “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo”. b) quanto a multa de ofício isolada no valor R$ 28.072,06 (folhas 22, 27, 28 e 30), sem consideração às alegações da autuada e o que foi exarado no documento de folhas 147/151, deve ser excluída, por força do Art. 14 da Lei n° 11.488/2007, que alterou o Art. 44 da Lei n° 9.430/1996 (extinguindo este tipo de penalidade), isto é, pagamento de tributos após o vencimento previsto sem o acréscimo de multa de mora e, também, com base no Art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN, no qual é consagrado o princípio da retroatividade benigna. Fl. 197DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Em face do exposto, oriento o meu VOTO no sentido de julgar procedente em parte o lançamento deste processo, para manter o crédito tributário (IRRF/97) no valor originário de R$ 111,71 código 2932 com os acréscimos correspondentes e, cancelar o restante da exigência fiscal. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 02/01/2008 (fl. 160), o contribuinte apresentou, em 01/02/2008, o recurso de fls. 161 a 170, onde afirma que, dos valores remanescentes neste processo, já pagou o débito 3983357 no valor de R$18,87, e que o débito 3983442 de R$57,09 e o débito 3983429 de R$35,75 decorrem de erro de preenchimento da declaração, pois se incluiu o valor da multa como se principal fosse. Ao final, pugna pelo cancelamento dos lançamentos dos débitos fiscais reclamados e de todos os encargos deles decorrentes. A 3a Turma Especial da 1a Seção de Julgamento declinou da competência para a 2a Seção, por meio de resolução proferida na sessão de 05 de novembro de 2009, por se tratar de matéria própria desse órgão (fls. 179 a 180). O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 181. É o Relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. Tratase de auto de infração decorrente de Auditoria Interna na DCTF dos 3o e 4o trimestres de 1997, de onde permanecem em litígio a exigência dos créditos tributários nos valores de R$57,09, R$35,75 e R$18,87. O recorrente afirma que os valores cobrados são indevidos, apresentando provas e argumentos que passamos a analisar. O débito 3983357 de R$18,87 se refere à diferença entre o declarado e o pago para o código de receita: 0473, PA: 0508/97. A DRJ manteve a autuação, pois o contribuinte não fez qualquer alegação expressa quanto a esse valor, bem como não apresentou comprovantes para elidir a infração, tendo considerado a matéria como não impugnada. No voluntário, o recorrente afirma que valor cobrado já foi recolhido em 15/07/2002, por meio de DARF no valor total de R$50,98, sendo R$18,87 de principal e R$32,11 de multa e juros devidos pelo atraso no recolhimento, e que não fez menção ao valor em sua impugnação por já ter efetuado o pagamento. Fl. 198DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10166.009504/200226 Acórdão n.º 2101001.129 S2C1T1 Fl. 184 5 De fato, na fl. 164 consta cópia de DARF que informa o código de receita 0472, o número deste processo como referência, período de apuração de 30/08/1997, vencimento em 03/09/1997, valor de principal R$18,87, multa de R$14,15 e juros de R$17,96, totalizando R$50,98, recolhido em 15/07/2002. É fácil perceber o erro cometido, pois o DARF informou o código de receita 0472, quando o correto seria 0473. De qualquer modo, pela coincidência de todas as outras informações referentes ao desembolso, julgo comprovado o erro, devendo se alocar o pagamento indicado ao débito em aberto. O débito 3983442 de R$57,09 decorre do pagamento a menor do valor declarado de R$17.356,85, código de receita 8053, PA: 0208/97, e o débito 3983429 de R$35,75 decorre do pagamento a menor do valor declarado de R$10.868,36, código de receita 3426, PA: 0208/97. O contribuinte alega que os valores corretos dos débitos seriam R$17.299,76 e R$10.832,61, respectivamente, que pagou esses valores em atraso, e que declarou erroneamente o valor do principal acrescido de multa mora. Entretanto, esses argumentos não foram acatados na revisão de ofício (fl. 149), pois uma declaração retificadora transmitida (fls. 86 a 89) não promoveu modificação alguma nesses débitos, nem no julgamento de 1a instância (fl. 156), porque não foram anexados documentos contábeis do período correspondente à exigência fiscal que comprovassem o erro. No voluntário, o recorrente afirma que os DARFs comprovam o erro. Na fl. 166, consta cópia de DARF pago em 14/08/1997 no valor de R$17.356,85, referente ao período de apuração de 09/08/1997, principal de R$17.299,76 e multa de mora de R$57,09. Na fl. 168, consta cópia de DARF pago em 14/08/1997 no valor de R$10.868,36, referente ao período de apuração de 09/08/1997, principal de R$10.832,61 e multa de mora de R$35,75. Pareceme evidente a comprovação do erro de preenchimento da DCTF. É fácil verificar que se alocou a cada débito apenas o valor do principal, e que a diferença exigida é exatamente o valor da multa de mora, que foi recolhida a esse título em cada DARF. Reputo exagerada a exigência do julgador de 1a instância de necessidade de comprovação do tributo devido por meio da contabilidade, diante da clareza do erro perpetrado, e da ínfima monta dos valores exigidos. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso para se alocar o pagamento do DARF de fl. 164 ao débito 3983357 de R$18,87, e para se cancelar as exigências dos débitos 3983442 de R$57,09 e 3983429 de R$35,75. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 199DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 Fl. 200DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10909.002645/2001-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Anocalendário:
1998, 1999, 2000, 2001
Ementa: ADIN 14170/
DF. PERÍODOS NÃO ALCANÇADOS PELA
DECISÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO.
É devido o PIS na forma fixada pela MP nº 1.212/95 (e na Lei nº 9.715/98)
referente aos fatos geradores ocorridos a partir de março de 1996, uma vez
que a decisão proferida na ADIn nº 14170/
DF considerou inconstitucional
apenas a aplicação retroativa da MP n° 1.212/95 e reedições, convertida na
Lei n° 9.715/98, relativamente ao período de outubro de 1995 a fevereiro de
1996.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União
decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da
Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-000.970
Decisão: Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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PERÍODOS NÃO ALCANÇADOS PELA DECISÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. É devido o PIS na forma fixada pela MP nº 1.212/95 (e na Lei nº 9.715/98) referente aos fatos geradores ocorridos a partir de março de 1996, uma vez que a decisão proferida na ADIn nº 14170/DF considerou inconstitucional apenas a aplicação retroativa da MP n° 1.212/95 e reedições, convertida na Lei n° 9.715/98, relativamente ao período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 07/05/2011 Fl. 576DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Contra a empresa recorrente foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de PIS, relativo a fatos geradores ocorridos nos anos de 1998 a 2001, tendo em vista que a Fiscalização constatou que a empresa deixou de recolher a exação por entender que possuía crédito utilizado em compensação. Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento que na ADIN 1.4170 o STF declarou a inconstitucionalidade, in totum, da MP nº 1.212/95 e reedições posteriores, até a edição da Lei de conversão nº 9.715/98. Protesta, ainda, pela inaplicabilidade da taxa selic no cálculo dos juros de mora. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora MG julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão no 0918.060, de 20/12/2007, cuja ementa abaixo se transcreve. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001 PIS/PASEP A ADIN 14170 declarou inconstitucional somente a parte final do art. 18 da Lei n.° 9.715/98. Lançamento Procedente Ciente desta decisão em 25/01/2008 (fl. 545), a interessada ingressou, no dia 25/02/2008, com o recurso voluntário de fls. 550/559, no qual repisa os argumentos da impugnação sobre a ADIN 1.4170 e a taxa selic. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído a este Conselheiro Relator. É o Relatório. Voto Fl. 577DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.002645/200104 Acórdão n.º 330200.970 S3C3T2 Fl. 562 3 Conselheiro Walber José da Silva O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais e, portanto, dele conheço. Como relatado, contra a empresa recorrente foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de PIS cuja compensação não foi homologada porque o contribuinte considerou como totalmente indevido os pagamentos feitos sob a égide da Medida Provisória nº 1.212/95 (e reedições) por entender que a declaração de inconstitucionalidade proferida na ADIN 1.4170 alcança todos os dispositivos da referida medida provisória, até a edição da Lei nº 9.715/98. O cerne da contenda é o alcance da decisão do STF, proferida na ADIN 14170. Tal decisão abrange ou não os fatos geradores ocorridos até novembro de 1998? A empresa recorrente entende que sim e a decisão recorrida entende que não. A Receita Federal do Brasil esclareceu o alcance da decisão do STF por meio da IN SRF n° 6, de 19/01/2000, com a qual concordo e a seguir transcrevo: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário n°232.8963PÁ, declarou a inconstitucionalidade do art. 15, in fine, da Medida Provisória n° 1.212, de 28 de novembro de 1995, e suas reedições, e do art. 18, in fine, da Lei n°9.715, de 25 de novembro de 1998, e, finalmente, considerando o que determina o art. 4" do Decreto n°2.346, de 10 de outubro de 1997, resolve: Art. 1° Fica vedada a constituição de crédito tributário referente à contribuição para o PIS/PASEP, baseado nas alterações introduzidas pela Medida Provisória n° 1.212, de 1995, no período compreendido entre 1º de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996, inclusive. Parágrafo único. Aos fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 1º de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996 aplicase o disposto na Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970, e n° 8, de 3 de dezembro de 1970. Art. 2° Os Delegados e Inspetores da Receita Federal deverão rever, de oficio, os lançamentos referentes à matéria mencionada no artigo anterior, para .fins de alterar, total ou parcialmente, o respectivo crédito tributário. Art. 3° Os Delegados da Receita Federal de Julgamento subtrairão a aplicação do disposto na Medida Provisória nº 1.212, de 1995, quando o crédito tributário tenha sido constituído com base em sua aplicação, no período referido no art. 1º, cujos processos estejam pendentes de julgamento. Art. 4º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. Fl. 578DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Restou claro que a Administração orientouse no sentido de que os créditos decorrentes de pagamentos de PIS com base na MP nº 1.212/95, gerados em função da declaração de inconstitucionalidade art. 18 da Lei n° 9.715/98, resultante da conversão em lei da referida MP, especificamente do seu art. 15, restringemse ao período de apuração compreendido entre 01/10/95 e 29/02/96. O entendimento da RFB está em perfeita sintonia com a decisão do STF e, portanto, considero incabível o pleito da recorrente para restituir o montante de PIS recolhido com base na referida MP, suas reedições e na Lei nº 9.715/98, referente ao período de março de 1996 a novembro de 1998. A sintonia entre a decisão do STF e a IN acima referida pode ser constatada pela simples leitura dos trechos abaixo transcritos da ementa e do voto do Min. Relator Octavio Gallotti: EMENTA:[...] Medida Provisória. Superação, por sua conversão em lei, da contestação do preenchimento dos requisitos de urgência e relevância. [...] Inconstitucionalidade apenas do efeito retroativo imprimido à vigência da contribuição pela parte final do art. 18 da Lei n° 9.7159 [...] VOTO O SENHOR MINISTRO OCTAVIO GALLOTTI — (Relator): Em petição apresentada após a inclusão em pauta desta ação direta, alega a autora que, perdia pelo decurso de prazo de trinta dias a eficácia da primeira medida provisória e levada em conta a proibição de retroatividade contida no art. 5°, XXXVI, da Constituição, "não pode o Executivo utilizarse de sucessivas MP's para atingir o prazo de noventa dias, para a exigência da contribuição social do PIS, exigido pelo § 6"do art. 195, da CF". Não cabe, porém, em ação direta, essa ordem de consideração, que realmente não objetiva a declaração de inconstitucionalidade do ato normativo, mas postula interpretação da própria Constituição. No tocante às argüições de ordem formal postas na petição inicial, seja a relativa ao pressuposto de urgência da medida provisória, seja a concernente ao princípio da reserva legal, penso acharemse superadas ambas as questões pela conversão, na Lei n° 9.715, de 25 de novembro de 1998, das sucessivas medidas em causa. [...] Alcanço, então, o exame do art. 18 da Lei n°9.71598, cujo teor é o seguinte: Fl. 579DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.002645/200104 Acórdão n.º 330200.970 S3C3T2 Fl. 563 5 "Art. 18. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação, aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1" de outubro de 1995." Recordo que data de 29 de novembro de 1995 a publicação da Medida Provisória n° 1.212, ponto de partida da estirpe legiferante ininterrupta de que ora nos ocupamos, e onde já se fazia presente (art. 15) a cláusula de vigência a partir de 1° de outubro de 1995. [...] Notese, contudo, que, em face da suspensão determinada pelo Senado Federal (Res. 4995) e decorrente da declaração de inconstitucionalidade formal, pelo Supremo Tribunal dos decretosleis citados (RE 148.754), prevalece, obviamente, ex tunc, a invalidade da obrigação tributária questionada. Não pode, pois, a ulterior criação da contribuição, já agora pelo emprego do processo legislativo idôneo, pretender tirar partido do passado inconstitucional, de modo a dele extrair a validade do pretendido efeito retrooperante. Acolhendo o parecer e confirmando o decidido quando da apreciação da medida cautelar, julgo, em parte, procedente a ação para declarar a inconstitucionalidade, no art. 18 da Lei n° 9.715, de 25 de novembro de 1998, da expressão "aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de I" de outubro de 1995". (grifei). A questão analisada pelo STF foi apenas a aplicação retroativa a outubro de 1995 da medida provisória, sem respeitar o prazo nonagesimal que, conforme alegado no parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, integrante dos autos da ADIn, teria a "a finalidade de evitar que houvesse uma eventual vacatio decorrente de uma equivocada interpretação da suspensão efetivada pelo Senado", em função da declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449/88. Ou seja, da decisão do STF resultou que a MP referida teve eficácia válida a partir de março de 1996, respeitado o prazo de noventa dias de sua publicação, não havendo qualquer interrupção até a edição da Lei n° 9.715/98. Logo, consoante afirmado acima, não há fundamento algum nas alegações da recorrente. Com relação à utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora, o CARF firmou entendimento de que a mesma é cabível, a teor da Súmula CARF no 4 (DOU de 22/12/2009) abaixo reproduzida: Súmula CARF no 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 580DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 581DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 16000.000120/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/03/2002 a 30/09/2003
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS DESCUMPRIMENTO MULTA POR INFRAÇÃO
Consiste em descumprimento de obrigação acessória prevista em lei, a empresa deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira
O descumprimento de obrigação acessória enseja a aplicação de multa punitiva conforme legislação de regência.
Para a matéria objeto da presente autuação o descumprimento de obrigação acessória prevista em lei, não há qualquer previsão legal de responsabilidade solidária, das empresas componentes do grupo em relação à empresa infratora
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-001.778
Decisão: Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade de votos: I) afastar do pólo passivo as empresas componentes do grupo econômico; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2002 a 30/09/2003 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS DESCUMPRIMENTO MULTA POR INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória prevista em lei, a empresa deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira O descumprimento de obrigação acessória enseja a aplicação de multa punitiva conforme legislação de regência. Para a matéria objeto da presente autuação o descumprimento de obrigação acessória prevista em lei, não há qualquer previsão legal de responsabilidade solidária, das empresas componentes do grupo em relação à empresa infratora Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
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Para a matéria objeto da presente autuação o descumprimento de obrigação acessória prevista em lei, não há qualquer previsão legal de responsabilidade solidária, das empresas componentes do grupo em relação à empresa infratora Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade de votos: I) afastar do pólo passivo as empresas componentes do grupo econômico; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Fl. 541DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Cleusa Vieira de Souza Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente ocasionalmente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 542DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16000.000120/200721 Acórdão n.º 240101.778 S2C4T1 Fl. 492 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 33 § 2º da Lei nº 8212/91, c/c o artigo 232 do Regulamento da Previdência Social –RPS, aprovado pelo Decreto nº 3048/99. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, a empresa, mesmo intimada, deixou de apresentar à fiscalização os documentos referentes a sua obra de construção civil, no período de 03/2002 a 09/2003 Destaca, ainda que o auto de infração foi lavrado, quando a autoridade fiscal procedeu procedimento para reconstituição de auto de infração declarado nulo em função de erro no enquadramento de código FPAS. Não conformado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação, fls.155/208, contudo, foram apresentadas impugnações por diversas empresas designadas pela autoridade fiscal, como partes do grupo econômico de fato. Às fls. 227/305: A empresa Vitoria Agroindustrial Ltda, alega em síntese que: • Que os documentos solicitados foram providenciados e ficaram na de sede da empresa para serem vistoriados; • Que o único que foi xerocopiado foi o alvará, as demais copias inclusas nessa impugnação não foram vistoriadas; • Que não participou de nenhum grupo econômico de empresas descrita no anexo especial de que trata o art. 1098 do CC, vez que não tem relação de capital, que não é controlada nem controladora, nem filiada, • nem participante de nenhuma outra empresa A "Santana Agroindustrial Ltda" (fls 205 a 208) requer a exclusão da condição de responsável solidária para fins de recolhimento de credito tributário, visto que não integra o grupo econômico denominado "GRUPO CAMPBOI"; alega: • que embora o artigo 121 do CTN autorize o fisco para incluir qualquer coresponsável; • os artigos 124 e 128, do mesmo Código, determinam que essa inclusão só é possível se o terceiro estiver vinculado ao fato gerador do tributo; • Que o artigo 30, inciso IV da Lei 8.212/91, subroga ao adquirente, consignatario ou à cooperativa as obrigações da pessoa física descritas na alínea 'a', incisa V doartigo 12 e as obrigações do segurado especial impostas pelo artigo 25, ambos da Lei 8.212/91; Fl. 543DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 • que pelo fato da impugnante não possuir qualquer meio para fiscalizar os recolhimentos de contribuições previdenciária em nome da autuada, e muito menos o de verificar o cumprimento das obrigações acessórias; • que a responsabilização por infração não pode ser transferida a terceiros em razão da individualização da pena. Cita o art. 136 do CTN; Ressalta, o referido relatório, que as mesmas alegações foram tecidas para as empresas: " Casa de Carnes Amoreiras Ltda" (fls. 216 a 219), "Santa Esmeralda Alimentos Ltda" (fls 227 a 230), " RPMC Comercio de Carnes Ltda" (fls. 238 a 241); Distribuidora de Carnes Vale do Mogi Ltda" (fls. 249 a 252), " Corte Schefer Agropecuária S/A" (fls 261 a 264), "Transportadora Dirceu Ltda" (fls. 270 a 273), " Meat Center Comercio de Carnes Ltda" (fls. 282 a 285), " Transportadora Pereira & Dias Ltda" (fls. 293 a 301), e" Frigorifico Caromar Ltda" (fls. 302 a 305) De acordo com o Relatório de Aplicação da Multa de fls. 3, a multa foi aplicada, de acordo com o artigo 283, inciso II, alínea “c” do Regulamento da Previdência Social , aprovado pelo Decreto n° 3.048/99 , no valor de R$ 11.017,50 ( Onze Mil, Dezessete Reais e Cinqüenta centavos ). A unidade descentralizada da SRP em São José do Rio Preto/SP, emitiu a DecisãoNotificação (DN), nº 21.436.4/042/2006, fls. 326/337, julgando procedente a autuação. O recorrente e as empresas designadas como constantes do grupo econômico não concordando com a DN emitida pelo órgão previdenciário, interpuseram recurso, fls. 379/402: A empresa Vitória Agroindústria , alega, em tese, que não faz parte do tal Grupo CAMPBOI. e que, com a notificação para apresentação dos documentos eles foram providenciados e postos à disposição, na sede da empresa, ao INSS que se omitiu e não veio vistorialos. As demais empresas também apresentaram recurso, alegando, em tese, que a empresa contra quem foi lançado o tributo, nada tem a ver com as recorrente, requereram, na impugnação, a exclusão da condição de responsáveis solidárias, de acordo com o artigo 128 do CTN, porem a decisão, ora recorrida, se diz convencia da existência do grupo econômico em razão dos fatos e provas trazidos pelo anexo especial e subsume aqueles fatos a comandos do CTN, Lei nº 8212/91 e CLT, justificando, assim, a responsabilização solidária das recorrentes, porém, nem os fatos e documentos do referido anexo, tampouco a subsunção deles às normas não sustentam a decisão. A Receita Previdenciária abstevese de apresentar contrarazões, tendo encaminhado o processo a este Conselho. É o relatório. Fl. 544DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16000.000120/200721 Acórdão n.º 240101.778 S2C4T1 Fl. 493 5 Voto Conselheira Cleusa Vieira de Souza Relatora Presentes os pressupostos de admissibilidade, o recurso merece ser conhecido. De início cumpre esclarecer que, conforme relatado, tratase de AUTO DE INFRAÇÃO, lavrado contra a empresa, por descumprimento de obrigação acessória prevista em lei, a qual tem por objeto as prestações positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, conforme o disposto no art. 113 § 2º do Código Tributário Nacional –CTN. No presente caso, a obrigação consiste na apresentação de todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previdenciárias, sendo que a não apresentação de qualquer deles, quando solicitados, caracteriza o descumprimento da obrigação acessória prevista na legislação previdenciária, art. 33 § 2º da Lei nº 8212/91.) Em suas razões de recurso a recorrente alega que “(...)que, com a notificação para apresentação dos documentos eles foram providenciados e postos à disposição, na sede da empresa, ao INSS que se omitiu e não veio vistorialos. Por outro lado, o relatório fiscal da infração informa expressamente que durante a ação fiscal foi detectado pelo auditor que a empresa efetuou obra de construção civil, o que o levou a emitir o TIAD Termo de Apresentação dos documentos concernentes a referida obra e que a empresa a empresa não apresentou todos os elementos solicitados. Notese que, a autoridade fiscal informa, ainda que já havia solicitado os mesmos documentos anteriormente através dos TIAD's datados de 14/10/2003 e 18/11/2003. Assim, em observância ao disposto no art. 293 do Regulamento da Previdência Social, a fiscalização Previdenciária lavrou o autodeinfração em epígrafe com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura. Em face aos argumentos apresentados pelos recorrentes, de que não fazem parte de Grupo Econômico, e já devidamente enfrentados na Decisão de primeira instância, dentro do conceito de grupo econômico de fato, que o grupo de sociedade caracterizase pela reunião de várias empresas, cada uma com personalidade e patrimônio próprios, que se obrigam a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. Não confiro razão aos argumentos, uma vez que já devidamente enfrentado, na decisão de primeira instância. Contudo, para a matéria objeto da presente autuação, o descumprimento de obrigação acessória prevista em lei, não há qualquer previsão legal de responsabilidade solidária, das empresas componentes do grupo em relação à empresa infratora. Constatada a Fl. 545DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 infração é obrigação da autoridade fiscal, proceder à lavratura do presente auto de infração, de acordo com a legislação previdenciária de regência. Pelo exposto; VOTO no sentido CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, para afastar do pólo passivo as empresas componentes do grupo econômico, em face da ausência de responsabilidade solidária, no descumprimento de obrigação acessória e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso da empresa infrtora. Cleusa Viera de Souza Fl. 546DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA Assinado digitalmente em 28/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 28/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13876.001689/2008-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2004
Ementa: INTIMAÇÃO POSTAL DA AUTUAÇÃO AO CONTRIBUINTE EM ÚNICA OPORTUNIDADE. FRUSTRAÇÃO. CONTRIBUINTE QUE AGE DE BOA FÉ E VEM AOS AUTOS NA PRIMEIRA OPORTUNIDADE. IMPOSSIBILIDADE DA INTIMAÇÃO EDITALÍCIA
DO LANÇAMENTO. ABERTURA DO CONTENCIOSO, COM CONHECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO OFERTADA AO LANÇAMENTO. A intimação postal frustrada em uma única oportunidade da notificação de lançamento, como ocorreu nestes autos, não pode dar ensejo à intimação editalícia, sem haver pelo menos nova tentativa de intimação postal, sendo forçoso reconhecer que a impugnação da contribuinte deve ser considerada tempestiva, passível de apreciação pela Turma da
Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-001.369
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso para anular a decisão recorrida, por cerceamento do direito de defesa, para que outra seja proferida, apreciando o mérito da impugnação.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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FRUSTRAÇÃO. CONTRIBUINTE QUE AGE DE BOA FÉ E VEM AOS AUTOS NA PRIMEIRA OPORTUNIDADE. IMPOSSIBILIDADE DA INTIMAÇÃO EDITALÍCIA DO LANÇAMENTO. ABERTURA DO CONTENCIOSO, COM CONHECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO OFERTADA AO LANÇAMENTO. A intimação postal frustrada em uma única oportunidade da notificação de lançamento, como ocorreu nestes autos, não pode dar ensejo à intimação editalícia, sem haver pelo menos nova tentativa de intimação postal, sendo forçoso reconhecer que a impugnação da contribuinte deve ser considerada tempestiva, passível de apreciação pela Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso para anular a decisão recorrida, por cerceamento do direito de defesa, para que outra seja proferida, apreciando o mérito da impugnação. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 15/06/2011 Fl. 57DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face da contribuinte TERESINHA MARIA STUCCHI DE CARVALHO, CPF/MF nº 020.958.16897, já qualificada neste processo, foi lavrado, em 14/04/2008, auto de infração (fls. 4 a 7), a partir da revisão de sua declaração de ajuste anual do anocalendário 2003. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 2.091,39 MULTA DE OFÍCIO R$ 1.568,54 À contribuinte foi imputada a seguinte infração (fl. 5): Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vinculo e/ou sem Vinculo Empregatício Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil constatouse omissão de rendimentos do trabalho com vinculo e/ou sem vinculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 16.242,00 recebido(s) pelo titular e/ou dependentes, da(s) fonte (s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 343,08. Incluídos os rendimentos recebidos de SÃO PAULO GOVERNO DO ESTADO. O imposto de renda retido na fonte foi adicionado ao campo adequado da declaração. Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, deduzindo os seguintes argumentos (fls. 37 e 38 – extraídos da decisão recorrida): 1) a Impugnante não tomou conhecimento da notificação, tendo sido informada de sua exigência em razão da cobrança que lhe foi feita na importância de R$5.003,53 (doc. 4); 2) conforme informações colhidas na Agência da Receita Federal de Itu, essa notificação foi lhe endereçada para o mesmo endereço onde reside. Porém, como ela e seu marido trabalham durante todo dia, não foi lá encontrada pelo correio, situação que exigiu da Receita Federal notificála por edital. Procedimento que impediulhe de conhecer dos termos dessa notificação e justificar as razões de sua inexigência; 3) por conhecer somente agora a motivação dessa notificação, vem, pela presente, apresentar a sua impugnação; Fl. 58DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13876.001689/200806 Acórdão n.º 2102001.369 S2C1T2 Fl. 2 3 4) apresentou a sua declaração do imposto de renda pessoa Física, exercício 2004, anocalendário 2003, identificando o imposto a pagar na importância de R$1.745,29, devidamente resgatado em 06 parcelas de R$290,88 corrigidas na forma legal (doc. 5); 5) porém, por ter sido acometida de grave doença, em 29/11/2007 apresentou declaração retificadora do imposto de renda pessoa física, do referido exercício/anocalendário, para alterar o lançamento dos proventos de aposentadoria recebidos do Governo do Estado de São Paulo (R$16.242,00), de tributável para não tributável, gerando, por conseqüência, saldo do imposto a restituir na importância de R$894,51 (doc. 3); 6) embora não tenha recebido a devida notificação, foi surpreendida com o aviso de cobrança no valor de R$5.003,53, objeto do doc. 04, com vencimento para o dia 31/10/2008; 7) tal exigência não pode prevalecer porque acometida de moléstia grave, pelo que os proventos de aposentadoria devem ser considerados como rendimento não tributável, na forma da retificadora apresentada pelo Impugnante; 8) tem a Impugnante o direito à restituição da importância de R$894,51 e não a obrigação de pagar o valor de R$5.003,53, como exigido no aviso de cobrança; 9) se esse lançamento não pudesse ser admitido como rendimento não tributável, a Impugnante nada teria que pagar, porquanto o imposto dele decorrente já foi resgatado por ela em seis parcelas; 10) À comprovação da moléstia grave, junta o diagnóstico do Instituto de Patologia de Campinas, datado de 27/05/1998 (doc. 6), relatório médico elaborado em 31/07/2007 (doc. 7), laudo médico pericial emitido em 20/08/2007 (doc. 8) e publicação no Diário Oficial do Estado de São Paulo em 30/08/2007 informando e reconhecendo a isenção desse rendimento, assim como a não aplicabilidade da retenção do imposto de renda, a partir de 24/04/1998 (doc. 9); 11) pelo exposto, requer o cancelamento da notificação e da cobrança realizada, assim como pagamento a favor da Impugnante da importância de R$894,51. A 7ª Turma da DRJ/SP2, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1741.412, 08 de junho de 2010 (fls. 36 a 41), que restou assim ementado: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO VIA EDITAL. É válida a intimação realizada por edital, quando resultar improfícuo um dos meios de intimação previstos em lei. Fl. 59DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 IMPUGNAÇÃO. PRAZO DE APRESENTAÇÃO. TEMPESTIVIDADE. Não se conhece da impugnação apresentada fora do prazo legal. Impugnação Não Conhecida A impugnação não foi conhecida com a seguinte fundamentação (fl. 41), verbis: O domicílio eleito pela contribuinte, ou seja, aquele informado à Receita Federal, no qual a fiscalização enviou a Notificação de Lançamento (fls. 04/07), é o situado Rua Cruz das Almas, n° 233, Jardim Faculdade, Itu/SP, CEP 13310 430. Conforme informações constantes dos Sistemas da Receita Federal (CPF, CONSULTA), este é o endereço informado pela contribuinte desde 01/05/2005 (fls. 33/35). Acontece que a Notificação de Lançamento (fls. 04/07) encaminhada por via postal foi devolvida em 30/04/2008, com a informação de que a destinatária estava ausente (fl. 28). Resultando improfícuo um dos meios previstos no caput do art. 23 do Decreto 70.235, de 1972, está previsto no § 3° desse mesmo dispositivo, que a intimação poderá ser feita por edital publicado em: I no endereço da administração tributária na interne; II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. Diante da impossibilidade de notificar a contribuinte por via postal, foi formalizado o Edital n° 00009/2008 (fl. 29), de 23/06/2008, para notificação da exigência do crédito tributário referente ao lançamento suplementar de IRPF/Ex 2004. Citado Edital foi afixado nas dependências da Agência da Receita Federal do Brasil em Itu, Pça Guanabara, 156, CEP 13301910 — Itu/SP, no período de 24/06/2008 a 09/07/2008, com data de vencimento em 08/08/2008. Como dito acima, nos termos do art. 23, § 2°, inciso IV, do Decreto 70.235, de 1972, considerase feita a intimação, 15 dias após a publicação do Edital; com a contagem iniciada no dia seguinte à publicação e terminada, impreterivelmente, 15 dias depois. . Dessa forma, o termo inicial para contagem dos 15 dias ocorreu em 25 de junho de 2008 e o termo final em 9 de julho de 2008, pelo que considerase feita a intimação por edital em 9 de julho de 2008. Conforme parágrafo único do art. 5° do Decreto 70.235, de 1972, verificase que o inicio da contagem, para apresentação da impugnação, é o dia 10/07/2008 (quinta 410 feira), e o término do prazo dos 30 dias expirouse em 08/08/2008 (sexta feira). Fl. 60DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13876.001689/200806 Acórdão n.º 2102001.369 S2C1T2 Fl. 3 5 Portanto, como a impugnação foi apresentada somente em 30/10/2008, resta claramente demonstrado que esta foi intempestiva, não podendo ser conhecida. Ante o exposto e o contido nos autos, voto no sentido de REJEITAR a preliminar de tempestividade suscitada e NÃO CONHECER da impugnação apresentada. Não obstante isso, a autoridade fiscal competente poderá, se entender cabível, rever de oficio o lançamento, nos termos do art. 145, III c/c art. 149, do Código Tributário Nacional — CTN. A contribuinte foi intimada da decisão a quo em 28/09/2010 (fl. 47). Irresignada, interpôs recurso voluntário em 06/10/2010 (fl. 48). No voluntário, a recorrente, preliminarmente, alega, verbis (fl. 50): 7. Ora, reconheceu a E. Turma, que o correio apenas uma vez (em 30 de abril de 2.008) procurou a Recorrente para lhe entregar a sua notificação, justificando a sua não efetivação por conta da ausência da contribuinte em sua casa. 8. Considerando a ausência, a Receita Federal entendeu necessária, então, que a notificação se processasse por edital, com a sua fixação nas dependências da agência da Receita Federal do Brasil em Itu cujo vencimento se efetivou em 08 de agosto de 2.008. 9. Embora embasada em dispositivo legal, o fato é que nada justifica a necessidade dessa notificação por edital, quando o contribuinte não é localizado, apenas por uma tentativa, em sua casa e, especialmente, quando ele tem um único imóvel. Ora, então ele não pode se ausentar dela, nem que seja para um mero cumprimento de uma obrigação fora de sua residência? 10. E evidente que o espírito da lei não é de causar prejuízo a contribuintes que cumprem regularmente com as suas obrigações. Entendese que a necessidade da notificação de se processar por edital, apenas se opere quando o contribuinte claramente não permanece em casa ou demonstre firme intenção de se furtar em receber a anunciada notificação, mas, sempre, após a realização de, ao menos, duas tentativas pelo correio de localização do contribuinte. 11. Não obstante, na forma como dispõe o artigo 145, III, c.c. artigo 149, do Código Tributário Nacional, a autoridade fiscal competente poderá, rever de ofício o lançamento, na forma como identificada pela i. Relatora da 72 Turma julgadora, Sra. LIDIA KASSUMI SUZUKI (último parágrafo, da pág. 6 — da r. decisão). (grifos e destaques do original) No mérito, alega a recorrente, em síntese, que: Fl. 61DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 I. pagou o imposto a pagar originalmente apurado em sua declaração de ajuste anual do anocalendário 2003; II. por conta de ser portadora de doença especificada em lei, que defere a isenção do imposto de renda sobre os proventos de aposentadoria, retificou a declaração de ajuste anual acima, reclassificando os estipêndios recebidos do Governo do Estado de São Paulo de tributável para isentos, apurando um imposto a restituir de R$ 894,51. Ocorre que essa pretensão foi obstada pela fiscalização, que passou a lhe cobrar um imposto a pagar de R$ 5.122,36, cobrando o que já foi pago, em absurda bitributação. Por fim, pede a recorrente: 12. Por tais motivos, pede e espera a Recorrente que, recebido o presente recurso, sejalhe dado integral provimento, determinandose o cancelamento da notificação e da cobrança realizados, assim como ao pagamento a favor da Recorrente da importância de R$.894,51, efetivamente devida e identificada na declaração retificadora, como medida de Direito de Justiça. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 28/09/2010 (fl. 47), terçafeira, e interpôs o recurso voluntário em 06/10/2008 (fl. 48), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 28/10/2010, quintafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Inicialmente, passase a apreciar a preliminar de tempestividade da impugnação, suscitada pela recorrente. Compulsando os autos, vêse que a contribuinte somente foi intimada uma única vez da notificação de lançamento (fls. 4 a 7), tendo a correspondência sido devolvida em decorrência da ausência do morador (fl. 28), o que gerou a intimação editalícia, de forma automática, com termo final para impugnar em 08/08/2010 (fl. 29). Considerando que a contribuinte quedouse inerte, foi enviado um aviso de cobrança em 16/10/2008 (fl. 30), que foi recebido pela contribuinte, motivando sua impugnação, protocolizada em 30/10/2008. Como se viu na decisão recorrida, aqui não se nega que, quando resultar improfícua a intimação pessoal ou por via postal, pode a Administração Fiscal se valer da intimação editalícia, na forma do art. 23, I, II e § 1º, do Decreto nº 70.235/72. Porém é de conhecimento de todos que a intimação por edital é ficta, e muito dificilmente um contribuinte tem conhecimento dos editais afixados nos átrios das repartições fiscais, exceto aquele que busca dolosamente se esconder da ação do fisco. Fl. 62DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13876.001689/200806 Acórdão n.º 2102001.369 S2C1T2 Fl. 4 7 Dessa forma, pareceme draconiana a aplicação pura e simples das normas acima, quando apenas se intimou a contribuinte uma única vez, que estava ausente de sua residência, como pode ocorrer a qualquer jurisdicionado fiscal de boa fé, daí partindose direto para o edital, com clara violação do devido processo legal e da ampla defesa. Como deduzido pela recorrente, seria absolutamente plausível a necessidade da repetição da intimação, quiçá se efetuando um contato telefônico, tudo a garantir que a contribuinte tivesse ciência da autuação, o que não ocorreu nestes autos. Em meu entendimento, o procedimento perpetrado pela Malha Fiscal, que foi chancelado pela decisão recorrida, desprestigia a Administração Fiscal, pois o cidadão não consegue compreender como a Administração o intima em seu endereço, em apenas uma oportunidade, sendo que sua ausência momentânea da residência pode levar ao infortúnio de uma intimação editalícia, trancando com isso toda a via do contencioso fiscal, quando se sabe, repitase, que dificilmente o contribuinte terá conhecimento da intimação editalícia. E aqui se anote que a contribuinte, na segunda intimação, quando foi cobrada, veio aos autos e se defendeu, demonstrando que não tinha agido de máfé, ao revés, tinha tido apenas a infelicidade de não se encontrar em casa na primeira oportunidade. Com as considerações acima, entendo que a intimação automática em uma única oportunidade da notificação de lançamento, como ocorreu nestes autos, não pode dar ensejo à intimação editalícia, sendo forçoso reconhecer que a impugnação da contribuinte deve ser considerada tempestiva, passível de apreciação pela Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ou seja, claramente a decisão recorrida cerceou o direito de defesa da jurisdicionada. Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso para anular a decisão recorrida, por cerceamento do direito de defesa, para que outra seja proferida, apreciando o mérito da impugnação. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 63DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10920.001424/2007-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições
das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
Ementa: MONTAGEM DE MÁQUINAS INDUSTRIAIS. PERMANÊNCIA
NO SIMPLES. NÃO EXCLUSÃO. SÚMULA 57.
A vedação imposta pelo inciso XIII do artigo 9º da Lei 9.317, de 1996, não alcança as microempresas nem as empresas de pequeno porte constituídas por empreendedores que agregam meios de produção para explorar atividades econômicas de forma organizada com o objetivo de gerar ou circular bens ou de prestar quaisquer serviços. Ela é restrita aos casos de inexistência da figura
do empreendedor cumulada com a prestação de serviços como atividade exclusiva e levada a efeito diretamente pelos sócios da pessoa jurídica qualificados profissionalmente dentre as atividades indicadas no dispositivo legal citado. A atividade de prestação de serviços de montagem e manutenção industrial não se equipara à atividade de engenheiro mecânico. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1202-000.549
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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PERMANÊNCIA NO SIMPLES. NÃO EXCLUSÃO. SÚMULA 57. A vedação imposta pelo inciso XIII do artigo 9º da Lei 9.317, de 1996, não alcança as microempresas nem as empresas de pequeno porte constituídas por empreendedores que agregam meios de produção para explorar atividades econômicas de forma organizada com o objetivo de gerar ou circular bens ou de prestar quaisquer serviços. Ela é restrita aos casos de inexistência da figura do empreendedor cumulada com a prestação de serviços como atividade exclusiva e levada a efeito diretamente pelos sócios da pessoa jurídica qualificados profissionalmente dentre as atividades indicadas no dispositivo legal citado. A atividade de prestação de serviços de montagem e manutenção industrial não se equipara à atividade de engenheiro mecânico. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo - Presidente (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto - Relator Fl. 40DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/10/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10920.001424/2007-48 Acórdão n.º 1202-000.549 S1-C2T2 Fl. 41 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Marcelo Baetta Ippolito, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Jorge Celso Freire da Silva, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Fl. 41DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/10/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10920.001424/2007-48 Acórdão n.º 1202-000.549 S1-C2T2 Fl. 42 3 Relatório Adoto, inicialmente, o Relatório da decisão de 1ª instância por entender que o mesmo narra de forma precisa os fatos dos autos ocorridos até aquele momento processual: “A contribuinte acima qualificada, mediante Ato Declaratório Executivo N°556.396, de 02/08/2004, de emissão do Delegado da Receita Federal em Joinville-SC, foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), com efeitos a partir de 11/11/2002, informando como causa, o exercício de atividade econômica vedada — código CNAE 2929- 7/02 — instalação, reparação e manutenção de outras máquinas e equipamentos de uso geral, tendo por fundamento o disposto no inciso XIII do artigo 9° da Lei n° 9.317, de 1996. 2. Cientificada do ato de exclusão, a reclamante apresentou SRS (f1.04) que foi indeferida tendo por argumento o disposto na Lei n° 5.194, de 1966 e Resolução CONFEA n° 218. 3. Inconformada, apresentou manifestação de inconformidade (fl.02/03), onde alega não ter exercido atividade vedada e que seus estatutos devem ser alterados para espelhar a realidade; que não possui mão de obra especializada o que comprova a incapacidade para executar os serviços declarados de instalação, reparação e manutenção de outras máquinas e equipamentos de uso geral. Pede o cancelamento da exclusão.” Ato seguinte, a decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte Ementa: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 MONTAGEM DE MÁQUINAS INDUSTRIAIS. PERMANÊNCIA NO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa previsão legal, é vedada a permanência no Simples das pessoas jurídicas que prestem serviços de instalação, reparação e manutenção em máquinas industriais. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS Compete ao contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com todos os meios de prova necessários, nos termos da Lei; o não cumprimento desta premissa acarreta o indeferimento do pleito. Fl. 42DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/10/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10920.001424/2007-48 Acórdão n.º 1202-000.549 S1-C2T2 Fl. 43 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio.” Restando inconformado com a decisão de 1ª instância a Contribuinte interpôs o competente Recurso Voluntário (fls. 22/24), alegando, em síntese, que jamais prestou “serviços de instalação, reparação e manutenção de outras máquinas e equipamentos de uso geral”, bem como, que o objeto social da empresa foi alterado em 03/09/04 “espelhando a realidade da empresa”. Oportunamente, os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Desta forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões de mérito. A Recorrente foi excluída do SIMPLES por exercer as seguintes atividades: “A sociedade terá como objeto social a exploração dos ramos de instalação, reparação e manutenção de máquinas e equipamentos industriais; comércio varejista de ferragens, ferramentas e produtos metalúrgicos e; comércio varejista de máquinas e equipamentos industriais.” Com base em tal previsão contratual, a Ementa da decisão de primeira instância assim justificou a exclusão da Recorrente do SIMPLES: “Por expressa previsão legal, é vedada a permanência no Simples das pessoas jurídicas que prestem serviços de instalação, reparação e manutenção em máquinas industriais.” Todavia, a Súmula 57 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) é clara ao estabelecer o seguinte: “Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.” (não grifado no original) Fl. 43DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/10/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10920.001424/2007-48 Acórdão n.º 1202-000.549 S1-C2T2 Fl. 44 5 Assim, resta evidente a exclusão indevida da Recorrente do SIMPLES. Neste sentido, vale transcrever Ementa sobre julgamento proferido em outro processo similar: “Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005 Ementa: SIMPLES. NÃO EXCLUSÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE MONTAGEM E MANUTENÇÃO INDUSTRIAL. A vedação imposta pelo inciso XIII do artigo 9º da Lei 9.317, de 1996, não alcança as microempresas nem as empresas de pequeno porte constituídas por empreendedores que agregam meios de produção para explorar atividades econômicas de forma organizada com o desiderato de gerar ou circular bens ou de prestar quaisquer serviços. Ela é restrita aos casos de inexistência da figura do empreendedor cumulada com a prestação de serviços como atividade exclusiva e levada a efeito diretamente pelos sócios da pessoa jurídica qualificados profissionalmente dentre as atividades indicadas no dispositivo legal citado. A atividade de prestação de serviços de montagem e manutenção industrial não se equipara a atividade de engenheiro mecânico. Recurso Voluntário Provido.” (Recurso Voluntário nº: 33662. 3ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. Processo nº 10840.003172/2005-10. Recorrente Projemi Montagens Industriais Ltda. EPP – MG - Recorrida Fazenda Nacional. Sessão: 07/11/2007. Relator: Marciel Eder Costa. Acórdão n. 303-34902. Resultado: Recurso provido por maioria). No mesmo sentido, vide Acórdão nº 391- 00.059, de 22/10/2008. Diante do acima exposto, voto por conhecer e dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 44DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/10/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
score : 1.0
Numero do processo: 10280.900558/2006-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2003
PEREMPÇÃO.
O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância, ex vi do disposto no art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972.
Recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma
conhecimento, visto que, nos termos do art. 42 do mesmo diploma, a decisão de primeira instância já se tornou definitiva.
Numero da decisão: 1302-000.525
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, não conhecer o recurso por perempção.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância, ex vi do disposto no art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972. Recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que, nos termos do art. 42 do mesmo diploma, a decisão de primeira instância já se tornou definitiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, não conhecer o recurso por perempção. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Irineu Bianchi, Eduardo de Andrade e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 410DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 16/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10280.900558/200645 Acórdão n.º 1302000.525 S1C3T2 Fl. 391 2 Relatório CASA FRANCESA VIAGENS E TURISMO LTDA., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém, Pará, consubstanciada no acórdão nº. 0112.594, de 27 de novembro de 2008, que indeferiu, em parte, a manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Belém. Trata o processo de pedido de restituição, cumulado com pedidos de compensação, relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002. Apreciando o pedido formalizado pela contribuinte, a Delegacia da Receita Federal em Belém o indeferiu (fls. 143/149) sob a alegação de que inexiste o crédito pleiteado. Inconformada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém, fls. 157, por meio da qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: que, após tomar ciência do despacho decisório, constatou que a DIPJ 2003 tinha erro, tendo apresentado a correspondente declaração retificadora; que, relativamente aos questionamentos feitos pela Delegacia da Receita Federal acerca das despesas com remuneração e salários, constatou que a análise se limitou ao estabelecimento matriz, isto é, deixou de considerar a sua filial. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, por meio do acórdão nº. 0112.594, de 27 de novembro de 2008, indeferiu, em parte, a solicitação, conforme ementa que ora transcrevemos. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Transcorrido o prazo de cinco anos a partir da entrega da declaração de compensação sem que o Fisco tenha se pronunciado, considerase tacitamente homologada a compensação. SALDO NEGATIVO IRPJ. INEXISTÊNCIA. Uma vez recompostas as despesas operacionais declaradas e constatandose valores não comprovados, deve ser efetuada a glosa correspondente. As alterações procedidas levam à apuração de imposto de renda a pagar, em vez de saldo negativo. Ciente da Decisão de primeira instância em 22 de dezembro de 2008, conforme Aviso de Recebimento de folha 271/verso, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 22 de janeiro de 2009, conforme registro de recepção de folha 284, por meio do qual sustenta: Fl. 411DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 16/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10280.900558/200645 Acórdão n.º 1302000.525 S1C3T2 Fl. 392 3 ... Em julho de 2008 recebemos um Parecer da SEORT/DRF/BEL N° 0489 questionando sobre despesas de remuneração e salários, em nossa verificação descobrimos que tinha sido incluído indevidamente na despesa com ordenados e salários R$ 20.176,55 de despesas com valetransportes, transferimos esse valor para a conta Outras Despesas Operacionais através de uma declaração retificadora, descobrimos também que a tabela que nos foi apresentada não constavam os valores declarados em GFIP pela nossa filial. Em 28 de agosto de 2008 solicitamos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento uma revisão, a qual foi atendida em parte, pois, não levaram em consideração a declaração retificadora apresentada. Naquele momento não percebemos que o Prólabore no valor de R$ 48.000,00 não tinha sido declarado em GFIP para o INSS, mas declarado como despesa na contabilidade e recolhido o IRRF, também informado como receita na Declaração de Imposto de Renda do anocalendário 2002 do Sr. José de Lima Júnior (proprietário da empresa na época) CPF nº. 052.951.492 34. Entendemos que se faz jus a despesa ocorrida de fato, assim como pagamento dos encargos. Acreditamos que, nesse caso, a Receita Federal deveria desconsiderar as falhas e aterse no fato em si, anulando a existência de qualquer débito para a nossa empresa e reconhecer o crédito apresentado em nossa DIPJ/2003. Anexamos todos os documentos que provam a legalidade das despesas. É o Relatório. Fl. 412DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 16/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10280.900558/200645 Acórdão n.º 1302000.525 S1C3T2 Fl. 393 4 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator PRELIMINAR PEREMPÇÃO A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância no dia 22 de dezembro de 2008, segundafeira, conforme documento de fls. 271/verso, iniciandose a contagem do prazo para ingresso do recurso voluntário no dia 23 de dezembro, terçafeira. A contribuinte ingressou com o referido recurso voluntário, fls. 284/285, no dia 22 de janeiro de 2009. Consoante as disposições constantes do Decreto nº. 70.235/72, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal, temos que: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão ... Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; ... No caso sob exame, o prazo para interposição do recurso venceu no dia 21 de janeiro de 2009, quartafeira, sendo, portanto, o recurso apresentado em 22 de janeiro do mesmo ano, intempestivo, e, nos termos do artigo 42 acima transcrito, a decisão prolatada em primeira instância, definitiva. Considerando que a empresa não cumpriu o prazo previsto no art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972, para interposição do recurso voluntário contra a decisão exarada em primeira instância; Considerando que não se encontra no recurso apresentado contestação acerca da intempestividade ocorrida, Conduzo meu voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso, por perempto. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2011 “documento assinado digitalmente” Fl. 413DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 16/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10280.900558/200645 Acórdão n.º 1302000.525 S1C3T2 Fl. 394 5 Wilson Fernandes Guimarães Fl. 414DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 01/03/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 16/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10680.002031/2005-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido
Anos calendário: 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2002
CSLL. COISA JULGADA. DECLARAÇÃO INCIDENTAL DE
INCONSTITUCIONALIDADE. TRANSITO EM JULGADO. AÇÃO RESCISÓRIA. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO EFETUADO QUANDO VIGENTE A CERTIDÃO DE TANSITO EM JULGADO. AÇÃO RESCISÓRIA PENDENTE DE APRECIAÇÃO. LANÇAMENTO POSSÍVEL SOMENTE PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. RECURSO
VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO – O Lançamento é possível,
ainda que sob a vigência de decisão judicial transitada em julgado e de ação rescisória em trâmite, para prevenir a decadência, sem aplicação de multa.
Numero da decisão: 1402-000.429
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO:1) Por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso de ofício.2) Por unanimidade de votos, acatarem a preliminar de decadência em relação ao ano-calendário 1999 e no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar as multas de ofício e as multas isoladas, considerarem suspensa a exigibilidade do crédito tributário até o trânsito em julgado da ação rescisória, manter a exigência de juros de mora e negar provimento em relação às demais matérias. Tudo nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: CARLOS PELA
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COISA JULGADA. DECLARAÇÃO INCIDENTAL DE INCONSTITUCIONALIDADE. TRANSITO EM JULGADO. AÇÃO RESCISÓRIA. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO EFETUADO QUANDO VIGENTE A CERTIDÃO DE TANSITO EM JULGADO. AÇÃO RESCISÓRIA PENDENTE DE APRECIAÇÃO. LANÇAMENTO POSSÍVEL SOMENTE PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO – O Lançamento é possível, ainda que sob a vigência de decisão judicial transitada em julgado e de ação rescisória em trâmite, para prevenir a decadência, sem aplicação de multa. Recurso de Ofício improvido. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO: 1) Por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de ofício. 2) Por unanimidade de votos, acatar a preliminar de decadência em relação ao anocalendário 1999 e no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar as multas de ofício e as multas isoladas, considerar suspensa a exigibilidade do crédito tributário até o trânsito em julgado da ação rescisória, manter a exigência de juros de mora e negar provimento em relação às demais matérias. Tudo nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Fl. 705DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/03/2011 por CARLOS PELA Assinado digitalmente em 13/03/2011 por CARLOS PELA, 14/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10680.002031/200560 Acórdão n.º 140200.429 S1C4T2 Fl. 2 2 (assinado digitalmente) Albertina Silva dos Santos Lima Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório Cuidase de recurso de ofício e de recurso voluntário contra decisão da 2ª turma da DRJ/BHE, que manteve parcialmente auto de infração lavrado contra o contribuinte Fl. 706DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/03/2011 por CARLOS PELA Assinado digitalmente em 13/03/2011 por CARLOS PELA, 14/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10680.002031/200560 Acórdão n.º 140200.429 S1C4T2 Fl. 3 3 acima indicado, para exigência de CSLL não recolhida nos anoscalendário de 1994 a 2000 e 2002. A contribuinte é associada ao SINDICATO DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO PESADA DO ESTADO DE MINAS GERAIS SICEPOT/MG. Nos autos do MS 89.000012568, o TRF1ªR reconheceu a inconstitucionalidade da lei 7.689/88 e “exonerou” as associadas do referido Sindicato do recolhimento da CSLL instituída pela Lei 7.689/88. A decisão foi confirmada em sede de apelação e transitou em julgado. Mesmo com o trânsito em julgado, as associadas continuaram a ser cobradas pela CSLL, sob o argumento de que leis posteriormente editadas teriam disposto integralmente sobre a CSLL, criando um novo suporte de validade para sua exigência. Inconformado, o Sindicado propôs um novo MS, processo nº 96.00364583, em que requereu segurança para determinar que a autoridade se abstivesse de exigir a CSLL das associadas e emitisse certidão negativa de débitos. A segurança foi concedida e a sentença foi confirmada pelo TRF1ªR, que negou provimento ao apelo da União. Esta decisão transitou em julgado em 1999, sem que a União tenha oposto Embargos de Declaração. Em 2001, a união propôs uma ação rescisória, processo 200101000150718/DF, que até o momento em que o os autos de infração foram lavrados ainda não havia sido julgado. Pois bem! Esse é o cenário judicial das discussões entre a contribuinte e a União federal. Vamos agora aos autos de infração: Através de lançamento formalizado em 11/02/2005, a DRF apurou crédito tributário decorrente do não recolhimento de CSLL nos anoscalendário de 1994 a 2000 e no anocalendário de 2002, sob fundamento de que a coisa julgada protegia a contribuinte apenas durante o período de vigência de Lei 7.689/88 e de quando seus efeitos estiveram intactos sem modificações. Com a edição, principalmente, da Lei 8.212/91, a CSLL passou a ter novo fundamento de validade e, portanto, a contribuinte já não se encontrava ao abrigo da decisão judicial favorável passada em julgado. O segundo MS, de acordo com a DRF, tinha por objeto apenas a emissão de certidão negativa. Lavrou também autos de infração para aplicação da multa isolada sobre as estimativas não recolhidas. Contra o auto, a contribuinte interpôs impugnação, em que requeria: a) em relação ao lançamento de CSLL: 1) seja reconhecida a nulidade do lançamento, haja vista a ocorrência de coisa julgada material que veda ao Fisco vir a dela exigir a CSLL, seja nos termos da Lei n° 7.689/88, como aqui se verifica, seja com esteio em outros textos legais (Leis n°8.212/91, 8.003/90, 8.541/92, 8.981/95, 9.249/95,Lei n° 9.430,96 e Medida Provisória n° 1.858/99 e suas reedições); 2) acaso assim não se entenda, o que se admite ad absurdum tantum, seja declarada a decadência do direito do Fisco cobrar a CSLL relativa aos anosbase de 1994 a 1999; 3) na hipótese de suplantadas as preliminares suscitadas, o que se argumenta, seja o lançamento cancelado, uma vez que Fl. 707DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/03/2011 por CARLOS PELA Assinado digitalmente em 13/03/2011 por CARLOS PELA, 14/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10680.002031/200560 Acórdão n.º 140200.429 S1C4T2 Fl. 4 4 carecedor de indispensável suporte legal, mormente no que condiz à base de cálculo da exação almejada; 4) se ainda assim se acatar a cobrança da CSLL, hipótese que apenas se levanta por amor ao debate,roga seja decotada da base imponível referente aos anosbase de 1994, 1995 e 1996 a própria contribuição, consoante autoriza a legislação precedente à Lei n° 9.316/96. b) em relação ao lançamento de multa isolada: 1) diante da coisa julgada que obsta a cobrança de CSLL, seja declarado nulo o lançamento que pretende a imputação de sanção por ausência de recolhimento das antecipações mensais a que se refere o art. 2 0 da Lei ir' 9.430/96; 2) na hipótese de suplantada esta preliminar, seja afastada a cobrança da coima concernente ao mês de janeiro de 2000, uma vez que caduco o direito do Fisco à sua exigência, bem como tenha canceladas as demais penalidades isoladas, exigidas concomitantemente com a multa de oficio predicada no art. 44, Inc. I, da Lei 9.430/96; 3) se assim não se entender, o que se suscita ad argumentandum tantum, sejam as multas isoladas canceladas nos meses em que auferidos prejuízos fiscais acumulados ou em que as antecipações de CSLL excedam à exação devida sobre os lucros acumulados, tal qual preceituado no art. 35, "caput" e § 2°, da Lei n° 8.981/95". Ao julgar a impugnação, a DRJ decidiuse por dar provimento parcial ao apela do contribuinte, nos seguintes termos (ementa): Preliminar de nulidade. Rejeitase a preliminar de nulidade invocaria pela defesa, quando não houve cerceamento do direito de defesa do autuado, tendo sido obedecidos na consecução do lançamento todos os requisitos legais inerentes a tal, atividade. Decadência. Regra geral. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Coisa Julgada. A declaração da inconstitucionalidade da Lei 7.689/88 e a exclusão de sua eficácia, em caráter permanente e definitivo, só podiam ser obtidas mediante ação direta de inconstitucionalidade. Na via incidental, o reconhecimento da inconstitucionalidade constitui pressuposto da decisão e apenas afasta a aplicação da lei ao caso concreto, mas ela continua a vigorar. Fl. 708DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/03/2011 por CARLOS PELA Assinado digitalmente em 13/03/2011 por CARLOS PELA, 14/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10680.002031/200560 Acórdão n.º 140200.429 S1C4T2 Fl. 5 5 As razões de decidir e as questões julgadas incidentemente no processo não integram a coisa julgada. Lei Superveniente. A Lei n° 8.212/91 por si só legitima a exigência de contribuição social sobre o lucro. Ação Rescisória Os efeitos da coisa julgada decorrentes de provimento judicial no qual se reconhecera a inconstitucionalidade da CSLL com fundamento na Lei n'7.689/38 que instituiu a CSLL, não atingem relações futuras, regidas por normas supervenientes ( Lei n° 7.856/89 art. 2 0; Lei n° 8.034/90 art. 2';Lei n°8.212/91 art. 23,11 e Lei Complementar n°70/91 art. 11), do que se conclui ser legitima a cobrança da contribuição a partir da lei n° 7.856/89, observada, por óbvio, a anterioridade nonagesimal. Contudo, ainda que se entenda que a Lei n° 7.856/89 (art. 2') não tenha restaurado a referida contribuição, posto que alterou dispositivo considerado inconstitucional, por decisão com eficácia inter partes, certo é que a Lei n° 8.212/91 (art. 23, II) dispôs autonomamente sobre a CSLL, reinstituindoa a partir da definição de todos os aspectos da hipótese de incidência. Como o valor exonerado supera o limite de alçada para interposição do recurso de ofício, o processo foi submetido a reanálise. Contra a decisão da DRJ, a contribuinte interpõe recurso voluntário, em que requer: A) Em relação ao lançamento da CSLL — PTA n°. 10680.002031/2005 60 — Acórdão n° 0223.045. 1) Seja negado seguimento ao Recurso de Oficio, por respeito à Súmula Vinculante n°. 08 do STF; 2) Seja reformada a decisão recorrida e decretada a nulidade do lançamento, haja vista a ocorrência de coisa julgada material que vedava ao Fisco vir a dela exigir a CSLL, seja nos termos da Lei n° 7.689/88, seja com esteio em outros textos legais (Leis n° 8.212/91, 8.003/90, 8.541/92, 8.981/95, 9.249/95, Lei n°9430/96 e Medida Provisória n° 1.858199 e suas reedições); 3) Caso assim não se entenda, o que se admite ad absurdum tantum, seja declarada a decadência do direito do Fisco de Fl. 709DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/03/2011 por CARLOS PELA Assinado digitalmente em 13/03/2011 por CARLOS PELA, 14/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10680.002031/200560 Acórdão n.º 140200.429 S1C4T2 Fl. 6 6 cobrar a CSLL relativa ao anobase de 1999, indevidamente mantido pela decisão vergastada; 4) Na hipótese de restarem ultrapassadas as preliminares suscitadas, o que se argumenta apenas, seja reformada a decisão recorrida e integralmente cancelado o lançamento, uma vez que este é carecedor de indispensável suporte legal, mormente no que condiz à base de cálculo da exação almejada e, ainda, por impossibilidade de retroação de sentença proferida a titulo precário nos autos de Ação Rescisória, desprovida de eficácia, conforme vastamente demonstrado. B) Em relação ao lançamento das Multas Isoladas — PTA n°.10680.002030/200515 — Acórdão n° 0223.046. 1) Seja reformada a decisão recorrida e decretada, diante da coisa julgada que obstava a cobrança de CSLL, a nulidade material do lançamento que pretende a imputação de sanção por ausência de recolhimento das antecipações mensais a que se refere o art. 2° da Lei n°9.430/96; 2) Suplantada a preliminar de nulidade, o que somente se admite por argumentar, seja reformada a decisão recorrida no que se refere à decadência suscitada e, assim, afastada a cobrança da coima concernente ao mês de janeiro de 2000, nos termos dos fundamentos postos neste Recurso Voluntário; 3) Ultrapassada a preliminar suscitada no item 01 acima e ainda que acolhida a preliminar posta no item 02 supra, que seja reformada a decisão combatida, decretandose a improcedência da aplicação das multas isoladas impostas sobre bases idênticas às das multas de oficio, nos termos da remansosa jurisprudência da CSRF e do CARF; 4) Finalmente, caso assim não se entender, o que se suscita ad argumentandum tantum, sejam as multas isoladas canceladas nos meses em que auferidos prejuízos fiscais acumulados ou em que as antecipações de CSLL excedam à exação devida sobre os lucros auferidos ao final do anobase, tal qual preceituado no art. 35, "caput" e §2°, da Lei n° 8.981/95 e nos termos dos fundamentos aventados. É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator Quanto ao recuso de Ofício, embora o valor comporte sua propositura, a matéria afastada em primeira instância está integralmente fundada na Sumula Vinculante nº 8, Fl. 710DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/03/2011 por CARLOS PELA Assinado digitalmente em 13/03/2011 por CARLOS PELA, 14/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10680.002031/200560 Acórdão n.º 140200.429 S1C4T2 Fl. 7 7 editada pelo STF, pois trata de prazo decadencial para lançamento de contribuição social. Nestes termos, conheço do recurso de ofício e proponho seja negado provimento. Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo, por atender aos requisitos de admissibilidade e por conter matéria de competência deste Conselho. A matéria, em princípio, pareceu ser bastante simples, pois há inúmeros precedentes do extinto Conselho de Contribuintes. De fato, este colegiado vinha decidindo, escorado na jurisprudência do STF, que a coisa julgada alcança apenas aquelas relações que estavam sob o abrigo da norma individual e concreta posta pela sentença. No caso da CSLL, instituída pela 7.689/88, a proteção da sentença não alcança fatos posteriores, especialmente aqueles fatos ocorridos após a modificação da lei e o tratamento normativo da regramatriz de incidência em normas editadas posteriormente, para as quais a declaração de inconstitucionalidade não se aplica. Reproduzo, abaixo, uma decisão que é a síntese da jurisprudência deste colegiado: 1º Conselho de Contribuintes / 8a. Câmara / ACÓRDÃO 108 09.290 em 25.04.2007 CSLL Exs: 1996 a 2004 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: LEI Nº 7.689/88. INCONSTITUCIONALIDADE. SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO. EFEITOS A relação jurídicotributária é de natureza continuativa. Essas relações se sucedem no tempo, mês a mês, pelo que não têm caráter de imutabilidade qualquer declaração de inconstitucionalidade a seu respeito. Tratandose de relações jurídicas de trato sucessivo, pode haver cobrança de tributo após cada fato gerador, nos períodos supervenientes à coisa julgada. DECADÊNCIA CSLL. O prazo decadencial aplicável às contribuições é o constante do § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, ou seja, 5 (cinco) anos a contar do fato gerador da obrigação tributária. Logo, é de se reconhecer nestes autos os efeitos da decadência do direito do Fisco em relação ao lançamento de CSLL para o período do anocalendário de 1995 ao anocalendário de 1999. LEI Nº 7.689/88. INCONSTITUCIONALIDADE. SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO. EFEITOS. A relação jurídicotributária é de natureza continuativa. Essas relações se sucedem no tempo, mês a mês, pelo que não têm caráter de imutabilidade qualquer declaração de inconstitucionalidade a seu respeito. Tratandose de relações jurídicas de trato sucessivo, pode haver cobrança de tributo após cada fato gerador, nos períodos supervenientes à coisa julgada. Fl. 711DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/03/2011 por CARLOS PELA Assinado digitalmente em 13/03/2011 por CARLOS PELA, 14/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10680.002031/200560 Acórdão n.º 140200.429 S1C4T2 Fl. 8 8 MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIADE. Os incisos I e II "caput" e os incisos I, II, III e IV, § 1o., do art. 44, da Lei n. 9.430/96, devem ser interpretados de forma sistemática, sob pena da cláusula penal ultrapassar o valor da obrigação tributária principal, constituindose num autêntico confisco e num "bis in idem" punitivo, em detrimento do princípio da não propagação das multas e da não repetição da sanção tributária. Recurso parcialmente provido. Pelo voto de qualidade, RECONHECER a decadência para os anos de 1995 a 1999, e no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para cancelar a multa isolada. Vencidos os Conselheiros José Carlos Teixeira da Fonseca (Relator), Nelson Lósso Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro e Márcia Maria Fonseca (Suplente Convocada), que deram provimento apenas para reduzir o percentual da multa isolada para 50%. Designada a Conselheira Karem Jureidini Dias para redigir o voto vencedor. JOSÉ HENRIQUE LONGO VicePresidente no Exercício da Presidência Publicado no DOU em: 07.11.2008 Relator: KAREM JUREIDINI DIAS Designada Se a matéria de fundo não requer maiores disceptações, o caso concreto traz elementos que não se encaixam integralmente no hipótese dos casos julgados por este conselho. Com efeito, a contribuinte, por ser associada ao SICEPOT/MG, foi favorecida por decisão transitada em julgado que impede a União de exigir dela CSLL, tendo em vista a inconstitucionalidade da lei 7.689/88. Ocorre que esta lei foi posteriormente modificada; a regra matriz do tributo foi alterada por normas supervenientes, de modo que a coisa julgada obtida no processo nº 89.000012568 já não era mais aplicável aos fatos ocorridos nos anos calendários que foram alvejados no lançamento. Ocorre que, a contribuinte, novamente substituída pelo SICEPOT/MG, obteve nova decisão judicial que impedia a União de exigir a CSLL, ainda que o fundamento de validade da contribuição tenha sido renovada por outras normas, introduzidas por veículos legais que não foram objeto de decisão naquele primeiro processo. Este segundo processo transitou em julgado também, de sorte que, ao tempo do lançamento, a contribuinte possuía uma decisão válida, de caráter definitivo, que impedia a União de exigir dela o tributo. A existência, ao tempo do lançamento, de uma ação rescisória em curso em nada modificou a situação relatada. No ano de 2005, quando o lançamento foi concluído, a Fl. 712DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/03/2011 por CARLOS PELA Assinado digitalmente em 13/03/2011 por CARLOS PELA, 14/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10680.002031/200560 Acórdão n.º 140200.429 S1C4T2 Fl. 9 9 decisão no MS 96.00364583 estava transitada em julgado. Naquele instante, a contribuinte estava sob proteção de uma decisão definitiva, em ação mandamental, que determinava que a autoridade fiscal se abstivesse de exigir dela a CSLL. Neste momento, portanto, qualquer exigência era descabida. Por outro lado, a decisão no segundo MS, ao contrário do primeiro, ainda comportava rescisão por parte da autoridade judicial competente e já estava em curso uma ação com esta finalidade. Embora a propositura de ação rescisória não tenha o condão de interferir com os efeitos da coisa julgada, enquanto não decidida pelo órgão competente do Poder Judiciário, é fato que sobre a coisa julgada pesava uma possibilidade firme de modificação, quanto mais se analisamos o caso concreto, em que o acórdão rescindendo apresentava contradição flagrante entre os elementos da fundamentação e o dispositivo. A ação rescisória, contudo, não suspende os efeitos da coisa julgada. O fato é que, no momento da conclusão do lançamento, a contribuinte nada devia; não era possível exigir dela a CSLL como fez a autoridade lançadora. Conseqüentemente, também, a contribuinte não estava em mora para com o recolhimento do tributo, não sendo passível de sofrer qualquer penalidade pela falta de seu recolhimento. A conclusão, portanto, seria a de que os lançamentos são nulos? Penso que não. O STJ, ao julgar o REsp n. 333.258, assentou que a decisão favorável em ação rescisória em matéria tributária tem o efeito de restituir a exigibilidade do crédito tributário. Vejamos a ementa: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO DAS EMPRESAS. AÇÃO RESCISÓRIA. DESCONSTITUIÇÃO DE DECISÃO QUE RECONHECEU A INCONSTITUCIONALIDADE DA EXAÇÃO PREVISTA NA LEI 7689∕88. MATÉRIA ESSENCIALMENTE CONSTITUCIONAL E JURISPRUDÊNCIA EM CONSONÂNCIA COM O ACÓRDÃO RECORRIDO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO CONHECIMENTO DO ESPECIAL SOB TAIS ASPECTOS. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESCINDIDA A SENTENÇA O CRÉDITO TRIBUTÁRIO FICA INTACTO; VOLTASE AO STATUS QUO ANTE. INOCORRÊNCIA DE VIOLAÇÃO O ART. 156, X, DO CTN. I Não cabe conhecer do recurso especial na parte em que o Tribunal a quo decidiu a questão em bases essencialmente constitucionais, estando o acórdão em consonância com jurisprudência do STJ, ausente o prequestionamento de dispositivo legal apontado como malferido. II A decisão judicial transitada em julgado extingue o crédito tributário, a teor do disposto no art. 156, inciso X, do Código Tributário Nacional. Julgada procedente rescisória, na espécie, voltase ao status quo ante, ressurgindo o crédito tributário, que pode ser exigido novamente do contribuinte, eis que, com a procedência da ação, desaparece a decisão judicial passada em Fl. 713DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/03/2011 por CARLOS PELA Assinado digitalmente em 13/03/2011 por CARLOS PELA, 14/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10680.002031/200560 Acórdão n.º 140200.429 S1C4T2 Fl. 10 10 julgado e fica sem efeito a extinção, porquanto deixou de existir a coisa julgada. III Recurso especial parcialmente conhecido, mas improvido. No caso acima, o crédito tributário fora exigido, suspenso por ação judicial do contribuinte julgada favoravelmente, extinto pela decisão transitada em julgado e posteriormente ressurgiu como efeito da decisão na ação rescisória. No caso presente, o crédito tributário foi constituído somente após a decisão final e depois de transitada em julgado. A situação é, portanto, um pouco diferente daquela analisada pelo STJ, mas comporta uma solução semelhante, a meu ver. O sistema jurídico não dispõe de uma norma específica que trate de situações como a que julgamos agora. Todavia, pareceme que não afronta o sistema jurídico nem seus princípios o lançamento destinado a prevenir a decadência nos casos em que, a exemplo de quando o contribuinte obtém tutelas provisórias para suspensão do crédito tributário, o contribuinte obtém uma decisão definitiva, sujeita a uma ação rescisória já interposta. Com efeito, a inação da União neste caso representaria a perda definitiva do direito de constituir o crédito tributário mesmo na hipótese em que a decisão passada em julgado fosse modificada. Nesta hipótese, mesmo com uma decisão que anula a anteriormente tomada, restituindo as partes ao mesmo estado em que se encontravam, antes, o efeito seria da definitiva perda do direito à cobrança do tributo, por fim julgado devido, pelo decurso do prazo para a efetivação do lançamento. Se o Judiciário chega ao ponto de afirmar que determinada decisão, transitada em julgado, possui vícios que justificam sua anulação, não se poderia esperar que sua decisão impedisse a fazenda de constituir seu crédito, sob pena de vêlo perecer pelo decurso de prazo, caso não agisse. Neste contexto, pareceme plenamente cabível a constituição do crédito, com a finalidade exclusiva de prevenir a decadência, uma vez que não traria prejuízos à própria Fazenda, nem à contribuinte, que não se veria compelida a recolher a exação, senão antes de dirimida de vez a lide atinente à validade da decisão questionada na ação rescisória. Por outro lado, a Fazenda não pode exigir da contribuinte que arque com as penalidades pela falta de recolhimento do tributo, uma vez que a ele a contribuinte não estava obrigada. Pelo contrário, a contribuinte tinha a seu favor uma decisão final de mérito que a dispensava de recolher a CSLL. Aplicase, neste caso, por analogia, a regra do artigo 63 da Lei 9.430/96, que dispõe: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Fl. 714DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/03/2011 por CARLOS PELA Assinado digitalmente em 13/03/2011 por CARLOS PELA, 14/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10680.002031/200560 Acórdão n.º 140200.429 S1C4T2 Fl. 11 11 § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Nem seria necessário recorrer à analogia neste caso, porquanto na ausência de um ato ilícito (que seria: não recolher tributo a que estava obrigado) a penalidade não poderia ser aplicada, mas o texto da lei serve de excelente paralelo à situação que se apresenta. A situação assim, parece bem resolvida: julgada procedente a ação rescisória, a União poderá exigir o tributo não recolhido durante a vigência da norma individual e concreta por fim anulada e a contribuinte, que não recolheu o tributo, protegida por uma norma individual e concreta até então válida, não arcará com as penalidades previstas para as hipótese de comportamento omissivo injustificado. Em suma, penso que o lançamento feito durante a vigência de uma decisão judicial transitada em julgado, mas que é objeto de uma ação rescisória, é válido, desde que tenha por finalidade prevenir a decadência, sem a imposição de multa de ofício ou de mora. No que toca á alegação de decadência do direito de lançar o exercício de 1999, aplicável, por força do artigo 62.A do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF nº 586, de 22/12/2010, a decisão do STJ no Recurso Especial nº 973.733, verbis: Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco Fl. 715DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/03/2011 por CARLOS PELA Assinado digitalmente em 13/03/2011 por CARLOS PELA, 14/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10680.002031/200560 Acórdão n.º 140200.429 S1C4T2 Fl. 12 12 regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Assim, restam decaídos os créditos relativos aos fatos imponíveis ocorridos antes de 11/02/2000, que inclui o anocalendário de 1999, uma vez que o fato gerador ocorreu em 31.12.1999 e a ciência do lançamento se deu em 11/02/2005. Posto isto, VOTO no sentido de conhecer o recurso de ofício e negarlhe provimento e de conhecer, para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para afastar a aplicação das multas de ofício proporcionais e as multas isoladas aplicadas sobre a falta de recolhimento das estimativas, aplicáveis juros de mora desde o vencimento da obrigação e reconhecer a decadência dos créditos relativos ao anocalendário de 1999. A exigibilidade do crédito permanecerá suspensa até decisão definitiva da ação rescisória. Sala das Sessões – 23 de fevereiro de 2011. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Fl. 716DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/03/2011 por CARLOS PELA Assinado digitalmente em 13/03/2011 por CARLOS PELA, 14/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10680.002031/200560 Acórdão n.º 140200.429 S1C4T2 Fl. 13 13 Fl. 717DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/03/2011 por CARLOS PELA Assinado digitalmente em 13/03/2011 por CARLOS PELA, 14/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 19647.004720/2005-90
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário: 2002
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que
jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1801-000.487
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre os valores dos créditos pleiteados nas Declarações de Compensação, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2002 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1948; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 125 1 124 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19647.004720/200590 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180100.487 – 1ª Turma Especial Sessão de 22 de fevereiro de 2011 Matéria Compensação Recorrente TELASA CELULAR S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre os valores dos créditos pleiteados nas Declarações de Compensação, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fl. 149DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 2 ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmem Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Diniz Raposo e Silva, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o presente processo de PERDCOMP eletrônicos (fls. 01/17), transmitidos em dezembro de 2003 e fevereiro de 2004, pelos quais pretende a interessada a compensação de débitos de estimativas de IRPJ e de PASEP devidos nos anoscalendário 1999, 2001 e 2004, com direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ apurada no mês de março de 2002 (recolhimento em abril/2002), no valor de R$ 428.952,08, baixados para tratamento manual neste processo. Analisando o pleito a DRF em Recife/PE, após diligências realizadas, concluiu pela inexistência do crédito apontado, razão pela qual pelo Despacho Decisório de fl. 22 não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações, ao fundamento de que, de acordo com o disposto no artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005, a pessoa jurídica somente poderia utilizar o valor pago indevidamente ou a maior a título de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor do IRPJ devido ou para compor o saldo negativo porventura apurado. A empresa TIM Nordeste S/A, CNPJ n° 01.009.686/000144, sucessora da Telasa Celular S/A, apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: a) que o art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, não tem amparo legal, já que a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não prevê a restrição nele estabelecida e adotada na decisão da DRF/Recife e que quando da realização das compensações ainda não existia a regra do art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005; b) se não fosse realizada a compensação do IRPJ recolhido a maior haveria saldo negativo ao final do ano. Terseia, então, no máximo um problema de inobservância de exercício, vez que o saldo negativo seria passível de compensação a partir do final do ano de 2002; c) possivelmente a decisão supôs, em virtude do lançamento que deu origem ao processo n° 19647.009690/200699, que não haveria saldo negativo ao final do ano calendário 2002. Nessa hipótese, o julgamento da manifestação de inconformidade ficaria na dependência da decisão adotada nos autos do mencionado processo; Fl. 150DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.004720/200590 Acórdão n.º 180100.487 S1TE01 Fl. 126 3 d) que o despacho decisório decorre da revisão de oficio havida nos autos do processo n° 19647.009690/200699 e que dessa revisão teria decorrido aumento do crédito tributário original, em afronta aos arts. 145 a 149 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Apreciando o litígio a 3a. Turma da DRJ em Recife/PE, por meio do Acórdão 1127.241 (fls. 74/83 ) indeferiu a manifestação de inconformidade. Aquela autoridade observou, inicialmente, que as argüições de ilegalidade do art. 10 da IN SRF n°. 600, de 2005, não poderiam ser apreciadas no âmbito do julgamento administrativo e que a vedação contida no referido comando legal há havia sido consignada na IN SRF n°. 460, de 2004. Apoiandose nas disposições dos artigos 2o. e 6o. da Lei n°.. 9.430, de 1996; artigos 3o., 9o. e 10 da IN SRF n°.. 93, de 1997 e Ato Declaratório Normativo SRF n°.. 003, de 2000, consignou que as estimativas mensais não seriam passíveis de restituição a esse título, pois constituiriam mera antecipação do tributo devido ao final do anocalendário e que somente seria passível de restituição e de aproveitamento em compensações o saldo negativo porventura apurado ao final do período. Assim, o excesso porventura pago a título de estimativas mensais somente poderia ser utilizado na dedução do imposto devido ou na composição do saldo negativo. Rejeitou a afirmação da contribuinte no sentido de que, não fosse realizada a compensação do imposto pago a maior em abril de 2002, haveria saldo negativo ao final do ano, pois, ainda que fosse apurado o saldo negativo, deveria a interessada apresentar DCOMP para sua utilização que seria apreciada pela autoridade administrativa competente para averiguação da efetiva existência do saldo negativo declarado e, sendo caso, reconhecimento do direito creditório reclamado. Tal discussão, contudo, seria estranha aos autos vez que o direito creditório pleiteado se referiria a pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ. Esclareceu, ainda, que se o saldo negativo do imposto foi incorretamente declarado a menor em D1PJ, seria da competência do sujeito passivo proceder à sua retificação, observadas as normas pertinentes à matéria. Quanto ao processo n° 19647.0096901200699, esclareceu: 28. Alega a impugnante que a decisão atacada teria sido decorrente da revisão de oficio havida nos autos do processo administrativo n° 19647.009690/200699. O argumento é equivocado, como passo a expor. 29. Naquele processo, de exigência de crédito tributário, verificouse, entre outras infrações, a dedução indevida das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, que haviam sido objeto de compensação indevida. Em conseqüência das glosas, foram lavrados autos de infração para cobrança dos tributos ao final dos anos calendário e da multa isolada pela falta das antecipações mensais. 30. Ocorre que, como as compensações haviam sido declaradas em DCOMPs que constituíam confissão de dívida, tinhase por aplicável o entendimento esposado pela Coordenação Geral de Tributação através da Solução de Consulta Interna Cosit n° 18, de 13 de outubro de 2006, segundo o qual não cabe a glosa das estimativas, devendo os débitos ser cobrados com base em DCOMP. Como a referida solução de consulta foi posterior à lavratura dos autos de infração, foram os lançamentos revistos de oficio, reduzindo o crédito tributário antes exigido. Fl. 151DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 4 32. Portanto, diversamente do que esgrime a defesa, o processo n° 19647.009690/200699 é que foi influenciado por este, e não o contrário. É através do presente processo que os débitos das estimativas não homologadas serão cobrados, razão pela qual reduziuse o lançamento objeto daquele outro processo. O não reconhecimento do direito creditório discutido nestes autos em nada decorreu do processo n° 19647.009690/200699 nem da Solução de Consulta Interna Cosit n° 18, de 2006, e os débitos que serão cobrados por via do presente processo são rigorosamente aqueles espontaneamente declarados pela contribuinte nas DCOMPs. Não sofreram, por conseguinte, nenhuma modificação em virtude do processo n° 19647.009690/200699, não havendo falar em ofensa aos arts. 145, 146 e 149 do CTN. Intimada da decisão, em 19/10/2009 (AR à fl. 85) a interessada apresentou, em 17/11/2009, o Recurso Voluntário de fls. 87 a 104. Em suas razões de defesa informa, inicialmente, que o presente processo seria decorrente de revisão de ofício em lançamento efetuado no âmbito dos autos n° 19647.009690/200699, especificamente em itens que trataram de (i) deduções indevidas no ajuste anual de antecipações de IRPJ e de CSLL não comprovadas e (ii) imposição de multa isolada por falta de pagamento de IRPJ e de CSLL devidos por estimativa mensal, revisão essa que não teria sido devidamente fundamentada, o que impedia a adequada defesa. Assim, teria sido intimada, em março de 2007, de um Relatório de Informação Fiscal, datado de 13.12.2006, no qual os fiscais responsáveis pela revisão de ofício informaram que tomaram conhecimento de uma solução de consulta interna da Receita Federal (de n° 18/06), a qual previa metodologia de cálculo diferente da que havia sido adotada por eles quando da fiscalização, razão pela qual alguns valores teriam sido excluídos do processo n° 19647.009690/200699, e passaram a ser tratados em processos específicos, dentre os quais o presente processo de compensação. Nesse sentido, caso se julgue pela independência dos autos, deverá lhe ser reconhecido o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002 pois, em acatandose o posicionamento adotado pela DRJ, de que não existiria qualquer influência decorrente do processo administrativo n° 19647.009690/200699 na apuração do IRPJ do anocalendário de 2002, a apuração do saldo negativo de IRPJ, devidamente escriturado na DIPJ do período, é fato que não poderia ser contraditado pelo julgador administrativo. Reafirma que a previsão contida no artigo 10 da IN SRF n°.. 600, de 2005, não teria amparo legal. Todas as vedações atinentes à compensação teriam sido expressamente previstas no artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, assim como as compensações consideradas não declaradas, não se encontrando, em nenhuma delas, a referência ao recolhimento indevido ou a maior a título de estimativas mensais e que o disciplinamento do instituto pela Receita Federal não poderia levar ao estabelecimento de novas vedações não previstas na Lei. Observou que os comandos normativos citados pela autoridade julgadora da DRJ que tratariam da referida vedação em verdade cuidariam da forma de pagamento do imposto calculado por estimativa e não de compensação, o que foi disciplinado unicamente pelo artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996. Assim, o procedimento adotado guardaria consonância também com o quanto disciplinado pelo § 1°, II, do artigo 6° da Lei n° 9.430/96, na medida em que teria havido o recolhimento a maior de IRPJ em abril de 2002, portanto, passível de restituição, e que foi compensado com débitos de tributos federais de períodos posteriores. Fl. 152DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.004720/200590 Acórdão n.º 180100.487 S1TE01 Fl. 127 5 Reafirmou que ainda que se considere a sua legalidade, à época da formalização das compensações declaradas não vigoravam as disposições do artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005, vigendo, à época, a IN SRF n°.. 210, de 2002, que não trazia tal vedação em seu bojo. A DRJ teria, assim, aplicado retroativamente dispositivo normativo a fim de restringir seu direito, violando disposições legais e constitucionais, pois tal comando não teria o escopo de dar interpretação mas unicamente de inserir novas regras restritivas ao sistema de compensação. Reproduz as alegações de vinculação destes autos ao processo de n° 19647.009690/200699 e de indevida revisão de ofício no lançamento perpetrado naqueles autos. Ao final pede pela reforma daquele decisum. Após a leitura do relatório em sessão de julgamento, fez sustentação oral pela empresa a Dra. Lenisa P. Matos, OAB/DF no. 21.698. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Preliminar. LIMITES DO LITÍGIO. Delimitandose o presente litígio cumpre consignar que a DRJ em Recife/PE esclareceu que o presente processo, que trata de Declarações de Compensação, não decorre dos autos do processo administrativo n° 19647.009690/200699.É facilmente possível confirmar o fato já que este processo data de 2005 enquanto aquele foi formalizado no ano de 2006, posteriormente, portanto. Não é possível, assim, que este processo seja decorrente daquele. Ademais, enquanto o processo de n° 19647.009690/200699 trata de lançamento de ofício decorrente de procedimento de fiscalização direta, estes autos tratam de declarações de compensação transmitidas eletronicamente e que foram baixadas para tratamento manual neste processo e o único fundamento alegado pela DRF para indeferir o pedido de homologação foi a inexistência de crédito do contribuinte que pudesse ser utilizado para compensar com débitos próprios, pois, conforme preceitua o artigo 10 da IN SRF n° 600/05, eventual valor pago a maior a título de estimativa mensal somente poderia vir a ser utilizado ao final do período de apuração, para dedução do valor do imposto afinal devido ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. Fl. 153DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 6 Portanto, as argüições contra a revisão de ofício praticada no âmbito do processo administrativo n° 19647.009690/200699, que trata de lançamento de ofício para exigência de crédito tributário são alheias ao presente feito e devem ser tratadas unicamente no âmbito daqueles autos, razão pela qual deixo de tomar conhecimento de tais alegações. Mérito A questão que se coloca para análise nestes autos se refere à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais no curso do anocalendário e, havendo tal possibilidade, se isto geraria um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Nesse sentido registro que a questão é tormentosa e não se encontra pacificada neste Órgão Colegiado. Muito longe disso, há divergências inúmeras acerca da questão. Há aqueles que comungam do entendimento esposado pelas autoridades administrativas da DRF e DRJ, consignado nas decisões proferidas nestes autos, no sentido de que para as pessoas jurídicas tributadas com base nas regras do lucro real, o crédito ou o débito decorrente do confronto do pagamento das estimativas, de que trata o artigo 2° da Lei n° 9.430, de 1996, com o valor devido a título de IRPJ e CSLL, só seria apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. Antes do encerramento do anocalendário não haveria, pois, que se falar em tributo a restituir, já que até o último momento poderiam ocorrer eventos que viriam a alterar o quantum devido a título de IRPJ e CSLL. Assim, partindo da premissa de que o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real somente se concretizaria no final de cada anocalendário, seria a partir deste evento que se encontraria o saldo do imposto a pagar ou a recuperar, nos termos do artigo 6º, § 1°, I e II, da Lei nº. 9.430, de 1996: Art. 6° .... § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Por conta dessa interpretação não haveria que se falar em fluência de juros a partir do recolhimento indevido da estimativa, mas, somente a partir do mês subseqüente do anocalendário seguinte, dado que a geração do indébito somente ocorreria em 31/12 de cada ano, com o surgimento do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL. A interpretação é válida e encontra robustos fundamentos. Ao afastar entendimentos contrários no sentido de que o artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, que regula a compensação, ao se referir as vedações, não dispôs expressamente acerca de qualquer restrição à compensação de estimativas pagas a maior ou indevidamente, essa corrente teoriza o entendimento de que não haveria necessidade de se inserir dispositivo específico nessa sentido, pois se estaria a registrar o óbvio já previsto na própria legislação que regulamenta a apuração e o pagamento de estimativas mensais. Fl. 154DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.004720/200590 Acórdão n.º 180100.487 S1TE01 Fl. 128 7 Nesse contexto, em relação às críticas quanto às restrições contidas em atos normativos infralegais, como por exemplo, o discutido artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005 (também previsto na IN SRF n° 460, de 2004), destacam que tais normas administrativas não se prestariam a criar, modificar ou extinguir direitos, mas sim disciplinar ou regulamentar o exercício de prerrogativas previstas em Lei, esta em sentido formal. Seria possível, assim, fazer referência a um ato administrativo subseqüente em relação à situação pretérita, desde que a situação fosse prevista em lei. Esta relatora por muito tempo comungou desse entendimento. Mas, se o próprio Direito é dinâmico, que se dirá a respeito de posições doutrinárias. Assim, surgem interpretações em outros sentidos, também apoiadas em fortes e sólidos argumentos. Depois de refletir sobre o assunto e sobre os posicionamentos doutrinários estudados, passo a fazer minhas considerações. Nesse sentido peço permissão para reproduzir as palavras da Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, proferidas em recentes julgados nesta 1a. Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que há muito tempo vem estudando o tema com profundidade. Cumpre ressaltar, assim, que é certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (art. 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5o incluído no art. 74 da Lei nº. 9.430/96, pela Medida Provisória nº. 66/2002, atualmente transportado para o § 14 desde a edição da Lei nº. 11.051/2004: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº. 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais. Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, temse a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que se verifica ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não há como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº. 460/2004 como procedimental. Não se vislumbra espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Fl. 155DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 8 Poderia se cogitar de tal possibilidade em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição. Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, Fl. 156DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.004720/200590 Acórdão n.º 180100.487 S1TE01 Fl. 129 9 acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e Fl. 157DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 10 VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. É verdade que, pela Medida Provisória n° 449, de 3 de dezembro de 2008, se procurou acrescentar novas restrições à compensação, por meio da inserção dos incisos VII a IX, ao § 3° do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, dentre elas a compensação de indébitos de estimativas. Seria essa a redação: Art. 29. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...).....(...) (...).(...) § 3º (...)....(...)....(...) (...) VII os débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); VIII os débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 1988; e IX os débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL apurados na forma do art. 2º. (...) § 12. (...) (...) Entretanto, na conversão da referida MP 449, de 2008, na Lei no. 11.941, de 2009, não se manteve a alteração acima: Lei n°. 11.941, de 27 de maio de 2009 (fruto da conversão da MP 449/2008): Art. 30. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...) (...) § 12. (...) (...) Portanto, não foi da vontade do legislador vedar a compensação de indébitos de estimativas de IRPJ e de CSLL. Fl. 158DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.004720/200590 Acórdão n.º 180100.487 S1TE01 Fl. 130 11 É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº. 9.430/96, observase que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. De outro giro é possível interpretar, também, que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacou se) Fl. 159DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 12 Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, posto que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do ano calendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluise que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive Fl. 160DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.004720/200590 Acórdão n.º 180100.487 S1TE01 Fl. 131 13 adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51, de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não Fl. 161DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 14 realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano calendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzilos por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com Fl. 162DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.004720/200590 Acórdão n.º 180100.487 S1TE01 Fl. 132 15 base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar e pagar a estimativa de IRPJ relativa ao mês de março de 2002, em valor maior que o devido, e assim apontou o indébito de R$ 428.952,08 para compensações com outros tributos, posteriormente, inclusive, à apuração do ajuste anual em 31/12/2002, já que as DCOMP foram formalizadas em dezembro de 2003 e fevereiro de 2004. Fl. 163DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 16 Há notícias nos autos que os recolhimentos a maior a título de estimativas (de IRPJ e de CSLL), cujo indébito é pleiteado nestes autos a título de direito creditório – especificamente nestes autos o indébito de estimativa de IRPJ foram aproveitados como dedução e compuseram o saldo final do tributo – IRPJ ou CSLL – apurado, ao final do período de apuração, em 31/12/2002, em procedimento fiscal de revisão de ofício de lançamento. Dito de outra forma, o valor aqui pleiteado já teria sido reconhecido pela auditoria fiscal, na revisão de ofício, e aproveitado nas antecipações a título de estimativas, servindo como dedução ou compondo o tributo ao final apurado. Por relevante, transcrevo o teor do item “6” do Relatório de Informação Fiscal relativo ao processo n° 19647.009690/200699, cuja cópia encontrase acostada às fls. 108 a 112: “6. Os pagamentos de est imativa mensal de IRPJ e da CSLL indevidos ou a maior foram aproveitados (nesta revisão) no ajuste anual, respectivamente, para dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devidos no anocalendário em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período, conforme art. 10 da IN N."600/2005. . . .” Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito de R$ 428.952,08 e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 164DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.004720/200590 Acórdão n.º 180100.487 S1TE01 Fl. 133 17 Fl. 165DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES
score : 1.0
Numero do processo: 10980.003707/2005-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
CRÉDITOS DE IMPORTAÇÃO. COMPENSAÇÃO
A compensação de créditos de PISImportação,
apurados no período de
dezembro de 2004, mediante a entrega de declaração de compensação
(Dcomp), somente passou a ser permitida legalmente a partir de 19 de maio
de 2005.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 20/04/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO
A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio
sujeito passivo, mediante a apresentação de Declaração de Compensação
(Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financeiros
declarados.
CRÉDITOS DE PIS COMPENSADOS. JUROS SELIC
Inexiste amparo legal para o pagamento de juros compensatórios sobre
créditos de Cofins compensados com débitos fiscais próprios.
Numero da decisão: 3301-000.913
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. Fez sustentação pela parte a
advogada Heloísa Guarita Souza OAB/PR nº 16.597.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 CRÉDITOS DE IMPORTAÇÃO. COMPENSAÇÃO A compensação de créditos de PISImportação, apurados no período de dezembro de 2004, mediante a entrega de declaração de compensação (Dcomp), somente passou a ser permitida legalmente a partir de 19 de maio de 2005. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/04/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a apresentação de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados. CRÉDITOS DE PIS COMPENSADOS. JUROS SELIC Inexiste amparo legal para o pagamento de juros compensatórios sobre créditos de Cofins compensados com débitos fiscais próprios.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1760; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 205 1 204 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.003707/200558 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 330100.913 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 2 de maio de 2011 Matéria PIS DCOMP Recorrente VOLVO DO BRASIL VEÍCULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 CRÉDITOS DE IMPORTAÇÃO. COMPENSAÇÃO A compensação de créditos de PISImportação, apurados no período de dezembro de 2004, mediante a entrega de declaração de compensação (Dcomp), somente passou a ser permitida legalmente a partir de 19 de maio de 2005. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/04/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a apresentação de Declaração de Compensação (Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados. CRÉDITOS DE PIS COMPENSADOS. JUROS SELIC Inexiste amparo legal para o pagamento de juros compensatórios sobre créditos de Cofins compensados com débitos fiscais próprios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. Fez sustentação pela parte a advogada Heloísa Guarita Souza OAB/PR nº 16.597. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 2 José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Possas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ Curitiba, PR, que julgou improcedente a manifestação inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou a compensação do débito fiscal vencido, declarado na Dcomp em discussão protocolada em 20/04/2005, com créditos de PIS e de PISImportação referentes ao mês de dezembro de 2004. A DRF não homologou a compensação do débito fiscal declarado sob o argumento de que o crédito a que a recorrente fazia jus, referente ao mês de outubro de 2004, foi integralmente utilizado para compensar débitos declarados no processo administrativo nº 10980.00331/200577. Naquele processo, a DRF reconheceu parcialmente os créditos declarados e homologou a compensação dos débitos fiscais declarados até o total dos créditos reconhecidos. As glosas efetuadas por ela se referem aos créditos do PIS pagos em importações por falta de amparo legal para o seu ressarcimento/compensação e sobre aquisições da PK Cables do Brasil Ind. e Com. Ltda. e da ArvinMeritor do Brasil Sistema Automotivo Ltda., notas fiscaisfaturas nº 041.144 e nº 83.192, respectivamente, por falta de descrição das mercadorias. Cientificada do despacho decisório, inconformada, interpôs a manifestação de inconformidade às fls. 107/118, insurgindo contra o nãoreconhecimento do seu direito àqueles créditos, alegando razões assim sintetizadas pela DRJ: “. . . na apreciação da compensação, a autoridade entendeu que não havia nenhum crédito compensável, pois o saldo acumulado do PIS até 11/2004 já havia sido integralmente aproveitado nas compensações que precederam o presente requerimento. Essa conclusão, ressalta, se baseou na análise levada a efeito no PAF n° 10980.003319/200577, com a glosa do PIS de notas fiscais por falta de enquadramento da descrição dos seus produtos ou serviços e da totalidade dos ‘Créditos a Descontar na Importação PIS Pago’. Entende, contudo, que as glosas são indevidas e a decisão, fundada em premissas de fato e de direito equivocadas, merece ser reformada, a fim de que se reconheça todo o crédito, que é suficiente para a efetivação da compensação pretendida, computando, ainda, o acréscimo legal de correção monetária.” Analisada a manifestação de inconformidade, a DRJ Curitiba julgoua improcedente e nãohomologou a compensação dos débitos declarados, conforme acórdão nº 0625.831, datado de 17/03/2010, às fls. 188/189, sob a seguinte ementa: “PIS NÃOCUMULATIVO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS A COMPENSAR. Na inexistência de saldo de créditos a compensar de PIS/Pasep nãocumulativo, mantémse a nãohomologação da compensação declarada.” Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 10980.003707/200558 Acórdão n.º 330100.913 S3C3T1 Fl. 206 3 Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs o recurso voluntário às fls. 192/206, requerendo a sua reforma a fim de que se reconheça o seu direito à compensação dos valores reclamado, acrescidos de juros compensatórios, alegando, em síntese, que tem direito ao ressarcimento/compensação dos créditos decorrentes do PIS pagos nas importações de insumos aplicados na produção de bens para exportação. Ainda, segundo seu entendimento, a Lei n° 10.865/2005 (conversão da MP nº 164, de 29.01.2004), que instituiu o PIS/CofinsImportação, permitiu que essas contribuições pagas em importações específicas fossem aproveitadas como créditos para a compensação do PIS/Cofins nãocumulativos. Também, ao contrário do entendimento da autoridade julgadora de primeira instância, a Lei nº 11.116, de 18/05/2005, art, 16, não se aplica ao presente pedido de ressarcimento, limitando sua aplicação aos créditos referidos no art. 17, da Lei 11.033, que dizem respeito às importações e às vendas realizadas no mercado interno, não trazendo qualquer alteração no tratamento dos créditos vinculados à exportação nem mesmo a eles se referindo. Ao final, requereu a incidência de juros compensatórios sobre os valores deferidos e/ ou a serem deferidos, à taxa Selic, sob argumento de que o nãoreconhecimento de sua incidência implicará flagrante lesão patrimonial à empresa, e, por outro lado, o enriquecimento sem causa da União. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. As questões de mérito opostas nesta fase recursal se resumem ao direito ou não de a recorrente compensar os saldos dos créditos da PISImportação, apurados no mês de dezembro de 2004, com débitos fiscais de outra natureza, bem como ao pagamento de juros compensatórios sobre tais créditos. A legislação que trata do PIS com incidência nãocumulativa assim dispõe, in verbis: Lei nº 10.637, de 30/12/2002 (PIS) nãocumulativo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 4 (...); § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; (...). “Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...). § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.” Cabe ressaltar que esses dispositivos, citados e transcritos anteriormente, se aplicam ao PIS com incidência nãocumulativa apurada sobre o faturamento mensal e aquisições no mercado interno. A Lei nº 10.865, de 30/04/2004, com vigência a partir de 1º de maio de 2004, que instituiu o PIS/CofinsImportação incidente sobre as importações de bens adquiridos para revendas e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a vendas, dispõe, in verbis: “Art. 1º Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINS Importação, com base nos arts. 149, § 2º, inciso II, e 195, inciso IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu art. 195, § 6º. Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 10980.003707/200558 Acórdão n.º 330100.913 S3C3T1 Fl. 207 5 determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) I bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; (...). § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 2º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...).” Ora, conforme se verifica dos §§ 1º e 2º transcritos acima, os créditos do PIS/CofinsImportação pagos na importação de bens somente podiam ser deduzidos das contribuições devidas no mês ou aproveitados nos meses subsequentes, inexistindo amparo legal para compensálos com outros débitos fiscais e/ ou para os seus ressarcimentos. Posteriormente, a Lei nº 11.033, de 21/12/2004, convertida da MP nº 206, de 06/08/2004, com vigência a partir de 09/08/2004, assim dispôs quanto aos créditos de PIS/Cofins decorrentes de custos de produtos vendidos sem a incidência dessa contribuição, in verbis: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” Finalmente, a Lei nº 11.116, com vigência a partir de 19/05/2005, assim dispôs quanto ao aproveitamento dos créditos de Cofins, in verbis: “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 6 Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei.” (grifos nãooriginais) Da interpretação dos dispositivos legais transcritos anteriormente, concluise que somente, a partir de 19/05/2005, os saldos credores trimestrais dos créditos de PIS Importação passaram a ser passíveis de compensação com débitos próprios e/ ou de pedido de ressarcimento. Na prática os saldos credores apurados para o 2º trimestre de 2005 em diante. Assim, os saldos credores trimestrais apurados para os trimestres anteriores àquele, não são passíveis de compensação/ressarcimento, mas tão somente dedutíveis da contribuição devida, tendo em vista que aqueles dispositivos legais restringiram de forma expressa a compensação e/ ou o pedido de ressarcimento somente a partir de 19/05/2005. No presente caso, os saldos de créditos de PISImportação cuja compensação se pleiteia referemse ao mês dezembro de 2004. Dessa forma, não há amparo legal para homologar a compensação do débito fiscal declarado na Dcomp em discussão. Quanto à aplicação de juros compensatórios, à taxa Selic, sobre créditos de PIS/Cofins nãocumulativas, utilizados em compensação e/ ou passiveis de ressarcimento, inexiste amparo legal para o seu pagamento. Ao contrário, a Lei nº 10.833, de 2003, que instituiu esta modalidade de contribuição, veda expressamente a aplicação de juros compensatórios sobre tais créditos, assim dispondo, in verbis: “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Art; 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...); VI – no art. 13 desta Lei.” Já a homologação da compensação de créditos financeiros contra a Fazenda Nacional, mediante a apresentação de Dcomp, bem como a extinção do débito fiscal declarado, a Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, a condiciona à certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado. No presente caso, conforme demonstrado, o direito de a recorrente compensar os créditos financeiros utilizados na Dcomp em discussão não foi reconhecido. Assim não há que se falar em homologação da compensação do débito fiscal declarado. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 10980.003707/200558 Acórdão n.º 330100.913 S3C3T1 Fl. 208 7 José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 7DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 11610.012813/2006-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2000
DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA E JUDICIAL DE IDÊNTICA MATÉRIA. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito
passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois
do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo,
sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo,
de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1)
PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO.
Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo
administrativo, em face da existência de processo judicial em que se discute o
mérito do lançamento, mas tão somente para, se for o caso, suspender a
execução do acórdão enquanto perdure eventual decisão judicial que
determine a suspensão da exigibilidade, ou inexigibilidade, do crédito
tributário discutido.
Numero da decisão: 1102-000.439
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso por concomitância entre os processos administrativo e judicial.
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2000 DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA E JUDICIAL DE IDÊNTICA MATÉRIA. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1) PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo, em face da existência de processo judicial em que se discute o mérito do lançamento, mas tão somente para, se for o caso, suspender a execução do acórdão enquanto perdure eventual decisão judicial que determine a suspensão da exigibilidade, ou inexigibilidade, do crédito tributário discutido.
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Recorrente ALCON LABORATÓRIOS DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA E JUDICIAL DE IDÊNTICA MATÉRIA. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1) PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo, em face da existência de processo judicial em que se discute o mérito do lançamento, mas tão somente para, se for o caso, suspender a execução do acórdão enquanto perdure eventual decisão judicial que determine a suspensão da exigibilidade, ou inexigibilidade, do crédito tributário discutido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso por concomitância entre os processos administrativo e judicial. Documento assinado digitalmente. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 20/06/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Processo nº 11610.012813/200684 Acórdão n.º 110200.439 S1C1T2 Fl. 127 2 Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, Manoel Mota Fonseca, e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Relatório Em procedimento interno de auditoria da DCTF do quarto trimestre de 2000, constatouse que a contribuinte em epígrafe recolheu em atraso o IRPJ referente ao mês de dezembro/2000 (estimativa mensal), sem contudo incluir no recolhimento o valor da respectiva multa de mora (Darf de fls. 68). Ante o constatado, foi lavrado Auto de Infração para a constituição de crédito tributário relativo a Multa de Mora Paga a Menor no valor de R$55.035,64 (fls. 60 a 67). Regularmente intimada em 01/12/2006 (fls. 72), a contribuinte apresentou em 27/12/2006 a Impugnação de fls. 1 a 11, acompanhada dos documentos de fls. 12 a 71. Alega que a multa de mora é indevida, pois no caso houve denúncia espontânea nos precisos moldes previstos pela legislação e jurisprudência dominante no Superior Tribunal de Justiça e nos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, as quais reproduz. Faz uma síntese dos fatos, a partir da constatação do seu equívoco ao remeter para o exterior, indevidamente, certo valor a título de royalties, passando pela devolução deste valor por sua sócia e beneficiária dos supostos royalties, pela adição ao lucro líquido de todos os valores que haviam sido deduzidos indevidamente como despesas incorridas a este título, e pelo pagamento da diferença do IRPJ que havia deixado de ser recolhido em época própria, em decorrência da dedução feita de forma indevida, acrescida de juros Selic. Informa ainda que não estava ou esteve sob fiscalização quando efetuou o pagamento do imposto em atraso, e que, mesma data em que efetuou o pagamento, i.e., em 22.06.2004, protocolou, junto à Secretaria da Receita Federal, petição informando da denúncia espontânea de sua infração. Acrescenta que a exigibilidade do crédito tributário encontrase suspensa por força do Mandado de Segurança nº 2005.61.00.0073774, o qual visa a homologação da denúncia espontânea feita com os débitos de IRPJ. Requer seja suspenso o andamento do presente processo administrativo até o trânsito em julgado do referido Mandado de Segurança e, ao final, seja julgada procedente a impugnação, anulandose integralmente o auto de infração. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 20/06/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Processo nº 11610.012813/200684 Acórdão n.º 110200.439 S1C1T2 Fl. 128 3 A 10ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo/SP (DRJ/SPOI), por meio do Acórdão 1624.073 (fls. 87 a 91), não conheceu da impugnação quanto ao mérito, em face da concomitância com o processo judicial, e indeferiu, por falta de previsão legal neste sentido, o pedido de sobrestamento do processo administrativo até o trânsito em julgado do Mandado de Segurança n° 2005.61.00.0073774. A decisão está assim ementada: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2000 PROCESSO JUDICIAL E IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. Entre as normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo. Pelo princípio da oficialidade, a administração pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final.” Cientificada desta decisão em 11.03.2010, conforme AR de fls. 95, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 29.03.2010, fls. 96 a 108, no qual reprisa os argumentos já expostos por ocasião da inicial, bem como renova integralmente os pedidos ali feitos. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Alega a recorrente que a exigência em questão é indevida, por estar ela ao abrigo do instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN. Entretanto, assim como já o havia feito o julgador a quo, verifico que esta matéria é objeto do Mandado de Segurança nº 2005.61.00.0073774. De fato, conforme se verifica na petição inicial acostada às fls. 28 a 40, os mesmos argumentos, e a mesma exposição dos fatos, que aqui se discute, foi levada à apreciação do Poder Judiciário naquele processo. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 20/06/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Processo nº 11610.012813/200684 Acórdão n.º 110200.439 S1C1T2 Fl. 129 4 Tal circunstância impede ao julgador administrativo qualquer digressão sobre o assunto, estando tal entendimento consolidado na Súmula CARF nº 1, de observação obrigatória no âmbito deste Colegiado, e abaixo transcrita: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Resta, portanto, apenas analisar o pedido da recorrente para que seja suspenso o curso do presente processo administrativo em razão da existência de decisão judicial declarando a inexigibilidade do crédito tributário em questão. Tal pedido, entretanto, não possui respaldo legal. Aliás, como corolário da impossibilidade de pronunciamento da autoridade administrativa sobre o assunto, não há de fato qualquer motivo ou razão lógica para suspender o curso do presente processo administrativo, mas tão somente para, se for o caso, suspender a execução do acórdão enquanto perdure eventual decisão judicial que determine a suspensão da exigibilidade, ou inexigibilidade, do crédito tributário aqui discutido, tendo em vista a inegável submissão da administração ao pronunciamento judicial sobre o assunto. Neste sentido, em consulta à página eletrônica do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, na data de 26.04.2011, verifiquei que o processo nº 2005.61.00.0073774, que teve o recurso de apelação da autora julgado procedente em 30.10.2008 (fls. 116 a 120), encontrase pendente de julgamento de embargos declaratórios interpostos pela Fazenda Nacional, estando os autos conclusos ao relator desde 16.11.2010. Pelo exposto, não conheço do recurso voluntário em razão da concomitância entre os processos administrativo e judicial no tocante à alegação da ocorrência de denúncia espontânea. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 20/06/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR Processo nº 11610.012813/200684 Acórdão n.º 110200.439 S1C1T2 Fl. 130 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 15/06/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 20/06/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIR
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