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Numero do processo: 10805.000696/2007-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2003
TRIBUTO RECOLHIDO FORA DO PRAZO SEM MULTA DE MORA.
ESPONTANEIDADE. CABIMENTO DA MULTA.
Nos termos da legislação que trata da matéria, é cabível a aplicação da multa de mora em lançamento de ofício, exigida isoladamente, pelo recolhimento espontâneo do IRPJ feito fora do prazo legal, desacompanhado dessa penalidade.
Numero da decisão: 1202-000.513
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003 TRIBUTO RECOLHIDO FORA DO PRAZO SEM MULTA DE MORA. ESPONTANEIDADE. CABIMENTO DA MULTA. Nos termos da legislação que trata da matéria, é cabível a aplicação da multa de mora em lançamento de ofício, exigida isoladamente, pelo recolhimento espontâneo do IRPJ feito fora do prazo legal, desacompanhado dessa penalidade.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1482; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 142 1 141 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10805.000696/200747 Recurso nº 000000 Voluntário Acórdão nº 120200.513 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de maio de 2011 Matéria MULTA DE MORA Recorrente FLEXSYS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 TRIBUTO RECOLHIDO FORA DO PRAZO SEM MULTA DE MORA. ESPONTANEIDADE. CABIMENTO DA MULTA. Nos termos da legislação que trata da matéria, é cabível a aplicação da multa de mora em lançamento de ofício, exigida isoladamente, pelo recolhimento espontâneo do IRPJ feito fora do prazo legal, desacompanhado dessa penalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Orlando José Gonçalves Bueno, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 142DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10805.000696/200747 Acórdão n.º 120200.513 S1C2T2 Fl. 143 2 Relatório Tratase da lavratura de Auto de Infração eletrônico decorrente de auditoria interna da DCTF/2003, para exigência do crédito tributário no valor de R$ 71.936,46 a título de multa de mora, em razão da autuada ter efetuado pagamentos espontâneos do IRPJ fora do prazo legal, sem a incidência da respectiva multa, fls. 14 a 24. Contra a autuação, a interessada apresentou a sua impugnação mediante arrazoado, de fls. 01 a 09, alegando haver se utilizado, nos pagamentos feitos fora do prazo, do instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do CTN. Nesse contexto, passou a discorrer sobre o referido instituto, para, ao final, pleitear a improcedência da autuação. Na sequência, a DRJ/Campinas emitiu o Acórdão nº 0523.474, de fls. 79/80, mantendo a exigência, sob o fundamento de que, aos débitos declarados em DCTF, incide a Súmula nº 360 do Superior Tribunal de JustiçaSTJ, com o seguinte ementário: DCTF. DÉBITOS DECLARADOS. MULTA DE MORA. SÚMULA N° 360Superior Tribunal de Justiça (STJ): "O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". Rel. Min. Eliana Calmon, em 27/8/2008 Lançamento Procedente Não satisfeita com a decisão prolatada, a requerente apresentou seu recurso voluntário, de fls. 116 a 127, repisando praticamente os mesmo argumentos trazidos na peça impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A matéria objeto do litígio diz respeito ao cabimento da exigência da multa de mora aos pagamentos feitos em atraso, relativo aos débitos do IRPJ confessados em declaração DCTF. Em seu recurso, a recorrente argumenta que aos lançamentos ditos por homologação, como é o caso, o pagamento em atraso dos tributos comporta apenas a incidência dos juros de mora, invocando a aplicação do instituto da denúncia espontânea contida no art. 138 do Código Tributário NacionalCTN. Fl. 143DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10805.000696/200747 Acórdão n.º 120200.513 S1C2T2 Fl. 144 3 Já o acórdão recorrido fez incidir ao caso a Súmula nº 360 do STJ que diz não se aplicar a denúncia espontânea aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Assim dispõe o art. 138 do CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Em que pese o art. 138 do CTN falar somente ser devido os juros de mora, pela denúncia espontânea, esta não é a melhor interpretação que se dá para os pagamentos dos tributos em atraso recolhidos por iniciativa do sujeito passivo. Isso se deve porque dito dispositivo legal encontrase inserido no Código Tributário Nacional em seu TÍTULO II, dispondo sobre a “Obrigação Tributária”, e na SEÇÃO IV, que trata da “Responsabilidade por Infrações”. Entretanto, a matéria aqui discutida encontra melhor referência no Código Tributário Nacional em seu TÍTULO III “Crédito Tributário”, CAPÍTULO IV “Extinção do Crédito Tributário”, Seção II “Pagamento”, onde está inserido o art. 161, que dispõe a respeito dos acréscimos incidentes sobre o crédito tributário não pago no vencimento, cujo dispositivo assim está redigido: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Por seu turno, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu art. 61 e parágrafos, é muito clara ao estabelecer a incidência dos juros e da multa de mora aos débitos não pagos nos prazos previstos pela legislação específica. Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto Fl. 144DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10805.000696/200747 Acórdão n.º 120200.513 S1C2T2 Fl. 145 4 para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Como se percebe pela redação do dispositivo legal acima transcrito, resta clara a incidência dos acréscimos de juros e multa de mora aos tributos e contribuições não pagos no seu vencimento. Sabendose que as leis não possuem palavras inúteis e, caracterizado que a autuada deixou de recolher o imposto de renda da pessoa jurídica nos prazos estabelecidos pela legislação, ocorre a subsunção do fato às normas legais estabelecidas no art. 161 do CTN e no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, acima transcritos, que devem ser aplicadas e cumpridas integralmente pelas autoridades administrativas. A mesma Lei nº 9.430, de 1996, no seu artigo 43, também prevê a imposição de penalidade exclusivamente de multa de mora, como aqui se examina, justamente para coibir a prática do não pagamento espontâneo da multa de mora aos recolhimentos fora do prazo, conforme redação do dispositivo que se transcreve: Auto de Infração sem Tributo Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Grifei). Como se percebe, a lavratura do Auto de Infração encontra perfeito amparo na legislação que trata da matéria. Não cabe à autoridade administrativa usar do poder discricionário para aplicação da norma regulamente inserida no ordenamento jurídico. Ocorrido o fato e estando ele perfeitamente enquadrado no dispositivo legal, a autoridade deve obrigatoriamente aplicar a lei ao caso concreto. O julgamento administrativo está estruturado como uma atividade de controle interno dos atos praticados pela administração tributária, sob o prisma da legalidade e da legitimidade. Os dispositivos da lei que exigem a cobrança da multa de mora (penalidade) não podem ser negados pelo Tribunal Administrativo, a quem não cabe substituir o legislador. Ademais, registrese que é mais do que razoável se admitir a existência de uma penalidade para desencorajar os contribuintes do não cumprimento da obrigação de pagar corretamente os seus tributos, sob pena de se estabelecer uma desigualdade com aqueles Fl. 145DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10805.000696/200747 Acórdão n.º 120200.513 S1C2T2 Fl. 146 5 contribuintes que cumprem suas obrigações tributárias nos prazos legais, cujos recursos financeiros depende o Estado para poder funcionar e que os aguarda no momento certo para o cumprimento de suas obrigações orçamentárias. O Superior Tribunal de Justiça, examinou a matéria ao rito do art. 543C do CPC (Recursos Repetitivos), confirmando o entendimento aqui manifestado, nos termos da ementa proferida no julgamento do Resp nº 962379/RS, trânsito em julgado em 24/04/2009, abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Em face do exposto, é de se manter a exigência da multa de mora isolada, devendo ser negado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 146DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
score : 1.0
Numero do processo: 10945.007204/2007-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO RETENÇÃO DOS 11% CARACTERIZADA A CESSÃO DE MÃO DE OBRA SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA TOMADORA DE SERVIÇOS.A
empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão de obra.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA DOS FATOS GERADORES A
não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento
importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD.
PERÍCIA NÃO DEMONSTRAÇÃO NOS AUTOS
Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.810
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2001 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO RETENÇÃO DOS 11% CARACTERIZADA A CESSÃO DE MÃO DE OBRA SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA TOMADORA DE SERVIÇOS.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão de obra. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2001 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA DOS FATOS GERADORES A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. PERÍCIA NÃO DEMONSTRAÇÃO NOS AUTOS Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova. Recurso Voluntário Negado.
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ÔNUS DA TOMADORA DE SERVIÇOS. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãode obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãode obra. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2001 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA DOS FATOS GERADORES A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. PERÍCIA NÃO DEMONSTRAÇÃO NOS AUTOS Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova. Recurso Voluntário Negado Fl. 1DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 17/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 17/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10945.007204/200740 Acórdão n.º 2401001.810 S2C4T1 Fl. 205 3 Relatório A presente NFLD, lavrada sob o n. 37.101.7700, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela de 11% sobre as notas fiscais, a cargo da empresa sobre a contratação de pessoas jurídicas mediante presta cessão de mão de obra pela prestadora IBIDEC – Instituto Brasileiro de Integração e Desenvolvimento PróCidadão. O lançamento compreende competências entre o período de 07/2001 a 12/2005. Segundo o relatório fiscal, no decorrer do procedimento fiscal foram apuradas situações em que as retenções de 11% foram feitas a menor, incidindo sobre uma base de cálculo reduzida, em desacordo com as normas do INSS. Em síntese, descreve a autoridade fiscal que as Notas Fiscais de Prestação de Serviços contendo exclusivamente valores de serviços, cuja retenção de 11% foi destacada e recolhida sobre uma base de cálculo inferior, bem como observou Notas Fiscais de Prestação de Serviços sem o destaque e/ou retenção de 11%. Ao quitar as notas fiscais/faturas apresentadas, o Município deixou de efetuar a retenção de 11% ou efetuoua sobre uma base de cálculo indevidamente reduzida, razão pela qual estão sendo lançadas as diferenças apuradas. A empresa contratada deduziu valores referentes a "Taxa de Administração" e "Encargos", ou “Despesas Operacionais” que é vedado pela legislação (art. 153 da IN MPS/SRP no. 03, de 14/07/2005). Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 19/12/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 26/12/2007. Não conformada com a notificação, a recorrente apresentou defesa, fls. 123 a 138. Foi emitida DecisãoNotificação confirmando a procedência parcial do lançamento, para excluir as contribuições até a competência 11/2002, posto que se tratam de diferenças de contribuições, fls. 153 a 163. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 174 a 187, alegando em síntese: 1. Que os créditos anteriores a 12/2002 foram alcançados pela decadência qüinqüenal. 2. Que os agentes fiscais entenderam que a retenção de 11% incide sobre a totalidade das notas fiscais, nestas incluídas a mãodeobra, administração e encargos. Segue alegando que o entendimento fiscal é equivocado, tendo em vista que os pactos firmados com a ADESO — Agência de Desenvolvimento Econômico e Social, não se tratam de contratos para cessão de mãodeobra. Tratamse de Termos de Parcerias instituídos e regulamentados pela Lei n. 9.790/99, destinados à formação de vínculo de cooperação entre as partes, para o fomento e a execução das atividades de interesse público previstas no art. 3 0 daquela lei; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 17/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 3. Argumenta que não há dúvidas de que a contribuição previdenciária que prevê a retenção de 11% sobre o valor das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços é constitucional, vez que já restou pacificada pelo Supremo Tribunal Federal:Sr.Por sua vez,o rol constante da 4°,do art. 31 da Lei 8.212/91, não é taxativo, tratandose de relação exemplificativa, o que vale dizer que outras atividades poderão ser abrangidas pela retenção, constituindose o contratante em substituto tributário da exação determinada pela lei, contanto que inserida dentro de uma mesma moldura préordenada e limitadora constante do parágrafo 3°, do art.31, da mesma Lei; 4. Por outro lado, argumenta que, quando o art. 31, § 4°, da Lei 8212/91, com conteúdo exemplificativo, diz que, "além de outros estabelecidos em Regulamento", resulta na interpretação de que a enumeração de casos constantes dos incisos I a IV estão sujeitos a inclusões de outros, por meio de regulamento. No entanto, tais inclusões devem se encaixar, ou se enquadrar, perfeitamente, às características encontradas no texto da própria lei, sob pena de confrontar o princípio da legalidade tributária, não sendo cabível que veículos normativos infra legais determinem os sujeitos passivos, nem as hipóteses das obrigações tributárias, conforme determina o art. 99 do CTN; 5. Que, por tal dispositivo legal, existem duas condições balizadoras, a saber: a) A colocação de recursos humanos à disposição do contratante e b) Realização de serviços contínuos. Quanto à primeira condição, a colocação de um empregado ou segurado à disposição do contratante tomador significa que este definirá todas as condições de execução diretamente com os empregados do cedente, e não com o próprio contratado cedente, com o qual somente definirá questões genéricas; a segunda condição diz respeito quanto à continuidade dos serviços prestados pela cedente, que deve ser de forma contínua. Ressalta que cessão de mãodeobra, por empresa contratada, implica em disponibilização de recursos humanos para a Contratante executar, sob sua orientação, os serviços pactuados; 6. Que, na cessão de mãodeobra , para efeitos do §3° do art. 31 da Lei 8.212/91, terá que haver subordinação dos empregados da contratada às determinações da contratante e os serviços se realizarem de forma contínua; 7. Que, também, há que se ponderar que Decreto Regulamentador e/ou Instrução Normativa não podem desbordar da lei; 8. Com 'efeito, não há a menor possibilidade de o detentor da chefia do Poder Executivo emitir decreto inovando, criando obrigações ou extinguindo direitos, menos ainda, a Secretaria da Receita Previdenciária, signatária da Instrução Normativa MPS/SRP n° 03/2005, criando précondição para o exercício regular do direito; 9. Que é uma aberração a pretensão de fazer incidir a retenção de 11% sobre encargos, também com fulcro na ilegal, inconstitucional e absurda regra estabelecida no art. 153, da IN 03/2005; 10. Que, por sua vez, a IBIDEC não é empresa com objeto social destinado a terceirizar serviços". Tratase de entidade tida pela lei como Organização Social de Interesse Público — OSCIP, devidamente qualificada junto ao Ministério da Justiça, nos termos dos arts. 50 e 6° da Lei 9.790/99; 11. Que, não tendo havido contrato de cessão de mãodeobra, mas parcerias para estabelecimento de vínculo de cooperação entre as partes para fomento e execução de atividades de interesse público, previstas no art. 3° da Lei n..9.790/99, e tendo havido a Fl. 4DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 17/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10945.007204/200740 Acórdão n.º 2401001.810 S2C4T1 Fl. 206 5 retenção sobre a folha de pagamento dos colaboradores que prestaram serviços decorrentes destes Termos de Parcerias, a lei foi cumprida plenamente. 12. Requer, por fim, provar o alegado por todos os meios em direito admitidos, especialmente pelos documentos a serem juntados oportunamente, bem como pela prova pericial. 13. Assim, a pretensão adicional, de lançamento fiscal relativo a retenção de 11% do valor correspondente as despesas administrativas e mais os "encargos sociais", entendidos estes, como verbas previdenciárias e do FGTS, constitui exação inadequada entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 17/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 203. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Quanto a preliminar de decadência suscitada, não há o que ser apreciado. A Decisão de 1. Instância, já acolheu a preliminar de nulidade pretendida, excluindo do lançamento todas as contribuições até a competência 11/2002. DO MÉRITO No recurso em questão, o contribuinte resumiuse a atacar a validade do procedimento fiscal, descrevendo a impossibilidade da exigência, tendo em vista que o contrato de parceria com a empresa IBIDEC não se enquadra dentro do conceito de cessão de mão de obra, o que torna indevida a retenção. Contudo, a autoridade fiscal não atribui a prestação de serviços mediante cessão de mão de obra, resumindose, simplesmente a apurar diferenças sobre valores já retidos, considerando que foram excluídos da base de cálculo valores indevidos. Dessa forma, qualquer alegação quanto a impossibilidade da exigência de retenção, frente ao fato que o município já efetivava as retenções não merece maiores considerações, tendo em vista que a fiscalização não atribuiu nova responsabilidade, mas apenas constatou a exigência de uma prestação de serviços na qual já era realizada retenção. Com relação a retenção dos valores destacados na nota fiscal de serviços, clara, também é a legislação previdenciária a respeito. Senão vejamos, o art. 31 da Lei 8212/91. Art.31.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). §1oO valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Fl. 6DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 17/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10945.007204/200740 Acórdão n.º 2401001.810 S2C4T1 Fl. 207 7 Já quanto ao questionamento acerca da base de cálculo, entendo que razão também não assiste ao recorrente A legislação é clara quanto aos valores que podem ser excluídos da base de calculo da retenção de 11% e em especial aos que não podem ser excluidos. Senão vejamos trecho do relatório fiscal: Ao quitar as notas fiscais/faturas apresentadas, o Município deixou de efetuar a retenção de 11% ou efetuoua sobre uma base de cálculo indevidamente reduzida, razão pela qual estão sendo lançadas as diferenças apuradas. A empresa contratada deduziu valores referentes a "Taxa de Administração" e "Encargos", o que é vedado pela legislação (art. 153 da IN MPS/SRP no. 03, de 14/07/2005). "Art. 153. O valor relativo à taxa de administração ou de agenciamento, ainda que figure discriminado na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, não poderá ser objeto de dedução da base de cálculo da retenção, inclusive no caso de serviços prestados por trabalhadores temporários". No que tange a argüição de que o Regulamento e a Instrução Normativa extrapolaram os limites legais, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas regulados na Lei n ° 8.212/1991. Dessa forma, quanto à ilegalidade na cobrança das contribuições previdenciárias, ou mesmo definição de base de cálculo, não há razão para a recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional/ilegal, razão pela qual exigível a retenção nos termos descrito na legislação. Toda lei, regulamento presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade/ilegalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) Fl. 7DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 17/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Neste sentido já afastou a autoridade de primeira instância as alegações do recorrente, senão vejamos: As demais alegações da defesa restringemse ao fato de que as determinações contidas no''Regulamento da Previdência Social e na Instrução Normativa MPS/SRP n° 03/05, extrapolam ás determinações legais e, em razão disso, a fiscalização incluiu estabelecimentos e adotou procedimentos que não se enquadram nas descrições contidas no art. 31, § 4°, da Lei 8.212/91. ''Equivocase a impugnante quando afirma que o Decreto n° 3.048/99 e a Instrução Normativa,. SRP — n° 03/05 extrapolaram os ditames da Lei. Referidos atos apenas cumprem os seus papéis regulamentador e normativo, dentro da reserva do poder regulamentador concedido ao Poder Executivo. Vejase o que estabelece a Lei n° 8.212/91, em seu art. 33, observandse as alterações advindas com a Lei n° 6.103/2007: Lei n° 8.212/01 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e ~matizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria' da Receita Federal — SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do ah. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente (Redação dada pela Lei tf__10.256,de 9.7.2001) Lei n° 6.103/07 Art. 2" Além das competências atribuídas pela legisla 00 vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das — contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212, de 24 de julho. de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (Vide Decreto n° 6.103, de 2007). De acordo com o §4" do art. 31, da Lei 8.212/91, enquadramse como empresas prestadoras de serviços de cessão de mãode obra, aquelas que prestam, além de outros estabelecidos em Fl. 8DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 17/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10945.007204/200740 Acórdão n.º 2401001.810 S2C4T1 Fl. 208 9 regulamento, os serviços relacionados nos itens* I a IV, do mesmo parágrafo. Mais adiante, o art.103 da mesma lei, dispõe, verbis: Art. 103. O Poder Executivo regulamentará esta Lei no prazo de 60 (sessenta) dias a partir da data de sua publicação. Por outro lado, a Constituição assim determina: "Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:(..) IV sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução;" Ficou claro que não existia previsão normativa para exclusão da taxa de administração da base de cálculo , tendo a autoridade fiscal agido dentro do que determina a legislação, não havendo porque o lançamento ser desconstituído. REALIZAÇÃO DE PERÍCIA Quanto a possibilidade de realização de perícia, para esclarecer a existência de valores retidos e não recolhidos, razão não confiro ao recorrente. Entendo que a momento oportuno para indicação da necessária perícia, bem como cumprimento dos requisitos para realização da mesma seria a impugnação, o que não fez o recorrente. De acordo com o disposto no art. 9º, IV da Portaria MPAS n ° 520/2004, são requisitos da perícia, nestas palavras: Art. 9º A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. § 1º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 17/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 § 2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 3º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. § 4º A matéria de fato, se impertinente, será apreciada pela autoridade competente por meio de Despacho ou nas contra razões, se houver recurso. § 5º A decisão deverá ser reformada quando a matéria de fato for pertinente. § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. § 7º As provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório. § 8º Em caso de discussão judicial que tenha relação com os fatos geradores incluídos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ou Auto de Infração, o contribuinte deverá juntar cópia da petição inicial, do agravo, da liminar, da tutela antecipada, da sentença e do acórdão proferidos. No presente caso, não houve o preenchimento dos requisitos exigidos para realização da perícia, assim considerase não formulado tal pedido. Desse modo, pode a autoridade julgadora indeferir o pleito da recorrente, sem ferir o princípio da ampla defesa. Nesse sentido, segue o teor do art. 11º da Portaria MPAS n ° 520/2004: Art. 11 A autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva DecisãoNotificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 9º. § 2º O interessado será cientificado da determinação para realização da perícia por meio de Despacho, que indicará o procedimento a ser observado. Ademais, o lançamento em questão não demonstra qualquer dúvida acerca dos fatos geradores, competindo ao recorrente unicamente demonstrar a inexistência de valores recolhidos, podendo a autoridade julgadora dispensar perícia se entender que as mesmas são desnecessárias No mesmo sentido dispõe o Decreto n ° 70.235/1972 sobre o processo administrativo fiscal, sendo aplicado subsidiariamente no processo administrativo no âmbito do INSS, nestas palavras: Fl. 10DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 17/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10945.007204/200740 Acórdão n.º 2401001.810 S2C4T1 Fl. 209 11 Art. 17. A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligência, inclusive perícias quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Parágrafo único. O sujeito passivo apresentará os pontos de discordância e as razões e provas que tiver e indicará, no caso de perícia, o nome e o endereço do seu perito. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93) (...) A Portaria MPAS n ° 520/2004 é a que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito do INSS, conforme autorização expressa no art. 304 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999 e alterações, nestas palavras: Art.304. Compete ao Ministro da Previdência e Assistência Social aprovar o Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social, bem como estabelecer as normas de procedimento do contencioso administrativo, aplicandose, no que couber, o disposto no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e suas alterações. Como se percebe, a Portaria n ° 520 surgiu em virtude da previsão expressa no Regulamento da Previdência Social, que transferiu a competência para o Ministério da Previdência Social regulamentar a matéria. Dessa forma, está perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico. E como demonstrado, o assunto acerca de perícias e diligencias está tratado da mesma maneira no Decreto n ° 70.235/1972. No presente caso, a perícia é despicienda; pois toda a matéria probatória já consta nos autos. E com principio basilar do direito processual, cabe à parte provar fato modificativo, extintivo ou impeditivo do direito do Fisco. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente e a notificação seguiu o procedimento previsto, não reconheço sua nulidade. Notese que não só o relatório fiscal, deixou claro que se tratavam de lançamento de diferença de contribuições contribuições referentes a retenção de 11% pela contratação de prestadora de serviços mediante cessão de mão de obra ou empreitada. Notese que anexo ao relatório, incluiu a autoridade fiscal a relação das NF consideradas, inclusive com a respectiva retenção realizada e diferença apurada. Conforme descrito o auditor esclareceu os fatos geradores, indicou de forma discriminada , bem como nomeou as empresas contratadas em que se identificou a retenção a menor, descrevendo mensalmente a base de cálculo. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 17/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da DecisãoNotificação, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a perícia suscitada e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 09/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 17/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10830.001756/2006-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003
ISENÇÃO. CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE.
Fazem jus à isenção do imposto os proventos de aposentadoria, pensão ou reforma recebidos por contribuinte portador de doença especificada em lei,comprovada por meio de laudo emitido por serviço médico oficial da Unido, dos Estados e dos Municípios.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.096
Decisão: Acrodam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Fazem jus à isenção do imposto os proventos de aposentadoria, pensão ou reforma recebidos por contribuinte portador de doença especificada em lei, comprovada por meio de laudo emitido por serviço médico oficial da Unido, dos Estados e dos Municípios. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutid s-os—presentes autos. ) Acordam os met4Ir6s do Colegiado, por unanimidade de-votos, em DAR provimento ao recurso, nos ten-nos,do voto do tol. Giovanni/Christian EDITADO EM: 28/07/21111 Participaram da sessão 'de julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Eivanice Canário da Silva , NUbia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Rubens Mauricio Carvalho e Acácia Sayuri Wakasugi. 1 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 50 a 56 da instância a quo, in verbis: Contra o(a) contribuinte qualificado(a) foi emitido(a) auto de infração do Imposto de Renda da Pessoa Física — IRPF de fls. 03/07, em 12/01/2006, referente ao exercício 2003, ano-calendário de 2002, que lhe exige o recolhimento de crédito tributário conforme demonstrativo abaixo (em Reais): Imposto de Renda Declarado a pagar 0,00 Imposto de Renda Suplementar 4.408,63 Multa de Oficio —75% (passível de redução) 3.306,47 Juros de Mora — calculados ate 01/2006 2.090,13 Total do crédito tributário apurado 9.805,23 Decorre tal lançamento de revisão procedida em sua declaração de ajuste anual do exercício de 2003, ano-calendário de 2002, quando foram alterados: > rendimentos recebidos de pessoas jurídicas para R$46.978,88, devido A omissão de rendimentos, decorrentes de trabalho com vinculo empregaticio recebidos da(s) pessoa(s) jurídica(s) Prefeitura Municipal de Sumaré (SP), conforme informado em Dirf; :- imposto de renda retido na fonte para R$849,82, em virtude dos rendimentos omitidos. 0 enquadramento legal encontra-se A fl 05 dos autos. Em 13 de abril de 2006, apresentou impugnação (fls. 01) ao lançamento alegando, em síntese, que é portador de moléstia grave (HIV), conforme atestado pelo relatório médico e, por conseguinte, os rendimentos auferidos estão isentos do imposto de renda conforme legislação federal. Alega que não houve omissão de rendimentos, visto que foram informados como isentos e não tributáveis. Informa que solicitou aos órgãos pagadores a retificação da Dirf. Por fim, solicita a notificação das fontes pagadoras para que providenciem as alterações nas Dirf s. A fim de embasar suas alegações juntou aos autos cópia de Relatório Médico. Ante todo o exposto, requer o cancelamento do auto de infração. Diante das alegações do interessado e visando melhor instruir os autos, foi presente processo remetido em diligência (fl. 40/41) A Delegacia da Receita Federal de origem para que fosse intimado o contribuinte a apresentar Laudo Pericial, emitido pelo serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios corn o objetivo de comprovar a moléstia grave. Em resposta A intimação SECAT n° 867/2008 da Delegacia da Receita Federal de origem, o contribuinte apresenta o documento de fl. 44. 0 julgamento do presente processo pela DRJ/Brasilia-DF se dá em face da transferência de competência instituída pela Portaria RFB n° 509, de 24 de março de 2008, publicada no DOU em 26/0/008. É o relatório. 2 Processo n° 10830.001756/2006-51 S2-C IT2 Acórdão n.° 2102-01.096 Fl. 13 Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que o atestado de fl. 44, foi insuficiente para atender a diligência de fls. 40/41 e não atende a demanda legislativa de apresentação de laudo médico para que o contribuinte possa usufruir da isenção do IR por ser portador de moléstia grave, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. COMPRO VAÇÃO INSUFICIENTE. In existindo nos autos comprovação suficiente de ser o contribuinte portador de moléstia grave, constatada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, não há e01770 ser reconhecida a isenção prevista em lei. IMPUGNAÇÃ O. PROVAS. A impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamental-, cabendo ao contribuinte produzir as provas necesscirias para justificar suas alegações. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 60, aditando o processo com o laudo medico de fl. 62 para atender o disposto na diligência e superar a razão do indeferimento da DRJ, requerendo ao final, pelo provimento ao recurso. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. 0 RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Mauricio Carvalho. ADMISSIBILIDADE 0 recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70,235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Pleiteia o reconhecimento de isenção do IRPF sobre seus rendimentos tributáveis por ser aposentado e portador de moléstia grave. De acordo com o RIR/99, a isenção relativa aos rendimentos percebidos a titulo de aposentadoria ou pensão por contribuintes portadores de doença grave somente se inicia na data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo peri i 1 (art. 39, §5o do Decreto n. 3.000/99). 3 Pelo exposto, VOTO PEL ROVIMENTO DO RECURSO. Rubens auricio Carvalho - Relator Corno se vê, pela diligência de fls. 40/41 e fundamento do indeferimento da decisão recorrida, a solução da lide cinge-se somente à comprovação da moléstia por laudo médico. Nessa linha, para provar que é portador de moléstia grave foi apresentado o Laudo Pericial em formulário da RFB, carimbado por serviço médico oficial, atestando que o recorrente é portador de moléstia grave, HIV, desde 1998, com prazo de validade do laudo até 25/06/2029. Do exposto, estou convencido que as formalidades legais, laudo pericial emitido por serviço médico oficial está presente e assim a contribuinte faz jus ao beneficio da isenção pleiteada. CONCLUSÃO 4
score : 1.0
Numero do processo: 10245.900219/2009-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Data do Fato Gerador: 31/12/2004
OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. POSSIBILIDADE
DE DECIDIR O MÉRITO A FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Não se
pronuncia a nulidade de ato cuja omissão deveria ser suprida quando é
possível decidir o mérito a favor de quem aproveitaria a declaração de
nulidade.
DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE
INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA
RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF
VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR
INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA
COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de nãohomologação
de compensação
que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo
sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado
na DCOMP
Numero da decisão: 1101-000.521
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente
julgado. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que fez
declaração de voto.
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do Fato Gerador: 31/12/2004 OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. POSSIBILIDADE DE DECIDIR O MÉRITO A FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Não se pronuncia a nulidade de ato cuja omissão deveria ser suprida quando é possível decidir o mérito a favor de quem aproveitaria a declaração de nulidade. DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de nãohomologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que fez declaração de voto.
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do Fato Gerador: 31/12/2004 OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. POSSIBILIDADE DE DECIDIR O MÉRITO A FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Não se pronuncia a nulidade de ato cuja omissão deveria ser suprida quando é possível decidir o mérito a favor de quem aproveitaria a declaração de nulidade. DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de nãohomologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que fez declaração de voto. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. Fl. 64DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900219/200938 Acórdão n.º 110100.521 S1C1T1 Fl. 65 2 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 65DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900219/200938 Acórdão n.º 110100.521 S1C1T1 Fl. 66 3 Relatório VIMEZER FORNC. DE SERV. LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém/PA que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação declarada sob nº 22134.27941.290906.1.7.041771, na qual foi utilizado crédito de R$ 1.534,43, apurado em recolhimento de CSLL (código 2372), realizado em 31/01/2005 e relativo à apuração de 31/12/2004. Constou do referido despacho decisório que o recolhimento apontado foi localizado, mas já havia sido utilizado integralmente para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte informou que o débito apurado no período em questão constou de DIPJ retificadora e foi recolhido a maior, ensejando a apuração de indébito utilizado na compensação questionada. Argumentou que a afirmação fiscal, no sentido de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débito, deixou dúvida quanto a origem do débito considerado como quitado. Acrescentou que a simples falha no preenchimento das declarações não afasta em hipótese alguma a existência do direito material em relação à compensação, e que as informações apresentadas nas peculiares declarações permitiriam a confirmação do crédito utilizado. Discorre sobre o conceito de compensação e afirma que além de ter oferecido indevidamente valores a tributação, não se creditou de valores que foram devidamente retidos na fonte pelas fontes pagadoras, conforme documento anexado e evidenciado quando da exposição dos fatos. Daí a utilização do crédito para compensação de débitos próprios do impugnante, e que também são administrados pela Receita Federal. Ressalta que o crédito utilizado não se enquadra em qualquer das hipóteses do art. 74, §12 da Lei nº 9.430/96, e afirma ter demonstrado a insubsistência e total improcedência do Despacho Decisório. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos, acolhendo o voto condutor da decisão recorrida que, depois de destacar o efeito extintivo da Declaração de Compensação DCOMP, e a sua homologação tácita depois de transcorridos cinco anos de sua entrega, de modo a caracterizar a compensação como um procedimento efetivado pelo próprio contribuinte, sujeito apenas à posterior homologação pelo Fisco, de forma expressa ou tácita, assim abordou a defesa da interessada: • (...) a interessada indicou como crédito a compensar aquele constante de DARF relativo à receita de código 2372, do período de apuração de 31/12/2004. Ocorre que em consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil (telas impressas de fls. 32/34) verificase que o referido DARF encontrase inteiramente alocado a débito informado pelo próprio sujeito Fl. 66DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900219/200938 Acórdão n.º 110100.521 S1C1T1 Fl. 67 4 passivo em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), não existindo, por conseguinte, crédito a compensar. • (...) o crédito tributário resulta constituído não somente pelo lançamento, mas também nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como se dá no caso de entrega da DCTF. Com efeito, o valor informado na DCTF, por decorrer de uma confissão do contribuinte, pode ser encaminhado à divida ativa da União sem que se faça necessário o lançamento de ofício. O valor confessado faz prova contra o contribuinte. Logo, se o valor declarado (confessado) em DCTF é igual ou maior que o valor pago, a conclusão imediata é que não há valor a restituir ou compensar, pois o próprio contribuinte está informando que efetuou um pagamento igual ou menor ao confessado. • (...) é condição necessária – embora não suficiente – a que o sujeito passivo pleiteie o reconhecimento de direito creditório referente a débito confessado em DCTF a apresentação prévia de nova declaração, retificando a confissão anterior. E nos termos da legislação que rege a matéria, a alteração de informações prestadas em DCTF efetuase mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. • (...) a desconstituição do crédito confessado em DCTF não depende apenas da apresentação de DCTFRetificadora, mas igualmente da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que houve pagamento indevido ou a maior. (...) • (...) No caso concreto, como permanece válida a confissão de dívida originalmente efetuada pela contribuinte, haja vista a não apresentação, ao que consta dos autos, de DCTFRetificadora, resulta notória a impossibilidade de ser acolhida sua pretensão. (...) em se tratando de pedido de restituição o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de apresentação de documentos comprobatórios de seu direito creditório, por ter sido ele quem inaugurou o procedimento administrativo. • Citando os arts. 15 e 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, destacou ser ônus do sujeito passivo trazer aos autos administrativos, já com sua peça impugnatória, as provas cuja produção encontrese em sua esfera de responsabilidade. Cientificada da decisão de primeira instância em 23/02/2011 (p. 41 dos autos digitalizados), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 15/03/2011 (fls. 42/55 dos autos digitalizados). Argumenta que a constituição do crédito tributário por meio de DIPJ ou DCTF é provisória, e somente se torna definitiva com a homologação, sendo que, em caso de retificação da declaração antes desta homologação, seu objeto passa a ser o valor retificado. E, ressaltando que a constituição do crédito tributário por meio de DCTF não exclui a constituição por meio de DIPJ retificadora, e citando o art. 1o da Instrução Normativa SRF nº 166/99, a recorrente discorda da afirmação, contida na decisão recorrida, de que o crédito tributário resulta constituído com a apresentação da DCTF. Fl. 67DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900219/200938 Acórdão n.º 110100.521 S1C1T1 Fl. 68 5 Assevera, também, que o ônus de aprovar ou não a compensação é do Fisco, cabendolhe questionar as informações veiculadas em declarações retificadoras, e exigir a apresentação de documentos comprobatórios, na medida em que não é permitido à contribuinte juntar estes elementos no momento da retificação. Enquanto o Fisco assim não procede, os valores declarados estarão revestidos de veracidade. Reconhece que a prova é de quem alega, mas, na constituição do crédito tributário mediante entrega de declaração, as provas devem ser guardadas na forma do art. 37 da Lei nº 9.430/96, durante o prazo em que o Fisco pode examinálas. Menciona, também, que a autoridade julgadora não atentou para o disposto no art. 9o do Decreto nº 70.235/72, que exige a juntada dos elementos comprobatórios do ilícito para formalização da exigência de crédito tributário, atuando de forma parcial de modo a, apenas, ratificar as decisões dos agentes fiscais. Esclarece que a afirmação fiscal de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos declarados somente é verdadeira de desconsiderada a retificação da DIPJ. Acrescenta que a declaração retificadora foi juntada à impugnação, mas que em momento algum foi mencionada no relatório, como sendo uma prova sem valor, e não motivando o julgador, apresentando as razões que o levaram à aparente glosa injustificada. Reitera que, enquanto não promovida qualquer glosa em face da declaração apresentada, esta subsiste como prova do crédito alegado. E, ainda que a declaração não tivesse sido juntada, na medida em que ela está sob guarda do Fisco, caberia à autoridade julgadora comprovar se a documentação de renda apresentada está em conformidade com o que fora apresentado à época. Aduz que a autoridade julgadora deveria, ao menos, ter procedido a uma diligência para confirmação destas informações, ao invés de optar pela omissão e glosa arbitrária. Conclui estar provado que a argumentação apresentada, no despacho decisório e corroborada pelo órgão julgador de primeira instância, é fraca e insubsistente, pois não respeitou as regras legais consagradas nos diplomas legais, dentre as quais a devida motivação, juntada de provas que corroborem o despacho (Dec. 70.235/72), e negligência na análise das provas carreadas pela Recorrente aos autos, como a ventilada Declaração de Renda Retificadora. Transcrevendo os dispositivos legais que regem a compensação no âmbito da Receita Federal, reafirma a necessidade de motivação e de provas para a nãohomologação da compensação, citando também dispositivos da Lei nº 9.784/99. Novamente menciona a necessidade de que o Fisco intime a contribuinte a apresentar as provas que não foram juntadas à declaração retificadora, e a prevalência das informações nela prestadas enquanto não questionadas. Reportase, também, às hipóteses nas quais a compensação é considerada não declarada (art. 74, §12 da Lei nº 9.430/96), para afirmar que não se consegue verificar no despacho decisório, nem as provas colacionadas e nem qual das hipóteses elencadas na lei que fora firmada a decisão, ou seja, com base em que regra legal a decisão está embasa (sic). Afirma que dentre as hipóteses previstas no referido dispositivo não se encontra o fato de o pagamento estar vinculado a débito declarado em DCTF, alegado pela autoridade julgadora. Destaca, mais uma vez, que a autoridade julgadora ignorou a DIPJ retificadora, e discorda da prevalência da declaração retificada, pois nada na legislação permite Fl. 68DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900219/200938 Acórdão n.º 110100.521 S1C1T1 Fl. 69 6 concluir que erro de procedimento do contribuinte resultasse na glosa de um direito líquido e certo. Reafirma a validade do que contido na DIPJ retificadora depois de transcorridos cinco anos de sua entrega, e a necessidade de, na dúvida, se decidir em favor do contribuinte, que figura como parte hipossuficiente na relação jurídica. Quanto à menção à necessidade de DCTF retificadora, a recorrente aduz que não pode o julgador analisar algo, não carreados nos autos pelas partes, sem com isso avaliar as provas trazidas aos autos e anexas ao mesmo (sic). Reafirma as evidências do crédito presentes na DIPJ retificadora e na DCOMP, a possibilidade que tinha o Fisco de exigirlhe as demais provas necessárias, e, mais à frente, acrescenta que não foi apresentada a fundamentação legal para a exigência veiculada na decisão recorrida. Questiona se a DIPJ retificadora e a DCOMP nada valem na análise, e novamente aborda o ônus da prova, destacando que tem o dever de guarda, e não de juntada de provas como cópias de livros contábeis ou de demonstrações contábeis. Quanto aos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, acrescenta que poderia apresentar sua documentação contábil à época da elaboração do despacho decisório, mas ela não lhe foi requerida. Pede, assim, um julgamento eqüidistante e que, se for necessário que seja corrigido o despacho decisório, determinando que o agente fiscal intime a Recorrente para apresentar os livros, se não considerar válido os créditos pretendidos. Que aplique a multa em caso da não apresentação das retificadoras de forma correta, conforme preceitua a lei, mas que o faça sob a égide da lei, respeitando o princípio da legalidade e motivação, peculiares ao procedimento administrativo. Invoca a aplicação do art. 37 da Constituição Federal e do art. 2o da Lei nº 9.784/99, e cita excertos da obra de Celso Antonio Bandeira de Mello, para concluir que o despacho estava divorciado com o regramento legal. Acrescenta que no caderno processual administrativo, não se encontra carreados elementos que fundamentam a decisão do agente fiscal (sic). Complementa que a decisão recorrida foi omissa quanto à apreciação do fato da Recorrente ter informado DIPJRetificadora e ter anexado a presente, ofendendo o disposto no art. 31 do Decreto nº 70.235/72. Na medida em que os agentes fiscais não questionaram as informações prestadas nesta declaração, uma vez apresentada esta prova pela contribuinte, o ônus de desconstituila passa ao Fisco. Por fim, aborda os efeitos das declarações retificadoras, reportase ao dever de retificar a DCTF quando retificada a DIPJ (art. 18 da Medida Provisória nº 2.18949/2001 e arts. 1o e 4o da Instrução Normativa SRF nº 166/99), mas aduz que o descumprimento desta norma não tem como penalidade a perda do crédito, até porque o próprio art. 2o, inciso II da Instrução Normativa SRF nº 166/99 reconhece os efeitos da retificação da DIPJ para fins de restituição. Fl. 69DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900219/200938 Acórdão n.º 110100.521 S1C1T1 Fl. 70 7 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A contribuinte alegou, em sua impugnação, que teria informado, em DIPJ, apuração de CSLL em valor inferior à soma dos três recolhimentos de R$ 12.603,61, dos quais o primeiro foi confirmado na análise eletrônica da DCOMP nº 22134.27941.290906.1.7.04 1771. Embora não tenha juntado à sua defesa cópia da referida DIPJ, confirmase nos sistemas informatizados da Receita Federal que, no período indicado na DCOMP, constou da declaração retificadora apresentada em 25/11/2005, e processada sob nº 1288756, a apuração de CSLL incidente sobre o Lucro Presumido no valor de R$ 36.278,39, bem como que três recolhimentos foram efetuados no valor principal de R$ 12.603,61, sendo a 2a e a 3a quotas acrescidas de juros e registradas sob nos 4039738352 e 4039978942. Tais elementos confirmam a alegação de que a retificação de DIPJ promovida pela recorrente evidencia pagamento a maior de CSLL no valor de R$ 1.532,44, utilizado integralmente na compensação aqui tratada. Cabe esclarecer, ainda, que a interessada também formalizou compensações de indébitos apurados em recolhimentos de COFINS e Contribuição ao PIS, as quais restaram, de igual forma, não homologadas, resultando em litígios já apreciados, em sua quase totalidade, pela 3a Seção de Julgamento deste Conselho, cuja 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, por meio dos Acórdãos nº 340101.262 a 340101.317, e 340101.365 a 340101.384, acolheu, à unanimidade, o voto do I. Conselheiro Emannuel Carlos Dantas de Assis, que concluiu pela nulidade da decisão recorrida com base nos seguintes fundamentos: Apesar de a Manifestação de Inconformidade estar centrada na existência de DIPJ retificadora, o acórdão recorrido tratou apenas da DCTF. Considerando que esta não foi retificada e seu valor coincide com o do recolhimento, julgou improcedente a inconformidade sem ao menos fazer menção à retificação da DIPJ. O voto nem ao menos cita a retificação da DIPJ, que para mim é tema crucial para o deslinde do litígio. Seria irrelevante a retificação? A DIPJ retificada deve ser confrontada com a DCTF ou, sem a retificação desta, deve ser simplesmente desprezada? A circunstância de a retificação ter sido anterior à DCOMP tem alguma importância? São indagações a serem respondidas, de modo a completar a fundamentação do acórdão recorrido. Houve, então, omissão do acórdão recorrido, no que desprezou por completo a retificação da DIPJ. E como essa omissão caracteriza preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, necessita ser sanada, sob pena de supressão de instância. Diante da possibilidade deste Colegiado decidir em desfavor da Recorrente, se considerar que a DCTF (não retificada) deve prevalecer sobre a DIPJ retificadora, apresentase inaplicável o § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72.1 Para a correição do feito fazse necessário que a DRJ trate da retificação da DIPJ, podendo, se julgar pertinente, determinar diligência visando investigar os valores informados pela Recorrente. Afinal, a confissão em DCTF é relativa e admite provas em contrário, cabendo ainda admitir sua retificação se demonstrado, pelo contribuinte, que os valores nela consignados são superiores aos realmente devidos. Fl. 70DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900219/200938 Acórdão n.º 110100.521 S1C1T1 Fl. 71 8 Para verificação desses valores, pode ser conveniente análise da contabilidade, da escrita fiscal e de documentos fiscais dos perídos em questão. De todo modo, a retificação da DIPJ há de analisada pela DRJ – com ou sem realização de diligência, ao seu juízo, que deve produzir novo acórdão em substituição ao ora anulado. Pelo exposto, voto por anular o acórdão recorrido para que a primeira instância o complemente, pronunciandose, também, sobre a DIPJ retificadora. Em seguida ao novo acórdão a ser prolatado deve ser reaberto o prazo para eventual recurso voluntário, tudo conforme o rito do Decreto nº 70.235/72. Contudo, ante a confirmação, junto aos sistemas da Receita Federal, das informações alegadas pela recorrente em sua impugnação, vislumbrase aqui a possibilidade de aplicação do art. 59, §3o do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Isto porque estáse diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada. E, em tais condições, não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado. A autoridade preparadora certamente entendeu de forma diversa, adotando apenas as informações constantes da DCTF como referencial para verificação do débito apurado no período que ensejou o alegado recolhimento indevido. É possível inferir que assim o fez por considerar, como expresso desde a Instrução Normativa SRF nº 14/2000, que a informação de débitos em DIPJ não se presta a instrumentalizar inscrições em Dívida Ativa da União: Art. 1o. O art. 1o. da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1o. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” [...] Fl. 71DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900219/200938 Acórdão n.º 110100.521 S1C1T1 Fl. 72 9 Esta é a interpretação que se extrai destes dispositivo, pois, até então, a Instrução Normativa SRF nº 77/98 relacionava a declaração de rendimentos da pessoa jurídica dentre os documentos que poderiam servir de base para a inscrição, em Dívida Ativa da União, de saldos de tributos a pagar: Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições , constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. Evidente, portanto, que um novo conceito foi atribuído à declaração de rendimentos da pessoa jurídica apresentada a partir do anocalendário 1999, a qual, inclusive, passou a denominarse Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ. Desta forma, tal característica pode ter influenciado a definição dos parâmetros de análise da DCOMP pela autoridade preparadora. Além disso, como a própria recorrente antecipa em sua defesa, a análise realizada pela autoridade preparadora poderia estar orientada pela obrigação imposta na Instrução Normativa SRF nº 166/99, editada com fundamento na Medida Provisória nº 2.189 49/2001, nos termos a seguir transcritos: Medida Provisória nº 2.18949/2001, que convalida texto presente desde a Medida Provisória nº 1.99026, de 14 de dezembro de 1999: Art.18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] Art. 2o A pessoa jurídica que entregar declaração retificadora alterando valores que hajam sido informados na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF, deverá apresentar DCTF Complementar ou pedido de alteração de valores, mediante processo administrativo, conforme o caso. [...] Nestes termos, se a contribuinte estava obrigada a retificar a DCTF quando retificasse a DIPJ, desnecessária seria a comparação de ambas as declarações para aferição da compatibilidade das informações ali constantes com o indébito utilizado em DCOMP. Esclareçase, apenas, que, com a edição da Instrução Normativa SRF nº 255/2002, deixou de existir DCTF Complementar, bem como a necessidade de solicitação de alteração de DCTF, bastando a apresentação de DCTF retificadora para alteração dos valores Fl. 72DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900219/200938 Acórdão n.º 110100.521 S1C1T1 Fl. 73 10 constantes da DCTF antes apresentada. Tal mudança, inclusive, operou efeitos retroativos, como expresso nos dispositivos da referida Instrução Normativa, a seguir transcritos: Da Retificação da DCTF Art. 9º Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou II em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. § 3º As DCTF retificadoras, que vierem a ser apresentadas a partir da publicação desta Instrução Normativa, deverão consolidar todas as informações prestadas na DCTF original ou retificadoras e complementares, já apresentadas, relativas ao mesmo trimestre de ocorrência dos fatos geradores. § 4º As disposições constantes deste artigo alcançam, inclusive, as retificações de informações já prestadas nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) referentes aos trimestres a partir do anocalendário de 1997 até 1998 que vierem a ser apresentadas a partir da data de publicação desta Instrução Normativa. § 5º A pessoa jurídica que entregar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados na DIPJ, deverá apresentar, também, DIPJ retificadora. § 6º Verificandose a existência de imposto de renda postergado de períodos de apuração a partir do anocalendário de 1997, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 7º Fica extinta a DCTF complementar instituída pelo art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 45, de 05 de maio de 1998. Das Disposições Finais Art. 10. Deverão ser arquivados os processos administrativos contendo as solicitações de alteração de informações já prestadas nas DCTF, apresentadas até a data da publicação desta Instrução Normativa e ainda pendentes de apreciação, aplicandose, às DCTF retificadoras respectivas, referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, o disposto nos §§ 1º a 3º do art. 9º desta Instrução Normativa. §1º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, somente deverá ocorrer após a confirmação, pela unidade da SRF, da entrega da correspondente declaração em meio magnético. § 2º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anos calendário de 1997 e 1998, Fl. 73DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900219/200938 Acórdão n.º 110100.521 S1C1T1 Fl. 74 11 somente deverá ocorrer após os devidos acertos, pela unidade da SRF, nos Sistemas de Cobrança. Todavia, tem razão a recorrente quando afirma que o descumprimento daquela obrigação não enseja, como penalidade, a perda do crédito. A Instrução Normativa SRF nº 166/99 expressamente reconhece a produção de efeitos, por parte da DIPJ Retificadora, para fins de restituição ou compensação, e, embora firme ser dever da contribuinte também alterar o que antes informado em DCTF, em momento algum condiciona este direito à retificação da DCTF: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] § 2o A declaração retificadora referida neste artigo: I – terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF no 094, de 24 de dezembro de 1997; II – será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. [...] Art. 4º Quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. Parágrafo único. Sobre o montante a ser compensado ou restituído incidirão juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, até o mês anterior ao da restituição ou compensação, adicionado de 1% no mês da restituição ou compensação, observado o disposto no art. 2º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 22, de 18 de abril de 1996. Adaptando estas disposições ao novo regramento da compensação, vigente desde a edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, uma vez formalizada a retificação da DIPJ, apresentando tributo menor que o da declaração retificada, pode a contribuinte transmitir Pedido de Restituição – PER ou DCOMP para receber o indébito em espécie, ou utilizálo em compensação, podendo o Fisco indeferir o PER, se não confirmar a veracidade da retificação, ou não homologar a compensação, desde que o faça dentro dos 5 (cinco) anos que a lei lhe confere (art. 74, §5o, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003). Logo, o fato de a contribuinte não ter retificado a DCTF para reduzir o tributo ali originalmente informado não pode obstar a utilização, em compensação, de indébito demonstrado em DIPJ retificadora apresentada antes da edição do despacho decisório que expressou a nãohomologação da compensação, especialmente porque a própria autoridade administrativa reputou desnecessária uma análise mais aprofundada ou detalhada da compensação, submetendoa ao processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal. Fl. 74DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900219/200938 Acórdão n.º 110100.521 S1C1T1 Fl. 75 12 Acrescentese, ainda, que a alteração das informações constantes em DCTF não se dá, apenas, por retificação de iniciativa do sujeito passivo. Desde a Instrução Normativa SRF nº 482/2004, que revogou a Instrução Normativa SRF nº 255/2002, antes citada, a revisão de ofício da DCTF passou a estar expressamente admitida, nos seguintes termos: Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou [...] § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada pela SRF nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. [...] Observese, inclusive, que este dever de revisão pela autoridade administrativa ganhou maior relevo a partir do momento em que a interpretação quanto à impossibilidade de retificação da DCTF após o transcurso do prazo decadencial passou a ser cogente, no âmbito administrativo, a partir da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. [...] Ultrapassado este limite, a observância do princípio da legalidade na exigência de tributos confessados em DCTF somente se efetiva mediante revisão de ofício, pela autoridade administrativa, do débito declarado a maior. Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ retificadora, da qual consta não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Fl. 75DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900219/200938 Acórdão n.º 110100.521 S1C1T1 Fl. 76 13 Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por conseqüência, admitir sua compensação. Assim, embora evidente que a decisão recorrida foi omissa quanto a argumento da defesa, deixase de declarar sua nulidade pois, no mérito, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e homologar a compensação declarada. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 76DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900219/200938 Acórdão n.º 110100.521 S1C1T1 Fl. 77 14 Declaração de Voto Conselheiro CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Quando a Administração pratica algum ato que tem por base apenas declaração do próprio contribuinte e o contribuinte refuta ou retifica a declaração, o ato deve ser reformado, pois perde sua base fática. Isso porque, se é verdade que a Administração pode praticar seus atos considerando apenas as próprias declarações do contribuinte, também é verdade que as declarações podem ser retificadas ou infirmadas. Assim, se a Administração se acomoda em adotar como único elemento de convicção uma declaração, fica sujeita a ver seu ato reformado, quando o conteúdo desta declaração é alterado por quem a declarou, quer pela negativa do conteúdo, quer por uma retificação, quer por outra declaração com conteúdo divergente. Já manifestei meu entendimento sobre a questão em voto sobre situação semelhante, que transcrevo abaixo (negritei): ... Assim, o lançamento decorre da convicção do Fisco de que a compensação informada pelo contribuinte era de fato feita com base nos DARFs indicados e na constatação de que estes eram insuficientes. Noutro giro, esta convicção decorre na crença de que a DCTF informasse corretamente a forma pela qual foi feita a compensação. Talvez, até o lançamento tenha decorrido da crença de que os fatos informados em DCTF tornemse verdades absolutas e não possam ser retificados. No entanto, nenhuma destas crenças é pertinente, pois a retificação da DCTF é admitida, já que, como qualquer declaração de informação, pode conter erros. Inclusive, a retificação de DCTF não exige a prova de erro em que se fundamente, como demonstra o art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. A regra pode servir de parâmetro na verificação dos requisitos impostos pela própria RFB para a retificação de DCTF. O texto é o seguinte: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; Fl. 77DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900219/200938 Acórdão n.º 110100.521 S1C1T1 Fl. 78 15 b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. Como visto acima, a disciplina posta pela Receita Federal para as alterações da DCTF não obrigam que o contribuinte tenha de comprovar o erro que motiva a alteração. As restrições apenas visam disciplinar as alterações com o instituto da espontaneidade, da inscrição em dívida ativa, e mudança do órgão que administra o título executivo constituído por débitos em aberto. Portanto, o contribuinte pode alterar o que informou em DCTF sem ter que, para isso, provar o seu erro anterior. Também no CTN não consta nenhuma exigência para retificação de DCTF. A única restrição feita no Código sobre retificação de declaração, é posta no art. 147, e referese a retificação de declaração preparatória de lançamento, relativa a tributo lançado por declaração e asssim mesmo aos casos em que esta nova declaração vise reduzir tributo. Ou seja, a única restrição legal se refere a alteração da declaração do sujeito passivo que será usada pela Administração para efetuar com base nela o lançamento, dentro da sistemática dos tributos lançados por declaração. Apenas este tipo de declaração é que sofre a exigencia de que o contribuinte precisa provar o erro que motiva a retificação. As outras declarações a que os contribuintes estão obrigados, não sofrem a restrição feita pela pelo art. 147 do CTN. Assim, submetemse a regra geral que é a da liberdade de modificar o informado sem necessidade de demosntrar o erro que justifique a retificação. Tal regra decorre do princípio constitucional de que o administrado não é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Assim, no caso concreto, era (ou deveria ser) de conhecimento do Fisco que a DCTF poderia estar errada e poderia ser infirmada pelo contribuinte a qualquer Fl. 78DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900219/200938 Acórdão n.º 110100.521 S1C1T1 Fl. 79 16 tempo, sem maior ônus para este do que a simples afirmação do erro. Deste modo, percebese que foi uma opção consciente do Fisco efetuar o lançamento com os poucos dados que ele tinha sobre a questão. O Fisco preferiu se abstrair da realidade, para considerar apenas as informações da DCTF. A fragilidade do lançamento decorre da opção do Fisco pelo nível de investigação dos fatos. Tal como alega o contribuinte, o Fisco, ao constatar que a compensação informada na DCTF não podia ser admitida por falta de crédito, podia e devia ter intimado o contribuinte a esclarecer a matéria. Deveria ter intimado o contribuinte a esclarecer a origem do crédito que fundamentava a compensação indicada. Ao não fazêlo, conformouse em trabalhar com uma situação instável, que poderia ser alterada unilateralmente pelo contribuinte. Bastaria que o contribuinte infirmasse, tal como fez, a compensação declarada e afirmasse que o crédito teria outra origem, que o lançamento perderia sua base fática. Também, vale destacar que a DCTF não era um instrumento pelo qual se solicitasse compensação, mas apenas um instrumento de informação. Recapitulando, é preciso ter em mente que, na época, a DCTF apenas indicava uma compensação que foi feita na contabilidade do contribuinte. Também, é preciso considerar que a DCTF não era um veículo de pedido de compensação, que pudesse ser deferido ou indeferido nos termos em que fosse solicitado, mas era um veículo meramente informativo quanto a compensação feita e registrada na contabilidade. Por isso, a compensação informada na DCTF não está sujeita ao crivo de ser ou não concedida, mas sim ao crivo de ser ou não considerada correta. ... Dentro dos poderes atribuídos ao Fisco para desempenho de sua função, não existe a prerrogativa substituir a investigação da matéria tributável por uma investigação de declaração sobre a matéria tributável. Caso o Fisco opte por investigar apenas os fatos declarados, e não a matéria sobre a qual pretende se manifestar, assume o risco de ver suas presunções feitas com base na declaração refutadas pela simples retificação. O ônus de provar que a compensação eventualmente estivesse errada era do Fisco. Não é razoável pretender inverter este ônus sem haver uma previsão legal para tanto. Portanto, não se pode pretender, como quis a DRJ, que o contribuinte tenha de comprovar sua compensação, sem que ninguém o tenha intimado a fazer isso, apenas porque o Fisco suspeitou da compensação declarada na DCTF. ... Não havendo regra que torne imutável o informado em declaração, não havendo regra que exija a comprovação para retificação de declaração, o uso da declaração como elemento de convicção para autuação é frágil e pode ser refutado pela simples negativa. Isso porque a matéria tributável não é o retratado na declaração, mas sim a que de fato ocorreu. Além disso, no presente caso, o ato da Administração foi praticado tendo por base a DCTF, mas desconsiderando a DIPJ, embora ambas as declarações estivessem disponíveis. Deste modo, mesmo antes do ato, o contribuinte já apresentava elementos divergentes de sorte que era absolutamente impróprio que a Administração considerasse apenas uma das declarações, em detrimento da outra. Essa situação de divergência, por sí só já obrigava que a Administração aprofundasse suas investigações, para analisar a divergência entre as declarações e para buscar elementos que entendesse corroborar sua convicção sobre os fatos. Mas, não foi este o caminho trilhado. Fl. 79DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900219/200938 Acórdão n.º 110100.521 S1C1T1 Fl. 80 17 O ato administrativo foi praticado e foi impugnado. Para demonstrar a impertinência do conteúdo da DCTF o contribuinte alega o conteúdo de sua DIPJ. Dessa forma o contribuinte infirma a sua DCTF e, com isso, retira as bases fáticas do despacho. Por tais razões, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Fl. 80DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10380.014216/2007-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003
Ementa.
À Segunda Seção do CARF cabe processar e julgar recursos de
ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem
sobre aplicação da legislação de:
Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título
de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da
Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007
Incluem-se na competência das Seções os recursos interpostos
em processos administrativos de compensação, ressarcimento,
restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de
isenção ou de imunidade tributária.
Numero da decisão: 1302-000.537
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência em favor da 2ª Seção de julgamento do CARF.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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À Segunda Seção do CARF cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007 Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência em favor da 2ª Seção de julgamento do CARF (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. e relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Sandra Maria Dias Nunes, Roberto Armond Ferreira da Silva, Eduardo de Andrade, Irineu Bianchi (vicepresidente) e Marcos Rodrigues de Mello Fl. 151DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.014216/200763 Acórdão n.º 130200.537 S1C3T2 Fl. 147 2 Relatório Em 23 de novembro de 2007, peticionou o contribuinte supra, representado por procurador, com poderes atribuídos na forma da procuração de fls. 5, Requerimento de Restituição de Contribuições Previdenciárias. Na petição, afirma o requerente ter exercido o mandato de vereador no Município de Itatira/CE, no período de 2001 a 2004, tendo contribuído para o Regime Geral de Previdência Social na qualidade de empregado, consoante art. 12, inciso I, alínea “h” da Lei 8.212/91. Entretanto, em sede de Recurso Extraordinário, foi tal dispositivo declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como se tratava de decisão de inconstitucionalidade in concreto, seus efeitos, a priori, limitavamse às partes, inter pars. Contudo, no exercício da competência atribuída pelo inciso X, art. 52 da Constituição Federal, o Senado Federal editou a Resolução nº 26 de 21 de junho de 2005 suspendendo a execução do indigitado dispositivo legal, portanto, extensível a todos, erga omnes, e de efeitos ex tunc, ou seja, retroagindo ao início da vigência da norma declarada inconstitucional, consoante previsão do § 2º do art 1º do Decreto Nº 2.346 de 10 de outubro de 1997. Pelo exposto, requereu: que a intimação se dê no endereço de seus procuradores; que seja restituída a totalidade dessas contribuições arrecadadas durante os anos de 2001 a 2003; que tais valores sejam depositados em conta bancária de titularidade de seu procurador legal, Sr. Francisco Charles Nunes de Carvalho. que seja deferido o presente requerimento, com base na fundamentação legal e de acordo com os meios de prova admitidos. Em 4/2/2009, foi elaborado o documento de fls. 107, no qual o contribuinte foi cientificado do prazo para apresentação de documentos necessários à devida instrução processual. Em 7/5/2009, tal pedido foi analisado pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária – SEORT, órgão, na pessoa de seu chefe, com competência para decidir sobre pedidos de restituição, tendo sido primeiramente elaborada a Informação Fiscal, fls. 109/110. Fl. 152DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.014216/200763 Acórdão n.º 130200.537 S1C3T2 Fl. 148 3 Neste documento, assinado por AuditorFiscal, dirigido ao Chefe do SEORT e de cunho opinativo, foi exarada proposição no sentido de não conhecimento do pedido, em virtude da má instrução processual, nos termos art. 14 da Instrução Normativa MPS/SRP nº 15 de 12/9/2006, pela ausência dos documentos previstos nos seus incisos I, II, IV, VI, VII e IX. Destarte, o Despacho Decisório de 14/5/2009 seguiu a orientação e determinou o arquivamento do processo no código de temporalidade de cinco anos. Em 9 de agosto de 2009, foi solicitado o desarquivamento do processo, fls. 112, com apresentação de documentos de fls. 113/119. Foi elaborada nova Informação Fiscal em 15/6/2009, na qual reconhecese que o contribuinte apresentou novos documentos, entretanto, não foi saneada a má instrução quanto aos documentos previstos nos incisos I, II, IV, VII, do art. 14 da Instrução Normativa MPS/SRP nº 15/2006, consoante quadro do item 6. Isto posto, sugeriuse o indeferimento do pedido, que foi acatado pelo Chefe do SEORT no Despacho Decisório de 18/6/2009. Em 13/7/2009, apresentou o contribuinte Manifestação de Inconformidade, fls. 125/127, acompanhada de documentos, nos seguintes termos: a documentação ausente foi apresentada; o quadro do item 6 da Informação Fiscal de 15/6/2009 apresentou como falhas a não exibição do documento previsto no inciso I e a ausência de reconhecimento de firma do documento do inciso VII, entretanto, tais documentos são os mesmos; as falhas aos incisos II e IV não procedem, uma vez que é desnecessário o reconhecimento de firma; de tudo isto, o único documento não apresentado foi o do inciso IV, qual seja, os recibos de pagamento de remuneração referentes às competências pleiteadas; o formulário RRVI – ME foi apresentado junto ao pedido de desarquivamento, pois a falha ao inciso VII apontada no item 6 não seria a ausência de reconhecimento de firma, mas sim a ausência do próprio documento; não existe a necessidade de reconhecimento de firma de instrumento probatório no âmbito administrativo, consoante vasta jurisprudência; os documentos apontados como ausentes referente aos incisos I, IV e VII, estão sendo agora apresentados todos reconhecidos em cartório, requerendo sua juntada aos autos do processo; solicita que o depósito ocorra na conta corrente do requerente; Finalmente, pede que seja deferida sua pretensão. A DRJ decidiu: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Fl. 153DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.014216/200763 Acórdão n.º 130200.537 S1C3T2 Fl. 149 4 Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INDEFERIMENTO. Apresentação de documentação em desacordo com o previsto na legislação específica. Indeferimento da pretensão. O contribuinte foi cientificado da decisão DRJ em 09/10/2009 e apresentou recurso em 10/11/2009. Em seu recurso reitera os argumentos apresentados em sede de impugnação. Voto Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. O Regimento Interno do CARF prescreve: Art. 3° À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF); II Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); III Imposto Territorial Rural (ITR); IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007 Art. 7° Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. § 1° A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. Como se pode verificar acima, cabe à Segunda Seção de Julgamento do CARF o julgamento de processos administrativos que versem sobre contribuições previdenciárias. Diante do exposto, voto no sentido de declinar da competência em favor da 2ª Seção de julgamento do CARF Fl. 154DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.014216/200763 Acórdão n.º 130200.537 S1C3T2 Fl. 150 5 (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Relator Fl. 155DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000039/2004-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA
Exercício: 2001 e 2002.
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Para os fatos
geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n°. 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
A titularidade dos depósitos bancários pertence As pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros.
AUTUAÇÃO COM BASE EM DADOS DA CPMF. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI N°. 10.174, DE 2001. E legitimo o lançamento em que se aplica retroativamente a Lei n°. 10.174, de 2001, que estabelece novos
critérios de apuração e processos de fiscalização que ampliam os poderes de investigação das autoridades administrativas, visto que tem natureza instrumental e pode ser aplicada para fins de prova de omissão de rendimentos correspondentes a períodos anteriores a sua vigência.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS - ORIGEM NÃO JUSTIFICADA - INEXISTÊNCIA DE DEPOSITO INDIVIDUAL INFERIOR A DOZE MIL REAIS - SOMA DOS DEPÓSITOS NÃO JUSTIFICADOS INFERIOR A OITENTA MIL REAIS DURANTE 0 ANO-CALENDÁRIO — É incabível a exigência de crédito tributário lançado com base na movimentação financeira do contribuinte somente quando a soma dos recursos de origem não comprovada não ultrapasse, no decorrer do ano-calendário, o valor de R$80.000,00 e nenhum deles for superior a R$ 12.000,00.
SELIC - A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, A taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF n° 4).
MULTA CONFISCATÓRIA. O principio da vedação ao confisco aplica-se
exclusivamente a tributos.
INCONSTITUCIONALIDADE - O Conselho Administrativo de Recursos
Fiscais - CARF não é competente para se pronunciar sobre a
inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF if 2).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-001.066
Decisão: Acordam os membros da segunda da segunda turma ordinária da primeira câmara da segunda seção de julgamento do conselho administrativo de recursos ficais, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: VANESSA PEREIRA RODRIGUES DOMENE
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 19515.000039/2004-97 Recurso Voluntário Acórdão n" 2102-01.066 — P Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 09 de fevereiro de 2011 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física - 1RPF Recorrente JOÃO ORIVALDO BUORO Recorrida & Turma/DRJ - são Paulo/SPO II ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FISICA Exercício: 2001 e 2002. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n°. 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. A titularidade dos depósitos bancários pertence As pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. AUTUAÇÃO COM BASE EM DADOS DA CPMF. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI N°. 10.174, DE 2001. E legitimo o lançamento em que se aplica retroativamente a Lei n°. 10.174, de 2001, que estabelece novos critérios de apuração e processos de fiscalização que ampliam os poderes de investigação das autoridades administrativas, visto que tem natureza instrumental e pode ser aplicada para fins de prova de omissão de rendimentos correspondentes a períodos anteriores a sua vigência. DEPÓSITOS BANCÁRIOS - ORIGEM NÃO JUSTIFICADA - INEXISTÊNCIA DE DEPOSITO INDIVIDUAL INFERIOR A DOZE MIL REAIS - SOMA DOS DEPÓSITOS NÃO JUSTIFICADOS INFERIOR A OITENTA MIL REAIS DURANTE 0 ANO-CALENDÁRIO — É incabível a exigência de crédito tributário lançado com base na movimentação financeira do contribuinte somente quando a soma dos recursos de origem não comprovada não ultrapasse, no decorrer do ano-calendário, o valor de R$80.000,00 e nenhum deles for superior a R$ 12.000,00. SELIC - A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, A taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF n° 4). ACORDAM os Mem da Segunda Seção de Julgamento unanimidade de votos, em REJEI recurso, nos termos do voto da egunda Turma Ordinária da Primeira Camara ho Administrativo de Recursos Fiscais, por nares e, no mérito, em NEGAR provimento ao ene — Relatora Formalizado em: 26.10.2011 Processo n° 19515.000039/2004-97 S2-C1T2 AcOrd A° n.° 2102-01.066 Fl. 2 MULTA CONFISCATÓRIA. O principio da vedação ao confisco aplica-se exclusivamente a tributos. INCONSTITUCIONALIDADE - O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF if 2). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Núbia Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatorio Em 14/01/2004 o contribuinte foi autuado no valor total de R$ 207.307,57, sendo R$ 92.686,12 de imposto, R$ 45.106,87 de juros de mora, R$ 69.514,58 de multa proporcional. De acordo com o Auto de Infração de fls. 69/72, contra o contribuinte foi imputada a seguinte infração: 001- Depósitos bancários de origem não comprovada. Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem Hilo comprovada. Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta (s) de depósito ou de investimento, mantida (s) em instituição (des) financeira (s), em relação 2 Processo n° 19515.000039/2004-97 S2-CI 1'2 Acórao n.° 2102-01.066 Fl. 3 aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Inconformado com o lançamento de oficio levado a efeito pelo Fisco, o contribuinte apresentou sua defesa (Impugnação ao Auto de Infração) As fls. 77/86, sendo que em análise A referida defesa sobreveio decisão de primeira instancia administrativa (fls. 102/121), que considerou o lançamento procedente, aduzido em suma que: • Preliminares: Da irretroatividade da Lei n° 10.164/01: A partir de 10/01/2001, era facultada a utilização das informações prestadas, relativas A movimentação financeira, para constituição de outros impostos e contribuições. Esse foi o caso em questão. 0 procedimento fiscal que resultou na obtenção dos dados da CPMF e dos respectivos extratos bancários de fls. 33 a 50 iniciou-se em outubro de 2.003 (fls. 4 a 15), ou seja, todos os procedimentos adotados para a constituição do crédito tributário relativo ao imposto de renda pessoa física, com base nos dados da base CPMF, ocorreram dentro da vigência da Lei Complementar n° 105/2.001 e da Lei n° 10.174/2.001. Ainda, para reforçar a pertinência da lavratura do Auto de Infração, mister se faz salientar que, em nenhuma hipótese, a Lei Complementar n° 105/2.001 violou a segurança jurídica ou o direito adquirido, representados pela irretroatividade. Frise-se que o § 1° do art 144 do CTN introduz norma de direito adjetivo, não se cogitando de retroatividade, porquanto sua aplicação é efetuada somente se estiver em vigência quando da atividade do lançamento. Destarte, encontrava pleno respaldo legal a aplicação da Lei Complementar n° 105/2.001 e da Lei n° 10.174/2.001, que estabeleceram novos critérios de apuração e processos de fiscalização, que ampliaram o poder de investigação das Autoridades Administrativas e que culminaram com a constituição do crédito tributário, ora contestado. • Quebra de sigilo bancário: Há que se observar que, no presente caso, em função de procedimento criminal movido contra Jurema Alves dos Santos (autos n° 2002.61.81.002433-9), o MM. Juiz da 7 Vara Criminal Federal de Sao Paulo, mediante Oficio (fls. 25 e 26), requisitou ao Banco had S/A que encaminhasse A Delegacia de Fiscalização da Receita Federal em Sao Paulo os extratos bancários de fls. 33 a 50, de titularidade de Jurema Alves dos Santos e co-titularidade de Antonio Sérgio Cardoso e João Orivaldo Buoro (fls. 27 a 32), visando a constatar possível prática de crime contra a Ordem Tributária, ou seja, foi a própria Justiça Federal, que autorizou e promoveu a quebra do sigilo bancário do recorrente. Consoante a Lei Complementar n° 105/2001, o acesso As informações bancárias independe de autorização, não constituindo quebra de sigilo. As informações obtidas permanecem protegidas. A Lei 5.172, de 1.966 (CTN), em seu artigo 198, veda sua divulgação para qualquer fim, por parte da Fazenda Pública Nacional ou de seus funcionários, sem prejuízo do disposto na legislação criminal. • Mérito: Depósitos bancários de origem não comprovada: A partir de 01/01/1997, com o advento da Lei n° 9.430/96, a existência de depósitos 3 Processo n° 19515.000039/2004-97 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-01.066 Fl. 4 não escriturados ou de origens não comprovadas tornou-se uma hipótese legal de presunção de omissão de receitas, que veio a se juntar ao elenco já existente; com isso atenuou-se a carga probatória atribuida ao fisco, que precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada, para satisfazer o onus probandi a seu cargo. Portanto, a legislação do imposto de renda, autoriza o fisco presumir a omissão de receitas diante da existência de depósitos bancários sem comprovação de origem, nos termos do artigo 42 da Lei n° 9.430/97. • A autoridade fiscal, constatando depósitos bancários efetuados nas contas correntes de titularidade do contribuinte, procedeu à intimação para a apresentação de comprovação das origens de tais depósitos. Entretanto, muito embora tenha sido devidamente intimado, o contribuinte não apresentou documentação hábil e idônea capaz de afastar a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, não havendo, com isso, qualquer motivo para reparar o lançamento. • É função do Fisco, entre outras, comprovar os créditos dos valores em contas de depósito ou de investimento (fls. 27 a 50), analisar as respectivas declarações de ajuste anuais (fls. 51 a 57) e intimar o beneficiário desses créditos a apresentar OS documentos/informações/esclarecimentos (fls. 4 a 15, 20 e 22), com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430/1.996. Todavia, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. • Verifica-se do exame das peças constituintes dos autos que o interessado, não obstante tivesse ampla oportunidade de fazê-lo, não logrou comprovar, nem na fase de autuação, nem na fase impugnatória, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados na conta-corrente n° 11444-5, mantida no Banco hail, agência 0002, em conjunto com Jurema Alves dos Santos, CPF no 697.475.718-20 (titular) e Antonio Sérgio Cardoso, CPF n° 702.602.738-72 (co-titular), valores esses que foram objetos de consolidação nos Demonstrativos de fls. 61 e 62, elaborados com base nos extratos bancários constantes dos autos. • Multa de oficio com caráter confiscatório: A multa de oficio aplicada, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), tem caráter punitivo, ficando claro esse caráter pela simples leitura do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1.996, dispositivo legal que forneceu supedâneo à aplicação da referida multa. Por força do principio da hierarquia, a Autoridade Julgadora de primeira instancia no processo administrativo fiscal tem sua liberdade de convicção restrita aos entendimentos expedidos em leis em pleno vigor, atos normativos do Sr. Ministro de Estado da Fazenda e do Sr. Secretário da Receita Federal, ressalvado, nos precisos termos do Parecer, o dever de afastar a aplicação de lei, tratado ou ato normativo federal eventualmente declarados inconstitucionais pela Suprema Corte, não cabendo manifestar-se sobre eventual ferimento, por parte de 4 Processo n° 19515.000039/2004-97 S2-C 112 Acórdão n.° 2102-01.066 Fl. 5 dispositivos da legislação, a princípios insculpidos na Constituição Federal. • Da alegação de ilegalidade na aplicação da Taxa Sele no Menlo dos juros de mora: Lei n° 9.065/1.995, que deu nova redação a dispositivos da Lei n° 8.981/1.995, dispôs, em seu art. 13, que, a partir de I° de abril de 1.995, os juros de mora de que trata a Lei n° 8.981/1.995, art. 84, I e §§ 1 0, 2° e 30, incidentes sobre tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de 10 de janeiro de 1.995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, serão equivalentes à taxa referencial do SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao do pagamento e a I% no mês em que o pagamento estiver sendo efetuado. Diante da decisão de primeira instância administrativa que manteve integralmente o lançamento, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário as fls. 128/162, aduzindo em suma que: • Preliminares: Da irretroatividade da Lei n° 10.174/01: Nos termos do que dispõe o artigo 5°, inciso II, da CF/88, não é possível a aplicação retroativa da Lei no 10.174/01. Portanto, resta claro que não pode a autoridade administrativa calcular valores considerados por ela omitidos com base em lei posterior ao fato gerador, pois estará descumprindo um preceito constitucional garantido a todos os indivíduos. • Quebra de sigilo bancário: 0 sigilo de dados, cláusula na qual se insere o sigilo bancário não pode e não deve ser absoluto. Segundo a nossa Carta Magna, lei complementar deve estabelecer as hipóteses de exceções. Todavia, tal como posto na Constituição Federal, a norma que garante o sigilo bancário é de eficácia contida e aplicabilidade imediata. Portanto, enquanto a lei não regular os casos de exceção ao direito da inviolabilidade dos dados, somente o Estado-Juiz poderá autorizar a quebra do sigilo bancário. Essa proposição, figura como um direito individual do cidadão contribuinte, que deve ser respeitado pelo administrador tributário, quando da fiscalização e cobrança dos tributos. • Dai que, a Lei Complementar n°. 105/01, por regulamentar um direito individual do cidadão, por disciplinar uma limitação ao poder de tributar, não tem aplicação retroativa, tendo em vista que até a edição da Lei Complementar n°. 105/01, tinha o contribuinte direito liquido e certo ao sigilo amplo e irrestrito. • Mérito: Dos depósitos bancários: O lançamento com base em depósitos bancários é nulo de pleno direito. E nulo o lançamento fiscal, posto que, o agente público levou em conta apenas os extratos bancários da recorrente para a constituição do crédito tributário arbitrado de IRPF. Somente a demonstração do acréscimo patrimonial é capaz de autorizar o fisco a tributar o contribuinte. 5 Processo n° 19515.000039/2004-97 S2-C1T2 AcórclAo n.° 2102-01.066 Fl. 6 • Da aplicação do § 3°, inciso II, do artigo 42, da Lei n° 9.430/96: Em análise ao Demonstrativo dos Valores Efetivamente Recebidos - Conta 11444-5, Banco 341, Agênciav0002, pudemos constatar que no Ano Calendário 2000, grande parte dos créditos considerados pela autoridade administrativa fiscal são inferiores a R$ 12.000,00, os quais, apesar disso, foram submetidos h. tributação do Imposto de Renda em desatenção ao previsto no § 3°, inciso II, do artigo 42 da Lei no 9.430/96, o que acarretou um acréscimo no montante do Imposto de Renda apurado no período em comento, conforme planilha anexada ao presente recurso (Doc. 01). Necessário se faz a revisão do presente lançamento, com o fito de excluir valores individuais iguais ou inferiores a R$ 12.000,00, respeitado o limite anual de R$ 80.000,00, bem como aplicar corretamente a Tabela Progressiva Anual do Imposto de Renda Pessoa Física. • Da aplicação da multa qualificada agravada: A multa aplicada no importe de 75% (setenta e cinco por cento) afronta a capacidade contributiva da recorrente, uma vez que supera até mesmo o valor do seu ativo. • Da inaplicabilidade da Taxa Selic como juros de mora: A aplicação da Taxa Selic como juros de mora não tem respaldo legal, além de ser inconstitucional, por ter caráter remuneratório, aplicável ao sistema financeiro. E o relatório. Voto Conselheiro Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Relatora 0 recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legitima e está devidamente fundamentado. Sendo assim, conheço-o e passo ao exame. Mérito: Ressalto inicialmente que muito embora o contribuinte tenha trazido algumas questões em sede preliminar, esclareço que tais pontos se confundem com o mérito da demanda, de forma que passo a analisá-las juntamente com as demais argumentações, conforme segue: (a) Da omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada por meio de documentação hábil e idônea: O lançamento efetuado pelo Fisco com base em informações obtidas a partir de extratos bancários está totalmente amparado pela legislação tributaria aplicável ao caso. 6 Processo n° 19515.000039/2004-97 S2-C1T2 Acórdao n.° 2102-01.066 Fl. 7 Isto porque, a legislação tributária permite a presunção de omissão de rendimentos nos casos em que se verificam depósitos bancários sem que a respectiva comprovação da origem dos recursos por parte do contribuinte, que deverá fazê-lo sempre por meio de documentação hábil e idônea. Nesse sentido, assim já dispunha o artigo 889, inciso II, do RIR/94 (Decreto no 1.042/94), determinando que o contribuinte devesse atender a contento as solicitações de esclarecimentos por parte do Fisco, do contrário, ensejando ao Fisco a possibilidade de efetuar o lançamento de oficio, conforme segue: "Art. 889 - O lançamento será efetuado de oficio quando o sujeito passivo: (••) II - deixar de atender ao pedido de esclarecimentos que lhe for dirigido, recusar-se a prestá-los ou não os prestar satisfatoriamente," Nesta mesma esteira, o atual Regulamento do Imposto de Renda (RIR199 — Decreto n° 3.000/99) concede igualmente ao Fisco a possibilidade de efetuar o lançamento de oficio em casos de não atendimento as solicitações fiscais a contento, de acordo com a redação do artigo 841 deste diploma normativo, a seguir reproduzido: Art. 841. 0 lançamento será efetuado de oficio quando o sujeito passivo: I - não apresentar declaração de rendimentos; II - deixar de atender ao pedido de esclarecimentos que lhe for dirigido, recusar-se a prestá-los ou não os prestar satisfatoriamente; III - fizer declaração inexata, considerando-se como tal a que contiver ou omitir, inclusive em relação a incentivos fiscais, qualquer elemento que implique redução do imposto a pagar ou restituição indevida; IV - não efetuar ou efetuar com inexatidão o pagamento ou recolhimento do imposto devido, inclusive na fonte; V - estiver sujeito, por ação ou omissão, a aplicação de penalidade pecuniária; VI - omitir receitas ou rendimentos. Parágrafo único: Aplicar-se-6 o lançamento de oficio, além dos casos enumerados neste artigo, àqueles em que o sujeito passivo, beneficiado com isenções ou reduções do imposto, deixar de cumprir os requisitos a que se subordinar o favor fiscal. Não obstante, as disposições normativas acima mencionadas encontram seu fundamento de validade no artigo 149, III, do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: "Art. 149. 0 lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: 7 Processo n° 19515.000039/2004-97 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-01.066 Fl. 8 III - quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recuse-se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, a juizo daquela autoridade;" Portanto, conforme se depreende da leitura dos dispositivos legais anteriormente mencionados, somente o atendimento, a contento, do pedido de esclarecimentos, tem o condão de eximir o sujeito passivo (contribuinte) do lançamento de oficio. Sendo assim, não basta a apresentação de vasta documentação se esta não demonstrar ou comprovar a situação Mica alegada pelo contribuinte, infirmando, por conseguinte, as constatações apontadas pelo Fisco. Ademais, a autuação fiscal com base na presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no artigo 42, da Lei n° 9.430, de 24 de dezembro de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Assim dispõe o referido comando normativo: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° 0 valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-do ás normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente época em que auferidos ou recebidos. § 3 0 Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa fisica ou jurídica; - no caso de pessoa fisica, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano- calendário, não não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). §4° Tratando-se de pessoa fisica, os rendimentos omitidos serão tributados no tiles em que considerados recebidos, com base na 8 Processo n° 19515.000039/2004-97 S2-CIT2 Acórdão n.° 2102-01.066 Fl. 9 tabela progressiva vigente et época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. §5 0 Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. §6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Com efeito, as presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Isto porque, o ônus da prova, neste caso, cabe ao interessado, no caso o contribuinte. Inclusive, nesse sentido, a fim de pacificar a matéria, este egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF editou a Súmula CARF n° 26, que traz a seguinte redação: Súmula CARF n° 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Assim, importa destacar também que o ônus de provar implica trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto a determinado fato questionado. Logo, de acordo com os normativos retro mencionados, em casos de omissão de rendimentos, cabe apenas ao sujeito passivo, e não ao Fisco, trazer os elementos de prova de forma a comprovar a origem dos recursos que ingressaram em sua conta corrente ao longo dos períodos base analisados. Observe-se que o artigo 332 da Lei n°. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil Brasileiro, estabelece que "todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos em que se funda a ação ou defesa". Ademais, o mesmo Diploma Legal indica em seu artigo 334, inciso IV que "não dependem de prova os fatos em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade". Desse modo, não havendo hierarquia do valor probante dos meios de prova, excetuado o uso de provas ilícitas (art. 5°, inciso LVI da Constituição Federal de 1988), pode- se provar qualquer situação de fato por qualquer via, o que confere ao contribuinte ampla liberdade na produção de provas para a comprovação dos fatos alegados em sua defesa. 9 Processo no I 95 15.000039/2004-97 S2-C1T2 Acdtrao n.° 2102-01.066 Fl. 10 Com efeito, diante do exposto, verifica-se que para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei n°. 9.430, de 1996, em seu artigo 42, já mencionado, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ou seja, o fato gerador do imposto de renda não se da pela mera constatação de depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte. A presunção de omissão de rendimentos se caracteriza, sobretudo, ante a falta de esclarecimentos da origem dos valores creditados junto ao sistema financeiro. Portanto, o fato gerador decorre da circunstância de tratar-se de dinheiro novo no patrimônio do contribuinte sem que este, regularmente intimado para prestar esclarecimentos, não prove sua origem por meio de documentação hábil e idônea. Não obstante, conforme já devidamente demonstrado, as constatações acima afastam a necessidade de comprovação, por parte do Fisco, de acréscimo patrimonial a descoberto ou mesmo de sinais exteriores de riqueza nos casos de omissão de rendimentos. 0 auto de infração lavrado no caso concreto é resultado da verificação de omissão de rendimentos apurada com base em valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte, devidamente intimado, não comprovou a origem. Deste modo, com tais considerações em foco, nota-se que as alegações do contribuinte são infundadas, pois inexiste comprovação da origem dos depósitos bancários, bastando para o Fisco demonstrar a ocorrência dos depósitos de origem não comprovada. Alias, compulsando os autos, não verifico nenhum documento que tenha o condão de afastar a presunção de omissão de rendimentos, nem tampouco em suas alegações o contribuinte procura esclarecer a origem dos depósitos questionados. Deste modo, diante da total ausência da comprovação das origens dos recursos questionados pelo Fisco, é de rigor a manutenção dos valores que embasaram o lançamento nos termos em que efetuado, já que o contribuinte não logrou êxito em afastar as acusações apresentadas pela fiscalização. (b) Da ilegalidade do lançamento pela aplicação retroativa da Lei n° 10.174/01 e da quebra do sigilo bancário: No que tange à alegação de irretroatividade legal, o entendimento mais correto é no sentido de que a Lei Complementar no 105, de 2001 e a Lei n° 10.174, de 2001, ao contrario do alegado pelo recorrente, têm natureza instrumental e pode ser aplicada para fins de prova de omissão de rendimentos correspondentes a períodos anteriores a sua vigência. Inclusive a teor do que dispõe o art. 144, § 1 0, do Código Tributário Nacional, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao passo que as leis de natureza material só alcançam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. Sendo assim, a norma contida na Lei Complementar 105/01, que permite a utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de credito tributário, por envergar natureza procedimental, tem aplicação imediata, podendo assim alcançar fatos geradores pretéritos. 10 Processo n° 19515.000039/2004-97 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-01.066 Fl. II Aliás, a exegese do art. 144, § 1 0, do Código Tributário Nacional, considera a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito tributário, relativo a outros tributos, conduz conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6° da Lei Complementar 105/01 e da Lei 10.174/01 ao ato de lançamento de tributos que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência, o que ocorre no caso, posto que, conforme disposto no item seguinte, afastada a decadência alegada pelo contribuinte para o ano-calendário de 1998, por ter sido o crédito tributário constituído no prazo de 5 anos contados do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN. Portanto, concluímos que a alteração do §3 0 do artigo 11, da Lei 9.311/96 pelo artigo 1° da Lei 10.174/2001, permitindo a utilização de dados relativos à CPMF, retroage aos fatos pretéritos A. sua vigência, por caracterizar mera ampliação dos instrumentos de fiscalização, estando em consonância com a regra do §1° do art. 144 do CTN, bem como com as reiteradas decisões proferidas por este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme segue: PRELIMINAR. UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF. INSTRUMENTO DE FISCALIZAÇÃO. RETROATIVIDADE DA LEI 10.174/2001. A alteração do §3 0 do art. 11 da Lei 9.311/96 pelo art. 1° da Lei 10.174/2001, permitindo a utilização de dados relativos à CPMF, retroage aos fatos pretéritos à sua vigência, por caracterizar mera ampliação dos instrumentos de fiscalização, estando ern consoncincia corn a regra do §1 do art. 144 do CTN. NORMAS PROCESSUAIS — UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF - EFICÁCIA DA LEGISLAÇÃO. A Lei n° 10.174, de 2001, ao facultar a utilização das informações da CPMF em procedimentos administrativos para fins de verificaolo da existência de crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos, apenas ampliou os poderes de investigação das autoridades fiscais. Inclusive tal questão já restou pacificada por este CARF mediante a edição da Súmula CARP no 35, com efeito vinculante aos órgãos da administração tributária federal, conforme segue: Súmula CARF n°35: 0 art. II, § 3°, da Lei n° 9.311/96, com a redação dada pela Lei n° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. Com efeito vinculante aos órgãos da administração tributária federal, conforme Portaria-MF ng 383, de 12.07.2010 — DOU de, 14.07.2010 - Seção 1 - Página 843. Deste modo, não assiste razão ao contribuinte no tocante à argumentação de que a autoridade fiscal teria aplicado de forma irretroativa a legislação tributária, de forma que no caso verifica-se apenas a ampliação dos poderes de investigação das autoridades fiscais. Não obstante, cumpre esclarecer que no tocante à alegação de quebra de sigilo bancário trazida pelo contribuinte, o interesse coletivo deve sempre prevalecer sobre o 11 Processo n° 19515.000039/2004-97 S2-C I T2 Acirdao n.° 2102-01.066 Fl. 12 interesse do particular, sendo certo que o sigilo trazido pela Constituição Federal diz respeito A "comunicação de dados", não se tratando de modo algum de sigilo absoluto. Aliás, importante frisar que, na quase totalidade dos países ocidentais existe a possibilidade de acesso As movimentações bancárias quando tal seja importante para apuração de crimes e fraudes tributárias em geral. Além do exposto, nos termos já mencionados o entendimento mais correto é no sentido de que a Lei Complementar n° 105, de 2001 e a Lei no 10.174, de 2001 têm natureza instrumental e aumentou com isso as hipóteses legais para que a Receita Federal tenha acesso a dados, ainda que bancários, dos contribuintes para a fiscalização de supostos ilícitos fiscais. Assim, a autorização contida na Lei Complementar n° 105/2001 é válida para os fatos havidos após a sua publicação, mas alcança também os pendentes, nas situações em que a investigação tenha inicio depois da sua publicação, mas que não tenham sido fulminados pela decadência, como ocorre no presente caso. Nesta situação, o acesso aos dados bancários ocorreu para um fato pendente, porque ainda em período passível de homologação ou lançamento de oficio da Administração Tributária Federal, e em momento posterior A publicação desse ato legal, desta forma, improcedente também a alegação do contribuinte no sentido de que houve quebra de sigilo bancário neste caso. Cumpre esclarecer ainda que nos termos já mencionados pela decisão recorrida, no presente caso, em função de procedimento criminal movido contra Jurema Alves dos Santos (autos n° 2002.61.81.002433-9), o MM. Juiz da 7a Vara Criminal Federal de São Paulo, mediante Oficio (fls. 25 e 26), requisitou ao Banco Rail S/A que encaminhasse A Delegacia de Fiscalização da Receita Federal em Sao Paulo, os extratos bancários de fls. 33 a 50, de titularidade de Jurema Alves dos Santos e co-titularidade de Antonio Sérgio Cardoso e João Orivaldo Buoro (fls. 27 a 32), visando a constatar possível prática de crime contra a Ordem Tributária, ou seja, foi a própria Justiça Federal, que autorizou e promoveu a quebra do sigilo bancário do recorrente. (c) Ilegalidade do lançamento por abranger informações de valor mensal inferior ao admitido pelo §3 0, inciso II, do artigo 42, da Lei n°9.430/96: Neste aspecto o contribuinte equivoca-se ao argumentar que a autoridade fiscal não teria observado o dispositivo legal em referencia. Isto porque, apenas os depósitos bancários de valores iguais ou inferiores a R$12.000,00, desde que seu somatório não ultrapasse o valor de R$80.000,00 dentro do ano-calendário, serão desconsiderados para fins de determinação da "receita omitida". Aliás, conforme já mencionado, tal regra decorre da norma extraída do artigo 42, § 3 0, inciso II, da Lei n°. 9.430/96, alterado pelo artigo 4° da Lei n° 9.481/97, que é cristalina ao dispor que somente os depósitos de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00 serão desconsiderados para fins de determinação da receita omitida, desde que seu somatório não ultrapasse R$ 80.000,00, conforme segue: 12 Processo n° 19515.000039/2004-97 S2-C I 1'2 Acórclfto n.° 2102-01.066 Fl. 13 "Art. 42 — Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de deposito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hail e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 3° - Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa fisica ou jurídica; - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais)." Assim, o limite para a fiscalização é dado com base no disposto no comando normativo supra mencionado e depende, assim, de dois momentos: 0 primeiro, a análise quanto aos valores individualizadamente considerados, ou seja, se os depósitos respeitam o "teto" de R$12.000,00. 0 segundo, se tais depósitos não ultrapassam o valor global de R$ 80.000,00 dentro do ano-calendário. Desta forma, o limite global de R$ 80.000,00 nada mais significa que urn requisito à desconsideração dos depósitos inferiores a R$ 12.000,00, pois, uma vez não preenchido este requisito, resta prejudicada a possibilidade de desconsideração destes depósitos de "menor valor". Nada obstante, insta esclarecer que as hipóteses previstas na norma contida no artigo 42, § 3°, inciso II, da Lei n°. 9.430/96, não ocorrem no caso em tela, até porque, conforme se verifica nos demonstrativos de fls. 61 (Termo de Verificação Fiscal), nota-se que os valores dos depósitos relativos ao Demonstrativo do ano de 2000 são superiores a R$ 12.000,00 mesmo que considerados individualizadamente, sendo que o montante total é de R$ 922.121,42. Já para os depósitos relativos ao Demonstrativo do ano de 2001 o montante total para o período é de R$ 89.000,00. Tanto assim que a autoridade fiscal justifica claramente tal hipótese, mais precisamente às fls. 61, conforme destaque abaixo: No ano-calendário de 2001, o crédito total na conta-corrente foi de R$ 145.108,88, dos quais R$ 34.000,00 ern JANEIRO e R$ 55.000,00 em FEVEREIRO decorrem de depósitos de valores individuais superiores a R$ 12.000,00 e, portanto, tributáveis. Assim sendo o somatório dos créditos decorrentes de depósitos de valores individuais iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 totaliza R$ 56.108,88, que individualizado por titular da conta corresponde a R$ 18.702,96, que não atingem o limite mínimo de R$ 80.000,00, com base no § 6' c/c o inciso H do § 3 0 do art. 42 da Lei 9.430/96. 13 Processo re' 19515.000039/2004-97 S2-CIT2 Acórdão n.° 2102-01.066 Fl , 14 Sendo assim, não há que se falar em exclusão de valores da tributação ern virtude de serem inferiores ao limite legal. Ademais, também não merece qualquer consideração a argumentação de que a autoridade fiscal não teria levado em consideração o valor de R$4.320,00, no cálculo do imposto lançado de oficio. Isto porque, fica evidente no Demonstrativo de Apuração, mais precisamente as fls. 66, que a autoridade fiscal efetuou o cálculo deduzindo do montante total o valor de R$ 4.320,00, ao contrário do que aduziu o contribuinte. Assim, não merece qualquer reparo o lançamento sob tal aspecto. (d) Das contas conjuntas (falta de intimação do co-titular): Conforme consta dos autos, a conta corrente n° 11444-5, agência 0002, junto ao Banco hail, era de titularidade da Sra. Jurema Alves dos Santos — CPF: 697.475.718-20, mantida em co-titularidade com o Sr. Antonio Sergio Cardoso — CPF: 702.602.738-72 e com o contribuinte (recorrente). No entanto, todos os co-titulares foram intimados a prestar esclarecimentos a respeito da origem dos depósitos ocorridos na referida conta bancária, conforme demonstra o documento de fls. 20, sendo que para cada um dos co-titulares foi instaurado um processo administrativo distinto, mas cujas investigações ocorreram em conjunto, inclusive no âmbito criminal, nos termos do que demonstram os documentos de fls. 23/26. Nesta esteira, nos termos do expõe a autoridade fiscal e tendo em vista a total ausência de esclarecimentos a respeito dos depósitos por parte do contribuinte, foi atribuído a cada um dos co-titulares o percentual de 33,33%, corn base no disposto no §6°, do artigo 42, da Lei n° 9.430/96, in verbis: ,f 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Deste modo, tendo em vista que todos os co-titulares das contas bancárias foram devidamente intimados a esclarecer a origem dos depósitos bancários, tendo inclusive sido instaurado um processo administrativo para cada um dos co-titulares, mas sem que os co- titulares tenham efetivamente apresentado qualquer documento hábil e idôneo no sentido de esclarecer a origem dos depósitos bancários, é correta a imputação proporcional dos valores tidos como omissos depositados em conta bancária no presente caso, com base no disposto no § 6°, do artigo 42, da Lei n° 9.430/96. (e) Da multa e Principio do não-confisco: Ao contrário do que aduz o contribuinte, a multa aplicada pela autoridade fiscal está correta, posto que no percentual de 75%, ou seja, aplicação da multa de oficio. No presente caso não foi aplicada a multa agravada pela autoridade fiscal. I 4 Processo n° 19515.000039/2004-97 S2-C I T2 Acórao n.° 2102-01.066 FL 15 Alias, nos termos do que determina a Súmula CARF n° 14, a multa qualificada somente tem aplicação quando plenamente caracterizada a fraude, dolo ou simulação por parte do contribuinte, de forma que a simples omissão de rendimentos não caracteriza nenhuma destas condições. Portanto, andou bem a autoridade fiscal quando aplicou a multa de oficio em 75%, nos termos do que determina a legislação pertinente. Entretanto, a recorrente também aduz que a multa, ainda que na base de 75%, teria o caráter confiscatário. Mas, sob este prisma, rechaço a argumentação trazida, visto que é evidente que a multa não é tributo, mas sim penalidade, sendo que não existe vedação ao confisco do produto de atividade contrária à lei. Desta forma, a aplicação da multa ao autor do ilícito fiscal, ainda que possa, por hipótese, reduzi-lo à insolvência, é licita, pois a lei destina-se a proteger a sociedade, não o patrimônio do autor do ilícito. Assim, nos casos de lançamento de oficio, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto é exigível a multa de oficio no percentual de 75% por expressa determinação legal e nos termos já aduzidos. No mais cumpre esclarecer que o principio constitucional da vedação ao confisco é destinado ao legislador, que deve, no momento de elaborar a lei, estar adstrito aos ditames constitucionais. Com efeito, uma vez inserida a norma no sistema positivo, e estando vigente, é obrigação do administrador público aplicá-la, não sendo da competência da administração pública discutir a constitucionalidade de qualquer norma, competência esta reservada de forma exclusiva ao Poder Judiciário por expressa determinação constitucional, conforme já salientado. Alias, nesse sentido a impossibilidade de análise de matéria constitucional por órgãos administrativos de julgamento já restou pacificada pelo E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos termos da Súmula CARF n° 2, in verbis: CARF n°. 2: 0 CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributário. Diante disso, neste ponto também não merece qualquer reparo o trabalho da autoridade fiscal, tendo em vista que houve a aplicação da multa de oficio de 75%, nos limites do que determina a legislação aplicável ao caso. (I) Dos juros de mora corn base na taxa Selic: Adiante, o contribuinte procura argumentar no sentido de afastar a aplicação da Taxa Selic como base dos juros moratórios, sob a argumentação de sua ilegalidade de inconstitucionalidade. Porém, não cabe razão ao contribuinte, cumprindo-nos mencionar inicialmente que analisando o Demonstrativo de Multa e Juros de Mora não se vislumbra qualquer ilegalidade quanto aos indices utilizados pela autoridade fiscal, inclusive, está claramente expresso no referido demonstrativo que a partir de janeiro de 1997 (p/ fatos geradores a partir de 01/01/1997), é utilizado o percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para tributos federais. Is V nessa Pere' Rodrigues Domene Processo n° 19515.00003912004-97 S2-C1T2 AcOrdAo n.° 2102-01.066 Fl. 16 Ademais, ern relação a aplicação da Taxa Selic há de se verificar que a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Nessa toada, verificamos que o Código Tributário Nacional preceitua que a aplicação da Taxa Selic, para fins tributários, reclama lei que a determine. Eis que a Lei n° 9.065/95, que deu nova redação a dispositivos da Lei n° 8.981/95, dispôs, em seu artigo 13, que, a partir de 1° de abril de 1995, os juros de mora incidentes sobre os tributos e contribuições sócias arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, serão equivalentes à Taxa Selic, para títulos federais, acumulada mensalmente até o mês anterior ao do pagamento e a 1% ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado. Juros decorrem da mora do devedor e sell() calculados de acordo com a lei vigente a cada período em que fluem. Na espécie, assim se fez, os juros de mora com base no art. 84, § 5°, da Lei n° 8.981/95, se aplicam a partir de abril de 1995. Alias, em relação a esta matéria já restou pacificado tal entendimento perante este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, inclusive com a edição da Súmula CARF 4, "in verbis": "Súmula CARF no 4: A partir de I° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais." No mais, a recorrente, como já salientado anteriormente, alega a inconstitucionalidade da Taxa Selic. Porém, a análise da constitucionalidade de lei em matéria tributária não pode ser objeto de análise por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, questão inclusive pacificada na já. mencionada Súmula CARF no 2. Assim, não merece qualquer reparo neste aspecto o lançamento de oficio levado a efeito pelo Fisco, haja vista a correta aplicação dos juros por parte da autoridade fiscal. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso do contribuinte. Sala das Sessões, em 09 de fevereiro de 2011. 16
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Numero do processo: 13701.003319/2008-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. HIPÓTESES DE ISENÇÃO.
As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei n°. 8.852, de 1994, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.090
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do voto da relatora.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Acácia Sayuri Wakasungi
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HIPÓTESES DE ISENÇÃO. As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei n°. 8.852, de 1994, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Recurso Voluntário Negado. ---- 1 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. / Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos ddvoto d el t' ra. Giov esidente Acaeta tora EDITA IO 19/11/011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Nabia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Rubens Mauricio Carvalho e Acácia Sayuri Wakasugi. Ausente, justificadamente, a Conselheira Vanessa Pereira Rodrigues Domene. 1 Relatório Assim, contra ALDEMARIO DA TRINDADE foi lavrada Notificação de Lançamento, Ils. 03/07, para alterar o resultado da Declaração de Ajuste Anual (DAA), ano- calendário 2006, exercício 2007, sendo que confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dire, para o titular constatou-se omissão de rendimentos sujeitos h. tabela progressiva, no valor de R$ 10.400,40 percebido das fontes pagadoras. Na apuração do imposto devido, nada havia a ser compensado. Em síntese, o presente processo fiscal de lançamento, fora lavrado após o processamento da declaração de ajuste e resultado da solicitação de retificação de lançamento - SRL, por omissão de rendimentos recebidos. Cientificado, o recorrente insurgiu-se contra o lançamento focando primordialmente o inciso III do art 1° da Lei 8.852/94, o qual, segundo alega, enumera hipóteses que excluiriam rendimentos do campo de incidência do imposto de renda sobre a pessoa fisica e, assim, a Secretaria da Receita Federal deveria rever a autuação, tendo juntado documentos, fls. 08/17. A DRJ em acorddo tombado sob o n°. 13-24.437 - la. Turma da DRJ/RJOII , em sessão de julgamento datado de 30/04/2009, julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, fls. 22/26, tendo a seguinte ementa que ora transcrevo: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - 1RPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matdria tributária, disposição legal federal especifica. Lançamento Procedente" Cientificada, por AR em 09/06/2009, fls. 27v, o contribuinte apresentou, em 26/06/2009, recurso voluntário, fls. 28/29, onde repisa os argumentos elencados na impugnação ao auto de lançamento, aduzindo ainda que de acordo com a Lei Federal no 8.852/94, em seu art. 1°, inc. III, o IRPF não incidiria sob as parcelas relativas aos vencimentos dos militares/servidores civis, entre outras: Gratificação de tempo de serviço; gratificação ou adicional natalino, ou 13° Salário, Compensação Orgânica e Salário Família. É 0 RELATÓRIO. Voto Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi 0 recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Em sede de recurso, não foram apresentados novos argumentos ou elementos de prova para contestar as razões utilizadas pelo relator do voto do acórdão da DRJ, apenas foi solicitada novamente que fosse aceita a tese de isenção sobre parcelas referentes a Processo n° 13701.003319/2008-05 S2-C I T2 Acórdão n.° 2102-01.090 Fl. 37 Compensação Orgânica e Adicional de Tempo de Serviço e Compensação Orgânica, conforme a Lei 8.852, de 1994. De outro lado, o acórdão recorrido, foi minucioso acerca da impossibilidade legal e fatica para que seja aceita a tese da defesa, conforme se vê no voto do julgamento prolatado pela de primeira instância que, aqui transcrevo, em partes: O Código Tributário Nacional, Lei 5.172/66, define no artigo 43 o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. A Lei 7.713/88, em seu art 3 0, § 10, dispõe que o imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, sobre todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos (renda), os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, ressalvadas as disposições dos artigos 90 a 14 desta mesma Lei. Ademais, o § 40 do art 3 0 da Lei 7.713/88 define que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo. Todavia, normas legais determinam a exclusão do rendimento bruto, para fins de incidência do imposto de renda da pessoa física, por serem isentos ou não tributáveis. Estas exclusões estão elencadas no artigo 39 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). A Lei 8.852/94 dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § I°, da Constituição Federal, além de dar outras providências, mas não contempla em seu artigo I°, Ill, hipóteses de isenção ou de não incidência do imposto de renda da pessoa física. 0 artigo 10 da Lei 8.852/94 define meramente aquilo que seja vencimento básico, vencimentos e remuneração para aplicação dos seus dispositivos. Com efeito, não outorga isenção ou enumera hipóteses de não incidência de imposto, mesmo porque, lei que concede isenção deve ser especifica, nos termos do § 6° do artigo 150 da CF/88, ou seja, deve tratar exclusivamente da matéria isentiva ou de determinada espécie tributária. As alíneas de "a" até "r" no inciso Ill do art 1° da Lei 8.852/94 são exclusões do conceito de remuneração, mas não são hipóteses de isenção ou não incidência de imposto de renda da pessoa física, em outras palavras, não determinam sua exclusão do rendimento bruto para fins de não incidência do imposto sobre a pessoa física, mas sim, repita-se, de sua exclusão do conceito de remuneração para os objetivos da Lei 8.852/94. Assim sendo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. No presente processo está clara pela instrução, provas prestadas e confirmadas pelos próprios interessados, que a parcela tributada não é isenta, pois, a Lei 8.852, de 1994 não é competente e não teve o objetivo de definir a isenção tributária sobre o IRPF, obrigando que a autoridade fiscal, em função da seu dever de oficio, promovesse o lançamento atendendo a legislação tributária vigente. Ademais essa matéria sobre o efeito da Lei 8.852, de 1994 em matéria tributária em tela já fora tema debates neste CARF, havendo pois, uniformidade de entendimentos: Processo n°. : 13701.000384/2006-17 Recurso n°. : 155.978 Matéria : IRPF - Ex(s): 2002 Sessão de : 25 de maio de 2007 Acórdão n°. : 104-22.484 IRPF - RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS SERVIDORES PÚBLICOS A Lei n°. 8.852, de 1994, não veicula isenção do imposto de renda das pessoas fisicas. As verbas recebidas a titulo de adicional por tempo de serviço, adicional de férias e gratificação constituem renda ou acréscimo patrimonial e devem ser tributadas, a mingua de enunciado isentivo na legislação. Recurso negado. Assim, constatadas as irregularidades descritas nos autos de infração, tendo sido observadas na autuação as respectivas legislações regentes das matérias e não tendo a contribuinte apresentado qualquer prova ou argumento capaz de elidir o que lhe foi imputado, devem ser mantidas as exigências Desta for merecendo reparos a dec tanda correto o lançamento e, por conseguinte, não eira nstância, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Acác kasugi - Relatora 4
score : 1.0
Numero do processo: 10980.009742/2005-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2005
INCLUSÃO RETROATIVA.
A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal (Súmula 57 do CARF).
Numero da decisão: 1201-000.471
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2005 INCLUSÃO RETROATIVA. A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal (Súmula 57 do CARF).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 INCLUSÃO RETROATIVA. A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal (Súmula 57 do CARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, Antonio Carlos Guidoni Filho e Regis Magalhães Soares de Queiroz. Relatório Fl. 50DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10980.009742/200581 Acórdão n.º 120100.471 S1C2T1 Fl. 45 2 Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Conforme relatado no despacho decisório de fl. 15, a autoridade tributária indeferiu o pedido da contribuinte para sua inclusão retroativa no Simples Federal (fls. 2/4), sob o argumento de que uma das atividades exercidas pela pessoa jurídica, qual seja, a reparação, manutenção e conservação de aparelhos e equipamentos eletroeletrônicos, impede o seu ingresso no sistema simplificado, a teor do disposto no art. 9º, XIII, da Lei nº 9.317/96. Afirma ainda a autoridade que tal atividade não foi excepcionada pelo art. 4º da Lei nº 10.964/2004, com a redação dada pela Lei nº 11.051/2004. Apresentada manifestação de inconformidade (fls. 18/21), a DRJ de origem decidiu pelo indeferimento do pleito da interessada (fls. 27/29). Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 33/39) pedindo seja reformada a decisão de primeiro grau, alegando, em síntese, que a Lei nº 10.964/2004 afastou a vedação ao ingresso no Simples às pessoas que exerçam atividade de manutenção e reparação em aparelhos eletroeletrônicos. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Atividade Exercida pela Contribuinte Conforme consta de seu contrato de constituição (fls. 6/8), a empresa tem como objetivo social a “reparação, manutenção e conservação de aparelhos e equipamentos eletroeletrônico, comércio varejista de acessórios para computadores e comércio varejista de equipamentos de informática”. De acordo com o despacho decisório de fl. 15, sua exclusão do sistema simplificado deveuse apenas ao exercício da atividade de prestação de serviços de reparação, manutenção e conservação de aparelhos e equipamentos eletroeletrônicos, que, no entender da autoridade, não foi excepcionada pelo art. 4º da Lei 10.964/2004, com a redação dada pela Lei nº 11.051/2004, que assim estabelece: Art. 4o Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I – serviços de manutenção e reparação de automóveis, caminhões, ônibus e outros veículos pesados; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 51DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10980.009742/200581 Acórdão n.º 120100.471 S1C2T1 Fl. 46 3 II – serviços de instalação, manutenção e reparação de acessórios para veículos automotores;(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) III – serviços de manutenção e reparação de motocicletas, motonetas e bicicletas; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV – serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V – serviços de manutenção e reparação de aparelhos eletrodomésticos. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o Fica assegurada a permanência no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, com efeitos retroativos à data de opção da empresa, das pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que tenham feito a opção pelo sistema em data anterior à publicação desta Lei, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) Pois bem, a atividade de prestação serviços de reparação, manutenção e conservação de aparelhos e equipamentos eletroeletrônicos, constante do objeto social da pessoa jurídica, é, por certo, mais ampla que aquelas previstas nos incisos IV e V da norma acima transcrita. Restaria, então, estabelecer se a contribuinte efetivamente presta serviços que extrapolam os limites previstos nos mencionados dispositivos legais. Entendo que, havendo dúvida sobre se os serviços efetivamente prestados pelo optante do Simples encontramse ou não alcançados pela vedação contida no art. 9º, XIII, da Lei º 9.317/96, caberia ao Fisco aprofundar as investigações, sendo incabível a exclusão sem fazer prova do fato alegado. É de se ter em conta, ainda, a súmula CARF nº 57, que assim estabelece: Súmula CARF nº 57 (DOU de 09/12/2010, Seção 1): A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. 3) Conclusão Fl. 52DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por MARCELO CUBA N ETTO Processo nº 10980.009742/200581 Acórdão n.º 120100.471 S1C2T1 Fl. 47 4 Tendo em vista todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 53DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 26/04/2011 por MARCELO CUBA N ETTO
score : 1.0
Numero do processo: 13558.002575/2008-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PIS/COFINS
Período de Apuração: 31/01/2003 a 31/12/2003
UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES CONSTANTES DO LIVRO DE REGISTRO DE APURAÇÃO DO ICMS. PROVA EMPRESTADA.
Não caracteriza prova emprestada a utilização das informações prestadas pela própria contribuinte em seus livros fiscais, presumindo-se como verdadeiras os dados informados no Livro de Registro de Apuração do ICMS, servindo como elemento de prova.
MULTA QUALIFICADA.
É cabível o agravamento da multa de ofício quando o sujeito passivo informa em sua DIRPJ percentual ínfimo da receita bruta declarada ao fisco estadual e escriturada no Livro de Apuração do ICMS.
Recurso conhecido em parte.
Na parte conhecida, recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.320
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário; na parte conhecida, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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ementa_s : PIS/COFINS Período de Apuração: 31/01/2003 a 31/12/2003 UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES CONSTANTES DO LIVRO DE REGISTRO DE APURAÇÃO DO ICMS. PROVA EMPRESTADA. Não caracteriza prova emprestada a utilização das informações prestadas pela própria contribuinte em seus livros fiscais, presumindo-se como verdadeiras os dados informados no Livro de Registro de Apuração do ICMS, servindo como elemento de prova. MULTA QUALIFICADA. É cabível o agravamento da multa de ofício quando o sujeito passivo informa em sua DIRPJ percentual ínfimo da receita bruta declarada ao fisco estadual e escriturada no Livro de Apuração do ICMS. Recurso conhecido em parte. Na parte conhecida, recurso voluntário negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1859; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 163 1 162 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13558.002575/200878 Recurso nº 314.929 Voluntário Acórdão nº 3202000.320 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 07 de julho de 2011 Matéria PIS/COFINS Recorrente DISTRIBUIDORA MULTIFRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: PIS/COFINS Período de Apuração: 31/01/2003 a 31/12/2003 UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES CONSTANTES DO LIVRO DE REGISTRO DE APURAÇÃO DO ICMS. PROVA EMPRESTADA. Não caracteriza prova emprestada a utilização das informações prestadas pela própria contribuinte em seus livros fiscais, presumindose como verdadeiras os dados informados no Livro de Registro de Apuração do ICMS, servindo como elemento de prova. MULTA QUALIFICADA. É cabível o agravamento da multa de ofício quando o sujeito passivo informa em sua DIRPJ percentual ínfimo da receita bruta declarada ao fisco estadual e escriturada no Livro de Apuração do ICMS. Recurso conhecido em parte. Na parte conhecida, recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário; na parte conhecida, em negar provimento ao recurso. José Luiz Novo Rossari Presidente Irene Souza da Trindade Torres Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Mara Cristina Sifuentes e Wilson Sampaio Sahade Filho. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 13558.002575/200878 Acórdão n.º 3202000.320 S3C2T2 Fl. 164 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “ Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados contra a contribuinte acima identificada, que pretendem a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins (fls. 03/10) e da Contribuição para o Programa de Integração Social— PIS (fls. 15/24), relativas aos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2003. No Relatório de Fiscalização (fls. 27/32), o autuante informa que a empresa foi excluída do Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES pelo Ato Declaratório Executivo n° 18/2007 (fls. 67/68), com efeitos a partir de 01/01/2003, por ter obtido receitas da venda de mercadorias no anocalendário de 2002 no total de R$ 3.935.804,16, acima do limite de enquadramento de Empresa de Pequeno Porte no SIMPLES, embora tenha apresentado Declaração Anual Simplificada como se inativa estivesse. Assim, foram lavrados Autos de Infração relativos ao SIMPLES, objeto do processo administrativo n° 13558.001874/2007 12. Em relação anocalendário 2003, segundo o autuante, foi constatada a falta ou insuficiência de recolhimentos da Cofins e do PIS, cujas bases de cálculo foram apuradas a partir dos valores informados no Livro de Registro de Apuração do ICMS (fls. 74/88). Acrescenta, ainda, que em face da sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 2007.33.00.01344038 (fls. 91/99), impetrado pela ASDAB — Associação dos Distribuidores e Atacadistas da Bahia, da qual a contribuinte faz parte, o ICMS foi excluído das bases de cálculo das contribuições, que estão, assim, demonstradas às folhas 11 (Cofins) e 20 (PIS). Os recolhimentos efetuados pela sistemática do SIMPLES no período de março a dezembro de 2003 (extrato às folhas 69/73) foram considerados na apuração dos valores tributáveis, conforme "Demonstrativo da Partilha dos Valores Pagos do SIMPLES" (fls. 12 e 21). Por fim, segundo o autuante, tendo em vista que a contribuinte informou à Receita Federal apenas 6,27% da receita total, restou claro o intuito de fraude definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, razão pela qual foi aplicada a multa qualificada no percentual de 150% prevista no inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Cientificada dos lançamentos em 31/12/2008, conforme Aviso de Recebimento à folha 104, a contribuinte apresenta em 29/01/2009 a impugnação de folhas 105/125, alegando em sua defesa, em síntese: • Preliminarmente, o Auto de Infração deve ser declarado nulo, pois a autuação foi baseada exclusivamente em prova emprestada, qual seja, valores declarados ao Fisco estadual, embora caracterizem meros indícios de omissão de receitas, transcrevendo jurisprudência judicial e administrativa que entende corroborar seus argumentos; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 13558.002575/200878 Acórdão n.º 3202000.320 S3C2T2 Fl. 165 3 • A autuação também é nula por estar fundamentada em exclusão indevida da empresa da sistemática do SIMPLES, pois embora o Ato Declaratório Executivo n° 18/2007, exarado pela DRF/Itabuna, mencione que a exclusão se deu em função do processo n° 13558.002056/2007 29, jamais teve conhecimento do teor daquele processo, tendo somente recebido cópia do ADE; • Contribuintes optantes do SIMPLES, anteriormente ao ato declaratório excludente, têm direito a permanecer no regime por atender aos requisitos à época da opção, e sua exclusão somente pode ocorrer com observância dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, o que, no presente caso, não ocorreu; • No mérito, alega ser impossível a cobrança de tributo retroativamente, que somente pode ocorrer a partir do momento em que o Fisco tomou conhecimento de que o contribuinte não mais se enquadrava no Simples, sob pena de se ferir os princípios da segurança jurídica e da irretroatividade da norma jurídica tributária, conforme jurisprudência judicial transcrita; • Por sua própria natureza, a atividade desenvolvida pela empresa jamais poderia gerar uma receita bruta no elevado montante imaginado pelo auditor, apurado com base em elementos indiciários, ressaltando, ainda, que se localiza numa região que sofre processo histórico de degradação na economia regional, não havendo como tributála em percentuais incompatíveis com o lucro real da empresa sem avaliar e considerar as despesas do estabelecimento, não tendo sido considerada também a elevada inadimplência com a qual a impugnante vem se defrontando, o que reduz ainda mais a sua rentabilidade média; • Ao final, requer a improcedência dos Autos de Infração.” A DRJSalvador/BA julgou procedente o lançamento (fls. 131/135), nos termos da ementa transcrita adiante: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/2003 a 31/12/2003 NULIDADE.As argüições de nulidade só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas ,na lei para a sua ocorrência, e não há que se falar em nulidade quando a exigência fiscal sustentase em processo instruído com todas as peças indispensáveis, contendo o lançamento descrição dos fatos suficiente para o conhecimento da infração cometida e não se vislumbra nos autos que o sujeito passivo tenha sido tolhido no direito que a lei lhe confere para se defender. LIVROS FISCAIS. PROVA EMPRESTADA. Não caracteriza prova emprestada a utilização do Livro de Registro de AiDuração de ICMS para efeito de apuração da base de cálculo da Cofins e da contribuição para o PIS. VALORES DECLARADOS AO FISCO ESTADUAL. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. Os valores informados e atestados como verídicos ao Fisco estadual pelo contribuinte, mediante declaração firmada no Livro Registro de Apuração do ICMS e Registro de Saídas, presumemse verdadeiros, cabendo prova em contrário, com elementos objetivos. EXCLUSÃO DO SIMPLES DE OFÍCIO. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 13558.002575/200878 Acórdão n.º 3202000.320 S3C2T2 Fl. 166 4 Lançamento Procedente” Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário a este Colegiado (fls.138/159), repisando os mesmos argumentos expendidos na impugnação. Ao final, requereu seja dado provimento ao recurso voluntário e declarada a improcedência da decisão recorrida. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Trata a lide de Autos de Infração lavrados contra a empresa DISTRIBUIDORA MULTIFRIOS LTDA para constituição de créditos tributários relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS (fls. 3/14) e à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 15/26), no valor total de R$ 999.882,25, referentes ao período de apuração de 31/01/2003 a 31/12/2003, inclusos o valor do tributo que deixou de ser recolhido ou foi recolhido a menor, da multa de ofício agravada (150%) e dos juros de mora. Entendeu a Fiscalização ter havido omissão de receitas, a qual foi apurada por meio de divergências verificadas entre as receitas declaradas pela contribuinte à Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia e a informada à Secretaria da Receita Federal do Brasil por meio de Declaração Anual Simplificada/2003 – SIMPLES. Concluiu o Fisco que a contribuinte, apesar de ter auferido receita no montante total de quase nove milhões de reais, decorrente da revenda de mercadorias, informou à SRF uma receita bruta anual de apenas R$ 564.179,45, ou seja 6,27% do valor informado ao Fisco Estadual, conforme comprovam cópias das DIRPJSimples anexas ao Auto de Infração. Conforme consta do Relatório Fiscal (fls. 27/32), as bases de cálculo das contribuições foram apuradas a partir dos valores informados no Livro de Registro de Apuração do ICMS (fls. 74/88). Entretanto, referido tributo estadual foi excluído das preditas bases de cálculo em razão de sentença judicial, proferida pelo juízo da 8ª Vara da Justiça Federal no Estado da Bahia, nos autos do Mandado de Segurança n° 2007.33.00.01344038 (fls. 91/99), impetrado pela ASDAB — Associação dos Distribuidores e Atacadistas da Bahia, da qual a contribuinte faz parte. Foram ainda considerados os recolhimentos efetuados pela sistemática do SIMPLES, no período de março a dezembro de 2003, conforme se pode verificar das planilhas às fls. 11/12 e 20/21. Primeiramente, devese salientar que, por disposição dos arts. 2º e 4º Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria/MF nº. 256, de 22/06/2009, a esta Turma cabe apenas analisar a autuação quanto aos aspectos que se relacionam às contribuições da COFINS e PIS, não tendo competência regimental para julgar a exclusão da contribuinte da Fl. 4DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 13558.002575/200878 Acórdão n.º 3202000.320 S3C2T2 Fl. 167 5 sistemática de pagamento de tributos pelo SIMPLES, razão pela qual as alegações de defesa trazidas pela recorrente quanto a esta matéria não devem ser conhecidas. Quanto à autuação referente à COFINS e ao PIS, em sede de recurso a contribuinte não trouxe qualquer elemento de prova que pudesse sustentar suas precárias alegações de defesa, já aduzidas na impugnação, não havendo nos autos contraposição às provas trazidas pela autoridade autuante. Ressaltese que, no processo administrativo fiscal, também é aplicável o princípio processual de que ao autor cabe o ônus de demonstrar os fatos constitutivos de seu direito, isto é, à Fazenda Pública cabe demonstrar os fatos que justificam o lançamento fiscal (quem alega tem de provar) e, ao sujeito passivo, os fatos impeditivos e ou modificativos do direito demonstrado pelo autor (pela Fazenda Pública). No caso, nada traz a defesa para contrapor as provas produzidas pela autoridade autuante, e, antes pelo contrário, as explicações que fornece mostramse vazias de fundamentação, pois à tributação não se mostram relevantes os fatores regionais da economia. Por outro lado, como bem salientou a autoridade julgadora a quo, a utilização das informações prestadas pela própria contribuinte no Livro de Registro de Apuração do ICMS não se trata de utilização de prova emprestada. Esta é tipo de prova atípica, admitida pelo Direito Processual Civil em razão dos princípios da economia processual e da unicidade da jurisdição, e que consiste no transporte de produção probatória de um processo para outro, isto é, as provas produzidas perante um determinado juízo são trasladadas para os autos de outro processo, com o fim de produzir prova perante outro juízo. No caso, o que ocorreu foi um simples exame dos livros fiscais e contábeis pela autoridade competente para tanto, conforme autorizado pelo artigo 911 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, cujo amparo legal é dado pelo artigo 7° da Lei n° 2.354, de 29 de novembro de 1954, e assim dispõe, verbis: Art. 911. Os AuditoresFiscais do Tesouro Nacional procederão ao exame dos livros e documentos de contabilidade dos contribuintes e realizarão as diligências e investigações necessárias para apurar a exatidão das declarações, balanços e documentos apresentados, das informações prestadas e verificar o cumprimento das obrigações fiscais. Por último, temse que idêntica matéria de que tratam estes autos foi julgada por esta Turma na sessão de maio deste ano, no processo administrativo nº. 10120.016064/200885, em que foi relator do voto condutor do Acórdão o ilustre Conselheiro Gilberto Castro Moreira Júnior. Naquela oportunidade, este Colegiado, por unanimidade de votos, reconheceu válida a utilização das informações contantes do RAICMS e entendeu que a divergência de informações prestadas pela própria contribuinte entre os Fiscos Federal e Estadual consistia em omissão de receitas, justificando o agravamento da multa de ofício. Eis a ementa do referido Acórdão: Assunto: PIS/COFINS Período de Apuração: 31/01/2005 a 31/12/2005 ILEGALIDADE LANÇAMENTO. AUSÊNCIA. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 13558.002575/200878 Acórdão n.º 3202000.320 S3C2T2 Fl. 168 6 Tendo o lançamento sido pautado nas provas juntadas aos autos sem que o contribuinte tenha atacado tais provas de maneira a questionar e demonstrar a ausência de conteúdo das mesmas, não há que se falar em nulidade do lançamento. MULTA QUALIFICADA. A prática de oferecer à tributação, em todos os períodos de apuração do ano, percentual ínfimo da receita bruta declarada ao fisco estadual e escriturada no Livro de Apuração do ICMS, constitui ilícito que justifica a qualificação da multa de oficio. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA ALEGADA APENAS EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. Segundo o artigo 17 do Decreto 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela Recorrente, motivo pelo qual se encontram preclusas as matérias alegadas pela Recorrente apenas em sede de Recurso Voluntário. RECURSO VOLUNTÁRIO CONHECIDO EM PARTE. NA PARTE CONHECIDA, REJEITADA A PRELIMINAR DE NULIDADE DE LANÇAMENTO E NO MÉRITO NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO Por todo o exposto, CONHEÇO EM PARTE do recurso; na parte conhecida, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 6DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES
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Numero do processo: 18471.002389/2003-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1999
IRPF. DECADÊNCIA.
0 imposto sobre a renda de pessoa fisica é tributo sujeito ao lançamento por homologação, de modo que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é de cinco anos contado do fato gerador, que, como regra, ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário, nos termos da Súmula n.° 38 deste CARF.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
0 artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstitui-la.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.972
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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DECADÊNCIA. 0 imposto sobre a renda de pessoa fisica é tributo sujeito ao lançamento por homologação, de modo que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é de cinco anos contado do fato gerador, que, como regra, ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário, nos termos da Súmula n.° 38 deste CARF. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. 0 artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstitui-la. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do vo so elator. C io Marcos Cândido .- Li (c) Alexa 1 re Nao i Nishioka - elator Processo n° 18471.002389/2003-06 S2 -C1T1 Acórdão n.° 2101-00.972 Fl. 340 EDITADO EM: 1 5 AU 2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Alexandre Naoki Nishioka, Ana Neyle Olímpio Holanda, José Raimundo Tosta Santos, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 331/336) interposto em 09 de maio de 2008 contra o acórdão de fls. 311/328, do qual a Recorrente teve ciência em 23 de abril de 2008 (fl. 330), proferido pela P Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ), que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente o auto de infração de fls. 193/195, lavrado em 14 de outubro de 2003, em virtude de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, verificada no ano-calendário de 1998. O acórdão teve a seguinte ementa: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1999 PRELIMINAR. PRORROGAÇÃO MPF. A partir da Portaria n° 3007/2001, a prorrogação do MPF se faz por intermédio de registro eletrônico, efetuado pela autoridade outorgante, ficando essa informação disponível para o contribuinte fiscalizado na interne. Tendo a ação fiscal sido conduzida por servidor competente, conforme MPF expedido e prorrogado por autoridade competente, a mera ausência nos autos de comprovação do seu recebimento pelo contribuinte não enseja nulidade do procedimento fiscal e/ou do auto de infração dele decorrente, nem tampouco por cerceamento de defesa. SIGILO PROFISSIONAL. ADVOGADOS. A pessoa do advogado como profissional não se confunde com o advogado pessoa fisica contribuinte. 0 advogado, como qualquer outro contribuinte, está obrigado a prestar as informações que, legalmente, tenham sido solicitadas pela fiscalização. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1999 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 10 de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n2 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com 2 Processo n° 18471.002389/2003-06 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.972 Fl. 341 base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo que tenha sido intimado a fazê-lo. JUROS MORATORIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa do SELIC para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. Lançamento Procedente em Parte" (fls. 311/312). Não se conformando, a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 331/336, suscitando preliminar de nulidade, em virtude da decadência de parte do lançamento. No mérito, pede a exoneração do crédito tributário. o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator 0 recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A Recorrente aduz, em seu recurso voluntário, preliminarmente, a decadência em relação aos fatos geradores de janeiro a setembro de 1998 e, no mérito, in casu, que as provas acostadas com a sua impugnação estão em acordo com a imposição legal. Alega que no caso da pensão alimentícia judicial, os documentos que melhor poderiam comprovar a posse transitória do numerário de sua filha não se encontravam disponíveis A. Recorrente, mas que a autoridade julgadora poderia tê-los requisitado A. Receita Federal e não o fez. No que tange A. decadência alegada, sem razão a Recorrente. Como tenho me manifestado, entendo que é aplicável o prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4°., do CTN, pois, A. regra geral do artigo 173, I, o Código estabeleceu justamente a exceção contida no artigo 149, V. Todavia, o fato gerador do imposto de renda é complexivo e se aperfeiçoa em 31 de dezembro de cada ano-calendário, tal como enunciado constante da Sumula 38 deste CARF, in verbis: "0 fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo A. omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário." Sendo assim, tratando-se de lançamento que abrangeu o fato gerado correspondente ao ano-calendário de 1998, que, portanto, se aperfeiçoou em 31/12/1998, poderia a fiscalização efetuar o lançamento até 31/12/2003. Tendo o lançamento sido realizado em 14/10/2003, mediante a lavratura do auto de infração, não há que se falar em decadência. No mais, verifica-se que o lançamento foi realizado com base na presunção do artigo 42 da Lei n.° 9.430/96, que assim preceitua: 3 Processo n° 18471.002389/2003-06 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.972 Fl. 342 "Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto h. instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1°. 0 valor das receitas ou dos rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2°. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-do As normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos." Na realidade, instituiu o referido dispositivo autentica presunção legal relativa, cujo condão é justamente o de inverter o Onus da prova, atribuindo-o ao contribuinte, que passa a ter o dever de refutá-la. Como é cediço, a presunção, seja ela hominis ou legal, é meio de prova que prescreve o reconhecimento jurídico de um fato provado de forma indireta. Ou seja, provando- se diretamente o fato indicidrio, tem-se, por conseguinte, a formação de um juizo de probabilidade com relação ao fato presumido que, a partir de então, necessita ser afastado pelo contribuinte. No caso dos autos, prova-se especificamente a ocorrência de movimentações bancárias injustificadas, decorrendo desta comprovação o reconhecimento da omissão de rendimentos na apuração da base de cálculo do IRPF. Nesse sentido, a presunção relativa referida pelo artigo 42 da Lei n. 9.430/96 é legitima, não ferindo, em nenhum ponto, a legislação tributária em vigor. Este tribunal administrativo, por sua vez, já consolidou entendimento de acordo com o qual, a partir da edição da Lei n. 9.430/96, é válida a presunção em referência, sendo ônus do contribuinte desconstitui-la com a apresentação de provas suficientes para tanto. o que se depreende das seguintes ementas, destacadas dentre as inúmeras existentes sobre o tema: "OMISSÃO DE RENDIMENTOS - LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Para os fatos geradores ocorridos a partir de 10 de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ONUS DA PROVA - Se o Onus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários." (1° Conselho de Contribuintes, 2a Camara, Recurso Voluntário n°. 158.817, relatora Conselheira Nabia Matos Moura, sessão de 24/04/2008) "LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Para os fatos geradores 4 Processo n° 18471.002389/2003-06 S2 -C1T1 Acórdão n.° 2101-00.972 Fl. 343 ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. TRIBUTAÇÃO PRESUMIDA DO IMPOSTO SOBRE A RENDA - 0 procedimento da autoridade fiscal encontra-se em conformidade com o que preceitua o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, em que se presume como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, em relação aos quais o titular pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ONUS DA PROVA - Se o Onus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituida por meras alegações." (1° Conselho de Contribuintes, 2 Câmara, Recurso Voluntário n°. 141.207, relator Conselheiro Romeu Bueno de Camargo, sessão de 22/02/2006) No mais, os documentos que comprovem a origem dos valores movimentados devem ser devidamente armazenados pelo mesmo lapso de tempo que as autoridades fiscais tem para constituir possível crédito. Nesse sentido, colacionamos alguns acórdãos que elucidam tal entendimento: "NULIDADE - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA — PROVA — No processo administrativo tributário os fatos devem evidenciar-se com provas documentais. A documentação dos fatos havidos no transcorrer do ano-calendário tem prazo para guarda igual àquele em que possível a constituição do correspondente crédito tributário." (1° Conselho de Contribuintes, 2' Camara, Recurso Voluntário n°. 146.926, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 04/07/2007) "DOCUMENTOS — GUARDA — 0 prazo para guarda de documentos é o mesmo que o permitido ao sujeito ativo para exigir o tributo ou rever de oficio o lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS — DEPÓSITOS BANCÁRIOS — A presunção legal de renda com suporte na existência de depósitos e créditos bancários de origem não comprovada tem fundamento legal na norma do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, tendo caráter relativo e transfere o ônus da prova em contrário ao contribuinte." (1° Conselho de Contribuintes, 2' Câmara, Recurso Voluntário n°. 140.839, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 21/06/2006) Considerando -se, portanto, o exposto, deve -se afastar as ilações da Recorrente no que tange A tentativa de afastamento da presunção que baseou o lançamento. A Recorrente alega que a lei não conceitua o que venha a ser "hábil" e "idôneo", socorrendo-se ao dicionário Aurélio para definir tais termos, e conclui que os documentos trazidos por ela se adequam As definições encontradas. 5 Processo n° 18471.002389/2003-06 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.972 Fl. 344 Quer fazer crer que "hábil", genericamente, significa "o que está de acordo com imposições legais", e que "idôneo" o dicionário conceitua como sendo "adequado". Ora, da simples leitura do artigo 42 da Lei n.° 9.430/96, entende-se que cabe ao contribuinte comprovar a origem de receita ou de rendimento creditados em conta de depósito ou de investimento de sua titularidade, mediante documentação hábil e idônea. Isto 6, não basta a simples apresentação de documentos hábeis e idôneos, tendo em vista as definições trazidas pela contribuinte, mister a comprovação da origem dos depósitos, por meio dos documentos apresentados. Em suma, mesmo que utilizássemos as definições trazidas pela Recorrente, não houve a comprovação da origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou investimento. Como é cediço, o processo administrativo é regido pelos princípios da verdade material e da informalidade. Poderia, assim, a contribuinte, em atenção A decisão recorrida, ainda em sede de recurso voluntário, apresentar documentos que efetivamente comprovassem a origem dos recursos e suas alegações de que os depósitos tratam de posse transitória de numerário de terceiros ou transferência de valores entre contas de mesma titularidade. Assim, o acórdão recorrido deve ser mantido por seus próprios fundamentos quanto à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, pois, no que tange aos valores repassados ao Banco Econômico, como se demonstrou: "Da análise dos depósitos apontados, constata-se que não existe coincidência de datas e valores entre os depósitos e os repasses. (...) A contribuinte comprova que repassou os valores para o Banco Econômico. Mas faltou, principalmente, demonstrar que os depósitos foram efetuados pelos mutuários listados nas correspondências enviadas àquela instituição. Para se eximir da tributação, é primordial que a contribuinte estabeleça a vinculação entre os mutuários e os depósitos efetuados, o que a contribuinte não fez (...). A ora impugnante só restava a alternativa de, em face da presunção legal anteriormente descrita, tentar elidir o feito fiscal por meio da apresentação de contraprovas concretas aos levantamentos efetuados pelo Fisco. Ou sej a, apresentar não meras alegações e demonstrativos, mas provas incontestes, hábeis e idôneas do recebimento dos aludidos valores dos mutuários do Banco Econômico, com referência e coincidência de datas e valores, demonstrando, ainda, o repasse para a instituição. (...) Dessa forma, entendo que os valores mencionados não devem ser excluídos do montante apurado pela Fiscalização, conforme solicitado pela Interessada" (fl. 321/322) A Recorrente entende ser dispensável a coincidência de datas e valores entre depósitos e repasses, trazendo julgados nesse sentido. 6 Processo n° 18471.002389/2003-06 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.972 FL 345 Ocorre que a única prova trazida pela contribuinte é uma carta com relação dos supostos mutuários que pagaram parte de seus financiamentos e um cheque de repasse da própria contribuinte ao Banco Econômico. Ora, a Recorrente não traz nenhum recibo dos valores pagos pelos mutuários; portanto, à luz dos documentos apresentados pela Recorrente, a única referência que o Fisco tem para se ater e verificar se os fatos corroboram as alegações feitas pela Recorrente é a coincidência de datas e valores; sem isso, não haveria como averiguar se as meras alegações pessoais da contribuinte são reais. Por isso, a partir dos documentos acostados, o único meio que restou para comprovar as alegações da Recorrente foi verificar a coincidência de datas e valores entre depósitos e repasses, o que não ocorreu. Com relação A. venda do apartamento, seguindo o mesmo entendimento, concluo que a Recorrente também não trouxe elementos que comprovem que os depósitos tenham sido efetuados pelo comprador do imóvel, o Senhor Plinio Di Giorgi. A contribuinte apresentou quando da impugnação recibo de sinal e principio de pagamento (fls. 293/296), bem como declaração do comprador. Depreende-se desses documentos que as partes acertaram a compra e venda do imóvel no valor de R$ 200.000,00, pagos da seguinte forma: R$ 75.000,00 no ato, mediante apresentação de três cheques nos valores de R$ 15.000,00, R$ 2.000,00 e R$ 58.000,00. Ocorre que a escritura de compra e venda do imóvel (fls. 135/140) assinada em 26/11/1998 dá noticia da venda do imóvel pelo valor de R$ 180.000,00, a ser pago da seguinte forma: R$ 49.200,00 pagos no ato em moeda corrente, R$ 90.800,00 oriundos da conta de FGTS do comprador e R$ 40.000,00, mediante financiamento da Caixa Econômica Federal. Conclui-se que a escritura representa prova contrária as alegações da Recorrente, que mais uma vez não vêm acompanhadas de documentos que comprovem cabalmente o suscitado pela contribuinte. Alega a Recorrente que alguns dos depósitos constatados como de origem não comprovada são na verdade transferências entre contas bancárias próprias, porém como bem analisou a Recorrida, duas das supostas transferências não foram comprovadas, devido a não coincidência de valores e falta de provas. Por fim, no que tange h. alegada conta no Bradesco, aberta para receber pensão alimentícia judicial de sua filha, a Recorrente apresenta em sua impugnação cópia ilegível do oficio da 9' Vara de Família do Rio de Janeiro e comprovante de rendimentos que em nada ilidem a tributação, pois não prestam para demonstrar a vinculação entre os depósitos ocorridos em sua conta bancária e o pagamento da pensão alimentícia. Apenas asseguram que foi determinado e efetuado o pagamento de pensão, mas não identificam a conta bancária e os valores efetivamente depositados. Ademais, como bem destacou a Recorrida: "(...) os depósitos verificados no Banco Bradesco ut 205) não mostram qualquer uniformidade de valor, o que normalmente ocorre no pagamento dessa rubrica (pensão alimentícia)." Eis os motivos pelos quais voto no sentido de REJEITAR a preliminar de decadência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. 7 Processo n° 18471.002389/2003-06 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.972 Fl. 346 ,ÜL Alexandre Naoki Nishioka 8
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