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Numero do processo: 13161.001006/2004-35
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2000
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO.
A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá exclui-la da base de calculo para apuração do 1TR.
Recurso especial provido
Numero da decisão: 9202-001.219
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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RECURSOS FISCAIS Processo le 13161.001006/2004-35 Recurso n" 338.536 Especial do Procurador Acórdão n" 9202-01.219 — r Turma Sessão de 20 de outubro de 2010 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado JOSE ROBERTO FERREIRA MARTINS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2000 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da Lea eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá exclui-la da base de calculo para apuração do 1TR. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do c egiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gonç o Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e usy Gon s Hoffinann. Carlos Alber reto — Presidente Julio C Relator EDITADO EM: Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Arruda Coelho Júnior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire, Relatório Trata-se de recurso especial de contrariedade interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão, no qual, decidiu-se pela exclusão da base de cálculo do ITR da área do imóvel correspondente à reserva legal em razão da existência de laudo técnico agronômico que individualiza detaIhadamente o imóvel, embora à época dos fato gerador não houvesse a averbação do registro de imóveis. Seguem transcrições do acórdão ecorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2000 ITR - ÁREA DE RESERVA LEGAL - AVERBAÇÃO Á MARGEM DA MATRICULA DO IMÓVEL APÓS FATO GERADOR DO IMPOSTO A averbaçao à margem da inscrição da matt icula do imóvel, nos termos do art, 16, § 8°, do Código Florestal, tern a finalidade de resguardar a segurança ambiental, a conservação do estado das áreas na hipótese de transmissão de qualquer titulo, para que se confirme, civil e penahnente, responsabilidade futura de terceiros eventuais adquirentes- do imóvel . A exigência, como pré-condição ao gozo de isenção do ITR, de que a averba cão seja realizada até a data da ocorrência do fato gerador do imposto, não encontra amparo na Lei ambiental (precedentes da CSRF) ITR - ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - ATO DECLARATORIO AMBIENTAL - EXIGÊNCIA, Não há obrigação de prévia apresentação protocolo do pedido de expedição do Ato Declaratório Ambiental para exclusão das 6r-ens de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR. A obrigação de comprovação da área declarada ern DITR por meio do ADA, foi facultada pela Lei n° 10.165/2000, 9tte alterou o art 17-0 da Lei n° Lei no 6.938/1981. E apropriada a comprovaçâo das áleas de utilização limitada e de preservação permanente por meio de laudo técnico, elaborado por Engenheiro Agrônomo com anotação de ART, devidamente apresentado a liscalização. Aplicação retroativa do § 7° do art. 10 da Lei n° 9,939/96, corn a redação dada pela MP 2.166-67, de 24/08/01. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos 2 Processo 01.3161.001006/2004-35 CSRF-T2 AcOrd5o n '9202-01.219 Fl 2 ACORDAM os membros da Primeira câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, pelo voto de qualidade, dar provimento integral ao recurso, vencidos os conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Joao Luiz Fregonazzi e José Fernandes do Nascimento (Suplente), que davam provimento parcial para reconhecer a área de preservação permanenle e para reconhecer a area de reserva legal somente nos limites da area averbada, 0 v. acórdão ora recorrido concluiu pela manutenção da glosa das areas de preservação permanente (801,5 ha) e utilização limitada / reserva legal (1396,4 ha) declaradas pelo contribuinte em sua DITR sob o entendimento que a ausência do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado tempestivamente junto ao IBAMA, bent como a inexistência de averbação da área de reserva legal á data da ocorrência do lino gerador do ITR/2000 impede a exclusão day mencionadas areas da tributação.. Compulsando-se os autos, nota-se, realmente, que não foi apresentado o Ato Declaratório Ambiental (ADA) e que a averba cão à margem da Matricula do imóvel foi realizada em 04/03/2004 27).. Vê-se, portanto, que a decisão não foi por unanimidade somente quanto a averbação da área de reserva legal.. Segue trecho do recurso especial que sintetiza os fundamentos pelo reconhecimento da exigência de averbação: A exigência da averbação da area de utilização hinitada/reserva legal iz margem do seu registro imobiliário esta prevista, originariamente, no ,§ 22 do art. 16, da Lei nQ 4.771/1965 (Código Florestal), com a redação dada pela Lei n 7.803/1,989. Desta forma, ao se reportar à essa lei ambiental, a Lei n 9.393/1 996 esta condicionando, implicitamente, a não tributação das áreas de reserva legal ao cumprimento dessa exigência averbação a margem da matricula do imóvel. Além disso, tal exigência foi expressamente inserida no art. 10, ,§ 4, inciso 1, da IN/SRF 43/1997, com redação do art. 12, inciso da IN/SRF 67/1997. Por seu turno, no que diz respeito ao prazo para o cumprimento da obrigação ora tratada, deve ser levado em consideração que o lançamento reporta-se á data de ocorrência do fato gerador da obrigação, conforme prescrito no art.. 144 do CTN, enquanto o art. I, capia, da Lei n. 9.393/1996, estabelece como marco temporal do fato gel ado, do ITR o dia 12 de janeiro de cada ano. 3 Assim, as areas de utilizaçâo limitada/reserva legal somente se,ào excluidas de tributação, se cumprida a exigência de sua aye, bagão à margem da matricula do imóvel, até a data de ocorrência do fato gerados- do ITR do correspondente exercício. Em contra-razões, o interessado indica que a decisão recorrida está em consonância corn o entendimento do STJ, da jurisprudência do terceiro conselho de contribuinte e no mais reitera seus argumentos trazidos no recurso voluntário. o relatório. Vo to Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Uma vez atendidos os pressupostos pata admissibilidade conheço do recurso e passo ao seu exame. Devolve-se a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para tins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural - ITR das Areas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 11 da Lei no 8.847194, verbis: Art 11. Sao isentas do imposto as áreas I — de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n" 4.771, de 1965, com a nova redaviio dada pela Lei n° 7.803, de .1989. ( ) Embora ambas as Areas sejam protegidas, há distinção na legislação no que se refere ao tratamento fiscal a elas dispensado, especialmente quanto As exigências a serem cumpridas. Exigência de averbação Para a Area conceituada como reserva legal pelo artigo 16, §2° do Código Florestal, corn a redação trazida pela Lei no 7.803/89, a exigência é a averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental de Area não inferior a 20% do total do imóvel. E o que se conclui da combinação com a parte final do artigo 11 inciso I da Lei n° 8.847/94, acima transcrito. Tem-se que a, ao alterar o art. 16 da Lei n" 4.771/65, acrescentou-lhe dois parágrafos, sendo que, na hipótese dos autos, interessa-nos o § 2", com a seguinte redação, in verbis. "Art. 16. 2". A reset va legal, assim entendida a area de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte aso, deverá ser averbada is margem da inscrição de matt facia do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo 4 Processo n" 13161.001006/2004-35 CSRF-T2 AcOrdiio rt.' 9202-0.1.219 Fl 3 vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, ou de desmembramento da circa." Alem da definição, merecem ressaltos os efeitos da averbação de determinada área imobiliária como reserva legal. Não se trata de formalidade, mas sim de ato constitutivo. Ela modifica o direito real sobre o imóvel e para tanto deve ser adotada a mesma forma, que é o registro no órgão competente, nos termos do artigo 1,227 do Código Civil, verbis: Art 1 227. Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem coin o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos refèridos título s (arts. 1 245 a 1 247), salvo os casos expressos neste Código • Por essa razão é que o Código Florestal passou a exigir' a averbação no registro de propriedade do imóvel, fazendo coin que a partir de então sobre aquela área o proprietário se submeta As limitações administrativas que lhe são impostas pela lei. Nesse sentido, transcrevo voto do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Acórdão n° 303- .34.88.3 de 07/11/2007, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes): Consoante pródiga jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, v.g. os EDcl no AgRg no REsp 255170 / SP, Min_ Lail Fax e o RMS 18301 / MG, Min João Otávio de Noronha, a reserva legal representa unia modalidade de limitação administrativa à propriedade rural. Como tal, tanto pode sufeitar o proprietário a obrigações de não ,fazer (o corte raso) quanto de fazer (de delimitar a area de reserva e averbá-la junto ao órgão competente). Veja-se a lição Maria Silvia di Pietro (Direito Administrativo. São Paulo. Atlas 2003. 15" ed., p. 128) As limitações podern, portanto, ser definidas coma medidas de caróter geral, impostas com fiendamento no poder de policia do Estado, gerando para os proprietárias obrigações positivas ou negativas, com o fim de condicionar o exercício do direito de propriedade ao bem-estar social. (destaquei,) De se notar, que, para a solução da lide, interessa definir em que momento se considera constituída tal restrição administrativa, pois somente após a sua constituição é que se configura a debatida hipótese de incidência "negativa", que exclui as areas submetidas à restrição do pagamento do ITR. Coin as devidas vénias, portanto, não me filio ao entendimento de que a averbação seria apenas uma mera formalidade, cujo descumprimento implicaria multa administrativa, e so: Não se admite que o Fisco afirme sustenta cão legal no Código Florestal para exigir averbação das áreas como condição ao seu reconhecimento como isentas de tributação pelo ITR. Esse tipo de infração ao Código Florestal pode e deve acarretar sanção punitiva, mas que não atinge em nada o direito de isenção do ITR quanta a essas areas se elas forem de fato de 5 preservação permanente, de reserva legal ou de servidão . federal, conforme definidas na Lei 4 771/65(Cádigo Florestal) De fato agrediria a lógica elementar estabelecer como condição prévia à isenção de área sob reserva legal, o mew ato de averbação, acessório, complemental- na tarefa central de buscar a preservação da área, e que cumpre a finalidade especifica de dar conhecimento erga (mines, de forma a que qualquer adquirente posterior esteja ciente e possa ser tesponsabilhado pelo descumprimento da limitação de utilização imposta por lei, para áreas com certas características geográficas, ecológicas, históricas, de interesse ambiental, que constituent pan imônio nacional a ser obrigatoriamente preservado, independentemente de qualquer ato declaratório do fisco ou de qualquer outro órgão administrativo. A definição de álea de reserva legal e estabelecida no Código Florestal, a existência de áreas conforme a definição caracteriza a obrigação imposta não apenas ao proprietário, mas a todos, inclusive it administração pública, de preservação de tal área (Recurso Voluntário n" 127.562, de lavra do i, Conselheiro Zenaldo Laibman) E: uma peculiaridade da reserva legal a eleição pelo próprio proprietário ou possuidor de qual parte da prop riedade, não inferior a 20%, sera reservada para a proteção ambiental. t. a única modalidade que apresenta essa caracteristica, nas demais, por exemplo a area de preservação permanente, a própria lei cuida de delimitá-la. Repito: somente se constitui reserva legal corn a averbação da area eleita pelo proprietário/possuidor. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal pacificou-se nesse mesmo sentido. Embora no caso apreciado pela Corte Constitucional a finalidade era a desapropriação para fins de reforma agraria, restou claro que a averbação é ato constitutivo da reserva legal. Transcrevo o resultado de pesquisa realizada pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Acórdão n° 303-34883 de 07/11/2007, da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes): No Pretória Excelso, tal posição' firmou-se a partir do julgamento do Mandado de Segurança n" 22688-9/PB (Tribunal Pleno, relatado pelo Ministro Moreira Alves, DJ de 28/04/2000) em que se discutia os efeitos da constituição de reserva legal sobre o cálculo da produtividade de imóvel em processo de desapropriação papa fins de reforma agrária. A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a area co) respondente ci reserva legal deveria ter sido excluida da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade nos termos do art, 6°, caput, parágrafo, da Lei 8.629/93, tendo em vista o disposto no art. 10, IV dessa Lei de Reforma Agrária Diz o art 10: Art, 10. Para efeito do que dispõe esta lei, consideram-se não aproveitáveis Processo n" 13161 001006/2004-35 CSRF-T2 Acórcliio " 9202-01.219 Fl 4 IV - as áreas de efetiva preservação permanente e demais áreas protegidas por legislação relativa à conservação dos ecursos naturais e à preservação do meio ambiente, Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fração ideal do imóvel, mas as áreas identificada.s ou identifictiveis. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preserva cão permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem sci . tidas como aproveitadas. Assim, por exempla, as matas ciliares, as nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais A reserva legal não é unia abstração matemática. Hó de ser entendida como unia parte determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente _se encontra a reseiva, se ela nfic) . foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembraniento de imóvel, o que dos novos proprietários s6 estaria obrigado por a preservar vinte cento da -sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho cia reserva, proporcional ei diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transnitssão a qualquer titulo ou de desmembramento, que a lei . florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo § 2° do art 16 da Lei n° 4.771/65 não existe a reserva legal. (os destaques não con-stain do original) Nessa mesma linha, o IriS 23.370-2/GO, Tribunal Pleno, Relator designado Min. Sepálveda Pertence, DJ de 28/04/2000: EMENTA: 1 Reforma agrária: apuração da produtividade do imóvel e reserva legal: A "reserva prevista no art. 16, § 2 0 do Código Florestal, não é quota ideal que possa ser subtraida da área total do imóvel rural, para orna do cálculo de sua produtividade (cf. L. 8.6.29/93, art. 10, 11/),sem que esteja identificada na sua averbação (vg MS 22.686) Apenas para clemonsttar a manutenção desse entendimento jurisprudencial na Excelsa Corte, trago à colação o MS 25186 I DF, Tribunal Pleno, de re/atom-ia do Ministro Carlos Brito, publicada no DJ de 02/03/2007; Segundo a fui isprudéncia do Supremo Tribunal Federal, a área de reserva florestal não identificada no registro inzobiház ia não 7 Em razão do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso interposto. Julio leira Gomes é de ser subtraida da área total do imável para o fim de cálculo da produtividade. Precedente . MS 22,688, Peço licença para transcrever novamente owl° trecho do voto condutor onde tal entendimento fica consignado, Relembrando o que observou o Ministro Pertence, uma diferença essencial mitre as áreas de reserva legal e de preservação permanente, é exatamente a ausência de pré-definição de quais são as áreas efetivamente sujeitas a proteção diferenciada. Antes da demarcação, portanto, o efeito invocado no voto condutor testa esvaziado, pois inexiste area a protege); apenas a obrigação de se constituir um percentual sujeito a proteção. Quanto as exigências relacionadas a reserva legal, portanto, conclui-se que a averbação junto ao registro de imóveis competente é essencial para a sua constituição como tal, o que implica a inclusão na base de cálculo do ITR da Area ainda não averbada quando da ocorrência do fato gerador do tributo. No caso em comento, a area declarada de reserva legal foi averbada fora do prazo exigido por lei para gozo da isenção do ITR. 8
score : 1.0
Numero do processo: 13161.001476/2007-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/08/1997 a 31/03/1999
FUNDAMENTO LEGAL. LEGISLAÇÃO. VIGÊNCIA
Em face do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), art. 62A,
c/c a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no RESP nº 1.136.210, reconhece-se a legalidade da exigência do PASEP, no período de março de 1996 a outubro de 1998, nos termos da MP nº 1.212, de 25/11/1998, e suas reedições, convertida na Lei nº 9.715, de 25/11/1998.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 20/08/2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO
A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante entrega de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3301-001.275
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1997 a 31/03/1999 FUNDAMENTO LEGAL. LEGISLAÇÃO. VIGÊNCIA Em face do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), art. 62A, c/c a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no RESP nº 1.136.210, reconhece-se a legalidade da exigência do PASEP, no período de março de 1996 a outubro de 1998, nos termos da MP nº 1.212, de 25/11/1998, e suas reedições, convertida na Lei nº 9.715, de 25/11/1998. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/08/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante entrega de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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LEGISLAÇÃO. VIGÊNCIA Em face do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), art. 62A, c/c a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no RESP nº 1.136.210, reconhecese a legalidade da exigência do PASEP, no período de março de 1996 a outubro de 1998, nos termos da MP nº 1.212, de 25/11/1998, e suas reedições, convertida na Lei nº 9.715, de 25/11/1998. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/08/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante entrega de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado Digitalmente) Fl. 74DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 07 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ Campo Grande que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra o despacho decisório que não homologou a compensação do débito fiscal referente ao Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), vencido na data de 20/08/2007, declarado na declaração de compensação (Dcomp) às fls. 03, com créditos financeiros decorrentes de pagamentos a maior dessa mesma contribuição referente aos meses de competência de agosto de 1997 a março de 1999 (fls. 05). A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Dourados não reconheceu os créditos financeiros e não homologou a compensação do débito tributário declarado sob o fundamento de que os valores recolhidos eram devidos e, ainda, que não o fossem, na data de apresentação da Dcomp, o direito de a recorrente repetilos/compensálos já havia decaído pelo decurso do prazo qüinqüenal, conforme despacho decisório às fls. 07/12. Inconformada, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 18/45), insistindo na homologação, alegando, razões assim resumidas por aquela DRJ: “... que é sólida a argumentação de que o prazo para solicitar a compensação do indébito tributário é de dez anos, considerando que a Egrégia Corte Especial do STJ por unanimidade acolheu a argüição de inconstitucionalidade do artigo 4° segunda parte, da lei complementar 118/2005, decidindo que, em termos práticos, que diante de tributos onde o fato gerador aconteceu antes da vigência da LC 118/2005 devese adicionar 10 anos sobre essa data, porque a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior para pagamentos anteriores à lei à vigência da lei nova, a tese dos 5 + 5, transcrevendo referida decisão. Alega ainda, que não embasa a sua tese na inconstitucionalidade das medidas provisórias, mas, na ocorrência de um vácuo legislativo entre a edição da MP 1.212/95 e da lei 9.715/98, na série de medidas provisórias que se sucederam com 16 soluções de continuidade provocadas por publicações fora do prazo, ditado pelo comando constitucional de trinta dias. Que as suas alegações encontram respaldo nas decisões do STF e que a perda da eficácia da medida provisória não restaura a da norma legal anterior. Que a conseqüência jurídica relevante decorrente desses acontecimentos está no fato que a exação PASEP não teve exigibilidade legal eficaz no período anterior à lei 9.715/98 e quem a acolheu laborou em pagamento indevido, podendo repetir e/ou compensar. Que das edições das medidas provisórias que dispõe sobre as contribuições para o PIS/PASEP em dezesseis delas ocorreram após o prazo constitucional de 30 dias, criando um hiato entre a nova e a anterior, caracterizando a não reedição, mas uma nova edição, e que, a perda da eficácia da MP não restaura a da norma legal anterior.” Fl. 75DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 07 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13161.001476/200741 Acórdão n.º 330101.275 S3C3T1 Fl. 75 3 Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, mantendo a nãohomologação da compensação do débito declarado, conforme Acórdão nº 0418.965, datado de 06/11/2009, às fls. 50/53, sob as seguintes ementas: “LEI INTERPRETATIVA EFEITOS. Os efeitos de lei expressamente interpretativa aplicase a fatos ou atos pretéritos, excluída a aplicação de penalidades às infrações dos dispositivos interpretados. PASEP. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Na forma do § 1° do art. 150 do CTN, a extinção do crédito tributário se dá com o pagamento do crédito, sob condição resolutória de ulterior homologação. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. Extinguese em cinco anos, contados da data do pagamento indevido, o prazo para pedido de compensação ou restituição de indébito tributário.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (57/71) requerendo a sua reforma a fim que se homologue a compensação do débito declarado, alegando, em síntese, em preliminar, a inocorrência da decadência do seu direito à repetição/ compensação dos créditos financeiros reclamados, defendendo a tese dos “cinco mais cinco”; e, no mérito, que pagou o Pasep, no período de agosto de 1997 a março de 1999, com base na MP nº 1.212, de 25/11/1995, e suas reedições, até o advento da Lei nº 9.715, de 25/11/1998, contudo, no entanto como tais diplomas legais não foram convertidos em lei dentro do prazo de 30 (trinta) dias, contados de sua publicação, perderam suas eficácias, ocorrendo um vácuo legislativo. Assim tem direito à repetição/compensação do Pasep pago com base nessa MP e suas reedições por ausência de norma que regulasse sua exigência. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. A decisão recorrida fundamentouse na preliminar de decadência do direito de a recorrente repetir/compensar os valores declarados na Dcomp e, no mérito, de que os valores recolhidos a título de Pasep sob a vigência da MP nº 1.212, de 25/11/1998, e suas reedições, não constituem indébitos e sim contribuição devida, nos termos destes diplomas legais. Em seu recurso voluntário, a recorrente sustenta, em preliminar, a inocorrência da decadência do seu direito, defendendo a tese dos “cinco mais cinco” e, no mérito, que no período, objeto dos indébitos reclamados, ocorreu um vácuo legislativo, tendo em vista que a MP nº 1.212, de 25/11/1998, e suas reedições, até o advento da Lei nº 9.715, de Fl. 76DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 07 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 25/11/1998, não produziram efeitos porque não foram reeditadas nem foram convertidas em lei dentro prazo constitucional. Quanto à suscitada preliminar de inocorrência da decadência do seu direito de repetir/compensar os valores reclamados, seu julgamento fica prejudicado, porque, conforme será demonstrado na questão de mérito, em relação à certeza e liquidez dos valores reclamados, independentemente de não ter ocorrido a decadência do seu direito, os valores reclamados e declarados na Dcomp não constituem indébitos tributários e sim contribuição devida nos termos da MP nº 1.212, de 25/11/1995, e suas reedições. A exigência da contribuição para o Pasep, no período objeto do pedido de restituição, ou seja, de 1º de março de 1996 a 31 de março de 1999, tem sua fundamentação amparada na MP nº 1.212, de 28/11/1995, e s/ reedições, convertida na Lei nº 9.715, de 25/11/1998, e na Lei nº 9.718, de 27/11/1998. Na esfera judicial, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), por meio do julgamento do RESP 1.136.210, cujo Relator foi o então Exmo. Ministro Luiz Fux, decidiu que a contribuição destinada ao Pasep permaneceu exigível no período compreendido entre outubro de 1995 a fevereiro de 1996, por força da Lei Complementar 7/70, e entre março de 1996 a outubro de 1998, por força da Medida Provisória 1.212/95 e suas reedições. Levandose em conta que o Acórdão do STJ sobre esta matéria foi submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, e, ainda, o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), adota se, para o presente caso, aquela decisão, ou seja, a constitucionalidade e legalidade da exigência do Pasep, no período de março de 1996 a outubro de 1998, com fundamento na MP nº 1.212, de 25/11/1998, e suas reedições, e, no período de novembro de 1998 em diante com base nas Leis nº 9.715, de 25/11/1998, e nº 9.718, de 27/11/1998. Além disto, no julgamento da ADIN nº 1.4170, na qual se suscitou a inconstitucionalidade da MP nº 1.212, de 25/11/1995, o Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional apenas e tão somente a parte do art. 15 daquela MP que determinava sua aplicação retroativa a partir de 1º de outubro de 1995. Os demais dispositivos e sua aplicação foram julgados constitucionais depois do cumprimento da carência nonagesimal prevista na Constituição Federal de 1988, art. 195, § 6º. Assim, cumprida aquela carência, a referida MP entrou em vigor, nos termos da Constituição Federal de 1988, art. 62, aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de março de 1996. Portanto, ao contrário do entendimento da recorrente, no período, objeto dos pretensos indébitos reclamados, a contribuição para o Pasep, apurada e paga nos termos daqueles diplomas legais, era devida e os valores recolhidos não constituem indébitos tributários e sim contribuição devida. Já a homologação da compensação de crédito financeiro contra a Fazenda Nacional, mediante a apresentação de Dcomp, bem como a extinção do débito fiscal declarado, a Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado. No presente caso, conforme demonstrado, a recorrente não dispunha do crédito financeiro declarado. Assim não há que se falar em homologação da compensação do débito fiscal declarado. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 07 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13161.001476/200741 Acórdão n.º 330101.275 S3C3T1 Fl. 76 5 Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, nego provimento ao presente recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 78DF CARF MF Impresso em 10/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 07 /02/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/02/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 11020.001705/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS
Data do fato gerador: 20/06/2003, 29/08/2003, 08/06/2004
DRAWBACK SUSPENSÃO. ATO CONCESSÓRIO. REGISTRO DE
EXPORTAÇÃO. VINCULAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Conforme disposição regulamentar, para fins de comprovação do
adimplemento das condições exigidas para exoneração tributária decorrente
da concessão do Regime Aduaneiro Especial de Drawback, é obrigatória a
anotação do número do Ato Concessório no Registro de Exportação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-01.423
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. A
Conselheira Nanci Gama votou pelas conclusões.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 20/06/2003, 29/08/2003, 08/06/2004 DRAWBACK SUSPENSÃO. ATO CONCESSÓRIO. REGISTRO DE EXPORTAÇÃO. VINCULAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Conforme disposição regulamentar, para fins de comprovação do adimplemento das condições exigidas para exoneração tributária decorrente da concessão do Regime Aduaneiro Especial de Drawback, é obrigatória a anotação do número do Ato Concessório no Registro de Exportação. Recurso Voluntário Negado.
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ATO CONCESSÓRIO. REGISTRO DE EXPORTAÇÃO. VINCULAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Conforme disposição regulamentar, para fins de comprovação do adimplemento das condições exigidas para exoneração tributária decorrente da concessão do Regime Aduaneiro Especial de Drawback, é obrigatória a anotação do número do Ato Concessório no Registro de Exportação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. A Conselheira Nanci Gama votou pelas conclusões. Ricardo Paulo Rosa – Presidente Substituto e Relator. EDITADO EM: 07/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, Winderley Morais Pereira, Luciano Pontes de Maya Gomes, Mara Cristina Sifuentes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA 2 Versa o presente processo sobre Auto de Infração (fls. 94 a 125) lavrado contra a empresa em epígrafe, com vistas à constituição de crédito tributário referente a Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Cofins e contribuição para o PIS/Pasep incidentes na importação, além de multas de ofício proporcionais a 75% do valor dos impostos e contribuições sociais não recolhidos e juros moratórios, em razão do inadimplemento total do regime aduaneiro especial de DRAWBACK, que havia sido concedido na modalidade suspensão, nos termos dos Atos Concessórios n.ºs 20030087104, 20030128781 e 20040125041. Mais precisamente, segundo descreve a autoridade autuante no feito, o importador submeteu ao Regime Aduaneiro Especial de Drawback, na modalidade suspensão, mercadorias classificadas nos códigos NCM 8422.90.90 e 3926.90.90 da TEC e importadas através das Declarações de Importação (DI) n.ºs 03/05180341 (de 20/06/2003), 03/07353324 (de 29/08/2003) e 04/05460508 (de 08/06/2004), com o compromisso de utilizálas em seu processo produtivo com vistas à exportação de produtos. Todavia, findo o prazo de concessão do regime, aduz a fiscalização ter verificado, nas telas anexas do sistema de controle da Cacex, que o beneficiário não tomou nenhuma das providências previstas no art. 342 do Regulamento Aduaneiro, para o caso de inadimplemento do regime especial, em razão de que procedeu ao lançamento em tela para exigir os tributos devidos. Regularmente cientificado da exação em 30/07/2007 (fl. 126), o sujeito passivo irresignado apresentou, em 29/08/2007, os documentos colacionados às fls. 134 a 207 e a impugnação de fls. 128 a 133, onde, em síntese: Alega que, em virtude de falhas administrativas, deixou de vincular os registros de exportação (RE) aos atos concessórios de drawback, razão pela qual o Departamento de Comércio Exterior (DECEX) considerou inadimplido referido regime aduaneiro especial, mas que, não obstante isso, cumpriu o compromisso de exportação assumido; Relativamente ao Ato Concessório n.º 20030087104, alega que errou ao ter vinculado a DI n.º 03/05180341 ao referido ato, pois esta importação deveria ter sido vinculada ao Ato Concessório n.º 20030077508, já que a mencionada DI foi complemento da importação dos insumos “ninhos metálicos para lavadora de garrafas” utilizados na fabricação de uma lavadora de garrafas que foi exportada e embarcada, segundo o RE n.º 03/0734358001, em 09/07/2003, RE este vinculado ao Ato Concessório n.º 20030077508, que foi baixado pelo DECEX; Relativamente aos Atos Concessórios n.ºs 20030128781 e 20040128041, alega que os valores e o índice entre importações e exportações atendem ao compromisso assumido. Finalmente, em face do exposto, requer que seja efetuada a regularização e a baixa dos mencionados atos concessórios, sem o pagamento da multas e dos juros constantes do Auto de Infração. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 20/06/2003, 29/08/2003, 08/06/2004 DRAWBACK SUSPENSÃO. EXPORTAÇÕES DESVINCULADAS. O fato de a vinculação ao regime de drawback não constar nos documentos relativos à exportação, no momento em que esta é realizada, faz com que a Fl. 270DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11020.001705/200715 Acórdão n.º 310201.423 S3C1T2 Fl. 3 3 fiscalização aduaneira não realize a baixa do termo de responsabilidade e, da mesma forma, não realize a verificação física e documental relativa às exportações que estariam vinculadas a esse regime, razão pela qual alterações posteriores, no registro de exportação, são inaceitáveis para efeito de vinculação ao mencionado regime aduaneiro especial. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. Não se conforma com a autuação. Assevera que os produtos importados pelo Regime foram processados de forma regular. Que, “embora os REs não tivessem apresentado as condições determinadas pelas normas do regime de drawback, restou por demais claro que a empresa recorrente, em momento algum desviou ou utilizou indevidamente componentes pelo regime de drawback, tendo apenas cometido erros formais e portanto passíveis de correções, que determinaram o despacho da DECEX e geraram o “auto de infração”, mas que em momento algum lesaram o erário público”. Reitera que, para determinados atos concessórios, houve apenas erro material já sanado. Afirma que, “ao ser instituído o ato Concessório eletrônico, este passou a não permitir que fossem prestadas as informações em mais de vez para o mesmo equipamento, em razão do que desconsiderava os lançamento efetuados posteriormente ao primeiro, o que era tornava estes inadimplidos” (SIC). Por fim, reafirma ter adimplido o compromisso de exportação, não havendo, por conseguinte, razão para autuação, a menos que fosse demonstrada a ocorrência de fraude, assunto sequer suscitado nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. De plano, consignase que a falta de vinculação dos Registros de Exportação aos Atos Concessórios correspondentes não é matéria controversa. É da própria recorrente a afirmação de que “os REs não tivessem apresentado as condições determinadas pelas normas do regime de drawback. Embora isso, a defesa apresentada dá conta de que “em momento algum desviou ou utilizou indevidamente componentes pelo regime de drawback”. Segundo me parece, a lide gira em torno do ônus probante no Processo Administrativo Fiscal. Quanto a isso, temse que, em regra geral, o ônus de provar recai sobre quem alega o fato ou o direito. A Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código do Processo Civil, fixa responsabilidades com base nesse critério. Art. 333. O ônus da prova incumbe: Fl. 271DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA 4 I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Contudo, na relação jurídica entre sujeito passivo e o Estado, o comando legal que atribui ao autor a responsabilidade por apresentar as provas do fato constitutivo do seu direito precisa ser aplicado tendose em conta o modelo sob o qual tais responsabilidades são exercidas. No campo do direito tributário, é do próprio administrado o dever registrar e guardar consigo os documentos e demais efeitos que testemunham a ocorrência dos eventos cuja existência se pretende comprovar. Não sendo da natureza das relações fiscocontribuinte que o primeiro guarde consigo os documentos firmados pelo segundo e mesmo que o fato constitutivo do direito tenha sido formalmente pactuado, a comprovação depende de que o administrado seja intimado a apresentar os documentos que a lei o obriga a produzir e manter, ou que manifeste sua vontade por meio de declaração, ou, ainda, pela obtenção desses ou verificação da ocorrência de fatos no local de funcionamento da empresa ou nos sistemas de controle interno do Órgão. Em todas estas situações, a obtenção das provas depende quase sempre de que o administrado exerça em sua plenitude a função de anotar e manter em boas condições os registros contábeis e fiscais e os apresente ao Fisco quando exigido. Sem essa providência, salvo algumas exceções, não haverá como atestar a ocorrência de um fato. No caso concreto, percebese que a empresa deixou de vincular aos Atos Concessórios correspondentes os documentos de exportação com os quais pretendia comprovar o adimplemento da obrigação de exportar, descumprindo procedimento determinado pelo artigo 352 do Regulamento Aduaneiro, Decreto 4.543/02, nos seguintes termos. Art. 352. A utilização do regime previsto neste Capítulo será registrada no documento comprobatório da exportação. A inclusão dessa disposição na legislação que regulamenta o Regime atende a uma necessidade típica das relações Fiscocontribuinte, que remete à exigência de que determinados procedimentos sejam observados pelo administrado, de tal sorte que o controle das operações possa ser realizado sem a necessidade de um esforço desmesurado. Sem a regular anotação do número do Ato Concessório no Registro de Exportação, a comprovação da efetiva exportação de mercadorias nas quantidades e condições fixadas no Ato Concessório exigiria uma ampla auditoria incluindo todos os Atos concedidos à empresa e todas as operações de exportação realizadas no período, única maneira de comprovar que determinadas operações não estivessem sendo utilizadas em duplicidade ou em desacordo com as condições pactuadas. É fato que a comprovação de que a inobservância das disposições legais tratase de mero erro formal pode ser feita, mas, para tanto, necessário que o administrado supra a deficiência mediante a apresentação de documentos e evidências capazes de atestar o erro de forma inequívoca, o que, no caso concreto, não foi feito. O que se identifica nos autos são meras alegações desacompanhadas de evidências probatórias. Por estas razões, restando não demonstrada a efetiva exportação das mercadorias nos prazos e condições avençados, com vistas à comprovação do adimplemento dos Atos Concessórios de Drawback, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11020.001705/200715 Acórdão n.º 310201.423 S3C1T2 Fl. 4 5 Sala de Sessões, 22 de março de 2012. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 13811.000874/98-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de Apuração: 01/01/1996 a 31/12/1997
PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO APRESENTADA NA IMPUGNAÇÃO.
DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. GLOSA DE VALORES RELATIVOS A
ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS.
Não pode a Recorrente alegar, em sede recursal, matéria não impugnada,
caso contrário terseia
a análise inicial de defesa na fase recursal, o que
causaria supressão de instância, pois os argumentos levantados seriam
analisados apenas e diretamente em segunda instância.
APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A
DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA
SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62A
do Regimento Interno do CARF, as decisões
definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo
Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática
prevista pelos artigos 543B
e 543C
da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de
1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros
no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE FORNECEDORES
NÃO CONTRIBUINTES DE PIS E COFINS.
A Lei n. 9.363/1996 instituiu o crédito presumido de IPI, e em seu art. 2°
menciona a composição da base de cálculo, qual seja, o valor total das
aquisições com matéria prima, produto intermediário, e material de
embalagem. A lei não menciona que os fornecedores dos insumos devem ser
contribuintes de PIS e COFINS, apenas a IN 23/97 traz essa exclusão.
Instrução Normativa não é meio hábil para redução ou ampliação de texto de
lei, possuindo somente a função de complementálo.
(Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C,
do CPC: REsp 993164/MG, Rel.
Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2010).
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO
PELA TAXA SELIC.
A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo
a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio
constitucional da nãocumulatividade),
descaracteriza referido crédito como
escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte
em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção
monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da
Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C,
do CPC: REsp
993164/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2010; e REsp REsp
1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 26.04.2009).
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3202-000.471
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento
parcial ao recurso voluntário.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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MATÉRIA NÃO APRESENTADA NA IMPUGNAÇÃO. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. GLOSA DE VALORES RELATIVOS A ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. Não pode a Recorrente alegar, em sede recursal, matéria não impugnada, caso contrário terseia a análise inicial de defesa na fase recursal, o que causaria supressão de instância, pois os argumentos levantados seriam analisados apenas e diretamente em segunda instância. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE FORNECEDORES NÃO CONTRIBUINTES DE PIS E COFINS. A Lei n. 9.363/1996 instituiu o crédito presumido de IPI, e em seu art. 2° menciona a composição da base de cálculo, qual seja, o valor total das aquisições com matéria prima, produto intermediário, e material de embalagem. A lei não menciona que os fornecedores dos insumos devem ser contribuintes de PIS e COFINS, apenas a IN 23/97 traz essa exclusão. Instrução Normativa não é meio hábil para redução ou ampliação de texto de lei, possuindo somente a função de complementálo. (Precedente da Primeira Fl. 1DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13811.000874/9879 Acórdão n.º 3202000.471 S3C2T2 Fl. 4.411 2 Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 993164/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2010). CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 993164/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2010; e REsp REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 26.04.2009). Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário. José Luiz Novo Rossari Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior e Octávio Carneiro Silva Corrêa.. Relatório Para melhor elucidação dos fatos ora analisados, transcrevo o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto – SP (DRJ/RPO), como constante em fls. 4.384 a 4.388, que considerou improcedente o a manifestação de inconformidade constante do presente processo, in verbis: Fl. 2DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13811.000874/9879 Acórdão n.º 3202000.471 S3C2T2 Fl. 4.412 3 “Relatório Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo, que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento do crédito presumido do IPI e homologou as compensações declaradas até o limite do crédito deferido. Consta nos autos que o crédito tributário que se pretendeu compensar referese ao crédito presumido de que trata a Lei n° 9363/96 c/c a Portaria MF n° 38/97, no montante total de R$ 17.813.284,28 (novo pedido feito em 2002), relativo ao ano de 1996 e aos quatro trimestres do ano de 1997, a ser aproveitado em compensações com débitos da própria empresa (fls. 4126 a 4137 e 4164 a 4166). Inclui nesse montante a correção pela taxa selic. Superadas questões prejudiciais, o pleito foi deferido parcialmente, no montante de R$ 3.879,732.48, para o ano de 1996. e R$ 3.844.037,82, para o ano de 1997, em razão da exclusão, no cálculo do crédito presumido, das compras de mercadorias de pessoas não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS, erro na apuração do valor dos insumos no ano de 1996 (anual) e na aplicação da taxa selic ao crédito solicitado. Regularmente cientificada do indeferimento de seu pleito, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual, em síntese, alegou ser ilegal restringir, mediante atos administrativos, o que a lei não restringiu, como é o caso das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas, conforme sua análise da legislação, o entendimento dos tribunais e acórdão do Conselho de Contribuintes citados, sendo que a jurisprudência também demonstraria o direito à atualização dos valores pleiteados. Por fim, solicitou o deferimento integral do pedido de ressarcimento e a homologação de todas as declarações de compensação a ele vinculadas.” A decisão de fls. 4.384 a 4.388, proferida pela DRJ/RPO, foi assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1997 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria submetida a glosa em revisão de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, não especificamente contestada na manifestação de inconformidade, é reputada como incontroversa e é insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subseqüente. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13811.000874/9879 Acórdão n.º 3202000.471 S3C2T2 Fl. 4.413 4 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. Os valores referentes às aquisições. de insumos de pessoas fisicas, nãocontribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não bastando simplesmente participar do ciclo produtivo do estabelecimento. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes A taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com a decisão da DRJ/RPO, a Recorrente apresentou o Recurso Voluntário de fls. 4.396 a 4.407, objetivando reformar integralmente a decisão em tela, alegando, em breve síntese, o que segue: a) Do direito ao crédito presumido de IPI referente às aquisições de insumos de fornecedores não contribuintes do PIS e COFINS; b) Da glosa dos valores relativos a energia elétrica e combustíveis da base de cálculo do crédito presumido; c) Da aplicação da Taxa Selic aos valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento, passando a analisar os argumentos trazidos pela Recorrente. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13811.000874/9879 Acórdão n.º 3202000.471 S3C2T2 Fl. 4.414 5 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Início meu voto pela análise das razões de recurso apresentadas pela Recorrente, e seu possível julgamento. De acordo com o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72: considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. No presente caso verificase que os argumentos da Manifestação de Inconformidade da ora Recorrente foram os seguintes: a) Do direito ao crédito presumido de IPI referente às aquisições de insumos de fornecedores não contribuintes do PIS e COFINS; b) Da aplicação da Taxa Selic aos valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Contudo, no Recurso Voluntário ora analisado, a Recorrente alegou matéria não suscitada na Manifestação de Inconformidade. Relacionamse, abaixo, em síntese, todos os argumentos trazidos na peça recursal: a) Do direito ao crédito presumido de IPI referente às aquisições de insumos de fornecedores não contribuintes do PIS e COFINS; b) Da glosa dos valores relativos a energia elétrica e combustíveis da base de cálculo do crédito presumido; c) Da aplicação da Taxa Selic aos valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Do exposto, observase que a Recorrente apresentou, em sede recursal, novo argumento, que não foi levantado na Manifestação de Inconformidade. Ressaltase que a fase recursal tem como fundamento, na visão de JAMES MARINS, o princípio do duplo grau de cognição, o qual atende ao princípio da ampla defesa. Nas palavras do citado autor: “A idéia de revisão recursal dos julgamentos administrativos ou judiciais atende a necessidades de qualidade e segurança da prestação estatal julgadora e é imperativo jurídico expresso no art. 5º, LV, da CF/88. Representa, o direito a recurso, manifestação axiomática do direito à ampla defesa. Denominase de “hierárquico” o recurso que submete a revisão da decisão a órgão julgador, monocrático ou colegiado, de hierarquia superior, Fl. 5DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13811.000874/9879 Acórdão n.º 3202000.471 S3C2T2 Fl. 4.415 6 competente para reapreciação e rejulgamento da lide fiscal. (MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro: administrativo e judicial. 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. Pg. 196)”. Da afirmação acima é possível compreender que o recurso tem como objetivo a revisão da decisão da DRJ. Dentro deste enfoque, fica estabelecida limitação à Recorrente, no sentido de possuir prazo específico para alegar toda a defesa que entenda necessária. Entretanto, passada esta fase depois de iniciado o processo administrativo, a Recorrente não pode, no recurso, alegar matéria não impugnada. Caso contrário, terseia a análise inicial de defesa na fase recursal, o que causaria enorme contradição, pois não haveria quem analisasse em fase de recurso os argumentos levantados apenas em etapa recursal. Neste sentido, já decidiu este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): MATÉRIA NÃO ALEGADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. PRECLUSÃO, Na fase recursal não se conhece de matéria de direito que não tenha sido alegada na impugnação, ficando caracterizada a preclusão. No caso, a autuada, quando da impugnação, reconhecera expressamente que as receitas financeiras deveriam compor a base de cálculo da Cofins, o que parece pretender, ainda que de forma indireta, contestar somente agora, na fase de apresentação de seu Recurso Voluntário (CARF, Acórdão 340100.947 — 4" Câmara / 1" Turma Ordinária, Sessão de 26 de agosto de 2010). MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NO PRAZO PRECLUSÃO NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO. Considerarseá não impugnada a MATÉRIA que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante no prazo legal. O contencioso administrativo fiscal só se instaura em relação àquilo que foi expressamente contestado na impugnação apresentada de forma tempestiva. (CARF 2a. Seção / 2a. Turma da 4a. Câmara / Acórdão 240201.744, Sessão de 12 de maio de 2011). Assim, não cabe a análise da alegação da glosa dos valores relativos a energia elétrica e combustíveis da base de cálculo do crédito presumido, uma vez que apresentada pela Recorrente apenas no presente recurso, e que por conseguinte, não foi analisada anteriormente. Superado este ponto, passo a análise dos demais temas. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13811.000874/9879 Acórdão n.º 3202000.471 S3C2T2 Fl. 4.416 7 DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. A Recorrente alega que possui direito aos créditos presumidos de IPI nas aquisições de pessoas físicas e cooperativas, uma vez que a lei instituidora do referido crédito, Lei n. 9.363/1996, não exclui da base de cálculo as aquisições de mercadorias de fornecedores não contribuintes de PIS e COFINS. Entendo que razão assiste à Recorrente conforme demonstrarei a seguir. Antes de entrar na discussão sobre a inclusão ou não de determinados valores na base de cálculo do crédito presumido de IPI, entendo ser pertinente reproduzir os comentários sobre a relevância dos referidos créditos feitos pelo Conselheiro Dalton Cesar Cordeiro de Miranda quando da análise de caso similar (CSRF, Acórdão n. 0201.653, Sessão de 10/05/2004), vejamos: “Através do referido diploma legal foi instituído beneficio fiscal por meio do qual se objetivou desonerar as exportações de produtos manufaturados brasileiros, mediante o ressarcimento, na forma de crédito presumido de Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), das" Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) incidentes sobre os insumos adquiridos para utilização no processo produtivo de bens nacionais destinados ao mercado externo. O objetivo que se buscou e se busca alcançar mediante a desoneração tributária das exportações de produtos manufaturados brasileiros, não é o de simplesmente tornar mais competitivos, no mercado externo, tais produtos, mas sim o de melhorar o balanço de pagamentos brasileiro e, via de consequência, diminuir nossa perigosa dependência do cada vez mais volátil capital financeiro internacional.” A Lei n. 9.363/1996 dispõe sobre a instituição de crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, bem como dá outras providências. Em seu artigo 1° encontramos que tipo de atividade gera direito ao crédito presumido de IPI, vejamos o texto da lei: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (grifamos) Fl. 7DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13811.000874/9879 Acórdão n.º 3202000.471 S3C2T2 Fl. 4.417 8 Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior O artigo 2° menciona qual a base de cálculo do referido crédito, no qual faz alusão a todas as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, sem consignar qualquer restrição com relação ao fornecedor do referido produto. Vejamos o texto do referido artigo: “Art. 2° A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador.” (grifamos) A DRJ entendeu que a Recorrente não faz jus ao crédito presumido de IPI com fulcro na Instrução Normativa n. 23 de 1997, bem como pareceres da PGFN. No entanto, entendo que razão não assiste à DRJ. Instruções Normativas não são instrumentos normativos hábeis a inovar ou modificar o texto legal ao qual estão adstritos, mas apenas complementálo, sem promover alteração no seu conteúdo e alcance. Ora, se a própria lei que instituiu o crédito presumido de IPI, Lei n. 9.363/1996, não excluiu da base de cálculo as aquisições de fornecedores que não são contribuintes de PIS e COFINS, não pode a Instrução Normativa fazer tal restrição. Na mesma linha caminha o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que apreciou o assunto em sede de recurso representativo da controvérsia. Vejamos o trecho da ementa do Ministro Luiz Fux, no julgamento do Recurso Especial n. 993.164 – MG, em 13/12/2010: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO Fl. 8DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13811.000874/9879 Acórdão n.º 3202000.471 S3C2T2 Fl. 4.418 9 DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo . Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, Fl. 9DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13811.000874/9879 Acórdão n.º 3202000.471 S3C2T2 Fl. 4.419 10 efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matéria prima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição" ; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais" ; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). Fl. 10DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13811.000874/9879 Acórdão n.º 3202000.471 S3C2T2 Fl. 4.420 11 ... 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008” (grifamos) Vejamos, ademais, outros precedentes do Superior Tribunal de Justiça: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTARIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇAO AO ART. 535 DO CPC. NAOOCORRENCIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N.º 9.363/96. INSTRUÇAO NORMATIVA SRF N.º 23/97. ILEGALIDADE. 1. O incentivo cognominado crédito presumido de IPI, instituído pela Lei n.º 9.363/96, revela como ratio essendi, desonerar as exportações do valor do PIS/PASEP e da COFINS incidentes ao longo de toda a cadeia produtiva, independentemente do fato de estar ou não o fornecedor direto do exportador sujeito ao pagamento destas contribuições. 2. Conseqüentemente, o não pagamento do PIS e da COFINS pelo fornecedor dos insumos não pode impedir o nascimento do crédito presumido. 3. Deveras, este ressarcimento, que por ser presumido e estimado na forma da lei, referese às possíveis incidências das contribuições em todas as etapas anteriores à aquisição dos insumos e à exportação.” (STJ, REsp 767617 / CE, Relator Ministro Luiz Fux, Órgão Julgador Primeira Turma, Sessão de 12/12/2006) (grifamos) “TRIBUTARIO. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. IN/SRF 23/97 ILEGALIDADE. 1. O crédito presumido de IPI instituído pela Lei 9.363/96 teve por objetivo desonerar as exportações do valor do PIS/PASEP e da COFINS incidentes ao longo de toda a cadeia produtiva, independentemente de estar ou não o fornecedor direto do exportador sujeito ao pagamento dessas contribuições. Por isso mesmo, é ilegítima a limitação constante do art. 2º, 2º da IN SRF 23/97, segundo o qual "o crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção de bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS". Precedente: RESP 586.392/RN, 2ª Turma, Min. Eliana Calmon, DJ de 06.12.2004. 2. Recurso especial a que se nega provimento.” (STJ, REsp 617733/CE, Relator Teorio Albino Zavascki, Órgão Julgador Primeira Turma, Sessão de 03/08/2006) (grifamos) Fl. 11DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13811.000874/9879 Acórdão n.º 3202000.471 S3C2T2 Fl. 4.421 12 “TRIBUTARIO. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIAL EXPORTADOR. RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS EMBUTIDOS NO PREÇO DOS INSUMOS. INCLUSAO NA BASE DE CALCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. LEI Nº 9.363/96. PRECEDENTES. 1. "De acordo com o disposto no art. 1º da Lei 9.363/96, o benefício fiscal de ressarcimento de crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS e da COFINS, é relativo ao crédito decorrente da aquisição de mercadorias que são integradas no processo de produção de produto final destinado à exportação. Portanto, inexiste óbice legal à concessão de tal crédito pelo fato de o produtor/exportador ter encomendado a outra empresa o beneficiamento de insumos, mormente em tal operação ter havido a incidência do PIS/COFINS, o que possibilitará a sua desoneração posterior, independente de essa operação ter sido ou não tributada pelo IPI " (REsp nº 576857/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 19/12/2005). 2. "Mesmo quando as matérias primas ou insumos forem comprados de quem não é obrigado a pagar as contribuições sociais para o PIS/PASEP, as empresas exportadoras devem obter o creditamento do IPI" (REsp nº 763521/PI, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 07/11/2005) 3. O crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 não representa receita nova. É uma importância para corrigir o custo. O motivo da existência do crédito são os insumos utilizados no processo de produção, em cujo preço foram acrescidos os valores do PIS e COFINS, cumulativamente, os quais devem ser devolvidos ao industrialexportador. 4. Precedentes das egrégias 1ª e 2ª Turmas desta Corte. 5. Recurso nãoprovido.” (STJ, REsp 813280/SC, Relator Ministro José Delgado, Órgão Julgador Primeira Turma, Sessão de 06/04/2006) (grifamos). Ainda na mesma direção foi o posicionamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) do Conselho de Contribuintes: “IPI CRÉDITO PRESUMIDO AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de MP, PI e ME, referidos no art. 1° da Lei n° 9.363/96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art.2° da Lei n° 9.363/96). A lei mencionada referese a "valor total" e não prevê qualquer exclusão. As IN SRF n°s 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei n° 9.363/96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN SRF n° 23/97) não geram direito ao crédito presumido (IN SRF n° 103/97). Tais exclusões somente poderiam Fl. 12DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13811.000874/9879 Acórdão n.º 3202000.471 S3C2T2 Fl. 4.422 13 ser feitas mediante lei, pois as instruções normativas são normas complementares (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto das normas que complementam. Na verdade, o crédito presumido de IPI na exportação utiliza o princípio da praticibilidade, que usa a presunção como o meio mais simples e viável de se atingir o objetivo da lei, dando à administração o alívio do fardo da investigação exaustiva de cada caso isolado, dispensandoo da coleta de provas de difícil, ou até impossível, configuração. A apuração por presunção utiliza um cálculo padronizante, que abstrai o individual, o específico, o único, em favor do geral, criase uma abstração generalizante, imposta, ex dispositionis legis, ao contribuinte, desprezandose os desvios individuais.” (CSRF, Acórdão n. 0201.707, Relator Manoel Antonio Gadelha Dias, Sessão de 11.05.2004) “IPI CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA EXPORTAÇÃO AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96). A lei citada referese a "valor total" e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96, ao estabeleceram que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN nº 23/97), bem como que as matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN nº 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam.” (CSRF, Acórdão n. 0201.653, Relator Dalton César Cordeiro de Miranda, Sessão de 10/05/2004) O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13811.000874/9879 Acórdão n.º 3202000.471 S3C2T2 Fl. 4.423 14 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Pelo exposto, além de entender que a Recorrente tem direito ao crédito presumido de IPI de que trata a Lei n. 9.363/1996, mesmo quando os insumos utilizados no processo produtivo de bens destinados ao mercado externo sejam adquiridos de não contribuintes de PIS e COFINS, como é o caso das aquisições feitas de pessoas físicas e cooperativas, a decisão do Superior Tribunal de Justiça Federal no Recurso Especial n. 993.164/MG deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. DA TAXA SELIC A Recorrente alega que tem direito à atualização do ressarcimento dos créditos presumidos de IPI pela Taxa Selic, e como fundamento de seu pleito cita o art. 39, §4°, da Lei n. 9.250/1995 e o Decreto n. 2.138/1997, que reconheceu que os institutos jurídicos da restituição e do ressarcimento devem receber o mesmo tratamento. Entendo que razão assiste à Recorrente. Com relação ao tema, verificase também que o Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados recursos representativos da controvérsia. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13811.000874/9879 Acórdão n.º 3202000.471 S3C2T2 Fl. 4.424 15 Tratase do mesmo precedente anteriormente mencionado (REsp 993164/MG), cujo trecho da ementa tratando da matéria é o seguinte: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. ... 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). ... 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (grifamos). A decisão acima foi proferida justamente em julgamento relativo a pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, de que trata a lei n. 9.363/1996, em que atos normativos infralegais obstaculizaram a inclusão na base de cálculo do incentivo das compras realizadas junto a pessoas físicas e cooperativas. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13811.000874/9879 Acórdão n.º 3202000.471 S3C2T2 Fl. 4.425 16 No mesmo sentido também foi proferida a decisão no REsp 1035847/RS, cuja ementa abaixo reproduzo: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Restou consolidado, assim, no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, a atualização do ressarcimento de créditos presumidos de IPI pela taxa SELIC. Verificase, portanto, que as referidas decisões do Egrégio Superior Tribunal de Justiça devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, adoto o entendimento do Egrégio Superior Tribunal de Justiça em relação aos créditos de IPI, para inclusão na base de cálculo dos valores referentes às aquisições de Fl. 16DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13811.000874/9879 Acórdão n.º 3202000.471 S3C2T2 Fl. 4.426 17 fornecedores não contribuintes de PIS e COFINS, bem como em relação à aplicação da Taxa Selic aos valores objeto de ressarcimento. Sendo assim, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário interposto pela Recorrente, concedendo direito ao crédito de IPI com relação aos valores referentes às aquisições de insumos de não contribuintes de PIS e COFINS, e para a aplicação da Taxa Selic aos valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI, desde o protocolo do pleito, mantendo a decisão da DRJ/RPO em relação à glosa dos valores relativos a combustíveis e energia elétrica da base de cálculo do crédito presumido do IPI. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 17DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente e m 04/04/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
score : 1.0
Numero do processo: 10611.002829/2008-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA
Data do fato gerador: 02/03/2007
DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA.
Considera-se dano ao Erário a ocultação do real adquirente, sujeito passivo na operação de importação, infração punível com a
pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao
valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou
tenham sido consumidas.
PENA DE PERDIMENTO OU MULTA QUE LHE É SUBSTITUTIVA.
MULTA DO ARTIGO 33 DA LEI N° 11.488/2007.
Por força do artigo 33, parágrafo único, da Lei nº 11.488/2007, não se aplica a multa de 10% do valor das mercadorias em caso de presunção de interposição fraudulenta de terceiros.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 02/03/2007
LEGITIMIDADE PASSIVA SOLIDARIA. CABIMENTO.
São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, respondendo pela infração quando restar comprovado que
concorreram, de qualquer forma, para a prática da mesma, ou dela
se beneficiaram.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO.
A ausência de impugnação por parte de um dos sujeitos passivos solidários acarreta, contra o revel, a preclusão temporal do
direito de recorrer, prosseguindo, o litígio administrativo, em relação aos demais.
Numero da decisão: 3201-000.837
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Data do fato gerador: 02/03/2007 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real adquirente, sujeito passivo na operação de importação, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. PENA DE PERDIMENTO OU MULTA QUE LHE É SUBSTITUTIVA. MULTA DO ARTIGO 33 DA LEI N° 11.488/2007. Por força do artigo 33, parágrafo único, da Lei nº 11.488/2007, não se aplica a multa de 10% do valor das mercadorias em caso de presunção de interposição fraudulenta de terceiros. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 02/03/2007 LEGITIMIDADE PASSIVA SOLIDARIA. CABIMENTO. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, respondendo pela infração quando restar comprovado que concorreram, de qualquer forma, para a prática da mesma, ou dela se beneficiaram. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDARIA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. A ausência de impugnação por parte de um dos sujeitos passivos solidários acarreta, contra o revel, a preclusão temporal do direito de recorrer, prosseguindo, o litígio administrativo, em relação aos demais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. Daniel Mariz Gudiño Relator. EDITADO EM: 26/01/2012 Participaram também da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D'Amorim e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões dos recursos voluntários apresentados pelas Recorrentes: Trata o presente processo de auto de infração para exigência de crédito, em prol da União, no valor de R$ 7.751,66, referente a conversão da pena de perdimento em multa referente às mercadorias importadas através da declaração de importação número 07/02729285, em virtude de sua não localização por entrega a consumo, lavrado contra a empresa ALFA COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA, CNPJ 42.826.727/000172, a qual denominaremos, a partir de agora, simplesmente ALFA COMERCIAL, tendo sido apontados como responsáveis solidários no Relatório de Ação Fiscal, à fl. 16 do processo: a empresa ABREU EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 32.020.703/000178, a qual denominaremos, a partir de agora, simplesmente de ABREU EMPREENDIMENTOS, e seus sócios administradores, Décio Guimarães de Abreu Filho, CPF 155.086.17787, e Helena Carmen Falabela Daher de Abreu, CPF 403.425.14687; a empresa TRANSAEX ASSESSORIA LTDA, CNPJ 68.506.765/000131, a qual denominaremos, a partir de agora, simplesmente TRANSAEX; seu sócio administrador Paulo Eduardo Pinto, CPF 533.267.68672, bem como seu administrador Luiz Fernando Pinto, CPF 628.131.02687, também sócio administrador da autuada, ALFA COMERCIAL. De acordo com o Relatório de Ação Fiscal, à fl. 008 lavrado em 21/11/2008, a aplicação da pena de perdimento, e sua conversão em multa, deuse como conseqüência do resultado de procedimento especial de fiscalização, regido pela INSRF Fl. 526DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10611.002829/200878 Acórdão n.º 320100.837 S3C2T1 Fl. 301 3 228/2002, a que foi submetida a autuada, no ano de 2007, no qual teria restado comprovada a ocultação dos reais adquirentes em operações de importação realizadas pela empresa, sendo que as irregularidades apontadas são aquelas detalhadas no Relatório de Ação Fiscal (As fls. 28/43), lavrado em 14/12/2007, resultado final do procedimento especial acima citado, a que foi submetida a empresa, amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal n °. 06151002007001268. Conforme o Relatório lavrado em 2007, a ação fiscal em desfavor da empresa ALFA COMERCIAL, teve início no dia 04/04/2007 (ciência do Termo de Inicio de Fiscalização), quando essa empresa foi intimada a prestar diversos esclarecimentos e apresentar seus livros e documentos. As situações que deveriam ser investigadas eram: a regularidade de seu funcionamento; a adequação de seu patrimônio e sua capacidade operacional em contraposição aos fluxos comerciais; e a autenticidade das transações efetuadas (fl. 28). Ainda conforme o citado Relatório (fls. 28 a 43), a empresa apresentou a documentação solicitada no Termo de Início, em 24/04/2007, sem apresentar os documentos de sua constituição; foi intimada novamente em 31/05/2007, apresentando resposta em 08/06/2007; em 28/06/2007 foi mais uma vez intimada, tendo sido solicitada, entre outras coisas, a comprovação da integralização do capital social, no valor de R$ 50.000,00, cuja resposta ocorreu em 04/07/2007, tendo sido comprovada apenas a parte de R$ 37.298,11, tendo sido declarado que o restante estava ainda a integralizar; Conforme o mesmo Relatório (fl. 29 do processo), em 09/11/2007, a empresa foi comunicada do prolongamento do período fiscalizado até 30/04/2007, sendo intimada a apresentar também a documentação relativa ao período acrescido, a qual foi apresentada em 21 e em 27/11/2007; e, em 29/11/2007, a empresa foi intimada a colocar à disposição da IRF/BHE, ou informar por escrito as razões de não fazêlo, as mercadorias por ela importadas, uma vez que naquelas operações teria ocorrido a ocultação do real adquirente. Em resposta, apresentada em 10/12/2007, a empresa declarou que já tinham sido vendidas. No item 3, "Da verificação do efetivo e regular funcionamento", do Relatório lavrado em 2007 (fl. 29 do processo), que compreenderia aspectos relacionados à regularidade de constituição (quadro societário), efetivo funcionamento da empresa e, também, análise de documentos que comprovariam a capacidade operacional — estrutura física e serviços — compatíveis com o tipo de atividade desempenhada, teriam sido constatadas diversas irregularidades, que indicavam a falta de capacidade da ALFA COMERCIAL, e sua dependência à empresa TRANSAEX. Quanto à constituição da empresa ALFA (subitem 3.1 — Da constituição da empresa), consta no Relatório lavrado em 2007, Fl. 527DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 à fl. 30 do processo, os dados desde sua constituição, que ocorreu em 26/03/1992, sendo que o senhor Paulo Eduardo Pinto ingressou na mesma em 01/12/1992, com a primeira alteração contratual. Na sexta alteração contratual, na qual figura, por erro, como sendo a quinta, houve a retirada dos sócios fundadores, passando a figurar, com 2,72% do capital, o senhor José Sérgio Pinto, ao lado de Paulo Eduardo Pinto, que contava com 97,28% do capital. Na oitava alteração contratual, o senhor Paulo Eduardo Pinto se retirou da sociedade, tendo nela ingressado o senhor Luiz Fernando Pinto. A participação societária também mudou, ficando José Sérgio Pinto e Luiz Fernando Pinto, ambos com 50% do capital. De acordo com a fiscalização, na fl. 31 do processo, a saída do Sr. Paulo Eduardo Pinto, sócio da empresa Transaex, da administração e do quadro societário da empresa ALFA, ocorreu em virtude da legislação vigente vedar ao Despachante Aduaneiro operar como importador ou exportador (artigo 10 do Decreto n° 646, de 09/09/1992). No subitem 3.2 (Da integralizacão do Capital Social), do Relatório lavrado em 2007, na fl. 31 do processo, consta que, em resposta a intimação, a empresa afirmou que a integralização teria ocorrido em partes. Em 2003, por ocasião de alteração contratual ocorrida em março, quando o capital passou de R$ 100,00 para R$ 10.000,00; e em agosto de 2004, quando o capital foi aumentado para R$ 50.000,00, tendo sido integralizados R$ 37.000,00, faltando R$ 13.000,00 a integralizar. Mas a fiscalização aduz que, analisando os livros contábeis, bem como os extratos bancários apresentados pela empresa, foi possível encontrar depósito bancário comprovando a integralização de R$ 37.000,00 em 29/10/2004. Porém, não foi comprovada a integralização supostamente ocorrida em 2003. A empresa afirmou, após intimada, que R$ 12.701,89 estavam por integralizar. No item 4 do Relatório lavrado em 2007 (Da condição de real adquirente da mercadoria importada — Exame da origem e disponibilidade dos recursos empregados), à fl. 32 do processo, a fiscalização afirma, especificamente no subitem 4.1 (Da análise das operações de comércio exterior), ao analisar as operações de importação realizadas pela empresa, que: "Relevante destacar que não é a Alfa a responsável pelas transações internacionais, haja vista não terem sido apresentadas correspondências entre ela e seus supostos fornecedores, partindo daí a suspeita de serem outras empresas os reais adquirentes e quem, de fato, atuam nas operações supostamente Fl. 528DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10611.002829/200878 Acórdão n.º 320100.837 S3C2T1 Fl. 302 5 realizadas pela Alfa. Sendo a mesma utilizada apenas como instrumentos para operacionalizar tais operações". No Relatório (fl. 32 do processo), as operações de comércio exterior, para melhor análise, foram divididas em: operações realizadas com diversas empresas; e operações realizadas com a empresa Arcelor RPS Luxembourg. As primeiras (subitem 4.1.1), iniciamse em 25/05/2004, quando do fechamento de um contrato de câmbio de R$ 60.131,00, lembrando a fiscalização que, conforme informação da própria empresa, a única integralização do capital social da empresa ALFA COMERCIAL somente ocorrera em 29/10/2004; e, na verdade, a abertura de sua conta corrente bancária já tinha ocorrido em 25/05/2004, com um depósito de R$ 61.000,00. A fiscalização apresenta tabela (fl. 32 do processo) que abrange o período de 25/05/2004 a 27/10/2004, contendo as colunas: data, recursos recebidos pela ALFA COMERCIAL, empresa remetente, valor referente ao fechamento de câmbio, empresas destinatárias (exportadores estrangeiros). Tal tabela deixa clara a coincidência entre depósitos efetuados pela empresa FLASAN na conta corrente da ALFA COMERCIAL e os valores para fechamentos de câmbios de importações. A partir do ano de 2005, segundo consta no Relatório lavrado em 2007, na fl. 33, as operações da ALFA COMERCIAL são mais complexas, pelo fato de existirem outros parceiros comerciais, dentre eles a empresa Arcelor. Mas, apesar disso, a sistemática das operações, segundo os Auditores, permanece a mesma. Para comprovar isso, apresentam duas tabelas semelhantes à acima destacada, só que envolvendo as empresas TBI do Brasil Produtos Mecânicos e Ferramentas Ltda e SBF Comércios de Produtos Esportivos Ltda. Apresentam também duas tabelas comparando, em termos de valores e datas, as notas fiscais de entrada na ALFA COMERCIAL com as notas fiscais de saídas para essas empresas. No item 5 (Da capacidade operacional, econômica e financeira) do Relatório lavrado em 2007 (fl. 37 do processo), a fiscalização analisa o fluxo financeiro da empresa ALFA COMERCIAL, a fim de verificar a possibilidade da pessoa jurídica arcar com dispêndios relativos as operações de comércio exterior, em especial a liquidação de contratos de câmbio e o pagamento dos tributos devidos. De acordo com os Auditores, nos anos de 2004, 2005 e 2006, a empresa sempre recebe adiantamentos por ocasião de algum pagamento relativo as suas atividades como importadora. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 A fiscalização, dando seqüência ao Relatório, item 5, afirma que a empresa ALFA COMERCIAL, embora intimada, somente apresentou os Livros Diário e Razão relativos aos anos de 2004 e 2005. Entretanto, os livros Diário apresentados somente foram autenticados pela Junta Comercial em 20/04/2007, ou seja, após iniciado o procedimento fiscal contra a empresa. Em relação aos registros contábeis de 2006, foram apresentadas folhas avulsas, uma vez que os livros ainda não tinham sido encadernados. Em agosto de 2007 a empresa solicitou a entrega destas folhas, alegando ter perdido os arquivos magnéticos das operações e que, em virtude disso, seria obrigada a encadernar as folhas que estavam em poder da fiscalização, o que foi feito em 16/08/2007, quando foram retidas cópias rubricadas pelo administrador. A fiscalização informa, ainda, no Relatório lavrado em 2007 (fl. 38), que a empresa informou "zero" em todas as linhas do Balanço Patrimonial nos anoscalendário de 2005 e 2006, e, no ano de 2004, existem informações somente sobre os valores do Ativo Permanente. Ou seja, as informações declaradas à RFB seriam incompativeis com as lançadas nos registros contábeis da fiscalizada. No item 6 do Relatório lavrado em 2007, que trata da comprovação da ocultação do sujeito passivo, fl. 38 do processo, a fiscalização cita a INSRF 225/2002, que disciplina a importação por conta e ordem de terceiros, e seu artigo 4°, cuja base legal é o art. 23, V, do Decretolei n° 1.455/1976, com redação dada pelo artigo 59 da Lei 10.637/2002, o qual preceitua a sujeição à pena de perdimento da mercadoria importada, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, do comprador ou responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Às fls. 38/41, no citado Relatório, a fiscalização afirma que os fatos narrados se enquadram no art. 23, V, do Decretolei n° 1.455/1976, e seus parágrafos 1º, 2º e 3º, com redação dada pelo artigo 59 da Lei 10.637/2002, o qual passou a incluir como dano ao Erário a ocultação do adquirente, vendedor ou sujeito passivo, punindo essa infração com a pena de perdimento (§ 1º), e prevendo a conversão da pena de perdimento em multa, no caso de a mercadoria não ser localizada, ou ter sido consumida (§ 3º). Cita, também, o Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto n° 4.543/2002), que consolidou a matéria no seu art. 618, inciso XXII. A fiscalização afirma, no mesmo Relatório, ao final da fl. 40 do processo, que cumpre observar que o recolhimento de tributos incidentes sobre as importações não descaracteriza o dano ao Erário, que se configura, no caso vertente, conforme art. 23, inciso V, do Decretolei n° 1.455/1976. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10611.002829/200878 Acórdão n.º 320100.837 S3C2T1 Fl. 303 7 Conclui a fiscalização, no Relatório lavrado em 2007, à fl. 41 do processo, ter havido dano ao Erário nas operações de comércio exterior da fiscalizada, pela ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, mediante a interposição fraudulenta de terceiros. A fiscalização iniciou o procedimento para perdimento das mercadorias importadas para as quais o real adquirente foi ocultado, intimandose a empresa, em 29/11/2007, a disponibilizar estas mercadorias. Em sua resposta, datada de 10/12/2007, foi informado que elas foram vendidas. Em virtude disso, no Relatório lavrado em 2007, à fl. 42 do processo, foi proposto à Inspetora da IRF/BHE a abertura de procedimento para a conversão do perdimento das mercadorias em multa equivalente ao valor aduaneiro das mesmas, conforme art. 23 do Decretolei n° 1.455/1976, e seus parágrafos 1º e 3º, uma vez tendo sido configurado o Dano ao Erário. Além disso, uma vez que os fatos descritos nesse Relatório identificariam situações que, em tese, poderiam configurar crime contra a ordem tributária, ficou assentado que deveria ser proposta Representação Fiscal para Fins Penais, nos termos de Portaria do Secretário da Receita Federal. Para cumprir as providências propostas no Relatório acima citado, o qual foi lavrado em 2007, amparado pelo MPF 06151002007001268, foi iniciado, em 2008, novo procedimento, coberto pelo MPF 06151002008003230, para efetuar a conversão da pena de perdimento em multa. Esse segundo procedimento resultou, ao seu término, como já informado acima, em novo Relatório de Ação Fiscal (fls. 08/17), lavrado em 21/11/2008, que faz parte integrante dos autos de infração constantes do presente processo, e em cuja introdução (fl. 08 do processo) afirmase que a ação fiscal teve por objeto efetuar a conversão da pena de perdimento em multa, relativamente as mercadorias importadas através da DI 07/01279285, tendo em vista sua não localização por terem sido entregues a consumo. Quanto ao detalhamento das irregularidades que deram origem à proposta de aplicação da pena de perdimento, bem como de sua conversão em multa, citase, como base, o Relatório lavrado em 2007 (fls. 28/43), ao final do procedimento especial da IN SRF 228/2002, amparado pelo MPF 06151002007001268, efetuado em desfavor da ALFA COMERCIAL. Nesse Relatório lavrado em 2008, no item 2 (Das irregularidades apuradas motivadoras do perdimento aqui aplicado), informase que a fiscalizada foi usada para encobrir operações da empresa ABREU EMPREENDIMENTOS, verdadeira adquirente dos produtos importados através da DI acima citada. Essa importação teria sido toda financiada pela ABREU EMPREENDIMENTOS, sendo as mercadorias a ela remetidas logo após o desembaraço, conforme análise das notas Fl. 531DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 fiscais de entrada e de saída da ALFA COMERCIAL, emitidas em número seqüencial e com as mesmas quantidades (fls.75/76). Tal operação teria se iniciado em 12/02/2007, com o adiantamento de recursos, para toda a operação, no valor de R$ 11.261,06, efetuado pela ABREU EMPREENDIMENTOS, no valor de R$ 21.000,00, valor este que foi utilizado para fechamento de contrato de câmbio, no valor de R$ 7.336,00, em 15/02/2007, e para o pagamento de tributos aduaneiros, no valor de R$ 2.157,40, no dia 02/03/2007. Também foi emitido um cheque avulso entre agências , no valor de R$ 3.146,68, para pagamento do ICMS da operação, no dia 05/03/2007. Foram localizados, segundo a fiscalização, outros valores que aparentemente fazem parte da mesma operação: frete internacional, seguro, despesas com desova de container, despachante aduaneiro, armazenagem e a devolução do valor da ordem de R$ 503,74 à ABREU EMPREENDIMENTOS, em virtude de adiantamento a maior. À fl. 09 do processo, consta, no Relatório lavrado em 2008, um quadro no qual estão detalhadas essas movimentação de recursos. Segundo este Relatório, lavrado em 2008, as fls. 09, a fiscalização, com base no que já foi constatado no Relatório lavrado em 2007, afirma que as operações em relevo seriam, presumivelmente, por conta e ordem, e, conforme artigo 27 da Lei n° 10.637/2002, a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiros presumese por conta e ordem deste. No caso, não teriam sido seguidas as instruções sobre esse tipo de operação previstas na INSRF 225/2002, tendo havido, portanto, ocultação do real adquirente. Os auditores, também seguindo o que consta no Relatório lavrado em 2007, afirmam, à fl. 10, que o ganho auferido pela ABREU EMPREENDIMENTOS, real adquirente, foi efetuar operações de comércio exterior sem estar habilitada para isso, o que somente ocorreu em 27/02/2008 (fls. 77/78), burlando, com isso os controles aduaneiros previstos no art. 36 da IN SRF 455/2004, substituído pelo art. 26 da IN SRF 650/2006. Independentemente do motivo dessa empresa, ao se utilizar da ALFA COMERCIAL para importar, visou, segundo a fiscalização, ludibriar os controles aduaneiros. Além disso, com a ocultação, houve dano ao erário, por força do inciso V do artigo 23 do Decretolei n° 1.455/1976, o que acarretaria a pena de perdimento das mercadorias ou, no caso de impossibilidade de apreensão por não terem sido localizadas ou destinadas a consumo, a conversão em multa (conforme § 1° e 3° do mesmo artigo 23 do Decreto lei n° 1.455/1976). Tendo em vista que a empresa, intimada, informou que as mercadorias importadas tinham sido comercializadas, a Fl. 532DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10611.002829/200878 Acórdão n.º 320100.837 S3C2T1 Fl. 304 9 fiscalização, as fls. 13, aduz que, conforme o artigo 73 e parágrafos 1° e 2° da Lei n° 10.833/2003, para a aplicação da multa prevista no § 3° do art. 23 do Decretolei n° 1.455/1976, deverá ser instaurado processo administrativo, sendo exigida mediante lançamento de oficio, processado e julgado nos termos da legislação que rege a determinação e exigência dos demais créditos tributários da União. No item 4 do Relatório lavrado em 2008 (Da Solidariedade Passiva), às fls. 13/16, a fiscalização cita o art. 124, inciso I do CTN, segundo o qual são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; cita o artigo 135, inciso III do CTN, que dispõe que são pessoalmente responsáveis pelos créditos relativos a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Cita, ainda, o artigo 137, inciso I, do CTN. Diante desses dispositivos legais, a fiscalização aduz que os atos da empresa são sempre praticados através da vontade de seus dirigentes, havendo solidariedade destes em relação as obrigações que contraem em nome daquela, já que a situação prevista no inciso I do artigo 124 do CTN é aquela em que todos ganham simultaneamente com o fato econômico. A fiscalização cita, ainda, o artigo 603, incisos I e V, do Decreto n° 4.543/2002 (RA/2002), baseado no artigo 95 do Decretolei n° 37/1966, segundo o qual, na área do comércio exterior, a responsabilidade pela infração deve ser estendida a toda e qualquer pessoa que participe, pratique ou se beneficie dela. Segundo a fiscalização, às fls. 15/16, com base nos fatos apurados no Relatório, as seguintes empresas, através de seus sócios administradores, atuaram através da empresa ALFA COMERCIAL: a ABREU EMPREENDIMENTOS, pela análise dos extratos bancários da empresa Alfa, nos quais ficou demonstrado que os depósitos para fechamento de contratos de câmbio e para pagamento de tributos provinham daquela empresa; além disso, em análise das notas fiscais de venda da ALFA COMERCIAL, verificouse que são repetidas as mesmas quantidades das NF de entrada, além de serem emitidas em número subseqüente e com margens de lucro que pouco ultrapassam os custos. Também não foi apresentado pela ALFA COMERCIAL nenhum documento para comprovar as negociações com os supostos fornecedores; a Transaex, pertencente o mesmo Grupo Empresarial da Alfa e responsável por todos os despachos aduaneiros efetuados, a qual Fl. 533DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 valeuse da Alfa para burlar a vedação prevista no art. 10 do Decreto n° 646/1992, o qual prevê que é vedado ao despachante aduaneiro e ao ajudante efetuar, em nome próprio ou de terceiro, exportação ou importação de quaisquer mercadorias ou exercer comércio interno de mercadorias estrangeiras, excetuandose, da proibição de importação, os bens que se destinem ao uso próprio. Assim, conforme o Relatório de Ação Fiscal lavrado em 2008, à fl. 16, informase que, para a implementação da sujeição passiva solidária, lavrouse "Termo de Sujeição Passiva Solidária, através dos quais foram incluídos no pólo passivo da exigência, além da empresa ALFA COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA: a empresa ABREU EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 32.020.703/000178 e seu sócios administradores, Décio Guimarães de Abreu Filho, CPF 155.086.17787 e Helena Carmen Falabela Daher de Abreu, CPF 403.425.14687; a empresa TRANSAEX ASSESSORIA LTDA, CNPJ 68.506.765/000131, e seu sócio administrador Paulo Eduardo Pinto, CPF 533.267.68672, bem como seu administrador Luiz Fernando Pinto, CPF 628.131.02687, também sócio administrador da autuada, ALFA COMERCIAL. Da impugnação da responsável solidária – TRANSAEX e de PAULO EDUARDO PINTO, seu sócio administrador Cientificados, a empresa TRANSAEX e o seu sócio administrador Paulo Eduardo Pinto, de Termos de Sujeição Passiva Solidária; ambos em 28/11/2008 (fls. 107 e 108), os dois apresentaram conjuntamente sua impugnação, em 24/12/2008 (fls. 243/274), cujos argumentos constam nos seguintes termos: Considerações preliminares 1. discorrem sobre a origem da legislação sobre interposição fraudulenta, afirmando que o seu objetivo fundamental é combate à lavagem de dinheiro (Lei 9.613/1998); 2. aduzem que, se o enfoque principal dessa legislação é coibir a origem ilícita de recursos e sua utilização indevida, é contra senso incriminar alguém, se comprovado que a origem não é ilícita, que os recursos têm origem legal e estão escriturados; e também que, para que alguém seja penalizado, é imprescindível que o ato possa ser comprovadamente imputado a esse alguém, devendo, ainda, a conduta ser antijurídica e típica; 3. afirmam que, no presente caso, está comprovado que a origem dos recursos não é a de seqüestro, tráfico de drogas, etc, nem de nenhuma das condutas inspiradoras da legislação sobre interposição fraudulenta, em que se baseou a fiscalização: Lei n° 9.613/1998, Portaria MF no 350/2002, INSRF no 228/2002; Fl. 534DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10611.002829/200878 Acórdão n.º 320100.837 S3C2T1 Fl. 305 11 4. declaram que é evidente que a Administração Tributária Federal, por inspiração arrecadatória, alargou o combate à origem ilícita dos recursos para incluir outras operações de comércio exterior, não comprovadamente criminosas, por sua própria conta, criando normas legais generalizadoras para ampliar a aplicação das normas administrativas, que seriam dirigidas a criminosos, utilizandose de presunção; 5. afirmam que as normas penalizadoras são necessariamente personalíssimas, pois somente se pode responsabilizar alguém pelos atos que, comprovadamente, foram por este praticados; Da ausência da corresponsabilidade solidária da empresa Transaex 6. discorrem que os autuantes, equivocadamente, incluíram a empresa Transaex como responsável solidária, porque se utilizou da ALFA COMERCIAL para burlar a vedação prevista no artigo 10 do Decreto n° 646/1992; porém, a Transaex é uma empresa comissária de despacho, e a vedação da norma citada referese ao "despachante aduaneiro", ou seja, à pessoa física que exerce tal atividade; 7. argumentam que a suposta ilegalidade apontada pela fiscalização não levou em conta a distinção entre pessoa jurídica e pessoa física, já que a responsabilidade daquela não é necessariamente a mesma desta. Assim, os autuantes teriam se equivocado porque não existe, no citado Decreto, vedação alguma em relação à Transaex; a vedação é dirigida aos despachantes aduaneiros, pessoas físicas; no caso em relevo, a Transaex atuou exclusivamente como prestadora de serviço, não descumprindo nenhuma norma legal; 8. declaram que quando a empresa ALFA COMERCIAL protocolizou pedido de habilitação no Siscomex, anexou ao mesmo, o contrato de prestação de serviços firmado com a Transaex, o que comprova que a autoridade lançadora tinha conhecimento de que as empresas tinham sócios em comum, que atuavam em parceria, mas cada uma com sua especialidade; 9. aduzem que a afirmação de corresponsabilidade em relação aos impugnantes não traz nenhuma prova, nem encontra sustentação jurídica; 10. afirmam que a transferência de responsabilidades, que aqui é pessoal do agente, pois se trata de penalidade, deve ser bem fundamentada, não podendo tomar o todo pela Fl. 535DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 12 parte, não se podendo incluir os impugnantes como corresponsáveis por um suposto ilícito praticado que, se praticado, o foi pela empresa ALFA COMERCIAL. Assim, é descabida a inclusão da Transaex e de seu sócio administrador no pólo passivo, eis que não há vedação legal em relação à empresa, nem a seu sócio, nem esta utilizou a empresa ALFA COMERCIAL para burlar a vedação do art. 10 do Decreto n° 646/1992; Da operação de importação própria 11. tecem comentários a respeito das modalidades de importação por conta e ordem, por conta própria, e por encomenda; informam que a importação própria configurase quando a empresa adquirente possui departamento próprio de comércio exterior para realizar as operações necessárias, podendo ser realizado tanto por trading companies e empresas comerciais importadoras, quanto pelas empresas interessadas; 12. o importador ou a trading adquirem produtos no exterior para uso próprio ou para revenda a comerciantes ou consumidores finais, tratandose de operações comerciais amplamente realizadas e autorizadas pela legislação pátria; 13. argumentam que, quando o importador faz vir mercadorias do exterior, para seu próprio uso, ou para revenda a terceiros, visando lucro, sem que esses terceiros mantenham relação com o exportador, realizando os pedidos de compra no exterior, negociando preços, realizando o fechamento de cambio, mantendo contato prévio de importação, tratase da operação de importação direta; mas, se o motivo da importação foi uma encomenda de terceiro, ou seja, o importadora traz a mercadoria, mas já teve as indicações prévias de um comprador, que manteve contatos no exterior com o exportador dos produtos e celebrou contrato prévio com o importador, a operação pode ser por conta e ordem de terceiros ou não; 14. afirmam, à fl. 254, que os fatos citados nos autos: “ (...) onde a impugnante (Real e única importadora) tem uma carteira de clientes para os quais importa as mercadorias. Em razão do relacionamento comercial que mantém com seus clientes, sabe o que lhes (sic) e, ciente dessas informações, importa mercadorias que acabarão sendo revendidas para esses clientes. A relação entre o importador e os clientes é duradoura e poderíamos dizer que é razoavelmente próxima. Existe, inclusive, uma previsibilidade por parte do importador de quanto tempo as mercadorias durarão nos estoques dos seus compradores. Com base nessas informações, bastante confiáveis, faz vir mais mercadorias do exterior, com tanta precisão que as revende com muita rapidez e mantém muito baixo seus próprios estoques, sem, no entanto, deixar de atender aos pedidos, dada a qualidade de suas previsões. Tais operações se tornam úteis para as empresas compradoras as mesmas se tornam fiéis compradores dos produtos importados, nacionalizados e revendidos pela trading. Essa, por sua vez, como ocorre em grande parte do mundo, tem em Fl. 536DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10611.002829/200878 Acórdão n.º 320100.837 S3C2T1 Fl. 306 13 tais contatos no exterior, importações, nacionalizações e revenda importante objetivo social, mantendose a partir de tais operações; 15. sustentam que, no caso, as importações não são feitas a partir de compromissos firmes de compra dos clientes, mas ocorrem a partir de previsões razoáveis da necessidade da carteira de clientes. Assim, as operações configuram importação direta e, ainda que houvesse compromisso de compra dos clientes, tratase de importações promovidas integralmente pela empresa importadora, com seus recursos, com contatos diretos com os exportadores, com nacionalização e revenda, havendo margem de lucro na operação; a relação próxima entre importador e clientes visa reduzir custos e riscos; 16. argumentam que o raciocínio usado pelos autuantes, para fundamentar a lavratura do auto de infração, pressupõe ausência de contato da impugnante com fornecedores no exterior (item 4, letra "d" do Relatório de Ação Fiscal, à fl. 10 (sic)). E, em homenagem ao principio da verdade material, tendo em vista que, em nenhum momento, nas diversas intimações recebidas pela impugnante, tais documentos teriam sido solicitados, anexam aos autos cópias dos emails que teriam sido trocados entre a impugnante e as empresas fornecedoras, nos quais, se poderia vislumbrar que era a mesma quem efetivamente fazia o contato no exterior. 17. aduzem que o comércio exterior tem muitas dificuldades, exigindo coragem e ousadia; importar significa assumir riscos; o simples fato de ter havido adiantamento por parte dos clientes, não tem o condão de descaracterizar a importação própria; 18. sustentam que, apesar de terem sido feitos depósitos na conta bancária da impugnante pelos seus clientes, não se pode afirmar que toda a operação realizada no comércio exterior pela impugnante foi mediante a utilização de recursos de terceiros, estando configurada a importação por conta destes; aduzem que, no caso, não se pode presumir que houve dolo nas operações realizadas pela impugnante, no intuito de fraudar e até mesmo ocultar os reais adquirentes; isso porque, pelos próprios extratos bancários, identificase facilmente quem são os depositantes, bem como os valores depositados; se a intenção fosse ocultar teria sido mais lógico o recebimento em espécie; não há ocultação pois as operações aparecem nos extratos, nos registros contábeis e nas notas fiscais; 19. afirmam que a lisura e a boa fé da impugnante estão plenamente evidenciadas através do processo de habitação no SISCOMEX, que foi apresentado, analisado e deferido pela Administração Fazendária, permitindo sua atuação no Fl. 537DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 14 comércio exterior, inclusive tendo deferido o aumento do volume das operações pertinentes às transações internacionais pretendidas; no citado processo a Receita Federal efetuou minuciosa análise fiscal, analisando a capacidade operacional e os recursos da empresa, tendo sido informado, como endereço o mesmo da empresa Transaex; assim, estranham que a empresa, após a análise a que foi submetida, tenha suas operações consideradas como fraudulentas, em virtude de suposta ausência de capacidade financeira para atuar no comércio exterior; 20. sustentam que quando do inicio do processo de habilitação no SISCOMEX, ao mesmo foi anexado o Contrato de Prestação de Serviços firmado com a empresa TRANSAEX ASSESSORIA LTDA, já sendo, portanto, do conhecimento da Autoridade Lançadora que as duas empresas atuavam em conjunto; 21. cita Acórdãos do Conselho de Contribuintes, no sentido de que, não havendo intenção dolosa, descabem penalidades; 22. aduzem que, diante do que foi acima visto, não merece prosperar o lançamento, uma vez que restou demonstrado que os fatos referemse A modalidade de importação própria, não havendo interposição fraudulenta; Da ausência de identidade entre os fatos e a norma punitiva 23. informam que, a não prevalecer, por hipótese, os argumentos até agora explanados, impugna a legalidade da multa aplicada. Isso porque na estrutura da norma prevista no art. 23 do Decretolei n° 1.455/1976, a hipótese (interposição fraudulenta), que gera a imposição da consequência (pena de perdimento — multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria), seria: a) ocultação do sujeito passivo, mediante fraude; b) caso de não comprovação da origem dos recursos; c) caso de não comprovação de disponibilidade dos recursos; d) caso de não comprovação de transferência dos recursos empregados. E como se vê, no caso em questão, nenhuma das hipóteses supra se concretiza; 24. aduzem que as infrações tributárias, que prescindem do elemento subjetivo, configuramse pelo simples não recolhimento do tributo, mas nas penalidades o dolo integra o tipo. Não se pode considerar criminosa uma ação que não preenche todos os requisitos previstos abstratamente na norma; além disso, tais requisitos devem estar provados para que a imputação seja admitida; 25. transcrevem o art. 23 e parágrafos 1° a 3° do Decretolei n° 1.455/1976, bem como o artigo 72 da Lei n° 4.502/1964, e sustenta que são figuras típicas, de conceito rígido, que não Fl. 538DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10611.002829/200878 Acórdão n.º 320100.837 S3C2T1 Fl. 307 15 admitem aplicação sem a comprovação do intuito doloso, de se locupletar, de lesar o fisco, com atos e ações no intuito de ludibriar. Afirma que nenhum desses elementos foi comprovado pela fiscalização, que se baseou em presunção; 26. afirmam, novamente, que a configuração do ilícito previsto no dispositivo legal citado exige que seja evidente e exaustivamente comprovado o intuito de fraude, que, claramente não está no caso concreto; citam doutrina e jurisprudência administrativa relacionado a isso; 27. informam que, no caso, não houve ações dolosas de fraude ou simulação, por parte da impugnante, que se enquadrem na hipótese acima, da qual decorre a aplicação da pena de perdimento; não houve declaração falsa; não houve omissão de documentos ou informações; não houve falsificação de documentos; não houve duplicação de notas fiscais; estas não foram calçadas; a origem dos recursos está bem definida, havendo clareza nessas informações, bem como na escrituração contábil das operações; todos os tributos foram recolhidos, conforme consta no Relatório de Auditoria Fiscal; 28. pedem a inadmissibilidade do lançamento porque inexiste nos autos a prova do elemento doloso, necessário para a configuração do ilícito; porque efetivamente não houve intuito doloso; e, se a intenção da impugnante fosse ocultar os reais adquirentes, não deixaria isso evidenciado em seus registros contábeis; 29. aduzem que, ainda que, por hipótese, pairasse dúvidas acerca da intenção dolosa da impugnante, a dúvida deveria ser aproveitada em favor de quem é acusado (in dubio pro reo), não havendo razão para aplicar à impugnante penalidade destinada a criminosos, sonegadores e fraudadores; caso contrário, haveria iniqüidade; citam doutrina sobre o tema; 30. sustentam que, em matéria de penalidade, o ordenamento pátrio não tolera analogias ou interpretações extensivas, especialmente para imputar a alguém a responsabilidade pela sua prática; na questão em relevo, está patente a diferença entre a presunção abstrata do art. 23 do DL n° 1.455/1976 e a realidade fática, sendo desarrazoada e incabível a pena de perdimento; cita doutrina sobre a legalidade e a tipicidade tributárias; 31. afirmam que a tipicidade serve à segurança jurídica, ao principio da legalidade, presentes na Constituição Federal; aduzem que, em relação a penalidades, da mesma forma, somente as instituídas em lei são passíveis de aplicação, podendo atingir exclusivamente aqueles que realizem sua hipótese legislativa; isso, quando efetivamente for possível, sem equívocos, imputar a alguém, um ato antijurídico e típico, previsto em dispositivo legal vigente; 32. se for admitida a suposta responsabilidade imputada à impugnante, estaria legitimado o arbítrio e a insegurança e Fl. 539DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 16 revogado o Estado de Direito, onde os atos do Executivo são regidos pelo principio da legalidade, da moralidade, da publicidade, da impessoalidade, no qual o agente público é servo da lei, não cabendo ao Executivo, nem ao Judiciário criar as normas ou darlhes um cunho pessoal. Disso decorre a total impropriedade da multa aplicada à impugnante, sob a pretensa invocação da justificativa legal prevista no art. 23 do DL n° 1.455/1976; 33. sustentam que a aplicação de penalidade deve ter em vista sempre a tipicidade cerrada, e a inexistência de norma penal em branco a ser preenchida pela vontade de seus aplicadores, sendo imprescindível a ocorrência de perfeita subsunção entre a hipótese da norma e o fato concreto para que se possa aplicar a sanção prevista; de outra forma, maculase de ilegítima, porque ilegal e inconstitucional, além de arbitrária a imposição da penalidade, o que ocorreu no caso. Desse modo, com base nos princípios da segurança jurídica, da legalidade, da especificidade conceitual ou da tipicidade cerrada, pede o cancelamento da penalidade, haja vista a demonstração de que houve importação própria, não podendo a impugnante ser penalizada por fato que não realizou; 34. apresentam doutrina acerca da aplicação da pena de perdimento no caso de interposição de pessoas e no caso de desconsideração de uma operação por outra, em virtude da impropriedade material de sua concretização; Da ausência de fraude em relação ao IPI 35. afirmam que também não merece prosperar a justificativa da fiscalização, ao presumir que houve interposição fraudulenta, sob a suposta alegação de ocultação do real adquirente, e via de conseqüência, dano ao erário, na hipótese de se estar, de fato, diante de importação por conta e ordem de terceiros, havendo, portanto, intuito fraudulento de recolhimento a menor de IPI, já que empresa ABREU EMPREENDIMENTOS não é contribuinte do IPI, tendo sido as mercadorias importadas destinadas ao seu ativo imobilizado, e não para revenda, tendo havido o pagamento dos tributos devidos na importação, não cabendo falar em sonegação de IPI na posterior revenda; 36. apresentam contrato social da ABREU EMPREENDIMENTOS, a qual seria prestadora de serviços, não contribuinte de IPI, tendo importado para seu ativo permanente, sem posterior revenda, tendo sido os tributos da importação recolhidos, e também os da venda interna, da ALFA COMERCIAL para a ABREU EMPREENDIMENTOS; Fl. 540DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10611.002829/200878 Acórdão n.º 320100.837 S3C2T1 Fl. 308 17 37. assim, segundo argumenta, não haveria dano ao erário, já que o IPI foi recolhido pela impugnante quando do desembaraço aduaneiro e também quando da saída do produto na venda para o mercado interno, pois a impugnante realizou importação própria. Se houvesse importação por conta e ordem de terceiros, sendo a ABREU EMPREENDIMENTOS a verdadeira importadora, como esta é prestadora de serviços, não contribuinte do IPI, não haveria fato gerador deste imposto em posterior revenda. E, se fosse realmente importação por conta alheia, a trading teria recolhido IPI, quando da saída do seu estabelecimento indevidamente, pois, nesse caso, não seria contribuinte do IPI, e, assim, o dano não seria aos cofres públicos, e sim à própria impugnante, que teria que enfrentar processo judicial e administrativo para pedir restituição. Portanto, em virtude do exposto, pede a improcedência do lançamento. Da aplicação do artigo 33 da Lei 11.488/2007 38. no caso de não acolhimento das razões já expostas, afirmam que não merece prosperar o lançamento porque, se por hipótese, as operações de importação forem consideradas por conta e ordem de terceiros, como concluiu a fiscalização, não haveria de se falar em aplicação de multa decorrente da conversão da pena de perdimento, pois, conforme artigo 33 da Lei n° 11.488/2007, a pessoa que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de dez por cento do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00. 39. sustentam que, desse modo, se for admitida realmente a participação da empresa, cedendo seu nome, evidencia um erro substancial na autuação, podendose afirmar que os atos de ceder o nome e de importar e adquirir a mercadoria, nessa hipótese registrada pelos autuantes, não podem ser considerados idênticos. Assim, em relação a empresa autuada, não há como se atribuir a responsabilidade integral punível com o valor dos bens sujeitos a perdimento, sendo sua participação restrita a cessão do nome para as operações de comércio exterior, conforme art. 33 da Lei n° 11.488/2007; 40. transcrevem o art. 100 do Decretolei n° 37/1966, segundo o qual se do processo se apurar responsabilidade de duas ou mais pessoas, será imposta a cada uma delas a pena relativa a infração que houver cometido, e conclui que, com base nesse dispositivo, não poderia ser aplicada a pena de perdimento, e sua conseqüente conversão em multa, a impugnante, eis que esta apenas teria cedido seu nome para as operações abrangidas pelo auto de infração. Afirmam, também, que não seria de se lhe Fl. 541DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 18 aplicar as duas penalidades ao mesmo tempo, conforme art. 99 do Decretolei n° 37/1966; 41. argumentam que, não sendo idênticas as infrações atribuídas a quem cede o nome e a quem importa ou exporta a mercadoria, não há como se manter a autuação, devendo ser declarado improcedente o auto de infração e arquivado o processo. Citam decisão da DRJ São Paulo, referente a caso semelhante, tratado no processo 10314005.794/200883, cujo posicionamento estaria em sintonia com suas colocações; 42. por serem os pedidos acima consentâneos com a legalidade e com a justiça, pedem a total improcedência do lançamento e arquivamento do processo; Da impugnação da empresa ALFA COMERCIAL e de LUIZ FERNANDO PINTO, seu sócio administrador Cientificada do lançamento a empresa ALFA COMERCIAL, em 03/12/2008 (fl. 02), e o seu sócio administrador Luiz Fernando Pinto, de Termo de Sujeição Passiva Solidária, em 28/11/2008 (fl. 109), os dois apresentaram conjuntamente sua impugnação, em 24/12/2008 (fls. 115/143). Cabe observar que, a não ser pelo item "Da ausência da corresponsabilidade solidária da empresa Transaex", essa impugnação é idêntica à apresentada conjuntamente pela empresa TRANSAEX e seu sócio administrador Paulo Eduardo Pinto, as fls. 243/274, já discriminada acima, motivo pelo qual deixase de relacionar, aqui, seus argumentos de defesa, os quais, por serem totalmente iguais, serão analisados em conjunto com os da TRANSAEX e do seu sócio administrador. Da ausência de impugnação da responsável solidária ABREU EMPREENDIMENTOS e de DÉCIO GUIMARÃES DE ABREU FILHO e HELENA CARMEN FALABELA DAHER DE ABREU, seus sócios administradores Cientificados, a empresa ABREU EMPREENDIMENTOS, e Décio Guimarães de Abreu Filho (CPF 155.086.17787) e Helena Carmen Falabela Daher de Abreu, de Termos de Sujeição Passiva Solidária; a primeira, por via postal, em 28/11/2008 (fl. 104), e estes últimos por edital (fls. 113 e 114), uma vez que resultou infrutífera a ciência por via postal (fls. 105 e 106, respectivamente), nenhum do três apresentou impugnação Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 27/05/2010, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) julgou improcedente as impugnações das Recorrentes, conforme Acórdão n° 0818.002 de fls. 379397: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Data do fato gerador: 02/03/2007 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10611.002829/200878 Acórdão n.º 320100.837 S3C2T1 Fl. 309 19 Considerase dano ao Erário a ocultação do real adquirente, sujeito passivo na operação de importação, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. PENA DE PERDIMENTO OU MULTA QUE LHE É SUBSTITUTIVA. MULTA DO ARTIGO 33 DA LEI N° 11.488/2007. APLICAÇÃO CUMULATIVA. A imposição da multa prevista no artigo 33 da Lei no 11.488/2007, contra a pessoa jurídica que ceder o nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes, não afasta a aplicação cumulativa da pena de perdimento das mercadorias importadas irregularmente ou da multa que lhe é substitutiva. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 02/03/2007 LEGITIMIDADE PASSIVA SOLIDARIA. CABIMENTO. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, respondendo pela infração quando restar comprovado que concorreram, de qualquer forma, para a prática da mesma, ou dela se beneficiaram. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDARIA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. A ausência de impugnação por parte de um dos sujeitos passivos solidários acarreta, contra o revel, a preclusão temporal do direito de praticar o ato impugnatório, prosseguindo, o litígio administrativo, em relação aos demais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 02/03/2007 SUJEIÇÃO PASSIVA. DESPACHANTE ADUANEIRO. INTERESSE COMUM NAS ATIVIDADES DA EMPRESA. SUJEIÇÃO PROCESSUAL PASSIVA SOLIDÁRIA. 0 despachante aduaneiro e seu ajudante estão proibidos de efetuar, em nome próprio ou no de terceiro, importação e exportação de quaisquer produtos, ou exercer comércio interno de mercadorias estrangeiras (art. 10 do Decreto n° 646/1992). A Comissária de Despachos equiparase ao despachante aduaneiro, pois somente essas pessoas possuem a devida autorização, perante a Receita Federal do Brasil, para procederem a atos relativos as operações de despacho de Fl. 543DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 20 importação/exportação. Se, tanto como pessoas físicas, quanto como pessoas jurídicas, demonstrarem interesse comum no fato gerador do imposto de importação e violarem essa proibição, respondem como responsáveis solidários, cabendo a exigência também contra eles dos tributos e multas nas operações de importação/exportação, concomitantemente com as penalidades pertinentes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Exceto pela Sra. Helena Carmen Falabela Daher de Abreu e pelo Sr. Décio Guimarães de Abreu Filho, que foram intimados por edital no dia 20/08/2010 (fls. 419/420), as Recorrentes foram cientificadas do teor da Acórdão n° 0818.002 por intimação postal, em 05/07/2010 (f1s. 410/413), tendo protocolado seus recursos voluntários em 03/08/2010 (fls. 423/447 – Alfa Comercial Importadora e Exportadora Ltda. e Luiz Fernando Pinto; fls. 448/470 – Transaex Assessoria Ltda. e Paulo Eduardo Pinto; fls. 471/478 – Abreu Empreendimentos e Participações Ltda.), os quais, em síntese, reiteram os argumentos de suas impugnações (fls. 115/143 – Alfa Comercial Importadora e Exportadora Ltda. e Luiz Fernando Pinto; fls. 243/274 – Transaex Assessoria Ltda. e Paulo Eduardo Pinto). No que diz respeito ao recurso voluntário da Abreu Empreendimentos e Participações Ltda., alega a Recorrente que: (i) não apresentou impugnação, pois o mandado de procedimento fiscal que deu ensejo à lavratura do auto de infração, e, consequentemente, ao processo administrativo em tela, foi lavrado apenas contra a Alfa Comercial Importadora e Exportadora Ltda,. a Transaex Assessoria Ltda., o Sr. Luiz Fernando Pinto e o Sr. Paulo Eduardo Pinto. A Recorrente teria recebido apenas uma notificação eletrônica, o que não motivaria a apresentação de impugnação; (ii) não pode prosperar a fundamentação de que há indícios de que a Recorrente possa ter cometido uma possível infração tributaria, mesmo porque, nem sequer fora intimada a prestar esclarecimentos, mas tãosomente notificada. Diante do vício formal do lançamento do crédito tributário e do cerceamento de defesa e do contraditório, esta Recorrente apela para que: o seu recurso seja julgado tempestivo; seja declarada a nulidade do lançamento; possa apresentar demais elementos que julgar necessários à ampla demonstração da legalidade e licitude de seus atos; seja declarado extinto o crédito tributário, e, consequentemente, arquivado o auto de infração. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 24/09/2010. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Fl. 544DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10611.002829/200878 Acórdão n.º 320100.837 S3C2T1 Fl. 310 21 Admissibilidade Por estarem presentes os pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, conheço os recursos voluntários interpostos por Alfa Comercial Importadora e Exportadora Ltda. (“Alfa”), Transaex Assessoria Ltda. (“Transaex”), Luiz Fernando Pinto e Paulo Eduardo Pinto (“sócios administradores”). Quanto ao recurso voluntário interposto pela Abreu Empreendimentos e Participações Ltda., embora tempestivo, não atende aos referidos pressupostos, eis que houve preclusão temporal do seu direito de se insurgir contra o lançamento tributário. Ao contrário do que alegou esta Recorrente, a mesma foi regularmente intimada do Termo de Sujeição Passiva Solidária em 28/11/2008 (fl. 104), não tendo ofertado impugnação no prazo do art. 15 do Decreto nº 70.235 de 1972. Desse modo, deixo de conhecer o recurso voluntário em questão. Síntese da controvérsia O cerne da questão reside na confrontação das alegações das Recorrentes vis àvis a documentação que foi objeto de fiscalização, de modo a confirmar se (i) as operações realizadas pela Alfa, apesar de serem declaradas como importação por conta própria, não eram verdadeiramente um subterfúgio para encobrir operações de comércio exterior da Abreu; e (ii) há elementos suficientes para atribuir responsabilidade solidária à Transaex e aos sócios administradores. Pela análise da fiscalização, por óbvio, essa confrontação foi desfavorável às empresas envolvidas e seus respectivos sócios administradores. O colegiado que julgou em 1ª instância ratificou as conclusões da fiscalização. Antes de apresentar o resultado da minha análise, convém fazer algumas considerações sobre as alegações das Recorrentes. Considerações sobre as alegações das Recorrentes Em seus recursos voluntários, as Recorrentes alegam basicamente que a Alfa realizou operações de importação por conta própria, sendo que a interposição fraudulenta de terceiros somente poderia se configurar em casos de importação por conta e ordem. Além disso, alegaram que não há identidade entre os fatos que ensejaram a autuação e a norma punitiva aplicada, pois não houve dolo por parte importador e os recursos empregados nas operações de importação eram lícitos. Ainda que fosse configurada a interposição fraudulenta de terceiros, a penalidade não seria o perdimento das mercadorias ou a multa de valor equivalente, e sim a multa de que trata o art. 33 da Lei nº 11.488 de 2007. Por fim, no que diz respeito à responsabilidade solidária da Transaex e dos sócios administradores da Alfa e da Transaex, alegam que a regra que veda aos despachantes aduaneiros realizarem importações em nome próprio ou de terceiros se aplica apenas a pessoas físicas, assim como a regra que responsabiliza os sócios administradores demanda prova de que houve excesso de mandato ou violação à lei, ao contrato ou ao estatuto social. (a) da operação de importação própria Tenho como certo que a interposição fraudulenta de terceiros sempre há de ocorrer quando o importador alega que realiza a importação com recursos próprios, mas, na prática, oculta quem efetivamente demanda e financia a importação. Desse modo, essa alegação, por si só, em nada agrega ao exame do mérito, sendo necessário que o importador apresente a documentação que lhe dê suporte. (b) da ausência de identidade entre os fatos e a norma punitiva aplicada A norma punitiva aplicada é o art. 23, V e §§ 1º a 3º, do DecretoLei nº 1.455 de 1976. De acordo com esses dispositivos, considerase dano ao Erário Público as infrações relativas às Fl. 545DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 22 mercadorias estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. E mais, diz que se presume interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. Com efeito, o fato a ser verificado em contraste com a norma punitiva aplicada é a ocultação do comprador das mercadorias importadas, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros, ou a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nessa operação, que dá ensejo à presunção de interposição fraudulenta de terceiros. Verificada a ocorrência de uma dessas alternativas, não há que se falar em ausência de identidade entre os fatos e a norma punitiva aplicada. Pois bem, as Recorrentes alegam que configuração do ilícito tributário exige que seja evidente e exaustivamente comprovado o intuito de fraude. Ora, se o intuito de fraude deve ser comprovado, a norma não poderia jamais prever hipótese de presunção. Logo, a lógica propugnada pelas Recorrentes é contraditória e não deve prosperar. Por outro lado, a presunção de que trata a norma legal tem caráter relativo, razão pela qual a prova assume novamente relevância para o deslinde da argumentação das Recorrentes. (c) da aplicação do art. 33 da Lei nº 11.488 de 2007 O art. 33 da Lei nº 11.488 de 2007 estabelece que a pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Estabelece também que essa multa não se aplica aos casos em que há presunção de interposição fraudulenta de terceiros, pois faz referência ao art. 81 da Lei nº 9.430 de 1996, que, por sua vez, faz referência ao art. 23, §§ 2º e 3º, do DecretoLei nº 1.455 de 1976. Em outras palavras, se o “presta nomes” não comprova a origem, a disponibilidade e a transferência efetiva dos recursos empregados nas operações de comércio exterior, não faz jus à multa de que trata o art. 33 da Lei nº 11.488 de 2007, por força do seu parágrafo único. Portanto, a análise do suporte probatório apresentado pelas Recorrentes se faz novamente indispensável. (d) da ausência de responsabilidade solidária A imputação de responsabilidade solidária à Transaex e aos sócios administradores Luiz Fernando Pinto e Paulo Eduardo Pinto devese ao fato de o último ter sido sócio administrador da Alfa, afastandose dessa posição pela circunstância única de ser despachante aduaneiro e haver vedação legal para este tipo de profissional realizar operações de exportação ou importação em nome próprio ou de terceiros, nos termos do art. 10 do Decreto nº 646 de 1992. Como na visão da autoridade fiscalizadora havia indícios suficientes para depreender que a Alfa e a Transaex eram geridas conjuntamente pelos sócios administradores em questão, entendeu lhes ser aplicável os arts. 124 e 135, III, do Código Tributário Nacional, o arts. 32, parágrafo único, e 95 do Decreto Lei 37 de 1966. Tal como as outras alegações das Recorrentes, essa é uma questão que demanda o cotejo das alegações e documentos obtidos pela fiscalização, não podendo ser Fl. 546DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10611.002829/200878 Acórdão n.º 320100.837 S3C2T1 Fl. 311 23 afastada com a interpretação do alcance do art. 10 do Decreto nº 646 de 1992, i.e., saber se a norma restringe apenas pessoas físicas ou vai além. Cotejo entre alegações das Recorrentes e documentos obtidos pela fiscalização No que diz respeito à alegação de que a Alfa realizava importações por conta própria, convém transcrever trechos do Relatório de Ação Fiscal – MPF nº 06.1.51.002007 001268 que culminou na lavratura do auto de infração e dos termos de sujeição passiva solidária (fls. 36/37). Confirase: Em 02/10/2007, valendose de um MPF Extensivo, intimouse a empresa SBF; a esclarecer o motivo de se utilizar os serviços da empresa Alfa e não fazer a importação diretamente. Também o motivo dos pagamentos antecipados (fls.554 a 556); em 11/10/2007 (fl.557), a empresa solicitou que o prazo para esclarecimento fosse aumentado de 05(cinco) para 30(trinta) dias; o que não foi possível de ser atendido. Então, em 25/10/2007, a referida empresa entregou os esclarecimentos solicitados(fls.558 a 560). Nos termos dos esclarecimentos prestados, tais operações se devem ao expertise da empresa Alfa Comercial, que encontrando boas oportunidades de negócios no mercado externo de materiais esportivos; buscou no Brasil potenciais clientes. Sendo a SBF uma empresa de destaque nacional neste segmento, se interessou em adquirir os produtos importados pela primeira, solicitando apenas que lhe fosse conferido o direito de preferência na aquisição destas mercadorias. A importadora concordou com as condições solicitadas, desde que a outra prestasse garantia para a realização dos negócios o que também foi aceito, daí o motivo dos depósitos na conta da Alfa que não eram antecipações de pagamento, mas sim garantia da concretização do negócio. Analisando os esclarecimentos fica uma dúvida qual a diferença entre antecipação de pagamento e a prestação de garantia para a concretização de um negócio e sendo que esta garantia é feita em dinheiro? A resposta é nenhuma quando se visualiza na contabilidade da importadora que a mesma se utiliza dos recursos, dados em garantia, para pagamento da própria mercadoria a ser vendida fica claro que isso é uma antecipação de pagamento e mais claro fica ainda quando de vê que toda a mercadoria importada é repassada ao real adquirente imediatamente com a nota fiscal de saída sendo emitida com as mesmas quantidades da nota fiscal de entrada e sendo encaminhadas ao mesmo imediatamente após o desembaraço. Não resta dúvida que nestas operações entre as duas empresas ocorreu a ocultação do real adquirente das mercadorias importadas, SBF Comércio de Produtos Esportivos Ltda, que delas se beneficiou ao deixar de ser equiparado a contribuinte do IPI, nos termos do inciso I do artigo 9° do Decreto 4.544/2002(Regulamento do IPI), além de adquirir mercadoria importada, presumidamente por conta e ordem sem estar Fl. 547DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 24 habilitado a operar no Siscomex o que só veio a ocorrer em 07/12/2006. Além destas operações mostradas existem outras, com outras empresas em que se repete o mesmo modus operanti já demonstrado. Utilizaramse dos serviços da Alfa as empresas: Domi Comercial Ltda CNPJ 03.932.717/000160, Structure Presentes e Decorações Ltda CNPJ 68.104.736/000177, Hommage Comércio de Presentes Ltda CNPJ 07.467.942/0001 23, Image Presentes Ltda CNPJ 40.212.961/000184, Lopes Damázio Comércio de Presentes Ltda CNPJ 06.982.014/0001, Companhia Siderúrgica Nacional CNPJ 33.042.730/001771, Valbrasil Comércio e Indústria Ltda CNPJ 00.277.740/000170, Megafobia Com. Exp. e Imp. Ltda CNPJ 07.669.342/000148, Abreu Empreendimentos e Participações Ltda CNPJ 32.020.703/000178, dentre outras. ......................................................................................................... Tendo como enfoque o fluxo financeiro da empresa, a fim de verificar a possibilidade da pessoa jurídica arcar com os dispêndios relativos às operações no comércio exterior, em especial a liquidação de contratos de câmbio e o pagamento dos tributos devidos. Ano 2004 Foram realizadas 08 operações de importação, totalizando R$ 223.205,00 (demonstrativo — fl.603) Dessas operações, destacamse as dos dias: 25/05/2004(fl.190), 06/08/2004 e 10/08/2004(fl.194) nos quais empresa recebe um "Adiantamento" e, na mesma data, há um fechamento de câmbio. Ano 2005 Foram realizadas 52 operações de importação, totalizando R$ 2.078.745,00 (demonstrativo — fls.604 e 605) Nessas operações, a sistemática constatada em 2004, continua ocorrendo. Ou seja, a empresa sempre recebe "adiantamentos" por ocasião de algum pagamento relativo As suas atividades como importadora. Ano 2006 Foram realizadas 40 operações de importação, totalizando R$ 1.560.348,00 (demonstrativo — fls.606 e 607) A empresa atua da mesma forma que nos anos anteriores. ......................................................................................................... A contabilidade da empresa não deixa dúvidas: quem, de fato, atua são as empresas Reais Adquirentes e a TRANSAEX, observase que apesar dos vultosos volumes de transações aqui mencionados; a empresa apresenta margens de lucro pífias, quase igualando seus custos (fls.608 a 615), ocorrendo Fl. 548DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10611.002829/200878 Acórdão n.º 320100.837 S3C2T1 Fl. 312 25 inclusive prejuízo operacional no ano de 2005, no valor de R$ 15.327,51(cópia da página 74 do livro diário/2005 fl.614). Portanto, fica demonstrado que a empresa não comprovou possuir capacidade financeira para realizar operações de importação, sendo a mesma utilizada para que a Transaex ofereça um serviço a mais aos seus clientes; que quando por limitações de habilitação ao Siscomex ou por qualquer outro motivo pelo qual fosse vantajoso, ao importador, se omitir frente ao fisco. Em qualquer destas situações as operações de importação eram realizadas em nome da Alfa. A partir da transcrição acima mencionada, percebese claramente que as provas analisadas pela fiscalização revelam que a Alfa não dispunha de recursos próprios para realizar as importações, autorizando, assim, a aplicação da presunção de interposição fraudulenta de terceiros. Ora, se isso é verdade, não merece acolhida a alegação de que houve importação por conta própria e tampouco de que não há identidade entre os fatos e a norma punitiva aplicada. Quanto à aplicação da multa de que trata o art. 33 da Lei nº 11.488 de 2007, reitero que a mesma não se aplica em casos de presunção fraudulenta de terceiros por força do parágrafo único desse mesmo dispositivo, não podendo ser suscitada a retroatividade benigna de que trata o art. 106, II, c, do Código Tributário Nacional. Com relação à Transaex, convém ressaltar que trechos da citação anterior deixam consignado que essa empresa envolvia a Alfa nos despachos aduaneiros realizados para empresas impossibilitadas de realizar operações de comércio exterior ou interessadas em obter vantagens fiscais relativas a IPI. Mas essa conexão entre a Alfa e a Transaex fica também evidente no trecho do Relatório de Ação Fiscal – MPF n° 0615100 2008 003230 (fls. 15/16) abaixo transcrito: A empresa abaixo, através de seus sóciosadministradores (também relacionados) atuou, através da empresa ALFA COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA, fato que ficou evidenciado, em síntese: a) pela análise aos extratos bancários da Alfa onde ficou demonstrado que o depósito para fechamento de Contrato de Câmbio e também para o pagamento dos tributos de importação foi efetuado pela empresa Abreu Empreendimentos e Participações ltda CNPJ: 32.020.703/000178; b) Também a empresa Transaex Assessoria Ltda, CNPJ: 68.506.765/000131, pertencente ao mesmo Grupo Empresarial da Alfa e responsável por todos os despachos aduaneiros efetuados valeuse da fiscalizada para burlar a vedação prevista no art. 10 do Decreto 646 de 09/09/1992. (...) c) Outro fato a ser destacado para a caracterização atuação da outra empresa foi verificado na análise das Notas Fiscais de entrada e saída, emitidas logo após o desembaraço das importações, em números seqüenciais sendo as quantidades de Fl. 549DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 26 mercadorias entradas e saídas idênticas, comprovando o repasse das mesmas da importadora(Alfa) para o real adquirente(Abreu Empreendimentos e Participações Ltda), com margens de lucro que pouco ultrapassam os custos. d) Na análise relativa à negociação com o Fornecedor estrangeiro, não foi apresentada uma única correspondência trocada entre as partes, tais como: emails, faxes, para comprovar as negociações realizadas pela Alfa com seu suposto fornecedor. A partir de todos esses relatos, não é possível descartar a participação da Transaex no processo de ocultação dos reais adquirentes das mercadorias importadas pela Alfa, sendo, pois, correta e oportuna a imputação de responsabilidade solidária. Incabível a alegação de que tal imputação foi deliberada e sem calço em provas. Como se verifica da transcrição supra, as provas são notas fiscais, documentos contábeis, respostas a intimações, etc. Quanto aos demais responsáveis, entendo que a regra do nosso ordenamento jurídico é preservar a autonomia patrimonial dos sócios em relação à sociedade. Entretanto, o próprio ordenamento jurídico estabelece hipóteses em que essa regra é flexibilizada. Assim, por exemplo, o sócio responde ilimitadamente pelas obrigações contraídas pelas sociedades não personificadas (Código Civil, art. 990), pelas sociedades em nome coletivo (Código Civil, art. 1.039), bem como solidariamente pela integralização do capital das sociedades limitadas (Código Civil, art. 1.052). É importante distinguir, pois, a flexibilização legal da desconsideração da personalidade jurídica de que trata o art. 50 do Código Civil. No primeiro caso, o juiz não precisa se manifestar para que o patrimônio do sócio seja atingido, ao passo que no segundo isso é necessário e somente pode ocorrer quando houver desvio de finalidade da sociedade ou confusão patrimonial dos sócios. No caso concreto, a imputação da responsabilidade aos sócios administradores não advém de qualquer provimento jurisdicional senão da própria lei. Nesse sentido, a autoridade fiscalizadora enumerou uma série de dispositivos legais para justificar essa imputação, dentre os quais reputo como mais importante o art. 95, I, do DecretoLei nº 37 de 1966, que dispõe sobre o imposto de importação, reorganiza os serviços aduaneiros e dá outras providências. Confirase: Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...) Ora, tendo a Alfa e a Transaex concorrido para gerar vantagens ilícitas a terceiros que não poderiam realizar operações de comércio exterior, não é crível que os seus sócios administradores tenham ignorado esse fato; ao contrário, o natural é que os sócios administradores decidam todas as estratégias comerciais de suas empresas e supervisionem a sua execução. Com isso, pretendo ressaltar que não se está diante de uma presunção de solidariedade, mesmo porque solidariedade não se presume conforme assegura o art. 265 do Código Civil. Tratase de uma imputação de responsabilidade solidária ex lege. Os sócios administradores concorreram, ainda que indiretamente, para a prática de infrações à legislação Fl. 550DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10611.002829/200878 Acórdão n.º 320100.837 S3C2T1 Fl. 313 27 aduaneira, razão pela qual não é possível deixar de lhes imputar tal responsabilidade por força do dispositivo acima transcrito. Conclusão Tendo em vista a farta documentação contrária à defesa das Recorrentes, NEGO PROVIMENTO aos recursos voluntários, mantendo a decisão recorrida, e, por conseguinte, a multa equivalente ao valor das mercadorias submetidas à pena de perdimento e a solidariedade das empresas e sócios administradores originalmente responsabilizados pela autoridade fiscalizadora. É como voto. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 551DF CARF MF Impresso em 24/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10183.720058/2007-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Ano calendário: 2.004
A CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO SOFRE ÓBICE PELA DISCUSSÃO DA TRIBUTAÇÃO NO ÂMBITO DO PODER JUDICIÁRIO. PRELIMINAR AFASTADA
É atribuição das autoridades fiscais a constituição do crédito tributário, através do lançamento, independentemente da existência de discussão sobre a incidência do imposto na esfera judicial. A constituição do crédito justifica-se para evitar eventual decadência, não obstante, a decisão definitiva sobre a
incidência dependa do posicionamento do Poder Judiciário. No presente caso, a demanda judicial ainda não transitou em julgado e está sendo feita através de Federação a que os autuados pertencem.
ALEGAÇÃO DE SUSPEIÇÃO DO RELATOR DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA POR AFIRMAÇÃO INEXISTENTE DE OBEDIÊNCIA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE
Não prospera alegação de suspeição do Relator da decisão recorrida, pelo fato do mesmo justificar seu entendimento no principio da legalidade, a que efetivamente está restrito, não encontrando outra, tal como afirma a autuada, que esta obediência englobaria entendimento do órgão fiscalizador.
A ÁREA TOTAL DO IMÓVEL ATRIBUÍDA PELA FISCALIZAÇÃO PODE SER QUESTIONADA COM PROVAS DA TRANSFERÊNCIA DA PROPRIEDADE, DOMÍNIO ÚTIL OU POSSE, O QUE NÃO OCORREU.
Desprovidos de documentos públicos ou privados que atestem as alegadas vendas de parte do imóvel antes da ocorrência do fato gerador, somente as alegações, não são suficientes para afastar a pretensão fiscal, nem tão pouco, averbações na matrícula do imóvel, com data posterior à da ocorrência do fato gerador.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. HIGIDEZ. O art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu
art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções
previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis CRI é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um
imposto fundamentalmente de feições extra fiscais. De outra banda, a exigência da averbação cartorária da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extra fiscal do ITR, devendo ser privilegiada.
ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ADA. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO PARA EXCLUSÃO DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA DAS ÁREAS TRIBUTADAS PELO ITR.
Nos termos do art. 17-O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, é obrigatória a apresentação do ADA referente à área que se pretende excluir da tributação do ITR, não se podendo interpretar o art. 10, § 7º, da Lei nº 9.393/96 como regra exonerativa dessa obrigação, pois este último versa apenas sobre o caráter homologatório da informação das áreas isentas, que podem, por óbvio, sofrer auditoria por parte da autoridade fiscal competente.
O VTN ATRIBUÍDO PELA FISCALIZAÇÃO COM BASE NA SIPT CONSTITUI PRESUNÇÃO RELATIVA, PODENDO SER AFASTADA PELO CONTRIBUINTE
O VTN atribuído pela fiscalização com base na SIPT constitui presunção relativa, podendo ser afastada pelos contribuintes com documentos que evidenciem circunstancias ou apresentem fatos que justifiquem a declaração da sua improcedência, o que não ocorreu no presente caso.
UTILIZAÇÃO DA COBRANÇA DO IMPOSTO E MULTA COM EFEITOS DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA
Não fere o princípio constitucional da vedação à utilização do tributo com efeitos de confisco, a cobrança do imposto feita dentro dos parâmetros legais acrescida da multa em função do não recolhimento, esta também com percentuais previstos na lei.
Numero da decisão: 2102-001.804
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR
provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Atilio Pitarelli (relator) que dava parcial provimento para acatar uma área de utilização de 15.416,80 hectares. Designado para redigir o
voto vencedor o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Ano calendário: 2.004 A CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO SOFRE ÓBICE PELA DISCUSSÃO DA TRIBUTAÇÃO NO ÂMBITO DO PODER JUDICIÁRIO. PRELIMINAR AFASTADA É atribuição das autoridades fiscais a constituição do crédito tributário, através do lançamento, independentemente da existência de discussão sobre a incidência do imposto na esfera judicial. A constituição do crédito justifica-se para evitar eventual decadência, não obstante, a decisão definitiva sobre a incidência dependa do posicionamento do Poder Judiciário. No presente caso, a demanda judicial ainda não transitou em julgado e está sendo feita através de Federação a que os autuados pertencem. ALEGAÇÃO DE SUSPEIÇÃO DO RELATOR DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA POR AFIRMAÇÃO INEXISTENTE DE OBEDIÊNCIA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE Não prospera alegação de suspeição do Relator da decisão recorrida, pelo fato do mesmo justificar seu entendimento no principio da legalidade, a que efetivamente está restrito, não encontrando outra, tal como afirma a autuada, que esta obediência englobaria entendimento do órgão fiscalizador. A ÁREA TOTAL DO IMÓVEL ATRIBUÍDA PELA FISCALIZAÇÃO PODE SER QUESTIONADA COM PROVAS DA TRANSFERÊNCIA DA PROPRIEDADE, DOMÍNIO ÚTIL OU POSSE, O QUE NÃO OCORREU. Desprovidos de documentos públicos ou privados que atestem as alegadas vendas de parte do imóvel antes da ocorrência do fato gerador, somente as alegações, não são suficientes para afastar a pretensão fiscal, nem tão pouco, averbações na matrícula do imóvel, com data posterior à da ocorrência do fato gerador. ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. HIGIDEZ. O art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis CRI é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto fundamentalmente de feições extra fiscais. De outra banda, a exigência da averbação cartorária da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extra fiscal do ITR, devendo ser privilegiada. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ADA. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO PARA EXCLUSÃO DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA DAS ÁREAS TRIBUTADAS PELO ITR. Nos termos do art. 17-O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, é obrigatória a apresentação do ADA referente à área que se pretende excluir da tributação do ITR, não se podendo interpretar o art. 10, § 7º, da Lei nº 9.393/96 como regra exonerativa dessa obrigação, pois este último versa apenas sobre o caráter homologatório da informação das áreas isentas, que podem, por óbvio, sofrer auditoria por parte da autoridade fiscal competente. O VTN ATRIBUÍDO PELA FISCALIZAÇÃO COM BASE NA SIPT CONSTITUI PRESUNÇÃO RELATIVA, PODENDO SER AFASTADA PELO CONTRIBUINTE O VTN atribuído pela fiscalização com base na SIPT constitui presunção relativa, podendo ser afastada pelos contribuintes com documentos que evidenciem circunstancias ou apresentem fatos que justifiquem a declaração da sua improcedência, o que não ocorreu no presente caso. UTILIZAÇÃO DA COBRANÇA DO IMPOSTO E MULTA COM EFEITOS DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA Não fere o princípio constitucional da vedação à utilização do tributo com efeitos de confisco, a cobrança do imposto feita dentro dos parâmetros legais acrescida da multa em função do não recolhimento, esta também com percentuais previstos na lei.
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PRELIMINAR AFASTADA É atribuição das autoridades fiscais a constituição do crédito tributário, através do lançamento, independentemente da existência de discussão sobre a incidência do imposto na esfera judicial. A constituição do crédito justificase para evitar eventual decadência, não obstante, a decisão definitiva sobre a incidência dependa do posicionamento do Poder Judiciário. No presente caso, a demanda judicial ainda não transitou em julgado e está sendo feita através de Federação a que os autuados pertencem. ALEGAÇÃO DE SUSPEIÇÃO DO RELATOR DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA POR AFIRMAÇÃO INEXISTENTE DE OBEDIÊNCIA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE Não prospera alegação de suspeição do Relator da decisão recorrida, pelo fato do mesmo justificar seu entendimento no principio da legalidade, a que efetivamente está restrito, não encontrando outra, tal como afirma a autuada, que esta obediência englobaria entendimento do órgão fiscalizador. A ÁREA TOTAL DO IMÓVEL ATRIBUÍDA PELA FISCALIZAÇÃO PODE SER QUESTIONADA COM PROVAS DA TRANSFERÊNCIA DA PROPRIEDADE, DOMÍNIO ÚTIL OU POSSE, O QUE NÃO OCORREU. Desprovidos de documentos públicos ou privados que atestem as alegadas vendas de parte do imóvel antes da ocorrência do fato gerador, somente as alegações, não são suficientes para afastar a pretensão fiscal, nem tão pouco, Fl. 494DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720058/200719 Acórdão n.º 2102001.804 S2C1T2 Fl. 495 2 averbações na matrícula do imóvel, com data posterior à da ocorrência do fato gerador. ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. HIGIDEZ. O art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis CRI é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto fundamentalmente de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação cartorária da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ADA. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO PARA EXCLUSÃO DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA DAS ÁREAS TRIBUTADAS PELO ITR. Nos termos do art. 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, é obrigatória a apresentação do ADA referente à área que se pretende excluir da tributação do ITR, não se podendo interpretar o art. 10, § 7º, da Lei nº 9.393/96 como regra exonerativa dessa obrigação, pois este último versa apenas sobre o caráter homologatório da informação das áreas isentas, que podem, por óbvio, sofrer auditoria por parte da autoridade fiscal competente. O VTN ATRIBUÍDO PELA FISCALIZAÇÃO COM BASE NA SIPT CONSTITUI PRESUNÇÃO RELATIVA, PODENDO SER AFASTADA PELO CONTRIBUINTE O VTN atribuído pela fiscalização com base na SIPT constitui presunção relativa, podendo ser afastada pelos contribuintes com documentos que evidenciem circunstancias ou apresentem fatos que justifiquem a declaração da sua improcedência, o que não ocorreu no presente caso. UTILIZAÇÃO DA COBRANÇA DO IMPOSTO E MULTA COM EFEITOS DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA Não fere o princípio constitucional da vedação à utilização do tributo com efeitos de confisco, a cobrança do imposto feita dentro dos parâmetros legais acrescida da multa em função do não recolhimento, esta também com percentuais previstos na lei. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720058/200719 Acórdão n.º 2102001.804 S2C1T2 Fl. 496 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Atilio Pitarelli (relator) que dava parcial provimento para acatar uma área de utilização de 15.416,80 hectares. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Nubia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Mauricio Carvalho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário face decisão da 1a Turma da DRJ/CGE, de 06 de novembro de 2009 (fls. 445/456), que por unanimidade devotos julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Recorrente, mantendo integralmente o crédito tributário no valor total de R$ 5.039.418,70, sendo R$ 2.359.499,35 a título de imposto suplementar, R$ 910.294,84 de juros de mora e R$ 1.769.624,51 de multa de ofício, que recaem sobre o imóvel rural denominado Gleba Raposo Tavares II, localizado no município de Paranaíta, comarca de Alta FlorestaMT. De acordo com o Auto de Infração lavrado em 26/03/2007 (fl. 10), a exigência do imposto com os acréscimos legais decorre dos seguintes fatos: a) Não comprovação da isenção da área destinada a reserva legal, excluída da base de cálculo do imposto, com alegação ainda de que não era mais proprietária do imóvel no ano de 2.004, embora tivesse apresentado DITR com área de 19.271,00 hectares, e apurado pela fiscalização, 40.200,00 hectares, e b) o VTN também foi alterado para R$ 11.843.724,00, não aceitos como tal os R$ 231.252,00 considerados pelo autuado, o que redundou na apuração do imposto de R$ 2.368.744,80, redundando na exigência suplementar de R$ 2.359.499,35, conforme demonstrativo de fl. 13. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720058/200719 Acórdão n.º 2102001.804 S2C1T2 Fl. 497 4 Com destaques, estão assim descritas as infrações no Auto de Infração: Área de Reserva Legal não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a titulo de reserva legal no imóvel rural. 0 Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal ART. 10 PAR 1 E INC II E AL "A" L 9393/96 Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal ART 10 PAR 1 E INC I E ART 14 L 9393/96 Complemento da Descricão dos Fatos: 1. Da Área Total do Imóvel e do Sujeito Passivo: contribuinte informa não proprietário do imóvel rural para o exercício de 2004, pois até a data limite para entrega da DITR aconteceram diversas alienações. Nas matriculas não há registros de alienações para o período fiscalizado nem foi apresentado outro documento de comprovação, por exemplo, Contratos de Compra Venda para que se configure a existência de outro contribuinte. Conforme arts. 1197 e 1245 da Lei 10.406/2002 (Código Civil), abaixo transcritos, a propriedade só é transferida pelo registro em cartório do titulo translativo: "Art. 1.197. A posse direta, de pessoa que tem a coisa em seu poder, temporariamente, em virtude de direito pessoal, ou real, não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720058/200719 Acórdão n.º 2102001.804 S2C1T2 Fl. 498 5 Art. 1.245. Transferese entre vivos a propriedade mediante o registro do titulo translativo no Registro de Imóveis. § l.o Enquanto não se registrar o titulo translativo, o alienante continua a ser havido como dono do imóvel." Portanto, a área para fins de tributação do ITR em 1.o de janeiro de 2004, data de ocorrência do fato gerador, continua sendo de 40.200,0ha, 2. Sujeito Passivo: Para o imóvel há um condomínio de contribuintes, analisandose as matriculas de n°1197 e seus desmembramentos, mat. 15695, 15696, 15697, 15698, 15699 e 15700 ficou caracterizada a existência dos seguintes condôminos e percentuais, após a partilha do espólio de Sidney Sousa Pinto (ver R1 das mat. 15695, 15696 e 15697). a) CPF 513.038.09168, RENATE ANNA WELLMANN DA RIVA, 14,5%; b) CPF 202.135.30872, MARILIA DA RIVA SOUSA PINTO, 16,66; c) CPF 219.187.59804, VICENTE DA RIVA, 18,7%; d)CPF 063.193.75876, MARIA LUISA MANCINI DA RIVA, 14,5%; e) CPF 621.402.56115, LUDOVICO WELLMANN DA RIVA, 3,8%; f)CPF 851.802.54787, CRISTINE WELLMANN DA RIVA ARAUJO, 3,8%; g) CPF 321.636.81149, ARIOSTO DA RIVA NETO, 3,8%; h) CPF 106.897.71835, ANELISE NEUMANN DA RIVA MARTINEZ, 3,8%; i) CPF 066.803.57810, KARIN WELLMANN DA RIVA DE ALMEIDA, 3,8%; j) CPF 105.025.35822, CIBELE SOUSA PINTO, 8,33%; 1) CPF 090.446.16889, MONICA SOUSA PINTO, 8,33. Sendo assim, o lançamento está sendo efetuado em nome dos condôminos; tendo como representante a contribuinte RENATE ANNA WELLMANN DA RIVA. Todos os contribuintes do condomínio receberão uma cópia desta Notificação de Lançamento. Em anexo, foram juntados os extratos dos contribuintes constantes dos cadastros da SRF onde são informados os seus respectivos endereços e demais dados cadastrais. 3. Área de Utilização Limitada: áreas de utilização limitada tem que estar averbadas à margem da matricula e ser declarada em Ato Declaratório Ambiental ADA. Nas matriculas apresentadas Fl. 498DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720058/200719 Acórdão n.º 2102001.804 S2C1T2 Fl. 499 6 não há averbação de reserva legal até a data do fato gerador (Enquadramento legal: art. 10, § lo, inciso II,letra 'a' da Lei 9393/96, e art. 16, §2° da Lei 4771/65 (redação dada pelo art. 1o da Lei 7803/89)) e também não foi apresentado o ADA (obrigação do ADA conforme item 4 abaixo), não sendo possível a obtenção de isenção a esse titulo. Contribuinte alega que, por conta da MP216667, de 2001, não estaria obrigado a apresentálo. A alegação do contribuinte, não possui base legal, uma vez que a Lei n° 6.938, de 1981, art. 170, § 1°, com a redação dada pelo art. 1° da Lei n° 10.165, de 2000 encontrase em perfeita vigência e obrigando a apresentação de ADA para exclusão da base de calculo do ITR. Esta Lei não colide com a regra inserida no art. 10, § 7°, da Lei n° 9.393, de 1996, pela MP2.16667 de 2001, que determina unicamente a nãocomprovação prévia por parte do declarante na apuração do ITR quando da apresentação da declaração, mas não impede que essa comprovação, mediante o requerimento do ADA, seja exigida posteriormente à apresentação da declaração do imposto sobre a propriedade territorial rural. Pelo exposto, está sendo desconsiderado o valor declarado a esse titulo. (Enquadramento Legal: Lei n° 6.938, de 1981, art. 170, §1 0 , com a redação dada pelo art. 10 da Lei 10165, de 2000 e IN/SRF n° 60, de 2001, e IN/SRF 256, de 2002). Após intimada da lavratura do Auto de Infração, a Recorrente tempestivamente apresentou impugnação, assim Relatada na decisão: A interessada apresentou a impugnação de f. 226/257. Preliminarmente, alega ilegitimidade passiva, ao argumento de que o imóvel foi alienado a terceiros em data anterior à da ocorrência do fato gerador. Afirma que, para efeitos do ITR, não é necessária a transcrição na matricula imobiliária, pois a posse deve preponderar sobre a propriedade, para fins de identificação do sujeito passivo da obrigação tributária. Pugna pela nulidade do lançamento, que defende ser ilegal. Aduz que não há previsão legal que condicione a isenção das áreas de preservação permanente e de reserva legal A entrega do ADA ou A prévia averbação. Levanta também preliminares de inconstitucionalidade. Argumenta que as áreas de preservação permanente e de reserva legal são isentas pelo simples efeito da Lei (Código Florestal), não estando sujeitas A prévia comprovação ou a formalidades acessórias, consoante disposição da Medida Provisória n° 2.16667, que alterou o § 7° do art. 10 da Lei 9.393/96.Com relação ao valor da terra nua apurado, questiona a utilização do SIPT. Alega que o valor é irreal e superior ao valor de mercado. Requer que seja aceito o Laudo Técnico de Avaliação apresentado. Insurgese contra a multa aplicada, que afirma ser confiscatória. Solicita a realização de perícia. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720058/200719 Acórdão n.º 2102001.804 S2C1T2 Fl. 500 7 A decisão recorrida afastou as preliminares argüidas pelos Recorrentes, a partir da fl. 447, primeiro, sobre a solicitação de diligência, sob a alegação de que a mesma seria desnecessária, pois redundaria em provas que eles poderiam produzir através de outros meios, e que a ilegitimidade passiva também não ocorreu, uma vez que a exigência do imposto recai sobre o proprietário do imóvel rural, cuja titularidade só se transfere através de registro da escritura pública, e que este ocorreu em data posterior (19/04/2005) ao ano base em questão, não contendo o trabalho fiscal qualquer vício, pois foram assegurados os meios de defesa. Também afasta preliminar de inconstitucionalidade de diploma legal, sob o fundamento de falta de competência do órgão administrativo para esta declaração. Para as razões de mérito,fundamentou destacando que o trabalho fiscal foi desenvolvido com base na DITR do respectivo exercício, e que o art. 14 da lei n.o 9.393/96 prevê a exigência do imposto com multa no caso de informações inexatas ou incorretas. O art. 61, par. 3o da lei n.o 9.430/06 prevê a incidência de juros pela taxa SELIC, não competindo ao julgador administrativo afastála ou reduzila, portanto, correta a alteração de ofício efetuada pelo autuante, alterando a área de imóvel, que passou a ficar conforme consta na matrícula do imóvel. Ainda sobre o mérito, externou seu entendimento com relação à exigência do ADA e da prévia averbação da área destinada à reserva legal, ficando a decisão devidamente motivada. Sobre o VTN, atesta que o contribuinte foi devidamente intimado para comprovar elementos que comprovassem o valor por ele declarado, não o fazendo a contento, pois apresentou um laudo que não atende as normas da ABNT, e segundo o CREAMT, que o profissional que o elaborou extrapolou a sua competência, razão pela qual, concluiu que o valor apurado pela fiscalização deveria ser mantido. Em grau de Recurso Voluntário, a partir da fl. 464, a exemplo dos termos da impugnação, os Recorrentes aduzem que: a) intitulando como preliminares, inicialmente, a impossibilidade de cobrança de ITR sobre áreas destinadas à Reserva Legal e de Preservação Permanente, por estar representada pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso, em Mandado de Segurança impetrado junto ao TRF da 1a Região, cuja decisão acolheu a tese de inexigibilidade de averbação das áreas destinadas à reserva legal e preservação permanente, para que as mesmas sejam excluídas da base de cálculo do imposto, citando precedentes outros do Poder Judiciário, inclusive, para a desnecessidade do ADA; b) a decisão proferida é nula, pois com a afirmação feita pelo seu Relator, de que os julgadores devem observância à norma e regulamentos, bem como ao entendimento da Receita Federal expresso em atos tributários e aduaneiros, o que coloca a Turma de Julgamento na condição de defensores dos interesses da Receita Federal, tornando seus integrantes suspeitos, e que o Decreto n.o 70.235/72 não criou Turmas de Fl. 500DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720058/200719 Acórdão n.º 2102001.804 S2C1T2 Fl. 501 8 Julgamento da Receita Federal e sim Turmas de Julgamento Administrativo de Questões Fiscais; c) o art. 53 da lei n.o 9.784/99, que disciplina o Processo Administrativo Federal, assim como a Súmula 473 do Supremo Tribunal Federal determinam que a Administração deve anular seus próprios atos quando eivados de vícios de legalidade; d) no que denomina de mérito, inicialmente, protesta pelo acolhimento da declaração retificadora da quantidade de hectares do imóvel, apresentada na ocasião da solicitação das informações, cuja avaliação ficou prejudicada, sob a alegação de perda da espontaneidade, em função do trabalho fiscal já ter se iniciado, exigindo com isso, imposto sobre uma área maior do que a devida; e) exigir imposto sobre a área destinada a reserva legal e preservação permanente, por falta de ADA ou averbação na matrícula do Registro de Imóveis, fere o princípio constitucional da legalidade, conforme precedentes do Poder Judiciário e que a mesma não consta da lei n.o 9.393/96, figurando na IN SRF 43/97, sucedida por outras, portanto, a exigência não decorre de lei, e a sua exclusão da base de cálculo dependeria de constatação feita pelo IBAMA ou SRF, de que estas áreas não existem; f) a taxa exigida para a expedição do ADA é inconstitucional, pois em função da natureza desta espécie de tributo, exigese a contrapartida de um serviço, que não é prestado pelo IBAMA, que é o de vistoriar e constatar a existência das áreas declaradas como de reserva legal e de preservação permanente; g) o VTN aplicado pela fiscalização, que foi ratificado pela decisão recorrida não levou em consideração os noticiários em jornais da época apresentados juntos com o Laudo Técnico, identificando o local da área, e que levaram o engenheiro a atribuir ínfimo o valor de mercado da região, inclusive, sendo objeto de inúmeros conflitos agrários, bem como, na época sem acesso e a cabeceira da área com acidente geográfico (serra) onde existe muita pedra, tudo tornando de difícil exploração, e que a DRJ deixou expressa na decisão que nenhum laudo afastaria o VTN atribuído, quando assegurou que “A avaliação da terra nua, por parte da fiscalização, independe de elaboração de laudo ou contralaudo, visto que há disposição legal ... determinando a utilização dos valores coletados e organizados no Sistema de Preços de Fl. 501DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720058/200719 Acórdão n.º 2102001.804 S2C1T2 Fl. 502 9 Terras da Secretaria da Receita Federal, “, consistindo mais em relatório de acusação e não de análise, em detrimento ao seu direito; h) a decisão recorrida guerreou a alegação do confisco somente com relação a multa, e na verdade ela foi feita em função da multa e do imposto, pois o valor da exigência corresponde ao valor da propriedade, contrariando assim o inciso IV do art. 150 da CF e o valor tão exorbitante decorre da inclusão da área da reserva legal e de preservação permanente na tributável; i) todo o relatório constante da decisão proferida reportase ao princípio da legalidade para não acatar as alegações da Recorrente, mas de forma estranha, insiste na aplicação do decreto n.o 4.382/2002 – Regulamento do ITR, para convalidar as exigências, de data posterior à tributação, portanto, impor a sua observância ofende ao princípio da anterioridade, o que torna questionável e passível de nulidade o procedimento fiscal; j) a decisão também merece reforma em função da utilização do valor constante no SIPT Sistema de Preços de Terras utilizado pela fiscalização, em detrimento do Laudo de Avaliação e do Laudo de Caracterização do imóvel apresentado, elaborado por profissional técnico, com ART do CREA e respeitando a norma técnica da ABNT, e que o relator, colocado sob suspeita, ora fala em preço apurado com base em informações da Secretaria de Agricultura Estadual e Municipal, e noutra, em preços médios das declarações do ITR do município, e ainda, que os valores da SIPT fere os princípios da publicidade, do contraditório, legalidade e anterioridade, pois como afirmou o relator, constitui “comunicado interno”, com preços adstritos apenas aos servidores do setor de auditoria da Receita Federal; k) foram tributadas áreas já vendidas e informadas na defesa, com fornecimento de CPF e NIRF dos proprietários, sendo que o Relator constatou que houve recolhimento do ITR por alguns deles, detentores da posse. É o relatório. Voto Vencido Fl. 502DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720058/200719 Acórdão n.º 2102001.804 S2C1T2 Fl. 503 10 Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O Recurso Voluntário é apresentado tempestivamente e está assinado por procurador com instrumento de mandato incluso aos autos, dele conhecendo. Inicialmente cabe apreciar as questões que os Recorrentes apresentam na peça de defesa como preliminares às de mérito, partindo da alegada impossibilidade de cobrança de ITR com a lavratura do lançamento, sobre as áreas de reserva legal e de preservação permanente, em função do Mandado de Segurança impetrado pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso. É atribuição do fisco a constituição do crédito tributário, independentemente da questão estar sendo objeto de apreciação pelo Poder Judiciário, que efetivamente tem a competência final para apreciar a procedência ou não do lançamento, mas esta realidade não afasta o dever da sua lavratura, até mesmo, para evitar a eventual decadência do seu dever de constituílo. No caso, a Recorrente afirma estar representada pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso, mas não noticia o transito em julgado da decisão proferida pelo TRF da 1a Região, portanto, não podendo obstar a constituição do crédito tributário. Sobre a suspeição que lança sobre o Relator da decisão recorrida, também não merece ser acolhida, pois a atribuição de julgar em primeira instância administrativa, tal como são conferidas às Turmas das DRJs, também decorrem da legislação fiscal, e estão em consonância com o art. 27 do decreto n.o 70.235/72, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal, e a decisão proferida está devidamente motivada, facultando assim, o direito ao devido processo legal, e o contraditório está sendo exercido, não vislumbrando na decisão recorrida qualquer afirmação que justifique colocar sob suspeita o seu Relator, cujo entendimento foi por unanimidade acolhido pelos seus pares. Portanto, nenhum vício que justifique a nulidade da decisão proferida. Passando para análise das questões que os Recorrentes denominaram como sendo de mérito, na ordem apresentada na peça recursal, está destacada a possibilidade de retificação da área total do imóvel, decorrente de vendas não observadas quando do preenchimento da DITR, e que não foi aceita pelo autuante e mantida na decisão recorrida, sob a alegação de que a mesma ocorreu após iniciado o procedimento fiscal, com perda da espontaneidade para a retificação desejada através de declaração substitutiva. Na impugnação, reiterando protestos em peças anteriores, os Recorrentes insurgemse novamente quanto à área total do imóvel, sendo que com base em dados extraídos da matrícula do Registro de Imóveis n.o 1.197 e desdobramentos que constituíram o condomínio (fl. 71), o agente autuante considerou 40.200 hectares, conforme demonstrativo de fl. 7, e quando do atendimento às solicitações da fiscalização, em expediente objeto da fl. 37, informa os Recorrentes que a pessoa encarregada de prestar as informações, erroneamente, fez constar na DITR 2004, como área total, 19.271,0 hectares (fl. 26), e (embora em expediente de fl. 50 responde à intimação fiscal alegando que o correto seria 26.725,4 hectares) tal como consta em DITR retificadora que pretendeu apresentar, mas não foi aceita, sob a alegação de ser extemporânea e já ter se iniciado o trabalho fiscal. A área de 26.725,4 também consta no laudo apresentado, objeto da fl. 376. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720058/200719 Acórdão n.º 2102001.804 S2C1T2 Fl. 504 11 Com efeito, não obstante as referências a vendas realizadas, com os compradores identificados pelas inscrições no CPF e áreas respectivas, que deduzidas da área de 40.200, hectares constante na matrícula e na qual se baseou o autuante, chegase à área de 26.725.4, que após iniciado o trabalho fiscal alegam os Recorrentes compor corretamente o total do imóvel, os Recorrentes não apresentaram, em nenhuma das oportunidades de defesa neste processo, qualquer documento, de escritura pública ou mesmo contrato particular que evidenciassem a transferência de parte da propriedade ou mesmo da posse, razão pela qual, pela ausência de provas que poderiam ser produzidas sem exigir muito esforço dos Recorrentes, entendo que a área a ser considerada é de 40.200,00 hectares, tal como consta no trabalho fiscal, que por outras considerações, foi mantida pela decisão recorrida. Assim, entendo que o não acolhimento das alegações dos Recorrentes no tocante à retificação da área total do imóvel para menor do que apurado pela fiscalização, se prende pela falta de provas de que as transferências, no mínimo da posse, se deram antes da ocorrência do fato gerador do imposto que está sendo ora exigido, e não, pelo não acolhimento da DITR retificadora. Corrobora ainda a assertiva do trabalho fiscal, o fato da averbação de n.o 9, efetuada na matrícula n.o 1.197 (fl. 222), constar que a pedido dos proprietários, em 22/04/2003, foi efetuado desdobramento da áreas em 6 matrículas, sem qualquer alteração do total da área, que permaneceu de 40.200,00 hectares. Oportuno destacar aqui, que o imposto exigido referese ao ano de 2.004, quando o fato gerador ocorreu no dia 1o daquele ano. Uma das matrículas originárias da n.o 1.197, de n.o 15.695 (fl. 224), com área de 10.000 hectares, somente em 02 de fevereiro de 2.004 dá conta, através da averbação de n.o 4 (fl. 229), que esta área foi vendida aos Srs. José Vital Lembrance, Laudecyr Fuzari Júnior e Hygino Hildebrando Pitelli Junior, sendo aos dois primeiros, uma área de 4.840 hectares, e ao último, 5.160,00 hectares. O mesmo ocorreu com a matrícula n.o 15.697, outra decorrente da n.o 1.197, com área de 7.000 hectares, quando venda de partes dela começaram a ocorrer a partir de 10 de agosto de 2.004, conforme averbação n.o 2 nela constante à fl. 239. Portanto, considerando que o fato gerador do imposto em questão, por tratar se do ano de 2.004 ocorreu no dia primeiro daquele ano, não há razão para qualquer reparo na decisão recorrida ou lançamento com relação a este fato. No tocante à exclusão da base de cálculo das áreas de utilização limitada e de preservação permanente, conforme tenho externado entendimento em casos como este, compartilho daqueles que votam pela inexigibilidade da averbação na matrícula do Registro de Imóvel da área destinada à reserva legal, bem como, da condicionante à apresentação do ADA para a exclusão destas áreas daquela tributável. Com efeito, a letra “a” do inciso II do art. 10 da lei n.o 9.393/96, que dispõe sobre a cobrança do ITR, exclui da base de cálculo do imposto, sem condicionantes, as áreas de preservação permanente e de reserva legal, e a letra “d”, as áreas sob regime de servidão florestal, não podendo diploma legal que trate de outra matéria, ou menos ainda, diploma de inferior escalão criar condições ou condicionantes para este benefício, como ocorre com a criação do ADA. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720058/200719 Acórdão n.º 2102001.804 S2C1T2 Fl. 505 12 Também não compartilho da inversão do ônus da prova, pois o par. 7o do art. 10 da lei n.o 9.393/96 atribui ao fisco a comprovação da incorreção ou inexistência das áreas de preservação permanente e reserva legal declaradas na DITR, que por força da MP 2166 67/2001, passou o lançamento para a modalidade de homologação. A este respeito, muitos são os precedentes do STJ, como este que exemplificativamente, abaixo é destacado: REsp 969091 /SC RECURSO ESPECIAL2007/01647955 Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador 1A PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 15/06/2010 Data da Publicação/Fonte DJ 01/07/2010 Ementa PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ITR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. LEI N.º 9.393/96. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. 1. A área de reserva legal é isenta do ITR, consoante o disposto no art. 10, § 1º, II, "a", da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, porisso que ilegítimo o condicionamento do reconhecimento do referido benefício à prévia averbação dessa área no Registro de Imóveis. (Precedentes: REsp 998.727/TO, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/04/2010, DJe 16/04/2010; REsp 1060886/PR, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 01/12/2009, DJe 18/12/2009; REsp 665.123/PR, Rel. Ministra ELIANA Fl. 505DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720058/200719 Acórdão n.º 2102001.804 S2C1T2 Fl. 506 13 CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 12/12/2006, DJ 05/02/2007) 2. O ITR é tributo sujeito à homologação, porquanto o § 7º, do art. 10, daquele diploma normativo dispõe que: "Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. (...) § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis." (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) 3. A isenção não pode ser conjurada por força de interpretação ou integração analógica, máxime quando a lei tributária especial reafirmou o benefício através da Lei n.º 11.428/2006, reiterando a exclusão da área de reserva legal de incidência da exação (art. 10, II, "a" e IV, "b"), verbis: "Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelocontribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; V área aproveitável, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas: a) ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias; b) de que tratam as alíneas do inciso II deste parágrafo; 4. A imposição fiscal obedece ao princípio da legalidade estrita, impondo ao julgador, na apreciação da lide, aterse aos critérios estabelecidos em lei. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720058/200719 Acórdão n.º 2102001.804 S2C1T2 Fl. 507 14 5. Consectariamente, decidiu com acerto o acórdão a quo ao firmar entendimento no sentido de que, litteris: "Assim, entendo que deve ser promovida a subtração da área de reserva legal. Embora não houvesse a averbação da área demarcada como reserva legal na época do fato gerador (1998), o que só ocorreu em 2002, entendo que deve haver a subtração de 20% da área do imóvel. Devese considerar como área de reserva apenas o limite mínimo de 20% estabelecido pelo art. 16 da Lei nº 4771/65, e é o caso dos autos. Mesmo enquanto não averbada, havia a proteção legal sobre o mínimo de 20% da área rural. Convém lembrar que a imposição fiscal obedece ao princípio da legalidade estrita, o que impõe ao julgador na apreciação da lide aterse aos critérios estabelecidos em lei e ao conteúdo da prova produzida, quando existente. Se é verdadeira a assertiva de que a "Administração Pública" não pode ir contra fato que ela mesmo deu origem, também o é que o juiz não está adstrito às alegações das partes, devendo aplicar, em matéria tributária, as disposições legais pertinentes. No que tange ao imposto referente ao exercício de 1998, à época já se encontrava em vigor a Lei nº 9.393/96, que, inovando o regramento legal até então existente, promoveu alteração significativa na sistemática de lançamento do ITR abandonou o lançamento de ofício (art. 6º da Lei nº 8847/94) para adotar o lançamento por homologação (art. 10 da Lei 9393/96). Mero ato administrativo de averbação não pode ilidir a prova material da existência da área de reserva legal, consubstanciada em ato de vistoria e/ou prova pericial, esta rejeitada de plano." 6. Os embargos de declaração que enfrentam explicitamente a questão embargada não ensejam recurso especial pela violação do artigo 535, II, do CPC. 7. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 8. Recurso especial a que se nega provimento. Acórdão Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Teori Albino Zavascki, Benedito Gonçalves (Presidente) e Hamilton Carvalhido votaram com o Sr. Ministro Relator. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720058/200719 Acórdão n.º 2102001.804 S2C1T2 Fl. 508 15 Quanto à apresentação do ADA, também há inúmeros precedentes, merecendo apenas para destaque, parte da ementa do RE 1261964 GO, julgado em 17/11/2011, que teve como Relator o Ministro Mauro Campbell Marques, da Segunda Turma, que destacamos: Ementa PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ITR. BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA ADA. 3. A jurisprudência desta Corte Superior é no sentido de que não é necessária a exigência prevista na Instrução Normativa – SRF 73/2000, quanto à apresentação de Ato Declaratório Ambiental – ADA do IBAMA, para a exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. Precedentes: REsp 1125632/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/08/2009, Dje 31/08/2009; REsp 812.104/AL, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/11/2007, DJ 10/12/2007, p. 296; REsp 665123/PR, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 12/12/2006, DJ 05/02/2007, p. 202; REsp 587429/AL, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 01/06/2004, DJ 02/08/2004, p. 323. Assim, comungando deste entendimento, voto pela exclusão da base de cálculo do ITR das áreas declaradas de utilização limitada, assim como, pela inexigibilidade do ADA para que os Recorrentes usufruam deste benefício. Destarte, estabelecida a área total do imóvel, tal como consta no trabalho fiscal, dela deverá ser excluída da tributável as de utilização limitada, no caso, 15.416,80 hectares, que é a constante da DITR (fl. 28) por eles apresentada referente ao período base 2004. Necessário agora apreciar a questão do VTN, uma vez que o valor declarado pelos Recorrentes foi rejeitado e sobre a área tributável aplicado valor constante na SIPT, que de acordo com o demonstrativo de fl. 7, pelo autuante foi atribuído ao hectare o valor de R$ 294,62, refutando o declarado pelos Recorrentes, de R$ 12,00 apenas. Os valores constantes do SIPT encontram sua validade em diploma legal, não obstante, são de presunção relativa, passível de contestação pelos contribuintes, e no entender deste Relator, não necessariamente através de laudo elaborado por engenheiro, nos termos da Norma ABNT, podendo ser afastada através de qualquer outro meio de prova obtido licitamente, de que a SIPT não corresponde com a realidade da área discutida, mas necessariamente, através de documentos efetivamente convincentes. Ocorre, neste particular, que no laudo apresentado pelos Recorrente, à fl. 119, o profissional por eles contratado para elaborálo apresenta o preço médio para a região o valor de R$ 160,18 o hectare, para em seguida, no que denomina de Intervalo de Confiança, o menor valor de R$ 112,13 e como sendo o maior, R$ 208,24, para concluir em seguida que Fl. 508DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720058/200719 Acórdão n.º 2102001.804 S2C1T2 Fl. 509 16 devido a conflitos agrários na região e distancia da capital CuiabáMT, com difícil acesso ou mesmo intransitável em determinados períodos do ano, o valor do hectare seria de R$ 12,00, tal como declarado pelos Recorrentes. Ocorre, que os autuados Recorrentes não apresentaram um único documento que comprovasse a existência de ação possessória para que evidenciasse que suas áreas eram objeto de medida judicial desta natureza, ou que apresentasse qualquer outra peculiaridade que a diferenciasse das demais referidas no laudo, para as quais foram atribuídos valores bem superiores. Por esta razão, não acolho os argumentos e voto pela manutenção do VTN atribuído pelo agente autuante, pois os noticiários de jornais acostados, sobre as contingências causadas pela chuva na região, não permitem afirmar que as mesmas são permanentes ou circunstanciais. Sobre o profissional que emitiu o laudo apresentado pelos Recorrentes, em resposta a Ofício expedido pela Receita Federal (fl. 129), o CREAMT, através de Câmara Especializada de Agricultura, informa que o mesmo teria extrapolado à sua habilitação técnica, dando a entender que estaria inscrito na qualidade de técnico em agropecuária, constituindo penalidade ainda mais grave, a utilização do título de Engenheiro Agrimensor. Não obstante, como tenho me posicionado contrário à padronização de um único meio de prova para estas questões, e dele nada extrair para o entendimento proferido, considerando oportuno apenas destacar este fato para conhecimento dos meus pares, deixando a questão apenas para aquela autarquia de profissionais. Sobre a alegação dos Recorrentes de que o lançamento fiscal não obedeceu ao princípio constitucional que veda a utilização da cobrança do imposto como confisco, a mesma também não pode prosperar, quer com relação ao imposto, ou mesmo, com relação à multa, uma vez que ambos decorrem de lei, e dentro das suas disposições foram aplicadas. Quanto às citações na decisão recorrida, que externou o seu vínculo à legislação, nela incluindo menções ao decreto n.o 4.382/2002 que regulamenta o ITR, não poderia ser diferente, pois seu ato está vinculado a este princípio constitucional, o que não impede que as citações sejam contestadas através da peça recursal, tal como está sendo exercida neste ato. Pelas razões acima expostas, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso, para excluir da base de cálculo do imposto, a área de 15.416,80 hectares, constante na DITR como de utilização limitada. Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Voto Vencedor A controvérsia centrase na necessidade, ou não, da apresentação do ADA como condição para fruição de redução no cálculo do ITR a pagar em área de reserva legal, bem como na necessidade de sua averbação cartorária. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720058/200719 Acórdão n.º 2102001.804 S2C1T2 Fl. 510 17 Especificamente, a reserva legal é a área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas (art. 1º, § 2º, III, do Código Florestal), sendo certo que o Código Florestal, no art. 16, especifica os percentuais mínimos da propriedade rural que deve ser afetada à reserva legal, nas diversas regiões do país, determinando, ainda, que tal reserva seja averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel (art. 16, § 8º, do Código Florestal). Inicialmente, farseá um breve apanhado jurisprudencial sobre a necessidade, ou não, da averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel. Primeiramente, apreciase a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, intérprete máximo da lei federal brasileira. Começase pelo REsp 1.125.632/PR, da Primeira Turma, sessão de 20/08/2009, relator o Ministro Benedito Gonçalves, unânime, onde há um razoável apanhado da jurisprudência dessa Superior Corte. Eis a ementa desse julgado: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. ITR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE AVERBAÇÃO OU DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. INCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL ANTE A AUSÊNCIA DE AVERBAÇÃO. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. O art. 2º do Código Florestal prevê que as áreas de preservação permanente assim o são por simples disposição legal, independente de qualquer ato do Poder Executivo ou do proprietário para sua caracterização. Assim, há óbice legal à incidência do tributo sobre áreas de preservação permanente, sendo inexigível a prévia comprovação da averbação destas na matrícula do imóvel ou a existência de ato declaratório do IBAMA (o qual, no presente caso, ocorreu em 24/11/2003). 3. Ademais, a orientação das Turmas que integram a Primeira Seção desta Corte firmouse no sentido de que "o Imposto Territorial Rural ITR é tributo sujeito a lançamento por homologação que, nos termos da Lei 9.393/1996, permite a exclusão da sua base de cálculo de área de preservação permanente, sem necessidade de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA" (REsp 665.123/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 5.2.2007). 4. Ao contrario da área de preservação permanente, para a área de reserva legal a legislação traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à Fl. 510DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720058/200719 Acórdão n.º 2102001.804 S2C1T2 Fl. 511 18 reserva legal. Assim, somente com a averbação da área de reserva legal na matricula do imóvel é que se poderia saber, com certeza, qual parte do imóvel deveria receber a proteção do art. 16, § 8º, do Código Florestal, o que não aconteceu no caso em análise. 5. Recurso especial parcialmente provido, para anular o acórdão recorrido e restabelecer a sentença de Primeiro Grau de fls. 139145, inclusive quanto aos ônus sucumbenciais. (grifouse) Acima se exigiu a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel como condição para fruição da redução do ITR. Porém, a mesma Primeira Turma do STJ julgou o Resp nº 1.060.886/PR, na sessão de 1º/12/2009, relator o Ministro Luiz Fux, quando asseverou que a falta de averbação da reserva legal na matrícula do imóvel ou a averbação a destempo, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção no âmbito do ITR, em votação unânime, ou seja, em manifesto confronto com o REsp 1.125.632/PR, também unânime, que determinou a obrigatoriedade da averbação da reserva legal no cartório de registro de imóvel para fruição do benefício no âmbito do ITR, ressaltando que a decisão de dezembro de 2009 não faz qualquer menção à decisão pretérita da mesma Turma. Para tanto, vejase o excerto da ementa do Resp nº 1.060.886/PR, verbis: Consectariamente, decidiu com acerto o acórdão a quo ao firmar entendimento no sentido de que "A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965. Reconhecese o direito à subtração do limite mínimo de 20% da área do imóvel, estabelecido pelo artigo 16 da Lei nº 4.771/1965, relativo à área de reserva legal, porquanto, mesmo antes da respectiva averbação, que não é fato constitutivo, mas meramente declaratório, já havia a proteção legal sobre tal área". Porém, se há dúvidas no âmbito da jurisprudência do STJ sobre a presente controvérsia, tal situação não é amainada pelo que ocorre no âmbito da jurisprudência administrativa, como abaixo se demonstrará. A jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes, competente para apreciar as controvérsias no seio do ITR até março de 2009, era oscilante no tocante à averbação cartorária da área de reserva legal. Abaixo, breve apanhado da jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes, para exercícios posteriores ao ITRexercício 2001, em decisões prolatadas no ano de 2008, trazendo também algumas informações sobre a exigência de ADA, já que, em regra, debatese a exigência do ADA e da averbação cartorária para deferimento da fruição da benesse tributária no tocante à área de reserva legal: 1. exigência de averbação da área de reserva legal somente a partir do Decreto nº 4.382/2002 (Regulamento do ITR) – Acórdão nº 301 34459, sessão de 20/05/2008, unânime; Fl. 511DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720058/200719 Acórdão n.º 2102001.804 S2C1T2 Fl. 512 19 2. área de reserva legal reconhecida a partir de documentos outros, privilegiando a busca da verdade material – Acórdão nº 30134475, sessão de 20/05/1998, unânime; Acórdão nº 30239586, sessão de 19/06/2008, por maioria; Acórdão nº 39100031, sessão de 21/10/2008, por maioria (acatando também laudo técnico para comprovar a existência de área de preservação permanente); 3. Ausência de averbação cartorária da reserva legal, por si só, não afasta a benesse legal – Acórdão nº 30335421, sessão de 19/06/2008, por maioria; Acórdão nº 30335734, sessão de 16/10/2008, por maioria; 4. área de reserva legal averbada e ADA extemporâneo reconhecida para reduzir o ITR devido – Acórdão nº 30134686, sessão de 13/08/2008, unânime (também com laudo técnico); Acórdão nº 30134632, sessão de 10/08/2008, unânime; 5. área de reserva legal averbada extemporaneamente reconhecida para reduzir o ITR devido – Acórdão nº 30134788, sessão de 15/10/2008, por voto de qualidade (os vencidos exigiam o ADA para os exercícios posteriores a 2001); 6. comprovação da área de utilização limitada (reserva legal) a depender do ADA e da averbação cartorária tempestivos – Acórdão nº 302 39244, sessão de 29/01/2008, por maioria; Acórdão nº 30239866, sessão de 15/08/2008, por voto de qualidade; Acórdão nº 30335538, sessão de 13/08/2008, por voto de qualidade; Acórdão nº 30335645, sessão de 11/09/2008, por voto de qualidade; Acórdão nº 39300083, sessão de 19/11/2008, por voto de qualidade. Tentando fazer um resumo dos posicionamentos acima sobre a averbação da área de reserva legal, temse: • averbação após a publicação do Decreto nº 4.382/2002 (1ª Câmara); reconhecimento da área por laudos técnicos (1ª, 2ª, 3ª Câmaras e 3ª TE); averbação cartorária e ADA intempestivo (1ª Câmara); averbação cartorária intempestiva (1ª Câmara); averbação e ADA tempestivos (2ª, 3ª e 3ª TE); Da jurisprudência acima, claramente não se extrai qualquer posição consolidada no tocante à averbação cartorária para a área de reserva legal (há precedentes de todas as Câmaras ordinárias com reconhecimento da área de reserva legal a partir de laudos técnicos), sendo certo que as posições mais formais, com exigência do ADA e da averbação tempestivos para a área de reserva legal são tomadas, em regra, por voto de qualidade (vide item 6, acima), a demonstrar a profundidade da controvérsia. Longe de tecer quaisquer críticas à jurisprudência do Terceiro Conselhos de Contribuintes, aqui se reconhece a funda controvérsia no tocante a averbação cartorária da reserva legal para reconhecimento dos benefícios isentivos no âmbito do ITR, ressaltando que o próprio Superior Tribunal de Justiça tem também vacilado na solução dessa controvérsia, como se viu acima, com a Primeira Turma dessa Superior Corte prolatando decisões Fl. 512DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720058/200719 Acórdão n.º 2102001.804 S2C1T2 Fl. 513 20 divergentes, por unanimidade, em um mesmo semestre, sem qualquer ressalva à posição pretérita. Sem apoio na jurisprudência, quer do Terceiro Conselho de Contribuintes, quer do Superior Tribunal de Justiça, passase a definir um posicionamento sobre a controvérsia referente à averbação da área de reserva legal. Da área tributável para fins do ITR se excluem as áreas de preservação permanente e de reserva legal, de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas ambientais, comprovadamente imprestáveis para os fins do setor primário, de servidão florestal ou ambiental e, mais recentemente, cobertas por florestas nativas e alagadas por reservatórios hidrelétricos, como se pode ver no art. 10, § 1º, II, “a” a “f”, da Lei nº 9.393/96. Claramente vêse que as áreas de interesse ambiental ou imprestáveis para os fins do setor primário estão excluídas da incidência do ITR, sendo certo que esse imposto somente incide sobre as áreas aproveitáveis, geradoras de renda agrícola, pecuária e extrativista. O nó górdio é definir quais os requisitos que devem ser implementados para que uma área seja considerada de reserva legal para fins de fruição da isenção no âmbito do ITR. Partindo do princípio que o ITR incide sobre a área aproveitável da propriedade (área tributável menos a área de benfeitorias), geradora de renda agrícola, pecuária ou extrativista, pareceme claro que o contribuinte somente pode se beneficiar do favor legal tributário se de fato existir essas áreas de utilização limitada, ou seja, caso as áreas de reserva legal ou de preservação permanente estejam sendo utilizadas indevidamente em atividades agrícolas, extrativistas ou pecuárias diretas, afastarseia a isenção legal. De outra banda, existindo tais áreas, o contribuinte pode se beneficiar do favor legal. Entretanto, para a fruição da isenção, pode a lei exigir o cumprimento de requisitos formais, além dos substanciais (no caso vertente, a existência das próprias áreas ambientalmente protegidas). Como exemplo de requisito isentivo de ordem formal, para isenção do IRPF, não basta o contribuinte portar alguma das moléstias constantes no art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, mas deve comproválas mediante um laudo pericial emitido por serviço médico oficial, na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95. Nessa mesma linha, o art. 4º, V, da Lei nº 8.661/1993 determina que o contribuinte detentor de um Programa de Desenvolvimento Tecnológico Industrial PDTI pode ter um crédito de 50% do IRRF incidente sobre as remessas para o exterior, a título de royalties, de assistência técnica ou científica e de serviços especializados, previstos em contratos de transferência de tecnologia averbados nos termos do Código de Propriedade Industrial, ou seja, não basta ter um contrato de transferência de tecnologia firmado com uma empresa estrangeira, mas se deve averbálo no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI, como manda o art. 230 do Código de Propriedade Industrial (Lei nº 9.279/96), para fruição do benefício legal. Agora, passase a verificar a existência de requisitos formais para fruição do benefício no âmbito do ITR para a área de reserva legal. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720058/200719 Acórdão n.º 2102001.804 S2C1T2 Fl. 514 21 Em relação à área de reserva legal, assim versa o art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96, verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I Omissis; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; A Lei tributária assevera que a área de reserva legal, prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65), pode ser excluída da área tributável. Já no art. 16 da Lei nº 4.771/65 definemse os percentuais de cobertura florestal a título de reserva legal que devem ser preservados nas diferentes regiões do país e determina que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área. A questão que logo se aventa é sobre a obrigatoriedade de averbação da reserva legal para fruição do benefício no âmbito do ITR, já que a Lei nº 9.393/96 assevera a exclusão da área de reserva legal, porém remetendoa ao Código Florestal, não havendo, especificamente, uma obrigação de averbação cartorária da área de reserva legal na Lei tributária. Quanto à obrigatoriedade da averbação da área de reserva legal, em sentido lato, parece que não há qualquer dúvida, pois inclusive há norma editada pelo Poder Executivo, com supedâneo na Lei nº 9.605/98 (Lei dos crimes ambientais), que considera tal comportamento uma infração administrativa, com aplicação de multas pecuniárias, conforme o art. 55 do Decreto nº 6.514/2008, sendo certo que o Poder Judiciário vem ratificando a obrigatoriedade da averbação da reserva legal, como se pode ver no REsp 927.979 – MG, julgado pela Primeira Turma em 31/05/2007, relator o Ministro Francisco Falcão, unânime, assim ementado: DIREITO AMBIENTAL. ARTS. 16 E 44 DA LEI Nº 4.771/65. MATRÍCULA DO IMÓVEL. AVERBAÇÃO DE ÁREA DE RESERVA FLORESTAL.NECESSIDADE. I A questão controvertida referese à interpretação dos arts. 16 e 44 da Lei n. 4.771/65 (Código Florestal), uma vez que, pela exegese firmada pelo aresto recorrido, os novos proprietários de imóveis rurais foram dispensados de averbar reserva legal florestal na matrícula do imóvel. II "Essa legislação, ao determinar a separação de parte das propriedades rurais para constituição da reserva florestal legal, Fl. 514DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720058/200719 Acórdão n.º 2102001.804 S2C1T2 Fl. 515 22 resultou de uma feliz e necessária consciência ecológica que vem tomando corpo na sociedade em razão dos efeitos dos desastres naturais ocorridos ao longo do tempo, resultado da degradação do meio ambiente efetuada sem limites pelo homem. Tais conseqüências nefastas, paulatinamente, levam à conscientização de que os recursos naturais devem ser utilizados com equilíbrio e preservados em intenção da boa qualidade de vida das gerações vindouras" (RMS nº 18.301/MG, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 03/10/2005). III Inviável o afastamento da averbação preconizada pelos artigos 16 e 44 da Lei nº 4.771/65 (Código Florestal), sob pena de esvaziamento do conteúdo da Lei. A averbação da reserva legal, à margem da inscrição da matrícula da propriedade, é conseqüência imediata do preceito normativo e está colocada entre as medidas necessárias à proteção do meio ambiente, previstas tanto no Código Florestal como na Legislação extravagante. IV Recurso Especial provido. (grifouse) Na linha acima, não se pode deixar de fazer uma leitura combinada das Leis nºs 9.393/96 e 4.771/65, devendo ser reconhecido que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal transcende em muito o direito tributário, sendo uma medida de garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado, para as atuais e futuras gerações, conforme insculpido no art. 225 da Constituição Federal, sendo, inclusive, a defesa do meio ambiente um dos princípios da ordem econômica.. Ora se averbação da reserva legal chega a ser objeto de multa pecuniária administrativa específica, parece desarrazoado deferir o benefício tributário sem o cumprimento dessa medida, quando a própria Lei nº 9.393/96 defere a exclusão da área de reserva legal, prevista no Código Florestal, ou seja, pareceme que com as condicionantes da legislação ambiental. A interpretação acima está alicerçada no entendimento de que o ITR é um imposto de feição essencialmente extrafiscal, tendo pouco valor o aspecto fiscal, arrecadatório. Aqui, tratando da coexistência da fiscalidade e da extrafiscalidade nas normas tributárias, assevera Paulo de Barros Carvalho1: Há tributos que se prestam, admiravelmente, para a introdução de expedientes extrafiscais. Outros, no entanto, inclinamse mais ao setor da fiscalidade. Não existe, porém, entidade tributária que se possa dizer pura, no sentido de realizar tãosó a fiscalidade, ou, unicamente, a extrafiscalidade. Os dois objetivos convivem, harmônicos, na mesma figura impositiva, sendo apenas lícito verificar que, por vezes, um predomina sobre o outro. No dizer de José Marcos Domingues Oliveira2 (1999, p. 37) a “Tributação extrafiscal é aquela orientada para fins outros que não a captação de dinheiro para o Erário, 1 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário – Linguagem e Método. 2ª ed., São Paulo: Noeses, p. 241. 2 OLIVEIRA, José Marcos Domingues de. Direito Tributário e Meio Ambiente: proporcionalidade, tipicidade aberta, afetação de receita. 2ª ed. (rev. e amp.), Rio de Janeiro: Renovar, 1999, p. 37. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720058/200719 Acórdão n.º 2102001.804 S2C1T2 Fl. 516 23 tais como a redistribuição da renda e da terra, a defesa da indústria nacional, a orientação dos investimentos para setores produtivos ou mais adequados ao interesse público, a promoção do desenvolvimento regional ou setorial etc.”, sendo certo que é do conhecimento geral que o ITR é um imposto marcantemente extrafiscal, desde sua instituição, primeiramente tentando atingir os fins da reforma agrária e gravando de forma mais vertical os latifúndios improdutivos, como se viu com o Estatuto da Terra (Lei nº 4.504/64) e com as alterações perpetradas pela Lei nº 6.746/79 nesse Estatuto, e, posteriormente, notadamente com a Lei nº 9.393/96 (e suas alterações posteriores, como a Lei nº 11.428/2006), avultou a extrafiscalidade do ITR no tocante à preservação das áreas de interesse ambiental, já que tais áreas não compõem as áreas objeto da incidência do imposto, bem como a progressividade a depender do binômio área total do imóvel/grau de utilização. Apenas para se ter uma idéia da irrelevância do aspecto fiscal, arrecadatório, do ITR, no ano de 2009, as receitas administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil atingiram 682.983 bilhões de reais, e, desse montante, a arrecadação do ITR atingiu a mísera quantia de 480 milhões de reais, ou seja, 0,07% do total arrecadado3, isso no país que é o quinto maior em extensão do planeta, a indicar que, a despeito das enormes áreas rurais do Brasil, a questão arrecadatória é marginal, secundária. De outra banda, o aspecto extrafiscal do ITR é cristalino, e diversos pontos dessa extrafiscalidade podem ser anotados, a saber: • imunidade da pequena gleba familiar, a favorecer a fixação do homem no campo; • progressividade das alíquotas, como se vê no anexo da Lei nº 9.393/96, no qual uma propriedade com o mesmo grau de utilização do imóvel rural, pode variar a alíquota de 1% a 20%, a depender do porte da propriedade, tudo a agravar mais fortemente as propriedades de maior porte, favorecendo os minifúndios e propriedades de pequeno porte; • tributação mais favorecida dos imóveis rurais com maior grau de utilização das atividades do setor primário, a privilegiar um mais racional uso da terra; • exclusão da área de tributável das partes do imóvel que detém interesse ecológico (áreas de preservação permanente e de reserva legal; de interesse ecológico declaradas pelos órgãos ambientais; imprestáveis para a atividade primária e declaradas de interesse ecológico pelo órgão ambiental competente; de servidão florestal ou ambiental; e cobertas por florestas nativas), destacando a preservação do meio ambiente. Em um cenário dessa natureza, devese privilegiar toda a interpretação que potencialize os aspectos extrafiscais do ITR e, dentre esses, avulta a relevância das áreas de proteção ambiental, sendo que a averbação cartorária da área de reserva legal é um importante requisito para a conservação da área protegida, para as atuais e futuras gerações, devendo ser 3 Esses dados da arrecadação federal podem ser acessados no site da internet da Secretaria da Receita Federal do Brasil, no endereço: http://www.receita.fazenda.gov.br/Publico/arre/2009/Analisemensaldez09.pdf. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720058/200719 Acórdão n.º 2102001.804 S2C1T2 Fl. 517 24 rechaçada qualquer interpretação que enfraqueça o aspecto extrafiscal do ITR, como aquela que arrosta a necessidade da averbação cartorária da área de reserva legal, pelo simples fato de não haver um comando literal na Lei nº 9.393/96 para o mister. Ora, o art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, obrigação propter rem, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Insistese que afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. Entretanto, apesar de obrigatória a averbação cartorária da área de reserva legal, aqui não me filio àqueles que exigem obrigatoriamente a averbação em momento prévio ao fato gerador, de maneira peremptória, já que, nem a Lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação, como condicionante à isenção do ITR. Devese, porém, definir um termo final de quando poderia ser implementada a averbação cartorária da área de reserva legal, para fruição da exclusão da área tributável do ITR, pois não se pode deixar ao alvedrio do contribuinte implementar a averbação da área, sob pena de vulnerar a cogência da obrigação, pois o contribuinte poderia, simplesmente, aguardar o início do procedimento fiscal para fazêla, hipótese que jamais pode se concretizar, já que a quantidade de imóveis de um país continental como o Brasil é imensa, não sendo razoável imaginar que a autoridade tributária tenha condições de auditar todos os imóveis rurais do país. Dessa forma, enquanto o contribuinte estiver espontâneo em face da autoridade fiscalizadora tributária, na forma do art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72 (O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas), poderá averbar no CRI a área de reserva legal, podendo fruir das benesses tributárias. Porém, iniciado o procedimento fiscal para determinado exercício, a espontaneidade estará quebrada, e a área de reserva legal deverá sofrer o ônus do ITR, caso não tenha sido averbada antes do início do procedimento fiscal. O entendimento acima, no tocante à necessidade de averbação cartorária da área de reserva legal, já foi adotado pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, como se viu no Acórdão nº 920201.639, sessão de 25 de julho de 2011, redator do voto vencedor este Conselheiro relator, por maioria, que restou assim ementado (excerto): (...) ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. HIGIDEZ. O art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área Fl. 517DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720058/200719 Acórdão n.º 2102001.804 S2C1T2 Fl. 518 25 de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis CRI é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto fundamentalmente de feições extrafiscais. De outra banda, a exigência da averbação cartorária da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. Agora, passase a apreciar a necessidade do ADA para fruição do benefício tributário. Essa questão não oferece qualquer dúvida, já que o art. 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81 (A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória) é expresso quanto à exigência do ADA para fruição de benefício no âmbito do ITR, com vigência em relação aos exercícios posteriores a 2001, e não se compreende como o art. 10, § 7º, da Lei nº 9.393/96 (na redação dada pela MP nº 2.16667/2001), que versa sobre aspectos homologatórios da declaração das áreas de utilização limitada, poderia ter revogado tacitamente o art. 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, como aqui se discutiu anteriormente. Mais uma vez, entretanto, como a Lei nº 6.938/81 não fixou prazo para apresentação do ADA, parece descabida a exigência feita pelo fisco federal de apresentação do ADA contemporâneo à entrega da DITR, sendo certo apenas que o sujeito passivo deve apresentar o ADA, mesmo extemporâneo, desde que haja prova outras da existência das áreas de preservação permanente e utilização limitada. Explanada a posição deste relator sobre as controvérsias referentes ao ADA para as áreas de utilização limitada e de preservação permanente e sobre a averbação cartorária da área de reserva legal, passase a apreciar o caso concreto aqui em discussão. Nestes autos, não foi apresentado o ADA nem a averbação cartorária para a área de utilização limitada (reserva legal), sendo de rigor manter a área de 15.416,80 hectares sob incidência do ITR, negando provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Fl. 518DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720058/200719 Acórdão n.º 2102001.804 S2C1T2 Fl. 519 26 Fl. 519DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 25/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10715.000182/2010-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006
PRESTAÇÃO DE DADOS DE EMBARQUE DE FORMA INTEMPESTIVA.
A prestação de informação de dados de embarque, de forma intempestiva, por parte do transportador ou de seu agente é
infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do
Decreto-Lei 37/66, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP
135/2003, que foi posteriormente convertida na Lei 10.833/2003.
Numero da decisão: 3201-000.949
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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A prestação de informação de dados de embarque, de forma intempestiva, por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do DecretoLei 37/66, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP 135/2003, que foi posteriormente convertida na Lei 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. Mércia Helena Trajano DAmorim Relator. EDITADO EM: 01/04/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Judith do Amaral Marcondes Armando, Fl. 92DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Marcelo Ribeiro Nogueira, Adriana Oliveira Ribeiro e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Daniel Mariz Gudiño. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “O presente processo trata da exigência do valor de R$ 85.000,00 consubstanciada no auto de infração juntado às fls. 01 a 09, referente à multa regulamentar prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1994 e 2005, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, a autuada não registrou no prazo regulamentar os dados de embarque referentes aos transportes internacionais realizados em maio de 2005 iniciados nas dependências do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, concernentes às cargas amparadas nas declarações de exportação DDE listadas no demonstrativo “AUTO DE INFRAÇÃO nº 0717700/00016/10”, descumprindo, por conseguinte, com a obrigação acessória estatuída no artigo 37 da IN/SRF 28/94, alterado pelo artigo 1º da IN/SRF 510/05, uma vez que de acordo com o inciso II do artigo 39 da mencionada IN/SRF 28/94, considerase intempestivo o registro dos dados de embarque nos despachos de exportação efetuados pelo transportador em prazo superior a dois dias. Não se conformando com a exigência, na qual foi regularmente intimada (fls. 11/12), a autuada apresenta, às fls. 14 a 22, impugnação para aduzir que na autuação em tela “não houve subsunção do evento ocorrido (registro “intempestivo” dos dados de embarque) com a hipótese normativa prevista no art. 107, IV da Lei 10.833/03 (deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada). (...), como demanda o princípio da tipicidade cerrada, que deve nortear todas e qualquer imposição tributária”, não obstante confirmar que “registrou de forma tardia os dados de embarque das mercadorias relacionadas no bojo desde auto de infração, o que, obviamente, não se confunde com a falta de prestação de informações”, não podendo, nesse sentido, subsistir a presente ação fiscal. Noutra vertente, sustenta “que a própria instrução normativa nº 28/94 estabelece a aplicação de penalidade distinta daquela fixada pelo agente fazendário, nos casos de descumprimento do disposto no citado artigo 37”, conforme se observa do teor do artigo 44 da referenciada norma regulamentar; portanto, é inaplicável ao caso sob apreço a multa prevista no art. 107, IV, alínea “e”, da Lei 10.833/03. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.000182/201004 Acórdão n.º 3201000.949 S3C2T1 Fl. 2 3 Prosseguindo em suas argumentações, aduz ainda “ausência de simetria entre a infração cometida e a penalidade imposta”, em contraposição aos “princípios constitucionais que orientam o ordenamento jurídico como um todo, além daqueles destinados ao âmbito do direito tributário”, dentre eles, o da proporcionalidade e/ou razoabilidade, “o qual preceitua que o instrumento deve ser adequado ao fim pretendido, deve guardar referibilidade com falta cometida”; logo, a “exigência feita pelas autoridades aduaneiras para que os dados de embarque sejam registrados no exato momento da saída da aeronave para o exterior mostrase exacerbada, pois, em razão do exercício da atividade própria desenvolvida pela empresa autuada, é humanamente impossível realizar de imediato a inserção de todos os dados de embarque relacionados a cada um dos vôos internacionais operados pela Impugnante”, o que, por si só, revela o “excesso de punição, inconstitucionalmente vedado, por não ser razoável à infração cometida”, ainda mais “que (…), não causou qualquer prejuízo ao Fisco”. Por conseguinte, “a penalidade pecuniária prevista na Lei 10.833/03 deveria ser relevada de plano, nos termos do citado artigo 736, §1º do atual Regulamento Aduaneiro, ou, excepcionalmente, ser aplicada uma única vez e não sobre cada um dos vôos em que foi constatado o registro tardio de informações relacionadas a mercadorias destinadas ao exterior”. Pelo exposto, requer a insubsistência do auto de infração, a fim de que seja declarada integralmente cancelada a penalidade imposta, ou, subsidiariamente, determinese a retificação do lançamento para que referida multa seja aplicada somente sobre um único evento infracional. É o relatório.” O pleito foi deferido em parte, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/FNS no 0723.354, de 04/03/2011, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006 PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA. A lei tributária, em sentido amplo, que comina penalidade aplicase a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando for mais benéfica ao sujeito passivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006 ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. Não compete às autoridades administrativas proceder à análise da constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias que regem a matéria sob apreço, posto que essa atividade é de competência exclusiva do Poder Judiciário; logo resta incabível afastar sua aplicação, sob pena de responsabilidade funcional. PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 A partir da vigência da Medida Provisória 135/03, a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do DecretoLei 37/66, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP citada, que foi posteriormente convertida na Lei 10.833/03. RELEVAÇÃO DE PENALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA EXAME. A relevação de penalidade somente poderá ser exercida dentro dos limites e condições estabelecidos em lei, e pela autoridade para tanto competente. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006 DADOS DE EMBARQUE. INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A penalidade que comina a prestação intempestiva de informação referente aos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação é aplicada por viagem do veículo transportador. INFRAÇÃO CONTINUADA. EMBARQUES DIFERENTES. MERA REITERAÇÃO DA CONDUTA INFRACIONAL. É incabível falar em infração continuada quando os atos caracterizadores da infração não resultam do aproveitamento das condições objetivas que balizaram a prática das infrações anteriores. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” O julgamento foi no sentido de dar provimento parcial. Foram rejeitadas as preliminares e por julgar procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o lançamento no valor de R$ 65.000,00, tendo em vista a retroatividade benigna da lei tributária. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressalta, que registrou os dados de embarque, mesmo que de forma tardia, o que não pode ser confundido com a falta de prestação de referidas informações, bem como solicita a aplicação do princípio da razoabilidade. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o relatório. Voto Conselheiro Mércia Helena Trajano DAmorim O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de exigência de multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66, com a redação dada pelo Fl. 95DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.000182/201004 Acórdão n.º 3201000.949 S3C2T1 Fl. 3 5 artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1994 e 2005, respectivamente. Observese que a referência da IN 510/2005 foi quando da lavratura do Auto de Infração. Inicialmente, tratarei da preliminar suscitada de nulidade do lançamento por errônea tipificação, já que a recorrente entende que o dispositivo citado no auto de infração não guarda pertinência com o fato ocorrido. Pois, ressalta, que registrou os dados de embarque, mesmo que de forma tardia, o que não pode ser confundido com a falta de prestação de referidas informações. O Auto de Infração foi lavrado com fundamento no art. 37 da IN n° 28/1994, que estabelecia, à época, o prazo de dois dias para que o transportador procedesse ao registro no Siscomex os dados de embarque das mercadorias destinadas ao exterior. No caso concreto, a infração tipificou a conduta da recorrente na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do DecretoLei 37/1966, com redação dada pela Lei 10.833/2003, haja vista o descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 1º da IN/SRF 510/2005 (à época do auto de infração), que dispõem: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. (grifei) (...) Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Redação dada pela IN 510, de 2005) (grifei) (...) Entendo que houve aplicação direta e objetiva da norma. Logo, consumada a infração resta aplicável a penalidade prevista em lei pelo descumprimento de obrigação acessória, que no caso é a prestação intempestiva da informação sobre carga transportada, ou seja, a obrigação acessória implicou não só o cumprimento do ato de registrar corretamente os dados de embarques das mercadorias exportadas, como também, o dever de fazêlo no prazo previamente determinado, independentemente de qualquer procedimento fiscal. Em sendo assim, a recorrente não prestou as informações sobre as cargas transportadas no prazo estabelecido na legislação, justificada está a aplicação da multa em comento, por descumprimento de obrigação acessória, não havendo falar em embaraço à fiscalização e, por conseguinte, em fundamentação legal equivocada da multa para gerar a nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Pois, em matéria de processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade caso não se encontrem presentes as circunstâncias previstas pelo art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; IIOs despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Pelo transcrito, observase que, no caso de auto de infração – que pertence à categoria dos atos ou termos –, só há nulidade se esse for lavrado por pessoa incompetente, uma vez que por preterição de direito de defesa apenas despachos e decisões a ensejariam. Por outro lado, caso houvesse irregularidades, incorreções ou omissões diferentes das previstas no art. 59, essas não importariam em nulidade e poderiam ser sanadas, se tivessem dado causa a prejuízo para o sujeito passivo, como determina o art. 60 do mesmo decreto: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Por todo o exposto, são improcedentes os argumentos da recorrente, não se encontrando presente pressuposto algum de nulidade, não havendo, da mesma forma, irregularidade alguma a ser sanada, logo, não vejo como acolher essa preliminar. Concluindo, afasto alegação de nulidade levantada pela recorrente. Passando ao mérito, mas antes de adentrálo, quanto aos argumentos relacionados à legalidade ou constitucionalidade a qualquer ato legal, o CARF, assim se posicionou através do enunciado nº 2 de sua Súmula consolidada, publicada no DOU de nº 244, de 22.12.2009: SÚMULA CARF Nº 2 O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim como, quanto às alegações de que a penalidade aplicada viola aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, fazse necessário assinalar que os julgadores das instâncias administrativas não têm competência para apreciar argumentos dessa natureza. Saliento para ficar bem claro, que a decisão de primeira instância, tendo em vista o retroatividade benigna, por conta da entrada em vigor da IN RFB n° 1.096, de 13/12/2010 passando a ser de sete dias, para prestação de informações sobre as cargas pelo transportador. Logo, julgou procedente em parte e manteve o lançamento do crédito tributário no valor de R$ 65.000,00. Passo a todo histórico da legislação, do caso em concreto. O fato é que houve registro no Siscomex das cargas acobertadas pelas declarações de exportação listadas no auto de infração em prazo superior a dois dias, razão pela Fl. 97DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.000182/201004 Acórdão n.º 3201000.949 S3C2T1 Fl. 4 7 qual o auto de infração tipificou a conduta da autuada no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do DecretoLei 37/1966, com redação dada pela Lei 10.833/2003, haja vista o descumprindo da obrigação acessória prevista no artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 1º da IN/SRF 510/2005. A obrigação de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, no Siscomex, independe da participação efetiva do fisco aduaneiro para que o responsável pelo seu cumprimento a satisfaça no prazo de dois dias, contado da data do embarque, conforme estipulado no caput do artigo 37 da IN/SRF 28/04. Os sujeitos passivos de tais obrigações são previamente habilitados pela Receita Federal do Brasil para acessarem, de forma ininterrupta, o Siscomex, dentre outros sistemas informatizados, razão pela qual, da mesma forma, os prazos concernentes à prestação de informação no referido sistema também devem ser contados ininterruptamente. A sistemática operacional consiste em o transportador registrar os dados de embarque imediatamente depois de realizado o embarque da mercadoria para o exterior, com base nos documentos por ele emitidos (observar os prazo da norma). E, posteriormente ocorrerá a averbação que é o ato final do despacho de exportação que consiste na confirmação, pela fiscalização aduaneira, do embarque da mercadoria. A averbação, por fim, será feita, no Sistema, após a confirmação do efetivo embarque da mercadoria e do registro dos dados pertinentes pelo transportador. Por isso, a importância, dentro do prazo, do informe dos dados de embarque pelo transportador, com a documentação. Registrados os dados de embarque, se os dados informados pelo transportador coincidirem com os registrados no desembaraço da DDE ou DSE, haverá averbação automática do embarque pelo Sistema. Caso contrário, a Alfândega irá analisar a documentação apresentada, confrontandoa com os dados relativos ao desembaraço e ao embarque, efetuandose a chamada averbação manual, com ou sem divergência. Pois bem, as IN SRF 28/1994, da IN SRF 510/2005 ou da IN RFB 1.096/2010 dispõem: IN/SRF 28, de 27.04.1994, redação original Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (g.n.) Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. (...) Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3º do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o Fl. 98DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decreto lei nº 37/66 com a redação do art. 5º do Decretolei nº 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis. IN/SRF 28/1994, com redação da IN/SRF 510, de 14.02.2005 (vigente à época dos fatos geradores e da lavratura do auto de infração) Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Redação dada pela IN no 510, de 2005) (g.n.) (...) § 2º Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo. (...) IN/SRF 28/1994, com redação da IN/RFB 1.096, de 13.12.2010 (vigente a partir de sua publicação, ocorrida no DOU de 14.12.2010) Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) (g.n.) § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, ferroviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de despacho. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) § 2º Na hipótese de o registro da declaração para despacho aduaneiro de exportação ser efetuado depois do embarque da mercadoria ou de sua saída do território nacional, nos termos do art. 52, o prazo a que se refere o caput será contado da data do registro da declaração. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010) (...) A multa de que tratava o artigo 107 do DecretoLei 37/1966, antes da nova redação dada pela Lei 10.833/2003, assim dispunha. Art.107 Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pelo Decretolei nº 751, de 08/08/1969) I de NCr$ 500,00 (quinhentos cruzeiros novos), a quem, por qualquer meio ou forma, desacatar agente do fisco ou Fl. 99DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.000182/201004 Acórdão n.º 3201000.949 S3C2T1 Fl. 5 9 embaraçar, dificultar ou impedir sua ação fiscalizadora; (Redação dada pelo Decretolei nº 751, de 08/08/1969) (...) O art. 37 da IN/SRF 28/1994, estabelecia originalmente o prazo para o registro dos dados de embarque da mercadoria pelo transportador no Siscomex, como sendo “imediatamente após realizado o embarque da mercadoria (...)”. O alcance do vocábulo “imediatamente” foi esclarecido pela Notícia Siscomex 105, de 27.07.1994: Por oportuno, esclarecemos que o termo imediatamente, contido no art. 37 da IN 28/94, deve ser interpretado como “em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes no Siscomex, com base nos documentos por ele emitidos”. Salientamos o disposto no art. 44 da referida IN, ou seja, a revisão legal para autuação do transportador no caso de descumprimento do previsto no artigo acima referenciado. A IN/SRF 510/2005, vigente à época da lavratura do auto de infração, ao dar nova redação ao citado artigo, definiu como prazos para registro dos dados do embarque da mercadoria no Siscomex, dois dias para o transporte aéreo e sete dias para o transporte marítimo. Igualmente, a IN/RFB 1.096/2010, que passou a viger a partir de 14.12.2010, definiu sete dias como sendo o prazo para registro dos dados do embarque da mercadoria no Siscomex, independentemente da modalidade de transporte efetuada. É de observar também que o artigo 37 é norma complementar que modificou uma obrigação acessória. Logo, o aumento do prazo para o transportador registrar no Siscomex os dados do embarque da mercadoria, primeiramente excluiu de sanções os registros feitos depois de vinte e quatro horas e antes de dois dias, na hipótese de embarque aéreo, bem como os registros feitos depois de vinte e quatro horas e antes de sete dias, na hipótese de embarque marítimo, posteriormente estendeu a exclusão de sanções para quaisquer registros feitos depois de vinte e quatro horas e antes de sete dias, uma vez que não mais especificou o prazo em função da modalidade de embarque utilizada pelo transportador internacional. Por fim, a recorrente solicita relevação de penalidade. A relevação da pena está prevista no art. 4º do Decretolei nº 1.042/69, e encontrase regulamentada no art. 736 do Decreto nº 6.759/09 Regulamento Aduaneiro. “São passíveis de relevação as penalidades pecuniárias relativas a infrações de que não tenha resultado falta ou insuficiência no recolhimento de tributos federais, atendendo a erro ou ignorância escusável do infrator, quanto à matéria de fato, ou a eqüidade em relação às características pessoais ou materiais do caso, inclusive ausência de intuito doloso”, sendo a competência, atualmente, do Secretário da Receita Federal, por delegação do Ministro da Fazenda (item I, alínea “f”, da Portaria MF 214, de 28.03.1979). Como o caso referese a descumprimento de prazo, bem como não se enquadra em nenhum requisito acima e mais, não está contida na competência do CARF decidir sobre essa matéria. Logo, é de se manter a exigência. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 Feitas essas considerações, é de se ver que para os embarques no Voo BLC/8012, ocorridos em 01.03.2006 e 18.03.2006, o novo prazo de sete dias, nos moldes da IN/SRF 1.096/10, para a prestação das informações sobre as respectivas cargas iniciou em 02.03.2006 e 19.03.2006 e venceu em 08.03.2006 e 25.03.2006. Portanto, são intempestivos os registros (averbações) efetuados pela recorrente apenas em 29.03.2006 e 01.06.2006. Com relação aos embarques no Voo BLC/8000, ocorridos em 02.03.2006, 15.03.2006 e 22.03.2006, o novo prazo de sete dias para a prestação das informações sobre as respectivas cargas iniciou em 03.03.2006, 16.03.2006 e 23.03.2006 e venceu em 09.03.2006, 22.03.2006 e 29.03.2006. Portanto, são intempestivos os registros efetuados pela recorrente em 09.05.2006, 17.04.2006 e 24.05.2006. Com relação aos embarques no Voo BLC/8090, ocorridos em 04.03.2006, 28.03.2006 e 31.03.2006, o novo prazo de sete dias para a prestação das informações sobre as respectivas cargas iniciou em 05.03.2006, 29.03.2006 e 01.04.2006 e venceu em 11.03.2006, 04.04.2006 e 07.04.2006. Portanto, são tempestivos os todos registros efetuados pela recorrente em relação aos respectivos embarques. Com relação aos embarques no Voo BLC/8096, ocorridos em 05.03.2006, 11.03.2006, 19.03.2006, 25.03.2006 e 26.03.2006, o novo prazo de sete dias para a prestação das informações sobre as respectivas cargas iniciou em 06.03.2006, 12.03.2006, 20.03.2006, 26.03.2006 e 27.03.2006 e venceu em 12.03.2006, 18.03.2006, 26.03.2006, 01.04.2006 e 02.04.2006. Portanto, são intempestivos os registros efetuados pela recorrente em 23.03.2006, 10.04.2006, 07.04.2006 e 04.04.2006. Com relação aos embarques no Voo BLC/8006, ocorridos em 14.03.2006 e 29.03.2006, o novo prazo de sete dias para a prestação das informações sobre as respectivas cargas iniciou em 15.03.2006 e 30.03.2006 e venceu em 21.03.2006 e 05.04.2006. Portanto, são intempestivos os registros efetuados pela recorrente em 25.04.2006 e 26.07.2006. Por fim, aos embarques no Voo BLC/8026, ocorridos em 20.03.2006 e 29.03.2006, o novo prazo de sete dias para a prestação das informações sobre as respectivas cargas iniciou em 21.03.2006 e 30.03.2006 e venceu em 27.03.2006 e 05.04.2006. Portanto, são intempestivos os registros efetuados pela recorrente em 11.08.2006 e 24.04.2006. Foi mantido o crédito tributário lançado no valor de R$ 65.000,00. À vista do exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Mércia Helena Trajano DAmorim Relator Fl. 101DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10715.000182/201004 Acórdão n.º 3201000.949 S3C2T1 Fl. 6 11 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 18/04/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000444/2007-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins
Anos-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
ALEGAÇÕES APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO.
Consideram-se precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. IMPOSSIBILIDADE
São incabíveis alegações genéricas.
Os argumentos aduzidos deverão ser acompanhados de demonstrativos e provas suficientes que os confirmem, de modo a elidir o lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-000.816
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária do terceira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em não se conhecer do recurso em relação às matérias trazidas somente na fase recursal e quanto as demais matérias negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: MAURICIO TAVEIRA E SILVA
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ementa_s : Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anos-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 ALEGAÇÕES APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideram-se precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. IMPOSSIBILIDADE São incabíveis alegações genéricas. Os argumentos aduzidos deverão ser acompanhados de demonstrativos e provas suficientes que os confirmem, de modo a elidir o lançamento. Recurso Voluntário Negado.
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PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. IMPOSSIBILIDADE São incabíveis alegações genéricas. Os argumentos aduzidos deverão ser acompanhados de demonstrativos e provas suficientes que os confirmem, de modo a elidir o lançamento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária do terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em não se conhecer do recurso em relação às matérias trazidas somente na fase recursal e quanto as demais matérias negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Fl. 1060DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 14041.000444/200758 Acórdão n.º 3301000.816 S3C3T1 Fl. 709 2 MAURICIO TAVEIRA E SILVA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martínez López. Ausente justificadamente o Conselheiro Rodrigo Pereira de Mello Relatório UNIMED BRASÍLIA COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO, devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado através do recurso de fls. 589/641 contra o Acórdão nº 0329.608, de 27/02/2009, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília DF, fls. 544/551, que julgou procedente em parte o auto de infração de Cofins de fls. 404/410, relativo à diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago, referente a períodos de apuração compreendidos entre janeiro/2001 e dezembro/2006, cuja ciência ocorreu em 13/07/2007 (fl. 424), conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: Em 11/07/2007, foi lavrado contra a interessada o Auto de Infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, atinentes aos anoscalendário de 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006, cujo crédito tributário lançado de ofício perfaz o montante de R$365.276,70, assim discriminados por exação fiscal: [...] Em síntese, ação fiscal, iniciada em 15/03/2006, constatou divergências entre os valores escriturados e os declarados nas bases na Receita Federal. Tendo a Fiscalização apresentado à contribuinte os débitos apurados, em 09/05/2007, a fiscalizada discordou em parte dos valores apresentados, tendo encaminhado DCTF retificadoras em 24/05/2007. A Descrição dos Fatos do Auto de Infração informa que os valores da COFINS nas DCTF retificadoras não foram modificados em relação às DCTF originais de 2002 a 2004. As DCTF do ano de 2005 (exceto jan/05) foram entregues apenas em 29/03/2006, e as retificadoras em 24/05/2007, ou seja, ambas as datas posteriores ao início da ação fiscal (15/03/2006). Por sua vez, as DCTF do ano de 2006 também foram apresentadas com atraso, em janeiro de 2007, e retificadas em 23/04/2007 e 24/05/2007. Dessa maneira, restou caracterizada a perda da espontaneidade, conforme disposto no § 1º, do art. 7º, do PAF. Esclareceu ainda a Fiscalização que não considerou os pagamentos efetuados pela contribuinte nos anos de 2005 (exceto jan/05) e 2006, uma vez que a entrega das DCTF foi intempestiva e sob ação fiscal. Fl. 1061DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 14041.000444/200758 Acórdão n.º 3301000.816 S3C3T1 Fl. 710 3 Para a apuração do crédito tributário, a autoridade fiscal levou em consideração os valores declarados nas DCTF retificadoras. Cientificada do lançamento, em 13/07/2007 (“AR” às fls. 424), a interessada apresentou a impugnação de fls. 428/433 e correspondentes anexos, em 14/08/2007 (carimbo de recepção às fls. 428). Apoiada nos documentos já acostados aos autos, dispõe sobre o seguinte, em síntese: • com o propósito de solver suas pendências administrativas e fiscais, logrou junto à Receita Federal a sucessão de crédito tributário de terceiros para promover a compensação dos seus tributos devidos, processo este iniciado com o adequado pedido de compensação, e para dar efetividade a tal procedimento, fez se necessário, concomitantemente, apurar seus débitos tributários, sem o que não se pode concluir a sua liquidação por meio da compensação, e seguindo as rotinas, a impugnante submeteuse à fiscalização, tendo apresentado todos os documentos solicitados; • contudo surpreendeuse com o valor do crédito tributário apurado de R$365.276,70; • conferindo o demonstrativo de apuração, constatou que a Fiscalização houve por bem excluir os valores recolhidos nos exercícios de 2005 (exceto janeiro) e 2006, e, no entanto, houve recolhimentos de COFINS nesse período, conforme planilha demonstrativa; • do quadro extraise, inclusive, que em alguns meses houve pagamento a maior, valores estes que também devem ser corrigidos em favor da recorrente, excluindose a multa aplicada pelo auditor; • a razão para a glosa dos pagamentos é inaceitável, vez que não há correlação lógica entre entrega intempestiva da DCTF e desconsideração dos tributos recolhidos tempestivamente, o recolhimento do tributo devido traduzse em obrigação principal, decorrente da lei, e a apresentação da DCTF é obrigação acessória, assim, o tributo recolhido não pode ser considerado não pago sob a alegação de que a DCTF não fora entregue ou apresentada fora do prazo, porque as penalidades para descumprimento de obrigação acessória não podem alcançar o próprio tributo; • ante o exposto, requer que sejam considerados todos os valores efetivamente recolhidos. A DRJ julgou procedente em parte o lançamento tendo reconhecido, de ofício, a decadência em relação aos fatos geradores compreendidos entre 31/01/2001 e 31/05/2002, com fulcro no art. 150, § 4º do CTN. Considerou, ainda, extinto, por pagamento, o crédito tributário lançado, sendo total ou parcialmente, consoante a suficiência ou não dos DARF apresentados. O acórdão restou assim ementado: Fl. 1062DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 14041.000444/200758 Acórdão n.º 3301000.816 S3C3T1 Fl. 711 4 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. É de cinco anos o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais, consoante Súmula Vinculante nº 8, que declarou inconstitucional o art. 45 da Lei 8.212/91. PAGAMENTOS ESPONTÂNEOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Considerando a entrega intempestiva das DCTF, cabe o lançamento de ofício para constituir o crédito tributário, o qual deve ser extinto com a alocação do pagamento espontaneamente efetuado. MULTA DE OFÍCIO. Comprovado que os débitos exigidos de ofício foram adimplidos espontaneamente, afastase a incidência da multa de ofício, cabendo a aplicação desta penalidade apenas quando houver valor remanescente, resultado da diferença entre o crédito constituído pelo lançamento da autoridade fiscal e o pagamento efetuado pela contribuinte. Lançamento Procedente em Parte Tempestivamente, em 23/04/2009, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 589/641, no qual repisa seu argumento de defesa anteriormente apresentado e, ainda, aduz novos argumentos sintetizados em seu pedido nos seguintes termos (fls. 640/641): IV — DO PEDIDO Diante do exposto, requer a Recorrente a reforma do acórdão proferido, declarandose: (i) — o reconhecimento e alocação dos pagamentos realizados pela Recorrente nas competências autuadas, tendo em vista a extinção da exigibilidade pelo pagamento, conforme determina o artigo 156, I do Código Tributário Nacional; (ii)— a nulidade e improcedência do auto de infração, invocandose a regra legal de não incidência tributária que respalda os atos cooperativos das sociedades cooperativas (artigos 79, 87 e 111 da Lei n.° 5.764/71), e na extensão em que postulado na presente defesa; (iii) — a nulidade e improcedência do auto de infração, e independentemente do acima postulado, ante a definição jurídicoeconômica de operadora de planos de saúde da Recorrente, reconhecendose a possibilidade de se proceder a Fl. 1063DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 14041.000444/200758 Acórdão n.º 3301000.816 S3C3T1 Fl. 712 5 necessários ajustes na base de cálculo da COFINS, de forma a se colher somente o que se configurar efetiva receita (comissão/taxa de administração), destacandose a previsão contida no § 9° do artigo 3° da Lei n.° 9.178/98, com redação dada pelo artigo 2° da MP n.° 2.15835/2001; (iv) — a nulidade e improcedência do auto de infração, excluindose a exigência do COFINS sobre ingressos estranhos ao conceito de faturamento, inclusive receitas financeiras; Por fim, pleiteia pela conversão em diligência para, na busca da verdade material, seja demonstrada a existência do crédito a que tem direito a Recorrente. É o Relatório. Voto Conselheiro Relator MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. Inicialmente, cabe ressaltar que a interessada apresentou sua impugnação composta de 6 laudas (fls. 428/433) centrada na desconsideração dos valores pagos cujos DARF haviam sido indevidamente glosados pela fiscalização. Já em seu recurso de 53 folhas (fls. 589/641), a contribuinte repisa este argumento e apresenta outros não trazidos oportunamente à instância a quo. Conforme os art. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pelas Leis nºs 8.748/93 e 9.532/97 as alegações e provas devem ser apresentadas em primeira instância, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Portanto, não cabe a este colegiado apreciação de matéria trazida aos autos em sede de recurso voluntário, sob pena de ferir as regras do Processo Administrativo Fiscal. Assim, passo a analisar somente matéria objeto de apreciação na impugnação. A interessada pleiteia, genericamente, o reconhecimento e alocação dos pagamentos realizados nas competências autuadas, tendo em vista a extinção da exigibilidade pelo pagamento, (art. 156, I do CTN), nos seguintes termos (fl. 590/591): II.1 — DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO PAGAMENTO Conforme dito anteriormente, os valores apurados e apontados como devidos pela fiscalização referemse a parcelas de Fl. 1064DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 14041.000444/200758 Acórdão n.º 3301000.816 S3C3T1 Fl. 713 6 COFINS (código de receita 2960), no período de janeiro/2001 a dezembro/2006. Ocorre que, da análise dos DARF's acostados aos autos, constatase ter a Recorrente quitado os referidos débitos, o que foi desconsiderado pela União Federal ao alocar somente parte dos pagamentos realizados espontaneamente pela cooperativa. Assim que, face ao devido adimplemento dos créditos tributários, resta patente a ausência de exigibilidade, face à extinção dos créditos, por força do que determina o artigo 156 do Código Tributário Nacional, Confirase: "Art. 156 Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; (...)" Desta forma, reconhecida a extinção de parte dos créditos tributários exigidos, devendo os pagamentos serem alocados e expurgados da autuação em questão. Contudo, essa questão foi devidamente apreciada pela primeira instância, que deu provimento para que fossem considerados os pagamentos efetuados, em relação aos períodos não alcançados pela decadência, decidindo que a unidade preparadora alocasse os pagamentos e afastasse as multas de ofício, em relação aos recolhimentos em valores suficientes para extinguir integralmente o valor principal do imposto, conforme Quadro 01 (fl. 549). Já para os períodos de apuração relacionados no quadro 02 (fls. 549/550), a multa de ofício deve subsistir em relação ao valor remanescente, vez que o recolhimento foi suficiente apenas para extinguir parcialmente o valor principal do imposto. Quanto a eventuais valores pagos a maior, a instância a quo se manifestou no sentido de que cabe ao administrado se valer de eventuais indébitos, mediante a utilização do instrumento próprio criado para essa finalidade, qual seja, o PER/DCOMP. Portanto, o pleito da interessada já fora devidamente analisado e provido em relação à alocação de pagamentos efetuados por meio de DARF. Ademais, há que se registrar que a contribuinte apenas apresenta seu argumento, sem, contudo, explicitar com precisão, em quais períodos tais valores teriam sido desconsiderados, bem assim, trazer aos autos planilhas e documentos de modo a respaldar suas alegações. De se ressaltar que não há autorização na norma para que o autuado faça alegações imprecisas e genéricas. Isto posto, voto no sentido de não conhecer do recurso em relação às matérias trazidas aos autos somente na fase recursal e quanto ao resto, nego provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Relator MAURICIO TAVEIRA E SILVA Fl. 1065DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 14041.000444/200758 Acórdão n.º 3301000.816 S3C3T1 Fl. 714 7 Fl. 1066DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10240.000872/2003-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1999
ÁREA DE DECLARADO INTERESSE ECOLÓGICO. ZONEAMENTO SÓCIO ECONÔMICOECOLÓGICO DE RONDÔNIA.
A Lei Complementar Estadual nº 52, de 1991, que instituiu o zoneamento sócio econômicoecológico de Rondônia, não declarou áreas de interesse ecológico, nos termos em que estabelecido no art. 10, § 1º, inciso II, alínea b da Lei nº 9.393, de 1996.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.851
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR
provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Atilio Pitarelli que dava provimento.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ZONEAMENTO SÓCIOECONÔMICOECOLÓGICO DE RONDÔNIA. A Lei Complementar Estadual nº 52, de 1991, que instituiu o zoneamento sócioeconômicoecológico de Rondônia, não declarou áreas de interesse ecológico, nos termos em que estabelecido no art. 10, § 1º, inciso II, alínea b da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Atilio Pitarelli que dava provimento. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 26/03/2012 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/03/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10240.000872/200350 Acórdão n.º 210201.851 S2C1T2 Fl. 2 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra ALDO ALBERTO CASTANHEIRA SILVA foi lavrado Auto de Infração, fls. 02/06, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), relativo ao imóvel denominado Fazenda Escalerita, com área total de 29.973,4 ha (NIRF 5.368.8422), exercício 1999, no valor de R$ 988.037,73, incluindo multa de ofício e juros de mora, calculados até 31/07/2003. A infração imputada ao contribuinte foi falta de recolhimento do imposto, apurado em razão da glosa total da área de preservação permanente (29.973,4 ha), em razão da falta de apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) e de qualquer outro documento que a legislação prevê como suficiente para respaldar a exclusão daquela área da tributação do ITR. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 55/61, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/REC nº 16.001, de 14/08/2006, fls. 78/89. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 04/09/2006, Aviso de Recebimento (AR), fls. 93, o contribuinte apresentou, em 04/10/2006, recurso voluntário, fls. 94/101, trazendo as seguintes alegações: As áreas rurais de sua propriedade foram declaradas de interesse ambiental pela Lei do Zoneamento Ecológico de Rondônia, de sorte que é dispensável a apresentação de ADA e do Termo de Compromisso de Manutenção de Floresta Manejada. Ademais, o contribuinte enfrenta invasões profissionais dos chamados sem terra desde 1997, conforme se vê do incluso informativo do Poder Judiciário de Rondônia onde se constata que se obrigou a ingressar em juízo com Ação de Interdito Possessório em 1997. Em sessão plenária de 10/07/2008, a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes converteu o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 3011.999, fls. 115/117, para que a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de Rondônia fosse oficiada, a fim de prestar os seguintes esclarecimentos: a) Se a área objeto deste processo efetivamente está inserida em área de zoneamento sócioeconômicoecológico de Rondônia, nos termos da Lei Complementar Estadual 52/1991. b) Indicar qual a dimensão da área que eventualmente está inserida neste zoneamento. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/03/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10240.000872/200350 Acórdão n.º 210201.851 S2C1T2 Fl. 3 3 c) Indicar qual a classificação da área no zoneamento, indicando se a classificação referese a área de preservação permanente, de reserva legal, de utilização limitada, e neste caso, se é de interesse ecológico, nos termos da Lei Federal 9.393/96, em especial, na classificação do artigo 100. d) Se houver possibilidade de exploração se há plano de manejo ou equivalente pelo contribuinte no ano indicado, isto é, 1.999. e) Trazer demais informações que julgar necessárias. A autoridade fiscal, atendendo à diligência solicitada, juntou aos autos documentos, fls. 121/161. É o Relatório. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/03/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10240.000872/200350 Acórdão n.º 210201.851 S2C1T2 Fl. 4 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. No Auto de Infração, relativo ao ITR do imóvel denominado Fazenda Escalerita, exercício 1999, foi glosada a área total de preservação permanente de 29.973,4 ha, que coincide com a área total do imóvel. No recurso, o contribuinte afirma que seu imóvel está inserido na área de zoneamento sócioeconômicoecológico de Rondônia, definida na Lei Complementar Estadual nº 52, de 20 de dezembro de 1991 e que, em assim sendo, a totalidade do imóvel é área de declarado interesse ecológico. De pronto, vale dizer que considerando a definição de área de preservação permanente, nos moldes em que definido nos arts. 2º e 3º da Lei nº 4.771, de 1965, é bastante improvável que a totalidade do imóvel em questão, que tem área de 29.973,4 ha, seja área de preservação permanente. É fato também que para o exercício 1999 a não apresentação do ADA não era condição necessária para fins de exclusão das áreas de preservação permanente, quando do cálculo do ITR devido, conforme se pode concluir da Súmula CARF nº 41, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009, que a seguir se transcreve: Súmula CARF nº 41 A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Entretanto, devese ter em mente que a glosa não se deu apenas por falta de apresentação do ADA, mas também por falta de comprovação da existência da referida área. Aliás, o próprio contribuinte afirma que na verdade cuidase de área de declarado interesse ecológico. Nesse aspecto, importa dizer que a Lei Complementar Estadual nº 52, de 1991, que instituiu o zoneamento sócioeconômicoecológico de Rondônia, não declarou áreas de interesse ecológico, nos termos em que estabelecido no art. 10, § 1º, inciso II, alínea b da Lei nº 9.393, de 1996. Na verdade, foram definidas seis zonas sócioeconômicoecológicas, sendo certo que somente para a zona 6 restou definido que ficaria terminantemente proibido o desmatamento indiscriminado. Ora, desmatamento indiscriminado não significa a proibição de desmatar. Da leitura da descrição das referidas áreas verificase que há nas seis zonas indicação de restrição de uso, entretanto, não foi vedado o uso do solo, permitindose a exploração Fl. 181DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/03/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10240.000872/200350 Acórdão n.º 210201.851 S2C1T2 Fl. 5 5 agrícola, pecuária, extrativista e o desmatamento dentro de certos limites. Ressaltese que o fato de existir restrição de uso, por si só, não caracteriza área de declarado interesse ecológico. Frisese que em nenhum momento a Lei Complementar Estadual nº 52, de 1991, mencionou que os imóveis inseridos na área do zoneamento sócioeconômicoecológico de Rondônia seriam áreas de declarado interesse ecológico. Observese que a Lei Complementar Estadual nº 52, de 1991, dividiu o território do estado de Rondônia em seis zonas, de sorte que, há prevalecer a alegação da defesa, significaria dizer que todos os imóveis rurais inseridos no estado de Rondônia seriam em sua totalidade áreas de interesse ecológico, o que não é verdade. Veja que o art. 6º, § único, da Lei Complementar Estadual nº 52, de 1991, abaixo transcrito, afirma que as áreas das unidades de preservação e conservação serão delimitadas e demarcadas topograficamente, com indicação clara de que as áreas contidas no zoneamento sócioeconômicoecológico de Rondônia não são em sua totalidade áreas de interesse ecológico: Art. 6º De acordo com o disposto no artigo 18 das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Estadual, o Poder Executivo implantará, implementará e gerenciará as unidades de preservação e conservação, de âmbito Estadual, cujas áreas estão preconizadas na primeira aproximação do Zoneamento SócioEconômicoEcológico de Rondônia, definidas no mapa citado no § 1º do art. 1º desta Lei Complementar. Parágrafo único – As áreas das unidades de preservação e conservação de que trata este artigo serão delimitadas e demarcadas topograficamente, observando o disposto nesta Lei Complementar, bem como os procedimentos e normas técnicas e legais vigentes, quanto aos serviços topográficos. Nessa conformidade, embora tenha restado comprovado nos autos, quando da diligência proposta pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que a Fazenda Escalerita está localizado nas zonas 2, 3 e 4, conforme Parecer nº 2.342/2009, emitido pela Coordenadoria de Geociência da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (SEDAM) do Governo do Estado de Rondônia, fls. 156/158, não pode prosperar a pretensão do recorrente de que a totalidade do imóvel seja considerada área de interesse ecológico. Já no que concerne a alegação do recorrente de que a Fazenda Escalerita tenha sido invadida por semterra carece de comprovação, dado que o contribuinte não juntou nos autos nenhum documento que comprovasse sua afirmação. Por fim, vale dizer que o recurso relativo ao mesmo imóvel, exercício 2001, (processo 10240.000667/200556) foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da Segunda Câmara desta Seção de Julgamento e por unanimidade de votos negouse provimento ao recurso. (acórdão nº2201001208, de 28/07/2011, relator Pedro Paulo Pereira Barbosa). Fl. 182DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/03/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10240.000872/200350 Acórdão n.º 210201.851 S2C1T2 Fl. 6 6 Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 183DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/03/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10283.003821/2004-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Ano-calendário: 1995 e 1996
ÁREA DE DECLARADO INTERESSE ECOLÓGICO. ZONEAMENTO
SÓCIO-ECONÔMICO-ECOLÓGICO DE RONDÔNIA.
A Lei Complementar Estadual nº 52, de 1991, que instituiu o zoneamento sócio-econômico-ecológico de Rondônia, não declarou áreas de interesse ecológico, nos termos em que estabelecido no art. 10, par. 1º, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.393, de 1996.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). REVISÃO DO VALOR MÍNIMO. REQUISITOS.
O valor do terra nua (VTN) mínimo por hectare, fixado pelo fisco para os exercícios 1995 e 1996, poderá ser revisto, desde que seja apresentado Laudo Técnico de avaliação, emitido por entidade de reconhecida capacidade técnica ou por profissional devidamente habilitado, que se reporte à época do fato gerador e demonstre, de forma inequívoca, a legitimidade da alteração
pretendida, inclusive com a indicação das fontes pesquisadas (Súmula CARF nº 23, em vigor desde 22/12/2009).
ALÍQUOTA DO ITR. DUPLICAÇÃO.
O percentual da alíquota para a apuração do valor do ITR deve ser duplicado no segundo ano consecutivo e seguintes em que o percentual de utilização efetiva da área aproveitável for igual ou inferior a trinta por cento.
Numero da decisão: 2102-001.782
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR
provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Atilio Pitarelli (relator), que dava provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura. Fez sustentação
oral o patrono do contribuinte, Dr. Toshio Nishioka, CI 5.277.0436,
SSP-SP.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
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ZONEAMENTO SÓCIOECONÔMICOECOLÓGICO DE RONDÔNIA. A Lei Complementar Estadual n.o 52, de 1991, que instituiu o zoneamento sócioeconômicoecológico de Rondônia, não declarou áreas de interesse ecológico, nos termos em que estabelecido no art. 10, par. 1.o, inciso II, alínea “b” da Lei n.o 9.393, de 1996. VALOR DA TERRA NUA (VTN). REVISÃO DO VALOR MÍNIMO. REQUISITOS. O valor do terra nua (VTN) mínimo por hectare, fixado pelo fisco para os exercícios 1995 e 1996, poderá ser revisto, desde que seja apresentado Laudo Técnico de avaliação, emitido por entidade de reconhecida capacidade técnica ou por profissional devidamente habilitado, que se reporte à época do fato gerador e demonstre, de forma inequívoca, a legitimidade da alteração pretendida, inclusive com a indicação das fontes pesquisadas (Súmula CARF nº 23, em vigor desde 22/12/2009). ALÍQUOTA DO ITR. DUPLICAÇÃO. O percentual da alíquota para a apuração do valor do ITR deve ser duplicado no segundo ano consecutivo e seguintes em que o percentual de utilização efetiva da área aproveitável for igual ou inferior a trinta por cento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Atilio Pitarelli (relator), que dava provimento. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Toshio Nishioka, CI 5.277.0436, SSPSP. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório O presente Recurso Voluntário é proposto face a decisão proferia em 29 de outubro de 2.004, pela 1a Turma da DRJ/REC (fls. 53/62), que por unanimidade de votos negou provimento à impugnação apresentada pelo Recorrente, mantendo a exigência fiscal tal como constou do lançamento, de fls. 44 e 45, de 02/06/2000, relativos aos anos de 1.995 e 1.996, respectivamente, nos valores de R$ 4.250,03 e R$ 2.405,11, atualizados até 31/07/2000, que consiste na cobrança de valores pertinentes a ITR, Contribuição Sindical Rural – CNA, CONTAG e SENAR. Com efeito, a exigência recai sobre um imóvel rural denominado Seringal São Raimundo, localizado no município de Porto VelhoRO, com área total de 3.587,00 hectares, sendo que está sendo tributado 50% dele, com elevação do VTN, que a fiscalização estabeleceu, com fundamento em Instruções Normativas em R$ 59,60 e R$ 35,09, respectivamente, para compor a base de cálculo dos anos de 1.995 e 1.996. Cabe assinalar que o lançamento foi efetuado em nome do Sr. Isaac Benayon Sabbá, representado no processo pelo seu inventariante, Sr. Moisés Gonçalves Sabbá, conforme certidão de fl. 09, emitida pelo Juízo da 1.a Vara de Família, Sucessões e Registros Públicos da Comarca de Manaus AM. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10283.003821/200464 Acórdão n.º 2102001.782 S2C1T2 Fl. 206 3 Apresentada impugnação, o Auto de Infração foi integralmente mantido pela DRJ/REC em 29/10/2004, que entendeu insuficiente a documentação apresentada pela então impugnante para afastar a pretensão fiscal, uma vez que a exigência do imposto só recai sobre 50% do total da área, mesmo que esta não esteja comprovada como de preservação permanente, não aceitando a alegação de ser integralmente isenta, por não ser explorada, o que contradiz com o item 4.6 do laudo apresentado pela própria Recorrente, que indica exploração do imóvel, condições de uso no 5.1 e exploração indiscriminada de madeira por empresa do município de Ji ParanáRO (fl. 61) e que o laudo técnico não afasta o VTN atribuído pela fiscalização, pois contem dados e referências a pessoas não identificáveis. A questão já foi apreciada pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, em 13/07/2006 (fl. 132), sendo objeto da Resolução n.o 3011.664, quando recebeu do Dr. José Luiz Novo Rossari, o seguinte Relatório (fl. 136), que bem sintetizou os argumentos apresentados, razão pela qual, tomo a liberdade de adotálo: O contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 63/79, no qual ratifica as razões expendidas por ocasião da impugnação, alegando, basicamente, que: • Consta na matricula do imóvel que 50% da área é de reserva florestal permanente, não incidindo tributação por força do ati. 2 da Lei n" 8.847/94, que elenca as hipóteses de isenção. Com o advento da Lei Complementar ri" 52/91, do Estado de Rondônia, o percentual da reserva florestal do imóvel foi elevado de 50% para 100%; com isso, seu imóvel foi enquadrado na Zona 4, onde o desmatamento fica restrito a autosustentação da comunidade extrativista, limitado a 5 ha por unidade produtiva. Conclui que o imóvel constituise em 100% de reserva florestal legal, gozando, portanto, de total isenção tributária desde o ano de 1991. • Estão isentas do pagamento do 1TR as áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n" 4171/65, bem como as de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; anexa à defesa o Parecer Técnico ri" 6 da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam) e a Declaração do Mera para provar que seu imóvel situase na Zona 4, de restrição ambiental, em virtude do Zoneamento SócioEconômicoEcológico do Estado de Rondônia. Com isso, o imóvel está localizado em área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, situação que o faz beneficiário de isenção do ITR, por ser área de uso restrito ou de permanente interesse ecológico. • O agente fazendário procedeu a um aumento injustificável do valor da terra nua, utilizando os VTNs mínimos de R$ 59,60 para 1995 e de R$ 35,09 para 1996, pelas IN SRI n"s. 42/96 e 58/96, respectivamente, o que implicou elevação do valor do ITR e das Contribuições; por essa razão junta Laudo de Avaliação com Anotação de Responsabilidade Técnica ART, datado de 20/2/2004, em que o engenheiro florestal conclui que o VTN médio é de R$ 1,37 por ha, para os exercícios de 1995 e de 1996. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 • São indevidas as contribuições sociais de CONTAG, SENAR E CNA. A CONTAG é anual e devida por todo proprietário rural que explore a propriedade só e/ou com seu conjunto familiar; a SENAR é devida apenas pelos produtores que exercem atividades rurais em imóvel sujeito ao ITR; e a CNA é contribuição patronal, devida anualmente por todo empregador rural. Que essas contribuições estão intimamente ligadas à existência de propriedades rurais produtivas e que no caso está ausente o fato gerador de sua imposição. Requer seja dado provimento integral ao recurso interposto, para que sejam julgados improcedentes os lançamentos materializados nas notificações referentes aos exercícios de 1995 e de 1996 referentes ao imóvel. É o Relatório. O julgamento foi convertido em diligência por proposta do Relator, para que o INCRA se manifestasse de forma mais específica, sobre documento por ele fornecido, objeto de fl. 94, no qual declara haver interesse ecológico na área, formulando para isto, os seguintes quesitos: • sobre se tãosomente a localização do imóvel "SÃO RAIMUNDO", na zona 4 do Zoneamento SócioEconômico Ecológico do Estado de Rondônia, estabelecido pela Lei Complementar n.o 52/1991 desse Estado, implica caracterizar tal imóvel como área de utilização limitada, para efeito de exclusão de tributação do ITR; e • sobre como está classificado o referido imóvel nesse órgão; e na hipótese de estar classificado como área de reserva legal, se o fato de o imóvel estar localizado na zona 4 do referido zoneamento exclui a obrigação de averbação à margem de inscrição de matrícula do imóvel. A resposta do Ofício pelo INCRA consta da fl. 154, e se deu nos seguintes termos: De conformidade com a Lei Complementar n° 52, de 20/12/1991 as áreas da zona 4 tiveram uso restrito, com a nova aproximação sugerimos consulta junto a SEDAM Relativamente a exclusão de 1TR deixamos de opinar, tendo em vista que o INCRA não mais tributa. Com relação a classificação dos imóveis o que podemos informar é a classificação por dimensão e produtividade como a seguir: Grande Propriedade Improdutiva. Quanto a classificação por zona e a exclusão da obrigação da averbação de Reserva Legal, sugerimos consulta junto a SEDAM, Atenciosamente, Também foi enviado Ofício à SEDAM Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental, que assim se manifestou (fl. 158): Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10283.003821/200464 Acórdão n.º 2102001.782 S2C1T2 Fl. 207 5 Ao cumprimentálo cordialmente, vimos através deste, informar Vossa Senhoria, que os imóveis. Pedras, Sem Denominação, Estrela Conceição, Progresso, Consuelo e T. D. São Raimundo estão inseridos no perímetro da Unidade de Conservação Reserva Extrativistas Jaci Paraná, e incluída na Liminar "Ação Civil Pública" Processo n° 2004.41.00.0018873, classe 7100, de 02/08/2004, vetados de averbarem a Reserva Legal. Os imóveis, Ordem, Lealdade, Carmem, União de Baixo Nazareth, São João, União, Boa Vista, Martiniano Jose da Silva, Lontras e Mata Escura, estão inseridas na Liminar "Ação Civil Pública" Processo n°2004.41.000018873, classe 7100, de 02/08/2004, vetados de averbarem a Reserva Legal. Os imóveis, São João, União de Cima, Sem Denominação, Água Azul, Vitória, Fé em Deus, Tira Fogo, Vai Quem Quer, e Campinas, independente da zona que se encontrarem do Zoneamento Sócio Econômico Ecológico do Estado de Rondônia, não desobriga • da averbação da Reserva Legal a margem da matricula dos Imóveis. Os imóveis, Títulos Definitivos Ilha Madeira e Ilha Niterói ficam impossibilitadas de Averbarem a reserva Legal por se tratar de "APP" Área de Preservação Permanente do Rio Madeira. Anexo cópia da Lei de criação da reserva extrativista Saci Paraná e Ação Civil Pública, Sem mais para o momento, aproveitamos a oportunidade para enviar nossos protestos de consideração e apreço. Retornando o processo à Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, em sessão de 13/11/2008, o mesmo Relator, Dr. José Luiz Novo Rossari entendeu que o resultado da diligência não foi profícuo, razão pela qual propôs nova diligência, agora ao IBAMA, com os seguintes pontos (fl. 195): a)sobre a quantidade de áreas do imóvel "São Raimundo", com área total de 3.587 ha e registrado na SRF sob n 2 3417207.6, que estava registrada ou aceita por essa autarquia, nos anos de 1994 e de 1995, como de reserva legal, de preservação permanente ou de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas (art. 11 da Lei MI 8.847/94); e b) sobre se a localização desse imóvel na Zona 4 do zoneamento Sócioeconômico ecológico do Estado de Rondônia, estabelecido pela Lei. Complementar 112 52/1991 (art. 2o, IV, abaixo transcrito), implica ou é suficiente para reconhecêlo como área de reserva legal, de preservação permanente ou de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas (este pedido deverá ser acompanhado das declarações de fls. 89/90). “Art. 2 — A primeira aproximação do Zoneamento Sócio Económico Ecológico de Rondônia, define 06 (seis) zonas sócioeconômicoecológicas, segundo as características regionais especificas e capacidade de ofertas ambientais Fl. 210DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 próprias de cada zona, as quais apresentam os seguintes aspectos: IV — Zona 4 — Caracterizada pela ocorrência, predominantemente de médias e grandes propriedades rurais, porém com baixa incidência de domínios privados, contrapondo ao alio índice de terras públicas, refletindo baixa intensidade ocupacional e rarefeita ação anoépica, ambiente de floresta aberta e densa, com domínio fttosionómico de espécies do extrativismo vegetal em ecossistemas frágeis, solo de baixa fertilidade natural (clisopficos) em relevos planos e ondulados. 1 Resolução n.° 3012.049 As terras desta zona, destinamse à recuperação, ordenamento e desenvolvimento do extrativismo vegetal com manejo autosustentado dos recursos naturais renováveis, cujo aproveitamento racional permite a pesca e agricultura de subsisténeia, sem alteração significativa do meio físico, garantindo a autosustentação da unidade produtiva Nesta zona o desmatamento fica restrito a autosustentação da comunidade extrativista, limitando a 5 ha por Unidade Produtiva, cujo excedente dependerá da aprovação baseada em estudos prévios, conforme legislação em vigor," Sala das Sessões, em 13 do novembro de 2008 JOSÉ. LUIZ NOVO ROSSAR1 Relator As respostas do IBAMA constam das fls. 201/204 e sugere que a questão da reserva legal seja objeto de consulta à matrícula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente; não há registro de área de preservação permanente e tão pouco de interesse ecológico. Quanto ao questionamento sobre o fato do imóvel estar localizado na zona 4 do zoneamento sócioeconômicoecológico do Estado de Rondônia, estabelecido pela lei complementar 52/91, respondeu que o IBAMA não pode afirmar positivamente, pois tratase de legislação estadual. Abaixo, a integra da manifestação do IBAMA, precedidas das questões que lhes foram colocadas: a) a quantidade de áreas do imóvel que estava registrada ou aceita por essa autarquia, nos anos de 1994 e 1995, como de reserva legal, de preservação permanente ou de interesse ecológico para a proteção dos ecossisiemas (art. 11 da Lei n° 8.847/94); Resposta válida para todos os lotes: Antes da edição da Medida Provisória n" 2166 6712001, de 24 de agosto de 2001, mais especificamente nos anos 1994 e 1995, de interesse da consulta formulada, a averbação de 50% do imóvel como área de reserva legal constituia procedimento feito diretamente pelo interessado junto à margem da inscrição da matricula do imóvel constante no registro de imóveis competente. A participação do IBAMA mantinhase restrita à conferência dos dados do mapa e memorial descritivo apresentados pelo proprietário e chancelamento no respectivo termo de averbação da reserva legal a ser levado ao cartório. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10283.003821/200464 Acórdão n.º 2102001.782 S2C1T2 Fl. 208 7 Geralmente o proprietário rural só tomava essa iniciativa — de fazer a averbação quando da necessidade de apresentar um projeto de natureza florestal à aprovação do IBAMA, vez que o dever de averbar a reserva legal, embora previsto em lei, não acarretava sanção o seu não cumprimento. Logo, a maioria de proprietários rurais declinava da obrigação, mesmo porque esta impunha limitações ao uso do solo pelo desmatamento. Nesse contexto, a informação objetiva sobre a situação da reserva legal do imóvel em comento, seja de qual período for, só pode ser obtida com segurança junto a sua matricula no cartório de registro de imóvel competente. Quanto à área de preservação permanente, esta não constava do terno de averbação da reserva legal, apenas de um termo de compromisso especifico, sem carecimento de averbação no cartório de imóvel, que normalmente acompanhava o mapa de projeto florestal trazido eventualmente à apreciação do TRAMA. Não há registro de projeto dessa natureza tendo como objeto o imóvel em questão. • No tocante a área de interesse ecológico para a proteção de ecossistemas, assim declarada por ato deste órgão federal, não consta registro sobre a incidência de tais áreas no imóvel sob consulta. b) sobre se esse imóvel está localizado na zona 4 do zoneamemo sócioeconômicoecológico do Estado de Rondônia, estabelecido pela Lei Complementar n°52/91 (art. 2°, IV, abaixo transcrito), e, em caso positivo, se essa localização implica ou é suficiente para reconhecelo como área de reserva legal, de preservação permanente ou de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas. Resposta válida para todos os lotes: Quanto a localização do imóvel na zona 4 do zoneamento sócioeconômicoecológico do Estado de Rondônia, estabelecido pela Lei Complementar n° 52/91, nada pode o IBAMA afirmar, tendo em vista ter sido esse instrumento legal — o zoneamento — Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 8 construido e administrado pelo Estado de Rondônia por meio de seus órgãos competentes. • Entretanto, importa afirmar que o fato da existência do zoneamento sócioeconômico ecológico disciplinando uso do solo no Estado de Rondônia, inclusive impondo restrições em determinadas áreas, não tem qualquer relação com o instituto da reserva legal, que é obrigatório independentemente do grau de aptidão de uso dessas áreas ditado pelo zoneamento, na forma do Art. 16, parágrafo 8° da Lei n°4771165. Ou seja, não se confundem, em hipótese nenhuma, limitações de uso do solo impostas pela reserva legal por restrições impostas pelo zoneamento ecológicoeconômico, pois as restrições do zoneamento não substituem a necessidade da averbação da reserva legal. Este mesmo raciocínio é válido igualmente para área de preservação permanente ou de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas Atenciosamente, Novamente, o processo foi objeto de distribuição, agora para apreciação desta Turma, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O recurso é tempestivo, está em conformidade com o prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n.o 70.235/72, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado, dele conhecendo. Como destacado no início do Relatório, as questões objeto do recurso se resumem no reconhecimento ou não da integralidade da área como de reserva legal, preservação permanente ou de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, previstos no art. 11 da lei n.o 8.847/94, bem como, sobre o VTN atribuído pela autoridade fiscal autuante na composição da base de cálculo utilizada para a cobrança do imposto, tal como está sendo exigido. Assim, inicialmente, cabe apreciar se procede ou não a exigência do imposto, sendo que uma vez afastada, fica prejudicada a questão do VTN. Nas duas oportunidades que precederam a este julgamento, conforme relatado, os mesmos foram convertidos em diligencias para que se manifestassem o INCRA, SEDAM, a nível estadual, e ao final o IBAMA. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10283.003821/200464 Acórdão n.º 2102001.782 S2C1T2 Fl. 209 9 O INCRA sugeriu consulta ao SEDAM, que por sua vez, prestou informações que não foram objeto da solicitação formulada pela Câmara julgadora e o IBAMA, também de forma evasiva, recomenda consulta à matrícula no Registro de Imóveis, para constatar se há área destinada à reserva legal, e quanto à preservação permanente e interesse ecológico, limitouse a responder que não há registro de projetos neste sentido. No tocante à localização do imóvel na zona 4 do zoneamento sócioecológico do Estado de Rondônia, estabelecido pela lei complementar n.o 52/91, posteriormente revogada pela Lei Complementar 233 de 06 de junho de 2.000, por ser diploma legal de âmbito Estadual, por ele constituído e administrado, alegou que o IBAMA não pode afirmar se o mesmo estaria ou não nela inserido. Com efeito, não obstante a resposta do IBAMA no meu entender também não tenha sido objetiva, na forma como acredito ter formulado o Relator, no sentido da constatação física da conservação do imóvel como de interesse ecológico ou na efetiva proteção dos ecossistemas, mas remeteu à legislação estadual, que com fundamento na lei federal n.o 8.847/94, que na época regia a matéria, estabelecia em seu art. 11: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: I – de preservação permanente e de reserva legal, previstas na lei 4.771, de 1.965, com a nova redação dada pela lei 7.803, de 1989; II – de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declarados por ato do órgão competente – federal ou estadual – e que ampliam as restrições de uso previstas no inciso anterior. Estes dispositivos e diploma legal somente foram revogados em 19/12/1996, pela lei n.o 9.393, vigente até hoje, portanto, aplicável nos anos de 1.994 e 1.995, a que se referem a autuação que deu origem a este processo administrativo fiscal. A declaração fornecida pelo INCRA (fl. 10) informa que o imóvel em questão está cadastrado em 1995, como situado na zona 4, de restrição ambiental, do zoneamento sócioeconômico – Ecológico do Estado de Rondônia, determinado pela Lei Complementar n.o 52, de 20 de dezembro de 1.991, e como nenhum outro elemento ou declaração firma o contrário, entendo que a alegação do Recorrente deve prevalecer, pois mais se amolda à legislação que previa a isenção, mesmo da forma ampliada, conforme texto acima transcrito. Os demais órgãos, SEDAM e IBAMA, mesmo instados, nada apresentaram que infirmassem as alegações do Recorrente. Assim, entendo que área integral do imóvel estava amparada pela legislação do Estado de Rondônia, que por força da lei federal que regulava a cobrança do ITR na época, facultava a ampliação da contemplada com o benefício. Destarte, fica prejudicada avaliação sobre o VTN que tomou por base a autoridade fiscal para a lavratura do auto de infração que deu origem a este processo administrativo fiscal. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 10 Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Voto Vencedor O ilustre relator restou vencido, eis que a maioria do colegiado não acolheu a alegação de que a totalidade da área do imóvel em questão fosse considerada área de declarado interesse ecológico. De pronto, vale dizer que a Lei nº 692, de 27 de dezembro de 1996, que define os limites da reserva extrativista JaciParaná, criada através do Decreto nº 7.335, de 17 de janeiro de 1996 não aproveita ao contribuinte, dado que aqui se cuida dos exercícios 1995 e 1996. Já a Lei Complementar Estadual nº 52, de 1991, que instituiu o zoneamento sócioeconômicoecológico de Rondônia, não declarou áreas de interesse ecológico, nos termos em que estabelecido no art. 10, § 1º, inciso II, alínea b da Lei nº 9.393, de 1996. Na verdade, referida legislação dividiu o território do estado de Rondônia em seis zonas sócioeconômico ecológicas, sendo certo que somente para a zona 6 restou definido que ficaria terminantemente proibido o desmatamento indiscriminado. Ora, desmatamento indiscriminado não significa a proibição de desmatar. Da leitura da descrição das referidas áreas verificase que há nas seis zonas indicação de restrição de uso, entretanto, não foi vedado o uso do solo, permitindose a exploração agrícola, pecuária, extrativista e o desmatamento dentro de certos limites. Ressalte se que o fato de existir restrição de uso, por si só, não caracteriza área de declarado interesse ecológico. Frisese que em nenhum momento a Lei Complementar Estadual nº 52, de 1991, mencionou que os imóveis inseridos na área do zoneamento sócioeconômicoecológico de Rondônia seriam áreas de declarado interesse ecológico. Observese que a Lei Complementar Estadual nº 52, de 1991, dividiu o território do estado de Rondônia em seis zonas, de sorte que há prevalecer a alegação da defesa significaria dizer que todos os imóveis rurais inseridos no estado de Rondônia seriam em sua totalidade áreas de interesse ecológico, o que não é verdade. Veja que art. 6º, § único, da Lei Complementar Estadual nº 52, de 1991, abaixo transcrito afirma que as áreas das unidades de preservação e conservação serão delimitadas e demarcadas topograficamente, com indicação clara de que as áreas contidas no zoneamento sócioeconômicoecológico de Rondônia não são em sua totalidade áreas de interesse ecológico: Art. 6º De acordo com o disposto no artigo 18 das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Estadual, o Poder Executivo implantará, implementará e gerenciará as unidades de preservação e conservação, de âmbito Estadual, cujas áreas estão preconizadas na primeira aproximação do Zoneamento SócioEconômicoEcológico de Rondônia, definidas no mapa citado no § 1º do art. 1º desta Lei Complementar. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10283.003821/200464 Acórdão n.º 2102001.782 S2C1T2 Fl. 210 11 Parágrafo único – As áreas das unidades de preservação e conservação de que trata este artigo serão delimitadas e demarcadas topograficamente, observando o disposto nesta Lei Complementar, bem como os procedimentos e normas técnicas e legais vigentes, quanto aos serviços topográficos. Nessa conformidade, embora tenha restado comprovado nos autos, quando da diligência proposta pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que a Fazenda Seringal São Raimundo está localizado na zona 4, não pode prosperar a pretensão do recorrente de que a totalidade do imóvel seja considerada área de interesse ecológico. No que concerne ao VTN, temse que foi o valor adotado pela autoridade fiscal, seguiu o estritamente disposto no art. 3º da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, vigente à época dos fatos geradores, sendo certo que as Instruções Normativas SRF nºs 42 e 58, de 19 de julho de 1996 e 14 de outubro de 1996, respectivamente, apenas deram cumprimento ao preceito legal, estabelecendo os valores mínimos para os exercícios de 1995 e 1996. Por outro lado, o Laudo de Avaliação, fls. 23/37, apresentado pelo contribuinte, baseiase exclusivamente em pesquisas de opinião, para determinar o VTN do imóvel, de sorte que não atende aos requisitos mínimos estabelecidos na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), não se prestando, pois, para elidir o arbitramento efetuado pela autoridade fiscal. Nesse sentido, observese a Súmula nº23 deste CARF, de aplicação obrigatória e em vigor desde 22/12/2009: Súmula CARF nº 23: A autoridade administrativa pode rever o Valor da Terra Nua mínimo (VTNm) que vier a ser questionado pelo contribuinte do imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR) relativo aos exercícios de 1994 a 1996, mediante a apresentação de laudo técnico de avaliação do imóvel, emitido por entidade de reconhecida capacidade técnica ou por profissional devidamente habilitado, que se reporte à época do fato gerador e demonstre, de forma inequívoca, a legitimidade da alteração pretendida, inclusive com a indicação das fontes pesquisadas. Assim, deve ser mantido o VTN, nos termos em que consubstanciado nas Notificações de Lançamento. Não procede também a alegação de erro na alíquota utilizada para o cálculo do imposto devido, pois que a autoridade fiscal pautouse no disposto no § 3º do art. 5º da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, abaixo transcrito: Art. 5º Para a apuração do valor do ITR, aplicarseá sobre a base de cálculo a alíquota correspondente ao percentual de utilização efetiva da área aproveitável do imóvel rural considerado o tamanho da propriedade medido em hectare e as desigualdades regionais, de acordo com as Tabelas I, II e III, constantes do Anexo I. (Revogado pela Lei nº 9.393, de 19.12.96) (...) Fl. 216DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 12 § 3º O imóvel rural que apresentar percentual de utilização efetiva da área aproveitável igual ou inferior a trinta por cento terá a alíquota calculada, na forma deste artigo, multiplicada por dois, no segundo ano consecutivo e seguintes em que ocorrer o fato. Destaquese que no exercício 1994 o percentual de utilização efetiva do referido imóvel já era igual a zero. Logo, correta a duplicação da alíquota para os exercícios 1995 e 1996. Por fim, vale dizer que as Contribuições Sindicais Rurais (Empregador e Trabalhador) e a Contribuição ao Serviço Nacional de Aprendizado Rural (SENAR) foram exigidas nos termos em que disposto na legislação pertinente (contribuições sindicais rurais art. 149 da Constituição Federal e os arts. 578 a 591 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo DecretoLei 5.452, de 1º de maio de 1943,e arts. 1º e 4º do DecretoLei 1.166, de 15 de abril de 1971 e contribuição ao SENAR – art. 5º do DecretoLei nº 1.146, de 31 de dezembro de 1970, e art. 1º do DecretoLei nº 1.989, de 28 de dezembro de 1982), sendo certo que para o cálculo das contribuições a autoridade fiscal tomou por base as informações prestadas pelo contribuinte na DITR – exercício 1994. Portanto, legítimas as exigências das referidas contribuições. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Fl. 217DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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