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Numero do processo: 11060.901149/2009-66
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO.
Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
Numero da decisão: 9101-003.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 90 11 49 /2 00 9- 66 Fl. 266DF CARF MF Processo nº 11060.901149/200966 Acórdão n.º 9101003.190 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial relativamente ao que foi decidido sobre compensação tributária realizada com base em pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 1801001.461, de 09/05/2013, por meio do qual a 1a Turma Especial da 1a Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, deu provimento parcial a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para fins de estabelecer que pagamento indevido ou a maior a título de estimativa pode caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado erro. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 PER/DCOMP. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. ERRO DE CÁLCULO. ADMISSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente pago indevido ou a maior a título de estimativa podendo caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado erro. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à autoridade preparadora para apreciar o mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 11060.901149/200966 Acórdão n.º 9101003.190 CSRFT1 Fl. 4 3 A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Para o processamento de seu recurso, ela desenvolve os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS E DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL a contribuinte formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/ Declaração de Compensação (Per/DCOMP) no. 18169.08579.270705.1.3.044370, em 27 de julho de 2005, fls. 80 a 85, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior no valor total de R$ 229,07, fls. 86, de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), determinada sobre a base de cálculo estimada, código no. 2484, efetuado em 30 de junho de 2005, relativamente ao período de apuração de 31 de maio de 2005, para compensação dos débitos ali confessados; o v. acórdão ora recorrido firmou seu posicionamento na possibilidade de apuração de pagamento indevido ou a maior de tributo recolhido de forma antecipada, consoante a modalidade de tributação pelo lucro real anual, para fins de compensação com outros débitos; daí, resta patente a divergência jurisprudencial entre o v. acórdão ora recorrido e o seguinte paradigma oriundo da Colenda 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como se pode observar pelo trecho confrontante, litteris: Os recolhimentos mensais de CSLL calculados sobre a receita bruta auferida nesses períodos, as denominadas estimativas, caracterizam meras antecipações da contribuição a ser apurada com o balanço patrimonial levantado no final do anocalendário. A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois aí ocorrente o fato gerador da contribuição social sobre o lucro líquido de pessoa jurídica optante pelo regime de tributação do lucro anual. (Acórdão n. 110300.589, doc. 1) uma vez evidenciada a divergência jurisprudencial, passemos a demonstrar doravante as razões pelas quais merece ser reformado o v. acórdão ora recorrido; DAS RAZÕES QUE JUSTIFICAM A REFORMA DO V. ACÓRDÃO ORA RECORRIDO o artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, com redação dada pela Lei nº 10.637/2002, prevê a compensação de crédito do sujeito passivo relativo a tributo ou contribuição sob a administração da RFB, passível de restituição ou ressarcimento, com débito do mesmo sujeito, também relativo a tributo ou contribuição administrado pelo mesmo Órgão; portanto, para que seja homologada a compensação declarada pelo sujeito passivo, é imperativa a existência simultânea de créditos e débitos para com a RFB. Não havendo crédito passível de restituição ou ressarcimento, não há compensação a ser homologada; Fl. 268DF CARF MF Processo nº 11060.901149/200966 Acórdão n.º 9101003.190 CSRFT1 Fl. 5 4 por outro lado, nos termos do artigo 6º da mesma Lei (nº 9.430/1996), a pessoa jurídica que opta pelo pagamento do IRPJ ou CSLL com base em estimativa mensal somente terá como apurar saldo negativo de imposto ou contribuição, se for o caso, quando do encerramento do anocalendário, ficando o direito à restituição ou compensação assegurado somente após a entrega da declaração de rendimentos do citado ano; diante do exposto, a União (Fazenda Nacional) requer seja conhecido e provido o presente Recurso Especial, a fim de reformando o v. acórdão ora recorrido, ser restaurada a r. decisão de 1ª instância. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, a Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 14/05/2015, deu seguimento ao recurso com base na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] A divergência jurisprudencial entre os acórdãos recorrido e paradigma pode ser constatada do simples cotejo das ementas acima transcritas, a qual consiste em saber se valor indevidamente pago a título de estimativa mensal se constitui crédito tributário passível de compensação na data de seu recolhimento. Uma vez demonstrada a divergência jurisprudencial que desafia recurso especial, opino pela ADMISSIBILIDADE do recurso interposto pela Fazenda Nacional. Em 03/07/2015, a contribuinte foi intimada do despacho que deu seguimento ao recurso especial da PGFN. Tempestivamente, em 16/07/2015, ela apresentou as contrarrazões ao recurso, com os argumentos descritos a seguir: o entendimento da recorrente não pode prosperar pelas razões a seguir explanadas; conforme o art. 35 da Lei n° 8.981/95 é permitido à pessoa jurídica que é tributada pelo lucro real suspender o pagamento ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês se o valor acumulado já pago até aquele momento excede o valor do imposto a ser pago, incluindo o adicional; o art. 230 do Dec. n° 3000/99 igualmente prevê a possibilidade da redução ou suspensão do pagamento do imposto se o valor acumulado exceder aquele a ser pago; considerando a permissão acima, a recorrida realizou o recolhimento da CSLL com base no balanço de redução ou suspensão e não sobre base de cálculo estimada mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente; assim, o recolhimento feito pela recorrida utilizase de valores concretos, que efetivamente foram apurados no balancete no mês de maio de 2005; do mesmo modo a IN 93/97 da SRF em seu art. 10 estabelece que: [...]; não há, pois, justificativa para que a Receita Federal considere improcedente a compensação efetuada pela recorrida. Ao vedar a compensação na hipótese de Fl. 269DF CARF MF Processo nº 11060.901149/200966 Acórdão n.º 9101003.190 CSRFT1 Fl. 6 5 apuração do tributo por balancete de redução ou suspensão a Receita Federal age sem respaldo legal, tendo em vista que os dispositivos legais anteriormente transcritos claramente permitem a compensação neste caso; o art. 10 da IN ° 460/05 citado no acórdão referese exclusivamente à pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda ou de CSLL a título de estimativa mensal sem apurar posteriormente, ainda no mesmo exercício, o verdadeiro valor do imposto que deveria ter sido pago no período; e os valores que a recorrida pretende compensar não se tratam de mera estimativa, mas sim de valores definitivamente apurados e pagos a maior; aliás, tanto era possível realizar a compensação pretendida pela recorrida em 2005 que posteriormente em 2008 foi editada a MP 449/2008 que então incluiu o inciso IX no §3º do art. 74 da Lei n° 9.430/96 (suprimido quando da conversão da MP na Lei n° 11.941/09), dispondo que os débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do IRPJ e CSLL apurados na forma do art. 2º anteriormente transcrito não poderiam ser objeto de compensação, ou seja. antes da publicação da MP 449/2008 ao contribuinte era assegurado o direito à compensação também dos valores recolhidos por estimativa; nossos tribunais vem manifestando o entendimento de que não há óbice legal para compensar os valores pagos a maior a título de IRPJ, recolhido por estimativa, antes da declaração do ajuste anual: [...]; transcrevese abaixo o dispositivo legal citado na decisão colacionada, art. 39 da Lei n° 8.383/91, que claramente estabelece o direito do contribuinte de compensar o valor já pago que excede o imposto calculado com base no lucro real do período em curso: [...]; pelo exposto, requerse a Vossa Senhoria se digne a receber estas contrarrazões, para posteriormente improver os pedidos da recorrente. É o relatório. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 11060.901149/200966 Acórdão n.º 9101003.190 CSRFT1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Não há condições para conhecer do recurso especial da PGFN. Em seu recurso, a PGFN defende a tese de que pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal não constitui indébito passível de restituição/compensação desde a data de seu recolhimento. Na linha do que está sendo defendido no recurso, as estimativas são meras antecipações, e só podem ser aproveitadas para redução do tributo no ajuste anual, ou para formação de saldo negativo. Entretanto, a matéria objeto da divergência jurisprudencial está atualmente pacificada, inclusive com edição de súmula pelo CARF: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o art. 5º da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, o exame de admissibilidade dos recursos especiais deverá observar o nela disposto, o que alcança inclusive os recursos que já haviam sido apresentados antes dela. Essa mesma portaria estabelece no § 3º do art. 67 de seu Anexo II que: Art. 67 [...] [...] § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. O acórdão recorrido destacou que o único fundamento para a negativa da compensação até aquele momento processual era a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados. E mencionando expressamente a Súmula CARF nº 84, o acórdão recorrido afastou esse óbice, e determinou o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para que fosse analisado o mérito do pedido. Assim, tratandose de acórdão que expressamente adotou entendimento de súmula do CARF, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN. Os autos devem ser encaminhado na forma estabelecida pelo acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 271DF CARF MF Processo nº 11060.901149/200966 Acórdão n.º 9101003.190 CSRFT1 Fl. 8 7 Fl. 272DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002354/2003-78
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Admitem-se, excepcionalmente, efeitos infringentes nos embargos de declaração, para correção de premissa equivocada, na hipótese de ocorrência de error in judicando decorrente da má apreciação da questão de fato e/ou de direito.
Numero da decisão: 9303-005.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, re-ratificando o Acórdão nº 9303-004.683, de 16/02/2017, com efeitos infringentes, alterar a decisão recorrida para dar provimento parcial ao Recurso do Contribuinte, mantendo-se a exigência dos juros de mora apenas sobre as parcelas correspondentes às diferenças não depositadas, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que rejeitou os embargos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Admitem-se, excepcionalmente, efeitos infringentes nos embargos de declaração, para correção de premissa equivocada, na hipótese de ocorrência de error in judicando decorrente da má apreciação da questão de fato e/ou de direito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, re-ratificando o Acórdão nº 9303-004.683, de 16/02/2017, com efeitos infringentes, alterar a decisão recorrida para dar provimento parcial ao Recurso do Contribuinte, mantendo-se a exigência dos juros de mora apenas sobre as parcelas correspondentes às diferenças não depositadas, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que rejeitou os embargos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
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(SUCESSORA DE CARGILL CACAU LTDA. E CARGILL CITRUS LTDA.) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Admitemse, excepcionalmente, efeitos infringentes nos embargos de declaração, para correção de premissa equivocada, na hipótese de ocorrência de error in judicando decorrente da má apreciação da questão de fato e/ou de direito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, reratificando o Acórdão nº 9303004.683, de 16/02/2017, com efeitos infringentes, alterar a decisão recorrida para dar provimento parcial ao Recurso do Contribuinte, mantendose a exigência dos juros de mora apenas sobre as parcelas correspondentes às diferenças não depositadas, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que rejeitou os embargos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 23 54 /2 00 3- 78 Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 19515.002354/200378 Acórdão n.º 9303005.768 CSRFT3 Fl. 1.098 2 Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Contribuinte, diante da decisão consubstanciada no Acórdão n°nº 9303004.683, proferida por esta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, por unanimidade de votos, não conheceu do Recurso Especial da Contribuinte. O acórdão ficou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002 Recurso Especial de Divergência. Admissibilidade. A admissibilidade de Recurso Especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. A Embargante insurgese aos autos, sustentado os seguintes vícios: De obscuridade, na medida em que mencionou acórdão paradigma que não guarda qualquer relação e/ou pertinência com a matéria objeto de análise, bem como mencionou a existência de súmula sem transcrever o seu teor ou numeração. b) De omissão de apreciação de questão trazida pelo Embargante por meio das petições juntadas aos autos em 09/02/2006, 23/02/2007 e 20/07/2010, referente ao trânsito em julgado de decisão judicial favorável, determinando a utilização de seu faturamento como base de cálculo da Contribuição ao PIS, a qual deve ser respeitada na esfera administrativa independentemente do estágio processual dos autos, e. Transcrevo o despacho de admissibilidade dos embargos. c) De erro material por menção no cabeçalho da decisão de tributo não exigido no presente processo. 1 Obscuridade Fl. 1146DF CARF MF Processo nº 19515.002354/200378 Acórdão n.º 9303005.768 CSRFT3 Fl. 1.099 3 O embargante reclama do fato de o voto condutor do Acórdão embargado ter analisado o pressuposto material do recurso especial à vista de acórdão que não teria sido indicado como paradigma da divergência quanto ao acréscimo de juros de mora. Compulsando os autos (fls. 576), constato que, para comprovação do dissídio, o recorrente indicou como paradigma o Acórdão nº 10192.042, assim ementado: OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL Matéria submetida à tutela jurisdicional não pode ser apreciada em sede administrativa. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE E JUROS DE MORA Incabível a exigência da multa de lançamento "exofficio" e de juros de mora se a matéria está submetida à tutela jurisdicional. Recurso parcialmente conhecido. O voto condutor do Acórdão nº 9303004.683 assim abordou a admissibilidade do recurso (fls. 1.045 e 1.046, sublinhei na transcrição): O relator da decisão recorrida afirma que o depósitos não teriam sido integrais, sem demonstrar em que consistiu essa não integralidade. O recurso especial não toca nesse ponto, apenas alega que os valores estavam com exigibilidade suspensa. A insuficiência dos depósitos está demonstrada à fl. 183 (relativamente ao PIS mesmo, embora da DRF tenha feito, erradamente, menção á alíquota da COFINS no despacho de fls. 288). O paradigma quanto ao assunto acatou a inaplicabilidade de juros em suspensão por decisão judicial sem perquirir sobe a existência de depósitos integrais. Esse entendimento hoje não mais pode ser aplicado porque há Súmula em sentido oposto. Portanto, a tese nele exposta já foi reformada definitivamente não se podendo conhecer do recurso, mesmo que a Súmula tenha sido adotada após a apresentação do recurso (art. 67, § 3° do RICARF). Vejamos o acórdão paradigma n° 103.19.844: IRPJ/CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DIFERENCIAL IPC/BTNF LANÇAMENTO APÓS O INÍCIO DE PERLENGA JUDICIAL ENFRENTA MENTO DO MÉRITO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA ALCANCE DA RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. "É nula a decisão monocrática que não enfrenta a matéria impugnatória proposta à Autoridade Julgadora em lançamento sobrevindo no curso de perlenga judicial. A renuncia à discussão administrativa haverá de ser tida como aquela passível de ocorrência quando, formalizado o lançamento, a seguir o contribuinte autuado apela ao Poder Judiciário para a neutralização dos efeitos do Auto de Infração. A renuncia a discussão administrativa haverá de ser tida como aquela passível de ocorrência quando, formalizado o lançamento, a seguir o Fl. 1147DF CARF MF Processo nº 19515.002354/200378 Acórdão n.º 9303005.768 CSRFT3 Fl. 1.100 4 contribuinte autuado apela ao Poder Judiciário para a neutralização dos efeitos do Auto de Infração. Formula a Recorrente apelo a esta Superior Instância contra o r. veredicto monocrático de fls. 165/169 que. em face da impugnação oportunamente formulada contra os lançamentosde IRPJ/Contribuição Social, entendeu de não adentrar no exame meritório das mesmas a partir da constatação de o contribuinte, alegadamente, ter renunciado à discussão da matéria litigiosa no âmbito da instância administrativa para preferir, ao reverso, a instância judicial. E. dentro de tal diapasão, ementouse ele na premissa de que tendo "a interessada optado pela esfera judicial para discutir a matéria, renunciando às instâncias administrativas, prevalece a decisão final da justiça ". Se é certo que a Autoridade Lançadora agiu corretamente ao promover a ação fiscal na medida em que o insucesso da discussão judicial não autorizava a cobrança automática e imediata de qualquer tributo (até porque regularmente desconhecidos os valores na órbita da instância judicial) para assim legitimar a exigibilidade dos pertinentes lançamentos, a verdade é que reparo merece a decisão recorrida quando deixou de enfrentar as peças impugnatórias a troco da propositura anterior de ação judicial e persistência da perlenga , ora presentemente submetida a recurso em instância judicial superior. Reconhecendo assim a nulidade da decisão monocrática. voto no sentido de decretar sua nulidade para que outra seja proferida na boa e devida forma com o enfrentamento da questão de mérito proposta nas impugnações aos lançamentos de IRPJ e Contribuição Social". Portanto, nítida a inexistência de divergência jurisprudencial. (...) O embargante tem razão. O Acórdão nº 10319.844, analisado pela decisão embargado, não foi indicado como paradigma da admitida à CSRF, mas de outra, quanto à inocorrência de desistência da via administrativa pela busca da tutela judicial. O Acórdão colacionado pelo recorrente como paradigma da divergência quanto à exigência de juros de mora, de nº 10192.042, de 5 de maio de 1998, quedou não analisado. O vício merece saneamento pela via dos aclaratórios. 2. Omissão Quanto à pretextada omissão de apreciação de alegações oferecidas em petições apartadas do recurso especial, cumpre repetir o que o voto condutor da decisão embargada já assentou, fls. 1.045): A omissão que enseja saneamento pela via dos embargos de declaração só se verifica na ausência absoluta de julgamento de matéria expressamente posta em debate. As alegações feitas nas petições datadas de 09/02/2006, 23/02/2007 e 20/07/2010 não dizem respeito à matéria da divergência que foi admitida à CSRF, razão pela qual o ColegiadoRecursal Especial não estava constrangido a apreciála. 3 Erro material Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 19515.002354/200378 Acórdão n.º 9303005.768 CSRFT3 Fl. 1.101 5 A alegação do embargante é a de que a folha de rosto do Acórdão embargado faz menção a tributo não exigido no presente processo. Da análise dos dois dispositivos regimentais acima transcritos, verificase que o fato de a folha de rosto eventualmente conter inexatidão material devida a lapso manifesto não rende ensejo à interposição de embargos de declaração e, tampouco, à interposição de embargos inominados. Isso porque os vícios que justificam a interposição de embargos de declaração são somente omissão, obscuridade e contradição. Ademais, o fato de o cabeçalho referir PIS/COFINS, quando se trata somente de PIS, não constitui lapso que reclame a prolação de um novo acórdão para sua correção. Neste sentido, os aclaratórios foram parcialmente acolhidos, exclusivamente, quanto à obscuridade por ter a decisão embargada apreciado a admissibilidade do recurso especial à luz de acórdão que não foi indicado como paradigma. Os demais vícios apontados são manifestamente improcedentes. É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator Os embargos de declaração são tempestivos e apontam supostamente obscuridade, devendo ser conhecido, nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. 1. Obscuridade Com efeito, a Contribuinte ajuizou Ação Declaratória de inexistência de relação jurídicotributária questionando a sistemática de apuração do PIS instituída pela lei nº 9.718/98. Com as ações em curso, decidiu a fiscalização pela constituição do crédito tributário por meio do Auto de Infração (fls. 191/205), para cobrança dos valores calculados nos moldes da legislação questionada. Pela existência das ações judiciais a autuação não considerou a multa de ofício em razão da exigibilidade do crédito estar suspensa. O Despacho de Admissibilidade (informação) fls 576/577, admitiu o Recurso Especialmente quanto aos juros de mora. Vejamos: "No que tange a exigência dos juros de mora, verifico que o acórdão recorrido entendeu que a suspensão a exigibilidade efetivada por decisão judicial e desacompanhada do respectivo depósito não ilidia a cobrança de juros, enquanto que o Acórdão n° 10192.042, indicado como paradigma, firmou entendimento de que a mera suspensão da exigibilidade impedia a exigência do referido acréscimo, verbis (fls.551): Fl. 1149DF CARF MF Processo nº 19515.002354/200378 Acórdão n.º 9303005.768 CSRFT3 Fl. 1.102 6 No caso houve concessão de medida liminar em Mandado de Segurança preventivo (fls. 19), o que importou na suspensão da exigibilidade desse crédito (art. 151 — IV do CTN), enquanto pendente a ação judicial. Verificase que ao exarar o lançamento, a autoridade fiscal exige também o recolhimento de multa de oficio (100%) e de juros de mora, o que não tem procedência, por isso que a matéria está sendo discutida em juizo. Nessas condições, o meu voto é no sentido de conhecer do recurso apenas no tocante a imposição da multa de lançamento "exofficio" e dos juros de mora, dando lhe provimento nessa parte. Em relação a exigência de multa de mora, constato que tratase de matéria não analisada pela Câmara recorrida por ser estranha aos autos, tendo em vista que esse consectário não foi incluído no auto em lide, e, portanto, insuscetível de conhecimento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Pelo exposto, concluo que o dissídio jurisprudencial foi caracterizado apenas em parte e opino pelo seguimento do recurso especial somente para apreciar a exigência de juros de mora no caso. DESPACHONº 203390 Com base na Informação de fls. 560/562 que aprovo, e de acordo com o disposto no § 1 0 do art. 50 da Lei n° 9.784/99 e no art. 29, X, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (Portaria MF n2 147, de 25/06/2007), dou seguimento ao Recurso Especial de fls. 450/462, para apreciar somente a exigência de juros de mora no caso. Do Reexame de Admissibilidade de Recurso Especial (Agravo), restou assentado o seguinte: "Com base na Informação de fls. 560/562 que aprovo, e de acordo com o disposto no § 1 0 do art. 50 da Lei n° 9.784/99 e no art. 29, X, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (Portaria MF n2 147, de 25/06/2007), dou seguimento ao Recurso Especial de fls. 450/462, para apreciar somente a exigência de juros de mora no caso. Por meio do Despacho nº 203390, de 28 de setembro de 2007, o Presidente da Terceira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes deu seguimento ao recurso especial para apreciar somente a exigência de juros de mora, pois as demais divergências suscitadas não mereciam apreciação, haja vista a aplicação de súmulas do Conselho de Contribuintes e uma delas ser estranha aos autos. O contribuinte, dentro do prazo legal, agravou daquela decisão solicitando o reexame de admissibilidade do seu recurso especial no que diz respeito à multa de mora, justamente a que foi considerada estranha aos autos. Diz que embora a multa de mora não fosse objeto do auto de infração, passou a ser exigida quando da interposição do recurso voluntário, e daí em diante foi discutida, razão pela qual se trata de matéria prequestionada. Ao meu sentir, a multa de mora foi considerada matéria estranha aos autos pelo i. relator do acórdão recorrido, fl. 414, porque não fora objeto do auto de infração, e essa multa sequer foi analisada pelo colegiado, tanto que não Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 19515.002354/200378 Acórdão n.º 9303005.768 CSRFT3 Fl. 1.103 7 consta da ementa do acórdão. Se a agravante entendia que a matéria devia ter sido discutida, ela devia ter embargado o acórdão guerreado antes da interposição do recurso especial, e não levar à consideração da instância especial matéria não discutida em segundo grau". Portanto, o Recurso da Contribuinte foi admitido especialmente quanto aos juros de mora (Acórdão n° 10192.042). De fato, assiste razão a Contribuinte, o acórdão nº 10319.844, analisado pela decisão embargado, não foi indicado como paradigma da admitida à CSRF. Este é um caso de error in judicando decorrente da má apreciação da questão de fato e/ou de direito. Em respeito ao Despacho de admissibilidade, fls 576/577, o qual admitiu o Recurso da Contribuinte, especialmente quanto aos juros de mora, a decisão merece reparos. Com efeito, o depósito judicial referente ao crédito tributário exigido, além da suspensão da sua exigibilidade, tem como objetivo, entre outros, eximir o sujeito passivo do pagamento de juros de mora e de penalidades, tais como multa de ofício. Neste sentido, a Lei nº 6.830, de 1980, dispõe o seguinte: “Art. 9º. Em garantia da execução, pelo valor da dívida, juros e multa de mora e encargos indicados na Certidão de Dívida Ativa, o executado poderá: (...). § 4º. Somente o depósito em dinheiro na forma do artigo 32, faz cessar a responsabilidade pela atualização monetária e juros de mora.” Deste modo, não procede o lançamento da multa de ofício e dos juros mora incidentes sobre parcelas do crédito tributário depositadas judicialmente. Entretanto, sobre os valores das parcelas que não foram depositadas, deve ser mantida a exigência da multa de ofício e dos juros de mora nos termos legais. Este entendimento, encontrase em sintonia com o acórdão nº 9303003.221, desta E. Câmara Superior, de Relatoria do Ilustre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, o qual ficou decidido que não procede o lançamento da multa de ofício e dos juros mora sobre valores das parcelas do crédito tributário depositadas judicialmente. Vejamos: CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDAÇÃO Os valores depositados judicialmente e convertidos em renda da Unido Federal devem ser deduzidos do crédito tributário lançado e exigido na data de sua liquidação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2002 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITOS JUDICIAIS. LANÇAMENTO DE OFICIO. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. Fl. 1151DF CARF MF Processo nº 19515.002354/200378 Acórdão n.º 9303005.768 CSRFT3 Fl. 1.104 8 No lançamento de ofício de crédito tributário, objeto de discussão judicial, dispensase a exigência de juros de mora e de multa de ofício sobre os valores depositados, tempestivamente, mantendose a exigência apenas sobre as parcelas correspondentes às diferenças não depositadas. Recurso Negado. Diante do exposto, acolho os embargos de declaração, com efeitos infringentes e modificativos, para reratificar o Acórdão nº 9303004.683, com provimento parcial ao Recurso da Contribuinte, mantendose a exigência apenas sobre as parcelas correspondentes às diferenças não depositadas. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 1152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.721576/2011-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Nov 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2006 a 31/12/2008
NULIDADE. LANÇAMENTO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não acarreta nulidade do lançamento fiscal, o simples fato da fiscalização ampliar/alterar o período fiscalizado antes da lavratura do Auto de Infração, desde que qualquer modificação seja precedida de intimação do contribuinte.
Numero da decisão: 3302-004.892
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 13/11/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2006 a 31/12/2008 NULIDADE. LANÇAMENTO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. Não acarreta nulidade do lançamento fiscal, o simples fato da fiscalização ampliar/alterar o período fiscalizado antes da lavratura do Auto de Infração, desde que qualquer modificação seja precedida de intimação do contribuinte.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. EDITADO EM: 13/11/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado e Walker Araujo.
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LANÇAMENTO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. Não acarreta nulidade do lançamento fiscal, o simples fato da fiscalização ampliar/alterar o período fiscalizado antes da lavratura do Auto de Infração, desde que qualquer modificação seja precedida de intimação do contribuinte. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 13/11/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado e Walker Araujo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 15 76 /2 01 1- 14 Fl. 599DF CARF MF 2 Relatório Por bem retratar a realidade de fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls. 587590: Tratase de auto de infração (fls. 4/24) lavrado contra o contribuinte em epígrafe, relativo à falta/insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS/Pasep, para os períodos de apuração agosto/2006 a dezembro/2008, no montante total de R$ 2.021.922,91. Na Descrição dos Fatos, o autuante, de início, justificou a inclusão de períodos de apuração do anocalendário 2006, no fato de a fiscalização anterior que abrangeu esses períodos (processo administrativo nº 10320.003724/201026) não ter contemplado as receitas orçamentárias destinadas ao Fundef/Fundeb, ao Fundo Municipal de Assistência Social e ao Fundo Municipal de Saúde. A seguir ele fundamenta o lançamento de ofício em diferenças constatadas a partir do valor apurado por meio dos Balanços Orçamentários informados ao Tesouro Nacional, considerando ainda os Balancetes Consolidados da Receita apresentados pelo contribuinte, tendo sido deduzidos os valores retidos pelo Banco do Brasil, bem como, no caso dos períodos de apuração de 2006, os valores já lançados de ofício. O autuante informa ainda que o autuado somente apresentou DCTFs após o início da fiscalização, portanto, sem espontaneidade. Nessas DCTFs, foram indicados fatos geradores correspondentes aos valores previamente recolhidos espontaneamente por meio de Darfs com código de receita 3703, sendo que esses valores recolhidos foram apropriados na apuração dos créditos tributários lançados no presente auto de infração. Cientificado do auto de infração em 20/07/2011 (fl. 555), o autuado apresentou impugnação em 17/08/2011 (fls. 558/583), na qual, depois de dizer da tempestividade de sua defesa, alega: • na base de cálculo do Pasep, das receitas correntes arrecadadas ou próprias, devem ser deduzidas as transferências feitas a outras entidades da Administração Pública; • como no caso do alargamento da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, cuja inconstitucionalidade foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, o alargamento da base de cálculo promovido Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, também é inconstitucional; • a base de cálculo do Pasep determinada pela Lei nº 9.715, de 1998, não poderia contemplar, por afronta à Constituição Federal, os recursos provenientes das transferências (correntes e de capital), pois transferências (principalmente as de capital) não são receitas correntes efetivamente arrecadadas; • o auto de infração é ilegal porque afronta ao art. 15, da Lei nº 9.715, de 1998, e ao art. 110 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional; • a pretensão do art. 2º, inciso III, da Lei nº 9.715, de 1998, é ilegal por ferir o conceito de receitas efetivamente arrecadadas (como era disciplinado na Lei Complementar nº 8, de 1970, a base de cálculo do Pasep), afrontando ao art. 110 do CTN. Além disso, esse dispositivo da Lei nº 9.175, de 1998, afronta a repartição das receitas tributárias, prevista nos arts. 157, 158 e 159 da Constituição Federal; Fl. 600DF CARF MF Processo nº 10320.721576/201114 Acórdão n.º 3302004.892 S3C3T2 Fl. 3 3 • o auditor fiscal extrapolou o conceito fixado na Lei Complementar nº 8, de 1970, elegendo como base de cálculo o total das receitas, sem considerar as efetivamente arrecadadas, considerando indevidamente e ilegalmente as transferências provenientes de outras entidades da Administração Pública, motivo pelo qual referida apuração incide em erro; • feita a apuração correta do Pasep, o que se verifica é que os valores pagos via Darf são indevidos, pois a retenção na fonte foi superior ao valor apurado da contribuição. Por essa razão, temse a incidência da repetição de indébito, como previsto no art. 167 do CTN. Em 16 de junho de 2014, houve por bem a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ/SPO), por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, com base nos seguintes fundamentos: a) De plano, digase que o impugnante tem razão quando alega que da base de cálculo do PIS/Pasep devem ser deduzidas as transferências feitas a outras entidades da administração pública. Isso está previsto no art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998. Entretanto, ele não trouxe aos autos nenhum comprovante de que tenha feito alguma transferência a outra entidade pública que não tenha sido deduzida da base de cálculo pelo auditor fiscal, ao contrário do que determina o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972; e b) As demais alegações do impugnante se dirigem todas, direta ou indiretamente, à constitucionalidade das disposições da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, que fundamentaram a lavratura do auto de infração. Por isso, não podem elas ser apreciadas por esta Turma de Julgamento. Intimada da decisão de piso em 10.10.2014 (fls.591), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 05.11.2014 (fls.593597), alegando, em síntese, o quanto segue: (i) decadência; e (ii) nulidade do processo, pelo fato do fiscal ter perdido a competência de julgar o exercício de 2007 e 2008, e em relação ao exercício de 2006, o auto não possui validade por ser apurado e procedido em total desacordo com a legislação vigente. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 10.10.2014 (fls.591) e protocolou Recurso Voluntário em 05.11.2014 (fls.593597) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 601DF CARF MF 4 II Decadência Neste ponto,a Recorrente apresentou os seguintes argumentos: É de conhecimento público as dificuldades que os municípios brasileiros enfrentam para manter a máquina pública funcionando de modo a atender as necessidades mínimas de seus habitantes, dificuldade esta que é multiplicada quando se trata de municípios que não possuem setor industrial e/ou de prestação de serviços diversos amplamente desenvolvidos como é o caos do Município de Barra do Corda MA. Ao se realizar inúmeras auditorias relativas ao mesmo período e mesma contribuição ou tributo, piora a situação de municípios que já encontramse em condições precárias. A decadência do direito de lançar tributos e contribuições ou até mesmo a extinção destes, baseiase não em uma renúncia da Fazenda Pública (pois a obrigação tributária é indisponível), mas na necessidade de proteger os Municípios das incertezas e instabilidades das relações tributárias e previdenciárias. É de fácil percepção que a Recorrente não realizou nenhum pedido, tampouco explicitou de forma clara quais os motivos levariam este relator aplicar o prazo decadencial ao presente caso. Tal fato, por si só, desobrigaria este relator apresentar qualquer juízo de valor sobre as alegações da Recorrente. Entretanto, apenas por amor ao direito, espeito as partes litigantes e, principalmente por ser tratar de matéria de ordem pública, segue minhas considerações sobre a aplicação ou não do prazo decadencial. O Auto de Infração de fls. 0225 foi lavrado para cobrança da Contribuição para o PIS/PASEP, relativa aos fatos gerados ocorridos entre 01/08/2006 a 31/12/2008. A Recorrente, por sua vez, foi intimada do lançamento fiscal em 20.07.2011, conforme se verifica no AR carreado às fls.555. Em matéria tributário, o Código Tributário Nacional disciplinou o prazo decadencial para o ente público constituir o crédito tributário através dos artigos 150, §4º e 173, que assim dispõem: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. *** Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 602DF CARF MF Processo nº 10320.721576/201114 Acórdão n.º 3302004.892 S3C3T2 Fl. 4 5 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Em linhas gerais, o prazo previsto no primeiro dispositivo (Art.150, §4º), aplicase para os casos em que houver pagamento antecipado por parte do contribuinte, sendo que na ausência de pagamento, contase o prazo decadencial de 05 (cinco) anos por meio da regra prevista no artigo 173, I, CTN. No presente caso, ainda que fosse que realizado a contagem de prazo decadencial pelo método previsto no artigo 150, §4º, do CTN, ainda assim, não haveria que falar em aplicação do referido instituto, posto que entre a data do primeiro fato gerador e a intimação do contribuinte, não se ultrapassou o limite de 05 anos previsto na norma, a saber: FATO GERADOR INTIMAÇÃO PRAZO DECADENCIAL 01/08/2006 20/07/2011 01/08/2011 Neste cenário, afastase a incidência do prazo decadencial. III Nulidade do Lançamento Fiscal Segundo a Recorrente, há nulidade do lançamento fiscal pelos seguintes motivos: a) O delegado responsável pela fiscalização determinou que fosse realizada a fiscalização do período de jan/2007 a dez/2008; entretanto, o fiscal constatou existir débitos relativos ao período de 2006; b) Após o ente fiscalizador detectar supostos débitos de período anterior, o delegado realizou a alteração do MPF inicial e incluiu o período de 2006, fato este que caracteriza irregularidade no lançamento; c) Aliás, o período de 2006, já é objeto do processo 10320.003724/201026. d) Nestes termos, deveria a fiscalização ter lavrado Auto de Infração complementar especifico em relação a matéria modificada. Com todo respeito aos argumentos da Recorrente, não enxergo nulidade no lançamento fiscal pelo simples fato da fiscalização ampliar/alterar o período fiscalizado, desde que qualquer modificação seja precedida de intimação do contribuinte e, antes da lavratura do Auto de Infração No presente caso, todos os procedimentos fiscais foram devidamente cientificados à Recorrente e realizados antes da lavratura do Auto de Infração. Com efeito, o contribuinte teve total ciência dos procedimentos realizados pela fiscalização e do período fiscalizado (vide fls.2837), inexistindo, assim, qualquer irregularidade no lançamento fiscal. Insubsistente, também, é alegação de que o débito relativo ao período de 2006 está sendo exigido no processo nº 10320.003724/201026, posto que a Recorrente não Fl. 603DF CARF MF 6 demonstrou documentalmente tal assertiva, tratandose, assim, de mera alegação sem cunho probatória. Por fim, cabe esclarecer que no âmbito do processo administrativo fiscal, as hipóteses de nulidade são taxativamente previstas nos artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 19722. Sendo o auto de infração um ato administrativo, a declaração de nulidade somente pode ser suscitada em caso de lavratura por pessoa incompetente. Possíveis irregularidades, incorreções e omissões cometidas no auto de infração não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Portanto, rejeito o pedido de nulidade suscitado pela Recorrente. IV Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator 2 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 604DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910564/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 28/02/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.476
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 28/02/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 05 64 /2 01 1- 71 Fl. 139DF CARF MF Processo nº 16327.910564/201171 Acórdão n.º 3402004.476 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2004. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14060.571, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 28/02/2004 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 140DF CARF MF Processo nº 16327.910564/201171 Acórdão n.º 3402004.476 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 141DF CARF MF Processo nº 16327.910564/201171 Acórdão n.º 3402004.476 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 142DF CARF MF Processo nº 16327.910564/201171 Acórdão n.º 3402004.476 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.028647/91-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Nov 01 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2402-000.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora.
(assinado digital)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digital)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild.
RELATÓRIO
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora. (assinado digital) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digital) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 68 .0 28 64 7/ 91 -1 5 Fl. 1764DF CARF MF Processo nº 10768.028647/9115 Resolução nº 2402000.611 S2C4T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO De acordo com o Relatório Fiscal, em investigações internas a Comissão de Planejamento e Coordenação de Combate ao Contrabando COPLANC, comissão integrante ao Ministério da Fazenda, apurou uma série de exportações ilícitas. Tais exportações teriam se dado por meio de emissão de documentos falsos, que indicavam como produto a ser exportado piso cerâmico, no entanto, a real mercadoria que estava sendo exportada seria estanho. Em apertada síntese, a operação consistia na compra da mercadoria de diversos fornecedores do mercado interno e repasse, por intermediários, a empresas de importação e exportação, para que, então, o produto fosse embarcado ao exterior sob guarida de documentação falsificada. Alegadamente, várias empresas utilizadas na compra da mercadoria no mercado interno e sua exportação seriam de propriedade de Luiz Augusto Vacanti, chamado pelas autoridades como cérebro da operação fraudulenta. Eram de sua propriedade, ainda, a transportadora e empresa estrangeira destinatária da mercadoria no exterior, Estados Unidos. De acordo com as autoridades fiscais, o Recorrente seria sócio de uma sociedade de fato "Sociedade Comercial Exportadora", constituída, ainda pelo Sr. Luiz Augusto Vacanti e por uma das empresas de propriedade deste último, a Rodrilux Importadora e Exportadora Ltda, que teria sido utilizada como intermediária em muitos casos. Neste contexto, o Recorrente seria o braço de tal sociedade de fato, pois teria gerido empresas fantasma, mormente a Cover Comercial Exportadora Ltda. ("Cover"), em nome do qual teria sido efetuada uma partes das exportações fraudulentas. O nome do Recorrente teria sido expressamente citado nos termos a seguir (fl. 105): 1. Recibos emitidos pela empresa que teria cedido seus terminais portuários para empresas fantasmas Cover, teriam mencionado expressamente o nome do Recorrente. 2. Nas confissões de exfuncionários da empresa utilizada como agente comercial das operações, há menção de que estes foram subornados pelo Recorrente, para que emitissem BLs falsificados. 3. Que o Recorrente teria solicitado a um gerente geral de empresa ligada a comércio exterior, a indicação de uma empresa que pudesse atuar em nome de uma das empresas fantasma ligada ao esquema Cover. O Recorrente teria, ele próprio, confirmado tal solicitação. 4. Nas declarações de funcionários da agencia do Banco do Brasil, há menção de que era o Recorrente que trava dos negócios de uma das empresas fantasma Cover. Fl. 1765DF CARF MF Processo nº 10768.028647/9115 Resolução nº 2402000.611 S2C4T2 Fl. 4 3 5. Nas declarações do gerente de cambio do banco Bandeirantes, há menção de que todos os contratos de cambio da empresa fantasma Cover possuíam interveniência do Recorrente, que o procurava a fim de contratar as operações. 6. No exame grafotécnico do Serviço de Criminalística da Polícia Federal, concluiuse que a caligrafia constante de notas fiscais emitidas por empresa fantasma Cover, eram do Recorrente. 7. Que cheques emitidos pela empresa fantasma Cover, teriam grafia semelhante à do Recorrente. 8. A folha de pagamento da empresa fantasma Cover, do mês de março/90, teria sido montada a partir de nomes de exfuncionários de empresa cujo Recorrente foi gerente operacional até julho/1990. Tal folha teria sido necessária para desbloquear montantes no Banco Bandeirantes. 9. Em determinado contrato de prestação de serviços a empresa fantasma, constaria como testemunha o sobrinho do Recorrente e um então funcionário da empresa em que trabalhava como gerente operacional. Há alegação, ainda, que tal funcionário deveria ter possível relação de parentesco com a esposa do Recorrente. 10. Em declaração do gerente da empresa de agenciamento de cargas, há menção de solicitação por parte do Recorrente, de banco para abertura de conta da empresa fantasma. 11. Em declaração de exfuncionário da agencia marítima, o Recorrente, assim como o Sr. Luiz Vacanti, estavam cientes das exportações fraudulentas. 12. Em declaração de despachante aduaneiro, o Recorrente teria solicitado ao mesmo que assinasse vários requerimentos à IRF/Porto, tendo sido remunerado na maioria dos casos. 13. Nas confissões de exfuncionários da empresa cujo Recorrente era gerente operacional, há menção de que assinou, a pedido do Recorrente ou de seu sobrinho, contrato de prestação de serviços entre a empresa fantasma e a empresa Cash. O Relatório Fiscal aduz que a autoria das operações fraudulentas conduz a uma sociedade comercial de fato. Abstraindose as empresas fantasmas, surgem como gerenciadores dessas operações a empresa Rodrilux, na pessoa de seu sóciogerente Luiz Augusto Vacanti Junior, Luiz Augusto Vacanti e o Recorrente. Prossegue o Relatório Fiscal que tais pessoas, unindose em negociações promíscuas e comuns, efetuaram compras e vendas/exportações de estanho, contrataram o seu transporte, sempre pagando em dinheiro ou com cheque de terceiros, produziram documentação fraudulenta, aliciaram cúmplices, abriram contas bancárias em nome de empresa "fantasma" (Cover), subornaram funcionários, etc., tudo conforme previsto no art. 305 do Código Comercial Brasileiro. Cada um dos sócios cumpriu com notória dedicação e eficácia sua parte na empreitada ilegal. Fl. 1766DF CARF MF Processo nº 10768.028647/9115 Resolução nº 2402000.611 S2C4T2 Fl. 5 4 O envolvimento da empresa Rodrilux estaria configurada nas compras de estanho, na solicitação de sua analise química para exportação, e na colocação do produto em recintos alfandegados, em suas conexões nas cidades de Santos, Rio de Janeiro, e Campinas. A participação de Luiz Augusto Vacanti na sociedade de fato evidenciase nas compras de estanho, em nome da Rodrilux, no pagamento de frete, num pedido de analise química, tudo em nome da Rodrilux. De outra parte, além de exportador, comparece também como importador e/ou intermediário, agindo em nome de empresas estrangeiras, que, segundo o FBI, seriam de sua propriedade, o que demonstraria que as operações, inclusive no exterior, estiveram sob sua responsabilidade. E do Recorrente, que, escudandose na empresa fantasma Cover, administrou as operações da sociedade de fato no Rio de Janeiro, emitindo notasfiscais frias; contatando, contratando e efetuando pagamentos, subornando funcionários para produzirem documentos falsos; intervindo em exportações; tratando de assuntos sobre comércio exterior junto à CACEX; contratando câmbio no Bandeirantes/RJ.; solicitando a interveniência de terceiros para abrir conta bancária. e, quem sabe, ser autor da "Folha de Pagamento" fictícia utilizando se de nomes de exfuncionário empresa que trabalhava. Praticou, enfim, todos os atos que se fizeram necessários à viabilização dos embarques de estanho para o exterior, via Porto do Rio de Janeiro. De resto, a sujeição passiva desta sociedade comercial de fato, na relação jurídicotributária tem por fundamento o disposto no art. 126, III, do Código Tributário Nacional (CTN), c/c art. 95 § 12. do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto 85450/80 (RIR/80). Desta forma, foi lavrado Auto de Infração face a distribuição de rendimentos tributáveis decorrente de arbitramento do lucro efetivado na sociedade de fato, tendo em vista tal sociedade não possuir escrituração regular. Consideraramse rendimentos tributáveis decorrente do lucro arbitrado na pessoa jurídica, o lucro automaticamente distribuído diminuído do imposto incidente na pessoa jurídica e o prólabore correspondendo para o exercício financeiro de 1990 as quantias de NCz$ 517.667,14 e NCz$ 369.762,25 e para o exercício financeiro de 1991 as importâncias de Cr$7.208.972,03 e Cr$4.291.054,78, respectivamente. De acordo com a decisão recorrida, o demonstrativo dos cálculos da tributação decorrente anexado as fls. 32 do presente processo, assinala que do valor do lucro arbitrado houve a diminuição do imposto incidente na pessoa jurídica e que foi atribuído ao Recorrente o percentual de 50% (cinquenta por cento) relativo a sua participação. Houve, ainda, qualificação da multa de ofício de forma que foi aplicada sob percentual majorado de 150%. Regularmente intimado por via postal (A. R. de fls. 35), manifesta o Contribuinte o seu inconformismo através de mandatário constituído no instrumento particular de procuração (fls.40), aduzindo As fls. 38/39, em síntese, que nunca teve negócios com a firma Rodrilux ou com Luiz Augusto Vacanti. Fl. 1767DF CARF MF Processo nº 10768.028647/9115 Resolução nº 2402000.611 S2C4T2 Fl. 6 5 Instado a apresentar contrarazões A. defesa, um dos autores conforme informação fiscal As fls. 42, reitera a procedência do feito baseandose no relatório fiscal e nas provas documentais integrantes do processo origem de n° 10845.005221/91 33. Apesar de não ter sido alegado pela defesa a falta de conhecimento do aludido relatório fiscal, todavia, logrouse darlhe ciência do referido documento, propiciando nesta oportunidade uma nova manifestação de contrariedade, pela qual alegou mais uma vez que inexiste a sociedade de fato indicada no auto de infração (fls. 75/81). A nova impugnação acrescenta que o Contribuinte prestou serviços de despachante para uma infinidade de empresas de exportação e de importação e que preencher uma nota fiscal não significa emitila. Assinala que não tem valor legal as declarações tomadas no interior de uma empresa sem a presença de autoridade e competente para cunhálas de fé pública. Por fim, formula perguntas buscando respostas acerca da apuração da sociedade de fato e a forma de determinação do prólabore e da distribuição de lucros. Juntada aos autos a cópia do inteiro teor do processo n° 10845.005221/9133, constituindose de três anexos: Anexo1, Anexo2 e Anexo3. A decisão da autoridade de primeira instancia julgou improcedente a impugnação da Recorrente, cuja ementa encontrase abaixo transcrita: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA EXERCÍCIOS FINANCEIROS DE 1990 E 1991 DECORRÊNCIA DE ARBITRAMENTO No caso de comprovação de sociedade de fato e havendo o arbitramento do lucro da referida pessoa jurídica, constituemse rendimentos tributáveis na declaração de rendimentos da pessoa física do sócio, a remuneração atribuí da no arbitramento e o lucro distribuído proporcionalmente após descontado o imposto de renda incidente na respectiva pessoa jurídica LANÇAMENTO PROCEDENTE Cientificado da decisão de primeira instancia em 20/05/1997, o contribuinte apresentou tempestivamente, fl. 200/206, em 20/06/1997, o recurso voluntário as razões e argumentos a seguir mencionados. O Relatório Fiscal estoriou uma série da fatos que, absolutamente, não convergem para o fim a que se propôs. Para imputar ao Requerente a participação como integrante de suposta sociedade de fato, exatamente sob o titulo "Sociedade Comercial de Fato (exportação)", o Relatório Fiscal afirma os referidos atos praticados, que viabilizaram a exportação, como mencionado expressamente no Relatório Fiscal, devem se exclusivamente ao fato de ser o Requerente despachante legalmente habilitado, sendo, portando, justamente esta sua atuação profissional. Por estimativa, avaliouse o lucro da empresa RODRILUX Importação e Exportação Ltda., bem como a suposta participação do Requerente neste fictício lucro, fazendose incidir sobre este o débito fiscal verdadeiramente delirante e equivocado. O fato gerador de tributo face ao Requerente é, em suma, integrar o mesmo uma suposta sociedade de fato, embutida nas operações comerciais da firma RODRILUX Fl. 1768DF CARF MF Processo nº 10768.028647/9115 Resolução nº 2402000.611 S2C4T2 Fl. 7 6 Importadora e Exportadora Ltda., ou, ainda, ser esta, em verdade, uma sociedade de fato da qual, supostamente repitase, faz parte o Requerente, no que tange a uma exportação de estanho, exatamente porque o Requerente viabilizou vários embarques dessa mercadoria para o exterior, mas, de forma pouco atenta, não observou o Relatório Fiscal, nem mesmo a respeitável decisão ora atacada, serem tais procedimento parte integrante do oficio exercido pelo Requerente, qual seja, o de despachante especializado. É verdade que o Requerente viabilizou, como despachante especializado, o processamento de documentação própria, junto as repartições competentes referida viabilização caracteriza prestação de serviços de despachante, e estabelece uma relação comercial independente entre mandante e mandatário, contratante e contratado. Requerente prestou, durante os anos de sua atividade profissional, serviços de despachante, com atuação destacada, para uma infinidade de grandes sociedades comerciais de exportação e importação. Pretendese imputar ao Requerente responsabilidade ou atuação em suposta sociedade de fato, pelo simples fato de preencher Notas Fiscais se caracteriza renomado absurdo. A fiscalização reconheceu, de forma concreta, segundo o que autorizou a prova dos autos foi o que ficou assentado no Relatório Fiscal, às fls. 16 dos autos que os sócios são Luiz Augusto Vacanti e Cristina Teixeira Frias Vacanti. Isto sim é um fato devidamente provado, não passando todo o mais de mera ficção. Nenhum ato de gestão, em nome de qualquer sociedade foi concretamente indicado ou imputado ao Requerente, mas de maneira diametralmente contrária, como observado no item d, fls. 19 dos autos "(...) confirma ter feito o pedido acima para atender à solicitação do Sr. OZIRES (...)". Por tudo quanto acima exposto, se conclui que não ha prova concreta de ato algum, praticado pelo Requerente, que induza ter sido ele sócio de sociedade de fato alguma. Não se afirmou, em momento algum, ser a RODR1LUX uma sociedade de fato, mas ao contrário. Portanto, se não há sociedade de fato, não há ato algum suscetível de se identificar qualquer infração penal. Nestas condições e pelas razões expostas anteriormente, requerse a reforma integral da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 1769DF CARF MF Processo nº 10768.028647/9115 Resolução nº 2402000.611 S2C4T2 Fl. 8 7 VOTO Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora O recurso é TEMPESTIVO, eis que intimado da decisão no dia 20/05/1997, interpôs recurso voluntário no dia 20/06/1997, atendendo também às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser CONHECIDO. A controvérsia recursal cingese a caracterização do Recorrente como sócio de sociedade de fato, denominada "Sociedade Comercial de Fato", que seria alegadamente constituída pelo mesmo, a pessoa jurídica Rodrilux Importadora e Exportadora Ltda. (CNPJ nº. 60.412.368/000199) e a pessoa física de Luiz Augusto Vacanti (CPF nº. 247.241.06891). Neste sentido, segundo as autoridades fiscais, teria o Recorrente sido beneficiado pela distribuição de rendimentos tributáveis decorrente de arbitramento do lucro efetivado em tal sociedade de fato. Vale, neste momento, relembrar os fatos que levaram as autoridades fiscais a concluírem pela existência de sociedade de fato e que o Recorrente seria sócio da mesma. Diligencia Existência da Sociedade Comercial de Fato O Relatório Fiscal aduz que a autoria das operações fraudulentas conduz a uma sociedade comercial de fato. Abstraindose as empresas fantasmas, surgem como gerenciadores dessas operações a empresa Rodrilux, na pessoa de seu sóciogerente Luiz Augusto Vacanti Junior, seu pai, Luiz Augusto Vacanti e o Recorrente. Prossegue o Relatório Fiscal que tais pessoas, unindose em negociações promíscuas e comuns, efetuaram compras e vendas/exportações de estanho, contrataram o seu transporte, sempre pagando em dinheiro ou com cheque de terceiros, produziram documentação fraudulenta, aliciaram cúmplices, abriram contas bancárias em nome de empresa "fantasma" (Cover), subornaram funcionários, etc., tudo conforme previsto no art. 305 do Código Comercial Brasileiro. Cada um dos sócios teria cumprido com notória dedicação e eficácia sua parte na empreitada ilegal. O envolvimento da empresa Rodrilux estaria configurada nas compras de estanho, na solicitação de sua analise química para exportação e na colocação do produto em recintos alfandegados, em suas conexões nas cidades de Santos, Rio de Janeiro, e Campinas. A participação de Luiz Augusto Vacanti na sociedade de fato evidenciase nas compras de estanho, no pagamento de frete e pedido de analise química, tudo em nome da Rodrilux. De outra parte, além de exportador, aparece também como importador e/ou intermediário, agindo em nome de empresas estrangeiras, que, segundo o FBI, seriam de sua propriedade, o que demonstraria que as operações, inclusive no exterior, estiveram sob sua responsabilidade. E do Recorrente, que, escudandose na empresa fantasma Cover, administrou as operações da sociedade de fato no Rio de Janeiro, emitindo notasfiscais frias; contatando e Fl. 1770DF CARF MF Processo nº 10768.028647/9115 Resolução nº 2402000.611 S2C4T2 Fl. 9 8 contratando pessoas e efetuando pagamentos, subornando funcionários para produzirem documentos falsos; intervindo em exportações; tratando de assuntos sobre comércio exterior junto à CACEX; contratando câmbio no Bandeirantes/RJ.; solicitando a interveniência de terceiros para abrir conta bancária. e, quem sabe, ser autor da "Folha de Pagamento" fictícia utilizandose de nomes de exfuncionário empresa que trabalhava. Praticou, enfim, todos os atos que se fizeram necessários à viabilização dos embarques de estanho para o exterior, via Porto do Rio de Janeiro. Verificase que o presente processo decorre, necessariamente, da efetiva configuração de sociedade de fato, mérito que se discute no PAF 10845.005221/9133. Sendo assim, mister se faz obter cópia dos mencionados autos de forma a comprovar o transito em julgado do mesmo e em que sentido restou decidido o mérito. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 1771DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.002877/2008-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1999 a 31/12/2004
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1999 a 31/12/2004 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 28 77 /2 00 8- 05 Fl. 148DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 15504.002877/200805 Acórdão n.º 2202004.259 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.720131/2011-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006, 2007
IPI. REFLEXO DO IRPJ. COMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DO CARF.
Compete à Primeira Seção de Julgamento processar e julgar recurso voluntário que verse sobre crédito tributário decorrente do IPI, quando mero reflexo do IRPJ e formalizado com base nos mesmos elementos de prova (Portaria MF nº 343, de 2015).
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3201-002.215
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, para declinar da competência para a Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente-Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006, 2007 IPI. REFLEXO DO IRPJ. COMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DO CARF. Compete à Primeira Seção de Julgamento processar e julgar recurso voluntário que verse sobre crédito tributário decorrente do IPI, quando mero reflexo do IRPJ e formalizado com base nos mesmos elementos de prova (Portaria MF nº 343, de 2015). Recurso Voluntário não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, para declinar da competência para a Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Charles Mayer de Castro Souza - Presidente-Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira e Tatiana Josefovicz Belisário.
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score : 1.0
Numero do processo: 10830.002121/93-02
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 1999
Ementa: IPI VINCULADO. Juros de mora.
De acordo com o Art. 161 do C. T. N., os juros de mora são sempre
devidos qualquer que tenha sido o motivo determinante da mora.
Descabimento da multa do art. 364 II do RIPI dado que a falta de
pagamento do Imposto decorreu de invocação de isenção que se
demonstrou descabida.
Provido em parte o recurso especial da Fazenda Nacional.
Numero da decisão: CSRF/03-03.068
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, Dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a exigência dos juros de mora, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Joao Holanda Costa
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'''' • I CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS ,,,. n . - TERCEIRA TURMA ,,,;,-, Processo n° : 10830.002121/93-02 Recurso n° : RP1302-0.651 Matéria : IPI Recorrente : FAZENDA NACIONAL Sujeito Passivo : TEXTIL J. SERRANO LTDA Recorrida : 2a CÂMARA DO 3° CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sessão de :19 DE OUTUBRO DE 1999 Acórdão n° : CSRF/03-03.068 IPI VINCULADO. Juros de mora. De acordo com o Art. 161 do C. T. N., os juros de mora são sempre devidos qualquer que tenha sido o motivo determinante da mora. Descabimento da multa do art. 364 II do RIPI dado que a falta de pagamento do Imposto decorreu de invocação de isenção que se demonstrou descabida. Provido em parte o recurso especial da Fazenda Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, Dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a exigência dos juros de mora, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ----- „0„3:), E ON PEREIRA-FrODRI ES_ RESIDENTE i .7-'2ft/til J 9-ÃO fiOLAN DA COSTA /RELATOR FORMALIZADO EM: Q9 FEV 9nnnLu...,_ Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros : CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR ELOY DE MEDEIROS, HENRIQUE PRADO MEGDA, UBALDO CAMPELLO NETO e NILTON LUIZ BARTOLI. Ausente justificadamente o Conselheiro Fausto de Freitas e Castro Neto .,. Re , , Processo n° : 10830.002121/93-02 Acórdão n° : CSRF/03-03.068 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Recorrida : 2' CÂMARA DO 3° CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sujeito Passivo : TEXTIL J. SERRANO LTDA RELATÓRIO Com o acórdão 302-33.385, de 21 de agosto de 1.996, a 2 8, Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade arguida pelo contribuinte; por maioria de votos, quanto ao mérito, deu provimento parcial ao recurso voluntário apenas para excluir a penalidade prevista no art. 364 II do RIPI e os juros de mora. Entendeu a maioria da Câmara que, na conformidade do Decreto-lei n. 666/69, não tendo sido transportada a mercadoria em navio de bandeira brasileira, não se haveria de reconhecer qualquer favor fiscal que a pudesse beneficiar, segundo a definição dada pelo art. 6° do mesmo Decreto-lei; finalmente, também por unanimidade de votos, foi excluída a TRD incidente no período de fevereiro/91 a julho191 A Fazenda Nacional, inconformada com a exclusão da multa do art. 364, II do RIP! e dos juros de mora, vem recorrer à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Segundo ela, reconhecendo a Câmara que houve um ilícito fiscal, e em sendo de natureza objetiva a responsabilidade por infração, eis que, salvo disposição de lei em contrário, independe da intenção do agente de prejudicar a Fazenda Pública e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato; então, se há a infração, tem que ser imputada a pena. No tocante aos juros de mora, acrescenta que o art. 540 do RA determina que os "débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do dia seguinte ao do vencimento...", e esclarece em seu parágrafo 3° que os "juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial". Por fim, que, na conformidade do art. 161 do CTN e seu parágrafo único, os juros de mora só são excluídos em caso de consulta. 2 Processo n° : 10830.002121/93-02 Acórdão n° : CSRF/03-03.068 Instado a se manifestar dado o recurso especial da Fazenda Nacional, o contribuinte não o fez, porém. É o relatório. 3 Processo n° : 10830.002121/93-02 Acórdão n° : CSRF/03-03.068 VOTO CONSELHEIRO RELATOR JOÃO HOLANDA COSTA A matéria trazida a esta Câmara Superior de Recursos fiscais diz respeito à exclusão da multa do art. 364, lido RIP1 e dos juros de mora. O entendimento da Câmara para retirar a multa foi que, no caso de invocação da isenção, não houve falta de lançamento nem falta de pagamento do imposto dado que o contribuinte invocou a isenção de que entendia beneficiar-se, a qual dependia de apreciação ainda em ato de revisão aduaneira, como de fato aconteceu. Quanto aos juros de mora, diz apenas que foram indevidamente incluídos no lançamento do crédito tributário. A argumentação do voto da maioria quanto à multa do art. 364, II do RR, é bastante razoável e merece acolhida, sobretudo à luz do ADN/COSIT n° 10/ que desenvolve idêntico raciocínio com relação à multa de ofício do imposto de importação, nas hipóteses de aplicação que relaciona. Quanto aos juros de mora, porém, concordo com a argumentação da digna Procuradora da Fazenda Nacional, Dra. Inês Maria Santos de Sá Araújo. Com efeito, dispõe o art. 161 do CTN que, quando o contribuinte não paga o tributo no tempo certo, o crédito deve ser acrescido de juros de mora, pouco importando o motivo determinante da falta. Pelo exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Sala de Sessões, 19 de outubro de 1.999. ipÃo HOLANDA COSTA 4 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001820/2004-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC. INTEMPESTIVIDADE.
O PERC deve ser apresentado dentro do prazo de trinta dias contados da data do recebimento do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais emitido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme disposto no art. 15 do Decreto nº 70.235/72.
Nos casos em que a própria Administração Tributária concede prazo maior, aplica-se o prazo por ela estabelecido, sob pena de intempestividade.
Numero da decisão: 1301-002.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário da recorrente por intempestividade na apresentação do PERC. Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza manifestou interesse em apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Ângelo Abrantes Nunes, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior.
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO
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INTEMPESTIVIDADE. O PERC deve ser apresentado dentro do prazo de trinta dias contados da data do recebimento do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais emitido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme disposto no art. 15 do Decreto nº 70.235/72. Nos casos em que a própria Administração Tributária concede prazo maior, aplicase o prazo por ela estabelecido, sob pena de intempestividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário da recorrente por intempestividade na apresentação do PERC. Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza manifestou interesse em apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 18 20 /2 00 4- 16 Fl. 143DF CARF MF Processo nº 16327.001820/200416 Acórdão n.º 1301002.612 S1C3T1 Fl. 144 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Ângelo Abrantes Nunes, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão proferido pela 10ª Turma da DRJ/SPOI, que indeferiu a Manifestação de Inconformidade apresentada face ao Despacho Decisório que não conheceu do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC por intempestividade. Por bem relatar o ocorrido, valhome do relatório elaborado pelo órgão julgador a quo, complementandoo ao final: "Trata o presente processo de Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais – PERC, relativo ao anocalendário de 2001, exercício de 2002, formulado em 17/12/2004, pela empresa acima identificada (fls. 01). Conforme dados constantes da “Ficha 29 – Aplicações em Incentivos Fiscais” da Declaração de Rendimentos (fls.44), a contribuinte destinou parcela do imposto de renda recolhido para aplicação no FINAM. A solicitação do PERC foi motivada porque os incentivos fiscais destinados na Declaração de Rendimentos não foram confirmados pela Receita Federal, conforme demonstra o “Extrato de Aplicações em Incentivos Fiscais” de fls.03. Ocorre que o pedido de revisão foi indeferido, de acordo com despacho decisório da DIORT/DEINF/SP de 27/12/2004 (fls.85/87), nos seguintes termos: “(...) DECIDO: a) NÃO CONHECER o pedido de revisão de ordem de emissão adicional de incentivos fiscais relativo ao IRPJ/2002 formulado pelo interessado, e EXTINGUIR o presente processo sem apreciação de mérito em função do mesmo ter sido apresentado de forma intempestiva, não tendo sido respeitado o que preceitua o §5º, art.1º, do DecretoLei nº1.752/79;”. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, protocolizada em 13/01/2005 (fls.89/93), alegando em síntese que: 1. A opção pelo incentivo, PERC relativo ao IRPJ/2002, anocalendário 2001, foi devidamente apresentada e, por conseqüência, formalizada, na Declaração de Ajuste Anual, obedecidas as disposições legais. 2. A autoridade fiscal não manifestou no despacho decisório a razão pela qual deixou de liberar os incentivos fiscais. 2.1. Deve ser analisada a fundamentação legal pretendida pela autoridade fiscal, que buscou, provavelmente, o art.15, §5º, do DecretoLei nº1.376/74. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 16327.001820/200416 Acórdão n.º 1301002.612 S1C3T1 Fl. 145 3 2.2 O referido dispositivo veda a discussão do incentivo para aquela pessoa jurídica detentora do certificado já emitido em seu nome, mas que deixou de procurálo no prazo referido. Cumpre ressaltar que não é este o caso em epígrafe, haja vista não existir certificado emitido em nome da impugnante. 2.3. A decisão não foi precisa para proferir o fato que efetivamente constituiu a negativa da autoridade para liberação do recurso. Está sendo omitida a comprovação da existência de pendência que possa ter originado a presente negativa e cerceado o direito de defesa da impugnante. É o relatório." Ao apreciar a Manifestação de Inconformidade, na sessão realizada em 15/10/2007, a 10ª Turma da DRJ/SPOI indeferiu a solicitação e não conheceu do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC por considerálo intempestivo, conforme acórdão nº 1615.093, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. INTEMPESTIVIDADE. O Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC deve ser formulado pelo interessado optante até o dia 30 de setembro do segundo ano subseqüente ao exercício financeiro a que corresponder a opção. Cientificada do Acórdão DRJ/SPOI nº 1615.093, em 16/11/2007, conforme AR às fls. 115, a recorrente apresentou, tempestivamente, em 05/12/2007, recurso voluntário (fls. 116 a 123) alegando em síntese: O acórdão recorrido padece de legalidade pois o fundamento utilizado para indeferimento sob o argumento de intempestividade, ou seja, o art. 15, § 5º do DecretoLei nº 1.376/74, com a redação dada pelo art. 1º do DecretoLei nº 1.752/79, tem por escopo estipular prazo para que as pessoas jurídicas optantes do benefício fiscal procurem as ordens de emissão dos certificados, não sendo aplicável aos PERC; Alega que o que deve ser analisado não é o prazo para procura dos valores das ordens de emissão, mas sim a tempestividade da apresentação do PERC; Afirma que o prazo para interposição de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC é de cinco anos, contados a partir da data da entrega da DIPJ/2002, por se tratar o IRPJ de tributo sujeito à homologação e cujo prazo decadencial rege se pelo § 4º do art. 150 do CTN. Entende também, por analogia à Lei Complementar nº 118/2005, a qual estabelece o prazo de cinco anos contados da extinção do crédito tributário, ou seja, da data do pagamento antecipado para o contribuinte pleitear a restituição ou compensação de indébitos, que o prazo para interposição do PERC é de cinco anos. Transcreve jurisprudência do CARF corroborando seu entendimento. É o relatório. Voto Fl. 145DF CARF MF Processo nº 16327.001820/200416 Acórdão n.º 1301002.612 S1C3T1 Fl. 146 4 Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. A solução da lide passa pela análise da tempestividade do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais PERC, relativo ao anocalendário de 2001, exercício de 2002, protocolizado em 17/12/2004. A contribuinte defende a aplicação do prazo decadencial de cinco anos, contados a partir da data da entrega da DIPJ/2002 para interposição do PERC, todavia, o acórdão recorrido entende ser aplicável o prazo previsto no § 5º do art. 15 Decreto Lei nº 1.376/74, com a redação dada pelo art. 1º do DecretoLei nº 1.752/79, ou seja, 30 de setembro de 2004. A ausência de disposição legal que determine expressamente o prazo final para apresentação do pedido de revisão tem sido motivo de diversos litígios entre o Fisco e os contribuintes. Parte da jurisprudência administrativa no âmbito do CARF entende ser aplicável, por analogia, o prazo quinquenal, originalmente destinado a restituições e previsto no art. 168 do CTN: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art 3 da LCp nº 118, de 2005) II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. A aplicação do prazo quinquenal da decadência do direito à restituição ou compensação de indébitos é fundamentada: (i)na ausência de norma específica, (ii) em observância ao princípio da legalidade, o qual reserva à lei propriamente dita a fixação de prazos de caducidade em matéria tributária e (iii) em respeito ao equilíbrio entre o prazo do direito do Fisco para lançar e aquele dado ao sujeito passivo para pleitear seus direitos. Por outro lado, parte da jurisprudência, entende que em virtude da falta de determinação legal expressa quanto ao prazo para apresentação do PERC, seria aplicável o disposto no art. 15 do Decreto nº 70.235/72: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. A fundamentação para aplicação do dispositivo acima transcrito decorre da natureza processual da apresentação do PERC e sua equiparação à manifestação de inconformidade ou impugnação, contra o ato de indeferimento da administração. Filiome à corrente jurisprudencial que entende que o contribuinte possui o prazo de 30 dias contados do recebimento do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais emitido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, ressalvados os casos em que a própria Administração Tributária concede prazo maior. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 16327.001820/200416 Acórdão n.º 1301002.612 S1C3T1 Fl. 147 5 O procedimento administrativo para o gozo do benefício fiscal iniciase com a opção efetuada pelo contribuinte na Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ. Após o processamento das declarações e consulta aos demais sistemas de informação para comprovação da regularidade da opção, a Secretaria da Receita Federal do Brasil emite os Extratos das Aplicações em Incentivos Fiscais para os contribuintes. O extrato emitido tem por objetivo informar ao contribuinte a confirmação ou alteração dos dados relativos à opção pelos incentivos e propiciar o exercício do direito de defesa por meio do PERC. No caso concreto é incontroverso que a recorrente foi cientificada do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais em 26/05/2004, conforme documento anexado às fls. 7 e 8 do presente processo, e informação contida no item 7 do Recurso Voluntário: "7. De salientar, que o Recorrente não ficou inerte frente aos seus direitos, vez que procurou pelos valores das ordens de emissão dos títulos, e teve acesso ao "Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais" em 26/05/2004 (doc.2), ou seja, muito antes do término do prazo estipulado no artigo 15, § 5º do DecretoLei 1.752, de 31 de Dezembro de 1979." Importante ainda ressaltar que nas instruções do extrato enviado à recorrente, constava a seguinte informação: 3) EM CASO DE DIVERGÊNCIA ENTRE OS VALORES CONSTANTES DESTE EXTRATO E AS OPÇÕES CONSTANTES DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS DEVERÁ O CONTRIBUINTE PROCURAR O ÓRGÃO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL AO QUAL ESTÁ JURISDICIONADO ATÉ 30/09/2004 (DL 1.752/79, ART. 1º parágrafo 5º). Assim, seja pelo prazo de trinta dias previsto no art. 15 do Decreto nº 70.235/72 ou pelo prazo concedido pela Administração Tributária constante do extrato, o PERC protocolizado em 17/12/2004 é intempestivo. Nesse sentido o Acórdão nº CSRF/0105.754, de 10 de setembro de 2007, de relatoria do Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima: "Para definição do prazo de interposição do PERC, a autoridade de primeiro grau entende aplicável a espécie a regra decadencial do parágrafo 5o acima transcrito. Vê, contudo, que a hipótese fática específica dos autos não se subsume a previsão normativa, pois esse diploma legal trata dos casos em que as ordens de emissão de certificados foram homologadas e não resgatadas pelos beneficiados no FINAM até o dia 30 de setembro do segundo ano subseqüente ao exercício financeiro que corresponder a opção. No caso presente, não houve o reconhecimento do direito, por parte da SRF, peia opção em incentivos fiscais formalizada pela contribuinte. Foram, inclusive, emitidos Extratos das Aplicações com divergência de valor. Ressaltese que, alterando minha posição esposada no julgado que serviu de paradigma para o recurso especial, não vislumbro também a possibilidade de se empregar o prazo do art. 168 do CTN para a apresentação do PERC. Mesmo que se pretendesse equiparar o procedimento administrativo de aplicação do imposto de renda em investimentos do FtNAM ao procedimento de restituição/ressarcimento de tributo, seria o ato de opção da contribuinte pela aplicação no FINAM efetuada na DIPJ aquele ato que se equipararia ao pedido de ressarcimento do tributo. A apresentação do PERC, por outro lado, tem natureza processual e equiparase a manifestação de inconformidade contra o ato de indeferimento da Administração. O Fl. 147DF CARF MF Processo nº 16327.001820/200416 Acórdão n.º 1301002.612 S1C3T1 Fl. 148 6 PERC investe contra a alteração da opção pela aplicação prevista no incentivo, contida no Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais. Assim, entendo inaplicável a regra geral de restituição de tributos previsto do artigo 168 do Código Tributário Nacional para interposição do PERC. Acompanho a decisão recorrida, no entendimento de que o prazo aplicável é de 30 dias como previsto na regra processual o art. 15 do Decreto n° 70.235/72." Ademais, este também tem sido o entendimento jurisprudencial da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme as ementas abaixo transcritas: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1992 Ementa: INCENTIVOS FISCAIS, PERC. DECADÊNCIA Conforme precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o PERC tem natureza de recurso processual contra o indeferimento da opção pelo incentivo fiscal efetuada na declaração de rendimentos. Nos termos do Decreto nº 70.235/72, a perda de prazo processual para interposição de recurso administrativo ocorre apenas após transcorridos 30 dias da ciência da decisão, aplicandose esse mesmo prazo para o exercício do direito de defesa por meio do PERC. Recurso Especial do Procurador Negado. (Acórdão nº 9101001.155, Sessão de 03/08/2011) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ AnoCalendário: 2006 PERC. PRAZO. INÍCIO DA CONTAGEM. FALTA DE MARCO INICIAL. O PERC é, em essência, uma medida processual. À falta de determinação legal expressa, aplicase a regra do art. 15 do Decreto nº 70.235/72. Não se observando o marco inicial para a contagem do prazo pela falta de Extrato de Emissão ou outro documento que cientifique a Contribuinte do indeferimento de sua opção impossível identificar a intempestividade do PERC. (Acórdão nº 9101002.339, Sessão de 05/05/2016) Conclusão Em conclusão, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário da recorrente por intempestividade na apresentação do PERC. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Fl. 148DF CARF MF Processo nº 16327.001820/200416 Acórdão n.º 1301002.612 S1C3T1 Fl. 149 7 Declaração de Voto Apesar de ter acompanhado as razões do voto da i. Relatora, manifestei interesse de apresentar declaração de voto para consignar minha reavaliação em torno desta matéria, em face das discussões oportunas e sempre proveitosas com meus colegas de Turma. Isso porque, em outra oportunidade, quanto da apreciação da matéria em exame, no julgamento do processo 13896.002692/200710, adotei o entendimento de que na falta de norma expressa na fixação do termo inicial para Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, deve ser respeitado o prazo qüinqüenal previsto para o pedido de restituição ou compensação de tributos no CTN. Porém, melhor pensando sobre o assunto, passo a adotar entendimento diverso. A discussão reside na verificação do prazo para apresentação do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC. De acordo com a legislação pertinente, a pessoa jurídica tributada com base no lucro real, poderá optar pela aplicação de parcelas do imposto de renda devido em incentivos fiscais destinados ao FINOR, FINAM e FURES, sendo a opção manifestada na declaração de rendimentos ou no curso do anocalendário, nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado, apurado mensalmente, ou no lucro real, apurado trimestralmente. Com base nas opções exercidas pelos contribuintes e no controle dos rendimentos, a Secretaria da Receita Federal expedirá, em cada anocalendário, à pessoa jurídica optante, extrato de contacorrente contendo os valores efetivamente considerados como imposto e como aplicação nos fundos de investimento À época dos fatos, o artigo 15, §5º, do Decretolei n° 1.376, de 12 de dezembro de 1974, com a redação dada pelo art. 1º do Decretolei n° 1.752, de 31 de dezembro de 1979, assim preceituava: Art. 1° O artigo 15 do Decretolei n°1.376, de 12 de dezembro de 1974, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 15. A Secretaria da Receita Federal, com base nas opções exercidas pelos contribuintes e no controle dos recolhimentos, encaminhará, para cada e xercício, aos Fundos referidos neste Decretolei e à EMBRAER, registros de processamento eletrônico de dados que constituirão ordens de emissão de certificados de investimentos e ações novas da EMBRAER, em favor das pessoas jurídicas optantes. (...) §5° Reverterão para os Fundos de Investimento os valores das ordens de emissão cujos títulos pertinentes não forem procurados pelas pessoas jurídicas optantes até o dia 30 de setembro do segundo ano subseqüente ao exercício financeiro a que corresponder e opção." Posteriormente, o Decreto nº 7.574/2011, artigo 126, §2º, passou a tratar do assunto, regulamentando o prazo para a apresentação do PERC: Fl. 149DF CARF MF Processo nº 16327.001820/200416 Acórdão n.º 1301002.612 S1C3T1 Fl. 150 8 Art. 126. O contribuinte optante pela aplicação de parcelas do imposto sobre a renda devido em incentivos fiscais poderá pedir revisão da ordem de emissão de incentivos fiscais emitida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, quando não atendida a opção formalizada na Declaração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica Lucro Real. § 2º O pedido de revisão da ordem de emissão de incentivos fiscais deve ser apresentado, salvo prazo maior concedido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil: I no prazo de trinta dias, contados da ciência do extrato no qual as opções não aparecem formalizadas ou se apresentam com divergências (DecretoLei nº 1.752, de 1979, art. 3º; Decreto no 70.235, de 1972, art. 15); ou II até o dia 30 de setembro do segundo ano subseqüente ao exercício financeiro a que corresponder a opção, no caso de não recebimento do extrato (DecretoLei no 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. 15, § 5º, com redação dada pelo DecretoLei no 1.752, de 1979, art. 1º). §3º O disposto neste artigo obedecerá ao rito processual do Decreto no 70.235, de 1972 (Título II deste Regulamento). De acordo com estas normas, não recebido o extrato, o contribuinte possui até o dia 30 de setembro do segundo ano subseqüente ao anocalendário da opção para reclamar seus títulos; recebido o extrato invalidando, total ou parcialmente a opção, o prazo seria de 30 dias, no padrão para defesa em processo administrativo fiscal. No caso vertente, observase que a apresentação pelo interessado do pedido de revisão ocorreu somente em 17/12/2004, ocasião em que já expirara o prazo previsto para tal iniciativa, que se estendeu até 30/09/2004, conforme previsto no §5°, art. 1° do DecretoLei n°1.752/79, acima transcrito, com o que o pleito formulado pelo interessado mostrouse intempestivo. No corpo do referido extrato, constava o predito prazo, conforme cópia parcial que se colaciona abaixo: Assim, não se pode entender que não havia previsão normativa à época sobre o prazo de apresentação do PERC, de forma a aplicar as regras que tratam do prazo para Fl. 150DF CARF MF Processo nº 16327.001820/200416 Acórdão n.º 1301002.612 S1C3T1 Fl. 151 9 restituição/compensação de tributos contidas no CTN. Além do que deve ser ressaltado, no caso, que o próprio extrato já advertia a necessidade do contribuinte comparecer à Receita Federal para fins de esclarecer divergências de valores, como também indicava a base legal do prazo para apresentação do PERC. Conclusão Por esses fundamentos, voto no sentido de negar provimento ao recurso do contribuinte, reconhecendo a intempestividade do PERC apresentado. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 151DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003013/2005-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano calendário:2000, 2002
Ementa: SIMULAÇÃO. PROVA INDICIÁRIA. A prova indiciária é meio
idôneo admitido em Direito, quando a sua formação está apoiada em ma concatenação lógica de fatos, que se constituem em indícios precisos, “econômicos” e convergentes. Quando não convergentes como a infração relativa ao ano 2000 cancela-se o lançamento, caso contrário, mantém-se o lançamento como ocorreu na infração relativa à 2002.
SIMULAÇÃO ABSOLUTA. A simulação absoluta presente no caso
concreto diferencia-se da simulação relativa na medida em que cria apenas uma aparência que não se destina a ocultar por baixo dela um outro negócio dissimulado, diferentemente, portanto, da outra (simulação relativa) em que e há necessidade da existência de um negócio jurídico oculto, aquele realmente intencionado.
OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZADA SIMULAÇÃO. PROVAS.
É simulação quanto à pessoa o negócio jurídico que aparenta transferir direitos a pessoa diversa daquela à qual realmente se transmitem (art. 102 inciso I do Código Civil), que no caso concreto se configura em simulação absoluta quanto à pessoa. A “especial concessão do credor” no caso concreto redunda em perdão da dívida e baixa do passivo sem reflexo correspondente no ativo representando omissão de receitas. A simulação no caso ocorreu no
bojo da tentativa de justificar a quitação de dívida de eurobonds emitidos em 1994 não mais através do instituto do perdão da dívida, conforme informado originalmente ao banco central, mas através de complexas operações envolvendo a criação de empresa de fachada no exterior onde após sucessivas transferências de créditos entre empresas no exterior culminou com a
quitação daquela dívida assumida em 1994 e que se vencia em 2002, através de operação de dação em pagamento contaminada por negócio jurídico de transferência de crédito considerado simulado quanto à pessoa.
MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL DE 150%. CABIMENTO.
Estando devidamente caracterizado a simulação em que o dolo e o evidente intuito de fraude fazem parte de sua própria natureza, justifica-se a aplicação da multa de ofício no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento)
Numero da decisão: 1401-000.583
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso quanto à omissão de receitas referente ao ano calendário 2000, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto à omissão de receitas referente ao anocalendário
de 2002, vencidos os conselheiros Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Karem Jureidini Dias. Declarou-se impedido o Conselheiro Maurício Pereira Faro. Ausente momentaneamente o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos.
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano calendário:2000, 2002 Ementa: SIMULAÇÃO. PROVA INDICIÁRIA. A prova indiciária é meio idôneo admitido em Direito, quando a sua formação está apoiada em ma concatenação lógica de fatos, que se constituem em indícios precisos, “econômicos” e convergentes. Quando não convergentes como a infração relativa ao ano 2000 cancela-se o lançamento, caso contrário, mantém-se o lançamento como ocorreu na infração relativa à 2002. SIMULAÇÃO ABSOLUTA. A simulação absoluta presente no caso concreto diferencia-se da simulação relativa na medida em que cria apenas uma aparência que não se destina a ocultar por baixo dela um outro negócio dissimulado, diferentemente, portanto, da outra (simulação relativa) em que e há necessidade da existência de um negócio jurídico oculto, aquele realmente intencionado. OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZADA SIMULAÇÃO. PROVAS. É simulação quanto à pessoa o negócio jurídico que aparenta transferir direitos a pessoa diversa daquela à qual realmente se transmitem (art. 102 inciso I do Código Civil), que no caso concreto se configura em simulação absoluta quanto à pessoa. A “especial concessão do credor” no caso concreto redunda em perdão da dívida e baixa do passivo sem reflexo correspondente no ativo representando omissão de receitas. A simulação no caso ocorreu no bojo da tentativa de justificar a quitação de dívida de eurobonds emitidos em 1994 não mais através do instituto do perdão da dívida, conforme informado originalmente ao banco central, mas através de complexas operações envolvendo a criação de empresa de fachada no exterior onde após sucessivas transferências de créditos entre empresas no exterior culminou com a quitação daquela dívida assumida em 1994 e que se vencia em 2002, através de operação de dação em pagamento contaminada por negócio jurídico de transferência de crédito considerado simulado quanto à pessoa. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL DE 150%. CABIMENTO. Estando devidamente caracterizado a simulação em que o dolo e o evidente intuito de fraude fazem parte de sua própria natureza, justifica-se a aplicação da multa de ofício no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento)
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PROVA INDICIÁRIA. A prova indiciária é meio idôneo admitido em Direito, quando a sua formação está apoiada em ma concatenação lógica de fatos, que se constituem em indícios precisos, “econômicos” e convergentes. Quando não convergentes como a infração relativa ao ano 2000 cancelase o lançamento, caso contrário, mantémse o lançamento como ocorreu na infração relativa à 2002. SIMULAÇÃO ABSOLUTA. A simulação absoluta presente no caso concreto diferenciase da simulação relativa na medida em que cria apenas uma aparência que não se destina a ocultar por baixo dela um outro negócio dissimulado, diferentemente, portanto, da outra (simulação relativa) em que e há necessidade da existência de um negócio jurídico oculto, aquele realmente intencionado. OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZADA SIMULAÇÃO. PROVAS. É simulação quanto à pessoa o negócio jurídico que aparenta transferir direitos a pessoa diversa daquela à qual realmente se transmitem (art. 102 inciso I do Código Civil), que no caso concreto se configura em simulação absoluta quanto à pessoa. A “especial concessão do credor” no caso concreto redunda em perdão da dívida e baixa do passivo sem reflexo correspondente no ativo representando omissão de receitas. A simulação no caso ocorreu no bojo da tentativa de justificar a quitação de dívida de eurobonds emitidos em 1994 não mais através do instituto do perdão da dívida, conforme informado originalmente ao banco central, mas através de complexas operações envolvendo a criação de empresa de fachada no exterior onde após sucessivas transferências de créditos entre empresas no exterior culminou com a quitação daquela dívida assumida em 1994 e que se vencia em 2002, através de operação de dação em pagamento contaminada por negócio jurídico de transferência de crédito considerado simulado quanto à pessoa. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.015 2 MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL DE 150%. CABIMENTO. Estando devidamente caracterizado a simulação em que o dolo e o evidente intuito de fraude fazem parte de sua própria natureza, justificase a aplicação da multa de ofício no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso quanto à omissão de receitas referente ao anocalendário 2000, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto à omissão de receitas referente ao ano calendário de 2002, vencidos os conselheiros Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Karem Jureidini Dias. Declarouse impedido o Conselheiro Maurício Pereira Faro. Ausente momentaneamente o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Karem Jureidini Dias e Viviane Vidal Wagner. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.016 3 Relatório Tratase de recurso voluntário em vista do Acórdão nº 0318.350, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de BrasíliaDF. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: “Contra o sujeito passivo qualificado nos autos foram lavrados os autos de infração de IRPJ fl. 1115/1116, no valor total de R$ 79.799.176,01, o auto de infração de Contribuição Social fl. 1120/1121, no valor total de R$ 25.404.811,63. Anocalendário 2000 A contribuinte foi intimada a apresentar os registros contábeis das operações de venda de títulos Eurobônus à Valiant. Em seguida a contribuinte foi intimada a comprovar a compra dos Eurobônus, bem como o preço de aquisição dos referidos títulos, e o registro da remessa de divisas correspondente à operação de aquisição. Em resposta a contribuinte informou (resumo): Que emitiu notas de crédito (Euro Short Termo Note Programs). Estes recursos foram depositados junto ao agente vendedor dos títulos Eurovest Global Securities INC – Eurovest, à disposição do emitente; Mediante operações de “daytrade”, o contribuinte, ao precisar de recursos no Brasil, adquiria ativos no exterior, que eram liquidados com os recursos seus, depositados junto à Eurovest. No mesmo dia da aquisição, esses ativos eram vendidos a investidores no Brasil, que liquidavam a compra com depósito em reais a favor do contribuinte vendedor (Iochpe); As operações “daytrade” foram contabilizadas apenas pelos seus reflexos patrimoniais; Nas operações desenvolvidas pelo contribuinte, o instrumento financeiro é a nota de crédito emitida; o “daytrade”, que dela deriva, é instrumento financeiro que garantiu a efetivação da operação original; O “daytrade, não foi reconhecido contabilmente, conforme lhe facultaria instrução da CVM; não houve remessa de divisas na aquisição dos títulos, pois, os recursos estavam disponíveis no exterior, em razão da captação efetivada mediante a emissão das notas de crédito (Euro Short Termo Note Programs). Fl. 3DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.017 4 A contribuinte foi intimada a apresentar os documentos que comprovassem as operações acima. A análise da fiscalização é que a distribuidora contratada pelo contribuinte para distribuir os títulos em Euros a curto prazo, a Eurovest ficou interessada a adquirir os mesmos. O fato é que os títulos foram emitidos, mas não liquidados no mesmo ato, assim a contribuinte aceitou a venda sem a imediata contrapartida do preço. Os títulos não foram custodiados por nenhum órgão, estaria sem o ISIN (International Securities Identification Numbering System). Dessa forma, não se fez prova de que esses títulos tenham sido emitidos, e nem de que houve a efetiva compra desses títulos pela Eurovest. A afirmação que a contribuinte fez de que pagara os Eurobônus (adquiridos da Eurovest) com os recursos de caixa a que tinha direito, pela venda dos títulos em euros a curto prazo à própria Eurovest, não encontra confirmação nos documentos apresentados. Os documentos que provariam a existência dos Eurobônus não foram apresentados, pois, a Eurovest informara que estando nas Ilhas Virgens não seria obrigado a manter registros dos negócios. Nos contratos de compra, pelos quais a Iochpe adquire da Eurovest Eurobônus não há qualquer referência de que os pagamentos seriam feitos com os pagamentos a que a contribuinte teria direito, em razão da venda para a Eurovest, de títulos a curto prazo. Na realidade, o contrato que envolve a tradição de um título (que não aparece), em um instrumento particular seria inexistente. Não haveria, nos contratos, quem representaria as partes. Também não teriam testemunhas (contrato particular) em desacordo com o art. 135 do Código Civil de 1916, então vigente. Ademais, não foram lavrados a registro público, exigência do mesmo artigo daquele código. A operação de compra dos Eurobônus não está registrada na contabilidade da empresa em desacordo com o art. 251. do RIR/99. A operação de compra junto à Eurovest tem ares de ficção, tendo sido utilizada para respaldar uma suposta operação de day trade, pela qual os títulos, uma vez alienados à Valiant, justificassem o ingresso de disponibilidade financeira no patrimônio da Iochpe. A Valiant tem contra ela representações do Banco Central, pois, ela esta envolvida em operações relativas a transferências internacionais. Adicionalmente, a Valiant possuía patrimônio líquido em 2001 de R$ 3.610.866,11. Assim, como efetuar pagamento no ano de 2000 de R$22.277.306,02. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.018 5 A argumentação de que tais recebimentos tivessem origem na venda, à Valiant, de Euroobrigações adquiridas no mesmo dia da Eurovest, em operação de daytrade, não se sustenta, por falta de provas da existência quer da operação de lançamento de títulos denominados quer da aquisição e conseqüentemente venda das euroobrigações. Assim, os valores alegadamente recebidos da Valiant são resultados positivos, por representarem acréscimos patrimoniais sem qualquer contraprestação/ônus do contribuinte, e como tal devem ser adicionados ao resultado do exercício. A conduta da contribuinte foi de tentar iludir a autoridade fiscalizadora de divisas, o Banco Central do Brasil, foi de deixar de declarar, nos livros comerciais e fiscais, a compra dos Eurobônus, ocultando essa operação. Agindo assim, agiu com o propósito de receber recursos, no Brasil mediante operação fictícia com origem no exterior, ou o propósito de internalizar recursos seus no exterior sem a devida comunicação aos órgãos de controle cambial e tributário. Agindo assim tentou impedir a ocorrência do fato gerador. Para obter este fim agiu mediante conluio com a Eurovest e Valiant. Assim, constatado o dolo obteve a multa de 150%. Ano calendário 2002 A diligência fiscal foi iniciada com o propósito de verificar a remissão de dívida concedida ao contribuinte por credor com sede no exterior. Descrição dos fatos a) O contribuinte emitiu Eurobônus, em nov./94, obtendo assim recursos de 50 milhões de dólares no exterior; b) Em nov. de 1999, empresta a sua subsidiária americana, Iochpe Maxion USA, 30,31 milhões de dólares; c) Na qualidade de credor, cedeu, em dez/00,o seu crédito, junto à subsidiária, americana para a empresa Newbridge, sediada nas Ilhas Cayman; como contrapartida, receberia, em razão da cessão, o valor do contrato em dez/2001; d) A empresa Tugaske, com sede em Delaware, EUA, seria portadora de 38,27 milhões de dólares dos Eurobônus emitidos pelo contribuinte em 1994; mediante contrato de novação com o contribuinte, a Tugaske aceitou prorrogar o vencimento desses títulos de nov/02 para dez/2002, bem como anuiu em receber o seu crédito em reais, ou em créditos do contribuinte; e) Em dez/02, contribuinte transfere o seu crédito (U$ 38.726.076,67, que alegadamente teria contra a sua subsidiária americana, para a Tugaske, de modo que, com essa dação em pagamento, a Tugaske deu por quitadas todas as obrigações advindas do contrato de novação; Fl. 5DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.019 6 f) Em comunicado sem data, a Tugaske declara que, com “referência ao contrato de empréstimo” entre a Iochpe e a Tugaske, registrado sob a ROF#TA216148, a Iochpe “está dispensada do pagamento dos valores mencionados acima, através do mecanismo de transferência internacional de reais na data acordada” com base nessa manifestação, o contribuinte Iochpe Maxion S.A. solicitou ao Banco Central o cancelamento dos esquemas de pagamento (principal e juros) relativos ao citado ROF, declarando que a não efetuação da “transferência internacional de reais” se justificaria “por especial concessão do credor”. A fiscalização afirma que a contribuinte obrou simulação a saber: a) no contrato de cessão de empréstimo firmado a partir de 1º de dezembro de 2000, as partes Iochpe Maxion S.A. (cedente), Iochpe Maxion USA (tomadora) e Newbridge Strategic Partners (financiadora), são representadas pelas mesmas pessoas físicas. Tal representatividade faz pressupor que a Newbridge é empresa do mesmo grupo; b) Os contratos de empréstimos INTL 99/255 e INTL 99/259, nas quais o contribuinte era credor da Iochpe maxion USA, já haviam sido transferidos para a Newbridge. Ao fazer a cessão de seus mútuos entre as empresas do mesmo grupo (as Ilas), o contribuinte era credor da Newbridge pelo valor de U$ 34.844.712,78, em 01122000. Uma vez cedidos, as INTL 99/255 e INTL99/259 seriam exigíveis pelo cessionário, novo titular do crédito inserido nessas Ilas. O contribuinte não tinha qualquer direito sobre as Ilas que alega ter dado em pagamento à Tugaske, uma vez que as mesmas foram objeto de cessão, em data anterior à Newbridge. c) Não há vantagem financeira para a Newbridge, o que por si só coloca em dúvida o fato de o negócio ser comutativo. d) Por coincidência a Tugaske adquiriu, no mercado internacional, notas de médio prazo emitidas pelo contribuinte; aceitou receber o seu crédito em reais; e aceitou receber, como pagamento feito em dação, Ilas que já não pertenciam ao contribuinte, mas à Newbridge, que as recebera por contrato de cessão acordado em 2000. Por coincidência, o valor que a Tugaske tinha a receber pelas suas notas de médio prazo (Eurobônus) coincidiram com o valor das Ilas que ela aceitou, em dação em pagamento, o que evitou o transtorno de se calcular o valor que deveria ser pago a título de troco. e) Em carta não datada, a Tugaske declara que o contribuinte está dispensado do pagamento dos seguintes valores, relativos a contrato de empréstimo registrado no Banco Central sob o ROF# TA 216148: R$ 135.611.471,12, de principal, e R$ 1.409.794,25, de juros. O estranho, além de a carta não trazer qualquer datação, é o fato de a Tugaske não fazer qualquer Fl. 6DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.020 7 referência ao acordo pelo qual aceitou a dação das Ilas como pagamento de seu crédito constante nas notas de médio prazo. Ora, dispensar o credor do pagamento de valores não é o mesmo que dizer que o crédito foi quitado mediante dação de pagamento. A contribuinte declarou, em sua carta dirigida ao Banco Central, também sem data, que deixaria de efetuar a “transferência internacional de reais na data ajustada contratualmente por especial concessão do credor...” Para o contribuinte pareceu de pouca importância comunicar ao órgão de controle cambial a sua operação de dação em pagamento, uma vez que preferiu avisar que a não transferência se daria pó camaradagem do credor. f) Os títulos representativos das notas de médio prazo não estavam registrados em qualquer órgão de certificação, sob o código ISIN; desse modo o alegado crédito da Tugaske, no valor de U$ 38.270.000,00 supostamente derivado das notas de médio prazo (Eurobônus), não estava registrado em qualquer órgão que desse publicidade a esses títulos, de modo a tornálos reconhecidos perante terceiros e dotados de exigibilidade e segurança jurídica para o interessado credor. A Tugaske aceitou substituir a certificação das notas de médio prazo (Eurobônus) por um certificado particular, emitido pelo contribuinte, no qual, entre outras peculiaridades, há a restrição: “fica vedado o registro...” g) O contrato de novação, datado de 26112002 não identifica as pessoas físicas que representam e manifestam a sua vontade em nome das partes; quanto à pessoa que representa a pessoa jurídica Tugaske, indicada em documento traduzido como sendo o Sr. Ronaldo Aldworth, não há como atestar a sua identidade, uma vez que esse putativo representante legal, nomeado como diretor da Tugaske, não está juridicamente qualificado no instrumento apresentado. h) O contrato de novação não tem testemunhas, o que o torna anulável à Luz da legislação vigente em 2002. Concluise que a contribuinte arquitetou operação que, pelo aspecto cambial, resultou na falta de remessa de divisas a que se obrigara, a qual se daria pelo pagamento, a ser realizado no exterior, em razão do vencimento das notas de médio prazo (Eurobônus). O perdão da dívida tem, na legislação do Imposto de Renda, um tratamento equivalente ao da doação. Como representa um aumento do patrimônio líquido, o valor objeto de perdão deve ser adicionado ao resultado do exercício, para efeito de tributação. Da exposição dos fatos concluise que o contribuinte arquitetou operações financeiras junto com a Newbridge e Tugaske. Na realidade, a Newbridge não seria propriamente um terceiro, pois, foi representada pelo presidente e tesoureiro do contribuinte. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.021 8 DA MULTA QUALIFICADA A contribuinte praticou fraude, pois, declarou ao Banco Central que por especial concessão de seu credor, Tugaske, deixou de realizar transferência internacional em dólares, com o fim de impedir a ocorrência do Fato Gerador. Agiu em conluio com outras pessoas jurídicas, não nacionais, com o propósito de praticar o ato fraudulento acima descrito. Por tudo isso, teve sua multa de 150%. A contribuinte impugna: IOCHPEMAXION S.A., pessoa jurídica de direito privado, situada na Rua Luigi Galvani, n° 146,13° andar, Brooklin Novo, São Paulo, SP, inscrita no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas do Ministério da Fazenda sob o n° 61.156.113/000175 (Doe. 01), por seus advogados que esta subscrevem, (Does. 02), vem, respeitosamente, à presença de V.Sa., nos termos dos artigos 14 e seguintes do Decreto n° 70.235/72, apresentar tempestivamente sua IMPUGNAÇÃO ao Auto de infração decorrente do Mandado de Procedimento Fiscal n° 0819000/02476/05, lavrado em 31/10/2005, requerendo o seu conhecimento e posterior julgamento pela Delegacia de Julgamento competente, pelas razões de fato e de direito a seguir aduzidas. 1 I DA TEMPESTIVIDADE Nos termos do artigo 15 do Decreto n." 70.235/72, que rege o processo administrativo tributário federal, o prazo para o oferecimento de Impugnação é de 30 dias contados da data em que for efetivada a intimação da exigência. Determina, outrossim, o artigo 5° do Decreto n.° 70.235/72 que "os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato", "excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento". Considerando que a Impugnante veio a tomar ciência da lavratura do auto de infração em 31 de outubro de 2005 (segundafeira), conforme recibo de fls. 1115 e 1120, o termo final para a apresentação da presente impugnação administrativa é dia 30 de novembro de 2005 (quartafeira). Portanto, se interposta até o dia 30 de novembro de 2005 (quartafeira), como de fato está sendo, a impugnação é tempestiva, razão pela qual deverá ser conhecida e julgada por essa Turma de Julgamento. II DOS FATOS A Impugnante é uma conceituada empresa que atua no ramo de fabricação, usinagem, montagem, distribuição ou venda de quaisquer tipos de motores e veículos, importação de matérias primas e produtos intermediários, tendo, também, como objetivo Fl. 8DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.022 9 social a participação em outras sociedades nacionais ou estrangeiras, como sócia, quotista ou acionista. Consciente de suas obrigações tributárias, a Impugnante sempre mantém, perante esta Administração, uma postura acima de qualquer critica, recolhendo os tributos e contribuições devidas em decorrência do exercício de sua regular atividade. Assim, como empresa boa pagadora de suas obrigações tributárias, a Impugnante sempre disponibiliza, ao Fisco Federal, todas as informações que lhe são requeridas, zelando pela fidedignidade delas, o que faz através do cumprimento das diversas obrigações acessórias exigidas pela legislação vigente. Dentro da conduta, antes mencionada, foi que a Impugnante durante todo o processo de diligências risca realizado através dos Termos de Início de Fiscalização autorizados pêlos Mandados de Procedimento Fiscal (MPF) n°s 2004017926 e 2005024764 cujo objetivo era analisar o cumprimento das obrigações, principais e acessórias, dispostas em lei, pela Impugnante fiscalização essa que se iniciou em 21/09/2004, atendeu todas as solicitações que lhe foram formuladas pelas autoridades fiscais, fossem tais solicitações feitas de forma escrita, fossem verbalmente feitas. Mais do que isso, a Impugnante sempre se colocou, através de seus representantes e procuradores, à inteira disposição desta Administração para apresentar e esclarecer tudo o quanto fosse necessário para fins de melhor compreensão dos atos negociais praticados durante os exercícios de 2000 e 2002. Ocorre que, em 31/10/2005, a Impugnante foi surpreendida com a lavratura de 02 (dois) autos de infração, ora impugnados, através dos quais as autoridades administrativas estão a exigir, indevidamente, créditos tributários nos valores de R$ 79.799.176,01 (setenta e nove milhões, setecentos e noventa e nove mil, cento e setenta e seis reais e um centavo) e R$ 25.404.811,63 (vinte e cinco milhões, quatrocentos e quatro mil, oitocentos e onze reais e sessenta e três centavos), acrescidos de multa, igualmente indevida, de 150% (cento e cinqüenta por cento) e juros de mora, a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSSL), respectivamente, relativamente aos anosbase de 2000 e 2002, por entenderem, incorretamente e sem qualquer suporte em qualquer prova ou documento, ainda que indiciarias, que houve omissão de receitas pela Impugnante durante os respectivos exercícios. (Doc.03) Todavia, não merece prevalecer nenhuma das acusações levadas a efeito através de referida autuação fiscal, na medida em que todo o ato negocia praticado pela Impugnante deramse nos estritos termos da lei, conforme cabalmente comprovado através de toda a sua documentação suporte. Neste contexto, demonstrará a Impugnante, de forma clara e objetiva, que não é possível imputar aos atos e negócios jurídicos praticados durante o exercício de 2000 e 2002, Fl. 9DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.023 10 qualquer conduta suspeita ou censurável, pois em todo momento praticou atos válidos e lícitos no exercício regular de sua atividade. Outrossim, cabe referir que a Impugnante, como contribuinte de boafé, acredita no processo administrativo fiscal e na aplicação e respeito aos seus princípios pelas autoridades administrativas responsáveis por sua condução sem que haja qualquer prejuízo para ambas as partes envolvidas no processo. Por esta razão, espera a Impugnante que essa Delegacia de Julgamento, pelas razões de fato e de direito a seguir demonstradas, anule o auto de infração ora combatido. III DA NARRATIVA DOS ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS PRATICADOS PELA IMPUGNANTE III.1. Da operação de "Day Trade" praticada pela Impugnante para disponibilizar, no Brasil, os recursos auferidos no exterior através da captação do "Euro Short Term Note Program" Antes de adentrar na descrição das operações praticadas pela Impugnante, propriamente ditas, importa ressaltar que diversas vezes, durante o procedimento de fiscalização, bem como na lavratura do Termo de Verificação Fiscal, a autoridade administrativa confundiu "EUROBÔNUS" com "EURO SHORT TERM NOTE" e viceversa, o que de fato dificultou a sua compreensão acerca da operação realizada. Logo, desde já, a Impugnante esclarece que se tratam, efetivamente, de títulos diversos, os quais tiveram participações diversas nas operações abaixo transcritas, conforme será demonstrado. Senão vejamos: A Impugnante no exercício de sua atividade econômica emite, regularmente, para captação no mercado internacional, notas de crédito de curto prazo denominadas "EURO SHORT TERM NOTE”, conforme demonstra documentação anexa (Does. 04). Neste contexto, em junho de 2000, lançou no exterior uma operação de captação de recursos através da emissão de referidas notas no valor correspondente a US$ 30.000.000,00 (trinta milhões de dólares), conforme cópia dos documentos originais de emissão em inglês acompanhados de respectiva tradução juramentada (Does. 05), bem como da autorização prévia emitida regularmente pelo Banco Central do Brasil Bacen (Doe. 06). A emissão, em referência, objetivava a captação de recursos com encargos menores que os correntes no mercado brasileiro, fato público e notório (as taxas de juros internas sempre foram, em muito, superiores às taxas praticadas no mercado externo). Nesta operação, o agente distribuidor dos títulos no mercado internacional, eleito pela Impugnante, era a empresa Eurovest Global Securities Inc. (Eurovest). Integrante do grupo Eurovest, grupo este com credibilidade reconhecida no mercado nacional e internacional (Doe. 07), especializado na estruturação e emissão de títulos corporativos latinoamericanos no mercado brasileiro e na negociação de papéis de empresas brasileiras Fl. 10DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.024 11 emitidos no exterior, sendo ainda o agente de pagamento, o Banco Deutsche Bank AG London. À medida que os "EURO SHORT TERM NOTE" eram vendidos a investidores no mercado internacional (Doe. 08), os recursos oriundos dessa venda eram recebidos pela Eurovest, em conta de sua titularidade no exterior, à disposição da Impugnante, conforme se depreende dos lançamentos contábeis efetivados (Does. 09). Cabe referir, que entre junho e outubro de 2000, houve a venda efetiva de US$ 25.000.000,00 (vinte e cinco milhões de dólares) do total de US$ 30.000.000,00 (trinta milhões de dólares) de notas de crédito emitidas pela Impugnante. Para tomar disponível no Brasil, de forma mais ágil, os recursos que estavam em poder da Eurovest, a Impugnante adquiriu títulos no exterior, com os recursos obtidos através de referida captação e, em poder de Eurovest, para em seguida vendêlos a empresa investidora brasileira, no Brasil e, dessa forma viabilizar o recebimento dos recursos em território nacional, conforme cópias dos originais em inglês e tradução juramentada dos "Contratos de Compra" (Does. 10). Os ativos comprados, no exterior, pela Impugnante para permitir o ingresso de recursos no País, de vez que em seguida foram revendidos, eram "EUROBÔNUS" ou "Euroobrigações", na modalidade "Fixed Rate Notes" ou "Médium Temi Notes", conforme Certificado de Registro n° B41/00447 do Banco Central do Brasil (Bacen) (Doe. 11). Notese, desde já, que não faz sentida toda alusão que a autoridade fiscal faz acerca da existência dos referidos títulos, sendo que essa existência foi certificada por autarquia federal e, como tal, dotada de fé pública. A operação de aquisição de títulos, seguida de revenda, quando realizada no memo dia, é designada pela lei brasileira como operação "day trade", regulada para efeitos societários, inclusive contábeis, comerciais e tributários, sendo irrelevante onde estão situados os agentes na operação, no Brasil ou no exterior, sendo apenas relevante que ela gere efeitos no Brasil. Dessa forma, a Impugnante realizou operação "day trade", conforme cópia dos respectivos contratos já referidos, consistindo ela, no seu conjunto, na prática de 02 (duas) operações distintas realizadas no mesmo dia, a saber: (i) a aquisição de EÜROBÔNUS, pela Impugnante, utilizandose para liquidação de tais aquisições, dos recursos das notas de crédito ("EURO SHORT TERM NOTE") mantidos na conta da Eurovest, distribuidora da emissão, nos seguintes valores (vide Docs.10): (tabela) (ii) a venda de EUROBÔNUS, pela Impugnante, à empresa brasileira denominada Valiant Consultoria e Serviços Fl. 11DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.025 12 Empresariais Lida. (Valiant), conforme comprovam os "Contratos de Compra e Venda de Títulos" (Does. 12). A operação "day trade", ora descrita, foi o instrumento financeiro adotado pela Impugnante, para permitir a operação de ingresso dos recursos referentes à captação, no exterior, pela Impugnante. De acordo com a Comissão de Valores Mobiliários CVM (Instrução CVM n° 135/95), denominase instrumento financeiro todo contrato que dá origem a um ativo financeiro em uma empresa e um passivo financeiro ou título patrimonial em outra empresa. Além disso, a operação "day trade", em referência, é um derivativo do passivo referente aos títulos "EURO SHORT TERM NOTE", pois o instrumento financeiro original é a nota de crédito, enquanto a compra e venda de ativos (daytrade) que dele deriva, é o instrumento financeiro que garante (confere lastro) à operação pretendida. Nesse sentido, em atendimento às determinações da Instrução CVM n° 235/95, entidade à qual a Impugnante se submete, na qualidade de companhia aberta, foram registrados todos os reflexos patrimoniais da operação de "day trade", em regime de competência, da seguinte forma: (i) na contratação de empréstimo no exterior: conta de passivo (pela obrigação assumida) e conta de ativo (pêlos recursos a receber) e (ii) na realização do ativo que permitiu a liberação dos recursos de captação no Brasil: crédito em conta de ativo pelo ingresso de recursos e pela baixa da disponibilidade a receber. Outrossim, cabe referir que a operação de "day trade" acima descrita, permitiu à Impugnante tomar disponíveis, no Brasil, mediante depósito em sua conta corrente, parte dos recursos correspondentes à captação das notas de crédito de curto prazo, emitidas em junho de 2000, no valor equivalente à US$ 25.000.000,00 (vinte e cinco milhões) (Does. 13): (tabela) Importante esclarecer que a Impugnante não tem ou teve conhecimento, e nem tinha interesse em ter, da situação patrimonial da empresa Valiant, a adquirente, no Brasil, dos ativos EUROBÔNUS, utilizados para permitir o recebimento de recursos, no País, posto que os valores acima relacionados de fato foram pagos à Impugnante na data aprazada, nos termos dos "Contratos de Compra e Venda de Títulos" firmados entre as partes envolvidas. Inclusive, em função do próprio dinamismo do mercado financeiro, caracterizado pela intermediação, não é prática entre compradores e vendedores, nem muito menos é requerido, o conhecimento prévio das partes, fato que nunca ocorre, de vez que cabe ao intermediário ou distribuidor efetivar as operações. Dessa forma descabe argumentar quanto à realização de uma investigação acerca da condição dos negociantes, sendo certo que este papel sempre é feito pela corretora de valores envolvida, como aconteceu no caso em análise. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.026 13 Toda operação acima descrita foi devidamente reconhecida nas demonstrações contábeis da Impugnante, conforme demonstram os seus livros Diários e Razão (Does. 14). A este respeito cabe referir, inclusive, que TODOS O GANHOS/PERDAS gerados pela referida operação foram reconhecidos contabilmente, COMPONDO, desta forma, O RESULTADO TRIBUTÁVEL DE 2000. Logo, ao contrário do que restou consignado pelas autoridades administrativas não houve, em momento alguma omissão de receita pela Impugnante que justifique a exigência de crédito tributário da Impugnante através da presente autuação fiscal. Ora, como se alegar que algo foi omitido quando todos os detalhes da operação foram e estão registrados nos livros e registros da companhia e, mais ainda, passaram pelo crivo da autoridade monetária brasileira, ou seja, o Banco Central do Brasil! Acrescentase que o mecanismo de "daytrade" permitiu à Impugnante tomar disponíveis no Brasil os recursos correspondentes à captação já referida, obtendose ao final o seguinte resultado: (i) a Impugnante captou recursos por custos inferiores aos correntes no mercado brasileiro; (ii) a contraparte "distribuidora" de ativos (Euro Short Temi Notes), a Eurovest, no exterior, recebeu a totalidade de recursos correspondentes à colocação dos ativos; (iii) a Impugnante recebeu, no Brasil, o montante de recursos captados, mediante "venda" local dos ativos adquiridos no exterior, EUROBÔNUS, recebendo em reais o correspondente valor; (iv) a Impugnante aplicou os recursos recebidos em suas operações no Brasil. Portanto, a Impugnante foi, em todo momento, fidedigna ao afirmar que tinha como objetivo ao emitir os "EURO SHORT TERM NOTE " captar recursos no mercado internacional com encargos menores que os correntes no mercado nacional, uma vez que foi exatamente isto que se operou. Inclusive, o fato de a Impugnante ter optado pelo recebimento dos valores em reais, no Brasil, através de operações daytrade, em nenhum momento é apto a demonstrar, como alegado pelo agente fiscal, que os valores não foram captados da forma pretendida e, pior, que não foram dirigidos aos objetivos sociais da pessoa jurídica. De onde partiu a d. autoridade fiscal e onde se baseou para tirar tal conclusão não se sabe, eis que toda a documentação que lhe foi apresentada e que se encontra juntada nesses autos indicam justamente o contrário. Verificase, assim, da simples leitura dos fatos acima descritos e dos documentos novamente juntados que, ao contrário do concluído pela autoridade fiscal, a Impugnante efetivamente Fl. 13DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.027 14 realizou 05 (cinco) operações de compra e venda de "EUROBÔNUS" a uma empresa sediada no Brasil como parte de operação de "daytrade", o que é suficiente para afastar a acusação infundada de "omissão de receita" imputada à Impugnante. III. 2. Da operação de dação em pagamento realizada entre a Impugnante e a empresa Tugaske De início, importa notar que constam do Termo de Intimação Fiscal, dúvidas que já foram objetivamente esclarecidas pela Impugnante em resposta aos termos de diligência fiscal, posto que a mesma pautouse, durante o processo de fiscalização, de forma a atender todas as solicitações que lhe foram formuladas, as quais serão, novamente, demonstradas, a fim de que não mais persistam dúvidas acerca da licitude da operação de dação em pagamento praticada pela Impugnante durante o exercício de 2002. A dação em pagamento é uma modalidade de extinção de obrigação prevista pelo Código Civil, por meio da qual o credor concorda em receber do devedor, prestação diversa da que lhe é devida. Assim, é da essência do instituto da dação em pagamento a entrega de uma coisa que não seja dinheiro, em substituição da prestação que era devida, através de um acordo de vontades entre credor e devedor. Em estrita observância ao nosso ordenamento jurídico, a Impugnante realizou uma operação de dação em pagamento, em 29/11/2002, na qual utilizouse de um crédito que detinha contra sua subsidiária integral, empresa Newbridge Strategic Parmers (Newbridge), para quitar dívida com uma empresa credora, sediada nos Estados Unidos, denominados Tugaske hivestments, LLC (Tugaske). Neste contexto, para fins de melhor compreensão da operação de dação em pagamento realizada pela Impugnante, demonstrarse á adiante, de forma bastante clara e objetiva, a origem do crédito da Impugnante contra a Newbridge e a origem da dívida existente entre a Impugnante e a Tugaske. Senão vejamos. O crédito detido contra a Newbridge, pela Impugnante, teve como origem um empréstimo da Impugnante à sua subsidiária integral, em Miami, chamada lochpe Maxion USA, Inc. (lochpe Miami), conforme: (i) contrato de mútuo INTL 990255, firmado em 03/11/1999, no valor de US$ 14.310.000,00 (quatorze milhões, trezentos e dez mil dólares) (Doe. 15), (ü) contrato de mútuo 990259, no valor equivalente a US$ 16.000.000,00 (dezesseis milhões) (Doc.16) e (iii) cópia do Livro Razão (Doe. 17). À data da contratação, as importâncias emprestadas representavam R$ 59.178.656,83 (cinqüenta e nove milhões, cento e setenta e oito mil, seiscentos e cinqüenta e seis reais e oitenta e três centavos). Tais valores foram remetidos, na ocasião, para lochpe Miami, através de Transferências Internacionais de Reais, operações Fl. 14DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.028 15 devidamente autorizadas pelo Bacen e processadas pelo Banco Bradesco S.A (INTL 9902255) e pelo Banco Unibanco (INTL 99022), conforme comprovam a cópia das telas de registro dessas operações no Bacen (transação PCAM 260) e cópia dos estratos bancários (Does. 18). Ocorre que a Impugnante, na qualidade de credora, resolveu substituirse, em 01/12/2000, na relação de mútuo que mantinha com a empresa devedora, lochpe Miami, pela empresa Newbrigde, outra subsidiária integral da Impugnante mediante cessão de crédito. Esta substituição foi formalizada através do competente "Contrato de Cessão de Crédito"' (Does. 19), com base no qual foi cedido o valor de US$ 34.844.712,78 (Trinta e quatro milhões, oitocentos e quarenta e quatro mil, setecentos e doze reais e setenta e oito centavos), uma vez que os mútuos correspondiam, na data de cessão, já computados os acréscimos contratuais, a US$ 16.450.935,00 (dezesseis milhões, quatrocentos e cinqüenta mil, novecentos e trinta e cinco dólares) e US$ 18.393.777,78 (dezoito milhões, trezentos e noventa e três mil, setecentos e setenta e sete dólares e setenta e oito centavos), equivalentes à R$ 68.975.108,94 (sessenta e oito milhões, novecentos e setenta e cinco mil, cento e oito reais, noventa e quatro centavos) na época da operação. Dessa forma, a Impugnante tomouse credora da Newbridge (Doe. 20). Este contrato foi aditado pelo "Instrumento de Aditamento", com base no qual as partes em alterar a data de pagamento de 30/05/2001 para 30/11/2002. A razão de tal transferência se justifica em aspectos de ordem organizacionais da Impugnante que, de forma alguma, alteraram, alteram, desnaturaram ou desnaturam os negócios jurídicos estabelecidos entre as diversas partes envolvidas. Portanto, o crédito detido pela Impugnante contra a Newbridge, e que veio a ser cedido a Tugaske, teve como origem os contratos de mútuos (i) contrato de mútuo INTL 9902255. Firmado em 03/11/1999. no valor de US$ 14.310.000.00. e (ii) contrato de mútuo 9902259. no valor equivalente a US$ 16.000.000,00, os quais foram, devidamente, registrados no Bacen e nas demonstrações contábeis da Impugnante, o que demonstra, de forma irretorquível. que tal crédito é bom e válido para a prática de qualquer operação pretendida pela Impugnante. Feitos os esclarecimentos necessários acerca da origem do crédito que a Impugnante detinha contra a Newbrigde, resta referir que do outro lado, a dívida entre a Impugnante e a empresa Tugaske tinha como origem os EURÔBONUS emitidos em 1994 pela Impugnante, no valor de U$S 38.270.000,00 (Trinta e oito milhões, duzentos e setenta mil dólares), conforme comprova cópia autenticada da nota certificada física no referido valor em nome de Tugaske (Põe. 21). Quanto aos EURÔBONUS adquiridos pela empresa Tugaske esclarecese que, em 08 de novembro de 1994, a Impugnante Fl. 15DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.029 16 contraiu um empréstimo, no valor de US$ 50.0000.000,00 (cinqüenta milhões de dólares) correspondente à R$ 41.425.000,00 (quarenta e um milhões, quatrocentos e vinte e cinco mil reais), com juros de 12,375% a.a. perante J.P. Morgan Securities Ltda. (agente do lançamento) e Chase Mahattan Trust and Baking Co. (agente do pagamento), empresas sérias, reconhecidas internacionalmente como das maiores instituições financeiras, para a emissão de referidos títulos no mercado internacional, na modalidade "Fixed Rate Notes", com vencimento em 08 de novembro de 2002, nos termos autorizados pelo Bacen através do Certificado de Registro n° B41/00447 (vide Doe. 11). Referida operação foi regularmente lançada nos registros contábeis de novembro de 1994 da Impugnante, sendo que nos períodos mensais seguintes (de dezembro/94 a novembro/2002), foram devidamente lançadas as respectivas receitas e despesas de variação cambial (Does. 22). Outrossim, a exigência dos juros semestrais prevista no contrato à razão de 12,375% a.a., no montante equivalente a US$ 3.093.750,00, também foi integralmente paga nos seus respectivos vencimentos, conforme comprovam os contratos de câmbio relacionados com a remessa dos juros ora juntados (Docs. 23). Neste contexto, decorrido oito anos da emissão do EUROBÔNUS (novembro/2002), a Impugnante, honrando a sua dívida, liquidou integralmente o seu empréstimo em dinheiro e com créditos que a Impugnante detinha contra a empresa Newbrigde Strategic Partners (Newbrigde), através de um contrato de dação em pagamento, na forma prevista pêlos artigos 356 e segs. do Código Civil Brasileiro. Em 26 de novembro de 2002, foi firmado um Contrato de Novação entre a Impugnante e a Tugaske (Doe. 24), com base no qual as partes anuíram em: a) prorrogar a data de vencimento do EUROBÔNUS para o dia 08 de dezembro de 2002 (conforme item c das considerações preliminares); b) realizar o pagamento da dívida em reais equivalentes ao valor em dólares americanos convertidos pela taxa de compra oficial de mercado brasileiro, criado pela Resolução CMN 1.552/88 e c) bem como outras cláusulas inerentes à espécie do contrato. Outrossim, referido contrato foi devidamente registrado perante o Bacen sob o ROF n. TA216148 (Doe. 25). Assim, verificase que com base no contrato de Novação, a Impugnante cedeu os direitos creditórios que detinha contra a Newbrigde, no valor total, já computados os juros de ÜS$ 38.726.076,67 (trinta e oito milhões, setecentos e vinte e seis mil, setenta e seis dólares e sessenta e sete centavos) equivalentes a R$ 140.827.377,83 (cento e quarenta milhões, oitocentos e vinte e sete mil, trezentos e setenta e sete reais e oitenta e três centavos), para quitar o seu débito no valor atualizado de ÜS$ 38.723.168,88 (trinta e oito milhões, setecentos e vinte e três mil, cento e sessenta e oito reais e oitenta e oito centavos), equivalente a R$ 140.822.356,57 (cento e quarenta milhões, Fl. 16DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.030 17 oitocentos e vinte e dois mil, trezentos e cinqüenta e seis reais e cinqüenta e sete centavos). Conforme demonstram os registros contábeis, a extinção da dívida pertinente à emissão dos títulos foi realizada contra um direito creditório detido contra a Newbridge (terceiro) (Doe. 26). Feita a dação em pagamento, em referência, a Tugaske declara que expressamente, em 29/11/2002, "aceita a transferência dos créditos e declara que todas as obrigações da lochpe Maxion (Impugnante) sob o acordo de novação foram devidamente pagas" (Doe. 27). Acrescentase que por conta desta liquidação, a Tugaske emitiu uma correspondência declarando que com "referência ao contrato de empréstimo"(...) entre a lochpe e a Tugaske, registrado sob o n ROF#ta216148, a Impugnante estava "dispensada do pagamento dos valores mencionados acima, através do mecanismo de transferência internacional de reais na data acordada", por uma única, simples e absoluta razão: tal dívida já havia sido quitada através da transferência, para a Tugaske, dos créditos até então detidos pela Impugnante em face da Newbridge (Doe. 28). Com base na correspondência emitida pela Tugaske, a Impugnante solicitou ao Bacen o cancelamento dos cronogramas de pagamento da dívida relativa ao Contrato de Novação (registrado no Bacen através do ROF n. TA216148), uma vez que tal transferência de recursos financeiros não mais se justificaria por extinção do crédito, pois, conforme já demonstrado, o contrato foi integralmente liquidado através da referida dação em pagamento (Doe. 29). A carta enviada ao Bacen corresponde à declaração feita pela Tugaske no sentido de que não tinha mais direito de receber o pagamento de seu crédito na data e na forma originalmente aprazadas, pois esse seu crédito, mais uma vez, já havia sido satisfeito. Assim, ao contrário do que consta do Termo de Verificação Fiscal, concluise que não houve nenhum tipo de liberalidade que ensejasse qualquer dúvida desta Administração quanto à operação praticada pela Impugnante, pois efetivamente liquidaramse as obrigações da empresa Newbrigde para com a Impugnante e da Impugnante para com a empresa Tugaske, mediante a entrega de crédito da Impugnante contra a Newbridge. Notese que tal operação, não teve outro fundamento senão o de honrar as dívidas contraídas pela Impugnante em razão da emissão do EUROBÔNUS, atitude esta que ao invés de ser criticada por esta Administração, deveria ter sido festejada, pois somente vem a demonstrar a seriedade que a Impugnante trata as suas dívidas. Finalmente, resta referir que em relação ao saldo de US$ 11.730.000,00, que não foi pago através da dação em pagamento, foi procedida sua liquidação conforme os seguintes documentos: a) contrato de câmbio 02/093417 de 05112002 no valor de US$ 600.000,00; b) contrato de câmbio 02/093112 de Fl. 17DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.031 18 04112002 no valor de US$ 500.000,00; c) contrato de câmbio 02/092841 de 01112002 no valor de US$ 400.000,00; d) contrato de câmbio 02/092406 de 31102002 no valor de US$ 400.000,00; f) contrato de câmbio 02/043198 de 02122002 no valor de US$ 6.900.000,00 e g) contrato de câmbio 02/044561 de 13122002 no valor de US$ 2.930.000,00. (Does. 30), fato este que só vem a corroborar com a licitude de todo procedimento ora demonstrado. IV. DA LICITUDE DOS ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS PRATICADOS PELA IMPUGNANTE IV. 1. Da legitimidade da operação de "Day Trade" praticada pela Impugnante A operação de "day frade", muito comum no mercado financeiro, objeto de regulamentação, inclusive, para fins tributários, consiste em uma compra seguida de revenda, tudo no mesmo dia. De acordo com a lei, considerase "day Trade" uma operação ou a conjugação de operações iniciadas e encerradas em um mesmo dia, com o mesmo ativo, em que a quantidade negociada tenha sido liquidada, total ou parcialmente. No caso específico da Impugnante, a operação de "day Trade" foi realizada basicamente através da: (i) aquisição de EUROBÔNUS pela Impugnante com os recursos das "EURO SHORT TERM NOTE "; e (ii) venda dos referidos EUROBÔNUS a uma empresa sediada no Brasil, para tomar disponíveis, no Brasil, os recursos correspondentes à captação já referida. Resumemse, assim, as operações acima refratadas, em simples contratos de compra e venda de títulos entre a Impugnante e a Eurovest e a Impugnante e, no caso concreto, a empresa brasileira denominada Valiant. Assim, a negociação em apreço foi regida pelas disposições gerais da compra e venda, previstas nos artigos 1.122 e seguintes do Código Civil de 1916, correspondendo o negócio praticado ao contrato em que uma pessoa (vendedor) se obriga a transferir a outra (comprador) o domínio de uma coisa corpórea ou incorpórea, mediante o pagamento do preço ajustado. Logo, são três os elementos constitutivos do contrato de compra e venda, comuns a todo e qualquer contrato, essenciais à sua existência: a coisa, o preço e o consentimento entre contratantes. A coisa, ou seja, o objeto transacionado nos contratos de compra e venda firmados pela Impugnante, foi os EUROBÔNUS, conforme devidamente atestado pelo certificado de registro emitido pelo Bacen e, determinado, conforme "Contratos de Compra" firmados entre a Impugnante e a Eurovest e "Contratos de Compra e Venda de Títulos" firmados entre a Impugnante e a empresa brasileira, o que de per si basta, conforme entendimento pacífico de nossa doutrina, para atestar a existência do título transacionado. Fl. 18DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.032 19 Cabe, ainda, observar que a empresa Eurovest (VENDEDORA) expressamente declara e garante à Impugnante através de referidos instrumentos que: "(b) A VENDEDORA é legítima proprietária das EUROOBRIGAÇÕES que estão livres e desembaraçadas de quaisquer ônus, penhor, demandas ou outros gravames de qualquer espécie." (grifos nossos). Aliás, ao contrário do afirmado no Termo de Verificação Fiscal, as EUROOBRIGAÇÕES foram perfeitamente identificadas no anexo dos referidos contratos através do seu valor nominal, data de vencimento, número de registro perante o ISIN ("Internacional Securities Identifícation Numbering System") e preço de compra em dólares americanos. O mesmo procedimento foi adotado pela Impugnante quando firmou "Contratos de Compra e Venda de Títulos" com a empresa Valiant, sendo que novamente constou do anexo de referidos contratos toda individualização necessária dos títulos para tomar determinado o objeto transacionado. A propósito, oportuno mencionar a afirmação feita pelo Sr. Fiscal quando da lavratura do Termo de Verificação Fiscal no seguinte sentido: "Entre o documentos apresentados, estão os CONTRATOS DE COMPRA E VENDA DE TÍTULOS, pêlos quais se confirmam as operações de venda de títulos acima referidas." (grifos nossos), o que demonstra o equívoco da lavratura do presente auto de infração. Portanto, verificase que a própria autoridade administrativa reconheceu a validade de referidos títulos, sendo no mínimo contraditório o fato dela reconhecer que os referidos instrumentos comprovam e confirmam uma operação que, segundo o seu relatório, não teria existido. Neste contexto, foi devidamente comprovada pela Impugnante a efetiva existência do objeto contratual em apreço, sendo completamente infundada qualquer desconfiança acerca da existência do compromisso de compra e venda entre a Impugnante e as empresas Eurovest e Valiant, quando da lavratura do Termo de Intimação Fiscal. No que tange ao segundo elemento constitutivo da relação contratual de compra e venda, determina o artigo 1.122 do Código Civil (atual artigo 481 do referido diploma), que o preço pago pelo comprador deverá constituir uma soma em dinheiro, sendo que a nossa doutrina e jurisprudência admitem a realização do pagamento mediante coisa representativa de dinheiro ou a ele redutível, tais como, cheque, duplicata e nota promissória. Ainda nos termos da lei civil, necessário referir que é livre a determinação do preço pelas partes no contrato de compra e venda, constituindose em exceção, criada em favor do comércio, a validade da venda comercial feita pelo justo preço. Logo, a fixação do valor do contrato de compra e venda depende única e exclusivamente da vontade dos contratantes, segundo a Fl. 19DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.033 20 utilização de critérios e parâmetros que melhor atendam aos seus interesses. O preço, portanto, deverá apresentar as seguintes características: peculiaridade, seriedade e certeza. No caso em tela, o preço envolvido foi claramente identificado nos anexos de seus respectivos contratos e correspondia ao real valor dos títulos em questão. Nos "Contratos de Compra" firmados entre a Impugnante e a Eurovest o preço está expresso em dólares americanos, enquanto que nos "Contratos de Compra e Venda de Títulos" firmados entre a Impugnante e a empresa brasileira está indicada o preço de compra em dólares norteamericanos convertidos em moeda nacional, pelas taxas praticadas no mercado de taxas flutuantes, indicado como "preço de compra". Logo, de fato os preços praticados pelas Impugnantes foram verdadeiros e sérios em toda sua essência, não tendo sido fixado em momento algum com o intuito de simular ato diverso. Finalmente, quanto ao consentimento entre contratantes, é fato que ele existiu, tanto que o contrato foi integralmente observado e cumprido pelas partes interessadas com a efetiva transferência da propriedade dos títulos e pagamento dos valores acordados, conforme atestam toda a documentação comprobatória juntada. Outrossim, a Impugnante demonstrou, em resposta aos termos de intimação fiscal, a identidade e a qualificação jurídica das pessoas que assinaram os "Contratos de Compra" nos termos do artigo 172 do Código Civil, através de cópia dos documentos societários e procuração da Eurovest Securities Inc. e da Impugnante.(Docs. 31) Verificase que todos os atos jurídicos praticados pela Impugnante foram completamente legais, tendo sido a vontade lícita contratada pelas partes sempre exteriorizada através de todos os instrumentos jurídicos acima referidos. Portanto, da análise séria e comprometida dos contratos que suportaram as operações de "day trade" em comento, concluise de forma extreme de dúvidas que não se trata de ato praticado com a finalidade de reduzir ou eliminar o fato gerador da obrigação tributária, mas sim no âmbito dê uma prática administrativa séria, necessária e, portanto, justificada e justificável, devendo ser anulada "in totum" a exigência fiscal. V. 2. Da legítima operação de dação em pagamento realizada entre a Impugnante e a empresa Tugaske O instituto da dação em pagamento está previsto nos artigos 995 e seguinte do vetusto Código Civil e consiste basicamente na extinção de uma obrigação consistente no pagamento da dívida mediante a entrega de um objeto diverso daquele convencionado. Ou seja, a dação em pagamento é um acordo de vontades entre credor e devedor, por meio do qual o primeiro concorda em receber do segundo, para exonerálo da dívida, prestação diversa da que lhe é devida é uma das formas Fl. 20DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.034 21 consideradas como pagamento indireto visando a extinção de obrigações. A liberdade na dação em pagamento é bastante ampla, cabendo às partes a decisão quanto ao bem a ser entregue. Assim, a dação em pagamento pode se caracterizar, mediante acordo, substituição de dinheiro por bem móvel ou imóvel, de uma coisa por outra, de coisa por fato, de dinheiro por título de crédito, de dinheiro por crédito, etc. No caso específico da Impugnante, a dação em pagamento operouse pela utilização de um crédito (ativo a receber) que a Impugnante detinha contra a empresa Newbridge, para quitar sua dívida em dinheiro com a empresa Tugaske, pela titularidade dos EURÔBONUS, emitidos, em 1994, pela própria Impugnante. O crédito cedido pela Impugnante (no contrato referida como cedente) a Tugaske, contra a Newbrigde (no contrato referida como financiadora), era o ativo a receber a que o Impugnante tinha direito em contrapartida a cessão de créditos, consubstanciado em contratos de mútuo, realizados em favor da Newbridge durante o anocalendário de 2000, conforme previsto no "Contrato de Cessão de Empréstimo" da seguinte forma: “3 Condições de pagamentos será devidamente pago pela Financiadora à Cedente em 31 de maio de 2001.Entretanto, esse pagamento poderá ser efetuado ou adiantado ou postergado através de adiantamentos escritos entre as partes 3.1. A Financiadora também deverá pagar uma importância adicional equivalente às participações proporcionais acumuladas de cada empréstimo individual em conformidade com a taxa de juros determinada em cada um dos referidos contratos de empréstimo entre e inclusive 1° de dezembro de 2000 e a data em que o referido pagamento for efetivamente realizado.”(Grifos nossos) Acrescentase que a data do pagamento do crédito, pela Newbridge, à Impugnante foi devidamente alterada de 31 de maio de 2001 para 30 de novembro de 2002, através do competente Aditivo ao Contrato de Cessão de Empréstimo (vide Doe. 19). E fato, portanto, que a Impugnante detinha um crédito contra a Newbridge, oriundo do "Contrato de Cessão de Empréstimo", crédito este que foi legitimamente utilizado para quitar a sua dívida com a empresa Tugaske. Assim, a despeito do inconformismo demonstrado pela autoridade fiscal acerca da validade da operação de dação de pagamento realizada pela Impugnante, é fato que ela é lícita nos termos de nosso ordenamento jurídico, estando tudo devidamente documentado e registrado. Portanto, é totalmente dispicienda de fundamento toda análise feita no Termo de Verificação Fiscal pela autoridade fiscal no sentido de que não teria identificado (ou não quis identificar) o interesse das partes em promover referida dação em pagamento, inobstante a Impugnante têlo exaustivamente demonstrado durante todo o processo de fiscalização. Ademais, toda a Fl. 21DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.035 22 operação foi realizada nos estritos termos preconizados em lei, não havendo porquê questionar a sua existência diante da liberdade das partes em convencionar. Contrato, do latim "contraem", é trato com. E a combinação de interesses de pessoas sobre determinada coisa. E "o acordo de vontades que tem por fim criar, modificar ou extinguir um Direito"3, como afirmado pelo Mestre Washington de Barros Monteiro. Nesse sentido, não cabe à Administração Federal questionar os interesses das empresas que resolvem acordar, segundo sua vontade e necessidade, para fins de exercício regular de sua atividade econômica. Outrossim, a Impugnante demonstrou, em resposta aos termos de intimação fiscal, a identidade e a qualificação jurídica das pessoas que firmaram os contratos, através de cópia autenticada dos documentos societários da empresa Tugaske e Newbrigde (Does. 32). Assim, verificase que foram plenamente válidos e lícitos todos os atos e negócios jurídicos praticados pela Impugnante que ensejaram a liquidação das obrigações da empresa Newbrigde para com a Impugnante e da Impugnante para com a empresa Tugaske, mediante a entrega de crédito da Impugnante contra a Newbridge, em observância ao referido Contrato de Novação. Ou seja. Comprovouse que não houve remissão e/ou perdão de dívida, mas sim. Pagamento de uma dívida através do instituto da dação em pagamento previsto em nosso ordenamento jurídico. IV. 3. Do livre exercício de atividade econômica e do direito de propriedade Como se verifica, através dos fatos acima expostos, toda questão debatida nos presentes autos está diretamente relacionada ao legítimo exercício do direito de propriedade e livre exercício de atividade econômica conforme o princípio da legalidade, garantias constitucionais inalienáveis e que não podem ser desprezadas no conjunto da análise dos fatos. Notese que procura a Impugnante, apenas e tão somente, demonstrar que os dispositivos previstos no Código Civil que autorizam expressamente a realização das operações devem ser ainda interpretados em conjunto com as diretrizes e garantias gravadas nos arts. 5°, XXII, 150,1 e 170, parágrafo único da Constituição Federal que, por sua vez, se concretizam no âmbito da legislação infraconstitucional, no sentido de não ser possível imputar a prática de qualquer ilícito ao contribuinte que age no EXERCÍCIO REGULAR DE UM DIREITO (antigo Código Civil, art. 160,I = 188,1 do atual), assegurado pela LEI (Código Tributário Nacional art. 97,1). Já se verificou que a interpretação adotada quando da lavratura do auto de infração, ora combatido, não pode prevalecer, pois os negócios jurídicos celebrados pela Impugnante são atos válidos e lícitos, não contêm qualquer falsidade ideológica ou Fl. 22DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.036 23 documental, e todos os seus efeitos, queridos e desejados pelas partes foram e estão documentalmente exteriorizados. De fato, não se pode considerar "estranha" uma conduta que o próprio ordenamento jurídico prevê como possível e que à época era necessária para atender aos fins sociais da empresa, sendo que não houve qualquer prejuízo a terceiros na efetivação de referidos negócios. Estaria a Impugnante cometendo algum abuso ao realizar uma legítima operação de "Day Trade" para receber os recursos auferidos no exterior através da captação das "Euro Short Temi Note” ou ao realizar uma legítima operação de dação em pagamento entre a Impugnante e a empresa Tugaske? E claro que não! O que se coloca aqui emdiscussão é se operações (condutas) expressamente admitidas pelo ordenamento jurídico podem ser simplesmente desprezadas pelo fato de a mesma ter sido considerada de forma subjetiva como "estranha" em razão de critérios estabelecidos não pela lei, mas pela equivocada interpretação do agente fiscal. Segundo já demonstrado, no caso concreto, não há apenas um, mas vários motivos determinantes para a realização das operações acima descritas, que comprovam que tais operações eram absolutamente necessárias ao exercício regular da atividade econômica da Impugnante. Tratase, portanto, de ato praticado indiscutivelmente dentro daquela esfera de liberdade que os indivíduos têm de agir com base exclusivamente em sua vontade, tendo objetivo econômico e societário que não se desvia dos fins que lhes são próprios, normais e usuais. Nesse sentido, é pacífica a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e dos Tribunais Regionais Federais que entendem ser ilegal a descaracterização dos contratos de leasing (mutatis mutandi) pelas autoridades fiscais, por configurar violação aos princípios da legalidade e da liberdade de contratar, conforme se depreende da seguinte ementa: “TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA LEASING VALOR RESIDUAL ÍNFIMO LIMITES COMPRA E VENDA DESCARACTERIZAÇÃO GLOSA DE DEDUÇÕES IRPJ E PIS! (...)”. 2. NA CELEBRAÇÃO DO CONTRATO DEVE PREVALECER A VONTADE E A LIBERDADE DE CONTRATAR, SENDO QUE AS LIMITAÇÕES AO PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DA VONTADE SOMENTE PODEM VERIFICARSE MEDIANTE RESERVA LEGAL, E, PORTANTO, NÃO SENDO RAZOÁVEL QUE SE IMPONHA AO CONTRIBUINTE CONDUTA DIVERSA E OBSTACULIZADORA DAQUELA AUTONOMIA DA VONTADE." (TRF l" RegiãoProcesso n° 1995010770984a Turma) Fl. 23DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.037 24 A propósito, a jurisprudência administrativa e judicial vem se manifestando no sentido de que se o negócio é realmente praticado (pretendido) pelo contribuinte e a vontade real de praticar o negócio coadunase com a disciplina legalmente prescrita para produzir os efeitos que lhes são pertinentes, é legítimo o ato ou negócio jurídico escolhido pelo mesmo. No caso presente, efetivamente ficou comprovado que não houve qualquer aspecto em desconformidade com esse entendimento, (sendo um impropério) entender que as operações praticadas pela Impugnante tiveram como objetivo omitir receitas auferidas do Fisco Federal. Afirmar que a operação é ilícita, por julgála estranha ou porque não a entendeu e por isso ela é estranha, implica em TRIBUTAÇÃO ARBITRARIA e sem fundamento, posto que não é fundamentada em LEI, mas puramente num entendimento sem embasamento ou fundamento. Ademais, não afastar a presente autuação nos termos em que foi lavrada, implicará em negativa ao instituto de direito privado, expressamente acolhido pela legislação tributária (art. 58 do Decretolei n° 1.598/77), em manifesta violação aos arts. 97, I, 110 e 142 do CTN, deixando, assim, a Administração, de aplicar a norma de regência em consonância com os demais princípios e garantias que norteiam a sua interpretação. De fato, estatuem os arts. 5°, XXII, 150,1 e 170, parágrafo único da Constituição Federal: "Art. 5°. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,garantindose a inviolabilidade do direito à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade (...) (...) XXII É garantido o direito de propriedade. “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios”: I — exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;" “Art.l70. (...)”. Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei." Por seu turno, os arts. 97 I e 142 do CTN são claros no sentido de que somente a lei pode estabelecer os critérios para a criação, lançamento e exigência do tributo, verbís: “Art. 97. Somente a lei pode estabelecer”: Fl. 24DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.038 25 I a instituição de tributos, ou a sua extinção; (...) Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível." Neste contexto, não há dúvida de que, no Estado de Direito Brasileiro, ao mesmo tempo em que é vedado à administração utilizar critérios subjetivos na atividade de lançamento, É ASSEGURADO AO INDIVÍDUO CONDUZIR SEUS NEGÓCIOS DE ACORDO COM AS DISPOSIÇÕES DAS NORMAS JURÍDICAS VIGENTES, DENTRO DE CRITÉRIOS RAZOÁVEIS E PROPORCIONAIS, atendendo os fins sociais da empresa, observandose a moldura das normas e princípios constitucionais, somente estando impedido de praticar aqueles atos ou negócios expressamente vedados pela lei ou praticados mediante abuso, o que representa apenas um dos desdobramentos ou facetas da garantia do direito de propriedade e livre exercício de atividade econômica; o outro desdobramento desta garantia tem o sentido de que, não impedido o negócio, nem sendo ele abusivo, nos estritos termos do Código Civil ao cuidar do abuso de direito, mas, como demonstrado, praticados dentro de critérios justos e razoáveis, os efeitos que lhes sejam próprios não podem ser negados, sob pena de caracterizar a própria negativa de aplicação da lei e do próprio Direito! Dentro dessa esfera de liberdade, encontrase aquela atinente ao direito de contratar, ou seja, de praticar atos ou negócios com outros sujeitos de direito, em conformidade com os institutos e formas contemplados no ordenamento jurídico, respeitados os direitos de terceiros interessados. Todavia, é sabido que essa liberdade não é ampla, mas é a legislação, isto é, A LEI a única que tem o poder de definir quando o ato será considerado nulo ou anulável. No caso dos autos, o então vigente Código Civil, em seus arts. 145 e 147 estipulavam os casos de nulidade e anulabilidade do ato jurídico (e, portanto, a hipótese de sua possível desconsideração pela autoridade fiscal), nos seguintes termos: “Art. 145. E nulo o ato jurídico”: I Quando praticado por pessoa absolutamente incapaz (art. 5°). n Quando for ilícito ou impossível o seu objeto; III Quando não revestir a forma prescrita em lei; IV Quando for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade. Fl. 25DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.039 26 V Quando a lei taxativamente o declarar nulo ou lhe negar efeito. (...)" Art. 147. É anulável o ato jurídico: I Por incapacidade relativa do agente (art. 6°); n Por vício resultante de erro, dolo, coação, simulação ou fraude (arts. 86 a 113). No caso concreto, conforme demonstrado nos itens anteriores, não há como se falar em nulidade dos atos jurídicos praticados pela Impugnante, conquanto: (i) o ato não foi praticado por pessoa absolutamente incapaz, conforme já demonstrado; (ii) o objeto das operações financeiras realizadas pela Impugnante não é ilícito ou impossível e não se desvia da finalidade econômica que lhe é própria; (iii) foi observada a forma prescrita em lei (Código Civil) e; (v) a lei não declara taxativamente o ato como sendo nulo ou lhe nega efeito. Também não há que se falar em anulabilidade do ato, na medida em que foi praticado por agente absolutamente capaz e não resultou de vício decorrente de erro, dolo, coação, simulação ou fraude, abuso ou desvio de sua finalidade econômica. E o caso clássico, portanto, de ato praticado no exercício regular de um direito, sem que houvesse exigibilidade de conduta diversa pelo ordenamento jurídico. Portanto, a prática de operações lícitas que atendam aos seus interesses econômicos é direito do contribuinte de índole e fundamento constitucional, pois está fundado no direito de propriedade que outorga ao proprietário atributos de uso, gozo e disposição dos respectivos bens, da forma a melhor atingir as suas pretensões. Ou seja, deve prevalecer para fins de aplicação da legislação fiscal, o negócio jurídico praticado pelo contribuinte no âmbito da autonomia de sua vontade, em conformidade com as garantias constitucionais do direito de propriedade e livre iniciativa. V. DA INAPLICABILIDADE DE MULTA MAJORADA EM VISTA DA INEXISTÊNCIA DE FRAUDE Conforme se verifica dos autos, a fiscalização procedeu ao agravamento da multa de ofício em 150% (cento e cinqüenta por cento) nos termos previstos pelo inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, por entender que a Impugnante teria praticado fraude e conluio mediante: a) a omissão de receitas operacionais no anobase de 2000 de valores recebidos através de contrato de compra e venda de títulos (EUROBÔNÜS) à empresa Valiant, no montante equivalente à R$ 22.277.306,02, o que representa suposta falta de recolhimento de imposto no valor de R$ 2.109.786,72, com aplicação de multa de 150% (cento e cinqüenta por cento) no Fl. 26DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.040 27 valor de R$ 3.164.680,07 e juros de mora no valor de R$ 1.731.501,96. Neste caso, a autoridade administrativa entendeu que houve omissão de receita no anobase de 2000, pois, segundo seu equivocado entendimento, não ficou comprovado, durante as diligências realizadas e a fiscalização autorizada pelo MPF n° 0819000/02476/05, a origem dos valores recebidos pela Impugnante da empresa Valiant, tendo a Impugnante recebido recursos do exterior através de uma operação ficta que teve como único objetivo “impedir a ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL sobre o acréscimo patrimonial decorrente do recebimento de R$ 22.277.306,02 pela Valiant”. (b) omissão de receita operacional no anobase de 2002 em virtude de suposto perdão de dívida concedido pela empresa Tugaske à Impugnante, no montante equivalente à R$ 140.827.377,83, o que representa a suposta falta de recolhimento de imposto no valor de R$ 24.457.617,60, com aplicação de multa de 150% no valor de R$ 36.686.426,40 e juros de mora no valor de R$ 11.649.163,26. Em relação à essa omissão, a autoridade fiscalizadora concluiu que a Impugnante idealizou uma operação que do ponto de vista fiscal, representou "uma remissão de dívida, a benefício do contribuinte", com o objetivo "de impedir a ocorrência de fato gerador sobre o acréscimo patrimonial decorrente do perdão de dívida registrada no passivo, de modo a reduzir o montante de IRPJ e CSLL devidos no anocalendário 2002" No que tange ao agravamento de multa aplicada pela autoridade fiscal, impende observar que, de acordo com a redação do inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, o alcance do conceito de fraude e conluio está delimitado nos artigos 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, in verbis: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...)". "II. 150% (cento e cinqüenta por cento), nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." "Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento”. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. (Destaques nossos) Verificase da simples leitura dos artigos acima reproduzidos que é possível concluir que o nosso ordenamento jurídico exige que o intuito de fraude, para fins de aplicação da multa Fl. 27DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.041 28 majorada, seja EVIDENTE, que aflore com tal certeza e clareza que não se possa suscitar nenhum tipo de dúvida acerca da má fé dos atos e negócios jurídicos praticados pela empresa, com o único objetivo de infringir a lei, cabendo à Administração, na prerrogativa de fiscalizar os contribuintes, apresentar provas (e, não simples "suspeitas") conclusivas e irrefutáveis acerca da conduta configurada, além de contrária à lei como fraudulenta, com a intenção dolosa de esconder o fato gerador da obrigação tributária da Administração. Em outras palavras, a fraude tributária implica necessariamente em violação grave e frontal de deveres tributários principais e acessórios, tais como falsificar documentos, livros, etc., ou seja, é toda ação ou omissão praticada com ardil, astúcia, malícia ou má fé, com o qual o sujeito passivo visa impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária ou que implica a modificação de algum dos aspectos (material, quantitativo, pessoal, territorial ou temporal) da relação jurídica tributária, típicos fenômenos da evasão de tributos praticados, quase sempre, em decorrência de comportamentos criminosos. Nesse sentido, há inúmeras decisões proferidas pelo Conselho de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, dentre as quais, destacase as relativas às ementas abaixo reproduzidas: "IRPJ. Simulação na Incorporação. Para que se possa materializar (a simulação) é indispensável que o ato praticado não pudesse ser realizado, fosse por vedação legal ou por qualquer outra razão. Se não existia impedimento para a realização da incorporação tal como realizada e o ato praticado não é de natureza diversa daquela que de fato aparenta, isto é, se de fato e de direito não ocorreu ato diverso da incorporação, não há como se qualificar a operação de (sic) simulada. Os objetivos visados com a prática do ato não interferem na qualificação do ato praticado, portanto, se o ato praticado era lícito, as eventuais conseqüências contrárias ao fisco devem ser qualificadas como casos de elisão e não evasão ilícita'."( Acórdão CSRF/01.874/94) (Grifos nossos) IRPJ E CSL ATO SIMULADO CARACTERIZAÇÃO QUANTIFICAÇÃOPara que fique caracterizada a ocorrência da prática de simulação perpetrada pela contribuinte é preciso determinar a motivação e a conseqüência do ato simulado com a identificação da vantagem auferida. Não conseguindo o Fisco vincular quantitativa e temporalmente a exclusão de ganho na equivalência patrimonial oriunda de participação societária no exterior diretamente aos fatos que alega terem sido dissimulados, ganho de capital na venda de ativo permanente ou reavaliação de ativo ocorrida anteriormente, não pode prosperar a exigência Hscal (Processo 10865.000990/200159, Acórdão 10807316, Oitava Câmara, Sessão 19/03/2003) Fl. 28DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.042 29 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. SIMULAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Presente a relação negociai entre as partes contratantes, do que resulta celebração de negócio jurídico efetivo, afastada está a figura do ato jurídico simulado. (Processo 11080.011718/9819, Acórdão 10193983, Sessão 16/10/2002) IRPJ CSLL SIMULAÇÃO OPERAÇÕES DE SWAP Para que se possa caracterizar a simulação relativa é indispensável que o ato praticado, que se pretende dissimular sob o manto do ato ostensivamente praticado, não pudesse ser realizado por vedação legal ou qualquer outra razão. Se as partes queriam e realizaram negócio sob a estrutura de swap para atingir indiretamente economia de tributos não restou caracterizada a declaração enganosa de vontade, essencial na simulação. (Processo 16327.002725/9911, Acórdão 10193616, Primeira Câmara, Sessão 20/09/2001) Desta forma, fraude à lei deve ser compreendida sempre como uma ação ilícita que vise enganar o Fisco sobre a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou seja, ocorrido o fato gerador da obrigação tributária principal, a conduta ilícita do contribuinte que vise ludibriar a Administração, negando a ocorrência do fato gerador ou alterando suas características essenciais de modo a reduzir o montante do imposto devido, evitar ou diferir seu pagamento. Para haver fraude é imprescindível se ter presente o dolo específico, onde a intenção do agente é eximirse, exonerarse e agir com o propósito e objetivo de não recolher o tributo devido. E fundamental que o agente tenha tido a intenção dolosa de cometer a fraude, ou seja, o conhecimento da ilicitude e a vontade de praticála. No caso em exame, segundo foi exaustivamente demonstrado pela presente, não merece prevalecer nenhuma das acusações ("a" e "b") formalizadas no auto de infração ora combatido, pois de fato NÃO HOUVE OMISSÃO DE RECEITA PELA IMPÜGNANTE nas operações por ela praticadas: PRIMEIRO, porque todos os atos e negócios jurídicos praticados pela Impugnante em conformidade aos seus interesses sociais observaram rigorosamente os termos da lei; SEGUNDO, porque todas os ganhos/perdas (supostamente omitidas) foram efetivamente reconhecidas nas demonstrações contábeis da Impugnante e, portanto, compuseram o resultado da mesma durante o exercício de 2000; e TERCEIRO, porque não houve remissão de dívida, mas tão somente liquidação de dívida através de negócio jurídico de legítima dação em pagamento no exercício de 2002. Portanto, NÃO há como imputar, em hipótese alguma, à Impugnante condição de empresa fraudadora, tal como tenta fazer crer a Autoridade Fiscal, pois a mesma praticou em todo momento apenas operações LÍCITAS, necessárias para o regular exercício de sua atividade, tendo, inclusive, já sido comprovado que as receitas "supostamente" omitidas foram devidamente computadas no resultado tributável dos respectivos exercícios. Fl. 29DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.043 30 Acrescentese que os atos e negócios jurídicos em análise FORAM PLENAMENTE DECLARADOS, e isto por si só. afasta a possibilidade de caracterizálos como forma de fraude, conquanto buscouse trilhar o caminho mais adequado na busca do negócio jurídico pretendido, cujos efeitos foram assumidos e exteriorizados no contexto das suas estratégias empresariais. Assim sendo, verificase que não houve a conduta FRAUDE praticada pela Impugnante, muito menos de conluio com outras empresas, de forma que, à mesma, não pode ser imputada multa de 150%, tal como previsto na Lei n° 9.430/96 (art. 44), devendo a mesma ser anulada. Não obstante a inaplicabilidade de multa no caso em concreto, por absoluta inocorrência de qualquer infração pela Impugnante, merece destaque, pela eventualidade da argumentação, a necessidade imperiosa de no mínimo minorar referida multa, por não estarem presentes os atos caracterizadores de evidente intuito de fraude, exigidos pela norma legal acima transcrita, de vez que todos os atos foram estruturados na forma da lei, não havendo qualquer falsidade material ou ideológica, pois devidamente certificados pelo Bacen e regularmente contabilizados, declarados e registrados, sendo apresentados a esta Administração todos os documentos assim que requeridos nada tendo sido ocultado. Inclusive, repitase, durante o processo de fiscalização, a Impugnante atendeu rigorosamente a todas as solicitações que lhe foram formuladas pelas autoridades competentes, colocando se sempre à disposição para apresentar e esclarecer tudo o quanto fosse necessário em relação aos atos negociais por ela praticados durante os exercícios de 2000 e 2002, o que afasta de per si qualquer caracterização de fraude/conluio no presente caso. Por todo o exposto, caso não se entenda pela inexigibilidade dos créditos tributários e da multa majorada, com a conseqüente improcedência da presente autuação, o que se admite apenas por amor à argumentação, deve, certamente, ser minorada a multa aplicada diante do fato inconteste que a Impugnante em momento algum praticou fraude ou conluio. Finalmente, resta referir que cabe às autoridades administrativas empenhar todos os seus esforços na busca da Verdade Material, que é um dos princípios basilares de Direito Administrativo. Em que pese à costumeira diligência que acreditamos caracterizar os procedimentos desta fiscalização, no caso em concreto, falhou o auditor fiscal na busca desta almejada verdade recusandose compreender os atos e negócios jurídicos exercidos pela Impugnante nos exercícios de 2000 e 2002. Dessa forma, não reúne condições de prosperar o auto de infração ora combatido. Portanto, sob qualquer ponto de vista que se analise a questão, não deve prevalecer a presente autuação fiscal. Fl. 30DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.044 31 VI. DO EQUÍVOCO NA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DO DIREITO A COMPENSAÇÃO INTEGRAL DO PREJUÍZO FISCAL EM VISTA DO BEFIEX A Impugnante, como empresa industrial, era titular de Programa Especial de Exportação aprovado pela Comissão BEFIEX, não estando, pois, sujeita à apuração e recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) devido no anocalendário de 2000, com a limitação de compensação de prejuízos fiscais, determinada pela Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Para melhor compreender referida questão, importa mencionar o histórico da legislação pertinente à compensação no âmbito dos Programas BEFIEX. A compensação de prejuízos fiscais de empresas titulares de Programa BEFIEX encontra a sua matriz no artigo 13 do Decretolei n° 1.219/72, segundo o qual "o prejuízo verificado num exercício poderá, ser deduzido, para compensação total ou parcial, dos lucros reais apurados dentro dos 6 (seis) exercícios subseqüentes, independentemente da existência de lucros em suspenso ou reservas, desde que não sejam distribuídos lucros ou dividendos a seus sócios ou acionistas, enquanto na empresa houver prejuízos a compensar" As disposições do Decreto n° 1.219/72 prevaleceram até 1988, quando foi editado o Decretolei n° 2.433/88, regulamentado pelo Decreto n° 96.760/88, que estabeleceu nova diretriz para a política industrial e para as concessões de benefícios fiscais. O artigo 8° de referido decretolei, combinado com o artigo 45 do Decreto n° 96.760/88, estabelecia quais os benefícios que podiam ser concedidos às empresas titulares de Programas BEFIEX, sendo que, dentre eles, incluíase a compensação total ou parcial dos prejuízos fiscais nos seis períodosbase subseqüentes, desde que não fossem distribuídos lucros ou dividendos a seus sócios ou acionistas enquanto houvesse prejuízos a compensar. A partir do anocalendário de 1995, com a edição da Lei n° 8.981/95, os prejuízos fiscais passaram a ser imprescritíveis, e sua compensação foi limitada a 30% (trinta por cento) do lucro real apurado no períodobase (artigo 42). Em consentâneo, o artigo 95 da citada lei, determinou expressamente que as empresas titulares de Programas de Exportação, aprovados até 3 de junho de 1993, observado o disposto no artigo 42, poderiam compensar o prejuízo apurado em um periodobase com os lucros tributáveis apurados nos seis anoscalendário subseqüentes, independentemente da distribuição de lucros ou dividendos a seus sócios ou acionistas. Entretanto, posteriormente, a Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, que introduziu diversas alterações na Lei n° 8.981/95, deu nova redação ao referido artigo 95, retirando de seu texto a expressão "observado o disposto no art. 42", de modo que a sua redação passou a ser a seguinte: Fl. 31DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.045 32 "Artigo 95. As empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação aprovados até 3 de junho de 1993, pela Comissão para Concessão de Benefícios Fiscais a Programas Especiais de Exportação BEFIEX, poderão compensar o prejuízo fiscal verificado em um períodobase com o lucro real determinado nos seis anoscalendário subseqüentes, independentemente da distribuição de lucros ou dividendos a seus sócios." (Destaques nossos) Assim, concluise que os prejuízos fiscais apurados pelas empresas sob a égide do Programa BEFIEX PODIAM SER INTEGRALMENTE COMPENSADOS, sem a limitação de 30% (trinta por cento) do lucro real, de que trata o artigo 42 da Lei n. 8.981/95, sujeito, entretanto, ao prazo prescricional de 06 (seis) anos calendários. Esse entendimento é confirmado, inclusive, pelo parágrafo 4° do artigo 35 da Instrução Normativa SRF n° 11/96 que afirma que o limite não é aplicável aos prejuízos fiscais das empresas titulares dos programas. Neste sentido, inclusive, cabe trazer à colação algumas ementas dos seguintes julgados administrativos: IRPJ COMPENSAÇÃO INTEGRAL DE PREJUÍZO FISCAL PROGRAMA BEFIEX O prejuízo apurado durante a vigência do programa BEFIEX pode ser compensado integralmente na apuração do lucro real sem as limitações impostas pela Lei n° 8.981/95, mesmo após o término do programa. Recurso provido. (Processo 13603.002411/200343, Oitava Câmara, Sessão 13/04/2005) IRPJ COMPENSAÇÃO INTEGRAL DE PREJUÍZO FISCAL BEFIEX A compensação de prejuízos registrados na vigência de programa Befiex regido pelo Decreto Lei n° 1.219/72 não está sujeita à limitação de trinta por cento, prevista nas Leis 8.981 e 9.065 de 1995, enquanto houver saldo de prejuízo a compensar nos 6 anoscalendário subseqüentes.Recurso de ofício negado. (Processo 11065.002393/200147, Quinta Câmara, Sessão 08/07/2004) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL Inexiste impedimento legal para que o prejuízo fiscal apurado em períodosbase mensais de 1995 seja compensado com o lucro real posterior, apurado ainda no próprio anocalendário de 1995. Quanto ao limite de redução de 30% a que se refere o artigo 42 da Lei n° 8.981/95, pelo fato de o interessado ser titular de programa especial de exportação BEFIEX até 030693 a ele não se aplica o referido limite, conforme dispõe o art. 95 da referida lei, com a nova redação dada pela Lei n° 9.065/1995. Nesse caso, o prejuízo fiscal verificado na atividade em um periodobase pode ser compensado com o lucro determinado nos seis anoscalendários subseqüentes, independentemente da distribuição de lucros ou dividendos a seus sócios ou acionistas.”(Processo 10768.027967/9970, Primeira Câmara, Sessão 11/09/2003) (Destaques nossos)”. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.046 33 No caso em tela, a Impugnante foi titular do Programa Especial de Importação de BEFIEX, no período compreendido entre 1982 e 1996, conforme comprovam dos documentos anexos (Does. 33), mediante o qual a empresa poderia usufruir diversos benefícios fiscais, tendo como contrapartida a obrigação de cumprir algumas metas relacionadas especialmente à exportação de mercadorias. Logo, é fato que a Impugnante podia ter realizado no ano calendário de 2000, a compensação integral de prejuízo fiscal, nos termos expressamente previstos pelo artigo 95 da Lei n° 8.981/95 com redação determinada pela Lei n° 9.065/95, sendo que somente não o fez, pois apurou prejuízo fiscal durante referido ano. Não obstante os ditames legais acima descritos, a autoridade fiscal, quando da lavratura dos presentes autos, achou por ignorar o saldo de prejuízo fiscal relativo a 1995 da Impugnante no montante de R$ 95.609.795,12 (noventa e cinco milhões, seiscentos e nove mil, setecentos e noventa e cinco reais e doze centavos) e, simplesmente, NÃO considerou na apuração do IRJP relativo ao anocalendário de 2000, o direito da Impugnante de compensar integralmente o seu prejuízo fiscal. Este procedimento resultou na equivocada apuração do valor de principal de R$ 2.109.786,72, supostamente devido no referido anocalendário, uma vez que nada seria devido, em face da compensação integral de referido valor. Vale dizer, a apuração do crédito tributário relativo ao IRPJ do anocalendário de 2000, constante do Auto de Infração ora impugnado está errada, pois deveria ter contemplado a compensação integral do prejuízo fiscal da Impugnante, conforme abaixo demonstrado: Assim, por amor à argumentação, na hipótese de se admitir que houve omissão de receita durante o anocalendário de 2000, tal autuação fiscal não há de prevalecer, uma vez que a Impugnante tinha direito a compensar integralmente o seu prejuízo fiscal no anocalendário de 2000, devendo, este direito ser reconhecido por esta Administração quando da apuração de eventual crédito tributário. VIIDO PEDIDO Ante todo o exposto, restando demonstrada a completa insubsistência do auto de infração ora impugnado, são os presentes para requerer: a) Seja julgado TOTALMENTE IMPROCEDENTE O PRESENTE AUTO DE INFRAÇÃO, tendo em vista a licitude de todos os atos e negócios jurídicos praticados pela Impugnante durante os anoscalendários de 2000 e 2002. b) Em caráter sucessivo, obedecendose o princípio da eventualidade, seja julgado PARCIALMENTE IMPROCEDENTE O AUTO DE INFRAÇÃO QUANTO AO Fl. 33DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.047 34 CRÉDITO TRIBUTÁRIO RELATIVO AO IRPJ DO ANO CALENDÁRIO DE 2000, uma vez que não houve a compensação integral do prejuízo fiscal Programa BEFIEX, nos termos do artigo 95 da Lei n° 8.981/95 com redação determinada pela Lei n° 9.065/95. Outrossim, requer ainda a impugnante seja também MINORADA A MULTA imposta à Impugnante, por não estarem presentes os atos caracterizadores de evidente intuito de fraude, exigidos pela norma legal acima transcrita. c) Protesta a Impugnante pela posterior juntada de provas, documentos, planilhas, realização de perícias necessárias e quaisquer outras provas admitidas em Direito posteriormente à vista dos autos, sem qualquer preclusão desse direito, sob pena de ofensa ao Princípio do Devido Processo Legal e de Cerceamento do Direito de Defesa. d)Outrossim, com fundamento no artigo 5°, inciso XXXIV, letra "b" da Constituição Federal de 1988, requer a Impugnante que seja ressalvado o seu direito de ser notificada da juntada de qualquer documento pela autoridade fiscal, ou de qualquer outro fato superveniente que venha a ocorrer nos presentes autos, a fim de que possa se manifestar sobre os mesmos, sob pena de violação ao princípio do devido processo legal (artigo 5°, inciso LIV), do contraditório e da ampla defesa (artigo 5°, inciso LV), além de representar inequívoca negativa de vigência ao princípio da verdade material (princípio maior informador do processo administrativo fiscal). Termos em que Pede deferimento..” Em decisão, a DRJBrasíliaDF, por unanimidade de votos, julgou procedentes os lançamentos, nos termos da ementa que se transcreve: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000, 2002 Ementa: CONTRATO EFICÁCIA PERANTE TERCEIROS O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na disposição e administração livre de seus bens, sendo subscrito por duas testemunhas, provas as obrigações convencionais de qualquer valor. Mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de transcrito no registro público. RESULTADOS Os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido devem ser computados na determinação do lucro real. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.048 35 DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Lançamentos reflexos. Ao se decidir de forma exaustiva a matéria referenciada ao lançamento principal de IRPJ, a solução adotada espraia seus efeitos aos lançamentos reflexos, próprio da sistemática de tributação das pessoas jurídicas..” Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada, interpôs recurso voluntário a este Primeiro Conselho de Contribuinte, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. O Colegiado resolveu converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: Sem ainda fazer qualquer tipo de juízo de valor sobre a questão, pois a atribuição de possível simulação no caso que se cuida, envolve muitos outros indícios, o esclarecimento mais acurado a respeito da existência ou não dos Eurobonds e dos Euronotes é ponto de fundamental importância para formação da convicção deste julgador. Dessa forma, tornase indispensável a conversão do julgamento em diligência, para que seja adotada as seguintes providências pela Fiscalização: Esclarecer as divergências acima relatadas, se possível, fazendo pesquisas nos sites oficiais pertinentes de forma a demonstrar melhor a apontada inexistência dos referidos títulos, através do ISIN e do CUSIP; Outrossim, aproveito a diligência para que se certifique pelos documentos acostados aos autos, que a mesma foi de fato titular do Programa Especial de Importação de Befiex (Doc. 33 – fls. 2209), no período compreendido entre 1982 e 1996. Comprovou também através de cópia do Lalur anexado à sua impugnação (doc. 34), que o prejuízo que pretendia ver compensado foi apurado em 1995, no valor de R$ 139.155.223,31 e não foi utilizado até o final do anocalendário de 2000. Certificarse de que esse aproveitamento ainda é possível, a luz do art. 13 do DecretoLei nº 1.219/72 e se o montante que ele faria jus seria aquele mesmo apontado em seu recurso; Apresente outras informações e esclarecimentos que entender pertinentes à solução da lide. Às fls. 2420, consta Termo de Intimação Fiscal, datado de 19/11/2009, intimando a Recorrente a comprovar: 1 o registro junto ao BACEN da captação de recursos através da emissão de Euro Notes no valor de US$ 30.000.000,00, no ano de 2000, que teve uma autorização prévia de emissão dada pelo BACEN e que foram adquiridas pela Eurovest Global Securities Inc., 2 o registro das Euro Notes junto ao órgão de registro nos USA; 3 os registros da movimentação dos eurobônus emitidos em 1994 no valor de US$ 50.000.000,00, junto ao Chase Manhattan Trust and Banking Co., Japão; Fl. 35DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.049 36 4 a aquisição de eurobônus: em 14/08/2000, no valor nominal de US$ 2.900.000,00, e comprado por US$ 3.000.000,00; em 16/08/2000, no valor nominal de US$ 3.850.000,00 e comprado por US$ 4.000.000,00; em 29/08/2000, no valor nominal de US$ 3.550.000,00 e comprado por US$ 3.770.000,00; em 06/09/2000, no valor nominal de US$ 1.200.000,00 e comprado por US$ 1.294.924,44; ; em 03/10/2000, no valor nominal de US$ 680.000,00 e comprado por US$ 730.154,82, totalizando: em valores nominais US$ 12.180.000,00 e em compras US$ 12.795.079,26; 5 o registro das aquisições dos eurobônus no valor de US$ 38.270.000,00, feitas pela TUGASKE INVESTMENTS, LLC, , junto ao Chase Manhattan Trust and Banking Co., Japão. Às fls. 2931/2934 consta o resultado de diligência que destaca em primeiro lugar a presença de mais um indício que viria ao encontro da manutenção das infrações, que seria o fato de o momento histórico econômico (diversas crises no exterior com impacto no risco Brasil e impacto cambial) ter levado a Recorrente ao exercício de cláusula permitindo a antecipação total de sua dívida surgida por ocasião da emissão dos eurobonds em 1994. No caso teria sido quitada em novembro de 1999, trazendo planilha simulando os cálculos que conduziriam à essa conclusão. Destacase abaixo outras conclusões trazidas pelo autuante:: (...)A análise dos fatos e dos documentos constantes dos treze volumes do processo n° 19515.003013/2005900, permitem que; se conclua que a empresa MAXION S/A, liquidou parcial ou totalmente, a dívida em novembro de 1999, decorrente da emissão de US$ 50.000.000,00, de eurobônus em novembro de 1994. (...) A IOCHPE MAXION S/A foi intimada, documento de fls. 2.420, a apresentar o registro das aquisições dos eurobônus no valor de US$ 38.270.000,00, por parte da Tugaske, junto ao Chase Manhattan Trust and Banking Co., sediada no Japão. Ela requereu a juntada dos documentos de fls. 2421 a 2602, sem contudo deles constar o registro daquelas aquisições e justificou a falta da documentação ao fato de serem títulos emitidos e adquiridos há mais de 15 anos, documento de fls. 2.433. A empresa utilizou o empréstimo que fez para a sua subsidiária; Iochpe Maxion USA Inc. acrescidos dos juros no montante de US$ 38.7216.076,67, para dar em pagamento dos eurobônus em poder da Tugaske. O mesmo empréstimo que tinha feito a cessão de direitos para a sua subsidiária Newbridge Strátegic Partners. A empresa foi intimada através do Termo de Intimação Fiscal de fls. 2.420, a apresentar os registros da movimentação dos eurobônus emitidos em 1994, junto ao Chase Manhattan Trust and Banking Co., Japão, instituição financeira em que ficaram custodiados os eurobônus e para que foram destinados os juros. Ela não atendeu e justificou às fls. 2.430 e. 2.431, alegando a impossibilidade de obter os documentos solicitados junto àquela instituição, por motivo do| tempo decorrido e solicitou um prazo suplementar de 30 (trinta) dias para apresentar a documentação. A prorrogação de prazo foi concedida, sem que ela apresentasse os documentos solicitados, novamente requereu a prorrogação do prazo de 30 (trinta) dias, documento de fls. 2435 sem que fossem apresentados até a data de 19 de abril de 2010. A empresa não possui documentação dos adquirentes dos eurobônus e manifesta que não tinha acesso ao registro e a movimentação daqueles títulos junto a instituição financeira custodiante (Chase Manhattan Trust and Banking Co., Japão), Fl. 36DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.050 37 é inconcebível por ferir as práticas financeiras usuais e as clausuras do ' contrato firmado quando da emissão dos eurobônus, vide tradução n° I24175, Livro nº 284; folhas 89 e 90, de fls. 2679 e 2680, volume 14. O Termo de Intimação Fiscal de fls. 2.420, em seu item 1, intimou a empresa a comprovar o registro definitivo no BACEN da emissão de Euro Notes no valor, de US$ 30.000.000,00. A empresa através de seus advogados respondeu , documentos de fls. 2.424 a 2.430, não ter efetuado o registro definitivo e alegou estar dispensado em razão de ter efetuado a captação de recursos no exterior e lá os ter mantido. A empresa por seus advogados apresentou os documentos de fls. 2421 a 2602 em 23 de novembro de 2009, e os documentos de fls. 2605a 2926 em 22 de abril de 2010. Os documentos de fls. 2168 a 2209 dos autos fazem prova que a IOCHPE MAXION era titular do Programa Especial de Importação de BEFIEX, no período compreendido entre 1982 a 1996. Às fls. 2936 a 2965 consta manifestação de inconformidade da Recorrente contra o resultado de diligência, que foi lido em sessão no que foi relevante. Anexou também os documentos de fls.2967/3011. É o relatório. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.051 38 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, fiscalização identificou duas infrações, uma no ano 2000 e outra no ano de 2002. ANO 2000 Em relação à primeira infração (2000), assim concluiu a fiscalização: “A lógica que presidiu a operação aponta para o fim almejado pelo contribuinte: para evitar a necessidade de registrar os títulos junto ao órgão de controle (BCB), ou simplesmente deixar de informar o que nunca existiu, o contribuinte os emitiu com prazo de um ano. Crente de ter alcançado uma razão suficiente para justificar a falta de registro da operação de emissão de títulos no exterior, executou o segundo passo, já planejado: adquiriu eurobônus, (coincidentemente de titularidade da mesma EUROVEST), vendendoos no mesmo dia à VALIANT, que lhe pagou o preço em reais, no Brasil. Ao arquitetar essa mirífica operação jurídicofinanceira, e sem que o Banco Central disso tomasse ciência, obteve ingresso de recursos no Brasil, a partir de uma operação gerada no exterior.(...) Assim, os valores alegadamente recebidos da VALIANT são resultados positivos, por representarem acréscimos patrimoniais sem qualquer contraprestação/ônus do contribuinte, e como tal devem ser adicionados ao resultado do exercício, para efeito de tributação, conforme dispõem as seguintes normas do Decreto 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). (...) Outrossim, constatase que o contribuinte IOCHPE, por seus administradores: visou iludir a autoridade fiscalizadora de divisas, o Banco Central do Brasil; deixou de declarar, nos livros comerciais e fiscais, a compra dos eurobônus, ocultando essa operação fiscal; e deixou de declarar, em notas de explicação de seu balanço, compra de eurobônus de sua própria emissão. Das constatações acima, é certo que o contribuinte agiu com o propósito de receber recursos, no Brasil mediante uma operação fictícia com origem no exterior, ou o propósito de internalizar recursos seus no exterior sem a devida comunicação aos órgãos de controle cambial e tributário. Tal prática, cuja engenhosidade só robustece o dolo empreendido na operação, dá certeza de que o contribuinte diligenciado agiu com o fim precípuo de impedir a ocorrência do fato gerador (o acréscimo patrimonial decorrente do recebimento de R$ 22.277.306,02, pretensamente oriundos de venda de títulos à VALIANT), de modo a reduzir o montante do Fl. 38DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.052 39 imposto de renda e contribuição social sobre o lucro devidos no anocalendário de 2000 (art. 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964).” Entre outras alegações que serão tratadas no decorrer do voto, o autuante alega que a venda dos Eurobonds pela contribuinte à Valiant, seria de difícil possibilidade. Disse possibilidade, pois o autuante utilizase como um indício que conspira contra a história da recorrente. Conforme levantamento feito pelo fiscal através de suas parcas receitas declaradas ao fisco, não teria ela nem ao menos recursos para lidar com um desencaixe financeiro tão alto da ordem de 20 milhões de Reais. Somandose o patrimônio líquido declarado no início de 2000 às receitas auferidas em 2001, temos R$ 3.610.866,11. O fiscal agrega a impossibilidade apontada acima a existência de representações contra à Valiant feitas pelo Banco Central referente a transferências internacionais. Porém a premissa maior a qual se lastreou o autuante foi colocar em dúvida a credibilidade dos Títulos (Euro Notes) que lastreariam essa operação. Antes de tratar da questão relativa à existência desses títulos que foi objeto de diligência, considero que aqueles indícios tratados no tópico anterior apesar de enfraquecer a credibilidade dessas operações não julgo que sejam suficientes para descaracterizar tais operações mormente quando regularmente contabilizadas, de outras provas constante nos autos a serem mencionadas e principalmente em função de prova trazida aos autos pela Recorrente quando da conversão do julgamento em diligência, cujo motivo principal foi averiguar a credibilidade daqueles Títulos: Por ocasião da diligência, notase, em primeiro lugar, o extremo esforço da Recorrente em obter informações de terceiros após mais de dez anos dos fatos. Vide carta enviada ao Deutsche Bank AG (fls. 2568): Eu, Sandra Regina Mattos Rudzit, tradutora pública, certifico e dou fé que me foi apresentado um documento em idioma inglês, que passo a traduzir para o vernáculo no seguinte teor: Timbre de IochpeMaxion S.A. São Paulo, 7 de dezembro de 2009. Ref.: Títulos em Euro emitidos em 14 de junho de 2000 (Número de Identificação de Mobiliários Internacionais ISIN XS0112928790) Em atenção de: Global Services Deutsche Bank AG — Filial de Londres Prezados Senhores, Durante o ano de 2000, nossa empresa contratou os serviços da Eurovest Securities. Inc. para intermediar a emissão de títulos de curto prazo para levantar fundos do exterior. A emissão ocorreu em 14 de junho de 2000 e envolveu o valor de US$30.000.000,00. A data de vencimento foi determinada como junho de 2001. O seguinte código de identificação (Número de Identificação de Valores Mobiliários Internacionais — ISIN) foi atribuído a esses valores mobiliários: XS0112928790. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.053 40 A instituição financeira responsável pelo pagamento do valor referente a esta operação específica foi o Deutsche Trust Bank Limited — Tóquio — Japão. Autoridades fiscais brasileiras exigiram que a IochpeMaxion S.A. comprovasse a existência efetiva dos valores mobiliários acima mencionados por meio da apresentação de documentos ou declarações expedidas pelo agente de pagamento, pelo custodiante ou pela pessoa jurídica que gerou esses ISINs para confirmar sua existência e o vínculo entre esse código (número de identificação) e as principais características dos valores mobiliários emitidos em 2000. O documento ou declaração deverá conter as informações sobre o nome do emissor, o valor envolvido na operação e o prazo de resgate. Até onde é de nosso conhecimento, as pessoas jurídicas que geraram esses códigos são o Euroclear Bank e a Clearstream, a última vinculada ao Grupo Deutsche Bòrse. O prazo limite para apresentar esses documentos é 15 de dezembro de 2009. Portanto, solicitamos seu auxílio para nos enviar ou nos informar o quanto antes possível, os documentos ou declarações mencionadas acima. Esses documentos ou declarações fornecerão comprovações claras da existência dos valores mobiliários acima mencionados e vincularão o número de identificação (ISIN) mencionado acima aos títulos de curto prazo emitidos pela Iochpe Maxion S.A. em 2000, mencionando as características descritas acima. Caso esses documentos ou declarações solicitados neste instrumento devam ser emitidos por uma empresa localizada em um país estrangeiro, solicitamos que os apresente a um tabelião público e posteriormente ao consulado brasileiro mais próximo para que sejam legalizados. Atenciosamente, (ass) Oscar Antonio Fontoura Becker IochpeMaxion S.A. NADA MAIS. Li, conferi, achei conforme e dou fé desta tradução. julgamento em diligência. Carta idêntica foi enviada ao Euroclear Belgium (fls. 2563), custodiante dos referidos títulos. Embora não tenha logrado sucesso nessa tentativa em função quiçá da questão temporal, a Recorrente ainda envidou esforços no sentido de demonstrar a existência e fidedignidade dos Euro Notes emitidos em 2000. Anexa aos autos (Doc. 10, fls. 2571/2572), o qual foi obtido mediante consulta à base de dados da empresa "Bloomberg", segundo ela “mediante simples inserção do código correspondente ao ISIN dos títulos em questão, qual seja, ISIN XS0112928790, código este que é o mesmo que consta nas confirmações de venda desses títulos pela Eurovest Securities Inc., na condição de agente intermediador e respectivas traduções juramentadas, constante às fls. 1385 a 1588. Tal fato não foi desconstituído pelo fiscal diligenciante. Esclarece ainda a Recorrente “que a Bloomberg, como é de conhecimento público e notório, alimenta, administra e disponibiliza ao público em geral uma das maiores bases de dados do mundo sobre informações econômicofinanceiras, sendo tais informações dotadas de credibilidade e confiança amplamente reconhecidas.” Fl. 40DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.054 41 Afora isso, considero muito relevante destacar outros indícios convergentes de forma a amparar a existência dos referidos bonds: consta dos autos além dos prospectos de emissão desses títulos, por ocasião da diligência, cópia do documento que comprova a entrega dos títulos pela Recorrente ao "Chase" (fls. 2.879 a 2.882), conforme previsto no contrato de custódia, bem assim cópia do documento que comprova o recebimento dos títulos pelo "Chase" em custódia (fls. 2.885 a 2.886). Imaginar uma simulação nesse caso específico seria superestimar a capacidade de invenção e engenhosidade da Recorrente diante de tantos elementos de prova assim. Outrossim, consta às fls. 2446/2452 laudo contábil minucioso e convincente emitido pela PriceWaterHouse dando conta da conformação contábil e financeira das referidas operações compra e venda. Cabe salientar por fim, que a efetividade e existência dessas movimentações pode ser constatada também pela remessa dos juros correspondentes ao Chase Manhattan Trust and Banking Co. Japão, devidamente registrado no BACEN conforme autorização de fls. 1635 a 1643. Por outro lado, todos os outros argumentos utilizados pelo autuante e pela DRJ também, a meu ver, não mais prosperam, senão vejamos: Colocase em dúvida os contratos de compra e venda firmados entre a Recorrente e a Eurovest em função de cláusula que estabelece o preço em dólar, porém, sem que nesta conste também qualquer referência a que o pagamento teria como forma de liquidação os recursos obtidos na captação através das notas de crédito mantidos em conta da Eurovest. A forma de liquidação que deve se dar em um negócio jurídico como o contrato de compra e venda não é elemento essencial à validade do mesmo, mas elemento acessório. Não é portanto argumento suficiente para comprometer a validade do negócio jurídico. Por fim, a ausência de testemunhas e o fato de não terem sido registrados em cartório apesar de serem elementos importantes em certos tipos de contrato, e a depender do contexto em que isso se dá, não vejo pelas provas dos autos como possam por si sós no caso que se cuida tornálos ineficazes, mormente quando foram contabilizados e acompanhados de uma série de outros documentos em seu entorno que garantem a sua força e existência: contabilização dos efeitos patrimoniais; prospectos detalhados com as características da emissão dos títulos; correspondências comprovando entrega dos títulos pela Recorrente ao banco custodiante, bem assim confirmação de recebimento dos títulos pelo "Chase". A autoridade diligenciante também traz como indício para se manter essa infração o fato de o momento histórico econômico (diversas crises no exterior com impacto no risco Brasil e impacto cambial) ter levado a Recorrente ao exercício de cláusula permitindo a antecipação total de sua dívida surgida por ocasião da emissão dos eurobonds em 1994. No caso teria sido quitada em novembro de 1999, trazendo planilha simulando os cálculos que conduziriam à essa conclusão. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.055 42 Ora, tal indício (alegação de quitação antecipada da dívida), nada tem a ver com a presente infração, não guardando relação alguma com as operações que motivaram a presente infração, pois esta se deu nos meses de agosto a novembro de 2000 e a dívida, segundo o diligenciante, teria sido quitada em novembro de 1999. Tal indício guarda, sim, relação com a outra infração relativa ao ano de 2002, como se verá no próximo tópico. Por todo o exposto, dou provimento em relação à omissão de receitas referente ao ano 2000, por não considerar provada de forma contundente a omissão de receitas no presente caso. ANO 2002 Em relação à infração relativa ao ano de 2002, assim, após uma minudente descrição dos fatos, concluiu a fiscalização: “De tudo acima exposto, concluise que o contribuinte arquitetou operação que, pelo aspecto cambial, resultou na falta de remessa de divisas a que se obrigara, a qual se daria pelo pagamento, a ser realizado no exterior, em razão do vencimento das notas de médio prazo (eurobônus). Pelo aspecto fiscal, a falta de remessa representa uma remissão de dívida, a benefício do contribuinte, que é empresa nacional domiciliada no país. Em outros termos, a remissão da dívida resultou num acréscimo patrimonial, resultante da baixa, no passivo de obrigação que, com se demonstrou, não foi efetivamente paga nem quitada por qualquer outra forma. A “especial concessão do credor” redundou, sob o prisma contábil, num perdão de dívida, pois o passivo foi extinto com a “concessão” do credor, o que representa uma receita não operacional auferida pelo contribuinte.”(destaquei) De sua parte, a Recorrente defende a lisura da operação, enfatizando que não teria ocorrido a apontada simulação. Combate a prova indiciária pela estratégia de analisar cada um dos indícios isoladamente, mostrando que podem levar a conclusões diversas das apontadas pela fiscalização. Simulação – conceito A respeito do conceito de simulação, embora saiba que o que importa nesses casos são como os fatos realmente se apresentam e que cada caso é um caso, é sempre bom ter em mente algum conceito a priori do fenômeno para melhor divisálo de outras figuras, como é o caso do negócio jurídico indireto, bem assim fazer a diferença entre simulação relativa, a mais comum, e a simulação absoluta, esta mais pertinente ao caso concreto. A respeito da distinção entre simulação e negócio jurídico indireto, o doutrinador que melhor lançou luzes a respeito dessa distinção, no meu modesto entendimento, foi o Ilustre jurista Ricardo Mariz de Oliveira, quando nos apresenta um critério bem objetivo de como diferenciar a simulação do negócio jurídico indireto (trabalho apresentado no 11º Simpósio IOB de Direito Tributário): (...) Em síntese, podese dizer que há negócio indireto quando, para atingir determinado objetivo, a pessoa não se utiliza do ato Fl. 42DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.056 43 jurídico (ou da estruturação jurídica) que diretamente se aplicaria à situação e permitiria a realização daquele objetivo desejado, mas, sim, se vale de um outro ato jurídico (ou de uma outra estrutura jurídica) que não é típico e específico àquele objetivo, mas que acarreta resultado igual ou semelhante sob o ponto de vista econômico ou negocial.O negócio jurídico indireto é válido na medida em que não viole disposição de lei, inclusive e se não for adotado para violar proibição legal, sendo absolutamente necessário que seja praticado para atingir algum fim de direito privado que não seria vedado pela lei se tivesse sido praticado o negócio direto. É essencial compreender que o negócio indireto diferenciase da simulação porque nesta há desconformidade entre o desejado e o praticado, o que obriga as partes a realizar atos paralelos ocultos de desfazimento ou neutralização dos efeitos do praticado ostensivamente, ao passo que no negócio indireto as partes desejam e mantêm o ato praticado e se submetem por inteiro ao seu regime jurídico e a todas as suas conseqüências .(grifei). Simulação Absoluta Na simulação absoluta, criase apenas uma aparência que não se destina a ocultar por baixo dela um outro negócio dissimulado, diferenciandose, pois, da simulação relativa onde há necessidade da existência de um negócio jurídico oculto, aquele realmente intencionado. O então Ministro do STF, Moreira Alves, no Seminário internacional de elisão fiscal (Esaf,2001), assim exemplifica esse tipo de simulação: (...)É o caso, por exemplo, de, ocorrendo uma revolução, e havendo perspectiva de confisco dos bens dos antirevolucionários, um deles celebra simuladamente – simulação absoluta – contrato de compra e venda com um amigo que não ocorre esse risco por ser partidário da revolução, tornadose esse aparentemente proprietário da coisa, e não ocorrendo, portanto, o risco de têla confiscada. Criouse a aparência sem que se oculte por baixo dela um negócio jurídico que é realmente simulado. Como ficará mais claro no desenvolvimento deste voto, o caso que se cuida e talvez até por isso possa ter contribuído para gerar divergência do meu voto por alguns dos meus pares tratase de simulação absoluta e não relativa, daí porque não ter se aventado o aproveitamento algum negócio jurídico, dito dissimulado, que possa interferir no resultado deste voto. Esclareçase, por oportuno, que o fato dos atos societários terem sido formalmente praticados, com registro nos órgãos competentes, escrituração contábil, etc. não retira a possibilidade de se enquadrar como simulação. Mesmo assim, isso nem mesmo foi o caso, conforme ficou consignado na decisão DRJ. Aliás, no caso de simulação, aparentemente, se tem atos jurídicos lícitos. Faz parte da natureza da simulação o envolvimento de atos jurídicos lícitos. Afinal simulação é a desconformidade, consciente e pactuada entre as partes que realizam determinado negócio jurídico, entre o negócio efetivamente praticado e os atos formais (lícitos) de declaração de vontade. O fato de esses atos societários terem sido formalmente praticados, portanto, repitase não exclui a possibilidade da simulação. Aliás, é de se esperar que os atos dissimuladores tenham esses atributos. Não é razoável esperar que alguém tente dissimular um negócio jurídico dandolhe a aparência de um outro ilícito; ou que deixe de cumprir as formalidades próprias aos atos dissimuladores. Portanto, dizer que não há Fl. 43DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.057 44 simulação porque os atos praticados são lícitos não é um argumento válido. Quem procede desse modo, comete um erro de raciocínio chamado pelos lógicos de “falácia de composição” (Tomar o todo pela parte), que é o fato de concluir que uma propriedade das partes deve ser aplicada ao todo. Tomese como exemplo ilustrativo: "Este caminhão é composto apenas por componentes leves, logo ele é leve também.". Caso concreto Vamos então ao caso concreto, em seu miúdo. Combate a prova indiciária pela estratégia de analisar cada um dos indícios isoladamente, mostrando que podem levar a conclusões diversas das apontadas pela fiscalização. O problema é que a história final contada pelo contribuinte se mostra muito inverossímil, muito cheia de rodeios e fantasias e sobretudo muito menos realista que narração feita pelo autuante. Os indícios colhidos são robustos e diferentemente do que aconteceu com a infração anterior, forma um todo que não refutado com argumentos sólidos pela recorrente. Prova indiciária da simulação Pelo aspecto fiscal, a falta de remessa representa uma remissão da dívida, a benefício do contribuinte, que é empresa nacional domiciliada no país. Nesse item, a remissão da dívida resultou num acréscimo patrimonial, resultante da baixa, no passivo, de obrigação que não foi efetivamente paga. Essa extinção no passivo representa uma receita não operacional auferida pelo contribuinte a teor dos artigos 248 e 249 do Decreto 3000/99 . A recorrente tenta se justificar alegando que apesar de não ter comunicado ao banco central a operação subseqüente de dação em pagamento de créditos que tinha em favor de sua subsidiária no estrangeiro, primeiramente contra a IochpeMaxion USA, INC nos EUA e depois cedidos à Newbridge (Ilhas Cayman) porque primeiro, não era do interesse do banco central e; segundo, porque o que importaria é que naquele primeiro momento a transferência internacional não iria mesmo acontecer em função da Novação efetuada e, por último, devido a um problema operacional de sistemas, em que a única opção disponível seria o perdão de dívidas. Não haveria previsão para a dação em pagamento. Assim, a fiscalização ao desconsiderar tal operação, adicionou ao lucro líquido como receitas tributáveis o valor do seu passivo considerado perdoado. 1) Falta de Justificativa jurídicoeconômica para as cessões de crédito O item “d”, do Termo de Intimação º 2, solicita que seja esclarecido qual o interesse jurídicoeconômico de Newbridge em receber o crédito que Iochpe tinha junto a sua subsidiária IochpeMaxion USA, INC. A esse título esclarece Iochpe que: Fl. 44DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.058 45 (i) – Iochpe tinha como interesse que sua subsidiária, IochpeMaxion USA, inc, não fosse sua devedora; (ii) – Newbridge, estando no exterior, tinha condições de assumir o crédito em referência, liquidandoo, observadas as condições contratuais, a qualquer tempo. Justificativas bastante genéricas, evasivas e nada esclarecedoras. Mas, o autuante, muito diligentemente e em busca da verdade material não se contentando com a resposta procura avançar mais. Dessa forma tenta vislumbrar algum propósito financeiro ou negocial para a operação, mas como se verá no próximo item, esse também não existiu. No Item 3 – TIF nº 3: “A tomadorafinanciadora NEWSBRIDGE ao assumir o papel de cessionária no “Contrato de Cessão de Empréstimo”, datado de 01/12/2000, passou a ser devedora, para com a credora cedente IOCHPE MAXION S.A da quantia de US$ 34.844.712,78, representada por dois contratos de mútuos avaliados nessa data em US$ 16.450.935,00 e US$ 18.393.777,78. Informar se, em cumprimento à cessão dos contratos de mútuo, foi efetivamente efetuada transferência de recursos financeiros da subsidiária IOCHPEMAXION USA para NEWSBRIDGE, no montante de US$ 34.844.712,78. Caso tenha havido a efetiva remessa de recursos financeiros da IOCHPEMAXION USA para a NEWSBRIDGE, apresentar comprovante de transação financeira.” Resposta (fl.263): “Inicialmente cabe esclarecer que Iochpe não tem conhecimento de que a sociedade Iochpe Maxion USA, sua subsidiária, tenha descumprido qualquer regra legal ou tenha sido apontada em qualquer procedimento, no exterior, em desacordo com as determinações legais que lhe são aplicáveis. Dessa forma, entende que todos os procedimentos exigidos em lei tenham sido cumpridos no que tange à transferência de recursos acima referida. De toda sorte, por tratarse a operação implementada fora da jurisdição de Iochpe, a obtenção de melhores informações fica bastante dificultada.” No item 5 a autoridade, avançando na hipótese de não ter havido a transação (transferência de recursos) financeira referida em 2.2.4 e 2.2.5, indaga a respeito do interesse jurídico econômico da Newbridge na operação, considerandose ter ela assumido contrato de mútuo. Resposta (fl. 263): Fl. 45DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.059 46 “Newbridge é sociedade que opera no mercado internacional e, certamente, teria motivações suficientes para participar como cessionária na operação em referência. Outras considerações por parte de Iochpe implicariam formulação de juízos e especulações que não poderia sustentar por falta de elementos que os consubstanciassem.” Novamente, apesar de todo o esforço do autuante e da recorrente defender ferrenhamente a validez de suas operações, não logra apresentar um motivo econômico jurídico para essa sucessiva transferência de créditos, apesar de se dar entre empresas do mesmo grupo. Observar que o teor da resposta induz a se pensar que a Newbridge é uma sociedade não ligada à Iochpe, mas depois verificouse que esse não é o caso. Cabe por fim salientar que conforme consta em Relatórios Trimestrais consolidados e constantes no site http://pt.scribd.com/doc/32830954/5/Informacoestrimestrais consolidadas (acessado em 21 de junho de 2011), a Newbridge está inativa desde 2003. Ou seja, a Newbridge, empresa sediada nas ilhas Cayman (fl.92), teve uma “vida” bastante curta, coincidência ou não, acompanhou o período em que se deu a ocorrência dos fatos geradores, desempenhando papel relevante nas sucessivas transferências de crédito até chegar finalmente nas mãos da Tugaske. A Newbridge finalizou suas operações em 2002. Agora no que diz respeito à Tugaske empresa que “coincidentemente” adquiriu, no mercado internacional, notas de médio prazo emitidas pelo contribuinte e também muito “amigavelmente” aceitou receber crédito em reais da Recorrente como pagamento feito em dação das Ilas que já não pertenciam ao contribuinte, mas à Newbridge, nas ilhas Cayman1. A esse respeito, então o fiscal se pronunciou no retorno de diligência, embora não fosse objeto da mesma, porém com o princípio da verdade material é informador do Processo Administrativo Fiscal, deve aqui também ser considerado como o foi amplamente em relação às formalidades descumpridas e desconsideradas na infração anterior: Tugaske Investmentes. LLC foi constituída em 30 de outubro de 2000, conforme atestado de fls. 1016, sem que ficasse expresso no seu contrato o valor do seu Capital Social, usualmente as "LLC" eram constituídas com o Capital de US$ 50.000,00. As empresas são criadas no Estado de Delaware em razão de tributação favorecida e muitas têm envolvimento com a lavagem de dinheiro; de acordo com o noticiário da imprensa e pronunciamentos dos procuradores americanos. A Tugaske Investimentes LLC pelo documento de fls. 1020, até o dia 4 de novembro de 2002 mantinha com sócio a empresa Varcraft Enterprises Limited, uma sociedade das Ilhas Virgens Britânicas. Ela nomeou Ronald Aldworth seu único diretor, documento fls. ..1022, em 07/10/2002. A Tugaske nomeou, em 04/11/2002, como Diretor, Presidente, Secretário e Tesoureiro da Sociedade, Ronald Aldworth.” De relevante aqui, desconsiderando as presunções levantadas pelo autuante relativa à lavagem de dinheiro, são os indícios de que tanto a empresa Newbridge quanto a Tugaske foram criadas de forma açodada, e particularmente a empresa Tungaske criada no ano de 2000, portanto, 6(seis) anos após a emissão dos eurobonds, coincidentemente era quem detinha a quase totalidade dessa emissão e tudo isso com uma composição administrativa no mínimo estranha aos padrões de uma empresa séria que se pretendesse levar avante também algum negócio econômico sério. 1 Vide também tópico 4 mais adiante "Grandes coincidências" Fl. 46DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.060 47 2) Falta de comunicação para o Banco Central da Dação em Pagamento O item “e”, do Termo de Intimação Fiscal nº 2, solicita que seja justificada informação contida em carta, protocolizada em 23/12/2002, enviada ao BACEN e de seguinte teor: “Com base na manifestação do Credor (anexa) “(...) não efetuaremos transferência internacional de reais na data ajustada contratualmente, por especial concessão do credor”. A solicitação de esclarecimento, como relatado no Termo, decorre de dois fatos que cita especificamente: (i) falta de referência, no pedido formulado ao BACEN, à existência do Contrato de Novação firmado em 26/1/2002 e correspondente aditivo; (ii) a existência na manifestação enviada ao BACEN da seguinte expressão em língua inglesa: “(...) IochpeMaxion S.A is waived from payment of the mentioned amounts”. Segundo o “Dicionário InglêsPortuguês de Leonel Vallandro (Ed. Globo) consta a seguinte tradução para o verbo “waive”:”renunciar a, desistir de, abrir mão de” indicando, portanto, um ato de liberalidade do Credor (Tugaske) que “abriu mão, desistiu” do seu crédito o que se harmoniza com o sentido da expressão “especial concessão do credor”, constante da carta enviada ao Banco Central. Contudo ambas expressões contradizem os termos dos referidos contratos de Novação e o seu respectivo aditivo, nos quais fica patente uma transferência, de caráter oneroso, de um empréstimo do Contribuinte cedente (IOCHPE MAXION AS) à TUGASKE, no qual o crédito mantido junto a NEWSBRIDGE (tomadora) foi dado em pagamento para satisfazer o crédito de Tugaske contra a contribuinte. Resposta: “quanto a qualquer referência ao Contrato de Novação e correspondente aditivo, era ela desnecessária para fundamentar a informação de que não mais seria feita a operação de transferência internacional de reais, pois ela somente poderia decorrer de condição contratada entre as partes interessada (Iochpe/devedora e Tugaske/credora) ou de outra especial situação, caso tivesse ocorrido. A menção ao contrato, pelo que se observa, tampouco foi relevante para que o BACEN atendesse à solicitação de Iochpe, pois entendeu a mesma suportada em instrumento contratual suficiente para fundar tal pleito; (ii) quanto ao significado da expressão “is waived”: o verbo to waived tem amplitude muito grande, na língua inglesa como se observa ...” “(...) o ato voluntário de desistência, portanto o waiver, referido pela carta enviada ao BACEN (is waiving), sob comentário, corresponde à renúncia formal do credor de receber o pagamento de seu crédito na data originalmente ajustada, razão pela qual se comunica ao órgão encarregado de controlar as Fl. 47DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.061 48 remessas de numerário ao exterior, que ela não ocorreria; os atos subseqüentes praticados pelas partes demonstram que pagamento, de fato ocorreu, porém em outra data e não em dinheiro, como originalmente pactuado, mas sob a forma de dação em pagamento, em que o credor, Tugaske, aceitou receber a título de liquidação de seu direito (Eurobônus representado por nota de médio prazo de vencimento) crédito que o devedor tinha contra terceiro (Newbridge). Em resumo, a recorrente em um primeiro momento quer defender a tese de que o que disse para banco central não foi bem o que disse. Que o verbo “waive” “tem amplitude muito grande”, e que o perdão da dívida, a renúncia, na verdade significaria apenas o adiamento de pagamento que se deu subseqüentemente através de uma dação em pagamento, que vale salientar, também não foi comunicada ao banco central. 3) Operação de Dação em pagamento também contaminada pela não comprovação da existência dos eurobonds emitidos em 1994 Afora as inúmeras oportunidades infrutíferas tidas pela Recorrente para comprovar a custódia e registro dos eurobonds emitidos em 1994, baixouse o presente julgamento em diligência se oportunizando mais uma vez essa prova. No caso foi solicitado da Recorrente a seguinte prova: (...) 3 os registros da movimentação dos eurobônus emitidos em 1994 no valor de US$ 50.000.000,00, junto ao Chase Manhattan Trust and Banking Co., Japão; 4 a aquisição de eurobônus: em 14/08/2000, no valor nominal de US$ 2.900.000,00, e comprado por US$ 3.000.000,00; em 16/08/2000, no valor nominal de US$ 3.850.000,00 e comprado por US$ 4.000.000,00; em 29/08/2000, no valor nominal de US$ 3.550.000,00 e comprado por US$ 3.770.000,00; em 06/09/2000, no valor nominal de US$ 1.200.000,00 e comprado por US$ 1.294.924,44; ; em 03/10/2000, no valor nominal de US$ 680.000,00 e comprado por US$ 730.154,82, totalizando: em valores nominais US$ 12.180.000,00 e em compras US$ 12.795.079,26; 5 o registro das aquisições dos eurobônus no valor de US$ 38.270.000,00, feitas pela TUGASKE INVESTMENTS, LLC, , junto ao Chase Manhattan Trust and Banking Co., Japão.(...) Conforme resultado de diligência tal mister não foi alcançado: (...) A empresa não possui documentação dos adquirentes dos eurobônus e manifesta que não tinha acesso ao registro e a movimentação daqueles títulos junto a instituição financeira custodiante (Chase Manhattan Trust and Banking Co., Japão), é inconcebível por ferir as práticas financeiras usuais e as clausuras do ' contrato firmado quando da emissão dos eurobônus, vide tradução n° I24175, Livro nº 284; folhas 89 e 90, de fls. 2679 e 2680, volume 14. (...) Fl. 48DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.062 49 4) Grandes coincidências Conforme relatado a fiscalização identifica “uma grande coincidência”: Por coincidência a Tugaske adquiriu, no mercado internacional, notas de médio prazo emitidas pelo contribuinte; aceitou receber o seu crédito em reais; e aceitou receber, como pagamento feito em dação, Ilas que já não pertenciam ao contribuinte, mas à Newbridge, que as recebera por contrato de cessão acordado em 2000. Por coincidência, o valor que a Tugaske tinha a receber pelas suas notas de médio prazo (Eurobônus) coincidiram com o valor das Ilas que ela aceitou, em dação em pagamento, o que evitou o transtorno de se calcular o valor que deveria ser pago a título de troco. Veja que estamos aqui diante de um caso clássico de neutralização dos efeitos da simulação. Emitiuse Eurobonds que não existiam ou que já teriam sido quitados, conforme se verá no tópico anterior e necessitavase neutralizar os efeitos causados pela chegada do seu vencimento original, logo tendo sido mantidos na contabilidade forma artificiosa tãosomente com o fito de omitir receitas. 5) Antecipação da Dívida constituída em 1994, no ano de 1999 Cabe salientar que esse último indício embora não tenha sido explicitado pelo autuante originalmente, surge de ilações extraídas de dados constante no próprio processo e da razoabilidade na análise de fatos de conhecimento notório de todos à época dos fatos geradores feitas no caso pelo diligenciante, embora também não fosse escopo direto da diligência. Porém como já se disse alhures, o princípio da verdade material é informador do Processo Administrativo Fiscal, deve aqui também ser considerado como o foi amplamente em relação às formalidades descumpridas desconsideradas na infração anterior. Outrossim, tratase aqui de apenas mais um indício a ser analisado em conjunto com os demais e não de uma prova cabal suficiente para taxar a consideração desse aspecto como se estivesse modificando o critério jurídico do lançamento. O autuante fez uma explanação da crise econômica internacional vivenciada na época e partir daí concluiu que era viável, assim como acontecia com o mercado em geral naquelas mesmas circunstâncias, que diante da incerteza do cenário econômico e político, buscasse meios de renegociar sua dívida de US$ 50,000,000.00 relativa aos Eurobônus emitidos em 1994, antecipando o seu pagamento, no caso para 1999 e que tal aspecto era inclusive permitido pelo contrato. Eis as suas palavras no que interessa: (...)A análise dos fatos e dos documentos constantes dos treze volumes do processo n° 19515.003013/2005900, permitem que se conclua que a empresa MAXION S/A, liquidou parcial ou totalmente, a dívida em novembro de 1999, decorrente da emissão de US$ 50.000.000,00, de eurobônus em novembro de 1994. Eles eram a rápida desvalorização do Real e da elevação da taxa de juros, por Fl. 49DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.063 50 motivo da alteração na política econômica e cambial no ano de 1999, e o aumento da taxa de risco fixadas pelas agências internacionais. As alterações nas. políticas econômicas e cambiais do Brasil no ano de 1999, teve como origem as crises econômicas, internacionais: envolvendo a Coréia do Sul e os países asiáticos em 1997 e a Rússia em 1998. Em 1997, um rápido processo de fuga de capitais e desvalorização Cambial entre os chamados tigres asiáticos Tailândia, Malásia, Coréia do Sul Hong Kong, Indonésia e Filipinas espalhou medo nos mercados internacionais, em grande parte pela surpresa de ver mercados supostamente sólidos e confiáveis sucumbirem a uma crise financeira. O mercado dos emergentes foi afetado pela primeira vez, mas o Brasil conseguiu passar. A crise da Rússia decorreu da crise asiática, que fez com que o preço investidores, que feitos da crise da dos commodities caíssem em todo mundo e a.Rússia, cuja economia dependia e depende largamente da exportação de commodities como gás natural e petróleo, declarasse o calote de sua dívida externa privada de curto prazo. A manobra acendeu a luz de alerta entre os investidores que passaram a evitar mercados emergentes. Após ter, passado quase sem sentir os efeitos da crise da Ásia, o Brasil foi afetado, enfrentando forte fuga de dólares. O governo reagiu elevando a taxa de juros, que chegou ao pico de 45% no início de 1999, e desvalorizando p Real, que até então mantinha a paridade com o dólar. O câmbio passou a ser flutuante, a partir de fevereiro de 1999, o que ocasionou, a sua rápida desvalorização. As Agencias internacionais classificadoras de risco aumentaram a taxa de risco Brasil no ano de 1999, decorrente da crise econômica, internacional motivada pela quebra da Rússia, e ele se estendeu para o ano de 2000. A taxa de risco em janeiro de 1999 atingiu a 1779 pontos. O patamar histórico era de 700 a 800 pontos. As eleições presidenciais no de 2002 com a possibilidade de ser eleito o candidato Luis Inácio Lula da Silva do Partido dos Trabalhadores fez com que a desvalorização do Real no ano de 2002, se acentuasse e a cotação do dólar para a venda chegou em dezembro de 2002 a R$ 3,5330 e a taxa de risco do. Brasil atingiu os 2.100 pontos. | Os indícios que acusam a quitação antecipada dos eurobônus: são o empréstimo para a sua subsidiária Iochpe Maxion Inc. sediada em Miami USA feito em 03 de novembro de 1999, de US$ 30.310.000,00, que tiveram como origem dos recursos a emissão de 938.155 debêntures, ao preço de R$ 180,00, registrada em 16/10/1998, com data encerramento de distribuição em 25/03/1999, e vencimento em 01/05/2005; aviso de crédito do Banco Bradesco, instituição depositária das debêntures citadas no item 6, no valor de R$ 21.371.671,98, referente a 1ª emissão alienada de 5.274 debêntures ao preço unitário de R$ 4.052,27, documento às fls. 1760, em 03/11/1999; empréstimos junto ao UNIBANCO no valor de RS 21.374.100,00 equivalente a US$ 11.000.000,00 , em 03/11/1999 e outro na mesma data de R$ 21.474.200,00 equivalente a US$ 11.000.000,00, do Banco Bradesco, por meio da Resolução 63 do Banco Central do Brasil, documentos às fls. 1753 a 1760. . . ' . ; Elaborei a planilha de cálculo de fls. 2931. onde fiz a simulação de cálculo.da.amortização e do saldo devedor em novembro de 1999, considerando a taxa de juros anual com base na taxa anual de juros da LIBOR e a diferença entre ela e a taxa de juros de 12,375 % como amortização. O saldo devedor em novembro de 1999, de acordo com a planilha foi de US$ 33.746.750,00, valor próximo ao Fl. 50DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.064 51 empréstimo feito para a sua subsidiária no valor de US$ 30.310.000,00 levando em consideração que a taxa de risco do Brasil em 1999 alcançou 1.779 pontos, 1000 pontos acima do patamar histórico de 700 a 800 pontos, e que os 1000 pontos equivalem a 10%. Podemos concluir a viabilidade da empresa ter renegociado a sua dívida antecipando a sua quitação. (...) De fato, consta dos autos, conforme A tradução n° J24442. Livro n° 287, folhas 98. pagina 1, às fls.2706, volume 14, a informação da possibilidade da Iochpe Maxion S/A. de fazer o pagamento em 08 de novembro de 1999, do principal, no total, mas não de forma pacial, a 100% do valor principal com juros incidentes até a data fixada para o resgate, cuja tradução se transcreve abaixo: Os Títulos Especificados estão sujeitos a resgate, por opção do detentor de qualquer Título, em 08 de novembro de 1999 (a "Data de Resgate Opcional"), por um preço de resgate a 100% do valor principal dos Títulos Especificados, com juros incidentes. (destaquei) Como se vê, tal indício guarda relação com a presente infração, pois independentemente da sustentabilidade da credibilidade dos Eurobônus que ficaram em “xeque” no tópico anterior, a possibilidade de quitação antecipada e todos os outros indícios que o acompanham expostos de forma bastante detalhada, razoável e convincente por ocasião do resultado de diligência, têm o condão de reforçar mais ainda que o passivo mantido pela Recorrente ou não existia em 2002 ou foi baixado de forma simulada através de uma série de operações complexas e artificiosas de forma a esconder omissões de receitas. Conforme já afirmado alhures, a simulação absoluta presente no caso concreto diferenciase da simulação relativa na medida em que cria apenas uma aparência que não se destina a ocultar por baixo dela um outro negócio dissimulado, diferentemente, portanto, da outra (simulação relativa) em que e há necessidade da existência de um negócio jurídico oculto, aquele realmente intencionado. Cabe salientar, por importante que a imputação de simulação absoluta refere se à tentativa de justificar quitação de dívida2 e não remissão, por parte da empresa no Brasil (Recorrente) em favor do credor localizado no exterior, Tugaske, sociedade de vida fugaz e coincidentemente detentora de um crédito em eurobonds emitidos em 1994. Se a Recorrente é também credora da IochpeMaxion USA ou da Newbridge, suas subsidiárias integrais, por outras operações financeiras, isso por si só, obviamente não seria relevante para o litígio. O que é relevante e que não ficou provado pela Recorrente sendo seu ônus mesmo fazêlo, justamente para infirmar a sua história anterior (perdão da dívida) é como tal crédito chegou à empresa Tugaske efetiva credora da Recorrente pela emissão dos títulos eurobonds em 2004. É nesse contexto que as sucessivas transferências de créditos ganham relevância justamente pela forma como se deu esse trânsito passando por empresas efêmeras e no mínimo suspeitas a começar pela sua subsidiária integral, a Newbridge, e terminando pela empresa (Tugaske) que fecha toda a ponta da operação através de uma dação em pagamento, ora considerada também contaminada pela simulação. É nesse contexto a relevância da malograda comprovação do registro das aquisições dos eurobônus no valor de US$ 38.270.000,00, feitas pela Tugaske junto ao Chase 2 a remissão é a tese originalmente apontada pela Recorrente junto ao banco central e que remanesceu em fase de a nova justificativa não ser convincente, pois lastreada em negócio jurídico simulado. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.065 52 Manhattan Trust and Banking Co., no Japão. Malogro este provocado seja pela não comprovação das transferência de custódia seja por também não existir qualquer registro em Cartório Público do contrato de novação, afora outras formalidades não atendidas conforme bem colocado pela DRJ, o que infirmaria os inúmeros indícios que desabonam essas operações que se lastreiam apenas na unilateralidade das assertivas de uma parte.. Em resumo, no caso concreto ocorreu simulação absoluta quanto à pessoa. A “especial concessão do credor” no caso concreto redundou em perdão da dívida e baixa do passivo sem reflexo correspondente no ativo representando omissão de receitas. A simulação no caso ocorreu no bojo da tentativa de justificar a quitação de dívida de eurobonds emitidos em 1994 não mais através de seu perdão, conforme informado originalmente ao banco central, mas através de complexas operações envolvendo a criação de empresa de fachada no exterior onde após sucessivas transferências de créditos entre empresas no exterior culminou com a quitação daquela dívida assumida em 1994 e que se vencia em 2002, através de operação de dação em pagamento contaminada por negócio jurídico de transferência de crédito considerado simulado quanto à pessoa. Em face de todos esses indícios convergentes fica caracterizada a simulação, mantenho, portanto, o lançamento. Multa Qualificada de 150% Simulação Ao restar caracterizada a prática de simulação, visando apenas impedir a ocorrência do fato gerador, declarando, inclusive, informações erradas ao banco central, conseqüentemente está configurada a hipótese de qualificação da multa, nos termos do art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996. Mantenho, portanto, a referida multa. BEFIEX – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS – TRAVA DE 30% Ao efetuar o cálculo do IRPJ E da CSLL devidos o autuante considerou os prejuízos fiscais e as bases negativas da CSLL apurados em períodos anteriores, aplicando a limitação de 30% determinada pelos arts. 42 e 58 da Lei nº 8.981/95 (fls. 1110/1111). Ocorre que o autuante e a DRJ desprezou o fato de que a recorrente como empresa industrial, era titular de Programa Especial de Exportação aprovado pela Comissão BEFIEX, não estando, portanto, sujeita à limitação de 30% no anocalendário de 2000, apenas no que se refere ao IRPJ (Compensação de prejuízos fiscais). Não há previsão legal para essa concessão em relação à CSLL, pois o benefício fiscal é apenas para o IRPJ. A compensação de prejuízos fiscais de empresas titulares de Programa BEFIEX encontra a sua matriz no art. 13 do DecretoLei nº 1.219/72, segundo o qual “o prejuízo verificado num exercício poderá ser deduzido, para compensação total ou parcial, dos lucros reais apurados dentro dos 6(seis) exercícios subsequentes, independentemente da Fl. 52DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.066 53 existência de lucros em suspenso ou reservas, desde que não sejam distribuídos lucros ou dividendos a seus sócios ou acionistas, enquanto na empresa houver prejuízos a compensar”. Nesse mesmo diapasão: Redação anterior da Lei nº 8.981/95: “Art. 95. As empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação aprovados até 3 de junho de 1993, pela Comissão para Concessão de Benefícios Fiscais a Programas Especiais de Exportação Comissão Befiex, poderão, observado o disposto no art. 42, compensar o prejuízo fiscal verificado em um períodobase com o lucro real determinado nos seis anos calendário subseqüentes, independentemente da distribuição de lucros ou dividendos a seus sócios ou acionistas.” Redação atual Lei nº 8.981/95 alterada pela Lei nº 9.065/95: “Art. 95. As empresas industriais titulares de Programas Especiais de Exportação aprovados até 3 de junho de 1993, pela Comissão para Concessão de Benefícios Fiscais a Programas Especiais de Exportação BEFIEX, poderão compensar o prejuízo fiscal verificado em um períodobase com o lucro real determinado nos seis anoscalendário subseqüentes, independentemente da distribuição de lucros ou dividendos a seus sócios ou acionistas. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995)” Vêse que a Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995 deu nova redação ao referido artigo 95, deixando bem claro o afastamento da trava de 30% dos prejuízos fiscais para aquelas empresa beneficiadas pelo Befiex, na medida em que retirou de seu texto a expressão “observado o disposto no art. 42”. Essa é inclusive a jurisprudência administrativa predominante: “IRPJ – COMPENSAÇÃO INTEGRAL DE PREJUÍZO FISCAL – PROGRAMA BEFIEX – O prejuízo apurado durante a vigência do programa BEFIEX pode ser compensado integralmente na apuração do lucro real sem as limitações impostas pela Lei nº 8.981/95, mesmo após o término do programa. Recurso Provido” (Processo nº 13603.002411/2003 43, Oitava Câmara, Sessão de 13/04/2005) No caso que se cuida, a recorrente comprovou, pelos documentos acostados aos autos e também pelo resultado de diligência, que foi titular do Programa Especial de Importação de Befiex (Doc. 33 – fls. 2209), no período compreendido entre 1982 e 1996. Comprovou também através de cópia do Lalur anexado à sua impugnação (doc. 34), que o prejuízo que pretendia ver compensado foi apurado em 1995, no valor de R$ 139.155.223,31 e não foi utilizado até o final do anocalendário de 2000, conforme inclusive foi verificado por esta autoridade julgadora junto aos controles do SAPLI. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.067 54 Contudo, como foi dado provimento parcial ao recurso em relação a infração do ano 2000, fica prejudicado esse aproveitamento. Lançamento Reflexo (CSLL) Por estar sustentado na mesma matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear a manutenção da exigência lançada por via reflexa. Por todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso para cancelar a infração relacionada ao anocalendário 2000. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 54DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.068 55 Declaração de Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Mesmo após os amplos debates realizados por esta Corte no julgamento do presente feito e dos percucientes fundamentos adotados, como de praxe, pelo nobre Conselheiro Relator, não me convenci da procedência do auto de infração no que toca ao ano de 2002. A acusação que paira sobre a Recorrente é a de que ela teria praticado ato simulatório, por meio do qual concedera remissão injustificada de uma dívida de US$38.700.000,00 (trinta e oito milhões e setecentos mil dólares dos Estados Unidos da América), mediante o perdão de um empréstimo por ela concedido em favor de sua subsidiária no exterior. A Recorrente alega não ter havido a remissão e, sim, dação em pagamento de referido crédito, para compensação com débitos seus decorrentes da emissão de eurobônus, ocorrida em 1994. Segundo o entendimento da Autoridade Fiscal, corroborado pelo voto vencedor, o conjunto de indícios convergentes existente no caso é suficiente para se identificar a prática de simulação, tendente a ocultar a remissão do empréstimo feito pela Contribuinte à sua subsidiária no exterior. Existem, de fato, elementos não naturais nas práticas realizadas pela Recorrente, assim como certa estranheza nas justificativas por ela apresentadas. Todavia, também existem fortes elementos que afastam ou colocam em séria dúvida a versão dada pela Autoridade Fiscal aos fatos colhidos durante o procedimento fiscal. Vejamos. 1) Efetiva existência dos Eurobônus de 1994 O primeiro questionamento se refere à existência efetiva, ou não, dos eurobônus, no valor de US$50.000,00 (cinqüenta milhões de dólares dos Estados Unidos da América), títulos emitidos pela Recorrente, ao portador, no exterior, no ano de 1994. Saber acerca da existência de referidos eurobônus é essencial pois, na versão da Recorrente, não teria havido remissão da dívida, mas sim dação em pagamento desse crédito com os débitos decorrentes da emissão dos eurobônus. Tanto essa confirmação da emissão de referidos bônus era relevante que o zeloso Conselheiro Relator buscou solucionar a dúvida por meio de diligência (fls. 2399/2415), cujo resultado não acrescentou qualquer informação ou prova no sentido de existirem, ou não referidos eurobônus. Assim, o voto vencedor entendeu pela não comprovação da existência dos eurobônus. No entanto, concessa venia, o indício mais forte acerca da efetiva existência dos eurobônus foi ignorado: das discussões havidas no julgamento do feito, restou Fl. 55DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.069 56 incontroverso que, em confirmação da versão dada pela Recorrente, o valor decorrente da captação dos US$50.000.000,00 (cinqüenta milhões de dólares dos EUA) emitidos em 1994 efetivamente deu entrada no Brasil por meio de remessas vindas do exterior. Ainda, existem registros e remessas de valor a título de juros em pagamento de referidos bônus no curso do tempo, o que corrobora sua existência (fls. 1874 e ss). Por fim, todas as operações com os eurobônus encontramse devidamente contabilizadas (fls. 1803 e ss). O TVF parte do pressuposto que os eurobônus não existiam. Tão fraca é a convicção da Autoridade Fiscal em sua afirmativa que, quando da diligência pedida pelo CARF, ou seja, já em segundo grau de jurisdição administrativa, passou a dizer que os eurobônus existiram, mas foram liquidados antecipadamente em 1999 – questão que será analisada mais a frente. Tenho assim que, se existem indícios da não existência dos eurobônus de 1994, também existem fortes indícios que apontam pela existência de referidos eurobônus. Não entendo, assim, diante dessa controvérsia, seja possível afirmar categoricamente que os eurobônus nunca existiram, por ausência de elementos consistentes na acusação formulada pela Autoridade Fiscal. Desta forma, ausente prova direta da existência ou inexistência dos eurobônus, e havendo indícios convergentes no sentido de que os mesmos de fato existiram, entendo que deve ser afastado o entendimento da Autoridade Fiscal quando da lavratura do auto de infração. 2) Ausência de justificativa econômicojurídica para as cessões de crédito A Recorrente realizou, em 03 de novembro de 1999, dois contratos de empréstimo para a sua subsidiária IochpeMaxion USA, no valor total de US$30.000.000,00 (trinta milhões de dólares dos EUA). Segundo consta dos autos, em 1º de dezembro de 2000, a empresa Newbridge, localizada no exterior, por meio de contrato de cessão de crédito, assumiu a dívida da IochpeMaxion USA perante a Iochpe Brasil (Recorrente), ficando como credora da primeira. Dessa feita, a IochpeMaxion USA passou a ser devedora da Newbridge e a Newbridge passou a ser devedora da Recorrente. A acusação fiscal aduz que não haveria justificativa econômicojurídica para as cessões de crédito havidas entre a subsidiária da Recorrente, IOCHPEMAXION USA e a Newbridge. A questão foi objeto de enormes questionamentos e de diligências, buscando aferir a razão pela qual teria havido a transferência da dívida. Por fim, descobriuse que a Newbridge era uma segunda subsidiária da Recorrente, pelo que a cessão de crédito havia se dado entre duas subsidiárias integrais da Recorrente no exterior. Permissa venia, a discussão é absolutamente inócua para a solução da controvérsia havida no presente feito. A imputação de simulação constante do auto de infração referese a ocorrência de uma remissão de dívida por parte da empresa no Brasil (Recorrente) em favor do credor localizado no exterior. Se este credor é a IochpeMaxion USA ou a Newbridge; e se a Newbridge é, ou não, subsidiária da Recorrente, estes são dados absolutamente irrelevantes para o deslinde do feito. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.070 57 Isso porque a constatação da ocorrência, ou não, da remissão, é indiferente quanto à pessoa do devedor, se é a IochpeMaxion USA ou a Newbridge. Tenho profunda admiração pelo entendimento acerca dos conceitos de simulação generosamente ofertados pelo nobre Conselheiro Relator em seus votos, apesar de deles divergir quanto à importância da causalidade nos negócios jurídicos. No entanto, para a solução do presente feito, este pormenor é irrelevante. De relevante, entendo que, na imputação de simulação relativa, devese buscar o ato dissimulado, para se saber o que foi omitido por meio do pacto simulatório. Ora, se existe simulação em um negócio jurídico, é por que houve a ocultação, a dissimulação de um negócio real. E é este negócio real que deve perdurar e ser considerado quando a simulação é afastada. No caso dos autos, se a cessão de crédito existente entre a IochpeMaxion USA e a Newbrige não passa de uma simulação, o efeito decorrente dessa imputação é o de considerar que a IochpeMaxion USA continuou sendo a devedora efetiva do empréstimo perante a IochpeMaxion Brasil, ora Recorrente. E, encontrado o negócio real, pela inexistência da (simulada) cessão de crédito, tal fato em nada, absolutamente nada, é relevante na imputação de ter havido a remissão da dívida por parte da Recorrente. Em suma: se houve a remissão do empréstimo, é irrelevante perquirir se o credor era a IochpeMaxion USA ou a Newbridge. 3) Falta de Comunicação da Operação para o Banco Central Segundo alega a Recorrente, a operação de liquidação do empréstimo realizado em favor de sua subsidiária IochpeMaxion USA (ou Newbridge) teria sido registrado no Banco Central como graciosa, por não existir a opção de dação em pagamento. Esclareceu, ainda, pela impossibilidade de se registrar a baixa do empréstimo como “pagamento”, sem o recebimento dos valores respectivos. Entendo que as justificativas são razoáveis. Demais disso, é certo que a natureza das operações ora analisadas, até mesmo pela sua complexidade, não tem a sua natureza definida por um registro eletrônico perante o Bacen, mas sim pelas suas próprias características que ora estão sendo analisadas. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.071 58 4) O Evento, os Fatos e as Provas Indiciárias Se o meu posicionamento até então apresentado afasta os indícios apontados no voto vencedor da convicção de que ocorrera simulação, entendo que, de fato, não restou devidamente esclarecida a questão da Tugaske. De fato, as “enormes coincidências” apontadas pelo voto vencedor e pelo TVF são, de fato, indícios de que existiu algo de anormal nas transações ora em análise. Reforça essa estranheza a efemeridade da própria Tugaske, que foi criada muito tempo após a emissão dos eurobônus, concentrou referidos títulos e foi extinta logo após o recebimento dos seus supostos créditos. No entanto, não entendo que a acusação fiscal, da forma como feita no auto de infração, desvelou a realidade com fundamentos sustentáveis para a sua manutenção. Talvez essa verdade tenha surgido quando já não era mais possível mudar a imputação fiscal. Conforme bem ressaltado pelo voto vencedor, o princípio da verdade real, é informativa do processo administrativo. No entanto, os princípios da ampla defesa e do contraditório impõem que a versão dos fatos e os fundamentos jurídicos constantes do auto de infração sejam imutáveis – ressalvado o disposto no art. 149 do CTN. O lançamento fiscal, no processo administrativo, está limitado à acusação fiscal objeto de questionamento e essa não pode ser alterada. Não existe espaço na ordem processual administrativa, por força desses princípios constitucionais, para o que alguns chamam de “salvabilidade do auto de infração”, em que o processo administrativo funcionaria como uma forma de aperfeiçoar a autuação fiscal. Repudio veementemente esse tipo de condução. O lançamento é ato administrativo que veicula a descrição do fato jurídico tributável e a norma individual e concreta de tributação. Durante o processo administrativo, quando se discute o lançamento, o fato jurídico tributável nele descrito não pode ser alterado, principalmente se alterar a própria norma individual e concreta de tributação. Segundo James Marins, “nos termos do CTN, o lançamento, enquanto principal ato administrativo tributário, corresponde a função vinculada e obrigatória, competindo à autoridade administrativa verificar a ocorrência do evento imponível, procedente a descrição do fato e enquadrandoo no conceito da norma jurídica tributária de modo a extrair suas conseqüências jurídicas que conduzam à determinação do montante da obrigação tributária e da individualização dos sujeitos ativo e passivo da relação jurídica. Nessa tarefa, o agente administrativo deve colher, em obediência do dever de fiscalização, a ocorrência do evento no mundo fenomênico prevista como fato imponível, que representa o evento selecionado pelo legislador como apto a gerar obrigação tributária, e descrevêlo formalmente para fins de verificar seu encaixe na descrição hipotética contida na norma jurídica tributária – denominada hipótese de incidência – e daí extrair as conseqüências obrigacionais previstas na norma jurídica”. Diante disso, os fundamentos do fato jurídico descrito no lançamento não podem ser alterados, assim como não pode ser alterado o próprio fato jurídico ensejador da tributação. E, no presente caso, verifico que a Autoridade Fiscal diligenciante, em relatório conclusivo, passou a reconhecer a existência dos eurobônus de 1994, contrariamente ao que havia sido o fundamento do auto de infração, para entender que os referidos títulos haviam sido Fl. 58DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.072 59 totalmente resgatados e pagos em 1999, antes da liberação da âncora cambial. Assim, toda a operação que se seguiu teria sido um subterfúgio para dar baixa na dívida registrada em sua contabilidade. Vejamse os termos da diligência fiscal, in verbis: (...)A análise dos fatos e dos documentos constantes dos treze volumes do processo n° 19515.003013/2005900, permitem que se conclua que a empresa MAXION S/A, liquidou parcial ou totalmente, a dívida em novembro de 1999, decorrente da emissão de US$ 50.000.000,00, de eurobônus em novembro de 1994. Eles eram a rápida desvalorização do Real e da elevação da taxa de juros, por motivo da alteração na política econômica e cambial no ano de 1999, e o aumento da taxa de risco fixadas pelas agências internacionais. As alterações nas. políticas econômicas e cambiais do Brasil no ano de 1999, teve como origem as crises econômicas, internacionais: envolvendo a Coréia do Sul e os países asiáticos em 1997 e a Rússia em 1998. Em 1997, um rápido processo de fuga de capitais e desvalorização Cambial entre os chamados tigres asiáticos Tailândia, Malásia, Coréia do Sul Hong Kong, Indonésia e Filipinas espalhou medo nos mercados internacionais, em grande parte pela surpresa de ver mercados supostamente sólidos e confiáveis sucumbirem a uma crise financeira. O mercado dos emergentes foi afetado pela primeira vez, mas o Brasil conseguiu passar. A crise da Rússia decorreu da crise asiática, que fez com que o preço investidores, que feitos da crise da dos commodities caíssem em todo mundo e a.Rússia, cuja economia dependia e depende largamente da exportação de commodities como gás natural e petróleo, declarasse o calote de sua dívida externa privada de curto prazo. A manobra acendeu a luz de alerta entre os investidores que passaram a evitar mercados emergentes. Após ter, passado quase sem sentir os efeitos da crise da Ásia, o Brasil foi afetado, enfrentando forte fuga de dólares. O governo reagiu elevando a taxa de juros, que chegou ao pico de 45% no início de 1999, e desvalorizando p Real, que até então mantinha a paridade com o dólar. O câmbio passou a ser flutuante, a partir de fevereiro de 1999, o que ocasionou, a sua rápida desvalorização. As Agencias internacionais classificadoras de risco aumentaram a taxa de risco Brasil no ano de 1999, decorrente da crise econômica, internacional motivada pela quebra da Rússia, e ele se estendeu para o ano de 2000. A taxa de risco em janeiro de 1999 atingiu a 1779 pontos. O patamar histórico era de 700 a 800 pontos. As eleições presidenciais no de 2002 com a possibilidade de ser eleito o candidato Luis Inácio Lula da Silva do Partido dos Trabalhadores fez com que a desvalorização do Real no ano de 2002, se acentuasse e a cotação do dólar para a venda chegou em dezembro de 2002 a R$ 3,5330 e a taxa de risco do. Brasil atingiu os 2.100 pontos.| Os indícios que acusam a quitação antecipada dos eurobônus: são o empréstimo para a sua subsidiária Iochpe Maxion Inc. sediada em Miami USA feito em 03 de novembro de 1999, de US$ 30.310.000,00, que tiveram como origem dos recursos a emissão de 938.155 debêntures, ao preço de R$ 180,00, registrada em 16/10/1998, com data encerramento de distribuição em 25/03/1999, e vencimento em 01/05/2005; aviso de crédito do Banco Bradesco, instituição depositária das debêntures citadas no item 6, no valor de R$ 21.371.671,98, referente a 1ª emissão alienada de 5.274 debêntures ao preço unitário de R$ 4.052,27, documento às fls. 1760, em 03/11/1999; empréstimos junto ao UNIBANCO no valor de RS Fl. 59DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.073 60 21.374.100,00 equivalente a US$ 11.000.000,00 , em 03/11/1999 e outro na mesma data de R$ 21.474.200,00 equivalente a US$ 11.000.000,00, do Banco Bradesco, por meio da Resolução 63 do Banco Central do Brasil, documentos às fls. 1753 a 1760... ' . ; Elaborei a planilha de cálculo de fls. 2931. onde fiz a simulação de cálculo.da.amortização e do saldo devedor em novembro de 1999, considerando a taxa de juros anual com base na taxa anual de juros da LIBOR e a diferença entre ela e a taxa de juros de 12,375 % como amortização. O saldo devedor em novembro de 1999, de acordo com a planilha foi de US$ 33.746.750,00, valor próximo ao empréstimo feito para a sua subsidiária no valor de US$ 30.310.000,00 levando em consideração que a taxa de risco do Brasil em 1999 alcançou 1.779 pontos, 1000 pontos acima do patamar histórico de 700 a 800 pontos, e que os 1000 pontos equivalem a 10%. Podemos concluir a viabilidade da empresa ter renegociado a sua dívida antecipando a sua quitação. (...) Em análise de referida diligência, o voto vencedor assim se posicionou, in verbis: De fato, consta dos autos, conforme A tradução n° J24442. Livro n° 287, folhas 98. pagina 1, às fls.2706, volume 14, a informação da possibilidade da Iochpe Maxion S/A. de fazer o pagamento em 08 de novembro de 1999, do principal, no total, mas não de forma pacial, a 100% do valor principal com juros incidentes até a data fixada para o resgate, cuja tradução se transcreve abaixo: Os Títulos Especificados estão sujeitos a resgate, por opção do detentor de qualquer Título, em 08 de novembro de 1999 (a "Data de Resgate Opcional"), por um preço de resgate a 100% do valor principal dos Títulos Especificados, com juros incidentes. (destaquei) Como se vê, tal indício guarda relação com a presente infração, pois independentemente da sustentabilidade da credibilidade dos Eurobônus que ficaram em “xeque” no tópico anterior, a possibilidade de quitação antecipada e todos os outros indícios que o acompanham expostos de forma bastante detalhada, razoável e convincente por ocasião do resultado de diligência, têm o condão de reforçar mais ainda que o passivo mantido pela Recorrente ou não existia em 2002 ou foi baixado de forma simulada através de uma série de operações complexas e artificiosas de forma a esconder omissões de receitas. Permissa venia, não existe espaço para essas dúvidas em um auto de infração fiscal. Não se pode manter uma acusação fiscal que se funda em um, ou em outro fundamento antagônicos, mediante um, ou outro enquadramento de fato incompatíveis entre si. Vejamos: A versão constante do auto de infração é a de que (i) os eurobônus não existem; (ii) a Recorrente realizou um empréstimo de US$30.000.000,00 para sua subsidiária IochpeMaxion USA, no exterior; (iii) a Recorrente perdoou o referido empréstimo; e (iv) realizou negócios simulados (transferência do crédito da IochpeMaxion USA para a Newbrige, e dação em pagamento pela Recorrente à Tugaske com quitação dos eurobônus) objetivando ocultar a remissão da dívida. Como conseqüência desses fatos, tributouse a Fl. 60DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401000.583 S1C4T1 Fl. 3.074 61 omissão de receita decorrente do perdão da dívida da Recorrente, na condição de credora, com a IochpeMaxion USA (ou Newbridge), como devedora. Na nova versão apresentada pela conclusão do relatório de diligência, teria ocorrido o seguinte: (i) a Recorrente emitiu eurobônus em 1994; (ii) em 1999, temendo a liberação da âncora cambial, mormente pelo cenário econômico mundial, a Recorrente resolveu antecipar o pagamento de referidos eurobônus; (iii) para tanto, a Recorrente simulou um empréstimo com a sua subsidiária IochpeMaxion USA, remetendolhe US$30.000.000,00, captados internamente mediante a emissão de debêntures, para amortização parcial dos eurobônus; (iv) em 1999, a IochpeMaxion USA resgatou os eurobônus emitidos pela Recorrente; e (v) a Recorrente, em 2002, simulou a dação em pagamento com a Tugaske para justificar a liquidação do falso empréstimo entre a Recorrente e a IochpeMaxion USA e evitar que o mesmo fosse enquadrado como perdão da dívida. As versão são completamente antagônicas. E pior: o efeito fiscal decorrente de cada uma das versões também é diverso. Na versão do auto de infração, ocorreu efetivamente um perdão da dívida da IochpeMaxion USA perante a Recorrente. E este é o fundamento da omissão de receita tributada no auto de infração. Na versão do relatório conclusivo da diligência, o empréstimo da Recorrente com a IochpeMaxion USA seria uma simulação, objetivando ocultar o pagamento antecipado dos eurobônus. Se o empréstimo não existiu, e a Recorrente não era credora da sua subsidiária, então não pode ser havido o perdão da dívida, e por consequência, não há que se falar em omissão de receita pelo perdão da dívida que não existia. Dessa conclusão de diligência fiscal, extraio o seguinte: (i) a afirmativa da existência da ocorrência da remissão da dívida não está pautada em indícios convergentes da forma como descrita no auto de infração; e (ii) a nova acusação fiscal feita no relatório conclusivo da diligência é imprópria para reforçar o auto de infração, e infirma os fundamentos da autuação fiscal original. Diante do exposto, não vejo outra solução senão votar pelo cancelamento do auto de infração. E o faço não na convicção de que o contribuinte possui razão quanto o mérito das operações realizadas, mas sim pela inconsistência da versão fática apresentada pela Autoridade Fiscal, mormente diante das contradições supra apresentadas. É como voto, com a renovada vênia ao nobre Conselheiro Relator. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 61DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 03/10/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO
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