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Numero do processo: 11030.904371/2012-73
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2003
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2003 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2003 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 43 71 /2 01 2- 73 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904371/201273 Acórdão n.º 3801003.185 S3TE01 Fl. 87 2 Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904371/201273 Acórdão n.º 3801003.185 S3TE01 Fl. 88 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito nele declarado em razão de pagamento indevido ou a maior de Cofins, relativo ao fato gerador de 30/06/2003. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual indefere a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 23/01/2013 (fl. 8), o contribuinte apresentou, em 20/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 11/21, com os argumentos a seguir sintetizados. Informa que pediu a restituição dos valores pagos a maior a título de Cofins, uma vez que foram pagos sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Traz entendimentos doutrinários e jurisprudência dos tribunais acerca do conceito de faturamento, o qual entende não abarcar o conceito de “ingresso”. O ICMS seria mero ingresso na escrituração contábil das empresas, para posterior destinação ao Fisco, terceiro titular de tais valores. Cita o recurso extraordinário nº 240785, que se encontra em fase decisória no STF, outros excertos doutrinários e princípios constitucionais, discorrendo acerca da impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, visto que não representa riqueza do contribuinte, não fazendo parte da receita ou do faturamento. Por fim, requer seja deferido o seu pedido de restituição, tendo em vista ser inconstitucional a cobrança do PIS/Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, e que os créditos sejam acrescidos de juros Selic, desde o seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2003 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904371/201273 Acórdão n.º 3801003.185 S3TE01 Fl. 89 4 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Cofins apuradas pelos regimes cumulativo e nãocumulativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904371/201273 Acórdão n.º 3801003.185 S3TE01 Fl. 90 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904371/201273 Acórdão n.º 3801003.185 S3TE01 Fl. 91 6 sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria sendo calculado “por dentro”, ou seja, o montante do próprio imposto está incluído na sua base de cálculo, nos termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento, que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal para tanto. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, estas passaram a ter como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações de exportação. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904371/201273 Acórdão n.º 3801003.185 S3TE01 Fl. 92 7 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
score : 1.0
Numero do processo: 10980.009673/2008-58
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
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RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 96 73 /2 00 8- 58 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.009673/200858 Acórdão n.º 2801003.565 S2TE01 Fl. 48 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ/CTA/PR. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Trata o presente processo de notificação de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, às fls. 08/11, relativa à declaração de ajuste anual do exercício 2005, ano calendário 2004, para a redução do saldo de imposto a restituir, de R 3.557,84 para R$ 492,62, em face da constatação de: (a) omissão de rendimentos, no valor de R$ 7.179,05, auferidos em virtude de processo judicial trabalhista, já deduzidos dos honorários advocatícios e do INSS do empregado; (b) omissão parcial de rendimentos, no valor de R$ 1.056,10, auferidos da empresa DALCON ENGENHARIA LTDA; e (c) dedução indevida a título de previdência oficial, no valor de R$ 3.193,27, por falta de comprovação. Cientificado do lançamento, por via postal, em 11/06/2008 (fl. 22), o interessado apresentou, tempestivamente, em 04/07/2008, a impugnação de fls. 01/02, instruída com os documentos de fls. 03/12, a seguir sintetizada. No que se refere à omissão de rendimentos decorrente de ação trabalhista, no valor de R$ 7.179,05, alega estar equivocado o auditor fiscal, uma vez que o montante de R$ 28.927,43 é relativo ao crédito bruto, composto de INSS (R$ 7.540,66), FGTS a depositar (R$ 18.724,92) e juros (R$ 2.667,85), sendo, portanto, tributáveis R$ 10.202,57, nada restando a declarar após a dedução dos honorários advocatícios de R$ 16.005,16. Esclarece que, sem ter feito uma "análise mais acurada", declarou o valor de R$ 5.743,22, que deve ser retificado para R$ 0,00. Quanto à omissão de rendimentos de aluguel, atribui à taxa de R$ 909,51 paga à advogada ANA CAROLINA MAINGUÉ MEYER, pelo gerenciamento do contrato, e à metade do IPTU do imóvel, de R$ 146,59, valores esses que diz ter indicado na declaração ("Pagamentos e doações efetuados"). No que se refere à previdência oficial, diz que a fonte pagadora, DALCON ENGENHARIA LTDA, apresentou declaração retificadora, informando o valor em questão. Esclarece que a fonte pagadora havia fornecido três comprovantes de rendimentos pagos e de retenção de imposto na fonte, os quais descreve. Em face do exposto, conforme cálculo demonstrado à fl. 02, pugna pelo direito à restituição de R$ 5.137,23.” Fl. 51DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.009673/200858 Acórdão n.º 2801003.565 S2TE01 Fl. 49 3 A impugnação foi julgada procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 26/29, que restou assim ementado: ASSUNTO : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA I R P F Anocalendário: 2004 RAZÕES DE IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As razões de fato e de direito em que se fundamenta a impugnação, para serem acolhidas, devem vir acompanhadas da comprovação correspondente. Impugnação Procedente em Parte Regularmente cientificado daquele acórdão em 21/02/2011 (AR, fl. 31), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 33/34, em 22/03/2011. Em sua defesa, requerer a juntada da cópia da planilha datada de 10/09/2004, elaborada pela Secretaria Geral da Presidência Serviço de Perícias Contábeis da Justiça do Trabalho da 12ª Região, na qual são discriminados os valores citados na peça impugnatória. Esclarece que os valores recebidos na época não eram conclusivos nem definitivos, pois se tratava de execução provisória, restando em discussão valores sobre o FGTS, que são isentos de tributação do Imposto de Renda. Afirma que acordou com seus advogados de fazer o acerto, em 2004, dos honorários advocatícios sobre o total estimado da ação no montante de R$ 16.005,16, sendo que somente no ano de 2010 foi concluída a liberação de duas parcelas remanescentes do FGTS, sendo a primeira no valor de R$ 10.916,54 (R$ 9.506,26+R$ 1.411,28), recebida em 19/04/2010, e a segunda no valor de R$ 26.462,14, recebida em 02/08/2010, conforme comprovantes anexos. Conforme Resolução nº 2801000.124, foi sobrestado o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento do CARF, tendo em vista que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal (RE 614.406), o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, 1º, do CPC. Com a revogação dos §§1º e 2º do art. 62A do Regimento do CARF, conforme Portaria nº 545 de 18 de novembro de 2013, publicada no DOU de 20 de novembro de 2013, o recurso voluntário foi incluído em pauta para julgamento. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.009673/200858 Acórdão n.º 2801003.565 S2TE01 Fl. 50 4 O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de ação trabalhista, e cuja tributação ocorreu sob a regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Em relação aos rendimentos recebido acumuladamente, cabe registrar que a Procuradoria da Fazenda Nacional – PGFN, diante da jurisprudência do STJ sobre rendimentos recebidos acumuladamente e com base no Parecer PGFN/CRJ/nº 287/2009, editou o Ato Declaratório nº 1/2009 publicado no Diário Oficial da União de 14/05/2009 e aprovado conforme despacho do Ministro da Fazenda publicado em 13/05/2009, e que teve efeito vinculante sobre o Fisco, com determinação para o cálculo do imposto ser mensal e não global, tanto para rendimentos de aposentaria quanto para rendimentos do trabalho. O referido Ato Declaratório teve sua eficácia suspensa pelo Parecer PGFN/CRJ/nº 2.331/2010, em razão de o Supremo Tribunal Federal, em 20/10/2010, reconhecer repercussão geral aos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406 que versam sobre a tributação de rendimentos recebidos acumuladamente e cujos julgamentos ainda não foram concluídos. Aliás, Conforme exposição de motivos interministerial nº 111/MF/MP/ME/MCT/MDIC/MT/ de 23/10/2010, com a edição da Medida Provisória nº497, a qual, em seu art. 20, modificou a Lei nº 7.713/1988, acrescentando lhe o art 12A, a legislação foi alterada por iniciativa do Poder Executivo para contemplar a jurisprudência firmada pelo Superior Tribunal da Justiça, a qual já havia sido adotada pela Administração por meio da Aprovação do Ato Declaratório PGFN nº 1/2009, em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente, seja do trabalho ou de aposentadoria. Importa que, após reiteradas decisões no sentido de que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto, o Superior Tribunal de Justiça STJ fixou o entendimento, em sede de recurso repetitivo, de que o imposto de renda incidente sobre benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, nos termos da seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010 Verificase, em julgados recentes, que o STJ tem adotado a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp Fl. 53DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.009673/200858 Acórdão n.º 2801003.565 S2TE01 Fl. 51 5 1.118.429/SP para também afastar a tributação dos rendimentos do trabalho recebidos acumuladamente pelo regime de caixa, determinando que o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquota próprias a que se referem tais rendimentos, haja vista a ementa da seguinte Decisão: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. NÃO INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ QUANTO AO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DE PARCELAS PAGAS ACUMULADAMENTE EM CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. TEMAS JÁ JULGADOS PELA SISTEMÁTICA INSTITUÍDA PELO ART. 543C DO CP. 1.... 2. Em relação ao ponto do recurso especial em que a Procuradoria da Fazenda Nacional alega contrariedade ao art. 12 da Lei n. 7.713/88 e impugna o capítulo do acórdão do Tribunal de origem sob a rubrica "Da incidência mês a mês do imposto de renda", consta da decisão ora agravada que o mencionado recurso não procede porque a decisão proferida pelo Tribunal de origem está em consonância com a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), cuja ementa assim enuncia: "O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." 3. Ao dispor sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, o art. 12 da Lei 7.713/88 disciplina o momento da incidência do imposto de renda, porém nada diz a respeito das alíquotas aplicáveis a tais rendimentos. Assim, no julgamento do recurso especial, não ocorreu violação do art. 97 da Constituição da República, tampouco contrariedade à Súmula Vinculante n. 10/STF. Como já proclamou a Quinta Turma, ao julgar os EDcl no REsp 622.724/SC (Rel. Min. Felix Fischer, REVJMG, vol. 174, p. 385), "não há que se falar em violação ao princípio constitucional da reserva de plenário (art. 97 da Lex Fundamentalis) se, nem ao menos implicitamente, foi declarada a inconstitucionalidade de qualquer lei". 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AgRg no REsp 1332443 / PRAGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES 2012/0138520 DJe 08/02/2013)(grifei e sublinhei) Fl. 54DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.009673/200858 Acórdão n.º 2801003.565 S2TE01 Fl. 52 6 É de se concluir, portanto, que, na espécie, existe erro de cunho material na apuração do imposto devido, por aplicação incorreta do art. 12 da Lei nº 7.713/1988, consoante interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Especial com a atribuição da sistemática do artigo 543–C do CPC, e que deve ser de aplicação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 55DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 11070.900489/2008-70
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/04/2003
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei.
DCTF. DACON. RETIFICAÇÃO.
DCTF e DACON retificadores apresentados após a ciência do despacho decisório somente produz efeitos quando acompanhada de documentação capaz de provar a redução da base de cálculo pretendida.
Numero da decisão: 3803-004.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
[assinado digitalmente]
Belchior Melo de Sousa Presidente em exercício
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Paulo Guilherme Deroulede, Hélcio Lafetá Reis, Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/04/2003 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DCTF. DACON. RETIFICAÇÃO. DCTF e DACON retificadores apresentados após a ciência do despacho decisório somente produz efeitos quando acompanhada de documentação capaz de provar a redução da base de cálculo pretendida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. [assinado digitalmente] Belchior Melo de Sousa Presidente em exercício [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Paulo Guilherme Deroulede, Hélcio Lafetá Reis, Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/04/2003 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DCTF. DACON. RETIFICAÇÃO. DCTF e DACON retificadores apresentados após a ciência do despacho decisório somente produz efeitos quando acompanhada de documentação capaz de provar a redução da base de cálculo pretendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. [assinado digitalmente] Belchior Melo de Sousa – Presidente em exercício [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Paulo Guilherme AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 90 04 89 /2 00 8- 70 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA 2 Deroulede, Hélcio Lafetá Reis, Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de PER/DCOMP transmitido em 14/07/2004 que buscou compensar créditos de PIS/Pasep alegadamente pago indevidamente ou a maior, de período de apuração março de 2003, com débitos de COFINS e PIS/Pasep, ambos de competência de julho de 2004, no valor total de R$ 3.115,19. Através de Despacho Decisório eletrônico, recebido em 24/04/2008, a DRF em Santo Ângelo/RS não homologou o pedido do contribuinte indicando que, a partir das informações do DARF indicado foram localizados pagamentos, mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do sujeito passivo. Irresignado o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade que transcreveremos, em sua integralidade, abaixo: Anexou DACON e DCTF retificadores transmitidos em 19/05/2008. A DRJ/POA julgou improcedente a manifestação apresentada. Fundamentou sua decisão na falta de provas para se comprovar o direito. Discorre acerca da falta de espontaneidade da retificação da DCTF e DACON após o inicio do procedimento fiscal, e em consequência, a falta do caráter probatório destas. Ementou como se segue: Inconformada o contribuinte protocolou Recurso Voluntario sucinto que transcreverei a seguir na sua íntegra: Fl. 42DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA Processo nº 11070.900489/200870 Acórdão n.º 3803004.167 S3TE03 Fl. 42 3 Anexa “planilha de calculo contábil de PIS”, extratos de balancete de verificação, copias do Razão Analítico e Diário Geral. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Das retificações da DCTF e da DACON posteriores ao Despacho Decisório. Especificamente em relação à redução dos débitos tributários, é oportuno ressaltar que somente nas hipóteses em que caracterizada a espontaneidade a DCTF e DACON retificadoras tem a mesma natureza das originais, substituindoas integralmente. Por outro lado, afastada a espontaneidade, evidentemente, tal retificação não pode mais ser admitida como prova suficiente para redução do valor do tributo devido. Corrobora o asseverado, o disposto nos §§ 1°, 2º e 3º do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010 e do disposto no art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 543, de 20 de maio de 2005, a seguir transcritos: “Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1 º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2 º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: Fl. 43DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA 4 a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. Grifamos” “Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins: I que já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desses débitos; II em relação aos quais já tenham sido apuradas diferenças em procedimento de ofício, relativas às informações, indevidas ou não comprovadas, prestadas no Dacon original e que tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; ou III em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. Grifamos” O contribuinte retificou a DCTF e DACON do período, após a ciência do despacho decisório, com isso as declarações retificadoras, não produzem os efeitos modificativos dos débitos originalmente confessados. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA Processo nº 11070.900489/200870 Acórdão n.º 3803004.167 S3TE03 Fl. 43 5 Comprovação da Liquidez e Certeza do Crédito. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve instruir sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” No caso em análise, o contribuinte esclarece que teria apurado créditos de PIS/Pasep, contudo, para comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação é imprescindível que seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A Contribuinte não juntou aos autos, em sede de manifestação de inconformidade, nenhum documento contábil ou fiscal capaz de comprovar a liquidez e certeza do credito apontado. Da apresentação das provas. O mesmo artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A analise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade. A mesma norma elenca as possibilidades para a apresentação de provas em outro momento processual. Nenhuma das hipóteses acima alberga o caso do sujeito passivo. O direito da contribuinte em arrolar documentos probatórios está precluso. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA 6 Ressaltamos que em sede de Recurso Voluntário o contribuinte carreou aos autos tão somente, partes do que chamou de balancete de verificação onde aparece apenas as contas de Passivo, o mesmo em relação às contas razão, bem como Diário do mês de maio, não trazendo documentos fiscais de compras das mercadorias de pessoas físicas nem mesmo a escrita fiscal que registrou tais entradas. Conclusão A retificação da DCTF e da DACON após o conhecimento do despacho decisório não produz os efeitos pretendidos pela requerente, restava ao contribuinte comprovar seu direito creditório em manifestação de inconformidade, não o fez. Somente em recurso voluntario anexa escrituração contábil, porém nesse momento processual as provas só são admitidas nos casos elencados no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, não sendo o caso da contribuinte. Mesmo que fossem admitidas as provas anexadas em sede de Recurso Voluntario, estas se mostram insuficientes a comprovar a liquidez e certeza do direito perseguido. Nada a reparar na decisão da DRJ/POA. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO e não reconhecer o direito creditório. É como voto. Sala das sessões, 25 de abril de 2013. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 46DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA
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Numero do processo: 11065.000467/2006-15
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. SÚMULA CARF Nº 12.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
IRPF. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. RECLAMAÇÃO TRABALHISTA.
O adicional de periculosidade é rendimento do trabalho e, portanto, abrangido pelo campo de incidência do Imposto de Renda (artigo 43 do CTN), inexistindo dispositivo legal prevendo a isenção. A isenção definida no inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713, de 1988, alcança apenas os valores pagos a título de indenização, aviso prévio e FGTS descritos nos artigos 477 e 499 da CLT, com alterações posteriores, e na Lei nº 5.107, de 1966, alterada pela Lei nº 8.036, de 1990. A postergação do pagamento do adicional de periculosidade, efetuado mediante reclamação trabalhista, não tem o condão de alterar a natureza tributável do rendimento para transformá-lo em isento ou não tributável.
IRPF. HORAS EXTRAS. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS.
As horas extras são tributáveis pelo imposto de renda.
IRPF. NATUREZA DAS VERBAS. PROVA. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE NOTICIA FALTA DE PROVA DAS ALEGAÇÕES. PONTO NÃO CONTRADITADO. AUSÊNCIA DE MOTIVO PARA REFORMA DO ACÓRDÃO NESSE ASPECTO.
Se o acórdão de primeira instância fundamenta-se na ausência de prova de que foram recebidas verbas da natureza alegada pelo impugnante e, na fase recursal, o contribuinte não contesta essa fundamentação, não apresenta provas no sentido contrário ou indica onde estaria a discriminação das alegadas verbas, não há razão para reforma do acórdão nesse ponto.
IRPF. JUROS MORA. AÇÃO TRABALHISTA NO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. RENDIMENTO ISENTO. ENTENDIMENTO DO STJ DE REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA NO CARF. JUROS DE MORA QUE DEVEM SER EXCLUÍDOS DA BASE DE CÁLCULO.
Quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não, os juros de mora são isentos. Precedente do STJ julgado no rito do art. 543-C do Código de Processo Civil - CPC, portanto de reprodução obrigatória no CARF por força do art. 62-A do Regimento Interno. Esclarecimento do alcance do julgado no EDCL no REsp 1227133 pelos julgados posteriores, sobretudo a partir do REsp 1089720/RS.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL.
Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62-A do Regimento Interno.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA.
Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizando-se um vício material a invalidá-lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2802-002.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Ronnie Soares Anderson que davam provimento parcial; o primeiro aplicava o entendimento do Resp 1.118.429/SP porém sem determinar cancelar o lançamento e segundo, considera que o referido entendimento somente é aplicável no caso de percepção de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 19/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. SÚMULA CARF Nº 12. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. IRPF. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. RECLAMAÇÃO TRABALHISTA. O adicional de periculosidade é rendimento do trabalho e, portanto, abrangido pelo campo de incidência do Imposto de Renda (artigo 43 do CTN), inexistindo dispositivo legal prevendo a isenção. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 04 67 /2 00 6- 15 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 PONTO NÃO CONTRADITADO. AUSÊNCIA DE MOTIVO PARA REFORMA DO ACÓRDÃO NESSE ASPECTO. Se o acórdão de primeira instância fundamentase na ausência de prova de que foram recebidas verbas da natureza alegada pelo impugnante e, na fase recursal, o contribuinte não contesta essa fundamentação, não apresenta provas no sentido contrário ou indica onde estaria a discriminação das alegadas verbas, não há razão para reforma do acórdão nesse ponto. IRPF. JUROS MORA. AÇÃO TRABALHISTA NO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. RENDIMENTO ISENTO. ENTENDIMENTO DO STJ DE REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA NO CARF. JUROS DE MORA QUE DEVEM SER EXCLUÍDOS DA BASE DE CÁLCULO. Quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não, os juros de mora são isentos. Precedente do STJ julgado no rito do art. 543C do Código de Processo Civil CPC, portanto de reprodução obrigatória no CARF por força do art. 62A do Regimento Interno. Esclarecimento do alcance do julgado no EDCL no REsp 1227133 pelos julgados posteriores, sobretudo a partir do REsp 1089720/RS. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Ronnie Soares Anderson que davam provimento parcial; o primeiro aplicava o entendimento do Resp 1.118.429/SP porém sem determinar cancelar o lançamento e segundo, considera que o referido entendimento somente é aplicável no caso de percepção de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11065.000467/200615 Acórdão n.º 2802002.879 S2TE02 Fl. 217 3 (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2002, anocalendário 2001, por ter sido imputada omissão de rendimentos no importe de R$173.723,11, auferidos em ação trabalhista movida contra a Centrais Elétricas do Sul do Brasil – Eletrosul. No auto de infração (fls. 05) foi descrito que a base de cálculo foi apurada com base no Alvará (fls.75) e Certidão de Cálculos (fls. 74), da seguinte forma: R$187.322,04 (valor principal) menos R$8.700,53 (FGTS) menos R$4.898,40 (juro sobre FGTS) e que o valor do DARF de R$8.044,84 (fls. 81) foi utilizado na apuração feita por meio do auto de infração. Na impugnação alegouse que o valor recebido na ação judicial foi declarado como rendimentos sujeitos a tributação exclusivamente na fonte e houve homologação expressa do pagamento realizado, por meio da emissão do “extrato para simples conferência”; a responsabilidade é exclusiva da fonte pagadora; impossibilidade de aplicação de multa e juros a teor do art. 100 do CTN; e erro na base de cálculo por incluir valores não tributáveis. Em resumo, a decisão que indeferiu a impugnação foi assim fundamentada: a) falta de comprovação de que houve retenção na fonte, verificação ocorrida após a data final da entrega da Declaração de Ajuste Anual, sendo correto exigir do contribuinte o imposto; b) a decisão da Justiça do Trabalho não vincula a autoridade administrativa federal; c) não se identificam verbas isentas além do FGTS e dos juros, os quais já foram subtraídos da base de cálculo na fase de fiscalização; férias, horasextras, adicional de periculosidade e abonos constituem rendimentos tributáveis; d) as planilhas de cálculo (fls. 135/149) não identificam devolução de contribuições ao plano de previdência privada, Fl. 218DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 as quais somente seriam isentas se comprovado que são contribuições cujo ônus tenha sido do contribuinte no período de 01/01/1989 a 31/12/1998; e e) juros e multa decorreram de imposição legal e não podem ser afastados dado o caráter vinculado do lançamento; além de haver a Súmula CARF nº 4 que dispõe sobre a exigência de juros com base na Selic. A ciência do acórdão em 31/01/2011 e o Recurso voluntário foi interposto em 01/03/2011, nesse foram apresentados os argumentos abaixo: a) os valores contidos na autuação como rendimentos tributáveis, são valores de tributação exclusivamente na fonte, nos termos de decisão judicial na ação trabalhista nº 506.24/96, movida contra a ELETROSUL S.A., bem como referidos valores contêm parcelas que não sofrem incidência do imposto de renda; b) trabalhou como engenheiro na ELETROSUL de 01/12/1977 a 27/04/1995, deixando a empresa naquela ocasião mediante pedido de demissão em razão de plano de incentivo instituído por aquela empresa; c) recebeu na referida ação trabalhista o adicional de periculosidade (30%), e relativamente ao imposto de renda, constou que o valor pago era considerado líquido, porém no TRT da 4ª Região a sentença foi reformada, exclusivamente, na parte referente ao Imposto de Renda passando a constar que caberia ao empregador calcular, deduzir e recolher o Imposto de Renda relativo às importâncias pagas por força de liquidação de sentença; d) ao contrário da premissa adotada no acórdão ora recorrido, o recolhimento dos impostos foi efetivamente comprovado pela reclamada junto ao juízo trabalhista; e) ao contrário do que afirmado no auto de infração, não houve omissão de rendimentos, pois esses foram declarados como sujeitos à tributação exclusivamente na fonte, com a indicação do nº do processo judicial, tanto que recebeu o “Extrato para simples conferência” que homologou o saldo do imposto a pagar, valor efetivamente pago; f) houve erro de identificação do sujeito passivo, pois a autuação deve ser dirigida contra a fonte pagadora, conforme Provimento nº 1/1996 da Corregedoria Geral da Justiça do Trabalho, art. 46 da Lei 8.541/1992, art. 718, 722 e 725 do RIR1999, art. 28 da lei 10.833/2003 e Instrução Normativa RFB 1.127/2011; bem como julgados desse Conselho, do STJ e do TRF da 4 Região; g) impossibilidade de aplicação de multa e juros por ter o recorrente agido conforme determinava a decisão judicial, o que, por analogia, enquadrase ao preceito do art. 100 do CTN; e h) equívoco na apuração da base de cálculo, comprometendo todo o auto de infração, pois há verbas que não sofrem incidência do imposto de renda, a saber: h.1) a devolução das parcelas para complementação do plano de previdência, dado que a exação já ocorria no momento da contribuição ao plano de previdência (art. 6º, inciso VII da Lei 7.713/88); e Fl. 219DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11065.000467/200615 Acórdão n.º 2802002.879 S2TE02 Fl. 218 5 h.2) horasextras, décimo terceiro salário e abonos pagos por força de decisão da Justiça do Trabalho. Esta Turma julgadora sobrestou o Julgamento, por meio da Resolução 2802 000.025, até o julgamento da constitucionalidade do art. 12 da Lei 7.7713/88, com base em previsão do Regimento Interno do CARF. Porém com a revogação da norma regimental que prescrevia o sobrestamento de processos no CARF, o julgamento foi retomado. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Já admitido o recurso, passase a examinar o mérito. Da sujeição passiva Não obstante o recorrente ter citado diversas espécies normativas, a situação dos autos está regrada pelo entendimento consignado na Súmula CARF nº 12, de observância obrigatória pelos membros do CARF: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. As decisões da Justiça do Trabalho acerca da retenção na fonte não afetam a competência da União de fiscalizar e cobrar o imposto de renda apurado no ajuste anual. Da natureza tributárias das verbas recebidas e da conseqüente inexatidão da base de cálculo A tributação no ajuste anual é a regra decorrente do princípio constitucional da universalidade. Somente previsão legal especifica poderia fundamentar a tributação exclusivamente na fonte. Dentre as verbas recebidas apenas o 13ª salário tem natureza de rendimentos sujeitos a tributação exclusiva na fonte e é incontroverso que o lançamento já levou isto em consideração. Ao declarar os rendimentos como de tributação exclusivamente na fonte o contribuinte não levou à tributação anual os rendimentos, o que legitima o lançamento por omissão de rendimentos. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 A emissão de “Extrato para simples conferência” não extingue o DireitoDever de a Fazenda Nacional aplicar a lei ao caso concreto. Notese que até mesmo um lançamento pode ser revisto dentro do prazo decadencial. Com muito mais razão a revisão do ato é possível diante do extrato em questão. O recorrente sustenta que não estão sujeitos à tributação o adicional de periculosidade (30%), devolução das parcelas para complementação do plano de previdência, horasextras, décimo terceiro salário e abonos pagos por força de decisão da Justiça do Trabalho. O adicional de periculosidade tem natureza tributável, quer seja pago na época própria ou em decorrência de ação trabalhista. Desta forma, os precedentes apontados pelo recorrente, ao tratar de verbas indenizatórias, são inaplicáveis ao presente caso concreto. Precedentes: (...) RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS ADICIONAL DE PERICULOSIDADE RECLAMAÇÃO TRABALHISTA A isenção definida no inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713, de 1988, alcança apenas os valores pagos a título de indenização, aviso prévio e FGTS descritos nos artigos 477 e 499 da CLT, com alterações posteriores, e na Lei nº 5.107, de 1966, alterada pela Lei nº 8.036, de 1990. A postergação do pagamento do adicional de periculosidade, efetuado mediante reclamação trabalhista, não tem o condão de alterar a natureza tributável do rendimento para transformálo em isento ou não tributável.(...) (Acórdão 10246879, de 17/06/2005) (...) IRPF RENDIMENTOS ADICIONAL TRIBUTAÇÃO O adicional de periculosidade é rendimento do trabalho e, portanto, abrangido pelo campo de incidência do Imposto de Renda (artigo 43 do CTN), inexistindo dispositivo legal prevendo a isenção.(Acórdão 10420392, de 02/12/2004) O acórdão recorrido apontou que as planilhas de cálculo (fls. 135/149) não identificam devolução de contribuições ao plano de previdência privada, as quais somente seriam isentas se comprovado que são contribuições cujo ônus tenha sido do contribuinte no período de 01/01/1989 a 31/12/1998. O recorrente não fez qualquer contraponto a essa fundamentação, razão pela qual o acórdão não merece qualquer reparo nesse ponto. As horas extras também são tributáveis. Nesse sentido consolidouse a jurisprudência do STJ. RECURSO ESPECIAL Nº 910.262 SP (2006/02725409) EMENTA TRIBUTÁRIO – IMPOSTO DE RENDA – ART. 43 DO CTN – VERBAS: NATUREZA INDENIZATÓRIA X NATUREZA REMUNERATÓRIA. 1. O fato gerador do imposto de renda é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica decorrente de acréscimo patrimonial (art. 43 do CTN). 2. A jurisprudência desta Corte, a partir da análise do art. 43 do CTN, firmou entendimento de que estão sujeitos à tributação do imposto de renda, por não possuírem natureza indenizatória, as seguintes verbas: Fl. 221DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11065.000467/200615 Acórdão n.º 2802002.879 S2TE02 Fl. 219 7 a) "indenização especial" ou "gratificação" recebida pelo empregado quando da rescisão do contrato de trabalho por liberalidade do empregador; b) verbas pagas a título de indenização por horas extras trabalhadas; c) horas extras; d) férias gozadas e respectivos terços constitucionais; e) adicional noturno; f) complementação temporária de proventos; g) décimoterceiro salário; h) gratificação de produtividade; i) verba recebida a título de renúncia à estabilidade provisória decorrente de gravidez; e j) verba decorrente da renúncia da estabilidade sindical. 3. Diferentemente, o imposto de renda não incide sobre: a) APIP's (ausências permitidas por interesse particular) ou abonoassiduidade não gozados, convertidos em pecúnia; b) licençaprêmio nãogozada, convertida em pecúnia; c) férias nãogozadas, indenizadas na vigência do contrato de trabalho e respectivos terços constitucionais; d) férias nãogozadas, férias proporcionais e respectivos terços constitucionais, indenizadas por ocasião da rescisão do contrato de trabalho; e) abono pecuniário de férias; f) juros moratórios oriundos de pagamento de verbas indenizatórias decorrentes de condenação em reclamatória trabalhista; g) pagamento de indenização por rompimento do contrato de trabalho no período de estabilidade provisória (decorrente de imposição legal e não de liberalidade do empregador). 4. Hipótese dos autos em que se questiona a incidência do imposto de renda sobre verbas pagas espontaneamente pelo empregador e férias convertidas em pecúnia no momento da rescisão do contrato de trabalho. 5. Recurso especial parcialmente provido.(grifos acrescidos) O acórdão recorrido assinalou que não havia demonstração nos autos de outras verbas que não estivessem sujeitas à tributação e o recorrente não apontou objetivamente onde estaria registrado o recebimento de abonos pagos por força de decisão da Justiça do Trabalho, muito menos de que espécie de abono se trataria. Estes fatos são o suficiente para a não exclusão de qualquer valor do lançamento sob a argumentação de serem abonos. Quanto às alegações acerca de 13º salário, já foi descrito que o lançamento segregou esses valores como de tributação exclusivamente na fonte. Agora acrescentase que o recorrente reitera as alegações sem qualquer contraponto ao acórdão de primeiro grau, muito menos suscita algum equívoco na segregação feita no lançamento. Novamente não há razão para reparo ao acórdão de primeira instância. De outro giro, mediante análise dos elementos da ação trabalhista (fls. 35 em diante), constatase que a ação foi proposta no contexto de rescisão de contrato de trabalho e que as verbas trabalhistas referemse ao período de julho de 1991 a abril de 1995. Em se tratando de ação trabalhista no contexto de rescisão de contrato de trabalho, deve ser observado o quanto decidido pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ no Fl. 222DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 REsp 1089720/RS, julgado em 10/10/2012 e publicado em 28/11/2012, no qual foi proferido entendimento de que, como regra geral, incide o IRPF sobre os juros de mora, todavia uma das exceções é que são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho,em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. No mesmo sentido: REsp 1234377/RS, julgado em 04/06/2013; AgRg no AgRg no AREsp 190821/RS, Data do Julgamento 28/05/2013; AgRg no AREsp 18626/RS, Data do Julgamento 28/05/2013. Por sua vez, no lançamento somente foram excluídos da base de cálculo os juros sobre o FGTS, de maneira que ao computar como principal o valor de R$187.322,04, com base nas fls. 74/75) não houve a exclusão dos juros de mora. Os juros de mora anotados às fls. 74 (R$64.868,14) devem ser excluídos da base de cálculo. Em seguida é necessário analisar que as verbas trabalhistas são relativas ao período de julho de 1991 a abril de 1995, recebidas de forma acumulada. Da tributação de rendimentos recebidos acumuladamente Já tive oportunidade de manifestar meu entendimento sobre o tema em outros julgados, como o foram os acórdãos nº 280200.476 e 280200.477, de 22 de setembro de 2010 e 280200.548, de 20 de outubro de 2010, dessa Turma, todos unânimes. Em um primeiro momento fundamentei meus votos a partir das seguintes premissas: a) consolidação no Superior Tribunal de Justiça (STJ) do entendimento acerca dos rendimentos recebidos acumuladamente; b) decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que negou repercussão geral ao tema; e c) publicação do Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, do Despacho do Ministro da Fazenda SN/2009, do Ato Declaratório PGFN nº 1, de 27 de março de 2009 e do Parecer PGFN /CAT 815/2010, editados com fulcro na Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. O referido Ato Declaratório autorizava a dispensa de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global", mencionando os seguintes julgados do STJ: Resp 424225/SC (DJ 19/12/2003); Resp 505081/RS (DJ 31/05/2004); Resp 1075700/RS (DJ 17/12/2008); AgRg no REsp 641.531/SC (DJ 21/11/2008); Resp 901.945/PR (DJ 16/08/2007). Ocorreu que o STF decidiu por reconhecer repercussão geral ao tema e com isso a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) suspendeu a eficácia do Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, e conseqüentemente tornou insubsistentes o Ato Declaratório PGFN nº 1, de 27 de março de 2009 e o Parecer PGFN /CAT 815/2010. A mudança da posição do STF ocorreu no AgRQO/RS, rel. Min. Ellen Gracie, 20.10.2010, (RE614232 e RE 614406) em que se enfrentou questão provocada pelo fato de o TRF da 4ª Região ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do art. 12 da Lei 7.713/88, o qual determina a incidência do Imposto de Renda no mês do recebimento de valores acumulados sobre o total dos rendimentos. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11065.000467/200615 Acórdão n.º 2802002.879 S2TE02 Fl. 220 9 Com a admissão da repercussão geral e determinação de sobrestamento dos processes no STF, estes processos passaram a ser sobrestados no CARF com fundamento no §1º do art.62A do Regimento Interno do CARF. Todavia, essa norma regimental foi revogada e os julgamentos devem prosseguir seu curso novamente. Até o momento não há uma decisão final do STF nos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406 que sãos os paradigmas para esse tema. O desafio, portanto, é aplicar a correta interpretação do art. 12 da Lei 7.713/1988, o que demanda uma análise contextualizada da questão. Vejamos. A tese consolidada no STJ foi proferida no REsp 1118429/SP, julgado em 24/03/2010, em acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC, portanto de aplicação obrigatória no CARF. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008.( REsp 1118429 / SP) Sabese que, neste Conselho, há entendimentos de que o referido julgado está restrito ao recebimento acumulado de benefícios previdenciários ou que sua adoção implicaria deixar de aplicar o art. 12 da lei 7.713/1988. Com devido respeito a essa linha argumentativa, à qual não se adere, passase a analisar, contextualizadamente, a jurisprudência em questão. Os casos que deram origem à jurisprudência do STJ referiamse à revisão de benefícios previdenciários mensais, benefícios previdenciários mensais reconhecidos e pagos com atraso, reajustes mensais de servidores públicos pagos em atraso e pagamentos mensais em atraso devido a retorno ao serviço ativo. Em todos eles os valores foram reconhecidos por competência, possibilitando aplicar a norma tributária a cada caso, implicando em reconhecer que os valores estavam isentos ou definir a alíquota correspondente a cada mês. A título ilustrativo, é possível cotejar alguns do principais julgados que levaram à consolidação da jurisprudência no STJ: a) aposentadoria por tempo de serviço concedida e paga pelo INSS com anos de atraso RESP 758.779/SC; Fl. 224DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 b) revisão de benefícios mensais do INSS – RESP 492.247/RS (Relator Ministro Luiz Fux); RESP 719.774/SC Ministro Teori Zavascki; RESP 901.945 – Relator Ministro Teori Zavascki; RESP 1.088.739/SP– decisão monocrática Ministro Francisco Falcão; c) diferenças salariais mensais da URP – RESP 424.225/SC (Relator Ministro Teori Zavascki); RESP 383.309/SC (Relator Ministro João Otávio Noronha); d) valores mensais de Benefícios previdenciários e assistenciais pagos por precatório – RESP 505.081/RS (Relator Ministro Luiz Fux); e) valores mensais de benefícios previdenciários RESP 1.075.700/RS (Relatora Ministra Eliana Calmon); RESP 723.196/RS – Relator Ministro Franciulli Netto; RESP 667.238/RJ; RESP 667.238/RJ (Relato Ministro José Delgado); RESP 613.996/RS Relator Ministro Arnaldo Esteves Lima; RESP 783.724/RS Relator Ministro Castro Meira; e f) Valores mensais de rendimentos de servidor público – AgReg. AI 766.896/SC, Relator Ministro José Delgado. É fato que as ações de benefícios previdenciários são muito freqüentes, porém se constata que não eram apenas esses casos. Entre inúmeros julgados do Tribunal Superior, elenco alguns para deles extrair os respectivos fundamentos adotados: a) RESP 758.779/SC; tratamento justo ao caso (equidade); b) RESP 492.247/RS; princípios da legalidade e da isonomia.; c) RESP 719.774/SC; princípios da legalidade e da isonomia e vedação ao enriquecimento sem causa da Administração; d) RESP 901.945 – resolução de aparente antinomia entre o art. 521 do RIR1980 (Decreto 85.450/80) e o art. 12 da Lei 7.713/88 se resolve pela seguinte exegese: este último disciplina o momento da incidência; o outro, o modo de calcular o imposto. (Precedentes citados: REsp 617081/PR, 1ª T, Min. Luiz Fux, DJ 29.05.2006 e Resp 719.774/SC, 1ª T, Min. Teori Albino Zavascki, DJ 04.04.2005.); e) RESP 424.225/SC ao dispor sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, o art. 12 da Lei 7.713/88 disciplina o momento da incidência do Imposto de Renda, porém nada diz a respeito da alíquota aplicável a tais rendimentos, adotou a jurisprudência dominante e assentou que não havia declaração de inconstitucionalidade da lei d) RESP 505.081/RS – se o rendimento mensalmente era isento, ao ser recebido de uma só vez não perde essa natureza; e e) RESP 1.075.700/RS não há violação do art. 12 da Lei n.º 7.713∕88 e art. 56, do Decreto n.º 3.000∕99, pois o acórdão recorrido está alinhado com a jurisprudência. Afastar a aplicação do art. 12 da Lei n.º 7.713∕88 está fora da órbita de competência dos membros desse Conselho, portanto fica vedado adotar como razão precedentes judiciais que tenham esse fundamento, ainda que pautados por ofensa à legalidade, à isonomia e mesmo sob o fundamento de buscar o tributo justo. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11065.000467/200615 Acórdão n.º 2802002.879 S2TE02 Fl. 221 11 Outrossim, seria inadequado adotar precedentes que se socorreram da equidade, pois há vedação legal expressa quanto ao emprego da equidade para dispensar a exigência de tributo (§2º do art. 108 do CTN). De outro giro, outras premissas devem ser levadas em conta: a) está implícito na função do CARF contribuir para a segurança jurídica em matéria tributária; b) essa Turma já se posicionou diversas vezes sobre esse tema, enquanto não vigorava a norma regimental que impôs o sobrestamento; c) é competência constitucional do STJ atuar como guardião e intérprete da lei federal; d) há jurisprudência consolidada da jurisprudência do STJ sobre o tema e julgada na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil – CPC, cuja reprodução é obrigatória pelos membros do CARF (caput art. 62A do Regimento Interno do CARF, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010). Destarte, no CARF, a questão deve ser solucionada com a adoção do entendimento proferido nos acórdãos do STJ que se fundamentaram na interpretação do art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, no sentido de que o momento do recebimento dos rendimentos define a ocorrência do fato gerador, porém no cálculo do tributo aplicamse as alíquotas e tabelas próprias das competências a que os valores se referem (RESP 424.225/SC e RESP 901.945, tese consolidada no RESP 1.118.429/SP). Frisese: é interpretação do art. 12 e não declaração de sua inconstitucionalidade. Diversas vezes, o STF reconheceu que, com esse fundamento, o STJ não está declarando a inconstitucionalidade da norma legal, mas apenas interpretando a legislação infraconstitucional aplicável ao caso: RE 572580/RS, julgado em 03/06/2008; RE 563.347/SC; AI 660.020/SC, e AI 636303/SC, julgado em 01/07/2008. Teria a admissão de repercussão geral, sem decisão definitiva de mérito, o condão de afastar a aplicação do entendimento adotado no STJ e inviabilizar sua aplicação pelo CARF? O Recurso Extraordinário em questão enfrentou um acórdão de Tribunal Regional que declarou a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei 7.713/1988. Por essa razão, as razões do deferimento da repercussão geral foram: a declaração de inconstitucionalidade superveniente e a relevância jurídica correspondente à presunção de constitucionalidade das leis, a necessidade de garantir a unidade do ordenamento jurídico, a uniformidade da tributação federal (art. 151, I da Constituição) e a isonomia (art. 150, II da Constituição) (RE 614232 AgRQO/RS, rel. Min. Ellen Gracie, 20.10.2010, RE 614232). Com a aplicação do entendimento consignado no RESP 1.118.429/SP não está sendo afastada aplicação da lei, mas tão somente dando ao dispositivo legal vigente na Fl. 226DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 época de ocorrência dos fatos geradores (art. 144 do CTN) a interpretação pacificada no âmbito de seu intérprete mais abalizado. Em suma: ausente decisão de mérito do STF na sistemática do art. 543B do CPC, nos Recursos Extraordinários paradigmas, o art. 12 está em vigor e sua interpretação se dá nos moldes do julgado do STJ que adotou o rito do art. 543C do CPC, no sentido de que o momento do recebimento dos rendimentos define a ocorrência do fato gerador, porém no cálculo do tributo aplicamse as alíquotas e tabelas próprias das competências a que os valores se referem (RESP 1.118.429/SP). Após a análise dos precedentes que levaram à tese firmada no Recurso Especial repetitivo, proferido em sede do art. 543C do CPC, concluise que esse julgado merece uma interpretação sistemática e não apenas literal restrita a sua ementa. Destarte, o referido entendimento deve ser implementado nos casos de condenações trabalhistas que sejam compatíveis com o mesmo entendimento, e não apenas no caso de benefícios previdenciários. Essa exegese vem sendo adotada pelo próprio STJ. Vejamos: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSTO DE RENDA. VERBAS TRABALHISTAS DECORRENTES DE RESCISÃO. APURAÇÃO DO VALOR DEVIDO. REGIME DE COMPETÊNCIA. JUROS DE MORA. ISENÇÃO. 1. "O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ" (REsp 1.118.429/SP, processado sob o rito do art. 543C do CPC, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, DJe 14/5/2010). 2. A Primeira Seção desta Corte, apreciando o REsp 1.089.720/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, DJe 28/11/12, consolidou entendimento no sentido de que: (I) a regra geral é a incidência do imposto de renda sobre os juros de mora (art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/1964), inclusive quando fixados em reclamatórias trabalhistas; (II) há isenção de IR: a) quando o pagamento for realizado no contexto de rescisão do contrato de trabalho e b) quando a verba principal for igualmente isenta ou fora do âmbito do imposto, aplicandose o princípio do accessorium sequitur suum principale. 3. Hipótese em que o recorrido, por força de decisão judicial, recebeu, acumuladamente, verbas trabalhistas decorrentes de rescisão de contrato de trabalho. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no REsp 1238127/RS, Data do julgamento 20/02/2014. No mesmo sentido: REsp 1410118/PE, data do julgado25/02/2014) Fl. 227DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11065.000467/200615 Acórdão n.º 2802002.879 S2TE02 Fl. 222 13 PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO MUNICIPAL. DIFERENÇAS SALARIAIS RESULTANTES DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 269, IV, DO CPC. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. DISPOSITIVOS APONTADOS COMO VIOLADOS. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. PRESCRIÇÃO. RELAÇÃO DE TRATO SUCESSIVO. SÚMULA 85/STJ. VERBAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. CÁLCULO MÊS A MÊS. IMPOSTO DE RENDA. MONTANTE GLOBAL. ILEGITIMIDADE. MATÉRIA SUBMETIDA AO RITO DO ART. 543C, DO CPC. RESP 1.118.429/SP. (...) 3. Na espécie, não se discute nem o direito ao reenquadramento, nem as normas em que se fundou tal ato, mas questionase apenas os valores correspondentes ao reenquadramento salarial do servidor, isso conforme a opção pelo Plano de Cargos e Salários e de acordo com a pontuação obtida pelo Plano de Avaliação de Desempenho, pelo que não há falar em prescrição do fundo de direito, mas tão somente das parcelas anteriores ao quinquênio que precedeu à propositura da ação. Inteligência da Súmula 85/STJ. Precedentes: AgRg no AREsp. 4.355/SP, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe 1/7/2011; AgRg no Ag. 1.213.131/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe 1/6/2011; e AgRg no Ag 1.076.183/SP, Rel. Min. Laurita Vaz, Quinta Turma, DJe 9/3/2009. 4. A Primeira Seção desta Corte, ao julgar o REsp 1.118.429/SP, sob o regime do art. 543C do CPC, assentou o entendimento no sentido de que "o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado", não sendo legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente". 5. Agravo regimental não provido.(AgRg no AREsp 434044/SP, Data do Julgamento 20/02/2014) Este caso concreto é compatível com a interpretação do art. 12 da Lei 7.713/1988 firmada no RESP 1.118.429/SP. Contudo, ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Citamse excertos de ementas de alguns precedentes que operam no mesmo sentido: Fl. 228DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 14 (...) PIS – LEI COMPLEMENTAR 7/70 – BASE DE CÁLCULO – O parágrafo único do art. 6° da LC 7/70 estabeleceu que a base de cálculo correspondia ao faturamento do 6° mês anterior. Se o lançamento desrespeitou essa norma, e como ao julgador administrativo não é permitido refazer o lançamento, então resta apenas cancelar a exigência. (...).( CSRF/0105.163, de 29/11/2004)(grifos acrescidos) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2008 DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NATUREZA JURÍDICOCONTÁBIL. Equivocase o lançamento que considera a despesa de amortização do ágio como despesa com provisão, pois o ágio é a parcela do custo de aquisição do investimento (avaliado pelo MEP) que ultrapassa o valor patrimonial das ações, o que não se confunde com provisões expectativas de perdas ou de valores a desembolsar. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode refazer o lançamento a partir de outro critério jurídico que o altere substancialmente. (Acórdão 1302001.170, de 11/09/2013)(grifos adicionados) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INALTERABILIDADE DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO EM RELAÇÃO AO MESMO SUJEITO PASSIVO. Na fase contenciosa, não é admissível a mudança do critério jurídico adotado no lançamento contra o mesmo sujeito passivo em relação aos fatos geradores já concretizados. (...) (Acórdão 2802002.489, de 17/09/2013)(grifos não constam do original) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996 LANÇAMENTO FISCAL. REDUÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. REDUÇÃO DE SALDO NEGATIVO. DIFERENÇA. No lançamento fiscal, a irregularidade de se lançar sem reduzir o prejuízo fiscal implica em erro na formação da própria base tributável, o que não é passível de correção por parte do julgador administrativo, que não pode alterar o lançamento. Neste sentido, a jurisprudência do CARF é tranqüila no sentido de se cancelar o auto de infração por inteiro. (...) 1401001.086, de 07/11/2013) (grifos acrescentados) Consequentemente, devese cancelar o lançamento, o que torna inútil a deliberação sobre as demais alegações recursais. Diante do exposto, devese DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11065.000467/200615 Acórdão n.º 2802002.879 S2TE02 Fl. 223 15 (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 230DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 12466.002004/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 08/04/2004, 09/06/2004, 12/07/2004, 04/01/2005
SUJEIÇÃO PASSIVA. CONTRIBUINTES. SOLIDARIEDADE. VÍCIO FORMAL. INEXISTÊNCIA.
Não possui vício algum o lançamento que descreve de forma pormenorizada a infração e imputa aos sujeitos responsáveis pela sua prática a qualificação jurídica adequada no tocante ao cumprimento da obrigação principal, mormente a sujeição passiva e a solidariedade, tendo em conta os elementos de prova coligidos ao processo.
Recurso de ofício provido.
Numero da decisão: 3401-002.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício para afastar a nulidade do lançamento por erro na sujeição passiva. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter e Fernando Cleto e a Conselheira Ângela Sartori, que negavam provimento ao recurso. Os Conselheiros Júlio Ramos e Fenelon Moscoso votaram pelas conclusões e apresentarão declaração de voto. Por unanimidade, determinou-se o retorno dos autos à DRJ para enfrentamento do mérito, inclusive da multa mencionada na decisão original.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Robson José Bayerl Relator
Fenelon Moscoso de Almeida Declaração de voto
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 08/04/2004, 09/06/2004, 12/07/2004, 04/01/2005 SUJEIÇÃO PASSIVA. CONTRIBUINTES. SOLIDARIEDADE. VÍCIO FORMAL. INEXISTÊNCIA. Não possui vício algum o lançamento que descreve de forma pormenorizada a infração e imputa aos sujeitos responsáveis pela sua prática a qualificação jurídica adequada no tocante ao cumprimento da obrigação principal, mormente a sujeição passiva e a solidariedade, tendo em conta os elementos de prova coligidos ao processo. Recurso de ofício provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício para afastar a nulidade do lançamento por erro na sujeição passiva. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter e Fernando Cleto e a Conselheira Ângela Sartori, que negavam provimento ao recurso. Os Conselheiros Júlio Ramos e Fenelon Moscoso votaram pelas conclusões e apresentarão declaração de voto. Por unanimidade, determinouse o retorno dos autos à DRJ para enfrentamento do mérito, inclusive da multa mencionada na decisão original. Júlio César Alves Ramos – Presidente 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 20 04 /2 00 9- 81 Fl. 405DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Relator Robson José Bayerl – Relator Fenelon Moscoso de Almeida – Declaração de voto Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. Relatório Por bem refletir o caso tratado nestes autos, adoto o relatório da decisão administrativa de primeira instância, verbis: “Versa o presente processo sobre Auto de Infração (fls. 01 a 89) lavrado contra a empresa em epígrafe, (...), referente à falta de recolhimento de Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), contribuição para o PIS/Pasep e Confins incidentes na importação, acrescidos de multa qualificada lançada de ofício proporcional a 150% dos valores não recolhidos e juros moratórios, além de multa por infração administrativa ao controle das importações, em razão de subfaturamento, equivalente a 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado. Segundo relata a fiscalização às fls. 04 a 71, o procedimento fiscal em causa teve por base documentos coligidos em diligências no estabelecimento da pessoa jurídica autuada, além de outros documentos e arquivos magnéticos que foram apreendidos pela Polícia Federal durante a denominada “Operação Dilúvio”, voltada à apuração de esquema fraudulento perpetrado por uma organização controlada por Marco Antônio Mansur (CPF n.º 365.153.459/68), outrora denominada “grupo MAM”. Mais precisamente, no que diz respeito às importações de mercadorias estrangeiras registradas entre 08/04/2004 e 14/04/2004, através das Declarações de Importação n.ºs 04/03360573, 04/05549142, 04/06740440 e 05/00066013, a autoridade autuante relata ter efetuado as seguintes constatações: a) as empresas DARCK e COTIA TRADING S/A estão envolvidas nas importações relacionadas à fl. 04, tidas como simuladas, e realizadas com o objetivo de nacionalizar mercadorias com valores subfaturados, além da prática de utilização de documentos ideológico e/ou materialmente falsos e declarações ideologicamente falsas; b) as importações acobertadas pelas DI sob apreço foram registradas pela empresa COTIA por conta e risco próprio, sendo que, na realidade, quem financiava as operações de importação era a empresa DARCK, configurando um quadro de simulação e interposição fraudulenta; c) a DARCK foi identificada como real compradora das mercadorias no exterior, real importadora e como real adquirente no mercado nacional ao passo 2 Fl. 406DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 10 que a COTIA, ao revestirse da qualidade de importadora, serviu de escudo e blindagem para a real importadora; d) os fornecedores e a DARCK (real importadora) foram os que acertaram as condições dos contratos de compra e venda, definindo mercadorias, preços efetivos, formas de pagamento, etc., que representa a operação real, aquela que os intervenientes colimaram ocultar; e) os valores de transação declarados nas DI analisadas são muito inferiores aos valores efetivamente praticados (DI n.ºs 04/03360573, 04/05549142 e 05/00066013) ou arbitrados (DI n.º 04/06740440), havendo a empresa fiscalizada incorrido na prática de subfaturamento. Regularmente cientificados, em 17/06/2009 e 18/06/2009 (fl. 03), as empresas DARCK TECHNOLOGIES DO BRASIL LTDA e COTIA TRADING S/A apresentaram, em 14/07/2009 e 20/07/2009, respectivamente os documentos de fls. 307 e 331 a 357, havendo a empresa DARCK TECHNOLOGIES apresentado a impugnação de fls. 290 a 306, onde, em síntese: Alega, preliminarmente, que a autoridade autuante desbordou dos limites da legislação aplicável ao trazer relatos e graves afirmações de que houve crime de falsidade e descaminho, com base em documentos extraídos de procedimentos conduzidos nas esferas policial e judicial, ao que aduz o raciocínio de que, por estar o auto de infração em tela baseado no processo penal, é de se declarar a sua improcedência ante o fato de a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça, nos autos do HC n.º 113.145PR e por unanimidade de votos, ter concedida a ordem para trancar a ação penal em relevo, decisão esta que deve ser respeitada na esfera administrativa, pois transitou em julgado em 23/03/2009; Em outro plano, alega que não pode ser responsabilizado pela infração descrita no presente processo, ao argumento de que todos os tributos incidentes nas operações que praticou, inclusive aqueles que incidiram na venda a varejo das mercadorias adquiridas foram recolhidos, além do que pagou pela aquisição no mercado interno das mercadorias importadas, fato este que foi desconsiderado pela fiscalização; Considera descabidas as acusações que lhe foram imputadas, já que as empresas que lhe venderam as mercadorias estavam habilitadas no RADAR para efetivar suas atividades na qualidade de trading company, além do que reclama de estar sendo acusado por condutas que não lhe dizem respeito e que, ante a ausência de documentos, os valores aduaneiros arbitrados pelo Fisco encontramse fulcrados em suposições e ficções, em flagrante desatendimento ao princípio do ônus da prova; Nega ter assumido financeiramente os custos incorridos nas operações de importação, ao que aduz não ser da atividade da empresa desincumbirse de operações de logística atinentes ao comércio internacional e que o aspecto mais importante das operações realizadas pelas trading é a necessidade de recursos financeiros e fluxo de caixa para fazer frente aos tributos no momento da nacionalização das mercadorias importadas; Alega que, em razão de os tributos incidentes nas operações de importação serem pagos antecipadamente, a terceirização das atividades de logística 3 Fl. 407DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA internacional tornase conveniente, não só do ponto de vista de custos e de estrutura organizacional, mas também em face do próprio aspecto econômico financeiro inerente às trading, como o financiamento de todos os custos e tributos até a entrega do bem no armazém do distribuidor e a possibilidade da redução de custos oriundos de benefícios e créditos fiscais das trading; Reclama que a autoridade autuante desbordou do que determinam as disposições contidas no art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 1972, e no caput do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), visto que trouxe para o feito, indevidamente, relatos e graves afirmações extraídos de procedimentos levados a efeito nas esferas policial e judicial, quando deveria limitarse aos fatos que ensejaram o ato do lançamento para a constituição do crédito tributário; Nesta mesma linha, reclama também ter sido violado o sigilo de seus dados, com a juntada de peças do processo de competência das autoridades policial e judicial, pelo que entende ter sido ofendido, na realização do feito ora atacado, o direito previsto no inciso XII do art. 5º da Constituição Federal; Insurgese contra a afirmação da autoridade autuante que se refere à prática de sonegação, fraude, conluio, falsificação de documentos, prestação de informações falsas e de benefícios obtidos com as ilegalidades praticadas, eis que jamais buscou o encerramento de suas atividades e ofereceu ao Fisco toda a documentação requerida, havendo, inclusive, incabível apreensão sem devolução de todos os documentos solicitados, em razão de que entende ter a presente autuação desrespeitado as disposições contidas nos artigos 2º e 3º da Lei n.º 9.784, de 1999, dentre os quais destaca a previsão de ser tratado com respeito pelas autoridades e servidores, que devem facilitar o exercício de seus direitos e o cumprimento de suas obrigações; Nega ter participado do esquema fraudulento apontado pela fiscalização, ao argumento de que não é empresa de grande porte, seu faturamento é limitado, não movimenta grande soma de recursos financeiros, além do que não é detentor de informações de natureza fiscal e procedimental relacionadas às demais empresas citadas no relatório da autuação; Reclama não poder ser equiparado à empresa industrial para efeito de exigir o IPI, pois jamais desenvolveu atividade industrial ou a ela equiparada, nem é importador, pelo que entende não poder ser responsabilizado pela exigência do IPI, nos moldes estabelecidos na autuação, ao que noticia ter recolhido todos os tributos que incidiram nas operações realizadas com a aquisição das mercadorias em relevo no mercado interno e posterior venda a varejo das mercadorias adquiridas; Em outro plano, contesta a cobrança de juros de mora calculados à taxa referencial Selic, eis que eivada de incerteza e iliquidez, por entender ser referida cobrança ilegal e inconstitucional; Quanto à aplicação das multas veiculadas no auto de infração, alega não ter sido demonstrada ou comprovada a prática das infrações cominadas pelas mencionadas penalidades que reputa serem confiscatórias, violando o preceito contido no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal, ao que aduz não ter incorrido em qualquer fraude que desse azo a essa penalização; Finalmente, em face de tudo o quanto foi exposto, requer o cancelamento do auto de infração hostilizado. Por sua vez, a empresa COTIA TRADING S/A apresentou a impugnação de fls. 290 a 306, onde, em síntese: 4 Fl. 408DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 10 Alega que as importações em tela foram feitas sob encomenda da empresa DARCK, que sua capacidade financeira foi atestada no próprio auto de infração e que não participou da negociação de preços das mercadorias importadas, ao que aduz que a documentação que fundamenta a autuação foi obtida na empresa DARCK, sendo apenas de conhecimento da referida empresa, o que, a seu ver, viola o princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, caracterizando prova emprestada; Argúi a nulidade do feito ora atacado, com fulcro na disposição contida no § 1º do art. 9º do Decreto n.º 70.235, de 1972, e que determina a lavratura de autos de infração distintos para cada contribuinte, e não um único auto de infração que mistura alegações, condutas e penalidades imputáveis a dois contribuintes diferentes; Ademais disso, reclama que as importações em causa já haviam sido submetidas ao crivo da fiscalização aduaneira, em razão de que entende que as mercadorias encontramse regularmente no País, descabendo nova análise aduaneira que colima imputar multa gravíssima à empresa COTIA, mera responsável solidária de acordo com o auto de infração; Em outro plano, alega a decadência dos lançamentos de oficio relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação, no que pertine aos fatos geradores ocorridos antes de 17/06/2004, com fundamento no disposto pelo § 4º do art. 150 do CTN combinado com os artigos 668 e 669 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n.º 4.543, de 2002, ao que aduz que a participação na fraude, dolo ou simulação, aventados pela autoridade autuante, de molde a impedir a decadência, deve ser provada e não presumida, reiterando, no ponto, ter realizado importações sob encomenda da DARCK, sem intermediar a negociação com os fornecedores que emitiram as faturas comerciais supostamente falsas e que instruíram os despachos de importação em relevo; Na seqüência, reclama ser inaplicável à COTIA TRADING a responsabilidade tributária sobre obrigações da empresa DARCK, dado que não tinha interesse comum na situação que constitui o fato gerador dos tributos em questão (CTN, art. 124), ao que aduz o esclarecimento de que a venda das mercadorias importadas deuse por valores muito próximos ao custo da operação de importação, por ter colimado auferir o benefício financeiro advindo do regime do FUNDAP (ICMS) instituído pelo Estado de Espírito Santo, e, portanto, o subfaturamento de preços só diminuiria o ganho da COTIA; Relativamente à imputação de subfaturamento, argúi, ainda, que a fiscalização não observou o procedimento de valoração aduaneira disciplinado pela IN SRF n.º 237, de 2003, havendo desconsiderado injustificadamente o método do valor de transação, sem que o importador houvesse sido intimado para comprovar o valor declarado e sem que fosse obedecida a seqüência de aplicação dos métodos de valoração substitutivos, o que, a seu ver, constitui afronta ao princípio do devido processo legal; Contesta a sua responsabilização pela falsidade das faturas comerciais e demais documentos que instruíram os despachos de importação sob apreço, ao argumento de não ter emitido tais faturas, e de que tampouco tinha conhecimento de outras faturas que foram apreendidas pelo Fisco junto à empresa DARCK, ao passo que os conhecimentos de embarque e as DI refletiram as operações realmente 5 Fl. 409DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA praticadas, e que reitera terem sido importações sob encomenda, realizadas antes da publicação da Lei n.º 11.286, de 2006; Em outro plano, ainda, alega que a autoridade administrativa tem o dever de apurar os fatos relacionados unicamente ao ato objeto da imputação, inexistindo espaço para utilização de indícios e conclusões que não levem a uma decisão conclusiva, sendo incabível, no direito tributário, o empréstimo de prova relativa a outros procedimentos, dado a tipicidade restrita que preside esse ramo direito, derivada do princípio da legalidade, de modo que a exigência legítima de tributo ou de penalidade depende da subsunção perfeita entre o ato, ou omissão, perpetrado pelo contribuinte e o fato imponível previsto na lei; Na seqüência, após alegar que a negociação do adquirente com o fornecedor estrangeiro é uma faculdade prevista tanto na importação sob encomenda (§ 3º do art. 11 da Lei n.º 11.281, de 2006), como na importação por conta e ordem de terceiro (art. 1º da IN SRF n.º 255, de 2002), reitera que as importações sob apreço foram realizadas por encomenda da empresa DARCK, tendo esta, e não a empresa COTIA, negociado com os fornecedores estrangeiros, pelo que supostas irregularidades envolvendo faturas comerciais e os preços praticados nessas importações somente podem ser imputadas ao exportador ou, no máximo, à empresa DARCK, solicitando, ainda, no caso de dúvidas, que seja observado o disposto no art. 112 do CTN, no que pertine à interpretação da lei tributária, de forma mais favorável ao acusado; Finalmente, em face de tudo o quanto foi exposto, requer o cancelamento do auto de infração hostilizado.” A DRJ Florianópolis/SC reputou nulo o lançamento, por vislumbrar vício formal na imputação da sujeição passiva, bem assim, que seria incabível o lançamento da multa prevista no art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória n.º 2.15835/2001, regulamentado pelo art. 633, I do Decreto n.º 4.543/2002. Esta decisão foi submetida ao procedimento do recurso de ofício. Devidamente cientificados da decisão, os autuados não apresentaram recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Robson José Bayerl, Relator A decisão submetida a reexame necessário preenche os pressupostos mínimos para seu conhecimento e processamento. Dois são os pontos controvertidos submetidos a julgamento: a sujeição passiva e (in)aplicabilidade da multa de 100% da diferença entre o valor declarado e o efetivamente praticado, nos casos de fraude, sonegação ou conluio em operação de importação. Respeitante à definição da qualificação jurídica que os contribuintes autuados deveriam ostentar no lançamento, a decisão de piso, adotando a premissa que se cuidava de importação por conta e ordem, após indicar a legislação de regência da matéria, concluiu que 6 Fl. 410DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 10 houve inversão do pólo passivo no auto de infração, devendo a COTIA TRADING S/A figurar como contribuinte e DARCK TECHNOLOGIES DO BRASIL LTDA., como responsável tributário. O pressuposto para tal inferência, segundo o voto condutor, encontrase no seguinte excerto: “Considerando o fato de que as operações de importação registradas pela empresa COTIA TRADING , independente da forma como foram declaradas, caracterizase como sendo de fato operações realizadas por conta e ordem da DARCK, o presente procedimento fiscal foi focado nessa empresa identificada como REAL IMPORTADORA e real adquirente das mercadorias, que utilizou os serviços prestados pela interposta pessoa jurídica COTIA TRADING com o objetivo de reduzir os seus custos, sem se importar com as ilegalidades dos seus atos.” (fl. 24) Noto, porém, que a autoridade autuante assevera que, do ponto de vista dos fatos, cuidavase de operação realizada por conta e ordem, no entanto, em várias outras passagens, que reproduzirei, acentuou que a pessoa jurídica COTIA TRADING S/A registrou as declarações de importação como sendo importação por conta própria, ocultando o real importador/adquirente DARCK TECHONOLOGIES, de modo que, a bem da verdade, caracterizarseia a figura da interposição fraudulenta, sendo, inclusive, objeto de tópico específico de autuação (“Simulação e Interposição Fraudulenta”). São as seguintes: “Neste procedimento estão sendo tratadas as importações das mercadorias acobertadas pelas DI's relacionadas, cujas Notas Fiscais de entrada na DARCK, foram emitidas pela empresa COTIA TRADING que registrou ditos processos na sistemática de importação por conta e risco próprio.” (fl. 04 – sublinhado) “As notas fiscais emitidas pela empresa COTIA TRADING, foram vinculadas à Faturas Internacionais, tidas como efetivamente emitidas pelos reais exportadores, e aos processos de importação, que foram registrados como sendo por conta e risco da empresa COTIA TRADING , cuja simulação, subfaturamento e outras irregularidades, foram comprovados e onde foi identificada a empresa DARCK , como a compradora das mercadorias no exterior (REAL IMPORTADORA) . A participação da empresa DARCK foi comprovada em diligência na empresa onde foram retidas, conforme termo próprio (fls. 191 a 199), além das Notas Fiscais referentes aos processos em questão, inúmeras outras Notas Fiscais de entradas emitidas por diversas empresas tidas como sendo de fachada, muitas a serviço do Grupo MAM, na maioria das vezes INAPTAS perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil, consideradas inexistentes de fato, envolvendo diversos processos de importação e um grande número de importadoras, todas agindo 7 Fl. 411DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA a serviço da DARCK, onde foram constatados os mesmos tipos de irregularidades motivando autuações (...)” (fl. 07 – sublinhado) “Assim temos que a DARCK foi Identificada como real COMPRADORA DAS MERCADORIAS NO EXTERIOR, REAL IMPORTADORA e como REAL ADQUIRENTE NO MERCADO NACIONAL, foi quem assumiu financeiramente todos os custos, já a COTIA TRADING revestiu se da qualidade de IMPORTADORA servindo de escudo e blindagem para a REAL IMPORTADORA.” (fls. 07/08) “Dessa forma, os reais adquirentes e encomendantes (neste caso a DARCK, identificada como real importadora), quando mantidos ocultos, obtêm uma substancial (e indevida) vantagem fiscal, também na fase de comercialização, no mercado interno, de produtos importados sujeitos à incidência do IPI.” (fl. 17) “(...) Neste contexto, avulta o cuidado na identificação do sujeito passivo, pois na ocultação do sujeito passivo por interposição fraudulenta, o que se dá é simulação tributária por transferência subjetiva, isto é, estimase que da aplicação do critério subjetivo que permitiria levar a bom termo a sujeição passiva, surja um outro que não aquele que deveria ser obrigado ou, o que é o caso concreto, surja apenas um dos obrigados ao pagamento dos tributos, ocultandose justamente aquele que demonstra a capacidade contributiva. Como se demonstra , a empresa COTIA TRADING e a empresa DARCK, real adquirente das mercadorias, conjuntamente, simularam operação de comércio exterior, na modalidade de importação por conta própria (importação direta) em que supostamente a COTIA TRADING seria titular da operação, mantendo oculta aos olhos do fisco a real adquirente das mercadorias, verdadeira titular das operações de comércio exterior, identificada como sendo a DARCK.” (fl. 24) “Neste procedimento tratamos as operações de importação, registradas pela empresa COTIA TRADING, que se revestiu do título de importadora, simulando que agia por conta e risco próprio. Na ação fiscal foram identificadas as operações reais, os verdadeiros valores de transação e a adquirente das mercadorias, a empresa DARCK, que comprou as mercadorias no exterior e aproveitou os benefícios obtidos com as ilegalidades praticadas.” (fls. 24/25) “Os intervenientes nos processos de importação em pauta foram identificados na ação fiscal, como sendo as empresas COTIA TRADING como interposta pessoa jurídica, e DARCK, como 8 Fl. 412DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 10 compradora das mercadorias REAL IMPORTADORA.” (fl. 31) “Como fartamente comprovado, o interesse pelo negócio partiu da DARCK, que adquiriu as mercadorias no exterior e contratou a COTIA TRADING para que nacionalizasse as mercadorias, estando claro que todos os procedimentos estão eivados de vícios, com os intervenientes agindo em total desrespeito à legislação vigente, fazendo declarações e preparando documentos a fim de atender as etapas a serem ultrapassadas, e não para o atendimento aos preceitos legais.” (fls. 31/32) “Dessa forma temos que a compradora de fato (real importadora) das mercadorias em questão foi a empresa DARCK, que interessada em maximizar os seus resultados, contratou os serviços da COTIA TRADING, que investida de forma simulada da qualidade de importadora, promoveu a nacionalização das mercadorias que sabia, haviam sido adquiridas no exterior pela empresa DARCK e agindo assim, esses contribuintes, para atingir os seus objetivos, formularam a simulação de negócios e prepararam todos os documentos registrando a COTIA TRADING como importadora, deixando oculta a verdadeira adquirente das mercadorias a DARCK. Então, a DARCK interessada em nacionalizar as mercadorias com o menor custo e a COTIA TRADING interessada em se aproveitar dos benefícios financeiros do FUNDAP, resolveram correr o risco, cabendo ao fisco unicamente identificar as irregularidades e punir os responsáveis pela infração.” (fl. 33) “Conforme foi demonstrado, as operações de importação em questão, apresentando como importadora e adquirente a empresa COTIA TRADING, são simuladas, e omitem a compradora dos bens (real importadora), aquela que adquiriu as mercadorias no mercado exterior e internou em território nacional a DARCK. Dessa forma para dar credibilidade aos procedimentos de nacionalização desses bens, utilizaram documentos, materiais ou ideologicamente falsos, promovendo declarações ideologicamente falsas, para que, ao declarar a COTIA TRADING como importadora pudessem ocultar a empresa DARCK principal interessada e real compradora das mercadorias no exterior (real importadora).” (fl. 34) Ou seja, a referência à importação por conta e ordem apenas remete àquilo que, segundo os fatos narrados, deveria ser declarado, mas não o foi, uma vez que, além de 9 Fl. 413DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA registrada como sendo importação por conta própria, por parte da pessoa jurídica COTIA TRADING S/A, não observou os requisitos necessários à sua configuração, razão porque foi tratada como interposição fraudulenta. Destarte, consoante art. 80, I da MP 2.15835/2001, à Secretaria da Receita Federal foi delegada a incumbência de estabelecer exigências e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro e, neste diapasão, foi editada a IN SRF 225/02, que definiu a forma de atuação da pessoa jurídica importadora em operações procedidas por conta e ordem de terceiros, listando, dentre os requisitos, o dever de apresentar cópia do contrato firmado entre as partes para a prestação dos serviços à unidade da SRF, de fiscalização aduaneira, com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz; a necessidade de indicar, em campo próprio da DI, a inscrição no CNPJ do adquirente; que a fatura comercial deveria identificar o adquirente da mercadoria, dentre outras. Ora, se a RFB exige que determinadas condições sejam observadas para enquadramento da operação como importação por conta e ordem, uma vez desatendidas tais imposições, temse a sua descaracterização, não podendo ser assim considerada, como fez a decisão submetida a reexame. O que existe, a meu ver, é um conluio fraudulento entre os coobrigados indicados na autuação, onde a pessoa jurídica COTIA TRADING S/A, de forma inverídica, informou nas DIs registradas tratarse de importação por conta própria (fls. 216, 232, 236, 251, 275), visando à fruição de vantagens fiscais no âmbito do ICMS e a ocultação do real adquirente das mercadorias importadas, quando na verdade o importador de fato era a pessoa jurídica DARCK TECHNOLOGIES DO BRASIL LTDA, como sobejamente demonstrado nestes autos. Neste sentido, entendo que assiste razão à autoridade administrativa autuante quando indica ser o real importador a pessoa jurídica DARCK TECHNOLOGIES DO BRASIL LTDA, assim devendo ser tratada, inclusive e principalmente para fins de determinação do sujeito passivo dos tributos devidos, ainda que formalmente, nas declarações de importação, tenha figurado apenas a pessoa jurídica COTIA TRADING S/A, a teor das disposições do art. 31, I do DecretoLei nº 37/66, verbis: “Art.31 É contribuinte do imposto: (Redação pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) I o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no Território Nacional; (Redação pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) II o destinatário de remessa postal internacional indicado pelo respectivo remetente; (Redação pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) III o adquirente de mercadoria entrepostada. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Art. 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; (Incluído pelo Decreto Lei nº 2.472, de 01/09/1988) 10 Fl. 414DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 10 II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incubida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. É responsável solidário: (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II o representante, no País, do transportador estrangeiro; .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006)” (destacado) Tal como consta da autuação1, entendo ser estreme de dúvidas que a COTIA TRADING S/A, ainda que se revestindo apenas formalmente da condição de importador, deva também ocupar o pólo passivo da obrigação tributária na condição de contribuinte solidário, pois a relação pessoal e direta com as situações constituídas, consoante previsão do art. 121 do CTN, decorre do fato de declararse nessa categoria quando do registro da DI e porque foi beneficiária de vantagens fiscais decorrentes de incentivo estadual, daí advindo sua solidariedade em relação ao crédito tributário exigido, nos termos do art. 124, I do mesmo diploma. Portanto, COTIA TRADING S/A e DARCK TECHNOLOGIES DO BRASIL S/A se qualificam como contribuintes, em função da relação pessoal e direta com os fatos jurídicos tributáveis (art. 121, I do CTN), como fartamente demonstrado nos autos, devendo responder solidariamente pela obrigação tributária, devido ao já referenciado interesse comum na situação descortinada (art. 124, I do CTN). De outra banda, como a solidariedade não comporta benefício de ordem, segundo o parágrafo único do aludido art. 124 do CTN, pouco importa a posição em que figuram as pessoas jurídicas no cabeçalho do auto de infração, desde que tomados na condição de contribuintes, como no caso. Deste modo, tocante à sujeição passiva, entendo que se deva dar provimento ao recurso de ofício, com o retorno do feito à primeira instância, para, afastado o vício de 1 O documento que formaliza o lançamento imputa à pessoa jurídica DARCK TECHNOLOGIES DO BRASIL LTDA a condição de contribuinte responsável e a pessoa jurídica COTIA TRADING S/A, contribuinte solidário. 11 Fl. 415DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA forma, prosseguir o julgamento das demais questões postas nas impugnações, como entender de direito. Concernente à matéria remanescente, cabimento da multa prevista no art. 88, parágrafo único, da MP 2.15835/2001 ao caso vertente, tenho que não andou bem a decisão recorrida, uma vez que a declaração de nulidade, em virtude do vislumbrado erro na indicação dos sujeitos passivos, impediria a manifestação a respeito de questões atinentes ao mérito da causa. Análoga às decisões judiciais, por aplicação subsidiária do Código de Processo Civil, a decisão administrativa que acolhe questão preliminar extinguiria o processo sem exame de mérito. A respeito do tema, pertinente a remissão aos ensinamentos de Fredie Didier Júnior2: “Antes de decidir o mérito, o magistrado deverá verificar se estão presentes os chamados requisitos de admissibilidade do exame de mérito (condições da ação e pressupostos processuais). Tratase de análise preliminar (e, pois obrigatória) à análise de mérito. Quando reconhece existente qualquer das causas constantes do rol do art. 267 do CPC, o juiz constata a impossibilidade de julgar/resolver o pedido do demandante. Profere, neste caso, decisões terminativas.” Transplantando tais conclusões para o processo administrativo, uma vez detectada qualquer nulidade no ato de lançamento ou do despacho decisório, seja por inobservância aos elementos próprios exigidos para a lavratura do ato administrativo (competência, forma, finalidade, objeto e motivo), seja pela ausência dos requisitos exigidos para validade, como preceitua o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, ou, ainda, a preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59 do mesmo diploma, deve o vício ser reconhecido e declarada a invalidade do ato por intermédio da decisão competente, que deverá se limitar a tal matéria, abstendose de se manifestar sobre questões de ordem meritória. Com estas considerações, voto por dar provimento ao recurso de ofício aviado, com a conseqüente devolução do processo à DRJ competente para julgamento das demais questões postas no recurso voluntário, inclusive acerca da multa inicialmente afastada, nos termos do voto. Relator Robson José Bayerl Declaração de Voto Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Fenelon Moscoso de Almeida 2 Curso de Direito Processual Civil, Teoria geral do processo e processo de conhecimento, Volume II, 11ª edição. Editora JusPodivm, Salvador: 2009, fls. 535. 12 Fl. 416DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 10 Julgamos conveniente explicitar os motivos pelos quais acompanhamos o relator quanto ao provimento do recurso visto que não concordamos, na totalidade, com os seus argumentos. A divergência limitase a que, a nosso ver, não se trata de dois contribuintes, um dos quais contribuinte solidário. As pessoas jurídicas arroladas na autuação são, sim, sujeitos passivos da exação em virtude da solidariedade prevista na própria norma, mas uma delas na condição de contribuinte e o outro, na de responsável por solidariedade. É que o CTN claramente especifica: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Destarte, parecenos, não podem duas pessoas figurar simultaneamente, isto é, com relação aos mesmos fatos geradores, ambas na condição de contribuintes, assim como não pode a mesma pessoa ser ao mesmo tempo contribuinte e responsável. É claro que, normalmente, há mais de uma pessoa em relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, mas, dentre elas, elege o legislador a que vai figurar contribuinte. Qualquer outro que a lei chame à relação tributária o será na condição de responsável. Embora pareça de menor importância, o ponto tem implicação no reconhecimento de que houve mesmo uma imperfeição na identificação de quem é o contribuinte e quem é o responsável. É que, como se trata de imposto de importação, o contribuinte é aquele que promove o ingresso das mercadorias no território nacional, identificado pela inserção de seus dados nos documentos que instruem o despacho. No caso concreto, a empresa Cotia Trading, como bem apontado na decisão da DRJ. A inclusão da Darck no pólo passivo da autuação, assim, se dá em razão da norma legal que prevê a solidariedade na espécie; é ela, portanto, responsável. Isso implica reconhecer mesmo que a autuação não distingue corretamente quem seria o responsável, aliás, como bem notado pelo dr. Robson, sequer há essa expressão na capa do auto,que se refere a “contribuinte” e “contribuinte solidário”. Assim, não chega a ser precisa a afirmação da DRJ de que houve erro na identificação do sujeito passivo; o que pode ser dito é que eles não foram nomeados com precisão. 13 Fl. 417DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Nas situações clássicas de erro na sujeição passiva, que tipicamente têm como conseqüência a nulidade da autuação por vício material, indicase como sujeito passivo alguém que nem é contribuinte nem é responsável. Os casos mais comuns se dão quando há sucessão e autuase a sucedida, já não mais existente, em vez de imputarse a exação à sucessora. Enfrentamos também alguns casos envolvendo a figura da sujeição supletiva prevista para a CPMF com base no art. 128 do CTN. Mas aqui o que se tem é a menção correta às duas empresas que deveriam mesmo ser autuadas e, desde que se entenda que por “contribuinte solidário” estavase querendo dizer responsável por solidariedade, há uma inversão das empresas. Ora, a razão para a decretação da nulidade da autuação nos casos de verdadeiro erro na identificação do sujeito passivo é o flagrante cerceamento do direito de defesa, tanto do verdadeiro sujeito passivo, que não é chamado aos autos, quanto de quem nada tem a ver com a autuação e é nela incluído. É por isso que a natureza do instituto que leva à inclusão do segundo sujeito passivo faz toda a diferença. Com efeito, se ela se dá por subsidiariedade, não há dúvida que o cerceamento se mantém mesmo no simples caso de inversão de papéis, na medida em que há benefício de ordem, isso é, a lei especifica quem deve, primeiro, recolher o tributo, somente recaindo o ônus sobre o segundo em virtude do não pagamento integral por parte do outro. Tampouco é disso que se cuida no caso em discussão; tratase aqui de solidariedade. E, como sabido de todos, nesses casos não há benefício de ordem algum, podendo o sujeito Ativo exigir o tributo indistintamente de qualquer um dos envolvidos. Por esses motivos é que não vemos por que estender a drástica conclusão da nulidade da autuação à hipótese dos autos. Aqui, repitase, ambas as empresas autuadas são sim sujeitos passivos e de qualquer uma delas pode a União cobrar o débito, desde que, obviamente, se entenda ser ele de fato devido. Não há, nesses termos, cerceamento do direito de defesa de ninguém que justifique a declaração da nulidade do lançamento. Essas as considerações que nos levaram a acompanhar, apenas pelas conclusões, o voto do n. relator. Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Fenelon Moscoso de Almeida 14 Fl. 418DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
score : 1.0
Numero do processo: 11634.720699/2011-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE
Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade
INCONSTITUCIONALIDADES.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1ºCC nº 2).
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. EFEITOS A PARTIR DA IMPLANTAÇÃO EM 01/07/2007.
Confirmado o auferimento de receitas acima do limite estabelecido, pela legislação pertinente no ano calendário de 2006, sem que o contribuinte tenha logrado afastar tal impedimento no processo próprio, correta sua exclusão aos benefícios do Simples Nacional desde a implantação do regime.
EXCLUSÃO AO SIMPLES. CONSEQÜÊNCIAS.
A legislação da Simples prevê que ao ser excluída do benefício o sujeito passivo fica sujeito às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas
jurídicas.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA.
A Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento.
MULTA DE OFÍCIO DE 75%. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
O lançamento decorrente de procedimento fiscal implica a exigência de multa de ofício, cujo percentual é fixado em lei.
Numero da decisão: 1401-001.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM REJEITAR as preliminares e, no mérito, EM NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade INCONSTITUCIONALIDADES. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1ºCC nº 2). SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. EFEITOS A PARTIR DA IMPLANTAÇÃO EM 01/07/2007. Confirmado o auferimento de receitas acima do limite estabelecido, pela legislação pertinente no ano calendário de 2006, sem que o contribuinte tenha logrado afastar tal impedimento no processo próprio, correta sua exclusão aos benefícios do Simples Nacional desde a implantação do regime. EXCLUSÃO AO SIMPLES. CONSEQÜÊNCIAS. A legislação da Simples prevê que ao ser excluída do benefício o sujeito passivo fica sujeito às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. CARÁTER CONFISCATÓRIO. O lançamento decorrente de procedimento fiscal implica a exigência de multa de ofício, cujo percentual é fixado em lei.
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F. CLEMENTE & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007, 2008, 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade INCONSTITUCIONALIDADES. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1ºCC nº 2). SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. EFEITOS A PARTIR DA IMPLANTAÇÃO EM 01/07/2007. Confirmado o auferimento de receitas acima do limite estabelecido, pela legislação pertinente no ano calendário de 2006, sem que o contribuinte tenha logrado afastar tal impedimento no processo próprio, correta sua exclusão aos benefícios do Simples Nacional desde a implantação do regime. EXCLUSÃO AO SIMPLES. CONSEQÜÊNCIAS. A legislação da Simples prevê que ao ser excluída do benefício o sujeito passivo fica sujeito às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 06 99 /2 01 1- 59 Fl. 2987DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11634.720699/201159 Acórdão n.º 1401001.139 S1C4T1 Fl. 2.988 2 mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. CARÁTER CONFISCATÓRIO. O lançamento decorrente de procedimento fiscal implica a exigência de multa de ofício, cujo percentual é fixado em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM REJEITAR as preliminares e, no mérito, EM NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira Fl. 2988DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11634.720699/201159 Acórdão n.º 1401001.139 S1C4T1 Fl. 2.989 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de CuritibaPR. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: O presente processo trata dos seguintes atos a serem analisados: a) o Ato Declaratório Executivo n° 62 (fl.651), de 03/10/2011, que determinou a exclusão da contribuinte ao Simples Federal, desde 01/01/2007; b) manifestação de inconformidade contra o Ato Declaratório Executivo n° 61 (fl.650), de 03/10/2011, que determinou a exclusão do ora sujeito passivo ao Simples Nacional a partir de 01/07/2007; c) a impugnação aos autos de infração lavrados pela sistemática do Lucro Arbitrado e Presumido, relativos aos fatos geradores ocorridos nos anos calendário de 2007, 2008 e 2009. Do Ato Declaratório Executivo n° 62, de 03/10/2011 Do Ato Declaratório Executivo n° 61, de 03/10/2011 2. O ADE n° 62, de 03/10/2011 foi expedido em face da Representação Fiscal de fls. 634644, onde restou comprovado que a contribuinte em análise, auferiu no ano calendário de 2006 movimentação bancária de R$8.333.301,76, sendo que deste montante, ofereceu à tributação apenas R$ 400.502,29. Após a análise das justificativas do contribuinte, foi considerado como receita omitida o importe de R$ 5.534.122,26, conforme detalhado na representação. A fundamentação para a emissão do ato foi afronta ao disposto no artigo 2°, inciso II e artigo 9°, inciso II, da Lei n° 9.317, de 1996, com efeitos a partir de 01/01/2007.Para este ADE não foi apresentada manifestação de inconformidade específica. 3. Já o ADE n° 61, de 03/10/2011, foi emitido em face da Representação Fiscal de fls 622633, sob o mesmo argumento que o ato anteriormente mencionado, com efeitos a partir de 01/07/2007, tendo como fundamento legal infração ao artigo 3° e 16, da Lei Complementar n° 123, de 2006, combinado com o artigo 12, inciso II da Resolução CGSN n° 4, de 30/05/2007 e artigo 5°, inciso IX e 6°, inciso VII, ambos da Resolução n° 15, de 23/07/2007. 4. Apresentou manifestação de inconformidade em 03/11/2011, fls. 2401 2412, contra o ADE n° 61 que excluiu a empresa do Simples Nacional, com base no disposto no inciso I do artigo 12 da Resolução CGSN n° 04, de 30/05/2007 e inciso XI do artigo 5° da Resolução do CGSN n° 15 de 23 de julho de 2007, qual seja, ter extrapolado, no ano calendário de 2006 o limite de receitas estabelecido para a sistemática. Sustenta que a decisão do fisco foi equivocada uma vez que a ação fiscal visava verificar a regularidade das obrigações pertinentes ao Simples e, na seqüência, lhe foram solicitados livros e documentos, sendo que vários deles não obrigatórios à consecução dos trabalhos de fiscalização. Com base na documentação apresentada foi elaborado um demonstrativo dos depósitos/créditos havidos no ano calendário de 2006 tendo sido intimada a comprovar a origem daqueles recursos, no prazo de cinco dias. Afirma ter solicitado prorrogação de prazo para o atendimento da intimação ao que a autoridade fiscal deferiu apenas mais cinco dias, que foi Fl. 2989DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11634.720699/201159 Acórdão n.º 1401001.139 S1C4T1 Fl. 2.990 4 insuficiente para o cumprimento, razão pela qual a autoridade inferiu ter havido omissão de receitas e efetuou o lançamento. 5. Após traçar este histórico afirma ter oferecido impugnação ao lançamento, que se encontra pendente de julgamento. Entretanto, apesar disso, foi emitido o ato de exclusão sem qualquer razão uma vez que aquele procedimento ainda não está findo e, todos os desdobramentos de ações fiscalizadoras estatais, somente passam a ter a exigibilidade líquida e certa, após o completo encerramento do procedimento administrativo que visa constituir a obrigação. 6. Afirma que a exigibilidade que se tenta emprestar ao processo n° 11634.720160/201108, por meio do ADE ora impugnado, é ilegal, uma vez que os autos de infração foram impugnados e não há nenhuma decisão há respeito. Traz como amparo legal o previsto no inciso III do artigo 151 do CTN e transcreve julgados para concluir que não poderia ser expedido o ADE enquanto não definitivamente julgado o processo de constituição do crédito tributário já mencionado. 7. Ao final, solicita que seja declarada a nulidade do ADE, por afronta ao disposto no artigo 151 do CTN. Dos autos de infração pelo Lucro Arbitrado fatos geradores ocorridos entre 01/2007 e 06/2007 IRPJ e CSLL Dos autos de infração pelo Lucro Presumido fatos geradores ocorridos entre 07/2007 e 12/2009 IRPJ e CSLL 8. Em face da exclusão da contribuinte ao Simples, na seqüência foram lavrados os autos de infração relativos aos fatos geradores ocorridos nos anos calendário de 2007, 2008 e 2009, fls.810849, onde se exige o crédito tributário de R$167.484,50 de IRPJ (fl.821) e, R$120.940,93 de CSLL (fl.838). 9. O lançamento em relação aos fatos ocorridos entre janeiro e junho de 2007 foi realizado por arbitramento e os demais períodos foram lançados pelo Lucro Presumido. 10. O suporte legal para a exigência dos tributos obedece ao seguinte: a) IRPJ artigos 25, 27, inciso I, e 42 da Lei n° 9.430, de 1996 e artigos 224, 518, 528, 530. II, 532 e 537 do RIR/99; b) CSLL artigo 2° e §§ da Lei n° 7.689, de 1988, art. 24 da Lei n° 9.249, de 1995, art. 29 da Lei n° 9.430 de 1996 e artigo 37 da Lei n° 10.637, de 30/12/2002, art. 3° da Lei n° 7.689, de 1988, com as alterações introduzidas pelo art. 17 da Lei n° 11.727, de 2008. 11. Aqui, estão sendo imputadas as seguintes infrações: depósitos bancários de origem não comprovada e, receita escriturada e não declarada. Do auto de infração para a exigência da Cofins e do PIS – fatos geradores 01/2007 a 12/2009 12. O auto de infração de fls.850866, que exige , relativamente aos anos calendário de 2007, 2008 e 2009, R$70.342,15 de PIS (fl.860), ao amparo do disposto nos artigos 1° e 3° da Lei Complementar n° 7 de 07/09/1970 e, artigos 2°, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3°, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524, de 17/12/2002. Fl. 2990DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11634.720699/201159 Acórdão n.º 1401001.139 S1C4T1 Fl. 2.991 5 13. Por fim, o auto de infração de fls.867883, que exige para os mesmos anos calendário a importância de R$316.609,44 de COFINS (fl.877) tendo como base legal os artigos 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e, 51 do Decreto n° 4.524, de 17/12/2002. Nos dois casos a infração apontada é a falta ou insuficiência de recolhimento das contribuições. Da impugnação 14. Cientificada em 10/01/2012, apresentou em 09/02/2012, impugnação ao feito (fls. 28532882), onde sustenta que a ação fiscal visava verificar a regularidade das obrigações pertinentes ao Simples e, posteriormente lhe foram solicitados diversos documentos, sendo que vários deles não obrigatórios à consecução dos trabalhos de fiscalização. Com base na documentação apresentada foi elaborado um demonstrativo dos depósitos/créditos havidos no ano calendário de 2006 tendo sido intimada a comprovar a origem daqueles recursos, no prazo de cinco dias. Afirma ter solicitado prorrogação de prazo para o atendimento da intimação ao que a autoridade fiscal deferiu apenas mais cinco dias, que foi insuficiente para o cumprimento, razão pela qual a autoridade inferiu ter havido omissão de receitas e efetuou o lançamento. 15. Após traçar o histórico argúi em preliminar ter havido cerceamento ao direito de defesa posto não lhe ter sido concedido os trinta dias pleiteados para o cumprimento à intimação; que as infrações apontadas nos autos de infração foram imputadas por mera inferência; fala em afronta aos princípios constitucionais da legalidade, finalidade, contraditório, ampla defesa, razoabilidade e proporcionalidade e; que não consta do auto de infração o prazo máximo estimado para a conclusão das diligências (art. 196 do CTN) devendo ser declarado nulo o procedimento pois nem mesmo o termo de início do procedimento fiscal cumpriu as determinações legais. 16. Adentrando ao mérito, aventa que a exigência está pautada em meras suposições, isto porque limitouse a afirmar que a ora impugnante não apresentou documentos hábeis e idôneos à comprovar a real situação de sua movimentação bancária; que causa espanto a falta de diligência da autoridade fiscal no sentido de verificar a origem das diferenças, as quais poderiam advir de simples equívocos relativos a obrigações acessórias ou, serem derivadas de desencontro de informações do setor contábil da empresa; que para o saneamento das dúvidas, bastava autorizar o prazo pleiteado para a juntada dos documentos; que nem mesmo a autoridade fiscal parece estar convencida dos fatos efetivamente ocorridos e que se não há certeza, a dúvida deve ser resolvida com a aplicação do disposto no artigo 112 do CTN; que tal norma é direito subjetivo da reclamante, não estando sob a égide da discricionariedade do Agente Público e que o auto de infração, se devido fosse, jamais poderia ter sido lavrado nos termos como foi, glosandose créditos e aplicandose multa abusiva sem ao menos restar comprovado o dolo nas supostas infrações. 17. Alega também que foram considerados créditos valores debitados por instituições financeiras decorrentes de duplicatas não honradas em seus vencimentos, que foram descontadas em operações ordinárias decorrentes de sua mercancia, bem como contrapartidas contábeis relativas a diversos sinistros havidos na ocasião dos transportes, além de devolução de mercadorias, fatos corriqueiros no setor de transportes. Isso sem contar os fatos que fazem parte do dia a dia de qualquer empresa como devolução de cheques, estornos de lançamentos indevidos, créditos de mesma titularidade, estorno de DOC's, estorno de tarifas, estorno de ordens de pagamentos e outros. Montou planilha relativa à conta corrente n° Fl. 2991DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11634.720699/201159 Acórdão n.º 1401001.139 S1C4T1 Fl. 2.992 6 096.08614.08, do Banco HSBC Brasil S.A.,enumerando supostos equívocos e alegando que a mesma situação teria ocorrido com as outras instituições financeiras. DATA HISTÓRICO HISTÓRICO VALOR EQUÍVOCO 29/01/2009 Ted mesma titularidade Sistema TIF 30.000,00 Mesma titularidade 12/02/2009 Líber. Oper. Crédito 70.000,00 Empréstimo bancário 19/02/2009 Ted mesma titularidade Sistema TIF 50.000,00 Mesma titularidade 13/03/2009 Ted mesma titularidade Sistema TIF 50.000,00 Mesma titularidade 13/03/2009 Ted mesma titularidade Sistema TIF 25.000,00 Mesma titularidade 17/03/2009 Ted mesma titularidade Sistema TIF 70.000,00 Mesma titularidade 18/03/2009 Cheque devolvidos/0009245/960111 SBC/0009245/0000 700,00 Dev. cheque 18/03/2009 Lib. Desc. Cheques Rds/descont. 50.930,30 Desconto caucionado 18. Na mesma esteira, sugere que o auditor sequer analisou os lançamentos relacionados no demonstrativos, lançando como receita todos os valores constantes dos extratos bancários. Transcreve jurisprudência administrativa 19. Relativamente à exigência da CSL e do PIS, afirma que enquanto a própria administração não julgar as impugnações ofertadas, não é lícito exigir os créditos tributários apontados, devendo ser declarados nulas as autuações, até que definitivamente decidida a legalidade do procedimento fiscal bem como do ato declaratório. Instrui suas razões com farta jurisprudência. 20. Ataca a representação fiscal para fins penais taxandoa de abusiva, ilegal e inconstitucional, solicitando que a mesma não seja encaminhada ao Ministério Público Estadual. 21. Combate a multa de ofício à razão de 75% dizendo que ela possui efeito de confisco e pede a redução do seu valor. 22. Ao final requer: a) a nulidade da ação fiscal por afronta ao disposto no artigo 196 do CTN, que acarretou cerceamento ao direito de defesa e afronta a princípios constitucionais, possibilitando a produção das provas antes requeridas, por imprescindíveis à legalidade da fiscalização; b) a invalidade do auto de infração, expurgandose o tributo cobrado, em virtude do caráter presuntivo do auto de infração, uma vez que o auditor lançou como receita todos os valores constantes do extratos bancários; Fl. 2992DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11634.720699/201159 Acórdão n.º 1401001.139 S1C4T1 Fl. 2.993 7 c) que sejam afastadas a multa agravada e a representação ao MP, por ausência de dolo e; d) a produção de todos os meios de prova admitidos em direito, em especial pela juntada de novos documentos, depoimento pessoal do impugnante, oitiva de testemunhas, perícias e sustentações orais. A DRJ Manteve os lançamentos, nos seguintes termos: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2007 Ementa: SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO PARA O 1° SEMESTRE DE 2007. Mantémse a exclusão do sujeito passivo ao Simples Federal quando este não obtém êxito em afastar a hipótese impeditiva que lhe foi imputada de ter auferido excesso de receitas no ano calendário de 2006, conforme processo administrativo já julgado por essa DRJ. Assunto: Simples Nacional Anocalendário: 2007 Ementa: SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. EFEITOS A PARTIR DA IMPLANTAÇÃO EM 01/07/2007. Confirmado o auferimento de receitas acima do limite estabelecido, pela legislação pertinente no ano calendário de 2006, sem que o contribuinte tenha logrado afastar tal impedimento no processo próprio, correta sua exclusão aos benefícios do Simples Nacional desde a implantação do regime. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 Ementa: EXCLUSÃO AO SIMPLES. CONSEQÜÊNCIAS. A legislação da Simples prevê que ao ser excluída do benefício o sujeito passivo fica sujeito às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS. OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL Configuram omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito do sujeito passivo mantida em instituição financeira, quando, regularmente intimado, deixa de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados. A presunção legal de omissão de receita tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o sujeito passivo, que, por sua vez, pode afastála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. DECORRÊNCIAS. CSLL PIS COFINS. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2007, 2008, 2009 Fl. 2993DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11634.720699/201159 Acórdão n.º 1401001.139 S1C4T1 Fl. 2.994 8 Ementa: NULIDADE. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE, AGRESSÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. São passíveis de anulação pela administração os atos próprios que estejam comprovadamente eivados de vício de legalidade. A nulidade dos autos de infração depende da ocorrência de uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto 70.235/72. DOS ARGUMENTOS DE VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe ao órgão administrativo apreciar arguição de legalidade ou constitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. JURISPRUDÊNCIA. As decisões administrativas ou judiciais, mesmo quando proferidas por órgãos colegiados, ausente lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares da legislação tributária, não podendo ser estendidas genericamente a outros casos que não aquele objeto de sua apreciação, vinculando, dessa forma, apenas as partes envolvidas no respectivo litígio. APLICAÇÃO DO ART. 112 DO CTN. IN DÚBIO PRÓ RÉU. Os benefícios do "in dúbio pró réu" determinados no artigo 112 do CTN, só se aplicam no caso de dúvidas quanto à capitulação legal do fato, à natureza ou às circunstâncias material do fato, ou à natureza dos seus efeitos, à autoria, imputabilidade ou punibilidade, ou à natureza da penalidade aplicável ou à sua graduação. MULTA DE OFÍCIO. ARGUIÇÃO DE CONFISCO. O lançamento deve observar, obrigatoriamente, a lei aplicável, que goza de presunção de constitucionalidade. É defeso ao agente público imiscuirse no exame de aspectos constitucionais, cuja competência de apreciação é reservada ao Poder Judiciário. Cabível, portanto, a aplicação da multa de 75% prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996, devendo ser rejeitada a arguição de confisco. DESFECHO GENÉRICO POR PRODUÇÃO DE PROVAS. Não deve ser acolhido o protesto genérico, no desfecho da impugnação, pela produção de todos os meios de prova em direito admitidas, nos termos dos arts. 15 e 16, III e § 4°, do Decreto n° 70.235/1972, que prescreve a preclusão consumativa para apresentação de provas com a interposição da petição contestatória. PEDIDO DE PERÍCIA. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia, quando forem prescindíveis ao deslinde da questão a ser apreciada, não sendo o caso de solicitação de realização de perícia para produzir provas que caberia ao autuado apresentar, ainda mais quando se trata de presunção legal. OITIVA DE TESTEMUNHAS. SUSTENTAÇÃO ORAL Indeferese o pedido para oitiva de testemunhas e de sustentação oral do representante da empresa, bem como de testemunhas, no âmbito da primeira instância do contencioso administrativo fiscal, por falta de previsão legal. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Não é de competência das Delegacias da Receita Federal de Julgamento (DRJ) se manifestar sobre processo de formalização de representação fiscal para fins penais, já que nele não há interesse tributário envolvido. Fl. 2994DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11634.720699/201159 Acórdão n.º 1401001.139 S1C4T1 Fl. 2.995 9 Irresignada com a decisão de primeira instância, as interessadas interpuseram recursos voluntários a este CARF. Recurso Voluntário encaminhado pela empresa NOVAPELLI INDÚSTRIA, COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, às fls. 1.401 a 1.434; Recurso Voluntário encaminhado pela responsável solidário GUIFASA S/A — INDÚSTRIA E COMÉRCIO, as fls. 1.435 a 1.452; E Recurso Voluutário encaminhado pela empresa FASOLO ARTEFATOS DE COURO LTDA, CNN n° 68.826,007/000109, as fls. 1.453 a 1.470. O processo foi sobrestado, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discutia questão idêntica àquela que está sendo apreciada pelo STF no RE 601.314RG/SP (sob a sistemática do art. 543B do CPC) e RE 410.054 – AgR/MG). O processo retornou foi redistribuído à minha relatoria novamente, pois a Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, revogou os §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Tendo em vista a edição desse ato normativo tornouse obrigatória a inclusão em pauta para julgamento os processos referentes às matérias que estão em repercussão geral no Supremo, em conformidade com as normas do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. É o Relatório Fl. 2995DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11634.720699/201159 Acórdão n.º 1401001.139 S1C4T1 Fl. 2.996 10 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Preliminares de nulidade A Recorrente alega cerceamento do direito de defesa, mas como se verá, na essência a sua insurgência é contra o mérito. A teor do art. 59 do Decreto 70235/72, considerase nulo o ato, se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, não tendo se caracterizado quaisquer das situações, pois não se põe em dúvida a competência do autor, auditor fiscal, bastando para tanto a assinatura do mesmo, nem há que se falar em preterição do direito de defesa, vez que os fatos apurados foram descritos com o respectivo enquadramento legal, e levados ao conhecimento, da autuada, levando a mesma a defenderse plenamente através da peça impugnatória e recurso acostados aos autos, como efetivamente o fez. Outrossim, foram observados dois requisitos fundamentais à validade do ato administrativo. Os requisitos apontados estão previstos em lei, são os incisos III e IV do art. 10 do Decreto 70.235/72 e têm a seguinte redação: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (...) III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; (....) Outrossim, é claro que a recorrente nunca teve seu direito de defesa preterido, na medida em que foi intimada de todos os atos praticados pela fiscalização, de modo que teve conhecimento de todas as provas juntadas ao processo, dos argumentos invocados pela autoridade fiscal, das medidas adotas pela fiscalização. Ainda em relação a esse mesmo item, assiste razão ao julgador a quo em destacar a distinção entre a fase inquisitória e a fase processual inaugurada com a apresentação da impugnação. São diferenciados os princípios constitucionais e legais aplicáveis em cada uma delas. É na fase processual que se há de assegurar o direito ao contraditório e à ampla defesa. Em relação à alegação de falta de prazo para contestação das infrações, também não procede. O Fiscal ofertou um prazo de cinco dias e foi prorrogado por mais cinco dias, não infringindo assim nenhuma Lei. O Fiscal no caso estava dentro do seu poder Fl. 2996DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11634.720699/201159 Acórdão n.º 1401001.139 S1C4T1 Fl. 2.997 11 discricionário de ofertar mais prazo ou não. Ademais, terminando a fase inquisitorial já explicada, dentro da Lide se oferece naturalmente mais prazo para a Recorrente oferecer as provas ainda de que dispunha para se contrapor à autuação. A Recorrente tomou ciência do lançamento quanto foi intimado a recolher ou impugnar, no prazo de 30 (trinta) dias, o débito constituído para com Fazenda Nacional. Porém, não se desincumbiu a contento nem nessa fase nem em sede de recurso voluntário, caindo por terra ainda mais a sua insurgência contra a suposta falta de prazo para completar sua defesa. Em relação às demais alegações, na verdade tratase de insurgência contra o mérito propriamente da autuação que serão deslindadas ao longo do voto. Por todo o exposto, rejeito a preliminar de nulidade. Perícia/Diligência A contribuinte requer a realização de perícia bem assim se insurge contra a decisão de primeira instância que a considerou prescindível. Porém, conforme se verificará na exposição mais adiante do mérito, assim como também ficou bastante claro em todo o contexto da decisão de primeira instância, os elementos indispensáveis à solução do litígio encontrase nos autos, motivo pelo qual o pedido de perícia dever ser indeferido nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, o deferimento de diligência e perícia é uma decisão do âmbito de discricionariedade do julgador, cabendo a ele fazêla ou não a depender da formação de sua convicção (diligência) ou mesmo que se lhe exigirá conhecimentos técnicos específicos que somente um perito especializado poderia ter (perícia), o que não é o caso dos autos em que se requer apenas análise de meros dados contábeis, fiscais e legais., perfeitamente dentro da alçada de competência do Auditor Fiscal. No caso concreto, tratandose de comprovar a origem dos depósitos bancários ocorridos nos períodos fiscalizados, os elementos probatórios, como já se verá mais adiante, deviam ter sido produzidos pela parte Portanto, indefiro o pedido de perícia e diligência. Da Exclusão do SIMPLES ARBITRAMENTO E TRIBUTAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES Delimitação da Lide A recorrente foi excluída do SIMPLES em 2006, com efeitos a partir de 2007. Portanto, ex vi art. 16 da Lei nº 9.317, de 1996, para os anos subseqüentes a exclusão (2o semestre de 2007, 2008, 2009) passa a sujeitarse às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Para tanto, foi emitido o Ato Declaratório Executivo n° 61 que determinou a exclusão do contribuinte ao Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/07/2007 e o Ato Declaratório Executivo n° 62, que determinou a exclusão do contribuinte ao Simples Federal, a partir de 01/01/2007. O Contribuinte defendese apenas do Ato Declaratório Executivo n° 61 e , portanto, fora da lide está o litígio contra o Ato Declaratório nº 62. Como foi constatada omissão de receita por falta de comprovação da origem dos depósitos bancários, a autoridade corretamente determinou que o IRPJ/CSLL fossem calculados por arbitramento, uma vez que a contribuinte não mantém escrituração regular com observâncias das leis comerciais e fiscais, para que fossem apurados os tributos devidos nos Fl. 2997DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11634.720699/201159 Acórdão n.º 1401001.139 S1C4T1 Fl. 2.998 12 regimes do lucro real ou presumida. É que sua movimentação financeira praticamente estava à margem da contabilidade, não possuindo o Livro caixa contendo a mesma. E como se sabe aquelas pessoas jurídicas, apesar de desobrigadas de escrituração comercial, estão obrigadas a manter em boa ordem e guarda Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, e todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração, o que não foi o caso. É que o tratamento jurídico diferenciado dispensado às microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP) optantes do Simples não exime esses empresários de cumprirem obrigações acessórias mínimas ou simplificadas, como a de manter escrituração contábil ou de escriturar o livro caixa, o que é determinado pelos arts. 258, 259 ou 527 do RIR/99. Em segundo lugar, se a ME ou a EPP não reunir condições para estar no Simples, deverá se submeter à sistemática de apuração dos tributos aplicável às demais pessoas jurídicas (lucro real, presumido ou arbitrado), ex vi do art. 16 da Lei n° 9.317, de 1996. E por consequência, excluída, então, do SIMPLES, e não tendo apresentado escrituração contábil para fins de determinação do Lucro Real, alternativa não restou que não fosse o arbitramento de lucro para os anoscalendários posteriores à sua exclusão do SIMPLES (2007,2008 e 2009).. Outrossim, de acordo com o art. 224 e parágrafo único do RIR/1999, a receita bruta das vendas ou serviços compreende o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos condicionais concedidos.Portanto, tanto a receita bruta declarada pela contribuinte quanto à receita omitida apurada pela fiscalização com base nos depósitos bancários, compõe as bases de cálculo do arbitramento do lucro para fins de aplicação dos percentuais na apuração do IRPJ e CSLL, bem como são bases de cálculo para aplicação das alíquotas e determinação dos valores devidos mensalmente de PIS/COFINS. O contribuinte ainda contra a exclusão do Simples Nacional alega que não se poderia ter lançado os autos de infração em questão enquanto não se processarem os efeitos da manifestação de inconformidade à exclusão do simples que suspenderia o processo. Ora, o que se suspende é a exigibilidade do crédito tributário enquanto litígio houver. No caso, o lançamento não é impedido enquanto ainda não julgada exclusão do Simples. Caso ocorra, a reversão dessa exclusão no curso do procedimento administrativo fiscal, daí então o seu efeito será de fulminar o auto de infração que veio por conseqüência. Somente isso. Por todo o exposto, mantenho a exclusão do SIMPLES NACIONAL nos moldes do Ato Declaratório n. 61. PRESUNÇÃO LEGAL Depósitos bancáris sem comprovação da origem dos recursos O art. 42, da Lei nº 9.430/1996 é cristalino ao determinar que a omissão de receitas pode ser caracterizada por meio de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ora, como se vê da descrição dos fatos, a empresa não apresentou documentação alguma que comprovasse a origem dos recursos daqueles diversos depósitos. A Fl. 2998DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11634.720699/201159 Acórdão n.º 1401001.139 S1C4T1 Fl. 2.999 13 recorrente não logrou comprovar, através de documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a origem dos recursos recebidos em conta bancária. Em sede impugnatória e recursal, a interessada ao invés de tentar provar os fatos alegados, quedouse inerte, centrando sua defesa toda na questão da ilegalidade do aspecto presuntivo da apuração da base de cálculo. Como já se disse o mandamento da Lei é bem claro em estabelecer uma presunção legal: LEI n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 DOU de 30.12.96 “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, o ônus da prova fica invertido, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova à contribuinte. O contribuinte, por sua vez, não logrando êxito nessa tarefa que se lhe impunha, como ocorre no caso presente, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, por presunção legal se toma como verdadeiro que os recursos depositados representam rendimentos do contribuinte. Por se tratar de uma presunção relativa juris tantum, somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Como se vê, o simples fato da existência de depósitos bancários com origem não comprovada é, por si só, hipótese presuntiva de omissão de receitas, cabendo ao sujeito passivo a prova em contrário que, conforme dito, não as apresentou. Ao fisco cabe provar o fato constitutivo do seu direito, no caso em questão, a existência de depósito bancário sem origem comprovada. À recorrente, comprovar a origem desses depósitos. Também não procede as justificativas da Recorrente no sentido de afirmar que a origem das diferenças, as quais poderiam advir de simples equívocos relativos a obrigações acessórias ou, serem derivadas de “desencontro de informações do setor contábil da empresa”. Basta comparar o volume de receitas consideradas omitidas com o montante informado à Receita Federal para perceber que o ilícito verdadeiramente ocorreu e não foi fruto de mero erro ou desencontro de informações. A esse respeito vejase o TVF: (...) No anocalendário de 2006, apresentou Declaração Anual Simplificada (PJSI 2007 SIMPLES) reconhecendo receita bruta no montante de apenas R$ 625.936,44, tendo todavia apresentada movimentação, financeira de R$ 8.333.301,76, no período de abril a dezembro de 2006, sendo que a receita bruta declarada no período de abril a dezembro de 2006 perfaz o montante de R$ 400.502,29; ou seja, totalmente incompatível com a receita bruta declarada naquele anocalendário;(...) Outro ponto a ser esclarecido referese às suas alegações de que o auditor não teria agido com o necessário zelo na apuração dos fatos. Ora, a DRJ a esse respeito ilustrou muito bem como foi bem pontuada toda a fiscalização, onde inclusive toda a movimentação Fl. 2999DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11634.720699/201159 Acórdão n.º 1401001.139 S1C4T1 Fl. 3.000 14 bancária encontrada de cada um dos anos calendário auditados foram excluídos os valores que comprovadamente não constituem receita da pessoa jurídica. De outra banda não consegue provar sua alegação genérica “de que teriam sido considerados créditos valores debitados por instituições financeiras decorrentes de duplicatas não honradas em seus vencimentos, que foram descontadas em operações ordinárias decorrentes de sua mercancia, bem como contrapartidas contábeis relativas a diversos sinistros havidos na ocasião dos transportes, além de devolução de mercadorias, fatos corriqueiros no setor de transportes.” Alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Por fim, também não socorre a Recorrente na tentativa vã de maculara a atuação apontando supostos equívocos na análise da conta corrente n° 096.08614.08, do Banco HSBC Brasil S.A.,enumerando desses aspectos e alegando que a mesma situação teria ocorrido com as outras instituições financeiras. Ora, essa mesma alegação já havia sido feita de uma forma um pouco mais genérica ainda na impugnação. A DRJ infirmou com dados concretos e não foi refutada. A Recorrente limitase a apontada as mesmas falhas e acrescenta alguns outros fatos relacionadas, mas esquecese de refutar aquilo que a DRJ muito bem sublinhou: 91. Mais uma vez a argumentação não o socorre uma vez que nenhum dos valores que ele questiona compõem a base de cálculo dos tributos, conforme se pode comprovar da relação de exclusões de créditos/depósitos bancários que instrui o processo de representação fiscal para fins penais, n° 10930.724244/201103, apensado ao presente procedimento e cujo conteúdo se encontra disponibilizado para consulta do interessado. Ora, bem se vê que tais alegações são meramente protelatórias e apelativas, tentando descaracterizar a atuação com situações inexistentes. Por todo o exposto, mantenho a presunção legal levantada pelo auditor fiscal. Multa confiscatória Sobre a argüição de ser confiscatória a multa aplicada, cumpre gizar que ao julgador administrativo, que se encontra totalmente vinculado aos ditames legais, mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN), não é dado apreciar questões – como a de que a multa fiscal seria confiscatória – que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal válido e vigente. Tal prática encontra óbice, inclusive na Súmulas nº 2 deste CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010). INCONSTITUCIONALIDADE Quanto às alegações de ofensa a princípios constitucionais, cabe esclarecer que a a autoridade administrativa é vinculada a lei válida e vigente, não cabendo a este órgão do Poder Executivo deixar de aplicálas, encontrando óbice, inclusive na Súmula nº 2 deste Conselho (atual Primeira Sessão do CARF): Fl. 3000DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11634.720699/201159 Acórdão n.º 1401001.139 S1C4T1 Fl. 3.001 15 Súmula 1ºCC nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010). DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS A Recorrente, alegou que a Representação Fiscal para Fins Penais é de flagrante ilegalidade, posto que arbitrária e deve ser afastada. A DRJ a respeito desse aspecto soube precisar bem a questão, sem ter sido infirmado pela Recorrente: 98. O processo administrativo tributário tem como escopo decidir, na órbita administrativa, se houve ou não a ocorrência de fato gerador do imposto e, caso esse tenha ocorrido, verificar se o lançamento está de acordo com a legislação aplicável. Logo, em relação à Representação Fiscal para fins penais, portanto, não é de competência das DRJ se manifestar sobre sua formalização, por meio de outro processo, já que nele não há interesse tributário envolvido. Portanto, não cabe a esta autoridade administrativa julgar a procedência ou improcedência da formalização da representação fiscal para fins penais pela autoridade lançadora, a qual deve formalizála, sempre que no curso de ação fiscal identificarem situações que, em tese, configurem crime definido no Art. 1° ou 2° da Lei n° 8.137, de 1990. Lançamentos Reflexos Por estarem sustentados na mesma matéria fática, os mesmos fundamentos devem nortear a manutenção das exigências lançadas por via reflexa, Por todo o exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, NEGO provimento ao recurso . (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 3001DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 15374.002181/2001-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1997
DEDUTIBILIDADE. DESPESAS FINANCEIRAS. NECESSÁRIA À ATIVIDADE EMPRESARIAL.
Despesas financeiras, que são necessárias à atividade empresarial, a título de exemplo, taxas bancárias, taxas de administração, comissão bancária, juros de mora por atraso de pagamento de fornecedores e tributos, são despesas dedutíveis para apuração do IRPJ.
Numero da decisão: 1302-001.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Declarou-se impedido o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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DESPESAS FINANCEIRAS. NECESSÁRIA À ATIVIDADE EMPRESARIAL. Despesas financeiras, que são necessárias à atividade empresarial, a título de exemplo, taxas bancárias, taxas de administração, comissão bancária, juros de mora por atraso de pagamento de fornecedores e tributos, são despesas dedutíveis para apuração do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Declarou se impedido o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 21 81 /2 00 1- 27 Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário. Na origem foi lavrado auto de infração de IRPJ (R$ 48.640,60) (fls. 271/274) e de IRRF (R$ 1.487.166,73) (fls. 275/280). Em resumo, o AFRFB convenceuse pelas seguintes infrações: IRPJ: “001 – CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS NÃO NECESSÁRIOS” – Art. 195, inciso I, 197 e parágrafo único, 242 e 243, do RIR/94. IRRF: “001 – (...) FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE SOBRE RENDIMENTOS DE RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR” – Art. 743 do RIR/94, art. 78 da Lei nº 8.981/95, art. 18 e 28, da Lei nº 9.249/95. Conforme exposto pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, a fundamentação dos autos de infração encontrase descrita no próprio corpo dos autos de infração, nas folhas 247 e 251 – IRPJ e IRRF, respectivamente (fls. 452/453): 3.1 – em relação à infração do IRPJ a autoridade fiscal glosou todas as despesas financeiras, no valor de R$ 133.335,00, constantes da declaração de rendimentos do contribuinte, haja vista este ter emprestado graciosamente a quantia de R$ 5.444.461,03 à Viking Participações S/A, cujos sócios são os mesmos da empresa autuada; 3.2 – quanto à infração relativa ao IRRF, o autuante entendeu que a interessada, por ser representante da Companhia de Navegação da República Islâmica do Irã, conforme contrato anexado aos autos, é responsável pela falta de retenção e recolhimento dos valores correspondente ao IRRF sobre receitas de fretes recebidas por esta última, ou seja, atribuídas a residentes ou domiciliados no exterior; (...). Encerrada a fiscalização, a recorrente teve ciência dos autos de infração em 08/06/2001 (fls. 271 e 275). Na sequência, apresentou impugnação em 06/07/2001 (fls. 288/303), a qual foi julgada totalmente improcedente em relação ao IRPJ e parcialmente procedente em relação ao IRRF, nos termos da ementa do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamentos (DRJ) que adiante segue transcrita (fls. 449/472): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 Nulidade. Enquadramento Legal. Não ocorre nulidade do auto de infração por deficiência de enquadramento legal, quando descritos com precisão os fatos referentes ao lançamento, não havendo prejuízo à defesa, uma vez que a interessada deve se defender dos fatos que lhe foram imputados. Tal falha pode ser saneada, até pela autoridade julgadora, não constituindo agravamento ou aperfeiçoamento do lançamento. Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15374.002181/200127 Acórdão n.º 1302001.344 S1C3T2 Fl. 1.385 3 Jurisprudência Administrativa. Consoante o art. 100, II, do Código Tributário Nacional, as decisões dos órgãos colegiados de jurisdição administrativa não constituem normas complementares da legislação tributária, tampouco vinculam a administração, haja vista não existir lei que lhes confira a efetividade de caráter normativo. Provas. Apresentação Prazo. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997 Decadência. IRRF. Inocorrência. O fato gerador do imposto incidente sobre o pagamento a domiciliados no exterior é simples e de realização instantânea. Em princípio, é exigência submetida ao chamado lançamento por homologação, que tem como lustro decadencial o prazo de 5 anos contado a partir do fato gerador. Constituído o crédito tributário, mediante lançamento de oficio, em prazo inferior, a decadência não se opera. Prescrição Intercorrente. Instituto Inexistente na Esfera Administrativa Fiscal. Não se aplica a prescrição intercorrente na esfera do processo administrativo fiscal. Súmulas do 1° e 2° Conselho de Contribuintes. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 Despesas Financeiras Desnecessárias. Dedutibilidade. Aquele que suporta encargos financeiros, em face da contratação de mútuo, não pode considerar como despesa necessária e dedutível do imposto de renda, os dispêndios, a título de despesas financeiras, relativa à parcela cedida graciosamente a pessoas ligadas, a título de empréstimo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRPJ Anocalendário: 1997 Afretamento. Responsabilidade Tributária. Fonte Pagadora. Remessa. Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 É responsável tributário pela retenção do imposto de renda na fonte aquele que, estando no País, credita, entrega, emprega ou remete, divisas à pessoa jurídica residente no exterior. Os fatos geradores em que as provas carreadas ao processo não identificam quem fez a remessa de numerário para pagamento do frete, devem ser cancelados. Afretamento. Incidência. Alíquota. Aplicável. Como rega geral, estão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, os rendimentos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos por pessoa jurídica domiciliada no Brasil às companhias de navegação aérea domiciliadas no exterior à título de afretamento, observado o tratamento dispensado, na legislação interna ou em acordos internacionais, aos rendimentos auferidos por companhias de navegação, aérea brasileiras que exercem o mesmo tipo de atividade. Ocorrendo afretamento para transporte das mercadorias, com ausência de informação sobre a aprovação das autoridades competentes, descartase a hipótese de aplicação da norma redutora de alíquota prevista no art. 1º, I, da Lei n° 9.481/97. Lançamento Procedente em Parte Intimada da decisão supracitada em 11/05/2009 (fl. 481), a recorrente apresentou, então, recurso voluntário em 22/05/2009 (fls. 489/501), no qual ventila as seguintes razões, em resumo: (i) Que, no tocante ao IRRF, o lançamento fiscal é nulo, uma vez que a autoridade fiscal não comprovou as datas em que teriam ocorrido os fatos geradores ou a composição da base de cálculo, e o saneamento, em sede de diligência da qual a recorrente foi intimada somente em 2008, não é capaz de sanar o referido lançamento, tendo ocorrido a decadência do direito de lançar e a prescrição intercorrente; (ii) Que, no tocante ao mérito do IRRF, nos termos do art. 1º da Lei nº 9.481/96, o frete pago à empresa iraniana é isento do imposto de renda na fonte e que essa isenção é condicionada à existência de convenção internacional ou reciprocidade; (iii) Que, ainda no mérito do IRRF, o fundamento legal adotado pela autoridade fiscal está errado, em se tratando de norma de isenção, não cabe à autoridade fiscal estabelecer condições para o gozo da alíquota zero, que a própria lei não estabeleceu; (iv) Que, no tocante ao IRPJ, o auto de infração é inepto, pois não fora identificado no auto de infração a ligação entre a indedutibilidade das despesas declaradas pela recorrente e o contrato de mútuo celebrado; que cabe à autoridade fiscal o ônus de provar a indedutibilidade das despesas glosadas, coisa que não se observou no auto de infração; (v) Que o período e o montante do contrato de mútuo (celebrado entre a recorrente a empresa ligada) é bem difente do período e do montante em que eventuais passivos da recorrente foram contraídos, assim, não há qualquer Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15374.002181/200127 Acórdão n.º 1302001.344 S1C3T2 Fl. 1.386 5 relação entre a despesa financeira glosada e o mútuo com a empresa ligada (Viking); (vi) Que as despesas financeiras glosadas somam uma séria de valores (tarifas bancárias e tributos incidentes nas contas bancárias), assim, a autoridade fiscal não poderia simplesmente glosar a integralidade das despesas financeiras declaradas na DIPJ sem antes se desincumbir do ônus de provar a falta de necessidade dessas despesas. Após, em 22/06/2009, a recorrente juntou documentos que compõem a DIPJ/1998 (anocalendário: 1997) e dos livros razões das contas (comissão bancária, despesas bancárias, juros de mora, juros sem empréstimo nacional e juros passivos) (fls. 1136/1305), e informou (fls. 513/515): (i) Que a autoridade fiscal glosou a linha de despesas na DIPJ, pg. 6 anexo II: Outras Despesas Financeiras (R$ 133.335,00), considerando que a recorrente estaria tomando empréstimos no mercado financeiro e pagando juros e ao mesmo tempo, repassando para empresa coligada empréstimos sem juros; (ii) Que nunca ocorreram os referidos empréstimos e os repasses dos mesmos a alegadas empresas coligadas, ainda, os razões contábeis comprovam que a recorrente não tomou empréstimo no mercado; (iii) Que as despesas lançadas nos razões são de despesas e taxas bancárias pelo uso de serviços oferecidos por instituição financeira, por tratarse de operações de agenciamento com expressivo volume de pagamentos, totalmente necessárias à atividade da recorrente; (iv) Que, no caso em tela, a recorrente observou a legislação tributária, qual seja o art. 299 do Dec. 3.000/99; (v) Que o valor da conta de juros passivos (R$ 32.511,97) e o valor da conta juros sem empréstimo nacional (R$ 44,81) são taxas cobradas pela instituição financeira pela utilização da conta garantida, restando claro que a recorrente não possuía empréstimos contratados; (vi) Que por outro lado, em alguns momentos, durante o ano, fazia uso da conta garantida, o que gerou no ano um custo de R$ 32.566,78; se a glosa fosse correta e legal, argumentou por amor ao debate que a glosa deveria ser apenas sobre o valor de R$ 32.566,78, vez que os demais valores não são relacionados a empréstimos ou à conta garantida. A 2ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, converteu o julgamento em diligência para que a repartição de origem tomasse providências para desmembrar o processo administrativo fiscal, nos termos da Resolução nº 1302.000.064 (fls. 614/620): (...) Neste caso específico, o imposto de renda na fonte sobre pagamento ou crédito de frete a não residente não configura antecipação do IRPJ e também os fatos não guardam qualquer conexão com o mútuo ativo da autuada junto a empresa ligada que levou à glosa integral de suas despesas financeiras. Nessa Fl. 1388DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 medida, os fatos que ensejaram a tributação do IRPJ não guardam qualquer relação com os fatos que ensejaram a tributação do IRF, razão pela qual esta primeira Seção é incompetente para julgar a matéria relacionada ao imposto de renda na fonte. Inexistindo previsão regimental para julgamento parcial do feito com envio do processo à 2ª Seção, vejo a necessidade de converter o processo em diligência para que a autoridade preparadora possa por favor efetuar o seguinte: 1 – Copiar na íntegra o teor deste processo e desmembrar esta processo, abrindo um novo processo com as cópias do inteiro teor deste para que nele possa ser levada à diante a discussão relacionada ao Imposto de Renda na Fonte. 2 – Citar o contribuinte para que tome ciência do desmembramento do processo para que este processo possa prosseguir com o recurso voluntário no que tange ao Imposto de Renda e o processo criado por desmembramento possa prosseguir com o recurso voluntário no que tange ao Imposto de Renda na Fonte. 3 – Conceder o prazo necessário ao contribuinte para o pedido de cópia administrativa do novo processo criado por desmembramento e para eventual pronunciamento sobre seu conteúdo, se oportuno. 4 – Juntar a cópia da citação e da manifestação de que tratam os itens 2 e 3 neste e no novo processo e encaminhar este processo novamente para julgamento do recurso voluntário no que tange o IRPJ por esta 1ª Seção, bem como encaminhar o processo desmembrado para julgamento do recurso voluntário no que tange o IRF pela 2ª Seção. A recorrente obteve cópia integral do presente processo administrativo em 16/08/2012, sendo cientificada da resolução supracitada (fl. 1316), e após, conforme demonstra o Termo de Solicitação de Juntada (fl. 1328), a recorrente manifestouse no presente processo para manter na íntegra as preliminares, as prejudiciais e o mérito de seu recurso voluntário, juntando no presente processo administrativo decisões exaradas no Recurso Especial nº 1.138.206/RS e decisão exarada no processo administrativo fiscal nº 18471.001396/200544. Por fim, a autoridade preparadora propôs o envio deste processo à 1ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para julgamento do IRPJ, nos termos da referida resolução supracitada (fl. 1382/1383). É o relatório. Fl. 1389DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15374.002181/200127 Acórdão n.º 1302001.344 S1C3T2 Fl. 1.387 7 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. 1. Das Considerações Iniciais Com visto na parte inicial, o processo foi divido em razão da incompetência da 1ª Seção para julgar o IRRF, uma vez que não se trata de antecipação do IRPJ. Assim, deixo de tecer comentários sobre o aludido tributo. 2. Do IRPJ – Das Despesas Dedutíveis Inicialmente, como sabiamente decidido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I (DRJ), mantevese integralmente o lançamento tributário no que toca ao IRPJ e expôs na fundamentação de seu voto (acórdão nº 1222.426) que existem despesas, a título de exemplo, taxas de administração, taxas bancárias e juros de mora, que não se comunicariam com o mútuo concedido à empresa ligada; e que a recorrente não informou ou detalhou as despesas glosadas, e apesar de afirmar que as mesmas estejam escrituradas, não apresentou as contas contábeis correlatas: Portanto, o sujeito ativo da relação tributário – fisco –, deverá demonstrar e provar esse direito, que in casu, se traduziu pela informação constante da DIRPJ 1998, anexada às fls. 17, enquanto ao sujeito passivo cumpre contraditar, mediante a prova de fatos extintivos, impeditivos ou modificativos do direito afirmado pelo fisco; Neste mister, ressalta a impugnante que algumas despesas financeiras não deveriam ser computadas como encargos financeiros decorrentes de mútuos contratados, haja vista, dentre eles, existirem despesas, que não estão relacionadas com qualquer contrato de mútuo, ou seja, que não se coadunam com as razões da infração; Em tese, assistiria razão à fiscalizada, pois existem despesas, tais como: taxas de administração, taxas bancárias outras, juros incorridos por atrasos de pagamentos por fornecedores, etc., que não se comunicariam com o mútuo concedido à empresa ligada, entretanto, em nenhum momento, a impugnantes informa, ou detalha estes valores, e, apesar de afirmar que os mesmos estejam escriturados, também não apresenta as contas contábeis correlatas que pudessem ilidir esta infração; Após, conforme exposto no relatório deste voto, em 22/06/2009, a recorrente juntou documentos que compõem a DIPJ/1998 (anocalendário: 1997) e dos livros razões das Fl. 1390DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 contas (comissão bancária, despesas bancárias, juros de mora, juros sem empréstimo nacional e juros passivos) (fls. 1136/1305), e informou (fls. 513/515): (i) Que a autoridade fiscal glosou a linha de despesas na DIPJ, pg. 6 anexo II: Outras Despesas Financeiras (R$ 133.335,00), considerando que a recorrente estaria tomando empréstimos no mercado financeiro e pagando juros e ao mesmo tempo, repassando para empresa coligada empréstimos sem juros; (ii) Que nunca ocorreram os referidos empréstimos e os repasses dos mesmos a alegadas empresas coligadas, ainda, os razões contábeis comprovam que a recorrente não tomou empréstimo no mercado; (iii) Que as despesas lançadas nos razões são de despesas e taxas bancárias pelo uso de serviços oferecidos por instituição financeira, por tratarse de operações de agenciamento com expressivo volume de pagamentos, totalmente necessárias à atividade da recorrente; (iv) Que, no caso em tela, a recorrente observou a legislação tributária, qual seja o art. 299 do Dec. 3.000/99; (v) Que o valor da conta de juros passivos (R$ 32.511,97) e o valor da conta juros sem empréstimo nacional (R$ 44,81) são taxas cobradas pela instituição financeira pela utilização da conta garantida, restando claro que a recorrente não possuía empréstimos contratados; (vi) Que por outro lado, em alguns momentos, durante o ano, fazia uso da conta garantida, o que gerou no ano um custo de R$ 32.566,78; se a glosa fosse correta e legal, argumentou por amor ao debate que a glosa deveria ser apenas sobre o valor de R$ 32.566,78, vez que os demais valores não são relacionados a empréstimos ou à conta garantida. Ante a documentação apresentada pela recorrente (fls. 1136/1305), concordo com a parte recorrente no tocante às contas comissão bancária e despesas bancárias, pois entendo que são despesas e taxas bancárias decorrentes dos serviços das instituições financeiras, por tratarse de operações de agenciamento com altíssimas movimentações bancárias, sendo totalmente necessária à atividade da recorrente. Ainda, quanto à conta juros de mora, tratase de juros de mora por atraso no pagamento de fornecedores e tributos, sendo tais despesas consideradas plenamente dedutível no período de competência. Por fim, quanto às contas juros passivos e juros sem empréstimo nacional, como reconhecido pela própria recorrente (fls. 513/515), tratase de despesas cobradas por instituição financeira pela utilização de conta garantida e que, em alguns momentos, durante o ano, a recorrrente fazia uso da conta garantida, gerando um custo anual de R$ 32.566,78, sendo desnecessária à atividade da recorrente. Dessa forma, voto no sentido de manter a glosa de IRPJ apenas sobre o valor de R$ 32.566,78 (juros passivos e juros sem empréstimo nacional), afastando o crédito tributário lançado a título de IRPJ sobre despesas financeiras, referente às contas contábeis: comissão bancária, despesas bancárias e juros de mora. Fl. 1391DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15374.002181/200127 Acórdão n.º 1302001.344 S1C3T2 Fl. 1.388 9 3. Da Conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de dar parcialmente provimento ao recurso voluntário interposto, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Márcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 1392DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10972.720047/2012-00
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
IMPUGNAÇÃO. PRAZO DE APRESENTAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE.
Se desde o início da fase processual há contestação sobre a intempestividade da impugnação, que foi declarada pela primeira instância administrativa, impõe-se à instância recursal conhecer do recurso voluntário, no tocante apenas às razões contrárias àquela declaração, para negar-lhe provimento, eis que confirmado o descumprimento do prazo legal para apresentação da peça de defesa na etapa anterior.
Numero da decisão: 1802-002.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 IMPUGNAÇÃO. PRAZO DE APRESENTAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. Se desde o início da fase processual há contestação sobre a intempestividade da impugnação, que foi declarada pela primeira instância administrativa, impõese à instância recursal conhecer do recurso voluntário, no tocante apenas às razões contrárias àquela declaração, para negarlhe provimento, eis que confirmado o descumprimento do prazo legal para apresentação da peça de defesa na etapa anterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 72 00 47 /2 01 2- 00 Fl. 1956DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10972.720047/201200 Acórdão n.º 1802002.189 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que considerou intempestiva a impugnação apresentada para contestar lançamento a título de Imposto sobre a Renda da Pessoa da Jurídica – IRPJ, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, conforme autos de infração de fls. 1442 a 1502, nos valores de R$ 372.287,73, R$ 27.585,48, R$ 127.060,29 e R$ 141.242,87, respectivamente, incluindose nesses montantes a multa de 75% e os juros moratórios. O lançamento abrangeu o anocalendário de 2007, e foi motivado pelas seguintes infrações: omissão de receitas por saldo credor de caixa (IRPJ e reflexos); insuficiência de recolhimento de tributo (PIS/COFINS); glosa de créditos (PIS/COFINS); e falta de recolhimento de estimativas mensais (IRPJ/CSLL – multa isolada). Os fatos que antecederam o presente recurso estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 0942.953, às fls. 1921 a 1932: Contra o contribuinte identificado foram lavrados os Autos de Infração de fls. 1442 a 1502 (o Termo de Verificação Fiscal está incluído às fls. 1478 a 1501), referentes ao IRPJ, CSLL, Cofins e PIS, que lhe exigem um crédito tributário de R$ 668.176,37, com juros de mora calculados até maio de 2012, sendo: [...] Regularmente cientificado dos Autos de Infração, por via postal, em 18/05/2012 (fls. 503 e 504), o contribuinte protocolou sua Impugnação em 20/06/2012 (fls.1506 a 1518), mediante a qual, pugna pela nulidade do Auto de Infração por cerceamento de direito de defesa (alegando inépcia e inconsistência do ponto de vista formal) e submete seus argumentos de forma a contrapor as inferências firmadas nos respectivos Autos de Infração. Subseqüentemente, a DRF/Uberaba efetuou a remessa da Intimação nº 60/2012 (fls. 1872 a 1874), de 26/06/2012, por meio da qual informou a intempestividade da Impugnação e intimou o interessado a recolher os débitos discriminados dentro do prazo de 30 dias (contados da assinatura do aviso de recebimento da intimação). Cientificado de seus termos em 28/06/2012, o requerente protocolou petição, em 07/07/2012 (fl. 1878 e 1879), por meio da qual afirma que a entrega da correspondência que encaminhou a intimação dos Autos de Infração ocorreu às 18h36min do dia 18/05/2012, ou seja, fora do horário comercial e argumenta que a intimação por via postal só poderá considerar ocorrida, se efetuada em horário comercial, uma vez que, fora dele, o contribuinte só terá ciência no dia seguinte. Fl. 1957DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10972.720047/201200 Acórdão n.º 1802002.189 S1TE02 Fl. 4 3 Afirma, assim, ser tempestiva a impugnação. Enfatiza que, ainda que intempestiva a impugnação, a moderna doutrina preconiza que, não obstante a extemporaneidade, cabe à autoridade administrativa conhecer e julgar as razões do contribuinte, quando esta descreva ilegalidade ou erro na conduta administrativa. Por fim, com lastro nos princípios da legalidade, da verdade material, da eficiência administrativa, do informalismo do processo tributário, bem como no art. 5o, XXXV, e LV, da CF/88, nos arts. 56, par. 1º , e 65, da Lei n. 9.784/99 e no art. 145, III, do CTN, requer que a autoridade administrativa reconsidere a decisão que reconheceu a intempestividade da impugnação, para recebêla e encaminhar a julgamento pelo Órgão Julgador Ato contínuo, a DRF/Uberaba/MG encaminhou os autos à DRJ/Juiz de Fora/MG para pronunciamento acerca da questão, assinalando, porém, suas inferências que ratificam a intempestividade da defesa do contribuinte e mantendo os efeitos da cobrança administrativa vinculada ao Auto de Infração. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG examinou como preliminar a questão suscitada sobre a tempestividade da impugnação, e concluiu que ela era mesmo intempestiva, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 IMPUGNAÇÃO. PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO. O prazo para apresentação de impugnação é de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência. IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. A petição apresentada intempestivamente não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em razão da rejeição da preliminar de tempestividade, não se conheceu das demais questões suscitadas pela Contribuinte em sua impugnação. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 11/03/2013 (AR às fls. 1935), a Contribuinte apresentou em 01/04/2013 o recurso voluntário de fls. 1938 a 1940, onde reafirma a tempestividade de sua impugnação na fase processual anterior, e reitera os demais argumentos de defesa apresentados naquela etapa. Este é o Relatório. Fl. 1958DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10972.720047/201200 Acórdão n.º 1802002.189 S1TE02 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. O presente processo tem por objeto exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sobre fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2007. Há também exigência de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL no mesmo período. A Contribuinte inicia essa fase recursal sustentando novamente, em sede de preliminar, a tempestividade de sua impugnação na fase processual anterior. Ela foi intimada do lançamento em 18/05/2012 (sextafeira), por via postal, e apresentou sua impugnação em 20/06/2012 (quartafeira). Na etapa anterior, a Delegacia de Julgamento, após mencionar o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 15/1996, e também dispositivos do Decreto 70.235/1972 e do Decreto 7.574/2011 que tratam da matéria em questão, concluiu pela intempestividade da impugnação nos seguinte termos: [...] No presente caso, foi escolhida a via postal para dar conhecimento ao contribuinte do lançamento efetuado pelo Fisco, escolha essa válida e possível, conforme se depreende da leitura dos artigos anteriormente reproduzidos. Em conseqüência, foi enviada a notificação, acompanhada de Aviso de Recebimento – AR, para o domicílio eleito pelo contribuinte, ou seja, para a Rua Volta Grande, nº 55, sala 06, Distrito Industrial III, Uberaba MG, endereço constante de seu cadastro na RFB. Assim, já que o contribuinte foi regularmente cientificado em 18/05/2012 (sextafeira – conforme AR de fls. 503 e 504), o prazo de 30 (trinta) dias iniciouse em 21/05/2012 (segunda feira),encerrandose em 19/06/2012 (terçafeira). Dessa forma, a impugnação protocolizada somente em 20/06/2012 (quartafeira – protocolo de fl. 1506) é intempestiva visto que apresentada após o prazo legal de 30 (trinta) dias estabelecido pelo art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972. Quanto às ilações que cogitam o adiamento da ciência em face de pretensa ocorrência de entrega da intimação fora do horário comercial (às 18h36min), também não assiste razão ao contribuinte visto que esta circunstância não encontra salvaguarda nas referidas normas processuais regulamentadoras do Processo Administrativo Fiscal. Fl. 1959DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10972.720047/201200 Acórdão n.º 1802002.189 S1TE02 Fl. 6 5 Além disso, é válido destacar que a própria pesquisa do Histórico do Objeto (RM760860553BR), disponibilizado no portal dos Correios, é manifesta em suas orientações, ao precaver aos usuários dos serviços daquela empresa, que “o horário não indica quando a situação ocorreu, mas sim quando os dados foram recebidos no sistema, exceto no caso de SEDEX 10 e do SEDEX HOJE, em que ele representa o horário real da entrega” (fl.1897). Por sinal, consultando as Siglas Adotadas no Identificador de Objetos (http://www.correios.com.br/servicos/rastreamento/ internacional/siglas.cfm), é possível concluir que a remessa da intimação (RM760860553BR) não foi efetuada por meio das modalidades SEDEX 10 ou SEDEX HOJE acima referidas, circunstância que torna ainda mais insubsistente a justificativa aventada na preliminar de tempestividade, de que a entrega da intimação ocorreu fora do horário comercial (às 18h36min). Devese ponderar ainda que a entrega de Cartas Registradas pelos Correios é efetuada dentro do horário comercial. Ademais, nem mesmo o Código de Processo Civil, citado apenas a título elucidativo, socorreria o contribuinte em sua pretensão (caso a entrega da intimação tivesse ocorrido às 18h36min), pois seu artigo 172, determina que “Os atos processuais realizarse ão em dias úteis, das 6 (seis) às 20 (vinte) horas.” Destarte, concluise que a impugnação é intempestiva e não atende aos requisitos de admissibilidade definidos pelas normas processuais de regência da matéria tributária. Quanto aos princípios citados pelo impugnante, que pretensamente dariam guarida ao conhecimento de petição intempestiva, é justamente por alguns deles que se faz necessário o cumprimento rigoroso das regras impostas por normas legais. É neste sentido que o princípio a legalidade se faz presente nos atos administrativos tanto aquele que determina prazo para apresentação de impugnação (art. 15, Decreto n.º 70.235/72) como o que determina o dever do servidor público em observar as normas legais e regulamentares (art. 116, Lei n.º 8.112/90). Assim, concluise que a defesa foi apresentada intempestivamente e, conseqüentemente, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância. Por todo o exposto, voto por REJEITAR a preliminar de tempestividade e, por NÃO CONHECER da Impugnação quanto às demais preliminares e ao mérito. (os grifos são do original) Na presente fase recursal a Contribuinte não apresenta nenhum novo argumento capaz de refutar os fundamentos da decisão recorrida, pelo que os adoto também neste voto. Fl. 1960DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10972.720047/201200 Acórdão n.º 1802002.189 S1TE02 Fl. 7 6 A impugnação realmente foi apresentada com atraso, e por isso não instaurou litígio a ser submetido aos órgãos administrativos de julgamento, incluindose aí o CARF. Rejeitada a preliminar de tempestividade da impugnação, fica prejudicado o conhecimento das demais matérias. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário apenas no que diz respeito à questão da intempestividade da impugnação, para lhe negar provimento. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 1961DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10735.901081/2011-97
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/01/2007
COFINS. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. PROVA.
A conclusão de que houve recolhimento em valor maior que o devido depende da demonstração do valor de tributo efetivamente devido, o que, no caso de contribuinte sujeito ao regime não-cumulativo de apuração de PIS/Cofins, passa necessariamente pela demonstração da composição do faturamento ou receita bruta, com a apresentação da escrituração contábil que contenha o detalhamento e demonstre a consolidação do valor das receitas que compõem a base de cálculo, como também, pela demonstração dos créditos, o que envolve tanto a apresentação da escrituração contábil que contenha a informação detalhada e a consolidação do valores de cada hipótese de crédito, como também a prova da natureza destes pagamentos geradores do crédito, capazes de demonstrar o enquadramento nas hipóteses de crédito das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3403-003.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. PROVA. A conclusão de que houve recolhimento em valor maior que o devido depende da demonstração do valor de tributo efetivamente devido, o que, no caso de contribuinte sujeito ao regime nãocumulativo de apuração de PIS/Cofins, passa necessariamente pela demonstração da composição do faturamento ou receita bruta, com a apresentação da escrituração contábil que contenha o detalhamento e demonstre a consolidação do valor das receitas que compõem a base de cálculo, como também, pela demonstração dos créditos, o que envolve tanto a apresentação da escrituração contábil que contenha a informação detalhada e a consolidação do valores de cada hipótese de crédito, como também a prova da natureza destes pagamentos geradores do crédito, capazes de demonstrar o enquadramento nas hipóteses de crédito das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 10 81 /2 01 1- 97 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de Declaração de Compensação que indica como crédito recolhimento a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins relativa ao fato gerador 15/01/2007. Foi negada homologação à compensação por meio de Despacho Decisório Eletrônico (DDE), cuja motivação consiste no texto padronizado que informa que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 2/4) esclarecendo que havia transmitido a Declaração de Compensação sem, no entanto, retificar o DACON e a DCTF, mas que após ter recebido o despacho promoveu a retificação de ambas as declarações, nas quais, então, teria passado a constar o valor correto da base de cálculo e do tributo efetivamente devido. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/II (DRJ), por meio do Acórdão nº 1337. 994, de 27 de outubro de 2011 (fls. 31/33), concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade por não ter havido a apresentação da prova do direito creditório, resumindo tal entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTAŔIO Data do fato gerador: 15/01/2007 Prova. Momento. Preclusão. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 36/91) explicando que o direito de indébito decorreu de não ter apropriado os créditos de PIS/Cofins nãocumulativo correspondentes a aluguéis, depreciações, energia elétrica e móveis/utensílios não imobilizados (vida útil inferior a um ano). Apresenta os valores por meio de tabelas, no corpo do recurso, e junta as cópias do DACON e da DCTF já retificados, bem como apresenta cópias de trechos do livro razão. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10735.901081/201197 Acórdão n.º 3403003.132 S3C4T3 Fl. 100 3 É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado em 03/01/2012 (fl. 36), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 06/12/2011 (fl. 35). Por ser tempestivo e conter razões de reforma do acórdão da DRJ, tomo conhecimento do recurso. Tratase de mais um dos cada vez mais numerosos casos de Despacho Decisório Eletrônico – DDE. O DDE nega homologação à compensação motivado no fato de não existir na DCTF diferença de valores entre (a) o montante do tributo declarado como devido e (b) o montante recolhido em DARF. O sistema informatizado, portanto, interpreta o fato de não haver tal diferença, entre o valor do DARF e o valor do tributo declarado na DCTF, como prova de que não existiria indébito, ou seja, que não existe o direito de crédito alegado na DCOMP. Ocorreu que na Manifestação de Inconformidade não foi informada a razão, nem apresentados os documentos necessários para a prova do indébito, o que aconteceu apenas no Recurso Voluntário, quando o contribuinte apresentou planilhas resumindo a apuração da contribuição e cópias de trechos do livro razão. Apenas se poderia acatar as provas produzidas diretamente em Recurso Voluntário se fossem elas cabais e suficientes do indébito. A conclusão de que houve recolhimento em valor maior que o devido depende da demonstração do valor de tributo efetivamente devido, o que, no caso de contribuinte sujeito ao regime nãocumulativo de apuração de PIS/Cofins, passa necessariamente pela demonstração da composição do faturamento ou receita bruta, com a apresentação da escrituração contábil que contenha o detalhamento e demonstre a consolidação do valor das receitas que compõem a base de cálculo, como também, pela demonstração dos créditos, o que envolve tanto a apresentação da escrituração contábil que contenha a informação detalhada e a consolidação do valores de cada hipótese de crédito, como também a prova da natureza destes pagamentos geradores do crédito, capazes de demonstrar o enquadramento nas hipóteses de crédito das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. No presente caso, faltou a prova circunstanciada do enquadramento dos pagamentos nas hipóteses de crédito das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Por esta razão – e ressalvado o entendimento pessoal do Relator em sentido contrário , esta Turma vem entendendo por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Foi isso, aliás, o que decidiu esta mesma Turma em casos idênticos, do mesmo contribuinte: No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado sua declaração anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF/DACON, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF/DACON) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tãosomente para indicar que cometeu um erro, sem especificar a origem de tal erro, em argumentação ao desamparo de documentos justificativos (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um Fl. 102DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10735.901081/201197 Acórdão n.º 3403003.132 S3C4T3 Fl. 101 5 mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4º do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância defronta se com a ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegando à situação descrita acima como “b”. E, tendo em conta que o ônus probatório é do postulante do crédito, nega o direito à compensação. (Acórdão 3403002.354, PA 10735.901057/201158, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, j. 23/07/2013) Pelas mesmas razões no presente caso, deve ser negado provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 103DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 11516.720602/2011-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2008, 2009
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA.
O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
É pacífico na jurisprudência o entendimento de que o julgador não fica adstrito aos fundamentos invocados pelas partes, nem tampouco está obrigado a responder a todas as suas alegações, quando presentes razões suficientes para embasar o seu julgado. Assim, somente à inexistência de exame de argumentos apresentados pelo contribuinte, em sua impugnação, cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa do impugnante.
SIMPLES FEDERAL. EFEITOS DA EXCLUSÃO. APLICAÇÃO DAS NORMAS GERAIS DE TRIBUTAÇÃO PARA AS DEMAIS PESSOAS JURÍDICAS.
A partir do momento em que operados os efeitos da exclusão, a pessoa jurídica excluída do SIMPLES se sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL E/OU FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS COMERCIAIS E FISCAIS.
A autoridade fiscal deve arbitrar o lucro da pessoa jurídica quando a escrituração a que estiver obrigada a contribuinte revelar evidências de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou determinar o lucro real, bem como pela não apresentação dos livros comerciais e fiscais e a respectiva documentação.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PESSOA JURÍDICA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO.
Caracteriza omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
CONFLITO APARENTE DE NORMAS. ART.42, DA LEI N° 9.430, DE 1996 E AS HIPÓTESES DE ARBITRAMENTO DO ART.47, DA LEI N° 8.981, 1995. MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS.
As hipóteses de arbitramento definidas pelo art. 47, da Lei n° 8.981, 1995 se constituem em regra geral, que são suplantadas pelo regramento específico definido pelo art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, aplicável especificamente à hipótese de não comprovação da origem de recursos utilizados em movimentações financeiras.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO.
As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
INFRAÇÃO FISCAL. MEIOS DE PROVA.
A prova de infração fiscal pode realizar-se por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS NO QUADRO SOCIETÁRIO DA PESSOA JURÍDICA. PRÁTICA REINTERADA DE OMISSÃO DE VENDAS. FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. JUSTIFICATIVAS PARA APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA.
Caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do artigo 957, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000, de 1999, autorizando a qualificação da multa de ofício, a prática de interposição fraudulenta de pessoas no quadro societário da pessoa jurídica para acobertar os verdadeiros sócios, acrescidos da prática reiterada de omissão de vendas e falta de contabilização de depósitos bancários, como forma de ocultar a ocorrência do fato gerador e subtrair-se à obrigação de comprovar os recolhimentos dos impostos e contribuições sobre as receitas auferidas.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA.
A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever de a administração lançar com multa de oficio as receitas omitidas na declaração de imposto de renda.
INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS.
Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) implica os lançamentos da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível.
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 1402-001.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. É pacífico na jurisprudência o entendimento de que o julgador não fica adstrito aos fundamentos invocados pelas partes, nem tampouco está obrigado a responder a todas as suas alegações, quando presentes razões suficientes para embasar o seu julgado. Assim, somente à inexistência de exame de argumentos apresentados pelo contribuinte, em sua impugnação, cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa do impugnante. SIMPLES FEDERAL. EFEITOS DA EXCLUSÃO. APLICAÇÃO DAS NORMAS GERAIS DE TRIBUTAÇÃO PARA AS DEMAIS PESSOAS JURÍDICAS. A partir do momento em que operados os efeitos da exclusão, a pessoa jurídica excluída do SIMPLES se sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL E/OU FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS COMERCIAIS E FISCAIS. A autoridade fiscal deve arbitrar o lucro da pessoa jurídica quando a escrituração a que estiver obrigada a contribuinte revelar evidências de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou determinar o lucro real, bem como pela não apresentação dos livros comerciais e fiscais e a respectiva documentação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PESSOA JURÍDICA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CONFLITO APARENTE DE NORMAS. ART.42, DA LEI N° 9.430, DE 1996 E AS HIPÓTESES DE ARBITRAMENTO DO ART.47, DA LEI N° 8.981, 1995. MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS. As hipóteses de arbitramento definidas pelo art. 47, da Lei n° 8.981, 1995 se constituem em regra geral, que são suplantadas pelo regramento específico definido pelo art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, aplicável especificamente à hipótese de não comprovação da origem de recursos utilizados em movimentações financeiras. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. INFRAÇÃO FISCAL. MEIOS DE PROVA. A prova de infração fiscal pode realizar-se por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS NO QUADRO SOCIETÁRIO DA PESSOA JURÍDICA. PRÁTICA REINTERADA DE OMISSÃO DE VENDAS. FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. JUSTIFICATIVAS PARA APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. Caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do artigo 957, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000, de 1999, autorizando a qualificação da multa de ofício, a prática de interposição fraudulenta de pessoas no quadro societário da pessoa jurídica para acobertar os verdadeiros sócios, acrescidos da prática reiterada de omissão de vendas e falta de contabilização de depósitos bancários, como forma de ocultar a ocorrência do fato gerador e subtrair-se à obrigação de comprovar os recolhimentos dos impostos e contribuições sobre as receitas auferidas. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever de a administração lançar com multa de oficio as receitas omitidas na declaração de imposto de renda. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) implica os lançamentos da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. Preliminares Rejeitadas. Recurso Negado.
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M. INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2008, 2009 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. É pacífico na jurisprudência o entendimento de que o julgador não fica adstrito aos fundamentos invocados pelas partes, nem tampouco está obrigado a responder a todas as suas alegações, quando presentes razões suficientes para embasar o seu julgado. Assim, somente à inexistência de exame de argumentos apresentados pelo contribuinte, em sua impugnação, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 06 02 /2 01 1- 54 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 2 cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa do impugnante. SIMPLES FEDERAL. EFEITOS DA EXCLUSÃO. APLICAÇÃO DAS NORMAS GERAIS DE TRIBUTAÇÃO PARA AS DEMAIS PESSOAS JURÍDICAS. A partir do momento em que operados os efeitos da exclusão, a pessoa jurídica excluída do SIMPLES se sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL E/OU FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS COMERCIAIS E FISCAIS. A autoridade fiscal deve arbitrar o lucro da pessoa jurídica quando a escrituração a que estiver obrigada a contribuinte revelar evidências de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou determinar o lucro real, bem como pela não apresentação dos livros comerciais e fiscais e a respectiva documentação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PESSOA JURÍDICA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CONFLITO APARENTE DE NORMAS. ART.42, DA LEI N° 9.430, DE 1996 E AS HIPÓTESES DE ARBITRAMENTO DO ART.47, DA LEI N° 8.981, 1995. MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS. As hipóteses de arbitramento definidas pelo art. 47, da Lei n° 8.981, 1995 se constituem em regra geral, que são suplantadas pelo regramento específico definido pelo art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, aplicável especificamente à hipótese de não comprovação da origem de recursos utilizados em movimentações financeiras. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. INFRAÇÃO FISCAL. MEIOS DE PROVA. A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS NO QUADRO SOCIETÁRIO DA PESSOA JURÍDICA. PRÁTICA REINTERADA DE OMISSÃO DE VENDAS. FALTA DE Fl. 193DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11516.720602/201154 Acórdão n.º 1402001.689 S1C4T2 Fl. 3 3 CONTABILIZAÇÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. JUSTIFICATIVAS PARA APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. Caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do artigo 957, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000, de 1999, autorizando a qualificação da multa de ofício, a prática de interposição fraudulenta de pessoas no quadro societário da pessoa jurídica para acobertar os verdadeiros sócios, acrescidos da prática reiterada de omissão de vendas e falta de contabilização de depósitos bancários, como forma de ocultar a ocorrência do fato gerador e subtrairse à obrigação de comprovar os recolhimentos dos impostos e contribuições sobre as receitas auferidas. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever de a administração lançar com multa de oficio as receitas omitidas na declaração de imposto de renda. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) implica os lançamentos da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. Preliminares Rejeitadas. Recurso Negado. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 4 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11516.720602/201154 Acórdão n.º 1402001.689 S1C4T2 Fl. 4 5 Relatório METALÚRGICA G. M. INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, contribuinte inscrita no CNPJ/MF sob nº 06.536.607/000177, com domicílio fiscal na cidade de Tubarão, Estado de Santa Catarina, Avenida Getúlio Vargas, nº 4074, Bairro Revoredo, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis SC, inconformada com a decisão de Primeira Instância de fls. 153/176, prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba – PR, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 183/190. Contra a contribuinte, acima identificada, foram lavrados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis SC, em 30/05/2011, os Autos de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ); da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS); da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) de (fls. 41/104), com ciência pessoal, em 31/05/2011 (fl. 141), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 1.579.051,65, a título de tributos e contribuições, acrescidos de multa qualificada de 150% e dos juros de mora, de no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto e contribuições, referentes aos exercícios 2008 e 2009, correspondente aos anoscalendários 2007 e 2008, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização externa referente aos exercícios 2008 e 2009, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver as seguintes irregularidades: 1 – OMISSÃO DE RECEITA DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA MENSAL NA VENDA DE PRODUTOS DE FABRICAÇÃO PRÓPRIA: Omissão de receitas da venda de produtos de fabricação própria escrituradas nos Livros de Registro de Apuração do ICMS apresentados pelo contribuinte, conforme descrito no Termo de Verificação e Encerramento TVE. Infração capitulada no art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995 e art. 537 do RIR/99; 2 – OMISSÃO DE RECEITA POR PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA: Valores creditados em contas de depósito mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrito no Termo de Verificação e Encerramento TVE. Infração capitulada no artigo art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995; art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 c/c art. 537 do RIR/99. É importante ressaltar que a exclusão do Simples Federal operouse com a edição do Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 55, de 16 de maio de 2011, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis SC, haja vista sua constituição por interpostas pessoas, cuja exclusão surtirá efeitos a partir de 29 de junho de 2004. Cuja ciência se deu em 31/05/2011 (fls. 38). Fl. 196DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 6 É de se observar que consta às folhas 138/139 o Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome da empresa Usindi Montagens e Manutenção Ltda., CNPJ 00.986.742/000138, declarada solidária com base no disposto no incisos I do artigo 124 e inciso III do artigo 135 do Código Tributário Nacional. Observando que não houve manifestação por parte do responsável solidário, ou seja, não apresentou nem impugnação e nem recurso voluntário. É de se observar, ainda, que após cobranças reiteradas do fisco e diante da não apresentação dos livros caixas, nem tampouco dos livros diário, relativos aos anos calendário de 2007 e 2008, impõese o arbitramento do lucro da contribuinte, que recai sobre as receitas escrituradas, com base nos livros de registro de apuração do ICMS no período de abril 2007 a dezembro de 2008 e depósitos bancários de origem não comprovada no período de janeiro a março de 2007. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fls. 107/130), entre outros, os seguintes aspectos: que no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal a autoridade fiscal descreveu minuciosamente tos os fatos ocorridos e as constatações feitas: que desde a constituição da Metalúrgica GM Indústria e Comércio Ltda., em 29/06/2004, houve trânsito na titulação societária, de interpostas pessoas que não guardam as mínimas condições de empresários, vulgos laranjas, além da ocorrência de outras falsidades; que o representante legal do sujeito passivo, Sr. Daniel Martins, mediante a conduta descrita, deu causa a exclusão de ofício da empresa, do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições da Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, instituído pela Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, consoante hipótese contemplada no item IV do artigo 14; que diante da comprovação de que a pessoa jurídica Metalúrgica GM Indústria e Comércio Ltda., decorreu da constituição por interpostas pessoas, foi baixado em 16 de maio de 2011, pelo Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Florianópolis, o Ato Declaratórios Executivo DRF/FNS número 55, que declara a contribuinte Metalúrgica GM Indústria e Comércio Ltda. excluída do Simples desde a sua constituição em 29/06/2004, haja vista sua constituição por interpostas pessoas, conforme fundamentos contidos no artigo 14, inciso IV da Lei n° 9.317/96; que quanto a Receita Operacional OmitidaVenda de Produtos de Fabricação Própria, tratase de receitas da venda de produtos de fabricação própria escrituradas nos Livros de Registro de Apuração do ICMS apresentadas pelo contribuinte. Os valores a este título estão discriminados na planilha anexa intitulada “Demonstrativo de Fatos Geradores, resumida no quadro abaixo. Valor tributável, trimestre do fato gerador e percentual da multa aplicada estão demonstrados nas folhas de continuação do Auto de Infração IRPJ; que quanto à comprovação da origem dos recursos presentes na movimentação bancária, observase que foi realizado levantamento de todos os créditos (entradas) constantes nos extratos do banco Safra, com o qual o contribuinte manteve movimentação no período considerado – janeiro, fevereiro e março de 2007 e listados de forma individualizada; Fl. 197DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11516.720602/201154 Acórdão n.º 1402001.689 S1C4T2 Fl. 5 7 que contribuinte foi, através do Termo de Constatação e Intimação, de 10/05/2011, intimada a, no prazo de 10 (dez) dias corridos, a comprovar, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos dos lançamentos a crédito na conta bancária n° 000.3918, agência 14700 do Banco Safra, listados no anexo I do termo citado, que não se constituam de receitas operacionais da empresa. Em 23/05/2011, nos termos da correspondência que figura como anexo deste termo, a contribuinte solicita alongamento do prazo concedido a fim de permitir resgatar perante os bancos, a documentação que comprove a origem dos recursos. O pleito foi atendido e o prazo prorrogado para 27/05/2011 conforme despacho inserido na própria correspondência. Decorrido o prazo, a contribuinte não se manifestou; que as bases de cálculo referemse às omissões de receitas obtidas através do somatório dos valores creditados/depositados na mencionada contacorrente, discriminados na planilha anexa intitulada “Demonstrativo de Fatos Geradores”; que as circunstâncias descritas minudentemente nos tópicos iniciais deste Termo, dedicados aos aspectos relativos ao contribuinte, as peculiaridades colhidas no início do procedimento fiscal, o trânsito de laranjas apontados na movimentação contratual e na atuação de fato dos sócios contratuais, culminando com a identificação do verdadeiro dono e a exclusão do Simples, são os aspectos reveladores da fraude, enquanto que os tópicos seguintes dedicamse ao resgate do crédito sonegado, revelam de forma inequívoca a intenção firme e consciente do contribuinte no sentido de, em conluio, suprimir tributo devido à fazenda pública federal, mediante fraude e sonegação dolosa e agravam o valor de multa imposta, conforme disposições contidas nos artigos 44, inciso I, parágrafo 1o da lei 9.430/96, combinado com artigos 71, inciso I, 72 e 73, ambos da Lei n° 4.502 de 30 de novembro de 1964; que diante da constatação de que o Sr. Daniel Martins é o dono de fato e verdadeiro administrador tanto do sujeito passivo Metalúrgica GM Indústria e Comércio Ltda. quanto do sujeito passivo solidário Usindi Montagens e Manutenção Ltda., fica evidente o interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal bem como da responsabilidade pessoal pelo crédito correspondente, resultante dos atos praticados pelo administrador da empresa. Conseqüentemente, restou caracterizada a sujeição passiva solidária, com base nos artigos 124, inciso I e 135, inciso III, ambos da Lei n° 5.172, de 25/10/1966, razão pela qual foi emitido o correspondente termo de sujeição passiva solidária, que figura como anexo do presente relatório. Em sua peça impugnatória de fls. 144/151, apresentada, tempestivamente, em 29/06/2011, a autuada se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência dos Autos de Infrações, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que foram praticadas diversas irregularidades que devem ser afastados por esta C. Corte, para não se caracterizar o pagamento em duplicidade; que entendeu o Auditor Fiscal que através de comprovação da movimentação bancária o Sujeito Passivo não comprovou a origem, caracterizando omissão de receita; que, nobre Julgador, a Situação "legal" é insuficiente à ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, já que o depósito bancário, segundo o disposto no art. 42. da Fl. 198DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 8 Lei 9.430/96, quando destituído de instrumento que prove a sua origem, caracterizaria omissão de receita tributável; que o rigor da legislação, portanto, no depósito bancário por si só se constituiria numa presunção de ocorrência do fato gerador da obrigação tributaria afastada apenas pela comprovação do caráter não tributável do valor creditado na conta corrente bancária; que esse imperativo legal inserto no ordenamento jurídico pelo art. 42, da Lei 9430/96, padece de ilegalidade, especialmente porque viola o principio da tipificação cerrada expressa inclusive no art. 114 do Código Tributário Nacional; que o art. 114, do Código Tributário Nacional, estabelece que a hipótese de incidência seja somente aquela bastante à ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e o art. 42, da Lei 9.430/96, de maneira nenhuma atribui esse característico ao depósito bancário; que os depósito bancários não autorizam a presunção de ocorrência do fato gerador, cumpre ao Julgador exonerarem a contribuinte do pagamento da obrigação tributária respectiva; que a prova da existência do valor creditado na conta bancária, todavia, afigurase insuficiente para sustentar o lançamento do crédito tributário; a tanto, sem dúvida, indispensável à prova inconteste – e não a mera presunção – da ocorrência do fato gerador; que, no que diz respeito a multa de 150%, o sujeito passivo, METALÚRGICA INDÚSTRIA E COMERCIO LTDA., alega, que a aplicação de multa no percentual de 150% é abusiva, configura verdadeiro confisco ao seu patrimônio e atenta contra o princípio da razoabilidade, o que viola o disposto no art. 150 da Constituição Federal de 1988; que, dessa forma, mostrase necessário reduzir a multa aplicada de 150% para 75% do valor atualizado do crédito tributário. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, os membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba – PR, concluíram pela improcedência da impugnação e pela manutenção do crédito tributário lançado com base, em síntese, nas seguintes considerações: que a impugnante foi constituída em 29/06/2004 para exploração das atividades de indústria e comércio de materiais usinados, ferro, fabricação de forjados e indústria metalúrgica de peças e acessórios para veículos automotores leves e pesados (CNAE 2451200 fundição de ferro e aço), através do sócio contratual Valter Massau de Oliveira, embora a administração de fato estivesse a cargo do empresário Daniel Martins, verdadeiro dono do negócio e procurador, por força do instrumento de mandato (certidão anexa) que lhe foi outorgado em 14/02/2005. Tratase de empresa optante pelo Simples no primeiro semestre de 2007 e a partir daí passa a adotar a tributação com base no lucro presumido até o exercício de 2008 quando se observa uma paralisação de fato das suas atividades, sem empregados a partir de agosto/2008. Foram testemunhas na ocasião, Anderson Jamal Abuali e Fernando Spadel Correa; que, no curso da fiscalização, mais precisamente em 20/04/2011, atendendo a uma solicitação da auditoria, as testemunhas acima compareceram à Agência da Receita Federal do Brasil em Tubarão e informaram que a elaboração e assinatura do contrato ocorreu por solicitação de Daniel Martins. Na época acreditaram que os sócios fossem de fato gerentes Fl. 199DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11516.720602/201154 Acórdão n.º 1402001.689 S1C4T2 Fl. 6 9 da empresa. A partir do momento que foram informados por Daniel Martins que passariam a contar com a assessoria de Nivaldo Cavanholi Fernandes, as testemunhas desistiram de prestar seus serviços contábeis, argumentando que não participavam deste tipo de parceria. Apresentaram à auditoria, o Termo de Transferência da Responsabilidade Técnica (cópia anexa), que consigna como novo responsável o contador Jaílson Lima Pereira da cidade de Laguna. Este termo, conforme carimbo no verso, foi protocolado em 21/05/2007 junto à delegacia do Conselho Regional de Contabilidade de Santa Catarina CRCSC em Tubarão; que Valter Massau de Oliveira: De acordo com o Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS, sua experiência profissional referese à operação e condução de máquinas e veículos automotores. Por último, no período de abril/2008 a novembro/2010, trabalhou para a empresa Usindi Montagens e Manutenção Ltda do empresário Daniel Martins, na função de motorista. Alguns meses após ser inserido no quadro social como administrador da Metalúrgica GM Indústria e Comércio Ltda, transfere ao empresário Daniel Martins, gama variada de poderes para representar a empresa em seu nome, nos termos do instrumento de procuração outorgado em 14/02/2005. Se não bastasse, observouinconsistências em suas assinaturas nas alterações contratuais da ora impugnante, conforme foi minuciosamente demonstrado no Termo de Verificação Fiscal que acompanha os autos; que Valter Massau de Oliveira compareceu à Agência da Receita Federal do Brasil e diante dos questionamentos a respeito da configuração empresarial, relação com demais pessoas jurídicas, o papel de Daniel Martins nos negócios e a sua própria participação de fato, demonstrou estar pouco à vontade e alegou ser amigo muito próximo do empresário Daniel Martins, a mais de dez anos. Reconheceu de forma categórica que somente a primeira assinatura é autêntica. Com relação às demais, desconhecia o autor ou autores da falsificação; que Santilino Tralhe de Medeiros: Ainda que tenha figurado como sócio cotista da pessoa jurídica Metalúrgica GM Indústria e Comércio Ltda no período de 06/2004 a 12/2008, Santilino possuía, no período de 17/08/1998 a 03/08/2006, registro de contrato de trabalho com a Danimartins Incorporadora de Imóveis Ltda CNPJ 02.532.870/000137, outra empresa de Daniel Martins, na função de técnico mecânico CBO 3141, conforme relatório do Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS. Tentativas de contato com o Sr. Santilino não lograram êxito; que Márcia Spíndola: Embora figure como administradora da Metalúrgica GM Indústria e Comércio Ltda no período de 31/01/2007 a 02/12/2008, encontrase em gozo de Benefício da Previdência Social desde 12/2004, em consequência de acidente sofrido na fruição de vínculo laboral com a empresa Tirelli Distribuidora de Jornais e Revistas Ltda ME, na cidade de Criciúma. Em fevereiro de 2007 ingressa formalmente no quadro social da pessoa jurídica GM Indústria de Máquinas Ltda EPP na condição de sócia administradora. Ante tais circunstâncias é forçoso concluise que Márcia Spíndola não reúne as mínimas condições de empresária; que Jaison Antunes da Silva: Após inúmeras tentativas, não foi possível o contato. Está inserido na titulação societária da Metalúrgica GM Indústria e Comércio Ltda na condição de sócio cotista desde 00/12/2008. Suas curtas experiências profissionais, conforme registros no Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS; que Marcelo Andrade da Rosa: Embora com seu nome formalmente inserido no quadro de sócios da empresa Metalúrgica GM Indústria e Comércio Ltda na função de administrador desde 03/12/2008, nunca atuou de fato como empresário. Marcelo, um jovem Fl. 200DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 10 que contava apenas com 19 (dezenove) anos quando seu nome é inserido na titulação societária da Metalúrgica GM Indústria e Comércio Ltda, através da terceira alteração contratual de 03/12/2008, possui apenas um registro de vínculo empregatício junto ao Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS com a empresa K2 Indústria do Vestuário Importação e Exportação Ltda, no período de 12/08/2010 a 06/09/2010, na função de motorista de veículos de carga em geral. Tentativas de localizálo, mesmo que através de contato telefônico não lograram êxito. Único contato foi com sua avó. Esclareceu que o neto reside em Braço do Norte, não possui telefone e atualmente está desempregado. Solicitações feitas através de sua avó para que Marcelo entrasse em contato com a auditoria fiscal, também não surtiram efeito; que, a despeito do intenso trânsito no quadro social, de pessoas que não guardam características de empresários, o administrador e dono de fato é o empresário Daniel Martins, que também administra a empresa Usindi Montagens e Manutenção Ltda. Daniel assumiu a responsabilidade e assinou, em 23/02/2011, o termo de inicio do procedimento fiscal na condição de representante legal e a reintimação em 12/04/2011, conforme termo de intimação fiscal n° 002. Nesta mesma oportunidade o empresário Daniel Martins, após assinatura do termo, resolveu formalizar declaração (cópia anexa), assinandoa; que, no que diz respeito da procedência do ato declaratório, de se dizer que antes de analisarmos as questões de defesa apresentadas, é de se reconhecer que nenhuma manifestação de inconformidade foi apresentada contra os atos de exclusão. Conforme já relatado, o ato de exclusão foi emitido em 16/05/2011 e a contribuinte foi cientificada em 31/05/2011, conforme doc. fl. 35; que, assim, como não foram apresentadas razões de inconformidade contra o ato de exclusão, há que se declarálo definitivo; que, no que diz respeito da definitividade do termo de sujeição passiva solidária, é de se dizer que outra questão que não foi atacada pela impugnante se refere ao Termo de Sujeição Passiva Solidária imputado à empresa Usindi Montagens e Manutenção Ltda., também de propriedade de Daniel Martins; que, portanto, não tendo sido contestado o termo de sujeição passivo há que se declarálo definitivo, o que torna a matéria preclusa na esfera administrativa; que o impugnante traz à baila manifestações de ilustres juristas, esclareço que a doutrina que permeia a peça de defesa não se sobrepõe às prescrições legais, tampouco às orientações normativas regularmente editadas pela Secretaria da Receita Federal, uma vez que ela não produz efeito vinculante sobre os atos administrativos em geral; que, no que diz respeito da nulidade do lançamento, é de se dizer a impugnante faz alusão à necessidade de ser declarada a nulidade do lançamento em face da forma como o fisco atuou; que, primeiramente, é de se esclarecer que descabe falar em nulidade do auto de infração, apenas com base no descontentamento do impugnante por terem sido alvo de ação fiscal; que impõese constatar que todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235 de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal, foram observados quando da lavratura do auto de infração; que verificase, pelo exame do processo, que não ocorreram os pressupostos supracitados, uma vez que o Auto de Infração foi lavrado por Auditores Fiscais da Receita Fl. 201DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11516.720602/201154 Acórdão n.º 1402001.689 S1C4T2 Fl. 7 11 Federal servidores competentes para efetuar o lançamento, perfeitamente identificados pelo nome, matrícula e assinatura em todos os atos emitidos pelos mesmos, no decorrer do procedimento fiscal, conforme designação pelo Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização nº 09.2.01.002011000014; que, pelo exposto, temse que a autoridade lançadora agiu com estrita observância das normas legais que regem a matéria, não tendo como prosperar as alegações de nulidade do lançamento. Se, o inconformismo do sujeito passivo é direcionado à infração apurada, melhor sorte não o socorre, posto que a matéria de prova será analisada no decorrer deste voto; que, no que diz respeito à autuação referente aos depósitos bancários, é de se dizer que atacando especificamente a infração identificada como depósitos bancários de origem não comprovada a impugnante alega que o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996 que instituiu a presunção legal de omissão de receitas quando, o contribuinte intimado a comprovar a origem de depósitos bancários ocorridos em suas contas correntes não logra fazêlo, é ilegal e que a autuação não pode prosperar; que quanto à alegação de ilegalidade da norma, cumpre esclarecer que, estando o lançamento de conformidade com a legislação tributária vigente à época de ocorrência dos fatos geradores, não cabe qualquer alegação de inconstitucionalidade e legalidade no contencioso administrativo, vez que não compete à autoridade administrativa examinar a validade de dispositivo regularmente inserido no sistema tributário nacional, sendo tal atribuição do Poder Judiciário; que, em outro ponto, sustenta que a exigência não pode prosperar já que os depósitos bancários não constituem aquisição de renda e não se amoldarem ao conceito do artigo 43 do Código Tributário Nacional; que, pois bem, antes de adentrar ao mérito, há que fazer a correta contextualização do lançamento efetuado, definindo o fato gerador e o ônus da prova atribuído a cada uma das partes, para que se possa melhor analisar o presente litígio; que, inicialmente, fazse necessário esclarecer que o que se tributa, no presente processo, não são os depósitos bancários, como tais considerados, mas a omissão de rendimentos por eles representada. Os depósitos bancários são apenas a forma, o sinal de exteriorização, pelos quais se manifesta à omissão de rendimentos objeto de tributação; que depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício da existência de omissão de rendimentos. Entretanto, esse indício se transforma na prova da omissão de rendimentos, quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, se nega a fazêlo, ou não o faz satisfatoriamente; que registrese que a ciência ao Termo de Início de Ação Fiscal ocorreu em 02/02/2011 e, até a data da lavratura do Termo de Verificação Fiscal datado de 18/07/2011, nenhum documento comprobatório da origem dos depósitos bancários foi encaminhado ao fisco. Assim, não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o dever/poder de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente; Fl. 202DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 12 que conforme constou do relatório dos autos, está sendo imputada à contribuinte duas infrações: 1) omissão de receitas da atividade, apuradas com base nos registros do Livro de Apuração do ICMS e, 2) depósitos bancários de origem não comprovada; que os depósitos de origem não comprovada referemse aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2007, de acordo com o que consta do item 22 e, a omissão de receitas da atividade, abrange os meses de março de 2007 a dezembro de 2008. Assim, o único mês em que poderia haver coincidência de lançamento para as duas infrações é março 2007, posto que em janeiro e fevereiro daquele ano nada foi registrado no Livro de Apuração de ICMS; que às folhas 131 está a planilha dos valores bancários questionados em relação aos três meses de 2007, sendo que em relação a março do referido ano, todos correspondem a TED e DOC, salvo uma única exceção correspondente a créd. pag.fornec. E mais, como no Livro de Apuração do ICMS foi declarada receita da atividade da ordem de R$30.718,90 (item 20), sem que a mesma tenha sido oferecida à tributação e, os depósitos correspondem à cifra de R$ 325.453,95, entendo que resta afastada e alegação da contribuinte,de que poderia ocorrer duplicidade de pagamento. Quando foi intimada a justificar a origem dos valores que circularam pela conta corrente bancária não apresentou qualquer comprovação de que ali constaria o valor das receitas que foram escrituradas no Livro do ICMS e que não foram objeto de tributação, uma vez que para o ano calendário de 2007 não informou receita tributável; que, de outro ângulo, se o reclamo se refere aos valores informados em relação ao ano calendário de 2008 (R$ 58.004,00), melhor sorte não a socorre posto que não houve a correspondente declaração por meio de DCTF; que a multa qualificada, ou seja, por derradeiro, a contribuinte ataca a exigência da multa qualificada à razão de 150% ao argumento de que ela atenta contra o princípio da razoabilidade e por possuir caráter de confisco, devendo ser reduzida para 75%; que, portanto, o percentual aplicado da multa, nos limites e condições estabelecidos em lei, deve ser, a priori, considerado exigível, até porque os princípios invocados – “capacidade contributiva” e “vedação ao confisco” – são premissas necessariamente observadas pelo legislador ao fixar os percentuais de multa, não cabendo à autoridade lançadora ou julgadora alterálos por critérios subjetivos. A presente decisão está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 29/06/2004 ATO DE EXCLUSÃO AO SIMPLES FEDERAL. CONSTITUIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTAS PESSOAS. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE O reconhecimento expresso da interposição de interpostas pessoas no quadro societário da pessoa jurídica e a ausência de contestação ao ato de exclusão, implica na definitividade dos efeitos do ADE/DRF FNS nº 55, de 16/05/2011. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11516.720602/201154 Acórdão n.º 1402001.689 S1C4T2 Fl. 8 13 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 ARBITRAMENTO DOS LUCROS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. A contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos de acordo com as normas de escrituração comercial e fiscal fica sujeita ao arbitramento do lucro, determinado pela aplicação de percentuais fixados em lei sobre a receita bruta. CRÉDITOS BANCÁRIOS. Por expressa previsão legal caracterizamse omissão de receita os valores creditados em contas de depósito mantidas juntos a instituições financeiras, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 NULIDADE Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. CITAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA OU DOUTRINA. No julgamento de primeira instância, a autoridade administrativa observará apenas a legislação de regência, assim como o entendimento da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos de observância obrigatória, não estando vinculada às decisões administrativas ou judiciais proferidas em processos dos quais não participe o interessado ou que não possuam eficácia erga omnes, e nem a opiniões doutrinárias sobre determinadas matérias. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. NÃO APRESENTAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO. MATÉRIA PRECLUSA. Não tendo sido contestado o termo de sujeição passiva solidária, mesmo após intimação da pessoa jurídica arrolada, declarase definitivo o ato administrativo que imputou a responsabilidade pelo crédito tributário em discussão. MULTA QUALIFICADA A presunção legal contida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 não convive, em principio, com a aplicação da multa de ofício qualificada, uma vez que essa última demanda a prova Fl. 204DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 14 inequívoca do dolo. Todavia, comprovada a interposição fraudulenta de pessoas no quadro societário da pessoa jurídica, caracterizado está a prova inequívoca do dolo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após ser cientificado da decisão de Primeira Instância, em 02/09/2013, conforme Termo constante à fl. 182, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (27/09/2013), o recurso voluntário de fls. 183/190, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que no Procedimento Fiscal, portanto, foram praticadas diversas irregularidades que devem ser afastados por esta C. Corte, para não se caracterizar o pagamento em duplicidade; que entendeu o Auditor Fiscal e foi pela 2° Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, através do Acórdão 0643.142, confirmado pela que através de comprovação da movimentação bancária o Sujeito Passivo não comprovou a origem, caracterizando omissão de receita; que é insuficiente à ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, sendo assim, o depósito bancário, segundo o disposto no art. 42 da Lei 9.430/96, quando destituído de instrumento que prove a sua origem, caracterizaria omissão de receita tributável; que o rigor da legislação, portanto, no depósito bancário por si só se constituiria numa presunção de ocorrência do fato gerador da obrigação tributaria afastada apenas pela comprovação do caráter não tributável do valor creditado na conta corrente bancária; que esse imperativo legal inserto no ordenamento jurídico pelo art. 42, da Lei 9430/96, padece de ilegalidade, especialmente porque viola o principio da tipificação cerrada expressa inclusive no art. 114 do Código Tributário Nacional; que o art. 114, do Código Tributário Nacional, estabelece que a hipótese de incidência seja somente aquela bastante à ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e o art. 42, da Lei 9.430/96, de maneira nenhuma atribui esse característico ao depósito bancário; que, deste modo, salientado que os depósito bancários não autorizam a presunção de ocorrência do fato gerador, cumpre a esta C. Corte, exonerarem a contribuinte do pagamento da obrigação tributária respectiva; que quanto a multa de 150 o sujeito passivo alega, que a aplicação de multa no percentual de 150% é abusiva, configura verdadeiro confisco ao seu patrimônio e atenta contra o princípio da razoabilidade, o que viola o disposto no art. 150 da Constituição Federal de 1988. É o relatório. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11516.720602/201154 Acórdão n.º 1402001.689 S1C4T2 Fl. 9 15 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Inicialmente é de ressaltar que a recorrente não contestou nem na fase impugnatória e nem na fase recursal as seguintes matérias: ato de exclusão ao Simples Federal em virtude de constituição de pessoa jurídica por interpostas pessoas; sujeição passiva solidária e a omissão de receitas da venda de produtos de fabricação própria escrituradas nos Livros de Registro de Apuração do ICMS apresentados pela contribuinte. Portanto, são matérias que não serão analisadas no presente voto. O presente processo trata dos seguintes atos a serem analisados: a) manifestação de inconformidade ao conteúdo do Ato Declaratório Executivo nº 55 (fl.35), de 16/05/2011, que determinou a exclusão da contribuinte ao Simples Federal, desde 29/06/2004; ; b) a impugnação aos autos de infração lavrados pela sistemática do Lucro Arbitrado, relativos aos fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2007 e 2008, fls. 39106, onde se exige o crédito tributário de R$ 154.688,43 de IRPJ (fl.41), R$ 91.091,19 de CSLL (fl.68), R$ 54.823,43 de PIS (fl.88) e, R$ 253.031,15 de COFINS (fl.97), acrescidos de multa de ofício à razão de 150% e juros SELIC. É de se ressaltar que a recorrente foi constituída em 29/06/2004 para exploração das atividades de indústria e comércio de materiais usinados, ferro, fabricação de forjados e indústria metalúrgica de peças e acessórios para veículos automotores leves e pesados (CNAE 2451200 fundição de ferro e aço), através do sócio contratual Valter Massau de Oliveira, embora a administração de fato estivesse a cargo do empresário Daniel Martins, verdadeiro dono do negócio e procurador, por força do instrumento de mandato (certidão anexa) que lhe foi outorgado em 14/02/2005. Tratase de empresa optante pelo Simples no primeiro semestre de 2007 e a partir daí passa a adotar a tributação com base no lucro presumido até o exercício de 2008 quando se observa uma paralisação de fato das suas atividades, sem empregados a partir de agosto/2008. A decisão recorrida manteve o lançamento na matéria contestada com base, em síntese nos seguintes argumentos: que o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros documentos de acordo com as normas de escrituração comercial e fiscal fica sujeita ao arbitramento do lucro, determinado pela aplicação de percentuais fixados em lei sobre a receita bruta; que por expressa previsão legal caracterizamse omissão de receita os valores creditados em contas de depósito mantidas juntos a instituições financeiras, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações; Fl. 206DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 16 que a presunção legal contida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 não convive, em principio, com a aplicação da multa de ofício qualificada, uma vez que essa última demanda a prova inequívoca do dolo. Todavia, comprovada a interposição fraudulenta de pessoas no quadro societário da pessoa jurídica, caracterizado está a prova inequívoca do dolo. Inconformada, em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, a contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, em sua defesa, ataca o que entende terem sido os fundamentos do lançamento apresentando preliminares de nulidade do lançamento, bem como apresenta razões de mérito. Quanto às preliminares de nulidade do lançamento argüidas pela suplicante, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, entendendo que a autoridade lançadora feriu diversos princípios fundamentais, não devem ser acolhidas pelos motivos abaixo. Entendo que o procedimento fiscal realizado pelos agentes do fisco foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. O princípio da verdade material tem por escopo, como a própria expressão indica a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no sentido de que a Administração possa valerse de qualquer meio de prova que a autoridade processante ou julgadora tome conhecimento, levandoas aos autos, naturalmente, e desde que, obviamente dela dê conhecimento às partes; ao mesmo tempo em que deva reconhecer ao contribuinte o direito de juntar provas ao processo até a fase de interposição do recurso voluntário. O Decreto n.º 70.235, de 1972, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a notificação de lançamento como instrumentos de formalização da exigência do crédito tributário, quando afirma: A exigência do crédito tributário será formalizado em auto de infração ou notificação de lançamento distinto para cada tributo. Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993: A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. O auto de infração e a notificação de lançamento por constituírem peças básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal, seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna inexistente o ato, sejam os atos formais ou solenes. Se houver vício na forma, o ato pode invalidarse. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11516.720602/201154 Acórdão n.º 1402001.689 S1C4T2 Fl. 10 17 Ademais, a jurisprudência é mansa e pacífica no sentido de que quando o contribuinte revela conhecer as acusações que lhe foram impostas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares como também as razões de mérito descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Da mesma forma, não procede à nulidade do lançamento argüida sob os argumentos de que o auto de infração não foi lavrado dentro dos parâmetros exigidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, ou seja, erro de capitulação legal, descrição confusa dos fatos, falta de autenticidade, bem como não houve a devida descrição e capitulação da infração cometida pela recorrente. Inicialmente, verificase que para a contribuinte foi concedido o prazo legal de 30(trinta) dias, a contar da ciência do auto de infração, para apresentar a impugnação, sendolhe assegurado vista ao processo, bem como a extração de cópias das peças necessárias a sua defesa, caso quisesse, garantindose desta forma o contraditório e a ampla defesa. Quanto ao procedimento fiscal realizado pela agente do fisco, verificase que foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. Verificase, ainda, que os Autos de Infrações às fls. 41/104, bem como o Termo de Constatação Fiscal de fls. 107/130, identifica por nome e CNPJ a autuada, esclarece que foi lavrado na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis SC, cuja ciência foi pessoal e descreve as irregularidades praticadas e o seu enquadramento legal assinado pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, cumprindo o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, ou seja, o ato é próprio do agente administrativo investido no cargo de AuditorFiscal. Não restam dúvidas de que o lançamento se deu em razão da constatação das irregularidades apontadas no Auto de Infração lavrado sem que a recorrente comprovasse efetivamente as suas alegações. Constam dos autos diversos chamados ao sujeito passivo para que esse apresentasse as justificativas acerca das irregularidades apontadas. O enquadramento legal e a narrativa dos fatos envolvidos permitem a perfeita compreensão do procedimento adotado da base tributável apurada e do cálculo do imposto resultante, permitindo o interessado o pleno exercício do seu direito de defesa. Ora, o lançamento, como ato administrativo vinculado, celebrase com estrita observância dos pressupostos estabelecidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve estar consubstanciado por instrumentos capazes de demonstrar, com segurança e certeza, os legítimos fundamentos reveladores da ocorrência do fato jurídico tributário. Isso tudo foi observado quando da determinação do tributo devido, através do Auto de Infração lavrado. Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas pelo recorrente, neste processo, já que o mesmo preenche todos os requisitos legais necessários. Da análise dos autos, constatase que a autuação é plenamente válida. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 18 Fazse necessário esclarecer, que a Secretaria da Receita Federal é um órgão apolítico, destinada a prestar serviços ao Estado, na condição de Instituição e não a um Governo específico dando conta de seus trabalhos à população em geral na forma prescrita na legislação. Neste diapasão, deve agir com imparcialidade e justiça, mas, também, com absoluto rigor, buscando e exigindo o cumprimento das normas por parte daqueles que faltam com seu dever de participação. Ademais, o Processo Administrativo Fiscal Decreto n.º 70.235, de 1972 manifestase da seguinte forma: Art. 59 São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Como se verifica do dispositivo legal, não ocorreu, no caso do presente processo, a nulidade. O auto de infração foi lavrado e a decisão foi proferida por funcionários ocupantes de cargo no Ministério da Fazenda, que são as pessoas, legalmente, instituídas para lavrar e para decidir sobre o lançamento. Igualmente, todos os atos e termos foram lavrados por funcionários com competência para tal. Ora, a autoridade lançadora cumpriu todos os preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre a suplicante, conforme se constata nos autos, com perfeito embasamento legal e tipificação da infração cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pelo recorrente, ou seja, não se verificam, por isso, os pressupostos exigidos que permitam a declaração de nulidade do Auto de Infração. Haveria possibilidade de se admitir a nulidade por falta de conteúdo ou objeto, quando o lançamento que, embora tenha sido efetuado com atenção aos requisitos de forma e às formalidades requeridas para a sua feitura, ainda assim, quer pela insuficiência na descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, efetivamente não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, ou seja, não restou provada a materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Entretanto, não é o caso em questão, pois a discussão se prende a interpretação de normas legais de regência sobre o assunto, bem como a matéria de prova. É de se esclarecer, que os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. Por outro lado, quando a descrição defeituosa dos fatos impede a compreensão dos mesmos, e, por conseqüência, das infrações correspondentes, temse o vício material. No presente caso, houve o perfeito conhecimento dos fatos descritos e das infrações imputadas. Além disso, o art. 60 do Decreto n.º 70.235, de 1972, prevê que as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 59 do mesmo Decreto não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11516.720602/201154 Acórdão n.º 1402001.689 S1C4T2 Fl. 11 19 Quanto à preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, argüida pela suplicante, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, já que a autoridade teria deixado de se manifestar sobre argumentações para que fosse justificado o fato gerador da obrigação tributária, sou pela rejeição pelos motivos abaixo expostos. Como se vê do relatório, no entendimento da suplicante a decisão de Primeira Instância teria deixado de se manifestar sobre pontos questionados na peça impugnatória, em razão disso, entende ser nula a decisão recorrida, eis que atenta contra a garantia do devido processo legal e o direito de ampla defesa da contribuinte. Ou seja, a recorrente alega que em sua peça impugnatória deixou claro que a fiscalização não conseguiu provar quando, efetivamente, as supostas irregularidades, elegendo ilegalmente, por critério próprios, a data de ocorrência do fato gerador e que a recorrente não conseguiu identificar onde constam na decisão em questão as contra argumentações sobre as alegações da recorrente de que não ficou comprovada pela autoridade fiscal as irregularidades apontadas. Da análise dos autos, verificase que os pontos centrais do litígio estavam restritos a interpretação da omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada e a aplicação da multa qualificada. Ora, com todas as vênias, por qual razão se deveria analisar uma legislação tributária que nada tem haver com o fato gerador em questão. Ademais, a interessada nada comprovou sobre os valores questionados ficou batendo na mesma tecla que os depósitos bancários por si só não poderiam caracterizar omissão de receitas, entretanto, nada comprovou. Alegação por alegação. Assim, não restam dúvidas, nos autos, que a acusação que pesa sobre o suplicante nesta fase recursal é a omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários cuja origem não foi justificada. Na análise da comparação entre os fundamentos constantes da peça acusatória e os fundamentos constantes da peça decisória, não vislumbro nenhuma desconsideração ou inovação, por parte da autoridade julgadora, do conteúdo fundamental pela qual a autoridade lançadora procedeu ao lançamento. A preliminar levantada pela suplicante, data vênia, não tem nenhum cabimento, por qualquer ângulo que se pretende analisála. Acolher da forma como foi suscitada, seria atrelar o julgador à estrita vontade da autoridade lançadora ou à vontade da autuada. Ou seja, a autoridade julgadora seria obstada de fundamentar a sua própria decisão com base em textos legais ou de emitir juízo próprio, deste que, evidentemente, não contrário à lei. Assim sendo, entendo que não se deva dar razão a suplicante, já que a decisão de Primeira Instância apreciou de forma circunstancial todos os fatos e desdobramentos contidos na imputação feita e objeto de resistência pela recorrente, com argumentos equivalentes de modo a embasar a manutenção da pretensão tributária. Somente a inexistência de exame de algum argumento apresentado pela suplicante, na fase impugnatória, cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa da impugnante, ou o Fl. 210DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 20 acréscimo de algum argumento que acarretasse mudança radical na decisão é que constituiria nulidade da decisão singular. Ora, os autos demonstram, claramente, a infração imputada acompanhada da descrição dos fatos, a decisão de Primeira Instância, é cristalina, e se manifesta sobre os principais argumentos apresentados pela suplicante em sua peça impugnatória. Estes são os principais fatos do processo em questão, e estes foram longamente debatidos pela decisão de Primeira Instância, talvez, não a contento da suplicante, ou seja, o resultado não foi como a suplicante gostaria que fosse. No meu entender, não faz nenhum sentido a autoridade julgadora ficar rebatendo argumento por argumento, embasando a sua opinião em teorias jurídicas, textos legais e jurisprudenciais, principalmente, os que não teriam o poder de modificar a decisão da questão discutida, qual seja, a tributação com base em omissão de rendimentos apurado através de prova indiciária conclusiva. É evidente, que o artigo 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, arrola a incompetência do agente e a preterição do direito de defesa, como hipóteses de nulidades dos atos praticados no curso do processo fiscal. Da mesma forma, é evidente, que a obediência plena ao direito de defesa, igualmente prescrito no artigo 5º, inciso LV da Constituição Federal, exige o atendimento concomitante aos princípios do contraditório e do devido processo legal. Não obstante, a infinidade de situações suscetíveis de ser compreendida no significado da expressão preterição do direito de defesa, ou do direito de ampla defesa é de tal amplitude que se faz necessário distinguir quando existe a falta de apreciação de prova ou argumento de defesa, bem como quando existe inovação no fundamento do lançamento, seja por inovação dos fundamentos legais, seja por alteração dos valores lançados. Os artigos 29 e 30, do Decreto n.º 70.235, de 1972, dizem respeito à liberdade da autoridade julgadora na apreciação das provas, respectivamente. É claro, que essa liberdade, no entanto, não autoriza o julgador, ao seu talante, deixar de apreciálas, pois isso certamente acarretará cerceamento do direito de defesa. Por outro lado, devese ter presente, no entanto, que, o não enfrentamento de alguma questão levantada pela impugnante, não necessariamente dá origem à preterição do direito de defesa, e por via de conseqüência, o nascimento do cerceamento do direito de defesa. Para que flore o cerceamento do direito de defesa, que seria uma condicionante para a nulidade da decisão de Primeira Instância, se faz necessário que esta questão tenha relevância, ou seja, tenha o poder de modificar algum item do decisório, não pode ser alegação por alegação, sem nenhuma importância no fato discutido. Como da mesma forma, o acréscimo de algum esclarecimento sem prejudicar a discussão, não torna, necessariamente, nula a decisão recorrida. Assim sendo, rejeito a preliminar de nulidade da decisão de Primeira Instância, baseado no entendimento que a mesma foi proferida dentro dos parâmetros legais, abrangendo os fatos importantes relatados pela suplicante. No que diz respeito aos efeitos da exclusão da sistemática do Simples Federal, no que se refere às exigências com fatos geradores nos anoscalendário de 2007 e 2008, conforme a determinação contida no art. 16 da referida Lei nº 9.317, de 1996, “a pessoa Fl. 211DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11516.720602/201154 Acórdão n.º 1402001.689 S1C4T2 Fl. 12 21 jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas”. Assim, a exclusão da sistemática do SIMPLES é requisito legal para a sujeição da pessoa jurídica à sistemática de tributação aplicável às demais pessoas jurídicas, impondose tal prática, portanto, a fim de assegurar o direito de a Fazenda Nacional em constituir o crédito tributário devido em outra modalidade de tributação, quando verificados os impedimentos legais à opção pela sistemática simplificada. Enfim, basta a exclusão do Simples para que os efeitos do referido ato administrativo se façam sentir, dado os seus já mencionados atributos da autoexecutoriedade e da imperatividade ou coercibilidade, os quais, para serem aplicados, independem da declaração de validade ou invalidade do ato. No que diz respeito ao arbitramento dos lucros relativo aos anoscalendário de 2007 e 2008, foi efetuado em virtude de nesses anoscalendário a pessoa jurídica ter deixado de apresentar sua escrituração contábil e fiscal, a despeito de devidamente intimada para tal. O arbitramento foi motivado por irregularidades na escrituração contábil e fiscal, para a apuração do resultado com base no lucro real. A legislação de regência, bem como a jurisprudência administrativa nos ensina que o imposto de renda devido será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando: 1) a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou determinar o lucro real; 2) o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou deixar de apresentar o Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária, quando optar pelo lucro presumido e não mantiver escrituração contábil regular; 3) o contribuinte optar indevidamente pelo lucro presumido; 4) o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente, residente ou domiciliado no exterior; 5) o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizadas para resumir, totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário; 6) o contribuinte não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal, nos casos em que o mesmo se encontre obrigado ao lucro real;7) o contribuinte não escriturar ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros ou registros auxiliares de que trata o § 2º do artigo 177 da Lei nº 6.404, de 1976 e § 2º do artigo 8º do DecretoLei nº 1.598, de 1977. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 22 As irregularidades da escrita e a falta da apresentação dos livros comerciais e fiscais, apontados no auto de infração e posteriormente analisada pela decisão recorrida, ao enfrentar os argumentos da impugnação, deixam claro que não foram atendidas as condições das leis comerciais e fiscais, de forma a que permitisse ao fisco a verificação da exatidão do lucro real apurado. Assim, a manutenção de uma escrita, sem o preenchimento dos requisitos da legislação comercial e fiscal, para as empresas optantes pela tributação com base no lucro real, bem como a falta de apresentação dos livros comerciais e fiscais, enseja o abandono da contabilidade e o cálculo do lucro tributável por arbitramento, por determinação legal e em consonância da reiterada jurisprudência deste Colegiado. Resta observar, que a apresentação e/ou alegação da existência dos livros comerciais e fiscais, após o encerramento da fiscalização, não tem o condão de afastar o arbitramento, efetuado exatamente pela ausência da exibição dessa documentação, porquanto essa forma de apuração de lucro não é condicional e alterável pela posterior apresentação dos livros exigidos. A contribuinte alega que em qualquer processo, administrativo ou judicial, cabe provar fatos e não direito, e o que se discute em sede de recurso, não é se as operações que deram origem aos depósitos foram ou não contabilizadas, mas sim se a ausência de contabilização autoriza o Fisco Federal a adotar, para o lançamento fiscal, base de cálculo diversa daquela prevista em Lei. Expõe o seu entendimento de que o artigo 42 da Lei nº. 9.430, de 1996 define um fato que, constatado, induz à existência de receitas omitidas pelo respectivo contribuinte. Verificado tal fato, cabe ao Fisco Federal, sob pena de evidente ilegalidade, apurar qual o montante da receita omitida (que, em determinadas situações, poderá, até, corresponder ao valor total bruto dos depósitos bancários não contabilizados). Não existe previsão legal, entretanto, que autorize ao Fisco Federal adotar, para realizar lançamento fiscal, base de cálculo aleatoriamente estabelecida. É notório, que no passado os lançamentos de crédito tributário baseado, exclusivamente, depósitos bancários sempre tiveram sérias restrições, seja na esfera administrativa, seja no judiciário. Para por um fim nestas discussões o legislador introduziu o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizando como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto à instituição financeira, em relação as quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. É conclusivo que no nosso sistema tributário tem o princípio da legalidade como elemento fundamental para que flore o fato gerador de uma obrigação tributária. Ou seja, ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Seria por demais mencionar, que a Lei Complementar não pode ser conflitada ou contraditada por legislação ordinária. E que, ante o princípio da reserva legal (CTN, art. 97), e o pressuposto da estrita legalidade, ínsito em qualquer processo de determinação e exigência de crédito tributário em favor da Fazenda Nacional, insustentável o procedimento administrativo que, ao arrepio do objetivo, finalidade e alcance de dispositivo legal, imponha ou venha impor exação. Assim, o fornecimento e manutenção da segurança jurídica pelo Estado de Direito no campo dos tributos assume posição fundamental, razão pela qual o princípio da Fl. 213DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11516.720602/201154 Acórdão n.º 1402001.689 S1C4T2 Fl. 13 23 Legalidade se configura como uma reserva absoluta de lei, de modo que para efeitos de criação ou majoração de tributo é indispensável que a lei tributária exista e encerre todos os elementos da obrigação tributária. À Administração Tributária está reservado pela lei o direito de questionar a matéria, mediante processo regular, mas sem sobra de dúvida deve se atrelar à lei existente. Com efeito, a convergência do fato imponível à hipótese de incidência descrita em lei deve ser analisada à luz dos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, que demandam interpretação estrita. Da combinação de ambos os princípios, resulta que os fatos erigidos, em tese, como suporte de obrigações tributárias, somente, se irradiam sobre as situações concretas ocorridas no universo dos fenômenos, quando vierem descritos em lei e corresponderem estritamente a esta descrição. Como a obrigação tributária é uma obrigação ex lege, e como não há lugar para atividade discricionária ou arbitrária da administração que está vinculada à lei, devese sempre procurar a verdade real à cerca da imputação, desde que a obrigação tributária esteja prevista em lei. Não basta a probabilidade da existência de um fato para dizerse haver ou não haver obrigação tributária. Neste aspecto, apesar das intermináveis discussões, não pode prosperar, na íntegra, os argumentos da recorrente, já que, a princípio, o ônus da prova em contrário é da defesa, sendo a legislação de regência cristalina, conforme o transcrito abaixo: Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I – os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II – no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano Fl. 214DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 24 calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Como se vê no dispositivo legal mencionado o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de receitas ou de rendimentos. Não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização legal para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem receitas da pessoa jurídica. É evidente que nestes casos existe a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. É incontroverso que é função do fisco, entre outras, a comprovação do crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o artigo 42 da lei nº 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Na falta de comprovação da origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder/dever de considerar os valores depositados como se fossem receitas tributáveis e omitidas na DIPJ, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do Princípio da Legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente, tãosomente, a inquestionável observância da legislação. A comprovação deverá ser feita com documentação hábil e idônea, devendo ser indicada à origem de cada depósito individualmente, não servindo, a princípio, como comprovação de origem de depósito as receitas anteriormente auferidas ou já tributadas, se não for comprovada a vinculação da percepção dos rendimentos com os depósitos realizados. Assim, os valores cuja origem não houver sido comprovada serão oferecidos à tributação. Não há dúvidas, que na presunção de omissão de receitas de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o sujeito passivo é o titular da conta bancária que, regularmente intimado, não comprove a origem dos depósitos bancários. Assim sendo, resta claro de que o legislador atribuiu ao titular da disponibilidade financeira, e não à Administração Tributária, o ônus de identificar os negócios jurídicos que proporcionaram os depósitos. Não poderia ser mais ponderado. Afinal, é ele, contribuinte, que participa diretamente do negócio, o qual, na quase totalidade dos casos, se exterioriza pela produção de um instrumento formal que se constitui em prova documental da sua realização (recibo, contrato, escritura, nota fiscal, etc.). Em suma, a norma estabeleceu a obrigatoriedade de o contribuinte manter documentação probatória da origem dos valores que deposita em sua conta bancária. Fazse necessário reforçar, que a presunção criada pelo art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, é uma presunção relativa passível de prova em contrário. Ou seja, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram em nome do contribuinte ou em nome de terceiros em instituições bancárias. A simples prova em contrário, ônus que cabe ao contribuinte, faz desaparecer a presunção de omissão de receitas. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11516.720602/201154 Acórdão n.º 1402001.689 S1C4T2 Fl. 14 25 Por outro lado, a falta de justificação faz nascer à obrigação do contribuinte para com a Fazenda Nacional de pagar o tributo com os devidos acréscimos previstos na legislação de regência, já que a principal obrigação em matéria tributária é o recolhimento do valor correspondente ao tributo na data aprazada. A falta de recolhimento no vencimento acarreta em novas obrigações de juros e multa que se convertem também em obrigação principal. Assim, desde que o procedimento fiscal esteja lastreado nas condições imposta pelo permissivo legal, entendo que seja da recorrente o ônus de provar a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias. Ou seja, de provar que há depósitos, devidamente especificados, que representam ou não aquisição de disponibilidade financeira tributável ou não tributável, ou que já foi tributado. Desta forma, para que se proceda à exclusão da base de cálculo de algum valor considerado, indevidamente, pela fiscalização, se faz necessário que o contribuinte apresente elemento probatório que seja hábil e idôneo para comprovar a origem do valor depositado (créditos), independentemente, se tratar de receitas tributáveis ou não. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributações específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. É evidente, que depósitos bancários de origem não comprovada se traduzem em renda presumida, por presunção legal “júris tantum”. Isto é, ante o fato material constatado, qual seja depósitos/créditos em conta bancária, sobre os quais o contribuinte, devidamente intimado, não apresentou comprovação de origem, a legislação ordinária autoriza a presunção de renda relativamente a tais valores (Lei n° 9.430, de 1996, art. 42). Indiscutivelmente, esta presunção em favor do fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos questionados. Pelo exame dos autos verificase que a recorrente, embora intimada a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em suas contas bancárias não conseguiu equacionar, de forma razoável, os depósitos questionados com os pretensos valores recebidos e é isso que importa para justificar a origem dos depósitos de forma individualizada, coincidentes em datas e valores. Não há dúvidas, que a Lei nº 9.430, de 1996, definiu, portanto, que os depósitos bancários, de origem não comprovada, efetuados a partir do anocalendário de 1997, caracterizam omissão de receitas e não meros indícios de omissão, estando, por conseguinte, sujeito à tributação pelo Imposto de Renda Pessoa Jurídica e nos processos decorrentes. Nos autos ficou evidenciado, através de indícios e provas, que a suplicante recebeu os valores questionados neste auto de infração. Sendo, que, neste caso, está clara a existência de indícios de omissão de receitas, situação que se inverte o ônus da prova do fisco para o sujeito passivo. Isto é, ao invés de a Fazenda Pública ter de provar que a recorrente possuía fontes de recursos para receber estes valores ou que os valores são outros, já que a base arbitrada não corresponderia ao valor real recebido, competirá à suplicante produzir a prova da improcedência da presunção, ou seja, que os valores recebidos estão lastreados em documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores. A presunção legal júris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato Fl. 216DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 26 indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimento (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. Não tenho dúvidas, que o efeito da presunção “júris tantum” é de inversão do ônus da prova. Portanto, cabia ao sujeito passivo, se o quisesse apresentar provas de origem de tais rendimentos presumidos. Oportunidade que lhe foi proporcionado tanto durante o procedimento administrativo, através de intimação, como na impugnação, quer na fase ora recursal. Nada foi acostado que afastasse a presunção legal autorizada. Ora, está sendo imputada à contribuinte duas infrações: 1) omissão de receitas da atividade, apuradas com base nos registros do Livro de Apuração do ICMS e, 2) depósitos bancários de origem não comprovada. Os depósitos de origem não comprovada referemse aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2007, de acordo com o que consta do item 22 e, a omissão de receitas da atividade, abrange os meses de março de 2007 a dezembro de 2008. Assim, o único mês em que poderia haver coincidência de lançamento para as duas infrações é março 2007, posto que em janeiro e fevereiro daquele ano nada foi registrado no Livro de Apuração de ICMS. Além disso, às folhas 131 está a planilha dos valores bancários questionados em relação aos três meses de 2007, sendo que em relação a março do referido ano, todos correspondem a TED e DOC, salvo uma única exceção correspondente a créd. pag.fornec. E mais, como no Livro de Apuração do ICMS foi declarada receita da atividade da ordem de R$ 30.718,90 (item 20), sem que a mesma tenha sido oferecida à tributação e, os depósitos correspondem à cifra de R$ 325.453,95, entendo que resta afastada e alegação da contribuinte de que poderia ocorrer duplicidade de pagamento. Quando foi intimada a justificar a origem dos valores que circularam pela conta corrente bancária não apresentou qualquer comprovação de que ali constaria o valor das receitas que foram escrituradas no Livro do ICMS e que não foram objeto de tributação, uma vez que para o ano calendário de 2007 não informou receita tributável. Por fim, cumpre ressaltar que as hipóteses de arbitramento do lucro, conforme definidas pelo art. 47, da Lei n° 8.981, de 1995, possuem um caráter residual, ou seja, são aplicáveis de maneira subsidiária, principalmente em situações nas quais é verificada pela Fiscalização a imprestabilidade da documentação de uma determinada contribuinte. O conflito aparente de normas é resolvido pela aplicação do critério da especialidade, segundo o qual a lei especial derroga, para o caso concreto, a lei especial, conforme o ensinamento de Luiz Regis Prado (Curso de Direito Penal Brasileiro. S. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2005. p.231): Critério da especialidade — lex specialis derogat legi generali: o princípio de especialidade, único a ter aceitação pacífica, já era conhecido dos romanos — semper specialia generalibus sunt; generali per specien derogantur. A lei especial derroga, para o caso concreto, a lei geral, Entre a norma geral (gênero) e a especial (espécie) há uma relação hierárquica de subordinação que estabelece a prevalência da última, visto que contém todos os elementos daquela e mais alguns denominados especializastes. No caso concreto, as hipóteses de arbitramento definidas pelo art. 47, da Lei n° 8.981, de 1995 se constituem em regra geral, que são suplantadas pelo regramento específico definido pelo art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, aplicável especificamente à hipótese Fl. 217DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11516.720602/201154 Acórdão n.º 1402001.689 S1C4T2 Fl. 15 27 de não comprovação da origem de recursos utilizados nas movimentações financeiras, conforme foi identificado pela autoridade fiscal lançadora. Todos os fatos acima descritos corroboram a conclusão a que se chega pela aplicação da presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Notese que esta presunção tem em sua base uma regra de experiência altamente verossímil no sentido de que depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo contribuinte têm por origem as receitas decorrentes do exercício das atividades por ele desenvolvidas. Este não é um simples dado imposto pela lei, mas uma regra de experiência colhida pelo legislador. O fato de que o legislador, com base nesta regra de experiência, fixou uma regra prescrevendo uma presunção de omissão de receitas não exclui que a autoridade responsável pela aplicação da presunção possa atingir o convencimento de que efetivamente houve omissão de receitas com base na simples regra de experiência (independentemente de sua previsão em lei). Ao lado disso, outros elementos de prova já mencionados foram coletados para demonstrar que os recursos movimentados nas contas bancárias decorrem efetivamente de receitas auferidas em razão do exercício das atividades pela contribuinte. Diante da conduta da contribuinte em não comprovar a origem dos recursos em suas contas bancárias, a caracterização da infração de omissão de receitas com base nos depósitos bancários é perfeitamente regular em face de expressa previsão legal do art. 42 da Lei 9.430, de 1996, devendo ser afastado o argumento da defesa relativo à impossibilidade da fiscalização de presumir omissão de receitas através da análise dos depósitos bancários, por não constituírem renda da contribuinte. Quanto à matéria de mérito propriamente dito não há mais o que discutir, a decisão recorrida refutou em detalhes os argumentos apresentadas pela contribuinte. A recorrente se insurge contra a aplicação de multa qualificada alegando que a sua aplicação caracteriza um verdadeiro confisco. Resta claro, nos autos, que a decisão recorrida entendeu que a luz da legislação tributária, constitui hipótese de qualificação da multa de oficio a prática de sonegação, fraude ou o conluio, ou seja, ações ilícitas definidas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502, de 1964. E a constatação pela Fiscalização de qualquer uma dessas hipóteses legais é o que basta para justificar a imposição de penalidade fiscal qualificada, nos termos da legislação acima transcrita. Entendeu, ainda, a decisão recorrida que as práticas definidas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502, de 1964, tratam de infrações em cuja definição seja elementar o "dolo especifico" do agente, ou seja, infrações nas quais o "executor" do ato tenha em mente a obtenção de um determinado resultado preciso, portanto, que fique evidenciada não apenas a intencionalidade do agente, mas seu objetivo de atingir determinado resultado. Nesta linha de raciocínio a decisão recorrida se posicionou no sentido de que a presunção legal contida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 não convive, em principio, com a aplicação da multa de ofício qualificada, uma vez que essa última demanda a prova inequívoca do dolo. Todavia, comprovada a interposição fraudulenta de pessoas no quadro societário da pessoa jurídica, caracterizado está a prova inequívoca do dolo, que por sua vez leva a caracterizar o evidente intuito de fraude. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 28 Só posso acompanhar a decisão recorrida, pois no presente caso estão presentes os elementos demandados para a qualificação da multa. As provas residem nos autos e elencadas no Termo de Verificação Fiscal, que acompanha os autos de infrações. É conclusivo de que caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do artigo 957, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000, de 1999, autorizando a qualificação da multa de ofício, a prática de interposição fraudulenta de pessoas no quadro societário da pessoa jurídica para acobertar os verdadeiros sócios, acrescidos da prática reiterada de omissão de vendas e falta de contabilização de depósitos bancários, como forma de ocultar a ocorrência do fato gerador e subtrairse à obrigação de comprovar os recolhimentos dos impostos e contribuições sobre as receitas auferidas. Assim sendo, entendo, que neste processo, cabe razão a decisão recorrida, já que está aplicada corretamente a multa qualificada de 150%, cujo diploma legal é o artigo 44, § 1º, da Lei n.º 9.430, de 1996, que prevê sua aplicação nos casos de evidente intuito de fraude, conforme farta Jurisprudência emanada deste Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como se vê nos autos, a ora recorrente foi autuada sob a acusação de ação dolosa e fraudulenta caracterizada pela utilização de “contas correntes em nome de terceiros “laranja” para acobertar operações próprias, como o objetivo de tentar dissimular as receitas auferidas e que no entender da autoridade fiscal lançadora e da decisão recorrida caracteriza evidente intuito de fraude nos termos do artigo 957 do Regulamento do Imposto de Renda. Só posso concordar com esta decisão, já que, no meu entendimento, para que ocorra a incidência da hipótese prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996, é necessário que esteja perfeitamente caracterizado o evidente intuito de fraude, já que sonegação, no sentido da legislação tributária reguladora do Imposto de Renda, o conceito integra, juntamente com o de fraude e conluio, o de “evidente intuito de fraude”. Como se vê o inciso II do artigo 957, do RIR/99, que representa a matriz da multa qualificada, reportase aos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, que prevêem o intuito de se reduzir, impedir ou retardar, total ou parcialmente, o pagamento de uma obrigação tributária, ou simplesmente ocultála. Resta, pois, para o deslinde da controvérsia, saber se os atos praticados pelo sujeito passivo configuraram ou não a fraude fiscal, tal como se encontra conceituada no artigo 72 da Lei n.º 4.502, de 1964, verbis: Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Entendo que para aplicação da multa qualificada deve existir o elemento fundamental de caracterização que é o evidente intuito de fraude e este está devidamente demonstrado nos autos, através da utilização de contas bancárias em nome de terceiro, sem a devida escrituração na contabilidade da empresa. Existe nos autos a prova material da evidente intenção de sonegar e/ou fraudar o imposto. Ou seja, o ato de abrir conta corrente em nome de terceiros (“laranja”) já demonstra o evidente intuito de querer fraudar o fisco. A falta da sua escrituração na contabilidade oficial da empresa, simplesmente, reforça este desejo de agir na ilicitude e no desejo de obter vantagens para si à custa da Fazenda Nacional (não pagar tributos). Ademais, os arranjos pessoais realizadas pela empresa para se proteger de eventuais Fl. 219DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11516.720602/201154 Acórdão n.º 1402001.689 S1C4T2 Fl. 16 29 problemas financeiros não podem atingir os interesses da Fazenda Nacional, razão pela qual não se permite a movimentação de recursos financeiros sem a devida escrituração fiscal e contábil, muito menos abertura de contas bancárias em nomes fictícios (“contas frias”) e contasbancárias em nome de terceiros, sem a devida escrituração. Já ficou decidido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que a multa qualificada somente será passível de aplicação quando se revelar o evidente intuito de fraudar o fisco, devendo ainda, neste caso, ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Decisão, por si só suficiente para uma análise preambular da matéria sob exame. Não se faz necessário se referir às decisões administrativas na medida em que é princípio geral de direito universalmente conhecido de que multas e os agravamentos de penas pecuniárias ou pessoais devem estar lisamente comprovadas. Tratase de aplicar uma sanção e neste caso o direito faz com cautelas para evitar abusos e arbitrariedades. O evidente intuito de fraude não pode ser presumido. Tirando toda a subjetividade dos argumentos apontados, resta apenas de concreto a falta de recolhimento do imposto de renda. Da análise dos documentos constantes dos autos e das suposições da autoridade lançadora se pode dizer que houve o “evidente intuito de fraude” que a lei exige para a aplicação da penalidade qualificada. Há, pois, neste processo o elemento subjetivo do dolo, em que o agente age com vontade de fraudar reduzir o montante do imposto devido, pela inserção de elementos que sabe serem inexatos. Como se vê nos autos, a contribuinte foi autuada sob a acusação de omissão de receitas e para dissimular às reais operações a suplicante utilizouse de contas bancárias em nome de terceiros, sem a devida escrituração. Sendo que a autuada não apresentou qualquer documento que lhe fosse favorável no sentido de descaracterizar a infração ou atenuar a imputação que lhe é dirigida de ação dolosa e fraudulenta. Assim, entendo que neste processo, está aplicada corretamente a multa qualificada de 150%, do artigo 44, inciso II, da Lei n.º 9.430/96, que prevê sua aplicação nos casos de evidente intuito de fraude. Para um melhor deslinde da questão impõese, invocar o conceito de fraude fiscal, que se encontra na Lei. Em primeiro lugar, recordese o que determina o Regulamento do Imposto de Renda, nestes termos: Art. 957. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença do imposto (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44) (...). II – de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 30 Quando a lei se reporta ao termo de evidente intuito de fraude é óbvio que a palavra intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente, já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já denotam ter o seu autor pretendido proceder desta ou daquela forma para alcançar tal ou qual finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja, aquilo que se tem em vista, ao agir. O evidente intuito de fraude floresce nos casos típicos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária fictícia, conta bancária em nome de terceiros, sem a devida escrituração, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc. Não basta que atividade seja ilícita para se aplicar à multa qualificada, deve haver o evidente intuito de fraude, já que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. É cristalino, que nos casos de realização das hipóteses de fato de conluio, fraude e sonegação, uma vez comprovadas estas, e por decorrência da natureza característica dessas figuras, o legislador tributário entendeu presente o intuito de fraude. Enfim, há no caso a prova material suficiente da evidente intenção de sonegar e/ou fraudar o imposto. Há, pois, neste processo o elemento subjetivo do dolo, em que o agente age com vontade de fraudar reduzir o montante do imposto devido, pela inserção de elementos que sabe serem inexatos. Da mesma forma, não cabe razão a recorrente no que tange a alegação de ilegalidade e ofensa a princípios constitucionais (capacidade contributiva e confisco), o exame das mesmas escapa à competência da autoridade administrativa julgadora. Há que se destacar que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, independentemente de questões de discordância, pelos contribuintes, acerca de alegadas ilegalidades/inconstitucionalidades, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Não há dúvidas de que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontramse elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de Fl. 221DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11516.720602/201154 Acórdão n.º 1402001.689 S1C4T2 Fl. 17 31 ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídicotributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. (...). A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação (...). Fl. 222DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 32 Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal (...). Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF., não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da CF., que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa. De qualquer forma, há que se esclarecer que o Imposto Renda da Pessoa Física é um tributo calculado sobre a renda tributável auferida. Ou seja, é calculado levandose em consideração aos rendimentos tributáveis auferidos e em razão do valor é enquadrada dentro de uma alíquota, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito passivo da obrigação tributária. Ademais, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11516.720602/201154 Acórdão n.º 1402001.689 S1C4T2 Fl. 18 33 Nesta linha de entendimento, não vejo como se poderia acolher o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da multa de ofício aplicada, bem como da taxa SELIC aplicada como juros de mora sobre o débito exigido no presente processo com base na Lei n.º 9.065, de 20/06/95, que instituiu no seu bojo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia de Títulos Federais (SELIC). É entendimento, neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que à discussão sobre a inconstitucionalidade de normas legais é inócua, já que os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de declarar a inconstitucionalidade de lei ou regulamento, face à inexistência de previsão constitucional. No sistema jurídico brasileiro, somente o Poder Judiciário pode declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade. No caso de lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle seria mesmo incabível, por ilógico, pois se o Chefe Supremo da Administração Federal já fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência para poder promulgar a lei não seria razoável que, subordinados na hierarquia administrativa, considerassem inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional. Exercendo a jurisdição no limite de sua competência, o julgador administrativo não pode nunca ferir o princípio de ampla defesa, já que esta só pode ser apreciada no foro próprio. Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda inconstitucional, maior insegurança teriam os cidadãos, por ficarem à mercê do alvedrio do Executivo. O poder Executivo haverá de cumprir o que emana da lei, ainda que materialmente possa ela ser inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo afasta sob o ponto de vista formal a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetálaia, nos termos do artigo 66, § 1º da Constituição. Rejeitado o veto, ao teor do § 4º do mesmo artigo constitucional, promulguea ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza, não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Facultaselhe, tãosomente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a decisão, continuará o Poder Executivo a lhe dar execução. Imaginese se assim não fosse, facultandose ao Poder Executivo, através de seus diversos departamentos, desconhecer a norma legislativa ou simplesmente negarlhe executoriedade por entendêla, unilateralmente, inconstitucional. A evolução do direito, como quer o suplicante, não deve pôr em risco toda uma construção sistêmica baseada na independência e na harmonia dos Poderes, e em cujos princípios repousa o estado democrático. Não se deve a pretexto de negar validade a uma lei pretensamente inconstitucional, praticarse inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 34 Ademais, matéria já pacificada no âmbito administrativo, razão pela qual o Presidente do então Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, pela Portaria CARF nº 106, de 2009 (publicadas no DOU de 22/12/2009), assim redigidas: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).” Por fim, infere do relato, as exigências da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), da Contribuição para a Seguridade Social (INSS) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) decorrem do lançamento levado a efeito na área do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e, especificamente, em razão das irregularidades apuradas pela autoridade fiscal lançadora e mantidas de forma integral pela decisão recorrida. Em observância ao princípio da decorrência e a certeza da relação de causa e efeito existente entre o suporte fático em ambos os processo, o julgamento daquele apelo principal, ou seja, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), deve, a princípio, se refletir nos presentes julgados, eis que o fato econômico que causou a tributação por decorrência é o mesmo e já está consagrado na jurisprudência administrativa que a tributação decorrente/reflexa deve ter o mesmo tratamento dispensado ao processo principal em virtude da íntima correlação de causa e efeito. Considerando que, no presente caso, o autuado não conseguiu elidir a totalidade das irregularidades apuradas, devese manter o exigido no processo decorrente, que é a espécie do processo sob exame, uma vez que ambas as exigências que a formalizada no processo principal quer as dele originadas (lançamentos decorrentes) repousam sobre o mesmo suporte fático. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 225DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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