Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
5488725 #
Numero do processo: 11030.904371/2012-73
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2003 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201403

ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2003 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado

turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 11030.904371/2012-73

anomes_publicacao_s : 201406

conteudo_id_s : 5352701

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 3801-003.185

nome_arquivo_s : Decisao_11030904371201273.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : MARCOS ANTONIO BORGES

nome_arquivo_pdf_s : 11030904371201273_5352701.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.

dt_sessao_tdt : Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014

id : 5488725

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:17 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046812066054144

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1814; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE01  Fl. 86          1 85  S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11030.904371/2012­73  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  3801­003.185  –  1ª Turma Especial   Sessão de  27 de março de 2014  Matéria  RESTITUIÇÃO  Recorrente  LATICINIOS BOM GOSTO S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 30/06/2003  PIS.  COFINS.  RESTITUIÇÃO.  EXCLUSÃO DO VALOR DO  ICMS DA  BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.  O  valor  do  ICMS  compõe  o  preço  da  mercadoria  integrando  assim  o  faturamento,  que  é  base  de  cálculo  das  contribuições  para  o  PIS/Pasep  e  a  Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.   INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária.  Recurso Voluntário Negado       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.   (assinado digitalmente)  Paulo Sérgio Celani ­ Presidente Substituto.  (assinado digitalmente)  Marcos Antonio Borges ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Paulo  Sérgio Celani  (Presidente  Substituto),  José  Luiz  Feistauer  De  Oliveira,  Sidney  Eduardo  Stahl,  Marcos     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 43 71 /2 01 2- 73 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904371/2012­73  Acórdão n.º 3801­003.185  S3­TE01  Fl. 87          2 Antonio  Borges,  Maria  Inês  Caldeira  Pereira  da  Silva  Murgel  e  Jacques  Mauricio  Ferreira  Veloso De Melo.  Fl. 87DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904371/2012­73  Acórdão n.º 3801­003.185  S3­TE01  Fl. 88          3   Relatório  Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento,  que narra bem os fatos:  O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito  nele declarado em razão de pagamento indevido ou a maior de  Cofins, relativo ao fato gerador de 30/06/2003.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  de  jurisdição  do  contribuinte  emitiu  despacho  decisório  eletrônico  no  qual  indefere  a  restituição  pleiteada,  sob o  argumento  de  que  o pagamento  foi  utilizado na quitação  integral de débito(s) do  contribuinte,  não  restando crédito disponível para restituição.  Irresignado  com  o  indeferimento  do  seu  pedido,  tendo  sido  cientificado em 23/01/2013 (fl. 8), o contribuinte apresentou, em  20/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 11/21, com  os argumentos a seguir sintetizados.  Informa  que  pediu  a  restituição  dos  valores  pagos  a  maior  a  título  de  Cofins,  uma  vez  que  foram  pagos  sem  a  exclusão  do  ICMS da base de cálculo.  Traz  entendimentos  doutrinários  e  jurisprudência  dos  tribunais  acerca do conceito de faturamento, o qual entende não abarcar  o  conceito  de  “ingresso”.  O  ICMS  seria  mero  ingresso  na  escrituração  contábil  das  empresas,  para  posterior  destinação  ao Fisco, terceiro titular de tais valores.  Cita  o  recurso  extraordinário  nº  240785,  que  se  encontra  em  fase decisória no STF, outros excertos doutrinários e princípios  constitucionais,  discorrendo  acerca  da  impossibilidade  de  inclusão  do  ICMS  na  base  de  cálculo  do PIS/Cofins,  visto  que  não  representa  riqueza  do  contribuinte,  não  fazendo  parte  da  receita ou do faturamento.  Por fim, requer seja deferido o seu pedido de restituição,  tendo  em  vista  ser  inconstitucional  a  cobrança  do  PIS/Cofins  sem  a  exclusão  do  ICMS da base  de  cálculo,  e  que os  créditos  sejam  acrescidos de juros Selic, desde o seu pagamento indevido até a  data da restituição/compensação.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte  (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS  Data do fato gerador: 30/06/2003  Fl. 88DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904371/2012­73  Acórdão n.º 3801­003.185  S3­TE01  Fl. 89          4 EXCLUSÃO  DO  ICMS  DA  BASE  DE  CÁLCULO.  IMPOSSIBILIDADE.  Não  há  previsão  legal  para  a  exclusão  do  ICMS  da  base  de  cálculo das contribuições ao PIS/Cofins apuradas pelos regimes  cumulativo e não­cumulativo.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Inconformada,  a  contribuinte  recorre  a  este  Conselho,  conforme  recurso  voluntário  apresentado,  no  qual  repisa  os  argumentos  apresentados  na  Manifestação  de  Inconformidade.  É o relatório.  Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904371/2012­73  Acórdão n.º 3801­003.185  S3­TE01  Fl. 90          5   Voto             Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges  O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto  dele toma­se conhecimento.  O  direito  creditório  não  existiria,  segundo  o  despacho  decisório  inicial,  porque os  pagamentos  constantes  do  pedido  estariam  integralmente  vinculados  a  débitos  em  DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos.  Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o  objetivo  é  confirmar  a  existência  de  indébito  tributário,  confrontando  informações  das  declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o  mérito  da  questão,  o  que  somente  será  viável  a  partir  da  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pelo  requerente,  na  qual,  espera­se,  seja  descrita  a  origem  do  direito  creditório  pleiteado e sua fundamentação legal.   Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os  créditos pleiteados  referem­se a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em  razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições.  A questão da inclusão do  ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é  objeto  do  Recurso  Extraordinário  (RE)  nº  240.785­2  MG,  que  não  foi  ainda  julgada  até  a  presente data.  Na  Ação  Declaratória  de  Constitucionalidade  (ADC)  nº  18,  que  trata  da  mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar  para determinar que, até o  julgamento  final da ação pelo Plenário do STF,  juízos e  tribunais  suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, §  2º,  inciso  I,  da  Lei  no  9.718/98.  A  suspensão  dos  julgamentos  deferida  liminarmente  foi  sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e,  finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a  eficácia da medida cautelar anteriormente deferida.  Quanto  ao  RE  nº  240.785­2/MG,  o  mesmo  foi  também  sustado  até  o  julgamento do ADC no 18,  já que o Plenário do STF, ao  julgar questão de ordem  levantada  pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento  do  RE  em  tela,  uma  vez  que  a  ADC,  por  tratar­se  de  controle  concentrado  de  constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria.  Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo  em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a  matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no­ 545, de 18 de novembro de 2013, que  revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho,  que  previam  o  sobrestamento  dos  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904371/2012­73  Acórdão n.º 3801­003.185  S3­TE01  Fl. 91          6 sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma  matéria,  preliminarmente  entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos.  Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente.  O  valor  do  ICMS  compõe  o  preço  da  mercadoria  sendo  calculado  “por  dentro”,  ou  seja,  o  montante  do  próprio  imposto  está  incluído  na  sua  base  de  cálculo,  nos  termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento,  que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa  disposição legal para tanto.  A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS  “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto  tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas.  Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei  10.833,  de  2003,  para  aquelas  empresas  sujeitas  ao  regime  não  cumulativo  de  apuração  das  referidas  contribuições,  estas passaram a  ter como  fato  gerador o  faturamento mensal,  assim  entendido  o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente  de  sua  denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à  possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas  leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas  decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações  de exportação.  Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontrava­se pacificada, sendo editada  a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita:  Súmula:  68  A  PARCELA  RELATIVA  AO  ICM  INCLUI­SE  NA  BASE DE CALCULO DO PIS.   Em  relação  ao  FINSOCIAL,  que  também  tinha  por  base  de  cálculo  o  faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece:  Súmula  94.  A  PARCELA  RELATIVA  O  ICMS  INCLUI­SE  NA  BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL.  Este  também  é  o  entendimento  exarado  pelo  STJ,  superada  a  suspensão  liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito  do REsp no 1.127.877­SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do  artigo 543­C do CPC, no  sentido de que o  ICMS  integra  sim a base de  cálculo do PIS  e da  COFINS,  através  de  decisão  monocrática  que  negou  seguimento  ao  recurso,  com  base  em  jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  OMISSÃO  NÃO  CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS.  INCLUSÃO  DO  ICMS.  POSSIBILIDADE.  PRECEDENTES.  RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO.  A  jurisprudência  deste Tribunal  pacificou­se  no  sentido  de  que  "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo  do  PIS  e  da  Cofins,  nos  termos  das  Súmulas  68  e  94  do  STJ"  (AgRg  no  REsp  1.121.982/RS,  2ª  T.,  Min.  Humberto  Martins,  Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904371/2012­73  Acórdão n.º 3801­003.185  S3­TE01  Fl. 92          7 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg  no  Ag  1.069.974/PR,  1ª  T.,  Min.  Francisco  Falcão,  DJe  de  02/03/2009;  REsp  1.012.877/PR,  2ª  T.,  Min.  Mauro  Campbell  Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T.,  Min.  Herman  Benjamin,  DJe  de  03/02/2011;  AgRg  no  Ag  1.005.267/RS,  1ª  T.,  Min.  Benedito  Gonçalves,  DJe  de  02/09/2009.  Ocorre  ainda  que  eventuais  alegações  acerca  de  inconstitucionalidade  da  legislação  tributária não  são oponíveis na  esfera  administrativa,  uma vez  que  sua  apreciação  foge  à  alçada  da  autoridade  administrativa  de  qualquer  instância,  não  dispondo  esta  de  competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no  ordenamento jurídico nacional.  Com  efeito,  a  apreciação  dessas  questões  acha­se  reservada  ao  Poder  Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas  deve  ser  submetida  àquele  Poder.  Portanto,  é  inócuo  suscitar  tais  alegações  na  esfera  administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar  textos  legais em vigor,  sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão  julgador, nos  termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus  membros.  Assim,  diante  do  exposto,  voto  por  negar  provimento  ao  presente  recurso  voluntário.  (assinado digitalmente)  Marcos Antônio Borges                                Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI

score : 1.0
5559420 #
Numero do processo: 10980.009673/2008-58
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201407

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto. Recurso Voluntário Provido.

turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 10980.009673/2008-58

anomes_publicacao_s : 201408

conteudo_id_s : 5366623

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 2801-003.565

nome_arquivo_s : Decisao_10980009673200858.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : TANIA MARA PASCHOALIN

nome_arquivo_pdf_s : 10980009673200858_5366623.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.

dt_sessao_tdt : Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014

id : 5559420

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:33 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046812079685632

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1842; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE01  Fl. 47          1 46  S2­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10980.009673/2008­58  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2801­003.565  –  1ª Turma Especial   Sessão de  16 de julho de 2014  Matéria  IRPF  Recorrente  PAULO MACIEL MEYER  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2005  IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO  DO REGIME DE COMPETÊNCIA.  Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o  imposto  de  renda  incidente  sobre  rendimentos  pagos  acumuladamente deve  ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei  nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular  o imposto.  Recurso Voluntário Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao  recurso  para  cancelar  a  exigência  fiscal  relativa  à  omissão  de  rendimentos  recebidos  acumuladamente.  Votou  pelas  conclusões  o  Conselheiro  Marcio  Henrique  Sales  Parada.  Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso.     Assinado digitalmente   Tânia Mara Paschoalin ­ Presidente e Relatora.    Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin,  José  Valdemir  da  Silva,  Mara  Eugenia  Buonanno  Caramico,  Carlos  César  Quadros  Pierre,  Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 96 73 /2 00 8- 58 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.009673/2008­58  Acórdão n.º 2801­003.565  S2­TE01  Fl. 48          2 Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  apresentado  contra  decisão  proferida  pela  4ª  Turma de Julgamento da DRJ/CTA/PR.  Por  bem  descrever  os  fatos,  reproduz­se  abaixo  o  relatório  da  decisão  recorrida:  “Trata  o  presente  processo  de  notificação  de  lançamento  de  Imposto  sobre a Renda de Pessoa Física  ­  IRPF,  às  fls.  08/11,  relativa  à  declaração  de  ajuste  anual  do  exercício  2005,  ano­ calendário 2004, para a redução do saldo de imposto a restituir,  de R 3.557,84 para R$ 492,62,  em  face da  constatação de:  (a)  omissão de rendimentos, no valor de R$ 7.179,05, auferidos em  virtude  de  processo  judicial  trabalhista,  já  deduzidos  dos  honorários  advocatícios  e do  INSS  do  empregado;  (b)  omissão  parcial  de  rendimentos,  no  valor  de R$  1.056,10,  auferidos  da  empresa  DALCON  ENGENHARIA  LTDA;  e  (c)  dedução  indevida a título de previdência oficial, no valor de R$ 3.193,27,  por falta de comprovação.  Cientificado  do  lançamento,  por  via  postal,  em  11/06/2008  (fl.  22), o  interessado apresentou, tempestivamente, em 04/07/2008,  a impugnação de fls. 01/02, instruída com os documentos de fls.  03/12, a seguir sintetizada.  No que se  refere à omissão de  rendimentos decorrente de ação  trabalhista,  no  valor de R$ 7.179,05,  alega  estar  equivocado  o  auditor  fiscal,  uma  vez  que  o  montante  de  R$  28.927,43  é  relativo  ao  crédito  bruto,  composto  de  INSS  (R$  7.540,66),  FGTS a depositar  (R$ 18.724,92) e  juros  (R$ 2.667,85),  sendo,  portanto,  tributáveis  R$  10.202,57,  nada  restando  a  declarar  após  a  dedução  dos  honorários  advocatícios  de  R$  16.005,16.  Esclarece  que,  sem  ter  feito  uma  "análise  mais  acurada",  declarou o valor de R$ 5.743,22, que deve ser retificado para R$  0,00.  Quanto à omissão de rendimentos de aluguel, atribui à taxa de  R$  909,51  paga  à  advogada  ANA  CAROLINA  MAINGUÉ  MEYER,  pelo  gerenciamento  do  contrato,  e  à metade  do  IPTU  do  imóvel,  de R$ 146,59, valores  esses que diz  ter  indicado na  declaração ("Pagamentos e doações efetuados").  No que se refere à previdência oficial, diz que a fonte pagadora,  DALCON  ENGENHARIA  LTDA,  apresentou  declaração  retificadora, informando o valor em questão.  Esclarece  que  a  fonte  pagadora  havia  fornecido  três  comprovantes de rendimentos pagos e de retenção de imposto na  fonte, os quais descreve.  Em  face  do  exposto,  conforme  cálculo  demonstrado  à  fl.  02,  pugna pelo direito à restituição de R$ 5.137,23.”  Fl. 51DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.009673/2008­58  Acórdão n.º 2801­003.565  S2­TE01  Fl. 49          3 A  impugnação  foi  julgada  procedente  em  parte,  conforme Acórdão  de  fls.  26/29, que restou assim ementado:  ASSUNTO : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  ­ I R P F  Ano­calendário: 2004   RAZÕES DE IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.  As  razões  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta  a  impugnação, para serem acolhidas, devem vir acompanhadas da  comprovação correspondente.  Impugnação Procedente em Parte  Regularmente  cientificado  daquele  acórdão  em  21/02/2011  (AR,  fl.  31),  o  interessado interpôs recurso voluntário de fls. 33/34, em 22/03/2011. Em sua defesa, requerer a  juntada  da  cópia  da  planilha  datada  de  10/09/2004,  elaborada  pela  Secretaria  Geral  da  Presidência ­ Serviço de Perícias Contábeis da Justiça do Trabalho da 12ª Região, na qual são  discriminados os valores citados na peça impugnatória. Esclarece que os valores recebidos na  época não eram conclusivos nem definitivos, pois se tratava de execução provisória, restando  em  discussão  valores  sobre  o  FGTS,  que  são  isentos  de  tributação  do  Imposto  de  Renda.  Afirma  que  acordou  com  seus  advogados  de  fazer  o  acerto,  em  2004,  dos  honorários  advocatícios sobre o total estimado da ação no montante de R$ 16.005,16, sendo que somente  no ano de 2010  foi concluída a  liberação de duas parcelas  remanescentes do FGTS,  sendo a  primeira no valor de R$ 10.916,54 (R$ 9.506,26+R$ 1.411,28),  recebida em 19/04/2010, e a  segunda no valor de R$ 26.462,14, recebida em 02/08/2010, conforme comprovantes anexos.  Conforme  Resolução  nº  2801­000.124,  foi  sobrestado  o  julgamento  do  recurso,  nos  termos  do  art.  62A,  §§1º  e  2º  do  Regimento  do  CARF,  tendo  em  vista  que  a  constitucionalidade  da  regra  estabelecida  no  art.  12  da  Lei  nº  7.713,  de  1988,  foi  levada  à  apreciação,  em  caráter  difuso,  por  parte  do  Supremo Tribunal  Federal  (RE  614.406),  o  qual  reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos  extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos  do art. 543B,   1º, do CPC.  Com  a  revogação  dos  §§1º  e  2º  do  art.  62­A  do  Regimento  do  CARF,  conforme Portaria nº 545 de 18 de novembro de 2013, publicada no DOU de 20 de novembro  de 2013, o recurso voluntário foi incluído em pauta para julgamento.  A numeração de folhas citada nesta decisão refere­se à serie de números do  arquivo PDF.  É o relatório.  Voto             Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora.  Fl. 52DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.009673/2008­58  Acórdão n.º 2801­003.565  S2­TE01  Fl. 50          4 O  recurso  é  tempestivo  e  atende  às  demais  condições  de  admissibilidade,  portanto merece ser conhecido.  Cuida  o  presente  lançamento  de  omissão  de  rendimentos  recebidos  acumuladamente  em  decorrência  de  ação  trabalhista,  e  cuja  tributação  ocorreu  sob  a  regra  estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988.  Em relação aos rendimentos  recebido acumuladamente, cabe registrar que a  Procuradoria da Fazenda Nacional – PGFN, diante da jurisprudência do STJ sobre rendimentos  recebidos  acumuladamente  e  com  base  no  Parecer  PGFN/CRJ/nº  287/2009,  editou  o  Ato  Declaratório  nº  1/2009  publicado  no  Diário  Oficial  da  União  de  14/05/2009  e  aprovado  conforme  despacho  do  Ministro  da  Fazenda  publicado  em  13/05/2009,  e  que  teve  efeito  vinculante sobre o Fisco, com determinação para o cálculo do imposto ser mensal e não global,  tanto para rendimentos de aposentaria quanto para rendimentos do trabalho.  O  referido  Ato  Declaratório  teve  sua  eficácia  suspensa  pelo  Parecer  PGFN/CRJ/nº  2.331/2010,  em  razão  de  o  Supremo  Tribunal  Federal,  em  20/10/2010,  reconhecer  repercussão  geral  aos  Recursos  Extraordinários  nº  614232  e  614406  que  versam  sobre a  tributação de  rendimentos  recebidos  acumuladamente  e  cujos  julgamentos  ainda não  foram concluídos.  Aliás,  Conforme  exposição  de  motivos  interministerial  nº  111/MF/MP/ME/MCT/MDIC/MT/ de 23/10/2010, com a edição da Medida Provisória nº497, a  qual, em seu art. 20, modificou a Lei nº 7.713/1988, acrescentando lhe o art 12­A, a legislação  foi alterada por  iniciativa do Poder Executivo para contemplar a  jurisprudência  firmada pelo  Superior  Tribunal  da  Justiça,  a  qual  já  havia  sido  adotada  pela  Administração  por  meio  da  Aprovação  do  Ato  Declaratório  PGFN  nº  1/2009,  em  relação  aos  rendimentos  recebidos  acumuladamente, seja do trabalho ou de aposentadoria.   Importa que,  após  reiteradas decisões no sentido de que o  art. 12 da Lei nº  7.713/1988  disciplina  o  momento  da  incidência,  e  não  a  forma  de  calcular  o  imposto,  o  Superior Tribunal de Justiça ­ STJ fixou o entendimento, em sede de recurso repetitivo, de que  o imposto de renda incidente sobre benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado pelo  regime de competência, nos termos da seguinte ementa:  TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO  REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS  ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA.   1.  O  Imposto  de  Renda  incidente  sobre  os  benefícios  pagos  acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e  alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido  adimplidos,  observando  a  renda  auferida  mês  a  mês  pelo  segurado. Não  é  legítima a  cobrança  de  IR  com parâmetro  no  montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ.   2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do  art. 543­C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp  1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010   Verifica­se,  em  julgados  recentes,  que  o  STJ  tem  adotado  a  orientação  firmada  pela  Primeira Seção  do  STJ,  por  ocasião  do  julgamento  do  recurso  repetitivo REsp  Fl. 53DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.009673/2008­58  Acórdão n.º 2801­003.565  S2­TE01  Fl. 51          5 1.118.429/SP  para  também  afastar  a  tributação  dos  rendimentos  do  trabalho  recebidos  acumuladamente pelo regime de caixa, determinando que o imposto de renda incidente sobre  rendimentos  pagos  acumuladamente  deve  ser  calculado  com  base  nas  tabelas  e  alíquota  próprias a que se referem tais rendimentos, haja vista a ementa da seguinte Decisão:   TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL.  IMPOSTO  DE  RENDA  DA  PESSOA  FÍSICA  ­  IRPF.  NÃO  INCIDÊNCIA  SOBRE  JUROS  DE  MORA  PAGOS  NO  CONTEXTO  DE  RESCISÃO DO CONTRATO DE  TRABALHO.  ACÓRDÃO DO  TRIBUNAL  DE  ORIGEM  EM  CONSONÂNCIA  COM  A  JURISPRUDÊNCIA  DO  STJ  QUANTO  AO  TRATAMENTO  TRIBUTÁRIO  DE  PARCELAS  PAGAS  ACUMULADAMENTE  EM  CUMPRIMENTO  DE  DECISÃO  JUDICIAL.  TEMAS  JÁ  JULGADOS  PELA  SISTEMÁTICA  INSTITUÍDA  PELO  ART.  543­C DO CP.  1....   2.  Em  relação  ao  ponto  do  recurso  especial  em  que  a  Procuradoria da Fazenda Nacional alega contrariedade ao art.  12  da  Lei  n.  7.713/88  e  impugna  o  capítulo  do  acórdão  do  Tribunal de origem sob a rubrica "Da incidência mês a mês do  imposto  de  renda",  consta  da  decisão  ora  agravada  que  o  mencionado  recurso  não  procede  porque  a  decisão  proferida  pelo Tribunal de origem está em consonância com a orientação  firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento  do  recurso  repetitivo  REsp  1.118.429/SP  (Rel.  Min.  Herman  Benjamin,  DJe  de  14.5.2010),  cuja  ementa  assim  enuncia:  "O  imposto  de  renda  incidente  sobre  os  benefícios  pagos  acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e  alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido  adimplidos,  observando  a  renda  auferida  mês  a  mês  pelo  segurado. Não  é  legítima a  cobrança  de  IR  com parâmetro  no  montante global pago extemporaneamente."  3. Ao dispor sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, o  art.  12  da Lei  7.713/88 disciplina  o momento da  incidência do  imposto  de  renda,  porém  nada  diz  a  respeito  das  alíquotas  aplicáveis a  tais rendimentos. Assim, no  julgamento do recurso  especial,  não  ocorreu  violação  do  art.  97  da  Constituição  da  República,  tampouco  contrariedade  à  Súmula  Vinculante  n.  10/STF. Como já proclamou a Quinta Turma, ao julgar os EDcl  no  REsp  622.724/SC  (Rel.  Min.  Felix  Fischer,  REVJMG,  vol.  174,  p.  385),  "não  há  que  se  falar  em  violação  ao  princípio  constitucional  da  reserva  de  plenário  (art.  97  da  Lex  Fundamentalis) se, nem ao menos implicitamente, foi declarada  a inconstitucionalidade de qualquer lei".  4. Agravo regimental não provido.  (AgRg no AgRg no REsp 1332443 / PRAGRAVO REGIMENTAL  NO  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL.  Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES  2012/0138520­ DJe  08/02/2013)(grifei e sublinhei)  Fl. 54DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.009673/2008­58  Acórdão n.º 2801­003.565  S2­TE01  Fl. 52          6 É de se concluir, portanto, que, na espécie, existe erro de cunho material na  apuração do imposto devido, por aplicação incorreta do art. 12 da Lei nº 7.713/1988, consoante  interpretação  dada  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  sede  de  Recurso  Especial  com  a  atribuição  da  sistemática  do  artigo  543–C  do  CPC,  e  que  deve  ser  de  aplicação  obrigatória  pelos Conselheiros do CARF, conforme disposto no art. 62­A do Regimento Interno do CARF,  aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs  446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis:  Artigo  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  Diante  do  exposto,  voto  por  dar  provimento  ao  recurso  para  cancelar  a  exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente.    Assinado digitalmente  Tânia Mara Paschoalin                                Fl. 55DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/08/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN

score : 1.0
5490937 #
Numero do processo: 11070.900489/2008-70
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/04/2003 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DCTF. DACON. RETIFICAÇÃO. DCTF e DACON retificadores apresentados após a ciência do despacho decisório somente produz efeitos quando acompanhada de documentação capaz de provar a redução da base de cálculo pretendida.
Numero da decisão: 3803-004.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. [assinado digitalmente] Belchior Melo de Sousa – Presidente em exercício [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Paulo Guilherme Deroulede, Hélcio Lafetá Reis, Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201304

ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/04/2003 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DCTF. DACON. RETIFICAÇÃO. DCTF e DACON retificadores apresentados após a ciência do despacho decisório somente produz efeitos quando acompanhada de documentação capaz de provar a redução da base de cálculo pretendida.

turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 11070.900489/2008-70

anomes_publicacao_s : 201406

conteudo_id_s : 5353612

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 3803-004.167

nome_arquivo_s : Decisao_11070900489200870.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA

nome_arquivo_pdf_s : 11070900489200870_5353612.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. [assinado digitalmente] Belchior Melo de Sousa – Presidente em exercício [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Paulo Guilherme Deroulede, Hélcio Lafetá Reis, Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.

dt_sessao_tdt : Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013

id : 5490937

ano_sessao_s : 2013

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:27 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046812082831360

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1824; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE03  Fl. 41          1 40  S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11070.900489/2008­70  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3803­004.167  –  3ª Turma Especial   Sessão de  25 de abril de 2013  Matéria  PIS – COMPENSAÇÃO  Recorrente  IRMÃOS SALVATI LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 15/04/2003  COMPENSAÇÃO.  PAGAMENTO  A  MAIOR  OU  INDEVIDO.  COMPROVAÇÃO.  Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e  fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena  de  acatamento  do  ato  administrativo  realizado,  em  momento  processual  previsto em lei.  DCTF. DACON. RETIFICAÇÃO.  DCTF  e  DACON  retificadores  apresentados  após  a  ciência  do  despacho  decisório  somente  produz  efeitos  quando  acompanhada  de  documentação  capaz de provar a redução da base de cálculo pretendida.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.  [assinado digitalmente]  Belchior Melo de Sousa – Presidente em exercício   [assinado digitalmente]  João Alfredo Eduão Ferreira ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Belchior  Melo  de  Sousa  (Presidente),  João  Alfredo  Eduão  Ferreira,  Juliano  Eduardo  Lirani,  Paulo  Guilherme     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 90 04 89 /2 00 8- 70 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA     2 Deroulede,  Hélcio  Lafetá  Reis,  Adriana  Oliveira  e  Ribeiro.  Ausente  justificadamente  o  Conselheiro Jorge Victor Rodrigues.  Relatório  Trata­se de PER/DCOMP transmitido em 14/07/2004 que buscou compensar  créditos de PIS/Pasep alegadamente pago  indevidamente ou a maior, de período de apuração  março de 2003, com débitos de COFINS e PIS/Pasep, ambos de competência de julho de 2004,  no valor total de R$ 3.115,19.  Através de Despacho Decisório eletrônico,  recebido em 24/04/2008, a DRF  em  Santo  Ângelo/RS  não  homologou  o  pedido  do  contribuinte  indicando  que,  a  partir  das  informações do DARF  indicado  foram  localizados pagamentos, mas  integralmente utilizados  para a quitação de débitos do sujeito passivo.  Irresignado  o  contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade  que  transcreveremos, em sua integralidade, abaixo:    Anexou DACON e DCTF retificadores transmitidos em 19/05/2008.  A DRJ/POA julgou improcedente a manifestação apresentada. Fundamentou  sua  decisão  na  falta  de  provas  para  se  comprovar  o  direito.  Discorre  acerca  da  falta  de  espontaneidade da retificação da DCTF e DACON após o inicio do procedimento fiscal, e em  consequência, a falta do caráter probatório destas. Ementou como se segue:    Inconformada  o  contribuinte  protocolou  Recurso  Voluntario  sucinto  que  transcreverei a seguir na sua íntegra:  Fl. 42DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA Processo nº 11070.900489/2008­70  Acórdão n.º 3803­004.167  S3­TE03  Fl. 42          3   Anexa  “planilha  de  calculo  contábil  de  PIS”,  extratos  de  balancete  de  verificação, copias do Razão Analítico e Diário Geral.  É o relatório.  Voto             Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira ­ Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  requisitos  para  sua  admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento.  Das  retificações  da  DCTF  e  da  DACON  posteriores  ao  Despacho  Decisório.  Especificamente  em  relação  à  redução  dos  débitos  tributários,  é  oportuno  ressaltar que somente nas hipóteses em que caracterizada a espontaneidade a DCTF e DACON  retificadoras tem a mesma natureza das originais, substituindo­as integralmente.  Por outro lado, afastada a espontaneidade, evidentemente, tal retificação não  pode  mais  ser  admitida  como  prova  suficiente  para  redução  do  valor  do  tributo  devido.  Corrobora o asseverado, o disposto nos §§ 1°, 2º e 3º do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº  1.110, de 24 de dezembro de 2010 e do disposto no art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 543,  de 20 de maio de 2005, a seguir transcritos:  “Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas  hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação  de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas  normas estabelecidas para a declaração retificada.  § 1 º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração  originariamente  apresentada  e  servirá  para  declarar  novos  débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados  ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados.  §  2  º  A  retificação  não  produzirá  efeitos  quando  tiver  por  objeto:  I ­ reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições:  Fl. 43DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA     4 a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria­ Geral  da  Fazenda  Nacional  (PGFN)  para  inscrição  em  DAU,  nos casos em que importe alteração desses saldos;  b)  cujos  valores  apurados  em  procedimentos  de  auditoria  interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas  prestadas  na  DCTF,  sobre  pagamento,  parcelamento,  compensação  ou  suspensão  de  exigibilidade,  já  tenham  sido  enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou  c)  que  tenham  sido  objeto  de  exame  em  procedimento  de  fiscalização.  II  ­  alterar  os  débitos  de  impostos  e  contribuições  em  relação  aos  quais  a  pessoa  jurídica  tenha  sido  intimada  de  início  de  procedimento fiscal.  § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte  em alteração do montante do débito  já  enviado à PGFN para  inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame  em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada  pela  RFB  nos  casos  em  que  houver  prova  inequívoca  da  ocorrência  de  erro  de  fato no  preenchimento  da  declaração  e  enquanto não extinto o crédito tributário. Grifamos”  “Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no  Dacon  serão  formalizados  por  meio  de  Dacon  retificador,  mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com  observância  das  mesmas  normas  estabelecidas  para  o  demonstrativo retificado.  §  1º  O  Dacon  retificador  terá  a  mesma  natureza  do  demonstrativo  originariamente  apresentado,  substituindo­o  integralmente, e  servirá para declarar novos débitos,  aumentar  ou  reduzir  os  valores  de  débitos  já  informados  ou  efetivar  qualquer  alteração  nos  créditos  informados  em  demonstrativos  anteriores.  § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar  os  débitos  relativos  à  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  à  Cofins:  I  ­  que  já  tenham  sido  enviados  à  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  para  inscrição  em Dívida  Ativa  da União,  nos  casos  em que o pleito importe alteração desses débitos;  II ­ em relação aos quais já tenham sido apuradas diferenças em  procedimento  de  ofício,  relativas  às  informações,  indevidas  ou  não  comprovadas,  prestadas  no  Dacon  original  e  que  tenham  sido  enviados  à  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  para  inscrição em Dívida Ativa da União; ou  III ­ em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado  do início de procedimento fiscal. Grifamos”  O  contribuinte  retificou  a DCTF  e DACON  do  período,  após  a  ciência  do  despacho  decisório,  com  isso  as  declarações  retificadoras,  não  produzem  os  efeitos  modificativos dos débitos originalmente confessados.  Fl. 44DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA Processo nº 11070.900489/2008­70  Acórdão n.º 3803­004.167  S3­TE03  Fl. 43          5 Comprovação da Liquidez e Certeza do Crédito.  O  reconhecimento  de  direito  creditório  contra  a  Fazenda  Nacional  exige  averiguação  da  liquidez  e  certeza  do  suposto  pagamento  a  maior  de  tributo.  A  fim  de  comprovar  a  certeza  e  liquidez  do  crédito,  a  interessada  deve  instruir  sua  manifestação  de  inconformidade com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos  artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972:  “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao  órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em  que for feita a intimação da exigência.  Art. 16. A impugnação mencionará: (...)  III  os  motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir;  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)”  No  caso  em  análise,  o  contribuinte  esclarece  que  teria  apurado  créditos  de  PIS/Pasep, contudo, para comprovar a  liquidez e certeza do crédito informado na Declaração  de  Compensação  é  imprescindível  que  seja  demonstrada  através  da  escrituração  contábil  e  fiscal  da  contribuinte,  baseada  em  documentos  hábeis  e  idôneos  a  diminuição  do  valor  do  débito correspondente a cada período de apuração.  A  Contribuinte  não  juntou  aos  autos,  em  sede  de  manifestação  de  inconformidade, nenhum documento contábil ou fiscal capaz de comprovar a liquidez e certeza  do credito apontado.  Da apresentação das provas.  O  mesmo  artigo  16  do  Decreto  nº  70.235/72  em  seu  §  4º  determina  o  momento  processual  para  a  apresentação  de  provas  no  processo  administrativo  fiscal,  bem  como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir:  “§  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que:    a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;   b) refira­se a fato ou a direito superveniente;   c)  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas aos autos.”  A  analise  da  norma  supracitada  é  clara  e  direta  ao  estabelecer  o momento  correto  a  serem carreadas  as provas  a  fim de  substanciar os  argumentos da  interessada, qual  seja, na manifestação de inconformidade.  A mesma norma elenca as possibilidades para a apresentação de provas em  outro momento processual. Nenhuma das hipóteses acima alberga o caso do sujeito passivo. O  direito da contribuinte em arrolar documentos probatórios está precluso.  Fl. 45DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA     6 Ressaltamos que em sede de Recurso Voluntário o contribuinte carreou aos  autos tão somente, partes do que chamou de balancete de verificação onde aparece apenas as  contas de Passivo, o mesmo em relação às contas razão, bem como Diário do mês de maio, não  trazendo  documentos  fiscais  de  compras  das  mercadorias  de  pessoas  físicas  nem  mesmo  a  escrita fiscal que registrou tais entradas.  Conclusão  A  retificação  da  DCTF  e  da  DACON  após  o  conhecimento  do  despacho  decisório não produz os efeitos pretendidos pela requerente, restava ao contribuinte comprovar  seu  direito  creditório  em  manifestação  de  inconformidade,  não  o  fez.  Somente  em  recurso  voluntario  anexa  escrituração  contábil,  porém  nesse  momento  processual  as  provas  só  são  admitidas nos casos elencados no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, não sendo o caso  da  contribuinte.  Mesmo  que  fossem  admitidas  as  provas  anexadas  em  sede  de  Recurso  Voluntario,  estas  se  mostram  insuficientes  a  comprovar  a  liquidez  e  certeza  do  direito  perseguido. Nada a reparar na decisão da DRJ/POA.  Pelo  exposto  voto  por NEGAR PROVIMENTO e  não  reconhecer o  direito  creditório.  É como voto.  Sala das sessões, 25 de abril de 2013.  (assinado digitalmente)  João Alfredo Eduão Ferreira ­ Relator                            Fl. 46DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 02/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERRE IRA

score : 1.0
5471173 #
Numero do processo: 11065.000467/2006-15
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. SÚMULA CARF Nº 12. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. IRPF. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. RECLAMAÇÃO TRABALHISTA. O adicional de periculosidade é rendimento do trabalho e, portanto, abrangido pelo campo de incidência do Imposto de Renda (artigo 43 do CTN), inexistindo dispositivo legal prevendo a isenção. A isenção definida no inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713, de 1988, alcança apenas os valores pagos a título de indenização, aviso prévio e FGTS descritos nos artigos 477 e 499 da CLT, com alterações posteriores, e na Lei nº 5.107, de 1966, alterada pela Lei nº 8.036, de 1990. A postergação do pagamento do adicional de periculosidade, efetuado mediante reclamação trabalhista, não tem o condão de alterar a natureza tributável do rendimento para transformá-lo em isento ou não tributável. IRPF. HORAS EXTRAS. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. As horas extras são tributáveis pelo imposto de renda. IRPF. NATUREZA DAS VERBAS. PROVA. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE NOTICIA FALTA DE PROVA DAS ALEGAÇÕES. PONTO NÃO CONTRADITADO. AUSÊNCIA DE MOTIVO PARA REFORMA DO ACÓRDÃO NESSE ASPECTO. Se o acórdão de primeira instância fundamenta-se na ausência de prova de que foram recebidas verbas da natureza alegada pelo impugnante e, na fase recursal, o contribuinte não contesta essa fundamentação, não apresenta provas no sentido contrário ou indica onde estaria a discriminação das alegadas verbas, não há razão para reforma do acórdão nesse ponto. IRPF. JUROS MORA. AÇÃO TRABALHISTA NO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. RENDIMENTO ISENTO. ENTENDIMENTO DO STJ DE REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA NO CARF. JUROS DE MORA QUE DEVEM SER EXCLUÍDOS DA BASE DE CÁLCULO. Quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não, os juros de mora são isentos. Precedente do STJ julgado no rito do art. 543-C do Código de Processo Civil - CPC, portanto de reprodução obrigatória no CARF por força do art. 62-A do Regimento Interno. Esclarecimento do alcance do julgado no EDCL no REsp 1227133 pelos julgados posteriores, sobretudo a partir do REsp 1089720/RS. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62-A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizando-se um vício material a invalidá-lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2802-002.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Ronnie Soares Anderson que davam provimento parcial; o primeiro aplicava o entendimento do Resp 1.118.429/SP porém sem determinar cancelar o lançamento e segundo, considera que o referido entendimento somente é aplicável no caso de percepção de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201405

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. SÚMULA CARF Nº 12. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. IRPF. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. RECLAMAÇÃO TRABALHISTA. O adicional de periculosidade é rendimento do trabalho e, portanto, abrangido pelo campo de incidência do Imposto de Renda (artigo 43 do CTN), inexistindo dispositivo legal prevendo a isenção. A isenção definida no inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713, de 1988, alcança apenas os valores pagos a título de indenização, aviso prévio e FGTS descritos nos artigos 477 e 499 da CLT, com alterações posteriores, e na Lei nº 5.107, de 1966, alterada pela Lei nº 8.036, de 1990. A postergação do pagamento do adicional de periculosidade, efetuado mediante reclamação trabalhista, não tem o condão de alterar a natureza tributável do rendimento para transformá-lo em isento ou não tributável. IRPF. HORAS EXTRAS. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. As horas extras são tributáveis pelo imposto de renda. IRPF. NATUREZA DAS VERBAS. PROVA. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE NOTICIA FALTA DE PROVA DAS ALEGAÇÕES. PONTO NÃO CONTRADITADO. AUSÊNCIA DE MOTIVO PARA REFORMA DO ACÓRDÃO NESSE ASPECTO. Se o acórdão de primeira instância fundamenta-se na ausência de prova de que foram recebidas verbas da natureza alegada pelo impugnante e, na fase recursal, o contribuinte não contesta essa fundamentação, não apresenta provas no sentido contrário ou indica onde estaria a discriminação das alegadas verbas, não há razão para reforma do acórdão nesse ponto. IRPF. JUROS MORA. AÇÃO TRABALHISTA NO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. RENDIMENTO ISENTO. ENTENDIMENTO DO STJ DE REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA NO CARF. JUROS DE MORA QUE DEVEM SER EXCLUÍDOS DA BASE DE CÁLCULO. Quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não, os juros de mora são isentos. Precedente do STJ julgado no rito do art. 543-C do Código de Processo Civil - CPC, portanto de reprodução obrigatória no CARF por força do art. 62-A do Regimento Interno. Esclarecimento do alcance do julgado no EDCL no REsp 1227133 pelos julgados posteriores, sobretudo a partir do REsp 1089720/RS. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62-A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizando-se um vício material a invalidá-lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Recurso voluntário provido.

turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Fri May 30 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 11065.000467/2006-15

anomes_publicacao_s : 201405

conteudo_id_s : 5351032

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 30 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 2802-002.879

nome_arquivo_s : Decisao_11065000467200615.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO

nome_arquivo_pdf_s : 11065000467200615_5351032.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Ronnie Soares Anderson que davam provimento parcial; o primeiro aplicava o entendimento do Resp 1.118.429/SP porém sem determinar cancelar o lançamento e segundo, considera que o referido entendimento somente é aplicável no caso de percepção de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).

dt_sessao_tdt : Tue May 13 00:00:00 UTC 2014

id : 5471173

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:33 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046812085977088

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2289; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE02  Fl. 216          1 215  S2­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11065.000467/2006­15  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2802­002.879  –  2ª Turma Especial   Sessão de  13 de maio de 2014  Matéria  IRPF  Recorrente  VALDEMAR KALINIEWICZ  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2002  IRPF.  IMPOSTO  DE  RENDA  NA  FONTE  NO  REGIME  DE  ANTECIPAÇÃO.  NÃO  RETENÇÃO  PELA  FONTE  PAGADORA.  RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO  IMPOSTO DEVIDO  APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO  DE AJUSTE ANUAL. SÚMULA CARF Nº 12.  A falta de retenção pela  fonte pagadora não exonera o beneficiário e  titular  dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí­los,  para  fins  de  tributação,  na  Declaração  de  Ajuste  Anual;  na  qual  somente  poderá  ser  deduzido  o  imposto  retido  na  fonte  ou  o  pago.  Aplicação  da  Súmula CARF nº 12.  IRPF.  RENDIMENTOS  TRIBUTÁVEIS.  ADICIONAL  DE  PERICULOSIDADE. RECLAMAÇÃO TRABALHISTA.  O  adicional  de  periculosidade  é  rendimento  do  trabalho  e,  portanto,  abrangido  pelo  campo  de  incidência  do  Imposto  de  Renda  (artigo  43  do  CTN),  inexistindo  dispositivo  legal  prevendo  a  isenção. A  isenção  definida  no  inciso V do  art.  6º  da Lei  nº  7.713,  de  1988,  alcança  apenas  os  valores  pagos a título de indenização, aviso prévio e FGTS descritos nos artigos 477  e  499  da  CLT,  com  alterações  posteriores,  e  na  Lei  nº  5.107,  de  1966,  alterada  pela  Lei  nº  8.036,  de  1990.  A  postergação  do  pagamento  do  adicional  de  periculosidade,  efetuado  mediante  reclamação  trabalhista,  não  tem o condão de alterar a natureza tributável do rendimento para transformá­ lo em isento ou não tributável.  IRPF. HORAS EXTRAS. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS.  As horas extras são tributáveis pelo imposto de renda.  IRPF.  NATUREZA  DAS  VERBAS.  PROVA.  DECISÃO  DE  PRIMEIRA  INSTÂNCIA  QUE  NOTICIA  FALTA  DE  PROVA  DAS  ALEGAÇÕES.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 04 67 /2 00 6- 15 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     2 PONTO  NÃO  CONTRADITADO.  AUSÊNCIA  DE  MOTIVO  PARA  REFORMA DO ACÓRDÃO NESSE ASPECTO.  Se  o  acórdão  de  primeira  instância  fundamenta­se na  ausência  de  prova  de  que foram recebidas verbas da natureza alegada pelo  impugnante e, na fase  recursal,  o  contribuinte  não  contesta  essa  fundamentação,  não  apresenta  provas  no  sentido  contrário  ou  indica  onde  estaria  a  discriminação  das  alegadas verbas, não há razão para reforma do acórdão nesse ponto.  IRPF.  JUROS  MORA.  AÇÃO  TRABALHISTA  NO  CONTEXTO  DE  RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. RENDIMENTO ISENTO.  ENTENDIMENTO  DO  STJ  DE  REPRODUÇÃO  OBRIGATÓRIA  NO  CARF.  JUROS  DE MORA QUE  DEVEM  SER  EXCLUÍDOS DA  BASE  DE CÁLCULO.  Quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho,  em  reclamatórias  trabalhistas  ou  não,  os  juros  de  mora  são  isentos.  Precedente do STJ julgado no rito do art. 543­C do Código de Processo Civil  ­ CPC, portanto de reprodução obrigatória no CARF por  força do art. 62­A  do Regimento  Interno.  Esclarecimento  do  alcance  do  julgado  no EDCL no  REsp  1227133  pelos  julgados  posteriores,  sobretudo  a  partir  do  REsp  1089720/RS.  RENDIMENTOS  RECEBIDOS  ACUMULADAMENTE  EM  DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL.   Em  se  tratando  de  rendimentos  recebidos  acumuladamente  recebidos  por  força de ação  judicial, embora a  incidência ocorra no mês do pagamento, o  cálculo  do  imposto  deverá  considerar  os  meses  a  que  se  referem  os  rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art.  543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos  do CARF por força do art. 62­A do Regimento Interno.  RENDIMENTOS  RECEBIDOS  ACUMULADAMENTE  EM  DECORRÊNCIA  DE  DECISÃO  JUDICIAL.  EQUÍVOCO  NA  APLICAÇÃO  DA  LEI  QUE  AFETOU  SUBSTANCIALMENTE  O  LANÇAMENTO.  INCOMPETÊNCIA DO  JULGADOR PARA REFAZER  O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA.  Ao  adotar  outra  interpretação  do  dispositivo  legal,  o  lançamento  empregou  critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou  a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o  valor  do  tributo  devido,  caracterizando­se  um  vício  material  a  invalidá­lo.  Não  compete  ao  órgão  de  julgamento  refazer  o  lançamento  com  outros  critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida.  Recurso voluntário provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,    por  maioria  de  votos  DAR  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário  para  cancelar  o  lançamento,  nos  termos  do  voto  do  relator. Vencidos os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Ronnie Soares Anderson que davam  provimento  parcial;  o  primeiro  aplicava  o  entendimento  do  Resp  1.118.429/SP  porém  sem  determinar cancelar o lançamento e segundo, considera que o referido entendimento somente é  aplicável no caso de percepção de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente.  Fl. 217DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11065.000467/2006­15  Acórdão n.º 2802­002.879  S2­TE02  Fl. 217          3 (Assinado digitalmente)  Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator.    EDITADO EM: 19/05/2014  Participaram da sessão de  julgamento os Conselheiros  Jaci  de Assis  Júnior,  German  Alejandro  San  Martín  Fernández,  Ronnie  Soares  Anderson,  Julianna  Bandeira  Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).     Relatório  Trata­se  de  lançamento  de  Imposto  de  Renda  de  Pessoa  Física  do  exercício  2002,  ano­calendário  2001,  por  ter  sido  imputada  omissão  de  rendimentos  no  importe  de  R$173.723,11,  auferidos  em  ação  trabalhista  movida  contra  a  Centrais  Elétricas  do  Sul  do  Brasil – Eletrosul.  No auto de infração (fls. 05) foi descrito que a base de cálculo foi apurada com  base  no  Alvará  (fls.75)  e  Certidão  de  Cálculos  (fls.  74),  da  seguinte  forma:  R$187.322,04  (valor  principal)  menos  R$8.700,53  (FGTS)  menos  R$4.898,40  (juro  sobre  FGTS)  e  que  o  valor  do DARF de R$8.044,84  (fls.  81)  foi  utilizado  na  apuração  feita  por meio  do  auto  de  infração.  Na  impugnação  alegou­se  que  o  valor  recebido  na  ação  judicial  foi  declarado  como  rendimentos  sujeitos  a  tributação  exclusivamente  na  fonte  e  houve  homologação  expressa do pagamento realizado, por meio da emissão do “extrato para simples conferência”;  a  responsabilidade  é  exclusiva  da  fonte  pagadora;  impossibilidade  de  aplicação  de  multa  e  juros a teor do art. 100 do CTN; e erro na base de cálculo por incluir valores não tributáveis.  Em resumo, a decisão que indeferiu a impugnação foi assim fundamentada:  a)  falta  de  comprovação  de  que  houve  retenção  na  fonte,  verificação ocorrida após a data final da entrega da Declaração  de  Ajuste  Anual,  sendo  correto  exigir  do  contribuinte  o  imposto;  b)  a  decisão  da  Justiça  do  Trabalho  não  vincula  a  autoridade  administrativa federal;  c)  não se  identificam verbas  isentas além do FGTS e dos  juros,  os  quais  já  foram  subtraídos  da  base  de  cálculo  na  fase  de  fiscalização; férias, horas­extras, adicional de periculosidade e  abonos constituem rendimentos tributáveis;  d)  as  planilhas  de  cálculo  (fls.  135/149)  não  identificam  devolução  de  contribuições  ao  plano  de  previdência  privada,  Fl. 218DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     4 as  quais  somente  seriam  isentas  se  comprovado  que  são  contribuições cujo ônus tenha sido do contribuinte no período  de 01/01/1989 a 31/12/1998; e  e)  juros e multa decorreram de imposição legal e não podem ser  afastados  dado  o  caráter  vinculado  do  lançamento;  além  de  haver  a Súmula CARF  nº  4  que  dispõe  sobre  a  exigência  de  juros com base na Selic.    A ciência do acórdão em 31/01/2011 e o Recurso voluntário  foi  interposto em  01/03/2011, nesse foram apresentados os argumentos abaixo:  a) os valores contidos na autuação como rendimentos tributáveis, são valores de  tributação  exclusivamente  na  fonte,  nos  termos  de  decisão  judicial  na  ação  trabalhista  nº  506.24/96, movida contra a ELETROSUL S.A., bem como referidos valores contêm parcelas  que não sofrem incidência do imposto de renda;  b)  trabalhou  como  engenheiro  na  ELETROSUL  de  01/12/1977  a  27/04/1995,  deixando  a  empresa  naquela  ocasião  mediante  pedido  de  demissão  em  razão  de  plano  de  incentivo instituído por aquela empresa;  c)  recebeu  na  referida  ação  trabalhista  o  adicional  de  periculosidade  (30%),  e  relativamente ao imposto de renda, constou que o valor pago era considerado líquido, porém no  TRT da 4ª Região a sentença foi reformada, exclusivamente, na parte referente ao Imposto de  Renda passando a constar que caberia ao empregador calcular, deduzir e recolher o Imposto de  Renda relativo às importâncias pagas por força de liquidação de sentença;  d)  ao  contrário  da  premissa  adotada  no  acórdão  ora  recorrido,  o  recolhimento  dos impostos foi efetivamente comprovado pela reclamada junto ao juízo trabalhista;  e)  ao  contrário  do  que  afirmado  no  auto  de  infração,  não  houve  omissão  de  rendimentos, pois esses foram declarados como sujeitos à tributação exclusivamente na fonte,  com  a  indicação  do  nº  do  processo  judicial,  tanto  que  recebeu  o  “Extrato  para  simples  conferência” que homologou o saldo do imposto a pagar, valor efetivamente pago;   f)  houve  erro  de  identificação  do  sujeito  passivo,  pois  a  autuação  deve  ser  dirigida  contra  a  fonte  pagadora,  conforme  Provimento  nº  1/1996  da Corregedoria Geral  da  Justiça do Trabalho, art. 46 da Lei 8.541/1992, art. 718, 722 e 725 do RIR1999, art. 28 da lei  10.833/2003 e Instrução Normativa RFB 1.127/2011; bem como julgados desse Conselho, do  STJ e do TRF da 4 Região;  g)  impossibilidade  de  aplicação  de  multa  e  juros  por  ter  o  recorrente  agido  conforme determinava a decisão judicial, o que, por analogia, enquadra­se ao preceito do art.  100 do CTN; e  h)  equívoco  na  apuração  da  base  de  cálculo,  comprometendo  todo  o  auto  de  infração, pois há verbas que não sofrem incidência do imposto de renda, a saber:  h.1)  a  devolução  das  parcelas  para  complementação  do  plano  de  previdência,  dado  que  a  exação  já  ocorria  no momento  da  contribuição  ao  plano  de  previdência  (art.  6º,  inciso VII da Lei 7.713/88); e  Fl. 219DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11065.000467/2006­15  Acórdão n.º 2802­002.879  S2­TE02  Fl. 218          5 h.2) horas­extras, décimo terceiro salário e abonos pagos por força de decisão da  Justiça do Trabalho.  Esta Turma julgadora sobrestou o Julgamento, por meio da Resolução 2802­ 000.025,  até o  julgamento  da  constitucionalidade  do  art.  12  da Lei  7.7713/88,  com base  em  previsão do Regimento Interno do CARF.   Porém com a revogação da norma regimental que prescrevia o sobrestamento  de processos no CARF, o julgamento foi retomado.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator  Já admitido o recurso, passa­se a examinar o mérito.  Da sujeição passiva  Não obstante o recorrente ter citado diversas espécies normativas, a situação  dos autos está regrada pelo entendimento consignado na Súmula CARF nº 12, de observância  obrigatória pelos membros do CARF:  Constatada  a  omissão  de  rendimentos  sujeitos  à  incidência  do  imposto  de  renda  na  declaração  de  ajuste  anual,  é  legítima  a  constituição  do  crédito  tributário  na  pessoa  física  do  beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à  respectiva retenção.  As decisões da Justiça do Trabalho acerca da retenção na fonte não afetam a  competência da União de fiscalizar e cobrar o imposto de renda apurado no ajuste anual.  Da natureza tributárias das verbas recebidas e da conseqüente inexatidão da base  de cálculo  A tributação no ajuste anual é a regra decorrente do princípio constitucional da  universalidade.  Somente  previsão  legal  especifica  poderia  fundamentar  a  tributação  exclusivamente na fonte.  Dentre  as  verbas  recebidas  apenas  o  13ª  salário  tem  natureza  de  rendimentos  sujeitos a  tributação exclusiva na  fonte e é  incontroverso que o  lançamento  já  levou  isto em  consideração.  Ao  declarar  os  rendimentos  como  de  tributação  exclusivamente  na  fonte  o  contribuinte  não  levou  à  tributação  anual  os  rendimentos,  o  que  legitima  o  lançamento  por  omissão de rendimentos.  Fl. 220DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     6 A emissão de “Extrato para simples conferência” não extingue o Direito­Dever  de a Fazenda Nacional aplicar a lei ao caso concreto. Note­se que até mesmo um lançamento  pode ser revisto dentro do prazo decadencial. Com muito mais razão a revisão do ato é possível  diante do extrato em questão.  O  recorrente  sustenta  que  não  estão  sujeitos  à  tributação  o  adicional  de  periculosidade (30%), devolução das parcelas para complementação do plano de previdência,  horas­extras,  décimo  terceiro  salário  e  abonos  pagos  por  força  de  decisão  da  Justiça  do  Trabalho.  O adicional de periculosidade tem natureza tributável, quer seja pago na época  própria  ou  em  decorrência  de  ação  trabalhista.  Desta  forma,  os  precedentes  apontados  pelo  recorrente, ao tratar de verbas indenizatórias, são inaplicáveis ao presente caso concreto.  Precedentes:  (...)  RENDIMENTOS  TRIBUTÁVEIS  ­  ADICIONAL  DE  PERICULOSIDADE  ­  RECLAMAÇÃO  TRABALHISTA  ­  A  isenção definida no inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713, de 1988,  alcança apenas os  valores pagos a  título de  indenização, aviso  prévio  e  FGTS  descritos  nos  artigos  477  e  499  da  CLT,  com  alterações posteriores, e na Lei nº 5.107, de 1966, alterada pela  Lei nº 8.036, de 1990. A postergação do pagamento do adicional  de  periculosidade,  efetuado  mediante  reclamação  trabalhista,  não tem o condão de alterar a natureza tributável do rendimento  para  transformá­lo  em  isento  ou  não  tributável.(...)  (Acórdão  102­46879, de 17/06/2005)  (...) IRPF ­ RENDIMENTOS ­ ADICIONAL ­ TRIBUTAÇÃO ­ O  adicional  de  periculosidade  é  rendimento  do  trabalho  e,  portanto,  abrangido  pelo  campo  de  incidência  do  Imposto  de  Renda (artigo 43 do CTN), inexistindo dispositivo legal prevendo  a isenção.(Acórdão 104­20392, de 02/12/2004)    O  acórdão  recorrido  apontou  que  as  planilhas  de  cálculo  (fls.  135/149)  não  identificam  devolução  de  contribuições  ao  plano  de  previdência  privada,  as  quais  somente  seriam  isentas  se comprovado que são contribuições cujo ônus  tenha sido do contribuinte no  período  de  01/01/1989  a  31/12/1998.  O  recorrente  não  fez  qualquer  contraponto  a  essa  fundamentação, razão pela qual o acórdão não merece qualquer reparo nesse ponto.  As  horas  extras  também  são  tributáveis.  Nesse  sentido  consolidou­se  a  jurisprudência do STJ.  RECURSO ESPECIAL Nº 910.262 ­ SP (2006/0272540­9)  EMENTA   TRIBUTÁRIO  –  IMPOSTO DE RENDA  – ART.  43 DO CTN  –  VERBAS:  NATUREZA  INDENIZATÓRIA  X  NATUREZA  REMUNERATÓRIA.  1.  O  fato  gerador  do  imposto  de  renda  é  a  aquisição  de  disponibilidade econômica ou  jurídica decorrente de acréscimo  patrimonial (art. 43 do CTN).  2. A jurisprudência desta Corte, a partir da análise do art. 43 do  CTN, firmou entendimento de que estão sujeitos à tributação do  imposto de renda, por não possuírem natureza indenizatória, as  seguintes verbas:  Fl. 221DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11065.000467/2006­15  Acórdão n.º 2802­002.879  S2­TE02  Fl. 219          7 a)  "indenização  especial"  ou  "gratificação"  recebida  pelo  empregado  quando  da  rescisão  do  contrato  de  trabalho  por  liberalidade do empregador;  b)  verbas  pagas  a  título  de  indenização  por  horas  extras  trabalhadas;  c) horas extras;  d) férias gozadas e respectivos terços constitucionais;  e) adicional noturno;  f) complementação temporária de proventos;  g) décimo­terceiro salário;  h) gratificação de produtividade;  i)  verba recebida a  título de renúncia à estabilidade provisória  decorrente de gravidez; e   j) verba decorrente da renúncia da estabilidade sindical.  3. Diferentemente, o imposto de renda não incide sobre:  a)  APIP's  (ausências  permitidas  por  interesse  particular)  ou  abono­assiduidade não gozados, convertidos em pecúnia;  b) licença­prêmio não­gozada, convertida em pecúnia;  c)  férias  não­gozadas,  indenizadas  na  vigência  do  contrato  de  trabalho e respectivos terços constitucionais;  d)  férias não­gozadas,  férias proporcionais e  respectivos  terços  constitucionais, indenizadas por ocasião da rescisão do contrato  de trabalho;  e) abono pecuniário de férias;  f)  juros  moratórios  oriundos  de  pagamento  de  verbas  indenizatórias  decorrentes  de  condenação  em  reclamatória  trabalhista;  g)  pagamento  de  indenização  por  rompimento  do  contrato  de  trabalho  no  período  de  estabilidade  provisória  (decorrente  de  imposição legal e não de liberalidade do empregador).  4.  Hipótese  dos  autos  em  que  se  questiona  a  incidência  do  imposto  de  renda  sobre  verbas  pagas  espontaneamente  pelo  empregador  e  férias  convertidas  em  pecúnia  no  momento  da  rescisão do contrato de trabalho.  5. Recurso especial parcialmente provido.(grifos acrescidos)  O acórdão recorrido assinalou que não havia demonstração nos autos de outras  verbas que não estivessem sujeitas à tributação e o recorrente não apontou objetivamente onde  estaria registrado o recebimento de abonos pagos por força de decisão da Justiça do Trabalho,  muito  menos  de  que  espécie  de  abono  se  trataria.  Estes  fatos  são  o  suficiente  para  a  não  exclusão de qualquer valor do lançamento sob a argumentação de serem abonos.   Quanto  às  alegações  acerca  de  13º  salário,  já  foi  descrito  que  o  lançamento  segregou esses valores como de tributação exclusivamente na fonte. Agora acrescenta­se que o  recorrente  reitera as alegações sem qualquer contraponto ao acórdão de primeiro grau, muito  menos  suscita  algum  equívoco  na  segregação  feita  no  lançamento. Novamente  não  há  razão  para reparo ao acórdão de primeira instância.  De outro giro, mediante análise dos elementos da ação trabalhista (fls. 35 em  diante), constata­se que a ação foi proposta no contexto de rescisão de contrato de trabalho e  que as verbas trabalhistas referem­se ao período de julho de 1991 a abril de 1995.  Em  se  tratando  de  ação  trabalhista  no  contexto  de  rescisão  de  contrato  de  trabalho,  deve  ser  observado  o  quanto  decidido  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  –  STJ  no  Fl. 222DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     8 REsp 1089720/RS,  julgado em 10/10/2012 e publicado em 28/11/2012, no qual foi proferido  entendimento de que, como regra geral, incide o IRPF sobre os juros de mora, todavia uma das  exceções é que são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida  ou  rescisão  do  contrato  de  trabalho,em  reclamatórias  trabalhistas  ou  não.  Isto  é,  quando  o  trabalhador perde o emprego, os  juros de mora  incidentes  sobre as verbas  remuneratórias ou  indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda.   No  mesmo  sentido:  REsp  1234377/RS,  julgado  em  04/06/2013;  AgRg  no  AgRg  no AREsp  190821/RS, Data  do  Julgamento  28/05/2013; AgRg  no AREsp  18626/RS,  Data do Julgamento 28/05/2013.  Por sua vez, no  lançamento somente foram excluídos da base de cálculo os  juros  sobre  o  FGTS,  de maneira  que  ao  computar  como  principal  o  valor  de R$187.322,04,  com base nas fls. 74/75) não houve a exclusão dos juros de mora.  Os juros de mora anotados às fls. 74 (R$64.868,14) devem ser excluídos da  base de cálculo.  Em seguida é necessário analisar que as verbas  trabalhistas  são  relativas  ao  período de julho de 1991 a abril de 1995, recebidas de forma acumulada.  Da tributação de rendimentos recebidos acumuladamente  Já tive oportunidade de manifestar meu entendimento sobre o tema em outros  julgados, como o foram os acórdãos nº 2802­00.476 e 2802­00.477, de 22 de setembro de 2010  e 2802­00.548, de 20 de outubro de 2010, dessa Turma, todos unânimes.  Em  um  primeiro  momento  fundamentei  meus  votos  a  partir  das  seguintes  premissas: a) consolidação no Superior Tribunal de Justiça (STJ) do entendimento acerca dos  rendimentos  recebidos  acumuladamente;  b) decisão do Supremo Tribunal Federal  (STF) que  negou  repercussão  geral  ao  tema;  e  c)  publicação  do  Parecer  PGFN/CRJ  nº  287/2009,  do  Despacho do Ministro da Fazenda SN/2009, do Ato Declaratório PGFN nº 1, de 27 de março  de 2009 e do Parecer PGFN /CAT 815/2010, editados com fulcro na Lei nº 10.522, de 19 de  julho de 2002.  O referido Ato Declaratório autorizava a dispensa de interposição de recursos  e a desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, "nas ações  judiciais  que  visem  obter  a  declaração  de  que,  no  cálculo  do  imposto  renda  incidente  sobre  rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas  das  épocas  próprias  a  que  se  referem  tais  rendimentos,  devendo  o  cálculo  ser mensal  e  não  global", mencionando os seguintes  julgados do STJ: Resp 424225/SC (DJ 19/12/2003); Resp  505081/RS (DJ 31/05/2004); Resp 1075700/RS (DJ 17/12/2008); AgRg no REsp 641.531/SC  (DJ 21/11/2008); Resp 901.945/PR (DJ 16/08/2007).  Ocorreu que o STF decidiu por reconhecer repercussão geral ao tema e com  isso  a  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional  (PGFN)  suspendeu  a  eficácia  do  Parecer  PGFN/CRJ nº 287/2009, e conseqüentemente tornou insubsistentes o Ato Declaratório PGFN  nº 1, de 27 de março de 2009 e o Parecer PGFN /CAT 815/2010.  A  mudança  da  posição  do  STF  ocorreu  no  AgR­QO/RS,  rel.  Min.  Ellen  Gracie, 20.10.2010,  (RE­614232 e RE 614406)  em que se enfrentou questão provocada pelo  fato de o TRF da 4ª Região ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do art.  12 da Lei 7.713/88, o qual determina a incidência do Imposto de Renda no mês do recebimento  de valores acumulados sobre o total dos rendimentos.   Fl. 223DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11065.000467/2006­15  Acórdão n.º 2802­002.879  S2­TE02  Fl. 220          9 Com a admissão da repercussão geral e determinação de sobrestamento dos  processes no STF, estes processos passaram a ser sobrestados no CARF com fundamento no  §1º do art.62­A do Regimento Interno do CARF.  Todavia,  essa  norma  regimental  foi  revogada  e  os  julgamentos  devem  prosseguir seu curso novamente.  Até  o  momento  não  há  uma  decisão  final  do  STF  nos  Recursos  Extraordinários nº 614232 e 614406 que sãos os paradigmas para esse tema.  O  desafio,  portanto,  é  aplicar  a  correta  interpretação  do  art.  12  da  Lei  7.713/1988, o que demanda uma análise contextualizada da questão. Vejamos.  A  tese  consolidada  no  STJ  foi  proferida  no REsp  1118429/SP,  julgado  em  24/03/2010,  em  acórdão  sujeito  ao  regime  do  art.  543­C  do  CPC,  portanto  de  aplicação  obrigatória no CARF.  TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO  REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS  ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA.  1.  O  Imposto  de  Renda  incidente  sobre  os  benefícios  pagos  acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e  alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido  adimplidos,  observando  a  renda  auferida  mês  a  mês  pelo  segurado. Não  é  legítima a  cobrança  de  IR  com parâmetro  no  montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ.  2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do  art.543­C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008.( REsp  1118429 / SP)  Sabe­se que, neste Conselho, há entendimentos de que o referido julgado está  restrito ao recebimento acumulado de benefícios previdenciários ou que sua adoção implicaria  deixar de aplicar o art. 12 da lei 7.713/1988.   Com devido respeito a essa linha argumentativa, à qual não se adere, passa­se  a analisar, contextualizadamente, a jurisprudência em questão.  Os casos que deram origem à jurisprudência do STJ referiam­se à revisão de  benefícios previdenciários mensais,  benefícios  previdenciários mensais  reconhecidos  e pagos  com atraso,  reajustes mensais de  servidores públicos pagos  em atraso  e pagamentos mensais  em atraso devido a retorno ao serviço ativo.   Em todos eles os valores foram reconhecidos por competência, possibilitando  aplicar  a  norma  tributária  a  cada  caso,  implicando  em  reconhecer  que  os  valores  estavam  isentos ou definir a alíquota correspondente a cada mês.   A  título  ilustrativo,  é  possível  cotejar  alguns  do  principais  julgados  que  levaram à consolidação da jurisprudência no STJ:  a) aposentadoria por tempo de serviço concedida e paga pelo INSS com anos  de atraso ­ RESP 758.779/SC;  Fl. 224DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     10 b)  revisão  de  benefícios  mensais  do  INSS  –  RESP  492.247/RS  (Relator  Ministro  Luiz  Fux);  RESP  719.774/SC  Ministro  Teori  Zavascki;  RESP  901.945  –  Relator  Ministro Teori Zavascki; RESP 1.088.739/SP– decisão monocrática Ministro Francisco Falcão;  c) diferenças salariais mensais da URP – RESP 424.225/SC (Relator Ministro  Teori Zavascki); RESP 383.309/SC (Relator Ministro João Otávio Noronha);  d)  valores  mensais  de  Benefícios  previdenciários  e  assistenciais  pagos  por  precatório – RESP 505.081/RS (Relator Ministro Luiz Fux);  e)  valores  mensais  de  benefícios  previdenciários  RESP  1.075.700/RS  (Relatora  Ministra  Eliana  Calmon);  RESP  723.196/RS  –  Relator  Ministro  Franciulli  Netto;  RESP  667.238/RJ;  RESP  667.238/RJ  (Relato  Ministro  José  Delgado);  RESP  613.996/RS  Relator Ministro Arnaldo Esteves Lima; RESP 783.724/RS Relator Ministro Castro Meira; e  f)  Valores  mensais  de  rendimentos  de  servidor  público  –  AgReg.  AI  766.896/SC, Relator Ministro José Delgado.  É  fato  que  as  ações  de  benefícios  previdenciários  são  muito  freqüentes,  porém se constata que não eram apenas esses casos.   Entre  inúmeros  julgados  do  Tribunal  Superior,  elenco  alguns  para  deles  extrair os respectivos fundamentos adotados:  a) RESP 758.779/SC; tratamento justo ao caso (equidade);  b) RESP 492.247/RS; princípios da legalidade e da isonomia.;  c) RESP 719.774/SC;  princípios  da  legalidade  e  da  isonomia  e  vedação  ao  enriquecimento sem causa da Administração;  d)  RESP  901.945  –  resolução  de  aparente  antinomia  entre  o  art.  521  do  RIR1980 (Decreto 85.450/80) e o art. 12 da Lei 7.713/88 se resolve pela seguinte exegese: este  último  disciplina  o  momento  da  incidência;  o  outro,  o  modo  de  calcular  o  imposto.  (Precedentes  citados:  REsp  617081/PR,  1ª  T,  Min.  Luiz  Fux,  DJ  29.05.2006  e  Resp  719.774/SC, 1ª T, Min. Teori Albino Zavascki, DJ 04.04.2005.);  e)  RESP  424.225/SC  ­  ao  dispor  sobre  os  rendimentos  recebidos  acumuladamente, o art. 12 da Lei 7.713/88 disciplina o momento da incidência do Imposto de  Renda,  porém  nada  diz  a  respeito  da  alíquota  aplicável  a  tais  rendimentos,  adotou  a  jurisprudência dominante e assentou que não havia declaração de inconstitucionalidade da lei  d)  RESP  505.081/RS  –  se  o  rendimento  mensalmente  era  isento,  ao  ser  recebido de uma só vez não perde essa natureza; e  e) RESP 1.075.700/RS ­ não há violação do art. 12 da Lei n.º 7.713∕88 e art.  56, do Decreto n.º 3.000∕99, pois o acórdão recorrido está alinhado com a jurisprudência.  Afastar  a  aplicação  do  art.  12  da  Lei  n.º  7.713∕88  está  fora  da  órbita  de  competência  dos  membros  desse  Conselho,  portanto  fica  vedado  adotar  como  razão  precedentes judiciais que tenham esse fundamento, ainda que pautados por ofensa à legalidade,  à isonomia e mesmo sob o fundamento de buscar o tributo justo.  Fl. 225DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11065.000467/2006­15  Acórdão n.º 2802­002.879  S2­TE02  Fl. 221          11 Outrossim,  seria  inadequado  adotar  precedentes  que  se  socorreram  da  equidade,  pois  há  vedação  legal  expressa  quanto  ao  emprego  da  equidade  para  dispensar  a  exigência de tributo (§2º do art. 108 do CTN).  De outro giro, outras premissas devem ser levadas em conta:  a) está implícito na função do CARF contribuir para a segurança jurídica em  matéria tributária;  b) essa Turma já se posicionou diversas vezes sobre esse tema, enquanto não  vigorava a norma regimental que impôs o sobrestamento;  c) é competência constitucional do STJ atuar como guardião e intérprete da  lei federal;   d)  há  jurisprudência  consolidada  da  jurisprudência  do  STJ  sobre  o  tema  e  julgada na  sistemática do art. 543­C do Código de Processo Civil  – CPC, cuja  reprodução é  obrigatória  pelos  membros  do  CARF  (caput  art.  62­A  do  Regimento  Interno  do  CARF,  introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010).  Destarte,  no  CARF,  a  questão  deve  ser  solucionada  com  a  adoção  do  entendimento proferido nos acórdãos do STJ que se fundamentaram na interpretação do art. 12  da Lei nº 7.713, de 1988, no sentido de que o momento do recebimento dos rendimentos define  a  ocorrência  do  fato  gerador,  porém  no  cálculo  do  tributo  aplicam­se  as  alíquotas  e  tabelas  próprias das  competências  a que os valores  se  referem  (RESP 424.225/SC  e RESP 901.945,  tese consolidada no RESP 1.118.429/SP).   Frise­se:  é  interpretação  do  art.  12  e  não  declaração  de  sua  inconstitucionalidade.  Diversas vezes, o STF reconheceu que, com esse fundamento, o STJ não está  declarando  a  inconstitucionalidade  da  norma  legal,  mas  apenas  interpretando  a  legislação  infraconstitucional aplicável ao caso: RE 572580/RS, julgado em 03/06/2008; RE 563.347/SC;  AI 660.020/SC, e AI 636303/SC, julgado em 01/07/2008.  Teria  a  admissão  de  repercussão  geral,  sem  decisão  definitiva  de mérito,  o  condão de afastar a aplicação do entendimento adotado no STJ e inviabilizar sua aplicação pelo  CARF?  O  Recurso  Extraordinário  em  questão  enfrentou  um  acórdão  de  Tribunal  Regional que declarou a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei 7.713/1988.  Por  essa  razão,  as  razões  do  deferimento  da  repercussão  geral  foram:  a  declaração  de  inconstitucionalidade  superveniente  e  a  relevância  jurídica  correspondente  à  presunção de constitucionalidade das leis, a necessidade de garantir a unidade do ordenamento  jurídico,  a uniformidade da  tributação  federal  (art.  151,  I  da Constituição)  e a  isonomia  (art.  150,  II  da  Constituição)  (RE  614232 AgR­QO/RS,  rel. Min.  Ellen Gracie,  20.10.2010,  RE­ 614232).  Com  a  aplicação  do  entendimento  consignado  no  RESP  1.118.429/SP  não  está  sendo  afastada  aplicação  da  lei, mas  tão  somente dando  ao  dispositivo  legal  vigente  na  Fl. 226DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     12 época de ocorrência dos fatos geradores (art. 144 do CTN) a interpretação pacificada no âmbito  de seu intérprete mais abalizado.  Em suma: ausente decisão de mérito do STF na sistemática do art. 543­B do  CPC, nos Recursos Extraordinários paradigmas, o art. 12 está em vigor e sua interpretação se  dá nos moldes do julgado do STJ que adotou o rito do art. 543­C do CPC, no sentido de que o  momento  do  recebimento  dos  rendimentos  define  a  ocorrência  do  fato  gerador,  porém  no  cálculo do tributo aplicam­se as alíquotas e tabelas próprias das competências a que os valores  se referem (RESP 1.118.429/SP).  Após  a  análise  dos  precedentes  que  levaram  à  tese  firmada  no  Recurso  Especial  repetitivo,  proferido  em  sede  do  art.  543­C  do  CPC,  conclui­se  que  esse  julgado  merece uma interpretação sistemática e não apenas literal restrita a sua ementa.  Destarte,  o  referido  entendimento  deve  ser  implementado  nos  casos  de  condenações trabalhistas que sejam compatíveis com o mesmo entendimento, e não apenas no  caso de benefícios previdenciários.  Essa exegese vem sendo adotada pelo próprio STJ. Vejamos:  TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL.  IMPOSTO  DE  RENDA.  VERBAS  TRABALHISTAS  DECORRENTES  DE  RESCISÃO.  APURAÇÃO DO VALOR DEVIDO.  REGIME DE  COMPETÊNCIA. JUROS DE MORA. ISENÇÃO.  1.  "O  Imposto  de  Renda  incidente  sobre  os  benefícios  pagos  acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e  alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido  adimplidos,  observando  a  renda  auferida  mês  a  mês  pelo  segurado. Não  é  legítima a  cobrança  de  IR  com parâmetro  no  montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ"  (REsp  1.118.429/SP,  processado  sob  o  rito  do  art.  543­C  do  CPC,  Rel.  Ministro  Herman  Benjamin,  Primeira  Seção,  DJe  14/5/2010).  2.  A  Primeira  Seção  desta  Corte,  apreciando  o  REsp  1.089.720/RS,  de  relatoria  do  Ministro  Mauro  Campbell  Marques, DJe 28/11/12, consolidou entendimento no sentido de  que: (I) a regra geral é a incidência do imposto de renda sobre  os  juros  de  mora  (art.  16,  caput  e  parágrafo  único,  da  Lei  n.  4.506/1964),  inclusive  quando  fixados  em  reclamatórias  trabalhistas;  (II) há  isenção de  IR: a) quando o pagamento  for  realizado  no contexto  de  rescisão do  contrato de  trabalho e  b)  quando  a  verba  principal  for  igualmente  isenta  ou  fora  do  âmbito  do  imposto,  aplicando­se  o  princípio  do  accessorium  sequitur suum principale.  3. Hipótese  em  que  o  recorrido,  por  força  de  decisão  judicial,  recebeu,  acumuladamente,  verbas  trabalhistas  decorrentes  de  rescisão de contrato de trabalho.  4. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no REsp  1238127/RS,  Data  do  julgamento  20/02/2014.  No  mesmo  sentido: REsp 1410118/PE, data do julgado25/02/2014)    Fl. 227DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11065.000467/2006­15  Acórdão n.º 2802­002.879  S2­TE02  Fl. 222          13 PROCESSUAL  CIVIL  E  ADMINISTRATIVO.  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  AGRAVO  EM  RECURSO  ESPECIAL.  SERVIDOR  PÚBLICO  MUNICIPAL.  DIFERENÇAS  SALARIAIS  RESULTANTES  DE  AVALIAÇÃO  DE  DESEMPENHO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 269,  IV, DO CPC.  DEFICIÊNCIA  NA  FUNDAMENTAÇÃO.  SÚMULA  284/STF.  DISPOSITIVOS APONTADOS COMO VIOLADOS. AUSÊNCIA  DE  PREQUESTIONAMENTO.  SÚMULA  282/STF.  PRESCRIÇÃO. RELAÇÃO DE TRATO SUCESSIVO.  SÚMULA  85/STJ. VERBAS  RECEBIDAS DE  FORMA  ACUMULADA.  CÁLCULO MÊS A MÊS.  IMPOSTO DE RENDA. MONTANTE  GLOBAL. ILEGITIMIDADE. MATÉRIA SUBMETIDA AO RITO  DO ART. 543­C, DO CPC. RESP 1.118.429/SP.  (...)  3. Na espécie, não se discute nem o direito ao reenquadramento,  nem  as  normas  em  que  se  fundou  tal  ato,  mas  questiona­se  apenas os valores correspondentes ao reenquadramento salarial  do  servidor,  isso  conforme  a  opção  pelo  Plano  de  Cargos  e  Salários  e  de  acordo  com  a  pontuação  obtida  pelo  Plano  de  Avaliação de Desempenho, pelo que não há falar em prescrição  do fundo de direito, mas tão somente das parcelas anteriores ao  quinquênio que precedeu à propositura da ação. Inteligência da  Súmula  85/STJ.  Precedentes:  AgRg  no  AREsp.  4.355/SP,  Rel.  Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe 1/7/2011; AgRg no Ag.  1.213.131/SP,  Rel. Min. Maria  Thereza  de  Assis Moura,  Sexta  Turma,  DJe  1/6/2011;  e  AgRg  no  Ag  1.076.183/SP,  Rel.  Min.  Laurita Vaz, Quinta Turma, DJe 9/3/2009.  4. A Primeira Seção desta Corte, ao julgar o REsp 1.118.429/SP,  sob o regime do art. 543­C do CPC, assentou o entendimento no  sentido de que "o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios  pagos  acumuladamente  deve  ser  calculado  de  acordo  com  as  tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam  ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo  segurado", não sendo legítima a cobrança de IR com parâmetro  no montante global pago extemporaneamente".  5. Agravo regimental não provido.(AgRg no AREsp 434044/SP,  Data do Julgamento 20/02/2014)  Este  caso  concreto  é  compatível  com  a  interpretação  do  art.  12  da  Lei  7.713/1988 firmada no RESP 1.118.429/SP.  Contudo,  ao  adotar  outra  interpretação  do  dispositivo  legal,  o  lançamento  empregou  critério  jurídico  equivocado,  o  que  o  afetou  substancialmente,  pois  prejudicou  a  quantificação da base de cálculo, a  identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do  tributo  devido, caracterizando­se um vício material a invalidá­lo.  Não  compete  ao  órgão  de  julgamento  refazer  o  lançamento  com  outros  critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida.   Citam­se excertos de ementas de alguns precedentes que operam no mesmo  sentido:  Fl. 228DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     14  (...) PIS – LEI COMPLEMENTAR 7/70 – BASE DE CÁLCULO  – O  parágrafo  único  do  art.  6°  da  LC  7/70  estabeleceu  que  a  base de cálculo correspondia ao faturamento do 6° mês anterior.  Se o  lançamento desrespeitou  essa norma,  e como ao  julgador  administrativo  não  é  permitido  refazer  o  lançamento,  então  resta  apenas  cancelar  a  exigência.  (...).(  CSRF/01­05.163,  de  29/11/2004)(grifos acrescidos)  Assunto:  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  ­  CSLL  Ano­calendário: 2008   DESPESA  DE  AMORTIZAÇÃO  DE  ÁGIO.  NATUREZA  JURÍDICO­CONTÁBIL.   Equivoca­se  o  lançamento  que  considera  a  despesa  de  amortização do ágio como despesa com provisão, pois o ágio é a  parcela  do  custo  de  aquisição  do  investimento  (avaliado  pelo  MEP) que ultrapassa o valor patrimonial das ações, o que não  se  confunde  com  provisões  ­  expectativas  de  perdas  ou  de  valores  a  desembolsar.  MUDANÇA  DE  CRITÉRIO  JURÍDICO.  A  instância  julgadora  pode  determinar  que  se  exclua  uma  parcela  da  base  tributável  e  que  se  recalcule  o  tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de  cálculo  considerando  uma  despesa  dedutível  ou  uma  receita  como  não  tributável,  mas  não  pode  refazer  o  lançamento  a  partir de outro critério jurídico que o altere substancialmente.  (Acórdão 1302­001.170, de 11/09/2013)(grifos adicionados)  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  INALTERABILIDADE  DO  CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO EM RELAÇÃO AO  MESMO SUJEITO PASSIVO.  Na  fase  contenciosa,  não  é  admissível  a mudança  do  critério  jurídico adotado no lançamento contra o mesmo sujeito passivo  em relação aos fatos geradores já concretizados.  (...) (Acórdão  2802­002.489, de 17/09/2013)(grifos não constam do original)  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ   Ano­calendário: 1996   LANÇAMENTO  FISCAL.  REDUÇÃO DE  PREJUÍZO  FISCAL.  REDUÇÃO DE SALDO NEGATIVO. DIFERENÇA.   No lançamento fiscal, a irregularidade de se lançar sem reduzir  o prejuízo fiscal  implica em erro na formação da própria base  tributável,  o  que  não  é  passível  de  correção  por  parte  do  julgador  administrativo,  que  não  pode  alterar  o  lançamento.  Neste sentido, a jurisprudência do CARF é tranqüila no sentido  de se cancelar o auto de infração por inteiro. (...) 1401­001.086,  de 07/11/2013) (grifos acrescentados)  Consequentemente,  deve­se  cancelar  o  lançamento,  o  que  torna  inútil  a  deliberação sobre as demais alegações recursais.  Diante do exposto, deve­se DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para  cancelar o lançamento.  Fl. 229DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11065.000467/2006­15  Acórdão n.º 2802­002.879  S2­TE02  Fl. 223          15  (Assinado digitalmente)  Jorge Claudio Duarte Cardoso                                Fl. 230DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO

score : 1.0
5491895 #
Numero do processo: 12466.002004/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 08/04/2004, 09/06/2004, 12/07/2004, 04/01/2005 SUJEIÇÃO PASSIVA. CONTRIBUINTES. SOLIDARIEDADE. VÍCIO FORMAL. INEXISTÊNCIA. Não possui vício algum o lançamento que descreve de forma pormenorizada a infração e imputa aos sujeitos responsáveis pela sua prática a qualificação jurídica adequada no tocante ao cumprimento da obrigação principal, mormente a sujeição passiva e a solidariedade, tendo em conta os elementos de prova coligidos ao processo. Recurso de ofício provido.
Numero da decisão: 3401-002.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício para afastar a nulidade do lançamento por erro na sujeição passiva. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter e Fernando Cleto e a Conselheira Ângela Sartori, que negavam provimento ao recurso. Os Conselheiros Júlio Ramos e Fenelon Moscoso votaram pelas conclusões e apresentarão declaração de voto. Por unanimidade, determinou-se o retorno dos autos à DRJ para enfrentamento do mérito, inclusive da multa mencionada na decisão original. Júlio César Alves Ramos – Presidente Robson José Bayerl – Relator Fenelon Moscoso de Almeida – Declaração de voto Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201403

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 08/04/2004, 09/06/2004, 12/07/2004, 04/01/2005 SUJEIÇÃO PASSIVA. CONTRIBUINTES. SOLIDARIEDADE. VÍCIO FORMAL. INEXISTÊNCIA. Não possui vício algum o lançamento que descreve de forma pormenorizada a infração e imputa aos sujeitos responsáveis pela sua prática a qualificação jurídica adequada no tocante ao cumprimento da obrigação principal, mormente a sujeição passiva e a solidariedade, tendo em conta os elementos de prova coligidos ao processo. Recurso de ofício provido.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 12466.002004/2009-81

anomes_publicacao_s : 201406

conteudo_id_s : 5353640

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 3401-002.514

nome_arquivo_s : Decisao_12466002004200981.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : ROBSON JOSE BAYERL

nome_arquivo_pdf_s : 12466002004200981_5353640.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício para afastar a nulidade do lançamento por erro na sujeição passiva. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter e Fernando Cleto e a Conselheira Ângela Sartori, que negavam provimento ao recurso. Os Conselheiros Júlio Ramos e Fenelon Moscoso votaram pelas conclusões e apresentarão declaração de voto. Por unanimidade, determinou-se o retorno dos autos à DRJ para enfrentamento do mérito, inclusive da multa mencionada na decisão original. Júlio César Alves Ramos – Presidente Robson José Bayerl – Relator Fenelon Moscoso de Almeida – Declaração de voto Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.

dt_sessao_tdt : Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014

id : 5491895

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:28 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046812133163008

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2014; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 10 9 S3­C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.002004/2009­81 Recurso nº                    Acórdão nº 3401­002.514  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Sessão de 25 de março de 2014 Matéria II, IPI, PIS/PASEP E COFINS Recorrente DARK TECHNOLOGIES DO BRASIL  LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 08/04/2004, 09/06/2004, 12/07/2004, 04/01/2005 SUJEIÇÃO   PASSIVA.   CONTRIBUINTES.   SOLIDARIEDADE.   VÍCIO  FORMAL. INEXISTÊNCIA. Não possui vício algum o lançamento que descreve de forma pormenorizada  a infração e imputa aos sujeitos responsáveis pela sua prática a qualificação  jurídica   adequada   no   tocante   ao   cumprimento   da   obrigação   principal,  mormente a sujeição passiva e a solidariedade, tendo em conta os elementos  de prova coligidos ao processo. Recurso de ofício provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam   os   membros   do   Colegiado,   pelo   voto   de   qualidade,   em   dar  provimento ao recurso de ofício para afastar a nulidade do lançamento por erro na sujeição  passiva.  Vencidos  os  Conselheiros   Jean  Cleuter  e  Fernando  Cleto  e  a  Conselheira  Ângela  Sartori, que negavam provimento ao recurso. Os Conselheiros Júlio Ramos e Fenelon Moscoso  votaram pelas conclusões e apresentarão declaração de voto. Por unanimidade, determinou­se o  retorno dos autos à  DRJ para enfrentamento do mérito,   inclusive da multa mencionada na  decisão original. Júlio César Alves Ramos – Presidente 1    AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 20 04 /2 00 9- 81 Fl. 405DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Relator Robson José Bayerl – Relator Fenelon Moscoso de Almeida – Declaração de voto Participaram   do   presente   julgamento   os   Conselheiros   Júlio   César   Alves  Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl,  Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. Relatório Por bem refletir  o  caso   tratado  nestes  autos,  adoto o relatório  da  decisão  administrativa de primeira instância, verbis: “Versa o presente processo sobre Auto de Infração (fls. 01 a 89) lavrado  contra a empresa em epígrafe, (...), referente à falta de recolhimento de Imposto de  Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), contribuição para o   PIS/Pasep e  Confins   incidentes  na   importação,  acrescidos  de multa  qualificada   lançada   de   ofício   proporcional   a   150%   dos   valores   não   recolhidos   e   juros   moratórios, além de multa por infração administrativa ao controle das importações,   em razão de subfaturamento, equivalente a 100% sobre a diferença entre o preço   declarado   e   o   preço   efetivamente   praticado   na   importação   ou   entre   o   preço  declarado e o preço arbitrado. Segundo relata a fiscalização às fls. 04 a 71, o procedimento fiscal em causa  teve por base documentos coligidos em diligências no estabelecimento da pessoa  jurídica autuada,  além de outros  documentos  e  arquivos  magnéticos  que   foram   apreendidos   pela  Polícia   Federal   durante   a   denominada   “Operação  Dilúvio”,  voltada   à   apuração   de   esquema   fraudulento   perpetrado   por   uma   organização  controlada   por   Marco   Antônio   Mansur   (CPF   n.º   365.153.459/68),   outrora  denominada “grupo MAM”. Mais   precisamente,   no   que   diz   respeito   às   importações   de  mercadorias   estrangeiras registradas entre 08/04/2004 e 14/04/2004, através das  Declarações  de Importação n.ºs 04/0336057­3, 04/0554914­2, 04/0674044­0 e 05/0006601­3, a  autoridade autuante relata ter efetuado as seguintes constatações: a)   as   empresas   DARCK   e   COTIA   TRADING   S/A   estão   envolvidas   nas   importações   relacionadas   à   fl.   04,   tidas   como   simuladas,   e   realizadas   com   o  objetivo de nacionalizar mercadorias com valores subfaturados, além da prática de  utilização   de   documentos   ideológico   e/ou   materialmente   falsos   e   declarações  ideologicamente falsas; b) as importações acobertadas pelas DI sob apreço foram registradas pela  empresa   COTIA   por   conta   e  risco   próprio,   sendo   que,   na   realidade,   quem  financiava as operações de importação era a empresa DARCK, configurando um  quadro de simulação e interposição fraudulenta; c)  a  DARCK foi   identificada  como  real  compradora  das  mercadorias  no  exterior, real importadora e como real adquirente no mercado nacional ao passo  2 Fl. 406DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 10 que a  COTIA,  ao  revestir­se  da  qualidade  de   importadora,   serviu  de  escudo  e   blindagem para a real importadora; d) os fornecedores e a DARCK (real importadora) foram os que acertaram as  condições dos contratos de compra e venda, definindo mercadorias, preços efetivos,   formas   de   pagamento,   etc.,   que   representa   a   operação   real,   aquela   que   os   intervenientes colimaram ocultar; e) os valores de transação declarados nas DI analisadas são muito inferiores   aos   valores   efetivamente   praticados   (DI   n.ºs   04/0336057­3,   04/0554914­2   e   05/0006601­3) ou arbitrados (DI n.º 04/0674044­0), havendo a empresa fiscalizada   incorrido na prática de subfaturamento. Regularmente cientificados, em 17/06/2009 e 18/06/2009 (fl. 03), as empresas  DARCK   TECHNOLOGIES   DO   BRASIL   LTDA   e   COTIA   TRADING   S/A  apresentaram, em 14/07/2009 e 20/07/2009, respectivamente os documentos de fls.   307 e 331 a 357,  havendo a empresa DARCK TECHNOLOGIES apresentado a   impugnação de fls. 290 a 306, onde, em síntese: Alega, preliminarmente, que a autoridade autuante desbordou dos limites da   legislação aplicável ao trazer relatos e graves afirmações de que houve crime de   falsidade   e   descaminho,   com   base   em   documentos   extraídos   de   procedimentos   conduzidos nas esferas policial e judicial, ao que aduz o raciocínio de que, por   estar o auto de infração em tela baseado no processo penal, é de se declarar a sua  improcedência ante o fato de a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça, nos   autos do HC n.º 113.145­PR e por unanimidade de votos, ter concedida a ordem  para trancar a ação penal em relevo, decisão esta que deve ser respeitada na esfera   administrativa, pois transitou em julgado em 23/03/2009; Em outro   plano,  alega   que  não   pode   ser   responsabilizado   pela   infração   descrita no presente processo, ao argumento de que todos os tributos incidentes nas   operações que praticou,   inclusive aqueles  que  incidiram na venda a varejo das  mercadorias adquiridas foram recolhidos, além do que pagou pela aquisição no   mercado interno das mercadorias importadas, fato este que foi desconsiderado pela   fiscalização; Considera   descabidas   as   acusações   que   lhe   foram   imputadas,   já   que   as   empresas que lhe venderam as mercadorias estavam habilitadas no RADAR para   efetivar suas atividades na qualidade de trading company, além do que reclama de   estar sendo acusado por condutas que não lhe dizem respeito e que, ante a ausência   de   documentos,   os   valores   aduaneiros   arbitrados   pelo   Fisco   encontram­se   fulcrados em suposições e  ficções,  em flagrante desatendimento ao princípio do   ônus da prova; Nega ter assumido  financeiramente os custos  incorridos nas operações de  importação,   ao   que   aduz   não   ser   da   atividade   da   empresa   desincumbir­se   de   operações de logística atinentes ao comércio internacional e que o aspecto mais   importante das  operações  realizadas pelas   trading  é  a necessidade de  recursos   financeiros   e   fluxo   de   caixa   para   fazer   frente   aos   tributos   no   momento   da   nacionalização das mercadorias importadas; Alega que, em razão de os tributos incidentes nas operações de importação  serem   pagos   antecipadamente,   a   terceirização   das   atividades   de   logística  3 Fl. 407DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA internacional   torna­se   conveniente,   não   só   do   ponto   de   vista   de   custos   e   de   estrutura   organizacional,  mas   também em   face   do   próprio   aspecto   econômico­ financeiro inerente às trading, como o financiamento de todos os custos e tributos   até a entrega do bem no armazém do distribuidor e a possibilidade da redução de   custos oriundos de benefícios e créditos fiscais das trading; Reclama   que   a   autoridade   autuante   desbordou   do   que   determinam   as  disposições contidas no art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 1972, e no caput do art.   142   do   Código   Tributário   Nacional   (CTN),   visto   que   trouxe   para   o   feito,   indevidamente, relatos e graves afirmações extraídos de procedimentos levados a  efeito   nas   esferas   policial   e   judicial,   quando   deveria   limitar­se   aos   fatos   que  ensejaram o ato do lançamento para a constituição do crédito tributário; Nesta mesma linha, reclama também ter sido violado o sigilo de seus dados,   com a  juntada de  peças do processo de competência das autoridades policial  e   judicial, pelo que entende ter sido ofendido, na realização do feito ora atacado, o   direito previsto no inciso XII do art. 5º da Constituição Federal; Insurge­se contra a afirmação da autoridade autuante que se refere à prática  de   sonegação,   fraude,   conluio,   falsificação   de   documentos,   prestação   de   informações falsas e de benefícios obtidos com as ilegalidades praticadas, eis que   jamais   buscou   o   encerramento   de   suas   atividades   e   ofereceu   ao  Fisco   toda   a   documentação requerida, havendo, inclusive, incabível apreensão sem devolução de  todos os documentos solicitados, em razão de que entende ter a presente autuação  desrespeitado as disposições contidas nos artigos 2º e 3º da Lei n.º 9.784, de 1999,   dentre os quais destaca a previsão de ser tratado com respeito pelas autoridades e   servidores, que devem facilitar o exercício de seus direitos e o cumprimento de suas   obrigações; Nega ter participado do esquema fraudulento apontado pela fiscalização, ao   argumento de que não é empresa de grande porte, seu faturamento é limitado, não   movimenta grande soma de recursos financeiros, além do que não é detentor de   informações de natureza fiscal e procedimental relacionadas às demais empresas   citadas no relatório da autuação; Reclama não poder ser equiparado à empresa industrial para efeito de exigir   o   IPI,  pois   jamais  desenvolveu atividade   industrial  ou a ela equiparada, nem é   importador, pelo que entende não poder ser responsabilizado pela exigência do IPI,   nos moldes estabelecidos na autuação, ao que noticia ter recolhido todos os tributos  que incidiram nas operações realizadas com a aquisição das mercadorias em relevo  no mercado interno e posterior venda a varejo das mercadorias adquiridas; Em outro plano, contesta a cobrança de juros de mora calculados à taxa   referencial Selic, eis que eivada de incerteza e iliquidez, por entender ser referida  cobrança ilegal e inconstitucional; Quanto à aplicação das multas veiculadas no auto de infração, alega não ter   sido   demonstrada   ou   comprovada   a   prática   das   infrações   cominadas   pelas   mencionadas   penalidades   que   reputa   serem   confiscatórias,   violando   o   preceito   contido no  inciso IV do art.  150 da Constituição Federal,  ao que aduz não  ter   incorrido em qualquer fraude que desse azo a essa penalização; Finalmente, em face de tudo o quanto foi exposto, requer o cancelamento do   auto de infração hostilizado. Por sua vez, a empresa COTIA TRADING S/A apresentou a impugnação de   fls. 290 a 306, onde, em síntese: 4 Fl. 408DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 10 Alega que as importações em tela foram feitas sob encomenda da empresa   DARCK, que sua capacidade financeira foi atestada no próprio auto de infração e   que não participou da negociação de preços das mercadorias importadas, ao que  aduz   que   a   documentação   que   fundamenta   a   autuação   foi   obtida   na   empresa   DARCK, sendo apenas de conhecimento da referida empresa, o que, a seu ver, viola   o princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, caracterizando prova   emprestada; Argúi a nulidade do feito ora atacado, com fulcro na disposição contida no §   1º do art. 9º do Decreto n.º 70.235, de 1972, e que determina a lavratura de autos   de infração distintos para cada contribuinte, e não um único auto de infração que   mistura   alegações,   condutas   e   penalidades   imputáveis   a   dois   contribuintes   diferentes; Ademais   disso,   reclama   que   as   importações   em   causa   já   haviam   sido  submetidas ao crivo da fiscalização aduaneira, em razão de que entende que as   mercadorias   encontram­se   regularmente   no   País,   descabendo   nova   análise   aduaneira   que   colima   imputar   multa   gravíssima   à   empresa   COTIA,   mera   responsável solidária de acordo com o auto de infração; Em outro plano, alega a decadência dos lançamentos de oficio relativos a   tributos sujeitos a lançamento por homologação, no que pertine aos fatos geradores   ocorridos antes de 17/06/2004, com fundamento no disposto pelo § 4º do art. 150   do CTN combinado com os artigos 668 e 669 do Regulamento Aduaneiro, aprovado  pelo Decreto n.º 4.543, de 2002, ao que aduz que a participação na fraude, dolo ou   simulação, aventados pela autoridade autuante, de molde a impedir a decadência,   deve ser provada e não presumida, reiterando, no ponto, ter realizado importações   sob encomenda da DARCK, sem intermediar a negociação com os fornecedores que   emitiram as faturas comerciais supostamente falsas e que instruíram os despachos   de importação em relevo; Na   seqüência,   reclama   ser   inaplicável   à   COTIA   TRADING   a  responsabilidade tributária sobre obrigações da empresa DARCK, dado que não   tinha interesse  comum na situação que constitui  o fato gerador dos tributos em  questão   (CTN,   art.   124),   ao   que   aduz   o   esclarecimento   de   que   a   venda   das   mercadorias importadas deu­se por valores muito próximos ao custo da operação   de importação, por ter colimado auferir o benefício financeiro advindo do regime   do   FUNDAP   (ICMS)   instituído   pelo   Estado   de   Espírito   Santo,   e,   portanto,   o   subfaturamento de preços só diminuiria o ganho da COTIA;   Relativamente   à   imputação   de   subfaturamento,   argúi,   ainda,   que   a  fiscalização não observou  o   procedimento  de   valoração  aduaneira  disciplinado  pela IN SRF n.º 237, de 2003, havendo desconsiderado injustificadamente o método   do   valor   de   transação,   sem   que   o   importador   houvesse   sido   intimado   para   comprovar o valor declarado e sem que fosse obedecida a seqüência de aplicação  dos  métodos   de   valoração   substitutivos,   o  que,   a   seu   ver,   constitui   afronta   ao   princípio do devido processo legal; Contesta  a  sua responsabilização pela  falsidade  das   faturas  comerciais  e   demais  documentos  que   instruíram os  despachos de  importação sob  apreço, ao   argumento de não ter emitido tais faturas, e de que tampouco tinha conhecimento   de outras faturas que foram apreendidas pelo Fisco junto à empresa DARCK, ao   passo que os conhecimentos de embarque e as DI refletiram as operações realmente   5 Fl. 409DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA praticadas, e que reitera terem sido importações sob encomenda, realizadas antes   da publicação da Lei n.º 11.286, de 2006;  Em outro plano, ainda, alega que a autoridade administrativa tem o dever de  apurar os fatos relacionados unicamente ao ato objeto da imputação, inexistindo   espaço  para  utilização  de   indícios  e  conclusões  que  não   levem a  uma  decisão   conclusiva, sendo incabível, no direito tributário, o empréstimo de prova relativa a   outros  procedimentos,  dado a   tipicidade  restrita  que  preside  esse   ramo direito,   derivada do princípio da legalidade, de modo que a exigência legítima de tributo ou   de penalidade depende da subsunção perfeita entre o ato, ou omissão, perpetrado  pelo contribuinte e o fato imponível previsto na lei; Na seqüência, após alegar que a negociação do adquirente com o fornecedor   estrangeiro é uma faculdade prevista tanto na importação sob encomenda (§ 3º do  art.  11 da Lei n.º  11.281, de 2006), como na importação por conta e ordem de   terceiro (art. 1º da IN SRF n.º 255, de 2002), reitera que as importações sob apreço  foram realizadas por encomenda da empresa DARCK, tendo esta, e não a empresa   COTIA,   negociado   com   os   fornecedores   estrangeiros,   pelo   que   supostas  irregularidades   envolvendo   faturas   comerciais   e   os   preços   praticados   nessas   importações   somente   podem   ser   imputadas   ao   exportador   ou,   no   máximo,   à   empresa DARCK, solicitando,  ainda,  no caso de dúvidas,  que seja observado o   disposto no art. 112 do CTN, no que pertine à interpretação da lei tributária, de  forma mais favorável ao acusado; Finalmente, em face de tudo o quanto foi exposto, requer o cancelamento do   auto de infração hostilizado.” A DRJ Florianópolis/SC reputou nulo o  lançamento,  por  vislumbrar  vício  formal na imputação da sujeição passiva, bem assim, que seria incabível o lançamento da multa  prevista no art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória n.º 2.158­35/2001, regulamentado  pelo art. 633, I do Decreto n.º 4.543/2002. Esta decisão foi submetida ao procedimento do recurso de ofício. Devidamente cientificados da decisão, os autuados não apresentaram recurso  voluntário. É o relatório. Voto            Conselheiro Relator Robson José Bayerl, Relator A decisão submetida a reexame necessário preenche os pressupostos mínimos  para seu conhecimento e processamento. Dois   são   os   pontos   controvertidos   submetidos   a   julgamento:   a   sujeição  passiva   e   (in)aplicabilidade   da  multa   de   100%  da   diferença   entre   o   valor   declarado   e   o  efetivamente praticado, nos casos de fraude, sonegação ou conluio em operação de importação. Respeitante à definição da qualificação jurídica que os contribuintes autuados  deveriam ostentar no lançamento, a decisão de piso, adotando a premissa que se cuidava de  importação por conta e ordem, após indicar a legislação de regência da matéria, concluiu que  6 Fl. 410DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 10 houve inversão do pólo passivo no auto de infração, devendo a COTIA TRADING S/A figurar  como   contribuinte   e  DARCK TECHNOLOGIES  DO BRASIL  LTDA.,   como   responsável  tributário. O pressuposto para tal inferência, segundo o voto condutor, encontra­se no  seguinte excerto: “Considerando   o   fato   de   que   as   operações   de   importação   registradas pela empresa COTIA TRADING  , independente da  forma  como  foram declaradas,   caracteriza­se   como  sendo  de   fato   operações   realizadas   por   conta   e   ordem da  DARCK,   o   presente   procedimento   fiscal   foi   focado   nessa   empresa   identificada como  REAL IMPORTADORA  e   real  adquirente   das   mercadorias,   que   utilizou   os   serviços   prestados   pela   interposta pessoa jurídica COTIA TRADING com o objetivo de  reduzir os seus custos, sem se importar com as ilegalidades dos   seus atos.” (fl. 24) Noto, porém, que a autoridade autuante assevera que, do ponto de vista dos  fatos,   cuidava­se   de   operação   realizada  por   conta   e   ordem,   no   entanto,   em  várias   outras  passagens, que reproduzirei, acentuou que a pessoa jurídica COTIA TRADING S/A registrou  as  declarações  de   importação  como  sendo  importação  por  conta  própria,  ocultando o   real  importador/adquirente   DARCK   TECHONOLOGIES,   de   modo   que,   a   bem   da   verdade,  caracterizar­se­ia   a   figura   da   interposição   fraudulenta,   sendo,   inclusive,   objeto   de   tópico  específico de autuação (“Simulação e Interposição Fraudulenta”). São as seguintes: “Neste procedimento estão sendo tratadas as importações das   mercadorias acobertadas pelas DI's relacionadas, cujas Notas   Fiscais  de entrada na  DARCK,   foram emitidas  pela  empresa  COTIA TRADING que registrou ditos processos na sistemática  de importação por conta e risco próprio.” (fl. 04 – sublinhado) “As  notas   fiscais   emitidas   pela   empresa  COTIA  TRADING,   foram   vinculadas   à   Faturas   Internacionais,   tidas   como   efetivamente emitidas pelos reais exportadores, e aos processos   de importação,  que foram registrados como sendo por conta e  risco   da   empresa     COTIA   TRADING   ,   cuja   simulação,      subfaturamento e outras irregularidades, foram comprovados e   onde foi identificada a empresa     DARCK   ,  como a compradora      das   mercadorias   no   exterior     (REAL   IMPORTADORA)   .   A  participação da empresa DARCK foi comprovada em diligência  na  empresa  onde  foram retidas,  conforme  termo próprio   (fls.   191 a 199), além das Notas Fiscais referentes aos processos em  questão, inúmeras outras Notas Fiscais de entradas emitidas por  diversas   empresas   tidas   como   sendo   de   fachada,   muitas   a  serviço   do  Grupo  MAM,   na   maioria   das   vezes  INAPTAS  perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil, consideradas   inexistentes   de   fato,   envolvendo   diversos   processos   de  importação e um grande número de importadoras, todas agindo  7 Fl. 411DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA a serviço da DARCK, onde foram constatados os mesmos tipos   de   irregularidades   motivando   autuações   (...)”  (fl.   07   –  sublinhado) “Assim   temos   que   a  DARCK  foi   Identificada   como   real   COMPRADORA   DAS  MERCADORIAS   NO   EXTERIOR,  REAL  IMPORTADORA  e   como  REAL ADQUIRENTE  NO  MERCADO  NACIONAL,   foi   quem   assumiu   financeiramente  todos   os   custos,   já   a  COTIA   TRADING  revestiu­  se   da  qualidade de IMPORTADORA servindo de escudo e blindagem  para a REAL IMPORTADORA.” (fls. 07/08) “Dessa forma, os reais adquirentes e encomendantes (neste caso  a  DARCK,   identificada   como   real   importadora),   quando  mantidos ocultos, obtêm uma substancial (e indevida) vantagem  fiscal, também na fase de comercialização, no mercado interno,   de produtos importados sujeitos à incidência do IPI.” (fl. 17) “(...)   Neste   contexto,   avulta   o   cuidado   na   identificação   do  sujeito   passivo,   pois   na   ocultação   do   sujeito   passivo   por  interposição fraudulenta, o que se dá é simulação tributária por  transferência   subjetiva,  isto  é,   estima­se  que  da  aplicação do  critério subjetivo que permitiria levar a bom termo a sujeição   passiva, surja um outro que não aquele que deveria ser obrigado  ou, o que é o caso concreto, surja apenas um dos obrigados ao   pagamento   dos   tributos,   ocultando­se   justamente   aquele   que  demonstra a capacidade contributiva. Como se demonstra , a empresa COTIA TRADING e a empresa   DARCK,   real   adquirente   das   mercadorias,   conjuntamente,   simularam operação de   comércio   exterior,   na  modalidade  de   importação   por   conta   própria   (importação   direta)   em   que   supostamente  a  COTIA TRADING  seria  titular  da operação,  mantendo   oculta   aos   olhos   do   fisco   a   real   adquirente   das   mercadorias,   verdadeira   titular   das   operações   de   comércio   exterior, identificada como sendo a DARCK.” (fl. 24) “Neste   procedimento   tratamos   as   operações   de   importação,  registradas pela empresa COTIA TRADING, que se revestiu do   título  de   importadora,   simulando  que  agia  por   conta   e   risco  próprio. Na ação fiscal foram identificadas as operações reais,   os   verdadeiros   valores   de   transação   e   a   adquirente   das   mercadorias, a empresa DARCK, que comprou as mercadorias   no   exterior   e   aproveitou   os   benefícios   obtidos   com   as  ilegalidades praticadas.” (fls. 24/25) “Os intervenientes nos processos de importação em pauta foram  identificados na ação fiscal,  como sendo as empresas  COTIA  TRADING  como interposta pessoa  jurídica,  e  DARCK,  como  8 Fl. 412DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 10 compradora das mercadorias ­  REAL IMPORTADORA.”  (fl.  31) “Como fartamente comprovado, o interesse pelo negócio partiu   da  DARCK,   que   adquiriu   as   mercadorias   no   exterior   e   contratou   a  COTIA   TRADING  para   que   nacionalizasse   as  mercadorias,  estando claro  que  todos os  procedimentos  estão   eivados   de   vícios,   com   os   intervenientes   agindo   em   total   desrespeito   à   legislação   vigente,   fazendo   declarações   e   preparando  documentos   a   fim  de   atender   as   etapas   a   serem  ultrapassadas, e não para o atendimento aos preceitos legais.”  (fls. 31/32) “Dessa   forma   temos   que   a   compradora   de   fato   (real   importadora)   das   mercadorias   em   questão   foi   a   empresa   DARCK,   que   interessada   em  maximizar   os   seus   resultados,   contratou os serviços da  COTIA TRADING,  que investida de  forma   simulada   da   qualidade   de   importadora,   promoveu   a   nacionalização   das   mercadorias   que   sabia,   haviam   sido   adquiridas no exterior pela empresa  DARCK  e  agindo assim,   esses contribuintes, para atingir os seus objetivos, formularam a   simulação   de   negócios   e   prepararam   todos   os   documentos   registrando a  COTIA TRADING  como importadora, deixando  oculta   a   verdadeira   adquirente   das  mercadorias   a  DARCK.   Então, a  DARCK  interessada em nacionalizar as mercadorias   com o menor custo e a  COTIA TRADING  interessada em se   aproveitar dos benefícios financeiros do FUNDAP, resolveram  correr   o   risco,   cabendo   ao   fisco   unicamente   identificar   as  irregularidades e punir os responsáveis pela infração.” (fl. 33) “Conforme   foi   demonstrado,  as  operações  de   importação em  questão,   apresentando   como   importadora   e   adquirente   a  empresa  COTIA   TRADING,   são   simuladas,   e   omitem   a  compradora dos bens (real importadora), aquela que adquiriu   as  mercadorias  no  mercado  exterior   e   internou  em  território  nacional a DARCK. Dessa   forma   para   dar   credibilidade   aos   procedimentos   de   nacionalização desses bens, utilizaram documentos, materiais ou  ideologicamente   falsos,   promovendo   declarações  ideologicamente   falsas,   para   que,   ao   declarar   a  COTIA  TRADING  como   importadora   pudessem   ocultar   a   empresa   DARCK  principal  interessada   e   real   compradora   das  mercadorias no exterior (real importadora).” (fl. 34) Ou seja, a referência à importação por conta e ordem apenas remete àquilo  que, segundo os fatos narrados,  deveria ser declarado, mas não o foi, uma vez que, além de  9 Fl. 413DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA registrada  como sendo  importação por  conta  própria,  por  parte  da  pessoa   jurídica  COTIA  TRADING S/A, não observou os requisitos necessários à sua configuração, razão porque foi  tratada como interposição fraudulenta. Destarte, consoante art. 80, I da MP 2.158­35/2001, à Secretaria da Receita  Federal foi delegada a incumbência de estabelecer exigências e condições para a atuação de  pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro e, neste diapasão, foi editada a IN  SRF 225/02, que definiu a  forma de  atuação da pessoa jurídica importadora em operações  procedidas por conta e ordem de terceiros, listando, dentre os requisitos, o dever de apresentar  cópia do contrato firmado entre as partes para a prestação dos serviços à unidade da SRF, de  fiscalização aduaneira, com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz; a necessidade de  indicar, em campo próprio da DI, a inscrição no CNPJ do adquirente; que a fatura comercial  deveria identificar o adquirente da mercadoria, dentre outras. Ora,   se  a  RFB exige  que  determinadas   condições   sejam observadas  para  enquadramento da operação como importação por conta e ordem, uma vez desatendidas tais  imposições, tem­se a sua descaracterização, não podendo ser assim considerada, como fez a  decisão submetida a reexame. O que  existe,   a  meu ver,  é  um conluio  fraudulento  entre  os  coobrigados  indicados na autuação, onde a pessoa jurídica COTIA TRADING S/A, de forma inverídica,  informou nas DIs registradas tratar­se de importação por conta própria (fls. 216, 232, 236, 251,  275),  visando   à   fruição   de   vantagens   fiscais   no   âmbito   do   ICMS   e   a   ocultação   do   real  adquirente das mercadorias importadas, quando na verdade o importador de fato era a pessoa  jurídica  DARCK TECHNOLOGIES  DO BRASIL LTDA,  como sobejamente  demonstrado  nestes autos. Neste sentido, entendo que assiste razão à autoridade administrativa autuante  quando   indica   ser   o   real   importador   a   pessoa   jurídica   DARCK   TECHNOLOGIES   DO  BRASIL   LTDA,   assim   devendo   ser   tratada,   inclusive   e   principalmente   para   fins   de  determinação do sujeito passivo dos tributos devidos, ainda que formalmente, nas declarações  de importação,  tenha figurado apenas a pessoa jurídica COTIA TRADING S/A, a  teor das  disposições do art. 31, I do Decreto­Lei nº 37/66, verbis:  “Art.31 ­ É contribuinte do imposto: (Redação pelo Decreto­Lei nº 2.472,   de 01/09/1988)   I   ­   o   importador,   assim   considerada   qualquer   pessoa   que   promova   a  entrada   de   mercadoria   estrangeira   no   Território   Nacional;  (Redação   pelo  Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  II ­ o destinatário de remessa postal internacional indicado pelo respectivo   remetente; (Redação pelo Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  III ­ o adquirente de mercadoria entrepostada. (Incluído pelo Decreto­Lei   nº 2.472, de 01/09/1988)  Art. 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo Decreto­Lei nº   2.472, de 01/09/1988)   I ­ o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior   ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; (Incluído pelo Decreto­ Lei nº 2.472, de 01/09/1988) 10 Fl. 414DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 10  II ­ o depositário, assim considerada qualquer pessoa incubida da custódia   de mercadoria sob controle aduaneiro. (Incluído pelo Decreto­Lei nº 2.472, de  01/09/1988)   Parágrafo único.  É responsável solidário:  (Redação dada pela Medida   Provisória nº 2158­35, de 2001)   I ­ o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou  redução do imposto;  .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2158­35, de   2001)  II ­ o representante, no País, do transportador estrangeiro; .(Redação dada  pela Medida Provisória nº 2158­35, de 2001)   III ­ o  adquirente de mercadoria  de  procedência estrangeira,  no caso de   importação realizada por sua conta e ordem, por  intermédio de pessoa jurídica   importadora. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2158­35, de 2001)   c)   o   adquirente   de  mercadoria   de   procedência   estrangeira,  no   caso   de   importação realizada por sua conta e ordem, por  intermédio de pessoa jurídica   importadora; (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006)  d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência  estrangeira  de pessoa   jurídica  importadora.  (Incluída  pela Lei  nº 11.281, de  2006)” (destacado) Tal como consta da autuação1, entendo ser estreme de dúvidas que a COTIA  TRADING S/A, ainda que se revestindo apenas formalmente da condição de importador, deva  também ocupar o pólo passivo da obrigação tributária na condição de  contribuinte solidário,  pois a relação pessoal e direta com as situações constituídas, consoante previsão do art. 121 do  CTN, decorre do fato de declarar­se nessa categoria quando do registro da DI e porque foi  beneficiária   de   vantagens   fiscais   decorrentes   de   incentivo   estadual,   daí   advindo   sua  solidariedade em relação ao crédito tributário exigido, nos termos do art. 124, I do mesmo  diploma. Portanto,   COTIA   TRADING   S/A   e   DARCK   TECHNOLOGIES   DO  BRASIL S/A se qualificam como contribuintes, em função da relação pessoal e direta com os  fatos   jurídicos   tributáveis   (art.   121,   I   do  CTN),   como  fartamente   demonstrado   nos   autos,  devendo responder solidariamente pela obrigação tributária, devido ao já referenciado interesse  comum na situação descortinada (art. 124, I do CTN). De outra  banda,  como a   solidariedade  não comporta  benefício  de  ordem,  segundo o parágrafo único do aludido art.  124 do CTN, pouco  importa  a posição em que  figuram as pessoas jurídicas no cabeçalho do auto de infração, desde que tomados na condição  de contribuintes, como no caso. Deste modo, tocante à sujeição passiva, entendo que se deva dar provimento  ao recurso de ofício, com o retorno do feito à primeira instância,  para,  afastado o vício de  1 O documento que formaliza o lançamento imputa à pessoa jurídica DARCK TECHNOLOGIES DO BRASIL  LTDA a condição de contribuinte responsável e a pessoa jurídica COTIA TRADING S/A, contribuinte solidário. 11 Fl. 415DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA forma, prosseguir o julgamento das demais questões postas nas impugnações, como entender  de direito. Concernente à matéria remanescente, cabimento da multa prevista no art. 88,  parágrafo único, da MP 2.158­35/2001 ao caso vertente, tenho que não andou bem a decisão  recorrida, uma vez que a declaração de nulidade, em virtude do vislumbrado erro na indicação  dos sujeitos passivos, impediria a manifestação a respeito de questões atinentes ao mérito da  causa. Análoga   às   decisões   judiciais,   por   aplicação   subsidiária   do   Código   de  Processo Civil, a decisão administrativa que acolhe questão preliminar extinguiria o processo  sem exame de mérito. A respeito do tema, pertinente a remissão aos ensinamentos de Fredie Didier  Júnior2: “Antes  de decidir  o  mérito,  o  magistrado  deverá  verificar   se  estão presentes  os  chamados requisitos de admissibilidade do  exame   de   mérito   (condições   da   ação   e   pressupostos  processuais).   Trata­se   de   análise   preliminar   (e,   pois   obrigatória)  à análise de  mérito.  Quando reconhece existente  qualquer das causas constantes do rol do art. 267 do CPC, o juiz   constata   a   impossibilidade   de   julgar/resolver   o   pedido   do  demandante. Profere, neste caso, decisões terminativas.” Transplantando   tais   conclusões   para   o   processo   administrativo,   uma   vez  detectada   qualquer   nulidade   no   ato   de   lançamento   ou   do   despacho   decisório,   seja   por  inobservância   aos   elementos   próprios   exigidos   para   a   lavratura   do   ato   administrativo  (competência, forma, finalidade, objeto e motivo), seja pela ausência dos requisitos exigidos  para validade, como preceitua o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, ou, ainda, a preterição do  direito de defesa, nos termos do art. 59 do mesmo diploma, deve o vício ser reconhecido e  declarada a invalidade do ato por intermédio da decisão competente, que deverá se limitar a tal  matéria, abstendo­se de se manifestar sobre questões de ordem meritória. Com  estas   considerações,   voto   por   dar   provimento   ao   recurso   de   ofício  aviado,  com a conseqüente  devolução do processo à DRJ competente para  julgamento  das  demais questões postas no recurso voluntário, inclusive acerca da multa inicialmente afastada,  nos termos do voto. Relator Robson José Bayerl            Declaração de Voto Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Fenelon Moscoso de Almeida 2 Curso de Direito Processual Civil, Teoria geral do processo e processo de conhecimento, Volume II, 11ª edição.  Editora JusPodivm, Salvador: 2009, fls. 535. 12 Fl. 416DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 10 Julgamos  conveniente  explicitar  os  motivos  pelos  quais  acompanhamos  o  relator quanto ao provimento do recurso visto que não concordamos, na totalidade, com os seus  argumentos. A divergência limita­se a que, a nosso ver, não se trata de dois contribuintes,  um dos   quais   contribuinte   solidário.  As  pessoas   jurídicas   arroladas  na   autuação   são,   sim,  sujeitos passivos da exação em virtude da solidariedade prevista na própria norma, mas uma  delas na condição de contribuinte e o outro, na de responsável por solidariedade. É que o CTN claramente especifica: Art.   121.   Sujeito   passivo   da   obrigação   principal   é   a   pessoa   obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária.   Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz­ se:    I ­ contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a   situação que constitua o respectivo fato gerador;     II   ­   responsável,   quando,   sem   revestir   a   condição   de   contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de   lei. Destarte, parece­nos, não podem duas pessoas figurar simultaneamente, isto  é, com relação aos mesmos fatos geradores, ambas na condição de contribuintes, assim como  não  pode   a  mesma  pessoa   ser   ao  mesmo  tempo  contribuinte   e   responsável.  É   claro  que,  normalmente, há mais de uma pessoa em relação pessoal e direta com a situação que constitui  o fato gerador, mas, dentre elas, elege o legislador a que vai figurar contribuinte. Qualquer  outro que a lei chame à relação tributária o será na condição de responsável. Embora   pareça   de   menor   importância,   o   ponto   tem   implicação   no  reconhecimento   de   que   houve   mesmo   uma   imperfeição   na   identificação   de   quem   é   o  contribuinte e quem é o responsável. É que, como se trata de imposto de importação, o contribuinte é aquele que  promove o ingresso das mercadorias no território nacional, identificado pela inserção de seus  dados nos documentos que instruem o despacho. No caso concreto, a empresa Cotia Trading,  como bem apontado na decisão da DRJ. A inclusão da Darck no pólo passivo da autuação,  assim, se dá em razão da norma legal que prevê a solidariedade na espécie; é ela, portanto,  responsável. Isso implica reconhecer mesmo que a autuação não distingue corretamente  quem seria o responsável, aliás, como bem notado pelo dr. Robson, sequer há essa expressão  na capa do auto,que se refere a “contribuinte” e “contribuinte solidário”. Assim, não chega a ser precisa a afirmação da DRJ de que houve erro na  identificação  do sujeito passivo;  o que pode ser  dito é que eles não foram nomeados com  precisão. 13 Fl. 417DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Nas   situações   clássicas  de   erro  na   sujeição  passiva,   que   tipicamente   têm  como conseqüência a nulidade da autuação por vício material, indica­se como sujeito passivo  alguém que nem é contribuinte nem é responsável. Os casos mais comuns se dão quando há  sucessão   e   autua­se   a   sucedida,   já   não  mais   existente,   em vez   de   imputar­se   a   exação  à  sucessora.   Enfrentamos   também   alguns   casos   envolvendo   a   figura   da   sujeição   supletiva  prevista para a CPMF com base no art. 128 do CTN. Mas aqui o que se tem é a menção correta às duas empresas que deveriam  mesmo   ser   autuadas   e,   desde   que   se   entenda   que   por   “contribuinte   solidário”   estava­se  querendo dizer responsável por solidariedade, há uma inversão das empresas.  Ora,   a   razão   para   a   decretação   da   nulidade   da   autuação   nos   casos   de  verdadeiro erro na identificação do sujeito passivo é o flagrante  cerceamento do direito de  defesa, tanto do verdadeiro sujeito passivo, que não é chamado aos autos, quanto de quem nada  tem a ver com a autuação e é nela incluído. É por isso que a natureza do instituto que leva à inclusão do segundo sujeito  passivo faz toda a diferença. Com efeito, se ela se dá por subsidiariedade, não há dúvida que o  cerceamento se mantém mesmo no simples caso de inversão de papéis, na medida em que há  benefício de ordem, isso é, a lei especifica quem deve, primeiro, recolher o tributo, somente  recaindo o ônus sobre o segundo em virtude do não pagamento integral por parte do outro. Tampouco   é   disso   que   se   cuida   no   caso   em   discussão;   trata­se   aqui   de  solidariedade.  E,   como  sabido   de   todos,   nesses   casos   não   há   benefício   de   ordem  algum,  podendo o sujeito Ativo exigir o tributo indistintamente de qualquer um dos envolvidos. Por esses motivos é que não vemos por que estender a drástica conclusão da  nulidade da autuação à hipótese dos autos. Aqui, repita­se, ambas as empresas autuadas são  sim sujeitos  passivos  e  de  qualquer  uma delas  pode  a  União  cobrar  o  débito,  desde  que,  obviamente, se entenda ser ele de fato devido. Não há, nesses termos, cerceamento do direito  de defesa de ninguém que justifique a declaração da nulidade do lançamento. Essas   as   considerações   que   nos   levaram   a   acompanhar,   apenas   pelas  conclusões, o voto do n. relator. Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Fenelon Moscoso de Almeida 14 Fl. 418DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 15/04/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 23/04/2014 por FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA

score : 1.0
5550078 #
Numero do processo: 11634.720699/2011-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade INCONSTITUCIONALIDADES. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1ºCC nº 2). SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. EFEITOS A PARTIR DA IMPLANTAÇÃO EM 01/07/2007. Confirmado o auferimento de receitas acima do limite estabelecido, pela legislação pertinente no ano calendário de 2006, sem que o contribuinte tenha logrado afastar tal impedimento no processo próprio, correta sua exclusão aos benefícios do Simples Nacional desde a implantação do regime. EXCLUSÃO AO SIMPLES. CONSEQÜÊNCIAS. A legislação da Simples prevê que ao ser excluída do benefício o sujeito passivo fica sujeito às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. CARÁTER CONFISCATÓRIO. O lançamento decorrente de procedimento fiscal implica a exigência de multa de ofício, cujo percentual é fixado em lei.
Numero da decisão: 1401-001.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM REJEITAR as preliminares e, no mérito, EM NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201403

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade INCONSTITUCIONALIDADES. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1ºCC nº 2). SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. EFEITOS A PARTIR DA IMPLANTAÇÃO EM 01/07/2007. Confirmado o auferimento de receitas acima do limite estabelecido, pela legislação pertinente no ano calendário de 2006, sem que o contribuinte tenha logrado afastar tal impedimento no processo próprio, correta sua exclusão aos benefícios do Simples Nacional desde a implantação do regime. EXCLUSÃO AO SIMPLES. CONSEQÜÊNCIAS. A legislação da Simples prevê que ao ser excluída do benefício o sujeito passivo fica sujeito às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. CARÁTER CONFISCATÓRIO. O lançamento decorrente de procedimento fiscal implica a exigência de multa de ofício, cujo percentual é fixado em lei.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 11634.720699/2011-59

anomes_publicacao_s : 201408

conteudo_id_s : 5364566

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 1401-001.139

nome_arquivo_s : Decisao_11634720699201159.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : ANTONIO BEZERRA NETO

nome_arquivo_pdf_s : 11634720699201159_5364566.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM REJEITAR as preliminares e, no mérito, EM NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira

dt_sessao_tdt : Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014

id : 5550078

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:09 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046812156231680

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2177; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T1  Fl. 2.987          1 2.986  S1­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11634.720699/2011­59  Recurso nº  999.999   Voluntário  Acórdão nº  1401­001.139  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de março de 2014  Matéria  SIMPLES  Recorrente  E. F. CLEMENTE & CIA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS  EMPRESAS  DE  PEQUENO  PORTE ­ SIMPLES  Ano­calendário: 2007, 2008, 2009  AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE  Tendo  o  auto  de  infração  preenchido  os  requisitos  legais  e  o  processo  administrativo  proporcionado  plenas  condições  à  interessada  de  contestar  o  lançamento, descabe a alegação de nulidade  INCONSTITUCIONALIDADES.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária (Súmula 1ºCC nº 2).  SIMPLES  NACIONAL.  EXCLUSÃO.  EFEITOS  A  PARTIR  DA  IMPLANTAÇÃO EM 01/07/2007.  Confirmado  o  auferimento  de  receitas  acima  do  limite  estabelecido,  pela  legislação pertinente no ano calendário de 2006, sem que o contribuinte tenha  logrado afastar tal impedimento no processo próprio, correta sua exclusão aos  benefícios do Simples Nacional desde a implantação do regime.  EXCLUSÃO AO SIMPLES. CONSEQÜÊNCIAS.  A  legislação  da  Simples  prevê  que  ao  ser  excluída  do  benefício  o  sujeito  passivo fica sujeito às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas  jurídicas.  OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM  CONTA  BANCÁRIA.  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA.  ÔNUS  DA  PROVA.  A Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão  de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre  que  o  titular  da  conta  bancária,  regularmente  intimado,  não  comprove,     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 06 99 /2 01 1- 59 Fl. 2987DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11634.720699/2011­59  Acórdão n.º 1401­001.139  S1­C4T1  Fl. 2.988          2 mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em  sua conta corrente ou de investimento.  MULTA DE OFÍCIO DE 75%. CARÁTER CONFISCATÓRIO.  O lançamento decorrente de procedimento fiscal implica a exigência de multa  de ofício, cujo percentual é fixado em lei.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  EM  REJEITAR as preliminares e, no mérito, EM NEGAR provimento ao recurso, nos termos do  voto do relator.    (assinado digitalmente)  Jorge Celso Freire da Silva – Presidente    (assinado digitalmente)  Antonio Bezerra Neto – Relator    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto,  Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e  Jorge  Celso  Freire  da  Silva. Ausente,  justificadamente,  o Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim  Teixeira  Fl. 2988DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11634.720699/2011­59  Acórdão n.º 1401­001.139  S1­C4T1  Fl. 2.989          3 Relatório  Trata­se de recurso voluntário contra o Acórdão da 2ª Turma da Delegacia da  Receita Federal de Curitiba­PR.  Adoto  e  transcrevo  o  relatório  constante  na  decisão  de  primeira  instância,  compondo em parte este relatório:  O  presente  processo  trata  dos  seguintes  atos  a  serem  analisados:  a)  o  Ato  Declaratório Executivo n° 62 (fl.651), de 03/10/2011, que determinou a exclusão da  contribuinte  ao  Simples  Federal,  desde  01/01/2007;  b)  manifestação  de  inconformidade contra o Ato Declaratório Executivo n° 61 (fl.650), de 03/10/2011,  que determinou a  exclusão do ora  sujeito passivo  ao Simples Nacional  a partir de  01/07/2007;  c)  a  impugnação  aos  autos  de  infração  lavrados  pela  sistemática  do  Lucro  Arbitrado  e  Presumido,  relativos  aos  fatos  geradores  ocorridos  nos  anos  calendário de 2007, 2008 e 2009.  Do Ato Declaratório Executivo n° 62, de 03/10/2011  Do Ato Declaratório Executivo n° 61, de 03/10/2011  2.  O ADE n° 62, de 03/10/2011 foi expedido em face da Representação  Fiscal  de  fls.  634­644,  onde  restou  comprovado  que  a  contribuinte  em  análise,  auferiu  no  ano  calendário  de  2006  movimentação  bancária  de  R$8.333.301,76,  sendo  que  deste  montante,  ofereceu  à  tributação  apenas  R$  400.502,29.  Após  a  análise  das  justificativas  do  contribuinte,  foi  considerado  como  receita  omitida  o  importe  de  R$  5.534.122,26,  conforme  detalhado  na  representação.  A  fundamentação para a emissão do ato foi afronta ao disposto no artigo 2°, inciso II e  artigo 9°, inciso II, da Lei n° 9.317, de 1996, com efeitos a partir de 01/01/2007.Para  este ADE não foi apresentada manifestação de inconformidade específica.  3.  Já o ADE n° 61, de 03/10/2011, foi emitido em face da Representação  Fiscal de fls 622­633, sob o mesmo argumento que o ato anteriormente mencionado,  com efeitos a partir de 01/07/2007, tendo como fundamento legal infração ao artigo  3° e 16, da Lei Complementar n° 123, de 2006, combinado com o artigo 12, inciso II  da Resolução CGSN  n°  4,  de  30/05/2007  e  artigo  5°,  inciso  IX  e  6°,  inciso VII,  ambos da Resolução n° 15, de 23/07/2007.  4.  Apresentou manifestação de inconformidade em 03/11/2011, fls. 2401­ 2412, contra o ADE n° 61 que excluiu a empresa do Simples Nacional, com base no  disposto no inciso I do artigo 12 da Resolução CGSN n° 04, de 30/05/2007 e inciso  XI do artigo 5° da Resolução do CGSN n° 15 de 23 de julho de 2007, qual seja, ter  extrapolado,  no  ano  calendário  de  2006  o  limite  de  receitas  estabelecido  para  a  sistemática.  Sustenta  que  a  decisão  do  fisco  foi  equivocada  uma  vez  que  a  ação  fiscal  visava  verificar  a  regularidade  das  obrigações  pertinentes  ao  Simples  e,  na  seqüência,  lhe  foram  solicitados  livros  e  documentos,  sendo  que  vários  deles  não  obrigatórios à consecução dos trabalhos de fiscalização. Com base na documentação  apresentada foi elaborado um demonstrativo dos depósitos/créditos havidos no ano  calendário de 2006 tendo sido intimada a comprovar a origem daqueles recursos, no  prazo de cinco dias. Afirma ter solicitado prorrogação de prazo para o atendimento  da  intimação  ao  que  a  autoridade  fiscal  deferiu  apenas  mais  cinco  dias,  que  foi  Fl. 2989DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11634.720699/2011­59  Acórdão n.º 1401­001.139  S1­C4T1  Fl. 2.990          4 insuficiente  para  o  cumprimento,  razão  pela  qual  a  autoridade  inferiu  ter  havido  omissão de receitas e efetuou o lançamento.  5.  Após  traçar  este  histórico  afirma  ter  oferecido  impugnação  ao  lançamento,  que  se  encontra pendente de  julgamento. Entretanto,  apesar disso,  foi  emitido  o  ato  de  exclusão  sem  qualquer  razão  uma  vez  que  aquele  procedimento  ainda  não  está  findo  e,  todos  os  desdobramentos  de  ações  fiscalizadoras  estatais,  somente passam a ter a exigibilidade líquida e certa, após o completo encerramento  do procedimento administrativo que visa constituir a obrigação.  6.  Afirma  que  a  exigibilidade  que  se  tenta  emprestar  ao  processo  n°  11634.720160/2011­08, por meio do ADE ora impugnado, é ilegal, uma vez que os  autos  de  infração  foram  impugnados  e  não  há  nenhuma  decisão  há  respeito. Traz  como  amparo  legal  o  previsto  no  inciso  III  do  artigo  151  do  CTN  e  transcreve  julgados  para  concluir  que  não  poderia  ser  expedido  o  ADE  enquanto  não  definitivamente  julgado  o  processo  de  constituição  do  crédito  tributário  já  mencionado.  7.  Ao final, solicita que seja declarada a nulidade do ADE, por afronta ao  disposto no artigo 151 do CTN.  Dos autos de infração pelo Lucro Arbitrado ­ fatos geradores ocorridos entre  01/2007 e 06/2007 ­ IRPJ e CSLL  Dos autos de infração pelo Lucro Presumido ­ fatos geradores ocorridos entre  07/2007 e 12/2009 ­ IRPJ e CSLL  8.  Em  face  da  exclusão  da  contribuinte  ao  Simples,  na  seqüência  foram  lavrados  os  autos  de  infração  relativos  aos  fatos  geradores  ocorridos  nos  anos  calendário de 2007, 2008 e 2009, fls.810­849, onde se exige o crédito tributário de  R$167.484,50 de IRPJ (fl.821) e, R$120.940,93 de CSLL (fl.838).  9.  O  lançamento em relação aos  fatos ocorridos entre  janeiro e  junho de  2007 foi realizado por arbitramento e os demais períodos foram lançados pelo Lucro  Presumido.  10.  O suporte legal para a exigência dos tributos obedece ao seguinte:  a)  IRPJ ­ artigos 25, 27, inciso I, e 42 da Lei n° 9.430, de 1996 e artigos  224, 518, 528, 530. II, 532 e 537 do RIR/99;  b)  CSLL ­ artigo 2° e §§ da Lei n° 7.689, de 1988, art. 24 da Lei n° 9.249,  de  1995,  art.  29  da  Lei  n°  9.430  de  1996  e  artigo  37  da  Lei  n°  10.637,  de  30/12/2002, art. 3° da Lei n° 7.689, de 1988, com as alterações introduzidas pelo art.  17 da Lei n° 11.727, de 2008.  11.  Aqui, estão sendo imputadas as seguintes infrações: depósitos bancários  de origem não comprovada e, receita escriturada e não declarada.  Do  auto  de  infração  para  a  exigência  da Cofins  e  do  PIS  –  fatos  geradores  01/2007 a 12/2009  12.  O auto de  infração de  fls.850­866, que exige  ,  relativamente aos anos  calendário  de  2007,  2008  e  2009,  R$70.342,15  de  PIS  (fl.860),  ao  amparo  do  disposto nos artigos 1° e 3° da Lei Complementar n° 7 de 07/09/1970 e, artigos 2°,  inciso  I,  alínea "a" e parágrafo único, 3°, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524, de  17/12/2002.  Fl. 2990DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11634.720699/2011­59  Acórdão n.º 1401­001.139  S1­C4T1  Fl. 2.991          5 13.  Por  fim, o auto de infração de fls.867­883, que exige para os mesmos  anos  calendário  a  importância  de  R$316.609,44  de  COFINS  (fl.877)  tendo  como  base legal os artigos 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e, 51 do Decreto n°  4.524, de 17/12/2002. Nos dois casos a infração apontada é a falta ou insuficiência  de recolhimento das contribuições.  Da impugnação  14.  Cientificada em 10/01/2012, apresentou em 09/02/2012, impugnação ao  feito (fls. 2853­2882), onde sustenta que a ação fiscal visava verificar a regularidade  das  obrigações  pertinentes  ao  Simples  e,  posteriormente  lhe  foram  solicitados  diversos  documentos,  sendo  que  vários  deles  não  obrigatórios  à  consecução  dos  trabalhos de fiscalização. Com base na documentação apresentada foi elaborado um  demonstrativo dos depósitos/créditos havidos no ano calendário de 2006 tendo sido  intimada a comprovar a origem daqueles recursos, no prazo de cinco dias. Afirma ter  solicitado prorrogação de prazo para o atendimento da intimação ao que a autoridade  fiscal deferiu apenas mais cinco dias, que foi insuficiente para o cumprimento, razão  pela qual a autoridade inferiu ter havido omissão de receitas e efetuou o lançamento.  15.  Após traçar o histórico argúi em preliminar ter havido cerceamento ao  direito  de  defesa  posto  não  lhe  ter  sido  concedido  os  trinta  dias  pleiteados  para  o  cumprimento à  intimação; que as  infrações apontadas nos autos de  infração foram  imputadas  por  mera  inferência;  fala  em  afronta  aos  princípios  constitucionais  da  legalidade,  finalidade,  contraditório,  ampla  defesa,  razoabilidade  e  proporcionalidade e; que não consta do auto de infração o prazo máximo estimado  para  a  conclusão  das  diligências  (art.  196  do CTN) devendo  ser  declarado  nulo  o  procedimento pois nem mesmo o termo de início do procedimento fiscal cumpriu as  determinações legais.  16.  Adentrando ao mérito,  aventa que  a  exigência  está pautada  em meras  suposições,  isto porque  limitou­se  a  afirmar que  a ora  impugnante não apresentou  documentos  hábeis  e  idôneos  à  comprovar  a  real  situação  de  sua  movimentação  bancária; que causa espanto a falta de diligência da autoridade fiscal no sentido de  verificar  a  origem  das  diferenças,  as  quais  poderiam  advir  de  simples  equívocos  relativos a obrigações acessórias ou, serem derivadas de desencontro de informações  do setor contábil da empresa; que para o saneamento das dúvidas, bastava autorizar  o  prazo  pleiteado  para  a  juntada  dos  documentos;  que  nem  mesmo  a  autoridade  fiscal  parece  estar  convencida  dos  fatos  efetivamente  ocorridos  e  que  se  não  há  certeza, a dúvida deve ser  resolvida com a aplicação do disposto no artigo 112 do  CTN; que tal norma é direito subjetivo da reclamante, não estando sob a égide da  discricionariedade  do  Agente  Público  e  que  o  auto  de  infração,  se  devido  fosse,  jamais  poderia  ter  sido  lavrado  nos  termos  como  foi,  glosando­se  créditos  e  aplicando­se multa  abusiva  sem  ao menos  restar  comprovado o  dolo  nas  supostas  infrações.  17.  Alega  também que  foram  considerados créditos valores debitados por  instituições  financeiras  decorrentes  de  duplicatas  não  honradas  em  seus  vencimentos,  que  foram  descontadas  em  operações  ordinárias  decorrentes  de  sua  mercancia, bem como contrapartidas contábeis relativas a diversos sinistros havidos  na ocasião dos transportes, além de devolução de mercadorias, fatos corriqueiros no  setor  de  transportes.  Isso  sem  contar  os  fatos  que  fazem  parte  do  dia  a  dia  de  qualquer empresa como devolução de cheques, estornos de lançamentos indevidos,  créditos  de  mesma  titularidade,  estorno  de  DOC's,  estorno  de  tarifas,  estorno  de  ordens  de  pagamentos  e  outros.  Montou  planilha  relativa  à  conta  corrente  n°  Fl. 2991DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11634.720699/2011­59  Acórdão n.º 1401­001.139  S1­C4T1  Fl. 2.992          6 096.08614.08,  do  Banco  HSBC  Brasil  S.A.,enumerando  supostos  equívocos  e  alegando que a mesma situação teria ocorrido com as outras instituições financeiras.  DATA  HISTÓRICO  HISTÓRICO  VALOR  EQUÍVOCO  29/01/2009  Ted mesma titularidade Sistema TIF  30.000,00  Mesma          titularidade  12/02/2009  Líber. Oper. Crédito    70.000,00  Empréstimo  bancário  19/02/2009  Ted mesma titularidade Sistema TIF  50.000,00  Mesma  titularidade  13/03/2009  Ted mesma titularidade Sistema TIF  50.000,00  Mesma  titularidade  13/03/2009  Ted mesma titularidade Sistema TIF  25.000,00  Mesma  titularidade  17/03/2009  Ted mesma titularidade Sistema TIF  70.000,00  Mesma  titularidade  18/03/2009  Cheque devolvidos/0009245/960111  SBC/0009245/0000   700,00  Dev. cheque  18/03/2009  Lib. Desc. Cheques  Rds/descont.  50.930,30   Desconto caucionado  18. Na mesma esteira,  sugere que o  auditor  sequer  analisou os  lançamentos  relacionados no demonstrativos, lançando como receita  todos os valores constantes  dos extratos bancários. Transcreve jurisprudência administrativa  19.  Relativamente  à  exigência  da  CSL  e  do  PIS,  afirma  que  enquanto  a  própria  administração  não  julgar  as  impugnações  ofertadas,  não  é  lícito  exigir  os  créditos  tributários  apontados,  devendo  ser  declarados  nulas  as  autuações,  até  que  definitivamente  decidida  a  legalidade  do  procedimento  fiscal  bem  como  do  ato  declaratório. Instrui suas razões com farta jurisprudência.  20.  Ataca  a  representação  fiscal  para  fins  penais  taxando­a  de  abusiva,  ilegal  e  inconstitucional,  solicitando  que  a  mesma  não  seja  encaminhada  ao  Ministério Público Estadual.  21.  Combate a multa de ofício à razão de 75% dizendo que ela possui efeito  de confisco e pede a redução do seu valor.  22.  Ao final requer:  a)  a nulidade da ação fiscal por afronta ao disposto no artigo 196 do CTN,  que acarretou cerceamento ao direito de defesa e afronta a princípios constitucionais,  possibilitando  a  produção  das  provas  antes  requeridas,  por  imprescindíveis  à  legalidade da fiscalização;  b)  a invalidade do auto de infração, expurgando­se o tributo cobrado, em  virtude  do  caráter  presuntivo  do  auto  de  infração,  uma  vez  que  o  auditor  lançou  como receita todos os valores constantes do extratos bancários;  Fl. 2992DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11634.720699/2011­59  Acórdão n.º 1401­001.139  S1­C4T1  Fl. 2.993          7 c)  que  sejam  afastadas  a  multa  agravada  e  a  representação  ao MP,  por  ausência de dolo e;  d)  a  produção  de  todos  os  meios  de  prova  admitidos  em  direito,  em  especial  pela  juntada  de  novos  documentos,  depoimento  pessoal  do  impugnante,  oitiva de testemunhas, perícias e sustentações orais.    A DRJ Manteve os lançamentos, nos seguintes termos:  Assunto:  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte ­ Simples  Ano­calendário: 2007  Ementa: SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO PARA O 1° SEMESTRE DE 2007.  Mantém­se a exclusão do sujeito passivo ao Simples Federal quando este não obtém  êxito em afastar a hipótese impeditiva que lhe foi imputada de ter auferido excesso  de receitas no ano calendário de 2006, conforme processo administrativo já julgado  por essa DRJ.  Assunto: Simples Nacional  Ano­calendário: 2007  Ementa:  SIMPLES  NACIONAL.  EXCLUSÃO.  EFEITOS  A  PARTIR  DA  IMPLANTAÇÃO EM 01/07/2007.  Confirmado o auferimento de receitas acima do limite estabelecido, pela legislação  pertinente no ano calendário de 2006, sem que o contribuinte tenha logrado afastar  tal impedimento no processo próprio, correta sua exclusão aos benefícios do Simples  Nacional desde a implantação do regime.  Assunto:  Imposto  sobre  a Renda  de Pessoa Jurídica  ­  IRPJ Ano­calendário:  2007,  2008, 2009  Ementa: EXCLUSÃO AO SIMPLES. CONSEQÜÊNCIAS.  A legislação da Simples prevê que ao ser excluída do benefício o sujeito passivo fica  sujeito às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas  jurídicas.  DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS. OMISSÃO DE RECEITAS  PRESUNÇÃO LEGAL  Configuram omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta  de  depósito  do  sujeito  passivo  mantida  em  instituição  financeira,  quando,  regularmente intimado, deixa de comprovar, mediante documentação hábil e idônea,  a  origem  dos  valores  creditados.  A  presunção  legal  de  omissão  de  receita  tem  o  condão de inverter o ônus da prova, transferindo­o para o sujeito passivo, que, por  sua vez, pode afastá­la mediante oferta de provas hábeis e idôneas.  DECORRÊNCIAS. CSLL ­ PIS ­ COFINS.  Aplica­se  ao  lançamento  reflexo  o  mesmo  tratamento  dispensado  ao  lançamento  matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula.  Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano­calendário: 2007, 2008, 2009  Fl. 2993DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11634.720699/2011­59  Acórdão n.º 1401­001.139  S1­C4T1  Fl. 2.994          8 Ementa:  NULIDADE.  ALEGAÇÕES  DE  ILEGALIDADE,  AGRESSÃO  A  PRINCÍPIOS  CONSTITUCIONAIS  E  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  São  passíveis  de  anulação  pela  administração  os  atos  próprios  que  estejam  comprovadamente eivados de vício de legalidade. A nulidade dos autos de infração  depende  da  ocorrência  de  uma  das  hipóteses  previstas  no  art.  59  do  Decreto  70.235/72.  DOS ARGUMENTOS DE VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS.  Não  cabe  ao  órgão  administrativo  apreciar  arguição  de  legalidade  ou  constitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional  de natureza tributária.  JURISPRUDÊNCIA.  As  decisões  administrativas  ou  judiciais,  mesmo  quando  proferidas  por  órgãos  colegiados,  ausente  lei  que  lhes  atribua  eficácia,  não  constituem  normas  complementares da legislação tributária, não podendo ser estendidas genericamente  a  outros  casos  que  não  aquele  objeto  de  sua  apreciação,  vinculando,  dessa  forma,  apenas as partes envolvidas no respectivo litígio.  APLICAÇÃO DO ART. 112 DO CTN. IN DÚBIO PRÓ RÉU.  Os  benefícios  do  "in  dúbio  pró  réu"  determinados  no  artigo  112  do  CTN,  só  se  aplicam  no  caso  de  dúvidas  quanto  à  capitulação  legal  do  fato,  à  natureza  ou  às  circunstâncias  material  do  fato,  ou  à  natureza  dos  seus  efeitos,  à  autoria,  imputabilidade  ou  punibilidade,  ou  à  natureza  da  penalidade  aplicável  ou  à  sua  graduação.  MULTA DE OFÍCIO. ARGUIÇÃO DE CONFISCO.  O  lançamento  deve  observar,  obrigatoriamente,  a  lei  aplicável,  que  goza  de  presunção de constitucionalidade. É defeso ao agente público imiscuir­se no exame  de  aspectos  constitucionais,  cuja  competência  de  apreciação  é  reservada  ao  Poder  Judiciário. Cabível, portanto, a aplicação da multa de 75% prevista no art. 44, inciso  I, da Lei n° 9.430/1996, devendo ser rejeitada a arguição de confisco.  DESFECHO GENÉRICO POR PRODUÇÃO DE PROVAS. Não deve ser acolhido  o protesto genérico, no desfecho da impugnação, pela produção de todos os meios de  prova em direito admitidas, nos termos dos arts. 15 e 16, III e § 4°, do Decreto n°  70.235/1972,  que  prescreve  a  preclusão  consumativa  para  apresentação  de  provas  com a interposição da petição contestatória.  PEDIDO DE PERÍCIA.  Devem  ser  indeferidos  os  pedidos  de  perícia,  quando  forem  prescindíveis  ao  deslinde da questão a ser apreciada, não sendo o caso de solicitação de realização de  perícia para produzir provas que caberia ao autuado apresentar, ainda mais quando  se trata de presunção legal.  OITIVA DE TESTEMUNHAS. SUSTENTAÇÃO ORAL  Indefere­se  o  pedido  para  oitiva  de  testemunhas  e  de  sustentação  oral  do  representante  da  empresa,  bem  como  de  testemunhas,  no  âmbito  da  primeira  instância do contencioso administrativo fiscal, por falta de previsão legal.  REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS.  Não é de  competência das Delegacias da Receita Federal  de  Julgamento  (DRJ)  se  manifestar sobre processo de formalização de representação fiscal para fins penais,  já que nele não há interesse tributário envolvido.  Fl. 2994DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11634.720699/2011­59  Acórdão n.º 1401­001.139  S1­C4T1  Fl. 2.995          9 Irresignada com a decisão de primeira instância, as interessadas interpuseram  recursos  voluntários  a  este  CARF.  Recurso  Voluntário  encaminhado  pela  empresa  NOVAPELLI INDÚSTRIA, COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, às fls.  1.401 a 1.434; Recurso Voluntário encaminhado pela responsável solidário GUIFASA S/A —  INDÚSTRIA E COMÉRCIO, as  fls. 1.435 a 1.452; E Recurso Voluutário encaminhado pela  empresa  FASOLO ARTEFATOS DE COURO LTDA,  CNN  n°  68.826,007/0001­09,  as  fls.  1.453 a 1.470.  O processo foi sobrestado, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº  001, de 03 de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discutia questão idêntica àquela  que está sendo apreciada pelo STF no RE 601.314­RG/SP (sob a sistemática do art. 543­B do  CPC) e RE 410.054 – AgR/MG).  O  processo  retornou  foi  redistribuído  à  minha  relatoria  novamente,  pois  a  Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, revogou os §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II  da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais (CARF).  Tendo em vista a edição desse ato normativo tornou­se obrigatória a inclusão  em pauta para julgamento os processos referentes às matérias que estão em repercussão geral  no Supremo, em conformidade com as normas do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972.  É o Relatório  Fl. 2995DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11634.720699/2011­59  Acórdão n.º 1401­001.139  S1­C4T1  Fl. 2.996          10 Voto             Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator  O recurso preenche os requisitos de admissibilidade.  Preliminares de nulidade    A Recorrente alega cerceamento do direito de defesa, mas como se verá, na  essência a sua insurgência é contra o mérito.  A teor do art. 59 do Decreto 70235/72, considera­se nulo o ato, se praticado  por  pessoa  incompetente  ou  com preterição  do  direito  de  defesa,  não  tendo  se  caracterizado  quaisquer  das  situações,  pois  não  se  põe  em  dúvida  a  competência  do  autor,  auditor  fiscal,  bastando para  tanto  a assinatura do mesmo, nem há que  se  falar em preterição do direito de  defesa,  vez  que  os  fatos  apurados  foram  descritos  com  o  respectivo  enquadramento  legal,  e  levados ao conhecimento, da autuada,  levando a mesma a defender­se plenamente através da  peça impugnatória e recurso acostados aos autos, como efetivamente o fez.  Outrossim, foram observados dois requisitos fundamentais à validade do ato  administrativo. Os requisitos apontados estão previstos em lei, são os incisos III e IV do art. 10  do Decreto 70.235/72 e têm a seguinte redação:  Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da  verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (...)  III ­ a descrição do fato;  IV ­ a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; (....)  Outrossim, é claro que a recorrente nunca teve seu direito de defesa preterido,  na medida em que foi intimada de todos os atos praticados pela fiscalização, de modo que teve  conhecimento  de  todas  as  provas  juntadas  ao  processo,  dos  argumentos  invocados  pela  autoridade fiscal, das medidas adotas pela fiscalização.  Ainda  em  relação  a  esse mesmo  item,  assiste  razão  ao  julgador  a  quo  em  destacar a distinção entre a fase inquisitória e a fase processual inaugurada com a apresentação  da  impugnação.  São  diferenciados  os  princípios  constitucionais  e  legais  aplicáveis  em  cada  uma delas. É na  fase processual que  se há de  assegurar o direito  ao  contraditório  e  à  ampla  defesa.    Em  relação  à  alegação  de  falta  de  prazo  para  contestação  das  infrações,  também não procede. O Fiscal ofertou um prazo de cinco dias e foi prorrogado por mais cinco  dias,  não  infringindo  assim  nenhuma  Lei.  O  Fiscal  no  caso  estava  dentro  do  seu  poder  Fl. 2996DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11634.720699/2011­59  Acórdão n.º 1401­001.139  S1­C4T1  Fl. 2.997          11 discricionário  de  ofertar  mais  prazo  ou  não.  Ademais,  terminando  a  fase  inquisitorial  já  explicada,  dentro  da  Lide  se  oferece  naturalmente mais  prazo  para  a Recorrente  oferecer  as  provas  ainda  de que  dispunha  para  se  contrapor  à  autuação. A Recorrente  tomou  ciência  do  lançamento quanto foi intimado a recolher ou impugnar, no prazo de 30 (trinta) dias, o débito  constituído para com Fazenda Nacional. Porém, não se desincumbiu a contento nem nessa fase  nem  em  sede  de  recurso  voluntário,  caindo  por  terra  ainda mais  a  sua  insurgência  contra  a  suposta falta de prazo para completar sua defesa.  Em relação às demais alegações, na verdade trata­se de insurgência contra o  mérito propriamente da autuação que serão deslindadas ao longo do voto.  Por todo o exposto, rejeito a preliminar de nulidade.  Perícia/Diligência  A contribuinte  requer a  realização de perícia bem assim se insurge contra a  decisão de primeira instância que a considerou prescindível. Porém, conforme se verificará na  exposição mais adiante do mérito, assim como também ficou bastante claro em todo o contexto  da decisão de primeira instância, os elementos indispensáveis à solução do litígio encontra­se  nos autos, motivo pelo qual o pedido de perícia dever ser indeferido nos termos do art. 18 do  Decreto nº 70.235/72. Ademais, o deferimento de diligência e perícia é uma decisão do âmbito  de discricionariedade do julgador, cabendo a ele fazê­la ou não a depender da formação de sua  convicção  (diligência)  ou mesmo  que  se  lhe  exigirá  conhecimentos  técnicos  específicos  que  somente um perito especializado poderia ter (perícia), o que não é o caso dos autos em que se  requer  apenas  análise  de  meros  dados  contábeis,  fiscais  e  legais.,  perfeitamente  dentro  da  alçada de competência do Auditor Fiscal. No caso concreto, tratando­se de comprovar a origem  dos depósitos bancários ocorridos nos períodos fiscalizados, os elementos probatórios, como já  se verá mais adiante, deviam ter sido produzidos pela parte  Portanto, indefiro o pedido de perícia e diligência.  Da Exclusão do SIMPLES­ ARBITRAMENTO E TRIBUTAÇÃO DAS  CONTRIBUIÇÕES  Delimitação da Lide  A  recorrente  foi  excluída  do  SIMPLES  em  2006,  com  efeitos  a  partir  de  2007. Portanto, ex vi art. 16 da Lei nº 9.317, de 1996, para os anos subseqüentes a exclusão (2o  semestre de 2007, 2008, 2009) passa a sujeitar­se às normas de tributação aplicáveis às demais  pessoas jurídicas.  Para tanto, foi emitido o Ato Declaratório Executivo n° 61 que determinou a  exclusão  do  contribuinte  ao  Simples  Nacional,  com  efeitos  a  partir  de  01/07/2007  e  o  Ato  Declaratório Executivo n° 62, que determinou a exclusão do contribuinte ao Simples Federal, a  partir de 01/01/2007. O Contribuinte defende­se apenas do Ato Declaratório Executivo n° 61 e  , portanto, fora da lide está o litígio contra o Ato Declaratório nº 62.  Como foi constatada omissão de receita por falta de comprovação da origem  dos  depósitos  bancários,  a  autoridade  corretamente  determinou  que  o  IRPJ/CSLL  fossem  calculados por arbitramento, uma vez que a contribuinte não mantém escrituração regular com  observâncias das  leis  comerciais  e  fiscais,  para que  fossem apurados os  tributos devidos nos  Fl. 2997DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11634.720699/2011­59  Acórdão n.º 1401­001.139  S1­C4T1  Fl. 2.998          12 regimes do lucro real ou presumida. É que sua movimentação financeira praticamente estava à  margem da contabilidade, não possuindo o Livro caixa contendo a mesma.  E  como  se  sabe  aquelas  pessoas  jurídicas,  apesar  de  desobrigadas  de  escrituração comercial, estão obrigadas a manter em boa ordem e guarda Livro Caixa, no qual  deverá  estar  escriturada  toda  a  sua movimentação  financeira,  inclusive  bancária,  e  todos  os  documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração, o que não foi o caso. É  que  o  tratamento  jurídico  diferenciado  dispensado  às  microempresas  (ME)  e  empresas  de  pequeno  porte  (EPP)  optantes  do  Simples  não  exime  esses  empresários  de  cumprirem  obrigações acessórias mínimas ou simplificadas, como a de manter escrituração contábil ou de  escriturar  o  livro  caixa,  o  que  é  determinado  pelos  arts.  258,  259  ou  527  do  RIR/99.  Em  segundo  lugar,  se  a  ME  ou  a  EPP  não  reunir  condições  para  estar  no  Simples,  deverá  se  submeter  à  sistemática de  apuração  dos  tributos  aplicável  às  demais  pessoas  jurídicas  (lucro  real, presumido ou arbitrado), ex vi do art. 16 da Lei n° 9.317, de 1996.   E por consequência, excluída, então, do SIMPLES, e não tendo apresentado  escrituração contábil para fins de determinação do Lucro Real, alternativa não restou que não  fosse o arbitramento de lucro para os anos­calendários posteriores à sua exclusão do SIMPLES  (2007,2008 e 2009)..   Outrossim, de acordo com o art. 224 e parágrafo único do RIR/1999, a receita  bruta das vendas ou serviços compreende o produto da venda de bens e serviços nas operações  de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia,  não  incluídas  as vendas  canceladas  e os descontos  condicionais  concedidos.Portanto,  tanto  a  receita bruta declarada pela contribuinte quanto à receita omitida apurada pela fiscalização com  base nos depósitos bancários, compõe as bases de cálculo do arbitramento do lucro para fins de  aplicação dos percentuais na apuração do IRPJ e CSLL, bem como são bases de cálculo para  aplicação das alíquotas e determinação dos valores devidos mensalmente de PIS/COFINS.  O contribuinte ainda contra a exclusão do Simples Nacional alega que não se  poderia ter lançado os autos de infração em questão enquanto não se processarem os efeitos da  manifestação de inconformidade à exclusão do simples que suspenderia o processo. Ora, o que  se  suspende  é  a  exigibilidade  do  crédito  tributário  enquanto  litígio  houver.  No  caso,  o  lançamento não é  impedido enquanto ainda não  julgada exclusão do Simples. Caso ocorra, a  reversão dessa exclusão no curso do procedimento administrativo fiscal, daí então o seu efeito  será de fulminar o auto de infração que veio por conseqüência. Somente isso.  Por  todo  o  exposto,  mantenho  a  exclusão  do  SIMPLES  NACIONAL  nos  moldes do Ato Declaratório n. 61.  PRESUNÇÃO  LEGAL  ­  Depósitos  bancáris  sem  comprovação  da  origem dos recursos  O art. 42, da Lei nº 9.430/1996 é cristalino ao determinar que a omissão de  receitas pode ser caracterizada por meio de valores creditados em conta de depósito mantida  junto  à  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não  comprove, mediante documentação hábil  e  idônea,  a origem dos  recursos utilizados nessas operações.  Ora,  como  se  vê  da  descrição  dos  fatos,  a  empresa  não  apresentou  documentação alguma que comprovasse a origem dos recursos daqueles diversos depósitos. A  Fl. 2998DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11634.720699/2011­59  Acórdão n.º 1401­001.139  S1­C4T1  Fl. 2.999          13 recorrente  não  logrou  comprovar,  através  de  documentação  hábil  e  idônea,  coincidentes  em  datas e valores, a origem dos recursos recebidos em conta bancária.   Em sede impugnatória e  recursal, a  interessada ao  invés de  tentar provar os  fatos  alegados,  quedou­se  inerte,  centrando  sua  defesa  toda  na  questão  da  ilegalidade  do  aspecto presuntivo da apuração da base de cálculo.  Como  já  se  disse  o  mandamento  da  Lei  é  bem  claro  em  estabelecer  uma  presunção legal:  LEI n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 ­ DOU de 30.12.96   “Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  Tratando­se de uma presunção  legal de omissão  de  rendimentos,  o ônus da  prova  fica  invertido,  a  autoridade  lançadora  exime­se  de  provar  no  caso  concreto  a  sua  ocorrência,  transferindo  o  ônus  da  prova  à  contribuinte.  O  contribuinte,  por  sua  vez,  não  logrando  êxito  nessa  tarefa  que  se  lhe  impunha,  como  ocorre  no  caso  presente,  tem­se  a  autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, por presunção legal se toma como  verdadeiro que os recursos depositados representam rendimentos do contribuinte. Por se tratar  de  uma presunção  relativa  juris  tantum,  somente  a  apresentação  de  provas  hábeis  e  idôneas  pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida.  Como se vê, o simples fato da existência de depósitos bancários com origem  não comprovada  é,  por  si  só,  hipótese presuntiva de omissão de  receitas,  cabendo ao  sujeito  passivo a prova em contrário que, conforme dito, não as apresentou.  Ao fisco cabe provar o fato constitutivo do seu direito, no caso em questão, a  existência  de  depósito  bancário  sem origem  comprovada. À  recorrente,  comprovar  a origem  desses depósitos.  Também  não  procede  as  justificativas  da Recorrente  no  sentido  de  afirmar  que  a  origem  das  diferenças,  as  quais  poderiam  advir  de  simples  equívocos  relativos  a  obrigações acessórias ou, serem derivadas de “desencontro de informações do setor contábil da  empresa”.  Basta  comparar  o  volume  de  receitas  consideradas  omitidas  com  o  montante  informado à Receita Federal para perceber que o ilícito verdadeiramente ocorreu e não foi fruto  de mero erro ou desencontro de informações.   A esse respeito veja­se o TVF:  (...)  No  ano­calendário  de  2006,  apresentou Declaração Anual  Simplificada  (PJSI  2007  ­  SIMPLES)  reconhecendo  receita  bruta  no  montante  de  apenas  R$  625.936,44,  tendo  todavia  apresentada  movimentação,  financeira  de  R$  8.333.301,76,  no  período  de  abril  a  dezembro  de  2006,  sendo  que  a  receita  bruta  declarada  no  período  de  abril  a  dezembro  de  2006  perfaz  o  montante  de  R$  400.502,29; ou seja, totalmente incompatível com a receita bruta declarada naquele  ano­calendário;(...)  Outro ponto a ser esclarecido refere­se às suas alegações de que o auditor não  teria agido com o necessário zelo na apuração dos  fatos. Ora, a DRJ a esse  respeito  ilustrou  muito bem como  foi bem pontuada  toda  a  fiscalização, onde  inclusive  toda a movimentação  Fl. 2999DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11634.720699/2011­59  Acórdão n.º 1401­001.139  S1­C4T1  Fl. 3.000          14 bancária encontrada de cada um dos anos calendário auditados foram excluídos os valores que  comprovadamente não constituem receita da pessoa jurídica.  De outra  banda  não  consegue provar  sua  alegação  genérica  “de que  teriam  sido  considerados  créditos  valores  debitados  por  instituições  financeiras  decorrentes  de  duplicatas não honradas em seus vencimentos, que foram descontadas em operações ordinárias  decorrentes de sua mercancia, bem como contrapartidas contábeis relativas a diversos sinistros  havidos na ocasião dos  transportes,  além de devolução de mercadorias,  fatos corriqueiros no  setor de transportes.”   Alegar e não provar é o mesmo que não alegar.  Por  fim,  também  não  socorre  a  Recorrente  na  tentativa  vã  de  maculara  a  atuação apontando supostos equívocos na análise da conta corrente n° 096.08614.08, do Banco  HSBC Brasil S.A.,enumerando desses aspectos e alegando que a mesma situação teria ocorrido  com as outras instituições financeiras.  Ora, essa mesma alegação já havia sido feita de uma forma um pouco mais  genérica  ainda  na  impugnação. A DRJ  infirmou  com  dados  concretos  e  não  foi  refutada. A  Recorrente  limita­se  a  apontada  as  mesmas  falhas  e  acrescenta  alguns  outros  fatos  relacionadas, mas esquece­se de refutar aquilo que a DRJ muito bem sublinhou:  91.  Mais uma vez a argumentação não o socorre uma vez que nenhum dos  valores que ele questiona compõem a base de cálculo dos tributos, conforme se pode  comprovar  da  relação  de  exclusões  de  créditos/depósitos  bancários  que  instrui  o  processo  de  representação  fiscal  para  fins  penais,  n°  10930.724244/2011­03,  apensado ao presente procedimento e cujo conteúdo se encontra disponibilizado para  consulta do interessado.  Ora, bem se vê que tais alegações são meramente protelatórias e apelativas,  tentando descaracterizar a atuação com situações inexistentes.  Por todo o exposto, mantenho a presunção legal levantada pelo auditor fiscal.  Multa confiscatória   Sobre a argüição de ser confiscatória a multa aplicada, cumpre gizar que ao  julgador  administrativo,  que  se  encontra  totalmente  vinculado  aos  ditames  legais, mormente  quando do  exercício  do  controle de  legalidade do  lançamento  tributário  (art.  142  do Código  Tributário Nacional ­ CTN), não é dado apreciar questões – como a de que a multa fiscal seria  confiscatória  –  que  importem  a  negação  de  vigência  e  eficácia  do  preceito  legal  válido  e  vigente. Tal prática encontra óbice, inclusive na Súmulas nº 2 deste CARF:  Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a  inconstitucionalidade de lei tributária. (PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010).  INCONSTITUCIONALIDADE  Quanto  às  alegações  de  ofensa  a  princípios  constitucionais,  cabe  esclarecer  que a a autoridade administrativa é vinculada a lei válida e vigente, não cabendo a este órgão  do  Poder Executivo  deixar  de  aplicá­las,  encontrando  óbice,  inclusive  na  Súmula  nº  2  deste  Conselho (atual Primeira Sessão do CARF):  Fl. 3000DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11634.720699/2011­59  Acórdão n.º 1401­001.139  S1­C4T1  Fl. 3.001          15 Súmula  1ºCC  nº  2: O CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária. (PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010).  DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS  A Recorrente,  alegou  que  a  Representação  Fiscal  para  Fins  Penais  é  de  flagrante  ilegalidade, posto que arbitrária e deve ser afastada.  A DRJ a respeito desse aspecto soube precisar bem a questão, sem ter sido infirmado  pela Recorrente:  98.  O processo administrativo tributário tem como escopo decidir, na órbita  administrativa, se houve ou não a ocorrência de fato gerador do imposto e, caso esse  tenha ocorrido, verificar se o lançamento está de acordo com a legislação aplicável.  Logo,  em  relação  à  Representação  Fiscal  para  fins  penais,  portanto,  não  é  de  competência  das  DRJ  se  manifestar  sobre  sua  formalização,  por  meio  de  outro  processo, já que nele não há interesse tributário envolvido.  Portanto,  não  cabe  a  esta  autoridade  administrativa  julgar  a  procedência  ou  improcedência  da  formalização  da  representação  fiscal  para  fins  penais  pela  autoridade lançadora, a qual deve formalizá­la, sempre que no curso de ação fiscal  identificarem situações que, em tese, configurem crime definido no Art. 1° ou 2° da  Lei n° 8.137, de 1990.  Lançamentos Reflexos  Por  estarem  sustentados  na mesma matéria  fática,  os mesmos  fundamentos  devem nortear a manutenção das exigências lançadas por via reflexa,  Por  todo o exposto,  rejeito as preliminares e, no mérito, NEGO provimento  ao recurso .        (assinado digitalmente)  Antonio Bezerra Neto                                    Fl. 3001DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO

score : 1.0
5485466 #
Numero do processo: 15374.002181/2001-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1997 DEDUTIBILIDADE. DESPESAS FINANCEIRAS. NECESSÁRIA À ATIVIDADE EMPRESARIAL. Despesas financeiras, que são necessárias à atividade empresarial, a título de exemplo, taxas bancárias, taxas de administração, comissão bancária, juros de mora por atraso de pagamento de fornecedores e tributos, são despesas dedutíveis para apuração do IRPJ.
Numero da decisão: 1302-001.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Declarou-se impedido o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201403

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1997 DEDUTIBILIDADE. DESPESAS FINANCEIRAS. NECESSÁRIA À ATIVIDADE EMPRESARIAL. Despesas financeiras, que são necessárias à atividade empresarial, a título de exemplo, taxas bancárias, taxas de administração, comissão bancária, juros de mora por atraso de pagamento de fornecedores e tributos, são despesas dedutíveis para apuração do IRPJ.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 15374.002181/2001-27

anomes_publicacao_s : 201406

conteudo_id_s : 5352631

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 1302-001.344

nome_arquivo_s : Decisao_15374002181200127.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : MARCIO RODRIGO FRIZZO

nome_arquivo_pdf_s : 15374002181200127_5352631.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Declarou-se impedido o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA

dt_sessao_tdt : Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014

id : 5485466

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:14 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046812163571712

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1777; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 1.384          1 1.383  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15374.002181/2001­27  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1302­001.344  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de março de 2014  Matéria  IRPJ  Recorrente  OCEANUS AGENCIA MARITIMA SA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Exercício: 1997  DEDUTIBILIDADE.  DESPESAS  FINANCEIRAS.  NECESSÁRIA  À  ATIVIDADE EMPRESARIAL.  Despesas financeiras, que são necessárias à atividade empresarial, a título de  exemplo, taxas bancárias, taxas de administração, comissão bancária, juros de  mora  por  atraso  de  pagamento  de  fornecedores  e  tributos,  são  despesas  dedutíveis para apuração do IRPJ.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do  colegiado,    por  unanimidade,  em  dar  provimento  parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Declarou­ se impedido o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva.  (assinado digitalmente)  ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  MARCIO RODRIGO FRIZZO ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  ALBERTO  PINTO  SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, HELIO EDUARDO DE PAIVA  ARAUJO, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA          AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 21 81 /2 00 1- 27 Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     2   Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário.  Na  origem  foi  lavrado  auto  de  infração  de  IRPJ (R$ 48.640,60) (fls. 271/274) e de IRRF (R$ 1.487.166,73) (fls. 275/280). Em resumo, o  AFRFB convenceu­se pelas seguintes infrações:  IRPJ:  “001  –  CUSTOS,  DESPESAS  OPERACIONAIS  E  ENCARGOS NÃO NECESSÁRIOS”  –  Art.  195,  inciso  I,  197  e  parágrafo único, 242 e 243, do RIR/94.  IRRF: “001 – (...) FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO  DE RENDA RETIDO NA FONTE SOBRE RENDIMENTOS DE  RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR” – Art. 743  do  RIR/94,  art.  78  da  Lei  nº  8.981/95,  art.  18  e  28,  da  Lei  nº  9.249/95.  Conforme  exposto  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento,  a  fundamentação  dos  autos  de  infração  encontra­se  descrita  no  próprio  corpo  dos  autos  de  infração, nas folhas 247 e 251 – IRPJ e IRRF, respectivamente (fls. 452/453):  3.1 – em relação à infração do IRPJ a autoridade fiscal glosou  todas  as  despesas  financeiras,  no  valor  de  R$  133.335,00,  constantes  da  declaração de  rendimentos  do  contribuinte,  haja  vista  este  ter  emprestado  graciosamente  a  quantia  de  R$  5.444.461,03  à  Viking  Participações  S/A,  cujos  sócios  são  os  mesmos da empresa autuada;  3.2 – quanto à  infração  relativa ao  IRRF, o autuante  entendeu  que  a  interessada,  por  ser  representante  da  Companhia  de  Navegação  da  República  Islâmica  do  Irã,  conforme  contrato  anexado  aos  autos,  é  responsável  pela  falta  de  retenção  e  recolhimento dos valores correspondente ao IRRF sobre receitas  de  fretes  recebidas  por  esta  última,  ou  seja,  atribuídas  a  residentes ou domiciliados no exterior; (...).  Encerrada a fiscalização, a  recorrente teve ciência dos autos de infração em  08/06/2001  (fls.  271  e  275).  Na  sequência,  apresentou  impugnação  em  06/07/2001  (fls.  288/303),  a  qual  foi  julgada  totalmente  improcedente  em  relação  ao  IRPJ  e  parcialmente  procedente em relação ao IRRF, nos termos da ementa do acórdão proferido pela Delegacia da  Receita Federal de Julgamentos (DRJ) que adiante segue transcrita (fls. 449/472):  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 1997  Nulidade. Enquadramento Legal.  Não  ocorre  nulidade  do  auto  de  infração  por  deficiência  de  enquadramento  legal,  quando  descritos  com  precisão  os  fatos  referentes  ao  lançamento,  não  havendo  prejuízo  à  defesa,  uma  vez que a interessada deve se defender dos  fatos que  lhe  foram  imputados.  Tal  falha  pode  ser  saneada,  até  pela  autoridade  julgadora, não constituindo agravamento ou aperfeiçoamento do  lançamento.  Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15374.002181/2001­27  Acórdão n.º 1302­001.344  S1­C3T2  Fl. 1.385          3 Jurisprudência Administrativa.  Consoante  o  art.  100,  II,  do  Código  Tributário  Nacional,  as  decisões dos órgãos colegiados de jurisdição administrativa não  constituem  normas  complementares  da  legislação  tributária,  tampouco  vinculam  a  administração,  haja  vista  não  existir  lei  que lhes confira a efetividade de caráter normativo.  Provas. Apresentação Prazo.  A  prova  documental  deve  ser  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de a impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de  sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refira­se  a fato ou a direito superveniente ou destine­se a contrapor fatos  ou razões posteriormente trazidas aos autos.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 1997  Decadência. IRRF. Inocorrência.  O  fato  gerador  do  imposto  incidente  sobre  o  pagamento  a  domiciliados no  exterior  é  simples  e de  realização  instantânea.  Em  princípio,  é  exigência  submetida  ao  chamado  lançamento  por homologação, que tem como lustro decadencial o prazo de 5  anos  contado  a  partir  do  fato  gerador.  Constituído  o  crédito  tributário, mediante  lançamento  de  oficio,  em  prazo  inferior,  a  decadência não se opera.  Prescrição  Intercorrente.  Instituto  Inexistente  na  Esfera  Administrativa Fiscal.  Não se aplica a prescrição  intercorrente na esfera do processo  administrativo  fiscal.  Súmulas  do  1°  e  2°  Conselho  de  Contribuintes.  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 1997  Despesas Financeiras Desnecessárias. Dedutibilidade.  Aquele  que  suporta  encargos  financeiros,  em  face  da  contratação  de  mútuo,  não  pode  considerar  como  despesa  necessária  e  dedutível  do  imposto  de  renda,  os  dispêndios,  a  título  de  despesas  financeiras,  relativa  à  parcela  cedida  graciosamente a pessoas ligadas, a título de empréstimo.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­  IRPJ  Ano­calendário: 1997  Afretamento.  Responsabilidade  Tributária.  Fonte  Pagadora.  Remessa.  Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     4 É responsável  tributário pela  retenção do  imposto de  renda na  fonte aquele que, estando no País, credita, entrega, emprega ou  remete, divisas à pessoa jurídica residente no exterior. Os fatos  geradores  em  que  as  provas  carreadas  ao  processo  não  identificam  quem  fez  a  remessa  de  numerário  para  pagamento  do frete, devem ser cancelados.  Afretamento. Incidência. Alíquota. Aplicável.  Como  rega  geral,  estão  sujeitos  à  incidência  do  imposto  de  renda  na  fonte  à  alíquota  de  quinze  por  cento,  os  rendimentos  pagos,  creditados,  entregues,  empregados  ou  remetidos  por  pessoa  jurídica  domiciliada  no  Brasil  às  companhias  de  navegação  aérea  domiciliadas  no  exterior  à  título  de  afretamento,  observado o  tratamento  dispensado,  na  legislação  interna ou em acordos internacionais, aos rendimentos auferidos  por companhias de navegação, aérea brasileiras que exercem o  mesmo tipo de atividade. Ocorrendo afretamento para transporte  das  mercadorias,  com  ausência  de  informação  sobre  a  aprovação das autoridades  competentes,  descarta­se a hipótese  de aplicação da norma redutora de alíquota prevista no art. 1º,  I, da Lei n° 9.481/97.  Lançamento Procedente em Parte  Intimada  da  decisão  supracitada  em  11/05/2009  (fl.  481),  a  recorrente  apresentou, então, recurso voluntário em 22/05/2009 (fls. 489/501), no qual ventila as seguintes  razões, em resumo:  (i)  Que,  no  tocante  ao  IRRF,  o  lançamento  fiscal  é  nulo,  uma  vez  que  a  autoridade  fiscal  não  comprovou  as  datas  em  que  teriam  ocorrido  os  fatos  geradores ou a composição da base de cálculo, e o saneamento, em sede de  diligência da qual a recorrente foi intimada somente em 2008, não é capaz de  sanar o referido lançamento, tendo ocorrido a decadência do direito de lançar  e a prescrição intercorrente;  (ii)  Que,  no  tocante  ao  mérito  do  IRRF,  nos  termos  do  art.  1º  da  Lei  nº  9.481/96,  o  frete  pago  à  empresa  iraniana  é  isento  do  imposto  de  renda  na  fonte  e  que  essa  isenção  é  condicionada  à  existência  de  convenção  internacional ou reciprocidade;  (iii)  Que,  ainda  no  mérito  do  IRRF,  o  fundamento  legal  adotado  pela  autoridade fiscal está errado, em se tratando de norma de isenção, não cabe à  autoridade  fiscal  estabelecer  condições para o  gozo da alíquota  zero,  que  a  própria lei não estabeleceu;  (iv)  Que,  no  tocante  ao  IRPJ,  o  auto  de  infração  é  inepto,  pois  não  fora  identificado  no  auto  de  infração  a  ligação  entre  a  indedutibilidade  das  despesas  declaradas  pela  recorrente  e  o  contrato  de  mútuo  celebrado;  que  cabe  à  autoridade  fiscal  o  ônus  de  provar  a  indedutibilidade  das  despesas  glosadas, coisa que não se observou no auto de infração;  (v)  Que  o  período  e  o  montante  do  contrato  de  mútuo  (celebrado  entre  a  recorrente a empresa ligada) é bem difente do período e do montante em que  eventuais  passivos  da  recorrente  foram  contraídos,  assim,  não  há  qualquer  Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15374.002181/2001­27  Acórdão n.º 1302­001.344  S1­C3T2  Fl. 1.386          5 relação entre a despesa financeira glosada e o mútuo com a empresa ligada  (Viking);  (vi) Que as despesas financeiras glosadas somam uma séria de valores (tarifas  bancárias  e  tributos  incidentes  nas  contas  bancárias),  assim,  a  autoridade  fiscal  não  poderia  simplesmente  glosar  a  integralidade  das  despesas  financeiras declaradas na DIPJ sem antes se desincumbir do ônus de provar a  falta de necessidade dessas despesas.  Após,  em  22/06/2009,  a  recorrente  juntou  documentos  que  compõem  a  DIPJ/1998 (ano­calendário: 1997) e dos livros razões das contas (comissão bancária, despesas  bancárias, juros de mora, juros sem empréstimo nacional e juros passivos) (fls. 1136/1305), e  informou (fls. 513/515):  (i) Que a autoridade fiscal glosou a linha de despesas na DIPJ, pg. 6 anexo II:  Outras Despesas Financeiras (R$ 133.335,00), considerando que a recorrente  estaria  tomando  empréstimos  no mercado  financeiro  e  pagando  juros  e  ao  mesmo tempo, repassando para empresa coligada empréstimos sem juros;  (ii) Que nunca ocorreram os referidos empréstimos e os repasses dos mesmos  a alegadas empresas coligadas, ainda, os razões contábeis comprovam que a  recorrente não tomou empréstimo no mercado;  (iii) Que as despesas  lançadas nos razões são de despesas e  taxas bancárias  pelo  uso  de  serviços  oferecidos  por  instituição  financeira,  por  tratar­se  de  operações  de  agenciamento  com  expressivo  volume  de  pagamentos,  totalmente necessárias à atividade da recorrente;  (iv) Que, no caso em tela, a recorrente observou a legislação tributária, qual  seja o art. 299 do Dec. 3.000/99;  (v) Que o valor da conta de juros passivos (R$ 32.511,97) e o valor da conta  juros  sem  empréstimo  nacional  (R$  44,81)  são  taxas  cobradas  pela  instituição financeira pela utilização da conta garantida, restando claro que a  recorrente não possuía empréstimos contratados;  (vi) Que  por  outro  lado,  em  alguns momentos,  durante  o  ano,  fazia  uso  da  conta garantida,  o que gerou no ano um custo de R$ 32.566,78;  se a glosa  fosse correta e legal, argumentou por amor ao debate que a glosa deveria ser  apenas  sobre  o  valor  de R$  32.566,78,  vez  que  os  demais  valores  não  são  relacionados a empréstimos ou à conta garantida.  A  2ª  Turma  da  3ª  Câmara  da  1ª  Seção  de  Julgamento  deste  Conselho  Administrativo  de Recursos  Fiscais,  por  unanimidade  de  votos,  converteu  o  julgamento  em  diligência para que a repartição de origem tomasse providências para desmembrar o processo  administrativo fiscal, nos termos da Resolução nº 1302.000.064 (fls. 614/620):  (...)  Neste  caso  específico,  o  imposto  de  renda  na  fonte  sobre  pagamento  ou  crédito  de  frete  a  não  residente  não  configura  antecipação do IRPJ e também os  fatos não guardam qualquer  conexão com o mútuo ativo da autuada  junto a empresa  ligada  que  levou  à glosa  integral  de  suas  despesas  financeiras. Nessa  Fl. 1388DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     6 medida,  os  fatos  que  ensejaram  a  tributação  do  IRPJ  não  guardam  qualquer  relação  com  os  fatos  que  ensejaram  a  tributação  do  IRF,  razão  pela  qual  esta  primeira  Seção  é  incompetente  para  julgar  a matéria  relacionada ao  imposto  de  renda na fonte.  Inexistindo previsão regimental para julgamento parcial do feito  com  envio  do  processo  à  2ª  Seção,  vejo  a  necessidade  de  converter  o  processo  em  diligência  para  que  a  autoridade  preparadora possa por favor efetuar o seguinte:  1 – Copiar na íntegra o  teor deste processo e desmembrar esta  processo,  abrindo  um  novo  processo  com  as  cópias  do  inteiro  teor deste para que nele possa  ser  levada à diante a discussão  relacionada ao Imposto de Renda na Fonte.  2  –  Citar  o  contribuinte  para  que  tome  ciência  do  desmembramento  do  processo  para  que  este  processo  possa  prosseguir com o recurso voluntário no que tange ao Imposto de  Renda  e  o  processo  criado  por  desmembramento  possa  prosseguir com o recurso voluntário no que tange ao Imposto de  Renda na Fonte.  3 – Conceder o prazo necessário ao contribuinte para o pedido  de  cópia  administrativa  do  novo  processo  criado  por  desmembramento  e  para  eventual  pronunciamento  sobre  seu  conteúdo, se oportuno.  4 – Juntar a cópia da citação e da manifestação de que tratam os  itens 2 e 3 neste e no novo processo e encaminhar este processo  novamente para julgamento do recurso voluntário no que tange  o  IRPJ  por  esta  1ª  Seção,  bem  como  encaminhar  o  processo  desmembrado  para  julgamento  do  recurso  voluntário  no  que  tange o IRF pela 2ª Seção.  A  recorrente  obteve  cópia  integral  do  presente  processo  administrativo  em  16/08/2012, sendo cientificada da resolução supracitada (fl. 1316), e após, conforme demonstra  o Termo de Solicitação de Juntada (fl. 1328), a recorrente manifestou­se no presente processo  para manter  na  íntegra  as  preliminares,  as  prejudiciais  e  o mérito  de  seu  recurso  voluntário,  juntando  no  presente  processo  administrativo  decisões  exaradas  no  Recurso  Especial  nº  1.138.206/RS e decisão exarada no processo administrativo fiscal nº 18471.001396/2005­44.  Por fim, a autoridade preparadora propôs o envio deste processo à 1ª Seção  de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para julgamento do  IRPJ, nos termos da referida resolução supracitada (fl. 1382/1383).  É o relatório.  Fl. 1389DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15374.002181/2001­27  Acórdão n.º 1302­001.344  S1­C3T2  Fl. 1.387          7     Voto             Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo  O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos  de admissibilidade, então dele conheço.  1. Das Considerações Iniciais  Com visto na parte inicial, o processo foi divido em razão da incompetência  da 1ª Seção para julgar o IRRF, uma vez que não se trata de antecipação do IRPJ. Assim, deixo  de tecer comentários sobre o aludido tributo.  2. Do IRPJ – Das Despesas Dedutíveis  Inicialmente,  como  sabiamente  decidido  pela  9ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I (DRJ), manteve­se integralmente  o lançamento tributário no que toca ao IRPJ e expôs na fundamentação de seu voto (acórdão nº  12­22.426) que existem despesas, a título de exemplo, taxas de administração, taxas bancárias  e juros de mora, que não se comunicariam com o mútuo concedido à empresa ligada; e que a  recorrente não informou ou detalhou as despesas glosadas, e apesar de afirmar que as mesmas  estejam escrituradas, não apresentou as contas contábeis correlatas:  Portanto, o sujeito ativo da relação  tributário –  fisco –, deverá  demonstrar  e provar esse direito,  que  in  casu,  se  traduziu pela  informação  constante  da  DIRPJ  1998,  anexada  às  fls.  17,  enquanto  ao  sujeito  passivo  cumpre  contraditar,  mediante  a  prova de fatos extintivos, impeditivos ou modificativos do direito  afirmado pelo fisco;  Neste  mister,  ressalta  a  impugnante  que  algumas  despesas  financeiras  não  deveriam  ser  computadas  como  encargos  financeiros  decorrentes  de  mútuos  contratados,  haja  vista,  dentre eles, existirem despesas, que não estão relacionadas com  qualquer contrato de mútuo, ou seja, que não se coadunam com  as razões da infração;  Em  tese,  assistiria  razão  à  fiscalizada,  pois  existem  despesas,  tais como: taxas de administração, taxas bancárias outras, juros  incorridos por atrasos de pagamentos por fornecedores, etc., que  não se comunicariam com o mútuo concedido à empresa ligada,  entretanto,  em  nenhum  momento,  a  impugnantes  informa,  ou  detalha  estes  valores,  e,  apesar  de  afirmar  que  os  mesmos  estejam escriturados, também não apresenta as contas contábeis  correlatas que pudessem ilidir esta infração;  Após, conforme exposto no relatório deste voto, em 22/06/2009, a recorrente  juntou documentos que compõem a DIPJ/1998 (ano­calendário: 1997) e dos livros razões das  Fl. 1390DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR     8 contas (comissão bancária, despesas bancárias, juros de mora, juros sem empréstimo nacional e  juros passivos) (fls. 1136/1305), e informou (fls. 513/515):  (i) Que a autoridade fiscal glosou a linha de despesas na DIPJ,  pg.  6  anexo  II: Outras Despesas  Financeiras  (R$  133.335,00),  considerando que a recorrente estaria tomando empréstimos no  mercado  financeiro  e  pagando  juros  e  ao  mesmo  tempo,  repassando para empresa coligada empréstimos sem juros;  (ii) Que nunca ocorreram os referidos empréstimos e os repasses  dos  mesmos  a  alegadas  empresas  coligadas,  ainda,  os  razões  contábeis  comprovam  que  a  recorrente  não  tomou  empréstimo  no mercado;  (iii)  Que  as  despesas  lançadas  nos  razões  são  de  despesas  e  taxas  bancárias  pelo  uso de  serviços  oferecidos  por  instituição  financeira,  por  tratar­se  de  operações  de  agenciamento  com  expressivo  volume  de  pagamentos,  totalmente  necessárias  à  atividade da recorrente;  (iv)  Que,  no  caso  em  tela,  a  recorrente  observou  a  legislação  tributária, qual seja o art. 299 do Dec. 3.000/99;  (v) Que  o  valor da  conta de  juros  passivos  (R$ 32.511,97)  e  o  valor  da  conta  juros  sem  empréstimo  nacional  (R$  44,81)  são  taxas  cobradas  pela  instituição  financeira  pela  utilização  da  conta  garantida,  restando  claro  que  a  recorrente  não  possuía  empréstimos contratados;  (vi)  Que  por  outro  lado,  em  alguns  momentos,  durante  o  ano,  fazia uso da conta garantida, o que gerou no ano um custo de R$  32.566,78;  se  a  glosa  fosse  correta  e  legal,  argumentou  por  amor ao debate que a glosa deveria ser apenas sobre o valor de  R$ 32.566,78, vez que os demais valores não são relacionados a  empréstimos ou à conta garantida.  Ante a documentação apresentada pela recorrente (fls. 1136/1305), concordo  com  a  parte  recorrente  no  tocante  às  contas  comissão  bancária  e  despesas  bancárias,  pois  entendo  que  são  despesas  e  taxas  bancárias  decorrentes  dos  serviços  das  instituições  financeiras,  por  tratar­se  de  operações  de  agenciamento  com  altíssimas  movimentações  bancárias, sendo totalmente necessária à atividade da recorrente. Ainda, quanto à conta juros de  mora, trata­se de juros de mora por atraso no pagamento de fornecedores e tributos, sendo tais  despesas consideradas plenamente dedutível no período de competência.  Por  fim,  quanto  às  contas  juros  passivos  e  juros  sem  empréstimo  nacional,  como  reconhecido  pela  própria  recorrente  (fls.  513/515),  trata­se  de  despesas  cobradas  por  instituição financeira pela utilização de conta garantida e que, em alguns momentos, durante o  ano, a recorrrente fazia uso da conta garantida, gerando um custo anual de R$ 32.566,78, sendo  desnecessária à atividade da recorrente.  Dessa forma, voto no sentido de manter a glosa de IRPJ apenas sobre o valor  de  R$  32.566,78  (juros  passivos  e  juros  sem  empréstimo  nacional),  afastando  o  crédito  tributário  lançado  a  título  de  IRPJ  sobre  despesas  financeiras,  referente  às  contas  contábeis:  comissão bancária, despesas bancárias e juros de mora.     Fl. 1391DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15374.002181/2001­27  Acórdão n.º 1302­001.344  S1­C3T2  Fl. 1.388          9 3. Da Conclusão  Ante ao exposto, voto no sentido de dar parcialmente provimento ao recurso  voluntário interposto, nos termos do relatório e voto.  (assinado digitalmente)  Márcio Rodrigo Frizzo ­ Relator                                Fl. 1392DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR

score : 1.0
5495620 #
Numero do processo: 10972.720047/2012-00
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 IMPUGNAÇÃO. PRAZO DE APRESENTAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. Se desde o início da fase processual há contestação sobre a intempestividade da impugnação, que foi declarada pela primeira instância administrativa, impõe-se à instância recursal conhecer do recurso voluntário, no tocante apenas às razões contrárias àquela declaração, para negar-lhe provimento, eis que confirmado o descumprimento do prazo legal para apresentação da peça de defesa na etapa anterior.
Numero da decisão: 1802-002.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201406

ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 IMPUGNAÇÃO. PRAZO DE APRESENTAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. Se desde o início da fase processual há contestação sobre a intempestividade da impugnação, que foi declarada pela primeira instância administrativa, impõe-se à instância recursal conhecer do recurso voluntário, no tocante apenas às razões contrárias àquela declaração, para negar-lhe provimento, eis que confirmado o descumprimento do prazo legal para apresentação da peça de defesa na etapa anterior.

turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 10972.720047/2012-00

anomes_publicacao_s : 201406

conteudo_id_s : 5354410

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 1802-002.189

nome_arquivo_s : Decisao_10972720047201200.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA

nome_arquivo_pdf_s : 10972720047201200_5354410.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.

dt_sessao_tdt : Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014

id : 5495620

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:32 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046812168814592

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1852; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE02  Fl. 2          1 1  S1­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10972.720047/2012­00  Recurso nº  999.999   Voluntário  Acórdão nº  1802­002.189  –  2ª Turma Especial   Sessão de  03 de junho de 2014  Matéria  IRPJ E OUTROS  Recorrente  ZEMA CIA DE PETRÓLEO LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2007  IMPUGNAÇÃO. PRAZO DE APRESENTAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE.  Se desde o início da fase processual há contestação sobre a intempestividade  da  impugnação,  que  foi  declarada  pela  primeira  instância  administrativa,  impõe­se  à  instância  recursal  conhecer  do  recurso  voluntário,  no  tocante  apenas às razões contrárias àquela declaração, para negar­lhe provimento, eis  que confirmado o descumprimento do prazo legal para apresentação da peça  de defesa na etapa anterior.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento  ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.  (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa­ Presidente.   (assinado digitalmente)  José de Oliveira Ferraz Corrêa ­ Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de  Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni  Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 72 00 47 /2 01 2- 00 Fl. 1956DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10972.720047/2012­00  Acórdão n.º 1802­002.189  S1­TE02  Fl. 3          2   Relatório  Trata­se de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal  de  Julgamento em Juiz de Fora/MG, que considerou  intempestiva a  impugnação apresentada  para  contestar  lançamento  a  título  de  Imposto  sobre  a Renda  da  Pessoa  da  Jurídica  –  IRPJ,  Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, Contribuição para o Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  COFINS  e  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  ­  CSLL,  conforme autos de infração de fls. 1442 a 1502, nos valores de R$ 372.287,73, R$ 27.585,48,  R$ 127.060,29  e R$ 141.242,87,  respectivamente,  incluindo­se  nesses montantes  a multa  de  75% e os juros moratórios.  O  lançamento  abrangeu  o  ano­calendário  de  2007,  e  foi  motivado  pelas  seguintes  infrações:  omissão  de  receitas  por  saldo  credor  de  caixa  (IRPJ  e  reflexos);  insuficiência  de  recolhimento  de  tributo  (PIS/COFINS);  glosa  de  créditos  (PIS/COFINS);  e  falta de recolhimento de estimativas mensais (IRPJ/CSLL – multa isolada).  Os  fatos  que  antecederam  o  presente  recurso  estão  assim  descritos  no  relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 09­42.953, às fls. 1921 a 1932:   Contra  o  contribuinte  identificado  foram  lavrados  os  Autos  de  Infração de fls. 1442 a 1502 (o Termo de Verificação Fiscal está  incluído às fls. 1478 a 1501), referentes ao IRPJ, CSLL, Cofins e  PIS, que lhe exigem um crédito tributário de R$ 668.176,37, com  juros de mora calculados até maio de 2012, sendo:  [...]  Regularmente cientificado dos Autos de Infração, por via postal,  em  18/05/2012  (fls.  503  e  504),  o  contribuinte  protocolou  sua  Impugnação em 20/06/2012 (fls.1506 a 1518), mediante a qual,  pugna  pela  nulidade  do  Auto  de  Infração  por  cerceamento  de  direito de defesa (alegando inépcia e inconsistência do ponto de  vista formal) e submete seus argumentos de forma a contrapor as  inferências firmadas nos respectivos Autos de Infração.  Subseqüentemente,  a  DRF/Uberaba  efetuou  a  remessa  da  Intimação  nº  60/2012  (fls.  1872  a  1874),  de  26/06/2012,  por  meio  da  qual  informou  a  intempestividade  da  Impugnação  e  intimou o interessado a recolher os débitos discriminados dentro  do  prazo  de  30  dias  (contados  da  assinatura  do  aviso  de  recebimento da intimação).  Cientificado  de  seus  termos  em  28/06/2012,  o  requerente  protocolou  petição,  em 07/07/2012  (fl.  1878  e  1879),  por meio  da  qual  afirma  que  a  entrega  da  correspondência  que  encaminhou  a  intimação  dos  Autos  de  Infração  ocorreu  às  18h36min do dia 18/05/2012, ou seja, fora do horário comercial  e  argumenta  que  a  intimação  por  via  postal  só  poderá  considerar ocorrida, se efetuada em horário comercial, uma vez  que, fora dele, o contribuinte só terá ciência no dia seguinte.  Fl. 1957DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10972.720047/2012­00  Acórdão n.º 1802­002.189  S1­TE02  Fl. 4          3 Afirma, assim, ser tempestiva a impugnação.  Enfatiza que, ainda que intempestiva a impugnação, a moderna  doutrina preconiza que, não obstante a extemporaneidade, cabe  à  autoridade  administrativa  conhecer  e  julgar  as  razões  do  contribuinte,  quando  esta  descreva  ilegalidade  ou  erro  na  conduta administrativa.  Por  fim,  com  lastro  nos  princípios  da  legalidade,  da  verdade  material,  da  eficiência  administrativa,  do  informalismo  do  processo tributário, bem como no art. 5o, XXXV, e LV, da CF/88,  nos arts. 56, par. 1º , e 65, da Lei n. 9.784/99 e no art. 145, III,  do CTN,  requer  que  a  autoridade  administrativa  reconsidere  a  decisão que reconheceu a intempestividade da impugnação, para  recebê­la e encaminhar a julgamento pelo Órgão Julgador  Ato  contínuo,  a  DRF/Uberaba/MG  encaminhou  os  autos  à  DRJ/Juiz de Fora/MG para pronunciamento acerca da questão,  assinalando,  porém,  suas  inferências  que  ratificam  a  intempestividade da defesa do contribuinte e mantendo os efeitos  da cobrança administrativa vinculada ao Auto de Infração.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Juiz  de  Fora/MG  examinou  como  preliminar  a  questão  suscitada  sobre  a  tempestividade  da  impugnação,  e  concluiu que ela era mesmo intempestiva, expressando suas conclusões com a seguinte ementa:  ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA   Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007   IMPUGNAÇÃO. PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO.  O  prazo  para  apresentação  de  impugnação  é  de  trinta  dias,  contados da data da ciência da intimação da exigência.  IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE.  A  petição  apresentada  intempestivamente  não  caracteriza  impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não  suspende  a  exigibilidade  do  crédito  tributário  nem  comporta  julgamento de primeira instância.  Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido  Em razão da rejeição da preliminar de tempestividade, não se conheceu das  demais questões suscitadas pela Contribuinte em sua impugnação.   Inconformada com essa decisão, da qual  tomou ciência em 11/03/2013 (AR  às  fls.  1935),  a  Contribuinte  apresentou  em  01/04/2013  o  recurso  voluntário  de  fls.  1938  a  1940, onde reafirma a tempestividade de sua impugnação na fase processual anterior, e reitera  os demais argumentos de defesa apresentados naquela etapa.  Este é o Relatório.  Fl. 1958DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10972.720047/2012­00  Acórdão n.º 1802­002.189  S1­TE02  Fl. 5          4   Voto             Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator.  O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade.  Portanto, dele tomo conhecimento.  O presente processo tem por objeto exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS  sobre  fatos  geradores  ocorridos  no  ano­calendário  de  2007.  Há  também  exigência  de multa  isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL no mesmo período.   A Contribuinte inicia essa fase  recursal sustentando novamente, em sede de  preliminar, a tempestividade de sua impugnação na fase processual anterior.  Ela foi intimada do lançamento em 18/05/2012 (sexta­feira), por via postal, e  apresentou sua impugnação em 20/06/2012 (quarta­feira).  Na  etapa  anterior,  a  Delegacia  de  Julgamento,  após  mencionar  o  Ato  Declaratório Normativo COSIT nº 15/1996, e também dispositivos do Decreto 70.235/1972 e  do Decreto 7.574/2011 que tratam da matéria em questão, concluiu pela  intempestividade da  impugnação nos seguinte termos:  [...]  No  presente  caso,  foi  escolhida  a  via  postal  para  dar  conhecimento  ao  contribuinte  do  lançamento  efetuado  pelo  Fisco, escolha essa válida e possível, conforme se depreende da  leitura  dos  artigos  anteriormente  reproduzidos.  Em  conseqüência, foi enviada a notificação, acompanhada de Aviso  de Recebimento – AR, para o domicílio eleito pelo contribuinte,  ou  seja,  para  a  Rua  Volta  Grande,  nº  55,  sala  06,  Distrito  Industrial III, Uberaba MG, endereço constante de seu cadastro  na RFB.  Assim,  já  que  o  contribuinte  foi  regularmente  cientificado  em  18/05/2012  (sexta­feira  –  conforme  AR  de  fls.  503  e  504),  o  prazo  de  30  (trinta)  dias  iniciou­se  em  21/05/2012  (segunda­ feira),encerrando­se em 19/06/2012 (terça­feira). Dessa forma, a  impugnação protocolizada somente em 20/06/2012 (quarta­feira  –  protocolo  de  fl.  1506)  é  intempestiva  visto  que  apresentada  após o prazo  legal de 30  (trinta) dias estabelecido pelo art. 15  do Decreto nº 70.235, de 1972.  Quanto às  ilações que cogitam o adiamento da ciência em face  de pretensa ocorrência de entrega da intimação fora do horário  comercial  (às  18h36min),  também  não  assiste  razão  ao  contribuinte  visto  que  esta  circunstância  não  encontra  salvaguarda  nas  referidas  normas  processuais  regulamentadoras do Processo Administrativo Fiscal.  Fl. 1959DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10972.720047/2012­00  Acórdão n.º 1802­002.189  S1­TE02  Fl. 6          5 Além  disso,  é  válido  destacar  que  a  própria  pesquisa  do  Histórico  do  Objeto  (RM760860553BR),  disponibilizado  no  portal  dos  Correios,  é  manifesta  em  suas  orientações,  ao  precaver  aos  usuários  dos  serviços  daquela  empresa,  que  “o  horário não indica quando a situação ocorreu, mas sim quando  os dados foram recebidos no sistema, exceto no caso de SEDEX  10 e do SEDEX HOJE, em que ele representa o horário real da  entrega” (fl.1897).  Por  sinal,  consultando  as  Siglas  Adotadas  no  Identificador  de  Objetos  (http://www.correios.com.br/servicos/rastreamento/  internacional/siglas.cfm),  é  possível  concluir  que  a  remessa  da  intimação  (RM760860553BR)  não  foi  efetuada  por  meio  das  modalidades  SEDEX  10  ou  SEDEX  HOJE  acima  referidas,  circunstância  que  torna  ainda mais  insubsistente  a  justificativa  aventada na preliminar de  tempestividade, de que a entrega da  intimação  ocorreu  fora  do  horário  comercial  (às  18h36min).  Deve­se  ponderar  ainda  que  a  entrega  de  Cartas  Registradas  pelos Correios é efetuada dentro do horário comercial.  Ademais, nem mesmo o Código de Processo Civil, citado apenas  a  título elucidativo, socorreria o contribuinte em sua pretensão  (caso a entrega da intimação tivesse ocorrido às 18h36min), pois  seu artigo 172, determina que “Os atos processuais realizar­se­ ão em dias úteis, das 6 (seis) às 20 (vinte) horas.”  Destarte,  conclui­se  que  a  impugnação  é  intempestiva  e  não  atende aos requisitos de admissibilidade definidos pelas normas  processuais de regência da matéria tributária.  Quanto  aos  princípios  citados  pelo  impugnante,  que  pretensamente  dariam  guarida  ao  conhecimento  de  petição  intempestiva, é justamente por alguns deles que se faz necessário  o cumprimento rigoroso das regras impostas por normas legais.  É neste sentido que o princípio a legalidade se faz presente nos  atos  administrativos  tanto  aquele  que  determina  prazo  para  apresentação  de  impugnação  (art.  15,  Decreto  n.º  70.235/72)  como o que determina o dever do servidor público em observar  as normas legais e regulamentares (art. 116, Lei n.º 8.112/90).  Assim,  conclui­se  que  a  defesa  foi  apresentada  intempestivamente  e,  conseqüentemente,  não  caracteriza  impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não  suspende  a  exigibilidade  do  crédito  tributário  nem  comporta  julgamento de primeira instância.  Por  todo  o  exposto,  voto  por  REJEITAR  a  preliminar  de  tempestividade e, por NÃO CONHECER da Impugnação quanto  às demais preliminares e ao mérito.  (os grifos são do original)  Na  presente  fase  recursal  a  Contribuinte  não  apresenta  nenhum  novo  argumento  capaz de  refutar os  fundamentos da decisão  recorrida,  pelo que os  adoto  também  neste voto.  Fl. 1960DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10972.720047/2012­00  Acórdão n.º 1802­002.189  S1­TE02  Fl. 7          6 A impugnação realmente foi apresentada com atraso, e por isso não instaurou  litígio a ser submetido aos órgãos administrativos de julgamento, incluindo­se aí o CARF.  Rejeitada a preliminar de tempestividade da impugnação, fica prejudicado o  conhecimento das demais matérias.  Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário apenas  no que diz respeito à questão da intempestividade da impugnação, para lhe negar provimento.    (assinado digitalmente)  José de Oliveira Ferraz Corrêa                                 Fl. 1961DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA

score : 1.0
5558780 #
Numero do processo: 10735.901081/2011-97
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/01/2007 COFINS. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. PROVA. A conclusão de que houve recolhimento em valor maior que o devido depende da demonstração do valor de tributo efetivamente devido, o que, no caso de contribuinte sujeito ao regime não-cumulativo de apuração de PIS/Cofins, passa necessariamente pela demonstração da composição do faturamento ou receita bruta, com a apresentação da escrituração contábil que contenha o detalhamento e demonstre a consolidação do valor das receitas que compõem a base de cálculo, como também, pela demonstração dos créditos, o que envolve tanto a apresentação da escrituração contábil que contenha a informação detalhada e a consolidação do valores de cada hipótese de crédito, como também a prova da natureza destes pagamentos geradores do crédito, capazes de demonstrar o enquadramento nas hipóteses de crédito das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Recurso negado.
Numero da decisão: 3403-003.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201407

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/01/2007 COFINS. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. PROVA. A conclusão de que houve recolhimento em valor maior que o devido depende da demonstração do valor de tributo efetivamente devido, o que, no caso de contribuinte sujeito ao regime não-cumulativo de apuração de PIS/Cofins, passa necessariamente pela demonstração da composição do faturamento ou receita bruta, com a apresentação da escrituração contábil que contenha o detalhamento e demonstre a consolidação do valor das receitas que compõem a base de cálculo, como também, pela demonstração dos créditos, o que envolve tanto a apresentação da escrituração contábil que contenha a informação detalhada e a consolidação do valores de cada hipótese de crédito, como também a prova da natureza destes pagamentos geradores do crédito, capazes de demonstrar o enquadramento nas hipóteses de crédito das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Recurso negado.

turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 10735.901081/2011-97

anomes_publicacao_s : 201408

conteudo_id_s : 5366411

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 3403-003.132

nome_arquivo_s : Decisao_10735901081201197.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : IVAN ALLEGRETTI

nome_arquivo_pdf_s : 10735901081201197_5366411.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.

dt_sessao_tdt : Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014

id : 5558780

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:31 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046812170911744

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2009; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T3  Fl. 99          1 98  S3­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10735.901081/2011­97  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3403­003.132  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de julho de 2014  Matéria  COMPENSAÇÃO  Recorrente  ABOLICÃO CAMINHÕES E ÔNIBUS LTDA   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 15/01/2007  COFINS. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. PROVA.  A  conclusão  de  que  houve  recolhimento  em  valor  maior  que  o  devido  depende da demonstração do valor de tributo efetivamente devido, o que, no  caso  de  contribuinte  sujeito  ao  regime  não­cumulativo  de  apuração  de  PIS/Cofins,  passa  necessariamente  pela  demonstração  da  composição  do  faturamento ou receita bruta, com a apresentação da escrituração contábil que  contenha  o  detalhamento  e  demonstre  a  consolidação  do  valor  das  receitas  que  compõem  a  base  de  cálculo,  como  também,  pela  demonstração  dos  créditos,  o  que  envolve  tanto  a  apresentação  da  escrituração  contábil  que  contenha  a  informação  detalhada  e  a  consolidação  do  valores  de  cada  hipótese  de  crédito,  como  também  a  prova  da  natureza  destes  pagamentos  geradores do crédito, capazes de demonstrar o enquadramento nas hipóteses  de crédito das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003.  Recurso negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso.  (assinado digitalmente)  Antonio Carlos Atulim ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Ivan Allegretti ­ Relator     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 10 81 /2 01 1- 97 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Antonio  Carlos  Atulim,  Alexandre  Kern,  Domingos  de  Sá  Filho,  Rosaldo  Trevisan,  Luiz  Rogério  Sawaya  Batista e Ivan Allegretti.    Relatório  Trata­se  de  Declaração  de  Compensação  que  indica  como  crédito  recolhimento  a maior  de Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  –  Cofins  relativa ao fato gerador 15/01/2007.  Foi  negada  homologação  à  compensação  por meio  de  Despacho Decisório  Eletrônico (DDE), cuja motivação consiste no texto padronizado que informa que “A partir das  características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados  um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados no PER/DCOMP”.  O  contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade  (fls.  2/4)  esclarecendo que havia transmitido a Declaração de Compensação sem, no entanto, retificar o  DACON e a DCTF, mas que após ter recebido o despacho promoveu a retificação de ambas as  declarações, nas quais, então,  teria passado a constar o valor correto da base de cálculo e do  tributo efetivamente devido.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/II  (DRJ), por meio do Acórdão nº 13­37. 994, de 27 de outubro de 2011 (fls. 31/33), concluiu  pela improcedência da manifestação de inconformidade por não ter havido a apresentação da  prova do direito creditório, resumindo tal entendimento na seguinte ementa:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTAŔIO   Data do fato gerador: 15/01/2007   Prova. Momento. Preclusão.   A  prova  do  crédito,  que  suporta Declaração  de Compensação,  cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da  Manifestação  de  Inconformidade,  sob  pena de  preclusão,  salvo  em casos excepcionais legalmente previstos.   Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  O  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário  (fls.  36/91)  explicando  que  o  direito  de  indébito  decorreu  de  não  ter  apropriado  os  créditos  de PIS/Cofins  não­cumulativo  correspondentes a aluguéis, depreciações, energia elétrica e móveis/utensílios não imobilizados  (vida útil inferior a um ano).   Apresenta  os  valores  por meio  de  tabelas,  no  corpo  do  recurso,  e  junta  as  cópias do DACON e da DCTF já retificados, bem como apresenta cópias de trechos do livro  razão.   Fl. 100DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10735.901081/2011­97  Acórdão n.º 3403­003.132  S3­C4T3  Fl. 100          3 É o relatório.    Voto               Conselheiro Ivan Allegretti, Relator  O recurso voluntário foi protocolado em 03/01/2012 (fl. 36), dentro do prazo  de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 06/12/2011 (fl. 35).  Por  ser  tempestivo  e  conter  razões  de  reforma  do  acórdão  da  DRJ,  tomo  conhecimento do recurso.  Trata­se  de  mais  um  dos  cada  vez  mais  numerosos  casos  de  Despacho  Decisório Eletrônico – DDE.  O DDE nega homologação à compensação motivado no fato de não existir na  DCTF  diferença  de  valores  entre  (a)  o  montante  do  tributo  declarado  como  devido  e  (b)  o  montante recolhido em DARF.  O  sistema  informatizado,  portanto,  interpreta  o  fato  de  não  haver  tal  diferença, entre o valor do DARF e o valor do tributo declarado na DCTF, como prova de que  não existiria indébito, ou seja, que não existe o direito de crédito alegado na DCOMP.  Ocorreu que na Manifestação de Inconformidade não foi informada a razão,  nem apresentados os documentos necessários para a prova do indébito, o que aconteceu apenas  no Recurso Voluntário,  quando o contribuinte  apresentou planilhas  resumindo a apuração da  contribuição e cópias de trechos do livro razão.  Apenas  se  poderia  acatar  as  provas  produzidas  diretamente  em  Recurso  Voluntário se fossem elas cabais e suficientes do indébito.  A  conclusão  de  que  houve  recolhimento  em  valor  maior  que  o  devido  depende  da  demonstração  do  valor  de  tributo  efetivamente  devido,  o  que,  no  caso  de  contribuinte  sujeito  ao  regime  não­cumulativo  de  apuração  de  PIS/Cofins,  passa  necessariamente  pela  demonstração  da  composição  do  faturamento  ou  receita  bruta,  com  a  apresentação da escrituração contábil que contenha o detalhamento e demonstre a consolidação  do valor das  receitas que compõem a base de cálculo, como também, pela demonstração dos  créditos,  o  que  envolve  tanto  a  apresentação  da  escrituração  contábil  que  contenha  a  informação detalhada e a consolidação do valores de cada hipótese de crédito, como também a  prova  da  natureza  destes  pagamentos  geradores  do  crédito,  capazes  de  demonstrar  o  enquadramento nas hipóteses de crédito das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003.  No  presente  caso,  faltou  a  prova  circunstanciada  do  enquadramento  dos  pagamentos nas hipóteses de crédito das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003.  Por esta razão – e ressalvado o entendimento pessoal do Relator em sentido  contrário ­, esta Turma vem entendendo por negar provimento ao recurso voluntário.  Fl. 101DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM     4 Foi  isso,  aliás,  o  que  decidiu  esta  mesma  Turma  em  casos  idênticos,  do  mesmo contribuinte:  No  presente  processo,  como  em  todos  nos  quais  o  despacho  decisório  é  eletrônico,  a  fundamentação  não  tem  como  antecedente uma operação  individualizada de análise por parte  do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse  tratamento massivo  é  efetivo  quando  as  informações  prestadas  nas  declarações  do  contribuinte  são  consistentes.  Se  há  uma  declaração do contribuinte  (v.g. DCTF)  indicando determinado  valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente  indicará  que  o  pagamento  foi  localizado,  tendo  sido  integralmente  utilizado  para  quitar  débitos  do  contribuinte.  Houvesse o contribuinte retificado sua declaração anteriormente  ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a  título da  contribuição, provavelmente não estaríamos diante de  um contencioso gerado em tratamento massivo.  A  detecção  da  irregularidade  na  forma massiva,  em  processos  como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao  não  retificar  a  DCTF/DACON,  corrigindo  o  valor  a  recolher,  tornando­o  diferente  do  (inferior  ao)  efetivamente  pago.  Esse  erro (ausência de retificação da DCTF/DACON) provavelmente  seria  percebido  se  a  análise  inicial  empreendida  no  despacho  decisório fosse individualizada/manual (humana).  Assim,  diante  dos  despachos  decisórios  eletrônicos,  é  na  manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a  detalhar  a  origem  de  seu  crédito,  reunindo  a  documentação  necessária  a  provar  a  sua  liquidez  e  certeza.  Enquanto  na  solicitação  eletrônica  de  compensação  bastava  um  preenchimento  de  formulário  ­  DCOMP  (e  o  sistema  informatizado  checaria  eventuais  inconsistências),  na  manifestação  de  inconformidade  é  preciso  fazer  efetiva  prova  documental  da  liquidez  e  da  certeza  do  crédito.  E  isso  muitas  vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando  a manifestação de inconformidade tão­somente para indicar que  cometeu  um  erro,  sem  especificar  a  origem  de  tal  erro,  em  argumentação  ao  desamparo  de  documentos  justificativos  (ou  com amparo documental deficiente).  O julgador de primeira instância também tem um papel especial  diante  de  despachos  decisórios  eletrônicos,  porque  efetuará  a  primeira  análise  humana  do  processo,  devendo  assegurar  a  prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano)  atuar  como  a  máquina,  simplesmente  cotejando  o  valor  declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se  houve  realmente  um  recolhimento  indevido/a maior,  à margem  da existência/ausência de retificação da DCTF.  Nesse  contexto,  relevante  passa  a  ser  a  questão  probatória  no  julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao  postulante da compensação a prova da existência e da  liquidez  do crédito. Configura­se, assim, uma das três situações a seguir:  (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da  ausência  de  DCTF  retificadora,  como  tem  reiteradamente  decidido  este  CARF);  (b)  não  havendo  na  manifestação  de  inconformidade a apresentação de documentos que atestem um  Fl. 102DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10735.901081/2011­97  Acórdão n.º 3403­003.132  S3­C4T3  Fl. 101          5 mínimo  de  liquidez  e  certeza  no  direito  creditório,  incabível  acatar­se  o  pleito;  e,  por  fim,  (c)  havendo  elementos  que  apontem  para  a  procedência  do  alegado,  mas  que  suscitem  dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência  ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para  saná­la  (destacando­se  que  não  se  presta  a  diligência  a  suprir  deficiência probatória a cargo do postulante).  Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de  opções.  E  agrega­se  um  limitador  adicional:  a  impossibilidade  de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16,  § 4º do Decreto no 70.235/1972.  No presente processo, o julgador de primeira instância defronta­ se com a ausência de amparo documental para a compensação  pleiteada,  chegando  à  situação  descrita  acima  como  “b”.  E,  tendo em conta que o ônus probatório é do postulante do crédito,  nega o direito à compensação.   (Acórdão 3403­002.354, PA 10735.901057/2011­58, Rel. Cons.  Rosaldo Trevisan, j. 23/07/2013)  Pelas  mesmas  razões  no  presente  caso,  deve  ser  negado  provimento  ao  recurso voluntário.     (assinado digitalmente)   Ivan Allegretti                                Fl. 103DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM

score : 1.0
5489490 #
Numero do processo: 11516.720602/2011-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2008, 2009 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. É pacífico na jurisprudência o entendimento de que o julgador não fica adstrito aos fundamentos invocados pelas partes, nem tampouco está obrigado a responder a todas as suas alegações, quando presentes razões suficientes para embasar o seu julgado. Assim, somente à inexistência de exame de argumentos apresentados pelo contribuinte, em sua impugnação, cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa do impugnante. SIMPLES FEDERAL. EFEITOS DA EXCLUSÃO. APLICAÇÃO DAS NORMAS GERAIS DE TRIBUTAÇÃO PARA AS DEMAIS PESSOAS JURÍDICAS. A partir do momento em que operados os efeitos da exclusão, a pessoa jurídica excluída do SIMPLES se sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL E/OU FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS COMERCIAIS E FISCAIS. A autoridade fiscal deve arbitrar o lucro da pessoa jurídica quando a escrituração a que estiver obrigada a contribuinte revelar evidências de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou determinar o lucro real, bem como pela não apresentação dos livros comerciais e fiscais e a respectiva documentação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PESSOA JURÍDICA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CONFLITO APARENTE DE NORMAS. ART.42, DA LEI N° 9.430, DE 1996 E AS HIPÓTESES DE ARBITRAMENTO DO ART.47, DA LEI N° 8.981, 1995. MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS. As hipóteses de arbitramento definidas pelo art. 47, da Lei n° 8.981, 1995 se constituem em regra geral, que são suplantadas pelo regramento específico definido pelo art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, aplicável especificamente à hipótese de não comprovação da origem de recursos utilizados em movimentações financeiras. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. INFRAÇÃO FISCAL. MEIOS DE PROVA. A prova de infração fiscal pode realizar-se por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS NO QUADRO SOCIETÁRIO DA PESSOA JURÍDICA. PRÁTICA REINTERADA DE OMISSÃO DE VENDAS. FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. JUSTIFICATIVAS PARA APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. Caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do artigo 957, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000, de 1999, autorizando a qualificação da multa de ofício, a prática de interposição fraudulenta de pessoas no quadro societário da pessoa jurídica para acobertar os verdadeiros sócios, acrescidos da prática reiterada de omissão de vendas e falta de contabilização de depósitos bancários, como forma de ocultar a ocorrência do fato gerador e subtrair-se à obrigação de comprovar os recolhimentos dos impostos e contribuições sobre as receitas auferidas. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever de a administração lançar com multa de oficio as receitas omitidas na declaração de imposto de renda. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) implica os lançamentos da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. Preliminares Rejeitadas. Recurso Negado.
Numero da decisão: 1402-001.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201405

camara_s : Quarta Câmara

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 11516.720602/2011-54

anomes_publicacao_s : 201406

conteudo_id_s : 5352762

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 1402-001.689

nome_arquivo_s : Decisao_11516720602201154.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : PAULO ROBERTO CORTEZ

nome_arquivo_pdf_s : 11516720602201154_5352762.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá.

dt_sessao_tdt : Wed May 07 00:00:00 UTC 2014

id : 5489490

ano_sessao_s : 2014

ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2008, 2009 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. É pacífico na jurisprudência o entendimento de que o julgador não fica adstrito aos fundamentos invocados pelas partes, nem tampouco está obrigado a responder a todas as suas alegações, quando presentes razões suficientes para embasar o seu julgado. Assim, somente à inexistência de exame de argumentos apresentados pelo contribuinte, em sua impugnação, cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa do impugnante. SIMPLES FEDERAL. EFEITOS DA EXCLUSÃO. APLICAÇÃO DAS NORMAS GERAIS DE TRIBUTAÇÃO PARA AS DEMAIS PESSOAS JURÍDICAS. A partir do momento em que operados os efeitos da exclusão, a pessoa jurídica excluída do SIMPLES se sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL E/OU FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS COMERCIAIS E FISCAIS. A autoridade fiscal deve arbitrar o lucro da pessoa jurídica quando a escrituração a que estiver obrigada a contribuinte revelar evidências de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou determinar o lucro real, bem como pela não apresentação dos livros comerciais e fiscais e a respectiva documentação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PESSOA JURÍDICA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CONFLITO APARENTE DE NORMAS. ART.42, DA LEI N° 9.430, DE 1996 E AS HIPÓTESES DE ARBITRAMENTO DO ART.47, DA LEI N° 8.981, 1995. MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS. As hipóteses de arbitramento definidas pelo art. 47, da Lei n° 8.981, 1995 se constituem em regra geral, que são suplantadas pelo regramento específico definido pelo art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, aplicável especificamente à hipótese de não comprovação da origem de recursos utilizados em movimentações financeiras. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. INFRAÇÃO FISCAL. MEIOS DE PROVA. A prova de infração fiscal pode realizar-se por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS NO QUADRO SOCIETÁRIO DA PESSOA JURÍDICA. PRÁTICA REINTERADA DE OMISSÃO DE VENDAS. FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. JUSTIFICATIVAS PARA APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. Caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do artigo 957, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000, de 1999, autorizando a qualificação da multa de ofício, a prática de interposição fraudulenta de pessoas no quadro societário da pessoa jurídica para acobertar os verdadeiros sócios, acrescidos da prática reiterada de omissão de vendas e falta de contabilização de depósitos bancários, como forma de ocultar a ocorrência do fato gerador e subtrair-se à obrigação de comprovar os recolhimentos dos impostos e contribuições sobre as receitas auferidas. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever de a administração lançar com multa de oficio as receitas omitidas na declaração de imposto de renda. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) implica os lançamentos da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. Preliminares Rejeitadas. Recurso Negado.

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:19 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713046812174057472

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 34; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2485; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T2  Fl. 2          1 1  S1­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11516.720602/2011­54  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1402­001.689  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  07 de maio de 2014  Matéria  IRPJ e OUTROS  Recorrente  METALÚRGICA G. M. INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS  EMPRESAS  DE  PEQUENO  PORTE ­ SIMPLES  Exercício: 2008, 2009  NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO  DE  DEFESA.  CAPITULAÇÃO  LEGAL.  DESCRIÇÃO  DOS  FATOS.  LOCAL DA LAVRATURA.  O  auto  de  infração  deverá  conter,  obrigatoriamente,  entre  outros  requisitos  formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total  dessas  formalidades  é  que  implicará  na  invalidade  do  lançamento,  por  cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer  plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo­as, uma a uma,  de  forma  meticulosa,  mediante  impugnação,  abrangendo  não  só  outras  questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição  de cerceamento do direito de defesa.  NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO  DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.  Somente a partir da lavratura do auto de  infração é que se  instaura o  litígio  entre o  fisco  e o  contribuinte,  podendo­se,  então,  falar  em ampla defesa ou  cerceamento  dela,  sendo  improcedente  a  preliminar  de  cerceamento  do  direito  de  defesa  quando  concedida,  na  fase  de  impugnação,  ampla  oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos.  DECISÃO DE PRIMEIRA  INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO  DE DEFESA. NULIDADE.  É  pacífico  na  jurisprudência  o  entendimento  de  que  o  julgador  não  fica  adstrito  aos  fundamentos  invocados  pelas  partes,  nem  tampouco  está  obrigado  a  responder  a  todas  as  suas  alegações,  quando  presentes  razões  suficientes  para  embasar  o  seu  julgado.  Assim,  somente  à  inexistência  de  exame  de  argumentos  apresentados  pelo  contribuinte,  em  sua  impugnação,     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 06 02 /2 01 1- 54 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     2 cuja  aceitação  ou  não  implicaria  no  rumo  da  decisão  a  ser  dada  ao  caso  concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa do impugnante.  SIMPLES  FEDERAL.  EFEITOS  DA  EXCLUSÃO.  APLICAÇÃO  DAS  NORMAS  GERAIS  DE  TRIBUTAÇÃO  PARA  AS  DEMAIS  PESSOAS  JURÍDICAS.  A  partir  do  momento  em  que  operados  os  efeitos  da  exclusão,  a  pessoa  jurídica excluída do SIMPLES se sujeita às normas de  tributação aplicáveis  às demais pessoas jurídicas.  ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL E/OU  FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS COMERCIAIS E FISCAIS.  A  autoridade  fiscal  deve  arbitrar  o  lucro  da  pessoa  jurídica  quando  a  escrituração  a  que  estiver  obrigada  a  contribuinte  revelar  evidências  de  fraudes  ou  contiver  vícios,  erros  ou  deficiências  que  a  tornem  imprestável  para  identificar  a  efetiva  movimentação  financeira,  inclusive  bancária,  ou  determinar  o  lucro  real,  bem  como  pela  não  apresentação  dos  livros  comerciais e fiscais e a respectiva documentação.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA.  ARTIGO  42,  DA  LEI  Nº  9.430,  DE  1996.  PESSOA  JURÍDICA.  PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO.  Caracteriza omissão de receitas a existência de valores creditados em conta  de  depósito  ou  de  investimento  mantida  junto  à  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  jurídica,  regularmente  intimada,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados nessas operações.  CONFLITO APARENTE DE NORMAS. ART.42,  DA  LEI  N°  9.430,  DE  1996 E AS HIPÓTESES DE ARBITRAMENTO DO ART.47, DA LEI N°  8.981, 1995. MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS.  As hipóteses de arbitramento definidas pelo art. 47, da Lei n° 8.981, 1995 se  constituem  em  regra  geral,  que  são  suplantadas  pelo  regramento  específico  definido pelo art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, aplicável especificamente à  hipótese  de  não  comprovação  da  origem  de  recursos  utilizados  em  movimentações financeiras.  PRESUNÇÕES  LEGAIS  RELATIVAS.  ÔNUS  DA  PROVA.  COMPROVAÇÃO.  As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão­ somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas  presunções,  atribuindo  ao  contribuinte  o  ônus  de  provar  que  os  fatos  concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.  INFRAÇÃO FISCAL. MEIOS DE PROVA.  A prova de infração fiscal pode realizar­se por todos os meios admitidos em  Direito,  inclusive  a  presuntiva  com  base  em  indícios  veementes,  sendo,  outrossim, livre a convicção do julgador.  MULTA  DE  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA.  EVIDENTE  INTUITO  DE  FRAUDE.  INTERPOSIÇÃO  FRAUDULENTA  DE  PESSOAS  NO  QUADRO  SOCIETÁRIO  DA  PESSOA  JURÍDICA.  PRÁTICA  REINTERADA  DE  OMISSÃO  DE  VENDAS.  FALTA  DE  Fl. 193DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11516.720602/2011­54  Acórdão n.º 1402­001.689  S1­C4T2  Fl. 3          3 CONTABILIZAÇÃO  DE  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  JUSTIFICATIVAS  PARA APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA.  Caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do artigo 957, inciso II, do  Regulamento do  Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000, de 1999,  autorizando  a  qualificação  da  multa  de  ofício,  a  prática  de  interposição  fraudulenta de pessoas no quadro societário da pessoa jurídica para acobertar  os verdadeiros sócios, acrescidos da prática reiterada de omissão de vendas e  falta  de  contabilização  de  depósitos  bancários,  como  forma  de  ocultar  a  ocorrência  do  fato  gerador  e  subtrair­se  à  obrigação  de  comprovar  os  recolhimentos dos impostos e contribuições sobre as receitas auferidas.  MULTA  DE  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  CARÁTER  DE  CONFISCO.  INOCORRÊNCIA.   A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento  de  ofício,  para  exigi­lo  com  acréscimos  e  penalidades  legais.  A  multa  de  lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo  Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista  em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150  da Constituição Federal  MULTA  DE  LANÇAMENTO  DE  OFICIO.  RESPONSABILIDADE  OBJETIVA.  A  responsabilidade  por  infrações  da  legislação  tributária  independe  da  intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má­fé do contribuinte  não  descaracteriza  o  poder­dever  de  a  administração  lançar  com  multa  de  oficio as receitas omitidas na declaração de imposto de renda.  INCONSTITUCIONALIDADE.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária (Súmula CARF nº 2).  ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.  A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos  tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).  LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS.   Tratando­se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ)  constitui  prejulgado  às  exigências  fiscais  decorrentes,  no  mesmo  grau  de  jurisdição  administrativa,  em  razão  de  terem  suporte  fático  em  comum.  Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica  (IRPJ)  implica  os  lançamentos  da  Contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  (PIS),  da  Contribuição  Social  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  (COFINS)  e  da  Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), também se aplica a estes  outros lançamentos naquilo em que for cabível.  Preliminares Rejeitadas.  Recurso Negado.  Fl. 194DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     4     Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as  preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos  do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.    (Assinado digitalmente)  Leonardo de Andrade Couto ­ Presidente      (Assinado digitalmente)  Paulo Roberto Cortez ­ Relator     Participaram do presente julgamento os Conselheiros  Leonardo de Andrade  Couto,  Frederico  Augusto  Gomes  de  Alencar,  Fernando  Brasil  de  Oliveira  Pinto,  Moisés  Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá.  Fl. 195DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11516.720602/2011­54  Acórdão n.º 1402­001.689  S1­C4T2  Fl. 4          5 Relatório  METALÚRGICA G. M.  INDÚSTRIA E COMÉRCIO  LTDA,  contribuinte  inscrita no CNPJ/MF sob nº 06.536.607/0001­77, com domicílio fiscal na cidade de Tubarão,  Estado de Santa Catarina, Avenida Getúlio Vargas, nº 4074, Bairro Revoredo, jurisdicionada a  Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis ­ SC, inconformada com a decisão de  Primeira Instância de fls. 153/176, prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do  Brasil de Julgamento em Curitiba – PR, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 183/190.  Contra a contribuinte,  acima  identificada,  foram  lavrados pela Delegacia da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Florianópolis  ­  SC,  em  30/05/2011,  os  Autos  de  Infração  de  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica  (IRPJ);  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  (CSLL);  da  Contribuição  para  Financiamento  da  Seguridade  Social  (COFINS);  da  Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) de (fls. 41/104), com ciência pessoal,  em 31/05/2011 (fl. 141), exigindo­se o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$  1.579.051,65, a  título de  tributos e contribuições, acrescidos de multa qualificada de 150% e  dos  juros  de  mora,  de  no  mínimo,  de  1%  ao  mês,  calculados  sobre  o  valor  do  imposto  e  contribuições,  referentes  aos  exercícios  2008  e  2009,  correspondente  aos  anos­calendários  2007 e 2008, respectivamente.   A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização  externa  referente  aos  exercícios  2008  e  2009,  onde  a  autoridade  fiscal  lançadora  entendeu  haver as seguintes irregularidades:  1  –  OMISSÃO  DE  RECEITA  DA  ATIVIDADE  ­  RECEITA  BRUTA  MENSAL  NA  VENDA  DE  PRODUTOS  DE  FABRICAÇÃO  PRÓPRIA:  Omissão  de  receitas  da  venda  de  produtos  de  fabricação  própria  escrituradas  nos  Livros  de  Registro  de  Apuração  do  ICMS  apresentados  pelo  contribuinte,  conforme  descrito  no  Termo  de  Verificação e Encerramento ­ TVE. Infração capitulada no art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995 e  art. 537 do RIR/99;  2  –  OMISSÃO  DE  RECEITA  POR  PRESUNÇÃO  LEGAL  ­  DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA: Valores creditados em  contas  de  depósito  mantidas  junto  a  instituições  financeiras,  em  relação  aos  quais  o  contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a  origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrito no Termo de Verificação e  Encerramento ­ TVE. Infração capitulada no artigo art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995; art. 42 da  Lei nº 9.430, de 1996 c/c art. 537 do RIR/99.  É  importante  ressaltar que  a  exclusão  do Simples Federal  operou­se  com  a  edição  do  Ato  Declaratório  Executivo  (ADE)  nº  55,  de  16  de  maio  de  2011,  emitido  pela  Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis ­ SC, haja vista sua constituição por  interpostas pessoas, cuja exclusão surtirá efeitos a partir de 29 de junho de 2004. Cuja ciência  se deu em 31/05/2011 (fls. 38).  Fl. 196DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     6 É de se observar que consta às folhas 138/139 o Termo de Sujeição Passiva  Solidária  em  nome  da  empresa  Usindi  Montagens  e  Manutenção  Ltda.,  CNPJ  00.986.742/000138,  declarada  solidária  com  base  no  disposto  no  incisos  I  do  artigo  124  e  inciso  III  do  artigo  135  do  Código  Tributário  Nacional.  Observando  que  não  houve  manifestação  por  parte  do  responsável  solidário,  ou  seja,  não  apresentou  nem  impugnação  e  nem recurso voluntário.  É de  se observar,  ainda,  que após  cobranças  reiteradas do  fisco  e diante da  não  apresentação  dos  livros  caixas,  nem  tampouco  dos  livros  diário,  relativos  aos  anos­ calendário de 2007 e 2008, impõe­se o arbitramento do lucro da contribuinte, que recai sobre  as  receitas escrituradas, com base nos  livros de registro de apuração do  ICMS no período de  abril 2007 a dezembro de 2008 e depósitos bancários de origem não comprovada no período de  janeiro a março de 2007.  O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição  do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Termo de Verificação e Encerramento  da Ação Fiscal (fls. 107/130), entre outros, os seguintes aspectos:  ­ que no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal a autoridade  fiscal descreveu minuciosamente tos os fatos ocorridos e as constatações feitas:  ­  que desde  a  constituição  da Metalúrgica GM  Indústria  e Comércio  Ltda.,  em 29/06/2004, houve trânsito na titulação societária, de interpostas pessoas que não guardam  as mínimas condições de empresários, vulgos laranjas, além da ocorrência de outras falsidades;  ­ que o representante legal do sujeito passivo, Sr. Daniel Martins, mediante a  conduta  descrita,  deu  causa  a  exclusão  de  ofício  da  empresa,  do  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e Contribuições  da Microempresas  e  Empresas  de Pequeno  Porte  –  SIMPLES,  instituído  pela  Lei  n°  9.317,  de  05  de  dezembro  de  1996,  consoante  hipótese  contemplada no item IV do artigo 14;  ­  que  diante  da  comprovação  de  que  a  pessoa  jurídica  Metalúrgica  GM  Indústria e Comércio Ltda., decorreu da constituição por interpostas pessoas, foi baixado em 16  de  maio  de  2011,  pelo  Sr.  Delegado  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Florianópolis,  o  Ato  Declaratórios  Executivo  DRF/FNS  número  55,  que  declara  a  contribuinte  Metalúrgica  GM  Indústria e Comércio Ltda. excluída do Simples desde a sua constituição em 29/06/2004, haja  vista  sua  constituição  por  interpostas  pessoas,  conforme  fundamentos  contidos  no  artigo  14,  inciso IV da Lei n° 9.317/96;  ­  que  quanto  a  Receita  Operacional  Omitida­Venda  de  Produtos  de  Fabricação Própria, trata­se de receitas da venda de produtos de fabricação própria escrituradas  nos Livros de Registro de Apuração do ICMS apresentadas pelo contribuinte. Os valores a este  título  estão  discriminados  na  planilha  anexa  intitulada  “Demonstrativo  de  Fatos  Geradores,  resumida no quadro abaixo. Valor  tributável,  trimestre do fato gerador e percentual da multa  aplicada estão demonstrados nas folhas de continuação do Auto de Infração IRPJ;  ­  que  quanto  à  comprovação  da  origem  dos  recursos  presentes  na  movimentação  bancária,  observa­se  que  foi  realizado  levantamento  de  todos  os  créditos  (entradas)  constantes  nos  extratos  do  banco  Safra,  com  o  qual  o  contribuinte  manteve  movimentação no período considerado – janeiro, fevereiro e março de 2007 e listados de forma  individualizada;  Fl. 197DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11516.720602/2011­54  Acórdão n.º 1402­001.689  S1­C4T2  Fl. 5          7 ­  que  contribuinte  foi,  através  do  Termo  de  Constatação  e  Intimação,  de  10/05/2011,  intimada a, no prazo de 10 (dez) dias corridos, a comprovar, com documentação  hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos dos lançamentos a crédito  na conta bancária n° 000.3918, agência 14700 do Banco Safra,  listados no anexo  I do  termo  citado, que não se constituam de receitas operacionais da empresa. Em 23/05/2011, nos termos  da correspondência que figura como anexo deste termo, a contribuinte solicita alongamento do  prazo concedido a fim de permitir resgatar perante os bancos, a documentação que comprove a  origem  dos  recursos. O  pleito  foi  atendido  e  o  prazo  prorrogado  para  27/05/2011  conforme  despacho  inserido  na  própria  correspondência.  Decorrido  o  prazo,  a  contribuinte  não  se  manifestou;  ­ que as bases de cálculo referem­se às omissões de receitas obtidas através  do somatório dos valores creditados/depositados na mencionada conta­corrente, discriminados  na planilha anexa intitulada “Demonstrativo de Fatos Geradores”;  ­  que  as  circunstâncias  descritas minudentemente  nos  tópicos  iniciais  deste  Termo, dedicados  aos aspectos  relativos ao contribuinte,  as peculiaridades colhidas no  início  do  procedimento  fiscal,  o  trânsito  de  laranjas  apontados  na  movimentação  contratual  e  na  atuação de fato dos sócios contratuais, culminando com a identificação do verdadeiro dono e a  exclusão do Simples, são os aspectos reveladores da fraude, enquanto que os tópicos seguintes  dedicam­se ao  resgate do  crédito  sonegado,  revelam de  forma  inequívoca  a  intenção  firme  e  consciente do contribuinte no sentido de, em conluio, suprimir tributo devido à fazenda pública  federal, mediante  fraude  e  sonegação  dolosa  e  agravam o  valor  de multa  imposta,  conforme  disposições  contidas  nos  artigos  44,  inciso  I,  parágrafo  1o  da  lei  9.430/96,  combinado  com  artigos 71, inciso I, 72 e 73, ambos da Lei n° 4.502 de 30 de novembro de 1964;   ­ que diante da constatação de que o Sr. Daniel Martins é o dono de fato e  verdadeiro administrador tanto do sujeito passivo Metalúrgica GM Indústria e Comércio Ltda.  quanto  do  sujeito  passivo  solidário  Usindi  Montagens  e Manutenção  Ltda.,  fica  evidente  o  interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal bem como da  responsabilidade  pessoal  pelo  crédito  correspondente,  resultante  dos  atos  praticados  pelo  administrador da empresa. Conseqüentemente, restou caracterizada a sujeição passiva solidária,  com base nos  artigos  124,  inciso  I  e 135,  inciso  III,  ambos da Lei n° 5.172, de 25/10/1966,  razão  pela  qual  foi  emitido  o  correspondente  termo de  sujeição  passiva  solidária,  que  figura  como anexo do presente relatório.  Em sua peça impugnatória de fls. 144/151, apresentada, tempestivamente, em  29/06/2011,  a  autuada  se  indispõe  contra  a  exigência  fiscal,  solicitando  que  seja  acolhida  à  impugnação para declarar a insubsistência dos Autos de Infrações, com base, em síntese, nos  seguintes argumentos:  ­ que foram praticadas diversas irregularidades que devem ser afastados por  esta C. Corte, para não se caracterizar o pagamento em duplicidade;  ­  que  entendeu  o  Auditor  Fiscal  que  através  de  comprovação  da  movimentação bancária o Sujeito Passivo não comprovou a origem, caracterizando omissão de  receita;  ­ que, nobre Julgador,  a Situação "legal" é  insuficiente à ocorrência do fato  gerador da obrigação tributária, já que o depósito bancário, segundo o disposto no art. 42. da  Fl. 198DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     8 Lei 9.430/96, quando destituído de instrumento que prove a sua origem, caracterizaria omissão  de receita tributável;  ­  que  o  rigor  da  legislação,  portanto,  no  depósito  bancário  por  si  só  se  constituiria  numa  presunção  de  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributaria  afastada  apenas  pela  comprovação  do  caráter  não  tributável  do  valor  creditado  na  conta  corrente  bancária;  ­ que esse  imperativo  legal  inserto no ordenamento  jurídico pelo art. 42, da  Lei  9430/96,  padece  de  ilegalidade,  especialmente  porque  viola  o  principio  da  tipificação  cerrada expressa inclusive no art. 114 do Código Tributário Nacional;  ­ que o art. 114, do Código Tributário Nacional, estabelece que a hipótese de  incidência seja somente aquela bastante à ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e o  art. 42, da Lei 9.430/96, de maneira nenhuma atribui esse característico ao depósito bancário;  ­ que os depósito bancários não autorizam a presunção de ocorrência do fato  gerador, cumpre ao Julgador exonerarem a contribuinte do pagamento da obrigação tributária  respectiva;  ­  que  a  prova  da  existência  do  valor  creditado  na  conta  bancária,  todavia,  afigura­se  insuficiente para sustentar o  lançamento do crédito  tributário; a  tanto, sem dúvida,  indispensável à prova inconteste – e não a mera presunção – da ocorrência do fato gerador;   ­  que,  no  que  diz  respeito  a  multa  de  150%,  o  sujeito  passivo,  METALÚRGICA  INDÚSTRIA E COMERCIO LTDA.,  alega,  que  a  aplicação  de multa  no  percentual de 150% é abusiva, configura verdadeiro confisco ao seu patrimônio e atenta contra  o  princípio  da  razoabilidade,  o  que  viola  o  disposto  no  art.  150  da Constituição  Federal  de  1988;  ­  que,  dessa  forma, mostra­se  necessário  reduzir  a multa  aplicada de  150%  para 75% do valor atualizado do crédito tributário.  Após  resumir  os  fatos  constantes  da  autuação  e  as  principais  razões  apresentadas pela  impugnante, os membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do  Brasil de Julgamento em Curitiba – PR, concluíram pela improcedência da impugnação e pela  manutenção do crédito tributário lançado com base, em síntese, nas seguintes considerações:   ­  que  a  impugnante  foi  constituída  em  29/06/2004  para  exploração  das  atividades  de  indústria  e  comércio  de  materiais  usinados,  ferro,  fabricação  de  forjados  e  indústria metalúrgica de peças e acessórios para veículos automotores leves e pesados (CNAE  2451200  fundição  de  ferro  e  aço),  através  do  sócio  contratual  Valter  Massau  de  Oliveira,  embora  a  administração  de  fato  estivesse  a  cargo  do  empresário Daniel Martins,  verdadeiro  dono do negócio e procurador, por força do instrumento de mandato (certidão anexa) que lhe  foi outorgado em 14/02/2005. Trata­se de empresa optante pelo Simples no primeiro semestre  de 2007 e a partir daí passa a adotar a tributação com base no lucro presumido até o exercício  de  2008  quando  se  observa  uma  paralisação  de  fato  das  suas  atividades,  sem  empregados  a  partir  de  agosto/2008.  Foram  testemunhas  na  ocasião,  Anderson  Jamal  Abuali  e  Fernando  Spadel Correa;  ­ que, no curso da fiscalização, mais precisamente em 20/04/2011, atendendo  a  uma  solicitação  da  auditoria,  as  testemunhas  acima  compareceram  à  Agência  da  Receita  Federal do Brasil em Tubarão e informaram que a elaboração e assinatura do contrato ocorreu  por solicitação de Daniel Martins. Na época acreditaram que os sócios fossem de fato gerentes  Fl. 199DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11516.720602/2011­54  Acórdão n.º 1402­001.689  S1­C4T2  Fl. 6          9 da empresa. A partir do momento que foram informados por Daniel Martins que passariam a  contar com a assessoria de Nivaldo Cavanholi Fernandes, as testemunhas desistiram de prestar  seus  serviços  contábeis,  argumentando  que  não  participavam  deste  tipo  de  parceria.  Apresentaram  à  auditoria,  o  Termo  de  Transferência  da  Responsabilidade  Técnica  (cópia  anexa),  que  consigna  como  novo  responsável  o  contador  Jaílson  Lima Pereira  da  cidade  de  Laguna.  Este  termo,  conforme  carimbo  no  verso,  foi  protocolado  em  21/05/2007  junto  à  delegacia do Conselho Regional de Contabilidade de Santa Catarina CRCSC em Tubarão;  ­  que  Valter Massau  de  Oliveira:  De  acordo  com  o  Cadastro  Nacional  de  Informações  Sociais  CNIS,  sua  experiência  profissional  refere­se  à  operação  e  condução  de  máquinas  e  veículos  automotores.  Por  último,  no  período  de  abril/2008  a  novembro/2010,  trabalhou para a empresa Usindi Montagens e Manutenção Ltda do empresário Daniel Martins,  na função de motorista. Alguns meses após ser inserido no quadro social como administrador  da Metalúrgica GM Indústria e Comércio Ltda, transfere ao empresário Daniel Martins, gama  variada  de  poderes  para  representar  a  empresa  em  seu  nome,  nos  termos  do  instrumento  de  procuração  outorgado  em  14/02/2005.  Se  não  bastasse,  observou­inconsistências  em  suas  assinaturas  nas  alterações  contratuais  da  ora  impugnante,  conforme  foi  minuciosamente  demonstrado no Termo de Verificação Fiscal que acompanha os autos;  ­ que Valter Massau de Oliveira compareceu à Agência da Receita Federal do  Brasil  e  diante  dos  questionamentos  a  respeito  da  configuração  empresarial,  relação  com  demais pessoas jurídicas, o papel de Daniel Martins nos negócios e a sua própria participação  de fato, demonstrou estar pouco à vontade e alegou ser amigo muito próximo do empresário  Daniel Martins, a mais de dez anos. Reconheceu de forma categórica que somente a primeira  assinatura é autêntica. Com relação às demais, desconhecia o autor ou autores da falsificação;  ­  que  Santilino  Tralhe  de Medeiros: Ainda  que  tenha  figurado  como  sócio  cotista da pessoa jurídica Metalúrgica GM Indústria e Comércio Ltda no período de 06/2004 a  12/2008,  Santilino  possuía,  no  período  de  17/08/1998  a  03/08/2006,  registro  de  contrato  de  trabalho  com a Danimartins  Incorporadora  de  Imóveis  Ltda CNPJ 02.532.870/000137,  outra  empresa de Daniel Martins, na função de técnico mecânico CBO 3141, conforme relatório do  Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS. Tentativas de contato com o Sr. Santilino não  lograram êxito;  ­ que Márcia Spíndola: Embora  figure como administradora da Metalúrgica  GM Indústria e Comércio Ltda no período de 31/01/2007 a 02/12/2008, encontra­se em gozo  de Benefício  da  Previdência  Social  desde  12/2004,  em  consequência  de  acidente  sofrido  na  fruição de vínculo laboral com a empresa Tirelli Distribuidora de Jornais e Revistas Ltda ME,  na cidade de Criciúma. Em fevereiro de 2007 ingressa formalmente no quadro social da pessoa  jurídica GM Indústria de Máquinas Ltda EPP na condição de sócia administradora. Ante tais  circunstâncias é  forçoso  conclui­se que Márcia Spíndola não  reúne as mínimas condições de  empresária;  ­ que Jaison Antunes da Silva: Após inúmeras tentativas, não foi possível o  contato. Está inserido na titulação societária da Metalúrgica GM Indústria e Comércio Ltda na  condição de sócio cotista desde 00/12/2008. Suas curtas experiências profissionais, conforme  registros no Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS;  ­  que  Marcelo  Andrade  da  Rosa:  Embora  com  seu  nome  formalmente  inserido no quadro de sócios da empresa Metalúrgica GM Indústria e Comércio Ltda na função  de administrador desde 03/12/2008, nunca atuou de fato como empresário. Marcelo, um jovem  Fl. 200DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     10 que contava apenas com 19 (dezenove) anos quando seu nome é inserido na titulação societária  da  Metalúrgica  GM  Indústria  e  Comércio  Ltda,  através  da  terceira  alteração  contratual  de  03/12/2008, possui apenas um registro de vínculo empregatício junto ao Cadastro Nacional de  Informações Sociais CNIS com a empresa K2 Indústria do Vestuário Importação e Exportação  Ltda, no período de 12/08/2010 a 06/09/2010, na função de motorista de veículos de carga em  geral. Tentativas de localizá­lo, mesmo que através de contato telefônico não lograram êxito.  Único contato foi com sua avó. Esclareceu que o neto reside em Braço do Norte, não possui  telefone  e  atualmente  está  desempregado.  Solicitações  feitas  através  de  sua  avó  para  que  Marcelo entrasse em contato com a auditoria fiscal, também não surtiram efeito;  ­  que,  a  despeito  do  intenso  trânsito  no  quadro  social,  de  pessoas  que  não  guardam características de empresários, o administrador e dono de fato é o empresário Daniel  Martins,  que  também  administra  a  empresa  Usindi  Montagens  e  Manutenção  Ltda.  Daniel  assumiu a responsabilidade e assinou, em 23/02/2011, o termo de inicio do procedimento fiscal  na  condição  de  representante  legal  e  a  reintimação  em  12/04/2011,  conforme  termo  de  intimação  fiscal  n°  002.  Nesta  mesma  oportunidade  o  empresário  Daniel  Martins,  após  assinatura do termo, resolveu formalizar declaração (cópia anexa), assinando­a;  ­ que, no que diz respeito da procedência do ato declaratório, de se dizer que  antes  de  analisarmos  as  questões  de  defesa  apresentadas,  é  de  se  reconhecer  que  nenhuma  manifestação  de  inconformidade  foi  apresentada  contra  os  atos  de  exclusão.  Conforme  já  relatado,  o  ato  de  exclusão  foi  emitido  em  16/05/2011  e  a  contribuinte  foi  cientificada  em  31/05/2011, conforme doc. fl. 35;  ­ que, assim, como não foram apresentadas razões de inconformidade contra  o ato de exclusão, há que se declará­lo definitivo;  ­  que,  no  que  diz  respeito  da  definitividade  do  termo  de  sujeição  passiva  solidária,  é  de  se  dizer  que  outra  questão  que  não  foi  atacada  pela  impugnante  se  refere  ao  Termo  de  Sujeição  Passiva  Solidária  imputado  à  empresa  Usindi Montagens  e Manutenção  Ltda., também de propriedade de Daniel Martins;  ­ que, portanto, não tendo sido contestado o termo de sujeição passivo há que  se declará­lo definitivo, o que torna a matéria preclusa na esfera administrativa;  ­ que o  impugnante  traz à baila manifestações de  ilustres  juristas,  esclareço  que a doutrina que permeia a peça de defesa não se sobrepõe às prescrições legais, tampouco às  orientações normativas regularmente editadas pela Secretaria da Receita Federal, uma vez que  ela não produz efeito vinculante sobre os atos administrativos em geral;  ­  que,  no  que  diz  respeito  da  nulidade  do  lançamento,  é  de  se  dizer  a  impugnante  faz  alusão  à  necessidade de  ser declarada  a nulidade  do  lançamento  em  face  da  forma como o fisco atuou;  ­  que,  primeiramente,  é  de  se  esclarecer  que  descabe  falar  em  nulidade  do  auto de infração, apenas com base no descontentamento do impugnante por terem sido alvo de  ação fiscal;  ­  que  impõe­se  constatar  que  todos  os  requisitos  previstos  no  art.  10  do  Decreto nº 70.235 de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal, foram  observados quando da lavratura do auto de infração;  ­ que verifica­se, pelo exame do processo, que não ocorreram os pressupostos  supracitados,  uma  vez  que  o Auto  de  Infração  foi  lavrado  por Auditores  Fiscais  da Receita  Fl. 201DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11516.720602/2011­54  Acórdão n.º 1402­001.689  S1­C4T2  Fl. 7          11 Federal  servidores  competentes  para  efetuar  o  lançamento,  perfeitamente  identificados  pelo  nome,  matrícula  e  assinatura  em  todos  os  atos  emitidos  pelos  mesmos,  no  decorrer  do  procedimento  fiscal,  conforme  designação  pelo  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  –  Fiscalização nº 09.2.01.002011000014;  ­  que,  pelo  exposto,  tem­se  que  a  autoridade  lançadora  agiu  com  estrita  observância das normas legais que regem a matéria, não tendo como prosperar as alegações de  nulidade  do  lançamento.  Se,  o  inconformismo  do  sujeito  passivo  é  direcionado  à  infração  apurada, melhor sorte não o socorre, posto que a matéria de prova será analisada no decorrer  deste voto;  ­ que, no que diz respeito à autuação referente aos depósitos bancários, é de  se  dizer  que  atacando  especificamente  a  infração  identificada  como  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada  a  impugnante  alega  que  o  artigo  42  da  Lei  nº  9.430,  de  1996  que  instituiu a presunção legal de omissão de receitas quando, o contribuinte intimado a comprovar  a origem de depósitos bancários ocorridos em suas contas correntes não logra fazê­lo, é ilegal e  que a autuação não pode prosperar;  ­  que  quanto  à  alegação  de  ilegalidade  da  norma,  cumpre  esclarecer  que,  estando  o  lançamento  de  conformidade  com  a  legislação  tributária  vigente  à  época  de  ocorrência  dos  fatos  geradores,  não  cabe  qualquer  alegação  de  inconstitucionalidade  e  legalidade  no  contencioso  administrativo,  vez  que  não  compete  à  autoridade  administrativa  examinar a validade de dispositivo regularmente inserido no sistema tributário nacional, sendo  tal atribuição do Poder Judiciário;  ­ que, em outro ponto, sustenta que a exigência não pode prosperar já que os  depósitos  bancários  não  constituem  aquisição  de  renda  e  não  se  amoldarem  ao  conceito  do  artigo 43 do Código Tributário Nacional;  ­  que,  pois  bem,  antes  de  adentrar  ao  mérito,  há  que  fazer  a  correta  contextualização do lançamento efetuado, definindo o fato gerador e o ônus da prova atribuído  a cada uma das partes, para que se possa melhor analisar o presente litígio;   ­  que,  inicialmente,  faz­se  necessário  esclarecer  que  o  que  se  tributa,  no  presente processo, não são os depósitos bancários, como tais considerados, mas a omissão de  rendimentos  por  eles  representada.  Os  depósitos  bancários  são  apenas  a  forma,  o  sinal  de  exteriorização, pelos quais se manifesta à omissão de rendimentos objeto de tributação;  ­  que  depósitos  bancários  se  apresentam,  num  primeiro  momento,  como  simples indício da existência de omissão de rendimentos. Entretanto, esse indício se transforma  na  prova  da  omissão  de  rendimentos,  quando  o  contribuinte,  tendo  a  oportunidade  de  comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, se nega a fazê­lo, ou não o faz  satisfatoriamente;  ­ que registre­se que a ciência ao Termo de Início de Ação Fiscal ocorreu em  02/02/2011 e,  até a data da  lavratura do Termo de Verificação Fiscal datado de 18/07/2011,  nenhum  documento  comprobatório  da  origem  dos  depósitos  bancários  foi  encaminhado  ao  fisco. Assim, não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o dever/poder de  considerar os valores  depositados  como  rendimentos  tributáveis  e omitidos  na declaração de  ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente;  Fl. 202DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     12 ­  que  conforme  constou  do  relatório  dos  autos,  está  sendo  imputada  à  contribuinte  duas  infrações:  1)  omissão  de  receitas  da  atividade,  apuradas  com  base  nos  registros do Livro de Apuração do ICMS e, 2) depósitos bancários de origem não comprovada;  ­  que  os  depósitos  de  origem  não  comprovada  referem­se  aos  meses  de  janeiro,  fevereiro e março de 2007, de acordo com o que consta do  item 22 e,  a omissão de  receitas da atividade, abrange os meses de março de 2007 a dezembro de 2008. Assim, o único  mês em que poderia haver coincidência de  lançamento para as duas  infrações é março 2007,  posto  que  em  janeiro  e  fevereiro  daquele  ano  nada  foi  registrado  no  Livro  de Apuração  de  ICMS;  ­  que  às  folhas  131  está  a  planilha  dos  valores  bancários  questionados  em  relação  aos  três  meses  de  2007,  sendo  que  em  relação  a  março  do  referido  ano,  todos  correspondem a TED e DOC, salvo uma única exceção correspondente a créd. pag.fornec. E  mais,  como no Livro  de Apuração  do  ICMS  foi  declarada  receita  da  atividade  da  ordem de  R$30.718,90  (item  20),  sem  que  a mesma  tenha  sido  oferecida  à  tributação  e,  os  depósitos  correspondem  à  cifra  de  R$  325.453,95,  entendo  que  resta  afastada  e  alegação  da  contribuinte,de que poderia ocorrer duplicidade de pagamento. Quando foi intimada a justificar  a  origem  dos  valores  que  circularam  pela  conta  corrente  bancária  não  apresentou  qualquer  comprovação  de  que  ali  constaria  o  valor  das  receitas  que  foram  escrituradas  no  Livro  do  ICMS e que não foram objeto de tributação, uma vez que para o ano calendário de 2007 não  informou receita tributável;  ­  que,  de  outro  ângulo,  se  o  reclamo  se  refere  aos  valores  informados  em  relação ao ano calendário de 2008 (R$ 58.004,00), melhor sorte não a socorre posto que não  houve a correspondente declaração por meio de DCTF;  ­  que  a  multa  qualificada,  ou  seja,  por  derradeiro,  a  contribuinte  ataca  a  exigência  da  multa  qualificada  à  razão  de  150%  ao  argumento  de  que  ela  atenta  contra  o  princípio da razoabilidade e por possuir caráter de confisco, devendo ser reduzida para 75%;  ­  que,  portanto,  o  percentual  aplicado  da  multa,  nos  limites  e  condições  estabelecidos  em  lei,  deve  ser,  a  priori,  considerado  exigível,  até  porque  os  princípios  invocados  –  “capacidade  contributiva”  e  “vedação  ao  confisco”  –  são  premissas  necessariamente  observadas  pelo  legislador  ao  fixar  os  percentuais  de multa,  não  cabendo  à  autoridade lançadora ou julgadora alterá­los por critérios subjetivos.   A presente decisão está consubstanciada nas seguintes ementas:   ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE­ SIMPLES  Data do fato gerador: 29/06/2004  ATO  DE  EXCLUSÃO  AO  SIMPLES  FEDERAL.  CONSTITUIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTAS  PESSOAS. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE  O  reconhecimento  expresso  da  interposição  de  interpostas  pessoas no quadro societário da pessoa jurídica e a ausência de  contestação  ao  ato  de  exclusão,  implica  na  definitividade  dos  efeitos do ADE/DRF FNS nº 55, de 16/05/2011.  Fl. 203DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11516.720602/2011­54  Acórdão n.º 1402­001.689  S1­C4T2  Fl. 8          13 ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA IRPJ  Ano­calendário: 2007, 2008  ARBITRAMENTO DOS LUCROS. FALTA DE APRESENTAÇÃO  DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS.  A contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária  os livros e documentos de acordo com as normas de escrituração  comercial  e  fiscal  fica  sujeita  ao  arbitramento  do  lucro,  determinado pela aplicação de percentuais  fixados em lei sobre  a receita bruta.  CRÉDITOS BANCÁRIOS.  Por expressa previsão legal caracterizam­se omissão de receita  os  valores  creditados  em  contas  de  depósito mantidas  juntos  a  instituições  financeiras,  em  relação  aos  quais  o  titular,  regularmente  intimado,  não  comprove, mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2007, 2008  NULIDADE  Não  procedem  as  argüições  de  nulidade  quando  não  se  vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art.  59 do Decreto nº 70.235, de 1972.  CITAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA OU DOUTRINA.  No  julgamento  de  primeira  instância,  a  autoridade  administrativa observará apenas a legislação de regência, assim  como  o  entendimento  da  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB),  expresso  em  atos  normativos  de  observância  obrigatória,  não  estando  vinculada  às  decisões  administrativas  ou  judiciais  proferidas  em  processos  dos  quais  não  participe  o  interessado  ou  que  não  possuam  eficácia  erga  omnes,  e  nem  a  opiniões  doutrinárias sobre determinadas matérias.  SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. NÃO APRESENTAÇÃO DE  IMPUGNAÇÃO. MATÉRIA PRECLUSA.  Não tendo sido contestado o termo de sujeição passiva solidária,  mesmo após  intimação da  pessoa  jurídica  arrolada,  declara­se  definitivo  o  ato  administrativo  que  imputou  a  responsabilidade  pelo crédito tributário em discussão.  MULTA QUALIFICADA  A presunção  legal contida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 não  convive,  em  principio,  com  a  aplicação  da  multa  de  ofício  qualificada,  uma  vez  que  essa  última  demanda  a  prova  Fl. 204DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     14 inequívoca  do  dolo.  Todavia,  comprovada  a  interposição  fraudulenta de pessoas no quadro societário da pessoa jurídica,  caracterizado está a prova inequívoca do dolo.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Após  ser  cientificado  da  decisão  de  Primeira  Instância,  em  02/09/2013,  conforme Termo constante à fl. 182, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs,  em  tempo  hábil  (27/09/2013),  o  recurso  voluntário  de  fls.  183/190,  no  qual  demonstra  irresignação  contra  a  decisão  supra,  baseado,  em  síntese,  nas mesmas  razões  expendidas  na  fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações:  ­  que  no  Procedimento  Fiscal,  portanto,  foram  praticadas  diversas  irregularidades  que  devem  ser  afastados  por  esta  C.  Corte,  para  não  se  caracterizar  o  pagamento em duplicidade;  ­ que entendeu o Auditor Fiscal e foi pela 2° Turma da Delegacia da Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento DRJ,  através  do Acórdão  06­43.142,  confirmado  pela  que  através  de  comprovação  da  movimentação  bancária  o  Sujeito  Passivo  não  comprovou  a  origem, caracterizando omissão de receita;  ­  que  é  insuficiente  à  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária,  sendo  assim,  o  depósito  bancário,  segundo  o  disposto  no  art.  42  da  Lei  9.430/96,  quando  destituído de instrumento que prove a sua origem, caracterizaria omissão de receita tributável;  ­  que  o  rigor  da  legislação,  portanto,  no  depósito  bancário  por  si  só  se  constituiria  numa  presunção  de  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributaria  afastada  apenas  pela  comprovação  do  caráter  não  tributável  do  valor  creditado  na  conta  corrente  bancária;  ­ que esse  imperativo  legal  inserto no ordenamento  jurídico pelo art. 42, da  Lei  9430/96,  padece  de  ilegalidade,  especialmente  porque  viola  o  principio  da  tipificação  cerrada expressa inclusive no art. 114 do Código Tributário Nacional;  ­ que o art. 114, do Código Tributário Nacional, estabelece que a hipótese de  incidência seja somente aquela bastante à ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e o  art. 42, da Lei 9.430/96, de maneira nenhuma atribui esse característico ao depósito bancário;  ­  que,  deste  modo,  salientado  que  os  depósito  bancários  não  autorizam  a  presunção de ocorrência do fato gerador, cumpre a esta C. Corte, exonerarem a contribuinte do  pagamento da obrigação tributária respectiva;  ­ que quanto a multa de 150 o sujeito passivo alega, que a aplicação de multa  no  percentual  de  150%  é  abusiva,  configura  verdadeiro  confisco  ao  seu  patrimônio  e  atenta  contra o princípio da razoabilidade, o que viola o disposto no art. 150 da Constituição Federal  de 1988.  É o relatório.      Fl. 205DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11516.720602/2011­54  Acórdão n.º 1402­001.689  S1­C4T2  Fl. 9          15 Voto             Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator  O  presente  recurso  voluntário  reúne  os  pressupostos  de  admissibilidade  previstos  na  legislação  que  rege  o  processo  administrativo  fiscal  e  deve,  portanto,  ser  conhecido por esta Turma de Julgamento.  Inicialmente  é  de  ressaltar  que  a  recorrente  não  contestou  nem  na  fase  impugnatória e nem na fase recursal as seguintes matérias: ato de exclusão ao Simples Federal  em virtude de constituição de pessoa jurídica por interpostas pessoas; sujeição passiva solidária  e a omissão de receitas da venda de produtos de fabricação própria escrituradas nos Livros de  Registro de Apuração do ICMS apresentados pela contribuinte. Portanto, são matérias que não  serão analisadas no presente voto.  O  presente  processo  trata  dos  seguintes  atos  a  serem  analisados:  a)  manifestação de inconformidade ao conteúdo do Ato Declaratório Executivo nº 55 (fl.35), de  16/05/2011, que determinou a exclusão da contribuinte ao Simples Federal, desde 29/06/2004;  ; b) a impugnação aos autos de infração lavrados pela sistemática do Lucro Arbitrado, relativos  aos  fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2007 e 2008,  fls. 39106, onde se exige o  crédito  tributário  de  R$  154.688,43  de  IRPJ  (fl.41),  R$  91.091,19  de  CSLL  (fl.68),  R$  54.823,43 de PIS (fl.88) e, R$ 253.031,15 de COFINS (fl.97), acrescidos de multa de ofício à  razão de 150% e juros SELIC.  É  de  se  ressaltar  que  a  recorrente  foi  constituída  em  29/06/2004  para  exploração das atividades de  indústria e comércio de materiais usinados,  ferro,  fabricação de  forjados  e  indústria  metalúrgica  de  peças  e  acessórios  para  veículos  automotores  leves  e  pesados (CNAE 2451200 fundição de ferro e aço), através do sócio contratual Valter Massau  de Oliveira,  embora a administração de  fato estivesse a cargo do empresário Daniel Martins,  verdadeiro  dono  do  negócio  e  procurador,  por  força  do  instrumento  de  mandato  (certidão  anexa)  que  lhe  foi  outorgado  em  14/02/2005.  Trata­se  de  empresa  optante  pelo  Simples  no  primeiro  semestre  de  2007  e  a  partir  daí  passa  a  adotar  a  tributação  com  base  no  lucro  presumido  até  o  exercício  de  2008  quando  se  observa  uma  paralisação  de  fato  das  suas  atividades, sem empregados a partir de agosto/2008.   A decisão recorrida manteve o  lançamento na matéria contestada com base,  em síntese nos seguintes argumentos:  ­ que o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros  documentos  de  acordo  com  as  normas  de  escrituração  comercial  e  fiscal  fica  sujeita  ao  arbitramento do lucro, determinado pela aplicação de percentuais fixados em lei sobre a receita  bruta;  ­  que  por  expressa  previsão  legal  caracterizam­se  omissão  de  receita  os  valores creditados em contas de depósito mantidas juntos a instituições financeiras, em relação  aos  quais  o  titular,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações;  Fl. 206DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     16 ­ que a presunção legal contida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 não convive,  em  principio,  com  a  aplicação  da  multa  de  ofício  qualificada,  uma  vez  que  essa  última  demanda  a  prova  inequívoca  do  dolo.  Todavia,  comprovada  a  interposição  fraudulenta  de  pessoas no quadro societário da pessoa jurídica, caracterizado está a prova inequívoca do dolo.  Inconformada,  em  virtude  de  não  ter  logrando  êxito  na  instância  inicial,  a  contribuinte  apresenta  a  sua  peça  recursal  a  este  E.  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais pleiteando a  reforma da decisão prolatada na Primeira  Instância onde, em sua defesa,  ataca o que  entende  terem sido os  fundamentos do  lançamento  apresentando preliminares de  nulidade do lançamento, bem como apresenta razões de mérito.  Quanto às preliminares de nulidade do lançamento argüidas pela suplicante,  sob  o  entendimento  de  que  tenha  ocorrido  ofensa  aos  princípios  constitucionais  do  devido  processo legal, entendendo que a autoridade lançadora feriu diversos princípios fundamentais,  não devem ser acolhidas pelos motivos abaixo.   Entendo  que  o  procedimento  fiscal  realizado  pelos  agentes  do  fisco  foi  efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que  regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer  ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal.  O princípio da verdade material  tem por  escopo,  como a própria  expressão  indica a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a  liberdade da prova, no  sentido  de  que  a Administração  possa  valer­se  de  qualquer meio  de  prova  que  a  autoridade  processante ou julgadora tome conhecimento, levando­as aos autos, naturalmente, e desde que,  obviamente  dela  dê  conhecimento  às  partes;  ao  mesmo  tempo  em  que  deva  reconhecer  ao  contribuinte  o  direito  de  juntar  provas  ao  processo  até  a  fase  de  interposição  do  recurso  voluntário.  O Decreto n.º 70.235, de 1972, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a  notificação  de  lançamento  como  instrumentos  de  formalização  da  exigência  do  crédito  tributário, quando afirma:  A  exigência  do  crédito  tributário  será  formalizado  em  auto  de  infração  ou  notificação  de  lançamento  distinto  para  cada  tributo.  Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993:   A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal  e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos  de  infração ou notificações  de  lançamento,  distintos para  cada  imposto,  contribuição  ou  penalidade,  os  quais  deverão  estar  instruídos  com  todos  os  termos,  depoimentos,  laudos  e  demais  elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.  O  auto  de  infração  e  a  notificação  de  lançamento  por  constituírem  peças  básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua  lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de  uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal,  seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos  a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna  inexistente  o  ato,  sejam  os  atos  formais  ou  solenes.  Se  houver  vício  na  forma,  o  ato  pode  invalidar­se.  Fl. 207DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11516.720602/2011­54  Acórdão n.º 1402­001.689  S1­C4T2  Fl. 10          17 Ademais,  a  jurisprudência  é mansa  e  pacífica  no  sentido  de  que  quando  o  contribuinte revela conhecer as acusações que lhe foram impostas, rebatendo­as, uma a uma, de  forma meticulosa, mediante extensa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares  como também as razões de mérito descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.  Da  mesma  forma,  não  procede  à  nulidade  do  lançamento  argüida  sob  os  argumentos de que o auto de infração não foi lavrado dentro dos parâmetros exigidos pelo art.  10  do Decreto  nº  70.235,  de  1972,  ou  seja,  erro  de  capitulação  legal,  descrição  confusa dos  fatos, falta de autenticidade, bem como não houve a devida descrição e capitulação da infração  cometida pela recorrente.  Inicialmente, verifica­se que para a contribuinte foi concedido o prazo legal  de  30(trinta)  dias,  a  contar  da  ciência  do  auto  de  infração,  para  apresentar  a  impugnação,  sendo­lhe assegurado vista ao processo, bem como a extração de cópias das peças necessárias a  sua defesa, caso quisesse, garantindo­se desta forma o contraditório e a ampla defesa.   Quanto ao procedimento fiscal realizado pela agente do fisco, verifica­se que  foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972,  que  regula  o  Processo  Administrativo  Fiscal,  não  se  vislumbrando,  no  caso  sob  análise,  qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo  legal.  Verifica­se,  ainda,  que  os  Autos  de  Infrações  às  fls.  41/104,  bem  como  o  Termo de Constatação Fiscal de fls. 107/130, identifica por nome e CNPJ a autuada, esclarece  que foi lavrado na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis ­ SC, cuja ciência  foi pessoal e descreve as irregularidades praticadas e o seu enquadramento legal assinado pelos  Auditores­Fiscais da Receita Federal do Brasil,  cumprindo o disposto no art. 142 do Código  Tributário Nacional ­ CTN, ou seja, o ato é próprio do agente administrativo investido no cargo  de Auditor­Fiscal.   Não restam dúvidas de que o lançamento se deu em razão da constatação das  irregularidades  apontadas  no  Auto  de  Infração  lavrado  sem  que  a  recorrente  comprovasse  efetivamente as suas alegações. Constam dos autos diversos chamados ao sujeito passivo para  que esse apresentasse as justificativas acerca das irregularidades apontadas.   O enquadramento legal e a narrativa dos fatos envolvidos permitem a perfeita  compreensão  do  procedimento  adotado  da  base  tributável  apurada  e  do  cálculo  do  imposto  resultante, permitindo o interessado o pleno exercício do seu direito de defesa.  Ora, o lançamento, como ato administrativo vinculado, celebra­se com estrita  observância  dos  pressupostos  estabelecidos  pelo  art.  142  do  Código  Tributário  Nacional  ­  CTN, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização  de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve  estar  consubstanciado  por  instrumentos  capazes  de  demonstrar,  com  segurança  e  certeza,  os  legítimos  fundamentos  reveladores  da  ocorrência  do  fato  jurídico  tributário.  Isso  tudo  foi  observado  quando  da  determinação  do  tributo  devido,  através  do Auto  de  Infração  lavrado.  Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas  pelo  recorrente,  neste  processo,  já  que  o  mesmo  preenche  todos  os  requisitos  legais  necessários.   Da análise dos autos, constata­se que a autuação é plenamente válida.  Fl. 208DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     18 Faz­se necessário esclarecer, que a Secretaria da Receita Federal é um órgão  apolítico,  destinada  a  prestar  serviços  ao  Estado,  na  condição  de  Instituição  e  não  a  um  Governo específico dando conta de seus trabalhos à população em geral na forma prescrita na  legislação. Neste diapasão, deve agir com imparcialidade e justiça, mas, também, com absoluto  rigor, buscando e exigindo o cumprimento das normas por parte daqueles que faltam com seu  dever de participação.  Ademais,  o  Processo  Administrativo  Fiscal  ­  Decreto  n.º  70.235,  de  1972  manifesta­se da seguinte forma:  Art. 59 ­ São nulos:  I ­ Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  ­  Os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.  Como  se  verifica  do  dispositivo  legal,  não  ocorreu,  no  caso  do  presente  processo, a nulidade. O auto de infração foi lavrado e a decisão foi proferida por funcionários  ocupantes de cargo no Ministério da Fazenda, que são as pessoas, legalmente, instituídas para  lavrar e para decidir sobre o lançamento. Igualmente, todos os atos e termos foram lavrados por  funcionários com competência para tal.  Ora,  a  autoridade  lançadora  cumpriu  todos  os  preceitos  estabelecidos  na  legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre a suplicante,  conforme  se  constata  nos  autos,  com  perfeito  embasamento  legal  e  tipificação  da  infração  cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pelo recorrente, ou seja, não  se  verificam,  por  isso,  os  pressupostos  exigidos  que  permitam  a  declaração  de  nulidade  do  Auto de Infração.  Haveria  possibilidade  de  se  admitir  a  nulidade  por  falta  de  conteúdo  ou  objeto, quando o  lançamento que, embora  tenha sido efetuado com atenção aos requisitos de  forma e às formalidades requeridas para a sua feitura, ainda assim, quer pela insuficiência na  descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, efetivamente não permitir ao  sujeito  passivo  conhecer  com  nitidez  a  acusação  que  lhe  é  imputada,  ou  seja,  não  restou  provada a materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Entretanto, não é o  caso em questão, pois a discussão se prende a interpretação de normas legais de regência sobre  o assunto, bem como a matéria de prova.  É de se esclarecer, que os vícios formais são aqueles que não interferem no  litígio  propriamente  dito,  ou  seja,  correspondem  a  elementos  cuja  ausência  não  impede  a  compreensão  dos  fatos  que  baseiam  as  infrações  imputadas.  Circunscrevem­se  a  exigências  legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao  seu  conteúdo  material.  Por  outro  lado,  quando  a  descrição  defeituosa  dos  fatos  impede  a  compreensão dos mesmos, e, por conseqüência, das infrações correspondentes, tem­se o vício  material. No presente caso, houve o perfeito conhecimento dos fatos descritos e das infrações  imputadas.  Além  disso,  o  art.  60  do  Decreto  n.º  70.235,  de  1972,  prevê  que  as  irregularidades,  incorreções e omissões diferentes das  referidas no art. 59 do mesmo Decreto  não  importarão  em  nulidade  e  serão  sanadas  quando  resultarem  em  prejuízo  para  o  sujeito  passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.  Fl. 209DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11516.720602/2011­54  Acórdão n.º 1402­001.689  S1­C4T2  Fl. 11          19 Quanto  à  preliminar  de  nulidade  da  decisão  de  primeira  instância,  argüida  pela suplicante, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais  do  devido  processo  legal,  já  que  a  autoridade  teria  deixado  de  se  manifestar  sobre  argumentações  para  que  fosse  justificado  o  fato  gerador  da  obrigação  tributária,  sou  pela  rejeição pelos motivos abaixo expostos.  Como se vê do relatório, no entendimento da suplicante a decisão de Primeira  Instância teria deixado de se manifestar sobre pontos questionados na peça impugnatória, em  razão  disso,  entende  ser  nula  a decisão  recorrida,  eis  que  atenta  contra  a  garantia  do  devido  processo legal e o direito de ampla defesa da contribuinte. Ou seja, a recorrente alega que em  sua  peça  impugnatória  deixou  claro  que  a  fiscalização  não  conseguiu  provar  quando,  efetivamente, as supostas irregularidades, elegendo ilegalmente, por critério próprios, a data de  ocorrência  do  fato  gerador  e  que  a  recorrente  não  conseguiu  identificar  onde  constam  na  decisão em questão as contra argumentações sobre as alegações da recorrente de que não ficou  comprovada pela autoridade fiscal as irregularidades apontadas.  Da  análise  dos  autos,  verifica­se  que  os  pontos  centrais  do  litígio  estavam  restritos  a  interpretação  da  omissão  de  receitas  caracterizada  por  depósitos  bancários  cuja  origem não foi comprovada e a aplicação da multa qualificada.  Ora, com todas as vênias, por qual  razão se deveria analisar uma  legislação  tributária  que  nada  tem  haver  com  o  fato  gerador  em  questão.  Ademais,  a  interessada  nada  comprovou  sobre  os  valores  questionados  ficou  batendo  na  mesma  tecla  que  os  depósitos  bancários por si só não poderiam caracterizar omissão de receitas, entretanto, nada comprovou.  Alegação por alegação.  Assim,  não  restam  dúvidas,  nos  autos,  que  a  acusação  que  pesa  sobre  o  suplicante nesta fase recursal é a omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários cuja  origem não foi justificada.  Na  análise  da  comparação  entre  os  fundamentos  constantes  da  peça  acusatória  e  os  fundamentos  constantes  da  peça  decisória,  não  vislumbro  nenhuma  desconsideração ou inovação, por parte da autoridade julgadora, do conteúdo fundamental pela  qual a autoridade lançadora procedeu ao lançamento.  A  preliminar  levantada  pela  suplicante,  data  vênia,  não  tem  nenhum  cabimento,  por  qualquer  ângulo  que  se  pretende  analisá­la.  Acolher  da  forma  como  foi  suscitada,  seria  atrelar  o  julgador  à  estrita  vontade  da  autoridade  lançadora  ou  à  vontade  da  autuada. Ou  seja,  a  autoridade  julgadora  seria obstada de  fundamentar  a  sua própria decisão  com base em textos legais ou de emitir juízo próprio, deste que, evidentemente, não contrário à  lei.   Assim  sendo,  entendo  que  não  se  deva  dar  razão  a  suplicante,  já  que  a  decisão de Primeira Instância apreciou de forma circunstancial todos os fatos e desdobramentos  contidos  na  imputação  feita  e  objeto  de  resistência  pela  recorrente,  com  argumentos  equivalentes de modo a embasar a manutenção da pretensão tributária.   Somente  a  inexistência  de  exame  de  algum  argumento  apresentado  pela  suplicante,  na  fase  impugnatória,  cuja  aceitação  ou  não  implicaria  no  rumo da  decisão  a  ser  dada  ao  caso  concreto  é que acarreta  cerceamento do direito de defesa  da  impugnante,  ou o  Fl. 210DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     20 acréscimo de algum argumento que acarretasse mudança radical na decisão é que constituiria  nulidade da decisão singular.   Ora, os autos demonstram, claramente, a infração imputada acompanhada da  descrição  dos  fatos,  a  decisão  de  Primeira  Instância,  é  cristalina,  e  se  manifesta  sobre  os  principais  argumentos  apresentados  pela  suplicante  em  sua  peça  impugnatória.  Estes  são  os  principais fatos do processo em questão, e estes foram longamente debatidos pela decisão de  Primeira  Instância,  talvez,  não  a  contento da  suplicante,  ou  seja,  o  resultado não  foi  como a  suplicante gostaria que fosse.   No  meu  entender,  não  faz  nenhum  sentido  a  autoridade  julgadora  ficar  rebatendo  argumento  por  argumento,  embasando  a  sua  opinião  em  teorias  jurídicas,  textos  legais e jurisprudenciais, principalmente, os que não teriam o poder de modificar a decisão da  questão discutida, qual seja, a tributação com base em omissão de rendimentos apurado através  de prova indiciária conclusiva.  É  evidente,  que  o  artigo  59  do  Decreto  n.º  70.235,  de  1972,  arrola  a  incompetência do agente e a preterição do direito de defesa, como hipóteses de nulidades dos  atos praticados no curso do processo fiscal.   Da mesma  forma,  é  evidente,  que  a  obediência  plena  ao  direito  de  defesa,  igualmente  prescrito  no  artigo  5º,  inciso  LV  da  Constituição  Federal,  exige  o  atendimento  concomitante aos princípios do contraditório e do devido processo legal.  Não obstante,  a  infinidade de  situações  suscetíveis de  ser  compreendida no  significado da expressão preterição do direito de defesa, ou do direito de ampla defesa é de tal  amplitude  que  se  faz  necessário  distinguir  quando  existe  a  falta  de  apreciação  de  prova  ou  argumento de defesa, bem como quando existe  inovação no fundamento do  lançamento, seja  por inovação dos fundamentos legais, seja por alteração dos valores lançados.   Os  artigos  29  e  30,  do  Decreto  n.º  70.235,  de  1972,  dizem  respeito  à  liberdade da autoridade julgadora na apreciação das provas, respectivamente. É claro, que essa  liberdade, no entanto, não autoriza o  julgador,  ao seu  talante, deixar de apreciá­las, pois  isso  certamente acarretará cerceamento do direito de defesa.   Por outro lado, deve­se ter presente, no entanto, que, o não enfrentamento de  alguma  questão  levantada  pela  impugnante,  não  necessariamente  dá  origem  à  preterição  do  direito de defesa, e por via de conseqüência, o nascimento do cerceamento do direito de defesa.  Para que flore o cerceamento do direito de defesa, que seria uma condicionante para a nulidade  da decisão de Primeira Instância, se faz necessário que esta questão tenha relevância, ou seja,  tenha o poder de modificar algum item do decisório, não pode ser alegação por alegação, sem  nenhuma  importância  no  fato  discutido.  Como  da  mesma  forma,  o  acréscimo  de  algum  esclarecimento  sem  prejudicar  a  discussão,  não  torna,  necessariamente,  nula  a  decisão  recorrida.  Assim  sendo,  rejeito  a  preliminar  de  nulidade  da  decisão  de  Primeira  Instância, baseado no entendimento que a mesma  foi proferida dentro dos parâmetros  legais,  abrangendo os fatos importantes relatados pela suplicante.  No  que  diz  respeito  aos  efeitos  da  exclusão  da  sistemática  do  Simples  Federal,  no  que  se  refere  às  exigências  com  fatos  geradores  nos  anos­calendário  de  2007  e  2008, conforme a determinação contida no art. 16 da referida Lei nº 9.317, de 1996, “a pessoa  Fl. 211DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11516.720602/2011­54  Acórdão n.º 1402­001.689  S1­C4T2  Fl. 12          21 jurídica  excluída  do  SIMPLES  sujeitar­se­á  a  partir  do  período  em  que  se  processarem  os  efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas”.  Assim,  a  exclusão  da  sistemática  do  SIMPLES  é  requisito  legal  para  a  sujeição da pessoa  jurídica  à  sistemática de  tributação  aplicável  às demais pessoas  jurídicas,  impondo­se  tal  prática,  portanto,  a  fim  de  assegurar  o  direito  de  a  Fazenda  Nacional  em  constituir o crédito tributário devido em outra modalidade de tributação, quando verificados os  impedimentos legais à opção pela sistemática simplificada.  Enfim,  basta  a  exclusão  do  Simples  para  que  os  efeitos  do  referido  ato  administrativo se façam sentir, dado os seus já mencionados atributos da autoexecutoriedade e  da imperatividade ou coercibilidade, os quais, para serem aplicados, independem da declaração  de validade ou invalidade do ato.  No que diz  respeito ao arbitramento dos  lucros  relativo aos anos­calendário  de 2007 e 2008, foi efetuado em virtude de nesses anos­calendário a pessoa jurídica ter deixado  de apresentar sua escrituração contábil e fiscal, a despeito de devidamente intimada para tal. O  arbitramento foi motivado por irregularidades na escrituração contábil e fiscal, para a apuração  do resultado com base no lucro real.  A  legislação  de  regência,  bem  como  a  jurisprudência  administrativa  nos  ensina  que  o  imposto  de  renda  devido  será  determinado  com  base  nos  critérios  do  lucro  arbitrado quando:  1)  ­  a  escrituração  a  que  estiver  obrigado  o  contribuinte  revelar  evidentes  indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para:  a)  identificar  a  efetiva  movimentação  financeira,  inclusive  bancária;  ou  determinar o lucro real;  2)  ­  o  contribuinte  deixar  de  apresentar  à  autoridade  tributária  os  livros  e  documentos da escrituração comercial e fiscal, ou deixar de apresentar o Livro Caixa, no qual  deverá estar escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária, quando optar pelo  lucro presumido e não mantiver escrituração contábil regular;  3) ­ o contribuinte optar indevidamente pelo lucro presumido;  4)  ­  o  comissário  ou  representante  da  pessoa  jurídica  estrangeira  deixar  de  escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente, residente ou  domiciliado no exterior;  5)  ­  o  contribuinte  não  mantiver,  em  boa  ordem  e  segundo  as  normas  contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizadas para resumir, totalizar, por conta ou  subconta, os lançamentos efetuados no Diário;  6) ­ o contribuinte não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e  fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal, nos  casos em que o mesmo se encontre obrigado ao  lucro real;7) o contribuinte não escriturar ou  deixar de apresentar à autoridade tributária os livros ou registros auxiliares de que trata o § 2º  do artigo 177 da Lei nº 6.404, de 1976 e § 2º do artigo 8º do Decreto­Lei nº 1.598, de 1977.  Fl. 212DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     22 As irregularidades da escrita e a falta da apresentação dos livros comerciais e  fiscais,  apontados  no  auto  de  infração  e  posteriormente  analisada  pela  decisão  recorrida,  ao  enfrentar os argumentos da impugnação, deixam claro que não foram atendidas as condições  das  leis comerciais e fiscais, de  forma a que permitisse ao fisco a verificação da exatidão do  lucro real apurado.  Assim, a manutenção de uma escrita, sem o preenchimento dos requisitos da  legislação comercial e fiscal, para as empresas optantes pela tributação com base no lucro real,  bem  como  a  falta  de  apresentação  dos  livros  comerciais  e  fiscais,  enseja  o  abandono  da  contabilidade  e  o  cálculo  do  lucro  tributável  por  arbitramento,  por  determinação  legal  e  em  consonância da reiterada jurisprudência deste Colegiado.  Resta  observar,  que  a  apresentação  e/ou  alegação  da  existência  dos  livros  comerciais  e  fiscais,  após  o  encerramento  da  fiscalização,  não  tem  o  condão  de  afastar  o  arbitramento, efetuado exatamente pela ausência da exibição dessa documentação, porquanto  essa forma de apuração de lucro não é condicional e alterável pela posterior apresentação dos  livros exigidos.  A  contribuinte  alega  que  em  qualquer  processo,  administrativo  ou  judicial,  cabe provar fatos e não direito, e o que se discute em sede de recurso, não é se as operações  que  deram  origem  aos  depósitos  foram  ou  não  contabilizadas,  mas  sim  se  a  ausência  de  contabilização  autoriza  o  Fisco  Federal  a  adotar,  para  o  lançamento  fiscal,  base  de  cálculo  diversa daquela prevista em Lei.  Expõe o seu entendimento de que o artigo 42 da Lei nº. 9.430, de 1996 define  um fato que, constatado,  induz à existência de receitas omitidas pelo respectivo contribuinte.  Verificado  tal  fato,  cabe  ao  Fisco  Federal,  sob  pena  de  evidente  ilegalidade,  apurar  qual  o  montante  da  receita  omitida  (que,  em  determinadas  situações,  poderá,  até,  corresponder  ao  valor  total  bruto  dos  depósitos  bancários  não  contabilizados).  Não  existe  previsão  legal,  entretanto,  que  autorize  ao  Fisco  Federal  adotar,  para  realizar  lançamento  fiscal,  base  de  cálculo aleatoriamente estabelecida.  É  notório,  que  no  passado  os  lançamentos  de  crédito  tributário  baseado,  exclusivamente,  depósitos  bancários  sempre  tiveram  sérias  restrições,  seja  na  esfera  administrativa, seja no judiciário. Para por um fim nestas discussões o legislador introduziu o  artigo  42  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  caracterizando  como  omissão  de  receitas  os  valores  creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto à instituição financeira, em  relação  as  quais  o  titular,  pessoa  jurídica,  regularmente  intimada,  não  comprove,  mediante  documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.  É  conclusivo  que  no  nosso  sistema  tributário  tem o  princípio  da  legalidade  como elemento fundamental para que flore o fato gerador de uma obrigação tributária. Ou seja,  ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei.  Seria por demais mencionar, que a Lei Complementar não pode ser conflitada  ou contraditada por legislação ordinária. E que, ante o princípio da reserva legal (CTN, art. 97),  e o pressuposto da estrita legalidade, ínsito em qualquer processo de determinação e exigência  de  crédito  tributário  em  favor  da  Fazenda  Nacional,  insustentável  o  procedimento  administrativo que, ao arrepio do objetivo, finalidade e alcance de dispositivo legal,  imponha  ou venha impor exação.  Assim,  o  fornecimento  e manutenção  da  segurança  jurídica  pelo Estado  de  Direito  no  campo  dos  tributos  assume  posição  fundamental,  razão  pela  qual  o  princípio  da  Fl. 213DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11516.720602/2011­54  Acórdão n.º 1402­001.689  S1­C4T2  Fl. 13          23 Legalidade se configura como uma reserva absoluta de lei, de modo que para efeitos de criação  ou majoração de tributo é indispensável que a lei tributária exista e encerre todos os elementos  da obrigação tributária.  À Administração Tributária está  reservado pela  lei o direito de questionar a  matéria, mediante processo regular, mas sem sobra de dúvida deve se atrelar à lei existente.   Com  efeito,  a  convergência  do  fato  imponível  à  hipótese  de  incidência  descrita em lei deve ser analisada à luz dos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, que  demandam  interpretação estrita. Da combinação de ambos os princípios,  resulta que os  fatos  erigidos,  em  tese,  como  suporte  de  obrigações  tributárias,  somente,  se  irradiam  sobre  as  situações  concretas  ocorridas  no  universo  dos  fenômenos,  quando  vierem  descritos  em  lei  e  corresponderem estritamente a esta descrição.  Como a obrigação  tributária é uma obrigação ex  lege, e como não há  lugar  para  atividade  discricionária  ou  arbitrária  da  administração  que  está  vinculada  à  lei,  deve­se  sempre procurar a verdade real à cerca da  imputação, desde que a obrigação  tributária esteja  prevista em lei. Não basta a probabilidade da existência de um fato para dizer­se haver ou não  haver obrigação tributária.  Neste  aspecto,  apesar  das  intermináveis  discussões,  não  pode  prosperar,  na  íntegra,  os  argumentos da  recorrente,  já que,  a princípio,  o ônus da prova  em contrário  é da  defesa, sendo a legislação de regência cristalina, conforme o transcrito abaixo:  Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996:  Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimentos  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto à  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  §  1º  O  valor  das  receitas  ou  rendimentos  omitido  será  considerado  auferido  ou  recebido  no  mês  do  crédito  efetuado  pela instituição financeira.  § 2º Os  valores cuja origem houver  sido  comprovada, que não  houverem  sido  computados  na  base  de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  a  que  estiverem  sujeitos,  submeter­se­ão  às  normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente  à época em que auferidos ou recebidos.  § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos  serão analisados individualizadamente, observado que não serão  considerados:  I – os decorrentes de transferências de outras contas da própria  pessoa física ou jurídica;  II – no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso  anterior, os de valor  individual  igual ou  inferior a R$ 1.000,00  (mil  reais),  desde  que  o  seu  somatório,  dentro  do  ano­ Fl. 214DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     24 calendário,  não  ultrapasse  o  valor  de  R$  12.000,00  (doze  mil  reais).  § 4º Tratando­se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão  tributados no mês em que considerados recebidos, com base na  tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o  crédito pela instituição financeira.  Como  se  vê  no  dispositivo  legal mencionado  o  legislador  estabeleceu  uma  presunção legal de omissão de receitas ou de rendimentos. Não logrando o titular comprovar a  origem  dos  créditos  efetuados  em  sua  conta  bancária,  tem­se  a  autorização  legal  para  considerar  ocorrido  o  fato  gerador,  ou  seja,  para  presumir  que  os  recursos  depositados  traduzem receitas da pessoa jurídica. É evidente que nestes casos existe a inversão do ônus da  prova,  característica  das  presunções  legais  o  contribuinte  é  quem  deve  demonstrar  que  o  numerário creditado não é renda tributável.  É  incontroverso  que  é  função  do  fisco,  entre  outras,  a  comprovação  do  crédito  dos  valores  em  contas  de  depósito  ou  de  investimento,  examinar  a  correspondente  declaração  de  rendimentos  e  intimar  o  titular  da  conta  bancária  a  apresentar  os  documentos/informações/esclarecimentos,  com vistas  à verificação  da ocorrência  de omissão  de rendimentos de que trata o artigo 42 da lei nº 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da  origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte.  Na falta de  comprovação da origem dos  recursos,  tem a autoridade  fiscal  o  poder/dever  de  considerar  os  valores  depositados  como  se  fossem  receitas  tributáveis  e  omitidas  na  DIPJ,  efetuando  o  lançamento  do  imposto  correspondente.  Nem  poderia  ser  de  outro  modo,  ante  a  vinculação  legal  decorrente  do  Princípio  da  Legalidade  que  rege  a  Administração  Pública,  cabendo  ao  agente,  tão­somente,  a  inquestionável  observância  da  legislação.  A comprovação deverá ser feita com documentação hábil e idônea, devendo  ser  indicada  à  origem  de  cada  depósito  individualmente,  não  servindo,  a  princípio,  como  comprovação de origem de depósito as receitas anteriormente auferidas ou já tributadas, se não  for  comprovada  a  vinculação  da  percepção  dos  rendimentos  com  os  depósitos  realizados.  Assim, os valores cuja origem não houver sido comprovada serão oferecidos à tributação.  Não há dúvidas, que na presunção de omissão de receitas de que trata o art.  42 da Lei nº 9.430, de 1996, o sujeito passivo é o titular da conta bancária que, regularmente  intimado, não comprove a origem dos depósitos bancários. Assim sendo, resta claro de que o  legislador atribuiu ao titular da disponibilidade financeira, e não à Administração Tributária, o  ônus  de  identificar  os  negócios  jurídicos  que  proporcionaram  os  depósitos. Não  poderia  ser  mais ponderado. Afinal,  é ele,  contribuinte, que participa diretamente do negócio, o qual, na  quase  totalidade  dos  casos,  se  exterioriza  pela  produção  de  um  instrumento  formal  que  se  constitui em prova documental da sua realização (recibo, contrato, escritura, nota fiscal, etc.).  Em  suma,  a  norma  estabeleceu  a  obrigatoriedade  de  o  contribuinte  manter  documentação  probatória da origem dos valores que deposita em sua conta bancária.  Faz­se  necessário  reforçar,  que  a  presunção  criada  pelo  art.  42  da  Lei  n°  9.430,  de  1996,  é  uma  presunção  relativa  passível  de  prova  em  contrário.  Ou  seja,  está  condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram em nome  do  contribuinte  ou  em  nome  de  terceiros  em  instituições  bancárias.  A  simples  prova  em  contrário, ônus que cabe ao contribuinte, faz desaparecer a presunção de omissão de receitas.   Fl. 215DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11516.720602/2011­54  Acórdão n.º 1402­001.689  S1­C4T2  Fl. 14          25 Por outro lado, a falta de justificação faz nascer à obrigação do contribuinte  para  com  a  Fazenda  Nacional  de  pagar  o  tributo  com  os  devidos  acréscimos  previstos  na  legislação de regência, já que a principal obrigação em matéria tributária é o recolhimento do  valor  correspondente  ao  tributo  na  data  aprazada.  A  falta  de  recolhimento  no  vencimento  acarreta  em  novas  obrigações  de  juros  e  multa  que  se  convertem  também  em  obrigação  principal.  Assim,  desde  que  o  procedimento  fiscal  esteja  lastreado  nas  condições  imposta pelo permissivo legal, entendo que seja da recorrente o ônus de provar a origem dos  recursos  depositados  em  suas  contas  bancárias.  Ou  seja,  de  provar  que  há  depósitos,  devidamente  especificados,  que  representam  ou  não  aquisição  de  disponibilidade  financeira  tributável  ou  não  tributável,  ou  que  já  foi  tributado.  Desta  forma,  para  que  se  proceda  à  exclusão da base de cálculo de algum valor considerado,  indevidamente, pela fiscalização, se  faz necessário que o contribuinte apresente elemento probatório que seja hábil  e  idôneo para  comprovar  a  origem do  valor  depositado  (créditos),  independentemente,  se  tratar  de  receitas  tributáveis ou não. Os valores cuja origem houver  sido comprovada, que não houverem sido  computados  na  base  de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  a  que  estiverem  sujeitos,  submeter­se­ão  às  normas  de  tributações  específicas,  previstas  na  legislação  vigente  à  época  em que auferidos ou recebidos.  É evidente, que depósitos bancários de origem não comprovada se traduzem  em renda presumida, por presunção legal “júris tantum”. Isto é, ante o fato material constatado,  qual  seja  depósitos/créditos  em  conta  bancária,  sobre  os  quais  o  contribuinte,  devidamente  intimado, não apresentou comprovação de origem, a legislação ordinária autoriza a presunção  de renda relativamente a tais valores (Lei n° 9.430, de 1996, art. 42).   Indiscutivelmente, esta presunção em favor do fisco transfere ao contribuinte  o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos questionados.   Pelo  exame  dos  autos  verifica­se  que  a  recorrente,  embora  intimada  a  comprovar, mediante  a  apresentação  de  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  valores  depositados  em  suas  contas  bancárias  não  conseguiu  equacionar,  de  forma  razoável,  os  depósitos questionados com os pretensos valores recebidos e é isso que importa para justificar  a origem dos depósitos de forma individualizada, coincidentes em datas e valores.  Não  há  dúvidas,  que  a  Lei  nº  9.430,  de  1996,  definiu,  portanto,  que  os  depósitos bancários, de origem não comprovada, efetuados a partir do ano­calendário de 1997,  caracterizam omissão de  receitas e não meros  indícios de omissão, estando, por conseguinte,  sujeito à tributação pelo Imposto de Renda Pessoa Jurídica e nos processos decorrentes.   Nos  autos  ficou  evidenciado,  através de  indícios  e provas,  que  a  suplicante  recebeu  os  valores  questionados  neste  auto  de  infração.  Sendo,  que,  neste  caso,  está  clara  a  existência de indícios de omissão de receitas, situação que se inverte o ônus da prova do fisco  para  o  sujeito  passivo.  Isto  é,  ao  invés  de  a  Fazenda Pública  ter  de  provar  que  a  recorrente  possuía fontes de recursos para receber estes valores ou que os valores são outros, já que a base  arbitrada não corresponderia ao valor real recebido, competirá à suplicante produzir a prova da  improcedência da presunção, ou seja, que os valores recebidos estão lastreados em documentos  hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores.  A  presunção  legal  júris  tantum  inverte  o  ônus  da  prova.  Neste  caso,  a  autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato  Fl. 216DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     26 indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimento (fato jurídico tributário),  nos  termos do art. 334,  IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o  fato presumido não existiu na situação concreta.   Não tenho dúvidas, que o efeito da presunção “júris tantum” é de inversão do  ônus da prova. Portanto, cabia ao sujeito passivo, se o quisesse apresentar provas de origem de  tais  rendimentos  presumidos.  Oportunidade  que  lhe  foi  proporcionado  tanto  durante  o  procedimento  administrativo,  através  de  intimação,  como  na  impugnação,  quer  na  fase  ora  recursal. Nada foi acostado que afastasse a presunção legal autorizada.  Ora,  está  sendo  imputada  à  contribuinte  duas  infrações:  1)  omissão  de  receitas da  atividade,  apuradas  com base nos  registros do Livro de Apuração do  ICMS e, 2)  depósitos bancários de origem não comprovada.  Os  depósitos  de  origem  não  comprovada  referem­se  aos meses  de  janeiro,  fevereiro e março de 2007, de acordo com o que consta do item 22 e, a omissão de receitas da  atividade, abrange os meses de março de 2007 a dezembro de 2008. Assim, o único mês em  que poderia haver coincidência de lançamento para as duas infrações é março 2007, posto que  em janeiro e fevereiro daquele ano nada foi registrado no Livro de Apuração de ICMS. Além  disso,  às  folhas  131  está  a  planilha  dos  valores  bancários  questionados  em  relação  aos  três  meses de 2007, sendo que em relação a março do referido ano, todos correspondem a TED e  DOC, salvo uma única exceção correspondente a créd. pag.fornec. E mais, como no Livro de  Apuração do ICMS foi declarada receita da atividade da ordem de R$ 30.718,90 (item 20), sem  que  a mesma  tenha  sido  oferecida  à  tributação  e,  os  depósitos  correspondem  à  cifra  de  R$  325.453,95,  entendo  que  resta  afastada  e  alegação  da  contribuinte  de  que  poderia  ocorrer  duplicidade  de  pagamento.  Quando  foi  intimada  a  justificar  a  origem  dos  valores  que  circularam  pela  conta  corrente  bancária  não  apresentou  qualquer  comprovação  de  que  ali  constaria o valor das receitas que foram escrituradas no Livro do ICMS e que não foram objeto  de tributação, uma vez que para o ano calendário de 2007 não informou receita tributável.  Por  fim,  cumpre  ressaltar  que  as  hipóteses  de  arbitramento  do  lucro,  conforme definidas  pelo  art.  47,  da Lei  n°  8.981,  de 1995,  possuem um  caráter  residual,  ou  seja, são aplicáveis de maneira subsidiária, principalmente em situações nas quais é verificada  pela Fiscalização a imprestabilidade da documentação de uma determinada contribuinte.  O  conflito  aparente  de  normas  é  resolvido  pela  aplicação  do  critério  da  especialidade,  segundo  o  qual  a  lei  especial  derroga,  para  o  caso  concreto,  a  lei  especial,  conforme o ensinamento de Luiz Regis Prado  (Curso de Direito Penal Brasileiro. S. ed. São  Paulo: Revista dos Tribunais, 2005. p.231):  Critério da especialidade — lex specialis derogat legi generali:  o  princípio  de  especialidade,  único  a  ter  aceitação  pacífica,  já  era  conhecido  dos  romanos  —  semper  specialia  generalibus  sunt;  generali  per  specien  derogantur.  A  lei  especial  derroga,  para o caso concreto, a lei geral, Entre a norma geral (gênero) e  a  especial  (espécie)  há  uma  relação  hierárquica  de  subordinação que estabelece a prevalência da última, visto que  contém todos os elementos daquela e mais alguns denominados  especializastes.  No caso concreto, as hipóteses de arbitramento definidas pelo art. 47, da Lei  n°  8.981,  de  1995  se  constituem  em  regra  geral,  que  são  suplantadas  pelo  regramento  específico definido pelo art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, aplicável especificamente à hipótese  Fl. 217DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11516.720602/2011­54  Acórdão n.º 1402­001.689  S1­C4T2  Fl. 15          27 de  não  comprovação  da  origem  de  recursos  utilizados  nas  movimentações  financeiras,  conforme foi identificado pela autoridade fiscal lançadora.  Todos os fatos acima descritos corroboram a conclusão a que se chega pela  aplicação da presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Note­se que esta presunção  tem em sua base uma  regra de experiência  altamente verossímil  no sentido de que depósitos  bancários  cuja  origem  não  foi  comprovada  pelo  contribuinte  têm  por  origem  as  receitas  decorrentes  do  exercício  das  atividades  por  ele  desenvolvidas.  Este  não  é  um  simples  dado  imposto  pela  lei,  mas  uma  regra  de  experiência  colhida  pelo  legislador.  O  fato  de  que  o  legislador, com base nesta regra de experiência, fixou uma regra prescrevendo uma presunção  de  omissão  de  receitas  não  exclui  que  a  autoridade  responsável  pela  aplicação  da  presunção  possa  atingir  o  convencimento  de  que  efetivamente  houve  omissão  de  receitas  com  base  na  simples regra de experiência (independentemente de sua previsão em lei). Ao lado disso, outros  elementos  de  prova  já  mencionados  foram  coletados  para  demonstrar  que  os  recursos  movimentados nas contas bancárias decorrem efetivamente de receitas auferidas em razão do  exercício das atividades pela contribuinte.  Diante da conduta da contribuinte em não comprovar a origem dos recursos  em  suas  contas  bancárias,  a  caracterização  da  infração  de  omissão  de  receitas  com  base  nos  depósitos bancários é perfeitamente  regular em face de expressa previsão  legal do art. 42 da  Lei 9.430, de 1996, devendo ser afastado o argumento da defesa relativo à impossibilidade da  fiscalização  de  presumir  omissão  de  receitas  através  da  análise  dos  depósitos  bancários,  por  não constituírem renda da contribuinte.  Quanto à matéria de mérito propriamente dito não há mais o que discutir, a  decisão recorrida refutou em detalhes os argumentos apresentadas pela contribuinte.  A recorrente se insurge contra a aplicação de multa qualificada alegando que  a sua aplicação caracteriza um verdadeiro confisco.   Resta  claro,  nos  autos,  que  a  decisão  recorrida  entendeu  que  a  luz  da  legislação  tributária,  constitui  hipótese  de  qualificação  da  multa  de  oficio  a  prática  de  sonegação, fraude ou o conluio, ou seja, ações ilícitas definidas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei n°  4.502, de 1964. E a constatação pela Fiscalização de qualquer uma dessas hipóteses legais é o  que basta para justificar a imposição de penalidade fiscal qualificada, nos termos da legislação  acima transcrita.  Entendeu, ainda, a decisão recorrida que as práticas definidas nos arts. 71, 72  e 73, da Lei n° 4.502, de 1964,  tratam de infrações em cuja definição seja elementar o "dolo  especifico"  do  agente,  ou  seja,  infrações  nas  quais  o  "executor"  do  ato  tenha  em  mente  a  obtenção de um determinado resultado preciso, portanto, que fique evidenciada não apenas a  intencionalidade do agente, mas seu objetivo de atingir determinado resultado.  Nesta linha de raciocínio a decisão recorrida se posicionou no sentido de que  a presunção  legal contida no  artigo 42 da Lei nº 9.430/96 não convive,  em principio,  com a  aplicação da multa de ofício qualificada, uma vez que essa última demanda a prova inequívoca  do dolo. Todavia, comprovada a  interposição  fraudulenta de pessoas no quadro societário da  pessoa  jurídica,  caracterizado  está  a  prova  inequívoca  do  dolo,  que  por  sua  vez  leva  a  caracterizar o evidente intuito de fraude.  Fl. 218DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     28 Só  posso  acompanhar  a  decisão  recorrida,  pois  no  presente  caso  estão  presentes os elementos demandados para a qualificação da multa. As provas residem nos autos  e elencadas no Termo de Verificação Fiscal, que acompanha os autos de infrações.  É  conclusivo  de  que  caracteriza  evidente  intuito  de  fraude,  nos  termos  do  artigo 957, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000, de  1999, autorizando a qualificação da multa de ofício, a prática de  interposição  fraudulenta de  pessoas  no  quadro  societário  da  pessoa  jurídica  para  acobertar  os  verdadeiros  sócios,  acrescidos  da  prática  reiterada  de  omissão  de  vendas  e  falta  de  contabilização  de  depósitos  bancários,  como  forma  de  ocultar  a  ocorrência  do  fato  gerador  e  subtrair­se  à  obrigação  de  comprovar os recolhimentos dos impostos e contribuições sobre as receitas auferidas.  Assim sendo, entendo, que neste processo, cabe razão a decisão recorrida, já  que está aplicada corretamente a multa qualificada de 150%, cujo diploma legal é o artigo 44, §  1º, da Lei n.º 9.430, de 1996, que prevê sua aplicação nos casos de evidente intuito de fraude,  conforme  farta  Jurisprudência  emanada  deste  Egrégio  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes,  bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais.   Como se vê nos autos,  a ora  recorrente  foi  autuada sob a acusação de ação  dolosa  e  fraudulenta  caracterizada pela utilização de  “contas  correntes  em nome de  terceiros  “laranja” para acobertar operações próprias,  como o objetivo de  tentar dissimular  as  receitas  auferidas e que no  entender da autoridade  fiscal  lançadora e da decisão  recorrida caracteriza  evidente intuito de fraude nos termos do artigo 957 do Regulamento do Imposto de Renda.   Só posso concordar com esta decisão, já que, no meu entendimento, para que  ocorra  a  incidência  da  hipótese  prevista  no  §  1º  do  artigo  44,  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  é  necessário  que  esteja  perfeitamente  caracterizado  o  evidente  intuito  de  fraude,  já  que  sonegação,  no  sentido  da  legislação  tributária  reguladora  do  Imposto  de  Renda,  o  conceito  integra, juntamente com o de fraude e conluio, o de “evidente intuito de fraude”.   Como se vê o inciso II do artigo 957, do RIR/99, que representa a matriz da  multa qualificada, reporta­se aos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, que prevêem o  intuito de se reduzir, impedir ou retardar, total ou parcialmente, o pagamento de uma obrigação  tributária, ou simplesmente ocultá­la.  Resta, pois, para o deslinde da controvérsia, saber se os atos praticados pelo  sujeito passivo configuraram ou não a fraude fiscal, tal como se encontra conceituada no artigo  72 da Lei n.º 4.502, de 1964, verbis:  Art.  72  ­  Fraude  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar  as  suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do  imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento.  Entendo  que  para  aplicação  da  multa  qualificada  deve  existir  o  elemento  fundamental  de  caracterização  que  é  o  evidente  intuito  de  fraude  e  este  está  devidamente  demonstrado nos autos, através da utilização de contas bancárias em nome de terceiro, sem a  devida escrituração na contabilidade da empresa. Existe nos autos a prova material da evidente  intenção de sonegar e/ou fraudar o imposto. Ou seja, o ato de abrir conta corrente em nome de  terceiros  (“laranja”)  já demonstra o evidente  intuito de querer  fraudar o  fisco. A  falta da sua  escrituração na contabilidade oficial da empresa, simplesmente, reforça este desejo de agir na  ilicitude  e  no  desejo  de  obter  vantagens  para  si  à  custa  da  Fazenda  Nacional  (não  pagar  tributos). Ademais, os arranjos pessoais realizadas pela empresa para se proteger de eventuais  Fl. 219DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11516.720602/2011­54  Acórdão n.º 1402­001.689  S1­C4T2  Fl. 16          29 problemas  financeiros  não podem atingir  os  interesses da Fazenda Nacional,  razão pela qual  não  se  permite  a  movimentação  de  recursos  financeiros  sem  a  devida  escrituração  fiscal  e  contábil,  muito  menos  abertura  de  contas  bancárias  em  nomes  fictícios  (“contas  frias”)  e  contas­bancárias em nome de terceiros, sem a devida escrituração.   Já ficou decidido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que  a multa qualificada somente será passível de aplicação quando se revelar o evidente intuito de  fraudar o  fisco, devendo ainda, neste caso, ser minuciosamente  justificada e comprovada nos  autos.  Decisão,  por  si  só  suficiente  para  uma  análise  preambular  da  matéria  sob  exame.  Não  se  faz  necessário  se  referir  às  decisões  administrativas  na  medida  em  que  é  princípio geral de direito universalmente conhecido de que multas e os agravamentos de penas  pecuniárias ou pessoais devem estar lisamente comprovadas. Trata­se de aplicar uma sanção e  neste caso o direito faz com cautelas para evitar abusos e arbitrariedades.  O  evidente  intuito  de  fraude  não  pode  ser  presumido.  Tirando  toda  a  subjetividade dos argumentos apontados,  resta apenas de concreto a  falta de recolhimento do  imposto de renda.  Da  análise  dos  documentos  constantes  dos  autos  e  das  suposições  da  autoridade  lançadora  se  pode dizer que houve o  “evidente  intuito de  fraude” que  a  lei  exige  para a aplicação da penalidade qualificada.   Há, pois, neste processo o elemento subjetivo do dolo, em que o agente age  com vontade de  fraudar  ­  reduzir o montante do  imposto devido, pela  inserção de elementos  que sabe serem inexatos. Como se vê nos autos, a contribuinte foi autuada sob a acusação de  omissão  de  receitas  e  para  dissimular  às  reais  operações  a  suplicante  utilizou­se  de  contas  bancárias  em  nome  de  terceiros,  sem  a  devida  escrituração.  Sendo  que  a  autuada  não  apresentou  qualquer  documento  que  lhe  fosse  favorável  no  sentido  de  descaracterizar  a  infração ou atenuar a imputação que lhe é dirigida de ação dolosa e fraudulenta.   Assim,  entendo  que  neste  processo,  está  aplicada  corretamente  a  multa  qualificada de 150%, do artigo 44, inciso II, da Lei n.º 9.430/96, que prevê sua aplicação nos  casos de evidente intuito de fraude.   Para um melhor deslinde da questão impõe­se, invocar o conceito de fraude  fiscal, que se encontra na Lei. Em primeiro lugar, recorde­se o que determina o Regulamento  do Imposto de Renda, nestes termos:  Art. 957. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as  seguintes multas, calculadas sobre a  totalidade ou diferença do  imposto (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44)  (...).  II – de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito  de fraude, definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de  30  de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades administrativas ou criminais cabíveis.  Fl. 220DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     30 Quando a lei se reporta ao termo de evidente intuito de fraude é óbvio que a  palavra  intuito  não  está  em  lugar  de  pensamento,  pois  ninguém  conseguirá  penetrar  no  pensamento de seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada  exteriormente,  já que pelas ações  se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações  que,  por  si  só,  já  denotam  ter  o  seu  autor  pretendido  proceder  desta  ou  daquela  forma  para  alcançar  tal  ou  qual  finalidade.  Intuito  é,  pois,  sinônimo  de  intenção,  isto  é,  aquilo  que  se  deseja, aquilo que se tem em vista, ao agir.  O  evidente  intuito  de  fraude  floresce  nos  casos  típicos  de  adulteração  de  comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária fictícia, conta bancária em nome de  terceiros,  sem  a  devida  escrituração,  falsidade  ideológica,  notas  calçadas,  notas  frias,  notas  paralelas,  etc.  Não  basta  que  atividade  seja  ilícita  para  se  aplicar  à  multa  qualificada,  deve  haver  o  evidente  intuito  de  fraude,  já  que  a  tributação  independe  da  denominação  dos  rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da  origem  dos  bens  produtores  da  renda,  e  da  forma  de  percepção  das  rendas  ou  proventos,  bastando,  para  incidência  do  imposto,  o  benefício  do  contribuinte  por  qualquer  forma  e  a  qualquer título.  É  cristalino,  que  nos  casos  de  realização  das  hipóteses  de  fato  de  conluio,  fraude e sonegação, uma vez comprovadas estas, e por decorrência da natureza característica  dessas figuras, o legislador tributário entendeu presente o intuito de fraude.   Enfim, há no caso a prova material suficiente da evidente intenção de sonegar  e/ou fraudar o imposto. Há, pois, neste processo o elemento subjetivo do dolo, em que o agente  age  com  vontade  de  fraudar  ­  reduzir  o  montante  do  imposto  devido,  pela  inserção  de  elementos que sabe serem inexatos.   Da mesma  forma,  não  cabe  razão  a  recorrente  no  que  tange  a  alegação  de  ilegalidade e ofensa a princípios constitucionais (capacidade contributiva e confisco), o exame  das mesmas escapa à competência da autoridade administrativa julgadora.   Há que se destacar que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento  da  legislação  em vigor,  independentemente  de  questões  de  discordância,  pelos  contribuintes,  acerca  de  alegadas  ilegalidades/inconstitucionalidades,  sendo  a  atividade  de  lançamento  vinculada  e  obrigatória,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional,  como  previsto  no  art.  142,  parágrafo único, do Código Tributário Nacional.  Não  há  dúvidas  de  que  se  entende  como  procedimento  fiscal  à  ação  fiscal  para  apuração  de  infrações  e  que  se  concretize  com  a  lavratura  do  ato  cabível,  assim  considerado  o  termo  de  início  de  fiscalização,  termo  de  apreensão,  auto  de  infração,  notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de  suas  funções  inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles  tomar conhecimento pela intimação.  Os  atos  que  formalizam  o  início  do  procedimento  fiscal  encontram­se  elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Em sintonia com o disposto no artigo  138,  parágrafo  único  do  Código  Tributário  Nacional,  esses  atos  têm  o  condão  de  excluir  a  espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a  ser verificadas.  Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito  passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não  exclui  suas  responsabilidades,  sujeitando­os  às  penalidades  próprias  dos  procedimentos  de  Fl. 221DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11516.720602/2011­54  Acórdão n.º 1402­001.689  S1­C4T2  Fl. 17          31 ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e  torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização.  Ressalte­se, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada  pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida  de  fiscalização  tem o condão de constituir­se  em marco  inicial da ação  fiscal, mas,  também,  consoante  reza  o  mencionado  dispositivo  legal,  “qualquer  procedimento  administrativo”  relacionado  com  a  infração  é  fato  deflagrador  do  processo  administrativo  tributário  e  da  conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável  sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na  forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972.  O  entendimento,  aqui  esposado,  é  doutrina  consagrada,  conforme  ensina  o  mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220:  O processo  contencioso administrativo  terá  início  por  uma das  seguintes formas:  1.  pedido  de  esclarecimentos  sobre  situação  jurídico­tributária  do sujeito passivo, através de intimação a esse;  2.  representação  ou  denúncia  de  agente  fiscal  ou  terceiro,  a  respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo  à assunção de responsabilidades tributárias;  3 ­ autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular  perante a legislação tributária;  4.  inconformismo  expressamente  manifestado  pelo  sujeito  passivo, insurgindo­se ele contra lançamento efetuado.  (...).  A  representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da  intimação  para  esclarecimentos,  sendo  peças  iniciais  do  processo que irá se estender até a solução final, através de uma  decisão  que  as  julguem  procedentes  ou  improcedentes,  com os  efeitos naturais que possam produzir tais conclusões.  No  mesmo  sentido,  transcrevo  comentário  de  A.A.  CONTREIRAS  DE  CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando  de Atos e Termos Processuais:  Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários.  São atos processuais os que se realizam conforme as regras do  processo,  visando  dar  existência  à  relação  jurídico­processual.  Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas  em  razão  de  outro  processo,  do  qual  depende.  No  processo  administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros:  a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a  notificação  (...).  Fl. 222DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     32 Mas,  retornando  a  nossa  referência  aos  atos  processuais,  é  de  assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada,  privativamente,  por  agentes  fiscais,  em  fiscalização  externa,  já  no  que  concerne  às  faltas  apuradas  em  serviço  interno  da  Repartição  fiscal,  a  peça que  as  documenta  é a  representação.  Note­se que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal  (...).  Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a  penalidade  aplicável,  a  sua  ausência  implicará  na  invalidade  do  lançamento.  A  falta  ou  insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigi­lo com  acréscimos e penalidades legais.   É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte,  entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levando­se em conta a ausência de má­fé,  de  dolo,  e  antecedentes  do  contribuinte. A multa  que  excede  o montante  do  próprio  crédito  tributário,  somente  pode  ser  admitida  se,  em  processo  regular,  nos  casos  de  minuciosa  comprovação,  em  contraditório  pleno  e  amplo,  nos  termos  do  artigo  5º,  inciso  LV,  da  Constituição  Federal,  restar  provado  um  prejuízo  para  fazenda  Pública,  decorrente  de  ato  praticado pelo contribuinte.  Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de  1988,  é  dirigida  ao  legislador.  Tal  princípio  orienta  a  feitura  da  lei,  que  deve  observar  a  capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse  princípio,  a  lei  deixa  de  integrar o mundo  jurídico  por  inconstitucional. Além disso,  é  de  se  ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas  pelo Direito Fiscal e, por não constituir  tributo, mas penalidade pecuniária prevista em  lei,  é  inaplicável o conceito de confisco previsto no  inciso V, do art. 150 da Constituição Federal,  não cabendo às autoridades administrativas estendê­lo.  Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração  às  regras  instituídas  pela  legislação  fiscal  não  declarada  inconstitucional  pelo  Supremo  Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em  lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150,  IV da CF., não conflitando  com o estatuído no  art.  5°, XXII  da CF.,  que  se  refere  à  garantia do direito de propriedade.  Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência.   Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados  pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém,  com  exclusividade,  tal  prerrogativa.  É  inócuo,  portanto,  suscitar  tais  alegações  na  esfera  administrativa.  De  qualquer  forma,  há  que  se  esclarecer  que  o  Imposto  Renda  da  Pessoa  Física é um tributo calculado sobre a renda tributável auferida. Ou seja, é calculado levando­se  em  consideração  aos  rendimentos  tributáveis  auferidos  e  em  razão  do  valor  é  enquadrada  dentro de uma alíquota, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito  passivo da obrigação tributária.   Ademais, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na  elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que  orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo  a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis.  Fl. 223DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 11516.720602/2011­54  Acórdão n.º 1402­001.689  S1­C4T2  Fl. 18          33 Nesta linha de entendimento, não vejo como se poderia acolher o argumento  de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da multa de ofício aplicada, bem como da taxa  SELIC aplicada como juros de mora sobre o débito exigido no presente processo com base na  Lei n.º 9.065, de 20/06/95, que instituiu no seu bojo a taxa referencial do Sistema Especial de  Liquidação e Custódia de Títulos Federais (SELIC).  É  entendimento,  neste Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais,  que  à  discussão  sobre  a  inconstitucionalidade  de  normas  legais  é  inócua,  já  que  os  órgãos  administrativos  judicantes  estão  impedidos  de  declarar  a  inconstitucionalidade  de  lei  ou  regulamento, face à inexistência de previsão constitucional.  No  sistema  jurídico  brasileiro,  somente  o  Poder  Judiciário  pode  declarar  a  inconstitucionalidade de  lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle  incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade.  No caso de  lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle  seria  mesmo  incabível,  por  ilógico,  pois  se  o  Chefe  Supremo  da  Administração  Federal  já  fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência para poder promulgar a  lei  não  seria  razoável  que,  subordinados  na  hierarquia  administrativa,  considerassem  inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional.  Exercendo  a  jurisdição  no  limite  de  sua  competência,  o  julgador  administrativo  não  pode  nunca  ferir  o  princípio  de  ampla  defesa,  já  que  esta  só  pode  ser  apreciada no foro próprio.  Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda  inconstitucional, maior  insegurança  teriam  os  cidadãos,  por  ficarem  à mercê  do  alvedrio  do  Executivo.  O  poder  Executivo  haverá  de  cumprir  o  que  emana  da  lei,  ainda  que  materialmente possa ela ser  inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo  afasta ­ sob o ponto de vista formal ­ a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no  seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetá­la­ia, nos termos do artigo  66,  §  1º  da Constituição. Rejeitado  o  veto,  ao  teor  do  §  4º  do mesmo  artigo  constitucional,  promulgue­a ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza,  não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Faculta­se­lhe,  tão­somente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a  decisão,  continuará  o  Poder  Executivo  a  lhe  dar  execução.  Imagine­se  se  assim  não  fosse,  facultando­se  ao  Poder  Executivo,  através  de  seus  diversos  departamentos,  desconhecer  a  norma  legislativa  ou  simplesmente negar­lhe  executoriedade por  entendê­la,  unilateralmente,  inconstitucional.  A evolução do direito,  como quer o  suplicante, não deve pôr em risco  toda  uma construção  sistêmica baseada na  independência  e na harmonia dos Poderes,  e  em cujos  princípios repousa o estado democrático.  Não  se  deve  a  pretexto  de  negar  validade  a  uma  lei  pretensamente  inconstitucional, praticar­se inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de  competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder.   Fl. 224DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ     34 Ademais, matéria  já pacificada no  âmbito  administrativo,  razão pela qual o  Presidente  do  então  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes,  objetivando  a  condensação  da  jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento  Interno dos Conselhos de Contribuintes  (RICC),  aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de  março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas  no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas  a partir de 28 de julho de 2006.  Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais  – CARF,  pela Portaria CARF  nº  106,  de  2009  (publicadas  no DOU de  22/12/2009),  assim  redigidas:  “O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).”  Por  fim,  infere do relato, as exigências da contribuição para o Programa de  Integração  Social  (PIS),  da Contribuição  Social  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  (COFINS), da Contribuição para a Seguridade Social (INSS) e da Contribuição Social sobre o  Lucro Líquido (CSLL) decorrem do lançamento levado a efeito na área do Imposto de Renda  Pessoa  Jurídica  (IRPJ)  e,  especificamente,  em  razão  das  irregularidades  apuradas  pela  autoridade fiscal lançadora e mantidas de forma integral pela decisão recorrida.  Em observância ao princípio da decorrência e a certeza da relação de causa e  efeito  existente  entre  o  suporte  fático  em  ambos  os  processo,  o  julgamento  daquele  apelo  principal, ou seja,  Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), deve, a princípio, se refletir nos  presentes  julgados,  eis  que  o  fato  econômico  que  causou  a  tributação  por  decorrência  é  o  mesmo  e  já  está  consagrado  na  jurisprudência  administrativa  que  a  tributação  decorrente/reflexa deve ter o mesmo tratamento dispensado ao processo principal em virtude  da  íntima  correlação  de  causa  e  efeito.  Considerando  que,  no  presente  caso,  o  autuado  não  conseguiu  elidir  a  totalidade  das  irregularidades  apuradas,  deve­se  manter  o  exigido  no  processo decorrente, que é a espécie do processo sob exame, uma vez que ambas as exigências  que  a  formalizada  no  processo  principal  quer  as  dele  originadas  (lançamentos  decorrentes)  repousam sobre o mesmo suporte fático.  Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas  as  considerações  expostas  no  exame  da matéria,  voto  no  sentido  de  rejeitar  as  preliminares  suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.    (Assinado digitalmente)  Paulo Roberto Cortez                                Fl. 225DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ

score : 1.0