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Numero do processo: 10410.004251/2003-46
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2006
Ementa: NULIDADE DO AUTO POR APLICAÇÃO DE REGIME INADEQUADO - Não padece de vício o auto de infração lavrado com rigorosa observância das disposições legais pertinentes.
Numero da decisão: 101-95.426
Decisão: ACORDAM, os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Sandra Maria Faroni
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MINISTÉRIO DA FAZENDA ,'IS!kj,At'; PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 0' PRIMEIRA CÂMARA Processo n°. : 10410.004251/2003-46 Recurso n°. : 144.424 Matéria: : IRPJ e outros-Simples— anos-calendário: 1999 e 2000 Recorrente : Tavares & Cavalcante Ltda Recorrida : 4a Turma de Julgamento da DRJ em Recife Sessão de : 22 de março de 2006 Acórdão n°. : 101- 95.426 NULIDADE DO AUTO POR APLICAÇÃO DE REGIME INADEQUADO - Não padece de vício o auto de infração lavrado com rigorosa observância das disposições legais pertinentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por Tavares & Cavalcante Ltda. ACORDAM, os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS PRESIDENTE (- SANDRA MARIA FARONI RELATORA FORMALIZADO EM: G 2 2005 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL, PAULO ROBERTO CORTEZ, VALMIR SANDRI, CAIO MARCOS CÂNDIDO, ORLANDO JOSÉ GONÇALVES BUENO e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JUNIOR. Processo n.2 10410.004251/12003-46 Acórdão n. 2 101-95.426 Recurso no. : 144.424 Recorrente : Tavares & Cavalcante Ltda RELATÓRIO A empresa acima qualificada apresentou declaração simplificada nos anos-calendário de 1999 a 2002. Em procedimento de fiscalização para verificação da correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do contribuinte verificou-se que no ano-calendário de 2000 o limite do faturamento anual de R$1.200.000,00 foi ultrapassado, ensejando a exclusão do Simples. Foi, então, feita representação fiscal para esse fim, e em 15/09/2003 foi assinado o Ato Declaratório n 2 24, que exclui a interessada do Simples com efeitos a partir de janeiro de 2001. Registra a autoridade que, como não fez a comunicação a que estava obrigada, a empresa infringiu, também, o art. 13, § 3°, alínea b da Lei 9.317, sujeitando-se à multa regulamentar. Para o período de 1999 e 2000 a fiscalização lavrou autos de infração do Simples , para exigir a diferença entre os valores pagos segundo esse sistema e os apurados a partir da escrituração do contribuinte, e, ainda, auto de infração para aplicação da multa regulamentar. Esses autos de infração são objeto do presente processo. O cálculo dos valores dos impostos e contribuições devidos pela sistemática do SIMPLES, por período de apuração mensal, é apresentado no Demonstrativo de Apuração dos Valores não Recolhidos (f Is. 89 a 97). O demonstrativo de percentuais aplicáveis sobre a receita bruta encontra-se às fls. 86 a 88, e nele estão relacionadas as receitas brutas mensais e a receita bruta acumulada (para a aplicação do percentual correspondente), a identificação do percentual a ser aplicado e o devido enquadramento legal. Em impugnação tempestiva a interessada alega nulidade dos autos de infração por violação à lei, no caso, o art. 5 2 , da Lei n2 9.317/96, que taxativamente determina a faixa de receita bruta e a respectiva alíquota do imposto e contribuições devidas. Diz, ainda, ter se caracterizado violação ao princípio da legalidade em 2 11- j‘. Processo n.210410.004251/12003-46 Acórdão n. 2 101-95.426 relação ao excedente da receita bruta acumulada apurada a partir de setembro de 2000, para o quê dever-se-ia aplicar o disposto no art. 16, da Lei n 2 9.317/96, ficando a critério da impugnante apurar o imposto devido pelo lucro presumido ou pelo lucro real. Quanto ao mérito, transcreve ementas de Acórdãos do Conselho de Contribuintes, bem como o voto do conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior proferido no Acórdão n 2 108.03.933, todos no sentido de afirmar que os créditos tributários informados em DCTFs alcançam os atributos de certeza e liquidez, e alega que o crédito tributário foi regularmente informado em DCTF's (f Is. 25 a 33), entregues à Secretaria da Receita Federal - SRF em 18/09/2003, antes da ciência dos aludidos autos de infração. Alega ainda que apenas deixou de fazer a entrega tempestiva das DCTF's, o que a sujeita apenas ao lançamento de ofício da multa por atraso na entrega de tal declaração e não das contribuições devidas, posto que as mesmas já tinham sido objeto das DCTF's, cuja entrega foi determinada pela própria autuante. Destacando que a autuante determinou a apresentação das DCTF's e que se utilizou dos valores nelas informados para lavrar o auto de infração, continua: "se as DCTF's conferem certeza e liquidez das contribuições declaradas, não havia porque lavrar o auto de infração para cobrar os mesmos valores". A LP Turma de Julgamento da DRJ em Recife julgou procedentes os lançamentos, conforme Acórdão n 2 10.009 , de 29 de outubro de 2004, cuja ementa tem a seguinte dicção: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microennpresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 1999, 2000 Ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO POR VIOLAÇÃO DA LEI. lnexiste violação ao art. 5 2 da Lei n9 9.317/96 quando os lançamentos são efetuados em total consonância com a legislação reguladora da matéria, mediante a correta aplicação de percentuais utilizados para se calcular os impostos e contribuições do SIMPLES, na situação de Empresa de Pequeno Porte - EPP, inclusive quanto ao percentual aplicado sobre o valor excedente ao limite legal, no mês da ocorrência do excesso e sobre a totalidade da receita mensal auferida, a partir de então. 3 Processo n. 2 10410.004251/12003-46 Acórdão n. 2 101-95.426 DCTF's ENTREGUES SOB INTIMAÇÃO. REFLEXO NA APURAÇÃO DO SIMPLES. As DCTF's entregues no decorrer da fiscalização, sob intimação, correspondente ao período sob o efeitode exclusão do SIMPLES, por estar a contribuinte excluída sujeita às mesmas normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive quanto à obrigação acessória da entrega de DCTF's, não influem na apuração dos impostos e contribuições apurados quando ainda se encontrava enquadrada na sistemática do SIMPLES. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Cobra-se através de lançamento de ofício as diferenças apuradas relativas a recolhimentos ou valores declarados a menor. MATÉRIA NÃO CONTESTADA.MULTA REGULAMENTAR. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. Lançamento Procedente. Ciente da decisão, a interessada apresentou recurso alegando, em síntese, a nulidade do lançamento, que está enquadrado unicamente no artigo 23 da Lei 9.317/66, que fala da partilha dos valores pagos pelas pessoas jurídicas inscritas no Simples, e se o crédito está sendo lançado de ofício é porque não foi pago. Diz que fiscalização constatou e comprovou que a recorrente teria praticado omissão de receitas. O art. 18 da Lei 9.317/96 dispõe que se aplicam às empresas de pequeno porte todas as presunções de omissão de receitas existentes nas legislações de regências dos impostos e contribuições de que trata a Lei. Assim, o tratamento tributário a ser aplicado seria o das normas de regência desses tributos, e não o art. 23 da Lei 9.317. É o relatório. , 2 4 Processo n.2 10410.004251/12003-46 Acórdão n. 2 101-95.426 VOTO Conselheira SANDRA MARIA FARONI, Relatora O recurso é tempestivo e preenche as condições legais para seguimento. Dele conheço. A recorrente não nega ter oferecido à tributação valores inferiores as receitas brutas efetivamente apuradas. Ao contrário, afirma que a fiscalização constatou e comprovou o fato, alegando apenas nulidade do lançamento por ter sido aplicado regime tributário equivocado, qual seja, o do art. 23 da Lei 9.317/96, deixando de ser observado o mandamento do art. 18 da mesma lei. Registre-se, inicialmente, que o enquadramento legal indicado para a infração foi o art. 52 da Lei 9.317/96, c.c art. 3 2 da Lei 9.732/98. O artigo 23 da Lei 9.317 está indicado apenas nos demonstrativos dos percentuais aplicáveis sobre a receita bruta correspondentes a cada tributo compreendido no sistema do Simples. O artigo 18 da Lei 9.317/96 não tem pertinência, uma vez que o presente processo não trata, em momento algum de presunção de omissão de receitas, mas sim de receitas efetivamente apuradas e não oferecidas à tributação, fato esse sequer questionado. Os autos de infração foram lavrados com rigorosa observância das disposições legais pertinentes, não tendo a Recorrente logrado identificar neles um só vício. Nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, DF, em 22 de março de 2006 -- c 1, - SANDRA MÁRIA FARONI 5 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10680.008175/00-62
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Dec 03 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Fri Dec 03 00:00:00 UTC 2004
Ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO (PIS E COFINS). RESSARCIMENTO. PRODUTOS EXPORTADOS NA CATEGORIA NT. POSSIBILIDADE.
A aquisição, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, ainda que não tributados pelo IPI, dá azo ao aproveitamento do crédito presumido a que se refere o art. 1º da Lei nº 9.363/96.
INSUMOS NÃO CONSUMIDOS NO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO.
De acordo com o art. 3º da Lei nº 9.363, o alcance dos termos matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, deve ser buscado na legislação de regência do IPI. E a normatização do IPI nos dá conta de que somente dará margem ao creditamento de insumos, quando estes integrem o produto final ou, em ação direta com aquele, forem consumidos ou tenham suas propriedades físicas e/ou químicas alteradas. Os produtos em análise não têm ação direita no processo produtivo, pelo que não podem ter seus valores de aquisição computados no cálculo do benefício fiscal.
TAXA SELIC.
Inviável a incidência de correção monetária ou o pagamento de juros equivalentes à variação da taxa Selic a valores objeto de ressarcimento de crédito presumido de IPI dada a inexistência de previsão legal.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 202-16.063
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda /Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito ao crédito presumido referente aos insumos utilizados em contato com o produto NT exportado. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire (Relator) e Gustavo Kelly Alencar quanto à taxa Selic; Nayra Bastos Manatta, Henrique Pinheiro Torres e Antônio Carlos Bueno Ribeiro que negaram provimento total; Raimar da Silva Aguiar e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda quanto à energia elétrica e à taxa Selic. Designado o Conselheiro Marcelo Marcondes Meyer-
Kozlowski para redigir o voto vencedor, no que diz respeito à taxa Selic. Esteve presente ao julgamento a Dra. Evangelaine Faria da Fonseca, advogada da recorrente.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Jorge Freire
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ementa_s : IPI. CRÉDITO PRESUMIDO (PIS E COFINS). RESSARCIMENTO. PRODUTOS EXPORTADOS NA CATEGORIA NT. POSSIBILIDADE. A aquisição, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, ainda que não tributados pelo IPI, dá azo ao aproveitamento do crédito presumido a que se refere o art. 1º da Lei nº 9.363/96. INSUMOS NÃO CONSUMIDOS NO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. De acordo com o art. 3º da Lei nº 9.363, o alcance dos termos matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, deve ser buscado na legislação de regência do IPI. E a normatização do IPI nos dá conta de que somente dará margem ao creditamento de insumos, quando estes integrem o produto final ou, em ação direta com aquele, forem consumidos ou tenham suas propriedades físicas e/ou químicas alteradas. Os produtos em análise não têm ação direita no processo produtivo, pelo que não podem ter seus valores de aquisição computados no cálculo do benefício fiscal. TAXA SELIC. Inviável a incidência de correção monetária ou o pagamento de juros equivalentes à variação da taxa Selic a valores objeto de ressarcimento de crédito presumido de IPI dada a inexistência de previsão legal. Recurso provido em parte.
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Numero do processo: 10630.001333/2005-14
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue May 20 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue May 20 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL-ITR
Exercício: 2002
ITR. GLOSA DA ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA.
A ausência de comprovação hábil é motivo ensejador da não aceitação da área de utilização limitada como excluída da área tributável do imóvel rural.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 302-39.461
Decisão: ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de contribuintes, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Luciano Lopes de Almeida Moraes, relator, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. Designado para redigir o acórdão o Conselheiro Corintho Oliveira Machado.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL-ITR Exercício: 2002 ITR. GLOSA DA ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. A ausência de comprovação hábil é motivo ensejador da não aceitação da área de utilização limitada como excluída da área tributável do imóvel rural. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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Numero do processo: 10711.008784/89-48
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 1992
Data da publicação: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 1992
Ementa: Apurando-se apresentar o produto estrangeiro - importado grau de concentração maior que o declarado cabe a cobrança de tributo sobre essa diferença bem como, por - causa dela, as multas do ART. 524 do R.A. em razão da declaração indevida quanto à quantidade e do ART. 526, 11, do R.A., face à ausência de G.I. que autorizasse essa quantidade excedente.
A base de cálculo dessa multa do ART. 526, cuja matriz é
o ART. 169 do DL 37/66, é o valor ~a mercadoria importada
convertido em moeda nacional à taxa de cambio vigente
no momento do registro da Declaração de Importação, conforme
mandamento inserido no § 6º desse ART. 169, de acordo com a redação a ele dada pela Lei 6562/78.
Não ocorrendo divergência.entre o produto estrangeiro importado declarado e o apurado, descabe falar-se em trazida de mercadoria do exterior ao desamparo de Guia de Importação.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 303-27.047
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento
ao recurso, quanto à multa do art. 524 do R.A.; por maioria de votos, em dar provimento parcial quanto a multa do art. 526, para declará-la devida apenas sobre a mercadoria vindo a maior, vencidos os Cons. João Holanda Costa, relator e Ronaldo Lindimar José Marton, que negavam provimento integralmente, notando-se que quanto a base de cálculo desta multa, dever-se-á excluir a atualização para o período que antecedeu a lavratura do auto de infração, vencidos os Cons. Sandra Maria Faroni e Ronaldo Lindimar José Marton, na forma do relatório e voto que passam a ihtegrar o presente julgado. Designado para redigir o acórdão o Cons. Paulo Affonseca de Barros Faria Junior.
Nome do relator: JOÃO HOLANDA COSTA
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ementa_s : Apurando-se apresentar o produto estrangeiro - importado grau de concentração maior que o declarado cabe a cobrança de tributo sobre essa diferença bem como, por - causa dela, as multas do ART. 524 do R.A. em razão da declaração indevida quanto à quantidade e do ART. 526, 11, do R.A., face à ausência de G.I. que autorizasse essa quantidade excedente. A base de cálculo dessa multa do ART. 526, cuja matriz é o ART. 169 do DL 37/66, é o valor ~a mercadoria importada convertido em moeda nacional à taxa de cambio vigente no momento do registro da Declaração de Importação, conforme mandamento inserido no § 6º desse ART. 169, de acordo com a redação a ele dada pela Lei 6562/78. Não ocorrendo divergência.entre o produto estrangeiro importado declarado e o apurado, descabe falar-se em trazida de mercadoria do exterior ao desamparo de Guia de Importação. Recurso parcialmente provido.
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IRF - PORTO DO RIO DE JANEIRO Apurando-se apresentar o produto estrangeiro - impbrtado grau de concentração maior que o declarado cabe 9 cobran ça de tributo sobre essa diferença bem como, por - causa dela, as multas do ART. 524 do R~A. em razão da declara- ção indevida quanto à quantidade e do ART. 526, 11, do R.A., face à ausência de G.I. que autorizasse essa quan- tidade excedente. A base de cálculo dessa multa do ART. 526, cuja matriz é o ART. 169 do DL 37/66, é o valor ~a mercadoria importa- da convertido em moeda nacional à taxa de c~mbio vigente no momento do registro da Declaração de Importação, con- forme -mandamento inserido no ~ 6º desse ART. 169, (: ;de acordo com a redação a ele dada pela Lei 6562/78. Não ocorrendo divergência.entre o produto estrangeiro im portado declarado e o apurado, descabe falar-se em trazi da de mercadoriã do exterior ao desampar6 de Guia de Im- portação. Recurso parcialmente provido. VISTOS, relàtados e-discutidos os' presentes autos, ACORDAM os Membros da Terceira C~mara do Terceiro Conse- lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, quanto à multa do art. 524 do R.A.; por maioria de votos, em dar provimento parcial quanto a multa do art. 526, para declará- -la devida apenas sobre a mercadoria vindo a maior, vencidos os Cons. João Holanda Costa, relator e Ronaldo Lindimar José Marton, que negA vam provimento integralmente, notando-se que quanto a base de cálcu- lo desta multa, dever-se-á excluir a atualização para o período que antecedeu a lavratura do auto 'de infração, vencidos os Cons. Sandra Maria' Faroni e Ronaldo Lindimar José Marton, na forma do relatório e voto que passam a ihtegrar o presente julgado. Designado para redi - gir o acórdão o Cons. Paulo Affonseca de Barros Faria Junior. Brasília-DF, em 30 de janeiro de 1992. COSTA - Presidente v. v . Ü,,568--1' PAULO AFF9N'?~~f ~E BAfJõy FARIA JUNIOR - ReI. Designado ~ROSA MARIA SALVI DA CARVALHEIRA - Proc. da Faz. Nac. ~~~~~O E~E: O 2 FE\J 1993 Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: MALVINA CO RUJO DE AZEVEDO LOPES, ROSA MARTA MAGALHÃES DE OLIVEIRA HUMBERTO ESMERALDO BARRETO FILHO. Ausente o 'Cons. MILTON DE SOUZA COELHO. SERViÇO PUBLICO FEDERAl. MEFP - TERCEIRO CONSELHO DE. CONTRIBUINTES - TERCEIRA CÂMARA 02. RECURSO Nº 113.750 - ACÓRDÃO Nº 303-27.047 RECORRENTE: BAYER DO BRASIL S.A. RECORRIDA: IRF -PORTO DO RIO DE JANEIRO RELATOR : JOÃO HOLANDA COSTA RELATOR DESIGNADO: S~RGIO DE CASTRO NEVES R E L A T Ú R I O. Contra Bayer do Brasil S.A., foi lavrado auto de infra - çao, nos seguintes termos: IIEm ato de revisão de que tratam os artigos 455 e 456 do Regulamento Aduane[ro aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, procedendo ao reexame da Declaração de Importação nº 501.473/87, constatei: I. Com amparo na Guia de Importação nº 018-87/023377-0, alterada pe- lo aditivo nº 018-87/018019-6, -foi despachado o produto descrito como Di-ácido-naftaminico 2.1.5 - Ácido-2-naftilaminico-I,5-Dis - sulf6nico em micro cristais, ~mido, PM 303 do ~cido livre, PM 325 do sal monossódico, com concentração aproximada de 64,19%; 2. Segundo o laudo nº 2267/87 do Laboratório de Análises da SRRF- 7ª RP, o produto analisado ~ outro: sal monossódico do ácido 2 naftl lamina 1,5 dissulf6nico, tamb~m classificado no código TAB . 29.22.31.99; 3. Assim, como a concentração do produto é 77,7%, o preço declarado' está incorreto, ficando o contribuinte intimado a recolher a dif~ rença do Imposto de Importação com os acréscimos legais devidos , bem como a multa por declaração indevida da mercadoria e falta de guia de importação. 4. Demonstração da diferença do preço e da diferença do imposto de importação: peso/kg grau pureza. quantidade/kg valor (DM) valor(NCZ$) declarado 8.707,800 64,19% 5.590 57.968,30 2.603,82 correto 8.707,800 .72,44% 6.307,930 65.413,23 2.938,23 diferença xxxxxxxxx xxxxxx ~17,930 7.444,93 334,410 Imposto de Importação: 30% de 334,41 = ncz$ 100,32 BTN Fiscal utilizada: 8,2513 (de 13/12/89) Imprensa Nacional • SERViÇO PÜBLlCO FEDERAl. 03. Recurso: 113.750 Acórdão: 303-27.047 5. Enquadramento legal: artigos 524 e 526, 11 do Regulamento Aduanel ro aprovado pelo Decr. 91.030/85; art. 61 da Lei nº 7799/89 e art. 6º do Decreto-lei nº 2.331/87.11 Na impugnação, a importadora rejeita integralmente o laQ do d~ an~lise nº 2267/87 do LABANA por não haver adotado os crit~ri~ os adequados para a identificação do produto nem se refere à correta apuração do seu grau de pureza. Insiste que a mercadoria importada corresponde exatamente ao declarado na D.I. nº 501473, existindo ap~ nas diferença de denominação como poderá revelar uma nova prova téc- nica. Esclarece que a concentração de 64,19% (declarada) refere-se ao PM 303 próprio para o ~cido livre, ao passo que a concentração apon- tada pelo LABANA de 77% é do PM 325 especifico para o ácido estabill zado (sal monossódico como incorretamente considerado). O equívoco acarretou a diferença de cerca de 13% no percentual de pureza. Ade- mais, o laudo cont~m uma impropriedade ao mencionar dois valores di~ tintos: 77,7% (item 3) e 72,44% (item 4) o que dificulta a defesa da autuada. O laudo também não considerou as impurezas de "fàbricação do produto importado, ensejando informação incorreta para fundamen- tar o auto. Discute outros aspectos técnicos relativos à representa- tividade da amostra coletada que deveria ter sido variada e não ape- nas uma única, de uma só partida, pelas razões que aponta. Impugna a aplicação das multas (art. 524 e 526,11, do R.A.) e bem assim a dif~ rença dos impostos exigidos. Finalmente, protesta por nova prova té£ nlca. Na informação técnica nº 111/90 (fI. 41/42) esclarece o LABANA: IIAtendendo a solicitação de fls. 40, temos a \"esclarecer que: O objeto da importação foi um sal e não um ~cido. A"for- ma de sal sódico fa~@rece a sua utilização na obtenção de corantes' por ser solúvel em água e facilitar sua reatividade com outros com - postos, o que não acontece com o á8jcilo. Em intermediários como o em questão é um procedimento comercialmente rotineiro, expressar-se um t~9r de pureza teórico em ~cido. Ao calcular-se o teor de pureza do produto considerou-se que o mesmo'é um sal (peso molecular 325) e, portanto, apresenta uma concentração diferente do ~cido correspondente (peso molecular 303). Imprensa Nacional SERViÇO PÚBLICO FEDERAl. 04. Recurso: 113.750 Acórdão: 303-27.~47 Como informado à fls. 22, o teor de pureza expresso em ácido (teóri- co) é 72,44%. Logo, da mesma forma não coincide com o declarado de 64,19% (fls. 28). Com relação as impurezas decorrentes, do processo de ('ob- tenção, a que se refere o importador a fls. 30/31, poderiam ser cal- culadas pela diferença da amostra total a 100% e o somatório do teor de sal mais teor de umidade, o que nos forneceria um valor de 2,64%. Vemos ainda, que torna-se improcedente o argumento do in teressado no que tange a apuração do teor de pureza pela média, \Iuma -vez que a concentração apurada no if~~do emitido por este LABANA, re- fere-se, tão somente aos ensaios efetuados na amostra coletada e não num média obtida de outras amostragens, fato este do conhecdmento do interessado. Convém registrar que a coleta de amostras é,' acompanhada por quatro partes. a) um AFTN - representante da Fazenda; b) um fiel depositário - representante da Cia. Docas do RJ; c) um coletor - representante do LABANA; d) um despachant e - representante 1e ga1 do interessado. Portanto, constitui grave equívoco imputar ao LABANA a responsabilidade da coleta de apenas uma amostra e conseqUentemente' o fato da apuração do teor de pureza não ser por média. O importador poderia ter solicitado a retirada de obtras amostras naquele ato, pois estava devidametne representado. Nestes termos ratificamos a conclusio do laudo PA 2267/ 87 e D.I~':"501.473/8711. Na contestação, diz o AFTN que não procedem as razoes da autuada. Com efeito, ela fez constar o preço da mercadoria conside - rando um teor de pureza de 64,19%, do que resultou um recolhimento a menor de 1.1., em relação à concentração verificada, de 77,7% para o PM 325 e 72,44% para o PM 303. De modo que foram importados, nao os 5.590 Kg declarados, mas sim 6.307,930 Kg, com uma diferença de 717,930 Kg trazidos a mais. A autoridade de lª inst~ncia julgou procedente a ~açao fiscal, em decisão assim ementada: Imprensa Nacional. 05. Recurso: 113.750 SERViÇO PÚBLICO FEDERAl. Acórdão: 3O3-27 .04 7 "REVISÃO. Procedimento fiscal por apurar-se, em face do resultado do exame laboratorial, a ,ocorrência I de importaç~o de produto diverso do declarado, com atribuição de valor e quantidade diferente ao real. Ação Fiscal procedente". Os fundamentos da deci~ão são os seguintes: CONSIDERANDO que, de confórmidade com os documentos de importa~ão, foram"submetidos a despacho 5590 Kg (bas~ 100%) de di- -ácido-naftamínico 2.1.5., ácido-2-naftilamínico-l,5-dissulf6nico , em micro cristais, úmido, PM 303 do ácido livre, PM 325 do sal; mo..:. nossódico, industrial, concentro aprox. 64,19% S/PM 303, classifi- cado no código TAS 29.22.31.99; CONSIDERANDO que o Laboratório de Análises atestou tra- tar-se do sal monossódico do ácido 2 naftilamina-l,5 d issulf6nico , que constitui um derivado sulfonado de monoamina aromática '(Laudo nº 2267/87 - fr~;.13); CONSIDERANDO que, no caso de produtos intermediários, s~ melhantes ao do presente caso, um procedimento comercialmente roti- neiro ~ expressar-se um teor de pureza teórico em ácido (INF 111/90 - fls. 41); CONSIDERANDO que, se o produto importado ~ oriundo de di versos lotes de fabricação, com concentraç6es variadas, como argu - menta a interessada, tal característica deveria constar declarada, obrigatoriamente, tanto na G.I. quanto na 0.1.; CONSIDERANDO que a existência de impurezas inorgânicas , decorrentes do processo de obtenção do produto, não interfere na aQ tuação, como observeou a autuante, uma vez que o preço da mercado - ria foi calculado em função do seu teor de pureza; CONSIDERANDO que o teor de pureza do produto importado , apurado pelo Labana e expresso em ácido, ~ de 72,44%, não coincidin do com o delcarado (64,19%) - INF nº 111/90, fls. 41); CONSIDERANDO que, em conseqtlência, o preço e o peso do produto efetivamente importado (base 100%), foram maiores do que os declarados (diferença acima de 10%), conforme demonstrativo constan te do Auto de Infração nº 389/89 (fI. 01 v.), o que acarretou, so- bre o excesso, a cobrança dó 1.1. apurado; CONSIDERANDO que é de ser aplicar a multa de cinqtlenta Imprensa Nacional SERVICO PÜBlICO FEOERAI. 06. Recurso: 113.750 Acórdão: 303-27.047 por cento (50%) da diferença de imposto apurado em razao de atribui ção de valor ou quantidade diferente do real, quando a diferença do imposto for superior a dez por cento (10%) quanto ao preço e cinco por cento (5%) quanto ã quantidade em relação ao declarado pelo Im- portador (art. 524 do R.A.); CONSIDERANDO que o objeto da importação foi um sal e não um ácido e, nesse caso, a descrição do produto contida nos documen- tos de im portaç ão conf 1ita com a aponta ti a no Láud'o n º 2267/87 (f 1s . 03 ); CONSIDERANDO que, se a discriminação da mercadoria a Guia de Importação for omissa, incorreta ou imprecisa quanto a elementos ind ispensáveis ã identificação doL produto, é de se aplicar a multa pela falta de G.I., prevista no art. 526, 11, do R.A. (Parecer CST 77'/88, item 10); CONSIDERANDO tudo o maIS que do processo consta, JULGO PROCEDENTE a ação fiscal, para declárar devidos relativamehte ao exce~so apunado, o 1.1. no valor de Cr$ 100,32 e a multa capitulada no art. 524 do R.A. e, relativamente ao valor apu- rado total da mercadoria, a multa dó art. 526,11, do R.A., confori- me demonstrativo constante do auto de infração de que se trata,além dos encargos legais cabíveis. Intime-se para o recolhimento do crédito tributário devi do, no prazo de 30 dias, ressalvando-se o direito de recurso ã Ins- tância superior, na forma da lei. No recurso, rejeita a empresa tenha havido omissão ou discriminação incorreta ou imprecisa do produto e tenha indicado de forma incorreta o código tarifário na G.1. ou 0.1., não existindo a~ sim diferença de tributos a cobrar. Evoca o teor do PN-CST nº 54/77 e AO (Normativo) nº 29/80, para dizer que descabe a imposIçao das multas dos art. 108 e 169 do Decreto-lei nº 37/66 com fundamento em erro de classificação fiscal. Passa a discutir aspectos técnicos rrri~ trando as diferenças de PM do ácido livre de 303 e o da concentra - ção, 325. Anota éinda a impossibilidade jurídica de serem apli'cadas conjuntamente as duas multas, dos arts. 524 e 526, 11 do R.A. Com efeito, as informações prestadas sobre a mercadoria não foram InexA tas. ~ o relatório. SERViÇO PUBLICO FEOEAAI. v O T O 07. Recurso: 113.750 Acórdão:303-27.047 A autuação reporta-se ã divergência entre o produto de- clarado e o efetivamente importado e, havendo wau de concentração. maIor que a declarada, quantidade importada s~perior à autorizada. Discordo ~a decisão monocr~tica quando ela fala ser a im precisão equivalente à omissão ou à incorreção na descrição do pro- duto. Analisando-se os elementos trazidos aos Autos, não se en contra divergência entre a mercadoria declarada na importação e a verificada pelo exame efetuado pelo LABANA. Assim não est~ ~aracterizada a infração apontada de Im- portação ao desamparo de G.I. no que respeita a tratar-se de outro produto. Com refe~ência ao maior wau de concentração do produto apurado em exame laboratorial entendo que houveltrazid~ do exterior de' mercadoria estrangeira em quantidade superior à autorizada pela G.I., o que enseja a cobrança de tributos sobre essa diferença,além das pena 1 id ad e s ap 1icadas por dec 1araç ão in (:,0 rr et a d e q uant id a de (ART. 524 do R.A.) e por falta de G.l. (ART. 526, 11, do R.A.) essa última ápenas no que respeita à tal diferença de quantidade. To da v ia, e ssa muI ta do A RT. 526, I I, e stá incorr etam ente calculada. O R.A., nesse Artigo 526, repete o disposto no ART. 169 do DL 37/66, com a redação que a ela deu a Lei 6562/78, em seu ART. 2 º . A sua base de cálculo está definida no ~ 6º do menciona- do ART. 169, que reza; 11Par a efe ito do d.ispo sto nest e art igo, o valor da m erc ~':'" doria ser~ aquele àbtido segundo a aplicação da legisla- ção relativa á base de c~lculo do imposto de importação," assim determinada pelo ART. 24 do DL37/66: IIPara efeito de c~lculo do imposto, os valores expressos em moeda estrangeira serão convertidos em moeda nacional à taxa de câmbio vigente no momento da ocorrência dofa- to gerador.1I " ' SERVICO PÜBllCO FEDERAl. 08. Recurso: 113.750 Acórdão: 303-27.047 I Tal fato gerador ~ considerado ocorrido na data do regi~ tro da 0.1. (ART. 23 do DL 37/66). Esse mesmo entendimento ~ esposado pelo Decreto 92.930/ffi o qual promulga o Acordo sobre Implementação do ART. VII do /Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Com~rcio (Código de Valoração Adu~ neira) assinado em 12.04.79 e seu Protocolo Adicional, Acordo -esse aprovado pelo Congresso Nacional através do Decreto Legislativo 9 de 08.05.81. O referido Acordo diz em seu ART. 9º: "1 - Sendo necessária a çonversão de moeda para a determi nação do valor aduaneiro, a taxa de c~mbio a ser üti lizada será aquela que tiver sido -devidamente publi cada pelas autoridades competentes do país de impor- tação ... 2 - A taxa de conversão a ser utilizada será aquela em vi gor no momento 'da exportação ou da importação, con forme tiver sido estabelecido por cada Parte". E o ART. 15 do mesmo Acordo fala: "Neste Acordo: a) valor aduaneiro das mercadoriãs importadas significa o valor das mercadoriãs para fins de incidência de direi tos aduaneiros ad valorem sobre mercadodás importadas". Estribada nesse Decreto 92.930/86, foi baixada a IN-SRF' 84 de 17.07.86 que assim estabelece em seu item 1: "A base de cá~culo do imposto de importação ~ o valor adu~ neiro da mercadoria importada, determinado segundo as r~ gras do Acordo de Valoração Aduaneira". A Norma de Execução Conjunta CCA/CST/CIEF 25 de 21.-07.86, que baixa instruç6es complementares para a deter~inação do :- '~alot aduane iro, se gundo as re gras do Acordo em te 1a, da me sma forma que a retromencionada normativa 84, diz no seu item 1, que "as normas do -Acordo de Valoração Aduaneira serão aplicadas nos despachos aduanei ros, começados a partir do dia 23.07.86 (ART. 90 do R.A.) . . ..; SERViÇO PÚBLICO FEDERAl. 09. Recurso: 113.750 Acórdão: 303-27.047 Essas disposições legais estão em perfeita - consonincia com o Código Tribut~rio Nacional, especialmente o fixado em seus ARTs. 143 e 144. O fato gera dor, 11 in ca su 11, é o 1ançam ento da muI t a e o valor da mercadoria, base de c~lculo para imposição da multa, é ob- tido pela conversão da moeda estra~geira' à taxa de câmbio vigorante quando do registro da 0.1., conforme determinação do DL 37/66, dif~ rentemente do que entendeu a autuação. A correção monet~ria só se aplica ao valor da multa após ter sido ela lançada e nao paga no seu vencimento. Tal é a interpretação correta, pois o próprio Poder Exe- cutivo pretendeu alterá-la recentemente enviando ao Congresso NaciQ nal, pela Mensagem 611, de 1º.11.91, Projeto de Lei que tomou o nº 2159/91,na Câmara dos Deputados, e se transformou na Lei 8383/91, o qual previa em seu ART. 74 nova redação para o ART. 169 do DL 37/66, mudando a forma nele prevista de fixar o valor da mercadoria impor- tada, base de cálculo para o fi~de imposição das multas nele elen- cadas, aíém de outras alterações. Essa proposta não foi acolhida pela Comissão que apre- ciou o Projeto, tendo apresentado um substitutivo que se transfor - mou na Lei citada, na qual nao est~ contemplado o propósito do Exe- cutivo. Face ao éxposto dou provimento pprcial ao Recurso para excluir a aplicação da multa do ART. 526, 11, do R.A., na parte re- lativa a tratar-se de produto importado sem cobertura de G.I. em r£ z㺠i: deI e ser t ido com o d iver so do gu iado e para a 1terar a ba se de c~ícúló do remanescente dessa mesma multa, pois essa base nao pode ser corridida, mantendo-se as demais cominações. sa1,~e~õ:s~~ 30 de janeiro de 1992. PAULO AFFONSECA~ARROS FARIA JR;~- 'Rel~tõr~designado. 19l SERViÇO P(JSLlCO FEDERAl. v O T O V E N C IDO 10. Recurso: 113.750 Acórdão: 303-27.047 19l Os autos indicam que a quantidade de mercadoria encontr£ da, suscetível de tributação, foi maior do que a declarada e licen- ciada na 0.1. e na G.I., considerando que o produto demonstrou uma concentração de 72,44% maior do que a qeclarada pela importadora,de 64,19%. Sobre tal diferença, calculada em 717,930 Kg, incide efeti- vamente a cobrança do imposto, e bem assim a multa do art. 524 do Regulamento Aduaneiro. Quanto à divergência de mercadoria, entendo-a caracteri- zada~ Com efeito, a empresa estava autorizada a import~o ÁCIDO ao passo que efetivamente fez. entrar no país o SAL MONOSsdoICO. De no- tar que um ácido e um sal dele derivados são produtos distintos do ponto de vista químico, isto é, 'na sua conformação molecular. t Ir- relevante para o deslinde da questão, que ambos os produtos estejam classificados sob o mesmo código tarifário, pois continuam a ser r~ conhec idame nte d ist in ihos. Não se po de jam à is diz er que um.:, p r oduto (o sal) seja o mesmo que o outro ( o ácido) quer do ponto de vista quimico quer do comercial. Voto para negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 30 de janeiro de 1992. JOÃ~COSTA - Relator / 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011
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Numero do processo: 16327.001507/2003-99
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2009
Ementa: COMPENSAÇÃO — IRRF — RENDIMENTOS PAGOS A FILIAL SITUADA EM PAÍS DE TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA — O IRRF sobre rendimentos pagos a filial situada em país de tributação favorecida somente
pode ser compensado com o imposto de renda devido sobre o lucro real da matriz, quando os resultados da filial forem computados na determinação desse lucro.
IRRF — ALÍQUOTA — REMESSA DE JUROS — Para a aplicação da alíquota
de 15% ao IRRF incidente sobre a remessa de juros é necessário que os juros remetidos decorram de colocações no exterior de títulos de crédito internacionais, previamente autorizadas pelo Banco Central do Brasil.
IRRF — PROVA DA RETENÇÃO — Para a compensação do IRRF é
necessário que o contribuinte possua o comprovante da retenção emitido pela fonte pagadora do rendimento.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 1301-000.001
Decisão: ACORDAM os membros da 3º câmara / 1º turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Paulo Jacinto do Nascimento
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA Wir CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS efiTt PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 16327.001507/2003-99 Recurso n° 154.634 Voluntário Acórdão n° 1301-00.001 — 3' Câmara IV Turma Ordinária Sessão de 11/03/09 Matéria IRPJ Recorrente BANCO ABN AMRO REAL S.A Recorrida I (Y. TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP I COMPENSAÇÃO — IRRF — RENDIMENTOS PAGOS A FILIAL SITUADA EM PAÍS DE TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA — O IRRF sobre rendimentos pagos a filial situada em país de tributação favorecida somente pode ser compensado com o imposto de renda devido sobre o lucro real da matriz, quando os resultados da filial forem computados na determinação desse lucro. IRRF — ALÍQUOTA — REMESSA DE JUROS — Para a aplicação da alíquota de 15% ao IRRF incidente sobre a remessa de juros é necessário que os juros remetidos decorram de colocações no exterior de títulos de crédito internacionais, previamente autorizadas pelo Banco Central do Brasil. IRRF — PROVA DA RETENÇÃO — Para a compensação do IRRF é necessário que o contribuinte possua o comprovante da retenção emitido pela fonte pagadora do rendimento. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' câmara / I* turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. / Jr. C 1 SA ES 'residente 4ra PAULO JACINV D • NASCIMENTO Relator Formalizado e 5 MAl as» Processo n° 16327.0015072003-99 SI-C3TI Acórdão n.° 1301-00.001 Fl. 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Wilson Femandes Guimarães, Paulo Jacinto 4p Nascimento, Marcos Rodrigues de Mello, Leonardo Henrique M. de Oliveira, Waldir Veiga cha, Alexandre Antonio Allcmin Teixeira, José Carlos Passuello e José Clóvis Alves. 2 . . Processo n° 16327.001507/2003-99 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.001 Fl. 3 Relatório Insurge-se o Recorrente contra decisão da DRESPO I que, ratificando Despacho Decisório da Delegacia Especial de Instituições Financeiras, glosou parcela do direito creditório constituído, por IRF cuja retenção não restou comprovada e, embora reconhecendo o direito creditório constituído pelo IRRF incidente sobre juros remetidos a filial domiciliada em país de tributação favorecida, indeferiu sua utilização para compensar débitos do IRPJ apurados a título de estimativa e débitos do PIS e da COFINS. Aduz a Recorrente que, ao indeferir a utilização do crédito reconhecido do IRRF sobre juros remetidos ao exterior com o imposto de renda sobre o lucro real apurado mensalmente, a decisão recorrida violou o § 8° do art. 395 do RIR199, que permite referida compensação, pois não distingue quanto à forma ou momento de apuração do lucro real. Abandonando o foco da alegação de que o prazo de amortização da operação financeira que constitui a gênese da remessa de juros à sua filial no exterior corresponde a 96 meses, e, em consequência, a alíquota do IRRF é de 15% e não de 25%, defende a desimportância do prazo de amortização, porquanto, à luz do disposto no art. 10 da IN n° 252/2002, a aliquota de 15% é aplicável a qualquer hipótese de remessa, pelo que, tendo havido pagamento a maior do imposto de renda calculado à alíquota de 25%, natural a compensação deste crédito com os débitos de PIS e COF1NS. Em nome do atendimento ao princípio da verdade material e da impossibilidade de locupletamento ilícito da Fazenda Nacional, requer a intimação do INSS para que forneça a comprovação das retenções a que procedeu, eliminando-se, assim, a diferença apurada pela autoridade adminis . tiva no IRRF por órgão público. É o relatório. Xi„,,1 3 Processo n° 16327.001507/2003-99 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.001 Fl. 4 Voto Conselheiro PAULO JACINTO DO NASCIMENTO, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, merecendo conhecimento. A primeira questão a ser enfrentada diz respeito à compensação do IRRF sobre os rendimentos pagos pela Recorrente à sua filial domiciliada em país de tributação favorecida e, por isto mesmo, não compensado pela filial. O § 8° do art. 395 do RIR/99 preceitua que, em tal hipótese, o IRRF poderá ser compensado com o imposto devido sobre o lucro real da matriz no Brasil, quando os resultados da filial que contenham os referidos rendimentos forem computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica no Brasil. O dispositivo é de clareza solar. A compensação somente é permitida com o imposto devido sobre o lucro real da matriz, apurado no final do ano calendário. O que, segundo o art. 229 do RIR/99 pode ser deduzido, para efeito de pagamento do imposto mensal, é o imposto pago ou retido na fonte sobre as receitas que integrem a base de cálculo da estimativa. Quisesse o legislador que o crédito do IRRF de filial domiciliada no exterior, cuja tributação, não fosse a previsão da Medida Provisória n° 1.807-2, seria exclusiva de fonte, pudesse ser utilizado para compensação do pagamento mensal do imposto o teria dito. Assim, a compensação efetuada pela recorrente carece de base legal, estando correta a decisão recorrida que, ratificando o despacho decisório, não a homologou. A segunda questão a ser apreciada pertine à aliquota do IRRF incidente sobre as remessas de juros. Com base na Instrução Normativa SRF n° 252/2002, a recorrente pugna pela aplicação da alíquota de 15% e, como o IRRF foi pago à alíquota de 25%, ao pagamento excedente aplicar-se-iam as regras gerais de compensação previstas no art. 21 da IN 210/2002. Em primeiro lugar há de se observar que a IN 252/2002 foi editada no dia 03 de dezembro de 2002, pelo que só alcançaria as remessas de juros ocorridas a partir da sua edição. Ademais, para que o IRRF se submeta à aliquota de 15% a referida IN exige que os juros remetidos decorram de colocações no exterior, previamente autorizadas pelo Banco Central do Brasil, de títulos de crédito internacionais. Faltante a prova do atendimento a esse requisito, a invocação da IN 252/2002 para justificar a aplicação da alíquota de 15% não pode ser acolhida. A última questão a ser analisada se refere à falta de comprovação de parte das retenções que teriam sido procedidas pelo INSS. A teor do art. 55 da Lei n° 7.450 o IRRF somente pode ser compensado se contribuinte possuir comprovante de retenção 'ti o pela fonte pagadora do rendiment • . ,r1 1 Processo rr 16327.00150712003-99 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.001 Fl. 5 Desse ônus que a lei lhe comete não se desincumbiu a recorrente e, não infirmada a glosa efetuada, esta deve ser mantida. Por tais razões, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, DF II de arco de 2009 Ás?" PAULO J • AprO4 O NASCIMENTO Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 18471.001475/2004-74
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 12 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2009
Ementa: JUROS — TAXA SELIC - "A partir de 1° de abril de 1995, os juros
moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais" (Súmula n°04 do 1° CC).
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 1301-000.051
Decisão: ACORDAM os membros da 3º câmara / 1º turma ordinária do primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Paulo Jacinto do Nascimento
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SI-C3TI Fl. 1 ,. i -,:w9,:tr ,,..;„ MINISTÉRIO DA FAZENDA „, t `` 4+ dx, ,,,, CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ÷,:dcriteL,;, PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO ,-"vt:r•QT,(e Processo n° 18471.001475/2004-74 Recurso n° 161.651 Voluntário Acórdão n° 1301-00.051 — 311 Câmara I 1 Turma Ordinária Sessão de 12 de maio de 2009 Matéria IRPJ - EXS: 2001 e 2002 Recorrente COMESA COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA Recorrida 8a TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ JUROS — TAXA SELIC - "A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais" (Súmula n°04 do 1° CC). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 31 câmara / 1' turma ordinária do primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. / •0 LÓVIS ALVE , / ,/ Presidente . Ir PAULO JAC O DO ASCIMENTO Relator Formalizado em: 19 JUN 2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros. Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jacinto do Nascimento, Marcos Rodrigues de Mello, Leonardo Henrique M. de Oliveira, Waldir Veiga Rocha, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, José Carlos Passuello e José Clóvis Alves. , • 1 Processo n° 18471.001475/2004-74 SI-C3TI Acórdão n.° 1301-00.051 Fl. 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração de IRPJ relativo ao quarto trimestre de 2000 e ao quarto trimestre de 2001, lavrado em decorrência da constatação, pela fiscalização, de que a contribuinte, embora haja apurado lucro real nos referidos trimestres, conforme declarado nas respectivas DIPJ, não apresentou as correspondentes DCTF, nem recolheu o imposto devido, dai o lançamento de oficio. Ao impugnar o lançamento, a autuada levanta a preliminar de nulidade do lançamento que, pela ausência da precisa e exata motivação fático-probatória e pela precariedade do enquadramento legal, prejudicou o exercício do seu direito de defesa e, no mérito, sustenta a impossibilidade da utilização da SELIC como taxa de juros de mora. A primeira instância julgadora inacolheu a preliminar e, se dizendo incompetente para apreciar a ilegalidade ou inconstitucionalidade do uso da taxa SELIC a título de juros de mora, deu pela procedência do lançamento. Dessa decisão recs e a contribuinte, renovando as razões e argumentos expendidos na impugnação. É o relatório. 2 Processo n°18471.001475/2004-74 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.051 Fl. 3 Voto Conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Os fatos descritos no auto de infração e nos termos que o integram e os documentos acostados pela fiscalização explicitam de forma precisa a causa da autuação, bem como todo o procedimento utilizado para a constituição do crédito tributário, demonstrando com clareza a subsunção da conduta da recorrente ao fato típico previsto na legislação tributária e capitulando corretamente a infração. Inexistem, pois, a deficiência de motivação fática e a precariedade de capitulação apontadas pela recorrente a acarretar cerceamento ao exercício do direito de defesa ensejador da pretensa nulidade do auto de infração. Se maior não foi a amplitude da defesa exercida, queixe-se a recorrente dela própria e não do procedimento fiscal, que lhe propiciou exercê-la em toda a plenitude. Quanto à única questão de mérito sustentada, a utilização da taxa SELIC a titulo de juros de mora, a Súmula n° 04 deste Primeiro Conselho pacificou a matéria, enunciando: "A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais". Por tais fundamentos, rejeito preliminar e, no mérito, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, m 1 d , maio de 2009 PAULO JA TI! NASCIMENTO 3 Page 1 _0037100.PDF Page 1 _0037200.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10675.003357/2007-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 03 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Dec 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 25/09/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO III, LEI N° 8.212/91. Constitui fato gerador de multa deixar o contribuinte de prestar ao INSS todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários ao regular desenvolvimento da fiscalização/ação fiscal.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Tratando-se de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, onde o contribuinte omitiu informações e/ou documentos solicitados pela fiscalização, caracterizando o lançamento de oficio, o prazo decadencial para a constituição do- crédito previdenciário é de 05 (cinco) anos, via de regra, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n°s 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria.
Rejeita-se a preliminar de decadência no caso de Auto de Infração cuja existência de uma única inobservância de obrigação acessória enseja a manutenção da autuação em sua integralidade, ainda que parte do período já tenha sido alcançado pela decadência, não tendo, porém, o condão de afastar a penalidade aplicada, como se vislumbra no caso vertente.
MULTA APLICADA. REINCIDÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO. TERMO A QUO. Para efeito de caracterização da reincidência na aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, o termo a quo do prazo de 05 (cinco) anos insculpido no artigo 290, parágrafo único, do Decreto n° 3.048/99 - Regulamento da Previdência Social, é a data do trânsito em julgado da decisão condenatória administrativa.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARP, c/c a Súmula n° 2 do antigo 2° CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2401-000.823
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos,I)em rejeitar a preliminar de decadência, II) em negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 25/09/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO III, LEI N° 8.212/91. Constitui fato gerador de multa deixar o contribuinte de prestar ao INSS todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários ao regular desenvolvimento da fiscalização/ação fiscal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Tratando-se de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, onde o contribuinte omitiu informações e/ou documentos solicitados pela fiscalização, caracterizando o lançamento de oficio, o prazo decadencial para a constituição do- crédito previdenciário é de 05 (cinco) anos, via de regra, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n°s 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. Rejeita-se a preliminar de decadência no caso de Auto de Infração cuja existência de uma única inobservância de obrigação acessória enseja a manutenção da autuação em sua integralidade, ainda que parte do período já tenha sido alcançado pela decadência, não tendo, porém, o condão de afastar a penalidade aplicada, como se vislumbra no caso vertente. MULTA APLICADA. REINCIDÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO. TERMO A QUO. Para efeito de caracterização da reincidência na aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, o termo a quo do prazo de 05 (cinco) anos insculpido no artigo 290, parágrafo único, do Decreto n° 3.048/99 - Regulamento da Previdência Social, é a data do trânsito em julgado da decisão condenatória administrativa. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARP, c/c a Súmula n° 2 do antigo 2° CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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Numero do processo: 10670.001936/2002-99
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2005
Ementa: Normas gerais de Direito Tributário. Lançamento por homologação.
Na vigência da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, o contribuinte do ITR está obrigado a apurar e a promover o pagamento do tributo, subordinado o lançamento à posterior homologação pela Secretaria da Receita Federal. É exclusivamente do sujeito passivo da obrigação tributária o ônus da prova da veracidade de suas declarações contraditadas enquanto não consumada a homologação.
Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). Não-incidência. Área de interesse ecológico.
Sobre as áreas de interesse ecológico comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola,
pecuária, granjeira, aqüicola ou florestal não há incidência do tributo, mas a legitimidade dessas áreas deve ser declarada por ato do órgão competente, federal ou estadual.
RECURSO DESPROVIDO.
Numero da decisão: 303-32.494
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho
de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Tarásio Campelo Borges
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Lançamento por homologação. Na vigência da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, o contribuinte do ITR está obrigado a apurar e a promover o pagamento do tributo, subordinado o lançamento A posterior homologação pela Secretaria da Receita Federal. E exclusivamente do sujeito passivo da obrigação tributária o ônus da prova da veracidade de suas declarações contraditadas enquanto não consumada a homologação. Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (1TR). Não-incidência. Area de interesse ecológico. Sobre as Areas de interesse ecológico comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqiiicola ou florestal não há incidência do tributo, mas a legitimidade dessas Areas deve ser declarada por ato do órgão competente, federal ou estadual. Recurso desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ANELISE DAUDT PRIETO Presidente G),QÇ.61 TARASIO CAMPELO BORGES Relator Formalizado em: 22 NOV 2005 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Nanci Gama, Sérgio de Castro Neves, Silvio Marcos Barcelos Fiúza, Nihon Luiz Bartoli, Marciel Eder Costa e Zenaldo Loibman. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional Rubens Carlos Vieira. DM .* I. • • Processo n° Acórdão n° : 10670.001936/2002-99 : 303-32.494 RELATÓRIO Os autos do presente processo tratam da exigência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) relativo ao fato gerador ocorrido em 1° de janeiro de 1998, bem como juros de mora e multa ex officio (75%), lançados por intermédio do Auto de Infração de folhas 2 a 13, inerentes ao imóvel denominado Fazenda Brejo Grande e Jacaré, NIRF 641.111-8, localizado no município de Grão Mogol (MG). Segundo a denúncia fiscal (folha 4), a exigência decorre de glosas parciais das areas declaradas de preservação permanente e de reserva legal. Diz o autuante que, formalmente intimado, o declarante apresentou fiscalização da Receita Federal o Ato Declaratório Ambiental do Ibama (ADA) e a averbação da reserva legal com areas inferiores as declaradas na DITR do exercício de 1988. As glosas foram efetivadas pelas diferenças entre as áreas declaradas à SRF e aquelas contidas nos documentos apresentados. Regularmente intimado da exigência fiscal em 30 de dezembro de 2002 1 , o interessado, por seu procurador constituído à folha 37, instaurou o contraditório em 27 de janeiro de 2003, mediante protocolização da peça impugnativa de folhas 34 a 36, instruída, além do instrumento de mandato, corn: cartão de identidade de advogado de folha 38, laudo técnico de vistoria de folhas 39 e 40 e Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) firmada no Crea de Minas Gerais de folha 41. As razões de impugnação foram assim sintetizadas no relatório do acórdão recorrido: - o lançamento é improcedente tendo em vista que, na ação fiscal, não foi levada em conta a existência, no imóvel rural ern questão, de 630,0 ha. [sic] (seiscentos e trinta hectares) de áreas inaproveitáveis para qualquer atividade agrícola, pecuária, granjeira, aquicola [sic] ou florestal; - na realidade, houve apenas erro involuntário no preenchimento da DIAC [Documento de Informação e Atualização Cadastral do ITR] relativa ao exercício, uma vez que o formulário oferecido pela SRF induz ao engano por não haver nele campo especifico para declarar as áreas inaproveitáveis, motivo pelo qual foram elas incluidas no campo destinado a [sic] área de utilização AR de folha 32. 2 3 Processo n° Acórdão n° : 10670.001936/2002-99 : 303-32.494 limitada e a area de reserva legal foi indevidamente englobada com a area de preservação permanente; - trouxe aos autos, para comprovar a existência fisica e real das areas inaproveitaveis, cópias autenticadas de "laudo técnico de vistoria"; - afirma que a exclusão das areas inaproveitaveis da area aproveitável para o calculo do GU esta prevista no art. 10 da Lei 9.393/96 - transcrito parcialmente -, de forma que as areas que não forem passíveis de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqiiicola ou florestal não podem ser consideradas como integrantes da area aproveitável e, por conseguinte, devem ser excluídas para se apurar o grau de utilização; - no exercício em pauta, feitas na DIAC apresentada as necessárias correções, verifica-se que o grau de utilização é da ordem de 80,1%, idêntico, portanto, ao que foi utilizado para fins do calculo e pagamento do imposto; A la Turma da DRJ em Brasilia, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento com os fundamentos de folhas 48 a 50, assim resumidos na ementa do acórdão: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR Exercício: 1998 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA — ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO — Não declarada como de interesse ecológico, mediante ato do órgão competente federal ou estadual, deve ser mantida a tributação da area de utilização limitada de que trata o art. 10, § 1 0, inciso II, alínea "c", da Lei 9.393/97 e o inciso II, do § 3 0, do art. 10, da IN SRF n° 43/97, com redação do art. 1 0, II, da IN/SR /n° 67/1997. Lançamento Procedente Ciente, em 9 de dezembro de 2003 (AR de folha 52, verso), do inteiro teor do Acórdão DRJ/BSA 7.860, de 15 de outubro de 2003, no recurso voluntário de folhas 56 a 61, interposto em 2 de janeiro de 2004, as razões iniciais são reiteradas e a apuração do imposto é demonstrada. Instrui o recurso voluntário, para garantir a instância recursal, depósito extrajudicial no valor de R$ 6.001,00, levado a efeito na Caixa Econômica Federal (fotocópia autenticada por tabelião, folha 55). o relatório. Processo n° Acórdão n° : 10670.001936/2002-99 : 303-32.494 VOTO Conselheiro Tarásio Carnpelo Borges, Relator Conheço o recurso voluntário interposto em 2 de janeiro de 2004, As folhas 56 a 61, porque tempestivo e com a instância garantida mediante o depósito extrajudicial A ordem e A disposição da autoridade administrativa no valor de R$ 6.001,00, que presumo suficiente em face dos despachos de folhas 62 e 63. Sobre a sistemática de apuração do ITR, na vigência da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, o contribuinte do tributo está obrigado a apurar e a promover o pagamento do valor devido, subordinado o lançamento A posterior homologação pela Receita Federal. Mas é exclusivamente do sujeito passivo da obrigação tributária o ônus da prova da veracidade de suas declarações contraditadas enquanto não consumada a homologação. Conforme relatado, a lide é restrita As glosas parciais das areas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal) que o próprio autuado reconhece incorretamente declaradas e atribui esse fato A deficiência do Documento de Informação e Atualização Cadastral do ITR (Diac), sem campo especifico para serem declaradas as áreas imprestáveis então incluidas no campo destinado A area de utilização limitada e esta, por sua vez, adicionada A area de preservação permanente. certo que a Lei 9.393, de 1996, no seu artigo 10, § 1°, inciso II, alínea "c", permite excluir da Area total do imóvel as áreas comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqiiicola ou florestal. Contudo, subordina esse direito à declaração de interesse ecológico firmada por órgão competente, federal ou estadual. Estamos, portanto, diante do seguinte caso concreto: afora expressamente reconhecer como Areas de preservação permanente e de reserva legal somente aquelas acolhidas pela autoridade fiscal autuante, o ora recorrente não logrou comprovar a existência de declaração de interesse ecológico para as alegadas áreas imprestáveis. Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 20 de outubro de 2005 1 TARÁSIO CAMPELO BORGES - Relator 4
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Numero do processo: 10820.000854/00-04
Turma: Primeira Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2005
Ementa: DECISÃO JUDICIAL — LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE — INEXISTÊNCIA — RESPEITO À COISA JULGADA — Tendo o Acórdão do TRF da 3a Região reformado parte da sentença que se ancorava justamente no Decreto 2.138/97, este dispositivo não pode ser tratado como lei superveniente mais benéfica, a alterar a coisa julgada que
determinou a compensação de créditos de PIS exclusivamente com
débitos da mesma contribuição. Adicionalmente, caso fosse tal norma aplicável, ainda assim caberia ao contribuinte ter requerido a compensação na forma do próprio Decreto 2.138/97 e da IN SRF 21/97 que o regulamentou.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: CSRF/01-05.191
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Mário Junqueira Franco Júnior
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Sessão de : 14 de março de 2005. Acórdão n°. : CSRF/01-05.191 DECISÃO JUDICIAL — LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE — INEXISTÊNCIA — RESPEITO À COISA JULGADA — Tendo o Acórdão do TRF da 3a Região reformado parte da sentença que se ancorava justamente no Decreto 2.138/97, este dispositivo não pode ser tratado como lei superveniente mais benéfica, a alterar a coisa julgada que determinou a compensação de créditos de PIS exclusivamente com débitos da mesma contribuição. Adicionalmente, caso fosse tal norma aplicável, ainda assim caberia ao contribuinte ter requerido a compensação na forma do próprio Decreto 2.138/97 e da IN SRF 21/97 que o regulamentou. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ' C---------cs /7(-------- MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS PRESIDENTE W //a.(44/:2 ` / . 4,(44,t, MÁRIOAUN,QÚE - A ' - á NCO JÚNIOR RELOOR/ / / /', t'''' Vr FORMALIZADO á: 1 8 ABP 9nns vvs Processo n°. : 10820.000854/00-04 Acórdão n°. : CSRF/01-05.191 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, VICTOR LUÍS DE SALLES FREIRE, JOSÉ CLOVIS ALVES, JOSÉ PASSUELLO, MARCOS VINÍCIUS NEDER DE LIMA, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, DORIVAL PADOVAN e JOSÉ HENRIQUE LONGO. 7i 2 Processo n°. : 10820.000854/00-04 Acórdão n°. : CSRF/01-05.191 Recurso n°. : 103-124874 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessada : COLOR VISÃO DO BRASIL INDÚSTRIA AGRÍCOLA LTDA. RELATÓRIO Trata-se de especial interposto pela douta Procuradoria da Fazenda Nacional em face de acórdão não-unânime da colenda Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, o qual restou assim ementado: "Após o advento do Decreto 2.138, de 29 de janeiro de 1997, admite- se a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da Secretaria da Receita Federal, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional". Iniciou-se o procedimento fiscal com auto de infração para exigência de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, constante em DCTF, no entanto compensada com créditos de PIS derivados de processo judicial devidamente indicado. Consta do Termo de Constatação de fls. 5 que a ora interessada pleiteou judicialmente a compensação de créditos de PIS, decorrente da aplicação da Lei 7/70 versus os Decretos-Leis 2245/88 e 2449/88, com demais tributos, logrando êxito em primeira instância. Anota a fiscalização, entretanto, que após apelação, transitou em julgado acórdão do TRF da 3' Região determinando a compensação exclusivamente com débitos do próprio PIS, fato então que ensejou o auto de infração. A colenda Terceira Câmara decidiu, por maioria, fls. 537, que a legislação superveniente, Decreto 2.138/97 e IN SRF 21/97 não havia sido levada em consideração pelo acórdão, devendo ser a mesma aplicada ao caso dos autos. Éj? 3 Processo n°. : 10820.000854/00-04 Acórdão n°. : CSRF/01-05.191 Daí o presente especial, cujas razões resumo abaixo: i - aduz a Fazenda Nacional que há contrariedade do julgado com o disposto no artigo 468 do Código de Processo Civil, em desrespeito à coisa julgada, que determinou a compensação apenas com débitos de PIS; - afirma que a sentença e o acórdão já foram prolatados sob a vigência do Decreto 2.138/97, que o mesmo não seria, portanto, legislação superveniente; - adicionalmente, indica que a jurisprudência do STJ é para a aplicação da lei vigente na data do encontro de contas; - por fim, afirma inexistir liquidez e certeza do crédito utilizado, sendo que, se mantida a decisão recorrida, o fisco jamais poderia conferir o verdadeiro crédito do contribuinte. Contra-razões pedindo a aplicação do disposto no Decreto 2.138/97, indicando também que PIS e CSL são tributos da mesma natureza. É o Relatório. ,72 &:7)- 4 Processo n°. : 10820.000854/00-04 Acórdão n°. : CSRF/01-05.191 VOTO Conselheiro MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR, Relator. O recurso é tempestivo, restando também demonstrada a possibilidade do pedido, haja vista a indicação de dispositivo legal contrariado. Dele conheço. A contribuinte interessada compensou nos anos-calendário de 1997 e 1998 créditos de PIS com débitos de CSL. Tais créditos derivaram de ação declaratória reconhecendo seu direito à compensação. Ocorre que, judicialmente, transitou em julgado acórdão que determinava a compensação tão-somente com débitos também de PIS. Veja-se que a sentença originalmente permitia a compensação do crédito com quaisquer outros tributos administrados pela Receita Federal, à luz do Decreto 2.138/97, expressamente. Já o acórdão do TRF limitou tal provimento para a compensação PIS com PIS, conforme sua ementa. O Decreto 2.138/97 não pode, assim, ser tratado como norma superveniente, pois a reforma em segundo grau atacou justamente a parte da sentença que nele se ancorava, fls. 98. Adicionalmente, ainda que se quisesse aceitar como aplicável tal diploma normativo, ter-se-ia que considerar o fato da interessada não ter respeitado os ditames da IN 21/97 que veio regulamentar o próprio Decreto (artigo 7°)., É,,í?V 5 Processo n°. : 10820.000854/00-04 Acórdão n°. : CSRF/01-05.191 Nela ficou estabelecido em seu artigo 12 o seguinte, e sua redação original: "Art. 12. Os créditos de que tratam os arts. 2° e 30 inclusive quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, serão utilizados para compensação com débitos do contribuinte, em procedimento de ofício ou a requerimento do interessado". 1 0 A compensação será efetuada entre quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da SRF, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. § 2° A compensação de ofício será precedida de notificação ao contribuinte para que se manifeste sobre o procedimento, no prazo de quinze dias, contado da data do recebimento, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 30 A compensação a requerimento, formalizada no "Pedido de Compensação" de que trata o Anexo III, poderá ser efetuada inclusive com débitos vincendos, desde que não exista débitos vencidos, ainda que objeto de parcelamento, de obrigação do contribuinte. § 40 Será admitida, também, a apresentação de pedido de compensação após o ingresso do pedido de restituição ou ressarcimento, desde que o valor ou saldo a utilizar não tenha sido restituído ou ressarcido. § 50 Se o valor a ser ressarcido ou restituído, na hipótese do § 4°, for insuficiente para quitar o total do débito, o contribuinte deverá efetuar o pagamento da diferença no prazo previsto na legislação específica. § 6° Caso haja redução no valor da restituição ou do ressarcimento pleiteado, a parcela do débito a ser quitado, na hipótese do § 4°, excedente ao valor do crédito que houver sido deferido, ficará sujeita à {vv, incidência de acréscimos legais. 6 Processo n°. : 10820.000854/00-04 Acórdão n°. : CSRF/01-05.191 § 7° A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art.17° § 8° A parcela do crédito, passível de restituição ou ressarcimento em espécie, que não for utilizada para a compensação de débitos, será devolvida ao contribuinte mediante emissão de ordem bancária na forma da Instrução Normativa Conjunta SRF/STN n° 117, de 1989. § 9° Os pedidos de compensação de débitos, vencidos ou vincendos, de um estabelecimento da pessoa jurídica com os créditos a que se refere o inciso II do art. 3°, de titularidade de outro, apurados de forma descentralizada, serão apresentados na DRF ou IRF da jurisdição do domicílio fiscal do estabelecimento titular do crédito, que decidirá acerca do pleito. § 10. Na hipótese do parágrafo anterior, a compensação será pleiteada por meio do formulário 'Pedido de Compensação', de que trata o Anexo II 1''. Ora, esse mecanismo de requerimento específico permitiria, mediante processo adequado, a confirmação monetária do crédito da interessada, fato inexistente nos autos, haja vista a indicação de compensações com outros tributos em outros processos. No entanto, a interessada utilizou seu alegado crédito com débitos da CSL mediante compensação em DCTF, sem respeitar o estabelecido pelo próprio Decreto 2.138/97 e pela IN SRF 21/97, as mesmas normas que neste procedimento defende a aplicação. Vale ressaltar que não resultou da ação declaratória proposta pela interessada nenhum valor específico a compensar, mas apenas a certeza de um direito à compensação, e, no caso, exclusivamente com débitos de PIS. 7 Processo n°. : 10820.000854/00-04 Acórdão n°. : CSRF/01-05.191 Assim, ainda que fosse aplicável qualquer legislação superveniente, no caso não é, deveria ter o contribuinte obedecido as regras procedimentais estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal, conforme os diplomas legais já citados. Voto pelo provimento do recurso, restabelecendo a exigência. Sala das Sessões - DF, em 14 de março de 2005. áll4,24.(2,4r4~ MÁRIO 1.áNd'VÉIRA F NCO JÚNIOR „ .10 8 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1
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Numero do processo: 19515.003249/2004-37
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/1999 a 31/05/2000, 01/07/2000 a 31/01/2003, 01/03/2003 a 30/04/2003, 01/08/2003 a 31/10/2003, 01/12/2003 a 31/12/2003, 01/02/2004 a 29/02/2004, 01/04/2004 a 30/09/2004
COISA JULGADA INCONSTITUCIONAL. RELATIVIZAÇÃO ADMINISTRATIVA. VEDAÇÃO. SÚMULA 487 DO STJ.
É vedada a relativização administrativa da coisa julgada, em função de superveniente decisão do STF com repercussão geral reconhecida, especialmente na hipótese de que trata a Súmula no 487 do STJ, que reflete o entendimento externado no REsp no 1.189.619/PE, sob a sistemática dos recursos repetitivos.
Numero da decisão: 3403-001.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1842; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 1.546 1 1.545 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.003249/200437 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403001.945 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃOPIS E COFINS Recorrente SULLAIR DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/1999 a 31/05/2000, 01/07/2000 a 31/01/2003, 01/03/2003 a 30/04/2003, 01/08/2003 a 31/10/2003, 01/12/2003 a 31/12/2003, 01/02/2004 a 29/02/2004, 01/04/2004 a 30/09/2004 COISA JULGADA INCONSTITUCIONAL. RELATIVIZAÇÃO ADMINISTRATIVA. VEDAÇÃO. SÚMULA 487 DO STJ. É vedada a relativização administrativa da coisa julgada, em função de superveniente decisão do STF com repercussão geral reconhecida, especialmente na hipótese de que trata a Súmula no 487 do STJ, que reflete o entendimento externado no REsp no 1.189.619/PE, sob a sistemática dos recursos repetitivos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 32 49 /2 00 4- 37 Fl. 1546DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Relatório Versa o presente processo sobre Autos de Infração por falta ou insuficiência de recolhimento de: a) Contribuição para o PIS/Pasep, nos períodos de apuração de 08/1999 a 05/2000, 07/2000 a 01/2003, 03/2003, 04/2003, 08/2003 a 10/2003, 12/2003, 02/2004, e 04/2004 a 09/2004 (fls. 235 a 2511), acrescendose multa de ofício e juros de mora; e b) Cofins, nos períodos de apuração de 08/1999 a 05/2000, 07/2000 a 12/2002, 03/2003, 04/2003, 08/2003 a 10/2003, 12/2003, 02/2004, e 04/2004 a 09/2004 (fls. 642 a 658), também com multa de ofício e juros de mora. Na Descrição dos Fatos (Contribuição para o PIS/Pasep fls. 231 a 234; e Cofins fls. 638 a 641), informase que foram constatadas divergências entre os valores declarados e os escriturados, adicionandose que: a) a partir dos elementos fornecidos pela empresa, e do DACON de fls. 80 a 165, foram efetuados confrontos, por amostragem, dos valores com seus registros contábeis (fls. 191 a 225) e fiscais (fls. 64 a 75), assim como com a DIPJ (fls. 226 a 227), constatandose irregularidades nos cálculos das contribuições, discriminadas nos demonstrativos de fls. 171 a 190 (Contribuição para o PIS/Pasep), e 579 a 597 (Cofins); b) nas informações prestadas pelo contribuinte e em sua escrituração contábil e fiscal, constatouse que este não incluiu como receita financeira (sujeita a tributação), os valores referentes a variações cambiais ativas; e c) a empresa, durante os trabalhos fiscais, apresentou DCTF retificadoras relativas aos períodos analisados, sem o conhecimento da fiscalização, contrariando o art. 138 do CTN, e o Parecer CST no 2.716/1984. Cientificada da autuação, a empresa apresentou, em 26/1/2005, as impugnações de fls. 258 a 279 (Contribuição para o PIS/Pasep), e 662 a 683 (Cofins), sustentando basicamente que: a) as justificativas para as diferenças apuradas pela fiscalização são apresentadas só em sede de impugnação, visto que não foi oportunizada a defesa durante o procedimento fiscal, o que viola os comandos constitucionais do contraditório e da ampla defesa; b) para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como é o caso dos exigidos na autuação, o prazo para que a Fazenda questione os créditos tributários (cf. art. 150, § 4o do CTN) é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, e, tendo a empresa sido cientificada da autuação somente em 27/12/2004, todos os créditos tributários referentes ao período anterior a dezembro de 1999 se encontram atingidos pela decadência; 1 Toda numeração de folhas indicada nesta decisão se refere à paginação eletrônica no "eprocessos". Fl. 1547DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 19515.003249/200437 Acórdão n.º 3403001.945 S3C4T3 Fl. 1.547 3 c) é indevida (cf. MP no 2.15835/2001) a tributação dos resultados positivos de variação cambial no anocalendário de 1999 (agosto a dezembro de 1999), mais especificamente em relação ao mês de dezembro de 1999; d) a exigência das contribuições sobre a contrapartida do ativo diferido, incluídas pela fiscalização na base de cálculo relativa a dezembro de 1999, não deve prosperar, uma vez que é totalmente indevida e ilegal (em face do art. 1o da MP no 1.818/1999, convertida na Lei no 9.816/1999); e) no que se refere à não inclusão das variações cambiais ativas como receitas financeiras, a empresa o fez por entender indevida e inconstitucional a ampliação da base de cálculo das contribuições introduzida pela Lei no 9.718/1998, que afronta o art. 110 do CTN e é anterior à Emenda Constitucional no 20/1988; f) os resultados positivos decorrentes de variação cambial de passivos apurados nos anoscalendário 1999 a 2002, nos quais a sociedade tributou seus resultados decorrentes da variação cambial segundo o regime de competência, não são passíveis de tributação pelas contribuições, pois, quando se está tratando de lançamento contábil a crédito no resultado, advindo de um decréscimo do passivo em moeda estrangeira, sem que, contudo, haja a efetiva liquidação da operação, não se está tratando, na verdade, de uma disponibilidade jurídica e tampouco de uma disponibilidade econômica (o que se está analisando é um ajuste contábil que teve como desdobramento a produção no resultado de uma simples expectativa de receita, ou seja, algo que, embora se possa transformar numa receita, depende de um evento futuro e incerto: a taxa de câmbio); g) apesar de haver redução do valor do passivo, não há a extinção parcial ou plena deste, o que virá a se consubstanciar somente no momento da quitação completa e irretratável da operação, não havendo, portanto, produção de receita antes disso, encontrando tal entendimento abrigo na Resolução CFC no 750/1993 (art. 10 princípio da prudência ou do conservadorismo), quando esta versa sobre o principio da competência; h) o registro contábil de um mero ajuste de uma conta patrimonial em função da oscilação do índice de mercado ao qual ela está vinculada não atende à primeira premissa sobre as condições que devem estar presentes no momento do reconhecimento de uma receita, segundo o Pronunciamento sobre Normas e Procedimentos de Contabilidade no 14 (“Receitas e Despesas – Resultados”); i) o STJ, no RE no 320.455, acordou unanimemente que o imposto de renda não incide sobre variação cambial até o momento da liquidação do direito ou do dever; j) a tributação, pelas contribuições, de variações cambiais transitórias, as quais não representam nenhum ingresso efetivo de recursos no patrimônio da sociedade (que somente poderá ocorrer por ocasião da liquidação da Fl. 1548DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 obrigação), viola ainda o principio da capacidade contributiva (art. 145, § 1o da CF); k) não obstante a regra geral do regime de competência, a empresa optou para os anoscalendário de 2003 e 2004, com base na permissão legal de que trata o art. 30 da MP no 2.15838/2001, por realizar a tributação de seus resultados decorrentes da variação cambial pelo regime de caixa: no anocalendário 2003, e essa opção pode ser inequivocamente inferida a partir da DIPJ apresentada pela empresa (documento 5, fls. 346 a 349), sendo que os recolhimentos respectivos podem ser comprovados pelas cópias dos DARF anexadas à impugnação (documento 6, fls. 350 a 354, e 754 a 758); e no anocalendário 2004, a sociedade ainda não havia entregue a sua DIPJ (o prazo somente vencia em 30/6/2005), de forma que sua opção ainda não havia sido formalizada a despeito disso, a sociedade vinha calculando e recolhendo as contribuições sobre os resultados de variação cambial com base no regime de caixa (período de janeiro de 2004 a setembro de 2004), o que pode ser comprovado pelos DACON referentes aos três primeiros trimestres de 2004 e pelos DARF correspondentes (documento 7, fls. 355 a 380, e 759 a 784); l) se a sociedade tributou os resultados positivos decorrentes da variação cambial desse período (anoscalendário de 2003 e 2004) pelo regime de caixa, o cálculo das contribuições efetuado pela autoridade fiscal, com base na contabilidade da empresa, segundo o regime de competência, não pode servir como parâmetro para aferir os tributos devidos; e m) o valor das contribuições cobrado, em relação aos meses de agosto e setembro de 2004 é claramente indevido e ilegal, já que o Decreto no 5.164/2004 reduziu a zero as alíquotas das contribuições incidentes sobre receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas à sistemática nãocumulativa (como é o caso da empresa) a partir de 2/8/2004. O julgador de primeira instância determinou, então, diligência (fls. 799), para que a fiscalização: (a) esclarecesse se na composição da base de cálculo relativa ao período de apuração dezembro de 1999 foi incluída a parcela referente à contrapartida do ativo diferido a que alude a citada Lei no 9.816/1999; e (b) recompusesse as bases de incidência adotadas nos lançamentos, de modo a nelas considerar a opção do contribuinte pelo reconhecimento das receitas de variações cambiais pelo regime de caixa em relação aos anoscalendário de 2003 e 2004. Em atendimento à diligência, são recompostas as bases dos anoscalendário de 2003 e 2004, esclarecendose ainda (fls. 1366 a 1381) que: a) a parcela supostamente registrada em conta do ativo diferido com o resultado líquido negativo decorrente do ajuste dos valores em reais de obrigações e créditos, efetuado em virtude da variação nas taxas de câmbio ocorrida no primeiro trimestrecalendário de 1999 (cf. Lei no 9.816/99), e incluída na base tributável considerada nos autos de infração referente ao mês de dezembro de 1999, mantém estreito vinculo com o processo no 19515.003368/200490, que trata de auto de infração do IRPJ e reflexos, no qual foi efetuada a glosa da variação cambial passiva não comprovada no anocalendário de 1999, e que se encontra no CARF/MF (fls. 1219 a 1223); Fl. 1549DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 19515.003249/200437 Acórdão n.º 3403001.945 S3C4T3 Fl. 1.548 5 b) as variações cambiais passivas do primeiro trimestre de 2009 não foram admitidas por não estarem comprovadas; e c) da verificação do plano de contas adotado pela empresa no período de 1999, constatouse a existência da conta “0310.4 Receitas com Atualizações 000000772 Variação Cambial Ativa”, que é uma conta credora de receitas (fls. 817), onde, no mês de dezembro de 1999, o movimento contábil escriturado a crédito foi de R$ 1.091.761,24, e onde estão os valores de R$ 276.347,27 e R$ 552.694,53, que totalizam R$ 829.041,80. A empresa manifestase sobre o Relatório de Diligência às fls. 1414 a 1425, reiterando a argumentação expendida na impugnação, e sustentando que: a) a recomposição das bases de cálculo das contribuições, considerando a opção pelo regime de caixa, praticamente elimina os lançamentos efetuados em 2003 e 2004; b) para as hipóteses em que as novas bases de cálculo recompostas atingiram montante superior à base de cálculo originalmente relacionada nos mapas anexos ao auto de infração, foi adotado este último valor, e, em face do tempo decorrido, descabe agravamento da importância lançada; e c) com relação aos quadros das contribuições no ano de 2004 (fls. 1386 a 1388), a empresa esclarece que, apesar da exigibilidade apontada na última coluna, as contribuições não são exigíveis nos meses de agosto e setembro de 2004, em função do art. 10 do Decreto no 5.164/2004. Em 19/1/2011, ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 1450 a 1474), que conclui pela parcial procedência da autuação, nos seguintes termos: a) na fase contenciosa do processo não houve cerceamento ao contraditório e à ampla defesa; b) em função da Súmula Vinculante no 8 do STF e do art. 150, § 4o do CTN, são atingidos pela decadência os lançamentos de COFINS referentes a agosto, setembro, outubro e novembro de 1999; c) em relação à Contribuição para o PIS/Pasep, como não houve pagamento antecipado, aplicase o art. 173, I do CTN, inexistindo lançamento nos autos que padeça de decadência; d) no que se refere à contestação do alargamento da base de cálculo promovida pela Lei no 9.718/1998, a empresa ingressou com a ação judicial (mandado de segurança) no 1999.61.00.0279507/SP, questionando em juízo exatamente tal matéria, devendo a decisão judicial (operandose a coisa julgada no sentido da constitucionalidade) ser acatada na via administrativa, em nome do princípio da unicidade de jurisdição; Fl. 1550DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN 6 e) deve ser excluída da tributação, para ambas as contribuições, a parcela de R$ 829.041,80, referente a variação cambial ativa (“variação cambial diferida”) do mês de dezembro de 1999, nos termos da Lei no 9.816/1999, que atenua o impacto da maxidesvalorização do Real; f) como o regime adotado pelo contribuinte para os anoscalendário de 2000, 2001 e 2002 foi o de competência, não deve haver qualquer modificação em relação à base de cálculo e ao valor das contribuições apuradas como devidas pela fiscalização nos autos de infração; g) as variações monetárias ativas registradas na contabilidade da empresa segundo o regime de competência (em sendo essa a opção adotada pelo contribuinte, tal como ocorre nos anoscalendário 2000, 2001 e 2002) devem ser computadas na condição de receitas financeiras, na determinação das bases de cálculo das contribuições, a partir de 1/2/1999, cf. art. 9o da Lei no 9.718/1998, e Ato Declaratório SRF no 73/1999; h) em virtude da adoção do regime de caixa na apuração das variações cambiais ativas para os anoscalendário de 2003 e 2004, por opção do contribuinte, devem ser as bases de cálculo das contribuições adaptadas aos quadros resultantes da recomposição promovida em sede de diligência, ressalvandose a redução promovida pelo Decreto no 5.164/2004 (que macula os lançamentos para os fatos geradores de agosto e setembro de 2004); e i) os valores devidos passam a ser os constantes das planilhas de folha 1473, que adotou, na ocorrência de valores majorados pela recomposição, os originais da autuação (tal fato ocorreu exclusivamente para a Cofins de dezembro de 2003), por descaber o agravamento da importância lançada. Cientificado do resultado do julgamento em 11/10/2011 (AR à fl. 1493), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 8/11/2011 (fls. 1499 a 1514), no qual: a) reitera a argumentação expressa na impugnação, no sentido de que a não inclusão pela recorrente das variações cambiais ativas como receitas financeiras decorre de entendimento pela inconstitucionalidade da base de cálculo das contribuições alargada pela Lei no 9.718/1998, que afronta o art. 110 do CTN e é anterior à Emenda Constitucional no 20/1988 (sendo que a disciplina legal posterior à Emenda só seria veiculada pelas Leis no 10.637/2002 em relação à Contribuição para o PIS/Pasep e no 10.833/2003 quanto à Cofins); b) afirma que a alegação do julgador de primeira instância sobre a ação judicial impetrada pela recorrente, no sentido de que haveria coisa julgada material, constitui inovação argumentativa, que pode ser refutada no Recurso Voluntário (o que é feito, indicandose que o plenário do STF atestou a inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998 nos RE no 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, com efeitos vinculantes inclusive para a Administração Pública, cf. atesta o art. 26A do Decreto no 70.235/1972); e c) sustenta que o efeito vinculante das decisões do STF, em sede de controle de constitucionalidade, implica relativização da coisa julgada Fl. 1551DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 19515.003249/200437 Acórdão n.º 3403001.945 S3C4T3 Fl. 1.549 7 inconstitucional, linha que logrou acolhida no parágrafo único do art. 741 do CPC. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. A matéria controversa em sede de Recurso Voluntário resumese à (in)exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre variações cambiais ativas (receitas financeiras), em função de entendimento pela inconstitucionalidade da base de cálculo das contribuições alargada pela Lei no 9.718/1998. O fisco sustenta serem exigíveis as contribuições, por enquadraremse as variações cambiais ativas como receitas financeiras, passíveis de tributação segundo a Lei no 9.718/1998. A empresa sustenta a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovida pela Lei no 9.718/1998. No julgamento de primeira instância informa se ainda que a empresa demandou exatamente isso em juízo, tendo sido formada coisa julgada material em seu desfavor. Sobre a demanda judicial, sustenta a empresa que a coisa julgada é relativizada pela decisão plenária do STF pela inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998. Dispõe a Lei no 9.718/1998: “Art. 2o As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3o O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) Art. 9o As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso.” (grifos nossos) Endossese que o § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998 (cujo texto dispunha: “Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”), posteriormente revogado pela Lei no 11.491/2009, foi declarado inconstitucional por Fl. 1552DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN 8 decisão plenária do STF, no RE no 585.235/MG, de reconhecida repercussão geral, cuja ementa estabelece: “Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3o, § 1o, da Lei no 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE no 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1 o.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3o, § 1 º, da Lei no 9.718/98.” (STF, Pleno, RE 585.235 QORG, Relator Min. CEZAR PELUSO, unânime, julgado em 10/09/2008, PUBLIC 28112008) (grifo nosso) Aclarando mais o conteúdo do decidido pela Suprema Corte, verificase pelo voto condutor do acórdão citado que se entende por receita bruta aquela “obtida das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. O entendimento expresso no julgamento do STF é de observância obrigatória no âmbito deste tribunal administrativo, por força do disposto no art. 543B do CPC (que trata da repercussão geral) e do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/6/2009): “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” (grifo nosso) Como variações cambiais ativas são receitas financeiras, e tais receitas restaram excluídas do conceito de receita bruta pela decisão do STF, imediato seria o desfecho deste caso, não fosse um fator complicador: a existência de coisa julgada material em relação à recorrente. Na demanda judicial (cf. peças anexadas pelo julgador a quo fls. 1427 a 1447), verificase que a recorrente buscou tutela exatamente em relação ao alargamento da base de cálculo promovida pela Lei no 9.718/1998 (§ 1o do art. 3o). Isso não é contestado nos autos. Estivesse a ação ainda em trâmite, operaria a concomitância em relação à matéria, excluindo a apreciação administrativa, cf. Súmula CARF no 1: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Contudo, no caso em análise operouse a coisa julgada: tendo o TRF da 3a Região acordado em concreto pela constitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998 (fls. 1431 a 1433) o processo chegou ao STJ em recurso especial (REsp no 746.361/SP), não Fl. 1553DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 19515.003249/200437 Acórdão n.º 3403001.945 S3C4T3 Fl. 1.550 9 conhecido pelo tribunal (fls. 1439/1447), operandose a coisa julgada em 12/5/2006, com o decurso in albis do prazo para recurso ou manifestação da parte interessada (fl. 1437). De plano, esclarecese que a verificação, durante o julgamento administrativo, de que havia ação judicial da interessada exatamente sobre a matéria discutuda nos autos administrativos não constitui inovação argumentativa, como alega a recorrente. O teor da súmula acima reproduzida reflete o entendimento reiterado deste CARF de que a Administração não se pronuncia sobre a matéria discutida em juízo, em função do princípio da unidade de jurisdição. E se o julgador verifica a existência de duplicidade de discussão (administrativa e judicial), ainda que a empresa não tenha revelado isso nos autos, nem a fiscalização tenha levantado em sua autuação, isso de forma alguma constitui uma inovação argumentativa, pois tratase de questão que pode (e deve) ser levantada de ofício, sob pena de violação do citado princípio. A recorrente sustenta ainda que o fato de o STF ter posteriormente declarado a inconstitucionalidade do mesmo dispositivo (§ 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998) relativiza a coisa julgada, endossando seu entendimento nas recentes alterações do Código de Processo Civil, que dispõe em seus arts. 475L e 741 (ambos com a redação dada pela Lei no 11.232/2005): “Art. 475L. A impugnação somente poderá versar sobre: (...) II inexigibilidade do título; (...) § 1o Para efeito do disposto no inciso II do caput deste artigo, considerase também inexigível o título judicial fundado em lei ou ato normativo declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou interpretação da lei ou ato normativo tidas pelo Supremo Tribunal Federal como incompatíveis com a Constituição Federal.” “Art. 741. Na execução contra a Fazenda Pública, os embargos só poderão versar sobre: (...) II inexigibilidade do título; (...) § 1o Para efeito do disposto no inciso II do caput deste artigo, considerase também inexigível o título judicial fundado em lei ou ato normativo declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou interpretação da lei ou ato normativo tidas pelo Supremo Tribunal Federal como incompatíveis com a Constituição Federal.” (grifo nosso) Sobre o tema, é de se trazer à discussão outra matéria já sumulada, agora no âmbito do STJ (Súmula no 487): “o parágrafo único do art. 741 do CPC não se aplica às sentenças transitadas em julgado em data anterior à da sua vigência”. Fl. 1554DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN 10 No caso analisado nos autos, o trânsito em julgado ocorreu, como exposto, em 12/5/2006, e a data de vigência do parágrafo único do art. 471, conforme art. 8o da Lei no 11.232/2005, é 23/6/2006 (seis meses após a data de publicação, que se deu no DOU de 23/12/2005). Assim, pela Súmula no 487 do STJ, inaplicável o parágrafo único do art. 741 ao caso sobre o qual trata o presente processo. Importante ainda destacar que a Súmula no 487 do STJ reflete o entendimento externado no REsp no 1.189.619/PE, sob a sistemática dos recursos repetitivos. Assim, sua observância é obrigatória por este CARF, em função do disposto no art. 543C do CPC e do (já transcrito) art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/6/2009). Dessa forma, não cabe, no caso concreto, a relativização administrativa da sentença judicial transitada em julgado em desfavor da recorrente, em função de decisão posterior do STF pela constitucionalidade do mesmo dispositivo. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão de piso. Rosaldo Trevisan Fl. 1555DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN
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