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4623790 #
Numero do processo: 10580.006369/93-97
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 1998
Numero da decisão: 105-01.002
Decisão: RESOLVEM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Afonso Celso Mattos Lourenço

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4622507 #
Numero do processo: 10166.002465/2005-89
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2007
Numero da decisão: 302-01.392
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos termos do voto do relator
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

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Numero do processo: 10880.007266/2002-49
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Wed May 14 00:00:00 UTC 2003
Numero da decisão: 101-02.400
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Paulo Roberto Cortez

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Recurso nO. Matéria Recorrente Recorrida Sessão de MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA 10880.007266/2002-49 131.900 IRPJ e OUTROS - Exs: 1992 a 1994 BRASILATA SA EMBALAGENS METÁLICAS 10' TURMA DA DRJ EM SÃO PAULO - SP 14 de maio de 2003 R E 5 O L U ç Ã O W 101.02.400 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso voluntário interposto por BRASILATA SA EMBALAGENS METÁLICAS. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. • • PAUL RELATOR ORTEZ FORMALIZADO EM: • Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: KAZUKI SHIOBARA, VALMIR SANDRI, SANDRA MARIA FARONI, RAUL PIMENTEL, CELSO ALVES FEITOSA e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. , . I PROCESSO N°. : 10880.007266/2002-49 RESOLUÇÃO NO.: 101-02.400 2 RECURSO N°. RECORRENTE : 131.900 : BRASILATA SA EMBALAGENS METÁLICAS RELATÓRIO • " • • BRASILATA SA EMBALAGENS METÁLICAS, já qualificada nestes autos, recorre a este Colegiado, através da petição de fls. 162/1929, do Acórdão nO 00.436, de 26/02/2002 (fls. 123/152), prolatado pela 10' Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo - SP, que julgou parcialmente procedente o crédito tributário consubstanciado nos seguintes autos de Infração: IRPJ, fls. 38; PIS, fls. 52; IRFONTE, fls. 69; e Contribuição Social, fls. 80. O lançamento de oficio foi procedido em razão do arbitramento dos lucros pela desclassificação da escrituração contábil pelo fato de que nos livros comerciais obrigatórios e auxiliares não constam as indicações das contrapartidas em cada lançamento contábil. Além disso, as contas como "caixa", "bancos", e "contas a pagar" encontram-se condensadas nos livros Diário e Razão. Tempestivamente a contribuinte insurgiu-se contra a exigência, nos termos da impugnação de fls. 88/340. A 10' Turma de Julgamento/DRJ-SPO, decidiu pela procedência parcial do lançamento, conforme acórdão citado, cuja ementa tem a seguinte redação: "IRPJ Ano-calendário: 1992, 1993, 1994 ARBITRAMENTO DE LUCRO. ARGÜiÇÃO DE NULIDADE. A falta de registro de contrapartida dos lançamentos contábeis implica a desclassificação da escrita e, conseqüente, arbitramento do lucro. PEDIDO DE PERíCIA. O exame dos aspectos tributários dos fatos registrados pela interessada, que afetem o lucro real, é de competência exclusiva da Fiscalização, descabendo realização de pericia no que se refere Íl,/ desclassificação da escrita. T PROCESSO N°. : 10880.007266/2002-49 RESOLUÇÃO NO. : 101-02.400 3 • • • • • DEVOLUÇÕES DE VENDAS. Excluem-se da base de cálculo do lucro arbitrado as devoluções de vendas comprovadas. IMPOSTO DECLARADO. Deduz-se do cálculo do IRPJ sobre o lucro arbitrado, o valor do IRPJ declarado. RECEITAS FINANCEIRAS. A partir de 01/01/93, somente se incluem na apuração do lucro arbitrado as receitas financeiras líquidas positivas, ou seja, apenas naquilo que superarem as despesas financeiras . GANHO DE CAPITAL. A partir de 02/01/93, na forma de tributação pelo lucro arbitrado, tributam-se em separado os ganhos de capital, deduzidos os custos comprovados . SALDO CREDOR DE CORREÇÃO MONETÁRIA. Por falta de expressa previsão legal, exclui-se da tributação, pelo lucro arbitrado, o saldo credor de Correção Monetária apurado em balanço. VARIAÇÃO DE ESTOQUES. Exclui-se da apuração do lucro arbitrado a variação de estoques por tratar-se de componente afeto aos custos. JUROS A TIVOS. O registro de juros ativos entre unidades do mesmo sujeito passivo não tem reflexos no saldo da conta sintética de receitas financeiras. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPJ. Exonera-se a multa por atraso na entrega da DIRPJ à vista da comprovação da entrega efetuada no respectivo prazo de prorrogação. AUTOS REFLEXOS. A procedência parcial do lançamento de IRPJ implica a procedência também parcial dos lançamentos decorrentes de PIS, IR-Fonte e Contribuição Social, deduzindo-se de tais exigências os valores já recolhidos . LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE" Ciente da decisão de primeira instância, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 15/04/02 (fls. 162), onde apresenta, em sintese, os SegUint~ argumentos: 7 • PROCESSO N°. : 10880.007266/2002-49 RESOLUÇÃO N°. : 101-02.400 4 • • • • • a) que contratou uma empresa de renome internacional, a KPMG para realizar auditoria das suas demonstrações financeiras, apesar de inexistir qualquer obrigação legal para tanto. Tomou essa atitude porque visava construir uma imagem junto ao público investidor de seriedade administrativa e transparência de seus demonstrativos financeiros; b) que referida empresa de auditoria independente não constatou qualquer irregularidade em sua escrita contábil; c) que adotou durante todo o período, desde antes de 1988 até meados de 1994, exatamente o mesmo tipo de procedimento no que diz respeito ao registro dos lançamentos na sua contabilidade; d) que, de longa data a jurisprudência, tanto dos tribunais judiciais quanto do 10 Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, já firmou o preceito fundamental de que o abandono da escrita onde se apura o lucro líquido e o lucro real, para ser arbitrado o lucro tributável, somente é cabível nos casos em que as irregularidades nela encontradas sejam de tal monta que impossibilitem a determinação do lucro real; e) que, quando sejam encontradas irregularidades que não impeçam a apuração do lucro real, somente cabem as exigências fiscais que em cada caso incidam especificamente sobre tais irregularidades, seja a título de imposto, seja a título de penalidade; f) que, para justificar melhor a sua maneira de proceder, consultou a empresa Price HaterhouseCoopers, formulando alguns quesitos a respeito da matéria sub judice, cuja resposta informa o seguinte: - o sistema utilizado permite a identificação das contas envolvidas nos lançamentos contábeis, da data e da localização dos documentos comprobatórios; - as contrapartidas encontram-se identificadas mediante aposição do carimbo indicativo das contas a serem debitadas e creditadas, nos próprios documentos que deram origem aos lançamentos contábeis; - a contabilidade atende às normas contábeis e aos princípios fundamentais de contabilidade; - a contabilidade permite a apuração do lucro real; - o sistema utilizado pela recorrente para identificar as contas de lançamentos a débito e a crédito é de uso geral entre as empresas; g) que isso já é suficiente para demonstrar a infundada alegação fiscal, uma vez que os lançamentos contábeis identificam os documentos, inclusive sua localização, e nestes constam as contas onde eles estão lançados, a débito e a crédito. Isto também demonstra que é inverídica a alegação constante no acórdão recorrido de que "não se discute que a contrapartida d. ",da lança~nto ~tàb# não • Indl",da no P"'Odf • PROCESSO N°. : 10880.007266/2002-49 RESOLUÇÃO N°. : 101-02.400 5 • • • • • analisado" e que "esse fato já foi expressamente reconhecido pela impugnante"; h) que, ao contrário do que afirma a fiscalização, havia um sistema de identificação da contrapartida de cada lançamento, em perfeita ordem e de fácil acesso a manuseio; i) que, como atesta a PriceWaterhouseCoopers, sempre tomou cuidado de apor aos documentos de suporte dos lançamentos contábeis um carimbo com indicação das respectivas contas de débito e crédito, mantendo estes em perfeita ordem cronológica e de seqüência dos registros contábeis, de maneira a permitir seu fácil manuseio não apenas pela fiscalização, usuária eventual e remota das informações contábeis, mas dos próprios órgãos gerenciais da empresa; j) que o Auditor-fiscal ficou na cômoda posição de não se dar ao trabalho de compulsar os documentos de suporte dos lançamentos, os quais são de fácil acesso e fácil compreensão e lhe dão tanta informação sobre as contas lançadas a débito e a crédito quanto ele teria através de uma referência à conta de contrapartida que constasse de cada lançamento em uma determinada conta; k) que, não encontrando no próprio lançamento contábil a conta de contrapartida, caberia ao agente fiscal aprofundar sua ação através da verificação, pelos documentos referidos nesse mesmo registro contábil, de qual conta recebeu a contrapartida, ao invés de dizer que a contabilidade não permite identificar a relação entre os lançamentos e não é prestável à apuração do lucro real; I) que nos dizeres do Regulamento do Imposto de Renda, somente se admite o arbitramento quando as falhas acaso existentes forem de molde a tornar a escrituração imprestável para determinar o lucro real, o que não é o caso dos autos; m) que o Termo de Verificação não é muito claro e explícito quando cita que algumas contas estariam condensadas nos livros Diário e Razão, ou mencionando que o livro Diário foi escriturado com lançamentos mensais de forma reduzida, ou passando do item anterior a este sem maior lógica de exposição; n) que o acórdão recorrido também não aborda com clareza este item do auto de infração, limitando-se a citar o parágrafo único do art. 205 do RIR/94, o qual prescreve que "a escrituração deverá ser individualizada, obedecendo a ordem cronológica das operações"; o) que não fazia os lançamentos de forma resumida e totalizados, e a PriceWaterhouseCoopers atesta que os lançamentos no Diário e Razão foram efetuados individualizada e diariamente. Também atesta que o 'ooç,meoto oompo,to de ~;, de "m dooomeotote'r • PROCESSO N°. : 10880.007266/2002-49 RESOLUÇÃO N°. : 101-02.400 6 • • • • • identificada, no propno histórico contábil, a referência à documentação de suporte; p) que, para melhor visualização, juntou aos autos um exemplo de seu procedimento de lançamentos contábeis, relativos ao dia 28/04/1992 (docs. 13 a 19 da impugnação), pelo que se nota: - há lançamentos individualizados e diários; - um mesmo lançamento a crédito de receita de venda de um produto pode englobar todos os documentos de vendas desse produto na mesma data; - um mesmo lançamento a débito de um mesmo cliente pode englobar todas as compras feita por ele na mesma data; - o programa fornece uma "crítica de lançamentos", pela qual se pode verificar o total dos créditos de receitas do dia e o total dos correspondentes lançamentos em contrapartida, nesse mesmo dia, a débito de cada cliente (doc. 13 da impugnação); a mesma critica pode ser extraida com relação aos movimentos de outras naturezas na mesma data; - no Diário estão registrados os créditos e os débitos individualizadamente, e totalizado o movimento do dia (docs. 14 a 19 da impugnação); q) que o procedimento não violenta o disposto nos art. 204 do RIR/94 e seu correspondente art. 160 do RIR/80, assim como não contraria qualquer outra exigência legal ou regulamentar que seja pertinente, porque não ocorre na contabilidade da recorrente o registro no Diário simplesmente do total das receitas de venda de um determinado produto no mês, ou dos totais de outras contas, situação em que legalmente seria necessário o registro individualizado em livros auxiliares. Na contabilidade da recorrente, a individualização é feita diariamente no próprio Diário; r) que a fiscalização, ao invés de concentrar-se no cerne da questão e indicar qual seria o vício insanável existente na escrituração contábil da recorrente e o correspondente dispositivo legal que supostamente teria sido infringido, utilizou-se de alegações totalmente improcedentes; s) que o agravamento de coeficientes com base em portaria do Ministro da Fazenda é inválido, conforme pacífica jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes; t) que não havia nenhuma previsão legal dispondo sobre a inclusão, no cálculo do lucro arbitrado, de valores correspondentes aos resultados não operacionais, como também não havia nenhuma determinação prevendo que as receitas financeiras deveriam integrar a base de cálculo do lucro arbitrado. Desse modo, por completa falta de amparo legal, devem as receitas financeiras ser excluidas do cálculo do lucro arbitrado de 1992; u) que, nos anos-calendário de 1993 e 1994, a Portaria MF 524/93, passou a prever que os resultados positivos dero~ot" de reootla, oão romp",eodld., eolce reootl., dr • PROCESSO N°. : 10880.007266/2002-49 RESOLUÇÃO N°. : 101-02.400 7 • • vendas de mercadorias e serviços deveriam integrar o cálculo do lucro arbitrado; v) que, mesmo diante do que passou a prever essa portaria, as receitas financeiras não podem ser incluídas no cálculo do arbitramento, pois não há nenhuma base legal a suportar a norma regulamentar, e, como se sabe, a instituição de tributo depende sempre de lei para ser validamente exigida. Além disso, as receitas financeiras não se enquadram no conceito de "resultado positivo" de que trata a portaria. Portanto, não devem ser incluidas no cálculo do lucro arbitrado de 1993 e 1994; w) que, nos periodos abrangidos pela autuação, estava vigente para a cobrança do PIS, a sistemática da Lei Complementar n. 07/70, a qual previa expressamente que a base de cálculo do PIS era o faturamento do sexto mês anterior ao mês da realização do fato gerador, devendo a exigência fiscal correspondente ser cancelada. Às fls. 315, o despacho da DRF em São Paulo - SP, com encaminhamento do recurso voluntário, tendo em vista pressupostos para a admissibilidade e seguimento do mesmo. • • • É o Relatório . • • PROCESSO N°. : 10880.007266/2002-49 RESOLUÇÃO NO. : 101-02.400 VOTO Conselheiro PAULO ROBERTO CORTEZ, Relator O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento . 8 • • • • Como visto do relatório, trata-se de auto de infração lavrado em decorrência do arbitramento dos lucros nos anos-calendário de 1992, 1993 e 1994, pela desclassificação da escrituração contábil, conforme Termo de Verificação abaixo resumido: "Foi constatado que os livros contábeis obrigatórios e auxiliares (Livro Diário, Razão, Razões e Diários Auxiliares), não constam as indicações das contrapartidas em cada lançamento contábil, sendo impossivel a identificação das contas envolvidas; contas como "caixa'; "bancos" e "contas a pagar'; encontram-se condensadas nos livros Diários e Razão. Do exame da escrituração contábil da empresa, esta fiscalização constatou, outrossim, que o livro Diário foi escriturado com lançamentos mensais e de forma resumida. Ficou constatado, assim, que, no tocante á indicação de contrapartidas de lançamentos e descrição que permite sua perfeita identificação, a escrituração não apresentou as formalidades decorrentes das normas contábeis recomendadas. (. ..) Consoante dispõe o art. 62 da Lei nO 8.383/91, ao dar nova redação ao art. 14 da Lei nO8.218/91, a tributação com base no lucro real somente será admitida para as pessoas juridicas que mantiverem, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livros ou fichas utilizadas para resumir e totalizar por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no livro Diário (livro Razão), mantidas as demais exigências e condições p,.W"as na legislação,sob pena d" n'o o fazonr PROCESSO N°. : 10880.007266/2002-49 RESOLUÇÃO N°. : 101-02.400 9 • • • • terem seus lucros arbitrados. Referido dispositivo foi reproduzido no art. 205 e seus parágrafos do RIR/94. Tendo em vista que as deficiências constatadas ensejam o arbitramento do lucro, nos termos dos arts. 399, IV- RIR/80 e arts. 203 a 205, c/c arts. 538 e 539, 11e VII do RIR/94 e, após tentativas infrutíferas de identificar os lançamentos, esta fiscalização intimou o contribuinte a sanar tais irregularidades, mediante a reescrituração de sua escrita contábil (anos-calendário de 1992, 1993 e periodo compreendido entre janeiro e julho de 1994), conforme Termo de Constatação e de Intimação lavrado em 25/04/97, não tendo o contribuinte cumprido referida intimação. " A decisão de primeira instância, ao apreciar a matéria, reduziu em parte o lançamento, excluindo do mesmo algumas parcelas indevidamente incluídas como base de cálculo para a apuração do lucro arbitrado. Na presente instância, a contribuinte retoma aos autos inconformada com a manutenção do arbitramento, argumentando que inexistem as irregularidades informadas no auto de infração, pois o sistema contábil utilizado, permite a identificação das contas envolvidas nos lançamentos contábeis, bem como da data e da localização dos documentos comprobatórios, sendo que as contrapartidas encontram-se identificadas mediante aposição do carimbo indicativo das contas a serem debitadas e creditadas, nos próprios documentos que deram origem aos lançamentos contábeis . Afirma que a sua contabilidade atende às normas contábeis e aos princípios fundamentais de contabilidade, permitindo a apuração do lucro real de acordo com os parâmetros legais, pois o sistema utilizado para identificar as contas de lançamentos a débito e a crédito é de uso geral entre as empresas. Além disso, os lançamentos contábeis identificam os respectivos documentos, inclusive sua localização, e nestes são identificadas as contas onde eles estão lançados, a débito e a crédito. No processo administrativo fiscal deve sempre prevalecer o pPodplod, ,ern,de m"eP,', pol, " ,e p",oomIdeotifi~,re efetl"meote ooo,rnr • PROCESSO N°. : 10880.007266/2002-49 RESOLUÇÃO NO.: 101-02.400 10 • • • ou não o fato gerador, ou seja, o crédito tributár'io formalizado deve corresponder rigorosamente, à subsunção do fato concreto na respectiva hipótese de incidência. É a chamada exatidão legal do tributo. A Constituição Federal, o Código Tributário Nacional e o Decreto nO 70.235/72, este com as alterações advindas da Lei nO 8.748/93 e 9.532/97, garantem ao sujeito passivo da obrigação tributária a ampla defesa e o contraditório. Trata-se de direitos fundamentais que, quando violados, implicam em desrespeito a princípios como os da estrita reserva legal, do devido processo legal, da oficialidade e da verdade material, inviabilizando a almejada exatidão legal do tributo. No caso ora em apreço, não conseguimos vislumbrar a clareza necessária para uma perfeita apreciação dos fatos em discussão. A diligência levada a efeito pela fiscalização por determinação da DRJ em São Paulo - SP, apesar de ter respondido todos os quesitos daquela resolução, na presente instância permanecem algumas dúvidas de natureza eminentemente técnicas, as quais precisam ser esclarecidas para que se possa enfrentar o julgamento. Para exemplificar, consta do Termo de Diligência que: "Não há como identificar, apenas pela análise do valor, a contrapartida "a débito" do lançamento no valor de 100,00, pois que há dois lançamentos a débito de mesmo valor naquele dia. Sequer é possível, pela escrituração contábil, saber se um dado lançamento contém dois créditos para um débito (ou dois débitos para um crédito) ou se se trata de lançamento simples (um débito para um crédito), posto não haver indicação das contrapartidas. Não há, outrossim, como identificar a correlação existente (ou não) entre lançamentos a débito e a crédito, como no exemplo abaixo (valores fictícios), onde a coincidência de valores apenas induziria a erro: 1) Débito: Débito: Crédito: ou 100,00 50,00 150,00 2) Débito: 150,00 Crédito: 50,00 Crédito: 25,00 Crédito: 75,00 " PROCESSO N°. : 10880.007266/2002-49 RESOLUÇÃO NO. : 101-02.400 Informa ainda o diligenciante que: 11 • • • "não há correlação entre os 50,00 debitados no lançamento (1) e os 50,00 creditados no lançamento (2), embora tenham sido registrados no mesmo dia e com o mesmo valor (da mesma forma, em relação aos 150,00). Admitir tal tipo de escrituração seria o mesmo que reduzir a auditoria a práticas advinhatórias . Numa situação como a acima descrita - bastante comum, aliás - tanto o Diário, como o Razão tornam- se inúteis, o que, associado ao fato de não haver Livros Auxiliares até Julho/94, torna impossível a auditoria . O mais grave e que a sistemática adotada permite que se oculte a ocorrência hipotética de "diluição" de débitos que não tenham como contrapartidas créditos no mesmo valor, dado que não existe correlação, demonstrada nos Livros, entre ambos. A soma de débitos e créditos se iguala, mas não há correlação entre eles. Da mesma forma, a sistemática adotada possibilita que se oculte, por falta de clareza, a existência (hipotética) de débitos (e créditos concomitantes e de mesmo valor) isolados (sem contrapartida) ou débitos correspondendo a créditos de natureza completamente distintas, sem suporte documental. Por isso, a mera coincidência de totais a débito e totais a crédito não assegura a idoneidade da escrituração, dado o caráter obscurante da mesma, sendo esse, exatamente, o alcance da afirmação constante do Termo de Verificação à fi. 210, ao dispor que "a falta de indicação das contrapartidas de cada lançamento transformou a escrituração contábil em um conjunto de débitos e créditos que, embora de valores totais coincidentes, não permitem identificar qualquer relação entre si (assim, por exemplo, se uma modificação de situação do circulante estaria ligada a uma modificação no exigível ou no ativo permanente)". No processo administrativo predomina o principio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador do tributo. Para formar sua convicção, • PROCESSO N°. : 10880.007266/2002-49 RESOLUÇÃO N°. : 101-02.400 12 • • realização de diligências e, se for o caso, perícia. Na realidade, está em jogo a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento. Não é o caso que encontramos no presente estágio do processo, pois, tendo em vista a necessidade de maiores esclarecimentos a respeito da escrituração contábil da recorrente para o perfeito deslinde da questão, entendo ser necessária a realização de perícia, a qual deverá ser conduzida pela autoridade preparadora local que indicará o perito da Fazenda, a quem se delega todos os poderes, inclusive para aprovação de quesitos e fixação de prazo para a sua realização e demais providências que julgar oportunas ao perfeito esclarecimento da matéria, no sentido de que resulte definitivamente esclarecido se a escrituração contábil da recorrente possuía ou não os requisitos essenciais para a apuração do lucro real, devendo para tanto, serem observados os seguintes aspectos: a) de acordo com a legislação tributária, somente se admite o arbitramento quando as falhas encontradas tornem a escrituração imprestável para determinar o lucro real; b) o Termo de Verificação não é muito claro e explícito quando cita que algumas contas estariam condensadas nos livros Diário e Razão, bem como menciona que o livro Diário foi escriturado com lançamentos mensais de forma reduzida, sem a existência de livros auxiliares, fato esse que a recorrente insurge-se contra, de forma veemente; c) necessário se faz o devido esclarecimento se a escrituração da recorrente infringe o artigo 160 e seu parágrafo primeiro do RIR/80, e seu correspondente artigo 204 do RIR/94. Para tanto, deve-se dar ciência à recorrente para que querendo, (i) apresente quesitos suplementares, (ii) designe assistente esta,Ptr • PROCESSO N°. : 10880.007266/2002-49 RESOLUÇÃO NO. : 101-02.400 13 acompanhar os trabalhos periciais, e (iH) manifeste-se sobre o resultado final da perícia. Concluída a perícía, que os autos retornem a este Colegiado. PAULO RO - DF, em 14 de maio de 2003 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013

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4620977 #
Numero do processo: 19615.000517/2004-31
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - LANÇAMENTO - NULIDADE - Não é nulo o auto de infração, lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. APRECIAÇÃO DA CONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS EM VIGOR - As DRJ, assim como o Conselho de Contribuinte, não são competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula nº 2 do Primeiro Conselho de Contribuintes). IRPJ - ARBITRAMENTO DO LUCRO - CABIMENTO - FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS E DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO - A não-apresentação dos livros e documentos da escrituração, pela pessoa jurídica que apura lucro real, enseja o arbitramento do lucro. Os valores de omissão de receita devem ser computados na determinação da base de cálculo do imposto. LANÇAMENTO DE OFICÍO - APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% E JUROS DE MORA À TAXA SELIC - ARTIGO 44, INCISO I, E 61 DA LEI 9.430/1996. Comprovada a falta de recolhimento ou declaração do débito, correta a lavratura de auto de infração para exigência do tributo, aplicando-se a multa de ofício de 75%, incidindo, ainda, juros de mora à taxa Selic. PRELIMINAR REJEITADA. RECURSO NEGADO.
Numero da decisão: 101-96.893
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES,por unanimidade de votos,REJEITAR a preliminar de nulidade e,no mérito,NEGAR provimento ao recurso,nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.Ausente justificadamente o conselheiro Aloysio José Percinio da Silva.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza

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Numero do processo: 10845.000742/2001-46
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2007
Numero da decisão: 108-00.446
Decisão: RESOLVEM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro

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Recorrente : TEN FEET COMÉRCIO DE VESTUÁRIO LTDA. Recorrida : i a TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP I Sessão de : 24 DE MAIO DE 2007 RESOLUÇÃON°. 108-00.446 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por TEN FEET COMÉRCIO DE VESTUÁRIO LTDA. RESOLVEM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. • _ And( • U LONle - -. IDE • O ERCÍCIO DA PRESIDÊNCIA -fr M • • • -AS PESSOA MONTEIRO ELATO FORMALIZADO EM: J8 JUN 2007 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: NELSON LÓSSO FILHO, KAREM JUREIDINI DIAS, MARGIL MOURA° GIL NUNES, JOSÉ CARLOS TEIXEIRA DA FONSECA, ORLANDO JOSÉ GONÇALVES BUENO e ARNAUD DA SILVA (Suplente Convocado). MINISTÉRIO DA FAZENDA .1, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES V .r.f> OITAVA CÂMARA Processo n°. :10845.000742/2001-46 Resolução n°. :108-00.446 Recurso n°. :149.452 Recorrente : TEN FEET COMÉRCIO DE VESTUÁRIO LTDA. RELATÓRIO Trata-se de lançamento para o Imposto de Renda Pessoa Jurídica — R$ 22.950,30; PIS — R$ 12.509,10; COFINS — R$ 38.489,68 e CSLL — R$ 18.360,24, conforme "Termo de Verificação e Constatação Fiscal" (fls.25/26), por constatação de saldos credores de caixa nos anos-calendário de 1996 e 1997. Enquadramento legal nos respectivos termos. Impugnação de fls. 80/96, alegando que no ano-calendário de 1996 a fiscalização no quadro (doc.03, fls.102), considerou o ingresso de duplicatas a receber no valor de R$ 103.613,99, quando o montante desta conta foi de R$ 135.991,96 conforme se verificaria pela cópia do razão (doc. 04, fls.103 a 127). Conforme conta diária "10100 — Duplicatas a Receber" e as contrapartidas a débito das contas "Banco" e "Caixa". Desta forma o saldo positivo neste mês atingiu o valor de R$ 78.550,87 e não o valor de R$ 43.148,29 apontado pela fiscalização. Mesmo engano cometido nos meses subseqüentes, razão do novo "fluxo de caixa" (doc. 05, fls.128) com base nos dados corretos da conta "Duplicatas a Receber" (Doc. 04), onde ficara demonstrado que não houve saldo credor de caixa em nenhum mês do ano de 1996. Mesma situação para 1997. Reclamou da falta de intimação, por escrito, para apresentar a comprovação dos valores ingressados no caixa. A fiscalização solicitou, verbalmente, ao contador para apresentar as documentações comprobatórias dos recebimentos, no que foi prontamente atendido. (Documentação referente a 1995 e 1996, "não contestada em nenhum momento)". 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA j PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ‘› OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10845.000742/2001-46 Resolução n°. : 108-00.446 As vendas à vista seriam irrisórias e a maioria dos recebimentos se faria através de cobrança bancária.A análise da cópia do razão da conta "10017 — Duplicatas a Receber", mostraria que na maioria dos casos a contrapartida do recebimento é lançada na conta banco. Acrescentou: "em nenhum momento deixou de atender qualquer solicitação feita pelo 1. Auditor Fiscal autuante" e que na hipótese em que não tivesse apresentado a documentação, "cabia-lhe lavrar termo de intimação nesse sentido, de modo que, em face de recusa ou do não atendimento (que inexistiu) tivesse condições de consignar tais fatos em outro termo, inclusive promovendo o agravamento da multa, de 75% para 112,5% nos termos do artigo 959 do RIR199". Nessa conformidade elaborou novo "Fluxo de Caixa" (doc. 07 fls.148), onde ficaria demonstrado que não houve apuração de saldo credor de caixa em nenhum mês daquele ano. Reclamou da aplicação de juros de mora em percentuais superiores a 1% ao mês solicitando a realização de diligência oferecendo quesitos. Decisão de fls.215/221, julgou desnecessária a diligência, justificou os juros aplicados, aceitou os valores apresentados, registrados na conta "10017 - Duplicatas a Receber referente aos recebimentos do mês de janeiro de 1996, no valor total de R$ 135.991,96, e dos meses subseqüentes. Para o ano de 1997, embora reclamando da falta de intimação escrita, reconheceu que houvera solicitação verbal. O Auditor em seu "Termo de Verificação e Constatação Fiscal" deixou registrado que solicitou os documentos com a entrega dos fluxos de caixa. 3 , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 8",,› OITAVA CÂMARA Processo n°. :10845.000742/2001-46 Resolução n°. :108-00.446 Embora apresentando cópias do razão da conta "10017 — Contas a Receber" e elaborando novo fluxo de caixa com informações obtidas desta conta, não apresentou a documentação que suportasse o lançamento, tal como: cópias de documentos comprovando os recebimentos de duplicatas, cópias do razão das contas bancárias, juntamente com os extratos bancários para demonstrar os reais recebimentos ocorridos; etc. Também não comprovara o real recebimento do valor de R$ 671.040,42 ocorrido em 31/01/1997, conforme contabilizado no livro razão na conta "10005— CAIXA" (fls.36). A fiscalização considerou no seu fluxo de caixa (fls.44) tal valor, mas o glosou pela falta de apresentação dos documentos suporte, restando incomprovado o fluxo de caixa apresentado. Recurso interposto às fls. 230/240, se contrapondo à decisão narrou sua efetiva situação, de fabricar e vender roupas, com prazo médio de recebimento de 90 dias, bem como tais ingressos decorreria de cobrança bancária. Assim: (doc. 3/14 —Diário; docs. 15/42, conta Bradesco, Bamerindus, Noroeste; Caixa (doc.42). Examinando o Diário nos meses de janeiro, março (doc.01/05) sublinhara as contas do Bradesco em vermelho; Bamerindus em azul,caixa em preto. Confrontando-os com os extratos bancários (doc. 15 a 20), em janeiro recebera R$ 235.901,23; em fevereiro R$ 124.986,43 e em março R$ 124.012,93. Os valores recebidos através do Caixa — conta 10005, nesses meses, R$ 26.406,89; R$ 27.231,46 e R$ 72.200,00 se justificaria frente aos pagamentos que realizara para os fornecedores, e outras despesas, com cheques recebidos de cliente, sem descontá-los para não pagar CPMF. Do mesmo modo o demonstrativo de janeiro a dezembro de 1996, elaborado pela fiscalização e constituindo o doc. 03, anexo a impugnação, provaria 4 affi Lits ;2, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4" OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10845.000742/2001-46 Resolução n°. : 108-00.446 que vendera a prazo nos meses de out/96 — R$ 188.823,13; nov/96 — 188.910,00 e dez/96 — R$ 102.350,36 = R$ 480.083,49, que somados os créditos não recebidos nos vencimentos, justificariam o saldo de 31/12/96 e 01/01/97, de R$ 671.040,42. Isto provaria o erro de fato cometido na escrituração e já corrigido, em 30/01/1997, quando o saldo foi lançado a débito do caixa e a crédito de fornecedores, na importância de R$ 625.074,09. Como a conta "Fornecedores" fora creditada nos meses out/96 — R$ 135.873,51; nov/96 —111.959,20 e dez/96 — R$ 234.945,42 = R$ 482.778,13, pela aquisição de insumos, valores também com prazo médio de vencimento de 90 dias, seria evidente que o recebimento de R$ 671.040,42 e subseqüente pagamento de R$ 625.074,09 decorreu de lapso contábil. Sendo optante do lucro presumido estaria desobrigado da escrituração contábil, mas tão somente do Livro Caixa, nos termos do artigo 45§ único da Lei 8981/95.0s valores se coadunariam com o movimento apresentado, fortalecendo os argumentos expendidos. Impossível validar o demonstrativo de fluxo de caixa de janeiro a dezembro — elaborado pelo autuante, no valor de R$ 720.313,62 em fevereiro de 1997, frente aos erros cometidos e as inconsistências verificadas. Como exemplo, na 68 linha (conta/saldo inicial 160004-venda à vista) os valores de 01 — R$ 83.256,62; 02— R$ 53.979,93; 03— R$ 60.057,71), apontados como "vendas à vista" ,corresponderiam a vendas a prazo,conforme razão analítico, conta 10017 — Duplicatas a receber (doc. 43 sublinhadas de vermelho) porque,conforme dito desde as razões impugnatórias as vendas à vista seriam insignificantes. De outro modo, os valores que deveriam contar naquela 6' linha do 1 0 trimestre de 1997, decorreriam dos recebimentos das vendas realizadas em , 1i) v 1" . MINISTÉRIO DA FAZENDA .41 • '1 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. :10845.000742/2001-46 Resolução n°. : 108-00.446 10/96- R$188.823,13; 11/96 — 188.910,00; 12/96 — 102.350,36 (igual ao subitem 2.1.5 dessas razões). Assim, o valor das duplicatas emitidas em um mês não se prestariam para justificar o fluxo de caixa deste mesmo mês, o que somente se confirma com os valores das duplicatas recebidas nesse mês. A prevalecer a tese do fisco se estaria diante da figura diversa da infração tipificada nos autos, porque: a) a baixa de duplicatas a receber, ainda não efetivamente recebidas, a débito da conta Caixa, para eliminar (ou reduzir) saldo credor desta conta, dando origem ao denominado ativo oculto; b)a omissão na baixa contábil de fornecedores pagos, por falta de saldo escriturai na conta Caixa, de modo a evitar o aparecimento de saldo credor nesta conta, originando o chamado passivo fictício, e; c)lançamento contábil de pagamentos quaisquer (despesas, fornecedores, aquisição de ativos, etc) a crédito da conta caixa, quando há insuficiência de saldo escriturai, dando origem a saldo credor de caixa". A falta de intimação para justificar a diferença gerou uma autuação ilógica, e, portanto, ineficaz, obrigando a administração a rever seu ato. Seguimento conforme despacho de fls. É o Relatório. kl R+ 6 . 4:5 MINISTÉRIO DA FAZENDA '"ep • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ::(4:E5 OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10845.000742/2001-46 Resolução n°. :108-00.446 VOTO Conselheira IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Relatora O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Remanesceu, após o provimento de primeiro grau, os valores tidos como saldo credor de caixa no ano calendário de 1997. Na decisão combatida a autoridade de primeiro grau aceitou os argumentos expendidos, quanto ao ano de 1996, assim versando: "6. Com relação ao saldo credor do ano-calendário de 1996, aceitamos os valores registrados na conta "10017 - Duplicatas a Receber" referente aos recebimentos do mês de janeiro de 1996 no valor total de R$ 135.991,96 e dos meses subseqüentes. (...) 9. A lmpugnante apresenta cópias do livro razão da conta "10017— Contas a Receber" e elabora novo fluxo de caixa com informações obtidas desta conta. Porém, não apresenta a documentação para dar sustentação ao apresentado como: cópias de documentos comprovando os recebimentos de duplicatas, cópias do razão das contas bancárias, juntamente com os extratos bancários para demonstrar os reais recebimentos ocorridos; etc. 10.Além disso, não comprova novamente, o real recebimento do valor de R$ 671.040,42 ocorrido em 31/01/1997, conforme contabilizado no livro razão na conta "10005 — CAIXA" (fis.36). Cabe destacar que a fiscalização considerou no seu fluxo de caixa (fis.44) tal valor, mas teve que glosar pela não apresentação da documentação suporte, dando origem ao auto de infração nesta parte. Logo, deve ser mantido o lançamento pela não comprovação do efetivo recebimento 7 •ty- MINISTÉRIO DA FAZENDA tpl .::1. 1 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES "1-5. OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10845.000742/2001-46 Resolução n°. :108-00.446 deste valor e não apresentação de documentos para dar suporte ao fluxo de caixa apresentado? Na decisão recorrida a Autoridade "a quo" entendeu desnecessária a realização de diligência. Todavia, discordo de tal conclusão, frente aos documentos juntados, ao provimento concedido quanto ao ano de 1996, e o alegado erro de fato na escrituração contábil de fevereiro de 1997. Assim, entendo que o julgamento deverá ser convertido em diligência para que se providencie os esclarecimentos dos pontos seguintes: a) os ingressos da cobrança bancária, doc. 3/14 —Diário; docs. 15/42, conta Bradesco, Bamerindus, Noroeste; Caixa (doc.42) se ratificam; b)confirmar se os lançamentos do Diário, nos meses de janeiro, a março - doc.01/05 - onde sublinhara as contas do Bradesco em vermelho; Bamerindus em azul, caixa em preto, confrontados com os extratos bancários - doc. 15 a 20 - em janeiro recebera R$ 235.901,23; em fevereiro R$ 124.986,43 e em março R$ 124.012,93, se compaginariam com a verdade material; c) igualmente, se os valores recebidos através do Caixa — conta 10005, nesses meses, R$ 26.406,89; R$ 27.231,46 e R$ 72.200,00 se justificaria frente aos pagamentos que realizara para os fornecedores, e outras despesas, com cheques recebidos de cliente, sem descontá-los para não pagar CPMF; d)o demonstrativo de janeiro a dezembro de 1996, elaborado pela fiscalização e constituindo o doc. 03, anexo a impugnação, provaria que vendera a prazo nos meses de ouU96 — R$ 188.823,13; nov/96 — 188.910,00 e dez/96 — R$ 102.350,36 = R$ 480.083,49, que somados os créditos não recebidos nos vencimentos, justificariam o saldo de 31/12/96 e 01/01/97, de R$ 671.040,42; e) se positiva (parcial ou totalmente essas afirmações) restara comprovado o erro de fato cometido na escrituração e já corrigido, em 30/01/1997, quando o saldo foi lançado a débito do caixa e a crédito de fornecedores, na importância de R$ 625.074,09? h) a escrituração do Livro Caixa estaria correta? 8 7) . ' MINISTÉRIO DA FAZENDA •:"If-r PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. :10845.000742/2001-46 Resolução n°. :108-00.446 i) refazer o fluxo de caixa, se necessário; i) demais esclarecimentos que a Autoridade designada entender necessários ao deslinde da questão. Após, ciência deverá ser dada a recorrente para se pronunciar nos autos se assim entender necessário. ji Sala d. Sessões - DF, em 24 de maio de 2007. ji ,,; , IV d'.. e A O AS PESSOA MONTEIRO 9 Page 1 _0019200.PDF Page 1 _0019300.PDF Page 1 _0019400.PDF Page 1 _0019500.PDF Page 1 _0019600.PDF Page 1 _0019700.PDF Page 1 _0019800.PDF Page 1 _0019900.PDF Page 1

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Numero do processo: 11080.005774/2004-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 03 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Sep 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica Ano calendário:1997 SALDOS NEGATIVOS DE RECOLHIMENTO DO IRPJ. PRAZO PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO E PARA EFETUAR VERIFICAÇÕES FISCAIS. O prazo para pleitear a restituição do saldo negativo de IRPJ acumulado, devidamente apurado e escriturado, é de 5 anos contados do período que a contribuinte ficar impossibilitada de aproveitar esses créditos, mormente pela mudança de modalidade de apuração dos tributos ou pelo encerramento de atividades. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-000.259
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para afastar o decurso de prazo para apreciar o crédito, determinando se o retorno dos autos à DRF de origem para verificar a procedência do direito creditório do contribuinte. Vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima que não afastava o decurso de prazo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: CARLOS PELA

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Recorrida  5º TURMA DRJ PORTO ALEGRE/RS    Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica  Ano­calendário: 1997  SALDOS  NEGATIVOS  DE  RECOLHIMENTO  DO  IRPJ.  PRAZO  PARA  PLEITEAR  A  RESTITUIÇÃO  E  PARA  EFETUAR  VERIFICAÇÕES  FISCAIS.  O  prazo  para  pleitear  a  restituição  do  saldo negativo de IRPJ acumulado, devidamente apurado e escriturado,  é  de  5  anos  contados  do  período  que  a  contribuinte  ficar  impossibilitada  de  aproveitar  esses  créditos, mormente pela mudança  de  modalidade  de  apuração  dos  tributos  ou  pelo  encerramento  de  atividades.    Recurso Voluntário Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.      ACORDAM os membros  da 4ª  câmara  /  2ª  turma  ordinária  da  primeira   SSEEÇÇÃÃOO   DDEE   JJUULLGGAAMMEENNTTOO,  por  maioria  de  votos,  dar  provimento  ao  recurso  para  afastar  o  decurso de prazo para apreciar o crédito, determinando­se o retorno dos autos à DRF de origem  para  verificar  a  procedência  do  direito  creditório  do  contribuinte.  Vencida  a  Conselheira  Albertina Silva Santos de Lima que não afastava o decurso de prazo, nos termos do relatório e  voto que passam a integrar o presente julgado.   (assinado digitalmente)  Albertina Silva dos Santos Lima ­ Presidente     Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA, 02/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.005774/2004­32  Acórdão n.º 1402­00.259  S1­C4T2  Fl. 2          2 (assinado digitalmente)  Carlos Pelá ­ Relator    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de  Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva,  Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Albertina Silva Santos de Lima.        Relatório  Cuida­se de Recurso Voluntário,  fls.  95/104,  interposto  contra decisão da 5a  Turma da DRJ de Porto Alegre/RS, de fls. 85/66, que julgou procedente o lançamento efetuado  por meio do despacho decisório de fl. 67.  Com a finalidade de privilegiar o princípio da celeridade processual, adoto o  relatório proferido pela 5ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento  de Porto Alegre/RS (fls. 117/126):  “Relatório   A  DRF  jurisdicionante  não  homologou  a  compensação,  porque  entendeu  que  o  direito  à  restituição  ou  compensação  havia  decaído, por terem decorridos mais de cinco anos.     A  interessada  manifestou  sua  inconformidade  com  essa  apreciação, alegando a que o prazo para repetição do  indébito,  com base em construção jurisprudencial do STJ – a chamada tese  dos “cinco mais cinco” – seria de 10 anos.     É o relatório”  Analisando  a  manifestação  de  inconformidade,  a  DRJ  julgou  procedente  o  lançamento efetuado por meio do despacho decisório de fls. 21/22, tendo a seguinte ementa:   “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário   Ano­calendário: 1997     Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA, 02/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.005774/2004­32  Acórdão n.º 1402­00.259  S1­C4T2  Fl. 3          3  Ementa: REPETIÇÃO DE INDÉBITO. DECADÊNCIA. O direito  a  repetir  indébito  tributário  decai  em  cinco  anos  contados  do  pagamento indevido.     Solicitação indeferida”  Inconformado  com  a  decisão  da  DRJ,  a  Recorrente  interpôs  Recurso  Voluntário alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação.    É o Relatório.    Voto             Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator   Conheço  do  Recurso  por  ser  tempestivo,  por  atender  aos  requisitos  de  admissibilidade e por conter matéria de competência deste Conselho.     O  assunto  que  aqui  se  discute  é  o  prazo    decadencial  para  se  protocolar  pedido  de  restituição  de  Saldo  Negativo  de  IRPJ.  O  tributo,  no  caso  em  tela,  sujeita­se  a  lançamento por homologação.    Sem entrar no mérito da tese assim chamada de “5+5”, já abraçada pelo STJ,  durante os debates para a solução deste caso fui convencido que a matéria comporta solução  favorável à contribuinte por outras razões.   Valho­me,  neste  ponto,  da  fundamentação  adotada  pelo  Ilustre Conselheiro  José Antonio Praga, que sustenta:   “A Câmara  Superior  nos  últimos  3  anos,  havia  sedimentado  o  entendimento no sentido que, regra geral, o prazo para pleitear  a  restituição  extingue­se  mesmo  após  5  anos,  contados  do  pagamento, nos termos do art. 168, inciso I, do CTN, conforme  decido no acórdão nº 01­6000, proferido em 12/08/2008.   Especificamente  quanto  ao  saldo  negativo  de  recolhimentos  de  IRPJ e CSLL dos anos­calendário de 1993 a 1997, a 1a. Turma  da CSRF vem decidindo que o início da contagem prazo desloca­ se para a data da entrega da declaração. Nesse sentido cite­se o  seguinte julgado:  Acórdão nº 01­06.047, de 10/11/2009, proferido no recurso 105­ 152.539.  RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO ­ CONTAGEM DO PRAZO  DE  DECADÊNCIA  ­  O  prazo  para  que  o  contribuinte  possa  pleitear  a  restituição  de  tributo  ou  contribuição  pago  Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA, 02/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.005774/2004­32  Acórdão n.º 1402­00.259  S1­C4T2  Fl. 4          4 indevidamente ou em valor maior que o devido; extingue­se após  o  transcurso  do  prazo  de  cinco  anos,  contado  da  data  da  extinção do crédito tributário ­ arts. 165 I e 168 I da Lei 5172 de  25  de  outubro  de  1966  (CTN).  No  caso  do  saldo  negativo  de  IRPJ/CSLL  (real  anual),  o  direito  de  compensar  ou  restituir  inicia­se  em  abril  de  cada  ano  (Lei  9.430/96  art.  6°  /  RIR199  ART. 858 § 1° INCISO II).  Recurso especial negado.  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  Membros  da  Primeira  Turma  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  por  unanimidade  de  votos,  NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório  e voto que passam integrar o presente julgado.  Compus o colegiado em ambos os julgamentos e acompanhei os  relatores,  sendo  que  os  debates  centraram­se  na  contagem  do  prazo  para  interposição  do  pleito,  a  mesma  questão  ora  enfrentada.   Todavia,  desde  a  sessão  da  CSRF  de  agosto/2010,  revisitei  a  matéria  adotando  os  fundamentos  a  seguir,  transcritos  do  Acórdão 910­00.347.  Pois bem, o saldo negativo de recolhimentos do IRPJ e da CSLL  afloram  quando  o  valor  das  antecipações  desses  tributos  –  retenções em fonte ou recolhimentos por estimativa ­ superaram  o  valor  apurado  a  partir  do  lucro  real(IRPJ)  ou  lucro  liquido  ajustado, respectivamente.  Vejamos o que dispõe a legislação do Imposto de Renda Pessoa  Jurídica  e  Contribuição  Social  a  partir  do  ano­calendário  de  1997.  Lei 9.430 de 1996:  Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro  real  poderá  optar  pelo  pagamento  do  imposto,  em  cada  mês,  determinado  sobre  base  de  cálculo  estimada,  mediante  a  aplicação,  sobre  a  receita  bruta  auferida  mensalmente,  dos  percentuais  de  que  trata  o  art.  15.  da  Lei  nº  9.249,  de  26  de  dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29  e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de  1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995.  §  1º O  imposto  a  ser  pago mensalmente  na  forma  deste  artigo  será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo,  da alíquota de quinze por cento.  §  2º  A  parcela  da  base  de  cálculo,  apurada mensalmente,  que  exceder  a  R$  20.000,00  (vinte  mil  reais)  ficará  sujeita  à  incidência  de  adicional  de  imposto  de  renda  à  alíquota  de  dez  por cento.  Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA, 02/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.005774/2004­32  Acórdão n.º 1402­00.259  S1­C4T2  Fl. 5          5 § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na  forma  deste  artigo  deverá  apurar  o  lucro  real  em  31  de  dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§  1º e 2º do artigo anterior.  § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou  a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto  devido o valor:  I ­ dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os  limites  e  prazos  fixados  na  legislação  vigente,  bem  como  o  disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de  1995;  II  ­  dos  incentivos  fiscais  de  redução  e  isenção  do  imposto,  calculados com base no lucro da exploração;  III  ­  do  imposto  de  renda  pago  ou  retido  na  fonte,  incidente  sobre receitas computadas na determinação do lucro real;  IV ­ do imposto de renda pago na forma deste artigo.  Art.  6º O  imposto  devido, apurado na  forma do  art.  2º,  deverá  ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se  referir.  § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será:  I ­ pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do  ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º;  II  ­ compensado com o  imposto a ser pago a partir do mês de  abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa  de  requerer,  após  a  entrega  da  declaração  de  rendimentos,  a  restituição do montante pago a maior.  §  2º  O  saldo  do  imposto  a  pagar  de  que  trata  o  inciso  I  do  parágrafo anterior  será acrescido de  juros calculados à  taxa a  que se refere o § 3º do art. 5º, a partir de 1º de fevereiro até o  último dia do mês anterior ao pagamento e de um por cento no  mês do pagamento.  § 3º O prazo a que se refere o inciso I do § 1º não se aplica ao  imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o  último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente.  (...)  Art.  28.  Aplicam­se  à  apuração  da  base  de  cálculo  e  ao  pagamento  da  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido  as  normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a  3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei.  (...)  Art. 30. A pessoa jurídica que houver optado pelo pagamento do  imposto  de  renda  na  forma  do  art.  2º  fica,  também,  sujeita  ao  Fl. 5DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA, 02/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.005774/2004­32  Acórdão n.º 1402­00.259  S1­C4T2  Fl. 6          6 pagamento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido,  determinada  mediante  a  aplicação  da  alíquota  a  que  estiver  sujeita sobre a base de cálculo apurada na forma dos incisos I e  II do artigo anterior.  Pela  análise  da  sistemática  de  apuração,  recolhimento  e  compensação  do  Imposto  de  Renda  das  Pessoas  Jurídicas  e  Contribuição Social  – Lucro Real  ­  a partir  do ano­calendário  de 1997, sob a égide da Lei 9.430/1996, estou convencido de que  não  há  prazo  para  o  contribuinte  pleitear  a  restituição  do  chamado  saldo  negativo  de  recolhimentos  do  IRPJ  e  CSLL,  devidamente  apurado  e  apurado.  Isso  porque  a  lei  estabeleceu  um conta­corrente.  Art.  64.  Os  pagamentos  efetuados  por  órgãos,  autarquias  e  fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas,  pelo  fornecimento  de  bens  ou  prestação  de  serviços,  estão  sujeitos  à  incidência,  na  fonte,  do  imposto  de  renda,  da  contribuição social  sobre o  lucro  líquido, da contribuição para  seguridade  social  ­  COFINS  e  da  contribuição  para  o  PIS/PASEP.  §  1º  A  obrigação  pela  retenção  é  do  órgão  ou  entidade  que  efetuar o pagamento.  §  2º  O  valor  retido,  correspondente  a  cada  tributo  ou  contribuição,  será  levado  a  crédito  da  respectiva  conta  da  receita da União.  § 3º O valor do  imposto e das contribuições sociais retido será  considerado  como  antecipação  do  que  for  devido  pelo  contribuinte  em  relação  ao  mesmo  imposto  e  às  mesmas  contribuições.  § 4º O valor retido correspondente ao imposto de renda e a cada  contribuição social somente poderá ser compensado com o que  for  devido  em  relação  à  mesma  espécie  de  imposto  ou  contribuição.  § 5º O imposto de renda a ser retido será determinado mediante  a aplicação da alíquota de quinze por cento sobre o resultado da  multiplicação do valor a ser pago pelo percentual de que trata o  art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, aplicável à  espécie  de  receita  correspondente  ao  tipo  de  bem  fornecido  ou  de serviço prestado.  § 6º O valor da contribuição social sobre o lucro líquido, a ser  retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota de um  por cento, sobre o montante a ser pago.  §  7º  O  valor  da  contribuição  para  a  seguridade  social  ­  COFINS, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da  alíquota respectiva sobre o montante a ser pago.  Fl. 6DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA, 02/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.005774/2004­32  Acórdão n.º 1402­00.259  S1­C4T2  Fl. 7          7 §  8º O  valor  da  contribuição  para  o  PIS/PASEP,  a  ser  retido,  será  determinado  mediante  a  aplicação  da  alíquota  respectiva  sobre o montante a ser pago.    Instrução Normativa  SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL  ­  SRF nº 93 de 24.12.1997  Apuração Anual do Lucro Real  Art. 23. O imposto devido sobre o lucro real de que trata o §6º  do  art.  2º  será  calculado mediante  a  aplicação  da  alíquota  de  15%  (quinze  por  cento)  sobre  o  lucro  real,  sem  prejuízo  da  incidência do adicional previsto no §3º do art. 2º.   §1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do  lucro líquido com observância das leis comerciais.  §2º  Considera­se  lucro  real  o  lucro  líquido  do  período­base,  ajustado  pelas  adições  prescritas  e  pelas  exclusões  ou  compensações autorizadas pela legislação do imposto de renda .  §3º  Observado  o  disposto  no  §4º  do  art.  2º,  para  efeito  de  determinação do saldo do imposto a pagar ou a ser compensado,  a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor:  a) dos  incentivos  fiscais de dedução do  imposto, observados os  limites e prazos fixados na legislação vigente;  b)  dos  incentivos  fiscais  de  redução  e  isenção  do  imposto,  calculados com base no lucro da exploração;  c) do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre  receitas computadas na determinação do lucro real;  d) do imposto de renda calculado na forma dos arts. 3º a 6º e 10,  pago mensalmente;  e) do  imposto de  renda da pessoa  jurídica pago  indevidamente  em  períodos  anteriores,  ainda  que  compensado  no  decurso  do  ano­calendário  com  o  imposto  de  renda  devido,  apurado  com  base nas regras dos arts. 3º a 6º e 10.   §4º  Para  efeito  de  determinação  dos  incentivos  fiscais  de  dedução do imposto, serão considerados os valores efetivamente  despendidos pela pessoa jurídica.  (...)  Art.  49. Aplicam­se à contribuição social  sobre o  lucro  líquido  as mesmas  normas  de  apuração  e  de  pagamento  estabelecidas  para  o  imposto  de  renda  das  pessoas  jurídicas,  observadas  as  alterações previstas na Lei nº 9.430, de 1996.  IN  SRF  210/02  ­  IN  ­  Instrução  Normativa  SECRETÁRIO DA  RECEITA FEDERAL ­ SRF nº 210 de 30.09.2002  Fl. 7DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA, 02/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.005774/2004­32  Acórdão n.º 1402­00.259  S1­C4T2  Fl. 8          8 Restituição  Art. 2º Poderão ser restituídas pela SRF as quantias recolhidas  ao Tesouro Nacional a título de tributo ou contribuição sob sua  administração, nas seguintes hipóteses:  I ­ cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou a maior que  o devido;  II ­ erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da  alíquota  aplicável,  no  cálculo  do  montante  do  débito  ou  na  elaboração  ou  conferência  de  qualquer  documento  relativo  ao  pagamento;  III  ­  reforma,  anulação,  revogação  ou  rescisão  de  decisão  condenatória.  Parágrafo  único.  A  SRF  poderá  promover  a  restituição  de  receitas  arrecadadas  mediante  Darf  que  não  estejam  sob  sua  administração,  desde  que  o  direito  creditório  tenha  sido  previamente  reconhecido  pelo  órgão  ou  entidade  responsável  pela administração da receita.  Art. 3º A restituição de quantia  recolhida a  título de  tributo ou  contribuição administrado pela SRF poderá ser efetuada:  I ­ a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a  requerer  a  quantia,  mediante  utilização  do  "Pedido  de  Restituição";  II ­ mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste  Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF); ou  III ­ de ofício, em decorrência de representação do servidor que  constatar o indébito tributário.  (...)  Art.  6º  Os  saldos  negativos  do  Imposto  de  Renda  das  Pessoas  Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido  (CSLL) poderão ser objeto de restituição:  I ­ na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do  ano­calendário  subseqüente ao do  encerramento do período de  apuração;  II  ­  na  hipótese  de  apuração  trimestral,  a  partir  do  mês  subseqüente ao do trimestre de apuração.    Constata­se  que  o  aproveitamento  dos  saldos  negativos  nos  períodos de apuração seguintes independe autorização prévia da  RFB,  muito  menos  está  sujeita  a  apresentação  de  DCOMP.  Trata­se  de  um  verdadeiro  conta­corrente,  a  exemplo  do  que  ocorre com o Imposto sobre Produtos Industrializados.   Fl. 8DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA, 02/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.005774/2004­32  Acórdão n.º 1402­00.259  S1­C4T2  Fl. 9          9 A  cada  mês  o  contribuinte  apura  o  tributo  devido,  verifica  o  saldo  de  recolhimento  do período  anterior  (existência  de  saldo  negativo),  bem  como  as  retenções  na  fonte,  e  apura  o  saldo  a  pagar  ou  o  novo  saldo  negativo  de  recolhido.  Trata­se  de  um  procedimento dinâmico, que deve ser controlado no Lalur.   O  contribuinte  deve  manter  em  boa  guarda  todos  os  comprovantes de apuração, retenção e recolhimentos, enquanto  estiver realizando aproveitamento de saldos anteriores,  tal qual  ocorre com o saldo de prejuízos fiscais ou lucro liquido negativo  ajustado.  Enquanto o contribuinte se mantiver no regime de apuração do  lucro  real  poderá  aproveitar  esses  saldos  negativos  de  recolhimento.  Mas  se  encerrar  suas  atividades  ou  mudar  de  regime,  tem  cinco  anos  para  pleitear  a  restituição  ou  compensação desse saldo.  No imposto de renda das pessoas físicas ocorre situação diversa,  mas a diferença a maior entre as retenções em fonte e o imposto  apurado no ajuste anual é restituído na forma da legislação de  regência,  sendo  que  essa  declaração  deve  ser  apresentada  no  prazo de 5 (cinco) anos, caso deseje receber a restituição. Frise­ se  que  o  contribuinte  do  IRPF  não  tem  a  faculdade  de  compensar  espontaneamente  o  imposto  apurado  nos  anos  seguintes,  mesmo  que  tenham  apresentado  a  declaração  de  ajuste. Aliás, é vedado qualquer tipo de compensação, devendo o  contribuinte aguardar a restituição pela RFB.  ...................  Assim,  quanto  a  esta  matéria,  voto  no  sentido  de  afastar  a  alegação  do  decurso  de  prazo  de  5  anos  tanto  para  o  Contribuinte  pleitear  a  Restituição  do  Saldo  Negativo  de  Recolhimentos,  quanto  para  a  Fazenda  Pública  verificar  a  correção do valores pleiteados.  Nunca  é  de  mais  lembrar  que  no  processo  administrativo  predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí  se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador e  se a obrigação teve seu nascimento e regular constituição. Nesse  contexto,  devem  ser  superados  os  erros  e  procedimentos  dos  contribuintes ou da fiscalização que não impliquem em prejuízo  às partes e, por conseqüência ao processo..   É  certo  que  em  seu  despacho  decisório  a  unidade  de  origem  apontou  uma  séria  de  incoerências  e  incorreções  que  podem  implicar no reconhecimento parcial do pleito do contribuinte ou  até  mesmo  em  sua  completa  improcedência.  Todavia,  essa  verificação deve ser feita abstraindo os erros de preenchimento  do pedido e das próprias DIRPJ/DIPJ.  A  análise  deve  partir  da  reconstituição  dos  resultados  do  contribuinte em cada período de apuração, partindo da premissa  que  o  lucro  real  apurado  e  regularmente  declarado  não  pode  mais  ser  objeto  de  auditoria.  Porem,  computando­se  as  Fl. 9DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA, 02/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.005774/2004­32  Acórdão n.º 1402­00.259  S1­C4T2  Fl. 10          10 compensações  de  prejuízo,  no  limite  legal    (salvo  se  a  contribuinte  possuir  decisão  judicial  favorável),  os  recolhimentos  por  estimativa,  as  retenções  em  fonte  comprovadas  (cujas  receitas  ou  rendimentos  compuseram  o  resultado  tributável  do  período),  e  demais  procedimentos  relacionados.  Lembro que a contribuinte pode e deve ser intimada a produzir  demonstrativos  desses  valores,  período  a  período,  com  transposição  de  saldos,  devidamente  respaldados  e  acompanhados  da  documentação  contábil  e  fiscal  a  que  está  obrigada a conservar para fazer jus ao pleito, consoante art. 264  do RIR/99.”      Aplicando­se ao caso o raciocínio desenvolvido pelo Conselheiro  Antonio Praga, explicado durante os debates para solução deste processo,  tem­se que razão  assiste a contribuinte, ao pleitear a compensação do saldo negativo ainda não utilizado por  ele.   Desta forma, afastada a decadência, é necessária análise do mérito do direito  creditório quanto aos saldos negativos de IRPJ.     Posto  isso,  voto  por  dar  provimento  ao  recurso  para  afastar  o  decurso  de  prazo  para  apreciar  o  crédito,  determinando­se  o  retorno  dos  autos  à  DRF  de  origem  para  verificar a procedência do direito creditório do contribuinte.       (assinado digitalmente)  Carlos Pelá ­ Relator                              Fl. 10DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA, 02/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA

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Numero do processo: 11080.013484/2002-09
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2006
Ementa: CSLL - COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS - LIMITAÇÃO A 30% - INCONSTITUCIONALIDADE – O questionamento sobre a legalidade ou constitucionalidade de comando legal em pleno vigor deve se proceder na seara do Poder Judiciário. CSLL - COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS - LIMITAÇÃO A 30% - A compensação da base de cálculo negativa da CSL, apurada a partir do encerramento do ano-calendário de 1995, acumulada com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, está limitada a 30% do resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anos-calendário subseqüentes, em conformidade com as disposições do artigo 58 da Lei nº. 8.981/95 e do artigo 16 da Lei nº. 9.065/95. Negado provimento ao recurso.
Numero da decisão: 103-22.387
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: CSL- glosa compens. bases negativas de períodos anteriores
Nome do relator: Cândido Rodrigues Neuber

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CSLL - COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS - LIMITAÇÃO A 30% - A compensação da base de cálculo negativa da CSL, apurada a partir do encerramento do ano-calendário de 1995, acumulada com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, está limitada a 30% do resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anos-calendário subseqüentes, em conformidade com as disposições do artigo 58 da Lei n°. 8.981/95 e do artigo 16 da Lei nO.9.065/95. Negado provimento ao recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso voluntário interposto por MOTOPEL - MOTOR PEÇAS PELOTAS S/A. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do elatório e voto ue inte ram o presente julgado. FORMAOZAD-O-Erv1: O 4 11 I. . . M 1-1 ?()il~ •. .. kOj).;AL0YSI0 JOSÉ PERCíNIO DA SILVA, MÁRCIO MACHADO CALDEIRA, MAURíCIO PRAD-uD~-;d;OVIElDA-'----'- ALEXANDRE BARBOSA JAGUARIBE, PAULO JACINTO DO NASCIMENTO, FLÁVIO FRANCO CORREA e VICTOR Luis DE SALLES FREIRE.~ Processo nO Acórdão nO Recurso nO Recorrente MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 11080.013484/2002-09 : 103-22.387 : 145.462 : MOTOPEL - MOTOR PEÇAS PELOTAS S/A. RELATÓRIO MOTOPEL - MOTOR PEÇAS PELOTAS S/A., foi autuada para exigência de crédito tributário de CSLL, no montante de R$ 147.876,60, inclusive os consectários legais, sob a acusação fiscal de compensação indevida de bases de cálculo negativas de períodos-base anteriores na apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, superior ao limite de 30% do lucro líquido ajustado, antes das compensações, referente aos fatos geradores dos anos-calendário de 1997 e 1998, com enquadramento legal no art. 58, da Lei n° 8.981/95 e no art. 16, da Lei n° 9.065/95, segundo descrito no auto de infração e seus demonstrativos de fls. 02 a 07. Cientificada do auto de infração em 07/10/2002, fls. 01, a contribuinte ~ apresentou impugnação em 23/10/2002, fls. 109 a 119. Alegou, em síntese, que a limitação à compensação de prejuízos e base de cálculo negativa da CSLL ofende o direito adquirido à compensação integral dos saldos existentes até 31/12/1994 e equivale à imposição de empréstimo compulsório sem observância dos requisitos previstos no artigo 148 da Constituição Federal. Requereu fosse julgado improcedente o auto de infração. A decisão de primeira instância, fls. 128 a 131, julgou procedente o lançamento de ofício, decidindo com base nos seguintes fundamentos: _ alegações pertinentes a vícios de legalidade ou inconstitucionalidade dos dispositivos legais que dão suporte ao lançamento de ofício - como é o caso das teses sugeridas às fls. 111/118 - constituem matéria insuscetível de ser apreciada nesta instância; _ os mecanismos de controle da constitucionalidade das leis estão regulados na própria Constituição Federal, todos passando necessariamente pelo Poder , o e se infere dos arts. 97 e 102 da Carta Magna. Assim sendo, e haja vista que a autoridade administrativa não tem competência legal para decidir sobre tais questões, deve-se manter inalterado o lançamento de oficio. 2CRN _ R145.462 - M%pel- Motor Peças Pelotas S/A. "IRPJ - COMPENSAÇÃO DE PREjuízos FISCAIS - LIMITAÇÃO de 30% - APLICAÇÃO DO DISPOSTO NAS LEIS N°s 8.981 e 9.065 de I 1995. A limitação da compensação de prejuízos fiscaís e da base -.. __o: negativa da CSL, determínada pelas Leís nOs8. 1 e 9.065 de 1995, não _~_-não_obstante_o_decidi9Q, destaco que a matéria atinente à trava na compensação~de prejuízos está paç.i.fiqtda na_~Elara administrativa, conforme reiteraaas'--~I '--, decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de que é exemplo o acóraãb-~' 1 -CSRF70'F03~938-, (emBTlta-a alXO----o-q -e- ' procedimento fiscal; Processo nO Acórdão nO '" ~ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 11080.013484/2002-09 : 103-22.387 violou o direito adquirido, vez que o fato gerador do imposto de renda só ocorre após transcurso do período de apuração que coincide com o término do exercício financeiro. A partir do ano calendário de 1995 o lucro líquido ajustado e a base de cálculo positiva da CSLL, poderão ser reduzidos por compensação do prejuizo e base negativa, apurados em períodos bases anteriores em, no máximo, trinta por cento. A compensação da parcela dos prejuizos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, excedente a 30% poderá ser efetuada, nos anos- calendário subseqüentes (arts. 42 e parágrafo único e 58, da Lei nO 8.981/95, arts. 15 e 16 da Lei nO 9.065/95)". I 1 I•• Ciência da decisão de primeira instância em 03/01/2005, segundo "A. R." afixado às fls. 134. Inconformada, a empresa, em 31/01/2005, interpôs recurso voluntário a este Conselho, fls. 135 a 142, instruido com os documentos de fls. 143 a 161. Alega, em síntese, que a matéria é controvertida, porém, nada há ainda de pacificado. Isso porque a referida legislação constante da ementa da decisão que impôs a absurda limitação, contrariou a Constituição Federal, por pretender "ampliar" os conceitos de renda e lucro utilizados nas definições das hipóteses de incidência do imposto da renda e CSLL, ferindo, dessa forma, o principio da capacidade contributiva, da isonomia e da vedação ao confisco e os artigos 43 e 110 do CTN aprovado pela Lei nO5.172, de 25/10/1966. Citou doutrina e jurisprudência judicial que entende coroborar sua tese de defesa. Alfim, pede a reforma do decisum guerreado, para se admitir a compensação integral das bases de cálculo negativas de CSLL, sem qualquer restrição, seja mediante a imposição do limite quantitativo de 30%, seja estabelecendo prazos para o seu exercício. Despacho do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário - SECAT, da Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre - RS, fls. 165, informa que a contribuinte arrolou bens, para seguimento do recurso especial, nos termos da IN-SRF nO . ° É o relatório. , L-------------- CRN _ R145.462 - Motopel- Motor Peças Pelotas S/A. 3 Processo na Acórdão na MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 11080.013484/2002-09 : 103-22.387 •.- ...-~ VOTO Conselheiro CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, Relator O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. A questão litigiosa ora em análise é por demais conhecida dos membros deste colegiado, bem como da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, já tendo sido analisada inúmeras vezes. i 1 1 I I No mérito, a questão ora apreciada encerra no seu cerne a discussão acerca da limitação de 30%, imposta à compensação, em exercícios subseqüentes, de bases de cálculo negativas da CSLL acumuladas, apuradas em exercícios anteriores, como disciplinado no artigo 58, da Lei na. 8.981/95 e no artigo 16, da Lei na 9.065/95. Sobre a matéria venho reiteradamente sustentando que as bases de cálculo negativas da CSLL, apuradas a partir do encerramento do ano-calendário de 1995, podem ser compensadas, cumulativamente com as bases de cálculo negativas da CSLL apuradas até 31 de dezembro de 1994, com os resultados futuros das pessoas jurídicas, observado o limite máximo de 30% (trinta por cento) do referido lucro líquido ajustado, tal como previsto nas respectivas legislações do IRPJ e da contribuição social. Também não há que se falar em inconstitucionalidade dos referidos dispositivos legais ou em ofensa ao direito adquirido. A questão atinente à inconstitucionalidade de leis deve ser debatida na seara do Poder Judiciário, não na esfera administrativa, aliás, sob esse enfoque, a decisão de primeira instância apreciou o tema com bastante amplitude. A este propósito o Supremo Tribunal Federal, pela sua 1a. Turma, decidiu ser legitima a limitação da compensação, sem que isto implique em ofensa aos principios . ieleele e' Ela iFr8t . ao direito ad uirido, com se vê na seguinte ementa: ~ I. 4 CRN - R145.462 - M%pel- Mo/ar Peças Pelotas S/A. "EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUiÇÃO I SOCIAL. MEDIDA PROVISÓRIA NO. 812, DE 31.12.94, CONVERTIDA -l 1---- ~NJLLElJ!/~. 8.981/95. ARTIGOS 42 E 58, QUE REDUZIRAM A 30% A~.:J...'----. -- --' PARCELAOOS PRE,.Jyízos FISCAIS, DET5(ERCíC70S-A1'JTéRlOOE3, , . SUSCETíVEL DE SER-REDUZJ15A--fJO LOCRO-REAL,-PARA-" APtiRA(fÃtF=eeS-'FR,tfj(jW8=EltiLREEEB - - - , ."- - OFENSA AOS PRINCíPIOS DA ANTERIORIDADE E DA IRRETROA TlVIDADE E DO DIREITO ADQUIRIDO. Diploma normativo que foi editado em 31.12.94, a tempo, portanto, de incidir sobre o resultado do exercicio financeiro encerrado. Descabimento da alegação da ofensa aos principias da anterioridaãfre .- . da irretroatividade, relativamente ao imposto de renda, o mesmo não se Processo nO Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 11080.013484/2002-09 : 103-22.387 dando no tocante à contribuição social, sujeita que está à anterioridade nonagesima/ do art. 195, S 6°., da CF, que não foi observado. Inocorrência de afronta ao direito adquirido. Recurso conhecido, em parte, e nela provido ". (RE-263026/MG. No mesmo sentido RE-232.084-9 e RE-244.293-SC, todos reI. Ministro ILMAR GALVÂO). O fato de que, até a edição da MP nO.812/94, depois Lei nO.8.981/95, as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real pudessem compensar integralmente os seus prejuízos fiscais de um ano com o lucro de até 4 (quatro) anos-calendário subseqüentes, não significa venham elas (as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real) a ter tal possibilidade como direito ilimitado. A lei poderia mudar o critério de compensação dos prejuízos fiscais, o que o fez, aliás, a Lei nO.8.541/92, art. 12, e, posteriormente, a Medida Provisória nO.812/94, entendimento que se aplica igualmente à compensação das bases de cálculo negativas da CSLL. De longa data a regra das compensações dos prejuízos fiscais segue o pnnclplo denominado "tempus regit actum", ou seja: aquele que pretender efetuar a compensação, a legislação aplicável é obviamente aquela do tempo em que esta é realizada. Cumpre destacar, ainda, com relação aos fundamentos acima mencionados, a seguinte jurisprudência do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes: "LEGISLAÇÃO APLICÁ VEL - O valor do prejuízo a ser compensado é determínado pela legislação vígente no exercício de sua apuração e as condições para uso da faculdade são as vigentes no momento da compensação do prejuízo. Interpretação deste artigo" (Acs. 1°. CC - 101- 74.113/83 e 101-75.001/84). "REGRAS PARA COMPENSAÇÃO (EX. 86) - O valor a ser compensado é determinado pela legislação vigente no exercício de sua apuração e as- . compensação dos prejuízos" (Ac. 1°. CC - 105-3.259/89 - DO 27.11.89). "PREJUfZO DE PERfoDO-BASE ANTERIOR A 1977 - Indevida a compensação de prejuízo que não leve em conta a legislação em vigor no ___ e.xer.cicíoJinanceiro correspondente:(,Il.c._1':..~C_C=..103_~5.LL4L83). _ 5CRN - RI45.462- Motope/- Motor Peças Petotas S/A. O entendimento expresso nas ementas acima, reflete, em sua plenitude, a oplnlao-que- e en o-no-presen e-caso---a- uz- a- el-e- am em- 0- IreI o;-por-ser--uma--- matéria que se ajusta ao art. 16 da Lei nO.9.065, de 20/06/1995, estabelecendo que o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anos-calendário subseqüentes, só poderia ser reduzido em no máximo 30% (trinta por cento), mesmo que as bases de . - cálculo negativas da CSLL, acumuladas, ficassem aguardando nova base de cálculo positiva .., Processo na Acórdão na ,,","",c . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 11080.013484/2002-09 : 103-22.387 Em síntese, de acordo com o princípio juridico "tempus regit actum': a compensação será efetuada sempre em consonância com a legislação aplicável à época em que o contribuinte optar por sua realização, do mesmo modo que a apuração das bases de cálculo negativas rege-se pela legislação vigente no ano-calendário em que foram geradas. A Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, recentemente, dentre outros inúmeros julgados sobre o tema, quando do julgamento do recurso especial na 105-130.758, no processo na 13971.000184/2001-61, acórdão na CSRF/01-05.277, de 20/09/2005, no qual proferi o voto vencedor, corroborou esse entendimento, o qual veste ao presente caso, como luva em mão de dono, sob a seguinte ementa, in verbis: "CSL - COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS - LIMITAÇÃO A 30% - A compensação da base de cálculo negativa da CSL, apurada a partir do encerramento do ano-calendário de 1995, acumulada com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, está limitada a 30% do resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anos-calendário subseqüentes, em conformidade com as disposições do artigo 58 da Lei na. 8.981/95 e do artigo 16 da Lei na. 9.065/95. Recurso especial negado. ". Por derradeiro, a título meramente informativo, anoto que, num primeiro momento, a jurisprudência administrativa oriunda desta Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, sobre o tema ora em comento, era favorável à tese defendida pelos contribuintes, embora por escassa maioria, cujas decisões objeto de recursos especiais por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional foram todas reformadas pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF, inclusive com o concurso do meu voto na Câmara de origem e na CSRF. Contudo, o Cole iado da , e ermlna o momen o, a exemp o também da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, adotou a jurisprudência majoritária das demais Câmaras, também na linha da jurisprudência judicial emanada do STF, já referida neste voto. -----------.Na-esteira-destas-considerações;-oriento-o-meu'Voto no sentidOãe negar provimento ao recurso-voluntário. ._- I ._> CRN - R145.462 - Motopo/- Motor Poças Polotas S/A. 6 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006

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4619950 #
Numero do processo: 13707.000238/2004-61
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 SIMPLES. INCLUSÃO RETROATIVA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. ESTABELECIMENTOS DE ENSINO LIVRE. A Constituição Federal Brasileira adota o modelo de jurisdição única, devendo ser soberanas as decisões emanadas pelo poder judiciário. Desta feita, a decisão proferida no âmbito do Poder Judiciário não poderá ser alterada em processo administrativo, devendo a mesma ser respeitada.
Numero da decisão: 303-34.754
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES,Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA

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4620857 #
Numero do processo: 16004.001200/2006-83
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: NULIDADES – DENÚNCIA ANÔNIMA – RESSURGIMENTO DA OITIVA DO AUTUANTE – INOCORRÊNCIA – O procedimento fiscal não se estribou unicamente em documentos trazidos por uma delação anônima. Ao contrário, a delação foi a ponta de um novelo desenrolado em longo e exaustivo trabalho fiscal. Ainda, não se pode dizer que a autoridade autuante se valeu da revogada oitiva fiscal, a uma, porque não houve pronunciamento da autoridade após a apresentação da impugnação; a duas, porque as intimações no curso do procedimento fiscal objetivavam aclarar a matéria tributável a ser lançada. PERÍCIA – NÃO COMPROVAÇÃO DA IMPRESCINDIBILIDADE – REJEIÇÃO - A prova pericial surge como meio para suprir a carência de conhecimentos técnicos do julgador para solução do litígio. Afinal, não é admissível que o julgador seja detentor de conhecimentos universais para examinar cientificamente todos os fenômenos possíveis de figurar na seara tributária. Entretanto, a expressiva quantidade de documentos e informações, por si só, não autoriza o deferimento da perícia. Caso o julgador assim o fizesse, estaria abdicando de sua competência de julgar, devolvendo os autos para novas oitivas da autoridade autuante e do contribuinte. Deve-se lembrar que as câmaras de julgamento do contencioso administrativo fiscal são compostas por julgadores especializados na matéria tributária, notadamente na sua vertente jurídico-contábil, sendo desnecessária a opinião de experto contábil sobre as provas juntadas tempestivamente aos autos. IRPF - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO - PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN – ANO-CALENDÁRIO 2000 - A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. O lançamento do imposto de renda da pessoa física é por homologação, com fato gerador complexivo, que se aperfeiçoa em 31/12 do ano-calendário. Para esse tipo de lançamento, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início na data do fato gerador, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando tem aplicação o art. 173, I, do CTN. O lançamento que não respeita o prazo decadencial na forma antes exposta deve ser considerado extinto pela decadência. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTE DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – POSSIBILIDADE DE COEXISTÊNCIA DESSAS DUAS INFRAÇÕES – Não há incompatibilidade entre a infração decorrente da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e a apuração em fluxo de caixa que aponta acréscimo patrimonial a descoberto. Entretanto, os rendimentos oriundos dos depósitos bancários devem funcionar como fontes de recursos no fluxo de caixa. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – FLUXO DE CAIXA – QUESTIONAMENTO DOS DISPÊNDIOS – EQUÍVOCOS EM VALORES REGISTRADOS – ACERTO PELO JULGADOR ADMINISTRATIVO – AUSÊNCIA DE NULIDADE - Comprovado o equívoco no dispêndio apontado no fluxo de caixa, o julgador administrativo deve proceder a correção no ponto em que o recorrente tenha razão, reduzindo o excesso de aplicações em face das fontes de recursos. Não há qualquer nulidade nesse procedimento. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – FLUXO DE CAIXA – CRITÉRIOS DE ALOCAÇÃO DAS APLICAÇÕES - Em caso de dúvidas quanto à efetividade ou momento da ocorrência dos dispêndios no fluxo de caixa que apurou o acréscimo patrimonial a descoberto, deve-se adotar o critério mais favorável ao contribuinte. SALDO CREDOR DE CAIXA – DESPESA DE PESSOA JURÍDICA – IMPOSSIBILIDADE DA IMPUTAÇÃO COMO DISPÊNDIO EM NOME DO SÓCIO COTISTA - O saldo credor de caixa deveria ser considerado como omissão de registro de receita na pessoa jurídica (art. 281, I, do Decreto nº 3.000/99), e não imputado em desfavor do sócio cotista da empresa. IMPOSTO DE RENDA - TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - POSSIBILIDADE - A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que esses são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. DEPÓSITOS BANCÁRIOS REMANESCENTES QUE CONSTARAM EM INTIMAÇÃO PRIMEVA – AUSÊNCIA DE NULIDADE – Os depósitos que constaram no auto de infração não foram uma inovação no momento da autuação. Os depósitos bancários que constaram como rendimentos omitidos estavam na primeira intimação ao recorrente para comprovar a origem dos depósitos bancários. ARBITRAMENTO – CUSTO DE CONSTRUÇÃO COM POSTOS DE COMBUSTÍVEIS – CUB E ORÇAMENTOS DE POSTOS EM CIDADES VIZINHAS – LAUDOS TÉCNICOS APRESENTADOS PELO RECORRENTE QUE RATIFICAM PARTE DOS CUSTOS ARBITRADOS – HIGIDEZ DO PROCEDIMENTO - Os Laudos Técnicos acostados pelo recorrente, então impugnante, ratificaram partes dos custos arbitrados pela fiscalização. Entretanto, há itens de custos que somente constam nos Laudos, bem como outros itens que somente constam no arbitramento. Para os que somente constam no arbitramento, não é possível infirmá-los a partir dos Laudos. ARBITRAMENTO – CUSTO DE AQUISIÇÃO DE IMÓVEIS – ANÚNCIOS DE JORNAL DE GRANDE CIRCULAÇÃO DA LOCALIDADE – ANÚNCIOS CONTEMPORÂNEOS ÀS AQUISIÇÕES – POSSIBILIDADE – Quando o custo de aquisição informado divergiu dos preços normais praticados no mercado imobiliário local, a fiscalização utilizou anúncios classificados contemporâneos à data da aquisição para arbitramento do custo. Para infirmar tais custos, o recorrente deveria contraditar cada valor, trazendo, por exemplo, a comprovação do desembolso que extinguiu a obrigação. A mera alegação de que a alienação não ocorreu pelo valor arbitrado pela fiscalização, sem qualquer elemento de prova que ilida o procedimento utilizado pelo Auditor-Fiscal, não pode prosperar. MULTA QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO - MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS – IMPOSSIBILIDADE DA QUALIFICAÇÃO – Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430/96, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Recurso voluntário provido parcialmente.
Numero da decisão: 106-17.053
Decisão: ACORDAM os Membros da Sexta Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, INDEFERIR o pedido de diligência e REJEITAR as preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para acolher a decadência do lançamento do ano-calendário de 2000; reduzir a multa de ofício para 75% e excluir da base de cálculo do acréscimo patrimonial a descoberto os seguintes valores: i) R$ 84.652,10, no ano-calendário 2001; ii) R$ 58.352,50, no ano-calendário 2002; e iii) R$ 145.228,81, no ano-calendário 2003. Fez sustentação oral pelo recorrente o Sr. Celso Alves Feitosa, OAB/SP nº 24.464.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: Giovanni Christian Nunes Campos

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Afinal, não é admissível que o julgador seja detentor de conhecimentos universais para examinar cientificamente todos os fenômenos possíveis de figurar na seara tributária. Entretanto, a expressiva quantidade de documentos e informações, por si só, não autoriza o deferimento da perícia. Caso o julgador assim o fizesse, estaria abdicando de sua competência de julgar, devolvendo os autos para novas oitivas da autoridade autuante e do contribuinte. Deve-se lembrar que as câmaras de julgamento do contencioso administrativo fiscal são compostas por julgadores especializados na matéria tributária, notadamente na sua vertente jurídico-contábil, sendo desnecessária a opinião de experto contábil sobre as provas juntadas tempestivamente aos autos. IRPF - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO - PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN – ANO-CALENDÁRIO 2000 - A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. O lançamento do imposto de renda da pessoa física é por homologação, com fato gerador complexivo, que se aperfeiçoa em 31/12 do ano-calendário. Para esse tipo de lançamento, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início na data do fato gerador, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando tem aplicação o art. 173, I, do CTN. O lançamento que não respeita o prazo decadencial na forma antes exposta deve ser considerado extinto pela decadência. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTE DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – POSSIBILIDADE DE COEXISTÊNCIA DESSAS DUAS INFRAÇÕES – Não há incompatibilidade entre a infração decorrente da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e a apuração em fluxo de caixa que aponta acréscimo patrimonial a descoberto. Entretanto, os rendimentos oriundos dos depósitos bancários devem funcionar como fontes de recursos no fluxo de caixa. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – FLUXO DE CAIXA – QUESTIONAMENTO DOS DISPÊNDIOS – EQUÍVOCOS EM VALORES REGISTRADOS – ACERTO PELO JULGADOR ADMINISTRATIVO – AUSÊNCIA DE NULIDADE - Comprovado o equívoco no dispêndio apontado no fluxo de caixa, o julgador administrativo deve proceder a correção no ponto em que o recorrente tenha razão, reduzindo o excesso de aplicações em face das fontes de recursos. Não há qualquer nulidade nesse procedimento. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – FLUXO DE CAIXA – CRITÉRIOS DE ALOCAÇÃO DAS APLICAÇÕES - Em caso de dúvidas quanto à efetividade ou momento da ocorrência dos dispêndios no fluxo de caixa que apurou o acréscimo patrimonial a descoberto, deve-se adotar o critério mais favorável ao contribuinte. SALDO CREDOR DE CAIXA – DESPESA DE PESSOA JURÍDICA – IMPOSSIBILIDADE DA IMPUTAÇÃO COMO DISPÊNDIO EM NOME DO SÓCIO COTISTA - O saldo credor de caixa deveria ser considerado como omissão de registro de receita na pessoa jurídica (art. 281, I, do Decreto nº 3.000/99), e não imputado em desfavor do sócio cotista da empresa. IMPOSTO DE RENDA - TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - POSSIBILIDADE - A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que esses são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. DEPÓSITOS BANCÁRIOS REMANESCENTES QUE CONSTARAM EM INTIMAÇÃO PRIMEVA – AUSÊNCIA DE NULIDADE – Os depósitos que constaram no auto de infração não foram uma inovação no momento da autuação. Os depósitos bancários que constaram como rendimentos omitidos estavam na primeira intimação ao recorrente para comprovar a origem dos depósitos bancários. ARBITRAMENTO – CUSTO DE CONSTRUÇÃO COM POSTOS DE COMBUSTÍVEIS – CUB E ORÇAMENTOS DE POSTOS EM CIDADES VIZINHAS – LAUDOS TÉCNICOS APRESENTADOS PELO RECORRENTE QUE RATIFICAM PARTE DOS CUSTOS ARBITRADOS – HIGIDEZ DO PROCEDIMENTO - Os Laudos Técnicos acostados pelo recorrente, então impugnante, ratificaram partes dos custos arbitrados pela fiscalização. Entretanto, há itens de custos que somente constam nos Laudos, bem como outros itens que somente constam no arbitramento. Para os que somente constam no arbitramento, não é possível infirmá-los a partir dos Laudos. 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MULTA QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO - MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS – IMPOSSIBILIDADE DA QUALIFICAÇÃO – Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430/96, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Recurso voluntário provido parcialmente.

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4622611 #
Numero do processo: 10166.017945/96-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 1999
Data da publicação: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 1999
Numero da decisão: 106-01.041
Decisão: RESOLVEM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Luiz Fernando Oliveira de Moraes, Romeu Bueno de Camargo e Wilfrido Augusto Marques.
Nome do relator: Sueli Efigênia Mendes de Britto

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secao_s : Primeira Seção de Julgamento

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decisao_txt : RESOLVEM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Luiz Fernando Oliveira de Moraes, Romeu Bueno de Camargo e Wilfrido Augusto Marques.

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Recurso nO. Matéria Recorrente Recorrida Sessão de 10166.017945/96-00 117.432 IRPF - EX.: 1995 MARIÂNGELA BARBOZA DE FIGUEIREDO DRJ em BRASíLIA - DF 13 de abril de 1999 R E S O L U ç Â O N°. 106-1.041 • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interpostopor MARIÂNGELA BARBOZA DE FIGUEIREDO. RESOLVEM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Luiz Fernando Oliveira de Moraes, Romeu Bueno de Camargo e Wilfrido Augusto Marques. S DE OLIVEIRADI C7 NTE ~ I. 1/ 11. /;(7)*" ~~lg;_~ITTO FORMALIZADO EM: 2 6 JU 1.1999 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros THAISA JANSEN PEREIRA, ROSANI ROMANO ROSA DE JESUS CARDOZO e RICARDO BAPTISTA CARNEIRO LEÂO. • • Processo N°. Resolução N°. Recurso nO. Recorrente MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIROCONSELHO DE CONTRIBUINTES 10166.017945/96-00 106-1.041 117.432 MARIÂNGELA BARBOZA DE FIGUEIREDO RELATÓRIO 2 • • MARIÂNGELA BARBOZA DE FIGUEIREDO, já qualificada nos autos, inconformada com a decisão de primeira instância apresenta recurso objetivando a reforma da mesma. Nos termos do Auto de Infração e seus anexos de fls. 1 a 8, exige-se da contribuinte um crédito tributário total equivalente a 3.020,22 UFIR, decorrente de tributação dos rendimentos auferidos em decorrência de prestação de serviço a Organismo Internacional nos ano - calendário de 1994. Inconformada com a exigência fiscal apresentou a impugnação de fls. 14/20. A autoridade julgadora de primeira instância manteve parcialmente lançamento em decisão de fls.23 a 48, assim ementada: "IMPOSTO DE RENDA - PESSOA FíSICA Exercício 1995, ano calendário 1994. ISENÇÃO: CONVENÇÃO SOBRE PRIVILÉGIOS E IMUNIDADES DAS NAÇÕES UNIDAS. A isenção do imposto de renda sobre rendimentos recebidos do PNUD, da ONU, é privilégio concedido aos funcionários do quadro da ONU, incluindo os nacionais do Brasil com residência no País, nomeados de acordo com o art. 4.1 do % • • Processo N°. Resolução N°. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10166.017945/96-00 106-1.041 Estatuto de Pessoal da Organização, que não sejam, cumulativamente, recrutados no Brasil nem remunerados a taxa horária, e que tenham seus nomes relacionados e informados periodicamente ao governo brasileiro pelo Secretário Geral da ONU. Requisitos da isenção não comprovados na impugnação. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS POR PRESTAÇÃO DE SERViÇOS Sujeitam-se à tributação, mensalmente, sob a forma de recolhimento apelidado de "carnê-Ieão'; e, anualmente, por ocasião da entrega da declaração de ajuste, os rendimentos percebidos por residentes ou domiciliados no País decorrentes da prestação de serviços a organismos internacionais de que o Brasil faça parte. IMPOSTO DEVIDO SOB A FORMA DE RECOLHIMENTO MENSAL, NÃO PAGO. O imposto de renda das pessoas físicas devido sob a forma de recolhimento mensal (carnê-Ieão), não pago, sujeita-se à cobrança na forma disciplinada pela IN SRF 46/97. MULTA DE OFíCIO A multa de ofício passa a ser de setenta e cinco por cento, em conformidade com o art. 44, I, da Lei n° 9.430/96, e tendo em vista o disposto no Ato Declaratório (Normativo) COSIT n° 1/97. " Cientificada em 17/5/98 (AR de fls. 51, verso) , na guarda do prazo legal, seu procurador protocolou o recurso de fls. 52/74, instruído pelos documentos anexados às fls. 78/105. 3 4 • • Processo N° Resolução N°. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10166.017945/96-00 106-1.041 As razões apresentadas podem assim serem resumidas: - visando à agilização e à maior integração com a comunidade, os Organismos Internacionais vinculados à ONU incluem, no seu corpo funcional profissionais dos países membros de reconhecida capacidade, que, em etapas anteriores, assimilaram conhecimentos especializados com funcionários da organização das Nações Unidas; - os funcionários desses Organismos passam a trabalhar sujeitos a normas e procedimentos estabelecidos por eles e que não correspondem àqueles vigentes no Brasil em condições e circunstâncias de trabalho; e, assim, são, também, por prerrogativas e privilégios previstos nas Convenções e Acordos firmados pelos Estados Membros; - os rendimentos auferidos estão enquadrados nos moldes do artigo 23, 11 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/94; - a norma legal não fez distinção entre trabalhos de qualquer natureza; - a Receita Federal, em seu manual de orientação aos contribuintes, ao longo dos anos, vem orientando na forma da pergunta 172, página 51, "Perguntas e Respostas do IRPF/95; - apesar do julgador singular concordar que prevalecem sobre a legislação pátria os tratados e as convenções internacionais dos quais o Brasil é signatário, e que o tratamento tributário dispensado pela legislação às Agências Especializadas da ONU aplica-se, também, ao PNUD, torna-se necessário o retorno à interpretação das disposições da legislação internacional aplicável a matéria; - as normas de direito internacional não traçam distinções entre as categorias de funcionários - peritos de assistência técnica - agentes - para efeito da aplicabilidade das disposições constantes da ~ • • Processo N°. Resolução N°. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10166.017945/96-00 106-1.041 "Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas"; - o cerne da motivação da referida decisão está na necessidade de serem comprovados dois fatos: o recorrente ser funcionário do organismo internacional e de ter sido nomeado para a função, pois, segundo o julgador de primeira instância, a isenção de impostos ocorre sobre salários e emolumentos recebidos por funcionários nomeados da ONU e conclui, 'em relação ao PNUD, que a isenção atinge "o funcionário brasileiro pertencente ao quadro efetivo" do organismo internacional; - está comprovado nos autos o exercício permanente junto ao organismo internacional, fazendo jus a rendimentos mensais, seguro de vida em grupo, fundo de pensão, poupança compulsória, conforme comprovam documentos anexados ao recurso; - o recorrente cumpre jornada regular de trabalho assina folha de ponto, está subordinado à hierarquia do organismo, somente pode gozar férias por período determinado autorizado pela chefia, viaja representando o PNUD, restando mais do que evidente sua condição de funcionário do organismo internacional e o vínculo empregatício; - os contratos de brasileiros para o desempenho de funções nos organismos internacionais, seja nos projetos vinculados ao PNUD ou não, são ratificados pelo governo brasileiro por intermédio do Ministério das Relações Exteriores; - a norma fixada no inciso 11do art. 23 do RIR/94 não distingue entre nacionais e estrangeiros; - fica caracterizado que é isento o rendimento de trabalho percebido por servidores de organismos internacionais de que o Brasil ~ 5 '. Processo N°, Resolução N°, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10166.017945/96-00 106-1.041 parte e esse entendimento é mantido pela legislação complementar que a própria Receita Federal expendeu (Parecer CST n° 897/73); - a orientação emanada da Receita Federal por intermédio dos Pareceres Normativos, tanto o de n° 717/79 como o Parecer Normativo n° 3/96, é no sentido de que não são abrangidos pela isenção "os funcionários recrutados no local e que sejam remunerados a taxa horária", condições essas cumulativas; - a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas prevê o encaminhamento pelo organismo internacional ao governo brasileiro de "lista" identificando os funcionários atingidos pela isenção de tributos; - a elaboração da "lista" é determinação a ser cumprida pelos organismos internacionais, que se descumprida, não acarreta qualquer responsabilidade a ser imputada aos funcionários das agências especializadas contratados no Brasil; o ônus da prova é do Fisco que, nos presentes autos, não foi cumprido, uma vez que a autoridade fiscal não trouxe as provas de que os rendimentos auferidos pelo recorrente são tributáveis; - analisados os itens 2 e 3 da resposta à pergunta n° 172, do "Perguntas e Resposta/95" , não resta dúvida que qualquer contribuinte nas condições do recorrente - contrato permanente e jornada de trabalho, folha de ponto, recebimento de benefícios, férias regulamentares - está enquadrado no item 2; - a restrição feita pela Receita Federal, exigindo que o contribuinte seja funcionário, exorbita na interpretação de lei, pois o próprio RIR/94 diz taxativamente servidor, e não funcionário; - servidor tem abrangência maior e funcionário é espécie do gênero servidor; "Y8 6 • • Processo N°. Resolução N°. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10166.017945/96-00 106-1.041 - nesse sentido são as lições de Aranha Bandeira de Melo e Hely Lopes Meirelles; - o documento, ora anexado, espelha com exatidão a existência de um contrato entre o recorrente e o organismo internacional existindo, portanto, um vínculo empregatício; cumpre registrar que a assertiva de que não há inclusão na lista fornecida pelo Sr. Secretário Geral da ONU do nome do recorrente como beneficiário dos privilégios e imunidades, que o mesmo não ocorreu no ano em questão tendo-se em vista que neste não houve pronunciamento da autoridade competente neste sentido; - o Parecer de n° 719/79, é no sentido de que os benefícios são extensivos à todos os membros do pessoal. Conclui, requerendo o provimento do recurso. ti: Foi anexado à fI. 95, comprovante do deposito de 30% do valor do débito exigido pelo art. 32 da Medida Provisória n° . É o Relatório~ 7 • Processo N°. Resolução N° MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10166.017945/96-00 106-1.041 VOTO • • Conselheira SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO, Relatora O recurso é tempestivo, dele tomo conhecimento. Discute-se nos autos sobre o tratamento tributário a que estão sujeitos os rendimentos oriundos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - PNUD, auferidos pelo contribuinte nos anos-calendário de 1993 e 1994, cuja isenção teve seu reconhecimento negado pelo julgador de primeira instância sob o fundamento de que a Convenção sobre Privilégios e Imunidades da Nações Unidas concede a isenção somente a funcionário pertencente ao quadro efetivo do organismo internacional. Sobre a matéria o Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 1.041/94, em seu artigo 23 assim determina: "Art. 5°- Estão isentos do imposto os rendimentos do trabalho auferidos por: I - Servidores diplomáticos estrangeiros a serviços de seus governos; 11- Servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte e aos quais se tenha obrigado, por tratado ou convênio, o conceder isenção; 111- Servidor não brasileiro de embaixada, consulado e repartições oficiais de outros países no Brasil, desde que no país de sua nacionalidade seja assegurado igual tratamento a brasileiros que ali exerçam idênticas funções. 8 • • Processo N°. Resolução N°. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIROCONSELHO DE CONTRIBUINTES 10166.017945/96-00 106-1.041 Parágrafo único. As pessoas referidos nos itens 11e /li deste artigo serão contribuintes como residentes no estrangeiro em relação a outros rendimentos produzidos no paIs. "(Lei n° 4.506/64, art. 5°, e 7.713/88, art.30) li • li Disso extrai-se que a obrigação de conceder a isenção a servidor de organismo internacional é o tratado ou convênio de que o Brasil seja signatário, portanto, por ser necessário passo a transcrever e analisar as disposições da legislação internacional aplicável à matéria enfocada. O Acordo Básico de Assistência e Cooperação Técnica com a Organização das Nações Unidas, promulgado pelo Decreto n° 59.308, de 23 de setembro de 1966, artigo V, privilégios e imunidades, está assim redigido: "1 - O Governo, caso ainda não esteja obrigado a fazê-lo, aplicará aos Organismos, a seus bens, fundos e haveres, bem como a seus funcionários, inclusive peritos de assistências técnicas: a) com respeito à Organizaçlio da Naçóes Unidas, a "Convençlio sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas"; b) com respeito às Agências Especializadas, a "Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas"; (grifei) Como visto, o Acordo de Cooperação Técnica segue a mesma orientação da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, aprovada em 13 de fevereiro de 1946, por ocasião da Assembléia Geral das Nações Unidas, cujos termos foram recepcionados pelo direito pátrio através do Decreto n° 27.784, de 16.02.50. Os artigos V e VI da citada Convenção, assim determinam:~ 9 • • • Processo N°. Resolução N°. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10166.017945/96-00 106-1.041 "Artigo V (...) Funcionários Seção 17. O Secretário Geral determinará as categorias dos funcionários aos quais se aplicam as disposições do presente artigo assim como as do artigo VII. Submeterá a lista dessas categorias à Assembléia Geral e, em seguida, dará conhecimento aos governos de todos os Membros. O nome dos funcionários compreendidos nas referidas categorias serão comunicados periodicamente aos Governos dos Membros. (grifei) Seção 18 - Os funcionários da Organização das Nações Unidas: . . b) serão isentos de qualquer imposto sobre os salários e emolumentos recebidos das Nações Unidas; .................................................................................................................... Seção 19 - Gozarão de isenções de impostos, quanto aos salários e vencimentos a eles pagos pelas agências especializadas e em condições idênticas as de que gozam os funcionários das Nações Unidas. Artigo VI Técnicos a serviços das Nações Unidas Seção 22 - Os técnicos (independentes dos funcionários no artigo V) , quando a serviço das Nações Unidas, gozam [ ...} dos privilégios ou imunidades necessárias para o desempenho independente de suas missões. Gozam, em particular dos privilégios e imunidades seguintes: (...) Dentre os privilégios e imunidades indicados não há menção à isenção de impostos. :Jt0 10 • • Processo N°. Resolução N°. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10166.017945/96-00 106-1.041 •• • Com isso temos que: o ponto fundamental do litígio centra-se especificamente quanto ao alcance do benefício de isenção previsto no artigo V, Seções 17 e 18, da Convenção aprovada pela Secretaria Geral das Nações Unidas. Pelas disposições constantes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, aos funcionários domiciliados no País, foi estendido isenção do imposto de renda sobre as remunerações pagas pela Representação do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil - PNUD . Assim inegável é a isenção sobre remuneração auferida em razão de trabalhos executados para organismos internacionais, quando comprovado o exercício de função na organização com jornada de trabalho regular, conseqüência de um vínculo empregatício, mediante remuneração mensal. Assim e considerando a Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 , Código Tributário Nacional que em seu art. 111, normatiza : "Art. 111 - Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (. ..) /I - outorga de isenção;" E, ainda, que as provas juntadas aos autos pela defesa são insuficientes para demonstrar que os rendimentos, aqui discutidos, estão amparados pelo benefício da isenção, proponho que o julgamento seja convertido em pedido de diligência para que a Representação do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento do Brasil, pelas vias diplomáticas competentes, informe se o 11 ti , --------------------------------------------, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo N°. Resolução N°. 10166.017945/96-00 106-1.041 • recorrente pertence a categoria de servidores de que trata o artigo V, Seções 17 e 18, da mencionada Convenção. Sala das Sessões - DF. em 13 abril de 1999 12 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012

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