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Numero do processo: 18050.010369/2008-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003 INCENTIVOS FISCAIS. FINOR. A emissão do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais com a opção cancelada ou divergente daquela consignada na DIPJ deve ser contestada pela pessoa jurídica optante, no prazo estabelecido pela legislação de regência, sob pena de não reconhecimento do direito ao incentivo fiscal, com o consequente lançamento de ofício das diferenças apuradas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os principais fundamentos utilizados no Acórdão recorrido, podem ser assim resumidos, conforme transcrição do voto condutor: “Embora tenha razão em relação ao fato de que a auditoria que gerou a representação objeto do Processo n° 15002.000063/2008-89, apensado a este, foi direcionado à Companhia Suzano de Papel e Celulose, CNPJ n° 60.651.726/0001-16 (fls. 458/459), empresa que à época já se encontrava extinta, em função de sua incorporação pela empresa Suzano Papel e Celulose S.A., este fato em nada prejudicou o pleno direito de defesa da interessada, tendo em vista que os demonstrativos que procederam à revisão de sua declaração de rendimentos do exercício de 2004 foram enviados ao endereço da empresa sucessora, Suzano Papel e Celulose S.A., sito à Avenida Brigadeiro Faria Lima, 1355, São Paulo/SP, que era o mesmo da empresa sucedida, Companhia Suzano de Papel e Celulose, conforme fls. 12 e 13 do citado Processo n° 15002.000063/2008-89. [...] Ressalte-se que o PERC, relativo ao ano-calendário de 2003, apresentado pela interessada apenas em 20/09/2007, como ela mesma reconhece na impugnação, foi objeto de análise pela DRF/Salvador, no âmbito do Processo n° 16624.001838/2007-06, que o indeferiu, por intempestivo, através do Despacho Decisório n° 270/09, sendo que tal decisão, tendo em vista manifestação de inconformidade interposta pela interessada, foi confirmada pela DRJ/Salvador, através do Acórdão n° 15-23.737, de 12 de maio de 2010, conforme documentos anexados às fls. 551/566, em resposta à diligência solicitada para este fim. [...] Como o lançamento foi efetuado por servidor competente, Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, e possui os demais elementos indispensáveis exigidos pelo PAF, tais como a perfeita descrição dos fatos e o enquadramento legal, possibilitando, à contribuinte, o pleno exercício do direito de defesa, direito este plenamente exercido, nada há que inquine de nulidade o procedimento fiscal. Fl. 653 DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓPIA Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 18050.010369/2008-66 Resolução n.º 1202-000.112 S1-C2T2 Fl. 654
Numero da decisão: 1202-000.112
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner. Relatório Tratase do exame do Auto de Infração do IRPJ relativo ao anocalendário de 2003, face à representação fiscal constante do processo 15002.000063/200889, apensado ao presente. Fl. 649DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 18050.010369/200866 Resolução n.º 1202000.112 S1C2T2 Fl. 650 2 A irregularidade apontada diz respeito à identificação do excesso de destinação de recursos do IRPJ em aplicação no FINOR, no valor de R$ 5.517.000,00, relativo ao ano calendário de 2003. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, de fls. 07 a 10, a autuação se fundamentou na Representação Fiscal contida no processo nº 15002.000063/200889. Como a autuada apurou saldo negativo do IRPJ na sua DIPJ, no valor de R$ 13.906.825,66, fls. 178, a infração não acarretaria exigência tributária, mas sim uma redução do saldo negativo do IRPJ apurado. Entretanto, como o saldo negativo apurado na DIPJ foi integralmente utilizado na compensação de tributos federais do processo nº 10880.721363/200671, o agente fiscal entendeu por efetuar o lançamento formalizado no Auto de Infração. Ao valor autuado, foi acrescida a multa de ofício, no percentual de 75%, e juros de mora, com base na taxa Selic. Na sequência, passo a transcrever a representação fiscal mencionada, fls. 499, cujos fundamentos foram utilizados pelo agente fiscal atuante na lavratura do Auto de Infração, conforme Termo de Verificação Fiscal, de fls. 07 a 10: “Trata a presente auditoria de Revisão de Declaração — Imposto de Renda Pessoa Jurídica, anocalendário de 2003, exercício de 2004, objetivando apurar o valor do imposto de renda pessoa jurídica recolhido a menor em decorrência de excesso na destinação feita ao FINOR, FINAM e/ou FUNRES, conforme § 7° do art. 601, Decreto nº 3.000/1999 (RIR); e §§ 6° e 7° do art. 4º Lei n° 9.532/1997. O contribuinte em questão recolheu DARF com código específico para o FINOR, no anocalendário de 2003, conforme cópias em anexo (código 9017). A Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), com base no(s) DARF recolhido(s) com código(s) especifico(s) para o FINOR, e/ou com base na opção efetuada na DIPJ 2004 — Ficha 36, apurou o Incentivo Fiscal a que o contribuinte teria direito, de acordo com as cópias das telas do sistema IRPJCONS. A RFB emitiu Extrato com as informações a respeito das aplicações efetuadas pela pessoa jurídica, não tendo havido manifestação por parte do interessado no prazo legal, que para o anocalendário de 2003 foi até 29.09.2006. Como o processamento apurou pendência fiscal, o incentivo pleiteado não foi reconhecido, com base no art. 60 da Lei 9.069/95. Elaborouse Demonstrativo de Apuração — Excesso de Aplicação em Incentivos Fiscais (FINAMFINORFUNRES) em Detrimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica —anocalendário 2003 (com base na DIPJ 2004 ND 0864887), que se encontra de acordo com o preconizado na NE Codac n° 01, de 11 de janeiro de 2008, tendo sido apurado saldo negativo de IRPJ a reduzir no valor de R$ 5.517.000,00 a ser constituído pelo setor competente da RFB, conforme Solução de Consulta Interna n° 26, de 20 de setembro de 2004, da CoordenaçãoGeral de Tributação.” A Ficha 36 Aplicações em Incentivos Fiscais constante da DIPJ, fls. 377, aponta a opção pelo incentivo fiscal no FINOR no valor de R$ 5.794.013,46. Em síntese, a autuada optou pela aplicação de parcela do imposto de renda em investimentos no FINOR. O Fisco deixou de emitir o Certificado de Incentivo Fiscal em seu favor, sob argumento de não estar regular com suas obrigações tributárias. Em decorrência, foi desconsiderada a opção pelo benefício fiscal com base no informado na DIPJ, com a consequente classificação dos investimentos no FINOR como sendo oriundos de recursos próprios da contribuinte, e não mais provenientes de parcela do IRPJ devido no anocalendário de 2003, o que, por conseguinte, caracterizou, no entender do Fisco, um saldo negativo maior Fl. 650DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 18050.010369/200866 Resolução n.º 1202000.112 S1C2T2 Fl. 651 3 do IRPJ e o seu aproveitamento, em compensação no processo nº 10880.721363/200671, também a maior. Irresignada com a autuação, a interessada apresentou sua impugnação, apresentando as alegações resumidas no Acórdão nº 1524.480 da DRJ/Salvador, de fls. 567 a 571, que adoto e passo a transcrever, na parte que interessa: “PRELIMINAR DE NULIDADE: a presente autuação se reporta a procedimento interno anterior que originou a representação dirigida à empresa Companhia Suzano de Papel e Celulose, CNPJ n° 60.651.726/000116, que, à época, já se encontrava incorporada pela impugnante, logo, não mais existia; [...] os resultados da noticiada auditoria deveriam ter sido direcionadas à empresa sucessora, e não à extinta sucedida; [...] o pleito da baixa do CNPJ da empresa incorporada foi protocolizado em 20 de agosto de 2004 (reproduz à fl. 463), do que resulta a inexistência de repercussão jurídica com relação aos atos praticados contra a empresa extinta, tornando sem efeito as afirmações constantes do anexo ao lançamento tendentes a caracterizar: (i) "falta de manifestação até 29/09/2006"; (ii) inexistência de PERC/2004 com CNPJ 60.651.726/000116 e (iii) eficácia dos extratos mencionados na peça de "auditoria DIPJ — 2004 acima reproduzida; [...] sendo assim, este é o momento de aduzir a presente prefacial de nulidade a incidir sobre o processo apensado a este, na medida em que o material probatório da suposta infração foi direcionado, por evidente equívoco, a uma empresa extinta, nos expressos termos do art. 227, § 3º da lei societária, disso tendo ciência a RFB; MÉRITO: [...] o período de 2003 a 2005 foi caracterizado por intenso desencontro de informações nos sistemas de controle de pendências tributárias nas telas da Receita, o que deve ter sido a causa das glosas informadas no indigitado extrato, de todo improcedentes, como se comprova, não sendo sequer imaginável a suposta infringência ao art. 60 da Lei n° 9.069, de 1995; outrossim, como demonstrado pelo documento 9 anexo (fls. 528/529), o Finor já integralizou as ações correspondentes a parte do valor glosado pelo Fisco (R$2.026.999,80), sendo de toda a conveniência e oportunidade, do ponto de vista da ordem pública, que seja reconhecida a não responsabilidade da ora impugnante, mercê da falta de divulgação do Ato Declaratório Executivo Corat destinado a veicular o formulário PERC referente ao exercício de 2004; conseqüentemente, não se caracterizam as violações consistentes em recolhimento a menor em decorrência de excesso de destinação ao Finor, pelo que não há de prosperar o auto de infração; 0 DIREITO EM CASOS SEMELHANTES: Fl. 651DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 18050.010369/200866 Resolução n.º 1202000.112 S1C2T2 Fl. 652 4 a DRJ, em casos semelhantes, adotou as providências indispensáveis, reconhecendo que a intimação se faz na pessoa sucessora e que não se verificaram os motivos impeditivos da opção (fls. 522/527); [...] Posteriormente, em 01/04/2009, a interessada apresentou a petição de fls. 532/534, acompanhada dos documentos de fls. 535/545, alegando, em síntese, que, conforme instrução recebida pelo Banco do Nordeste do Brasil, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por conta da Ordem de Emissão do Certificado de Investimento Finor, em favor da fiscalizada, referente ao exercício de 2004, anocalendário de 2003, resta demonstrado que a lavratura do presente auto de infração decorre de desencontro de informações, na medida em que todos os efeitos jurídicos do incentivo Finor já se produziram. Através do Despacho n° 627 — 2a Turma da DRJ/SDR, de 23 de novembro de 2009, anexado às fls. 547/549, foi solicitada diligência para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador se pronunciasse acerca: (1) do formulário PERC, relativo ao exercício de 2004, anocalendário de 2003, que teria sido apresentado pela contribuinte à DRF/Guarulhos em 20 de setembro de 2007 (cópia às fls. 501/502), anexando, se cabível, o Despacho Decisório correspondente; e (2) da Ordem de Emissão do Certificado de Investimento Finor referente ao exercício de 2004, ano calendário de 2003, em favor da Companhia Suzano de Papel e Celulose, citado no expediente do Banco do Nordeste, conforme cópia anexada à fl. 535. Efetuada a diligência, o agente fiscal assim se pronunciou, fls. 551. “1. Quanto ao documento da fl. 501 (Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — anocalendário 2003, exercício 2004), recente Acórdão da DRJ/SDR, no âmbito do processo 16624.001838/200706, confirmou o Despacho Decisório n°. 270/09, da DRF/SDR, que indeferiu o citado PERC, por intempestivo. Restam, pois, confirmadas as irregularidades apontadas na Representação 002/2008, do Seort/SDR (objeto do processo 15002.000063/200889), na qual o Auto de Infração está baseado. 2. Já com relação ao documento.da fl. 535 (Ordem de Emissão de Certificado de Investimento — Finor Banco do Nordeste), tratase apenas da conversão, em cotas do Fundo, dos recolhimentos efetuados voluntariamente pelo contribuinte com código de recolhimento do Finor. O valor corresponde a aplicações com recursos próprios não tem natureza de incentivo fiscal, o que deixa o valor sujeito à cobrança como imposto pago a menos, a não ser que o sujeito passivo protocolize o PERC respectivo. Tais instruções constam expressamente do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais enviadas pela então SRF ao contribuinte. Registrese também que a ordem para a emissão de cotas e gerada pelo próprio sistema de processamento das declarações, simultaneamente à geração do extrato, e nenhuma relação guarda com o direito de utilização de incentivos fiscais pelo contribuinte.” Na sequência, foi emitido o Acórdão nº 1524.480 da DRJ/Salvador, de fls. 567 a 571, com o seguinte ementário: NULIDADE. O procedimento fiscal efetuado por servidor competente, no exercício de suas funções, contendo os demais requisitos exigidos pela legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal, não pode ser considerado nulo. Fl. 652DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 18050.010369/200866 Resolução n.º 1202000.112 S1C2T2 Fl. 653 5 DILIGÊNCIA. NECESSIDADE. Os pedidos de diligência, quando o processo contém todos os elementos necessários para a formação da convicção do julgador, devem ser indeferidos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 INCENTIVOS FISCAIS. FINOR. A emissão do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais com a opção cancelada ou divergente daquela consignada na DIPJ deve ser contestada pela pessoa jurídica optante, no prazo estabelecido pela legislação de regência, sob pena de não reconhecimento do direito ao incentivo fiscal, com o consequente lançamento de ofício das diferenças apuradas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os principais fundamentos utilizados no Acórdão recorrido, podem ser assim resumidos, conforme transcrição do voto condutor: “Embora tenha razão em relação ao fato de que a auditoria que gerou a representação objeto do Processo n° 15002.000063/200889, apensado a este, foi direcionado à Companhia Suzano de Papel e Celulose, CNPJ n° 60.651.726/000116 (fls. 458/459), empresa que à época já se encontrava extinta, em função de sua incorporação pela empresa Suzano Papel e Celulose S.A., este fato em nada prejudicou o pleno direito de defesa da interessada, tendo em vista que os demonstrativos que procederam à revisão de sua declaração de rendimentos do exercício de 2004 foram enviados ao endereço da empresa sucessora, Suzano Papel e Celulose S.A., sito à Avenida Brigadeiro Faria Lima, 1355, São Paulo/SP, que era o mesmo da empresa sucedida, Companhia Suzano de Papel e Celulose, conforme fls. 12 e 13 do citado Processo n° 15002.000063/200889. [...] Ressaltese que o PERC, relativo ao anocalendário de 2003, apresentado pela interessada apenas em 20/09/2007, como ela mesma reconhece na impugnação, foi objeto de análise pela DRF/Salvador, no âmbito do Processo n° 16624.001838/200706, que o indeferiu, por intempestivo, através do Despacho Decisório n° 270/09, sendo que tal decisão, tendo em vista manifestação de inconformidade interposta pela interessada, foi confirmada pela DRJ/Salvador, através do Acórdão n° 1523.737, de 12 de maio de 2010, conforme documentos anexados às fls. 551/566, em resposta à diligência solicitada para este fim. [...] Como o lançamento foi efetuado por servidor competente, AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, e possui os demais elementos indispensáveis exigidos pelo PAF, tais como a perfeita descrição dos fatos e o enquadramento legal, possibilitando, à contribuinte, o pleno exercício do direito de defesa, direito este plenamente exercido, nada há que inquine de nulidade o procedimento fiscal. Fl. 653DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 18050.010369/200866 Resolução n.º 1202000.112 S1C2T2 Fl. 654 6 A impugnante solicita também diligência, no entanto, como o processo contém todos os elementos necessário à convicção do julgador, principalmente após a realização da diligência solicitada de ofício, indefiro a realização da diligência requerida, nos termos do art. 18 do PAF. [...] No caso em tela, o processamento eletrônico da DIPJ da contribuinte, relativa ao exercício de 2004, anocalendário de 2003, apontou a ocorrência de pendência fiscal. Assim, nos termos do art. 60 da Lei n° 9.069, de 1995, não foi reconhecido o direito ao incentivo fiscal. Recebido o Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais e divergindo o contribuinte do resultado ali externado, deveria ter procurado a unidade da RFB de sua jurisdição para verificar sua situação e apresentar o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC, direcionado à autoridade administrativa, juntamente com documentos que pudessem reverter as ocorrências descritas no referido extrato, no prazo legal. [...] Constatado o não atendimento às condições para o gozo do incentivo fiscal, a aplicação no fundo continua a existir, mas sua fonte deixa de ser a parcela do imposto renunciada pela União e, necessariamente, passa a ser recurso da própria pessoa jurídica investidora no projeto, tendo como consequência a apuração de recolhimento a menor do imposto apurado no anobase, passível de lançamento de ofício, nos termos da lei. A Ordem de Emissão de Certificado de Investimento — Finor, emitida pelo Banco do Nordeste, anexado pela impugnante à fl. 535, pelo exposto, trata, apenas, da conversão, em cotas do Fundo, dos recolhimentos efetuados voluntariamente pela contribuinte, com código de recolhimento próprio do Finor, os quais representam aplicações com recursos próprios e não geram direito líquido e certo ao incentivo pleiteado pela empresa. Irresignada com a decisão proferida, a interessada impetrou recurso voluntário, de fls. 578 a 626, repisando praticamente os mesmos argumentos trazidos na peça impugnatória. Em síntese, alega: i) a tempestividade da apresentação do PERC; ii) a autuação fiscal (se procedente) haveria de se limitar à redução do saldo negativo do IRPJ apurado na DIPJ, e, por decorrência, nãohomologar as compensações tributárias implementadas pela recorrente com a utilização daquele crédito de saldo negativo de IRPJ, sendo indevida a constituição de qualquer valor a título de imposto; iii) adicionalmente, seja o presente feito sobrestado até decisão definitiva nos autos do processo 16624.001838/200706 (exame do PERC), com o qual guarda inegável relação de prejudicialidade em relação à alegada inexistência de PERC referente ao exercício de 2004. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e nos termos da lei. Dele tomo conhecimento. Fl. 654DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 18050.010369/200866 Resolução n.º 1202000.112 S1C2T2 Fl. 655 7 A controvérsia principal do presente processo diz respeito à procedência da autuação para exigir o IRPJ que teria sido aproveitado indevidamente como aplicação em incentivo fiscal no fundo FINOR, face a existência de saldo negativo na DIPJ em valor superior ao valor lançado. Alega a defesa, que a totalidade do saldo negativo do IRPJ informado na declaração DIPJ já teria sido integralmente aproveitado na compensação de tributos federais, por meio do PER/DCOMP principal de número 35824.25878200204.1.3.02/4149 e PER/DCOMP posteriores relacionados, todos reunidos no processo n° 10880.721363/200671. Adicionalmente, entende que deve ser sobrestado o presente processo até a decisão administrativa definitiva a respeito do PERC que se encontra em análise no processo 16624.001838/200706. Por seu turno, o acórdão recorrido entendeu que, por já ter sido considerado procedente a intempestividade do PERC pelo órgão julgador de primeira instância, no âmbito do processo n° 16624.001838/200706, deveria ser mantido o lançamento fiscal. A respeito do andamento do processo referido no item precedente, cumpre dizer que pesquisa efetuada no sítio do CARF, na internet, demonstra que o mesmo foi apreciado pela 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária da 1ª Seção do CARF, tendo sido dado provimento ao recurso voluntário da contribuinte, por meio do Acórdão nº 1301000.691, sessão de 30/09/2011, onde foi reconhecido a tempestividade do PERC e determinado a remessa dos autos à repartição de origem (DRF) para o deslinde do mérito. Como alega a defesa, é necessário primeiramente o exame, pelo órgão de origem, das alegações apresentadas no respectivo PERC para que se possa julgar com mais precisão a exigência fiscal do IRPJ formalizada no presente processo. A análise do PERC é questão prejudicial, cuja matéria tem estreita ligação com a presente autuação. Além disso, para um melhor deslinde da questão, entendo como necessária a manifestação do órgão de origem a respeito das compensações levadas a efeito no processo n° 10880.721363/200671, cujo direito creditório se originou do saldo negativo do IRPJ do ano calendário de 2003, ora em análise. Em vista do exposto, para melhor decidir a matéria, entendo como necessária a conversão do julgamento do recurso em DILIGÊNCIA, retornando o processo à unidade de origem, para que a autoridade fiscal se manifeste sobre as alegações trazidas no recurso, nos seguintes pontos: a) após o exame de mérito do PERC apresentado no processo n° 16624.001838/200706, emitir despacho fundamentado e conclusivo a respeito da procedência total ou parcial da exigência fiscal do IRPJ formalizada no presente processo; b) juntar cópia do despacho decisório que analisou o respectivo PERC; c) juntar cópia do despacho decisório que reconheceu o direito creditório e homologou as compensações requeridas no processo nº 10880.721363/200671, bem como, se houver, cópia da decisão definitiva que homologou ditas compensações; Fl. 655DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 18050.010369/200866 Resolução n.º 1202000.112 S1C2T2 Fl. 656 8 d) cientificar a recorrente do conteúdo do despacho mencionado no item a) retro, com intimação para se manifestar, querendo, no prazo de 30 dias ; e) após, retorno a este CARF para julgamento do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 656DF CARF MF Impresso em 02/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/03/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 10983.720539/2013-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 10/11/2010, 10/01/2011, 26/04/2011, 14/07/2011, 03/08/2011, 06/09/2011
OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. PENA DE PERDIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVAS
Deve ser cancelada a pena de perdimento, convertida em multa pecuniária (inciso V do caput e §§ 1° e 3° do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455/76), quando não há provas nos autos de que as operações teriam sido cursadas a conta e ordem ou por encomenda, com consequente ocultação do real adquirente.
Numero da decisão: 3301-005.128
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Liziane Angelotti Meira e Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Costa Marques D´Oliveira.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Redator do Voto Vencedor
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL
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PENA DE PERDIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVAS Deve ser cancelada a pena de perdimento, convertida em multa pecuniária (inciso V do caput e §§ 1° e 3° do art. 23 do Decretolei n° 1.455/76), quando não há provas nos autos de que as operações teriam sido cursadas a conta e ordem ou por encomenda, com consequente ocultação do real adquirente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Liziane Angelotti Meira e Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Costa Marques D´Oliveira. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 05 39 /2 01 3- 49 Fl. 441DF CARF MF Processo nº 10983.720539/201349 Acórdão n.º 3301005.128 S3C3T1 Fl. 442 2 Marcelo Costa Marques d'Oliveira Redator do Voto Vencedor Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira. Relatório Visando à elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do constante do Acórdão nº 1656.105 11ª Turma da DRJ/SP1 (fls. 396/404): Trata o presente processo de auto de infração lavrado em 19/04/2013 para exigência de crédito tributário no valor de R$ 81.346,53 (oitenta e um mil trezentos e quarenta e seis reais e cinqüenta e três centavos) referente a multa prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488/2007. O Mandado de Procedimento Fiscal nº 09.2.52.002012000505 teve por objetivo proceder a auditoria das importações realizadas por conta própria no período de janeiro de 2010 a dezembro de 2011, especificamente aquelas amparadas pelas declarações de importação3 de nº 10/19939437, 11/00491629, 11/07459240, 11/13019931, 11/14442986 e 11/16814414. Segundo a fiscalização, a empresa RUELL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, doravante denominada RUELL , atuava como importador interposto das empresas MIAKI SERVIÇOS E COMÉRCIO LTDA, doravante denominada MIAKI, CNPJ n° 73.009.425/000135 e RM REVESTIMENTOS MONOLÍTICOS LTDA, CNPJ n° 07.446.039/000186, doravante denominada RM REVESTIMNTOS, reais adquirentes das mercadorias importadas objeto das DIS acima listadas. Tal conclusão foi baseada nas informações constantes nas Declarações de Importação, nos conhecimentos rodoviários de carga ou sua ausência, nas notas fiscais de entrada e de saídas das mercadorias importadas, nos livros e demonstrações contábeis da fiscalizada, nas informações prestadas por esta última, nas bases de dados da SRF e em outros elementos de convencimento obtidos durante os trabalhos. Ciente do Auto de Infração em 26/04/2013, a empresa RUELL apresentou a impugnação de fls. 298/308, onde, em síntese do necessário, alegou: a exigência fiscal mostrase totalmente indevida e ilegal. À medida que as operações de importação foram realizadas de forma lícita e regular, bem como ausentes os pressupostos caracterizadores da interposição fraudulenta; Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10983.720539/201349 Acórdão n.º 3301005.128 S3C3T1 Fl. 443 3 a presunção de interposição fraudulenta, decorre da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados; ainda que houvesse manifestação prévia de interesse na compra das mercadorias pelos clientes, as importações foram promovidas integralmente com os recursos da Impugnante, o que descaracteriza a interposição fraudulenta por meio de “cessão do nome”. Cita Acórdãos do CARF e da DRJ; o fato de a Impugnante ter revendido as mercadorias logo após a sua nacionalização, por si só, não tem o condão de desqualificar as importações realizadas; em relação ao “fator tempo” das operações, cumpre destacar que, entre a data de embarque em Hamburgo até a nacionalização, houve o decurso de 30 a 69 dias (vide fls. 303 – impugnação); embora o agente Fiscal não tenha indagado sobre a armazenagem no curso da fiscalização, as mercadorias foram descarregadas e armazenadas até o momento da revenda nos terminais Multlog S.A e Poly Terminais Portuários S.A., conforme notas fiscais de prestação de serviço em anexo; logo não faz o menor sentido a ilação fiscal de que a Impugnante teria armazenado as mercadorias na sede da empresa (salas comerciais) local destinado, obviamente, para a atividade de administração; não houve qualquer ação dolosa de fraude ou simulação por parte da Impugnante; caberia a Fiscalização provar os chamados fatos indiciários no caso, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados; Cita doutrina e Acórdãos do CARF; A DRJ considerou improcedente a impugnação com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 10/11/2010, 10/01/2011, 26/04/2011, 14/07/2011, 03/08/2011, 06/09/2011 CESSÃO DE NOME DA PESSOA JURÍDICA. Ocultado o real adquirente, mediante cessão de nome, acolhese a infração imputada (artigo 33 da Lei 11.488/2007). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Foi apresentado Recurso Voluntário, no qual são apresentados os argumentos de defesa, que são devidamente analisados no voto deste acórdão. Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10983.720539/201349 Acórdão n.º 3301005.128 S3C3T1 Fl. 444 4 Cumpre anotar que, na análise do Recurso Voluntário do Processo nº 10983.720672/201303, a 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decidiu, por meio da Resolução nº 3301000.270 (fls. 590/594), converter o julgamento da lide em diligência, com a determinação de que fosse estabelecida a conexão com o processo no. nº 10983.720669/201381(presente processo) e de que o julgamento fosse conjunto. Os processos nº 10983.720669/201381, 10983.720672/201303 e 10983.720539/201349 serão julgados conjuntamente na mesma sessão desta turma do CARF. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Liziane Angelotti Meira. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A Recorrente asseverou que realizou importações diretas de mercadorias oriundas da Alemanha" com o "objetivo de comercialização" e que a Fiscalização considerou haver interposição fraudulenta com base nos seguintes elementos: Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10983.720539/201349 Acórdão n.º 3301005.128 S3C3T1 Fl. 445 5 Assevera a Recorrente que, em relação ao tempo, afirma que entre a data de embarque em Hamburgo e a nacionalização se passaram de 30 a 69 dias e defende que os incícios considerados pela fiscalização para caracterização da interposição fraudulenta. Cumpre, por sua vez, retomar alguns fundamentos constantes da decisão recorrida: A fiscalização intimou a RUELL através do Termo de Início nº 011201 (Termo de Início 0112)a apresentar em 20 (vinte) dias: a documentação de constituição da empresa, cópia dos documentos de identificação das pessoas com poderes para assinar por ela, comprovantes de integralização do capital social, cópias dos extratos e documentos instrutivos das Declarações de Importação nº 10/19939437, 11/00491629, 11/07459240, 11/13019931, 11/14442986 e 11/16814414, cópias da notas fiscais de entrada e saída, conhecimentos de transporte tanto da operação de entrada quanto por ocasião da venda, cópia do livro Diário e de Registro de Entradas e Saídas de Mercadorias com o respectivo registro das entradas/saídas e Inventário, comprovante de pagamento das importações e cópia do extrato bancário comprovando o recebimento pelas vendas das mercadorias importadas. Também foram solicitados: declaração assinada Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10983.720539/201349 Acórdão n.º 3301005.128 S3C3T1 Fl. 446 6 pelos sócios informando a forma de processamento das importações, responsáveis pelas tratativas comerciais em nome da empresa, informações do fechamento de câmbio e preenchimento de uma tabela informativa a respeito dos pagamentos relativos às Declarações de Importação. Das notas fiscais de saí da apresentadas (Notas e Fretes), constatouse que as mercadorias importadas ao amparo das DIs objeto da fiscalização haviam sido vendidas em sua totalidade para duas empresas, sendo uma delas a RM Revestimentos Monolíticos Ltda.. A fiscalização intimou, em 11/05/2012, a interessada RM Revestimentos através do Termo de Início de Ação Fiscal e Intimação nº 051202 (Termo de Início 051202) a apresentar em 20 (vinte) dias: declaração informando a existência de contrato de fornecimento ou de qualquer outra espécie com a Ruell e também cópia de todos os pedidos de Verniz marca ‘Silikal’ efetuados à mesma empresa no período de setembro de 2010 a novembro de 2011.. Em 21/05/2012 (Resposta 0512) veio a empresa informar que adquiriu o referido produto naquele período da Ruell através de pedidos verbais, não possuindo qualquer contrato de fornecimento ou de qualquer outra espécie com a referida. A Miaki foi intimada através da Intimação nº 051202 (Termo de Início 051201), a apresentar declaração informando a existência de contrato de fornecimento ou de qualquer outra espécie com a Ruell e também cópia de todos os pedidos de Verniz efetuados à mesma empresa no período de setembro de 2010 a novembro de 2011. A correspondência foi devolvida com a anotação de que a empresa havia se mudado do local. Informou a fiscalização que, sendo este o único endereço constante na SRF não foi possível prosseguir com o MPF. Apenas a título de informação, as empresas RM Revestimentos Monolíticos Ltda e Miaki Serviços e Comércio Ltda foram autuadas como responsáveis solidárias nos processos administrativos de nºs 10983.720669/201381 e 10983.720672/201303 em nome da RUELL, com a aplicação da multa prevista no DL 1.455/1976, artigo 23, V (conversão da pena de perdimento em multa). A fiscalização, diante dos fatos apurados, concluiu que a empresa RUELL importou mercadorias por conta e ordem das empresas RM Revestimentos e Miaki, sem indicar esta operação à Receita Federal, ocultando o real adquirente, agindo como interposta pessoa. Entendeu, o fisco, que houve simulação na operação. Através da TABELA 4, fl. 24 a fiscalização compilou as informações fornecidas pela interessada: Fl. 446DF CARF MF Processo nº 10983.720539/201349 Acórdão n.º 3301005.128 S3C3T1 Fl. 447 7 As fls. 24 descreve a fiscalização: “Desta Tabela 4 surgem algumas informações bastante significativas: a) Da coluna “Conhec. Transp. Recinto Empresa”: Para nenhuma das DIs fiscalizadas o contribuinte apresentou o conhecimento de carga da operação de transporte das mercadorias desde o recinto alfandegado até suas instalações. Como todas elas foram desembaraçadas em recintos alfandegados da cidade de Itajaí SC (Doctos. DI), onde a fiscalizada não possui instalações, obrigatoriamente deveria haver o transporte até um de seus endereços para a devida entrada e armazenagem. Considerando que, como veremos no item ‘b’ abaixo, a fiscalizada possui endereços em Florianópolis e Brasília, causa bastante estranheza a não comprovação já que as mercadorias teriam que ser transportadas por rodovias federais onde há fiscalização deste transporte; b) Ainda que não haja a prova do transporte desde o recinto até a empresa, passa esta fiscalização a analisar os endereços declarados do importador buscando localizar onde poderia haver sido armazenada a mercadoria importada. Para isto o primeiro passo é apurar a quantidade de mercadoria importada em cada DI, já que necessitaria a empresa possuir espaço físico suficiente e adequado para armazenagem. Dos extratos das DIs (Doctos. DI) verificase que apenas os vernizes importaram em: DI Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10983.720539/201349 Acórdão n.º 3301005.128 S3C3T1 Fl. 448 8 10/19939437 13.910 Kg, 11/00491629 14.400 Kg, 11/07459240 14.450 Kg, 11/13019931 14.400 Kg, 11/14442986 14.400 Kg e 11/16814414 13.800 Kg. Ressaltamos que foram importados outros produtos nas mesmas DIs aqui não consideramos já que a análise do espaço necessário apenas para os vernizes irá exaurir o tema. Tendo as quantidades, passamos então a buscar pelos endereços declarados pelo contribuinte a esta SRF e também à junta comercial (Contrato e Doctos.)” Ficou constatado que ambos os endereços declarados pelo contribuinte são salas em prédios comerciais, sendo inclusive ressaltado por este que sua matriz em Florianópolis estaria destinada APENAS a atividade de escritório conforme o parágrafo primeiro da cláusula segunda do contrato social. Embora a interessada RUELL alegue que as mercadorias foram contabilizadas no estoque, cabe destacar que, intimado a apresentar (item 5.3 da intimação): “5.3 Cópia do Livro Diário e Livro de Registro de Entradas e Saídas de Mercadorias e Inventário com o devido registro de entrada da mercadoria. Relacionar com a Declaração de Importação pertencente e destacar a entrada de interesse”, o contribuinte respondeu, fls. 44: ““4. Quanto a solicitação contida nos itens 5.3 e 5.7, informase que as mercadorias não foram registradas no Livro Registro de Inventário, haja vista que não ingressaram no estoque.” Ou seja, mercadorias importadas na modalidade direta, sem cliente prédefinido como deveria ser nesta modalidade, não foram registradas no Livro de Inventário simplesmente porque NÃO INGRESSARAM NO ESTOQUE. Na tabela 4 acima transcrita podemos observar que nas colunas “Data Desembaraço”, “NF Entrada” e “NF Saída” há uma proximidade entre estas três datas para todas as Declarações de Importação. Como bem destacou a fiscalização, esta proximidade entre as datas é mais compatível com operações de importação “por conta e ordem de terceiros” ou por “encomenda”. Entretanto a RUELL declara realizar importações na modalidade “por conta propria”. Analisadas as colunas “NF Entrada” e “NF Saída” observamos que os números das notas fiscais de saída são imediatamente seqüenciais aos das respectivas notas de entrada EM TODAS AS DIs. Exemplo para a DI de nº 10/19939437 que teve nota fiscal de entrada nº 314, as notas fiscais de saída foram 315 e 316. Ademais, as datas de emissão das notas de entrada e saída para uma mesma Declaração de Importaão SÃO AS MESMAS PARA TODOS OS CASOS. Assim, pelas razões apresentadas, podemos concluir que na operação de importação albergada pelas DIs destacadas no Relatório deste Acórdão ocorreu a ocultação do real adquirente, através da interposição da empresa autuada. Fl. 448DF CARF MF Processo nº 10983.720539/201349 Acórdão n.º 3301005.128 S3C3T1 Fl. 449 9 É obrigação do importador informar na Declaração de Importação quem é o adquirente da mercadoria, ou o encomendante, nos termos do artº 3º da IN SRF 225/2002 como também no artº 3º da IN SRF 634/2006. Mesmo que se alegue, como de fato alegou a empresa RM Revestimentos, que o Erário não deixou de efetuar o recolhimento que lhe cabia, a burla dos controles aduaneiros ocorreu, pois não é o real importador que se apresenta perante à fiscalização com o seu nome no despacho aduaneiro. Dessa forma, considerando os fundamentos constantes do Auto de Infração/acórdão impugnado, dentre os quais a própria afirmação da Recorrente de que as mercadorias não foram registradas no seu livro contábil porque não ingressaram no estoque, propõse manter integralmente o entendimento da decisão recorrida. Segundo a Recorrente, a Fiscalização não demonstrou ter ocorrido o uso de recursos de terceiros na operação de importação. Defende possuir capacidade financeira compatível com as importações realizadas. Afirma também eu todas as despesas com o Siscomex e com os tributos incidentes na importação e no fechamento do câmbio foram pagas diretamente pela Recorrente. Afirma também a Recorrente que, do confronto entre as notas fiscais de entrada e saída, verificase que a margem de lucro de revenda no mercado interno foi entre 30% e 80%, o que denotaria sua real atividade econômica. Parecenos, no entanto, que os elementos levantados pela Fiscalização constantes do item anterior são suficientes para caracterizar a infração, dentre os quais destacamse: Nas notas fiscais de saída apresentadas, verificouse que as mercadorias importadas ao amparo das DIs objeto da fiscalização haviam sido vendidas em sua totalidade para duas empresas, sendo uma delas a RM Revestimentos A RM Revestimentos Monolíticos Ltda. informou que adquiriu o referido produto naquele período da Ruell através de pedidos verbais, não possuindo qualquer contrato de fornecimento ou de qualquer outra espécie com a referida. Para nenhuma das DIs fiscalizadas o contribuinte apresentou o conhecimento de carga da operação de transporte das mercadorias desde o recinto alfandegado até suas instalações. Como todas elas foram desembaraçadas em recintos alfandegados da cidade de Itajaí SC), onde a fiscalizada não possui instalações, obrigatoriamente deveria haver o transporte até um de seus endereços para a devida entrada e armazenagem. Não ha prova do tranporte. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 10983.720539/201349 Acórdão n.º 3301005.128 S3C3T1 Fl. 450 10 Ficou constatado que ambos os endereços declarados pelo contribuinte são salas em prédios comerciais, sendo inclusive ressaltado por este que sua matriz em Florianópolis estaria destinada APENAS a atividade de escritório conforme o parágrafo primeiro da cláusula segunda do contrato social. Não havendo, portanto, espaço para receber as mercadorias. Embora a interessada RUELL alegue que as mercadorias foram contabilizadas no estoque, cabe destacar que, intimado a apresentar (item 5.3 da intimação): “5.3 Cópia do Livro Diário e Livro de Registro de Entradas e Saídas de Mercadorias e Inventário com o devido registro de entrada da mercadoria. Relacionar com a Declaração de Importação pertencente e destacar a entrada de interesse”, o contribuinte respondeu, fls. 44: ““4. Quanto a solicitação contida nos itens 5.3 e 5.7, informase que as mercadorias não foram registradas no Livro Registro de Inventário, haja vista que não ingressaram no estoque.” Ou seja, mercadorias importadas na modalidade direta, sem cliente prédefinido como deveria ser nesta modalidade, não foram registradas no Livro de Inventário simplesmente porque NÃO INGRESSARAM NO ESTOQUE. Nas colunas “Data Desembaraço”, “NF Entrada” e “NF Saída” há uma proximidade entre estas três datas para todas as Declarações de Importação. Como bem destacou a fiscalização, esta proximidade entre as datas é mais compatível com operações de importação “por conta e ordem de terceiros” ou por “encomenda”. Entretanto a RUELL declara realizar importações na modalidade “por conta propria”. Analisadas as colunas “NF Entrada” e “NF Saída” observamos que os números das notas fiscais de saída são imediatamente seqüenciais aos das respectivas notas de entrada EM TODAS AS DIs. Exemplo para a DI de nº 10/19939437 que teve nota fiscal de entrada nº 314, as notas fiscais de saída foram 315 e 316. Ademais, as datas de emissão das notas de entrada e saída para uma mesma Declaração de Importaão SÃO AS MESMAS PARA TODOS OS CASOS. Em face do exposto, propõese também neste item manter o entendimento da decisão recorrida. Por todo o exposto voto no sentido de manter integralmente a decisão recorrida e negar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 450DF CARF MF Processo nº 10983.720539/201349 Acórdão n.º 3301005.128 S3C3T1 Fl. 451 11 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Redator Designado A fiscalização acusou a recorrente de ter declarado como diretas importações que na verdade teriam sido efetuadas a conta e ordem das empresas RM Revestimentos Monolíticos Ltda e Miaki Serviços e Comércio Ltda.. Diante disto, aplicou a multa prevista no art. 33 da Lei n° 11.488/07, equivalente a 10% do valor das importações, em razão da ocultação dos reais adquirentes. O agente fiscal chegou a tal conclusão, em virtude de ter identificado o seguinte: i) Todas as mercadorias importadas foram vendidas para as empresas RM e Miaki. A "característica básica para este tipo de transação são vendas pulverizadas no mercado interno" (fl. 28). ii) As mercadorias foram desembaraçadas no porto de Itajaí (SC), onde a recorrente não possui instalações. Não foram apresentados conhecimentos de transporte para estabelecimento da recorrente. iii) Nos conhecimentos de transporte das vendas, consta que as mercadorias partiram das cidades de Florianópolis (SC) e Brasília (DF), onde a recorrente não tinha estabelecimentos com capacidade para tanto. iv) Havia proximidade entre as datas das DI. Para todas as notas fiscais de entrada, havia duas de saída e para as mesmas compradoras. Tais fatos são típicos de operações a conta e ordem ou para revenda a encomendante predeterminado. Nestes casos, não há "risco de revenda das mercadorias importadas", o que é "característica essencial da importação direta". v) Em relação a algumas DI auditadas, as datas de emissão das notas fiscais de entrada e saída eram idênticas. E as vendas foram realizadas por meio de duas notas fiscais de saída de numeração sequencial. vi) As mercadorias importadas não foram escrituradas no Livro de Inventário, o que "leva a fortes de indícios de que estas mercadorias sequer tenham sido fisicamente transportadas para a empresa". vii) Os importadores de fato não tinham habilitação para operar no comércio exterior. Com a devida vênia, discordo do agente fiscal e da i. Conselheira Relatora. Os fatos identificados pela fiscalização não são suficientes para que se conclua que as importações teriam sido efetuadas a conta e ordem ou mesmo por encomenda das empresas RM e Miaki. A Receita Federal do Brasil, no uso da atribuição que lhe foi conferida pelo inciso I do artigo 80 da Medida Provisória 2.15835, de 2001, § 1º do artigo 11 da Lei nº Fl. 451DF CARF MF Processo nº 10983.720539/201349 Acórdão n.º 3301005.128 S3C3T1 Fl. 452 12 11.281, de 2006, e pelo artigo 16 da Lei 9.779, de 1999, editou as Instruções Normativas SRF nº 225/02 e 634/06, que estabeleceram requisitos e condições para a realização de importações por conta e ordem de terceiros e por encomenda, respectivamente. Assim foram conceituadas: "IN SRF n° 225/02 Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que opere por conta e ordem de terceiros será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Entendese por importador por conta e ordem de terceiro a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial." "IN SRF n° 634/06 Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa." Não há nos autos uma única prova de que as importações em comento foram realizadas com recursos das empresas RM e Miaki., para que pudessem ser consideradas como realizadas a conta e ordem das mesmas, tais como: transferências de recursos dos ditos reais adquirentes para a recorrente, com o objetivo de liquidar as correspondentes operações de câmbio; e prática de margem de lucro nas vendas incompatível com os respectivos mercados e também insuficiente para cobrir os custos da operação e ainda gerar lucros. E igualmente não há elementos que comprovassem terem sido cursadas por encomenda, tais como, evidências documentais da existência de acordos comerciais prévios entre a Miaki e a RM e a recorrente, em que constassem compromisso desta última identificar exportador capacitado para vender determinados tipos de mercadorias, respeitando prazos e quantidades definidos pelos encomendantes. Sendo assim, dou provimento do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 452DF CARF MF Processo nº 10983.720539/201349 Acórdão n.º 3301005.128 S3C3T1 Fl. 453 13 Fl. 453DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.003247/2010-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
PROCESSUAL - NULIDADE - ARBITRAMENTO - ALEGADO DESRESPEITO AO ARTIGO 148 DO CTN - NÃO OCORRÊNCIA
O desrespeito aos preceitos do art. 148 do CTN, em atos de lançamento realizados com base no lucro arbitrado, só ocorre se, acaso, a autoridade lançadora deixar de intimar o contribuinte para apresentar os livros e documentos contábeis/fiscais ou, apresentados estes, deixar de analisá-los. Se, todavia, o contribuinte é regularmente intimado a exibí-los e, nada obstante, deixa de atender a predita intimação, considerar-se-á válido o ato de lançamento concretizado com base no arbitramento.
NULIDADES - INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS - SUMULA 02/CARF
E este colegiado é vedado a não aplicação de preceitos legais sob a alegação de inconstitucionalidade, seja por força dos preceitos do 62 do RICARF, seja em virtude das disposições da Sumula/CARF de nº 2.
PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITA OU DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Conforme disposição legal, caracteriza-se como uma omissão de receitas ou de rendimentos, sujeito a lançamento de ofício, os depósitos bancários de origem comprovada pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 1302-003.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 PROCESSUAL - NULIDADE - ARBITRAMENTO - ALEGADO DESRESPEITO AO ARTIGO 148 DO CTN - NÃO OCORRÊNCIA O desrespeito aos preceitos do art. 148 do CTN, em atos de lançamento realizados com base no lucro arbitrado, só ocorre se, acaso, a autoridade lançadora deixar de intimar o contribuinte para apresentar os livros e documentos contábeis/fiscais ou, apresentados estes, deixar de analisá-los. Se, todavia, o contribuinte é regularmente intimado a exibí-los e, nada obstante, deixa de atender a predita intimação, considerar-se-á válido o ato de lançamento concretizado com base no arbitramento. NULIDADES - INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS - SUMULA 02/CARF E este colegiado é vedado a não aplicação de preceitos legais sob a alegação de inconstitucionalidade, seja por força dos preceitos do 62 do RICARF, seja em virtude das disposições da Sumula/CARF de nº 2. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITA OU DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Conforme disposição legal, caracteriza-se como uma omissão de receitas ou de rendimentos, sujeito a lançamento de ofício, os depósitos bancários de origem comprovada pelo sujeito passivo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 PROCESSUAL NULIDADE ARBITRAMENTO ALEGADO DESRESPEITO AO ARTIGO 148 DO CTN NÃO OCORRÊNCIA O desrespeito aos preceitos do art. 148 do CTN, em atos de lançamento realizados com base no lucro arbitrado, só ocorre se, acaso, a autoridade lançadora deixar de intimar o contribuinte para apresentar os livros e documentos contábeis/fiscais ou, apresentados estes, deixar de analisálos. Se, todavia, o contribuinte é regularmente intimado a exibílos e, nada obstante, deixa de atender a predita intimação, considerarseá válido o ato de lançamento concretizado com base no arbitramento. NULIDADES INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS SUMULA 02/CARF E este colegiado é vedado a não aplicação de preceitos legais sob a alegação de inconstitucionalidade, seja por força dos preceitos do 62 do RICARF, seja em virtude das disposições da Sumula/CARF de nº 2. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITA OU DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Conforme disposição legal, caracterizase como uma omissão de receitas ou de rendimentos, sujeito a lançamento de ofício, os depósitos bancários de origem comprovada pelo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 32 47 /2 01 0- 41 Fl. 779DF CARF MF Processo nº 10865.003247/201041 Acórdão n.º 1302003.165 S1C3T2 Fl. 780 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida a processo de autos de infração lavrados em face do recorrente a fim de, constatada a omissão de receitas em decorrência da identificação de depósitos bancários sem comprovação de origem, exigirse o recolhimento do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS apurados nos anoscalendários de 2006 e 2007 Vale destacar que a recorrente era optante do regime simplificado tratado pela 9.713 até o ano calendário de 2005. Contudo, em razão da imposição fiscal autuada no processo de nº 10865.003248/201096, em que se constatou a existência de depósitos de origem desconhecida, e em decorrência da adição à receita bruta da empresa das receitas pretensamente omitidas, a fiscalização promoveu a exclusão do contribuinte do Simples, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2006; também como consequência desta exclusão, promoveu ao arbitramento do imposto de renda e da CSLL,e a exigência do PIS e da COFINS, quanto ao ano de 2006 e, em função de opção aventada pelo contribuinte, promoveu o lançamento dos respectivos tributos federais com base no lucro presumido quanto ao anocalendário de 2007. A exclusão do Simples, e respectiva manifestação de inconformidade do contribuinte, foram autuadas no processo de nº 10865.001985/201054, ao passo que lançamento dos demais tributos relativos aos anoscalendário de 2006 e 2007, foram autuados neste feito. Pois bem. De acordo com o relatório fiscal, foram identificadas movimentações bancárias incompatíveis com os valores declarados pelo contribuinte nos anos de 2005, 2006 e 2007. Em face deste fato, a D. Auditoria Fiscal intimou o contribuinte (efls 392) a explicar a origem de depósitos realizados em contas correntes de sua titularidade; em razão disso, o contribuinte apresentou planilha "com 'demonstrativo de transferência de 17 contas bancárias entre contas da empresa e também valores que foram depositados nas contas a titulo de financiamentos e empréstimos liberados', conforme consta no cabeçalho" (efls 462/469). Compulsando as informações descritas na aludida planilha, a Fiscalização considerou comprovada a origem de parte dos depósitos tratados no TVF; quanto as demais Fl. 780DF CARF MF Processo nº 10865.003247/201041 Acórdão n.º 1302003.165 S1C3T2 Fl. 781 3 movimentações, entendeu inexistir demonstração por documentos hábeis e idôneos suficientes à afastar a presunção de omissão de receitas, mormente por não serem coincidentes e datas e valores, conforme determinado pela legislação. Demais disso, por meio do termo de intimação de efls. 470, a D. Auditoria instou o contribuinte a apresentar os livros e documentos contábeis/fiscais obrigatórios às empresas optantes pelo lucro real, em relação ao anocalendário de 2006 e ao primeiro semestre de 2007 (já que, quanto ao 2ª Semestre, a empresa optou pelo lucro presumido, conforme se extrai da DIPJ juntada à efls. 515 e ss). Quanto a esta intimação, destacase, a empresa autuada silenciouse. Com espeque nas disposições do art. 42 da Lei 9.430/96, lavrouse os autos de infração ora polemizados, procedeuse, como já dito ao arbitramento do lucro quanto ao ano de 2006 e ao primeiro semestre de 2007. O contribuinte, também como já alertado, apresentou impugnações administrativas (a este processo e ao PA de nº 10865.003248/201096) e manifestação de inconformidade em face do ADE autuado nos autos do processo de nº 10865.001985/201054, sustentando, em apertada síntese: a) como nulidades (preliminares): a.1) a desobediência, pela fiscalização, ao promover o arbitramento do lucro da empresa em alegado desrespeito ao art. 148 do CTN (sem observar o devido processo legal); a.2) a aplicação de multa de ofício no percentual de 75%, em desrespeito ao princípio do não confisco e às disposições da Lei 8.078/90 (Código de Defesa do Consumidor), com a redação que lhe foi dada pela Lei 9.298/96; a.3) a conclusão dos trabalhos fiscais lastreados apenas em presunção, mormente quando teria, a seu ver, comprovado a origem dos depósitos através da planilha de fl. 270; b) no mérito, não haver omissão de receitas, invocando novamente a planilha citada alhures que, sob sua ótica, comprovaria a origem dos depósitos realizados, afirmando, mais, pecar a fiscalização pela generalidade e inespecificidade quanto aos fatos que encerrariam a exigência fiscal. Demais disso, afirma que o arbitramento do lucro teria decorrido do ADE do Simples e que este ato não lhe teria sido apresentado. Instada a se manifestar sobre as impugnações e manifestações de inconformidade, a DRJ acolheu parte da insurgência do contribuinte a fim de excluir, quanto ao anocalendário de 2007, as exigências quanto ao PIS e a COFINS apuradas nos 3º e 4º trimestres daqueles ano (a fiscalização teria procedido à apuração trimestral das contribuições, quando deveria ter efetuado o lançamento mensal), mantendose, na integra, outrossim, o restante das exigências.. O contribuinte foi cientificado do resultado o julgamento proferido neste feito 19/04/2018 (fl. 773), tendo oferecido o se recurso voluntário em 05 de maio deste mesmo ano (carimbo de fl. 735), por meio do qual repete, ipsis literis, os argumentos já deduzidos em suas razões de impugnação. Fl. 781DF CARF MF Processo nº 10865.003247/201041 Acórdão n.º 1302003.165 S1C3T2 Fl. 782 4 Este é o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de cabimento, razão pela qual, dele tomo conhecimento. I Preliminares de nulidade. I.1 Arbitramento e os preceitos do art. 148 do CTN. A preliminar em testilha assenta na premissa de que o arbitramento, na forma do art. 148 do CTN, somente pode ocorrer se observado o devido processo legal... o problema é que o recorrente discorre longamente sobre o instituto em si, sobre ampla defesa, sobre as características do ato de lançamento, administrativo por excelência, e sobre o princípio da verdade material, mas, em momento algum, aponta de que forma teria, a D. Autoridade Lançadora, deixado de observar as regras procedimentais aplicáveis à espécie. Estivéssemos, aqui, num processo judicial, o pedido em análise seria considerado inepto, dado que de suas razões não decorre, logicamente, o pedido. No caso, o exercício lógico intentado pelo contribuinte, contempla a premissa maior e o pedido... não foi declinado, contudo, a premissa menor o que, a toda monta, inviabiliza, até mesmo a sua análise. Nada obstante, vale dizer, eventual quebra da ordem jurídica, mormente no que toca aos preceitos do art. 148 do CTN, se e somente se, porventura o recorrente tivesse sido instado a apresentar os seus livros fiscais e contábeis ou, apresentandoos, tivesse a autoridade fiscal os desconsiderado e, no caso, destaquese, a empresa foi sim (como descrito no relatório acima) intimada para os exibir (efls. 470), preferindo, todavia, silenciarse a respeito. Este é o entendimento assumido pela jurisprudência, em especial, aquela já sedimentada no Superior Tribunal de Justiça, que não obstante invalidar lançamentos realizados por arbitramento que não observem os preceitos do citado art. 148, condiciona tal conclusão à apresentação, pelo interessado, de documentos (livros) idôneos e suficientes à realização do lançamento por outra modalidade. Vejase: ESCRITURAÇÃO IDÔNEA. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO (ARTIGOS 399, IV, E 400, § 6º, DO RIR/80). INVIABILIDADE (...). (...) 4. A apuração do lucro por arbitramento se justifica quando a escrituração mantida pelo contribuinte contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro Fl. 782DF CARF MF Processo nº 10865.003247/201041 Acórdão n.º 1302003.165 S1C3T2 Fl. 783 5 real ou presumido, ou revelar evidentes indícios de fraude (...) (STJ, 1ª turma, REsp 549.921/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, jun/07). A par impropriedade técnica verificada quanto a exposição desta preliminar, o fato é que os ditames do art. 148 foram observados pela D. Fiscalização, como aliás, já afirmara o próprio acórdão recorrido. Por tais razões, voto por afastar a preliminar em análise. 1.2 Inconstitucionalidades multa de ofício aplicada e presunção legal descrita no art. 42 da Lei 9.430/96 Sobre a inconstitucionalidade da multa aplicada e acerca da sustentada ilegalidade da inversão do ônus da prova, não há muito a se dizer. Este Conselho, seja por força dos preceitos do art. 62 do RICARF, em decorrência da Súmula 02, deste órgão administrativo, não pode afastar a aplicação de norma legal sob o pálio de eventual inconstitucionalidade. Especificamente quanto a presunção legal encartada no art. 42 da Lei 9.430, e tendo em conta as alegações do contribuinte sobre a suficiência das provas trazidas, vale dizer que a discussão perpassa pelo mérito da demanda e deverá ser objeto de análise em momento apropriado. A luz de tais considerações, voto por afastar as preliminares ora tratadas. II Do mérito. De plano é imperioso trazer a lume o texto constante do verberte da Súmula 26 deste CARF, segundo o qual "a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada". De fato, uma vez identificada a situação de fato descrita na norma de regência, qual seja, a ocorrência de movimentações bancárias mantidas à margem da escrituração contábil do contribuinte, a inversão do ônus probatório é mandatória; tratase de presunção iures tantum (relativa) que, a par de quaisquer críticas teóricas, vincula, como, aliás, já dito, os órgãos administrativos e limita a autuação fiscal à exclusiva perquirição de justificativas a serem apresentadas, pelo contribuinte, sobre a origem dos preditos depósitos. E a prova, no caso, tem que ser feita por documentos hábeis e idôneos para demonstrar, concreta e efetivamente, os motivos pelos quais os valores movimentados não foram levados à tributação. No caso concreto, o recorrente sustenta, num primeiro momento, que não lhe teria sido oportunizada a produção de tal prova. Observase, todavia, que o contribuinte foi sim intimado para demonstrar a origem dos preditos depósitos por meio de documentos hábeis e idôneos, como se observa do termo de intimação juntado à efls. 199. Posteriormente, e através de email (efls. 288), teve deferido pedido de prorrogação de prazo para atendimento à predita intimação. E nada obstante, o recorrente, em atendimento à intimação supra, se limita a trazer um planilha que, pretensamente, justificaria os depósitos cuja origem não teria sido Fl. 783DF CARF MF Processo nº 10865.003247/201041 Acórdão n.º 1302003.165 S1C3T2 Fl. 784 6 identificada pelo fisco, sem, em qualquer momento, comprovar as informações lá lançadas por meio de qualquer documento que seja a fim de demonstrar a sua validade ou, quiçá, a acuidade das suas informações. A Fiscalização, de fato, excluiu do lançamento as movimentações em que conseguiu identificar mera transferência entre contas da mesma titularidade; quanto, todavia, os registros de movimentação que, alegadamente, se refeririam à empréstimos ou financiamentos, observou um total descasamento de valores e datas, tornando a planilha juntada à efls. 290/293, absolutamente imprestável para afastar a presunção descrita no já tratado art. 42 da Lei 9.430. Não foram, insistase, apresentados quaisquer documentos adicionais a dar lastro fático/probatório às alegações da empresa ou mesmo para dar credibilidade a citada planilha. As conclusões fiscais, neste passo, são inafastáveis, não se identificando quaisquer elementos que possam desconstituílas; correta a autuação fiscal sendo, igualmente correta, a decisão recorrida. III Conclusão. A luz do exposto, voto por afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 784DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.722078/2017-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2012 a 30/12/2012
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA.O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos cuja existência não é capaz de comprovar.
Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da lei 8212/91, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" a compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte.
Numero da decisão: 2402-006.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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GLOSA DE COMPENSAÇÃO. MULTA ISOLADA Recorrente COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMERICAS AMBEV E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2012 a 30/12/2012 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA.O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos cuja existência não é capaz de comprovar. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da lei 8212/91, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" a compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 72 20 78 /2 01 7- 08 Fl. 564DF CARF MF 2 João Victor Ribeiro Aldinucci Relator (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório A DRJ fez um relato preciso do lançamento e da impugnação, que passa a integrar, em parte, o presente relatório: Trata o presente processo de Auto de Infração acostado às fls. 195/214, no montante de R$50.697.964,90, decorrente da aplicação da multa isolada no percentual de 150% com fundamento legal no art. 89 §10º da Lei 8.212/1991. O contribuinte foi intimado do Auto de infração em 17/07/2017. No Termo de Verificação Fiscal e Constatação de Irregularidades acostado às fls. 185/194, a autoridade lançadora informa que: Tratase de Compensação de Valores Relativa a Contribuição Previdenciária declarada em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social –GEFIP, cujos créditos pleiteados foram vinculados ao processo administrativo 10880.725597/201741. Com base nas legislações vigentes, sendo verificada a inexistência dos créditos, os valores em questão foram considerados como Compensados Indevidamente e Não Homologado, de acordo com o Despacho Decisório – DRF/Gua/Seort nº 0087/2017. De acordo com Despacho Decisório será exigido mediante lavratura do Auto de Infração aplicando multa isolada de 150% (cinquenta por cento) sobre o montante compensado indevidamente decorrente da falsidade da compensação, conforme disposto no art. 89, §10, da Lei nº 8.212/91, c/c inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96 e formalização de “Representação Fiscal para Fins Penais No referido Despacho Decisório de nº0087/2017 datado de 25/04/2017, da DRF/GUARULHOS, constante de fls. 172/179 dos autos, vêse que a fiscalização considerou, como indevidas, as compensações declaradas pelo contribuinte em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP nas competências de 04/2012 a 12/2012, abrangendo vários estabelecimentos da autuada, razão pela qual o contribuinte foi intimado (fls.74/75) a demonstrar/detalhar a origem dos créditos utilizados nas compensações declaradas nas Fl. 565DF CARF MF Processo nº 10875.722078/201708 Acórdão n.º 2402006.651 S2C4T2 Fl. 3 3 referidas competências. O Termo de intimação foi encaminhado em 23/03/2017 por via postal conforme Aviso de Recebimento AR de fls150. Segundo o Auditor que emitiu o Despacho Decisório, na resposta à intimação o contribuinte esclareceu que “Os créditos utilizados pelo contribuinte nas compensações lançadas em GFIP nas competências de 04.2012 a 13.2012 decorrem do recolhimento indevido de contribuições previdenciárias decaídas em Reclamações Trabalhistas.” Com vistas a esclarecer o procedimento exigido no caso de Reclamatória Trabalhista o Auditor informa que: 4. Com relação às reclamatórias trabalhistas, a Carta Magna atribuiu competência exclusiva à Justiça do Trabalho a execução, de ofício, das contribuições sociais decorrentes das sentenças/acordos que proferir, como disposto no art. 114, §3º, da CF, com redação dada pela Emenda Constitucional EC nº 20, de 15.12.1998, e, posteriormente, no inciso VIII do art. 114, da CF, com redação dada pela EC nº 45, de 08.12.2004. 5. A Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, em seu artigo 876, parágrafo único, atribui competência a Justiça do Trabalho na execução dos valores devidos a título de contribuição social decorrentes de sentença/acordos trabalhistas. 6. A Instrução Normativa SRP nº 03/2005, em seu artigo 128, inciso II, letras “a” e “b”, corroborada pela Instrução Normativa RFB nº 971/2009, artigo 101, inciso I e II, respeitou a competência atribuída à Justiça do Trabalho, nos termos do inciso VIII do art. 114 da Constituição Federal, promover de ofício a execução dos créditos das contribuições previdenciárias devidas em decorrência de decisões condenatórias ou homologatórias por ela proferidas. Sobre os documentos juntados para justificar a compensação o Auditor esclarece que: Com relação aos elementos juntados aos autos pelo contribuinte: (1) cópia da Solução de Consulta nº 9 – COSIT 02/02/2016, (2) cópia da Informação prestada no Mandado de Segurança nº 500552471.2011.404.7205 e (3) Acórdão Ag. Reg. no Recurso Extraordinário 419.612 Paraná proferido pelo STF, que supostamente fundamentaria a alegada decadência, por considerar o fato gerador das verbas trabalhistas à data efetiva da prestação de serviços, referemse, na verdade, de (1) ao fato gerador da contribuição incidente sobre a remuneração de servidor publico vinculado ao RGPS, (2) petição para impedir o lançamento de contribuições previdenciárias, cuja incidência seja reconhecida em virtude de condenação na Justiça do Trabalho, relativos a trabalho prestado há mais de cinco anos antes do lançamento com base na Sumula Vinculante nº 8 do STF, teve liminar deferida em parte que foi cassada na Sentença que julgou extinto o processo em 10/01/2012, transitado em julgado em 29/12/2012, (3) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO Fl. 566DF CARF MF 4 SOCIAL DESTINADA AO CUSTEIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. REMUNERAÇÃO. DEFINIÇÃO DO CRITÉRIO TEMPORAL: REGIME DE COMPETÊNCIA OU REGIME DE CAIXA, os quais, não tem qualquer nexo causal com o assunto ora discutido. Diante dos fatos apurados o Auditor conclui que: Neste contexto, as compensações efetuadas em GFIP, com créditos sabidamente inexistentes de fato, haja vista que os créditos devem ser líquido e certo (art. 170, caput do CTN), com intuito exclusivo de reduzir a base de cálculo das contribuições previdenciária, desnaturase das hipóteses legais. (Lei 8.212/91, art. 11 § único, letras “a”, “b” e “c”; C/C art. 89), pelo qual, devem ser glosados os valores indevidamente compensados, não os homologando, no montante de R$ 33.798.643,28. Por fim, considerando que o contribuinte utilizouse da compensação mesmo tendo conhecimento de que não existiram recolhimentos efetuado indevidamente, que possam servir de lastro para justificar as referidas compensações, e, tampouco, é titular de direito que lhe tenha sido administrativa ou judicialmente reconhecido, será encaminhado o processo para a fiscalização emitir o competente auto de infração com imputação da multa isolada no percentual de 150% sobre o valor das contribuições que deixaram de ser recolhida, conforme determinado pelo art. 89§10º da Lei 8.212/1991, em função da falsidade das compensações; com o objetivo de retardar, ou impedir, ou reduzir, ou diferir o pagamento do tributo efetivamente devido (art. 44 da Lei 9.430/1996), caracterizando fraude, dolo e simulação conforme art. 72 da Lei nº 4.502/1964. Cientificado a autuada oferece a impugnação de fls. 227/252, onde registra a sua tempestividade, narra os fatos que motivaram a autuação, alega que: 9. Sem qualquer razão, e contrariando frontalmente as franquias constitucionais e legais do contraditório perfeito e da ampla defesa no processo administrativo, concluiu o Auditor Fiscal que as compensações efetuadas em GFIP, com créditos supostamente inexistentes, porquanto não seriam líquidos e certos (art. 170, caput, do CTN), com o intuito exclusivo de reduzir a base de cálculo das contribuições previdenciárias, desnaturaria as hipóteses legal, razão pela qual deveriam ser glosadas. 10. Ademais, entendeu a Fiscalização, ilegalmente, que o contribuinte apresentou informações falsas, considerando que não existiriam quaisquer recolhimentos que pudessem servir de lastro para justificar as referidas compensações, determinando a aplicação da multa isolada prevista no §10º do art. 89 da Lei nº 8.212/91 c/c art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, em decorrência da suposta falsidade das compensações declaradas em GFIP, no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), uma vez que estaria caracterizado o dolo, a fraude ou a simulação. Informa a autuada que apresentou Manifestação de Inconformidade no processo nº 10880.725597/201741, objetivando demonstrar a regularidade e legalidade da compensação realizada, sendo, por conseguinte, necessário Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10875.722078/201708 Acórdão n.º 2402006.651 S2C4T2 Fl. 4 5 observar a conexão entre os dois processos. Na oportunidade pede a reunião dos dois processos e o seu julgamento em conjunto Alega a nulidade do despacho decisório por cerceamento de direito de defesa e ausência de transcurso do prazo para esclarecimentos, pois protestou pela dilação do exíguo e insuficiente prazo de 10 (dez) dias concedidos inicialmente pela Fiscalização, e teve prorrogação até o dia 08.05.2017 para detalhar, por meio do eCAC, as compensações realizadas, no entanto, fora surpreendida pela intimação do Despacho Decisório em 03.05.2017, antes, portanto, de findo o prazo para detalhamento das informações, conforme provam a tela do eCAC e comprovante de recebimento do despacho. Reclama de falta de descrição clara dos fatos que levaram ao lançamento, pois considera que não "há qualquer elemento ou indício que permita a identificação das razões pelas quais a Fiscalização reputou indevidas as compensações realizadas em GFIP. Em síntese, o Auditor Fiscal, ilegalmente, transferiu à Impugnante a missão de deduzir os fundamentos que o conduziram à conclusão, o que, por si só, configura frontal ofensa aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da necessidade de motivação dos atos e decisões da Administração Pública". No mérito, diz que "a competência para constituir esses créditos tributários ainda pertence à Receita Federal do Brasil, que se legitima no lançamento das contribuições inobstante o resultado da reclamação trabalhista". Aduz que existe divergência sintática entre a alínea "a" do inciso I do artigo 195 da Constituição Federal e o inciso I do artigo 22 da Lei n. 8.212/1991, fato que gera insegurança jurídica, sobretudo em relação às contribuições previdenciárias decorrentes das sentenças da Justiça do Trabalho, porque: • Se o "dever" se adequasse ao modelo constitucional, o aspecto temporal do fato imponível dessas contribuições ocorreria quando a remuneração deveria ter sido paga, ou seja, na prestação do serviço reclamado; • Se, contudo, o "dever" não se adequasse ao modelo constitucional, o aspecto temporal do fato imponível dessas contribuições ocorreria quando do efetivo pagamento da condenação trabalhista. Diz ainda: 47. Para corroborar o entendimento da RFB e da jurisprudência dominante, o Poder Executivo, por meio da Medida Provisória n. 449/08 convertida na Lei n. 11.941/09, inseriu o § 2º no artigo 43 da Lei n. 8.212/91, enunciando, em interpretação autentica, que o fato imponível das contribuições previdenciárias ocorre na obrigação de pagar remuneração, ou seja, na prestação de serviço. Fl. 568DF CARF MF 6 48. O § 22 no artigo 43 da Lei n. 8.212/91, agindo como norma interpretativa, consolidou, portanto, o entendimento de que o fato imponível das contribuições previdenciárias, sejam elas decorrentes ou não das decisões da Justiça do Trabalho, ocorre quando da prestação do serviço; momento em que o direito atribui ao empregador o dever de pagar a remuneração, e ao empregado o direito à essa importância. A seguir discorre sobre a decisão do STF que reconhece a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212/1991 e fixou o prazo de decadência em 05 anos, nos moldes do artigo 150§4º do Código Tributário Nacional que dispõe sobre a decadência do direito de a Fazenda Pública efetivar o lançamento em 05 anos contados da data da ocorrência do fato gerador. Aduz que: 53. O prazo enunciado no artigo 150, §42, do CTN não é suspenso tampouco interrompido pela distribuição da reclamação trabalhista, sobretudo porque: i) essa ação judicial não é condição para a constituição do crédito tributário, e ii) não existe amparo legal. 54. Por outro lado, se a reclamação trabalhista fosse pressuposto para a constituição do crédito tributário estarseia negando a compulsoriedade do tributo, porque o direito à remuneração é disponível, haja vista a incidência da prescrição bienal para a formalização da pretensão judicial trabalhista. 55. Não há alternativa, portanto, senão: i) identificar como momento do fato imponível da contribuição previdenciária decorrente da decisão da Justiça do Trabalho o tempo da prestação do serviço que ensejou a remuneração onerada; ii) reconhecer decaído o direito de a RFB constituir os créditos tributários decorrentes de pagamentos de prestações de serviço ocorridas há mais de cinco anos. 56. Nesse sentido é a jurisprudência dominante do Tribunal Superior do Trabalho —TST, que aplicando a Súmula Vinculante n. 08 identifica a decadência das contribuições previdenciárias decorrentes incidentes sobre remunerações pagas por serviços prestados há mais de cinco anos:56. Nesse sentido é a jurisprudência dominante do Tribunal Superior do Trabalho — TST, que aplicando a Súmula Vinculante n. 08 identifica a decadência das contribuições previdenciárias decorrentes incidentes sobre remunerações pagas por serviços prestados há mais de cinco anos A autuada prossegue com a transcrição de Recursos de Revista onde as decisões foram no sentido do reconhecimento da decadência dos 05 anos nos processos revistos: [...] Ressalta que não houve qualquer falsidade nas declarações transmitidas, tampouco a sonegação de contribuições previdenciárias ou evidente intuito de fraude, eis que ausente qualquer elemento de dolo nas suas ações (o que se comprova pelo fato de ter a Impugnante cooperado ao longo de toda a curta fiscalização). O que se verifica na presente hipótese é tão Fl. 569DF CARF MF Processo nº 10875.722078/201708 Acórdão n.º 2402006.651 S2C4T2 Fl. 5 7 somente a aplicação de interpretação legal diversa daquela entendida como correta pelo Auditor Fiscal. Colaciona decisões judiciais sobre o tema. Aduz que à situação cabe a aplicação das súmulas do CARF 14 e 25 onde determinam que a inadimplência não pode ser motivação para aplicação da multa isolada. Diz in verbis: 76. Assim, na ausência de dolo, intuito de sonegar ou fraudar a fiscalização, constato que o mais adequado seja aplicar o artigo 35A, da Lei nº 8.212/91, o qual dispõe que “nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9430, de dezembro de 1996.” 77. O não recolhimento de tributo por divergência de interpretação entre o contribuinte e o sujeito ativo da obrigação tributária, não pode repercutir em reconhecimento da prática de sonegação, até mesmo porque o entendimento esposado pela Impugnante encontra amplo respaldo na legislação previdenciária, inclusive nas Instruções Normativas da RFB e na Súmula Vinculante n. 8. Por fim resume os seus pedidos nos seguintes termos: a) preliminarmente, que seja reconhecida a prejudicialidade e conexão entre o presente processo administrativo e o julgamento da Manifestação de Inconformidade nº 10880.725597/201741, de forma que tenham os andamentos e julgamentos unificados, respeitando, assim, a segurança jurídica; b) preliminarmente, declarar a nulidade do Auto de Infração, em razão da manifesta nulidade do Despacho Decisório em referência, com o consequente afastamento da penalidade imposta, uma vez que o procedimento padece de nulidade insanável, em face do cerceamento do direito de defesa do contribuinte; c) preliminarmente, declarar a nulidade do Auto de Infração, em razão da manifesta nulidade do Despacho Decisório em referência, com o consequente afastamento da penalidade imposta, uma vez que a conclusão contida no CARF, referido despacho não foi devidamente motivada e fundamentada (não foi apresentado qualquer argumento capaz de refutar os fatos de que (i) o prazo decadencial não se suspende nem se interponde e (ii) o momento da ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias é o mês da prestação de serviços); d) no mérito, reconhecer a improcedência da penalidade imposta, na medida em que os valores compensados decorreram, exclusivamente, de contribuições previdenciárias decaídas e indevidamente arrecadadas na Justiça do Trabalho; Fl. 570DF CARF MF 8 e) subsidiariamente, caso não seja integralmente cancelado o lançamento, requer, ao menos, seja afastada a multa agravada, conforme entendimento pacífico da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. A DRJ julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada: DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. O Cerceamento de direito de defesa somente ocorre quando o sujeito passivo teve prejudicado se a descrição dos fatos é insuficiente ou deficiente, de tal forma, a impedilo de apresentar defesa. COMPENSAÇÃO. GLOSA Cabe à interessada a comprovação da natureza do seu crédito a ser compensado, bem como a sua liquidez e certeza. RESTITUIÇÃO. RECOLHIMENTOS FEITOS EM PERÍODO DECADENTE. INOCORRÊNCIA. Descabe falarse em decadência quanto aos recolhimentos feitos espontaneamente pelo contribuinte em relação a valores devidos por força de execução pela Justiça do Trabalho. A argüição de decadência e a inexigibilidade de contribuição previdenciária, porventura decadente, deve ter sido discutida perante o juízo trabalhista. Não cabe a construção de créditos com esta natureza, em face da posterior entrada em vigor da Súmula Vinculante 08/2008, que não teve aplicação retroativa. MULTA ISOLADA. Na hipótese de compensação indevida, quando comprovada a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte fica sujeito à multa isolada aplicada nos termos da legislação previdenciária. O sujeito passivo foi intimado da decisão da DRJ em 09/11/2017, através de carta postal com aviso de recebimento (v. fl. 494) e interpôs recurso voluntário em 11/12/2017, através dos Correios, no qual basicamente reiterou os termos de sua impugnação. Sem contrarrazões ou manifestação pela PGFN. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Fl. 571DF CARF MF Processo nº 10875.722078/201708 Acórdão n.º 2402006.651 S2C4T2 Fl. 6 9 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Do pedido de conexão Quanto ao pedido de conexão formulado pela contribuinte, em decorrência da relação de prejudicialidade entre o presente PAF e o PAF 10880.725597/201741, observase que ambos os autos foram apensados para julgamento conjunto, conforme o "DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO" de fl. 562, de forma a evitarse a existência de julgamento conflitantes. E em função disso, deve ser replicado para o presente PAF o mesmo resultado do PAF principal, no qual o colegiado negou provimento ao recurso voluntário da contribuinte. Aqui será julgada, de forma apartada, apenas a tese distinta, que é a existência ou não dos pressupostos legais para a aplicação da multa de 150%. 3 Da multa por compensação indevida A autoridade fiscal entendeu que a contribuinte teria efetuado "falsas compensações em GFIP considerando que não existem quaisquer recolhimentos efetuado indevidamente" (como no original, PAF principal), o que ensejaria a aplicação da multa de 150% prevista no § 10 do art. 89 da Lei 8212/91. Na mesma toada, a DRJ entendeu o seguinte (como no original): Notória, portanto, a intenção da autuada de utilizarse de procedimento irregular desprovido de prova documental, apenas com a intenção de diminuir o montante das contribuições previdenciárias devidas. Em consonância com a fiscalização, considero que as compensações realizadas pelo sujeito passivo em GFIP estão em desacordo com as normas legais aplicáveis, por falta de liqidez e certeza dos créditos utilizados, portanto correta a glosa e a aplicação da multa isolada no percentual de 150%. [...] Se o contribuinte declara possuir crédito líquido e certo que, na realidade, não revelam ter tais qualidades, está caracterizada a falsidade, a informação diversa da realidade jurídica. A contribuinte, em contrapartida, alega que seria indevido aquilo que denominou de "qualificação da multa de ofício", tendo em vista que não teria incorrido em falsidade nas suas declarações. Fl. 572DF CARF MF 10 Pois bem. Na dicção do § 10 do art. 89 da Lei 8212/91, na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, ele estará sujeito à multa de 150% (vide abaixo). Como a norma utiliza a expressão "quando se comprove a falsidade da declaração", a fiscalização tem o dever legal de comprovar que o contribuinte prestou declaração falsa em GFIP. A aplicação dessa sanção, ademais, tem caráter nitidamente punitivo, de tal forma que não dispensa a prova, pelo agente autuante, da existência de conduta dolosa pelo suposto infrator. Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Ocorre que a conduta da contribuinte estava pautada na sua interpretação a respeito da matéria, mais precisamente no entendimento de que os recolhimentos das contribuições decaídas, em reclamatórias trabalhistas, darlheia o direito à restituição correspondente. Ainda que ela não tenha comprovado a existência dos créditos, tendo em vista a não apresentação de todos os documentos, não se pode afirmar que ela, dolosamente, tenha prestado declaração falsa. Isto é, do fato de o sujeito passivo não ter apresentado os documentos não se pode concluir que os créditos sejam realmente inexistentes. A efetiva inexistência do crédito demandaria a comprovação por parte da Fazenda Pública, ao passo que, no caso vertente, a contribuinte entendia possuir créditos amparados em Súmula Vinculante do STF. Acrescentese, outrossim, que o despacho decisório acabou sendo prolatado antes da data limite de detalhamento prevista no sistema ECAC, o que deve ter induzido a contribuinte em erro, inviabilizando a apresentação dos documentos em tempo hábil. Expressandose de outra forma, a falsidade difere do simples erro, pois ela pressupõe a existência de máfé. E a máfé, como sabido, não se presume, vez que "inexiste no Direito qualquer princípio que erija a máfé em regra ou critério de interpretação. Pelo contrário, notadamente em matéria de penalizações, tenham o caráter que tiverem, é vedada presunção de tão desabusado teor"1. A fiscalização, portanto, tem o dever de provar a existência do elemento subjetivo dolo, mais propriamente a intenção de falsificar, exceto se o dolo puder ser extraído das circunstâncias e das peculiaridades do caso concreto. Noutro giro verbal, a autoridade 1 MELLO, Celso Antonio Bandeira de. Procedimento Tributário. Revista de Direito Tributário. 718. RT. P. 66. Fl. 573DF CARF MF Processo nº 10875.722078/201708 Acórdão n.º 2402006.651 S2C4T2 Fl. 7 11 administrativa deve comprovar a existência de máfé, a qual não se presume no Direito brasileiro. Este colegiado já manifestou entendimento semelhante no julgamento do PAF 10580.721524/201411, cujo voto vencedor foi de minha autoria: [...] COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE. NÃO CABIMENTO. 1. A multa isolada de 150% prevista no art. 89, § 10, da Lei 8.212/1991, é inaplicável quando a autoridade fiscal não comprova a existência de falsidade. 2. A falsidade difere do simples erro, pois ela pressupõe a existência de máfé por parte do sujeito passivo. 3. A autoridade administrativa tem o dever de comprovar a existência de máfé, a qual não se presume no Direito brasileiro. (Número do Processo 10580.721524/201411, Data da Sessão 15/06/2016, Acórdão 2402005.347) A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 2ª Seção de Julgamento tem entendimento idêntico. Vejase: [...] COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO. INAPLICABILIDADE. Inaplicável a imposição de multa isolada de 150% prevista no § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991 quando a autoridade fiscal não demonstra, por meio da linguagem de provas, a conduta dolosa do sujeito passivo necessária para caracterizar a falsidade da compensação efetuada por meio da apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). (PAF 11030.721697/201267, Acórdão 2401004.741, Data da Sessão 05/04/2017, Relator CLEBERSON ALEX FRIESS) 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Voto Vencedor Fl. 574DF CARF MF 12 Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti Redator Designado Em que pese as, como de costume, muito bem articuladas razões do Relator, delas ouso a dissentir. A divergência resumese à procedência, ou não, da multa isolada lançada com fulcro no § 10 do art. 89 da Lei nº 8212/91. Entende o Relator que para a incidência da multa, deve o agente fiscal comprovar o dolo do sujeito passivo como elemento subjetivo de sua conduta. Não estou certo disso. Pois bem. O § 10 do artigo 89 da Lei 8.212/91 assim dispõe: (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (destaquei) A seu turno, falsidade é qualidade daquilo que é falso, que, na sequência, pode ser assim definido 2: Diferentemente da seara criminal, onde para se ter um provimento condenatório fazse necessário, como regra3, provar o dolo na conduta comissiva ou omissiva do agente, na medida em que a pena traz, a rigor, restrições ao seu consagrado direito constitucional à liberdade; no âmbito tributário temse como regra, quanto à imposição de penalidade, a desnecessidade de se apontar/provar o dolo na conduta do contribuinte, como se denota do artigo 136 infra colacionado, eis que, aqui, a penalidade traz implicações, em última análise, ao direito à propriedade. Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. 2 https://www.google.com.br/search?ei=c3BwWrr1B8SkwAS0x6bgDA&q=falso&oq=falso&gs_l=psy ab.3...64012.64481.0.65192.5.5.0.0.0.0.0.0..0.0....0...1c.1.64.psyab..5.0.0....0.UblEjFLKuI 3 Ressalvados os tipos expressos na lei penal para o s quais basta a culpa na conduta. Fl. 575DF CARF MF Processo nº 10875.722078/201708 Acórdão n.º 2402006.651 S2C4T2 Fl. 8 13 Nesse rumo, podese concluir que enquanto no âmbito criminal, a regra é que se demonstre a intenção (dolo) na conduta do agente; no tributário, a responsabilidade pela infração é de natureza objetiva, bastando, para tanto, que se demonstre a ação (ou omissão), o resultado reprovável e o nexo de causalidade entre ambos. Perceba que quando o legislador tributário pretendeu exigir do Estado a comprovação da intenção do agente, o fez expressamente na lei, consoante se denota do parágrafo 1º do artigo 44 da Lei 9.430/96, combinado com os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. Confirase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Ainda para ilustrar, vejase o que diz o artigo 18 da Lei 8.023/90: Art. 18. A inclusão, na apuração do resultado da atividade rural, de rendimentos auferidos em outras atividades que não as previstas no art. 2º, com o objetivo de desfrutar de tributação mais favorecida, constitui fraude e sujeita o infrator à multa de cento e cinqüenta por cento do valor da diferença do imposto devido, sem prejuízo de outras cominações legais. Fl. 576DF CARF MF 14 Percebase que a lei estabelece objetivamente situação que uma vez constatada dará ensejo à multa já no patamar original de 150%. Não há qualquer gradação, ao contrário de que se tem para as multas de oficio daquele artigo 44. Nesse mesmo sentido, são os acórdão 9202003.931, de 12.054.2016 e 9202 005160, de 25.01.2017, adiante ementados: COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos decorrentes de recolhimentos de contribuições sem efetivamente desincumbirse de demonstrar o efetivo recolhimento. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da lei 8212/91, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" a compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. COMPENSAÇÃO. PRECATÓRIOS EM AÇÃO JUDICIAL DE CONTRIBUIÇÕES DIVERSAS. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos antes mesmo de decisão judicial ou declaração de inconstitucionalidade da contribuição devida. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da lei 8212/91, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" a compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Posto desta forma, penso que toda e qualquer discussão sobre o tema refoge ao âmbito do contencioso administrativo, na medida em que acaba por envolver, inevitavelmente, questões acerca da razoabilidade e do nãoconfisco decorrentes da aplicação da norma. Prosseguindo quanto ao caso em tela. O contribuinte, no período de 04/2012 a 13/2012, efetuou compensações em 40 GFIP, procurando extinguir, indevidamente, grande parte dos débitos lá apurados e confessados mediante o aproveitamento de créditos que sequer de longe logrou comprovar. Referidas compensações tiveram o condão de reduzir, na GFIP, o valor devido e que alimentou a cobrança automática previdenciária. Vale dizer: o valor informado como compensado deixou de ser cobrado automaticamente pelos sistemas previdenciários. Em função deste mecanismo, o resultado da conduta frisese: deixar de pagar tributo era, sem sombra de dúvida, vislumbrado, esperado e pretendido pelo contribuinte. Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10875.722078/201708 Acórdão n.º 2402006.651 S2C4T2 Fl. 9 15 Nessa linha, estou certo de que as várias compensações informadas em GFIP não se alinharam à realidade ou à verdade, razão pela qual concluo pela procedência do lançamento a esse título. Nesse sentido, VOTO por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 578DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.901132/2015-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
A comprovação de certeza e liquidez do crédito se dá com a apresentação de documentação hábil e idônea, que comprove os valores informados DCTF retificada após a ciência da decisão denegando o pedido. Não se presta como prova planilha elaborada pelo próprio interessado no pleito. Inexistindo a demonstração do direito ao crédito, não se homologa a compensação pretendida.
Numero da decisão: 1302-003.185
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.901127/2015-46, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A comprovação de certeza e liquidez do crédito se dá com a apresentação de documentação hábil e idônea, que comprove os valores informados DCTF retificada após a ciência da decisão denegando o pedido. Não se presta como prova planilha elaborada pelo próprio interessado no pleito. Inexistindo a demonstração do direito ao crédito, não se homologa a compensação pretendida.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.901127/2015-46, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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PAGAMENTO INDEVIDO Recorrente A.A.DE MELO & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A comprovação de certeza e liquidez do crédito se dá com a apresentação de documentação hábil e idônea, que comprove os valores informados DCTF retificada após a ciência da decisão denegando o pedido. Não se presta como prova planilha elaborada pelo próprio interessado no pleito. Inexistindo a demonstração do direito ao crédito, não se homologa a compensação pretendida. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13888.901127/201546, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 11 32 /2 01 5- 59 Fl. 132DF CARF MF 2 Trata de recurso voluntário apresentado em face ao Acórdão da decisão de primeira instância, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da recorrente, com a seguinte ementa: DCOMP. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a liquidez e a certeza do crédito informado em declaração de compensação, não se homologam as compensações vinculadas. A recorrente apresentou Declaração de Compensação na qual pretende compensar pagamento indevido/a maior de IRPJ. A declaração não foi homologada pela DRF/Piracicaba, pois o pagamento estava integralmente utilizado para quitação de débito da recorrente, não restando crédito disponível para compensação de débitos informados na DCOMP. A decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade, pois não foram apresentados os motivos de fato e de direito, os pontos de discordância e sequer provas, de forma a demonstrar que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida. Após ciência da decisão, foi apresentado recurso voluntário com as seguintes alegações: constataram erro na apuração dos impostos devidos em 2012, onde foram efetuados pagamentos a maior de IRPJ, sendo a diferença utilizada para compensar débitos de IRPJ e CSLL do ano de 2013. deixaram de apresentar as DCTF retificadoras, tendo como conseqüência que todos os pedidos foram indeferidos. afirma que possui o direito de compensar nos termos do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, aduzindo que as divergências foram corrigidas, motivo pelo qual requer o reconhecimento do direito creditório. É o relatório. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 13888.901132/201559 Acórdão n.º 1302003.185 S1C3T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.180, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.901127/2015 46, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.180): "O recurso é tempestivo, e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele eu conheço. A recorrente reprisa suas alegações no recurso voluntário, afirmando que teria constatado erro no cálculo dos tributos devidos, mas que teria deixado de retificar as DCTF, fato que deu origem ao indeferimento do pedido. Para comprovar o seu direito creditório, apresentou planilha de cálculo e DCTF retificadora. Esta mesma defesa foi trazida na impugnação, analisada pela decisão recorrida, que não acatou as razões apresentadas pela ausência da demonstração do erro cometido, assim como falta de apresentação de provas. De fato, não basta alegar que pagou tributo a maior. Para comprovação do erro, seria necessário demonstrar como foi feita a primeira apuração, o que estaria incorreto, as retificações necessárias, com a nova apuração do tributo devido. A apresentação de DCTF retificadora, após a ciência da decisão negando o pedido, não se presta para comprovação do erro cometido e que teria efetuado recolhimento a maior. A recorrente chegou a elaborar planilha de cálculo onde informa a receita bruta, o tributo que seria devido, o valor pago e a diferença a maior. Mas a planilha, desacompanhada de qualquer elemento probatório que comprove os valores nela constantes, principalmente no que concerne à receita bruta, também não é suficiente para demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado, requisitos necessários previstos no artigo 170 do CTN. É importante salientar que a decisão recorrida apontou a insuficiência de provas trazidas aos autos, principalmente no que concerne os documentos contábeis e fiscais que respaldem a diferença existente entre o valor supostamente devido e do DARF recolhido." Fl. 134DF CARF MF 4 Pelo exposto, como não foi comprovada a certeza e liquidez do crédito que pleiteia, cujo ônus é da recorrente, voto por não dar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.730259/2015-34
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2015
DÉBITOS EM ABERTO. VEDAÇÃO À PERMANÊNCIA NO SIMPLES NACIONAL.
A existência de débito com a Fazenda Pública Federal, cuja exigibilidade não esteja suspensa, impõe a exclusão de ofício do sujeito passivo, da sistemática do Simples Nacional.
Numero da decisão: 1001-000.854
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, apenas em relação aos argumentos relacionados à tempestividade da Impugnação apresentada nos autos do Processo Administrativo nº 10166.729391/2014-12 e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2015 DÉBITOS EM ABERTO. VEDAÇÃO À PERMANÊNCIA NO SIMPLES NACIONAL. A existência de débito com a Fazenda Pública Federal, cuja exigibilidade não esteja suspensa, impõe a exclusão de ofício do sujeito passivo, da sistemática do Simples Nacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, apenas em relação aos argumentos relacionados à tempestividade da Impugnação apresentada nos autos do Processo Administrativo nº 10166.729391/2014-12 e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
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VEDAÇÃO À PERMANÊNCIA NO SIMPLES NACIONAL. A existência de débito com a Fazenda Pública Federal, cuja exigibilidade não esteja suspensa, impõe a exclusão de ofício do sujeito passivo, da sistemática do Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, apenas em relação aos argumentos relacionados à tempestividade da Impugnação apresentada nos autos do Processo Administrativo nº 10166.729391/201412 e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 73 02 59 /2 01 5- 34 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10166.730259/201534 Acórdão n.º 1001000.854 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 34 a 48) interposto contra o Acórdão nº 0739.048, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC (fls. 26 a 29), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2015 DÉBITOS EM ABERTO. VEDAÇÃO À PERMANÊNCIA NO SIMPLES NACIONAL. A existência de débito com a Fazenda Pública Federal, cuja exigibilidade não esteja suspensa, impõe a exclusão de ofício do sujeito passivo, da sistemática do Simples Nacional. Impugnação Improcedente Sem Crédito em Litígio " Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Trata o presente processo de impugnação contra o Ato Declaratório Executivo nº 1313100, de 2015 (f. 9/10), por meio do qual a Interessada foi excluída do Simples Nacional, em razão da existência dos seguintes débitos em aberto: Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10166.730259/201534 Acórdão n.º 1001000.854 S1C0T1 Fl. 4 3 Inconformada, a Interessada apresentou a impugnação de f. 3 a 5, na qual alega que os débitos listados no Ato Declaratório Executivo nº 1313100, de 2015, encontramse com a exigibilidade suspensa (CTN, art. 151, III), por força de impugnação ao processo nº 10166.729391/201412, de forma que não poderiam servir de base para o referido ato administrativo. Por meio da informação fiscal de f. 22/23, a autoridade preparadora informa que a impugnação constante destes autos é tempestiva, pois a ciência do ADE ocorreu em 11/11/2015 (f. 11) e a impugnação em 04/12/2015; que a Interessada apresentou impugnação ao processo nº 10166.729391/201412 em que as multas foram lançadas, mas tal impugnação foi apresentada intempestivamente. Informa também que a Interessada questionou a nãodeclaração da Declaração de Compensação que ensejou a multa, nos autos do processo nº 10166.730969/2013 01; que este questionamento já foi analisado em sede de recurso hierárquico, o qual foi indeferido em decisão da qual tomou ciência a Interessada em 14/08/2015; que em razão das dívidas não terem sido regularizadas não há motivo para revisão do ato de exclusão do Simples Nacional por parte da autoridade preparadora." Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou o recurso sob análise, defendendo a tempestividade da impugnação apresentada no processo nº 10166.729391/2014 12, e requerendo a sua manutenção no sistema simplificado, tal como fez já na primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo. Contudo, insta salientar que a Recorrente, por quase a totalidade do recurso apresentado, se pôs a defender a tempestividade da Impugnação apresentada nos autos do Processo Administrativo nº 10166.729391/201412. Ora, se o Contribuinte discorda das conclusões adotadas pelo julgador de primeira instância do PAF supracitado, deve socorrerse dos instrumentos processuais apropriados naqueles próprios autos. De plano, eventual tempestividade ou procedência da peça impugnatória apresentada naqueles autos é matéria estranha ao presente feito, não cabendo a este julgador reapreciar os mesmos fatos sob pena de nulidade do julgamento por ausência de competência. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10166.730259/201534 Acórdão n.º 1001000.854 S1C0T1 Fl. 5 4 Desta forma, deixo de conhecer tais alegações e conheço do Recurso apenas no tocante ao pedido de manutenção no Simples. Quanto ao mérito, a Recorrente não tece nenhum argumento específico além dos que já forma devidamente afastado acima, se limitando a requerer a sua manutenção no Simples. Assim, restou inconteste nos autos que os créditos que deram origem a exclusão combatida no presente feito não estavam com exigibilidade suspensa. Desta forma, por economia processual, e em atenção ao §3º do art. 57 do RICARF, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: " (...) Deste modo, essa impugnação não teve o efeito suspensivo alegado pala Impugnante. Quanto ao processo nº 10166.730969/201301, em que foi apreciado o recurso hierárquico apresentado pela Interessada contra a caracterização de não declaração, o recurso foi indeferido com a seguinte ementa (f. 309). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO RECURSO HIERÁRQUICO. COMPENSAÇÃO EM FORMULÁRIO. CRÉDITO DE TERCEIROS. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. NÃO CABIMENTO. Na esfera tributária, o crédito decorrente de decisão judicial pode ser habilitado para fins de compensação somente quando, entre outros requisitos, utilizar créditos próprios do sujeito passivo. Verificandose que a compensação utiliza créditos de terceiros, deve ser considerada não declarada, sendo incabível manifestação de inconformidade contra a referida decisão. Eventual manifestação deve ser recebida como recurso hierárquico. Base Legal: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 74; §12 e §13, e IN RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, art. 41, §3º, I, alínea “a” e art. 46. A Interessada tomou ciência dessa decisão em 14/08/2015 (f. 325). Deste modo, restou comprovada a exigibilidade do crédito tributário, não havendo a alegada suspensão. Ante o exposto, é de se referendar o Ato Declaratório Executivo que excluiu a Interessada do Simples Nacional. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10166.730259/201534 Acórdão n.º 1001000.854 S1C0T1 Fl. 6 5 Desta forma, VOTO por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.101490/2008-98
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2003
MULTA POR FALTA DE ENTREGA DE DCTF EMPRESA NÃO INSCRITA NO SIMPLES OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA.
O contribuinte não inscrito no Simples, por ter sido excluído, ou por opção, está obrigado a apresentar DCTF, sujeitando-se à aplicação da multa prevista no art. 7.º, § 3.º, II, da Lei n.º 10.426/2002, no caso de descumprimento desta obrigação acessória.
Numero da decisão: 1002-000.433
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1371; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 42 1 41 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.101490/200898 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.433 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 3 de outubro de 2018 Matéria MULTA POR FALTA DE ENTREGA DE DCTF Recorrente WEISSHEIMER LOCAÇÃO DE IMÓVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2003 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DE DCTF — EMPRESA NÃO INSCRITA NO SIMPLES — OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA. O contribuinte não inscrito no Simples, por ter sido excluído, ou por opção, está obrigado a apresentar DCTF, sujeitandose à aplicação da multa prevista no art. 7.º, § 3.º, II, da Lei n.º 10.426/2002, no caso de descumprimento desta obrigação acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 14 90 /2 00 8- 98 Fl. 42DF CARF MF Processo nº 11065.101490/200898 Acórdão n.º 1002000.433 S1C0T2 Fl. 43 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão proferida pela 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS (DRJ/POA) mediante o Acórdão n.º 1021.512, de 22/10/2009 (efls. 23 a 27). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza razoavelmente o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo, a seguir, complementandoo ao final. [...] Trata o presente processo de lançamento realizado, conforme Auto de Infração de N° de Rastreamento 803435745 (fl.09), decorrente de falta de entrega da DCTF referente ao 3° trimestre do anocalendário de 2003, tendo sido exigido, a título de multa, o recolhimento do crédito tributário total no montante de R$ 500,00. O contribuinte tomou conhecimento da cobrança em 14/11/2008, conforme fls. 12, e apresentou em 16/12/2008, impugnação ao lançamento, fls. 01/02, alegando que: 1 A empresa era participante do Simples em 2003, cumprindo com todas suas obrigações, que foram aceitas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), sendo desobrigado de entregar a DCTF; 2 Após o recebimento da Intimação Fiscal que originou o Auto de Infração, consultou a RFB, descobrindo que em seus sistemas constava a informação de exclusão do Simples desde o ano de 2002; 3 Não foi notificado da exclusão do Simples, sendo este procedimento administrativo nulo por violar o contraditório e a ampla defesa; e 4 Entregou a Declaração Anual Simplificada — PJSI 2004 em 31/05/2004 e os recolhimentos por esta sistemática continuaram nos anos seguintes, sem observação alguma por parte da RFB. Questiona o fato da RFB aceitar sua declaração sem qualquer manifestação. Ao final, requer seja acolhida a sua impugnação, cancelandose o débito fiscal reclamado. [...] A DRJ/POA considerou improcedente o pedido contido na impugnação. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual reitera o pedido e os fundamentos expostos na impugnação. É o relatório. Fl. 43DF CARF MF Processo nº 11065.101490/200898 Acórdão n.º 1002000.433 S1C0T2 Fl. 44 3 Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O presente recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Passamos à análise dos fundamentos indicados para a reforma da decisão recorrida. São duas as razões nas quais se ampara a argumentação trazida no recurso voluntário visando à reforma da decisão de 1.ª instância administrativa: 1) Não fora o recorrente excluído do Simples Federal com efeitos a partir de 2000, uma vez que não teria sido notificado na forma do Decreto n.º 70.235/72, e isso o manteria desobrigado da apresentação de DCTF; e 2) Entregou Declaração Anual Simplificada (PJSI) para os anos calendário 2002, 2003 e 2004, e que relativamente a este procedimento não houve oposição ou manifestação de contrariedade pela Receita Federal. Abaixo seguem alguns trechos do recurso voluntário que melhor esclarecem as razões ponderadas, verbis: [...] [...] o objeto da impugnação foi a ilegalidade do procedimento administrativo de exclusão do Simples e, por conseguinte, a inexigibilidade da multa por falta de entrega da DCTF, contudo, depreendese dos autos que o Acórdão ora recorrido não enfrentou o mérito da impugnação da contribuinte, merecendo reforma. Certo é que a contribuinte, no discutido período e nos exercícios de 2000 a 2004, era participante do Simples e cumpriu com todas suas obrigações, tendo entregado todas as Declarações Anuais Simplificadas que foram aceitas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Após o recebimento da Intimação Fiscal que originou o Auto de Infração impugnado, a contribuinte consultou a RFB e descobriu que havia sido excluída do Simples desde 2002. O referido procedimento de exclusão foi ilegal, uma vez que a contribuinte não foi notificada para exercer seu direito constitucional ao contraditório e ampla defesa. A contribuinte, por não ter sido cientificada da exclusão, entregou a Declaração Anual Simplificada nos anos calendários 2002, 2003 e 2004, conforme demonstram as cópias em anexo, e os recolhimentos foram feitos por esta sistemática, sem qualquer oposição ou manifestação de contrariedade por parte da Receita Federal. [...] Entende a contribuinte que o ponto de discordância gira em tomo do procedimento administrativo que originou a ADE 315619. E que a contribuinte não foi notificada da exclusão. Fl. 44DF CARF MF Processo nº 11065.101490/200898 Acórdão n.º 1002000.433 S1C0T2 Fl. 45 4 [...] Por derradeiro, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados neste Recurso: a) O procedimento administrativo que deu origem a ADE 315619 que excluiu a contribuinte do regime simplificado de recolhimento de tributos não oportunizou a notificação da contribuinte, deve ser considerado nulo por afronta à Lei n° 9.784/99 e por violar o artigo 23 do Decreto n° 70.235/72; b) Em virtude de o procedimento de exclusão do simples ter violado as regras da Lei n° 9.784/99 e do Decreto 70.235/72, deve ser afastado o dever instrumental de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais —DCTF no período impugnado; [...] III DO PEDIDO A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência total da Respeitável Decisão de Primeira Instância, requer que seja dado provimento ao presente Recurso para: A) Declarar a nulidade do procedimento administrativo que deu origem a ADE 315619 que excluiu a contribuinte do regime simplificado de recolhimento de tributos; B) Declarar a inexigibilidade do dever instrumental de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais —DCTF no período impugnado; C) Excluir a multa por falta de sua entrega da DCTF. (grifei). De início cabem três considerações importantes. A primeira diz respeito à afirmação em recurso voluntário de que a decisão recorrida não enfrentou o mérito da impugnação. No entanto não é bem o que se observa no texto do acórdão recorrido, pois que ali consta que a discussão acerca da ilegalidade da exclusão do Simples deveria ter sido implementada em processo apartado, o que, não tendo sido providenciado pelo impugnante, levou aquela Turma Julgadora a considerar válido o Ato Declaratório Executivo que formalizou a exclusão. A segunda referese à pretensão do recorrente no sentido de que o fato de os sistemas integrados que acolhem os envios das declarações eletronicamente terem admitido as entregas das Declarações Anuais Simplificadas, sem oposição, referendariam e validariam a correspondente forma de apuração e recolhimento dos tributos, afastando a obrigatoriedade de entrega de DCTFs. Da mesma forma não se pode considerar sólida tal alegação, pois não há previsão legal que dispense a fiscalização a cargo da Receita Federal quanto à regularidade da opção pelo regime de apuração, ou que dispense os demais requisitos exigidos para adesão ao Simples, ou que impeça a investigação fiscal que busque comprovar a situação fática real. A terceira afigurase porque o recorrente assinala que entregou Declaração Anual Simplificada relativamente aos anos calendário 2002, 2003 e 2004, porém, ocorre que: Fl. 45DF CARF MF Processo nº 11065.101490/200898 Acórdão n.º 1002000.433 S1C0T2 Fl. 46 5 Para o ano calendário 2002 o contribuinte recorrente apresentou declaração com o formulário eletrônico do tipo lucro presumido, que cancelou a declaração anterior que havia sido entregue sob a modalidade simplificada; Para o ano calendário 2003 o contribuinte optou pelo modelo de Declaração Anual Simplificada, porém não há nos autos prova da alteração cadastral correspondente, que é exigência legal para adesão ao Simples; Para os anos calendário 2004 e 2005 não houve entrega de declaração. O quadro abaixo, reproduzido da consulta de sistema contida na efl. 41 dos autos, confirma essas considerações: Ora, diante do contexto descrito, a argumentação recursal mostrase contraditória. Ao tempo em que o recurso pugna pelo reconhecimento de que teria o contribuinte permanecido no Simples nos períodos em relação aos quais a RFB está cobrando multas por atraso na entrega de DCTFs — 4.º trimestre de 2002 ao 2.º trimestre de 2005 —, o que se evidencia é que o próprio contribuinte, como demonstra o quadro acima, optou pelo lucro presumido no ano calendário 2002, e, que, embora tenha apresentado Declaração Anual Simplificada para o ano calendário 2003, seguinte, não consta do processo a necessária alteração cadastral, que se tornou requisito obrigatório após a sua opção pelo presumido no ano anterior (2002), como dispõe a Lei n.º 9.317/96, em seu art. 8.º, § 1.º: Art. 8° A opção pelo SIMPLES darseá mediante a inscrição da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou empresa de pequeno porte no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda CGC/MF, quando o contribuinte prestará todas as informações necessárias, inclusive quanto: (...) § 1° As pessoas jurídicas já devidamente cadastradas no CGC/MF exercerão sua opção pelo SIMPLES mediante alteração cadastral. Fl. 46DF CARF MF Processo nº 11065.101490/200898 Acórdão n.º 1002000.433 S1C0T2 Fl. 47 6 E, ainda a propósito da melhor análise, consta dos autos que sequer houve declaração entregue correspondente aos anos calendário 2004 e 2005. Concluindo, revelado que a partir do anobase 2002, inclusive, o recorrente não se encontrava mais sob a sistemática do Simples para apuração e pagamento dos tributos, mediante ato unilateral da entrega de declaração via formulário eletrônico modelo lucro presumido, e não tendo demonstrado retorno ao Simples conforme procedimento legalmente exigido, cabe ratificar a decisão da DRJ/POA, uma vez que não ficou provado que o contribuinte teria se mantido no Simples no período de interesse deste processo. Ao contrário, e em reforço à posição da decisão de piso, observase que por sua própria opção passou o recorrente a se submeter ao lucro presumido a partir do anobase 2002. São as circunstâncias de fato descritas nos autos. Assim constatado, verificase a obrigatoriedade de entrega das DCTFs no período 2002 a 2005. Reafirmase então a decisão recorrida, acrescentandose as razões acima, ligadas à adesão voluntária do recorrente à metodologia de apuração pelo lucro presumido a partir de 2002, de maneira que tornase dispensável verificar se houve ou não cientificação do recorrente acerca da exclusão do Simples formalizada pelo ADE n.º 315619. Pelo exposto, não existindo razões para afastar a incidência da multa por atraso na entrega da DCTF, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Fl. 47DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.904426/2009-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1999
SIMPLES. MICRO EMPRESA. ALÍQUOTA DE 3%. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE PJ 2000 SIMPLES APÓS DESPACHO DECISÓRIO. CRÉDITO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP DEVIDA.
No ano calendário 1999, as micro empresas deveriam recolher o SIMPLES à alíquota de 3%. A devida comprovação do pagamento com base na alíquota de 4% caracteriza pagamento indevido ou a maior, o que assegura à contribuinte o direito à compensação (DCOMP) ou à restituição (PER), ainda que a retificação da Declaração Anual Simplificada (PJ 2000) tenha ocorrido após despacho decisório eletrônico. Homologação da DCOMP devida.
Numero da decisão: 1302-003.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10640.904413/2009-20, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 1999 SIMPLES. MICRO EMPRESA. ALÍQUOTA DE 3%. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE PJ 2000 SIMPLES APÓS DESPACHO DECISÓRIO. CRÉDITO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP DEVIDA. No ano calendário 1999, as micro empresas deveriam recolher o SIMPLES à alíquota de 3%. A devida comprovação do pagamento com base na alíquota de 4% caracteriza pagamento indevido ou a maior, o que assegura à contribuinte o direito à compensação (DCOMP) ou à restituição (PER), ainda que a retificação da Declaração Anual Simplificada (PJ 2000) tenha ocorrido após despacho decisório eletrônico. Homologação da DCOMP devida.
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COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF E PJ 2000 APÓS DESPACHO DECISÓRIO Recorrente IRMÃOS ORNELLAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1999 SIMPLES. MICRO EMPRESA. ALÍQUOTA DE 3%. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE PJ 2000 SIMPLES APÓS DESPACHO DECISÓRIO. CRÉDITO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP DEVIDA. No ano calendário 1999, as micro empresas deveriam recolher o SIMPLES à alíquota de 3%. A devida comprovação do pagamento com base na alíquota de 4% caracteriza pagamento indevido ou a maior, o que assegura à contribuinte o direito à compensação (DCOMP) ou à restituição (PER), ainda que a retificação da Declaração Anual Simplificada (PJ 2000) tenha ocorrido após despacho decisório eletrônico. Homologação da DCOMP devida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10640.904413/200920, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 44 26 /2 00 9- 07 Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10640.904426/200907 Acórdão n.º 1302003.145 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face de Acórdão da 2a. Turma da DRJ de Juiz de Fora (MG) que, por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade, registrandose a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente, empresa varejista de produtos alimentícios e outros, alega que pagou SIMPLES à alíquota de 4% (que correspondia ao percentual acumulado, relativo a 1998), quando deveria pagar 3%, devidos em 1999, em conformidade com as disposições do art. 5º da Lei nº 9.317/96, vigente à época. Para evidenciar esse pagamento indevido ou a maior e para compensálo, enviou a DCOMP e na sequência retificou a Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica (DSPJ) originalmente transmitida. Anexou Recibo de Entrega da PJ 2000 Simples normal, retificadora e Darfs. A DRJ manteve o despacho decisório eletrônico e declarou não homologada a DCOMP. Entendeu que a recorrente não demonstrou que haveria pagamento indevido ou a maior. Desconsiderou a declaração simplificada retificadora de 2004. Não examinou a alegação da recorrente de que a alíquota correta do SIMPLES para 1999 seria de 3% e não de 4%. Não analisou os DARFs por meio dos quais a recorrente pretende demonstrar tal pagamento a maior. Concluiu que o valor contido na declaração simplificada da PJ corresponde ao valor pago e devido, pois considerou somente a PJ 2000 Simples original. Assim, concluiu que não haveria crédito disponível. Intimou a recorrente a pagar o principal, multa e juros. Diante do acórdão de manifestação de inconformidade, a recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente, reforçando que, ao analisar e confrontar com a Declaração Simplificada PJ, ano calendário 1999, a fiscalização deveria ter considerado os débitos declarados na segunda declaração retificadora PJ Simplificada entregue em 11/04/2004 (cancelada no sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil) e não a primeira, entregue cerca de nove minutos antes, na mesma data. É o breve relatório. Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10640.904426/200907 Acórdão n.º 1302003.145 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.132, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10640.904413/2009 20, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.132): "Conheço do recurso voluntário, à vista da interposição tempestiva e do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. A recorrente atua no comércio varejista de gêneros alimentícios, perfumaria, papelaria, armarinho, louças e legumes (cláus. III, contrato social, fl. 3). Sustenta que dispunha do crédito pleiteado, pois ao detectar o erro, entregou PJ 2000 Simples retificadora em 11/04/2004, sob n° de controle 10.02.38.90.27. Embora a DCOMP tenha sido entregue antes da PJ retificadora, defende que a IN 210/2002 seria omissa quanto à retificação de declarações. Com esse entendimento, afirma que não poderia concordar com o não reconhecimento do crédito. Alega que a fiscalização deveria ter considerado a declaração retificadora, ainda que realizada posteriormente à avaliação de seu pedido (despacho decisório eletrônico). Ressalta que, a IN SRF nº 210/2002, vigente à época, não mencionava como condição para o deferimento que a retificação fosse em data anterior à entrega da DCOMP. Com base em tais fatos e fundamentos, a recorrente, em 10/12/2003, utilizouse da DCOMP n° 36194.68673.101203.1.3.047949 para compensar débito com os supostos créditos de pagamento a maior de SIMPLES (alíquota de 4%, em vez de 3%). Observase, portanto, que independentemente de ter havido a retificação da DSPJ somente após a transmissão da DCOMP, não se verificou se, de fato, houve ou não pagamento a maior ou indevido pela recorrente. Para essa análise, é necessário verificar se procede a alegação da recorrente de que a alíquota do SIMPLES para o ano calendário 1999 seria realmente de 3% e não de 4%. No link idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/.../capitulov Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10640.904426/200907 Acórdão n.º 1302003.145 S1C3T2 Fl. 5 4 simples2008.pdf, a Receita Federal do Brasil (RFB) orienta que, Para a determinação do percentual a ser utilizado pelas Micro Empresas (ME), é necessário identificar, primeiramente, a faixa de receita bruta acumulada em que se encontra a ME, com o auxílio da Tabela S1, abaixo transcrita. Nesse caso, a pessoa jurídica deverá verificar o total da receita bruta acumulada, dentro do ano calendário, até o próprio mês em que está fazendo a apuração. Já o valor devido mensalmente, a ser recolhido pela ME, será o resultante da aplicação sobre a receita bruta mensal auferida da alíquota correspondente. Tabela S1: Percentuais aplicáveis às ME (regra geral) Receita Bruta Acumulada (em R$) Alíquotas Até 60.000,00 3% De 60.000,01a 90.000,00 4% De 90.000,01 a 120.000,00 5% De 120.000,01 a 240.000,00 5,4% O Estatuto da Microempresa de 1999 Lei nº 9.841, de 5 de outubro de 1999, estabeleceu que (art. 2º), para os efeitos desta Lei, ressalvado o disposto no art. 3º, considerase: I microempresa, a pessoa jurídica e a firma mercantil individual que tiver receita bruta anual igual ou inferior a R$ 244.000,00 (duzentos e quarenta e quatro mil reais); (Vide Decreto nº 5.028, de 31.3.2004). Conforme Declaração Anual Simplificada (PJ 2000 SIMPLES), fl. 14, a razão social da recorrente é: Irmãos Ornellas Ltda. ME; natureza jurídica: sociedade por cotas de responsabilidade limitada empresa privada. Os valores declarados pela recorrente em 1999 são a seguir reproduzidos, demonstrando que realmente se enquadrava como Micro Empresa: Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10640.904426/200907 Acórdão n.º 1302003.145 S1C3T2 Fl. 6 5 Verificase, portanto, que procede a alegação da recorrente de que a alíquota do SIMPLES (cód. rec. 61060) que deveria pagar em 1999 era de 3% (art. 5º da Lei nº 9.317/96, vigente à época ) e não de 4%. Os dois DARFs anexados ao processo indicam pagamento à alíquota de 4%. Demonstrado, dessa forma, que houve pagamento a maior ou indevido, fazendo jus à compensação pleiteada. No caso, portanto, entendo que o fato de Declaração PJ 2000 Simples ter sido retificada após a utilização do valor pago a maior não pode retirar o direito creditório da recorrente, em cumprimento ao princípio da verdade material, pois comprovados a certeza, liquidez e disponibilidade do crédito utilizado na DCOMP em questão. Assim, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito pleiteado e homologar a compensação pleiteada até o limite do direito creditório reconhecido." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 40DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.001549/2006-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
COMPROVANTE DE RENDIMENTOS PAGOS E DE RETENÇÃO NA FONTE. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE
É passível de compensação a totalidade do imposto de renda retido na fonte, constante de Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção na Fonte fornecido pela fonte pagadora dos rendimentos, independentemente de constarem em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte, desde que comprovado o oferecimento à tributação das receitas sobre as quais incidiu a retenção.
Numero da decisão: 1302-003.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer parcialmente o direito creditório pleiteado, vencido o conselheiro Rogério Aparecido Gil (relator). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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JCP. DIRF. DIVERGÊNCIA. INFORMES DE RENDIMENTOS. RETENÇÃO NA FONTE Recorrente VALE S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 COMPROVANTE DE RENDIMENTOS PAGOS E DE RETENÇÃO NA FONTE. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE É passível de compensação a totalidade do imposto de renda retido na fonte, constante de Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção na Fonte fornecido pela fonte pagadora dos rendimentos, independentemente de constarem em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte, desde que comprovado o oferecimento à tributação das receitas sobre as quais incidiu a retenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer parcialmente o direito creditório pleiteado, vencido o conselheiro Rogério Aparecido Gil (relator). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 15 49 /2 00 6- 44 Fl. 668DF CARF MF Processo nº 15374.001549/200644 Acórdão n.º 1302003.103 S1C3T2 Fl. 669 2 Paulo Henrique Silva Figueiredo Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face ao Acórdão nº 1221.667, DE 31/10/2008, da 8ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro que, por maioria, julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade para reconhecer direito creditório no valor original de R$8.959.702,68 e homologar as compensações pleiteadas, dentro do limite do crédito concedido, cuja ementa registrou os seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO A certeza e liquidez do credito é requisito essencial para a homologação da compensação. COMPENSAÇÃO DO IRRF SOBRE VALORES RECEBIDOS A TÍTULO DE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO COM O DEVIDO AO MESMO TÍTULO. O § 6º do artigo 9º da Lei nº 9.249/95 permite esta compensação antecipada, por escolha do contribuinte. DIRF. VALOR PROBANTE. A Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte, DIRF, é parâmetro de análise para que se possa ter a certeza de que todos os rendimentos e valores de impostos retidos foram regularmente contabilizados pelos beneficiários, uma vez que tal declaração é emitida pelas fontes pagadoras, havendo pois a presunção de veracidade dos valores nela contidos. PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazelo em outro momento processual, (parágrafo 4º., do artigo 16. do Decreto n°.70.235, de 1972) Compensação Homologada em Parte A recorrente transmitiu Declarações de Compensação (DCOMPs), em 10/11/2003, 01/09/2003 e 30/05/2003, para compensação de créditos no valor total de R$12.544.958,45, referentes Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre valores recebidos a titulo de Juros sobre Capital Próprio (JCP) em abril, junho e agosto de 2003 para compensação com débito próprio, também de IRRF sobre JCP pago aos seus acionistas em abril, setembro e outubro de 2003. Fl. 669DF CARF MF Processo nº 15374.001549/200644 Acórdão n.º 1302003.103 S1C3T2 Fl. 670 3 Em relação a essas DCOMPs, a fiscalização elaborou relatório fiscal e indicou os seguintes fatos e divergências: Verificada a entrega de DIRF referente às receitas e despesas de JCP, apresentando, quanto às despesas com pagamento de JCP, divergência entre os valores constante da DIRF apresentada pelo contribuinte e valor utilizado por ele como despesa na DIPJ/2004. Nem todos os créditos constam de DIRF, embora o contribuinte tenha, para estes, apresentado cópia de documentos comprobatórios das retenções. O contribuinte em resposta à intimação formulada informou que possui investimentos que são avaliados por equivalência patrimonial e outras pelo custo de aquisição, sendo que ambos são contabilizados deforma idêntica aos dividendos, conforme Deliberação CVM n° 207/96. Foi declarado à título de "Receitas de Juros sobre o Capital Próprio", ficha 06A, linha 23, da DIPJ/2004, o valor de R$ 13.074,97, e nos ajustes para a apuração do lucro real, controlado pelo LALUR, foi adicionado ao lucro líquido apurado o valor de R$ 163.134.810,52, embora a empresa conste das DIRF como beneficiária do valor de R$ 158.968,841,28, havendo, portanto, sido declarado um valor de R$ 4.179.044,21 superior ao valor constante das DIRF apresentadas. Como despesa, foi declarado, na ficha 06A, linha 35, da DIPJ/2004, o valor de R$ 1.934.551.537,08, embora nas DIRF, apresentadas pelo próprio contribuinte, tenhamos um valor pago à título de Juros sobre o Capital Próprio de R$ 1.083.260,655,61, para 25.640 beneficiários, com uma retenção de fonte de R$ 162.356.958,52. A diferença entre o valor declarado na DIPJ/2004 e o valor apurado na DIRF apresentada pelo contribuinte é de R$ 851.290881,47; No saldo negativo de IRPJ existente na DIPJ/2004, ficha 12A, linha 13 (ano calendário 2003) foi deduzido à título de imposto de renda retido na fonte o valor de R$ 29.642.445,98. O contribuinte possuía, conforme apurado nas DIRF apresentadas, o valor de RS 60.471.550,89 referente a retenções de fonte. Foi utilizado na PERDCOMP o valor de R$ 12.498.517,96 para as compensações pretendidas pelo contribuinte. Fica evidenciado que os valores utilizados pelo contribuinte para as compensações efetuadas não foram deduzidos para a formação do saldo negativo do IRPJ; Não foram apresentados pelo contribuinte nem os originais nem cópia dos Livros Diário e Razão, justificando que os mesmos já haviam sido apresentados à Receita Federal através de diligências fiscais realizadas em 2004 e 2005. Em substituição foram apresentadas planilhas confeccionadas pela interessada. As contabilizações do 3CP não puderam ser apuradas; Foi informado pelo contribuinte que possui auto de infração de PIS e COFINS, lavrado com exigibilidade suspensa, face a possuir Mandado de Segurança que suspende a majoração da base de cálculo daquelas contribuições; Informada pela DERAT/RJO a entrega das DCTF com os referidos débitos declarados. Conclusão Verificação realizada de acordo com roteiro elaborado pela Defic/RJO/Gab, onde foram constatadas divergências entre os valores declarados pelo contribuinte na DIRF por ele apresentada e na DIPJ/2004. Com relação aos créditos utilizados na PERDCOMP, nem todos encontramse declarados em DIRF, embora para estes (não declarados) o contribuinte tenha apresentado cópia de documentação comprobatória da retenção. Fl. 670DF CARF MF Processo nº 15374.001549/200644 Acórdão n.º 1302003.103 S1C3T2 Fl. 671 4 Os documentos comuns aos processos n° 15374.001549/200644, 15374.001550/200679 e 15374.001551/200613, tais como procuração, cópias de documentos dos procuradores e atas de assembleias, encontramse anexados ao primeiro processo. A recorrente foi intimada da decisão da DRJ, em 20/08/2010 (fls. 498) e interpôs recurso voluntário tempestivamente, em 17/09/2010 (fls. 499/507). Sustenta que, a condição necessária ao aproveitamento do IRRF é que tenha havido efetiva retenção do IR. Nesse sentido, transcreve parte da ementa do Recurso Voluntário n° 157267, Processo n° 10768.002371/200105, Terceira Câmara, Relator Conselheiro Alexandre Barbosa Jaguaribe, DOU n° 30 de 14.02.08. "COMPROVANTE DE RENDIMENTOS PAGOS E DE RETENÇÃO NA FONTE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE COMPENSAÇÃO DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL Não se estende ao beneficiário do rendimento que suportou o ônus do imposto retido na fonte, o descumprimento à legislação de regência, cometido pela fonte pagadora responsável pela retenção e recolhimento aos cofres públicos do valor descontado. Desta forma, é passível de ser compensado na Declaração de Ajuste Anual, do beneficiário, a totalidade do imposto de renda retido na fonte, constante do Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção na Fonte fornecido pela fonte pagadora dos rendimentos" Ressaltou que recebeu, no anocalendário de 2003, R$163.134.810,52 a título JCP, com IRRF no valor de R$ 24.979.904,89. Anexou à Impugnação (doc. 6) planilha demonstrativa e comprovantes. Em seu entendimento, em que pese a fiscalização não haver identificado esse valor nas DIRFs em que a recorrente é indicada como beneficiária, o reconhecimento pelo relatório fiscal (fls. 141/143), a planilha e comprovantes anexados aos autos seriam suficientes para comprovar que as respectivas fontes teriam pago JCP, mediante retenção e recolhimento do imposto de renda incidente. Frisou que, a DRJ também admitiu que toda a receita de JCP do ano calendário 2003 foi oferecida à tributação, tendo em vista o reconhecimento, às fls. 206, de que o montante total de JCP (R$ 163.134.810,52) foi adicionado ao Lucro Líquido na linha "Outras Adições" Para demonstrar juntou à Impugnação a DIPJ/2004. Em relação aos valores encontrados nas DIRFs das fontes pagadoras, a recorrente salientou que, o registro pela fiscalização e a ratificação pela DRJ de que o citado valor de JCP foi devidamente oferecido à tributação, constitui evidência de que os valores constantes das DIRFs estão equivocados, pois nelas somente teriam sido apurados R$ 158.968.841,28. Fundamenta que, a inclusão dos valores (JCP) na linha de "Outras Adições" na DIPJ/2004 (doc. 7 da Impugnação), e não na linha referente às receitas de JCP, decorre de determinação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que, por intermédio da Deliberação CVM n° 207/1996, item II, determina que as companhias de capital aberto contabilizem os Juros sobre Capital Próprio auferidos como crédito na conta de investimentos, no Ativo Permanente. Fl. 671DF CARF MF Processo nº 15374.001549/200644 Acórdão n.º 1302003.103 S1C3T2 Fl. 672 5 "II Os juros recebidos pelas companhias abertas, a título de remuneração do capital próprio, devem ser contabilizados da seguinte forma: a) como crédito na conta de investimentos, quando avaliadas pelo método da equivalência patrimonial e desde que os juros sobre capital próprio estejam ainda integrando o patrimônio líquido da empresa investida (...)". Registra que, dessa forma, estaria comprovado que, no anocalendário de 2003, dispunha de crédito de IRRF no valor de R$63.995.345,01. Frisa que, esse valor foi reconhecido nos termos do relatório fiscal de fls. 141/143. Quanto à forma com que utilizou esse valor, indica em planilha demonstrativa que deduziu do Imposto de Renda a pagar na Ficha 12A da DIPJ/2004 (doc. 4 da Impugnação), o valor de IRRF de R$29.642.445,98 e utilizou R$21.869.402,23, restandose, do total dos créditos de IRRF, o valor de R$12.544.958,45, o qual seria o valor em questão. Conclui, assim, que a apresentação do LALUR e dos respectivos comprovantes de pagamento de JCP e de retenção na fonte seriam suficientes para comprovar a integralidade do valor pleiteado (R$12.544.958,45), independentemente da apresentação do livro razão, livro caixa e indicação nas Dirfs das fontes pagadoras. Não obstante, a DRJ reconheceu somente os valores de IRRF indicados nas DIRFs das fontes pagadoras (R$8.959.702,68) e não acatou o valor de R$3.585.255,77. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Conheço o recurso voluntário, à vista da interposição tempestiva e do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. As razões de decidir da DRJ podem ser sintetizada nos seguintes termos: a) dos créditos de IRRF sobre JCP utilizados (R$ 63.995.345,01) encontramse declarados nas DIRFs das fontes pagadoras valor menor (R$60. 471.550,89), embora seja reconhecido que a Requerente apresentou comprovante da efetiva retenção de todo o IRRF compensado; b) que a recorrente declarou na Demonstração de Resultado (Ficha 06A da DIPJ/2004) o valor de R$13.074,97; e adicionou ao lucro líquido o valor de R$ 163.134.810,52, embora só conste em DIRF o valor de R$ 158.968.841,28; c) que a Requerente deduziu, para fins de apuração do Imposto de Renda devido (Ficha 12A da DIPJ/2004) o valor de R$ 29.642.445,98, com valores referentes à retenções em fonte; d) que foram constatadas divergências entre os valores de JCP pagos pela Requerente discriminados em DIRF e na DIPJ/2004, uma vez que em DIRF constaria o valor de R$1.083.260.655,61 e a Requerente declarou na DIPJ/2004 despesa com JCP no valor de R$ 1.934.551.537,08, restando uma diferença de R$ 851.290.881,47; Fl. 672DF CARF MF Processo nº 15374.001549/200644 Acórdão n.º 1302003.103 S1C3T2 Fl. 673 6 Na forma relatada, a recorrente transmitiu Declarações de DCOMPs para compensação de créditos de IRRF incidente sobre os valores recebidos a título de JCP, em abril, junho e agosto de 2003 no valor total de R$ 12.544.958,45 para compensação com débito próprio, também de IRRF sobre JCP pago aos seus acionistas em abril, setembro e outubro de 2003. Desse montante compensado, após a decisão parcialmente favorável à Recorrente, a parcela do crédito no valor de R$ 8.959.702,68 foi reconhecida, restando ainda a quantia de R$ 3.585.255,77. Verificase que a fiscalização não reconheceu a totalidade desse crédito de IRRF sobre JCP (R$ 12.544.958,45), por entender que a Recorrente teria informado valor a maior de IRRF (R$ 63.995.345,01). Concluiu que o IR Fonte correto seria o valor de R$ 60.471.550,89, que consta nas DIRFs das fontes pagadoras dos rendimentos de JCP. Assim, a controvérsia remanescente reside em se verificar se a totalidade do IRRF sobre JCP aproveitado foi de fato retido da Recorrente (R$ 63.995.345,01); ou se, na perspectiva da RFB, apenas o montante de R$ 60.471.5 50,89 foi comprovadamente retido da Recorrente. De todo modo, é incontroverso que a recorrente, por meio de informes e comprovantes, comprovou o recebimento de JCP e a respectiva retenção na fonte de R$ 63.995.345,01. Pois, nos termos do Relatório Fiscal de fls. 141/143, a própria autoridade administrativa reconhece que foram apresentados documentos que respaldaram os créditos oriundos de IRRF sobre JCP não apurados em DIRF. É o que se depreende do Parecer Conclusivo que resultou na não homologação da compensação, às fls. 206, que reconhece expressamente que a Recorrente comprovou toda a retenção não declarada em DIRF, in verbis: "...nem todos os créditos utilizados para compensação nas citadas DCOMP encontramse declaradas em DIRF, embora para os não declarados a interessada tenha apresentado copia de documentação comprobatória da retenção de que foi objeto" Em suas razões, a recorrente ressalta que, ao beneficiário da receita de JCP não é imposta qualquer responsabilidade, quanto ao preenchimento da DIRF da fonte pagadora, bastando, para demonstrar o seu crédito, a comprovação da efetiva retenção do IRRF. Observase que, o fato de a fiscalização reconhecer que foi comprovada a efetiva retenção do valor total de IRRF de R$ 63.995.345, e não o valor inferior identificado nas DIRFs apresentadas pelas fontes pagadoras (R$ 60.471.550,89) afasta quaisquer dúvidas a este respeito (fls.141/143). Nesse ponto, portanto, não há como concordar com as conclusões da DRJ, pois desconsiderou evidências e registros efetuados pela própria fiscalização, as quais demonstram o efetivo recebimento de JCP e respectiva retenção de IR na fonte (a recorrente juntou, novamente no recurso voluntário, os informes e comprovantes de JCP e retenções fornecidos pelas fontes pagadoras). Fl. 673DF CARF MF Processo nº 15374.001549/200644 Acórdão n.º 1302003.103 S1C3T2 Fl. 674 7 Cumpre, portanto, reconhecer o saldo restante do crédito compensado, no valor de R$3.585.255,77, homologandose integralmente as compensações declaradas nos autos deste processo no valor original de R$ 12.544.958,45. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Voto Vencedor Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Redator designado Acompanho o digno Relator nas razões que lhe levaram a discordar do Acórdão recorrido e reconhecer o crédito à Recorrente. Uma vez que a própria autoridade fiscal reconhece, às efls 143/145 e 211/215, que o contribuinte apresentou documentos que comprovam retenções de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre pagamentos a título de Juros sobre Capital Próprio (JCP) em montante superior às retenções constantes das Declarações do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (DIRF), não há como deixar de considerar tais valores nos cálculos dos indébitos em favor do sujeito passivo. Peço vênia, contudo, para divergir em relação à apuração do montante do crédito a que faz jus a Recorrente. É que, como dito, o crédito utilizado pelo contribuinte nas Declarações de Compensação (DComp) apresentadas se refere, exclusivamente, a créditos de IRRF incidente sobre os valores recebidos a título de JCP, em abril, junho e agosto de 2003, no valor total de R$ 12.544.958,45. Assim, eventual valor de retenções comprovadas pelo sujeito passivo além daquelas constantes em DIRFs somente poderá ser levada ao cômputo do indébito a que ele faz jus, caso a natureza dos rendimentos pagos se refira a JCP. Pois bem, no Parecer Conclusivo nº 244/08 (efls. 211 a 215), são esclarecidas todas as divergências entre as informações prestadas pela Recorrente em sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e aquelas informadas pelas fontes pagadoras, por meio das DIRFs. Dali, extraise que: a) na ficha 11 da DIPJ relativa ao anocalendário de 2003, informou, em relação aos meses de março a junho, deduções de IRRF no montante de R$ 21.869.402,23; b) ao final do referido período, informou na ficha 12A deduções, a título de IRRF de R$ 29.642.445,98; Fl. 674DF CARF MF Processo nº 15374.001549/200644 Acórdão n.º 1302003.103 S1C3T2 Fl. 675 8 c) o total de IRRF utilizado pelo sujeito passivo no referido anocalendário, portanto, seria de R$ 51.511.848,21, correspondente à soma dos subtotais indicados nos itens precedentes; d) na ficha 53 da referida declaração, porém, discriminou um total de IRRF de R$ 63.995.345,01, sendo R$ 24.979.904,89 relativo ao código de retenção 5706 Juros sobre o Capital Próprio; e) por outro lado, nas DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras, foi informado um total de IRRF de R$ 60.471.550,89, sendo R$ 23.845.325,90 referente a JCP; f) assim, especificamente em relação ao código 5706, a diferença entre o valor discriminado pelo sujeito passivo e aquele informado em DIRF é de R$ 1.134.578,99 (R$ 24.979.904,89 R$ 23.845.325,90), sendo este o valor que deve ser reconhecido como passível de compensação por parte do sujeito passivo. Não é possível, nestes autos, o reconhecimento de créditos relativos a IRRF incidentes sobre outros tipos de receitas, que não JCP, como pretendido pelo Relator, que reconhecia toda a diferença relativa ao IRRF comprovado e o constante das DIRF. A Recorrente comprova, pelos documentos apresentados, que o montante total de receitas a título de JCP correspondente às citadas retenções foi de R$ 163.134.810,52, valor que foi adicionado à apuração do Lucro Real, conforme o próprio Voto Vencedor do Acórdão recorrido. Isto posto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para reconhecer, além do montante já reconhecido pelo Acórdão de efls. 503 a 517, o crédito de R$ 1.134.578,99 e homologar as compensações de que tratam as DComp nº 22433.11357.101103.1.7.066719, 10483.74628.010903.1.3.065709 e 15309.17392. 300503.1.3.066128, até o limite do crédito total reconhecido. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 675DF CARF MF
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Numero do processo: 12466.721649/2014-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 18/06/2014
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO.
A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria.
Numero da decisão: 3301-005.126
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 16 49 /2 01 4- 83 Fl. 793DF CARF MF Processo nº 12466.721649/201483 Acórdão n.º 3301005.126 S3C3T1 Fl. 794 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira. Relatório Visando à elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do constante do Acórdão nº 0736.130 1ª Turma da DRJ/FNS (fls. 621/657): Trata o presente processo de dois autos de infração lavrados para exigência de multas administrativas. Um dos autos de infração trata crédito tributário no valor de R$ 5.627.175,11 referente a multas previstas nos incisos I e III do art. 12 da Lei nº 8.218/1991, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835/2001. O outro auto de infração trata de crédito tributário no valor de R$ 8.066.731,33 referente a multa regulamentada pelo art. 710 do Decreto nº 6.759/2009, Regulamento Aduaneiro. O auto de infração de folhas 2 a 19 apresenta a seguinte descrição dos fatos e enquadramento legal: “Em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, instaurada ao respaldo do MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL N° 072760020140004 0, foi apurada, preliminarmente, as infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados. 001 FORMATO INCORRETO NA APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS DIGITAIS Multa equivalente a meio por cento da receita bruta em razão do não atendimento, quanto à forma, da apresentação dos arquivos digitais, nos termos dos Arts. 11 e 12, inciso I, da Lei n° 8.218/91, com a redação dada pelo art. 72 da Medida Provisória n° 2.15834/2001 e reedições. 002 FALTA/ATRASO NA APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS DIGITAIS Multa de dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta, até o máximo de um por cento desTa, pelo não cumprimento do prazo estabelecido para apresentação dos arquivos digitais, nos termos dos Arts. 11 e 12, inciso III, da Lei n° 8.218/91, com a redação dada pelo art. 72 da Medida Provisória n° 2.15834/2001 e reedições. Fl. 794DF CARF MF Processo nº 12466.721649/201483 Acórdão n.º 3301005.126 S3C3T1 Fl. 795 3 1. DAS INTIMAÇÕES E REINTIMAÇÕES Ã MULTIMEX DO FORMATO INCORRETO NA APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS DIGITAIS DA FALTA/ATRASO NA APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS DIGITAIS No início do procedimento fiscal, a MULTIMEX foi regularmente intimada em 10/02/2014, por via postal, através do TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO N° 201400040002 (TERMO 2014 00040 002), a apresentar livros, documentos e esclarecimentos, no prazo de 20 (vinte) dias. No termo de início de fiscalização, foram solicitados arquivos digitais, no quesito 9, conforme abaixo: 9. Apresentar arquivos digitais, relativos aos períodos 2010, 2011, 2012 e 2013, nos termos da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal (IN SRF) N° 86/2001 e Ato Declaratório Executivo COFIS (ADE COFIS) n° 15/2001, alterado pelo Ato Declaratório Executivo COFIS n° 25/ 2010, conforme descrito a seguir: a. Arquivo de Registros Contábeis (item 4.1 do anexo do ADE COFIS n° 15/2001); b. Arquivo Mestre de Mercadorias/Serviços Notas Fiscais de Saída ou de Entrada Emitidas pela Pessoa Jurídica (item 4.3.1 do anexo do ADE COFIS n° 15/2001); c. Arquivo de Itens de Mercadorias/Serviços Notas Fiscais de Saída ou de Entrada Emitidas pela Pessoa Jurídica (item 4.3.2 do anexo do ADE COFIS n° 15/2001); d. Arquivo Mestre de Mercadorias/Serviços (Entradas) Emitidas por Terceiros (item 4.3.3 do anexo do ADE COFIS n° 15/2001); e. Arquivo de Itens de Mercadorias/Serviços (Entradas) Emitidas por Terceiros (item 4.3.4 do anexo do ADE COFIS n° 15/2001); f. Arquivo de Exportação (item 4.4.1 do anexo do ADE COFIS nc 15/2001); g. Arquivo de importação (item 4.4.2 do anexo do ADE COFIS n° 15/2001); h. Arquivo de Cadastro de Pessoas Jurídicas e Físicas (item 4.9.1 do anexo do ADE COFIS n° 15/2001); i. Tabela de Plano de Contas (item 4.9.2 do anexo do ADE COFIS n° 15/2001) j. Tabela de Mercadorias/Serviços (item 4.9.5 do anexo do ADE COFIS n° 15/2001); Obs. 1: Os arquivos deverão ser, preferencialmente, gravados em disco de CDR, com a identificação externa do seu conteúdo, Fl. 795DF CARF MF Processo nº 12466.721649/201483 Acórdão n.º 3301005.126 S3C3T1 Fl. 796 4 Obs. 2: Os arquivos deverão ser validados e autenticados nos sistemas SVA ou PVA, conforme o caso, disponíveis na página na internet da RFB, e entregues com a respectiva Documentação de Acompanhamento, conforme previsto no anexo do ADE COFIS n° 15/2001; Obs. 3: O contribuinte poderá nomear, por escrito, mediante documento hábil, um representante TÉCNICO para acompanhar a ação fiscal particularmente no que tange ao fornecimento de arquivos digitais; Em 06/03/2014, a MULTIMEX apresentou resposta (RESPOSTA 06 03 2014 E ATOS CONSTITUTIVOS), anexando poucos documentos, e nenhum dos arquivos digitais solicitados. No mesmo documento, solicitou prorrogação do prazo de 60 (sessenta) dias para atendimento, inclusive para os arquivos digitais, sem apresentar justificativa plausível. A fiscalização deferiu 30 (trinta) dias de prazo. Em 07/04/2014 a MULTIMEX apresentou nova resposta (RESPOSTA MULTIMEX 07 04 2014) TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO N° 201400040002, apresentando alguns documentos e arquivos digitais, entretanto ainda insuficientes para atender o quanto demandado. Foi apresentado inclusive um CD contendo arquivos em resposta ao quesito 9 (subitens "b", "c", "d", "e", "f", "g", "h" e "j"), entretanto, que não atenderam à forma de apresentação previstos na legislação. Conforme "Recibo de entrega e Arquivos Digitais" que acompanhou a resposta, a autenticação foi efetuada no tipo de arquivo incorreto. Os arquivos foram autenticados para o tipo de arquivo "Outros Arquivos Autenticação de Arquivos", procedimento que não efetua qualquer validação, apenas faz autenticação. Deveria ser empregado o Tipo de Arquivo "ADE COFIS 25/2010 (IN 86/2001) / Documentos Fiscais Entrega ao AuditorFiscal". Conforme determina o título 2 do referido ADE: 2. Autenticação Os arquivos digitais, entregues na forma do item 1.3, deverão ser autenticados utilizandose aplicativo a ser disponibilizado na página da RFB na internet, o gual, mediante varredura nos arquivos eletrônicos, irá gerar um código de identificação utilizando o algoritmo MD5 "MessageDigest algorithm 5", ou superior, podendo ser utilizado a qualquer tempo para verificação da autenticidade dos arquivos fornecidos. No documento a que se refere o item 3.2, constarão os códigos gerados, que identificarão de forma única os arquivos digitais entregues. Fl. 796DF CARF MF Processo nº 12466.721649/201483 Acórdão n.º 3301005.126 S3C3T1 Fl. 797 5 Para entrega a fiscalização, a autenticação e validação deve ser efetuada no Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos (SVA), disponível para download no sítio da Receita Federal do Brasil na Internet, selecionandose o tipo de arquivo correto. Tal procedimento, além de fazer a autenticação, também valida os arquivos, identificando erros de formato a serem corrigidos. Cabe esclarecer que o formato do arquivo são especificações técnicas que determinam quais devem ser as características físicas do arquivo, ou seja, como os dados devem ser organizados no arquivo digital para apresentação ao Fisco. Tais especificações são necessárias para que seja possível transferir os dados para os sistemas de informação do Fisco, que estão preparados para ler e tratar arquivos compatíveis com as especificações previstas na legislação. Arquivos com formato incorreto não são reconhecidos por esses sistemas e, obviamente, se tornam inúteis. A título de exemplo, reproduzimos abaixo a especificação técnica constate no Anexo Único do ADE COFIS 15/2001 para um dos arquivos previstos, o arquivo "4.9.5Tabela de Mercadorias/Serviços": (...) O ADE COFIS 15/2001 determina a utilização de arquivos texto, que contêm apenas caracteres, onde cada linha do arquivo é um registro com determinados campos. Para o exemplo da tabela acima, são previstos três campos (itens 1, 2 e 3) . Os campos são organizados em cada linha através da posição inicial e final. Por exemplo, em cada linha do arquivo fornecido, da coluna 1 a 8 deverá representar a Data de Atualização. Conforme tela abaixo, ao tentar validar o arquivo ttj Tabela de Mercadorias e Serviços" na pasta "2010/MATRIZ" do CD, foi apresentado erro, que impediu qualquer validação desse e dos demais arquivos, pois as informações de mercadorias e serviços são necessárias para validar os arquivos de nota fiscal. (...) Diante do exposto, através do TERMO DE REINTIMAÇÃO 201400040004 (TERMO MULTIMEX 2014 00040 004), cientificada a MULTIMEX por via postal em ,. reintimamos a empresa a atender, no prazo de 5 (cinco) dias úteis, alguns quesitos do TERMO DE INICIO DE FISCALIZAÇÃO 201400040 Fl. 797DF CARF MF Processo nº 12466.721649/201483 Acórdão n.º 3301005.126 S3C3T1 Fl. 798 6 002, inclusive o quesito 9, que solicitou os arquivos digitais. Considerando irregularidades na Escrituração Contábil da fiscalizada, onde não foram escrituradas corretamente as contas de disponibilidades, inclusive a movimentação financeira em contas bancárias, propusemos ao Sr. Inspetor chefe desta Alfândega a inclusão da empresa no procedimento especial de fiscalização previsto na IN SRF 228/2002, que foi acatada, tendo sido assinada a alteração do MPF em 17/04/2014, que também incluiu o ano de 2014 na fiscalização. Em 23/04/2014, diligenciamos o estabelecimento matriz da MULTIMEX, onde lavramos o TERMO DE DILIGÊNCIA E INTIMAÇÃO 20140004 0005 (TERMO 2014 00040 005), através do qual cientificamos a fiscalizada da sua inclusão no procedimento especial de fiscalização previsto na IN SRF 228/2002, e a intimamos a apresentar documentação complementar referente ao ano de 2014, inclusive arquivos digitais, no quesito 1 desse termo. Em 29/04/2014, a MULTIMEX apresentou nova resposta (RESPOSTA 29 04 2014), onde alegou não ter condições nem conhecimentos técnicos para corrigir os leiautes dos arquivos da IN 86/2001, e solicitou mais 30 dias de prazo, que indeferimos, haja vista a constante demora no atendimento às intimações. Importante destacar que a empresa foi intimada inicialmente em 10/02/2014. Em 06/05/2014, encaminhamos o TERMO DE INTIMAÇÃO N° 2014 00040006 (TERMO 2014 00040 006), ao endereço da empresa constante do cadastro de CNPJ, conforme tela abaixo: (...) A correspondência foi devolvida pelos correios em 07/05/2014, com indicação de mudança de endereço. Assim, encaminhamos o referido termo de intimação para o novo endereço constante da alteração do ato constitutivo entregue. A MUTIMEX recebeu sua correspondência no novo endereço em 15/05/2014. Nesse termo, cientificamos a empresa do indeferimento da prorrogação de prazo para entrega dos arquivos digitais, solicitada na resposta de 29/04/2014. Importante destacar que, em 16/05/2014, compareceu perante a fiscalização procurador com poderes substabelecidos, que tomou ciência do TERMO DE INTIMAÇÃO N° 201400040006, conforme TERMO DE Fl. 798DF CARF MF Processo nº 12466.721649/201483 Acórdão n.º 3301005.126 S3C3T1 Fl. 799 7 CIÊNCIA PESSOAL (CIÊNCIA PESSOAL 2014 00040 006) . Em 14/05/2014, a MULTIMEX apresentou resposta (RESPOSTA 14 05 2014) ao TERMO DE DILIGÊNCIA E INTIMAÇÃO 201400040005. Na resposta apresentada, a MULTIMEX solicitou para os arquivos digitais de 2014 o mesmo prazo solicitado anteriormente para entrega dos arquivos digitais referentes aos períodos anteriores. O prazo foi indeferido, cientificada a MULTIMEX em 05/06/2014, através do TERMO DE INTIMAÇÃO N° 201400040008 (TERMO 2014 00040 008) Resumimos abaixo o que foi apresentado pela MULTIMEX em resposta ao quesito 9 do TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO 20140004 0002 e ao TERMO DE REINTIMAÇÃO 2014 0004 0004, que trataram da entrega de arquivos digitais para os períodos 2010, 2011, 2012 e 2013: 9. Apresentar arquivos digitais, relativos aos períodos 2010, 2011, 2012 e 2013, nos termos da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal (IN SRF) N° 86/2001 e Ato Declaratório Executivo COFIS (ADE COFIS) n° 15/2001, alterado pelo Ato Declaratório Executivo COFIS n° 25/ 2010, conforme descrito a seguir: a. Arquivo de Registros Contábeis (item 4.1 do anexo do ADE COFIS nc 15/2001) ; b. Arquivo Mestre de Mercadorias/Serviços Notas Fiscais de Saída ou de Entrada Emitidas pela Pessoa Jurídica (item 4.3.1 do anexo do ADE COFIS n° 15/2001); c. Arquivo de Itens de Mercadorias/Serviços Notas Fiscais de Saída ou de Entrada Emitidas pela Pessoa Jurídica (item 4.3.2 do anexo do ADE COFIS nc 15/2001); d. Arquivo Mestre de Mercadorias/Serviços (Entradas) Emitidas por Terceiros (item 4.3.3 do anexo do ADE COFIS n° 15/2001); e. Arquivo de Itens de Mercadorias/Serviços (Entradas) Emitidas por Terceiros (item 4.3.4 do anexo do ADE COFIS n° 15/2001); f. Arquivo de Exportação (item 4.4.1 do anexo do ADE COFIS n° 15/2001) , g. Arquivo de importação (item 4.4.2 do anexo do ADE COFIS n° 15/2001); h. Arquivo de Cadastro de Pessoas Jurídicas e Físicas (item 4.9.1 do anexo do ADE COFIS n° 15/2001); Fl. 799DF CARF MF Processo nº 12466.721649/201483 Acórdão n.º 3301005.126 S3C3T1 Fl. 800 8 i. Tabela de Plano de Contas (item 4.9.2 do anexo do ADE COFIS n° 15/2001) j. Tabela de Mercadorias/Serviços (item 4.9.5 do anexo do ADE COFIS n° 15/2001); Obs. 1: Os arquivos deverão ser, preferencialmente, gravados em disco de CDR, com a identificação externa do seu conteúdo, Obs. 2: Os arquivos deverão ser validados e autenticados nos sistemas SVA ou PVA, conforme o caso, disponíveis na página na internet da RFB, e entregues com a respectiva Documentação de Acompanhamento, conforme previsto no anexo do ADE COFIS n° 15/2001; Obs. 3: O contribuinte poderá nomear, por escrito, mediante documento hábil, um representante TÉCNICO para acompanhar a ação fiscal particularmente no que tange ao fornecimento de arquivos digitais; Comentários: Em 06/03/2014, solicitou 60 (sessenta dias de prazo) para atendimento deste item, informando que não nomearia técnico para acompanhar a ação fiscal. Deferimos 30 dias, e em 07/04/2014, apresentou arquivos (ARQUIVOS ADE COFIS 07 04 2014) para os itens "b", "c", d", "e", “f", “g", "h" e "j". Entretanto, constatamos o os arquivos não atenderam a forma de apresentação exigida pela legislação. Em relação aos itens "a" e “i", informou que nconforme esclarecido em reunião com o Inspetor desta Alfândega no último dia 3, a empresa está empenhada em conciliar sua contabilidade de forma adequada, mas vai precisar de prazo adicional, baseado em plano de trabalho em elaboração pelo contador, o que será objeto de requerimento em separado, com referência à intimação 201400040003". Em 09/04/2014, a MULTIMEX solicitou prorrogação de prazo de 180 dias para os itens "a" e "i". Em 17/04/2014, cientificamos a empresa dos erros identificados nos arquivos dos itens "b", "c", "d", "e", "f", "g", tth" e "j", e reintimamos a empresa a reapresentar os arquivos validados e autenticados. Para os itens "a" e "i", cientificamos a empresa dos novos prazos concedidos, de acordo com o período da contabilidade, conforme tabela abaixo: (...) Em 29/04/2014, alegou não ter condições nem conhecimentos técnicos para corrigir os leiautes, e solicitou mais 30 dias de prazo, o que foi indeferido pela fiscalização, haja vista as constantes demoras da fiscalizada Fl. 800DF CARF MF Processo nº 12466.721649/201483 Acórdão n.º 3301005.126 S3C3T1 Fl. 801 9 em atender as intimações. A empresa foi cientificada do indeferimento em 15/05/2014. A empresa não apresentou novos arquivos. Resumimos abaixo o que foi apresentado pela MULTIMEX em resposta ao quesito 1 do TERMO DE DILIGÊNCIA E INTIMAÇÃO 201400040005, que tratou da entrega de arquivos digitais para o período 2014: 1. Apresentar arquivos digitais, relativos ao período 2014, nos termos da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal (IN SRF) N° 86/2001 e Ato Declaratório Executivo COFIS (ADE COFIS) n° 15/2001, alterado pelo Ato Declaratório Executivo COFIS n° 25/ 2010, conforme descrito a seguir: a. Arquivo de Registros Contábeis (item 4.1 do anexo do ADE COFIS nc 15/2001); b. Arquivo Mestre de Mercadorias/Serviços Notas Fiscais de Saída ou de Entrada Emitidas pela Pessoa Jurídica (item 4.3.1 do anexo do ADE COFIS n° 15/2001); c. Arquivo de Itens de Mercadorias/Serviços Notas Fiscais de Saída ou de Entrada Emitidas pela Pessoa Jurídica (item 4.3.2 do anexo do ADE COFIS nc 15/2001); d. Arquivo Mestre de Mercadorias/Serviços (Entradas) Emitidas por Terceiros (item 4.3.3 do anexo do ADE COFIS n° 15/2001); e. Arquivo de Itens de Mercadorias/Serviços (Entradas) Emitidas por Terceiros item 4.3.4 do anexo do ADE COFIS n° 15/2001); f. Arquivo de Exportação (item 4.4.1 do anexo do ADE COFIS n° 15/2001) , g. Arquivo de importação (item 4.4.2 do anexo do ADE COFIS n°15/2001); h. Arquivo de Cadastro de Pessoas Jurídicas e Físicas (item 4.9.1 do anexo do ADE COFIS n° 15/2001); i. Tabela de Plano de Contas (item 4.9.2 do anexo do ADE COFIS n° 15/2001) j. Tabela de Mercadorias/Serviços (item 4.9.5 do anexo do ADE COFIS n° 5/2001); Obs. l; Os arquivos deverão ser, preferencialmente, gravados em disco de CDR, com a identificação externa do seu conteúdo, Obs. 2: Os arquivos deverão ser validados e autenticados nos sistemas SVA ou PVA, conforme o caso, disponíveis na página na internet da RFB, e entregues com a respectiva Documentação Fl. 801DF CARF MF Processo nº 12466.721649/201483 Acórdão n.º 3301005.126 S3C3T1 Fl. 802 10 de Acompanhamento, conforme previsto no anexo do ADE COFIS n° 15/2001; Obs. 3: O contribuinte poderá nomear, por escrito, mediante documento hábil, um representante TÉCNICO para acompanhar a ação fiscal particularmente no que tange ao fornecimento de arquivos digitais; Comentários: Em 14/05/2014, a MULTIMEX solicitou para os arquivos digitais de 2014 o mesmo prazo solicitado anteriormente para entrega dos arquivos digitais referentes aos períodos anteriores. O prazo foi indeferido, cientificada a MULTIMEX em 05/06/2014. A empresa não apresentou arquivos. A obrigação de manter, à disposição da RFB pelo prazo decadencial, os respectivos arquivos digitais e sistemas, bem como as penalidades correlatas, estão previstas na Lei N° 8.218/1991, nestes termos: Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. .(Redação dada pela Medida Provisória n° 215835, de 2001) § Io A Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. . (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 2o Ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo as empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, de que trata a Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996. . (Redação dada pela Medida Provisória n° 215835, de 2001) §3° A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. . (Incluído pela Medida Provisória n° 215835, de 2001) §4° Os atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. .(Incluído pela Medida Provisória n° 215835, de 2001) Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem ã forma Fl. 802DF CARF MF Processo nº 12466.721649/201483 Acórdão n.º 3301005.126 S3C3T1 Fl. 803 11 em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; . (Redação dada pela Medida Provisória n° 215835, de 2001) III multa eguivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. . (Redação dada pela Medida Provisória n° 215835, de 2001) Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o anocalendário em que as operações foram realizadas. . (Redação dada pela Medida Provisória n° 215835, de 2001) Em consonância com os dispositivos legais supracitados, a RFB editou a Instrução Normativa SRF n° 86/2001, regulamentando essa obrigação acessória. Importante destacar que, com o advento do SPED (Sistema Público de Escrituração Digital), permaneceu a obrigatoriedade das pessoas jurídicas de atenderem às exigências da IN 86/2001, ainda que estejam obrigadas ao SPED, pois a IN RFB n° 787/2007, determinou apenas que a apresentação dos livros digitais supre a exigência contida na IN SRF º 86/2001 em relação as mesmas informações, não bastando apenas a adoção da Escrituração Digital pela empresa: Art. 6o A apresentação dos livros digitais, nos termos desta Instrução Normativa e em relação aos períodos posteriores a 31 de dezembro de 2001, supre:(Redação dada pela Instrução Normativa RFB n° 926, de 11 de março de 2009) I em relação às mesmas informações, a exigência contida na Instrução Normativa SRF n° 86, de 22 de outubro de 2001, e na Instrução Normativa MPS/SRP n° 12, de 20 de junho de 2006. (Incluído pela Instrução Normativa RFB n° 926, de 11 de março de 2009) A empresa apresentou ao SPED livros contábeis e fiscais, sendo que os livros contábeis estavam totalmente irregulares e estão sendo tratados a parte devido ao prazo concedido para a empresa refazer a contabilidade. Já as notas fiscais, tem um formato específico previsto no ADE COFIS 15/2001, bem como prevê entrega de informações das notas fiscais de terceiros e de comércio exterior (importações e exportações). Fl. 803DF CARF MF Processo nº 12466.721649/201483 Acórdão n.º 3301005.126 S3C3T1 Fl. 804 12 Assim, a Autuada, regularmente intimada e reintimada, tendo pedido prorrogações de prazo, não apresentou todos os arquivos digitais solicitados pela fiscalização. A Autuada não apresentou arquivos para os períodos de 2010 a 2014. Em resumo, a Autuada cometeu as seguintes infrações: • Quanto aos períodos de 2010 a 2013: o Apresentou, em 07/04/2014, arquivos que não atenderam a forma de apresentação exigida pela legislação. Reintimada a apresentar arquivos corrigidos, não atendeu à intimação (Art. 12, inciso I , da Lei N° 8.218/1991 0,5% da receita bruta) , o Além disso, foi reintimada, em 17/04/2014, a apresentar arquivos corrigidos, no prazo de 5 (cinco) dias úteis. A intimação venceu em 28/04/2014 e não foram apresentados novos arquivos. Assim, decorreram, até 18/06/2014, 50 (cinquenta) dias de atraso (Art. 12, inciso III, da Lei N° 8.218/1991 1% da receita bruta); • Quanto ao período de 2014: o Intimada, em 23/04/2014, a apresentar os arquivos no prazo de 20 (vinte) dias, a intimação venceu em 13/05/2014, e a empresa não apresentou os arquivos. Assim, decorreram, até 18/06/2014, 36 (trinta e seis) dias de atraso (Art. 12, inciso III, da Lei nº 8.218/1991 – 0,72% da receita bruta) ; O conceito de Receita Bruta, para as empresas optantes pelo lucro real, es*á \c Regulamento do Imposto de Renda (RIR), Decreto N° 3.000/1999, nestes termos: Art. 279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei n° 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei n° 1.598, de 1911, art. 12) . Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Considerando que a contabilidade da empresa estava completamente imprestável, procedemos a apuração da receita bruta a partir das Notas Fiscais Eletrônicas entregues, considerando todos os CFOP1 relativos a vendas, e diminuindo os valores destacados nas notas fiscais de ICMS recolhido por substituição tributária, conforme Fl. 804DF CARF MF Processo nº 12466.721649/201483 Acórdão n.º 3301005.126 S3C3T1 Fl. 805 13 determina o parágrafo único do art. 279 do RIR. Obtivemos as planilhas a seguir, já aplicando os percentuais relativos às penalidades. (...) A multa por atraso da entrega, totalizando todos os períodos, corresponde a RS 3.791.827,28. 2 . DO ENQUADRAMENTO LEGAL. Arts. 11 e 12, inciso I e III, da Lei n° 8.218/91, com a redação dada pela Medida Provisória n° 2.15835/2001; Art. 19 do Decreto n° 6.759/09 (RA/09). No que se refere à atualização monetária e às penalidades aplicáveis, os enquadramentos legais correspondentes constam dos respectivos demonstrativos de cálculo. Fazem parte do presente Auto de Infração todos os termos, demonstrativos, anexos, arquivos e documentos nele mencionados.” O auto de infração de folhas 20 a 33 apresenta a seguinte descrição dos fatos e enquadramento legal: “Em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, instaurada ao respaldo do MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL N° 0727600201400040, foi apurada, preliminarmente, a Infração abaixo descrita, aos dispositivos legais mencionados. Fl. 805DF CARF MF Processo nº 12466.721649/201483 Acórdão n.º 3301005.126 S3C3T1 Fl. 806 14 001 DESCUMPRIMENTO DE MANTER EM BOA GUARDA OS DOCUMENTOS OU DE APRESENTÁ LOS À FISCALIZAÇÃO. A empresa não apresentou os documentos obrigatórios de instrução das declarações aduaneiras à fiscalização, após intimação que lhe foi encaminhada em procedimento fiscal, se enquadrando, entre outros fundamentos legais, nos artigos 18, § 1o, e 710 do Decreto n° 6.759/09 (Regulamento Aduaneiro). 1 DA INTIMAÇÃO Ã MULTIMEX (EMPRESA IMPORTADORA) DO DESCUMPRIMENTO DE MANTER EM BOA GUARDA OS DOCUMENTOS OU DE APRESENTÁ LOS Ã FISCALIZAÇÃO No decorrer da fiscalização, em 06/05/2014, encaminhamos o TERMO DE INTIMAÇÃO N° 201400040006 (TERMO 2014 00040 006), ao endereço da empresa constante do cadastro de CNPJ. Importante destacar que, era 29/04/2014, a MULTIMEX resposta (RESPOSTA 29 04 2014), onde informou, dentre outras informações, que a empresa estava mudando a sede para o estado do Rio de Janeiro, devido à diminuição de incentivos à importação no Estado do Espírito Santo. Apresentou a ata da assembléia protocolada na junta comercial em 20/02/2014 e registrada em 03/04/2014. Entretanto, conforme tela abaixo, a empresa ainda não havia alterado seu cadastro perante o fisco federal: (...) A correspondência foi devolvida pelos correios em 07/05/2014 (AR DEVOLVIDO), com Indicação de mudança de endereço. Assim, encaminhamos o referido termo de Intimação para o novo endereço constante da alteração do ato constitutivo entregue. A MULTIMEX recebeu sua correspondência no novo endereço em 15/05/2014 (AR COMUM). No referido termo, intimamos a MULTIMEX a apresentar, em relação às importações por conta própria, os extratos originais das DIs e as vias originais dos documentos de instrução, no prazo de 5 (cinco) dias úteis. Importante destacar que, em 16/05/2014, compareceu perante a fiscalização procurador com poderes substabelecidos, que tomou ciência pessoal do TERMO DE INTIMAÇÃO N° 201400040006, conforme TERMO DE Fl. 806DF CARF MF Processo nº 12466.721649/201483 Acórdão n.º 3301005.126 S3C3T1 Fl. 807 15 CIÊNCIA PESSOAL (CIÊNCIA PESSOAL 2014 00040 006) . 0 prazo venceu era 22/05/2014 e, em 23/05/2014, a MULTIMEX apresentou resposta (RESPOSTA 23 05 2014) ao TERMO DE INTIMAÇÃO N° 201400040006, onde informou que não tem capacidade de manter uma estrutura operacional mínima, que demitiu seus funcionários e que não tem condições operacionais para separar os documentos e entregálos na forma solicitada, ou seja, agrupados por DI e em ordem cronológica. Requereu prorrogação de prazo até dia 06/06/2014. Até a presente data, 18/06/2014, a empresa não apresentou os documentos. Conforme pode se observar, a MULTIMEX não apresentou as vias originais dos documentos obrigatórios de Instrução das Declarações de Importação listadas era anexo ao referido termo e reproduzida abaixo cora os devidos valores aduaneiros. (...) “Tabela de folhas 23/30” nota do relator Ficou constatado, portanto, que o contribuinte descumpriu a obrigação legal de apresentar â fiscalização os documentos obrigatórios de instrução das declarações aduaneiras. Portanto, a empresa deve ser enquadrada, entre outros, nos artigos 710 e 18, § 1o, do Decreto n° 6.759/09 CC artigo 553 do mesmo decreto. Art. 710. Aplicase a multa de cinco por cento do valor aduaneiro das mercadorias importadas, no caso de descumprimento de obrigação referida no caput do art. 18, se relativo aos documentos obrigatórios de instrução das declarações aduaneiras (Lei n° 10.833, de 2003, art. 70, inciso II, alínea "b", item 1). Art. 18. O importador, o exportador ou o adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem têm a obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, e de apresentálos à fiscalização aduaneira quando exigidos ( Lei n° 10.833, de 2003 , art. 70, caput): § 1o Os documentos de que trata o caput compreendem os documentos de instrução das declarações aduaneiras, a correspondência comercial, incluídos os documentos de negociação e cotação de preços, os instrumentos de contrato comercial, financeiro e cambial, de transporte e seguro das mercadorias, os registros contábeis e os correspondentes documentos fiscais, bem como outros que a Secretaria da Receita Federal do Brasil venha a exigir em ato normativo (Lei n° 10.833, de 2003 , art. 70, § 1o). Fl. 807DF CARF MF Processo nº 12466.721649/201483 Acórdão n.º 3301005.126 S3C3T1 Fl. 808 16 Art. 553. A declaração de importação será instruída com (DecretoLei n° 37, de 1966, art. 46, caput , com a redação dada pelo DecretoLei n° 2.472, de 1988, art. 2o): I a via original do conhecimento de carga ou documento de efeito equivalente; II a via original da fatura comercial, assinada pelo exportador; III o comprovante de pagamento dos tributos, se exigível; e IV outros documentos exigidos em decorrência de acordos internacionais ou por força de lei, de regulamento ou de outro ato normativo. Aplicandose os 5% previstos na legislação sobre o valor aduaneiro das Declarações de Importação/ registradas sob a modalidade "por conta própria", temos um valor de R$ 8.066.731,33 (0,05 x 161.334.626,60). 2 DO ENQUADRAMENTO LEGAL. Artigos 710 e 18, § Io, do Decreto n° 6.759/09 CC artigo 553 do mesmo decreto. Artigo 70, inciso II, alínea "b", e § 6o, da Lei 10.833/2003. No que se refere à atualização monetária e às penalidades aplicáveis, os enquadramentos legais correspondentes constam dos respectivos demonstrativos de cálculo. Fazem parte do presente Auto de Infração todos os termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados.” Cientificada da autuação, a interessada apresentou impugnação na qual alega, em síntese, que: O auto de infração é nulo em razão da incompetência do autuante, pois a impugnante havia transferido sua sede para o Rio de Janeiro/RJ, conforme ata da Assembléia Geral Extraordinária de 30/01/2014, e a intimação para cientificação do procedimento fiscal foi encaminhada via postal pelo AR datado de 10/02/2014. Sendo o autuante com jurisdição sobre Vitória/ES, município onde não mais se localizava, e não sobre o Rio de Janeiro/RJ, há incompetência do autuante. O registro na Junta Comercial do Rio de Janeiro ocorreu somente em 03/04/2014, todavia com efeitos retroativos, pois dentro do prazo estabelecido na Lei nº 8.934/94, haja vista o arquivamento ter ocorrido em 28/02/2014, dentro do prazo de 30 dias, conforme documento anexo. Assim, são nulas, da mesma forma, todas as intimações, pois a competência para instauração do procedimento Fl. 808DF CARF MF Processo nº 12466.721649/201483 Acórdão n.º 3301005.126 S3C3T1 Fl. 809 17 especial de fiscalização, da IN SRF nº 228/02 é da repartição que jurisdiciona a sede/matriz do estabelecimento importador. Há incongruência na autuação, pois não aponta claramente qual seria a suposta irregularidade, havendo três conclusões possíveis: (i) ou se autuou pela falta de entrega dos arquivos digitais; (ii) ou se autuou pela entrega em atraso dos arquivos digitais; (iii) ou se autuou cumulativamente pela falta e atraso na entrega dos arquivos digitais. As hipóteses são contraditórias entre si e essa situação viola os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. A falta de descrição do fato no auto de infração atenta contra o disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972. No mérito o auto de infração é insubsistente, pois a impugnante é obrigatoriamente vinculada ao Sistema Público de Escrituração Digital – SPED, por explorar o comércio exterior e por estar submetida ao regime tributário de apuração pela lucro real, sendo, portanto, inexigíveis os documentos requeridos pela fiscalização. Assim, é nulo e irrazoável a exigência de documentos via SPED e também na formatação definida pelo já obsoleto ADE COFIS nº 15/01. “Nesse sentido dispõe o art. 6o da IN 1420/13, que implantou o SPED, que expressamente dispensa a apresentação dos documentos em formatação outras: Art. 6oA apresentação dos livros digitais, nos termos desta Instrução Normativa e em relação aos períodos posteriores a 31 de dezembro de 2007, supre: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n°926, de 11 de março de 2009) I em relação às mesmas informações, a exigência contida na Instrução Normativa SRF n° 86, de 22 de outubro de 2001, e na Instrução Normativa MPS/SRP no 12, de 20 de junho de 2006. Inclusive, a falta de entrega do SPED tem multa específica (art. 57, II da MP 215835/01) e, portanto, quer em razão do princípio da especialidade, quer em razão do próprio bom senso, não é possível aplicar penalidade ã Impugnante com base na falta de entrega dos arquivos digitais estabelecidos pelo ADE COFIS n° 15/01 porque, sendo este inexigível, é inexigível e incabível a multa por falta de sua entrega. Ademais, todas as outras informações não especificamente contábeis exigidas no ADE COFIS n° 15/01 pela fiscalização constam em todas as notas fiscais eletrônicas Fl. 809DF CARF MF Processo nº 12466.721649/201483 Acórdão n.º 3301005.126 S3C3T1 Fl. 810 18 emitidas pela Requerente, as quais foram disponibilizadas e entregues ao Fisco conforme intimação fiscal em arquivo de formato "xml” o que por si só também demonstra o excesso da fiscalização na imposição na multa atacada. Vale ainda ressaltar que muito embora a impugnante não tenha apresentado os documentos no formato requerido pelo Termo de Início de Fiscalização de n° 201400040 002, não se negou a apresentálos, entregandoos em formato digital, gravados em disco de CDR, identificados, validados e autenticados conforme consta, inclusive, na própria redação do AI (fls. 07), sendo estes plenamente verificáveis. Entretanto, afirma a fiscalização que houve incompatibilidade de forma e que, por isso, o seu sistema não teria reconhecido os arquivos enviados. Ocorre que o Auditor Fiscal não apontou qual foi o erro de forma em espécie. De fato, o A. Fiscal apenas identificou que os arquivos digitais apresentados foram autenticados, mas não validados, o que absolutamente nada tem haver com erro de forma; afinal, erro de forma é diferente de erro de validação e a regularização (com apontamento do erro de forma específico pelo Fisco) teria que ser obrigatoriamente oportunizada ao contribuinte, o que não ocorreu, mesmo o tendo sido requerido (fls. 371/372).” A exigência dos arquivos digitais na forma do ADE COFIS nº 15/01 é incompatível com a concessão de prazo para regularização da contabilidade. O prazo final para entrega da contabilidade é dia 28/07/2014, portanto a empresa foi autuada sem que este estivesse terminado. “Portanto, é irregular a lavratura de Auto de Infração com intuito de punir a Impugnante pela ausência de apresentação de documentos cuja exigibilidade está suspensa por prorrogação de prazo concedida pela própria fiscalização.” Há ausência de subsunção do fato alegado à norma que define a penalidade, pois na “acepção da IN SRF 86/2001 e do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 15/01, o “erro de forma” diz respeito ao conteúdo dos dados do arquivo apresentado” e, “no caso concreto não foi descrito nenhum “erro de forma”, pois a multa foi aplicada sob a justificativa de falta de validação dos arquivos digitais mediante SVA – Sistema Validador de Arquivos (fls. 06/09), sem qualquer Fl. 810DF CARF MF Processo nº 12466.721649/201483 Acórdão n.º 3301005.126 S3C3T1 Fl. 811 19 indicação de quais teriam sido os supostos erros encontrados nos arquivos.” “Portanto, a falha verificada pela Fiscalização seria um erro quanto ao método de validação dos arquivos e não quanto ao seu conteúdo, o que não representa falta passível de aplicação da multa por falta de previsão legal.” “Diante de tal quadro, resta comprovado que os fatos imputados à Impugnante (suposto erro na autenticação dos arquivos) não geram a incidência da multa prevista no artigo 12, inciso I, da Lei n° 8.218/91, vez que não se trata de erro de conteúdo, e sim de erro de formatação.” Não há demonstração dos supostos erros verificados na formatação dos arquivos digitais, fato que desatende o disposto nos arts. 9 e 10 do Decreto nº 70.235/1972. “Ocorre que, data máxima vênia, o Fisco deve individualizar cada campo dos arquivos apresentados, indicando quais teria sido informados fora do fora do padrão estabelecido pelo referido ADE COFIS, a fim de que a Impugnante possa exercer plenamente o direito ao contraditório e a ampla defesa, evitandose, desta forma, o uso de generalizações sem qualquer base probatória. Data máxima vênia, para comprovar o cabimento da multa prevista no art. 12, I da Lei 8.218/1991, o Auditor Fiscal deve indicar registro a registro os erros encontrados em cada campo mediante o sistema Programa Validador e Assinador (PVA).” “Assim, tendo em vista que a aplicação da multa objeto dos presentes autos não se baseia em qualquer análise específica da relação dos registros dos arquivos que foram supostamente informados fora do padrão do ADE COFIS 15/01, mas apenas em considerações genéricas, imperioso o seu afastamento.” A exigência de apresentação dos extratos das Declarações de Importação impressas e assinadas pelo representante legal da empresa é ilegal e abusiva, pois estão todas no Siscomex, de livre acesso pela fiscalização, com assinatura eletrônica do despachante aduaneiro. Da mesma forma em relação aos documentos complementares/instrutórios da DI, como o conhecimento de carga (BL – Bill os Lading), que é eletrônico, com registro no Siscomex Carga. Os documentos que tinha em sua posse estariam sendo disponibilizados no escritório de seus procuradores à época, Fl. 811DF CARF MF Processo nº 12466.721649/201483 Acórdão n.º 3301005.126 S3C3T1 Fl. 812 20 cumprindo a exigência da fiscalização, conforme petição protocolizada em 14/05/2014 (fls. 393/395). A fim de atender a exigência da fiscalização, a impugnante solicitou a transferência dos documentos da filial situada em Porto Velho/RO para Vitória/ES, que foram despachados em três oportunidades, diante da quantidade de documentos. No entanto, em razão das enchentes na região houve atrasos e extravio de alguns dos documentos, somente notada quando da separação para disponibilização ao Fisco. Foi registrado Boletim de Ocorrência e protocolizadas informações perante as unidades da Receita Federal comunicando o extravio. Registra que inicialmente foram solicitados documentos de 2.600 DI’s e, posteriormente, diminuído para 1.000 DI’s, aproximadamente. Houve ausência de finalidade, pois ao ser informado dos documentos disponibilizados, a fiscalização se limitou a informar que não mais iria ao escritório verificar tais documentos. A impugnante nem poderia imprimir os documentos do sistema por se encontrar desabilitada, conforme comprova tela do Siscomex, anexa. O quantum da multa aplicada por falta de entrega de documentos é desproporcional e irrazoável. “Claro, por simples lógica e regra interpretativa elementar que o art 710 do RA não pode alterar, modificar ou alargar o alcance da norma esculpida na Lei 10.833/03, art. 70, nem tampouco criar hipótese de multa não prevista nessa norma superior (prevista em LED que lhe dá fundamento de validade e de eficácia. Logo, a penalidade prevista no art. 710 do RA somente pode ser aplicada, validamente, se o Fisco aplicar arbitramento da base de cálculo do imposto conforme os critérios do art. 88 da MP n° 215835/01, porque a multa pela falta de apresentação dos documentos não existe de forma isolada, mas apenas conjugada. A simples inserção da conjunção aditiva "e" entre as alíneas "a" e "b" do inciso II do art. 70 da Lei 10.833/01 demonstra que uma penalidade será aplicada em conjunto e cumulativamente com a outra. De outra banda, tais penalidades não podem ser aplicadas isoladamente, principalmente a penalidade pela falta de Fl. 812DF CARF MF Processo nº 12466.721649/201483 Acórdão n.º 3301005.126 S3C3T1 Fl. 813 21 apresentação dos documentos, porque a apresentação dos documentos não é um fim em si mesmo. Quando muito, a única multa em tese passível de aplicação, fosse o caso, seria a multa por embaraço à fiscalização prevista no art. 728, inc. IV, alínea "c" do RA, mas nunca a multa isolada pela falta de apresentação dos documentos da importação quando não existe nenhum propósito fiscal relativo a eles, especialmente o de fiscalizar a base de cálculo dos tributos a que tais documentos dariam suporte.” O prazo concedido pela fiscalização para que a impugnante realizasse sua reescrituração contábil, dos anos de 2011 a 2014, foi de até 28/07/2014, enquanto que o auto de infração foi lavrado ainda na vigência do prazo, em 18/06/2014. Sendo os documentos imprescindíveis à reescrituração contábil é perfeitamente razoável que seu prazo seguisse o mesmo prazo já concedido, ainda mais se se considerar que a atividade principal da impugnante é a importação e a exportação e se tratam de documentos de mais de 2.600 Declarações de Importação. As informações exigidas pelo ADE COFIS nº 15/2001 quanto aos arquivos de importação (item 4.4.2), demonstram a necessidade que a impugnante possua em seu poder a integralidade dos documentos referentes às suas importações. Da mesma forma em relação ao Livro Diário. Igualmente em relação à Declarações de Importação do ano de 2010, pois houve a concessão do prazo de até 24/06/2014 para se proceder à reescrituração contábil e o auto de infração foi lavrado em 18/06/2014. O fato de a impugnante ter sido incluída no procedimento especial de fiscalização da IN SRF nº 228/2002 onerou muito seus custos, o que determinou a necessidade de demitir seus funcionários, fato que impôs dificuldades na obtenção de documentos e na reescrituração contábil. Do rol de Declarações de Importação solicitadas pela fiscalização muitas delas já foram verificadas e liberadas, nos canais de conferência diferentes do canal verde, portanto, considerando que os documentos apresentados, referentes a essas DI’s, ficam em poder da fiscalização, essa devem ser excluídas do cálculo da multa prevista no art. 710 do Regulamento Aduaneiro. As DI’s selecionadas pelo canal verde de conferência aduaneira e cujas mercadorias são originárias do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação Fl. 813DF CARF MF Processo nº 12466.721649/201483 Acórdão n.º 3301005.126 S3C3T1 Fl. 814 22 daquelas parametrizadas paras os demais canais, devem ter a multa afastadas por aplicação analógica no art. 30 do Decreto nº 70.235/1972. A ausência de dolo impede a aplicação das multas em comento. A conduta de impugnante de informar suas dificuldades técnicas, mas mesmo assim solicitar prazo para tentar atender à exigência, reforça sua boafé. Não houve transgressão à legislação tributária. Requer sejam acatadas as preliminares ou as razões de mérito e decretado nulo o Auto de Infração na sua totalidade. A DRJ considerou improcedente a impugnação com a seguinte ementa (fl. 621): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 18/06/2014 INFRAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. PENALIDADE. A subsunção dos fatos à norma que tipifica a infração determina a aplicação da penalidade prevista. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente apresentou recurso voluntário tempestivo onde retomou os argumentos da sua impugnação, que são devidamente analisados no voto deste acórdão. Na análise do Recurso Voluntário do processo 12466.720114/201576, pela 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decidiuse por unanimidade de votos, por meio da Resolução nº 3301000.304 (fls. 36.076/36.093), converter o julgamento da lide em diligência. A determinação foi no sentido de que fosse estabelecida a conexão com o processo no. 12466.722113/2014585. Cumpre consignar que os processos nº 12466.720114/201576, 12466.721649/201483 e 12466.722113/201485 serão julgados conjuntamente na mesma sessão desta turma do CARF. É o relatório. Voto Fl. 814DF CARF MF Processo nº 12466.721649/201483 Acórdão n.º 3301005.126 S3C3T1 Fl. 815 23 Conselheira Liziane Angelotti Meira. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A primeira alegação preliminar feita pela recorrente foi quanto à nulidade da intimação do Auto de Infração por incompetência da autoridade fiscal. Defende que se trata de uma fiscalização especial e o Fiscal teria aplicado o procedimento especial da IN 228/02, sem prévia autorização do inspetor da Alfândega ou da Coana. Cumpre anotar que o Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento administrativo, cujo eventual descumprimento poderia levar a efeitos administrativo funcionais, mas não é requisito essencial do lançamento, nem altera a competência do auditor fiscal para a realização da fiscalização, nem para a lavratura do Auto de Infração, cuja atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único do artigo 142 do CTN. Destacase ainda que a Lei nº 10.593/2002, em seu artigo 6º, dispõe sobre a competência do auditor fiscal, estabelecendo que o Poder Executivo poderia regulamentar as atribuições, o que foi efetivado pelo Decreto nº 6.641/2008, que em seu artigo 2º dispôs sobre a competência para constituir o crédito tributário e praticar os atos relacionados ao controle aduaneiro etc, abaixo transcrito: Art. 2o São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições [...] c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1,192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; A Recorrente alegou que o auto de infração é nulo em razão da incompetência do autuante, pois havia transferido sua sede para o Rio de Janeiro/RJ, conforme ata da Assembléia Geral Extraordinária de 30/01/2014, e a intimação para cientificação do procedimento fiscal foi encaminhada via postal pelo AR datado de 10/02/2014. Sendo o Fl. 815DF CARF MF Processo nº 12466.721649/201483 Acórdão n.º 3301005.126 S3C3T1 Fl. 816 24 autuante com jurisdição sobre Vitória/ES, município onde não mais se localizava, e não sobre o Rio de Janeiro/RJ, há incompetência do autuante. Asseverou a Recorrente que o registro na Junta Comercial do Rio de Janeiro ocorreu somente em 03/04/2014, todavia com efeitos retroativos, pois dentro do prazo estabelecido na Lei nº 8.934/94, haja vista o arquivamento ter ocorrido em 28/02/2014, dentro do prazo de 30 dias, conforme documento anexo. Segundo a decisão de piso, não se encontra nos autos o documento que a impugnante alega comprovar o "arquivamento" na data de 28/02/2014. O anexo III da impugnação se trata de cópia da Ata da Assembléia Geral Extraordinária que alterou a sede da impugnante para o Rio de Janeiro. Como dito a Assembléia data de 30/01/2014. Todavia, diferentemente do que alega a impugnante, a data de protocolo na Junta Comercial do Estado do Espírito Santo é de 14/04/2014 (conforme marca perfurada no documento) e a data do protocolo na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro é de 30/04/2014 (conforme etiqueta colada ao documento). Conforme se concluiu na decisão de piso, ainda que houvesse comprovação do registro tempestivo da alteração do endereço da impugnante perante os órgãos que cita, sua alegação não pode ser acatada frente às normas específicas que tratam do processo administrativo fiscal. Nesse aspecto, assim dispõe o art. 23 do Decreto nº 70.235/1972 ao disciplinar a intimação, in verbis: Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 2° Considerase feita a intimação: (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 816DF CARF MF Processo nº 12466.721649/201483 Acórdão n.º 3301005.126 S3C3T1 Fl. 817 25 I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) Assim, conforme se inferiu na decisão recorrida, a intimação pode ser realizada por via postal, com comprovação de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Nesse caso a intimação é considerada feita na data do recebimento da intimação, sendo domicílio tributário do sujeito passivo o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária. No presente caso, a própria impugnante afirma que a intimação foi recebida, conforme "Aviso de Recebimento", em 10/02/2014, em seu endereço anterior, no município de Vitória/ES. Como se depreende da própria argumentação da impugnante, o endereço ao qual foi encaminhada a intimação era aquele que constava do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, haja vista sua alteração formal somente ter sido realizada depois de 30/04/2014, data na qual teria protocolado a alteração de endereço perante a Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro/RJ. Dessa forma, concluímos, na esteira da decisão recorrida, que "a tese da impugnante de que os efeitos da alteração do endereço da sede teriam efeitos retroativos, pois realizados dentro do prazo estabelecido pela Lei nº 8.934/94, de trinta dias, não pode prosperar." Ademais, conforme se observou na decisão de piso, ainda que a autuação houvesse sido realizada por autoridade de competência territorial diversa daquela sob a qual a impugnante está jurisdicionada, não haveria nulidade dos atos, pois assim prescrevem os arts. 7º e 9º do Decreto nº 70.235/1972: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; (...) Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de Fl. 817DF CARF MF Processo nº 12466.721649/201483 Acórdão n.º 3301005.126 S3C3T1 Fl. 818 26 jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Assim, nos termos dos dispositivos transcritos, o procedimento fiscal tem início com o primeiro ato de ofício, por escrito, cientificado o sujeito passivo, mesmo que realizado por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo, sendo que essa formalização previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. Dessa forma, mantémse, neste item, integralmente o entendimento da decisão recorrida. Alega então a Recorrente que há nulidade da autuação por bis in idem. A fiscalização não teria deixado claro o motivo da autuação; se seria por "falta de entrega dos arquivos digitais"; "entrega em atraso"; ou cumulativamente pelos dois motivos. Conforme consta da decisão de piso, a Recorrente foi autuada por ter deixado de apresentar arquivos digitais na forma (inciso I do art. 12 da Lei nº 8.218/1991) e no prazo estabelecido pela fiscalização (inciso III do art. 12 da Lei nº 8.218/1991). Por sua vez, a descrição dos fatos do auto de infração é explícita ao relacionar as infrações cometidas pela interessada e as penalidades correspondentes e apresenta o correto enquadramento legal e as demais disposições legais aplicáveis ao caso. Não há, conforme observouse na decisão recorrida, qualquer incongruência. Ademais, conforme se concluiu na decisão recorrida, a impugnação apresentada deixa evidente o pleno conhecimento, por parte da Recorrente, das infrações cometidas e das razões pelas quais se procedeu ao lançamento fiscal, pois contesta todas as acusações da fiscalização. Portanto, propõese manter o entendimento da decisão recorrida no sentido da improcedência da alegação de que houve desatendimento do disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e violação aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Segundo a Recorrente, não haveria subsunção dos fatos à norma, pois não se trataria de não atendimento à “forma”, mas sim simples ausência de autenticação e validação dos arquivos digitais. Contudo, como se consignou na decisão recorrida, a matéria foi disciplinada por normas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que evidenciam a necessidade de serem totalmente cumpridas para fins de se caracterizar o atendimento à “forma” e “prazo” nelas estabelecidos. Nesse sentido, cumprindo a determinação contida no §3º do art. 11 da Lei nº 8.218/1991, a Secretaria da Receita Federal publicou a Instrução Normativa SRF nº 86/2001, no DOU de 23/10/2001. Fl. 818DF CARF MF Processo nº 12466.721649/201483 Acórdão n.º 3301005.126 S3C3T1 Fl. 819 27 Os dispositivos normativos mencionados prescrevem expressamente que os arquivos digitais requisitados pela fiscalização devem ser apresentados pelo contribuinte na “forma” como neles determinado. Conforme se observou na decisão de piso, para verificação da validade e autenticidade dos dados inseridos nesses arquivos digitais há que se realizar o procedimento de autenticação, por meio de aplicativo específico disponibilizado na página da Receita Federal do Brasil na internet (item 2 do Anexo Único do ADE COFIS nº 15, de 23/10/2001) e a realização do procedimento de autenticação gera códigos que devem ser registrados no “recibo de entrega” dos arquivos digitais e conferidos pela fiscalização. (itens 2 e 3.2 Anexo Único do ADE COFIS nº 15, de 23/10/2001) Conforme se concluiu, no presente caso, é fato incontroverso que a interessada deixou de realizar o procedimento de autenticação na forma como determinado pela norma, relativamente aos arquivos digitais dos anos de 2010 a 2013. Segundo a própria Recorrente, "Vale ainda ressaltar que muito embora a impugnante não tenha apresentado os documentos no formato requerido pelo Termo de Início de Fiscalização de n° 201400040002, não se negou a apresentálos, entregandoos em formato digital, gravados em disco de CDR, identificados, validados e autenticados conforme consta, inclusive, na própria redação do AI (fls. 07), sendo estes plenamente verificáveis." Assim, verificouse que os arquivos digitais foram entregues "validados e autenticados", todavia, como a impugnante registra não o foram no "formato requerido pelo Termo de Início de Fiscalização". Em relação a essa alegada "validação e autenticação", a fiscalização informou à interessada que a forma como foi realizada não atendia o disposto na norma, "ADE COFIS nº 15/2001" que, como visto especifica, no item 2 de seu Anexo Único, qual o programa deve ser utilizado para o procedimento. Todavia, a Recorrente alegou que não poderia atender à solicitação por dificuldades técnicas e a pediu, mais uma vez, prorrogação de prazo que foi indeferido por ter sido considerado meramente protelatório. Dessa forma, concluímos na esteira de decisão recorrida, que não há como se verificar a correção da “forma” como foram informados os dados nos arquivos digitais entregues pela interessada à fiscalização, pois não foram cumpridas as exigências estabelecidas nas normas. Portanto, caracterizada a infração com consequente penalidade prevista no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.218/1991, em relação aos anos de 2010 a 2013. Com relação aos arquivos digitais do ano de 2014, a Recorrente não os apresentou. Portanto, plenamente caracterizada a infração com a consequente penalidade prevista no inciso III do art. 12 da Lei nº 8.218/1991. A Recorrente alegou que é obrigatoriamente vinculada ao Sistema Público de Escrituração Contábil – SPED, por explorar o comércio exterior e por estar submetida ao Fl. 819DF CARF MF Processo nº 12466.721649/201483 Acórdão n.º 3301005.126 S3C3T1 Fl. 820 28 regime tributário de apuração pelo lucro real, sendo, portanto, inexigíveis os documentos requeridos pela fiscalização. Contudo, conforme se observou na decisão recorrida, o próprio dispositivo normativo (da Instrução Normativa RFB nº 1.420, de 19/12/2013, que dispõe sobre a Escrituração Contábil Digital ECD) que a impugnante transcreve para defender sua alegação é expresso ao afirmar que “ A apresentação dos livros fiscais, nos termos desta Instrução Normativa e em relação aos períodos posteriores a 31 de dezembro de 2007 supre, em relação às mesmas informações, a exigência contida na Instrução Normativa SRF nº 86, de 22 de outubro de 2001, e na Instrução Normativa MPS/SRP nº 12, de 20 de junho de 2006.” Dessa forma, conforme inferência constante da decisão recorrida, a exigência contida na IN SRF nº 86/2001 somente é suprida pela apresentação dos livros fiscais perante o Sistema Público de Escrituração Digital SPED em relação às mesmas informações, ou seja, as demais informações em arquivos digitais previstos na IN SRF nº 86/2001, diversas daquelas a serem informadas perante o SPED continuam a ser obrigatórias quando exigidas pela fiscalização. Assim, adotamos o entendimento constante da decisão de piso no sentido que é improcedente a alegação da impugnante de que a utilização do SPED tornaria indevida a exigência da fiscalização de entrega de arquivos digitais. Da mesma forma, não procede a alegação de que, em razão do princípio da especialidade, haveria que se aplicar, se fosse o caso, penalidade disposta na norma que trata da ECD/SPED. Conforme se ressaltou na decisão de piso, as infrações e penalidades em apreço dizem respeito à não apresentação de arquivos digitais como previsto cabe a aplicação de penalidades previstas nas normas da ECD/SPED, que seriam mais específicas, pois as infrações não se referem a àquelas normas. Conforme concluise na decisão recorrida, houve aplicação do princípio da especialidade, pois as multas lançadas são aquelas específicas para as infrações cometidas pela interessada que deixou de apresentar os arquivos digitais ou os apresentou na forma diversa daquela prevista no ADE COFIS nº 15/2001. Com relação ao outro auto de infração, a multa lançada está prevista no art. 70, inciso II, alínea “b”, item 1, da Lei nº 10.833/2003, regulamentada pelo art. 710 do Decreto nº 6.759/2009, e assim disposta, in verbis: Lei nº 10.833/2003 Art. 70. O descumprimento pelo importador, exportador ou adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem, da obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, ou da obrigação de os apresentar à fiscalização aduaneira quando exigidos, implicará: (...) II se relativo aos documentos obrigatórios de instrução das declarações aduaneiras: Fl. 820DF CARF MF Processo nº 12466.721649/201483 Acórdão n.º 3301005.126 S3C3T1 Fl. 821 29 a) o arbitramento do preço da mercadoria para fins de determinação da base de cálculo, conforme os critérios definidos no art. 88 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, se existir dúvida quanto ao preço efetivamente praticado; e b) a aplicação cumulativa das multas de: 1. 5% (cinco por cento) do valor aduaneiro das mercadorias importadas; e 2. 100% (cem por cento) sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado. § 1o Os documentos de que trata o caput compreendem os documentos de instrução das declarações aduaneiras, a correspondência comercial, incluídos os documentos de negociação e cotação de preços, os instrumentos de contrato comercial, financeiro e cambial, de transporte e seguro das mercadorias, os registros contábeis e os correspondentes documentos fiscais, bem como outros que a Secretaria da Receita Federal venha a exigir em ato normativo. § 2o Nas hipóteses de incêndio, furto, roubo, extravio ou qualquer outro sinistro que provoque a perda ou deterioração dos documentos a que se refere o § 1o, deverá ser feita comunicação, por escrito, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas do sinistro, à unidade de fiscalização aduaneira da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o domicílio matriz do sujeito passivo. § 3o As multas previstas no inciso II do caput não se aplicam no caso de regular comunicação da ocorrência de um dos eventos previstos no § 2o. § 4o Somente produzirá efeitos a comunicação realizada dentro do prazo referido no § 2o e instruída com os documentos que comprovem o registro da ocorrência junto à autoridade competente para apurar o fato. § 5o No caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica, a guarda dos documentos referidos no caput será atribuída à pessoa responsável pela guarda dos demais documentos fiscais, nos termos da legislação específica. § 6o A aplicação do disposto neste artigo não prejudica a aplicação das multas previstas no art. 107 do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo art. 77 desta Lei, nem a aplicação de outras penalidades cabíveis. (destaquei) Decreto nº 6.759/2009 Art. 710. Aplicase a multa de cinco por cento do valor aduaneiro das mercadorias importadas, no caso de descumprimento de obrigação referida no caput do art. 18, se relativo aos documentos obrigatórios de instrução das Fl. 821DF CARF MF Processo nº 12466.721649/201483 Acórdão n.º 3301005.126 S3C3T1 Fl. 822 30 declarações aduaneiras (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, inciso II, alínea “b”, item 1). § 1o A multa referida no caput não se aplica no caso de regular comunicação da ocorrência de um dos eventos previstos no § 2o do art. 18 (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, § 3º). § 1ºA A multa referida no caput não se aplica no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 2o O disposto no caput não prejudica a aplicação das multas previstas nos arts. 714, 715 e 728, nem a de outras penalidades cabíveis (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, inciso II, alínea “b”, e § 6º). O art. 18, do Decreto nº 6.759/2009, por sua vez, assim prescreve, in verbis: Art.18. O importador, o exportador ou o adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem têm a obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, e de apresentá los à fiscalização aduaneira quando exigidos (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, caput): §1oOs documentos de que trata o caput compreendem os documentos de instrução das declarações aduaneiras, a correspondência comercial, incluídos os documentos de negociação e cotação de preços, os instrumentos de contrato comercial, financeiro e cambial, de transporte e seguro das mercadorias, os registros contábeis e os correspondentes documentos fiscais, bem como outros que a Secretaria da Receita Federal do Brasil venha a exigir em ato normativo (Lei no10.833, de 2003, art. 70, §1o). §2oNas hipóteses de incêndio, furto, roubo, extravio ou qualquer outro sinistro que provoque a perda ou deterioração dos documentos a que se refere o caput, deverá ser feita comunicação, por escrito, no prazo de quarenta e oito horas do sinistro, à unidade de fiscalização aduaneira da Secretaria da Receita Federal do Brasil que jurisdicione o domicílio matriz do sujeito passivo, instruída com os documentos que comprovem o registro da ocorrência junto à autoridade competente para apurar o fato (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, §§2ºe4º). §3oNo caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica, a guarda dos documentos referidos no caput será atribuída à pessoa responsável pela guarda dos demais documentos fiscais, nos termos da legislação específica (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, §5º). §4oO descumprimento de obrigação referida no caput implicará o não reconhecimento de tratamento mais benéfico de natureza tarifária, tributária ou aduaneira eventualmente concedido, com Fl. 822DF CARF MF Processo nº 12466.721649/201483 Acórdão n.º 3301005.126 S3C3T1 Fl. 823 31 efeitos retroativos à data da ocorrência do fato gerador, caso não sejam apresentadas provas do regular cumprimento das condições previstas na legislação específica para obtêlo (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, inciso I, alínea “b”). §5oO disposto no caput aplicase também ao despachante aduaneiro, ao transportador, ao agente de carga, ao depositário e aos demais intervenientes em operação de comércio exterior quanto aos documentos e registros relativos às transações em que intervierem, na forma e nos prazos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (Lei nº 10.833, de 2003, art. 71). Inferese dos dispositivos transcritos, frente ao caso em apreço, que é obrigação do importador manter em boa guarda e ordem os documentos instrutivos do despacho aduaneiro de importação e apresentálos à fiscalização quando exigidos. O não cumprimento das exigências implica em multa equivalente a cinco por cento do valor aduaneiro das mercadorias importadas. A Recorrente defendeu que a lei que determina a penalidade foi indevidamente regulamentada pelo Decreto nº 6.759/2009, pois determinou sua aplicação sem levar em consideração a obrigatoriedade de somente aplicála aos casos em que houvesse o arbitramento da base de cálculo do imposto, nos termos da lei na qual se sustenta, Lei nº 10.833/2003, art. 70, inciso II, alíneas “a” e “b”. Contudo, mantémse o entendimento da decisão recorrida de que o foro administrativo não é adequado ao questionamento e eventual afastamento de lei ou decreto federal. Dessarte, mantémse o entendimento de que a alegação de que a norma regulamentadora da multa em tela não é válida não pode ser acatada. Igualmente, conforme se destacou na decisão recorrida, não se pode aceitar a alegação da impugnante de que houve falta de razoabilidade da fiscalização ao exigir os documentos instrutivos do despacho ou de documentos que já estariam em sua posse tais como os extratos das Declarações de Importação e os conhecimentos de carga eletrônicos. Alegouse que parte dos documentos exigidos pela fiscalização fora extraviada quando de seu transporte para sua apresentação. Contudo, a data da ocorrência do extravio, alegado é posterior ao prazo a ela concedido para a apresentação dos documentos. Conforme se anotou na decisão recorrida, o prazo concedido para a apresentação dos documentos venceu em 22/05/2014, a ocorrência somente foi registrada perante a autoridade competente em 14/07/2014. Ainda que considere a data de ocorrência do extravio como aquela declarada pela interessada perante a autoridade competente, 16/06/2014, essa seria posterior ao prazo concedido para sua apresentação, 22/05/2014 ou mesmo ao prazo de prorrogação solicitado pela própria interessada, 06/06/2014. (conforme Registro de Ocorrência nº 042/05536/2014 – fls. 578/579) Assim, propõese manter o entendimento de que a alegação de que o extravio dos documentos impediria a aplicação da multa é improcedente. Fl. 823DF CARF MF Processo nº 12466.721649/201483 Acórdão n.º 3301005.126 S3C3T1 Fl. 824 32 Da mesma forma, não procede a alegação da impugnante de que seria indevida a exigência da apresentação dos documentos instrutivos de Declarações de Importação que foram parametrizadas para os canais de conferência os quais já determinaram a apresentação desses documentos e que ficaram em poder da unidade de despacho aduaneiro. A própria Instrução Normativa SRF nº 680/2006, com redação foi alterada pela Instrução Normativa RFB nº 957/2009 e pela Instrução Normativa RFB nº 982/2009, estabelecia, in verbis: Art. 19.Os documentos referidos no art. 18 serão encaminhados à RFB, em meio digital, no momento do registro da DI, nos termos estabelecidos pela Coana, observado o disposto na Medida Provisória nº 2.2002, de 24 de agosto de 2001.(Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 957, de 15 de julho de 2009) § 1º Os originais dos documentos referidos no caput deverão ser entregues à RFB sempre que solicitados, devendo ser mantidos em poder do importador pelo prazo previsto na legislação tributária a que está submetido. (...) § 6º Durante o período de tempo em que perdurar a suspensão de que trata o § 5º, o extrato da DI selecionada para conferência aduaneira e os documentos que a instruem deverão ser entregues pelo importador na unidade da RFB de despacho, em envelope, contendo a indicação do número atribuído à declaração. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 982, de 18 de dezembro de 2009) O art. 18 da Instrução Normativa SRF nº 680/2006 estabelece quais são os documentos que instruem a Declaração de Importação: Art. 18. A DI será instruída com os seguintes documentos: I via original do conhecimento de carga ou documento equivalente; II via original da fatura comercial, assinada pelo exportador; III romaneio de carga (packing list), quando aplicável; e IV outros, exigidos exclusivamente em decorrência de Acordos internacionais ou de legislação específica. Inferese dos dispositivos transcritos que realmente os documentos instrutivos da Declaração de Importação selecionada para canais de conferência devem ser entregues na unidade de despacho, juntamente com o extrato da Declaração de Importação (§6º do art. 19 da IN SRF nº 680/2006). Fl. 824DF CARF MF Processo nº 12466.721649/201483 Acórdão n.º 3301005.126 S3C3T1 Fl. 825 33 Todavia, esses documentos devem ser mantidos em poder do importador pelo prazo previsto na legislação tributária a que está submetido (§ 1º do art. 19 da IN SRF nº 680/2006). Portanto, mantémse o entendimento da decisão recorrida de que o importador tem a obrigação de possuir tais documentos, mesmo que entregues para conferência aduaneira. Em outras palavras, mesmo que entregues para conferência aduaneira os documentos devem ficar, posteriormente, em poder do importador, pois deve apresentálos à autoridade aduaneira sempre que exigido, dentro do prazo legal. Assim, improcedente a alegação de que seria indevida a exigência dos documentos que instruíram Declarações de Importação selecionadas para canais de conferência que já determinaram a entrega desses documentos. Não procede, da mesma forma, a alegação de que Declarações de Importação que ampararam importações de mercadorias semelhantes àquelas submetidas a conferência aduaneira estariam excluídas da exigência de apresentação dos documentos que as instruíram. A exigência de apresentação dos documentos instrutivos das Declarações de Importação fez parte de procedimento fiscal, que, como se sabe, é procedimento investigativo. Nesse escopo, o fato de as Declarações de Importação ampararem a importação de mercadorias semelhantes ou não entre si, em nada exime a obrigação do importador de apresentar os documentos solicitados, pois quem determina o fato a ser investigado é a fiscalização e não o importador. Portanto, da mesma forma, é a fiscalização, amparada na legislação vigente, que determina quais documentos o importador deve apresentar. Alega a Recorrente que haveria desproporcionalidade e desarrazoabilidade nas multas. No entanto, conforme Súmula do CARF nº 2, não cabe a este foro afastar a lei com base em eventual dissonância com os princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade. Finalmente cumpre analisar a alegação de que a autuação relativa às três multas não poderia ser realizada, pois o lançamento se deu dentro do prazo concedido para apresentação dos livros fiscais. De fato, a fiscalização concedeu prazo maior para que a interessada realizasse a correção dos livros fiscais, 28/05/2014 (para o período contábil de 2010) e 28/07/2014 (para os períodos contábeis de 2011, 2012 e 2013) e lavrou os autos de infração em 18/06/2014. Ocorre que, conforme se observou na decisão recorrida, os prazos concedidos não se confundem, como quer fazer crer a impugnante. As multas em apreço, como antes analisado, foram lançadas em razão do desatendimento da apresentação ou da apresentação desconforme dos documentos fiscais, que, da mesma forma que os prazos, não se confundem com aqueles concedidos para a apresentação dos livros fiscais. De outra forma, as autuações se deram em razão do não atendimento de exigências fiscais outras, que não aquelas cujo prazo de apresentação ainda não havia sido vencido. Fl. 825DF CARF MF Processo nº 12466.721649/201483 Acórdão n.º 3301005.126 S3C3T1 Fl. 826 34 Assim, ainda que a alegação da impugnante possua coerência em relação à necessidade dos demais documentos fiscais para se proceder à correção dos livros fiscais, cujo prazo para apresentação foi mais estendido, fato é que a exigência da fiscalização e os lançamentos estão amparados na legislação vigente, pois os fatos se subsumem às normas aplicáveis. Por todo o exposto, voto no sentido de manter integralmente a decisão recorrida e negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 826DF CARF MF
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