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Numero do processo: 10980.912259/2012-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.787
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 22 59 /2 01 2- 12 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.912259/201212 Acórdão n.º 3201003.787 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 02 065.632, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.912259/201212 Acórdão n.º 3201003.787 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.912259/201212 Acórdão n.º 3201003.787 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.912259/201212 Acórdão n.º 3201003.787 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.917298/2013-15
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2008 a 29/02/2008
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS.
Despacho decisório proferido com fundamento em discordância às informações da DCTF retificadora e, subsidiariamente, da Dacon retificadora, ambas entregue a tempo de se analisar a regular auditoria de procedimentos, é nulo por vício material, pois, segundo a legislação de regência, a DCTF retificadora admitida tem a mesma natureza e efeitos da declaração original.
DCOMP. NÃO COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO APRESENTADA.
Às Delegacias da Receita Federal compete analisar originariamente o direito creditório à luz da documentação trazida aos autos pelo recorrente. Às instâncias julgadoras (DRJ e Carf) competem dirimir o conflito de interesses, uma vez instaurado o litígio. Verificada a apresentação de provas na fase litigiosa, capazes de, ao menos, suscitar dúvida quanto ao fundamento da acusação, deve o processo retornar à unidade de origem para análise dos documentos, sob pena de supressão de instância.
Numero da decisão: 3001-000.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para cancelar, por vício material, o despacho decisório, e remeter os autos à unidade fiscal de origem para análise da Dctf e a Dacon retificadoras e demais documentos anexados na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2008 a 29/02/2008 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. Despacho decisório proferido com fundamento em discordância às informações da DCTF retificadora e, subsidiariamente, da Dacon retificadora, ambas entregue a tempo de se analisar a regular auditoria de procedimentos, é nulo por vício material, pois, segundo a legislação de regência, a DCTF retificadora admitida tem a mesma natureza e efeitos da declaração original. DCOMP. NÃO COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO APRESENTADA. Às Delegacias da Receita Federal compete analisar originariamente o direito creditório à luz da documentação trazida aos autos pelo recorrente. Às instâncias julgadoras (DRJ e Carf) competem dirimir o conflito de interesses, uma vez instaurado o litígio. Verificada a apresentação de provas na fase litigiosa, capazes de, ao menos, suscitar dúvida quanto ao fundamento da acusação, deve o processo retornar à unidade de origem para análise dos documentos, sob pena de supressão de instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para cancelar, por vício material, o despacho decisório, e remeter os autos à unidade fiscal de origem para análise da Dctf e a Dacon retificadoras e demais documentos anexados na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2113; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 172 1 171 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.917298/201315 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.384 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 12 de junho de 2018 Matéria COFINS DCOMP ELETRÔNICA DIREITO CREDITÓRIO Recorrente COMPANHIA TRANSAMÉRICA DE HOTÉIS SÃO PAULO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2008 a 29/02/2008 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. Despacho decisório proferido com fundamento em discordância às informações da DCTF retificadora e, subsidiariamente, da Dacon retificadora, ambas entregue a tempo de se analisar a regular auditoria de procedimentos, é nulo por vício material, pois, segundo a legislação de regência, a DCTF retificadora admitida tem a mesma natureza e efeitos da declaração original. DCOMP. NÃO COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO APRESENTADA. Às Delegacias da Receita Federal compete analisar originariamente o direito creditório à luz da documentação trazida aos autos pelo recorrente. Às instâncias julgadoras (DRJ e Carf) competem dirimir o conflito de interesses, uma vez instaurado o litígio. Verificada a apresentação de provas na fase litigiosa, capazes de, ao menos, suscitar dúvida quanto ao fundamento da acusação, deve o processo retornar à unidade de origem para análise dos documentos, sob pena de supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para cancelar, por vício material, o despacho decisório, e remeter os autos à unidade fiscal de origem para análise da Dctf e a Dacon retificadoras e demais documentos anexados na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 72 98 /2 01 3- 15 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10880.917298/201315 Acórdão n.º 3001000.384 S3C0T1 Fl. 173 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Do relatório do acórdão recorrido Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 0131.207, da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA DRJ/BEL que, em sessão de julgamento realizada no dia 27.01.2015, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Por bem sintetizar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido (efls. 59 a 65): Cuida o presente da declaração de compensação em face de pagamento indevido ou a maior de fls. 2/6, no montante de R$ 3.844,12, relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. Através do despacho decisório de fl. 7, aludida compensação restou não homologada, posto que: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Com efeito, remanesceu exigência no principal de R$ 5.538,22, acrescido de multa e juros de mora nos respectivos valores de R$ 1.107,64 e R$ 380,47. Inconformada, em 11 de junho de 2012, apresentou a interessada manifestação de inconformidade (fls. 12/18), por meio da qual, em síntese, após registrar a suspensão da exigibilidade do crédito prescrita no art. 151, III, do Código Tributário Nacional CTN, aduz: Preliminarmente cabe contestar que a Recorrente não foi intimada pela D. Autoridade Fiscal para esclarecer sobre a não existência do crédito, em respeito ao princípio da verdade material a qual estabelece que compete aos integrantes desse órgão da Receita Federal "realizar diligências e perícias fiscais para instrução processual" de acordo com o inciso IV do art. 205, do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, Portaria nº 125/09. A norma mencionada que norteia os atos administrativos da Autoridade Pública, segundo o qual tem o dever de fiscalizar as informações apresentadas pelos contribuintes. Simplesmente negálas, sem pedir explicações ou dar a oportunidade ao contribuinte de Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10880.917298/201315 Acórdão n.º 3001000.384 S3C0T1 Fl. 174 3 explicálas, fere o principio da verdade material, principio fundamental do processo administrativo fiscal. A Fiscalização, na busca pela efetivação do princípio da verdade material, tem o dever de realizar todas as diligências que estiver ao seu alcance para concessão ou não do direito do crédito, e se assim fizesse permitiria que recorrente apresentasse os devidos esclarecimentos, como assim não o fez, cabe contestar no presente recurso. O crédito é oriundo de pagamento indevido ou a maior de COFINS NãoCumulativo código 5856 PA 29/02/2008 decorrente de crédito proporcional não utilizado sobre as despesas de aluguel de imóveis pago a pessoa jurídica, classificado como insumo na atividade hoteleira e vinculados as receitas sujeitas a incidência Não Cumulativa do PIS e COFINS, de acordo com o Inciso II, do art. 3º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. Com o intuito de esclarecer sobre o direito ao crédito sobre as despesas de aluguel de imóveis a Recorrente formulou consulta a Receita Federal do Brasil e obteve a Solução de Consulta DISIT/SRRF/8ª RF nº 177 23/04/2010, conforme cópia em anexo (doc 03). Diante da Solução de Consulta a Recorrente alterou a apuração do PIS e COFINS do mês 02/2008, incluindo na base de calculo do COFINS o valor de R$ 50.580,68, decorrente da aplicação do percentual obtido da proporcionalidade das receitas (cumulativas e não cumulativas) de 69,69% sobre as despesas de aluguel de imóveis no valor de R$ 72.579,54, gerando assim um crédito de COFINS não cumulativo de R$ 3.844,12, conforme faz prova cópia do demonstrativo de PIS e COFINS a Recolher (doc 04) e extrato contábil do mês FEV/2008 (doc 05). Assim sendo, como detentora do crédito e conforme dispõe o artigo 26 da IN nº 600 de 28/12/2005, (...) a Recorrente efetuou compensação para quitar parte do débito de IRRF código 0561 PA 31/05/2012, no valor de R$ 5.538,22, utilizando o valor original de R$ 3.844,12 atualizado pela SELIC até a data da compensação. Cabe relatar que a recorrente efetuou a retificação da DACON Mensal de fev/2008, onde demonstra os valores devidos do PIS e COFINS apurados, conforme comprova cópia em anexo (doc 06). A Recorrente informa que efetuou a retificação da DCTF do mês de fev/2008, em 05/03/2013 para corrigir o valor do débito de COFINS Não Cumulativo de R$ 88.161,99 para R$ 84.317,87, originando no recolhimento a maior Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10880.917298/201315 Acórdão n.º 3001000.384 S3C0T1 Fl. 175 4 de Cofins Não cumulativo no valor de R$ 3.844,12, conforme comprova cópia do recibo de entrega da DCTF em anexo (doc 07). Desta forma, tendo em vista que a retificação da DCTF do mês de Fev/2008 foi efetuada pela Recorrente dentro do prazo de 5 anos (05/03/2013), tendo sido recepcionada e processada pela Receita federal, conforme comprovante emitido pela ecac (doc 08), antes da emissão do despacho decisório (03/05/2013) e como já dito, com ciência em 13/05/2013, não poderia ter decidido alegando a inexistência de crédito para a compensação declarada. Assim sendo, a Recorrente não concorda com tal decisão, tendo em vista a existência do direito ao crédito, restando a opção de interposição do presente recurso. (…) Em 20/06/2012, diante do recolhimento a maior de COFINS Não Cumulativo do mês de fev/2008 a Recorrente apresentou PER/DCOMP de nº 10500.52644.200612.1.3.040056, para compensar débito de IRRF código 0561 PA 31/05/2012 no valor de R$ 5.538,22, utilizando o valor original de R$ 3.844,12. Conforme consta no Despacho Decisório do DERAT São Paulo, de 03/05/2013, a D. Autoridade Fiscal ao fundamentar a sua decisão identificou que foi localizado um pagamento, mas integralmente utilizado para quitação de débito da Recorrente. Cabe concluir, que a Autoridade Fiscal não observou a retificação da DCTF do fev/2008 efetuada pela Recorrente em 05/03/2013, ficando assim devidamente comprovada a existência do direito de crédito, seja pela retificação da DCTF e também pela solução de consulta n. 177, bem como no demonstrativo de apuração e extrato contábil em anexos, os quais evidenciam o direito de Cofins apurado proporcionalmente sobre as despesas com aluguel de imóvel e utilizado para compensar parte do débito de IRRF sobre folha de pagamento. Ao final, requer seja recebida e provida a inconformidade, reconhecendose o direito à presente compensação. É o relatório. Da ementa da Decisão de 1ª Instância A 3ª Turma da DRJ/BEL, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o já citado acórdão de manifestação de inconformidade, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10880.917298/201315 Acórdão n.º 3001000.384 S3C0T1 Fl. 176 5 Período de apuração: 01/02/2008 a 29/02/2008 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. TITULAR DA PRETENSÃO. A oponibilidade de eventual direito creditório em face da Fazenda Nacional guarda direta relação com os atributos de liquidez e certeza a referido crédito inerentes. Na qualidade de titular da pretensão, repousa sobre o peticionante o ônus probatório quanto ao fato constitutivo do direito invocado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2008 a 29/02/2008 PAF. PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA INQUISITORIAL. O procedimento fazendário detém evidente natureza inquisitorial. Conforme art. 14 do Decreto n. 70.235, de 1972, uma vez discordando do lançamento fiscal, é com a peça impugnatória que resta instaurado o litígio entre a Administração Tributária e o contribuinte, no âmbito do qual, não poderia ser diferente, tem este asseguradas as respectivas garantias processuais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da ciência O contribuinte, conforme depreendese do "Termo de Abertura de Documento" (efl. 68), em 13.05.2016, via sua "Caixa Postal do Domicílio Tributário Eletrônico", tomou conhecimento do teor do acórdão vergastado. Irresignado com a decisão recorrida, em 13.06.2016, registra, dentre outros documentos, a juntada do recurso voluntário, é o que observase do "Termo de Análise de Solicitação de Juntada" (efls. 108/109 e 169/170). Do recurso voluntário Sintetizo os argumentos de defesa apresentado no recurso voluntário (efls. 125 a 131). Alega o recorrente, em síntese, que: 1 segundo seu objeto social, explora atividade hoteleira CNAE Principal 5510801, auferindo receita com diária conta contábil 703035 e que de acordo com a Portaria Interministerial 33/2005, tributou pelo regime cumulativo do PIS e Cofins; 2 também disponibiliza outros serviços ligados à atividade hoteleira, auferindo as seguintes receitas: de locação de espaços para eventos, locação de materiais, serviços de lavanderia, serviços de telefonia, estacionamento, transfer e operações de venda no restaurante, com as respectivas contas contábeis: 704005, 703100, 703090, 703077, 703062, 703060 e 702000, cobradas dos hóspedes por meio de notas fiscais eletrônicas de serviços e cupons fiscais e tributadas pelo Regime Não Cumulativo do PIS e Cofins; Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10880.917298/201315 Acórdão n.º 3001000.384 S3C0T1 Fl. 177 6 3 ainda aufere outras receitas tributadas pelo Regime Não Cumulativo do PIS e Cofins: receitas com aluguel (Estapar), incluso a receita de aluguel de lojas, cortesia de fornecedores, recuperação de despesas e receitas eventuais, com as respectivas contas contábeis: 726325, 728335, 733340 e 734340. 4 com relação a despesas de aluguéis com direito a crédito no Regime Não Cumulativo do PIS e Cofins, não se aproveitou no mês de fevereiro de 2008 do direito de crédito de Cofins, no valor de R$ 3.844,12, relativo aos aluguéis pagos a PJ, após aplicação da proporcionalidade das receitas não cumulativas de 69,69% sobre as despesas de aluguel. 5 diante da solução de consulta DISIT/SRRF/8ª RF 177 de 23.04.2010, que lhe esclareceu o direito do crédito sobre os custos, despesas e encargos vinculados a receitas submetidas ao Regime Não Cumulativo e uma vez que as despesas de aluguel, após aplicação da proporcionalidade, estão vinculadas às receitas de aluguel conta contábil 726325 e 703062. 6 há também a solução de consulta Cosit 95 de 23.04.2015, que esclarece que as despesas de aluguel geram direito ao crédito no Regime Não Cumulativo da Cofins. 7 como já demonstrado na manifestação de inconformidade, por meio da planilha de Apuração dos Débitos de PIS e Cofins, no que tange as "Receitas de Aluguel" auferidas, bem como o Livro Razão no que tange as "Despesas com Aluguel", incorridas, "vem acrescentar, juntando aos autos, balancetes mensal extraído do SPED referente a fev/2008, contrato de sublocação, posição financeira, depósitos bancários e comprovantes de transações bancários para que as alegações e o direito de crédito do Cofins seja inconteste, pois as receitas de aluguel foram devidamente reconhecidas e tributadas para o PIS e Cofins no Regime Não Cumulativo e por outro lado, os créditos decorrentes das despesas/custos de aluguel incorridos no mês de fevereiro/2008 não foram aproveitados, o que resultou em um recolhimento a maior de Cofins". Portanto, entendendo "comprovada a proporcionalidade aplicada, a relação entre receita e despesa de aluguel e a origem do crédito extemporâneo, bem como o direito em aproveitalos (sic)", requer o provimento do presente recurso voluntário, "para fins de reconhecimento do direito creditório no valor atualizado de R$ 5.538,22 conseqüentemente, homologação da compensação efetuada". O recorrente também apresenta, anexo à petição recursal, os documentos de efls. 71 a 107 e 132 a 168. Do encaminhamento O processo digital, então, foi encaminhado para ser analisado por este CARF na forma regimental (efl. 171). É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da admissibilidade Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10880.917298/201315 Acórdão n.º 3001000.384 S3C0T1 Fl. 178 7 Na hipótese dos autos, em face da legislação processual aplicável (Decreto 70.235 de 1972) e das disposições contidas no Ricarf vigente, temse que referido recurso voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que dele conheço. Do voto condutor do acórdão recorrido Do voto condutor do acórdão recorrido, no que interessa na presente fase processual, colhese: (...) Na espécie, consignou a autoridade fiscal no despacho decisório que não haveria crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/Dcomp em referência, vez que o pagamento a supostamente ensejar o direito creditório invocado teria sido integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte. E a interessada, de seu turno, no intuito de assistir ao reconhecimento do direito creditório, sustenta, por meio da adequada via, qual seja, a manifestação de inconformidade, que: O crédito é oriundo de pagamento indevido ou a maior de COFINS NãoCumulativo código 5856 PA 29/02/2008 decorrente de crédito proporcional não utilizado sobre as despesas de aluguel de imóveis pago a pessoa jurídica, classificado como insumo na atividade hoteleira e vinculados as receitas sujeitas a incidência Não Cumulativa do PIS e COFINS, de acordo com o Inciso II, do art. 3o das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. No entanto, consulta ao Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) revela que figura a contribuinte sob a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) principal 5510801 (hotéis). Inexiste CNAE secundária para a contribuinte. Ora, consoante art. 10, XXI, da Lei n. 10.833, de 2003, c/c o art. 15, V, do mesmo diploma legal, as receitas decorrentes de serviços de hotelaria permanecem sujeitas ao regime de apuração cumulativa da Contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, nos termos da Portaria Interministerial n. 33, de 2005. Lado outro, a Solução de Consulta pela inconformada referida (fls. 30/38), em verdade, tão somente esclarece que o direito à dedução recai sobre os custos, despesas e encargos vinculados exclusivamente às receitas submetidas ao regime nãocumulativo e os vinculados aos regimes cumulativo e nãocumulativo (a saber, custos, despesas e encargos comuns, cujo crédito correspondente resta apurado por intermédio da apropriação direta ou do rateio proporcional), ao que ressalva a impossibilidade do cômputo de custos, despesas e encargos vinculados às receitas sujeitas ao regime cumulativo, porquanto desabilitadas à geração de crédito. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10880.917298/201315 Acórdão n.º 3001000.384 S3C0T1 Fl. 179 8 Destarte, no intuito de ver acatada a redução da base de cálculo por ela própria submetida à tributação, deveria a interessada carrear aos autos rol probatório inequívoco da regularidade das deduções que extemporaneamente deseja levar a efeito. E a simples retificação do Dacon, a exemplo da DCTF, por óbvio, unicamente porque recepcionados e processados pela administração tributária, não conferem, de plano, direito ao crédito almejado. (grifos não pertencem ao original) É dizer, recairia sobre a inconformada o ônus de exibir elementos de prova hábeis a seguramente demonstrar que precitadas deduções seriam decorrentes da condição de comuns a ensejar o rateio proporcional equivalente à razão entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total. Ou seja, que, não obstante a condição de prestadora de serviços de hotelaria cujas receitas, ressaltese, sujeitamse ao regime cumulativo de apuração das contribuições , perceberia, simultaneamente, receitas atinentes à não cumulatividade a ensejar o pretendido direito creditório. No lugar disso, limitase a carrear aos autos “Demonstrativo dos Valores de PIS e COFINS a Recolher (a Compensar)” (fl. 39), “Demonstrativo dos Créditos de PIS e COFINS Não Cumulativo a Compensar (fl. 41), “Apuração dos Débitos de PIS e COFINS” (fl. 40) e excertos de suposto Livro Razão (fls. 42/49). Das primeiras, simples planilhas elaboradas pela própria interessada, a par do reduzido valor probante oriundo de sua própria condição, coletase, em vista do deslinde da atual controvérsia, apenas que as despesas com aluguel seriam relativas à “Aluguel Terreno Transamérica Holding”, “Aluguel Terreno Vera Cruz Corretora”, “Aluguel Terreno Adm. Vera Cruz”, “Aluguel Terreno Rio Verde”, “Aluguel Anuentes Holding”, “Aluguel Anuentes Vera Cruz Corretora Rio Verde”, “Aluguel Anuentes Adm. Vera Cruz” (fl. 41). Da mesma forma, os excertos de suposto Livro Razão (fls. 42/49), no máximo, tão somente registram as operações atinentes às despesas de aluguel em voga. Não evidenciam, assim, em prol da indubitável cognição do julgador tendente a acatar a redução da base de cálculo pela própria contribuinte oferecida à tributação, o indispensável vínculo de tais despesas às receitas comuns (submetidas aos regimes cumulativo e nãocumulativo), muito menos em que medida referida vinculação se daria. Vejase, o direito creditório pressupõe que o titular da pretensão tenha mantido e mantenha controles que lhe permitam comprovar sua condição de detentor dos créditos pleiteados, bem como exiba documentação que dê suporte a sua escrita. Ao figurar como titular da pretensão, possui a interessada o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. (grifos não pertencem ao original) Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10880.917298/201315 Acórdão n.º 3001000.384 S3C0T1 Fl. 180 9 Do exposto, resta votar pela improcedência da manifestação de inconformidade. É como voto. Do fundamento para cancelar o despacho decisório Compulsandose os autos verificase que, (i) em 20.06.2012, diante do recolhimento a maior de Cofins não cumulativo do mês de fevereiro de 2008, o contribuinte apresentou PER/Dcomp, registrada sob nº 10500.52644.200612.1.3.040056, para compensar débito de IRRF código 0561 PA 31/05/2012 no valor de R$ 5.538,22, utilizando o valor original de R$ 3.844,12; (ii) no despacho decisório do Derat/São Paulo Rastreamento 050920236, emitido em 03.05.2013, a autoridade fiscal competente, ao apreciar o pedido de compensação, não o homologou porquanto a "partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...), foram localizados um ou mais pagamentos, (...), mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". O recorrente apresentou, quando da manifestação de inconformidade, dentre outros documentos, a DCTF e a Dacon retificadoras, conforme observase do relatório supra. Naquela ocasião, segundo seu entendimento, com a apresentação das mencionadas declarações retificadoras e dos "Demonstrativo dos Valores de PIS e COFINS a Recolher (a Compensar)", "Demonstrativo dos Créditos de PIS e COFINS NãoCumulativo a Compensar", "Apuração dos Débitos de PIS e COFINS" e excertos do Livro Razão, estaria demonstrado o saldo do crédito pago indevidamente, conforme apontado no PER/Dcomp 10500.52644.200612.1.3.04 0056 (efls. 02 a 06), referenciado no despacho decisório. Entretanto, o r. acórdão recorrido manteve o indeferimento do pedido de compensação sob o argumento central de o contribuinte não carreou aos autos elementos de prova que evidenciassem, "em prol da indubitável cognição do julgador tendente a acatar a redução da base de cálculo pela própria contribuinte oferecida à tributação, o indispensável vínculo de tais despesas às receitas comuns (submetidas aos regimes cumulativo e não cumulativo), muito menos em que medida referida vinculação se daria", de modo que não comprovou a liquidez e certeza do crédito informado na PER/DComp em questão. Portanto, em síntese, o fundamento para o indeferimento do pleito, contido na Decisão recorrida, repousa na ausência de documentação probante satisfatória que corroborasse as alegações trazidas na manifestação de inconformidade. No recurso voluntário, o recorrente reafirma efetuou a retificação da Dacon e da DCTF, ambas do mês de fevereiro de 2008, para corrigir o valor do débito de Cofins não cumulativo, evidenciando um recolhimento a maior da referida contribuição no valor original de R$ 3.844,12. Uma vez mais alerta que a retificação da DCTF do mês de fevereiro de 2008 foi efetuada dentro do prazo de 5 anos, ou seja, em 05.03.2013, tendo sido recepcionada e processada pela RFB, conforme comprovante emitido pela eCAC. Nesse diapasão, salienta que citada retificação foi efetivada antes do despacho decisório, uma vez que da emitido em 03.05.2013, cuja ciência deuse em 13.05.2013. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10880.917298/201315 Acórdão n.º 3001000.384 S3C0T1 Fl. 181 10 Assim sendo, por discordar das decisões pretéritas (despacho decisório e acórdão de manifestação de inconformidade), não restoulhe opção outra que não a interposição do presente recurso, pois concluiu que "a Autoridade Fiscal não observou a retificação da DCTF do jan/2008 efetuada pela Recorrente em 05/03/2013, ficando assim devidamente comprovada a existência do direito de crédito, seja pela retificação da DCTF e também pela solução de consulta nº 177, bem como no demonstrativo de apuração e extrato contábil em anexos, os quais evidenciam o direito de crédito de Cofins apurado proporcionalmente sobre as despesas com aluguel de imóvel e utilizado para compensar parte do débito de IRRF sobre folha de pagamento, o que, no seu entender, seria suficiente para a solução do litígio, haja vista o fundamento do Despacho Decisório". Nesta quadra, certo é que a DCTF retificadora por si só não é elemento suficientemente capaz de aferir liquidez e certeza ao crédito pleiteado, mas somado aos diversos outros elementos de provas coligidos, que foram anexados à manifestação de inconformidade e ao recurso voluntário, constituem não só mero valor indicativo, mas demonstram falhas no sistema que no momento oportuno não se atentou para a existência de novos valores da Cofins para o período envolvido, fevereiro de 2008. Dito isso, trago a baila excerto da 3ª Turma da CSRF no Acórdão 9303 005.396, de 25.07.2017, que firma entendimento na medida em que confirma a decisão proferida no Acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, segundo o qual “a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. De outro norte vem o Acórdão 3201003.071, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, em Sessão de Julgamento realizada em 27.07.2017 Processo 19740.900036/200904, da lavra do Conselheiro Relator Paulo Roberto Duarte Moreira, cujas razões de decidir adoto como fundamento do presente voto: Com efeito, com base na DCTF original não haveria pagamento a maior de Cofins e, por conseguinte, nenhum direito creditório, o que demonstraria o acerto do despacho decisório original, proferido em 07/10/2009. Ocorre que antes da prolação do despacho decisório, a recorrente após correção e ajustes informados em seu recurso, transmitiu DCTF retificadora, em 18/09/2009, portanto, em data anterior ao término da análise de sua DCOMP. No ponto, importa decidir se o despacho decisório deveria ser proferido em observância à DCTF retificadora que constava na base de dados da Secretaria da Receita Federal RFB; e mais, questão fundamental é saber se a recorrente, na eminência da prolação de despacho decisório, eralhe permitido retificar a DCTF para reduzir valor de tributo devido, que corresponderia ao direito ao crédito do valor pago a maior. Depreendese do despacho decisório que a unidade de origem decidiu por não homologar a compensação, sob o fundamento de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10880.917298/201315 Acórdão n.º 3001000.384 S3C0T1 Fl. 182 11 Este procedimento, eletrônico digase de passagem, é efetuado segundo os princípios da compensação, que nada mais é que o encontro de contas entre débito e crédito, este caracterizado pelo pagamento a maior ou indevido, consubstanciado, no caso em apreço, em um DARF. Quanto ao débito, é o valor extraído do documento hábil no qual o contribuinte confessa sua dívida tributária, qual seja, a DCTF válida que consta da base de dados da RFB. Assim, uma vez que no presente caso a não homologação da compensação declarada decorrera apenas da vinculação do pagamento ao débito informado na DCTF original, deve ser aceita como prova a DCTF retificadora transmitida antes da emissão do despacho decisório, desde que não haja impedimento normativo à sua utilização. À época dos fatos vigia a IN RFB nº 903/2008 que dispunha do Capítulo V para tratar da retificação de declarações. Seu art. 11 rezava: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. Os dispositivos não carecem de maiores interpretações. A DCTF retificadora, quando admitida, tem a mesma natureza e efeitos da declaração original. De acordo com a IN citada acima não se admitem retificações de DCTF tendentes reduzir tributo previamente confessado e a Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10880.917298/201315 Acórdão n.º 3001000.384 S3C0T1 Fl. 183 12 cobrança já tenha sido enviada à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ou tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. No caso dos autos, não ha incidência de nenhuma das hipóteses de inadmissibilidade da DCTF retificadora. Ademais, a retificação da DCTF em questão operouse ao abrigado da espontaneidade, porquanto efetuada antes de qualquer procedimento do Fisco. Nessas circunstâncias, a DCTF retificadora apresentada alterou eficazmente a situação jurídica anterior; contudo, os efeitos da retificação da DCTF foram solenemente desconsiderados no despacho decisório. A nova realidade estampada na DCTF retificadora tem de ser devidamente avaliada pela Autoridade Fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a repetição e não homologada a compensação. Quanto ao pedido da recorrente de não declarar a nulidade na hipótese do mérito lhe ser favorável, entendo não ser a melhor solução à lide. Isto porque possível enfrentamento do mérito pela Turma somente se efetivaria diante de elementos carreados aos autos que permitissem decidir o direito, e tais elementos não prescindiriam de diligência à unidade de origem, providência que julgo menos eficiente que novo despacho decisório. Ademais, não pode o CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, pois à luz do art. 10 da IN RFB nº 903/2008: "Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna". De se observar que procedimento algum fora realizado em relação à apuração dos valores da compensação, sejam débitos ou créditos. Não podem as autoridades administrativas omitiremse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF. Nesse sentido, decisão do STJ: Quando o poder conferido a um determinado órgão ou entidade é distribuído pelas autoridades que o integram, sob o critério de hierarquia, nenhuma delas, seja a de grau inferior, seja a de grau superior, pode realizar ato válido na esfera de competência da outra, se inexiste lei que autorize a atividade de que se trata. A competência administrativa, sendo um requisito de ordem pública, é intransferível e improrrogável ad nutum do administrador, só podendo ser delegada ou avocada de acordo com a lei regulamentadora da administração." (cf. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10880.917298/201315 Acórdão n.º 3001000.384 S3C0T1 Fl. 184 13 Ac. do STF Pleno no MS n° 21.1172DF, em sessão de 28/05/92, Rei. Min. limar Galvão, publ. in DJU de 14/10/94 e in JSTF/LexVol. 195, pág. 135) Da supressão de instância Como visto, no presente caso o conflito inicialmente instaurado encontrase limitado pelo único fundamento utilizado no despacho decisório, qual seja, a vinculação integral do pagamento ao débito declarado, não tendo sido feita qualquer análise relativa ao mérito do direito creditório pleiteado. Tal análise, de fato, seria possível naquele momento, face ao valor da contribuição declarado pelo contribuinte na DCTF retificadora, mas não observado pela autoridade competente, que fundamentou sua decisão na DCTF original que redundou no idêntico ao recolhido, decorrendo a decisão de análise sumária das informações contidas nos diversos sistemas da RFB. Neste aspecto, como já analisado acima, tem razão o contribuinte. No entanto, ultrapassada essa questão, o recorrente pretende que sejalhe reconhecido o direito de crédito, com base na verificação também nos demais documentos por ele juntados aos autos, verificação essa que não compete às instâncias julgadoras. Tal impedimento decorre do fato de que, realizando tal análise, estaria este Colegiado incorrendo em supressão de instância, uma vez que tal verificação encontrase inserida na competência da unidade local de jurisdição do contribuinte, por tratarse de análise originária dos documentos apresentados, os quais não foram objeto de verificação quando da emissão do respectivo despacho decisório, nem tampouco foram utilizados como fundamento para aquela decisão. Além disso, não se caracterizou nestes autos o necessário litígio relativamente ao erro de preenchimento da DCTF alegado pelo sujeito passivo, cuja efetiva ocorrência decorre, necessariamente, da análise desta documentação. Não havendo análise e conclusão por parte da autoridade originariamente competente para proferir tal decisão, não resta matéria a ser analisada por este Colegiado, não havendo litígio a ser dirimido, uma vez que apenas uma das partes se manifestou. Portanto, compete à DRF de origem apreciar originariamente a documentação juntada à manifestação de inconformidade e ao recurso voluntário, a fim de que seja verificada a ocorrência ou não de erro na apuração da contribuição devida e a consequente procedência do direito de crédito alegado, cabendo às instâncias julgadoras a análise do litígio eventualmente surgido a partir desse novo exame. Assim, a documentação anexada pelo contribuinte, que ele alega referirse a despesas de aluguéis de imóveis pagos a pessoa jurídica, vinculadas a receitas sujeitas à incidência não cumulativa do PIS e COFINS, deverá ser analisada, in casu, pela DERAT/SP, que, se for o caso, procederá ao rateio proporcional das referidas despesas, para fins da apropriação de créditos requerida. Conclusão Diante do exposto, alinhado aos princípios da ampla defesa e do contraditório, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar, por vício material, o despacho decisório, bem como, para que a DERAT/SP aprecie a Dctf retificadora Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10880.917298/201315 Acórdão n.º 3001000.384 S3C0T1 Fl. 185 14 com relação ao crédito pleiteado, juntamente com as demais provas disponibilizadas pelo recorrente nos presentes autos e, ainda, acaso que entender pertinente, para solicitar outras, a fim de conferir liquidez e certeza ao direito creditório apontado na PER/Dcomp 10500.52644.200612.1.3.040056. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 185DF CARF MF
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Numero do processo: 13884.722012/2015-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o presente julgamento em diligência para sobrestá-lo até que seja proferida decisão administrativa definitiva nos processos 13884.905622/2012-11 e 13884.900493/2013-56, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o presente julgamento em diligência para sobrestálo até que seja proferida decisão administrativa definitiva nos processos 13884.905622/201211 e 13884.900493/201356, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Trata o presente processo da compensação declarada por meio dos PER/DCOMP’s presentes nos autos, com utilização do direito creditório oriundo do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2012. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 84 .7 22 01 2/ 20 15 -2 7 Fl. 3024DF CARF MF Processo nº 13884.722012/201527 Resolução nº 1301000.611 S1C3T1 Fl. 3 2 A Seort da DRF/São José dos CamposSP, por meio do Despacho Decisório Seort nº 199/2015 (fls. 23462347), de 27/08/2015, com base no Relatório Fiscal de fls. 2275 2341, não reconheceu o direito creditório pleiteado porquanto não confirmou parcelas de composição do crédito no montante de R$ 25.010.715,43 e efetuou ajustes na base de cálculo da CSLL que resultaram na diferença de R$ 1.110.010,90 de contribuição, de modo que o saldo de CSLL a restituir de R$ 8.690.511,23 foi convertido em saldo de CSLL a pagar de R$ 17.430.216,10.. As seguintes infrações apontadas no Relatório Fiscal: 1) glosa da estimativa de março/2012, no valor de R$ 18.211.440,72, compensada com o saldo do imposto pago no exterior no anos calendário de 2011, controlado na Parte “B” do Lalur, porquanto não restou comprovado que o lucro no exterior correspondente foi à época adicionado à base de cálculo da CSLL; 2) glosa da parcela de R$ 468.040,91 do débito de estimativa do mês de agosto/2012, cuja compensação, declarada no PER/DCOMP n° 08649.12699.280912.1.3.039153 (PER/DCOMP inicial nº 14421.30899.180912.1.3.036108), não foi homologada pela DRF/São José dos Campos por insuficiência do crédito de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2011, nos autos do processo nº 13884.721038/201477; 3) glosa da parcela de R$ 1.358.184,53 do débito de estimativa do mês de setembro/2012, cuja compensação, declarada no PER/DCOMP n° 21973.58063.311012.1.3.170035 (PER/DCOMP inicial nº 14094.76116.160712.1.1.172876), não foi homologada pela DRF/São José dos Campos por insuficiência do crédito de Reintegra do 2º trimestre/2012, nos autos do processo nº 13884.905622/201211; 4) glosa da parcela de R$ 3.265.823,04 do débito de estimativa do mês de novembro/2012, cuja compensação, declarada no PER/DCOMP n° 02046.77021.171212.1.3.178156 (PER/DCOMP inicial nº 05115.51453.301112.1.5.174102), não foi homologada pela DRF/São José dos Campos por insuficiência do crédito de Reintegra do 3º trimestre/2012, nos autos do processo nº 13884.900493/201356; 5) glosa da parcela de R$ 1.707.226,33 do débito de estimativa do mês de dezembro/2012, cuja compensação, declarada no PER/DCOMP n° 26411.28017.310113.1.3.170568 (PER/DCOMP inicial nº 02706.15118.140113.1.1.178074), não foi homologada pela DRF/São José dos Campos por insuficiência do crédito de Reintegra do 4º trimestre/2012, nos autos do processo nº 13884.900494/201309; 6) diferença de R$ 12.333.454,42 de lucros auferidos por controladas no exterior adicionados a menor à base de cálculo da CSLL do ano calendário de 2012; a contribuinte adicionou à base de cálculo da CSLL o valor de R$ 173.879.745,63 de lucros disponibilizados no exterior, mas a Autoridade Fiscal apurou lucros no montante de R$ 186.213.200,05. Cientificado, o Contribuinte apresentou tempestiva Impugnação aduzindo preliminarmente a nulidade da autuação sob o argumento de cerceamento do direito de defesa em decorrência da utilização de fundamentação legal e fática obscura e incoerente pois o Fl. 3025DF CARF MF Processo nº 13884.722012/201527 Resolução nº 1301000.611 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório Fiscal (RF) está repleto de alegações desconexas, fundadas em transcrições legislativas e fáticas descoordenadas, que dificultaram demasiadamente o entendimento das acusações contra ela emitidas. Aduz que o agente fiscal glosou estimativas compensadas utilizadas na formação do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2012, no montante de R$ 6.799.274,91, em face de os correspondentes créditos utilizados estarem em discussão nos processos 13884.721038/201477, 13884.905622/201211, 13884.900493/201356 e 13884.900494/201309; se o direito creditório postulado pela requerente está intimamente ligado ao objeto desses processos administrativos, deve o presente processo ser sobrestado até que seja proferida decisão definitiva nos processos administrativos correlatos No mérito, contesta todas as glosas efetuadas, com argumentos que serão oportunamente apresentados. A DRJ/Curitiba julgou parcialmente procedente a Impugnação, não acatando a preliminar de nulidade, mas julgou procedente em parte o lançamento de Contribuição Social Sobre o Lucro LíquidoCSLL, mantendo a exigência de R$ 14.612.978,07 de contribuição, acrescidos da multa de lançamento de ofício de 75% e dos acréscimos legais. Entretanto, não reconheceu qualquer direito creditório, em razão do saldo positivo apurado. Irresignado, o Contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, repisando todas as razões de sua Impugação, e aduzindo complementarmente a nulidade parcial da decisão da DRJ por inovação no critério jurídico utilizado na autuação. Da mesma forma, em razão da exoneração parcial do sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, a autoridade de primeira instância interpôs Recurso de Ofício nos termos do art. 34, I e §1º do Decreto 70.235/72. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende a todos os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Da mesma forma, o Recurso de Ofício atende aos seus requisitos de admissibilidade e ultrapassa o valor de alçada, também devendo ser conhecido pelo Colegiado. O presente processo não se encontra maduro para julgamento por este Colegiado, em razão da existência de processos prejudiciais com capacidade de afetar as conclusões fiscais que embasaram a autuação em trâmite no âmbito deste CARF. Em primeiro lugar, as DCOMPs mencionadas aproveitaram prejuízos fiscais que foram objeto de glosa por parte da fiscalização, através dos Autos de Infração que originaram os processos nº 13850.720178/201504 (IRPJ 2012) e 13850.720207/201520 (CSLL 2012) o que evidencia a prejudicialidade destes em relação àqueles, que por sua vez são prejudiciais ao julgamento da correção ou não da multa isolada cobrada no processo nº 13850.720183/201517. Fl. 3026DF CARF MF Processo nº 13884.722012/201527 Resolução nº 1301000.611 S1C3T1 Fl. 5 4 É preciso frisar que todos os cinco processos se encontram sob minha relatoria, e serão pautados e julgados conjuntamente. Entretanto, os processos decorrentes dos autos de infração não se encontram em condição de julgamento, pois a glosa dos prejuízos fiscais apurados em 2012 depende de duas questões prejudicias, que serão aduzidas em seguida: I) glosa da parcela de R$ 1.358.184,53 do débito de estimativa do mês de setembro/2012, cuja compensação, declarada no PER/DCOMP n° 21973.58063.311012.1.3.17 0035 (PER/DCOMP inicial nº 14094.76116.160712.1.1.172876), não foi homologada pela DRF/São José dos Campos por insuficiência do crédito de Reintegra do 2º trimestre/2012, nos autos do processo nº 13884.905622/201211; II) glosa da parcela de R$ 3.265.823,04 do débito de estimativa do mês de novembro/2012, cuja compensação, declarada no PER/DCOMP n° 02046.77021.171212.1.3.178156 (PER/DCOMP inicial nº 05115.51453.301112.1.5.174102), não foi homologada pela DRF/São José dos Campos por insuficiência do crédito de Reintegra do 3º trimestre/2012, nos autos do processo nº 13884.900493/201356; O contribuinte apresentou a compensação relativo a débitos de estimativa do mês de setembro/2012 e novembro/2012, restando parcela que foi glosada, nos valores indicados acima. Os processos nos quais essas glosas são discutidas se encontram atualmente no CARF, pendente de distribuição desde 02/09/2016 (final 201211) e 03/05/2017 (final 2013 56), de modo que elas não podem ser tomadas por definitivas por este Colegiado. De pronto, é evidente a vinculação entre os processos em razão de decorrência, nos termos do art. 6º, §1º, II do RICARF: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando se a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; Entretanto, não é possível a este Colegiado requerer o apensamento destes processos aos presentes autos através da sua distribuição por dependência (art. 6º, §2º do RICARF), haja vista que a matéria é de competência da 3ª Seção de Julgamento do CARF, por se tratar o REINTEGRA de um regime aduaneiro especial de exportação, nos termos do art. 4º, XVII do Anexo II do RICARF. Desse modo, tratase de hipótese clara de aplicação do art. 6º, §5º do anexo II do RICARF: § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. Fl. 3027DF CARF MF Processo nº 13884.722012/201527 Resolução nº 1301000.611 S1C3T1 Fl. 6 5 Portanto, é mister que o Colegiado decida pelo sobrestamento do presente processo na Câmara, determinando a vinculação dele aos PAFs nº 13884.905622/201211 e nº 13884.900493/201356, que deverão ter o seus resultados juntados a estes autos, após exarada decisão definitiva na esfera administrativa. Conclusão Ante o exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para sobrestálo até o julgamento definitivo dos processos administrativos: a) 13884.905622/201211 e b) 13884.900493/201356. Após o trânsito em julgado desses processos, cópia da decisão definitiva deverá ser juntada aos presentes autos, retornando o processo a este relator para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 3028DF CARF MF
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Numero do processo: 13963.000503/2005-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: EXCLUSÃO SIMPLES
SIMPLES. OPÇÃO. IMPEDIMENTO LEGAL.
A emissão de Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples baseado tão somente no Código Nacional de Atividade Econômica (CNAE), não constitui elemento suficiente à exclusão pretendida, mormente na situação em que a contribuinte aporta ao processo elementos que autorizam concluir que os serviços por ela prestados não se enquadram na disposição legal que serviu
de fundamento para a referida exclusão. O exercício de atividade econômica vedada deve ser demonstrado de forma inequívoca.
SÚMULA CARF Nº 57.
A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.
Recurso Voluntário Provido.
Sem Crédito em Litígio.
Numero da decisão: 1301-001.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Turma, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
Nome do relator: Guilherme Pollastri Gomes da Silva
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OPÇÃO. IMPEDIMENTO LEGAL. A emissão de Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples baseado tãosomente no Código Nacional de Atividade Econômica (CNAE), não constitui elemento suficiente à exclusão pretendida, mormente na situação em que a contribuinte aporta ao processo elementos que autorizam concluir que os serviços por ela prestados não se enquadram na disposição legal que serviu de fundamento para a referida exclusão. O exercício de atividade econômica vedada deve ser demonstrado de forma inequívoca. SÚMULA CARF Nº 57. A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Recurso Voluntário Provido. Sem Crédito em Litígio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Turma, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jackson da Silva Lucas, Guilherme Pollastri Gomes da SilvaCarlos Augusto de Andrade Jenier e Alberto Pinto Souza Junior. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13963000503/200561 Acórdão n.º 1301000.027 S1C3T1 Fl. 2 3 Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, efetuada por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 461.873, de 07 de agosto de 2003, devido a verificação de que a sociedade empresária Art Serra Comércio e Serviços Ltda presta serviços profissionais de engenheiro e profissionais assemelhados (vedação prevista no artigo 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/1996). A apuração de tal vedação, conforme se depreende do ato de exclusão, foi efetuada com base no código de Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) , informado pela Interessada (Art Serra Comércio e Serviços Ltda) no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), que é o "45527/01 Impermeabilização em obras de engenharia. Irresignada com o ato de exclusão, a Interessada apresentou Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples SRS que foi considerada improcedente, aos argumentos de falta de amparo legal e de que a Interessada também exerce atividade vedada no artigo 9°, inciso V, da Lei n° 9.317/1996, porquanto presta serviços de colocação de material cerâmico. Devidamente intimada da decisão proferida na SRS, a Interessada apresentou a manifestação de inconformidade contra exclusão do Simples instruída com documentos, alegando, em síntese, o que jamais realizou atividades que se enquadram no inciso V, do artigo 9°, da Lei n° 9.317/1996, "pois seu ramo de atividade é comércio varejista de material para impermeabilização e serviços de corte de cerâmica (acabamento de material cerâmico)". Disse que é "uma microempresa em todos os sentidos, pelo tamanho, pela atividade e pelo faturamento". Afirmou que "deverá continuar na condição de SIMPLES, mesmo que tenha prestado serviços de colocação de material cerâmico, cujo trabalho não depende de habilitação profissional legalmente exigida". Asseverou que "essa tese é reforçada pela Lei n° 10.964, de 28 de outubro de 2004 em seu artigo 4° que a exclui por mera semelhança da atividade". A 5ª Turma de Julgamento de Florianópolis, por maioria de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o ato de exclusão do SIMPLES, com os seus legais efeitos e a julgadora Rosane Raquel Compagnoni Lubini votou pela manutenção dos efeitos da exclusão somente até a data em que constou a atividade de "serviços de impermeabilização" no objeto social da Interessada, ou seja, até a data do registro na JUCESC da sua 7a alteração contratual (19/09/2003). O voto condutor condenou a impugnante baseado na vedação apontada no Ato Declaratório Executivo (artigo 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/1996), alegando em síntese que: a prestação de serviços de impermeabilização, é atividade típica de engenheiro e profissionais assemelhados (tecnólogos e técnicos ligados a área de Fl. 92DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 4 engenharia) e compulsando os autos, verificase que a Interessada realmente presta serviços de impermeabilização. conforme se depreende das 1', 2', 3', 4a 5", 6' e 7a alterações (fls. 26 a 46) do contrato social da Interessada (fls. 47/48), constou no objeto social dela, no período de 12/12/1994 a 05/09/2003, a atividade de "serviços de impermeabilização". a própria Interessada, na Solicitação de Revisão da Exclusão do SIMPLES admitiu indiretamente que presta serviços de impermeabilização e que se a Interessada vende mercadorias para impermeabilização e faz a colocação desses produtos vendidos, fica evidente que ela presta serviços de engenheiro. as cópias de notas fiscais apresentadas emitidas em 2002, 2004 e 2005, embora não se refiram a serviços de impermeabilização, também comprovam que a Interessada, mesmo após 05/09/2003, presta estes serviços, já que abaixo do nome "Art Serra Representações e Serviços Ltda" traz a frase "Impermeabilização e Corte de Pisos". fica evidente, que o Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n°461.873, de 07 de agosto de 2003, deve ser mantido, porquanto a Interessada exerce atividade que se enquadra entre as típicas de engenheiro e profissionais assemelhados. Intimada da decisão da DRJ em 19/01/2010 a Contribuinte apresentou recurso voluntário, tempestivo, em 10/02/2010 reiterando os argumentos da impugnação, ressalta que a decisão não foi unânime e que a empresa jamais realizou atividades de engenheiro. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13963000503/200561 Acórdão n.º 1301000.027 S1C3T1 Fl. 3 5 Voto Relator Guilherme Pollastri Gomes da Silva Conheço do recurso voluntário por tempestivo. O assunto é deveras polêmico, mas comungo da tese de que a vedação inserida no inciso XIII, do art. 9º, da Lei nº 9.317/96 – atividades vedadas aos profissionais prestadores de serviços – é para alcançar as sociedade destas pessoas, digo, escritórios, clínicas, cursos e assim por diante. Tenho manifestado de que a simples previsão de determinadas atividades no objeto social das empresas não são, por si só, suficientes à caracterização do exercício de fato e de direito da atividade. O Contrato Social quer dizer previsão do exercício, mas não constituiu o fato gerador. Digo de fato e de direito, pois, o exercício in concreto de uma das atividades previstas dentre os objetivos sociais depende de tradução em linguagem competente. Ou seja, a fiscalização deve apurar e trazer aos autos comprovação da prática da infração, in casu o exercício de atividade vedada pelo regime simplificado. O litígio circunscrevese a elucidar, a partir dos elementos disponíveis nos autos estatutos sociais, declarações, código CNAEFiscal e Notas Fiscais se atividade econômica praticada pela empresa estaria inserida no rol das atividades que necessitariam de conhecimentos técnicos especializados de engenheiros e, por essa razão, teriam seu ingresso e permanência na sistemática simplificada vedada em Lei. Pelas notas fiscais carreadas ao autos de nº 1024, datada de 15/02/2005 no valor de R$ 200, nº 942 de14/07/2004, no valor de R$ 260,00, nº 966 de 25/02/2005, no valor de R$ 196,00 e de nº 865 de 30/11/2002 no valor de R$ 10,00, e pela DIPJ fica claro que realmente se trata de uma empresa de pequeno porte. A necessidade da contratação de engenheiro (“ou assemelhado”) em matéria de empresas optantes pelo Regime SIMPLES deve ser verificada in concreto sob pena de impor penalidade a micro e pequenas empresas que desenvolvem seu objeto sem a necessidade efetiva de manutenção destes profissionais no quadro. Defendo a tese, ainda, que, para excluir o contribuinte do sistema por ele optado, o fisco deve produzir a prova de que os sócios da empresa são pessoas que exercem efetivamente a atividade de engenharia, em vista das Notas Fiscais, Contratos e Projetos verificados em auditoria. Afinal, o ônus da prova é de quem alega e a atividade da empresa, até prova em contrário, é a de venda, colocação e corte de pisos. Assim dispõe o artigo 924 do Regulamento do Imposto de Renda vigente – RIR/99 (Decreto n 3000/99): Art. 924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 2º). Fl. 94DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 6 (aplicado por analogia) No presente caso, não há quaisquer provas trazidas pelo fisco que os serviços prestados somente podem ser exercidos por profissionais habilitados, legalmente, tais como serviços de engenharia. E a norma que instituiu o Simples, saliento, não excluiu, por exemplo, indústrias, que, normalmente, e de forma lógica, devem possuir em seus quadros engenheiros de produção. Por isso que a mens legis do inciso das atividades vedadas – XIII, 9º, deve ser interpretado sistemática e teleologicamente para as associações de profissionais que prestem serviços dentro de sua área de formação. Todavia, não é o caso, onde se constata o obivio, isto e, que para simples colocação e/ou corte e/ou impermeabilização de piso não há a necessidade da capacitação de engenheiros. Por todos os elementos aqui analisados não há como afirmar que as atividades praticadas pela empresa necessitem de conhecimento técnico especializado de engenheiro. Ao contrário. Penso, pois, que o ato declaratório combatido, baseado tãosomente no Código Nacional de Atividade Econômica (CNAE), não constitui elemento suficiente à exclusão efetuada, em especial nas circunstâncias retratadas nos presentes autos, em que a contribuinte reúne elementos que autorizam concluir que os serviços por ela prestados não dependiam de habilitação profissional legalmente exigida. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em face à inúmeros julgados que decidiram de forma uniforme e reiterada sobre esta mesma matéria tributável editou a Súmula nº 57 que assim estabelece: “A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.” Por todo o exposto, meu voto e no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para manter a recorrente no sistema Simples de tributação. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 95DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente e m 16/08/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SIL, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10875.001111/2004-30
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
PRELIMINAR. NÃO CONHECIMENTO. ANÁLISE DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL.
Para que se identifique a existência de divergência jurisprudencial, com o fim de demonstração dos requisitos de admissibilidade do Recurso Especial, necessário se faz a menção de um paradigma que se preste a consubstanciar aplicação distinta da norma aplicada ao recorrido.
Numero da decisão: 9202-006.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício)
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 PRELIMINAR. NÃO CONHECIMENTO. ANÁLISE DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Para que se identifique a existência de divergência jurisprudencial, com o fim de demonstração dos requisitos de admissibilidade do Recurso Especial, necessário se faz a menção de um paradigma que se preste a consubstanciar aplicação distinta da norma aplicada ao recorrido.
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NÃO CONHECIMENTO. ANÁLISE DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Para que se identifique a existência de divergência jurisprudencial, com o fim de demonstração dos requisitos de admissibilidade do Recurso Especial, necessário se faz a menção de um paradigma que se preste a consubstanciar aplicação distinta da norma aplicada ao recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 11 11 /2 00 4- 30 Fl. 272DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2202003.588 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 21 de setembro de 2016, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 206: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. JUSTIÇA DO TRABALHO. FONTE PAGADORA. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART. 62, § 2º. No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitandose, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Jurisprudência do STJ e do STF, com aplicação da sistemática dos Arts. 543B e 543C do CPC/1973. Art. 62, § 2º do RICARF determinando a reprodução do entendimento. Recurso Voluntário Provido. Conforme constam dos autos, fls. 207, contra o contribuinte em questão foi lavrado o auto de infração (fls. 157/159) com o lançamento de imposto de renda suplementar relativo ao ano calendário 2001, de multa de ofício e de juros de mora, totalizando um crédito tributário de 27.840,29. Conforme enquadramento legal de fls. 159. O lançamento em sob análise majorou os rendimentos tributáveis declarados pelo contribuinte, por ter sido constatada a omissão dos rendimentos recebidos no levantamento da quantia depositada nos autos do processo trabalhista n° 817/95, da 37ª JCP/SP, conforme Alvará de Levantamento 642/2001, de 18/09/2001, no valor de R$ 59.878,79. Dentro do prazo regulamentar, a Contribuinte apresentou impugnação, fls. 2 a 25 (Volume 1). Com a análise da impugnação apresentada, a Delegacia da Receita Federal de do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) julgou procedente o lançamento fiscal, fls. 171 a 175 (Volume 1). Em decorrência da análise do Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em 18 de setembro de 2012, o julgamento foi convertido em diligência, por meio da Resolução n.º 2802.000.094, e, posteriormente, em 21 de setembro de 2016, por meio do Acórdão n.º 2202003.588, foi dado provimento ao recurso, nos termos abaixo transcritos, fls. 216: Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10875.001111/200430 Acórdão n.º 9202006.864 CSRFT2 Fl. 3 3 Pelo exposto, VOTO dar provimento ao recurso para cancelar, por vício material, a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial trabalhista, consubstanciada no Auto de infração. Após ciência da referida decisão, foi interposto Recurso Especial pela Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 1 a 13, por entender a recorrente que deve ser mantido do lançamento relativo à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, determinandose, tão somente, o recálculo do imposto de renda com base nas tabelas progressivas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos. Foi realizado exame de admissibilidade, fls. 1 a 7, sendo dado seguimento ao citado Recurso para a rediscussão da questão suscitada. No que se refere ao mérito, a Recorrente aduz, em síntese, que: a) considerando as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça no RESP nº 1.118.429/SP e pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do RE n. 614.406/RS, restou sedimentado o entendimento quanto à aplicação do regime de competência à matéria objeto dos autos; b) quanto ao lançamento ora analisado, a União (Fazenda Nacional) requer que a autuação seja mantida, determinando o colegiado o retorno dos autos à DRF apenas para a retificação contábil relativa à alíquota incidente sobre os rendimentos recebidos a destempo; c) tal alteração não acarreta qualquer prejuízo ao contribuinte ou mácula ao lançamento (art. 142 do CTN), na medida em que impõe tãosomente o recálculo do montante devido sem majoração da exigência tributária; d) a omissão de rendimentos efetivamente existiu, não sendo tal fato alterado pelas decisões judiciais supra referidas; e) fazse necessário, tão somente, recalcular o montante do tributo devido de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. Por meio de contrarrazões, fls. 1 a 14, o Contribuinte não se insurgiu relativamente ao conhecimento do recurso, mas somente quanto ao mérito, sustentando, em síntese, que: a) foi constatada a existência de equívoco na apuração do imposto, pois, se acordo com o entendimento consolidado do STF e do STJ, na sistemática de repercussão geral e dos recursos repetitivos, as verbas trabalhistas recebidas acumuladamente em cumprimento de decisão judicial devem ser tributadas pelo IRPF, aplicandose as tabelas progressivas vigentes à época de cada competência dos rendimentos recebidos e, pela aplicação daquela vigente à época do recebimento sobre a totalidade do valor recebido; Fl. 274DF CARF MF 4 b) tratandose de vício no aspecto quantitativo da hipótese de incidência passível de ser sanado apenas por novo lançamento, o acórdão recorrido não viu outra alternativa senão o cancelamento da autuação; c) não se trata de mero ajuste do critério quantitativo de que trata o art. 142 do CTN, mas de confecção de um novo demonstrativo de débito, considerandose um novo critério, completamente diverso daquele utilizado pela ARFB, quando da lavratura do auto de infração, e com novos elementos até então não considerados; d) há argumentos de mérito, no Recurso Voluntário que deixaram de ser analisados pelo juízo a quo, principalmente no que se refere à exigência de verbas indenizatórias que não foram excluídas da base de cálculo do imposto pela DRJSPOII, tais como as verbas relativas às férias vencidas e não gozadas, adicional de um terço, dobra de salários atrasados e juros moratórios. É o relatório Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. 1. Do Conhecimento. Embora não suscitado pela Recorrente, suscito o não conhecimento do recurso, de ofício. Compulsandose os autos, extraise que a decisão recorrida teve como fundamento o RE n.º 614.406, julgado sobre a sistemática dos repetitivos, em razão da vinculação do Colegiado à decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal. Já a os acórdãos paradigmas n.º 2201002.386 e 2201.002.588 tiveram como fundamento o REsp 1.118.429/SP e o REsp 1.227.133/RS, julgados pela sistemática dos repetitivos. Ocorre que, ao aplicar a norma vinculante decorrente do RE n.º 614.406, a decisão a quo entendeu que a inconstitucionalidade declarada ocasionara o cancelamento do auto de infração. Contudo, o paradigma não divergiu acerca da aplicação da norma extraída do referido Recurso Extraordinário, de modo que não há como identificar a divergência argüida, pois as conclusões constantes do acórdão paradigma poderiam ser similares, caso houvesse a aplicação da decisão do Supremo. Desse modo, entendo que o recurso interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional não deve ser conhecido. (assinado digitalmente) Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10875.001111/200430 Acórdão n.º 9202006.864 CSRFT2 Fl. 4 5 Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 276DF CARF MF
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Numero do processo: 13706.002311/2002-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 06 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Ano-calendário: 2007
ALEGADA INTEMPESTIVIDADE DA MANIFESTAÇÃO DE
INCONFORMIDADE. A omissão no "AR" em relação à data de
recebimento da correspondência impõe, nos termos do art. 23, § 2°, II, do Decreto nº. 70.235/72, um prazo dilatado (15 dias a contar da expedição do aviso) para a apresentação da impugnação pelo contribuinte. Devido, assim, o retomo dos autos à DRJ de origem para o devido enfrentamento da questão de mérito do processo administrativo.
Recurso provido.
Numero da decisão: 3301-000.061
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara
da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos DAR provimento ao recurso para reconhecer a tempestividade da manifestação de inconformidade, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: Vanessa Pereira Rodrigues Domene
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Processo n° 13706.002311/2002-88 Recurso n° 163.846 Voluntário Acórdão n° 3301-00.061 — 3 Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 6 de maio de 2009 Matéria IRF Recorrente PARS PRODUTOS DE PROCESSAMENTO DE DADOS LTDA. Recorrida 3a TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ I AssuNTo: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2007 ALEGADA INTEMPESTIVIDADE DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. A omissão no "AR" em relação à data de recebimento da correspondência impõe, nos termos do art. 23, § 2°, II, do Decreto n". 70.235/72, um prazo dilatado (15 dias a contar da expedição do aviso) para a apresentação da impugnação pelo contribuinte. Devido, assim, o retomo dos autos à DRJ de origem para o devido enfrentamento da questão de mérito do processo administrativo. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos I .: R provimento ao recurso para reconhecer a tempestividade da manifestação de inco ip e i e 1 de, nos termos do voto da Relatora. da&s • if 40 - . • GUIAS PESSOA MONTEIRO P esidente tia = ‘0- NESSA PE EIRA RODRIGUES DOMENE , Relatora i Processo n° 13706.002311/2002-88 S3-C3T1 Acórdão n.° 3301-00.061 Fl. 1.290 FORMALIZADO EM: 28 AGO 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Raimundo Tosta, Núbia Matos Moura, Alexandre Naoki Nishioka, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rubens Mauricio Carvalho (Suplente convocado), Sidney Ferro Barros(Suplente convocado). Relatório A contribuinte formulou Pedidos de Restituição/Compensação (fls. 01/02) de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), embasada na Solução de Consulta SRRF/7a RF/DISIT n°. 77, de 29 de abril de 2002, na qual figurou como consulente, e por meio da qual a Secretaria da Receita Federal manifestou o entendimento de que nas aquisições de "software de prateleira" do exterior é incabível a exigência do IRRF. Os pedidos apresentados foram convertidos em declarações de compensação ("PER/DCOMP"), apensadas a estes autos, em razão da superveniência da Lei n". 10.637/02, que alterou o art. 74 da Lei n". 9.430/96. Às fls. 1.118/1.120 a Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro entendeu por não reconhecer o direito •creditório pleiteado e, assim, não homologar as declarações de compensação, com fulcro no argumento de que, sendo o suposto direito creditório decorrente de pagamentos indevidos a titulo de IRRF, em que o encargo financeiro é repassado ao efetivo beneficiário dos rendimentos, não tem a contribuinte legitimidade para apresentar os pedidos/declarações de restituição/compensação, já que não figura como sujeito passivo da obrigação tributária. Às fls. 1.125/1.139 a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual refuta integralmente os termos da decisão exarada pela DRF do Rio de Janeiro, aduzindo, em especial, (i) que não poderia a SRF ignorar os termos da Solução de Consulta SRRF/7a RF/DISIT n". 77, de 29 de abril de 2002, (ii) que o beneficiário dos rendimentos encontra-se fora do território nacional e (iii) que, no caso concreto, independentemente da incidência do IRRF, arcou com o pagamento de 100% (cem por cento) do software importado, o que denota prática comercial usual, que não pode escapar à atenção das autoridades fazendárias. Às fls. 1.163/1.165 a DRJ do Rio de Janeiro 1, no entanto, não conheceu da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, pois considerou sua protocolização realizada a destempo. Inconformada com a decisão exarada pela DRJ a contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 1.176/1.194, juntando documentos às fls. 1.198/1.245. Nesta oportunidade, alegou: Que foi cientificada da decisão "a quo" somente em 22/03/2007, e não em 20/03/2007; R. 2 Processo n° 13706.002311/2002-88 S3-C3T1 Acórdão n.° 3301-00.061 A. 1.291 Que a estrita legalidade exige solução diversa daquela dada à controvérsia pelo julgador tributário de primeira instância administrativa; Que a data do "AR" de fls. 1.124-verso encontra-se omitida; A manutenção da decisão recorrida importaria em cerceamento do direito de defesa e violação aos princípios constitucionais do devido processo legal e ampla defesa. Com a observação de ser o Recurso Voluntário tempestivo (fls. 1.249), os autos foram distribuídos a este E. Primeiro Conselho de Contribuintes. É o relatório. Voto Conselheira VANESSA PEREIRA RODRIGUES DOMENE, Relatora. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n°. 70.235, de 6 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fimdamentado. Assim, conheço-o e passo ao exame do mérito. De fato, à Recorrente assiste razão. O "Aviso de Recebimento" (AR) de fls. 1.124-verso é omisso com relação ao campo "Data de Recebimento". A anotação que consta na mesma folha acerca do recebimento do AR em 20/03/2007 não tem, ao seu final, a devida identificação do funcionário, que apenas insere, ao final da "observação", sua rubrica. Ao contrário do exposto pela autoridade julgadora de primeira instância, o carimbo aposto no mencionado AR, datado de 20/03/2007, não aponta o recebimento do aviso, mas sim, a data de entrega deste na unidade (dos correios) de destino, que pode ser diversa, vale dizer, da data recebimento da correspondência pelo destinatário. Desta forma, diante da omissão quanto à data de recebimento do AR, de rigor a aplicação do art. 23, § 2°, II, do Decreto n°. 70.235/72, "verbis": "Art. 23. Far-se-á a intimação: II (.) - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo; § 2° Considera-se feita a intimação: II - no caso do inciso 11 do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação" 3 Processo n° 13706.002311/2002-88 S3-C3T1 Acórdão n.°3301-0O.061 Fl. 1.292 Considerando que a Recorrente interpôs sua Manifestação de Inconformidade em 20/04/2007 (fls. 1.125) e, no entender da autoridade julgadora de primeira instância a contribuinte deveria tê-lo feito em 19/04/2007 com base na contagem ordinária prevista pelo Decreto n°. 70.235/72 (30 dias a contar do recebimento), os quinze dias fixados pelo mesmo decreto (a contar da data de expedição do AR) para os casos em que a data de recebimento restou omitida (hipótese dos autos) garantem a tempestividade da impugnação. Insta observar, ainda, que pela contagem ordinária (30 dias a contar do recebimento), e considerando-se como data de recebimento do AR a data de 20/03/2007, o que não se pode inferir, com a certeza devida, dos autos, a intempestividade suscitada no bojo da decisão recorrida é de apenas um dia. Vale salientar, ademais, que não fosse a expressa determinação contida no art. 23, § 2°, II, do Decreto n°. 70.235/72, no sentido de conferir ao contribuinte um prazo dilatado para apresentar seu inconformismo (diante de uma situação de incerteza quanto à efetiva data de ciência da decisão administrativa), a dúvida, em qualquer hipótese, não pode valer a favor do Fisco, especialmente no caso dos autos, em que estão em jogo possíveis recolhimentos indevidos de IRRF no importe de R$ 16.349.429,00 e o correspondente direito à sua restituição/compensação. Tais fatos me levam a decidir, neste caso, em prol da lei (art. 23, § 2°, II, do Decreto n°. 70.235/72) e em prol do princípio da razoabilidade administrativa, que impõe no presente processo administrativo o devido conhecimento da Manifestação da Inconformidade de fls. 1.125/1.139, com o devido enfrentamento da matéria pelo órgão julgador "a quo". O princípio da razoabilidade, implícito na Constituição Federal, é expressamente previsto pela Lei n°. 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. Veja-se, neste sentido, o art. 2°, parágrafo único, inciso VI da lei: "Art. 2'2 A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: VI - adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público:" Na lição de Hely Lopes Meirelles ("Direito Administrativo Brasileiro", 27' edição, 2002, pg. 91), o cerne do principio da razoabilidade é identificado na expressão "adequação entre os meios e os fins", bem como na própria vedação à "imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público". Assim, tendo em vista (I) a omissão contida no AR de fls. 1.124-verso, (II) a determinação constante no art. 23, § 2°, II, do Decreto n°. 70.235/72 e, também, (III) caso não observada a inteligência deste dispositivo legal (admitindo-se como data de recebimento do AR ça?. 4 Processo n°13706.002311/2002-88 S3-C3TI Acórdão n°3301-00.061 Fl. 1.293 a data de 20/03/2007), a intempestividade de apenas um dia, tenho para mim que, no presente caso, o interesse público será devidamente atendido com a análise do mérito pela autoridade julgadora de primeira instância. Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, a fim de determinar o retomo dos autos à autoridade julgadora de primeira instância administrativa, para a análise do mérito da Manifestação de Inconformidade. Sala das Sessões - DF, em 06 de maio de 2009 VAN SA PEREI RODRIGUES DOMENE 5 Page 1 _0008400.PDF Page 1 _0008500.PDF Page 1 _0008600.PDF Page 1 _0008700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10280.900567/2006-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
PREJUÍZOS FISCAIS. IRPJ. COMPROVAÇÃO. RECONHECIMENTO PARCIAL.
O crédito pleiteado deve ser reconhecido até o limite do valor comprovado, homologando-se as DCOMPs na ordem de sua apresentação e considerando-se as DCOMPs já homologadas tacitamente.
Numero da decisão: 1302-002.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 PREJUÍZOS FISCAIS. IRPJ. COMPROVAÇÃO. RECONHECIMENTO PARCIAL. O crédito pleiteado deve ser reconhecido até o limite do valor comprovado, homologando-se as DCOMPs na ordem de sua apresentação e considerando-se as DCOMPs já homologadas tacitamente.
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IRPJ. COMPROVAÇÃO. RECONHECIMENTO PARCIAL. O crédito pleiteado deve ser reconhecido até o limite do valor comprovado, homologandose as DCOMPs na ordem de sua apresentação e considerando se as DCOMPs já homologadas tacitamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 05 67 /2 00 6- 36 Fl. 1753DF CARF MF Processo nº 10280.900567/200636 Acórdão n.º 1302002.918 S1C3T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão nº 0125.621, de 30/10/2012, da 1ª Turma da DRJ de Belo Horizonte (MG) que, por unanimidade de votos julgou improcedente a Impugnação, registrandose a seguinte ementa: ASSINTO: IMPOSTO SOBRE A REMIA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2002 SALDO NEGATIVO IRPJ. FALTA DE COMPROVAÇÃO. NÃO RECONHECIMENTO. Tendo sido consideradas não homologadas as compensações de estimativa IRPJ e não logrado êxito o contribuinte em comprovar a existência do crédito pleiteado, este revelase inexistente. DÉBITOS COMPENSADOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. A apresentação de declaração de compensação retificadora faz reiniciar o prazo de cinco anos para 3 homologação da compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Na primeira oportunidade em que o Recurso Voluntário foi submetido ao Carf, esta Turma, por unanimidade, converteu o julgamento em diligência (Resolução nº 1302 000.396 de 21/01/2016), cujas razões transcrevo a seguir: Em 25/07/2003 a contribuinte apresentou três Declarações de Compensação DCOMP para utilização do que seria saldo negativo de IRPJ do exercício 2003. Na primeira delas (12095.95213.250703.1.3.024180) informou que o saldo negativo seria de RS 35.293,82, formado por estimativa devida em dezembro/2002; na segunda (24945.37874.250703.1.3.024234) que o saldo negativo seria de R$ 36.698,14, formado em razão de estimativa devida em dezembro'2002 para liquidação de débito de estimativa de IRPJ apurado em dezembro/2002 no valor de R$ 36.698,14; e na terceira (00640.89248.250703.1.3.0204787) que o saldo negativo seria de RS 39.841,63, formado por estimativa devida em dezembro/2002 para liquidação de débito de estimativa apurado em janeiro/2003 no valor de R$ 39.841,63. A primeira DCOMP foi retificada uma vez, em 16/04/2007 (25563.73807.160407.1.7.023001), para informar como direito creditório o saldo negativo de IRPJ no anocalendário 2002 no valor original de RS 415.620,95, detalhando sua composição com a indicação das estimativas apuradas ao longo do anocalendário 2002, e mantendo o mesmo débito compensado de R$ 35.293,82. A autoridade administrativa admitiu esta retificação visto que pretendeu promover correção de erro material incorrido pelo contribuinte. A segunda DCOMP foi retificada em 16/04/2007 (DCOMP n° 15710.11143.160407.1.7.029011), informando o saldo negativo de IRPJ no ano calendário 2001 no valor de RS 271.972,52, sem detalhar sua composição e compensando o mesmo débito de estimativa, agora devida em fevereiro/2003, no valor de RS 36.698,14. A autoridade administrativa não admitiu esta retificação porque foi indicado direito creditório diverso daquele que o contribuinte pretendeu efetivamente utilizar na compensação, providência classificada como inovação do pleito, com alteração do objeto da demanda original. Fl. 1754DF CARF MF Processo nº 10280.900567/200636 Acórdão n.º 1302002.918 S1C3T2 Fl. 4 3 A terceira DCOMP foi retificada uma vez em 16/04/2007 (DCOMP n° 19253.38038.160407.1.7.029729), para informar o saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2001 no valor original de R$ 271.972,52, mantendo o débito compensado de RS 39.841,63. A retificação não foi admitida pela autoridade administrativa pelas mesmas razoes expostas em relação à retificação da segunda DCOMP. A contribuinte apresentou várias outras DCOMP em 11/11/2003, 30/12/2003. 30/01/2004 e 05/03/2004. Todas elas foram retificadas em 16/04/2007 e 17/04/2007, em sua maioria para informar o saldo negativo de IRPJ no anocalendário 2002 originário da DCOMP n° 25563.73807.160407.1.7.023001), no valor original de R$ 415.620,95, e mantendo o mesmo débito compensado. Algumas delas foram retificadas para vincular a compensação ao saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2001, mas a retificação não foi admitida pelas mesmas razões acima expostas. Frente a tais condições, o despacho decisório de fls. 192/202 expressamente aborda as compensações veiculadas nas retificadoras admitidas, bem como nas DCOMP apresentadas em 25/07/2003 e 30/12/2003 cuja retificação não foi admitida. Analisando o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2002, no valor de RS 415.620,95, a autoridade administrativa validou a estimativa paga, confirmou as estimativas compensadas por meio de DCOMP (em cobrança ou homologadas tacitamente) e negou validade ás antecipações compensadas com saldo negativo do anocalendário 2001, mas sem DCOMP, visto que naquele período a contribuinte apurara IRPJ a pagar. Em conseqüência, o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002 ficou reduzido a RS 580,20. Na sequência, declarou a homologação tácita das DCOMP apresentadas em 25/07/2003, 30/12/2003 e 05/03/2004, cuja retificação não foi admitida, e homologou, até o limite do crédito reconhecido, as demais compensações retificadas em 16'04/2007 e 17/04/2007. Cientificada do despacho decisório em 24/02/2012 (fl. 204), a contribuinte manifestou sua inconformidade afirmando a regularidade das compensações promovidas para liquidação das estimativas do anocalendário 2002 e arguindo a homologação tácita do IRPJ apurado no exercício 2003 2002 em virtude do decurso do prazo previsto no art. 150, §4° do CTN. Juntou á sua defesa demonstrativo de recolhimentos de IRPJ e de IRPJ sobre lucro inflacionário de 1995 a 1998, utilizados para compensação de estimativas de IRPJ devidas no anocalendário 2002. além de outros elementos referentes à apurações passadas de IRPJ (fl. 221/254) A Turma Julgadora rejeitou estes argumentos porque não foi juntada à defesa a escrituração da contribuinte, e afastou a alegação de homologação tácita em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 SALDO NEGATIVO IRPJ FALTA DE COMPROVAÇÃO. NÃO RECONHECIMENTO. Tendo sido consideradas não homologadas as compensações de estimativa IRPJ e não logrado éxito o contribuinte em comprovar a existência do crédito pleiteado, este revelase inexistente. Fl. 1755DF CARF MF Processo nº 10280.900567/200636 Acórdão n.º 1302002.918 S1C3T2 Fl. 5 4 DÉBITOS COMPENSADOS HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÉNCIA. A apresentação de declaração de compensação retificadora faz reiniciar o prazo de cinco anos para a homologação da compensação. Cientificada da decisão de primeira instância em 04/02/2013 (fl. 276), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 01/03/2013 (fls. 277/289). Assevera que o adimplemento das estimativas foi realizado utilizandose crédito acumulado de anos anteriores decorrentes de valores recolhidos a maior, e aduz que tais pagamentos podem ser comprovados no sistema SINAL. Requer prazo para juntada dos referidos comprovantes de recolhimento que estão sendo objeto de busca pelos colaboradores do Solicitante. Renova a alegação de homologação tácita da apuração do IRPJ devido no anocalendário 2002 em razão do decurso do prazo previsto no art. 150, §4° do CTN, aplicável em razão da liquidação dos débitos por compensação. Subsidiariamente aduz que a aplicação do art. 173,1 do CTN também evidenciaria a decadência depois de transcorridos 9 (nove) anos da ocorrência do fato gerador. Apreciando o recurso voluntário, a 1a Turma Ordinária da 1a Câmara desta 1a Seção de Julgamento assim decidiu na sessão de julgamento de 07 de novembro de 2013: Acordam os membros do colegiado: 1) por voto de qualidade, em REJEITAR a preliminar de decadência do direito de o Fisco revisar o direito creditório compensado, vencido o Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, acompanhado pelos Conselheiros Meigan Sack Rodrigues e José Ricardo da Silva; e 2) por unanimidade devotos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do votos que integram a a resolução. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. No voto condutor da Resolução n° 1101000.111: 1) expressou os fundamentos para rejeitar a preliminar de decadência do direito de o Fisco revisar o saldo negativo de LRPJ apurado no anocalendário 2002; 2) acompanhou o Relator em seu entendimento contrário à homologação tácita das DCOMP n° 13389.15693.130407.1.7.027069 e 20338.94707.130407.1.7.027506, em virtude das retificações promovidas pela contribuinte; e 3) concluiu pela necessidade de diligência nos seguintes termos: Quanto a existência do direito creditório alegado, a autoridade administrativa não confirmou as estimativas de IRPJ do anocalendário 2002 que teriam sido liquidadas por meio de compensação com saldos negativo de período anterior. Por sua vez, o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001 foi objeto de outras compensações tratadas no processo administrativo n° 10280.720288/200852, também apreciado nesta sessão de julgamento, e convertido em diligência para aferição da validade dos elementos apresentados pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade. Assim, no mérito, o presente voto é no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência para que, a Fl. 1756DF CARF MF Processo nº 10280.900567/200636 Acórdão n.º 1302002.918 S1C3T2 Fl. 6 5 partir dos exames propostos na apreciação do processo administrativo n° 10280.720288/200852, a autoridade administrativa verifique a existência e disponibilidade de eventual saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário 2001 para convalidação das estimativas de IRPJ do anocalendário 2002 compensadas com tal crédito sem pedido. Ao final, deverá ser elaborado relatório circunstanciado, a ser cientificado ao sujeito passivo com a concessão de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. A autoridade fiscal intimou a contribuinte e obteve em resposta os esclarecimentos de fls. 311/1025. No Relatório de Diligência Fiscal de fls. 1026/1038, interpretando que a contribuinte poderia estar alegando que liquidou as estimativas de IRPJ devidas em 2002 com créditos de pagamento indevido verificados nos DARF relacionados nos demonstrativos de fls. 878/879, a autoridade fiscal registra que a maior parte dos pagamentos estava alocada ou sequer foi localizada e apenas o pagamento de 31/05/2002 estaria disponível para alocação à estimativa de abril/2002, sendo que esta parcela, somada às retenções na fonte não consideradas anteriormente, ainda assim totalizaria montante inferior ao IRPJ devido no anocalendário 2002. Contudo, agregandose as demais estimativas confirmadas na análise inicial do crédito, o saldo negativo seria elevado para R$ 20.417,88. Com referência aos créditos decorrentes de saldo negativo de IRPJ de período anterior, constatou na escrituração da contribuinte que as estimativas de 2001 foram liquidadas mediante a utilização de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001 no montante de R$ 450.980.01. e de crédito correspondente a lucro inflacionário no valor total de R$ 42.759.60. Com referência aos créditos de lucro inflacionário, para demonstrar a inviabilidade de sua utilização a autoridade fiscal discorreu sobre a formação, controle, realização e tributação do lucro inflacionário e abordou os registros correspondentes no LALUR. destacando que em vez de adicionar a parcela realizada do lucro inflacionário ao lucro líquido para, assim, determinar lucro real, a empresa apurava o imposto devido sobre o lucro inflacionário de forma autônoma, como se nenhuma relação tivesse essa receita tributável com os demais rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda e ainda utilizava o saldo do lucro inflacionário como crédito na quitação desse imposto devido. Os pagamentos do imposto sobre o lucro inflacionário também eram adicionados ao montante acumulado, e este saldo era atualizado pela taxa SELIC, sendo, ao final do anocalendário. convertido em crédito se apurado prejuízo fiscal. A autoridade fiscal também indicou outros aspectos desta apuração para evidenciar o registro contábil dos créditos como impostos a recuperar. No que tange ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001. a autoridade fiscal indicou que nas apurações procedidas nos autos do processo administrativo n° 10280.720288/200852 foi apurado imposto de renda a pagar no valor de R$ 15.899.98. Retomando a apuração do anocalendário 2002. a autoridade fiscal confirmou estimativas equivalentes às indicadas na análise inicial e agregoulhes o recolhimento de 31/05/2002, novamente indicando que o saldo negativo Fl. 1757DF CARF MF Processo nº 10280.900567/200636 Acórdão n.º 1302002.918 S1C3T2 Fl. 7 6 representaria R$ 20.417.88. Observou, ainda, que havia divergências entre as estimativas informadas em DCOMP e em DIPJ DCTF. as quais decorreriam do fato de que na DCOMP as parcelas de IRPJ estimativa mensal foram acrescidas dos valores referentes à atualização pela taxa SELIC, e não por seu valor original, como seria o correto. Cientificada do resultado da diligencia em 06 03 2015 e da reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, em 08/04/2015 a contribuinte requereu e lhe foi concedido prazo suplementar de 20 (vinte) dias. Em 27/04/2015 foi apresentada a petição de fls. 1045 1051. na qual a contribuinte diz que promoveu o controle de créditos no LALUR. que a autoridade fiscal interpretou equivocadamente seus registros, que o crédito utilizado para compensação referese a saldo negativo de períodos anteriores, e que a demonstração de realização do lucro inflacionário está equivocada, apresentando a correspondente retificação. Acrescenta que a página do LALUR foi indevidamente intitulada como "Lucro Inflacionário", mas se refere a crédito anterior por recolhimento a maior, e esclarece que o lucro inflacionário foi totalmente realizado no exercício 2005. Diz que seu percentual anual de lucro em comparação com a receita bruta evidencia que os recolhimentos por estimativa excederiam o imposto devido, e pede que sejam homologadas as compensações. Diante de desse relato, esta Turma, por unanimidade, novamente converteu o julgamento em diligência (Resolução nº 1302000.396 de 21/01/2016), cujas razões transcrevo a seguir: Consoante relatado, o julgamento do recurso voluntário presente nestes autos foi convertido em diligência por meio da Resolução n° 1101000.111 para que, a partir dos exames propostos na apreciação do processo administrativo n° 10280.720288/200852, a autoridade administrativa verifique a existência e disponibilidade de eventual saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2001 para convalidação das estimativas de IRPJ do anocalendário 2002 compensadas com tal crédito sem pedido. Considerando que nesta sessão de julgamento a apreciação do recurso voluntário interposto nos autos do processo administrativo n° 10280.720288/2008 52 foi novamente interrompida por necessidade de diligência, o presente voto é no sentido de também CONVERTER em diligência o julgamento do recurso voluntário aqui interposto para as mesmas providências solicitadas na Resolução n° 1101 000.111, a partir do resultado da análise acerca do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2001. Ao final, deverá ser elaborado relatório circunstanciado, a ser cientificado ao sujeito passivo com a concessão de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. A diligência foi realizada e formalizada conforme Relatório de Diligência Fiscal (fls. 1701/1738), cujas conclusões transcrevese a seguir: 4. CONCLUSÃO 4.1 Crédito de Saldo Negativo de IRPJ Anocalendário 2001 O conjunto formado pelos dados extraídos da documentação contábil e fiscal apresentada pela contribuinte (fls. 1.081 a 1.178 e fls. 467 a 929) e pelos dados arquivados nas bases informatizadas da RFB (DIPJ fls. 1.179 a 1.356, DCTF fls. Fl. 1758DF CARF MF Processo nº 10280.900567/200636 Acórdão n.º 1302002.918 S1C3T2 Fl. 8 7 1.357 a 1.428, DARF fls. 1.429 a 1.508, DIRF fls. 1.509 a 1.569, Sapli fls. 1.570 a 1.578), permite afirmar que o saldo negativo de IRPJ resultante do ajuste anual ao final do anocalendário 2001 foi suficiente para quitar parcialmente, por compensação, os débitos referentes a estimativas mensais de IRPJ apuradas ao longo do anocalendário 2002. As estimativas de janeiro/2002 a setembro/2002, foram compensadas sem a formalização de processo administrativo por se tratar de compensação entre tributos da mesma espécie. O IRPJ a pagar nos meses de outubro/2002 e dezembro/2002 foram compensados também com o saldo negativo IRPJ do anocalendário 2001, só que por meio do envio à RFB das DCOMP eletrônicas n°s36007.08793.250703.1.3.020910 e 08363.56352.280703.1.7.02 0307. Já a estimativa apurada no mês de novembro/2002, confessada na DCOMP n°13389.15693.130407.1.7.027069, foi quitada apenas em parte, uma vez que o saldo remanescente do crédito foi insuficiente para extinguir a totalidade do débito (Quadros 28 e 29). 4.2 Crédito de Saldo Negativo de IRPJ Anocalendário 2002 A maior parte das estimativas mensais de IRPJ apuradas ao longo do ano calendário 2002 foi quitada por compensação com o saldo negativo do ano calendário 2001, conforme demonstrativos apresentados no item 3.8 deste relatório. E, após efetuados os ajustes exigidos pelas normas reguladoras, verificouse que a contribuinte apurou saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 354.540,37 ao final do anocalendário 2002 (Quadro 30) suficiente para quitar integralmente, por compensação, as estimativas mensais de IRPJ referentes ao meses de janeiro a julho/2003 e parcialmente a estimativa do mês de agosto/2003. O crédito foi insuficiente para extinguir as estimativas dos meses de setembro a dezembro/2003 (Quadro 32). Essas compensações foram informadas pela contribuinte nas seguintes DCOMP (fls. 1.579 a 1.700): Fl. 1759DF CARF MF Processo nº 10280.900567/200636 Acórdão n.º 1302002.918 S1C3T2 Fl. 9 8 4.3 Utilização dos Créditos de Saldo Negativo de IRPJ do AC 1994 ao AC 2002 Os montantes originais e a destinação dada aos créditos correspondentes a saldo negativo de IRPJ apurados nos anocalendário 1994 a 2002 podem ser visualizados de forma sintética no quadro abaixo: Concluída a diligência, a Recorrente foi devidamente cientificada. Todavia, não manifestouse. Os autos retornaram ao Carf. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator A tempestividade e os demais pressupostos de admissibilidade do Recurso Voluntário foram analisados por ocasião da referida Resolução e o recurso foi conhecido. Fl. 1760DF CARF MF Processo nº 10280.900567/200636 Acórdão n.º 1302002.918 S1C3T2 Fl. 10 9 Na forma relatada, o julgamento foi convertido em diligência (Resolução n° 1101000.111) para que, a partir dos exames propostos na apreciação do processo também em pauta nessa sessão, Proc. 10280.720288/200852, a autoridade administrativa verificasse a existência e a disponibilidade de saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2001 para convalidação das estimativas de IRPJ do anocalendário 2002, compensadas com tal crédito sem pedido (DCOMP) O recurso voluntário reapresenta as afirmações da impugnação. Em preliminar sustenta que teria havido a decadência. No mérito, ressalta que a exigência não procede; que seus créditos são suficientes à extinção dos débitos; que há a necessidade de se corrigir seus créditos pela Selic; e reitera o pedido de homologação das DCOMPs. Conforme decidido no Proc. 10280.720288/200852, em julgamento nesta sessão, reconheceuse o saldo de direito creditório, no montante original de R$130.267,43, homologandose as DCOMPs, na ordem de suas apresentações (novembro e outubro/2001), considerandose a homologação tácita já reconhecida em despacho decisório, relativa ao mês de dezembro/2002, ou seja, reconheceramse, integralmente as compensações de estimativas, relativas ao ano calendário 2002. As estimativas de janeiro/2002 a setembro/2002, foram compensadas sem a formalização de processo administrativo por se tratar de compensação entre tributos da mesma espécie. O IRPJ a pagar nos meses de outubro/2002 e novembro/2002 foram compensados também com o saldo negativo IRPJ do anocalendário 2001, por meio das DCOMP n°s36007.08793.250703.1.3.020910 e 13389.15693.130407.1.7.027069. A estimativa apurada no mês de dezembro/2002, confessada na DCOMP n°08363.56352.280703.1.7.02 0307, foi homologada tacitamente. Por todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer saldo de direito creditório de dezembro/2002 no montante de R$372.249, 02 (R$354.540,37 + R$17.708,65), homologandose as DCOMPs na ordem de sua apresentação e considerandose as DCOMPs já homologadas tacitamente. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 1761DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.720397/2014-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Exercício: 2010, 2011
EXCLUSÃO DO SIMPLES. FALTA DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL.
Ocorrido as motivações para exclusão do Simples Nacional, nos termos do art. 29 da LC 123/2006, no que tange aos incisos V e VIII, cabível o seu procedimento, com efeitos retroativos.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL.
A Lei n° 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade de diplomas legais vigentes.
Numero da decisão: 1402-003.273
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer das matérias de cunho constitucional, vencido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que as conhecia e, no mérito, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas, negar o pedido de perícia e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer das matérias de cunho constitucional, vencido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que as conhecia e, no mérito, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas, negar o pedido de perícia e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone.
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FALTA DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. Ocorrido as motivações para exclusão do Simples Nacional, nos termos do art. 29 da LC 123/2006, no que tange aos incisos V e VIII, cabível o seu procedimento, com efeitos retroativos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei n° 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade de diplomas legais vigentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer das matérias de cunho constitucional, vencido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que as conhecia e, no mérito, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas, negar o pedido de perícia e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 03 97 /2 01 4- 70 Fl. 1018DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone. Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 2a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém PA, que julgou IMPROCEDENTE a impugnação do contribuinte acima mencionado, ora recorrente. Da autuação: O presente processo versa sobre autos de infração relativos aos Simples Nacional, referente a fatos geradores corridos nos anoscalendário de 2010 e 2011, acrescidas de multa de ofício simples e mais os encargos moratórios de atualização. As autuações fiscais envolvem o montante de R$ 891.736,85, entre principal, multa e juros corrigidos até março/2014. Em essência, decorreram de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada e também conforme apuração nos livros de registro de saída apresentados durante o procedimento fiscal. Ocorreu o arbitramento do lucro no período fiscalizado. Houve a exclusão do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/01/2010, em virtude da falta da apresentação do livro caixa e prática reiterada de infração tributária. Abaixo, por bem retratar, transcrevo da decisão a quo, os detalhes que fundamentarem a autuação fiscal: Trata o processo de lançamentos (fls.738/823), com ciência em 07/03/2014 (fl.825), assim discriminados: IRPJ: R$239.780,12 PIS/PASEP: R$89.369,16 Fl. 1019DF CARF MF Processo nº 11516.720397/201470 Acórdão n.º 1402003.273 S1C4T2 Fl. 1.019 3 CSLL: R$148.779,77 COFINS: R$413.807,80 2. As totalizações dos tributos a pagar constam das fls.738, considerando ainda que já estão computados os valores referentes à multa e juros até data de 03/2014. 3. De acordo com a autuação, fls.738/823, a imputação se deu em razão da seguinte situação: O procedimento de fiscalização, instaurado pela Delegacia da Receita Federal em Florianópolis por meio do Mandado de Procedimento Fiscal n°09.2.01.002013 008675, foi inicialmente relativo ao Simples Nacional, anocalendário 2010, e Imposto de Renda Pessoa Jurídica, anocalendário 2011. Posteriormente, em virtude de nova exclusão de ofício do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/01/2010, foi incluído o tributo IRPJ, anocalendário 2010. Em 06/09/2013, por meio do Termo de Intimação Fiscal n°001 (Termo de Intimação Fiscal n°001; Ciência do TIF n°001), a fiscalizada foi intimada a comprovar a origem dos depósitos bancários efetuados em suas contas bancárias em 2010 e 2011, conforme relação individualizada constante das planilhas anexas. Sem que a fiscalizada tenha apresentado seus livros Diário e Razão, ou os livros Caixa, relativos a 2010 e 2011, assim como documentos para comprovar a origem dos créditos efetuados em suas contas bancárias, elaboramos representação para fins de exclusão do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/01/2010, devido à falta de apresentação dos livros comerciais (Diário e Razão, ou Caixa) e pela apuração de omissões de receitas em 2010 e 2011, caracterizando prática reiterada de infração à legislação tributária (Representação para Exclusão do Simples Nacional), nos termos dos incisos V e VIII do artigo 5o da Resolução CGSN n° 15, de 23 de julho de 2007 (incisos V e VIII do art. 29, e art. 34 da Lei Complementar n° 123/2006). Em 21/02/2014, por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n°30, a fiscalizada foi excluída do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional por ter sido constatada prática reiterada de infração ao disposto na Lei Complementar n ° 123/2006, com fundamento nos seus artigos 29, incisos V e VIII, e 34. DO ARBITRAMENTO Como a fiscalizada, após ter sido regularmente intimada, deixou de apresentar seus livros comerciais e fiscais, ou o livro Caixa contendo toda sua movimentação financeira e bancária, ficando portanto desabilitada a optar pela tributação na forma do lucro real ou do lucro presumido, procedemos ao arbitramento dos lucros nos anoscalendário 2010 e 2011, com base no art.530, III, do RIR/99. Com base no art. 532 do RIR/99, utilizamos a receita bruta da empresa como base para o arbitramento, obtida em seus livros de Registro de Saídas e nas declarações apresentadas à RFB (DASN). Por meio dos Termos de Intimação Fiscal n ° 001 e 002 a fiscalizada foi intimada a comprovar a origem dos créditos bancários efetuados em suas contas em 2010 e 2011, tendo os mesmos sido relacionados individualizadamente nas planilhas anexas. Em resposta a fiscalizada indicou a existência de alguns cheques Fl. 1020DF CARF MF 4 depositados devolvidos e de transferências entre suas contas (Resposta 04) ; descontamos estes valores do total de créditos. Com base nos depósitos bancários e nos estornos de créditos e transferências, elaboramos demonstrativo das receitas omitidas apuradas (Bases de Cálculo). Por meio desta infração foram lançados de ofício os valores de IRPJ devidos, calculados na forma do lucro arbitrado e apurados com base nas receitas omitidas, decorrentes de créditos bancários de origem não comprovada. Em atendimento ao Termo de Início de Fiscalização foram apresentados somente os livros de Registros de Entradas e de Saídas do estabelecimento matriz da empresa, relativos a 2010 e 2011. Deixaram de ser apresentados os livros dos dois estabelecimentos filiais, mas as receitas dos mesmos foram declaradas por meio da DASN 2010. Essas filiais foram extintas em 2010 (Dados Cadastrais). Por meio desta infração foram lançados os valores de IRPJ devidos, calculados na forma do lucro arbitrado e apurados com base nas receitas de revenda de mercadorias. OBS: Em relação a 2010 utilizamos as receitas escrituradas no Registro de Saídas do estabelecimento matriz e as receitas relativas aos estabelecimentos filiais declaradas na DASN 2010; em relação a 2011 utilizamos as receitas escrituradas no Registro de Saídas. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL DEVIDA SOBRE RECEITAS DA ATIVIDADE OMITIDAS Por meio desta infração, que é decorrente da infração do IRPJ relativa às receitas omitidas, foram lançados de ofício os valores de CSLL apurados. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CSLL Por meio desta infração, que é decorrente da infração do IRPJ relativa às receitas de revenda de mercadorias, foram lançados de ofício os valores de CSLL apurados. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS Por meio desta infração, que é decorrente da infração do IRPJ relativa às revendas de mercadorias, foram lançados de ofício os valores de COFINS apurados na forma cumulativa. OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA À COFINS Por meio desta infração, que é decorrente da infração do IRPJ relativa às receitas omitidas, foram lançados de ofício os valores de COFINS apurados na forma cumulativa. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Por meio desta infração, que é decorrente da infração do IRPJ relativa às revendas de mercadorias, foram lançados de ofício os valores de PIS apurados na forma cumulativa. OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA À CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 1021DF CARF MF Processo nº 11516.720397/201470 Acórdão n.º 1402003.273 S1C4T2 Fl. 1.020 5 Por meio desta infração, que é decorrente da infração do IRPJ relativa às receitas omitidas, foram lançados de ofício os valores de PIS apurados na forma cumulativa. OBS: Todos os valores de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS declarados pela fiscalizada na forma do SIMPLES NACIONAL (DASN 2010 Original; DASN 2011 Original) foram descontados dos valores dos tributos apurados (Autos de Infração fls.744/746/748/750/752/771 a 780/798/799/809/810). Também elaboramos demonstrativo dos valores declarados levados em consideração (Resumo das DASN). Da Impugnação: Por bem descrever os termos da peça impugnatória, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: O contribuinte apresentou sua impugnação em 07/04/2014, fls.831/871, alegando que: Preliminarmente requer seja analisada a defesa da EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL retroativo ao ano de 2010, recebida em 07/03/2014. É Nulo o ato, pois não tem fundamento jurídico, vejamos: Justifica a exclusão em "Pratica reiterada de infração a lei do Simples Nacional. Não é uma justificativa legal para excluir e retroagir os efeitos em 4 (quatro) anos. Qual é a segurança jurídica da empresa que está em dia com o Simples Nacional, e do dia para a noite, vê o fisco mudando as regras do jogo, e tornandoa uma empresa omissa, e aplicando multa com fins confiscatórios. O Direito Tributário respeita o Principio da Ampla Defesa e do Contraditório, bem como o Principio do Devido Processo Legal, e não admite o Fisco mudar a tributação de uma empresa que esta certa, em dia, por presunção de infração a lei do Simples Nacional. Tal fato insurge o Principio da Isonomia Tributária, pois a Receita Federal muda às regras do jogo, e ainda retroage, justamente para aumentar a tão esperada receita de tributos. O Princípio da Isonomia encontrase previsto na Carta Magna como um dos direitos fundamentais dos cidadãos, alcançado por relevante esforço daqueles que, anos e anos atrás lutaram em busca da igualdade e da aplicação da verdadeira democracia" preconizada no Estado Democrático de Direito. Reza o artigo 5o, caput, da Constituição Federal vigente que: "todos são iguais perante a Lei sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes(...)". Depreendese do mencionado dispositivo constitucional que é assegurada a igualdade a todos os cidadãos, sem distinção alguma. Ocorre que é vedado ao Poder Público utilizar o poder de tributar como uma penalidade ao contribuinte, limitando os seus direitos subjetivos, porquanto inexiste Fl. 1022DF CARF MF 6 qualquer subordinação nesta relação jurídica. Ambos possuem direitos e obrigações recíprocas, livre de qualquer arbitrariedade. O fisco se prevalece de seu poder e impõem uma Exclusão do Simples Nacional, fundamentada em formula genérica, ou seja, não especificou qual foi o fato que causou a exclusão, e só por este motivo já é um ato nulo. Aliás, caso seja pelo motivo da empresa ter passado por processo de exclusão do Simples Nacional retroagindo a 2011, também estaria agindo de forma arbitraria, pois a Impugnante conseguiu o reenquadramento através de Medida Judicial, como veremos nos próximos tópicos. Tampouco poderia ser pelo fato da empresa ter apresentado pendências em um breve período de tempo, pois a mesma solicitou parcelamento da totalidade dos débitos abrangidos pelo sistema do Simples Nacional, na data de 10/10/2012. (comprovante de parcelamento do Simples nacional em anexo). Tal prática reiterada de infração a norma do Simples Nacional não existiu, pois o contribuinte com suas obrigações tributárias, e cumpriu com o pagamento, mesmo que por parcelamento. O que não o difere dos demais contribuintes. Não podendo o Fisco tirar os benefícios do Simples Nacional e arbitrar valores superiores e multa sobre a renda declarada e paga, sendo que o contribuinte encontrase em dia com o Simples Nacional. Diante do exposto deve ser declarada nula a Presente Exclusão do Simples Nacional retroativo a 2010, para garantir a isonomia entre o fisco e o contribuinte, bem como a segurança jurídica de sua relação. Caso a preliminar seja julgada pela exclusão do Simples Nacional, gerará um dano irreparável á reclamante, que mesmo em dia com o Simples Nacional, sofrerá duras penalidades, correndo o risco de fechar as suas portas para honrar com estes novos tributos que foram arbitrados. Súmula CARF n ° 22: É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. A empresa foi excluída do Simples Nacional em 2010 com efeitos a partir de 01/01/2011, pelo motivo de falta de pagamento. Todavia fora regularizado tal situação,e a empresa já foi enquadrada ao Simples Nacional em 01/01/2011. Serve como prova que a empresa é optante pelo Simples Nacional, extrato do sistema que demonstra a situação como optante desde 01/01/2011. A empresa tem relatório de acompanhamento pelo Sistema do Simples Nacional, datadas em 10/10/2012 e 22/02/2013, onde apresentava resultado que a empresa era optante,pelo Simples Nacional. A Impugnante moveu Processo Judicial junto a Justiça federal de Santa Catarina em face da Impugnada, (autos n°500059753.2011.404.7208), requerendo o reenquadramento no Simples Nacional e parcelamento dos débitos, o qual obteve êxito. A Sentença concedeu o Reenquadramento ao Simples Nacional e o Parcelamento que foi realizado através de depósitos judiciais, posteriormente transferidos judicialmente para a União. Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 11516.720397/201470 Acórdão n.º 1402003.273 S1C4T2 Fl. 1.021 7 Tornando a Impugnante em dia com suas obrigações tributárias, e dentro da forma de tributação do Simples Nacional. Em síntese o PAF desconsiderou que a empresa estava devidamente enquadrada no Simples Nacional, e não aceitou as declarações e pagamento dos tributos realizados com base na forma de tributação do Simples Nacional. Ocorre que não foi observado que a empresa não havia sido notificada da nova exclusão do exercício de 2011. Acreditase que o Auditor entendeu que a empresa estava no SIMPLES e decretou a sua exclusão retroativa até 2010, para poder arbitrar mais um exercício, sem os benefícios do Simples Nacional. Jamais uma empresa poderá ter seus tributos arbitrados, se esta sob o regime do Simples Nacional. O correto seria o Fisco notificar e fundamentar a exclusão do Simples Nacional, retroativo a 2010, e somente após o transito em julgado da decisão, sendo esta negativa, preparar um Auto de Infração com novos valores e forma de tributação equivalente. No momento em que o Fisco Federal constatou indícios de omissão de receita, e decide excluir do Programa do Simples Nacional, se faz necessário abrir prazo para o contribuinte apresentar defesa, para ao final concluir pela exclusão ou não, dai sim, lançar as obrigações tributárias principais e acessórias, através de arbitramento fiscal se a lei assim tipificar. Sendo um lançamento diferente com nova forma de tributação, admitirseia uma insegurança jurídica sem precedentes, pois a empresa não esta preparada. A omissão de receita ocorre quando o contribuinte não informa a receita, para não recolher os devidos tributos. A Contribuinte em tela apresentou a receita a ser tributada e pagou o valor a ser arrecadado ao fisco. Não podendo se falar em omissão de receita, e sobre a renda devidamente declarada e parcelada o tributo devido, não poderá incidir nova tributação e muito menos multa de 75 % sobre o valor do tributo. DA INFRAÇÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA A Súmula n° 182 do Tribunal Federal de Recursos, destacase: E ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários. Aliás, como pode uma empresa que teve uma receita de venda tributada em aproximadamente R$1.680.538,07, ser acrescido de toda movimentação financeira dos bancos. Somando um total de R$7.332.347,55 que serviu de base de cálculo para apuração dos tributos dos exercícios de 2010 e 2011. Bitributando a contribuinte, presumindo que toda a receita declarada por ele, não circulou pelas contas bancárias. Fl. 1024DF CARF MF 8 Sem contar que os próprios extratos financeiros demonstram que durante todo o tempo a empresa estava pagando juros ate 10 % sobre o valor de 200 mil reais, sendo este mais uma prova que a empresa não estava auferindo receita além da declarada. A única explicação é que a empresa vem tendo prejuízo, e tal movimentação não condiz com a renda auferida. O próprio extrato da conta corrente demonstra a dificuldade financeira que a contribuinte enfrenta para continuar suas atividades. Destacase que a empresa registrou em seus livros de entradas referente o período de 2010 e 2011, bem como nas DASN, o valor de compra de mercadorias para revendas no total de R$ 1.890.437,42, desta forma, como poderia o contribuinte ter auferido o valor de R$ 7.332.347,55 como receita de revenda? Chega a 300 % de lucro. Destacase a bitributação dos tributos já declarados com a movimentação financeira, que o correto seria, caso entendase que a movimentação é base de calculo, então que se abata o valor devidamente pago, e que não seja acrescido de multa. Neste período a empresa não aumentou a renda e muito menos o capital. Toda renda declarada e devidamente recolhida por parcelamento do simples nacional, deve ser abatida de tal renda arbitrada por movimentação financeira. Se o fisco considera que a contribuinte, auferiu renda de R$5.651.809,48, deverá abater o valor da renda declarada, que por lógica movimentouse junto. Devendo ter como base de calculo apenas o valor de 3.971.271,41. Reduzindo a base de calculo para todos os tributos. Mesmo assim deste valor nem tudo é auferição de renda. Se considerar que a empresa cumula a renda declarada com a movimentação financeira, haverá bitributação. Sobre a renda declarada houve o pagamento, através de parcelamento do SIMPLES NACIONAL não há o que se falar em multa de 75% por falta de pagamento. A jurisprudência tem decidido que 75% é uma multa pesada, tendo em vista que seu caráter é educacional e não confiscatório, algumas decisões abaixam para 20 %, porcentagem que já seria suficiente para educar no caso de uma empresa optante do simples nacional. Desta forma não incidirá multa de 75% sobre o valor declarado e pago através do parcelamento do Simples Nacional; Se o julgador entender ser devido multa sobre dita omissão de rendimentos, se restar comprovada, deverá incidir sobre a diferença, abatendose o valor pago, da base de calculo; Houve quebra do sigilo fiscal inconstitucionalidade; Caso no final deste contencioso administrativo, resulte algum tributo para recolher, desde já requer a igualdade com os parcelamentos concedidos aos órgão públicos com a União; Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 11516.720397/201470 Acórdão n.º 1402003.273 S1C4T2 Fl. 1.022 9 Os Autos de infração de Folhas 767, 793 e 804, estão faltando o dispositivo legal infringido. Devendo a nulidade ser declarada de oficio; O Valor do crédito Tributário não é claro, não esta esclarecido, e utiliza base de cálculo no sentido de bitributação. No caso em tela é flagrante a falta de clareza na apuração do crédito tributário e falta do dispositivo infringido. A ambos, administração fazendária e contribuintes, cabe não só alegar, mas principalmente produzir provas que criem condições de convicção favoráveis à sua pretensão. Cabe, sim, à administração fazendária o ônus da prova no ilícito tributário, mesmo que a base de cálculo do montante devido seja determinado por arbitramento, sob pena de se instalar o arbítrio em matéria tributária. Entretanto, não conferiu a lei ao contribuinte o poder de se eximir de sua responsabilidade através da recusa da entrega dos elementos materiais à apreciação objetiva e subjetiva estabelecida na legislação tributária. Neste particular, autorizado está o lançamento do Crédito Tributário através de arbitramento, sempre fundamentado em elementos fáticos não estranhos ao movimento empresarial do contribuinte. Da decisão da DRJ: Ao analisar a impugnação, a DRJ, primeira instância administrativa, entendeu por dar negar provimento integral à impugnação do contribuinte, por unanimidade. A ementa da decisão é a seguinte: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL ANOCALENDÁRIO: 2010, 2011 EXCLUSÃO DO SIMPLES. FALTA DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. A exclusão darseá de ofício quando houver falta de escrituração do livro caixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária. PRÁTICA REITERADA. Para fins de exclusão de empresa do Simples, considerase prática reiterada de infração à legislação tributária como sendo aquela prática habitual e repetida, de tal forma que fique caracterizado o seu uso freqüente, consubstanciandose em um costume. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei n° 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. SIGILO BANCÁRIO Fl. 1026DF CARF MF 10 A Lei Complementar 105 (Lei do Sigilo Bancário) revogou o art. 38 da Lei n° 4.595/64 e permitiu, expressamente, que o Poder Legislativo, CPI e a Receita Federal conheçam informações bancárias independentemente de ordem judicial. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: não houve as nulidades arguidas pela recorrente; sobre a prática reiterada de infração à lei do Simples Nacional, que a excluiu desta sistemática de recolhimento, e que a recorrente evoca como não justificável, entendeu o v. acórdão recorrido que a situação está prevista na LC 123/2006, no seu art. 29. Igualmente, e adicionalmente, a exclusão se deu em virtude da não apresentação dos livros fiscais obrigatórios; sobre o arbitramento, não prosperam as alegações da recorrente, então impugnante, pois ao excluíla do Simples Nacional, deve ser adotado outra forma de tributação, e na ausência dos livros fiscais, só caberia realmente o arbitramento do lucro; da multa de ofício, alegações da sua inconstitucionalidade são de competência do Poder Judiciário, fugindo do escopo do âmbito administrativo; quanto às alegações de presunção de omissão de receita com base em depósitos bancários de origem não comprovada, no presente caso, estarseá aplicando a legislação pertinente. Do Recurso Voluntário: Tomando ciência da decisão a quo em 23/12/2014, a recorrente apresentou recurso voluntário em 22/01/2015. Na sua peça recursal repisa praticamente os mesmos elementos e alegações da sua peça impugnatória, dos quais relembro, em aperta síntese: nulidade cerceamento de defesa; nulidade exclusão do simples foi indevida; nulidade quebra do sigilo bancário sem ordem judicial impossibilidade; não houve a prática reiterada de infração à legislação tributária; não houve omissão de receita requer produção de prova pericial; houve ilegalidade no arbitramento, pois todos os documentos foram apresentados; Fl. 1027DF CARF MF Processo nº 11516.720397/201470 Acórdão n.º 1402003.273 S1C4T2 Fl. 1.023 11 requer perícia sobre os documentos da empresa; nulidade não foram deduzidos os valores pagos pelo parcelamento do simples nacional; sobre sua exclusão do Simples Nacional improcede, pois ofende o princípio da isonomia entre contribuinte e fisco; multa de ofício com caráter confiscatório; nulidade por conta da falta do dispositivo legal infrigido em folhas do auto de infração; seu pedido, nos seguintes termos: DIANTE DO EXPOSTO, requer: 16.1. Que sejam analisadas todas as PRELIMINARES, e as teses de recurso, demonstrada a insubsistência e improcedência do acórdão, e do auto de infração; 16.2. Espera e requer a recorrente que seja acolhida o presente recurso para o fim de assim ser decidido, reformando se o acórdão, cancelandose o Processo fiscal em epigrafe e seus Autos de Infrações, bem como declarando o indeferimento da exclusão do Simples Nacional; 16.3. A Recorrente impugna os valores apurados a titulo de IRPJ, PIS/PASEP, CSLL E COFINS, pelos motivos fáticos e de direito expostos no presente recurso, e ao final requer a exclusão de tais lançamentos; 16.4. REQUER PERÍCIA TÉCNICA sobre a documentação fiscal e contábil da empresa, ora recorrente, a fim de comprovar a real situação da empresa, para tanto, já fora formulados os quesitos,no capitulo próprio, e nomeado o assistente técnico, Sr. Luciano Elias Soares Contador, para acompanhar; 16.5. Requer que a Receita Federal seja Intimada e compelida a apresentar o banco de dados contendo todos os pagamentos realizados no período fiscalizado, para assim comprovar bi tributação, e também comprovar que não fora abatido do valor da notificação fiscal os valores das parcelas simples nacional, devidamente pagas e em dia com a Receita Federal; 16.6. Requer que seja declarado nulo e inconstitucional a quebra do sigilo bancário das contas da empresa; 16.7. Requer que seja permitido todos os meios de prova admitidas em direito, para provar que a recorrente não omitiu receita, e nem infringiu a legislação tributária; 16.8. Requer a suspensão do credito tributário pelo período em que esteja sendo discutido. Fl. 1028DF CARF MF 12 16.9. Requer a impugnação total do acórdão infra mencionado, com fundamentos nas teses aqui expostas, bem como nos argumentos expostos na reclamação; Termos em que Pede deferimento. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Rogério Borges Relator O recurso voluntário apresentado foi tempestivo, e atendeu os demais pressupostos para sua admissibilidade, do qual conheço, ressalvando a matéria de inconstitucionalidade alegada, conforme abaixo descrito. Da síntese dos fatos: O presente processo versa sobre autos de infração relativos aos Simples Nacional, referente a fatos geradores corridos nos anoscalendário de 2010 e 2011, acrescidas de multa de ofício simples e mais os encargos moratórios de atualização. Em essência, decorreram de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, bem como de valores apurados no livro de registro de saídas da matriz, com o arbitramento do lucro no período, já que a recorrente não apresentou sua contabilidade. Houve exclusão do Simples a partir de 01/01/2010, constante no presente processo. Na sua impugnação requer análise da sua exclusão do Simples Nacional. Quanto aos depósitos bancários, alega sua ilegalidade, e também que ao desconsiderar a receita declarada, estaria o bitributando. Alega caráter confiscatório da multa. Cabe a Fazenda produzir provas do ilícito tributário. A decisão a quo rechaçou a nulidades arguidas. A exclusão do Simples Nacional foi procedente, pois além de ter incorrido em prática reiterada de infração, não houve a apresentação dos livros fiscais obrigatórios. O arbitramento do lucro no caso está correto. A multa de ofício é matéria que foge ao âmbito administrativo. Na sua peça recursal repisa os mesmos elementos e alegações da sua peça impugnatória, nada de relevante a acrescentar sendo aduzido. Das questões suscitadas na peça recursal Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 11516.720397/201470 Acórdão n.º 1402003.273 S1C4T2 Fl. 1.024 13 das preliminares de nulidade suscitadas A recorrente evoca na sua peça recursal vários itens, aos quais requer nulidade das autuações fiscais. Muitas das matérias alegadas se confundem e envolvem questões de mérito, bem como algumas são alegações que envolvem questão de entender ilegalidade e/ou inconstitucionalidade da imputação aplicada. Primeiramente, alega cerceamento de defesa, pois entende que esteve limitada na produção de provas, o que lhe prejudicou, principalmente ao fato de não ter tido prazo para defesa da sua exclusão do Simples, segundo pela falta de análise das suas teses de bitributação no v. acórdão recorrido, e terceiro por inconstitucionalidade da autuação fiscal, ao quebrar seu sigilo das contas bancárias. Segundo, requer nulidade por entender a exclusão do simples indevida, principalmente atacando o que entende inconstitucional a violação das suas contas bancárias. Terceiro, requer nulidade por quebra do sigilo fiscal das contas bancárias sem ordem judicial. Contudo, nada mais aduz além destas alegações. Como algumas matérias acima envolvem questão de conhecimento deste CARF, e outras envolvem questões de mérito, serão abordados na questão de conhecimento e meritória que sobressai a seguir no presente voto. De resto, compulsando os autos, não vislumbrei nenhuma nulidade, principalmente no que tange ao cerceamento de defesa, tendo ocorrido intimações já durante o procedimento fiscal para esclarecimentos, e aberta toda a oportunidade para a presente discussão litigiosa administrativa. Em alguns momentos no transcorrer da sua peça recursal, suscita novamente a palavra nulidade, mas com temas e matérias que envolvem as questões de mérito. Assim, para qualquer questão de preliminar de nulidade suscitada em toda a peça recursal, não vislumbrei as alegadas nulidades, como já dito logo acima. Destarte, REJEITO AS PRELIMINARES suscitadas pela recorrente. do pedido de perícia técnica: A recorrente na sua peça recursal requer perícia sobre os documentos da empresa para apurar a real situação fiscal e contábil, para tanto, coloca alguns quesitos que entende pertinentes ao caso. Contudo, entendo que todos os elementos necessários à formação da convicção deste julgador se encontram presente nos autos, o que dispensaria a instauração de uma perícia como pleiteada pela recorrente. Ademais, há vários requisitos pleiteados na sua peça recursal que, além de estarem lacônicos, são de itens que já caberia à recorrente se manifestar, oportunizada há muito desde sua autuação fiscal ocorrida em março de 2014, durante todo o processo administrativo Fl. 1030DF CARF MF 14 fiscal. Se detém, praticamente, a atacar a autuação fiscal com alegações de cunho principiológico, quando a matéria imputada na autuação fiscal envolve questão probatória. Destarte, REJEITO o pedido de perícia suscitada pela recorrente. No mérito: das alegações que não houve omissão de receitas Alega a recorrente que não houve a omissão de receitas, e que sempre declarou todo o seu movimento. Repisese a situação fática, sucintamente, que envolveu a autuação fiscal, conforme consta nos autos: a recorrente foi intimada com termo de início de ação fiscal em 29/05/2013, em que solicitou seus livros contábeis e fiscais obrigatórios, além dos extratos bancários. ao longo dos meses seguintes, apresentou os extratos bancários e livros de registro de entradas e saídas. Contudo, nunca apresentou os livros diário e razão e nem equivalente livro caixa; em 05/09/2013 foi intimada a justificar os valores de créditos ocorridos em suas contascorrentes, e reintimado em 18/12/2013. Neste ínterim apresentou uma resposta em que informa os cheques devolvidos e transferências entre mesma titularidade, silenciando em relação aos demais valores, os quais nunca mais se manifestou; em 18/02/2014 é efetuada a representação fiscal para exclusão do Simples Nacional, com o consequente ADE assinado dias depois; em março/2014 recebe a ciência do auto de infração, com respectivo termo de verificação fiscal e respectivo Ato Declaratório de Exclusão do Simples Nacional. Nos termos do termo de verificação fiscal, foilhe imputada duas infrações, por conta do arbitramento do lucro, quais sejam: receita bruta da revenda da atividade, em que foram aproveitados os valores informados anteriormente via DASN, cujo montante anual foi de R$ 568.725,37 e R$ 16.580,00, referente aos anoscalendário de 2010 e 2011, respectivamente; omissão de receitas, com base na presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, cujo montante anual, já descontados os cheques devolvidos e transferências mesma titularidade, de R$ 2.897.959,90 e R$ 2.456.128,77, referente aos anoscalendário de 2010 e 2011, respectivamente. Ou seja, houve todo o trâmite necessário para a verificação da presunção de omissão de receitas que lhe foi imputado. Em nenhum momento traz nenhum elementos comprobatórios para elidir tal situação, e sim , e apenas teses e regras principiológicas. É consabido nos julgados deste CARF a presunção de omissão de receita com base em depósitos bancários de origem não comprovada, desde o advento da lei nº 9.430/1996. Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 11516.720397/201470 Acórdão n.º 1402003.273 S1C4T2 Fl. 1.025 15 No caso concreto, em nenhum momento, desde o procedimento fiscal, procurou demonstrar com documentação hábil e idônea a justificativa para a origem dos valores creditados em suas contascorrentes. Não trouxe nem os livros contábeis e fiscais obrigatórios, diário e razão, ou livro caixa, para tentar demonstrar como escriturava suas operações. Então, não cabe agora alegar que não houve omissão e que sempre declarou tudo. Já que a recorrente praticamente repete e replica quase exatamente suas alegações da peça impugnatória, não cabe aqui repetir a análise legal do caso, das questões envolvidas no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, e a respectiva inversão do ônus da prova. O fato inconteste é que regularmente intimada a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados nas suas contascorrentes, a titular desta conta bancária não o conseguir, autoriza e compele a autoridade fiscal a proceder a autuação fiscal, pois a presunção legal enseja que tais valores presumemse omissão de receitas. Ao agir assim, a autoridade fiscal autuante está cumprindo o que a lei determina. Não é culpa da autoridade fiscal se o contribuinte não mantém em boa ordem as informações e documentos conforme determina a legislação tributária. No que tange aos valores declarados na sua DASN, não há nenhuma demonstração também que transitaram pelas contascorrentes, o que suscita a dúvida de tal situação. Da mesma maneira, não há previsão legal para exclusão destes valores dos valores omitidos, no caso por presunção legal. Assim, a autoridade fiscal autuou tais valores de forma distinta, não ocorrendo nenhuma bitributação de valores, como alegado em várias partes da sua peça recursal. Destarte e apesar das longas alegações da recorrente, NEGO PROVIMENTO quanto a este item. das alegações de que o arbitramento foi ilegal Alega a recorrente que todos os documentos obrigatórios do Simples Nacional foram apresentados, pelo qual a autoridade fiscal autuante não poderia ter feito o arbitramento. Como já exposto anteriormente, no transcorrer da ação fiscal, a recorrente foi instada a apresentar os livros contábeis/fiscais obrigatórios, e não atendeu, que primeiramente desencadeou sua exclusão da sistemática do Simples Nacional. Identificandose a situação de omissão de receitas com base no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, que foi apurado com base nos valores creditados em contascorrentes da recorrente, e mais os valores reconhecidos pela própria quando informa sua DASN, coube o arbitramento destes valores (omitidos + declarados) para fins da apuração do lucro. Fl. 1032DF CARF MF 16 Não prosperam as alegações da recorrente, até porque não foi isso que se vislumbrou nos autos e conforme já mencionado anteriormente neste voto. Destarte, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário quanto a este item. das alegações de que não foram deduzidos os valores pagos no Simples Nacional Alega a recorrente que a autoridade fiscal não abateu o valor devidamente pago pela mesma referente ao período em que foi fiscalizada anoscalendário de 2010 e 2011. Contudo, analisando o auto de infração, verificase que foram computados valores deduzidos no campo próprio de cada imposto e/ou contribuição apurado, o que leva a crer que houve sim as deduções. Verificandose o termo de verificação fiscal, ali está consignado, ipsis litteris: OBS: Todos os valores de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS declarados pela fiscalizada na forma do SIMPLES NACIONAL (DASN 2010 Original; DASN 2011 Original) foram descontados dos valores dos tributos apurados (Autos de Infração – fls. 744/746/748/750/752/771 a 780/798/799/809/810). Também elaboramos demonstrativo dos valores declarados levados em consideração (Resumo das DASN). Ou seja, a autuação fiscal considerou sim os valores declarados e/ou pagos, o que inclui até os valores parcelados como alegado pela recorrente durante os anoscalendário de 2010 e 2011. Destarte, NEGO PROVIMENTO a este item do recurso voluntário. das alegações de indevida a exclusão dos Simples Nacional Alega a recorrente que sua exclusão do Simples Nacional, retroativo ao ano de 2010 foi nulo, pois não teria fundamento jurídico. A justificativa da exclusão baseada em prática reiterada de infração a lei do Simples Nacional não seria válida para excluir e retroagir os efeitos em 4 anos (já que tomou ciência da exclusão em 07/03/2014). Para tanto evoca o princípio da isonomia entre contribuinte e fisco. Contudo, divirjo esta visão da recorrente. As hipóteses de exclusão do Simples Nacional estão postas no art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006, e no que tange ao inciso V, que envolve a questão de ter sido constatada prática reiterada de infração, há um regramento no §9º, que assim dispõe: § 9º Considerase prática reiterada, para fins do disposto nos incisos V, XI e XII do caput: I a ocorrência, em 2 (dois) ou mais períodos de apuração, consecutivos ou alternados, de idênticas infrações, inclusive de natureza acessória, verificada em relação aos últimos 5 (cinco) Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 11516.720397/201470 Acórdão n.º 1402003.273 S1C4T2 Fl. 1.026 17 anoscalendário, formalizadas por intermédio de auto de infração ou notificação de lançamento; ou II a segunda ocorrência de idênticas infrações, caso seja constatada a utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo. Pode haver discussões do amplitude deste parágrafo, mas no caso concreto, estamos falando de uma situação fática que envolveu a análise, fiscalização e autuação de 2 anos (2010 e 2011). Não foi identificado um evento isolado, e sim vários eventos similares que ensejaram a autuação fiscal por omissão de receitas. Ademais, a motivação da exclusão do Simples Nacional não se cingiu a apenas esta questão, mas também ao fato da recorrente não ter apresentado os livros fiscais obrigatórios, imputado no inciso VIII do mesmo art. 29 da LC 123/2006. Tal circunstância, por si só, já bastaria para promover a exclusão do Simples Nacional com efeitos retroativos. De resto, como já analisado nos tópicos anteriores, está perfeitamente adequado o procedimento adotado de exclusão do Simples Nacional promovido pela autoridade fiscal autuante. Destarte, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário quanto a este item. das alegações de que a multa de ofício foi confiscatória e inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário Contudo, nesta linha de defesa, exclusivamente adotada nesta parte da peça recursal, compreendo que se afasta das possibilidades de manifestação deste colegiado. Em verdade, há vedação expressa no art. 26A do Decreto 70.235/1972 que se adentre ao mérito de validade constitucional de normas legais no âmbito da do processo administrativo fiscal: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade Para tanto foi editada a Súmula CARF nº 2, a qual tão somente vem a espelhar o monopólio do Poder Jurisdicional sobre a temática: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Destarte, NÃO CONHEÇO destas matérias do recurso voluntário. Conclusão: Fl. 1034DF CARF MF 18 Voto por CONHECER PARCIALMENTE, REJEITAR as preliminares, NEGAR a perícia requerida, e NEGAR PROVIMENTO na parte conhecida do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 1035DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.905736/2008-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
Ementa:
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE.
Em sede de diligência fiscal restou apurado que parte do crédito vindicado pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por este Tribunal.
Numero da decisão: 3402-005.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no limite do crédito reconhecido na diligência fiscal realizada nos autos.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DE PARTE DO CRÉDITO EM SEDE DE DILIGÊNCIA FISCAL. ADMISSIBILIDADE. Em sede de diligência fiscal restou apurado que parte do crédito vindicado pelo contribuinte é legítima, o que deve redundar no seu reconhecimento por este Tribunal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no limite do crédito reconhecido na diligência fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 57 36 /2 00 8- 07 Fl. 434DF CARF MF 2 1. Por bem retratar os fatos aqui analisados emprego como meu o Relatório desenvolvido por este Tribunal administrativo quando da resolução n. 3402000438 (fls. 153/155), da lavra do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, o qual adoto como meu nos termos abaixo: Tratase de processo de restituição/compensação em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que a origem de seus créditos tem amparo na Lei 10.485/2002, por se tratar de produtos monofásicos que teriam sido incluídos indevidamente nas bases de cálculo do PIS e da Cofins. A DRJ em Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que as alegações trazidas pela interessada constituem fatos que não foram apreciados pela autoridade originalmente competente, posto que resultam de retificação de DCTF feita somente após a ciência do despacho decisório, além de não ter sido trazida aos autos a comprovação da existência do direito creditório alegado de forma genérica na manifestação de inconformidade. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpõe recurso voluntário ao CARF, repisando os argumentos apresentados anteriormente na manifestação de inconformidade, ressaltando que os fundamentos jurídicos que sustentam seu pleito derivam de sua atividade societária, comerciante de autopeças, cuja Lei nº 10.485/2002 reduziu a zero a alíquota a ser aplicada na receita bruta auferida na venda destes produtos. O Recurso Voluntário foi analisado e foi proposta uma resolução para fins de identificar o objeto da sociedade, o valor da receita auferida com a comercialização de produtos relacionados nos anexos I e II da Lei nº 10.485/2002, o valor da base de cálculo tributável e o valor dos recolhimentos efetuados pelo recorrente. O processo retornou da origem acompanhado por várias planilhas, além do contrato social. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba não produziu o termo final de diligência analisando os dados constantes nos documentos acostados aos autos pelo recorrente. (...). 2. Diante deste quadro, o processo foi novamente baixado em diligência por intermédio da resolução acima mencionada, determinado que a unidade preparadora formulasse relatório fiscal com base nos documentos fiscais apresentados pelo contribuinte e, nesse sentido, indicasse a existência ou não de crédito a ser compensado. Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10980.905736/200807 Acórdão n.º 3402005.356 S3C4T2 Fl. 435 3 3. Referida diligência foi cumprida, gerando relatório fiscal elaborado pela unidade preparadora, a respeito do qual o contribuinte apresentou manifestação. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. O recurso sub judice preenche os pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual passo ao seu conhecimento. I. Do crédito compensado 6. Em suma, o contribuinte apresentou pedido de compensação (DCOMP) alegando que recolheu valores que não eram devidos a título de PIS, ao fundamento que na operação perpetrada haveria incidência monofásica da tributação, nos termos da lei n. 10.485/02. 7. Em sede de diligência fiscal, assim apurou a unidade preparadora: (...). 6. A planilha elaborada por esta fiscalização levou em conta que: 6.1 – A tabela apresentada pelo contribuinte relacionando os produtos que vende, e respectiva classificação TIPI, não abrange todos os produtos que vende, conforme acima já se referiu e exemplificou. 6.2 Há produtos listados pelo contribuinte com cuja classificação TIPI não se concorda, mas que, ainda assim, se enquadram em classificação da TIPI cujo código também se encontra entre os que são beneficiados com a alíquota zero. Outros (pneus e câmaras de ar) que, não relacionados nos Anexos I e II da Lei n° 10.485/2002, ainda assim fazem jus à alíquota zero do PIS, conforme previsto no parágrafo único, art. 5°, daquela mesma Lei. 6.3 Levouse em conta, também, que o contribuinte, tal como consta na trigésima alteração de seu Contrato Social (fls. 134 a 138), Cláusula Terceira, tem por objeto social a exploração do ramo de comércio de peças e acessórios, serviços de manutenção e reparação mecânica de veículos auto motores, locação de automóveis sem condutor (49.3.02/0100), transporte de pessoal e pequenos volumes, e estacionamento para veículos e congêneres. 6.3.1 Ou seja, usando de bomsenso, considerouse que, se o contribuinte faturou uma mercadoria com o nome “borracha”, e esta designação, pura e simples, seja insuficiente para saber do que exatamente se trata, que, ainda assim, deve tratarse de Fl. 436DF CARF MF 4 produto para aplicação em um carro, ou seja, que não se trata de “borracha escolar”, por exemplo, embora também a possa vender. 6.4 O fato de se ter chegado à conclusão que determinado produto não se enquadra entre os listados nos Anexos I e II da Lei n° 10.485/2002, a isso se limita. Não se considerou necessário determinar em que código da TIPI tal produto se enquadra. A decisão se deu por exclusão – se o produto não se enquadra entre os previstos nos referidos Anexos, não é relevante determinar em qual se enquadra. Cabe ao contribuinte, isso sim, em não concordando com tal conclusão, indicar em que código da TIPI, previsto naqueles Anexos I e II, se enquadraria o produto, fazendo sua exata descrição, não se admitindo descrição como, por exemplo, sikaflex (NF n° 10349 – Proc. 10 980.905727/200816), que outra coisa não é que não uma marca de produto, embora por ele se presuma tratarse de produto da linha “selantes e correlatos”, que não é peça para automóvel, e, portanto, também não faz jus à alíquota zero do PIS. 6.5 A planilha abrange todas, e tão somente, as notas fiscais em face das quais o contribuinte identificou produtos contemplados com a alíquota zero, por ele demonstradas na relação, de fls. 140 a 146. Não se faz qualquer observação em relação àquelas sobre as quais não se observou divergência de entendimento quanto ao valor beneficiado pela alíquota zero ou não, só o fazendo em relação àquelas cujo valor não beneficiado com a alíquota zero fosse maior que o encontrado pelo contribuinte, neste caso referindo, na coluna “produtos não beneficiados c/ alíq. 0”, o nome dos produtos cuja classificação TIPI não corresponde a nenhuma daquelas constantes nos Anexos I e II da Lei 10.485/2002, para que o contribuinte, querendo, possa refutar o entendimento desta fiscalização, porém, identificando o produto com a correta nomenclatura, o código TIPI em que o considera enquadrado, bem como a defesa/esclarecimento de assim considerar, tal como já alertado no subitem precedente. 7. Dado o acima exposto, confirmase que o crédito utilizado na compensação em causa neste processo está restrito ao valor de R$ 896,02 (item 5 e seus subitens, acima). (...) (grifos nosso). 8. Referida diligência foi conclusiva no sentido de que, diante da análise perpetrada pela unidade preparadora, o contribuinte possuía algum crédito de PIS em razão de um indevido pagamento em operações ora sujeitas à monofasia ora subordinadas à alíquota zero, o que redundou em parte do crédito utilizado na presente compensação e glosado pela fiscalização. 9. Logo, há que se reconhecer como válido parte do crédito tomado pelo contribuinte, nos exatos termos em que constatado no sobredito relatório fiscal. Dispositivo Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10980.905736/200807 Acórdão n.º 3402005.356 S3C4T2 Fl. 436 5 10. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário, de modo a reconhecer o crédito pleiteado pelo contribuinte no montante de R$ 896,02, nos exatos termos do relatório fiscal elaborado pela unidade preparadora. 11. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 438DF CARF MF
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Numero do processo: 13963.000142/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano calendário:2006
DENÚNCIA ESPONTÂNEA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INAPLICABILIDADE O
instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a
Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias DIMOB.
Recurso Voluntário desprovido.
Numero da decisão: 1402-001.301
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar.
Nome do relator: Carlos Pelá
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Recurso Voluntário desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinada digitalmente) Carlos Pelá – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13963.000142/200715 Acórdão n.º 1402001.301 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento nº 69633436984673 de f. 05, por meio da qual exigiuse o pagamento da importância de R$ 5.000,00, a título de Multa por Atraso na Entrega da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias DIMOB. O prazo final para a entrega da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias – DIMOB/2007 Ano calendário de 2006 se encerrou no dia 28 de fevereiro do 2007 e a DIMOB foi entregue no dia 30/03/2007, portanto em atraso. Inconformada com a exigência, a interessada apresentou a impugnação de f. 1/3, expondo, em síntese, as seguintes razões: ∙ Conforme dispõe o art. 142 do CTN, o lançamento é ato administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável , calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível; ∙ A contribuinte apresentou a DIMOB em 30/03/2006, antes que houvesse qualquer notificação por parte da Administração Fazendária. Assim, aplicase ao caso em tela o disposto no art. 138 do CTN; ∙ No caso em tela a contribuinte “spont sue” entregou a DIMOB, ainda que fora de prazo, mas anteriormente a qualquer manifestação do fisco; ∙ Alega que os art. 16 da Lei 9.779/99 e 57 das MP nº 2.15835/2001, transcritos na impugnação e citados na Notificação de Lançamento não impõem ao contribuinte a obrigação de apresentar a DIMOB, e se dispositivo legal existe, este não foi apontado, tornando nula a notificação; ∙ Alega a locação de imóveis da impugnante são alugados pela empresa LOCATIVA, CNPJ nº 00.200.174/000106 e que sistematicamente apresenta DIMOB, inclusive as informações já apresentadas, o que por si só afasta qualquer omissão. Quando muito a DIMOB apresentada poderia ser uma retificadora das DIMOBs apresentadas pela locadora do imóvel LOCATIVA; ∙ Requer a produção de prova, a fim de deixar demonstrado que as informações já foram prestadas ao fisco, muito antes da entrega da DIMOB que gerou a presente notificação. Nesse sentido , através de uma análise técnica poderá ser confirmado que a peticionaria remeteu a SRF, dentro do prazo legal, e que o não recebimento se deu por problemas técnicos não atribuíveis a peticionaria, razão da improcedência do Auto de Infração. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ/FNS julgou improcedente a impugnação, entendendo inaplicável o instituto da denúncia espontânea para obrigações acessórias. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 34/38) repisando os argumentos de sua peça impugnatória. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13963.000142/200715 Acórdão n.º 1402001.301 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso voluntário, assim como a impugnação interposta pela contribuinte discute, tão somente, a possibilidade da aplicação do instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do CTN, ao caso concreto, que trata de descumprimento de obrigação acessória (entrega de Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias – DIMOB). A questão é conhecida e já restou pacificada em turmas da CSRF, razão pela qual, transcrevo alguns julgados: MULTA POR ATRASO. DIPJ. ENTREGA. Restando caracterizada a entrega em atraso de DIPJ, e estando o contribuinte obrigado a sua apresentação, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal de o contribuinte cumprir obrigação acessória, em atraso. (Acórdão: CSRF/01 04.920) Recurso Voluntário Negado. (CARF 1a. Seção, 2a. Turma da 4a. Câmara, ACÓRDÃO 140200.137 em 05/04/2010 em 05/04/2010, DOU em 01/02/2011). MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA DE DCTF, SANÇÃO APLICÁVEL POR LEI. A multa pelo atraso na entrega da DCTF relativa ao anocalendário de 2001 é devida nos termos do Decreto Lei 2.214/84. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. NÃO APLICÁVEL A DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A entrega da DCTF atrasada, espontaneamente, não afasta a multa, apenas a reduz em 50%. O artigo 138 do CTN aplicase apenas a infrações diretamente ligadas ao tributo devido, não se estendendo à multa devida pelo atraso na entrega da declaração. A entrega da DCTF no prazo regular é obrigação legal, conhecida desde a origem, razão pela qual não se afasta a responsabilidade da contribuinte, culpada do descumprimento da obrigação. Precedentes do STJ e da CSRF. (...). Recurso Voluntário Negado. / (CARF 1a. Seção, 2a. Turma da 3a. Câmara, ACÓRDÃO 130200.176 em 11/03/2010, DOU em 17/01/2011) DENÚNCIA ESPONTÂNEA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte consistente na entrega, com atraso, da declaração do imposto de renda. (CSRF 2a. Turma da 2a. Câmara, ACÓRDÃO 920200.862 em 11/05/2010, DOU em 11/05/2010). Fl. 3DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13963.000142/200715 Acórdão n.º 1402001.301 S1C4T2 Fl. 5 4 DENÚNCIA ESPONTÂNEA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INAPLICABILIDADE A entidade "denúncia espontânea" não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF. (CSRF – 2ª Turma / ACÓRDÃO 0304.099 em 06.07.2004, DOU em 12/07/2007). DENÚNCIA ESPONTÂNEA O instituto da denúncia espontânea , previsto no art. 138 do CTN, não elide a responsabilidade do sujeito passivo pelo cumprimento intempestivo de obrigação acessória. Precedentes do STJ. (CSRF – 3ª Turma / ACÓRDÃO 40305.566 em 13/11/2007, DOU em 13/11/2007). Além disso, cumpre ressaltar que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), também já se consolidou no sentido de que o citado instituto não pode ser alegado no caso de descumprimento de obrigação acessória. Nesse sentido: TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 11.340/SC, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, 2ª Turma, julgado em 13/09/2011, DJe 27/09/2011). Especificamente no ponto em que reclama a inexistência de dispositivo legal que a obrigue a arcar com referida penalidade, vale transcrever trecho do voto vencedor do supracitado acórdão da CSRF nº. 0304.099: Inicialmente, o conflito entre lei ordinária, no caso DecretoLei, e a Constituição vigente à época de sua edição, é matéria estranha a este colegiado, lhe sendo vedado pronunciarse sobre inconstitucionalidade de norma editada na forma constitucional prevista. Assim sendo, válidos são os preceitos do DecretoLei 2.124/84, permitindo ao Poder Executivo editar normas acerca de obrigações acessórias. O poder genericamente conferido traz em si a necessidade da imposição de penalidades quando do descumprimento das regras estabelecidas, sob pena de desfigurar todo o seu propósito, retirandolhe qualquer eficácia prática. Ora, se o Poder Executivo pode determinar o cumprimento de obrigações acessórias, mas não pode punir os infratores a estas mesmas regras, sem qualquer conteúdo restaria a norma editada, pois o seu descumprimento não causaria ao contribuinte qualquer dano. Ínsito ao poder de editar normas sobre obrigações acessórias está o poder de estabelecer penalidades ao seu descumprimento. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13963.000142/200715 Acórdão n.º 1402001.301 S1C4T2 Fl. 6 5 Adicionalmente, não há vedação à delegação feita pelo Ministro da Fazenda ao Secretário da Receita Federal. Pelo contrário, tratase de ato que ao invés de ferir o espírito do DecretoLei 2.124/84, o atende com maior razoabilidade, pois é a Secretaria da Receita Federal o órgão especializado e responsável pela arrecadação dos tributos para os quais as obrigações acessórias são instituídas. Por fim, inaplicável à espécie o artigo 25 do ADCT, pois não existe inconstitucionalidade formal superveniente. Uma vez exercido o poder conferido pelo DecretoLei, à luz da constituição pretérita, e não havendo inconstitucionalidade originária, a sua revogação, ainda que tácita, por força de nova Carta Magna, não invalidade os atos anteriormente praticados. Como se vê, o instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte consistente na entrega, com atraso, da declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias – DIMOB. Entendo, pois, que a decisão recorrida deve ser confirmada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 5DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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