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Numero do processo: 10886.000685/2010-18
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
Ementa:
EXIGÊNCIA DA ENTREGA DCTF. TERMO INICIAL. EFEITOS RETROATIVOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. Diante da fixação da data de exclusão do simples, ancorado em uma das hipóteses do art. 15 da Lei nº 9.317/1996, surge a obrigação de entrega da DCTF, independentemente da data do desfecho de qualquer discussão administrativa sobre a matéria.
Numero da decisão: 1002-000.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: JULIO LIMA SOUZA MARTINS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2005 Ementa: EXIGÊNCIA DA ENTREGA DCTF. TERMO INICIAL. EFEITOS RETROATIVOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. Diante da fixação da data de exclusão do simples, ancorado em uma das hipóteses do art. 15 da Lei nº 9.317/1996, surge a obrigação de entrega da DCTF, independentemente da data do desfecho de qualquer discussão administrativa sobre a matéria.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 Ementa: EXIGÊNCIA DA ENTREGA DCTF. TERMO INICIAL. EFEITOS RETROATIVOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. Diante da fixação da data de exclusão do simples, ancorado em uma das hipóteses do art. 15 da Lei nº 9.317/1996, surge a obrigação de entrega da DCTF, independentemente da data do desfecho de qualquer discussão administrativa sobre a matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Foram distribuídos os autos para análise de controvérsia envolvendo a cobrança de penalidade acessória, consubstanciada em multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF. In casu, há exigência vinculada ao 1º semestre de 2005, quantificada em R$ 2.286,95 (dois mil duzentos e oitenta e seis reais e noventa e cinco centavos) (efl. 4). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 6. 00 06 85 /2 01 0- 18 Fl. 40DF CARF MF 2 Diante da constituição do lançamento, protocolouse impugnação (efls. 2/3) alegando a recorrente ter sido excluída do Simples, contudo, devido a decisão advinda do PA nº 13736.000817/200386, os efeitos da exclusão seriam válidos a partir da data em que se deu a decisão definitiva naquele fólio, em 2007. A reclamação administrativa foi então conhecida, fazendo com que a 5ª Turma da DRJ/RJ I proferise o Acórdão nº 1234.215 (efls. 23/26) que, por unanimidade de votos, determinou a manutenção integral do crédito tributário, tendo sido anotado no decisum a data de 01/01/2002 como termo inicial para efeitos da exclusão do Simples. Ato contínuo, irresignada com o julgamento a quo, a autuada interpôs recurso voluntário (efls. 32/36), reiterando os mesmos argumentos rechaçados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Julio Lima Souza Martins Relator O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Com efeito, a questão controversa se resume em saber qual o marco inicial para efeitos de exclusão do Simples e, como tal, em que momento surgiria a obrigação de entrega das DCTF's pela recorrente. De plano verifico que, a despeito de não estar juntado ao processo, a decisão de piso deixa consignado que o ADE nº 445754, de 07 de agosto de 2003, determinou efeitos retroativos da exclusão a partir de 01/01/2002. A recorrente, por sua vez, afirma que a exclusão teve seus efeitos a partir de 2004, porém compreende que, somente a partir da decisão definitiva sobre a controvérsia (PA nº 13736.000817/200386), ocorrida 07/12/2007, deveria cumprir a obrigação acessória: Diante de tal decisão, a Recorrente interpôs o competente Recurso Administrativo, proc. n° 13736000817/200386, pelo que a questão ficou aguardando decisão final administrativa, que somente se deu em 07 de dezembro de 2007, quando restou decidida definitivamente a exclusão do SIMPLES, com data retroativa a 2004. (grifei) A interpretação advogada na petição não merece guarida. Primeiramente porque a recorrente por si só reconhece a retroatividade da exclusão do Simples desde o ano de 2004, dando azo, portanto, a exigência da entrega da DCTF do 1º semestre de 2005. Além disso, o argumento defendido no sentido de que a exclusão valeria a partir da decisão definitiva, no caso 07/12/2007, não encontra amparo na legislação à época vigente. Para tanto, reproduzo o art. 15 da Lei nº 9.317/1996 que enumera taxativamente todas as possibilidades de eficácia do termo inicial: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10886.000685/201018 Acórdão n.º 1002000.067 S1C0T2 Fl. 3 3 I a partir do anocalendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso I do art. 13; II a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9o desta Lei; III a partir do início de atividade da pessoa jurídica, sujeitandoa ao pagamento da totalidade ou diferença dos respectivos impostos e contribuições, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência, acrescidos, apenas, de juros de mora quando efetuado antes do início de procedimento de ofício, na hipótese do inciso II, "b", do art. 13; IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9°; V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. VI a partir do anocalendário subseqüente ao da ciência do ato declaratório de exclusão, nos casos dos incisos XV e XVI do caput do art. 9o desta Lei. Portanto, não há fundamentos jurídicos para conceber, que somente em 2007, com a ciência da decisão, surgiriam os efeitos da exclusão. De todo o exposto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Fl. 42DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.905353/2012-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2010 a 30/06/2010
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada documentação assaz apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHODECISÓRIO.EFEITOS.
A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-005.060
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2010 a 30/06/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação assaz apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHODECISÓRIO.EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional. Recurso voluntário negado.
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PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação assaz apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHODECISÓRIO.EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 53 53 /2 01 2- 74 Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10283.905353/201274 Acórdão n.º 3402005.060 S3C4T2 Fl. 0 2 Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Fortaleza, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos de Contribuição para COFINS. O Despacho Decisório denegatório do direito pleiteado inicialmente, fundamentou a não homologação da compensação sob a justificativa de que o pagamento referente ao DARF indicado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ciente do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva, na qual alega em síntese que: • A legislação federal referente à restituição/compensação assegura em caso de não homologação da compensação o direito a interposição de manifestação de inconformidade; • O Despacho Decisório de não homologação foi demasiadamente sucinto e não esclareceu o porquê da decisão. • Os princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa não foram respeitados pela administração tributária. O Despacho Decisório deve ser considerado nulo uma vez que não expôs os motivos da não homologação prejudicando seu direito de defesa; • É “empresa industrial com projeto aprovado na SUFRAMA e detentora de incentivos fiscais próprios da Zona Franca de Manaus, instituídos pelo DecretoLei nº 288/1967, bem como sujeita ao regime de apuração pela sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, podendo descontar créditos que poderão ser deduzidos do montante devido de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil.” • Faz jus aos créditos de PIS e COFINS, com base nos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, especificamente com relação ao inciso III: “energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica.” • Levantou os créditos no mês de competência e utilizou parte do crédito oriundo do previsto no inciso III dos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, para compensar com as Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10283.905353/201274 Acórdão n.º 3402005.060 S3C4T2 Fl. 0 3 contribuições vencidas no período, conforme DACONs retificadoras; “A manifestante, inclusive, providenciou a retificação da DCTF correspondente, regularizando qualquer pendência que ainda pudesse haver.” A defesa relaciona os Acórdãos nºs 1246124 de 10 de maio de 2012 da 17ª Turma e 1638673 de 11 de maio de 2012 da 3ª Turma. (...) • Ao final requer que se julgue procedente a Manifestação de Inconformidade, para o efeito de reformar o Despacho Decisório exarado no processo. Sobreveio então o Acórdão 08033.073, da DRJ/FOR, negando provimento à manifestação de inconformidade, por entender que "a eficácia da retificação da DCTF, quando apresentada após a ciência do Despacho Decisório, depende de comprovação, a cargo do contribuinte, do erro em que se funda, mediante escrituração e documentos", comprovação esta que não restou satisfeita. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário com relação ao mérito da questão, bem como alegando que a decisão recorrida não analisou a documentação apresentada no seu entender, suficiente para garantir o crédito pleiteado , deixando prevalecer erro material nas declarações inicialmente prestadas pela Contribuinte, mas depois devidamente sanadas. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402005.034, de 22 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 10283.904567/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 3402005.034: "Como se depreende do relato acima, a lide resumese à comprovação da existência e suficiência do crédito objeto da compensação. Pois bem. A Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10283.905353/201274 Acórdão n.º 3402005.060 S3C4T2 Fl. 0 4 pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 1 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à Contribuição ao PIS, decorrente de pagamentos indevidos e créditos que teria direito pela sistemática da não cumulatividade da contribuição social (incentivos fiscais próprios da Zona Franca de Manaus, instituídos pelo DecretoLei nº 288/1967 e 1 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10283.905353/201274 Acórdão n.º 3402005.060 S3C4T2 Fl. 0 5 com base nos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, respectivamente). Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon e da DCTF, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos, estabelece que Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10283.905353/201274 Acórdão n.º 3402005.060 S3C4T2 Fl. 0 6 a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Quanto à DCTF, cuja retificação foi feita posteriormente à prolação do despacho decisório, tampouco salvaguarda o pleito da Recorrente. Explico. Este Conselho possui pacífica jurisprudência, tanto nas turmas ordinárias (e.g. Acórdãos 3801004.289, 3801004.079, 3803003.964) como na Câmara Superior de Recursos Fiscais (e.g. Acórdão 9303005.519), no sentido de que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do crédito quando acompanhada de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original. Tal entendimento fundase na letra do artigo 147, § 1º do Código Tributário Nacional, a seguir transcrito: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na for ma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Portanto, a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não é suficiente para a demonstração do crédito pleiteado em PER/DCOMP, sendo imprescindível que a Contribuinte faça prova do erro em que se fundou a retificação. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10283.905353/201274 Acórdão n.º 3402005.060 S3C4T2 Fl. 0 7 Nesse sentido, destaco a ementa do Acórdão nº 9303005.708, cujo julgamento na CSRF, por unanimidade, ocorreu em 19 de setembro de 2017: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2001 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado.) Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. No caso em análise, a Contribuinte esclarece que teria apurado créditos de PIS, contudo, para comprovar a liquidez e Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10283.905353/201274 Acórdão n.º 3402005.060 S3C4T2 Fl. 0 8 certeza do crédito informado nas declarações (DCTF e DACON) é imprescindível que seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A Contribuinte não juntou aos autos nenhum documento contábil ou fiscal capaz de comprovar a liquidez e certeza do credito apontado. Somente insistiu que as declarações retificadoras seriam suficientes para tanto, mesmo após a decisão da DRJ ter expressamente colocado quais documentos seriam necessários para a efetividade da prova do crédito. Sobre esse ponto, saliento que este Colegiado vem admitindo provas apresentadas em sede de recurso voluntário, haja vista o princípio da verdade material e da informalidade moderada que reinam na esfera do processo administrativo. Todavia, nem em sede recursal a Recorrente se desincumbiu do ônus da prova. Dessarte, não tendo sido comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Dispositivo Por essas razões, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 205DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.002232/2003-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. Eventuais vícios nos Mandados de Procedimento Fiscal não têm o condão de acarretar a nulidade de Autos de Infração lavrados com observância dos pressupostos legais. REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. POSSIBILIDADE. Possível o reexame de período já fiscalizado, posto existir, no caso, ordem escrita de Delegado da Receita Federal. LANÇAMENTO PARTINDO DE AUTO DE INFRAÇÃO ANTERIOR. VALIDADE. Válido o lançamento considerando Auto de Infração anterior, o qual, enquanto não for reformado, produz seus efeitos, dentre os quais se incluem a redução de prejuízos fiscais e a apuração de nova base tributável. COLIGADAS NO EXTERIOR. LUCROS NÃO DISPONIBILIZADOS. JUROS PAGOS OU CREDITADOS. INDEDUTIBILIDADE. São indedutíveis os juros, pagos ou creditados a empresas controladas ou coligadas, domiciliadas no exterior, relativos a empréstimos contraídos, quando, no balanço da coligada ou controlada, constar a existência de lucros não disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil, não sendo de competência da esfera administrativa a apreciação da constitucionalidade dessa norma jurídica. MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. ARTIGO 44, INCISO II, E 61 DA LEI 9.430/1996. Comprovada a falta de declaração e recolhimento dos tributos, correto a exigência mediante auto de infração, aplicando-se a multa de ofício de 75%, incidindo, ainda, juros de mora à taxa Selic. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.765
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. Eventuais vícios nos Mandados de Procedimento Fiscal não têm o condão de acarretar a nulidade de Autos de Infração lavrados com observância dos pressupostos legais. REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. POSSIBILIDADE. Possível o reexame de período já fiscalizado, posto existir, no caso, ordem escrita de Delegado da Receita Federal. LANÇAMENTO PARTINDO DE AUTO DE INFRAÇÃO ANTERIOR. VALIDADE. Válido o lançamento considerando Auto de Infração anterior, o qual, enquanto não for reformado, produz seus efeitos, dentre os quais se incluem a redução de prejuízos fiscais e a apuração de nova base tributável. COLIGADAS NO EXTERIOR. LUCROS NÃO DISPONIBILIZADOS. JUROS PAGOS OU CREDITADOS. INDEDUTIBILIDADE. São indedutíveis os juros, pagos ou creditados a empresas controladas ou coligadas, domiciliadas no exterior, relativos a empréstimos contraídos, quando, no balanço da coligada ou controlada, constar a existência de lucros não disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil, não sendo de competência da esfera administrativa a apreciação da constitucionalidade dessa norma jurídica. MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. ARTIGO 44, INCISO II, E 61 DA LEI 9.430/1996. Comprovada a falta de declaração e recolhimento dos tributos, correto a exigência mediante auto de infração, aplicandose a multa de ofício de 75%, incidindo, ainda, juros de mora à taxa Selic. Recurso Voluntário Negado. Fl. 274DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.002232/200319 Acórdão n.º 140200.765 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório OVETRIL OLEOS WEGETAIS LTDA. recorre a este Conselho contra o acórdão proferido pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal, em primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): DA AUTUAÇÃO Conforme Termo de Verificação de fls. 69 a 71, a presente fiscalização, referente ao anocalendário de 1999, teve origem na Representação Fiscal da então Delegacia da Receita Federal em São Paulo / Divisão de Fiscalização da Indústria, que faz menção a transferências internacionais em reais e em moeda estrangeira, no período de 15/09/95 a 04/05/98, efetuadas pela fiscalizada e por sua controlada no exterior, Select South International Inc., as quais poderiam envolver infrações relativas a matéria de competência da Delegacia de Assuntos Internacionais (DEAIN). 2. Examinando a documentação anexa, a fiscalização constatou que no ano calendário de 1999 a contribuinte manteve participação de 100% na Select South International Inc., com sede em Grand Cayman – Britsh West Indies, e que, no mesmo período, não houve disponibilização de lucros obtidos no exterior. 3. As transferências internacionais mencionadas na Representação Fiscal referemse a: Fl. 275DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.002232/200319 Acórdão n.º 140200.765 S1C4T2 Fl. 0 3 Remessas da Select para a Overtril US$ 69,993,202.46; Remessas da Overtril para a Select – Transferências Internacionais em Reais (TIR) – R$ 118.238.440,67, as quais já foram objeto de auditoria contábil / fiscal e autuação. 4. A presente fiscalização referese aos mútuos passivos registrados na conta 22201604 (item a). 5. A fiscalização verificou que, no anocalendário de 1999, a contribuinte contabilizou despesa de juros, no montante de R$ 7.788.425,62, a qual foi computada na apuração do lucro líquido, e não adicionada quando da apuração do lucro real. Tal procedimento resultou no descumprimento do previsto no § 3º do artigo 1º da Lei nº 9.532/97. 6. Conforme consta nas Demonstrações Financeiras da controlada Select South International Inc., referentes aos anoscalendário de 1998 e 1999, anexas, a empresa no exterior passou de uma posição de “prejuízos acumulados” para “lucros acumulados”, respectivamente, entre os dois exercícios. Os demonstrativos referentes ao anocalendário de 1999 apontam “lucros acumulados”, no valor de R$ 44.856.028,11, que não foram disponibilizados (fl. 76). 7. O mútuo considerado na presente fiscalização teve origem em 50 operações de antecipação de contratos de câmbio de exportação, realizadas entre 01/10/97 e 24/03/98, no total de US$ 69,993,220,55. O valor correspondente, em reais, a cada um desses prépagamentos foi contabilizado na conta “Empréstimos de Coligadas Select South International Inc.”, sendo os juros e a variação cambial levados às correspondentes contas de resultado. 8. Cada um desses prépagamentos (originalmente antecipações de contratos de câmbio de exportações não efetivadas pela Overtril) feitos pela Select junto a bancos no país foi objeto de cartapedido ao Banco Central do Brasil, em Curitiba PR, para conversão dos prépagamentos em empréstimos de moeda estrangeira. Em 05/10/98, por meio do Ofício ECUR / REREX / SUFIR – 98/685, anexo, o Banco Central indeferiu, em bloco, os pedidos. Apesar desse indeferimento, a fiscalizada passou a tratar os prépagamentos como se fossem mútuos contraídos com sua controlada, provisionando despesas de juros e variação cambial. 9. Os encargos relativos aos juros de 6% ao ano, previstos nas correspondências enviadas ao Banco Central, foram provisionados e levados a resultado na apuração do lucro líquido. A contribuinte assim procedeu amparado no que dispõe o artigo 374 do RIR/99, que permite a dedução de juros pagos ou incorridos como custo ou despesa operacional. Ocorre, porém, que essa dedução não se aplica a tais encargos quando se referem à situação descrita no § 3º do artigo 1º da Lei nº 9.532/97. 10. A fiscalização verificou, ainda, que os encargos contratuais do período, objeto da autuação, encontramse dentro dos limites máximos estabelecidos na legislação (artigo 22 da Lei nº 9.430/96). 11. Em face do acima exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos, relativos ao anocalendário de 1999: Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) Auto de Infração: fls. 53 a 57 Fundamento legal artigo 1º, § 3º, da Lei nº 9.532/97 Fl. 276DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.002232/200319 Acórdão n.º 140200.765 S1C4T2 Fl. 0 4 Crédito Tributário R$ 4.536.368,49 (quatro milhões, quinhentos e trinta e seis mil, trezentos e sessenta e oito reais, e quarenta e nove centavos), referente a “Imposto”, “Juros de Mora” (cálculo até 30/05/2003) e “Multa proporcional“ (75%) Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL) Auto de Infração: fls. 58 a 63 Fundamento legal artigo 2º, e §§, da Lei nº 7.689/88; artigo 19 da Lei nº 9.249/95; artigo 1º da Lei nº 9.316/96; artigo 28 da Lei nº 9.430/96; e artigo 6º da MP nº 1.858/99, e reedições Crédito Tributário R$ 1.937.525,10 (um milhão, novecentos e trinta e sete mil, quinhentos e vinte e cinco reais, e dez centavos), referente a “Contribuição”, “Juros de Mora” (cálculo até 30/05/2003) e “Multa proporcional“ (750%) Crédito Tributário Total R$ 6.473.893,59 (seis milhões, quatrocentos e setenta e três mil, oitocentos e noventa e três reais, e cinqüenta e nove centavos) DA IMPUGNAÇÃO 12. Cientificada dos lançamentos em 30 de junho de 2003 (fls. 55 e 60), a empresa interessada, por meio de seu diretor, apresentou, em 29 de julho de 2003, a impugnação de fls. 80 a 118, alegando, em síntese: PRELIMINARMENTE 13. Neste tópico, a contribuinte traz argumentos acerca da nulidade dos Autos de Infração por: inobservância dos procedimentos legais (fls. 81 a 86); existência de procedimento fiscal anterior sobre o mesmo exercício – princípio da preclusão do procedimento (fls. 86 a 97); ser o mesmo revisão de lançamento anterior – princípio da preclusão do procedimento (fls. 97 a 104); erro na formação do valor do crédito tributário (fls. 104 e 105). Da nulidade dos Autos de Infração por inobservância dos procedimentos legais 14. O procedimento fiscalizatório deve respeitar, obrigatoriamente, o princípio da objetividade da ação fiscal, na observância do superior princípio das segurança jurídica. O mencionado princípio resulta na obrigação de que o início do procedimento fiscal não se resuma somente ao aviso de início de fiscalização e relativos registros formais, pois exige mais do que isso. Fl. 277DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.002232/200319 Acórdão n.º 140200.765 S1C4T2 Fl. 0 5 15. Todo o procedimento fiscalizatório deve ser precedido da comunicação prévia e do conveniente planejamento, de maneira a ser evitar transtornos no quotidiano do autuado, que não pode ser surpreendido na condução de seus negócios e nem a tudo abandonar com o objetivo de atender às exigências fiscais. 16. Não pode também o contribuinte ficar ad eternum sujeito ao mesmo procedimento fiscalizatório, ou seja, o procedimento deve ser concluído num período de tempo razoável. 17. Conforme breve relato às fls. 82 e 83, destacamse fatos importantes: primeiro, a fiscalização dos referidos exercícios estendeuse por mais de dois anos; segundo, foi realizada com base em Mandados de Procedimentos Fiscais irregulares e inválidos e, portanto, imprestáveis para dar sustentação a Autos de Infração lavrados nessas condições; e, por fim, na sua última etapa, foi realizada por agentes incompetentes, ou seja, impedidos para a realização de tal tarefa. 18. Destaca a impugnante a Portaria SRF nº 1.265/99, em especial os artigos 12, 13, 15 e 16. 19. Além das irregularidades na emissão e renovação dos MPFs, há o vício insanável da nomeação dos mesmos agentes para realizar revisão de fiscalização sobre exercício já fiscalizado. 20. Vêse claramente pela descrição dos MPFs que não foram observados seus prazos de vencimento, sendo que a partir do MPF emitido em 12/09/2001 sequer foram emitidos MPFs complementares. 21. A bem da verdade, tudo o que foi feito depois da emissão do MPF de 17/04/2001, o foi de forma irregular, e deve ser desconsiderado para a formação de qualquer juízo. 22. Considerando as irregularidades existentes no curso de todo o procedimento fiscalizatório, deve o Auto de Infração ser considerado nulo, uma vez que contraria frontalmente os dispositivos legas que regem a sua aplicação. Da nulidade dos Autos de Infração por existência de procedimento fiscal anterior sobre o mesmo exercício – princípio da preclusão do procedimento 23. A nova fiscalização, de um mesmo período, com o objetivo de aplicação dos mesmos procedimentos fiscalizatórios, sem a autorização legal que trata a legislação, implica nulidade do lançamento oriundo dessa nova ação fiscal. 24. Em se tratando de períodobase já fiscalizado anteriormente, sem que tenha sido realizado qualquer lançamento ou lavrado Auto de Infração, a jurisprudência e a doutrina têm demonstrado a total impossibilidade de aplicação de nova ação fiscal, sendo completamente nulo o Auto de Infração lavrado nessas condições. 25. A impugnante já foi fiscalizada anteriormente, sendo que os anosbase de 1998 e 1999 foram objeto de exame em ação fiscal por 3 oportunidades: a primeira pela MPF nº 0813200 2000 007655, emitido em 03/08/2000, com ciência à impugnante em 10/08/2000; a segunda pelo MPF nº 0813200 2000 013779, emitido em 15/12/2000, com ciência à impugnante em 28/02/2001; e a terceira pelos MPFs nº s0817400 2000 000018 93 e (atual) 08171000 2000 00002510. Fl. 278DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.002232/200319 Acórdão n.º 140200.765 S1C4T2 Fl. 0 6 26. Notase, pela relação de documentos que ainda estavam em poder dos Auditores até 20/02/2002, muito depois de terem lavrado Auto de Infração arbitrando o lucro da empresa em relação ao ano de 1995, e também pelos documentos solicitados pelos agentes fiscais durante a realização dos trabalhos de fiscalização, que os Autos de Infração ora impugnados têm causa nas mesmas operações já verificadas pelos Auditores Fiscais nas fiscalizações anteriores. 27. Novamente no procedimento fiscalizatório que deu origem ao presente Auto de Infração se verifica que o objetivo das autuações são as contas de mútuo já tão detidamente analisadas pelos Auditores nos procedimentos anteriores. Foram analisados de tal modo, e com tanta profundidade, que concluíram por emitir um Auto de Infração exigindo o recolhimento de IRPJ e CSLL (processo nº 16327.000527/200342). 28. A coincidência dos trabalhos de fiscalização é tão evidente, que nos relatórios emitidos pelos fiscais por ocasião do encerramento dos trabalhos de cada um são praticamente idênticos. 29. A total identidade nos procedimentos e nos pedidos de documentos e informações por parte dos Auditores Fiscais, inclusive com relatórios finais praticamente idênticos, demonstra claramente que a empresa sofreu a mesma fiscalização com base em no mínimo 3 MPFs diferentes, o que está totalmente irregular. 30. Considerando que por decorrência do primeiro procedimento de fiscalização foi emitido um equivocado Auto de Infração arbitrando o lucro da empresa em relação ao ano de 1995, apenas, e que em relação aos demais exercícios foi constatada a regularidade fiscal da impugnante, a revisão dos procedimentos de fiscalização em relação a 1998 e 1999 somente poderá ser realizada com ordem específica da autoridade competente. 31. A legislação é clara no sentido de que o reexame de período já fiscalizado somente é possível com autorização de autoridade superior, nos termos do artigo 906 do RIR/99, sendo imprescindível um novo MPF, motivado por algumas das hipótese dispostas no artigo 149 do CTN. 32. O Primeiro Conselho de Contribuintes já se manifestou no sentido de tornar nulo o Auto de Infração lavrado nessas circunstâncias (fls. 95 e 96). As Delegacias da Receita Federal de Julgamento também têm o mesmo entendimento (fl. 96). 33. Examinando o MPF nº 0817400 2000 000189, que seria o ponto de partida para a verificação fiscal que culminou com os Autos de Infração ora impugnados, vêse que não há nos autos a necessária ordem escrita do Superintendente, Delegado ou mesmo de Inspetor da Receita Federal, para que fosse procedido ao reexame dos períodos relativos aos anoscalendário de 1998 e 1999, e muito menos para realizar esse reexame pela segunda ou terceira vez, em relação a 1999. Da nulidade dos Autos de Infração por ser o mesmo revisão de lançamento anterior – princípio da preclusão do procedimento 34. Conforme já mencionado, o presente Auto de Infração teve origem no mesmo procedimento fiscalizatório do Auto de Infração objeto do processo nº Fl. 279DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.002232/200319 Acórdão n.º 140200.765 S1C4T2 Fl. 0 7 16327.000527/200342, e ambos, portanto, tiveram origem na Representação Fiscal, conforme item 1 dos Termos de Verificação Fiscal, anexos, emitidos em 27/02/2003 e 30/06/2003. 35. Diferentemente do que afirma o Auditor Fiscal no primeiro parágrafo do Termo de Verificação Fiscal, os trabalhos de fiscalização não se iniciaram em 28/03/2003, e sim em 26/12/2000, conforme Termo de Verificação Fiscal entregue à impugnante em 27/02/2003. 36. Não se pode negar que o procedimento fiscalizatório imposto à impugnante foi único em todo o período. Os mandados, intimações, termo de início, notificações, todos trataram do mesmo assunto, ou seja, todos tiveram por objetivo apurar a regularidade do pagamento dos impostos da impugnante, especialmente no que diz respeito ás operações realizadas com a sua subsidiária Select South International Inc. Esse fato é incontestável, visto que a FM informada como referência nos dois termos é a mesma: 200000.0189. 37. Devese acrescentar, ainda, o fato de que nos cálculos do presente Auto de Infração o Auditor Fiscal parte de uma base positiva de IRPJ e CSLL de R$ 14.518.294,58, sem descontar a base negativa do IRPJ e da CSLL apresentada na DIRPJ anobase 1999 da impugnante. 38. Isso prova que o Auto de Infração em tela é portador de lançamento complementar decorrente de revisão de procedimento fiscal já efetuado pelo Fisco, pelos mesmos agentes. 39. Notase, pelo texto do Termo de Verificação (item 6) que dá origem ao Auto de Infração ora impugnado, que o fundamento legal seria o descumprimento do previsto no § 3º do artigo 1º da Lei nº 9.532/97. 40. E afirma que isso se deu em vista de que a empresa contabilizou no ano de 1999 despesas de juros no montante de R$ 7.788.425,62, que foi computada na apuração do lucro líquido e não adicionada quando da apuração do lucro real. 41. Não se pode conceber que os Auditores Fiscais, depois de mais de 2 anos fiscalizando a empresa, e em especial as operações relacionadas às remessas de numerários entre ela e sua subsidiária, não tenham tomado conhecimento de todos os fatos ocorridos na empresa. 42. Não há duvida de que os Auditores Fiscais tinham conhecimento do fato de que a Select South não havia disponibilizado lucros no período, e sabiam, também, que a Select South havia apurado resultado positivo em 1999, visto que possuíam cópia das demonstrações financeiras. 43. Assim, não se pode alegar erro de fato, muito menos fato novo, no curso da fiscalização. Se, por hipótese, houvesse algum valor a complementar no lançamento anteriormente efetuado, isso não poderia mais ser efetuado, pois estaria se fazendo a revisão de lançamento motivado por erro de direito, o que não se admite, por se tratar de matéria preclusa, sob pena de ofensa ao princípio da segurança jurídica. 44. A revisão de lançamento está limitada aos ditames do artigo 149 do CTN, e a situação nos moldes do presente caso não se enquadra em nenhuma das hipóteses previstas nos incisos do citado artigo. 45. Com base nessas premissas, podese afirmar que o fato alegado pelos Auditores Fiscais não pode ser utilizado como fundamento para a revisão do Fl. 280DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.002232/200319 Acórdão n.º 140200.765 S1C4T2 Fl. 0 8 lançamento anteriormente efetuado, pois na ocasião do lançamento anterior já era de conhecimento dos Auditores que a empresa subsidiária da impugnante havia apresentado lucro em 1999, e que não houve disponibilização de lucros naquele período. 46. O Primeiro Conselho de Contribuintes tem decidido que é possível o reexame quando há dolo ou fraude, porém, em não estando presente vícios dessa natureza, o procedimento fiscal acaba por homologar os lançamentos do contribuinte (fls. 103 e 104). 47. Assim, sendo os fatos que deram fundamento ao presente Auto de Infração plenamente conhecidos dos Auditores, e não havendo o menor indício de fraude ou dolo, estão os mesmos abrangidos pela preclusão processual interna, e fora dos limites da possibilidade de revisão de lançamento por parte do Fisco, devendo o presente Auto de Infração ser declarado nulo de pleno direito, sem o julgamento do mérito. Da nulidade dos Autos de Infração por erro na formação do valor do crédito tributário 48. Além das irregularidades apontadas, bastantes para tornar inválido o lançamento, existe, ainda, erro na constituição do valor do crédito tributário. 49. Há erro porque partese da premissa de que a impugnante possuía base positiva de IRPJ e de CSLL, quando o correto, segundo cópia da DIRPJ anexa, é que a base de cálculo é negativa. 50. Não é válida a utilização da base de cálculo encontrada pelos Auditores Fiscais partindo do cálculo do Auto de Infração anterior, ou seja, o presente Auto de Infração é considerado novo lançamento, e deve partir do pressuposto de que o lançamento anterior não existe, até porque não foi julgado e provavelmente será vencido pela contribuinte. DO MÉRITO E DO DIREITO 51. Neste tópico, a contribuinte discorre acerca: da legislação que dá sustentação ao Auto de Infração (fls. 105 a 108); da origem dos mútuos passivos (fls. 108 a 110); da duplicidade de exigência dos tributos – ilegalidade e inconstitucionalidade (fls. 110 a 113) Da legislação que dá sustentação ao Auto de Infração 52. O procedimento fiscal não se reveste da indispensável liquidez e certeza, por ausentes os pressupostos fáticos e jurídicos em que se fundamenta, conforme demonstrado a seguir. 53. O § 3º do artigo 1º da Lei nº 9.532/97, que pretende dar sustentação à exigência de IRPJ e CSLL, foi redigido objetivando inibir a distribuição de lucros das empresas coligadas e controladas com sede no exterior, às suas coligadas e controladas no Brasil, sob a forma de empréstimos. Fl. 281DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.002232/200319 Acórdão n.º 140200.765 S1C4T2 Fl. 0 9 54. Tal figura já existia na legislação do IRPJ, trazida pelo artigo 60 do Decretolei nº 1.598/77, que, em seu inciso V, colocava uma “trava” na distribuição de lucros por via de empréstimos entre coligadas e controladas. Essa figura jurídica perdeu efeito em 1999, quando a distribuição de lucros deixou de ser tributada. 55. Notese que aquela legislação já fazia ressalva às empresas que não possuíam lucros acumulados ou reservas de lucros, o que a legislação atual novamente ressalvou, por uma questão de lógica e de justiça. 56. O § 3º do artigo 1º da Lei nº 9.532/97 deixa claro que os juros indedutíveis serão aqueles dos empréstimos contraídos quando a coligada ou controlada no exterior possua lucros; caso, contrário, ou seja, se ela possui prejuízo, deixa de fazer sentido a indedutibilidade dos juros, não havendo, portanto, no presente caso, qualquer infração. Da origem dos mútuos passivos 57. A conta contábil objeto dos lançamentos dos juros verificados pelo Fisco (nº 222010604), conforme podese verificar pela cópia da folha do Livro Razão anexa, originouse pela contabilização das operações de conversão de pré pagamentos de contratos de câmbio de exportação em empréstimos de moeda estrangeira, no momento do protocolo dos pedidos junto ao Banco Central. 58. Tal fato foi comprovado pelos Auditores Fiscais durante o trabalho de fiscalização, conforme expressaram no item 6 do Termo de Verificação Fiscal. 59. Isso já seria suficiente para deixar claro que as remessas ocorreram em exercícios cujo resultado foi de prejuízo na controlada, remetente dos recursos. 60. Por outro lado, devese, no presente caso, levar em consideração que havia uma conta de mútuo ativo, de valores bem superiores, contra a mesma subsidiária que havia realizado as remessas dos recursos, dando origem ao mútuo passivo. A existência dessa conta de mútuo ativo da impugnante está bem demonstrada pelos próprios Auditores, no item 5 do Termo de Verificação Fiscal. 61. Ressaltese que as remessas da Overtril para a Select, mencionadas pelo Fisco, são anteriores ao exercício de 1999, objeto da presente fiscalização, e contemporâneas às remessas que deram origem ao empréstimo cujos juros foram glosados pelo presente Auto. Esse fato também foi comprovado pela fiscalização, já na primeira fase do procedimento, conforme Termo de Verificação Complementar, anoscalendário de 1998 e 1999, item 8, letras “a” e “b”. 62. Notese que as remessas da Overtril para a Select ocorreram entre 15/09/95 e 31/12/98 (data da última remessa), e totalizaram R$ 101.334.997,20, valor muito superior às remessas da Select para a Overtril, que deram origem à conta objeto dos juros discutidos no presente Auto de Infração. 63. Por esse motivo, é inconcebível que a impugnante possa ter suas despesas de juros de mútuos com sua subsidiária no exterior glosadas sob o fundamento de disponibilização “disfarçada de lucros”, pelo simples motivo de que esse mútuo teve origem em recursos remetidos pela própria impugnante. 64. Portanto, além de não haver lucros a disponibilizar na época das remessas dos prépagamentos, a origem dos valores na Select deuse por via de remessas da própria impugnante, o que afasta totalmente a hipótese de disponibilização de lucros por via de empréstimo. Fl. 282DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.002232/200319 Acórdão n.º 140200.765 S1C4T2 Fl. 0 10 Da duplicidade de exigência dos tributos – ilegalidade e inconstitucionalidade 65. Ainda que a impugnante se enquadre nas condições que a legislação prevê como ilícita, há que se questionar a dupla exigência de tributos a que o presente procedimento conduz. 66. A Lei nº 9.249/95 elegeu como momento da tributação no Brasil da data de 31 de dezembro do próprio ano da apuração dos lucros pela controlada ou coligada no exterior. 67. A IN SRF nº 38/96 mudou o momento da tributação dos lucros no Brasil para o balanço levantado em 31 de dezembro do anocalendário em que os lucros tiverem sido disponibilizados. 68. A Lei nº 9.532/97 determinou, em seu artigo 1º, que “os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil”. 69. O artigo 74 da MP nº 2.15835/2001 alterou novamente o momento da tributação dos lucros, dispondo: “Art.74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Parágrafo único. Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor”. 70. Como se pode ver pela retrospectiva da legislação, o Fisco teve dúvida, durante um longo período, entre exigir a tributação no Brasil dos lucros das coligadas e controladas no exterior no momento da sua verificação ou no momento da sua disponibilização, optando, finalmente, pela exigência no momento da disponibilização, considerando que são automática e obrigatoriamente disponibilizados na data do balanço no qual tiverem sido apurados. Ressalva feita apenas em relação aos lucros das controladas ou coligadas até 31/12/2001, que foram exigidos no balanço de 2002. 71. A impugnante atendeu exatamente o que estava disposto na legislação em vigência em cada ano, ou seja, a partir do anocalendário de 1999, quando começou a verificar lucros em sua controlada no exterior, não incorreu em nenhuma das hipótese de disponibilização previstas na legislação em vigor, oferecendo à tributação os lucros da sua subsidiária na declaração de IRPJ relativa ao ano calendário de 2002, entregue em 30/06/2003. 72. Assim, procedendo, a impugnante ofereceu à tributação, no Brasil, dos lucros obtidos pela sua subsidiária, e, por conseqüência, as receitas derivadas dos juros por empréstimos que tinha com a impugnante, dos períodos anteriores. Fl. 283DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.002232/200319 Acórdão n.º 140200.765 S1C4T2 Fl. 0 11 73. Como já se disse, a Lei nº 9.532/97 prevê a indedutibilidade dos juros pagos ou creditados a controladas e coligadas no exterior, por empréstimos contraídos quando aquela empresa (do exterior) tivesse lucros não disponibilizados, e essa indedutibilidade implica um “bisinidem” do IRPJ e da CSLL, já que a mesma lei nada dispõe sobre a reversão dessa adição ou mesmo a sua exclusão no caso e quando tais lucros viessem a ser disponibilizados. 74. No caso presente não se aplica a regra do § 3º do artigo 1º da Lei nº 9.532/97, porque a subsidiária da impugnante não possuía lucros não disponibilizados nas datas dos empréstimos à controladora (impugnante). 75. No entanto, ainda que tal regra pudesse ser aplicada ao caso da impugnante, o Fisco não poderia exigir os tributos contidos no Auto de Infração ora impugnado, sob pena de estar exigindo impostos em duplicidade, já que a empresa ofereceu à tributação os lucros de suas subsidiária no balanço encerrado em 31/12/2002. 76. O “bisinidem”, por si só não é vedado, havendo, no entanto, vedação constitucional (artigo 154, inciso I, da CF/88). 77. Portanto, deve o presente Auto de Infração ser julgado totalmente improcedente, senão pelo fato de que a impugnante não incorreu na infração descrita no mesmo, pelo vício de inconstitucionalidade e ilegalidade da norma que exige duplamente imposto sobre o mesmo gato gerador. DA MULTA CONFISCATÓRIA E DOS JUROS 78. É notoriamente inconstitucional a multa fixada em 75% do valor do crédito exigido, bem como dos juros calculados com base na taxa SELIC, configurandose flagrante e ilegítimo confisco, na esteira de vários julgados e de acordo com o artigo 150, IV, da Constituição Federal. DA SÍNTESE DA IMPUGNAÇÃO 79. A contribuinte sintetiza sua impugnação às fls. 116 e 117. DOS DOCUMENTOS ANEXADOS 80. A contribuinte relaciona à fl. 117 os documentos por ela juntados aos autos. DO REQUERIMENTO 81. Por todo o exposto, requer a contribuinte: que se julgue improcedentes os feitos fazendários, sem julgamento do mérito, acolhendo as preliminares argüidas; podendo decidir o mérito a favor da contribuinte, que não sejam pronunciadas as nulidades, e nem determinada a repetição ou suprimento da falta, nos termos do § 2º do artigo 249 do Código de Processo Civil; entendose que devese apreciar o mérito, que se julgue inteiramente improcedentes os feitos fiscais, relativamente ao IRPJ e à CSLL, face à inocorrência de infração à legislação tributária; no caso de serem julgados procedentes os Autos de Infração, que seja acolhido o pedido de compensação dos valores exigidos nos autos, com os créditos Fl. 284DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.002232/200319 Acórdão n.º 140200.765 S1C4T2 Fl. 0 12 fiscais que possui a impugnante junto ao Fisco, para dispensar os juros e as multas exigidas; não sendo aceitas as premissas anteriores, que seja a penalidade e os juros adequados ao parâmetro que o Supremo Tribunal Federal considera válido, ou seja, de 30% do valor do imposto; que se defira à impugnante, a qualquer tempo, a juntada de provas necessárias para o perfeito deslinde. A decisão recorrida está assim ementada: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. Eventuais vícios nos Mandados de Procedimento Fiscal não têm o condão de acarretar a nulidade de Autos de Infração lavrados com observância dos pressupostos legais. REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. POSSIBILIDADE. Possível o reexame de período já fiscalizado, posto existir, no caso, ordem escrita de Delegado da Receita Federal. LANÇAMENTO PARTINDO DE AUTO DE INFRAÇÃO ANTERIOR. VALIDADE. Válido o lançamento considerando Auto de Infração anterior, o qual, enquanto não for reformado, produz seus efeitos, dentre os quais se incluem a redução de prejuízos fiscais e a apuração de nova base tributável. COLIGADAS NO EXTERIOR. LUCROS NÃO DISPONIBILIZADOS. JUROS PAGOS OU CREDITADOS. INDEDUTIBILIDADE. São indedutíveis os juros, pagos ou creditados a empresas controladas ou coligadas, domiciliadas no exterior, relativos a empréstimos contraídos, quando, no balanço da coligada ou controlada, constar a existência de lucros não disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil, não sendo de competência da esfera administrativa a apreciação da constitucionalidade dessa norma jurídica. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. COMPETÊNCIA. Não compete às Delegacias da Receita Federal de Julgamento apreciar originariamente pedidos de restituição e compensação de tributos ou contribuições federais. MULTA DE OFÍCIO E JUROS MORATÓRIOS. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. À esfera administrativa não compete a análise da constitucionalidade de normas jurídicas. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação dele decorrente Lançamento Procedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, fls 259 a 283, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. 7. DO REQUERIMENTO: Vossas Senhorias: Fl. 285DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.002232/200319 Acórdão n.º 140200.765 S1C4T2 Fl. 0 13 Assim expostos os fatos, o mérito e o direito, requerse seja acatadas as preliminares de nulidade dos autos de infração, decretandose a nulidade dos mesmos sem o julgamento do mérito; 2 Em podendo decidir do mérito, a favor da recorrente, que não sejam pronunciadas as nulidades e nem determinada a repetição ou suprimento da falta, nos termos do parágrafo 2°, do artigo 249, do Código de Processo Civil; 3 Entendendo Vossas Senhorias que devam apreciar o mérito, julguem inteiramente procedente o presente recurso voluntário para z determinar a improcedência dos lançamentos de Imposto de Renda e Contribuição/ Social sobre 6 exercício de 1999, com base nas razões de fato e de direito, face à inocorrência de infração à legislação tributária. 4 Em 'não Sendo aceitas as premissas anteriores, seja o presente processo sobrestado ao julgamento /do processo n. 16327.000527/200342, e refazendose os cálculos, seja a penalidade e,"‘ 'os juros adequados ao parâmetro que o Supremo Tribunal Federal considera válido, isto é, de 30% (trinta por cento) do valor do impos to. 6. Defira à recorrente, a qualquer tempo, a juntada de tantas provas quantas julgue necessárias para o seu perfeito deslinde; 7. — Por fim, protesta pela sustentação oral do presente, requerendo a publicação da pauta de julgamento no Diário Oficial da União. Termos em que pede e espera deferimento. É o relatório. Fl. 286DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.002232/200319 Acórdão n.º 140200.765 S1C4T2 Fl. 0 14 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, O cerne do litígio referese a glosa das despesas de juros pagos ou creditados a controladas no exterior sendo que tais empresas possuíam lucros a distribuir para a contribuinte. Passo a apreciação das alegações da peça recursal que repisou os argumentos da impugnação. 1) PRELIMINARES A contribuinte reitera os argumentos acerca da nulidade dos Autos de Infração por: i) inobservância dos procedimentos legais; ii) existência de procedimento fiscal anterior sobre o mesmo exercício – princípio da preclusão do procedimento; iii) ser o mesmo revisão de lançamento anterior – princípio da preclusão do procedimento; iv) erro na formação do valor do crédito tributário. Vejamos os fundamentos da decisão de 1a. instancia que já apreciou tais alegações: Da nulidade dos Autos de Infração por inobservância dos procedimentos legais 84. Alega a impugnante a existência de vícios nos Mandados de Procedimento Fiscal, os quais levariam à nulidade dos Autos de Infração. 85. Eventuais vícios nos Mandados de Procedimento Fiscal não têm o condão de acarretar a nulidade dos presentes Autos de Infração, conforme demonstrase a seguir. 86. Para análise da questão colocada impõese destacar, primeiramente, o conteúdo do artigo 142 do Código Tributário Nacional e de seu parágrafo único: “Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. Fl. 287DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.002232/200319 Acórdão n.º 140200.765 S1C4T2 Fl. 0 15 87. Do conceito legal expresso no citado artigo, depreendese que o lançamento é indelegável e privativo da autoridade administrativa devidamente investida nessa competência. 88. A Lei nº 2.354/54, artigo 7º, e o Decreto 2.225/85, expressamente estabelecem a competência exclusiva do Auditor Fiscal da Receita Federal para execução do lançamento tributário. 89. Por outro lado, do parágrafo único do artigo 142 do CTN extraise que o lançamento deve ser presidido pelo princípio da legalidade, além de constituirse num dever indeclinável, uma vez constatada a ocorrência de fato gerador da obrigação principal ou o descumprimento de uma obrigação tributária acessória. 90. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, regulado pelo Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, são considerados nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente (artigo 59, inciso I) e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (artigo 59, inciso II). 91. A lavratura de Auto de Infração em desacordo com o MPF não configura a hipótese de nulidade do lançamento prevista no inciso I do artigo 59 do Decreto nº 70235/72, uma vez que a competência para a execução dessa atividade, deferida de forma exclusiva ao Auditor Fiscal da Receita Federal só pode ser retirada por norma veiculada em legislação complementar ou ordinária . 92. O Mandado de Procedimento Fiscal foi instituído pela Portaria SRF nº 1.265/99, com o objetivo de regular a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal (SRF), sendo mero instrumento de controle administrativo. Senão, vejamos. 93. A edição da referida portaria fundamentase na competência conferida ao Secretário da Receita Federal pelo artigo 190, inciso III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 227, de 03/09/98, no artigo 196 da Lei nº 5.172 de 25/10/66 e no artigo 6º da Medida Provisória nº 1.9153, de 24/09/99, que dizem, in verbis : (Portaria MF nº 227/98) “Art. 190 Ao Secretário da Receita Federal incumbe: (...) III – expedir atos administrativos de caráter normativo sobre assuntos de sua competência”. (Lei nº 5.172/66) “Art. 196 A autoridade administrativa que proceder ou presidir a quaisquer diligências de fiscalização lavrará os termos necessários para que se documente o início do procedimento, na forma da Fl. 288DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.002232/200319 Acórdão n.º 140200.765 S1C4T2 Fl. 0 16 legislação aplicável, que fixará prazo máximo para a conclusão daquelas. Parágrafo Único. Os termos a que se refere este artigo serão lavrados, sempre que possível, em um dos livros fiscais exibidos; quando lavrados em separado deles se entregará, à pessoa sujeita à fiscalização, cópia autenticada pela autoridade a que se refere este artigo”. (Medida Provisória nº 1.9153/99) Art 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal, no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal, relativamente aos tributos e às contribuições por ela administrados: I em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário; b) elaborar e proferir decisões em processo administrativofiscal, ou delas participar, bem assim em relação a processos de restituição de tributos e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, inclusive os relativos, ao controle aduaneiro objetivando verificar o cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo, praticando todos os atos definidos na legislação específica, inclusive os relativos à apreensão de mercadorias, livros documentos e assemelhados; d) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à aplicação da legislação tributária, por intermédio de atos normativos e solução de consultas; e) supervisionar as atividades de orientação do sujeito passivo efetuadas por intermédio de mídia eletrônica, telefone e plantão fiscal; II – (...)” 94. O artigo 190, inciso III, do Regimento Interno da Receita Federal faculta ao Secretário da Receita Federal expedir atos normativos sobre assuntos de sua competência. 95. Já o artigo 196 do CTN dispõe sobre procedimentos a serem adotados no curso das diligências de fiscalização (lavratura de termos). Note se que esse artigo encontrase inserido no Título IV – ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA , Capítulo I – FISCALIZAÇÃO. 96. O artigo 6º da Medida Provisória nº 1.9153/99 trata das atribuições dos ocupantes do cargo de AFRF, em caráter privativo e geral. Nas atribuições de caráter privativo faz distinção entre a constituição, mediante lançamento, do crédito tributário (inciso I, letra “a”) e a execução dos procedimentos de fiscalização (inciso I, letra “c”). Fl. 289DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.002232/200319 Acórdão n.º 140200.765 S1C4T2 Fl. 0 17 97. Assim, numa exegese sistemática observase que, embora o enunciado da portaria em exame faça menção ao artigo 6º da MP 19153, remete, na realidade, ao seu inciso I, letra “c”, quando “ ...estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”, como deixa claro o texto de sua ementa. 98. Portanto, a portaria em comento não aborda aspectos relacionados com a competência para a constituição do crédito tributário pelo lançamento. E nem poderia fazêlo, já que, como dito anteriormente, sendo, na hierarquia das normas, ato inferior à lei, não poderia contrariar, restringir ou ampliar suas disposições. 99. As normas que regem a constituição do crédito tributário advêm do superior interesse público de que se reveste a arrecadação do tributo, fato que o torna indisponível. O Juiz Federal Zuudi Sakakihara (in “Código Tributário Nacional Comentado ” coordenação de Vladimir Passos de Freitas , Ed. Revista dos Tribunais, 1999, p. 561) bem coloca a questão: “Além de vinculada, essa atuação administrativa é obrigatória em duplo sentido. Em primeiro lugar, porque a arrecadação do tributo revestese de interesse público e, por isso, é indisponível, fato que, por sua vez, confere obrigatoriedade à atuação da administração. Isso quer dizer que, não tendo a Administração o poder de dispor do direito ao tributo que surge para o Estado em razão da ocorrência do fato gerador, terá de obrigatoriamente promover a sua execução forçada, caso não haja o pagamento voluntário pelo sujeito passivo. Em segundo lugar, porque a execução forçada não poderá ser promovida sem o título executivo, que é materialmente constituído pelo lançamento, como já se viu”. 100. Já as normas que se referem aos procedimentos de fiscalização visam o disciplinamento de sua execução e, ao tempo em que constituem instrumento para a Administração Tributária, preservam direitos do cidadão perante o Estado. 101. Assim, o MPF não tem o condão de restringir a competência do AFRF designado, para fins de constituição do crédito tributário. A natureza indisponível deste sobrepõese, indubitavelmente, àquela norma de caráter meramente administrativo. 102. A limitação da atividade de fiscalização do AFRF trazida pela norma administrativa, portanto, não desonera o agente fiscal da atividade obrigatória e vinculada do lançamento, sob pena, inclusive, de cometimento de ato de improbidade administrativa, capitulada nos artigos 10, inciso X, e 11, inciso II, da Lei nº 8.429 de 02/06/92, in verbis: “Art. 10 Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades referidas no artigo 1o. dessa Lei, notadamente: Fl. 290DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.002232/200319 Acórdão n.º 140200.765 S1C4T2 Fl. 0 18 (...) X Agir negligentemente na arrecadação de tributo ou renda” “Art. 11 Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade e lealdade às instituições e, notadamente: (...) II retardar ou deixar de praticar indevidamente, ato de ofício”. 103. Portanto, não procedem as alegações de nulidade dos Autos de Infração por vícios dos Mandados de Procedimento Fiscal, entendimento esse corroborado por reiteradas decisões do Conselho de Contribuintes, conforme demonstram os julgados abaixo exemplificativamente transcritos: “PRELIMINAR NULIDADE MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário.“ (1º Conselho de Contribuintes – 6ª Câmara / Acórdão nº 10612.941 em 16.10.2002 – DOU 02.12.2002) “MPF. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSTULADOS.INOBSERVÂNCIA. CAUSA DE NULIDADE. ARGÜIÇÃO RECURSAL. IMPROCEDÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF ) fora concebido com o objetivo de disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições sociais administrados pela Secretaria da Receita Federal. Não atinge a competência impositiva dos seus Auditores Fiscais que, decorrente de ato político por outorga da sociedade democraticamente organizada e em benefício desta, há de subsistir em quaisquer atos de natureza restrita e especificamente voltados para as atividades de controle e planejamento das ações fiscais. A nãoobservância na instauração ou na amplitude do MPF poderá ser objeto de repreensão disciplinar, mas não terá fôlego jurídico para retirar a competência das autoridades fiscais na concreção plena de suas atividades legalmente próprias. A incompetência só ficará caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou.” (1º Conselho de Contribuintes – 7ª Câmara / Acórdão nº 10706797 em 18.09.2002 – DOU 10.12.2002) 104. A impugnante também se insurge contra a duração do procedimento de fiscalização. Entretanto, tal motivo é absolutamente insuficiente para o cancelamento da exigência fiscal. A Secretaria da Receita Federal é o órgão legalmente incumbido da fiscalização de tributos e contribuições federais, conforme ditames estabelecidos no Regimento Interno da SRF, aprovado pela Portaria MF nº 259/2001. Outrossim, não pode o órgão se eximir do fiel cumprimento das atribuições que lhe foram conferidas pela legislação, sob pena de ofensa ao princípio da legalidade. A Fl. 291DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.002232/200319 Acórdão n.º 140200.765 S1C4T2 Fl. 0 19 competência que lhe fora atribuída é irrenunciável, como já bem esclarece o artigo 11 da Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 105. Neste sentido, visando a alcançar e a defender o interesse público ainda mais tendo sido fielmente cumpridos todos os requisitos que regem não só o procedimento fiscal, mas também as normas constantes do Decreto nº 70.235/1972 pode e deve a Secretaria da Receita Federal despender o tempo necessário para lograr sua finalidade institucional. 106. Por fim, a impugnante também alega que a fiscalização deve ser precedida de comunicação prévia e do conveniente planejamento. Todavia, inexiste qualquer disposição na legislação neste sentido. O procedimento fiscal teve início com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária, tal qual apregoa o artigo 7º, inciso I, do Decreto nº 70.235/72. 107. Desta forma, rejeitase a preliminar de “nulidade dos Autos de Infração por inobservância dos procedimentos legais”. Da nulidade dos Autos de Infração por existência de procedimento fiscal anterior sobre o mesmo exercício – princípio da preclusão do procedimento 108. A contribuinte também pugna pela nulidade da exigência fiscal, sob o argumento de que teria se submetido a ação fiscal anterior que abrangeu os períodos ora autuados, ação fiscal esta que teria constatado sua regularidade fiscal nos aludidos períodos. Ademais, afirma que a revisão dos procedimentos de fiscalização em relação ao ano de 1999 só poderia ocorrer com ordem específica de autoridade competente (artigo 906 do Decreto nº 3.000/99), o que não teria ocorrido no caso sob exame. 109. Inicialmente, sem adentrar no mérito ou nas características e elementos fiscalizados relacionados à suscitada ação fiscal anterior, cabe desde já salientar que, contrariamente ao que faz crer o arrazoado do insurgente, pode a Administração rever seus próprios atos, revogandoos ou anulandoos. Tal questão se mostra tão pacífica na doutrina e jurisprudência pátrias que o Supremo Tribunal Federal fincou estaca sobre o assunto, por meio da Súmula 473, a qual preceitua: “A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornem ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.” 110. Superada tal questão acerca da possibilidade de revisão de atos administrativos, aduzse dos documentos acostados que ainda que o período de 1999 já tivesse sido previamente fiscalizado, a condição imposta pelo artigo 906 do RIR/99 teria sido atendida. Senão, vejamos. Fl. 292DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.002232/200319 Acórdão n.º 140200.765 S1C4T2 Fl. 0 20 111. O suscitado artigo do Regulamento do Imposto de Renda assevera: “Art. 906. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal.” 112. Ora, ao se examinar o MPF de fl. 01, verificase que se trata de ordem escrita exarada pelo próprio Delegado da Receita Federal da Delegacia Especial de Assuntos Internacionais, nos seguintes termos: “Determino, nos termos da Portaria SRF nº 3.007, de 26 de novembro de 2001, alterada pela Portaria SRF nº 1.238, de 31 de outubro de 2002, a execução do procedimento fiscal definido pelo presente Mandado, que será realizado pelo(s) Auditor(es)Fiscal(is) da Receita Federal – AFRF acima identificado(s), que está(ao) autorizado(s) a praticar, isolada ou conjuntamente, todos os atos necessários à sua realização. Este mandado está de acordo com o Art. 906 do RIR/99 (Decreto nº 3.000, de 26/03/1999)”. 113. Tal ordem inegavelmente supre o requisito imposto pelo artigo 906 do RIR/99, de modo a se rejeitar também essa preliminar de nulidade. Da nulidade dos Autos de Infração por ser o mesmo revisão de lançamento anterior – princípio da preclusão do procedimento 114. Como já mencionado no item anterior, pode a Administração rever seus próprios atos, revogandoos ou anulandoos, entendimento esse sacramentado pela Súmula 473 do Supremo Tribunal Federal, acima transcrito. 115. Portanto, rejeitase também essa preliminar de nulidade. Da nulidade dos Autos de Infração por erro na formação do valor do crédito tributário 116. Alega a impugnante que não é válida a utilização da base de cálculo encontrada pelos Auditores Fiscais partindo do cálculo do Auto de Infração anterior. 117. Cumpre observar que, apesar de ainda não definitivamente julgado (pois está pendente de julgamento pelo Conselho de Contribuintes, fls. 209), o Auto de Infração anterior (processo nº 16327.000527/200342), mantido por decisão de primeira instância (fls. 176 a 208), é válido e eficaz. Enquanto não for reformado produz seus efeitos, dentre os quais se incluem a redução de prejuízos fiscais e a apuração de nova base tributável. Tratase, portanto, de ato jurídico com condição resolutiva (eventual reforma do lançamento). Fl. 293DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.002232/200319 Acórdão n.º 140200.765 S1C4T2 Fl. 0 21 118. Com relação às condições resolutivas, o Código Civil em vigor à época dos fatos (Lei nº 3.071/1916) e o atual (Lei nº 10.406/2002) assim dispõem: (Lei nº 3.071/1916) “Art. 119. Se for resolutiva a condição, enquanto esta não se realizar, vigorará o ato jurídico, podendo exercerse desde o momento deste o direito por ele estabelecido; mas, verificada a condição, para todos os efeitos, se extingue o direito a que ela se opõe. (...)”. (Lei nº 10.406/2002) “Art. 127. Se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o negócio jurídico, podendo exercerse desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido”. 119. Assim, a constatação de novas infrações, objeto do presente processo, impõe que o correspondente lançamento leve em consideração a base tributável apurada em lançamento anterior, pois, caso contrário, estaria, implicitamente, anulandoo. 120. Descabe, portanto, a alegação de nulidade suscitada neste item da impugnação. Por esses mesmos fundamentos, que peço vênia para adotar com razões de decidir, rejeitos todas as preliminares suscitas. DO MÉRITO Quanto ao mérito, cumpre observar que a contribuinte foi autuada com base no § 3º do artigo 1º da Lei nº 9.532/97, in verbis; (Lei nº 9.532/97) “Art. 1º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. (...) § 3º Não serão dedutíveis na determinação do lucro real, os juros, pagos ou creditados a empresas controladas ou coligadas, domiciliadas no exterior, relativos a Fl. 294DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.002232/200319 Acórdão n.º 140200.765 S1C4T2 Fl. 0 22 empréstimos contraídos, quando, no balanço da coligada ou controlada, constar a existência de lucros não disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil. (...)”. Pois bem. Aa contribuinte, no anocalendário de 1999, contabilizou despesa de juros, no montante de R$ 7.788.425,62, relativa a juros pagos a sua controlada Select South International Inc., com sede no exterior (Grand Cayman – Britsh West Indies). Tal despesa foi considerada indedutível, e glosada na autuação, pois, segundo a fiscalização, conforme Demonstrações Financeiras da Select South International Inc., referente ao anocalendário de 1999, a empresa no exterior teve, nesse período, “lucros acumulados”, no valor de R$ 44.856.028,11, que não foram disponibilizados, conforme demonstrativo de fl. 76. A própria contribuinte admite que a Select South International Inc. obteve, no anocalendário de 1999, lucros, que não foram disponibilizados, ao afirmar que: “... os Senhores Auditores Fiscais tinham conhecimento do fato de que a Select South não havia disponibilizado lucros no período, e sabiam, também, que a Select South havia apurado resultado positivo em 1999 ...” (fl. 101, último parágrafo). “... na ocasião do lançamento anterior já era de conhecimento dos Auditores que a empresa subsidiária da impugnante havia apresentado lucro no exercício de 1999, e, também, que não houve disponibilização de lucros naquele exercício” (fl. 102, penúltimo parágrafo). Novamente no recurso voluntário a contribuinte busca descaracterizar a infração, alegando, basicamente, que: o mútuo com sua coligada no exterior teve origem em recursos remetidos pela própria impugnante; essa indedutibilidade dos juros, prevista na Lei nº 9.532/97, implica um “bisinidem” do IRPJ e da CSLL (violando disposição constitucional), já que a mesma lei nada dispõe sobre a reversão dessa adição ou mesmo a sua exclusão no caso e quando tais lucros viessem a ser disponibilizados. Compartilho do entendimento de que a origem do mútuo que levou à contabilização, pela impugnante, de juros passivos. Mesmo se fosse considerada a alegação supra mencionada (item “a”), esta simplesmente reforçaria o entendimento pela indedutibilidade desse juros, pois, sendo recursos da própria contribuinte, resta incoerente esta contrair um empréstimo junto à sua devedora, empréstimo este que teria, simplesmente, a função de gerar fictícia despesa de juros. Fl. 295DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.002232/200319 Acórdão n.º 140200.765 S1C4T2 Fl. 0 23 No que tange à alegação mencionada no item “b” supra, que propugna pela inconstitucionalidade da Lei nº 9.532/97, cabe destacar que à esfera administrativa não cabe apreciar questões dessa natureza. A apreciação da argüição de inconstitucionalidade é competência exclusiva do Poder Judiciário, consoante preconiza o enunciado 2 da Sumula do CARF: Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, deve ser mantida a glosa da despesas de juros nos exatos termos da autuação. MULTA DE OFICIO. JUROS DE MORA. CONFISCO. A contribuinte alega que a exigência da multa de oficio 75% e dos juros de mora a taxa Selic são confiscatórios. Todavia, tais exigências estão de acordo com a legislação, e foram fundamentadas no auto de infração.” A apuração de infrações em auditoria fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante lavratura do auto de infração e, por conseguinte, aplicar a multa de ofício de 75% ou 150% nos termos do artigo 44, inciso I ou II, da Lei nº 9.430/1996. Essa multa é devida quando houver lançamento de ofício, como é o caso. De qualquer forma, convém esclarecer, que o princípio do não confisco insculpido na Constituição, em seu art. 150, IV, dirigese ao legislador infraconstitucional e não à Administração Tributária, que não pode furtarse à aplicação da norma, baseada em juízo subjetivo sobre a natureza confiscatória da exigência prevista em lei. Ademais, tal princípio não se aplica às multas, conforme entendimento já consagrado na jurisprudência administrativa, como exemplificam as ementas transcritas na decisão recorrida e que ora reproduzo: "CONFISCO – A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal (Ac. 102 42741, sessão de 20/02/1998). MULTA DE OFÍCIO – A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, restringese ao valor do tributo, não extravasando para o percentual aplicável às multas por infrações à legislação tributária. A multa deve, no entanto, ser reduzida aos limites impostos pela Lei nº 9.430/96, conforme preconiza o art. 112 do CTN (Ac. 20171102, sessão de 15/10/1997)." Por sua vez, A aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros de mora também está prevista em normas legais em pleno vigor, regularmente citada no auto de infração (artigo 61, § 3º da Lei 9.430 de 1996), portanto, deve ser mantida. Nesse sentido dispõe a Súmula nº 4 do CARF: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no Fl. 296DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 16327.002232/200319 Acórdão n.º 140200.765 S1C4T2 Fl. 0 24 período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” TRIBUTAÇÃO RELATIVA À CSLL Quanto à tributação da CSLL, devese observar que esse lançamento é decorrente da autuação do IRPJ, e, desse modo, deve seguir o decidido no lançamento principal (IRPJ). Nesse sentido já se pronunciou o este Conselho, em diversos acórdãos. Devese, portanto, manter também a autuação relativa à CSLL. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 297DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE
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Numero do processo: 10283.720023/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO COMPROVADO.
Conforme entendimento pacificado pela jurisprudência do STJ, seguido por este Conselho administrativo, constatado o pagamento antecipado dos impostos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação e restando comprovado nos autos a ausência de dolo, fraude ou simulação, correta a aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º, do CTN.
Numero da decisão: 1402-002.956
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausentes justificadamente os Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Caio Cesar Nader Quintella.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO COMPROVADO. Conforme entendimento pacificado pela jurisprudência do STJ, seguido por este Conselho administrativo, constatado o pagamento antecipado dos impostos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação e restando comprovado nos autos a ausência de dolo, fraude ou simulação, correta a aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausentes justificadamente os Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Caio Cesar Nader Quintella. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 00 23 /2 00 9- 13 Fl. 2204DF CARF MF 2 Relatório Adoto, integralmente, o relatório da Resolução nº 1103000.122, proferido em 06 de novembro de 2013, pela 1ª Câmara/3ª Turma Ordinária do CARF, no julgamento do Recurso de Ofício (Acórdão de Impugnação 0124.927), complementandoo, ao final, com as pertinentes atualizações processuais. Tratase de Recurso de Ofício interposto em face da decisão da 1ª Turma da DRJ/Belém (fls. 328/329), que apresentou a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos lançamento cuja exação se faz por homologação, havendo pagamento antecipado do imposto, ou da contribuição, e ausentes o dolo, fraude ou simulação, realizase a contagem do prazo decadencial pelo disposto no §4º do art. 150 do CTN, de outra forma, aplicase a regra ordinária da decadência estampada no art. 173, inciso I, do CTN. Dos fatos da Autuação Fiscal. No decorrer da ação fiscal, foi intimada a contribuinte a esclarecer o processo de incorporação ocorrido em 30/09/2002, no qual ela consta como incorporadora (na época dos fatos, SONY COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA, e atualmente SONY BRASIL LTDA), e as pessoas jurídicas SONY DA AMAZÔNIA LTDA, SONY COMPONENTES LTDA e ELETRONIC CENTER LTDA constaram como incorporadas. Uma vez apurados os fatos, entendeu a autoridade tributária que, na realidade, teria sido a SONY DA AMAZÔNIA LTDA a incorporadora, tendo sido a incorporada a contribuinte (SONY COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA, e atualmente SONY BRASIL LTDA). Discorreu a Fiscalização que a SONY DA AMAZÔNIA LTDA continuou funcionando no mesmo endereço, não tendo sido extinta e nem paralisado as suas atividades operacionais, com os mesmos funcionários, linha de produção, instalações industriais, máquinas e equipamentos. Por sua vez, a SONY COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA dispunha em seu ativo permanente apenas de bens relacionados a atividades administrativas. Acrescentou que as pessoas jurídicas SONY DA AMAZÔNIA LTDA, SONY COMPONENTES LTDA e ELETRONIC CENTER LTDA não apresentaram saldo de prejuízos fiscais na data da incorporação, enquanto que a SONY COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA apresentava em 31/12/2001 no LALUR saldo de prejuízos fiscais operacionais a compensar de R$115.796.470,19, saldo de prejuízos fiscais não operacionais no valor de R$2.680.828,5 e um saldo de base negativa da CSLL no valor de R$ 119.356.282,19. Discorre a Fiscalização que teria ocorrido simulação na incorporação, no qual figurou na condição de incorporada a SONY COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA precisamente com o objetivo de se aproveitar dos seus prejuízos fiscais acumulados. Concluiu a autoridade fiscal no Termo de Verificação Fiscal de fls. 148/152: Fl. 2205DF CARF MF Processo nº 10283.720023/200913 Acórdão n.º 1402002.956 S1C4T2 Fl. 2.205 3 Com fundamento nos fatos acima apresentados, chegamos à conclusão de que não houve extinção da incorporada, que constitui a condição essencial para caracterizar que a mesma foi sujeito passivo do processo de incorporação. Na verdade, a empresa indevidamente chamada "incorporadora" perdeu sua identidade no processo, quando passou a funcionar no mesmo endereço, exercendo a mesma atividade e com o mesmo maquinário e pessoal da "incorporada", com exceção de algumas modificações não essenciais ocorridas. Aquela, a "incorporadora formal", é que foi materialmente extinta. Nesse caso, o saldo de prejuízo fiscal da "incorporadora formal", a SONY COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA, que, na verdade, é a incorporada, não poderia ter sido transferido para a "incorporada formal", a SONY DA AMAZONIA LTDA que de fato, é a incorporadora, por força do disposto no art. 514 do RTR/99 (DecretoLei n2.341, de 1987, art. 33). Nesse contexto, foi glosada a compensação de prejuízos fiscais no montante de R$ 19.428.791,28, assim como a compensação da base negativa da CSLL, qualificada a multa de ofício para 150%, e lavrados os autos de infração de IRPJ e CSLL de fls. 155/166 acompanhados do Termo de Verificação Fiscal de fls. 148/152. Da Fase Contenciosa. Uma vez cientificada dos lançamentos fiscais em 23/12/2008, apresentou a contribuinte as impugnações de fls. 272/288 (IRPJ) e 289/305 (CSLL) em 23/01/2009, com os seguintes argumentos: 1) os fatos geradores dos créditos lançados ocorridos no anocalendário de 2002, com ciência em 23/12/2008, seriam nulos, vez que alcançados pelo instituto da decadência tributária; 2) a incorporação justificase materialmente pelo fato de que a concentração de 4 (quatro) sociedades do mesmo grupo, com finalidades e estruturas administrativas similares, em apenas uma entidade, proporcionaria grandes vantagens, com notáveis sinergias econômicas, financeiras, organizacionais e de redução de custos de transação; 3) em momento nenhum a empresa tentou ocultar ao fisco a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ou seja, não haveria que se falar em fraude ou simulação. Por sua vez, a autoridade julgadora, para melhor elucidar os fatos, resolveu encaminhar diligência de fls. 328/329 em 26/01/2010, no qual veio requerer que a unidade preparadora tomasse as seguintes providências: 1) informar a empresa que pagou ou suportou os salários após a incorporação; 2) verificar de quem seria a titularidade das contas bancárias, assim como, o responsável pela movimentação através da conta bancos após a incorporação. A Fiscalização, como resultado da diligência empreendida, encaminhou o “Relatório de Diligência Fiscal” de fls. 1761/1765, cuja ciência foi dada à contribuinte, que, por sua vez, apresentou as aditamentos às impugnações de fls. 1828/1848 (IRPJ) e 1850/1871 Fl. 2206DF CARF MF 4 (CSLL), no qual reforça os argumentos expostos nas impugnações primitivas, além de discorrer sobre novos pontos: 1) pugna pela decadência dos lançamentos vez que ausente a simulação, razão pela qual cabe aplicar para contagem do prazo decadencial a regra do art. 150, § 4º, do CTN; 2) sob o aspecto histórico e societário, esclarece que o Grupo Sony iniciou suas atividades no Brasil há quase meio século atrás, atuando por meio de diferentes pessoas jurídicas, e que a impugnante foi constituída em 02/10/1972, que foi sempre operacional, e as empresas incorporadas foram todas constituídas ou adquiridas pelo Grupo Sony na década de 80, para atuarem no mesmo ramo básico de atividade, sendo que, a impugnante era sócia controladora da SONY AMAZÔNIA LTDA desde a primeira alteração do seu contrato social, de 03/10/1981, e desde 17/12/2001 a impugnante mantinha inalterada sua participação de 69,13% no capital social da SONY AMAZÔNIA LTDA; 3) sob o aspecto empresarial, concluiu a impugnante que a incorporação permitiria concentrar na mesma sociedade as atividades de indústria e comércio de eletroeletrônicos, eletrodomésticos e seus componentes, além da prestação de serviços de assistência técnica com a consequente otimização de recursos e redução de custos e despesas operacionais, inclusive de natureza tributária; 4) nesse contexto, a impugnante optou por incorporar as demais empresas do grupo, por razões de caráter histórico (foi a primeira das pessoas jurídicas a ser constituída), societárias (era a controladora das demais empresas) e econômicas (centralizar as atividades para gerar ganhos em sinergia); 5) o fato de a impugnante, na condição de incorporadora, ter alterado a sua sede para o endereço de uma das empresas incorporadas em Manaus, decorreu da necessidade de se manter os benefícios fiscais lá concedidos; 6) a situação de que uma das empresas incorporadas tinha um número maior de funcionários e um maior valor de crédito em conta corrente bancária que a incorporada não implica em simulação da operação, tanto mais porque esses não eram os fatores relevantes para a incorporação, mas o fato de a incorporadora ser, na época dos fatos analisados, o centro de controle, gerenciamento e decisão do grupo; 7) planejamento empresarial não se confunde com simulação e objetiva sempre a busca de melhores ganhos para a atividade empresarial, observandose as condutas lícitas; 8) ainda que a estrutura tenha gerado economia tributária, tal ganho, por si só, não se mostra ilícito e muito menos implica em simulação, motivo pelo qual não pode ser desconsiderado pelo Fisco. A 1ª Turma da DRJ/Belém, no Acórdão 0124.927, da sessão de 10 de maio de 2012, julgou a impugnação procedente e cancelou o crédito tributário exigido. Entendeu o colegiado que não teria restado caracterizada a simulação, vez que inexistiria impedimento legal para a prática da “incorporação às avessas”. Por consequência, afastou a contagem do prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, e aplicou a regra expressa no art. 150, § 4º, ambos do CTN. Assim, o lançamento fiscal de fato gerador 31/12/2002 poderia ter sido lançado até 31/12/2007, contudo, como a ciência da autuação fiscal deuse em 23/12/2008, restaram decaídos os lançamentos. Fl. 2207DF CARF MF Processo nº 10283.720023/200913 Acórdão n.º 1402002.956 S1C4T2 Fl. 2.206 5 Tendo em vista que a exclusão de crédito tributário ocorreu em valor superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), o Presidente da Turma recorreu de ofício ao CARF, conforme disposto pela Portaria MF nº 3, de 03/01/2008. O sujeito passivo tomou ciência da decisão em 09/07/2012 (“AR” de fl. 1936). Passo, agora, a complementar o relatório acima colacionado. Em sua Resolução, entenderam os membros desta C. Turma, que são dois os aspectos determinantes para verificar se cabe a contagem do prazo decadencial do art. 150, §4º ou do art. 173, inciso I, ambos do CTN: 1º) constatar se houve pagamento espontâneo ou declaração prévia de débito por parte do sujeito passivo, sendo que, caso negativo, a contagem da decadência segue a regra do art. 173, inciso I do CTN, consoante entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC, apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, decisão que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art. 62A, Anexo II do Regimento Interno do CARF; 2º) verificar se restou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que enseja a qualificação de multa de ofício e, por consequência, a contagem do art. 173, inciso I do CTN. Resolveram ainda que, em se tratando de estimativas mensais de IRPJ e CSLL, não basta que estejam confessadas por meio de DCTF, parcelamento ou declaração de compensação. E que, como não podem ser inscritas em Dívida Ativa, devem estar efetivamente extintas. Assim, compreendem que cabe, em um primeiro momento, verificar se houve pagamento espontâneo ou declaração prévia de débito por parte do sujeito passivo. Constataram ainda, que não há nos autos nenhum documento que demonstre a ocorrência de qualquer pagamento ou compensação homologada referente ao anocalendário em análise. Desta forma, o julgamento foi no sentido de encaminhar os autos para a unidade preparadora, no sentido de verificar se, no anocalendário de 2002: 1) houve débito de IRPJ estimativa que foi extinto por meio de pagamento ou compensação homologada, ou 2) qualquer outro débito de IRPJ que foi objeto de confissão de dívida (debito confessado em DCTF, em compensação tributária em análise ou parcelamento). O Relatório de Diligência Fiscal (efls. 19981999), após as pesquisas efetuadas nos respectivos sistemas, junto ao Serviço de Arrecadação (SECAT0 e SEORT, e no sistema SIEFWEB, apresentou os seguintes dados: Fl. 2208DF CARF MF 6 1) Quanto ao item "1" acima indicado: 2) Quanto ao item "2" acima indicado: 3) Outras considerações apresentadas: Em sua manifestação sobre o relatório de diligência fiscal (efls. 20252058), requereu a Recorrida a improcedência total da acusação fiscal e a manutenção da r. decisão recorrida, para que seja reconhecida definitivamente a improcedência dos Autos de Infração relativos a IRPF e CSLL integrantes do presente processo administrativo, com o consequente Fl. 2209DF CARF MF Processo nº 10283.720023/200913 Acórdão n.º 1402002.956 S1C4T2 Fl. 2.207 7 cancelamento de todas as exigências neles contidas, seja a título de principal, seja a título de consectários legais (multas e juros). Protestou pela realização de nova sustentação oral. Registrese, por fim, no tocante ao trâmite processual que não foram apresentadas Contrarrazões pela PGFN, mas que há Recurso de Ofício a ser analisado no presente processo, haja vista a total procedência da impugnação da autuada. É o relatório. Fl. 2210DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator Os autos subiram a este E. Conselho em razão de Recurso de Ofício, uma vez que a DRJ/Belém, através do v. acórdão recorrido de p. 1925 a 1934, julgou procedente a impugnação apresentada, exonerando o crédito tributário lançado em razão do reconhecimento da decadência tributária no caso concreto, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Antes de se adentrar à questão da decadência, é necessário trazer as razões que fundamentaram a autuação fiscal. Conforme TVF de p. 148 a 152 e auto de infração de p. , os créditos de IRPJ e CSLL constituídos decorrem, em tese, da compensação indevida de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL de anos anteriores por parte da contribuinte, em razão da fiscalização ter desconsiderado reestruturação societária realizada, sob o fundamento de ocorrência de simulação. Para a fiscalização, a “empresa formalmente ‘incorporada’ é que, de fato, incorporou a ‘sucessora’ formal, com o objetivo precípuo de aproveitarse de prejuízos e saldos negativos de anos anteriores. Não se trata, ao ver deste Julgador, contudo, tratarse da denominada “incorporação às avessas”. Em verdade, a incorporadora (Sony Comércio e Indústria Ltda.) incorporou três empresas (Sony da Amazônia Ltda., Sony Componentes Ltda. e Electronic Center Ltda.), sendo, antes da incorporação, controladora da Sony da Amazônia Ltda. É uma empresa constituída em 02.10.72, na cidade de São Paulo, exercendo atividade operacional, tanto que possuía prejuízos fiscais e saldo negativo de CSLL em suas demonstrações contábeis. Todos os atos formais necessários à incorporação foram praticados dentro dos ditames legais, de tal forma que estão perfeitos e acabados. Em suma, ao ver deste Julgador, não se está diante de uma situação em que uma empresa é pujante e outra decadente, sendo esta incorporadora daquela, não se vislumbrando, com a devida vênia, fraude ou simulação nos atos praticados de reorganização societária. De qualquer forma, a questão da simulação, quando da conversão do julgamento em diligência, restou superada, pois a contagem do prazo decadencial, havendo a simulação, necessariamente teria que ser com base no art. 173, I, do CTN e, desta forma, inócua seria a diligência. Assim, afastada a simulação, buscou a Turma, com a conversão do julgamento em diligência, confirmar que o contribuinte tinha realizado a declaração de valores devidos a título de IRPJ (e CSLL) e se os tinha pago, mediante DARF ou compensação ou, como bem ressaltou o contribuinte em sua manifestação de p. 2025 a 2060, a existência de IRRF e a utilização dessas retenções para fins de pagamento de IR devido. Embora o relatório de diligência (p. 1998/1999) não tenha apontado, de forma objetiva, pagamentos realizados com DARF, foi apontado que havia débito por Fl. 2211DF CARF MF Processo nº 10283.720023/200913 Acórdão n.º 1402002.956 S1C4T2 Fl. 2.208 9 estimativa mensal de IRPJ na competência 12/2002, o qual foi objeto de compensação nos termos do processo 10283.002014/200343, o qual ainda não foi julgado definitivamente, mas está parado há mais de cinco anos, pressupondo que, no caso concreto, ocorreu a homologação tácita da compensação declarada. O contribuinte, de forma diligente, ao se manifestar sobre o relatório de diligência, tomou o cuidado de fazer esclarecimentos (p. 2025 a 2060), acompanhados de documentos comprobatórios, de tal forma a subsidiar o presente julgamento. No mesmo sentido, apresentou valores retidos na fonte, a título de IR, com a anexação de informes de rendimentos dos bancos responsáveis pela retenção (p. 2170 a 2173), justificando, nos termos do art. 229, do RIR/99, a possibilidade de utilizar o IRRF para efeitos de pagamento. Quanto à CSLL, que não foi objeto do termo de diligência, o contribuinte apresentou DCTF do 4º trimestre de 2002 (p. 2081 a 2169), indicando os valores devidos a título de estimativa, bem como informando a forma como foram pagas, inclusive mediante DARF (p. 2174 a 2176). Ou seja, restou comprovado constituição de créditos de IRPJ e CSLL por declaração do contribuinte e o pagamento antecipado, via DARF e compensação, o que atrai, ao ver deste Julgador, o disposto no art. 150, §4º, do CTN, para fins de contagem do prazo decadencial para a fiscalização. Não é outro o entendimento do E. STJ, conforme se depreende da ementa abaixo transcrita: EMENTA 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. [...] 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, I do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", Fl. 2212DF CARF MF 10 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. (REsp 973733 SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Esse entendimento, fixado pelo E. STJ, é usualmente seguido no âmbito deste Conselho Administrativo, notadamente na CSRF, como se verifica no julgamento abaixo, exarado no processo administrativo 10425.001137/200303, de lavra da i. Conselheira Cristiane Silva Costa – Redatora Designada (voto vencedor), Acórdão nº 9101003.103: Voto Vencedor Conselheira Cristiane Silva Costa Redatora Designada Com a devida vênia ao entendimento da ilustre Relatora, voto por negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, mantendo o acórdão recorrido que aplicou o artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Ressalto que a orientação prevalecente nesta Turma da CSRF é pela aplicação do artigo 150, §4º quando é apresentada declaração com efeito de confissão de dívida, como efetivamente é o caso da DCTF cuja existência é mencionada pela Ilustre Relatora. A esse respeito, destaco precedente desta Turma, relatado pelo Conselheiro Rafael Vidal de Araújo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000 DECADÊNCIA TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO TERMO INICIAL. 1. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previsto no artigo 543C do CPC, e da Resolução STJ nº 08/2008, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. 2. Se a contribuinte apresentou confissões em DCTF e realizou pagamentos referentes aos mesmos tributos e períodos que foram objeto de autuação fiscal Fl. 2213DF CARF MF Processo nº 10283.720023/200913 Acórdão n.º 1402002.956 S1C4T2 Fl. 2.209 11 neste processo, a regra para a contagem da decadência é a prevista no art. 150, § 4º, do CTN. 3. Em 10/08/2005, data em que foi realizado o lançamento, estavam decaídos os débitos de IRPJ e CSLL referentes ao primeiro e segundo trimestres de 2000 (fatos geradores em 31/03/2000 e 30/06/2000), e os débitos de PIS e COFINS referentes aos meses de janeiro a julho de 2000 (fatos geradores no último dia de cada um desses meses). Destaco trecho do voto do Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, acompanhado à ocasião por esta Relatora, mencionando o acórdão do STJ no REsp : 4.2. De acordo com o STJ, devese aplicar o artigo 173, I, do CTN, quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito capaz de constituir o crédito tributário. 4.3. No sentido inverso, há duas condições para a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN: 1) haver pagamento ou 2) haver declaração prévia que constitua crédito tributário. 4.4. Não se pode, portanto, deixar de reconhecer a relevância da existência ou não de pagamento ou declaração/confissão (ainda que parciais) para fins de definição do critério para a contagem de prazo decadencial. 4.5. Aliás, vale frisar que todo esse debate em torno da relevância do pagamento ou da confissão de débito para análise de decadência de lançamento posteriormente realizado pelo Fisco pressupõem pagamento e/ou confissão parciais mesmo. Até porque o Fisco não realizaria nenhum lançamento de ofício para constituir crédito tributário que já foi em momento anterior integralmente pago ou confessado pelo contribuinte. (...) 5.3. Ocorre que, compulsando os autos, constatasse a presença de documentos (apresentados com o recurso voluntário) que comprovam confissões em DCTF e pagamentos por DARF de débitos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS relacionados a fatos ocorridos em todos os meses do anocalendário de 2000. 5.4. Às fls. 292/458, constam cópias das DCTF trimestrais referentes ao ano calendário 2000, todas elas indicando débitos de IRPJ/CSLL para os 4 trimestres de 2000 e débitos de PIS/COFINS para todos os meses desse mesmo ano. Exatamente nesse sentido, reafirmo meu voto, pois a interpretação dos artigos 150, §4º e 173, deve se alinhar ao acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, nos autos do Recurso Especial nº 973.733, decidido sob o regime do artigo 543C, do Código de Processo Civil/1973 e, portanto, de aplicação obrigatória por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Regimento Interno vigente (Portaria nº 343/2015, em seu artigo 62, §2º). Destaco trechos da ementa do acórdão em julgamento daquele Recurso Especial nº 973.733: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO Fl. 2214DF CARF MF 12 CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (...) 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.(Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 12/08/2009 grifamos) Com efeito, tendo o contribuinte declarado os créditos tributários em DCTF, o prazo decadencial contase na forma do artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Por tais razões, nego provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. No mesmo sentido: Acórdão 9101002.856, exarado no processo administrativo nº 19515.003629/201010. Fl. 2215DF CARF MF Processo nº 10283.720023/200913 Acórdão n.º 1402002.956 S1C4T2 Fl. 2.210 13 Fixadas essas premissas, considerando que o fato gerador do IRPJ e CSLL, no caso concreto, se refere à competência de dezembro/2002, haveria, de fato, a decadência apontada no v. acórdão recorrido de ofício, consumada em dezembro/2007. Ademais, apenas para fins de registro, em não se admitindo a ocorrência de simulação no caso concreto, não há que se falar em glosa na utilização de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL próprios por parte do contribuinte, não se justificando, também no mérito, a autuação. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso de Ofício, confirmando o v. acórdão de p. 1925 a 1934, exarado pela 1ª Turma da DRJ de Belém em sua integralidade. É o voto (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 2216DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.904793/2011-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.273
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. Relatório Trata o presente processo de indeferimento de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório emitido eletronicamente que não homologou a Declaração de Compensação em tela face a inexistência de saldo credor. Conforme este Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito. Cientificado do Despacho Decisório, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, tempestivamente, fazendo um resumo dos fatos: a) em preliminar, assevera que exerceu o seu direito conforme disposto na legislação vigente, sendo que apenas não procedeu à retificação das DCTF e demais obrigações acessórias; b) quanto ao mérito, tece considerações sobre o direito à compensação administrativa e a respeito das hipóteses em que há vedação legal e expressa para a declaração de compensação; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .9 04 79 3/ 20 11 -7 9 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10580.904793/201179 Resolução nº 3402001.273 S3C4T2 Fl. 89 2 b.1) assinala ainda os pontos de discordância: (i) da inexistência do crédito para a compensação constante do PER/DCOMP e respectivo Darf, e (ii) do direito em retificar as DCTF e demais obrigações acessórias. Ao final, faz referência aos documentos anexados e pede seja acolhida a presente manifestação de inconformidade. A DRJ/BHE julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, adotando, para tanto, o convencimento no sentido de que "(...) a retificação da DCTF atesta apenas a alteração do valor do débito anteriormente confessado, mas não comprova o erro que levou ao suposto pagamento indevido ou a maior do tributo apurado originalmente, de forma a conferir a necessária certeza e liquidez ao crédito postulado". Cientificada da decisão do Colegiado a quo e irresignada com o teor do Acórdão nº 0261.025, a Recorrente recorre a este Conselho, apresentando um argumento novo visando amparar a legalidade dos créditos aqui discutidos. Vejase os principais trechos abaixo reproduzidos: "(...) 2. A ora Recorrente SOCIEDADE ANÔNIMA HOSPITAL ALIANÇA, determinouse em identificar e excluir da base de cálculo de PIS e COFINS os medicamentos com incidência de alíquota zero, conforme se pode inferir na petição inicial com pedido de liminar devidamente protocolada em 23/09/2009 com distribuição e inicio do processo Judicial sob o n° 2009.34.00,0314472, em trâmite perante a 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal. Distribuída a Ação, o MM. Juiz deferiu in tantum a LIMINAR pleiteada nos seguintes termos: "Assim, em face do exposto, DEFIRO o pedido liminar, e determino à autoridade Impetrada que suspenda a exigibilidade do PIS e da COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma. prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações feitas pela Lei 10.548/02, isentando, assim, de efetuar a cobrança de tais valores, dos Hospitais e Clinicas substituídos." A liminar foi deferida em 27/10/2009 e ainda confirmada por decisão final de primeira instância em 07/04/2010 que assim declarou: "isto posto, ratifico a liminar e CONCEDO a SEGURANÇA para: 1) determinar à autoridade Impetrada e seus prepostos que se abstenha de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02, eximindo os hospitais e clinicas _ substituídos dos . respectivos pagamentos; 2) declara o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos á titulo de PIS e COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00, com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73. e 74 da Lei 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A do CTN." Dessa forma, a Recorrente REQUER: 1. Determinar à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10580.904793/201179 Resolução nº 3402001.273 S3C4T2 Fl. 90 3 medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02 e posteriores. 2. Que seja este Recurso Voluntário conhecido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e, ao final, provido, para efeitos de restar reformado o r. acórdão recorrido, mantendo se a integralidade do crédito e a homologação da compensação nos moldes como informado pela mesma, reconhecendose a legitimidade adotada pela Recorrente e o reconhecimento de DCTF e DACON retifícadores ora apresentados junto à SRFB. 3. Declarar o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e de COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00 e alterações posteriores, com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73 e74 da Lei nº 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A, do CTN. 4. Sucessivamente, cumprir a decisão e sentença, com sede de Liminar, no sentido de .. suspender qualquer cobrança em processo administrativo e/ou execução até que seja julgado o mérito da referida ação, fazendo valer seus efeitos. A Recorrente anexa cópia dos seguintes documentos: cópia da Decisão e Sentença do Processo Judicial sob n° 2009.34.00.0314472, 9ª Vara Federal Seção Judiciária Federal do Distrito Federal; cópia da Certidão de objeto e pé expedida pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região referente ao processo 2009.34.00.0314472; DCTF e DACON retificadores. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.261, de 28 de fevereiro de 2018, proferida no julgamento do processo 10580.904788/201166, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.261: 1. Da admissibilidade do recurso O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 2. Das razões do Recurso Voluntário Não é possível ainda analisar o mérito do presente processo por este órgão Colegiado. Isto porque, antes disso, uma questão prejudicial deve ser adequadamente respondida, saneando o processo, para que nenhuma das partes que compõe o litígio tenha tratamento Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10580.904793/201179 Resolução nº 3402001.273 S3C4T2 Fl. 91 4 desconforme a legislação tributária que rege o processo administrativo fiscal. Tratase de questão acerca do Mandado de Segurança Coletivo (MSC), com pedido de liminar, impetrado pela CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, contra ato do SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, objetivando a concessão da medida liminar da forma requestada visando à imediata suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, impedindo que a autoridade coatora e seus prepostos possam efetuar a cobrança de tais valores dos Hospitais e Clinicas Substituídos. Como se vê, a Impetrante do MSC, no caso, atuando como substituta processual, é pessoa jurídica de direito privado, devendo os substituídos exercer atividade social de prestação de serviços hospitalares, sendo, desta forma, contribuintes do PIS e da CONFINS. É fato que para a consecução de suas respectivas atividades empresariais, além da prestação de serviços hospitalares, os Hospitais e Clínicas Substituídos sempre necessitaram realizar a aplicação de vários produtos, dentre eles, os medicamentos ministrados aos pacientes. Pois bem. Verificase na "Copia da Certidão de objeto e pé expedida pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região referente ao processo 2009.34.00.0314472", que a Justiça Federal concedeu a SEGURANÇA no seguinte sentido (fl. 40): (1) determinar à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02, eximindo os hospitais, e clínicas substituídos dos respectivos pagamentos; 2) declarar o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e de COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00, com.outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73 e 74 da Lei n. 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A do CTN . Posto isto, tornase imprescindível nos autos, a comprovação de que a Recorrente, enquadrase, no caso, como substituída da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS. Em situações como a ora sob análise, o CARF tem entendido pelo cabimento de diligência para a averiguação das informações faltantes, para então decidir pelo conhecimento ou não das razões aduzidas no recurso voluntário apresentado pela Recorrente. Nesse sentido, destaco a Resolução nº 3403000551, proferida no bojo do Processo nº 13898.000203/200261. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10580.904793/201179 Resolução nº 3402001.273 S3C4T2 Fl. 92 5 3. Da conversão em Diligência Com essas considerações, voto pela conversão do processo em diligência, a fim de que a Autoridade Administrativa da DRF de origem, adote a seguintes providências: (i) Intimar a Recorrente a apresentar documentos que comprove ser substituída (associada ou parte) da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, indicando claramente a data de sua filiação; (ii) informar a fase processual (certidão de inteiro teor ou objeto e pé), que se encontra na Justiça Federal o referido Mando de Segurança Coletivo. Caso entender necessário, intimar a empresa para atendimento deste quesito; (iii) após encerrada as diligências, a Autoridade Administrativa deverá elaborar Relatório Conclusivo das averiguações efetuadas, juntar aos autos todos os documentos comprobatórios dos fatos que forem analisados e, caso queira (uma vez que tais fatos não foram apresentados em instâncias anteriores), manifestarse sobre os termos do Recurso Voluntário apresentado; (iv) por fim, a Autoridade Administrativa deverá cumprir o disposto no artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, dando ciência à Recorrente do termo e dos demais documentos mencionados no item (iii), concedendolhe prazo de 30 (trinta dias) para manifestação. Atendida a diligência acima solicitada, o processo deverá ser devolvido para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a Autoridade Administrativa da DRF de origem, adote as seguintes providências: (i) Intimar a Recorrente a apresentar documentos que comprove ser substituída (associada ou parte) da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, indicando claramente a data de sua filiação; (ii) informar a fase processual (certidão de inteiro teor ou objeto e pé), que se encontra na Justiça Federal o referido Mando de Segurança Coletivo. Caso entender necessário, intimar a empresa para atendimento deste quesito; (iii) após encerrada as diligências, a Autoridade Administrativa deverá elaborar Relatório Conclusivo das averiguações efetuadas, juntar aos autos todos os documentos comprobatórios dos fatos que forem analisados e, caso queira (uma Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10580.904793/201179 Resolução nº 3402001.273 S3C4T2 Fl. 93 6 vez que tais fatos não foram apresentados em instâncias anteriores), manifestar se sobre os termos do Recurso Voluntário apresentado; (iv) por fim, a Autoridade Administrativa deverá cumprir o disposto no artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, dando ciência à Recorrente do termo e dos demais documentos mencionados no item (iii), concedendolhe prazo de 30 (trinta dias) para manifestação. Atendida a diligência acima solicitada, o processo deverá ser devolvido para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 89DF CARF MF
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Numero do processo: 10240.720461/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2008
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. COMPROVAÇÃO PARCIAL DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA.
A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. Sendo comprovada parcialmente a origem dos créditos em conta bancária, os que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, devendo ser exonerados os créditos de origem comprovada e que não correspondem a receitas auferidas ou já oferecidos ao crivo da tributação.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2008
INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, com exceção de algumas hipóteses, entre as quais o caso de o dispositivo normativo já ter sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF.
DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
A diligência não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte. Tratando-se da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de diligência. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis.
Numero da decisão: 1301-002.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (i) negar provimento ao recurso de ofício: (ii) em relação ao recurso voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade e o pedido de diligência, e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para excluir da base de cálculo da exigência os valores de R$ 3.988,80 (20/04/2007) e de R$ 1.614,80 (03/09/2007).
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: Relator
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DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. COMPROVAÇÃO PARCIAL DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. Sendo comprovada parcialmente a origem dos créditos em conta bancária, os que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, devendo ser exonerados os créditos de origem comprovada e que não correspondem a receitas auferidas ou já oferecidos ao crivo da tributação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2008 INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, com exceção de algumas hipóteses, entre as quais o caso de o dispositivo normativo já ter sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. A diligência não se presta para produzir provas de responsabilidade da parte. Tratandose da comprovação de origem de depósitos bancários, a prova deveria ser produzida pela parte, sendo desnecessária a realização de diligência. Ademais, a solicitação de diligência ou perícia deve obedecer ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 72 04 61 /2 01 0- 11 Fl. 2300DF CARF MF Processo nº 10240.720461/201011 Acórdão n.º 1301002.728 S1C3T1 Fl. 2.301 2 disposto no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, competindo à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (i) negar provimento ao recurso de ofício: (ii) em relação ao recurso voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade e o pedido de diligência, e, no mérito, darlhe provimento parcial para excluir da base de cálculo da exigência os valores de R$ 3.988,80 (20/04/2007) e de R$ 1.614,80 (03/09/2007). (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 2301DF CARF MF Processo nº 10240.720461/201011 Acórdão n.º 1301002.728 S1C3T1 Fl. 2.302 3 Relatório PORTO REAL VIAGENS E TURISMO LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância (Acórdão 01024.427) que julgou parcialmente procedentes as impugnações apresentadas, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Em razão do montante de tributos e juros exonerados, o Presidente do colegiado a quo recorre de ofício a este Conselho, com fulcro no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, c/c , art. 1º da Portaria MF nº 03, 03 de janeiro de 2008, haja vista o acórdão de origem ter exonerado o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 1.000.000,00. Ressaltese que mesmo com o advento da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, que elevou o limite para interposição de recurso de ofício para R$ 2.500.000,00, o montante exonerado ainda exige novo pronunciamente desta Corte Administrativa. O presente processo foi objeto da Resolução nº 1101000.083, em relação a qual reproduzo seu relatório por retratar fielmente os fatos necessários ao julgamento dos recursos: Segundo o Termo de Verificação e Constatação Fiscal (proc. fls. 746 a 753), a ação fiscal teve início em 19/04/2010 com a ciência do contribuinte do Termo de Início de Ação Fiscal. O procedimento de fiscalização foi instaurado tendo em vista que, no ano calendário de 2007, o contribuinte realizou expressiva movimentação financeira, a despeito de ter apresentado Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (PJSI 2007) e Declaração Anual do SIMPLES NACIONAL (DASN). Intimado a apresentar diversos documentos fiscais e contábeis, o contribuinte, após algumas prorrogações, não apresentou todos os documentos solicitados. Desta feita, a fiscalização emitiu Requisições de Informação sobre Movimentação Financeira – RMF. De posse das informações prestadas pelas instituições financeiras, o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos recursos movimentados. Entendeu a fiscalização que o contribuinte não comprovou a origem dos recursos. Desta forma, para garantir o crédito tributário em favor da Fazenda Nacional, foi formalizado o lançamento objeto de questionamento. Lavrouse Auto de Infração (proc. fls. 662 a 744) imputandose ao contribuinte as seguintes infrações: omissão de receitas – depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada; e insuficiência de recolhimento. O contribuinte apresentou Impugnação em 23/11/2010 (proc. fls. 844 a 862) por meio da qual alegou que o Fisco não construiu arcabouço de provas que legitimam a manutenção da presunção de omissão de receitas. Esclareceu que os recursos que transitam em suas contas são originados de vendas de passagens aéreas. Tais recursos, em torno de 90%, são encaminhados às Companhias Fl. 2302DF CARF MF Processo nº 10240.720461/201011 Acórdão n.º 1301002.728 S1C3T1 Fl. 2.303 4 Aéreas, pelas agências de turismo e viagens. Desta forma, a tributação se deu não sobre o lucro do contribuinte, mas sim sobre renda que não pertence ao contribuinte. Com fundamento no Princípio da Verdade Material, o Impugnante questionou a negativa do órgão fazendário em diligenciar junto às Companhias Aéreas, Secretarias e Autarquias do Governo do Estado de Rondônia. Afirmou que em momento algum omitiu documentos ou dados, simplesmente tais provas são de difícil localização, motivo pelo qual a diligência facilitaria a obtenção de tais informações. Neste sentido, requereu a dilação de prazo para que pudesse apresentar os documentos aptos a comprovar a origem dos recursos e que foram solicitados a terceiros. No mérito, o Postulante alegou que o lançamento é nulo de pleno direito, pois meros depósitos não são documentos suficientes para comprovar e fundamentar a omissão de receitas. Afirmou as provas acostadas aos autos afastam a presunção de omissão de receitas. No tocante à multa aplicada, o fiscalizado alegou ser inconstitucional por ofensa ao Princípio do não confisco. Desta forma, purgou pela sua não aplicação. Por fim, o contribuinte juntou aos autos laudo pericial contábil que entende ser apto a afastar a exação. Em 08/03/2012, a 2ª Turma da DRJ em Belém exarou Acórdão julgando procedente em parte a Impugnação apresentada diminuindo o crédito de R$ 2.411.085,93 para R$ 984.325,42 (proc. fls. 1173 a 1246). De início o Colegiado afastou a preliminar de nulidade sob o argumento de que não se vislumbram as hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. O órgão julgador a quo esclareceu que o art. 42 da Lei nº 9.430/96 estabelece uma presunção legal relativa de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, condicionada, apenas, à falta de comprovação da origem dos recursos que transitam, em nome do contribuinte, em instituições financeiras, ou seja, permitiu que se considere ocorrido o fato gerador quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária. Dos documentos apresentados pelo contribuinte quando da Impugnação, a DRJ apenas aproveitou os que foram emitidos por entidades públicas, nos quais estão discriminados pagamentos efetuados ao Impugnante, que coincidem em valor e ocorrera, em datas muito próximas às listadas pela fiscalização. Desta forma, parte dos recursos considerados como receita omitida, restaram comprovados, o que acarretou na exclusão de tais valores da base de cálculo do crédito tributário objeto da presente ação fiscal. Quanto aos demais documentos apresentados, a Turma não os considerou aptos a comprovar a origem dos recursos. Entendeu que o contribuinte apenas carreou aos autos documentos sem especificar a qual depósitos referemse, motivo pelo qual, não foram suficientes a comprovar a origem dos depósitos questionados. No que tange à multa aplicada no percentual de 75%, o órgão julgador ressaltou que não tem competência para se manifestar sobre a constitucionalidade ou não de lei plenamente em vigor. Já quanto ao pedido de diligência, a Turma entendeu que tal requerimento não atendeu ao disposto no art. 16, IV do Decreto nº 70.235/72. O órgão fazendário afirmou que o contribuinte teve a oportunidade de trazer aos autos, tanto na fase de autuação como na de impugnação, todos os documentos que entendesse necessário para comprovar a origem dos recursos e, no entanto, não apresentou. Destarte, entendem descabido o protesto do Impugnante Fl. 2303DF CARF MF Processo nº 10240.720461/201011 Acórdão n.º 1301002.728 S1C3T1 Fl. 2.304 5 por diligência fiscal junto a bancos, Companhias Aéreas, Secretarias e Autarquias do Governo do Estado de Rondônia, pois se estaria atribuindo ao Fisco o ônus da prova que segundo o art. 42 da Lei nº 9.430/96 é do contribuinte. Referente ao pedido de prazo para juntada de documentos faltantes, o Colegiado afirmou que o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72 apenas admite tal possibilidade em caráter excepcional, e que tais hipóteses não se fazem presentes no julgamento em análise. Inconformado com a decisão da DRJ em Belém, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 20/09/2012 (proc. fls. 1817 a 1835). Mais uma vez o contribuinte alegou que em momento algum se recusou a apresentar ou omitiu documentos ou dados. Afirmou que como juntado aos autos, peticionou aos bancos e governo solicitando as informações necessárias pra afastar a autuação em questão. O Recorrente repisou que meros depósitos em conta corrente não podem ser suficientes para caracterizar omissão de receita referente a depósitos bancários de origem não comprovada. O Postulante mais uma vez requereu que o Fisco, valendose de sua competência fiscalizadora, oficiasse aos bancos e ao Governo do Estado de Rondônia, reiterando os requerimentos feitos pelo contribuinte, com o intuito de que sejam carreados aos autos os documentos faltantes e que são aptos a afastar a autuação. Postulou ainda a exclusão de depósitos realizados pelo Governo do Estado de Rondônia e que não foram excluídos da base de cálculo apurada. Referente à emissão de Requisições de Informação sobre Movimentações Financeiras, o fiscalizado alegou que a quebra do sigilo bancário pelo Fisco, sem autorização judicial, é ilegal tornando nulas as autuações baseadas em tais requisições. Referente à multa aplicada, o Recorrente alegou a sua inconstitucionalidade por ofensa à Constituição Federal requerendo desta forma a sua exclusão. Em 21/09/2012, o contribuinte protocola Aditamento ao Recurso Voluntário por meio do qual requer a juntada de comprovantes de depósitos realizados nas contas das seguintes empresas: Confiança Ag. de Passagem e Turismo Ltda., TAM Linhas Aéreas, Trip Linhas Aéreas, RICO Linhas Aéreas, GOL Linhas Aéreas e BRA Transportes Aéreos S/A (proc. fls. 1842 a 2290). Por meio da Resolução em questão (1101000.083), decidiuse por sobrestar o julgamento com base no disposto no art. 62A do Anexo II do RICARF então vigente (Portaria MF 256/2009). Revogado tal dispositivo, em novo sorteio (quer pela extinção daquela turma julgadora, quer em razão de a então Conselheira Relatora não mais compor os quadros do CARF), os autos foram a mim distribuídos para exame. É o relatório. Fl. 2304DF CARF MF Processo nº 10240.720461/201011 Acórdão n.º 1301002.728 S1C3T1 Fl. 2.305 6 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário já foi alvo de conhecimento quando proferida a resolução que sobrestou seu exame. No que atine ao recurso de ofício, esse deve ser conhecido, uma vez que exonerada parcela de crédito tributário superior a R$ 2.500.000,00. 2 PRELIMINARES 1.1 SIGILO BANCÁRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. NULIDADE. PEDIDO DE DILIGÊNCIA Em seu recurso voluntário, aduz a recorrente que o lançamento seria nulo em razão da quebra de seu sigilo bancário sem autorização judicial, procedimento que entende ser inconstitucional. Entre os direitos e garantias fundamentais, a Constituição Federal de 1988, no artigo 5º, XII, assegura que “é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal.” Entre os dados cuja a inviolabilidade está assegurada, nos dizeres da recorrente, encontrase o sigilo bancário, somente sendo admitido seu acesso, com ordem judicial, para fins criminais. Da leitura da norma constitucional acima transcrita depreendese que o legislador constituinte estabeleceu limites ao legislador ordinário, isto é, somente permitiu a edição de lei regulando o acesso ao sigilo bancário mediante duas condições: a) para fins de investigação criminal; b) mediante ordem judicial. Da leitura da norma constitucional acima transcrita depreendese que o legislador constituinte estabeleceu limites ao legislador ordinário, isto é, somente permitiu a edição de lei regulando o acesso ao sigilo bancário mediante duas condições: a) para fins de investigação criminal; b) mediante ordem judicial. O ponto principal do recurso em que se baseia o recurso é se o legislador ordinário poderia ter editado a Lei Complementar nº 105, de 2001 e a Lei nº 10.147, de 2001, outorgando poderes à Administração para requisitar a movimentação financeira dos contribuintes. Mais, além desta indagação há que se verificar se o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão da Administração que é, tem competência para conhecer e julgar questões afetas à constitucionalidade das leis. Fl. 2305DF CARF MF Processo nº 10240.720461/201011 Acórdão n.º 1301002.728 S1C3T1 Fl. 2.306 7 Inicialmente, observo que sancionada determinada lei ela entra no sistema jurídico e presumese constitucional até que seja declarada sua inconstitucionalidade, retirandoa do sistema ou impedindo sua aplicação em relação ao caso concreto, isto é “inter partes”. Por outro lado, o Judiciário pode deixar de aplicar lei que a considere inconstitucional, contudo, o mesmo não se aplica em relação à Administração. A razão desta lógica é que o EstadoAdministração não pode avocar para si a prerrogativa de julgar a constitucionalidade ou não de lei. Tal prerrogativa, por força das previsões contidas nos artigos 97, 102, I, compete ao Poder Judiciário. À luz do artigo 103, I, da Constituição Federal, o chefe do Poder Executivo, no caso o Presidente da República, tem legitimidade para propor ação direta de inconstitucionalidade sustentando que determinada lei viola da Constituição. Contudo, nem o Presidência da República e tampouco os demais órgãos da Administração podem deixar de cumprir lei sob o pretexto de que esta viola norma Constitucional. Neste sentido, à luz do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Sobre a matéria este Conselho já pacificou seu entendimento por meio da Súmula nº 2, cujo teor é o seguinte: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. De todo modo, analisando o tema, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 601314, e nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade – ADIs 2390, 2386, 2397 e 2859 garantiu ao Fisco o acesso a dados bancários dos contribuintes sem necessidade de autorização judicial, nos termos da Lei Complementar nº 105 e do Decreto nº 3.724, de 2001. Quanto ao procedimento para acesso às informações bancárias diretamente pela Receita Federal, convém tecer alguns comentários adicionais. A respeito da suposta quebra de sigilo bancário, convém reforçar que o parágrafo único do art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, estabelece que as informações e documentos obtidos pela RFB junto às instituições financeiras serão conservados em sigilo. No mesmo sentido, o mesmo diploma legal estabelece em seu art. 1º, § 3º, VI, que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos seus arts. 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 10. Fl. 2306DF CARF MF Processo nº 10240.720461/201011 Acórdão n.º 1301002.728 S1C3T1 Fl. 2.307 8 Para preservar a inviolabilidade do direito constitucional que as pessoas têm à intimidade e à privacidade, preceitua o § 5º do art. 5º da precitada LC que: "As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor". Relativamente ao sigilo fiscal, vigora o art. 198 do Código Tributário Nacional, lei materialmente complementar, que, no seu caput, de acordo com a nova redação atribuída pela Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001, assim dispõe: "Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus negócios ou atividades". Portanto, as informações bancárias sigilosas são transferidas à administração tributária da União sem perderem a proteção do sigilo. Desse modo, voto por não conhecer do recurso no que atine às arguições de inconstitucionalidade. Argumenta também a recorrente que o procedimento fiscal seria nulo, pois meros depósitos não seriam documentos suficientes para comprovar e fundamentar a omissão de receitas. Afirmou ainda que as provas acostadas aos autos afastariam a presunção de omissão de receitas. A nulidade no processo administrativo fiscal é regulada pelos arts. 59 a 61 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e alterações posteriores, abaixo transcritos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1.º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2.º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3.º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (grifo nosso) Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. A despeito do já exposto, no caso concreto não há qualquer dúvida quanto à ausência de prejuízo ao contribuinte, tanto que, conseguiu defenderse plenamente. Fl. 2307DF CARF MF Processo nº 10240.720461/201011 Acórdão n.º 1301002.728 S1C3T1 Fl. 2.308 9 A respeito da aplicação da presunção legal de omissão de receitas com base em depósitos bancários (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996) e da apresentação de provas que infirmariam tal presunção, tratase de exame de mérito da exigência a ser analisado em tópico específico deste voto. Ademais, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa na fase inquisitorial do procedimento fiscal, uma vez que a fase litigiosa somente se inicia com a apresentação da impugnação (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972), momento a partir do qual o contraditório e a ampla defesa devem ser observados de forma ampla. No decorrer do procedimento de fiscalização o agir da autoridade fiscal se deu em estrito cumprimento das normas estabelecidas, inclusive quanto à intimação prévia para comprovação da origem dos créditos bancários, conforme estatui o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Desse modo, rejeito a preliminar de nulidade suscitada. A recorrente requereu em sua impugnação a realização de diligência a fim de que a fiscalização angariasse provas junto aos bancos e outras pessoas jurídicas a fim de que pudesse restar demonstrada a tese de defesa no sentido de que a maior parte dos recursos depositados em suas contas bancárias não diriam respeito a renda, mas sim a valores de terceiros que seriam por ela repassados em razão da intermediação na aquisição de bilhetes de passagens. O pedido foi indeferido pela decisão recorrida de forma fundamentada. O recurso voluntário apresentado repete o pedido de diligência. O inciso IV do art. 16 e o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972 (com a redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993), assim dispõem: Art. 16 – A impugnação mencionará: [...] IV – As diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pelo art. 1º da Lei n° 8.748, de 09/12/93). § 1° – Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (parágrafo introduzido pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 09/12/1993). [...] Art. 18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Assim, tanto a perícia quanto a diligência objetivam a comprovação de elementos ou fatos que o contribuinte não pôde trazer aos autos. Fl. 2308DF CARF MF Processo nº 10240.720461/201011 Acórdão n.º 1301002.728 S1C3T1 Fl. 2.309 10 No caso ora examinado tratase da exigência de tributos sobre suposta omissão de receitas baseada em presunção legal insculpida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Para elidir a presunção de omissão de receitas baseadas em depósitos bancários bastaria ao recorrente demonstrar que determinados depósitos possuíam origem em operação que não denotava a auferição de renda. Tanto em sua impugnação, quanto em sede de recurso voluntário, o contribuinte argumentou que 90% dos depósitos não se referiam à renda, anexando documentos que, a seu ver, comprovariam sua tese. Com base na impugnação apresentada, os créditos realizados em sua conta bancária que foram passíveis de identificação de origem, diversa de renda, foram excluídos da exação já no julgamento de primeira instância. Em relação aos documentos anexados em sede de recurso voluntário e em petição apresentada posteriormente, serão alvo de análise em ponto específico deste voto. Tanto a diligência quanto a perícia não se prestam a substituir elementos de prova que deveriam ser trazidos aos autos nas peças de defesa apresentadas. Eventual dificuldade de obtenção dessas provas por parte da recorrente, em razão de suas relações comerciais, não podem servir de mote para que a fiscalização buscasse junto a terceiros documentos que deveriam ser de guarda obrigatória do contribuinte. Dessa forma, resta demonstrada a desnecessidade de diligência, uma vez que, conforme dispõe o inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, compete à autoridade julgadora indeferir aquelas que julgar prescindíveis. Diante do exposto, indefiro o pedido de diligência. 3 MÉRITO A autuada é acusada de omissão de receita, caracterizada pela falta de comprovação da origem dos depósitos/créditos efetuados em suas contas bancária, tendo por base legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tal dispositivo legal estabeleceu uma presunção de omissão de receitas, autorizando a exigência de imposto de renda e de contribuições correspondentes, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A inversão legal do ônus da prova é perfeitamente aceita por nosso ordenamento jurídico, estando regulada também no artigo 374, inciso IV, do Código de Processo Civil – CPC/2015 – equivalente ao art. 334, inciso IV, do CPC/1973), aplicado subsidiariamente ao Decreto nº 70.235/1972 no Processo Administrativo Fiscal: Art. 374. Não dependem de prova os fatos: (...) Fl. 2309DF CARF MF Processo nº 10240.720461/201011 Acórdão n.º 1301002.728 S1C3T1 Fl. 2.310 11 IV – em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. A Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), recepcionada pela nova Constituição, consoante artigo 34, § 5º, do Ato das Disposições Transitórias, define, em seus artigos 43, 44 e 45, o fato gerador, a base de cálculo e os contribuintes do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. De acordo com o artigo 44, a tributação do imposto de renda não se dá só sobre rendimentos reais, mas, também, sobre rendimentos arbitrados ou presumidos por sinais indicativos de sua existência e montantes. Esses artigos assim dispõem: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos utilizados para efetuar os depósitos bancários. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. É função do Fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos, informações e esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de receitas de que trata o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder e o dever de considerar os valores depositados em conta bancária como receita, efetuando o lançamento do imposto e contribuições correspondentes. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente seguir a legislação. Dessa forma, detectadas irregularidades que conduzem à presunção de omissão de receita, por imposição legal e por ser a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme parágrafo único do art. 142 do Fl. 2310DF CARF MF Processo nº 10240.720461/201011 Acórdão n.º 1301002.728 S1C3T1 Fl. 2.311 12 Código Tributário Nacional, cabe à fiscalização efetuar o lançamento de acordo com a legislação aplicável ao caso. A autuada foi intimada a comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados/creditados nas suas contas correntes. Não o fazendo adequadamente durante o procedimento fiscal, apresentou impugnação com inúmeros anexos de documentos que, em tese, comprovariam a origem dos depósitos. A decisão de primeira instância, em voto de muito fôlego, assim discorreu sobre os elementos de prova apresentados: DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS Anexo 001 (fls.751/817 – Volume IV): 48. Tratase apenas de uma listagem contendo CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS. Como a própria denominação já aponta, não é suscetível a esclarecer a origem de qualquer dos depósitos argüidos pela fiscalização. Anexo 002 (fls.820/900 – Volume V) 49. Tratase de uma planilha em que o impugnante intenta apontar, em relação a alguns depósitos, a origem dos recursos. Porém, destaquese que a informação fornecida carece de complemento. Expliquese: 50. Existe uma coluna intitulada “origem dos recursos”. Nesta coluna o impugnante apôs códigos de números e letras. Ao lado desta, verificase outra coluna chamada “Pgto Bco”, que nos faz entender que seja “pagamento banco”. Nesta segunda coluna, o contribuinte inseriu datas. 51. A compreensão do que está exposto na referida planilha, é de que o reclamante buscar comprovar a origem de um depósito bancário indicando uma outra operação financeira ocorrida no mesmo banco em data diferente. 52. A carência gerada por este tipo de planilha, é de justamente não sabermos qual a natureza da operação que o contribuinte está tentando explicar, quais documentos embasam tal movimentação financeira, como a mesma foi escriturada nos livros fiscais da empresa. Anexo 03 (fls.901/913 – volume V) 53. Tratase apenas de uma listagem contendo INFORMAÇÕES SOBRE LANÇAMENTOS DO ANO 2007, CUJAS ORIGENS AINDA NÃO FORAM INFORMADAS. Como a própria denominação já aponta, não é suscetível a esclarecer a origem de qualquer dos depósitos argüidos pela fiscalização. Anexo 04 (fls.914/915 – volume V) 54. Tratase apenas de uma listagem contendo INFORMAÇÕES SOBRE LANÇAMENTOS DO ANO 2007, CUJAS ORIGENS AINDA NÃO FORAM INFORMADAS. Como a própria denominação já aponta, não é suscetível a esclarecer a origem de qualquer dos depósitos argüidos pela fiscalização. Anexo 05 (fls.916/952 – volume V) 55. Tratase apenas de uma listagem contendo INFORMAÇÕES SOBRE LANÇAMENTOS DO ANO 2007, CUJAS ORIGENS AINDA NÃO FORAM INFORMADAS. Como a própria denominação já aponta, não é suscetível a esclarecer a origem de qualquer dos depósitos argüidos pela fiscalização. Anexo 06 (fls.953/956 – volume V) 56. Tratase apenas de uma listagem contendo INFORMAÇÕES SOBRE LANÇAMENTOS DO ANO 2007, CUJAS ORIGENS AINDA NÃO FORAM Fl. 2311DF CARF MF Processo nº 10240.720461/201011 Acórdão n.º 1301002.728 S1C3T1 Fl. 2.312 13 INFORMADAS. Como a própria denominação já aponta, não é suscetível a esclarecer a origem de qualquer dos depósitos argüidos pela fiscalização. Anexo 07 (fls.957/958 – volume V) 57. Tratase de uma planilha em que o contribuinte consolida totais de pendências por instituição bancária. Não comprova qualquer depósito questionado. Anexo 08 (fls.959/969 – volume V) 58. Tratamse de correspondências entre o impugnante e instituições governamentais nas quais o autuado solicita listagens sobre prestação de serviços na emissão de passagem; e entre o impugnante e instituições bancárias, em que o este solicita cópias de todos os lançamentos a créditos para fins de comprovação da origem desses recursos. 59. É importante frisar que a relação particular existente entre o contribuinte e terceiros, sendo estes instituições bancárias, parceiros comerciais ou clientes, não tem o condão de elidir ou postergar a exigência do crédito tributário. LEI Nº 5.172, DE 25 DE OUTUBRO DE 1966. Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. 60. Concluise que o fato de uma comprovação restar pendente em razão de informações que não foram repassadas ao contribuinte por terceiros com quem este tem relação de trabalho, não é razão para modificar a definição legal do contribuinte como sujeito passivo dos tributos decorrentes de sua atividade. 61. A responsabilidade pela apresentação das comprovações é do contribuinte, cabendo a este manter em boa guarda todos os documentos que comprovem suas operações comerciais, de modo a atender a requisição da Fazenda Pública quando instado fazêlo. Anexo 09 (fls.970/1045 – volumes V e VI) 62. Entendemos que neste item ao contribuinte assiste razão, pois o mesmo apresenta documentos emitidos por entidades públicas, nos quais estão discriminados pagamentos efetuados ao impugnante, que coincidem em valor e ocorreram em datas muito próximas às listadas pela fiscalização. 63. O trabalho de verificação de depósitos foi operado da seguinte forma: reproduzimos os depósitos citados pela fiscalização como não comprovados, fls.638/708, originando a seguinte planilha: [planilhas com depósitos individualizados de fls. 1155 do voto condutor do aresto] 64. A seguir, verificamos manualmente os pagamentos apresentados pelo impugnante, fls.971/1045, constatando sua compatibilidade com os depósitos acima listados. 65. O resultado desta análise gerou a seguinte planilha, em que o sinal de “ok” significa que o depósito considerase comprovado. [planilhas de fls. 5574 do voto condutor do aresto] 66. A planilha acima apresenta os totais mensais a serem considerados como comprovados. DO CÁLCULO Fl. 2312DF CARF MF Processo nº 10240.720461/201011 Acórdão n.º 1301002.728 S1C3T1 Fl. 2.313 14 67. Abaixo apresentaremos o quanto a fiscalização considerou na autuação, e o valor acatado neste julgamento. A diferença dos campos corresponderá ao que será mantido para efeito de cálculos dos valores devidos. Autuação Acatado no julgamento Mantido jan R$ 1.676.146,56 R$ 686.928,58 R$ 989.217,98 fev R$ 919.707,57 R$ 492.237,41 R$ 427.470,16 mar R$ 1.343.407,88 R$ 786.886,94 R$ 556.520,94 abr R$ 1.388.764,57 R$ 713.833,86 R$ 674.930,71 mai R$ 1.523.052,41 R$ 1.025.371,75 R$ 497.680,66 jun R$ 1.140.816,25 R$ 698.709,86 R$ 442.106,39 jul R$ 1.379.388,80 R$ 790.756,82 R$ 588.631,98 ago R$ 1.462.355,06 R$ 952.207,59 R$ 510.147,47 set R$ 1.237.015,12 R$ 828.828,94 R$ 408.186,18 out R$ 1.176.225,83 R$ 627.805,82 R$ 548.420,01 nov R$ 1.625.080,01 R$ 870.454,50 R$ 754.625,51 dez R$ 1.392.581,39 R$ 901.741,23 R$ 490.840,16 Pois bem, em primeiro lugar cumpreme analisar o recurso de ofício, em que, segundo a decisão de primeira, houve comprovação da origem dos depósitos. Compulsando os elementos de prova, concluo que, de fato, os ingressos de recursos que a DRJ considerou como tendo origem comprovada de fato não correspondem, totalmente, a receitas auferidas pela recorrente, e, a parcela desses ingressos que efetivamente correspondia a renda da recorrente já havia sido oferecidas à tributação. Por essa razão, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Passo agora ao exame do recurso voluntário. Em sua peça recursal, a recorrente anexou documentos que comprovariam depósitos realizados em 19/04/2007, 31/08/2007 e 16/10/2007, respectivamente nos valores de R$ 3.988,80, R$ 1.614,80 e R$ 29.815,68 pagos pelo Governo de Rondônia. Compulsando os documentos de fls. 18371840 (ordens bancárias), identifiquei que, de fato, há comprovação das transferências de R$ 3.988,80, R$ 1.614,80, disponibilizadas à recorrente em sua conta bancária mantida junto ao Banco do Brasil respectivamente em 20/04/2007 e 03/09/2007. No que diz respeito ao valor de R$ 29.815,68, em que pese haver o documento referente à transferência, não consegui identificar tal valor entre os depósitos elencados pela fiscalização e também pela decisão de primeira instância. No que diz respeito ao expediente de fls. 18421845 e os documentos a ele anexados (fls. 18462290) trazidos aos autos pela recorrente após a apresentação de recurso voluntário em razão da demora dos bancos em disponibilizálos anteriormente, tratase de suposta comprovação de depósitos realizados nas contas das seguintes empresas: Confiança Ag. de Passagem e Turismo Ltda., TAM Linhas Aéreas, Trip Linhas Aéreas, RICO Linhas Aéreas, GOL Linhas Aéreas e BRA Transportes Aéreos S/A (proc. fls. 1842 a 2290). Conforme se observa, não há qualquer vinculação entre tais transferências e a quais depósitos diriam respeito. Sobre esse tema, convém transcrever o que consta na decisão recorrida a respeito dos anexos I, II e III apresentados na impugnação: 85. Nestes três volumes anexos ao processo, constam documentos representando repasses da contribuinte à empresa CONFIANÇA AG. DE PASS. E TURISMO LTDA, assim como repasses à empresas aéreas. Fl. 2313DF CARF MF Processo nº 10240.720461/201011 Acórdão n.º 1301002.728 S1C3T1 Fl. 2.314 15 86. Constam ainda dos anexos, Contratos de Comissão por Vendas de Bilhetes de Passagens Aéreas, com a empresa CONFIANÇA AG. DE PASS. E TURISMO LTDA, e com diversas Agências de Viagens. 87. Pelo que se depreende da documentação constante destes anexos, a impugnante consolidava vendas de passagens aéreas emitidas pela agências de viagens, repassando os valores para a empresa CONFIANÇA AG. DE PASS. E TURISMO LTDA. 88. O impugnante busca demonstrar a prática do seu negócio, pela apresentação dos repasses financeiros que eram feitos à empresa CONFIANÇA AG. DE PASS. E TURISMO LTDA e às companhias aéreas. 89. No entanto, cabe ressaltar que a fiscalização sobre depósitos bancários exige a comprovação dos depósitos relacionados na autuação, devendo esta ser feita de modo individualizado, demonstrandose a origem de cada depósito. 90. A informação sobre saídas financeiras da empresa impugnante, somente seria útil à comprovação requerida, se relacionasse a quais depósitos bancários se referiam tais saídas. 91. A forma como a contribuinte busca comprovar a origem dos depósitos bancários questionados, é genérica, não especifica a qual depósito está se referindo, visa apenas demonstrar como se desenvolve o negócio da empresa. 92. Por esta razão, entendemos que as informações contidas nos anexos citados não são suficientes a comprovação da origem dos depósitos questionados na autuação às fls.637/713. Entendo corretas as conclusões da DRJ a respeito da necessidade de individualização de comprovação da origem dos depósitos, razão pela qual a documentação anexada pela recorrente ao expediente de fls. 18421845 não se mostra apta a comprovar a origem de quaisquer depósitos considerados como renda, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, não restou comprovada a origem de todos os depósitos durante a ação fiscal, situação suficiente para considerarse como receita omitida os depósitos cuja origem não foi comprovada. Para que a comprovação da origem dos valores creditados em contas bancárias seja aceita, há de se comprovar que tais valores já foram oferecidos à tributação ou se referem a valores não tributáveis. Desse modo, há de excluir da exigência os depósitos de R$ 3.988,80 (20/04/2007) e de R$ 1.614,80 (03/09/2007). 5 MULTA DE OFÍCIO Fl. 2314DF CARF MF Processo nº 10240.720461/201011 Acórdão n.º 1301002.728 S1C3T1 Fl. 2.315 16 A exigência da multa de ofício de 75% está baseada em expresso dispositivo legal (art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996), sendo que os argumentos da recorrente a respeito da constitucionalidade de norma, ou de seus efeitos confiscatórios, não podem ser conhecidos por esta Corte Administrativa, conforme já discorrido alhures, a teor do que dispõe a Súmula CARF nº 2 (“O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”). 6 CONCLUSÃO Isso posto, voto por negar provimento ao recurso de ofício, e, em relação ao recurso voluntário, por rejeitar a preliminar de nulidade e o pedido de diligência, e, no mérito, por lhe dar provimento parcial para excluir da base de cálculo da exigência os valores de R$ 3.988,80 (20/04/2007) e de R$ 1.614,80 (03/09/2007). (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 2315DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10912.720344/2013-32
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem para confirmar se houve o parcelamento dos débitos apontados no Termo de Indeferimento, em 31/01/2013.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa, Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem para confirmar se houve o parcelamento dos débitos apontados no Termo de Indeferimento, em 31/01/2013. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa – Presidente (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa, Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório . Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 1450.084 da 1ª Turma da DRJ/RPO, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, face à existência de débitos fiscais, sem exigibilidade suspensa, consoante o artigo 17, incisos V, da Lei Complementar nº 123, de 2006. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 12 .7 20 34 4/ 20 13 -3 2 Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10912.720344/201332 Resolução nº 1001000.050 S1C0T1 Fl. 78 2 A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido termo. cuja decisão da DRJ foi contrária à manifestação de inconformidade, a qual, peço a devida vênia, para reproduzir, parcialmente,o voto: Como se vê dos autos, o indeferimento ao ingresso no Simples Nacional, deuse em razão de a interessada possuir débitos previdenciários, cuja exigibilidade não estava suspensa. Relativamente às pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, a Lei Complementar nº 123 de 2006, que instituiu o Estatuto Nacional da Micro e Pequena Empresa, dispensa o seguinte tratamento: Lei Complementar nº 123 de 2006 (...) Seção II Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; O Comite Gestor do Simples Nacional, no âmbito de sua competência, editou a Resolução CGSN nº 94 de 2011, que dispôs quanto ao ingresso no regime simplificado o seguinte: Resolução CGSN nº 94 de 2011 Seção II Da Opção pelo Regime Subseção I Dos Procedimentos Art. 6° A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar n° 123, de 2006, art. 16, caput) § 1° A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5°. (Lei Complementar n° 123, de 2006, art. 16, § 2°) § 2° Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar n° 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; Como se vê, o prazo final para regularização das pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, era 31/01/2013, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção. Ora, o documento da CODAC apresentado pelo contribuinte dizia respeito, apenas, aos ADE emitidos em 03/09/2012 e 10/09/2012, cujos débitos previdenciários já haviam sido quitados ou parcelados. Veja se: Exclusão do Simples Nacional X Débitos Previdenciários A Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10912.720344/201332 Resolução nº 1001000.050 S1C0T1 Fl. 79 3 CoordenaçãoGeral de Arrecadação e Cobrança Codac, desta Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, comunica que foram identificados casos de listagem indevida de débitos de contribuições previdenciárias como motivadores para a exclusão do regime do Simples Nacional, para contribuintes que receberam os Atos Declaratórios Executivos (ADE) emitidos em 03/09/2012 e 10/09/2012 e que já haviam parcelado ou quitado, até 21/08/2012, os saldos inadimplentes decorrentes de valores declarados em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP. Em razão do problema ocorrido, informamos que os débitos de contribuiçõesprevidenciárias serão desconsiderados da relação de pendências que motivariama exclusão dos contribuintes inadimplentes do regime do Simples Nacional. Em 29 de outubro de 2012 esta CoordenaçãoGeral disponibilizará no sítio da RFB na internet, a situação atualizada dos demais débitos (de Simples Nacional e demais tributos federais, inclusive aqueles sob cobrança da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN), para que os contribuintes que receberam os ADE possam efetuar a consulta de sua situação atualizada. Para os débitos que não constarem da nova consulta significa que foram regularizados ou desconsiderados. II. Exclusão do Simples Nacional X Débitos do Simples Nacional já parcelados Em relação aos ADE emitidos com data de 03/09/2012, para os contribuintes que possuíam apenas débitos do próprio regime do Simples Nacional e para os quais já haviam solicitado, até 03/09/2012, o seu parcelamento de acordo com a IN RFB n° 1.229, de 21 de dezembro de 2011 , esses ADE foram considerados nulos de pleno direito, desde a emissão, sem a produção de quaisquer efeitos jurídicos, consoante disposto no ADE N°8, de 26 de setembro de 2012 . Os ADE tornados nulos serão cancelados no sistema de controle e não ensejarão a exclusão do contribuinte do regime do Simples Nacional. O documento de fl. 98 denominado “Consulta Operacional Histórico”, extraído do SIVEX – Sistema de Vedações e Exclusões do Simples, nos dá conta que o ADE de exclusão da empresa foi emitido em 14/09/2012, portanto, não estaria contemplado pelo Comunicado CODAC mencionado pelo contribuinte. Ademais disso, o Comunicado CODAC fazia referência a débitos que já haviam sido quitados ou parcelados até 21/08/2012. O recibo do pedido de parcelamento, fl. 07, trazido à colação pela contribuinte, está datado de 11/01/2013, portanto, não estando abrangido pelo comunicado CODAC. Notese que o TIOSN de fl.6, foi registrado em 09/04/2013, donde se infere que os débitos ali arrolados permaneciam pendente de regularização após 11/01/2013, data do pedido de parcelamento, assim como, após 31/01/2013, data limite para regularização das pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional. Desse modo, os documentos trazidos aos autos pela contribuinte, não se mostram suficientes, à luz da legislação acima reproduzida, para permitir o ingresso da contribuinte ao Simples Nacional. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10912.720344/201332 Resolução nº 1001000.050 S1C0T1 Fl. 80 4 Por essa razão, voto pelo indeferimento de sua manifestação de inconformidade, mantendo o TIOSN como constituído. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva, Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto n° 70.235/72 e, portanto, dele eu conheço. A Recorrente, em seu Recurso Voluntário, em preliminar de mérito, que na verdade, corresponde a descrição de fatos, afirma que: · em 11/01/2013, efetuou o parcelamento de seus débitos, conforme o ADE 545398; · no referido ADE, não estão relacionados os débitos do INSS; · o ADE foi emitido em 03/09/3023 e recebido em 02/10/2012, dentro do prazo do comunicado importante; · no comunicado CODAC ficou estabelecido que os débitos do INSS não seriam motivadores da exclusão do Simples Nacional; · a exclusão em janeiro/2013, deuse por possuir débitos do Simples Nacional, porém janeiro/2013 foi solicitado o parcelamento desses débitos após solicitação do parcelamento apareceram os débitos de INSS os quais indeferiram o reenquadramento no Simples Nacional. No mérito, argumenta que: · É de conhecimento que em 31/12/202empresa tenha sido excluída do Simples Nacional devido aos débitos não quitados ou não parcelados referentes a esse sistema de tributação, todavia em 11/01/2013 a empresa solicitou o parcelamento desses débitos, porém a RFB passou a cobrar também os débitos de INSS acabando com a oportunidade da empresa regularizarse e manterse no Simples Nacional, a Confeitaria Joenk Ltda entende que é devedora dos valores cobrados de INSS, mas entende que a maneira da cobrança é injusta, pois com diferença de um dia mudase os valores cobrados acabando com o fluxo de caixa da empresa. É entendido também que se os valores devidos de INSS não seriam motivo de exclusão do Simples Nacional, também não deveria impedí la de entrar neste sistema, tendo em vista os fatos acontecidos. Por último, requer que o recurso voluntário seja acolhido cancelandose o débito fiscal reclamado. Na verdade, o que está em discussão é o indeferimento do Simples Nacional, não havendo crédito tributário em litígio, como requereu a recorrente. Entretanto, a bem do Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10912.720344/201332 Resolução nº 1001000.050 S1C0T1 Fl. 81 5 princípio da verdade material, vamos a análise do que deveria ter sido o mérito do Recurso Voluntário. Consoante o Termo de indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, a recorrente apresentava 3 débitos pendentes de regularização. Apresentou, em 11/01/2013, um pedido de parcelamento de débitos, nos termos da Resolução CGSN 94/2011. Entretanto, a recorrente não apresentou nenhum outro documento que comprove que o parcelamento foi, de fato, concedido e que contemplava os débitos apontados no Termo de Indeferimento (TI), que são aqueles que originaram, evidentemente, o referido indeferimento. A DRJ, aparentemente, também não analisou por este prisma, ou seja, que os débitos constantes do TI, foram ou não parcelados, baseando suas conclusões na discussão quanto à abrangência do disposto no ADE De acordo com o art. 17, inciso V, da Lei Complementar 123/2006: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Consequentemente, proponho converter o presente recurso em diligência para que a Unidade de Origem confirme se os débitos apontados no TI foram ou não incluídos no pedido de parcelamento e se este, por sua vez, foi aprovado, suspendendo a exigência do crédito tributário. Concluída a diligência, deverá ser dada ciência de seu conteúdo à interessada, ofertandolhe prazo adequado para, se assim desejar, se pronunciar nos autos. Na seqüência, o processo deve retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.990004/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2003
COFINS. DCTF. RETIFICAÇÃO PÓS DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA.
A retificação da DCTF pelo contribuinte, que reduz o valor devido de COFINS originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito relativo ao saldo credor. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
DCOMP. CRÉDITO. PROVAS NO PROCESSO TRIBUTÁRIO. EFEITOS
A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas.
A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir certeza às argumentações do recorrente. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendo-lhe vedado fundamentá-la em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.091
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2003 COFINS. DCTF. RETIFICAÇÃO PÓS DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. A retificação da DCTF pelo contribuinte, que reduz o valor devido de COFINS originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito relativo ao saldo credor. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DCOMP. CRÉDITO. PROVAS NO PROCESSO TRIBUTÁRIO. EFEITOS A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir certeza às argumentações do recorrente. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendo-lhe vedado fundamentá-la em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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DCTF. RETIFICAÇÃO PÓS DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. A retificação da DCTF pelo contribuinte, que reduz o valor devido de COFINS originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito relativo ao saldo credor. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DCOMP. CRÉDITO. PROVAS NO PROCESSO TRIBUTÁRIO. EFEITOS A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir certeza às argumentações do recorrente. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendolhe vedado fundamentála em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 00 04 /2 00 9- 13 Fl. 139DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase o presente processo em que a empresa IOB INFORMAÇÕES OBJETIVAS PUBLICAÇÕES JURÍDICAS LTDA., ingressou com Declaração de Compensação alegando pagamento a maior de COFINS. Conforme o Despacho Decisório Eletrônico acostado aos autos, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que a partir das características do DARF por meio do qual teria ocorrido o pagamento a maior ou indevido, o pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A Recorrente cientificada da decisão, apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva onde alega, em síntese, que: a) em procedimento de auditoria e verificação interna, verificouse que a empresa pagou COFINSa maior. Como a legislação lhe dá guarida, realizou compensação do valor apurado a maior, com demais tributos a pagar; b) desta forma, ingressou com Declaração de Compensação de pagamento a maior. Cita fundamentação do Despacho Decisório que não homologou a compensação. A RFB considerou que o pagamento realizado foi utilizado na quitação de débitos informados em DCTF, o que não ocorreu; c) alega que ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou DCTF. Desta forma, apropriouse integralmente do valor recolhido indevidamente. A única justificativa da Receita Federal ao proferir tal despacho, foi ter se baseado na DCTF original. Se tivesse considerado a declaração retificadora, não teria por que não homologar a compensação; e d) considerando a retificação da DCTF, requer a homologação da compensação realizada. A DRJ em São Paulo I (SP) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por entender que a mera retificação da DCTF é insuficiente para o reconhecimento do direito creditório vindicado, quando desacompanhada de provas hábeis para tal. Cientificada da decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual alega em síntese que: ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou sua DCTF. Desta forma, apropriouse integralmente do valor recolhido a maior; que a única justificativa da RFB ao proferir o despacho decisório, foi ter se baseado na DCTF original e não considerar a DCTF retificadora. Caso tivesse considerado a declaração retificadora, não teria por que não homologar a compensação realizada; Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.990004/200913 Acórdão n.º 3402005.091 S3C4T2 Fl. 3 3 quanto a existência de documentos suficientes para análise do PER/DCOMP, aduz que a decisão recorrida não poderá prevalecer em relação à necessidade de juntada de novas provas, eis que a recorrente demonstrou o quantum que a RFB no Despacho Decisório, desconsiderou a DCTF retificadora na composição do saldo devedor. Nesse sentido, não há razão para se exigir outros documentos senão a DCTF desconsiderada na análise do PER/DCOMP insubsistente, nos termos da Instrução Normativa vigente na época da compensação; da demonstração da existência do Crédito Compensado: em caso da necessidade de a Recorrente juntar outros elementos para embasar a existência do crédito corretamente compensado, evidenciase o pagamento a maior e correspondente direito à compensação, existindo prova do crédito compensado pelos documentos ora juntados. Através dos correspondentes documentos juntados, resta claro que sobreveio o pagamento indevido e o direito ao crédito consubstanciado no art. 170 do CTN; não há como se admitir o não conhecimento da ulterior juntada de documentos no presente caso, eis que o despacho decisório era fundado em matéria estritamente formal (decorrente da divergência de DCTF); tal providencia, inclusive, vem ao encontro dos princípios da Verdade Real e Material, o qual baliza o reconhecimento de provas no processo administrativo fiscal (PAF); o CARF reconhece a ulterior juntada de provas em atendimento aos princípios do contraditório e ampla defesa; Ao final, considerando as provas carreadas nos autos, requerse o conhecimento e provimento do presente recurso voluntário, com a conseqüente homologação da compensação realizada. Os autos, então, foram encaminhados a este CARF para apreciação e julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.069, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.977028/200979, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.069): "1 Da admissibilidade do Recurso Voluntário Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 142/147, é tempestiva e foi conhecida como recurso voluntário. 2 Objeto da lide Fl. 141DF CARF MF 4 A empresa ingressou com Declaração de Compensação através de PER/DCOMP nº 04014.84529.071205.1.3.048793, de pagamento a maior de COFINS, referente ao mês de março/2001, no valor (principal) de R$ 2.343,83. Ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou sua DCTF e apropriouse integralmente do valor recolhido a maior. No entanto, ao analisar os autos no Despacho Decisório, a RFB considerou que o pagamento realizado foi totalmente utilizado na COFINS devida, correspondente ao mês de março de 2001 (no valor de R$ 215.529,03), não homologando a compensação realizada. Como se vê, a lide diz respeito em que a Recorrente não apresentou prova documental juntamente com a Manifestação de Inconformidade, ou seja, não comprovou com a documentação correspondente, a existência do suposto crédito informado na Declaração de Compensação em exame. 3. Das provas trazidas aos autos Primeiramente, aduz a Recorrente em seu recurso que, a decisão recorrida não poderá prevalecer em relação à necessidade de juntada de novas provas, eis que a Recorrente demonstrou suficientemente que a RFB, em seu Despacho Decisório, desconsiderou a DCTF retificadora na composição do saldo supostamente devedor. Nesse sentido, não há razão para se exigir outros documentos senão a DCTF desconsiderada na análise do PEDCOMP supostamente insubsistente, nos termos da Instrução Normativa vigente na época da compensação. Pois bem. As normas de vigentes à época da apresentação da Declaração de Compensação e legislação superveniente, são: IN SRF 460, de 2004; IN SRF 600, de 2005, e IN RFB 900, de 2008. Na forma da legislação acima, eventual crédito passível de restituição ou ressarcimento pode ser utilizado na compensação com débitos do sujeito passivo. Contudo, a homologação da compensação está sujeita ao anterior reconhecimento do direito creditório, tendo em vista que a compensação somente pode ser efetuada com credito liquido e certo. Aduz a Recorrente que ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou a DCTF. Para tanto, junta aos autos, cópia da DCTF retificadora referente ao 10 trimestre de 2001, enviadas em 30/09/2009 (fls. 19/90). Como a justificativa da Fiscalização ao proferir o Despacho que não homologou a compensação, foi ter se baseado na DCTF original, se tivesse considerado a declaração retificadora, não teria por que não homologar a compensação. Há que se ressaltar que a Recorrente, em 30/09/2009, após a emissão do Despacho Decisório, de 24/08/2009, retificou as DCTFs referente ao 10 trimestre de 2001, na qual reduz o valor devido de COF1NS e pleiteia a compensação dos valores supostamente recolhidos a maior. É cediço que a Declaração retificadora apresentada, reduzindo o valor devido de COFINS, não é suficiente para demonstrar a Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.990004/200913 Acórdão n.º 3402005.091 S3C4T2 Fl. 4 5 existência do credito pleiteado, visto ser indispensável que a origem do credito seja comprovada por documentação hábil que de suporte aos valores declarados (necessidade de se apensar documentos, cópias da escrituração contábil, objetivando respaldar a retificação efetuada). O credito pleiteado somente fica assegurado, quando respaldado por documentação hábil e idônea. Agora, no recurso voluntário, visando demonstrar a existência do crédito compensado, a Recorrente alega "existir prova do crédito compensado pelos documentos ora juntados. Através dos correspondentes documentos juntados, resta claro que sobreveio o pagamento indevido e o direito ao crédito consubstanciado no art. 170 do CTN". Solicita o conhecimento de tais provas. No entanto, manuseando as peças dos autos, verifico que junto com o Recurso Voluntário, foram acostados as seguintes cópia de documentos: identificação da OAB do procurador; procuração; alteração do Contrato Social e cópia do Acórdão DRJ recorrido (documentos de fls. 148/170). Verificase que, diferente do alegado, a defesa não apresentou prova documental juntamente com a manifestação de inconformidade e nem em seu recurso, ou seja, não comprovou com a documentação correspondente, a existência do suposto crédito informado na declaração de compensação em exame. Continua aduzindo a Recorrente que: (...) Tal providencia, inclusive, vem ao encontro dos princípios da Verdade Real e Material, o qual baliza o reconhecimento de provas no processo administrativo fiscal (PAF), impondo a ampla análise e igualdade em oportunizar ao contribuinte opor se aos argumentos fazendários, os quais, no caso, apresentaram se no acórdão recorrido e não no despacho decisório escorreitamente, enfrentado pela manifestação de inconformidade". Sabemos que o momento apropriado para apresentação das provas que comprovem suas alegações é na propositura da Impugnação, no caso a Manifestação de Inconformidade. Temos conhecimento, também, que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo Legislador Nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do Novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo Fl. 143DF CARF MF 6 administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário, e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Em virtude dessas considerações, é importante relembrar alguns preceitos que norteiam a busca da verdade real por meio de provas materiais. A finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. Em outras linhas, um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. A verdade encontrase ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar verossimilhança às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador. Regressando aos autos, como já mencionado, a Recorrente não apresentou indícios mínimos de prova seu direito (como planilha demonstrativa e cópia dos livros contábeis e fiscais), de sorte que me sinto na obrigação de julgar com os dados constantes nos autos. Neste contexto, não vislumbro razões para reformar a decisão de primeira instância uma vez que sua decisão foi baseada nos fundamentos jurídicos constantes dos autos e a consequente subsunção aos fundamentos legais que regiam a matéria à época dos fatos geradores. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ merece ser mantida pelos seus próprios fundamentos. 4. Conclusão Posto isto, voto no sentido de conhecer do Recurso Voluntário e NEGARLHE provimento, mantendose a decisão recorrida." Importa registrar que nos autos ora em apreço, assim como no paradigma, o interessado tampouco trouxe provas de seu direito (como planilha demonstrativa e cópia dos livros contábeis e fiscais), de tal sorte que há identidade na situação cotejada. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.990004/200913 Acórdão n.º 3402005.091 S3C4T2 Fl. 5 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.930349/2009-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005
COFINS. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO PARCIALMENTE. CERTEZA E LIQUIDEZ.
A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Será reconhecido parcialmente o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte, quando o valor solicitado foi ratificado parcialmente pelo Fisco em atendimento à solicitação de diligência.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-004.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para dar-lhe parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 COFINS. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO PARCIALMENTE. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Será reconhecido parcialmente o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte, quando o valor solicitado foi ratificado parcialmente pelo Fisco em atendimento à solicitação de diligência. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para dar-lhe parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
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PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO PARCIALMENTE. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Será reconhecido parcialmente o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte, quando o valor solicitado foi ratificado parcialmente pelo Fisco em atendimento à solicitação de diligência. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para darlhe parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 03 49 /2 00 9- 98 Fl. 288DF CARF MF 2 A empresa GUAÍBA QUÍMICA INDUSTRIA E COMERCIO LIDA. (Recorrente), transmitiu Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n° 24015.84838.200308.1.3.045402, em 20/03/2008, informando como crédito valor de pagamento indevido ou a maior de COFINS PA 08/2005, no montante de R$ 14.403,45. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: "A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre (DRF/POA) emitiu Despacho Decisório eletrônico que não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou a compensação declarada, em razão do DARF indicado como pagamento indevido ou a maior ter seu valor integralmente aproveitado na quitação de débito declarado pela empresa em DCTF, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no Per/Decomp. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que houve erro nos valores informados nas declarações fiscais e informa que apresentou DCTF retificadora em 31/10/2009, na qual constaria o valor correto da Cofins apurada. Desta forma, conclui que estaria demonstrada a origem do crédito fiscal do período em questão. Anexa cópias das declarações fiscais (DCTF original e retificadora, DACON e Per/Decomp) além do Comprovante de Arrecadação referente ao recolhimento original que alega ter sido a maior e gerado, assim, o crédito fiscal em questão. Ao final, requer o cancelamento do Despacho Decisório combatido, pois entende que teria atendido todas as formalidade legais previstas. A DRF de origem atesta a tempestividade da Manifestação protocolada e encaminha para apreciação da DRJ”. A Delegacia de Julgamento em Porto Alegre (RS) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada ã comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Devidamente cientificada e inconformada, a Recorrente se socorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 179/183, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, acrescentando, em síntese: 1. O valor informado na DCTF originária e posteriormente retificada deuse por erro na base de cálculo dos créditos de COFINS sobre as aquisições no mercado interno de Fl. 289DF CARF MF Processo nº 11080.930349/200998 Acórdão n.º 3402004.912 S3C4T2 Fl. 289 3 bens destinados a revenda, a qual (base de cálculo) foi ajustada posteriormente em sua contabilidade, ensejando no aumento do seu crédito e, conseqüentemente, a diminuição do recolhimento do tributo pago anteriormente; 2. Que tão logo notificada da não homologação das compensações, a Recorrente procedeu à imediata retificação da referida DCTF. Tal procedimento é autorizado pela IN RFB nº 974/2009, cujo art. 9º prevê a possibilidade de retificação até o momento em que os débitos tenham sido encaminhados à PGFN para inscrição em divida ativa, o que é o caso presente; 3. Que a retificação do valor da COFINS apurada na competência de outubro de 2006, decorreu exclusivamente do ajuste da base de cálculo dos créditos de COFINS apurados pela Recorrente neste período. Especificamente, os lançamentos contábeis (doc. 01), o registro de apuração do ICMS (doc. 02), bem como o demonstrativo auxiliar de apuração do tributo (doc. 03) que seguem em anexo, demonstram a correta base de cálculo e o crédito apurado, e 4. que identificando uma diferença de R$ 40.704,55, procedeu a compensação de tal crédito. Para tanto, apresentou PER/DCOMP recebida e processada sob o nº 24015.84838.200308.1.3.045402. Ao final REQUER: (i) o provimento deste Recurso Voluntário para o efeito de que, reformando se a decisão atacada, seja homologada a declaração de compensação nº 24015.84838.200308.1.3.045402. (ii) reitera, ao final, o pedido de que o presente processo seja baixado em diligência no caso em que subsistam dúvidas em relação aos créditos apurados pela Recorrente, tudo em homenagem ao principio da verdade material que rege o processo administrativo tributário, evitandose, igualmente, o ajuizamento de uma discussão judicial. Os autos foram encaminhados a este CARF para julgamento e verificouse que o recurso apresentado é tempestivo. Da conversão do Julgamento em Diligência Durante análise dos argumentos em seu Recurso Voluntário, no entender do Relator, visando comprovar os fatos alegados pela Recorrente, primando pela busca da verdade material, contrapondo um dos fundamentos utilizados pelo órgão julgador de primeira instância para não homologar a compensação, qual seja, “[...] a empresa não indica a origem do erro na apuração ou mesmo junta qualquer prova que confirme o novo valor indicado. Não é possível reconhecer o direito creditório se o contribuinte não traz nenhum dado fidedigno apto a provar o direito alegado[...]”, e considerando que a Recorrente junta ao processo cópias dos seguintes documentos: (a) Razão Contábil; (b) Registro de Apuração do ICMS e (c) Demonstrativo Auxiliar de Apuração do Tributo (fls. 200/231). Desse modo, levandose em consideração os documentos apresentados pela Recorrente, o Relator propôs e foi acompanhado pelo Colegiado, que o julgamento deveria ser convertido em diligência, conforme Resolução nº 3101000.298, de 25/01/2012, a fim de Fl. 290DF CARF MF 4 que os autos retornassem à repartição de origem (DRF/Porto Alegre/RS), para que a autoridade fiscal competente procedesse as seguintes providências e informações (fls. 233/236): 1. apurar, à luz dos documentos acostados aos autos e da escrita contábil e fiscal, o valor devido a título de contribuição para a COFINS Não Cumulativa, referente ao período de apuração 08/2005; 2. cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; e 3. retornar o processo a este CARF para julgamento. Dando cumprimento ao contido na Resolução do CARF, a DRF em Porto Alegre (RS), realizou a referida diligência, culminando com a INFORMAÇÃO FISCAL de fls. 279/281. A Recorrente, após regularmente intimada da conclusão da diligência, não se manifestou, conforme Despacho de fl. 286. Posto isso, os autos retornaram ao CARF e distribuído a este Relator desta 2ª Turma Ordinária/4ª Câmara, para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Waldir Navarro Bezerra 1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e, portanto, dele tomase conhecimento. 2. Objeto da lide Conforme se depreende dos autos (fls. 2/3), a interessada apresentou o PER/DCOMP nº 24015.84838.200308.1.3.045402, em 20/03/2008, por meio do qual informa um pagamento indevido ou a maior de COFINS não cumulativa, referente ao período de apuração 08/2005, recolhido em 15/09/2005, no valor original total de R$ 14.403,45. A DRF em Porto Alegre não homologou a compensação pretendida, sob o fundamento de que não restou crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. 3. Quanto ao crédito alegado Como relatado, em seu recurso voluntário, contrapondo um dos fundamentos utilizados pela DRJ para não homologar a compensação, qual seja, “[...] a empresa não indica a origem do erro na apuração ou mesmo junta qualquer prova que confirme o novo valor indicado. Não é possível reconhecer o direito creditório se o contribuinte não traz nenhum dado fidedigno apto a provar o direito alegado [...]”, no entanto a Recorrente juntou ao processo cópias do Razão Contábil, Registro de Apuração do ICMS e Demonstrativo Auxiliar de Apuração do Tributo. Cabe destacar primeiramente, que a Recorrente aduz em seu recurso à fl. 174: "(...) 2. No que diz com a COFINS da competência de abril (sic) de 2006, a Autora informou na DCTF originária o pagamento de COFINS no montante de R$ 68.846,46. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 11080.930349/200998 Acórdão n.º 3402004.912 S3C4T2 Fl. 290 5 Verificou, entretanto, contabilmente, que o tributo era devido no valor de R$ 28.141,91, ou seja, registrou um pagamento a maior de R$ 40.704,55. 3. A retificação do valor da COFINS apurada na competência de agosto de 2005, decorreu exclusivamente do ajuste da base de cálculo dos créditos de COFINS apurados pela Recorrente neste período. 4. Identificando, assim, uma diferença de R$ 40.704,55, procedeu a compensação de parte do crédito (R$ 14.403,45). Para tanto, apresentou PER/DCOMP recebida e processada sob o n°. 24015.84838.200308.1.3.045402. (Grifei) Desse modo, levandose em consideração as alegações em seu recurso e os documentos apresentados pela recorrente, o julgamento foi convertido em diligência, conforme a Resolução nº 3101000.298, de 25/01/2012, a fim de que os autos retornassem à repartição de origem, para que a autoridade fiscal competente procedesse as seguintes informações (fl. 233/236): "1. apurar, à luz dos documentos acostados aos autos e da escrita contábil e fiscal, o valor devido a título de contribuição para a COFINS Não Cumulativa, referente ao período de apuração 08/2005; e 2. cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar". 3.1 Do resultado da Diligência realizada Pois bem. Em 15/03/2017, quando do retorno da Diligência solicitada, a DRF em Porto Alegre (RS), relata em sua Informação Fiscal que (principais partes) fls. 279/281: "(...) 5. Analisandose a documentação entregue pelo contribuinte restou não comprovado o crédito oriundo de despesas de arrendamento mercantil cuja base de cálculo é de R$ 7.443,69. 6. Instado a manifestarse sobre isso o contribuinte o contribuinte alegou que não possui os contratos de leasing sobre os quais foram tomados créditos, alega inclusive que tentou buscar junto a instituição financeira uma segunda via de tais contratos o que não foi possível pois a mesma encerrou suas atividades. Neste caso restou não comprovado o crédito solicitado pelo contribuinte. 7. Também foram incluídas indevidamente na base de cálculo dos créditos da Cofins despesas denominadas como “Manutenção de Instalações”. Analisandose as notas fiscais apresentadas constatouse tratarse basicamente de materiais de construção tendo inclusive uma nota fiscal de serviço de concretagem com emprego de material. Estas despesas não podem ser aceitas para fins de apuração de créditos por absoluta falta de previsão legal. 8. O contribuinte deixou de excluir da base de cálculo dos créditos os valores referentes a Devoluções de Vendas (CFOPs 5202 e 6202) no valor de R$ 55.879,06. 9. O contribuinte também não conseguiu informar se na época haviam produtos tributados com alíquota zero ou suspensão da contribuição para a Cofins informando apenas que hoje tem algumas situações que se enquadram nesse cenário. Diante disso não há como considerar as receitas informadas como tributadas à alíquota zero ou com Fl. 292DF CARF MF 6 suspensão da contribuição por absoluta falta de comprovação a respeito da natureza das mesmas". CONCLUSÃO 9. Em resposta ao quesito 1 da Resolução do CARF, informamos que o valor da contribuição apurado através do procedimento de diligência é de R$ 45.970,83". Assim, a liquidez do direito há de ser provada pela demonstração do valor recolhido indevidamente, através da comprovação das bases de cálculo sobre as quais ocorreram os fatos geradores e do efetivo valor devido. Também é assente na doutrina que direito liquido e certo é aquele cujos aspectos de fato possam comprovarse documentalmente. De fato, no Despacho Decisório de fl. 4, consta um Valor Original Utilizado e recolhido de R$ 68.846,46. Por outro lado, restou confirmado por meio do resultado da Diligência Fiscal realizada pelo Fisco, que o valor da Contribuição para a COFINS apurado através do procedimento de diligência para o mês agosto/2005 é de R$ 45.970,83. Portanto, a Recorrente logrou êxito em provar parcialmente suas alegações firmadas em seu recurso (uma vez que informa a Recorrente um valor correto apurado seria de R$ 28.141,91, conforme Manifestação de fl. 2 e 182). Ressaltase que a Recorrente, foi cientificada da referida Informação Fiscal e não apresentou sua Manifestação nos autos, como se depreende do Despacho às fl. 286. 4 Dispositivo Isto posto, voto no sentido de conhecer do Recurso Voluntário para DAR LHE PARCIAL provimento, nos estritos termos da INFORMAÇÃO FISCAL de Diligência de fls. 279/281. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 293DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10240.000931/2003-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1999
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. FALTA DE APRESENTAÇÃO OU ENTREGA INTEMPESTIVA DO ADA. SÚMULA CARF Nº 41.
A falta de informação das áreas do imóvel rural em Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolado junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), ou órgão conveniado, ou mesmo a sua entrega a destempo do prazo previsto na legislação, não podem motivar o lançamento de ofício relativo a fato gerador ocorrido no exercício de 1999.
(Súmula CARF nº 41)
ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. GLOSA.
Mantém-se a glosa da área declarada pelo contribuinte a título de exploração extrativa quando não confirmados os dados mediante apresentação de documentação hábil e idônea.
ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao interessado comprovar que o imóvel rural está inserido integralmente em área de interesse ecológico destinada à proteção dos ecossistemas, imprestável para a atividade rural.
Numero da decisão: 2401-005.312
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para restabelecer a Área de Preservação Permanente de 1.000,0 ha e a Área de Utilização Limitada (Reserva Legal) de 4.000,0 ha, ambas declaradas pelo contribuinte.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Andréa Viana Arrais Egypto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1999 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. FALTA DE APRESENTAÇÃO OU ENTREGA INTEMPESTIVA DO ADA. SÚMULA CARF Nº 41. A falta de informação das áreas do imóvel rural em Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolado junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), ou órgão conveniado, ou mesmo a sua entrega a destempo do prazo previsto na legislação, não podem motivar o lançamento de ofício relativo a fato gerador ocorrido no exercício de 1999. (Súmula CARF nº 41) ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. GLOSA. Mantém-se a glosa da área declarada pelo contribuinte a título de exploração extrativa quando não confirmados os dados mediante apresentação de documentação hábil e idônea. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado comprovar que o imóvel rural está inserido integralmente em área de interesse ecológico destinada à proteção dos ecossistemas, imprestável para a atividade rural.
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Recorrente LEME EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1999 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. FALTA DE APRESENTAÇÃO OU ENTREGA INTEMPESTIVA DO ADA. SÚMULA CARF Nº 41. A falta de informação das áreas do imóvel rural em Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolado junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), ou órgão conveniado, ou mesmo a sua entrega a destempo do prazo previsto na legislação, não podem motivar o lançamento de ofício relativo a fato gerador ocorrido no exercício de 1999. (Súmula CARF nº 41) ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. GLOSA. Mantémse a glosa da área declarada pelo contribuinte a título de exploração extrativa quando não confirmados os dados mediante apresentação de documentação hábil e idônea. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado comprovar que o imóvel rural está inserido integralmente em área de interesse ecológico destinada à proteção dos ecossistemas, imprestável para a atividade rural. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 09 31 /2 00 3- 90 Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10240.000931/200390 Acórdão n.º 2401005.312 S2C4T1 Fl. 213 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento parcial para restabelecer a Área de Preservação Permanente de 1.000,0 ha e a Área de Utilização Limitada (Reserva Legal) de 4.000,0 ha, ambas declaradas pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10240.000931/200390 Acórdão n.º 2401005.312 S2C4T1 Fl. 214 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (DRJ/REC), por meio do Acórdão nº 1117.592, de 20/11/2006, cujo dispositivo considerou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 69/85): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1999 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. AREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO. A exclusão de áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada da Area tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao reconhecimento delas pelo Ibama ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), ou a comprovação de protocolo de requerimento desse ato aqueles órgãos, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. SUJEITO PASSIVO DO ITR. São contribuintes do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural o proprietário, o titular do domínio útil ou o possuidor a qualquer titulo de imóvel rural, assim definido em lei, sendo facultado ao Fisco exigir o tributo, sem beneficio de ordem, de qualquer um deles, nos termos do art. 31 do CTN. AREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. GLOSA. Mantémse a glosa da area declarada como de exploração extrativa, na ausência de comprovação documental hábil e idônea que confirme o valor informado na DITR. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1999 ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL A legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. ARGUIÇÕES DE ILEGALIDADE E DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10240.000931/200390 Acórdão n.º 2401005.312 S2C4T1 Fl. 215 4 Não se encontra abrangida pela competência das Delegacias da Receita Federal de Julgamento a apreciação da inconstitucionalidade de atos legais ou da ilegalidade dos atos normativos expedidos pela Secretaria da Receita Federal, uma vez que neste juízo eles se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese, negarlhe execução. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. A extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, desde que seja editado ato especifico do Sr. Secretário da Receita Federal nesse sentido. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, sendo aquela objeto da decisão. Lançamento Procedente 2. Em face do contribuinte foi lavrado auto de infração, relativo ao exercício de 1999 e decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), vinculado ao imóvel denominado "Seringal Cabeceira", com área total de 8.900,0 ha e cadastro fiscal sob o nº 53191161 (fls. 02/12). 2.1 Após regularmente intimado, a autoridade tributária considerou que o contribuinte não comprovou as áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal) declaradas, equivalentes a 1.000,0 ha e 4.000,0 ha, respectivamente, uma vez que a apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) deuse apenas na data de 11/11/2002, quando já havia ultrapassado o prazo estabelecido na legislação para a prestação de informações referentes ao exercício fiscal (fls. 28). 2.2 O agente fiscal também procedeu à glosa da área declarada pelo contribuinte de 3.000,0 ha como utilizada na exploração extrativa, por falta de confirmação mediante documentação hábil e idônea. 3. A empresa autuada foi cientificada do auto de infração por via postal, em 23/09/2003, e impugnou a exigência fiscal no dia 23/10/2003 (fls. 14 e 35/50). Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10240.000931/200390 Acórdão n.º 2401005.312 S2C4T1 Fl. 216 5 4. Intimada em 13/12/2006, também por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 86/88, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 03/01/2007 (fls. 89/104). 4.1 Para fins de improcedência do lançamento fiscal, a peça recursal reitera argumentos apresentados por ocasião da impugnação, a seguir resumidos: (i) o imóvel rural localizase integralmente em uma reserva florestal criada através da Lei Complementar nº 52/91, que instituiu o Zoneamento Sócio Econômico e Ecológico do Estado de Rondônia, configurando, portanto, uma área de interesse ecológico; (ii) a existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada prescindem da entrega do ADA; (iii) a área de reserva legal está devidamente averbada às margens da matrícula do imóvel; (iv) a certidão de inteiro teor do imóvel comprova que a empresa possui projetos de manejo florestal; (v) a alíquota de 20% para a incidência do imposto representa um confisco sobre a propriedade privada. por meio da utilização de tributo, o que é vedado pelo ordenamento pátrio; e (vi) quando da aquisição do imóvel pela recorrente, constou da respectiva escritura pública de venda e compra a prova da quitação dos tributos. A declaração do ITR referente ao exercício de 1999 foi apresentada pela proprietária anterior, cabendo, portanto, eventual diferença de imposto ao antigo proprietário. 5. No âmbito dos Conselhos de Contribuintes, por meio da Resolução nº 302 1.470, de 24/02/2008, e depois, já na fase deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pela Resolução nº 310200.047, de 22/05/2009, o julgamento foi convertido em diligência a fim de oficiar o órgão ambiental estadual para que esclarecesse a localização do imóvel rural em área de interesse ecológico do Estado de Rondônia, considerando a legislação aplicável (fls. 118/123 e 183/185). 6. A diligência foi cumprida, conforme respostas às fls. 163/167, 179/181 e 189/192, pronunciandose a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental de Rondônia, ao final, no sentido de que a área total do imóvel, localizada parte no município de Cujubim e parte no município de Machadinho D'Oeste, estava inserida na Zona 4 da 1ª Aproximação do Zoneamento Socioeconômico e Ecológico do Estado do Rondônia, nos termos da Lei Complementar Estadual nº 52/91. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10240.000931/200390 Acórdão n.º 2401005.312 S2C4T1 Fl. 217 6 7. Com respeito às informações prestadas pelo Poder Público do Estado de Rondônia, a recorrente foi cientificada do seu inteiro teor, para fins de manifestação (fls. 168/169 e 193/197). Ao pronunciarse sobre as respostas, advoga o contribuinte, em síntese, que a diligência confirmou que o imóvel rural achase encravado em áreas de restrições ambientais, insusceptíveis, portanto, de tributação pelo ITR (fls. 170/171 e 198/200). 8. Por fim, anoto que a Procuradoria da Fazenda Nacional tomou ciência do resultado da diligência, assim como da documentação juntada aos autos, porém não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10240.000931/200390 Acórdão n.º 2401005.312 S2C4T1 Fl. 218 7 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 9. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito a) Legitimidade Passiva 10. Preliminarmente, analiso a questão da legitimidade da recorrente para figurar no polo passivo da relação jurídica tributária, na medida em que assevera que o eventual imposto devido é de responsabilidade do antiga proprietária, por constar na respectiva Escritura de Venda e Compra do imóvel rural a anotação da certidão de negativa de débitos fiscais, expedida pela Secretaria da Receita Federal. 11. Nesse ponto, todos os argumentos deduzidos na peça recursal estão despedidos de evidências materiais dos fatos que pretende fazer prevalecer no processo administrativo, pois não localizei nos autos qualquer cópia de Escritura de Venda e Compra de imóvel, nem anotação da prova de quitação de tributo em documento público. 11.1 Por sua vez, a Declaração do ITR, relativa ao exercício de 1999, objeto do procedimento de revisão fiscal, foi apresentada originalmente em nome da própria empresa, em 28/03/2001, e não pela proprietária anterior (fls. 15/16). 12. De relevante, no entanto, verifico que à margem da matrícula do imóvel, sob o nº R811.927, está registrada a alienação da propriedade rural à Srª Eunice Picinato, em 16/09/1999, pelo espólio de Fernando Luiz de Mello Barreto (fls. 154/160). Mesmo que em data posterior ao fato gerador do imposto, que ocorreu em 1º de janeiro de 1999, a operação efetivouse antes do prazo de entrega da DITR, assim como em momento anterior à data de vencimento para pagamento do imposto do exercício, o que inviabiliza, a princípio, a emissão de certidão fiscal como prova da quitação do respectivo tributo vincendo. 13. Caso a recorrente queira referirse, na verdade, a um negócio de venda e compra ou de cessão de direitos de uso do imóvel efetuado com a Srª Eunice Picinato, o cenário apresentase ainda mais nebuloso, devido à falta de juntada aos autos dos correspondentes documentos comprobatórios. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10240.000931/200390 Acórdão n.º 2401005.312 S2C4T1 Fl. 219 8 14. Neste último caso, o processo administrativo não está instruído com documentação que ateste a realização do negócio jurídico entre as partes, além do que, como especificado linhas acima, a declaração original do imposto do exercício de 1999 foi recepcionada com data de entrega de 28/03/2001, apresentada em nome da própria empresa recorrente, o que põe em dúvida a existência de certidão de regularidade fiscal válida para o período. b) Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal 15. Quanto às glosas das áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal), é importante sublinhar que o lançamento de ofício diz respeito a fatos geradores ocorridos no exercício de 1999. Para fins de melhor delimitação dos fatos que motivaram a constituição do crédito tributário pelo agente fazendário, reproduzo trecho do Termo de Constatação e Verificação Fiscal (fls. 10): (...) Pelo exposto, e como decorridos mais 60 (sessenta) dias sem a resposta do contribuinte, foi recalculado o ITR/99 do presente imóvel, considerando como áreas tributáveis as declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada, já que em resposta às intimações relativas à DITR/98 o contribuinte trouxe documentos/esclarecimentos que ainda hoje não confirmam tais áreas como excluídas de tributação, uma vez que a cópia do ADA, apresentado naquela ocasião, data de 11/11/2002; (...) 16. Como se observa do texto copiado, o lançamento tributário decorreu unicamente da ausência de informação das áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal) por meio do ADA, que deveria ter sido protocolado tempestivamente junto ao órgão de controle ambiental. 17. Todavia, a obrigatoriedade da exigência do ADA, para fins de redução do imposto, somente tornouse legítima a partir da previsão em lei, por meio da alteração da redação do art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, efetivada pela Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000. 18. Em vista disso, à época do fato gerador, não havia obrigação de apresentação do ADA, para comprovar a não incidência do ITR sobre as áreas de preservação permanente e reserva legal. Ao contrário do ponto de vista da autoridade fiscal, a falta de informação das áreas do imóvel rural em ADA protocolado junto ao Ibama, ou órgão conveniado, ou mesmo a sua entrega a destempo do prazo estabelecido na legislação, não tem o condão de autorizar o lançamento de ofício relativo a fato gerador ocorrido no exercício de 1999. 19. Tal entendimento é pacífico no âmbito da segunda instância do contencioso administrativo tributário, conforme verbete da Súmula nº 41 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 41: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10240.000931/200390 Acórdão n.º 2401005.312 S2C4T1 Fl. 220 9 20. De mais a mais, especificamente no tocante à área de utilização limitada (reserva legal), o exame da cópia da certidão de matrícula do imóvel aponta com segurança que restou averbada à margem da matrícula, em 18/08/1998, uma área de 4.539,1678 ha, correspondente a 50% do imóvel objeto do registro (AV111.927), sendo tal medida efetivada, portanto, antes da data da ocorrência do respectivo fato gerador do imposto para o exercício de 1999 (fls. 154/160). 21. Cabe restabelecer, desse modo, as respectivas áreas não tributáveis, até o limite declarado pelo contribuinte na DITR/1999, rechaçadas pelo agente fiscal quando do lançamento tributário. Em outros dizeres, reconhecer a dedução da Área de Preservação Permanente de 1.000,0 ha e da Área de Utilização Limitada (Reserva Legal) equivalente a 4.000,0 ha. c) Área de Interesse Ecológico 22. Por outro lado, até de forma contraditória às informações prestadas na DITR/1999, a empresa recorrente defende que o imóvel localizase integralmente em uma área de interesse ecológico, imprestável par a atividade rural, o que afasta a tributação do ITR sobre a propriedade. 23. De fato, o resultado da diligência fiscal confirmou, consoante expediente assinado pelo Secretário Adjunto de Estado do Desenvolvimento Ambiental de Rondônia, acostado às fls. 189/192, que o imóvel situavase em área de interesse ecológico, identificada como Zona 4 da 1ª Aproximação do Zoneamento Socioeconômico e Ecológico do Estado de Rondônia, instituída nos termos da Lei Complementar Estadual nº 52, de 20 de dezembro de 1991: Art. 1º Fica instituído, nos termos do § 2º do art. 6º, da Constituição Estadual, o Zoneamento SócioEconômico Ecológico de Rondônia, como instrumento básico de planejamento e orientação de política e diretrizes governamentais, necessárias ao desenvolvimento harmônico e integrado do Estado, nas áreas social, econômica e ecológica. (...) Art. 2º A primeira aproximação do Zoneamento Sócio EconômicoEcológico de Rondônia, define 06 (Seis) zonas sócio econômicoecológicas, segundo as características regionais específicas e capacidade de ofertas ambientais próprias de cada zona, as quais apresentam os seguintes aspectos: (...) IV – Zona 4 – Caracterizada pela ocorrência, predominantemente de médias e grandes propriedades rurais, porém com baixa incidência de domínios privados, contrapondo ao alto índice de terras públicas, refletindo baixa intensidade ocupacional e rarefeita ação antrópica; ambientes de floresta aberta e densa, com domínio fitofisionômico de espécies do extrativismo vegetal em ecossistemas frágeis; solos de baixa fertilidade natural (distróficos) em relevos planos a ondulados. As terras desta zona, destinamse à recuperação, ordenamento e Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10240.000931/200390 Acórdão n.º 2401005.312 S2C4T1 Fl. 221 10 desenvolvimento do extrativismo vegetal com manejo auto sustentado dos recursos naturais renováveis, cujo aproveitamento racional permeia a pesca e agricultura de subsistência, sem alteração significativa do meio físico, garantido a autosustentação da unidade produtiva. Nesta zona o desmatamento fica restrito a autosustentação da comunidade extrativista, limitando a 5 ha por Unidade Produtiva, cujo excedente dependerá de aprovação baseada em estudos prévios, conforme legislação em vigor. (...) 24. Não há dúvidas que a Lei Complementar nº 52, de 1991, a qual encontravase vigente em 1º de janeiro de 1999, data da ocorrência do fato gerador do imposto, caracteriza o imóvel rural inserido na Zona 4 como área de interesse ecológico, submetida à restrição de uso com relação ao aproveitamento convencional. Há limitação de exploração em benefício dos ecossistemas, com restrições ao nível de desmatamento, porém autorizado o manejo auto sustentado de recursos naturais renováveis, por meio do aproveitamento racional do extrativismo. 25. Tendo em conta o previsto na lei estadual, indubitável admitir que o imóvel comporta, ao menos em parte da área, o aproveitamento extrativo com manejo de recursos florestais, mesmo que sob o controle dos órgãos ambientais competentes, os quais podem, inclusive, autorizar em caráter excepcional o aumento do desmatamento, observada a necessidade de aprovação com base em estudos prévios. 25.1 Tanto é verdade tal aspecto que a recorrente informou na sua DITR/1999 a utilização de uma área de exploração extrativa de 3.000,0 ha, além de área de pastagens de 330,0 ha (fls. 15/16). De acordo com a certidão de matrícula do imóvel rural, consta o compromisso, através de averbações no ano de 1998, de implantação de projetos de manejo sustentável destinados à exploração de madeira em áreas do imóvel denominado "Seringal Cabeceira" (fls. 154/160). 26. Não é demais lembrar que, para efeitos de exclusão da base de cálculo do ITR, considerase área não tributável, classificada como área de interesse ecológico, aquela destinada à proteção dos ecossistemas, declarada pelo órgão ambiental competente, desde que amplie as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal. 26.1 Transcrevo a redação da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, vigente à época do fato gerador: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10240.000931/200390 Acórdão n.º 2401005.312 S2C4T1 Fl. 222 11 a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; (...) 27. Na situação dos autos, a parcela da área do imóvel rural passível de exploração extrativa autorizada é considerada área aproveitável, efetivamente utilizada, recebendo tratamento impositivo distinto da área de interesse ecológico não integrante da base de cálculo tributável (art. 10, § 1º, inciso II, "b", inciso IV, "b", inciso V, "c", e § 5º, da Lei nº 9.393, de 1996). 28. É pertinente anotar ainda que a Lei Estadual Complementar nº 233, de 6 de junho de 2000, estabeleceu a 2ª Aproximação do Zoneamento Socioeconômico e Ecológico do Estado de Rondônia, tendo revogado a Lei Complementar nº 52, de 1991, passando o imóvel "Seringal Cabeceira" a estar localizado na chamada Zona 1 e Subzona 1.3, caracterizada na lei estadual como áreas utilizadas, principalmente, para exploração agropecuária, com grau variável de ocupação, vulnerabilidade ambiental e aptidão de uso, com priorização do aproveitamento de recursos naturais (fls. 189/192). 29. Pelas razões expostas, tornase inviável, como reivindicado no recurso voluntário, considerar a área total do imóvel rural como livre de tributação do imposto, integrante de área de interesse ecológico imprestável para a atividade rural, a que alude a alínea "b " do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. d) Área de Exploração Extrativa 30. Na sequência do recurso, analiso a questão da glosa pela fiscalização do valor da área relativa à exploração extrativa, declarada pelo contribuinte na DITR/1999 como equivalente a 3.000,0 ha (fls. 07 e 15/16). Regularmente intimada, a empresa deixou de apresentar os planos de manejo aprovados ou autorizados pelo Ibama, até 31/12/1998 (fls. 19/20). 31 A respeito da área objeto de exploração extrativa, prescreve a Lei nº 9.393, de 1996: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) IV área aproveitável, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas: Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10240.000931/200390 Acórdão n.º 2401005.312 S2C4T1 Fl. 223 12 (...) V área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano anterior tenha: (...) c) sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; (...) § 5º Na hipótese de que trata a alínea "c" do inciso V do § 1º, será considerada a área total objeto de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. (...) (DESTAQUEI) 32. É verdade que, tratandose de lançamento de tributo por homologação, os dados das áreas do imóvel informados na DITR não estão sujeitos à prévia comprovação por parte do declarante. 33. Contudo, uma vez intimado a justificar os dados declarados, caberá ao contribuinte confirmar, por meio da exibição de documentação hábil e idônea, a metragem da área explorada com projetos de manejo florestal sustentado, devidamente aprovados pelo órgão ambiente competente, além do cumprimento do cronograma previsto para o respectivo plano de manejo. 33.1 De acordo com a tradicional distribuição do ônus probatório, a produção desse tipo prova, que aparentemente não demanda maiores dificuldades, incumbe ao interessado, e não ao Fisco. 34. Por tais motivos, não merece reparo a decisão de piso que manteve intacta a glosa da área de exploração extrativa declarada pelo contribuinte na DITR/1999, cuja motivação do acórdão recorrido desde já acrescento às minhas razões de decidir sobre a matéria (fls. 83): (...) 38. No presente caso, o contribuinte junta aos autos apenas os documentos de fls. 58/59. Não foram juntados nem a "Autorização para Exploração Florestal em PMF", expedida pelo Ibama, muito menos comprovação de que o cronograma previsto no Plano de Manejo estivesse cumprido no ano de 1998, com cópias das notas fiscais comprovando a venda da madeira. A simples averbação feita em 18/08/1998 (fls. 61) apenas sinaliza um compromisso: nada além disso. 38.1 A alegação de que a SRF deveria buscar as provas junto ao Ibama não pode ser aceita, eis que cabe ao contribuinte manter em boa ordem e guarda todos os documentos que confirmem os valores por ele informados na DITR para fins de apresentação à Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10240.000931/200390 Acórdão n.º 2401005.312 S2C4T1 Fl. 224 13 fiscalização, se intimado nesse sentido. Além disso, nada foi apresentado nem na fase impugnatória, nem no transcurso de prazo que decorreu até a presente data (mais de três anos depois). 39. Logo, desde que o contribuinte não comprovou, mediante documentação hábil, a área com exploração extrativa por ele informada na DITR/1999, deve ser mantida a glosa efetuada pela fiscalização. (...) e) Confisco 35. Por derradeiro, com relação à incidência de alíquota, prevista em lei, sobre o Valor da Terra Nua (VTN) em patamar que equivale a uma apropriação indevida sobre a propriedade rural, caracterizando a utilização de tributo com efeito de confisco, vedada pela Constituição da República de 1988, a avaliação de eventual excesso do legislador ordinário é tarefa exclusiva do Poder Judiciário, porquanto implica verificação da compatibilidade da norma jurídica com os preceitos constitucionais. 36. Aplicase, no caso, o enunciado da Súmula nº 2 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a seguir reproduzido: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL para restabelecer a Área de Preservação Permanente de 1.000,0 ha e Área de Utilização Limitada (Reserva Legal) de 4.000,0 ha, declaradas pelo contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 224DF CARF MF
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