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Numero do processo: 10120.006434/99-88
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre o Lucro Líquido - ILL
Exercício: 1989, 1990
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF. PEDIDO EFETUADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/05. PRAZO DE 10 ANOS, CONTADOS DO PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Segundo o entendimento do STF, no caso de pedido de restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, deve-se aplicar o prazo de dez anos, contados a partir do pagamento indevido. Aplicação do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF. Na hipótese dos autos, tendo o pedido sido protocolado em
16/11/2001, e os recolhimentos indevidos efetuados em abril e maio de 1991, conclui-se pela ocorrência da decadência.
Recurso especial negado
Numero da decisão: 9202-001.912
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Assunto: Imposto sobre o Lucro LíquidoILL Exercício: 1989, 1990 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF. PEDIDO EFETUADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/05. PRAZO DE 10 ANOS, CONTADOS DO PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Segundo o entendimento do STF, no caso de pedido de restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, devese aplicar o prazo de dez anos, contados a partir do pagamento indevido. Aplicação do artigo 62A do Regimento Interno do CARF. Na hipótese dos autos, tendo o pedido sido protocolado em 16/11/2001, e os recolhimentos indevidos efetuados em abril e maio de 1991, concluise pela ocorrência da decadência. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 03/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator EDITADO EM: 02/12/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (conselheira convocada), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (conselheiro convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em 05 de dezembro de 2007, a então Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes proferiu acórdão n° 10616.640 [fls. 124 – 135] que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário: ILL PAGAMENTO INDEVIDO RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL Nos casos de reconhecimento da não incidência de tributo, a contagem do prazo decadencial do direito à restituição ou compensação tem início na data da publicação do Acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal emADIN; da data de publicação da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; ou da data de ato da administração tributária que reconheça a não incidência do tributo. Permitida, nesta hipótese, a restituição ou compensação de valores recolhidos indevidamente em qualquer exercício pretérito. Tratandose do ILL de sociedade por quotas, não alcançada pela Resolução n°. 82/96, do Senado Federal, o reconhecimento deuse com a edição da Instrução Normativa SRF n°. 63, publicada no DOU de 25/07/97. Assim, não tendo transcorrido entre a data que transitou em julgado o acórdão que reconheceu a inconstitucionalidade da exação em processo específico, bem como da data do ato da administração tributária e a do pedido de restituição, lapso de tempo superior a cinco anos, é de se considerar que não ocorreu a decadência do direito de o contribuinte pleitear restituição ou compensação de tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 03/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº10120.006434/9988 Acórdão n.º 920201.912 CSRFT2 Fl. 2 3 Decadência afastada. A decisão foi assim resumida: ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, AFASTAR a decadência do direito de pedir do recorrente e DETERMINAR a remessa dos autos à DRJ de origem para exame das demais questões nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos e Ana Maria Ribeiro dos Reis que ne aram provimento ao recurso para reconhecer a decadência do direito de pedir do recorrente. Constatado pela Conselheira relatora lapso no julgamento do recurso voluntário, consistente na falta de apreciação do pronunciamento da DRJ sobre a previsão contratual acerca dos resultados apurados pela sociedade, foram opostos embargos inominados, com fulcro no art. 58 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes as fls. 156/157. Os embargos foram acolhidos, tendo sido proferido o Acórdão n. 10616.784 (fls. 138/141) para rerratificar o Acórdão n. 10616.621, com alteração do resultado, cuja ementa encontrase reproduzida abaixo: NORMAS PROCESSUAIS EMBARGOS INOMINADOS PROCEDÊNCIA RERRATIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO — Constatado lapso manifesto no acórdão, outro deve ser proferido para sanálo. ILL PAGAMENTO INDEVIDO RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL Nos casos de reconhecimento da não incidência de tributo, a contagem do prazo decadencial do direito à restituição ou compensação tem início na data da publicação do Acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; da data de publicação da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; ou da data de ato da administração tributária que reconheça a não incidência do tributo. Permitida, nesta hipótese, a restituição ou compensação de valores recolhidos indevidamente em qualquer exercício pretérito. Tratandose do ILL de sociedade por quotas, não alcançada pela Resolução n°. 82/96, do Senado Federal, o reconhecimento deuse com a edição da Instrução Normativa SRF n°. 63, publicada no DOU de 25/07/97. Assim, não tendo transcorrido entre a data que transitou em julgado o acórdão que reconheceu a inconstitucionalidade da exação em processo específico, bem como da data do ato da administração tributária e a do pedido de restituição, lapso de tempo superior a cinco anos, é de se considerar que não ocorreu a decadência do direito de o contribuinte pleitear restituição ou compensação de tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 03/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 ILL — RESTITUIÇÃO SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA — Nos casos de sociedades por quotas de responsabilidade limitada, o Eg. Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional a exigência do ILL quandocontrato social da empresa não tivesse previsão de distribuição automática de lucros. Na hipótese em exame, a disponibilidade dos lucros dependia de deliberação por parte dos cotistas, razão pela qual não pode ser considerada automática a referida distribuição. Embargos acolhidos. Recurso Provido Decidiu, conforme acima, que era incorreta a incidência de ILL uma vez que a partir de 31 de dezembro a disponibilidade do lucro não é imediata. Inconformada com o r. acórdão supracitado, a i. Procuradoria da Fazenda Nacional protocolizou Recurso Especial [fls. 146/159], com fulcro no art. 7°, I e II, do Regimento Interno à época – Portaria MF n. 147/2007. A r. PGFN argumenta, que ao proferir o acórdão supracitado, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato dos fatos ocorridos no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado os preceitos contidos nos artigos 168, caput, e inciso I, 165, inciso I, do Código Tributário Nacional, bem como divergido do entendimento de outras Câmaras dos Conselhos de Contribuintes, consoante se infere do Acórdão nº 30235.782. Assevera que a Instrução Normativa nº 63/1997, que reconheceu a inconstitucionalidade do ILL exigido das sociedades por quotas, com base no artigo 35 da Lei nº 7.713/88, não exerce qualquer influência na contagem do prazo para repetição de indébito e/ou compensação. Nesse sentido, sustenta que, para o CTN, a causa do recolhimento indevido é irrelevante, eis que não definiu como termo a quo para contagem da prescrição a edição de Resolução do Senado Federal ou declaração de inconstitucionalidade pelo STF, não podendo o julgador dar à norma legal em comento interpretação que dela não decorre, sob pena de tornar indefinido o termo inicial do prazo para o pedido de restituição, destruindo o instituto da decadência. Infere que o entendimento da Câmara recorrida somente pode prevalecer se afastar a aplicabilidade do disposto no artigo 168 do Código Tributário Nacional, o que, em observância ao artigo 49 do RICC, c/c a Súmula nº 2 do 1º Conselho de Contribuintes, é defeso ao julgador administrativo. A fazer prevalecer sua pretensão, traz à colação julgados da esfera Judicial e Administrativa a propósito da matéria, além de Parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional e Ato Declaratório da Secretaria da Receita Federal, consonantes com o entendimento acima esposado. Contrapõese ao Acórdão atacado, alegando que foi editado pela Secretaria da Receita Federal o Ato Declaratório nº 096, de 26 de dezembro de 1999, o qual é expresso ao dispor que o direito a restituição do tributo pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário, não tendo a Instrução Normativa o condão de criar ou extinguir direitos, não inovando o lapso decadencial/prescricional. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 03/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº10120.006434/9988 Acórdão n.º 920201.912 CSRFT2 Fl. 3 5 Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, a ilustre Presidente da então 6ª Câmara do 1º Conselho, entendeu por DAR SEGUIMENTO PARCIALao Recurso Especial do Procurador, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido, em tese, contrariou a legislação tributária, especialmente o artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional, às fls. 164/168. Diante do seguimento parcial, o i. PGFN interpôs agravo [fls. 171/176]. Em exame do recurso, o então Presidente do CSRF resolveu por bem rejeitar o agravo regimental por não restar demonstrada as divergências suscitadas [fls. 178]. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial do Procurador, a contribuinte restou silente. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pela ilustre Presidente da então 6ª Câmara do 1º Conselho a contrariedade à lei suscitada, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Na sessão de 28 de novembro de 2011, quando do julgamento do Recurso Especial no processo n. 10675.002365/200189, de Relatoria da Conselheira SUSY GOMES HOFFMANN, entendeu, por força do disposto no artigo 62A, do Regimento Interno do CARF, ter que o prazo para o pedido de restituição efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, tem como termo inicial a data do pagamento indevido (mesmo nas hipóteses de inconstitucionalidade do tributo), findando após dez anos. Dito isso, peço vênia para utilizar os fundamentos colacionados naquele voto como razões de decidir. A questão concerne ao termo inicial do prazo decadencial para a restituição de tributo indevidamente recolhido, na hipótese de reconhecimento, por parte da própria Administração Tributária, no caso por meio da Instrução Normativa SRF n° 63/97, que estabeleceu o seguinte: Art. 1°. Fica vedada a constituição de créditos da Fazenda Nacional, relativamente ao imposto de renda na fonte sobre o lucro liquido, de que trata o art. 35 da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, em relação as sociedades por ações. Parágrafo único: O disposto neste artigo se aplica as demais sociedades nos casos que o contrato social, na data do Fl. 5DF CARF MF Impresso em 03/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 encerramento do período base de apuração, não previa a disponibilidade, econômica ou jurídica, imediata ao sócio cotista, do lucro liquido apurado. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n° 1.002.932SP, sob o procedimento dos recursos repetitivos, ao enfrentar o quanto disposto pela Lei Complementar n° 118/05, fixou o entendimento de que, relativamente aos pagamentos indevidos efetuados anteriormente à Lei Complementar n° 118/05, o prazo prescricional para a restituição do indébito permanece regido pela tese dos “cinco mais cinco”, isto é, pelo prazo de dez anos, limitado, porém, a cinco anos contados a partir da vigência daquela lei complementar. Isto mesmo nas hipóteses, tal como a dos presentes autos, de tributo declarado inconstitucional. O termo inicial, assim, para o STJ, é o pagamento indevido (incluindo a hipótese de declaração de inconstitucionalidade do tributo), observandose o prazo de dez anos, desde que não sobeje cinco anos a contar da entrada em vigor da lei complementar n° 118/05. O Supremo Tribunal Federal, de outro lado, enfrentando o tema, decidiu, em recente decisão, no âmbito do Recurso Extraordinário 566.621RS (04/08/2011), no seguinte sentido: DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 09 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4°, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial, quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição do indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 03/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº10120.006434/9988 Acórdão n.º 920201.912 CSRFT2 Fl. 4 7 Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4°, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3°, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Decidiuse, na Suprema Corte, portanto, que o prazo reduzido, de cinco anos a contar do pagamento indevido, fixado na Lei Complementar n° 118/05, somente se aplica às ações propostas após o decurso da vacatio legis, de 120 dias, da referida lei complementar. Até então, todas as ações se submetem ao prazo de dez anos, conforme o entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça. Ressaltese bem a diversidade de entendimentos estabelecidos no âmbito do Supremo Tribunal Federal e no âmbito do Superior Tribunal de Justiça. Para o STJ, o prazo de dez anos persiste, aos indébitos anteriores à Lei Complementar n° 118/2005, mas limitados aos cincos anos, para o período transcorrido posteriormente à sua entrada em vigor. Para o STF, o prazo de dez anos, contados a partir do pagamento, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase aos pedidos realizados até o término da vacatio legis da Lei Complementar n° 118/2005. A partir da sua efetiva entrada em vigor, incide o prazo de cinco anos para os pedidos de restituição então promovidos. O Regimento Interno do CARF estabelece, em seu artigo 62A, que: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos Fl. 7DF CARF MF Impresso em 03/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 8 extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {2} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. {2} Por óbvio que, sendo o STF o órgão máximo do Poder Judiciário, a quem cabe dar a última palavra, no que tange à interpretação das normas do direito positivo brasileiro, havendo divergência de entendimentos, sobre uma mesma matéria, em relação ao STJ, a decisão daquele tribunal é a que deve prevalecer. Desta forma, e por força do quanto disposto no artigo 62A, do Regimento Interno do CARF, devese ter que o prazo para o pedido de restituição efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, tem como termo inicial a data do pagamento indevido (mesmo nas hipóteses de inconstitucionalidade do tributo), findando após dez anos. No presente caso, o pedido de restituição do Imposto na Fonte sobre o Lucro Líquido foi protocolizado em 16/11/2001. Regese, portanto, pelo prazo decenal. Como os recolhimentos indevidos a que se refere ocorreram em 30/04/1991 e 30/05/1991, é de se reconhecer que houve a decadência sustentada pela Fazenda Nacional. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É o voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 8DF CARF MF Impresso em 03/02/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/01/2 012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
score : 1.0
Numero do processo: 10980.011393/2004-86
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – EXISTÊNCIA DE CONTRARIEDADE ACOLHIMENTO.
Verificada a decisão embargada continha contrariedade entre suas razões de decidir e as provas dos autos, é de se conhecer os embargos de declaração opostos.
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. AUTUAÇÃO BASEADA EM AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE ADA TEMPESTIVO. APLICAÇÃO DE SUMÚLA DO CARF.
Súmula CARF Nº 41: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.
Numero da decisão: 9202-001.240
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para retificar o Acórdão nº 920200.092, de 18/08/2009, esclarecendo a contradição apontada, para, no mérito, dar provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Caio Marcos Cândido
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Verificada a decisão embargada continha contrariedade entre suas razões de decidir e as provas dos autos, é de se conhecer os embargos de declaração opostos. ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. AUTUAÇÃO BASEADA EM AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE ADA TEMPESTIVO. APLICAÇÃO DE SUMULA DO CARF. Súmula CARF Nº 41: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para retificar o Acórdão nº 920200.092, de 18/08/2009, esclarecendo a contradição apontada, para, no mérito, dar provimento ao recurso Assinado digitalmente Caio Marcos Candido Relator e Presidente Substituto Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO 2 Participaram do presente julgamento, Caio Marcos Candido (Presidente Substituto), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (Conselheiro convocado), Elias Sampaio Freire, Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratam os presentes autos de Embargos de Declaração opostos pelo Contribuinte tendo em vista apontada contrariedade entre afirmativa contida no acórdão e as provas constantes dos autos no acórdão embargado nº 920200.092, de 18/08/2009. A apontada omissão diz respeito a dois pontos: a) ao escopo da admissibilidade do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, que se limitaria à discussão acerca da área de reserva legal; e b) à existência prévia nos autos de prova de averbação da área de reserva legal anterior à data do fato gerador, contrariamente ao afirmado no acórdão vergasto. O acórdão embargado deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional por entender que a averbação da área de reserva legal à margem do registro do imóvel em data posterior à da ocorrência do fato gerador (01/01/2000). O Presidente Substituto da CSRF acolheu os referidos embargos e os autos foram incluídos nesta pauta de julgamento. Reproduzo o relatório do acórdão embargado com vista a localizar a lide originalmente contida no recurso especial interposto: Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 30334.413, exarado na sessão de julgamento de 13 de junho de 2007. A interposição do recurso de deu com fulcro no inciso II do art. 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) aprovado pela Portaria MF nº 147, 25 de junho de 2007, verbis: Art. 7º Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: (...) II decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Hodiernamente tal recurso tem supedâneo no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), verbis: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10980.011393/200486 Acórdão n.º 920201.240 CSRFT2 Fl. 2 3 Despacho em que se admite parcialmente o recurso em relação apenas à área de reserva legal, às fls. 222/224. A divergência jurisprudencial par a qual se admitiu o recurso especial e que se quer seja solucionada nos presentes autos, resumese a definir se, para fins de não incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), a averbação da área declarada como reserva legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel no Registro de Imóveis competente, efetuada posteriormente à data de ocorrência do fato gerador, satisfaz a condição estabelecida na lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal Brasileiro), com a redação dada pelo § 2º do art. 16 da lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, como entendeu o acórdão recorrido ou, se ao contrário, constituase condição essencial para a não incidência que a citada averbação tenha se dado em momento anterior à ocorrência do fato gerador do ITR. Contrarrazões ao recurso especial às fls. 206/212. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Caio Marcos Candido, Relator Embargos de Declaração tempestivos. Em relação a sua admissibilidade reproduzo o conteúdo do despacho do Presidente Substituto da CSRF que os admitiu, por entender suficiente para a confirmação daquele acolhimento: O acórdão embargado deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional por entender que a averbação da área de reserva legal à margem do registro do imóvel em data posterior à da ocorrência do fato gerador (01/01/2000). Reapreciando os documentos acostados aos autos, em especial a cópia do registro de imóveis da citado imóvel (fls. 20/26) e o auto de infração às fls. 53, vêse que a embargante tem razão. O próprio fiscal autuante consignou que: O contribuinte perdeu o direito de isenção da área declarada na linha 02 – área de preservação permanente de 20,0 ha e da área declarada de 991,2 ha de Utilização Limitada (reserva legal), por não ter sido protocolado o ADA – Ato Declaratório Ambiental dentro do prazo legal (grifo do relator) Presente a contrariedade apontada, ACOLHO os Embargos de Declaração e passo à reanálise do Recurso Especial, confirmando desde já e pelas mesmas razões o juízo de admissibilidade esposado no acórdão embargado. Presentes os pressupostos, há que ser admitido o Recurso Especial, apenas no tocante à área de reserva legal. No mérito, o lançamento combatido trata do ITR realizado com fulcro na glosa da área declarada como sendo de reserva legal. A despeito da divergência apontada entre os posicionamentos adotados pelas 2ª e 3ª Câmaras do 3º Conselho de Contribuintes quanto à obrigatoriedade, para fins de não incidência do ITR, da averbação no registro de imóveis competente, de área declarada pelo Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO 4 contribuinte como sendo de reserva legal, realizada previamente à data de ocorrência do fato gerador, o lançamento efetuado pela autoridade tributária não trata deste pormenor. A motivação do lançamento foi a ausência de apresentação de Ato Declaratório ambiental – ADA – tempestivamente protocolizado junto ao IBAMA, conforme se pode verificar do trecho do auto de infração acima reproduzido. Partindose da premissa trazida no lançamento de que houve averbação da área de reserva legal, previamente ao fato gerador, cingese a discussão em saber se a ausência de ADA tempestivo é suficiente para a descaracterização da área declarada como de reserva legal. Entendo que não. O exercício em questão é o de 2000. Ocorre que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio da Súmula nº 41, estabeleceu a inexigibilidade do ADA para fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000, o que é o caso dos presentes autos. Vide enunciado da Súmula 41: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.Pelo exposto, não conheço do recurso especial interposto. Assim, é de se acolher os embargos de declaração para retificar o Acórdão nº 920200.092, de 18/08/2009, esclarecendo a contradição apontada, para, no mérito, dar provimento ao recurso . Caio Marcos Candido Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO
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Numero do processo: 10665.900832/2008-23
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2004
PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. DEDUÇÃO.
A pessoa jurídica somente pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o IRPJ pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente.
Numero da decisão: 1801-000.779
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. DEDUÇÃO. A pessoa jurídica somente pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o IRPJ pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente.
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SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. DEDUÇÃO. A pessoa jurídica somente pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o IRPJ pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Fl. 77DF CARF MF Emitido em 11/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10665.900832/200823 Acórdão n.º 180100.779 S1TE01 Fl. 77 2 A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) nºs 36065.19219.190908.1.7.023003 e 18990.78508.141205.1.3.027088, fls. 0109, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) do quarto trimestre do ano calendário de 2003, fls. 1213, no valor total de R$1.740,88. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 10, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido (§ 1º do art. 6º, art. 28 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Restou esclarecido que não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois não foi informado qualquer valor na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), o que não corresponde ao valor do saldo negativo informado no Per/DComp de R$1.740,88. Cientificada em 28.05.2008, fl. 12, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 25.06.2008, fls. 2223, com os argumentos abaixo sintetizados. Suscita que houve erro material no preenchimento da DIPJ entregue em 29.06.2004, já que não foram deduzidos os valores referentes ao Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) no total de R$4.663,83. Por esta razão, apresentou documento retificador em 19.09.2006 utilizando o valor de R$543,82 no primeiro trimestre e o valor de R$1.224,04 no segundo trimestre. Assim, entende remanescer o saldo de R$2.895,97 suficiente para que a compensação seja homologada. Conclui Diante do exposto, solicitamos a manutenção das compensações dos impostos realizadas pelas referidas PER/DCOMP, com o respectivo cancelamento dos débitos apurados conforme Processo de Crédito de n° 10665900.8321200823, haja visto que houve um erro de fato no preenchimento da declaração, porém, não retira do contribuinte o direito as compensações. Nestes Termos Pede Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0225.701, de 24.02.2010, fls. 5257: “Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte”, oportunidade em que foi reconhecido o valor de R$597,27 a título de saldo negativo de IRPJ do quarto trimestre de anocalendário de 2003. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Constitui crédito passível de compensação o valor efetivamente comprovado do saldo negativo de IRPJ decorrente do ajuste anual. Notificada em 15.04.2010, fls. 7374, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 29.04.2010, fls. 6174, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de Fl. 78DF CARF MF Emitido em 11/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10665.900832/200823 Acórdão n.º 180100.779 S1TE01 Fl. 78 3 admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação acrescentando que como comprovada a retenção tem direito de utilizar o valor integral de IRRF para efetuar compensação. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Ex positis, requer que este E. Conselho se digne dar provimento ao Recurso Voluntário ora apresentado, para reformar a r. decisão a quo, que homologou em parte, até o limite crédito reconhecido de R$5975,27 5 as compensações declaradas no PER/DCOMP n° 36065.19219.190906.1.7.023003, e não homologou as compensações declaradas no PER/DCOMP n° 18990.78508.141205.1.3.027088 e, em conseqüência, homologar as compensações declaradas nas referidas PER/DCOMP's, com o reconhecimento da extinção dos créditos tributários objeto da compensação e cobrados no processo tributário administrativo n° 10665.900832/200823, ex vi do artigo 156, II, do CTN. Nestes termos, Pede deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente suscita que a Per/DComp deve ser deferida. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. O regime de tributação com base no lucro real, trimestral ou anual, prevê que a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o IRPJ pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente. O pressuposto é de que a escrituração mantida com observância das disposições legais que faz Fl. 79DF CARF MF Emitido em 11/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10665.900832/200823 Acórdão n.º 180100.779 S1TE01 Fl. 79 4 prova em favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados se estes estiverem comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza ou assim definidos em preceitos legais. Cabe à autoridade administrativa a prova da não veracidade dos fatos ali contidos, caso estes registros estejam congruentes com os dados da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) e do Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte. A legislação prevê que o valor do IRRF é considerado como antecipação do IRPJ devido referente ao código de arrecadação nº 1708 de prestações de serviços efetuados por pessoas jurídicas e a retenção sofrida no período somente pode ser utilizada como dedução do IRPJ devido do mesmo período para fins de apuração do saldo negativo.1 Tem cabimento, portanto, o exame da situação fática. A Recorrente adotou o regime de tributação com base no lucro real trimestral e por esta razão o exame do saldo negativo de IRPJ deve se limitar ao IRRF, código de arrecadação nº 1708, incidente sobre as receitas auferidas a título de prestação de serviços que integraram a base de cálculo relativo ao 4º trimestre de 2003, que é o período atinente ao credito pleiteado nas Per/DComp, fls. 0109. Na DIRF apresentada no período pela fonte pagadora Embaré Indústrias Alimentícias S/A, CNPJ 21.992.946/000151, foram informados os valores de R$74.165,70 e de R$741,65 a título de receita bruta e de IRRF, respectivamente, fl. 46. Na DIPJ Retificadora nº 1293595 consta o valor de R$59.727,42 de receita bruta no período, fl. 31, em conformidade com a Tabela 1. Tabela 1 – Cotejo entre os valores constantes nos registros da RFB, na impugnação e no Acórdão da DRJ relativos ao 4º trimestre de 2003. Valores Documento (A) Receita de Prestação de Serviços R$ (B) IRRF Código 1708 R$ (C) IRPJ a Pagar R$ (D) Saldo Negativo de IRPJ R$ (E) DIPJ Retificadora nº 1293595, fls. 2745 59.727,42 0,00 0,00 0,00 DIRF, fls. 4648 74.165,70 741,65 Impugnação, fls. 2223 466.383,00* 2.895,97** 0,00 2.895,97 Acórdão DRJ, fls. 5257 59.727,42 597,27*** 0,00 597,27 Notas *Rendimentos brutos informados pelas fontes pagadoras no anocalendário de 2003 **IRRF informados pelas fontes pagadoras no anocalendário de 2003 subtraídos aqueles utilizados nos 1º e 2º trimestres (R$2.895,97=R$4.663,83R$543,82 R$1.224,04). ***IRRF apurado a partir da proporcionalidade entre as receitas brutas informadas na DIPJ e nas DIRF. Em conformidade com o regime de competência e com o princípio da independência dos exercícios, o IRRF somente pode ser apropriado simultaneamente às receitas que o geraram no período. Inferese que em relação à receita bruta no valor de R$59.727,42 informada na DIPJ, fl. 31, a Recorrente tem direito ao valor de R$597,27 de 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A Constituição Federal, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Fl. 80DF CARF MF Emitido em 11/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10665.900832/200823 Acórdão n.º 180100.779 S1TE01 Fl. 80 5 IRRF proporcional ao rendimento constante da DIRF, fl. 46, de dedução do IRPJ devido de R$0,00 e de saldo negativo no 4º trimestre de 2003 de 597,27. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0225.701, de 24.02.2010, fls. 5257, está correto. As alegações relatadas pela defendente, consequentemente, não estão justificadas. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso2. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade3. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 2 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 3 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 81DF CARF MF Emitido em 11/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10845.004818/2008-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA
Ano calendário: 2004
MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS PRECLUSÃO
Consideram-se como não contestadas as questões do lançamento não
impugnadas pelo contribuinte. Preclusão do direito de apresentar na peça recursal.
Numero da decisão: 2102-001.574
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO
CONHECER do recurso, porque as matérias recorridas não foram objeto de impugnação, tendo a instância a quo as considerado definitivas na via administrativa.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
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Preclusão do direito de apresentar na peça recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso, porque as matérias recorridas não foram objeto de impugnação, tendo a instância a quo as considerado definitivas na via administrativa. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Mauricio Carvalho. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10845.004818/200889 Acórdão n.º 2102001.574 S2C1T2 Fl. 66 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário face decisão da 9a. Turma da DRJ/SP2, de 6 de abril de 2.010 (fls. 27/32), que por unanimidade de votos negou procedência à impugnação, uma vez que tratou de matéria estranha ao lançamento, mantendo a exigência fiscal no valor total de R$ 8.447,95 sendo R$ 3.786,96 a título de imposto, R$ 2.840,22 de multa e R$ 1.820,77 de juros de mora, calculados até 28/11/2008. De acordo com o Auto de Infração (fls. 15/20), a exigência fiscal decorre do seguinte fato: DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL Dedução Indevida de Despesas Médicas Conforme disposto no art. 73 do Decreto n.° 3.000/99 — RIR/99, todas as deduções pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas à comprovação ou justificação. Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu a Intimação até a presente data. Em decorrência do não atendimento da referida Intimação, foi glosado o valor de R$ 12.997,05 deduzido indevidamente a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação. Enquadramento Legal: Art. 8.°, inciso II, alínea "a", e §§ 2° e 3°, da Lei n° 9.250/95; arts. 73, 80 e 841, inciso II do Decreto n.° 3.000/99 RIR/99 e arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF n° 15/2001. Dedução Indevida de Previdência Privada e Fapi Conforme disposto no art. 73 do Decreto n.° 3.000/99 — RIR/99, todas as deduções Anual estão sujeitas A comprovação ou justificação. Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu a Intimação até a presente data. Em decorrência do não atendimento da referida Intimação, foi glosado o valor de R titulo de Contribuição à Previdência Privada e Fapi, por falta de comprovação. pleiteadas na Declaração de Ajuste eduzido indevidamente a Enquadramento Legal: Fl. 67DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10845.004818/200889 Acórdão n.º 2102001.574 S2C1T2 Fl. 67 3 Art. 8.°, inciso II, alínea "e", da Lei n° 9.250/95; art. 11 da Lei n° 9.532/97; arts. 73, 82 e § 1. 0, 83 do Decreto n.° 3.000/99 RIR/99, art. 61 da Medida Provisória n°2.158 35/2001. Com efeito, consta do lançamento fiscal, que foram consideradas indevidas as deduções da base de cálculo dos valores de R$ 12.997,05 a título de despesas médicas e R$ 1.113,13 de previdência privada, o que tornou inexplicáveis os termos da impugnação, que abordou diferenças entre o valor das receitas constantes na DIRPF e DIRF, substituição tributária, segurança jurídica, irredutibilidade de salários, dentre outros, totalmente desvinculados aos itens do lançamento, clara e objetivamente colocados. Destarte, como constou na ementa da decisão recorrida, a matéria do auto de infração não foi impugnada, portanto, sendo mantida a exigência fiscal, uma vez que não houve expressa manifestação em contrário. Não obstante, em grau de Recurso Voluntário, a este colegiado aduz a Recorrente: a) que os serviços médicos foram prestados e os recibos emitidos e que a inidoneidade do profissional considerada pela receita não impede o exercício das atividades médicas, cabendo ao CRM a fiscalização. A declaração de inidoneidade fiscal do profissional pela receita ocorreu após a prestação dos serviços ao recorrente, cabendo, se for o caso, diligencia para apuração de quem efetivamente sonegou imposto; b) não há lei que exija seqüência numérica dos recibos e tão pouco tabelamento dos preços cobrados pelas consultas; c) houve decadência com relação aos valores que compõe o fato gerador do mês de dezembro/2004, conforme estabelece o par. 4o do art. 150 do CTN; d) No que denomina O Direito, destaca que a receita utilizou como argumento de ineficácia dos recibos Ato Declaratório Executivo DRT/ATA 27, de 18/10/2007 sem observar a aplicação retroativa de nova interpretação, o que contraria o princípio da moralidade administrativa; o auto de infração foi feitio com sofismas e não baseado em provas reais, referindo o princípio da boa fé dos negócios jurídicos; e) A impugnação não constitui inversão do ônus da prova, cabendo ao fisco provar o alegado. . É o Relatório. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10845.004818/200889 Acórdão n.º 2102001.574 S2C1T2 Fl. 68 4 Voto Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por representante legal devidamente constituído e está fundamentado. Sendo assim, conheçoo e passo à apreciação. Como destacado na decisão recorrida, ao final da fl. 29, a dedução da base de calculo do imposto das despesas médicas e de previdência privada, objeto do auto de infração, não foram impugnadas, não apresentando a Recorrente, naquela oportunidade, qualquer documento ou justificativa. Por essas razões, NÃO CONHEÇO do recurso, por preclusão. Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Fl. 69DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 16004.000630/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2004 a 28/02/2005, 01/03/2006 a 30/04/2006
Ementa:
SIMPLES
O ato de exclusão da empresa do Sistema Integrado de Pagamento de
Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, que já transitou em julgado não permite reabrir a discussão, quando do lançamento dos créditos em virtude do mesmo.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC,
nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
MULTA
Para fatos geradores anteriores à edição da MP 449/2008, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, e aplicação da multa nos moldes da citada medida provisória, desde que seja mais benéfica para o contribuinte, em comparação com a multa de mora vigente à época do fato gerador.
As multas por descumprimento de obrigação acessória e principal devem ser aplicadas de forma isolada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-001.256
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder
provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei n 8.212 para todo o período.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 28/02/2005, 01/03/2006 a 30/04/2006 Ementa: SIMPLES O ato de exclusão da empresa do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, que já transitou em julgado não permite reabrir a discussão, quando do lançamento dos créditos em virtude do mesmo. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA Para fatos geradores anteriores à edição da MP 449/2008, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, e aplicação da multa nos moldes da citada medida provisória, desde que seja mais benéfica para o contribuinte, em comparação com a multa de mora vigente à época do fato gerador. As multas por descumprimento de obrigação acessória e principal devem ser aplicadas de forma isolada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 28/02/2005, 01/03/2006 a 30/04/2006 Ementa: SIMPLES O ato de exclusão da empresa do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, que já transitou em julgado não permite reabrir a discussão, quando do lançamento dos créditos em virtude do mesmo. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA Para fatos geradores anteriores à edição da MP 449/2008, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, e aplicação da multa nos moldes da citada medida provisória, desde que seja mais benéfica para o contribuinte, em comparação com a multa de mora vigente à época do fato gerador. As multas por descumprimento de obrigação acessória e principal devem ser aplicadas de forma isolada. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 373DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei n 8.212 para todo o período. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Júnior, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu, Wilson Antonio de Souza Correa. Ausência Momentânea: Vera Kempers de Moraes Abreu Fl. 374DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 16004.000630/200921 Acórdão n.º 230201.256 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório O presente auto de infração de obrigação principal foi lavrado em 25/09/2009, com ciência pelo sujeito passivo em 29/09/2009 e referese às contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 01/2004 a 12/2006, em virtude da exclusão da autuada do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições da Microempresa e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, desde 09/04/2002. O relatório fiscal de fls. 48/67, aduz que em virtude da MP 449, convertida na Lei n.º 11.941, de 27/05/2009, foi aplicada a multa de ofício para algumas competências e a multa de mora para outras, conforme se mostraram mais benéficas para o contribuinte, conforme demonstrado nas planilhas de fls.894/895. Após a impugnação, Acórdão de fls. 1066/1074, julgou procedente o lançamento. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega em síntese: a) que a exclusão do SIMPLES não pode ser retroativa; b) a necessidade de lei complementar para a criação de novas contribuições; c) que ao excluir a empresa do SIMPLES a fazenda está cobrando novas contribuições sem respaldo legal; d) a invalidade do MPF pelo transcurso do prazo; e) a necessidade de demonstração do vínculo empregatício, f) a inconstitucionalidade da SELIC como juros moratórios. Requer a reforma da decisão recorrida porque o auto de infração não possui respaldo legal e deve ser julgado insubsistente, sendo que, subsidiariamente requer o afastamento da SELIC por ilegal e inconstitucional, da multa por ser confiscatória e o reconhecimento da base de cálculo das contribuições para o SEST/SENAT, como sendo o salário de contribuição para os transportadores autônomos. É o relatório. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Cumprido o requisito de admissibilidade frente à tempestividade, conforme protocolo de fls. 326, conheço do recurso e passo ao seu exame. O levantamento referese às contribuições patronais devidas sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, que prestaram serviço à autuada e que não foram recolhidas porque a empresa se entendia optante do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. Todavia, de acordo com a documentação acostada às fls. 150 e 154, temse que a recorrente foi excluída do Sistema através do Ato Declaratório Executivo n.º66, de 08/11/2007, com efeitos retroativos à 09/04/2002, conforme dispõe o inciso III do artigo 15, da Lei n.º 9.3717/96: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (…) III a partir do início de atividade da pessoa jurídica, sujeitandoa ao pagamento da totalidade ou diferença dos respectivos impostos e contribuições, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência, acrescidos, apenas, de juros de mora quando efetuado antes do início de procedimento de ofício, na hipótese do inciso II, "b", do art. 13; Do ato de exclusão foi dada ciência à empresa, assegurado o contraditório e concedido prazo para que manifestasse sua inconformidade, mas não houve qualquer pronunciamento por parte da ora recorrente, tornadose, assim, definitiva, administrativamente, a decisão. Portanto, são inócuas as alegações da recorrente, neste processo de auto de infração por falta de recolhimento de contribuições previdenciárias, acerca da impossibilidade dos efeitos retroativos da exclusão, eis que a decisão já transitou em julgado, sem que fosse contraditada à época própria. São também improcedentes as assertivas acerca da inexistência de lei complementar para a cobrança de novas contribuições advindas com a exclusão do SIMPLES, eis que não estão sendo cobrados novos tributos ou contribuições, apenas aquelas devidas pela empresa, constantes da Lei n.º 8.212/91 e que foram substituídas quando o contribuinte optou pelo recolhimento mensal unificado, SIMPLES. Ocorre que a recorrente foi excluída do Sistema, por exercer atividade incompatível com a opção e conforme o artigo legal acima transcrito, sujeitandose ao pagamento dos das contribuições devidas na forma exposta pelas normas gerais de incidência. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 16004.000630/200921 Acórdão n.º 230201.256 S2C3T2 Fl. 3 5 No que se refere às argumentações da recorrente de que o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF é inválido por estar expirada sua validade e não ter sido prorrogado, é de se notar que às fls. 31/32, consta o TIAF – Termo de Inicio da Ação Fiscal, datado de 25/07/2008, compreendendo o período a ser fiscalizado de 01/2004 a 12/2006 e trazendo expressamente o número do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF 0810700200802400, e seu código de acesso 77304118, para ser conferido na página da Receita Federal do Brasil, na internet, no link Consulta Mandado de Procedimento Fiscal. Com efeito, após consulta no referido endereço, se pode observar que o MPF foi regularmente emitido em 24/07/2008, para o período que consta na presente autuação, 12/2004 a 04/2006, tendo sido prorrogado na forma disposta pela legislação vigente, com validade até 16/11/2009, respaldando o lançamento que foi efetuado em 25/09/2009, com ciência pelo sujeito passivo em 29/09/2009. Desta forma, é indiferente a situação do MPF n.º 09392399F00, de 2007, pois o procedimento fiscal que resultou na autuação em tela está respaldado no já citado MPF 0810700200802400, vigente do inicio ao encerramento da ação fiscal. Também não merece guarida a alegação da recorrente quanto à necessidade da demonstração de vínculo empregatício, eis que o levantamento se refere às contribuições devidas e incidentes sobre a remuneração dos seus segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviço, não havendo qualquer discussão acerca de caracterização de empregados. Os valores que serviram de base para o levantamento constam das folhas de pagamento da autuada e de documentos por ela elaborados, não restando dúvidas de que os segurados ali arrolados são seus empregados, fato que inclusive não foi contraposto em nenhum momento pela recorrente. Melhor dizendo, não há qualquer apontamento, por parte do contribuinte, de que algum segurado constante das folhas de pagamento não seja empregado. Quanto aos contribuintes individuais também não restam dúvidas de que prestaram serviços à recorrente, posto que as contribuições foram apuradas com base nos recibos e folhas de pagamento, documentos estes de posse e guarda da recorrente, de seu pleno conhecimento não cabendo alegar falta de caracterização, até porque o contribuinte individual resta caracterizado justamente pela prestação de serviço sem vínculo empregatício. No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por derradeiro, não possui natureza de confisco a exigência da multa, pois não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. No caso em tela, o fisco informou que foi aplicada a multa de ofício no percentual de 75% ou a multa de mora de 24%, conforme se mostraram mais benéficas para o contribuinte em cada competência. Ocorre que do exame da planilha de fls.179/180, se pode observar que a comparação das multas foi efetuada levando em consideração aquela aplicada, também, pelo auto de infração de não declarar em GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. Entretanto, do exame da legislação vigente, entendo que as multas devem ser aplicadas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória, para cada caso, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional Embora, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada, não cabendo o somatório efetuado na autuação para a configuração de multa mais vantajosa para o contribuinte. O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento , de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa: Fl. 378DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 16004.000630/200921 Acórdão n.º 230201.256 S2C3T2 Fl. 4 7 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Quando o contribuinte recolhe os valores devidos antes da ação fiscal, não se aplica a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430. Se pagou, mas não declarou em GFIP, por exemplo, deve ser aplicada a multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212, justamente por serem condutas distintas. E, ainda, caso contribuinte tenha declarado em GFIP não deve ser aplicada a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, mas a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430/96, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. A multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Pela leitura do dispositivo legal, concluiuse que não é uma faculdade do fisco escolher a multa mais benéfica para o contribuinte somando penalidades impostas por mora e descumprimento de obrigação acessória, mas tão somente aplicar a penalidade atual se for menos gravosa para o contribuinte, em comparação com aquela vigente à época do fato gerador. Assim, no caso presente, como os fatos geradores são anteriores à edição da MP 449/2008, haveria cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, se a aplicação da multa, nos moldes da citada medida provisória, fosse mais benéfica para o contribuinte, em comparação com a multa de mora, ambas aplicadas de forma isolada. Todavia, do exame dos autos tal fato não se configurou, porque foi levado em consideração o somatório das multas por descumprimento de obrigação acessória e principal. Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, para que a multa moratória seja aplicada nos moldes do artigo 35, da Lei n.º8.212/91, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 379DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Fl. 380DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 13707.000247/2004-52
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE-SIMPLES
Anocalendário: 2004
MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. DETERMINAÇÃO DE INCLUSÃO NO SIMPLES DOS FILIADOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CONCOMITÂNCIA. CUMPRIMENTO DA DECISÃO JUDICIAL.
Tendo em vista a decisão proferida pelo TRF da 2° Região, no sentido de incluir os filiados posteriormente ao ajuizamento da ação, não cabe a este tribunal administrativo se furtar ao cumprimento de tal decisão. Ausência de concomitância, em razão da ausência de identidade dos processos administrativo e judicial.
Numero da decisão: 9101-001.107
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE-SIMPLES Anocalendário: 2004 MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. DETERMINAÇÃO DE INCLUSÃO NO SIMPLES DOS FILIADOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CONCOMITÂNCIA. CUMPRIMENTO DA DECISÃO JUDICIAL. Tendo em vista a decisão proferida pelo TRF da 2° Região, no sentido de incluir os filiados posteriormente ao ajuizamento da ação, não cabe a este tribunal administrativo se furtar ao cumprimento de tal decisão. Ausência de concomitância, em razão da ausência de identidade dos processos administrativo e judicial.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1476; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13707.000247/200452 Recurso nº 135.649 Especial do Procurador Acórdão nº 9101001.107 – 1ª Turma Sessão de 29 de junho de 2011 Matéria SIMPLES Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado WI MENDES ENSINO DE IDIOMAS LTDA. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. DETERMINAÇÃO DE INCLUSÃO NO SIMPLES DOS FILIADOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CONCOMITÂNCIA. CUMPRIMENTO DA DECISÃO JUDICIAL. Tendo em vista a decisão proferida pelo TRF da 2° Região, no sentido de incluir os filiados posteriormente ao ajuizamento da ação, não cabe a este tribunal administrativo se furtar ao cumprimento de tal decisão. Ausência de concomitância, em razão da ausência de identidade dos processos administrativo e judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Fl. 188DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13707.000247/200452 Acórdão n.º 9101001.107 CSRFT1 Fl. 2 2 (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Orlando José Gonçalves Bueno, Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Alberto Pinto Souza Junior, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. O processo referese a pedido de solicitação, do contribuinte, para sua inclusão no Simples, o qual restou indeferido. Apresentada manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, manteve o indeferimento, nos termos da seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 Ementa: MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. EXTENSÃO DOS EFEITOS DA DECISÃO CONCESSIVA DE SEGURANÇA. A sentença proferida em mandado de segurança coletivo proposto por entidade sindical só produz efeitos em relação aos membros da entidade que estavam filiados à época do ajuizamento da ação. Solicitação indeferida.” Temse que, no caso, a contribuinte, sociedade empresária que tem por objeto ensino de idiomas, na condição de filiada Sindelivre, pretendeu verse incluída no Simples, tendo em vista sentença proferida em mandado de segurança coletivo impetrado pelo sindicato, em 12/04/1999. Nos autos do mandado de segurança coletiva, ante a procedência do pedido, foram opostos embargos de declaração pelo Sindicato, a fim de se aclarar a eficácia subjetiva Fl. 189DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13707.000247/200452 Acórdão n.º 9101001.107 CSRFT1 Fl. 3 3 da decisão. Esclareceuse, desta forma, que “a segurança concedida beneficia os filiados ao Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre no Estado do Rio de Janeiro”. Tal decisão restou mantida, mesmo em face de apelação interposta pela União Federal. Em 201/10/2005, o juízo da 18° Vara Federal do Rio de Janeiro, proferiu decisão em que especificou o seguinte: “O que foi decidido nos Embargos de Declaração é que a segurança concedida beneficia os filiados ao Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre no Estado do Rio de Janeiro, conforme dispositivo de fl. 114. Porém, isto não significa dizer que todos os associados do SINDELIVRE são beneficiários da segurança concedida como quer fazer crer o sindicato, mas apenas aqueles associados substituídos no momento do ajuizamento”. Diante disso, a DRJ decidiu por indeferir o pleito do contribuinte, sob o fundamento de que o contribuinte somente se constitui (28/10/2003) após a data do ajuizamento da ação mandamental em questão. Contudo, no âmbito do Poder Judiciário, a questão ainda se encontra em discussão, uma vez que o TRF da 2° Região, em julgamento de Agravo de Instrumento, decidiu por estender os efeitos da decisão no mandado de segurança coletivo a todos os inscritos na entidade sindical, ainda que posteriormente ao ajuizamento da ação. Contra essa decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial ao STJ. Nos presente autos, o contribuinte, então, recorreu, requerendo a revisão da sua opção pelo Simples (fls. 86/91). A antiga Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso do contribuinte (fls. 128/135), nos termos da seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 SIMPLES INCLUSÃO. Ação coletiva intentada por Sindicato de categoria perante o Poder Judiciário beneficia todos os associados, independente da data da associação. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial. Suscitou divergência jurisprudencial em relação a dois pontos: a) “efeito da ação em relação aos não filiados, à época do ajuizamento do feito coletivo”; b) “existência de concomitância caso se entenda pela maior abrangência da ação” Desta forma, preliminarmente, argumentou no sentido da ocorrência de concomitância entre os processos administrativo e judicial. Segundo a recorrente: Fl. 190DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13707.000247/200452 Acórdão n.º 9101001.107 CSRFT1 Fl. 4 4 “Ora, se a intenção da empresa é dizer que tem decisão judicial a seu favor e que à Administração cabe cumprila, então que atrevesse petição no processo judicial alegando descumprimento de ordem judicial. Na via administrativa, não há o que ser debatido ou decidido. Este Conselho não pode ‘ordenar’ os órgãos de execução a cumprirem uma decisão judicial. Esta competência é do próprio Poder Judiciário. Veja que a Câmara a quo não se pronunciou sobre eventual querela surgida na interpretação ou no cumprimento da decisão judicial. Mui de revés, decidiu pela existência ou não de ordem judicial para a empresa. Mas, paradoxalmente, quando entendeu que empresa estava sim contida na decisão, ‘deu provimento ao recurso’, ao invés de reconhecer simplesmente a concomitância.” No mérito, alegou que: “Portanto, a pessoa jurídica que preste serviços de professor, fisicultor, ou assemelhado, não pode optar pela sistemática do Simples. Outrossim, o contrato social da pessoa jurídica, comprova tratarse de uma academia de ginástica (fls. 35), atividade esta impeditiva por se enquadrar entre aquelas prestadas por professor, fisicultor ou assemelhados”. O contribuinte apresentou suas contrarazões (fls. 164/168). Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada. Devese traçar, em primeiro lugar, um breve panorama dos fatos versados nos autos, a fim de se chegar ao deslinde do mérito recursal. A empresa contribuinte tem como objeto social o “ensino de idiomas”, conforme cláusula segunda do seu contrato social. Fl. 191DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13707.000247/200452 Acórdão n.º 9101001.107 CSRFT1 Fl. 5 5 Nos termos do documento de fls. 04, o contribuinte é filiado ao Sindelivre (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre) no Rio de Janeiro. O contribuinte ingressou com pedido de inclusão no Simples “embora subsista vedação da atividade da empresa, atendendo Sentença de Mérito obtida pelo SINDELIVRE/ RIO na 18° Vara Federal em Mandado de Segurança n°99.00094069, confirmada pela Terceira Turma do Tribunal Regional Federal do Rio de Janeiro, através de Acórdão, evidenciada através de Certidão da Decisão de Embargos favorável aos filiados do SINDELIVRE/RIO no Estado do Rio de Janeiro, conforme cópias que segue em anexo, inclusive declaração de filiação do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre no Estado do Rio de Janeiro SINDELIVRE/RIO”. Diante disso, a discussão, nos autos, chegando até a presente instância, referiuse à possibilidade de eficácia subjetiva da decisão em relação ao contribuinte, tendo em vista que a sua filiação posteriormente ao ajuizamento da ação. Temse, conforme consta do relatório, que o TRF da 2° Região, em julgamento de Agravo de Instrumento, entendeu por estender a todos os filiados ao Sindicato a eficácia subjetiva da decisão proferida no âmbito do Mandado de Segurança Coletiva, ainda que tal filiação tenha ocorrido posteriormente ao ajuizamento da ação. A recorrente, no presente recurso especial, narrou que houve interposição de recurso especial contra tal decisão. Diante destes fatos, é que se deve analisar o recurso especial da Fazenda Nacional. Preliminarmente, não procede a alegação de concomitância entre os processos administrativos e judiciais em questão. Em primeiro lugar, a concomitância se verifica quando há identidade de ações, nas searas judicial e administrativa. Tal fato não se verifica no presente caso. Com efeito, o processo judicial em questão, tratado nos autos, constituise em mandado de segurança coletivo interposto pelo Sindelivre/Rio. Só por isso já se tem afastada a concomitância. Veja que, em tese de legitimidade para as ações coletivas, seja pela tese de que os legitimados assim o são extraordinariamente (agindo em nome próprio, porém defendendo interesse alheio), seja sob o entendimento de que se trata de legitimidade autônoma, os processos em questão, administrativo e judicial, não são idênticos e, pois, concomitantes. Por outro lado, temse, também, que o mandado de segurança coletivo é anterior mesmo ao processo administrativo. E foi justamente com base naquele que o contribuinte solicitou a sua inclusão no Simples, a fim de lhe dar cumprimento. Revelouse, portanto, legítimo o intento do contribuinte. Finalmente, trago à baila citação de artigo da Procuradora da Fazenda Nacional Vládia Pompeu Silva, para quem: Fl. 192DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13707.000247/200452 Acórdão n.º 9101001.107 CSRFT1 Fl. 6 6 “Assim, uma vez que a impetração do mandado de segurança coletivo por sindicato, entidade de classe ou associação legalmente constituída independe da autorização de seus membros ou associados não podemos admitir que tal atitude induza à concomitância entre a ação coletiva e processo administrativo fiscal. Ora, a renúncia é ato de vontade, pressupõese que aquele ajuíza ação judicial cujo objeto se encontra em discussão em processo administrativo fiscal pendente, o faz de forma consciente dos efeitos que daí irá advir. Por outro lado, na maioria das vezes os titulares dos direitos discutidos em ações coletivas sequer sabem da existência de tal demanda, não podendo ser penalizados com o reconhecimento ex officio de renúncia de seu processo administrativo fiscal”. 1 Passo, destarte, à análise do mérito recursal. E aqui entendo que a decisão judicial deve ser cumprida perante este tribunal administrativo. E, neste passo, é de se ter que a decisão do TRF da 2° Região foi justamente no sentido de estender os efeitos do decidido no Mandado de Segurança Coletivo mesmo àqueles que se filiaram ao Sindicato posteriormente ao ajuizamento do remédio constitucional. Notese que, em pesquisa no sítio do Superior Tribunal de Justiça, em face da alegação da Fazenda de que havia interposto recurso especial contra a decisão proferida pelo TRF 2°, temse que referido recurso não foi conhecido por aquela corte, conforme a seguinte ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 1.187.321 ES (2009/00833760) RELATOR : MINISTRO HUMBERTO MARTINS AGRAVANTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL AGRAVADO : SINDICATO DOS ESTABELECIMENTOS DE ENSINO LIVRE DO RIO DE JANEIRO SINDELIVRE ADVOGADO : CARLOS SCHUBERT DE OLIVEIRA E OUTRO(S) TRIBUTÁRIO – AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DENEGATÓRIA DE PROCESSAMENTO DO RECURSO ESPECIAL – INCIDÊNCIA DO RACIOCÍNIO SEDIMENTADO POR MEIO DO ENUNCIADO 182 DA SÚMULA DO STJ – AGRAVO IMPROVIDO. 1 SILVA, Vládia Pompeu. A Concomitância entre o Processo Administratvo e Judicial e a Configuração da Renúncia à Via Administrativa: uma análise dos Efeitos Oriundos de Ações Coletivas. Revista Dialética de Direito Tributário. n° 186. Fl. 193DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13707.000247/200452 Acórdão n.º 9101001.107 CSRFT1 Fl. 7 7 DECISÃO Vistos. Cuidase de agravo de instrumento tirado pela FAZENDA NACIONAL dedecisão que obstou a subida de recurso especial interposto comfundamento no artigo 105, inciso III, alínea "a", da ConstituiçãoFederal contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da2ª Região assim ementado (fl. 604e): "PROCESSO CIVIL AGRAVO DE INSTRUMENTO MANDADO DE SEGURANÇACOLETIVO LIMITES SUBJETIVOS DA COISA JULGADA EXTENSÃO ASSOCIAÇÕES FILIADAS AO SINDICATO. O entendimento do julgado é de que o Sindicato impetrante, ora agravante, tem direito líquido e certo ao postulado, uma vez que a natureza da ação no mandado de segurança coletivo aplicase a todos os associados da entidade, mesmo os inscritos posteriormente ao ajuizamento da ação." Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fl. 628): "PROCESSO CIVIL – EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS – PREQUESTIONAMENTO. I – Da leitura do acórdão e do contexto do voto condutor se depreende a falta de justificativa dos fatos e do direito que se pretende seja aclarado no acórdão recorrido. II – Ainda que para efeito de prequestionamento, os embargos de declaração devem demonstrar de forma inequívoca a existência dos vícios enumerados no art. 535 do CPC." Em seu recurso especial, alega a agravante violação dos artigos 535, inciso II, do Código de Processo Civil e 2ºA, parágrafo único, da Lei n. 9.494/97. Apresentadas as contrarrazões às fls. 647/654e, sobreveio juízo de admissibilidade negativo da instância de origem (fls. 557/559e), o que deu ensejo à interposição do presente agravo. É, no essencial, o relatório. Não prospera o inconformismo. É de se observar, da detida análise dos autos, que a decisão agravada negou a subida do recurso especial sob a alegação de que o acórdão recorrido não infringiu o artigo 535 do Código de Processo Civil uma vez que os embargos de declaração foram opostos com a finalidade de prequestionamento e que o entendimento aplicado ao caso está em conformidade com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Nas razões do presente agravo, a recorrente limitase a sustentar a violação dos artigos indicados no recurso especial sem, contudo, refutar a incidência do óbice de admissibilidade Fl. 194DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13707.000247/200452 Acórdão n.º 9101001.107 CSRFT1 Fl. 8 8 previsto no enunciado 83 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça, Dessarte, o agravo de instrumento interposto contra decisão denegatória de processamento de recurso especial que não impugna,m especificamente, seus fundamentos não merece conhecimento ante o óbice imposto pelo enunciado 182 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça, aplicada, mutatis mutandis, ao caso sob exame, conforme pacífico entendimento desta Corte ("É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada"). A propósito, os seguintes precedentes: "RECURSO DA EMPRESA PROCESSUAL CIVIL FALTA DE IMPUGNAÇÃO DO TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. 1. A decisão agravada negou seguimento ao recurso especial sob os seguintes fundamentos: 1) não há violação do artigo 535 do Código de Processo Civil; 2) quanto à violação do artigo 20, §§ 3° e 4° do Código de Processo Civil, incide o enunciado 7 da Súmula desta Corte. 2. Nas razões do agravo de instrumento, a recorrente não fez qualquer referência à nãoocorrência de violação do artigo 535 do CPC, furtandose a rebater especificamente todos os fundamentos da decisão agravada. (...) Agravos regimentais improvidos." (AgRg nos EDcl no Ag 588.129/SP, deste relator, Segunda Turma, julgado em 11.11.2008, DJe 1º.12.2008.) "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ART. 544 DO CPC. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. VALOR DE ALÇADA. ART. 34 DA LEF. EMBARGOS INFRINGENTES. RECURSO ESPECIAL. FALTA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA 182/STJ. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS 282 E 356 DO STF. 1. O agravo de instrumento se torna inviável quando a sua fundamentação não impugna especificamente a decisão agravada. Inteligência da Súmula 182 do STJ, que dispõe: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". (...) 6. Agravo regimental desprovido." (AgRg no Ag 927.877/PR, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 14.10.2008, DJe 3.11.2008.) Fl. 195DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13707.000247/200452 Acórdão n.º 9101001.107 CSRFT1 Fl. 9 9 “PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO ESPECÍFICA CONTRA A INADMISSIBILIDADE DO RECURSO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 182 DO STJ. PENHORA. ORDEM DE BENS. INVERSÃO. ANÁLISE. NECESSIDADE DO REEXAME DO ACERVO FÁTICO PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS Nº 07 E Nº 83 DO STJ. 1. A falta de irresignação específica contra os fundamentos da decisão agravada faz incidir à hipótese o teor da Súmula 182 do STJ. (...) 4. Agravo regimental de que não se conhece.” (AgRg no Ag 788.737/RS, Rel. Juiz Federal convocado Carlos Fernando Mathias, Quarta Turma, julgado em 12.8.2008, DJe 15.9.2008.) “DIREITO ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. MILITAR. REFORMA. RECURSO QUE NÃO INFIRMA OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA 182/STJ. DISPOSITIVO DE LEI FEDERAL VIOLADO. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Não se conhece do agravo de instrumento que não infirma os fundamentos da decisão que inadmitiu na origem o recurso especial. Incidência, por analogia, da Súmula 182/STJ. (...) 4. Agravo regimental improvido." (AgRg no Ag 974.674/RN, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, Quinta Turma, julgado em 8.5.2008, DJe 23.6.2008.) Ante o exposto, com fundamento no artigo 557, caput, do Código de Processo Civil, nego provimento ao agravo de instrumento. Publiquese. Intimemse. Brasília (DF), 02 de outubro de 2009. MINISTRO HUMBERTO MARTINS Relator (Ministro HUMBERTO MARTINS, 06/10/2009) Desta forma, não pode este tribunal furtarse ao cumprimento da decisão judicial em questão. Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 29 de junho de 2011. 29 de junho de 2011 (assinado digitalmente) Fl. 196DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13707.000247/200452 Acórdão n.º 9101001.107 CSRFT1 Fl. 10 10 Susy Gomes Hoffmann Fl. 197DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 13052.000159/2005-83
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PIS. BASE DE CÁLCULO NA VIGÊNCIA DA LEI 9.718. CRÉDITO
PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCLUSÃO.
Consoante decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, o conceito de faturamento válido para a definição da base de cálculo do PIS anteriormente à aprovação da Emenda Constitucional nº 20 não inclui receitas não decorrentes da atividade empresarial. Como tal se enquadra o acréscimo patrimonial decorrente do incentivo fiscal deferido pela Lei 9.363, o qual,
receita embora, não resulta diretamente da atividade exercida pela sociedade empresária.
PIS. BASE DE CÁLCULO NA VIGÊNCIA DA LEI 10.637. CRÉDITO
PRESUMIDO DE IPI. INCLUSÃO.
A partir do período de apuração correspondente ao mês de dezembro de 2002, quando entram em vigor as disposições da Lei 10.637, que restabelece como base de cálculo da contribuição PIS a totalidade das receitas auferidas, o valor correspondente ao benefício fiscal instituído pela Lei 9.363, receita que é, inclui-se
naquela base.
Numero da decisão: 9303-001.712
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso especial, nos termos do Relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nanci Gama.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Julio Cesar Alves Ramos
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2010; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13052.000159/200583 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303001.712 – 3ª Turma Sessão de 07 de novembro de 2011 Matéria PIS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado INDÚSTRIA DE CALÇADOS BLIP LTDA PIS. BASE DE CÁLCULO NA VIGÊNCIA DA LEI 9.718. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCLUSÃO. Consoante decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, o conceito de faturamento válido para a definição da base de cálculo do PIS anteriormente à aprovação da Emenda Constitucional nº 20 não inclui receitas não decorrentes da atividade empresarial. Como tal se enquadra o acréscimo patrimonial decorrente do incentivo fiscal deferido pela Lei 9.363, o qual, receita embora, não resulta diretamente da atividade exercida pela sociedade empresária. PIS. BASE DE CÁLCULO NA VIGÊNCIA DA LEI 10.637. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCLUSÃO. A partir do período de apuração correspondente ao mês de dezembro de 2002, quando entram em vigor as disposições da Lei 10.637, que restabelece como base de cálculo da contribuição PIS a totalidade das receitas auferidas, o valor correspondente ao benefício fiscal instituído pela Lei 9.363, receita que é, incluise naquela base. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, nos termos do Relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nanci Gama. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 EDITADO EM: 16/01/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio PereiraValadão, Maria Teresa Martínez López e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Insurgese a Fazenda Nacional contra acórdão que entendeu indevida a tributação pela contribuição PIS da receita decorrente do aproveitamento do crédito presumido de IPI instituído pela Lei 9.363. Segundo os demonstrativos dos valores exigidos (fl. 20), o contribuinte deixou de incluir tal parcela na base de cálculo da contribuição entre os meses de janeiro de 2001 e janeiro de 2004. Ou seja, tanto em períodos em que a base legal para fixação do valor tributável era a Lei 9.718 (até novembro de 2002) quanto em períodos em que já vigia a Lei 10.637, que instituiu a sistemática de apuração nãocumulativa. Como paradigma de divergência, apresentou a ementa do acórdão n° 201 79.962, à fl. 419, impressa diretamente da página na internet dos antigos Conselhos de Contribuintes. O acórdão guerreado, prolatado pela Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, restou assim ementado: "CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS E IPI. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1° DO ART. 3 0 DA LEI N°9.718/98. DECLARADA PELO STF. IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. O crédito presumido do ICMS e do IPI são parcelas relacionadas a redução de custos e não a obtenção de receita nova oriunda do exercício da atividade empresarial. Por decisão definitiva proferida pelo STF, deve ser afastada a inclusão na base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins das parcelas relativas ao crédito presumido do ICMS e do IPI, por não se constituírem em receitas decorrentes da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços O recurso (fls. 411/419) combatia também o afastamento do “crédito presumido de ICMS”, mas quanto a ele não foi admitido, consoante despacho às fls. 423/424, ratificado pelo Presidente do CARF (fl. 425). Nele, aduz a PFN que “o conceito de receita vem sendo reformulado a cada dia, e não se pode negar que há forte tendência de adequálo à dinâmica que impera nas atividades empresariais”. E, citando o professor Ricardo Mariz,: Fl. 483DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13052.000159/200583 Acórdão n.º 9303001.712 CSRFT3 Fl. 2 3 "...por conseguinte, receita é um plus jurídico que se agrega ao patrimônio, ainda que o ato do qual ela seja parte não acarrete aumento patrimonial, ou mesmo que acarrete redução patrimonial; por isso, é mais apropriado dizer que receita agrega um elemento positivo ao patrimônio" complementa: Ora, parece que a intenção da doutrina moderna vem sendo a de entender a palavra receita como aquele ingresso que represente um plus jurídico em favor do contribuinte, esteja ou não sua origem relacionada à atividade fim da empresa, ou ainda, seja ou não decorrente de esforço do contribuinte e voltado estritamente ao cumprimento de seu objeto social. Em contrarazões (fls. 429/454) a recorrida cita decisão desta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, relatora a Conselheira Maria Teresa, em que, por maioria, afastouse a tributação. Vale o registro de que, como fundamento de seu voto, a Conselheira relatora utilizou, à larga, obra do mesmo professor Ricardo Mariz. A conclusão da CSRF, então, foi a de que tal parcela se caracteriza como subvenção e não poderia ser tributada pela contribuição na vigência da restrição imposta pela decisão do STF. Igualmente importante ressaltar que o acórdão da CSRF citado foi prolatado depois (fevereiro de 2009) da data de ingresso do recurso da PFN. Não tem, por isso, aplicação o parágrafo 10 do art. 67 do Regimento. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS A divergência jurisprudencial foi adequadamente demonstrada e o recurso deve, por isso, ser admitido. A complexidade da definição da natureza jurídica da parcela objeto da autuação ressalta do fato que procurei demonstrar no relatório: tanto a PFN, recorrente, quando a recorrida valemse dos ensinamentos do mesmo consagrado doutrinador para chegar a conclusões diametralmente opostas quanto à tributação da parcela. A que veio a prevalecer nesta instância especial afirmaa subvenção e conclui que “como tal” receita não é. Ouso, no entanto, divergir dessa conclusão, valendome de considerações expendidas quando do julgamento de caso específico de subvenção. Ainda que ali se tratasse da COFINS, são elas inteiramente aplicáveis ao PIS na regência da Lei 9.718, pelo que peço licença para transcrevêlas: Quanto à segunda matéria, se refere ao correto enquadramento contábil das subvenções e, por decorrência, à incidência da Cofins. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 O primeiro registro do tema pode ser encontrado na norma legal que tratava dos lançamentos contábeis para efeito de exigência do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, antes da edição da Lei nº 6.404/76 (Lei das SA), ou seja, a Lei nº 4.506/64. Assim dispunha ela: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Mesmo tendo sido adaptada, pelo Decretolei nº 1.598/77, às disposições da lei das S.A., neste particular não sofreu alteração. Vale dizer que o segundo não revogou a norma anterior. Ele dispôs: Art. 38 Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de: I ágio na emissão de ações por preço superior ao valor nominal, ou a parte do preço de emissão de ações sem valor nominal destinadas à formação de reservas de capital; II valor da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; III prêmio na emissão de debêntures; IV lucro na venda de ações em tesouraria. § 1º O prejuízo na venda de ações em tesouraria não será dedutível na determinação do lucro real. § 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedida como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no artigo 36 e seus parágrafos; ou b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. Examinando o assunto, a Coordenação do Sistema de Tributação da SRF expediu o Parecer Normativo (PN CST) nº 112/78, que esclareceu os requisitos para que as subvenções recebidas possam ser tratadas como para investimento, permitindose o seu lançamento direto em conta de reserva de capital sem transitar pelo resultado do período. Assim, tomando como referência o PN CST nº 02/78, adotou o seguinte entendimento: 2.12 – Observase que a subvenção para investimento apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o” animus” de subvencionar para investimento. Impõe se, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. Mais adiante em seu item 2.14: Fl. 485DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13052.000159/200583 Acórdão n.º 9303001.712 CSRFT3 Fl. 3 5 ... As SUBVENÇÕES, em princípio, serão todas elas, computadas na determinação do lucro líquido: as subvenções para custeio ou operação, na qualidade de integrantes do resultado operacional; as subvenções para investimento, como parcelas do resultado não operacional. Resta ainda definir se essa inclusão das subvenções no resultado operacional, se de custeio, e nãooperacional, se para investimento, implica sua tributação pela COFINS, após a edição da Lei nº 9.718/98. É que entendem alguns que, mesmo integrando o resultado operacional, não se conformariam a um conceito de receitas, mais restritivo, que exigiria uma efetiva contraprestação em bens ou serviços por parte da recebedora dos recursos. Essa linha de raciocínio pretende estabelecer uma distinção entre acréscimo patrimonial, o gênero, e receitas, definindoas como espécie daquele, que incluiria ainda as recuperações de despesas, as subvenções e as doações. Podese encontrar na literatura contábil exemplo (embora aparentemente isolado) de tal definição, na seguinte conceituação 3 Receita é a expressão monetária, validada pelo mercado, do agregado de bens e serviços da entidade, em sentido amplo, em determinado período de tempo e que provoca um acréscimo concomitante no ativo e no patrimônio líquido, considerado separadamente da diminuição do ativo (ou do acréscimo do passivo) e do patrimônio líquido provocados pelo esforço em produzir tal receita. Entretanto, tal definição (ou, melhor dizendo, a interpretação que nela pretenda ver a possibilidade de excluir alguns tipos de acréscimo patrimonial) não encontra guarida nas normas técnicas de contabilidade emitidas pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), órgão legalmente habilitado a disciplinar o exercício da profissão. Com efeito, a Norma Técnica NBT 10, subitem 10.16, aprovada pela Resolução CFC nº 922, de 13 de dezembro de 2001 estabelece: 10.16.2 REGISTRO CONTÁBIL 10.16.2.1 As transferências a título de subvenção que correspondam ou não a uma contraprestação direta de bens ou serviços para a entidade transferidora, devem ser contabilizadas como receita na entidade recebedora dos recursos financeiros. 10.16.2.2 As transferências a título de contribuição, mesmo que não correspondam a uma contraprestação direta de bens ou serviços para a entidade transferidora, devem ser contabilizadas como receita na entidade recebedora dos recursos financeiros. 10.16.2.3 Os auxílios ou contribuições para despesas de capital devem ser contabilizados diretamente em conta específica de Reserva de Capital, no Patrimônio Líquido. De igual modo, os auxílios ou contribuições devem ser contabilizados em conta específica, _________________ 3 IUDÍCIBUS, Sérgio de. Teoria da Contabilidade. 2ª ed. São Paulo: Atlas, 1986. p.127 designativa da operação, no Patrimônio Social das entidades que se sujeitam às normas contábeis mencionadas no item 10.16.1.4. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 10.16.2.4 As doações financeiras para custeio devem ser contabilizadas em contas específicas de receita. As doações para investimentos e imobilizações, que são consideradas patrimoniais, inclusive as arrecadadas na constituição da entidade, devem ser contabilizadas no Patrimônio Líquido ou Social, conforme seja o caso específico da pessoa jurídica beneficiária da transferência. Essa determinação do órgão responsável pelo disciplinamento do exercício da contabilidade no nosso País, ratifica, como não poderia deixar de ser, o que já vem expresso na norma legal específica do assunto, qual seja a Lei nº 6.404/76: Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada. § 1º Serão classificadas como reservas de capital as contas que registrarem: a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor nominal e a parte do preço de emissão das ações sem valor nominal que ultrapassar a importância destinada à formação do capital social, inclusive nos casos de conversão em ações de debêntures ou partes beneficiárias; b) o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; c) o prêmio recebido na emissão de debêntures; d) as doações e as subvenções para investimento. § 2° Será ainda registrado como reserva de capital o resultado da correção monetária do capital realizado, enquanto nãocapitalizado. § 3° Serão classificadas como reservas de reavaliação as contrapartidas de aumentos de valor atribuídos a elementos do ativo em virtude de novas avaliações com base em laudo nos termos do artigo 8º, aprovado pela assembléiageral. § 4º Serão classificados como reservas de lucros as contas constituídas pela apropriação de lucros da companhia. § 5º As ações em tesouraria deverão ser destacadas no balanço como dedução da conta do patrimônio líquido que registrar a origem dos recursos aplicados na sua aquisição. Guarda, além disso, e igualmente como não poderia deixar de ser, inteira coerência com as resoluções do mesmo Conselho que definem e explicam os princípios de contabilidade geralmente aceitos. São elas a Resolução CFC nº 750, de 29 de dezembro de 1993, que diz SEÇÃO VI O PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA Art. 9º As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. § 1º O Princípio da COMPETÊNCIA determina quando as alterações no ativo ou no passivo resultam em aumento ou diminuição no patrimônio líquido, estabelecendo diretrizes para classificação das mutações patrimoniais, resultantes da observância do Princípio da OPORTUNIDADE. § 2º O reconhecimento simultâneo das receitas e despesas, quando correlatas, é conseqüência natural do respeito ao período em que ocorrer sua geração. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13052.000159/200583 Acórdão n.º 9303001.712 CSRFT3 Fl. 4 7 § 3º As receitas consideramse realizadas: I – nas transações com terceiros, quando estes efetuarem o pagamento ou assumirem compromisso firme de efetiválo, quer pela investidura na propriedade de bens anteriormente pertencentes à ENTIDADE, quer pela fruição de serviços por esta prestados; II – quando da extinção, parcial ou total, de um passivo, qualquer que seja o motivo, sem o desaparecimento concomitante de um ativo de valor igual ou maior; III – pela geração natural de novos ativos independentemente da intervenção de terceiros; IV – no recebimento efetivo de doações e subvenções. e a de nº 774, de 16 de dezembro de 1994 (DOU de 18.01.1995) que, aprofundando a anterior, menciona: 1.4 Dos objetivos da Contabilidade O objetivo científico da Contabilidade manifestase na correta apresentação do Patrimônio e na apreensão e análise das causas das suas mutações. Já sob ótica pragmática, a aplicação da Contabilidade a uma Entidade particularizada, busca prover os usuários com informações sobre aspectos de natureza econômica, financeira e física do Patrimônio da Entidade e suas mutações, o que compreende registros, demonstrações, análises, diagnósticos e prognósticos, expressos sob a forma de relatos, pareceres, tabelas, planilhas e outros meios. O tema, tão claro no quadrante científico, comporta comentários mais minuciosos quando direcionado aos objetivos concretos perseguidos na aplicação da Contabilidade a uma Entidade em particular. Adentramos, no caso, o terreno operacional, regulado pelas normas. Assim, ouvese com freqüência dizer que um dos objetivos da Contabilidade é o acompanhamento da evolução econômica e financeira de uma Entidade. No caso, o adjetivo “econômico” é empregado para designar o processo de formação de resultado, isto é, as mutações quantitativoqualitativas do patrimônio, as que alteram o valor do Patrimônio Líquido, para mais ou para menos, correntemente conhecidas como “receitas” e “despesas”. Já os aspectos qualificados como “financeiros” concernem, em última instância, aos fluxos de caixa. E mais adiante: 2.6.1 As variações patrimoniais e o Princípio da Competência A compreensão do cerne do Princípio da COMPETÊNCIA está diretamente ligada ao entendimento das variações patrimoniais e sua natureza. Nestas encontramos duas grandes classes: a daquelas que somente modificam a qualidade ou a natureza dos componentes patrimoniais, sem repercutirem no montante do Patrimônio Líquido, e a das que o modificam. As primeiras são denominadas de “qualitativas”, ou “permutativas”, enquanto as segundas são chamadas de “quantitativas”, ou “modificativas”. Cumpre salientar que estas últimas sempre implicam a existência de alterações qualitativas no patrimônio, a fim de que permaneça inalterado o equilíbrio patrimonial. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 A COMPETÊNCIA é o Princípio que estabelece quando um determinado componente deixa de integrar o patrimônio, para transformarse em elemento modificador do Patrimônio Líquido. Da confrontação entre o valor final dos aumentos do Patrimônio Líquido – usualmente denominados “receitas” – e das suas diminuições – normalmente chamadas de “despesas” –, emerge o conceito de “resultado do período”: positivo, se as receitas forem maiores do que as despesas; ou negativo, quando ocorrer o contrário. Observase que o Princípio da Competência não está relacionado com recebimentos ou pagamentos, mas com o reconhecimento das receitas geradas e das despesas incorridas no período. Mesmo com desvinculação temporal das receitas e despesas, respectivamente do recebimento e do desembolso, a longo prazo ocorre a equalização entre os valores do resultado contábil e o fluxo de caixa derivado das receitas e despesas, em razão dos princípios referentes à avaliação dos componentes patrimoniais. Quando existem receitas e despesas pertencentes a um exercício anterior, que nele deixarem de ser consideradas por qualquer razão, os competentes ajustes devem ser realizados no exercício em que se evidenciou a omissão. Por tudo quanto exposto, não parece haver dúvida de que, sendo as subvenções para custeio, RECEITAS integrantes do subgrupo dos Resultados Operacionais, estão englobadas no conjunto de elementos contábeis sujeitos à tributação pela COFINS após o advento da Lei nº 9.718/98. Diante do que está dito, é de se concluir que mesmo que se entenda que o crédito presumido deva ser visto como uma subvenção estatal aos exportadores, não deixa, só por isso, de ser contabilmente enquadrado como receita. Seria necessário que tal subvenção pudesse se enquadrar como “subvenção para investimento”, nos termos acima expostos, o que só muita imaginação pode conceber... Por outro lado, as transcrições da Lei 6.404 e 4.506 deixam claro, ainda, que o mesmo se dá caso seja ele considerado “recuperação de custos ou de despesas”, dado que ambas integram a receita bruta operacional. Inescapável, por isso, a conclusão: o crédito presumido do IPI instituído pela Lei 9.363 é receita e teria de ser incluído na base de cálculo do PIS se mantida a vigência plena da Lei 9.718, isto é, se a sua base de cálculo fosse mesmo a “totalidade das receitas auferidas”. Ocorre que, como é sabido por todos, aquela vigência plena foi obstada pelo e. STF. Com efeito, no julgamento dos recursos extraordinários nº 346.084 e nº 357.950, a Corte Maior, em sua composição plena, deu o entendimento de que o faturamento a que se refere aquela lei não pode ser confundido com a totalidade das receitas auferidas, como pretendia o inconstitucional parágrafo. Para as empresas comerciais e de prestação de serviços, as decisões não deixam dúvida de que o primeiro restringese ao somatório das receitas provenientes da venda de bens ou da prestação de serviços, que corresponde ao resultado das atividades empresariais típicas de tais entidades. Não remanescem dúvidas, por conseguinte, de que até o período de apuração novembro de 2002 não se incluem no faturamento, base de cálculo do PIS segundo o caput do art. 3º da Lei nº 9.718/98, receitas que extrapolem o restritivo conceito de faturamento acima destacado. Esse é, sem sombra de dúvidas, o caso do reconhecimento contábil do direito ao Fl. 489DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13052.000159/200583 Acórdão n.º 9303001.712 CSRFT3 Fl. 5 9 benefício fiscal instituído pela Lei nº 9.363/96, o qual, ainda que deva ser registrado como receita, não integra o faturamento da empresa. Ao lado disso, a Portaria MF 256/2008, que criou o CARF, trouxe autorização aos seus conselheiros para afastar a aplicação de lei já declarada inconstitucional pelo Plenário do STF. Refirome, como é bem sabido, ao seu art. 62, § 2º, inciso I. Após a sua edição, essa norma ganhou status regulamentar, ao ser inserida no Decreto 70.235/72 (art. 26 A, introduzido pelo art. 25 da Lei 11.941/2009). Destarte, é o meu voto no sentido de que o crédito presumido de IPI instituído pela Lei 9.363 somente pode ser tributado pela contribuição em tela se e quando sua base de cálculo for a “totalidade das receitas auferidas”. Tendo a autuação englobado períodos de apuração em que vigia a Lei 9.718, para eles, e apenas para eles, a exigência não pode prosperar, resultando acertada a decisão que a douta PFN procura combater. Já no que concerne aos períodos de apuração iniciados em dezembro de 2002, entendo merecer acolhida a contestação fazendária dado que a Lei 10.637/2002 voltou a considerar tributável a totalidade das receitas auferidas e não há decisão judicial aplicável ao contribuinte que considere isso igualmente inconstitucional. Com essas considerações, voto por dar parcial provimento ao recurso da Fazenda Nacional para restabelecer a tributação relativamente aos períodos de apuração compreendidos entre dezembro de 2002 (inclusive) e janeiro de 2004. É como voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 490DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10380.005040/2007-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
PAGAMENTO DE VERBA A TÍTULO DE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. DISTRIBUIÇÃO DESPROPORCIONAL À PARTICIPAÇÃO DO SÓCIO NO CAPITAL SOCIAL. NATUREZA JURÍDICA DIVERSA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Malgrado terem sido denominadas Juros Sobre Capital Próprio, as verbas, que foram pagas em desproporção a participação de cada sócio no capital social da empresa, possuem natureza jurídica diversa, sendo suscetíveis de incidência de contribuições previdenciárias, quando o beneficiário seja pessoa física com atuação na administração da empresa.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
CONVENÇÕES PARTICULARES. OPOSIÇÃO À FAZENDA PÚBLICA.
INADMISSIBILIDADE.
Salvo disposição em contrário, não tem validade as convenções particulares firmadas para afastar o pagamento de tributos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.151
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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DISTRIBUIÇÃO DESPROPORCIONAL À PARTICIPAÇÃO DO SÓCIO NO CAPITAL SOCIAL. NATUREZA JURÍDICA DIVERSA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Malgrado terem sido denominadas Juros Sobre Capital Próprio, as verbas, que foram pagas em desproporção a participação de cada sócio no capital social da empresa, possuem natureza jurídica diversa, sendo suscetíveis de incidência de contribuições previdenciárias, quando o beneficiário seja pessoa física com atuação na administração da empresa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 CONVENÇÕES PARTICULARES. OPOSIÇÃO À FAZENDA PÚBLICA. INADMISSIBILIDADE. Salvo disposição em contrário, não tem validade as convenções particulares firmadas para afastar o pagamento de tributos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 291DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 292DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10380.005040/200759 Acórdão n.º 240102.151 S2C4T1 Fl. 287 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa acima identificada contra decisão da Delegacia de Julgamento em Fortaleza (CE), fls. 218/223, a qual declarou procedente o crédito consignado na NFLD n.º 35.785.5043. O crédito em questão engloba a contribuição da empresa incidente sobre a remuneração paga a contribuintes individuais. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 153/157, os fatos geradores presentes no lançamento foram os pagamentos, na competência 12/2002, de Juros Sobre Capital Próprio JSCP em atropelo à legislação aplicável. Afirma a Auditoria que o pagamento dos “juros” se deu sem respeitar a proporcionalidade da participação de cada sócio no capital social. Afirmase que a composição societária da empresa notificada tinha, na época da distribuição dos JSCP, a seguinte configuração: PRL Participações e Empreendimentos S/A 99,97%; Vicente de Paula Rego de Lima 0,01%; Paulo de Tarso Régo de Lima 0,01%; Pedro Alcântara Rego de Lima 0,01%. A despeito disso, afirma o Fisco, a empresa efetuou o creditamento dos JSCP na seguinte proporção: PRL Participações e Empreendimentos S/A R$ 1.000.00: Vicente de Paula Rêgo de Lima R$ 443.000,00;Paulo de Tarso Rêgo de Lima RS 443.000,00; Pedro Alcântara Rêgo de Lima R$ 443.000,00; No recurso apresentado, fls. 233/240, a empresa alega, em síntese, que: a) a contribuição patronal prevista na alínea "a" do inciso I do art. 195 da Constituição Federal e no inciso III do art 22 da Lei n.° 8.212/1991 somente pode incidir sobre pagamento que configure contraprestação por um trabalho executado; b) prólabore e dividendos são conceitos distintos, não cabendo ao legislador ou aplicador da lei confundilos para efeito de exigência fiscal; c) apresenta texto doutrinário que traz a conclusão de que os juros sobre o capital próprio não visam à remuneração do investimento no capital social da empresa, mas à distribuição do resultado da atividade econômica, ou seja, o lucro, não podendo integrar a base de cálculo, nem das contribuições que incidem sobre a receita bruta, tampouco daquelas incidentes sobre folha de salário ou remuneração; d) o caput do art. 9.° da Lei n.° 9.249/1995, ao dispor que a empresa poderá deduzir na apuração do lucro real os valores repassados aos sócios a titulo JSCP, não deixa dúvidas que essa rubrica não tem relação com rendimento do trabalho, mas consiste em remuneração vinculada ao capital investido; e) quando o § 10 do mesmo dispositivo prevê que o valor da referida parcela deve ser adicionada ao lucro liquido para determinação da base de cálculo da Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido CSLL, afasta a incidência da contribuição prevista no art. 22, Fl. 293DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 III, da Lei n.° 8.212/1991, haja vista que o lucro liquido já é base para financiamento da Seguridade Social, por meio da CSSL; f) ao contrário do que afirma a DRJ, o Código Civil, seja o revogado ou o atual, permite a distribuição de lucros de forma desproporcional A. participação de cada sócio no capital social; g) houve deliberação societária, conforme ata de reunião de sócios cotistas realizada em 31/12/2002, de que não haveria obediência proporcionalidade do capital social para atribuição de parcela relativa A. distribuição de JSCP, deliberação que foi referendada a posteriori; h) colaciona decisão proferida pelo Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda que corrobora a sua tese de que não há legislação que vede a distribuição da parcela em questão de forma desproporcional a participação de cada sócio no capital social. Ao final, pede a reforma da decisão da DRJ de maneira que seja reconhecida a insubsistência do lançamento. A 1.ª Turma Ordinária da 4.ª Câmara da 2.ª Seção do CARF resolveu converter o julgamento em diligência para que a Autoridade Notificante se pronunciasse sobre suposta duplicidade de cobrança do presente crédito com a NFLD de n.º 35.785.4047, a qual foi lançada contra a mesma empresa, para a mesma competência e tratando dos mesmos fatos geradores. Em resposta à diligência requerida, a Delegacia da RFB em Fortaleza, assim se pronunciou: 2. Informamos que não há bis in idem. 0 processo relativo ao DEBCAD 35.785.5043 tem por fato gerador o pagamento de juros sobre o capital próprio em desacordo com a legislação aplicável realizado pela empresa Santa Clara Indústria e Comercio de Alimentos Ltda, CNPJ 63.310.411/000101, consoante destacaram os Auditores no Relatório Fiscal, fls. 153 a 157; enquanto que o fato gerador do processo relativo ao DEBCAD 35.969.4047 é o pagamento de juros sobre o capital próprio em desacordo com a legislação aplicável realizado pela empresa SC Indústria e Comercio Ltda, CNPJ 02.643.206/0001 65, consoante Relatório Fiscal fls. 151 a 156, cuja responsabilidade foi imputada Santa Clara Indústria e Comercio de Alimentos Ltda, em razão de incorporação havida em 31/08/2003. Dessa informação prestada pelo Fisco foi dada ciência a empresa notificada, contra a qual foram apresentados os mesmos argumentos presentes no recurso, ver fls. 258/265. É o relatório. Fl. 294DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10380.005040/200759 Acórdão n.º 240102.151 S2C4T1 Fl. 288 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Da natureza jurídica dos juros sobre capital próprio O Fisco descaracterizou os pagamentos efetuados a título JSCP em razão da verba haver sido distribuída aos sócios sem respeitar a proporcionalidade da participação dos mesmos no capital social. Portanto, para a solução da presente lide, esse órgão de julgamento terá que dizer se tal procedimento efetivamente transmuda a natureza jurídica da verba paga a título JSCP em remuneração pelo trabalho. Considerandose que o motivo tomado pela auditoria para considerar os JSCP como remuneração decorreu de seu pagamento sem respeitar a participação de cada sócio no capital da empresa, a pesquisa sobre a natureza jurídica da verba ganha relevo, uma vez que caso se conclua que a verba corresponde a dividendo não haveria tributação, haja vista que o Código Civil1 permite a distribuição de resultados das empresas em proporção diferente daquela verificada na composição do capital social. Todavia, caso se considere que os JSCP como despesa financeira da entidade empresarial e receita para o beneficiário, o seu pagamento obrigatoriamente teria que se dar na proporção direta da participação de cada sócio. Os JSCP foram introduzidos na Legislação Brasileira pela Lei n. 9.249/1996, como forma alternativa de remuneração pelo capital investido, os quais poderiam ser deduzidos como custo ou despesa operacional para fins de apuração do lucro real. Eis os termos do normativo citado: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. §1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual 1 Art. 1007. Salvo estipulação em contrário, o sócio participa dos lucros e das perdas, na proporção das respectivas quotas, mas aquele, cuja contribuição consiste em serviços, somente participa dos lucros na proporção da média do valor das quotas. Fl. 295DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados.(Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. (...) Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. À empresa, então, caberia verificar qual a forma de pagamento seria mais vantajosa do ponto de vista de economia tributária, pagar dividendos aos sócios sem incidência de imposto de renda, ou remunerálos mediante os JSCP, dedutíveis como despesas operacionais para fins de apuração do lucro real. Vejo que os JSCP, ao contrário do que afirma a recorrente, diferenciamse dos dividendos, posto que, embora ambos sejam rendimentos do capital, o tratamento fiscal é diversos em relação aos dois tipos de distribuição dos resultados. Os JSCP são considerados despesas financeiras para a empresa e receitas para o beneficiário, que tem como teto para fins de cálculo a variação da TJLP. O seu pagamento decorre da compensação aos sócios/acionistas pela decisão de optar por aplicar os seus recursos na empresa. Como bem se afirmou na decisão recorrida, esse entendimento é corroborado pela Administração Tributária, que, ao tratar do tema na Instrução Normativa n.º 11/1996, dá aos JSCP o tratamento contábil de despesa financeira, nos seguintes termos: Art.. 30. O valor dos juros pago, ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei n" 6.404. de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo da incidência do imposto de renda na fonte. Parágrafo único. Para efeito de dedutibilidade na determinação do lucro real, os juros pagos ou creditados, ainda que imputados aos dividendos ou quando exercida a opção de que traía o § 1 do artigo anterior, deverão ser registrados em contrapartida de despesas financeiras. De fato, não há como se acolher a tese de que alguém aplique na empresa um determinado capital e receba juros em valor superior a outro que investiu um montante maior. Da possibilidade de distribuição dos juros sobre capital próprio em desproporção ao capital social Partindose, assim, da premissa de que os JSCP são despesas financeiras para entidade, decorrentes de retribuição pelos aportes realizados pelos sócios/acionistas, não se justifica que a sua distribuição não obedeça a proporção existente no seu capital social. Fl. 296DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10380.005040/200759 Acórdão n.º 240102.151 S2C4T1 Fl. 289 7 Não há de se considerar o argumento de que haveria deliberação da sociedade prevendo a distribuição dos JSCP em percentual diverso da participação dos sócios no capital social, haja vista que, embora seja prevista pelo Código Civil a possibilidade de participação dos sócios nos lucros sem respeitar a proporcionalidade presente na composição das quotas, no caso em tela cuidase de pagamento de parcela de natureza jurídica diversa. Nesse sentido, a deliberação adotada não tem poder de contrariar a legislação tributária, nos termos do art. 123 do CTN2. Assim, há de se concluir que, embora o sujeito passivo tenha adotado a denominação de Juros Sobre Capital Próprio – JSCP para a verba em destaque, a mesma possui outra natureza jurídica de remuneração uma vez que paga a administradores da empresa sem que se considerasse a participação de cada um no capital social. Da incidência de contribuição sobre a parcela Não há dúvida que nos termos do inciso III do art. 22 da Lei n. 8.212/19913 a contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos aos segurados contribuintes individuais, categoria da qual faz parte os sócios, como veremos, somente pode alcançar os valores decorrentes do trabalho prestado ao sujeito passivo, não sendo legítima a exação sobre valores decorrentes do retorno do capital investido. Portanto, tendo a empresa efetuado pagamento dos JSCP aos sócios Vicente de Paula Rêgo de Lima, Paulo de Tarso Rêgo de Lima e Pedro Alcântara Rêgo de Lima em percentual que extrapola a sua participação societária, o excesso deve ser considerado remuneração para fins de incidência de contribuição social, haja vista que os mesmos participavam da gestão da empresa e a distribuição da verba se deu de forma contrária ao que prescreve a legislação. Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (...) f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem 2 Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes 3 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (...) Fl. 297DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; (...) Nesse sentido, considerando a existência de trabalho prestados por essas pessoas físicas na gestão da empresa, o que se verifica ainda hoje da cláusula 7.ª do Contrato Social acostado, fl. 206, há de se concluir que os valores pagos de JSCP que excederam o que lhes seria devido pela participação de cada um no capital social, deve ser considerado salário decontribuição. Conclusão De todo o exposto, voto por conhecer do recurso, para lhe negar provimento. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 298DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10909.002501/2009-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2008
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.
A multa por atraso na entrega de DCTF é devida quando a data da entrega ultrapassa o prazo definido na legislação e o contribuinte não comprova estar desobrigado da entrega.
Numero da decisão: 1202-000.635
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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Recorrente BONET MADEIRAS E PAPEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2008 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A multa por atraso na entrega de DCTF é devida quando a data da entrega ultrapassa o prazo definido na legislação e o contribuinte não comprova estar desobrigado da entrega. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Viviane Vidal Wagner. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 05/01/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10909.002501/200905 Acórdão n.º 1202000.635 S1C2T2 Fl. 92 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face de decisão de primeira instância que manteve o lançamento de multa por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, no valor de R$ 9.112,24, referente ao mês de fevereiro de 2007, cujo prazo fatal para a entrega ocorreu em 09/04/2007, tendo se dado a entrega efetiva apenas em 11/04/2007. O auto de infração (fl. 37) apontou como enquadramento legal: arts. 155 e 160 da Lei nº 5172/66; art. 1º da Lei nº 9249/95; art 7º, inciso II e §3º, inciso II da Lei nº 10.426/02 e alterações posteriores. Em sua impugnação, o contribuinte apresentou as seguintes razões para desconstituir o auto de infração: (i) cerceamento do direito de defesa por falta de acesso aos documentos de cobrança; (ii) vício de intimação, por falta de ciência pessoal de seu representante legal; (iii) excesso ilegal e inconstitucional do valor da multa imposta, a qual deve ser reduzida diante da previsão do art. 7º, §§2º e 3º, da Lei nº 10.426/2002, em interpretação mais favorável ao contribuinte; (iv) utilização da taxa de juros Selic na cobrança do débito. A DRJ/Curitiba julgou procedente o lançamento pelos fundamentos a seguir resumidos: afastou as preliminares de nulidade por cerceamento do direito de defesa e de invalidade da intimação via postal não pessoal, citando, inclusive, a Súmula CARF nº 9; no mérito, considerou que a penalidade corresponde exatamente àquela determinada pela legislação aplicável; não se manifestou sobre os juros Selic, uma vez que o auto de infração não se refere ao tema; não apreciou a alegação de inconstitucionalidade da multa em face da limitação da competência do julgador administrativo, citando o Parecer Normativo CST n° 329 de 1970 e art. 4º do Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997. Cientificado da decisão de primeira instância em 03/05/2011 (AR de fl. 51), o contribuinte apresentou, em 02/06/2011, recurso voluntário em que reforça as mesmas razões da impugnação, em especial quanto ao cerceamento do direito de defesa. Alega, ainda, ter havido denúncia espontânea, na forma do art. 138 do CTN, e que a exigência da entrega de DCTF pelo contribuinte, por parte do Fisco, viola o princípio da legalidade. Sobre os juros Selic aduz que (i) não teve acesso ao auto de infração, (ii) no demonstrativo de débito, anexado Fl. 92DF CARF MF Impresso em 05/01/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10909.002501/200905 Acórdão n.º 1202000.635 S1C2T2 Fl. 93 3 à intimaçao do Acórdão ora recorrido, consta expressamente: "o pagamento deverá ser efetuado com os acréscimos legais cabíveis" e (iii) a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) decidiu que é ilegal a incidência de juros sobre as multas de ofício aplicadas em autuações lavradas pela Receita Federal. Sustenta que não pode prevalecer o entendimento da legalidade da exigência da taxa SELIC como juros moratórios sobre os valores exigidos, devendo ser excluído do cálculo o excedente a 1% (um por cento) ao mês. Tratandose de autos de infração de multa por atraso na entrega de DCTF do mesmo ano calendário de 2004 e tendo sido utilizados os mesmos argumentos de defesa e as mesmas razões de decidir pelo colegiado a quo, serão apreciados conjuntamente os processos nºs 10909.002498/200911 (janeiro/2004), 10909.002501/200905 (fevereiro/2004) e 10909.002502/200941 (abril/2004), nos termos do art. 58, §8º, do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 05/01/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10909.002501/200905 Acórdão n.º 1202000.635 S1C2T2 Fl. 94 4 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Presentes os pressupostos recursais, inclusive o temporal, o recurso deve ser conhecido. Preliminarmente, a alegação de nulidade do lançamento por cerceamento de direito de defesa em razão da falta de acesso aos autos deve ser afastada pelo simples motivo de que a autuação decorre do cumprimento extemporâneo de obrigação acessória prevista na legislação. Não houve procedimento prévio de fiscalização nem foram carreados aos autos quaisquer elementos de prova de conduta irregular. A infração objeto de autuação é objetiva e de apuração sistemática, a partir da constatação, pelos sistemas eletrônicos da RFB, da entrega de declaração de forma extemporânea. Em outras palavras, a multa lançada foi calculada automaticamente sobre valores declarados pelo próprio contribuinte, na forma da legislação. Assim, a falta de acesso aos autos, se houve, não causou qualquer prejuízo à defesa. Outra nulidade apontada decorre da falta de ciência pessoal do responsável legal, o que teria viciado a intimação. Nesse passo, o processo administrativo tributário é regido pelo Decreto nº 70.235/72, que dispõe expressamente sobre as formas de intimação, in verbis: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997) ......................................................................................................... [destaquei] Como inexiste ordem de preferência entre as formas previstas na legislação, tendo sido o contribuinte intimado por via postal, conforme atesta o Aviso de Recebimento – AR juntado à fl. 38 dos autos, que contém o número de rastreamento indicado no cabeçalho do auto de infração (fl.37), não há qualquer irregularidade a ser reconhecida. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 05/01/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10909.002501/200905 Acórdão n.º 1202000.635 S1C2T2 Fl. 95 5 O tema é pacífico no âmbito do CARF, eis que editada a Súmula CARF nº 9, com o seguinte teor: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Em suas razões meritórias, o contribuinte traz argumentos de cunho finalístico e não questiona a entrega extemporânea da DCTF. A legislação é absolutamente clara quanto à penalidade em razão do descumprimento de obrigação acessória. Com lastro no art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, as multas pelo atraso na entrega da DCTF são calculadas proporcionalmente à quantidade de meses ou fração de mês de atraso, contados entre o dia seguinte ao término do prazo para entrega da declaração e o dia da efetiva entrega. O prazo fatal para a apresentação da DCTF referente a cada período encontrase previsto na legislação infralegal editada pela Secretaria da Receita Federal, sob delegação de competência do legislador ordinário. Após o prazo definido na legislação, para cada mês ou fração de atraso, deverá incidir a multa no percentual de 2% (dois por cento) calculado sobre o montante dos tributos e contribuições informados em DCTF, limitada a 20% (vinte por cento) desse montante. A multa é reduzida em 50% (cinquenta por cento) quando a DCTF é apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, como se deu no presente caso. O cálculo da multa objeto do recurso sob análise está expresso no auto de infração (fl.37), de maneira cristalina: 2% x 1 x 491.821,55 = R$ 9.836,43 x 50% = 4.918,21, onde o montante de R$ 491.821,55 corresponde ao total de tributos e contribuições informados pelo contribuinte em DCTF. Nesse sentido, não resta dúvida de que a autuação ora contestada apresentase formalmente exata, consoante os ditames legais, inclusive com a redução de 50% do seu montante. Por se tratar de obrigação acessória, a entrega da DCTF, ainda que anterior a qualquer procedimento fiscalizatório, não atrai a incidência do art. 138 do CTN, como vem reiteradamente decidindo as turmas do CARF. A pacificação da jurisprudência nesse sentido deu ensejo, em dezembro de 2010, à edição da Súmula CARF nº 49, que reza que “a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Cabe referir, ainda, que a discussão sobre a inconstitucionalidade ou ilegalidade da multa aplicada foge à alçada deste tribunal administrativo, especialmente a partir da publicação da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 05/01/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10909.002501/200905 Acórdão n.º 1202000.635 S1C2T2 Fl. 96 6 Por fim, no âmbito do CARF, temse admitido a discussão sobre a taxa de juros incidente sobre o crédito tributário quando o contribuinte traz o questionamento expresso no recurso voluntário, como é o caso. Ocorre que a cobrança de juros de mora à taxa Selic decorre de expressa previsão legal, incidindo sobre créditos tributários da União decorrentes de fatos geradores posteriores a 1º de abril de 1995, acumulados mensalmente a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento, e um por cento no mês do pagamento (art. 953 do RIR/99). A discussão encontrase esvaziada desde que o entendimento de que a taxa de juros Selic deve incidir sobre os débitos tributários administrados pela RFB foi pacificado com a edição da Súmula CARF n° 4, in verbis: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Isso posto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 96DF CARF MF Impresso em 05/01/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 36266.011903/2006-46
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000
RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE POSICIONAMENTO FAVORÁVEL À RECORRENTE NA POSIÇÃO DA MINORIA.
Não deve ser conhecido recurso por maioria quando a posição veiculada pela minoria vencida do acórdão recorrido não é favorável à recorrente ou esta nela não se apoia na formulação da pretensão recursal.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.652
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso.
Nome do relator: Gustavo Lian Hadad
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AUSENCIA DE POSICIONAMENTO FAVORÁVEL À RECORRENTE NA POSIÇÃO DA MINORIA. Não deve ser conhecido recurso por maioria quando a posição veiculada pela minoria vencida do acórdão recorrido não é favorável à recorrente ou esta nela não se apóia na formulação da pretensão recursal. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Otacilio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/08/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 EDITADO EM: 04/08/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório Em face de Creações Danello Ltda foi lavrado o auto de infração de fls. 01/06, objetivando a constituição de crédito decorrente da aplicação de multa por haver a contribuinte, estando em débito com a Seguridade Social, atribuído participação nos lucros a sócios, em alegada infração ao disposto no art. 52, Inciso II da Lei 8212/91. A Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 20500.204, que se encontra às fls. 70/81 e cuja ementa é a seguinte: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração 01/07/1996 a 31/12/2005 Ementa: MPF. AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO E DAS AUTUAÇÕES. O Mandado de Procedimento Fiscal — MPF confere aos lançamentos e autuações legitimidade de que decorreram dos motivos e informações nele declarados. É também instrumento de controle da atividade de fiscalização. A ausência de MPF torna nulo todo o procedimento. Processo anulado.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por maioria de votos, anulou o Auto de Infração, vencidos o Relator e Conselheiro Manoel Coelho Arruda, que votaram pelo provimento do recurso no mérito, e o Conselheiro Marco André Ramos Vieira, que proferiu voto pela conversão do julgamento em diligência. Intimada pessoalmente do acórdão em 23/07/2008 (fls. 82) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 85/89, em que sustenta contrariedade à legislação em vigor na medida em que não haveria razão para ser declarada a nulidade do lançamento. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 203 79/2009 (fls. 92/95). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte apresentou as contrarazões de fls. 99/103. É o Relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/08/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 36266.011903/200646 Acórdão n.º 920201.652 CSRFT2 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O caso comporta peculiar análise quanto à admissibilidade do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. O inciso I do art. 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, previa expressamente a interposição de recurso especial na hipótese de decisão não unanime que contrariasse a lei ou a evidência da prova. No entendimento deste relator, a necessidade de que a decisão contrária a Fazenda Nacional não seja unânime pressuõe, necessariamente, a existência nos autos de uma tese favorável à Recorrente que restou vencida no julgamento efetuado pela Câmara a quo. Fazse necessária, assim, a existência de posição divergente consagrada em voto vencido cuja aplicação ao caso fundamentasse o interesse de agir da Fazenda Nacional enquanto recorrente. Ocorre que esta não é a situação dos autos. De fato, nenhum dos votos vencidos ventilou entendimento que, caso prevalecesse sobre os demais, levaria a uma reversão do resultado do julgamento em favor da Fazenda Nacional. Vejamos. Os votos vencidos do Relator e do Conselheiro Manoel Coelho de Arruda reconheceram o pleito do contribuinte quiça em maior extensão que a maioria vencedora, dando provimento ao recurso no mérito e não apenas quanto à nulidade do auto de infração. Claramente nele não pode se amparar a Fazenda Nacional para demonstrar o interesse de agir relacionado ao recurso. Por outro lado, em relação ao voto divergente do Conselheiro Marco André Ramos Vieira, que propugnava pela conversão do julgamento em diligência, a Fazenda não fez qualquer consideração no recurso especial, pelo que nele também não pode se apoiar por não ter demonstrado linha de raciocínio e razão de insurgência neste sentido. Logo não foram comprovados os pressupostos para o conhecimento do recurso, notadamente a existência de minoria vencida favorável à Fazenda Nacional. Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 3DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/08/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/08/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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