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Numero do processo: 19515.003685/2008-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
BENEFÍCIO DA ASSISTÊNCIA MÉDICA.
Para a isenção de contribuição sobre os valores relativos ao benefício da assistência médica, odontológica e afins, é necessário que a cobertura oferecida abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa.
SALÁRIO INDIRETO. Incidem contribuições previdenciárias sobre a
remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91.
Os pagamentos efetuados pela recorrente aos seus empregados para o custeio de ensino superior são verbas passíveis de incidência contributiva previdenciária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.710
Decisão: Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 BENEFÍCIO DA ASSISTÊNCIA MÉDICA. Para a isenção de contribuição sobre os valores relativos ao benefício da assistência médica, odontológica e afins, é necessário que a cobertura oferecida abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. SALÁRIO INDIRETO. Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração atribuída ao empregado em desacordo com as previsões de não incidência contidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. Os pagamentos efetuados pela recorrente aos seus empregados para o custeio de ensino superior são verbas passíveis de incidência contributiva previdenciária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 20/03/2012 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato Fl. 289DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.003685/200830 Acórdão n.º 230201.710 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata a presente notificação lavrada em 29/07/2008 e cientificada ao sujeito passivo em 04/08/2008, de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados a título de alimentação, assistência médica e auxílioeducação, no período de 01/2004 a 12/2004 e sobre a remuneração de duas seguradas que não foram incluídas em folha e GFIP na competência 12/2004. O relatório fiscal de fls. 41/45, traz que os valores foram pagos aos segurados em desconformidade com a legislação, já que a empresa não apresentou a inscrição no PAT, que a assistência médica não era extensiva a todos os dirigentes e funcionários e o auxílio educação se referia à subsídio para cursos superiores.. Após a impugnação, os autos baixaram em diligência, sendo que o fisco reconheceu que a empresa possuía o cadastramento válido no PAT, detalhando também os valores relativos a assistência médica, já que agora foram fornecidos os documentos para análise. A recorrente teve ciência do resultado da diligência, mas não se manifestou. Acórdão de fls. 236/244 julgou o lançamento procedente em parte para excluir os valores relativos à alimentação. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso arguindo em síntese: a) que as verbas não possuem natureza salarial; b) que o STJ entende que auxílioeducação não compõe o salário de contribuição; c) que oferece assistência médica para todos os empregados; d) que os valores dos salários das empregadas Thelma Arrebola e Elisandra da Silva Torres já foram declarados em GFIP e as contribuições pagas. Requer o provimento do recurso para tornar nulo e insubsistente o auto de infração lavrado, com o seu conseqüente cancelamento. É o relatório Fl. 290DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Referese o lançamento ao custeio de despesas com cursos de nível superior de alguns funcionários e assistência médica, eis que os valores relativos à alimentação já foram expurgados do lançamento uma vez que a recorrente comprovou sua inscrição no PAT. A questão de mérito reside no fato dos valores pagos para custear o ensino superior integrar ou não a remuneração dos segurados empregados da recorrente, assim como as despesas com plano de saúde.. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) A matéria de ordem tributária é de interesse público, por isso é a lei que determina as hipóteses em que valores pagos aos empregados não integram o salário de contribuição, ficando isentos da incidência de contribuições sociais. A retribuição em virtude de um contrato de trabalho está no campo de incidência de contribuições sociais, mas existem parcelas que, apesar de estarem no campo de incidência, não se sujeitam às contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 291DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.003685/200830 Acórdão n.º 230201.710 S2C3T2 Fl. 3 5 a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; Fl. 292DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)(grifei) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que Fl. 293DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.003685/200830 Acórdão n.º 230201.710 S2C3T2 Fl. 4 7 não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98)(grifei) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) É de se notar que a verba relativa ao ensino superior não está fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias, prevista no art. 28, § 9º, “t” da Lei n ° 8.212/1991, pois o que não integra o salário de contribuição é o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que assim dispõe: Art. 21. A educação escolar compõese de: I educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II educação superior. Como se pode depreender da análise do art. 21 acima transcrito, a educação superior não se confunde com a básica, pois se assim não o fosse, não haveria necessidade de o legislador fazer distinção entre educação básica e superior para fins de incidência de contribuição previdenciária. O fisco cuidou de anexar os comprovantes das despesas realizadas com educação, a saber, Faculdades Metropolitanas Unidas e UNIP – Sociedade Unificada Paulista, comprovando que os valores integram a base contributiva previdenciária. A interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário e, desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o Código Tributário Nacional em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Portanto, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Caso o legislador tivesse desejado excluir da incidência de contribuições previdenciárias a parcela referente ao plano de ensino superior teria feito remissão expressa na legislação previdenciária, o que não ocorreu. A Lei n ° 10.243/2001 alterou a CLT, mas não interferiu na legislação previdenciária, pois esta é específica. O art. 458 referese ao salário para efeitos trabalhistas, para incidência de contribuições previdenciárias há o conceito de saláriodecontribuição, com Fl. 294DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 definição própria e possuindo parcelas integrantes e não integrantes. As parcelas não integrantes estão elencadas exaustivamente no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, conforme já referido. Ademais a Constituição Federal, em seu art. 201, parágrafo 4º – hoje transformado no parágrafo 11º desse mesmo artigo pela Emenda Constitucional n.º 20, de 15 de dezembro de 1998 – determina, expressamente: Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. [sem grifos no original] De acordo com a disposição constitucional, "todos os ganhos habituais”, à qual a lei acrescenta “sob a forma de utilidades”, integram o saláriodecontribuição. Significa dizer que, além dos pagamentos diretos, abrange também os salários indiretos (utilidades ou salário in natura), não importando a forma ou título. O salário, para todos os efeitos legais, inclui alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. No caso em tela, o oferecimento de ensino superior aos funcionários é sem dúvida uma vantagem para estes, sem a qual para alcançála teriam que arcar com o respectivo ônus. É indubitável que a concessão do benefício amplia o patrimônio do trabalhador, já que o mesmo não despende dos valores para custear o seu ensino. Ao contrário do que afirma a recorrente, a verba paga a título de educação superior possui natureza remuneratória. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados empregados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho. Estando portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. Neste contexto, os pagamentos efetuados pela recorrente aos seus empregados relativos à assistência médica, também são verbas passíveis de incidência contributiva previdenciária, pois a assistência não é extensiva a todos os segurados, como expressa a legislação, sendo que apenas os administrativos e dirigentes usufruem do plano de saúde, cuja relação de beneficiários somente foi entregue quando da realização da diligência, o que também acarretou ajustes nos valores lançados. A assistência médica, portanto, para não integrar o salário de contribuição deve ser obrigatoriamente ofertada a todos aqueles que trabalham na empresa, inclusive seus próprios dirigentes. Do contrário, integrará o conceito de salário para fins da Lei n.º 8212/91.. Pelos elementos constantes do processo em questão, podese verificar que a notificada mantém contrato coletivo de plano de saúde com a empresa Amil, mas não comprovou que disponibiza para todos os segurados e dirigentes. Para fins da tributação previdenciária, há, genericamente, duas excludentes da caracterização do salárioutilidade: existir expressa previsão legal; e o fornecimento da utilidade ser necessário à própria execução do trabalho ("para o trabalho"), e não decorrer de um ganho pela mera qualidade de empregado ("pelo trabalho"). Fl. 295DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.003685/200830 Acórdão n.º 230201.710 S2C3T2 Fl. 5 9 No caso em questão, o plano de saúde ofertado a alguns segurados é nitidamente pelo trabalho, não se configurando como excludente do salário de contribuição. É também de se atentar que a norma isentiva é clara ao dizer que a assistência médica deve ser concedida a todos os funcionários para não integrar o conceito de salário, o que deve ser interpretado de forma literal (art. 111, II do CTN), pois “as regras de isenção não comportam interpretações ampliativas”. (Hugo de Brito Machado. Curso de Direito Tributário. 25 Ed. Pág. 226). Portanto, não se pode afirmar, no caso presente, que a assistência médica foi oferecida indistintamente a todos os segurados, eis que somente uma categoria de trabalhadores teve direito a assistência diferenciada. A previsão legal que isenta a assistência médica de contribuição previdenciária traz como base a isonomia no tratamento dos segurados, empregados e dirigentes, o que não foi obedecido no caso em tela. Por fim, entendo que a assistência médica ofertada aos gerentes da recorrente se configurou em parcela remuneratória, passível de incidência contributiva previdenciária porque a cobertura relativa ao mesmo não foi estendida a todos os demais empregados da notificada, revertendose num ganho salarial para os beneficiários. Cabe a empresa respeitar e adaptarse ao texto legal e não forçar sua interpretação de forma a adaptálo a sua realidade. Cumpre lembrar a obrigatória observância ao Princípio da Legalidade em respeito ao Princípio do Interesse Público. De fato a lei não limita expressamente a forma de concessão dos referidos benefícios, mas estipula claramente os requisitos para que esse benefícios não sejam tributados; a empresa é livre para decidir quanto a assistência médica a ser prestada, todavia, se pretende que os valores pagos por esses benefícios não sejam tributados deve cumprir os requisitos legalmente previstos para tal. Com efeito, a Lei nº 8.212/91 é clara e precisa ao colocar como requisito necessário à não incidência de contribuições sobre valores concedidos ao empregados a título de assistência médica a extensão desses benefícios, sem ressalvas, a todos os empregados e dirigentes da empresa. Quanto às seguradas não inclusas nas folhas de pagamento e GFIP da competência 12/2004, reitero que a recorrente não logrou comprovar que a situação foi sanada como tem dito, pois os documentos juntados pela recorrente se referem ao 13º salário de 2004, não guardando relação com a competência lançada. Por derradeiro, informo ao contribuinte que a GPS recolhida após o encerramento da ação fiscal e emissão da NFLD deve ser apropriada pelo setor competente na Receita Federal do Brasil. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Fl. 297DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 13005.002198/2008-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2003
IRPJ. AJUSTES NO LUCRO LÍQUIDO. VARIAÇÕES CAMBIAIS. COMPROVAÇÃO
Tendo ficado comprovado que a exigência referente à diferença de variação cambial ativa lançada foi corretamente adicionada ao lucro líquido do exercício, para fins de apuração do lucro real, mantém-se o cancelamento da autuação.
CSLL. VARIAÇÕES CAMBIAIS. AJUSTES A BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO
Tendo ficado comprovado que a exigência referente à diferença de variação cambial ativa lançada foi corretamente adicionada à base de cálculo da CSLL, mantém-se o cancelamento da autuação.
Numero da decisão: 1302-000.943
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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AJUSTES NO LUCRO LÍQUIDO. VARIAÇÕES CAMBIAIS. COMPROVAÇÃO Tendo ficado comprovado que a exigência referente à diferença de variação cambial ativa lançada foi corretamente adicionada ao lucro líquido do exercício, para fins de apuração do lucro real, mantémse o cancelamento da autuação. CSLL. VARIAÇÕES CAMBIAIS. AJUSTES A BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO Tendo ficado comprovado que a exigência referente à diferença de variação cambial ativa lançada foi corretamente adicionada à base de cálculo da CSLL, mantémse o cancelamento da autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello Presidente (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 363DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13005.002198/200823 Acórdão n.º 130200.943 S1C3T2 Fl. 331 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Eduardo de Andrade, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Paulo Roberto Cortez, Marcio Rodrigo Frizzo e Cristiane Silva Costa. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13005.002198/200823 Acórdão n.º 130200.943 S1C3T2 Fl. 332 3 Relatório ALLIANCE ONE BRASIL EXPORTADORA DE TABACOS LTDA., já qualificada nestes autos, foi autuada e intimada a recolher crédito tributário no valor total de R$ 17.228.485,54, discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, à fl. 01. Inconformada com o lançamento a interessada apresentou impugnação tempestiva, mediante a qual contesta os fundamentos da autuação que decorreria da falta de adição de variações cambiais ao lucro líquido e à base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Aduz em síntese que efetuou a adição dos valores lançados pela fiscalização nos campos próprios da DIPJ/2004, conforme descrito no relatório do acórdão recorrido, in verbis: 12. De fato, partindo da planilha elaborada pela Impugnante, a I. Autoridade Fiscal limitase a comparar o saldo de variações cambiais ativas informadas na Linha 09 da Ficha 09 A da DIPJ/2004 (R$ 9.368.647,89) com aquele constante da planilha da Impugnante (R$30.263.463,11), glosando a diferença entre tais valores (R$20.894.815,23). 13. Contudo, um exame acurado do LALUR e da DIPJ/2004 da Impugnante permite verificar a integralidade das adições efetuadas na DIPJ e a suficiência dos recolhimentos de IRPJ e CSLL efetuados no anocalendário de 2003, conforme se passa a demonstrar. II.2. Das adições realizadas pela Impugnante no anocalendário de 2003 14. Nos termos expostos pela própria I. Autoridade Fiscal, o LALUR da impugnante indica, a título de variação cambial ativa apurada no anocalendário de 2003, o montante de R$ 35.272.386,08 (doc. 02), refletido em sua escrituração contábil. 15. No mesmo Livro, também nos termos descritos pela I. Autoridade Fiscal, consta o lançamento de R$30.263.463,10, relativos à variação cambial ativa vinculada às operações liquidadas no anocalendário de 2003. 16. Tais valores são também identificados no Controle de Apuração da CSLL do anocalendário de 2003 (doc. 03). 17. Por ocasião do preenchimento da Linha 09 da Ficha 09 A da DIPJ/2004, foi informado o montante de R$ 9.368.647,89, tendo a diferença entre esse saldo e aquele constante no LALUR da Impugnante, qual seja, R$ 20.894.8153,51, sido adicionado na Linha 23 – “Outras Adições” – da própria Ficha 09 A. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13005.002198/200823 Acórdão n.º 130200.943 S1C3T2 Fl. 333 4 18. Com efeito, conforme se verifica da Linha 23 da DIPJ/2004, consta a adição de R$ 21.132.561,82, composta dos seguintes valores: Despesas de Viagem Linha 2.15 do LALUR R$ 233.538,51 (+) Outras Despesas Linha 2.17 do LALUR R$ 4.208,10 (+) Variação cambial ativa Linha 2.19 do LALUR R$ 20.894.815,21 = Total R$ 21.132.561,82 19. Por sua vez, a adição de R$ 20.894.815,51 equivale a: Saldo da Linha 2.19 do LALUR R$ 30.263.463,10 () Saldo informado na Linha 09 da Ficha 09 A da DIPJ/2004 R$ 9.368.647,89 Outras adições (Linha 23 da Ficha 09 A da DIPJ/2004) R$ 20.894.815,21 20. Com relação à CSLL, observase, igualmente, a adição de R$ 9.368.647,89 na Linha 09 da Ficha 17 da DIPJ/2004, tendo a diferença entre esse saldo e aquele constante do LALUR da Impugnante, qual seja, R$20.894.815,21, sido adicionada na Linha 18 – “Outras Adições” – da própria Ficha 17. 21. Com efeito, conforme se verifica da Linha 18 da DIPJ/2004, consta a adição de R$22.724.598,45, composta dos seguintes valores: Depreciação IPC/BTN Linha 2.1 do Controle CSLL R$ 52.254,00 (+) PIS em Juízo Linha 2.5 do Controle CSLL R$ 19.545,71 (+) Cofins em juízo Linha 2.6 do Controle CSLL 1.757.983,53 (+) Variação cambial ativa Linha 2.19 do Controle CSLL R$20.894.815,21 = Total R$ 22.724.598,45 22. A adição de R$ 20.894.815,21, por outro turno, equivale a: Saldo da Linha 2.19 do Controle de Apuração da CSLL R$ 30.263.463,10 () Saldo informado na Linha 09 da Ficha 17 da DIPJ/2004 R$ 9.368.647,89 Outras adições (Linha 18 da Ficha 17 da DIPJ/2004) R$ 20.894.815,21 23. Eliminando definitivamente quaisquer dúvidas que ainda pudessem eventualmente persistir, jamais se poderia falar em divergência entre a apuração do lucro real e da base de cálculo Fl. 366DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13005.002198/200823 Acórdão n.º 130200.943 S1C3T2 Fl. 334 5 da CSLL constante do LALUR/Controle de Apuração da CSLL e aquela informada na DIPJ/2004 na medida em que OS SALDOS DE IRPJ E CSLL A PAGAR APURADOS NA DIPJ/2004 SÃO IDÊNTICOS ÁQUELES INFORMADOS NO LALUR E NO CONTROLE DE APURAÇÃO DA CSLL! 24. Vejamos: IRPJ a pagar LALUR (Linhas 7 e 8) R$2.515.408,94 + R$1.652.939,29 IRPJ a pagar DIPJ (Linhas 01 e 02 da Ficha 12 A R$2.515.408,94 + R$1.652.939,29 CSLL a pagar Controle Apuração CSLL (Linha 7) R$1.513.655,79 CSLL a pagar DIPJ (Linha 38 da Ficha 17) R$1.513.655,79 25. Ora, como poderia haver qualquer diferença entre a apuração fiscal constante do LALUR/Controle de Apuração da CSLL e a DIPJ/2004 se os saldos de tributos a pagar constantes de ambos são IDÊNTICOS? 26. Tal coincidência é possível apenas e tão somente porque as adições e exclusões efetuadas no LALUR/Controle de Apuração da CSLL foram integralmente transportadas para a DIPJ, conforme se infere de todo acima exposto. Em face das alegações da interessada a DRJSanta Maria encaminhou o processo à DRF em Santa Cruz do Sul/RS (fls 276/277), para que fosse verificado se realmente a diferença das variações cambiais monetárias ativas, no valor de R$20.894.815,23 (valor tributável), que deixou de ser declarada na linha 09 da Ficha 09 A e na linha 09 da Ficha 17 da DIPJ do anocalendário de 2003 foi informada equivocadamente em “Outras Adições” na linha 23 da Ficha 09 A (IRPJ) e na linha 18 da Ficha 17 (CSLL). A Fiscalização, mediante a análise de documentos entregues pela interessada, concluiu (fl. 317) que “efetivamente a falta de variações cambiais ativas lançadas na DIPJ do exercício 2004 estava erroneamente incluída na linha 23 – Outras adições da Ficha 09 A da declaração, (e também na linha 18 da ficha 17 – Cálculo da CSLL) não tendo sido possível identificar no LALUR e na contabilidade da empresa outros valores que pudessem ser informada nesta linha.” A 1ªª Turma da DRJ em Santa Maria /RS. analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1811.610, de 26 de novembro de 2009 (fls. 319/325), considerou improcedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 VARIAÇÕES CAMBIAIS. AJUSTES NO LUCRO LÍQUIDO. COMPROVAÇÃO Fl. 367DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13005.002198/200823 Acórdão n.º 130200.943 S1C3T2 Fl. 335 6 Comprovado que a diferença de variação cambial ativa lançada foi adicionada ao lucro líquido do exercício, para fins de apuração do lucro real, cancelase a exigência correspondente. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2003 VARIAÇÕES CAMBIAIS. AJUSTES NO LUCRO LÍQUIDO. COMPROVAÇÃO Comprovado que a diferença de variação cambial ativa lançada foi adicionada ao lucro líquido do exercício, para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, cancelase a exigência correspondente. Impugnação procedente. Crédito tributário Exonerado Como a exoneração de crédito tributário superou o limite de alçada (R$ 1.000.000,00), a Turma Julgadora recorreu de ofício a este Colegiado, com base no art. 34 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/1997, e na Portaria MF nº 3/2008. É o Relatório. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13005.002198/200823 Acórdão n.º 130200.943 S1C3T2 Fl. 336 7 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, verificase que os valores correspondentes a tributo e multa exonerados em primeira instância, superam o limite fixado no art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008. . Portanto, o recurso de ofício tem cabimento, e dele conheço. Quanto ao mérito, verificase que a diligência solicitada pela DRJSanta Maria veio a corroborar os argumentos trazidos na impugnação pela interessada, restando demonstrado que, de fato, esta havia oferecido corretamente os valores objeto do lançamento à tributação em sua DIPJ/2004, impondose o cancelamento da exigência, como bem concluiu o acórdão recorrido, nestes termos: No caso dos autos, o Contribuinte argumenta que esse valor foi adicionado na DIPJ do anocalendário de 2003, na linha 23 da Ficha 17 – Outras adições (IRPJ), e na linha 18 da Ficha 17 (CSLL). Conforme Termo de Encerramento do Diligência de fl. 317, a Fiscalização, analisando documentos entregues sob intimação, concluiu que “efetivamente a falta de variações cambiais ativas lançadas na DIPJ do exercício 2004 estava erroneamente incluída na linha 23 – Outras adições da Ficha 09 A da declaração, (e também na linha 18 da ficha 17 – Cálculo da CSLL) não tendo sido possível identificar no LALUR e na contabilidade da empresa outros valores que pudessem ser informada nesta linha.” Assim, tendo em vista a informação constante no Termo de Encerramento de Diligência de fls. 317, e ainda, os documentos juntados ao processo relativo ao litígio, concluiuse que assiste razão ao Contribuinte. Quanto ao IRPJ, observase que no LALUR (fls. 266267) não consta o valor de R$21.132.561,82 que foi informado em “Outras adições”, linha 23 da Ficha 09 A da DIPJ (fl. 117). Diante desse fato e considerando que o lucro real apurado no LALUR e na DIPJ coincidem, concluiuse que a diferença lançada de variação cambial ativa, no valor de R$20.894.815,23, está incluída em “Outras Adições”, linha 23 da Ficha 09 A da DIPJ do anocalendário de 2003 (fl. 117). A mesma conclusão se aplica à CSLL, ou seja, que a diferença lançada está incluída em “Outras Adições”, linha 18 da Ficha 17 da DIPJ do anocalendário de 2003 (fl. 127). Diante do exposto, o valor de R$20.894.815,23, adicionado ao lucro líquido do anocalendário de 2003 (pela Fiscalização), para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, deve ser cancelado. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 369DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13005.002198/200823 Acórdão n.º 130200.943 S1C3T2 Fl. 337 8 Fl. 370DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 06 /08/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.015986/2008-75
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
Ementa:
MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL.
São isentos os rendimentos recebidos a título de aposentadoria ou pensão por portador de moléstia grave especificado no inciso XIV do artigo 6 da Lei nº. 7.713, de 1988, quando há reconhecimento da doença por laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-001.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM: 18/04/2013
Participaram Da Sessão De Julgamento Os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci De Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Eivanice Canario Da Silva (Suplente Convocada), Dayse Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas de Mello. Ausente momentaneamente o conselheiro Carlos Andre Ribas de Mello.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. São isentos os rendimentos recebidos a título de aposentadoria ou pensão por portador de moléstia grave especificado no inciso XIV do artigo 6 da Lei nº. 7.713, de 1988, quando há reconhecimento da doença por laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM: 18/04/2013 Participaram Da Sessão De Julgamento Os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci De Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 01 59 86 /2 00 8- 75 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Eivanice Canario Da Silva (Suplente Convocada), Dayse Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas de Mello. Ausente momentaneamente o conselheiro Carlos Andre Ribas de Mello. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF do exercício 2008, anocalendário 2007, em virtude de apuração de omissão de rendimentos do trabalho com vinculo empregatício, no valor de R$ 13.374,36, conforme enquadramento legal e descrição dos fatos à fl. 20. Em conseqüência da omissão, o imposto retido foi acrescido de R$ 140,82. Em sua impugnação o contribuinte alegou, consoante o relatório da decisão de primeira instância que é portador de Nefropatia Grave, sendo, portanto, beneficiário da isenção do imposto de renda sobre os proventos de aposentadoria. A Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília(DF), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n° 0332.877, de 26 de agosto de 2009, que se encontra às fls. 26/32, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido , Cientificado da decisão em 23/12/2009, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário em 22/01/2010, argüindo como preliminar o cancelamento da exigência face a apresentação de laudo médico oficial especificando a moléstia grave que é portador.Como fundamento transcreve ementas de acórdãos da DRJ Brasília É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Inicialmente devese ressaltar que a matéria arguida em preliminar, referese ao mérito adiante apreciado. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10120.015986/200875 Acórdão n.º 2802001.773 S2TE02 Fl. 60 3 A exigência fiscal em teve origem em revisão interna de Declaração de Ajuste Anual, na qual a autoridade lançadora entendeu ter havido omissão de rendimentos tributáveis, que o recorrente declarou como isentos. Conforme o inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, são isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria, reforma e pensão percebidos pelos portadores das moléstias, dentre elas a cardiopatia grave. Dispondo sobre tal concessão, o art. 30 da Lei nº 9.250 de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcrito, estabeleceu que, a partir de 1º de janeiro de 1996, para reconhecimento de novas isenções, a doença deve ser comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1.996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Dos dispositivos citados, extraíse que os rendimentos devem decorrer de aposentadoria, reforma ou pensão, e o contribuinte deve ser portador de moléstia grave relacionada na Lei nº 7.713, de 1988, comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. A questão foi assim sumulada neste Colegiado: Súmula CARF nº 63 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Esse é também o entendimento do STJ, como expresso no RE nº 1.286.094 – CE: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE PROVENTOS PERCEBIDOS POR PORTADORES DE MOLÉSTIA GRAVE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA DOENÇA MEDIANTE LAUDO PERICIAL EMITIDO POR SERVIÇO MÉDICO OFICIAL. [...]3. Recurso especial provido, em parte, tão somente para determinar a produção da prova pericial. RECURSO ESPECIAL Nº 1.286.094 CE (2011/02415660). MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES. (Grifos nossos) Ás fls. 43 o requerente anexou o PARECER PERICIAL MÉDICO INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL, GERENCIA EXECUTIVA DE Fl. 54DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 GOIÂNIA, afirmando que a paciente é portador(a) de _NEFROPATIA GRAVE, desde a data de _01/07/1998. Ante ao exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes LeiteRelatora Fl. 55DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10976.000376/2009-97
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. A nulidade do auto de infração ocorrerá tão somente quando este não preencher os requisitos disciplinados no artigo 59 do Decreto 70.235/72. Não havendo vício em sua forma, não há que se falar em nulidade do auto de infração DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. LIVRO APURAÇÃO ICMS E LIVRO CAIXA. As diferenças apontadas no Livro de Apuração do ICMS e as descritas no Livro Caixa, quando não comprovado erro de fato, refletem claramente uma omissão. MULTA QUALIFICADA. Prática reiterada de uma omissão da receita da contribuinte configurada dolo na conduta da mesma.
Numero da decisão: 1803-001.312
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. A nulidade do auto de infração ocorrerá tão somente quando este não preencher os requisitos disciplinados no artigo 59 do Decreto 70.235/72. Não havendo vício em sua forma, não há que se falar em nulidade do auto de infração DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. LIVRO APURAÇÃO ICMS E LIVRO CAIXA. As diferenças apontadas no Livro de Apuração do ICMS e as descritas no Livro Caixa, quando não comprovado erro de fato, refletem claramente uma omissão. MULTA QUALIFICADA. Prática reiterada de uma omissão da receita da contribuinte configurada dolo na conduta da mesma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 10/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/08/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10976.000376/200997 Acórdão n.º 1803001.312 S1TE03 Fl. 112 2 (Assinado Digitalmente) SELENE FERREIRA DE MORAES Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Meigan Sack Rodrigues. Ausente o conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase de auto de infração lavrado contrata empresa recorrente, inserida no Sistema SIMPLES, para cobrar IRPJ, IPI, PIS/PASEP, CSLL, COFINS e INSS dos anos calendários de 2005 e 2006. O lançamento se deu em função da empresa ter deixado de oferecer à tributação valores relativos a operações regularmente escrituradas, do que decorreu diferença de base de cálculo, para a qual foi aplicada multa de 150%, prevista no parágrafo 1º do artigo 44 da Lei 9.430/96, para os casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502 /64, com redação dada pela Lei 11.488/2007. Do mesmo modo constatouse que, embora tenha declarado suas receitas parcialmente, a empresa recorrente não recolheu integralmente os valores devidos em relação às receitas declaradas. A partir dos valores informados pela recorrente como receita bruta, nas declarações simplificadas, foram calculados os corretos valores devidos do SIMPLES para os meses de janeiro de 2005 a dezembro de 2006. Devidamente cientificada, a empresa recorrente apresenta suas razões em seara de impugnação de forma tempestiva, alegando preliminarmente a nulidade do auto de infração, por entender que o mesmo é ilegítimo por não ter justa causa de pedir, ferindo com isso o artigo 5º, II da Carta Magna. No mérito, a recorrente argumenta que não deve a imputação disciplinada no auto de infração, visto não existir prática ilícita. Afirma que em nenhum momento procurou impedir ou retardar o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência da obrigação principal ou mesmo a fiscalização contida nos autos, tendo cumprido com todas as Fl. 456DF CARF MF Impresso em 10/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/08/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10976.000376/200997 Acórdão n.º 1803001.312 S1TE03 Fl. 113 3 determinações legais e entregue toda a documentação exigida a tempo e modo consoante declaração anexa. Em ato contínuo, a recorrente argumenta ser frágil a alegação da fiscalização de que os valores apontados no Livro de Registro de Apuração do ICMS são infinitamente superiores aos escriturados no Livro Caixa, que foi usado corno base de cálculo para os recolhimentos tributáveis, sendo que a autoridade não teve o cuidado de apontar detalhadamente onde estariam as supostas divergências, tampouco crédito e débito da recorrente, sendo necessária a feitura de perícia contábil. A empresa requer perícia contábil expressamente. Sustenta que a pretensão da autoridade fiscal padece de amparo legal pela exegese do artigo 112 do Código Tributário Nacional. No tocante à multa, a recorrente refere que a aplicação da multa no percentual de 150%, sobre o valor do tributo, tem natureza confiscatória e sua aplicação "muito se aproxima de imoral, e mais ainda da proporcionalidade", contrariando o artigo 37 da Constituição Federal. Aduz que fere ainda o princípio da proporcionalidade, consubstanciado no artigo 2°§ único e incisos da Lei n° 9.784/99, que veda à Administração o excesso no exercício de suas decisões, mormente da descabida multa imposta. Isso porque a Lei n. 9.298/96 estipula que a multa não pode exceder ao percentual de 2%, tendo em vista que este percentual referese aos casos de não cumprimento de obrigação. Complementa sua defesa referindo que não há o mínimo de indício de fraude, dolo ou simulação para se imputar referida multa sobre um suposto saldo devedor. Por fim, requer que a taxa de juros de mora aplicada seja a disposta no artigo 59 da Lei 8.383/91 (1%a.m) e não a SELIC. A autoridade de primeira instância, ao decidir a questão, entendeu que o lançamento era procedente, mantendoo. Refere que os argumentos da empresa, quanto à nulidade do auto de infração, não podem prosperar, porquanto que suas alegação são genéricas e não apontam exatamente onde estão as impropriedades e ilegitimidades do feito, razão pela qual não as admite. Acrescenta o julgador que todo o procedimento foi regido pelo Decreto ri° 70.235/72 e observadas as normas e os princípios processuais do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos em forma de processo e ainda foi oferecida à interessada a oportunidade de apresentar, no prazo legal, a manifestação de inconformidade acompanhada de todos os meios de prova a ela inerentes. Completa aferindo que à recorrente foi dada cópia do auto de infração e das peças que o compõem, possibilitando à mesma que exercesse o direito de impugnar e com isso a ampla defesa e o contraditório. No tocante à preliminar, a autoridade a quo finaliza referindo que os autos de infração atendem aos preceitos do art. 142 do CTN e dos arts. 9° e 10 do Decreto 70.235/1972, não tendo neles sido omitida qualquer formalidade essencial. Na verdade, neles contém o enquadramento legal das infrações atribuídas à interessada e uma descrição clara dos fatos que permitiram a ela conhecer as acusações fiscais, não propiciando a nulidade do ato em litígio (art. 59 do Decreto no° 70.235, de 1972 e art. 70 da Portaria MF n°258, de 24 de agosto de 2001). Fl. 457DF CARF MF Impresso em 10/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/08/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10976.000376/200997 Acórdão n.º 1803001.312 S1TE03 Fl. 114 4 E no mérito o julgador de primeira instância aduz que a recorrente afirma juntar com sua impugnação uma planilha que explicaria seus valores, mas essa planilha nunca foi anexada ao procedimento administrativo. Ademais, afere o julgador que o procedimento adotado pela fiscalização decorreu da análise comparativa entre os valores de receitas escriturados nos livros fiscais, em especial Livro de Registro de Apuração do ICMS — LRA ICMS, através do levantamento das vendas da recorrente, de acordo com a classificação do Código Fiscal de Operações e Prestações, confrontados com aqueles informados na Declaração Simplificada — PJ Simples, resultando na diferença omitida detalhada nos demonstrativos de fls. 139 e 140. Atenta, a autoridade que a diferença na base de cálculo, apurada pela fiscalização, se deu nos 24 meses, fiscalizados. Tudo através das análises realizadas e esboçadas em planilhas, pela fiscalização. Portanto, entende o julgador que, ao contrário do alegado pela recorrente, a fiscalização cuidou de apontar detalhadamente as omissões da base de cálculo nos demonstrativos e documentos acostados, sendo desnecessária perícia contábil, cogitada na defesa, porque está perfeitamente demonstrada nos autos a matéria tributável que gerou o lançamento. Em ato contínuo, refere não haver dúvida quanto à capitulação legal dos fatos apurados, quanto à sua natureza e quanto à sua autoria, sendo incabível a aplicação do artigo 112 do CTN no caso. No tocante à multa, salienta o julgador estar correta porquanto devidamente evidenciado, nos autos, que a recorrente ao longo de todos os anos calendários de 2005 e 2006, obtinha receitas com o exercício de suas atividades econômicas e as informou em sua DIPJ em valores muito inferiores. Receitas estas que somente foram de conhecimento da Fazenda Pública Federal através do procedimento fiscal. Completa dizendo que tal fato demonstra a intenção da empresa em impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador e da real base de cálculo, já que a mesma declarava menos da metade de sua receita bruta. Prossegue a autoridade referindo que se pode considerar como sistemática a omissão de receita que deveria compor a base de cálculo do Simples devido nos anos calendário fiscalizados, evidenciando o propósito deliberado de impedir ou retardar o conhecimento por parte do Fisco Federal da ocorrência do fato gerador dos tributos lançados. Essa atitude da recorrente denota consciente intuito de eximirse de significativa parcela da obrigação tributária principal e se enquadra perfeitamente à hipótese prevista nos arts. 71 e 72 da Lei n2 4.502, de 30 de novembro de 1964, como sonegação fiscal, ainda que houvesse escriturado as suas receitas no Livro de Registro de Apuração do ICMS, para fins de declaração do ICMS ao Fisco Estadual. Corrobora o seu entendimento citando o artigo 44 da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei 11.488/2007, cuja determinação é a aplicação da multa de ofício no percentual de 150% para os casos de evidente intuito de fraude, definidos nos artigos 71, 71 e 73 da Lei 4.502/64, cuja abordagem do conceito de intuito de fraude foi dada com maior definição. Nesse contexto, expõe o julgador a quo que o art. 71, inciso I, da Lei citada definiu que "sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais". E o inciso II referese às condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Desse modo, a Lei n" 4.729/65, em seu art. 1º, I, dispõe que constitui crime de sonegação fiscal prestar declaração falsa ou omitir, total ou parcialmente, Fl. 458DF CARF MF Impresso em 10/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/08/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10976.000376/200997 Acórdão n.º 1803001.312 S1TE03 Fl. 115 5 informação que deva ser produzida a agentes da pessoa jurídica de direito público interno, com a intenção de eximirse, total ou parcialmente, do pagamento de tributos, taxas e quaisquer adicionais devidos por lei. E nesse caminho, o julgador entende ser imperioso registrar que se a recorrente infringiu uma lei, cometeu urna infração e que repetir a infração é reiterar a infração. Portanto, se a fiscalização apurou que a recorrente omitiu receitas a partir do mês de janeiro de 2005, sucessivamente, até o mês de dezembro de 2006, temse que no mês de janeiro de 2005 a empresa cometeu infração legislação tributária e, no mês seguinte (fevereiro de 2005), ao cometer novamente a mesma infração, incidiu na prática reiterada da infração. Assim, a autoridade fiscal assevera que a empresa agiu de maneira dolosa ao deixar de informar em sua declaração o montante das receitas auferidas, procurando ocultar suas operações comerciais para eximirse do pagamento dos tributos devidos e, de acordo com os artigos citados, a prática dos fatos descritos no Relatório da Ação Fiscal constitui sonegação, possibilitando a aplicação da multa de oficio qualificada de 150%. Já quanto à insuficiência de recolhimento em razão da mudança de faixas de receita bruta acumulada, afere a autoridade julgadora que isso se deu pela constatação de omissão de receita em que os valores declarados pela recorrente sofreram mudanças de alíquotas, gerando insuficiência de recolhimentos. Isso gerou a exigência de ofício. Quanto à discussão da multa confiscatória, o julgador atenta para o fato de que o administrador é um mero executor de leis, sendolhe vedado questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal vigente. Afere que as questões de constitucionalidade não podem ser aferidas na esfera administrativa. Ainda, atenta para o fato de que a Lei n" 9.286/96, mencionada na impugnação, no intuito de pleitear a fixação da multa em 2%, trata de legislação de proteção ao consumidor, portanto não pode ser aplicada em matéria tributária. Já a também citada Lei n" 9.784, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, não serve como subsidio para a defesa, já que estabelece em seu artigo 69, que "os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei". Finaliza: o processo administrativo fiscal é regido pelo Decreto n° 70.235/72. E quanto ao peticionado pela recorrente referente à aplicação da taxa de juros de mora ao percentual de 1% ao mês, estabelecido no artigo 59 da Lei n° 8.383/91, entendeu o julgador não ser procedente, vez que a aplicação dos juros calculados pela taxa SELIC está expressamente determinada pelo art. 61, § 3°, da Lei no.9.430/96. Devidamente cientificada da decisão proferida pela delegacia de julgamento, a recorrente apresenta suas razões em seara de recurso voluntário de forma tempestiva, alegando de forma sintética o já disposto em impugnação. É o relatório. Voto Fl. 459DF CARF MF Impresso em 10/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/08/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10976.000376/200997 Acórdão n.º 1803001.312 S1TE03 Fl. 116 6 Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase de auto de infração lavrado contrata empresa recorrente, inserida no Sistema SIMPLES, para cobrar IRPJ, IPI, PIS/PASEP, CSLL, COFINS e INSS dos anos calendários de 2005 e 2006. O lançamento se deu em função da empresa ter deixado de oferecer à tributação valores relativos a operações regularmente escrituradas, do que decorreu diferença de base de cálculo, foi aplicada multa de ofício de 150%. Do mesmo modo constatouse que, embora tenha declarado suas receitas parcialmente, a empresa recorrente não recolheu integralmente os valores devidos em relação às receitas declaradas. Da preliminar de Nulidade do auto de infração por ferir o artigo 5º, II da Carta Magna Passo a dirimir as questões de constitucionalidades, alegadas pela recorrente, aduzindo que essa esfera administrativa não é competente para enfrentar o tema, posto que discussões desse porte, quais sejam, constitucionalidades de leis ou mesmo de artigos de leis são de competência exclusiva do Supremo Tribunal Federal. Assim, certo de que somente o Poder Judiciário pode manifestarse sobre aplicação da constitucionalidade de uma norma, a este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais compete apenas aplicar as leis em vigor dentro do nosso ordenamento pátrio. Cumpre salientar que este Egrégio Conselho encontrase adstrito à aplicação de suas Súmulas e no presente caso à aplicação da Súmula CARF n°: 02: “O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).” Neste contexto, entendo que o auto de infração foi perfeitamente lavrado e encontrase em conformidade com os determinantes legais para a sua formalização, haja vista que a empresa foi legalmente intimada, do contrário não teria apresentado suas razões de defesa em seara de impugnação e também em recurso voluntário. Ainda, o auto de infração encontrase dirigido ao sujeito passivo de direito, legitimamente constituído para recebêlo, consta a data e o local da sua lavratura, está descrito, de forma circunstanciada, o fato imponível do tributo está devidamente cobrado, bem como perfeitamente fundamentado com a capitulação estipulada na norma, na qual se enquadra a imputação legal. Tudo de acordo com o artigo 59 do Decreto 70.232/72. Assim, descabida a argumentação de nulidade do auto pela recorrente sob essa fundamentação. Do mérito Quanto ao mérito a empresa recorrente alega tão somente que a fiscalização não teve o cuidade de apontar detalhadamente onde estariam as supostas divergências, Fl. 460DF CARF MF Impresso em 10/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/08/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10976.000376/200997 Acórdão n.º 1803001.312 S1TE03 Fl. 117 7 tampouco crédito e débito da recorrente, sendo necessária a feitura de perícia contábil. Ainda, afima a empresa recorrente que junta uma planilha comprovando os valores que ela aduz estarem corretos, diferentemente dos apontados pela fiscalização. Ocorre que a referida planilha não foi anexada ao feito, em nenhum momento, tampouco na época da fiscalização, ou na época da impugnação, ou mesmo na época do recurso voluntário, quando já havia sido indeferido o pedido de perícia formulado pela recorrente. Ademais, entendo que o levantamento, feito pela fiscalização, no qual determina com detalhes as diferenças entre os valores detalhados no Livro de ICMS e no Livro Caixa, deixa claro que a empresa não levou à tributação a totalidade dos valores devidos, restando assim uma diferença na base de cálculo, tal como a elencada pela fiscalização no auto de infração. No caso de discordância da empresa recorrente entre a base de cálculo apurada pela fiscalização através do levantamento realizado e demonstrado, sendo que este demonstrativo partiu dos Livros apresentados pela própria contribuinte, restava à mesma demonstrar, através de provas calcadas em documentos hábeis, que este referido levantamento não se encontrava correto. Salientamos que este fato não aconteceu, mesmo frente às oportunidades ofereceidas à recorrente no decorrer do procedimento adminsitrativo. A diferença de base de cálculo, referida pela fiscalização, está embasada na diferença apurada pela empresa recorrente e descrita no Livro de ICMS, apresentada à Secretaria da Receita Estadual em comparação com o que foi apontado no Livro Caixa. Assim, se houve algum equívoco nas anotações e/ou recolhimento cumpria à empresa demonstrar, através de prova inequívoca desse erro. Quanto à multa qualificada Quanto à multa aplicada entendo que a mesma é cabível frente à prática reiterada da empresa recorrente na conduta omissa. Assim, entendo que a prática que se perpetua no tempo conduz ao entendimento da prática dolosa, requisito para a aplicação da multa de ofício de 150% diposta na norma. Taxa SELIC Já no que tange à aplicação da taxa SELIC, entendo que a mesma está correta, uma vez determinada em lei. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É o voto. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 10/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/08/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10976.000376/200997 Acórdão n.º 1803001.312 S1TE03 Fl. 118 8 (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora Fl. 462DF CARF MF Impresso em 10/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/08/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES
score : 1.0
Numero do processo: 10865.003522/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/2002
PRAZO PARA GUARDA DE DOCUMENTOS.
APLICAÇÃO DO ART. 195 DO CTN. OBRIGAÇÃO QUE PERSISTE ATÉ O TRANSCURSO DO PRAZO PRESCRICIONAL.
Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GRADAÇÃO POR NORMA INFRALEGAL AUTORIZADA PELA LEI. O art. 92 da Lei 8.212/91 prevê a graduação da multa conforme previsão em Decreto. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-002.511
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Impedido: Adriano Gonzáles Silvério.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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DEIXAR DE APRESENTAR DOCUMENTOS Recorrente TAMBA CERÂMICA VERMELHA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/2002 PRAZO PARA GUARDA DE DOCUMENTOS. APLICAÇÃO DO ART. 195 DO CTN. OBRIGAÇÃO QUE PERSISTE ATÉ O TRANSCURSO DO PRAZO PRESCRICIONAL. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GRADAÇÃO POR NORMA INFRALEGAL AUTORIZADA PELA LEI. O art. 92 da Lei 8.212/91 prevê a graduação da multa conforme previsão em Decreto. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Impedido: Adriano Gonzáles Silvério. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 Participaram, do presente julgamento os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.003522/200721 Acórdão n.º 230102.511 S2C3T1 Fl. 92 3 Relatório Tratase de Lançamento de penalidade pecuniária, lavrado em 26/11/2007, por ter o contribuinte acima identificado, segundo Relatório Fiscal, fls. 15, deixado de fornecer documentos referentes aos períodos de 01/1997 a 06/2002, tendo resultado na constituição de crédito tributário de R$ 11.951,21. Após tomar ciência pessoal da autuação em 28/11/2007, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 21/41, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 11ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, no Acórdão de fls. 58/69, julgou o lançamento procedente. A recorrente foi cientificada do decisório em 27/01/2009, fls. 72. O recurso voluntário, apresentado em 09/02/2009, fls. 75/88, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Pleiteia a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN. Sustenta que de acordo com o art. 195 do CTN não tem a obrigação de entregar os documentos. Por outro lado, ressalta que tudo estava a disposição da fiscalização. Não haveria penalidade descrita na lei. Não concorda com a atribuição para a fiscalização da avaliação subjetiva da conduta. É o relatório. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Desnecessário tratarmos de decadência, uma vez que há documentos referentes a períodos não atingidos pela decadência do art. 173, inciso I ou do art. 150, §4º que não foram fornecidos à fiscalização. A obrigação de apresentar documentos à fiscalização não se confunde com sua apreensão. Além de prevista genericamente no art. 195 do CTN, tal obrigação tem previsão específica no §2º do art. 33 da Lei 8.212/91. Descumprida a obrigação de apresentar documentos, como restou demonstrado nos autos, correta a aplicação da multa. Obrigações acessórias ou deveres instrumentais. Previsão em normas infralegais. As obrigações acessórias ou deveres instrumentais decorrem da legislação tributária tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113, §2º do CTN). Na expressão legislação tributária temos compreendido compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes (art. 96 do CTN). Entre as normas complementares, encontramos os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas (afrt. 100, inciso II do CTN), o que inclui as instruções normativas e as portarias. Assim, atende perfeitamente ao princípio da legalidade a previsão de deveres instrumentais por meio de norma infralegais. Possibilidade de definição do valor da multa por meio de normas infralegais dentro de parâmetros estabelecidos por lei. O valor a ser aplicado como sanção tributária deve estar previsto em lei, em obediência ao art. 5º, inciso II da Constituição Federal (legalidade geral) e ao art. 97, inciso V do CTN. Porém, é admitido que a lei estipule uma gradação da multa que será detalhada em norma infralegal, como no caso dos autos, pois o art. 92 da Lei 8.212/91 prevê a graduação da multa conforme previsão em Decreto. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 97DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.003522/200721 Acórdão n.º 230102.511 S2C3T1 Fl. 93 5 Mauro José Silva Fl. 98DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13634.000256/2001-00
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Exercício: 1990, 1991
ILL. RESTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que para os recolhimentos indevidos que ocorreram antes do advento da LC 118/2005 o prazo para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, deve observar a cognominada tese dos cinco mais cinco. (RESP nº 1.002.932).
Recurso extraordinário provido em parte.
Numero da decisão: 9900-000.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad - Relator
EDITADO EM: 13/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Exercício: 1990, 1991 ILL. RESTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que para os recolhimentos indevidos que ocorreram antes do advento da LC 118/2005 o prazo para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, deve observar a cognominada tese dos cinco mais cinco. (RESP nº 1.002.932). Recurso extraordinário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 4. 00 02 56 /2 00 1- 00 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 13/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Em 28/11/2001, Calisto Diesel de Veículos Ltda por meio dos documentos de fls. 01/34, solicitou a restituição dos valores recolhidos indevidamente a título de Imposto sobre o Lucro Líquido (“ILL”) relativo aos anoscalendário de 1990 e 1991. A Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, ao apreciar o recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, exarou o acórdão n° CSRF/0400.773, que se encontra às fls. 121/152 e cuja ementa é a seguinte: “Assunto: Imposto de Renda Sobre o Lucro Líquido ILL Exercício: 1992 e 1996 Ementa: ILL — SOCIEDADE LIMITADA INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL PARA RESTITUIÇÃO DO INDÉDITO. Nos casos de norma declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, bem corno nas hipóteses em que a própria Administração edita ato reconhecendo a inexigibilidade do tributo recolhido, é a contar da publicação destes eventos jurídicos que começa a fluir o prazo que o contribuinte possui para pleitear a restituição. Publicada em 25 de junho de 1997 a Instrução Normativa SRF, n.° 63, por meio da qual a Administração reconheceu que não era devido crédito tributário Fl. 2DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13634.000256/200100 Acórdão n.º 9900000.394 CSRFPL Fl. 10 3 exigido com base no artigo 35 da Lei n° 7.713, de 1998, o prazo que o contribuinte tem para pedir a restituição estendese até 25 de junho de 2002. Recurso especial negado.” Como se verifica do referido acórdão, a Câmara Superior, por maioria de votos, afastou a decadência e determinou o retorno dos autos à DRF de origem para julgamento do mérito. Intimada do acórdão em 23/09/2008 (fls. 154) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o recurso extraordinário de fls. 134/144, em que sustenta divergência entre o v. acórdão recorrido e o Acórdão CSRF/0202.088, de 17/10/2005, proferido pela 2ª Câmara Superior de Recursos Fiscais. Ao Recurso Extraordinário da Procuradoria da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme Despacho nº 387/08 de 02/10/2008 (fls. 153/155). Intimado sobre a admissão do recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte apresentou as contrarazões (fls. 159/168). É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional sustenta divergência entre o v. acórdão recorrido e o Acórdão CSRF/0202.088, de 17/10/2005, em relação ao dies a quo para contagem do prazo prescricional para repetição de indébito preenche os requisitos de admissibilidade. O Acórdão CSRF/0202.088, de 17/10/2005, encontrase assim ementado: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — REPETIÇÃO DE INDÉBITO O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário do contribuinte.” Verifico que a divergência está caracterizada na interpretação, dada pelos julgadores da Segunda e Terceira Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais no tocante ao termo inicial de contagem para o exercício do direito de restituição de indébito tributário. O dissídio jurisprudencial resta claro ante o confronto das referidas decisões enquanto no acórdão recorrido a contagem dos cinco anos iniciase a partir da publicação no DOU da Instrução Normativa nº 63/97, no acórdão paradigma é a partir da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 Verifico, por outro lado, que o contribuinte, em suas contrarazões, sustenta que o recurso em questão não deve ser conhecido tendo em vista sua intempestividade. Como afirma o contribuinte, os autos foram recebidos na PGFN em 25/08/2008 (fls. 154), sendo essa a data a ser considerada para fins de inicio do prazo recursal de 15 dias (nos termos da Portaria Conjunta CC nº 01/2007), razão pela qual o recurso interposto em 25/09/2008 seria intempestivo. Nada obstante, o Decreto nº 70.235/72 (“PAF”) em seu artigo 23, ao tratar das intimações dispõe in verbis: "SEÇÃO IV Da Intimação Art. 23. Farseá a intimação: (...) § 2° Considerase feita a intimação: 1 na data da ciência do intimado ou da declaração de quem .fizer a intimação, se pessoal; (...) § 7º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda na sessão das respectivas câmaras subseqüente à formalização do acórdão. (Incluído pela Lei n° 11.457, de 2007) § 8º Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoahnente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação. (Incluído pela Lei n° 11.457, de 2007) § 9º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria na forma do § deste artigo". (Incluído pela Lei n° 11.457, de 2007) Dessa forma, verifico que o recurso extraordinário interposto foi tempestivo, dele conheço. No mérito, já manifestei meu entendimento em diversas oportunidades segundo o qual o prazo para restituição de tributos cuja inconstitucionalidade ou não incidência foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em sede de controle concentrado, pela autoridade fiscal ou por ato do Poder Legislativo deveria se dar a partir da data de publicação do ato que reconheceu tal circunstância. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13634.000256/200100 Acórdão n.º 9900000.394 CSRFPL Fl. 11 5 Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, conforme alteração promovida pela Portaria MF n.º 586/2010 no artigo 62A do anexo II, introduziu dispositivo que determina, in verbis, que: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” No que diz respeito ao prazo para apresentação de pedido de restituição de tributo declarado inconstitucional ou cuja não incidência foi reconhecida pela administração tributária, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 1.110.578, nos termos do artigo 543C, do CPC, consolidou entendimento diverso, conforme se verifica da ementa a seguir transcrita: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009; AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) Fl. 5DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” Nos termos da decisão acima referida, temse que é despicienda para fins de contagem do prazo para a restituição de tributos pagos indevidamente a declaração de inconstitucionalidade em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado, da lei instituidora do tributo a ser restituído. No que diz respeito ao prazo para apresentação de pedido de restituição de tributo declarado inconstitucional ou cuja não incidência foi reconhecida pela administração tributária, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 1.110.578, nos termos do artigo 543C, do CPC, consolidou entendimento diverso, conforme se verifica da ementa a seguir transcrita: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação corespectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: Fl. 6DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13634.000256/200100 Acórdão n.º 9900000.394 CSRFPL Fl. 12 7 "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I,I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT , para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inseri da no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração . (...) ... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System dês heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandose lhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteorico pratico di diritto civile francese Ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e Fl. 7DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 8 DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada , quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa. " Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada." ). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que Fl. 8DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13634.000256/200100 Acórdão n.º 9900000.394 CSRFPL Fl. 13 9 ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” Como se verifica do voto condutor do Ministro Luiz Fux, restou consagrada a tese de que o prazo prescricional para a repetição ou compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação começa a fluir decorridos 05 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio computado desde o termo final do prazo atribuído ao Fisco para verificação do quantum devido. No presente caso, considerando que o pedido de restituição foi apresentado em 28/11/2001, verificase que de fato ocorreu a decadência para os recolhimentos relativos ao anobase de 1990 (fato gerador em 31/12/1990), haja vista o transcurso de mais de 10 anos entre a data do pedido de restituição e a data da ocorrência do respectivo fato gerador do tributo. Destarte, voto no sentido de conhecer do recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO para RECONHECER a decadência do direito a restituição dos recolhimentos relativos ao fato gerador do anobase de 1990. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 9DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD
score : 1.0
Numero do processo: 10580.721225/2007-58
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2004, 2006, 2007
NULIDADE. AUSÊNCIA/RASURA DATA E HORA NO AUTO DE
INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há que se considerar cerceamento de defesa o fato de o Auto de Infração
conter rasura ou ainda ausência na data e hora de sua emissão, visto que a
data da ciência do ato administrativo é que importa para a contagem dos
prazos decadenciais e prescricionais.
NULIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL. AMOSTRAGEM.
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
A fiscalização pode no exercício de suas funções checar as operações da
empresa por amostragem, o que não se confunde com a apuração dos valores
da receita bruta conhecida considerados no arbitramento do lucro efetuado
para os efeitos da exigência fiscal.
Numero da decisão: 1801-000.413
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, afastar as nulidades suscitadas pela recorrente e negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2004, 2006, 2007 NULIDADE. AUSÊNCIA/RASURA DATA E HORA NO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há que se considerar cerceamento de defesa o fato de o Auto de Infração conter rasura ou ainda ausência na data e hora de sua emissão, visto que a data da ciência do ato administrativo é que importa para a contagem dos prazos decadenciais e prescricionais. NULIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL. AMOSTRAGEM. ARBITRAMENTO DO LUCRO. A fiscalização pode no exercício de suas funções checar as operações da empresa por amostragem, o que não se confunde com a apuração dos valores da receita bruta conhecida considerados no arbitramento do lucro efetuado para os efeitos da exigência fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, afastar as nulidades suscitadas pela recorrente e negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora EDITADO EM: 17/12/2010 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/12/2 010 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Sandra Maria Dias Nunes, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa em epígrafe foi autuada a recolher: a) IRPJ e CSLL, relativos aos terceiro e quarto trimestres de 2005 e aos quatro trimestres de 2006, por omitir receitas evidenciadas no Livro de Apuração do ISSQN, nº 01, obtidas pelo transporte de passageiros; os lançamentos tributários foram efetuados com base no lucro arbitrado em razão da empresa não exibir à fiscalização os Livros Diário, Razão e Lalur destes anos-calendários e a apuração foi realizada na forma trimestral – IRPJ: percentual de 19,20% da receita bruta; alíquota de 15% para o cálculo do IRPJ e 10% para cálculo do adicional (para o lucro excedente a R$60.000,00); CSLL – percentual de 12% e alíquota de 9% - Infração 002 dos Autos de Infração; b) Multa isolada pelas estimativas não recolhidas relativas à CSLL e IRPJ de dezembro de 2003 – percentual de 50%; c) IRPJ e CSLL calculados no ajuste anual e não recolhidos, relativos ao ano- calendário de 2003. Tudo conforme explicita o Termo de Verificações de fls. 169 a 170, planilha demonstrativa dos valores omitidos e extraídos do Livro de registro de ISSQN de fls. 171, partes integrantes dos Autos de Infração de fls. 07 a 31. A empresa impugnou os lançamentos tributários às fls. 175 a 182 argumentando, em suma, que (i) padecem de vícios formais insanáveis devendo ser declarados nulos, por conterem rasuras visto que as datas e os horários de emissão dos Autos de Infração foram apostas à caneta, quando os documentos foram gerados eletronicamente, e (ii) pela fiscalização ter anotado no Termo de Encerramento que o procedimento fiscal pautou-se em amostragem, o que é inadmissível para a correta apuração dos valores dos tributos. Às fls. 236 a 241, a Primeira Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJ I exarou o Acórdão nº 12-23.219/09, rejeitando as nulidades suscitadas e mantendo o lançamento tributário na sua integralidade, o qual restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE. INOCORRÊNCIA. AÇÃO FISCAL O atendimento aos preceitos estabelecidos na legislação tributária relativos ao processo administrativo fiscal bem como a observância do amplo direito de defesa do contribuinte afasta a hipótese de ocorrência de nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem, quer do documento que formalizou a exigência fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Desconfigura-se a preterição do direito de defesa se o contribuinte foi regularmente cientificado do auto de infração e seus anexos sendo-lhe assegurado o direito a Fl. 254DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/12/2 010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.721225/2007-58 Acórdão n.º 1801-00.413 S1-TE01 Fl. 254 3 questionar a exigência nos termos das normas que tratam do processo administrativo-fiscal. NULIDADE. VERIFICAÇÃO POR AMOSTRAGEM. A lei não estabeleceu rito especial a ser seguido no procedimento administrativo que visa determinar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária correspondente. A escolha do modo de proceder a investigação fiscal situa-se na competência da autoridade administrativa. A sustentação probante pode estar calcada não só em fatos, mas também em presunções, já que na busca pela verdade material o fisco pode valer-se, para comprovar suas alegações, de todos os meios de prova admitidos em Direito, até mesmo as presuntivas. VERIFICAÇÃO POR AMOSTRAGEM. A escolha do modo de proceder a investigação fiscal situa-se na competência da autoridade administrativa, respeitados os princípios da legalidade e da proporcionalidade. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRP J Data do fato gerador: 31/12/2003, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005, 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Consolida-se administrativamente o crédito tributário relativo à matéria não impugnada. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Data do fato gerador: 31/12/2003, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005, 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006 CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Subsistindo o lançamento principal, igual sorte colhe o lançamento que tenha sido formalizado por mera decorrência daquele, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejarem conclusões diversas. Inconformada, a empresa apresenta o Recurso Voluntário de fls. 246 a 251, reprisando as alegações veiculadas na defesa inicial, a saber, os seguintes vícios que acarretam as nulidades das autuações: 1) data e hora rasuradas nos Autos de Infração: traz incerteza e agridem a segurança jurídica do contribuinte, pois são elementos imprescindíveis aos atos para a computação de prazos prescricionais e decadenciais; o art. 2º do Decreto nº 70.235/72 – PAF impõe que os atos e termos processuais sejam lavrados sem rasuras e emendas; 2) a apuração dos valores tributáveis no procedimento de ofício por amostragem consiste em presumir a receita obtida pela contribuinte, relativa, que não denota a realidade contributiva da fiscalizada, pelo que inadmissível, em vista do princípio da segurança jurídica; a empresa possui todos os livros contábeis e fiscais, em perfeita regularidade, pelo que a fiscalização deveria ter computado todas as receitas, não havendo fundamentos para que fuja à realidade dos fatos. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/12/2 010 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 É o relatório. Passo a analisar as razões recursais. Voto Conselheira ANA DE BARROS FERNANDES, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. O litígio converge-se em questões preliminares de nulidade absoluta dos Autos de Infração para a exigência de IRPJ e CSLL e multas isoladas, por vícios, ao entender da recorrente, insanáveis. As questões de mérito, como bem registrado pela turma julgadora de primeira instância, não foram submetidas ao litígio administrativo (artigo 17 do Decreto nº 70.235/72 – PAF), portanto, insuscetíveis de apreciação. De plano, saliento que as fundamentações apresentadas no acórdão de primeira instância, ora vergastado, sobre as matérias apresentadas não foram confrontadas, pelo que as adoto integralmente e acrescento as minhas considerações. Repriso a transcrição do art. 59 do PAF, dispositivo que trata das nulidades absolutas dos termos e atos administrativos fiscais: Art. 59. São nulos: I – [...] II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (grifos não pertencem ao original) O fato de as datas e horas expressas nos Autos de Infração, gerados eletronicamente, terem sido apostas à caneta em nada prejudica a empresa autuada, visto que os prazos prescricionais ou decadenciais, ao contrário do que assevera, iniciam-se a partir da ciência da interessada dos lançamentos tributários e não a partir da emissão dos referidos Autos de Infração. Assim estabelece o § 2º do artigo 23 do PAF: Art. 23. Far-se-á a intimação: [...] § 2° Considera-se feita a intimação: - na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II - no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 256DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/12/2 010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.721225/2007-58 Acórdão n.º 1801-00.413 S1-TE01 Fl. 255 5 III - se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) IV - 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Esta matéria inclusive já está assente e pacificada neste órgão colegiado, que editou a Súmula nº 07/CARF: Súmula CARF nº 7: A ausência da indicação da data e da hora de lavratura do auto de infração não invalida o lançamento de ofício quando suprida pela data da ciência. (Súmula 7 do 1º CC) Ademais, a recorrente apresentou em momento oportuno e hábil a impugnação aos lançamentos tributários e pode exercer amplamente seu direito de defesa, em nada sendo cerceada pelo fato suscitado, irrelevante no aspecto material ou processual. No que respeita à fiscalização ter se valido no Termo de Encerramento que procedeu por amostragem, e que esta forma de procedimento afronta a segurança jurídica e trata-se de uma presunção, é, ao menos, bizarra a contestação da recorrente. Primeiramente porque afirma que possui todos os livros contábeis e fiscais, o que possibilitaria à fiscalização fazer um levantamento completo das receitas auferidas e não somente aquelas espelhadas no Livro de Registro de ISSQN. Todavia, nos autos está comprovado que a empresa, nos anos-calendários em que a fiscalização apurou as omissões de receitas – 2005 e 2006 –, na verdade, não apresentou os tais livros contábeis, o que a forçou a arbitrar o lucro da fiscalizada e valer-se das receitas escrituradas pela empresa no referido livro fiscal - LRISSQN. E longe está de tratar-se de presunção de omissão de receitas, pois a prova da percepção das receitas foi realizada, no presente caso, de forma direta, pelos registros realizados no LRISSQN. O lucro da empresa é que foi arbitrado em face da impossibilidade de ser apurado pela ausência da contabilidade completa, nos termos expressos do artigo 530, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda vigente – RIR/99, consoante explicitado nos Autos de Infração sob exame. E não há qualquer vedação legal para a fiscalização valer-se da amostragem para realizar auditoria nas empresas. Proceder desta forma significa que a fiscalização checará todas as operações da empresa por amostragem, mas ao detectar indícios de irregularidades se focará nestas determinadas operações. Sem dúvida, não há nada de irregular neste procedimento funcional. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/12/2 010 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Não quer dizer que, na presente fiscalização, o auditor fiscal pinçou somente alguns valores das receitas escrituradas no Livro de Apuração do ISSQN, para proceder ao arbitramento do lucro, realizando um lançamento por amostragem dos valores omitidos ao fisco federal. A planilha anexa ao termo de Verificações demonstra que todos os valores que indicam a receita bruta conhecida foram consideradas no arbitramento e ensejaram as exigências fiscais. Por todo o exposto, afasto as preliminares de nulidades suscitadas pela recorrente. Voto em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 258DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/12/2 010 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13839.003218/2007-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO.
Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA Se do conjunto probatório restar configurada a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, deve ser mantido o lançamento dos rendimentos considerados omitidos. MULTA QUALIFICADA. SÚMULA Nº 25 DO CARF. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 2202-001.716
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a arguição de decadência suscitada pelo Recorrente para declarar extinto o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao ano-calendário de 2001 e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA Se do conjunto probatório restar configurada a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, deve ser mantido o lançamento dos rendimentos considerados omitidos. MULTA QUALIFICADA. SÚMULA Nº 25 DO CARF. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a arguição de decadência suscitada pelo Recorrente para declarar extinto o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao anocalendário de 2001 e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO 2 (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Antonio Lopo Martinez e Helenilson Cunha Pontes Fl. 374DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13839.003218/200790 Acórdão n.º 220201.716 S2C2T2 Fl. 374 3 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização O contribuinte foi intimado (fl. 93), em 12/03/07, a esclarecer se havia realizado transferências para/do exterior, e, em caso positivo, apresentar os comprovantes das transferências. Em resposta, o recorrente afirmou categoricamente não ter realizado nenhuma transferência bancária para o exterior no período. No decorrer da fiscalização, o contribuinte foi novamente intimado a apresentar esclarecimentos (fl. 96), desta vez tendo confrontados dados mais específicos sobre as transferências para o exterior, nos anoscalendário de 2001 e 2002. Em resposta (fl. 100), o recorrente anexou os extratos bancários de suas contas nos bancos Safra e BankBoston, dizendo que iria posteriormente apresentar as do banco Citibank. Em decorrência da demora na apresentação das informações, a fiscalização emitiu Requisição de Movimentação Financeira (fl. 224) dirigida ao Citibank, que apresentou as informações requisitadas (fl. 226). Posteriormente (fl. 201), apresentou extratos do Citibank, mas apenas os referentes ao ano de 2002, remanescendo a lacuna referente à apresentação dos extratos de 2001. Em 07/08/07, o recorrente foi novamente intimado (fl. 214), desta vez para justificar acréscimo patrimonial a descoberto, bem como demonstrar a efetiva distribuição de lucros e dividendos alegada para o ano de 2002. Frente ao silêncio do contribuinte, a fiscalização deu o procedimento de fiscalização por encerrado. 2 Auto de Infração Com base nas informações obtidas, a Fiscalização lavrou Auto de Infração (fl. 69) baseado em duas infrações constatadas: Acréscimo Patrimonial a Descoberto em 2001 e Omissão de Rendimentos recebidos de pessoas jurídicas em 2002. A multa lançada foi de 150%. Segundo a autoridade lançadora, o dolo esteve caracterizado pela categórica mentira do recorrente, materializada na negativa firmada quanto às remessas para o exterior. O total do crédito tributário constituído foi de R$ 721.163,59, incluídos imposto de renda, multa e juros de mora. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO 4 3 Impugnação Não satisfeito com a autuação, o recorrente apresentou impugnação (fl. 251), aduzindo os seguintes argumentos: a) o Mandado de Procedimento Fiscal não foi renovado mediante intimação do contribuinte, motivo que nulifica todos os atos posteriores ao vencimento do primeiro MPF; b) a decadência para tributos sujeitos a lançamento por homologação opera no prazo de cinco anos, contados do fato gerador, conforme disposto no art. 150, § 4º. Os fatos geradores são 30/06/01, 31/07/01, 31/09/01, 31/10/01, 31/12/01 e 31/01/02. Logo, teria precluído o direito da Fazenda de lançar de ofício, já que o lançamento só foi efetuado em 27/08/07; c) a Fiscalização não pode considerar depósitos bancários como sinais exteriores de riqueza para lançar Acréscimo Patrimonial a Descoberto; d) o contribuinte teve seu sigilo bancário quebrado pela autoridade fiscalizadora através de RMF, sem que houvesse prévia autorização judicial; e) a multa deve ser reduzida para 75%, pois tanto não ocorreram o dolo e a fraude, quanto não foram estes cabalmente comprovadas. 4 Acórdão de Impugnação A 5ª Turma da DRJ/SPOII julgou a impugnação do recorrente, acordando, por unanimidade, por afastar as preliminares de nulidade e decadência e, no mérito, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. A fundamentação foi a seguinte: a) o MPF foi renovado e disponibilizado digitalmente pela internet, não havendo nulidade dos atos da fiscalização; b) o não recolhimento do montante integral do tributo faz com que a decadência seja regida pelo art. 173, I do CTN, ao invés do art. 150, §4º; c) os R$ 40.000,00 comprovadamente recebidos da empresa Contal Com. e Assessoria Ltda. foram corretamente lançados como omissão de rendimentos provenientes de pessoas jurídicas, vez que embora o contribuinte tenha alegado que estes valores eram de dividendos, não comprovou de nenhuma forma que estes rendimentos eram efetivamente distribuição de lucros; d) o acréscimo patrimonial a descoberto lançado para o ano de 2001 é acertado, pois foram comprovados dispêndios por parte do contribuinte, não amparados por patrimônio ou rendimento por parte do recorrente; e) não ocorreu quebra irregular de sigilo bancário, pois a fiscalização agiu dentro de seus poderes legalmente concedidos; f) o dolo ficou configurado quando o contribuinte mentiu à fiscalização acerca da realização de transferências, quando não apresentou os extratos do Citibank e quando omitiu na Declaração de Ajuste Anual os valores das remessas para o exterior; Fl. 376DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13839.003218/200790 Acórdão n.º 220201.716 S2C2T2 Fl. 375 5 5 Recurso Voluntário Não dignado com o resultado do julgamento de sua impugnação, o recorrente interpôs recurso voluntário, tempestivamente, repisando os argumentos apresentados, adicionando: a) deveria ter sido emitido novo MPF após a expiração do primeiro, sendo indicado novo agente para conduzir a investigação; b) nem todo o sinal exterior de riqueza denota acréscimo patrimonial, somente aquele que denota dispêndio; c) a simples apuração de omissão não configura dolo ou fraude, segundo jurisprudência e súmula do CARF. É o relatório. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO 6 Voto Conselheiro Relator Rafael Pandolfo O presente recurso atende aos requisitos de admissibilidade do Decreto 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. No decorrer do procedimento fiscal, foi utiizada a figura do RMF, o que significaria, a princípio, a necessidade de sobrestamento do julgamento do recurso. Entretanto, o próprio recorrente já havia entregue os extratos referentes ao anocalendário de 2002. O crédito constituído sobre os rendimentos auferidos no anocalendário 2001, conforme será abaixo demonstrado, foi atingido pela decadência. Desse modo, é possível julgar, desde já, o recurso voluntário. 1 Da Decadência Alega a recorrente que o direito de constituição do crédito tributário em análise teria precluído, em relação ao ano de 2001 e ao ano de 2002, lançado apenas para janeiro, em razão da aplicação do §4º, do art. 150, do CTN, vez que o fato gerador do imposto seria mensal. O Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) é tributo sujeito ao lançamento por homologação, modalidade de lançamento em que o contribuinte antecipa o pagamento do tributo e declara o montante devido ao Fisco, ficando esse procedimento sujeito à posterior homologação por parte da Fazenda Pública. Não havendo qualquer ato que expressamente homologue a declaração efetuada pelo contribuinte e o respectivo pagamento, ainda que parcial, considerase o procedimento tacitamente homologado após o transcurso do prazo de 5 anos contados da data do fato gerador, nos termos do que dispõe o §4º, do art. 150, do CTN. Passado esse prazo, salvo a comprovação de dolo, de fraude ou de simulação, o direito de efetuar eventual lançamento de ofício encontrase atingido pela decadência. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça, analisando o assunto sob o rito previsto no art. 543C, do Código de Processo Civil, cuja decisão é de observância obrigatória por esta Colenda Corte, nos termos do art. 62 A do Regime Interno, entendeu que o art. 173, inciso I, do CTN, é aplicado, de modo ordinário, somente, nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando não há qualquer pagamento realizado pelo contribuinte: in verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro Fl. 378DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13839.003218/200790 Acórdão n.º 220201.716 S2C2T2 Fl. 376 7 dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO 8 (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). Grifamos. Conforme se verifica na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário de 2001 (fl. 5), houve recolhimento antecipado, fato que, consoante o entendimento jurisprudencial consolidado, atrai a incidência do art. 150, §4º, do CTN. Assim, iniciando o prazo de decadência em 1º/01/02 (CTN, art. 150, § 4º) e tendo sido o contribuinte notificado do auto de infração em 23/08/07, há de se reconhecer a caducidade do direito fazendário à constituição do crédito tributário. Quanto ao argumento do recorrente de que o fato gerador na apuração de acréscimo patrimonial a descoberto se daria mensalmente, não lhe assiste razão. É que, como bem salientou a decisão recorrida, apesar de a Lei nº 7.713/88 determinar que os acréscimos patrimoniais não declarados devam ser apurados mensalmente, tais valores caracterizamse meras antecipações, já que o fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física somente se verifica no último dia do exercício, em 31 de dezembro. Nesse sentido é o entendimento pacífico dessa E. Corte: Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 10616064 do Processo 10845004198200292 Data: 24/01/2007 IRPF DECADÊNCIA ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. A omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurada em base mensal e tributados anualmente, razão pela qual o fato gerador se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN). FORMA DE APURAÇÃO TRIBUTAÇÃO MENSAL A partir do anocalendário 1989, o acréscimo patrimonial não justificado deve ser apurado mensalmente, confrontandose os rendimentos do respectivo mês, com transporte para os períodos seguintes dos saldos positivos de recurso, conforme determina o artigo 2º da Lei nº 7.713, 1988. PROVAS Não tendo o contribuinte logrado comprovar integralmente a origem dos recursos capazes de justificar o acréscimo patrimonial, através de rendimentos tributáveis, isentos ou tributáveis exclusivamente na fonte, é de se manter o lançamento de ofício. Recurso negado. (Grifamos) Portanto, merece ser acolhida parcialmente a preliminar, para ser reconhecida a decadência em relação aos eventos jurídicotributários ocorridos no anocalendário de 2001. 2 Da Omissão de Rendimentos Recebidos da Contal Com. e Assessoria Ltda. O recorrente, durante o processo administrativo fiscal, defendeu que os R$ 40.000,00 recebidos da Empresa Contal Com. e Assessoria Ltda. seriam dividendos distribuídos no anocalendário. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13839.003218/200790 Acórdão n.º 220201.716 S2C2T2 Fl. 377 9 O art. art. 10 da Lei nº 9.249/95, abaixo transcrito, determina que os lucros distribuídos não estão sujeitos ao IRPF, a partir de 1996: Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Como pode ser verificado, somente o lucro apurado é isento, não qualquer valor pago ao acionista. Por este motivo é necessária a demonstração da existência de lucro a distribuir e a distribuição deste lucro. Bastaria o recorrente ter juntado o Livro Caixa da empresa para demonstrar a distribuição de lucros. Sem esta ou qualquer outra prova, é impossível reconhecer a isenção destes valores. Deste modo, correta a opção da autoridade lançadora de caracterizar omissão de rendimentos, ainda mais levando em conta que o recorrente não informou tais valores em sua declaração. 3 Das Multas Aplicadas A Fiscalização lavrou auto de infração aplicando multa qualificada para todas as omissões de rendimentos. Entendo que a qualificação não merece prosperar. A omissão de rendimento sempre está ligada a uma omissão de informação do contribuinte, que não pode ser compelido à produção de prova contra si. Nesse sentido, tenho como plenamente aplicável, ao caso em tela, a Súmula nº 25 do CARF, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Deve ser referido, ainda, no presente caso, que o próprio recorrente apresentou documentos relativos ao anocalendário de 2002, que serviram de base à autuação. Conforme acima exposto, voto no sentido de ACOLHER PARCIALMENTE A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA referente ao anocalendário de 2001, e, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO para reduzir a multa ao patamar de 75%. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 381DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO 10 Fl. 382DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO
score : 1.0
Numero do processo: 10540.000055/2010-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
RECURSO INTEMPESTIVO
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-003.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Ana Maria Bandeira- Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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Não se toma conhecimento de recurso intempestivo Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 00 55 /2 01 0- 46 Fl. 448DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos da empresa e a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 02/06) e Relatório Fiscal da Ação Fiscal (fls. 49/60), em resposta ao Termo de Constatação, a autuada informou que não localizou os Resumos Gerais da Folha de Pagamentos relativas a gestão anterior, e que por isso entregou fotocópias de folhas de pagamentos enviadas ao TCMBA, as quais por se apresentarem incompletas e desordenadas não foram aceitas pela Fiscalização. Em resposta ao Termo de Constatação e de Intimação Fiscal n° 01 e planilhas A, B, C e D, encaminhou os Demonstrativos extraídos do Sistema de Acompanhamento de Pagamento de Pessoal SAPPE, correspondentes aos anoscalendários de 2007 e 2008, com indicação dos valores de vencimentos e salários bases por competência/mês. De posse destes fatos, e dispondo dos dados fornecidos pelo Tribunal de Contas dos Municípios do estado da Bahia para o ano calendário de 2006, a auditoria fiscal, utilizando da prerrogativa da apuração da base de incidência por aferição indireta, elaborou novas planilhas com valores de remunerações/base de cálculos extraídos dos demonstrativos entregues pelo sujeito passivo e/ou disponibilizadas pelo TCMBA, considerando os salários bases lá indicados como base de cálculo da contribuição previdenciária, relativos aos anos calendários de 2006 a 2008, conforme planilha III. A auditoria fiscal efetuou a comparação entre os valores de remunerações declarados em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com os dados disponibilizados pelo TCMBA, pertinentes aos anos calendários em comento e ficou caracterizado que a autuada deixou de declarar na GFIP a totalidade das remunerações pagas, creditadas ou devidas a segurados empregados, fato este que resultou em declaração a menor da base de cálculo da contribuição previdenciária, e consequentemente, da contribuição patronal de responsabilidade da empresa, conforme planilhas I, II, III e IV. Com a edição da Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, que alterou as multas aplicadas tanto no caso de descumprimento de obrigações acessórias como principais, a auditoria fiscal, sob o argumento de apurar a situação mais benéfica ao sujeito passivo com base no disposto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, efetuou o cálculo da multa pela legislação anterior e pela legislação superveniente, a fim de verificar a melhor situação para o contribuinte. Para tanto, efetuou a soma da multa pelo descumprimento da obrigação acessória de declarar os fatos geradores em GFIP, prevista no art. 32, inciso IV e §§ 3º e 5º, Lei n° 8.212/1991, com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/91 e comparou o resultado com a multa de ofício prevista na Lei nº 9.430/1996, art. 44, inciso I, que passou a ser aplicada por força do art. 35A da Lei nº 8.212/1991, incluído pelo art. 26 da Lei nº 11.941/2009. Salientase que tratandose de pessoas jurídicas de direito público, por imposição do art. 239, § 9o , do Decreto 3.048, de maio de 1999, era vedada a cobrança da multa de mora motivada pelo recolhimento fora do prazo. Entretanto, este dispositivo foi Fl. 449DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10540.000055/201046 Acórdão n.º 2402003.366 S2C4T2 Fl. 3 3 alterado pelo Decreto 6.042, de 12/02/2007, retirando tal proibição. Portanto, a partir de 02/2007, passouse a cobrar a referida multa de mora sobre as contribuições sociais exigidas mediante lançamento de ofício. Após a comparação de multas, restou mais favorável ao sujeito passivo, pelo critério adotado, as seguintes situações: a) Competência 01/2006 a 01/2007: como não era cobrada a multa de mora 24%, a comparação foi feita entre a multa CFL 68 e multa CFL 78, ambas por descumprimento da obrigação acessória de declarar GFIP sem incorreções ou omissões. b) Competências 02/2007 a 06/2007, 08/2007, 10/2007 e 11/2007, 13/2007 a 02/2008, 07/2008 e 11/2008: a comparação foi feita entre a multa de 75% com o somatório da multa CFL 68 e da multa de mora de 24%; ou quando devido, entre o somatório da multa de 75% e da multa CFL 78 com o somatório da multa CFL 68 e da multa de mora de 24% . c) Competências 07/2007, 09/2007, 12/2007, 03 a 06/2008, 08 a 10/2008: não houve crédito tributário a lançar, a comparação foi feita entre a multa CFL 68 e multa CFL 78, ambas por descumprimento da obrigação acessória de declarar GFIP com incorreções ou omissões. d) Competência 12/2008: não participou do comparativo da multa em decorrência de o fato gerador das obrigações principal e acessória da contribuição previdenciária se materializar na vigência da Medida Provisória n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Não houve crédito tributário a lançar e está sendo cobrada a multa CFL 78 por descumprimento da obrigação acessória de declarar GFIP com incorreções ou omissões. e) Competência 13/2008: não participou do comparativo da multa em decorrência de o fato gerador das obrigações principal e acessória da contribuição previdenciária se materializar na vigência da Medida Provisória n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Neste caso, está sendo cobrada a multa de 75%. À folha nº 58 encontrase a planilha de cálculo da penalidade mais benéfica e podese observar que a multa aplicada pela legislação atual resultou mais favorável ao sujeito passivo. A autuada teve ciência do lançamento em 25/01/2010 e apresentou defesa (fls. 398/403), onde alega que a fiscalização utilizou valores das remunerações dos servidores, incluídas as parcelas sobre as quais não incide contribuição previdenciária. Considera, portanto, que o lançamento seria nulo em razão de não ter ocorrido a “fiel descrição do fato infringente.” Quanto à multa de mora, argumenta que o Decreto nº 6.042 que determinou alteração no art. 239 § 9º do Decreto nº 3048/1998 foi expedido em 12/02/07, portanto, a incidência da multa de mora somente poderia ser atribuída no mês de referência seguinte, ou seja, março de 2007 e não a partir da competência 02/2007, conforme entendeu a auditoria fiscal. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Alega que o fisco não poderia, num mesmo exercício, exigir a multa por falta de recolhimento concomitantemente com a multa de ofício por redução indevida, total ou parcial, do imposto a pagar na declaração, ainda que essas infrações e penalidades estejam expressamente tipificadas e cominadas na legislação tributária, mais especificamente no § 12, do art. 44, da Lei nº 9.430/1996. Isto porque a segunda infração anistiaria a primeira ou dispensaria a aplicação da respectiva penalidade. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Entende que o comparativo efetuado pela RF a fim de aplicar as disposições do art. 106, II 'c' do CTN foge ao pretendido pela Lei, pois o valor da multa em referência que foi comparado à prevista no art. 44, I, não são da mesma espécie e tampouco acumuláveis. Aduz que, na verdade, comparado ao disposto na nova redação do art. 35, que trata da mesma espécie, o valor da multa estaria limitado a 20%. Alega que, com a edição da nova CNAE, foram alterados os valores do grau de risco para acidentes de trabalho para a administração pública de 1% para 2%. Esta alteração, no entanto, ocorreu a partir da competência junho de 2007 e a auditoria fiscal já estaria cobrando a alíquota majorada a partir de 06/2006. Informa que nas competências 12 e 13/2007 foi efetuado pagamento a maior que o valor devido, levantado pela fiscalização. Não obstante, tal valor deixou de ser abatido/compensado com os valores alegadamente pagos a menor nos meses precedentes, deixando de considerar tais compensações no cômputo do montante supostamente devido pelo município. Considera que a multa de ofício de 75 deve ser afastada por ser confiscatória. Pelo Acórdão nº 1526.226 (fls. 414/418), a 6ª Turma da DRJ/Salvador considerou o lançamento procedente. A autuada teve ciência da decisão em 03/05/2001, conforme AR – Aviso de Recebimento (fl. 420) e inconformada apresentou recurso (fls. 422/428) protocolado junto a este CARF em 06/06/2011. Informada de que os autos do processo não se encontravam no CARF, a autuada encaminhou o recurso à DRF Vitória da Conquista (BA) em 21/06/2011, conforme comprovado pela cópia do envelope à folha nº 431. A autuada se manifesta (fl. 432) argumentando que os recursos teriam sido protocolados tempestivamente, ainda que dirigidos diretamente à CARF. Assim, requer que seja reconhecida a tempestividade e que os recursos sejam recebidos, processados e remetidos ao órgão julgador. É o relatório. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10540.000055/201046 Acórdão n.º 2402003.366 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora Quanto à admissibilidade do recurso proposto, verificase que a recorrente, encaminhouo diretamente ao CARF, conforme se verifica no protocolo de recebimento à folha 422. A recorrente teve ciência do acórdão de primeira instância em 03/05/2011 e teria até o dia 02/06/2011, quinta feira, para apresentação do recurso. O fato da recorrente ter apresentado o recurso diretamente ao CARF, desde que tempestivamente, não seria motivo para o seu não conhecimento. Ocorre que, embora o prazo para a apresentação do recurso fosse até 02/06/2011, quinta feira, o protocolo do CARF impresso na primeira folha do recurso indica que o recurso foi apresentado em 06/06/2011, segunda feira. Não há nos autos informação de que o recurso tenha sido encaminhado por via postal, bem como qualquer comprovante de que a postagem tenha ocorrido dentro do prazo recursal, ainda que dirigido ao CARF. A única informação existente nos autos é a de que o recurso teria sido apresentado em 06/06/2011, intempestivamente, portanto. Assim, não foi cumprido requisito de admissibilidade o que impede o conhecimento do recurso. Nesse sentido e considerando tudo o mais que dos autos consta. Voto por NÃO CONHECER DO RECURSO, por ser intempestivo. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 452DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003177/2006-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ E TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Ano calendário:2002.
OMISSÃO DE RECEITAS APURADA A PARTIR DA DIFERENÇA ENTRE AS RECEITAS CONTABILIZADAS E AS RECEITAS DECLARADAS EM DIPJ ENTREGUE NO EXERCÍCIO 2003.
Os lançamentos decorreram da apuração de diferença entre receitas lançadas na escrita contábil do contribuinte e aquelas declaradas a menor ao Fisco, por meio da DIPJ ano calendário 2002 (exercício 2003).
NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL – Não há nulidade dos lançamentos quando demonstrado nos autos que os elementos caracterizadores do ato ilícito foram obtidos a partir da escrita contábil
apresentada pela própria contribuinte, mediante solicitação formal da autoridade competente, tendo a contribuinte acompanhado o procedimento fiscal.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE LEI N° 9.718/98 – O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do alargamento
da base de cálculo do PIS e da COFINS, que modificou o conceito de faturamento ampliando o para englobar receita bruta da pessoa jurídica, nos termos do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, que veio a ser revogado pela Lei nº 11.941/2009.
Não houve o indevido alargamento da base de cálculo do PIS e COFINS no caso analisado, posto que a base tributável tem por origem os valores escriturados pela contribuinte como “venda de serviços”. São, portanto, receitas abarcadas pelo conceito de faturamento vigente.
Caberia à contribuinte comprovar que as receitas alocadas naquela conta não decorrem das receitas com prestação de serviço. Prova esta que não foi realizada.
MULTA DE OFÍCIO DE 75% É DEVIDA Conforme
reiterada jurisprudência firmada neste Conselho, a multa de ofício fixada no patamar de 75% não possui efeito confiscatório.
OS JUROS SELIC SÃO DEVIDOS – Entendimento sumulado pelo Primeiro
Conselho de Contribuintes (súmula 4).
Numero da decisão: 1401-000.693
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ E TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Ano calendário:2002. OMISSÃO DE RECEITAS APURADA A PARTIR DA DIFERENÇA ENTRE AS RECEITAS CONTABILIZADAS E AS RECEITAS DECLARADAS EM DIPJ ENTREGUE NO EXERCÍCIO 2003. Os lançamentos decorreram da apuração de diferença entre receitas lançadas na escrita contábil do contribuinte e aquelas declaradas a menor ao Fisco, por meio da DIPJ ano calendário 2002 (exercício 2003). NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL – Não há nulidade dos lançamentos quando demonstrado nos autos que os elementos caracterizadores do ato ilícito foram obtidos a partir da escrita contábil apresentada pela própria contribuinte, mediante solicitação formal da autoridade competente, tendo a contribuinte acompanhado o procedimento fiscal. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE LEI N° 9.718/98 – O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, que modificou o conceito de faturamento ampliando o para englobar receita bruta da pessoa jurídica, nos termos do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, que veio a ser revogado pela Lei nº 11.941/2009. Não houve o indevido alargamento da base de cálculo do PIS e COFINS no caso analisado, posto que a base tributável tem por origem os valores escriturados pela contribuinte como “venda de serviços”. São, portanto, receitas abarcadas pelo conceito de faturamento vigente. Caberia à contribuinte comprovar que as receitas alocadas naquela conta não decorrem das receitas com prestação de serviço. Prova esta que não foi realizada. MULTA DE OFÍCIO DE 75% É DEVIDA Conforme reiterada jurisprudência firmada neste Conselho, a multa de ofício fixada no patamar de 75% não possui efeito confiscatório. OS JUROS SELIC SÃO DEVIDOS – Entendimento sumulado pelo Primeiro Conselho de Contribuintes (súmula 4).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ E TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Anocalendário: 2002. OMISSÃO DE RECEITAS APURADA A PARTIR DA DIFERENÇA ENTRE AS RECEITAS CONTABILIZADAS E AS RECEITAS DECLARADAS EM DIPJ ENTREGUE NO EXERCÍCIO 2003. Os lançamentos decorreram da apuração de diferença entre receitas lançadas na escrita contábil do contribuinte e aquelas declaradas a menor ao Fisco, por meio da DIPJ anocalendário 2002 (exercício 2003). NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL – Não há nulidade dos lançamentos quando demonstrado nos autos que os elementos caracterizadores do ato ilícito foram obtidos a partir da escrita contábil apresentada pela própria contribuinte, mediante solicitação formal da autoridade competente, tendo a contribuinte acompanhado o procedimento fiscal. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE LEI N° 9.718/98 – O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, que modificou o conceito de faturamento ampliandoo para englobar receita bruta da pessoa jurídica, nos termos do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, que veio a ser revogado pela Lei nº 11.941/2009. Não houve o indevido alargamento da base de cálculo do PIS e COFINS no caso analisado, posto que a base tributável tem por origem os valores escriturados pela contribuinte como “venda de serviços”. São, portanto, receitas abarcadas pelo conceito de faturamento vigente. Caberia à contribuinte comprovar que as receitas alocadas naquela conta não decorrem das receitas com prestação de serviço. Prova esta que não foi realizada. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 2 MULTA DE OFÍCIO DE 75% É DEVIDA Conforme reiterada jurisprudência firmada neste Conselho, a multa de ofício fixada no patamar de 75% não possui efeito confiscatório. OS JUROS SELIC SÃO DEVIDOS – Entendimento sumulado pelo Primeiro Conselho de Contribuintes (súmula 4). ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 19515.003177/200690 Acórdão n.º 1401000.693 S1C4T1 Fl. 420 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 1618.579, proferido pela Sétima Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo/SP, que decidiu manter integralmente o lançamento consubstanciado no auto de infração de IRPJ (fls. 150/152) e nos seguintes autos lavrados por tributação reflexa: PIS (fls. 157/159), COFINS (fls. 164/166) e CSLL (fls. 170/172). Por descrever os fatos com riqueza de detalhes, adoto e transcrevo o relatório elaborado pela DRJ: Em decorrência do Mandado de Procedimento Fiscal — MPF n° 08.1.90.002006010775 foi lavrado o auto de infração do IRPJ, no valor de R$ 1.216.684,67 (fls. 150/152) e dos seguintes reflexos: PIS, no valor de R$ 104.334,05 (fls. 157/159); COFINS, no valor de R$ 481.542,82 (fls. 164/166) e CSLL, no valor ,de R$ 172.263,91 (fls. 170/172), totalizando R$ 1.974.825,45, incluindo o valor original, multas e acréscimos legais, até 30/11/2006, relativamente ao anocalendário de 2002. No início da ação fiscal foram solicitados, dentre outros elementos: os livros fiscais, contábeis e extratos bancários das contas mantidas pela empresa em instituições financeiras, com prazo regulamentar de 20 (vinte) dias para sua apresentação. O contribuinte, atendendo à solicitação fiscal, apresentou o livro Razão n° 003 e Diário n° 002, de onde foram extraídas cópias da escrituração das receitas, despesas e a movimentação de contas do ativo e passivo, referente ao período sob exame (fls. 48/117) e (fls. 118/121). De posse desses elementos, a autoridade fiscal confrontou o valor mensal das vendas de serviços, registrado na escrituração contábil do contribuinte, com os valores constantes da Declaração de Informações EconômicoFiscais DIPJ entregue sob a forma de lucro presumido, constantes de nossos registros (fls. 04/35), no percentual de 32% sobre a receita bruta, com tributação do IRPJ apurado trimestralmente. A escrituração contábil registra vendas no total de R$ 7.185.062,03 (fls. 116 e 119), enquanto a DIPJ registra receita bruta sujeita à tributação no total de R$ 716.767,25 (fls. 6/7), apontando uma diferença de R$ 6.468.294,78 entre a receita bruta anual apurada e a declarada. A autoridade fiscal, a fim de confirmar o valor da diferença apontada, intimou o contribuinte para demonstrar o total efetivo das receitas de venda de serviços (notas fiscais emitidas, informação em DIRF Declaração do Imposto de Renda Retido Fl. 421DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 4 na Fonte – prestada por seus clientes, o total das despesas efetuadas no período e, por fim, a compatibilidade do seu movimento financeiro, exceto as transferências entre contas, em diversos bancos). O contribuinte foi intimado, ainda, a justificar a diferença apontada. Como não houve manifestação a respeito do assunto, a autoridade fiscal elaborou o Termo de Constatação (fls. 145 e 146), onde ficou demonstrada a "omissão de receitas" no montante de R$ 6.468.294,78. O representante legal do contribuinte (sóciodiretor) tomou ciência dos autos de infração, em 18/12/2006, e, inconformado com o procedimento fiscal apresentou, inicialmente, em 17/01/2007, através de seu advogado constituído, impugnação aos lançamentos efetuados (fls. 181/232), cujo instrumento de Procuração estava incorreto (apenas uma assinatura do outorgante, quando eram necessárias duas assinaturas fls. 233). Cumprindo a Intimação no 3315/2007, da DERAT, (fls. 331), o contribuinte apresentou nova Procuração (fls. 336) e Termo de Ratificação de Atos Jurídicos (337). Igualmente, o representado apresentou, também, o Termo de Ratificação de Atos Jurídicos (fls. 334), nos termos do § único do art. 662 da Lei n° 10.406/02 (Código Civil), validando a Impugnação apresentada. Assim, a impugnação (fls. 181/232) inicial apresenta os seguintes argumentos contestando o procedimento fiscal: I Breve síntese fática; II Fala sobre a nulidade do auto de infração em virtude da forma de levantamento e apuração do crédito tributário; III Questiona o alargamento da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS e a elevação de sua alíquota para 3%, conforme Lei n° 9.718/98; III.1 Descompasso da Lei n° 9.718/98 com o texto constitucional vigente à época de sua edição. Não convalidação pela emenda constitucional n° 20/98; II1.2 Inconstitucionalidade formal da Lei n° 9.718/98; III.3 Da superioridade hierárquica da lei complementar sobre a lei ordinária. Aplicação do princípio da segurança jurídica; IV Da multa cominada no percentual de 75% e a carga de inconstitucionalidade nela contida em virtude da sua natureza confiscatória; V — Na inaplicabilidade da taxa SELIC no âmbito tributário; VI — O advogado constituído exigiu que "as intimações e notificações " destinadas ao contribuinte sejam exclusivamente expedidas em seu nome, sob pena de acarretar nulidade aos Fl. 422DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 19515.003177/200690 Acórdão n.º 1401000.693 S1C4T1 Fl. 421 5 demais atos processuais que a este se sucederem, fundamentado no Código Civil. VII — Que, a defesa inicial apresentada foi baseada apenas nas informações contidas nos autos de infração, não dispondo de outros elementos; por não ter tido acesso ao processo. Submetida a Impugnação à apreciação da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo/SP, esta houve por bem julgála improcedente e, por meio do acórdão 1618.579, manteve integralmente o lançamento. O acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 OMISSÃO DE RECEITAS APURADA ENTRE A ESCRITA CONTÁBIL E A DIPJ ENTREGUE NO EXERCÍCIO 2003 O lançamento decorreu da constatação da diferença de receitas lançadas na escrita contábil do contribuinte e declaradas a menor ao Fisco, através da Declaração de Informações EconômicoFiscais – DIPJ anocalendário 2002. NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL Improcedente o pedido de nulidade do lançamento quando demonstrado nos autos que os elementos caracterizadores do ato ilícito foram obtidos mediante solicitação em termos lavrados pela autoridade competente e com a ciência do contribuinte, que acompanhou toda a ação fiscal. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE LEI N° 9.718/98 — MULTA REGULAMENTAR E TAXA SELIC Não compete à autoridade administrativa declarar, reconhecer ou apreciar a argüição de inconstitucionalidade, ilegalidade e outros juízos de valor, pois essa competência foi atribuída em caráter privativo ao Poder Judiciário pela Constituição Federal de 1988, art. 102 I, a, e III, b. Lançamento Procedente Após ser regularmente intimada do acórdão acima, a Recorrente, irresignada com o resultado do julgamento, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 367/415, que passa a ser apreciado por este Conselho. É o relatório. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 6 Voto Conselheiro Relator Alexandre Antonio Alkmim Teixeira O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. 1. Preliminar de nulidade e Mérito A preliminar, no caso, se confunde com o mérito, pelo que tratarei de ambas conjuntamente. Em suas razões recursais, sustenta a Recorrente a nulidade dos autos de infração ao fundamento de que não foi demonstrada a metodologia utilizada para cálculo do débito, “pois, conforme se pode verificar, o que se tem são, apenas, os valores finais apurados como sendo diferenças de base de cálculo. Para que a autuação tivesse validade, imprescindível a presença de um relatório, que viabilize a descrição pormenorizada do fato autuado, o que não ocorreu no caso dos autos, pois não há o produto final da apuração realizada pela fiscalização.” (fl. 373). Complementou o seu raciocínio afirmando que a Autoridade Fiscal deixou de promover a descrição da forma como apurou as diferenças consideradas como base para a tributação, cerceando o direito de defesa da Recorrente. Confirase os seguintes trechos extraídos da fls. 374: É exatamente a ausência da hipótese acima grifada que faz com o Auto de Infração lavrado no caso em apreço tornese viciado, sobretudo porque, ao promover a descrição da situação de irregularidade em seu relatório, a fiscal responsável deixou de descrever a forma com que apurou as diferenças a serem consideradas como base de cálculo para a cominação e cobrança dos tributos reclamados, pois simplesmente apontou uma diferença milionária, aplicando ao coeficiente de 32% e as correlatas alíquotas. Conforme se pode aferir, essa forma de autuação não permite ao contribuinte a impugnação correta contra o lançamento efetuado, pois, não há possibilidade de aferirse a forma com que o Poder Público chegou aos valores que foram apresentados como sendo relativos às diferenças passíveis de composição da base de cálculo a ser tributada e, nesse sentido, temse que o auto de infração acaba por inibir o direito de defesa do contribuinte, revelandose inconstitucional, por afrontar o princípio do contraditório e da ampla defesa, esculpidos no bojo do artigo 5% inciso LV, da Constituição Federal. Feitas essas considerações, deixo de acolher a nulidade suscitada. Diferentemente do alegado pela Recorrente, a Autoridade Fiscal constatou a omissão de receitas e procedeu à correta apuração da base tributável a partir da diferença entre as receitas declaradas e as receitas contabilizadas, cujos valores foram extraídos do Livro Razão apresentado pela própria Recorrente, consoante se extrai das fls. 57/71. A suspeita de omissão de rendimentos originouse de movimentação bancária incompatível com os rendimentos declarados, bem como das informações das instituições Fl. 424DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 19515.003177/200690 Acórdão n.º 1401000.693 S1C4T1 Fl. 422 7 financeiras quanto à base de cálculo da CPMF. Contudo, para efetuar os lançamentos consubstanciados nos autos de infração, a Autoridade Fiscal cuidou de utilizar os valores informados, pela própria Recorrente, em seu Livro Razão, na conta “CAIXA A VENDA DE SERVIÇOS”, considerandoos como receitas da atividade em cada mês correspondente, conforme informado na planilha de fls. 152, como “RB contabilizada”. Desse modo, a base tributável é o somatório, por trimestre, da diferença entre “RB declarada” (receitas informadas pela Recorrente na sua DIPJ/2003) e a “RB contabilizada” (cujas informações foram extraídas do Livro Razão). Sobre a diferença apurada, aplicase o percentual de presunção de 32% a fim de encontrar o lucro tributável, posto que a Recorrente é optante pelo regime do lucro presumido. Quanto à tributação pelo PIS e COFINS, a base tributável é a própria divergência, eis que a Recorrente denomina essas receitas como “venda de serviços”, assim compreendida como faturamento, servindo como base de cálculo para as citadas contribuições. Verificase, portanto, que os autos de infração estão embasados nos documentos acostados no presente feito, não merecendo acolhida a preliminar de nulidade, posto que, com a análise dos documentos acostados, é possível remontar os cálculos realizados pela Autoridade Fiscal e, via de conseqüência, conferir a base tributável apurada. 2. Arguição de inconstitucionalidade da Lei n° 9.718/98. Sustenta a Recorrente que deve ser afastada a cobrança do PIS e da COFINS, nos moldes alterados pela Lei n° 9.718/98, tendo em vista o indevido alargamento da base de cálculo das referidas contribuições. Sobre a matéria, o Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, declarou, por meio do RE 346.084/PR, a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e COFINS, introduzido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. O STF considerou ser inconstitucional o citado dispositivo que ampliou o conceito de faturamento para englobar pela tributação a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Ou seja, invalidou a equiparação das expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, cabendo ressaltar que até a vigência da Lei nº 9.718/98 faturamento era entendido como receita operacional, equivalente à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Posteriormente, a Lei nº 11.941/09, em seu artigo 79, inciso XII, revogou o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que determinava a incidência do PIS e da COFINS sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas, e não apenas sobre os valores relativos ao seu faturamento, decorrente da venda de bens e serviços. Feitas essas considerações, diante da declaração de inconstitucionalidade e da revogação expressa do dispositivo que alargava indevidamente a base de cálculo do PIS e da COFINS, estaria este Conselho autorizado a conhecer da matéria e apreciála. Entretanto, a situação aqui versada não se enquadra na hipótese do aumento da base de cálculo acima mencionada. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 8 No caso em apreço a Autoridade Fiscal cuidou de considerar como receitas contabilizadas os valores informados, pela própria Recorrente, em seu Livro Razão, na conta “CAIXA A VENDA DE SERVIÇOS”, considerandoos como receitas da atividade por ela exercida. Em outras palavras, foram submetidas à tributação pelo PIS e COFINS somente as receitas operacionais, provenientes da prestação de serviços pela Recorrente. Não houve o indevido alargamento da base de cálculo do PIS e COFINS, posto que a base tributável foi apurada a partir da diferença entre as receitas escrituradas na conta “venda de serviços” e as receitas declaradas pela contribuinte em sua DIPJ ano calendário 2002/exercício 2003. Ainda que a contribuinte tivesse alocado na conta “venda de serviços” outras receitas não operacionais, deveria ter comprovado o equívoco, demonstrando que, diferentemente do que indica o nome da conta, lá foram contabilizadas outras receitas que não decorrem da prestação de serviços. Contudo, não foi realizada nenhuma prova nesse sentido. Por essas razões, mantenho os lançamentos nos moldes em que realizados. 3. Multa de ofício e Taxa Selic. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, também, a existência de caráter confiscatório da multa de ofício aplicada no importe de 75%, bem como a ilegalidade da utilização da SELIC como critério de atualização das dívidas tributárias. No que concerne à multa de oficio, verificase que esta encontra respaldo legal, sendo assim devida a penalidade pecuniária no importe de 75% (setenta e cinco por cento) da exação, nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei n°. 9.430/96. O escopo da multa de ofício é condicionar o comportamento do contribuinte, coibindo a prática reiterada de infrações. Para essa finalidade, entendo que o percentual em questão guarda proporcionalidade e por isso não tem caráter confiscatório. Com relação à aplicação da Taxa Selic como critério de atualização monetária, verificase que esta possui previsão legal (Lei n°. 9.250/95), sendo perfeitamente cabível a sua utilização. Inclusive, o Primeiro Conselho de Contribuintes sumulou o entendimento sobre essa questão. Confirase: Súmula n° 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos .federais." 4. Conclusões. Diante das considerações expostas, rejeito a preliminar e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário interposto e mantenho a decisão que julgou procedente o lançamento. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 426DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 19515.003177/200690 Acórdão n.º 1401000.693 S1C4T1 Fl. 423 9 Fl. 427DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR
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