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Numero do processo: 15868.001732/2009-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2007
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2401-001.898
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não
conhecer do recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2007 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário Não Conhecido
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RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 350DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Relatório A autuação Tratase do Auto de Infração n. 37.242.7278, no qual é aplicada penalidade pelo descumprimento da obrigação acessória de informar na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. A penalidade assumiu o montante de R$ 89.055,66 (oitenta e nove mil, cinquenta e cinco reais e sessenta e seis centavos). O sujeito passivo foi cientificado da lavratura em 23/09/2009. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fl. 06, a empresa não declarou a contribuição devida à Seguridade Social incidente sobre as notas fiscais emitidas por Cooperativas de Trabalho em razão de serviços prestados à autuada por seus cooperados. Nos termos do Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fl. 07, a fixação da penalidade deuse mediante comparação da previsão legislativa vigente na data da ocorrência dos fatos geradores e as disposições atuais inseridas pela Lei n. 11.941/2009. Demonstrativo colacionado. A impugnação A interessada manifestouse, fls. 21/36, trazendo as alegações a seguir reproduzidas em síntese: a) os valores arrecadados com os associados da APAS são diretamente repassados para a Cooperativa Médica Unimed. Assim, verificase a inexistência de fato gerador de obrigação tributária; b) não se identificando com as hipóteses de incidência prevista pelo inciso I, do artigo 195, da Constituição Federal, redação dada pela Emenda Constitucional n° 20/1998, a nova contribuição social criada pela Lei n° 9.876/1999, inserese como fonte adicional de custeio, devendo ser necessariamente veiculada por lei complementar; c) tal contribuição agride manifestamente a distribuição de competência tributária por incidir sobre base de cálculo própria do imposto sobre serviços de qualquer natureza, o preço do serviço, devido pela sociedade cooperativa contratada, a Unimed; d) requer seja acolhida a impugnação, deferindose o pleiteado nos termos expostos, para o final de ser cancelado o débito fiscal e, que todas as intimações e publicações referente ao feito sejam realizadas em nome de PEDRO RICARDO BOARETO, com escritório na Rua General Osório, n°400, Centro, CEP 13360000, Capivari/SP. A decisão de primeira instância A Delegacia de Julgamento DRJ no Rio de Janeiro I, declarou procedente o lançamento, fls. 166/172, em acórdão assim ementado: Fl. 351DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 15868.001732/200931 Acórdão n.º 240101.898 S2C4T1 Fl. 337 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2007 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis e atos normativos é prerrogativa do Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pela Administração Pública. INTIMAÇÃO DO PATRONO DA EMPRESA IMPOSSIBILIDADE. descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante, em e ndereço diverso de seu domicilio fiscal. RETROATIVIDADE DE NORMA BENIGNA. O cálculo para aplicação da norma mais benéfica ao contribuinte deverá ser efetuado na data da quitação do débito, comparando se a legislação vigente a época da infração com os termos da Lei n°11.941/2009. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Da discussão judicial da matéria A empresa acima, impetrou Mandado de Segurança n. 0002241 85.2010.403.6107 — 2.ª Vara Federal Araçatuba/SP, contra o Delegado da Receita Federal do Brasil. em Araçatuba/SP pleiteando: a) a concessão de liminar para suspender a exigibilidade da contribuição incidente sobre as notas fiscais emitidas pela UNIMED; b) a declaração de inconstitucionalidade do artigo 9° da Lei n° 9.879/1999 que introduziu o inciso IV do artigo 22 da Lei n. 8.212/1991 e que o impetrado se abstenha de promover lançamentos enquanto presentes a identidade das partes, a causa de pedir e o objeto. A Liminar pleiteada foi indeferida e, conforme consulta realizada junto ao sítio do Tribunal Regional Federal — TRF da 3a Região, fls. 221 e 222, constatouse que foi proferida Sentença julgando improcedente o pedido e denegando a segurança pleiteada. O recurso No recurso, fls. 231/247, a empresa aduz o mesmos argumentos apresentados na sua defesa. É o relatório. Fl. 352DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso não merece conhecimento. É que se encontrando a matéria discutida no processo administrativo pendente na esfera judicial, não há que se manifestar a instância administrativa, já que a decisão emanada do Poder Judiciário é soberana e prevalece sobre qualquer outra, uma vez que o ordenamento jurídico brasileiro adota o principio da jurisdição una (artigo 5°, inciso XXXV, da Constituição Federal). Nesse mesmo sentido dispõe o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/1999: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. (grifos nossos) (...) Também é esse o entendimento que carrega a Súmula CARF n. 01, como se pode ver: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do recurso, em face da interposição pelo sujeito passivo de ação judicial com idêntico objeto do processo administrativo. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 353DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 15868.001732/200931 Acórdão n.º 240101.898 S2C4T1 Fl. 338 5 Fl. 354DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 15/06/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
score : 1.0
Numero do processo: 11065.101171/2007-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
BASE DE CÁLCULO, RECEITAS DE CESSÃO ONEROSA DE
CRÉDITOS DE ICMS A TERCEIROS
As receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de Imposto sobre
Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de
Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação
(ICMS) a terceiros, auferidas até 31 de dezembro de 2008, integram a base de
cálculo da contribuição para o PIS com incidência nãocumulativa.
SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO.
O saldo credor trimestral do PIS nãocumulativo
apurado exclusivamente
pela nãoinclusão
na base de cálculo dessa contribuição das receitas de cessão
onerosa de créditos de ICMS para terceiros não constitui crédito financeiro
passível de ressarcimento.
Numero da decisão: 3301-00.919
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relato
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 BASE DE CÁLCULO, RECEITAS DE CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS A TERCEIROS As receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) a terceiros, auferidas até 31 de dezembro de 2008, integram a base de cálculo da contribuição para o PIS com incidência nãocumulativa. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. O saldo credor trimestral do PIS nãocumulativo apurado exclusivamente pela nãoinclusão na base de cálculo dessa contribuição das receitas de cessão onerosa de créditos de ICMS para terceiros não constitui crédito financeiro passível de ressarcimento.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 BASE DE CÁLCULO, RECEITAS DE CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS A TERCEIROS As receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) a terceiros, auferidas até 31 de dezembro de 2008, integram a base de cálculo da contribuição para o PIS com incidência nãocumulativa. SALDO CREDOR TRIMESTRAL. RESSARCIMENTO. O saldo credor trimestral do PIS nãocumulativo apurado exclusivamente pela nãoinclusão na base de cálculo dessa contribuição das receitas de cessão onerosa de créditos de ICMS para terceiros não constitui crédito financeiro passível de ressarcimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. JOSÉ ADÃO VITORINO DE MORAIS Redator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Maria Teresa Martinez López, Fábio Luiz Nogueira e Rodrigo da Costa Possas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ Porto Alegre, RS, que julgou improcedente a manifestação inconformidade interposta contra despacho decisório que julgou parcialmente procedente o ressarcimento do saldo credor trimestral da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) nãocumulativo referente ao 2º trimestre de 2007. A glosa de parte do valor pleiteado decorreu de equívoco na apuração da contribuição mensal devida, pelo fato de a recorrente não ter incluído na sua base de cálculo as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos financeiros de Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS para terceiros. Inconformada com a glosa, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, a inocorrência do fato gerador do PIS/Cofins sobre as operações de cessão de créditos de ICMS para terceiros sob o argumento de que os recursos obtidos com tais operações não enquadram no conceito de receita e sim de recuperação de despesas/custos. Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme acórdão nº 1021.501, datado de 23/10/2009, às fls. 160/161, sob a seguinte ementa: “BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIAS DE CRÉDITOS DE ICMS. A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até a vigência dos arts. 7º, 8° e 9º da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008.” Cientificada dessa decisão, interpôs o recurso voluntário às fls. 164/169, informando preliminarmente que ingressou com ação ordinária com pedido de liminar (2007.71.08.0122114) para que a Receita Federal se abstenha de glosar e reter valores referentes à transferência de créditos de ICMS para terceiros, sendo que a antecipação de tutela foi deferida determinando a suspensão da exigibilidade de PIS e Cofins sobre tais transferências e, no mérito, defendeu o seu direito ao ressarcimento/compensação do total do crédito pleiteado, alegando, em síntese, que os ingressos decorrentes da cessão de créditos de ICMS para terceiros não constituem receitas e sim recuperação de custos. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 11065.101171/200700 Acórdão n.º 330100.919 S3C3T1 Fl. 187 3 O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. Quanto à preliminar referente à ação ordinária 2007.71.08.0122114, cabe esclarecer que aquela abrange apenas os períodos de competência a partir do terceiro trimestre de 2007, conforme se verifica da decisão liminar de antecipação da tutela, cópia às fls. 267/268, em que consta literalmente “RITZEL COUROS LTDA ajuizou a presente ação, com pedido de antecipação de tutela, contra a UNIÃO, a fim de que seja autorizado o depósito judicial das parcelas do PIS e COFINS incidentes sobre a transferências de saldos credores do ICMS para terceiros, a partir do terceiro trimestre de 2007 e vincendas, bem como seja determinada a abstenção da glosa e retenção dos referidos valores” e a respectiva decisão, “Ante o exposto, DEFIRO a antecipação de tutela para determinar a suspensão da exigibilidade da contribuição ao PIS/COFINS incidente sobre as transferências de crédito de ICMS a terceiros. Via de conseqüência, deverá a autoridade impetrada absterse de considerar como receita os valores referentes a transferências de ICMS que a impetrante realiza para terceiros”. Como o presente processo abrange somente o período de competência de abril a junho de 2007, os efeitos daquela ação judicial não trarão quaisquer conseqüências para o presente julgamento. No mérito, ao contrário do entendimento da recorrente, os ingressos decorrentes de cessão onerosa de créditos de ICMS para terceiros constituem receitas não operacionais e não recuperação de custos. Toda realização de um direito registrado ou não no ativo da pessoa jurídica aumenta sua situação líquida e constitui receita. Se decorrente de sua atividade econômica, o ingresso será classificado como receita operacional se, ao contrário, decorrer de atividade que não faz parte de seu objeto econômico, será classificado como receita nãooperacional. A Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, que instituiu o regime com incidência nãocumulativa para o PIS, adotado pela recorrente, assim dispõe, in verbis: “Art. 1º. A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...). § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS 4 II (VETADO) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda dos produtos de que tratam as Leis no 9.990, de 21 de julho de 2000, no 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e no 10.485, de 3 de julho de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. VI – não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado.” Do exame desse dispositivo, concluise que a opção do legislador foi a generalização do alcance da incidência do PIS nãocumulativo, excluindo de sua incidência apenas as receitas e ingressos expressamente elencados no parágrafo 3º acima transcrito. As receitas e/ ou os ingressos decorrentes da cessão de créditos de ICMS a terceiros, mediante dinheiro e/ ou pagamento na aquisição de matériasprima e insumos empregados no processo produtivo de mercadorias, não foram contempladas. A cessão de crédito de ICMS a terceiros constitui um negócio jurídico entre o cedente, no caso a requerente, e o cessionário, neste caso, o fornecedor/vendedor de matérias prima adquiridas por aquele. Tanto é que foi efetuada mediante a emissão de nota fiscal, salvo prova em contrário com pagamento à vista. O fato de operação, por opção da requerente, transitar ou não por conta de resultado não significa nem prova que não houve ingresso no patrimônio da pessoa jurídica. Independentemente da forma de escrituração, sempre haverá ingresso em dinheiro, título de e/ ou mercadorias. Na aquisição de mercadorias, matériasprima, insumos, etc, tributados com o ICMS, na realidade ocorre duas operações: a compra de mercadorias, matériasprima e insumos propriamente dita; e a compra do crédito do ICMS embutido naqueles produtos. Assim, ao realizar a venda dos produtos, vendese também o crédito referente àquele imposto neles embutidos. Isto ocorre sem que, necessariamente, se escriturem contas de resultados. Dessa forma, a apuração de saldo credor trimestral do PIS nãocumulativo deve ser efetuada levandose em conta que a contribuição tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. A título de informação, cabe destacar que com a edição da Lei nº 11.945, de 04/06/2009, art. 17, que deu nova redação ao art. 1º da Lei nº 10.637, de 30/12/2002, que Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS Processo nº 11065.101171/200700 Acórdão n.º 330100.919 S3C3T1 Fl. 188 5 incluiu no § 3º deste artigo o inciso VII, com produção de efeitos a partir de 1º de janeiro de 2009, as receitas de cessão onerosa de créditos de ICMS para terceiros deixaram de integrar a base de cálculo do PIS. Assim, até aquela data, inexistia amparo legal para excluir tais receitas da base de cálculo desta contribuição ou as isentando. No presente caso, como o ressarcimento complementar pleiteado decorre exclusivamente do fato de a recorrente não ter incluído na base de cálculo da contribuição as receitas de cessão onerosa de ICMS para terceiro, correta a glosa efetuada pela autoridade administradora competente. Assim, não há que se falar em ressarcimento complementar. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, nego provimento ao recurso voluntário. José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assinado digitalmente em 13/05/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, 08/06/2011 por RODRIGO DA COST A POSSAS
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Numero do processo: 13426.000085/2007-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 28/08/2006
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449.
REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se
a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe
comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-000.877
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória nº 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A,
inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi remunerado
para o art. 32A, inciso I da Lei nº 8.212 de 1991.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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Recorrente USINA SERRA GRANDE SA Recorrida SRP SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 28/08/2006 RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Fl. 294DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Edgar Silva Vidal, Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriana Sato. Fl. 295DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13426.000085/200751 Acórdão n.º 230200.877 S2C3T2 Fl. 290 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências dezembro de 2001 a dezembro de 2002, conforme fls. 04 a 05. Inconformada, a autuada apresentou impugnação no prazo normativo, fls. 46 a 54. A unidade da Receita Previdenciária emitiu a Decisão de fls. 131 a 136, mantendo a autuação em sua integralidade. Inconformada com a decisão, a autuada interpôs recurso voluntário, fls. 139 a 149. Alega em síntese: a) A recorrente já pagou o tributo devido; b) Cumprindo a obrigação principal não há que se cobrar pela obrigação acessória; c) A cobrança ofende o princípio da legalidade; d) O ônus da prova é do Fisco; e) O trabalhador não era cadastrado no PIS o que impedia a declaração do mesmo em GFIP; f) Não houve dolo; g) A multa é confiscatória; h) É ilegal a aplicação da Selic; i) Há que se aplicar o in dubio pro reu; j) Requerendo provimento ao recurso interposto. Contrarazões apresentadas pelo órgão previdenciário, fls. 186 a 189, sugere a manutenção do lançamento fiscal. Por meio do despacho à fl. 195, o CRPS converteu o julgamento em diligência prévia para que o recorrente efetuasse o depósito de 30%. O recorrente obteve decisão judicial favorável autorizando o processamento do recurso administrativo independentemente do implemento do depósito recursal, fl. 286. Fl. 296DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 É o relato suficiente. Fl. 297DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13426.000085/200751 Acórdão n.º 230200.877 S2C3T2 Fl. 291 5 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 171. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. A responsabilidade pela infração é objetiva, independe da culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Assim, o fato de trazer ou não prejuízo ao Fisco é irrelevante, pois a obrigação sendo instrumental, qualquer descumprimento por presunção legal, acarreta dificuldade na ação fiscal. O argumento de haver recolhido integralmente o tributo devido não afasta a necessidade de cumprimento da obrigação acessória. Conforme disposto no art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, a não ser que haja disposição em contrário. Deve ficar claro que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é cediço, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. Assim, não procede o argumento da recorrente de que houve ofensa ao princípio da legalidade. A obrigação da recorrente está expressamente prevista em lei, conforme fl. 01. Ao contrário do afirmado pela recorrente não há que se aplicar o princípio in dubio pro infrator. Tal princípio na forma do art. 112 do CTN, somente será aplicado havendo dúvida objetiva quanto aos elementos fáticos ou jurídicos que compõem a autuação. In casu, não há dúvida quanto à ocorrência do fato, tampouco quanto à norma legal de incidência. Fl. 298DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Quanto à alegação de não observação dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; da proibição de efeito confiscatório e da capacidade contributiva, teço os seguintes comentários. Não há dúvida da importância dos princípios para o ordenamento jurídico, pois os mesmos são vetores para elaboração dos atos normativos, devendo ser observados pelo Poder Legislativo na elaboração das leis. Portanto são direcionados ao legislador, sendo critérios prélegais, e caso não sejam observados, e seja publicada uma lei com ofensa a princípios constitucionais, cabe análise e censura pelo Poder Judiciário. Entretanto, uma vez sendo publicada a lei, há presunção de constitucionalidade da mesma, e cabe ao Poder Executivo, cumprir e executar as determinações legais, sem que se faça juízo de valoração do ato, sob pena de fragilidade do ordenamento constitucional, e invasão de atribuições entre os Poderes. O Poder Executivo somente utilizará os princípios na hipótese de falta de disposição expressa legal, conforme previsto no art. 108 do CTN; logo se há dispositivo legal, não cabe aplicação direta dos princípios em detrimento do ato legal, sob pena de ofensa ao art. 108 do Codex Tributário. Não procede o argumento recursal de que o agente fiscal não teria demonstrado documentalmente as informações contidas que constam nas planilhas de cálculo; o que nulificaria a autuação. O Auditor Fiscal não tem que colacionar documentos cuja elaboração e guarda cabe ao próprio contribuinte, é suficiente a menção aos mesmos. Caso a informação colacionada não corresponda à realidade, basta o contribuinte juntar os documentos que comprovam o erro da fiscalização. In casu, a fiscalização elaborou as planilhas com base em documentos do sujeito passivo, folhas de pagamento e GFIP. As planilhas elaboradas pela fiscalização, fls. 08 a 14, indicam precisamente, por competência, os segurados omissos com a correspondente remuneração. Assim, houve favorecimento da ampla defesa. O fato de o trabalhador não ser cadastrado no PIS não impede o cumprimento da obrigação acessória. In casu, deveria a recorrente ter providenciado a inscrição do segurado ainda não inscrito no RGPS, obtendo o número NIT. Quando ao argumento de ilegalidade da Selic, não há litígio, pois não estão sendo cobrados juros no presente auto de infração. Contudo, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo mais benéficas para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Fl. 299DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13426.000085/200751 Acórdão n.º 230200.877 S2C3T2 Fl. 292 7 § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.” (NR) Desse modo, resta evidenciado, que a conduta de apresentar a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do artigo 32 da Lei n º 8.212 de 1991. Agora, com a Medida Provisória n º 449 de 2009, convertida na Lei n º 11.941, a tipificação passou a ser apresentar a GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. O núcleo do tipo infracional seja na redação anterior à MP n º 449, seja com o novo ordenamento é o mesmo: apresentar a GFIP com erros. A multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Resta demonstrado, assim, que estamos diante de uma obrigação puramente formal, devendo ser aplicada a multa isolada. Não há razão para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e da acessória antes da MP n º 449 e após, para verificar qual a mais vantajosa. A análise tem que ser multa por descumprimento de obrigação principal antes e multa por tal descumprimento após; e multa por descumprimento de obrigação acessória antes e após. A análise tem que ser realizada dessa maneira, pois como já afirmado tratase de obrigação acessória independente da obrigação principal. A conduta de não apresentar declaração, ou apresentar de forma inexata, somente se subsumiria à multa de 75%, prevista no art. 44 da Lei n º 9.430, nas hipóteses em que não há penalidade específica para ausência de declaração ou declaração inexata. Para a GFIP, assim como a DCTF e a DIRPF, há multa com tipificação específica; desse modo inaplicável o art. 44. Para a GFIP aplicase o art. 32A da Lei n º 8.212 de 1991. Conforme previsto no art. 44 da Lei n º 9.430, a multa de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Desse modo, há três condutas no art. 44 que não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa. Há a conduta Fl. 300DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 deixar de pagar ou recolher; outra conduta é ausência de declaração, e a outra é a apresentação de declaração inexata. Logicamente, se o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não se aplica a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; mas a despeito do pagamento não declarou em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212. Essa aplicação de multa isolada somente é possível, pelo fato de serem condutas distintas. Agora, se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. Afinal, a multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo fato de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado; de fato, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não recolhe e não declara em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Como já afirmado, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. Assim, não há que se falar em bis in idem, tampouco em consunção. Pelo contrário, a lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Logo, não há consistência nos entendimentos que pretendem dispensar a multa isolada, por ter sido aplicada a multa genérica. A Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa RFB n º 1.027 de 22 de abril de 2010 que assim dispõe em seu artigo 4º: Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 301DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13426.000085/200751 Acórdão n.º 230200.877 S2C3T2 Fl. 293 9 § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista.? Entendo inaplicável a referida Portaria por ser ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, independentemente de o contribuinte ter pago, conforme dispõe o art. 32A da Lei n º 8.212. Uma vez que a penalidade está prevista em lei, somente quem pode dispor da mesma é o Poder Legislativo, a interpretação da Receita Federal gera a concessão de uma anistia sem previsão em lei. Nesse sentido, o art. 150, parágrafo 6º da Constituição exige lei específica para concessão de anistia. A Portaria também viola o art. 182 do CTN que exige a concessão de anistia por meio de lei. Além de violar, os artigos 32A da Lei n º 8.212 e 44 da Lei n º 9.430. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo que há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. CONCLUSÃO Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO PARCIAL. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 302DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Fl. 303DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10980.006593/2005-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2000
IRPF – DECADÊNCIA.
Quando não há pagamento antecipado aplica-se o disposto no art. 173, I, do CTN, e o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se
do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.203
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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Quando não há pagamento antecipado aplicase o disposto no art. 173, I, do CTN, e o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Rubens Maurício Carvalho – Presidente substituto (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator EDITADO EM: 28/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rubens Maurício Carvalho (Presidente substituto), Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Vanessa Pereira Rodrigues Domene e Francisco Marconi de Oliveira. Ausente justificadamente o Presidente, Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO 2 Relatório O contribuinte acima identificado foi autuado, por meio de auto de infração (fl. 11), com imposto suplementar no valor de R$ 16.863,99 (dezesseis mil, oitocentos e sessenta e três reais e noventa e nove centavos), em decorrência da revisão da Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício 2000. O requerente apresentou impugnação, representado por procurador, alegando decadência do lançamento sobre os fatos geradores ocorridos em março de 1999. A sua defesa leva em conta o prazo decendial a partir do mês de ocorrência do fato gerador. Admite, também, o entendimento exarado em jurisprudências administrativas e interpretações de dispositivos legais que adotam como termo de início do prazo legal para o lançamento a data da entrega da declaração, que também resultaria em decadência. A 4ª Turma da DRJ/CTA decidiu, por unanimidade de votos, pela procedência do lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. O relator descreve da forma a seguir a complexidade do fato gerador do imposto de renda pessoa física: “(...) o fato gerador do imposto de renda de pessoa física é um exemplo clássico de tributo que se enquadra na classificação de complexivo, apurado no ajuste anual, ou seja, aqueles que se completam após o transcurso de um determinado período de tempo e abrange um conjunto de fatos que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade de gerar a obrigação tributária exigível. Assim, para o relator do Acórdão da DRJ, “a base de cálculo da declaração de rendimentos abrange os rendimentos tributáveis recebidos durante o anocalendário diminuídas as deduções pleiteadas”. Para isso, há a declaração de ajuste, conforme trata o artigo 85 do RIR/1999. Complementa que o fato jurídico tributário somente é considerado “consumado por ocasião da entrega do imposto de rendimentos, ainda que compreenda os rendimentos recebidos no anocalendário findo em 31 de dezembro e que o imposto seja devido à medida que os rendimento forem percebidos”. A seguir transcreve um enxerto de artigo jurídico publicado pelo ex conselheiro do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Sr. José Oleskovicz, no qual defende que a decadência “é regida apenas pelo art. 173 do CTN”, sendo que “o prazo de cinco anos contase sempre a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. E finda por não acatar a preliminar de decadência. O contribuinte, cientificado da decisão da DRJ/CBA em 6 de março de 2008 (fl. 47), apresentou recurso em 4 de abril de 2008 (fl. 48 a 56), por procuração (fl. 9), alegando que não merece prosperar a decisão que rejeitou a preliminar de decadência por entender que deve ser aplicada a regra geral expressamente prevista no art. 173, I, do CTN, ou seja, que o direito decairia somente após cinco anos, contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. O requerente informa que os rendimentos, objeto do lançamento, omitidos na declaração entregue em 26 de abril de 2000, importavam em 67.500,00 (setenta e sete mil e quinhentos reais) e foram recebidos em 10 de março de 1999, e faz três simulações das hipótese de decadência com base no artigo 150, §4º do CTN. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO Processo nº 10980.006593/200506 Acórdão n.º 2102001.203 S2C1T2 Fl. 60 3 Na primeira delas argui que o fato gerador do imposto de renda das pessoas físicas é mensal e, desta forma, o último dia da concretização da hipótese de incidência seria 31 de março de 1999, portanto, que a decadência havia operado seus efeitos em consonância com o artigo 150, §4º do CTN. Na segunda hipótese levantada, com base no mesmo artigo, declina: “mesmo que se entenda que a data de início do prazo decadencial é 31 de dezembro do anocalendário, o direito da Fazenda encontrase fulminado pela decadência, pois o prazo iniciouse em 01 de janeiro de 2000, encerrandose em 31 de dezembro de 2004”. Na terceira, eleva a consumação do prazo para a ocasião da entrega de declaração de rendimentos. Entende, neste caso, “que o direito da Fazenda Pública de proceder o lançamento do crédito tributário já estaria fulminado pela decadência na data da ciência do Recorrente em 13 de junho de 2005”. Para sustentar sua tese transcreve ementas de acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais de Sessões ocorridas, respectivamente, em 20/03/2007 e 12/06/2006, que tratam de lançamento por homologação, e parte do voto do relator nessas decisões. Finaliza com a transcrição de ementas dos acórdãos da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, datadas de 13/06/2007 e 23/03/2006, que firmam posicionamento no sentido que somente aplicase a hipótese do artigo 173, I, do CTN, quando há fraude ou simulação. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO 4 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que a contribuinte interpôs recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. No auto de infração (fl. 11) apurouse imposto suplementar de R$ 16.863,99 (dezesseis mil, oitocentos e sessenta e três reais e noventa e nove centavos), em decorrência da omissão de rendimento no valor de R$ 67.500,00 (sessenta e sete mil e quinhentos reais), recebido em 10 de março de 1999 do Sr. Sidney da Silva, relativo a ação trabalhista promovida contra o Banco Industrial e Comercial S.A, (fl. 25). O contribuinte apresentou em 26 de abril de 2000, via internet (fl. 17), a Declaração de Ajuste Anual do imposto de renda das pessoas físicas, exercício 2000, ano calendário 1999, sem apresentar à tributação o rendimento acima citado. Na declaração consta apenas R$ 10.820,00 de rendimentos de pessoas físicas e R$ 2.880,00 de pessoas jurídicas, sem imposto a pagar. Também não há imposto de renda retido na fonte ou antecipações. O contribuinte argui a decadência do crédito tributário nos termos do artigo 150, §4º do CTN, já que foi notificado do lançamento em 13 de junho de 2005. Assim, a lide em apreço cingese sobre a decadência do direito do Fisco de lançar o tributo cujo fato gerador ocorreu em 1999. O contribuinte apresentou três teses para argui a decadência do imposto de renda suplementar. A primeira delas que o fato gerador do imposto de renda seria mensal. Ocorre que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, vem negando provimento aos recursos especiais interpostos pelos contribuintes, bem como vem reformando, através dos recursos interpostos pela Fazenda Nacional, as decisões das Câmaras que defendiam a tese da decadência mensal, amparado no argumento de que sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e, independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, a exemplo do Acórdão 0501.023, de 05 de agosto de 2008, cuja ementa dispõe: DECADÊNCIA – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – PRAZO CONTADO DE FORMA MENSAL – INAPLICABILIDADE. Da interpretação sistêmica dos artigos 8º, 9º e 10º da Lei nº 8.134, de 1990; artigos 3º, parágrafo único e artigos 4º; 8º e 10º da Lei nº 9.250, de 1995 e do artigo 42, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, concluise que a base de cálculo do imposto de renda é a soma anual dos valores apurados mensalmente. Não há antinomia entre uma norma estabelecer que os valores consideramse recebidos no mês em que houver o crédito pela instituição financeira e outra norma considerar a base de cálculo constitui se da soma dos valores recebidos em cada um dos meses do ano calendário. O que é necessário é que tenha presente que na apuração da base de cálculo deve, quando for o caso, se efetuar as deduções previstas no artigo 4º da Lei nº 9.250, de 1995. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO Processo nº 10980.006593/200506 Acórdão n.º 2102001.203 S2C1T2 Fl. 61 5 A segunda delas, que o fato gerador ocorreria em 31 de dezembro de 1999, decaindo em 31 de dezembro de 2004. De fato, quando cabe ao próprio beneficiário proceder ao recolhimento do imposto e em prazo específico, caracterizadamente em um lançamento por homologação, e ocorre antecipação do imposto, a decadência será concebida pelo § 4º, do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Entretanto, para isso é necessário que haja pagamento antecipado. Esse é o entendimento do STJ na ementa abaixo parcialmente transcrita: Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova defraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) Como na situação em análise não ocorreu qualquer antecipação, seja pelo pagamento de cotas, seja pela retenção de fonte, não há como se aplicar a regra de decadência pelo art. 150, §4o, do CTN. A terceira hipótese é que se faça a contagem de prazo para fins da decadência a partir da data da entrega da declaração. Essa hipótese não encontra respaldo legal ou jurisprudencial. O fato do nosso Código Tributário Nacional CTN possuir duas regras de decadência, uma para o direito de constituir o crédito tributário (art. 173) e outra para o direito de não homologar o pagamento antecipado de certos tributos previstos em lei (art. 150, §4o), deram vertente às diversas teses jurídicas, já que a data de início da contagem do prazo decadencial diverge de acordo com o dispositivo aplicado. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia Fl. 5DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO 6 ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Ressaltase que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. E sendo assim, entendo não ser adequado que a instância máxima da esfera judicial tenha entendimento diverso da instância máxima da esfera administrativa. Como o contribuinte não efetuou qualquer pagamento do imposto, seja como retenção da fonte, seja como antecipação obrigatória ou voluntária, ou ainda como ajuste, para que se deslocasse a contagem da decadência para o primeiro dia seguinte à ocorrência do fato gerador, não se pode trazer a regra de decadência para o art. 150, §4o, do CTN. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO Processo nº 10980.006593/200506 Acórdão n.º 2102001.203 S2C1T2 Fl. 62 7 Assim, avultase a relevância do pagamento, e sua ausência leva o prazo decadencial para os limites do art. 173, I, do CTN, iniciandose a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Como o fato gerador do imposto apurado nos presentes autos ocorreu em 31 de dezembro de 1999, o prazo decadencial só começou a contar em 1º de janeiro de 2001, sendo possível o lançamento até 31/12/2005. Correto, portanto, o crédito tributário constituído por auto de infração cuja ciência se deu em 13 de junho de 2005. Diante do exposto, conheço do recurso e voto no sentido de negarlhe provimento. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Relator Fl. 7DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 30/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO
score : 1.0
Numero do processo: 10510.002169/2007-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO GFIP TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA.
A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos.
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. O recorrente durante o procedimento não comprovou a regularidade de acord com a legislação previdenciária, nem tampouco durante a fase recursal demonstrou estarem indevidos os valores.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO APLICAÇÃO DE JUROS SELIC PREVISÃO LEGAL.
Dispõe a Súmula nº 03, do CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais.”
O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ARGUMENTAÇÃO DESPROVIDA DE PROVAS.
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. A mera alegação de que os valores foram recolhidos de forma globalizada não possui o condão de desconstituir o lançamento, se o recorrente não demonstra
suas alegações, muito menos faz prova da correção de GFIP e das guias de recolhimento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-001.865
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO GFIP TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA. A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. O recorrente durante o procedimento não comprovou a regularidade de acord com a legislação previdenciária, nem tampouco durante a fase recursal demonstrou estarem indevidos os valores. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO APLICAÇÃO DE JUROS SELIC PREVISÃO LEGAL. Dispõe a Súmula nº 03, do CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais.” O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ARGUMENTAÇÃO DESPROVIDA DE PROVAS. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. A mera alegação de que os valores foram recolhidos de forma globalizada não possui o condão de desconstituir o lançamento, se o recorrente não demonstra suas alegações, muito menos faz prova da correção de GFIP e das guias de recolhimento. Recurso Voluntário Negado
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A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. O recorrente durante o procedimento não comprovou a regularidade de acord com a legislação previdenciária, nem tampouco durante a fase recursal demonstrou estarem indevidos os valores. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO APLICAÇÃO DE JUROS SELIC PREVISÃO LEGAL. Dispõe a Súmula nº 03, do CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais.” O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 2 INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ARGUMENTAÇÃO DESPROVIDA DE PROVAS. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. A mera alegação de que os valores foram recolhidos de forma globalizada não possui o condão de desconstituir o lançamento, se o recorrente não demonstra suas alegações, muito menos faz prova da correção de GFIP e das guias de recolhimento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 10510.002169/200782 Acórdão n.º 240101.865 S2C4T1 Fl. 441 3 Relatório A presente NFLD, lavrada sob o n. 37.016. 5225, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados (quando não descontada em época própria), parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos Terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados e contribuintes individuais. Foram ainda apuradas diferenças de contribuições à título de juros e multa, pelo não recolhimento em época própria. O lançamento compreende competências entre o período de 01/2003 a 12/2006, sendo que os fatos geradores das contribuições lançadas foram apuradas por meio de folhas de pagamentos Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 28/05/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido dia 11/06/2007. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 170 a 206. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 291 a 303. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 386 a 420. Em síntese, a recorrente alega: 1. Todas as defesas propiciam ao acusado arguir a defesa indireta de mérito, seja impeditiva, modificativa ou extintiva, basta ocorrer a circunstância de fato adequada. 2. Que apresentou as guias de recolhimentos, referente ao período cobrado pelo autuante, de maneira global, sem que fosse recolhido separadamente por empresa, o que gerou os lançamentos de débitos indevidos, uma vez que o INSS não pode penalizar o contribuinte por seu erro, uma vez que não recolheu à previdência social, os valores das contribuições individualizados por empresa. 3. Afirma que o recolhimento das contribuições, não individualizados por empresa, feito erroneamente por preposto autorizado, seja qual for à origem do erro, não inibe o seu direito de pleitear a nulidade dessa cobrança, lhe restituindo o que é de direito. 4. Que em persistindo a procedência da NFLD estará o fisco incorrendo em BIS IN IDEM. 5. Que não obstante a autuada ter para exibição imediata todos os elementos e livros pedidos o AFPS contentouse em levar consigo as folhas de pagamento e os recolhimentos previdenciários, tendo autuado a empresa sem nem mesmo apreciar os documentos contábeis da mesma. O AFPS não compareceu a autuada, simplesmente enviou via AR o auto de infração realizado via computador, sem qualquer pedido de Fl. 3DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 4 explicações por parte da empresa autuada, fato esse presenciado por terceiros que assinaram o envelope de AR entregue pelos correios, contrariando os preceitos legais do art. 12, VI, do CPC. 6. A impugnante argumenta que se dedica a prestação de serviços de contratação de mão deobra, mantendo sempre suas atividades de recolhimentos de contribuições em dias, principalmente ao que se refere aos empregados, o que ocasionou a multa fiscal foi devido a empresa fazer os seus recolhimentos de uma maneira globalizada, ou seja, apenas pela matriz, sem individualizar as demais empresas do grupo. 7. Diz que o procedimento fiscal do AFPS autuante não guarda conformidade com as normas que regem os atos administrativos vinculados e regrados, como costumeiramente acontece com atividade lançadora e de constituição previdenciário(CF/88, art. 5 0, caput, 1' parte, incisos II e LV, art. 150, inciso IV, c/c art. 34 § 1° das disposições constitucionais transitórias, CC, arts. 145, II e V e art. 146 e seu Parágrafo Único. 8. Cita o art. 10 do Decreto n° 7.235, de 06.03.1972, e o artigo 194 incisos VI e VII da Lei 1711/52 e afirma que a lavratura dos autos fora do local da autuada caracteriza assim, violação do dever funcional, além de retirar qualquer validade administrativa ou eficácia jurídica às aludidas peças básicas do processo fiscal, nulificandoo ab initio. 9. Fala da GFIP Guia de recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social — competências abril de 2003 a março de 2005, diz que o fato gerador do FGTS é o pagamento de remuneração a empregado e afirma que todo e qualquer levantamento de débito do FGTS ou Demonstrativo do FGTS, a teor do auto deve, necessariamente, sob pena de nulidade, discriminar nominalmente(individualizar um a um) todos os empregados a que se referem os depósitos exigidos(CC, art. 82, 145, III e IV). 10. Afirma que os depósitos do FGTS têm, pois, endereço certo e conhecido: os empregados beneficiários dos mesmos, ou excepcionalmente, a empresa. Diz que para que a embargante pudesse se defender, mister se fazia que os autuantes identificassem quais os empregados a que se referem os depósitos de FGTS exigidos, quais seus salários e as datas em que ocorreram tais pagamentos. 11. Questiona como apresentar defesa ampla se o demonstrativo do Banco Arrecadador é global, nada individualiza, não contém nome de nenhum empregado nem a prova de relação empregatícia? E foi esse demonstrativo global do Banco Arrecadador que serve de base às inscrições da divida e embasou a impugnação. 12. Com relação a contribuição da empresa sobre a remuneração de empregados afirma que bem antes de qualquer ação fiscal, procedeu o pagamento na íntegra de todo débito existente com o INSS, referente a recolhimento de contribuição social dos empregados, portanto torna nula qualquer ação fiscal a esse respeito. 13. Alega inconstitucionalidade do recolhimento do SalárioEducação até janeiro de 1997 e do dever de restituir durante todo o período que recolheu indevidamente. 14. Diz que até algum tempo atrás, predominava o consenso de que é de 5 anos o prazo para o contribuinte pedir restituição de indébito, contado da ocorrência dos fatos geradores do tributo. Essa crença veio porém a ser desconstituída pelo Superior Tribunal de Justiça, que demonstrou a falsidade da interpretação do CTN sobre a qual ela se apoiava, no que se refere aos tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação(que hoje Fl. 4DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 10510.002169/200782 Acórdão n.º 240101.865 S2C4T1 Fl. 442 5 abrangem a quase totalidade das exações fiscais).Transcreve acórdão e explica as razões que a levaram a essa conclusão. 15. Com relação a remuneração paga aos segurados autônomos contribuintes individuais, não podem ser acatadas por contrariar os dispostos constitucionais. 16. Diz que foi declarada a inconstitucionalidade das expressões autônomos, avulsos e administradores, de acordo com o inciso I do art. 30 da Lei 7787/89, por não estarem compreendidas entre as fontes de custeio do inciso I, do art. 195 da Constituição Federal: a instituição da contribuição social incidente sobre tais remunerações somente poderia efetivarse por meio de Lei Complementar(§ 40 do art.. 195 e inciso I do art. 154 da Constituição Federal. 17. Alega que a impetrante tem o direito líquido e certo de somente recolher tributo ou contribuição social, criado modificado ou alterado, de acordo com o regramento expresso na Constituição em vigor(art. 195, I, da CF/88) e sempre com respeito ao direito adquirido, ao princípio da anterioridade ou da anualidade e ao princípio da legalidade. 18. Que sendo a contribuição social para INSS de administradores, somente poderia ser alterada ou modificada por Lei Complementar, nunca através de Regimento Interno e ou Portaria, o que fere e ofende direta e frontalmente a Constituição. Diz que não estava obrigado a recolher uma contribuição que se tornou inconstitucional, por vício formal do ato legislativo que a modificou. 19. A impugnante argúi a inconstitucionalidade do regimento interno do INSS quanto ao seu artigo 145, VIII, e a Portaria no 4690/98. 20. Afirma que as Constituições Brasileiras sempre usaram o termo empregador salário, em sentido próprio e técnico como se encontram no Direito do Trabalho, que as formas de custeio existentes na Previdência Social eram compatíveis com esse sentido e que, assim, a hipótese não é de equívoco histórico, já amplamente absorvido e aceito pelo direito posto. 21. Afirma que o INSS não sofreu qualquer lesão, porque todos os tributos e contribuições foram recolhidos, o que pode ser comprovado com o exame dos documentos a disposição na Secretaria do Estado da Administração e respectivos lançamentos contábeis. 22. Diz não ter existido qualquer dolo ou má fé porque todos os tributos cobrados ou retidos na fonte foram recolhidos integralmente ao INSS. 23. Diz que a finalidade da GFIP é a comunicação espontânea do contribuinte ao fisco, relativamente aos tributos e contribuições devidos a serem recolhidos, desde que fiscalizados pelo órgão, nomeadamente em relação aos cobrados ou retidos na fonte. Que se o contribuinte, espontaneamente recolheu dentro dos prazos legais ou com acréscimos devidos, a finalidade da GFIP foi cumprida, e o contribuinte não pode ser apenado com multa confiscatória(como se tratasse de punir o delito de apropriação indébita do recolhimento de INSS de empregados que, declarados na GFIP, não fosse não fosse recolhidos espontaneamente pelo contribuinte. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 6 24. Argumenta que a multa confiscatória, no presente caso, através de uma interpretação forçada, completamente contrária à lei (art. 1° da Lei 840/49, CF/88, arts. 5 0, II. 37 caput, e 150, I, CTN, arts. 141 e 142). 25. Diz que o fundamento constitucional que veda a aplicação do confisco tributário e a multa com este caráter, reside na impossibilidade de quebra de certas regras ou garantias que a própria Constituição assegura a todas as empresas privadas, citando o art 5 0, XIII, art 170, caput„ art 50 caput, ia parte, 150, II e 170,IV. 26. Cita o art. 194, VII da Lei 1711/52 e diz que nenhum servidor público está obrigado a cumprir ordem manifestamente ilegal, mas se cumpre, age voluntária e conscientemente, arcando com as conseqüências do ato abusivo e ilegal, nomeadamente as decorrentes do art. 40, "h" da Lei n° 4898/65. 27. Alega a impugnante ser parte ilegítima na autuação, como também é carecedor de ação, de acordo com a Lei objetiva, sabendose que todos os prestadores de serviços em relação ao recolhimento de contribuições sociais, são de competência dos mesmos. 28. Que se é que existe um pretenso crédito a ser adimplido frente a Previdência Social, ou uma obrigação a cumprir literalmente não será apenado o responsável pelo débito constitutivo, ainda porque cada um por si, responde pelo recolhimento de suas contribuições, devido serem terceiros responsáveis. 29. Diz que a fixação do prazo pelo pagamento de tributo é matéria reservada à lei, não podendo ter por veículo ato interno da administração, no caso, portaria. 30. Requer ao fim, seja julgado improcedente a NFLD. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 10510.002169/200782 Acórdão n.º 240101.865 S2C4T1 Fl. 443 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 440. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Apesar de não arguido preliminares, da análise do recurso, entendo que alguns argumentos trazidos pelo recorrente, devem ser apreciados preliminarmente, uma vez que interferem na validade do procedimento adotado, e por consequência da NFLD lavrada. VALIDADE DO PROCEDIMENTO Em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, ou descumprimento dos preceitos legais por parte da autoridade fiscal, quando da lavratura da NFLD. Destacase como passos necessários a realização do procedimento: Ø autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal – MPF F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; Ø intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; Ø autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade cumprido os requisitos legais não lhe confiro razão. Não só o relatório fiscal, como também o relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito, trazem toda a fundamentação legal que embasou a constituição da presente NFLD, bem como os relatórios DAD – descreve mensalmente e por competência os fatos geradores, e ainda o relatório de Documentos Apresentados – descreve todos os recolhimentos apropriados. Não existe qualquer irregularidade no encaminhamento dos documentos pelos correios, nem tampouco no fato de a autoridade fiscal, ter se baseado apenas nas folhas Fl. 7DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 8 de pagamento e documentos GFIPs, visto tratarse de procedimento específico, conforme podemos extrair da cópia do Termo de Encerramento – TEAF, fls. 124. Portanto, se existisse alguma inconsistência nos dados de GFIP ou folha, caberia a empresa promover o ajuste e a devida impugnação dos fatos geradores lançados Ainda no que pertine a nulidade, por ter a NFLD sido encaminhado pelo correio sem que o recorrente tivesse ciência pessoal, ou mesmo recebida por pessoa não autorizada para o mesmo, razão também não confiro ao recorrente. Tendo a NFLD encaminhada por via postal, o recebimento independe de que a haja recebido. No mesmo sentido posicionase o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. SÚMULA NO 6 É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. DO MÉRITO No recurso em questão, o contribuinte resumiuse a atacar a validade do procedimento fiscal face a decadência , argumentando que não foram considerados todos os créditos, tendo em vista o recolhimento centralizado bem como inconstitucionalidade de contribuições (Salário Educação e Contribuintes Individuais), contudo, sem refutar, qualquer dos fatos geradores apurados . Dessa forma, em relação aos fatos geradores objeto da presente notificação, como não houve recurso expresso aos pontos da DecisãoNotificação (DN) presumese a concordância da recorrente com a Decisão Notificação. Uma vez que houve concordância, lide não se instaurou e, portanto, deve ser mantida a DecisãoNotificação. Caso não concordasse com os valores lançados deveria o recorrente, manifestarse a respeito, sendo que ao não fazêlo acaba por concordar com o lançamento. DAS INCONSTITUCIONALIDADES APONTADAS No que tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições, quanto a contribuições para o SALÁRIO EDUCAÇÃO E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS, bem como da multa aplicada, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 10510.002169/200782 Acórdão n.º 240101.865 S2C4T1 Fl. 444 9 Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade/ilegalidade na cobrança das contribuições previdenciárias, não há razão para a recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis a aplicação da taxa de juros SELIC, e a multa pela inadimplência. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Assim, não cabe a autoridade adminitratiNo mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao editar a Súmula nº 2 SÚMULA N. 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Quanto ao direito a restituição e compensação de valores pagos à título de salário educação, não demonstrou o recorrente o pagamento indevido, nem tampouco que possuía qualquer medida judicial com trânsito em julgado que permitisse a compensação. Assim, não assiste razão ao recorrente quanto a restituição e compensação de salário educação, por não ter demonstrado ser indevido a referida contribuição, considerando é claro, a impossibilidade de se declarar a inconstitucionalidade na esfera administrativa. DOS LANÇAMENTOS BASEADOS EM GFIP Ademais, tratase de notificação fiscal que tomou por base documentos do próprio recorrente, sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso no Discriminativo Analítico de Débito – DAD. Os valores objeto da presente notificação foram lançados com base na GFIP, declaração realizada pela própria empresa. Conforme dispõe o art. 225, § 1º do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, abaixo transcrito, os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de dívida quando não Fl. 9DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 10 recolhidos os valores nela declarados. Portanto, não há que se falar que não foi possível identificar os fatos geradores para proceder a defesa. Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Assim, não prospera o argumento de que deveria a autoridade fiscal individualizar os lançamento, quando os fats geradores foram apurados em documentos do próprio recorrente. Uma vez que a notificada remunerou segurados empregados, sejam declarados em GFIP, ou mesmo descritos em FOPAG, deveria ter efetuado o recolhimento das contribuições devidas à Previdência Social. QUANTO A ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO CENTRALIZADO Traz o recorrente alegações de que houve recolhimento centralizado, destaca se que a mera alegação, sem a comprovação dos fatos não possui o condão de desconstituir o lançamento. Caso, existisse a informação incorreta em GFIP deveria o recorrente demonstrar ponto a ponto, ou mesmo buscar a correção das GFIPS ou mesmo dos guias recolhidas em CNPJ indevido. Pelo constrário, apenas alegou o recorrente, sem produzir qualquer prova. QUANTO A TAXA SELIC Com relação à cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela autarquia previdenciária: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 10DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 10510.002169/200782 Acórdão n.º 240101.865 S2C4T1 Fl. 445 11 Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em excesso de cobrança de juros, estando os valores descritos na NFLD, em consonância com o prescrito na legislação previdenciária. Nesse sentido, dispõe a Súmula nº 03, do CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais.” QUANTO A MULTA MORATÓRIA Conforme descrito acima, a multa moratória é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Ademais, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: Fl. 11DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 12 a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) Fl. 12DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 10510.002169/200782 Acórdão n.º 240101.865 S2C4T1 Fl. 446 13 § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da DN, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de nulidade, e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 13DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 07/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE
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Numero do processo: 11610.007805/2002-92
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIOExercício: 1999PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS (PERC). REGULARIDADE FISCAL.Com vistas ao gozo do benefício fiscal, a condição de comprovação da quitação de tributos de que trata o art. 60 da Lei n° 9.069, de 1995, considera-se implementada com a apresentação das respectivas certidões negativas ou positivas, com efeito, de negativas durante o andamento do processo administrativo fiscal correspondente.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 1801-000.470
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Rogério Garcia Peres.
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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REGULARIDADE FISCAL. Com vistas ao gozo do benefício fiscal, a condição de comprovação da quitação de tributos de que trata o art. 60 da Lei n° 9.069, de 1995, considera se implementada com a apresentação das respectivas certidões negativas ou positivas com efeito de negativas durante o andamento do processo administrativo fiscal correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Rogério Garcia Peres. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Diniz Raposo e Silva, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Fl. 396DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11610.007805/200292 Acórdão n.º 180100.470 S1TE01 Fl. 374 2 Relatório A Recorrente acima identificada formalizou em 23/04/2002, fls. 01/06, o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC) no valor de R$619.122,30 destinado ao Fundo de Investimento da Amazônia (FINAM) correspondentes à aplicação do percentual global de 18% (dezoito por cento) do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) apurado com base no lucro real constante na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ), relativa ao anocalendário de 1998, fls. 14/58 e 112: 04 REDUÇÃO DE VALOR POR RECOLHIMENTO INCOMPLETO DO IMPOSTO. 07 DÉBITO DE IRPJ DO ANO CALENDÁRIO 98 SUSPENSO POR LIMINAR EM MEDIDA JUDICIAL. Em conformidade com o Despacho Decisório, fl. 106, as informações em referência foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido ao argumento de que a Recorrente não apresentou a comprovação de tributos federais, de acordo com o art. 60 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995. Cientificada em 11/06/2008, fl. 107verso, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 12/06/2008, fl. 114/118. Discorda do momento adotado de averiguação da situação de regularidade fiscal para fins de reconhecimento do direito ao benefício. Relaciona todos os débitos, justificando cada um deles com base no art. 151 e no art. 157 do Código Tributário Nacional (CTN). Conclui 14. Diante de todo o exposto, é o presente para requerer que seja dado provimento ao recurso, deferindose integralmente o Pedido de Revisão de Emissão de Incentivos Fiscais PERC, tendo em vista ter ficado cabalmente provada a Inexistência de quaisquer débitos impeditivos para o deferimento total do PERC do exercício de 1999, ano base 1998. Termos em que, Pede e espera deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/SPO I/SP nº 1622.136, de 15/07/2009, fls. 283/294: “Solicitação Indeferida”. Consta que ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 PERC. PROVA DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. Fl. 397DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11610.007805/200292 Acórdão n.º 180100.470 S1TE01 Fl. 375 3 Nos termos do art. 60 da Lei 9.069/95, a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo fiscal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais. Notificada em 31/07/2009, fl. 295verso (sextafeira), a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 01/09/2009, fls. 296/, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Indica a legislação que rege a matéria, princípios que alega foram violados ainda entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Diante do exposto e considerandose que: (i) a verificação da regularidade fiscal da Recorrente para efeito de gozo do beneficio fiscal pleiteado no anobase de 1998 deveria ter sido analisada quando da formalização de sua opção, ou seja, quando da entrega de sua DlPJ/1999; (ii) caso as Autoridades Fazendárias, em função de seu poderdever de fiscalização, apontem qualquer pendência relativa ao período delimitado pela entrega da DIPJ/1999 pela Recorrente, deveria ser dado prazo para que esta regularizasse sua situação fiscal; (iii) se comprova que as pendências fiscais constantes dos cadastros fazendários da Recorrente em julho de 2008, data aleatória de análise do PERC, estão com a sua exigibilidade suspensa ou já extintos; (iv) todo o imposto de renda devido no anobase de 1998 foi corretamente recolhido e que não existem quaisquer outros débitos fiscais anteriores a esse exercício que pudessem justificar a negativa do beneficio fiscal pleiteado; é o presente Recurso Voluntário apresentada para que Vossas Senhorias o conheçam e julgamento inteiramente procedente, dandolhe provimento para, reformando o acórdão recorrido, deferir o PERC apresentado pela Recorrente a fim de liberar, no valor indicado em sua DIPJ/1999, os respectivos certificados de investimento no FINAM. Alternativamente, protesta a Recorrente pela baixa dos autos à Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária de São Paulo para a realização de diligências pelas Autoridades Fiscais, a fim de que se apontem supostas pendências fiscais existente até junho de 1999, data de entrega de sua DIPJ/1999 e, portanto, de opção pela destinação do imposto de renda do anobase de 1998 ao FINAM, pendências estas que, se existentes, são impeditivas da liberação do beneficio fiscal respectivo. Ademais, requerse que, em sendo identificada qualquer pendência fiscal, conforme acima mencionado, se defira prazo suficiente para que a Recorrente comprove sua regularidade fiscal, seja pela suspensão da exigibilidade de tais créditos ou por sua extinção. Fl. 398DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11610.007805/200292 Acórdão n.º 180100.470 S1TE01 Fl. 376 4 Protesta, ainda, a Recorrente comprovar o alegado por todos os meios de prova admitidos, em especial pela juntada de novos documentos que se fizerem necessários, ou mesmo através de diligência fiscal. Por fim, os advogados abaixo assinados da Recorrente atestam a autenticidade de todos os documentos anexos a este Recurso Voluntário, sob as penas da Lei. Nestes termos, Pede deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova e a dilação probatória. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. A legislação pertinente ao processo administrativo fiscal estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar (art. 15 e inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972), precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. Ela não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. Assim, a realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio (art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972). Assim, seus pedidos devem ser indeferidos. A Recorrente afirma que se encontra em situação fiscal regular. O litígio versa sobre o PERC formalizado pela Recorrente com o escopo de usufruir do benefício fiscal relativo ao FINAM. Seu pleito foi indeferido sob o fundamento primordial de que a Recorrente estava em situação irregular. Sobre a matéria, o Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999), prevê: Art.592. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real poderá optar pela aplicação de parcelas do imposto de renda devido, nos termos do disposto neste Capítulo, em incentivos fiscais especificados nos arts. 609, 611 e 613 (DecretoLei nº 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. 1º). [...] Fl. 399DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11610.007805/200292 Acórdão n.º 180100.470 S1TE01 Fl. 377 5 Art.601. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão manifestar a opção pela aplicação do imposto em investimentos regionais (arts. 609, 611 e 613) na declaração de rendimentos ou no curso do anocalendário, nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado (art. 222), apurado mensalmente, ou no lucro real, apurado trimestralmente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 4º). §1º A opção, no curso do anocalendário, será manifestada mediante o recolhimento, por meio de documento de arrecadação (DARF) específico, de parte do imposto sobre a renda de valor equivalente a até (Lei nº 9.532, de 1997, art. 4º, §1º): I dezoito por cento para o FINOR e FINAM e vinte e cinco por cento para o FUNRES, a partir de janeiro de 1998 até dezembro de 2003; [...] §2º No DARF a que se refere o parágrafo anterior, a pessoa jurídica deverá indicar o código de receita relativo ao fundo pelo qual houver optado (Lei nº 9.532, de 1997, art. 4º, §2º). [...] Art.614. Não podem se beneficiar da dedução dos incentivos de que trata este Capítulo: [...] VI as pessoas jurídicas com registro no Cadastro Informativo de créditos não quitados do setor público federal CADIN (Medida Provisória nº 1.77046, de 11 de março de 1999, arts. 6º, inciso II, e 7º). Parágrafo único.A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais (Lei nº 9.069, de 1995, art. 60). Art.615. A empresa em mora contumaz relativamente a salários não poderá ser favorecida com qualquer benefício de natureza fiscal, tributária ou financeira, por parte de órgãos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, ou de que estes participem (DecretoLei nº 368, de 19 de dezembro de 1968, art. 2º). [...] Art.617. A empresa que transgredir as normas da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, além das outras sanções previstas, sujeitarseá, nas condições em que dispuser o regulamento, à revisão de incentivos fiscais de tratamento tributário especial (Lei nº 8.212, de 1991, art. 95, §2º). Fl. 400DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11610.007805/200292 Acórdão n.º 180100.470 S1TE01 Fl. 378 6 Cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n° 37, que é de adoção obrigatória (art. 72 da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF), e que assim determina: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Cabe mencionar a jurisprudência administrativa sobre a questão (fonte: http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudencia.jsf, acesso em 29/11/2010): Nº Recurso 157232 Número do Processo 16327.002423/200291 Turma 8ª Turma Especial Contribuinte BANCO ITAUCARD S/A Tipo do Recurso Recurso Voluntário Dar Provimento Por Unanimidade Data da Sessão 09/12/2008 Relator(a) José de Oliveira Ferraz Corrêa Nº Acórdão 19800079 Tributo / Matéria IRPJ AF (ação fiscal) Instituição Financeiras (Todas)Decisão Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, para AFASTAR o óbice da regularidade fiscal e DETERMINAR o retorno dos autos a unidade de origem para apreciação da composição dos valores que não foram admitidos como incentivos. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ ANOCALENDÁRIO: 1998 INCENTIVO FISCAL FINOR. REQUISITOS ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Uma vez admitido o deslocamento do marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dandose a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo. Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidão negativa ou positiva, com efeito, de negativa, válida na data de apresentação do recurso. Preliminar Afastada. Recurso Voluntário Provido. [...] Nº Recurso 155796 Número do Processo 13805.001786/9882 Turma 8ª Câmara Contribuinte BANCO ALFA DE INVESTIMENTO S.A. Tipo do Recurso Recurso Voluntário Dar Provimento Por Unanimidade Data da Sessão 19/12/2008 Relator(a) Orlando José Gonçalves Bueno Nº Acórdão 108 09808 Tributo / Matéria Outros proc. que não versem s/ Fl. 401DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11610.007805/200292 Acórdão n.º 180100.470 S1TE01 Fl. 379 7 exigências cred. tributario Decisão Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1996 INCENTIVOS FISCAIS PERC REGULARIDADE FISCAL. MOMENTO DA COMPROVAÇÃO. CERTIDÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidões negativas ou positivas com efeitos de negativa dentro do prazo de validade, no momento do despacho denegatório do seu pleito. É ilegal o indeferimento de PERC em razão de débitos posteriores ao exercício da opção pela aplicação nos Fundos de Investimento. Recurso Voluntário Provido. A falta de definição legal acerca do momento em que a regularidade fiscal deve ser comprovada, torna possível à Recorrente fazêlo em qualquer fase do processo. Assim, com vistas ao gozo do benefício fiscal, bem como com base no entendimento jurisprudencial pacificado desta segunda instância de julgamento, a condição de comprovação da quitação de tributos de que trata o art. 60 da Lei n° 9.069, de 1995, considerase implementada com a apresentação das respectivas certidões negativas ou positivas com efeitos de negativas durante o andamento do processo administrativo fiscal correspondente. Verificase que constam nos autos as seguintes cópias: Certificado de Regularidade do FGTS – CRF emitido pela Caixa Econômica Federal em 24/03/2008, fl. 98; Certidão Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos aos Tributos Federais e à Dívida Ativa da União emitida pela Secretaria da Receita Federal e pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional com validade até 27/03/2006 (fonte: http://www.receita.fazenda.gov.br/Aplicacoes/ATSPO/Certidao/certaut/CndConjunta/Confirma AutenticResultado.asp, acesso em 14/01/2011): Confirmação de Autenticidade das Certidões Resultado da Confirmação de Autenticidade da Certidão CNPJ:01.079.146/000137 Data da Emissão:27/03/2006 Hora da Emissão:16:35:12 Código de Controle da Certidão:5683.4642.2D85.DEB1 Tipo da Certidão:Positiva com Efeitos de Negativa Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa emitida em27/03/2006,com validade até30/06/2006. Certidão Negativa de Débitos Relativos às Contribuições Previdenciárias e às de Terceiros (fonte: Fl. 402DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11610.007805/200292 Acórdão n.º 180100.470 S1TE01 Fl. 380 8 http://www010.dataprev.gov.br/CWS/CONTEXTO/PCND1/PCND1.HTML, acesso em 10/01/2011): MINISTÉRIO DA FAZENDA Secretaria da Receita Federal do Brasil CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS RELATIVOS ÀS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E ÀS DE TERCEIROS Nº 00316201121100010 Nome: BRI PARTICIPAÇÕES LTDA CNPJ: 01.079.146/000137 Ressalvado o direito de a Fazenda Nacional cobrar e inscrever quaisquer dívidas de responsabilidade do sujeito passivo acima identificado que vierem a ser apuradas, é certificado que não constam pendências em seu nome relativas a contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e a inscrições em Dívida Ativa da União (DAU). Esta certidão, emitida em nome da matriz e válida para todas as suas filiais, referese exclusivamente às contribuições previdenciárias e às contribuições devidas, por lei, a terceiros, inclusive às inscritas em DAU, não abrangendo os demais tributos administrados pela RFB e as demais inscrições em DAU, administradas pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), objeto de Certidão Conjunta PGFN/RFB. Esta certidão é valida para as finalidades previstas no art. 47 da Lei nº 8,212 de 24 de julho de 1991, exceto para: averbação de obra de construção civil no Registro de Imóveis; redução de capital social, transferência de controle de cotas de sociedade limitada e cisão parcial ou transformação de entidade ou de sociedade sociedade empresária simples; baixa de firma individual ou de empresário, conforme definido pelo art.931 da Lei nº 10.406, de 10 de Janeiro de 2002 Código Civil, extinção de entidade ou sociedade empresária ou simples. A aceitação desta certidão está condicionada à finalidade para a qual foi emitida e à verificação de sua autenticidade na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>. Certidão emitida com base na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01, de 20 de janeiro de 2010. Emitida em 10/01/2011. Válida até 09/07/2011. Certidão emitida gratuitamente.Atenção:qualquer rasura ou emenda invalidará este documento. Por conseguinte, cabe razão à Recorrente, uma vez que comprovou sua a regularidade fiscal no curso do processo, apresentado um conjunto probatório robusto. Em face do exposto voto dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 403DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11610.007805/200292 Acórdão n.º 180100.470 S1TE01 Fl. 381 9 TERMO DE INTIMAÇÃO Intimese um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do § 3º do art. 81 do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 21 de fevereiro de 2011. _____________________________ Moema de Souza Nogueira – Secretária da Câmara Ciência Data: ____/___________/________ _____________________________ Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração. [ ] _________________________ Fl. 404DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11610.007805/200292 Acórdão n.º 180100.470 S1TE01 Fl. 382 10 Fl. 405DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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Numero do processo: 13802.004243/95-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sem texto de Ementa.
Numero da decisão: 1202-000.553
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher
parcialmente os embargos opostos, para suprir a omissão apontada e fazer constar do relatório do Acórdão embargado a ementa suprimida sem, contudo, alterar a decisão consubstanciada no Acórdão nº 120200.088, sessão de 18/06/2009.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos opostos, para suprir a omissão apontada e fazer constar do relatório do Acórdão embargado a ementa suprimida sem, contudo, alterar a decisão consubstanciada no Acórdão nº 120200.088, sessão de 18/06/2009. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: :Carlos Alberto Donassolo, Orlando José Gonçalves Bueno, Marcelo Baeta Ippolito, Maria Eliza Bruzzi Boechat , Jorge Celso Freire da Silva e Geraldo Valentim Neto. Relatório Recebidos nos termos do art. 49, § 7º, do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22.06.2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF (RICARF). Tratamse de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO (fls.354) em que o contribuinte alega OMISSÃO/CONTRADIÇÃO no Acórdão nº 120200.088, de 18 de junho de 2009, proferido pela 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara desta Primeira Seção, relativamente às seguintes matérias: No tocante a omissão, sustenta a Embargante que esta consistiria na ausência de transcrição da ementa citada no Relatório, que teria sido adotada pela 1ª Turma da DRJ de Fl. 369DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13802.004243/95 Acórdão n.º 1202000.553 S1C4T1 Fl. 2 2 Salvador/BA quando julgou o lançamento procedente em parte. Aponta a omissão como constante as fls. 317. Assim, não se teria efetivada a transcrição, constando do relatório a expressão “copiar ementa”, o que evidenciaria omissão a ser sanada por meio de embargos de declaração. Sustenta, ainda, a Embargante haver contradição no julgado, o que poderia levar a interpretações divergentes a cerca da decisão prolatada, na parte que manteve o lançamento fiscal. Desta feita, o Acórdão embargado diz ter a decisão de 1ª instância sido categórica no entendimento de que o sujeito passivo teria deixado e comprovar as justificativas das operações, manifestandose no sentido de que os documentos emitidos pela pessoa jurídica não poderia ser opostos ao Fisco, isoladamente, sem outro elemento de origem externa, bem como a juntada de 62 extratos bancários. Desta feita, o Acórdão embargado menciona que a contribuinte teria evidenciado, confessadamente, sua responsabilidade pela ausência de documentação hábil e idônea para explicar a omissão de receitas descrita no Termo de Constatação nº 01, deixando de comprovar documentalmente os alegados empréstimos da empresa controlada para pagamentos à Embraer, o que não seria suficiente para elidir o trabalho fiscal de caracterização da infração, devendo assim ser mantido o lançamento quanto a este item. Contudo, ao analisar o Termo de Constatação nº 02, o Acórdão embargado dera razão à contribuinte, sob o fundamento de que não caberia o arbitramento de lucro sobre meros depósitos bancários, posto que a presunção legal somente fora criada com a Lei nº 9.430/96, sendo imprescindível para a caracterização da omissão, o levantamento de outros elementos para evidenciar sinais exteriores de riqueza, o que não teria sido verificado nos autos. Neste ponto restaria evidenciada a contradição, pois ao manter o Termo de Constatação nº 01, deixouse de aplicar a mesma regra que deu origem ao cancelamento do Termo de Constatação nº 02, já que estão diretamente relacionados. Assim, tendo sido o Termo de Constatação nº 02 cancelado, diversos depósitos exonerados se referem aos valores/recursos tomados por empréstimo, relacionados ao Termo de Constatação nº 01. Destarte, haveria contradição para a manutenção da exigência fiscal constante do Termo de Constatação nº 01. Ao final requer sejam sanadas as omissões e contradições existentes para: (i) suprir a omissão apontada, transcrevendose a ementa omitida As fls. 317; (ii) suprir a contradição apontada pela embargante, uma vez que as origens dos pagamentos dos valores consignados no Termo de Constatação n° 01 são justamente os depósitos que foram relacionados no Termo de Constatação n° 02, que fora cancelado, o que comprova que estavam diretamente relacionados, conforme demonstrado nas razões deste recurso, determinandose em conseqüência a nulidade total dos autos de infração e cancelamento dos créditos tributários IRPJ e reflexos (PIS, FINSOCIAL, COF1NS, 1RRF e CSLL), cujos lançamentos são decorrentes dos Termos de Constatação nºs. 01 e 02 de Fl. 370DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13802.004243/95 Acórdão n.º 1202000.553 S1C4T1 Fl. 3 3 07/12/1995. Da análise dos autos, entendo estarem presentes todos os requisitos de admissibilidade para apreciação pela Turma. Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno O Recurso preenche todos os requisitos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Inicialmente cumpre destacar que o Embargos de Declaração são espécie de recurso de fundamentação vinculada, admitidos somente nos casos expressos pelo regimento do CARF, ou seja, nos termos do artigo 65: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Desta feita, mister destacar que, considerasse omissa a decisão que não se manifestar (i) sobre um pedido; (ii) sobre argumentos relevantes lançados pela parte; ou (iii) ausência de questões de ordem pública, apreciáveis de ofício, que não tenham sido suscitadas em recurso. Diante disto, a mera ausência de transcrição no relatório do voto da ementa da decisão de primeira instância não é suficiente para a oposição de Embargos de Declaração, já que não se trata de omissão de ponto que deveria ter a turma se pronunciado, ou tão pouco de omissão relativa a fundamento da decisão, mas mera supressão de informação, indiferente ao deslinde da causa. Contudo, pela boa técnica, como consta realmente as fls. 317, no relatório, a referência à ementa da decisão de primeira instância, cumpre transcrevêla, como parte integrante do relatório, eis: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 1991, 1992 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS. VALIDADE. Cumpridos os requisitos formais, previstos em lei, é descabida a alegação de nulidade do auto de infração. PEDIDO DE PERÍCIA. MOTIVOS. QUESITOS. É descabido o pedido de perícia que deixar de expor os motivos que o justifique, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, o nome, endereço e qualificação profissional do perito. PROVA. APRESENTAÇÃO. MOMENTO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de Fl. 371DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13802.004243/95 Acórdão n.º 1202000.553 S1C4T1 Fl. 4 4 sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente ou destinase a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA RESERVADA. A apreciação de inconstitucionalidades de atos normativos não é oponível ao órgão de julgamento administrativo, por ser matéria reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário COMPROVAÇÃO. RECEITAS. OMISSÃO. A falta de comprovação da origem dos recursos, através de documentação hábil e idônea, revela um artifício da empresa, no intuito de omitir receitas, ocultando valores à tributação, salvo prova em contrário. MULTAS DE OFÍCIO REDUÇÃO. RETROATIVIDADE. As multas proporcionais pelos lançamentos de oficio, aplicadas sobre os tributos devidos, são reduzidas de 100% para 75% em face da aplicação do principio da retroatividade benéfica. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL. Contribuição para o Fundo de Investimento Social — Finsocial. Sendo decorrentes dos mesmos pressupostos fáticos que motivaram o lançamento do imposto de renda da pessoa jurídica, aplicamse aos demais lançamentos os mesmos fundamentos que serviram de base para a decisão do IRPJ. Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. EXIGÊNCIA BASEADA EM NORMAS INCONSTITUCIONAIS. IMPROCEDÊNCIA É improcedente a exigência da contribuição para o PIS com base em normas declaradas inconstitucionais, pelo Supremo Tribunal Federal, e cuja eficácia tenha sido suspensa por resolução do Senado Federal. Imposto de Renda Retido na Fonte sobre o Lucro Líquido IRRF. LANÇAMENTO. SOCIEDADE LIMITADA. CONTRATO SOCIAL. DISTRIBUIÇÃO DO LUCRO. É incabível o lançamento do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre o Lucro Liquido da Pessoa Jurídica, constituída sob a forma de sociedade por quotas de responsabilidade limitada, quando a fiscalização não demonstrar que o contrato social prevê a distribuição automática do lucro, por ocasião do balanço. Lançamento Procedente em Parte” Fl. 372DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 13802.004243/95 Acórdão n.º 1202000.553 S1C4T1 Fl. 5 5 Quanto à alegada contradição, não prospera o alegado. A contradição apta a ensejar a oposição de Embargos de Declaração, há de ser entre a decisão e os fundamentos que a ela conduziram. Neste sentido, decisão contraditória é a que traz proposições incompatíveis entre si. No presente caso, a Embargante pretende ver rediscutida a matéria de mérito através da estreita via dos Embargos de Declaração. Como já explicitado no voto integrante do Acórdão embargado, no tocante ao Termo de Constatação nº 01, não existiram elementos suficientes, aptos a provar os argumentos trazidos pela ora Embargante, havendo manifestação desta no sentido de terem sido omitidos os empréstimos tomados junto à controlada Consórcio Nacional Hiroshima S/C Ltda, o que ocasionara a ausência de registro de depósitos. Tal fato, evidenciou, confessadamente, sua responsabilidade pela ausência de documentação hábil e idônea para explicar a omissão de receitas descrita no Termo de Constatação nº 01 – Pagamentos Efetuados Não Contabilizados – Omissão de Receitas. Isto não se confunde com as razões de cancelamento do Termo de Constatação nº 02. Nesse restou consignado que não cabe o arbitramento de lucros sobre depósitos bancários, diante da inexistência, a época dos fatos, da presunção legal trazida pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96. No caso dos autos não haviam elementos suficientes, aptos a dar suporte para a caracterização da acusação de omissão de receitas por falta de comprovação de origem, baseado em depósitos bancários. Assim, inexistindo outros indícios que justificassem o arbitramento do lucro, como lançado pela autoridade fiscal, as exigências tributárias não poderiam ser efetuadas com base em simples depósito bancário, diante da inexistência de presunção legal. Diante de todo o exposto, voto no sentido de acolher, parcialmente, os Embargos de Declaração, para fazer constar do relatório a ementa suprimida, nos termos do voto, mantendose inalterada a decisão consubstanciada no Acórdão de nº 120200.088, de 18 de junho de 2009 desta turma e câmara. Eis como voto. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 373DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 07 /11/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 05/11/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.003671/2003-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 1999
RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES. ÔNUS DA PESSOA FÍSICA.
Cabível a incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual sobre os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, alcançando, inclusive, as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. Não se sujeita à incidência de imposto de renda o valor correspondente ao resgate das contribuições efetuadas, cujo ônus tenha sido suportado pela pessoa física, recebido por ocasião de seu desligamento do
plano de benefícios da entidade de previdência privada que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 01 de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995.
IRPF. DEDUÇÃO DE DEPENDENTE. NETO. NECESSIDADE DE GUARDA JUDICAL.
Para restabelecer a despesa com dependente (neto) deveria o recorrente providenciar a guarda judicial, na forma do art. 35 da Lei nº 9.250, de 1995.
Numero da decisão: 2201-001.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade NEGAR provimento
ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES. ÔNUS DA PESSOA FÍSICA. Cabível a incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual sobre os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, alcançando, inclusive, as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. Não se sujeita à incidência de imposto de renda o valor correspondente ao resgate das contribuições efetuadas, cujo ônus tenha sido suportado pela pessoa física, recebido por ocasião de seu desligamento do plano de benefícios da entidade de previdência privada que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 01 de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995. IRPF. DEDUÇÃO DE DEPENDENTE. NETO. NECESSIDADE DE GUARDA JUDICAL. Para restabelecer a despesa com dependente (neto) deveria o recorrente providenciar a guarda judicial, na forma do art. 35 da Lei nº 9.250, de 1995. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade NEGAR provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 2 (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração (fls. 121/124), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 1999, na qual se apurou crédito tributário no valor total de R$ 5.181,82, calculados até março de 2003. A fiscalização, por meio de revisão da Declaração de Ajuste Anual, apurou omissão de rendimentos referente a pagamentos recebidos de entidade de previdência privada no valor total de R$ 48.190,19; deduções indevidas de dependentes, de despesas com instrução e de despesas médicas. Cientificado do lançamento, o autuado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, que há bitributação no resgate de contribuições à previdência privada, pois se trata de verbas de liquidação da entidade (no caso a FUCAE), sendo verbas referentes à devolução de reserva matemática. Alega ainda que o neto poderia ser dependente, pois reside com o contribuinte e sendo por ele sustentado. A 4ª Turma da DRJ – Porto Alegre/RS julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. INCIDÊNCIA. São tributáveis os benefícios bem com o resgate de contribuições recebidos de entidade de previdência privada, com exceção da isenção correspondente às contribuições do período de 1° de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995. DEPENDENTE. NETO. Para que o neto seja considerado dependente tributariamente é necessário que o contribuinte possua a guarda judicial dele. Lançamento Procedente Intimado da decisão de primeira instância em 22/03/2007 (fl. 133), Hermínio Gomes Júnior apresenta Recurso Voluntário em 03/04/2007 (fl. 134/154), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos posto em sua Impugnação, sobretudo: Isto significa que para a incidência do imposto de renda é necessário que o contribuinte adquira algum valor patrimonial que se venha acrescentar a seu patrimônio. Na síntese, a FUCAE simplesmente devolveu as reservas matemáticas pertencentes ao Impugnante. Seu efetivo titular. E a Fl. 2DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11080.003671/200357 Acórdão n.º 220101.060 S2C2T1 Fl. 2 3 devolução da Quota ao lmpugnante não traduz Qualquer acréscimo patrimonial. Tal devolução, não sendo fato gerador de IR, não origina a incidência do imposto sobre a renda. (...) Com efeito, não se trata de situação idêntica à daquelas pessoas que tendo contribuído a um plano de previdência privada, se retiram do fundo, sacando as contribuições. No caso em pauta, pelo contrário, o Impugnante recebeu valores que lhe pertencem (geridos pela FUCAE) em decorrência da liquidação extrajudicial da FUCAE. O IMPUGNANTE NÃO SE RETIROU DO FUNDO, O FUNDO É QUE FOI EXTINTO. (...) Não procede a aludida autuação. O neto do lmpugnante é menor de idade e vive na residência do contribuinte, com relação direta de dependência. A guarda judicial e requisito que transcende a situação de fato, que é a real relação existente no conjunto familiar que impõe o sustento do neto pelo lmpugnante. E a situação pode ser comprovada pelas diversas deduções que são efetuadas em nome do neto do lmpugnante, mais ainda por aquelas não demonstradas na declaração. Em realidade, o Impugnante sustenta o neto como seu dependente, podendo comprovar todas as despesas que efetua em beneficio desse. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos, a matéria em discussão, nesta segunda instância, cingese, essencialmente, na natureza do resgate de contribuições de previdência privada, bem como na glosa a título de dependente efetuada na DIRPF/1999 do recorrente. Em relação à natureza do resgate de previdência privada, ou seja, se os mesmos podem (ou não) ser considerados como isentos, impende reproduzir as normas legais que regem o assunto: Medida Provisória nº 2.15970, de 24 de agosto de 2001: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 4 “Art. 7º Excluise da incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de rendimentos o valor do resgate de contribuições de previdência privada, cujo ônus tenha sido da pessoa física, recebido por ocasião de seu desligamento do plano de benefícios da entidade, que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995.” Lei n.º 9.250, de 26 de dezembro de 1995: “Art. 33. Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições.” Instrução Normativa SRF nº 15, de 06 de fevereiro de 2001: “Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: (...). LI valor de resgate de contribuições de previdência privada, cujo ônus tenha sido da pessoa física, recebido por ocasião de seu desligamento do plano de benefício da entidade, que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995.” Depreende dos excertos reproduzidos que excluise da incidência do imposto na fonte na declaração de ajuste anual o valor do resgate de contribuições de previdência privada, cujo ônus tenha sido da pessoa física recebido, por ocasião de seu desligamento do plano de benefícios da entidade, que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995 (MP 1.55925/98, art. 7º), inclusive a parcela correspondente à atualização monetária do respectivo encargo (ADN 14/90). Entretanto, como não se encontra nos autos comprovante discriminando o montante do valor pago a título de resgate de contribuições de previdência privada, bem como o respectivo imposto de renda retido na fonte, correspondentes às parcelas de contribuições no período de 01/01/1989 a 31/12/1995, entendo correta a conclusão da decisão de primeira instância no momento em que considerou a referida verba como tributável. Quanto a dedução com dependente o recorrente se limita a reproduzir as considerações aduzidas em sua Impugnação de que “...o neto do lmpugnante é menor de idade e vive na residência do contribuinte, com relação direta de dependência (...) a guarda judicial e requisito que transcende a situação de fato, que é a real relação existente no conjunto familiar que impõe o sustento do neto pelo lmpugnante”. Todavia, para restabelecer a despesa com dependente deveria o recorrente estar de posse da guarda judicial de seu neto, na forma do art. 35 da Lei nº 9.250, de 1995, a saber: Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: I o cônjuge; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11080.003671/200357 Acórdão n.º 220101.060 S2C2T1 Fl. 3 5 II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. (grifei) Portanto, em que pese alegue o recorrente que seu neto é de fato seu dependente, sem o termo de guarda não há como restabelecer a dedução. Ante ao exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Fl. 5DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10120.005710/2009-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Ano calendário: 2009
OPÇÃO. TERMO DE INDEFERIMENTO. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A RECEITA FEDERAL OU PFN. NULIDADE.
É nulo o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional que se limite a consignar a existência de pendências perante a Receita Federal, Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos cuja exigibilidade não esteja suspensa.
Numero da decisão: 1402-000.499
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Pelá.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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TERMO DE INDEFERIMENTO. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A RECEITA FEDERAL OU PFN. NULIDADE. É nulo o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional que se limite a consignar a existência de pendências perante a Receita Federal, Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos cuja exigibilidade não esteja suspensa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Pelá. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Frederico Augusto Gomes de Alencar. Fl. 62DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 28/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10120.005710/200960 Acórdão n.º 140200.499 S1C4T2 Fl. 59 2 Relatório Colégio Sena Aires Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 4ª Turma da DRJ Brasília/DF, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Tratase de manifestação de inconformidade formalizada em 23/04/2009 (fls. 01/03) em face de Termo de Indeferimento de opção pelo Simples Nacional, expedido pela Receita Federal do Brasil, com fundamento no artigo 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123, de14 de dezembro de 2006 (débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil relativo a contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição, cuja exigibilidade não está suspensa – fl. 04). Alega a contribuinte, em síntese, que a pendência detectada teria resultado de um equívoco no código de receita utilizado quando do pagamento, o que já foi regularizado, consoante comprovantes anexos. A DRF de origem juntou aos autos os documentos de fls. 14/21, e os encaminhou a apreciação desta Delegacia de Julgamento, assinalando a inocorrência de erro de fato (fl. 22). Em 20/05/2009 a interessada fez juntar nova petição ao processo (fls. 25/26), aduzindo que buscou regularizar sua situação fiscal por meio de pedido de parcelamento, mas não conseguiu arcar com o parcelamento previdenciário no prazo legal, devido à grave crise econômica. Ressaltou ter liquidado as parcelas com atraso, e que seu faturamento atual justifica a concessão do benefício simplificado. Afirma que eventual indeferimento de sua opção impossibilitará a continuidade de suas atividades. Ainda, o governo federal busca simplificar a tributação e a regularização de pendências, haja vista a aprovação da Medida Provisória n° 449, de 2008. Conclui ser razoável e justo o deferimento de sua opção pelo Simples, ressaltando sempre ter adimplido suas obrigações tributárias, e que naquela data todas as pendências que impediram sua opção já estavam regularizadas.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 03 35.215 (fls. 3638) de 25/01/2010, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela impugnante. A decisão foi assim ementada. “Opção. Débitos. As pessoas jurídicas com débitos com o INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa, não podem optar pelo Simples Nacional.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 19/02/2010 (AR de fl. 43), a interessada interpôs recurso voluntário em 19/03/2010 (fls. 4950) onde argumenta, em apertada síntese, que à época do julgamento de primeira instância todos os seus débitos em cobrança, assim como as pendências junto à PFN, encontravamse com exigibilidade suspensa por ocasião de sua adesão ao parcelamento para ingresso no Simples Nacional – 2009, Fl. 63DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 28/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10120.005710/200960 Acórdão n.º 140200.499 S1C4T2 Fl. 60 3 devidamente protocolado em 20/02/2009, o que tornaria injustificado o indeferimento de seu pleito inicial. É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. De se destacar, de início, que a lide restringese à apreciação das provas constantes dos autos. Por um lado, a autoridade julgadora de primeira instância alega que, conforme extrato de fls. 14/18, alguns débitos da empresa não estariam regularizados dentro do prazo de opção pelo Simples Nacional no anocalendário 2009 (20/02/2009, conforme art. 7° e 17A, da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007), condição necessária para o deferimento do pedido de inclusão no programa, a teor do art. 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123, de 2006. A recorrente, por seu turno, afirma que todos os seus débitos em cobrança, assim como as pendências junto à PFN, tiveram suspensa sua exigibilidade por ocasião de sua adesão ao parcelamento para ingresso no Simples Nacional, ocorrido em 20/02/2009, o que tornaria lídimo o seu pleito de inclusão no Simples Nacional. Nesse contexto, passase ao exame das provas acostadas aos autos. Compulsandose os extratos de fls. 14/18, emitidos em 19/05/2009, constata se que diversos débitos e pendências junto à PFN não foram objetos do parcelamento alegado. Nessa esteira, transcrevese abaixo algumas dessas restrições. Débito em cobrança (SIEF): RECEITA 0561 (IRRF) CNPJ 02.089.324/000173 PA MENSAL 10/2006 DT. VCTO. 10/11/2006 SITUACAO DEVEDOR VL.ORIG 66,08 SALDO DEV ORIG: PRINCIPAL 66,08 UNID. MONETARIA REAL RECEITA 2089 (IRPJ) CNPJ 02.089.324/000173 PA TRIMESTRAL 3/2007 DT. VCTO. 31/10/2007 SITUACAO DEVEDOR VL.ORIG 3.877,22 SALDO DEV ORIG: PRINCIPAL 173,06 UNID. MONETARIA REAL RECEITA 2089 ( IRPJ ) CNPJ 02.089.324/000173 PA TRIMESTRAL 4/2007 DT. VCTO. 31/01/2008 SITUACAO DEVEDOR VL.ORIG 4.875,22 SALDO DEV ORIG: PRINCIPAL 4.875,22 UNID. MONETARIA REAL RECEITA 2372 (CSLL) CNPJ 02.089.324/000173 PA TRIMESTRAL 4/2007 DT. VCTO. 31/01/2008 SITUACAO DEVEDOR VL.ORIG 2.925,13 SALDO DEV ORIG: PRINCIPAL 2.925,13 UNID. MONETARIA REAL Fl. 64DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 28/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10120.005710/200960 Acórdão n.º 140200.499 S1C4T2 Fl. 61 4 Pendência junto à PFN: PROCESSO 10120501.740/200811 CNPJ 02.089.324/000173 TRIBUTO 3551 IRPJ INSCRICAO 1120800104079 DATA INSCRICAO 11/12/2008 SITUACAO ATIVA AJUIZADA DATA AJUIZAMENTO 23/02/2009 P•RESPONSAVEL – GOIÁS PROCESSO 10120501.741/200866 CNPJ 02.089.324/000173 TRIBUTO 4493 COFINS INSCRICAO 1160800980307 DATA INSCRICAO 11/12/2008 SITUACAO ATIVA AJUIZADA DATA AJUIZAMENTO 23/02/2009 PFN RESPONSAVEL GOIAS PROCESSO 10120501.742/200819 CNPJ 02.089.324/000173 TRIBUTO 0810 PIS INSCRICAO 1170800073340 DATA INSCRICAO 11/12/2008 SITUACAO ATIVA AJUIZADA DATA AJUIZAMENTO 23/02/2009 PFN RESPONSAVEL GOIAS PROCESSO 10120501.743/200855 CNPJ 02.089.324/000173 TRIBUTO 1804 CONTRIBUICAO SOCIAL INSCRICAO 1160800980480 DATA INSCRICAO 11/12/2008 SITUACAO ATIVA AJUIZADA DATA AJUIZAMENTO 23/02/2009 PFN RESPONSAVEL GOIAS A recorrente, de sua parte, limitase a afirmar que o pedido de parcelamento abrangeu todos os seus débitos para com a receita e PFN, não refutando pontuadamente as restrições transcritas acima. Restaria, de outro lado, em favor da recorrente, a dúvida sobre se o conteúdo dos extratos de fls. 14/18 não estariam desatualizados, não contemplando seu pedido de parcelamento, protocolado em 20/02/2009. Nesse sentido as provas também não socorrem a recorrente. Os extratos acostados às fls. 14/18 foram emitidos em 19/05/2009 (fl. 14) e em seu conteúdo constam pendências regularizadas por meio do aludido parcelamento (fl. 18), o que aponta para a conclusão de que tais extratos já estavam atualizados em relação ao pedido de parcelamento em foco. Entretanto, há que se reconhecer que o motivo do indeferimento do pedido de inclusão da empresa no Simples, conforme se depreende do Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, fl. 04, foi a constatação de que a empresa possuía, na data do pedido, débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil “relativo a contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição, cuja exigibilidade não está suspensa”. Ora, em primeiro lugar o extrato de fls. 14/18, que explicitou os débitos motivadores, segundo o acórdão recorrido, do indeferimento do pedido de inclusão da empresa no Simples Nacional, foi emitido apenas em 19/05/2009, quase três meses após o indeferimento do pleito da contribuinte, não se prestando para afirmar com segurança se, à época do pedido, tais débitos já estavam na base de dados da Receita Federal, condição para que se indeferisse o pleito da empresa. Em segundo lugar, os débitos constantes do extrato de fls. 14/18, conforme excerto transcrito acima neste voto, diferem daqueles descritos na condição impeditiva trazida Fl. 65DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 28/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10120.005710/200960 Acórdão n.º 140200.499 S1C4T2 Fl. 62 5 no aludido Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, de tal forma que cai por terra o argumento utilizado no acórdão recorrido que sustentava o indeferimento do pleito com base na existência dos débitos descritos naquele extrato. Por fim, dadas as semelhanças das situações, há que se fazer analogia do caso em espécie com o de exclusão do simples pelos mesmos motivos – débitos para com a Receita Federal, INSS ou para com a PFN sem exigibilidade suspensa. Nesse caso, imperioso a aplicação da súmula CARF nº 22, publicada no DOU de 22/12/2009 (Seção 1, págs. 70 a 72), in verbis. Súmula CARF nº 22 É nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. Assim, há que se declarar nulo o aludido Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, por não constar em seu bojo a indicação dos débitos cuja exigibilidade estivesse suspensa. Diante do exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Sala das Sessões, em 31 de março de 2011 (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 66DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 28/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 11020.002147/2005-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2005
PAF — PRINCIPIO DO FORMALISMO MODERADO — As informações relativas a Requisição de Movimentação Financeira deverão ser prestadas no prazo de vinte dias, admitida a prorrogação, eventualmente requerida, a critério da autoridade administrativa. Havendo nos autos a prova de que a Contribuinte se manifestou, durante este prazo, quanto a sua dificuldade em fornecer esses documentos.Mesmo que não tenha formalizado o pedido de prorrogação, expressamente, ausente reintimação e atendido o pedido, a exigência não prospera.
Numero da decisão: 1102-000.472
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso ,nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2005 PAF — PRINCIPIO DO FORMALISMO MODERADO — As informações relativas a Requisição de Movimentação Financeira deverão ser prestadas no prazo de vinte dias, admitida a prorrogação, eventualmente requerida, a critério da autoridade administrativa. Havendo nos autos a prova de que a Contribuinte se manifestou, durante este prazo, quanto a sua dificuldade em fornecer esses documentos.Mesmo que não tenha formalizado o pedido de prorrogação, expressamente, ausente reintimação e atendido o pedido, a exigência não prospera.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-07-11T16:07:27Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 9; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-07-11T16:07:27Z; Last-Modified: 2011-07-11T16:07:27Z; dcterms:modified: 2011-07-11T16:07:27Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:5ac243c1-198e-4299-b83f-7682930e4489; Last-Save-Date: 2011-07-11T16:07:27Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-07-11T16:07:27Z; meta:save-date: 2011-07-11T16:07:27Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-07-11T16:07:27Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-07-11T16:07:27Z; created: 2011-07-11T16:07:27Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2011-07-11T16:07:27Z; pdf:charsPerPage: 1497; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-07-11T16:07:27Z | Conteúdo => SI-C1T2 FL 499 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11020.002147/2005-35 Recurso n° - Voluntário Acórdão n' 1102-00A72 — 1 0 Camara / 2 Turma Ordinária Sessão de 30 de junho de 2011 Matéria OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA Recorrente BANCO DO BRASIL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2005 PAF — PRINCIPIO DO FORMALISMO MODERADO — As informações relativas a Requisição de Movimentação Financeira deverão ser prestadas no prazo de vinte dias, admitida a prorrogação, eventualmente requerida, a critério da autoridade administrativa. Havendo nos autos a prova de que a Contribuinte se manifestou, durante este prazo, quanto a sua dificuldade em fornecer esses documentos.Mesmo que não tenha formalizado o pedido de prorrogação, expressamente, ausente reintimação e atendido o pedido, a exigência não prospera. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso ,nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. V E LAQUIAS PESSOA MONTEIRO —Presidente e Relatora EDITADO EM: I 2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Mal aquias Pessoa Monteiro (Presidente da Turma), João Otavio Opperman Thorne, Silvana Rescigno Guerra Ban-etto, Leonardo de Andrade Couto , Ana Clarissa Masuko dos Santos Aranjo(Suplente Convocada) e João Carlos Lima Junior(Vice-Presidente). Relatório Cuida-se de exigência de multa por atraso na entrega dos registros de movimentação financeira de terceiro, fls 8 e 9. 0 pedido se deu corn base no art. 6° da Lei Complementar n" 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentada pelo Decreto n° 3.724;2001. Intimação procedida no dia 17 de maio de 2005. Em 30 de maio de 2005, a instituição financeira pediu a compreensão do Fisco ante os atrasos observados , conforme fis.11. Transcorrido mais de 60 dias entre o encaminhamento da requisição de informações a Fiscalização resolveu efetuar a lavratura de auto de infração corn a finalidade de exigir a penalidade minima (R$ 50.000,00) prevista no art. 31 da Lei n". 10.637, de 2002, uma vez que era inviável aferir o montante das operações que restaram, então, desconhecidas. Ciente em 26/07/2005, fls.13, a Instituição se opõe ao lançamento dizendo que empreendeu extensa análise da movimentação financeira requerida, "como extratos de conta corrente, aplicações financeiras e aplicações em fundos de investimento nos últimos cinco anos". Salienta que não houve intenção deliberada de atrasar o envio das informações. E que jamais houve qualquer comportamento doloso por sua parte. Lembra a complexidade dos documentos requeridos e que o banco centraliza os serviços de documentação, recebendo demanda de diversos órgãos de todo o pais.Este o motivo que impediu a satisfação da demanda fiscal no prazo de 20 dias. A manifestação bancária de 30 de maio de 2005 consistiria em pedido de prorrogação que, diante do silêncio fiscal, entendeu aceito. Alternativamente, requer a aplicação do art. 977 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, alicerçado nos arts. 7" e 8" da Lei n°8.021, de 12 de abril de 1990, calculando multa no valor de R$ 22.376,25. O acórdão 10-23.736 14 de janeiro de 2010, fls. 40/43 julga improcedente a impugnação. Ciente em 08/02/2010, fls.47,em 10/03/2010, a Contribuinte interpõe o recurso voluntário de fis.54/56, aduzindo, em síntese, que: recebeu o pedido da Receita em 15/05/2005,com prazo final 27/06/2005. Em 27/05/2005 informou a impossibilidade de prestar as informações requisitadas, silenciando a Receita Federal até a lavratura do auto de infração. Decorridos mais de 60 dias para atendimento, o responsável pelo procedimento fiscal concluiu que a demora na entrega das informações requisitadas estava criando embaraços As investigações em curso. Assim, aplicou a multa de 2% sobre o valor das operações objeto da requisição, valor este definido corn base no art.31, da Lei n° 10.637, de 30.12.2002, segundo constou do auto de infração. Repisa, a exemplo dos argumentos já expendidos na impugnação, a absoluta impossibilidade de atender A demanda no exíguo prazo concedido. As informações sobre a movimentação financeira do contribuinte BENFATTO MÓVEIS LTDA. CNPJ 68.807.700/0001-26, demandaram extratos de conta 2 Processo n 11020.002147/2005-35 SI-C1T2 Acórao n.° 1102-00.472 Fl. 500 corrente, aplicações financeiras e aplicações em fundos de investimentos, dos últimos cinco anos. Embora haja a previsão legal para exigência da penalidade, seu descumprimento não poderá jamais ser visto como urn desapreço ou repúdio, em razão da complexidade das informações solicitadas. Além do que se manifestara no período, embora não formalizando expressamente o pedido de prorrogação. Ratirma que a complexidade das informações requisitadas associada ao curto prazo para apresentação das mesmas foi o que impossibilitou o cumprimento da obrigação na data aprazada e apenas um forçoso entendimento pode considerar tal fato resistência ou embaraço a fiscalização. Reclama da aplicação da multa porque jamais opôs qualquer obstáculo fiscalização. A parceria que mantém entre as entidades não pode ser posta de lado para impor uma multa que se fundamenta, basicamente, em resistência ou embaraço criado a fiscalização. Comenta que o silêncio da Receita quanto 6. sua informação de 27/06/2005 foi tomada como anuência tácita para dilação de prazo, porque seria ilógico se admitir que poderia conceder tantas informações em prazo tão exíguo. Compara este prazo com a da impugnação e recurso e diz que é injusto e até ilegal aplicar multa de R$50.000,00 pelo simples fato de demorar ao prestar as informações requisitadas pelo Auditor Fiscal. Reporta-se ao artigo 918, do Dec. 3.000/99(Regulamento do Imposto de Renda), dizendo que tal dispositivo é expresso ao prescrever que o eventual descumprimento do prazo para prestação de informações ao Fisco, sujeitará a instituição infratora as cominações do art. 977, do mesmo diploma, assim redigido: 'Art. 977, Está sujeita a nu/ta de oitocentos e vinte e oito reais e setenta e cinco centavos por dia Util de atraso a instituição qtte não prestar, nos prazos de que tratam o § 1° do art. 917 e parágrafo ánico do art. 918, as informações referidas nesses artigo." Continua para dizer que houve de sua parte pedido de dilação do prazo. novo período de tempo decorrido entre a data limite para a prestação das informações iniciado em 27.06.2005 e a data da autuação, em 19.07.2005, soma 22 dias úteis que multiplicados pelos R$ 828,75 previstos na lei antes citada, perfaz o valor de R$ 18.232,50 que seria o valor correto da multa pelo não atendimento da requisição no prazo legal.Manter-se a exigência nos RS 50.000,00 enquadraria a pretensão em confisco. Concluiu suas razões com os dois pedidos: a) cancelamento da multa ou, alternativamente, sua redução para os R$18.232,50. Despacho de fis.57 encaminha o processo ao CARR Por sorteio os recebo para relato.. Este é o relatório. Voto Conselheiro Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, 0 recurso é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Cuida-se de exigência de multa por atraso na entrega dos registros de movimentação financeira de terceiro, formulado com base no art. 6° da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentado pelo Decreto n°3.724. Intimação foi procedida no dia 17 de maio de 2005 e só foi atendida com mais de 60 dias desta data. 0 prazo legalmente estipulado é, de 20 dias, nos termos do art. 7" da Portaria SRF n" 180, de 1° de fevereiro de 2001. A prorrogação é possivel, a critério da autoridade fiscal, quando requerida pelo informante. A falta de atendimento da ensejo à aplicação da penalidade prevista no art. 31 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Abaixo transcrevo os dispositivos: Da Lei Complementar n° 105, de 2002 "Art. 6" As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente." Da Lei n" 10.637, de 2002 "Art. 31. A falta de apresentação dos elementos a que se refere o art. 6" da Lei Complementar no 105, de 10 de janeiro de 2001, ou sua apresentação de forma inexata ou incompleta, sujeita pessoa jurídica à multa equivalente a 2% (dois por cento) do valor das operações objeto da requisição, apurado por meio de procedimento fiscal junto á própria pessoa juriclica ou ao titular da conta de depósito ou da aplicação . financeira, bem como terceiros, por mês-calem/círio ou .fração de atraso, limitada a 10% (dez por cento), observado o valor mínimo de R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais)." Da Portaria SRF n° 180, de 2001 "Art. 7" 0 131'07,0 1116XiI110 para atendimento da intimação de que trata o art. 2", inciso III, e da RMF será de vinte dias, admitida prorrogação em virtude de justificação fundamentada, a critêrio da autoridade que expediu a intimação ou a requisição," Entendeu o agente do fisco que não houve qualquer pedido de prorrogação do prazo originário de 20 dias. Transcorrido entre o encaminhamento da requisição de informações e a entrega das copias requisitadas mais de 60 dias, a Fiscalização efetuou o 4 Process° n° 11020.002147/2005-35 Sl-C1T2 Fl. 501 Acárao n.° 1102-00.472 lançamento com a vista a exigir a penalidade minima (R$ 50.000,00) prevista no art. 31 da Lei n 10.637, de 2002, uma vez que era inviável aferir o montante das operações que restaram, então, desconhecidas. A Recorrente oferece duas questões para andlise:a existência do pedido de prorrogação e a norma penal tributária aplicável aos fatos. No que tange ao pedido de prorrogação, pelo principio do formalismo moderado, entendo que pode ser tomado como pedido tácito o documento da folha 11, o qual aponta as dificuldades vivenciadas pela instituição financeira no atendimento das requisições de informações. Além do que não houve por parte do fisco reintimação para entrega dos documentos, bem como e a Recorrente não se negou a fazê-lo, pronunciou-se por escrito, antes do decurso do primeiro prazo e atendeu ao pedido formulado. Resta prejudicada análise do segundo argumento oferecido. Nesta ordem de juizos DOU provimento ao recurso. IV :Et E.,MALA UIAS PESSOA MONTEIRO ,z) Processo n" 1 1 020.0021 47/2005-35 SI-C1T2 Acórciao n." 1102-00.472 Fl. 502 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se urn dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009. Brasilia, kk / çj /2011. (JOSE A Criefe-de-Eci da l Camara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais-MF Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ apenas corn ciência; [ ] corn Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração; 7
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